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Numero do processo: 10120.005859/2010-82
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 15 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2008 a 31/05/2009
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF. LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO DE ENCERRAMENTO DE FISCALIZAÇÃO. AUSÊNCIA DE NULIDADE.
O Mandado de Procedimento Fiscal - MPF, instituído pelo Decreto n. 3.969/2001, é apenas um instrumento de natureza jurídica administrativo-gerencial, que não afeta o ato de lançamento lavrado em momento posterior ao final do prazo de encerramento de fiscalização. O MPF não tem o condão de interromper a decadência, como faz a ciência da NFLD que consubstancia o ato de lançamento do crédito tributário.
DESCUMPRIMENTO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 31 DA LEI 8.212/91. AUSÊNCIA DE RETENÇÃO.
A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5odo art. 33 da Lei 8.212/91.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2403-002.956
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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E INCORPOR. LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2008 a 31/05/2009 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO DE ENCERRAMENTO DE FISCALIZAÇÃO. AUSÊNCIA DE NULIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF, instituído pelo Decreto n. 3.969/2001, é apenas um instrumento de natureza jurídica administrativo gerencial, que não afeta o ato de lançamento lavrado em momento posterior ao final do prazo de encerramento de fiscalização. O MPF não tem o condão de interromper a decadência, como faz a ciência da NFLD que consubstancia o ato de lançamento do crédito tributário. DESCUMPRIMENTO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 31 DA LEI 8.212/91. AUSÊNCIA DE RETENÇÃO. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5odo art. 33 da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 58 59 /2 01 0- 82 Fl. 69DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10120.005859/201082 Acórdão n.º 2403002.956 S2C4T3 Fl. 70 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº. 0345.627 – 5ª Turma da DRJ/BSB, fls. 40/46, que julgou totalmente improcedente a impugnação apresentada para manter incólume o crédito tributário consubstanciado no DEBCAD 37.249.7403, referente ao período de 14/07/2010, no valor de R$ 4.295,37 (quatro mil, duzentos e noventa e cinco reais e trinta e sete centavos). A presente autuação almeja o recolhimento de multa pelo fato de a empresa, na condição de contratante de serviços de cessão de mãodeobra ou empreitada parcial, ter deixado de reter 11% do valor bruto de notas fiscais em nome das empresas cedentes, conforme Relatório Fiscal, fls. 07/08, cujos trechos pertinentes encontramse colacionados abaixo: Não foi a retida a contribuição de 11% prevista no art. 31 da Lei 8212/91 das seguintes Notas Fiscais de Serviço: NFS 63 e NFS 83 da empresa Zuque e Zuque, NFS 39 da empresa Ribeiro e Palmeira, NFS 21 da empresa Gonzaga e Carvalho. Desse modo, a Serra das Caldas infrigiu a Lei nº 8.212, de 24.07.1991, art. 31, "caput", com a redação dada pela Lei nº 9.711, de 20.11.98, combinado com o Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06.05.99, art. 219. (...) Como se configurou agravante à infração aqui autuada, reincidência específica ou no mesmo tipo de infração, a multa foi aplicada no valor de 3 vezes o valor mínimo (3 vezes R$1.431,79), visto que em fiscalização anterior a empresa foi autuada por não ter retido 11% de outras NFS no período 2003 a 2007, AIOA 371783615 (tipo 93) de 29/08/2008, incluído em parcelamento DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou a autuação fiscal em epígrafe por meio do instrumento de fls. 14/21. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos do então impugnante, a 5ª Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em Brasília, DRJ/BSB, prolatou o Acórdão nº 0345.627, fls. 40/46, a qual julgou improcedente a impugnação ofertada para manter incólume o crédito tributário, conforme ementa a seguir transcrita. Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 14/07/2010 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 AIOA DEBCAD: 37.249.7403 CFL 93 PREVIDENCIÁRIO. INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE RETENÇÃO. Constitui infração à legislação previdenciária deixar, o contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra ou empreitada, de reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura do prestador de serviços. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. MPF. A ciência pelo sujeito passivo do MPF, e suas prorrogações, dar seá por intermédio da Internet, no endereço eletrônico da Receita Federal do Brasil, com a utilização de código de acesso consignado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal. GRADAÇÃO DA MULTA. REINCIDÊNCIA. Caracteriza reincidência a prática de nova infração a dispositivo da legislação por uma mesma pessoa ou por seu sucessor, dentro de cinco anos da data em que se tornar irrecorrível administrativamente a decisão condenatória, da data do pagamento ou da data em que se configurou a revelia, referentes à atuação anterior. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido DO RECURSO VOLUNTÁRIO Irresignada, a Recorrente, SERRA DAS CALDAS CONSTRUTORA E INCORPORADORA LTDA, interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário, fls. 51/55, requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, utilizandose, para tanto, dos seguintes argumentos: 1) A desobediência à portaria 11.371 de 2007, tendo em vista a não prorrogação do MPF; 2) As notas fiscais são de períodos não abrangidos pelo MPF. É o relatório. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10120.005859/201082 Acórdão n.º 2403002.956 S2C4T3 Fl. 71 5 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme documento de fl. 65, temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL O Mandado de Procedimento Fiscal, instituído pelo Decreto n. 3.969/2001, é apenas um instrumento de natureza jurídica administrativa, que não afeta o ato de lançamento lavrado posterior ao final do prazo de encerramento da fiscalização. Isso porque o lançamento de ofício é ato administrativo vinculado para constituição de crédito tributário, conforme determinado pela lei tributária de natureza ordinária, que não pode ser afastado por ato infralegal. Ressaltase o fato de que os atos do processo administrativo tributário federal, somente serão nulos nos casos estabelecidos no art. 59, do Decreto n. 70.235/72, em especial quando há prejuízo à defesa e contraditório do contribuinte. Outrossim, de acordo com o art. 18 da Portaria RFB nº 11.371/2007, a emissão e eventuais prorrogações do MPF ficam disponíveis para consulta na internet, por parte do contribuinte, mediante o código de acesso, presente no Termo de Início do Procedimento Fiscal, mesmo depois de concluída autuação: Art. 18. Os MPFs emitidos e suas alterações permanecerão disponíveis para consulta na Internet, mediante a utilização do código de acesso de que trata o art. 4º, parágrafo único, mesmo após a conclusão do procedimento fiscal correspondente. Neste sentido, este Conselho possui jurisprudência vasta afastando a preliminar de nulidade do lançamento em razão do MPF. É o que se vê: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1994 a .31/12/2002 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. LANÇAMENTOS DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS CONCLUÍDOS ATÉ 01/05/2007 EVENTUAIS VÍCIOS NO MPF NÃO AFETAM RELAÇÃO JURÍDICA FISCO X CONTRIBUINTE. O Mandado de Procedimento Fiscal não é instrumento que outorga ou retira competência, uma vez que esta necessita de lei que lhe defina os contornos e aquele foi instituído por Decreto. Contraria o bomsenso e a razoabilidade dos atos normativos Fl. 73DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 exigir que o servidor dependa de determinação de autoridade superior para desempenhar atribuição que lhe é outorgada por lei. É evidente que a autoridade da lei tem que prevalecer sobre a vontade da autoridade administrativa A utilização do Mandado de Procedimento Fiscal restringese aos interesses da administração tributária em controlar a atuação dos servidores legalmente competentes para efetuar o lançamento. Assim, o MPF é um instrumento de controle criado pela Administração Tributária para dar segurança e transparência à relação Fisco contribuinte que permite ao sujeito passivo assegurarse de que a fiscalização foi iniciada segundo critérios objetivos e impessoais, e que o agente fiscal nele indicado recebeu do Fisco a incumbência para executar aquela ação fiscal. Da mesma forma que no caso dos demais tributos, nos lançamentos relativos a contribuições previdenciárias concluídos sob a égide do Decreto .3.979/2001, a existência de quaisquer vícios em relação ao MPF não gera efeitos quanto à relação jurídica fisco contribuinte estabelecida com o ato administrativo do lançamento, podendo aqueles ensejar, se for o caso, apuração de responsabilidade administrativa dos servidores envolvidos, mas sem afetar relação jurídica tributária fiscocontribuinte. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido (CARF. 2ª Seção de Julgamento. 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária. Processo nº 37166.000411/200454. Acórdão nº 230101.378. Sessão de 28 de abril de 2010. Conselheiro Relator Leonardo Henrique Pires Lopes) * * * ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1998 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL EXTINÇÃO PELO DECURSO DE PRAZO COMPETÊNCIA PARA LANÇAR INDEPENDE DO MPF. A autoridade fiscal tem competência fixada em lei para lavrar o Auto de Infração. Na falta de cumprimento de noinia administrativa a referida autoridade fica sujeita, se for o caso, a punição administrativa, mas o ato produzido continua válido e eficaz. (...) (CARF. 2ª Seção de Julgamento. 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária. Processo nº 19515.001083/200333. Acórdão nº 220200.443. Sessão de 10 de março de 2010. Conselheiro Presidente e Redator Designado Nelson Mallmam) Pelo exposto, entendo não subsistir razão à recorrente neste quesito, de forma que não deve ser anulada a presente autuação por tal motivo. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10120.005859/201082 Acórdão n.º 2403002.956 S2C4T3 Fl. 72 7 DO MÉRITO No que se refere à constituição do crédito tributário, a recorrente não apresenta documento ou contraprova para demonstrar que houve a retenção nas Notas Fiscais de Serviços presentes nas fls. 09/12, que deram origem ao presente processo. Dessa forma, resta configurado o descumprimento ao art. 31 da Lei 8.212/91, que prevê retenção de 11% por parte da empresa contratante, devendo, dessa forma, ser mantido o crédito tributário, in verbis: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5o do art. 33 desta Lei. Outrossim, apenas a título informativo, a multa foi aplicada no valor de três vezes, visto que em fiscalização anterior a empresa foi autuada por não ter retido 11% de outras NFS no período de 2003 a 2007, DEBCAD nº 37.178.3615, de 29/08/2008, incluído em parcelamento, configurando reicidência específica ou do mesmo tipo de infração, não apresentando o contribuinte qualquer argumento contra esse fato. Diante do exposto, há de ser negado provimento ao recurso. CONCLUSÃO Do exposto, conheço do Recurso Voluntário para negar provimento. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 75DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
score : 1.0
Numero do processo: 11080.900043/2008-26
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jun 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/06/1996 a 30/06/1996
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. INEFICÁCIA DO DISPOSITIVO LEGAL.
Os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, previsto pela Lei nº 9.718/98, para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins, não pode ser utilizado como argumento de defesa para reivindicar crédito no bojo de suposto pagamento efetuado anteriormente à vigência do dispositivo legal.
Numero da decisão: 3803-006.886
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Paulo Renato Mothes de Moraes, Samuel Luiz Manzotti Riemma e Carolina Gladyer Rabelo.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/06/1996 a 30/06/1996 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. INEFICÁCIA DO DISPOSITIVO LEGAL. Os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, previsto pela Lei nº 9.718/98, para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins, não pode ser utilizado como argumento de defesa para reivindicar crédito no bojo de suposto pagamento efetuado anteriormente à vigência do dispositivo legal.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/1996 a 30/06/1996 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. CONDIÇÃO. PROVA. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A extinção de débitos mediante compensação declarada pelo sujeito passivo condicionase a ulterior comprovação da certeza do crédito utilizado. A ausência da prova da existência do pagamento impossibilita o conhecimento do recurso. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/1996 a 30/06/1996 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. INEFICÁCIA DO DISPOSITIVO LEGAL. Os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, previsto pela Lei nº 9.718/98, para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins, não pode ser utilizado como argumento de defesa para reivindicar crédito no bojo de suposto pagamento efetuado anteriormente à vigência do dispositivo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 00 43 /2 00 8- 26 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Paulo Renato Mothes de Moraes, Samuel Luiz Manzotti Riemma e Carolina Gladyer Rabelo. Relatório Trata o presente de recurso voluntário contra o acórdão da DRJ/Porto Alegre que considerou improcedente a manifestação de inconformidade Despacho decisório da DRF/Porto Alegre não homologou a compensação declarada pela Contribuinte por inexistência do crédito da Contribuição para o PIS/Pasep perante a Fazenda Nacional, não tendo o órgão de origem localizado o DARF indicado na DComp. Em manifestação de inconformidade a Interessada alegou que o crédito utilizado era decorrente de pagamento indevido sobre valores repassados a terceiros, que deveriam ter sido excluídos da base tributável, com base no art. 3°, § 2º, inciso III, da Lei 9.718/1998. Também foi alegado que houve burla à lei pela falta de regulamentação do dispositivo retrocitado, o que geraria majoração. Em julgamento da lide, a DRJ Porto Alegre considerou que o dispositivo legal invocado não atuou em sua eficácia, dada a falta de sua regulamentação pela RFB, tendo sido revogado em julho de 2000. Aduziu também que a Contribuinte não trouxe aos autos qualquer documento comprobatório dos repasses, e, portanto, do direito alegado. A decisão foi ementada com segue: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2003 a 30/05/2003 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação — Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE O controle de constitucionalidade da legislação que fundamenta o lançamento é de competência exclusiva do Poder Judiciário e, no sistema difuso, centrado em última instância revisional no STF. Compensação não Homologada Cientificada da decisão em 13 de agosto de 2008, irresignada, a Interessada apresentou recurso voluntário em 11 de setembro de 2008, em que reitera os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade, sustentando, adicionalmente, o seu direito com base na vacatio legis resultante da declaração de inconstitucionalidade da parte final do art. 15, in fine, da MP nº 1.212/95 (art. 18, in fine, da Lei nº 9.715/98). É o Relatório. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.900043/200826 Acórdão n.º 3803006.886 S3TE03 Fl. 93 3 Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo. Tenhase que somente no recurso voluntário foi apresentado o fundamento da ocorrência de vacatio legis, resultante da declaração de inconstitucionalidade da parte final do art. 15, in fine, da MP nº 1.212/95 (art. 18, in fine, da Lei nº 9.715/98), para sustentar a legitimidade do crédito utilizado na DComp. Esta matéria não foi prequestionada perante a primeira instância, não se tendo instaurado quanto a ela o litígio. Portanto, não pode ser conhecida. Na parte que se conhece, gizese que passou ao largo da observação do d. Julgador a quo que o motivo da não homologação da compensação declarada foi o DARF originador do crédito indicado na DComp não ter sido localizado. O DARF é de junho de 1996. Consta na DComp ter sido pago em 15 de junho de 2003. Improvável que seja fato esta declaração. Daí o sistema não têlo localizado. Assim, apresentavase para a Manifestante, primeiramente, a necessidade de provar o seu recolhimento, ainda que tivesse ocorrido em julho de 1996. Esta prova haveria de estar presente para que a Manifestante pudesse sustentar qualquer argumento de pagamento a maior relativo a ele, além da demonstração contábil/fiscal do alegado indébito Em vista desse lapso, a manifestação de inconformidade poderia ter sido declarada inepta, podendo a decisão de primeira instância ter sido produzida apenas em torno desta prejudicial de mérito, na medida em que a mera prova da existência do pagamento, para contraporse ao resultado da busca feita pelos sistemas da RFB, estava ausente na peça. Entretanto, adentrou no mérito quanto ao fundamento jurídico do pretendido crédito, o art. 3º, § 2º, inciso III, da Lei nº 9.718/98. No recurso voluntário, novamente não há prova de que o DARF indicado existe. Sendo ele referente ao período de apuração junho de 1996, o teor da defesa pela exclusão, da base de cálculo, dos valores transferidos a terceiros computados como receitas, uma vez prevista por um uma lei promulgada e publicada anos após, 1998, não se coaduna com a pretensão da Recorrente. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 94DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10120.723741/2012-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 29 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/03/2008, 31/12/2008, 31/12/2009
CONSTITUIÇÃO DE ÁGIO. IRREGULARIDADE DO LAUDO QUE O FUNDAMENTA. GLOSA DA AMORTIZAÇÃO. REGULARIDADE
Em que pese todas as discussões pretendidas pela recorrente a respeito da suposta regularidade da amortização de ágio por ela efetivada, resta incontroverso nos autos que o Laudo utilizado para a sua pretendida fundamentação econômica fora produzido posteriormente às operações e negociações societárias efetivadas, restando pois demonstrado o não-atendimento das exigências legais para a dedutibilidade do ágio por expectativa de rentabilidade futura, da forma como pretendido.
ESTORNO DE RECEITAS. CRÉDITO RECONHECIDO JUDICIALMENTE. AUSÊNCIA DE PROVA.
Não tendo a contribuinte - apesar de regularmente intimada para tanto - apresentado qualquer prova a respeito da regularidade do estorno do lançamento de contingência ativa relacionada a receita de processos judiciais, regular se apresenta a sua considerações como componente da respectiva base tributável.
GANHO DE CAPITAL. DAÇÃO DE IMÓVEIS EM PAGAMENTO DE DIVIDENDOS. ESTORNO DE RESERVA DE REAVALIAÇÃO.
Tratando-se o pagamento dos dividendos devidos na transmissão de propriedade de bens imóveis, não cabe falar em ocorrência do fato gerador quando da deliberação, mas sim quando de sua efetiva formalização, sendo devida, assim, a apuração do ganho de capital nos termos apontados pelos agentes da fiscalização.
ESTORNO DE DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVAS
Tendo sido a contribuinte regularmente intimada para a apresentação de provas a respeito da regularidade dos estornos por ela efetivados, a sua não apresentação atrai para ela o respectivo ônus probatório, não cabendo agora a pretensão de sua aplicação aos agentes da fiscalização.
PROGRAMA DE INCENTIVO FISCAL ESTADUAL. FOMENTAR E PRODUZIR. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO OU PARA CUSTEIO. NÃO CARACTERIZAÇÃO
Incentivo financeiro concedido pelo governo estadual, consubstanciado na concessão de empréstimos para reforço de capital de giro e financiamento de 70% do ICMS devido, a prazo longínquo, a juros simbólicos e sem correção monetária, não se traduz em subvenção para investimento ou subvenção para custeio, sendo descabida a aplicação das disposições do art. 443 do RIR/99 na espécie.
Ademais, não tendo a contribuinte regularmente promovido o registro dos valores em específica conta de reserva de capital, nos termos exigidos pelo incido I daquele dispositivo, descabe a pretensão de ver aplicada a benesse ali estabelecida.
GLOSA DE DESPESAS DE CSLL. COMPROVAÇÃO
Cabe ao contribuinte comprovar a dedutibilidade das despesas incluídas na apuração da CSLL, sobretudo quando essas mesmas despesas foram deduzidas na apuração da base de cálculo do IRPJ.
Inexistindo no recurso interposto qualquer consideração objetiva a respeito das referidas despesas, inviável se mostra o seu acolhimento.
MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. CONCOMITÂNCIA.
Não há entre as estimativas e o tributo devido no final do ano uma relação de meio e fim, ou de parte e todo, sendo assim, a obrigatoriedade do recolhimento das estimativas não fica afastada pela apuração de prejuízo ou base de cálculo negativa. Ao contrário disso, tal obrigatoriedade subsiste, e a sua não observância enseja a aplicação da penalidade prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, com a nova redação dada pela Lei 11.488, de 2007 (art. 44, II, "b").
JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE.
Nos termos do Art. 161 do CTN, o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, inexistindo ali qualquer referência à aplicação destes últimos sobre a apontada multa de ofício.
Numero da decisão: 1301-001.788
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso quanto à amortização do ágio, à baixa de provisão das receitas de processos judiciais, ao ganho de capital em relação alienação de bens do ativo permanente, à subvenção para os programas fomentar e produzir, à glosa de despesas de CSLL, e à exigência de juros sobre multa de ofício. E, pelo voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso quanto à concomitância entre multa de ofício e multa isolada. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas no tocante à multa isolada.
(Assinado digitalmente)
ADRIANA GOMES REGO - Presidente.
(Assinado digitalmente)
CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER- Relator.
(Assinado digitalmente)
PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego (Presidente), Wilson Fernandes Guimaraes, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni De Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2008, 31/12/2008, 31/12/2009 CONSTITUIÇÃO DE ÁGIO. IRREGULARIDADE DO LAUDO QUE O FUNDAMENTA. GLOSA DA AMORTIZAÇÃO. REGULARIDADE Em que pese todas as discussões pretendidas pela recorrente a respeito da suposta regularidade da amortização de ágio por ela efetivada, resta incontroverso nos autos que o Laudo utilizado para a sua pretendida fundamentação econômica fora produzido posteriormente às operações e negociações societárias efetivadas, restando pois demonstrado o não-atendimento das exigências legais para a dedutibilidade do ágio por expectativa de rentabilidade futura, da forma como pretendido. ESTORNO DE RECEITAS. CRÉDITO RECONHECIDO JUDICIALMENTE. AUSÊNCIA DE PROVA. Não tendo a contribuinte - apesar de regularmente intimada para tanto - apresentado qualquer prova a respeito da regularidade do estorno do lançamento de contingência ativa relacionada a receita de processos judiciais, regular se apresenta a sua considerações como componente da respectiva base tributável. GANHO DE CAPITAL. DAÇÃO DE IMÓVEIS EM PAGAMENTO DE DIVIDENDOS. ESTORNO DE RESERVA DE REAVALIAÇÃO. Tratando-se o pagamento dos dividendos devidos na transmissão de propriedade de bens imóveis, não cabe falar em ocorrência do fato gerador quando da deliberação, mas sim quando de sua efetiva formalização, sendo devida, assim, a apuração do ganho de capital nos termos apontados pelos agentes da fiscalização. ESTORNO DE DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVAS Tendo sido a contribuinte regularmente intimada para a apresentação de provas a respeito da regularidade dos estornos por ela efetivados, a sua não apresentação atrai para ela o respectivo ônus probatório, não cabendo agora a pretensão de sua aplicação aos agentes da fiscalização. PROGRAMA DE INCENTIVO FISCAL ESTADUAL. FOMENTAR E PRODUZIR. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO OU PARA CUSTEIO. NÃO CARACTERIZAÇÃO Incentivo financeiro concedido pelo governo estadual, consubstanciado na concessão de empréstimos para reforço de capital de giro e financiamento de 70% do ICMS devido, a prazo longínquo, a juros simbólicos e sem correção monetária, não se traduz em subvenção para investimento ou subvenção para custeio, sendo descabida a aplicação das disposições do art. 443 do RIR/99 na espécie. Ademais, não tendo a contribuinte regularmente promovido o registro dos valores em específica conta de reserva de capital, nos termos exigidos pelo incido I daquele dispositivo, descabe a pretensão de ver aplicada a benesse ali estabelecida. GLOSA DE DESPESAS DE CSLL. COMPROVAÇÃO Cabe ao contribuinte comprovar a dedutibilidade das despesas incluídas na apuração da CSLL, sobretudo quando essas mesmas despesas foram deduzidas na apuração da base de cálculo do IRPJ. Inexistindo no recurso interposto qualquer consideração objetiva a respeito das referidas despesas, inviável se mostra o seu acolhimento. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. CONCOMITÂNCIA. Não há entre as estimativas e o tributo devido no final do ano uma relação de meio e fim, ou de parte e todo, sendo assim, a obrigatoriedade do recolhimento das estimativas não fica afastada pela apuração de prejuízo ou base de cálculo negativa. Ao contrário disso, tal obrigatoriedade subsiste, e a sua não observância enseja a aplicação da penalidade prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, com a nova redação dada pela Lei 11.488, de 2007 (art. 44, II, "b"). JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE. Nos termos do Art. 161 do CTN, o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, inexistindo ali qualquer referência à aplicação destes últimos sobre a apontada multa de ofício.
