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Numero do processo: 11060.900765/2013-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2012
COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. Se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito.
NÃO-CUMULATIVIDADE. ENERGIA ELÉTRICA. REVENDA. CREDITAMENTO.Os gastos com energia elétrica adquirida para revenda dão direito ao desconto de crédito de PIS e da COFINS, apurado no regime não-cumulativo, nos termos do art. 3º, I das Leis n° 10637/2002 e 10.833/2003.
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 3301-004.573
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Antonio Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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PIS/COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. Recorrente Dona Francisca Energética S/A Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2012 COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. Se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. NÃOCUMULATIVIDADE. ENERGIA ELÉTRICA. REVENDA. CREDITAMENTO.Os gastos com energia elétrica adquirida para revenda dão direito ao desconto de crédito de PIS e da COFINS, apurado no regime nãocumulativo, nos termos do art. 3º, I das Leis n° 10637/2002 e 10.833/2003. Recurso Voluntário provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Antonio Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 90 07 65 /2 01 3- 86 Fl. 326DF CARF MF Processo nº 11060.900765/201386 Acórdão n.º 3301004.573 S3C3T1 Fl. 3 2 Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santa Maria RS pela não homologação da compensação declarada, fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado, uma vez que o valor recolhido já havia sido integralmente utilizado para extinção do débito relativo ao período de apuração a que se referia, não restando crédito disponível para compensação dos valores informados na Dcomp. Inconformada com a não homologação da compensação, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade na qual alega que o crédito declarado é legítimo, decorrente de pagamento a maior, não sendo utilizado para quitação de outros débitos. Explica a interessada que, em razão de sua atividade, por estar sujeita ao regime cumulativo e não cumulativo, faz jus aos créditos previstos no artigo 3º, inciso I, da Lei nº 10.637/2002 e artigo 3º, inciso I, da Lei nº 10.833/2003, podendo, assim, descontar créditos, relativos às operações de compra e aquisição de energia revendida, do valor apurado a título de débito de PIS e de Cofins, respectivamente, escriturandoos conforme determinam as normas aplicáveis nos campos próprio do Dacon. E que, nos períodos de apuração compreendidos entre junho de 2011 e outubro de 2012, realizou apuração dos débitos das contribuições sociais sem o desconto dos créditos permitidos na legislação tributária. Entretanto, posteriormente, decidiu pelo exercício extemporâneo de seu direito, retificando a apuração do período, para o fim de apropriar os créditos no mês de competência em que deveriam ter sido apropriados; para tanto, retificou e transmitiu o Dacon correspondente, em 29 de janeiro de 2013, acompanhado da respectiva DCTF, também retificadora. Em tópico específico – Princípio da verdade material – a contribuinte argumenta que, em razão dos princípios da estrita legalidade, da verdade material e do inquisitório na investigação dos fatos tributários, a negativa de homologação de compensação deve irrestrita obediência à lei. Desta forma, entende que o Fisco tem o dever jurídico de investigação, em busca da verdade material, mesmo nas hipóteses de compensação. A contribuinte solicita, ainda, a reunião dos processos que relaciona, para que tramitem em conjunto e sejam objeto de um único julgamento ou para que as decisões proferidas, ainda que separadamente, sejam todas no mesmo sentido, em atenção ao princípio da economia e eficiência processual e ao princípio da segurança, a fim de evitar a existência de decisões conflitantes ou divergentes sobre a mesma matéria e pressupostos fáticos e jurídicos. Por fim, a contribuinte requer que, para evitar a ciência por edital, as intimações sejam encaminhadas ao endereço do escritório administrativo, que menciona. A Recorrente apontou os seguintes motivos que legitimam o recolhimento indevido do PIS/COFINS: · Suas atividades estatutárias envolvem a geração, comercialização e transmissão de energia elétrica. Para tanto, realiza operações de venda e comercialização de energia originária de seu próprio processo de geração ou adquirida de outras geradoras para revenda. Fl. 327DF CARF MF Processo nº 11060.900765/201386 Acórdão n.º 3301004.573 S3C3T1 Fl. 4 3 · Para as operações de revenda, o regime de apuração do PIS e COFINS é o não cumulativo. · Sustenta que o contrato de compra e venda de energia elétrica foi celebrado entre a Recorrente e a Gerdau em 03 de maio de 2011. · Então faz jus aos créditos do art. 3º, I da Lei n° 10.637/2002 e art. 3º, I da Lei n° 10.833/2003. · Todavia, nos períodos de apuração compreendidos entre junho de 2011 e outubro de 2002, a empresa apurou PIS e COFINS, sem o abatimento dos créditos referentes a aquisição e energia elétrica para revenda. · Em seguida, ao constatar que a existência de créditos de PIS e COFINS não apropriados, retificou sua apuração nos meses de competência (aproveitamento extemporâneo). · No presente caso, anexou a nota fiscal de aquisição de energia elétrica, sobre a qual incidiriam PIS e COFINS passíveis de creditamento. · Após a reapuração os novos e menores débitos de PIS e COFINS foram devidamente informados em DACON retificadora transmitida em 29/01/2013. Foi feita a retificação da DCTF posteriormente. A 4ª Turma da DRJ/FNS negou provimento à manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 07037.024. Em seu recurso voluntário, a Recorrente: · Em preliminar, requer a vinculação e julgamento em conjunto deste processo com outros 33 recursos voluntários contra acórdãos idênticos da DRJ de Florianópolis, uma vez que os processos decorrem dos mesmos pressupostos de fato e direito; · Reitera os fundamentos de sua impugnação; · Acosta novas provas; · Afirma que o Direito à restituição via compensação decorre do pagamento indevido, e não da declaração do crédito em DCTF; · Assevera que, por imposição do princípio da verdade material, a análise quanto à existência do crédito deve se sobrepor à declaração formal do mesmo (em DCTF) ao tempo da apresentação da DCOMP; · Ataca a decisão da DRJ, ao defender que deixou de verificar a procedência do crédito para fazer análise meramente formal quanto à existência do crédito em DCTF ao tempo da transmissão da DCOMP; · Sustenta que a prova produzida é suficiente para atestar a existência do crédito; · Por isso, requer que o próprio CARF ateste a veracidade do crédito, considerandose a suficiência da prova já apresentada; ou, alternativamente, que baixe o processo em diligência para que a DRF o faça. Em petição datada de janeiro de 2016, a empresa pugna pela aplicação do Parecer Normativo COSIT nº 02/2015. Esta turma de julgamento converteu o feito em diligência, Resolução n° 3301000.430, de 28 de junho de 2017, para que a unidade de origem analisasse a documentação apresentada pela Recorrente em sua manifestação de inconformidade e no recurso voluntário, com vistas a esclarecer a existência do crédito passível de ser utilizado na Fl. 328DF CARF MF Processo nº 11060.900765/201386 Acórdão n.º 3301004.573 S3C3T1 Fl. 5 4 compensação pretendida. Assim, foi solicitado à autoridade que: a) aferisse a procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; b) informasse se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; c) esclarecesse se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada e d) elaborasse relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados. A diligência foi realizada, cujo despacho segue acostado nos autos. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.545, de 17 de abril de 2018, proferido no julgamento do processo 11060.900738/201311, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.545): "O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Creditamento sobre a aquisição de energia elétrica para revenda Dispõem os art.3º, I das Leis n° 10637/2002 e 10.833/2003 que: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: A energia elétrica adquirida para revenda subsomese à previsão normativa de creditamento sobre “bens adquiridos para revenda”, porquanto a energia elétrica foi equiparada no sistema constitucional à mercadoria (art. 155, parágrafo 2º, X, alínea “b” e parágrafo 3º, CF/88). Diante disso, observase que há suporte legal que legitima o crédito de PIS sobre a energia elétrica adquirida para revenda. Fl. 329DF CARF MF Processo nº 11060.900765/201386 Acórdão n.º 3301004.573 S3C3T1 Fl. 6 5 Dessa forma, com razão a Recorrente ao pleitear o creditamento no regime da nãocumulatividade. Fundamentação do acórdão da DRJ Como relatado, a Recorrente apresentou DCOMP em 30/01/2013 para compensar débito de IRPJ com crédito de pagamento indevido de PIS, decorrente da aquisição de energia elétrica para revenda. A DACON foi retificada em 29/01/2013 e a DCTF retificada em 05/09/2013. A DRJ ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade o fez com fundamento único: antes da apresentação da DCOMP, a empresa deveria ter retificado regularmente a DCTF. Entendo que assiste razão à Recorrente, quando afirma que a compensação via PER/DCOMP não está vinculada à retificação de DCTF. Isso porque o indébito tributário decorre do pagamento indevido, nos termos dos art. 165 e 168 do CTN, a retificação da DCTF não “cria” o direito de crédito. Nesse sentido, o CARF já se manifestou: Acórdão n° 3403002.370, 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária: DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO (DDE). NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO (DCOMP). RETIFICAÇÃO POSTERIOR DE DADOS DA DCTF. A retificação da DCTF, para demonstrar a diferença entre valor confessado e recolhido, não é condição prévia para a transmissão da DCOMP, nem é ato que, por si mesmo, cria o direito de crédito do contribuinte. A existência do indébito depende da demonstração, por meio de provas, pelo contribuinte. Recurso provido. Ademais, o Parecer Normativo COSIT nº 02/2015, publicado no DOU de 01/09/2015, esclarece: Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Fl. 330DF CARF MF Processo nº 11060.900765/201386 Acórdão n.º 3301004.573 S3C3T1 Fl. 7 6 As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. Fl. 331DF CARF MF Processo nº 11060.900765/201386 Acórdão n.º 3301004.573 S3C3T1 Fl. 8 7 O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Assim, discordo da decisão de piso que manteve a não homologação da compensação sobre o argumento de que a DCTF retificadora deveria ter sido transmitida antes da Dcomp. Por conseguinte, se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. Ônus da prova – recolhimento indevido No presente caso, a interessada trouxe elementos fiscais e societários para comprovar o valor pleiteado: estatuto social no qual consta a atividade de comercialização de energia elétrica; cópia do contrato de fornecimento de energia elétrica, celebrado em 03/05/2011, com a destinatária da energia nas operações de revenda; cópia da nota fiscal de compra de energia; DCTF e DACON retificadoras. Ressalta a empresa que o contrato de compra e venda de energia elétrica, que revendeu energia adquirida por meio da Nota Fiscal acostada aos autos, é suficiente para comprovação do direito de crédito de PIS. Em seu recurso voluntário, objetivando comprovar que a energia elétrica adquirida foi objeto de revenda, anexou: 1 planilha demonstrativa dos volumes comprados, que equivalem exatamente aos volumes vendidos; 2 o Relatório CCEE demonstrando que o balanço de energia elétrica negociada pela recorrente apresenta volumes idênticos na posição de compradora e vendedora e 3 as notas fiscais de venda de energia elétrica com os mesmos volumes apresentados nos demonstrativos. Além disso, acosta aos autos a DACON original para demonstrar que o crédito objeto da nota fiscal referida não havia sido considerado na apuração da contribuição originalmente. As DACON e DCTF retificadoras (acostadas na manifestação de inconformidade) se voltam a comprovar que o crédito calculado sobre a Fl. 332DF CARF MF Processo nº 11060.900765/201386 Acórdão n.º 3301004.573 S3C3T1 Fl. 9 8 energia adquirida através da nota fiscal apresentada, gerou a apuração de PIS com valor inferior ao recolhimento do DARF, representando pagamento indevido. Toda a documentação da Recorrente foi analisada em diligência fiscal, tendo a autoridade despachado o seguinte: 7. A contribuinte apresentou cópia dos registros contábeis, livro razão e Diário, fls. 314/382388/428, onde consta registro da compra de energia elétrica, com creditamento de PIS, com base no art. 3º, inciso I, da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Com resumo dos lançamentos contábeis à folha 429. 8. Conforme NFE série 1, nº 189, de 21/03/2012, fl. 53, ou no portal da Nota Fiscal Eletrônica, fls. 383/387, foi adquirido energia elétrica pela Dona Francisca Energética S.A – RS da Gerdau Aços Longos S.A., CNPJ 07.358.761/005632, localizada no município de Cachoeira Alta – GO, dentro do sistema integrado de energia, valor R$ 2.684.844,00 com destaque de PIS em R$ 44.299,93. 9. Declaração de compensação com base legal no art. 170 da Lei nº 5.172, de 25.10.1966 (CTN); art. 74 da Lei nº 9.430, de 27.12.1996; art. 49 da Lei nº 10.637, de 30.12.2002; art. 17 da Lei nº 10.833, de 29.12.2003; art. 4º da Lei nº 11.051, de 29.12.2004; art. 30 da Lei nº 11.941, de 27.05.2009; IN RFB nº 1.300, de 20.11.2012; IN RFB nº 1.717, de 17.07.2017. 10. Crédito acrescido de juros equivalentes à taxa referencial SELIC Sistema Especial de Liquidação e de Custódia para títulos federais, nos termos do artigo 39, § 4º da Lei n.º 9.250, de 26.12.1995 e do artigo 73 da Lei nº 9.532, de 10.12.1997, e conforme inc. V do art. 143 da IN RFB nº 1.717, de 17.07.2017. 11. De acordo com o art. 6º da Lei nº 10.593, de 06 de dezembro de 2002; com o art. 142 da Lei nº 5.172, de 25.10.1966; Portaria RFB nº 1.453, de 29.09.2016; com a Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012 e o art. 241, inc. I do Regimento da SRFB, foi constatado que a DACON retificadora de março de 2012, está em conformidade com os registros contábeis e amparada em documentação, sendo confirmado crédito de PIS não cumulativo, código 6912, pago a maior em 25/04/2012, no valor de R$ 44.299,92 e conforme indicado pela contribuinte, o valor de R$ 42.126,22 (quarenta e dois mil, cento e vinte e seis reais com vinte e dois centavos), com o acréscimo da taxa Selic acumulada, foi lançado em planilha de cálculo SAPO junto com o débito, que foi satisfeito, fls. 430/433. A diligência confirmou o crédito pleiteado e, ao cotejar com o débito apontado, reconheceu que foi suficiente para a sua satisfação, logo deve ser homologada a compensação. Fl. 333DF CARF MF Processo nº 11060.900765/201386 Acórdão n.º 3301004.573 S3C3T1 Fl. 10 9 Conclusão Do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado tanto à COFINS quanto à Contribuição para o PIS/Pasep. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 334DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10932.720081/2012-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2006, 2007
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONDUTA FRAUDULENTA. APLICAÇÃO DO ART. 150, §4º C/C ART. 173, I, AMBOS DO CTN. DECADÊNCIA DO DIREITO DE LANÇAR. IMPOSSIBILIDADE DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO
Fica configurada a decadência quando, comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, na constituição dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a Fazenda Pública não constitui o crédito tributário no prazo previsto no art. 173, I, do CTN.
CSLL E IRPJ. LANÇAMENTO. IDENTIDADE DE MATÉRIA FÁTICA. DECISÃO MESMOS FUNDAMENTOS.
Aplicam-se ao lançamento da CSLL as mesmas razões de decidir aplicáveis ao lançamento do IRPJ, quando ambos recaírem sobre a mesma base fática.
COFINS E IRPJ. LANÇAMENTO. IDENTIDADE DE MATÉRIA FÁTICA. DECISÃO MESMOS FUNDAMENTOS.
Aplicam-se ao lançamento da Cofins as mesmas razões de decidir aplicáveis ao lançamento do IRPJ, quando ambos recaírem sobre a mesma base fática.
Numero da decisão: 1302-002.702
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2006, 2007 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONDUTA FRAUDULENTA. APLICAÇÃO DO ART. 150, §4º C/C ART. 173, I, AMBOS DO CTN. DECADÊNCIA DO DIREITO DE LANÇAR. IMPOSSIBILIDADE DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Fica configurada a decadência quando, comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, na constituição dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a Fazenda Pública não constitui o crédito tributário no prazo previsto no art. 173, I, do CTN. CSLL E IRPJ. LANÇAMENTO. IDENTIDADE DE MATÉRIA FÁTICA. DECISÃO MESMOS FUNDAMENTOS. Aplicam-se ao lançamento da CSLL as mesmas razões de decidir aplicáveis ao lançamento do IRPJ, quando ambos recaírem sobre a mesma base fática. COFINS E IRPJ. LANÇAMENTO. IDENTIDADE DE MATÉRIA FÁTICA. DECISÃO MESMOS FUNDAMENTOS. Aplicam-se ao lançamento da Cofins as mesmas razões de decidir aplicáveis ao lançamento do IRPJ, quando ambos recaírem sobre a mesma base fática.
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ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006, 2007 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONDUTA FRAUDULENTA. APLICAÇÃO DO ART. 150, §4º C/C ART. 173, I, AMBOS DO CTN. DECADÊNCIA DO DIREITO DE LANÇAR. IMPOSSIBILIDADE DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Fica configurada a decadência quando, comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, na constituição dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a Fazenda Pública não constitui o crédito tributário no prazo previsto no art. 173, I, do CTN. CSLL E IRPJ. LANÇAMENTO. IDENTIDADE DE MATÉRIA FÁTICA. DECISÃO MESMOS FUNDAMENTOS. Aplicamse ao lançamento da CSLL as mesmas razões de decidir aplicáveis ao lançamento do IRPJ, quando ambos recaírem sobre a mesma base fática. COFINS E IRPJ. LANÇAMENTO. IDENTIDADE DE MATÉRIA FÁTICA. DECISÃO MESMOS FUNDAMENTOS. Aplicamse ao lançamento da Cofins as mesmas razões de decidir aplicáveis ao lançamento do IRPJ, quando ambos recaírem sobre a mesma base fática. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto do relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 72 00 81 /2 01 2- 42 Fl. 1999DF CARF MF Processo nº 10932.720081/201242 Acórdão n.º 1302002.702 S1C3T2 Fl. 2.000 2 (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Por bem sintetizar a lide em tela, adoto o relatório da DRJCGE, a seguir transcrito: “Tratase de impugnação apresentada contra lançamento que, apurando omissão de receitas, formalizou a exigência de crédito tributário no montante de R$ 5.541.425,06, compreendendo IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, acrescidos de multa e juros, tendo por fundamento legal o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 e demais dispositivos indicados nos autos de infração de fls. 1.823 a 1.880. Foi apurado omissão de receitas caracterizada por utilização de “notas fiscais calçadas” e notas fiscais em duplicidade (fl. 1.796), além de depósitos bancários de origem não comprovada. Os fundamentos da autuação estão descritos no Termo de Verificação de Fiscal de fls. 1.790 a 1.799. Nele se afirma que o contribuinte foi excluído do Simples por exercer atividade econômica incompatível com esse regime de tributação. Depois da exclusão, embora intimado, deixou de entregar DIPJ, optando pelo lucro real ou presumido. Já para o período de julho a dezembro de 2007, a declaração indicava a apuração do IRPJ e da CSLL com base no lucro presumido. Todavia, não foram apresentados os livros caixa e diário, exigidos pela legislação em vigor. Diante disso, e com fundamento no art. 530, inciso II, letra “a”, e inciso III, do Regulamento do Imposto de Renda, a Fiscalização de ofício apurou a base de cálculo do IRPJ adotando a sistemática do lucro arbitrado. Além da pessoa jurídica Terccex Terceirização e Administração de Mão de Obra Ltda., foram incluídos no polo passivo Tonny Everthon Gross de Oliveira e Jonny Henry Gross de Oliveira, que eram antigos sócios da primeira autuada e, mesmo após se retirarem da sociedade, permaneceram no controle da empresa, já que para tanto lhes foram Fl. 2000DF CARF MF Processo nº 10932.720081/201242 Acórdão n.º 1302002.702 S1C3T2 Fl. 2.001 3 outorgados amplos poderes de administração, compreendendo inclusive a movimentação de contas bancárias. As pessoas que formalmente ingressaram na sociedade, Luiz Guilherme Cognolatto e Paulo Henrique Cognolatto, não detinham capacidade financeira para adquirir as quotas do capital da pessoa jurídica, que tinha expressiva movimentação financeira. A administração da empresa foi transferida, por mandato formalizado por instrumento público, a Tonny Everthon e Jonny Henry. Acresce ainda a circunstância de que o endereço consignado no cadastrado da Terccex não correspondia à verdade, já que a empresa jamais esteve estabelecida no local indicado. Não resignados, os autuados impugnaram o lançamento, mediante uma única petição, na qual alegaram, preliminarmente, a nulidade do ato administrativo, tendo em vista a quebra do sigilo bancário e o cruzamento de dados pertinentes à movimentação de dinheiro na respectiva conta corrente. Alegaram também decadência parcial do crédito tributário, ao argumento de que, pela aplicação do §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional – CTN, já estariam extintos por decadência os créditos cujos períodos estivessem compreendidos entre março de 2006 e junho de 2007. O lançamento, por outro lado, seria ilegítimo, face a exorbitância do crédito tributário. No mérito, pediram a exclusão dos créditos efetivados por Luminárias Daval Ltda., afirmando que o simples trânsito de valores pelas contas bancárias não respalda a pretensão formalizada no lançamento. A Fiscalização presumiu que os referidos valores fossem provenientes da prestação de serviços, com o que violou a Súmula nº 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos – TFR. Quanto à multa, arguiram o efeito confiscatório, além do que não haveria justo motivo para o agravamento da penalidade. Por fim, alegaram ilegitimidade passiva dos autuados Tonny Everthon e Jonny Henry, que já haviam se retirado da sociedade desde 26 de setembro de 2007. Assim, nos termos do art. 1.032 do Código Civil, já havia cessado definitivamente qualquer responsabilidade pelas obrigações da pessoa jurídica. Com esses fundamentos, pugnaram pela exclusão integral do crédito tributário”. Após a análise das razões de impugnação, os membros da 2ª Turma de Julgamento da DRJ/CGE deram provimento parcial a impugnação do contribuinte e responsáveis solidários "apenas para excluir a parcela do crédito atingida pela decadência, ou seja, os valores relativos ao primeiro, segundo e terceiro trimestres de Fl. 2001DF CARF MF Processo nº 10932.720081/201242 Acórdão n.º 1302002.702 S1C3T2 Fl. 2.002 4 2006 referentes ao IRPJ e à CSLL; e os créditos dos meses de janeiro a novembro de 2006 relativos ao PIS e à Cofins, sendo mantidos no polo passivo os três autuados: Terccex Terceirização e Administração de Mão de Obra Ltda., Tonny Everthon Gross de Oliveira e Jonny Henry Gross de Oliveira, que respondem de forma solidária pelo crédito tributário remanescente (vide fls. 1952/1959 dos autos)". A Turma Julgadora recorreu de ofício do crédito tributário exonerado. Vieramme os autos conclusos para julgamento. Ao compulsar os autos, este Relator observou que apenas o contribuinte TERCCEX TERCEIRIZAÇÃO E ADMINISTRAÇÃO DE MÃO DE OBRA LTDA EPP havia sido cientificado do acórdão n. 0434.043 2ª Turma da DRJ/CGE por meio da afixação de edital (vide fls. 1969), não se constatando a intimação dos responsáveis solidários TONNY EVERTHON GROSS DE OLIVEIRA e JONNY HENRY GROSS DE OLIVEIRA. Destarte, o presente processo foi encaminhado à DRF de São Bernardo do Campo/SP para que fosse promovida a ciência dos responsáveis solidários TONNY EVERTHON GROSS DE OLIVEIRA e JONNY HENRY GROSS DE OLIVEIRA acerca do acórdão n. 0434.043 2ª Turma da DRJ/CGE para eventual interposição de Recurso Voluntário. Após promovida a ciência dos responsáveis solidários, houve transcurso do prazo legal para que os solidários apresentassem Recurso Voluntário sem que estes o fizessem, retornando ao final os presentes autos conclusos a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa – Relator. Presentes os pressupostos de admissibilidade recursal, tomo conhecimento do presente Recurso Voluntário. Como relatado, tratase de Recurso de Ofício em decorrência da decisão da Turma Julgadora “a quo” que exonerou o contribuinte e responsáveis do pagamento de obrigação tributária referente a parcela do crédito atingida pela decadência, ou seja, os valores relativos ao primeiro, segundo e terceiro trimestres de 2006 referentes ao IRPJ e à CSLL; e os créditos dos meses de janeiro a novembro de 2006 relativos ao PIS e à Cofins. Pois bem. A decisão recorrida não carece de reparos. In casu, como houve a constatação do emprego fraudulento de nota fiscal calçada e notas fiscais paralelas, além da verificação da presença de interpostas pessoas e de simulação na transferência das quotas do capital do contribuinte, deve incidir a previsão constante no art. 150, §4º c/c art. 173, inciso I, ambos do CTN. Fl. 2002DF CARF MF Processo nº 10932.720081/201242 Acórdão n.º 1302002.702 S1C3T2 Fl. 2.003 5 Desse modo, os créditos tributários que já poderiam ser lançados no próprio ano de 2006, a decadência começou a fluir em 1º de janeiro de 2007, atingindo o termo final em 31 de dezembro de 2011. Como os autos de infração foram lavrados em 26 de julho de 2012 (fls. 1.832/1.833, 1.847/1.848, 1.861/1.862 e 1.874/1.875), concluise que a Fazenda decaiu do direito de lançar os créditos tributários relativos ao IRPJ e à CSLL do primeiro, segundo e terceiro trimestres de 2006. No que concerne ao PIS e à Cofins, a decadência atingiu todos os períodos de apuração anteriores a dezembro de 2006. Em relação aos demais períodos de apuração (inclusive o quarto trimestre de 2006 para o IRPJ e a CSLL e o mês de dezembro de 2006 para o PIS e a Cofins), o termo inicial da decadência foi o primeiro dia de janeiro de 2008, razão pela qual, em relação a eles, não ocorreu o referido efeito extintivo. Isso posto, NEGO provimento ao recurso de ofício. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Fl. 2003DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15521.000293/2008-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1401-000.496
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 21 .0 00 29 3/ 20 08 -8 9 Fl. 492DF CARF MF Processo nº 15521.000293/200889 Resolução nº 1401000.496 S1C4T1 Fl. 497 2 RELATÓRIO Tratase de recurso de ofício. Vejamos os termos do voto (fls. 459461): 6 A autuação decorre da situação do saldo do prejuízo fiscal após o acórdão proferido pela DRJ/RJ1 no processo 15521.000124/200504 (fls. 231/256), cujos fatos geradores se referiam ao anocalendário de 2000. No citado acórdão, reconheceuse a decadência do direito de lançar para os três primeiros trimestres de 2000 (fl. 248) e manteve parte da autuação no quarto trimestre (fls. 250/251). Consequentemente apurouse um saldo de prejuízo fiscal em 31/12/2000 no valor de R$ 12.162.218,57 (fl. 251). Entretanto, ao atualizar o sistema de controle do prejuízo fiscal e do lucro inflacionário — Sapli a relatora do acórdão só o fez para o quarto trimestre de 2000 (fl. 225). 7 Restaurando os prejuízos fiscais apurados pelo interessado na declaração de IRPJ, para os três primeiros trimestres de 2000 (fls. 439/441), obtémse o saldo de R$ 12.162.218,57, em 31/12/2000 (fl. 442), conforme indicação no citado acórdão. Daí para frente, não havendo outras alterações por parte da RFB nos valores apurados pelo interessado (fls. 443/445), percebese que há saldo disponível para as compensações dos quatro trimestres de 2004, bem como foi respeitado o limite de 30% estabelecido na legislação (fl. 446). 8 Diante do exposto, é de se dar provimento à impugnação, exonerando o interessado da exação. É o relatório. Fl. 493DF CARF MF Processo nº 15521.000293/200889 Resolução nº 1401000.496 S1C4T1 Fl. 498 3 VOTO Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator Conforme voto da DRJ, o presente feito depende da solução do processo nº 15521.000124/200504, no qual se exonerou, por decadência, o lançamento de IRPJ dos três primeiros trimestres de 2000. O recurso de ofício foi transferido para o processo nº 19404.000423/200617. Em ambos os processos (15521.000124/200504 e 19404.000423/200617), convertemos o julgamento em diligência com o fito de verificar o pagamento dos tributos do período para fins de apreciar a aplicação do art. 150, § 4º do CTN. Abaixo, segue o teor da proposta: Dessarte, voto por converter em diligência o presente julgamento para fins de a autoridade local intime o contribuinte a: 1) Comprovar, para cada um dos três primeiros trimestres de 2000, pagamentos de IRPJ e de CSLL (podem ser apresentados também comprovantes de liquidação por compensação e de retenções na fonte e até de eventuais estimativas, apesar de não estar sujeito a tal exigência por ter tributado pelo regime trimestral) realizados antes do início do procedimento fiscal do lançamento original; 2) Comprovar de pagamento de PIS e Cofins para cada um dos 11 (onze) primeiros meses de 2000 (podem ser apresentados comprovantes de liquidação por compensação e de retenções na fonte) realizados antes do início do procedimento fiscal do lançamento original; Por fim, deve a autoridade formular relatório circunstanciado dos documentos apresentados com base nos sistemas de controle da Receita Federal e dar ciência ao contribuinte desse relatório para fins de se manifestar, se quiser, num prazo de 30 dias. Desse modo, a falta de pagamentos e de demais modos extintivos (compensação, fonte e estimativas), poderá resultar em deferimento do recurso de ofício por deixarmos de aplicar o disposto no art. 150, §4º para aplicar o prazo previsto no art. 173, I do CTN. Dessarte, para não retardar o julgamento do presente feito, considero oportuno baixálo também em diligência para fins de a autoridade local refazer o SAPLI, considerando não decaídos os períodos no caso de inexistir pagamento (ou demais formas extintivas acima citadas). O resultado deve ser submetido ao contribuinte facultandolhe o direito de apresentar contestação no prazo de 30 dias. Fl. 494DF CARF MF Processo nº 15521.000293/200889 Resolução nº 1401000.496 S1C4T1 Fl. 499 4 Após, retornese o feito para prosseguirmos o julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Fl. 495DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.903089/2013-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.352
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Vinicius Guimarães (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire), Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Vinicius Guimarães (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire), Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Waldir Navarro Bezerra.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Vinicius Guimarães (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire), Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Waldir Navarro Bezerra. RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário, apresentado em razão do julgamento improcedente da manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte. Esta última, por sua vez, guerreou o Despacho Decisório Eletrônico da Delegacia da Receita Federal do Brasil, que nãohomologou a compensação declarada por entender ser inexistente o crédito utilizado nesta compensação, em decorrência de glosa de créditos considerados indevidos em procedimento fiscal. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .9 03 08 9/ 20 13 -6 4 Fl. 8742DF CARF MF Processo nº 11080.903089/201364 Resolução nº 3402001.352 S3C4T2 Fl. 8.743 2 A Fiscalização esclareceu que o mencionado procedimento fiscal, fundador de auto de infração (Processo Administrativo nº 11080.732116/201316), teve por objeto a verificação de créditos e compensações referentes a diversos pedidos de ressarcimento de créditos de lPI apresentados pela Contribuinte. Como consequência da lavratura do auto de infração, verificouse alterações nos saldos da escrita fiscal, resultando no aparecimento de saldos devedores até então inexistentes ou na redução de saldos credores apurados pelo contribuinte, o que influenciou os valores de ressarcimento pleiteados. Por bem consolidar os fatos ocorridos neste processo até o julgamento de primeira instância, colaciono os principais trechos do relatório do Acórdão recorrido, in verbis: Regularmente cientificada da homologação parcial da compensação, a empresa apresentou manifestação de inconformidade, encaminhada pelo órgão de origem como tempestiva, na qual, em síntese, fez as seguintes considerações: 1. DO AUTO DE INFRAÇÃO: O Despacho Decisório ora “impugnado” é resultado do procedimento de fiscalização instaurado para a verificação da regularidade dos créditos de IPI sobre insumos básicos apurados e informados no período compreendido entre o 4º Trimestre/2008 e o 1º Trimestre/2012 (MPF nº 10.1.01.00201300304 2), sendo parte requerida por meio de pedidos de ressarcimento e compensação e parte utilizada para escrituração em conta gráfica de IPI, sem pedido de ressarcimento. No caso, como mencionado pela Autoridade Fiscal, “a fundamentação dos créditos glosados relativamente a todas as DCOMP’s objetos do MPF acima referido, encontrase, detalhadamente, no Relatório de Ação Fiscal, anexado a estes autos. Pela semelhança dos argumentos de fato e de direito, a Manifestante requer, antes de tudo, a reunião de todos esses processos acima mencionados, para que tramitem em conjunto e sejam objetos de um único julgamento, em atenção ao princípio da economia e eficiência processuais, bem como em atenção ao princípio da segurança jurídica, a fim de se evitar a existência de decisões conflitantes ou divergentes sobre a mesma matéria e pressupostos fáticos e jurídicos. 