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Numero do processo: 11128.001325/2004-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 28 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 3101-000.097
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator.
Nome do relator: VANESSA ALBUQUERQUE VALENTE
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 11128.001325/2004-21 Recurso n ° 340.911 Resolução n° 3101-00.097 — la Camara /la Turma Ordinária Data 28 de abril de 2010 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente M. Cassab Com. e Ind. Ltda. Recorrida Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator, Henrique Pinheiro Torres - .Presidente 7 )1Z Vanessa Albuquerque Valente - Relatora EDITADO EM: 27/10/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tardsio Campelo Borges, Corintho Oliveira Machado, Luiz Roberto Domingo, Valdete Aparecida Marinheiro e Vanessa Albuquerque Valente. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório proferido pela autoridade julgadora de primeira instância, às fls. 331/332, o qual transcrevo a seguir: A empresa acima qualificada submeteu a despacho, através das Declaraçães de Importação n° 03/0015920-4, 03/0084092-0, 03/0289472-6 e 03/0450130- 6, registradas em 08/01/2003, 30/01/2003, 07/04/2003 e 28/05/2003, as mercadorias descritas como VITAMIN E 40% Feed Grade, VITAMINA D3500, MICROVIT B2 SUPRA 80, MICRO VIT AD3 SUPRA 500-100 e MICROVIT AD3 SUPRA 1000-200, classificando nos códigos 2936.28.12, 2936.29.21, 2936.23.10 e 2936.90.00. As mercadorias despachadas são "preparações especificamente elaboradas para serem adicionadas a ração animal e/ou pré-mistura" conforme laudos n's 0528.01, 0528.02, 0698.01, 0698.02, 0698.03, 1050.01, 1605.01, 0605.02 e 1605.03, anexos. Destacou a fiscalização que as preparações especificamente elaboradas para serem adicionadas a Ração Animal estão corretamente classificadas no código NC1I,1 2309.90.90, de acordo com as Regras 1 ° e 6.2 das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado. Em conseqüência, lavrou-se o Auto de Infração de fls. 01 a 17 e anexo pelo qual o contribuinte foi intimado a recolher ou impugnar o crédito tributário relativo a diferença de Imposto de Importação, juros de mora, multa do art° 44, inciso I, da Lei n" 9.430/96, multa do art. 633, inciso II, alínea "a" do Decreto n°4.543/02 (Regulamento Aduaneiro), e multa prevista no art" 84 da medida provisória n° 2158, de 24/08/2001, publicada no D.O.U, de 27/08/2001. Discordando da exigência fiscal a autuada impugnou (fls.208 a 216) o auto de infração, alegando, em sua defesa, que: - o enquadramento tarifário adotado pela Requerente para a correia classificação tarifária das mercadorias acima referidas foi baseada em respostas da Divisão de Nomenclatura, Classificação e Origem de Mercadorias — DINOM, às consultas administrativas formuladas pelo Sindicato Nacional das Indústrias de Alimentação — SINDIRAÇÕES, do qual a Requerente é filiada, (sob os números 10168.003154/98-36, 10168.003161/98-00 e 10168.003162/98-64); - não pode, de maneira alguma, prevalecer a autuação ora atacada no que tange a desclassificação dos produtos denominados VITAMINA E 50% Freed Grade, VITAMINA D3 500, MICRO VIT B2 SUPRA 80 tendo em vista que a Requerente instruiu a presente defesa com as decisões COANA n"s 002, 004 e 011, todas de 1999, transcritas parcialmente àsfls. 211 e 212 da impugnação, as quais comprovam inquestionavelmente que a Classificação Fiscal adotada pela Requerente á baseada em resposta da Divisão de Nomenclatura, Classificação e Origem de Mercadorias — DINOM, a consulta formulada pelo SINDIRAÇÕES (Sindicato a que a Requerente filiada), e cujo os efeitos inquestionavelmente vinculam a Administração - não pode prevalecer a exigência do recolhimento das multas previstas no inciso II, do Regulamento Aduaneiro e no artigo 84, da Medida Provisória n" 2.158/01, uma vez que a Requerente descreveu devidamente o produto por ela importado conforme verifica-se através das Declarações de Importação ora tratadas no item "Descrição Detalhada do Produto". - mesmo que seja considerada correta a desclassificação tarifária procedida pela autoridade alfandegária, o que se admite apenas a titulo de argumentação, não poderia prevalecer a aplicação da penalidade por falia de licenciamento, posto que a Requerente descreveu devidamente o produto por ela importado; Processo n° 11128.001325/2004-21 S3-CITI ResolucLIo n.° 3101-00.097 11 2 - se a Requerente descreveu devidamente na Declaração de Importação a mercadoria por ela importada, tal fato demonstra inquestionavelmente a sua boa fé acerca das informações prestadas a Requerida, logo, é totalmente descabida a aplicação de qualquer penalidade por infração administrativa ao controle das importações e puni-la. - Cita Acórdãos desta DRJ e do 3° Conselho de Contribuintes. A 2' Turma da Delegacia de Julgamento de Sao Paulo II— SP, ao apreciar as razões aduzidas na impugnação apresentada, julgou procedente o Lançamento, con forme decisão DRJ/FNS N.° 17-20.398, de 19 de setembro de 2007, fls. 137/142, assim ementada: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 08/01/2003, 30/01/2003, 07/04/2003, 28/05/2003 Ementa Os produtos identificados pela analise laboratorial como preparações destinadas à alimentação animal, se classificam no código 2309.90.90, conforme esclarecem as informações técnicas acostadas aos autos, e com base nas Notas Explicativas do SH. Lançamento Procedente. Ciente da decisão de la Instancia, em 22 de janeiro de 2008, a Contribuinte, em 21 de fevereiro de 2008, interpôs Recurso Voluntário (fls. 114/128). Nesta peça processual. a Contribuinte, aduz: 1) Preliminarmente, que em razão de concordar com o nem do auto de infração referente a importa cão da mercadoria "Ti/usina Fosfato", realizada através da mencionada adição 02 da DI n. 01/0512928-8, procedeu ao recolhimento do valor exigido em 23/08/2004, requerendo que seja cancelada a cobrança referente a este produto; 2)No mérito, repisa os argumentos e fundamentos apresentados em sua Impugnação. Instrui o Recurso Voluntário, dentre outros documentos, DARF de pagamento referente ao processo N. 11128.03532/2004-11(fls. 135). o relatório. Voto Conselheira Vanessa Albuquerque Valente, Relatora 0 Recurso Voluntário reline os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Camara. Recorre a Contribuinte da decisão proferida pela DRJ de origem que entendeu correta a reclassificação feita pela autoridade fiscal concernente aos produtos importados denominados VITAMINA E 50% Feed Grade, VITAMINA D3 500, MICROVIT B2 SUPRA 80, MICRO VIT AD3 SUPRA 500-100 e MICRO VIT AD3 SUPRA 1000-200. Conforme se verifica, a solução da presente lide consiste em decidir se os produtos importados se classificam sob o código 2936.28.12 para a VITAMINA E 50% Feed Grade, 2936.29.21 para a VITAMINA D3 500, 2936.23.10 para a MICRO VIT B2 SUPRA 80, e 2936.90.00 ,na forma sustentada pela Recorrente, ou no código 2309.90.90, como "Preparações especificamente elaboradas para serem adicionadas A. ração animal e/ou pré- misturas", nos termos defendidos pela Fiscalização. Alega, a Recorrente, que a classificação tarifária das mercadorias por ela importada foi baseada em respostas da Divisão de Nomenclatura, Classificação e Orizem de Mercadorias - DINOM, às consultas formuladas pelo Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal - SINDIRACÕES, do qual a Requerente é filiada(doc n.°.08, 09, 10)". Aduz, ainda, que "utilizou-se da consulta supramencionada, eis que foi utilizada por ter sido formulada pelo órgão consultivo da Receita Federal do Brasil, bem como por se tratar de mercadoria idêntica da importada pela Recorrente"; "que em virtude das respostas formuladas ao DINOM, não resta dúvida de que a recorrente classificou de maneira correta os produtos que importou, razão pela qual deve ser afastada a pretensão do Recorrido em enquadrá-la no capitulo 23 da TEC". No caso sub examen, em face das alegações acima expostas pela Recorrente, assim como, em observância ao principio da verdade material, proponho que se converta o julgamento deste processo em DIUGÊNCIA à DRF de origem, no sentido de: 1) Aferir a identidade entre a composição química das mercadorias importadas e a das mercadorias objeto das CONSULTAS, formuladas pelo SINDIRAÇÕES, acostadas as fls. 299/317 dos autos; 3) Identificar a quantidade relativa de cada vitamina nus mercadorias classificadas; 2) Caso haja alguma divergência entre a composição química das mercadorias importadas e a das mercadorias objeto das CONSULTA, identificar objetivamente. Posteriormente, após facultar à Recorrente oportunidade de manifestação quanto ao resultado da diligência, providenciar o retorno dos autos para esta Câmara. Ê como VOTO a nels'bsLá- 1 Leckr -17--ea/1 ente 4
score : 1.0
Numero do processo: 10830.720310/2007-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 12/12/2007
PROCESSO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA.
A propositura de ação judicial contra a Fazenda Nacional, com o mesmo objeto do recurso voluntário, configura renúncia às instâncias administrativas, não devendo ser conhecido o recurso apresentado pela contribuinte.
Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Recurso Voluntário não Conhecido
Numero da decisão: 3102-01.693
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Ricardo Paulo Rosa
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 12/12/2007 PROCESSO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial contra a Fazenda Nacional, com o mesmo objeto do recurso voluntário, configura renúncia às instâncias administrativas, não devendo ser conhecido o recurso apresentado pela contribuinte. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Voluntário não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Relator. EDITADO EM: 28/12/2012 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 03 10 /2 00 7- 18 Fl. 1194DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/06/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/12/2012 por RICARDO PAULO ROSA 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira e Leonardo Mussi. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Trata o presente de auto de infração lavrado contra o contribuinte em epígrafe para exigência da multa equivalente ao valor aduaneiro pela impossibilidade de apreensão das mercadorias para aplicação da pena de perdimento, face a caracterização da figura da interposição fraudulenta de terceiro em operação de comércio exterior, em face da não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. A ação fiscal amparada no Mandado de Procedimento Fiscal n° 0817700.2007.003185, com a finalidade de aplicar o procedimento especial de fiscalização previsto n IN SRF n° 228/2002, relativamente a origem dos recursos utilizados pela empresa em operações de comércio exterior e combate A. interposição fraudulenta de pessoas começou com o Termo de Inicio de ação fiscal e Intimação n° 001/2007, de 03/07/2007, fl.90. Documentos foram requisitos ao contribuinte. A titulo exemplificativo, destacamos algumas operações de importação, e os seguintes fatos: 1. A empresa foi constituída em 01/05/1989, com capital social de NCZ$10.000,00, dez mil cruzados novos, dos quais NCZ$2.00,00, foram integralizados em moeda corrente e o restante em doze parcelas mensais e consecutivas também em moeda corrente; 2. Aconteceram várias alterações contratuais com subscrições de novas quotas e integralizações em moeda corrente, e aumento de capital com utilização de Reservas de Correção Monetária e Reservas de Lucros, atingindo o valor atual de R$150.000,00, na última alteração contratual de 01/04/1997, registrada na Juceps em 18/04/97 sob no 54884/97 4. 3.A fiscalização apurou que o capital social era de R$1,09 passando para aquele valor, sendo incorporado R$ 3.252,80, referente ao saldo de Reserva de Correção Monetária e R$146.746,00, ao saldo da conta de Lucros, contradizendo com o Instrumento de Alteração e Consolidação Contratual da Empresa Airways Comércio Internacional Ltda. (antigo nome empresarial da Vida Internacional Ltda.) registrado na Jucesp sob n° 182.808/05 1, de 28/07/2005, que informa que o capital social era de R$150.000,00 totalmente integralizado naquele ato em moeda corrente do pais e que, não seria possível comprovar a integralização do capital social por ter ocorrido a mais de dez anos e por se constituir, em grande parte, de Reservas de Correção Monetária e Reservas de Resultado. Em 07/08/2007, a autuada protocolizou atendimento ao Termo 003, encaminhando documentos que, examinados pela fiscalização, com relação aos Contratos de Câmbio e a comprovação de seus efetivos fechamentos, constatou que, conforme quadro, f1.20: Fl. 1195DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/06/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/12/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10830.720310/200718 Acórdão n.º 3102001.693 S3C1T2 Fl. 3 3 1.Na DI n° 02/1210875, a informação era de que se tratava de importação com cobertura cambial e pagamento final a prazo de até 180 dias, enquanto a fiscalizada declarava que não existia fechamento de câmbio para essa DI. 2.Na DI no 03/10569014, a autuada informou que não fechou o câmbio, por depender de retificação de DI, embora o valor da importação fosse de R$135.041,28; 3.Na DI n° 05/05185207, declarou que não existia fechamento de câmbio porque o exportador não cobrou a referida venda, embora constasse na DI que se tratava de operação com cobertura cambial e pagamento final a prazo de até 180 dias. 4. DI's n°s. 04/03102647, 04/03269754, 05/05358586, 05/07939411, 06/15350822, 07/00420295, 07/03849845 e 07/06148465; a autuada informou que o câmbio já havia sido fechado, mas não anexou comprovação de seu efetivo pagamento; 5. Na DI n° 06/08472357, informou tratarse de remessa sem cobertura cambial, embora o valor da operação fosse de R$34.209,06; 6. Na DI no 02/00305195, não apresentou os extratos bancários com a identificação dos lançamentos das saídas dos recursos para os respectivos pagamentos, não apresentou o contrato de câmbio e a comprovação de seu efetivo fechamento, embora a importação tenha sido no valor de R$182.528,33 7. Quanto as exportações apresentou RE's sem as respectivas Notas Fiscais de compra. 8. A fiscalização constatou a falta de várias faturas e notas fiscais de 9. Quanto a origem dos recursos para as operações de importação, informou a autuada que, em alguns casos conseguiu prazo de pagamento com o fornecedor no exterior, em outras situações efetuou desconto de duplicatas das vendas efetuadas. Foram reduzidos a termo os depoimentos dos sócios da empresa, Sr. José Aparecido da Cruz, CPF 851.133.36815 e sra. Maria Aparecida Barqui de Avelar, CPF 067.291.13880. Resumidamente, destacamos algumas declarações de ambos f1.29/31, que: `não exerciam o gerenciamento da empresa, mas sim o sr. Antonio Cláudio Barchi; não sabiam a data precisa da formação da empresa, são cunhados há dez anos; desconhecem a fonte de rendimento pessoal aplicada na constituição do capital social da empresa e o valor exato’, desconheciam os principais fornecedores da empresa, bem como os clientes. Quanto a sra. Maria Aparecida Barqui de Avelar, declarou que ‘gerencia um bufet e possuiu um restaurante por três anos; já trabalhou numa churrascaria por cinco anos e continua como chefe de cozinha há trinta e sete anos em diversos restaurantes'; e, o Sr. José Aparecido da Cruz, que ‘possuiu um mercado por dez anos e atualmente pertence a um dos seus filhos’; O sócio sr. José Aparecido da Cruz declarou que 'a empresa vendia chips e material para coleta de sangue, enquanto a sócia sra. Maria Aparecida Barqui de Avelar declarou que 'desconhecia quais éramos principais produtos vendidos pela empresa’ Fl. 1196DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/06/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/12/2012 por RICARDO PAULO ROSA 4 Do exame dos depósitos realizados, a fiscalização constatou que: 1. não foram comprovadas as transferências entre contas Unibanco, sendo a única conta apresentada foi a c/c 1953185; não apresentou comprovação sobre os depósitos relativos a recebimento de clientes; não foram comprovados os depósitos descritos como fomento mercantil, nem os descritos como adiantamento para pagamento de matériaprima Vacuum, nem o depósito descrito como empréstimo de sócios no valor de R$91.000,00. 2. também não foram comprovadas as transferências entre contas do Banco Rural, e a única conta indicada foi a c/c 0600117450; não foi comprovado o depósito de R$10.690,00 do Itaú, nem depósitos descritos como empréstimos de sócios, nem o depósito de R$17.000,00 na Nossa Caixa, nem as transferências entre contas pois a única apresentada da Ncaixa foi a c/c 04.0007351; 3.deixaram de ser comprovados os depósitos descritos como devoluções de mepréstimo, nem o depósito de R$19.764,06 do Banco do Brasil, nem o de R$150.00,00 do Citibank, declarado como recebimento de cliente do Banco Real, nem as transferências entre contas do Banco Real para o Banco do Brasil de R$27.678,00, R46.040,03, R$r423.712,79 e R$18.254,80, nem os depósitos descritos como empréstimos ACTS do Brasil, que é cliente da autuada; 4.o contribuinte realizou diversas exportações declarando como sendo de fabricação própria quando tais mercadorias eram fabricadas pela empresa Smar Equipamentos Industriais Ltda.CNPJ 46.761.730/000106, como atestam as notas fiscais de venda com finalidade especifica de exportação, anexadas aos RE's. Outras apurações do mesmo nível foram constatadas pela fiscalização, fls. 45 e 46. As fls.49/55, a fiscalização descreve a atividade da empresa e a não comprovação da origem dos recursos utilizados para realizar as operações de comércio exterior As fls.55/79, a fiscalização destaca as irregularidades apuradas, tais como não comprovação da origem, disponibilidade e transferência de recursos empregados nas operações de comércio exterior, com a ocultação do verdadeiro responsável por essas operações. Ao final, foi lavrado o presente auto de infração. O autuado foi intimado e cientificado, fls. 01, em 14/12/2007, tendo apresentado sua impugnação, fls. 724 a 768, tempestivamente, em 14/01/2008, onde apresenta suas alegações de defesa. Em 05/02/2010, f1.1024, a Alfândega do Aeroporto Internacional de Viracopos —Campinas/SP, encaminhou expediente repassando mensagem da Procuradoria da Fazenda Nacional, fl.1025, informando existir ação judicial para entre outros processos administrativos, este que se encontra sob julgamento (n° 10830.720310/200718), remetendo. Inclusive, por arquivo virtual, a petição inicial da Ação Declaratória 2009.61.05.0041385, fls.1027/1062. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 12/12/2007 Fl. 1197DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/06/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/12/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10830.720310/200718 Acórdão n.º 3102001.693 S3C1T2 Fl. 4 5 CONCOMITÂNCIA. Pelo Principio da Jurisdição Una, considerase renúncia a discussão no processo administrativo fiscal, quando o contribuinte propõe ação judicial sobre a mesma matéria (Súmula n° 1 do CARF). Não se toma conhecimento da impugnação ao auto de infração cuja matéria é objeto de ação judicial. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a empresa apresenta Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Em preliminar, alega preterição ao direito de defesa. Que tem direito à dupla instância administrativa, “sob pena de irremissível inconstitucionalidade e, destarte, nulidade”. Menciona os documentos apresentados como prova de que opera regularmente no comércio exterior e contesta a decisão do Órgão Julgador de primeira instância de não adentrar ao mérito por ter entendido caracterizada a concomitância de processos administrativo e judicial. Argumenta, Tal decisão não deve prosperar, em primeiro lugar para o administrado ora recorrente tem total interesse em ter sua impugnação julgada no mérito, primeiramente porque com a decisão de mérito da Impugnação poderia esta ser procedente, o que totalmente perderia a função jurídica do mandado de segurança, fazendo com que aquele obrigatoriamente fosse extinto, pois em tese cessaria a ato coator da autoridade impetrada, segundo porque com a decisão de mérito, sendo esta procedente ou improcedente, poderia a recorrente acatar sua decisão do órgão, extinguindo qualquer demanda ou ainda fundamentar melhor sua defesa. Noutro vértice, que o mandado de segurança impetrado “não ataca o mérito da causa e sim o procedimento do lançamento do autor de infração que originou o perdimento do CNPJ”. Que a “matéria tutelada pelo Mandado de Segurança é diversa desta amparada pela via administrativa”. Segue tecendo considerações acerca das sentenças admitidas no direito para o processo de conhecimento e do enquadramento do mandado de segurança neste contexto. Conclui que, conforme Súmula 304 do STF, decisão denegatória em mandado de segurança, não fazendo coisa julgada contra a impetrante, não impede o uso da ação própria. E que, “neste mesmo diapasão, como o bem já declinado, o Mandado de Segurança foi julgado extinto sem julgamento de mérito, ou seja, sequer analisou a questão posta a baila [...]” e prossegue, “fato de que a decisão que não aprecia o mérito da impetração não obsta o acesso as vias ordinárias, ao passo que, em se tratando de decisão que denegue a segurança, apreciandolhe o mérito, a mesma impede que se rediscuta a questão pelas vias ordinárias”. Conclui, Sabemos que o Mandado de Segurança teve seu julgamento prejudicado, sendo extinto sem julgamento de mérito, desta feita, pela amor ao debate, suponhamos que o Mandado fosse procedente, lá ficaria estabelecido tão somente que enquanto perdurasse a esfera administrativa, deveria a empresa valerse de seu CNPJ. Fl. 1198DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/06/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/12/2012 por RICARDO PAULO ROSA 6 No mérito, alega desrespeito ao art. 142 do Código Tributário Nacional, por que o Órgão Fiscalizador não teria feito provas de suas alegações. Que apresentou toda a documentação probante das efetivação das operações de comércio exterior e atendeu a todos os termos de intimação. Assim relata, [...] inúmeros documentos que comprovam sua atividade na área de importação e exportação, como bem consta no volumoso processo administrativo, dentre os quais a recorrente apresentou dossiê completo de todas as importações da empresa, de janeiro de 2.002 a junho de 2.007, todas as D.I.s (Declarações de Importação) e suas respectivas Adições todos os Contratos de Cambio e a comprovação de seus respectivos fechamentos, todas as Faturas Comerciais os Registros Contábeis no Livro Caixa ou Razão Contábil desses fechamentos todos os extratos bancários, de todos as contas, de todos os bancos com os quais a empresa trabalhou no período acima, com minuciosa identificação dos lançamentos das saídas dos recursos para pagamento das importações efetuadas, não havendo de se avençar a possibilidade de ocultação, tampouco dano ao erário publico. [...] Não obstante, apresentou ainda sobre as exportações o relatório completo de todas as exportações da empresa, de janeiro de 2002 a junho de 2007, composto de Todos os R.E.s (Registros de Exportação) Todas as Faturas Comerciais Todas as Notas Fiscais de Exportação Todas as Notas Fiscais de Entrada Documentos comprovando o pagamento dessas Notas Fiscais Todos os Contratos de Cambio, e a comprovação de seu efetivo fechamento Registro contábil do recebimento dos valores de exportação. Todos os extratos bancários, de todas as contas, de todos os bancos com os quais a empresa trabalhou no período de janeiro de 2.002 a junho de 2007, com minuciosa identificação dos lançamentos das saídas dos recursos para os pagamentos das exportações efetuadas Livros Razão dos anos 2002,2003, 2004 2005, 2006, 2007 com os respectivos balanços patrimoniais e Demonstrações Financeiras impressas nos mesmos, assim como todos os demais documentos exigidos em (dezenove) Intimações feitas pela fiscalização, todas elas cumpridas ern sua integridade. Que a Secretaria da Receita Federal, ao lavrar o auto de infração, deveria fazer constar no pólo passivo “o suposto real exportador, qual seja a empresa Smar Equipamentos Industriais Ltda, pois supostamente ante a rebuscada conclusão dos agentes fora esta que cometeu ilícitos em conjunto com a e recorrente, sendo certo, que é obrigatória a presença de ambas no auto de infração e não tão somente punir uma empresa e deixar a outra que supostamente teve toda a vantagem ficar sem autuação”. Que em outros procedimentos, da mesma natureza, a empresa Smar figurou no polo passivo. Segue tecendo considerações sobre as operações realizadas. Pondera que todos os contratos de câmbio foram fechados e o capital social da empresa é robusto Referese à qualificada formação profissional de seus diretores, do que entende restar evidente “que a empresa possui diretores, sócios e gerentes capacitados para a gestão de importação/exportação, [...]” Requer anulação da decisão de primeira instância, ou, não sendo esse o entendimento, provimento para, no mérito, julgar totalmente procedente a defesa. É o relatório. Fl. 1199DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/06/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/12/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10830.720310/200718 Acórdão n.