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IRREGULARIDADE DO LAUDO QUE O FUNDAMENTA. GLOSA DA AMORTIZAÇÃO. REGULARIDADE Em que pese todas as discussões pretendidas pela recorrente a respeito da suposta regularidade da amortização de ágio por ela efetivada, resta incontroverso nos autos que o Laudo utilizado para a sua pretendida fundamentação econômica fora produzido posteriormente às operações e negociações societárias efetivadas, restando pois demonstrado o não atendimento das exigências legais para a dedutibilidade do ágio por expectativa de rentabilidade futura, da forma como pretendido. ESTORNO DE RECEITAS. CRÉDITO RECONHECIDO JUDICIALMENTE. AUSÊNCIA DE PROVA. Não tendo a contribuinte apesar de regularmente intimada para tanto apresentado qualquer prova a respeito da regularidade do estorno do lançamento de contingência ativa relacionada a receita de processos judiciais, regular se apresenta a sua considerações como componente da respectiva base tributável. GANHO DE CAPITAL. DAÇÃO DE IMÓVEIS EM PAGAMENTO DE DIVIDENDOS. ESTORNO DE RESERVA DE REAVALIAÇÃO. Tratandose o pagamento dos dividendos devidos na transmissão de propriedade de bens imóveis, não cabe falar em ocorrência do fato gerador quando da deliberação, mas sim quando de sua efetiva formalização, sendo devida, assim, a apuração do ganho de capital nos termos apontados pelos agentes da fiscalização. ESTORNO DE DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVAS AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 37 41 /2 01 2- 00 Fl. 1261DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 2 Tendo sido a contribuinte regularmente intimada para a apresentação de provas a respeito da regularidade dos estornos por ela efetivados, a sua não apresentação atrai para ela o respectivo ônus probatório, não cabendo agora a pretensão de sua aplicação aos agentes da fiscalização. PROGRAMA DE INCENTIVO FISCAL ESTADUAL. FOMENTAR E PRODUZIR. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO OU PARA CUSTEIO. NÃO CARACTERIZAÇÃO Incentivo financeiro concedido pelo governo estadual, consubstanciado na concessão de empréstimos para reforço de capital de giro e financiamento de 70% do ICMS devido, a prazo longínquo, a juros simbólicos e sem correção monetária, não se traduz em “subvenção para investimento” ou “subvenção para custeio”, sendo descabida a aplicação das disposições do art. 443 do RIR/99 na espécie. Ademais, não tendo a contribuinte regularmente promovido o registro dos valores em específica conta de reserva de capital, nos termos exigidos pelo incido I daquele dispositivo, descabe a pretensão de ver aplicada a benesse ali estabelecida. GLOSA DE DESPESAS DE CSLL. COMPROVAÇÃO Cabe ao contribuinte comprovar a dedutibilidade das despesas incluídas na apuração da CSLL, sobretudo quando essas mesmas despesas foram deduzidas na apuração da base de cálculo do IRPJ. Inexistindo no recurso interposto qualquer consideração objetiva a respeito das referidas despesas, inviável se mostra o seu acolhimento. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. CONCOMITÂNCIA. Não há entre as estimativas e o tributo devido no final do ano uma relação de meio e fim, ou de parte e todo, sendo assim, a obrigatoriedade do recolhimento das estimativas não fica afastada pela apuração de prejuízo ou base de cálculo negativa. Ao contrário disso, tal obrigatoriedade subsiste, e a sua não observância enseja a aplicação da penalidade prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, com a nova redação dada pela Lei 11.488, de 2007 (art. 44, II, "b"). JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE. Nos termos do Art. 161 do CTN, o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, inexistindo ali qualquer referência à aplicação destes últimos sobre a apontada multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso quanto à amortização do ágio, à baixa de provisão das receitas de processos judiciais, ao ganho de capital em relação alienação de bens do ativo permanente, à subvenção para os programas fomentar e produzir, à glosa de despesas de CSLL, e à exigência de juros sobre multa de ofício. E, pelo voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso quanto à concomitância entre multa de ofício e multa isolada. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier Fl. 1262DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10120.723741/201200 Acórdão n.º 1301001.788 S1C3T1 Fl. 3 3 (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas no tocante à multa isolada. (Assinado digitalmente) ADRIANA GOMES REGO Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator. (Assinado digitalmente) PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego (Presidente), Wilson Fernandes Guimaraes, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni De Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 1263DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 4 Relatório Por bem retratar as peculiaridades do presente caso, adoto o relatório apresentado pela r. decisão de primeira instância, donde destaco: Em ação fiscal levada a efeito no contribuinte acima identificado foram apuradas, para os anos de 2008 e 2009, despesas deduzidas indevidamente na apuração do IRPJ e da CSLL, ganhos de capital na alienação de bens do ativo permanente não oferecidos à tributação, resultados não operacionais correspondentes a descabidas subvenções para investimentos não oferecidos à tributação, dedução indevida de despesas de depreciação e falta de recolhimento de IRPJ e de CSLL sobre base de cálculo estimada, razão pela qual foram lavrados os autos de infração de fls. 688692 e 711713 (IRPJ) e de fls. 716 718 e 728733. Como reflexos, foram lavrados, ainda, os autos de infração de PIS (fls. 695697) e de COFINS (fls. 700702). Conforme descrito no “Termo de Verificação Fiscal” de fls. 672682, a LATICÍNIOS MORRINHOS INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA foi constituída em 08/04/1964. Posteriormente, em 28/11/2008, foi transformada em sociedade anônima, passando a ser denominada LEITBOM S/A. Em 04/01/2011, a denominação foi alterada para LBR – LÁCTEOS BRASIL S/A (doravante apenas LBR). Constatou a autoridade autuante que a LBR amortizou em sua escrituração comercial, nos anos de 2008 e 2009, o ágio trazido para o seu balanço em razão da operação de incorporação, em 30/11/2008, de sua controladora CARAVELAS EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A (doravante apenas CARAVELAS). Relata a autoridade autuante que a MONTICIANO PARTICIPAÇÕES S/A (doravante apenas MONTICIANO) pretendia adquirir a LBR. Porém, com o fim de viabilizar a amortização do ágio pago nessa aquisição, adquiriu também uma terceira empresa, a CARAVELAS, pessoa jurídica esta que teve vida efêmera e, exclusivamente, o investimento na fiscalizada como atividade operacional. A CARAVELAS foi constituída em 10/02/2008, com capital social de R$ 1.000,00, tendo como acionistas Marcelo Duarte e Ana Maria Carreiro. Em 03/04/2008, a MONTICIANO tornouse controladora da CARAVELAS, adquirindo 100% do capital desta empresa junto aos acionistas fundadores. Nesta mesma data, houve assembléia geral extraordinária (AGE) na CARAVELAS, que decidiu alterar o respectivo objeto social a fim de permitir a participação da empresa em outras sociedades e para transferir sua sede para o mesmo endereço da sede da MONTICIANO. Pouco depois, em 14/04/208, nova AGE foi realizada na CARAVELAS, na qual foi deliberado o aumento de seu capital social de R$ 1.000,00 para R$ 316.476.907,87. Neste mesmo dia, a MONTICIANO, por intermédio da CARAVELAS, adquiriu 90.000.000 quotas de emissão da LATICÍNIOS MORRINHOS INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, atual LBR, representativas de 100% do capital social desta empresa, em operação que gerou Fl. 1264DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10120.723741/201200 Acórdão n.º 1301001.788 S1C3T1 Fl. 4 5 um ágio de R$ 278.301.202,15. A CARAVELAS realizou AGE em 22/04/2008, 02/05/2008 e 29/08/2008, efetuando sucessivos aumentos de capital para R$ 325.001.021,00, R$ 336.836.021,00 e R$ 382.836.021,00. Finalmente, em 03/11/2008, a CARAVELAS foi incorporada pela LEITBOM S/A, atual LBR. Após essa seqüência de eventos de reorganização societária a LEITBOM S/A, atual LBR, passou a amortizar fiscalmente o ágio supostamente fundamentado na expectativa de lucros futuros, com fundamento no art. 386, III, § 6º, II, do RIR/1999, à razão de 1/60 por mês, ágio esse registrado anteriormente na incorporada CARAVELAS. A CARAVELAS passou todo seu período de existência formal, de 01/02/2008 a 30/11/2008, apresentando resultados negativos com os registros dos fatos permutativos e modificativos inerentes ao exclusivo exercício do papel de investidora na LBR. O Sr. Marcelo Duarte, sócio fundador da CARAVELAS, consta como responsável legal por 72 empresas, muitas com situação de Cancelada e Suspensa, enquanto as Ativas apresentaram apenas declarações de inativa ou com valores zerados. Na última DIRPF por ela apresentada, relativa ao anocalendário de 2006, foi informado rendimento tributável de apenas R$ 39.400,00. A outra fundadora da CARAVELAS, Sra. Ana Maria Carreiro, na última DIRPF apresentada, relativa ao anocalendário de 2006, informou zero de rendimento tributável. Ressalta a autoridade autuante que a LBR, a despeito de haver sido diversas vezes intimada a tanto, não apresentou no curso da ação fiscal o laudo de avaliação exigido pelo § 3º do art. 385 do RIR/1999, hábil a comprovar o fundamento econômico do valor investido. Apresentou apenas laudo, de lavra da APIS Consultoria Empresarial Ltda, que determina o valor do patrimônio líquido da CARAVELAS para fins de incorporação, e não um laudo de avaliação do patrimônio líquido da LATICÍNIOS MORRINHOS INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, atual LBR, hábil a justificar a expectativa de rentabilidade futura que ensejou o surgimento do ágio. Conclui a autoridade autuante que o envolvimento da CARAVELAS na seqüência de operações referida foi fruto de simulação, pois arquitetado como mera formalidade a fim permitir que a LEITBOM S/A, atual LBR, reduzisse o pagamento do IRPJ e da CSLL, por meio da amortização do ágio gerado na aquisição de seu capital social pela MONTICIANO, baseandose nas disposições do art. 386, III, § 6º, II, do RIR/1999. Mais que isso, afirma que a LBR, com o propósito de eximirse do pagamento do IRPJ e da CSLL, valeuse de mecanismo tendente a evitar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da natureza, extensão ou circunstâncias materiais, bem como das reais características essenciais do fato gerador, de modo que sobre essa infração apurada deve ser aplicada multa qualificada (150%). Relata a autoridade autuante que o contribuinte foi intimado a esclarecer e a apresentar documentos comprobatórios relativos ao lançamento efetuado, em 31/12/2008, a débito da conta Receitas de Processos Judiciais, no valor de R$ 24.227.464,84. Em resposta, informou que o referido lançamento tem relação com o processo administrativo nº 10120.0044367/200829, no qual pleiteou habilitação de crédito reconhecido na ação Fl. 1265DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 6 judicial nº 96.00.008590, relativo ao Finsocial, pleito esse que foi indeferido, razão pela qual a receita, reconhecida nos meses de fevereiro e março de 2008, quando do final da ação judicial, foi estornada. Sobre as justificativas e documentos apresentados, observa a autoridade autuante que o Pedido de Habilitação de Crédito e o Despacho Decisório nº 555DRF/GOI comprovam apenas o não reconhecimento de crédito solicitado no valor de R$ 10.634.737,40, de modo que não houve comprovação do estorno das receitas escrituradas em período anterior no valor de R$ 13.592.727,44, razão pela qual o efeito do estorno deste valor deve ser desconsiderado na determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. O contribuinte também foi intimado a explicar as razões do expurgo, nos ajustes relativos ao Regime Tributário de Transição – RTT, da conta Outros Créditos ICMS, no valor de R$ 12.244.205,18, para o anocalendário de 2009. Afirmou a LBR que este lançamento se refere ao programa FOMENTAR, instituído pela Lei nº 9.489/1984 do Estado de Goiás, que concedia subvenções para investimentos, de modo que, com base no art. 443 do RIR/1999, os valores recebidos devem ser excluídos na apuração do lucro real. Esclarece o contribuinte que, por lapso, efetuou tal lançamento como sendo RTT, quando o correto seria efetuar simples exclusão no LALUR. A propósito dessas justificativas, ressalta a autoridade autuante que, nos termos do art. 443, I e II, do RIR/1999, as subvenções para investimentos recebidas somente não são computadas na apuração do lucro real quando registradas como reserva de capital ou se feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas. Assevera que essas hipóteses não se aplicam ao contribuinte, pois este reduziu diretamente seu passivo com o Estado de Goiás, por meio das contas Financiamento Fomentar e Financiamento Produzir, sem constituir reserva de incentivos fiscais com tais valores. Conclui que esses valores devem ser tributados como outros resultados não operacionais, repercutindo, inclusive, na apuração das bases de cálculo do PIS e da COFINS, já que não se referem a ajustes do RTT. Constatou a autoridade autuante que, em alteração contratual realizada em 10/12/2008, os sócios do contribuinte fiscalizado deliberaram reratificar o aumento de capital havido em 21/08/2007, na parte realizada com reserva de reavaliação, que somava à época R$ 41.099.137,54, sob o argumento de que o capital social resultante da capitalização dessas reservas não refletia a real situação patrimonial da sociedade, pois os ativos reavaliados não foram realizados, de modo que não havia justificação para a respectiva capitalização. Decidiram, ainda, em razão do disposto no art. 6º da Lei nº 11.638/2007, que alterou a Lei nº 6.404/1976, bem como em observância aos princípios contábeis geralmente aceitos, aprovar o estorno contábil dos saldos existentes das reservas de reavaliação. Afirma a autoridade autuante que, a despeito de tal reratificação ter sido deliberada em dezembro de 2008, os respectivos ajustes foram efetuados na escrituração do contribuinte no primeiro trimestre de 2008, período em que, de fato, foi estornado o referido aumento de capital com reserva de reavaliação de ativos. No período em que as reservas de reavaliação foram mantidas na escrituração, esses valores geraram despesas de depreciação, cujo montante lançado para o primeiro trimestre de 2008 foi de R$ 975.062,68, valor este que deveria ter sido estornado contra uma conta de Fl. 1266DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10120.723741/201200 Acórdão n.º 1301001.788 S1C3T1 Fl. 5 7 resultado, mas isso não foi feito. Assim, conclui a autoridade autuante que os referidos R$ 975.062,68 devem ser adicionados ao resultado do período para fins de apuração do IRPJ e da CSLL, uma vez que também não foram oferecidos à tributação por meio da realização da reserva de reavaliação, pois esta fora estornada. Constatou, ainda, a autoridade autuante que o contribuinte não considerou os efeitos fiscais do estorno da reserva de reavaliação relativamente aos bens imóveis utilizados em dação de pagamento de dividendos distribuídos aos sócios, conforme aprovado em reunião realizada em 11/04/2008. Ressalta a autoridade autuante que, com o estorno da reserva de reavaliação, deveria o contribuinte ter apurado ganho de capital, já que os imóveis foram alienados pelo valor em que estavam reavaliados. Diante disso, a autoridade autuante apurou o ganho de capital sobre essas operações e lançou o IRPJ e a CSLL sobre elas incidentes. Especificamente quanto à CSLL, descreve a autoridade autuante as seguintes infrações: Verificamos ainda que a contribuinte não adicionou à base de cálculo da CSLL, do 4º trimestre/2008, o total de R$ 2.506.012,94, relativos a despesas não dedutíveis dessa contribuição, tais como: provisões, contribuições/doações, comissões, bônus/premiações, ajustes de estoque faturas não entregues, descontos comerciais, como fez na apuração do imposto de renda, conforme verificase do LALUR e da DIPJ/2009 (fichas 9A e 17). Também não adicionou na base de cálculo da referida contribuição, do ano de 2009, o total de R$ 799.104,95, relativos a ajustes de perdas em operações no mercado financeiro (Derivativos), embora também tenha efetuado tal adição na apuração do imposto de renda, como observase no LALUR e na DIPJ/2010 (fichas 9A e 17). (anexos Demonstrativo Base de Cálculo da CSLL – 2008 e Extrato Razão da conta Derivativos – 2009). Ocorre que o art. 2º, § 1º, alínea “C”, item 3, da Lei nº 7.689/88, determina a adição à base de cálculo da CSLL das provisões não dedutíveis da determinação do lucro real. E nos termos do art. 13 da Lei nº 9.249/95 e do art. 335 do RIR/99, somente são dedutíveis do lucro real as provisões expressamente autorizadas, quais sejam: as provisões técnicas das companhias de seguro, de capitalização e das entidades de previdência privada; as provisões para pagamento de remuneração de férias incorridas e do 13º salário dos empregados, inclusive encargos sociais. O art. 30, da Lei nº 11.051/04, determina os ajustes também na apuração da base de cálculo da CSLL quanto as perdas ocorridas durante a vigência dos contratos em operações no mercado financeiro. Consta do Termo de Verificação que, sobre os créditos tributários lançados em razão da indevida amortização de ágio, foi aplicada multa de ofício qualificada (150%). Sobre os créditos tributários lançados em virtude das demais infrações apuradas foi aplicada multa de ofício de 75%. Fl. 1267DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 8 Inconformado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 760794, na qual deduz as alegações a seguir resumidamente discriminadas: Aduz a impugnante que as infrações supostamente cometidas não foram devidamente fundamentadas, de modo que houve cerceamento ao direito de defesa Afirma que, no tocante à glosa da amortização de ágio, a autoridade autuante não logrou esclarecer o que entende por “ágio de si mesmo” e pretendeu, de forma descabida, comprovar suposta simulação por meio de provas indiciárias. Assevera, ainda, que a autoridade autuante invocou fatos que não corroboram suas conclusões, como os resultados negativos da CARAVELAS provenientes de sua atuação como holding e a situação pessoal dos sócios fundadores desta empresa. Especificamente quanto à qualificação da multa de ofício para os tributos lançados com base nesta infração, afirma que faltou critério à autoridade autuante, já que, para o ano de 2009, foi apurado prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL, de modo que nenhum imposto foi lançado. Questiona a impugnante a origem do valor de R$ 975.062,68 glosado a título de despesa de depreciação de bens reavaliados. Afirma que, tendo em vista a neutralidade fiscal da reavaliação, essa glosa somente poderia ocorrer se houvesse a demonstração de que não foi tributada a parcela da reserva de reavaliação realizada concomitantemente com a dedução da despesa de depreciação. Insurgese contra as adições feitas à base de cálculo da CSLL, alegando que a autoridade autuante não apontou com precisão quais contas seriam supostamente indedutíveis da base de cálculo dessa contribuição e a respectiva base legal. Afirma, ainda, que a autoridade assumiu duas premissas equivocadas ao adicionar tais valores à base de cálculo da CSLL, quais sejam: 1 todos os valores em questão correspondem a provisões; 2 todas as despesas indedutíveis para fins de IRPJ também o são para fins de CSLL. Alega que alguns dos valores indicados pela autoridade autuante, como bônus e premiações, não são provisões, mas despesas efetivas, de modo que é a respectiva indedutibilidade não se funda no art. 2º, § 1º, da Lei nº 7.689/1998. Assevera que há diferenças entre a indedutibilidade de despesas para fins de IRPJ e de CSLL. Especificamente quanto ao valor de R$ 799.104,95 referido pela autoridade autuante, foi ele indicado na DIPJ na linha 63 da Ficha 9A, sob a rubrica “Perdas Inc Merc Renda Var no Per Apur, exc Day Trade”, que trata da apuração do IRPJ. Tal rubrica, porém, não consta da Ficha 17, que trata da apuração da CSLL, numa clara demonstração de que há diferenças na apuração desses tributos. Alega a impugnante que houve erro de cálculo no lançamento dos tributos incidentes sobre o suposto ganho de capital na alienação de imóveis. Isso porque a reunião que deliberou a dação em pagamento de dividendos distribuídos aos sócios ocorreu em 11/04/2008, de modo que, tendo em conta a opção pela apuração de lucro real trimestral, o resultado positivo da apuração deveria ser incluído no resultado fiscal do 2º trimestre de 2008. Porém, a autoridade autuante incluiu o resultado positivo dessa transferência em dezembro de 2008, ensejando equívocos na apuração dos valores devidos. O suposto ganho de capital foi de R$ 2.855.652,73. Esse montante, caso fosse incluído na apuração do resultado do 2º trimestre de 2008, ensejaria a redução do resultado negativo do Fl. 1268DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10120.723741/201200 Acórdão n.º 1301001.788 S1C3T1 Fl. 6 9 período para R$ 24.709.388,27. Da mesma forma, caso o montante de R$ 2.855.652,73 fosse excluído do resultado do 4º trimestre apurado pela autoridade autuante, restaria prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL no valor de R$ 1.289.447,46. Quanto ao imóvel identificado como “Terrenos Jussara”, o ganho de capital a ele relativo, no valor de R$ 150.581,22, foi incluído na apuração do resultado relativo ao anocalendário de 2009. Como conseqüência, foi lançada a título de multa por falta de recolhimento de estimativa do mês de março de 2009 o montante de R$ 13.175,66 além daquela que seria devida. Quanto à amortização do ágio, afirma a impugnante que, em 10/02/2008, a MONTICIANO constituiu a CARAVELAS, tendo posteriormente aumentado o seu capital social mediante transferência de recursos financeiros. Em 14/04/208, a CARAVELAS adquiriu de terceiros, por meio de contrato de compra e venda, a totalidade das quotas da LEITBOM S/A, pagando um ágio equivalente a R$ 278.301.202,15. Em novembro de 2008, por razões financeiras e corporativas, a CARAVELAS foi incorporada pela LEITBOM S/A, passando esta a deduzir da base de cálculo do IRPJ e da CSLL as despesas decorrentes da amortização do ágio à razão de 1/60 ao mês. Destarte, não há que se falar em ágio de si mesmo, já que foi ele gerado em operação praticada entre partes independentes (CARAVELAS e antigos sócios da LEITBOM), com efetivo pagamento do preço. Não se trata de ágio registrado em operação intragrupo e tampouco de ágio decorrente de reavaliação de um ativo já registrado na investidora por um valor reduzido. A CARAVELAS não pode ser reputada uma empresaveículo, já que não foi apresentada fundamentação para tanto. Ademais, conceitualmente, as empresasveículo são criadas para viabilizar o surgimento de um ágio que não existiria caso elas não fossem constituídas. Porém, o ágio registrado pela CARAVELAS decorreu de efetiva aquisição do controle da LEITBOM S/A, em operação praticada entre partes independentes, de modo que, caso a CARAVELAS não tivesse sido constituída, a aquisição teria sido feita exatamente nas mesmas condições e o ágio teria sido registrado da mesma maneira. O ágio pago aos antigos sócios da LEITBOM S/A poderia ter sido utilizado independentemente da criação da CARAVELAS, bastando, para tanto, que a MONTICIANO adquirisse a LEITBOM S/A e essa última incorporasse a primeira. Afirma a impugnante que, no curso da ação fiscal, apresentou inadvertidamente o laudo de avaliação do patrimônio líquido da CARAVELAS para fins de incorporação, e não o laudo de avaliação elaborado para a aquisição da LEITBOM S/A. A fim de sanar esse equívoco, apresenta junto de seu recurso (fls. 821843) Laudo de Avaliação elaborado pela APSIS CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA, em 31/03/2008, que justifica o preço pago pela CARAVELAS Fl. 1269DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 10 na aquisição do controle da LEITBOM S/A, com fundamento na expectativa de rentabilidade futura desta empresa. Nas operações societárias relatadas não houve divergência entre a vontade externada e aquela efetivamente existente entre as partes, razão pela qual não há simulação comprovada. A propósito do estorno, efetuado no ano de 2008, de receitas escrituradas em período anterior no valor de R$ 24.227.464,84, relativamente ao qual a autoridade autuante reputou não justificada a exclusão do valor de R$ 13.592.727,44, tratase de crédito reconhecido judicialmente que, erroneamente, foi escriturado como receita no primeiro trimestre de 2008. O registro contábil desse ativo contingente é proibido pela legislação contábil e societária vigente até 31/12/2007, conforme previsto na Resolução CFC nº 1.066/2005. Como conseqüência, também é proibido para fins tributários, em razão do Regime Tributário de Transição. O registro contábil de uma contingência ativa somente é autorizado quando houver a avaliação de que a respectiva realização é praticamente certa. Porém, já em 2008 detectouse que essa avaliação estava equivocada. Ademais, o valor atribuído a tais créditos judiciais baseouse em estimativas e cálculos sem nenhuma comprovação, nem confirmação pelas autoridades fiscais. Em conclusão, o estorno de R$ 24.227.464,84 corresponde à reversão da expectativa quanto ao crédito oriundo de ação judicial, conforme revelam os pedidos de habilitação e compensação formulados pela impugnante. Quanto às subvenções para investimentos reputadas não caracterizadas pela autoridade autuante pelo fato de os valores não terem sido creditados em conta de reserva de capital, afirma a impugnante que a contabilização nesta conta não pode ser considerado requisito para que os valores recebidos não sejam tratados como receitas, mas como capital, não tributável.Assevera que o registro contábil em conta de reserva de capital não faz parte da essência do conceito de subvenção para investimento, mas sim as características qualitativas intrínsecas do destino que deve ser dado aos recursos decorrentes da subvenção. Aduz que os créditos de ICMS recebidos do Estado de Goiás no âmbito dos programas FOMENTAR e PRODUZIR se enquadram no conceito de subvenção para investimento. Cita o Decreto do Estado de Goiás nº 3.822/1992, que regulamentou a Lei nº 9.489/1984, instituidora do FOMENTAR, e o Decreto nº 2.265/2000, que regulamentou o PRODUZIR, para concluir que, dadas as características desses programas, os benefícios de ICMS concedidos caracterizamse como subvenção para investimento, pois os recursos obtidos devem ser aplicados em projetos de implantação ou expansão do parque industrial. Cita decisões do CARF reconhecendo recursos recebidos no âmbito do programa FOMENTAR como subvenções para investimento e alega que esse mesmo entendimento deve ser adotado quanto ao programa PRODUZIR que veio a substituir aquele. Aduz que, a despeito de não haver contabilização dos valores em reserva de capital, não foram eles distribuídos aos sócios como dividendos, de modo que foi atingida a finalidade da norma, que é garantir a manutenção dos recursos na empresa para emprego em projetos de investimento. As multas isoladas por falta de recolhimentos de estimativas lançadas para os meses de janeiro, março e abril de 2009 são descabidas, pois foi apurado prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL no ano de Fl. 1270DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10120.723741/201200 Acórdão n.º 1301001.788 S1C3T1 Fl. 7 11 2009. Afirma que não se pode punir o contribuinte por não ter antecipado algo que, ao final, mostrase indevido. Alega a impugnante que não foi comprovada a ocorrência das hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964 no tocante à glosa das despesas com amortização de ágio, pois a autoridade autuante teria utilizado prova indiciária para qualificar o ato jurídico como simulado. Reitera os argumentos já invocados quanto à inocorrência da infração e afirma inexistir fraude, pois todos os atos societários foram devidamente registrados, recebendo a publicidade que lhes é exigida e produzindo regulares efeitos. Afirma que os fatos narrados pela autoridade autuante não caracterizam conduta dolosa. Por tais razões, entende ser improcedente a qualificação da multa. Aduz que, se, nos termos do art. 113, § 3º, do CTN, apenas a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação acessória se converte em obrigação principal, então somente essa penalidade se insere no conceito de crédito tributário de que trata o art. 139 do CTN, segundo o qual o crédito tributário decorre de obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Com base nessa premissa e tendo em conta o disposto no art. 161 do CTN, conclui que apenas as penalidades por descumprimento de obrigações acessórias são acrescidas de juros de mora se não forem pagas no prazo legalmente estabelecido, sendo descabido o acréscimo de juros moratórios sobre as multas de ofício lançadas com base no art. 44 da Lei nº 9.430/1996, pois estas não decorrem do descumprimento de obrigações acessórias, de modo que não constituem crédito tributário. Alega que, se as multas de ofício integrassem o conceito de crédito tributário, não haveria motivo para o art. 161 do CTN ressalvar que a aplicação dos juros não prejudica a imposição das penalidades cabíveis. A partir desses argumentos, conclui que deve ser afastada a incidência de juros Selic sobre a multa de ofício lançada. Pede que sejam julgados improcedentes os autos de infração lavrados, cancelandose as respectivas cobranças e reconstituindose o saldo de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL. Caso assim não se entenda, requer o afastamento dos juros Selic sobre a multa de ofício aplicada. A partir da análise de todas essas considerações, a 1ª Turma da DRJ/RPO entendeu pela IMPROCEDÊNCIA DA IMPUGNAÇÃO, mantendo, assim, o auto de infração em todos os seus termos, conforme, inclusive, acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2008, 31/12/2008, 31/12/2009 AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO EMPRESAVEÍCULO SIMULAÇÃO. A utilização de empresaveículo, destituída de substância econômica desde sua criação e com vida efêmera, criada e utilizada exclusivamente com o fim de transferir ágio à empresa adquirida, por meio de incorporação a esta, caracteriza simulação e autoriza a glosa das despesas de amortização de ágio indevidamente deduzidas na apuração da base de cálculo do IRPJ. GANHO DE CAPITAL DAÇÃO DE IMÓVEIS EM PAGAMENTO DE DIVIDENDOS ESTORNO DE RESERVA DE REAVALIAÇÃO. Fl. 1271DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 12 Em caso de dação de imóveis em pagamento de dividendos, nas hipóteses em que os imóveis, quando da deliberação pela distribuição de dividendos, estavam reavaliados e posteriormente essa reavaliação foi estornada, o ganho de capital não existe até que ocorra o referido estorno, de modo que o respectivo fato gerador não pode ser reputado ocorrido quando deliberada a distribuição de dividendos. ESTORNO DE RECEITAS CRÉDITO RECONHECIDO JUDICIALMENTE COMPROVAÇÃO. Cabe ao contribuinte comprovar e justificar o estorno de receitas anteriormente contabilizadas, não bastando a alegação de tratarse de contingências ativas consistentes créditos reconhecidos judicialmente. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO COMPROVAÇÃO PROGRAMAS FOMENTAR E PRODUZIR. Cabe ao contribuinte comprovar que os valores recebidos do Estado de Goiás preenchem os requisitos necessários à respectiva qualificação como subvenção para investimento. Os benefícios recebidos por meio dos programas FOMENTAR e PRODUZIR não podem ser qualificados como subvenções para investimento. ESTIMATIVAS MENSAIS FALTA DE RECOLHIMENTO MULTA ISOLADA. Há expressa previsão legal para o lançamento de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais, ainda que, ao final do período de apuração, seja apurado prejuízo fiscal. JUROS SELIC SOBRE MULTA DE OFÍCIO. São devidos juros, calculados com base na taxa Selic, sobre a multa de ofício lançada e não paga no vencimento. O crédito tributário a que se refere o art. 139 do CTN, que decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta, inclui o montante devido a título de multa de ofício, já que, nos termos do art. 142 do CTN, o crédito tributário é constituído pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/03/2008, 31/12/2008, 31/12/2009 DESPESAS DEDUTÍVEIS COMPROVAÇÃO Cabe ao contribuinte comprovar a dedutibilidade das despesas incluídas na apuração da CSLL, sobretudo quando essas mesmas despesas foram deduzidas na apuração da base de cálculo do IRPJ. AUTO REFLEXO. Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca da impugnação a este, quando não houver alegação específica no tocante ao auto reflexo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 AUTO REFLEXO. Fl. 1272DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10120.723741/201200 Acórdão n.º 1301001.788 S1C3T1 Fl. 8 13 Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca da impugnação a este, quando não houver alegação específica no tocante ao auto reflexo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 AUTO REFLEXO. Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca da impugnação a este, quando não houver alegação específica no tocante ao auto reflexo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Regularmente intimada a contribuinte, por ela foi então interposto o seu respectivo Recurso Voluntário, onde, pretendendo a reforma da decisão proferida, argumenta: DA AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO Que a operação de aquisição/incorporação pode assim ser resumida: i) A Monticiano Participações S/A ("Monticiano") adquiriu a empresa "Caravelas" em 10/02/2008, tendo, posteriormente, aumentado o seu capital mediante a transferência de recursos financeiros; ii) em 14/04/2008 a Caravelas aquiriu de terceiros por meio de contrato de compra e venda, e com pagamento em "dinheiro vivo" a totalidade das quotas da Leitbom S.A. ("Leitbom"); iii) em novembro de 2008 a Caravelas foi incorporada pela Leitbom. Que a acusação de invalidade da constituição do ágio apontado (e, por consequência, a invalidade de sua amortização) seria baseada em dois pontos específicos, a saber: 1) Simulação: o envolvimento da Caravelas na operação societária ao final da qual o ágio foi apurado teria sido meramente formal, um artifício do qual teria se valido a Monticiano com o propósito de viabilizar a amortização do ágio; 2) Laudo de Avaliação: não teria sido apresentado o laudo demonstrativo da expectativa de rentabilidade futura da Leitbom. Que tendo sido apresentado o laudo de avaliação quando da apresentação da impugnação, a r. decisão de primeira instância teria reconhecido a sua perfeita validade, mantendo, entretanto, a glosa exclusivamente por força do apontado no item "1" acima ("Simulação"). Que se encontra incontroverso nos autos que o ágio analisado fora efetivamente pago, que as operações foram entabuladas entra partes independentes, e, ainda, que a expectativa de rentabilidade futura encontravase perfeitamente lastreada em específico Laudo de Avaliação. Além disso, não há nos autos qualquer discussão a respeito do "Fundamento Econômico" do ágio, sendo este, por certo, completamente existente e incontroverso. Fl. 1273DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 14 Que a acusação de ocorrência de simulação não pode subsistir, sobretudo porque não se verifica nos autos qualquer possibilidade de configuração das exigências contidas no Art. 167 do Código Civil para a sua configuração. Que a definição de "Simulação" nestes autos, decorre de simples "achismos" dos agentes da fiscalização, sem que, para tanto, houvesse qualquer enquadramento nas hipóteses legais especificamente consideradas, tornandose, assim, impossível a oposição a tais apontados ("Simulação objetiva", "Simulação subjetiva" ou "utilização de documento antedatado ou pósdatado"). Em seguida, destaca a relevância das considerações jurídicas a respeito do que se possa entender por "simulação" e "dissimulação". Destaca que a configuração jurídica da hipótese de "simulação" deve enquadrarse no específico conceito apresentado pelo art. 167 do Código Civil, o que, entretanto, em momento algum fora efetivamente realizado nestes autos. Aponta que a jurisprudência deste Conselho, já há tempos afirma que o ônus da prova a respeito da existência da simulação compete às autoridade acusadora, não cabendo a sua inversão no desenrolar do respectivo processo adminsitrativo fiscal. Que não há nos autos sequer a indicação fazendária a respeito da natureza da simulação apontada (objetiva ou subjetiva), tornando, inclusive, impossível a defesa da contribuinte a seu respeito. Que nos termos do lançamento efetivado, as autoridades fiscalizadoras expressamente reconhecem que o intento pretendido foi, exatamente, o de permitir que a MONTICIANO adquirisse a LEITBOM, utilizandose da aquisição primeva da empresa CARAVELAS com o objetivo de aproveitamento do ágio gerado na operação. Aponta que, adiante, afirmam os agentes fiscais que a empresa CARAVELAS apresentavase (ela própria) como "empresa simulada", especificamente por constituir se como efetiva e verdadeira "empresa de prateleira" tecendo considerações próprias a respeito de seus originários sóciosfundadores. A indicação da CARAVELAS como "sociedade de prateleira" atua contra o próprio fundamento adotado pelos agentes fiscais, que, inicialmente, consideraramna como empresa interposta na aquisição da LEITBOM pela MONTICIANO. Aduz que o TVF confunde talvez de propósito "simulação" com "planejamento tributário abusivo". Em linha de argumentação objetiva, aponta que "a simulação é caracterizada pela oposição entre a aparência e a realidade". No caso presente, entretanto, não se trata de configura a simulação, especificamente porque o que é visto é efetivamente o que fora pelas partes pretendido, destacandose, nesse ponto, a renitente afirmativa de que "somente fizeram o que fizeram com o objetivo de...", o que desnatura, por completo, a acusação de simulação. No "planejamento tributário abusivo", o que caracteriza o abuso não é a ausência da verdade (como na simulação), mas os fins para os quais a verdade está a serviço, o que, sendo o caso, desnatura, completamente, a construção promovida pelos agentes da fiscalização. Os precedentes indicados pela decisão recorrida, colhidos da jurisprudência deste CARF, apontam exatamente a favor da contribuinte, sobretudo porque estabelecem a Fl. 1274DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10120.723741/201200 Acórdão n.º 1301001.788 S1C3T1 Fl. 9 15 necessária distinção conceitual entre as acusações possíveis, deixando assim transparecer a total impropriedade do lançamento debatido nestes autos. A inexistência de planejamento tributário abusivo Tem bem delineada a distinção conceitual entre a "simulação" e o indicado "planejamento tributário abusivo", forçoso reconhecer que a autuação efetivada, e também a decisão proferida pela DRJ, efetivamente misturam essas categorias. A par dessa consideração, a recorrente sustenta que, no presente caso, também não se há falar em prática do "planejamento tributário abusivo", especificamente porque, como apontado, na operação efetivada, mesmo havendo a indicada "empresaveículo" , fora ela empreendida entre partes independentes, tendo havido efetivo pagamento de preço (em "dinheiro vivo"), inexistindo irregularidade, assim, nos termos dos citados precedentes deste Conselho. Entre a empresa CARAVELAS e os antigos proprietários da LEITBOM inexistia qualquer vinculação societária, sendo, no caso, completamente induvidoso trataremse de "partes independentes", assim como também o efetivo pagamento em dinheiro da operação de aquisição da participação societária. A utilização de "empresaveículo", na jurisprudência deste Conselho, é reputada como ilegítima quando a operação é promovida para fim específico e exclusivo de criação artificial do ágio, nas hipóteses cognominadas como "ágio de si mesmo", ou ainda, em certas circunstâncias, na configuração de invalidade das operações de "ágio interno", o que, em momento algum, condiz com o que discutido nestes autos. O ágio pago aos antigos proprietários da LEITBOM poderia ter sido perfeitamente e validamente realiazada sem a intervenção da empresa CARAVELAS, bastando, para tanto, que a MONTICIANO adquirisse a LEITBOM, e aquela fosse então incorporada por esta última. A opção pela utilização válida da dita "empresaveículo", nada mais representa, senão, uma opção societária regularmente formulada pelos envolvidos, sem qualquer mascaramento ou ocultação da verdade, não sendo válida assim a autução contra ela efetivada. DAS RECEITAS DE PROCESSOS JUDICIAIS Neste tópico, destaca a recorrente que, conforme antes apontado, o registro por ela efetivado no montante de R$ 24.227.464,84 como "ativo contingente", teria fundamento o resultado alcançado em demanda judicial, tendo ela então especificamente recnhecido a invalidade desse registro. A reversão do registro, segundo aponta, nada mais representaria, senão, mero estorno do lançamento equivocadamente e anteriormente realizado. A DRJ, entretanto, rejeitou as argumentações da contribuinte, sustentando não haver provas dos alegado, sem que, para tanto, houvesse qualquer indicação de que "provas" seriam necessárias para o acolhimento das argumentações. Segundo a recorrente, por se tratar de mero ato contábil, a exigência de documentação comprobatória apresentase descabida. Fl. 1275DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 16 A efetivação do estorno de uma contingência passiva, em decorrência da verificação da falha operacional, não pode ser considerada como base tributável, pretendendose, aqui, a reforma da decisão de primeira instância e a efetiva desconstituição do lançamento efetivado. DO ESTORNO DE RESERVA DE REAVALIAÇÃO Ganho de capital Tendo sido deliberada a transferência aos sócios de ativos da empresa, em sede de divisão de dividendos, em 11/04/2008, e, estando a contribuinte sujeita à tributação por meio da apuração do lucro real trimestral, o resultado positivo dessa operação deveria ter sido registrada no resultado fiscal do 2o trimestre daquele ano, e não em dezembro/2008, da forma como considerado pela fiscalização. O refazimento da apuração dos montantes devidos no anocalendário de 2008, computando o reflexo do ganho de capital em Dezembro/2008 e não no 2o. trimestre, como apontado pela contribuinte, acarreta diferenças no resultado da operação que, definitivamente, não se apresentam corretas e adequadas para o presente feito. Afirma que, uma vez deliberado e declarado o pagamento de dividendos, em observância ao regime de competência, os efeitos fiscais desse ato para a pessoa jurídica devem ser considerados nesse momento. A inobservância do regime de competência, pela fiscalização, resultou não só na imposição indevida de tributo, como também na cobrança de multa isolada em valor maior do que o eventualmente devido. A DRJ, tentando manter o lançamento, sustenta que o ganho de capital debatido não se teria realizado em 11/04/2008, mas apenas em Dezembro/2008, quando da deliberação do estorno ("reratificação") do aumento de capital relativo às reservas de reavaliação, deliberado em 21/08/2007. O fato de ter ocorrido apenas em Dezembro/2008 a reratificação do aumento de capital lastreado nas reservas de reavaliação de diversos bens dados em pagamento, não altera a circunstância de que todas estas reservas teriam sido "revertidas" ou "estornadas" em março/2008. A reratificação do aumento de capital de 21/08/2007 não pode ser considerada como fato gerador de ganho de capital, pois ela não implica em alienação de bens do ativo, nem alteração do valor destes. Essa altação altera, tão somente, a composição do capital social, em contrapartida a prejuízos acumulados, não a custo de aquisição de imóveis. Despesas de depreciação Seguindo em sua argumentação, destaca a contribuinte que, ao contrário do que pretendido pela decisão da DRJ, o que fora por ela promovido em relação ao estorno das reservas de reavaliação não o fora relizado a partir da aplicação das disposições do Art. 6o. da Lei 11.638/2007. Na verdade, não há nos autos prova de que a recorrente não teria realizado as reservas de reavaliação concomitantemente com a apropriação das cotas de depreciação. Fl. 1276DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10120.723741/201200 Acórdão n.º 1301001.788 S1C3T1 Fl. 10 17 Nessa linha, sustenta a recorrente que o ônus da prova quanto à não realização de cotas de reserva de reavaliação incumbiria ao fisco, não se tendo dele se desincumbido a fiscalização. Por essas razões, entende, aqui também, que deve ser cancelada a exigência. DOS PROGRAMAS FOMENTAR E PRODUZIR Adiante, destaca que a fiscalização teria promovido o lançamento sobre créditos de ICMS concedidos pelo Estado de Goiás, no âmbito dos programas FOMENTAR e PRODUZIR. Por se ter caracterizado o benefício a partir de efetiva redução do montante devido a título de ICMS naquele Estado, e, ainda, por não ter a contribuinte constituído reserva de incentivos fiscais, não se teria ali observado as específicas disposições do art. 443, incisos I e II do RIR/99, sendo assim necessária a submissão dos apontados créditos à tributação do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, tendo em vista não se caracterizarem como efetiva subvenção para investimento. Nesse ponto, destaca a recorrente que a linha perseguida pela douta DRJ seria distinta daquela apontada pela própria fiscalização, que, em momento algum, teria apontado que os refreridos programas FOMENTAR e PRODUZIR não se tratavam de "subvenções para investimento", apresentando, inclusive, pronunciamento em sentido especificamente diverso. Segundo aponta a recorrente, nesta fase processual, descabe a discussão a respeito da natureza própria dos programas FOMENTAR e PRODUZIR, tendo em vista que a sua qualificação como efetiva subvenção para investimando apresentase como específico pressuposto adotado pela fiscalização no lançamento, apenas destacando que os contornos do auto de infração apenas destacam o não atendimento das normas próprias para o aproveitamento da isenção em relação ao IRPJ e a CSLL, sendo que, em relação ao PIS e a COFINS, a incidência limitavase a configurarse ou não como ajustes do RTT. A inovação da DRJ, neste particular, extrapola os limites da lide, não podendo aqui ser admitida. Segundo a recorrente, as subvenções podem ser para custeio ou para investimento, passando, a partir daí, a promover uma distinção didática entre as duas espécies. A analisar as circunstâncias próprias aplicáveis à sistemática da subvenção para investimento, sustenta a recorrente que o objetivo da criação de uma conta de reserva de capital, onde os referidos montantes recebidos em subvenção deveriam ser regularmente registrados, referemse a providências instrumentais apontadas pelas normas de regência, com vistas a evitar o desvirtuamento da aplicação dos recursos, como, por exemplo, a sua utilização na distribuição de resultados a sócios. Com essa perspectiva, sustenta a recorrente ser completamente prescindível a observância da exigigência formal de registro dos valores na referida conta de reserva. Em seu entender, os créditos de ICMS recebidos pela recorrente do Estado de Goiás no âmbito dos mencionados programas (FOMENTAR e PRODUZIR), enquadramse no conceito de subcvenção para investimento. Fl. 1277DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 18 Destaca ainda que, nos termos do Decreto n. 3.822/92 (que regulamentou a Lei do Estado de Goiás n. 9.489/84), bem define o programa FOMENTAR, garantindolhe as características próprias de efetiva subvenção para investimento, indicando, nos termos e disposições contidas em seu Art. 13, par.2o, que a não realização de investimentos fixos exigidos nos projetos de implantação e expansão industrial acarreta a suspensão imediata do benefícios inerentes ao programa. Também em relação ao PROGRAMA PRODUZIR, nos termos do Art. 1o do Decreto 5.265/00, afirma a recorrente a sua característica como programa de subenveção a investimento, substitutivo do PROGRAMA FOMENTAR, nos termos ali então apontados. Destaca entendimento do CARF no sentido de reconhecer ao PROGRAMA FOMENTAR a efetiva caracterização de subvenção para investimento, o que, pelas próprias conclusões, aqui também deve ser aplicado ao PROGRAMA PRODUZIR. Sustenta a recorrente que, por ter apurado prejuízo no exercício de 2009, resta inegável que os montantes relativos aos referidos créditos de ICMS teriam sido mantidos no patrimônio da contribuinte, tendo em vista a impossibildiade de sua distribuição aos sócios, não se podendo impor a exigência formal do registro na conta de reserva de capital como suficiente para desconstituir a sua natureza própria. PIS e COFINS Conforme antes destacado, segundo a recorrente, o fuindamento do lançamento efetivado a título de contribuições para o PIS e a COFINS decorrera do argumento de que o estorno da receita de créditos de ICMS não se referiria a ajustes do RTT, ou seja, no entendimento exarado pelos agentes da fiscalização, o lançamento teria sido realizado com base no argumento de que as subvenções para investimento integram a base de cálculo dessas contribuições sociais. A partir dessas considerações, indica precedentes do CARF que apontam para a conclusão de que a concessão de créditos de ICMS no âmbito de programas de inventivo a investimentos não integram a base de cálculo das contribuições sociais apontadas. Adicionalmente, destaca a recorrente que a decisão proferida pela DRJ apesar de nunca considerado pelos agentes da fiscalização tece longas cnsiderações a respeito da necessidade de vinculação e estrita correspondência entre os benefícios financeiros auferidos pela contribuinte e o destino desses recursos à realização dos investimentos, considerando que a ausência de demonstração dessa vinculação seria, pois, suficiente para a tributação dos referidos valores. Em suas considerações, afirma a recorrente a completa impossibilidade de admissão das argumentações adrede apresentadas pela DRJ, sobretudo porque, não tendo sido levantada essa consideração no Termo de Verificação Fiscal, não poderia agora, em sede de julgamento da impugnação, ser agregado aos fundamentos para manutenção do auto, e, ainda, destaca também não competir à Turma Julgadora a discussão a respeito da vinculação ou não entre o benefício concedido e o invetimento comprometido, fato que somente competiria ao Estado concessor do benefício. Ultrapassadas as considerações formais, destaca ainda a recorrente um específico precedente da Câmra Superior de Recursos Fiscais deste CARF que, apreciando uma Fl. 1278DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10120.723741/201200 Acórdão n.º 1301001.788 S1C3T1 Fl. 11 19 questão análoga, relacionada, especificamente com o possível descasamento temporal entre as subvenções recebidas e os investimentos realizados, reconheceu como regular o seu recebimento após a efetivação dos investimentos (Acórdão 9101001.094). GLOSA DE DESPESAS CSLL Em mais esse ponto de argumentação, destaca a recorrente a discussão em torno da glosa de despesas promovidas pela autuação, e mantida pela DRJ, especificamente em decorrência do apontamento de que a contribuinte teria deixado de adicionar à base de cálculo da CSLL algumas despesas do quarto trimestre de 2008, e durante o ano de 2009. Em suas considerações, a recorrente sustenta que, no caso, as duas equivocadas premissas adotadas pela fiscalização não teriam sido afastadas pela decisão da DRJ, indicando: a) que a totalidade das exigências se refeririam a provisões e b) que nem todas as despesas indedutíveis para IRPJ também o são para a CSLL. Assim, sustenta que o entendimento externado pela DRJ incorrera em efetiva imprecisão ao assumir que todas as despesas indedutíveis para fins do IRPJ deveriam ser necessariamente adicionadas à base de cálculo da CSLL, o que, então fundamentaria a necessidade de reforma da decisão de primeira instância. DOS DESCABIMENTO DA APLICAÇÃO CONCOMITANTE DA MULTA DE OFÍCIO E DA MULTA ISOLADA Subsidiariamente aos argumentos anteriormente apontados, sustenta a recorrente que, acaso mantido o lançamento guerreado, indevida seria a aplicação concomitante da multa de ofício e da multa isolada. Em suas razões, sustenta a recorrente que por adotar a sistemática da apuração do lucro real anual, é obrigada a promover o recolhimento mensal de estimativas, a título de antecipação dos montantes devidos, sendo então imputável a multa isolada de 50% no caso da inobservância desse procedimento. Findo o exercício, o sujeito passivo não mais se vê obrigado ao recolhimento das estimativas mensais, mas sim ao imposto e à contribuição devidamente apurados e devidos, após o encerramento do anocalendário. Em face dessa realidade própria, considerando a existência de previsão normativa para ambas as penalidades, sustenta a recorrente o entendimento colhido da jurisprudência deste CARF que, especificamente, rejeita a sua aplicação cumulativa/concomitante. Assim, encerrado o exercício, não mais possível se mostra a exigência da referida multa isolada, sendo aplicável, quando muito, a multa de ofício então especificamente lançada. Diante disso, requer o afastamento da exigência da multa isolada. DA INVALIDADE DA EXIGÊNCIA DOS JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Fl. 1279DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 20 Requer seja reconhecida a invalidade da exigência dos juros de mora sobre o montante apurado a título de multa de ofício, tendo em vista a aplicação limitada do Art. 113, par. 1o do CTN. Indica precedentes do CARF. A partir de todas essas considerações, requer seja devidamente provido o Recurso Voluntário apresentado, desconstituindo o lançamento nos termos apontados. Esse é o relatório. Fl. 1280DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10120.723741/201200 Acórdão n.º 1301001.788 S1C3T1 Fl. 12 21 Voto Vencido Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, relator. Sendo tempestivo o recurso voluntário interposto, dele conheço. Conforme amplamente apontado nos termos do relatório produzido, existem, nos presentes autos, 07 (sete) específicas discussões desenvolvidas, que, pela sua complexidade, aqui devem ser então analisadas isolada e separadamente, a saber: i) A (in)validade da amortização de ágio ii) Das receitas de processos judiciais iii) O estorno da Reserva de Reavaliação iv) Dos programas FOMENTAR e PRODUZIR v) Da glosa de despesas de CSLL vi) Da concomitância entre a multa de ofício e a multa isolada vii) Da exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício Passemos então ao enfrentamento das questões na ordem oferecida pela recorrente. I) A (IN)VALIDADE DA AMORITZAÇÃO DE ÁGIO A primeira questão abordada nos autos, e, aqui, inclusive, especificamente apreciada em relação à pretensão deduzida pela recorrente, referese à discussão a respeito do lançamento efetivado pelas autoridades da fiscalização fazendária, impondo o reconhecimento de invalidade da amortização de ágio promovida pela contribuinte, o que, segundo entende, não merece, de forma alguma, prosperar. Da análise dos elementos contidos nos autos, verificase que aqui se trata da discussão a respeito da operação de aquisição da totalidade das cotas da empresa Leitbom S/A ("LEITBOM") pela empresa Monticiano Participações S/A ("MONTICIANO"), utilizandose, para tanto, de uma "empresa de prateleira" cognominada de CARAVELAS. Para que aqui fique devidamente delineada e compreendida a questão trazida à análise, relevante observar a total inexistência de relação societária entre a MONTICIANO e os originários proprietários da LEITBOM, tratandose de operação entre efetivas e verdadeiras "Partes Independentes", materializada a partir da indubitável existência de pagamento ("dinheiro vivo"). De forma bastante simplificada, assim se pode compreender as operações apontadas: Fl. 1281DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 22 i) A Monticiano Participações S/A ("Monticiano") adquiriu a empresa "Caravelas" em 10/02/2008, tendo, posteriormente, aumentado o seu capital mediante a transferência de recursos financeiros; ii) em 14/04/2008 a Caravelas aquiriu de terceiros por meio de contrato de compra e venda, e com pagamento em "dinheiro vivo" a totalidade das quotas da Leitbom S.A. ("Leitbom"); e iii) em novembro de 2008 a Caravelas foi incorporada pela Leitbom. A par dessas iniciais considerações, verificase que a recorrente sustenta que a razão fundamental da glosa fiscal teria sido apresentada, especifica e exclusivamente, no que tange à utilização, pela MONTICIANO da referida empresa de prateleira "CARAVELAS" com o fim único e exclusivo de garantir o aproveitamento do ágio gerado, o que, no entender dos agentes da fiscalização, importaria efetiva e própria hipótese de "simulação", que, assim, não poderia aqui de forma alguma ser admitida. Especificamente em relação a este ponto, insta destacar que ao pretender apontar a invalidade da operação, tanto os agentes da fiscalização, quanto, também, a r. decisão exarada em primeira instância tecem considerações a respeito dos originários fundadores da empresa CARAVELAS, destacando que ela teria sido constituída a partir de um capital social de apenas R$ 1.000,00 (um mil reais), e, após a aquisição pela MONTICIANO, teria este sido elevado em montante suficiente para a efetivação da aquisição da LEITBOM, nos termos apontados. A consideração, promovida pelos agentes da fiscalização, de que, no caso, tratarse ia de efetiva "simulação", é apresentada, de fato, sob o exclusivo fundamento de que a colocação da empresa CARAVELAS na operação teria sido efetivada com o fim exclusivo de garantir o aproveitamento do ágio pela contribuinte. A recorrente, contra esse argumento, sustenta que, no caso, não atentaram os agentes da fiscalização a respeito da necessária conceituação, na hipótese, de quaisquer das circunstâncias próprias a respeito dos requisitos específicos apontados pelas disposições do Art. 167 do Código Civil para a caracterização do efetivo "ato simulado", sobretudo porque, conforme se verifica, a operação pretendida não fora encoberta ou escondida, pelo contrário. Declaradamente, o que se pretendia era exatamente aquilo que fora efetivamente apresentado, não se havendo falar, portanto, em qualquer possibilidade de configuração de ato simulado. Pois bem. Em primeiro lugar, relevante observar que, no caso, não existe nenhuma dúvida a respeito da consistência própria das operações societárias perpetradas. A discussão aqui apontada cingese, então, à análise da regularidade (ou não) da utilização, pela MONTICIANO, da empresaveículo CARAVELAS para a operacionalização da aquisição das participações acionárias e a sua ulterior incorporação, com a transferência do ágio regularmente constituído. A acusação apresentada limitase, exclusivamente, por considerar inválida a opção da MONTICIANO em não promover diretamente a aquisição, utilizandose, para tanto, de empresa intermediária (a CARAVELAS), especificamente para garantir a ulterior incorporação, e, no caso, o aproveitamento do ágio, nos exatos termos do art. 386, inciso III do RIR/99. Fl. 1282DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10120.723741/201200 Acórdão n.º 1301001.788 S1C3T1 Fl. 13 23 Em que pese as muitas discussões mantidas a respeito deste tema na mais respeitada doutrina especializada, relevante destacar que, de fato, a utilização das chamadas "empresasveículo" são apontadas pelos agentes da fiscalização, como regra, em decorrência da artificialidade da criação do ágio, destacandose a esse respeito, inclusive, as mais variadas construções já empreendidas em torno das hipóteses de "ágio interno" ou mesmo o "ágio de si mesmo", estas como operações que, tratandose de meras e exclusivas construções formais, sem nenhum "efeito econômico" e sem qualquer transferência de riquezas, são engendradas desde o início , com o exclusivo objetivo de geração do benefício fiscal correspondente. Apesar de todas essas necessárias ponderações, é relevante ressaltar que essa não é a realidade destes autos. A operação societária empreendida consistiu na efetiva aquisição, pela CARAVELAS, da participação societária da LEITBOM, com o pagamento do preço e regular existência do ágio. A empresa CARAVELAS, antes disso, fora constituída (e adquirida) pela MONTICIANO, com o fim específico de promover a aquisição ulterior da LEITBOM, sendo regularmente promovido o seu aumento de capital, em perfeita e regular observância das normas societárias respectivas. O fato de a CARAVELAS tratarse de empresa dita "de prateleira", anteriormente constituída por pessoas que sequer mantinham recursos financeiros suficientes para a prática dos atos apontados, a nosso sentir, não se mostra suficiente para a desconsideração da validade da operação. O objetivo especificamente pretendido foi aquele objetivamente delineado, mostrandose válida, regularmente, a opção realizada pela contribuinte que, sem qualquer engenharia, realizou os atos pretendidos, deles extraindo todas as consequências jurídicas respectivamente previstas no ordenamento. Nesse contexto, a acusação de ocorrência de simulação mostrase destacabida, especificamente porque, como bem apontado pela recorrente, o que se extrai dos atos regularmente praticados é, exatamente, o que se pretendia: a aquisição, pela MONTICIANO da totalidade das quotas da LEITBOM, com o aproveitamento do ágio pago, o que, como bem se vê, em absolutamente nada afronta o que disposto em nosso ordenamento jurídico pátrio. A jurisprudência deste Conselho, já há algum tempo, tem se consolidado no sentido de rejeitar a amortização de ágio constituído de forma ilegal e abusiva, com a utilização de fraudes e simulações, o que, naturalmente, não se verifica nas hipóteses em que o ágio fora regularmente constituído, sendo nascido de operações regulares, realizados entre partes independentes, devidamente comprovado e mediante o respectivo pagamento do preço estabelecido, o que, verificase, encontrase em todas as circunstâncias aqui apresentadas. Nesse sentido, inclusive, destacamos o seguinte precedente, da lavra do ilustre Conselheiro Dr. RAFAEL CORREIA FUSO, que, na mesma linha, bem ilustra o entendimento que defendemos: Número do Processo 19515.004131/200779 Contribuinte CAMIL ALIMENTOS S/A Fl. 1283DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 24 Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão 15/03/2012 Relator(a) RAFAEL CORREIA FUSO Nº Acórdão 1201000.659 Tributo / Matéria Decisão Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR provimento ao recurso, os termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Marcelo Cuba Netto, que dava provimento parcial para afastar a multa concomitante e Luiz Tadeu Matosinho Machado, que negava provimento ao recurso. Ementa IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. DEDUTIBILIDADE. A pessoa jurídica que, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, absorver patrimônio de outra que dela detenha participação societária adquirida com ágio, poderá amortizar o valor do ágio, cujo fundamento seja o de expectativa de rentabilidade futura, nos balanços correspondentes de apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração.(arts. 7° e 8° da Lei 9.532/97). A premissa utilizada pela fiscalização quanto à glosa do ágio como despesa não se sustenta quando aponta o artigo 13, inciso III, da Lei n° 9.430/96, visto a existência de regra específica que tratou a dedutibilidade do ágio. Os laudos não contestados pela Fazenda e a ausência de apontamento de dolo na operação não permite que o ágio apurado sobre rentabilidade futura e deduzido pelo contribuinte para fins de dedução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL seja glosado pela Receita Federal. Devese ter em mente que as operações tributárias e societárias (planejamentos tributários) fundadas em negócios jurídicos indiretos não configura simulação, dissimulação ou evasão fiscal, ainda mais quando se tem uma operação aberta, transparente, mesmo com a utilização de empresa veículo. CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicação reflexa dos fundamentos tratados no IRPJ. Cancelamento da cobrança em razão da legalidade quanto à dedução do ágio. MULTA ISOLADA. INSUSTENTABILIDADE E CONCOMITÂCIA. Insustentabilidade em razão da inexistência de falta de pagamento de IRPJ pelo regime de estimativa, visto que a dedutibilidade da despesa do ágio foi acolhida. Aplicação da teoria da consunção em razão da concomitância com a multa de ofício. (destaque nosso) Nessa linha, entendemos que, acaso fosse essa e somente essa a acusação fiscal, de fato, não se poderia manter a regularidade do lançamento efetivado. Entretanto, em que pese essas iniciais considerações aqui apresentadas, urge destacar que, ao contrário do que pretende fazer crer a recorrente, a discussão a respeito da validade da constituição do ágio não se limitava, apenas e tão somente, à discussão em relação à apontada simulação, mas também, ainda, conforme se verifica nas disposições do Termo de Verificação Fiscal, também em relação ao cumprimento dos requisitos legais para a constituição e a válida amortização do pretendido ágio, sobretudo no que tange à validade do "Laudo" apresentado, especificamente no que se refere à sua temporalidade. De fato, antes da lavratura do Auto de Infração, pela contribuinte foi apresentado aos agentes da fiscalização o Laudo de Avaliação RJ0185/0802, elaborado pela empresa APIS Consultoria, para determinação do valor do Patrimônio Líquido da empresa CARAVELAS EMPREENDIMENTOS para fins de incorporação e não o Laudo de Avaliação do PL da LATICINIOS MORRINHOS (LBRLacteos). Esse Laudo, que se encontra às fls. 255 Fl. 1284DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10120.723741/201200 Acórdão n.º 1301001.788 S1C3T1 Fl. 14 25 e ss. dos autos, possui "database" 30 de Setembro de 2008 ("Pouco depois, em 14/04/208, nova AGE foi realizada na CARAVELAS, na qual foi deliberado o aumento de seu capital social de R$ 1.000,00 para R$ 316.476.907,87. Neste mesmo dia, a MONTICIANO, por intermédio da CARAVELAS, adquiriu 90.000.000 quotas de emissão da LATICÍNIOS MORRINHOS INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, atual LBR, representativas de 100% do capital social desta empresa, em operação que gerou um ágio de R$ 278.301.202,15.") Entretanto, com a IMPUGNAÇÃO (fls. 821 e ss), foi apresentado o Laudo da APSIS RJ0185/0801, com database de 31/03/2008. Apesar da data indicada, pela simples leitura do documento, verificase que ele é posterior à aquisição da participação acionária referenciada, sendo ele produzido em 25/06/2008, posteriormente, portanto, às operações encetadas. Sendo esse o único documento utilizado como fundamento para o pagamento do referido ágio, tenho como não atendidas as exigências formais para a sua formação e ulterior admissão de sua dedutibilidade , de sorte que, mesmo superando as supostas questões antes apresentadas, ainda assim não vejo como admitir como válida a amortização glosada. Nessa linha de entendimento, relevante destacar, já nos temos manifestado em outras oportunidades, conforme, inclusive, o seguinte precedente colhido desta mesma Turma de Julgamento: Número do Processo 19515.003129/200600 Contribuinte PROCOMP COMERCIO E SERVICOS LTDA Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão 28/08/2014 Relator(a) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Nº Acórdão 1301001.637 Tributo / Matéria Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WILSON FERNANDES GUIMARÃES – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Relator. Participaram do julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Presidiu o julgamento o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. Ausente justificadamente o Conselheiro Valmar Fonsêca de Menezes (Presidente). Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2001 NULIDADE. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DEFICIENTE. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste a alegada deficiência de fundamentação se o relatório fiscal descreveu minuciosamente as operações societárias realizadas pela recorrente e, apoiado nas normas que regem a matéria, apontou as razões para que a amortização do ágio levada a efeito fosse glosada. Além disso, tendo a recorrente demonstrado, em sua impugnação e recurso voluntário, completo entendimento das acusações fiscais imputadas, trazendo ampla argumentação contra as imputações e escudando o seu procedimento na mesma legislação apontada não Termo de Constatação Fiscal e no Auto de Infração, não há que se cogitar de cerceamento ao direito de defesa. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO PARA Fl. 1285DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 26 GLOSA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. TERMO A QUO. O prazo decadencial para que a Fazenda Nacional efetue o lançamento deve ser contado, na regra geral do art. 150, § 4º do CTN, a partir da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. No caso da amortização do ágio, independentemente do ano em que o mesmo tenha sido gerado, o Fisco somente pode verificar a regularidade da dedução a partir do momento em que o sujeito passivo passa a deduzilo de seus resultados. Antes disso, não deflui qualquer prazo decadencial em relação ao direito do Fisco verificar a regularidade do lançamento por homologação realizado pelo Sujeito Passivo. ÁGIO. GLOSA DE AMORTIZAÇÃO. DEMONSTRAÇÃO QUE JUSTIFIQUE A AQUISIÇÃO DA PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA PARA FUNDAMENTAR O ÁGIO COM BASE NA RENTABILIDADE FUTURA. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. LAUDO POSTERIOR. IMPOSSIBILIDADE. A demonstração do fundamento econômico da mais valia paga deve ser contemporânea ao reconhecimento do ágio na escrita contábil do contribuinte. Embora a legislação não estabeleça a forma dessa demonstração, o corolário é que esta deva existir ao menos na data do registro da aquisição da participação societária, com vistas ao seu desdobramento contábil. Tratase de requisito legal indispensável, à cargo do sujeito passivo para fruição do benefício fiscal estabelecido. Não tem o Fisco que demonstrar qual seria o “outro fundamento econômico” para o ágio pago, mas sim ao contribuinte comprovar, mediante documentação hábil e idônea, que pagou o ágio baseado na rentabilidade futura projetada para o investimento. PERDAS COM NUMERÁRIO EM TRÂNSITO. ERROS DE CONTABILIZAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. Não tendo a recorrente trazido aos autos nenhum elemento que pudesse comprovar o erro de contabilização alegado é de ser mantida a glosa da despesa. Tratandose de dedução de despesas, independente de sua classificação, cabe ao sujeito passivo demonstrar e comprovar a sua natureza e ainda, se preenche os requisitos de necessidade, usualidade e normalidade. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DOS PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE FRENTE AO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Não cabe ao julgador administrativo ponderar juízos de razoabilidade e proporcionalidade, à míngua de expressa autorização legal. JUROS DE MORA CALCULADOS À TAXA SELIC. LEGALIDADE. CONSTITUCIONALIDADE A aplicação da taxa de juros Selic para corrigir o crédito tributário lançado decorre de expressa disposição legal, inexistindo ilegalidade ou inconstitucionalidade na sua aplicação. Observância da Sumula nº 4 do CARF. JUROS SELIC APLICADOS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. O crédito tributário decorre da obrigação tributária principal, que compreende o tributo e a multa de oficio. Assim, sobre o total do crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, deve incidir juros de mora, calculados à taxa Selic. Ora, verificandose nos autos que o documento apresentado pela contribuinte fora produzido após a efetivação da operação societária respectiva, tenho como não atendidas as exigências para a fundamentação econômica na formação do ágio pela pretendida expectativa de rentabilidade futura da forma como pretendido, entendo, no caso, pela manutenção da glosa fiscal efetivada sob esse fundamento. II) DAS RECEITAS DE PROCESSOS JUDICIAIS Como segundo ponto de abordagem apresentado no Recurso Voluntário, verificase a discussão pretendida em relação à apontada "reversão de registro" efetivado pela Fl. 1286DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10120.723741/201200 Acórdão n.º 1301001.788 S1C3T1 Fl. 15 27 contribuinte que, naquele exercício, promoveu o estorno do lançamento relativo ao indicado "ativo contingente", no montante de R$ 24.227.464,84. Analisando as informações constantes do TVF, verificase que a glosa fiscal fora efetivada tendo em vista a consideração da préexistência do registro na conta 5.31.01.010 Receitas de Processos Judiciais naquele montante, sendo que, após a intimação de apresentação de esclarecimento, pela contribuinte esclareceu que a efetivação do estorno daquele registro decorrera especificamente da resposta obtida nos autos do Processo Administrativo n. 10120.0044367/200829, por meio do qual pretendia ela o reconhecinento de habilitação de crédito decorrente da ação judicial n. 96.00.008590. A fiscalização aponta que, conforme as informações prestadas, a informação de não reconhecimento do crédito somente teria sido apresentada em relação ao montante de R$ 10.634.737,40, estando assim pendente de comprovação o montante de R$ 13.592.727,44, sendo considerados então como receitas de créditos reconhecidos em processos judiciais indevidamente estornados. O lançamento efetivado (e também, nesse caso, a decisão proferida em primeira instância) sutentamse, especifica e exclusivamente, no fato de que a contribuinte, mesmo regularmente intimada, não teria apresentado qualquer comprovação da suposta "irregularidade" do registro anterior, ou ainda, no caso, da regularidade do estorno efetivado. Em suas razões recursais, sustenta a contribuinte que o ajuste perpetrado decorria de específica correção dos procedimentos contábeis, não havendo, a seu sentir, qualquer outra prova possível a ser apresentada, senão, os seus correspondentes registros contábeis, o que, apesar de apresentado, não teriam sido admitidos como suficientes pela fiscalização e nem pela Turma julgadora de primeira instância. Em que pese todo o esforço argumentativo apresentado pela contribuinte, penso que, neste caso, as provas exigidas poderiam/deveriam ter sido apresentadas pela contribuinte com a comprovação da regularidade de seu proceder, o que, inclusive, havia sido especificamente apontado pela r. decisão de primeira instância que, a respeito desse específico ponto da defesa apresentada, assim, inclusive, especificamente destacou: As alegações não procedem, pois não vêm acompanhadas de provas. Há que se registrar que, no curso da ação fiscal, o contribuinte foi intimado a esclarecer e a apresentar documentos comprobatórios do lançamento efetuado a débito da conta código 5.31.01..010 – Receitas de Processos Judiciais, no dia 31/12/2008, no valor de R$ 24.227.464,84. Os documentos juntados pelo contribuinte, conforme relata a autoridade autuante, comprovam apenas o não reconhecimento de crédito solicitado no valor de R$ 10.634.737,40, de modo que não houve comprovação das razões do estorno de receitas escrituradas no montante de R$ 13.592.727,44. Em seu recurso, nenhuma prova adicional foi apresentada. Portanto, permanece sem comprovação as razões do estorno da receita escriturada no montante de R$ 13.592.727,44. A qual ação judicial se refere a impugnante, além daquela de que trata o pedido de habilitação de crédito apresentado no curso da ação fiscal? Fl. 1287DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 28 Quais são as estimativas e cálculos que deram base ao lançamento contábil? Nada foi esclarecido. Diante disso, não há como concluir que os valores devem ser reputados ativos contingentes cuja contabilização é descabida. Os documentos que deveriam ter sido apresentados pela contribuinte deveriam ser, exatamente, aqueles que possibilitariam a idenficação, pelos agentes da fiscalização, do efetivo montante devido, e, no caso, os resultados dos estudos por ela empreendidos que indicassem a necessidade do estorno, o que, nunca tendo sido apresentado pela contribuinte, mostra a completa impossibilidade de acolhimento das razões por si só apresentadas. Em face dessas considerações, entendo não assistir razão à recorrente neste tópico. III) O ESTORNO DA RESERVA DE REAVALIAÇÃO A terceira abordagem do recurso referese à pretensão de desconstituição do lançamento em relação às apurações de "Ganho de Capital" e, também, de "Despesas com depreciação", tomandose em consideração dos estornos por ela efetivados na conta reserva de avaliação. Da definição do momento de apuração do Ganho de Capital No que tange à discussão em torno da imposição, pela fiscalização, da obrigatoriedade de apuração do montante de tributo devido em decorrência da verificação de Ganho de Capital, importante ressaltar que a discussão empreendida neste tópico referese à deliberação, efetivada em 11/04/2008, de transferência a título de dividendos aos sócios a partir de entrega de parte de seus ativos, o que, apesar de materialmente realizado em Dezembro/2008 e em 2009, em respeito ao princípio contábil da competência, deveriam ser registrados no resultado fiscal do 2o trimestre daquele ano, e não da forma como considerado pela fiscalização. A fiscalização, por sua vez, considerou o resultado positivo da transferência somente no mês de Dezembro/2008, acarretando, por conta disso, relevantes alterações na apuração dos montantes dos tributos devidos. Por ora, independentemente dos reflexos econômicos correspondentes, relevante observar que, no caso, há se perquirir qual seria o momento adequado para a configuração das referidas transferências, e, nesse caso, a regularidade (ou não) da imputação efetivada. Analisando as informações constantes do Termo de Verificação Fiscal a respeito desse ponto, relevante destacar os seguintes apontamentos ali constantes a respeito desse ponto da autuação: "Ainda inerente aos efeitos fiscais decorrentes do estorno de reserva de reavaliação verificou esta fiscalização que bens imóveis reavaliados dados em dação de pagamentos de dividendos distribuídos aos sócios, aprovado em reunião realizada em 11/04/2008, a contribuinte não considerou na apuração dos resultados os ajustes relativos ao mencionado estorno de reavaliação, deixando de apurar ganho de capital, demonstrado no quadro abaixo, sobre operações de venda de bens que foram negociados nos valores reavaliados, conforme constam no Anexo I da Ata de Reunião Fl. 1288DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10120.723741/201200 Acórdão n.º 1301001.788 S1C3T1 Fl. 16 29 que aprovou os dividendos e das Declarações de Operações Imobiliárias DOI prestadas pelos respectivos cartórios de registros de imóveis. No caso desse específico apontamento, vale destacar que ali se refere à transferência de bens imóveis, e que, como se verifica, efetivamente válido o apontamento promovido pelos agentes da fiscalização, haja vista a inobservância das específicas regras de .regência pela contribuinte. Em face dessas considerações, na linha do que aqui tem sido destacado, não vejo como possível a desconstituição do lançamento também em relação a esse apontamento. Das Despesas de Depreciação Em relação a esse item, sustenta a contribuinte que, de forma diversa daquela contida nos argumentos da DRJ, o estorno por efetivado em relação às Despesas de Depreciação não seriam decorrentes da aplicação das disposições do Art. 6o da Lei 11.638/2007, destacando que não há nos autos prova de que a recorrente não teria realizado as reservas de reavaliação concomitantemente com a apropriação das cotas de depreciação. Neste específico ponto sustenta a contribuinte que caberia aos agentes da fiscalização efetivamente comprovar a irregularidade da atuação da contribuinte, o que, não o fazendo, não se desincumbindo do ônus que lhe era próprio, inadmissível seria o lançamento efetivado. Ocorre que, ao contrário do que sustentado, todas as considerações a respeito da invalidade dos procedimentos da contribuine a respeito da efetivação dos estornos nos registros relativos às indicadas despesas de depreciação fundavamse, especificamente, na ausência de provas da contribuinte que, apesar de regularmente intimada, não os teria apresentado aos agentes da fiscalização. Nesse sentido, o que se verifica, a recorrente pretende, agora, impor a inversão do ônus da prova, acreditando que, com isso, reverteria a consideração efetivada. Com todas as venias, não pode prosperar essa pretensão, sobretudo porque, ao não apresentar a específica informação e documentação pertinente quando, no desenrolar da fiscalização, fora ela especificamente para isso intimada, atraiu a contribuinte esse ônus probatório, não sendo válida, agora, a sua pretensão de aplicála aos agentes da fiscalização. Nesses termos, não se verificando neste tópico qualquer argumento que pudesse albergar a validade da atuação da contribuinte, não vejo como acudila em sua pretensão. Fl. 1289DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 30 IV) DOS PROGRAMAS FOMENTAR E PRODUZIR Seguindo em suas considerações, aduz ainda a recorrente a invalidade da autuação, especificamente no que diz respeito ao tratamento conferido aos recursos por ela mantidos em decorrência dos programas do Estado de Goiás (FOMENTAR e PRODUZIR), que, por serem por ela considerados como efetivas formas de "subvenção de investimentos", a eles seriam então aplicáveis as disposições do Art. 443, incisos I e II do RIR/99. Antes de analisar qualquer consideração a respeito desse tópico, relevante observar que a recorrente afirma a ocorrência de atuação inválida na decisão de primeira instância, especificamente porque, não tendo sido objeto de enfrentamento na autuação a consideração daqueles programas como efetivas programas de subvenção a investimentos, não poderia, agora, tais considerações serem sacadas como forma de garantir o "salvamento" do Auto de Infração. Da análise das disposições apresentadas pelo Termo de Verificação Fiscal, verificase que a notificação originariamente apresentada pela contribuinte referiase à necessidade de informação dos lançamentos realizados a partir da observância das regras próprias do RTT, o que, entretanto, tendo sido respondido pela contribuinte como representativo da específcia natureza (Subvenção de investimento), sequer teria sido objeto de maiores considerações. O trecho do TVF que analisa as considerações de resposta apresentadas pela contribuinte, simplesmente destacam o seguinte: "Acontece que o próprio art. 443, nos incisos I e II do RIR/99, prevê que as subvenções recebidas não serão computadas no lucro desde que sejam registradas como reserva de capital, que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízo, ou ser incorporada ao capital social, observado ainda as disposições do art. 545 ; ou se feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiencias ativas, o que não é o caso, pois a contribuinte obteve o crédito reduzindo diretamente o seu passivo com o Estado de Goiás: contas 221001 FINANCIAMENTO FOMENTAR e 221002 FINANCIAMENTO PRODUZIR, e não constitui reserva de incentivos fiscais com tais valores, conforme verificase no extrato de lançamento do livro Razão e dos saldos de reservas do balanço da companhia. Tal fato repercute inclusive, nas bases de cálculo do PIS e da COFINS, uma vez que, conforme a própria contribuinte esclareceu, não se refere a ajustes do Regime Tributário de Transição RTT." A primeira consideração que aqui se faz necessária é de que, ao contrário do que sustenta a recorrente, o apontamento promovido pela fiscalização não se limitava a simples consideração de descumprimento de uma "formalidade" pela contribuinte, absolutamente, mas sim a efetiva desconsideração da possibildiacde de aplicação das específicas consequencias jurídicas decorrentes da eventual consideração daqueles lançamentos como se de efetivas subvenções se tratassem. A título de relevante destaque, apresetemos aqui as disposições do mencionado art. 443 do RIR/99: Art. 443. Não serão computadas na determinação do lucro real as subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, Fl. 1290DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10120.723741/201200 Acórdão n.º 1301001.788 S1C3T1 Fl. 17 31 desde que (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 38, § 2º, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso VIII): I registradas como reserva de capital que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto no art. 545 e seus parágrafos; ou II feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas. No caso presente, tendo a contribuinte reconhecido o erro em sua escrita contábil, tornase efetivamente inconteste a não observância das disposições próprias para a aplicação das consequencias determinadas pelas referidas disposições, de sorte que, com toda a certeza, não se trata de mero "erro formal" que pudesse de qualquer forma ser sanado pela contribuinte, mas sim, objetivamente, da inconteste afirmação fiscal da impossibilidade de conferência, aos referidos registros, do tratamento apontado pelas disposições do Art. 443 do RIR/99. A análise em torno da possibilidade (ou não) de configuração do referido programa FOMENTAR como hipótese própria de subvenção econômica, por certo, é tema já há tempos debatido neste Conselho, sendo importante destacar, inclusive, o específico entendimento já exarado pela Colenda CSRF, que assim então já se pronunciou: Número do Processo 10120.002464/9735 Contribuinte LABORATORIO TEUTO BRASILEIRO S/A Tipo do Recurso Recurso de Divergência do Contribuinte Diligência Data da Sessão Relator(a) José Clóvis Alves Nº Acórdão CSRF/0105.424 Tributo / Matéria Decisão Pelo voto de qualidade, NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros José Clóvis Alves (Relator), José Carlos Passuello, Victor Luis de Salles Freire, Carlos Alberto Gonçalves Nunes e José Henrique Longo que deram provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Cândido Rodrigues Neuber. Ementa IRPJ PROGRAMA DE INCENTIVO FISCAL ESTADUAL FOMENTAR SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO OU PARA CUSTEIO NÃO CARACTERIZAÇÃO Incentivo financeiro concedido pelo governo estadual, consubstanciado na concessão de empréstimos para reforço de capital de giro e financiamento de 70% do ICMS Fl. 1291DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 32 devido, a prazo longínquo, a juros simbólicos e sem correção monetária, não se traduz em “subvenção para investimento” ou “subvenção para custeio” e nem autoriza que a empresa beneficiária aproprie como despesas, a título de “subvenção para investimento”, o valor correspondente à correção monetária que deixou de ser paga, eis que se trata de despesa fictícia, não contratada, não incorrida e não paga, que afetou indevidamente o resultado do exercício e, conseqüentemente, apequenou, de modo irregular, as bases de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido devidos pela pessoa jurídica, nos respectivos exercícios financeiros, espraiando o incentivo fiscal do âmbito estadual para os tributos federais, sem previsão legal. Negado provimento ao recurso especial. Nessa linha, completamente desarrazoada a insistente tentativa da recorrente em pretender conferir ao referido programa FOMENTAR (e, por arrasto, também o indicado programa PRODUZIR) a característica própria de Subvenção a Investimento, sobretudo porque não pode ser considerado como elemento próprio definido pela específica legislação tributária federal. Não bastasse essa consideração, relevante destacar, novamente, que as exigêncais apontadas pelos incisos do mencionado Art. 443 do RIR/99 não se tratam de meras exigêncais formais, da forma como sustentado pela recorrente, mas sim requisitos próprios para a configuração da possibilidade de aplicação daquele específico regramento ao montante então objetivamente considerado, sendo certo e completamente induvidoso que, não fosse pela imposibilidade própria e vitanda de consideração dos créditos dos referidos programas como hipóteses próprias das chamadas Subvenções a Investimentos, a ausência do registro dos valores mantidos pela contribuinte em específica conta de reserva de capital também imporia a impossibilidade de aplicação daquele dispositivo, da forma aqui então apontado. Para fins de registros necessários, não sendo possível considerar os referidos montantes como valores efetivamente recebidos a partir da sistemática apontada pelas disposições do Art. 443 do RIR/99, a consequencia a incidência tributária do IRPJ e da CSLL também se amplia às Contribuições para o PIS e a COFINS, nos termos então efetivamente promovidos pela autuação efetivada. Em face dessas considerações, rejeito, também aqui, a pretensão da recorrente. V) DA GLOSA DE DESPESAS DE CSLL Seguindo em sua argumentação, aponta ainda a recorrente a discussão em torno da glosa de despesas promovidas pela autuação, e mantida pela DRJ, especificamente em decorrência do apontamento de que a contribuinte teria deixado de adicionar à base de cálculo da CSLL algumas despesas do quarto trimestre de 2008, e durante o ano de 2009. A argumentação da contribuinte, nesse item, é completamente genérica e sem substância, sobretudo porque, mais uma vez, pretende impor a reversão do ônus da prova, afirmando que a decisão da DRJ, teria considerado: a) que a totalidade das exigências se refeririam a provisões e b) que nem todas as despesas indedutíveis para IRPJ também o são para a CSLL. Fl. 1292DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10120.723741/201200 Acórdão n.º 1301001.788 S1C3T1 Fl. 18 33 Assim, sustenta que o entendimento externado pela DRJ incorrera em efetiva imprecisão ao assumir que todas as despesas indedutíveis para fins do IRPJ deveriam ser necessariamente adicionadas à base de cálculo da CSLL, o que, então fundamentaria a necessidade de reforma da decisão de primeira instância. De forma diversa do que apontado, verificase que no Termo de Verificação Fiscal apresentamse todas as considerações relativas às glosa efetivamente realizada, cabendo à contribuinte, agora, se fosse o caso, efetivamente apontar e sustentar a sua invalidade, o que, pelo que se verifica, não fora por ela efetivamente promovido. Diante dessas circunstâncias, não vejo como acolher a pretensão recursal também neste item. VI) DA CONCOMITÂNCIA ENTRE A MULTA DE OFÍCIO E A MULTA ISOLADA Adicionalmente a todas outras considerações apresentadas, destaca ainda a recorrente a sua pretensão de ver afastada a aplicação da multa isolada pelo não recolhimento de estimativas mensais, tendo em vista que i) o seu lançamento teria sido realizado após o encerramento do exercício, ii) a apuração daquele ano resultou em efetivo "prejuízo fiscal"; e, ainda, iii) a inadmissibilidade da aplicação cumulativa entre a multa isolada e a respectiva multa de ofício. A matéria, portanto, cingese à análise própria dos contornos normativos aplicáveis ao chamado recolhimento de estimativas mensais, que, como se verifica, pelas sistemáticas próprias daqueles referidos tributos (IRPJ e CSLL, apurados pelo Lucro Real), representamse, de fato, como meras antecipações do montante devido ao final do exercício. Em que pese as muitas discussões ainda hoje existentes sobre a matéria, é relevante observar que, a seu respeito, a Colenda Câmara Superior de Recursos Fiscais deste CARF já se debruçou sobre a matéria, sendo relevante destacar, a seu respeito, as disposições trazidas no voto proferido pelo ilustre Conselheiro Dr. Valmir Sandri, que, analisando com maestria a matéria, assim então assentou: Número do Processo 10980.005828/200534 Contribuinte GONVARRI BRASIL PROD SIDERURGICOS SA Tipo do Recurso RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE Data da Sessão Relator(a) VALMIR SANDRI Nº Acórdão 9101001.547 Tributo / Matéria Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros: Valmar Fosênca de Menezes, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, Plínio Rodrigues Lima e João Carlos de Lima Junior. Fez sustentação oral o advogado Dr. Ricardo Fernandes OAB/SP nº 183.220. (documento assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Valmar Fonseca de Menezes, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Karem Jureidini Fl. 1293DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 34 Dias, Plínio Rodrigues de Lima, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva e Suzy Gomes Hoffmann. Ementa Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004, 2005 MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. O artigo 44 da Lei n° 9.430/96 preceitua que a multa de oficio deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sobre base estimada ao longo do ano. A jurisprudência da CSRF consolidouse no sentido de que não cabe a aplicação da multa isolada após o encerramento do período. Ante esse entendimento, não se sustenta a decisão que mantém a exigência da multa sobre o valor total das estimativas não recolhidas. (Destaque nosso) Da leitura desse relevante precedente, verificase que, tomandose em conta a aplicação das disposições do mencionado Art. 44 da Lei 9.430/96, pacificouse naquela Câmara Superior o entendimento de que a base de cálculo indicada pela legislação de regência para a apuração da referida multa isolada seria o montante ou a diferença do tributo devido, o que, no caso de apuração de prejuízos fiscais e/ou bases negativas, efetivamente impõe a conclusão de que o montante da penalidade, no caso, seria igual a zero. Vejamos o trecho destacado do voto exarado naquele feito: A sanção prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96 decorre do descumprimento do dever de pagar o tributo. Para quem opta pela tributação pelo lucro real anual, o pagamento dáse mediante antecipações do valor estimado e ajuste ao final do período, quando efetivamente se apura o tributo devido. A jurisprudência desta Câmara Superior consolidouse no sentido de que as duas condutas (antecipação e ajuste), embora distintas, estão materialmente ligadas, eis que o cálculo do valor estimado repercute na apuração do ajuste ao final do período. Nesse passo, a primeira conduta (o dever de antecipar), só existe antes do encerramento do período de apuração, e apenas até esse termo seu descumprimento será alcançado pela penalização. Após o encerramento do período, a conduta exigível é o dever de apurar e pagar o tributo devido no ajuste. Dessa inteligência da norma resulta que, encerrado o anocalendário, não mais existe o dever de antecipar, e assim, a multa pelo descumprimento do dever de pagar o tributo só incide sobre a diferença entre o tributo devido no período e o já pago (quer sobre forma de estimativas, quer sobre forma de ajuste). A sanção prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96 decorre do descumprimento do dever de pagar o tributo. Para quem opta pela tributação pelo lucro real anual, o pagamento dáse mediante antecipações do valor estimado e ajuste ao final do período, quando efetivamente se apura o tributo devido. A jurisprudência desta Câmara Superior consolidouse no sentido de que as duas condutas (antecipação e ajuste), embora distintas, estão materialmente ligadas, eis que o cálculo do valor estimado repercute na apuração do ajuste ao final do período. Nesse passo, a primeira conduta (o dever de antecipar), só existe antes do encerramento do período de apuração, e apenas até esse termo seu descumprimento será alcançado pela penalização. Após o encerramento do período, a conduta exigível é o dever de apurar e pagar o tributo devido no ajuste. Fl. 1294DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10120.723741/201200 Acórdão n.