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Numero do processo: 10715.008224/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 02/09/2005 a 30/09/2005
REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR.
A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea e, do Decreto-Lei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias , destinadas à exportação no Siscomex é cabível quando o atraso é superior a sete dias, nos termos da IN SRF nº 1096/2010.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.179
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 02/09/2005 a 30/09/2005 REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR. A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea e, do Decreto-Lei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias , destinadas à exportação no Siscomex é cabível quando o atraso é superior a sete dias, nos termos da IN SRF nº 1096/2010. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR. A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias , destinadas à exportação no Siscomex é cabível quando o atraso é superior a sete dias, nos termos da IN SRF nº 1096/2010. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 82 24 /2 00 9- 11 Fl. 380DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Auto de Infração que exige do contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei nº 37/1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Inconformada com a autuação, o Contribuinte apresentou Impugnação, que foi julgada parcialmente procedente pela DRJ, com a aplicação retroativa da IN SRF nº 1096/2010, que ampliou o prazo de apresentação de informações para 7 (sete) dias, para afastar a multa em todos os casos em que a informação se deu dentro deste prazo. Em seguida, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, expondo que: 1 Não houve prejuízo ao fisco ou dificuldade na fiscalização da carga; 2 Solicita a aplicação da denúncia espontânea, tendo em vista que a obrigação seria devida após o desembaraço aduaneiro, que não houve abertura de procedimento fiscalizatório senão graças às informações prestadas anteriormente ao seu inicio pelo recorrente; 3 Aponta como ausente de fundamento legal o prazo previsto no Decreto Lei infringindo o principio da legalidade; 4 Pede pela imposição de multa singular, evocando a espécie jurídica extraída do Código Penal, “Crime Continuado”; Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa acima citada. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350/2010. Ao julgar o caso, a 3ª Câmara Superior de Recursos Fiscais deste CARF deu provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, afastando a possibilidade de aplicação do instituto da denúncia espontânea às penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela SRF para a prestação de informações à administração aduaneira. Na mesma decisão, determinou que os autos fossem remetidos novamente às Câmaras Baixas para apreciação e deliberação dos demais argumentos apresentados pelo Contribuinte. O contribuinte opôs Embargos de Declaração cuja a admissibilidade foi negada por despacho do Presidente do CARF. Por fim, os autos foram distribuídos à turma 3402, para relatoria do feito. É o relatório. Voto Fl. 381DF CARF MF Processo nº 10715.008224/200911 Acórdão n.º 3402004.179 S3C4T2 Fl. 3 3 Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. Como se verifica no relatório, apenas o argumento relativo à aplicação da denúncia espontânea em relação a penalidades decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias foi enfrentado no acórdão proferido pela 3ª CSRF, justamente por ter sido o fio condutor do acórdão proferido na Câmara Baixa, que deixou de deliberar sobre os demais pontos, a despeito do I. Relator têlos enfrentado em seu acórdão. Desse modo, cabe a este Colegiado discutir, a despeito de concordância ou não com o mérito da decisão da CSRF, apenas os demais argumentos. 1) Da Ofensa à Reserva Legal Tal matéria foi devidamente enfrentada pelo Conselheiro Paulo Caliendo no Acórdão CARF nº 3801004.879, pelo que adiro às suas conclusões, reproduzindo seu entendimento: A infração em tese cometida pela recorrente se encontra caracterizada pela apresentação de declaração de informações sobre o vôo e as declarações fora do prazo estabelecido, por força do art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei 37/66, com redação dada pela Lei nº 10.833/03, c/c art. 44 da Instrução Normativa 28/94, com redação dada pela Instrução Normativa 510/05 e art. 22 da Instrução Normativa 800/07. No que tange a tipificação da conduta do recorrente, a sua descrição consta igualmente e inicialmente tipificada no