2. PRELIMINAR DE NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO PELA FALTA DE COMPROVAÇÃO DOS FATOS ALEGADOS – NECESSIDADE DE PERÍCIA TÉCNICA: Para fundamentar as glosas realizadas, nas planilhas de análise dos créditos, as Autoridades Fiscais realizaram o agrupamento dos materiais objetos das glosas, em 04 (quatro) grupos, baseandose no entendimento de que eles não se enquadrariam no conceito de insumos (MP, MI ou ME), tendo em vista a descrição feita pela empresa durante o atendimento à fiscalização e a sua interpretação sobre os Pareceres Normativos CST nº 181/74, 260/71 e 65/79, bem como dos dispositivos dos Regulamentos de IPI de 2002 e 2010 (Decreto nº 4.544/2002 e Decreto nº 7.212/2010). Para corroborar suas conclusões, mencionaram diversas decisões administrativas do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), Soluções de Consulta, ou seja, diversas fontes documentais que corroboram o seu entendimento e que, no seu entendimento, seriam suficientes para justificar as glosas. Além disso, como dito acima, Fl. 8743DF CARF MF Processo nº 11080.903089/201364 Resolução nº 3402001.352 S3C4T2 Fl. 8.744 3 informaram ter sido realizada visita técnica ao estabelecimento da Manifestante. Ocorre que, na referida visita, as informações solicitadas e esclarecimentos feitos não foram específicos para cada um dos materiais analisados e muito menos dos materiais objetos das glosas e nem poderia ser, tendo em vista o grande número que representavam todos os materiais sobre os quais a Manifestante havia tomado créditos – no caso dos materiais glosados, mais de 15 (quinze) mil itens. Ou seja, por mais diligentes que as Autoridades Fiscais tenham sido, comparecendo ao estabelecimento da Manifestante para conhecer seu processo industrial e a possível aplicação e forma de consumo dos materiais objetos dos creditamentos, impossível a tais profissionais abordar cada um deles e deterse às especificidades da aplicação/função e forma de consumo de cada um deles, de forma a ter acuracidade total em todas as conclusões, sobretudo porque, como informado durante os procedimentos de fiscalização, a especialização dos Ilustres Fiscais não é da área de siderurgia, uma vez que possuem formação nas áreas contábil e jurídica e, por isso, s. m. j, impossível se atingir acuracidade nas conclusões acerca do enquadramento de cada um dos materiais. Por isso é que o Superior Tribunal de Justiça, em inúmeros julgados, já se manifestou sobre o assunto, esclarecendo que, em se tratando de processo que envolva a verificação da “utilização de material no processo produtivo, diante da complexidade da atividade empresarial e por imposição da efetividade da jurisdição, demanda produção de prova pericial, nos termos do art. 420, I, do CPC”. Ademais, ainda que não fosse considerada como pressuposto ou fundamento de validade do lançamento (ônus da própria Autoridade Fiscal), como dito acima, devese levar em conta que a Constituição da República assegura às partes, no processo administrativo e/ou judicial, o direito à aplicação do princípio da presunção de inocência, o qual se corrobora pela garantia do direito à ampla defesa, ao contraditório e, no caso do processo administrativo fiscal, pelo princípio do inquisitório. Por tal leitura, a classificação feita pela empresa deve prevalecer até que se prove o contrário, não podendo o Fisco partir de presunções, sem trazer aos autos prova suficiente para tal afirmação. Se o Fisco não traz aos autos a prova necessária (no caso, a prova pericial), deve prevalecer incólume o enquadramento feito pela empresa, bem como os creditamentos por ela realizados (vide excerto do acórdão de nº 14.303/01/2ª). Portanto, uma vez verificada a eventual dúvida sobre a legitimidade dos creditamentos feitos pela empresa, por todos os esclarecimentos prestados durante o atendimento à fiscalização, segundo a consagrada jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça acima mencionada/retratada, as Autoridades Fiscais só poderiam seguir os seguintes dois caminhos:(a) aplicar a dúvida em favor da empresa/contribuinte, mantendose o enquadramento por ela feito pela, na ausência de prova cabal sobre o não enquadramento dos materiais no conceito de materiais intermediários; ou (b) constituir prova pericial conclusiva/cabal/irrefutável, para que fosse esclarecida de forma técnica e objetiva a utilização e consumo dos materiais glosados. Como não foi seguido nenhum destes caminhos pelas Autoridades Fiscais, não resta outro caminho aos Eminentes Julgadores senão declarar NULO o lançamento. Caso, por remota hipótese, seja ultrapassada a preliminar de nulidade acima arguida, cumpre observar que, em síntese, as glosas realizadas e Fl. 8744DF CARF MF Processo nº 11080.903089/201364 Resolução nº 3402001.352 S3C4T2 Fl. 8.745 4 o agrupamento dos materiais feito pelas Autoridades Fiscais, como dito acima, basearamse na restritiva interpretação acerca do conceito de “insumos” e da expressão “produtos intermediários”, reduzindoo de tal forma a somente aceitar a possibilidade de crédito em relação àqueles materiais que sejam integralmente consumidos no processo de industrialização, em decorrência de um contato físico ou uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, não admitindo, ainda, em absoluta contradição a tal premissa, o crédito em relação a materiais considerados partes e peças de máquinas e equipamentos e materiais refratários, mesmo admitindo, expressamente, que, no caso de tais materiais, o consumo se dá no processo produtivo, com contato direto/físico e em razão da ação diretamente exercida pelo produto em fabricação e agentes do processo, tais como altíssimas temperaturas, peso dos insumos e das barras de aço/produto em fabricação. Em seguida passou a discorrer sobre as glosas efetuadas no procedimento fiscalizatório que decorreu o auto de infração, elencando os seguintes tópicos: · DA NÃO CUMULATIVIDADE DO IPI NA CONSTITUIÇÃO DE 1988 – DIREITO AMPLO E IRRESTRITO AO CRÉDITO DO IMPOSTO; · CONFORMAÇÃO DO CONCEITO DE MATERIAIS INTERMEDIÁRIOS E DA ADEQUAÇÃO DOS MATERIAIS OBJETOS DAS GLOSAS A ESTE CONCEITO; · MATERIAIS REFRATÁRIOS; · DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS DO ENQUADRAMENTO DOS MATERIAIS NO CONCEITO DE MATERIAIS INTERMEDIÁRIOS; · PERÍCIA. Por fim, requereu o recebimento da presente Manifestação de Inconformidade, mantendose a exigibilidade do crédito tributário suspensa até decisão final do processo: a. em preliminar, o reconhecimento e declaração de nulidade do Despacho Decisório, pelos motivos acima informados; b. no mérito, que seja reformado o Despacho Decisório e reconhecidos todos os créditos e homologa a compensação realizada; c. alternativamente, caso ainda restem dúvidas sobre a natureza e aplicação dos bens envolvidos na glosa, que seja deferida a produção da prova pericial para a comprovação de sua natureza e aplicação no processo ou atividade produtiva da Manifestante, tendo em vista os quesitos acima indicados; d. protesto por outros meios de prova em direito admitidos, como a documental e a prestação de esclarecimentos e formulação de quesitos suplementares de perícia que se fizerem necessários. Fl. 8745DF CARF MF Processo nº 11080.903089/201364 Resolução nº 3402001.352 S3C4T2 Fl. 8.746 5 Sobreveio então o Acórdão da 8ª Turma da DRJ/RPO, negando provimento à impugnação da Contribuinte, cuja ementa foi lavrada nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2011 RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR. REDUÇÃO. PROCEDIMENTO FISCAL. Tendo o saldo credor de IPI do trimestre sido reduzido em decorrência de procedimento fiscal, é este (novo) saldo que deve ser usado para a compensação dos débitos apresentados em Dcomp. Enfim, irresignada com o teor do Acórdão da DRJ, a Contribuinte recorre a este Conselho, repisando os argumentos expostos em sua impugnação ao lançamento tributário e alfim apresentando os seguintes pedidos: a) preliminarmente seja deferido o julgamento em conjunto do presente processo com os autos do processo nº 11080.732216/201316; b) em preliminar, seja reconhecida a nulidade do Auto de Infração, tendo em vista que este foi pautado em presunção em detrimento da verdade dos fatos consoante restou acima demonstrado, já que não houve pela fiscalização análise detida dos itens glosados, deixando de motivar a autuação, cerceando desta forma o direito da Recorrente à ampla defesa e ao contraditório; c) quanto ao mérito, a Recorrente requer que seja julgado improcedente o auto de infração, tendo em vista a demonstração inequívoca de que os itens glosados se consomem diretamente no processo produtivo da Recorrente, sendo portanto, insumos, os quais, são passíveis de apropriação de créditos de IPI, nos termos do que restou exaustivamente demonstrado pela Recorrente, inclusive com a juntada de laudo IPT; d) alternativamente, caso ainda restem dúvidas sobre a natureza e aplicação dos bens envolvidos na glosa, que seja deferida a produção da prova pericial para a comprovação de sua natureza e aplicação no processo ou atividade produtiva da Recorrente, tendo em vista os quesitos acima indicados; e) caso seja mantido, no todo ou em parte o lançamento, a Recorrente requer ao menos que este Egrégio Conselho determine a não incidência de juros sobre a multa, nos termos acima mencionados; f) por fim, protesta por todos os meios de prova em direito admitidos que se fizerem necessários, como a documental e a prestação de esclarecimentos e formulação de quesitos suplementares de perícia que se fizerem necessários. O julgamento do recurso voluntário foi a mim incumbido haja vista que a esta Relatora havia sido distribuído o Processo de n. 11080.732116/201316 (auto de infração de IPI, aos anoscalendário 2008, 2009, 2010, 2011 e 2012). Assim, por força da relação de conexão com nove processos decorrentes de pedidos de ressarcimento do mesmo imposto, nos Fl. 8746DF CARF MF Processo nº 11080.903089/201364 Resolução nº 3402001.352 S3C4T2 Fl. 8.747 6 trimestres dos mesmos anos, os demais processos (11080.903083/201397, 11080.903084/201331, 11080.903085/201386, 11080.903086/201321, 11080.903087/2013 75, 11080.903088/201310, 11080.903089/201364, 11080.903090/201399 e 11080.903091/201333) foram direcionados para apreciação conjunta. É o relatório. RESOLUÇÃO Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz, Relatora O recurso voluntário é tempestivo, com base no que dispõe o artigo 33 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, bem como atende as demais condições de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Entretanto, ainda não é possível o julgamento do mérito do caso. Explico. Como se depreende do relato acima, o resultado do presente processo decorre da manutenção ou não do auto de infração que apurou novo saldo credor/devedor para o período em análise. Observese que o auto de infração está sendo julgado nesta mesma sessão, dando azo à resolução para a conversão do processo em diligência, cujos termos a seguir transcritos aplicamse integralmente ao presente caso. Com relação ao cerne do presente caso, cumpre destacar qual foi o pressuposto em que se embasou o trabalho da Autoridade lançadora no Processo n. 11080.732116/201316 (auto de infração), mediante o seguinte trecho do relatório de fiscalização: Ou seja, foi o fato de determinados produtos serem qualificados como "componentes maquinários e instalações do estabelecimento" que motivou a glosa dos créditos de IPI; e não a questão do contato físico desses elementos com o produtos siderúrgicos em industrialização (fio máquina e barras laminadas). Fl. 8747DF CARF MF Processo nº 11080.903089/201364 Resolução nº 3402001.352 S3C4T2 Fl. 8.748 7 Ademais, como visto no relato acima, as glosas, foram reunidas pela Fiscalização nos seguintes grupos, "para melhor embasamento legal" (fls 8119) 1: 1 Aquisições de mercadorias não enquadradas no conceito MP, PI ou ME conforme art. 164, I e art. 226, I do RIPI/2002 e art. 226, I do RIPI/2010; 2 Aquisição de ferramentas (pareceres CST 181/74, 260/71); 3 Aquisição de Partes e Peças (pareceres CST 181/74, 260/71); 4 Aquisição de Refratários; Lembremos a legislação a respeito do assunto. O artigo 82, inciso I, do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovado pelo Decreto n°87.981, de 1982 (RIPI/82), determinava que: Art. 82. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei n°4,502, de 1964, art, 25); I do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, exceto os de ai/quota zero e os isentos, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente. Com relação ao direito ao crédito básico de IPI, regulado pelo citado artigo 82 do RIPI/82 (e suas reedições), foi bem observado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento no Acórdão 3102.001.8672: (...) Verificase que, além do material de embalagem, há duas modalidades distintas de matériaprima e o produto intermediário que geram direito ao crédito básico do IPI, a saber: a) a matériaprima e o produto intermediário que integram o novo produto fabricado; e b) a matériaprima e o produto intermediário que, embora não compondo o produto industrializado, sejam consumidos no processo de produção. Na primeira modalidade, a matériaprima e o produto intermediário são considerados insumos industriais stricto sensu, enquanto na segunda são insumos industriais em sentido lato, neste caso, 1 Os números das folhas do eprocesso referemse ao auto de infração. 2Ementa(s) Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 IPI. CRÉDITO BÁSICO. MATERIAL CONSUMIDO NO PROCESSO PRODUTIVO. FERRAMENTAS INTERMUTÁVEIS. INSUMO EM SENTIDO AMPLO. DIREITO DE CRÉDITO. CABIMENTO. 1. É considerado insumo industrial, para fins de apuração de crédito básico do IPI, o material não contabilizado do ativo permanente que, embora não integrando o novo produto, for consumido, desgastado ou alterado no processo de industrialização, em função de ação direta (contato físico) do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre aquele. 2. As “brocas, lixas, pastilhas e demais ferramentas intercambiáveis”, utilizadas no processo de produção, para efeito da legislação do IPI, enquadramse no conceito de insumos (matériasprimas e produtos intermediários em sentido amplo) e asseguram o crédito do Imposto pago na aquisição. Recurso Voluntário Provido. Fl. 8748DF CARF MF Processo nº 11080.903089/201364 Resolução nº 3402001.352 S3C4T2 Fl. 8.749 8 compreendendo quaisquer bens que, embora não se integrando ao novo produto, são consumidos no processo produtivo, salvo os contabilizados no ativo permanente. Nesse sentido e restando ressalvado o entendimento posterior a ser proferido por este Colegiado no julgamento do processo não seria possível o creditamento pelas aquisições de produtos intermediários que só indiretamente façam parte da industrialização (e.g. lubrificantes para máquinas; parafusos de máquinas, etc). De outro lado, dariam direito ao crédito as aquisições de produtos intermediários que diretamente exerçam ação sobre o produto industrializado, ou diretamente sofram ação do produto, desgastandose ou consumindose. Pois bem. Recorrente apresenta em sua defesa elementos que possibilitam justamente essa análise, uma vez que explana suas atividades (fls 8787 e seguintes), descrevendo suas quatro áreas produtivas, quais sejam: aciaria; laminações; forjaria e transformação mecânica. Igualmente apresenta laudos do Instituto de Pesquisas Tecnológicas IPT (Pareceres 6358 e 6161) a respeito do consumo dos bens nessas respectivas áreas. Finalmente, apresenta planilha (arquivo não paginável), na qual relaciona todas as informações sobre cada item que foi objeto de glosa (nº Nota Fiscal; Data de Entrada; Mês; Ano; Descrição Produto; Motivo da glosa apontada pelo Fisco; Valor do Imposto; CFOP; CNPJ Fornecedor; Código do Produto; Descrição Resumida; Aplicação/Função no processo Industrial; Contato direto com o produto; Altas temperaturas e processo agressivo; Área Industrial; Tempo de vida útil médio; Prazo de consumo; Pago/Defesa; Laudo IPT). Saliento que, conforme a Tabela comparativa apresentada pela Recorrente (de 34.877 linhas, ou seja, 34.877 itens com todas as informações citadas acima), uma enormidade das glosas aqui discutidas não estão mais compondo a lide, porque a Recorrente concordou com a autuação e efetuou os respectivos recolhimentos de IPI. De outro lado, existem na Tabela comparativa ferramentas que, embora sejam consideradas como "SIM" em relação à coluna "contato direto com o produto", a descrição desse contato ("aplicação/função no processo industrial") nada diz respeito com os produtos industrializados em questão, além de tais itens não constarem do Parecer do IPT. Como exemplo cito a TALHADEIRA REF GEDORE 352HS22 C/EMPUNH, cuja descrição é "Material intermediário utilizado para romper elementos de alvenaria e sofre desgaste no desempenho desta função." Ainda, a Recorrente coloca em diversos itens que realmente não existe o contato direto da ferramenta com o produto industrializado. Entretanto, com relação a outros itens, a Recorrente coloca que a relação entre as ferramentas e o produto final é imediata, ou seja, as ferramentas são consumidas pelo contato direto com o produto em fabricação. Tendo a Recorrente trazido aos autos vasto conjunto probatório sobre o direito que pleiteia, porém ainda não suficientemente lapidado para o deslinde da questão, não cabe ao julgador desconsiderar o direito da parte, mas sim permitir que o processo seja devidamente trabalhado, já que as premissas utilizadas pela Fiscalização e pela DRJ são divergentes das aqui adotadas. Daí sim será possível, com precisão, julgar ser ou não devida a exação cobrada por meio do presente auto de infração. Fl. 8749DF CARF MF Processo nº 11080.903089/201364 Resolução nº 3402001.352 S3C4T2 Fl. 8.750 9 Dessarte, havendo indícios contundentes sobre o direito da Recorrente, entendo que o julgamento deste processo deve ser convertido em diligência, com base no artigo 18 do Decreto 70.235/72, para a repartição fiscal de origem, a fim de que: i) intime a Recorrente para apresentar, com base nos elementos constantes nesses autos, bem como de eventuais novas informações, um laudo técnico conclusivo que possibilite identificar cada parte, peça ou ferramenta que se consome em contato direto com o produto industrializado (e não com o ambiente agressivo da indústria), para fins de uma análise jurídica deste Colegiado quanto ao respectivo crédito básico do IPI; ii) o referido laudo (tópico i) deverá ser elaborado acompanhado de uma planilha que segregue todos os produtos intermediários em sentido lato, ou seja que, embora não integrando o novo produto, forem consumidos, desgastados ou alterados no processo de industrialização, em função de ação direta (contato físico) do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre aquele; iii) a referida planilha (tópico ii) deverá ser elaborada de acordo com os quatro grupos de glosas perpetrados pela fiscalização (1 Aquisições de mercadorias não enquadradas no conceito MP, PI ou ME; 2 Aquisição de ferramentas; 3 Aquisição de Partes e Peças;4 Aquisição de Refratários); iv) apresentado o laudo com a respectiva planilha, conforme os termos acima (tópicos i a iii), a própria Fiscalização elabore parecer conclusivo acerca do seu conteúdo à luz das considerações trazidas nessa Resolução sobre os produtos intermediários em sentido lato, bem trazendo eventuais outras informações que entender relevantes para o deslinde do julgamento; v) ato contínuo, dê ciência desse parecer à Procuradoria da Fazenda Nacional e à Recorrente, abrindolhes o prazo regulamentar para manifestação, e; vi) finalmente, devolva o processo para esta 3ª TO/4ª C/2ª T/CARF, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 8750DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.901091/2014-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 1402-003.053
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do Acórdão a quo e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão recorrida, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do Acórdão a quo e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão recorrida, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 10 91 /2 01 4- 10 Fl. 46DF CARF MF Processo nº 13888.901091/201410 Acórdão n.º 1402003.053 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório A origem do litígio aqui presente remonta ao Despacho Decisório exarado em relação ao pedido original da contribuinte expresso em PER/DCOMP apresentado perante a Autoridade Tributária de sua jurisdição e no qual buscou ver reconhecido seu direito creditório e consequente compensação com débitos de sua responsabilidade. O requerido foi indeferido sob entendimento do DD de que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Irresignada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade que, apreciada em 1ª Instância pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. nos autos), foi julgada improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Discordando do r. decisum, a contribuinte interpôs recurso voluntário tempestivo no qual reafirma a correção de seu procedimento e requer a reforma da decisão de 1º Piso de forma a reconhecer o direito creditório buscado e homologar a compensação requerida, aduzindo, em síntese, os seguintes argumentos: PRELIMINARMENTE 1. que, “a r. decisão primitiva sequer detalhou ou especificou por quais razões o contribuinte ora recorrente não possuiria o crédito que alega possuir, eis que haviam vários outros elementos que poderiam, e deveriam, ser analisados, e se os fossem, certamente permitiriam inferirse de modo diverso, análise esta que era condição sine qua non para alicerçar as razões de decidir do despacho decisório”; 2. que, “em outras palavras, foi dificultado ao recorrente repelir, amplamente, a decisão do julgador de primeiro grau, o que é direito constitucionalmente assegurado. A falta destes elementos concretos, fundamentos embasados na legislação, e de dados que pudessem permitir ao contribuinte contra razoar o r. despacho rescisório implicam na anulação do mesmo, pois ao não garantir o amplo direito de defesa à recorrente, o r. despacho decisório avilta também, conseqüentemente, o princípio do devido processo legal”; 3. que, “na falta de elementos que confiram ao contribuinte chance de defenderse amplamente da r. decisão do órgão fiscal originário, o presente processo administrativo não terá seu deslinde normal, razão pela contrariouse o consagrado devido processo legal”; 4. que, “ante à ausência de fundamentos legais imprescindíveis, desde o momento em que foi exarado o r. despacho decisório o curso deste processo administrativo foi atingido por uma nulidade, o que somente poderá ser sanada Fl. 47DF CARF MF Processo nº 13888.901091/201410 Acórdão n.º 1402003.053 S1C4T2 Fl. 4 3 através da integral anulação do processo administrativo desde o início, inclusive do V. Acórdão recorrido que manteve o despacho decisório”; 5. que, “requerse que estes Ínclitos Julgadores em sede prelibatória anulem este processo administrativo desde o r. despacho decisório de origem, determinando o retorno dos autos à origem para que seja preferida decisão compatível com os princípios que norteiam os processos administrativos”. NO MÉRITO Depois de fazer breve histórico da COFINS e do PIS, aponta para decisão prolatada pelo STF acerca da inclusão do ICMS na base de cálculo naquelas contribuições. Literalmente: “Recentemente a matéria foi definitivamente arraigada pelo C. Supremo Tribunal Federal quando do julgamento do Recurso Extraordinário nº 240.7852 MG, onde o contribuinte se consagrou vencedor e foi definitivamente julgada a questão no sentido de que se deve excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e COFINS. Oportuno ressaltar os ensinamentos do Min. Marco Aurélio que nos autos do aludido julgamento cravou: (...) Assim, somente se pode concluir que o valor do ICMS não pode ser incluído na base de cálculo da COFINS e do PIS, por não ser incluído no conceito de "faturamento", mas mero "ingresso" na escrituração contábil das empresas, razão pela qual por todas as razões aqui expendidas, bem assim pelo quanto retro sustentado, é que se faz de solar clareza a necessidade de reformar a r. decisão guerreada e homologar as compensações levadas a termo através das PERDCOMPs cotejadas. Reiterese, porque se cuida de decisão recente e nova no mundo tributário, posto que o Supremo Tribunal Federal decidiu definitivamente que o ICMS não entra na base de cálculo da Cofins e do PIS (Recurso Extraordinário nº 240.7852 MG), de modo que a inclusão do ICMS na base de cálculo das Contribuições ao PIS e à Cofins é ilegítima e inconstitucional, pois fere o princípio da estrita legalidade previsto no artigo 150, I da CF/88 e 97 do CTN, o artigo 195, I, “b” da CF/88 e o art. 110 do CTN, porque receita e faturamento são conceitos de direito privado que não podem ser alterados, pois a Constituição Federal os utilizou expressamente para definir competência tributária, pelo que resta evidente o crédito da Recorrente e se requer a reforma do V. Acórdão neste particular para que sejam definitivamente homologadas as compensações levadas a termo pelo contribuinte recorrente”. DO DIREITO DO CONTRIBUINTE À COMPENSAÇÃO Prossegue argumentando ter direito à compensação em face da exclusão do ICMS das bases de cálculo do PIS e da COFINS e que, por este motivo, “caberia à Autoridade recorrida verificar o crédito do Recorrente, para aferir pela sua procedência ou não, sendo certo que se assim o fizesse a autoridade administrativa singular, certamente homologaria a compensação em Fl. 48DF CARF MF Processo nº 13888.901091/201410 Acórdão n.º 1402003.053 S1C4T2 Fl. 5 4 apreço, sendo que de tudo quanto exposto, somente se pode inferir que o V. Acórdão em questão deve mesmo ser reformado, o que se requer adiante”. DO PEDIDO E conclui requerendo “o regular processamento, ulterior apreciação, concessão de efeito suspensivo e PROVIMENTO TOTAL ao presente RECURSO VOLUNTÁRIO, para o fim de reformar o V. Acórdão exarado pela instância a quo, para que, preliminarmente, seja reformado o V. Acórdão recorrido para que seja anulado o vertente processo administrativo, nos moldes da fundamentação supra, tendo em vista a ofensa ao princípio do contraditório e do devido processo legal, e para que, no seu mérito, seja reformado o V. Acórdão recorrido para que sejam homologadas as almejadas compensações e finalmente reconhecido o crédito da Recorrente”. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.018, de 11/04/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13888.901078/2014 61, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.018): "O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço. Afasto, de plano, a preliminar de nulidade do acórdão a quo, tendo em vista não presentes quaisquer fatos que pudessem levar a esta decisão. De fato, o que se observa é a irresignação da recorrente em razão da decisão de 1º Piso lhe ter sido desfavorável e não porque tenha o aresto qualquer ponto ou item que afronte a legislação ou atos processuais e possa levar à sua anulação. Digase, o acórdão foi prolatado em estrita obediência às normas legais e regimentais, foram apreciadas todas as provas e Fl. 49DF CARF MF Processo nº 13888.901091/201410 Acórdão n.º 1402003.053 S1C4T2 Fl. 6 5 documentos acostados aos autos e analisada a manifestação da contribuinte. Se o decidido lhe foi desfavorável não significa nulidade. Só entendimento da Turma Julgadora. Preliminar rejeitada. Passo ao mérito. Sabidamente, o ônus da prova cabe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito (Código do Processo Civil – CPC/1973, art. 333, I; atual CPC, artigo 373, I). No caso de pedidos de ressarcimento ou restituição, o interessado deve trazer provas de que possui direito líquido e certo contra a Fazenda Pública e assim deve ser repetido tributariamente para recompor o patrimônio subtraído por pagamento de um tributo de forma indevida. Não o fazendo, suas alegações ficam meramente neste terreno e seu direito se perde. Em outro dizer, a existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). Pelo princípio da Indisponibilidade do Interesse Público e pela vinculação da função pública, é inadmissível que a RFB aceite a extinção do tributo por compensação com crédito que não seja comprovadamente certo nem possa ser quantificado. Concretamente, se o DARF indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta. No caso, o DARF foi utilizado para pagamento do tributo confessado na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), informação da lavra da própria contribuinte. É certo que este quadro pode ser alterado. Mas isso exige prova concreta por parte da contribuinte, afinal é ela a autora e para modificar o ato administrativo cabelhe demonstrar onde está o erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Não o fazendo – como não o fez , o indeferimento permanece. Acresçase que, concretamente, a contribuinte não acostou um documento sequer, nem escrituração contábil ou fiscal que possa mostrar o direito que alega ter. Sua linha de argumento limitase em afirmar que a Suprema Corte (em decisão ainda sem efeito erga omnes) teria decidido pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições sociais (PIS e COFINS), sem sequer quantificar o reflexo disso em seus demonstrativos contábeis. Fl. 50DF CARF MF Processo nº 13888.901091/201410 Acórdão n.º 1402003.053 S1C4T2 Fl. 7 6 Ou seja, meras alegações sem que tenham vindo aos autos quaisquer provas, cálculos ou decisão que lhe aproveitasse. Sabidamente, a base de cálculo das Contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS é o faturamento. E que só pode ser mudado por via legislativa ou decisão judicial, esta que aproveite individualmente a recorrente ou que seja prolatada com efeito erga omnes. Não há, no caso, nem um nem outro. Desse modo, especificamente quanto ao Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS, somente podem ser excluídos da receita (base de cálculo do PIS e da COFINS) o ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário, no regime cumulativo, e a receita decorrente da transferência onerosa a outros contribuintes do ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação em ambos os regimes. Admitir qualquer outra exclusão equivaleria a afastar a aplicação da lei, o que é vedado na esfera administrativa. Portanto, essa discussão é estéril em sede de julgamento administrativo. Finalmente, como bem observado pela decisão de 1º Piso, a recorrente transmitiu inúmeras declarações de compensação informando como crédito passível de compensação um único DARF e nos pedidos de compensação formalizados pela recorrente, os débitos que intenta compensar ultrapassam – e muito o valor desse suposto crédito. Por fim, não se olvide, só se permite compensação com a utilização de créditos dotados de liquidez e certeza (art. 170, do CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) E valores incomprovados não possuem estes requisitos. A jurisprudência administrativa é pacífica em torno do tema: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o Fl. 51DF CARF MF Processo nº 13888.901091/201410 Acórdão n.º 1402003.053 S1C4T2 Fl. 8 7 pagamento indevido ou maior que o devido. (Acórdão nº 10323579, sessão de 18/09/2008) Por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo a decisão recorrida.' Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, rejeito a preliminar de nulidade do Acórdão a quo e, no mérito, nego provimento ao recurso voluntário mantendo a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 52DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13054.720188/2013-55
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2013
SIMPLES NACIONAL. INDEFERIMENTO DE OPÇÃO. EXISTÊNCIA DE DÉBITO COM EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA. MANUTENÇÃO DO INDEFERIMENTO.
Face à existência de débitos não suspensos perante a Fazenda Nacional na data limite para a opção e demonstrado que a recorrente não solucionou ou mesmo adotou qualquer providência, tempestivamente, de forma a regularizar pendência que a impediu de ingressar no Simples Nacional, é correto indeferimento do pedido de inclusão do contribuinte nesse regime.
Numero da decisão: 1001-000.546
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a proposta de diligência suscitada pelo conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues (relator), vencido também o conselheiro José Roberto Adelino da Silva, que votou pela diligência. Acordam, ainda, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues (relator), que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Edgar Bragança Bazhuni.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues De Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Eduardo Morgado Rodrigues - Relator.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues (Relator, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: 06094153952 - CPF não encontrado.
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2013 SIMPLES NACIONAL. INDEFERIMENTO DE OPÇÃO. EXISTÊNCIA DE DÉBITO COM EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA. MANUTENÇÃO DO INDEFERIMENTO. Face à existência de débitos não suspensos perante a Fazenda Nacional na data limite para a opção e demonstrado que a recorrente não solucionou ou mesmo adotou qualquer providência, tempestivamente, de forma a regularizar pendência que a impediu de ingressar no Simples Nacional, é correto indeferimento do pedido de inclusão do contribuinte nesse regime.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a proposta de diligência suscitada pelo conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues (relator), vencido também o conselheiro José Roberto Adelino da Silva, que votou pela diligência. Acordam, ainda, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues (relator), que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Edgar Bragança Bazhuni. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues De Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues - Relator. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues (Relator, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
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INDEFERIMENTO DE OPÇÃO. EXISTÊNCIA DE DÉBITO COM EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA. MANUTENÇÃO DO INDEFERIMENTO. Face à existência de débitos não suspensos perante a Fazenda Nacional na data limite para a opção e demonstrado que a recorrente não solucionou ou mesmo adotou qualquer providência, tempestivamente, de forma a regularizar pendência que a impediu de ingressar no Simples Nacional, é correto indeferimento do pedido de inclusão do contribuinte nesse regime. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a proposta de diligência suscitada pelo conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues (relator), vencido também o conselheiro José Roberto Adelino da Silva, que votou pela diligência. Acordam, ainda, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues (relator), que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Edgar Bragança Bazhuni. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues De Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 4. 72 01 88 /2 01 3- 55 Fl. 41DF CARF MF Processo nº 13054.720188/201355 Acórdão n.º 1001000.546 S1C0T1 Fl. 42 2 Edgar Bragança Bazhuni Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues (Relator, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 30 a 37) interposto contra o Acórdão nº 0128.202, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA (fls. 21 a 24), que, por unanimidade, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2013 INDEFERIMENTO DE OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL. PENDÊNCIAS NÃO SOLUCIONADAS. Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo. Constatado que o solicitante incide em hipótese de vedação ao enquadramento, tornase incabível seu pedido de inclusão. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: "Tratase de manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte acima identificado, contra o Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, da DRF/NOVO HAMBURGO RS, de 23/01/2013, nº de registro 00.05.50.71.32, fl. 06, que impediu sua adesão ao Simples Nacional, com data de registro em 15/02/2013, sendo a empresa considerada intimada quinze dias contados desta data (Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, arts. 5° , 15, 17 e 23, §2°, III, "b"). Em 08/03/2013, inconformada, a empresa apresentou manifestação de inconformidade (fls. 02), alegando, em síntese, o que segue: 1) O indeferimento decorreu do débito nº 401655008, que no sistema da Receita Federal do Brasil consta em aberto. Tal informação é improcedente. O que ocorreu foi um erro de digitação na hora da impressão das parcelas de competência Fl. 42DF CARF MF Processo nº 13054.720188/201355 Acórdão n.º 1001000.546 S1C0T1 Fl. 43 3 11/2012 e 12/2012, do débito citado. Existem duas GPS com a competência 11/2012, uma paga em 30/11/2011, a qual está correta e outra com o pagamento efetuado em 28/12/2012, que está errada; 2) Assim será feita uma retificação da GPS paga em 28/12/2012, com competência11/2012 para a competência 12/2012, a qual é devida; 3) Em vista disso, não deverá haver débito algum em aberto; 4) Com a retificação da informação, ficará corrigida a competência da GPS, deixando de haver qualquer débito a ser discutido, anulando o indeferimento; 5) Conforme a Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso V, a empresa não possui débitos ou discordâncias para o enquadramento; 6) Para comprovar anexou os documentos de fls. 09/14, incluindo a GPS do débito nº 401655008, que será retificada. Em vista disso, solicita que seja incluído no Simples Nacional." Inconformada com a decisão de primeiro grau, que julgou improcedente a sua manifestação de inconformidade, a ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário esclarecendo que já procedeu à retificação da GPS do débito em tela e, portanto, estaria em dia com suas obrigações na data oportuna. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues, Relator O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Da análise dos documentos constantes dos autos e demais esclarecimentos e considerações feitas pelo tanto pelo próprio interessado quanto pela fiscalização, extraise que o contribuinte tinha pendência débito previdenciário nº 401655008, referente à competência 12/2012, situação que obstava o deferimento de sua opção pelo Simples. Explicou a Recorrente que tal débito fora pago, porém, devido a erro de digitação da GPS o pagamento da competência 12/2012 fora consignado como pagamento da competência 11/2012. Ainda, por ocasião do Recurso Voluntário em tela, a Recorrente colacionou as guias de recolhimento em questão, bem como o Requerimento de Retificação RETGPS, conforme fls. 3132. Desta forma, caso as informações fornecidas pelo contribuinte sejam verdadeiras, e a retificação da GPS demonstre que o débito em questão havia sido Fl. 43DF CARF MF Processo nº 13054.720188/201355 Acórdão n.º 1001000.546 S1C0T1 Fl. 44 4 completamente quitado no prazo devido, há que se dar razão ao pleito da Contribuinte no presente feito. Quer isto dizer que se faz imprescindível para o bom deslinde do presente caso apurarse os fatos narrados. Desta forma, pelo exposto, VOTO por CONVERTER o presente julgamento em diligência para que a autoridade fiscal competente analise os recolhimento demonstrado nas fls. 31, bem como a correição da retificação requerida nas fls. 32 e elabore relatório circunstanciado esclarecendo: (i) se a retificação da GPS nos termos requeridos foi processada regularmente e (ii) se, em caso positivo, o recolhimento foi suficiente para dar por quitado o débito previdenciário de n° 401655008. Após, a Recorrente deve ser cientificada, com reabertura de prazo de 30 dias para complementar as suas razões do recurso. É como voto. Uma vez vencido na proposta de diligência, elaborada com fim primário de resguardar os interesses do fisco, entendo que as demonstrações prestadas pela Contribuinte são suficientes para demonstrar seu direito, portanto, VOTO por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Voto Vencedor Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Redator Designado. Conforme bem relatado pelo muito digno Relator, gira a lide sobre o indeferimento do pedido de inclusão no Simples Nacional, em virtude de débito previdenciário nº 401655008, referente à competência 12/2012, que não se encontrava suspenso na data limite para a opção para o Simples Nacional. A base legal do indeferimento foi o art. 17, inciso V, da Lei Complementar 123/2006, verbis: Das Vedações ao Ingresso no Simples Nacional Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; (grifo não consta do original) Nesse particular, mediante o art 6º, §§1º e 2º, da Resolução CGSN nº 94/2011, o Comitê Gestor de Tributação das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (CGSN), assim dispôs sobre a forma de ingresso no regime especial: Fl. 44DF CARF MF Processo nº 13054.720188/201355 Acórdão n.º 1001000.546 S1C0T1 Fl. 45 5 DA OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL Art. 6º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio do Portal do Simples Nacional na internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 5º. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, § 2º) § 2º Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; (grifos não pertencem ao original) Na manifestação de inconformidade, apresentada em 08/03/2013, a manifestante alega que houve um erro de digitação da GPS, cujo pagamento da competência 12/2012 fora consignado como pagamento da competência 11/2012 e que “SERÁ assim então feita uma retificação da GPS paga em 28/12/2012 competência 11/2012 para a competência 12/2012...” Como se observa, a recorrente afirma, quando da apresentação da Manifestação, em 08/03/2013, que não regularizou a pendência antes do prazo limite para inclusão no Simples Nacional no ano de 2013 e que ainda pretendia regularizar. Pelo exposto, face à existência de débitos não suspensos perante a Fazenda Nacional na data limite para a opção e demonstrado que a recorrente não solucionou ou mesmo adotou qualquer providência, tempestivamente, de forma a regularizar pendência que a impediu de ingressar no Simples Nacional, conforme previsto na legislação acima transcrita, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 45DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.913640/2009-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DIREITO CREDITÓRIO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. CRÉDITO DEFERIDO EM PARTE.
O contribuinte que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo e/ou contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por esse Órgão.
No processo de compensação tributária, o contribuinte é autor do pedido de aproveitamento de crédito contra a Fazenda Nacional, na declaração de compensação informada.
À luz do artigo 373, I, do CPC (Lei nº 13.105, de 2015), de aplicação subsidiária no processo administrativo tributário federal, compete ao autor do pedido de crédito o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito de crédito alegado, mediante apresentação de elementos de prova hábeis e idôneos da existência do crédito contra a Fazenda Nacional para que seja aferida a liquidez e certeza, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional.
A compensação tributária apresentada, informada à Receita Federal do Brasil extingue o débito tributário na data da transmissão da DCOMP, sob condição resolutória, pois dependente de ulterior verificação para efeito de homologação ou não, no prazo legal de até cinco anos.
Os requisitos de certeza e liquidez do crédito utilizado na DCOMP devem estar preenchidos ou atendidos, por conseguinte, na data de transmissão da declaração de compensação.
Numero da decisão: 1301-002.865
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório de R$ 56.046,17, homologar as compensações declaradas até esse limite de crédito. Ausente momentânea e justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Participou do julgamento o Conselheiro Suplente Leonam Rocha de Medeiros.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Junior, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Nelso Kichel, Milene de Araújo Macedo, José Eduardo Dornelas Souza e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DIREITO CREDITÓRIO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. CRÉDITO DEFERIDO EM PARTE. O contribuinte que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo e/ou contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por esse Órgão. No processo de compensação tributária, o contribuinte é autor do pedido de aproveitamento de crédito contra a Fazenda Nacional, na declaração de compensação informada. À luz do artigo 373, I, do CPC (Lei nº 13.105, de 2015), de aplicação subsidiária no processo administrativo tributário federal, compete ao autor do pedido de crédito o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito de crédito alegado, mediante apresentação de elementos de prova hábeis e idôneos da existência do crédito contra a Fazenda Nacional para que seja aferida a liquidez e certeza, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional. A compensação tributária apresentada, informada à Receita Federal do Brasil extingue o débito tributário na data da transmissão da DCOMP, sob condição resolutória, pois dependente de ulterior verificação para efeito de homologação ou não, no prazo legal de até cinco anos. Os requisitos de certeza e liquidez do crédito utilizado na DCOMP devem estar preenchidos ou atendidos, por conseguinte, na data de transmissão da declaração de compensação.
