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Numero do processo: 10384.000513/2009-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2005
OMISSÃO DE RECEITAS. EQUIPARAÇÃO A PESSOA JURÍDICA JÁ EXISTENTE
A prática habitual de atividades comerciais com o objetivo de lucro, afasta a alegação de intermediação e autoriza a tributação da receita como sendo auferida pela pessoa jurídica.
ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO
Incabível a alegação de erro na identificação do sujeito passivo, quando demonstrado nos autos que a pessoa jurídica autuada tem relação direta com a situação que constitui o fato gerador dos tributos.
Numero da decisão: 1302-002.806
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Angelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. EQUIPARAÇÃO A PESSOA JURÍDICA JÁ EXISTENTE A prática habitual de atividades comerciais com o objetivo de lucro, afasta a alegação de intermediação e autoriza a tributação da receita como sendo auferida pela pessoa jurídica. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO Incabível a alegação de erro na identificação do sujeito passivo, quando demonstrado nos autos que a pessoa jurídica autuada tem relação direta com a situação que constitui o fato gerador dos tributos.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. EQUIPARAÇÃO A PESSOA JURÍDICA JÁ EXISTENTE A prática habitual de atividades comerciais com o objetivo de lucro, afasta a alegação de intermediação e autoriza a tributação da receita como sendo auferida pela pessoa jurídica. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO Incabível a alegação de erro na identificação do sujeito passivo, quando demonstrado nos autos que a pessoa jurídica autuada tem relação direta com a situação que constitui o fato gerador dos tributos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 00 05 13 /2 00 9- 53 Fl. 261DF CARF MF Processo nº 10384.000513/200953 Acórdão n.º 1302002.806 S1C3T2 Fl. 262 2 Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Angelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Para a devida síntese do processo em exame, transcrevo o relatório da DRJ/RPO: “Em procedimento fiscal, verificouse que VALDEMAR CARDOSO VIEIRA, CPF 038.955.05315, tendo sido intimado para justificar depósitos bancários efetuados em conta corrente, de sua titularidade, no Banco do Brasil S/A, apresentou documentos de créditos e notas fiscais (entrada e de produtor), referentes a operações de vendas, de castanha de caju, para diversas empresas. Constatandose, que, no caso em foco, a Pessoa Física equiparase a Pessoa Jurídica, a fiscalização tributou as receitas comprovadas através das notas fiscais de folhas 55 a 136, no valor de R$ 1.261.458,32, na Pessoa Jurídica: V. C.VIEIRA COMÉRCIO E TRANSPORTE LTDA, de titularidade do sujeito passivo, submetido ao processo fiscalizatório. Foram lavrados os autos de infração de fls. 3 a 44, exigindo os seguintes tributos: O enquadramento legal para o lançamento dos tributos encontrase descrito nos autos de infração. Notificada da autuação, a contribuinte, representada pelo procurador Jorge Henrique Furtado Baluz (fl. 188), ingressou com a impugnação de fls. 169 a 187, na qual alega: ● A pessoa física autuada dedicase à intermediação de vendas de produtos de origem vegetal auferindo comissão a título de contraprestação pecuniária pela intermediação. As notas fiscais de venda emitidas em nome da pessoa física servem apenas para viabilizar o trânsito dos produtos até a indústria adquirente. Prova disso Fl. 262DF CARF MF Processo nº 10384.000513/200953 Acórdão n.º 1302002.806 S1C3T2 Fl. 263 3 são os contratos celebrados que prevêem o pagamento de comissão sobre o valor de venda. ● Analisando o extrato bancário da pessoa física que serviu como indício de omissão de receita, percebese que todo depósito corresponde a uma saída (débito) imediata, que caracteriza que a impugnante repassa o valor do produto diretamente ao respectivo produtor rural, ficando em sua conta corrente apenas o percentual equivalente a sua comissão. ● Portanto, a pretensa omissão de receitas apurada é, em verdade, decorrente da atividade de intermediação de venda de produtos de origem rural, onde o Impugnante (na pessoa de seu titular) procede à ligação entre o produtor rural e respectivo industrial ou revendedor. ● Assim, ausente a compra e venda do produto, inválida a equiparação do contribuinte à pessoa jurídica adotada pelo fisco, já que não há que se falar em atividades mercantis realizadas pela pessoa física do contribuinte. Nessa ordem de ideias afigurase nulo o lançamento. ● Mesmo que se pudesse alcunhar os fatos objeto do auto de infração como atividade mercantil e, portanto, equiparada à empresa individual, o resultado da fiscalização deveria ser outro. Como cediço, o contribuinte pessoa física que pratica reiterada e habitualmente atos de cunho comercial está equiparado, para fins fiscais, às pessoas jurídicas. Destarte, o sujeito passivo da obrigação tributária decorrente das operações de venda de produtos, na forma apurada pela autuação, é a pessoa física que praticou o negócio jurídico, in casu, o Sr. Valdemar Cardoso Vieira. Ou seja, o contribuinte pessoa física é, na presente hipótese, equiparado à empresa individual que, a sua vez, sujeitase ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (ainda que através do SIMPLES), por força do que preconiza o art. 150 do Regulamento do Imposto de Renda. ● A equiparação da pessoa física à pessoa jurídica prescrita no Regulamento do Imposto de Renda se basta para seu fim, não conduzindo à alteração da sujeição passiva da relação tributária, por meio da criação de nova personalidade jurídica, como o fez a autuação. ● Na clara dicção do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, somente há espaço para a imputação do crédito tributário decorrente da omissão de receitas a terceiro não titular da conta corrente bancária onde houve a apuração do ilícito fiscal quando comprovado, efetivamente, que os respectivos valores pertencem ao terceiro, caracterizando a interposição de pessoa (no caso, do titular da empresa Impugnante).Vale dizer, não há nos autos prova conducente à conclusão de que os valores transitados na conta corrente da pessoa física são fruto das atividades praticadas pelo impugnante, figurando este, neste particular, como parte ilegítima para compor o pólo passivo da relação tributária erigida pela autuação. Fl. 263DF CARF MF Processo nº 10384.000513/200953 Acórdão n.º 1302002.806 S1C3T2 Fl. 264 4 Com essas considerações, verificase que houve erro na identificação do sujeito passivo e deve ser anulado o lançamento. ● Da Base de Cálculo. A autuação tributou toda a suposta receita quando há provas da existência da atividade de corretagem ou intermediação da venda de produto rural. A receita de corretagem corresponde a uma parcela não quantificada de venda do produto rural tendo em vista que a fiscalização computou no seu levantamento quantitativo toda a movimentação havida junto aos clientes, considerada a movimentação bancária e as notas fiscais emitidas. ● Na falta de uma identificação completa das transações que deram causa as receitas de corretagem e das transações que corresponderiam às compras e vendas, não há como prevalecer o lançamento, dês que não há efetiva identificação da hipótese de incidência dos tributos em testilha. ● Destarte, uma vez que a autoridade lançadora não demonstrou a efetiva ocorrência do fato gerador e nem apontou os fundamentos de fato e de direito que autorizam a presunção de omissão de receitas, é de ser anulado o auto de infração. ● A fiscalização, em evidente inobservância ao princípio da capacidade contributiva, deixou de levar em consideração que o real rendimento do impugnante, nas operações de intermediação, consiste na comissão sobre o preço de venda, não configurando faturamento próprio os valores que apenas transitam em seu caixa, relativos aos pagamentos realizados aos respectivos produtores rurais. No caso vertente, insistase, há depósitos de terceiros que transitaram nas contas do titular do Impugnante; são valores que não pertencem ao Impugnante, mas sim aos respectivos produtores rurais alienantes. Essencial, assim, a contabilização dos pagamentos realizados pelo impugnante, para se estabelecer, a precisão necessária, os valores passíveis de tributação. ● No caso vertente, notadamente por força do primado da legalidade estrita (art. 142 do CTN), donde decorre a obrigatoriedade da investigação adequada dos fatos que antecedem a formalização e quantificação do crédito tributário via auto de infração, a autuação, verificado o mero indicio de omissão, estava obrigada a analisar todas as notas fiscais de venda de mercadorias e proceder ao levantamento analítico de estoque, para constatar a entrada de mercadorias e a sua eventual omissão. ● Assim sendo, não possuindo qualquer informação de ordem técnica acerca das entradas e saídas de mercadorias comercializadas pela impugnante, não há como arrimar a alegação de que esta deixou de recolher os tributos federais sobre supostas vendas omitidas”. Após análise das razões apresentadas pelo contribuinte, os membros da 3ª Turma de Julgamento da DRJ/POR julgaram improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, nos termos da ementa do Acórdão nº 1454.435, transcrito a seguir: Fl. 264DF CARF MF Processo nº 10384.000513/200953 Acórdão n.º 1302002.806 S1C3T2 Fl. 265 5 “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. EQUIPARAÇÃO À PESSOA JURÍDICA. A prática habitual de atividades comerciais com o objetivo de lucro, afasta a alegação de intermediação e autoriza a tributação da receita como sendo auferida pela pessoa jurídica. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. Incabível a alegação de erro na identificação do sujeito passivo, quando demonstrado nos autos que a pessoa jurídica autuada tem relação direta com a situação que constitui o fato gerador dos tributos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Inconformada com a decisão retro, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário para apreciação por este Conselho reiterando as razões expostas em sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa – Relator. Presentes os requisitos de admissibilidade recursal, tomo conhecimento do presente Recurso Voluntário. Com supedâneo no §3º, do art. 57, da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprova o novo Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), e tendo em vista a ausência de apresentação de novas razões de defesa perante este Conselho, adoto as razões de decidir da decisão recorrida, conforme transcrito a seguir: “A contribuinte alega na impugnação que houve erro na identificação do sujeito passivo, uma vez que não há nos autos prova de que os valores transitados na conta corrente da pessoa física são fruto das atividades praticadas pela impugnante. Fl. 265DF CARF MF Processo nº 10384.000513/200953 Acórdão n.º 1302002.806 S1C3T2 Fl. 266 6 Acrescenta que não se tratam de operações de compra e venda, como entendeu a fiscalização, mas de prestação de serviços de intermediação. Defende que há depósitos de terceiros que transitaram nas contas do titular /Impugnante e são valores que não lhe pertencem, mas sim aos respectivos produtores rurais alienantes. Não procedem tais alegações. Em primeiro lugar, porque foram tributados na presente autuação, como omissão de receita, os valores das notas fiscais de venda de castanha de caju e não os depósitos efetuados na conta bancária de Valdemar Cardoso Vieira. Em segundo lugar porque, quando intimado, Valdemar Cardoso Vieira justificou os depósitos bancários efetuados em sua conta corrente no Banco do Brasil S/A, apresentando documentos de créditos e notas fiscais (entrada e de produtor), referentes a operações de vendas de castanha de caju para diversas empresas. Tais documentos comprovam que houve, na realidade, atos de comércio, ou seja, efetuavase a venda dos produtos e o valor desses bens era depositado em conta bancária. Os depósitos na conta corrente comprovam o recebimento pela venda do produto, concluindose que ocorreram operações de compra e venda de castanha de caju e não mera “intermediação”. Não há nenhum elemento nos autos que possa comprovar que Valdemar Cardoso Vieira tenha agido em nome e por conta de terceiros. No contrato apresentado juntamente com a impugnação (fls. 195 a 199) consta que referida pessoa se obrigava a adquirir e entregar, no prazo e condições pactuadas, o objeto negociado, assumindo o risco do negócio juntamente com a contratante. Os pagamentos efetuados pela empresa compradora em razão da execução do citado contrato, e de acordo com a emissão das notas fiscais de compras, foram realizados mediante depósitos/créditos em conta de titularidade da citada pessoa física. Além disso, foi apresentado unicamente o referido contrato que não se fez acompanhar de outros documentos, tais como aqueles citados no contrato: “recibo, com retenção de imposto de renda incidente na fonte e ISS, na forma da Lei”. Devese, portanto, afastar a alegação de que se tratou de simples intermediação. A partir dessa conclusão e considerando que os negócios eram feitos com habitualidade é lícito considerar que a natureza jurídica desses atos é a de uma operação de compra e venda mercantil, onde uma parte efetivamente entregou a coisa e a outra pagou o preço pactuado, tendo ambas assumido os riscos do negócio. Como se vê no processo, várias notas fiscais avulsas (por exemplo, fls. 75, 76, 82 a 85, 120 a 125, 136, 137) foram emitidas em nome da contribuinte e não da pessoa física, o que leva à conclusão de que se trata de receita a ser tributada na pessoa jurídica da impugnante. Assim, considero correta a atribuição de tais vendas à pessoa jurídica da qual Valdemar Cardoso Vieira participa, que possui como objeto social a venda de castanha de caju”. Conclusão Diante do exposto, NEGO provimento ao recurso voluntário. Fl. 266DF CARF MF Processo nº 10384.000513/200953 Acórdão n.º 1302002.806 S1C3T2 Fl. 267 7 É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator Fl. 267DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.722571/2011-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007, 2009
INTIMAÇÃO. RECEBIMENTO. ENDEREÇO DA CONTRIBUINTE. REGISTRO NA RFB. COMPROVAÇÃO POR AR. TEORIA DA APARÊNCIA. INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO.
No caso de pessoa jurídica, o STJ admite há muito tempo a aplicação da teoria da aparência para as citações por oficial de justiça e pelos correios.
Do mesmo modo, a carta registrada enviada ao endereço constante do cadastro da pessoa jurídica junto à Receita Federal do Brasil, ainda que não recebida e assinada no aviso de recebimento (AR) por representante legal, supre a exigência de forma no ato de intimação.
MULTA QUALIFICADA. DÚVIDA QUANTO A OCORRÊNCIA DO ATO DOLOSO. INTERPRETAÇÃO DO ART. 112 CTN.
Considerando-se que o art. 112 do Código Tributário Nacional prevê interpretação favorável da lei tributária que define infrações ou comine penalidades em casos de dúvida quanto às circunstâncias materiais do fato, à natureza da penalidade ou sua graduação, deve ser afastada a qualificadora na hipótese em que não resta caracterizada a prática de ação que vide impossibilitar ou retardar a ocorrência do fato gerador.
Numero da decisão: 1201-002.110
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por intempestivo e, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Vencidas as conselheiras Eva Maria Los e Ester Marques Lins de Sousa que davam provimento ao recurso de ofício para manter a multa qualificada.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente convocado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães e Luis Fabiano Alves Penteado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007, 2009 INTIMAÇÃO. RECEBIMENTO. ENDEREÇO DA CONTRIBUINTE. REGISTRO NA RFB. COMPROVAÇÃO POR AR. TEORIA DA APARÊNCIA. INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO. No caso de pessoa jurídica, o STJ admite há muito tempo a aplicação da teoria da aparência para as citações por oficial de justiça e pelos correios. Do mesmo modo, a carta registrada enviada ao endereço constante do cadastro da pessoa jurídica junto à Receita Federal do Brasil, ainda que não recebida e assinada no aviso de recebimento (AR) por representante legal, supre a exigência de forma no ato de intimação. MULTA QUALIFICADA. DÚVIDA QUANTO A OCORRÊNCIA DO ATO DOLOSO. INTERPRETAÇÃO DO ART. 112 CTN. Considerando-se que o art. 112 do Código Tributário Nacional prevê interpretação favorável da lei tributária que define infrações ou comine penalidades em casos de dúvida quanto às circunstâncias materiais do fato, à natureza da penalidade ou sua graduação, deve ser afastada a qualificadora na hipótese em que não resta caracterizada a prática de ação que vide impossibilitar ou retardar a ocorrência do fato gerador.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por intempestivo e, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Vencidas as conselheiras Eva Maria Los e Ester Marques Lins de Sousa que davam provimento ao recurso de ofício para manter a multa qualificada. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente convocado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães e Luis Fabiano Alves Penteado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rafael Gasparello Lima.
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RECEBIMENTO. ENDEREÇO DA CONTRIBUINTE. REGISTRO NA RFB. COMPROVAÇÃO POR AR. TEORIA DA APARÊNCIA. INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO. No caso de pessoa jurídica, o STJ admite há muito tempo a aplicação da teoria da aparência para as citações por oficial de justiça e pelos correios. Do mesmo modo, a carta registrada enviada ao endereço constante do cadastro da pessoa jurídica junto à Receita Federal do Brasil, ainda que não recebida e assinada no aviso de recebimento (AR) por representante legal, supre a exigência de forma no ato de intimação. MULTA QUALIFICADA. DÚVIDA QUANTO A OCORRÊNCIA DO ATO DOLOSO. INTERPRETAÇÃO DO ART. 112 CTN. Considerandose que o art. 112 do Código Tributário Nacional prevê interpretação favorável da lei tributária que define infrações ou comine penalidades em casos de dúvida quanto às circunstâncias materiais do fato, à natureza da penalidade ou sua graduação, deve ser afastada a qualificadora na hipótese em que não resta caracterizada a prática de ação que vide impossibilitar ou retardar a ocorrência do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por intempestivo e, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Vencidas as conselheiras Eva Maria Los e Ester Marques Lins de Sousa que davam provimento ao recurso de ofício para manter a multa qualificada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 72 25 71 /2 01 1- 21 Fl. 1957DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente convocado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães e Luis Fabiano Alves Penteado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rafael Gasparello Lima. Relatório No âmbito do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) n. 08.1.85.00 2011 002270 (fl. 2), contra a contribuinte acima identificada foi lavrado auto de infração que exigiu Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), acrescidos de juros de mora, multa de ofício e multa de ofício qualificada. O substrato do lançamento baseouse em falta de contabilização de ganho de capital apurado em alienação de investimento avaliado pelo valor do patrimônio líquido e compensação indevida de base de cálculo negativa de CSLL de períodos anteriores, conforme quadro a seguir: Foi glosada a importância de R$ 70.849.309,17, correspondente ao custo do investimento na Usina Moema, pertencente à impugnante e decorrente de ágio interno, destituído de propósito de negócio. Foram realizados ajustes da compensação do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa nos períodos subsequentes, em conformidade com a legislação. Os demonstrativos de fls. 1129/1130 registram o valor glosado, a apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. O ganho de capital antes referido foi obtido com a venda, ocorrida no dia 15/5/2006, que a contribuinte efetuou à Usiagropar Participações Ltda. de sua participação na Usina Moema. Fl. 1958DF CARF MF Processo nº 10840.722571/201121 Acórdão n.º 1201002.110 S1C2T1 Fl. 3 3 O procedimento fiscal foi instaurado com o Termo de Início de Ação Fiscal (fls. 5/6) que intimou a contribuinte a apresentar estatuto social e alterações, organograma da pessoa jurídica e a prestar informações relativas à incorporação da Elbelpar Agro Participações e Empreendimentos S.A. (Elbelpar Agro) e ElbelparMo Participações e Empreendimentos S.A. (Elbelpar Mo), e da cessão onerosa de quotas da Usina Moema Açúcar e Álcool Ltda. para a Usiagropar Participações Ltda. O Termo de Verificação Fiscal (TVF, fls. 1097/1133) registra que a Santa Elisa Participações S.A. (Separ) assinou em 13/4/2006 com Usiagropar Participações Ltda. (Usiagropar) compromisso de transferir onerosamente 36,05% do capital social da Usina Moema Açúcar e Álcool Ltda. (Moema), em vista de que a Separ incorporaria Elbelpar Agro e Elbelpar Mo, que eram detentoras da participação na Moema. Em 20/4/2006 a Separ incorporou a totalidade das ações, a valor de mercado da Elbelpar Mo e Elbelpar Agro. Quatro dias após a incorporação das ações, em 24/4/2006, a Separ incorporou a Elbelpar Mo e Elbelpar Agro. Posteriormente, em 15/5/2006, a Separ alienou à Usiagropar a participação de 36,05% na Moema, sem registrar lucro contábil sobre tal transação. Segundo a fiscalização, a família Biagi detinha participação direta ou indireta tanto na contribuinte quanto na Elbelpar Mo e Elbelpar Agro (fls. 1099/1101). Conforme consta do TFV, a impugnante fora constituída em 22/9/2004 com capital inicial de R$ 10.000,00, tendo como acionista majoritária a Usina Santa Elisa S.A. Em 29/10/2004 o capital social foi aumentado para R$ 29.725.875,53, totalmente integralizado pela Usina Santa Elisa, mediante conferência de bens e direitos. Em 5/4/2005 o capital foi novamente elevado para R$ 44.725.875,53, com emissão de 3.332.497 ações ao preço de R$ 4,501129, calculado com base em rentabilidade futura. Após os acionistas terem cedido gratuitamente o direito à subscrição a Companhia de Bebidas Ipiranga (CBI), acionista da Usina Santa Elisa, integralizou 2.506.068 ações, no valor de R$ 11.280.136,13, restando 826.429 ações a integralizar. Em 24/5/2005, após renúncia dos demais acionistas, a CBI integralizou o restante das ações, no valor de R$ 3.719.863,82. Nesta data o capital foi novamente aumentado em R$ 2.600.000,00, correspondente a 577.633 ações, integralizadas por Alebisa, após os demais acionistas terem renunciado. Posteriormente a tais movimentações, em 13/4/2006, houve a cessão antes referida, da participação na Usina Moema, para a Usiagropar, que na qualidade de promitente cessionária acordou em efetuar pagamento de R$ 79.688.626,83 (fls. 1103/5). Da Assembléia Geral de 20/4/2006 Na Assembléia Geral Extraordinária realizada pela contribuinte em 20/4/2006 foram tratados alguns temas, desdobrados a seguir. Fl. 1959DF CARF MF 4 aprovação do Protocolo de Incorporação de Ações e Justificação, celebrado com a Elbelpar Mo e a Elbelpar Agro em 20/4/2006 nomeação da Setape Assessoria Econômica Ltda. (Setape) como empresa avaliadora para elaborar laudos de avaliação da contribuinte, da Elbelpar Agro e da Elbelpar Mo, baseado na metodologia do valor patrimonial ajustado, utilizandose das demonstrações financeiras auditadas, do período de abril 2004 a abril/2005 e não auditadas, de fevereiro/2005 a março/2006; aprovação dos laudos de avaliação elaborados com base na metodologia descrita anteriormente, que apurou os valores de R$ 75.775.000,00, R$ 52.768.000,00 e R$ 486.212.000,00, atribuídos à totalidade de ações de emissão de Ebelpar Mo, Elbelpar Agro e da contribuinte, respectivamente; aprovação da incorporação da totalidade das ações das incorporadas, visando convertêlas em subsidiárias integrais da contribuinte; aprovação o aumento de capital que passou de R$ 47.325.875,53 para R$ 175.868.875,53, com emissão de 8.892.776 ações de diversas espécies , que foi totalmente subscrito pelos acionistas da Elbelpar Agro e Elbelpar Mo e integralizado mediante a conferência da totalidade de ações de emissão da Elbelpar Agro e Elbelpar Mo. Consta do TVF que a Companhia Energética Santa Elisa (Cese), controlada da contribuinte foi objeto de avaliação pelo método do fluxo de caixa descontado que, após ajustes, elevou seu valor de mercado de R$ 88.439.000,00 para R$ 485.465.000,00 (fl. 1112/3). Em razão disso a contribuinte, como controladora da Cese, registrou como investimento naquela sociedade o valor de R$ 397.026.000,00 tendo como contrapartida a contra patrimonial de Reserva de Reavaliação. Segundo consta do TVF, a avaliação a valor de mercado da contribuinte teve origem tãosomente nos ajustes efetuados na Cese, sua controlada, que também foi avaliada a valor de mercado. Semelhante fato ocorreu com a Elbelpar Mo e a Elbelpar Agro. A primeira possuía investimentos na Usina Moema, sua única investida, tendo o investimento sido elevado de R$ 4.218.000,00 para R$ 36.821.000,00. Em decorrência disso, houve aumento no valor patrimonial da Elbelpar Mo, de R$ 32.603.000,00, representado exclusivamente pelos ajustes nas contas de investimento da Usina Moema. A segunda possuía investimentos na Usina Moema, sua única investida, tendo o investimento sido elevado de R$ 4.948.000,00 para R$ 43.194.000,00. Em face de tal circunstância, houve aumento no valor patrimonial da Elbelpar Mo, de R$ 38.246.000,00, representado exclusivamente pelos ajustes nas contas de investimento da Usina Moema. Da Assembléia Geral de 24/4/2006 e do protocolo de incorporação da Elbelpar Mo e Elbelpar Agro Na assembléia geral a contribuinte aprovou o protocolo de incorporação das sociedades empresárias Elbelpar Mo e Elbelpar Agro, ao mesmo tempo em que ratificou a nomeação da empresa que procedeu à avaliação das incorporadas, aprovou o laudo de avaliação e, por fim, aprovou as incorporações. Fl. 1960DF CARF MF Processo nº 10840.722571/201121 Acórdão n.º 1201002.110 S1C2T1 Fl. 4 5 No mesmo dia da assembléia a contribuinte, a Elbelpar Mo e a Elbelpar Agro firmaram Protocolo de Incorporação e Justificação, que registra como capital integralizado os valores de R$ 175.868.875,53, R$ 43.171.482,10 e R$ 14.404.242,91, respectivamente. Segundo a fiscalização a operação atendeu, dentre outras, as condições adiante: o critério utilizado para a avaliação do patrimônio das incorporadas integrado pela incorporadora foi o valor do patrimônio líquido contábil, apurado com base nos balanços levantados em 31/3/2006; em razão de as incorporadas serem subsidiárias integrais da incorporadora, a incorporação foi realizada sem qualquer aumento no capital social da incorporadora; contratouse para elaboração do laudo de avaliação do patrimônio das incorporadas a empresa Diretriz Tributária e Contábil S/C Ltda. consta dos laudos de avaliação da Elbelpar Mo e Elbelpar Agro que os acervos a serem incorporados ao patrimônio da Separ compreendem os bens, direitos e obrigações registrados nos livros contábeis em 30/3/2006, pelas importâncias de R$ 43.171.482,10 e R$ 14.522.208,73, respectivamente. Da alienação para a Usiagropar da participação que a Separ detém na Usina Moema Por meio da alteração contratual realizada em 15/5/2006 na Usina Moema ficou deliberada a transferência das quotas detidas por Ebelpar Mo e Ebelpar Agro para a Separ que, ato contínuo, retirouse da sociedade transferindo 661.343 quotas de sua propriedade à Usiagropar que assim ingressou na sociedade. Na mesma alteração a Cese também transfere 85.939 quotas de sua propriedade à Usiagropar. Do ágio interno Registra o TVF que ...a Separ, empresa controlada pela família Biagi, emitiu novos títulos de capital social, títulos estes que foram subscritos pela própria família Biagi através da totalidade de suas participações societárias nas empresas Elbelpar Mo e Elbelpar Agro (100% de participação no capital social de ambas as empresas). Para a Separ, o custo de aquisição dos investimentos nas empresas Elbelpar Mo e Elbelpar Agro foi o valor do patrimônio líquido das mesmas acrescido de um ágio no valor total de R$ 70.849 mil, ágio este gerado internamente, intragrupo, uma vez que tanto a Separ como a Elbelpar Mo e Elbelpar Agro eram empresas controladas pela família Biagi. Fl. 1961DF CARF MF 6 Segundo a fiscalização, o intangível decorreu da incorporação de ações de pessoas jurídicas avaliadas a valor de mercado sem qualquer desembolso verificado na referida operação, o que impede o reconhecimento contábil desse ágio. O ágio gerado internamente não decorre de operação com propósito de negócio; não há qualquer forma de desembolso que dê amparo à existência de valor justo de ativo negociado entre partes independentes, ocorrência que não encontra respaldo na teoria contábil, tampouco no âmbito da CVM, que por meio do Ofício Circular CVM/SNC/SEP n. 1/2007, manifestou entendimento de que as transações envolvendo ágio gerado internamente não se revestem de substância econômica e independência entre as partes que justifique registro, mensuração e evidenciação pela contabilidade. A operação tampouco encontra respaldo no âmbito do Conselho Federal de Contabilidade, pois pelo Princípio do Registro pelo Valor Original, previsto na Resolução CFC 750/1993, os componentes do patrimônio devem ser registrados pelos valores originais das transações com o mundo exterior. Assim, a avaliação dos componentes patrimoniais deve ser feita com base nos valores de entrada, considerandose os resultantes do consenso com agentes externos ou da imposição destes. Dessa forma, o ativo intangível correspondente ao ágio apenas pode ser reconhecido se pago e adquirido de terceiros, não podendo ser reconhecido aquele que for gerado pela própria empresa ou dentro do conjunto de empresas sob controle comum. A fiscalização considerou evidente o intuito, por parte do grupo econômico da Separ, em neutralizar o ganho de capital obtido com a venda de sua participação na Usina Moema à Usiagropar, após ter ocorrido a reorganização societária adiante caracterizada: avaliação a valor de mercado da Moema, única investida das empresas Elbelpar Mo e Elbelpar Agro, em 31/3/2011; incorporação das ações da Elbelpar Mo e Elbelpar Agro, pela Separ, registrando em sua contabilidade, a título de investimento, um valor inflado pelo ágio proveniente da reavaliação da Usina Moema, em 20/4/2011; incorporação das sociedades empresárias Elbelpar Mo e Elbelpar Agro pela Separ, registrando, em 24/4/2011, na contabilidade desta última um investimento na Usina Moema inflado pelo ágio; alienação em 15/5/2006, à Usiagropar, da participação que a Separ detinha na Usina Moema por valor próximo ao custo de aquisição, que se encontrava inflado pelo ágio, mascarando o lucro obtido nesta operação,. as operações foram realizadas em sequência, em curto espaço de tempo entre cada uma delas, com um único objetivo atingido ao término de todas etapas, a saber, a neutralização do ganho de capital em vista da criação de ágio interno; embora a justificativa apresentada pela contribuinte fosse a de obtenção de maior eficiência operacional, administrativa e financeira, aliadas à redução de custos, a fiscalização constatou que as sedes das empresas localizavamse no mesmo endereço, elas não realizaram despesa com aluguéis, não possuíam empregados, tampouco houve qualquer desembolso a título de remuneração de dirigentes e do conselho de administração, o que afasta a alegação de que haveria redução de custos, pois eles inexistiam. Fl. 1962DF CARF MF Processo nº 10840.722571/201121 Acórdão n.