art. 107 do DecretoLei 31/66, que estabelece a aplicação de multa para quem deixar de prestar a declaração sobre veículo e carga transportada, bem como quem de forma omissiva ou comissiva embaraçar ação de fiscalização. Ademais, as instruções normativas tem como finalidade de preencher lacunas que por vezes se encontram dentro dos procedimentos fiscais, no caso específico de normas que estabelecem prazo para a apresentação ou recolhimento de obrigações acessórias, não estão sujeitas a reserva legal do art. 97 do CTN, por não compreendem o rol de matérias lá estabelecido, cabendo, portanto, o estabelecimento dos prazos por norma de hierarquia inferior, como as Portarias e Instruções Normativas, conforme tem se posicionado o CARF. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/12/1998 OBRIGAÇÃO ACESSORIA. PRAZO. INSERÇÃO SISCOMEX DE DECLARAÇÃO DE EMBARQUE DE MERCADORIAS. O prazo de inserção das informações do embarque de mercadoria no SISCOMEX é de sete dias, contados do dia do efetivo embarque. Não se aplica a norma processual do artigo 210 do Código Tributário Nacional, neste caso prevalece o prazo fixado em Portarias e Instruções Normativas em razão de que não contemplam aspectos da hipótese de incidência, estão fora da reserva legal prevista no artigo 97 do CTN. Constado inserção além do prazo fixado, impõe negar provimento ao recurso. Recurso Negado. Fl. 382DF CARF MF 4 Mais ainda, é preciso distinguir entre a legalidade veiculada no artigo 5º, II e no artigo 150, I, ambos da Constituição Federal: Art. 5º. (...) II ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei; Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça; Apenas o artigo 150, I veicula comando de reserva de lei, restringindo a exigência ou o aumento de tributo ao manejo deste instrumento legislativo, ao determinar expressamente que a lei deverá estabelecer tais matérias. Diferentemente, o art. 5º, II fala apenas que as obrigações de ação ou omissão deverão ser constituídas em virtude de lei, é dizer, podem sêlo diretamente por ela, mas sem prejuízo da lei remeter, por exemplo, à RFB a determinação de certos aspectos relativos a essas obrigações. É exatamente o caso, como se depreende da tipificação da infração administrativa incorrida, prevista no DecretoLei nº 37/66, art. 107, IV, "e": por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e Há uma remissão expressa a ato da RFB que determinará a forma e prazo da prestação de informações, atribuindo competência expressa a esta para regulamentar tal matéria no âmbito infralegal. Frisese, naturalmente, que tal se dá por se tratar de matéria referente a obrigações acessórias, visto que se de tributo se tratasse, somente por lei se poderia criálo ou modificálo. Desse modo, não procede o argumento do Contribuinte. 2) Da Ausência de Dano ao Erário Novamente sobre este tópico, adiro às razões do Acórdão CARF nº 3801 004.879, às quais reproduzo: Em que pese não tenha ocorrido dano pecuniário do ente público, o entendimento no caso é por embaraçar a fiscalização do fisco. As declarações a que as empresas de transporte são obrigadas a apresentar são obrigações acessórias com finalidade exclusiva de auxiliar a fiscalização das importações e exportações, possibilitando a ciência do que cada empresa que utiliza a transportadora tem transportado, para onde vai e se foi recolhido o tributo a que esta operação está sujeita. Logo, a responsabilidade de declarar a mercadoria transportada pela empresa, conforme art. 107, IV, alínea “e” do Decreto lei 37/66, é uma obrigação acessória de declaração ao fisco e cujo descumprimento implica na aplicação de multa por embaraço à fiscalização. Fl. 383DF CARF MF Processo nº 10715.008224/200911 Acórdão n.º 3402004.179 S3C4T2 Fl. 4 5 Nestes termos, entendo que há o embaraço da fiscalização, quando as transportadoras não cumprem o prazo de emissão da declaração, não obstante entenda que não deve incidir a multa regulamentar neste caso, apenas nos casos de omissão. Com razão, é preciso observar, no esteio da jurisprudência deste CARF, que o bem jurídico tutelado pelas obrigações acessórias em matéria aduaneira não é a liquidez do Erário, mas sim o controle das fronteiras, especialmente em relação aos produtos que entram e que saem no transporte internacional. Desse modo, a ausência de prejuízo pecuniário à arrecadação tributária não afeta, de maneira alguma, a aplicação das sanções relativas ao descumprimento de obrigações acessórias com finalidade fiscalização e controle do comércio exterior. Assim, tampouco deve proceder o argumento do contribuinte neste ponto. 