º 1301001.788 S1C3T1 Fl. 19 35 Dessa inteligência da norma resulta que, encerrado o anocalendário, não mais existe o dever de antecipar, e assim, a multa pelo descumprimento do dever de pagar o tributo só incide sobre a diferença entre o tributo devido no período e o já pago (quer sobre forma de estimativas, quer sobre forma de ajuste). (Grifos e destaques nossos) A partir dessas considerações, entendo, na linha apontado, que o lançamento da referida multa isolada, no caso do nãorecolhimento de estimativas, somente tem cabimento no mesmo anocalendário de sua apuração, sendo certo que, com o encerramento do exercício, a obrigação de recolhimento dessas antecipações dá lugar à apuração e recolhimento do Lucro Real Anual, restando, pois, completamente indevido o lançamento da referida multa isolada quando verificado que, naquele exercício, a contribuinte apurou prejuízo, não restando valor algum a ser recolhido aos cofres fazendários. Não fosse por essas considerações, verificase ainda que, também na jurisprudência deste Conselho encontrase hoje assentada a impossibilidade da aplicação concomitante entre a multa isolada e a multa de ofício, valendo ainda, a esse respeito, o necessário destaque ao recente julgado daquela Câmara Superior, que assim, inclusive, especifciamente aponta: Número do Processo 13839.002602/200511 Contribuinte KERNEL PARTICIPACOES LTDA Tipo do Recurso RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE Data da Sessão 08/10/2014 Relator(a) JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Nº Acórdão 9101002.030 Tributo / Matéria Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. (Documento assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente (Documento assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros: OTACÍLIO DANTAS CARTAXO (Presidente). MARCOS AURELIO PEREIRA VALADÃO, VALMIR SANDRI, VALMAR FONSECA DE MENEZES, KAREM JUREIDINI DIAS, JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, ANTONIO LISBOA CARDOSO (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR e PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado). Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2000 MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. É incabível a aplicação concomitante da multa isolada por falta de recolhimento de tributo com base em estimativa Fl. 1295DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 36 e da multa de ofício exigido pela constatação de omissão de receitas, quando ambas recaem sobre a mesma receita. Em face dessas considerações, entendo completamente impossível a admissibilidade da exigência concomitante da Multa Isolada pelo não recolhimento de estimativas, e, no caso, a Multa de Ofício imputada, determinando, então, por força disso, a exoneração da primeira. Aliás, a esse respeito, inclusive, relevantes apresentamse as recentes disposições da Súmula CARF n. 105, que, tratando exatamente da matéria aqui apontada, inclusive, assim expressamente destaca: Súmula CARF nº 105 : A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Com essas considerações, entendo, neste ponto, pela procedência dos argumentos aduzidos pela recorrente. VII) DA EXIGÊNCIA DOS JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Por fim, um dos temas que tem, de forma recorrente, sido argüido em diversos casos neste Conselho, tem sido a discussão a respeito da incidência (ou não) dos percentuais de juros de mora sobre os montantes da apontada multa de ofício. Inicialmente, é de se destacar que, a rigor, a aplicação de juros de mora sobre o montante do crédito tributário constituído e inadimplido, em nosso sistema possui expressa e específica base legal, sendo, a seu respeito, fundamental o destaque das disposições do Art. 161 do CTN, que, sobre o assunto, assim então especificamente destaca: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Da leitura dessas disposições, verificase já, de antemão, um tratamento legal distinto aplicado pelas disposições normativas de regência para o que seja o “crédito tributário” propriamente dito, e, no caso, as penalidades aplicadas, expressamente destacando que os juros de mora incidem (apenas) sobre aqueles, e não sobre todos os valores ali mencionados. Fl. 1296DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10120.723741/201200 Acórdão n.º 1301001.788 S1C3T1 Fl. 20 37 Sendo essa a exegese que entendo adequada para o referido dispositivo legal, penso que, pela sua própria dicção, os juros de mora devem incidir sobre o montante próprio (e exclusivo) do crédito tributário, não cabendo, assim, a sua aplicação sobre o montante da multa de ofício aplicada que, inclusive, possui expressa excepcionalização pela mencionada disposição normativa. Em que pese, entretanto, as nossas considerações teóricas sobre a matéria, verificase que, pelo entendimento majoritário neste colegiado, têmse afastado a conclusão aqui então apontada, reconhecendose, por outra vai, que o montante das penalidades aplicáveis (multa de mora e de ofício) integram, por natureza, o conceito próprio do montante do “crédito tributário”, de forma que, então, tornase legítima a aplicação dos referidos juros de mora, também, sobre o montante da multa de ofício aplicada. Resguardando o meu entendimento pessoal a respeito da matéria, curvome, no caso, ao posicionamento da douta maioria, destacando, então, a possibilidade plena de aplicação dos juros de mora sobre o montante da multa de ofício aplicada. Nessa linha, destaco que o Decretolei nº 1.736/79, dispôs sobre os acréscimos moratórios incidentes sobre os débitos para com a Fazenda Nacional, de natureza tributária, destacando: Art 3º Entendese por valor originário o que corresponda ao débito, excluídas as parcelas relativas à correção monetária, juros de mora, multa de mora e ao encargo previsto no artigo 1º do Decretolei nº 1.025, de 21 de outubro de 1969, com a redação dada pelos Decretosleis nº 1.569, de 8 de agosto de 1977, e nº 1.645, de 11 de dezembro de 1978. Ou seja, o valor originário do débito, sobre o qual incidem os juros de mora, não exclui a multa de ofício. De acordo com o § 3º do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal (ou seja, débitos de natureza tributária), cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o §3° do art. 5° (Selic), a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. A regularidade da incidência da taxa SELIC como forma de correção dos montantes do crédito tributário é tema hoje plenamente pacificado na jurisprudência deste CARF, sendo de se destacar, em relação a esse assunto, as disposições da Súmula CARF no 4, que, sobre o assunto, assim então especificamente assenta: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 1297DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 38 Em face dessas considerações, entendo, no caso, pela perfeita validade da incidência dos juros SELIC sobre as multas aplicadas, nos termos e condições estabelecidos pelo ordenamento jurídico pátrio. Conclusão Em face de tudo o que aqui então especificamente apresentado, encaminho o meu voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto, esta, exclusivamente, para apontar a invalidade da exigência concomitante da Multa Isolada e a Multa de Ofício, determinando a exoneração da primeira, mantendo, em tudo o mais, o lançamento efetivado. É como voto. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator Fl. 1298DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10120.723741/201200 Acórdão n.º 1301001.788 S1C3T1 Fl. 21 39 Voto Vencedor Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas Redator designado. Inobstantes as valiosas considerações do Ilustre Conselheiro Relator, o Colegiado, pelo voto de qualidade, divergiu do entendimento acerca da incidência da multa isolada sobre as estimativas não recolhidas. Para o Relator, a referida sanção só pode ser aplicada dentro do próprio exercício fiscal. Não foi essa, contudo, a conclusão a que chegou esta Turma Ordinária. Com efeito, predominou o entendimento de que inexiste na legislação de regência as condições acima referenciadas, isto é, o diploma legal instituidor da sanção administrativa, ao descrever as situações motivadoras da aplicação da penalidade, não fez menção à circunstância de que, encerrado o período de apuração, a multa isolada só subsistiria no caso de apuração de saldo positivo de imposto. Destacouse, inclusive, que a norma impositiva estabelece, de forma expressa, que, ainda que se tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa, a penalidade deve ser aplicada, bastando para tanto que o sujeito passivo tenha incorrido na sua hipótese de incidência, qual seja, deixar de ter efetuado o recolhimento mensal incidente sobre a base de cálculo estimada. A conclusão, pois, dirigiuse no sentido de que os requisitos condicionadores da aplicação da penalidade indicados pelo Ilustre Relator decorrem de exercício de interpretação da norma sancionadora que, na visão do Colegiado, não pode ser recepcionado. Mantida, assim, as multas isoladas decorrentes da falta de recolhimento das estimativas devidas, nos termos expresso no art. 44 da Lei 9.430, 1996, com a nova redação dada pela Lei 11.488, de 2007, in verbis: Art. 14. O art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação, transformandose as alíneas a, b e c do § 2o nos incisos I, II e III: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; Fl. 1299DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 40 b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. I (revogado); II (revogado); III (revogado); IV (revogado); V (revogado pela Lei no 9.716, de 26 de novembro de 1998). § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. ................................................. ” (NR) Ressaltese, por pertinente, que o disposto na Súmula CARF 105 relacionase às disposições da Lei antes da nova redação acima citada, confirase: Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas – Redator Designado Fl. 1300DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO
score : 1.0
Numero do processo: 10932.000398/2006-11
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed May 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2003
RECURSO ESPECIAL. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO - CONCOMITÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 105.
É incabível a aplicação concomitante da multa isolada por falta de recolhimento de tributo com base em estimativa e da multa de ofício exigido pela constatação de omissão de receitas, quando ambas recaem sobre a mesma receita.
Numero da decisão: 9101-002.125
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em conhecer do Recurso, vencido o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto (Conselheiro Convocado). No mérito, por unanimidade de votos, negaram provimento ao Recurso Especial.
HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Presidente.
JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR - RELATOR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, VALMIR SANDRI, ADRIANA GOMES REGO, KAREM JUREIDINI DIAS, LEONARDO DE ANDRADE COUTO (Conselheiro Convocado), ANTÔNIO CARLOS GUIDONI FILHO, RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice-Presidente), HENRIQUE PINHEIRO TORRES (Presidente-Substituto).
Nome do relator: JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
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MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 105. É incabível a aplicação concomitante da multa isolada por falta de recolhimento de tributo com base em estimativa e da multa de ofício exigido pela constatação de omissão de receitas, quando ambas recaem sobre a mesma receita. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em conhecer do Recurso, vencido o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto (Conselheiro Convocado). No mérito, por unanimidade de votos, negaram provimento ao Recurso Especial. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente. JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR RELATOR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, VALMIR SANDRI, ADRIANA GOMES REGO, KAREM JUREIDINI DIAS, LEONARDO DE ANDRADE COUTO (Conselheiro Convocado), ANTÔNIO CARLOS GUIDONI FILHO, RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (VicePresidente), HENRIQUE PINHEIRO TORRES (PresidenteSubstituto). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 03 98 /2 00 6- 11 Fl. 487DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/0 4/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TOR RES 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela FAZENDA NACIONAL com fundamento no artigo 67 do Regimento Interno do E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. O presente processo administrativo é decorrente de Auto de Infração lavrado para exigência de CSLL relativa ao anocalendário de 2003, bem como para exigência de multa isolada por falta de recolhimento das estimativas de CSLL referentes aos meses de janeiro, maio, julho, novembro e dezembro do mesmo ano. Insurgiuse a recorrente contra o acórdão nº 120100.358, proferido pelos membros do colegiado da 1ª Turma, da 2ª Câmara, da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho, na parte em que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a exigência da multa isolada pelo não pagamento das estimativas da CSLL dos meses de janeiro, maio e julho de 2003, pois “uma vez que no caso sob exame o lançamento da CSLL devida ao final do anocalendário de 2003 decorreu do não pagamento das estimativas relativas aos meses de janeiro, maio e julho, esta infração é absorvida por aquela”, não podendo a multa isolada ser exigida em conjunto com a multa por lançamento de ofício, que decorre do não pagamento de tributo pelo contribuinte. O acórdão recorrido foi assim ementado: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL ANOCALENDÁRIO: 2003 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXTINÇÃO. Não havendo sido apresentada a competente declaração de compensação, não é juridicamente possível considerarse extinto o débito, ainda que a contribuinte possua direito creditório perante a Fazenda Pública. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO. A multa isolada cominada pelo descumprimento do dever de recolher a CSLL calculada por estimativas mensais incide sobre o total da estimativa que deixou de ser recolhida. Contudo, pelo princípio da absorção ou consunção, a aplicação da multa isolada fica limitada ao valor que exceder o montante da multa de ofício que houver sido aplicada pela falta de recolhimento da CSLL devida ao final do anocalendário. Esta penalidade absorve Fl. 488DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/0 4/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TOR RES Processo nº 10932.000398/200611 Acórdão n.º 9101002.125 CSRFT1 Fl. 488 3 aquela até o montante em que suas bases se identificarem, o que ocorreu integralmente no presente lançamento.” A recorrente, nas razões recursais, alegou que deve prevalecer a manutenção de ambas as penalidades: a) multa isolada pela falta de recolhimento de estimativas e b) multa de ofício, apurada ao final do anocalendário, isto porque, as estimativas mensais configuram obrigações autônomas, que não se confundem com a obrigação tributária decorrente do fato gerador anual. Afirmou que a decisão recorrida deu à lei tributária interpretação divergente da que lhe foi dada por outra Câmara deste Conselho e trouxe como paradigma o acórdão 198 00.101 assim ementado: “MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO PADRÃO CONCOMITÂNCIA As estimativas mensais configuram obrigações autônomas, que não se confundem com a obrigação tributária decorrente do fato gerador anual. Não há previsão legal de afastamento da multa isolada em razão da aplicação da multa de oficio vinculada ao tributo anual que deixou de ser recolhido.” Em sede de exame de admissibilidade foi dado seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. O contribuinte apresentou contrarrazões pugnado pela manutenção do acórdão recorrido, pois foi correto ao consignar que a multa isolada não pode ser cumulada com a multa de ofício, por se tratar de aplicação de dupla penalidade a um mesmo fato. É o relatório. Voto Conselheiro JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR RELATOR O cerne da questão cingese à análise da possibilidade ou não de manutenção da multa isolada aplicada pela falta de recolhimento do IRPJ sobre a base de cálculo estimada, em concomitância com a multa de ofício. A matéria em debate foi sumulada (Súmula CARF nº 105) em data posterior à interposição do Recurso Especial, razão pela qual dele tomo conhecimento. A súmula nº 105 do CARF assim dispõe: Fl. 489DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/0 4/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TOR RES 4 “A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício.” Nos termos do disposto na súmula transcrita, a multa isolada e a multa de oficio não podem ser exigidas concomitantemente na hipótese de falta de recolhimento de tributo apurado ao final do exercício e também pela falta de antecipação sob a forma estimada. É cabível, portanto, apenas a multa de oficio pela falta de recolhimento de tributo. Do exposto, nego provimento ao Recurso Especial. JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR RELATOR Fl. 490DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/0 4/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TOR RES
score : 1.0
Numero do processo: 16707.001866/2009-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 21 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1201-000.161
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
RAFAEL VIDAL DE ARAUJO - Presidente.
(Assinado digitalmente)
LUIS FABIANO ALVES PENTEADO - Relator.
EDITADO EM: 01/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araujo (Presidente), Marcelo Cuba Neto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, André Almeida Blanco (suplente convocado em substituição ao Conselheiro João Carlos de Lima Júnior) e Luis Fabiano Alves Penteado
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAUJO - Presidente. (Assinado digitalmente) LUIS FABIANO ALVES PENTEADO - Relator. EDITADO EM: 01/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araujo (Presidente), Marcelo Cuba Neto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, André Almeida Blanco (suplente convocado em substituição ao Conselheiro João Carlos de Lima Júnior) e Luis Fabiano Alves Penteado
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Presidente. (Assinado digitalmente) LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Relator. EDITADO EM: 01/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araujo (Presidente), Marcelo Cuba Neto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, André Almeida Blanco (suplente convocado em substituição ao Conselheiro João Carlos de Lima Júnior) e Luis Fabiano Alves Penteado RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 67 07 .0 01 86 6/ 20 09 -6 7 Fl. 785DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/03/2 015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 16707.001866/200967 Resolução nº 1201000.161 S1C2T1 Fl. 785 2 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado contra a Contribuinte, para exigência de crédito tributário relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e, à Contribuição Social sobre o Lucro Liquido –CSLL, conforme tabela abaixo: TRIBUTO IMPOSTO/CONTRIBUIÇÃO JUROS DE MORA MULTA TOTAL IRPJ 894.395,18 405.556,89 670.796,38 1.970.748,45 CSLL 338.110,89 153.279,76 253.583,16 744.973,81 TOTAL ‐ ‐ ‐ 2.715.722,26 Em suma, de acordo com o relatório de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal às fls. 04 e 09, e Termo de Encerramento, fls. 13 e 14, foi constatado, na apuração das vendas do contribuinte, que os valores das notas fiscais foram declarados a menor, resultando em insuficiência do recolhimento dos tributos. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, acompanhada dos documentos, alegando em síntese que: os valores parcelados do IRPJ e da CSLL referentes ao anocalendário 2005 não foram considerados quando do lançamento da exigência o que dá causa a bitributação e imotivada aplicação da multa de oficio sobre valores já declarados; com base no art. 37 da Lei n° 9.784/1999 requer seja acostado aos autos o parcelamento referido para que sejam deduzidos os valores já oferecidos à tributação; cerceamento do direito de defesa uma vez que solicitou cópia do processo em questão e até a data de protocolização da defesa ainda não havia sido atendido assim, requer lhe seja permitida juntada posterior de documentos e esclarecimentos adicionais na forma do art. 38, da Lei n° 9.784/1999c/c § 5 0, do art. 16, do Decreto n° 70.235/1972; descreve sobre princípios constitucionais da legalidade, da moralidade, da verdade formal e material, com base na doutrina e em dispositivos legais transcritos, para concluir que a tributação sobre o lucro com o percentual de presunção de 32% fere frontalmente a legislação tributária de regência da matéria; se trata de prestação de serviço de transporte e para essa atividade o percentual de presunção, legalmente previsto, é de 16%, sendo inoportuna e ilegal a aplicação do percentual de 32%, ainda mais com a inclusão de valores já declarados e confessados; o ônus da prova do erro na imputação do percentual utilizado é da autoridade lançadora, se há o reconhecimento da atividade referida, como consta do Termo de Encerramento, cabia a apuração da base de cálculo na forma do § 2° do art. 15 da lei de regência (atividades diversificadas); pede seja reconhecido que os serviços de transporte prestados devem ter base de calculo apurada com o percentual de 16% das receitas recebidas, estando a base de cálculo apurada pela fiscalização contaminada pela não observação do § 2° do art. 15 da Lei n° 9.249/1995; presta aos municípios de Belo Horizonte e Natal, conforme documentos apresentados, serviços de emergência médica ambulâncias (prestação de serviços de transporte Fl. 786DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/03/2 015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 16707.001866/200967 Resolução nº 1201000.161 S1C2T1 Fl. 786 3 de pacientes préhospitalar, interhospitalar e pronto atendimento, os quais à luz da IN 480/2004, são equiparados a serviços hospitalares, merecendo a aplicação do percentual de presunção de 8%, a autoridade lançadora preferiu classificar os serviços como inerentes à locação de bens, operacionalização de sistemas, administração etc.; requer sejam reconhecidos os serviços de emergência médica prestados pela contribuinte para aplicação do percentual de presunção de 8% das suas receitas, caso contrario, seja considerado como serviço de transporte de pacientes, para aplicação do percentual de 16%; houve desconsideração do regime de caixa tendo em vista que a autoridade fiscal afirmou que foram oferecidos A. tributação valores menores que os constantes das notas fiscais, sem mencionar quais as notas fiscais, datas e quando a dita receita havia entrado nos cofres da empresa, e ainda, cerceamento do direito de defesa; resta comprovada a nulidade do Auto de Infração diante da afronta ao principio da legalidade e da verdade material e cerceamento do direito de defesa, ementas de Acórdãos do Conselho de Contribuintes as fls. 430 a 432; ilegalidade da multa de oficio de 75%; requer realização de perícia, indica perito e apresenta quesitos A. fl. 434; requer produção de prova documental superveniente; Por unanimidade de votos, acordaram os membros da 3. Turma de Julgamento da DRJ do Rio de Janeiro, a julgar improcedente a manifestação de inconformidade em decisão cujo trecho destaco abaixo: “No mérito, relativamente ao percentual de presunção do lucro, em síntese, a autuada alega que presta serviço de transporte sendo legalmente previsto para essa atividade o percentual de 16% e não o aplicado na autuação de 32%. Com relação aos serviços prestados aos municípios de Belo Horizonte e Natal, conforme documentos apresentados, se caracterizam como serviços de emergência médica equiparados a serviços hospitalares cujo percentual de presunção é de 8% ou, no máximo, 16% quando considerado como serviço de transporte de pacientes. A questão da determinação do coeficiente do lucro presumido aplicado receita da recorrente tem seu cerne na determinação da natureza dos serviços prestados, durante o ano calendário 2005: prestação de serviços de transporte ou prestação de serviço de locação de veículos. 0 primeiro, sujeito ao coeficiente de 16% (art. 15, §1°, II, "a", Lei n° 9.430/96), o segundo, 32% (art. 15, §1°, III, "c", Lei n° 9.430/96). A impugnante, em sua declaração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, ano calendário 2005, DIPJ/2006, fls. 144 a 152, utilizou percentuais de presunção de 16% e 32%. Intimada a justificar a razão da utilização dos referidos percentuais, após várias prorrogações de prazo requeridas e atendidas, informou apenas que o percentual de 16% "foi utilizado como receitas da empresa, sendo que a natureza das demais seria reembolso de custos e despesas para execução dos serviços". Portanto, com sua resposta, nada restou esclarecido que justificasse a aplicação do percentual reduzido de 16%. Fl. 787DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/03/2 015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 16707.001866/200967 Resolução nº 1201000.161 S1C2T1 Fl. 787 4 . O percentual correto é obtido com base no dispõe o art. 518, do R1R/1999: "Art. 518. A base de cálculo do imposto e do adicional (541 e 542), em cada trimestre, sera determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração, observado o que dispõe o § 72 do art. 240 e demais disposições deste Subtítulo (Lei /2 2 9.249, de 1995, art. 15, e Lei re 9.430, de 1996, arts. Je25, e inciso I). Art. 519. Para efeitos do disposto no artigo anterior, considerase receita bruta a definida no art. 224 e seu parágrafo único. § 12 Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de (Lei n. 9.249, de 1995, art. 15, § 1): I um inteiro e seis décimos por cento, para atividade de revenda, para consumo, de combustível derivado de petróleo, álcool etílico carburante e gás natural; II dezesseis por cento para a atividade de prestação de serviço de transporte, exceto o de carga, para o qual se aplicará o percentual previsto no caput; III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; b) intermediação de negócios; c) administração, locação ou cessão de bens, imóveis, móveis e direitos de qualquer natureza. § 2 No caso de serviços hospitalares aplicase o percentual previsto no caput §3 No caso de atividades diversificadas, será aplicado o percentual correspondente a cada atividade (Lei n' 9.249, de 1995, art. 15, § 29)." Quanto à infração em si, as alegações levantadas pelo impugnante não são suficientes para infirmar o lançamento. As cópias das notas fiscais de serviço emitidas pela empresa e os contratos de prestação de serviços, fls. 78 a 137, são provas inequívocas de que a natureza do serviço prestado é de mera locação de veículos, que não deve ser confundida com a de transporte de passageiros, nem com atividades hospitalares, como pretende a impugnante. Além de outros serviços prestados pela autuada, como operacionalização de caixas registradoras, operacionalização de ambulâncias, o que se verifica da análise dos referidos contratos conforme se demonstra a seguir. Contrato de Locação de Veículos celebrado com o Banco Central do Brasil, fls. 78/93, tem por objeto "a locação de veículos, incluindo a disponibilização de condutores, para o Banco Central do Brasil no Rio de Janeiro, conforme as Especificações Básicas do Anexo I e das demais condições estabelecidas no Edital e seus anexos." Contrato celebrado com a Fundação Parques e Jardins, Prefeitura do Rio de Janeiro, fls. 94/101, tem por objeto "prestação de serviços de aluguel de 40 caminhões ". Fl. 788DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/03/2 015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 16707.001866/200967 Resolução nº 1201000.161 S1C2T1 Fl. 788 5 Contrato de prestação de serviços celebrado com o IBAMA, fls. 102/112, tem por objeto "prestação, de forma continua, dos Serviços de Operação de Caixas Registradoras de Cobrança de Ingressos de Visitantes, Controle Financeiro e Controle de Trafego com fornecimento de mão de obra...". Contrato de Locação de Veiculo celebrado com o SESC Rio de Janeiro, fls. 113/122, tem por objeto a locação de 7 veículos Fiat Pálio Sedan e Pálio Weekend. Contrato de Prestação de Serviços celebrado com o município de Belo Horizonte através da Secretaria Municipal de Saúde, fls. 126/134, tem por objeto "prestar serviço de operacionalização de ambulâncias pertencentes ao município de Belo Horizonte." Faz parte do objeto: a) Recursos humanos (motoristas de ambulâncias) b) Prestação de serviços de manutenção completa dos veículos c) Materiais e acessórios necessários ao atendimento Os serviços serão prestados de forma indireta e continua, para a Secretaria Municipal de Saúde" Assim, por ficar caracterizado que a receita do sujeito passivo adveio da prestação de serviços em geral, correta a aplicação do coeficiente de presunção do lucro de 32% sobre a receita apurada. No que concerne aos valores lançados foram apurados considerando As deduções dos valores retidos na fonte, conforme "Totalizador Trimestral de Imposto de Renda e Contribuições Retidas na Fonte", fl. 32, como também foram considerados os valores declarados, conforme Demonstrativo de Apuração de Débito, fl. 18, e Demonstrativo de Situação Fiscal Apurada, fls.20/21. Portanto, não tem cabimento a arguição de bitributação de valores anteriormente declarados e pagos, uma vez que referidos valores, conforme demonstrado, foram deduzidos por ocasião do lançamento e a defesa não trouxe provas que justificassem alterações dos mesmos. Inconformada, a Contribuinte apresentou Embargos Declaratórios, que foi inadmitido pela DRJ. Após, apresentou Recurso Administrativo para este Conselho, por meio do qual reprisa os argumentos da defesa inicial. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado, Relator A Contribuinte apresentou, tempestivamente, Recurso Administrativo que deve ser conhecido e recebido conforme o artigo 64, inciso II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Tendo em vista que constam nos autos, contratos e notas fiscais que indicam a realização de atividades diversas, como por exemplo, locação de veículos com motorista, serviços hospitalares (fls. 471 a 547) e administração de caixa, em respeito aos princípios da Fl. 789DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/03/2 015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 16707.001866/200967 Resolução nº 1201000.161 S1C2T1 Fl. 789 6 verdade matéria, do contraditório e da ampla defesa, proponho a CONVERSÃO do julgamento em diligência para que seja determinada a baixa destes autos à Delegacia de Origem para que: a) seja verificado se as receitas referentes às notas fiscais que serviram de base para o trabalho da fiscalização foram, de fato, apropriadas segundo o regime de caixa; b) seja identificada, com base em contratos e notas fiscais, a receita correspondente a cada tipo de atividade, a saber: i) serviços hospitalares; ii)locação de veículos sem motorista; c) locação de veículos com motorista e d) demais serviços. É como voto! (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado relator Fl. 790DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/03/2 015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 15868.002098/2009-53
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 26 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2403-000.149
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 3ª turma ordinária da Segunda Sessão de Julgamento, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência à Secretaria para informar o resultado do julgamento do processo nº 10820.002239/2005-37.