º 3102001.693 S3C1T2 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do Recurso. Embora o principal fundamento da defesa esteja na possibilidade de prosseguimento do Processo Administrativo Fiscal ainda que tenha sido impetrado Mandado de Segurança, em certo momento a Recorrente afirma que a matéria tutelada pelo Mandado de Segurança é diversa da amparada pela via administrativa, do que decorre a necessidade de análise da essência da ação judicial impetrada. Vêse às folhas 1027 a 1062 do processo o extenso pedido apresentado pela Recorrente perante o Poder Judiciário. Dele depreendese não só a coincidência de objeto, mas, ainda, a existência de outra ação, esta declaratória, na qual a parte menciona, inclusive, a recusa da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em apreciar o mérito na via administrativa. Na petição é citado o número deste processo, sendo que, ao final, requer. Caso assim não entendam, requer que recebam o presente recurso, e assim sendo, no mérito julguem totalmente procedente, em especial pelos motivos argüidos na impugnação, a conhecendo, perfazendo inclusive a oitiva de testemunhas e análise dos documentos apresentados, cancelando o auto de infração e consequentemente devolvendo com regular o CNPJ da empresa. Pareceme, assim, incontroverso haver concomitância de processos administrativo e judicial. A esse respeito, há súmula aprovada no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Superada essa questão, é preciso lançar um olhar mais cuidadoso em relação à ausência de intimação no Auto de Infração da empresa Smar Equipamentos Industriais Ltda, que a Fiscalização Federal assevera ser a real fabricante das mercadorias exportadas pela autuada como se de fabricação própria fossem. Alguns excertos da descrição dos fatos do Auto de Infração. Todas as notas fiscais de venda de produto relativas às exportações da empresa apresentadas constituemse de bens adquiridos da Smar Equipamentos Industriais LTDA., CNPJ 46.761.730/0001 06 (Anexo I). O contribuinte realizou a grande maioria de suas exportações declarandoas como sendo fabricação própria (Campo 22 do RE), porém, na realidade, tais mercadorias foram fabricadas pela empresa Smar Equipamentos Industriais LTDA., CNPJ 46.761.730/000106, como atesta a amostragem das notas fiscais de venda com a finalidade especifica de exportação anexas aos REs (Anexo I). Fl. 1200DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/06/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/12/2012 por RICARDO PAULO ROSA 8 Com efeito, ainda que a Recorrente não possa discutir o lançamento tributário em epígrafe na esfera administrativa, por força da opção pela via judicial, se a Fiscalização conclui que a Smar Equipamentos Industriais Ltda é responsável solidária nas operações de exportação, por certo ela mereceria ser notificada da exigência e, não havendo recorrido ao Poder Judiciário, deveria ter sua defesa apreciada nas duas instâncias administrativas; contudo, não me parece que seja o caso. Conforme se depreende das conclusões finais do Relatório de autuação, os AuditoresFiscais chegaram à derradeira conclusão de que não havia como identificar os verdadeiros responsáveis pelas operações de comércio exterior, não tendo sido feita nenhuma ressalva à essa constatação, se não vejamos. 4.1 Nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados em operações de comércio exterior. Por motivo de escassez de informações fornecidas pela autuada, não há como constatar se os ingressos ocorridos na empresa foram suficientes par suportar os dispêndios relativos as operações de comércio exterior, como detalhado na alínea "b" do item 3.2.2 e no item 3.2.3, tendo sido impossível reconstituir o fluxo financeiro da empresa pelos motivos já expostos, e verificar, ao final, a comprovação da origem da disponibilidade e transferência dos recursos empregados em operações de comércio exterior. [...] Além das irregularidades acima demonstradas, as informações prestadas pela autuada sobre os diversos adiantamentos recebidos de clientes para nacionalização de processos de importação, em resposta aos Termos de Intimação 010 e 011, indicam que a empresa utilizouse de capital de terceiros para promover as operações de comércio exterior por ela efetuadas, caracterizando assim suas operações como feitas por conta e ordem de terceiros, sem seu devido registro junto à SRF. Não houve explicação de onde vieram os adiantamentos, mas esta informação serve para se constatar, mais uma vez, que a empresa é financiada por capital de terceiros. Estes fatos também caracterizam a ocultação do verdadeiro responsável pelas operações de comércio exterior. Podese até dizer que, a teor do relato feito, a Fiscalização referiase apenas às operações de importação, já que menciona “adiantamentos”. Inobstante, o fato é que não há uma só afirmação no Relatório dando conta da formação de convicção da autoridade de que a empresa Smar seja solidária pelo crédito tributário constituído, restando essa atribuição ausente dos autos. Nestas condições, mesmo que a mim parecesse haver solidariedade, não haveria como reformar a leitura dos fatos determinada pelos AuditoresFiscais responsáveis pelo procedimento. Do que se depreende da autuação, a Fiscalização não considerou a empresa Smar Equipamentos Industriais Ltda parte responsável. Ante o exposto, considerando que a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto, VOTO POR NÃO CONHECER o Recurso Voluntário interposto pela empresa Vida Internacional Ltda. Sala de Sessões, 28 de novembro de 2012. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 1201DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/06/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/12/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10830.720310/200718 Acórdão n.º 3102001.693 S3C1T2 Fl. 6 9 Fl. 1202DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/06/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/12/2012 por RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 10980.000290/2003-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Apr 24 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3401-000.893
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, converter o presente julgamento em diligencia, nos termos do voto da relatora. Vencido o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira.
JULIO CESAR ALVES RAMOS - PRESIDENTE
ANGELA SARTORI RELATORA.
Nome do relator: ANGELA SARTORI
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Acordam os membros do colegiado, por maioria, converter o presente julgamento em diligencia, nos termos do voto da relatora. Vencido o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. JULIO CESAR ALVES RAMOS PRESIDENTE ANGELA SARTORI – RELATORA. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: JULIO CESAR ALVES RAMOS (Presidente), ROBSON JOSE BAYERL, JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA, ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, ANGELA SARTORI e BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA . RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .0 00 29 0/ 20 03 -1 8 Fl. 582DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10980.000290/200318 Resolução nº 3401000.893 S3C4T1 Fl. 6 2 RELATÓRIO 0 processo trata de diversas Declarações de Compensação (DCOMP), apresentadas em 14/01/2003 (fl. 01), 14/02/2003, 14/03/2003 e 15/04/2003 (fls. 61/63), com débitos da Cofins e créditos decorrentes do Processo Judicial n° 97.01017978, que discute o direito a créditos do IPI incidente sobre insumos empregados em produtos finais imunes, isentos ou com alíquota zero. Conforme o formulário CRÉDITOS DECORRENTES DE DECISÃO JUDICIAL entregue pela contribuinte, o total dos créditos soma R$ 39.400.000,00 (fl. 2). Em 25/07/2003 as DCOMP foram retificadas (fls. 64/72). A DRF em Curitiba/PR não homologou as compensações (fls. 84/86) e determinou, as fls. 90/91, o lançamento das multas de oficio isoladas no valor total de R$ 13.549.471,73 (objeto do Processo n ° 10980.007122/200426 apensado ao presente). Baseou sua decisão no fato de que a decisão judicial favorável a interessada transitou em julgado somente em 24/04/2003 (fl. 82), ao passo que as compensações foram efetuadas antes, como informado acima. As fls. 102/116 a interessada apresentou manifestação de inconformidade tempestiva onde, em suma, alegou que: o despacho decisório aplicou sem razão o art. 170A do CTN, que vedou a compensação, mediante o aproveitamento de tributo objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do transito em julgado da respectiva decisão judicial; as compensações requeridas foram expressamente autorizadas, tanto pelo juizo monocrático como pelo TRF da 2' Região, sendo a decisão do Tribunal se deu em 11/06/2001, quando se achava em pleno vigor o art. 170A do CTN, razão pela qual não tinha o Fisco o direito de negar a homologação requerida, pois as compensações encontravamse protegidas por decisão judicial; antes mesmo da restrição imposta pelo art. 170A do CTN, a decisão monocrática de abril de 2000 já lhe havia assegurado, mediante antecipação da tutela , o direito aos créditos do IPI, autorizando expressamente, a manutenção e eventual compensação desses créditos; o TRF da 2 região confirmou o direito aos créditos, mantendo inalterada a sentença de primeiro grau na parte relativa a compensação, conforme copia do processo judicial de fls. 26 a 45; Fl. 583DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10980.000290/200318 Resolução nº 3401000.893 S3C4T1 Fl. 7 3 o art. 170A do CTN não se aplicava ao presente caso, haja vista que o citado artigo somente vedou "a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial ...", diferentemente do que foi reconhecido judicialmente, ao decidir sobre um direito de crédito e não a "tributos contestados", como mencionado no dispositivo legal; e as compensações efetuadas, amparadas em medida judicial, não provocaram nenhum prejuízo ao Fisco, razão pela qual deviam ser integralmente acatadas. As fls. 64/80 do processo n° 10980.007122/200426, apenso, a interessada impugnou o lançamento das multas isoladas e arguiu em síntese que: o Auto de Infração era insubsistente porque a autuada além de ter se utilizado de créditos gerados anteriormente a publicação do citado art. 170A do CTN, para fins de compensação, esta também foi feita ao amparo e nos estritos termos da decisão judicial; compensou exclusivamente os valores até agora reconhecidos na Ação Ordinária n° 97.0101797, cuja tutela foi antecipada, autorizando o refazimento da escrita fiscal com o fim de registrar os créditos correspondentes, bem como a eventual compensação desses créditos; foram interpostas as apelações de ambas as partes e o TRF 2a Região rejeitou o apelo da União, reconhecendo integralmente o direito a compensação dos créditos em questão com tributos e contribuições de qualquer natureza (doc. fls. 14/32, do Processo n ° 10980.007122/200426, apenso); a multa aplicada, no percentual de 100% (sic) tinha caráter confiscatório, que era expressamente vedado pelo art. 150, IV, da Constituição Federal. A autoridade julgadora de primeira instancia julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade de fls. 102/116 e manteve na integralmente o lançamento das multas isoladas de fls. 57/59 do Processo n° 10980.007122/200426, apenso, em decisão assim ementada (doc. Ils. 178/186): "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 15/01/2003 a 15/04/2003 Ementa: COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. CRÉDITO DECORRENTE DE DECISÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. É ilegítima a compensação baseada em créditos do IPI, garantido em decisão judicial, antes do devido trânsito em julgado e não revestidos de certeza e liquidez. PROCESSO APENSADO. MULTA ISOLADA. Fl. 584DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10980.000290/200318 Resolução nº 3401000.893 S3C4T1 Fl. 8 4 A utilização de crédito, não passível de compensação por expressa disposição legal, justifica a exigência da multa isolada de 75%. Solicitação Indeferida" Inconformada, a interessada, as fls. 193/214, interpôs recurso voluntário tempestivo ao Segundo Conselho de Contribuintes, onde reeditou os argumentos anteriormente expendidos. Em 08/11/2005 a Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, levando em conta que as autoridades administrativas limitaramse a apreciar a existência do direito à compensação em face do disposto no art. 170A do CTN, sem examinar a existência e a conferência dos créditos autorizados pela sentença do referido processo, converteu o julgamento em diligência para que o órgão local (fl. 238) : Anexe ao processo cópia do inteiro teor da decisão judicial transitada em julgado que concedeu os créditos, nos termos do art, 37, da IN SRF no 210, de 2002, cuja data foi apenas informada, na fl. 2,como sendo 07/02/2002; Verifique o valor total dos créditos da recorrente, que devem ser calculados na forma determinada na Sentença do Processo Judicial n° 97.01017978 da 16" Vara da Justiça Federal no Rio de JaneiroRI; Informe se esses valores são suficientes para a compensação e extinção dos débitos tributários declarados pela recorrente nas DCOMP que trata o presente processo. Informação à fl. 391 da conta de que a Recorrente apresentou, além das DCOMP em formulário, uma série de DCOMP eletrônicas (relação destas consta à fl. 277). No curso da diligência foi apurado, na filial localizada em Piracicaba, um crédito que totaliza R$ 21.469.160,09 (valor com aplicação dos índices de correção da sentença, iguais aos do Fisco, e atualização ate março de 2004, conforme a fl. 436). A DRF em Curitiba, finalizando a diligência, concluiu: a DRJ em Jundiai não apurou créditos na filial 33.033.028/0023990, vez que o estabelecimento industrial se encontrava com as atividades encerradas; após glosas relativas A Nota Fiscal n° 2341, da empresa LIBRA, não contabilizada no Livro de Registro de Entradas, e As Notas Fiscais do 1° decêndio de janeiro de 1996 ao 1° decêndio de janeiro de 1997, cujos Livros de Registro de Entrada da filial Jundiai não foram apresentados, "Os créditos apurados são INSUFICIENTES para a compensação e extinção dos débitos deste processo"; antes de efetuar qualquer compensação com os débitos controlados neste processo, os créditos da contribuinte foram utilizados nas compensações de débitos das várias Fl. 585DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10980.000290/200318 Resolução nº 3401000.893 S3C4T1 Fl. 9 5 DCOMP eletrônicas apresentadas após o transito em julgado da ação judicial (ver o relatório "Ordem e data de compensação e valoração das DCOMP" e as DCOMP as fls. 458/491); como as DCOMP eletrônicas foram apresentadas após o trânsito em julgado, suas compensações devem preceder as demais, sendo que procedimento diverso implicaria em enriquecimento sem causa da contribuinte, vez que A época das Declarações de Compensação em papel, relativas não só a este processo, mas também ao de n° 10980.000292/200307 (com débito do PIS), o crédito ainda não existia, no estrito termo do art. 170A do CTN; os créditos apurados são insuficientes até para as compensações das DCOMP eletrônicas, como mostrado As fls. 456/457. Os autos foram encaminhados ao Conselho na mesma data do relatório da diligência (18/01/2011, fl. 494), sem informação de que a Recorrente tivesse sido cientificado ou não do seu resultado. Apesar disso, em 11/11/2011 o contribuinte solicitou ao CARF cópia integral deste processo e em 08/12/2011 o protocolou, no CARF, manifestação sobre o feito, onde alega basicamente o seguinte: localizou recentemente os Livros Registros de Entrada n°s 50 a 59, o que torna mais uma vez possível a verificação do montante total dos créditos do IPI relativos aos períodos de jan/96 a jan/97, pelo que requer nova diligência a complementar a realizada; em razão do volume e da quantidade dos documentos, superando 1000 páginas, tais livros encontramse a disposição das autoridades fiscais no estabelecimento matriz da Recorrente em Curitiba; o AuditorFiscal que realizou a diligência extrapolou seus limites, ao considerar que os créditos apurados devem ser inicialmente utilizados nas várias DCOMP eletrônicas apresentadas após o trânsito em julgado da ação judicial, e somente na extinção dos débitos controlados neste processo administrativo; a questão da legalidade das compensações antes do trânsito em julgado e da aplicação do art. 170A do CTN constituiu justamente objeto do Recurso Voluntário, não podendo o AuditorFiscal alterar a determinação da Resolução n° 20300.656 nem o próprio lançamento tributário, violando o art. 142 do CTN e, em face da decadência neste momento, o art. 150, § 4°, do mesmo Código, tampouco eleger arbitrariamente quais débitos seriam compensáveis, contrariando a decisão judicial no processo n°97.01017978; parte de seus créditos para compensar os débitos de Cofins em dezembro de /2002 e janeiro a março de 2003, cabendo, caso não fosse assim, aplicar o art. 112 do CTN; como no processo n° 10980.013136/200217 se discute as compensações dos mesmos créditos deste com débitos do PIS. O referido processo foi baixado em diligencia, novamente por esta turma cujo relatório concluiu: Fl. 586DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10980.000290/200318 Resolução nº 3401000.893 S3C4T1 Fl. 10 6 “Concluímos que os créditos apurados são INSUFICIENTES para a compensação e extinção dos débitos objeto deste processo. São insuficientes até para as compensações declaradas através das DCOMP eletrônicas como demonstrado através da Listagem de Créditos/Saldos Remanescentes (fls. 506 a 511) e da Listagem de Débitos/Saldos Remanescentes (fls.512/513).” O Recorrente apresentou sua manifestação alegando em síntese que: “Todavia, deveria o Sr. Auditor Fiscal terse limitado a averiguar a regularidade dos Livros Registros de Entrada de la's 50 a 59 da filial de Jundiaí e considerálos nos cálculos do crédito em questão, e não ter emitido qualquer juízo de valor sobre a suficiência ou não dos créditos de IPI, por não ser este o objeto da diligência, nem ser de sua competência tal análise.Assim, para que o escopo da diligência determinada pelo CARF seja efetivamente cumprido, averiguandose a totalidade do crédito de IPI reconhecido na Ação Judicial n. 97.01017978, a Recorrente requer, desde já, sua complementação, informando que se encontram A disposição da fiscalização os livros fiscais e demais documentos contábeis e fiscais necessários.” É o relatório. VOTO O Recurso segue os requisitos de admissibilidade por isto dele tomo conhecimento. A vista do pronunciamento da Recorrente descrito acima, o processo ainda não está em condições de ser julgado e carece seja realizada nova diligência, para averiguar a regularidade dos Livros Registros de Entrada e, considerálos nos cálculos do crédito em questão, que estão amparados no Processo Judicial n°97.01017978, além de complementação da diligência, para que sejam apurados os créditos de IPI gerados pelas filiais indicadas na planilha anexada pela Recorrente. Conforme acima narrado, afirma o recorrente que o crédito total de R$ 39.400.000,00, cuja existência foi reconhecida na Ação Judicial 97.01017978, que tramitou na 16ª Vara Federal do Rio de Janeiro não adveio apenas do crédito das filiais de Jundiaí de Piracicaba, mas também dos outros estabelecimentos que não foram objeto das diligências efetuadas, mas também dos seguintes estabelecimentos, fl. 849: ARACATI ARAGUARI CERQUEIRA CESAR CERQUEIRA CESAR ESCADA Fl. 587DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10980.000290/200318 Resolução nº 3401000.893 S3C4T1 Fl. 11 7 ITAPERUNA ITAPETINGA JARAGUÁ DO SUL PEDREIRA PETRÓPOLIS RECIFE CEQUEIRENSE (Incorporada) Destaquese que as únicas empresas que foram objeto de diligência foram as de Jundiaí e Piracicaba. Diante desse cenário, entendo que este processo deva ser convertido em diligência nos mesmos termos da resolução n. 20300.656, no entanto, para abarcar também, as empresas filiais relacionadas na fl. 849 dos autos, para apuração do crédito reconhecido na ação judicial. Diante do exposto, reitero a necessidade de complementação da diligência, para que sejam apurados o montante total dos créditos de IPI gerados pelas filiais indicadas na planilha anexada pelo contribuinte. Que seja intimado o contribuinte para se manifestar em 30 dias, após que os autos retornem a esta Turma para julgamento. É como voto. Fl. 588DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 15374.000066/2005-41
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 08/07/1987 a 28/10/1988
QUOTAS DE CONTRIBUIÇÃO SOBRE EXPORTAÇÕES DE CAFÉ. ART. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. 5 (CINCO) ANOS PARA HOMOLOGAR (ARTIGO 150, §4º DO CTN) MAIS 5 (CINCO) ANOS PARA PROTOCOLAR O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO (ARTIGO 168, I DO CTN). IRRETROATIVIDADE DA LC 118/2005.
Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em recurso especial repetitivo. Com efeito, cabe a aplicação simultânea dos entendimentos proferidos pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele proferido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932. Nesse sentido, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, será, para os pedidos de compensação protocolados antes da vigência da Lei Complementar 118/2005, ou seja, antes do dia 09/06/2005, o de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, §4º, do CTN somado ao de 5 (cinco) anos previsto no artigo 168, I, desse mesmo código. Assim, inequívoco que o direito do contribuinte pleitear, em 18/01/2005, restituição/compensação dos valores recolhidos a título de quota café relativo ao período de julho de 1987 a outubro de 1988 encontra-se prescrito.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-002.933
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso especial e, no mérito, dar-lhe provimento.