3) Da aplicação de multa singular A infração capitulada no art. 107, IV, "e" do DL 37/66 tem o seguinte texto: por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; Não procede a tese de contribuinte de aplicação da regra de "crime continuado" prevista no artigo 71 do Código Penal, por inexistir no contexto fático relação de continuidade entre as omissões quanto à prestação de informações a despeito de concordamos com sua assunção no sentido de tal regra ser relativa à infrações administrativas. Isso se dá pelo fato do artigo 71 do CP exigir algum grau de conexão entre as infrações, para a construção do liame de continuidade, o que não há no caso. Tampouco caberiav se falar na aplicação da multa por embarque, é dizer, por embarcação ou por vôo, com base em possível dúvida interpretativa do tipo infracional, com fundamento no artigo 112 do Código Tributário Nacional, visto que a metodologia aplicada pelo fiscal foi exatamente a de aplicar a multa por embarque e não por carga. Ante o exposto, entendo que não deve prosperar o argumento do contributinte neste ponto. 4) Conclusão Em face do que foi analisado acima, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 384DF CARF MF 6 Fl. 385DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12466.002721/2010-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 27/04/2006
PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. RENÚNCIA À DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. UNIDADE DE JURISDIÇÃO.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, em função da unidade de jurisdição.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3301-003.258
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por haver concomitância entre o processo administrativo e o processo judicial.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator.
EDITADO EM: 12/04/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS DA COSTA CAVALCANTI FILHO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 27/04/2006 PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. RENÚNCIA À DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. UNIDADE DE JURISDIÇÃO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, em função da unidade de jurisdição. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por haver concomitância entre o processo administrativo e o processo judicial. (ASSINADO DIGITALMENTE) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator. EDITADO EM: 12/04/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. RENÚNCIA À DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. UNIDADE DE JURISDIÇÃO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, em função da unidade de jurisdição. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por haver concomitância entre o processo administrativo e o processo judicial. (ASSINADO DIGITALMENTE) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator. EDITADO EM: 12/04/2017 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 27 21 /2 01 0- 46 Fl. 129DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 0729.711, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis. O presente processo administrativo traz lançamento das contribuições PIS/PasepImportação e Cofinsimportação, multas de ofício e juros de mora. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório constante do acórdão recorrido (fls. 68 a 72), em parte: Depreendese da descrição dos fatos do auto de infração que a interessada impetrou a ação judicial nº 2004.50.01.0052060 2006 na qual a Justiça Federal determinou que a aplicação das alíquotas das contribuições ao PIS/Pasepimportação e à Cofinsimportação fosse feita, única e exclusivamente, sobre o valor aduaneiro das mercadorias. Ao amparo da decisão liminar a interessada registrou Declarações de Importação adotando a base de cálculo reduzida. A Declaração de Importação do presente processo foi registrada em 27/04/2006, para importar mercadorias sob encomenda da empresa Tesa Brasil Ltda (consta da descrição dos fatos do auto de infração que o período de registro das Declarações de Importação seria de 01/07/2005 a 30/09/2005). O auto de infração foi lavrado para a prevenção da decadência do crédito tributário, enquanto aguarda decisão final da Justiça Federal. A empresa Tesa Brasil Ltda foi autuada na condição de devedor solidário. Cientificado pela via postal o sujeito passivo Cotia Trading S.A. apresentou impugnação na qual alega, em síntese, que impetrou ação judicial para contestar a exigência das contribuições ao PIS/Pasepimportação e à Cofinsimportação calculadas sobre a base de cálculo estabelecida pela Lei nº 10.865/2004, pois viola o artigo 149, II, “a”, da Constituição Federal, além de que somente Lei Complementar poderia instituir e dispor sobre