Carlos Alberto Mees Stringari -Presidente Ivacir Júlio de Souza-Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari , Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhaes Peixoto, Carolina Wanderley Landim.
RELATÓRIO.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 3ª turma ordinária da Segunda Sessão de Julgamento, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência à Secretaria para informar o resultado do julgamento do processo nº 10820.002239/2005-37. Carlos Alberto Mees Stringari -Presidente Ivacir Júlio de Souza-Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari , Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhaes Peixoto, Carolina Wanderley Landim. RELATÓRIO.
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RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 3ª turma ordinária da Segunda Sessão de Julgamento, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência à Secretaria para informar o resultado do julgamento do processo nº 10820.002239/200537. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Ivacir Júlio de SouzaRelator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari , Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhaes Peixoto, Carolina Wanderley Landim. RELATÓRIO. O lançamento em comento é vinculado ao principal de n° 15868.002096/200964 que tratou de constituição de crédito em razão de a entidade ter entendido que estava amparada por ATO DECLARATÓRIO DE ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Em razão disto, não efetuou o recolhimento das citadas contribuições. Ocorre que o ATO em que se baseava, fora cancelado na forma do Ofício INSS/SERVREP N°° 21 421.0 /234/2005 com base na Decisão – Notificação DN n ° 21.021.0/001/2005, e assim, de ofício, na forma do registro nos itens 2.2.2 e 3.2 do Relatório Fiscal de fls. 30, a Autoridade Fiscal com base nos salários de contribuições declarados nas GFIPs da Recorrente, lavrou o presente Auto de Infração. Naquele lançamento principal, corroborando o procedimento de ação fiscal específica e parcial , no Termo de Início de Procedimento Fiscal , datado de 25/09/2009, de fls. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 58 68 .0 02 09 8/ 20 09 -5 3 Fl. 378DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/06/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/06/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15868.002098/200953 Resolução nº 2403000.149 S2C4T3 Fl. 3 2 89, a Autoridade Autuante solicitou apenas Atas, Estatutos, CNAS, Ato Declaratório de Concessão de Isenção Previdenciária e GFIPs. Na seqüência, às fls. 91, o Termo de Encerramento de Procedimento Fiscal – TEPF, datado de 29/10/2009, confirma o lançamento com base nas GFIPs. Na forma do registro de fls. 292 daquele processo principal, a autoridade autuante revela na parte final do item “d” da Informação Fiscal colacionada, que o “ objetivo da lavratura do crédito foi com intuito de se precaver a decadência iminente”. A empresa apresentou impugnação onde alegou em apertada síntese cerceamento do direito de defesa, intempestividade da autuação, ilegitimidade de parte da impugnante, falta de liquidez do auto de infração, garantia do direito à imunidade, aplicação indevida de multas, juros extorsivos e ilegais e, necessidade de prova pericial: O Auto de Infração ora impugnado padece de nulidade insanável devido a falta do Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal, condição prevista no art. 594 da Instrução Normativa 3/2005, com a redação dada pela IN MPS/SRP , n° 23 de 30/04/2007, em vigor à época do malsinado auto. Conclui afirmando que isto caracterizou cerceamento de defesa; Tem seus registros regulares no CNAS, e CEBAS; Que na forma dos artigos 150 , inciso IV, letra “C” e 195, §7° da CF, , arts. 9 e 14 do Código Tributário Nacional – CTN e art. 55 da Lei n 8.212/91 , é uma fundação sem fins lucrativos e imune ao pagamento de impostos e ao recolhimento de contribuições previdenciárias e acessórios; Que a impugnante tem direito adquirido à isenção quanto ao pagamento da cota patronal e seus acessórios; e Que são indevidas as cobranças de contribuições para INCRA , SESC, SENAC E SEBRAE; e Que o ATO que cancelou o reconhecimento da imunidade encontrase em fase de Recurso Administrativo neste Conselho sob o n° 10820.002239/200537; DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, na forma do registro de fls.254 , a 7 ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto (SP) DRJ/RPO, em 28 de Junho de 2011, exarou o Acórdão n° 1434.404, mantendo procedente o lançamento. DO RECURSO VOLUNTÁRIO. A Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls. 289 onde não apresentando pontuais contrarazões às razões apresentadas pelo I. Julgador “ ad quod ”, simplesmente reitera na íntegra as alegações que fizera em sede de impugnação na expectativa de que o julgamento “ad quem” proceda às omitidas confrontações e assim , eventualmente, seus exordias argumentos possam prosperar. VOTO DA TEMPESTIVIDADE Conforme registros de fls. 365 o recurso é tempestivo Fl. 379DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/06/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/06/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15868.002098/200953 Resolução nº 2403000.149 S2C4T3 Fl. 4 3 DA ADMISSIBILIDADE A Recorrente alega que interpôs recurso contra decisão de cancelamento de sua isenção cujo o processo de n° 10820.002239/200537 estaria por ser julgado no âmbito deste Conselho. Consulta ao EProcesso revela que o sobredito processo na forma do Acórdão n° 20218.243, de 15 de agosto de 2007, por unanimidade, não fora conhecido pelos membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, que na oportunidade declinaram da competência de julgamento para o Primeiro Conselheiro de Contribuintes., verbis: “ ACORDAM os Membros da SEGUNDA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, declinando a competência de julgamento para o Primeiro Conselheiro de Contribuintes.” A ementa do voto em apreço abaixo transcrita, revela a síntese dos argumentos que motivaram a decisão, verbis: “ Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/05/2000 a 31/12/2000 Ementa: ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO. SUSPENSÃO DE IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. COMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO. Compete ao Primeiro Conselho de Contribuintes julgar os recursos interpostos em processos fiscais relativos às contribuições, quando suas exigências estejam lastreadas, no todo ou em parte, em fatos cuja apuração serviram para determinar a prática de infração a dispositivos legais do Imposto de Renda, consoante disposto no art. 1° parágrafo único, do Decreto n° 2.191/97 e nos §§ 9° e 10 do art. 32 da Lei n° 9.430/96, que estabelecem que as impugnações contra o ato declaratório e contra a exigência de crédito tributário serão reunidas em um único processo, para serem decididas simultaneamente e que os procedimentos estabelecidos no artigo aplicamse, também, às hipóteses de suspensão de isenções condicionadas, quando a entidade beneficiária estiver descumprindo as condições ou requisitos impostos pela legislação de regência. Recurso não conhecido. ” Art. 1° parágrafo único, do Decreto n° 2.191/97 “ Art. 1º Fica transferida do Primeiro para o Segundo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda a competência para julgar os recursos interpostos em processos fiscais de que trata o art. 25 do Decreto nº.70.235, de 6 de março de 1972, alterado pela Lei nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993, cuja matéria, objeto do litígio, decorra de lançamento de ofício das contribuições para o Programa de Integração Social PIS, para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público PASEP, para o Fundo de Investimento Social FINSOCIAL e para o Financiamento da Seguridade Social COFINS. Parágrafo único. A competência para julgar os recursos interpostos em processos fiscais, relativos às contribuições de que trata o caput deste artigo, permanece no Primeiro Conselho de Contribuintes, quando suas exigências estejam lastreadas, no todo ou em parte, em fatos cuja apuração serviram para determinar a prática de infração a dispositivos legais do imposto de renda.” Fl. 380DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/06/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/06/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15868.002098/200953 Resolução nº 2403000.149 S2C4T3 Fl. 5 4 Relevante registrar que não consta colacionado nos autos qualquer elemento que registre definitiva decisão sobre o Ato Cancelatório em comento. DO DECRETO N 7.237/2010. Na forma do art. 45 do Decreto nº 7.237, de 20/07/2010, que regulamenta a Lei no 12.101, de 27 de novembro de 2009, os Atos Cancelatórios de Isenção não definitivamente julgados sejam encaminhados à unidade competente daquele para verificação do cumprimento dos requisitos da isenção, nos seguintes termos: “ Art.45.Os processos para cancelamento de isenção não definitivamente julgados em curso no âmbito do Ministério da Fazenda serão encaminhados à unidade competente daquele órgão para verificação do cumprimento dos requisitos da isenção na forma do rito estabelecido no art. 32 da Lei n 12.101, de 2009, , aplicada a legislação vigente à época do fato gerador.” Portanto, com fulcro no sobredito Decreto o processo em tela, juntamente como o principal, seráredirecionado para a Secretaria desta Câmara, acompanhado de despacho deste ConselheiroRelator. CONCLUSÃO. Em razão a tudo que foi exposto, se faz necessário converter o julgamento em diligência à Secretaria para informar o resultado do julgamento do processo nº 10820.002239/200537. É como voto. Ivacir Júlio de Souza Relator. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/06/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/06/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10814.006690/2005-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II
Data do fato gerador: 28/09/2000
ISENÇÃO DE CARÁTER SUBJETIVO. EXIGÊNCIAS.
Na vigência da Lei n° 9.069, de 1995, o reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Não comprovada tal regularidade, afasta-se o beneficio.
MOMENTO DO RECONHECIMENTO
Em consonância com o art. 179 do CTN, a isenção em caráter especial é reconhecida a cada fato gerador, mediante aquiescência da autoridade tributária competente.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-001.014
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Wilson Sampaio Sahade Filho e Nanci Gama, que davam provimento.
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra de Castro
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II Data do fato gerador: 28/09/2000 ISENÇÃO DE CARÁTER SUBJETIVO. EXIGÊNCIAS. Na vigência da Lei n° 9.069, de 1995, o reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Não comprovada tal regularidade, afasta-se o beneficio. MOMENTO DO RECONHECIMENTO Em consonância com o art. 179 do CTN, a isenção em caráter especial é reconhecida a cada fato gerador, mediante aquiescência da autoridade tributária competente. Recurso Voluntário Negado.
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EXIGÊNCIAS. Na vigência da Lei n° 9.069, de 1995, o reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Não comprovada tal regularidade, afastase o beneficio. MOMENTO DO RECONHECIMENTO Em consonância com o art. 179 do CTN, a isenção em caráter especial é reconhecida a cada fato gerador, mediante aquiescência da autoridade tributária competente. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Wilson Sampaio Sahade Filho e Nanci Gama, que davam provimento. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator Fl. 1DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Álvaro Almeida Filho, Paulo Sergio Celani, Wilson Sampaio Sahade Filho, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Ausente o Conselheiro Luciano Pontes de Maya Gomes. Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: Trata o presente processo de pedido de restituição de Imposto de Importação alegadamente recolhido a maior, pago através de débito automático em contacorrente bancária na data do registro da DI nº 00/09268833, em 28/09/2003 (fls. 6/15), no valor de R$ 8.629,20 (Oito mil, seiscentos e vinte e nove reais e vinte centavos). O pleito de reconhecimento de direito creditório está cumulado com o de compensação de tributos, conforme PER / DCOMP de nº 30184.07873.080905.1.3.049668, cujo extrato está anexado às fls. 185/186 dos autos, transmitida em 08/09/2005. Consta às fls. 84, dos autos, informação segundo a qual o interessado havia protocolizado dois processos com o mesmo pedido (retificação de DI / restituição). O primeiro deles (10814 006.686/200463) foi apensado ao presente, após excluído da base de dados do sistema informatizado da Receita Federal SIEF. Seguese um breve histórico dos fatos, conforme documentos nos autos. Alega o interessado ter direito ao benefício fiscal concedido pelo art. 5º das Medidas Provisórias nºs. 193924 (de 06/01/00), 206837 (de 27/12/00) e 206838 (de 25/01/01), convertidas em Lei nº 10.182, de 12 de fevereiro de 2001. Tal benefício consiste na redução de 40 % (quarenta por cento) do imposto de importação, para empresas devidamente habilitadas quanto ao mesmo no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, referindose especificamente à importação de partes, peças, componentes, conjuntos e subconjuntos, acabados e semiacabados, e pneumáticos, destinadas aos processos produtivos das empresas e dos fabricantes de produtos relacionados no art. 5º, § 1º I a X (veículos leves: automóveis e comerciais leves, ônibus, caminhões, etc). Por entender que não se beneficiou de isenção a que fazia jus, tendo, portanto, recolhido tributos a maior que o devido, vinculou ao pleito de restituição o de compensação do mesmo com tributos diversos. Voltemos à síntese dos fatos: PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DE DI INDEFERIMENTO Em 28/09/2000 o interessado submeteu a despacho aduaneiro mercadorias beneficiárias da mencionada redução, pela Declaração de Importação nº 00/09268833, tendo deixado de pleitear o benefício em questão, e recolhido integralmente o Fl. 2DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10814.006690/200511 Acórdão n.º 310201.014 S3C1T2 Fl. 2 3 Imposto de Importação. Em 18/08/2005, por requerimento de fls. 1/2, pleiteou a restituição do valor que entende recolhido a maior, no total de R$ 8.629,20 (Oito mil, seiscentos e vinte e nove reais e vinte centavos), pelo Pedido de Restituição de fls. 1/2 e Pedido de Cancelamento de Declaração de Importação e Reconhecimento de Direito Creditório de fls. 3/4. Anexou às fls. 67 documento comprobatório fornecido pelo DECEX, segundo o qual a empresa está habilitada a fruir o benefício da Lei 10.182/2001 desde 18/01/2000. O processo tramitou pela Inspetoria da Receita Federal em São Paulo – (IRFSP), para revisão aduaneira e eventual retificação de Declaração de Importação. Dentro do procedimento de análise da retificação prevista no art. 45 da IN SRF nº 680/2006, o contribuinte em tela foi intimado a apresentar as certidões negativas de débito (CND, FGTS e Dívida Ativa da União) abrangendo as datas de registro da DI. Em atendimento ao termo em questão o contribuinte apresentou tempestivamente resposta onde se manifestou pelo não cabimento da exigência de certidões negativas no caso em tela e também que caberia à administração verificar internamente se a empresa estaria ou não em regularidade com os tributos administrados pela União. Tendo em vista o previsto no artigo 134 do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos, aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 05/03/85, combinado com o artigo 60 da Lei 9.069, de 29/06/1995, entendeu a autoridade aduaneira que, da combinação dos dois dispositivo legais, fica caracterizado que a exigência de prova de quitação se renova a cada despacho objeto de redução pretendida e que a comprovação em questão deve ser feita pelo contribuinte, não se aplicando aqui o disposto no art. 37, da Lei 9.784/99. Em decorrência do exposto, foi indeferido o pedido de retificação da Declaração de Importação (fls. 126/129). Em 10/07/2009 foi proferido despacho indeferindo a retificação da Declaração de Importação (v. fls. 126/129). PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO DE DESPACHO DENEGATÓRIO DA RETIFICAÇÃO DE DI INDEFERIMENTO Ciente da decisão denegatória de seu pleito (retificação da DI), o interessado apresentou seu pedido de reconsideração de despacho. Apresentou, tempestivamente, seu pedido de reconsideração de despacho para ser encaminhada ao Sr. InspetorChefe, nos termos do § 4º, art. 45 da IN/SRF nº 680/2006. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 4 Em seu pedido de reconsideração o impetrante manteve posição pelo não cabimento da exigência de certidão negativa no caso em tela. 01 Argumentou que a Lei nº 10.182 não exige a apresentação de CND para fruição da redução do imposto, porém a Notícia Siscomex nº 21, de 23/07/2001 não deixa qualquer dúvida quanto a aplicabilidade do disposto no art. 60 da Lei nº 9.069, de 29/06/1995, para as retificações constantes no processo em tela. 02 Reapresentou jurisprudência das 1ª e 2ª Turmas do STJ, que, conforme já mencionado, não valem para o caso em tela, por tratarem de benefícios referentes a mercadorias beneficiadas por drawback, benefício este de caráter objetivo, e não à redução ora discutida, que é um benefício condicional do tipo objetivosubjetivo ou misto (vinculado à qualidade do importador e à destinação do bem). Diante do exposto, e levandose em conta o previsto no artigo 134 do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos, aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 05/03/85, combinado com o artigo 60 da Lei 9.069, de 29/06/1995, foi mantido o indeferimento do pleito. O despacho denegatório do pleito encontrase às fls. 151/156– Despacho Decisório IRF/SPO nº 113/2009, de 25 de agosto de 2009. Tendo o interessado colocado diversos questionamentos quanto ao esgotamento administrativo de seu pedido de retificação de Declaração de Importação, após recurso ao Chefe da Unidade que o indeferiu inicialmente, foi solicitado Parecer/DIANA/SRRF08 , cujo texto segue parcialmente transcrito: “O rito processual para o caso específico de recurso contra decisão que denega pedido de retificação de declaração de importação encontrase na IN SRF nº 680/06, em seu artigo 45: Art. 45. A retificação de declaração após o desembaraço aduaneiro, qualquer que tenha sido o canal de conferência aduaneira ou o regime tributário pleiteado, será realizada: I – de ofício, na unidade da SRF onde for apurada (...) II – mediante solicitação do importador, formalizada em processo (...) § 4º Do indeferimento do pleito de retificação caberá recurso, interposto no prazo de trinta dias, dirigido ao chefe da unidade da SRF onde foi proferida a decisão, nos termos dos artigos 56 a 65 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999.” PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO – INDEFERIMENTO Tendo o interessado tomado ciência do despacho decisório que manteve o indeferimento, e esgotado administrativamente o pedido de retificação, os autos foram enviados para a ALF/Aeroporto Internacional em São Paulo – Guarulhos SP, Fl. 4DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10814.006690/200511 Acórdão n.º 310201.014 S3C1T2 Fl. 3 5 para prosseguimento, nos termos do artigo 58 da IN RFB nº 900/2008, ou seja, apreciação relativa ao reconhecimento ou não do direito creditório e a restituição de crédito relativo ao tributo administrado pela RFB, (no caso em estudo, o imposto de importação). Com base na mesma argumentação que servira de base ao indeferimento de seu pedido de retificação de DI (posteriormente objeto de pedido de reconsideração), e levando em conta o referido indeferimento, que implicou em não ficar caracterizado terem os recolhimentos sido feitos a maior que o devido, foi indeferido também o pedido de reconhecimento de direito creditório. (fls. 182/184). COMPENSAÇÃO VINCULADA AO RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO – NÃO HOMOLOGADA. O pleito de compensação de tributos consubstanciado na PER / DCOMP nº 30184.07873.080905.1.3.049668, cujo extrato encontrase anexado às às 185/186 dos autos, também foi indeferido, já que estava vinculado ao reconhecimento do direito creditório aqui discutido, o que não ocorreu. A nãohomologação da compensação foi objeto do Despacho Decisório nº 28/2010,de 18 de janeiro de 2010 (fls. 189/191). Inconformado com o indeferimento de seus pleitos (reconhecimento de direito creditório e compensação de débitos), o interessado apresentou sua Manifestação de Inconformidade, tempestivamente. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Analisandose a Manifestação de Inconformidade de fls. 195/210, constatase que são os seguintes os principais argumentos do recorrente: 01 – A Lei 10.182/01, que instituiu o benefício da redução de 40% do II na importação de determinados produtos, para empresas montadoras e dos fabricantes do setor automotivo não exige a apresentação de CND para a fruição da redução do imposto (comprovação já feita quando de sua habilitação ao regime , feita junto ao SECEX). 02 – Entende que não se aplica ao caso o art. 60 da Lei 9.069/95, que condiciona à apresentação de CND apenas a concessão ou reconhecimento de benefício fiscal. Entende que o dispositivo legal prevê a apresentação em somente uma das ocasiões, e ele já apresentara as CND’s quando da habilitação do benefício. 03 – Alega que, pela doutrina, lei posterior derroga lei anterior e lei especial derroga lei geral. Portanto, a Lei 10182/2001 teria prevalência sobre a Lei 9.069/1995, já que lei posterior derroga a anterior. Também a derrogaria por ser a Lei 9.069/1995 geral, e a Lei 10182/2001 especial. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 6 04 – Considera que caberia à Receita Federal aferir a regularidade fiscal do interessado, pela simples verificação de seus sistemas informatizados, conforme art. 37 da Lei nº 9.784/99; 05 – Reapresenta jurisprudência administrativa e judicial, que entende reforçar seu ponto de vista. 06 – Entende que, sendo legítimo seu pleito quanto ao reconhecimento do direito creditório referido, isso dá legitimidade a seu pleito a ele vinculado, de compensação de débitos diversos. Resumindose os fatos, o indeferimento do pleito quanto à retificação da DI e do reconhecimento do direito creditório prendeuse basicamente à não apresentação das CNDs (Certidões Negativas de Débito) à época do fato gerador, e a Manifestação de Inconformidade de fls. 195/210 também foca o mesmo assunto, ou seja, a pretendida inadmissibilidade de exigência de CNDs (Certidões Negativas de Débito) a cada despacho aduaneiro de importação onde seja pleiteado benefício de redução ou isenção de tributo. O não reconhecimento do direito creditório pleiteado pelo interessado, tira a legitimidade de seu pleito de compensação de débitos. Ponderando as razões aduzidas pela recorrente, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão de piso pelo indeferimento do pedido, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 28/09/2000 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ALEGAÇÃO DE RECOLHIMENTO A MAIOR POR NÃO UTILIZAÇÃO DA REDUÇÃO PREVISTA NA LEI 10.182/2001 (REGIME AUTOMOTIVO). NÃO RECONHECIDO O DIREITO CREDITÓRIO TENDO EM VISTA A NÃO COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE QUANTO AOS TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS À ÉPOCA DO FATO GERADOR. COMPENSAÇÃO VINCULADA AO RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. Conforme art. 165 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional), cabe restituição de tributos recolhidos indevidamente ou a maior que o devido. Não caracterizado o recolhimento como indevido ou a maior que o devido, não cabe a restituição do mesmo ao sujeito passivo. Também não cabe compensar débitos oriundos de tributos diversos com direito creditório nãoreconhecido, o que implica na nãohomologação do pleito de compensação. APRESENTAÇÃO DE CNDs POR OCASIÃO DO DESPACHO ADUANEIRO DE MERCADORIA BENEFICIADA POR ISENÇÃO / REDUÇÃO DE CARÁTER SUBJETIVO OU MISTO. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal de caráter subjetivo (vinculado à qualidade do importador) ou misto (vinculado tanto à qualidade e destinação Fl. 6DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10814.006690/200511 Acórdão n.º 310201.014 S3C1T2 Fl. 4 7 da mercadoria quanto à qualidade do importador), relativos a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais, sendo cabível o disposto no artigo 60 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995. Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a autuada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa. É o Relatório Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Tomo conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta à competência desta Terceira Seção O ponto fulcral do litígio, como se percebe da leitura da ementa da decisão recorrida, é definir se, no momento do reconhecimento da isenção, o sujeito passivo reunia as condições exigidas pela legislação de regência. Para se chegar a tal definição é necessário que se responda a duas indagações: se o art. 60 da Lei nº 9.069/951 incide sobre a modalidade de isenção debatida e, caso incida, em qual momento se dá o reconhecimento da isenção de caráter subjetivo. Definido tal momento, definese, por consequência, quando o sujeito passivo deverá comprovar a quitação dos tributos federais. A redução em litígio encontrase prevista no art. 5º da Lei nº 10.181, de 2001, que criou o que se convencionou denominar “Novo Regime Automotivo”, em substituição àquele disciplinado pela Lei nº 9.449, de 1997, transcrevoos: Art. 5º Fica reduzido em quarenta por cento o imposto de importação incidente na importação de partes, peças, componentes, conjuntos e subconjuntos, acabados e semi acabados, e pneumáticos. §1oO disposto no caput aplicase exclusivamente às importações destinadas aos processos produtivos das empresas montadoras e dos fabricantes de: (...) X autopeças, componentes, conjuntos e subconjuntos necessários à produção dos veículos listados nos incisos I a IX, incluídos os destinados ao mercado de reposição. 1 Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 8 §2o O disposto nos arts. 17 e 18 do DecretoLei no 37, de 18 de novembro de 1966, e no DecretoLei no 666, de 2 de julho de 1969, não se aplica aos produtos importados nos termos deste artigo, objeto de declarações de importações registradas a partir de 7 de janeiro de 2000. O parágrafo 2º acima transcrito, a meu ver, enumera taxativamente quais são as condições de caráter geral excepcionadas pela norma que disciplina especificamente os benefícios do Novo Regime Automotivo: exame de similaridade (art. 17 e 18 do DL nº 37/66)2 e transporte em navio de bandeira brasileira (art. 2º do DL nº 666/69) 3: Como é possível verificar, o dispositivo é silente quanto às demais exigências de caráter geral, dentre as quais, evidentemente, está a comprovação da regularidade no pagamento dos tributos e contribuições, o que leva à conclusão de que tal exigência não foi afastada. Por outro lado, não vejo como aplicar a regra geral do art. 37 da Lei nº 9.784, de 19994 em detrimento da específica do art. 60 da Lei nº 9.069, de 1995, categórico ao determinar que o ônus de fazer prova da quitação de tributos federais é do Administrado. Subsistiria, portanto, dúvida acerca do momento em que o benefício é reconhecido, máxime em razão de que, a lei que o instituiu prevê a realização de um procedimento de habilitação prévia do importador, disciplinada no do seu art. 6º, que reza: (os grifos não constam do original) Art.6º A fruição da redução do imposto de importação de que trata esta Lei depende de habilitação específica no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX. Parágrafo único.A solicitação de habilitação será feita mediante petição dirigida à Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, contendo: Icomprovação de regularidade com o pagamento de todos os tributos e contribuições sociais federais; II cópia autenticada do cartão de inscrição no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica; III comprovação, exclusivamente para as empresas fabricantes dos produtos relacionados no inciso X do § 1o do artigo anterior, de que mais de cinqüenta por cento do seu faturamento líquido 2 Art. 17 A isenção do impôsto de importação somente beneficia produto sem similar nacional, em condições de substituir o importado. Art. 18 O Conselho de Política Aduaneira formulará critérios, gerais ou específicos, para julgamento da similaridade, à vista das condições de oferta do produto nacional, e observadas as seguintes normas básicas: 3 Art 2º Será feito, obrigatoriamente, em navios de bandeira brasileira, respeitado o princípio da reciprocidade, o transporte de mercadorias importadas por qualquer Órgão da administração pública federal, estadual e municipal, direta ou indireta inclusive emprêsas públicas e sociedades de economia mista, bem como as importadas com quaisquer favores governamentais e, ainda, as adquiridas com financiamento, total ou parcial, de estabelecimento oficial de crédito, assim também com financiamento externos, concedidos a órgãos da administração pública federal, direta ou indireta. 4 Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10814.006690/200511 Acórdão n.º 310201.014 S3C1T2 Fl. 5 9 anual é decorrente da venda desses produtos, destinados à montagem e fabricação dos produtos relacionados nos incisos I a X do citado § 1o e ao mercado de reposição. Diferentemente do que se tem invocado, não vejo como reconhecer que a comprovação levada a efeito no momento da habilitação ao regime dispense a importadora de comprovar a regularidade fiscal no momento do fato gerador. Para entender os efeitos da conclusão do procedimento realizado pela Secex, mais relevante do que o nome que lhe foi atribuído (habilitação) é preciso lembrar do que diz o art. 179 do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172/66): Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. § 1º Tratandose de tributo lançado por período certo de tempo, o despacho referido neste artigo será renovado antes da expiração de cada período, cessando automaticamente os seus efeitos a partir do primeiro dia do período para o qual o interessado deixar de promover a continuidade do reconhecimento da isenção. Com efeito, como é possível concluir, a partir da leitura conjunta dos dois dispositivos, o procedimento de habilitação constituise mais uma exigência para reconhecimento da isenção e, não o próprio reconhecimento do benefício. Em primeiro lugar, a leitura do caput do art. 179, lido conjuntamente com seu parágrafo 1º, deixa claro que a autoridade competente para reconhecimento do benefício deve ser manifestar a cada fato gerador ou, tratandose de tributo lançado por período certo, antes do encerramento de cada período. Ora, como é cediço, nos termos do art. 23 do DL 37/665, para efeito de cálculo do imposto de importação incidente sobre mercadoria despachada para consumo, considerase ocorrido o fato gerador na data do registro da correspondente DI. Assim, ainda que se admita que a Secretaria de Comércio Exterior possuísse competência para conceder isenção, certamente a habilitação não preencheria a exigência do dispositivo insculpido no art. 179 do CTN. Como se percebe, a habilitação ocorre uma única vez. Finalmente, mesmo se superada a exigência de manifestação prévia, equiparando a habilitação ao despacho da autoridade competente, não haveria como reconhecer a definitividade dessa manifestação. Cabe relembrar o que dizem o parágrafo 2º do art. 179 e o art. 155 do CTN: 5 Art. 23 Quando se tratar de mercadoria despachada para consumo, considerase ocorrido o fato gerador na data do registro, na repartição aduaneira, da declaração a que se refere o artigo 44. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 10 § 2º O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicandose, quando cabível, o disposto no artigo 155. Art. 155. A concessão da moratória em caráter individual não gera direito adquirido e será revogado de ofício, sempre que se apure que o beneficiado não satisfazia ou deixou de satisfazer as condições ou não cumprira ou deixou de cumprir os requisitos para a concessão do favor, cobrandose o crédito acrescido de juros de mora: Ou seja, ainda que se considerasse que a isenção teria sido previamente concedida, verificado que a recorrente deixara de atender um dos requisitos para a sua concessão, revogado estaria o benefício. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 5 de maio de 2011 (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 10DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 13617.000269/2007-74
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2006
MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
LEGISLAÇÃO POSTERIOR. MULTA MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO.