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DIREITO CREDITÓRIO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. CRÉDITO DEFERIDO EM PARTE. O contribuinte que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo e/ou contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por esse Órgão. No processo de compensação tributária, o contribuinte é autor do pedido de aproveitamento de crédito contra a Fazenda Nacional, na declaração de compensação informada. À luz do artigo 373, I, do CPC (Lei nº 13.105, de 2015), de aplicação subsidiária no processo administrativo tributário federal, compete ao autor do pedido de crédito o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito de crédito alegado, mediante apresentação de elementos de prova hábeis e idôneos da existência do crédito contra a Fazenda Nacional para que seja aferida a liquidez e certeza, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional. A compensação tributária apresentada, informada à Receita Federal do Brasil extingue o débito tributário na data da transmissão da DCOMP, sob condição resolutória, pois dependente de ulterior verificação para efeito de homologação ou não, no prazo legal de até cinco anos. Os requisitos de certeza e liquidez do crédito utilizado na DCOMP devem estar preenchidos ou atendidos, por conseguinte, na data de transmissão da declaração de compensação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 91 36 40 /2 00 9- 99 Fl. 342DF CARF MF Processo nº 10166.913640/200999 Acórdão n.º 1301002.865 S1C3T1 Fl. 343 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório de R$ 56.046,17, homologar as compensações declaradas até esse limite de crédito. Ausente momentânea e justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Participou do julgamento o Conselheiro Suplente Leonam Rocha de Medeiros. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Junior, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Nelso Kichel, Milene de Araújo Macedo, José Eduardo Dornelas Souza e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Fl. 343DF CARF MF Processo nº 10166.913640/200999 Acórdão n.º 1301002.865 S1C3T1 Fl. 344 3 Cuidam os autos do Recurso Voluntário (efls. 83/94) contra decisão da 4ª Turma da DRJ/Brasília (efls. 74/79) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Quanto aos fatos: consta dos autos que a contribuinte transmitiu eletronicamente, em 20/11/2008, à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Brasília, Declaração de Compensação – DCOMP nº 9802.58428.201108.1.3.049071, mediante programa gerador PER/ DCOMP, informando compensação tributária (efls. 17/22 e115/120): a) débito confessado: Cofins, código de receita 2172, valor R$ 63.949,65, PA outubro 2008, vencimento 20/11/2008; b) crédito utilizado: IRPJ. Aproveitamento do direito creditório do IRPJ de R$ 63.316,49 (valor original), relativo a pretenso pagamento indevido ou maior do IRPJ PA 3º trimestre/2008 (30/09/2008), pagamento DARF R$ 329.131,67, Comprovante de Arrecadação (efls. 26, 45 e 127), código de receita 0220 – IRPJ PJ OBRIGADAS AO LUCRO REAL ENTIDADES NÃO FINANCEIRAS BALANÇO TRIMESTRAL, data do recolhimento/arrecadação: 31/10/2008. Crédito original informado na data de transmissão da DCOMP: R$ 63.316,49. Em 23/10/2009, a DRF/Brasília expediu Despacho Decisório eletrônico (efl. 13), indeferindo o crédito pleiteado, não homologando a declaração de compensação informada pela contribuinte, nos seguintes termos: (...) 3 FUNDAMENTACÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na de transmissão informado no PER/DCOMP: 63.316,49. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. (...). Fl. 344DF CARF MF Processo nº 10166.913640/200999 Acórdão n.º 1301002.865 S1C3T1 Fl. 345 4 Ciente dessa decisão em 06/11/2009, por via postal (efls. 15, 64 e 67), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 19/11/2009 (efls. 02/07), juntando ainda documentos (efls. 08/63), cujas razões, em resumo, são as seguintes: que o débito do IRPJ do 3º trimestre/2008 foi de R$ 265.815,18; porém, houve pagamento/recolhimento do valor de R$ 329.131,67, conforme Comprovante de Arrecadação de 31/10/2008, código de receita 0220 (efl. 25); que houve, destarte, pagamento a maior de R$ 63.316,49 (valor original), quanto ao citado PA trimestral; que esse crédito foi utilizado na DCOMP objeto dos autos para compensação do débito da Cofins do PA outubro/2008; que o direito de compensação está salvaguardado na legislação de regência; que na DCTF do PA 3º trimestre/2008, por erro ou equívoco, foi confessado débito do IRPJ de R$ 329.131,67, conforme cópia da DCTF (efls. 31/32); que, tendo tomado ciência do despacho decisório que denegou o direito creditório em 23/10/2009 (efl. 13), ficou impedida de apresentar DCTF retificadora para ajustar o débito do IRPJ do 3º trimestre/2008; que os erros contidos na declaração podem ser corrigidos/retificados de ofício (CTN no art. 147, §2º); que o equívoco no preenchimento da DCTF não gerou prejuízo ao Erário; que se trata de mero erro material; que juntou planilha e balancete do PA 3º trimestre/2008 (efls 24 e 27/29); que transcreveu precedentes deste CARF pela possibilidade de correção de ofício do erro material no preenchimento de declaração, in verbis: ERRO MATERIAL. Ocorre erro material suscetível de retificação quando há divergência facilmente perceptível entre o que foi escrito e aquilo que se queria ter escrito, normalmente revelada no próprio contexto da declaração ou através das circunstâncias em que a declaração é feita. (...). (Acórdão nº 103.23167, 3ª Câmara do 1º CC, sessão de 09/08/2007, Relator Carlos Guidoni Filho). Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício. 2000 Ementa: ERRO MATERIAL — RETIFICAÇÃO DE PEDIDO DE COMPENSAÇÃO — o erro material apto a justificar retificação somente se caracteriza quando, em razão das específicas circunstâncias do caso concreto, fica Fl. 345DF CARF MF Processo nº 10166.913640/200999 Acórdão n.º 1301002.865 S1C3T1 Fl. 346 5 caracterizado que o interessado preencheu o documento em desconformidade com a sua intenção original. (...) (Acórdão nº 10323558, 3ª Câmara do 1º CC, sessão de 15/08/2008, Relator Guilherme Adolfo dos Santos Mendes). A DRJ/Brasília (4ªTurma) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, mantendo a denegação do direito creditório reclamado, conforme Acórdão, de 27/10/2011 (efls. 74/79), cuja ementa transcrevo a seguir, in verbis: (...) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 APRESENTAÇÃO DE PLANILHAS E BALANCETES. PROVAS INSUFICIENTES PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil/fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de planilhas e balancetes, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Ciente desse decisum em 24/04/2012 por via postal, Aviso de Recebimento AR (efl. 82), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 23/05/2012 (efls. 83/113), juntando ainda documentos (efls. 114/252), aduzindo em suas razões, em síntese: Fl. 346DF CARF MF Processo nº 10166.913640/200999 Acórdão n.º 1301002.865 S1C3T1 Fl. 347 6 que a decisão recorrida não reconheceu o crédito pleiteado por não ter sido apresentada, nos autos, a escrituração contábil/fiscal; que o direito creditório, quando da apresentação da manifestação de inconformidade na DRJ, estava assim resumido esquematicamente: DCTF SETEMBRO DE 2008 VALOR RECOLHIDO COM DARF (a) VALOR DEVIDO (b) DCTF original (c) DCTF APÓS 1a RETIFICAÇÃO (d) SALDO A COMPENSAR (ab) R$ 329.131,67 R$ 265.815,18 R$ 329.131,67 R$ 265.815,18 R$ 63.316,49 Obs: Na DCTF primitiva, a confissão de débito do IRPJ – 3º trimestre/2008 (setembro2008) o valor foi de R$ 329.131,67, transmitida em 23/12/2008 (efl. 202/204). que, entretanto, o débito do imposto do 3º trimestre/2008, também, não seria R$ 265.815,18; que na época da apresentação da citada manifestação de inconformidade, ainda não estavam identificadas todas as retenções na fonte sofridas, o que levou a contribuinte a considerar valor devido/a pagar do IRPJ do 3º trimestre/2008 o montante de R$ 265.815,18; que, por último, por ocasião da apresentação do Recurso Voluntário, todas as retenções de imposto na fonte já estavam identificadas quanto ao anocalendário 2008 – 3º trimestre, e informadas na DIPJ 2009, anocalendário 2008 (retificadoras), Ficha 12A, de 29/01/2010 (1ª retificadora) e 14/04/2011 (2ª retificadora) (efls. 211/222), com apuração de saldo negativo do IRPJ do 3º trimestre/2008 no valor de (R$ 52.918,14). De modo que o recolhimento efetuado pelo DARF de R$ 329.131,67 (valor original) seria totalmente indevido. Resumo da Ficha 12A da última retificadora da DIPJ 2009, anocalendário 2008, data de transmissão 14/04/2011: Valores em R$ Ficha 12A Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real PJ em Geral Discriminação 3° Trimestre Valor IMPOSTO SOBRE O LUCRO REAL 01.A Alíquota de 15% 167.099,50 02.Adicional 105.399,67 DEDUÇÕES 04.()Programa de Alimentação do Trabalhador 6.683,98 14()lmp. de Renda Ret. na Fonte 285.491,39 15.()IR Retido na Fonte por Órgãos, Aut. e Fund. Fed. (Lei n.° 9.430/1996) 16.()IR Retido na Fonte p/Demais Ent. da Adm. Púb. Fed. (Lei n° 10.833/2003) 33.241,94 20.IMPOSTO DE RENDA A PAGAR 52.918,14 que ainda transmitiu DCTF retificadoras, em 27/01/2010, reduzindo o débito do IRPJ do 3º trimestre/2008 (setembro) de R$ 329.131,57 para R$ 265.815,18 (efls. 205/207) e, finalmente, em 14/04/2011, reduzindo para R$ 0,00 (efls. 208/209); Fl. 347DF CARF MF Processo nº 10166.913640/200999 Acórdão n.º 1301002.865 S1C3T1 Fl. 348 7 que há necessidade de revisão da decisão recorrida, e juntou com as razões do recurso, cópia da escrituração contábil/fiscal do 3º trimestre/2008; que o processo administrativo tributário pautase pelos princípios da verdade material e da informalidade e que, por isso, devese reconhecer o crédito e extinguir o débito pela homologação da compensação informada na DCOMP; que tem direito ao crédito e que a decisão recorrida, ao não reconhecer o crédito, violou os princípios da razoabilidade e do não confisco; deve ser reformada. Por fim, com bases nessas razões, a recorrente pediu provimento ao recurso. Em face dos argumentos da contribuinte, na Sessão de 03/03/2015 a então 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF converteu o julgamento em diligência pela Resolução nº 1802000.625– 2ª Turma Especial (efls. 270/279), com fundamento no voto condutor que, transcrevo, no que pertinente: (...) Nesta instância recursal, compulsando os autos, observa falhas na instrução processual, pois há, apenas, alguns elementos de prova, os quais são insuficientes, pois não permitem ao julgador formar convicção acerca do mérito da lide, ou seja, acerca do liquidez e certeza do crédito pleiteado. Senão vejamos: a) por ocasião da manifestação de inconformidade apresentada na DRJ, a contribuinte não comprovou o alegado erro de fato, por insuficiência de prova da divergência entre o imposto pago (confessado na DCTF) e as declarações retificadoras (DCTF e DIPJ), pois: juntou aos autos fragmento da DCTF primitiva, na qual teria confessado débito do IRPJ do 3º trimestre/2008, valor de R$ 329.131,67, sem apresentação do recibo de entrega (data de entrega), transmissão da DCTF primitiva, para verificação da data da transmissão (efl. 31); juntou cópia do Balancete Trimestral (3º trimestre/2008), informando apuração de IRPJ a pagar de R$ 265.815,18 (efl. 27/29); porém, não juntou cópia da escrituração contábil (livros Razão, Diário, Lalur e documentos de suporte dos registros contábeis); pediu a restituição da diferença do IRPJ supostamente paga a maior, sem comprovar o alegado erro de fato. b) nesta instância recursal, diversamente do alegado pela recorrente, persiste a insuficiência de prova quanto à liquidez e certeza do crédito reclamado na DCOMP (objeto da lide), pois alega no recurso, em suas razões, que o IRPJ a pagar do 3º trimestre/2008 não seria R$ 329.131,67, nem R$ 265.815,18, uma vez que, por último, constatou que, na verdade, teria havido saldo negativo do IRPJ a pagar, ou seja, ( R$ 52.918,14). Fl. 348DF CARF MF Processo nº 10166.913640/200999 Acórdão n.º 1301002.865 S1C3T1 Fl. 349 8 Vale dizer, por ocasião da apresentação das razões do recurso nesta instância de julgamento, alega a recorrente que todas as retenções de imposto na fonte já estavam identificadas quanto ao anocalendário 2008 – 3º trimestre/2008, e informadas na DIPJ 2009, anocalendário 2008 (retificadoras), Ficha 12A, de 29/01/2010 (1ª retificadora) e 14/04/2011 (2ª retificadora) (efls. 211/222), com apuração de saldo negativo do IRPJ do 3º trimestre/2008 no valor de (R$ 52.918,14) (valor original). De modo que o recolhimento efetuado pelo DARF de R$ 329.131,67 (valor original) seria totalmente indevido; juntou fragmentos do Razão Contábil, ou seja, uma folha da Conta IR a Compensar – Pagamento do 3º Trimestre/2008, valor a aproveitar R$ 63.316,49 (efls.147/149), Conta contábil Imposto de Renda sobre o Lucro, valor de R$ 265.815,18 (efls. 180); juntou cópia do Balancete de outubro/2008 (PA diverso do 3º trimestre/2008) (efls. 151/168); juntou cópia do Balancete Janeiro/2010 – 1º trimestre/2010 (e fls. 169/178); juntou cópia do Balancete Setembro/2008, Obrigações Fiscais – IRPJ sobre o lucro do 3º trimestre/2008, valor R$ 265.815,18 (efls. 182/197 e 200); juntou cópia do Razão Contábil da Conta Despesa com IRPJ do 3º trimestre/2008, saldo devedor R$ 390.778,22 (efl. 199). Como visto, há necessidade de saneamento do processo, pois não há comprovação cabal quanto ao IRRF a ser deduzido na apuração do Imposto apurado quanto ao 3º trimestre/2008, pois hora a recorrente apurou IRPJ a pagar R$ 329.131,67, depois R$265.815,18 e, por último, saldo negativo (R$ 52.918,14). Para evitar prejuízo à ampla defesa e ao contraditório e atento ao princípio da verdade material, propugno pela realização de instrução processual complementar, ou seja, baixar os autos do processo à unidade de origem da RFB, no caso à DRF/Brasília a fim de que a fiscalização da RFB: a) intime a contribuinte para, à luz da escrituração contábil, comprovar o alegado erro de fato na apuração/preenchimento da DCTF primitiva do PA objeto dos autos (divergência dos dados da DCTF primitiva, DCTF retificadoras, DIPJ 2008, ano calendário 2007 primitiva e retificadora), no sentido de justificar as DCTF retificadoras apresentadas, transmitidas, em 27/01/2010, zerando o débito do IRPJ do 3º trimestre/2008 (setembro) de R$ 329.131,57 para R$ 0,00 (efls.205/207), e 14/04/2011 (efls.208/209); b) intime a contribuinte a comprovar o IRRF que teria aproveitado para formar o alegado saldo negativo de IRPJ a pagar, conforme DIPJ 2009, anocalendário 2008 Fl. 349DF CARF MF Processo nº 10166.913640/200999 Acórdão n.º 1301002.865 S1C3T1 Fl. 350 9 (retificadoras), Ficha 12A, de 29/01/2010 (1ª retificadora) e 14/04/2011 (2ª retificadora) (efls. 211/222), com apuração de saldo negativo do IRPJ do 3º trimestre/2008 no valor de (R$ 52.918,14) (valor original). c) elabore, ao final do procedimento de diligência, relatório circunstanciado, pormenorizado, dos resultados da diligência em relação ao direito creditório pleiteado nos presentes autos, ou seja, se o crédito demandado de R$ 63.316,49 (valor original), relativo a pretenso pagamento indevido ou maior do IRPJ do PA 3º trimestre/20008, existe ou não, e caso existente, se está ou não disponível para compensação com o débito da Cofins confessado na DCOMP objeto deste processo; d) intime a contribuinte do relatório de diligência (resultado da diligência), abrindo prazo de 30 (trinta) dias a partir da ciência para manifestação nos autos, caso queira. Decorrido o prazo com ou sem manifestação da contribuinte, retornem os autos ao CARF para julgamento da lide. Por tudo que foi exposto, voto para CONVERTER o julgamento em diligência (...) Realizada a Diligência Fiscal pela Diort da DRF/Brasília, os resultados foram apresentados no Relatório de Informação Fiscal de 06/02/2017 e juntados aos autos (efls. 316/321). Intimada a contribuinte dos resultados desse Relatório, Aviso de Recebimento AR (efl. 324), juntou manifestação nos autos em 27/03/2017 (efls. 327/333). É o relatório. Voto Fl. 350DF CARF MF Processo nº 10166.913640/200999 Acórdão n.º 1301002.865 S1C3T1 Fl. 351 10 Conselheiro Nelso Kichel Relator. A admissibilidade do Recurso Voluntário já fora realizada na Sessão de 03/03/2015, quando a então 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF converteu o julgamento em diligência, conforme Resolução nº 1802000.625– 2ª Turma Especial, voto condutor de minha Relatoria, na época (efls. 270/279). Realizada a diligência fiscal, os autos retornaram ao CARF, e foram distribuídos a esta 1ª Turma/3ª Câmara/1ª SEJUL para minha Relatoria, em face do disposto no art. 49, §§ 5º, 6º e 7º, Anexo II, RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, in verbis: Art. 49 (...) ........................................................................................................ §5º Os processos que retornarem de diligência, os conexos, decorrentes ou reflexos e os com embargos de declaração opostos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, mediante sorteio para qualquer conselheiro da turma. §6º Os embargos de declaração opostos contra decisões e os processos de retorno de diligência de turmas extintas serão distribuídos ao relator ou redator, independentemente de sorteio ou, caso relator ou redator não mais pertencer à Seção, o Presidente da respectiva Câmara devolverá para sorteio no âmbito da Seção. §7º Na hipótese de o conselheiro ter sido designado para novo mandato, em colegiado integrante de outra Câmara com competência sobre a mesma matéria, os processos já sorteados, inclusive os relatados e ainda não julgados e os que retornarem de diligência, com ele permanecerão e serão remanejados para o novo colegiado. Efetuada essa explicitação, passo analisar o recurso. Inexistindo preliminar a ser enfrentada, passo à analisar o mérito. Nas razões do recurso, a recorrente suscitou os seguintes pontos em relação ao direito creditório demandado quanto ao 3º trimestre/2008: a) que na DCTF primitiva, a confissão de débito do IRPJ – 3º trimestre/2008 (setembro/2008) o valor foi de R$ 329.131,67, transmitida em 23/12/2008 (efl. 202/204); b) que, entretanto, o débito do imposto do 3º trimestre/2008, também, não seria R$ 265.815,18, que implicaria no direito creditório pleiteado na DCOMP, ou seja, R$ 63.316,49 (valor original), relativo ao pagamento indevido ou maior do IRPJ PA 3º trimestre/2008 (30/09/2008), pagamento DARF R$ 329.131,67, Comprovante de Fl. 351DF CARF MF Processo nº 10166.913640/200999 Acórdão n.º 1301002.865 S1C3T1 Fl. 352 11 Arrecadação (efls. 26, 45 e 127), código de receita 0220 – IRPJ PJ OBRIGADAS AO LUCRO REAL ENTIDADES NÃO FINANCEIRAS BALANÇO TRIMESTRAL, data do recolhimento/arrecadação: 31/10/2008; que, na época, ainda não estavam identificadas todas as retenções na fonte sofridas, o que levou a contribuinte a considerar valor devido/a pagar do IRPJ do 3º trimestre/2008 o montante de R$ 265.815,18; c) que, por último, por ocasião da apresentação do Recurso Voluntário, todas as retenções de imposto na fonte já estavam identificadas quanto ao anocalendário 2008 – 3º trimestre, e informadas na DIPJ 2009, anocalendário 2008 (retificadoras), Ficha 12A, de 29/01/2010 (1ª retificadora) e 14/04/2011 (2ª retificadora) (efls. 211/222), com apuração de saldo negativo do IRPJ do 3º trimestre/2008 no valor de (R$ 52.918,14). De modo que o recolhimento efetuado pelo DARF de R$ 329.131,67 (valor original) seria totalmente indevido. Em face desses pontos suscitados nas razões do recurso nesta instância ordinária recursal, na Sessão de 03/03/2015 a então 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF converteu o julgamento em diligência pela Resolução nº 1802000.625– 2ª Turma Especial (efls. 270/279). Consta do Relatório de Diligência, quanto ao valor recolhido do IRPJ R$ 329.131,67 atinente ao 3º trimestre/2008, que a contribuinte apresentou três DCOMP: a) que o valor de R$ 265.815,19 (valor original) já foi integralmente utilizado na DCOMP nº 34145.33327.270110.1.3.046574, e foi integralmente deferido esse crédito (homologação total da compensação) pela DRF/Brasília DCOMP não objeto dos presentes autos; b) que o valor do saldo negativo do IRPJ de (R$ 52.918,14) foi objeto da DCOMP nº 37800.77113.130411.1.7.021980, e foi negado esse crédito pela DRF/Brasília, conforme Processo nº 10166.904509/201589 (há recurso apresentado na DRJ Brasília pela contribuinte); c) que, por fim, temse a DCOMP nº 39802.58428.201108.1.3.049071, objeto dos presentes autos, onde a contribuinte utilizou como crédito o valor de R$ 63.316,49 (valor original), que é a diferença ente o valor do pagamento de R$ 329.131,67 e o valor de R$ 265.815,18 já utilizado na DCOMP nº 34145.33327.270110.1.3.046574. Quanto a essa última DCOMP (que é objeto da lide destes autos), o resultado da diligência demonstra que a contribuinte faz jus apenas a R$ 56.046,17 (valor original). Nesse sentido, quanto às citadas três DCOMP, transcrevo, no que pertinente, o resultado diligência fiscal, constante da Informação Fiscal Diort/DRFBrasília/DF Nº 0104/2017, de 06 de fevereiro de 2017 (efls. 316/321), in verbis: (...) 2. Nessa diligência, o CARF emite os comandos abaixo transcritos: a) intime a contribuinte para, à luz da escrituração contábil, comprovar o alegado erro de fato na apuração/preenchimento da DCTF primitiva do PA objeto dos autos (divergência dos dados da DCTF primitiva, DCTF retificadoras, DIPJ 2008, Fl. 352DF CARF MF Processo nº 10166.913640/200999 Acórdão n.º 1301002.865 S1C3T1 Fl. 353 12 anocalendário 2007 primitiva e retificadora), no sentido de justificar as DCTF retificadoras apresentadas, transmitidas, em 27/01/2010, zerando o débito do IRPJ do 3º trimestre/2008 (setembro) de R$ 329.131,57 para R$ 0,00 (efls. 205/207), e 14/04/2011 (efls. 208/209); b) intime a contribuinte a comprovar o IRRF que teria aproveitado para formar o alegado saldo negativo de IRPJ a pagar, conforme DIPJ 2009, anocalendário 2008 (retificadoras), Ficha 12A, de 29/01/2010 (1ª retificadora) e 14/04/2011 (2ª retificadora) (efls. 211/222), com apuração de saldo negativo do IRPJ do 3º trimestre/2008 no valor de (R$ 52.918,14) (valor original). c) elabore, ao final do procedimento de diligência, relatório circunstanciado, pormenorizado, dos resultados da diligência em relação ao direito creditório pleiteado nos presentes autos, ou seja, se o crédito demandado de R$ 63.316,49 (valor original), relativo a pretenso pagamento indevido ou maior do IRPJ do PA 3º trimestre/20008, existe ou não, e caso existente, se está ou não disponível para compensação com o débito da Cofins confessado na DCOMP objeto deste processo; d) intime a contribuinte do relatório de diligência (resultado da diligência), abrindo prazo de 30 (trinta) dias a partir da ciência para manifestação nos autos, caso queira. Decorrido o prazo com ou sem manifestação da contribuinte, retornem os autos ao CARF para julgamento da lide. 3. Os itens a) e b) foram realizados na Intimação Fiscal nº 1550/2016DIORT/DRFBRASÍLIA/ DF. Para essa intimação, a Pessoa Jurídica respondeu nas páginas 306 a 314. O tocante ao item c) passa a ser analisado a partir deste parágrafo. 4. O item c) aborda um pagamento, supostamente indevido ou a maior, por parte da Contribuinte. Ela alega, na Declaração de Compensação (Dcomp) nº 39802.58428.201108.1.3.049071, objeto deste processo, que R$ 63.316,49 é indevido. E esse valor advém de um recolhimento de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) no código 0220, realizado em 31/10/2008, cuja apuração é o 3º trimestre de 2008 e de valor total R$ 329.131,67 (folha 26). 5. Ocorre que, sobre esse pagamento, há outra Dcomp realizada pela Contribuinte. Essa outra Declaração de Compensação afirma que o montante de R$ 265.815,19 é também pagamento indevido. Seu número é 34145.33327.270110.1.3.046574 e ela foi deferida integralmente. 6. A Dcomp em foco nesta diligência soma com a Dcomp do item anterior o montante de R$ 329.131,68. Ou seja, a Requerente aponta que o pagamento de 0220 – IRPJ – realizado em 31/10/2008 é integralmente indevido. O mesmo que dizer que no 3º trimestre de 2008, ela não deveria ter imposto a pagar. Fl. 353DF CARF MF Processo nº 10166.913640/200999 Acórdão n.º 1301002.865 S1C3T1 Fl. 354 13 7. Verificando as declarações da Empresa, ela informa saldo negativo no trimestre em análise. Para esse saldo negativo, ela realizou uma terceira Dcomp. Seu número é 37800.77113.130411.1.7.021980. O valor do saldo negativo solicitado é de R$ 52.918,14. E o despacho da Delegacia da Receita Federal de Brasília apurou que a Empresa não teria direito ao saldo negativo. Assim, seu pedido foi integralmente indeferido. Por isso, essa Dcomp está em análise na Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) com o processo administrativo 10166.904509/201589 em face de impugnação da Requerente. 8. As três Dcomp citadas nos itens 4, 5 e 7 tratam de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica do mesmo trimestre – 3º Trimestre de 2008. As duas primeiras do pagamento de IRPJ supostamente a maior; a derradeira, do suposto saldo negativo do período. A conclusão desta Diligência é que a liquidez e certeza da apuração daquele trimestre é pertinente a todas as Dcomp citadas. Por isso, para emissão de opinião fundamentada sobre esta Dcomp atual, fazse necessário saber o resultado do saldo negativo analisado no processo 10166.904509/201589. Tabela D.1 39802.58428.201108.1.3.049071 (A) 10166.913640/200999 Pagamento Indevido CARF 34145.33327.270110.1.3.046574 (B) Homologação Total Pagamento Indevido 37800.77113.130411.1.7.021980 (C) 10166.904509/201589 Saldo Negativo (SN) DRJ 9. A primeira Dcomp – A – está em análise neste processo. A Dcomp B foi deferida. A Dcomp C está aguardando julgamento da DRJ. E importa dizer que a Dcomp B foi deferida apenas baseandose nas informações prestadas na DCTF, pela Contribuinte. Não houve análise fiscal ou contábil dos elementos ali apresentados. 10. Dada a necessidade de posicionamento em conjunto das Dcomp A e C, partese para a análise dos elementos apresentados pela Requerente, neste processo. (...). (...) 29. A síntese desta Diligência conclui que: a) A Dcomp em discussão 39802.58428.201108.1.3.049071 (A), processo 10166.913640/200999 tem direito creditório de R$ 56.046,17. Daí, há que ser glossado o valor de R$ R$ 7.270,32, em razão de IRPJ a pagar. b) A Dcomp 37800.77113.130411.1.7.021980 (C), processo 10166.904509/201589 merece ser indeferida integralmente, por ausência de saldo negativo. Na apuração aqui realizada, constatouse necessidade de IRPJ a pagar, oposto ao declarado pela Contribuinte. Fl. 354DF CARF MF Processo nº 10166.913640/200999 Acórdão n.º 1301002.865 S1C3T1 Fl. 355 14 c) Conforme julgou a douta turma da DRJ na oportunidade, não se comprovaram os elementos de fato que justificassem as retificações da Contribuinte, em face dos documentos até agora apresentados. 30. Como a análise aqui realizada é pertinente ao processo em curso na Delegacia de Julgamento, será solicitada a juntada desta diligência naquele processo. 31. Por fim, o CARF determina, no item d) de sua resolução, citada no parágrafo 2 desta Diligência, que a Contribuinte tenha novo prazo para se manifestar. Em razão disso, esta Informação Fiscal deverá ser encaminhada à Requerente, para que ela se manifeste no prazo de 30 dias. Com ou sem sua manifestação, o processo deverá seguir, após esse prazo, para análise desse egrégio Conselho. (...) Intimada do resultado da Diligência Fiscal, a contribuinte discorda do resultado da diligência que confirmou direito creditório de apenas R$ 56.046,17 (valor original), e não R$ 63.316,49 (valor original) que pleiteou na DCOMP objeto dos autos. Entretanto, entendo que a recorrente não produziu outras provas para infirmar o resultado da diligência, pois apenas se limitou a apresentar demonstrativos, tabelas de dados, sem documentos hábeis e idôneos de sua escrituração contábil, que pudessem justificar sua pretensão. A recorrente, como autora do pedido de crédito no processo de compensação tributária (pedido de restituição/aproveitamento do direito creditório do IRPJ do PA 3º trimestre/2008 para extinção do débito confessado na DCOMP, por compensação tributária), tem o ônus de produzir prova do fato constitutivo do direito creditório alegado. Vale dizer, à luz do Código de Processo Civil Brasileiro, de aplicação subsidiária, o ônus probatório é do autor quanto ao fato constitutivo do direito creditório alega do contra o Fisco (CPC Lei 13.105/2015, art. 373, I). O momento para a produção das provas está previsto nos arts. 15 e 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/72 e alterações posteriores. Assim, quanto à DComp em discussão 39802.58428.201108.1.3.049071, objeto do presente processo nº 10166.913640/200999, a contribuinte tem direito creditório de R$ 56.046,17, conforme restou demonstrado, nessa parte, pela transcrição do Relatório de Informação Fiscal. Por fim, como razão de decidir, adoto integralmente, portanto, o resultado da diligência, razões já transcritas acima, que confirmam o direito creditório de R$ 56.046,17 (valor original), pagamento a maior do IRPJ quanto ao PA 3º trimestre/2008. Diante exposto, voto para dar provimento parcial ao recurso voluntário para deferir, reconhecer, o direito creditório do IRPJ de R$ 56.046,17 do PA 3º trimestre/2008 Fl. 355DF CARF MF Processo nº 10166.913640/200999 Acórdão n.º 1301002.865 S1C3T1 Fl. 356 15 pleiteado na DComp nº 39802.58428.201108.1.3.049071, objeto do presente processo, e homologar a compensação até o limite desse crédito. É como voto. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 356DF CARF MF
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Numero do processo: 10825.722770/2015-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 04 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1401-000.516
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Daniel Ribeiro Silva- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (Vice-Presidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: DANIEL RIBEIRO SILVA
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (VicePresidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal em Salvador (BA) que manteve o crédito tributário decorrente de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 25 .7 22 77 0/ 20 15 -5 1 Fl. 10013DF CARF MF Processo nº 10825.722770/201551 Resolução nº 1401000.516 S1C4T1 Fl. 10.014 2 supostas infrações à legislação tributária, exigindose do contribuinte o Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), fls. 2/24, de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), de Contribuição para o PIS/PASEP, fls. 46/61, e de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), fls 62/76, referentes ao anocalendário 2012. Extraise do Termo de Verificação Fiscal – TVF às fls.77/92, que houve “a inexistência de movimentação de vendas em 2011, e em 2012, receita bruta de venda da ordem de 106 milhões de reais. Constatado ainda que não foi entregue à RFB a DIPJ AC 2012, mas apresentadas DACON de agosto a setembro 2012, com faturamento declarado de 18,5 milhões de reais, valor bem aquém ao correspondentes às notas ficais eletrônicas emitidas, bem como DCTF de julho a dezembro de 2012 com valores confessados ínfimos de PIS e Cofins”. Nos termos do TVF: “A receita bruta para apuração dos tributos devidos foi apurada mensalmente, a partir das notas fiscais eletrônicas emitidas pela contribuinte. As que correspondem à receita bruta de vendas estão relacionadas no Anexo I (fls. 93/102). A partir do cálculo da receita bruta, para apuração do IRPJ e da CSLL, aplicaramse os percentuais legais para apuração do lucro, base de cálculo destes dois tributos”. Informa a fiscalização, que “o artifício de declarar sistematicamente e reiteradamente, à Fazenda Nacional, valores menores do que aqueles que de fato seriam os verdadeiros, além de retardar o conhecimento do elemento quantitativo do fato imponível por parte da autoridade administrativa, ainda faz supor que aquele contribuinte está cumprindo com suas obrigações. A reiteração da prática de informar dados falsos à Fazenda Pública constitui se em sonegação. A caracterização de sonegação, assim como do elemento volitivo na conduta do contribuinte ao declarar, reiteradamente, valores inverídicos ao Fisco, aquém do efetivamente devido, torna cabível a qualificação da multa, conforme dispõe o art. 44, §1º, da Lei nº 9.430, de 1996. E mais, a qualificação da multa é motivada não apenas pela ocorrência da sonegação, como também pela ocorrência, em tese, da fraude e conluio, tipificados nos artigos 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964”. Acerca da instituição da qualificação da multa, depreendese do TVF, que “as informações contidas em Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) e Notas Fiscais Eletrônicas (NFe), referentes ao período fiscalizado da contribuinte, permitiram concluir que, no anocalendário 2012, a contribuinte obteve expressivas receitas bruta de vendas e omitiu, reiteradamente, diversas declarações (DIPJ, DCTF e DACON), e os valores confessados em DCTF eram inferiores, ou mesmos nulos, evidenciando a intenção de sonegar”. Termos de sujeição passiva solidária às fls. 7.605/8.287 dos autos. Cientificado da autuação, o interessado e os sujeitos responsáveis solidariamente, apresentam suas respectivas IMPUGNAÇÕES ADMINISTRATIVAS, trazendo em seu bojo as seguintes razões: Impugnação I (apresentada em 22/12/2015 – fls. 8.460/8.509 por JOÃO SHOITI KAKU): DA PRELIMINAR. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO EM DECORRÊNCIA DE IRREGULARIDADES PROCEDIMENTAIS QUE MACULAM A SUA SUBSISTÊNCIA: Afirma que “no tocante à tributação, o Princípio da Segurança Jurídica Fl. 10014DF CARF MF Processo nº 10825.722770/201551 Resolução nº 1401000.516 S1C4T1 Fl. 10.015 3 limita a atuação do Estado e garante a certeza aos contribuintes na relação jurídica tributária. Para tanto, o legislador deve obedecer aos preceitos da Constituição Federal. Em matéria tributária, a Constituição determina os limites para a atuação do legislador infraconstitucional, uma vez que o Fisco, ao tributar, está exercendo um direito sobreposto ao direito subjetivo do cidadão à propriedade”. DA AUSÊNCIA DE CIÊNCIA DO IMPUGNANTE DA INSTAURAÇÃO DE PROCEDIMENTO FISCAL QUE CULMINOU NA RESPONSABILIZAÇÃO POR SOLIDARIEDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA DURANTE A FASE INVESTIGATÓRIA: Alega que “em nenhum momento o Impugnante, incluído como devedor solidário do crédito tributário, foi notificado e chamado a prestar esclarecimentos durante a fase investigativa a fim de averiguar a efetiva existência de vínculo com a empresa Autuada, ou alguma parcela de culpa pelas supostas irregularidades atribuídas ela, bem como checar se realmente prospera o rótulo dado ao Impugnante de "verdadeiro dono do negócio" do Grupo”. DA AUSÊNCIA DE DOCUMENTOS ESSENCIAIS PARA EMBASAR O MONTANTE COBRADO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO ILÍQUIDO E INCERTO: Afirma que “não foram colacionadas aos autos de infração quaisquer obrigações acessórias e/ou notas fiscais eletrônicas a fim de que o Impugnante possa aferir se realmente procedem os números apontados pelos AFRFB. Desta forma, o Impugnante está sendo tolhido no exercício do seu direito de defesa em sua plenitude, uma vez que não tem acesso às informações necessárias para contestar o trabalho realizado pelos AFRFB. Isto porque, considerando que o Impugnante não tem acesso às obrigações acessórias entregues pela Autuada, não tem elementos para verificar a lisura do trabalho desenvolvido pelos AFRFB”. Diz ainda, que “o Impugnante, pessoa física completamente estranha às atividades comercias da empresa Autuada, conforme será demonstrado a seguir, não tem condições de aferir a veracidade das informações constantes do presente Auto de Infração, no que diz respeito ao valor do crédito tributário constituído, uma vez que não tem acesso às obrigações acessórias entregues pela empresa Autuada e os AFRFB não promoveram a juntada de tais documentos ao presente feito”. DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA E DAS PARTES ENVOLVIDAS: Afirma que “o responsável é o sujeito passivo que, apesar de ser compelido a adimplir o tributo, possui uma relação apenas indireta com o fato gerador. Portanto, tanto o contribuinte quanto o responsável são sujeitos passivos da relação tributária, porque ambos têm o dever de pagar o tributo; a diferença entre eles é que o primeiro praticou o fato gerador, enquanto o segundo não o praticou, possuindo uma relação indireta com este fato”. DA NULIDADE DA IMPUTAÇÃO DA RESPONSABILIDADE PESSOAL PELO ARTIGO 135, III DO CTN. AUTORIDADE INCOMPETENTE. PRECEDENTES DO CARF: Alega que “a competência para imputar a responsabilidade pelo artigo 135 do CTN é exclusiva da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, é óbvio que o processo administrativo está inquinado por nulidade, isso porque a competência para exigir do Impugnante o adimplemento do crédito tributário fora emanado pela autoridade fiscal desprovida de aptidão. Logo, conforme prescrito no artigo 59 do Decreto n° 70.235/1972 o Termo de Solidariedade Passiva é nulo, uma vez que lavrado por autoridade incompetente, no caso os AFRFB”. DA INEXISTÊNCIA DE ATOS PRATICADOS PELO IMPUGNANTE COM EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO DE LEI, DO CONTRATO SOCIAL OU ESTATUTO: Diz que “não há que se falar em responsabilidade pessoal do Impugnante, já que esta só se materializa quando o diretor, gerente ou representante de pessoa jurídica de direito Fl. 10015DF CARF MF Processo nº 10825.722770/201551 Resolução nº 1401000.516 S1C4T1 Fl. 10.016 4 privado, pratica atos — que devem ser provados pelos AFRFB — com excesso de poderes ou infração da lei, do contrato social ou dos estatutos da empresa (art. 135, III, do CTN). Ora, o Impugnante, em nenhum momento realizou tais atos, que, digase de passagem, refugiam à sua esfera de atribuições”. DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA— ART. 124, I DO CTN: Informa que “para que haja solidariedade com supedâneo no art. 124, I do CTN, é preciso que todos os devedores tenham um interesse focado exatamente na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária. Ainda que mais de uma pessoa tenha interesse comum em algum fato, para que haja solidariedade tributária é necessário que o objeto deste interesse recaia sobre a realização do fato que tem a capacidade de gerar a tributação”. DA INEXISTÊNCIA DE VÍNCULO ENTRE IMPUGNANTE X GRUPO APTA A ENSEJAR A RESPONSABILIDADE PESSOAL E IMPUGNANTE X FATO GERADOR DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA APTA A ENSEJAR A RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA: Afirma que “o Impugnante não tem qualquer tipo de informação a respeito da empresa Autuada (DOFAR DISTRIBUIDORA DE RAÇÕES E FARELOS LTDA. ME). Nunca sequer ouviu falar da empresa Autuada e tampouco prestou qualquer tipo de serviço à referida empresa! Mostrase completamente fora de propósito a sua responsabilização por crédito tributário constituído em face da referida empresa, uma vez que o Impugnante sequer reconhece que tenha prestado serviços para a empresa Autuada . Além da inexistência de vínculo entre o Impugnante e o fato gerador da obrigação tributária ora exigida, fato que por si só já é suficiente para a sua exclusão do polo passivo da presente autuação fiscal, o Impugnante demonstrará que as alegações constantes do relatório elaborado na Operação Yellow não têm embasamento para justificar a sua responsabilidade solidária pelo crédito tributário constituído em face da empresa Autuada, sendo certo que tais alegações representam meras presunções, as quais não são admitidas no caso em questão”(...) Da mesma forma, o Impugnante apresenta Declarações emitidas pelas empresas Sina Indústria de Alimentos Ltda.; Modena Agropecuária Ltda. e FN Assessoria Empresarial Ltda. — EPP. (Doc. 04), as quais comprovam a inexistência de qualquer controle, gestão ou propriedade das referidas empresas. Ora, é o tipo do serviço prestado pelo Impugnante que demanda a existência de relação de confiança entre as partes envolvidas, porém essa relação por si só não enseja legitimidade para a imputação de responsabilidade solidária pelo cumprimento das obrigações tributárias impostas à Autuada”. DO EXCESSO DAS MULTAS APLICADAS: Diz que é “indiscutível que as leis que prescrevem sanções em virtude da inobservância das obrigações de natureza tributária devem estar de acordo com os princípios e limitações ao poder de tributar, sob pena de violação de direitos e garantias individuais, como o direito à propriedade. No caso em tela, não há necessidade de maiores considerações sobre o caráter confiscatório da multa aplicada, no percentual de 150% sobre a base de cálculo arbitrada pelos AFRFB, em total afronta à Constituição Federal e ao entendimento firmado pelo C. STF”. DA SUSPENSÃO DO ANDAMENTO PROCESSUAL ATÉ ULTERIOR DECISÃO DEFINITIVA QUE CRAVE O VÍNCULO DO IMPUGNANTE AO INDIGITADO GRUPO: Alega que “no ordenamento jurídico brasileiro, regese o princípio pelo qual se preconiza a independência das instâncias administrativa, civil e criminal. Isso porque uma conduta pode ser classificada ao mesmo tempo como ilícito penal, civil e administrativo. Nesse caso poderá ocorrer a condenação em todas as esferas ou não, ou seja, na ação civil poderá ser condenado e na ação penal absolvido, pois vale a regra da independência Fl. 10016DF CARF MF Processo nº 10825.722770/201551 Resolução nº 1401000.516 S1C4T1 Fl. 10.017 5 e autonomia entre as instâncias. Mas há exceções nas quais haverá vinculação entre as instâncias, o que significa que não poderá ser condenado na esfera civil ou administrativa quando for absolvido na esfera penal por (1) inexistência de fato e (ii) negativa de autoria”. Dessa forma, reafirma que “considerando que os Autos de Infração ora impugnados são oriundos da Operação Yellow, que deu origem à Ação Penal n° 001913358.2013.8.26.0071 proposta pelo Ministério Público do Estado de São Paulo em curso perante a 1a Vara Criminal da Comarca de Bauru/SP, subsidiariamente o Impugnante vem requerer seja determinado o sobrestamento do feito até a conclusão definitiva da mencionada ação penal, oportunidade na qual se dará o correto andamento do feito”. Requereu, a nulidade do auto de infração em decorrência de irregularidades procedimentais apresentadas, Decretar a nulidade da atribuição da sujeição passiva pessoal nos termos do artigo 135 do CTN pelo crédito tributário, por ter sido o Termo de Solidariedade Passiva confeccionado por autoridade incompetente. Subsidiariamente, requereu o sobrestamento do feito até ulterior conclusão definitiva da Ação Penal n° 001913358.2013.8.26.0071 proposta pelo Ministério Público do Estado de São Paulo em curso perante a 1a Vara Criminal da Comarca de BauruSP. Impugnação II (apresentada em 25/12/2015 – fls. 8.528/8.557 por FAROLEO COMERCIO DE PRODUTOS ALIMENTICIOS LTDA): DAS PROVAS: Afirma que “trouxe aos autos como elemento probatório, o "Relatório da Operação Yellow" e tramitações do processo 003890650.2002.4.03.6182, perante a 7ª Vara Federal da Comarca de São Paulo. E que o processo administrativo combatido é acompanhado de diversos documentos, todos retirados do relatório da Delegacia Regional Tributária 7, da Secretaria da Fazenda Pública do Estado de São Paulo denominado "Operação Yellow". As provas que dão suporte ao relatório da Operação Yellow foram obtidas por meio ilícito, sem a observância da lei”. Afirmando ser incabível a realização de investigação criminal para fundamentar a ação fiscal. (...) “se não existe crédito constituído, não há crime. Com isso, a forma de atuação eleita pelo Fisco, onde primeiro se buscou uma investigação criminal para, posteriormente, com base exclusiva no relatório confeccionado, autuar os contribuintes, é plenamente arbitrária”. Afirma ainda que “os documentos utilizados indiscriminadamente pelo Fisco em suas autuações representam prova ilícita, sequer existe denúncia criminal recebida pela 1ª Vara Criminal de Bauru, sequer existiu o contraditório aberto no processo judicial competente. Se não bastasse a ilicitude dos documentos apontados pelo Fisco como prova, fato é que seu conteúdo esta sendo questionado judicialmente”. DA RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES: Alega “que a multa aplicada a DOFAR, pela qual a impugnante foi considerada responsável solidária, não pode prosperar, seja pela responsabilidade pessoal de quem a ela deu causa (artigo 137), como também por não ser obrigação principal (artigo 124, inciso I)”. DO TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA: Diz que “mesmo não havendo elementos para a aplicação do artigo 124, inciso, I, do CTN neste caso, restará provado ao final da presente impugnação que referido artigo não pode ser interpretado isoladamente, devendo ser analisado juntamente com o artigo 135, inciso III do Diploma Tributário. É necessário que a pessoa responsabilizada solidariamente tenha praticado atos de gerência e de administração em relação à empresa fiscalizada ou, que de qualquer modo, tenha refletido na atividade geradora do fato imponível”. Fl. 10017DF CARF MF Processo nº 10825.722770/201551 Resolução nº 1401000.516 S1C4T1 Fl. 10.018 6 DA ANÁLISE CONJUNTA DOS ARTIGOS 124, INCISO I E 135, INCISO III E DA EXISTÊNCIA DE ATOS DE ADMINISTRAÇÃO E GESTÃO PARA CARACTERIZAÇÃO DA SOLIDARIEDADE: Aduz que “o artigo 124, inciso I do CTN ao prever que "são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal" não trouxe ao mundo jurídico a segurança adequada e requerida para um assunto de tamanha proporção”. (...) “No presente caso, a impugnante não praticou qualquer ato de gerência, administração ou direção, no que condiz a empresa DOFAR, sendo certo que inexiste nestes autos qualquer prova, indicação, apontamento neste sentido. Participar de empresas que se relacionam, tendo em vista determinada atividade econômica, não revela, por si só, a solidariedade descrita nos artigos 124, inciso I combinado com o artigo 135, inciso III, ambos do CTN”. REQUEREU, o acolhimento da preliminar de nulidade suscitada, declarando nulo todo o procedimento fiscal, a exclusão da multa por responsabilidade solidária, a anulação do Termo de Sujeição Passiva Solidária, que incluiu impugnante no polo passivo deste processo administrativo na qualidade de responsável solidário. Impugnação III (apresentada em 25/12/2015 – fls. 8.566/8.596 por FAS EMPREENDIMENTOS E INCORPORAÇÕES LTDA): Trouxe em seu bojo as mesmas razões de direito apresentada por FAROLEO COMERCIO DE PRODUTOS ALIMENTICIOS LTDA às fls. 8.528/8.557. Impugnação IV – (apresentada em 25/12/2015 – fls. 8.608/8.638 por SINA INDÚSTRIA DE ÓLEOS VEGETAIS LTDA): Trouxe em seu bojo as mesmas razões de direito apresentada por FAROLEO COMERCIO DE PRODUTOS ALIMENTICIOS LTDA às fls. 8.528/8.557. Impugnação V – (apresentada em 25/12/2015 – fls. 8.646/8675 por SINA COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA): Trouxe em seu bojo as mesmas razões de direito apresentada por FAROLEO COMERCIO DE PRODUTOS ALIMENTICIOS LTDA às fls. 8.528/8.557. Impugnação VI (apresentada em 25/12/2015 – fls. 8.684/8.714 por ANDREA FERREIRA ABDUL MASSIH): Trouxe em seu bojo as mesmas razões de direito apresentada por FAROLEO COMERCIO DE PRODUTOS ALIMENTICIOS LTDA às fls. 8.528/8.557. Impugnação VII – apresentada em 25/12/2015 – fls. 8.738/8.768 por MARIA DE FÁTIMA BUTARA FERREIRA ABDUL