a base de cálculo referida. Alega que a discussão judicial ainda persiste. Alega preliminar de nulidade, sob os argumentos de que deveriam ter sido lavrados autos de infração distintos para os dois contribuintes e que a fundamentação não corresponde com os períodos corretos dos fatos geradores do lançamento. Requer seja anulado ou julgado totalmente improcedente ou insubsistente o auto de infração. Cientificada pela via postal o devedor solidário Tesa Brasil Ltda não apresentou impugnação tendo sido lavrado Termo de Revelia (fl.66). O citado acórdão decidiu por não conhecer da impugnação com relação às exigências das contribuições e pela improcedência da impugnação em relação às demais matérias, assim ementado: Fl. 130DF CARF MF Processo nº 12466.002721/201046 Acórdão n.º 3301003.258 S3C3T1 Fl. 130 3 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 27/04/2006 AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo objeto do lançamento, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa. Assim, o apelo interposto pelo sujeito passivo não deve ser conhecido no âmbito administrativo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com o acórdão de primeiro grau, a contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 78 a 103), insurgindose contra o não conhecimento da impugnação, alegando não haver identidade de objeto. Pede que este Conselho enfrente a questão de mérito, entendendo inexistir qualquer infração fiscal. Preliminarmente, afirma a recorrente ter o STF incluído na sistemática de repercussão geral, justamente a questão da constitucionalidade ou não da base de cálculo da PIS e da COFINS Importação, no Recurso Extraordinário (RE) nº 559.937, sob a sistemática da repercussão geral, reproduzindo ata de julgamento. Entende que a decisão da Suprema Corte "deve ser aplicada a todos os casos que envolvem a matéria, seja em âmbito administrativo, seja em âmbito judicial". Em nome do princípio da eventualidade, caso tal entendimento não seja abraçado por esta Turma, pede a recorrente que se verifiquem as questões de ordem meritória: violação da base de cálculo prevista no art. 149, III, da Constituição federal de 1988; necessidade de lei complementar para instituir e dispor sobre as bases de cálculo das contribuições em foco; e ausência de prejuízo ao Erário, posto que a empresa é optante da apuração pelo lucro real e que, nesse caso, com a sistemática de não cumulatividade das contribuições em pauta: "ela acabará recolhendo menos PIS e COFINS na entrada da mercadoria importada, mas na saída recolherá mais". Ao final, pede que o auto de infração em foco tenha seu trâmite sobrestado, enquanto se aguarda publicação da decisão do Supremo relativa à matéria e que caso assim não se entenda, pede que seja julgado improcedente/insubsistênte o auto de infração. Foime distribuído o presente processo para relatar e pautar. Registrese que, na sessão de julgamento de 29 de março de 2017, patrono da contribuinte apresentou a esta Turma, cópia de Certidão emitida pela Justiça Federal, dirigida ao Inspetor da Alfândega da RFB no Porto de Vitória, dando conta do trânsito em julgado de acórdão, no referido processo judicial 2004.50.01.0052060. É o relatório. Voto Fl. 131DF CARF MF 4 Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Relator. O recurso voluntário apresentado pela Cotia Trading SA é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade. O acórdão de primeiro grau decidiu por não conhecer da impugnação, com base no Ato Declaratório (Normativo) Cosit nº 3 /1996: a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às nstâncias administrativas, ou a desistência de eventual recurso interposto. No mesmo sentido é a determinação da Súmula nº 1 do Carf: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Há de se mencionar também o Parecer Normativo (PN) Cosit nº 7/2014 (sucessor do Ato Declaratório Cosit nº 03/1996), no qual fica determinado que: A propositura pelo contribuinte de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso de qualquer espécie interposto. Tais assertivas estão em consonência com o princípio da unicidade da jurisdição, este embasado no inciso XXXV do art. 5º da Constituição Federal de 1988: "a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito". Acrescentese que o referido Parecer Normativo Cosit observa o caráter de definitividade da renúncia às instâncias administrativas, como se depreeende dos enunciados abaixo: A renúncia tácita às instâncias administrativas não impede que a Fazenda Pública dê prosseguimento normal a seus procedimentos, devendo proferir decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida. É irrelevante que o processo judicial tenha sido extinto sem resolução de mérito, na forma do art. 267 do CPC, pois a renúncia às instâncias administrativas, em decorrência da opção pela via judicial, é insuscetível de retratação. A definitividade da renúncia às instâncias administrativas independe de o recurso administrativo ter sido interposto antes ou após o ajuizamento da ação. A referida Súmula, bem como as determinações e a inteligência do citado Parecer Normativo Cosit, bem como do Ato Declaratório Cosit não deixam dúvida sobre o acerto da decisão da Turma da DRJ: tendo o contribuinte proposto, em 2004, ação Fl. 132DF CARF MF Processo nº 12466.002721/201046 Acórdão n.