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente Substituto
Júlio César Alves Ramos - Redator para o acórdão.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente Substituto à época do julgamento).
Este recurso especial foi julgado em sessão de junho do ano passado, sob relatoria da Conselheira Nanci Gama, que, após apresentar o relatório e o voto à Secretaria, viu-se obrigada a renunciar ao mandato em face das novas disposições regimentais, antes de poder assiná-lo. Designou-me por isso o Presidente da CSRF para sua redação, o que faço adotando Relatório, Voto e ementa preparados por ela, que reproduzo.
Nome do relator: NANCI GAMA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 08/07/1987 a 28/10/1988 QUOTAS DE CONTRIBUIÇÃO SOBRE EXPORTAÇÕES DE CAFÉ. ART. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. 5 (CINCO) ANOS PARA HOMOLOGAR (ARTIGO 150, §4º DO CTN) MAIS 5 (CINCO) ANOS PARA PROTOCOLAR O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO (ARTIGO 168, I DO CTN). IRRETROATIVIDADE DA LC 118/2005. Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em recurso especial repetitivo. Com efeito, cabe a aplicação simultânea dos entendimentos proferidos pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele proferido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932. Nesse sentido, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, será, para os pedidos de compensação protocolados antes da vigência da Lei Complementar 118/2005, ou seja, antes do dia 09/06/2005, o de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, §4º, do CTN somado ao de 5 (cinco) anos previsto no artigo 168, I, desse mesmo código. Assim, inequívoco que o direito do contribuinte pleitear, em 18/01/2005, restituição/compensação dos valores recolhidos a título de quota café relativo ao período de julho de 1987 a outubro de 1988 encontra-se prescrito. Recurso Especial do Procurador Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso especial e, no mérito, dar-lhe provimento. Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente Substituto Júlio César Alves Ramos - Redator para o acórdão. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente Substituto à época do julgamento). Este recurso especial foi julgado em sessão de junho do ano passado, sob relatoria da Conselheira Nanci Gama, que, após apresentar o relatório e o voto à Secretaria, viu-se obrigada a renunciar ao mandato em face das novas disposições regimentais, antes de poder assiná-lo. Designou-me por isso o Presidente da CSRF para sua redação, o que faço adotando Relatório, Voto e ementa preparados por ela, que reproduzo.
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ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. 5 (CINCO) ANOS PARA HOMOLOGAR (ARTIGO 150, §4º DO CTN) MAIS 5 (CINCO) ANOS PARA PROTOCOLAR O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO (ARTIGO 168, I DO CTN). IRRETROATIVIDADE DA LC 118/2005. Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em recurso especial repetitivo. Com efeito, cabe a aplicação simultânea dos entendimentos proferidos pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele proferido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932. Nesse sentido, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, será, para os pedidos de compensação protocolados antes da vigência da Lei Complementar 118/2005, ou seja, antes do dia 09/06/2005, o de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, §4º, do CTN somado ao de 5 (cinco) anos previsto no artigo 168, I, desse mesmo código. Assim, inequívoco que o direito do contribuinte pleitear, em 18/01/2005, restituição/compensação dos valores recolhidos a título de quota café relativo ao período de julho de 1987 a outubro de 1988 encontrase prescrito. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso especial e, no mérito, darlhe provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 00 00 66 /2 00 5- 41 Fl. 829DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/09/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/09/2015 por JULIO CESAR ALVES RA MOS Processo nº 15374.000066/200541 Acórdão n.º 9303002.933 CSRFT3 Fl. 830 2 Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente Substituto Júlio César Alves Ramos Redator para o acórdão. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente Substituto à época do julgamento). Este recurso especial foi julgado em sessão de junho do ano passado, sob relatoria da Conselheira Nanci Gama, que, após apresentar o relatório e o voto à Secretaria, viuse obrigada a renunciar ao mandato em face das novas disposições regimentais, antes de poder assinálo. Designoume por isso o Presidente da CSRF para sua redação, o que faço adotando Relatório, Voto e ementa preparados por ela, que reproduzo. Relatório Assim relatou o processo a dra. Nanci: Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional com fundamento no artigo 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, em face ao acórdão de nº 3101 00.244, o qual, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário para entender que o prazo decadencial de 5 (cinco) anos para o contribuinte pleitear restituição dos valores relativos a quotas de contribuição sobre exportações de café deve ser contado a partir da data de publicação da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004. conforme ementa a seguir: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 08/07/1987 a 28/10/1988 Quotas de contribuição sobre exportações de café recolhidas ao IBC. Restituição. Decadência. O direito à restituição de indébitos decai em cinco anos. Nas restituições de quotas de contribuição sobre exportações de café recolhidas ao IBC, o dies a quo para aferição da decadência é 30 de dezembro de 2004, data da publicação da Lei 11.051, sancionada em 29 de dezembro de 2004. Processo administrativo fiscal. Julgamento em duas instâncias. Fl. 830DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/09/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/09/2015 por JULIO CESAR ALVES RA MOS Processo nº 15374.000066/200541 Acórdão n.º 9303002.933 CSRFT3 Fl. 831 3 É direito do contribuinte submeter o exame da matéria litigiosa às duas instâncias administrativas. Forçosa é a devolução dos autos para apreciação das demais razões de mérito pelo órgão julgador a quo quando superada, no órgão julgador adquem, prejudicial que fundamentava o julgamento de primeira instância. Rejeitada prejudicial de decadência e não conhecidas as demais razões de mérito devolvidas ao órgão julgador a quo para correção de instância. Recurso Voluntário Provido em Parte.” Inconformada, a Fazenda Nacional, com apoio em decisões da CSRF, interpôs recurso especial de divergência alegando, em síntese, que, ao contrário do entendido pelo acórdão a quo, o prazo para o contribuinte pleitear restituição é de 5 (cinco) anos contados a partir da data da extinção do crédito tributário, conforme dispõem os artigos 165, inciso I e 168, caput e inciso I, ambos do CTN. Dessa forma, sustenta a Fazenda Nacional que na data em que o contribuinte pleiteou sua restituição, ou seja, em 18/01/2005, o seu direito de restituir os créditos tributários em causa encontra se prescrito. Em despacho de fls773 a7751. Presidente da Terceira Seção de Julgamento do CARF deu seguimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Regularmente intimado, o contribuinte apresentou suas contra razões às fls. 784 a 739 impugnando o cabimento do recurso especial da Fazenda Nacional por intempestivo e por ausência de similitude entre o acórdão recorrido e os indicados como paradigma e no mais que fosse integralmente mantido o acórdão a quo. É o relatório. 1 Todas as referências às folhas do processo dizem respeito à numeração atribuída digitalmente Voto E estas as considerações que expendeu e que acompanhamos por unanimidade: Conselheira Nanci Gama, Relatora Passo examinar em primeiro lugar a alegada intempestividade do apelo especial da Fazenda Nacional suscitado pelo contribuinte. Fl. 831DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/09/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/09/2015 por JULIO CESAR ALVES RA MOS Processo nº 15374.000066/200541 Acórdão n.º 9303002.933 CSRFT3 Fl. 832 4 De fato, verificase nos autos às fls 705 apontada pelo contribuinte que o processo foi recebido pela Procuradoria da Fazenda Nacional em 11 de fevereiro de 2010 e o recurso foi protocolizado em 08 de março de 2010. Todavia, consta também que a ciência pessoal do acórdão pelo Procurador responsável ocorreu em 05 de março de 2010. De acordo com o artigo 23, §§ 7º, 8º e 9º, do Decreto 70.235, com redação dada pela Lei 11.457/07, os Procuradores serão intimados pessoalmente e serão considerados intimados das decisões para o inicio da contagem do prazo com o término do prazo de 30 (trinta) dias a contar do recebimento dos respectivos autos na Procuradoria. Logo, considerando que a data da entrega dos autos na Procuradoria ocorreu em 11/02/2010, a ciência foi anotada em 05 de março de 2010, ou seja, antes do decurso de 30 (trinta) dias de que trata o parágrafo 9º do artigo 23 do Decreto 70235, tempestivo o recurso em exame eis que protocolizado em 08 de março de 2010. Suscita também o contribuinte que não restou demonstrado o requisito da divergência pelo Recorrente necessária a embasar o cabimento de seu recurso. Como anteriormente mencionado, o recurso da Fazenda Nacional consiste em refutar o entendimento do acórdão recorrido de que o prazo de 5 (cinco) anos para o contribuinte pleitear a restituição dos valores relativos a quotas de contribuição sobre exportações de café deve ser contado a partir da data de publicação da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004. Os acórdãos citados como paradigmas ostentam as seguintes ementas: “ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES. Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992. FINSOCIAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. O dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se complete o qüinqüênio legal, contado a partir daquela data. Recurso Especial do Procurador Provido.” “PEDIDO DE RESTITUIÇÃO — ILL •• 0 direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento a inconstitucionalidade ou simples erro (art.165, incisos I e 11 , e 168, inciso 1, do CTN, e entendimento do Superior Tribunal de Justiça). Fl. 832DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/09/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/09/2015 por JULIO CESAR ALVES RA MOS Processo nº 15374.000066/200541 Acórdão n.º 9303002.933 CSRFT3 Fl. 833 5 Recurso Especial do Procurador Provido” A meu ver a divergência encontrase demonstrada. O fato de se tratarem de tributos distintos do questionado no presente processo não implica em rejeitar a admissibilidade do recurso, eis o que se confronta é o critério empregado pelo julgador na contagem do prazo qüinqüenal e este resta demonstrado. Dessa forma, conheço o recurso especial da Fazenda Nacional. Considerando que segundo o artigo 62A2 do atual Regimento Interno do CARF, qual seja, o aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, esta Corte Administrativa deve reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, mister se faz que esta Relatora reproduza integralmente o teor do julgamento do Recurso Extraordinário de nº 566.621, o qual foi realizado na Sessão Plenária de 04/08/2011, no sentido de entender que a Lei Complementar 118/2005 se tratou de lei nova e não de lei interpretativa, cabendo a sua aplicação tão somente a partir de 09/06/2005, ou seja, apenas a partir da vacacio legis de 120 dias somada à data da sua publicação dada em 09/02/2005. Entendeu aludida decisão, ainda, que o prazo para repetição ou compensação de indébitos relativos a tributos sujeitos a lançamento por homologação, anteriormente à vigência de aludida Lei Complementar, deveria ser de 10 (dez) anos contados a partir do fato gerador, tendo em vista a aplicação do prazo de 5 (cinco) anos previsto nos artigos 150, §4º c/c 156, VII somado ao de 5 (cinco) anos previsto no artigo 168, I do CTN, conforme se tratava do entendimento do STJ respaldado no julgamento do recurso especial repetitivo de nº 1.002.932. O acórdão do STF restou assim ementado: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. 2 “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Fl. 833DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/09/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/09/2015 por JULIO CESAR ALVES RA MOS Processo nº 15374.000066/200541 Acórdão n.º 9303002.933 CSRFT3 Fl. 834 6 A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” Assim, em que pese o entendimento pessoal dessa Relatora acerca da inaplicabilidade da tese dos 5 (cinco) anos para homologar (artigo 150,§4º do CTN) mais 5 (cinco) anos, a partir dessa homologação, para pleitear restituição (artigo 168, I do CTN), cumulandose num prazo de 10 (dez) anos contados a partir do fato gerador, mister se faz, por força do atual Regimento Interno do CARF, que a mesma a reproduza integralmente, tendo em vista que se tratou do objeto de decisão Fl. 834DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/09/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/09/2015 por JULIO CESAR ALVES RA MOS Processo nº 15374.000066/200541 Acórdão n.º 9303002.933 CSRFT3 Fl. 835 7 repetitiva do Superior Tribunal de Justiça e que o PIS se trata de tributo sujeito a lançamento por homologação. Sendo certo que o contribuinte protocolou seus pedidos de restituição/compensação no dia em 18/01/2005, restituição/compensação dos valores recolhidos a título de quota café relativo ao período de julho de 1987 a outubro de 1988 encontrase prescrito. Em face do exposto, conheço do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, voto no sentido de dar –lhe provimento. Nanci Gama Esse o acórdão que me coube redigir. CONSELHEIRO JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Redator para o acórdão Fl. 835DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/09/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/09/2015 por JULIO CESAR ALVES RA MOS
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Numero do processo: 15504.020058/2009-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu May 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2004 a 31/12/2005
RECURSO VOLUNTÁRIO QUE NÃO ATACA AS RAZÕES DA DECISÃO DA DRJ.
Nos termos do parágrafo único do art. 42, do Decreto 70.235/72, é definitiva a decisão de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2402-004.660
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espindola Reis, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2004 a 31/12/2005 RECURSO VOLUNTÁRIO QUE NÃO ATACA AS RAZÕES DA DECISÃO DA DRJ. Nos termos do parágrafo único do art. 42, do Decreto 70.235/72, é definitiva a decisão de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2004 a 31/12/2005 RECURSO VOLUNTÁRIO QUE NÃO ATACA AS RAZÕES DA DECISÃO DA DRJ. Nos termos do parágrafo único do art. 42, do Decreto 70.235/72, é definitiva a decisão de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 02 00 58 /2 00 9- 12 Fl. 158DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. Julio César Vieira Gomes Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espindola Reis, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 15504.020058/200912 Acórdão n.º 2402004.660 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de auto de infração constituído em 22/12/2009 (fl. 2) para exigência de contribuições previdenciárias correspondentes à cota patronal, nos períodos de 06/2004 a 12/2005. O Recorrente apresentou Impugnação (fls. 77/97) requerendo o cancelamento da autuação ante a sua insubsistência. Em 08/04/2010 (fls. 99/100) o Recorrente foi intimado pela DRFBHE SecatEqprofB a apresentar, no prazo de cinco dias, procuração outorgada pelos representantes da empresa ao advogado subscritor da impugnação, cópia do documento de identidade do procurador e cópias dos documentos de identidade dos representantes da empresa. Em 13/04/2010, o Recorrente apresentou a procuração outorgada ao advogado subscritor da Impugnação (fls. 101/102). A DRJ de Belo Horizonte/MG não conheceu da Impugnação apresentada, sob os seguintes fundamentos: (i) não existe nos autos elementos que permitam identificar se o signatário da impugnação é, de fato, a pessoa a quem foi outorgado poderes por meio da procuração apresentada; (ii) nos termos do art. 40 da Lei n° 9.784/99, o não atendimento a pedido de regularização de pendência existente em processo importa em não conhecimento do pedido formulado; (iii) a Portaria SRF n° 1.095, de 06 de julho de 2000, determina em seu art. 1° e no módulo “IMPUGNAÇÃO DE LANÇAMENTO” ser obrigatória a apresentação de documento que comprove a assinatura do outorgado; (iv) o contribuinte foi intimado para apresentar cópia dos documentos dos procuradores; (v) nos termos do art. 13, da Lei n° 8.906/94 (Estatuto da Advocacia e OAB), o documento de identidade profissional é de uso obrigatório; (vi) a ausência de documentação importa em não conhecimento da Impugnação apresentada, e, por consequência, não instaura o litígio na instância administrativa, conforme art. 14 do Decreto n° 70.235/72. Intimado da decisão em 09/02/2011 (fl. 114), o Recorrente apresentou Recurso Voluntário em 11/03/2011 (fls. 115/134), argumentando: (i) a ausência de fundamentação legal da multa aplicada; (ii) que os valores pagos a título de aviso prévio e abono de férias não integram o conceito legal de salário, motivo pelo qual não devem ser incluídos na base de cálculo das contribuições previdenciárias; (iii) a inconstitucionalidade do salárioeducação, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE; (iv) a ausência de corresponsabilidade dos sócios, em vista do art. 135, III, do CTN; e (v) a ilegalidade dos juros SELIC como índice de atualização de créditos tributários. É o relatório. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 4 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo, porém não atende a todos os requisitos de admissibilidade, não devendo ser conhecido. A decisão de primeira instância deixou de conhecer a Impugnação apresentada no processo, ante a irregularidade de representação da parte, visto que não foi juntando documento de identificação dos subscritores da procuração e da Impugnação. Referida decisão e os documentos do processo não deixam dúvidas de que o contribuinte foi intimado para regularizar tal pendência. No recurso voluntário, o Recorrente deixa de apresentar argumentos com o objetivo de ver reformada a referida decisão, alegando apenas questões atinentes aos débitos exigidos que sequer foram analisadas pela d. DRJ (ante o não conhecimento da impugnação quando do julgamento de 1ª instância). Ou seja, o Recorrente discorre nas razões do seu recurso acerca da legalidade do lançamento, mas não recorre das razões que levaram a DRJ a não conhecer da impugnação apresentada. Sendo assim, independentemente do entendimento deste Relator acerca das razões que levaram a r. decisão de primeiro grau a não conhecer da impugnação apresentada, por deficiência na representação processual, não há como deixar de observar o parágrafo único do art. 42, do Decreto nº 70.235/72, que assim dispõe: Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; III de instância especial. Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício. Nos termos do artigo acima, temse que são definitivas as decisões de primeiro grau na parte em que não forem objeto de recurso voluntário. Levando em conta que a r. decisão recorrida dispôs apenas sobre o não conhecimento do recurso ante a deficiência da representação processual, e não tendo o Recorrente atacado, ao menos, tal fundamentação, tornouse definitiva a decisão que não conheceu da impugnação. Vale mencionar que a decisão da d. DRJ, ao não conhecer da impugnação, manteve, consequentemente, a integralidade dos débitos exigidos. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 15504.020058/200912 Acórdão n.º 2402004.660 S2C4T2 Fl. 4 5 Desta forma, sendo a decisão da d. DRJ definitiva, os débitos ora exigidos permanecem devidos. Diante do exposto, voto pelo NÃO CONHECIMENTO do recurso. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES
score : 1.0
Numero do processo: 15374.721407/2008-69
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 21 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 03/11/1989 a 20/04/1992
COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. DIREITO RECONHECIDO EM AÇÃO JUDICIAL. PROVA NECESSÁRIA PARA A APURAÇÃO.
Não se configura a homologação tácita se a decisão que recusa homologação à compensação é notificada ao contribuinte antes do decurso de 5 (cinco) anos contados da apresentação da declaração de compensação.
Reconhecido o direito no âmbito judicial, permanece a necessidade da apuração de seu quantum, o que depende da demonstração por parte do contribuinte, por meio de demonstrativos e provas. Não se realizando tal demonstração, deve ser negada a compensação.
Recurso negado.