º 1201002.110 S1C2T1 Fl. 5 7 Por entender que a contribuinte teve intenção dolosa de fazer surgir ágio artificial com o objetivo de inflar o custo do investimento na Usina Moema e neutralizar tributariamente o ganho de capital obtido com a alienação utilizandose de atos elaborados em curto espaço de tempo, cuja função foi distorcer o resultado final caso as partes não efetuassem o planejamento, ocasionando redução indevida de IRPJ e CSLL houve imposição de multa qualificada sob o fundamento de ter existido sonegação e fraude no procedimento adotado. A autoridade fiscal intimou a contribuinte a retificar o Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur) e o Registro de Apuração da Contribuição Social. Formalizouse representação fiscal para fins penais, autuada sob o processo administrativo n. 10840.722573/201111 e arrolamento de bens e direitos para acompanhamento do patrimônio do sujeito passivo, autuado sob n. 10840.722572/201176. Impugnação Intimada da imposição tributária, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 1142/1227 com alegação preliminar de: nulidade decorrente de cerceamento do direito de defesa em vista de que a fiscalização não indagou acerca dos motivos empresariais, operacionais e extra tributários que levaramna a realizar suas operações da forma como foram implementadas, circunstância que fere o princípio do contraditório e da ampla defesa; nulidade decorrente de erro de sujeito passivo, pois com a desconsideração das sociedades Elbelpar Mo e Elbelpar Agro a venda das quotas da Usina Moema deveria ser considerada como sendo feita pelas pessoas físicas que detinham participação naquelas sociedades empresárias; nulidade decorrente de erro no enquadramento legal e na descrição dos fatos em face de que ao listar as normas infringidas a fiscalização não estabeleceu a necessária relação entre os conteúdos e os fatos que originaram a imposição tributária. Antes de declinar as questões de mérito relativas a seu inconformismo a impugnante consignou em breve histórico que: no contexto da reorganização societária que ocorreu envolvendo dois núcleos da família Biagi as partes resolveram dividir seus negócios em dois segmentos, em que um deles (família Biagi I) cuidaria dos investimentos na impugnante e suas controladas e outro (família Biagi II), inclusive o senhor Maurílio Biagi Filho, cuidaria dos investimentos na Usina Moema; os integrantes da família Biagi I principiaram discutir a forma como se daria a alienação das quotas da Usina Moema, que detinham indiretamente, por meio da Elbelpar Mo e Elbelpar Agro; a Elbelpar Mo e a Elbelpar Agro foram constituídas mais de um ano antes da reorganização societária, com o propósito de servir de holdings puras da família Biagi I, para concentrar as quotas da Usina Moema que pertenciam aos seus integrantes e, assim permitir representação homogênea dos interesses do grupo na Usina Moema, principalmente Fl. 1963DF CARF MF 8 para fazer frente aos crescentes conflitos que surgiam com o senhor Maurílio Biagi Filho na administração da usina; outro aspecto relevante que surgiu com a decisão de alienar a participação na Usina Moema era o de manter e perpetuar os investimentos dos membros da família Biagi I, tendo a impugnante surgido como opção natural para canalizar e reaplicar os recursos que seriam obtidos com a alienação; a alienação das quotas da Usina Moema teria como consequência natural a desnecessidade de manutenção da Elbelpar Mo e Elbelpar Agro, daí porque a venda dessas sociedades surgiu como uma das opções para a família Biagi I; como a Elbelpar Mo e a Elbelpar Agro tinham como único ativo as quotas da Usina Moema, a venda das sociedades seria uma opção que permitiria à família Biagi I obter o mesmo preço cobrado na alienação das quotas da Usina Moema, desfazendose das holdings, com a carga fiscal de IRPF sobre ganho de capital a cargo dos integrantes da família; entretanto tal opção não atenderia à diretiva de manter os recursos em uma pessoa jurídica para que fossem reinvestidos em outros negócios; outra opção aventada seria a incorporação prévia da Elbelpar Mo e Elbelpar Agro pela Usina Moema, com a qual os integrantes da família Biagi I passariam a deter suas quotas na usina e poderiam vendêlas à Usiagropar, com carga fiscal de IRPF sobre ganho de capital; essa segunda opção também não atendia à diretiva de manutenção dos recursos em uma pessoa jurídica. Em vista de que as opções de negócio antes relatadas não satisfaziam aos interesses, adotouse a estrutura a seguir: incorporação de ações da Elbelpar Mo e Elbelpar Agro pela impugnante, a valor de mercado, fazendo com que ela se tornasse a única titular das sociedades e, ao mesmo tempo, passasse a ser detida diretamente pelas pessoas físicas da família Biagi I; incorporação das próprias holdings Elbelpar Mo e Elbelpar Agro pela impugnante, fazendo com que ela se tornasse detentora direta das quotas da Usina Moema que pertenciam à família Biagi I; por fim, alienação efetiva das quotas da Usina Moema pela impugnante. Arguiu que dessa forma a carga fiscal imposta às pessoas físicas da família Biagi I correspondeu ao mesmo IRPF que seria devido caso fosse adotada qualquer das outras formas antes descritas. Assim, cada pessoa física recolheu IRPF decorrente de ganho de capital, relativamente à diferença entre o valor de mercado da Elbelpar Mo e Elbelpar Agro e seus respectivos custos de aquisição. A impugnante descreve detalhadamente e em ordem cronológica cada um dos passos dados cujo objetivo final foi a alienação das quotas da Usina Moema pela família Biagi I, já relatado anteriormente. Sobreleva registrar que alegou ter deixado às claras toda a estrutura que seria implementada para a venda das quotas da Usina Moema, razão por que deve ser afastada a conduta dolosa que a fiscalização suscitou para majoração da multa de ofício. No mérito, a impugnante teceu as alegações a seguir. Fl. 1964DF CARF MF Processo nº 10840.722571/201121 Acórdão n.º 1201002.110 S1C2T1 Fl. 6 9 Do custo de aquisição das quotas da Usina Moema, da incorporação de ações e da incorporação da Elbelpar Mo e Elbelpar Agro e da alienação do investimento na Usina Moema. Segundo arguiu, a questão a ser tratada referese à possibilidade de utilizar o custo de aquisição na incorporação de ações da Elbelpar Mo e Elbelpar Agro na alienação de quotas da Usina Moema, afastandose qualquer discussão acerca de amortização de ágio, que teria sido suscitada pela fiscalização, uma vez que a matéria a ser tratada decorre de incorporação de ações das sociedades Elbelpar Mo e Elbelpar Agro. No que se refere à incorporação de ações, alegou que deve ser analisada sob dois pontos de vista, a saber, o dos componentes da família Biagi I que tiveram suas ações transferidas de uma sociedade a outra por força da incorporação de ações, e da pessoa jurídica que incorporou e recebeu as ações das sociedades Elbelpar Mo e Elbelpar Agro. Da óptica dos membros da família Biagi I que tiveram as ações de sua titularidade incorporadas, houve uma substituição das ações antigas, da Elbelpar Mo e Elbelpar Agro pelas da impugnante, que à opção do contribuinte sujeitamse à avaliação pelo valor patrimonial ou pelo de mercado, conforme autorizam o art. 23 e § 2º, da Lei n. 9.249, de 1995. No caso vertente a avaliação das ações da Elbelpar Mo e Elbelpar Agro foi feita pelo valor de mercado, tendo os respectivos ganhos de capital resultantes da operação sido tributados pelo IRPF à alíquota de 15%, ressalvandose que não foram considerados pela fiscalização quando do lançamento tributário. Da óptica da impugnante, com a transferência das ações da Elbelpar Mo e da Elbelpar Agro por meio da incorporação, ela passou a deter investimento relevante nas empresas, de forma que o uso do método de equivalência patrimonial tornouse obrigatório. Em face da regra do art. 385 do RIR/1999, desdobrou o custo de aquisição do investimento em duas rubricas, uma delas representativa do valor do patrimônio e a outra, do ágio. Arguiu que a fundamentação econômica do ágio está baseada na mais valia dos ativos da Elbelpar Mo e da Elbelpar Agro, conforme previsto no inciso I do § 2º do art. 385 do Rir/1999, que não foi objeto de questionamento por parte da fiscalização e que em sua essência ele não é causa, mas resultante do próprio custo de aquisição. Posteriormente, com a incorporação da Elbelpar Mo e da Elbelpar Agro ao seu patrimônio, o ágio resultante do desdobramento do custo de aquisição decorrente da incorporação das ações passou a ter o tratamento fiscal previsto no § 1º do inciso I do art. 386 do Rir/1999, em contrapartida à conta que registrava os direitos que lhe deram causa. Quando da alienação do investimento na Usina Moema a impugnante adotou como custo de aquisição para fins de apuração do ganho de capital o valor do patrimônio líquido pelo qual o investimento na usina estava registrado em sua contabilidade, com acréscimo do ágio resultante do custo de aquisição, registrado no momento da incorporação das ações da Elbelpar Mo e Elbelpar Agro, que passou a compor o custo do investimento da impugnante na Usina Moema com a extinção das duas sociedades. Fl. 1965DF CARF MF 10 Da necessidade de reconhecimento do ágio ainda que a Elbelpar Mo e a Elbelpar Agro fossem desconsideradas Segundo a impugnante, ainda que a Elbelpar Mo e a Elbelpar Agro fossem desconsideradas o resultado seria como se ela tivesse recebido as quotas da Usina Moema por contribuição em aumento de capital, efetuada pela família Biagi, a valor de mercado. Nesse caso a impugnante deveria desdobrar o investimento então detido diretamente na Usina Moema em valor de patrimônio líquido das quotas da usina e ágio. Quanto ao ágio, deveria ser tratado como parte do custo de aquisição, a teor do que preceitua o art. 426 do Rir/1999. No que se refere à baixa do investimento, as regras do art. 427 do Rir/1999 também teriam sido atendidas, uma vez que tal regra preceitua que a baixa de investimento relevante por alienação deverá ser feita pelo valor de patrimônio líquido levantado na data da aquisição ou em até 30 dias antes dessa alienação. Do ágio interno Segundo a impugnante a discussão que se instaurou não trata da amortização fiscal de ágio, mas do custo de aquisição. Citou doutrina para alegar que se a lei não proíbe a formação de ágio em operações entre partes relacionadas, as autoridade fiscais não podem glosar importâncias debitadas ao resultado sob o argumento de que o ágio apenas seria justificável em operações com terceiros, traduzidas em aquisição de ações ou quotas. Conquanto a fiscalização tivesse fundamentado o lançamento na impossibilidade de a impugnante constituir ágio de si própria, não há indicação de norma contábil vigente à época em que ocorreram os fatos que ampare a imposição tributária. Todos os procedimentos adotados pela impugnante estavam amparados pelas disposições dos arts. 248 da Lei das S.A. e 385, 386 e 426, do Rir/1999. O Ofício Circular CVM 01/07 foi publicado posteriormente aos fatos e veiculou orientações técnicas que não são de aplicação obrigatória sequer para companhias abertas, ressalvandose que tratou de operações específicas de reavaliação espontânea de sociedades controladas ou coligadas. Os atos normativos contábeis suscitados pela fiscalização não produzem efeitos fiscais pois nenhuma das entidades mencionadas tem competência para legislar sobre matéria tributária, com a ressalva de que a legislação tributária deve prevalecer sobre aquelas normas, sob pena de afronta ao princípio da legalidade. O fato de não ter havido circulação de moeda em decorrência da incorporação de ações não desnatura sua natureza jurídica de aquisição, em vista de que o custo da impugnante foi a emissão de novas ações de seu capital, pelo valor de mercado das ações da Elbelpar Mo e Elbelpar Agro. A aquisição de um bem ou direito a que se refere o art. 385 do Rir/1999 comporta interpretação mais abrangente da que fora adotada pela fiscalização, no sentido de que sua titularidade pode ser adquirida por meio do recebimento de um bem em contribuição a seu capital social. Fl. 1966DF CARF MF Processo nº 10840.722571/201121 Acórdão n.º 1201002.110 S1C2T1 Fl. 7 11 A interpretação do acórdão 920200.662 proferido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais consolidou o entendimento de que a incorporação é uma alienação que deve estar sujeita à tributação quando realizada a valor de mercado. Dessa forma, não seria possível considerar que para a família Biagi I teria havido uma alienação de suas ações, enquanto que para a impugnante, que figura como incorporadora das ações, essa mesma operação não representaria uma aquisição. Sobre as operações terem sido realizadas em sequência pleiteou que o caso seja analisado sob a perspectiva do conjunto dos fatos jurídicos ocorridos, considerandose as razões empresariais e extratributárias motivadoras das operações. Alegou que o modo como as operações foram planejadas e estruturadas não se deu com finalidade ilícita, mas com o objetivo de promover a venda de negócio que não mais integrava o plano de negócios da família Biagi I e tornar possível a manutenção dos recursos na impugnante, o que possibilitaria seu fortalecimento e o investimento dos recursos decorrentes das operações. O fato de as operações terem sido estruturadas em curto espaço de tempo, além de não encontrar óbice de natureza legal, ocorreu em razão de tratarse de venda de participação societária com peculiaridades econômicas independentes de economia tributária. A inexistência de estrutura operacional e administrativa da Elbelpar Mo e Elbelpar Agro decorre de ambas estarem voltadas à concentração do investimento das pessoas físicas da família Biagi I na Usina Moema, o que as caracteriza como holdings puras, que não necessitam ter empregados ou outros ativos além de participações societárias. A mera detenção de participação societária constitui seu propósito de negócio, amparado pela legislação tributária no art. 31 da Lei n° 11.727, de 2008. O fato de a Elbelpar Mo e Elbelpar Agro terem sido constituídas mais de um ano antes das operações questionadas no auto de infração demonstra que não foram utilizadas com fins de economia tributária. Quando a família Biagi I optou pela operação de alienação das quotas da Usina Moema não realizou procedimento abusivo ou excessivo passível de questionamento fiscal, tendo apenas exercido seu direito de estruturar uma alienação real e efetiva, praticada com terceiros e embasada em razões empresariais e econômicas verdadeiras. Assim, “não cabe, portanto, qualquer tentativa da D. Fiscalização de caracterização da conduta da Requerente como indevida, uma vez que todos os atos por ela praticados, bem como pela Família Biagi I e pelas sociedades holdings estiveram sempre suportados pela legislação fiscal em vigor e por autorizada doutrina sobre a matéria”. Da compensação do IRPF pago pelas pessoas físicas Alegou que se as questões de fato e de direito suscitadas forem desconsideradas ao final, resulta que o IRPF pago pelas pessoas físicas em relação ao ganho de capital oriundo da incorporação das ações da Elbelpar Mo e da Elbelpar Agro seria indevido. Fl. 1967DF CARF MF 12 Citou jurisprudência administrativa que reconhece o direito de compensação dos valores arrecadados por pessoa física nos lançamentos efetuados contra pessoa jurídica. Caso a operação seja desconsiderada todo o imposto pago pelas pessoas físicas seria indevido, motivo por que pleiteou que em nome do princípio da razoabilidade e da economia processual o julgamento leve em conta os impostos recolhidos e autorize, de ofício, sua compensação com os valores lançados. Da impossibilidade de aplicação da Teoria do “Propósito Negocial” e da “Substância sobre a Forma” por inexistência de previsão legal Segundo a impugnante, ainda que o propósito de negócio não existisse a autuação fiscal não poderia desconstituir operação realizada em conformidade com a legislação em vigor, unicamente por conta das motivações econômicas. Embora a fiscalização não tivesse se baseado em simulação ou abuso de direito para embasar a imposição tributária, a introdução do parágrafo único do art. 116 do Código Tributário Nacional (CTN) pela Lei Complementar n° 104/2001 permite a desconsideração de atos ou negócios praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. Entretanto não se trata de legislação autoaplicável, mas exige regulamentação por lei ordinária, que até o momento não ocorreu. Nesse sentido caminham o entendimento da própria Secretaria da Receita Federal, do então Conselho de Contribuintes e do Poder Judiciário. Da multa e dos juros aplicados A imposição da multa qualificada exige que se comprove por meio de provas diretas que as operações foram realizadas com evidente intuito doloso de retardar ou impedir o surgimento da obrigação tributária, o que não ocorreu no caso presente, em que a fiscalização presumiu sua existência para justificar a imposição da qualificadora. Tampouco existiu conduta contrária à lei, praticada de forma intencional pela impugnante. Nenhuma dessas condutas foi praticada, em vista de que: todas operações societárias foram registradas e levadas ao conhecimento dos órgãos competentes, na forma da lei; as operações foram lançadas na contabilidade das sociedades envolvidas, inclusive com pagamento de IRPF devido pela família Biagi I; a operação foi realizada com propósito de negócio, materializados em: a) concentração dos recursos financeiros resultantes da alienação no patrimônio da impugnante, e, b) simplificação e maior eficiência da estrutura societária do Grupo; o instrumento de Cessão de Quotas anteriormente declarava toda a operação que seria realizada. Fl. 1968DF CARF MF Processo nº 10840.722571/201121 Acórdão n.º 1201002.110 S1C2T1 Fl. 8 13 Os negócios conferiram e transferiram direitos para seus verdadeiros titulares, contêm declarações, condições e cláusulas verdadeiras, nenhum documento foi antedatado ou pósdatado, tendo todos os atos lícitos sido realizados antes da ocorrência do fato gerador; as operações foram baseadas em razões empresariais extratributárias, o que afasta a figura de simulação. No que diz respeito à cobrança de juros pela taxa Selic, a jurisprudência tem reconhecido sua inaplicabilidade para os créditos tributários, uma vez que tal taxa não foi criada por lei para tal finalidade. Ao final, pleiteou acolhimento integral da impugnação escorada nas conclusões que sintetizam o que foi alegado, expostas a seguir: esta Impugnação é tempestiva e deve ser integralmente apreciada e acolhida em suas preliminares, bem como em suas razões de fato e de direito, que demonstram a total improcedência desta infundada exigência fiscal; preliminarmente, ficou demonstrado que a falta de questionamento da D. Fiscalização acerca de um dos principais fundamentos do presente Auto de Infração (falta de propósito negocial) representa verdadeiro cerceamento do direito de defesa da Requerente. Como visto, a Requerente não teve nem a oportunidade de se manifestar a respeito das razões empresariais e não tributárias que motivaram a sua operação, o que, por si só, é o bastante para a declaração da nulidade do presente Auto de Infração; ainda, ficou demonstrado também o erro de sujeito passivo e da matéria tributável – resultantes da desconsideração total da estrutura pela D. Fiscalização –, e o erro na descrição dos fatos e do enquadramento legal da infração – resultantes da aparente desconsideração parcial da estrutura pela D. Fiscalização. Assim, por também não preencher os requisitos trazidos pelo artigo 10 do Decreto 70.235/72, o presente Auto de Infração deve ser declarado nulo; nas razões de fato e de direito acima expostas, ficou muito claro que foi equivocada a premissa adotada pela D. Fiscalização na lavratura do presente Auto de Infração, de modo que este deve ser integralmente cancelado. A D. Fiscalização supôs, de modo completamente infundado, que as operações implementadas envolvendo a Requerente e as sociedades holdings ElbelparMo e ElbelparAgro deveriam ser desconsideradas, por terem sido supostamente praticadas sem propósito negocial e com o exclusivo intuito de neutralizar um ganho de capital decorrente da alienação das quotas da Usina Moema; a verdade é que, ao contrário do que supôs a D. Fiscalização, foram justamente as razões empresariais e nãotributárias que motivaram a reorganização societária questionada pela D. Fiscalização. Tanto essa reorganização foi movida por razões não tributárias que a Família BiagiI poderia ter implementado outras estruturas societárias para a venda das quotas da Usina Moema sem qualquer participação da Requerente, chegando rigorosamente à mesma carga fiscal de 15% sobre o ganho de capital auferido por cada um de seus integrantes, tal como foi efetivamente recolhido na opção finalmente adotada; como visto, o ponto de principal divergência da estrutura implementada foi a incorporação das ações da ElbelparMo e ElbeparAgro pela Requerente, a valor de mercado. Essa incorporação de ações a valor de mercado, no entanto, foi uma opção legal (artigo 23 da Lei 9.249/95) das pessoas físicas da Família BiagiI e da Requerente. Como resultado da Fl. 1969DF CARF MF 14 incorporação de ações a valor de mercado: (a) as pessoas físicas auferiram um ganho de capital tributável (e tributado) pelo IRPF e; (b) a Requerente foi obrigada a desdobrar o seu custo de aquisição já incorrido na incorporação das ações da ElbelparMo e Elbelpar Agro (artigo 385 do RIR/99) em patrimônio líquido e ágio. Esse ágio, resultante do custo de aquisição da Requerente, foi fundamentado no valor de mercado dos ativos das sociedades holdings adquiridas; o custo de aquisição finalmente detido pela Requerente nas quotas da Usina Moema, portanto, existiria de qualquer forma, independentemente do tratamento fiscal atribuído ao ágio em questão. Ainda assim, o registro desse ágio segundo as normas fiscais em vigor e a posterior incorporação das sociedades holdings ElbelparMo e ElbelparAgro ao seu patrimônio fizeram com que a Requerente ficasse obrigada a contabilizar o valor do ágio em contrapartida à conta que registrava os bens ou direitos que lhe deram causa. Como resultado da incorporação, a Requerente passou a deter participação direta na Usina Moema, pelo seu respectivo valor de mercado; em conformidade com a legislação tributária (artigo 386, inciso I, combinado com o § 3º, inciso I do mesmo dispositivo), quando da alienação das quotas detidas, pelo valor de mercado, na Usina Moema à Usiagropar, a Requerente adotou como custo de aquisição, para fins de apuração do ganho de capital: (a) o valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento na Usina Moema estava registrado na contabilidade da Requerente, somado do (sic); (b) ágio registrado no momento da aquisição da ElbelparMo e Elbelpar Agro, que passou a compor o custo do investimento da Requerente na Usina Moema após a incorporação das duas sociedades holdings; ainda que as sociedades holdings ElbelparMo e ElbelparAgro fossem desconsideradas, o que se admite apenas por argumentação, o tratamento e os efeitos tributários da operação da Requerente seriam os mesmos: (a) as pessoas físicas da Família BiagiI teriam reconhecido um ganho de capital tributável (artigo 23 da Lei n° 9.249/95) e; (b) o ágio resultante do custo de aquisição de uma suposta incorporação de ações da Usina Moema integraria, obrigatoriamente, o custo de aquisição da Requerente para fins de apuração do ganho de capital decorrente da alienação das quotas da Usina Moema (artigo 426 do RIR/99); o ágio gerado na incorporação das ações da ElbelparMo e ElbelparAgro foi, portanto, mero resultado do custo de aquisição já incorrido pela Requerente ao emitir ações de seu capital social, equivalentes ao valor de mercado das ações das duas sociedades holdings, em favor das pessoas físicas da Família BiagiI. Ou seja, o ágio não é a causa do custo de aquisição, mas decorre do custo de aquisição da Requerente, de forma que o debate acerca da legitimidade ágio (sic) é irrelevante para o caso sob análise; ainda que o debate sobre a legitimidade do ágio fosse relevante para o caso sob análise, a Requerente demonstrou também que, ao tempo da operação (anocalendário de 2006) não havia qualquer norma tributária ou contábil que vedasse o reconhecimento de ágio em operações dentro do mesmo Grupo Econômico; além de demonstrada a legitimidade das operações da Requerente, e seus respectivos efeitos tributários, toda a operação foi movida por verdadeiras razões empresariais que ultrapassam a economia tributária. A operação foi movida pelas seguintes razões negociais principais: (a) a intenção da Família BiagiI de alienar suas quotas detidas na Usina Moema, que por razões societárias encontravamse detidas pelas holdings, ElbelparMo e Elbelpar Agro; (b) a intenção da Família BiagiI de se desfazer dessas holdings previamente à alienação Fl. 1970DF CARF MF Processo nº 10840.722571/201121 Acórdão n.º 1201002.110 S1C2T1 Fl. 9 15 das quotas da Usina Moema, visto que estas perderiam sua função empresarial; e (c) a intenção da Família BiagiI de que os recursos procedentes da venda das quotas da Usina Moema fossem mantidos na Requerente, podendo ser por ela utilizados para investimentos e fortalecimento de seus negócios; foi também demonstrado que, mesmo que as operações da Requerente não estivessem revestidas de um efetivo propósito negocial, o que se admite somente para argumentar, não poderia a D. Fiscalização pretender desconsiderar tais operações com base apenas nessa justificativa. No caso em exame, muito ao contrário, as razões empresariais foram tão relevantes que foi justamente em função delas que a estrutura levada a efeito pela Requerente está sendo questionada pela D. Fiscalização, já que antes dessa reorganização a Requerente não participava, nem mesmo indiretamente, do capital da Usina Moema; concluise, assim, que foram corretos todos os procedimentos adotados pela Requerente em relação à apuração do ganho de capital decorrente da alienação das quotas da Usina Moema. Todo o cálculo do seu custo de aquisição foi feito de acordo com as normas tributárias e contábeis em vigor no anocalendário de 2006; ainda que o equivocado questionamento da D. Fiscalização seja considerado legítimo, o que se admite apenas por argumentação, todo o valor do IRPF pago pelas pessoas físicas da Família BiagiI seria indevido, pois a desconsideração da estrutura da Requerente provocaria a reclassificação de rendimentos recebidos pela pessoa física como se tivessem sido recebidos pela Requerente. Dessa forma, caso esse presente Auto de Infração seja julgado procedente, o que se admite para argumentar, pedese que a D. Autoridade Julgadora autorize a compensação de ofício do imposto já pago pelas pessoas físicas da Família BiagiI com o presente crédito tributário exigido da Requerente, em linha com o entendimento adotado pela jurisprudência administrativa; a multa agravada também não pode ser aplicada, já que não houve qualquer tipo de fraude ou sonegação, ou mesmo nenhuma forma de dolo ou máfé. Muito pelo contrário, toda a operação da Requerente foi feita às claras e de forma transparente. Além disso, ainda que assim não fosse, o que se admite para argumentar, o valor exigido a título de multa neste caso é exageradamente elevado, ultrapassando todos os limites da razoabilidade e proporcionalidade, devendo ser imediatamente reduzida; a taxa SELIC não pode ser aplicada aos créditos tributários e, se admitida a sua aplicação, só poderá incidir sobre o crédito tributário principal, não podendo recair sobre o valor da multa de ofício, que é penalidade e não tem natureza tributária. Acórdão da DRJ/RPO Em sessão de 29 de outubro de 2012 a 1°Turma da DRJ/POR julgou procedente em parte a impugnação, mantendo os tributos lançados e exonerar o valor de R$ 13.962.444,09 relativo à qualificadora da multa de ofício, sendo R$ 10.266.503,01 de IRPJ e R$ 3.695.941,08 de CSLL, para mantêla no patamar de 75%, restando multa mantida no valor total de R$ 14.228.087,01, conforme ementa abaixo: Fl. 1971DF CARF MF 16 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2006, 2007, 2009 ÁGIO. ORIGEM. PRESSUPOSTOS. O ágio se origina de uma contraposição de receita para o vendedor e custo para o comprador, tendo por pressupostos a aquisição de participação societária e o fundamento econômico, em que se registram no ativo diferido as despesas incorridas que contribuirão para a formação de resultados de exercícios futuros. GANHO DE CAPITAL. COLIGADAS. ÁGIO. ORIGEM. SUBSTÂNCIA ECONÔMICA. PROPÓSITO DE NEGÓCIO. AUSÊNCIA. Descabe ao adquirente registrar ágio de coligada, por faltarem lhe os pressupostos, haja vista a ausência de substância econômica daquela operação e de não resultar de um processo imparcial de valoração, num ambiente de livre mercado e de independência entre as companhias envolvidas. NULIDADE. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. DEVIDO PROCESSO LEGAL. PROVAS. INSUFICIÊNCIA. Improcedem as argüições de nulidade por ausência de motivação, cerceamento do direito de defesa, respeito ao devido processo legal se o lançamento demonstra de forma clara a razão fática e jurídica da desconsideração dos fatos, elementos e esclarecimentos apresentados. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. DOLO DEMONSTRAÇÃO. AUSÊNCIA. IMPROCEDÊNCIA. Inexistindo no lançamento demonstração da fraude praticada, de modo a caracterizar a intenção dolosa, é improcedente o agravamento da multa. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. A cobrança de juros de mora está em conformidade com a legislação vigente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006, 2007, 2009 LANÇAMENTO REFLEXO. Inexistindo fatos novos a serem apreciados, estendese ao lançamento reflexo os efeitos da decisão prolatada no lançamento matriz. Fl. 1972DF CARF MF Processo nº 10840.722571/201121 Acórdão n.º 1201002.110 S1C2T1 Fl. 10 17 Foi apresentado Recurso de Ofício. Recurso Voluntário Em 04/03/2013, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário no qual ratifica seus argumentos de Impugnação além de alegar que teria sido intimada da decisão de primeira instância administrativa apenas quando seu patrono, devidamente constituído nos autos, teve vista dos autos do processo administrativo, o que se deu em 1º de março de 2013 (fl. 1875). Resolução n. 1101000.117 O documento de fls. 1.739 dos autos trata de certidão em que se lê que o sujeito passivo não teria apresentado Recurso Voluntário, o que determinou a transferência dos créditos tributários que teriam sido acometidos pela preclusão para o Processo Administrativo n. 15594.720012/201385, que também foi inserido em pauta na presente assentada. A razão pela qual a autoridade fiscal que subscreve o ato que consta da citada fl. 1739 afirmou a inexistência de Recurso Voluntário reside no fato de que, à fl. 1734, existe Aviso de Recebimento da decisão da instância a qua que teria sido recebido no endereço da contribuinte no dia 10 de dezembro de 2012, sendo que efetivamente não houve apresentação de irresignação no trintídio subsequente a essa data. Conforme informa o relator Conselheiro Benedicto Celso Benicio Junior, no referido Aviso de Recebimento, é possível visualizar que o respectivo código de rastreamento é RA377815464BR, assim como é possível vislumbrar o carimbo e a assinatura da recebedora, a Sra. Marcela Savoia, cujo RG é 34.390.5760. Apenas em 4 de março de 2013, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário no qual alega que, em verdade, teria sido intimada da decisão de primeira instância apenas em 01/03/2013 (fl. 1875). Em razão de tal dúvida, em 11/02/2014 a 1° Turma da 1° Câmara resolveu através da Resolução 1101000.117 converter tanto o presente quanto o Processo Administrativo n. 15954.720012/201385 em diligência para que fosse apurada a autenticidade do documento de fl. 1880 – ainda que isso demande o envio de ofício aos Correios para dirimir a controvérsia –, bem como para que as autoridades preparadoras tragam aos autos o documento que dê conta do status da encomenda atrelada ao Código de Rastreamento RA377815464BR. Da resposta à diligência Em cumprimento as solicitações contidas nestas diligências, os Correios foram instados a prestar informações mediante Ofício nº 663/2014/DRF/RPO/Secat/EQCCT RM, de 24,07,2014, efls. 19151917. Assim, os Correios expediram o Ofício 02318/2014 SUGED/GEDIS/DR/SPI, de 07.11.2014, no seguinte sentido (fl. 1920): Fl. 1973DF CARF MF 18 Em atenção ao ofício em referência, através do qual Vossa Senhoria solicita informações a respeito da entrega do objeto postal registrado sob n°. RA377815464BR, postada em 07/12/2012, informamos que a impossibilidade de atendimento, visto que o prazo de guarda da Lista de Objetos Entregues ao Carteiro (LOEC), documento comprobatório da entrega, é de doze meses. Desta forma, não temos mais como fornecer as informações solicitadas. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Admissibilidade Da Tempestividade do Recurso Voluntário Conforme informado no relatório, parte do crédito tributário em discussão chegou a ser transferido para o Processo Administrativo n. 15594.720012/201385 em razão da ausência de apresentação do Recurso Voluntário. Isso porque, segundo a autoridade fiscal, há nos autos um Aviso de Recebimento da decisão da DRJ que indica o recebimento no endereço da ora Recorrente em 10/12/2012, contudo, o Recurso Voluntário fora apresentado apenas em 04/03/2013, portanto, fora do prazo de 30 dias. Verifiquei tal comprovante de AR nos autos onde consta o código de rastreamento é RA377815464BR, a data de recebimento (10/12/12) e a pessoa que a recebeu a Sra. Marcela Savoia, cujo RG é 34.390.5760. Fl. 1974DF CARF MF Processo nº 10840.722571/201121 Acórdão n.º 1201002.110 S1C2T1 Fl. 11 19 O presente processo e também o Processo Administrativo n. 15954.720012/201385 foram convertidos em diligência para que fosse apurada a autenticidade do referido comprovante de Aviso de Recebimento, contudo, conforme relatado ao norte, a resposta dos correios em nada ajudou. Assim, cabe a este Conselheiro analisar se tal comprovante de Aviso de Recebimento deve ou não ser considerado para fins de início de contagem do prazo para apresentação do Recurso Voluntário. Para tal análise, entendo que devemos seccionar o documento em questão em seus variados elementos autenticidade, local (endereço de entrega), data de recebimento e pessoa que a recebeu. Primeiramente, ressalto que não tenho nos presentes autos, evidências que me possam levar à conclusão de que o Aviso de Recebimento constantes dos autos não é verdadeiro. Se por um lado a resposta dos correios em nada ajudou para o deslinde da questão, por outro, isso não significa que tal ausência de esclarecimentos adicionais seja o suficiente para que a conclusão vá no sentido de que o Aviso de Recebimento não é verdadeiro. Ora, se assim fosse, diante da resposta dos correios, bastaria então alegar a invalidade do AR para que esta fosse aceita sem maiores ressalvas se tal análise ocorresse após 12 meses que é o prazo pelo qual os correios mantém a documentação suporte arquivada. Desta sorte, a simples alegação pela Recorrente não me parece suficiente para invalidar um documento juntado aos autos num processo administrativo federal. Veja, não se trata aqui de um embate entre duas partes privadas, onde, eventualmente, poderia haver abuso ou máfé de uma das partes. Fl. 1975DF CARF MF 20 Estamos aqui diante de um documento dos Correios que fora juntado aos autos pela própria Administração Pública e não é preciso divagar muito sobre a presunção de autenticidade e veracidade dos atos da Administração Pública. Assim, afasto a possibilidade de questionamento da veracidade do documento de Aviso de Recebimento (AR) juntados aos autos do presente processo. Indo além, no tangente ao local de entrega do aqui combatido Aviso de Recebimento, não houve alegação da Recorrente no sentido de que o endereço estava incorreto e que não é o mesmo que consta no cadastro junto à Receita Federal do Brasil. Assim, o endereço também não seria um elemento que invalide o documento em questão. Com relação à data do recebimento, não há qualquer rasura ou falta de qualidade na imagem do documento que coloque em xeque que o AR foi efetivamente recebido em 10/12/12. Assim, também não é este o elemento que invalida tal intimação. Por fim, trouxe a Recorrente argumentos de que a pessoa que recebeu a intimação e que assina o AR, a Sra. Marcela Savoia, não tem qualquer relação com a Recorrente, seja como procuradora ou mera funcionária. Tal alegação me parece irrelevante, tendo em vista que, conforme acima abordado, o endereço de entrega está correto. Isso porque, temos que aplicar aqui a Teoria da Aparência segundo a qual é deve ser validado o ato praticado por pessoa que se apresenta como representante da pessoa jurídica, ainda que não esteja devidamente legitimada para tanto. Assim, considerase válida a intimação recebida por pessoa que esteja no estabelecimento sem manifestar qualquer ressalva quanto à ausência de poderes de representação. Seria impossível proceder a qualquer intimação ou citação, ainda mais se efetuada pelos correios, se tal teoria não fosse aplicada e aceita. Não é crível que seja exigido que um funcionário dos correios faça uma análise de procuração e documentos societário de uma empresa, para a entrega de uma intimação. A teoria da aparência é me parece estar intimamente ligada aos princípios da instrumentalidade (arts. 188 e 277 do CPC), lealdade e boafé processual (art. 5º do CPC), in verbis: “Art. 5º Aquele que de qualquer forma participa do processo deve comportarse de acordo com a boafé.” “Art. 188. Os atos e os termos processuais independem de forma determinada, salvo quando a lei expressamente a exigir, considerandose válidos os que, realizados de outro modo, lhe preencham a finalidade essencial.” “Art. 277. Quando a lei prescrever determinada forma, o juiz considerará válido o ato se, realizado de outro modo, lhe alcançar a finalidade.” Fl. 1976DF CARF MF Processo nº 10840.722571/201121 Acórdão n.º 1201002.110 S1C2T1 Fl. 12 21 No caso de pessoa jurídica, o STJ admite há muito tempo a aplicação da teoria da aparência para as citações por oficial de justiça e pelos correios. Do mesmo modo, a carta registrada enviada ao endereço constante do cadastro da pessoa jurídica junto à Receita Federal do Brasil, ainda que não recebida e assinada no aviso de recebimento (AR) por representante legal, supre a exigência de forma no ato de intimação. Desta sorte, tendo a intimação sido recebida no endereço da ora Recorrente que consta nos registros da Receita Federal do Brasil, não há como negarlhe validade. Diante do exposto, tenho como intempestivo o Recurso Voluntário apresentado. Recurso de Ofício O Recurso de Ofício se refere, basicamente, ao afastamento da multa qualificada de 150% para o patamar de 75%, tendo em vista que os julgadores de 1°instância entenderam pela ausência de dolo por parte da contribuinte. Tendo em vista meu integral alinhamento ao entendimento dos julgadores da DRJ no tangente ao afastamento da multa qualificada, adoto o respectivo trecho do acórdão recorrido. Da multa aplicada Marco Aurélio Greco (op. cit., págs. 249 e seguintes) leciona que a imposição de multa mais onerosa supõe a “ocorrência inequívoca de dolo no seu mais puro sentido penal”. Conforme o jurista, se não houve intuito de enganar, esconder, iludir, mas se, pelo contrário, o contribuinte agiu de forma clara, deixando explícitos seus atos e negócios, de modo a permitir a ampla fiscalização pela autoridade fazendária, e se agiu na convicção e certeza de que seus atos tinham determinado perfil legalmente protegido – que levava ao enquadramento em regime ou previsão legal tributariamente mais favorável , não se trata de caso regulado pelo § 1º do artigo 44, mas de divergência na qualificação jurídica dos fatos; hipótese completamente distinta da fraude e da sonegação a que se referem os dispositivos para os quais o § 1º remete. Considerando que a autoridade fiscal buscou nas figuras da fraude e da sonegação o substrato para imposição da multa majorada, no que diz respeito à fraude, vale destacar as considerações que o professor Marco Aurélio Greco faz acerca da questão. Segundo ele na hipótese de fraude dois aspectos demonstram sua inaplicabilidade à quase totalidade dos casos de efetiva fraude à lei. Uma delas suscita o interesse imediato, em vista da relação com o caso presente, a saber, as situações de planejamento fiscal em que o contribuinte pratica fato gerador cujo regime tributário seja mais brando, que tem sua conformação mantida desde o início, como no caso presente, em que a Fl. 1977DF CARF MF 22 série de alterações estatutárias resultou na incorporação da Usiagropar pela Usina Moema, daí resultando a amortização do ágio. Para que seja aplicada penalidade qualificada, pela ocorrência de fraude, o tipo deve estar devidamente descrito, enquadrado e exaustivamente comprovado. No que se refere à sonegação entendo que para caracterizála é imprescindível que se demonstre ter o agente praticado deliberadamente atos com a intenção de iludir a administração tributária, produzindo ou omitindo falsa imagem de sua conduta tributária, mediante simulação, ocultação ou outro ardil, com a finalidade de descumprimento da obrigação tributária. Não consegui identificar a subsunção dos atos praticados pelos envolvidos no processo aos verbos impedir e retardar, caracterizadores dos tipos previstos nos arts. 71 e 72 da Lei n. 4.502/1964. No que se refere à ocorrência do fato gerador, não restou caracterizada a prática de ação visando impossibilitar a execução, o prosseguimento ou oposição de qualquer forma de obstáculo, ou, ainda, alguma forma de retardamento do fato gerador. Houve publicação dos atos, registro contábil das operações e informação à administração tributária. Tampouco vislumbrei a incidência de alguma forma de exclusão ou modificação das características essenciais do fato gerador, de modo a reduzir o montante do imposto, evitar ou diferir seu pagamento. Colho excerto do voto prolatado pelo conselheiro Paschoal Raucci, no Acórdão n. 10321.046, no âmbito do julgamento do processo n° 11040.0001472/9636, da Terceira Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes: (...) 54. O comando legal que remete aos arts. 71, 72 e 73 da Lei n. 4502/1964, delimita a aplicação da multa agravada aos casos de evidente intuito de fraude. (grifo no original) 55. A “evidência” indicada na lei exige que o intuito de fraude aflore com tal clareza que não se possa por em dúvida ter havido máfé nos atos praticados, com inequívoco propósito de violar disposição legal. (...) 59. O que não padece de dúvidas é a intenção do contribuinte em economizar imposto, tendo ele praticado todos os atos que entendeu válidos, na forma da lei. Se conseguiu o “desideratum” é outro aspecto da questão, mas daí a afirmar e estar configurado um “evidente” intuito de fraude há, no meu juízo, um considerável distanciamento. Considerandose que o art. 112 do Código Tributário Nacional prevê interpretação favorável da lei tributária que define infrações ou comine penalidades em casos de dúvida quanto às circunstâncias materiais do fato, à natureza da penalidade ou sua graduação, voto pelo afastamento da qualificadora para reduzir a multa imposta a 75% (setenta e cinco por cento) sobre os tributos lançados. Fl. 1978DF CARF MF Processo nº 10840.722571/201121 Acórdão n.º 1201002.110 S1C2T1 Fl. 13 23 Conclusão Diante do exposto, NÃO CONHEÇO do Recurso Voluntário em razão de sua intempestividade e CONHEÇO do Recurso de Ofício para no MÉRITO NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto! (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 1979DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13981.000195/2001-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000
Ementa:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO EXTERNA. INADMISSIBILIDADE. JUÍZO DE PRELIBAÇÃO QUE TAMBÉM PODE SER REALIZADO PELO ÓRGÃO COLEGIADO.
Para fins de embargos de declaração não há contradição quando o suposto vício se dá entre a decisão embargada e as provas acostadas nos autos. A contradição que dá azo a interposição deste recurso é aquela qualificada como interna, ou seja, entre a motivação e a conclusão da decisão em si considerada.
A existência de um juízo de admissibilidade positivo quanto à interposição dos embargos de declaração não impede que o colegiado reveja essa questão previamente ao juízo de delibação.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. INADMISSIBILIDADE. JUÍZO DE PRELIBAÇÃO QUE TAMBÉM PODE SER REALIZADO PELO ÓRGÃO COLEGIADO.
Os embargos de declaração não merecem conhecimento quando demonstrada a inexistência de omissão por parte do acórdão recorrido.
A existência de um juízo de admissibilidade positivo quanto à interposição dos embargos de declaração não impede que o colegiado reveja essa questão previamente ao juízo de delibação.
Numero da decisão: 3402-005.266
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos Embargos de Declaração.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO EXTERNA. INADMISSIBILIDADE. JUÍZO DE PRELIBAÇÃO QUE TAMBÉM PODE SER REALIZADO PELO ÓRGÃO COLEGIADO. Para fins de embargos de declaração não há contradição quando o suposto vício se dá entre a decisão embargada e as provas acostadas nos autos. A contradição que dá azo a interposição deste recurso é aquela qualificada como interna, ou seja, entre a motivação e a conclusão da decisão em si considerada. A existência de um juízo de admissibilidade positivo quanto à interposição dos embargos de declaração não impede que o colegiado reveja essa questão previamente ao juízo de delibação. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. INADMISSIBILIDADE. JUÍZO DE PRELIBAÇÃO QUE TAMBÉM PODE SER REALIZADO PELO ÓRGÃO COLEGIADO. Os embargos de declaração não merecem conhecimento quando demonstrada a inexistência de omissão por parte do acórdão recorrido. A existência de um juízo de admissibilidade positivo quanto à interposição dos embargos de declaração não impede que o colegiado reveja essa questão previamente ao juízo de delibação.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO EXTERNA. INADMISSIBILIDADE. JUÍZO DE PRELIBAÇÃO QUE TAMBÉM PODE SER REALIZADO PELO ÓRGÃO COLEGIADO. Para fins de embargos de declaração não há contradição quando o suposto vício se dá entre a decisão embargada e as provas acostadas nos autos. A contradição que dá azo a interposição deste recurso é aquela qualificada como interna, ou seja, entre a motivação e a conclusão da decisão em si considerada. A existência de um juízo de admissibilidade positivo quanto à interposição dos embargos de declaração não impede que o colegiado reveja essa questão previamente ao juízo de delibação. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. INADMISSIBILIDADE. JUÍZO DE PRELIBAÇÃO QUE TAMBÉM PODE SER REALIZADO PELO ÓRGÃO COLEGIADO. Os embargos de declaração não merecem conhecimento quando demonstrada a inexistência de omissão por parte do acórdão recorrido. A existência de um juízo de admissibilidade positivo quanto à interposição dos embargos de declaração não impede que o colegiado reveja essa questão previamente ao juízo de delibação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos Embargos de Declaração. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 1. 00 01 95 /2 00 1- 22 Fl. 667DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Por bem retratar o caso em questão, emprego aqui parte do relatório desenvolvido quando da lavratura do acórdão embargado de n. 3403003.657 (fls. 603/606), de relatoria do então Conselheiro Ivan Allegretti, o que passo a fazer nos seguintes termos: Tratase de pedido de ressarcimento de saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) em relação ao 2º trimestre de 2000, com fundamento no art. 11 da Lei nº 9.779/99. A Delegacia da Receita Federal do Brasil indeferiu o pedido, ao fundamento de que o art. 5º, § 3º, da IN SRF nº 33/99 apenas autoriza o ressarcimento de saldo credor que tenha sido formado a partir de aquisições ocorridas depois da edição do art. 11 da Lei nº 9.779/99. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade sustentando, dentre outros fundamentos, que a Lei nº 9779/99 assegura às empresas a o direito ao ressarcimento do saldo credor, independente de sua composição ser formada por créditos básicos ou incentivados, como é o caso dos créditos correspondentes à aquisição de matériaprima empregada em produtos exportados. Argumenta, ademais, que a exigência da Instrução Normativa extrapola a previsão da Lei, que não condiciona o direito de ressarcimento ao esgotamento dos créditos gerados antes da Lei. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Brasil de Ribeirão Preto/SP (DRJ), por meio do Acórdão 1439.996, de 22 de janeiro de 2013 (fls. 501/513), negou provimento à manifestação de inconformidade, resumindo seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2000 a 31/06/2000 RESSARCIMENTO. LEI nº 9.779, de 1999. O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de Fl. 668DF CARF MF Processo nº 13981.000195/200122 Acórdão n.º 3402005.266 S3C4T2 Fl. 668 3 produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1º de janeiro de 1999. RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR DE 1998. Os créditos acumulados na escrita fiscal, existentes em 31 de dezembro de 1998, decorrentes de excesso de crédito em relação ao débito e da saída de produtos isentos com direito apenas à manutenção dos créditos, somente poderão ser aproveitados para dedução do IPI devido, vedado seu ressarcimento ou compensação devendo estes ficar anotados à margem da escrita fiscal ou serem estornados no RAIPI. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. O contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 519/559), por meio do qual reitera os mesmos fundamentos de sua manifestação de inconformidade. (...). 2. Em 20 de março de 2015, a então turma julgadora, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte, conforme se depreende da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2000 a 31/06/2000 IPI. RESSARCIMENTO. ART. 11 DA LEI 9779/99. ART. 5 DA IN SRF 33/99. Comprovado que o saldo credor objeto do pedido de ressarcimento corresponde a créditos gerados exclusivamente por aquisições realizadas dentro do próprio trimestre, sem haver aproveitamento de crédito gerado em períodos anteriores, deve se reconhecer o direito de crédito, visto que em conformidade com a legislação tributária aplicável. Recurso provido. 3. Uma vez intimada, a Fazenda Nacional apresentou os embargos de declaração de fls. 1608/610, oportunidade em que, em suma, alegou: · que a decisão teria sido omissa, uma vez que teria ignorado o fato de a decisão de 1a instância ter se fundado na tese de que o crédito vindicado teria por origem o créditoprêmio de IPI, o qual teria sido extinto em 1983. Fl. 669DF CARF MF 4 4. Em 07 de junho de 2016 o Presidente da 3a Seção deste Tribunal Administrativo admitiu os embargos de declaração interpostos (fls. 614/615) sob o singelo fundamento que: (...). O voto condutor da decisão omitiuse na análise do consignado na decisão administrativa de primeira instância, segundo a qual, em 31/12/1998, existira saldo credor de IPI no valor de R$ 310.470,66, saldo esse que permaneceu na conta gráfica do IPI, já que, confessadamente, não foi estornado pelo contribuinte, conforme requerido pelo § 3º do art. 5° da Instrução Normativa SRF nº 33, de 4 de março de 1999. (...). 5. Uma vez distribuídos os embargos supra mencionado e ante o seu notório caráter infringente, proferi o despacho de fls. 616/617, para que fosse dada oportunidade à parte embargada manifestarse a respeito do recurso interposto. O contribuinte apresentou sua manifestação por intermédio da petição de fls. 630/633. 6. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro I. A inadmissibilidade dos embargos de declaração interpostos 7. Em sede de juízo de prelibação, entendo que os embargos de declaração interpostos não merecem conhecimento, conforme será demonstrado a seguir. 8. Como é sabido, os embargos de declaração configuram uma espécie recursal de fundamentação vinculada, na medida em que, como regra, apresenta objetivos muito específicos, i.e., suprir omissões, contradições e obscuridade e, com isso, qualificar a decisão embargada. 9. Dentre tais hipóteses de cabimento, resta caracteriza a omissão quando a decisão atacada deixa de analisar algum fato, prova ou fundamento deduzido pelas partes litigantes. No presente caso a Fazenda Nacional alega que a decisão embargada teria ignorado o fundamento de que o crédito vindicado seria originário do extinto créditoprêmio de IPI. É o que se observa dos seguintes trechos dos embargos de declaração: (...). 1. A r. decisão de 1a instância assentou que tratase de saldo de créditoprêmio de IPI, valor que não poderia constar de sua escrita fiscal, pois tal benefício foi extinto em 1983, nos termos do DL nº 1.658/79, conforme interpretação da Administração Tributária já chancelada pelos Tribunais Regionais Federais da 3ª e 4ª Regiões. 2. A conclusão de que a revogação do créditoprêmio à exportação ocorreu em 30/06/83 consta do Parecer nº AGUSF Fl. 670DF CARF MF Processo nº 13981.000195/200122 Acórdão n.º 3402005.266 S3C4T2 Fl. 669 5 01/98 (com ementa a seguir reproduzida), que se encontra anexo ao Parecer AGU nº 172/98, de 13/10/98 (DOU de 23/10/98, pág. 23). (...). 2. Tal interpretação tornouse vinculante para toda a Administração Pública Federal, nos termos da Lei Complementar nº 73, de 1993, art. 40, § 1º, uma vez que adotado pelo Advogado Geral da União e aprovado pelo Presidente da República. 3. Porém, o v. acórdão ora embargado não analisou tal questão, evidenciando a clara OMISSÃO do julgado acerca deste ponto central. (...). 10. Acontece que tal questão foi analisada, ainda que implicitamente, pelo acórdão recorrido. É o que se observa do seguinte trecho da decisão embargada: (...). O direito previsto neste dispositivo de Lei foi regulamentado por meio da Instrução Normativa SRF nº 33/99, cujo art. 5º detalha que “Os créditos acumulados na escrita fiscal, existentes em 31 de dezembro de 1998, decorrentes de excesso de crédito em relação ao débito e da saída de produtos isentos com direito apenas à manutenção dos créditos, somente poderão ser aproveitados para dedução do IPI devido, vedado seu ressarcimento ou compensação”, devendo ficar anotados à margem da escrita fiscal (§ 1º). Como se percebe, a Instrução Normativa persegue o objetivo de impedir que o saldo credor acumulado até 31/12/1998 contamine os saldos credores formados a partir dos créditos gerados a partir de 01/01/1999, segregandoos. No presente caso concreto não é necessário entrar na discussão quanto à legalidade ou não do critério previsto na referida Instrução Normativa. Isto porque a prova dos autos demonstra de maneira objetiva e segura que o saldo de crédito, em relação ao qual se pleiteia o ressarcimento, é formado exclusivamente de créditos gerados dentro do próprio trimestre (fl. 23). (...) (g.n.). 11. Ao afirmar que o crédito vindicado é formado por um saldo exclusivamente composto no 2o trimestre de 2000 e com base no art. 5o da IN SRF n. 33/99, o acórdão atacado nega que tal crédito tenha natureza de créditoprêmio de IPI, mas que, em verdade, decorre do acúmulo proveniente de operações com saídas isentas. 12. Nesse sentido, encaminho meu voto para não conhecer os embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional. Aliás, neste tópico em particular, convém Fl. 671DF CARF MF 6 destacar que a existência de um prévio despacho positivo de admissibilidade para este recurso não é impeditivo para que este colegiado reveja tal questão. 13. O RICARF, ao disciplinar a questão, prescreve que: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. (...). §2º O presidente da Turma poderá designar o relator ou redator do voto vencedor objeto dos embargos para se pronunciar sobre a admissibilidade dos embargos de declaração. (...). 14. Segundo tal dispositivo, o Presidente de Turma pode designar o Relator do caso para prover o despacho de admissibilidade dos embargos de declaração. Embora não seja isso o que tenha ocorrido no caso em concreto, já que o despacho de admissibilidade foi proferido pelo Presidente da 3a Seção, o que se conclui do citado dispositivo é que, ao prever tal possibilidade, o RICARF atribuiu competência concorrente para os Relatores promoverem esse juízo de prelibação, inclusive em sede de julgamento colegiado, até porque não faz qualquer sentido jurídico que um colegiado tenha competência para fazer juízo de delibação recursal, i.e., para resolver o mérito de um recurso, mas não possa analisálo sob uma perspectiva formal, ou seja, quanto aos pressupostos de admissibilidade. 15. Em ultima ratio, tal aptidão tratarseia de uma questão de lógica formal, já que afirmar que o Relator pode realizar tal despacho significa dizer que ele não está proibido de fazêlo: logo, se Pp então Vp. 16. Por fim, tal sistemática, i.e., de um "duplo" juízo de prelibação recursal, não é nenhuma novidade no ordenamento processual brasileiro, sendo esta a tônica imposta ao recurso de apelação durante a vigência do CPC/73 e que, com o advento do CPC/2015, ainda permanece em vigor nas hipóteses de interposição de recursos especial e extraordinário. 17. Diante deste quadro, deixo de conhecer os embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional. Dispositivo 21. Diante do exposto, voto pelo não conhecimento dos embargos de declaração sub judice. 22. É como voto. Diego Diniz Ribeiro Fl. 672DF CARF MF Processo nº 13981.000195/200122 Acórdão n.º 3402005.266 S3C4T2 Fl. 670 7 Fl. 673DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11618.000193/2003-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2000
SERVIÇOS SOCIAIS AUTÔNOMOS. IMUNIDADE. ISENÇÃO.