A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9202-003.279
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Relator), Maria Helena Cotta Cardozo, Elias Sampaio Freire e Otacilio Dantas Cartaxo. Designado para redigir o voto vencedor o Alexandre Naoki Nishioka.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente à época da formalização
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator
(Assinado digitalmente)
Ronaldo de Lima Macedo, Redator-Designado AD HOC para formalização do voto vencedor.
EDITADO EM: 06/07/2015
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Ronaldo de Lima Macedo (suplente convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Ausente, justicadamente, o Conselheiro Marcelo Oliveira.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2006 MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. LEGISLAÇÃO POSTERIOR. MULTA MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO. A lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 61 7. 00 02 69 /2 00 7- 74 Fl. 381DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13617.000269/200774 Acórdão n.º 9202003.279 CSRFT2 Fl. 158 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Relator), Maria Helena Cotta Cardozo, Elias Sampaio Freire e Otacilio Dantas Cartaxo. Designado para redigir o voto vencedor o Alexandre Naoki Nishioka. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente à época da formalização (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator (Assinado digitalmente) Ronaldo de Lima Macedo, RedatorDesignado AD HOC para formalização do voto vencedor. EDITADO EM: 06/07/2015 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Ronaldo de Lima Macedo (suplente convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Ausente, justicadamente, o Conselheiro Marcelo Oliveira. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13617.000269/200774 Acórdão n.º 9202003.279 CSRFT2 Fl. 159 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado com fundamento na inobservância da obrigação tributária acessória prevista na Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, em seu art. 32, inciso IV e § 5º, acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10 de dezembro de 1997 c/c o art. 225, inciso IV e § 4º do Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999, que consiste em a empresa apresentar a GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fls. 25), a empresa informou de forma inexata (a menor) ou omissa (não informou), nos campos "Remuneração (sem parcela do 13° salário)" e/ou "Remuneração 13° salário (somente parcela do 13° salário)" da GFIP (ou, em sendo o caso, GRFP), no período de 01/1999 a 13/2006, valores pagos a segurados empregados e segurados contribuintes individuais (pessoa física sem vinculo empregatício), extraídos das folhas de pagamento apresentadas à fiscalização, resultando em apuração a menor do valor devido correspondente às Contribuições Previdenciárias, conforme demonstrado nos "ANEXOS III — Segurados empregados e IV — Contribuintes Individuais", que integram os autos. O período do lançamento abrangeu competências de janeiro de 1999 a dezembro de 2006, com o crédito tributário tendo constituído através do AI 37.064.8366, cientificado ao contribuinte em 10/05/2007 (fls. 01 a 145). A propósito, o Acórdão nº 2.40202.186, da 2a Turma Ordinária da 4a Câmara da 2a Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (fls. 285 a 291), julgado na sessão plenária de 26 de outubro de 2011, por unanimidade de votos, optou por dar provimento parcial para adequação da multa ao artigo 32A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica. Transcrevese a ementa e decisão do julgado: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2006 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA – DESCUMPRIMENTO – INFRAÇÃO Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. DECADÊNCIA – ARTS. 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 – INCONSTITUCIONALIDADE – STF – SÚMULA VINCULANTE – OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS – ART. 173, I, CTN De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo Fl. 383DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13617.000269/200774 Acórdão n.º 9202003.279 CSRFT2 Fl. 160 4 prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cindo anos e deve ser contado nos termos do art. 173, I, do CTN. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA – ENFRENTAMENTO DE ALEGAÇÕES – CERCEAMENTO DE DEFESA – INEXISTÊNCIA A autoridade julgadora não está obrigada a decidir de acordo com o pleiteado pelas partes, mas sim com o seu livre convencimento. Não se verifica cerceamento de defesa na decisão em que a autoridade administrativa julgou a questão demonstrando as razões de sua convicção. PERÍCIA – NECESSIDADE – COMPROVAÇÃO – REQUISITOS – CERCEAMENTO DE DEFESA – NÃO OCORRÊNCIA Deverá restar demonstrada nos autos, a necessidade de perícia para o deslinde da questão, nos moldes estabelecidos pela legislação de regência. Não se verifica cerceamento de defesa pelo indeferimento de perícia, cuja necessidade não se comprova CERCEAMENTO DE DEFESA – NULIDADE – INOCORRÊNCIA Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara DECLARAÇÃO EM GFIP – DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. A empresa tem a obrigação de declarar em GFIP todos os fatos geradores de contribuição previdenciária, inclusive os valores relativos ao décimo terceiro salário. Na ausência de elaboração de GFIP correspondente à competência 13, as empresas estavam obrigadas a informar os valores do décimoterceiro salário na GFIP da competência 12 ou na correspondente à competência de desligamento do empregado em caso de rescisão contratual. INFRAÇÃO CONTINUADA – ÂMBITO PREVIDENCIÁRIO – INEXISTÊNCIA Não há que se reconhecer a aplicação do instituto da infração continuada no âmbito das contribuições previdenciárias uma vez que a legislação específica não trata da matéria LEGISLAÇÃO POSTERIOR MULTA MAIS FAVORÁVEL – APLICAÇÃO A lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 384DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13617.000269/200774 Acórdão n.º 9202003.279 CSRFT2 Fl. 161 5 Recurso Voluntário Provido em Parte Contra essa decisão, a Fazenda Nacional manejou recurso especial de divergência com fulcro no art. 67, inciso II, do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009 (efls. 307 a 321), onde questiona a retroatividade do art. 32A da Lei no 8.212, de 1991, incluído pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, para fins de determinação da multa de mora aplicável. Ainda, no mesmo recurso especial, aponta a Fazenda Nacional que deva ser aplicada retroativamente não a multa prevista no artigo 32A da Lei no 8.212, de 1991, aplicável somente quando houver tãosomente o descumprimento da obrigação acessória, ou seja, quando as contribuições destinadas a Seguridade Social também foram devidamente recolhidas. Entende a propósito que, quando, como no caso em questão, houver lançamento através de NFLD da obrigação principal, o dispositivo legal a ser aplicado seria o artigo 35A da Lei no 8.212, de 1991, com a multa prevista no lançamento de ofício (artigo 44 da Lei 9.430/96). Nessa linha de raciocínio, a NFLD e o Auto de Infração devem ser mantidos, com a ressalva de que, no momento da execução do julgado, a autoridade fiscal deverá apreciar a norma mais benéfica: se as duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou o art. 35A da MP 449. Tal posicionamento estaria sustentado no âmbito dos acórdãos ora adotados como paradigmas pela recorrente, proferidos, respectivamente, pela Primeira Turma da Quarta Câmara da Segunda Seção e pela Sexta Câmara do antigo Segundo Conselho de Contribuintes (Acórdãos no. 240100.127 e 20601.782). Propugna, assim, pela reforma do recorrido, de forma que seja determinada a aplicação mais benéfica decorrente da comparação entre as duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou o art. 35A da MP 449. O recurso especial da Fazenda Nacional foi admitido por meio do despacho de efls. 354 a 356, em 16 de janeiro de 2012. Cientificado em 09 de agosto de 2009, o contribuinte ofereceu contrarrazões de efls. 252 a 269 onde defende que: a) O recurso da Fazenda Nacional não deve ser conhecido, uma vez que não demonstrada a existência de identidade fática e utilização de critério jurídico distinto. b) Já foram aplicadas multas referentes ás contribuições devidas para o período em questão, não sendo cabíveis novas multas pela aplicação do princípio da razoabilidade e proporcionalidade. Encaminhamse, assim, os autos, agora a esta Câmara Superior para julgamento. É o relatório. Fl. 385DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13617.000269/200774 Acórdão n.º 9202003.279 CSRFT2 Fl. 162 6 Voto Vencido Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Quanto ao mérito, julgo, inicialmente, não haver como se afastar a aplicabilidade, ao caso, da retroatividade benéfica prevista no art. 106, inciso II, alínea “c”, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Para tanto, trago à colação os dispositivos de interesse ao caso sob análise, bem como excertos do brilhante voto do Ilustre Conselheiro Marcelo Oliveira no âmbito do Acórdão no 9.202003.070, proferido por esta mesma 2a Turma, em 13 de fevereiro de 2014, por concordar integralmente com os seus fundamentos, na forma a seguir transcrita: Lei 5.172/66 (CTN) Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.(g.n.) Lei 8.212/1991 (Redação anterior): Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento (g.n.): a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (g.n.): Fl. 386DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13617.000269/200774 Acórdão n.º 9202003.279 CSRFT2 Fl. 163 7 a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: (...) Lei 8.212/1991 (nova redação): Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora (g.n.), nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício (g.n.) relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Acórdão 9.202003.070 – Voto do Conselheiro Marcelo Oliveira “ (...) Portanto, pela determinação do CTN, acima, a administração pública deve verificar. nos lançamentos não definitivamente julgados, se a penalidade determinada na nova legislação é menos severa que a prevista na lei vigente no momento do lançamento. Só não posso concordar com a análise feita, que leva à comparação de penalidades distintas: multa de ofício e multa de mora. (...) Ocorre que o acórdão recorrido comparou, para a aplicação do Art. 106 do CTN, penalidade de multa aplicada em lançamento Fl. 387DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13617.000269/200774 Acórdão n.º 9202003.279 CSRFT2 Fl. 164 8 de ofício (grifos no original), com penalidade aplicada quando o sujeito passivo está em mora, sem a existência do lançamento de ofício, e decide, espontaneamente, realizar o pagamento. Para tanto, na defesa dessa tese, há o argumento que a antiga redação utilizava o termo multa de mora (grifos no original). Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora (grifos no original), que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): (...) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): Esclarecemos aqui que a multa de lançamento de ofício (grifos no original), como decorre do próprio termo, pressupõe a atividade da autoridade administrativa que, diante da constatação de descumprimento da lei, pelo contribuinte, apura a infração e lhe aplica as cominações legais. Em direito tributário, cuidase da obrigação principal e da obrigação acessória, consoante art. 113 do CTN. A obrigação principal é obrigação de dar. De entregar dinheiro ao Estado por ter ocorrido o fato gerador do pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária. A obrigação acessória é obrigação de fazer ou obrigação de não fazer. A legislação tributária estabelece para o contribuinte certas obrigações de fazer alguma coisa (escriturar livros, emitir documentos fiscais etc.): são as prestações positivas de que fala o §2º do art. 113 do CTN. Exige também, em certas situações, que o contribuinte se abstenha de produzir determinados atos (causar embaraço à fiscalização, por exemplo): são as prestações negativas, mencionadas neste mesmo dispositivo legal. O descumprimento de obrigação principal gera para o Fisco o direito de constituir o crédito tributário correspondente, mediante lançamento de ofício (grifos no original). É também fato gerador da cominação de penalidade pecuniária, leiase multa, sanção decorrente de tal descumprimento. O descumprimento de obrigação acessória gera para o Fisco o direito de aplicar multa, igualmente por meio de lançamento de ofício (grifos no original). Na locução do §3º do art. 113 do CTN, este descumprimento de obrigação acessória, isto é, de Fl. 388DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13617.000269/200774 Acórdão n.º 9202003.279 CSRFT2 Fl. 165 9 obrigação de fazer ou não fazer, convertea em obrigação principal, ou seja, obrigação de dar. Já a multa de mora não pressupõe a atividade da autoridade administrativa, não tem caráter punitivo e a sua finalidade primordial é desestimular o cumprimento da obrigação fora de prazo. Ela é devida quando o contribuinte estiver recolhendo espontaneamente um débito vencido. Essa multa nunca incide sobre as multas de lançamento de ofício (grifos no original) e nem sobre as multas por atraso na entrega de declarações. Portanto, para a correta aplicação do Art. 106 do CTN, que trata de retroatividade benigna, o Relator deveria ter comparado a penalidade determinada pelo II, Art. 35 da Lei 8.212/1991 (créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original)), antiga redação, com a penalidade determinada atualmente pelo Art. 35A da Lei 8.212/1991 (nos casos de lançamento de ofício (grifos no original)). Conseqüentemente, divirjo do acórdão recorrido, pelas razões expostas. (...)” Verifico, assim, que, ainda que a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, tenha utilizado apenas a expressão “multa de mora”, independentemente da denominação que tenha se dado à penalidade, não resta dúvida de que estavam ali descritas duas diferentes espécies de multas: a) as multas de mora e b) as multas de ofício. As primeiras, cobradas com o tributo recolhido espontaneamente. As últimas, cobradas quando do pagamento por força de ação fiscal e, assim, constantes de notificação fiscal de lançamento de débito, tal como ocorria com os demais tributos federais, nos lançamentos de ofício. Assim, entendo que a penalidade aplicada ao caso sob análise não pode ser aquela mais benéfica a ser obtida pela comparação da estabelecida pela anterior redação do art. 32, inciso IV e da Lei nº 8.212, de 1991, com a do art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, incluído pela Lei nº 11.941, de 2009, com a aplicação desta última, em meu entendimento, se cingindo a casos em que há o efetivo recolhimento da contribuição previdenciária lançada, com somente a obrigação acessória tendo sido descumprida. A propósito, entendo que, para fins de aplicação da retroatividade benéfica, se deva comparar àquela antiga multa, a multa estabelecida pelo art. 44, da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e atualmente aplicável quando dos lançamentos de ofício, consoante disposto no art. 35A, da Lei nº 8.212, de 1991, visto ter decorrido a constituição da multa originária do descumprimento de obrigação acessória levantada em procedimento de ofício. Ressalvese, somente, no caso de tal comparação, as competências aqui sob litígio para as quais não se mantém a exigência de principal em decisão administrativa definitiva no âmbito de ambas as NFLD vinculadas, a saber: a) nº 37.064.8404 – que se refere a folha de pagamento regularmente contabilizada pela empresa e b) nº 37.064.8420 – que se refere a folhas de pagamento apreendidas que comprovam a existência de remuneração não Fl. 389DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13617.000269/200774 Acórdão n.º 9202003.279 CSRFT2 Fl. 166 10 contabilizada para determinadas para as competências de 09, 10, 11, 12/2000, 01 e 03 de 2001 (conforme fls. 839 a 898 do Processo 13617.000272/200798 e efl. 371). Para aplicação do critério acima proposto ao caso dos autos, deve ser levado em consideração, também, que o acessório segue o principal, no que for cabível. Assim, caso não subsistisse o principal no âmbito de NFLD a que o presente AI se referisse, seria forçosa a conclusão de que o referido AI também seria insubsistente. Ressaltese, entretanto, que não há prova dessa insubsistência nos autos. Esclareçase, a inexistência de relação do presente lançamento com a NFLD nº 37.064.8412, expressamente referida no Termo de Verificação Fiscal (item 3.1 de fl. 26). Assim, entendo que, na matéria, deva ser dado provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, para restabelecer a penalidade nos termos em que constante dos lançamentos da NFLD e do AI, limitada ao percentual de 75% (limite atual previsto no art. 44 da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e referenciado no art. 35A, da Lei nº 8.212, de 1991, aplicável aqui a retroatividade benéfica). Por oportuno, cabe colocar o entendimento deste conselheiro de que, na fase de execução desta decisão, devem ser consideradas as multas constantes das NFLDs correspondentes (37.064.8404 e 37.064.8420), de forma que se aplique a situação mais benéfica para a contribuinte dentre as abaixo: a) a soma das duas multas, aplicadas no presente Auto de Infração e nas NFLDs supra, respectivamente previstas nos arts. 35, II e 32, IV da antiga redação da Lei no 8.212, de 1991; ou b) a multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de contribuição, prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito, dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É como voto. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 390DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13617.000269/200774 Acórdão n.º 9202003.279 CSRFT2 Fl. 167 11 Voto Vencedor Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, RedatorDesignado AD HOC para formalização do voto vencedor. Pelo fato de o ConselheiroRedator Alexandre Naoki Nishioka ter renunciado ao cargo antes da formalização do presente acórdão, eu, Ronaldo de Lima Macedo, nomeado para formalização, reproduzo a seguir o voto por ele apresentado na sessão. Considerando que eu (Ronaldo de Lima Macedo), como redator adhoc, fui designado apenas para a formalização do voto, deixo consignado que o entendimento do colegiado não corresponde, necessariamente, com o entendimento do Conselheiro Redator Designado adhoc. Com isso, este conselheiro não se vinculará às razões fáticas nem jurídicas registradas no presente acórdão. Analisando o voto proferido pela i. Conselheiro Relator, especificamente no que tange à aplicabilidade da retroatividade benéfica, entendo que não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta, fato não observado pelo Fisco, conforme decisão manifestada no Acórdão nº 2.40202.186, da 2a Turma Ordinária da 4a Câmara da 2a Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (fls. 285 a 291). Constatase que os valores da multa aplicados foram fundamentados na redação do art. 32, inciso IV e §§ 4o e 5o, da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 9.528/1997. Entretanto, este dispositivo sofreu alteração por meio do disposto nos arts. 32A e 35A, ambos da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 11.941/2009. Com isso, houve alteração da sistemática de cálculo da multa aplicada por infrações concernentes à GFIP’s, a qual deve ser aplicada ao presente lançamento ora analisado, tudo em consonância com o previsto pelo art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional. Assim, quanto à multa aplicada, vale ressaltar a superveniência da Lei 11.941/2009. Para tanto, inseriu o art. 32A na Lei 8.212/1991, o qual dispõe o seguinte: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por Fl. 391DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13617.000269/200774 Acórdão n.º 9202003.279 CSRFT2 Fl. 168 12 cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o. Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o. Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o. A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). No caso em tela, tratase de infração que agora se enquadra no art. 32A, inciso I, da Lei 8.212/1991. Considerando o grau de retroatividade média da norma previsto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional (CTN), transcrito abaixo, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, qual a situação mais benéfica ao contribuinte, se a multa aplicada à época ou a calculada de acordo com o art. 32A, inciso I, da Lei 8.212/1991. Fl. 392DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13617.000269/200774 Acórdão n.º 9202003.279 CSRFT2 Fl. 169 13 Esclarecemos que não há espaço jurídico para aplicação do art. 35A da Lei 8.212/1991, eis que este remete para a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/19961, que trata das multas quando do lançamento de ofício dos tributos federais, vejo que as sua regras estão em outro sentido. As multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração, aplicandose apenas ao valor que não foi declarado e nem pago. Assim, há diferença entre as regras estabelecidas pelos artigos 32A e 35A, ambos da Lei 8.212/1991. Quanto à GFIP não há vinculação com o pagamento. Ainda que não existam diferenças de contribuições previdenciárias a serem pagas, estará o contribuinte sujeito à multa do artigo 32A da Lei 8.212/1991. A regra do art. 35A da Lei 8.212/1991 tem finalidade exclusivamente fiscal, diferentemente do caso da multa prevista no art. 32A da Lei 8.212/1991, em que independentemente do pagamento/recolhimento da contribuição previdenciária, o que se pretende é que, o quanto antes (daí a gradação em razão do decurso do tempo), o sujeito passivo preste as informações à Previdência Social, sobretudo os salários de contribuição percebidos pelos segurados. São essas informações que viabilizam a concessão dos benefícios previdenciários. Quando o sujeito passivo é intimado para entregar a GFIP, suprir omissões ou efetuar correções, o Fisco já tem conhecimento da infração e, portanto, já poderia autuálo, mas isso não resolveria um problema extrafiscal, que é: as bases de dados da Previdência Social não seriam alimentadas com as informações corretas e necessárias para a concessão dos benefícios previdenciários. Por essas razões é que não vejo como se aplicarem as regras do artigo 44 da Lei 9.430/1996 aos processos instaurados em razão de infrações cometidas sobre a GFIP. E no que tange à “falta de declaração e nos de declaração inexata”, parte também do dispositivo, além das razões já expostas, devese observar o Princípio da Especificidade – a norma especial prevalece sobre a geral: o art. 32A da Lei 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no art. 44 da Lei 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Pela mesma razão, também não se aplica o art. 432 da mesma lei. Em síntese, para aplicação de multas pelas infrações relacionadas à GFIP devem ser observadas apenas as regras do art. 32A da Lei 8.212/1991 que regulam exaustivamente a matéria. É irrelevante para tanto se houve ou não pagamento/recolhimento e, no caso que tenha sido lavrado Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP), qual tenha sido o valor nele lançado. 1 Lei 9.430/1996. Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. 2 Lei 9.430/1996. Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Fl. 393DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13617.000269/200774 Acórdão n.º 9202003.279 CSRFT2 Fl. 170 14 CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso especial e NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. (Assinado digitalmente) Ronaldo de Lima Macedo, RedatorDesignado AD HOC para formalização do voto vencedor. Fl. 394DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 13706.002533/2003-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri May 29 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2005, 2006, 2007
SIMPLES. ANÁLISE DE PEDIDO DE INCLUSÃO. DESPACHO COM EFEITO DE EXCLUSÃO E COBRANÇA DE TRIBUTOS. NULIDADE.