Numero da decisão: 3403-003.273
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Ivan Allegretti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. DIREITO RECONHECIDO EM AÇÃO JUDICIAL. PROVA NECESSÁRIA PARA A APURAÇÃO. Não se configura a homologação tácita se a decisão que recusa homologação à compensação é notificada ao contribuinte antes do decurso de 5 (cinco) anos contados da apresentação da declaração de compensação. Reconhecido o direito no âmbito judicial, permanece a necessidade da apuração de seu quantum, o que depende da demonstração por parte do contribuinte, por meio de demonstrativos e provas. Não se realizando tal demonstração, deve ser negada a compensação. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 72 14 07 /2 00 8- 69 Fl. 224DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Relatório Para a descrição dos fatos transcrevo abaixo o relatório elaborado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II/RJ (DRJ): Tratase de Compensação Eletro nica nãohomologada, efetuada mediante DCOMP n°:16725.52034.111203.1.3.543670 (fls. 04/38), DCOMP no 02888.96059.270804.1.3.548060 (fls. 52/86) e DCOMP no 13455.68475.310804.1.3.541403 (87/121), recepcionadas pela RFB em 11/12/2003, 27/08/2004 e 31/08/2004, respectivamente, de débitos de PIS, Cofins, IRPJ e IRRF, com crédito oriundo de ação judicial (no 93.0009540 4), a título de Finsocial, tudo conforme se verifica nas cópias das PerdComp constantes dos autos. A autoridade fiscal decidiu (fl. 138) não homologar a compensação efetuada, com base no Parecer Conclusivo no 354/08, fls. 134/136, que informou ter sido o contribuinte intimado para apresentar as informações necessárias ao cálculo do alegado crédito, mas “decorrido o prazo de trinta dias, conforme Aviso de Recebimento de fls. 49, foi manifestado a impossibilidade de apuração de forma precisa do saldo credor de FINSOCIAL alegada pela empresa junto ao Poder Judiciário”. Cientificada da decisão (fl. 145), em 16/09/08, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 146/153), alegando em resumo que: • os supostos créditos tributários do presente processo devem ter sua exigibilidade suspensa até decisão final, conforme inciso III, do art. 151 do CTN; • as compensações foram efetuadas nos anos de 2001, 2002 e início de 2003, vinculadas ao processo administrativo 10768.014660/200149, assim, os cred́itos respectivos estão prescritos, pois as declarações devem ser consideradas homologadas, decorrido prazo superior a cinco anos da data da entrega das DCOMP; • além do crédito autorizado a ser compensado por decisão judicial transitada em julgado nos Autos do processo número 93.0009540 4, tambeḿ foi utilizado na compensação crédito oriundo de pagamentos a maior relativo ao PIS, parte reconhecido por decisão administrativa, parte reconhecido por ordem judicial; • não po de exercer o seu direito ao contraditório e ampla defesa frente a cobrança assentada no processo administrativo número 10768014660/200149; • em 2008 fora instaurado um novo processo administrativo, no 15374721.407/200869, para sede do qual foram transferidos todos os valores contidos no processo no 10768014660/200149, produzindose, daí, restrição à liberação de nova certidão conjunta positiva com efeitos de negativa; Fl. 225DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15374.721407/200869 Acórdão n.º 3403003.273 S3C4T3 Fl. 225 3 • cabe ressaltar que serão juntados, antes do julgamento deste recurso em Primeira Insta ncia, documentos que vão comprovar não só os pagamentos(DARF's) dos tributos que geraram os créditos tributários pertinentes, como também cópias dos "pedido de compensação", aleḿ de planilhas inerentes a ditos créditos, e outros. A contribuinte pede que: 1. que seja acatada a preliminar versando sobre a prescrição dos lançamentos em causa para efeito de tornálos nulos, dado que ultrapassado o prazo de 5(cinco) anos para homologação das compensações em período anterior ao qu inqu e nio implementadas, 2. ou, que seja, após exame da documentação a ser oportunamente apresentada, declarados nulos os lançamentos em causa, de imediato, entretanto, aplicado o devido efeito suspensivo a este recurso, com mantença desse efeito até decisão final. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ, por meio Acórdão nº 1339.766, de 9 de fevereiro de 2012 (fl. 200/205), em razão do seguinte entendimento: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 03/11/1989 a 20/04/1992 Declaração de Compensação. Decisão no Prazo de Cinco Anos. Homologação Tácita vedada. Não há homologação tácita de compensação declarada (PerdComp) objeto de despacho decisório proferido e cientificado o sujeito passivo no prazo de cinco anos, contado da data do seu protocolo. Prova. Momento. Preclusão. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazelo em outro momento processual, exceto quando justificado por motivo legalmente previsto. Matéria não Impugnada. Na forma em que dispõem as normas regulatórias do Processo Administrativo Fiscal, considerarseá não impugnada a mateŕia que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 212/219), no qual reitera os mesmos fundamentos de sua manifestação de inconformidade, repisando que se saiu vencedora nas ações judiciais que lhe reconheceram o direito de crédito, tendolhe sido autorizada a Fl. 226DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 compensação de créditos do Finsocial e PIS, argumentando, ademais, que “quanto ao fato de ter sido alegado que a Recorrente não havia juntado qualquer prova quanto às alegações iniciai, não se trata de fator preponderante para deslinde do caso, haja vista que tal alegação havia sido feita sob impressão de que faltara juntar nos autos documentos inerentes aos pagamentos de FINSOCIAL e do PIS, porém, na medida em que tais pagamento alegados não foram, em sede administrativa, contestados – porque efetivamente pagos, conforme comprovantes nos autos – ficou entendido que não havia mais provas a produzir até o julgamento da questão em Primeira Instância” (fl. 219). É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator O recurso voluntário foi interposto em 25/06/2012 (fls. 220 e 222), dentro do prazo de 30 dias contados da notificação do acórdão da DRJ, ocorrida em 12/06/2012 (fl. 209) Por ser tempestivo e conter fundamentos de reforma ao acórdão da DRJ, conheço do recurso. Quanto à alegação do recorrente de homologação tácita das compensações, deve ser tida por improcedente. A homologação tácita é prevista no art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430/96, o qual dispõe que “O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação”. Conforme esclarece a DRJ, as declarações de compensação em análise no presente caso concreto foram transmitidas em 11/12/2003, 27/08/2004 e 31/08/2004, e a notificação da decisão que recusou a homologação às compensações ocorreu em 16/09/2008, portanto, dentro do prazo de 5 anos. Não se configurou a homologação tácita, tendo sido tempestivamente recusada a homologação da compensação. Também deve ser mantido o entendimento da DRJ quanto à inviabilidade de reconhecer o direito de crédito ao contribuinte em razão da falta de demonstração do indébito. A existência de decisão judicial favorável ao contribuinte, com trânsito em julgado, amparo apenas o direito abstratamente considerado, o qual, no entanto, fica a depender de apuração concreta quanto aos seus exatos valores, o que tem de passar por levantamento realizado pela Fiscalização. Ou seja, é indispensável que o contribuinte demonstre a apuração concreta do indébito, bem como apresente todas as provas necessárias para tanto, o que, no entanto, não ocorreu no caso. Conforme frisa a DRJ, o recorrente deixou de apresentar tais provas e tal demonstração não apenas para a Fiscalização – na fase procedimental de análise da compensação –, como também deixou de fazer tal juntada de provas quando da apresentação Fl. 227DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15374.721407/200869 Acórdão n.º 3403003.273 S3C4T3 Fl. 226 5 da manifestação de inconformidade – já na fase litigiosa –, de maneira que restou preclusa a possibilidade de fazêlo, conforme o disposto no art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72 (Processo Administrativo Fiscal – PAF). Voto, pois, por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Fl. 228DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10283.002270/2010-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jun 29 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3202-000.363
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Paulo Henrique Brasil de Carvalho, OAB/SP nº. 114.908.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Charles Mayer de Castro Souza - Relator ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1972; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 1.371 1 1.370 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.002270/201060 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3202000.363 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 20 de março de 2014 Assunto DILIGÊNCIA Recorrente ENVISION INDUSTRIA DE PRODUTOS ELETRONICOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Paulo Henrique Brasil de Carvalho, OAB/SP nº. 114.908. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Charles Mayer de Castro Souza Relator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório Por bem narrar o histórico do caso dos autos até o acórdão recorrido, transcrevo o relatório da DRJ: Tratase de Auto de Infração (fls. 01 a 52), decorrente da inexistência, no campo próprio das notas fiscais de fl. 68 a 857, da data de saída da mercadoria, motivo pelo qual foi considerado inidôneo o documento. A descrição dos fatos e enquadramento legal encontramse às fls. 06/38. Cientificada em 27.04.2010, a empresa acima identificada apresentou, tempestivamente, em 26.05.2010, impugnação na qual alega que: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 83 .0 02 27 0/ 20 10 -6 0 Fl. 1371DF CARF MF Impresso em 29/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 28/06/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10283.002270/201060 Resolução nº 3202000.363 S3C2T2 Fl. 1.372 2 a) A ausência da aposição da data de saída das mercadoria nas notas fiscais, mesmo que 'tal .procedimento não encontrasse amparo legal algum, jamais causaria qualquer dano ao erário, jamais poderia propiciar qualquer vantagem à impugnante em detrimento do Fisco, ao contrário, sendo as mercadorias isentas de IPI, a falta de aposição das datas de saída das mercadorias seria inócua, 'em termos de apuração de imposto. b) A aposição da data de saída das mercadorias nas notas fiscais consiste em mera obrigação acessória, mero formalismo, que por si só, jamais poderia acarretar na inidoneidade dos documentos fiscais, muito menos a aplicação da milionária penalidadeobjeto do presente auto, sendo este, destarte, o entendimento do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. c) Fosse cabível a punição aplicada à impugnante, de modo algum teria ela sido proporcional e razoável, ao passo que trata de maneira linear situações absolutamente diferentes, aplica penalidade prevista para o resguardo dos interesses da Fazenda Pública, quando dano algum foi causado ao erário e vantagem alguma obtida pelo contribuinte. d) A Secretária de Estado da fazenda do Estado do Amazonas, através dos Atos Declaratórios n° 363/2006, 164/2008, 044/2007 e 004/2008, concedeu à impugnante Regime Especial nas operações de remessa de mercadorias para armazéns gerais, autorizando a impugnante a efetuar operação com os armazéns TRANSEICH ARMAZENS GERAIS LTDA E LIBRAPORT CAMPINAS S/A (onde foram apreendidas as notas fiscais emitidas pela impugnante, objeto da presente autuação) e) Tais regimes especiais versam sobre a possibilidade da impugnante manter dentro dos armazéns gerais formulários contínuos destinados à impressão de notas fiscais, por meio de sistema eletrônico, bem como emitir referidas notas dentro dos armazéns, por ocasião da venda dos produtos lá armazenados aos seus clientes. Í) Os regimes especiais concedidos à impugnante determinam expressamente que, na hipótese da ocorrência de diferença do preço entre o valor da mercadoria remetida para depósito em armazém geral e o valor da transmissão (venda) da mercadoria depositada a outro estabelecimento, fosse emitida uma nota fiscal complementar à nota fiscal de remessa para depósito em armazém geral, fazendo constar nesta nota fiscal a indicação da nota fiscal que acobertou a saída das mercadorias. g) As notas fiscais apreendidas pela fiscalização, supostamente inidôneas pela falta de aposição das datas de saída das mercadorias, constituemse notas fiscais complementares e/ou de remessas simbólicas de mercadorias emitidas em decorrência do procedimento determinado pelo Estado do Amazonas, nos regimes especiais concedidos à impugnante. h) Por ocasião da emissão da nota fiscal complementar não existe a remessa física da mercadorias, posto que as mesmas foram enviadas anteriormente ao annazém geral, inexistindo, assim, qualquer Fl. 1372DF CARF MF Impresso em 29/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 28/06/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10283.002270/201060 Resolução nº 3202000.363 S3C2T2 Fl. 1.373 3 necessidade da aposição da data de saída das mercadorias ou qualquer irregularidade na não aposição. i) outra parcela relevante das notas fiscais objeto do presente auto de infração, onde foi constatada a inexistência da aposição da data de saída das mercadorias referemse as notas fiscais de remessa simbólica para armazenagem, onde, igualmente, inexiste remessa ñsica de mercadorias, que já se encontrariam fisicamente nos armazéns gerais. j) A nota fiscal n° 475 série 08, no valor de R$1.736.l 12,00, que acarretou na aplicação de multa no valor de R$ 195.312,60, encontras em duplicidade; As notas fiscais 2215 série 10 e 200 série 10, respectivamente nos valores R$926.427,16 e R$ 630.54,00, que ensejaram a aplicação de multas de valores respectivos equivalentes a R$ 104.223,06 e 70.93 6,20 inexistem. k) A nota fiscal 700 série 09 tratase da quarta via de nota, onde obviamente, não consta a data de saída das mercadorias; relativamente a nota fiscal 468. série 08, o. fiscal se equivocou ao lançar o valor de RS 862.477,00, quando na realidade, o valor da mesma é de R$ 865.477,00, incorrendo o fiscal novamente em inequívoco erro material. Em face de tais alegações, requer que seja reconhecida a improcedência do lançamento, e na hipótese, da turma entender que carecem de maiores investigações, a fim de que fique devidamente comprovado tais fatos, requer a impugnante a realização de PERÍCIA, para o fim específico de comprovação dos pontos antes mencionados. › Apreciando a impugnação, a DRJ a julgou parcialmente procedente,. para excluir a infração em relação à nota fiscal n° 475 série 08, no valor de R$1.736.l 12,00, por ter constatado duplicidade, e em relação às notas fiscais 2215 série 10 e 200 série 10, respectivamente nos valores R$926.427,16 e R$ 630.54,00, pois se constatou que estas últimas inexistem. É o que resume a ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2010 NOTA FISCAL. OMISSÃO DA DATA DE SAÍDA NO CAMPO PRÓPRIO. PRODUTOS ISENTOS. ZONA FRANCA DE MANAUS. A falta de indicação da data da saída dos produtos do estabelecimento na nota fiscal, tal como exigido no art. 339, I, t, do Ripi/2002, toma o documento fiscal inidôneo, dando ensejo à aplicação da multa ao emitente no valor de 75% do imposto que seria devido, em se tratando de mercadoria isenta. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte. Diante da manutenção do crédito tributário, a empresa interpôs recurso voluntário, reiterando seus argumentos constantes na impugnação. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Fl. 1373DF CARF MF Impresso em 29/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 28/06/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10283.002270/201060 Resolução nº 3202000.363 S3C2T2 Fl. 1.374 4 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator ad hoc. Com fundamento no art. 17, III, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF1, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, incumbiume a Presidente da Turma a formalizar o presente acórdão, cujo relator original, Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, não integra mais nenhum dos colegiados do CARF. Desta forma, a elaboração deste voto deve refletir a posição adotada pelo relator original, que, embora não mais integre os colegiados do CARF, apresentou a minuta do voto na sessão de julgamento, que será adotada na presente formalização. Assim, passase a transcrever, a seguir, o voto que consta da minuta apresentada: O recurso voluntário é tempestivo e merece ser apreciado. Tratase de auto de infração que comina multa, no percentual de 75% do IPI que seria devido se as mercadorias não fossem isentas, com fundamento no art. 488, I, § 1º, I, e § 2º, do RIPI/2002 (Decreto nº 4.544/2002), por omissões em informações exigidas nas notas fiscais, a saber: a data da saída da mercadoria. Em seu recurso, a empresa reitera sua afirmação de que não apôs a data da saída da mercadoria, nas notas complementares, pois, de acordo com Regime Especial concedido pela SEFAZAM, “por ocasião da emissão da nota fiscal complementar, obviamente, não existe a remessa física das mercadorias, posto que as mesmas foram enviadas anteriormente ao armazém geral, inexistindo, assim, qualquer necessidade da aposição da data de saída das mercadorias, ou qualquer irregularidade na não aposição”. Confirase: A Secretaria de Estado da Fazenda do Estado do Amazonas, através dos Atos Declaratórios n° 363/2006, 164/2008, 044/2007 e 004/2008 (documentos juntados aos autos), concedeu à recorrente regime especial nas operações de remessa de mercadorias para armazéns gerais, autorizando a recorrente a efetuar operações com os armazéns TRANSEICH ARMAZÉNS GERAIS LTDA e LIBRAPORT CAMPINAS S/A (onde foram apreendidas as notas fiscais emitidas pela recorrente, objeto da presente autuação). .... Os Regimes Especiais concedidos à recorrente, contudo, determinam expressamente que, na hipótese da ocorrência de diferença do preço entre o valor da mercadoria remetida para depósito em armazém geral e o valor da transmissão (venda) da mercadoria depositada a outro estabelecimento, fosse emitida uma nota fiscal complementar à nota. 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo órgão e ainda: (...) III designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazêlo ou não mais componha o colegiado; Fl. 1374DF CARF MF Impresso em 29/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 28/06/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10283.002270/201060 Resolução nº 3202000.363 S3C2T2 Fl. 1.375 5 fiscal de remessa para depósito em armazém geral, fazendo constar nesta nota fiscal a indicação da nota fiscal que acobertou a saída das mercadorias. Assim, a recorrente remete suas mercadorias produzidas na Zona Franca de Manaus para depósito nos armazéns gerais, emitindo a necessária nota fiscal de remessa, e, por ocasião da vendas destas mercadorias, caso ocorra majoração no preço de venda, emite uma nota fiscal complementar, contemplando a diferença entre o preço da remessa para depósito no armazém e o preço de saída da mercadoria do armazém. Pois bem, as notas fiscais apreendidas pela fiscalização, supostamente inidôneas pela falta da aposição das datas de saída das mercadoria, constituemse notas fiscais complementares, emitidas em decorrência do procedimento determinado pelo Estado do Amazonas, nos Regimes Especiais concedidos à recorrente, comprovandose cabalmente tal afirmação através da análise das próprias notas fiscais apreendidas, constando nas mesmas referência expressa às notas fiscais originalmente emitidas. Ora, por ocasião da emissão da nota fiscal complementar, obviamente, não existe a remessa física das mercadorias, posto que as mesmas foram enviadas anteriormente ao armazém geral, inexistindo, assim, qualquer necessidade da aposição da data de saída das mercadorias, ou qualquer irregularidade na não aposição. Poderseia argumentar que, a recorrente deveria apor na nota fiscal complementar a data efetiva da saída das mercadorias, ocorrida anteriormente, contudo, nesta hipótese, verificarseia a circunstância da data da emissão da nota fiscal ser posterior à data da saída das mercadorias, circunstância esta que, se analisada pelo D. agente fiscal, certamente resultaria na constatação de infração análoga (ou até mais grave) àquela descrita no presente auto de infração, já que as notas fiscais seriam consideradas igualmente inidôneas, pelo fato de que a data de emissão jamais poderia ser posterior à data da saída das mercadorias, o que levaria o Sr. Fiscal a concluir que as mercadorias teriam sido remetidas desacompanhadas das respectivas notas fiscais, somente emitidas posteriormente. Outra opção não restaria à recorrente, pois, senão a não aposição da data de saída das mercadorias nas; notas fiscais complementares, visto que a data da efetiva saída das mercadorias seria anterior à data da emissão da nota. complementar. Do total das notas fiscais glosadas pelo D. agente fiscal, 81% (oitenta e um por cento) delas se enquadram exatamente nesta situação, ou seja, constituemse elas notas fiscais complementares, emitidas em razão das exigências da Secretaria da Fazenda do Estado do Amazonas, o que se poderá comprovar através das análise das próprias notas. Afirma, ainda, a recorrente, que as demais notas ficais – cerca de 13% do total – seriam de remessa simbólica para armazenagem, decorrentes de devoluções de mercadorias pelos clientes, onde inexiste a saída física do produto. Fl. 1375DF CARF MF Impresso em 29/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 28/06/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10283.002270/201060 Resolução nº 3202000.363 S3C2T2 Fl. 1.376 6 Outra parcela relevante das notas fiscais objeto do presente auto de infração, onde foi constatada a inexistência da aposição da data de saída das mercadorias, correspondente a 13% (treze por cento) do total, referemse à notas fiscais de remessa simbólica para armazenagem, onde, igualmente, inexiste a remessa física das mercadorias, que já se encontrariam fisicamente nos armazéns gerais. Tal circunstância ocorre quando um cliente da recorrente procede à devolução `das mercadorias, fazendo à entrega das mesmas nos armazéns gerais, evitandose, assim, o transporte físico das mercadorias de São Paulo para o Amazonas e seu retorno a São Paulo. Neste momento: a recorrente emite uma Nota Fiscal de entrada das mercadorias em seu estabelecimento em Manaus, e, ato contínuo, emite a Nota Fiscal de remessa simbólica para armazenagem, circunstância esta devidamente consignada na respectiva nota fiscal. Para tais operações, aplicamse os mesmos argumentos e o mesmo raciocínio das notas fiscais complementares, inexistindo, igualmente, qualquer irregularidade no procedimento, já que não ocorre a remessa física das mercadorias. Para facilitação da análise do quanto alegado, juntou a 1 recorrente à sua Impugnação o ANEXO 1, relacionando, uma a uma, as notas fiscais glosadas pelo Sr. Agente Fiscal, fazendo referência às notas fiscais originalmente emitidas, a que elas se relacionam (ou em razão da emissão de nota fiscal complementar, quer em razão da emissão da nota fiscal de remessa simbólica),juntando, também, os Livros de Registro de Saídas da recorrente e os Livros de Registro de Entradas dos Armazéns Gerais onde as notas fiscais foram apreendidas, comprovandose, desta forma, a efetiva saída das mercadorias do estabelecimento da recorrente. A despeito desses argumentos, a DRJ manteve o auto de infração, por entender que o art. 488, I, § 1º, I, e § 2º, do RIPI/2002 (Decreto nº 4.544/2002) não estabelece exceções para os casos de notas complementares nem para a hipótese de remessa simbólica de mercadorias. Contudo, entendo diversamente. Julgo que, se não infirmadas as asserções da empresa, não há sentido em exigir a data da saída da mercadoria nas notas fiscais, quando essa ocorrência inexistiu, devido as circunstâncias narradas nas manifestações da contribuinte. Porém, para que não haja dúvidas quanto ao tema, CONVERTO O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que a autoridade fiscal verifique: i) se as notas fiscais consideradas inidôneas são notas fiscais complementares e notas fiscais de remessa simbólica, emitidas no contexto narrado pela autuada; ii) se nas notas fiscais autuadas houve saídas físicas das mercadorias. Em seguida, a autoridade da RFB responsável pela realização da diligência apresentará relatório circunstanciado e conclusivo a respeito da diligência, podendo trazer aos autos outros elementos e informações que entenda relevantes para o deslinde do presente processo. Por fim deve ser intimando a Recorrente para que se manifeste expressamente sobre o resultado da presente diligência. Fl. 1376DF CARF MF Impresso em 29/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 28/06/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10283.002270/201060 Resolução nº 3202000.363 S3C2T2 Fl. 1.377 7 Após, retornem a este colegiado para continuidade do presente julgamento. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 1377DF CARF MF Impresso em 29/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 28/06/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 19615.000892/2007-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jun 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 16/08/2007
MULTA POR EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. INCIDÊNCIA.
Aplica-se multa no valor de R$ 5.000,00 a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de não apresentação de resposta, no prazo estipulado, à intimação em procedimento fiscal.
Tal infração insere-se no plano da responsabilidade objetiva, não necessitando para sua caracterização, a presença de intuito doloso ou má-fé por parte do sujeito passivo.
INTIMAÇÃO VIA POSTAL. VALIDADE.