Os serviços sociais autônomos não têm imunidade constitucional quanto à incidência da Cofins. O art. 14, inciso X, da MP 2.158-35/2001 prevê que a isenção somente se aplica a partir de 01/01/1999, do que se conclui não haver isenção ou imunidade antes desse dispositivo.
BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS.
As receitas financeiras não compõem a base de cálculo da Cofins, para pessoas jurídicas tributadas com base na Lei 9.718/98, por decisão do Supremo Tribunal Federal, no RE 585.235/MG.
Recurso Voluntário Provido Parcialmente.
Numero da decisão: 3201-003.666
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para, em relação às receitas de caráter contraprestacional, cancelar a autuação dos períodos a partir de 1° de fevereiro de 1999, e em relação às receitas financeiras, cancelar a autuação de todos os períodos
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Cássio Schappo (suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2000 SERVIÇOS SOCIAIS AUTÔNOMOS. IMUNIDADE. ISENÇÃO. Os serviços sociais autônomos não têm imunidade constitucional quanto à incidência da Cofins. O art. 14, inciso X, da MP 2.158-35/2001 prevê que a isenção somente se aplica a partir de 01/01/1999, do que se conclui não haver isenção ou imunidade antes desse dispositivo. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. As receitas financeiras não compõem a base de cálculo da Cofins, para pessoas jurídicas tributadas com base na Lei 9.718/98, por decisão do Supremo Tribunal Federal, no RE 585.235/MG. Recurso Voluntário Provido Parcialmente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para, em relação às receitas de caráter contraprestacional, cancelar a autuação dos períodos a partir de 1° de fevereiro de 1999, e em relação às receitas financeiras, cancelar a autuação de todos os períodos (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Cássio Schappo (suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1677; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 890 1 889 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11618.000193/200318 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201003.666 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de abril de 2018 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO COFINS Recorrente SERVIÇO DE APOIO ÀS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS DA PARAÍBA PB Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2000 SERVIÇOS SOCIAIS AUTÔNOMOS. IMUNIDADE. ISENÇÃO. Os serviços sociais autônomos não têm imunidade constitucional quanto à incidência da Cofins. O art. 14, inciso X, da MP 2.15835/2001 prevê que a isenção somente se aplica a partir de 01/01/1999, do que se conclui não haver isenção ou imunidade antes desse dispositivo. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. As receitas financeiras não compõem a base de cálculo da Cofins, para pessoas jurídicas tributadas com base na Lei 9.718/98, por decisão do Supremo Tribunal Federal, no RE 585.235/MG. Recurso Voluntário Provido Parcialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para, em relação às receitas de caráter contraprestacional, cancelar a autuação dos períodos a partir de 1° de fevereiro de 1999, e em relação às receitas financeiras, cancelar a autuação de todos os períodos (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 8. 00 01 93 /2 00 3- 18 Fl. 890DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Cássio Schappo (suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Auto de Infração de Cofins, no valor total original de R$ 742.305,58, incluindo multa de ofício e juros de mora. Resultou de auditoria efetuada pelo Auditor Fiscal da Receita Federal Silvino Marcos da C. Miranda. Informa o aututante que apurou insuficiência de recolhimento de Cofins, em vista de não considerar que a entidade, uma sociedade civil sem fins lucrativos, sob a forma de serviço social autônomo, com personalidade jurídica de Direito Privado, não atende aos requisitos de isenção ou imunidade. Fundamenta que: os beneficiários da atividade da entidade são empresas, que não estão incluídas no rol de assistência social do art. 2º da Lei 8.742/93 – Lei Orgânica da Assistência Social, e art. 203 da Constituição Federal; Não cumpriria as funções de atender necessidades básicas do cidadão, cf. art. 1º da mesma Lei; Não atenderia aos requisitos do art. 170, §3º, I, do RIR/99, posto que, no Estatuto, havia cláusula de remuneração de diretores; Não atenderia ao requisito do art. 170,§3º,VII, do RIR/99, porque o Estatuto é omisso quanto à destinação do patrimônio em caso de dissolução da sociedade; Não possuía certificados de fins filantrópicos. Informa que a MP 1.8586/1999, art 14, X, combinado com art. 13, VII, isentou da Cofins, retroativa a 1º de fevereiro de 1999, as receitas decorrentes de atividades próprias dos serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei. Isenção mantida na MP 2.15835/2001, art 14, X. Considera como receitas próprias dos serviços sociais autônomos, as decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento de seus objetivos sociais, cf. Parecer Normativo CST nº 5/92. Assim, tributou as receitas de caráter contraprestacional, provenientes de serviços e/ou venda de mercadorias. A associação então apresentou Impugnação, onde apresenta suas razões de defesa. Copio trecho do relatório de primeira instância para o relato: 1. não procede a autuação, tendo em vista que o SEBRAE é uma entidade sem fins lucrativos, instituída por escritura pública, sob a forma de serviço social autônomo, cujo orçamento é composto por apenas 10% de recursos próprios (palestras, seminários, cursos, assessoramento para a classe dos micros empresários, Fl. 891DF CARF MF Processo nº 11618.000193/200318 Acórdão n.º 3201003.666 S3C2T1 Fl. 891 3 empregados e pequenos empreendedores), o qual é "(...) destinado ao desenvolvimento da micro e pequena empresa, na elaboração de projetos, execução dos seus programas e manutenção da instituição, tais como: PROCARIRI, COURO E CALÇADOS, ARTESANATO, PROJETO DAS MANDALAS cujo objetivo é o plantio pelo pequeno agricultor, da agricultura de subsistência, (..); 2. a imunidade tributária do SEBRAE se configura tanto pelo fato de ela ser constituída sob a forma de serviço social autônomo, como por se enquadrar como entidade sem fins lucrativos de educação e de assistência social, como descreve, inclusive promovendo a integração ao mercado de trabalho, como forma de promoção da dignidade, sendo pacifico o entendimento da doutrina e da jurisprudência nesse sentido, conforme textos que reproduz; 3. a Impugnante busca convencer o julgador a respeito de sua tese, alegando, que: a) as atividades de cursos e seminários de capacitação praticadas pelo SEBRAE/PB, com fulcro no fomento e no desenvolvimento das micro e pequenas empresa, nada mais são do que atividades tipicamente educacionais; b) o SEBRAE/PB se caracteriza como entidade de assistência social, pois tem por objetivo um trabalho social continuo, na elaboração e execução de projetos, ministrando cursos, palestras e seminários, assessorando a micro empresa e empregados desses pequenos empresários, sempre visando a integração destes ao mercado de trabalho; c) conforme os ensinamentos da doutrina, a promoção da integração ao mercado de trabalho não engloba somente o trabalhador subordinado, mas, também, o autônomo e o empregador, enquanto empreendedores do crescimento do Pais, dos quais, nesse raciocínio, podese exemplificar atuações do SEBRAE/PB por meio dos projetos já citados acima; 4. assevera a Impugnante que a proibição ao recebimento de vantagens outorgadas aos dirigentes ou associados foi recentemente flexibilizada pela Consultoria Jurídica do Ministério da Previdência e Assistência Social, a qual, analisando a situação que descreve, entendeu que o disposto no inciso IV, do artigo 55 da Lei n° 8.212/91 restringese apenas à remuneração percebida nas funções de dirigente da entidade beneficente de assistência social, não podendo ser cassada ou não concedida a isenção, pelo fato de o dirigente exercer, de forma cumulada, outras funções e por essas ser remunerado, sob pena de afronta ao principio da liberdade constitucional de profissão; 5. acrescenta, ainda que a MP n° 1.602, de 14/11/1997, convertida na Lei 9.532/1997, teve o caput do seu artigo 12, alterado para constar a expressão "sem fins lucrativos", e que a introdução dessas restrições adicionais As previstas no artigo Fl. 892DF CARF MF 4 14, do Código Tributário Nacional (CTN), poderá ser questionada por entidades que se sentirem prejudicadas pelos novos requisitos, assim, como, a submissão dos rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou variável à tributação na fonte, não sendo feita qualquer restrição A imunidade quanto A natureza do rendimento, pela Constituição Federal de 1988; 6. com relação ao fato de o SEBRAE/PB ter sido cadastrado junto A SRF (CNPJ) como associação, mas estar declarando como fundação, ocorreu um equivoco, que será sanado nas próximas declarações de imposto de renda, nas quais a ora Impugnante informará o código 302 6 (Entidades sem Fins Lucrativos Associação); II Da Isenção da COFINS. Nesse tópico a Impugnante se limita a colacionar a legislação que isentou da COFINS as receitas das atividades próprias dos serviços sociais autônomos criados ou autorizados por lei (artigos 13 e 14, da MP n° 2.15835, de 24/08/2001, em vigor por força do dispõe a EC ° 12, de 11/09/2001), sem fazer qualquer menção à ressalva contida na peça acusatória acerca do não arrolamento dos valores que constituiriam as receitas oriundas das citadas atividades. Acrescenta comentário versando sobre a hierarquia das leis, cujo principio determina que a lei complementar prevalece sobre a ordinária, e ilustra a tese com julgado da lavra do STJ, concluindo ser a Lei Complementar n° 70, de 1991 hierarquicamente superior à Lei n° 9.430, de 1996, não podendo esta revogar a isenção da COFINS concedida por aquela às sociedades civis. Assim, quer pela imunidade gozada pela Autuada, por sua natureza jurídica, assegurada pela Constituição Federal, quer pela isenção da COFINS, da qual a entidade é beneficiária, o lançamento não merece prosperar, devendo ser arquivado o presen e Auto de Infração. Acrescento que a Impugnação se debate também contra a tributação das receitas financeiras, seja porque seriam atividades próprias da impugnante, o que ensejaria a isenção, seja porque não se configurariam como o faturamento, base de cálculo da Lei 9.718/98. A DRJ/FORTALEZA/CE – 4ª Turma, por meio do Acórdão 0811.546, de 14/07/2007, decidiu pela improcedência da Impugnação, mantendo integralmente o lançamento. Transcrevo a ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL IMUNIDADE. ISENÇÃO. INSTITUIÇÃO PRIVADA NÃO CARACTERIZADA COMO ENTIDADE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL NEM COMO INSTITUIÇÃO DE ENSINO – ALCANCE DA ISENÇÃO DA COFINS CONCEDIDA AOS SERVIÇOS SOCIAIS AUTÔNOMOS. Fl. 893DF CARF MF Processo nº 11618.000193/200318 Acórdão n.º 3201003.666 S3C2T1 Fl. 892 5 Instituição privada que tenha por atividade principal a prestação de serviços de apoio às empresas, comvistas à melhoria de seus resultados, não se caracteriza como sendo de assistência social, nem como instituição de ensino, nos termos da Lei, não fazendo jus à imunidade e/ou à isenção das contribuições para a seguridade social (CF/88, art. 150, VI, "c", art. 195, § 7°, e art. 203), mesmo que se apresente como sem finalidades lucrativas, e preste serviços a segmentos de menor expressão econômica as micro e pequenas empresas e que, entre suas atividades secundárias, também participe de programas de caráter assistencial e desenvolva atividades como cursos, palestras ou seminários. A isenção da COFINS concedida pela MP n° 1.858 6, de 29/06/1999, restringese às receitas das atividades próprias dos serviços sociais autônomos criados ou autorizados por lei. A Associação então interpôs o Recurso Voluntário, onde reforça os argumentos da Impugnação. Acrescenta pedido de nulidade da decisão recorrida, por irregularidade no MPF – Mandado de Procedimento Fiscal, e questionamento quanto à tributação das receitas financeiras; Em 16/03/2016 o processo veio a julgamento nesta Turma, que o converteu em diligência. Transcrevo pequeno trecho para da Resolução para esclarecimento do que se requereu: “Não obstante, para que se possa aplicar o raciocínio aqui expendido, qual seja, de que o alcance semântico de que "receitas decorrentes de atividades próprias" são aquelas que convergem para os objetivos sociais, e sem caráter empresarial, da Recorrente, terse ia que trazer a conhecimento, sob quais rubricas estariam as receitas objeto da autuação. Considerandose que a fiscalização considerou que todas as receitas que não fossem oriundas de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembleia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional, todas as demais receitas, por exclusão, estariam sujeitas à incidência. Assim sendo, em face de todo o exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência, para que a autoridade preparadora identifique e especifique a natureza das receitas objeto da autuação.” A diligência foi procedida, tendo a Associação sido intimada a esclarecer a natureza das contas que compuseram as receitas lançadas, e da conta de convênio, detalhar os serviços contratados. A recorrente cumpriu a intimação, detalhando a natureza das receitas. Sobre os convênios, dos quais não conseguiu detalhar todos eles em função do tempo passado, mais de 17 anos, afirma que todos se configuram como receitas de atividade própria, “alinhadas com o objetivo institucional da entidade, qual seja, a promoção da competitividade e do desenvolvimento sustentável dos pequenos negócios, mediante o estímulo e o fomento ao empreendedorismo, visando o fortalecimento da economia paraibana” (fls. 810). O Auditor Fiscal manifestase em relação a cada conta, e que, com exceção da conta 4.1.1.0.0.000 – constribuições sociais, que não compôs o lançamento, todas as demais Fl. 894DF CARF MF 6 teriam caráter contraprestacional, ou seja, seriam tributáveis. Fundamenta no sentido de que, nos termos do art. 47 da Instrução Normativa da Receita Federal nº 247/2001, que as receitas derivadas das atividades próprias são aquelas “decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais”. Transcrevo suas considerações (fl. 832): A conta 4.1.2.0.0.000 Contribuições de Empresas Beneficiadas, presente nos anoscalendário de 1998, 1999 e 2000, registra receitas decorrentes de atividades próprias do SEBRAE/PB oriundas da prestação de serviços a pessoas físicas e jurídicas, tais como consultorias, cursos, palestras, oficinas, entre outros; A conta 4.1.3.0.0.000 Receitas de Convênios, presente nos anoscalendário de 1998, 1999 e 2000, registra receitas oriundas de acordos de cooperação técnicafinanceira ou financeira com entidades públicas e/ou privadas, cujos objetivos envolvem a realização de ações de interesse mútuo dos partícipes, voltadas para o atendimento das atividades finalísticas e de apoio do SEBRAE/PB, detalhados minunciosamente através da CARTA SUPER Nº 22/2017, de 21/03/2017; As contas 4.1.4.1.1.000 Receitas de Aplicações Financeiras Contrib. Social, 4.1.4.1.2.000 Receitas de Aplicações Financeiras Conv. Especiais, 4.1.4.1.3.000 – Receitas de Aplicações Financeiras Rec. Próprios e 4.1.4.1.5.001 Receita c/c 6.7865, presentes nos anoscalendário de 1999 e 2000, registram receitas financeiras de recursos aplicados em aplicações em instituições financeiras a curto prazo; A conta 4.1.4.2.0.001 – Juros, presente nos anoscalendário de 1999 e 2000, registram receitas relativas ao acréscimo sobre valores recebidos de devedores que estavam inadimplentes no pagamento de títulos e as atualizações monetárias, calculadas em função da perda do poder aquisitivo da moeda, a exemplo de cheques devolvidos pela alínea 12; A conta 4.1.4.3.0.002 Variação Monet. Ativas Exig. A Longo Prazo, presente no anocalendário de 1999, registrou em setembro de 1999 a receita pela redução de empréstimos e financiamentos pertencentes ao passivo exigível a longo prazo das contas 2.2.1.1.0.001 – imobilizações – 254/92 e 2.1.1.1.0.002 – cooper. financeira – 80/97; A conta 4.1.9.0.0.001 – Aluguéis, presente nos anoscalendário de 1999 e 2000, registra receitas oriundas da cessão de espaço à Associação dos Lojistas do Shopping Sebrae; A conta 4.1.9.0.0.003 Recuperações e Restituições, presente nos anoscalendário de 1999 e 2000, registra receitas decorrentes das recuperações de valores lançados como perdas de capital; Fl. 895DF CARF MF Processo nº 11618.000193/200318 Acórdão n.º 3201003.666 S3C2T1 Fl. 893 7 A conta 4.1.9.0.0.004 Outras Receitas, presente nos anos calendário de 1999 e 2000, registra as receitas diversas não classificadas em nenhuma das anteriores. Finaliza lembrando que o Sebrae não apresentou o CEBAS. A recorrente manifestase acerca da diligência, onde reitera os argumentos expendidos já em seus recursos. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, relator. O Recurso é tempestivo e trata de matéria de competência desta Turma, devendo ser conhecido. Inicialmente, cabe assentar que as Turmas do Carf não podem afastar expressa previsão legal por considerações de inconstitucionalidade, nos termos da Súmula Carf nº 21. Assim, as questões principiológicas somente terão lugar como função interpretativa sistemática das disposições expressas de Lei. A MP 1.8286/1999, art 14, X, combinado com art. 13, VII, isentou da Cofins, retroativamente a 1º de fevereiro de 1999, as receitas decorrentes de atividades próprias dos serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei. A isenção foi confirmada na MP 2.15835/2001, art 14, X, combinado com art. 13, VI2, ainda vigente. Os requisitos de Cebas e outros não se aplicam à recorrente, posto que o dispostivo isentivo dos serviços sociais autônomos, art. 14, X combinado com art. 13, VI, é distinto dos dispositivos dirigidos às “entidades beneficentes de assistência social e a isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação”, do art. 13, III3, e das “instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os 1 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 2 Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: (...) VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; (...) Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. 3 III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; Fl. 896DF CARF MF 8 coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos”, do art, 13, IV4. A lei não tem palavras inúteis, muito menos dispositivos inúteis. Se os dispositivos legais acima mencionados isentam as receitas de atividades próprias dos serviços sociais autônomos somente a partir de 1º de fevereiro de 1999, certo é que antes disso não eram isentas. Não se pode considerar a possibilidade de imunidade da recorrente, porque a Lei não a trata como imune. E assim se superam todas os esforços da recorrente quanto às argumentações de inconstitucionalidades e hierarquia de leis, e as acusações do Fisco quanto a o cumprimento de requisitos para isenção ou imunidade. A Lei tem a definição: são isentas, a partir de 1º de fevereiro de 1999, as receitas de atividades próprias dos serviços sociais autônomos. A questão seguinte a ser enfrentada é definir quais são as receitas de atividades próprias da recorrente. No entender do Fisco, conforme IN 247/2001, art. 47, §2º, ainda vigente, “consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais.”, isto é, excluemse da isenção as receitas que tenham caráter contraprestacional. A recorrente sustenta, colacionando farta jurisprudência, que as atividades próprias das entidades isentadas no art. 14, X, são aquelas utilizadas na consecução das suas finalidades institucionais. A fim de interpretar a questão, invoco a Súmula Carf nº 107: Súmula CARF nº 107 : A receita da atividade própria, objeto da isenção da Cofins prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III, da MP nº 2.15835, de 2001, alcança as receitas obtidas em contraprestação de serviços educacionais prestados pelas entidades de educação sem fins lucrativos a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997. Embora não trate especificamente dos serviços sociais autônomos, a súmula considera que as receitas derivadas do caráter contraprestacional da entidade sem fins lucrativos não são excluídas da isenção. Assim, aplico o mesmo entendimento no presente caso. Observo que o fundamento do lançamento são os requisitos para fruição de isenções, superados pela expressa previsão legal do art. 14, X, da MP 2.15835/2001, e a vedação da isenção das receitas de caráter contraprestacional, pela IN 247/2001, o que supero invocando a interpretação assumida pela Súmula 107. Quanto às receitas financeiras, devem ser afastadas da tributação, por decisão do STF no RE 585.235/MG, sob o regime de repercussão geral, vinculante às Turmas do Carf, 4 IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; Fl. 897DF CARF MF Processo nº 11618.000193/200318 Acórdão n.º 3201003.666 S3C2T1 Fl. 894 9 nos moldes do §2º do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do Carf – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 20155. Pelo exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para, em relação às receitas de caráter contraprestacional, cancelar a autuação dos períodos a partir de 1º de fevereiro de 1999, e em relação às receitas financeiras, cancelar a autuação de todos os períodos. Marcelo Giovani Vieira Relator 5 § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 898DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.900020/2008-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2003
DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO
A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório.
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião.