MASSIH): Trouxe em seu bojo as mesmas razões de direito apresentada por FAROLEO COMERCIO DE PRODUTOS ALIMENTICIOS LTDA às fls. 8.528/8.557. Impugnação VIII apresentada em 25/12/2015 – por SINA INDUSTRIA DE ALIMENTOS LTDA): Trouxe em seu bojo as mesmas razões de direito apresentada por FAROLEO COMERCIO DE PRODUTOS ALIMENTICIOS LTDA às fls. 8.528/8.557. Impugnação IX apresentada em 25/12/2015 – fls. 8.808/8.837 por MULTIOLEOS OLEOS E FARELOS LTDA): Trouxe em seu bojo as mesmas razões de direito apresentada por FAROLEO COMERCIO DE PRODUTOS ALIMENTICIOS LTDA às fls. 8.528/8.557. Fl. 10018DF CARF MF Processo nº 10825.722770/201551 Resolução nº 1401000.516 S1C4T1 Fl. 10.019 7 Impugnação X apresentada em 25/12/2015 – fls. 8.883/8.913 por SIMON NEMER FERREIRA ABDUL MASSIH): Trouxe em seu bojo as mesmas razões de direito apresentada por FAROLEO COMERCIO DE PRODUTOS ALIMENTICIOS LTDA às fls. 8.528/8.557. Impugnação XI – (apresentada em 25/12/2015 – fls. 8.917/8.946 por DOV OLEOS VEGETAIS LTDA): Trouxe em seu bojo as mesmas razões de direito apresentada por FAROLEO COMERCIO DE PRODUTOS ALIMENTICIOS LTDA às fls. 8.528/8.557. Impugnação XII – (apresentada em 25/12/2015 – fls. 8.955/8.966 por JOSEPH TANUS MANSOUR): Trazendo as seguintes razões: DA OPERAÇÃO YELLOW E AS PROVAS PRODUZIDAS EM SEU BOJO: Afirma que “as escutas telefônicas foram autorizadas ao arrepio da lei. Razão pela qual estão sendo questionadas nas instâncias próprias do Judiciário. Afirma também, a quebra dos sigilos só é possível para dar prova a fatos precedentemente conhecidos e demostrados”. O ENVIEZAMENTO DA INTERPRETAÇÃO QUE OS AGENTES PÚBLICOS ESTÃO A DAR AOS MILHARES DE DOCS. IRREGULARMENTE APREENDIDOS: Alega que “é uma mera prestadora de serviços e sua função não é senão, executar as ordens que lhe são transmitidas por seus clientes. E que, o "Joseph" não tem interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Por isso os "elementos probatórios" aludidos no termo de sujeição passiva solidária, são exatamente os documentos que provam que o impugnante presta serviços às quatro empresas mencionadas pelo fisco”. Requereu o acolhimento total da impugnação apresentada. Impugnação XIII – (apresentada em 28/12/2015 – fls. 9.011/9.012 por ANDERSON ANTÔNIO GITIRANA): Trazendo as seguintes razões: Afirma que “não se verifica, em relação ao impugnante, quaisquer das hipóteses legais que pudesse alçálo à condição de corresponsável (devedorsolidário) pelo recolhimento dos tributos eventualmente devidos pela DOFAR, empresa da qual é sócio administrador”; “A hipótese do art. 124, I do CTN não se aplica ao sócio administrador, situação ostentada pelo impugnante. Tratase, esta, de regra geral dirigida (em certas circunstâncias) a terceiros que não tenham vínculo direto com o devedor principal, condição diversa da ostentada pelo impugnante”. Requereu o acolhimento da presente impugnação, reconhecendose que o ora impugnante NÃO É CORRESPONSÁVEL pelas obrigações tributárias da DOFAR DISTRIBUIDORA DE RAÇÕES E FARELO LTDA. Impugnação XIV – (apresentada em 23/12/2015 – fls. 9.016/9.046 por NEMR ABDUL MASSIH): Trouxe em seu bojo as mesmas razões de direito apresentada por FAROLEO COMERCIO DE PRODUTOS ALIMENTICIOS LTDA às fls. 8.528/8.557. Impugnação XV (apresentada em 23/12/2015 – fls. 9.048/9.077 por FN ASSESSORIA EMPRESARIAL LTDA. EPP): Trouxe em seu bojo as mesmas razões de Fl. 10019DF CARF MF Processo nº 10825.722770/201551 Resolução nº 1401000.516 S1C4T1 Fl. 10.020 8 direito apresentada por FAROLEO COMERCIO DE PRODUTOS ALIMENTICIOS LTDA às fls. 8.528/8.557. Impugnação XVI (apresentada em 23/12/2015 – fls. 9.147/9.077 por MODENA AGROPECUÁRIA INCORPORAÇÃO E EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA): Trazendo as seguintes razões: DA NECESSIDADE DE SOBRESTAMENTO DO JULGAMENTO ATÉ ANÁLISE PELO PODER JUDICIÁRIO ACERCA DA LEGALIDADE DA PROVA, CONSUBSTANCIADA NA INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA: Diz que “a principal prova constante no processo — o relatório YELLOW utilizado para fundamentar a autuação, utilizase de transcrições duvidosas de interceptações telefônicas como principal fundamento. As ilegalidades das referidas interceptações estão sendo discutidas nos autos da ação penal nº 001913358.2013.8.26.0071, em trâmite perante o MM. Juízo da ia Vara Criminal do Foro da Comarca de Bauru/SP, ora em fase de instrução, sem transito em julgado de absolutamente nada. E que, nesse sentido, uma vez que somente são permitidas neste PAT provas obtidas de modo lícito (art. 18 da Lei 13.457/09), é imperioso aguardar a conclusão sobre a legalidade ou não da referida prova para o julgamento dos presentes autos.” DA NULIDADE PELA AUSÊNCIA DA DEGRAVAÇÃO DO CONTEÚDO DAS INTERCEPTAÇÕES TELEFONICAS: Afirma que “é nulo o lançamento fiscal, ou ao menos, do elemento de convicção correspondente ao relatório fiscal da operação YELLOW, por referirse, contudo, por não estar acompanhado das transcrições integrais das respectivas interceptações telefônicas”. DA ILEGITIMIDADE DA PETICIONÁRIA PARA FIGURAR NO POLO PASSIVO DA AUTUAÇÃO: Aduz que “o relatório da fiscalização não aponta no que consistiria qualquer tipo de atividade de concurso efetivo por parte da Peticionária, muito menos, qual seria o interesse deles comum ao contribuinte na realização dos fatos geradores in causa. O referido relatório limitase a imputar genericamente e sem respaldo específico, a Peticionária que a suposta narrativa de prática de blindagem patrimonial de segunda mão, teria a extensão de lhes responsabilizar solidariamente, como consta no relatório, o que é absolutamente inadmissível”. (...) “Falta qualquer nexo de causalidade, enquanto, de outro lado, como se vê no relatório, é expressamente reconhecido pela fiscalização que as unidades industriais do Grupo Sina, são os estabelecimentos reais, que adquirem as matérias primas, fabricam os produtos e os revende”. DA INEXISTÊNCIA DA CAUSA DE SOLIDARIEDADE: Afirma que “não há no auto in causa uma única declaração que importe numa narração ainda que sucinta, de como efetivamente teria a ora Peticionária concorrido para a sonegação do imposto, muito menos há qualquer tipo de narrativa que lhes estabeleçam nexo de causalidade com o respectivo fato gerador. É impossível a pretensão do CTN se não há a menor descrição do efetivo envolvimento da Peticionária no concurso da dissimulação do fato gerador, até porque isso jamais existiu. Assim, para caracterizar a responsabilidade solidária pelo "interesse comum" é necessário que as responsáveis realizem conjuntamente a conduta descrita como infração – o que não ocorreu”. DO EFEITO CONFISCATÓRIO DA MULTA: Afirma que “tal multa é penalidade e tem caráter confiscatório e afronta o princípio da capacidade contributiva, uma vez que valor da multa é exorbitante em face da própria obrigação tributária”. Fl. 10020DF CARF MF Processo nº 10825.722770/201551 Resolução nº 1401000.516 S1C4T1 Fl. 10.021 9 Requereu o sobrestamento dos presentes autos até o julgamento da ação penal nº 0019133 58.2013.8.26.0071, a declaração de nulidade da responsabilização tributária, o reconhecimento da ilegitimidade da Peticionária para figurar como solidário, a nulidade da imposição de solidariedade a exclusão da multa em razão de seu caráter confiscatório”. Os responsáveis solidários Juliana Araújo Santana (sócia administradora), Cromais Distribuidora de Produtos Industrializados Ltda, Petry Comércio, Importação e Exportação Ltda., Orted Óleos e Cereais Ltda. e W.A.S. Comércio de Alimentos Ltda, não apresentaram impugnação. A contribuinte Dofar e o sócio e responsável solidário, Anderson Antonio Gitirana, não instruíram adequadamente sua defesa, e as tentativas da unidade preparadora de sanear o processo foram infrutíferas, posto que as intimações via postal (fls. 9172/9176), não obtiveram resposta. A Modena Agropecuária Incorporação e Empreendimentos Imobiliários Ltda (fls. 9147/9166), apresentou impugnação de forma intempestiva. O Acórdão ora Recorrido (1540.914 2ª Turma da DRJ/SDR) recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2012 ARBITRAMENTO DO LUCRO. ESCRITA NÃO APRESENTADA. A falta de apresentação da escrituração na forma das leis comerciais e fiscais ou então do Livro Caixa, no caso de empresa habilitada ao lucro presumido, autoriza o arbitramento do lucro da pessoa jurídica, com base, no caso concreto, nas receitas declaradas pelo próprio contribuinte ao Fisco Estadual. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. COFINS. PIS/PASEP. Aplicase às contribuições sociais, no que couber, o que foi decidido para a obrigação matriz, imposto de renda, dada a íntima relação de causa e efeito que as une. IRREGULARIDADE NA REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. ILEGITIMIDADE DE PARTE. O não atendimento à intimação para sanar irregularidade de representação processual decorrente da não apresentação de documento de identidade do representante do contribuinte, ou do responsável solidário, configura a ilegitimidade de parte. A ausência das formalidades legais retira da peça apresentada a condição de impugnação válida, não se instaurando o contencioso. PAF. PROVA EMPRESTADA. VALIDADE. Há previsão de mútua assistência entre as entidades da Federação em matéria de fiscalização de tributos, autorizando a permuta de informações e, uma vez observada a forma estabelecida, em caráter geral ou específico, por lei ou convênio, não se pode negar valor probante à prova emprestada, coligida mediante a garantia do contraditório. Fl. 10021DF CARF MF Processo nº 10825.722770/201551 Resolução nº 1401000.516 S1C4T1 Fl. 10.022 10 EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. Cabível a aplicação da multa qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento) quando caracterizado o evidente intuito de fraude pela ocorrência de ação dolosa tendente a impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência das circunstâncias materiais do fato gerador da obrigação tributária principal, de modo a evitar o seu pagamento. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. São solidariamente obrigadas pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, segundo prevê o art. 124, I, do CTN. MULTA QUALIFICADA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. A cominação da penalidade qualificada baseada em conduta dolosa que denote sonegação, fraude ou conluio com repercussões, em tese, na esfera criminal, enseja a responsabilização dos mandatários, prepostos e empregados diretores, gerentes ou representantes da pessoa jurídica à época da ocorrência dos fatos geradores. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Isto porque, segundo entendimento da turma, observouse que “durante o procedimento fiscal, a contribuinte e os responsáveis não disponibilizaram qualquer documentação contábil e, mesmo agora, na impugnação, não houve apresentação de qualquer elemento probatório para refutar as constatações da fiscalização relatadas no Termo de Verificação Fiscal. Tampouco, nada traz para corroborar a crítica ao procedimento fiscal realizado”. Afirmando ainda, que “a documentação disponibilizada pela SefazSP, via convênio, e as informações constantes na base de dados da RFB permitiram à fiscalização constatar a omissão de tributos decorrentes das receitas bruta de venda nos dois exercícios, base da autuação. De fato, detectouse DCTF confessando valores ínfimos de tributos devidos, o que motivou o lançamento de ofício do IRPJ com base no lucro arbitrado, fundamentandose no inciso III do artigo 530 (RIR/1999), como explicitado no Termo de Verificação Fiscal (fl. 78), inicialmente, porque intimada, frisese, a fiscalizada não apresentou à RFB os documentos e livros de sua escrituração comercial e fiscal, bem como, quando transmitidas, as suas declarações continham dados incongruentes com as notas fiscais eletrônicas de venda emitidas (SefazSP), obtidas em virtude de convênio como também explicitado anteriormente”. Salientouse “que a aplicação da multa qualificada, no percentual de 150%, está prevista no artigo 44, inciso I e § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996, e, na medida em que a contribuinte, visando impedir ou retardar, total ou parcialmente, que a autoridade fazendária tomasse conhecimento da ocorrência do fato gerador, deixou de declarar, deliberadamente, a totalidade das receitas apuradas no anocalendário 2012, quando o total das Notas Fiscais emitidas foi da ordem de R$ 106 milhões (fl. 102), e declarou em DCTF apenas valores muito pequenos. Tal procedimento evidencia tanto o intuito doloso como o objetivo de sonegação de tributos, previsto no artigo 71 da Lei nº 4.502, de 1964, evidenciando a prática de crime contra a ordem tributária. A fiscalização fundamentou a responsabilidade solidária dos sócios, dos reais administradores e das empresas do grupo, na prática de sonegação, enquadrando a sujeição passiva no art. 124, I, combinado com o art. 135, III, do CTN, no caso dos reais Administradores”. Diz ainda que o sujeito passivo da obrigação tributária é identificado como contribuinte ou responsável, conforme o art. 121 do CTN. É contribuinte a pessoa que tenha Fl. 10022DF CARF MF Processo nº 10825.722770/201551 Resolução nº 1401000.516 S1C4T1 Fl. 10.023 11 relação direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador, no caso concreto, a Dofar, e responsável aquele que, sem se revestir da condição de contribuinte, tem sua obrigação decorrente de lei. Daí, necessário identificar, no lançamento, não só o contribuinte, mas também o responsável, inclusive apontando os elementos necessários para caracterizar a responsabilidade solidária, a fim de trazer o responsável para dentro da relação jurídica tributária”. Foram mantidas a responsabilização solidária dos dois sócios da Dofar e dos seus seis reais administradores. (...) “As empresas Sina Indústria de Óleos Vegetais Ltda.; Faroleo Comércio de Produtos Alimentícios Ltda.; Dov Óleos Vegetais Ltda; Sina Comércio e Exportação de Produtos Alimentícios Ltda.; FAS Empreendimentos e Incorporações Ltda.; Multioleos Óleos e Farelo Ltda.; Sina Indústria de Alimentos Ltda., FN Assessoria Empresarial Ltda. EPP utilizam em sua defesa os mesmos argumentos apresentados pelos quatro membros da família Abdul Massih, ou seja, alegam que não há qualquer ligação, vínculo”. Considerou a turma julgadora, que apesar das alegações trazidas em sede de impugnação, “há, na verdade, provas materiais de que as empresas integram um grupo econômico de fato (grupo FN), do qual faz parte a Dofar Distribuidora de Rações e Farelos Ltda. ME, e que foram dirigidas pelas pessoas físicas também responsabilizadas, enfatizando se que existe decisões judiciais já referidas em parágrafo anterior reconhecendo a existência do grupo econômico formado por empresas que integram o grupo: FAS Empreendimentos e Incorporações Ltda., Sina Comércio e Exportação de Produtos Alimentícios Ltda., Sina Indústria de Óleos Vegetais Ltda., Multioleos Óleos e Farelo Ltda., Sina Indústria de Alimentos Ltda., e da Modena Agropecuária, Incorporações e Empreendimentos Imobiliários Ltda. Nesse contexto, subsiste a sujeição passiva das empresas do grupo e das pessoas físicas expressamente responsabilizadas na autuação”. Cientificado da decisão do Acórdão, o interessado e os sujeitos responsáveis solidariamente, apresentam seus respectivos RECURSOS VOLUNTÁRIOS, trazendo em seu bojo as seguintes razões: I Recurso Voluntário (apresentado em 08/03/2017 por JOSEPH TANUS MANSOUR – [fls.9.338/9.345]) – Intimação em 09/02/2017 – fls. 9.326. DA REFORMA DA DECISÃO – Afirma que: “A solidariedade é ato de imputação fiscal, precisa estar fundamentada em provas que se vinculem aos fatos jurídicos tributários constantes na autuação”; “A ampla defesa não se restringe a conceder prazos para apresentar peças que sequer são lidas, no procedimento administrativo ela é estabelecida pelos princípios da acessibilidade aos elementos do expediente e da verdade material”; “É fato que o recorrente prestava serviços de corretagem para algumas das empresas fiscalizadas, é fato que possuía documentos de cadastramento bancário, é fato que recebia valores pela prestação de sérvios a essas empresas, mas não há nenhum documento ou fato que autorize entender que fosse o administrador dessas empresas, pelo contrário — as provas destacadas pelo fisco demonstram a prestação de serviços”; “Nenhum documento apreendido demonstra que o recorrente estivesse administrando a empresa, pelo contrário, demonstram que prestava serviços para as empresas, Fl. 10023DF CARF MF Processo nº 10825.722770/201551 Resolução nº 1401000.516 S1C4T1 Fl. 10.024 12 e por isso possuía alguma cópias de documentos da empresa. A delegacia paulista não se deu ao trabalho de analisar as provas se acomodando nas impressões fiscais, sem sequer mencionar quais seriam as provas que justificariam a responsabilização do recorrente, demonstrando, mais uma vez a imprecisão da presunção fiscal, a sua generalização e desrespeito a lei”; “Uma imputação de centenas de milhões de reais com base na falta de apresentação de documentos não pode se basear em dois três emails pedindo o pagamento de prestação de serviços no valor de R$ 5.000,00 e em cópia de documentos aleatórios, senão estaremos contemplando a banalização do processo administrativo”; “Não há nenhum ato de gestão praticado pelo recorrente na DOFAR — nem descrito nem provado — sendo os elementos de provas circunstanciais, frágeis, e principalmente desvinculados dos fatos jurídicos tributários tratados na autuação. O único documento que vincula o recorrente aos fatos jurídicos tributários descritos no auto de infração é o relatório produzido pela fiscalização, ou melhor explicando — a vontade fiscal, porque os fatos narrados no TSPS não impõem a responsabilização — não há, sequer uma declaração de qualquer pessoa indicando o recorrente como administrador da empresa, só o fato de estar de posse de cópias de documentos não é fato que indique qualquer solidariedade tributária”. Requereu a decretação de improcedência DA responsabilização de JOSEPH TANUS MANSOUR. II Recurso Voluntário (apresentado em 08/03/2017 por JOÃO SHOITI KAKU – [fls.9.348/9.409]) – Intimação em 10/02/2017 – fls. 9.325, trazendo em seu bojo as seguintes razões: DO HISTÓRICO PROFISSIONAL DO RECORRENTE E SUA ATUAÇÃO COMO PRESTADOR DE SERVIÇOS AO GRUPO SINA: Diz que “tão somente prestou serviços esporádicos de consultoria financeira (obtenção de limite de crédito junto a instituições financeiras) para o grupo, não possuindo qualquer participação no quadro societário ou de dirigentes da empresa que permita a sua responsabilização pelo pagamento de débitos de natureza tributária”. E que, “em várias ocasiões, foi contratado como prestador de serviços — nunca como funcionário. preposto. procurador e/ou gestor, com foco na implementação ativa de soluções objetivas e com foco em resultados pontuais e em especial na renegociação de passivos financeiros junto a banco ou fundos, e na captação de recursos junto ao mercado financeiro para o fomento de operações industriais e ou comerciais. Eventualmente, e isso em função, sempre, da sua interlocução constante com bancos e fundos de investimento, pode ter realizado algum trabalho de aproximação entre vendedores e compradores de ativos, o que é natural e decorre do trabalho de consultoria que prestava e presta até os dias de hoje”. Diz ainda, que “o autor foi diagnosticado com tumor maligno em julho de 2010, quando ficou afastado de suas funções para cirurgias e tratamentos quimioterápicos até fevereiro de 2011 — que após o tratamento, retornou à prestação dos serviços, digase: de março de 2011 até maio de 2013, sendo que as reuniões eram realizadas nas condições acima mencionadas”. Afirma que “o Grupo Sina tem relevância no mercado em que atua e, segundo consta, está em recuperação judicial desde 14/07/2015, conforme documentos ora acostados, não havendo naquele processo, como não poderia haver, qualquer menção a figura do Autor como sócio, gestor e ou administrador, posto nunca ter exercido nenhuma dessas funções. (...) Desta feita, todas as declarações das empresas (Sina Ind. De Alimentos Ltda., Fama Ovos Ind. e Comércio de Ovos Ltda., F.N. Assessoria Empresarial Ltda., Podensac Agroindustrial Ltda., Fl. 10024DF CARF MF Processo nº 10825.722770/201551 Resolução nº 1401000.516 S1C4T1 Fl. 10.025 13 Modena Agropecuária Incorporação e Empreend. Imobiliários Ltda. e Modena Agropecuária Ltda.) são enfáticas quanto à falta de liame direto com a gestão da empresa, sendo pessoa estranha ao quadro societário, diretivo ou de funcionário da empresa. Portanto, se o senhor Nemr era proprietário ou não das empresas sócias do Grupo Sina, se declarava essa propriedade, ou se tinha algum tipo de relacionamento com sócios externos, isso não era da conta do consultor que, ademais, nunca teve acesso à declaração de imposto de renda do senhor Nemr Abdul Massih”. DOS FATOS RELACIONADOS À AUTUAÇÃO — ORIGEM NO PROCEDIMENTO IVESTIGATÓRIO E CONSEQUENTE AÇÃO PENAL: Afirma que “o mero conhecimento da estrutura societária do Grupo não guarda qualquer relação com eventual posição hierárquica dentro do organograma da empresa, bem como a estrutura societária do Grupo SINA, ou da empresa Dofar Distribuidora de Rações e Farelos Ltda. ME, que eram de conhecimento de outras instituições financeiras, de forma que não era um dado sigiloso. (...) A falta de suporte probatório, bem como a insuficiência de demonstração das condutas praticadas pelo recorrente, como forma de linkar sua participação nas atividades desenvolvidas pela empresa autuada, padecem de fragilidade crônica, pois o material probatório indica situação absolutamente diversa”. DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO EM DECORRÊNCIA DE IRREGULARIDADES PROCEDIMENTAIS QUE MACULAM A SUA SUBSISTÊNCIA: Diz que “no tocante à tributação, o Princípio da Segurança Jurídica limita a atuação do Estado e garante a certeza aos contribuintes na relação jurídica tributária. Para tanto, o legislador deve obedecer aos preceitos da Constituição Federal. Em matéria tributária, a Constituição determina os limites para a atuação do legislador infraconstitucional, uma vez que o Fisco, ao tributar, está exercendo um direito sobreposto ao direito subjetivo do cidadão à propriedade”. DA AUSÊNCIA DE CIÊNCIA DO RECORRENTE DA INSTAURAÇÃO DE PROCEDIMENTO FISCAL QUE CULMINOU NA RESPONSABILIZAÇÃO POR SOLIDARIEDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA DURANTE A FASE INVESTIGATÓRIA: “Afirma que “aparentemente, houve a realização de cotejo das obrigações acessórias declaradas pela empresa Autuada (DCTF, DACON e DIPJ) e das notas fiscais eletrônicas emitidas pela mesma, tendo sido constatada a incongruência de informações, razão pela qual os AFRFB lavraram Auto de Infração para a constituição de suposto crédito tributário a título de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS”. E que, “a verdade é que o Recorrente somente fora cientificado dos trabalhos realizados quando se instaurou a fase contenciosa do processo administrativo, não lhe sendo proporcionada a possibilidade de colaborar com os anseios dos AFRFB investigadores, o que certamente demonstraria a inexistência de qualquer parcela de participação do Recorrente nas supostas irregularidades fiscais tributárias atribuídas à empresa Autuada e ao Grupo. Essa participação colaborativa pelo investigado é preconizada no ordenamento jurídico, corolário ao princípio do devido processo legal estampado na Constituição Federal, uma vez que concede ao sujeito passivo a oportunidade de prestar esclarecimentos ao agente público encarregado da condução do trabalho fiscalizatório, lhe proporcionando subsídios cognitivos com vista a buscar a chamada verdade material, intrinsicamente relacionado ao exercício da sua função administrativa de fiscalização”. DA AUSÊNCIA DE DOCUMENTOS ESSENCIAIS PARA EMBASAR O MONTANTE COBRADO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO ILÍQUIDO E INCERTO: Diz que “não foram colacionadas aos autos de infração quaisquer obrigações acessórias e/ou notas fiscais eletrônicas a fim de que o Recorrente possa aferir se realmente procedem os números Fl. 10025DF CARF MF Processo nº 10825.722770/201551 Resolução nº 1401000.516 S1C4T1 Fl. 10.026 14 apontados pelos AFRFB. Tais informações são fundamentais para que o Recorrente possa exercer o seu direito à ampla defesa e contraditório de maneira irrestrita, tal como garantido pela Constituição Federal, uma vez que o Recorrente, por ser pessoa completamente estranha à empresa Autuada, não tem o menor conhecimento das atividades operacionais da empresa, e muito menos das informações de cunho contábil/fiscal que foram transmitidas à RFB. Desta forma, o Recorrente está sendo tolhido no exercício do seu direito de defesa em sua plenitude, uma vez que não tem acesso às informações necessárias para contestar o trabalho realizado pelos AFRFB. Isto porque, considerando que o Recorrente não tem acesso às obrigações acessórias entregues pela Autuada, não tem elementos para verificar a lisura do trabalho desenvolvido pelos AFRFB”. DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA E DAS PARTES ENVOLVIDAS: Aduz que “o contribuinte é a pessoa que possui relação direta e pessoal com o fato jurídico eleito como hipótese de incidência tributária, ou seja, é aquele que praticou o fato gerador e que tem, a princípio, o dever de pagar o tributo ou cumprir as obrigações acessórias na qualidade de sujeito passivo da relação jurídico tributária. Não obstante, a lei pode responsabilizar outra pessoa pela obrigação tributária ainda que esta não tenha realizado o fato gerador, nascendo então a figura do responsável tributário. O responsável é o sujeito passivo que, apesar de ser compelido a adimplir o tributo, possui uma relação apenas indireta com o fato gerador”. DA NULIDADE DA IMPUTAÇÃO DA RESPONSABILIDADE PESSOAL PELO ARTIGO 135, III DO CTN. AUTORIDADE INCOMPETENTE. PRECEDENTES DO CARF: Afirma que “a autoridade lançadora apenas possui a incumbência de investigar e demonstrar através de provas e indícios a conduta ilícita dos sócios e administradores, enquanto que cabe à PGFN reunir esses elementos factuais e decidir pela corresponsabilidade ou não dos envolvidos, em eventual processo de execução fiscal”. DA INEXISTÊNCIA DE ATOS PRATICADOS PELO RECORRENTE COM EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO DE LEI, DO CONTRATO SOCIAL OU ESTATUTO: Diz que “o Recorrente não agiu com dolo, fraude, excesso de poderes ou violação à lei ou ao contrato social até porque não detinha qualquer poder de ingerência sobre o Grupo, não possuindo qualquer poder de decisão sobre o Grupo, uma vez que esse poder é restrito apenas à família Adbul Massih única e verdadeira dona desse conglomerado, ficando o Recorrente apenas na responsabilidade atinente à sua contratação: obtenção de linhas de crédito perante as instituições financeiras”. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA— ART. 124,1 DO CTN: Argumenta que “nos termos da melhor doutrina e da jurisprudência firmada no C. Superior Tribunal de Justiça, para que se configure a solidariedade fundada no interesse comum (art. 124, I do CTN), não é suficiente que se participe de ações que acarretem na ocorrência do fato gerador. É fundamental que se realize, pessoalmente, em conjunto com outras, a materialidade do próprio fato gerador, pois somente assim se caracterizará o interesse jurídico que imputa a solidariedade”. DA INEXISTÊNCIA DE VÍNCULO ENTRE RECORRENTE E O GRUPO APTA A ENSEJAR A RESPONSABILIDADE PESSOAL E RECORRENTE X FATO GERADOR DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA APTA A ENSEJAR A RESPONSABILIDADE SOUDÁRIA: Diz que “conforme mencionado no próprio relatório da Operação Yellow, a estrutura societária do grupo era de conhecimento de outra instituições Fl. 10026DF CARF MF Processo nº 10825.722770/201551 Resolução nº 1401000.516 S1C4T1 Fl. 10.027 15 financeiras, o que demonstra que o Recorrente, em sua conversa com a funcionária do Banco Fibra, não contou nenhum segredo, uma vez que a informação já era de conhecimento no mercado. (...) Resta claro, portanto, que a degravação apontada no Termo de Sujeição Passiva Solidária não demonstra a responsabilidade pessoal e solidária do Recorrente pelo crédito tributário de responsabilidade da empresa Autuada, não comprovando a existência de vínculo entre o Recorrente x Grupo e o Recorrente x fato gerador da obrigação tributária capaz de justificar a sua permanência no polo passivo da autuação fiscal”. DO EXCESSO DAS MULTAS APLICADAS: Diz que “não há necessidade de maiores considerações sobre o caráter confiscatório da multa aplicada, no percentual de 150% sobre a base de cálculo arbitrada pelos AFRFB, em total afronta à Constituição Federal e ao entendimento firmado pelo C. STF”. DA SUSPENSÃO DO ANDAMENTO PROCESSUAL ATÉ ULTERIOR DECISÃO DEFINITIVA QUE CRAVE O VÍNCULO DO RECORRENTE AO INDIGITADO GRUPO: Alega que “no ordenamento jurídico brasileiro, regese o princípio pelo qual se preconiza a independência das instâncias administrativa, civil e criminal. Isso porque uma conduta pode ser classificada ao mesmo tempo como ilícito penal, civil e administrativo. Nesse caso poderá ocorrer a condenação em todas as esferas ou não, ou seja, na ação civil poderá ser condenado e na ação penal absolvido, pois vale a regra da independência e autonomia entre as instâncias. Mas há exceções nas quais haverá vinculação entre as instâncias, o que significa que não poderá ser condenado na esfera civil ou administrativa quando for absolvido na esfera penal por (1) inexistência de fato e (ii) negativa de autoria”. Dessa forma, reafirma que “considerando que os Autos de Infração ora impugnados são oriundos da Operação Yellow, que deu origem à Ação Penal n° 001913358.2013.8.26.0071 proposta pelo Ministério Público do Estado de São Paulo em curso perante a 1a Vara Criminal da Comarca de Bauru/SP, subsidiariamente o Impugnante vem requerer seja determinado o sobrestamento do feito até a conclusão definitiva da mencionada ação penal, oportunidade na qual se dará o correto andamento do feito”. Requereu a decretação da nulidade do auto de infração em decorrência de irregularidades procedimentais que maculam suas subsistências, o afastamento da sujeição passiva solidária imposta ao Recorrente; Requereu ainda, o sobrestamento do feito até ulterior conclusão definitiva da Ação Penal n° 0019133 58.2013.8.26.0071, proposta pelo Ministério Público do Estado de São Paulo em curso perante a Vara Criminal, da Comarca de Bauru – SP. III Recurso Voluntário (apresentado em 20/02/2017 por MULTIOLEOS OLEOS E FARELOS LTDA– [fls.9.778/9.814]) – Intimação em 06/02/2017 – fls. 9.315. Trouxe em seu bojo as mesmas razões de direito apresentada em sua Impugnação Administrativa. IV Recurso Voluntário (apresentado em 20/02/2017 por FAS EMPREENDIMENTOS E INCORPORAÇÕES LTDA.,– [fls.9.505/9.542]) – Intimação em 10/02/2017 – fls. 9.317. Trouxe em seu bojo as mesmas razões de direito apresentada em sua Impugnação Administrativa. V Recurso Voluntário (apresentado em 20/02/2017 por SIMON NEMER FERREIRA ABDUL MASSIH.,– [fls.9.796/9.859]) – Intimação em 10/02/2017 – fls. 9.322. Fl. 10027DF CARF MF Processo nº 10825.722770/201551 Resolução nº 1401000.516 S1C4T1 Fl. 10.028 16 Trouxe em seu bojo as mesmas razões de direito apresentada em sua Impugnação Administrativa. VI Recurso Voluntário (apresentado em 20/02/2017 por DOFAR DISTRIBUIDORA DE RAÇOES E FARELOS LTDA.,– [fls.9.491/9.452]) – Intimação em 22/02/2017 – fls. 9.316. Trouxe em seu bojo as mesmas razões de direito apresentada em sua Impugnação Administrativa. VII Recurso Voluntário (apresentado em 20/02/2017 por SINA COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA.,– [fls.9.682/9.717]) – Intimação em 06/02/2017 – fls. 9300. Trouxe em seu bojo as mesmas razões de direito apresentada em sua Impugnação Administrativa. VIII Recurso Voluntário (apresentado em 20/02/2017 por FAROLEO COMERCIO DE PRODUTOS ALIMENTICIOS LTDA.,– [fls.9.547/9.583]) – Intimação em 09/02/2017 – fls. 9318. Trouxe em seu bojo as mesmas razões de direito apresentada em sua Impugnação Administrativa. IX Recurso Voluntário (apresentado em 20/02/2017 por FN ASSESSORIA EMPRESARIAL LTDA. EPP.,– [fls.9.593/9.629]) – Intimação em 10/02/2017 – fls. 9319. Trouxe em seu bojo as mesmas razões de direito apresentada em sua Impugnação Administrativa. X Recurso Voluntário (apresentado em 20/02/2017 SINA INDÚSTRIA DE ALIMENTOS LTDA..,– [fls.9.730/9.766]) – Intimação em 06/02/2017 – fls. 9301. Trouxe em seu bojo as mesmas razões de direito apresentada em sua Impugnação Administrativa. XI Recurso Voluntário (apresentado em 20/02/2017 por ANDREA FERREIRA ABDUL MASSIH.,– [fls.9.906/9.942]) – Intimação em 09/02/2017 – fls. 9324. Trouxe em seu bojo as mesmas razões de direito apresentada em sua Impugnação Administrativa. XII Recurso Voluntário (apresentado em 20/02/2017 por DOV OLEOS VEGETAIS LTDA.,– [fls.9.459/9.495]) – Intimação em 22/02/2017 – fls. 9316. Trouxe em seu bojo as mesmas razões de direito apresentada em sua Impugnação Administrativa. XIII Recurso Voluntário (apresentado em 20/02/2017 por MARIA DE FÁTIMA BUTARA FERREIRA ABDUL MASSIH [fls.9.865/9.901]) – Intimação em 02/02/2017 – fls. 9323. Trouxe em seu bojo as mesmas razões de direito apresentada em sua Impugnação Administrativa. XIV Recurso Voluntário (apresentado em 20/02/2017 por NEMR ABDUL MASSIH [fls.9.948/9.984]) – Intimação em 06/02/2017 – fls. 9303. Trouxe em seu bojo as mesmas razões de direito apresentada em sua Impugnação Administrativa. XV Recurso Voluntário (apresentado em 20/02/2017 por SINA INDÚSTRIA DE ÓLEOS VEGETAIS LTDA [fls.9.634/9.670] ) – Intimação em 10/02/2017 – fls. 9320. Trouxe em seu bojo as mesmas razões de direito apresentada em sua Impugnação Administrativa. Fl. 10028DF CARF MF Processo nº 10825.722770/201551 Resolução nº 1401000.516 S1C4T1 Fl. 10.029 17 Às fls. 1012 consta Ofício 2226/2017 recebido da Quarta Vara Federal de São Paulo informando que, a pedido do Ministério Público foram arquivadas as representações para fins penais de diversos processos administrativos, entre eles o relativo ao presente processo administrativo fiscal. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Daniel Ribeiro Silva Relator. Inicialmente cumpre destacar que as referências de páginas referemse ao e processo. Em decorrência do conhecimento de operação levada a efeito pela Secretaria da Fazenda e Ministério Público, ambos do Governo do Estado de São Paulo, nominada Operação Yellow, foi instaurada a fiscalização que resultou no presente lançamento, feito com base do relatório e nas provas colhidas na referida operação. Da análise dos recursos voluntários dos solidários, na sua grande maioria reproduções uns dos outros, é possível verificar que o principal fundamento de defesa se funda na invalidade das provas colhidas na referida operação, as quais teriam sido colhidas ilegalmente. Outrossim, da análise do Termo de Responsabilidade Solidária é possível verificar que o agente fiscal em muito fundamentou a solidariedade nas interceptações telefônicas obtidas na referida fiscalização, em especial para enquadrar as pessoas físicas como sócios de fato do grupo. Por outro lado, como relatado, às fls. 1012 consta Ofício 2226/2017 recebido da Quarta Vara Federal de São Paulo informando que, a pedido do Ministério Público foram arquivadas as representações para fins penais de diversos processos administrativos, entre eles o relativo ao presente processo administrativo fiscal. Assim, levando em consideração que a representação para fins penais decorrente do presente lançamento foi arquivada a pedido do próprio Ministério Público Federal, bem como diante dos fundamentos insistentemente repetidos pelos responsáveis solidários, este Relator entende que o presente julgamento seja convertido em diligência para que a Delegacia de Origem oficie o Ministério Público Federal requerendo informações sobre as razões do pedido de arquivamento realizado, bem como sobre a validade das provas colhidas na referida representação. Isto porque, caso o entendimento do MPF tenha sido no sentido da ilegalidade ou invalidade das provas colhidas na referida operação, e estando toda a responsabilidade solidária calcada nesses mesmos elementos, entendo que tal fato teria conseqüências diretas em relação à análise da responsabilização solidária. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 10029DF CARF MF Processo nº 10825.722770/201551 Resolução nº 1401000.516 S1C4T1 Fl. 10.030 18 Daniel Ribeiro Silva Fl. 10030DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.720289/2015-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO. INTEMPESTIVIDADE
A falta de interposição de recurso voluntário no prazo regulamentar de 30 dias (Decreto nº 70.235/1972, art. 33) implica o não conhecimento do recurso voluntário.
Numero da decisão: 1302-002.614
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas e em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. Declarou-se impedido o conselheiro Jose Roberto Adelino da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado), Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias.
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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COMPENSAÇÃO. EXTINÇÃO DE EMPRESA POR Recorrente BRF S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO. INTEMPESTIVIDADE A falta de interposição de recurso voluntário no prazo regulamentar de 30 dias (Decreto nº 70.235/1972, art. 33) implica o não conhecimento do recurso voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas e em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. Declarouse impedido o conselheiro Jose Roberto Adelino da Silva. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado), Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 02 89 /2 01 5- 88 Fl. 1190DF CARF MF Processo nº 11516.720289/201588 Acórdão n.º 1302002.614 S1C3T2 Fl. 3 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto face ao Acórdão nº 1672.403, DE 28 de abril de 2016, da 7ª Turma da DRJ de São Paulo (DRJ/SPO) que, por unanimidade de votos, manteve integralmente a autuação, registrandose a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012 INCORPORAÇÃO. APROVEITAMENTO DE BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DA CSLL DE PERÍODOS ANTERIORES. É indevida a compensação de bases de cálculo negativas da CSLL sem observância do limite de 30% do lucro líquido ajustado, estabelecido pelo artigo 16 da Lei n° 9.065/95, ainda que, em decorrência da extinção da pessoa jurídica por incorporação, reste saldo que não poderá ser aproveitado pela sucessora. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SUCESSÃO EMPRESARIAL. INCORPORAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. A responsabilidade dos sucessores de sociedade extinta em decorrência de deliberação que aprovar operação de incorporação, aplicase às obrigações tributárias vinculadas à empresa incorporada, cuja abrangência da sujeição passiva alcança os respectivos tributos devidos, acrescido das multas de natureza fiscal e juros moratórios a eles associados, em relação às infrações cometidas quanto aos fatos geradores ocorridos até a data do evento societário. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Este Proc. 11516.720289/201588, portanto, referese ao Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), anocalendário 2012. Enquanto que o Proc. 11516.720291/201557 referese à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), também em pauta para julgamento nessa sessão. A Recorrente incorporou a empresa Sadia S.A., em 31/12/2012. A Fiscalização (Termo de Verificação Fiscal TVF, fl. 877) verificou que a Sadia S.A., empresa sucedida que já pertencia ao grupo econômico da Recorrente, não respeitou o limite legal de 30% para a compensação de prejuízos fiscais de períodos anteriores, na apuração do lucro real (Ficha 9A, DIPJ, anocalendário 2012). A apuração da base de cálculo da CSLL também foi impactada pela utilização do saldo de base negativa de períodos anteriores da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (fls. 307), também sem a observância do referido limite legal (Ficha 17, DIPJ, ano calendário 2012). Concluiu a Fiscalização que teria havido compensações indevidas de prejuízos fiscais na apuração do IRPJ e de base de cálculo negativa na apuração da CSLL, Fl. 1191DF CARF MF Processo nº 11516.720289/201588 Acórdão n.º 1302002.614 S1C3T2 Fl. 4 3 relativas ao anocalendário de 2012, em desrespeito ao limite de compensação de 30%, estabelecido nos artigos 15 e 16 da Lei n° 9.065/95. A Recorrente, na qualidade de sucessora da Sadia S.A. sustentou que a "trava" dos 30% não seria aplicável nos casos de incorporação, pelo fato de que a empresa deixaria de existir. Portanto, não haveria mais a possibilidade de utilizar os prejuízos fiscais e as bases negativas de períodos anteriores. Ressaltou que esse seria o entendimento de Conselheiros do Carf e de Ministros do STF. Alegou ainda a Recorrente que a Fiscalização teria se equivocado, ao entender que a possibilidade de compensação integral do saldo de prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL no ano da extinção da pessoa jurídica seria uma exceção não prevista no ordenamento jurídico, em relação à referida regra que estabelece o limite à compensação do lucro auferido (limite de 30% previsto no artigo 16 da Lei n° 9.065/95). A DRJ manteve as conclusões da Fiscalização e também não acolheu os argumentos da Recorrente e lavrou dois autos de infração, o de CSLL no valor de R$ 152.604.126,59, no presente processo e o de IRPJ no valor de R$ 368.501.448,44, no referido Proc. 11515.720289/201588. Ressaltouse, ainda, que não caberiam as alegações firmadas no sentido de que a limitação do aproveitamento dos prejuízos fiscais e das bases negativas da CSLL, pela empresa extinta pela deliberação da cisão total, implicaria tributação do próprio patrimônio. Todavia, há neste processo (IRPJ) questão particular que deve ser tratada, já de início, que diz respeito à intempestividade da interposição do recurso voluntário desse caso, como segue. Conforme Termo de Abertura de Mensagem (fl. 1049), registrada na Caixa Postal da Recorrente (eCAC, Domicílio Tributário Eletrônico – DTE), em 08/07/2016, a Recorrente acessou a Intimação para Ciência do Acórdão e Intimação para interpor recurso voluntário. Todavia, não houve a interposição de recurso voluntário no prazo regulamentar de 30 dias (Decreto nº 70.235/1972, art. 33). Lavrouse, assim, Termo de Perempção (fl. 1050), juntado aos autos, em 24/08/2016. Somente, em 26/08/2016 (fls. 105 a 1107), a Recorrente protocolou neste processo, recurso voluntário. No entanto, alegou preliminarmente que seria nulo o Termo de Perempção, pelo fato de que, em realidade, teria interposto recurso voluntário em 04/08/2016, só que nos autos do referido PAF nº 11516.720291/201557 (CSLL). A Recorrente fundamentou tal procedimento nas normas estabelecidas pela Portaria RFB nº 666/2008, revogada pela Portaria RFB nº 354/2016 e revogada pela Portaria RFB nº 1668, de 29 de novembro de 2016 que, dispõe sobre a formalização de processos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), cujo teor foi a seguir transcrito foi mantido pela nova e vigente portaria, em seu art. 2º, inciso I, alínea ‘a’. Portaria RFB nº 1668, de 29 de novembro de 2016 Art. 2º Serão objeto de um único processo administrativo: Fl. 1192DF CARF MF Processo nº 11516.720289/201588 Acórdão n.º 1302002.614 S1C3T2 Fl. 5 4 I as exigências de crédito tributário do mesmo sujeito passivo, formalizadas com base nos mesmos elementos de prova, referentes: a) ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); Não obstante tais orientações para a formalização de processos administrativos unificados, verificase que, no caso, cadastraramse dois processos, um para cada tributo: IRPJ e CSLL. Em cada processo houve intimação individualizada para ciência e apresentação de recurso. Em momento algum a Recorrente insurgiuse quanto à necessidade de se unificar os processos em cumprimento às referidas Portarias. Somente, diante do protocolo após o prazo legal de 30 dias da intimação do acórdão recorrido, recorreuse a tais orientações das Portarias. É o relatório. Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator Em cumprimento às referidas normas que estabelecem prazo de 30 dias da intimação para a interposição de recurso voluntário e à vista do não cumprimento, em específico, voto pelo não conhecimento do recurso voluntário, com base nas demonstrações retro, as quais indicam que é intempestiva a sua interposição. Apesar disso, alega a Recorrente que há matéria de ordem pública, consubstanciada em erro de sujeição passiva, uma vez que a autoridade fiscal autuou a Recorrente como se contribuinte fosse, sem apontar o dispositivo legal que fundamentaria sua responsabilidade por sucessão. Não é verdade que a autoridade tributária não tenha citado tratarse de sujeição passiva por sucessão. Da leitura do Termos de Verificação Fiscal constatamos: a) à folha 893, a seguinte descrição: "No exercício das funções de Auditor Fiscal da Receita Federal, efetuouse procedimento fiscal de revisão interna de Declarações de Informações EconômicoFiscais de empresa incorporada pela contribuinte acima identificada,referente ao anocalendário de 2012" e, também, "Em 31/12/2012, a BRF S/A CNPJ 01.838.723/000127, incorporou a empresa SADIA S/A CNPJ 20.730.099/000194 (fls. 164/290 dos processos). Inicialmente, verificouse que a empresa incorporada (SADIA S/A, CNPJ 20.730.099/000194) apresentou sua declaração de rendimentos (DIPJ) sem observar o limite de 30% de prejuízos fiscais de períodos anteriores na apuração do lucro real relativo ao ano calendário de 2012, conforme consta da DIPJ AC 2012 (fls. 322/884 do proc. 11516.720289/201588), na ficha 9A, a seguir transcrita:" b) à folha 898, o seguinte: "Nas apurações do IRPJ e da CSLL relativas ao ano calendário de 2012 a SADIA S/A (CNPJ 20.730.099/000194), que foi incorporada pela BRF S/A (CNPJ 01.838.723/000127), não respeitou a “trava dos trinta por cento” prescrita nos artigos 15 e 16 da Lei 9.065. As alegações trazidas pela Fl. 1193DF CARF MF Processo nº 11516.720289/201588 Acórdão n.º 1302002.614 S1C3T2 Fl. 6 5 sucessora (BRF S/A, CNPJ 01.838.723/000127), em resposta ao TIF 001, NÃO tem amparo legal, pois afrontam dispositivo da legislação fiscal, que estabelece as normas de apuração do Imposto de Renda e da Contribuição Social. São frágeis as alegações de que nos casos de incorporação não vale a regra imposta pela “trava dos trinta por cento”, pois não foram previstas exceções ao dispositivo imposto pela legislação fiscal." c) no item 2.3.1, folhas 898 e 899: "No LALUR fornecido pela empresa, vide fls. do processo 11516.720289/201588, verificase que a incorporada efetuou a compensação de seu lucro, na apuração do ano calendário de 2012, sem respeitar a “trava dos trinta por cento” contida no artigo 15 da Lei 9.065. Desta forma houve a compensação indevida de prejuízo fiscal de períodos anteriores nos termos do quadro resumo a seguir:". Entendo que a sujeição passiva por sucessão está bem caracterizada, como sendo por incorporação, não havendo que se cogitar qualquer nulidade por falta de indicação do dispositivo legal que determinava a sucessão, pois que a ninguém e dado desconhecer a lei. Por todo o exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Fl. 1194DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.720417/2015-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA.