É válida a intimação feita por via postal entregue no domicílio tributário do sujeito passivo, não sendo necessário que a ciência do recebimento seja dada pessoalmente pela contribuinte ou seu representante legal.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-002.634
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas (relator), Sidney Eduardo Stahl, Andrada Márcio Canuto Natal, Fábia Regina de Freitas e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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INCIDÊNCIA. Aplicase multa no valor de R$ 5.000,00 a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de não apresentação de resposta, no prazo estipulado, à intimação em procedimento fiscal. Tal infração inserese no plano da responsabilidade objetiva, não necessitando para sua caracterização, a presença de intuito doloso ou máfé por parte do sujeito passivo. INTIMAÇÃO VIA POSTAL. VALIDADE. É válida a intimação feita por via postal entregue no domicílio tributário do sujeito passivo, não sendo necessário que a ciência do recebimento seja dada pessoalmente pela contribuinte ou seu representante legal. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Luiz Augusto do Couto Chagas Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 61 5. 00 08 92 /2 00 7- 23 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 30 /03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 19615.000892/200723 Acórdão n.º 3301002.634 S3C3T1 Fl. 97 2 Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas (relator), Sidney Eduardo Stahl, Andrada Márcio Canuto Natal, Fábia Regina de Freitas e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). Fl. 97DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 30 /03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 19615.000892/200723 Acórdão n.º 3301002.634 S3C3T1 Fl. 98 3 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida: Tratase de auto de infração, de fls. 1 a 6, lavrado contra a impugnante já qualificada nos autos, no qual foi constatado embaraço ou impedimento à ação da fiscalização, inclusive não atendimento à intimação, resultando na exigência fiscal de R$ 5.000,00, exclusivamente decorrente de multa regulamentar. Da Autuação Descreve a autoridade fiscal que, em procedimento de fiscalização realizado, em 04 de junho de 2007, pela Divisão de Repressão ao Contrabando e Descaminho na 4ª Região Fiscal (DIREP/SRRF04), nas dependências do Aeroporto Internacional dos Guararapes/Gilberto Freyre, foram retidas mercadorias de origem estrangeira, para que fosse efetuada uma verificação da origem dos produtos retidos, em virtude dos indícios apresentados. Nessa mesma data, 04 de junho de 2007, foi lavrado o Termo de Abertura/Retenção nº 01/07, fls. 07 e 08, indicando o valor das mercadorias no total de R$ 37.372,00. Tais produtos foram enviados pela empresa Handytech Informática e Eletrônica LTDA tendo como destinatária a impugnante. A impugnante foi intimada, mediante Termo de Intimação – Destinatário – TAR nº E06, fls. 10/11, para apresentar, dentre outros elementos, maiores detalhes sobre a aquisição das mercadorias retidas. Essa intimação foi recebida em 13/06/2007, conforme Aviso de Recebimento – AR, fls. 12, porém não foi respondida. Face ao exposto, com base no art. 107, inciso IV, alínea “c”, do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, foi formalizada a multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) prevista no citado dispositivo. Da Impugnação Inconformada com a exigência, a contribuinte apresenta impugnação (fls. 17 a 19) com base sinteticamente nos seguintes fundamentos: i) afirma que o recebimento da Intimação não ocorreu por representante legal da impugnante, mas por terceiro que ao recebêla não procedeu à destinação devida, deixando de encaminhar aos responsáveis; ii) ausente o dolo, impossível cogitar qualquer infração, por conseguinte, a imposição da multa ora atacada, sendo certo que apenas se a intimação fosse comprovadamente, recepcionada pelos representantes legais da impugnante, e, operandose o decurso do prazo sem resposta, seria factível cogitar a aplicação da sanção; iii) não houve nenhum prejuízo da administração fazendária, diante das informações agora prestadas pela impugnante que, efetivamente, apenas tomou Fl. 98DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 30 /03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 19615.000892/200723 Acórdão n.º 3301002.634 S3C3T1 Fl. 99 4 conhecimento da intimação para prestar esclarecimentos sobre a aquisição por ocasião da ciência do próprio auto de infração; iv) para corroborar a ausência do dolo e a boafé da impugnante, traz as respostas ao solicitado na intimação; Pelo exposto, ausente a prova de descumprimento da obrigação acessória por representante legal da impugnante, bem como ausente o dolo e o prejuízo da administração fazendária diante dos esclarecimentos prestados na impugnação, pede a improcedência do auto de infração. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife PE considerou improcedente a impugnação sob a seguinte ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 16/08/2007 MULTA POR EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO ADUANEIRA. INCIDÊNCIA. Aplicase multa no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de não apresentação de resposta, no prazo estipulado, à intimação em procedimento fiscal. Tal infração inserese no plano da responsabilidade objetiva, não reclamando, portanto, para sua caracterização, a presença de intuito doloso ou máfé por parte do sujeito passivo. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 16/08/2007 INTIMAÇÃO VIA POSTAL. VALIDADE. É válida a intimação feita por via postal entregue no domicílio tributário do sujeito passivo, não sendo necessário que a ciência do recebimento seja dada pessoalmente pela contribuinte ou seu representante legal. O contribuinte apresentou recurso voluntário onde repete os argumentos da impugnação. É o relatório. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 30 /03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 19615.000892/200723 Acórdão n.º 3301002.634 S3C3T1 Fl. 100 5 Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O presente processo versa sobre aplicação de multa por embaraço à fiscalização. A penalidade prevista, nesse caso, encontrase indicada, no art. 107, inciso IV, alínea “c”, do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pelo artigo 77, da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que assim estabelece: “Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de nãoapresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; (...)” Compulsando os autos, constatase que a recorrente foi intimada a prestar esclarecimentos no prazo de dez dias, contudo, não consta do processo resposta à referida intimação. No recurso voluntário, a recorrente argumenta que a Intimação não foi recebida por seu representante legal. Cumpre destacar que inexiste obrigatoriedade de que as intimações sejam entregues diretamente à contribuinte ou seu representante legal, o que é exigido somente para a intimação pessoal. No caso em tela a intimação foi feita pela via postal. Assim, basta apenas a prova de que a correspondência foi entregue no endereço de seu domicílio fiscal, podendo ser recebida por qualquer pessoa. É o que prescreve o art. 23 do Decreto nº 70.235 de 1972: (...) Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 100DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 30 /03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 19615.000892/200723 Acórdão n.º 3301002.634 S3C3T1 Fl. 101 6 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) De acordo com o inciso I, §4º, art. 23, do Decreto nº 70.235/72, supracitado, o domicílio tributário do sujeito passivo tratase do endereço por ele eleito e fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária. No presente caso, o Aviso de Recebimento (fls. 12) informa que a intimação foi entregue no endereço fiscal da contribuinte, o qual é mencionado na peça impugnatória, fls. 17, e a própria impugnante não contesta esse fato. Portanto, demonstrada a validade da intimação, a aplicação da multa está em perfeita consonância com a legislação de regência, tendo obedecido integralmente aos preceitos legais aplicáveis à espécie. Quanto à recorrente prestar esclarecimentos na impugnação, após ciência do Auto de Infração, não elimina a ilicitude do fato, que já fora irreversivelmente consumado com o decurso do prazo estipulado na intimação, momento em que se configurou o embaraço à ação de fiscalização aduaneira, a teor do art. 107, inciso IV, alínea “c”, do DecretoLei nº 37, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003. Tal infração está inserida no plano da responsabilidade objetiva, não reclamando, portanto, para sua caracterização, a presença de intuito doloso ou máfé por parte do sujeito passivo, nem discussão acerca de prejuízo para a administração fazendária. Diante do exposto voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 30 /03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 19615.000892/200723 Acórdão n.º 3301002.634 S3C3T1 Fl. 102 7 (ASSINADO DIGITALMENTE) LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Fl. 102DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 30 /03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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Numero do processo: 12267.000328/2008-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2001 a 30/05/2005
DOMICILIO TRIBUTÁRIO. ESTABELECIMENTO CENTRALIZADOR.
DIREITO ASSEGURADO AO CONTRIBUINTE. CTN.
Da leitura do caput do artigo 127 do CTN verifica-se que a eleição de domicilio tributário é prerrogativa do contribuinte e somente pode ser recusado pela autoridade fiscalizadora nas hipóteses comprovadas de impossibilidade ou dificuldade de realização da ação fiscal.
O prejuízo para a defesa do contribuinte é patente, uma vez que a documentação fiscal exigida estava em localidade diversa daquela eleita pelos auditores, o que dificultou a sua apresentação.
Processo Anulado
Numero da decisão: 2301-003.688
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, : I) Por maioria de votos: a) em reconhecer a existência de vício no lançamento, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em não reconhecer o vício, para análise do mérito; b) em conceituar o vício existente como material, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em reconhecer o vício como formal.
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bernadete de Oliveira Barros- Relator.
(assinado digitalmente)
Wilson Antonio de Souza Corrêa - Redator 'ad hoc'
(assinado digitalmente)
Declaração de voto: Mauro José Silva.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Manoel Coelho Arruda Junior
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ESTABELECIMENTO CENTRALIZADOR. DIREITO ASSEGURADO AO CONTRIBUINTE. CTN. Da leitura do caput do artigo 127 do CTN verificase que a eleição de domicilio tributário é prerrogativa do contribuinte e somente pode ser recusado pela autoridade fiscalizadora nas hipóteses comprovadas de impossibilidade ou dificuldade de realização da ação fiscal. O prejuízo para a defesa do contribuinte é patente, uma vez que a documentação fiscal exigida estava em localidade diversa daquela eleita pelos auditores, o que dificultou a sua apresentação. Processo Anulado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, : I) Por maioria de votos: a) em reconhecer a existência de vício no lançamento, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em não reconhecer o vício, para análise do mérito; b) em conceituar o vício existente como material, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em reconhecer o vício como formal. Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Bernadete de Oliveira Barros Relator. (assinado digitalmente) AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 7. 00 03 28 /2 00 8- 40 Fl. 3831DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por BERNADETE D E OLIVEIRA BARROS 2 Wilson Antonio de Souza Corrêa Redator 'ad hoc' (assinado digitalmente) Declaração de voto: Mauro José Silva. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Manoel Coelho Arruda Junior Fl. 3832DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por BERNADETE D E OLIVEIRA BARROS Processo nº 12267.000328/200840 Acórdão n.º 2301003.688 S2C3T1 Fl. 2.423 3 Relatório Tratase de recurso interposto contra decisão que julgou procedente o débito lançado contra a empresa acima identificada. O crédito lançado por intermédio da NFLD se refere à contribuições sociais devidas ao Terceiro, INCRA. Segundo Relatório Fiscal (fls. 256), o fato gerador das contribuições apuradas ocorreu com o pagamento de rubricas a título de reembolso de despesas diversas, consideradas pela fiscalização como sendo remuneração indireta, tendo em vista que a recorrente, apesar de intimada por meio de TIAD, deixou de apresentar a documentação solicitada. A autoridade lançadora informa que a empresa notificada ingressou com ações judiciais relativas às contribuições ao SAT e aos Terceiros, SESC, SENAC e SEBRAE e INCRA, sendo objeto do presente lançamento as contribuições ao INCRA, objetivando a prevenção da decadência. Esclarece que a fiscalização usou das prerrogativas previstas no artigo 33 da Lei n° 8212/91, especialmente no seu § 3o, e apurou o presente crédito por arbitramento, aferindo indiretamente as bases de cálculo da contribuição. A recorrente impugnou o débito alegando, entre outras coisas, cerceamento de defesa, por não ser possível o deslocamento de volumosa documentação, concentrada na sede da empresa, à filial do Rio de Janeiro, e incompetência da fiscalização para realizar o procedimento, uma vez que a sede da Impugnante está localizada em Rio das Flores, RJ, fora, portanto, da área de abrangência da Delegacia Previdenciária que procedeu à ação fiscal, que culminou no lançamento ora discutido. Secretaria da Receita Previdenciária, por meio da DecisãoNotificação nº 17.401.4/0813/2006 (fls. 875), julgou o lançamento procedente, e a recorrente, inconformada com a decisão, apresentou recurso tempestivo ao CRPS (fls.913) , alegando, em apertada síntese, o que se segue. Preliminarmente, alega decadência de parte do débito e a possibilidade de juntada de provas no curso do processo administrativo. No mérito, tenta demonstrar a inexigibilidade das contribuições ao SESC, SENAC e SEBRAE para empresas prestadoras de serviço. Sustenta que, ao contrário do afirmado pela fiscalização, a recorrente em nenhum momento se furtou à apresentação dos documentos por ela solicitados, informando que toda a documentação se encontrava na sede da empresa, em Rio das Flores. Assevera que os documentos anexados no recurso comprovam que os valores lançados na conta contábil “reembolso de despesas” não podem ser considerados salário Fl. 3833DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por BERNADETE D E OLIVEIRA BARROS 4 indireto, pois não remuneram o empregado, representando custeio de despesas incorridas em nome da empresa, sujeitas a posterior prestação de contas. Discorre sobre os princípios básicos da contabilidade, para concluir que os lançamentos constantes dos livros contábeis servem de prova absoluta, sendo de responsabilidade da fiscalização demonstrar que estes estão irregulares, e entende que é absurda a base de cálculo arbitrada pela fiscalização, uma vez que a recorrente apresentou a documentação que comprova a sua movimentação contábil. Ressalta que em nenhum momento a recorrente se negou a apresentar os documentos solicitados pela fiscalização, mas, ao contrário, colocou à disposição aqueles que lhes foram solicitados, e discorre sobre os reembolsos de despesas efetuados pela empresa, frisando que tais pagamentos nada acrescenta ao patrimônio dos empregados, mas apenas lhe permite recuperar o numerário despendido. Por meio do Despacho de fls. 2.285, a SRP baixou o processo em diligência, para que a fiscalização analisasse as provas documentais apresentadas pela recorrente em sede recursal, o que resultou na Informação Fiscal de fls. 2.296, por meio da qual a autoridade fiscalizadora retificou o lançamento, acatando parcialmente as alegações da recorrente. Cientificada do resultado da diligência fiscal, a recorrente apresentou aditamento ao recurso, alegando, entre outras coisas, que a fiscalização foi realizada fora do domicílio fiscal da recorrente e, sendo seu centralizador em Rio das Flores, toda a documentação da empresa encontrase armazenada nesse local. É o relatório. Fl. 3834DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por BERNADETE D E OLIVEIRA BARROS Processo nº 12267.000328/200840 Acórdão n.º 2301003.688 S2C3T1 Fl. 2.424 5 Voto Vencido Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, Relatora O recurso é tempestivo e todos os requisitos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice para seu conhecimento. Da análise dos autos, registro o que se segue. Constatase que a notificada pugna, em sua defesa, pelo reconhecimento da nulidade do lançamento, argumentando cerceamento de defesa, por não ser possível o deslocamento de volumosa documentação solicitada pelo fiscal, concentrada na sede da empresa, à filial do Rio de Janeiro, e incompetência da fiscalização para realizar o procedimento, uma vez que a sede da Impugnante está localizada em Rio das Flores, RJ, fora, portanto, da área de abrangência da Delegacia Previdenciária que procedeu à ação fiscal, que culminou no lançamento ora discutido. Tal argumento trazido novamente no aditamento do recurso, apresentado pela recorrente após a cientificação do resultado de uma diligência fiscal. Observase, ainda, que outros lançamentos lavrados contra a recorrente na mesma ação fiscal foram julgados nulos ao argumento de que houve desrespeito, por parte da autoridade fiscalizadora, do domicílio tributário do sujeito passivo, esta Relatora passa, a seguir, à analise dos argumentos trazidos em sede de impugnação em relação à tal matéria.. No entanto, entendo que o fato de a ação fiscal ter se realizado em estabelecimento distinto do domicílio fiscal eleito pelo contribuinte não enseja a nulidade do ato do lançamento. Não restou demonstrado, pela recorrente, que houve prejuízo para a sua defesa o fato de a fiscalização ter se desenvolvido em estabelecimento distinto do domicílio fiscal eleito pelo contribuinte. Para que seja decretada a nulidade do lançamento, a recorrente teria que comprovar que os fatos narrados acarretaram prejuízo a sua defesa. A Consultoria Jurídica do MPS já fixou entendimento de que a alegação de nulidade deve vir acompanhada da demonstração do prejuízo a defesa, o que não ocorreu no presente caso. O PARECER/CJ Nº 3.014/2003, dispõe que: (...) 9. Consoante uníssono entendimento jurisprudencial, a alegação de nulidade deve vir acompanhada da demonstração objetiva do prejuízo para a defesa, bem assim sua influência na apuração da verdade substancial e seus reflexos na decisão da causa (nesse Fl. 3835DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por BERNADETE D E OLIVEIRA BARROS 6 sentido: STJ, REsp nº 250.086/RR, Sexta Turma, Rel. Min. Vicente Leal, DJ de 12/11/2001, p. 178; TRF/1ª Região, ACR 93.01.052614/BA, Quarta Turma, Rel. Juiz Hilton Queiroz, DJ de 18/01/2002).(grifei) Observase que a recorrente não logrou demonstrar que tal fato tenha cerceado seu direito de defesa, ou trazido prejuízo que ensejasse a nulidade do lançamento. A intimação para apresentação de documentos em domicilio diverso daquele eleito pela recorrente não configurou cerceamento de defesa, já que em nenhum momento, de seu recurso, a recorrente afirmou que não tenha recebido as intimações. No caso presente, observase que a recorrente recebeu a fiscalização, tolerou o procedimento fiscal, apresentou parcialmente a documentação solicitada pela fiscalização e, quando das respostas às intimações e após a lavratura da NFLD, alegou que aquele não seria o seu domicílio tributário. Entretanto, o domicílio tributário, previsto no CTN, é apenas uma referência para fiscalização e arrecadação de tributos e, se não houve demonstração do prejuízo para o contribuinte o fato de a ação fiscal se realizar em estabelecimento diverso, não há que se reconhecer a nulidade da NFLD. O art. 127, § 2º, do CTN confere legitimidade à ação fiscal, uma vez que o domicílio tributário deve ser interpretado sempre no interesse na fiscalização e da arrecadação de tributos. Nesse sentido é a manifestação do Conselheiro Marco André Ramos Vieira em declaração de voto em processo de interesse da ora recorrente, cujo trecho reproduzo a seguir: Os trabalhos realizados por meio de equipe fiscal em outra localidade da desejada pelo sujeito passivo não ocasiona o cerceamento do direito de defesa, uma vez que a fiscalização caracterizase por uma fase investigativa, precedente à fase litigiosa. Na fase de investigação, o Auditor utilizará das prerrogativas do art. 142 do CTN, verificando a ocorrência do fato gerador, constituindo o crédito tributário, determinando a matéria tributável, calculando o montante do tributo devido, identificando o sujeito passivo, e se for o caso, aplicando a penalidade. Sendo essa etapa exclusiva, e de ofício, tarefa da fiscalização, não há participação do sujeito passivo. Com a constituição do crédito, por meio do lançamento, haverá a notificação do sujeito passivo, momento a partir do qual lhe é facultada a impugnação do lançamento realizado; lhe sendo, aí sim, assegurado o contraditório e ampla defesa. Dessa forma, concluo que a NFLD foi lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente notificante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, fazendo constar, nos relatórios que compõem a Notificação, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. O Relatório Fiscal traz todos os elementos que motivaram a lavratura da NFLD e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período Fl. 3836DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por BERNADETE D E OLIVEIRA BARROS Processo nº 12267.000328/200840 Acórdão n.º 2301003.688 S2C3T1 Fl. 2.425 7 correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à notificada. Por todo o exposto, entendo que a NFLD não deve ser anulada, mesmo porque o Decreto nº 70.235/72 dispõe, em seu art. 59, que são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No caso presente, não houve a ocorrência de nenhuma das hipóteses de nulidade elencadas acima, já que a NFLD foi lavrada por autoridade competente e não ficou configurada a preterição do direito de defesa, pois foi dada ciência ao contribuinte da NFLD juntamente com todos os relatórios que a integram, e entre eles o Relatório Fiscal da Infração, que encerra toda informação necessária para proporcionar, à notificada, a ampla defesa. Assim, não há que se falar em nulidade da NFLD. Nesse sentido, voto por rejeitar a preliminar de nulidade. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros – Relatora Fl. 3837DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por BERNADETE D E OLIVEIRA BARROS 8 Voto Vencedor Conselheiro Wilson Antonio de Souza Corrêa – Redator 'ad hoc' Peço vênia a nobre Relatora, em que pese a perfulgência de seu voto, mas dele discordo, eis que há questão preliminar a ser analisada, referente ao equívoco cometido pelo Fiscal, quando do domicilio tributário do sujeito passivo. Esta Turma antes enfrentou questão igual nos autos do processos sob nº 12045.000459/200751, cujo o voto condutor foi do nobre Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes e, em razão de sua abrangência, transcrevo, pedindo vênia para fazer dele minhas palavras, onde assim foi a pronuncia: “... 