Numero da decisão: 2201-004.425
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcelo Milton da Silva Risso e Douglas Kakazu Kushiyama, que votaram pela conversão do julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2003 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1473; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 99 1 98 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.900020/200877 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201004.425 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 04 de abril de 2018 Matéria PER/DCOMP. ERRO EM DCTF Recorrente BANCO BANERJ S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2003 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcelo Milton da Silva Risso e Douglas Kakazu Kushiyama, que votaram pela conversão do julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 00 20 /2 00 8- 77 Fl. 112DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 59/64, interposto contra decisão da DRJ no Rio de Janeiro/RJ, de fls. 47/51, que não deu provimento à Manifestação de Inconformidade do contribuinte, não homologando a compensação pleiteada haja vista a ausência de comprovação da existência do crédito. Tratase do PER/DCOMP nº ,06725.73494.191103.1.3.047427, fls. 19/24, no qual o contribuinte buscava compensar suposto crédito no valor original de R$ 26.430,44, oriundo do pagamento indevido ou a maior de IRRF, código 0561, com o débito de CPMF, da 2º semana de novembro de 2003, no valor de R$ 28.040,05. Conforme Despacho Decisório de fl. 16, a compensação pleiteada não foi homologada pois "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos (...), mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados em PER/DCOMP". Da Manifestação de Inconformidade Em razão da clareza didática do resumo elaborado pela DRJ no Rio de Janeiro/RJ das razões apresentadas em manifestação de inconformidade, adotase, ipsis litteris, tal trecho para compor parte do presente relatório: "Inconformada, a interessada apresentou, em 28/03/2008, a Manifestação de Inconformidade de fls. 3/7, na qual alega, em síntese: 3.1) que faltou ao despacho decisório a demonstração das razões que levaram. à nãohomologação da compensação, o que a impediu de exercer o direito constitucional de ampla defesa; 3.2) que o Fisco não trouxe aos autos nenhum elemento que desse suporte ao fato motivador da nãohomologação da compensação, exceto a descrição dos valores apurados; 3.3) que o ônus da prova incumbe a quem alega o fato constitutivo de seu direito; 3.4) que o ato administrativo há de ser sempre motivado; 3.5) que o "auto de infração" é nulo de pleno direito por não haver a demonstração do alegado, não permitindo apreender o motivo e o fato da autuação; 3.6) que declarou, por erro, o valor que indica como pagamento indevido ou a maior como DARF vinculado ao débito do período; Fl. 113DF CARF MF Processo nº 15374.900020/200877 Acórdão n.º 2201004.425 S2C2T1 Fl. 100 3 3.7) que sua alegação é comprovada pelo PER/DCOMP (fls. 16/21), DARF (fl. 22) e quadro demonstrativo (fl. 23) trazidos aos autos; 3.8) que o valor do débito apresentado na DCTF (fls. 24/33) contém erro que deve ser observado, especificamente, no campo pagamento com DARF, pois o valor pleiteado foi recolhido indevidamente; e 3.9) que pede a alteração de oficio das informações constantes da DCTF.” Da Decisão da DRJ A DRJ no Rio de Janeiro julgou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo o despacho decisório que não homologou a compensação pleiteada, na decisão assim emendada (fls. 47/51): “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer cerceamento a direito de defesa. ASSUNTO: NORMAS GERALS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO INDEFERIMENTO. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. Não se homologa compensação baseada em direito creditório, o qual não foi devidamente demonstrado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Em suas razões, a autoridade julgadora afastou a preliminar de nulidade arguida pelo contribuinte, afirmando não haver violação ao princípio constitucional da ampla defesa, considerando que no Despacho Decisório de fl. 16 informa, com clareza, as razões pela qual não reconhece o direito creditório invocado. Também nas palavras da autoridade julgadora, o DARF foi vinculado ao débito nos termos da própria declaração apresentada pelo contribuinte (fl. 27/36). Quanto ao mérito, afirma que o contribuinte não provou as alegações de erro de preenchimento da DCTF, notadamente não apresentando prova documental capaz de provar, cabalmente, a existência do direito creditório. A DRJ entendeu que os documentos apresentados (PER/DCOMP, DARF e quadro demonstrativo) não servem para demonstrar erro o erro de fato que culminou no pagamento indevido ou a maior. Fl. 114DF CARF MF 4 Do Recurso Voluntário O RECORRENTE, cientificado do Acórdão da DRJ em 07/06/2010, conforme fazem prova o AR de fl. 58 e a tela de consulta dos Correios de fl. 80, apresentou o recurso voluntário de fls. 59/64 em 06/07/2010. Em suas razões, praticamente reiterou as alegações de mérito apresentadas em sede de manifestação de inconformidade, além de defender que o processo administrativo se rege pelo princípio da verdade material e que os documentos apresentados, quando interpretados sob a ótica de tal princípio, são suficientes para comprovar a existência do direito creditório. Ademais, juntou ao processo documentação que acredita ser relevante para comprovar a existência do pagamento indevido ou a maior de IRRF, qual seja, o demonstrativo de cálculo realizado nos autos do processo judicial nº 2200/99, que tramitou na 62ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro, bem como o DARF vinculado àquele processo (fls. 87/90). Sobre esse tema, afirmou que, em decorrência de acordo realizado na ação trabalhista, homologado em 27/08/2003, deveria recolher o valor de R$ 28.492,16 a título de IRRF (conforme cálculos de fl. 88). No entanto, o RECORRENTE alega que em 29/07/2003 já tinha efetuado o recolhimento do IR no montante indevido de R$ 26.430,44 (fl. 86). Assim, afirmou que, para corrigir seu erro e não trazer prejuízos ao exfuncionário, efetuou novo recolhimento do IRRF em 09/09/2003 no valor correto de R$ 28.492,16 (fl. 90). Portanto, entendeu ter demonstrado o recolhimento em duplicidade do tributo e, consequentemente, o seu direito ao crédito pleiteado, o qual não foi contemplado somente por erro no preenchimento da DCTF. Alegou que tal erro não poderia ser utilizado como fundamento para o não reconhecimento do crédito. Este recurso de voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Por ser tempestivo e por preencher as demais condições de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. Da Alegação de Prevalência do Princípio da Verdade Material Conforme demonstrado pelo Despacho Decisório de fl. 16, o pedido de compensação não foi homologado por não restar crédito disponível para compensação, devido ao DARF ter sido utilizado integralmente para quitar débito do RECORRENTE relativo ao código 0561 (IRRF rendimento do trabalho assalariado) cujo período de apuração foi 26/07/2003. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 15374.900020/200877 Acórdão n.º 2201004.425 S2C2T1 Fl. 101 5 Sustenta o RECORRENTE que, em verdade, houve equívoco cometido na elaboração das DCTF originais apresentadas, haja vista que o mesmo débito foi declarado em dois DARFs distintos. Aduz ser equivocada a conclusão do Julgador de 1ª Instância sobre a impossibilidade da DRJ e do CARF reconhecerem direito a crédito sem suporte documental produzido previamente pelo contribuinte, pois no processo administrativo vigora o princípio da verdade material. Um dos princípios norteadores do processo administrativo é o cumprimento a estrita legalidade, desta forma, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais promove a verificação da legalidade dos atos administrativos produzidos no curso do procedimento fiscal e do julgamento em primeira instância, cotejando os fatos identificados e os efetivamente ocorridos com a legislação tributária correspondente. No caso dos tributos federais, a compensação tributária ocorre nos termos do art. 74 da Lei 9.430/96: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. No presente caso, a Autoridade Administrativa emitiu o Despacho Decisório de fl. 16 informando que o crédito que se almeja compensar já estava consignado em outro débito, confessado pelo contribuinte em DCTF. Neste sentido, assim, dispõe o DecretoLei nº 2.124/1984: Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Fl. 116DF CARF MF 6 Ora, não pode a autoridade administrativa proceder com a homologação quando existe, de fato, vinculação do crédito a valores confessados pelo contribuinte como devidos, por meio de instrumento hábil e suficiente a sua exigência. Sobre o tema, adoto como razões de decidir as palavras do Ilustríssimo Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo, proferida no acórdão nº 2201004.311: A criação do Sistema de Controle de CréditosSCC objetivou dar maior celeridade e segurança à necessária conferência dos pedidos de restituição, ressarcimentos e declarações de compensação formalizados pelos contribuintes. Naturalmente, tratase de ferramenta de extrema utilidade e eficiência quando batimentos de sistemas podem indicar a existência dos direitos pleiteados. Por outro lado, quando a complexidade da demanda exige, remanesce a necessidade de análise manual dos créditos pleiteados. Das situações possíveis de serem tratadas eletronicamente, sem sombra de dúvida, os indébitos tributários decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior são, como regra, os que apresentam menor complexidade de análise, já que basta o SCC localizar o pagamento, identificar suas características e verificar, no sistema próprio, se há débitos compatíveis que demonstrem, no todo ou em parte, a ocorrência de um pagamento indevido ou a maior. (...) Portando, em uma análise primária, notase que a não homologação em discussão é procedente, o que não impede que se reconheça, em respeito à verdade material, que tenha havido algum erro de fato que justifique sua revisão. Contudo, para tanto, necessário que sejam apresentados os elementos que comprovem a ocorrência de tal erro. Portanto, não basta alegar a ocorrência de erro material, é necessário prova lo. Quanto ao ônus da prova, o Código de Processo Civil dispõe o seguinte: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Apesar do procedimento de constituição do crédito tributário não ser regido pelo CPC, a adoção dos critérios principiológicos criados por tal norma em aplicação analógica ao presente caso oferece diretrizes de suma importância para resolução da demanda. Assim, uma vez em curso o procedimento de análise de compensação de crédito, é do contribuinte o ônus de provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da Fazenda. Apenas em sede de Recurso Voluntário o contribuinte traz um mínimo de provas para fundamentar sua alegação de ocorrência de erro de fato, qual seja, a cópia de alguns trechos do processo judicial 002200/99, que tramitou na 62ª Vara do Rio de Janeiro, processo este que originou o débito de IRRF objeto da presente celeuma. Fl. 117DF CARF MF Processo nº 15374.900020/200877 Acórdão n.º 2201004.425 S2C2T1 Fl. 102 7 Contudo, não deveria o contribuinte comprovar o suposto recolhimento em duplicidade, pois é evidente que houve o recolhimento, tanto que o despacho decisório atesta a utilização do pagamento reputado como a maior pelo contribuinte para quitar débito confessado pelo RECORRENTE. Em verdade, deveria o contribuinte comprovar que cometeu equívoco na sua DCTF; ou seja, que os débitos confessados nessa declaração estavam equivocados. Assim, deveria ter comprovado o erro na DCTF através de balanços contábeis e demais documentos aptos a comprovar o valor correto devido a título IRRF para o período em questão, ou então auditoria realizada por perito independente. Neste sentido se verifica no Acórdão nº 3201001.713 da 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária: DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. É bem verdade que, em razão do princípio da autotutela, pode a Administração Tributária reconhecer de ofício a ocorrência de erro que justifique a alteração de ato administrativo que tenha constituído crédito tributário em desacordo com a legislação aplicável, ou tenha denegado ao contribuinte pleito que faz jus. Todavia, não existe nos autos evidências suficientes para se proceder com a correção de ofício, considerando que, o crédito tributário objeto de pedido compensação foi integralmente utilizado para quitar dívida confessada pelo contribuinte. Não há, também, nos presentes autos elementos que justifiquem eventual conversão em diligência, ante ausência quase que integral de conteúdo probatório do direito do contribuinte. Por fim, não há nada nos autos que indique eventual ofensa aos ao princípio da Verdade Material. Todo o procedimento fáticoprobatório e jurídico presente nos autos foi levado em consideração nesta decisão, uma vez não comprovada a ocorrência de erro de fato; a cobrança de um débito indevidamente compensado é medida que se impõe como consequência da não homologação da compensação, devendo sobre estes incidir os acréscimos legais previstos para os casos de pagamento a destempo. Conclusão Pelas razões acima, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Fl. 118DF CARF MF 8 (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 119DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.686566/2009-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
Ementa:
PROCESSUAL - VERDADE MATERIAL - LIMITES - PROVA POSTERIOR - OBSERVÂNCIA AOS REQUISITOS DO ART. 16, §4º, DO DECRETO 70.235/72.
Ainda que jungido ao principio da verdade material, o processo administrativo também se encontra limitado pelo princípio da legalidade e pela regra do devido processo legal. O momento de que dispõe o contribuinte para produzir provas e trazer documentos é o da oposição de sua impugnação, admitindo-se, como exceção, a produção de provas e argumentos em momento posterior apenas nas hipótese devidamente demonstradas do § 4º do art. 16 do Decreto 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.735
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Flávio Machado Vilhena Dias, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa e Rogerio Aparecido Gil.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Carlos César Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 Ementa: PROCESSUAL - VERDADE MATERIAL - LIMITES - PROVA POSTERIOR - OBSERVÂNCIA AOS REQUISITOS DO ART. 16, §4º, DO DECRETO 70.235/72. Ainda que jungido ao principio da verdade material, o processo administrativo também se encontra limitado pelo princípio da legalidade e pela regra do devido processo legal. O momento de que dispõe o contribuinte para produzir provas e trazer documentos é o da oposição de sua impugnação, admitindo-se, como exceção, a produção de provas e argumentos em momento posterior apenas nas hipótese devidamente demonstradas do § 4º do art. 16 do Decreto 70.235/72.
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Ainda que jungido ao principio da verdade material, o processo administrativo também se encontra limitado pelo princípio da legalidade e pela regra do devido processo legal. O momento de que dispõe o contribuinte para produzir provas e trazer documentos é o da oposição de sua impugnação, admitindose, como exceção, a produção de provas e argumentos em momento posterior apenas nas hipótese devidamente demonstradas do § 4º do art. 16 do Decreto 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Flávio Machado Vilhena Dias, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa e Rogerio Aparecido Gil. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Carlos César Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 68 65 66 /2 00 9- 57 Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10880.686566/200957 Acórdão n.º 1302002.735 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Em Despacho Decisório emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de São Paulo (DERAT), o pedido de compensação anteriormente transmitido pelo contribuinte não foi homologado, uma vez que, nos termos constates do Despacho exarado, contatouse que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos, do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Intimado da referida decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, preliminarmente, que o crédito não foi identificado, uma vez que houve um erro interno, já que, uma vez identificado o pagamento indevido ou a maior, olvidou se de retificar as suas DCTF's. Assim, segundo alega, esta ausência de retificação impossibilitou a fiscalização de identificar o crédito apontado em seu pedido de compensação. Afirma que retificou as DCTF's após o recebimento dos despachos decisórios, que acabaram por não homologar os diversos pedidos de compensação apresentados no período. Alegou, ainda, que o seu direito creditório decorre da interpretação da Receita Federal do Brasil, exarada na resposta de consulta de nº 07/2009, em que restou definido que "a venda (desenvolvimento e edição) de softwares prontos para uso (de prateleira, standard) é classificada como venda de mercadoria e o percentual para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica é de oito por cento". Com essa nova interpretação, alegou, o Recorrente, que identificou o erro na apuração do IRPJ e da CSLL, resultando em um recolhimento indevido ou a maior destes tributos. E exatamente por conta desses recolhimentos a maior é que apresentou os pedidos de compensação, utilizando os créditos originados do pagamento indevido ou a maior (resultantes da interpretação exarada pela Receita Federal do Brasil), para pagar débitos próprios, nos termos e contornos exigidos pela legislação. Em análise à Manifestação de Inconformidade, a douta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) entendeu por bem julgar o apelo do contribuinte como improcedente. Como fundamento da decisão, o acórdão considerou (i) a impossibilidade de se analisar as DCTF's retificadas após o início do procedimento fiscal e (ii) que o contribuinte não comprovou que fabrica software prontos para o uso (de prateleira). Devidamente intimado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, no qual, em síntese, repisa os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade. No que tange às retificações das DCTF's, o Recorrente alega que mesmo tendo sido as retificações realizadas após o procedimento fiscal, são elas as DCTF's retificadas que comprovam a realidade das suas operações e que, por isso, não podem ser desprezadas pelos órgãos judicantes. Por outro lado, anexa aos autos documento em que detalha o seu processo de produção, para concluir que produz softwares prateleira e, por isso, teria o direito de se valer da Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10880.686566/200957 Acórdão n.º 1302002.735 S1C3T2 Fl. 4 3 forma de cálculo do IRPJ e da CSSL, nos termos exarados pela Receita Federal do Brasil, através de solução de consulta. Junta aos autos, ainda, planilha em que segrega suas vendas, com arrimo na DIPJ, que também anexa aos autos. Assim, pede provimento ao Recurso Voluntário e o consequente reconhecimento do seu direito creditório. Este é o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.731, de 12.04.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.686567/200900, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento, contido no voto vencedor, que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302 002.731): "[...] Aqui, vejam bem, existem dois motivos para entender que, ainda que o direito ao crédito seja plausível, semelhante plausibilidade somente alçaria ares de verdade absoluta a partir da prova de que: a) as DCTFs retificadas contemplavam informações corretas e acompanhadas de documentos que lhes comprovavam a veracidade; b) tendo origem em classificação equivocada da atividade desenvolvida, mormente quanto ao tipo de software que seria objeto de venda ou cessão, trouxesse o contribuinte a prova de que, efetivamente, seus programas de computador seriam aqueles considerados como de prateleira (isto é, softwares fechados, sem transferência de código fonte). O problema é que, como a origem do crédito está jungida a estes dois fatos, cabia ao recorrente, desde a sua manifestação de inconformidade (=impugnação), trazer os documentos necessários à demonstração da liquidez e certeza do crédito cuja compensação de se postulava. Essa, digase, é a mens legis do art. 170, caput, do CTN, quando franqueia aos entes federados a realização compensação, senão vejamos: A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10880.686566/200957 Acórdão n.º 1302002.735 S1C3T2 Fl. 5 4 com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Os pressupostos, pois, do direito crédito a ser utilizado pelo sujeito passivo da obrigação tributária é a sua liquidez e certeza, pressupostos estes que antecedem o próprio pedido de compensação. Por isso, e não por outra razão, compete ao contribuinte demonstrar tais liquidez e certeza; é ônus do sujeito passivo e não da Administração Tributária. Neste passo, e no caso presente, como as premissas do pleito compensatório eram, num primeiro momento, a existência do crédito a partir da retificação de DCTFs e, num segundo momento, o erro de classificação da atividade do contribuinte (que, digase, resultou, justamente, na retificação da declaração anteriormente citada), competia ao contribuinte, desde a sua manifestação de inconformidade, nos estritos do art. 16, § 4º, do Decreto 70.2351, trazer as provas que emprestariam ao crédito postulado a liquidez e certeza: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. E nem se diga que ao caso se aplicaria a exceção descrita na alínea "c", acima, já que o próprio contribuinte cuidou de informar que a origem dos créditos objetos deste feito seria a já citada reclassificação de sua atividade (de prestação de serviços para comercialização de produtos/mercadorias); ou seja, a natureza dos softwares, a parcela da receita a que se referiria a venda destes softwares, e a veracidade das informações contidas nas DCTFs retificadoras não são questões novas, surgidas apenas a partir do julgamento realizado pela DRJ; foram, desde logo, suscitadas pelo recorrente (conforme se extrai especificamente da alegação constante de efls. e, digase, não demonstradas. Não podemos, aqui, sob o pálio da verdade material suplantar as regras procedimentais aplicáveis ao processo administrativo e permitir, por fundamentos metajurídicos2, e ao arrepio do princípio da isonomia, fazernos substituir à autoridade fiscal ou a própria DRJ, para refazer todo o trabalho que deveria ter sido 1 A que está sujeito procedimento instaurado a partir da oposição da manifestação de inconformidade, por força de previsão explicita contida no § 11 do art. 74 da Lei 9.430/96. 2 Ainda que me condoa do contribuinte e ainda que, aparentemente, haja uma "fumaça de bom direito" em sua tese, a prova de sua efetiva existência tinha que ter sido produzida no momento oportuno. Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10880.686566/200957 Acórdão n.º 1302002.735 S1C3T2 Fl. 6 5 concretizado e trazido ao feito pelo sujeito passivo, pretensamente, detentor do crédito. Insisto, não encontro óbices para considerar as informações prestadas mediante declaração retificadora após o início da ação fiscal; mas não tenho como verificar a correção das ditas informações se o próprio contribuinte não traz ao processo provas e documentos que demonstrem que tais dados são verdadeiros. Se é fato que o processo administrativo admite uma flexibilização no procedimento de instrução, e, portanto, se pauta pelo já aventado princípio da verdade material, não se pode olvidar que determinadas amarras não podem ser sobrepujadas; o primado da verdade material pode nortear o julgador de sorte a garantir que ele aprecie provas não contempladas pela instância interior, mas que tenham sido produzidas no momento oportuno, e, na espécie, tais provas não foram, reprisese, produzidas. Como não se verificam, no concreto, a ocorrência das situações descritas no art. 16, § 4º, do Decreto 70.235 e, lado outro, como o contribuinte não produziu as provas necessárias à demonstração da liquidez e certeza de seu direito creditório, não nos cabe, agora, franquearlhe, por meio de diligência, tal oportunidade, pena de malferir, não o decreto anteriormente invocado, como, também, e como já dito, o princípio da isonomia. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 111DF CARF MF
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Numero do processo: 15871.000169/2010-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
SUSPENSÃO. ART. 9º DA LEI Nº 10.925/2004. EFICÁCIA DESDE 1º DE AGOSTO DE 2004.
Em conformidade com o disposto no art. 17, III da Lei nº 10.925/2004, aplica-se desde 1º de agosto de 2004 a suspensão da incidência do PIS e da Cofins prevista no art. 9º da Lei nº 10.925/2004.
AGROINDÚSTRIA. CRÉDITO PRESUMIDO. FORMA DE APROVEITAMENTO.
O crédito presumido da agroindústria previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004 não se submete à tríplice forma de aproveitamento, só podendo ser utilizado para a dedução das próprias contribuições de PIS/Cofins devidas no período de apuração.
PIS/COFINS. RESSARCIMENTO. SELIC. VEDAÇÃO.
Para as contribuições de PIS/Cofins, o ressarcimento de saldos credores admitido pelas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 não se sujeita à remuneração pela taxa Selic em virtude da expressa vedação contida nos arts. 13 e 15 da Lei nº 10.833/03.