O artigo 18, do Decreto nº 70.235, de 1972, deixa à faculdade da autoridade julgadora a determinação de perícia, quando entender que elas se mostram necessárias, sendo que pode as indeferir, quando considerá-las prescindíveis, não configurando, assim, o seu indeferimento em cerceamento ao direito de defesa.
VÍCIO DE FUNDAMENTAÇÃO. INEXISTÊNCIA.
No Termo de Descrição de Fatos, há uma ampla fundamentação, além da fundamentação legal no auto de infração. O auto dividiu os fatos jurídicos por período e fundamentou no Decreto nº 4.544, de 2002 - RIPI/2002, para os fatos ocorridos na vigência da norma. Ademais, os artigos 195, 197, 198, da legislação do IPI, foram demonstrados e com base nesta legislação, fundamentado o arbitramento, não podendo ser assim encontrado qualquer tipo de vício de fundamentação.
PROVA EMPRESTADA. POSSIBILIDADE. CONTRADITÓRIO. "A POSTERIORI".
O contraditório e a ampla defesa devem ser observados no processo em que a prova está sendo utilizada em homenagem aos princípios constitucionais da economia processual e da unidade da jurisdição.
DECADÊNCIA. EFEITOS JURÍDICOS. NÃO OCORRÊNCIA. FRAUDE. ART. 173, I, DO CTN.
Quando há ocorrência de fraude e, por conseguinte, sonegação, logo, o termo inicial da decadência, ainda que haja pagamento, deixa de ser o momento do acontecimento do fato, passando a ser o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme leitura sistemática do artigo 150, § 4º, e 173, inciso I, ambos do Código Tributário Nacional
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
SUBFATURAMENTO. UTILIZAÇÃO DE "MEIA NOTA". SONEGAÇÃO. ARBITRAMENTO. VALOR REAL. "PEDIDO DE ORÇAMENTO".
Houve prova do esquema operacional de subfaturamento de produtos com intuito de evasão dos tributos praticado pela contribuinte, demonstrando autoria e materialidade da conduta típica.
As notas fiscais da contribuinte não merecem credibilidade, pois que não refletem a realidade dos fatos. A fiscalização teve acesso ao valor real das operações de saída de mercadorias do estabelecimento da contribuinte, sendo que o valor real é o constante do chamado "pedido de orçamento".
MULTA AGRAVADA. CABIMENTO.
Com a comprovação da prática de sonegação fiscal, que é tipificada pelo artigo 71, da Lei nº 4.502, de 1964, incide o artigo 44, § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996.
VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO. INOBSERVÂNCIA. RELAÇÃO DE INTERDEPENDÊNCIA. ARBITRAMENTO.
Comprovada a interdependência, deve ser observado o artigo 195, inciso I, do Decreto 7.212, de 2010, que preceitua que o valor tributável não poderá ser inferior ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente quando o produto for destinado a estabelecimento de firma com a qual mantenha relação de interdependência.
O preço será do estabelecimento atacadista, apurado no mês anterior ao de saída do estabelecimento remetente e aplicado às saídas deste estabelecimento (remetente), conforme preceitua o artigo 195, inciso I, do Decreto nº 7.212, de 2010 - RIPI.
Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. DEO-COLÔNIAS.
A classificação fiscal para as deo-colônias deve ser a NCM 3303.00.20 (águas de colônia), pois sua função é perfumar a pele.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. SABONETES LÍQUIDOS.
A classificação fiscal para os sabonetes líquidos deve ser a NCM 3401.30.00, pois os produtos reclassificados são sabonetes líquidos utilizados para a lavagem da pele.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. SABONETE EM BARRA.
A classificação fiscal para o sabonete em barra deve ser a NCM 3401.11.90,
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ÓLEOS CORPORAIS.
A classificação fiscal para os óleos corporais, por serem hidratantes, deve ser a NCM 3304.99.90.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3302-005.377
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, que convertia o julgamento em diligência para verificação da classificação fiscal. O Conselheiro Diego Weis Jr (Suplente convocado) não participou da votação em razão do voto definitivamente proferido pela Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza na sessão de 27/02/2018. Designado o Conselheiro Walker Araújo como redator ad hoc para formalização do acórdão.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
(assinatura digital)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinatura digital)
Walker Araujo - Redator "ad hoc"
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Jorge Lima Abud e Walker Araujo.
Nome do relator: SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA
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INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA. O artigo 18, do Decreto nº 70.235, de 1972, deixa à faculdade da autoridade julgadora a determinação de perícia, quando entender que elas se mostram necessárias, sendo que pode as indeferir, quando considerálas prescindíveis, não configurando, assim, o seu indeferimento em cerceamento ao direito de defesa. VÍCIO DE FUNDAMENTAÇÃO. INEXISTÊNCIA. No Termo de Descrição de Fatos, há uma ampla fundamentação, além da fundamentação legal no auto de infração. O auto dividiu os fatos jurídicos por período e fundamentou no Decreto nº 4.544, de 2002 RIPI/2002, para os fatos ocorridos na vigência da norma. Ademais, os artigos 195, 197, 198, da legislação do IPI, foram demonstrados e com base nesta legislação, fundamentado o arbitramento, não podendo ser assim encontrado qualquer tipo de vício de fundamentação. PROVA EMPRESTADA. POSSIBILIDADE. CONTRADITÓRIO. "A POSTERIORI". O contraditório e a ampla defesa devem ser observados no processo em que a prova está sendo utilizada em homenagem aos princípios constitucionais da economia processual e da unidade da jurisdição. DECADÊNCIA. EFEITOS JURÍDICOS. NÃO OCORRÊNCIA. FRAUDE. ART. 173, I, DO CTN. Quando há ocorrência de fraude e, por conseguinte, sonegação, logo, o termo inicial da decadência, ainda que haja pagamento, deixa de ser o momento do acontecimento do fato, passando a ser o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme leitura AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 04 17 /2 01 5- 44 Fl. 6396DF CARF MF 2 sistemática do artigo 150, § 4º, e 173, inciso I, ambos do Código Tributário Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 SUBFATURAMENTO. UTILIZAÇÃO DE "MEIA NOTA". SONEGAÇÃO. ARBITRAMENTO. VALOR REAL. "PEDIDO DE ORÇAMENTO". 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O Conselheiro Diego Weis Jr (Suplente convocado) não participou da votação em razão do voto definitivamente proferido pela Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza na sessão de 27/02/2018. Designado o Conselheiro Walker Araújo como redator ad hoc para formalização do acórdão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinatura digital) Walker Araujo Redator "ad hoc" Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Jorge Lima Abud e Walker Araujo. Relatório Conselheiro Walker Araújo, redator "ad hoc". Na condição de redator "ad hoc" para formalização deste acórdão, passo a transcrever o relatório constante da minuta do voto da relatora Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza. "Por bem transcrever os fatos, adotase o relatório da DRJ/Ribeirão Preto, fls. 6219 e seguintes1: Contra a empresa em epígrafe foi lavrado o Auto de Infração de fls. 6010/6019, para exigir R$ 14.310.540,19 de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), R$ 6.404.962,99 de juros de mora calculados até 30/04/2015, e R$ 21.395.555,56 de multa proporcional ao valor do imposto, o que representa o crédito tributário total consolidado de R$ 42.111.058,74. Na descrição dos fatos do auto de infração constatase que foi apurado falta de lançamento do imposto por ter o 1 Todas as páginas, referenciadas no voto, correspondem ao eprocesso. Fl. 6398DF CARF MF 4 estabelecimento industrial promovido a saída de produtos tributados, com imposto lançado a menor, mediante emissão de notas fiscais com valores diferentes do efetivamente praticado (utilização de “meia nota”), por não observar o valor tributário mínimo e por erro de classificação fiscal e/ou erro de alíquota. De acordo com o Termo de Descrição dos Fatos e Encerramento Parcial da Ação Fiscal de fls. 6020/6144, a ação fiscal foi instaurada para a verificação dos fatos narrados na Carta Denúncia, S/N, S/D, Memo nº 022/2010DCS/GAB/DG, de 29/01/2010, enviada por meio do Ofício nº 0951/2011 SR/DPF/PR, do Departamento da Polícia Federal (fls. 6027/6031). Segundo referida denuncia (sic), o contribuinte promovia a comercialização de seus produtos (cosméticos marca RACCO) mediante a emissão de nota fiscal subfaturada, cujo valor consignado não corresponderia ao valor real da mercadoria, pois 2/3 do valor seria cobrado por meio de uma terceira entidade, no caso a Associação Brasileira de Promotores de Venda de Cosméticos APROVE. Procedeuse, então, a ação fiscal instaurada em 26 de fevereiro de 2014, com a emissão do Termo de Início de Procedimento Fiscal de fls. 02/04. No curso do procedimento fiscal, solicitou se a abertura de procedimento de diligência para os seguintes sujeitos passivos: Langon Cosméticos LTDA, Tomazelli Comércio de Cosméticos LTDAME, Visage Et Corps Comércio de Cosméticos LTDAME e Associação Brasileira de Promotores de Venda de Cosméticos APROVE. Na Diligência Fiscal apurouse que a Bayonne Cosméticos Ltda. emitia notas fiscais para documentar as operações de saída de produtos em valor igual a 30% (trinta por cento) do valor efetivamente praticado. Verificouse que o valor efetivamente praticado, isto é, o valor real de saída das mercadorias do estabelecimento fiscalizado era emitido por um programa, próprio da empresa, chamado “Pedido de Orçamento”, o qual informava o preço verdadeiro de cada produto que o adquirente (comercial atacadista) compraria, sendo que o valor constante desse pedido seria de 300% (trezentos por cento) do valor declarado na nota fiscal emitida pelo autuado na saída do produto. A parcela declarada (os valores constantes da nota fiscal) era recebida pela autuada, por meio do pagamento de boletos bancários em que constava como beneficiária; enquanto que o valor sonegado era chamado de “Lembrete de Pagamento” do seu orçamento faturado, e, era recebido por meio de depósitos efetuados para a Associação Brasileira de Promotores de Venda de Cosméticos APROVE. Assim, os adquirentes de produtos da marca Racco pagavam o valor declarado na nota fiscal diretamente a Bayonne Cosméticos Ltda., e o valor sonegado (Lembrete de Pagamento) à APROVE, esta sem vínculo societário com a Bayonne Cosméticos Ltda., e que os repassava a última (Bayonne Cosméticos Ltda.). Fl. 6399DF CARF MF Processo nº 10980.720417/201544 Acórdão n.º 3302005.377 S3C3T2 Fl. 4 5 Diante do esquema de sonegação fiscal, o Fisco desconsiderou a base de cálculo adotada pelo sujeito passivo em seu documentário fiscal, pois que não merecem fé os últimos em razão do subfaturamento e, considerando que a legislação do IPI autoriza o arbitramento do valor tributável quando não mereçam fé os documentos do sujeito passivo, adotouse como valor para fins de determinação da base de cálculo do IPI (valor tributável) o valor efetivamente praticado nas operações de saída das mercadorias do estabelecimento da fiscalizada, ou seja, o constante dos documentos chamados de “Pedidos de Orçamento” gerados por programa fornecido pela autuada aos seus adquirentes, por meio do qual esses realizavam seus pedidos e tinham acesso ao real valor da operação de compra e venda. E, tal valor corresponderia a trezentos por cento do valor constante das notas fiscais emitidas pelo autuado. Assim, o arbitramento tomou por base o valor real da operação (300% do valor das notas fiscais de janeiro a março de 2010). Nos demais períodos de apuração (abril de 2010 a junho de 2011), considerando as regras estabelecidas para o valor tributável mínimo em caso de relações de interdependência, utilizouse como valor tributável mínimo o preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente, nas saídas de produtos para a distribuidora de produtos, a Langon Cosméticos Ltda., em razão da interdependência existente entre o estabelecimento industrial (no caso, a fiscalizada) e sua distribuidora no mercado atacadista. Há que se lembrar que se considerou, para o cálculo do imposto devido, a classificação fiscal neste Auto de Infração julgada como escorreita para os produtos do sujeito passivo. Assim, para os produtos “deocolônias”, “sabonetes líquidos”, “sabonetes não líquidos”, e “óleos corporais hidratantes”, adotouse a classificação fiscal conforme neste ato imputada como correta. Por entender que houve intuito de sonegar, conforme estabelecido no art. 71, da Lei nº 4.502, de 1964, aplicouse multa qualificada de 150% capitulada no art. 44, II, da Lei nº 9.430, de 1996. Assim, identificada a ocorrência de sonegação fiscal pela prática intencional de atos tendentes a ocultar das autoridades fiscais a ocorrência de fato gerador de tributo, a multa aplicável no caso de lançamento de ofício 75% sobre o valor do tributo apurado foi duplicada. Cientificado da autuação, o contribuinte ingressou com a impugnação de fls. 6159/6200, instruída dos documentos de fls. 6201/6211, aduzindo, em síntese, as seguintes razões de defesa: Em Preliminar, argumentou que os autos são nulos, pelos motivos a seguir expostos: Violação do Princípio da Verdade Material Todos os procedimentos fiscalizatórios foram realizados com claro dirigismo pela Autoridade Fiscal, com o intuito de corroborar os "fatos denunciados", culminando, portanto, na Fl. 6400DF CARF MF 6 lavratura do presente Auto de Infração, onde se conclui, equivocadamente: a) pela ocorrência de prática de sonegação com relação ao período de janeiro a março de 2010; e, b) pelo "não atendimento do valor tributário mínimo" da base de cálculo do IP1 no período de abril a dezembro de 2010, em virtude de operações de venda a parte interdependente. Tanto o é que, em nenhuma das diligências ou solicitações apresentadas para a Impugnante requisitou esclarecimentos específicos sobre a suposta "sonegação" e sequer questionou sobre eventual "subfaturamento", optando deliberadamente por construir o seu convencimento a partir exclusivamente dos fatos narrados na denúncia, que, no seu entender seriam corroborados pelos demais "indícios" coletados. Para tanto, partiu de critérios absolutamente subjetivos, a ponto de comprometer a busca pela realidade material do procedimento administrativo (violando de morte sua finalidade, portanto), ao valorar, de forma arbitraria (sic) e com evidente dirigismo, os depoimentos apresentados por terceiros, bem como deturpando documentos e informações coletadas. É de esclarecer que os "Autos Judiciais" examinados pela Autoridade Fiscal, no caso a Ação n. 0002306 30.2014.8.16.0001 é um processo de PRESTAÇÃO DE CONTAS, que não tem como objeto a análise de ocorrência ou não de sonegação. Ademais, tal processo FOI EXTINTO SEM JULGAMENTO DE MÉRITO porque as AUTORAS não lograram comprovar que dispunham de condições para prosseguimento da ação, que basicamente tinha por objeto a resolução de pendências comerciais entre as partes. Ao valorar de forma inadequada as alegações unilaterais constantes da Ação Judicial e ignorar e omitir os deslindes da mesma ação, apenas para corroborar seu entendimento subjetivo, o Agente Fiscal comprometeu o objetivo do procedimento administrativo de lançamento, violando o princípio da verdade material, configurando consumação do simulacro de procedimento administrativo, instaurado já com a predisposição de configuração do resultado final, razão pela qual a nulidade há de ser reconhecida. Vício de Fundamentação Ao invocar como norma legal para fundamentar o arbitramento o RIPI/2010 (tanto no caso da “sonegação”, como no caso do não atendimento do valor tributável mínimo), o lançamento restou viciado, posto que realizado com fundamento em legislação editada posteriormente à ocorrência dos fatos geradores, em clara violação ao princípio da legalidade e ao principio da não retroatividade legal. Da mesma forma, a Solução de Consulta Interna nº 8COSIT, de 13 de junho de 2012, é inaplicável ao período sob fiscalização. Utilização Ilegal de “Prova Emprestada” Fl. 6401DF CARF MF Processo nº 10980.720417/201544 Acórdão n.º 3302005.377 S3C3T2 Fl. 5 7 Para tentar justificar suas conclusões quanto à ocorrência de “sonegação”, o Auditor Fiscal utilizouse de “prova emprestada”, promovendo às fls. 6073 a 6079 a transcrição de documentos e atos realizados no Processo Administrativo Fiscal nº 10980.723.577/201464, que se encontra em andamento contra a Associação Brasileira de Promotores de Venda de Cosméticos APROVE. A intenção é a de demonstrar indícios de repasses da APROVE para a Impugnante dos valores supostamente sonegados, através da movimentação financeira da APROVE. Como se sabe, a legitimidade da prova emprestada no procedimento administrativo fiscal depende da efetividade do princípio do contraditório. As provas de um procedimento somente podem ser transladadas de um processo a outro se as partes do processo para o qual a prova deve ser transladada tenham participado adequadamente em contraditório do processo em que a prova foi produzida originariamente. Ocorre que a Impugnante não participou e sequer tem conhecimento do procedimento fiscalizatório ocorrido na APROVE, de modo que a utilização de tais documentos configura evidente cerceamento de defesa contra a Impugnante, violando o devido processo legal, e configurando, também por esta razão, nulidade de lançamento. Prejudicial de Mérito – Da Decadência Considerando o disposto no artigo 150 do CTN (lançamento por homologação), temos que, no presente caso, os lançamentos tributários se consolidaram com as informações prestadas pela própria Impugnante ao Fisco (conforme informações apresentadas em DCTF e outros formulários). Deste modo, considerando que o Auto de Infração foi lavrado apenas em 09/04/2015, todos os valores relativos ao IPI lançados para os meses de janeiro, fevereiro e março foram atingidos pela decadência, mesmo porque, ao contrário do alegado pela Autoridade Fiscal, não se logrou comprovar cabalmente a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, não ocorrendo, portanto, a transmutação da categoria de lançamento tal como alegado. No Mérito, fez as seguintes considerações: Da Sonegação A tese de sonegação tem origem na “denúncia anônima” que chegou ao conhecimento das autoridades fiscais, a qual, segundo ela, seria “corroborada” por “Ação Judicial” que, como visto no item acima não possui o condão probatório, ou de mérito, erroneamente atribuído pelo Auditor Fiscal. Os documentos apresentados a titulo de “orçamento detalhado” ou “pedido de orçamento” são apócrifos, não contém nenhuma assinatura e não foram obtidos pela autoridade fiscal junto ao estabelecimento da Impugnante, mas constam da “denuncia (sic) Fl. 6402DF CARF MF 8 anônima”. Não servem como prova da materialidade da pratica (sic) de sonegação imputada. Ademais, nenhuma das declarações coletadas pelo Auditor Fiscal em diligências junto a terceiros (clientes da Impugnante), conforme colacionadas às fls. 6023/6026, corrobora a tese do auditor. No entender da Autoridade Fiscal, a partir da identificação, de dois cheques emitidos pela APROVE para saque de sua conta do Banco do Brasil, no valor de R$ 49.972,24 cada um, seria possível configurar o “indício” (fls. 6073) de que a APROVE repassaria os valores "cobrados por fora" para a impugnante. Se a tese espelhada pela Autoridade Fiscal fosse verdadeira, considerando o volume de vendas da Impugnante no período, os repasses da APROVE deveriam ocorrer em maior volume e frequência, e não limitados a duas operações no período de 3 meses. Por outro lado, não haveria o que se falar em fraude, pois os valores transitaram na conta corrente da Impugnante tendo sido devidamente escriturados em seus livros fiscais, ora como ADIANTAMENTO DE CLIENTES para entregas futuras que ocorreriam, e ora como VENDAS IMEDIATAS enviadas aos beneficiários arrolados nas solicitações da APROVE, portanto uma pratica (sic) comercial idônea que gerou tributos e registros contábeis. Registros que sequer foram solicitados pela Autoridade Fiscal. Para comprovar a tese da “sonegação”, a autoridade prossegue argumentando (fls. 6069 a 6072) que em diligências realizadas, verificou que EM OUTUBRO DE 2014 os produtos RACCO seriam revendidos AO CONSUMIDOR FINAL por um preço superior ao praticado entre a BAYONNE e os revendedores destes produtos. O que para a Autoridade Fiscal seria mais um “indício” de “sonegação” é a base de funcionamento das atividades mercantis (margem e lucratividade a cada etapa de circulação), o que decorre da aplicação do princípio constitucional da livre iniciativa. Ademais não pode a Autoridade Fiscal considerar preços praticados ao consumidor final em agosto de 2014, com os preços praticados pela BAYONNE no primeiro trimestre de 2010, e ainda deduzir que seria comprovação do “subfaturamento”. Pior, com base na analise (sic) dos preços praticados no varejo em 2014 A AUTORIDADE DEDUZ que a diferença com relação ao preço de venda praticado pela BAYONNE em 2010 seria comprovação do "subfaturamento". Ate (sic) porque a BAYONNE não realizava vendas diretamente a consumidores finais e sim a varejistas e atacadistas que faziam a revenda destes produtos, após sua aquisição, e com margens de venda dentro das regras utilizadas por demais indústrias do segmento, e com nova cadeia de tributação por se tratar "sempre" de pessoas jurídicas compradoras. Outro ponto importante, os produtos objeto do questionamento de uma possível sonegação, eram vendidos com preços de mercado totalmente compatíveis com a venda de INDÚSTRIA Fl. 6403DF CARF MF Processo nº 10980.720417/201544 Acórdão n.º 3302005.377 S3C3T2 Fl. 6 9 para REVENDEDOR, e se utilizasse a premissa de preços sugerida pela fiscalização, seria com certeza inviabilizada pelos concorrentes, que não praticam na primeira etapa da operação preços finais, pois não iriam gerar margens para as demais etapas do processo de venda. Não há, portanto, qualquer prova que sustente as alegações da Autoridade Fiscal, além do fato que as informações objeto do auto de infração e forma de calculo para apontar o suposto imposto a ser recolhido não foi criteriosamente analisado, gerando distorções ate (sic) com relação à base do que se pode tributar ou não. Os valores praticados pela Impugnante em suas operações de venda, conforme consignados nas notas fiscais, são os valores reais da operação, inexistindo a prática de "sonegação" argüida. Na realidade, a Autoridade Fiscal baseouse em "indícios" consubstanciados em sua interpretação a respeito dos supostos indícios da ocorrência de tal prática, bem como na valoração tendenciosa de documentos apócrifos e meras alegações apresentadas na denuncia (sic) anônima e na ação judicial (que provavelmente tem a mesma autoria), empregando especial relevância a documentos apócrifos e exercícios de suposição. A respeito das presunções operadas pelo Agente Fiscal, é de se apontar que a verificação da ocorrência do fato gerador e, mais ainda, da prática de conduta delituosa, jamais poderá se dar baseada em presunção e em meros indícios. O lançamento tributário é um ato jurídico de aplicação da lei ao caso concreto e se manifesta, entre outras características, na “constatação de maneira inequívoca, formalmente declarada, da ocorrência do fato gerador, tal como expressamente previsto em lei”. O mesmo se aplicando na identificação de condutas tipificadas como crime, tal como a sonegação. A simples presunção de ocorrência do fato gerador, da conduta delituosa e da respectiva base de cálculo operada pelo Agente Fiscal, por si só, já configurariam a ilegalidade do ato de lançamento. Não se verifica, no presente caso a “constatação inequívoca da ocorrência do fato gerador tal como previsto expressamente na lei” ou da conduta delituosa alegada (sonegação), o que configura a completa ilicitude e antijuridicidade do ato administrativo de lançamento praticado, por ausência de seus requisitos essenciais. O ônus da prova por parte do Agente fiscal é da essência do lançamento, assim, não há como subsistir lançamentos tributários baseados em meros indícios, presunções ou exercícios interpretativos de ocorrência de fatos geradores, sem que haja a comprovação inequívoca da ocorrência dos mesmos pela Agente Fiscal. Desta forma, também com relação ao mérito o lançamento consubstanciado no Auto de Infração ora impugnado, no que diz Fl. 6404DF CARF MF 10 respeito à sonegação, deve ser considerado absolutamente improcedente, pois operado através de ato administrativo fulminado de ilegalidade. Do Arbitramento em Decorrência do Suposto “Subfaturamento” O critério utilizado pela Autoridade Fiscal ao promover o arbitramento com relação aos meses de janeiro, fevereiro e março de 2010 não encontra fundamento em qualquer dispositivo legal. Além disto, foram invocados os dispositivos do RIPI/2010, inaplicável aos fatos geradores em referência, pois somente foi editado em junho de 2010. Ademais, o recálculo dos valores devidos a título de IPI foi baseado em dois ou três “pedidos de orçamento” apócrifos, e sem qualquer outra comprovação de que tenha sido efetivamente aplicados os valores constantes de tais documentos. Ocorre que o critério de aplicação de 300% sobre o valor das notas emitidas não possui qualquer fundamento legal. No caso de aplicação do arbitramento previsto no RIPI/2010, o que se admite apenas para fins argumentativos, deveria ser aplicado o critério do inciso II do parágrafo único do artigo 196, que assim dispõe: “no caso de produto nacional, o custo de fabricação, acrescido dos custos financeiros e dos de venda, administração e publicidade, bem como do seu lucro normal e das demais parcelas que devam ser adicionadas ao preço da operação, ainda que os produtos hajam sido recebidos de outro estabelecimento da mesma firma que os tenha industrializado.” A Autoridade Fiscal optou por ignorar os critérios da legislação e simplesmente resolveu estabelecer como “suposto valor real das operações” o correspondente a 300% do valor faturado, sem qualquer fundamento fático ou legal, o que por si só torna improcedente o lançamento. Além do fato de que os produtos objeto da analise (sic) possuem preços totalmente compatível com o mercado de atuação, com concorrentes que realizavam vendas destes produtos no mesmo período por valor ainda inferior, visando concorrência de mercado. Considerando ainda que a Impugnante não realizou vendas a varejistas e sim apenas a atacadistas que adquiriram seus produtos para revenda. Das diversas planilhas apresentadas com mais de 5 mil páginas, equivocadamente são apresentados diversos itens que sequer deveriam estar sujeitos ao IPI, e que mesmo assim foram destacados em cobrança de IPI de forma equivocada. Por exemplo o item “placa de residência código 0837, que sequer é fabricado pela BAYONNE e sim adquirido de empresas que elaboram placas de plástico demonstrativas, as quais são vendidas ou bonificadas aos clientes visando demonstrar o nome da marca em seus estabelecimentos. Somente nesse item há o total de 1227 itens tributados indevidamente a alíquota de 15% e com majoração do valor de venda embasado na denúncia. O item “protetor solar" (alíquota 0% de IPI) foi tributado indevidamente a 22% de IPI, com majoração do valor. Os itens “flaconetes” indevidamente tributados com valor majorado e alíquota de 10% por terem sido caracterizados como “águas de Fl. 6405DF CARF MF Processo nº 10980.720417/201544 Acórdão n.º 3302005.377 S3C3T2 Fl. 7 11 colônia”, porém referemse a amostras de produtos “não comercializadas” para fins de demonstração destes visando angariar vendas. A forma de apresentação das planilhas dos valores glosada não foi entregues em EXCEL e sim PDF, gerando impossibilidade de digitação destas de forma integral, resultando na analise (sic) detalhada porém sem possibilidades de refazer o valor apontado excluindo os efeitos dos equívocos cometidos durante a diligencia (sic) fiscal. Acaso fique demonstrado que os valores tomados pelo arbitramento não se mostram adequados à realidade tributável, impõese a revisão do montante apurado, a fim de adequálo à realidade tributável, invocase a prerrogativa de avaliação contraditória, decorrente de perícia, para fins de apuração do valor tributável, nos termos do RIPI. Da Inaplicabilidade da Multa de Ofício e Qualificada Como demonstrado, a Autoridade Fiscal não logrou comprovar a sua tese de que a Bayonne teria cometido sonegação. Desta forma, considerando a improcedência do lançamento, não é cabível a aplicação nem da multa de ofício, tampouco da multa na modalidade qualificada. Jamais poderá o Fisco, sem fazer a prova contundente e cabal da suposta conduta fraudulenta, impor sanções qualificadas. Até mesmo porque o próprio Código Tributário Nacional, em seu artigo 112, dispõe que a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado. Das Operações com Estabelecimento Interdependente – Inaplicabilidade da Multa Qualificada Por mais que se tenha deixado de aplicar as disposições quanto ao “valor tributável mínimo” estabelecido pela legislação fiscal por se tratar de estabelecimento “interdependente”, não há como se falar em fraude ou dolo no presente caso. Em momento algum a Impugnante omitiu ou ocultou informações do Fisco a respeito das operações de vendas promovidas para a LANGON, tampouco sobre o volume de mercadorias vendidas para a mesma, tendo apresentado regularmente DCTF, DIPJ e demais informações. A elisão, se ocorreu, coíbese com a glosa e a aplicação da penalidade de ofício, mas não se justifica para o período compreendido entre abril e dezembro de 2010 a aplicação da penalidade qualificada, na forma operada pela Autoridade Fiscal, utilizandose de assertivas subjetivas e não comprovadas. Do Arbitramento em Decorrência da Inobservância Valor Tributável Mínimo Fl. 6406DF CARF MF 12 O critério utilizado pela Autoridade Fiscal ao promover o arbitramento com relação aos meses de abril a dezembro de 2010 não encontra fundamento em qualquer dispositivo legal. Além disto, padece de vício de fundamentação, posto que invocados os dispositivos do RIPI/2010, inaplicável aos fatos geradores em referência, pois somente foi editado em junho de 2010, da mesma forma que a Solução de Consulta Interna nº 08 COSIT, de 13 de junho de 2012, também é inaplicável ao caso, posto que editado posteriormente à ocorrência dos fatos geradores. Ademais, o artigo 196 do RIPI determina a utilização da média ponderada dos preços de cada produto em vigor no mês precedente ao da saída do estabelecimento remetente, no caso a Impugnante, e não do Destinatário, no caso a LANGON. Ocorre que o critério de aplicação da média ponderada também não corresponde ao critério estabelecido pela Solução COSIT nº 08/2012, que determina sejam aplicados os preços praticados pelo próprio distribuidor, ou seja, os preços de saída da LANGON no mês da apuração (e não a media ponderada do mês anterior como aplicado pela Autoridade Fiscal). Além da forma equivocada de tributação, foi aplicada tributação de IPI a produtos isentos ou com alíquota zero, como: protetor solar, placas de residência, e diversos materiais que não são produzidos pela Bayonne e que estão indevidamente contemplados na base de calculo (sic) de IPI com alíquotas indevidas e regras não condizentes com os produtos comercializados. Ademais a autoridade fazendária atribuiu IPI com valor sugerido de revenda por preço médio de produtos que sequer foram comercializados, pois se mantiveram no estoque da empresa. A verdade é que o critério utilizado carece de previsão e fundamentação legal e cria distorções que não correspondem à realidade dos preços praticados e ou da materialidade das vendas realizadas a possíveis clientes, visto que a grande parte dos produtos vendidos de BAYONNE a LANGON não foi comercializada no período, gerando saldo de estoque da empresa (LANGON). No caso de aplicação do arbitramento previsto no RIPI/2010, o que se admite apenas para fins argumentativos, deveria ser aplicado o critério do inciso II do parágrafo único do artigo 196, que assim dispõe: “no caso de produto nacional, o custo de fabricação, acrescido dos custos financeiros e dos de venda, administração e publicidade, bem como do seu lucro normal e das demais parcelas que devam ser adicionadas ao preço da operação, ainda que os produtos hajam sido recebidos de outro estabelecimento da mesma firma que os tenha industrializado.” A Autoridade Fiscal optou por ignorar os critérios da legislação e simplesmente resolveu estabelecer como critério para apuração do valor tributável mínimo montante correspondente a média ponderada de preços do mês anterior, sem qualquer Fl. 6407DF CARF MF Processo nº 10980.720417/201544 Acórdão n.º 3302005.377 S3C3T2 Fl. 8 13 fundamento fático ou legal, o que por si só torna improcedente o lançamento. Caso fique demonstrado que os valores tomados pelo arbitramento não se mostram adequados à realidade tributável, impõese a revisão do montante apurado, a fim de adequálo à realidade. Portanto, invocase a prerrogativa de avaliação contraditória, decorrente de perícia, para fins de apuração do valor tributável, nos termos do RIPI. De forma acautelatória, portanto, protesta se desde logo pela produção Pericial, com fundamento no artigo 148 do Código Tributário Nacional. Dos Supostos Erros de Classificação Fiscal 1. DeoColônias Impugnase a classificação proposta uma vez que as deo colônias industrializadas pela Impugnante apresentam efetivamente função desodorizadora. As colônias desodorantes apresentam uma ação desodorizante e refrescante sobre a pele em função da concentração da fragrância que mascara os odores corporais, em função da sua concentração alcoólica e em função da presença do TRICLOSAN que é uma substância com ação bactericida. Esses fatores permitem que o produto seja denominado COLÔNIA DESODORANTE ou DEO COLÔNIA, e, dada a existência do fator bactericida, permite que a classificação adotada pela Impugnante, portanto, não está equivocada, conforme se depreende pela própria descrição da posição 3307 “Preparações para barbear (antes, durante ou após), desodorante corporais, preparações para banho, depilatórios, outros produtos de perfumaria ou de toucador preparados e outras preparações cosméticas, não especificados nem compreendidos em outras posições; desodorantes de ambiente, preparados, mesmo não perfumados, com ou sem propriedades desinfetantes”. A classificação proposta pelo Auditor Fiscal (água de colônia) não corresponde nem à função nem à formulação efetiva do produto, pois conforme o critério transcrito pela própria autoridade, neste caso, a função única do produto deveria ser a de perfumar o corpo, denotando a fragilidade das conclusões do auto de infração, ao utilizar elementos precários e superficiais como premissa para sustentar sua presunção. Não foram observados os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Não há como desconsiderar que os produtos industrializados pela Bayonne possuem ação antibactericida, em formulações próxima de um desodorante e com função similar, conforme reconhecido pela ANVISA. Fl. 6408DF CARF MF 14 Deve ser aplicada a alínea “c” da 3ª Regra de Interpretação do Sistema Harmonizado: posição 3307, correspondente ao último lugar em ordem numérica. Na dúvida, conforme precedente do Conselho de Contribuintes, deve ser confirmada a classificação adotada pela contribuinte. Não pode haver meramente entendimento subjetivo da autoridade fiscal para a cobrança de tributo. Há o protesto, no final, pela improcedência do auto de infração quanto à desclassificação fiscal das deocolônias, bem como pela forma utilizada de mensurar o valor a ser tributável com base em média ponderada de vendas que não ocorreram. 2. Sabonetes Líquidos Para justificar seu posicionamento utilizase de Solução de Consulta da 9a Região Fiscal, envolvendo classificação fiscal de mercadoria produzida por terceiro, diversa das industrializadas pela Impugnante, mediante utilização de prova emprestada de forma absolutamente irregular e que viola o direito de defesa da Impugnante. 3. Sabonetes em Barra Com relação a este item específico a Bayonne reconhece o erro de classificação. Da mesma forma com relação a venda de sabonetes líquidos, a autoridade fazendária utilizou base de cálculo equivocada, com preço médio ponderado de vendas não ocorridas, por ausência de verificação quanto a procedência do lançamento e verificação junto aos clientes informados no auto de infração. 4. Óleos Corporais Para justificar seu posicionamento utilizase de Solução de Consulta da 6a Região Fiscal, envolvendo classificação fiscal de mercadoria produzida por terceiro, diversa das industrializadas pela Impugnante, mediante utilização de prova emprestada de forma absolutamente irregular e que viola o direito de defesa da Impugnante. Incorreta a classificação proposta pelo Agente Fiscal, uma vez que os Óleos Corporais industrializados pela Bayonne apresentam efetivamente função perfumadora e pós banho, não tendo efeito de hidratação e sim de proporcionar maciez à pele. Da Prova Pericial Com a finalidade de exercer a prerrogativa de avaliação contraditória do arbitramento realizado, requer realização de prova pericial nos termos do RIPI, para fins de apuração do valor tributável, indicando seu assistente técnico e quesitos a serem respondidos. Para tanto, em conformidade com o artigo 16, inciso IV do Decreto 70.235/1972 indica como seu assistente técnico a empresa HOFFMANN AUDITORES INDEPENDENTES, empresa devidamente registrada no CRCSP sob n° 2SP Fl. 6409DF CARF MF Processo nº 10980.720417/201544 Acórdão n.º 3302005.377 S3C3T2 Fl. 9 15 031856/O6, inscrita no CNPJ sob n° 19.600.260/000126, sediada à Av. Dr. Chucri Zaidan, 940, 16° Andar — Market Place Tower II, na cidade de São Paulo SP, na pessoa de seu diretor, Sr. JOSÉ 1SAIAS HOFFMANN, brasileiro, Bacharel em Ciências Contábeis, registrado no CRCSP, categoria contador sob n° 022566/O3. A DRJ/Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação, a ementa é colacionada abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 NULIDADE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Não configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação encontraram plenamente assegurados. A alegação de cerceamento do direito de defesa sem a apresentação de elemento que evidencie sua caracterização em termos materiais e formais carece de fundamento, pois há que ser identificado real prejuízo ao contribuinte. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTAÇÃO. IMPEDIMENTO DE APRECIAÇÃO DA IMPUGNAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O protesto pela juntada posterior de documentação não obsta a apreciação da impugnação e somente é possível em casos especificados na lei. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. PROVAS INDICIÁRIAS. A comprovação material de uma dada situação fática pode ser feita, em regra, por uma de duas vias: ou por uma prova única, direta, concludente por si só; ou por um conjunto de elementos/indícios que, se isoladamente nada atestam, agrupados têm o condão de estabelecer a certeza daquela matéria de fato. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 IPI. VALOR TRIBUTÁVEL. ARBITRAMENTO. Fl. 6410DF CARF MF 16 O Fisco poderá arbitrar o valor tributável ou qualquer dos seus elementos, quando forem omissos ou não merecerem fé os documentos expedidos pelas partes. O valor tributável será o valor real da operação, caso este seja conhecido. Ou então tomará por base, sempre que possível, o preço médio do produto no mercado do domicílio do contribuinte, ou, na sua falta, nos principais mercados nacionais, no trimestre civil mais próximo ao da ocorrência do fato gerador. VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO. OPERAÇÕES COM INTERDEPENDENTE. As saídas de produtos do estabelecimento industrial para comercial atacadista interdependente deve observar o valor tributável mínimo para fins de incidência do IPI. COMPOSIÇÃO DO MERCADO ATACADISTA. Provada a participação do estabelecimento interdependente no mercado atacadista da praça do remetente, seus preços devem servir de parâmetro para a definição do valor tributável mínimo, previsto no art. 136, inciso I, do RIPI/2002 e art. 195, inciso, I, do RIPI/2010. PRAZO DECADENCIAL. FRAUDE. Nos lançamentos por homologação, o prazo decadencial começa a fluir a partir do fato gerador. Porém, na hipótese de comprovada ocorrência de dolo, fraude ou simulação a contagem do referido prazo se inicia no primeiro dia do exercício seguinte ao do fato gerador. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase, em tese, nas hipóteses tipificadas nos art. 71, inciso I, e 72 da Lei nº 4.502/64. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 ÁGUAS DE COLÔNIA. Os produtos denominados pelo sujeito passivo de “deo colônias”, em que preponderam as características de perfume, classificamse no código NCM 3303.00.20. SABONETES LÍQUIDOS. Os sabonetes líquidos com elementos orgânicos tensoativos classificamse no código NCM 3401.30.00. SABONETES EM BARRAS. Os sabonetes, kits e tabletes que constituem sabões ou produtos e preparações orgânicos tensoativos em barras, pães, pedaços ou figuras moldados, classificamse no código NCM 3401.11.90. Fl. 6411DF CARF MF Processo nº 10980.720417/201544 Acórdão n.