º 3301003.258 S3C3T1 Fl. 131 5 judicial, o MS n° 2004.50.01.0052060, com o mesmo objeto do auto de infração em pauta; renunciou ele às instâncias administrativas, e o fêz de forma definitiva; sendo incabível apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, da matéria coincidente, não havendo outra providência, a não se não conhecer do recurso voluntário. Argumenta a recorrente pela inexistência de concomitância de objetos entre o processo administrativo e a ação judicial. Observa que o MS objetiva a declaração de inconstitucionalidade e ilegalidade da base de cálculo da PIS/PASEPImportação e da COFINSImportação, como disposto na lei da época, ao passo que o auto de infração contempla operações de importação específicas. Diz que, como o auto de infração foi lavrado para prevenir decadência, deveria ficar sobrestado até o deslinde do MS. Não prospera a argumentação da recorrente. Ainda que a peça autuatória tenha sido lavrada para prevenir decadência, o que se discute no auto de infração é justamente a diferença nas contribuições em função de suposta (agora confirmada) inconstitucinalidade das bases de cálculo das contribuições segundo a Lei n° 10.865/2004. Se o lançamento se limita a determinadas operações, podese entender que , no que diz respeito a essas operações, o objeto é identico ao do citado MS. Ainda que não fosse esta a interpretação correta, o referido Parecer Normativo conclue que a propositura de ação judicial com objeto maior também enseja a renúncia as instâncias administrativas, ainda em consonância com o princípio da unicidade de jurisdição: a propositura pelo contribuinte de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública, em qualquer momento, com o mesmo objeto (mesma causa de pedir e mesmo pedido) ou objeto maior, implica renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso de qualquer espécie interposto, exceto quando a adoção da via judicial tenha por escopo a correção de procedimentos adjetivos ou processuais da Administração Tributária, tais como questões sobre rito, prazo e competência; Ainda assevera o citado PN Cosit, "a decisão judicial transitada em julgado [...] prevalece sobre a decisão administrativa, mesmo quando aquela tenha sido desfavorável ao contribuinte e esta lhe tenha sido favorável". Ou seja, se há uma ação judicial de mesmo objeto e há, o MS n° 2004.50.01.0052060, a discussão deve ser lá decidida. Decidiu o STF que ainda que haja declaração de inconstitucionalidade de sua parte, esta não altera de forma automática decisões judiciais anteriores em sentido diverso; não se dispensando a interposição de recurso ou ajuizamento de ação rescisória; o que demonstra a inviabilidade da aplicação automática do RE 559.937 ao auto de infração em foco, por haver ação judicial a ele associada: Afirmase, portanto, como tese de repercussão geral que a decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a constitucionalidade ou a inconstitucionalidade de preceito normativo não produz a automática reforma ou rescisão das sentenças anteriores que tenham adotado entendimento diferente; para que tal ocorra, será indispensável a interposição do recurso próprio ou, se for o caso, a propositura da ação rescisória própria, nos termos do art. 485, V, do CPC, observado o respectivo prazo decadencial (CPC, art. 495) (STF, Sessão Plenária, RE 730.462, de 28.05.2015, rel. Min. Teori Zavascki). Fl. 133DF CARF MF 6 O sobrestamento da decisão adminstrativa, constante do pedido da recorrente, além de não encontrar previsão legal, ainda soçobra diante da definitividade da renúncia às instãncias administrativas. Conclusão Por todo o exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário apresentado. (ASSINADO DIGITALMENTE) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator Fl. 134DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.010586/2005-09
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/05/2003, 31/01/2004, 28/02/2004, 31/05/2004, 30/06/2004
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento.