O processo de exclusão do Simples deve ocorrer nos exatos termos instituídos pela Lei 9.317/96, em seu art. 15, parágrafo 3°, ou seja, mediante ato declaratório da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdicione o contribuinte, assegurado o contraditório e a ampla defesa.
Despacho da DERAT trata da análise de pedido de inclusão retroativa ao Simples e produz efeitos práticos de exclusão do regime é nulo, por desrespeitar o direito à ampla defesa e contraditório
Numero da decisão: 1201-001.150
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para acolher a preliminar de nulidade do despacho da DERAT.
(assinado digitalmente)
RAFAEL VIDAL DE ARAUJO - Presidente.
(Assinado digitalmente)
LUIS FABIANO ALVES PENTEADO- Relator.
EDITADO EM: 01/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araujo (Presidente), Marcelo Cuba Neto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, André Almeida Blanco (Suplente Convocado) e Luis Fabiano Alves Penteado
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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ANÁLISE DE PEDIDO DE INCLUSÃO. DESPACHO COM EFEITO DE EXCLUSÃO E COBRANÇA DE TRIBUTOS. NULIDADE. O processo de exclusão do Simples deve ocorrer nos exatos termos instituídos pela Lei 9.317/96, em seu art. 15, parágrafo 3°, ou seja, mediante ato declaratório da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdicione o contribuinte, assegurado o contraditório e a ampla defesa. Despacho da DERAT trata da análise de pedido de inclusão retroativa ao Simples e produz efeitos práticos de exclusão do regime é nulo, por desrespeitar o direito à ampla defesa e contraditório Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para acolher a preliminar de nulidade do despacho da DERAT. (assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Presidente. (Assinado digitalmente) LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Relator. EDITADO EM: 01/03/2015 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 25 33 /2 00 3- 81 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/03/2 015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araujo (Presidente), Marcelo Cuba Neto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, André Almeida Blanco (Suplente Convocado) e Luis Fabiano Alves Penteado Relatório Trata o presente processo da manifestação de inconformidade de fls. 37/38, apresentada em 30/04/2009, quanto ao indeferimento do pedido de inclusão retroativa no SIMPLES, pela DERAT/DICAT/RJ, em 15/05/2008, sob o fundamento de que a interessada desenvolve atividade vedada, nos termos do artigo 9°, inciso XIII, da Lei 9.317/96 (fl.35). Inconformada, a Recorrente apresentou a Manifestação de Inconformidade, na qual alega em síntese que: não foi comunicada de Ato Declaratório de Exclusão, impossibilitandoa de exercer seu direito de ampla defesa e contraditório ou de tomar providências imediatas de modo a atender a qualquer exigência legal, requerendo assim que não haja efeitos retroativos à notificação enviada à empresa em 01 de abril de 2009; a empresa foi constituída em 1998, tendo sua atividade descrita pelo código CNAE da época 74.99399, que compreendia o planejamento e promoção artística e cultural, organização de exposições, feiras de amostras e congresso, compilação de informações, inclusive cadastro e outros serviços administrativos e similares, e que à época, as atividades desse código não estavam dentre as vedadas pela Secretaria da Receita Federal (SRF); as atividades descritas nos objetivos da empresa reproduziam exatamente as descritas nesse código, embora a empresa jamais tenha prestado serviço na área artística, cultural ou desportiva; a empresa esteve ativa de 1998 até 2001, tendo sempre exercido única e exclusivamente a atividade de organização de seminários e atividades administrativas relacionadas; em 2003 a empresa foi surpreendida pelo seu desenquadramento como optante do Simples, só tendo tomado conhecimento desse fato por não ter conseguido enviar sua declaração de imposto de renda como optante do Simples; não houve qualquer comunicação ou notificação à empresa de Ato Declaratório de –Exclusão (ADE), razão pela qual desconhecia o motivo de tal desenquadramento; em virtude do exposto solicitou revisão da exclusão à opção pelo Simples no dia 03 de junho de 2003, no qual ressalta que não se preencheu o número da comunicação contestada, nem o motivo da exclusão no formulário (SRS), pois esses eram desconhecidos pela empresa (fl. 41); Fl. 79DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/03/2 015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13706.002533/200381 Acórdão n.º 1201001.150 S1C2T1 Fl. 149 3 a SRF não se pronunciou com relação a essa exclusão e ao motivo da mesma (SRS), permanecendo o processo em análise até a recepção do despacho decisório de 15 de maio de 2008, em 01 de abril de 2009; em face do desenquadramento a empresa ficou inativa de 2002 até 2004; em 2004 a empresa tomou conhecimento de que o CNAE havia sido modificado e o código 74.993 havia sido desmembrado em vários novos códigos, sendo que apenas alguns permitiam a opção pelo Simples, sendo este, supostamente, o motivo do desenquadramento; em janeiro de 2005 a empresa foi enquadrada pela SRF como optante do Simples, primeiramente sob o novo código CNAE 7499305 e, posteriormente, sob o código CNAE 74.99307, ambos com atividades não vedadas, conforme sistema de consulta na página da SRF na Internet (Anexo 3); a RFB aceitou o enquadramento da opção pelo Simples, mesmo após ter analisado o contrato social original da empresa (Anexo 4); os serviços prestados pela empresa em 2005 e 2006 foram, novamente e exclusivamente, os de organização de seminários e atividades administrativas relacionadas, não se enquadrando nas atividades vedadas pelo artigo 9°, inciso XIII da Lei no. 9.317/96; a necessidade de mudar de endereço obrigou a empresa a alterar seu contrato social,quando alterou também a razão social da empresa e seu objetivo de forma consistente com o código CNAE 74.99307 e com a atividade que a empresa sempre exerceu de fato; a RFB a despeito de conhecer o contrato social original da empresa jamais fez qualquer exigência, mantendo o processo supracitado em análise; fica claro que não se trata de Solicitação de Inclusão Retroativa no Simples Federal, porque a empresa foi inicialmente enquadrada no Simples; quando descobriu que havia sido excluída do Simples a empresa mantevese inativa; seu pedido de esclarecimento sobre o que motivou essa exclusão é de 2003, e seu re enquadramento no Simples, sob novo _código CNAE, é de janeiro de 2005; a empresa esteve ativa em 2005 e 2006, sempre exercendo atividades não vedadas à opção pelo Simples, e tendo como base o Documento Básico de Entrada de Opção pelo Simples aceito pela SRF; somente em abril de 2009, a empresa recebeu a comunicação de indeferimento de seu pleito de 2003 e foi informada, pela primeira vez, que sua exclusão Fl. 80DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/03/2 015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 4 do Simples Federal deviase ao fato de que o seu contrato social original de 1998 incluía, dentre seus objetivos, atividades vedadas pela lei no. 9.317/96; a empresa esteve vinculada ao Simples de 1998 até 2001 e de 2005 até o presente, sempre exercendo atividades não vedadas à opção pelo Simples Federal. não é razoável, portanto, conferir efeitos retroativos à data de notificação da declaração de exclusão (1/4/2009), razão pela qual requer o reconhecimento da regularidade fiscal da empresa no período anterior a essa data. Com base nas alegações da ora Recorrente, coube a 7º Turma da DRJ/RJ, julgar o processo ora em discussão. Em decisão de 15/09/09, a DRJ/RJ, por maioria, vencido o relator, julgou improcedente a Impugnação da Recorrente, indeferindo o pedido de inclusão retroativa no SIMPLES, devido à ausência de provas do exercício de atividade não impedida de opção ao SIMPLES, conforme trecho do voto vencedor abaixo destacado: “Portanto, além das atividades exercidas pela interessada não serem permitidas, a interessada tampouco comprovou o não exercício de atividades vedadas, devendose indeferir sua solicitação de inclusão retroativa no sistema SIMPLES.” A Recorrente apresentou Recurso Voluntário no qual traz, em apertada síntese, os seguintes argumentos: a contribuinte faz juz ao enquadramento retroativo no sistema Simples no período de 1998 a 2001, quando mantevese ativa e desempenhando atividades não vedadas no Simples; ainda que não seja enquadrada no Sistema Simples, o período de 1998 a 2001 já fora alcançado pela Decadência, não havendo possibilidade alguma de cobrança de débitos deste período; o Despacho da DERAT de 2009, que indeferiu o pedido formulado em 2003, de inclusão retroativa ao Simples, não poderia surtir efeitos após 2005, pois, a partir deste período, a contribuinte já havia sido enquadrada no Simples, tornado indevida a cobrança de débito de 2005 e 2006. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e encontrase revestido das formalidade legais, atendendo os pressupostos de admissibilidade, dela se conhecendo. Passo, portanto ao exame do processo, consoante os argumentos aduzidos na Impugnação e no Recurso Voluntário. A Recorrente, em seu recurso voluntário apresentou 02 pedidos distintos, conforme abaixo: Fl. 81DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/03/2 015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13706.002533/200381 Acórdão n.º 1201001.150 S1C2T1 Fl. 150 5 i) que fosse decretada a decadência do direito da Administração Tributária efetuar o lançamento dos tributos relativos ao período de 12/05/1998 a 31/12/2001; ou,subsidiariamente, que defira o pedido de inclusão retroativa no SIMPLES nesse período, tendo como base o ADI nº 16 de 02 de outubro de 2002; ii) que fossem ratificados os fatos supra narrados, notadamente quanto aos inequívoco enquadramento da empresa no Simples desde 01/01/2005 até a presente data. A Recorrente apresentou recurso voluntário, visto que foi negado pela 7º Turma da DRJ/RJ a inclusão retroativa ao SIMPLES no período de 12/05/1998 a 31/12/2001. Contudo, é importante salientar qe o Relator do processo na DRJ apresentou voto vencido, que conferiu à Recorrente o direito de inclusão no SIMPLES, visto que a mesma atendia as exigências dispostas no ADI nº 16 de 02 de Outubro de 2002, conforme abaixo destacado: “Finalizando, por todos os elementos existentes no processo, voto no sentido de deferir a solicitação da interessada, de fls. 01, reconhecendose o seu direito à inclusão retroativa no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES, no período de 12/05/1998 a 31/12/2001.” Neste ponto e antes de partir para a exposição de minhas motivações de voto, julgo necessário delimitarmos de forma inequívoca qual é o objeto em discussão no presente processo e, assim, definirmos os efeitos da decisão desta Turma. Neste ponto, mesmo com o receio de tornar este voto redundante em relação ao relatório, faço abaixo um breve resumo cronológico dos fatos: entre 1998 e 2001, a empresa estava ativa, desempenhando a atividade de organização de exposições, feiras e congressos; entre 2002 e 2004, a empresa mantevese inativa; em 2003 a Recorrente apresentou Solicitação de Revisão da Vedação/Exclusão à Opção pelo Simples (SRS), contudo, não há nos autos documentos que demonstrem atos da Administração Pública sobre a inclusão e posterior exclusão do Simples neste período; em 01/2005, a empresa foi incluída no Simples; a empresa esteve ativa entre 2005 e 2006; em 2009, a Recorrente foi intimada de Despacho da Derat de 05/2008, que indeferiu a Solicitação de Inclusão Retroativa no Simples Federal e determinou a entrega das DIPJ dos anoscalendário de 2005 e 2006, bem como, o recolhimento dos tributos não recolhidos neste período. Do exposto, resta claro que o pedido de inclusão retroativa ao simples ora em questão, se refere, única e exclusivamente, ao período de 12/05/1998 a 31/12/2001. Assim, este será o objeto de minha análise Fl. 82DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/03/2 015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 6 Contudo, para garantir efetividade à decisão deste Conselho, entendo que esta decisão deve analisar também se tal pedido de inclusão retroativa ao simples, e conseqüente decisão, produz efeitos para os períodos posteriores a 31/12/2001, especialmente, os períodos de 2005 e seguintes. Preliminar Da Nulidade do Despacho da DERAT O despacho da DERAT emitido em 2008, indeferiu o pedido de inclusão retroativa da Recorrente ao Simples, contudo, conforme o respectivo dispositivo, o efeito prático do despacho foi a exclusão da empresa do sistema SIMPLES em relação aos períodos de 2005 a 2007 nos quais a Recorrente já integrava o Simples. Ocorre que o processo de exclusão do Simples deve ocorrer nos exatos termos instituídos pela Lei 9.317/96, em seu art. 15, parágrafo 3°: "Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: 3°. A exclusão de oficio darseá mediante ato declaratório da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdicione o contribuinte, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo tributário administrativo. (Incluído pela Lei n°9.732, de 11.12.1998)" O despacho da DERAT trata da análise de pedido de inclusão retroativa ao Simples e produz efeitos práticos de exclusão do regime, fato este que, de pronto, já demonstra desrespeito ao dispositivo legal acima citado por clara afronta ao direito de ampla defesa e contraditório. Além disso, o despacho em comento também incorre em nulidade ao exigir o recolhimento de tributos através de despacho decisório, quando o instrumento correto é a lavratura de auto de infração, conforme disposto no artigo 9° do Decreto 70.235/72, a seguir: "Art. 9° A exigência do crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pelo art. 1° da Lei n° 8.748/93)" Diante do exposto, reconheço a nulidade contida no Despacho emitido pela DERAT, devendo ser afastadas de pronto os seus efeitos, especialmente, em relação aos períodos de 2005 e seguintes, nos quais a Recorrente já havia sido incluída no Sistema Simples. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/03/2 015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13706.002533/200381 Acórdão n.º 1201001.150 S1C2T1 Fl. 151 7 Mérito No tangente à matéria de mérito, qual seja, a possibilidade de exclusão ou não inclusão da Recorrente no sistema Simples, baseada exclusivamente no fato de no contrato social constarem também atividades vedadas, entendo ter sido equivocada a decisão da DRJ. Acerca de inclusão retroativa no Simples, a SRF editou o Ato Declaratório Interpretativo ADI nº 16 de 02 de Outubro de 2002, que assim dispõe: "Artigo único. O Delegado ou o Inspetor da Receita Federal, comprovada a ocorrência de erro de fato, pode retificar de oficio tanto o Termo de Opção(TO), quanto a Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ), para a inclusão no Simples de pessoas jurídicas inscritas no Cadastro nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ), desde que seja possível identificar a intenção inequívoca de o contribuinte aderir ao Simples. Parágrafo único. São instrumentos hábeis para se comprovar a intenção de aderir ao Simples os pagamentos mensais por intermédio do Documento de Arrecadação do Simples (DarfSimples) e a apresentação da Declaração Anual Simplificada." Nos autos deste processo, foram acostados os recolhimentos referentes aos tributos apurados nas DIPJ SIMPLIFICADAS relativas ao período de 12/05/1998 a 31/12/2001 (fls.20/23), restando assim, demonstrada a intenção da Recorrente em aderir ao SIMPLES, nos moldes definidos pelo Ato Declaratório acima. Além disso, a atividade desempenhada pela Recorrente, qual seja, a organização de feiras, eventos e congressos, não se encontra no rol de atividades vedadas. Já existiu discussão sobre esta matéria e a corrente dominante na esfera administrativa, com a qual coaduno e que encontra respaldo em Solução de Consulta e Solução de Divergência, entende que tal atividade não é vedada. Vejamos: SOLUÇÃO DE CONSULTA 321, DE 2082009 – SRRF 9ª RF – DOU de 1192009 “ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS. Os serviços de organização de feiras, congressos, exposições e festas são permitidos aos optantes pelo Simples Nacional. Na qualidade de produção cultural e artística, são permitidas as atividades de contratação de artistas (pela optante ou por suas clientes), bem como a filmagem e cobertura fotográfica do evento. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei Complementar nº123, de 2006, art.17, XI, §1º, art. 18, §5ºD, X.” Fl. 84DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/03/2 015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 8 Solução de Divergência n. 01 de 18/02/2002, DOU de 09/08/2002 – COSIT – SIMPLES – SERVIÇOS DE ORGANIZAÇÃO DE FESTAS E RECEPÇÃOP – OPÇÃO – POSSIBILIDADE. Ementa: SIMPLES. POSSIBILIDADE DE OPÇÃO. EMPRESAS QUE PRESTAM SERVIÇOS DE ORGANIZAÇÃO DE FESTAS E RECEPÇÕES. Empresa que presta serviços de organização de festas e recepções pode optar pelo Simples. Fica, entretanto, vedado o seu ingresso e permanência no sistema se dentre suas atividades incluir a contratação de atores, cantores, dançarinos ou assemelhados. (REGINA MARIA FERNANDES BARROSO) Não à toa, a Recorrente fora incluída no Sistema Simples no período de 01/2005 e seguintes. Assim, por se tratar da mesma atividade exercida no período de 1998 a 2001, entendo que o enquadramento da recorrente no sistema SIMPLES a partir de 2005, apenas corrobora com o pedido da contribuinte da inclusão retroativa o período de 1998 a 2001. Desta forma, não enxergo qualquer motivo para indeferimento do Pedido de Inclusão Retroativa ao Sistema Simples em relação ao período de 1998 a 2001. Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso apresentado para PRELIMINARMENTE, reconhecer a nulidade do Despacho da DERAT que excluiu a Recorrente do Sistema Simples em relação aos períodos de 2005. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 85DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/03/2 015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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Numero do processo: 15374.722482/2008-47
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2003,2004
PER/DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
A partir de 1º de outubro de 2002 para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação a legislação fixou o prazo de cinco anos, contados da data da entrega da declaração, para que os débitos sejam homologados tacitamente, o que privilegia o princípio da segurança jurídica.
Numero da decisão: 1803-001.887
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer a prescrição dos débitos remanescentes, nos termos do relatório de voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Presidente e Redator para Formalização do Acórdão
Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, que a 3ª Turma Especial da 1ª Seção foi extinta pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 (que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF), e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF, a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura, para fins de formalização. Da mesma maneira, tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização do voto. Ausente momentaneamente o Conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch (Presidente à Época do Julgamento), Marcos Antonio Pires, Meigan Sack Rodrigues, Sergio Luiz Bezerra Presta, Victor Humberto da Silva Maizman e Sergio Rodrigues Mendes.
Nome do relator: VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN
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HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. A partir de 1º de outubro de 2002 para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação a legislação fixou o prazo de cinco anos, contados da data da entrega da declaração, para que os débitos sejam homologados tacitamente, o que privilegia o princípio da segurança jurídica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer a prescrição dos débitos remanescentes, nos termos do relatório de voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Presidente e Redator para Formalização do Acórdão Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, que a 3ª Turma Especial da 1ª Seção foi extinta pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 (que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF), e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF, a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura, para fins de formalização. Da mesma maneira, tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização do voto. Ausente momentaneamente o Conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 72 24 82 /2 00 8- 47 Fl. 130DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15374.722482/200847 Acórdão n.º 1803001.887 S1TE03 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch (Presidente à Época do Julgamento), Marcos Antonio Pires, Meigan Sack Rodrigues, Sergio Luiz Bezerra Presta, Victor Humberto da Silva Maizman e Sergio Rodrigues Mendes. Relatório Em 11/08/2003, a Interessada transmitiu a Declaração de Compensação n° 10969.99133.110803.1.3.045412 (fls. 02/06), na qual é informado: crédito referente a pagamento indevido, em 30/09/2002 (DARF com período de apuração em 31/08/2002, código de receita 5993, vencimento em 30/09/2002, valor do principal R$ 657,30 e de zero o valor da multa e dos juros, sendo que a data de arrecadação se deu em 30/09/2002), de Estimativa mensal de IRPJ (código 59931), no valor de R$ 657,30 em 30/09/2002 para compensar débito informado de Estimativa mensal de IRPJ (código 59931), período de apuração de abril de 2003, vencimento em 31/05/2003, no valor de R$ 2.090,45. Em 25/08/2008 (fls. 07/08 e 10), a Interessada foi cientificada do Despacho Decisório de n° de rastreamento 781153136 (fl. 09), emitido em 12/08/2008, no qual a DERAT RJO, com fulcro no que dispõem os arts. 165 e 170, da Lei n° 5.172/1966 (CTN) e o art. 74 da Lei n° 9.430/1996, cujo teor não homologou a referida compensação declarada diante da inexistência do crédito, uma vez que, a partir das características do DARF discriminado na Declaração de Compensação, foi localizado o pagamento n° 0593090169, arrecadado em 30/09/2002, no valor original de R$ 657,30, integralmente utilizado para pagamento da Estimativa mensal de IRPJ apurada em agosto de 2002, com vencimento em 30/09/2002, tendo sido, portanto, indevidamente compensado o débito de Estimativa mensal de IRPJ de abril de 2003, com vencimento em 31/05/2003, no valor de R$ 2.090,45, o qual deverá ser pago até 29/08/2008, acrescido da multa de mora de R$ 418,09 e dos juros de mora de R$ 1.613,81 (calculado até 29/08/2008). Inconformada, a Interessada apresentou Manifestação de Inconformidade oportunidade em que insiste ter o crédito a compensar. Em sede de cognição ampla a DRJ manteve o despacho impugnado, resultando na interposição de Recurso Voluntário interposto pela empresa contribuinte, oportunidade em que reitera os argumentos quanto a insistência do crédito apontado. Cabe formalizar a presente decisão conforme apresentada em plenário, dado que o relator original não mais compõe o colegiado, nos termos do art. 17 e do art. 18 ambos do Anexo II do Regimento Interno aprovado pela Portaria MF nº 343, 09 de junho de 2015, que em seu art. 6º extinguiu as turmas especiais. Está registrada na Ata da Reunião de Julgamento formalizada no processo nº 15169.000109/201162: Fl. 131DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15374.722482/200847 Acórdão n.º 1803001.887 S1TE03 Fl. 4 3 Aos oito dias do mês de outubro do ano de dois mil e treze, às quatorze horas , reuniramse os membros da 3ªTE/4ªCÂMARA/1ªSEJUL/CARF/MF/DF, estando presentes WALTER ADOLFO MARESCH (Presidente), MARCOS ANTONIO PIRES, MEIGAN SACK RODRIGUES, SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, SERGIO RODRIGUES MENDES, ROBERTO ARMOND FERREIRA DA SILVA e eu, MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. [...] Relator(a): VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN Processo: 15374.722482/200847 Recorrente: O BICHO COMEU BIJOUTERIAS LTDA EPP e Recorrida: FAZENDA NACIONAL Acórdão 1803001.887 Decisão: Por unanimidade de votos deram provimento ao recurso para reconhecer a prescrição dos débitos remanescentes. Ausência momentânea: SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Votação: Por Unanimidade Questionamento: RECURSO VOLUNTARIO Resultado: Recurso Voluntário Provido Outros Valores Controlados É o Relatório. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15374.722482/200847 Acórdão n.º 1803001.887 S1TE03 Fl. 5 4 Voto Conselheiro André Mendes de Moura, Redator para Formalização do Voto. Em face da necessidade de formalização da decisão proferida nos presentes autos, e tendo em vista que o relator originário do processo não mais integra o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, encontrome na posição de Redator, nos termos dos arts. 17 e 18, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (RICARF). Informo que, na condição de Redator, transcrevo literalmente a minuta que foi apresentada pelo Conselheiro durante a sessão de julgamento. Portanto, a análise do caso concreto reflete a convicção do relator do voto na valoração dos fatos. Ou seja, não me encontro vinculado: (1) ao relato dos fatos apresentado; (2) a nenhum dos fundamentos adotados para a apreciação das matérias em discussão; e (3) a nenhuma das conclusões da decisão incluindose a parte dispositiva e a ementa. A seguir, a transcrição do voto. O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. Pois bem, comungo com os fundamentos da r. decisão no sentido de que a Recorrente utilizou o crédito informado de R$ 657,30 em 30/09/2002 para compensar, no limite deste crédito, o débito informado de estimativa de IRPJ de abril de 2003, vencível em 31/05/2003, no valor de R$ 2.090,45. Destarte, a partir das características do DARF discriminado na Declaração de Compensação, foi localizado o pagamento n° 0593090169, arrecadado em 30/09/2002, no valor original de R$ 657,30, integralmente utilizado para pagamento da Estimativa mensal de IRPJ apurada em agosto de 2002, com vencimento em 30/09/2002. Entrementes, a Recorrente se insurge apontando que há débito ainda a ser compensado. Pois bem, no momento do pedido de compensação houve a inequívoca confissão do débito, iniciandose assim, o prazo prescricional. Desse modo, considerando que decorreu o prazo legal para a exigência do crédito tributário (débito) é de ser reconhecido de ofício a prescrição. A pessoa jurídica que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 1º de outubro de 2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15374.722482/200847 Acórdão n.º 1803001.887 S1TE03 Fl. 6 5 Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30 de dezembro de 2003, ficou estabelecido que a PERDCOMP constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação também fixou o prazo de cinco anos, contados da data da entrega da declaração, para que os débitos sejam homologados tacitamente, o que privilegia o princípio da segurança jurídica, embora não se possa inferir que este instituto tenha o efeito de fazer nascer qualquer direito creditório1. No presente caso verificase que o pedido formalizado pendente de apreciação se converteu em declaração de sorte que foi abrangido pelo efeito temporal da homologação tácita. A pretensão da defendente, por esta razão, tem cabimento. Em assim sucedendo voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Redator para Formalização do Voto 1 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A Constituição Federal, art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA
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