º 3302005.377 S3C3T2 Fl. 10 17 ÓLEOS CORPORAIS. Os óleos que se prestam precipuamente à hidratação do corpo, notadamente pés e pernas, portanto óleos corporais, todos embalados para venda a retalho, classificamse no código NCM 3304.99.90. INSUFICIÊNCIA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO. Cobrase o imposto que deixou de ser lançado nas notas fiscais de saída, com a inflição de penalidade pecuniária e a incidência de juros de mora, por conta de erro de classificação fiscal e alíquota. A contribuinte irresignada apresentou Recurso Voluntário, fls. 6271 e seguintes, repisando a argumentação da impugnação. É o relatório." Voto Conselheiro Walker Araújo, redator "ad hoc". Na condição de redator "ad hoc" para formalização deste acórdão, passo a transcrever as razões do julgado, constantes da minuta do voto da Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza. "1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, a ciência do acórdão ocorreu em 04 de agosto de 2016, fls. 6269, e o recurso foi protocolado em 25 de agosto de 2016, fls. 6270. Tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Das preliminares 2.1. Do cerceamento ao direito de defesa A Recorrente expõe que postulou pela produção de prova pericial, atendendo aos requisitos legais com a indicação de quesitos e perito, tendo como finalidade de exercer a prerrogativa de avaliação contraditória do arbitramento realizado. Pleiteia pelo cerceamento de defesa, pois entende que a prova pericial é imprescindível ao cálculo do arbitramento e que sem ela o direito ao contraditório estaria prejudicado. Em relação ao deferimento da perícia, este não se mostra obrigatório em todos os casos que são pleiteados pelos contribuintes. Importante analisar o que a legislação prevê em relação à perícia: Decreto nº 70.235/1972 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a Fl. 6412DF CARF MF 18 realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. Ora, o próprio texto legal deixa à faculdade da autoridade julgadora a determinação de perícia, quando entender que elas se mostram necessárias, sendo que pode as indeferir, quando considerálas prescindíveis. Ademais, o acórdão da DRJ/Ribeirão Preto fundamentou o porquê de não deferir o pedido de perícia, fls. 6230: No caso em exame, não há necessidade de realização de perícia concernente à escrita contábil e à adequação da classificação fiscal, pois tudo está plenamente demonstrado e de modo suficientemente documentado nos autos, sendo a autoridade fiscal apta ao exame dos assentamentos contábeis e também concernente a legislação aplicável ao caso concreto. A realização de perícia pressupõe que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador, o que não é o caso dos presentes autos. Não é o caso da perícia solicitada, pois questões como saber qual o Decreto que fundamenta o RIPI 2010 e a data de sua entrada em vigor, o período de apuração envolvido nos autos e o Decreto que regulamentava o IPI nesta época, o critério de arbitramento utilizado nos autos e quais as opções dadas pela legislação, como funciona o mercado específico do contribuinte, o que é um pedido de compra, indicar prazo decadencial, verificar erro de classificação e erro de cálculo do valor tributável, etc... estão dentro do campo de atuação do julgador administrativo. Sobretudo, a atividade de classificação fiscal de produtos que é de índole estritamente tributária e não técnica, assim como o “arbitramento” no que diz respeito à valoração da prova e aos assentamentos contábeis e interpretação legislativa. Qualquer exame no sentido apontado pelo contribuinte, enfim, é totalmente prescindível. Nesse sentido, ao analisar os autos, observase que não há necessidade de realização de perícia, vez que os próprios elementos contidos nos autos são suficientes para o julgamento da lide, portanto, rejeitase a preliminar de nulidade suscitada e, neste aspecto, mantémse a decisão da DRJ. 2.2. Vício de fundamentação A Recorrente entende que há nulidade na fundamentação, pois argumenta que a autoridade fiscal, ao promover o lançamento e a quantificação do imposto por arbitramento tanto no caso da suposta "sonegação", como no caso do não atendimento ao valor tributável mínimo, invoca como fundamento legal as disposições dos artigos 197 e 196, do Regulamento do Imposto de Produtos Industrializados, RIPI, aprovado pelo Decreto nº 7.212, de 2010. Suscita que o Decreto nº 7.212, de 2010, foi editado em 15 de junho de 2010 e publicado em 16 de junho de 2010, sendo, portanto, manifestamente inaplicável aos fatos jurídicos ocorridos entre janeiro e junho de 2010. Da mesma forma, ela entende que o critério de arbitramento, utilizado pela autoridade fiscal para promover o lançamento e quantificação do imposto, foi a Solução de Consulta Interna nº 8 COSIT, de 13 de junho de 2012, e que pelo período em foi expedida é manifestamente inaplicável ao período sob fiscalização. Ao final, pleiteia pela nulidade no Fl. 6413DF CARF MF Processo nº 10980.720417/201544 Acórdão n.º 3302005.377 S3C3T2 Fl. 11 19 lançamento por violação ao princípio da legalidade e da irretroatividade com o consequente reconhecimento do vício formal. Do auto de infração, extraise, fls. 6011 e seguintes: 0001 PRODUTO SAÍDO DO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL OU EQUIPARADO A INDUSTRIAL COM EMISSÃO DE NOTA FISCAL SAÍDA DE PRODUTOS SEM LANÇAMENTO DO IPI INOBSERVÂNCIA DO VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO (...) Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/04/2010 e 31/05/2010: Art. 24, inciso II, do Decreto nº 4.544/02 (RIPI/02); Arts. 34, inciso II, 122, 123, inciso I, alínea "b" e inciso II, alínea "c", 127, caput e parágrafo único, 130, 200, inciso IV, do Decreto nº 4.544/02 (RIPI/02); Art. 136, inciso I, 137, e parágrafo único, inciso I, do Decreto nº 4.544/02 (RIPI/02); Art. 136, inciso I, 137, e parágrafo único, inciso II, do Decreto nº 4.544/02 (RIPI/02); Art. 136, inciso II, e §1º, 137, do Decreto nº 4.544/02 (RIPI/02); Art. 136, inciso III, e §2º, do Decreto nº 4.544/02 (RIPI/02); Art. 136, inciso IV, 137, e parágrafo único, inciso II, do Decreto nº 4.544/02 (RIPI/02); Art. 1º da Lei nº 8.850/94, com as alterações introduzidas pelo art. 12, inciso I, da Lei nº 11.933/09; Art. 52 da Lei nº 8.383/91, com as alterações introduzidas pelo art. 8º da Lei nº 11.774/08; Art. 52 da Lei nº 8.383/91, com as alterações introduzidas pelo art. 4º da Lei nº 11.933/09; Fatos geradores ocorridos entre 01/06/2010 e 30/06/2010: Art. 24, inciso II, do Decreto nº 4.544/02 (RIPI/02); Arts. 34, inciso II, 122, 123, inciso I, alínea "b" e inciso II, alínea "c", 127, caput e parágrafo único, 130, 200, inciso IV, do Decreto nº 4.544/02 (RIPI/02); Art. 136, inciso I, 137, e parágrafo único, inciso I, do Decreto nº 4.544/02 (RIPI/02); Fl. 6414DF CARF MF 20 Art. 136, inciso I, 137, e parágrafo único, inciso II, do Decreto nº 4.544/02 (RIPI/02); Art. 136, inciso II, e §1º, 137, do Decreto nº 4.544/02 (RIPI/02); Art. 136, inciso III, e §2º, do Decreto nº 4.544/02 (RIPI/02); Art. 136, inciso IV, 137, e parágrafo único, inciso II, do Decreto nº 4.544/02 (RIPI/02); Art. 1º da Lei nº 8.850/94, com as alterações introduzidas pelo art. 12, inciso I, da Lei nº 11.933/09; Art. 52 da Lei nº 8.383/91, com as alterações introduzidas pelo art. 8º da Lei nº 11.774/08; Art. 52 da Lei nº 8.383/91, com as alterações introduzidas pelo art. 4º da Lei nº 11.933/09; Art. 24, inciso II, do Decreto nº 7.212/10 (RIPI/10); Art. 24, inciso III, do Decreto nº 7.212/10 (RIPI/10); Arts. 35, inciso II, 181, 182, inciso I, alínea "b" e inciso II, alínea "c", 186, §§ 2º e 3º, 189, 259, 260, inciso IV, 262, inciso III, do Decreto nº 7.212/10 (RIPI/10); Art. 195, inciso I, 196, e parágrafo único, inciso I, do Decreto nº 7.212/10 (RIPI/10); Art. 195, inciso I, 196, e parágrafo único, inciso II, do Decreto nº 7.212/10 (RIPI/10); Art. 195, inciso II, e §1º, 196, do Decreto nº 7.212/10 (RIPI/10); Art. 195, inciso III, e §2º, do Decreto nº 7.212/10 (RIPI/10); Art. 195, inciso IV, 196, e parágrafo único, inciso II, do Decreto nº 7.212/10 (RIPI/10); Fatos geradores ocorridos entre 01/07/2010 e 31/12/2010: Art. 24, inciso II, do Decreto nº 7.212/10 (RIPI/10); Art. 24, inciso III, do Decreto nº 7.212/10 (RIPI/10); Arts. 35, inciso II, 181, 182, inciso I, alínea "b" e inciso II, alínea "c", 186, §§ 2º e 3º, 189, 259, 260, inciso IV, 262, inciso III, do Decreto nº 7.212/10 (RIPI/10); Art. 195, inciso I, 196, e parágrafo único, inciso I, do Decreto nº 7.212/10 (RIPI/10); Art. 195, inciso I, 196, e parágrafo único, inciso II, do Decreto nº 7.212/10 (RIPI/10); Art. 195, inciso II, e §1º, 196, do Decreto nº 7.212/10 (RIPI/10); Art. 195, inciso III, e §2º, do Decreto nº 7.212/10 (RIPI/10); Art. 195, inciso IV, 196, e parágrafo único, inciso II, do Decreto nº 7.212/10 (RIPI/10); Fl. 6415DF CARF MF Processo nº 10980.720417/201544 Acórdão n.º 3302005.377 S3C3T2 Fl. 12 21 (...) 0003 PRODUTO SAÍDO DO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL OU EQUIPARADO A INDUSTRIAL COM EMISSÃO DE NOTA FISCAL SAÍDA DE PRODUTOS SEM LANÇAMENTO DO IPI UTILIZAÇÃO DE "MEIA NOTA" (...) Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2010 e 31/03/2010: Art. 24, inciso II, do Decreto nº 4.544/02 (RIPI/02); Art. 24, inciso III, do Decreto nº 4.544/02 (RIPI/02); Arts. 34, inciso II, 122, 123, inciso I, alínea "b" e inciso II, alínea "c", 127, caput e parágrafo único, 130,200, inciso IV, do Decreto nº 4.544/02 (RIPI/02); Art. 131, inciso I, alínea "b", e §§1º, 2º, 3º e 4º, do Decreto nº 4.544/02 (RIPI/02); Art. 131, inciso II, e §§1º, 2º, 3º e 4º, do Decreto nº 4.544/02 (RIPI/02); Art. 132, inciso I, do Decreto nº 4.544/02 (RIPI/02); Art. 132, inciso II, do Decreto nº 4.544/02 (RIPI/02); Art. 132, inciso III, do Decreto nº 4.544/02 (RIPI/02); Art. 133, do Decreto nº 4.544/02 (RIPI/02); Art. 134, inciso I, do Decreto nº 4.544/02 (RIPI/02); Art. 134, inciso II, do Decreto nº 4.544/02 (RIPI/02); Art. 135, do Decreto nº 4.544/02 (RIPI/02); Art. 1º da Lei nº 8.850/94, com as alterações introduzidas pelo art. 12, inciso I, da Lei nº 11.933/09; Art. 52 da Lei nº 8.383/91, com as alterações introduzidas pelo art. 8º da Lei nº 11.774/08; Art. 52 da Lei nº 8.383/91, com as alterações introduzidas pelo art. 4º da Lei nº 11.933/09; (grifos não constam no original) Observase pela fundamentação no auto de infração que a argumentação da Recorrente não procede, pois o auto dividiu os fatos jurídicos por período e fundamentou no Decreto nº 4.544, de 2002 RIPI/2002, para os fatos ocorridos na vigência da norma. Por exemplo, na infração de número 3 saída de produtos sem lançamento de IPI, utilização de "meia nota" , para os fatos ocorridos entre 01/01/2010 e 31/03/2010, a fundamentação legal Fl. 6416DF CARF MF 22 está pautada no Decreto nº 4.544, de 2002 RIPI/2002, não havendo qualquer desrespeito ao princípio da legalidade ou da irretroatividade. Quanto à aplicação da Solução de Consulta Interna nº 8 COSIT, de 13 de junho de 2012, também não procede à argumentação da Recorrente. A partir do item 3.3.2. Do não atendimento do valor tributável mínimo do IPI, fls. 6088, do Termo de Descrição de Fatos, há uma ampla fundamentação, além da fundamentação legal no auto de infração. A referida Solução de Consulta Interna nº 8 COSIT, de 13 de junho de 2012, simplesmente contextualizou os fatos, explicando inclusive o artigo 195, I, do RIPI/2010, mas não foi o único fundamento para o arbitramento, no caso, os artigos 195, 197, 198, da legislação do IPI, foram demonstrados e com base nesta legislação, fundamentado o arbitramento, não podendo ser assim encontrado qualquer tipo de vício de fundamentação. Nesse sentido, rejeitase a preliminar de nulidade por vício de fundamentação. 2.3. Da prova emprestada A Recorrente argumenta que para tentar justificar suas conclusões quanto à ocorrência de "sonegação", a autoridade fiscal utilizouse de "prova emprestada", promovendo, às fls. 6073 a 6079, do Termo de Descrição dos Fatos, a transcrição de documentos e atos realizados no Processo Administrativo Fiscal nº 10980.723.577/201464, que se encontra em andamento contra a Associação Brasileira de Promotores de Venda de Cosméticos APROVE. Ela fundamenta que a legitimidade da prova emprestada no procedimento administrativo fiscal depende da efetividade do princípio do contraditório. As provas de um procedimento somente podem ser transladadas de um processo a outro se as partes do processo para o qual a prova deve ser transladada tenham participado adequadamente em contraditório do processo em que a prova foi produzida originariamente. Ela também expõe que a utilização de prova emprestada impede que o contribuinte se defenda plenamente e afirma que não participou, sequer tem conhecimento do procedimento fiscalizatório, ocorrido na APROVA, de modo que a utilização de tais documentos configura evidente cerceamento de defesa, violando o devido processo legal e, por tal motivação, acarreta a nulidade do lançamento. Quanto à utilização da prova emprestada, o Superior Tribunal de Justiça tem o seguinte precedente: PROCESSO PENAL. CORRUPÇÃO PASSIVA E ATIVA. PRINCÍPIO DA COLEGIALIDADE. AUSÊNCIA DE AFRONTA. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. BASE FÁTICA IDÊNTICA. NECESSIDADE. QUEBRA DE SEGREDO DE JUSTIÇA. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211 E 320/STJ. ACÓRDÃO RECORRIDO PUBLICADO ANTES DA VIGÊNCIA DO NOVO CPC. INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. CONHECIMENTO FORTUITO. PROVA EMPRESTADA. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIOS DA EFETIVIDADE E DA UNICIDADE DE JURISDIÇÃO. PRECEDENTES. I Não constitui ofensa ao princípio da Colegialidade a prolação de decisões monocráticas no âmbito desta Corte, estando tal entendimento inclusive sedimentado por ocasião da edição da Súmula n. 568/STJ, segundo a qual "O relator, monocraticamente e no Superior Tribunal de Justiça, poderá dar ou negar provimento ao recurso quando houver entendimento dominante acerca do tema". Ademais, sempre haverá a possibilidade de a decisão monocrática estar sujeita à Fl. 6417DF CARF MF Processo nº 10980.720417/201544 Acórdão n.º 3302005.377 S3C3T2 Fl. 13 23 apreciação do órgão colegiado, em virtude de eventual recurso de agravo regimental, como na espécie (precedentes). II O recurso especial fundado na divergência jurisprudencial somente tem cabimento quando os acórdãos recorrido e paradigma, proferidos sobre idêntica base fática, chegam a conclusão jurídica diversa. A ausência de similitude fática entre o acórdão recorrido e o paradigma colacionado inviabiliza o conhecimento do recurso. III A tese apresentada pelo agravante de que a alegação da nulidade da prova utilizada pelo juízo estadual devido a quebra de segredo de justiça da medida cautelar de interceptação telefônica pelo Ministério Público Federal uma vez que encaminhou as informações colhidas diretamente ao Ministério Público estadual, sem a autorização de compartilhamento desta pelo Juízo federal competente para a administração da prova não foi apreciada pelo v. acórdão recorrido, mesmo após a oposição de embargos de declaração, razão pela qual não cumpriu o requisito do prequestionamento, incidindo à espécie, o óbice da Súmula 211 desta Corte IV Para estar configurado o prequestionamento é necessário que haja emissão de juízo de valor acerca da questão no bojo do voto vencedor, quando o acórdão é por maioria, sendo insuficiente a presença de carga decisória quanto à matéria no voto vencido, consoante preceitua a Súmula 320 desta Corte, a qual determina: "a questão federal somente ventilada no voto vencido não atende ao requisito do prequestionamento." V O acórdão recorrido está em consonância com a jurisprudência desta Corte, firmada no sentido da possibilidade de utilização do conteúdo obtido em ação penal diversa daquela em que a prova foi colhida em decorrência da quebra do sigilo telefônico, desde que respeitado o contraditório e a ampla defesa, em homenagem aos princípios constitucionais da economia processual e da unidade da jurisdição. Precedentes. VI A admissão da prova emprestada decorre da aplicação dos princípios da economia processual e da unidade da jurisdição, almejando máxima efetividade do direito material com mínimo emprego de atividades processuais, aproveitandose as provas colhidas de forma idônea perante outro juízo. (STJ; AgRg no Ag no Recurso Especial nº 1.417.563 MG (2013/03753348); Relator: Ministro Felix Fischer; Data do julgamento: 17 de outubro de 2017) (grifos não constam no original) E do voto do relator, extraise o seguinte trecho quanto ao contraditório e à ampla defesa, in verbis: Quanto a violação do art. 157 do CPP, em relação a possibilidade de utilização do conteúdo obtido em ação penal diversa daquela em que a prova foi colhida em decorrência da quebra do sigilo telefônico, verificase que o acórdão recorrido Fl. 6418DF CARF MF 24 está em consonância com a jurisprudência desta Corte, firmada no sentido de sua possibilidade, desde que respeitado, a posteriori, o contraditório e a ampla defesa, em homenagem aos princípios constitucionais da economia processual e da unidade da jurisdição. Ora, o contraditório e a ampla defesa devem ser observados no processo em que a prova emprestada está sendo utilizada. No presente caso, ele foi observado, uma vez que a Recorrente apresentou impugnação, sendolhe facultado apresentar provas para desconstituírem os fatos que lhe foram atribuídos. No mesmo sentido, é o acórdão da DRJ/Ribeirão Preto, fls. 6236: Como já dito acima, o que se deve verificar é se no processo para que as provas foram transportadas está se garantindo o contraditório e a ampla defesa, portanto, a alegação da empresa de que não lhe foi aberto o contraditório no processo original não é passível de anular os presentes autos Ademais, conforme exposto no trecho transcorrido in verbis, a prova emprestada decorre da aplicação dos princípios da economia processual e da unidade da jurisdição. A fim de contextualizar a situação, conforme descrito no Termo de Descrição de Fatos, há uma nítida relação da Recorrente com a APROVE, pois esta associação que recebia parte do valor sonegado, fls. 6043 e seguintes: De acordo com as declarações e documentos apresentados nos Autos Judiciais, os quais corroboram com a denúncia realizada à Polícia Federal, a Bayonne Cosméticos Ltda. emitia notas fiscais para documentar as operações de saída de produtos em valor igual a 30% (trinta por cento) do valor efetivamente praticado. (...) Iniciada assim, a operação ilícita: emissão de nota fiscais de saída de produtos da marca Racco, com valores de um terço do valor efetivamente praticado pela autuada na saída dos produtos do estabelecimento industrial, isto é subfaturados! Para “documentar” o valor efetivamente praticado, isto é, o valor real de saída das mercadorias do seu estabelecimento com destino aos comerciais atacadistas, era emitido por um programa, próprio da Bayonne Cosméticos Ltda., documento chamado “Pedido de Orçamento”, o qual informava o preço verdadeiro de cada produto que o adquirente (comercial atacadista) compraria Frisese: O valor real de saída dos produtos da marca Racco do estabelecimento fiscalizado é o constante do “Pedido de Orçamento”. E, o valor constante do pedido de orçamento é 300% (trezentos por cento) do valor declarado na nota fiscal emitida pela autuada na saída do produto! Para arrematar a sonegação, sem que se levantasse suspeitas quanto ao pagamento por parte do adquirente de valores a maior do que os existentes nas notas fiscais de aquisição das Fl. 6419DF CARF MF Processo nº 10980.720417/201544 Acórdão n.º 3302005.377 S3C3T2 Fl. 14 25 mercadorias da Bayonne, o pagamento à autuada ocorria da seguinte forma: A parcela declarada (os valores constantes da nota fiscal) era recebida pela autuada, por meio do pagamento de boletos bancários em que constava como beneficiária; enquanto que o valor sonegado era chamado de “Lembrete de Pagamento” do seu orçamento faturado (página 22 da Denúncia), e, era recebido por meio de depósitos efetuados para a ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PROMOTORES DE VENDA DE COSMETICOS APROVE, inscrita no Cadastro de Pessoas Jurídicas sob o nº 00.329.161/000123. A APROVE por sua vez funcionava como um elo no esquema de sonegação tributária que permitia o recebimento dos valores sonegados pela Bayonne Cosméticos Ltda. Pois que, efetuava depósitos regulares em conta corrente em nome da fiscalizada retornando os valores pagos pelos adquirentes, e sonegados à tributação, à sonegadora. Assim, os adquirentes de produtos da marca Racco pagavam o valor declarado na nota fiscal diretamente à Bayonne Cosméticos Ltda., e o valor sonegado (Lembrete de Pagamento) à APROVE, esta sem vínculo societário com a Bayonne Cosméticos Ltda., e que os repassava a última (Bayonne Cosméticos Ltda.), neste autuada. (grifos não constam no original) A APROVE era o elo com a Recorrente para a prática da sonegação e quanto a isso, a Recorrente não fez qualquer prova em contrário, sendo que, em momento algum, foi suprimido o seu direito de defesa, ademais, ela não apontou concretamente qualquer prejuízo. Por tal motivação, não é acolhida a preliminar de nulidade suscitada. 3. Do mérito 3.1. Da prejudicial de mérito A Recorrente argumenta que nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, desde que haja pagamento, o termo inicial da decadência é o fato jurídico tributário fato gerador. Assim, ela explica que como a lavratura do auto de infração foi em 09 de abril de 2015, todos os fatos jurídicos referentes à janeiro, fevereiro e março foram atingidos pelos efeitos jurídicos da decadência. Sem razão a Recorrente. No caso, conforme demonstrado no item 2.3 e será melhor explicitado no item 3.2, houve a ocorrência de fraude e, por conseguinte, sonegação, logo, o termo inicial da decadência, ainda que haja pagamento, deixa de ser o momento do acontecimento do fato, passando a ser o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme leitura sistemática do artigo 150, § 4º, e 173, inciso I, ambos do Código Tributário Nacional: Código Tributário Nacional Fl. 6420DF CARF MF 26 Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Os meses de janeiro, fevereiro e março de 2010 têm como termo inicial da decadência o ano de 2011, havendo, assim, até o ano de 2016 para constituir o crédito tributário. Nesse sentido, a ciência do auto de infração ocorreu em 17 de abril de 2015, fls. 6155, logo, não foram os referidos meses atingidos pelos efeitos da decadência. Portanto, mantémse o que foi decidido na DRJ/Ribeirão Preto. 3.2. Do subfaturamento e da utilização de "meia nota" A Recorrente insurgese contra a acusação de sonegação fiscal, diz que há revanchismo por parte da denúncia anônima e dos dados coletados na ação de prestação de contas, informando que a autora desta ação havia ajuizado uma ação trabalhista, que não teve êxito. Informa que a autoridade fiscal, bem como a decisão da DRJ/Ribeirão Preto, violaram o princípio da verdade material, pois as provas coletadas não consubstanciam o alegado. Que os documentos coletados, na denúncia anônima, são apócrifos e não fornecem materialidade à prática de sonegação fiscal. Afirma que os documentos apresentados em relação à APROVE são frágeis, como, por exemplo, duas operações bancárias no período de três meses. Disse, ainda, que a fiscalização, no afã de comprovar a tese da "sonegação", verificou que, em outubro de 2014, os produtos Racco seriam revendidos ao consumidor final por uma preço superior ao praticado entre a Bayonne e os revendedores destes produtos. Afirma que é evidente que em cada etapa da circulação de mercadorias são agregadas as margens dos atacadistas, varejistas e demais revendedores. Sustenta que a fiscalização não pode comparar os preços de outubro de 2014 com aqueles praticados no primeiro trimestre de 2010 e, para além disso, a Recorrente modificou a forma de estruturar o seu negócio, pois, no primeiro trimestre de 2010, ela vendia diretamente aos atacadistas e que, partir de abril de 2010, passou a vender para a distribuidora, Fl. 6421DF CARF MF Processo nº 10980.720417/201544 Acórdão n.º 3302005.377 S3C3T2 Fl. 15 27 modificando, por conseguinte, os preços praticados. Nega a prática de sonegação, afirma que as provas coletadas são muito frágeis e que o lançamento ocorreu por presunção, citando jurisprudência. Afirma que cabe à fiscalização o ônus da prova e que, portanto, a acusação de utilização de "meia nota" não pode proceder. Sem razão a Recorrente. A partir dos dados relatados no Termo de Descrição dos Fatos, refutados pela Recorrente, mas que não foram provados em momento algum, percebese que a prática de sonegação fiscal ficou amplamente demonstrada, havendo prova de autoridade e materialidade da prática. Toda a fiscalização iniciou em razão de uma denúncia anônima encaminhada ao Departamento da Polícia Federal, fls. 1377 e seguintes, no qual o denunciante expõe o procedimento para burlar a fiscalização e juntamente com a denúncia a lastreia com provas. Após o recebimento da denúncia, houve investigações preliminares por parte da polícia. Da carta denúncia, extraemse trechos, in verbis: A RACCO COSMÉTICOS (nome fantasia), pois não aparece em nota fiscal nenhuma, mas só nos rótulos dos produtos, até 31/07/2008 comercializava seus produtos através da empresa também deles, (mas provavelmente em nome de laranjas) cuja razão social é: KIREY COMERCIO DE COSMETICOS LTDA, (cuja cópia do cabeçalho da NF esta em anexo como poderá ver). Através dessa empresa eles comercializaram os seus produtos desde quando foi criada em 17 de agosto de 1987. Desde 1987 até 2005 eles emitiam na nota fiscal do valor que realmente vendiam, isto é sonegavam 75% de impostos. De 2005 para cá passaram a emitir na nota fiscal 1/3 do valor, isto é sonegam 66% de impostos até hoje. Porem em 31/07/2008, pararam com a empresa KIREY COMERCIO DE COSMÉTICOS LTDA, e passaram a usar a partir de 01/08/2008 a empresa de nome BAYONNE COSMÉTICOS LTDA (cuja copia do cabeçalho da nota fiscal também esta em anexo ), nome esse que consta em todos os produtos produzidos por eles e lá diz: Fabricado por BAYONNE COSMÉTICOS LTDA. Mas continua com a mesma sonegação de 66% de impostos, pois continuam emitindo a nota fiscal com o valor de 1/3 do valor que vendem. E a partir de 01/10/2009 passou a emitir a Nota fiscal eletrônica, mas com os valores da mesma sonegação ( vide copia do cabeçalho da mesma mais abaixo). (...) E a outra coisa é que o valor que é sonegado, como vocês poderão ver logo abaixo, é depositado obrigatoriamente pelo comprador na conta de uma associação cujo nome é APROVE ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DO PROMOTORES DE VENDAS DE COSMÉTICOS, CUJO CNPJ É 000.329.161/000123 , LOGO ABAIXO TEM O CADASTRO DO CNPJ DELA VEJA QUE LA INFORMA NATUREZA JURÍDICA "ENTIDADE SINDICAL" E COMO ATIVIDADE ECONÔMICA PRINCIPAL "ATIVIDADES DE Fl. 6422DF CARF MF 28 ORGANIZAÇÕES SINDICAIS", MAS É SO PARA LUDIBRIAR, É PURA MENTIRA. O CURIOSO É COMO ELES CONSEGUIRAM ABRIR UMA ASSOCIAÇÃO COM NATUREZA JURIDICA "ENTIDADE SINDICAL" E COMO ATIVIDADE ECONÔMICA PRINCIPAL "ATIVIDADES DE ORGANIZAÇOES SINDICAIS", SE ESSA CONTA É SO PARA RECEBER O VALOR QUE NÃO VEM NA NOTA FISCAL, DEVE TER MÃOZINHA DE ALGUÉM CONCORDA COMIGO? Essa associação é uma farsa, pois os que compram os produtos da racco para revenderem para as vendedoras que vão de porta emporta, estilo AVON, NATURA, etc. são chamados pela racco como promotores de vendas, mas nenhum promotor assinou qualquer documento se associando a essa associação, isso vocês também poderão comprovar. Nem promotor de vendas nenhum sabe que esta depositando na conta de uma ENTIDADE SINDICAL. Assim com certeza fica fácil manter a sonegação e o dinheiro sonegado. (...) O boleto bancário é o valor da nota fiscal que vai vir com os produtos (veja na copia abaixo, que no corpo do boleto vem dizendo a qual nota fiscal se refere e como a partir de outubro para cá a notas fiscais da bayonne passaram a ser eletrônica, fica mais fácil vocês obterem uma copia para confrontarem com a informações aqui expostas mesmo que seja de outro numero, pois os valores como expliquei acima vocês podem calcular, e o lembrete de pagamento vem com o valor que esta sendo sonegado pela Racco cosméticos, cujo valor é pago por deposito na conta da APROVE que eu já expliquei acima. (...) Veja como é a estrutura de preço dos produtos da racco cosméticos: Ex 1: produto que não esta em promoção na REVISTA RACCOMANIA MENSAL: Código produto 385deo colônia LF (LUIZ FELIPE) R$135,50 preço consumidor final (daí tira um desconto de 40% que é o ganho da vendedora que vai de portaemporta e ele cai para R$ 81,30 que é o preço que o promotor de vendas cobra da vendedora, desse valor tira um desconto de 30% que nesse caso vai dar o valor que o promotor de vendas compra da racco cosméticos R$5ó,91 e se o promotor de vendas pagar o pedido AVISTA tem um desconto de 5%, nesse caso pagará R$54,06 e na nota fiscal desse produto ele vem no valor de R$54,06 dividido por 3 = R$18,02. veja que o promotor de vendas pagou 54,06 e na nota fiscal ele veio por 18,02 . Acredito que esta é uma das maiores sonegações fiscais do nosso país. A partir do Termo de Descrição de Fatos, temse que, fls. 6041: 3.3.1 Da Sonegação Fiscal Fl. 6423DF CARF MF Processo nº 10980.720417/201544 Acórdão n.º 3302005.377 S3C3T2 Fl. 16 29 (...) E, nos períodos de apuração de janeiro a março de 2010, deparouse com esquema operacional de subfaturamento de produtos com intuito de evasão dos tributos praticado pela própria autuada. (...) Entretanto, a demonstração por parte da fiscalização da prática do ilícito fiscal por meio do subfaturamento não é tarefa nada fácil, em razão da dificuldade de se comprovar a ocorrência do subfaturamento, haja vista a necessidade de provas que ratifiquem que o valor recebido pela adquirente das mercadorias foi superior ao valor utilizado como base de cálculo para o pagamento do imposto. Por isso, há que se lançar mão de conjunto indiciário de fatos para que se prove a ocorrência do subfaturamento. Provas e indícios inclusive de que o pagamento se deu em valores superiores aos declarados na nota fiscal. Tal conjunto probatório é capaz de esvair a credibilidade da nota fiscal. Tarefa realizada no curso do presente procedimento fiscal, e, que aqui se demonstrará. Na emissão das notas fiscais por ocasião da saída dos produtos da marca Racco do estabelecimento industrial da Bayonne Cosméticos Ltda., é que o esquema de sonegação fiscal se iniciava: De acordo com as declarações e documentos apresentados nos Autos Judiciais, os quais corroboram com a denúncia realizada à Polícia Federal, a Bayonne Cosméticos Ltda. emitia notas fiscais para documentar as operações de saída de produtos em valor igual a 30% (trinta por cento) do valor efetivamente praticado. (...) Iniciada assim, a operação ilícita: emissão de nota fiscais de saída de produtos da marca Racco, com valores de um terço do valor efetivamente praticado pela autuada na saída dos produtos do estabelecimento industrial, isto é subfaturados! Para “documentar” o valor efetivamente praticado, isto é, o valor real de saída das mercadorias do seu estabelecimento com destino aos comerciais atacadistas, era emitido por um programa, próprio da Bayonne Cosméticos Ltda., documento chamado “Pedido de Orçamento", o qual informava o preço verdadeiro de cada produto que o adquirente (comercial atacadista) compraria. Fl. 6424DF CARF MF 30 Frisese: O valor real de saída dos produtos da marca Racco do estabelecimento fiscalizado é o constante do “Pedido de Orçamento”. E, o valor constante do pedido de orçamento é 300% (trezentos por cento) do valor declarado na nota fiscal emitida pela autuada na saída do produto! Para arrematar a sonegação, sem que se levantasse suspeitas quanto ao pagamento por parte do adquirente de valores a maior do que os existentes nas notas fiscais de aquisição das mercadorias da Bayonne, o pagamento à autuada ocorria da seguinte forma: A parcela declarada (os valores constantes da nota fiscal) era recebida pela autuada, por meio do pagamento de boletos bancários em que constava como beneficiária; enquanto que o valor sonegado era chamado de “Lembrete de Pagamento” do seu orçamento faturado (página 22 da Denúncia), e, era recebido por meio de depósitos efetuados para a ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PROMOTORES DE VENDA DE COSMETICOS APROVE, inscrita no Cadastro de Pessoas Jurídicas sob o nº 00.329.161/000123. A APROVE por sua vez funcionava como um elo no esquema de sonegação tributária que permitia o recebimento dos valores sonegados pela Bayonne Cosméticos Ltda. Pois que, efetuava depósitos regulares em conta corrente em nome da fiscalizada retornando os valores pagos pelos adquirentes, e sonegados à tributação, à sonegadora. Assim, os adquirentes de produtos da marca Racco pagavam o valor declarado na nota fiscal diretamente à Bayonne Cosméticos Ltda., e o valor sonegado (Lembrete de Pagamento) à APROVE, esta sem vínculo societário com a Bayonne Cosméticos Ltda., e que os repassava a última (Bayonne Cosméticos Ltda.), neste autuada. Procedese então a análise das provas da prática de sonegação fiscal, por meio da emissão de notas fiscais de saída com valores subfaturados, angariadas no curso da fiscalização. Além da denúncia anônima, que veio lastreada de provas, nos autos da ação judicial nº 230630.2014.8.16.0001, que a Recorrente afirma que é revanchismo da autora, foi exposto o mesmo esquema operacional, que foi apresentado na cartadenúncia. O pedido de orçamento, que informava o preço verdadeiro, também aparece explicitado na ação judicial e lastreado com amplo conjunto probatório. Na ação judicial, há prova dos boletos e dos cheques endereçados à associação APROVE. Ainda para corroborar o esquema de sonegação, houve as declarações prestadas pelos distribuidores (comerciais atacadistas) de produtos da marca Racco nas diligências realizadas, fls. 6069 e seguintes, do Termo de Descrição de Fatos. Do TDF, fls. 6072, extraise: O declarado pelos representantes dos adquirentes comerciais atacadistas coincide com o relato mencionado no Item 3.3.1.1, que o preço efetivamente praticado na saída da mercadoria do Fl. 6425DF CARF MF Processo nº 10980.720417/201544 Acórdão n.º 3302005.377 S3C3T2 Fl. 17 31 estabelecimento industrial é em torno de 44,4% (quarenta e quatro inteiros e quatro décimos por cento) do preço final constante na publicação Racco Mania. E, aí residiria indício que faz prova da diferença entre os valores das notas fiscais e os valores praticados pela fiscalizada no mercado atacadista, pois que, o valor constante da nota é 13% (treze por cento) apenas do valor indicado na publicação Racco Mania, inferior a 1/3 (um terço) do valor efetivamente praticado!!! (...) Isto é, as notas fiscais documentam valores dos produtos muito inferiores aos que a Bayonne Cosméticos Ltda. praticava nas operações de saída negociadas com os comerciais atacadistas dos seus produtos. Ou seja, a autuada teria declarado valores para seus produtos muito inferiores aos valores pelos quais seus produtos dariam saída para o mercado atacadista, por meio de subfaturamento de seus produtos nas notas fiscais de sua emissão. Deduzse então, o intuito de sonegação fiscal, já que sobre esses produtos incidente era o IPI, e sobre o faturamento, os demais tributos. Por conseguinte, resta mais uma vez demonstrado em razão do conjunto probatório angariado, que o valor efetivamente praticado é 300% (trezentos por cento) acima do preço das mercadorias constantes das notas fiscais de emissão da Bayonne Cosméticos Ltda. Quanto à participação da APROVE, a fiscalização também provou que os fatos narrados na cartadenúncia eram verídicos, fls. 6073: 3.3.1.4 Das provas angariadas no curso da fiscalização até aqui não mencionadas. Em síntese, de tudo aqui angariado, fundamental é o indício de que houve o pagamento do valor sonegado à Associação APROVE, inscrita no Cadastro de Pessoas Jurídicas sob o nº 00.329.161/000123, e, posterior repasse desse montante pela última à Bayonne Cosméticos Ltda. Neste ponto, há que se esclarecer mais uma vez o papel da APROVE. Registrada formalmente como Associação de revendedores de cosméticos, há indícios que em conjunto fazem prova, como já informado anteriormente, de repasse de recursos que teriam sido sonegados à tributação à fiscalizada Bayonne Cosméticos Ltda. Do processo administrativo fiscal de nº 10980.723.577/201464, extraiuse cópia de documentos (extratos bancários, fitas de caixas da Conta Corrente da APROVE no Banco do Brasil de nº Fl. 6426DF CARF MF 32 15002, cheques 850949; 850888 e 850960.pdf, respostas à Requisições de Movimentações Financeiras RMF, depoimento de adquirentes comerciais atacadistas e revendedores de produtos da marca Racco “associados” da APROVE) juntada ao presente processo administrativo. E esses documentos fariam prova da existência de depósitos identificados, em cheque e/ou espécie, em contas correntes da ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PROMOTORES DE VENDA DE COSMETICOS APROVE, cuja origem não foi devidamente justificada, e, do posterior repasse desses recursos realizados à própria Bayonne Cosméticos Ltda., por meio de cheques (ou depósitos bancários) pagos da conta bancária da APROVE. Assim, há indícios da remessa de recursos dos adquirentes dos produtos da marca Racco à Bayonne Cosméticos Ltda., por intermédio da APROVE, sem que esses recursos houvessem sido oferecidos à tributação. Concluise, então que as provas produzidas no curso do procedimento fiscal que originou o processo administrativo fiscal nº 10980.723.577/201464, findam por fortalecer o conjunto probatório, no presente processo administrativo colacionado, do esquema de sonegação fiscal. Pois que, há indícios, como já dito, que o valor sonegado da nota fiscal, o qual compunha o valor efetivamente praticado pela fiscalizada, era pago pelos adquirentes da mercadoria por meio de depósito identificado (ou cheque) realizado em favor da APROVE, a qual repassava os valores à fiscalizada, Bayonne Cosméticos Ltda., de maneira fracionada por meio de depósitos efetuados na conta corrente da última. Ainda no que concerne na relação entre a Recorrente e a APROVA é importante transcrever, fls. 6076 e seguintes: De acordo com o que consta no mencionado processo administrativo fiscal, a APROVE, ao ser questionada quanto à existência de tais depósitos e outros repasses de valores por meio de cheques da Associação APROVE para a Racco (Bayonne Cosméticos Ltda.), não apresentou quaisquer justificativas aceitáveis acerca da causa de tais pagamentos. (...) E mais, quando questionada acerca da transferência de valores dos cheques, cuja ficha de caixa foi aqui transcrita, à Bayonne Cosméticos Ltda., respondeu tratarse de adiantamento de recurso para futuras aquisições de produtos para utilização em eventos, e, que os produtos foram enviados para os locais dos eventos, sendo que foram fornecidos por meio de notas fiscais, Todavia, não apresentou nenhuma nota fiscal da Bayonne Cosméticos Ltda., fazendo a entrega dos produtos nos eventos citados, coincidentes em data e valor, nem os lançamentos na contabilidade capazes a comprovar a veracidade do que alegou, ou seja, restou sem justificativa a transferência de valores à fiscalizada. Fl. 6427DF CARF MF Processo nº 10980.720417/201544 Acórdão n.º 3302005.377 S3C3T2 Fl. 18 33 Do trecho transcrito, temse que: 1º) recebimento de valores não justificados de adquirentes de produtos da marca Racco; 2º) repasse de recursos sem justificativas da Associação para a Bayonne Cosméticos Ltda.; indiscutível é que tais provas são indícios da sonegação fiscal praticada pela autuada. Dos depoimentos existentes no PAF nº 10980.723577/201464, extraise ainda trechos que, da mesma forma, confirmam o relato da CartaDenúncia, S/N, S/D, Memo nº 022/2010 – DCS/GAB/DG, de 29/01/2010, enviada por meio do Ofício nº 0951/2011 – SR/DPF/PR, e os fatos descritos na Inicial da Ação Judicial de nº 000230630.2014.8.1.0001: Diante do arcabouço probatório colhido pela fiscalização, não há dúvida acerca da sonegação fiscal existente e da utilização de "meia nota" pela Recorrente, não podendo prosperar sua argumentação em sede de Recurso Voluntário, pois que sua argumentação não é lastreada com qualquer tipo de prova, diferente, da fiscalização que possui: i) provas enviadas juntos com a cartadenúncia; ii) provas colacionadas à ação judicial nº 230630.2014.8.16.0001; iii) provas nas diligências relacionadas às distribuidoras e iv) provas na relação entre a Recorrente e a APROVE. Assim, fica configurada autoria e materialidade da prática de sonegação fiscal, com o subfaturamento, amplamente demonstrado, e a utilização de "meia nota". 