Recurso Voluntário provido em parte
Aguardando nova decisão
Numero da decisão: 3402-005.124
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a vigência do benefício de suspensão de que trata o art. 9º da Lei nº 10.925/2004 a partir de 1º de agosto de 2004, determinando à Unidade de Origem que analise se a contribuinte faz jus a esse benefício e, sendo o caso, efetue o ajuste do saldo do montante a ressarcir ou a compensar.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Vinícius Guimarães (Suplente convocado) e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que foi substituído pelo Suplente convocado.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ART. 9º DA LEI Nº 10.925/2004. EFICÁCIA DESDE 1º DE AGOSTO DE 2004. Em conformidade com o disposto no art. 17, III da Lei nº 10.925/2004, aplicase desde 1º de agosto de 2004 a suspensão da incidência do PIS e da Cofins prevista no art. 9º da Lei nº 10.925/2004. AGROINDÚSTRIA. CRÉDITO PRESUMIDO. FORMA DE APROVEITAMENTO. O crédito presumido da agroindústria previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004 não se submete à tríplice forma de aproveitamento, só podendo ser utilizado para a dedução das próprias contribuições de PIS/Cofins devidas no período de apuração. PIS/COFINS. RESSARCIMENTO. SELIC. VEDAÇÃO. Para as contribuições de PIS/Cofins, o ressarcimento de saldos credores admitido pelas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 não se sujeita à remuneração pela taxa Selic em virtude da expressa vedação contida nos arts. 13 e 15 da Lei nº 10.833/03. Recurso Voluntário provido em parte Aguardando nova decisão Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a vigência do benefício de suspensão de que trata o art. 9º da Lei nº 10.925/2004 a partir de 1º de agosto de 2004, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 87 1. 00 01 69 /2 01 0- 68 Fl. 269DF CARF MF Processo nº 15871.000169/201068 Acórdão n.º 3402005.124 S3C4T2 Fl. 0 2 determinando à Unidade de Origem que analise se a contribuinte faz jus a esse benefício e, sendo o caso, efetue o ajuste do saldo do montante a ressarcir ou a compensar. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Vinícius Guimarães (Suplente convocado) e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que foi substituído pelo Suplente convocado. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Porto Alegre que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Versa o processo sobre PER/DCOMP mediante o qual o contribuinte pleiteia ressarcimento de PIS não cumulativa vinculada à receita do mercado interno. A autoridade administrativa deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento, homologando as declarações de compensação até o limite dos créditos e determinando a cobrança dos débitos não compensados. Inconformada a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese: a) a suspensão do PIS/Cofins nas vendas de leite in natura foi criada pelo art. 29 da Lei n° 11.051/2004, que entrou em vigor na data da publicação da Lei, ou seja, em 30/12/2004; b) nos termos do art. 17 da Lei nº 11.033/2004 e do art. 16 da Lei n° 11.116/2005, tem direito ao ressarcimento de créditos básicos na aquisição no mercado interno vinculados à receita tributada e do crédito presumido da agroindústria previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004. O julgador de primeira instância não acatou os argumentos da impugnante, sob os seguintes fundamentos: O art. 9º da Lei nº 10.925/2004, instituiu a suspensão da incidência das contribuições PIS e Cofins não cumulativas sobre diversas operações com produtos agropecuários. A regulamentação desse dispositivo se deu, inicialmente, pela IN SRF nº 636, de 24/03/2006, a qual foi revogada pela vigente IN SRF nº 660, de 17/07/2006, que, por sua vez, determinou a vigência da suspensão a partir de 4 de abril de 2006. Ao contrário do que entende a contribuinte, a Lei nº 10.925/2004 fala apenas em dedução, não mencionando a possibilidade de manutenção ou utilização de eventual saldo, condição indispensável para a subsequente compensação com débitos de outros tributos, ou ressarcimento em dinheiro de valor remanescente. Ademais, o art. 2º do ADI SRF nº 15/2005 refere que não poderão ser objeto de compensação ou ressarcimento eventuais créditos presumidos apurados na forma do art. 16 da Lei nº 11.116/2005. Fl. 270DF CARF MF Processo nº 15871.000169/201068 Acórdão n.º 3402005.124 S3C4T2 Fl. 0 3 Tratandose de ressarcimento de PIS não cumulativo, o art. 13 da Lei nº 10.833/2003 combinado com o art. 15 da mesma Lei vedam a atualização monetária no período entre a protocolização do pedido de ressarcimento e o efetivo pagamento. Cabe aos contribuintes, em defesa ao crédito pretendido, provar o teor das alegações contrapostas aos argumentos da autoridade fiscal para não acatar, total ou parcialmente, o alegado crédito. No caso em tela, entendese que a contribuinte não conduziu aos autos elementos necessários à comprovação de suas alegações. Limitouse a afirmar a existência dos pretendidos créditos, nada apresentando de novo. Cientificada da decisão de primeira instância a contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo, mediante o qual repisa as alegações da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra , Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.118, de 17 de abril de 2018, proferido no julgamento do processo 10820.720440/201148, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.118): "Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. O pedido da recorrente para notificação para sustentação oral deve ser indeferido à míngua de previsão legal ou regimental. Ademais, o § 1º do art. 55 do Anexo II do Regimento Interno do CARF RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2016, determina que a pauta de julgamento deve ser publicada no Diário Oficial da União com dez dias de antecedência, sendo perfeitamente possível ao patrono do autuado acompanhar tais publicações para, caso lhe aprouver, formular sustentação oral na sessão de julgamento, em conformidade com os arts. 58 e 59 do referido Regimento Interno. Em análise de vários pedidos de ressarcimento da contribuinte de PIS/Cofins, constantes em diversos processos administrativos, relativos aos períodos de apuração do primeiro trimestre de 2005 até o último trimestre de 2007, concluiu a fiscalização no Termo de Encerramento de Procedimento Fiscal que: Fl. 271DF CARF MF Processo nº 15871.000169/201068 Acórdão n.º 3402005.124 S3C4T2 Fl. 0 4 a) O sujeito passivo tem direito ao ressarcimento ou compensação de saldos credores de créditos básicos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins calculados sobre aquisições no mercado interno vinculadas à receita tributada à alíquota zero no mercado interno. Os valores desses créditos apurados pela fiscalização estão demonstrados nas planilhas três e quatro; b) O sujeito passivo não tem direito ao ressarcimento de créditos básicos decorrentes de aquisições no mercado interno vinculadas à receita tributada no mercado interno. Os valores apurados pela fiscalização estão demonstrados nas planilhas três e quatro. Tais créditos não são passíveis de ressarcimento ou compensação, por falta de previsão legal, sendo a sua utilização restrita ao abatimento dos débitos da própria contribuição, relativos ao mesmo período ou aos subseqüentes;e, c) O sujeito passivo não tem direito ao ressarcimento de créditos decorrentes de aquisições no mercado interno presumido, relacionados às atividades agroindustriais. Os valores apurados pela fiscalização estão demonstrados nas planilhas três e quatro. Os valores desses créditos não são passíveis de ressarcimento ou compensação, podendo ser utilizados apenas na dedução da própria contribuição devida no mesmo período de apuração ou nos subseqüentes, devendo ser apurados de forma segregada, com o seu saldo controlado durante todo o período de sua utilização. i) Vigência da suspensão: Com relação à suspensão, a fiscalização entendeu que seria aplicável somente a partir de 04.04.2006, com a vigência da Instrução Normativa nº SRF nº 636/2006, posteriormente revogada pela IN SRF nº 660/2006. Sobre a suspensão das contribuições não cumulativas, dispõe o art. 9º da Lei nº 10.925/2004: Art. 9º A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de produtos de que trata o inciso I do § 1º do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) § 2º A suspensão de que trata este artigo aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) Fl. 272DF CARF MF Processo nº 15871.000169/201068 Acórdão n.º 3402005.124 S3C4T2 Fl. 0 5 Conforme expresso no art. 17 da própria Lei nº 10.925/2004, a referida suspensão deveria produzir efeitos a partir de 1º de agosto de 2004: Art. 17. Produz efeitos: (...) III a partir de 1º de agosto de 2004, o disposto nos arts. 8º e 9º desta Lei; (...) A então Secretaria da Receita Federal veio regulamentar a referida suspensão, nos termos do §2º do art. 9º acima transcrito, com a Instrução Normativa SRF nº 636, de 24/03/2006, que entrou em vigor na data de sua publicação 04/04/2006 , mas produzia efeitos desde 1º de agosto de 2004, em consonância ao disposto no art. 17 da Lei. Ocorre que, posteriormente, essa Instrução Normativa foi revogada pela IN SRF nº 660/2006, a qual veio dispor que a suspensão das contribuições produziria efeitos a partir de 04/04/2006, data da publicação da primeira regulamentação (Instrução Normativa SRF nº 636/2006). Assim, a fiscalização excluiu o benefício da recorrente relativo ao período sob análise, pois anterior a 04/04/2006. A matéria não comporta maiores digressões, eis que a própria Lei nº 10.925/2004 determinou que o referido benefício produziria efeitos a partir de 1º de agosto de 2004. Estando perfeitamente definida a data do início da suspensão pela Lei, é certo que a regulamentação reservada à Secretaria da Receita Federal, nos termos do §2º do art. 9º da referida Lei, não dizia respeito a esse aspecto. Nesse sentido, a primeira regulamentação da suspensão, dada pela Instrução Normativa SRF nº 636/2006, já tinha reconhecido a sua produção de efeitos retroativa, a partir de 1º de agosto de 2004. A matéria já foi objeto de análise por esse CARF no Acórdão nº 3401002.078 da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária desta 3ª Seção, j. 28.11.2012, Relator Emanuel Carlos Dantas de Assis, no qual se fixou o entendimento de que a suspensão das contribuições prevista no art. 9º da Lei nº 10.925/2004 aplicase desde 1º de agosto de 2004, conforme trecho da ementa abaixo: (...) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 VENDA DE PRODUTOS IN NATURA. SOJA E CAFÉ. SUSPENSÃO. ART. 9º DA LEI Nº 10.925, DE 2004. EFICÁCIA DESDE 1º DE AGOSTO DE 2004. Fl. 273DF CARF MF Processo nº 15871.000169/201068 Acórdão n.º 3402005.124 S3C4T2 Fl. 0 6 Em conformidade com o art. 17, III, da Lei nº 10.925, de 2004, e a Instrução Normativa nº 636, de 2006, aplicase desde 1º de agosto de 2004 a suspensão da incidência do PIS e da Cofins prevista no art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004, que atinge a venda de soja e café in natura efetuada pelos cerealistas que exerçam cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar os referidos produtos, por pessoa jurídica e por cooperativa que exerçam atividades agropecuárias, para pessoa jurídica tributada com base no Lucro Real. (...) Também no Acórdão nº 3402003.171, 20/07/2016, este Colegiado, por unanimidade de votos, reconheceu o benefício pleiteado de suspensão de que trata o art. 9º da Lei nº 10.925/2004, no período de apuração de 01/01/2006 a 31/03/2006. Assim, há de ser considerado vigente o benefício da suspensão pleiteado no período do presente pedido, reformando se a decisão recorrida nesta parte. ii) Créditos básicos: Conforme consignado no PARECER SAORT, as receitas não tributadas no mercado interno foram constituídas de vendas com alíquota zero, isenção, suspensão ou não incidência. Para tais receitas foram apurados os créditos da contribuição não cumulativa na forma dos arts. 3º da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003, cuja manutenção na escrita contábil pelo estabelecimento vendedor encontrava amparo legal no art. 17 da Lei nº 11.033/2004, tornandose passíveis de resssarcimento ou compensação com outros tributos administradas pela RFB, com a entrada em vigor, em 19/05/2005, do art. 16, incisos I e II da Lei n° 11.116/2005. A fiscalização considerou a redução a zero das alíquotas do PIS e da Cofins, incidentes sobre a receita bruta de vendas de leite pasteurizado no mercado interno, somente a partir de 30/12/2004. Quanto aos demais produtos fabricados pela contribuinte, a redução da alíquota a zero foi considerada apenas a partir de 1° de março de 2006 (queijos tipo mussarela, minas, prato, queijo de coalho, ricota e requeijão); e de 15 de junho de 2007 (bebidas e compostos lácteos, queijo provolone, queijo parmesão), conforme disposições contidas, respectivamente, nos incisos II e III do art. 3º do Decreto n° 5.630/051. No que nada há a reparar. 1 Art.1o Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta decorrente da venda no mercado interno de: (...) Xleite fluido pasteurizado ou industrializado, na forma de ultrapasteurizado, destinado ao consumo humano; (Vigência) XIleite em pó, integral ou desnatado, destinado ao consumo humano; e (Vigência) Fl. 274DF CARF MF Processo nº 15871.000169/201068 Acórdão n.º 3402005.124 S3C4T2 Fl. 0 7 Com relação à suspensão, a fiscalização entendeu que seria aplicável somente a partir de 04.04.2006, com a vigência da Instrução Normativa nº SRF nº 636/2006, posteriormente revogada pela IN SRF nº 660/2006, o que deverá ser objeto de reforma conforme item precedente deste Voto. A recorrente não contesta que não tem direito ao ressarcimento de créditos básicos decorrentes de aquisições no mercado interno vinculadas à receita tributada no mercado interno, para os quais a utilização é restrita ao abatimento dos débitos da própria contribuição, relativos ao mesmo período ou aos subsequentes. Apenas questiona: "Como poderá restar saldo credor a ser ressarcido se as receitas de venda são tributadas?" Ora, de todo modo, o ressarcimento, quando permitido, só é possível, obviamente, quando houver saldo de créditos remanescente na escrita da contribuinte. iii) Crédito presumido da agroindústria: Acerca do crédito presumido da agroindústria previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, sustenta a recorrente que teria direito ao ressarcimento com relação às vendas efetuadas à alíquota zero, nos termos dos arts. 17 da Lei nº 11.033/2004 e 16 da Lei n° 11.116/2005, que assim dispõem: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação (...) XIIqueijos tipo mussarela, minas, prato, queijo de coalho, ricota e requeijão. (Vigência) XIIIleite em pó semidesnatado, leite fermentado, bebidas e compostos lácteos e fórmulas infantis, assim definidas conforme previsão legal específica, destinados ao consumo humano ou utilizados na industrialização de produtos que se destinam ao consumo humano; (Incluído pelo Decreto nº 6.461, de 2008). XIVqueijo provolone, queijo parmesão e queijo fresco não maturado; (Incluído pelo Decreto nº 6.461, de 2008). XVsoro de leite fluido a ser empregado na industrialização de produtos destinados ao consumo humano. (Incluído pelo Decreto nº 6.461, de 2008). (...) Art.3o Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir de: I30 de dezembro de 2004, em relação ao disposto nos incisos VIII a X do caput do art. 1º deste Decreto; e II1º de março de 2006, em relação ao disposto nos incisos XI e XII do caput do art. 1º deste Decreto. III15 de junho de 2007, em relação ao disposto nos incisos XIII, XIV e XV do caput do art. 1o e no § 3o do mesmo artigo deste Decreto. (Incluído pelo Decreto nº 6.461, de 2008). Art.4o Fica revogado o Decreto no 5.195, de 26 de agosto de 2004. Fl. 275DF CARF MF Processo nº 15871.000169/201068 Acórdão n.º 3402005.124 S3C4T2 Fl. 0 8 II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. (...) Como se vê, o ressarcimento permitido pelo art. 16 da Lei nº 11.116/2005 é cabível somente na hipótese de saldos credores decorrentes da apuração na forma: a) dos arts. 3ºs das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 ou b) do art. 15 da Lei nº 10.865/2004, não havendo qualquer previsão nesse sentido quanto ao crédito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, para o qual, inclusive, só foi autorizada a dedução dos valores das contribuições devidas em cada período de apuração, nos seguintes termos: Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) Conforme já decidido na Apelação Cível Nº 2006.72.00.0078654/SC, do Tribunal Federal da 4ª Região, "as próprias leis instituidoras dos créditos presumidos em questão previram como modo de aproveitamento destes créditos o desconto das contribuições do PIS e COFINS a pagar, limitando a sua utilização, assim, à esfera das próprias contribuições". Nessa esteira, a Receita Federal do Brasil dispôs em normas complementares, mediante a Instrução Normativa SRF nº 660/2006 e o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 15/2005 sobre a impossibilidade de compensação ou ressarcimento dos créditos presumidos apurados a partir de 01/08/2004, permitindo apenas deduzilos das contribuições devidas: IN SRF n° 660/2006 Do Crédito Presumido Do direito ao desconto de créditos presumidos Fl. 276DF CARF MF Processo nº 15871.000169/201068 Acórdão n.º 3402005.124 S3C4T2 Fl. 0 9 Art. 5º A pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial, na determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar no regime de não cumulatividade, pode descontar créditos presumidos calculados sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de produtos: I destinados à alimentação humana ou animal, classificados na NCM: (...) Do cálculo do crédito presumido Art. 8º Até que sejam fixados os valores dos insumos de que trata o art. 7 º, o crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins será apurado com base no seu custo de aquisição. (...) § 3º O valor dos créditos apurados de acordo com este artigo: I não constitui receita bruta da pessoa jurídica agroindustrial, servindo somente para dedução do valor devido de cada contribuição; e II não poderá ser objeto de compensação com outros tributos ou de pedido de ressarcimento. Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 15/2005 Art. 1º O valor do crédito presumido previsto na Lei nº 10.925, de 2004, arts. 8º e 15, somente pode ser utilizado para deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) apuradas no regime de incidência nãocumulativa. Art. 2º O valor do crédito presumido referido no art. 1º não pode ser objeto de compensação ou de ressarcimento, de que trata a Lei nº 10.637, de 2002, art. 5º, § 1º, inciso II, e § 2º, a Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º,§ 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16. O Superior Tribunal de Justiça também já manifestou seu entendimento, no REsp 1240714/PR (Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 03/09/2013, DJe 10/09/2013), conforme ementa abaixo: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. PIS E COFINS. PRODUTOR RURAL. CRÉDITOS PRESUMIDOS. RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. ART. 8º DA LEI 10.925/04. LEGALIDADE DA ADI/SRF 15/05 E DA IN SRF 660/06. PRECEDENTES DO STJ. MORA DO FISCO. Fl. 277DF CARF MF Processo nº 15871.000169/201068 Acórdão n.º 3402005.124 S3C4T2 Fl. 0 10 INEXISTÊNCIA. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E NÃO PROVIDO. 1. "A jurisprudência firmada por ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ é no sentido de que inexiste previsão legal para deferir restituição ou compensação (art. 170, do CTN) com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil do crédito presumido de PIS e da COFINS estabelecido na Lei 10.925/2004, considerandose, outrossim, que a ADI/SRF 15/2005 não inovou no plano normativo, mas apenas explicitou vedação já prevista no art. 8º, da lei antes referida" (AgRg no REsp 1.218.923/PR, Rel. Min. BENEDITO GONÇALVES, Primeira Turma, DJe 13/11/12). 2. O Superior Tribunal de Justiça tem entendido ser legítima a atualização monetária de crédito escritural quando há demora no exame dos pedidos pela autoridade administrativa ou oposição decorrente de ato estatal, administrativo ou normativo, postergando o seu aproveitamento, o que não ocorre na hipótese, em que os atos normativos são legais. 3. "O Fisco deve ser considerado em mora (resistência ilegítima) somente a partir do término do prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias contado da data do protocolo dos pedidos de ressarcimento, aplicandose o art. 24 da Lei 11.457/2007, independentemente da data em que efetuados os pedidos" (AgRg no REsp 1.232.257/SC, Rel. Min.NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Primeira Turma, DJe 21/2/13). 4. Recurso especial conhecido e não provido. Nessa linha também foi decidido no Acórdão nº 3401 01.716– 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 15 de fevereiro de 2012, conforme trecho do Voto do Relator Odassi Guerzoni Filho abaixo: (...) Com a devida vênia, não partilho do mesmo entendimento da Recorrente, haja vista a clareza do dispositivo que passou a tratar do crédito presumido do PIS/Pasep e da Cofins, qual seja o artigo 8º da Lei nº 10.925 de 23 de julho de 2004, segundo o qual, “As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, [...], destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nº 10.637, de 30/12/2002, e 10.833, de 29/12/2003, adquiridos de pessoas físicas ou recebidos de cooperado pessoa física.” Fl. 278DF CARF MF Processo nº 15871.000169/201068 Acórdão n.º 3402005.124 S3C4T2 Fl. 0 11 Ora, a menção que referido dispositivo legal faz ao artigo 3º da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003 tem como único objetivo o de identificar os produtos adquiridos que podem gerar o direito ao crédito presumido e não o de estender a este o mesmo direito de aproveitamento [ressarcimento e compensação] que está contemplado, ressaltese, de forma taxativa, nas hipóteses constantes dos incisos do referido artigo 3º. Nem me valerei aqui das regras específicas trazidas pelas instruções normativas que regem os procedimentos de compensação e de ressarcimento, e tampouco discorrerei sobre o argumento de que o crédito presumido seria uma subvenção financeira, porquanto vislumbro na argumentação da Recorrente mero inconformismo com a forma com que o legislador tratou a matéria. Assim, consoante consta de forma clara no art. 8º da Lei nº 10.925 de 23 de julho de 2004, o crédito presumido somente pode ser deduzido da contribuição eventualmente devida, e não ser aproveitado via ressarcimento e/ou compensação. (...) Dessa forma, a decisão recorrida há de ser mantida também nesta parte. iv) Correção monetária Por fim, requer a recorrente a correção monetária do saldo credor a ser ressarcido, nos termos do § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250/1995. No entanto, a pretensão da recorrente encontra obstáculo expresso no art. 13 da Lei nº 10.833/2003, aplicável à Cofins e também ao PIS/Pasep, por força do art. 15 dessa Lei, que assim dispõem: Art. 13 . O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 4º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. (...) Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 279DF CARF MF Processo nº 15871.000169/201068 Acórdão n.º 3402005.124 S3C4T2 Fl. 0 12 (...) VI no art. 13 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) De outra parte, a previsão legal de atualização do valor pela taxa Selic, nos termos do art. 39, §4º da Lei 9.250/1995, ora transcrito, somente é aplicável para os casos de compensação e restituição, mas não para o ressarcimento: Art. 39. A compensação de que trata o art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subseqüentes. (...) § 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. (Vide Lei nº 9.532, de 1997) [negrito desta Relatora] Ademais, como bem esclareceu o Conselheiro Relator Bernardo Motta Moreira, em seu Voto no Acórdão nº 3301 002.088, da 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, em sessão de 23/10/2013, o entendimento veiculado pelo Recurso Especial nº 1.035.847, julgado pela sistemática de recursos repetitivos prevista no artigo 543C do CPC/73, que diz respeito ao ressarcimento de créditos de IPI, não pode ser estendido para o ressarcimento de créditos das contribuições sociais não cumulativas, eis que, para essas, há, na lei, a vedação expressa de atualização monetária, o que não ocorre para o IPI. Assim, pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a vigência do benefício de suspensão de que trata o art. 9º da Lei nº 10.925/2004 a partir de 1º de agosto de 2004, determinando à Unidade de Origem que analise se a contribuinte faz jus a esse benefício e, sendo o caso, efetue o ajuste do saldo do montante a ressarcir ou a compensar. É como voto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Fl. 280DF CARF MF Processo nº 15871.000169/201068 Acórdão n.º 3402005.124 S3C4T2 Fl. 0 13 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado deu provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a vigência do benefício de suspensão de que trata o art. 9º da Lei nº 10.925/2004 a partir de 1º de agosto de 2004, determinando à Unidade de Origem que analise se a contribuinte faz jus a esse benefício e, sendo o caso, efetue o ajuste do saldo do montante a ressarcir ou a compensar. assinado digitalmente Waldir Navarro Bezerra Fl. 281DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.720237/2014-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2010
PIS/COFINS. REGIME CUMULATIVO. SEGURADORAS. RECEITAS FINANCEIRAS. INVESTIMENTOS COMPULSÓRIOS. RESERVAS TÉCNICAS. INCIDÊNCIA.
Integram a base de cálculo das contribuições de PIS/Cofins no regime cumulativo as receitas financeiras auferidas pelas seguradoras em investimentos compulsórios dos recursos das reservas técnicas, nos termos do Decreto-Lei nº 73/66.
A realização desses investimentos compulsórios, tipificada como inerente ao desenvolvimento do objeto social das seguradoras, inclui-se no conceito de faturamento, assim entendido como a soma das receitas oriundas do exercício da atividade empresarial da pessoa jurídica.
MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. APÓS VENCIMENTO. INCIDÊNCIA. SÚMULAS CARF NºS 04 E 05.
Não sendo o caso de depósito do montante integral, os juros de mora incidem sobre o crédito tributário não pago até o seu vencimento, nele incluso a multa de ofício. Aplica-se ao crédito tributário decorrente da multa de ofício o mesmo regime jurídico previsto para a cobrança e atualização monetária do crédito tributário decorrente do tributo.
Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.