3. Nesse aspecto, na assentada anterior, a então 2' CAJ resolveu enfrentar a questão do domicílio fiscal e não acatar a preliminar levantada pelo contribuinte, conforme declaração de voto dos membros daquele Colegiado no sentido de acompanhar o voto do Conselheiro Marco André Vieira, proferido nos seguintes termos: "Não acato esta verificação face o mesmo ser protelatório e, em segundo, quanto à preliminar do estabelecimento centralizador, não confiro razão a recorrente pois de acordo com o art. 127 do CTN a administração tributária pode eleger estabelecimento distinto ao apontado pelo contribuinte, não se tratou de fiscalização coordenada, mas sim, de fiscalização centralizada no estabelecimento situado na Rua São José nº 90, 7º Andar. É como voto." 4. Ocorre que tal questão não fez parte do dispositivo final do julgado, até porque o que a Câmara fez foi converter o julgamento em diligência, conforme assevera o resultado final do decisum: "Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, em sessão realizada hoje, DECIDEM os membros da 2" Camara de julgamento do CRPS, preliminarmente e por unanimidade CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. na forma do voto do (a) relator (a) em sua fundamentação." 5. Ressaltese que, em momento algum, fez parte do dispositivo da decisão a solução dada pela 2' CAJ sobre a preliminar do domicilio fiscal do recorrente, ou seja, não houve trânsito em julgado administrativo quanto a essa questão, de maneira que podemos enfrentála novamente para firmar posicionamento definitivo. 6. Além do mais o Decreto 70.235 em seu artigo 59, inciso II, assevera que são nulas as decisões proferidas com preterição do direito de defesa, que é exatamente o caso ora em tela. A seu turno a Lei 9.784/99, em seu artigo 63, §2°, Fl. 3838DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por BERNADETE D E OLIVEIRA BARROS Processo nº 12267.000328/200840 Acórdão n.º 2301003.688 S2C3T1 Fl. 2.426 9 também autoriza a administração a rever de oficio o ato ilegal, desde que não ocorrida preclusão administrativa. 7. E eu não tenho dúvida alguma que o desrespeito ao domicílio tributário do contribuinte levou a uma ação clara por parte do fisco de cerceamento do direito de defesa do recorrente, sendo o caso de se rever de oficio o entendimento asseverado pela então 2ª CAJ 8. Frisese ainda que a questão poderia ser enfrenta, novamente, sob o ponto de vista do surgimento de fato novo, ocorrido após a conversão do julgamento em diligência, capaz de alterar o lançamento fiscal em seu nascedouro. 9. Como de fato ocorreu episódio novo, qual seja a decisão judicial no sentido de reconhecer o erro no domicilio tributário do recorrente, inclusive com determinação no sentido de "julgar procedente o pedido e declarar como domicílio tributário da Autora a sua sede, situada na Rua Capitão Jorge Soares n° 04, Centro, Município de Rio das Flores — RJ", portanto, estabelecimento diferente daquele escolhido pelos auditores para executar procedimento fiscalizatório. 10. Com efeito, compulsando os autos, verificase que a auditoria fiscal realizada no estabelecimento da recorrente, através do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos — TIAD, determinou que a documentação fosse apresentada no estabelecimento 42.563.6921001289 situado na Rua São José, 90 7° andar Centro Rio de Janeiro/RJ e lá permanecesse até o encerramento da ação fiscal. 11. Com razão o contribuinte argumenta que, de acordo com seu contrato social e outros documentos acostados aos autos, o domicilio tributário estava situado na Rua Capitão Jorge Soares, 04 Rio das Flores Volta Redonda/RJ. 12. O fisco, por sua vez, tenta afastar os argumentos do contribuinte trazendo aos autos indícios de prova no sentido de que a empresa elegeu como domicilio tributário o estabelecimento em que se desenvolveu o procedimento fiscalizatório, portanto não haveria razão alguma para anular o lançamento fiscal. 13. Com dito alhures, a questão foi levada ao Judiciário. Em consulta realizada sobre o andamento do processo, constatase que houve trânsito em julgado em favor do recorrente. Com efeito, o Tribunal Regional Federal da Região entendeu que os motivos trazidos pela Procuradoria do INSS para justificar a fiscalização em estabelecimento distinto ao eleito como domicilio tributário foram insuficientes para a aplicação do artigo 127, §2° do CTN. Segue transcrição do voto vencedor, ementa, acórdão e fase processual: "VOTO O Código Tributário Nacional proclama, em seu art. 127, inciso H, que, na falta de eleição, pelo contribuinte ou responsável, de domicílio tributário, será este o do lugar de sua sede, em se tratando de pessoa jurídica de direito privado. A Autora, de acordo com dado constante em seu CNPJ, encontrase em atividade desde o ano de 1976 (fls. 14). Fl. 3839DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por BERNADETE D E OLIVEIRA BARROS 10 Por conta da 20a alteração de seu Contrato Social, datada de 30 de janeiro de 1995 (lis. 202/204), promoveu a transferência de sua sede, originariamente estabelecida na Rua São José, n" 90 — Centro, Rio de Janeiro/RJ, para a Rua Capitão Jorge Soares, nª 04, no Município de Rio das Flores, Estado do Rio de Janeiro. Entendeu a Autarquiaprevidenciciria que a Autora, ao promover a mudança de sua sede, e, por consectário legal, de seu domicilio tributário, buscou criar empecilhos à atuação fiscal da Divisão de Cobrança de Grandes Devedores, porquanto circunscrita ao limite territorial da Capital do Estado. Em razão desta situação, aplicou ao caso a regra positivada no § 2o do art. 127 do CT1V, o qual permite que a autoridade administrativa recuse o domicilio eleito pelo contribuinte quando se torne impossível ou dificultosa a arrecadação ou a fiscalização do tributo. Não obstante repute louvável toda e qualquer medida administrativa que tenha como escopo resguardar o munas fiscalizatório dos órgãos públicos, mormente em se tratando de hipótese de persecução de débitos ,fiscais, a ilação feita pela autoridade administrativa a respeito do verdadeiro objetivo a ser alcançado pela parte autora com a alteração de sua sede não se sustenta diante de uma leitura mais apropriada dos dispositivos do CTN reguladores da matéria, nem tampouco se verificarmos atentamente a cronologia dos fatos ocorridos. Primeiramente, cabe consignar ser evidente a distinção existente entre (a) autonomia da pessoa jurídica para definir, em seus atos constitutivos, o local de sua sede e (b) faculdade de eleição, pelo contribuinte, de seu domicilio tributário. Da leitura do caput do artigo 127 do C7'N verificase que, a principio, a eleição de domicílio tributário é prerrogativa do contribuinte. Se o mesmo não o elege, passa a Administração a avaliar as alternativas legais para sua definição, enumeradas nos incisos do referido artigo. Nesta situação, em se tratando de pessoa jurídica de direito privado, temse como domicilio tributário, ex vi do inciso II, o local de sua sede. A incidência, na espécie, da regra do §2° do art. 127 do CTN "A autoridade administrativa pode recusar o domicilio eleito..." , não se revela apropriada, visto que a definição do domicilio fiscal da Autora em Rio das Flores não se deu em razão do exercício da faculdade de eleição, mas sim por conta da .fixação de sua sede naquele Município, hipóteses que não guardam similitude entre si. Noutro giro, entendo que o fato de a Autora ,figurar no rol de contribuintes sujeitos à atuação ,fiscal da Divisão de Cobrança de Grandes Devedores do INSS não se revela, por si só, motivo razoável a justificar a Fl. 3840DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por BERNADETE D E OLIVEIRA BARROS Processo nº 12267.000328/200840 Acórdão n.º 2301003.688 S2C3T1 Fl. 2.427 11 desconsideração de sua nova sede como sendo o seu domicílio tributário. O Municipio de Rio das Flores está localizado a apenas 180 Km de distância da Cidade do Rio de Janeiro, não podendo tal circunstância ser considerada como impeditiva do exercício, pelos agentes públicos vinculados ao aludido Órgão autárquico, da atividade de fiscalização/arrecadação de tributos. A opção administrativa do INSS de circunscrever aos limites territoriais da Capital do Estado a atuação da Divisão de Cobrança de Grandes Devedores, como consignado na contestação (fls. 93), não pode implicar restrição ao legitimo direito do contribuinte de, no livre exercício de sua atividade empresarial, e diante das conveniências e vantagens econômicas a serem eventualmente auferidas com a medida adotada, estabelecer sua sede onde melhor lhe aprouver. Ainda que não dispondo de dados estatísticos para dar esteio a presente ilação, podemos presumir que, tal como na Capital, há, também, no interior do Estado do RJ, grandes devedores do INSS, o que não significa dizer que, por tal razão, deixe a Autarquia previdenciária de adotar as medidas administrativas necessárias para inscrição dos débitos existentes em Divida Ativa e posterior ajuizamento de execuções ,fiscais, mesmo que sem a participação da Divisão de Cobrança de Grandes Devedores. Outro ponto merecedor de destaque, relevante ao deslinde da q “,..atão ata em temillem u Luttatutus.iiu de que. Lu dos atos normativos administrativos expedidos pelo Ministério da Previdência Social, concernentes à definição da estrutura organizacional do INSS, as Divisões de Cobrança de Grandes Devedores só passaram a ter expressa previsão a partir do advento da Portaria MPAS n" 6.247, de 28 de dezembro de 1999 que, revogando a Portaria n°458/92, aprovou o novo Regimento Interno daquela Autarquia. Cabe indagar, assim, como poderia a Autora, no ano de 1995, promover a mudança de sua sede buscando dificultar a atuação fiscal de um Órgão até então inexistente? Destarte, entendo que os motivos invocados pelo Réu para recusar a sede da Autora como sendo o seu domicilio tributário carecem de maior consistência, impondose, portanto, no âmbito desta E. Corte, a reforma da r. sentença recorrida. Face ao acima exposto, dou provimento ao recurso para, reformando a sentença, julgar procedente o pedido e declara, como domicilio tributário da Autora a sua sede, situada na Rua Capitão Jorge Soares n°04, Centro, Município de Rio das Flores — RJ Condeno o Réu no reembolso das custas judiciais e no pagamento de Fl. 3841DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por BERNADETE D E OLIVEIRA BARROS 12 honorários de advogado, estes fixados em 10% (dez por cento) sobre o valor atribuído à causa. É como voto. EMENTA ADMINISTRATIVO — ALTERAÇÃO DE SEDE – DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO — RECUSA PELA ADMINISTRAÇÃO ART. 127, § 2°, DO CTN. I Da leitura do caput do artigo 127 do CTN verificase que, a principio, a eleição de domicilio tributário é prerrogativa do contribuinte. Se o mesmo não o elege, passa a Administração a avaliar as alternativas legais para sua definição, enumeradas nos incisos do referido artigo. Nesta situação, em se tratando de pessoa jurídica de direito privado, temse como domicilio tributário, ex vi do inciso II, o local de sua sede. II — A autonomia que a pessoa jurídica possui para definir, em seus atos constitutivos, o local de sua sede, não se confunde com o exercício da faculdade de eleição do seu domicilio tributário. O §º 20 do art. 127 do CTN permite que a autoridade administrativa recuse domicílio .fiscal apenas quando este tenha sido fixado por eleição, e não em virtude de mudança de sede promovida por conta de alteração de contrato social da empresa. III — Recurso provido. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos em que são partes asacima indicadas. Decide a Sétima Turma do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, à unanimidade, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator, constante dos autos, que fica fazendo parte integrante do presente julgado. Rio de Janeiro, 15 de agosto de 2007. (data de julgamento) SERGIO SCHWAITZER RELATOR PROCESSO N°20035101.0224300 IV APELAÇÃO CÍVEL ( AC 1346266 ) AUTUADO EM 14.07.2004 PROC. ORIGINÁRIO N"200351010224300 JUSTIÇA FEDERAL RIO DE JANEIRO VARA: 19CI APTE: MI MONTREAL INFORMÁTICA LTDA ADV: JOAO LUIZ PINTO DA NOBREGA E OUTROS Fl. 3842DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por BERNADETE D E OLIVEIRA BARROS Processo nº 12267.000328/200840 Acórdão n.º 2301003.688 S2C3T1 Fl. 2.428 13 APDO: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL INSS ADV: FERNANDO UNO VIEIRA RELATOR: DES.FED.SERGIO SCHWAITZER 7A. TURMA ESPECIALIZADA LOCALIZAÇÃO: BAIXADO Em 07/12/2007 12:40 Baixa Definitiva Remetido a(o) A(0) Décima Nona Vara Federal do Rio de Janeiro(GR 00/0162527)07/0162527 Em 27/11/2007 12:40 Trânsito em Julgado DATA DO ÚLTIMO PRAZO: • Em 05111/2007 16:44 Recebimento NA (0) SUBSECRETARIA DA 7A. TURMA ESPECIALIZADA" 14. Considerando a decisão judicial, a qual não pode ser desconhecida da administração, temos como assegurado que o domicilio tributário da empresa recorrente é a sua sede, situada na Rua Capitão Jorge Soares n° 04, Centro, Município de Rio das Flores — RJ, conforme defendido em suas razões recursais. Portanto, está eivado de nulidade o lançamento fiscal em seu nascedouro. 15. E o prejuízo para a defesa do contribuinte é patente, uma vez que a documentação fiscal exigida estava em localidade diversa daquela eleita pelos auditores, o que certamente dificultou a sua apresentação para o fisco. 16. Com efeito, a fiscalização deixou de observar a legislação que disciplina a matéria relativa ao domicílio tributário, a começar pelo próprio Código Civil: Código Civil: "Art. 75. Quanto as pessoas jurídicas, o domicilio é: IV das demais pessoas jurídicas, o lugar onde funcionarem as respectivas diretorias e administrações ou onde elegerem domicilio especial no seu estatuto ou atos constitutivos." 10. A seu turno, o Código Tributário Nacional assevera com clareza. "Art. 127. Na falta de eleição. pelo contribuinte ou responsável, de domicilio tributário, na forma da legislação aplicável, considerase como tal: ... Fl. 3843DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por BERNADETE D E OLIVEIRA BARROS 14 II quanto às pessoas jurídicas de direito privado ou às ,firmas individuais, o lugar da sua sede, ou, em relação aos atos ou fatos que derem origem à obrigação, o de cada estabelecimento; § 1º Quando não couber a aplicação das regras fixadas em qualquer dos incisos deste artigo, considerarseá como domicilio tributário do contribuinte ou responsável o lugar da situação dos bens ou da ocorrência dos atos ou fatos que deram origem à obrigação. § 2"A autoridade administrativa pode recusar o domicilio eleito, quando impossibilite ou dificulte a arrecadação ou a fiscalização do tributo, aplicandose então a regra do parágrafo anterior." 17. Pelos dispositivos legais acima alinhavados, constatase que é pacifico o entendimento quanto ao estabelecimento do domicilio tributário por intermédio da fixação da sede da empresa. É bem verdade que o órgão fiscalizador pode recusar o domicilio eleito nas hipóteses previstas no artigo 127, §2° do CTN, mas desde que o faça de forma justificada. Para tanto, o ato normativo cuidou de estabelecer regras para a fixação de oficio do domicilio. Neste caso, o estabelecimento centralizador é aquele onde se encontra a documentação necessária e suficiente à fiscalização integral. 18. Em síntese, temos que, em regra, é respeitada a vontade do sujeito passivo na eleição de seu domicilio tributário e, conseqüentemente, de seu estabelecimento centralizador perante o fisco, que pode ser alterada de oficio nas hipóteses, comprovadamente, de impedimento ou dificuldade para a realização da auditoria fiscal. E no presente caso a fiscalização em momento algum recusou o domicilio eleito pelo recorrente preferindo, entretanto, defender o acerto da fiscalização no estabelecimento determinado pelos próprios auditores. 19. Há que se destacar ainda, porque importante, que o cerceamento do direito de defesa é nitidamente reconhecido, tendo em vista as autuações por falta de documentos e recusa em prestar esclarecimentos além dos inúmeros lançamentos por arbitramento, todos realizados com enorme gravame para o sujeito passivo. 20. Sem falar que ficou prejudicado o direito da empresa em acompanhar a ação fiscal e prestar os esclarecimentos necessários, o que denota clara afronta aos preceitos constitucionais garantidores da ampla defesa e do contraditório. 21. Por fim, diante de todo o exposto e uma vez transitada em julgado a sentença reconhecendo que o domicilio tributário é o estabelecimento centralizador do recorrente, situado na Rua Capitão Soares, 04 Rio das Flores Volta Redonda/RJ, somente resta a este órgão administrativo julgador acatar a decisão judicial e, conseqüentemente, a preliminar ora examinada, para anular o lançamento por vicio formal. Restando, portanto, prejudicado o exame de mérito. CONCLUSÃO 22. Assim, voto pela ANULAÇÃO do lançamento. Sala das Sessões, em ' de outubro de 2009” Fl. 3844DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por BERNADETE D E OLIVEIRA BARROS Processo nº 12267.000328/200840 Acórdão n.º 2301003.688 S2C3T1 Fl. 2.429 15 Como muito bem relatou o Conselheiro – Relator Damião Cordeiro de Moraes não houve respeito à vontade do sujeito passivo quanto a eleição do domicilio tributário, e, por esta razão há de ser reconhecido a nulidade da autuação por vício, cujo qual o declino como vício material, eis que diz respeito à própria obrigação tributária e não aos requisitos burocráticos exigidos ao lançamento, onde está diretamente relacionado à própria matéria tributada pela autoridade administrativa. Envolve questões relacionadas à interpretação das normas jurídicas, situação fática apurada pela fiscalização, dados contábeis, etc. Ele trata da própria obrigação tributária e não aos requisitos burocráticos exigidos ao lançamento. No caso em tela vêse que o vício cometido pela autoridade fiscalizadora traz embaraço tamanho aos autos do processo que inviabiliza o Recorrente de apresentar sua defesa, ensejando, por consectário, a nulidade do auto por vício material, consubstanciado nos artigos 142 e 173, II, do Código Tributário Nacional. CONCLUSÃO O Recurso aviado acode os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual deve ser conhecido para DARLHE PROVIMENTO, pelas razões acima expostas. Wilson Antonio de Souza Corrêa – Redator 'ad hoc' (assinado digitalmente) Fl. 3845DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por BERNADETE D E OLIVEIRA BARROS 16 Declaração de Voto Conselheiro Mauro José Silva, Apresentamos nossas considerações sobre alguns aspectos relacionados à matéria apresentada pela recorrente ou que consideramos como de ordem pública. Com a devida vênia, divergimos do ilustre Redator quanto ao desfecho do presente. Inicialmente, concordamos com a premissa de que a fiscalização intimou a recorrente, por diversas vezes em local diverso de seu domicílio fiscal, apesar de ser este local um de seus estabelecimentos. O trânsito em julgado da ação declaratória proposta pela recorrente nos leva a adotar tal premissa. Ressaltamos, entretanto, que o provimento jurisdicional somente declara o domicílio fiscal sem prever qualquer conseqüência para a a intimação enviada para domicílio diverso daquele de eleição nos moldes do CTN. A partir disso, o Redator concluiu que estaríamos diante de um caso de nulidade por vício material sem, contudo, apontar o fundamento legal para tanto. Tal argumentação genérica em relação à nulidade, registrese, foi acompanhada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão 9202002.413, julgado em 07 de novembro de 2012. Na tentativa de apontar a fundamentação legal que teria levado a tais posições, poderíamos buscar os fundamentos legais no art. 32 da Portaria 520/2004, in verbis: Art. 32. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; III o lançamento não precedido do Mandado de Procedimento Fiscal. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo, a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Fl. 3846DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por BERNADETE D E OLIVEIRA BARROS Processo nº 12267.000328/200840 Acórdão n.º 2301003.688 S2C3T1 Fl. 2.430 17 Certamente o caso não envolve lançamento por pessoa incompetente, então poderíamos justificar a nulidade pela preterição do direito a defesa ou por problemas no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). De plano, podemos afastar a possibilidade de tal fato intimações na fase fiscalizatória em local diverso do domicílio de eleição acarretar cerceamento de defesa, tendo em conta que na fase fiscalizatória o procedimento é inquisitório, não se sujeitando os atos praticados nessa fase aos ditames do contraditório e da ampla defesa. Nesse sentido, já decidiu o antigo Conselho de Contribuintes atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF): NORMAS PROCESSUAIS NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃOA fase de investigação e formalização da exigência, que antecede à fase litigiosa do procedimento, é de natureza inquisitorial, não prosperando a argüição de nulidade do auto de infração por não observância do princípio do contraditório. Assim também a mesma argüição, quando fundada na alegação de falta de motivação do ato administrativo, que, de fato, não ocorreu.(Acórdão 10193425) Sem que fique demonstrado que após o início do litígio houve ofensa ao contraditório ou à ampla defesa, não há como acatar a tese de que a intimação dos atos da autoridade fiscal em domicílio diverso daquele de eleição do contribuinte acarrete nulidade por cerceamento de defesa. Quanto ao MPF, passamos a registrar nossa aposição. Mandado de Procedimento Fiscal. Eventuais vícios no MPF não afetam relação jurídica fisco x contribuinte. Procedimentos fiscais concluídos entre 12/2007 a 06/2011. Partimos para desvendar as conseqüências jurídicas para o lançamento tributário de eventuais vícios quanto ao Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Como nesta Câmara tratamos do julgamento de segunda instância de recursos que versem sobre o que o regimento desta Casa denomina de contribuições previdenciárias, bem como sobre as contribuições devidas a terceiros, temos que, de início, identificar a legislação aplicável ao MPF relativamente a tais tributos. No que tange às contribuições previdenciárias, o MPF foi criado pelo Decreto 3.969/2001, publicado em 16/10/2001, tendo mantido sua vigência até a edição do Decreto 6.104/2007, publicado em 02/05/2007. Assim, as regras relativas ao MPF devem ser buscadas no Decreto 3.969/2001, no período de 16/10/2001 a 01/05/2007, e no Decreto 3.724/2001, alterado pelo Decreto 6.104/2007, a partir de 02/05/2007. Fl. 3847DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por BERNADETE D E OLIVEIRA BARROS 18 Para complementar as normas dos Decretos, foram editadas portarias, sendo aplicáveis a Portaria 4.066/2007, de 02/05/2007 a 11/12/2007, a Portaria 11.371/2007, de 12/12/2007 a 28/06/2001, e a Portaria 3.014/2011, de 29/06/211 até a presente data. Para o período que interessa ao caso é aplicável a Portaria 11.371/2007. Em resumo, o MPF, segundo o texto do art. 2º do Decreto 3.724/2001, é definido como uma ordem específica que instaura o procedimento fiscal, podendo ser um MPF destinado à fiscalização (MPFF), destinado a realização de diligência (MPFD) ou destinado a casos de flagrante constatação de contrabando, descaminho ou qualquer outra prática de infração à legislação tributária ou previdenciária (MPFE) sendo sua emissão realizada por algumas autoridades definidas no art. 6º da Portaria 11.371/2007. Interessanos o MPFF, pois é este instrumento que pode preceder a constituição de crédito tributário pelo lançamento. Entre as informações constantes do MPFF destacamos o prazo para realização do procedimento fiscal (inciso IV do art. 7º, Portaria 11.371/2007), o tributo objeto do procedimento fiscal a ser executado, o período de apuração correspondente e as verificações a serem procedidas para constatar a correta determinação das respectivas bases de cálculo, em relação aos valores declarados ou recolhidos nos últimos exercícios (§1º do art. 7º da Portaria 11.371/2007). O MPFF tem prazo inicial de 120 dias, podendo ser prorrogado quantas vezes for necessário, art.12 da Portaria 11.371/2007. Havendo o decurso de prazo, extinguese o MPFF, no entanto, o art. 15 da mesma Portaria estabelece que a extinção do MPF não implica nulidade dos atos praticados, podendo novo MPF ser emitido para a conclusão do procedimento fiscal. Considerando a síntese que fizemos sobre as normas que regem a matéria, podemos sugerir três violações possíveis às disposições da legislação sobre o assunto no seguintes casos: 1. Instauração de procedimento fiscal sem a emissão de MPFF; 2. Prosseguimento de procedimento fiscal após o prazo para conclusão do MPF; 3. Conclusão de procedimento fiscal após o prazo previsto para o MPF F e sem prorrogação ou um novo MPF tenha sido emitido. Para a primeira delas instauração de procedimento fiscal sem a emissão de MPFF o Decreto 3.724/2001 não previu, diretamente, qualquer conseqüência jurídica. No entanto, o descumprimento de tal norma pode ensejar responsabilização funcional por Fl. 3848DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por BERNADETE D E OLIVEIRA BARROS Processo nº 12267.000328/200840 Acórdão n.