3.3. Arbitramento março a janeiro de 2010 A Recorrente alega que o arbitramento, utilizado pela fiscalização, no período de março a janeiro de 2010 não encontra qualquer fundamento legal. Ela retoma os argumentos já expostos anteriormente e pleiteia pela aplicação do artigo 196, parágrafo único, inciso II e artigo 197, ambos do RIPI/2010. Afirma que a fiscalização ao utilizar o "suposto valor real das operações" torna o lançamento improcedente. Além disso, diz que a fiscalização gerou tributação do IPI através de diversas planilhas apresentadas com mais de 5 mil páginas, onde equivocadamente são apresentado diversos itens que sequer deveriam estar sujeitos ao IPI, e que mesmo assim foram destacados em cobrança de IPI de forma equivocada, como por exemplo: placa de residência código 0837 que sequer é fabricado pela Recorrente; protetor solar com diversos códigos, que foi atribuído IPI e na TIPI a alíquota é 0%; flaconetes códigos diversos indevidamente tributados com valor majorado e alíquota de 10% por terem sido caracterizados como "águas de colônia", porém referemse a amostras de produtos "não comercializadas" para fins de demonstração destes visando angariar vendas. Iniciase pela análise do arbitramento. Conforme demonstrado anteriormente, houve a prática comprovada de sonegação fiscal. Nesse sentido, importante transcrever trechos do Código Tributário Nacional: Código Tributário Nacional Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os Fl. 6428DF CARF MF 34 esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; Conforme amplamente demonstrado e comprovado, as notas fiscais da Recorrente não merecem credibilidade, pois que não refletem a realidade dos fatos. A fiscalização teve acesso ao valor real das operações de saída de mercadorias do estabelecimento da Recorrente, sendo que o valor real é o constante do chamado "pedido de orçamento", gerado por programas fornecidos pela Recorrente e seus adquirentes, por meio do qual esses realizavam seus pedidos e tinham acesso ao real valor da operação de compra e venda. O referido valor corresponderia a trezentos por cento do valor constante das notas fiscais emitidas pela Recorrente. Portanto, foi adotado como valor para fins de determinação da base de cálculo do IPI (valor tributável) os preços efetivamente praticados nas vendas de produtos ao mercado atacadista. O acórdão da DRJ/Ribeirão Preto, fls. 6245 e seguintes, explicita como o valor real foi obtido: Nessas planilhas de cálculo, os valores tributários arbitrados foram obtidos por meio da aplicação de fator de multiplicação 3 sobre os valores unitários de cada produto – dados das notas fiscais do autuado – constantes das Notas Fiscais Eletrônicas de Saída da autuada, obtendose os valores da Coluna “Valor unitário real”. A partir do “Valor unitário real”, procedeuse ao cálculo do Valor tributável real multiplicação do Valor Unitário real pela “Quantidade na Unidade Estatística” – dado constante das notas fiscais do autuado, e, do “IPI devido”, por meio da aplicação das alíquotas sobre a essa base de cálculo arbitrada. O Decreto nº 4.544, de 2002 RIPI/2002 determinava o que segue quanto ao arbitramento: Decreto nº 4.544, de 2002 RIPI/2002 Arbitramento do Valor Tributável Art. 138. Ressalvada a avaliação contraditória, decorrente de perícia, o Fisco poderá arbitrar o valor tributável ou qualquer dos seus elementos, quando forem omissos ou não merecerem fé os documentos expedidos pelas partes ou, tratandose de operação a título gratuito, quando inexistir ou for de difícil apuração o valor previsto no art. 133 (Lei nº 4.502, de 1964, art. 17, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 148). § 1º Salvo se for apurado o valor real da operação, nos casos em que este deva ser considerado, o arbitramento tomará por Fl. 6429DF CARF MF Processo nº 10980.720417/201544 Acórdão n.º 3302005.377 S3C3T2 Fl. 19 35 base, sempre que possível, o preço médio do produto no mercado do domicílio do contribuinte, ou, na sua falta, nos principais mercados nacionais, no trimestre civil mais próximo ao da ocorrência do fato gerador. § 2º Na impossibilidade de apuração dos preços, o arbitramento será feito segundo o disposto no art. 137. (grifos não constam no original) No caso, a fiscalização teve acesso ao valor real da operação, por meio do "pedido de orçamento", logo, não é necessário realizar o arbitramento com fundamento no artigo 137, do Decreto nº 4.544, de 2002 RIPI/2002, sendo este método subsidiário, ou seja, quando não há possibilidade de não encontrar o valor real, o que não é o caso. Quanto à alegação de que a fiscalização gerou tributação do IPI equivocadamente, em especial, em relação aos protetores solares e flaconetes, vale ressaltar que os únicos produtos que tiveram alteração nas alíquotas foram os reclassificados, como "deocolônias", "“sabonetes líquidos”, “sabonetes não líquidos” e “óleos corporais hidratantes”, os outros produtos seguiram estritamente a classificação adotada pela empresa nas notas fiscais de saídas de seus produtos. E em relação às placas de residência, assim definiu corretamente a DRJ/Ribeirão Preto, fls. 6247: Da mesma forma, com relação aos produtos ditos não fabricados pela BAYONNE (exemplo “placa de residência” código 0837 total de 1227 itens tributados indevidamente a alíquota de 15% e com majoração do valor de venda), também cabe a prova ao contribuinte, trazendo ao processo as notas fiscais de aquisição, relacionandoas com as notas de saída do produto, etc. Portanto, mantémse o arbitramento, realizado pela fiscalização, no período de janeiro a março de 2010. 3.4. Arbitramento valor tributável mínimo A Recorrente afirma que o critério utilizado pela autoridade fiscal, ao promover o arbitramento, com relação aos meses de abril a dezembro de 2010, não encontra fundamento em qualquer dispositivo legal. Afirma, mais uma vez, pelo vício de fundamentação pela aplicação do RIPI/2010 e pela aplicação da Solução de Consulta nº 08, da COSIT, de 13 de junho de 2012. Diz que há equívoco por parte da autoridade fazendária, que utilizou como base valores nas vendas a varejo e não a atacado, gerando, assim, uma grande divergência entre as supostas bases encontradas e que alguns produtos ficaram no estoque na empresa, sequer foram comercializados. Discorre que, ao elaborar as planilhas para análise e definição da suposta margem utilizada por cada uma das empresas, não foram analisados os custos de impostos sobre as vendas, como: na venda dos produtos pela Bayonne a Langon além dos tributos federais IPI, que deveriam ser adicionados ao preço de venda, há de se considerar o ICMS ST, que é acrescido ao produto. Fl. 6430DF CARF MF 36 Após, a Recorrente diz que o confisco fica configurado. Afirma que se o valor a ser utilizado como base de cálculo do IPI no período ocorresse em conformidade com o arbitrado pela autoridade fiscal, a Recorrente e a Langon não conseguiriam viabilizar o seu negócio. Afirma que o artigo 196 do RIPI determina a utilização da média ponderada dos preços de cada produto em vigor no mês precedente ao da saída do estabelecimento remetente, no caso a Recorrente, e não do destinatário, no caso a Langon. Acresce ainda que a fiscalização também não utilizou o critério da solução de consulta, ora citada, porque a empresa Langon Cosméticos Ltda utiliza fatores de descontos nas vendas dos produtos de forma mensal, visando manter o fluxo de venda, pratica comum a este mercado, realizando a venda dos produtos em determinados meses por até 50% de desconto, visando escoar os estoques. Logo, a definição de média ponderada não pode ser acolhida, pois gera tributação superior ao resultado alcançado pela empresa no período fiscalizado. Afirma que, além da forma equivocada de tributação, foram aplicadas tributação de IPI a produtos isentos ou com alíquota zero, como: protetor solar, placas de residência, e diversos materiais que não são produzidos pela Bayonne e que estão indevidamente contemplados na base de cálculo de IPI com alíquotas indevidas e regras não condizentes com os produtos comercializados. Por fim, pleiteia pela aplicação do artigo 196, parágrafo único, inciso II, do RIPI e pela realização de perícia. Antes de tudo o mais, é importante compreender alguns fatos, contidos no Termo de Descrição dos Fatos, fls. 6089 e seguintes, que demonstra a relação de interdependência entre a Recorrente e a Langon, sendo que o primeiro fato é o volume de operações entre as empresas: A fiscalizada, de acordo com suas notas fiscais, deu saída com destino à Langon Cosméticos Ltda. a R$ 41.231.090,11 (Quarenta e um milhões, duzentos e trinta e um mil, e noventa reais, e onze centavos) em mercadorias de sua produção, isto é, 99,78% das vendas de mercadorias que deram saída do estabelecimento industrial da Bayonne Cosméticos Ltda. no período de abril a dezembro de 2010. O Termo de Descrição dos Fatos, no item 3.2., também demonstra a relação de interdependência entre a Recorrente e a Langon a partir do quadro societário, fls. 6037 e seguintes, com a mesma sóciaadministradora na empresa Recorrente e na Langon: E, in casu, das informações cadastrais e dos documentos constitutivos e suas alterações posteriores (contrato social e alterações), constatouse a existência de relação de interdependência entre a fiscalizada BAYONNE COSMÉTICOS LTDA. ME, CNPJ nº 85.040.103/0001 38, e a adquirente de seus produtos, a Langon Cosméticos Ltda., inscrita no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas sob o nº 01.515.050/0001 74. (...) TATHYA CAROLINE RAUEN GAFFKE FREITAS, pessoa física inscrita no Cadastro de Pessoas Físicas sob o nº 007.223.809 76, nos períodos de apuração objetos deste lançamento (janeiro a dezembro de 2010), foi concomitantemente sócia administradora da Bayonne Cosméticos Ltda. ME, CNPJ nº Fl. 6431DF CARF MF Processo nº 10980.720417/201544 Acórdão n.º 3302005.377 S3C3T2 Fl. 20 37 85.040.103/0001 38 e sócia administradora da empresa Langon Cosméticos Ltda., inscrita no CNPJ sob o nº 01.515.050/000174, havendo subsunção à hipótese de relação de interdependência elencada no inciso II, do parágrafo único, do citado art. 42 da Lei n° 4.502, de 1964. (...) Dessarte, além da gerência de ambas as pessoas jurídicas ser concentrada na pessoa da TATHYA CAROLINE RAUEN GAFFKE FREITAS, vide que exercia o cargo de sócio administrador concomitantemente nas duas empresas, havia enquadramento em outra hipótese que tipifica a relação de interdependência entre industrial e distribuidora no mercado atacadista. Observada a interdependência entre a Recorrente e a Langon Comésticos Ltda, relação que não foi objeto de impugnação por parte da Recorrente, importante transcrever a legislação do IPI a respeito de tal configuração: Decreto nº 4.544, de 2002 RIPI Firmas Interdependentes Art. 520. Considerarseão interdependentes duas firmas: I quando uma delas tiver participação na outra de quinze por cento ou mais do capital social, por si, seus sócios ou acionistas, bem assim por intermédio de parentes destes até o segundo grau e respectivos cônjuges, se a participação societária for de pessoa física (Lei nº 4.502, de 1964, art. 42, inciso I, e Lei nº 7.798, de 1989, art. 9º); II quando, de ambas, uma mesma pessoa fizer parte, na qualidade de diretor, ou sócio com funções de gerência, ainda que exercidas sob outra denominação (Lei nº 4.502, de 1964, art. 42, inciso II); III quando uma tiver vendido ou consignado à outra, no ano anterior, mais de vinte por cento no caso de distribuição com exclusividade em determinada área do território nacional, e mais de cinqüenta por cento, nos demais casos, do volume das vendas dos produtos tributados, de sua fabricação ou importação (Lei nº 4.502, de 1964, art. 42, inciso III); IV quando uma delas, por qualquer forma ou título, for a única adquirente, de um ou de mais de um dos produtos industrializados ou importados pela outra, ainda quando a exclusividade se refira à padronagem, marca ou tipo do produto (Lei nº 4.502, de 1964, art. 42, parágrafo único, inciso I); ou V quando uma vender à outra, mediante contrato de participação ou ajuste semelhante, produto tributado que tenha fabricado ou importado (Lei nº 4.502, de 1964, art. 42, parágrafo único, inciso II). Fl. 6432DF CARF MF 38 Parágrafo único. Não caracteriza a interdependência referida nos incisos III e IV a venda de matériasprimas e produtos intermediários, destinados exclusivamente à industrialização de produtos do comprador. Decreto nº 7.212, de 2010 RIPI Firmas Interdependentes Art. 612. Considerarseão interdependentes duas firmas: I quando uma delas tiver participação na outra de quinze por cento ou mais do capital social, por si, seus sócios ou acionistas, bem como por intermédio de parentes destes até o segundo grau e respectivos cônjuges, se a participação societária for de pessoa física (Lei nº 4.502, de 1964, art. 42, inciso I, e Lei no 7.798, de 1989, art. 9o); II quando, de ambas, uma mesma pessoa fizer parte, na qualidade de diretor, ou sócio com funções de gerência, ainda que exercidas sob outra denominação (Lei nº 4.502, de 1964, art. 42, inciso II); III quando uma tiver vendido ou consignado à outra, no ano anterior, mais de vinte por cento no caso de distribuição com exclusividade em determinada área do território nacional, e mais de cinquenta por cento, nos demais casos, do volume das vendas dos produtos tributados, de sua fabricação ou importação (Lei nº 4.502, de 1964, art. 42, inciso III); IV quando uma delas, por qualquer forma ou título, for a única adquirente, de um ou de mais de um dos produtos industrializados ou importados pela outra, ainda quando a exclusividade se refira à padronagem, marca ou tipo do produto (Lei nº 4.502, de 1964, art. 42, parágrafo único, inciso I); ou V quando uma vender à outra, mediante contrato de participação ou ajuste semelhante, produto tributado que tenha fabricado ou importado (Lei nº 4.502, de 1964, art. 42, parágrafo único, inciso II). Parágrafo único. Não caracteriza a interdependência referida nos incisos III e IV a venda de matériasprimas e produtos intermediários, destinados exclusivamente à industrialização de produtos do comprador Como a interdependência ficou provada e não houve contestação a respeito disso, devese analisar a legislação do IPI aplicável a tais situações em relação à base de cálculo: Decreto nº 4.544, de 2002 RIPI Valor Tributável Mínimo Art. 136. O valor tributável não poderá ser inferior: I ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente quando o produto for destinado a outro estabelecimento do próprio remetente ou a estabelecimento de firma com a qual mantenha relação de interdependência (Lei nº Fl. 6433DF CARF MF Processo nº 10980.720417/201544 Acórdão n.º 3302005.377 S3C3T2 Fl. 21 39 4.502, de 1964, art. 15, inciso I, e Decretolei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 5ª); II a noventa por cento do preço de venda aos consumidores, não inferior ao previsto no inciso I, quando o produto for remetido a outro estabelecimento da mesma empresa, desde que o destinatário opere exclusivamente na venda a varejo (Lei nº 4.502, de 1964, art. 15, inciso II, e Lei nº 9.532, de 1997, art. 37, inciso III); III ao custo de fabricação do produto, acrescido dos custos financeiros e dos de venda, administração e publicidade, bem assim do seu lucro normal e das demais parcelas que devam ser adicionadas ao preço da operação, no caso de produtos saídos do estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, com destino a comerciante autônomo, ambulante ou não, para venda direta a consumidor (Lei nº 4.502, de 1964, art. 15, inciso III, e Decretolei nº 1.593, de 1977, art. 28); IV a setenta por cento do preço da venda a consumidor no estabelecimento moageiro, nas remessas de café torrado a comerciante varejista que possua atividade acessória de moagem (Decretolei nº 400, de 1968, art. 8º). § 1º No caso do inciso II, sempre que o estabelecimento varejista vender o produto por preço superior ao que haja servido à determinação do valor tributável, será este reajustado com base no preço real de venda, o qual, acompanhado da respectiva demonstração, será comunicado ao remetente, até o último dia do período de apuração subseqüente ao da ocorrência do fato, para efeito de lançamento e recolhimento do imposto sobre a diferença verificada. § 2º No caso do inciso III, o preço de revenda do produto pelo comerciante autônomo, ambulante ou não, indicado pelo estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, não poderá ser superior ao preço de aquisição acrescido dos tributos incidentes por ocasião da aquisição e da revenda do produto, e da margem de lucro normal nas operações de revenda. Art. 137. Para efeito de aplicação do disposto nos incisos I e II do art. 136, será considerada a média ponderada dos preços de cada produto, vigorastes no mês precedente ao da saída do estabelecimento remetente, ou, na sua falta, a correspondente ao mês imediatamente anterior àquele. Parágrafo único. Inexistindo o preço corrente no mercado atacadista, para aplicação do disposto neste artigo, tomarseá por base de cálculo: I no caso de produto importado, o valor que serviu de base ao Imposto de Importação, acrescido desse tributo e demais elementos componentes do custo do produto, inclusive a margem de lucro normal; e Fl. 6434DF CARF MF 40 II no caso de produto nacional, o custo de fabricação, acrescido dos custos financeiros e dos de venda, administração e publicidade, bem assim do seu lucro normal e das demais parcelas que devam ser adicionadas ao preço da operação, ainda que os produtos hajam sido recebidos de outro estabelecimento da mesma firma que os tenha industrializado. Arbitramento do Valor Tributável Art. 138. Ressalvada a avaliação contraditória, decorrente de perícia, o Fisco poderá arbitrar o valor tributável ou qualquer dos seus elementos, quando forem omissos ou não merecerem fé os documentos expedidos pelas partes ou, tratandose de operação a título gratuito, quando inexistir ou for de difícil apuração o valor previsto no art. 133 (Lei nº 4.502, de 1964, art. 17, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 148). § 1º Salvo se for apurado o valor real da operação, nos casos em que este deva ser considerado, o arbitramento tomará por base, sempre que possível, o preço médio do produto no mercado do domicílio do contribuinte, ou, na sua falta, nos principais mercados nacionais, no trimestre civil mais próximo ao da ocorrência do fato gerador. § 2º Na impossibilidade de apuração dos preços, o arbitramento será feito segundo o disposto no art. 137. (grifos não constam no original) Decreto nº 7.212, de 2010 RIPI Valor Tributável Mínimo Art. 195. O valor tributável não poderá ser inferior: I ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente quando o produto for destinado a outro estabelecimento do próprio remetente ou a estabelecimento de firma com a qual mantenha relação de interdependência (Lei nº 4.502, de 1964, art. 15, inciso I, e DecretoLei no 34, de 1966, art. 2o, alteração 5a); (...) Art. 196. Para efeito de aplicação do disposto nos incisos I e II do art. 195, será considerada a média ponderada dos preços de cada produto, em vigor no mês precedente ao da saída do estabelecimento remetente, ou, na sua falta, a correspondente ao mês imediatamente anterior àquele. Parágrafo único. Inexistindo o preço corrente no mercado atacadista, para aplicação do disposto neste artigo, tomarseá por base de cálculo: I no caso de produto importado, o valor que serviu de base ao Imposto de Importação, acrescido desse tributo e demais elementos componentes do custo do produto, inclusive a margem de lucro normal; e Fl. 6435DF CARF MF Processo nº 10980.720417/201544 Acórdão n.º 3302005.377 S3C3T2 Fl. 22 41 II no caso de produto nacional, o custo de fabricação, acrescido dos custos financeiros e dos de venda, administração e publicidade, bem como do seu lucro normal e das demais parcelas que devam ser adicionadas ao preço da operação, ainda que os produtos hajam sido recebidos de outro estabelecimento da mesma firma que os tenha industrializado. Arbitramento do Valor Tributável Art. 197. Ressalvada a avaliação contraditória, decorrente de perícia, o Fisco poderá arbitrar o valor tributável ou qualquer dos seus elementos, quando forem omissos ou não merecerem fé os documentos expedidos pelas partes ou, tratandose de operação a título gratuito, quando inexistir ou for de difícil apuração o valor previsto no art. 192 (Lei nº 5.172, de 1966, art. 148, e Lei no 4.502, de 1964, art. 17). § 1o Salvo se for apurado o valor real da operação, nos casos em que este deva ser considerado, o arbitramento tomará por base, sempre que possível, o preço médio do produto no mercado do domicílio do contribuinte, ou, na sua falta, nos principais mercados nacionais, no trimestre civil mais próximo ao da ocorrência do fato gerador. § 2o Na impossibilidade de apuração dos preços, o arbitramento será feito segundo o disposto no art. 196. Art. 198. Na impossibilidade de identificação da mercadoria importada, em razão de seu extravio ou consumo, e de descrição genérica nos documentos comerciais e de transporte disponíveis, para fins do disposto na alínea “a” do inciso I do art. 190, a base de cálculo do Imposto de Importação será arbitrada em valor equivalente à média dos valores por quilograma de todas as mercadorias importadas a título definitivo, pela mesma via de transporte internacional, constantes de declarações registradas no semestre anterior, incluídas as despesas de frete e seguro internacionais, acrescida de duas vezes o correspondente desvio padrão estatístico (Lei no 10.833, de 2003, art. 67, § 1o). Parágrafo único. Na falta de informação sobre o peso da mercadoria, adotarseá o peso líquido admitido na unidade de carga utilizada no seu transporte (Lei nº 10.833, de 2003, art. 67, § 2º). Art. 199. Será aplicada, para fins de cálculo do IPI na hipótese do art. 198, a alíquota de cinquenta por cento (Lei nº 10.833, de 2003, art. 67). (grifos não constam no original) Ademais, o Termo de Descrição de Fatos esclarece como ocorria a tributação na Langon, fls. 6090: Esclareçase que a Langon Cosméticos Ltda. efetuou operações de venda por atacado dos produtos recebidos da Bayonne Cosméticos Ltda., não sendo equiparada a industrial, por Fl. 6436DF CARF MF 42 conseguinte, não houve destaque do IPI nas notas fiscais de sua emissão. Logo, a Langon Cosméticos Ltda. funcionava como verdadeiro anteparo à tributação do IPI que haveria de incidir sobre os já subfaturados produtos industrializados pela fiscalizada. Assim, a Bayonne Cosméticos Ltda. emitia notas fiscais de saída de seus produtos com destino a Langon Cosméticos Ltda, com incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados, e a Langon da sua parte, emitia novas notas fiscais de saída dos produtos da marca Racco, sem incidência do IPI, com destinos aos estabelecimentos comerciais atacadistas que anteriormente recebiam os produtos diretamente da Bayonne Cosméticos Ltda. Em síntese, a Bayonne Cosméticos Ltda. emitia notas fiscais de saída de seus produtos com destino a Langon Cosméticos Ltda22., com incidência do Imposto sobre produtos Industrializados, e a Langon da sua parte, emitia novas notas fiscais de saída dos produtos da marca Racco, sem incidência do IPI, com destinos aos estabelecimentos comerciais atacadistas que anteriormente recebiam os produtos diretamente da Bayonne Cosméticos Ltda.. A fiscalização colacionou um quadro referente aos valores de saída da Langon Cosméticos Ltda em comparação com os valores de saída da Bayonne Cosméticos Ltda, fls. 6092: Código da Mercadoria Descrição complementar Mês da Emissão Valor Langon Valor Bayonne Langon/Bayonne 0335 DEO COLONIA GI 50ML 11/2010 R$ 57,13 R$ 13,16 434% 0368 DEO COLONIA EMOCOES MASCULINO 50ML 11/2010 R$ 18,32 R$ 7,94 231% 0377 DEO COLONIA EMOCOES 100ML 11/2010 R$ 28,37 R$ 6,08 467% 0390 DEO COLONIA LEANDRO PIROLO 100ML 11/2010 R$ 26,13 R$ 4,29 609% 0425 DEO COLONIA ETYANE 50ML 11/2010 R$ 28,01 R$ 8,40 333% 1006 SABONETE INTIMOS 210ML 11/2010 R$ 13,53 R$ 2,57 526% 1015 DES. JATO SECO E ACAO PROLONG. INTIMOS 100ML 11/2010 R$ 10,27 R$ 3,61 284% 1024 SABONETE INTIMOS VIAGEM 60ML 11/2010 R$ 3,47 R$ 1,37 253% 1026 SABONETE INTIMOS MORANGO 210ML 11/2010 R$ 14,50 R$ 2,70 537% Fl. 6437DF CARF MF Processo nº 10980.720417/201544 Acórdão n.º 3302005.377 S3C3T2 Fl. 23 43 Com o comparativo entre as duas saídas, observase claramente o intuito de simulação da Recorrente, não havendo que se aceitar a argumentação por ela apresentada em Recurso Voluntário, pois não há fé na documentação apresentada pela Bayonne, podendo sim a autoridade fiscal com fundamento nos artigos 195, inciso I, 196 e 197, do Decreto nº 7.212, de 2010 (artigo 136, inciso I, e 134, do Decreto nº 4.544, de 2002), arbitrar o lançamento como assim realizou, pois está fundamentada na legislação do IPI e foi comprovada a relação de interdependência entre a Recorrente e a Langon. A discrepância entre o valor unitário de saída da Bayonne e o preço unitário de saída da Langon praticamente sua única distribuidora e localizada na mesma praça, cidade de Curitiba tem como consequência o arbitramento do valor da mercadoria, que, no caso, pode ser individualizada a partir da média ponderada dos preços de cada produto, em vigor no mês precedente ao da saída do estabelecimento que mantém a relação de interdependência, no caso, a Langon. O propósito do legislador é garantir que o IPI viesse a incidir sobre uma base de cálculo cuja dimensão econômica resguardasse o valor do mercado, evitando artificialismo na fixação dessa base de cálculo Ainda que se compute os tributos federais IPI que deveriam ser adicionados ao preço de venda, a discrepância continua, pois a diferença é entre uma faixa de 250% a 600%. Da doutrina de MARCO AURÉLIO GRECO extraise preciosa lição: Grande parte da doutrina brasileira sustentou na vigência do Código Civil de 1916 que a simulação corresponderia a um vício da vontade. Esta, porém, não é a única maneira de conceber a figura da simulação no Código Civil. Assim, por exemplo, ORLANDO GOMES examina a fenomenologia da simulação a partir da ideia de causa do negócio jurídico. Desde ângulo assume relevância aquilo que designa por "propósito negocial" (negocial, aqui, no sentido de negócio jurídico e não de empreendimento ou "business"). Este autor esclarece que "no esquema legal de cada tipo de negócio encontrase a 'causa' que o legitima, inalterável ao arbítrio de que o pratica. Assim, haverá, em princípio, ato simulado quando "determinado 'tipo' de negócio jurídico seja utilizado para a consecução de fim não correspondente exatamente à sua causa. E mais, "declarando o que realmente não querem, visam as partes à obtenção de resultado diverso da sua causa típica, mas não pretendem o negócio que praticam". Ou seja, identificar a finalidade e a causa do negócio é o parâmetro para aferir a ocorrência ou não da simulação. Portanto, no exame de determinado caso concreto, para saber se estamos ou não diante de hipótese de simulação, importa não apenas perguntar se há uma dualidade de vontades, mas, Fl. 6438DF CARF MF 44 principalmente, detectar se há um motivo real que não corresponda ao motivo aparente2. No caso em análise, é certo que, dentro da livre iniciativa, vige o princípio da autonomia da vontade, sendo livre à Recorrente transferir a quase totalidade de seus produtos a uma única comercial atacadista motivo aparente, o que causa espanto é a diferença entre o preço de saída do estabelecimento da Bayonne e o preço de saída do estabelecimento da Langon. Apenas para exemplificar, o preço unitário da Deocolônia GI é de R$ 13,16 na Bayonne e de R$ 57,13 na Langon. É claro que pode ter havido algum propósito negocial para a prática de mercado adotada pela Recorrente e que ela não esclareceu em sua defesa, contudo, a evasão de IPI fica evidente motivo real, já que a Langon não foi equiparada a industrial, logo, não houve incidência de IPI na saída dos produtos pela Langon. Como se trata de produtos da marca Racco, eles podem ser individualizados. Diferentemente do que afirma a Recorrente de que se houvesse a tributação haveria confisco, o Direito Tributário, além da função de arrecadação, também, possui uma função regulatória, que visa justamente preservar a livre concorrência e coibir os abusos. Há uma ordem econômica, dentro da Constituição Federal, que consagra um regime de mercado organizado3: A liberdade contratual, que se decompõe em liberdade de contratar ou de absterse de contratar e em liberdade de configuração interna dos contratos, sofre limitações ponderabilíssimas em ambos os aspectos. (...) Que a nossa Constituição de 1988 é uma 'Constituição dirigente', isso é inquestionável. O conjunto de diretrizes, programas e fins que enuncia, a serem pelo Estado e pela sociedade realizados, a ela confere o caráter de 'plano global normativo', do Estado e da sociedade. O seu art. 170 prospera, evidenciadamente, no sentido de implantar uma 'nova' ordem econômica. (...) a ordem econômica na Constituição de 1988 consagra um regime de 'mercado organizado', entendido como tal aquele afetado pelos preceitos da ordem pública clássica (Geraldo Vidigal); opta pelo tipo 'liberal' do processo econômico, que só admite a intervenção do Estado para coibir abusos e preservar a livre concorrência de quaisquer interferências, quer do próprio Estado, quer do embate econômico que pode levar à formação de monopólios e ao abuso do poder econômico visando ao aumento arbitrário dos lucros mas sua posição corresponde à do 'neoliberalismo' ou 'socialliberalismo', com a defesa da livre iniciativa (Miguel Reale); Ademais, deve existir uma neutralidade tributária concorrencial: 2 GRECO, Marco Aurélio. Planejamento tributário. 3. ed. São Paulo: Dialética, 2011, p. 276, 277. 3 GRAU, Eros Roberto. A ordem econômica na constituição de 1988. 9. ed. São Paulo: Malheiros, 2004, p. 87; 157 e 174. Fl. 6439DF CARF MF Processo nº 10980.720417/201544 Acórdão n.º 3302005.377 S3C3T2 Fl. 24 45 A Neutralidade Tributária não significa a não interferência do tributo sobre a economia, mas, em acepção mais restrita, neutralidade da tributação em relação à Livre Concorrência, visando a garantir um ambiente em igualdade de condições competitivas, reflexo da neutralidade concorrencial do Estado. Em termos práticos, a Neutralidade Tributária significa que produtos em condições similares devem estar submetidos à mesma carga fiscal4. Ao efetuar o referido artificialismo na base de cálculo do IPI, empresas que atuam no mesmo segmento de mercado ficam extremamente prejudicadas, pois estão submetidas a diferentes cargas fiscais, deturpando a própria livre iniciativa, sendo que o Estado deve coibir os abusos, que podem ser cometidos por meio de uma evasão fiscal. Em caso similar, esta turma julgadora assim já se posicionou: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 BASE DE CÁLCULO. VENDAS PARA ESTABELECIMENTO ATACADISTA INTERDEPENDENTE EXCLUSIVO. VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO. PREÇO MÉDIO DE VENDA NO ATACADO DO ADQUIRENTE. POSSIBILIDADE. Na falta de outros adquirentes, ou melhor, na remessa para estabelecimento atacadista interdependente que seja o único comprador do produto, o valor tributável não poderá ser inferior ao preço de venda no atacado do adquirente atacadista exclusivo para os seus clientes. (...) (Acórdão 3302003.026; Redator designador: José Fernandes do Nascimento; Data da sessão: 27.01.2016) E do brilhante voto do Redator Designado, José Fernandes do Nascimento, para o caso acima citado, extraise: Assim, diante da impossibilidade de adotar o critério alternativo de apuração da base cálculo do IPI, previsto no art. 137, parágrafo único, II, do RIPI/2002, revestese de todo razoável e em consonância com as normas de proteção da base de cálculo do IPI a utilização, pela fiscalização, do VTM calculado com base no preço no atacado médio praticado pelo estabelecimento atacadista interdependente da L’ORÉAL BRASIL, localizado no município de Duque de Caxias, limítrofe com o município do Rio de Janeiro, onde se situa o estabelecimento industrial da recorrente, especialmente tendo em conta que ambos os municípios integram a mesma região metropolitano. 4 SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito Tributário. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 343 Fl. 6440DF CARF MF 46 Ademais, o Parecer Normativo CST 44/1981 fundamenta a adoção a aplicação do VTM calculado com base no preço médio praticado pela Langon, empresa interdependente, que atua na mesma praça, no caso, a cidade de Curitiba. Ademais, a Solução de Consulta Interna nº 08 COSIT, de 13 de junho de 2002, que vem explicar o artigo 195, inciso I, do RIPI/2010, elucida em seus fundamentos: Solução de Consulta Interna nº 08 COSIT, de 13 de junho de 2002 5. O inciso I do art. 195 do RIPI/2010 assim dispõe sobre a matéria, in verbis: Art.195. O valor tributável não poderá ser inferior: I ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente quando o produto for destinado a outro estabelecimento do próprio remetente ou a estabelecimento de firma com a qual mantenha relação de interdependência; 6. Observase que o dispositivo legal acima não faz qualquer referência ao número mínimo de ofertantes que devem atuar no mercado para que este seja caracterizado como um “mercado atacadista”. Tampouco faz qualquer distinção entre mercados monopolizados, oligopolizados, livre concorrência ou monopsônio. 7. Desse modo, não havendo base legal para se estabelecer o número mínimo de ofertantes, nem distinções entre os tipos de mercado, deve ser aplicada a regra prevista no inciso I do art. 195 do RIPI/2010 sempre que o produto for destinado a outro estabelecimento do próprio remetente ou a estabelecimento de firma com a qual mantenha relação de interdependência. 8. Já o Parecer Normativo CST nº 44, de 1981, ao tratar do valor tributável para efeito de cálculo do IPI, assim dispôs sobre “mercado atacadista”, in verbis: 6.1. Isto significando, por certo, que numa mesma cidade, ou praça comercial, o mercado atacadista de determinado produto, como um todo, deve ser considerado relativamente ao universo das vendas que se realizam naquela mesma localidade, e não somente em relação àquelas vendas efetuadas por um só estabelecimento, de forma isolada. 7. Por isso, os preços praticados por outros estabelecimentos da mesma praça que a do contribuinte interessado em encontrar o valor tributável do IPI através do preço corrente do mercado atacadista devem ser considerados para o cálculo da média ponderada de que trata o§ 5º do artigo 46 do RIPI/79. 9. Ou seja, existindo diversos estabelecimentos atuantes no mercado atacadista, não será válida a determinação do valor tributável mínimo tomando por base o preço praticado por apenas um estabelecimento, isoladamente considerado. Devese levar em conta “o mercado atacadista de determinado produto, como um todo”. Fl. 6441DF CARF MF Processo nº 10980.720417/201544 Acórdão n.º 3302005.377 S3C3T2 Fl. 25 47 9.1. Agora, se “o mercado atacadista de determinado produto, como um todo”, possui um único vendedor, é inevitável que o valor tributável mínimo seja determinado a partir das vendas por este efetuadas. Nem por isso tais operações de compra e venda por atacado deixarão de caracterizar a existência de um “mercado atacadista”, possibilitando, portanto, a aplicação da regra estatuída no inciso I do art. 195 do RIPI/2010. 9.2. Assim, o valor tributável mínimo aplicável às saídas de determinado produto do estabelecimento industrial que o fabrique, e que tenha na sua praça um único distribuidor, dele interdependente, corresponderá aos próprios preços praticados por esse distribuidor único nas vendas que efetue, por atacado, do citado produto. 10. Dessa forma, as operações realizadas por este estabelecimento corresponderão ao “universo das vendas” a que se refere o Parecer Normativo CST nº 44, de 1981, e tais operações de compra e venda configurarão o “mercado atacadista” de que trata o inciso I do art. 195 do RIPI/2010. Conclusão 11. Diante do exposto, na hipótese de existir no mercado atacadista a que se refere o inciso I do art. 195 do RIPI/2010 um único distribuidor, interdependente de estabelecimento industrial fabricante de determinado produto (sem similar para efeito de comparação de preços), o valor tributável mínimo aplicável a esse estabelecimento industrial fabricante corresponderá aos próprios preços praticados pelo distribuidor único nas vendas por atacado do citado produto. (grifos não constam no original) No caso em análise, a Recorrente enviou seus produtos quase que, exclusivamente, a Langon, totalizando um percentual de 99,78% das vendas de mercadorias de abril a dezembro de 2010, o que por si só já justifica a apuração do valor tributável mínimo VTM a partir da saída de sua distribuidora quase que exclusiva. O preço será do estabelecimento atacadista, apurado no mês anterior ao de saída do estabelecimento remetente e aplicado às saídas deste estabelecimento (remetente), conforme preceitua o artigo 195, inciso I, do Decreto nº 7.212, de 2010 RIPI. Apenas para deixar ainda mais claro, como ficou configurada a relação de interdependência e, no caso em análise, a Recorrente possui praticamente um único mercado atacadista na mesma praça, que é a Langon, a partir do preço de saída desta deve ser considerado o valor tributável mínimo. O valor não deve ser o da Recorrente, como ela quis argumentar em seu recurso voluntário, mas o da comercial atacadista, a Langon, pois é este o preço de mercado, representando o valor real e não o valor artificial, que foi remetido o produto. Dessa forma, aplicase o artigo 195, inciso I, do RIPI/2010. O fato de o preço ser de varejo e não do atacado como ela quis argumentar no recurso voluntário não procede, pois a diferença é tamanha que fica comprovado o artificialismo do preço de saída da Bayonne. Por fim, quanto aos descontos fornecidos pela Langon, a Recorrente apenas argumentou, mas não provou. Fl. 6442DF CARF MF 48 A Solução de Consulta Interna nº 08 COSIT, de 13 de junho de 2002, que apesar de ser de 2012, pode ser aplicada, pois ela apenas explicita melhor o artigo 195, inciso I, do RIPI/2010, chega a seguinte conclusão, que se amolda perfeitamente ao caso: "Na hipótese de existir no mercado atacadista a que se refere o inciso I do art. 195 do RIPI/2010 um único distribuidor, interdependente de estabelecimento industrial fabricante de determinado produto (sem similar para efeito de comparação de preços), o valor tributável mínimo aplicável a esse estabelecimento industrial fabricante corresponderá aos próprios preços praticados pelo distribuidor único nas vendas por atacado do citado produto". No Termo de Descrição dos Fatos, assim procedeu a autoridade fiscal, fls. 6096: E, na árdua tarefa de se determinar o Valor Tributável Mínimo, constatouse que Bayonne Cosméticos Ltda. fazia uso de códigos de referência distintos para identificar os produtos de sua industrialização, conforme fatores como tipo, forma de apresentação e qualidade, com as mais diferentes faixas de preço. E, mais, nas notas fiscais de saída emitidas no ano de 2010, a Bayonne Cosméticos Ltda. e a Langon Cosméticos Ltda. teriam empregado, além da mesma descrição das mercadorias, iguais códigos de referência para identificação dos produtos, o que permitiu a esta fiscalização utilizar os preços unitários registrados nas notas relativas a vendas de produtos efetuadas pela distribuidora na determinação do valor tributável mínimo a ser aplicado nas saídas da fiscalizada. A coincidência dos códigos para os produtos foi verificada nos meses de apuração de julho a dezembro de 2010. E no que concerne ao fator temporal, o artigo 196, caput, do RIPI/2010, determina que a média ponderada dos preços de cada produto, em vigor no mês precedente ao da saída do estabelecimento remetente. Logo, para o cálculo do Valor Tributável Mínimo do mês de março de 2010, utilizouse as saídas do mês de fevereiro de 2010 da Langon Cosméticos Ltda. mercado atacadista, comparando as descrições de mercadorias, conforme as Notas Fiscais de ambas. No Termo de Descrição dos Fatos, assim procedeu a autoridade fiscal, fls. 6096: Nessas planilhas, os dados utilizados para efeito de cálculo da média ponderada objeto dos art. 195, inciso I, e 197, do Regulamento do IPI de 2010, foram obtidos dos preços praticados em negociações com empresas que não fossem interdependentes, no mercado atacadista da região de Curitiba PR. Outrossim, informase que, para o cálculo do Valor Tributável Mínimo do mês de abril de 2010, utilizouse as saídas do mês de março de 2010 da Langon Cosméticos Ltda., comparando as descrições de mercadorias, conforme as Notas Fiscais de ambas. E, na falta de saídas no mês de março de 2010, utilizouse a média ponderada dos preços de cada produto em vigor no mês imediatamente anterior, no caso, fevereiro de 2010, da Langon Cosméticos Ltda. Fl. 6443DF CARF MF Processo nº 10980.720417/201544 Acórdão n.