Recurso Voluntário negado
Numero da decisão: 3402-005.225
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Renato Vieira de Avila, Thais De Laurentiis Galkowicz, Carlos Augusto Daniel Neto e Maysa de Sá Pittondo Deligne, que davam provimento ao Recurso sob o fundamento de que o investimento compulsório não poderia ser considerado faturamento da pessoa jurídica seguradora. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro declarou-se impedido, sendo substituído pelo Conselheiro suplente Renato Vieira de Avila.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Renato Vieira de Avila (Suplente), Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Vinicius Guimarães (Suplente convocado) e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que foi substituído pelo Suplente convocado Vinicius Guimarães.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2131; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2.274 1 2.273 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.720237/201471 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402005.225 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 19 de abril de 2018 Matéria COFINS Recorrente ITAÚ SEGUROS DE AUTO E RESIDÊNCIA S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2010 PIS/COFINS. REGIME CUMULATIVO. SEGURADORAS. RECEITAS FINANCEIRAS. INVESTIMENTOS COMPULSÓRIOS. RESERVAS TÉCNICAS. INCIDÊNCIA. Integram a base de cálculo das contribuições de PIS/Cofins no regime cumulativo as receitas financeiras auferidas pelas seguradoras em investimentos compulsórios dos recursos das reservas técnicas, nos termos do DecretoLei nº 73/66. A realização desses investimentos compulsórios, tipificada como inerente ao desenvolvimento do objeto social das seguradoras, incluise no conceito de faturamento, assim entendido como a soma das receitas oriundas do exercício da atividade empresarial da pessoa jurídica. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. APÓS VENCIMENTO. INCIDÊNCIA. SÚMULAS CARF NºS 04 E 05. Não sendo o caso de depósito do montante integral, os juros de mora incidem sobre o crédito tributário não pago até o seu vencimento, nele incluso a multa de ofício. Aplicase ao crédito tributário decorrente da multa de ofício o mesmo regime jurídico previsto para a cobrança e atualização monetária do crédito tributário decorrente do tributo. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Recurso Voluntário negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 02 37 /2 01 4- 71 Fl. 2274DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Renato Vieira de Avila, Thais De Laurentiis Galkowicz, Carlos Augusto Daniel Neto e Maysa de Sá Pittondo Deligne, que davam provimento ao Recurso sob o fundamento de que o investimento compulsório não poderia ser considerado faturamento da pessoa jurídica seguradora. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro declarouse impedido, sendo substituído pelo Conselheiro suplente Renato Vieira de Avila. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Renato Vieira de Avila (Suplente), Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Vinicius Guimarães (Suplente convocado) e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que foi substituído pelo Suplente convocado Vinicius Guimarães. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Curitiba que julgou improcedente a impugnação da contribuinte. Versa o processo sobre auto de infração para exigência de Cofins cumulativa, no valor de R$ 4.511.947,25, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora, referente aos períodos de apuração entre 10/2009 e 12/2010. Conforme consta no Termo de Verificação Fiscal, a contribuinte apurou as contribuições com exclusão da totalidade das receitas financeiras, todavia, entendeu a fiscalização que as receitas financeiras oriundas da aplicação de recursos das chamadas “reservas técnicas” devem compor o faturamento, por se tratar de receitas operacionais típicas da atividade empresarial da impugnante. Argumenta a fiscalização que, no caso específico das sociedades seguradoras, o Decretolei n° 73/66 impõe a obrigatoriedade de investimento de capital para a formação de reservas obrigatórias, compostas por reservas técnicas, fundos especiais e provisões. Cientificada da autuação, a interessada apresentou impugnação, na qual alegou, em síntese por ela efetuada, o que se segue: (i) Inocorrência de fato gerador da COFINS no auferimento das receitas financeiras autuadas, mormente por não integrarem o seu faturamento, tampouco decorrerem da atividade típica da Recorrente, não obstante se tratarem de Investimentos Compulsórios; (ii) Descabimento do alargamento da base de cálculo da COFINS pretendido pela D. Autoridade Fiscal, por violar a Lei Fl. 2275DF CARF MF Processo nº 16327.720237/201471 Acórdão n.º 3402005.225 S3C4T2 Fl. 2.275 3 nº 9.718/98 em sua redação vigente à época dos fatos i.e., com o seu art. 3º, §1º, já revogado pela Lei nº 11.941/09 , contrariando o conceito de faturamento vigente aos períodos de 10/2009 a 12/2010 para fins de incidência do PIS sob o regime cumulativo, nos temos do caput do at. 3º da Lei nº 9.718/98; (iii) Subsidiariamente: inaplicabilidade dos juros de mora sobre a multa de ofício, na hipótese de ser mantida a autuação. O julgador de primeira instância não acatou os argumentos da impugnante, sob os seguintes fundamentos: A partir de 28 de maio de 2009, data da publicação da Lei nº 11.941/2009, a base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins cumulativos deve levar em consideração, além das receitas de venda de bens ou serviços, aquelas decorrentes do exercício do objeto social da pessoa jurídica. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 não alterou o critério definidor da base de incidência do PIS/Pasep e da Cofins, que continua a ser o faturamento, mas apenas consolidou o entendimento de que não é toda e qualquer receita que pode ser considerada faturamento, mas apenas aquelas vinculadas à atividade mercantil típica da empresa. Relevante para a norma de incidência do PIS/Pasep e da Cofins é a identidade entre receita bruta e a atividade mercantil desenvolvida nos termos do objeto social da pessoa jurídica. Diante das peculiaridades da atuação das instituições financeiras e equiparadas, dentre as quais se encontram as sociedades seguradoras, expressas disposições legais estabelecem certas atividades a serem por elas exercidas, caracterizandose, assim, a existência de um objeto social legalmente tipificado. Em outras palavras, as atividades exercidas pelas empresas seguradoras em função de ordens legais integram o conjunto de suas atividades típicas. Sendo assim, temse que as receitas decorrentes de tais atividades legalmente compulsórias integram o faturamento dessas instituições. A Resolução do Conselho Monetário Nacional de nº 3.308/2005, que, entre outras coisas, determina que os recursos das reservas, das provisões e dos fundos das sociedades seguradoras devem ser alocados nos segmentos de renda fixa, de renda variável e/ou de imóveis. É inegável que a efetivação desses investimentos e a rotineira administração da alocação desses recursos se caracterizam como operações empresariais típicas das sociedades seguradoras. Desse modo, sendo o faturamento definido como o resultado econômico das operações empresariais típicas, concluise que as receitas decorrentes dos investimentos compulsórios delineados na legislação de regência, integram o faturamento das sociedades seguradoras. Cientificada da decisão de primeira instância em 04/11/2016, a contribuinte apresentou o recurso voluntário em 02/12/2016, mediante o qual alega, em síntese: Após a decretação da inconstitucionalidade do §1° do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, pelo E. STF, o próprio legislador houve por bem extirpar tal dispositivo do ordenamento legal, o que fez por meio da Lei nº 11.941/09, mediante a sua revogação expressa, afastando qualquer dúvida acerca da correta compreensão sobre a base de cálculo do PIS e da COFINS, deixando clara sua delimitação sobre as receitas decorrentes da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços. Logo, vêse que, sob a legislação vigente à época dos fatos autuados 10/2009 a 12/2010 não havia qualquer previsão legal, tampouco interpretação jurisprudencial que acolhesse a pretensão fiscal ora em debate, isto é, no sentido de que a base de cálculo do PIS/Cofins não se limitaria à receita da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços, mas também incluiria receitas de "atividades típicas" empresariais. Fl. 2276DF CARF MF 4 Somente com o advento da Medida Provisória nº 627, convertida na Lei nº 12.973/74, alterouse o art. 3º da Lei nº 9.718/98, para fazer constar que o faturamento compreenderia a receita bruta de que trata o art. 12 do DecretoLei nº 7.598/77. Portanto, o entendimento ratificado pela DRJ não encontra lastro legal no período a que se refere o lançamento 10/2009 a 12/2010 e, por hipótese, somente seria aplicável com a entrada em vigor da MP nº 627 /13. A inclusão das receitas decorrentes do objeto social no conceito de "faturamento" defendida pela Autoridade Fiscal também acaba por violar o art. 110 do CTN, por alterar o conceito de "faturamento" então em vigor para fins de incidência do PIS sob o regime cumulativo. Para se caracterizar como empresarial, determinada atividade deve ter, necessariamente, o propósito de entregar utilidade, conveniência, valores e benefícios a terceiros. No caso da recorrente, a utilidade, conveniência e benefício que entrega a terceiros por meio de sua atividade é a cobertura que oferece aos seus clientes contra eventuais danos decorrentes de eventos futuros e incertos, mediante o pagamento do chamado prêmio pelos segurados, que é a única receita que aufere como "contraprestação" por sua atividade empresarial. A constituição e aplicação das Reservas Técnicas não constitui atividade empresarial das seguradoras, que se caracteriza por um complexo de atos voltados a terceiros (i.e., segurados), mas, pelo contrário, a destinação compulsória desses recursos mitiga significativamente a autonomia da Recorrente para gestão e alocação do resultado de sua atividade empresarial típica (i.e., prêmios), reduzindo, indiretamente, o seu lucro. É evidente que a aplicação dos recursos que constituem os Investimentos Compulsórios não pode se confundir com a atividade típica da Recorrente, qual seja, oferecer seguros a terceiros. As receitas financeiras decorrentes de Investimentos Compulsórios não possuem natureza operacional. As receitas decorrentes de Investimentos Compulsórios remuneram o capital e não suposta atividade empresarial típica da Recorrente. Ou seja, as receitas autuadas não decorrem de contraprestação a uma atividade empresarial, mas, pelo contrário, a Recorrente se encontra no polo passivo de uma relação jurídica, que lhe fornece as ditas "utilidades", "conveniências", "valores" e "benefícios". Cabível a revisão do lançamento, para cancelar a multa punitiva cominada, haja vista que os pretensos débitos de Cofins encontramse com sua exigibilidade suspensa em função de decisão favorável obtida nos autos do MS/Cofins, nos temos do art. 151, IV, do CTN, c/c art. 63 da Lei nº 9.430 /96. De fato, não consta da autuação a aplicação de juros sobre as multas cominadas, mas apenas sobre a parcela de principal. Contudo, é sabido que, a D. RFB tem por praxe aplicar juros de mora também sobre a parcela da multa, a partir do lançamento ou da cobrança do pretenso crédito tributário, o que não se afigura correto à luz da legislação tributária. A aplicação de juros de mora sobre a multa carece de base legal! Sob a ótica do Codex Fiscal, os arts. 113,139 e 161, do CTN, não há previsão à cobrança de juros de mora sobre multa. É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Segundo a fiscalização, com a revogação do §1º do art. 3º da Lei n° 9.718/98 pela Lei n° 11.941/2009, a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, no regime de apuração cumulativa, passou a ser definida como a receita bruta Fl. 2277DF CARF MF Processo nº 16327.720237/201471 Acórdão n.º 3402005.225 S3C4T2 Fl. 2.276 5 disciplinada na forma do art. 2º e do art. 3º, caput da Lei n° 9.718/98; do art. 2º, caput da Lei Complementar n° 70/91; do art. 2º, inciso I e do art. 3º, caput da Lei n° 9.715/98, abaixo transcritos com suas redações alteradas no decorrer do tempo: Lei n° 9.718/98: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. (Vide Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (Vide Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Art. 3º O faturamento a que se refere o art. 2º compreende a receita bruta de que trata o art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) Lei Complementar n° 70/9: Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. (...) Lei n° 9.715/98 Art. 2o A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: I pelas pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do imposto de renda, inclusive as empresas públicas e as sociedades de economia mista e suas subsidiárias, com base no faturamento do mês; (...) Art. 3o Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. (...) Dessa forma, conclui a fiscalização que, "para a apuração da base de cálculo, no regime cumulativo, da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devem ser consideradas as receitas decorrentes do exercício do objeto social da pessoa jurídica, assim como aquelas decorrentes das atividades verificadas no cotidiano da empresa, mesmo quando estas se afastam dos objetivos expressos em seu ato constitutivo, ou quando os ampliam. Ou seja, devem ser consideradas, todas as receitas resultantes das cotidianas atividades empresariais do sujeito passivo, em consonância com o consagrado princípio da habitualidade". Fl. 2278DF CARF MF 6 Esse raciocínio baseiase no fato de que o conceito de "receita bruta" para as referidas contribuições deve ser buscado na legislação do imposto de renda, como esclarecido na Solução de Consulta nº 91 SRRF08/Disit, de 2 de abril de 2012: (...) 19 Ressaltese que o art. 3° da Lei n° 9.715, de 1998, remete expressamente à legislação do imposto de renda a busca da definição de receita bruta; ao passo que a LC n° 70, de 1991, embora não o faça de forma expressa, traz, em seu art. 10, parágrafo único, comando segundo o qual aplicase à Cofins “subsidiariamente e no que couber, as disposições referentes ao imposto de renda”. Da leitura conjunta dos arts. 278 a 280 do Decreto nº 3.000, de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999), concluise que compreendem a receita bruta da empresa todas as receitas de venda de bens ou serviços que constituam objeto da pessoa jurídica. Para melhor clareza, reproduzemse os dispositivos pertinentes: “Art. 278. Será classificado como lucro bruto o resultado da atividade de venda de bens ou serviços que constitua objeto da pessoa jurídica (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 11, § 2º). Parágrafo único. O lucro bruto corresponde à diferença entre a receita líquida das vendas e serviços (art. 280) e o custo dos bens e serviços vendidos Subseção III (Lei nº 6.404, de 1976, art. 187, inciso II). Art. 279. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei nº 4.506, de 1964, art. 44, e DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12). Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem os impostos não cumulativos cobrados, destacadamente, do comprador ou contratante, dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário. Art. 280. A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, § 1º).” 20 Convém esclarecer que por objeto da pessoa jurídica entendese aquele constante de seu contrato social ou o que na prática seja verificado, pelas atividades habitualmente por ela exercidas, quando estas se afastam do objeto presente no contrato social ou estatuto da companhia. (...) Assim, para a apuração da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, no regime cumulativo, devem ser consideradas as receitas decorrentes do exercício do objeto social da pessoa jurídica, ou seja, todas as receitas resultantes das cotidianas atividades empresariais do sujeito passivo. Esse entendimento também não destoa da acepção do termo "faturamento" dada Ministro Cezar Peluso, no RE nº 346.084/PR, nos seguintes termos: (...) A fatura, emitida pelo vendedor, sempre representou a compra e venda mercantil, que, no contexto da legislação comercial então vigente, era a expressão genérica das vendas inerentes ao exercício da atividade do comerciante. Fl. 2279DF CARF MF Processo nº 16327.720237/201471 Acórdão n.º 3402005.225 S3C4T2 Fl. 2.277 7 Com a deslocação histórica do foco sobre a importância econômica e a tipificação dogmática da atividade negocial, do conceito de comerciante para o de empresa, justificavase rever a noção de faturamento para que passasse a denotar agora as vendas realizadas pela empresa e relacionadas à sua ‘atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços’, como consta hoje do art. 966 do Código Civil. Essa interpretação já era preconizada por GERALDO ATALIBA e CLEBER GIARDINO, em artigo publicado em 1986: (...) Faturamento nesse sentido, isto é, entendido como resultado econômico das operações empresariais típicas, constitui a base de cálculo da contribuição, enquanto representação quantitativa do fato econômico tributado. Noutras palavras, o fato gerador constitucional da COFINS são as operações econômicas que se exteriorizam no faturamento (sua base de cálculo), porque não poderia nunca corresponder ao ato de emitir faturas, coisa que, como alternativa semântica possível, seria de todo absurda, pois bastaria à empresa não emitir faturas para se furtar à tributação. (...) Nessa linha, também decidiu o STF1, sob a relatoria do Ministro Peluso, que "O conceito de receita bruta sujeita à exação tributária envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais". Assim, a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da lei 9.718/98, com a posterior revogação expressa do dispositivo, não implica que as receitas financeiras, as rendas de operações de crédito com empréstimos e financiamentos e de aplicação de depósitos interfinanceiros, das instituições financeiras ou equiparadas, não estão sujeitas ao PIS e Cofins quando estejam compreendidas no conceito de faturamento. O faturamento corresponde, dessa forma, à receita bruta da pessoa jurídica, assim considerada como a soma das receitas decorrentes da atividade típica da empresa, correspondente ao seu objeto social ou rotineiramente efetuada, quando esta não corresponda aos objetivos expressos em seu ato constitutivo O entendimento acima é independente do fato de que a Medida Provisória nº 627, convertida na Lei nº 12.973/2014, alterou o art. 3º da Lei nº 9.718/98, para fazer constar expressamente que o faturamento compreenderia também a receita bruta de que trata o art. 12 do DecretoLei nº 7.598/77. Podese dizer que o dispositivo teve sua redação aperfeiçoada, mas nada impede que a redação original do art. 3º da Lei nº 9.718/98 ("O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica"), seja interpretada na forma efetuada pela fiscalização. A determinação do significado e alcance do termo "faturamento" constante na lei, no contexto da realidade social vigente, é legítima atividade de interpretação da norma pelo agente administrativo que não se enquadra na conduta vedada ao legislador ordinário pelo art. 110 do CTN. 1 RE 371258 AgR, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, Segunda Turma, julgado em 03/10/2006, DJ 27102006 PP00059 EMENT VOL0225304 PP00722. Fl. 2280DF CARF MF 8 Diante da identidade entre a receita bruta e a atividade empresarial desenvolvida pela pessoa jurídica, dentro da acepção adotada para o termo "faturamento", há de ser rejeitada a tese da recorrente de que a atividade empresarial deveria ter, "necessariamente, o propósito de entregar utilidade, conveniência, valores e benefícios a terceiros". O faturamento não pressupõe a relação contraprestacional. As receitas auferidas pela pessoa jurídica, ainda que não decorram da ação de "faturar", quando tenham origem em atividade relacionada ao seu objeto social, integram o seu faturamento. No caso, tratando a recorrente de uma empresa de seguros, não existe controvérsia acerca da obrigatoriedade de investimento de capital para a formação de reservas obrigatórias, compostas de reservas técnicas, fundos especiais e provisões, nos termos do Decretolei nº 73/66. De forma que, em consonância com o conceito de faturamento acima delineado, afigurase correto o seguinte entendimento da fiscalização: Cumpre ressaltar, neste ponto, que, diante das peculiaridades e implicações da atuação das instituições financeiras e equiparadas, dentre as quais se encontram as sociedades seguradoras, expressas disposições legais estabelecem certas atividades a serem por elas exercidas, caracterizandose, assim, a existência de um objeto social legalmente tipificado. Ou seja, as atividades exercidas por essas instituições em razão de mandamentos legais integram o rol de suas atividades próprias, portanto, típicas. Sendo assim, temse que as receitas decorrentes de tais atividades legalmente compulsórias integram o faturamento dessas instituições. O objeto social legalmente tipificado tratase de algumas atividades empresariais, relacionadas à atividade a ser diretamente explorada pela pessoa jurídica, a cujos exercícios deve ela, por disposição legal, dedicarse de forma compulsória. Verificase sua ocorrência especialmente no que toca à atuação de sociedades em áreas de extrema relevância para a estabilidade e higidez da economia do País. O Tribunal Regional da 3ª Região já decidiu nesse mesmo sentido acerca das receitas financeiras oriundas de reservas técnicas, conforme ementas abaixo: TRIBUTÁRIO. PIS. COFINS. LEI Nº 9.718/98. FATURAMENTO. RECEITA BRUTA OPERACIONAL. RESSEGURADORA. PRÊMIO E RECEITAS FINANCEIRAS. 1 Resseguradoras são empresas que cobrem parte dos riscos de uma empresa de seguros através de tratados de resseguro, nos quais o ressegurador assume o compromisso de indenizar a companhia seguradora pelos danos que possam vir a acontecer em decorrência de suas apólices de seguro. 2 Como bem consignado na r. sentença, "as atividades típicas das seguradoras e resseguradoras não compreendem somente a prestação de serviço de seguro ou resseguro", mas também a operação no mercado financeiro, "inclusive por força de norma expressa no artigo 84 do Decretolei n.º 73/66, que estabelece a obrigatoriedade de constituição de reservas técnicas, fundos especiais e provisões, para a garantia de todas as suas obrigações". 3 Cumpre observar que o "Agenciamento, corretagem ou intermediação de (...) de seguros (...)" já constava do item 45 da lista de serviços anexa à LC nº 56/87, bem como consta do item 10.01 da LC nº 116/2003, que a revogou. 4 Ademais, os "serviços de seguros e os relacionados com Fl. 2281DF CARF MF Processo nº 16327.720237/201471 Acórdão n.º 3402005.225 S3C4T2 Fl. 2.278 9 seguros" tais como seguros diretos (incluindo cosseguros), resseguros e retrocessão, atividades de intermediação de seguro (corretagem, agência), serviços auxiliares aos seguros (consultoria, atuária, avaliação de riscos e indenização de sinistros) estão inclusos no serviço financeiro, nos termos do item 5 do Anexo sobre Serviços Financeiros do Acordo Geral sobre Comércio de Serviços (GATS), firmado na Rodada Uruguai do GATT (1994) e promulgado pelo Decreto nº 1.355, de 30 de dezembro de 1994, caracterizandose como serviços típicos das instituições financeiras, de modo que as receitas financeiras e as receitas de prêmio devem integrar a noção de faturamento ou de receita bruta da Lei nº 9.718/98. 5 Por se tratar de pessoa jurídica a que se refere o § 1º do artigo 22 da Lei nº 8.212/91, a impetrante não se beneficiou da declaração de inconstitucionalidade da base de cálculo da contribuição ao PIS proferida nos Recursos Extraordinários 357.950, 390.840, 358.273 e 346.084. 6 Com efeito, por se sujeitarem a regramento próprio, para as seguradoras a base de cálculo do PIS e da COFINS continuou sendo o faturamento (art. 2º), assim entendido como "a receita bruta da pessoa jurídica" (caput, art. 3º), com as exclusões contidas nos parágrafos 5º e 6º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. 7 Ressaltese que o critério definidor da base de incidência do PIS como o resultado econômico da atividade empresarial vinculada aos seus objetivos sociais não foi alterado com a declaração de inconstitucionalidade supracitada. 8 Quanto ao tema, o Ministro Cezar Peluso, no julgamento do RE 400.479AgR/RJ, de sua relatoria, assim se manifestou: "Seja qual for a classificação que se dê às receitas oriundas dos contratos de seguro, denominadas prêmios, o certo é que tal não implica na sua exclusão da base de incidência das contribuições para o PIS e COFINS, mormente após a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 dada pelo Plenário do STF. É que, (...), o conceito de receita bruta sujeita à exação tributária em comento envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais". 9 Os efeitos da declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 pelo Pleno do STF (RE 357.950), em relação à base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS no que tange às instituições financeiras e seguradoras também foi objeto do Parecer PGFN/CAT Nº 2773/2007, datado de 28 de março de 2007, que concluiu: "(...) que a natureza das receitas decorrentes das atividades do setor financeiro e de seguros pode ser classificada como serviços para fins tributários, estando sujeita à incidência das contribuições em causa, na forma dos arts. 2º, 3º, caput e nos §§ 5º e 6º do mesmo artigo, exceto no que diz respeito ao "plus" contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, considerado inconstitucional por meio do Recurso Extraordinário 357.9509/RS e dos demais recursos que foram julgados na mesma assentada". 10 Não há que se falar, pois, no caso vertente, em exclusão das receitas financeiras (oriundas de reservas técnicas e aplicações livres de recursos), Fl. 2282DF CARF MF 10 tampouco das receitas de prêmio, da base de cálculo do PIS e da COFINS. 11 Apelação não provida. (AMS 00083437120154036100, DESEMBARGADOR FEDERAL NERY JUNIOR, TRF3 TERCEIRA TURMA, eDJF3 Judicial DATA:24/03/2017) [negritei] TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. PIS E COFINS. LEI Nº 9.718/98. SEGURADORA. ART. 22, § 1º, LEI 8.212/91. BASE DE CÁLCULO. ATIVOS GARANTIDORES DE RESERVA TÉCNICA. RECEITA BRUTA OPERACIONAL. INCIDÊNCIA. SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 91 DA SRF EM SÃO PAULO. 1. Em relação à aplicação da Lei nº 9.718/98 às empresas de seguros privados, como é o caso da impetrante, o C. STF manteve incólume o caput do art. 3º, nos termos do RE 357.950. 2. Em suma, as seguradoras não são beneficiadas pela declaração de inconstitucionalidade do parágrafo 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, pelo Supremo Tribunal Federal, por se sujeitarem a regramento próprio (arts. 2º e 3º, caput e parágrafos 5º e 6º, da Lei 9.718/98). 3. Especificamente no caso de empresas de seguros privados, cumpre ressaltar, que a própria Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 6º, II, prevê quais são as deduções e exclusões possíveis na determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins, a saber: o valor referente às indenizações correspondentes aos sinistros ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de cosseguro e resseguro, salvados e outros ressarcimentos. 4. na hipótese dos autos, a incidência das contribuições ao PIS e à Cofins sobre as receitas financeiras oriundas dos Ativos Garantidores de Reservas Técnicas é medida que se impõe, pois tais valores resultam da atividade empresarial típica da seguradora, resultantes de parte dos prêmios captados de seus clientes e investidos no mercado financeiro, integrando, desta feita, o seu faturamento. 5. Tal entendimento restou consignado na Solução de Consulta nº 91, publicada pela Superintendência da Receita Federal em São Paulo, segundo a qual as receitas de seguradoras geradas com a aplicação de valores reservados ao pagamento de sinistros são tributadas pelo PIS e pela Cofins. 6. Segundo interpretação dada pela Receita Federal, o rendimento proveniente das reservas técnicas é resultado de uma obrigação inerente ao negócio das seguradoras e, portanto, faz parte das receitas operacionais, sobre as quais incide PIS e Cofins. 7. Resta, portanto, prejudicado o pedido de restituição/compensação, face à inexistência do indébito. 8. Apelação improvida. (AMS 00195390920134036100, DESEMBARGADORA FEDERAL CONSUELO YOSHIDA, TRF3 SEXTA TURMA, e DJF3 Judicial DATA:06/03/2015) [negritei] A Câmara Superior de Recursos Fiscais também se pronunciou recentemente sobre a matéria de forma desfavorável à tese da recorrente, conforme Voto do Conselheiro Relator Charles Mayer de Castro Souza abaixo transcrito: Acórdão nº 9303006.236 – 3ª Turma Sessão de 24 de janeiro de 2018 (...) VOTO (...) Fl. 2283DF CARF MF Processo nº 16327.720237/201471 Acórdão n.º 3402005.225 S3C4T2 Fl. 2.279 11 A solução do litígio passa pela determinação do conceito de faturamento, que o Supremo Tribunal Federal STF, como se sabe, tem entendido, atualmente, como o que decorre da realização das atividades que compõem o objeto social do contribuinte, ou seja, a sua receita operacional. Notese que, quando o STF considerou incompatível com o então Texto Constitucional a ampliação da base de cálculo do PIS/Cofins (§ 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718, de 1998), pacificou o entendimento de que o faturamento de fato correspondia apenas à receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços (Rel. p/ Acórdão Min. Marco Aurélio Mello, RE 346.084, DJ de 1/09/2006). Contudo, alguns votos dos ministros que participaram do julgamento indicaram – e não como obiter dictum – o verdadeiro sentido que a esta expressão deve ser conferido. Segundo o Min. Cezar Peluso, que foi acompanhado pelo Min. Sepúlveda Pertence: Faturamento nesse sentido, isto é, entendido como resultado econômico das operações empresariais típicas, constitui a base de cálculo da contribuição, enquanto representação quantitativa do fato econômico tributado. Noutras palavras, o fato gerador constitucional da COFINS são as operações econômicas que se exteriorizam no faturamento (sua base de cálculo), porque não poderia nunca corresponder ao ato de emitir faturas, coisa que, como alternativa semântica possível, seria de todo absurda, pois bastaria à empresa não emitir faturas para se furtar à tributação. (g.n.). E, concluindo, asseverou: Por todo o exposto, julgo inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, por ampliar o conceito de receita bruta para “toda e qualquer receita”, cujo sentido afronta a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, da Constituição da República, e, ainda, o art. 195, § 4º, se considerado para efeito de nova fonte de custeio da seguridade social. Quanto ao caput do art. 3º, julgoo constitucional, para lhe dar interpretação conforme à Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE nº 150.755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de “receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços”, adotado pela legislação anterior, e que, a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. (g.n.). Ainda mais preciso, o Min. Ayres Britto, a partir da redação original do art. 195 da Constituição Federal (anterior à promulgação da Emenda Constitucional – EC n.º 20, de 1998), claramente identificou o conceito de faturamento com equivalente à receita operacional: A Constituição de 88, pelo seu art.195, I, redação originária, usou do substantivo “faturamento”, sem a conjunção disjuntiva “ou” receita”. Em que sentido separou as coisas? No sentido de que faturamento é receita operacional, e não receita total da empresa. Receita operacional consiste naquilo que já estava definido pelo Decretolei 2397, de 1987, art.22, § 1º, “a”, assim Fl. 2284DF CARF MF 12 redigido – parece que o Ministro Velloso acabou de fazer também essa remissão à lei: Art. 22 [...] § 1º [...] a) a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda;” Por isso, estou insistindo na sinonímia “faturamento” e “receita operacional”, exclusivamente, correspondente àqueles ingressos que decorrem da razão social da empresa, da sua finalidade institucional, do seu ramo de negócio, enfim. Logo, receita operacional é receita bruta de tais vendas ou negócios, mas não incorpora outras modalidades de ingresso financeiro: royalties, aluguéis, rendimentos de aplicações financeiras, indenizações etc. (g.n.). E isso porque o inciso I do art. 195 da CF, na redação anterior à EC n.º 20, de receita não falava, mas apenas de faturamento e lucro, como que a abraçar todas as dimensões de riqueza geradas pela pessoa jurídica a partir da realização de seu objeto social – a receita operacional. Pois bem. No caso das seguradoras, as receitas provenientes da aplicação dos bens garantidores de provisões técnicas integram, a nosso juízo, a receita operacional da seguradora. As razões do nosso convencimento estão delineadas, em poucas linhas, no voto condutor do Acórdão nº 9303003.863, de 18/05/2016, proferido por esta mesma Turma de CSRF, relatado pelo il. Conselheiro Valcir Gassen, que assim discorreu sobre a matéria: Em que pese o disposto no art. 73 do DecretoLei n° 73, de 21 de novembro de 1966, que dispõe sobre o Sistema Nacional de Seguros Privados, que as Sociedades Seguradoras não poderão explorar qualquer outro ramo de comércio ou indústria, e que é típico e da essência das instituições financeiras a “coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros” (art. 17 da Lei 4.595/1964), resta claro que as receitas financeiras advindas de rendimentos financeiros dos bens garantidores de provisões técnicas devem ser computadas nas bases de cálculo do PIS e da COFINS das sociedades seguradoras, pois essas receitas são oriundas do exercício das atividades empresariais das seguradoras. Senão vejamos, no mesmo diploma legal, DecretoLei n° 73, nos arts. 28, 29 e 84, dispõese sobre a obrigatoriedade do investimento de capital para a formação das reservas técnicas, fundos especiais e provisões, desta forma: (...) Entendese assim que as receitas financeiras decorrentes de investimentos compulsórios relativamente às reservas técnicas, fundos especiais e provisões, além das reservas e fundos determinados em leis especiais, constituídos para garantia de todas as obrigações das empresas de seguro, não são receitas estranhas ao faturamento dessas empresas no desenvolvimento de suas atividades empresariais, pelo contrário, essas receitas legalmente integram as atividades típicas das sociedades seguradoras. Fl. 2285DF CARF MF Processo nº 16327.720237/201471 Acórdão n.º 3402005.225 S3C4T2 Fl. 2.280 13 Quanto à multa de ofício, sustenta a recorrente que ela deveria ser exonerada pois os pretensos débitos de Cofins encontrarseiam com a exigibilidade suspensa em função de decisão favorável obtida nos autos do MS/Cofins, nos temos do art. 151, IV, do CTN, c/c art. 63 da Lei nº 9.430 /96. Dispõe o art. 63 da Lei nº 9.430 /96 sobre o não cabimento da multa de ofício na seguinte hipótese: Art.63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. [negritei] Ao que se observa da redação do dispositivo, duas condições devem ter ocorrer simultaneamente para dispensa da multa de ofício, quais sejam: a) No momento da lavratura do auto de infração pela autoridade fiscal a exigibilidade do crédito tributário deve estar suspensa, valendo dizer, o auto de infração seria lavrado somente para "prevenir a decadência". b) A suspensão da exigibilidade ocorreu "antes do início de qualquer do procedimento de ofício a ele relativo", cabendo a ressalva de que tal procedimento de ofício não se trata do próprio lançamento, mas do procedimento fiscal de lhe deu origem, referido no art. 7º do Decreto nº 70.235/722. No caso da Cofins, a contribuinte impetrou o mandado de segurança nº 003368735.2007.4.03.6100, distribuído na 9ª Vara Federal de São Paulo, visando o afastamento da Cofins nos moldes prescritos pela Lei nº 9.718/98. Em 13/12/2007 foi deferida parcialmente a liminar para afastar o alargamento da base de cálculo da COFINS introduzida 2 Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724, de 2001) I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. Fl. 2286DF CARF MF 14 pelo art. 3º, §1º, da Lei nº. 9.718/98, permitindo à impetrante o recolhimento do referido tributo nos termos da Lei Complementar nº 70/91. A sentença concedeu parcialmente a segurança, tendo sido complementada pelos embargos de declaração determinando a incidência da Cofins sobre as atividades típicas da empresa. Na Apelação, a contribuinte requereu a reforma parcial da sentença para o reconhecimento da incidência da contribuição sobre o faturamento, considerado exclusivamente pelas receitas sobre as vendas de mercadorias e sobre as prestações de serviços. No entanto, em 23/08/2013, foi negado provimento à Apelação da contribuinte, não conhecida a Apelação da União e dado provimento parcial à remessa oficial para determinar a incidência da Cofins sobre as receitas oriundas do exercício das operações empresarias típicas do sujeito passivo, incluindo aí as receitas advindas dos prêmios. Sustenta a recorrente que a sentença de primeiro grau e do TRF 3ª Região, cujos trechos são colacionados abaixo, trariam causa suspensiva da exigibilidade da Cofins objeto do presente processo: No entanto, as decisões acima ou a liminar parcial, não têm o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário relativamente às receitas financeiras que se incluam na atividade típica da contribuinte, como é a hipótese dos autos, não havendo que se falar em exoneração da multa de ofício de que trata o art. 63 da Lei nº 9.430/96. Por fim, quanto à insurgência relativa a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, entendo que os juros de mora são devidos, nos termos do art. 61, caput e §3° da Lei nº 9.430/96, sobre os "débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal" não pagos no prazo previsto, incidindo, portanto, também sobre a multa de ofício, após o respectivo vencimento: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) Fl. 2287DF CARF MF Processo nº 16327.720237/201471 Acórdão n.º 3402005.225 S3C4T2 Fl. 2.281 15 § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento”. Ademais, a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício após o respectivo vencimento encontra fundamento também no Decretolei nº 1.736/793, cujos dispositivos abaixo transcritos dispõem sobre a incidência dos juros de mora sobre os débitos tributários para com a Fazenda Nacional, inclusive durante o prazo em que a cobrança estiver suspensa em face da interposição de recurso administrativo ou de decisão judicial, cuja regra não se aplicaria somente na hipótese de depósito administrativo ou judicial do montante integral4: Art. 1º Os débitos para com a Fazenda Nacional, de natureza tributária, não pagos no vencimento, serão acrescidos de multa de mora, consoante o previsto neste decretolei. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.287, de 1986) Parágrafo único. A multa de mora será de 20% (vinte por cento), reduzida a 10% (dez por cento) se o pagamento for efetuado no prazo de 90 (noventa) dias, contado a partir da data em que o tributo for devido. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.287, de 1986) Art 2º Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora, contados do dia seguinte ao do vencimento e à razão de 1% (um por cento) ao mês calendário, ou fração, e calculados sobre o valor originário. 3 Solução de Consulta Cosit nº 47,de 04 de maio de 2016 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO EMENTA: OS JUROS DE MORA INCIDEM SOBRE A TOTALIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO, DO QUAL FAZ PARTE A MULTA LANÇADA DE OFÍCIO.DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), arts. 113, § 1º, 139 e 161; Lei nº 9.430, de 1996, arts. 44 e 61, § 3º; DecretoLei nº 1.736, de 1979, arts. 2º e 3º. 4 Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. [Perguntas e Respostas no sítio da RFB: http://idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/tributaria/declaracoese demonstrativos/dipjdeclaracaodeinformacoeseconomicofiscaisdapj/respostas2012/caputuloxviii acruscimoslegaisrevisada2012.pdf, acesso em 08/09/2016] (...) 004 Haverá a incidência de juros de mora durante o período em que a cobrança do débito estiver pendente de decisão administrativa? Sim. De acordo com a legislação tributária, há incidência de juros de mora sobre o valor dos tributos ou contribuições devidos e não pagos nos respectivos vencimentos, independentemente da época em que ocorra o posterior pagamento e de se encontrar o crédito tributário na pendência de decisão administrativa ou judicial. A única hipótese em que se suspenderá a fluência dos juros de mora é aquela em que houver o depósito do montante integral do crédito tributário considerado como devido, desde a data do depósito, quer seja este administrativo ou judicial. Se o valor depositado for inferior àquele necessário à liquidação do débito considerado como devido, sobre a parcela não depositada incidirão normalmente os juros de mora por todo o período transcorrido entre o vencimento e o pagamento. Normativo: RIR/1999, art. 953, § 3º, e DecretoLei nº 1.736, de 1979, art. 5º. (...) Fl. 2288DF CARF MF 16 Parágrafo único. Os juros de mora não são passíveis de correção monetária e não incidem sobre o valor da multa de mora de que trata o artigo 1º. Art 3º Entendese por valor originário o que corresponda ao débito, excluídas as parcelas relativas à correção monetária, juros de mora, multa de mora e ao encargo previsto no artigo 1º do Decretolei nº 1.025, de 21 de outubro de 1969, com a redação dada pelos Decretosleis nº 1.569, de 8 de agosto de 1977, e nº 1.645, de 11 de dezembro de 1978. Art 4º A correção monetária continuará a ser aplicada nos termos do artigo 5º do Decretolei nº 1.704, de 23 de outubro de 1979, ressalvado o disposto no parágrafo único do artigo 2º deste Decretolei. Art 5º A correção monetária e os juros de mora serão devidos inclusive durante o período em que a respectiva cobrança houver sido suspensa por decisão administrativa ou judicial. (...) [negritos da relatora] A fluência dos juros de mora sobre a multa de ofício durante o curso do processo administrativo fiscal não representa afronta ao art. 161 do CTN, eis que, no próprio CTN, o termo "crédito tributário" não é utilizado somente para se referir à obrigação tributária principal. Conforme se depreende da leitura do art. 142 e do art. 113 do CTN, abaixo transcritos, o lançamento constitui o "crédito tributário", que por sua vez pode ser decorrente tanto do tributo como de eventuais penalidades pecuniárias: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. 5 Conforme assentado no Apelação Cível nº 2005.72.01.0000311/SC (TRF4, rel. Vânia Hack de Almeida), "Por força do artigo 113, § 3º, do CTN, tanto à multa quanto ao tributo são aplicáveis os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. E não poderia ser diferente, porquanto ambos compõe o crédito tributário e devem sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Não haveria porque o valor relativo à multa permanecer congelado no tempo". 5 "(...) É que resulta claro que o que o legislador quis deixar certo é que a multa tributária, embora não sendo, em razão da sua origem, equiparável ao tributo, há de merecer o mesmo regime jurídico previsto para sua cobrança. O direito tem estas liberdades, que não precisam ser objeto de escândalo." (BASTOS, Celso Ribeiro. In MARTINS, Ives Gandra da Silva. Comentários ao Código tributário Nacional, vol. 2. Ed. Saraiva, 1998, p. 148. Fl. 2289DF CARF MF Processo nº 16327.720237/201471 Acórdão n.º 3402005.225 S3C4T2 Fl. 2.282 17 Dessa forma, não havendo qualquer incompatibilidade dos dispositivos legais acima com o CTN, no que concerne à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, eles devem ser aplicados ao presente caso concreto com base na taxa Selic, cuja legitimidade já é matéria já sumulada neste CARF, conforme abaixo: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Assim, pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinatura digital) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Fl. 2290DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.000779/2008-57
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2002
RECURSO ESPECIAL. ART. 67 DO RICARF. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA.