º 2301003.688 S2C3T1 Fl. 2.431 19 desobediência, por parte do servidor, ao dever de cumprir as normas legais e regulamentares, conforme estabelecido pelo art. 116, inciso III da Lei 8.112/90. Em relação à segunda violação – prosseguimento de procedimento fiscal após o prazo para conclusão do MPF – a portaria determinou no art. 16 que a extinção do MPF não implica em nulidade dos atos praticados. Mais uma vez poderia o servidor ser chamado responder por descumprimento de norma legal ou regulamentar, mas, seguindo o que determinou a legislação, os atos praticados seriam válidos. No caso da terceira violação possível conclusão de procedimento fiscal após o prazo previsto para o MPFF e sem que tenha havido prorrogação ou um novo MPF tenha sido emitido – a Portaria 11.371/2007 ou mesmo o Decreto 3.724/2001 não trazem qualquer previsão de nulidade. Portanto, qualquer eventual violação dos dispositivos do Decreto 3.724/2001 e das portarias que regem a matéria em relação ao MPF não gera conseqüências para a relação jurídica fisco x contribuinte, podendo, a depender do caso e de instauração de processo administrativo disciplinar, ensejar punição administrativa aos envolvidos. Passamos para a investigação de quais seriam as hipóteses de nulidade do lançamento validamente existentes em nosso ordenamento jurídico. Veremos as nulidades do ato administrativo do lançamento, sem abordarmos as nulidades processuais que podem surgir após o início do litígio com a apresentação da impugnação. Sabemos que o CTN foi recepcionado como lei materialmente complementar que veicula normas gerais em matéria tributária, tendo tratado do lançamento nos arts. 142 a 150. No entanto, o CTN não traz, explicitamente, qualquer hipótese de nulidade para o lançamento. Apesar de não fazêlo explicitamente, a interpretação sistemática das normas do CTN nos revela as hipóteses de nulidade do lançamento. Sendo o lançamento atividade privativa da autoridade administrativa, nos termos do art. 142, a doutrina já reconheceu que sua natureza jurídica é de ato administrativo. Sobre o assunto, Paulo de Barros Carvalho esclareceu que: “lançamento é ato jurídico e não procedimento.... Consiste muitas vezes, no resultado de um procedimento, mas com ele não se confunde. O procedimento não é da essência do lançamento, que pode consubstanciar ato isolado, independente de qualquer outro.”1 1 Cf. CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 8. ed. São Paulo: Saraiva, 1996, p. 2634. Fl. 3849DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por BERNADETE D E OLIVEIRA BARROS 20 Sendo ato administrativo, por força do CTN – lei materialmente complementar , o ato administrativo de lançamento tributário traz implicitamente as nulidades próprias dos atos administrativos. Sobre estas, a doutrina foi buscar no art. 2º da Lei da Ação Popular (Lei 4.717/65) seu delineamento. Vejamos a literalidade do referido dispositivo legal: “Art. 2º São nulos os atos lesivos ao patrimônio das entidades mencionadas no artigo anterior, nos casos de: a) incompetência; b) vício de forma; c) ilegalidade do objeto; d) inexistência dos motivos; e) desvio de finalidade. Parágrafo único. Para a conceituação dos casos de nulidade observarseão as seguintes normas: a) a incompetência fica caracterizada quando o ato não se incluir nas atribuições legais do agente que o praticou; b) o vício de forma consiste na omissão ou na observância incompleta ou irregular de formalidades indispensáveis à existência ou seriedade do ato;” Tomando o conteúdo de tal dispositivo, a doutrina2 identifica os vícios dos atos administrativos como vícios de incompetência ou relativo ao sujeito, de forma, de ilegalidade do objeto, de inexistência de motivos ou motivação e de desvios de finalidade. Segundo o escólio de Maria Sylvia Zanella Di Pietro, os atos administrativos que possuem tais vícios são atos anuláveis.3 Com relação ao MPF, dois vícios têm sido apontados como ensejadores de nulidade: o vício de competência e o vício relativo à forma. Entre os que enxergam na ausência do MPF um vício de competência, encontramos a Conselheira Liége Lacroix Thomasi, que, no Acórdão 230100.076, de 03 de março de 2009, bem como em diversos outros do mesmo ano, incidentalmente expressou seu entendimento de que o MPF era um requisito formal indispensável para a prática do lançamento, pois representava “a habilitação do agente para o exercício da competência”. Também a exAuditoraFiscal, Mary Elbe Queiroz, vê no MPF um instrumento que atribui 2 Cf. DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito administrativo. 13ª ed., São Paulo: Atlas, 2001, p. 21924. 3 Cf. DI PIETRO, op. cit., (nota Erro! Indicador não definido.), p. 226. Fl. 3850DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por BERNADETE D E OLIVEIRA BARROS Processo nº 12267.000328/200840 Acórdão n.º 2301003.688 S2C3T1 Fl. 2.432 21 competência ao Auditor na medida em que afirma que este é o “veículo normativo legalmente autorizado para estabelecer as regras de competência e investir o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil nos poderes de fiscalizar de modo individualizado determinado contribuinte”.4 Respeitosamente, discordamos da ilustre Conselheira e da exAuditora. Já tivemos oportunidade de escrever sobre o assunto e aqui aproveitaremos algumas anotações daquele trabalho.5 Temos como induvidosa a importância da competência para os atos administrativos a ponto de cristalizarse o brocardo: defeito nenhum existe tão grande quanto o da competência.6 Embora tratando competência como sinônimo de capacidade, José Cretella Júnior7 fornecenos a dimensão da competência para o ato administrativo dizendo que “a falta de capacidade ou incapacidade do agente, quer absoluta, quer relativa, torna o ato ilegal, passível de conseqüências que podem culminar com seu total aniquilinamento”. Maria Sylvia Zanella Di Pietro8, professora titular de Direito Administrativo da Universidade de São Paulo, ao tratar dos vícios relativos ao sujeito, defende que “visto que a competência vem sempre definida em lei, o que constitui garantia para o administrado, será ilegal o ato praticado por quem não seja detentor das atribuições fixadas na lei...”9 A autora tratando do elemento sujeito do ato administrativo defineo como “aquele a quem a lei atribui competência para a prática do ato”. A ilustre professora das Arcadas, ao afastar a discricionariedade em relação à competência, reitera a gênese da norma que estatui a competência, insistindo que “a competência para a prática dos atos administrativos é fixada em lei; é inderrogável, seja pela vontade da administração, seja por acordo com terceiros”. Em outra obra10, a autora caracteriza a origem na lei como garantia para o administrado no trecho: 4 Cf. QUEIROZ, Mary Elbe. O Mandado de Procedimento Fiscal. Formalidade essencial, vinculante e obrigatória para o início do procedimento fiscal. Revista Fórum de Direito Tributário. Belo Horizonte, ano 7, n. 37, p. 5398, jan./fev. 2009, (p. 96). 5 Cf. SILVA, Mauro José. A competência para o lançamento e o Mandado de Procedimento Fiscal. Tributação em revista. n. 37, p. 1017, jul./set. 2001. 6 Nullus est maior defectus quam defectus potestatis. 7 Cf. CRETELLA JÚNIOR, José. Tratado de direito administrativo, vol. II, Teoria do ato administrativo. Rio de Janeiro: Forense, 1966, p. 149. 8 Cf. DI PIETRO, op. cit., (nota Erro! Indicador não definido.), p. 186. 9 Cf. DI PIETRO, op. cit., (nota Erro! Indicador não definido.), p. 220. 10 Cf. DI PIETRO, op. cit., (nota Erro! Indicador não definido.), p. 220. Fl. 3851DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por BERNADETE D E OLIVEIRA BARROS 22 “Visto que a competência vem sempre definida em lei, o que constitui garantia para o administrado, será ilegal o ato praticado por quem não seja detentor das atribuições fixadas na lei e também quando o sujeito pratica exorbitando de suas atribuições” Amparados nessas seguras lições, já concluímos que “a fixação da gênese normativa da competência na lei encontra respaldo, portanto, da pacífica interpretação da doutrina sobre o instituto, e é autêntica garantia para o administrado”.11 Oportuno lembrar que não podemos confundir competência tributária com competência para o lançamento. Possuir competência tributária – aptidão para criar tributos in abstrato que é conferida constitucionalmente aos entes federativos – não se confunde com competência para o lançamento, pois esta deve ser entendida como a autorização legal para editar a norma individual e concreta veiculada pelo respectivo ato administrativo. Ao dizermos que competência para o lançamento é a autorização legal para editar a norma individual e concreta veiculada pelo respectivo ato administrativo tornase oportuno retomarmos a doutrina de Maria Sylvia Zanella Di Pietro. A autora, instada, em 2002, a opinar quanto à competência para o ato administrativo do lançamento tributário, considerando o conteúdo do art. 142 do CTN e as leis instituidoras dos tributos, asseverou que: “A primeira observação a fazer é no sentido de que a competência para a realização dos procedimentos fiscais é privativa dos AuditoresFiscais nos termos do artigo 8° da Medida Provisória n° 2.17529, já analisada, e da legislação tributária também já mencionada. Como também é de sua competência privativa a constituição, me diante lançamento, do crédito tributário. Sendo sua a competência, por força de lei, não há fundamento legal para a sua limitação por meio de portaria da Secretaria da Receita Federal[referindose à Portaria SRF 3.007/2001 que primeiro tratou da matéria no âmbito da SRF]. Certamente não há impedimento a que as autoridades indicadas na portaria emitam o MPF quando tiverem conhecimento de fatos que devam ser objeto de fiscalização ou de diligência. Mas essa possibilidade não pode limitar ou impedir a iniciativa de cada AuditorFiscal para o exercício das atribuições que são inerentes ao seu cargo e cuja omissão pode caracterizar ilícito administrativo, civil e até criminal. Também não há o mínimo fundamento legal para que o exercício de uma atribuição inerente a um cargo público fique dependendo de determinação de autoridade superior. 11 Cf. SILVA, op. cit., (nota Erro! Indicador não definido.), p. 14. Fl. 3852DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por BERNADETE D E OLIVEIRA BARROS Processo nº 12267.000328/200840 Acórdão n.º 2301003.688 S2C3T1 Fl. 2.433 23 (...) Aliás, contraria o bomsenso e a razoabilidade dos atos normativos exigir que o servidor dependa de determinação de autoridade superior para desempenhar atribuição que lhe é outorgada por lei. É evidente que a autoridade da lei tem que prevalecer sobre a vontade da autoridade administrativa. Mencionando, mais uma vez, o conceito de cargo público contido no artigo 3° da Lei no. 8.112/90, verificase que, por ele, o cargo público é o conjunto de atribuições e responsabilidades; sendo criado por lei, conforme parágrafo único do mesmo dispositivo, a lei é que define esse conjunto de atribuições e responsabilidades.”12 Merece destaque o trecho na qual a autora, com energia, afirma que “contraria o bomsenso e a razoabilidade dos atos normativos exigir que o servidor dependa de determinação de autoridade superior para desempenhar atribuição que lhe é outorgada por lei. É evidente que a autoridade da lei tem que prevalecer sobre a vontade da autoridade administrativa”13. Com a maestria que lhe é peculiar, autora não deixou de considerar que o parágrafo único do art. 142 do CTN estatui que a “atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional” e concluiu que: “o AuditorFiscal tem o dever irrenunciável de exercer todas as atribuições próprias do cargo, por força de lei, não podendo depender, para exercêlas, de decisão de autoridades superiores nem sofrer qualquer tipo de limitação. A omissão no desempenho de suas atribuições caracteriza improbidade administrativa, conforme artigo 11, inciso II, da Lei nº 8.249, de 2.6.92. Além disso, estará cumprindo ordem manifestamente ilegal se for impedido ou limitado no exercício de suas atribuições com base em MPF emitido em desacordo com a lei.”14 Em conclusão de seu parecer, a autora asseverou que: 12 Cf. DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella; MELLO, Celso Antonio Bandeira de. Princípios constitucionais da administração pública. Aspectos relativos à competência do AuditorFiscal da Receita Federal e sua função de servidor de Estado. Brasília: Unafisco Sindical, 2002, p. 478. 13 Cf. DI PIETRO, op. cit., (nota Erro! Indicador não definido.), p. 48. 14 Cf. DI PIETRO, op. cit., (nota Erro! Indicador não definido.), p. 4950. Fl. 3853DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por BERNADETE D E OLIVEIRA BARROS 24 “A competência para realizar o ato administrativo do lançamento tributário é do AuditorFiscal da Receita Federal, em razão de sua investidura no cargo, cujas atribuições são definidas em lei. Essa competência não pode ser condicionada ou limitada por portaria administrativa. O AuditorFiscal da Receita Federal pode exercer as suas atribuições independentemente da emissão de Mandado de Procedimento Fiscal ou quando este esteja com prazo de validade vencido, sem que isto caracterize incompetência ou vício de nulidade que possa ser declarado pelas autoridades incumbidas do julgamento nos processos de contencioso administrativo.” (grifei) O entendimento acima expresso é corroborado pela sentença proferida em sede de mandado de segurança, pelo juiz Ivan Velasco Nascimento, da 8ª Vara Federal, segundo a qual a norma administrativa que disciplinava o MPF à época, Portaria SRF nº 1.265, de 1999, “é colidente com outras normas tributárias que ocupam patamares mais elevados”, afirmando ainda que: “Não há dúvida de que a exigência de prévia emissão do MPF F, para que o auditor possa cumprir o seu dever, ante a constatação da ocorrência de fato típico, é medida de efeito concreto que hostiliza o disposto no artigo 95 da Lei n° 4.502/94 c/c artigo 9º do DecretoLei 1.024/69 e cerceia o direito e dever, líquido e certo, do auditor executor da fiscalização”. Existem julgados do antigo 2º Conselho de Contribuinte e da Câmara Superior de Recursos Fiscais que já consideraram que problemas no MPF não acarretam nulidade no lançamento por vício de competência. Tratavam de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, mas podem ser aplicáveis ao caso, pois tudo que tratamos aqui sobre as nulidades do ato administrativo do lançamento não dependem de norma específica aplicável somente às contribuições previdenciárias. Vejamos dois Acórdãos: 20214693 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL O MPF, principalmente, prestase como um instrumento de controle criado pela Administração Tributária para dar segurança e transparência à relação Fiscocontribuinte, que objetiva assegurar ao sujeito passivo que seu nome foi selecionado segundo critérios objetivos e impessoais, e que o agente fiscal nele indicado recebeu do Fisco a incumbência para executar aquela ação fiscal. Pelo MPF o auditor está autorizado a dar início ou a levar adiante o procedimento fiscal, mas, de nada adianta estar habilitado pelo MPF, se não forem lavrados os termos que indiquem o início ou o Fl. 3854DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por BERNADETE D E OLIVEIRA BARROS Processo nº 12267.000328/200840 Acórdão n.º 2301003.688 S2C3T1 Fl. 2.434 25 prosseguimento do procedimento fiscal. E, mesmo mediante um MPF, o procedimento de fiscalização apenas estará formalizado após notificação por escrito do sujeito passivo, exarada por servidor competente. O MPF sozinho não é suficiente para demarcar o início do procedimento fiscal, o que força o seu caráter de subsidiariedade aos atos de fiscalização; isto importa em que, se ocorrerem problemas com o MPF, não seriam invalidados os trabalhos de fiscalização desenvolvidos, nem dados por imprestáveis os documentos obtidos para respaldar o lançamento de créditos tributário apurados. Isto se deve ao fato de que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, e, detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não poderia o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional. CSRF/0202.543 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MPF. NULIDADE. Descabe a argüição de nulidade quando se verifica que o Auto de Infração foi lavrado por pessoa competente para fazêlo e em consonância com a legislação vigente. O MPF é mero instrumento de controle da atividade de fiscalização no âmbito da Secretaria da Receita Federal, de modo que eventual irregularidade na sua expedição, ou nas renovações que se seguem, não acarreta a nulidade do lançamento. Considerando as lições doutrinárias e a jurisprudência administrativa, bem como respeitando as normas que validamente regem a matéria, expressamos nossa conclusão de que o Mandado de Procedimento Fiscal não é instrumento que outorga ou retira competência, uma vez que esta necessita de lei que lhe defina os contornos e aquele foi instituído por Decreto. A utilização do Mandado de Procedimento Fiscal restringese aos interesses da administração tributária em controlar a atuação dos servidores legalmente competentes para efetuar o lançamento.15 Apresentada nossa posição em relação à ausência de causa para nulidade do lançamento por vício de competência nos casos lançamento não precedidos de MPF ou que foram precedidos de MPF com algum vício de emissão ou prorrogação, passamos a enfrentar a segunda possibilidade de causa para nulidade do ato administrativo de lançamento: vício de forma ou vício por ausência de formalidades essenciais. 15 Cf. SILVA, op. cit., (nota Erro! Indicador não definido.), p. 17. Fl. 3855DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por BERNADETE D E OLIVEIRA BARROS 26 Entre os que defendem a existência de vício de forma encontramos o ilustre Conselheiro dessa Turma, Damião Cordeiro de Moraes, que se manifestou nesse sentido no voto que proferiu na ocasião do julgamento do recurso 268.580. O Conselheiro concluiu que “o MPF é elemento imprescindível (formalidade essencial) a validade do ato de fiscalização, que precede a constituição do crédito tributário”. No mesmo sentido, a exAuditora Mary Elbe entendeu que o MPF “adquiriu status de um instrumento e uma formalidade essencial, indispensável para que o lançamento, como produto final do procedimento fiscal, seja executado e considerado válido”. No raciocínio de ambos os juristas encontramos duas premissas: o veículo normativo que institui o MPF seria apto a instituir uma formalidade essencial para o lançamento e os procedimentos de fiscalização são imprescindíveis para o ato administrativo do lançamento. Veremos que ambas as premissas devem ser afastadas. Já dissemos que a Constituição Federal, no art. 146, inciso III, alínea “b”, exige que as normas gerais sobre o lançamento sejam estabelecidas em Lei Complementar, sendo que os arts. 142 a 150 do CTN exercem tal função. Especialmente no art. 142 não encontramos a exigência de uma formalidade essencial que pudesse ser equiparada ao MPF. Ou seja, não há previsão no CTN para a existência de uma formalidade essencial para o lançamento similar ao MPF. Considerando que o MPF foi instituído por Decreto, fácil concluir que seu “status” de formalidade essencial – se é que existe foilhe concedido por norma infra legal que não estava autorizada para tanto pelo texto constitucional. Quanto ao lançamento ser, necessariamente, precedido por procedimento inquisitorial investigatório, Paulo de Barros Carvalho já foi categórico em assentar que “o procedimento não é da essência do lançamento, que pode consubstanciar ato isolado, independente de qualquer outro.”16 Além de tal lição doutrinária, podemos observar que inúmeros lançamentos são realizados sem que qualquer procedimento investigatório seja realizado em situações nas quais a autoridade lançadora dispõe de todos os elementos para, em estrita obediência aos ditames do art., 142 do CTN, “verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível” . No campo da lógica simples já podemos descaracterizar a natureza de formalidade essencial do MPF, pois o que é essencial não se dispensa, existe em todos os casos, está sempre presente, o que não constitui a realidade do MPF. Ainda que fosse admitido o status de formalidade essencial ao MPF, esta seria uma exigência para o procedimento inquisitorial de investigação e não para o ato 16 CARVALHO, op. cit., (nota Erro! Indicador não definido.), p. 2634. Fl. 3856DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por BERNADETE D E OLIVEIRA BARROS Processo nº 12267.000328/200840 Acórdão n.º 2301003.688 S2C3T1 Fl. 2.435 27 administrativo do lançamento que pode, como vimos, prescindir de um prévio trabalho investigativo. Assim, concluímos que o Mandado de Procedimento Fiscal diz respeito ao procedimento inquisitorial de investigação fiscal e não ao ato administrativo do lançamento em si, não possuindo, outrossim, status de formalidade essencial capaz de causar nulidade por vício formal no referido ato administrativo. Por fim, há aqueles, como a exAuditorFiscal, Mary Elbe,17 que entendem que o MPF é um instrumento garantidor do contraditório e da ampla defesa, ou mesmo outros, como o Conselheiro Leonardo no voto do recurso 268.580, que entendem a existência do MPF como corolário da segurança jurídica. Como é cediço não podemos falar em contraditório e ampla defesa na fase que antecede a conclusão do lançamento, pois os procedimentos da autoridade fiscalizadora têm natureza inquisitória não se sujeitando ao contraditório os atos lavrados nesta fase. Somente depois concluído o lançamento e instalado o litígio administrativo com a apresentação da impugnação é que se pode falar em obediência aos ditames do princípio do contraditório e da ampla defesa. Nesse sentido, já decidiu o antigo Conselho de Contribuintes atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF): NORMAS PROCESSUAIS NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃOA fase de investigação e formalização da exigência, que antecede à fase litigiosa do procedimento, é de natureza inquisitorial, não prosperando a argüição de nulidade do auto de infração por não observância do princípio do contraditório. Assim também a mesma argüição, quando fundada na alegação de falta de motivação do ato administrativo, que, de fato, não ocorreu.(Acórdão 10193425) Quanto à segurança jurídica, Leandro Paulsen18 conclui que são cinco os seus possíveis conteúdos: (i) certeza do direito; (ii) intangibilidade das posições jurídicas; (iii) estabilidade das situações jurídicas;(iv) confiança no tráfego jurídico; e (v) tutela jurisdicional. Considerando que o conteúdo de certeza do direito diz respeito ao conhecimento do direito vigente e aplicável aos casos, de modo que as pessoas possam orientar suas condutas conforme 17 Cf. QUEIROZ, op. cit., (nota ), p. 62. 18 Cf. PAULSEN, Leandro. Segurança jurídica, certeza do direito e tributação: a concretização da certeza quanto à instituição de tributos através das garantias da legalidade, da irretroatividade e da anterioridade. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2006, p. 165. Fl. 3857DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por BERNADETE D E OLIVEIRA BARROS 28 os efeitos jurídicos estabelecidos, buscando determinado resultado jurídico ou evitando conseqüência indesejada, podemos admitir sua relação com a existência do MPF. No entanto, todas as normas a serem consideradas na aplicação da segurança jurídica devem ter sido validamente inseridas no ordenamento jurídico e estarem em plena vigência. Nesse sentido, Ricardo Lobo Torres,19 citando Tipke, afirma que a segurança jurídica é a segurança da regra. Assim, tendo sido demonstrado que não há qualquer regra validamente inserida no ordenamento jurídico que atribua o efeito de nulidade aos eventuais vícios relacionados ao MPF, não há qualquer violação à segurança jurídica a conclusão de que vícios quanto ao instrumento administrativo não geram efeitos na relação fisco x contribuinte. Por oportuno, não podíamos concluir nossa manifestação sem enfrentar a questão de que a existência do MPF pode contribuir para diminuir os eventuais desvios de conduta das autoridades fiscais e o aparecimento de golpistas particulares que atuariam como falsos AuditoresFiscais. A eventual função de auxílio ao combate a tais ilícitos que o MPF pode exercer não legitima, de per si e em afronta ao direito positivo, a consideração de que ocorreria nulidade quando da existência de quaisquer vícios quanto a tal instrumento de controle administrativo. Em apoio a nossa posição, tomamos, mais uma vez, as seguras lições da administrativista Maria Sylvia Zanella Di Pietro sobre o assunto. Afirmou a professora em parecer no qual considerou os efeitos da existência do MPF: “Os desvios de conduta, sempre possíveis de ocorrer, pela omissão no exercício das atribuições próprias do cargo, devem ser objeto de apuração e aplicação das sanções cabíveis. Não podem, contudo, levar a adoção ou imposição de medidas normativas contrárias à lei(...).” 20 Por todo o exposto, concluímos que a existência de quaisquer vícios em relação ao MPF não gera efeitos quanto à relação jurídica fisco x contribuinte estabelecida com o ato administrativo do lançamento, podendo aqueles ensejar, se for o caso, apuração de responsabilidade administrativa dos envolvidos, mas, insistimos, sem afetar a relação jurídica fisco x contribuinte. Voltando para o caso presente, em resumo, portanto, não temos configurada quaisquer das hipóteses do art. 32 da Portaria 520/2004. Porém, poderíamos justificar a declaração de nulidade do lançamento se alguns dos elementos do ato administrativo do lançamento estivesse deficiente. 19 Cf. TORRES, Ricardo Lobo. Tratado de direito constitucional financeiro e tributário, v. II; Valores e princípios constitucionais tributários. Rio de Janeiro: Renovar, 2005, p. 173. 20 Cf. DI PIETRO, op. cit., (nota Erro! Indicador não definido.), p. 50. Fl. 3858DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por BERNADETE D E OLIVEIRA BARROS Processo nº 12267.000328/200840 Acórdão n.º 2301003.688 S2C3T1 Fl. 2.436 29 Ocorre que não vislumbramos qualquer vício nos pressupostos de fato e de direito do lançamento. O lançamento foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente notificante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária e das obrigações acessórias, fazendo constar, nos relatórios que compõem a autuação, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas, cumprindo adequadamente os preceitos do art. 142 do CTN. O Relatório Fiscal, juntamente com todos os anexos constantes dos autos, traz todos os elementos que motivaram a lavratura do lançamento e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à notificada. Incabível a declaração de nulidade de lançamento que traz um enquadramento legal das infrações que permite ao sujeito passivo identificar os dispositivos legais aplicáveis de modo a construir adequadamente sua defesa. O enquadramento legal contido no lançamento de ofício não contém qualquer vício que resulta na nulidade. No mesmo sentido há vários julgados deste Colegiado: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA INEXISTÊNCIA Inexiste nulidade no auto que contém a descrição dos fatos e seu enquadramento legal, permitindo amplo conhecimento da alegada infração. ( Ac. 1º CC 10805.383) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE Contendo o auto de infração completa descrição dos fatos e enquadramento legal, mesmo que sucintos, atendendo integralmente ao que determina o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa, especialmente quando a infração detectada foi simples falta de recolhimento de tributo. ( Ac. 2º CC 20211700) PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO CERCEAMENTO DE DEFESA Incabível a argüição de nulidade do procedimento fiscal quando este atender as formalidades legais e for efetuado por servidor competente. Estando o enquadramento legal e a descrição dos fatos aptos a permitir a identificação da infração imputada ao sujeito passivo, não há que se falar em nulidade do lançamento por cerceamento de defesa. O cerceamento do direito de defesa não prevalece quando todos os valores utilizados na autuação se originam de documentos e demonstrativos constantes nos autos do processo. (Acórdão 1º CC, 10613409) Entendemos que o lançamento cumpriu as exigências do art. 142 do CTN, o que resulta em afastarmos o argumento de nulidade do lançamento. Fl. 3859DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por BERNADETE D E OLIVEIRA BARROS 30 Já existe manifestação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) afastando a nulidade em casos de problemas com o domicílio fiscal de eleição do contribuinte. Vejamos: Segundo Conselho de Contribuintes. 6ª Câmara. Turma Acórdão nº 20601429 do Processo 35301010276200690 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/1999 a 31/12/2001 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO CONTRATAÇÃO DE TRABALHADORES AUTÃ"NOMOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÃSNCIA DOMICà LIO TRIBUTÁRIO. INTERPRETAÇÃO NO INTERESSE DO FISCO. O domicílio tributário, previsto no CTN, é apenas uma referência para fiscalização e arrecadação de tributos, se não houve demonstração do prejuízo para o contribuinte de a ação fiscal se realizar em tal estabelecimento, não há que se reconhecer a nulidade do procedimento fiscal. Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente. A contratação de trabalhadores autônomos, contribuintes individuais, é fato gerador de contribuições previdenciárias, que atinge simultaneamente dois contribuintes: a empresa e o segurado. O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Recurso Voluntário Negado. Portanto, de per si, a intimação da recorrente durante a fase fiscalizatória em estabelecimento diferente daquele que elegeu para seu domicílio fiscal não causa nulidade no lançamento. No entanto, cada intimação em domicílio diverso daquele eleito deve ser, a princípio, considerada não realizada. Dizemos a princípio, pois a entrega equivocada da intimação é sanada na medida em que o contribuinte responde à referida intimação ou comparece no processo. Ma s a existência de tais vícios na intimação podem afetar nossa conclusão, se o lançamento for feito com base em arbitramento, a depender da justificativa para este procedimento especial. No caso presente, de fato, o lançamento foi realizado com fundamento no arbitramento previsto no §3º do art. 33 da Lei 8.212/91, in verbis conforme texto vigente à época dos fatos: Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e Fl. 3860DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por BERNADETE D E OLIVEIRA BARROS Processo nº 12267.000328/200840 Acórdão n.º 2301003.688 S2C3T1 Fl. 2.437 31 aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 9 de Julho de 2001) (...) § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Para tanto, a fiscalização apontou como motivação os itens 4.1 a 4.4 do Relatório Fiscal. Como podemos extrair do dispositivo em destaque, o motivo para o arbitramento deve ser a recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente. Nesse sentido, parecenos que a motivação para o lançamento seria aquela constante dos itens 4.3. 1 a 4.3.3 e 4.4. 4.3. Por deixar a MI Montreal de: 4.3.1. apresentar os comprovantes de despesas relativos aos pagamentos e todos os documentos que fundamentaram os lançamentos contábeis das despesas lançadas nas contas abaixo discriminadas, onde conste no histórico do lançamento contábil os documentos denominados Comprovantes de Pequenas Despesas (CPD's) e Resumos de Prestação de Contas (RPC's); 4.3.2. apresentar a relação dos segurados vinculados aos pagamentos destas despesas, contendo a qualificação dos mesmos (CNPJ filial, nome completo, CPF, data de admissão, data de demissão, matrícula na empresa etc.); 4.3.3. identificar a natureza jurídica da prestação laborativa destes segurados (segurado empregado, autônomo, contribuinte individual, cooperado de cooperativa de trabalho etc. ). (...) 4.4. Por apresentar os arquivos digitais, definidos no Manual Normativo de Arquivos Digitais (MANAD), aprovado pela Portaria MPS/SRP N'058, de 2810112005, Diário Oficial da União (DOU) de 3110112005, com formatos e conteúdos incompatíveis com aqueles exigidos no referido manual (...) A questão a desvendar que interessa ao deslinde do presente é se os documentos e informações acima enumerados deixaram de ser apresentados ou confeccionados adequadamente por conta da intimação da recorrente em domicílio diverso daquele que elegeu em conformidade com o CTN. Fl. 3861DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por BERNADETE D E OLIVEIRA BARROS 32 Ora, nesse aspecto caberia à própria recorrente apontar que a intimação em estabelecimento que não correspondia ao seu domicílio fiscal resultou na impossibilidade de atendimento da intimação ou no seu atendimento deficiente, o que teria resultado em uma motivação falseada do arbitramento. Mas em nenhum momento tal argumento foi utilizado no Recurso Voluntário. A recorrente NUNCA reclamou que não recebeu as intimações. Depois que compareceu ao processo para apresentar sua defesa poderia ter manifestado sua surpresa em relação às intimações que nos autos constam, mas não o fez. O que reclamou é que a justificação do arbitramento não permitia identificar quais documentos não apresentou. Porém, o que ocorreu foi que a recorrente não observou os itens 4.3 e 4.4 acima transcritos, fixandose tão somente no conteúdo do item 1.5 do Relatório Fiscal para argumentar que a justificativa para o arbitramento foi genérica. Aliás, contrariando a tese de que teria havido prejuízo à Recorrente quanto ao atendimento das intimações, a Recorrente, em seu Recurso Voluntário, demonstra conhecer bem o conteúdo das intimações quando diz: "Os fiscais se limitaram a solicitar documentos e mais documentos somente para poder fundamentar seu absurdo procedimento através da recusa desses imaginários documentos. Repitase: a contabilidade da Recorrente não apresenta indícios de fraude. Da análise mais detida dos documentos anexados a este Recurso, outra não pode ser a conclusão senão a de que, ou a fiscalização não examinou todos os documentos disponibilizados correta e adequadamente, ou sequer os solicitou empresa na medida em que foram surgindo as dúvidas com relação aos lançamentos contábeis objetos desta NFLD. " A Recorrente discute a conclusão da autoridade fiscal de considerar não atendida a intimação, mas não demonstra desconhecer ou ter tido dificuldade em atender as intimações pela fato de ter sido intimada em local diverso de seu domicílio. E mesmo em relação ao acerto dos documentos apresentados, apesar de a fiscalização ter apresentado com clareza o que teria levado ao arbitramento, a Recorrente não se desincumbiu do ônus de provar que os motivos para o arbitramento não existiam, pois seus argumentos são genéricos. Assim, não tendo havido prejuízo para a Recorrente quanto ao atendimento das intimações decorrente do fato de ser outro seu domicílio fiscal, entendemos que o caso não enseja nulidade. Por oportuno, toda essa discussão sobre a validade de intimação recebida em estabelecimento que não seja o domicílio de eleição já havia sido pacificada nos antigos Conselhos de Contribuintes em virtude do conteúdo do Decreto 70.235/72. Embora não aplicável diretamente ao caso devido à data dos fatos geradores, serve para ilustrar como a questão tem sido tratada, como podemos conferir abaixo: Acórdão nº 10194717 do Processo 10768010249200285 20/10/2004 ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO INEXISTÊNCIA A indicação da pessoa jurídica constituída à época dos fatos, com a ciência do lançamento para a sua responsável sucessora, é Fl. 3862DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por BERNADETE D E OLIVEIRA BARROS Processo nº 12267.000328/200840 Acórdão n.º 2301003.688 S2C3T1 Fl. 2.438 33 procedimento regular, que não pode provocar nulidade, pois ausente qualquer prejuízo para o contribuinte, haja vista inexistir cerceamento de defesa. Nesses casos, o formalismo não pode prevalecer. NULIDADE DA INTIMAÇÃO INEXISTÊNCIA Valida a ciência tomada por pessoa com vinculação notória tanto com a incorporada quanto com a incorporadora, além de procurador da holding. NULIDADE COMPETÊNCIA DA FISCALIZAÇÃO VALIDADE A teor do disposto no artigo 9º, §§ 2º e 3º, do Decreto 70.235/72, os procedimentos quanto ao lançamento serão válidos, mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. A formalização da exigência previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer. Pelo exposto, mais uma vez pedimos vênia ao Redator para divergir de sua proposição de nulidade, votando na inexistência de nulidade por vício material e na necessidade de análise do mérito. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Fl. 3863DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por BERNADETE D E OLIVEIRA BARROS
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Numero do processo: 10675.002255/2005-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 19 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 3302-000.037
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o presente recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o presente recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (Assinado Digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (Assinado Digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Relator. EDITADO EM: 19/07/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Antonio Francisco, Fabíola Keramidas, Alexandre Gomes, Alan Fialho, Walber José da Silva e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por AREOVALDO MARIANO TAVARES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 20/07/201 2 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10675.002255/200541 Resolução n.º 3302.00.037 S3C3T2 Fl. 2 2 Relatório Trata o presente processo de pedido ressarcimento de saldo credor de IPI de fl. 01, relativo ao 3º trimestre do anocalendário de 2001, formulado em 31/10/2001, com fulcro no artigo 11 da Lei nº 9.779, de 19/01/1999. Ao pedido de R$ 253.835,88, vinculouse o Pedido de Compensação de fl. 02, convertido em Declaração de Compensação, por força do dispositivo no art. 74, §4º, da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, com redação dada pela Lei nº 10.883, de 2003. Com tal declaração a contribuinte visou extinguir débito da Cofins, indicados ora como principal (1 débito relativo a setembro de 2001), ora como acréscimos legais de multa e juros (3 débitos dos meses de maio, julho e setembro de 2001) Em análise de legitimidade, a autoridade competente da Delegacia da Receita Federal de Uberlândia, MG, exarou o Despacho Decisório de fls. 120/123 para deferir parcialmente o pleito de ressarcimento. Em razão do valor deferido de R$ 196.986,12 foram homologadas as compensações declaradas pela contribuinte, relativa à parte da Cofins dos meses de maio, julho e setembro de 2001, não se considerando, entretanto, como objeto de compensação a multa e juros de mora, declarados à fl.02. As razões para o reconhecimento parcial do saldo credor, amparado na Informação Fiscal de fls. 110/114, serão, resumidamente, descritas a seguir: I – de início a contribuinte apresentou a relação de notas fiscais de fls. 16/44, em que vários produtos nelas consignados não atendiam a condição de serem matériasprimas, produtos nelas consignados não atendiam a condição de serem matériasprimas, produtos intermediários ou materiais de embalagem, por desatenderem ao disposto no art. 147 do RIPI 1998, bem como no Parecer Normativo CST nº 65, de 1979. Diante dessa constatação, a contribuinte elaborou nova planilha, às fls. 100/105, da qual foram retirados os produtos acima referidos. Restou, por fim, o saldo credor de IPI destacado nas notas fiscais relacionadas na nova planilha de fls. 100/105 de R$ 196.986,12, inferior ao valor inicialmente requerido. Portanto, ficou caracterizado que a relação ao valor de R$ 56.849,76 (253.835,88196.986,12) o pedido era improcedente uma vez que composto pela aquisição, por exemplo, de termômetro, peças de reposição, contato, refil para saboneteira, tubo sifão, luminária, cera líquida, desinfetante, relógio automático, sensores indutivos, óleo lubrificantes, etc, itens que não se integram ou não se consomem em contato com os produtos derivados de abate de suínos. Além do IPI incidente sobre esses produtos, também não fizeram parte da planilha de fls.100/105 o IPI sobre aquisições cujas notas fiscais não foram localizadas pela interessada. II – entre os valores de IPI escriturados no Livro Registro de Apuração do IPI no 3º trimestre de 2001 incluiuse a quantia de R$ 5.413,88, relativa a aquisições de bens para o ativo permanente. Tal importância foi estornada pela própria contribuinte no mês de agosto de 2001, juntamente com parcelas de mesma natureza, registradas nos 1º e 2º trimestres, nos respectivos valores de R$ 26.468,52 e R$ 20.629,14, com total estornado de R$ 52.511,54. III – outros ajustes no saldo credor foram relatados às fls. 113/114. Cientificada do despacho decisório, a contribuinte manifestou sua inconformidade às fls. 132/136, por intermédio de seu procurador, legalmente constituído às fls. 137/138, para alegar e solicitar, em síntese, que: Fl. 2DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por AREOVALDO MARIANO TAVARES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 20/07/201 2 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10675.002255/200541 Resolução n.º 3302.00.037 S3C3T2 Fl. 3 3 1 – há ainda um saldo credor de R$ 23.633,15 a título de ressarcimento de IPI em favor da manifestante que devem, ser utilizados na compensação dos débitos da COFINS declarados à fl. 02; 2 – O despacho decisório é nulo em face da ausência de clareza. Há uma série de irregularidades na decisão, entre elas a obscuridade na descrição dos fatos, que deixa dúvidas quanto a sua aplicação, eis que não há especificação nem diferenciação que serviram de substrato no que tange à decisão exarada pela autoridade fazendária. A decisão é confusa em relação aos valores mencionados e a origem dos mesmos. A manifestante por certo teve o direito constitucional à defesa e ao contraditório mitigados, vez que não consegue identificar a origem dos débitos e os seus valores, objeto de compensação no presente processo. A motivação e os valores estampados no corpo da decisão proferida deixam dúvidas quanto a sua procedência, eis que declinada de forma irregular e obscura, não apontando de maneira precisa a origem dos valores compensados com o saldo credor de IPI reconhecido. Para a aplicação das normas legais, compete ao julgador administrativo demonstrar especificamente o inter relacionamento entre a norma e o fato. No caso em tela, difícil é para a manifestante saber a origem dos débitos que foram compensados, vez que diversos daqueles apresentados à fl.02. 3 – seja reconhecido o direito à compensação integral dos créditos relativos ao pedido de ressarcimento de IPI de R$ 196.986 com débitos da COFINS, descritos do Pedido de Compensação de fl. 02. O contribuinte, intimado em 13.02.2008, apresentou Recurso Voluntário de fls. 168/174 em 07.03.2008, no qual repisou, em síntese, os mesmos argumentos das fases anteriores da lide. É o relatório. Voto Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator O recurso é tempestivo e atende as condições de admissibilidade, motivo pelo qual dele o conheço. Vejo que uma das questões aduzidas pelo contribuinte é a de que a multa aplicada seria incabível, por ter havido sucessão. Seria logo incabível aplicála à sucessora, por força dos arts. 132 c/c 108 do CTN. Vejo que em 2001, às fls. 01 e 02, os pedidos de restituição e de compensação que o seguiu foram feitos em nome e no CNPJ da Granja Rezende. Vejo que a data do evento da incorporação, de acordo com a consulta do CNPJ, ocorreu em 10.09.2002. Constato, por último, que a homologação parcial do crédito presumido da contribuinte, da forma como relatado, ocorreu em 20.09.2006, após a data de incorporação da sociedade pela sucessora, mas cujos atos que se lhes deram causa ocorreram efetivamente em data anterior à incorporação. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por AREOVALDO MARIANO TAVARES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 20/07/201 2 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10675.002255/200541 Resolução n.º 3302.00.037 S3C3T2 Fl. 4 4 Ocorre que a jurisprudência desse Conselho é no sentido de que é aplicável a multa à sucessora se esta fosse do mesmo grupo econômico que a sucedida, à época, tal como abaixo: “MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. Constatado que empresa incorporada e incorporadora pertenciam, em quase sua totalidade, ao mesmo sócio, não há como dar guarida à tese invocada pela recorrente, de liberação das penalidades em nome da incorporada, sob pena de macular o instituto da responsabilidade tributária por sucessão. ACÓRDÃO nº 10196.270 , julgado em 09/08/2007: MULTA DE OFÍCIO. SUCESSÃO. Ainda que se entenda como excluída a multa de ofício por força do disposto no artigo 132 do CTN, tal exegese não pode prevalecer quando o controle efetivo da incorporada e incorporadora pertence ao mesmo grupo econômico, conforme abaixo: ACÓRDÃO nº 10323.033, julgado em 24/05/2007: MULTA DE OFÍCIO. SUCESSÃO. Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora quando o controle da sucedida e da sucessora é exercido pelas mesmas pessoas. ACÓRDÃO nº 10708.562, julgado em 24/05/2006: MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADES SOB CONTROLE COMUM. SUCESSÃO. CARACTERIZAÇÃO. A interpretação do artigo 132 do CTN, moldada no conceito de que a pena não deve passar da pessoa de seu infrator sob pena deitar por terra as normas gerais insculpidas nos artigos 129 e 136, também do CTN , não pode ser feita isoladamente, de sorte a afastar a responsabilidade do sucessor pelas infrações anteriormente cometidas pelas sociedades incorporadas, quando provado nos autos do processo que as sociedades, incorporadora e incorporadas, sempre estiveram sob controle comum. ACÓRDÃO nº 30132.717, julgado em 26/04/2006: FINSOCIAL. MULTA. RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. Responde o sucessor pela multa de natureza fiscal. O direito dos contribuintes às mudanças societárias não pode servir de instrumento à liberação de quaisquer ônus fiscais (inclusive penalidades), ainda mais quando a incorporadora pertence ao mesmo grupo da incorporada e conhecia perfeitamente o passivo desta.” Ora, fazer parte do mesmo Grupo Econômico significa que a Sadia, sucessora por incorporação da Granja, já deveria ter participação no capital daquela que viria a ser sucedida futuramente, o que de resto não tenho evidência nos autos do processo. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por AREOVALDO MARIANO TAVARES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 20/07/201 2 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10675.002255/200541 Resolução n.º 3302.00.037 S3C3T2 Fl. 5 5 Isso posto, proponho remeter o presente processo à diligência, para que, intimada, a sucessora decline a data efetiva da aquisição da participação no capital da sucedida, para que esta pudesse, no futuro ainda que próximo, incorporála. É como voto. Sala das Sessões, em 19 de março de 2010 (Assinado Digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Fl. 5DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por AREOVALDO MARIANO TAVARES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 20/07/201 2 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por GILENO GURJAO BARRETO
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