º 3302005.377 S3C3T2 Fl. 26 49 Assim, no aspecto do fator temporal, mais uma vez, a Recorrente argumentou que não houveram saídas de produtos de forma mensal, contudo, não comprovou. Ademais, conforme exposto acima, a fiscalização seguiu os ditames do artigo 196, do Decreto nº 7.212, de 2010 RIPI, ou seja, aplicou a média ponderada dos preços de cada produto, em vigor no mês precedente ao da saída do estabelecimento remetente, ou, na sua falta, a correspondente ao mês imediatamente anterior àquele. Quanto à alegação de que os seguintes produtos: protetor solar, placas de residência, e diversos materiais que não são produzidos pela Bayonne e que estão indevidamente contemplados na base de cálculo de IPI com alíquotas indevidas e regras não condizentes com os produtos comercializados, tal argumentação não procede. Primeiro, a Recorrente, mais uma vez, alegou e não comprovou. Em segundo lugar, somente os itens constantes do auto de infração tiveram alterações em suas alíquotas de IPI, ou seja, somente houve alteração nas alíquotas adotadas nas notas fiscais de saídas e nos arquivos das empresas para os produtos “águas de colônia ou deocolônias”, “sabonetes líquidos”, “sabonetes não líquidos” e “óleos corporais hidratantes”, os outros produtos seguiram estritamente a classificação adotada pela empresa nas notas fiscais de saídas de seus produtos, inclusive, tal erro de classificação será tratado posteriormente. Por fim, conforme esclareceu o acórdão da DRJ/Ribeirão Preto, fls. 6255: Ademais, não é o preço que deve ser do estabelecimento remetente, como entendeu o impugnante, mas o mês da saída que em está sendo valorado o preço, se não, perderia sentido o disposto no artigo 195 do RIPI/2010, que dispõe que a tomada de preço se dará pela saída do estabelecimento comercial atacadista interdependente. O preço, no caso, é o do estabelecimento atacadista, apurado no mês anterior ao de saída do estabelecimento remetente e aplicado às saídas deste estabelecimento (remetente) . Diante dos fundamentos apresentados, mantémse o que foi decidido na DRJ/Ribeirão Preto. 3.5. Da classificação fiscal 3.5.1. Deocolônias A Recorrente argumenta que a classificação fiscal utilizada para as chamadas deocolônias é a 3307.20.10 e 3307.20.90, ambas com alíquota de 7% de IPI. Contudo, a fiscalização aplicou a NCM 3303.00.20 (águas de colônia), a qual determina a incidência de alíquota de 12% a título de IPI. Ela suscita que a classificação adotada pela fiscalização é errônea, pois as deocolônias industrializadas pela Recorrente apresentam efetivamente a função desodorizadora. Ela elucida que as colônias desodorantes industrializadas pela Bayonne apresentam um componente bactericida na sua composição, a Racco utiliza o "Triclosan", que é devidamente declarado na rotulagem das suas deocolônias. O Triclosan, por apresentar um efeito bactericida, permite que no nome do produto seja incluída a palavra desodorante colônia ou deocolônia, com rotulagem e formulação aprovada pela ANVISA. Fl. 6444DF CARF MF 50 Da tabela NCM, temse que: Classificação Fiscal utilizada pela Recorrente 33.07 Preparações para barbear (antes, durante ou após), desodorantes (desodorizantes) corporais, preparações para banhos, depilatórios, outros produtos de perfumaria ou de toucador preparados e outras preparações cosméticas, não especificados nem compreendidos noutras posições; desodorantes (desodorizantes) de ambiente, preparados, mesmo não perfumados, mesmo com propriedades desinfetantes. 3307.10.00 Preparações para barbear (antes, durante ou após) 22 3307.20 Desodorantes (desodorizantes) corporais e antiperspirantes 3307.20.10 Líquidos 7 3307.20.90 Outros 7 3307.30.00 Sais perfumados e outras preparações para banhos 22 Classificação Fiscal adotada pela fiscalização 3303.00 Perfumes e águasdecolônia. 3303.00.10 Perfumes (extratos) 42 3303.00.20 Águasdecolônia 12 As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH), aprovadas pelo Decreto n° 435, de 28 de janeiro de 1992, com seu texto consolidado pela Instrução Normativa RFB n° 807, de 11 de janeiro de 2008, alterada pela Instrução Normativa RFB n° 1.072, de 30 de setembro de 2010, e pela Instrução Normativa RFB n° 1.260, de 20 de março de 2012 quando se referem à posição 33.07 e 33.03, assim esclarecem: Em relação à classificação fiscal adotada pela Recorrente: Esta posição compreende: I) As preparações para barbear (antes, durante ou após), como por exemplo os cremes e espumas para barbear, mesmo contendo sabão ou outros agentes de superfície orgânicos (ver Nota 1 c) do Capítulo 34); as loções para após a barba, as pedrasumes (pedras de alume) e os lápis hemostáticos. Fl. 6445DF CARF MF Processo nº 10980.720417/201544 Acórdão n.º 3302005.377 S3C3T2 Fl. 27 51 Os sabões para a barba em blocos incluemse na posição 34.01. II) Os desodorantes corporais e os antiperspirantes (antisudoríficos). III) As preparações para banho tais como os sais perfumados e as preparações para banho de espuma, mesmo contendo sabão ou outros agentes de superfície orgânicos (ver Nota 1 c) do Capítulo 34). As preparações para lavagem da pele, em que o componente ativo é constituído parcial ou inteiramente por agentes orgânicos tensoativos de síntese que podem ser associados a sabão em qualquer proporção, apresentadas na forma de líquido ou de creme e acondicionadas para venda a retalho, são classificadas na posição 34.01. Quando não sejam acondicionadas para venda a retalho, essas preparações são incluídas na posição 34.02. IV) Preparações para perfumar ou para desodorizar ambientes, incluídas as preparações odoríferas para cerimônias religiosas: 1) As preparações utilizadas para perfumar ambientes e as preparações odoríferas para cerimônias religiosas. Atuam, em geral, por evaporação ou combustão, tais como o “Agarbate” e podem apresentarse sob a forma de líquidos, de pós, de cones, de papéis impregnados, etc. Algumas destas preparações utilizamse para disfarçar cheiros. As velas perfumadas excluemse desta posição (posição 34.06). 2) Os desodorantes de ambientes, preparados, mesmo não perfumados, tendo ou não propriedades desinfetantes. Os desodorantes de ambientes preparados são constituídos, essencialmente, por substâncias (metacrilato de laurila, por exemplo) que atuam por via química sobre os cheiros a eliminar ou outras substâncias destinadas a absorver fisicamente os cheiros pelas forças de Van der Waal, por exemplo. Acondicionados para venda a retalho, estas preparações, em geral, apresentamse em recipientes aerossóis. Os produtos, tais como o carvão ativado, acondicionados para venda a retalho como desodorantes para refrigeradores (frigoríficos*), automóveis, etc., incluemse igualmente na presente posição. V) Outros produtos, tais como: 1) Os depilatórios. 2) Os saquinhos (sachês) contendo partes de plantas aromáticas e que se empregam para perfumar armários de roupas. 3) Os papéis perfumados e os papéis impregnados ou revestidos de cosméticos. Fl. 6446DF CARF MF 52 4) As soluções para lentes de contato ou para olhos artificiais. Podem tratarse de soluções desinfetantes, de limpeza, de umedecimento ou para aumentar o conforto durante o uso. 5) As pastas (ouates), feltros e falsos tecidos, impregnados, revestidos ou recobertos de perfume ou de cosméticos. 6) Os produtos de toucador preparados para animais, tais como os xampus para cães e banhos para embelezar a plumagem dos pássaros. Assim, observase que a posição 3307.20.10 ou 3307.20.90 seria somente para os produtos que são configurados como desodorantes corporais e os antiperspirantes, que têm como função combater o suor, conhecido como antisudoríficos. Diferente do que se observa por meio da fotografia, fls. 6104, cujo produto tem a função de perfumar a pele, mesmo que possua o produto Triclosan cuja função é ter um efeito bactericida. Em relação à posição adotada pela fiscalização, a NESH assim esclarece: Os desodorantes corporais e os antiperspirantes (antisudoríficos). 33.03 Perfumes e águasdecolônia. (Texto oficial de acordo com a IN RFB nº 1.260, de 20 de março de 2012) A presente posição compreende os perfumes que se apresentem nas formas de líquido, de creme ou de sólido (compreendendo os bastões (sticks)), e as águasdecolônia, cuja função principal seja a de perfumar o corpo. Os perfumes propriamente ditos, também chamados extratos, consistem geralmente em óleos essenciais, essências concretas de flores, essências absolutas ou em misturas de substâncias odoríferas artificiais, dissolvidas em álcool de título elevado. Usualmente, estas composições contêm ainda adjuvantes (aromas suaves) e um fixador ou estabilizador. As águasdecolônia (por exemplo, águadecolônia propriamente dita, água de lavanda), que não devem confundir se com águas destiladas aromáticas e soluções aquosas de óleos essenciais da posição 33.01, diferem dos perfumes propriamente ditos pela sua mais fraca concentração em óleos essenciais, etc., e pelo título geralmente menos elevado de álcool empregado. Esta posição não compreende: a) Os vinagres de toucador (posição 33.04). b) As loções para após a barba e os desodorantes corporais (posição 33.07). Ademais, o Termo de Descrição de Fatos esclarece, fls. 6112: Assim, das especificações trazidas nas embalagens das “deo colônias” fornecidas como amostras pelo sujeito passivo no curso do procedimento de fiscalização que gerou o processo administrativo fiscal de nº 10980. 726.891/201156, temse que a principal função dos produtos perdura sendo perfumar a pele, Fl. 6447DF CARF MF Processo nº 10980.720417/201544 Acórdão n.º 3302005.377 S3C3T2 Fl. 28 53 não havendo menção à ação antiperspirantes ou antisséptica, próprias dos desodorantes corporais. De volta às amostras, as fotos das amostras fornecidas de “deo colônias” e de suas embalagens e especificações, originais do processo administrativo fiscal de nº 10980.726.891/201156 e aqui colacionadas, tornam manifesto sua função de perfumar a pele; e, ainda mais evidente que todas as suas características, composição e apresentação são as que as águasdecolônia em embalagens de venda a retalho possuem. Sobre a função e as características das “deocolônias”, das informações colhidas do site www.racco.com.br, durante o curso do procedimento de fiscalização que gerou o processo administrativo fiscal de nº 10980.726.891/201156, concluise que seriam produtos diversos dos desodorantes corporais e antiperspirantes. E, corroborando com esta conclusão, o fato de o sujeito passivo – conhecedor que é da diferença entre a figura das águas de colônia e desodorantes corporais , também produzir e comercializar desodorantes corporais e antitranspirantes, os quais são denominados de desodorantes corporais pelo próprio, é mais um indício de que “deocolônias” e desodorantes corporais não se confundem. E elucida as diferenças técnicas entre desodorante e água de colônia, fls. 6114 e seguintes: Prosseguindo na tarefa de conceituar deocolônia, tanto do ponto de vista de classificação fiscal, quanto do ponto de vista ontológico, transcrevese texto extraído de site da Sociedade Brasileira de Resposta Técnica, http://wvvw.respostatecnica.orQ.br/acessoRT/18381, para a seguinte demanda: Gostaria de obter informações sobre a definição de deo colônia; se água de colônia é igual deo colônia; as principais diferenças entre perfume e deo colônia e os processos de fabricação de ambos (perfume e deo colônia) Código de Solicitação: 49798, no qual, informase que as "deo colônias", com base em sua composição química, seriam um perfume de concentração mais suave, espécie, como já visto, de águadecolônia, cujo respondente é Fundação Centro Tecnológico de Minas Gerais CETEC, documento de 27 de maio de 2011. "Hoje os perfumes se dividem em alguns tipos de acordo com a concentração da essência: Eau de parfum: mais forte, tem, em sua composição, de 10% a 20% de concentração de essências e seu efeito de fixação chega a 12 horas. Bastam algumas gotas em lugares estratégicos como a nuca, atrás da orelha e atrás do joelho, para você ficar perfumado o dia todo; [...] Fl. 6448DF CARF MF 54 Deo colônia: O mais suave dos perfumes tem o mínimo de concentração de essência, chegando ao máximo de 10%, sendo sua fixação de duas a quatro horas, com algumas exceções que chegam a até8h (SACK'S, [200?])." De outra feita, os desodorantes são produtos para o cuidado pessoal. De acordo com resposta técnica do Serviço Brasileiro de Resposta Técnica Código de Solicitação 13949 elaborada pelo Instituto de Tecnologia do Paraná TECPAR http://www.respostatecnica.org.br/acessoRT/5254: "Um desodorante com ação bactericidade tem como principal função eliminar as bactérias que "residem" nas axilas, conseqüentemente, diminuem o odor da transpiração. Sua formulação contém agentes bactericidas, como o etanol (álcool) e, quase sempre, uma fragância envolvente e refrescante. Esse tipo de formulação é denominado normalmente como desodorante, seja pelos técnicos como pelos consumidores. Já um antiperspirante, antitranspirante ou moderador da transpiração apresenta ingredientes ativos que atuam nos duetos das glândulas sudoríparas e controlam a saída do suor, sem prejudicar a saúde. Estes ingredientes são substâncias com efeito hipodidrótico (reduzem a transpiração), como sais de alumínio e os de alumínio associados ao zircônio. Esse tipo de produto é normalmente denominado de desodorante antiperspirante, pois apresenta as duas funções (COSMETICNOW). Pela explicação acima colacionado e pelas fotos no Termo de Descrição dos Fatos, fls. 6104 e seguintes, os produtos classificamse como água de colônia, cuja função principal é perfumar a pele, e não podem ser classificados desodorantes corporais ou antiperspirantes, como quis a Recorrente, portanto, correta a classificação fiscal adotada pela fiscalização, não merecendo reforma o acórdão da DRJ/Ribeirão Preto. 3.5.2. Sabonetes líquidos A Recorrente argumenta que a classificação fiscal, utilizada por ela, para os chamados sabonetes líquidos é a 3401.11.90 e a 3401.20.10, ambas com alíquota de 5% de IPI. Contudo, a fiscalização utilizou o NCM 3401.30.00 (produtos e preparações orgânicos tensoativos destinados a lavagem da pele na forma de líquido ou de creme, acondicionados para a venda a retalho), a qual determina a incidência de alíquota de 10% a título de IPI. A Recorrente argumenta que a fiscalização utilizouse da Solução de Consulta nº 9 da 1ª Região Fiscal, envolvendo solução de consulta de terceiro, utilizandose de prova emprestada e, portanto, violando seu direito de defesa. Da tabela NCM, temse que: Classificação Fiscal utilizada pela Recorrente NCM DESCRIÇÃO ALÍQUOTA (%) 3401.11 De toucador (inclusive os de uso medicinal) 3401.11.10 Sabões medicinais 5 3401.11.90 Outros 5 Ex 01 Sabão 0 Fl. 6449DF CARF MF Processo nº 10980.720417/201544 Acórdão n.º 3302005.377 S3C3T2 Fl. 29 55 3401.20 Sabões de outras formas 3401.20.10 De toucador 5 Classificação Fiscal adotada pela fiscalização NCM DESCRIÇÃO ALÍQUOTA (%) 3401.30.00 Produtos e preparações orgânicos tensoativos para lavagem da pele, em forma de líquido ou de creme, acondicionados para venda a retalho, mesmo que contenham sabão 10 Para que haja melhor compreensão, transcrevese o capítulo 34 e suas explicações: Capítulo 34 Sabões, agentes orgânicos de superfície, preparações para lavagem, preparações lubrificantes, ceras artificiais, ceras preparadas, produtos de conservação e limpeza, velas e artigos semelhantes, massas ou pastas para modelar, “ceras para dentistas” e composições para dentistas à base de gesso Notas. 1. O presente Capítulo não compreende: a) As misturas ou preparações alimentícias de gorduras ou de óleos animais ou vegetais do tipo utilizado como preparações para desmoldagem (posição 15.17); b) Os compostos isolados de constituição química definida; c) Os xampus, dentifrícios (dentífricos), cremes e espumas de barbear e preparações para banho, que contenham sabão ou outros agentes orgânicos de superfície (posições 33.05, 33.06 ou 33.07). 2. Na acepção da posição 34.01, o termo “sabões” apenas se aplica aos sabões solúveis em água. Os sabões e outros produtos daquela posição podem ter sido adicionados de outras substâncias (por exemplo, desinfetantes, pós abrasivos, cargas, produtos medicamentosos). Todavia, os que contenham abrasivos só se incluem naquela posição se se apresentarem em barras, pedaços, figuras moldadas ou em pães. Apresentados sob outras formas, classificamse na posição 34.05, como pastas e pós para arear e preparações semelhantes. 3. Na acepção da posição 34.02, os “agentes orgânicos de superfície” são produtos que quando misturados com água numa concentração de 0,5 %, a 20 °C, e deixados em repouso durante uma hora à mesma temperatura: Fl. 6450DF CARF MF 56 a) Originam um líquido transparente ou translúcido ou uma emulsão estável sem separação da matéria insolúvel; e b) Reduzem a tensão superficial da água a 4,5 x 102 N/m (45 dinas/cm) ou menos. 4. A expressão “óleos de petróleo ou de minerais betuminosos” usada no texto da posição 34.03 referese aos produtos definidos na Nota 2 do Capítulo 27. 5. Ressalvadas as exclusões abaixo indicadas, a expressão “ceras artificiais e ceras preparadas”, utilizada no texto da posição 34.04, aplicase apenas: a) Aos produtos que apresentem as características de ceras, obtidos por um processo químico, mesmo solúveis em água; b) Aos produtos obtidos por mistura de diferentes ceras entre si; c) Aos produtos que apresentem as características de ceras, à base de ceras ou parafinas e que contenham, além disso, gorduras, resinas, matérias minerais ou outras matérias. Pelo contrário, a posição 34.04 não compreende: a) Os produtos das posições 15.16, 34.02 ou 38.23, mesmo que apresentem as características de ceras; b) As ceras animais ou vegetais, não misturadas, mesmo refinadas ou coradas, da posição 15.21; c) As ceras minerais e os produtos semelhantes da posição 27.12, mesmo misturados entre si ou simplesmente corados; d) As ceras misturadas, dispersas ou dissolvidas em meio líquido (posições 34.05, 38.09, etc.). As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH), aprovadas pelo Decreto n° 435, de 28 de janeiro de 1992, com seu texto consolidado pela Instrução Normativa RFB n° 807, de 11 de janeiro de 2008, alterada pela Instrução Normativa RFB n° 1.072, de 30 de setembro de 2010, e pela Instrução Normativa RFB n° 1.260, de 20 de março de 2012 quando se referem à posição 3401, assim esclarecem: CONSIDERAÇÕES GERAIS Este Capítulo, que compreende os produtos obtidos essencialmente pelo tratamento industrial das gorduras ou das ceras, agrupa os produtos da indústria de sabão, algumas preparações lubrificantes, as ceras preparadas, alguns produtos para conservação e limpeza, as velas de iluminação, etc., e também certos produtos artificiais tais como os agentes de superfície, as preparações tensoativas e as ceras artificiais. Este Capítulo não compreende os produtos de constituição química definida apresentados isoladamente, nem os produtos naturais que não tenham sido submetidos à mistura ou à preparação. Fl. 6451DF CARF MF Processo nº 10980.720417/201544 Acórdão n.º 3302005.377 S3C3T2 Fl. 30 57 34.01 Sabões; produtos e preparações orgânicos tensoativos utilizados como sabão, em barras, pães, pedaços ou figuras moldadas, mesmo que contenham sabão; produtos e preparações orgânicos tensoativos para lavagem da pele, em forma de líquido ou de creme, acondicionados para venda a retalho, mesmo que contenham sabão; papel, pastas (ouates), feltros e falsos tecidos, impregnados, revestidos ou recobertos de sabão ou de detergentes. 3401.1 Sabões, produtos e preparações orgânicos tensoativos, em barras, pães, pedaços ou figuras moldadas, e papel, pastas (ouates), feltros e falsos tecidos, impregnados, revestidos ou recobertos de sabão ou de detergentes: 3401.11 De toucador (incluindo os de uso medicinal) 3401.19 Outros 3401.20 Sabões sob outras formas 3401.30 Produtos e preparações orgânicos tensoativos para lavagem da pele, em forma de líquido ou de creme, acondicionados para venda a retalho, mesmo que contenham sabão (Texto oficial de acordo com a IN RFB nº 1.260, de 20 de março de 2012) I. SABÕES O sabão é um sal alcalino (inorgânico ou orgânico) de um ácido graxo (gordo*) ou de uma mistura destes ácidos que contenham pelo menos oito átomos de carbono. Na prática, às vezes, uma parte daqueles ácidos é substituída por ácidos resínicos. A presente posição apenas compreende os sabões solúveis em água, isto é, os sabões propriamente ditos. Constituem um grupo de agentes de superfície aniônicos de reação alcalina que, em solução aquosa, produzem espuma abundante. Há três categorias de sabões: Os sabões duros, que, quase sempre, se fabricam com soda (hidróxido ou carbonato de sódio) e que constituem a maior parte dos sabões comuns. Podem ser brancos, corados ou marmorizados. Os sabões moles, que, pelo contrário, se fabricam com potassa (hidróxido ou carbonato de potássio). Os sabões deste tipo são viscosos e, em geral, de cor verde, castanha ou amareloclara. Podem conter pequenas quantidades (que geralmente não ultrapassam 5%) de produtos orgânicos tensoativos sintéticos. Os sabões líquidos, que consistem numa solução aquosa de sabão eventualmente adicionada de pequenas quantidades (que Fl. 6452DF CARF MF 58 em geral não ultrapassam 5%) de álcool ou de glicerol, mas que não contêm produtos orgânicos tensoativos sintéticos. Incluemse aqui especialmente: 1) Os sabões de toucador, que são freqüentemente coloridos e perfumados e que compreendem: os sabões leves ou flutuantes, para banho, e os sabões desodorantes, bem como os sabões ditos de glicerina, os sabões de barba, os sabões medicinais e certos sabões desinfetantes ou abrasivos adiante mencionados. a) Os sabões leves ou flutuantes, para banho, e os sabões desodorantes. b) Os sabões denominados de glicerina, sabões translúcidos, resultantes do tratamento de sabão branco com álcool, glicerol ou açúcar. c) Os sabões de barba (os cremes de barbear incluemse na posição 33.07). d) Os sabões medicinais, que contêm substâncias medicamentosas, tais como ácido bórico, ácido salicílico, enxofre e sulfamidas. e) Os sabões desinfetantes, que contêm, em pequenas quantidades, fenol, cresol, naftol, formaldeído ou outras substâncias bactericidas ou bacteriostáticas. Estes sabões não se devem confundir com as preparações desinfetantes da posição 38.08, formuladas com os mesmos constituintes. A diferença entre essas duas categorias de produtos reside nas proporções respectivas de seus constituintes (por um lado, sabão e, por outro, fenol, cresol, etc.). As preparações desinfetantes da posição 38.08 contêm proporções elevadas de fenol, cresol, etc. Elas são líquidas, enquanto que os sabões são, em geral, sólidos. f) Os sabões abrasivos, que consistem em sabão adicionado de areia, sílica, pedrapomes em pó, pó de ardósia, serragem (serradura) ou produtos semelhantes. Todavia, apenas se incluem aqui os sabões deste tipo que se apresentem em barras, em pães, em pedaços ou figuras moldados. As pastas e pós, abrasivos, para arear, mesmo contendo sabão, incluemse na posição 34.05. 2) Os sabões para limpeza doméstica, que podem ser corados ou perfumados, abrasivos ou desinfetantes. 3) Os sabões de resina, de tall oil ou de naftenatos, que contêm não apenas sais alcalinos de ácidos graxos (gordos*), como também resinatos alcalinos da posição 38.06 ou naftenatos alcalinos da posição 34.02. 4) Os sabões industriais, preparados com vistas a usos especiais, tais como os que se empregam em trefilagem, polimerização de borracha sintética e lavanderia. Ressalvada a exceção prevista no item 1 f) acima, os sabões da presente posição apresentamse geralmente sob as formas seguintes: em barras, pães, pedaços ou figuras moldados, flocos, pós, pastas ou em soluções aquosas. Fl. 6453DF CARF MF Processo nº 10980.720417/201544 Acórdão n.º 3302005.377 S3C3T2 Fl. 31 59 II. PRODUTOS E PREPARAÇÕES ORGÂNICAS TENSOATIVAS UTILIZADOS COMO SABÃO, EM BARRAS, PÃES, PEDAÇOS OU FIGURAS MOLDADOS, MESMO CONTENDO SABÃO Este grupo compreende, desde que se apresentem em barras, pães, pedaços ou figuras moldados, ou seja, nas formas mais correntemente utilizadas na fabricação do sabão próprios para os mesmos usos, os produtos e preparações de toucador ou de lavagem em que o ingrediente ativo é constituído, no todo ou em parte, por agentes de superfície sintéticos que podem estar associados ao sabão em qualquer proporção. Estão igualmente aqui compreendidos, desde que se apresentem nas formas acima indicadas, os produtos e preparações deste tipo que possuam propriedades abrasivas, por adição de areia, sílica, pedrapomes em pó, etc. III. PRODUTOS E PREPARAÇÕES ORGÂNICOS TENSOATIVOS DESTINADOS À LAVAGEM DA PELE, NA FORMA DE LÍQUIDO OU DE CREME, ACONDICIONADOS PARA VENDA A RETALHO, MESMO CONTENDO SABÃO Esta parte compreende as preparações para lavagem da pele em que o componente ativo é constituído parcial ou inteiramente por agentes orgânicos tensoativos de síntese que podem ser associados a sabão em qualquer proporção, contanto que sejam apresentados na forma de líquido ou de creme e acondicionados para venda a retalho. Quando não sejam acondicionadas para venda a retalho, essas preparações estão incluídas na posição 34.02. IV. PAPEL, PASTAS (OUATES), FELTROS E FALSOS TECIDOS IMPREGNADOS, REVESTIDOS OU RECOBERTOS DE SABÃO OU DE DETERGENTES Este grupo compreende o papel, as pastas (ouates), os feltros e os falsos tecidos, impregnados, revestidos ou recobertos de sabão ou de detergentes, mesmo perfumados ou acondicionados para venda a retalho. Estes produtos são geralmente utilizados para lavagem das mãos ou do rosto. Além das exclusões já mencionadas, a presente posição não compreende: a) As pastas de neutralização (soapstocks) (posição 15.22). b) Os produtos e preparações insolúveis em água, que constituam “sabões” apenas na acepção química da palavra, tais como os “sabões” calcários e os “sabões” metálicos (Capítulos 29, 30, 38, etc., conforme os casos). c) O papel, pastas (ouates), feltros e falsos tecidos simplesmente perfumados (Capítulo 33). Fl. 6454DF CARF MF 60 d) Os xampus e dentifrícios (posições 33.05 e 33.06, respectivamente). e) Os agentes orgânicos de superfície (com exclusão dos sabões), as preparações tensoativas e as preparações para lavagem, mesmo contendo sabão, bem como as soluções ou dispersões de sabões em alguns solventes orgânicos, da posição 34.02. f) Os plásticos alveolares, a borracha alveolar, as matérias têxteis (com exclusão das pastas (ouates), feltros e falsos tecidos) e as esponjas metálicas, impregnados, revestidos ou recobertos de sabão ou de detergentes que seguem, geralmente, o regime da matéria constitutiva de suporte. (sublinhados não constam no original) O Termo de Descrição de Fatos, fls. 6129, reclassificou as seguintes mercadorias: Assim, à imagem do procedimento realizado no processo administrativo fiscal de nº 10980.726.891/2011 56, lançandose mão da Regra Geral 1 para Interpretação do Sistema Harmonizado em combinação com a Regra Geral 6 do SH, entendese que o código 3401.30.00 da NCM abrange as mercadorias denominadas SABONETE INTIMOS RACCO 210ML; SABONETE INTIMOS LEANDRO RACCO – 210ML ; ERVA DOCE SABONETE LIQUIDO RACCO 230ML; REFIL ERVA DOCE SABONETE LIQUIDO 230ML, fato que determinou a incidência da alíquota de 10% (dez por cento) de IPI nas operações de saída do estabelecimento tributáveis, nos termos da TIPI, Decreto nº 6.006, de 2006. A partir da classificação fiscal: 3401.1 Sabões, produtos e preparações orgânicos tensoativos, em barras, pães, pedaços ou figuras moldadas, e papel, pastas (ouates), feltros e falsos tecidos, impregnados, revestidos ou recobertos de sabão ou de detergentes: 3401.11 De toucador (incluindo os de uso medicinal) 3401.19 Outros 3401.20 Sabões sob outras formas 3401.30 Produtos e preparações orgânicos tensoativos para lavagem da pele, em forma de líquido ou de creme, acondicionados para venda a retalho, mesmo que contenham sabão (sublinhado não constam no original) Observase que a NCM adotada pela fiscalização é a mais específica aos produtos reclassificados, pois é a classificação específica para os produtos e preparações utilizados para a lavagem da pele e todas as mercadorias reclassificadas são para a lavagem da pele. Fl. 6455DF CARF MF Processo nº 10980.720417/201544 Acórdão n.º 3302005.377 S3C3T2 Fl. 32 61 O fato de a fiscalização ter elucidado o caso com a Solução de Consulta nº 9 da 1ª Região Fiscal não afronta o direito de defesa da Recorrente, pois ela em nada foi prejudicada com a referida demonstração e, ademais, tal solução não pode ser caracterizada como prova emprestada, pois a fiscalização reclassificou as mercadorias com base na legislação, a referida solução foi apenas para explicitar melhor o caso. Por tal motivação, mantémse à classificação 3401.30.00, adotada pela fiscalização. 3.5.3. Sabonete em barra Em relação à classificação do sabonete em barra, a Recorrente reconheceu o erro de classificação, mas continua a rebater o VTM, que já foi discutido no tópico 3.4. 3.5.4. Óleos corporais A Recorrente utilizou a seguinte classificação fiscal para as chamados Óleos Corporais: 3301.90.30 e 3304.99.90, sendo 3301.9030 com alíquota de 5% de IPI e 3304.99.90 com alíquota de 22% de IPI. De acordo com a fiscalização, a NCM para óleos corporais industrializadas pela Recorrente deveria ser única para todos os tipos de óleos comercializados e definida como 3304.99.90 (Óleos Hidratantes), a qual determina a incidência de alíquota de 22% a título de IPI. Ela entende que a fiscalização ao utilizar a Solução de Consulta da 6ª Região Fiscal, envolvendo a classificação fiscal de mercadoria produzida por terceiro, mediante utilização de prova emprestada, viola o seu direito de defesa. Afirma que os óleos corporais, que ela industrializa, apresentam efetivamente função perfumadora e pósbanho, não tendo efeito de hidratação e sim de proporcionar maciez à pele. Segue classificação adotada pela Recorrente para parte dos produtos: NCM DESCRIÇÃO ALÍQUOTA (%) 33.01 Óleos essenciais (desterpenados ou não), incluindo os chamados “concretos” ou “absolutos”; resinoides; oleorresinas de extração; soluções concentradas de óleos essenciais em gorduras, em óleos fixos, em ceras ou em matérias análogas, obtidas por tratamento de flores através de substâncias gordas ou por maceração; subprodutos terpênicos residuais da desterpenação dos óleos essenciais; águas destiladas aromáticas e soluções aquosas de óleos essenciais. Fl. 6456DF CARF MF 62 3301.90 Outros 3301.90.10 Soluções concentradas de óleos essenciais em gorduras, em óleos fixos, em ceras ou em matérias análogas, obtidas por tratamento de flores através de substâncias gordas ou por maceração 5 3301.90.20 Subprodutos terpênicos residuais da desterpenação dos óleos essenciais 5 3301.90.30 Águas destiladas aromáticas e soluções aquosas de óleos essenciais 5 Segue descrição adotada pela Recorrente para parte dos produtos e que deveria ter sido aplicada a todos os produtos na visão da fiscalização: NCM DESCRIÇÃO ALÍQUOTA (%) 33.04 Produtos de beleza ou de maquiagem preparados e preparações para conservação ou cuidados da pele (exceto medicamentos), incluindo as preparações antissolares e os bronzeadores; preparações para manicuros e pedicuros. 3304.99 Outros 3304.99.10 Cremes de beleza e cremes nutritivos; loções tônicas 22 3304.99.90 Outros 22 Ex 01 Preparados bronzeadores 12 Ex 02 Preparados anti solares, exceto os que possuam propriedades de bronzeadores 0 As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH), aprovadas pelo Decreto n° 435, de 28 de janeiro de 1992, com seu texto consolidado pela Instrução Normativa RFB n° 807, de 11 de janeiro de 2008, alterada pela Instrução Normativa RFB n° 1.072, de 30 de setembro de 2010, e pela Instrução Normativa RFB n° 1.260, de 20 de março de 2012 quando se referem à posição 3401, assim esclarecem: Capítulo 33 Óleos essenciais e resinóides; produtos de perfumaria ou de toucador preparados e preparações cosméticas Notas. 1. O presente Capítulo não compreende: Fl. 6457DF CARF MF Processo nº 10980.720417/201544 Acórdão n.º 3302005.377 S3C3T2 Fl. 33 63 a) As oleorresinas naturais e os extratos vegetais das posições 13.01 ou 13.02; b) Os sabões e outros produtos da posição 34.01; c) As essências de terebintina, de pinheiro ou provenientes da fabricação da pasta de papel ao sulfato e os outros produtos da posição 38.05. 2. Na acepção da posição 33.02, a expressão “substâncias odoríferas” abrange unicamente as substâncias da posição 33.01, os ingredientes odoríferos extraídos dessas substâncias e os produtos aromáticos obtidos por síntese. 3. As posições 33.03 a 33.07 aplicamse, entre outros, aos produtos, misturados ou não, próprios para serem utilizados como produtos daquelas posições e acondicionados para venda a retalho tendo em vista o seu emprego para aqueles usos, exceto águas destiladas aromáticas e soluções aquosas de óleos essenciais. 4. Consideramse “produtos de perfumaria ou de toucador preparados e preparações cosméticas”, na acepção da posição 33.07, entre outros, os seguintes produtos: saquinhos que contenham partes de planta aromática; preparações odoríferas que atuem por combustão; papéis perfumados e papéis impregnados ou revestidos de cosméticos; soluções líquidas para lentes de contato ou para olhos artificiais; pastas (ouates), feltros e falsos tecidos, impregnados, revestidos ou recobertos de perfume ou de cosméticos; produtos de toucador preparados, para animais. (Texto oficial de acordo com a IN RFB nº 1.260, de 20 de março de 2012) CONSIDERAÇÕES GERAIS Os óleos essenciais e as oleorresinas de extração, da posição 33.01, são todos obtidos por extração a partir de matérias vegetais. O método de extração utilizado determina o tipo do produto obtido. Assim, por exemplo, consoante sejam obtidos por destilação a vapor de água ou por extração por meio de solventes orgânicos, determinadas plantas (a canela, por exemplo) podem dar quer um óleo essencial, quer uma oleorresina de extração. As posições 33.03 a 33.07 compreendem os produtos, misturados ou não (exceto águas destiladas aromáticas e soluções aquosas de óleos essenciais) próprios para utilização como produtos daquelas posições e acondicionados para venda a retalho, tendo em vista o seu emprego para esses usos (ver a Nota 3 do Capítulo). Os produtos das posições 33.03 a 33.07 permanecem classificados nestas posições mesmo que contenham, acessoriamente, determinadas substâncias empregadas em Fl. 6458DF CARF MF 64 farmácia ou como desinfetantes e mesmo que possuam, acessoriamente, propriedades terapêuticas ou profiláticas (ver a Nota 1 e) do Capítulo 30). Todavia, os desodorantes de ambientes preparados, permanecem classificados na posição 33.07 mesmo que possuam propriedades desinfetantes que não sejam meramente acessórias. (Alterado pela IN RFB nº 1.260, de 20 de março de 2012) As preparações (vernizes, por exemplo) e os produtos não misturados (pó de talco não perfumado, terra de pisão (terras de fuller), acetona, alume, etc.) que, além dos usos acima referidos, possam ter outras aplicações, incluemse nestas posições apenas nos seguintes casos: a) Quando se apresentem acondicionados para venda ao consumidor, indicando, por meio de etiquetas, de impressos ou por qualquer outra forma, que se destinam a ser usados como produtos de perfumaria ou de toucador preparados ou como outras preparações cosméticas, ou ainda como desodorantes de ambientes. b) Quando se apresentem em acondicionamentos muito especiais que não deixem dúvidas quanto a serem destinados àqueles mesmos usos (seria, por exemplo, o caso de um esmalte (verniz*) para unhas apresentado num pequeno frasco cuja tampa fosse provida de um pincel destinado à sua aplicação). Este Capítulo não compreende: a) A vaselina, exceto aquela que é própria para ser utilizada nos cuidados da pele e acondicionada para venda a retalho face ao seu emprego para este uso (posição 27.12). b) As preparações medicamentosas utilizadas acessoriamente como produtos de perfumaria, como cosméticos ou como preparações de toucador (posições 30.03 ou 30.04). c) As preparações apresentadas na forma de gel concebidas para serem utilizadas em medicina humana ou veterinária como lubrificante para certas partes do corpo em intervenções cirúrgicas ou exames médicos ou como agente de ligação entre o corpo e os instrumentos médicos (posição 30.06). d) Os sabões e os papéis, pastas (ouates), feltros e falsos tecidos, impregnados, revestidos ou recobertos de sabão ou de detergentes (posição 34.01). (sublinhados não constam no original) Observase pela explicação da NESH que a posição 3301 não pode ser utilizada para venda a retalho, que é justamente o presente caso. Já em relação à posição 3304, a NESH assim explicita: 33.04 Produtos de beleza ou de maquiagem preparados e preparações para conservação ou cuidados da pele (exceto medicamentos), incluindo as preparações antisolares e os bronzeadores; preparações para manicuros e pedicuros. Fl. 6459DF CARF MF Processo nº 10980.720417/201544 Acórdão n.º 3302005.377 S3C3T2 Fl. 34 65 3304.10 Produtos de maquiagem para os lábios 3304.20 Produtos de maquiagem para os olhos 3304.30 Preparações para manicuros e pedicuros 3304.9 Outros: 3304.91 Pós, incluindo os compactos 3304.99 Outros (Texto oficial de acordo com a IN RFB nº 1.260, de 20 de março de 2012) A. PRODUTOS DE BELEZA OU DE MAQUILAGEM PREPARADOS E PREPARAÇÕES PARA CONSERVAÇÃO OU CUIDADOS DA PELE, INCLUÍDAS AS PREPARAÇÕES ANTISOLARES E OS BRONZEADORES Incluemse na presente posição: 1) Os batons e outros produtos de maquilagem para os lábios. 2) As sombras para os olhos, máscaras, lápis para sobrancelhas e outros produtos de maquilagem para os olhos. 3) Os outros produtos de beleza ou de maquilagem preparados e as preparações para conservação ou cuidados da pele (exceto os medicamentos), tais como: os pósdearroz e as bases para o rosto, mesmo compactos, os talcos para bebês (incluído o talco não misturado, nem perfumado, acondicionado para venda a retalho), os outros pós e pinturas para o rosto, os leites de beleza ou de toucador, as loções tônicas ou loções para o corpo; a vaselina acondicionada para venda a retalho e própria para os cuidados da pele, os cremes de beleza, os cold creams, os cremes nutritivos (incluídos os que contêm geléia real de abelha); os cremes de proteção para evitar as irritações da pele; os géis administráveis por injeção subcutânea para eliminação de rugas e realce dos lábios (incluindo aqueles que contêm ácido hialurônico); as preparações para o tratamento da acne (exceto os sabões da posição 34.01) próprios para limpeza de pele e que não contenham ingredientes ativos em quantidades suficientes para que se considerem como tendo uma ação essencialmente terapêutica ou profilática sobre a acne; os vinagres de toucador, que são misturas de vinagre ou de ácido acético com álcool perfumado. Este grupo compreende igualmente as preparações antisolares (filtros solares) e os bronzeadores. Observase pelas explicações da NESH, acima colacionadas, que a posição 3304 amoldase aos óleos corporais com função hidratante, vendido a retalho, pois é mais específico, devendo ser mantida a classificação adotada pela fiscalização. Em alguns óleos corporais o próprio nome contém a função hidratante, em outros, a função está na sua descrição, fls. 1344. Fl. 6460DF CARF MF 66 Quanto ao argumento de utilizar a Solução de Consulta da 6ª Região Fiscal, envolvendo a classificação fiscal de mercadoria produzida por terceiro, tal contextualização não afronta o direito de defesa da Recorrente, pois ela em nada foi prejudicada com a referida demonstração e, ademais, tal solução não pode ser caracterizada como prova emprestada, pois a fiscalização reclassificou as mercadorias com base na legislação, a referida solução foi apenas para explicitar melhor o caso. Por tal motivação, mantémse à classificação 3304.99.90 adotada pela fiscalização. 3.6. Da multa agravada A Recorrente argumenta no sentido de que a fiscalização não teve êxito em comprovar a tese de sonegação fiscal, por conseguinte, não cabe a multa de ofício, tampouco a multa agravada. Afirma que em, nenhum momento, omitiu qualquer tipo de informação à fiscalização em relação às operações de venda à Langon, tanto que foi comprovada a interdependência. Cita precedentes. Sem razão a Recorrente. Conforme demonstrado no item 3.2., houve prova cabal do subfaturamento e da utilização de "meia nota", ensejando autoria e materialidade na prática de sonegação fiscal. Há no período de janeiro a março de 2010 comprovação da prática de sonegação fiscal, que assim é tipificada pela lei. Lei nº 4.502, de 1964 Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Já no período de abril a dezembro de 2010 foi aplicada a multa por lançamento de ofício no percentual de 75%. Lei 9.430, de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 6461DF CARF MF Processo nº 10980.720417/201544 Acórdão n.º 3302005.377 S3C3T2 Fl. 35 67 Portanto, rejeitase a argumentação da Recorrente e mantémse o que foi decidido na DRJ/Ribeirão Preto, com a incidência do artigo 44, § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996. 4. Conclusão Por todo o exposto, conheço o Recurso Voluntário, rejeito as preliminares suscitadas e, no mérito, nego provimento." (assinado digitalmente) Walker Araujo Redator "ad hoc" Fl. 6462DF CARF MF
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