Deve ser conhecido o Recurso Especial da Divergência quando restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência foi aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados.
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.710
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2002 RECURSO ESPECIAL. ART. 67 DO RICARF. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. Deve ser conhecido o Recurso Especial da Divergência quando restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência foi aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 07 79 /2 00 8- 57 Fl. 2687DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Tratase de auto de infração (Debcad 35.765.1049) para cobrança de contribuições previdenciárias correspondentes à parte da empresa, do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (RAT) e as destinadas aos Terceiros. Atribuiuse à autuada a responsabilidade pelo pagamento das diferenças apuradas em empresa por ela incorporada em dez/2002. Após o trâmite processual, a 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária manteve em parte o lançamento, para determinar o recalculo do valor da multa, de acordo com o disciplinado no art. 35 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, com prevalência da mais benéfica ao contribuinte. o Acórdão 2403001.461 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2002 NULIDADE NFLD. AUSÊNCIA DE MOTIVOS. Sendo constatada a ausência de motivos para que a NFLD seja declarada nula, a mesma deverá ser mantida em todos os seus termos.No caso em tela, a NFLD preenche todos os requisitos legais, motivo pelo qual não poderá ser decretada nula. CORRESPONSÁVEIS. SÓCIOS. NFLD. SIMPLES INDICAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIO. A indicação de sócios na NFLD não pode ser interpretada corno conduta prejudicável ao sujeito passivo, tendo em vista que tal ato constitui em simples relação dos sócios da empresa 6, época da autuação, não havendo qualquer tipo de consequencia para esses sóciosgerentes, o que só ocorrerá em sede de execução fiscal , após serem preenchidos os requisitos legais autorizadores. Fl. 2688DF CARF MF Processo nº 19515.000779/200857 Acórdão n.º 9202006.710 CSRFT2 Fl. 2.688 3 GFIP X GPS. OCORRÊNCIA. FATO GERADOR. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIARIA. Sendo constatada a divergência entre valores declarados em GFIP's e os recolhidos ou não em GPS's, considerase ocorrido o fato gerador das contribuições sociais previdencidrias em face da natureza de confissão que possui essa Guia de Informação. Recurso Voluntário Provido em Parte. Contra a decisão a Fazenda Nacional, interpôs recurso especial de divergência questionando o critério adotado pelo Colegiado no que tange a aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Intimado o Contribuinte apresentou contrarrazões pugnando pelo não conhecimento por ausência de préquestionamento da matéria e ainda pela apresentação do cotejo analítico da divergência. No mérito requer a manutenção do julgado. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Do conhecimento: Em sede de contrarrazões o Contribuinte suscita o não conhecimento do recurso por dois motivos: ausência de préquestionamento da matéria e não apresentação do cotejo analítico da divergência. Em relação ao primeiro ponto, ausência de préquestionamento devemos destacar que tanto o art. 17 do Decreto nº 70.235/72 que trata do Processo Administrativo Fiscal PAF, quanto o §5º do art. 67 do Regimento Interno do CARF são expressos no sentido de que tal regra se aplica ao contribuinte, e não poderia ser diferente, pois via de regra, a primeira oportunidade de a Fazenda Nacional se manifestar nos autos se dá com a interposição do Recurso Especial. Vale citar os dispositivos legais mencionados: "Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante." "Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. ... Fl. 2689DF CARF MF 4 § 5º O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais." Quanto ao argumento de ausência de cotejo analítico, este Colegiado já sedimentou ser dispensável a apresentação de quadro ou outro método comparativo que faça uma correlação entre todos os pontos dos acórdãos recorrido e paradigmas. Entendese que o que o Regime Interno exige é a apresentação da tese divergente e a menção das partes dos paradigmas que sustentam aquele entendimento e neste aspecto a Recorrente cumpriu sua função. Do inteiro teor da peça recursal é possível absorver das partes das decisões proferidas nos acórdãos paradigmas nº 230100283 e 240100120 a divergência perseguida pela Recorrente, a qual foi didaticamente delimitada: Insta aqui consignar que a hipótese em análise no acórdão paradigma é idêntica a que ora se reporta. Isso porque o que se encontrava em julgamento era exatamente a discussão acerca da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, do CTN, em virtude das alterações promovidas pela Lei nº 11.941 (fruto da conversão da MP nº 449/2008) no art. 35 da Lei nº 8.212/91. Contudo, embora diante de situações semelhantes, os órgãos julgadores prolatores do acórdão recorrido e dos paradigmas encamparam conclusões diversas acerca da aplicação e interpretação da norma jurídica, em especial do art. 35, caput (redação revogada e com na novel redação dada pela MP nº 449/2008 posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009) e do art. 35A da Lei nº 8.212/1991. Ao examinar a matéria pertinente à multa aplicada, o acórdão recorrido entendeu que deveria ser aplicada ao caso a retroatividade benigna, sob o fundamento de que o artigo 35, caput, da Lei nº 8.212/1991 deveria ser comparado com a atual redação emprestada pela Lei nº 11.941/2009. E como na atual redação, há remissão ao art. 61 da Lei nº 9.430/96, entendeu que o patamar da multa aplicada estaria limitado a 20% (§ 2º do art. 61). Ao revés, os paradigmas adotaram solução diametralmente oposta. Para os órgãos prolatores dos paradigmas, o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 deveria agora ser observado à luz da norma introduzida pela Lei nº 11.941/2009, qual seja, o art. 35A que, por sua vez, faz remissão ao art. 44, da Lei nº 9.430/96. Nos julgados paradigmas, a aplicação da retroatividade benigna na forma de aplicação do art. 61, § 2º, da Lei nº 9.430/1996 (norma à qual a atual redação do caput do art. 35 com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 faz remissão) foi rechaçada de forma expressa. Diante do exposto, conheço do recurso. Do mérito: Fl. 2690DF CARF MF Processo nº 19515.000779/200857 Acórdão n.º 9202006.710 CSRFT2 Fl. 2.689 5 A controvérsia levantada pela Fazenda Nacional é relativa às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo Fl. 2691DF CARF MF 6 tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: Fl. 2692DF CARF MF Processo nº 19515.000779/200857 Acórdão n.º 9202006.710 CSRFT2 Fl. 2.690 7 “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Fl. 2693DF CARF MF 8 Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de Fl. 2694DF CARF MF Processo nº 19515.000779/200857 Acórdão n.º 9202006.710 CSRFT2 Fl. 2.691 9 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). Fl. 2695DF CARF MF 10 § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista Fl. 2696DF CARF MF Processo nº 19515.000779/200857 Acórdão n.º 9202006.710 CSRFT2 Fl. 2.692 11 no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para determinar que a multa seja aplicada nos termos em que fixado pela Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 2697DF CARF MF
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Numero do processo: 13971.722962/2012-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jun 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011
AUTO DE INFRAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. EXCLUSÃO DO SIMPLES. INCOMPETÊNCIA DA PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO. NÃO CONHECIMENTO.
Nos termos do art. 3º, IV, do Anexo II do RICARF, os recursos interpostos em processos que versem sobre aplicação da legislação relativa a Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, são da competência da Segunda Seção e, não, desta Primeira.
Numero da decisão: 1301-003.082
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declinar da competência à Segunda Seção de Julgamento.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amelia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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EXCLUSÃO DO SIMPLES. INCOMPETÊNCIA DA PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos do art. 3º, IV, do Anexo II do RICARF, os recursos interpostos em processos que versem sobre aplicação da legislação relativa a Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, são da competência da Segunda Seção e, não, desta Primeira. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declinar da competência à Segunda Seção de Julgamento. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amelia AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 29 62 /2 01 2- 20 Fl. 667DF CARF MF Processo nº 13971.722962/201220 Acórdão n.º 1301003.082 S1C3T1 Fl. 668 2 Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte contra o acórdão 1260.902, proferido pela 11ª Turma da DRJ/RJ1, na sessão de 29 de outubro de 2013, que, ao apreciar a impugnação apresentada pelo contribuinte, por unanimidade de votos, julgoua improcedente. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: Trata o presente processo de Auto de Infração n° 51.002.3398, lavrado em 14/11/2012, no valor de R$ 17.244,38 (dezessete mil duzentos e quarenta e quatro reais e trinta e oito centavos) que acrescido de multa e juros corresponde ao valor consolidado de R$ 46.199,27 (quarenta e seis mil cento e noventa e nove reais e vinte e sete centavos). 2. De acordo com o Relatório Fiscal, de fls. 35/41 do processo digital, o crédito abrange o período de 01/2009 a 12/2011, inclusive os décimos terceiros salários e se refere às contribuições a cargo da empresa correspondentes a parte destinada a outras Entidade e Fundos – Terceiros (FNDE, INCRA, SESC, SENAC e SEBRAE), incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados. 3. A autuada foi excluída do Simples Nacional, conforme Ato Declaratório Executivo – ADE nº 50, de 01/11/2012, decorrente do processo de Representação Administrativa para Exclusão do SIMPLES, processo nº 13971.722924/201277. Em função da exclusão do SIMPLES, com efeito retroativo a 01/01/2008, foram lançadas as contribuições para outras Entidades e Fundos que deixaram de ser recolhidas. 4. Os fatos geradores foram as contribuições omitidas nas GFIPs, devido à informação incorreta referente à opção pelo SIMPLES e não recolhidas, constantes das folhas de pagamento. O crédito foi lançado através do levantamento T2 no qual foi aplicada a multa qualificada (2 x 75%), por ser posterior à edição da Medida Provisória nº 449, de 04/12/2008, que estipulou a nova multa, e por ter restado caracterizada a prática de sonegação e conluio previstas nos arts. 71 e 73 da Lei 4.502/64. 5. “Numa análise objetiva dos fatos relatados, constantes nos processos de Representações Administrativas para Exclusão do SIMPLES, mencionados no item 5, frente aos dispositivos legais em comento, não há como deixar de enquadrar a ação dolosa, intencional e consciente de simular a existência de empresas, Fl. 668DF CARF MF Processo nº 13971.722962/201220 Acórdão n.º 1301003.082 S1C3T1 Fl. 669 3 formalmente distintas (MESH, COISAS DE BEBÊ e WRCP), porém formando um GRUPO ECONÔMICO DE FATO, com o evidente intuito de impedir o conhecimento do Fisco da incidência da Contribuição Previdenciária Patronal sobre as remunerações dos segurados das empresas MESH e COISAS DE BEBÊ (optantes, indevidamente, pelo SIMPLES), nas definições de sonegação e conluio, contidas nos arts. 72 e 73 da Lei 4.502/64, já transcritos.” IMPUGNAÇÃO 6. O contribuinte foi cientificado do lançamento em 26/11/2012, conforme AR de fls. 43 e apresentou impugnação em 26/12/2012, fls.46/105, alegando, em síntese: 6.1 Não é possível que o lançamento seja objeto de emissão de Representação Fiscal para Fins Penais (RFFP), antes mesmo do fim do processo administrativo tributário. 6.2 Fazse necessário o julgamento em conjunto dos processos nº 13971.722952/201294, 13971.722953/201239, 13971.722961/201285, 13971.722962/201220, por envolverem os mesmos fatos geradores e identidade dos elementos de prova. Preliminar: 6.3 O Auto de Infração tem como fundamento básico a exclusão da Impugnante do Simples Nacional, que se deu através do Ato Declaratório Executivo nº 50/2012, processo administrativo nº 13971.722924/201277. Porém, a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade contra a sua exclusão, que por sua vez ainda não foi julgada. 6.4 Conforme art. 4º, § 3ºA da Resolução CGSN nº 15/07 e art. 75, § 3º da Resolução nº 94/2011, o termo de exclusão do Simples só se tornará efetivo após decisão irrecorrível desfavorável ao contribuinte. Dessa forma, somente após o julgamento definitivo, desfavorável à empresa, do processo de exclusão do Simples é que ela poderia ser notificada para o pagamento das contribuições em questão. Mérito Insubsistência da exclusão do Simples 6.5 Alega a insubsistência da exclusão do Simples e reproduz os mesmos argumentos apresentados na manifestação de inconformidade apresentada contra a ADE que a excluiu, processo nº 13971.722924/201277, apenso ao presente. Insubsistência do Auto de Infração 6.6 Independente dos argumentos relativos à exclusão do Simples, há outros motivos que impedem a manutenção do Auto de Infração. Fl. 669DF CARF MF Processo nº 13971.722962/201220 Acórdão n.º 1301003.082 S1C3T1 Fl. 670 4 6.7 Questiona a exigência do salárioeducação, pois o mesmo deveria ter sido instituído por lei complementar. 6.8 Questiona a contribuição ao INCRA, alegando que a mesma foi extinta e que não poderia ser exigida de empresas que não exercem atividade voltada à produção rural. 6.9 Argumenta que as contribuições para o SESC e para o SENAC só podem ser cobradas da categoria econômica que tiver interesse no seu pagamento. 6.10 Também se insurge sobre a cobrança para o SEBRAE, pois a mesma teria que ter sido instituída por lei complementar. 6.11 A exigência de contribuições sobre verbas não remuneratórias, que não possuem natureza de salário/remuneração. Para que possam ser consideradas como salário ou remuneração é indispensável que elas apresentem duas características: contraprestação pelo trabalho e habitualidade. 6.12 Dentre as rubricas indevidamente incluídas na base de cálculo das contribuições está o Salário Maternidade, que sempre se constituiu em um benefício de natureza previdenciária e de responsabilidade da Previdência Social. As empresas apenas são chamadas a adiantar os valores devidos pelo INSS a esse título, tanto é assim que tais importâncias desembolsadas são prontamente compensadas com os valores devidos pela empresa ao INSS. Cita decisão do STF e do STJ nesse sentido. 6.13 Outra verba que também não se constitui em salário ou remuneração é o chamado Auxíliodoença nos primeiros 15 dias de afastamento do segurado. Tal verba não é compatível com os conceitos jurídicos de salário e de remuneração, pois não representam contraprestação aos serviços prestados e nem é dotada da característica da habitualidade. Cita decisão do STJ e do TRF da 4ª Região. 6.14 O 1/3 de férias e respectivos reflexos também não tem natureza jurídica de salário ou remuneração, o que impede que ele seja considerado salário de contribuição. Ele se configura um abono pago ao funcionário que tira férias. Cita entendimento do STJ para respaldar o seu posicionamento. 6.15 O mesmo se dá em relação aos valores pagos a título de férias. Tais valores não poderiam ser considerados como salário/remuneração, porque pagos enquanto os funcionários não prestam serviços para a empresa. Transcreve decisão do STJ. 6.16 “Há, ainda, diversas outras verbas que, muito embora sejam pagas pela Impugnante às pessoas que lhe prestem serviços, não poderiam ser incorporadas à base de cálculo das contribuições.” Podem ser citadas, entre outras, importâncias pagas a título de horasextras, gratificações e outras verbas delas decorrentes. Fl. 670DF CARF MF Processo nº 13971.722962/201220 Acórdão n.º 1301003.082 S1C3T1 Fl. 671 5 6.17 O Supremo Tribunal Federal pacificou o entendimento de que as contribuições não podem incidir sobre abonos ou demais verbas trabalhistas de natureza indenizatória. 6.18 “Dessa forma, caso seja mantido o Auto de Infração (o que se admite somente por hipótese), as verbas que não correspondem a salário e demais rendimentos do trabalho precisam ser excluídas da base de cálculo adotada pela fiscalização.” 6.19 Mantido o lançamento, não poderia prevalecer a multa aplicada. 6.20 No caso concreto, não é possível a aplicação da multa qualificada no percentual de 150% da exigência, uma vez que o intuito de fraude, consubstanciado em ação/omissão dolosa tendente a impedir o conhecimento da ocorrência de fato gerador das contribuições, tem que estar materialmente comprovado e não meramente presumido. 6.21 A multa é desproporcional à falta hipoteticamente cometida pela contribuinte, contrariando os princípios da proporcionalidade, da razoabilidade e do devido processo legal material. Além de possuírem caráter confiscatório. 7. Requer seja julgada procedente a Impugnação para que: a) não seja formalizada qualquer representação para fins penais; b) sejam julgados em conjunto os processos citados; c) o Auto de Infração seja cancelado em virtude da ausência de julgamento da Manifestação de Inconformidade apresentada contra o ato de exclusão do Simples; d) o Auto de Infração seja cancelado diante da inexistência de qualquer valor devido; ou na pior das hipóteses, e) sejam excluídas: as parcelas relativas às contribuições para o Salário Educação, INCRA, SESC, SENAC e SEBRAE e às verbas nãoremuneratórias; à multa aplicada; e à multa qualificada de 150%, reduzindoa para, no máximo, 75%. 8. É o relatório. Na seqüência, foi proferido o Acórdão recorrido, julgando improcedente a impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário exigido. Após intimada, a interessada apresenta seu respectivo Recurso, pugnando pelo provimento, onde apresenta argumentos que serão posteriormente analisados. É o Relatório. Voto Fl. 671DF CARF MF Processo nº 13971.722962/201220 Acórdão n.º 1301003.082 S1C3T1 Fl. 672 6 Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator Antes de qualquer outra verificação do recurso interposto, um questão preliminar requer averiguação; I. DA INCOMPETÊNCIA DESTA 1ª SEJUL Analisando os autos, verifico que ao cabo de uma única auditoria, a autoridade encarregada formalizou seis processos administrativos. No caso dos autos, tratase de lançamento, onde é exigido crédito tributário de contribuições previdenciárias a cargo da empresa correspondentes a parte destinada a outras Entidade e Fundos – Terceiros (FNDE, INCRA, SESC, SENAC e SEBRAE), incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados.. Assim, embora o presente processo seja decorrente do Ato da exclusão do Simples da recorrente, a exigência aqui reclamada baseiase em remunerações de seus empregados. Sobre a competência desta Seção de Julgamento, transcrevo o inciso IV, artigo 2º do Anexo II, com a redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016: Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: (...) IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (G.N) De acordo com tal norma, no que aqui nos interessa, apenas recursos que versem sobre aplicação da legislação relativa à Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta atrairiam a competência para esta Seção de Julgamento, e só se a exigência fosse formalizada com base nos mesmos elementos de provas de eventual lançamento de IRPJ/CSLL. No caso, não se trata nem mesmo de Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta. Dispõe ainda o mesmo diploma no art. 3º, IV, que: Art. 3º À 2ª (segunda) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: (...) Fl. 672DF CARF MF Processo nº 13971.722962/201220 Acórdão n.º 1301003.082 S1C3T1 Fl. 673 7 IV Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, definidas no art. 3º da Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007; (G.N) A distribuição de competência entre as três Seções de Julgamento do CARF consiste em repartição jurisdicional em razão funcional, para atender o interesse público. Como tal, não é passível de modificação, devendo eventual incompetência ser conhecida de ofício Assim, tendo em vista que o presente caso trata de exigência de contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações de segurados empregados, resta claro que ele está fora do âmbito de competência de julgamento desta 1ª Seção, devendo ser remetido à 2ª Seção, que tem a efetiva competência para o julgamento. Conclusão Diante do exposto, voto por declinar da competência para julgamento do recurso em favor da Segunda Seção de Julgamento. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 673DF CARF MF
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