Numero da decisão: 9303-005.295
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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Nome do relator: DEMES BRITO
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JUROS DE MORA Recorrente SUL PLATA TRADING DO BRASIL LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/05/2003, 31/01/2004, 28/02/2004, 31/05/2004, 30/06/2004 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. . AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 05 86 /2 00 5- 09 Fl. 1424DF CARF MF Processo nº 10980.010586/200509 Acórdão n.º 9303005.295 CSRFT3 Fl. 1.425 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Contribuinte com fundamento no artigo 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — CARF, aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, contra ao acórdão nº 330100.775, proferido pela 3º Câmara/1º Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que deu parcial provimento ao Recurso Voluntário, determinando a incidência de juros moratórios sobre os valores relativos à multa de ofício depois de decorridos 30 (trinta) dias da ciência pelo sujeito passivo da decisão administrativa definitiva que julgou procedente o crédito tributário. Reproduzo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: Tratase de recurso voluntário interposto contra a decisão proferida pela DRJ Curitiba, PR, que julgou procedente o lançamento da contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) referente aos meses de competência de maio de 2003, janeiro, fevereiro, maio e junho de 2004. O lançamento decorreu da insuficiência de declaração/pagamento da contribuição devida naquele período. Segundo o autuante, a recorrente não observou o limite previsto na legislação do PIS, vigente à época da importação e comercialização de óleo diesel, para apuração dessa contribuição e, ainda, utilizou diferenças apuradas a maior de direito a dedução de CIDE de um período para deduzir do PIS devido de outro período. O acórdão da decisão recorrida, restou assim ementado: Assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/05/2003, 31/01/2004, 28/02/2004, 31/05/2004, 30/06/2004 DIFERENÇAS. VALORES DECLARADOS. VALORES DEVIDOS As diferenças apuradas entre os valores da contribuição declarados e/ ou pagos e os efetivamente devidos apurados com base no faturamento mensal estão sujeitas a lançamento de ofício, acrescidas das cominações legais. CIDECOMBUSTÍVEIS. DEDUÇÃO DO PIS A CIDE paga sobre diesel importado pode ser deduzida do PIS incidente sobre a sua venda no mercado interno, até o limite legalmente estabelecido nas operações efetuadas no mesmo período de competência, inexistindo amparo para o aproveitamento do saldo devedor da CIDE apurado no mês com deduções futuras. EQUÍVOCOS NA APURAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. NOTAS FISCAIS. COMPROVAÇÃO Fl. 1425DF CARF MF Processo nº 10980.010586/200509 Acórdão n.º 9303005.295 CSRFT3 Fl. 1.426 3 Comprovado equívoco na apuração de parcela do crédito tributário lançado e exigido, retificase o valor da parcela calculada equivocadamente. TRANSIÇÃO TRIBUTÁRIA. PRECLUSÃO Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada em primeira instância, exceto quando devam ser reconhecidas de ofício. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. A exigência de juros de mora sobre a multa de ofício somente é cabível se aquela não for paga depois de decorridos 30 (trinta) dias da ciência do sujeito passivo da decisão administrativa definitiva que julgou procedente o crédito tributário. DILIGÊNCIA Reconhecida pelo julgador ser prescindível ao julgamento a realização da diligência solicitada, rejeitase o pedido da recorrente. Recurso Voluntário Provido Parcialmente. Não conformada com tal decisão, a Contribuinte interpõe o presente Recurso, sustentando que: "É de se delimitar inicialmente o alcance do presente Recurso Especial, alertandose que não visa ele atacar a aplicação de juros de mora sobre o lançamento que constituiu o crédito tributário, mas tão somente o lançamento e aplicação com o cálculo de juros moratórios sobre o item isolado de multa de ofício, mesmo que aplicada conjuntamente com o tributo ou contribuição. Nem se discute se a Selic é ou não parâmetro legalmente aceitável. Discutese apenas a impossibilidade de aplicação de juros moratórios sobre a multa de ofício. É de ressaltar inicialmente que a decisão recorrida tratou perfunctoriamente do assunto, em magras e franciscanas oito linhas, com teor (pág.7 do voto, fls. 629 e 230 do processo). Pelo simples fato de omitirse diante da extensa argumentação expendida no Recurso, a decisão recorrida deve ser declarada nula, porquanto decidiu contra o contribuinte sem exaurir a discussão sobre seus argumentos (preliminar de nulidade da decisão recorrida)". Para comprovar o dissenso jurisprudencial, foi apontado, como paradigmas, os Acórdãos n°s 10196.008 e nº 20216.397. Em seguida, o recurso teve seguimento especialmente quanto a incidência de mora sobre a multa de ofício, nos termos do Despacho de Admissibilidade, fls. 1403/1404. A Fazenda Nacional, apresentou contrarrazões ao Recurso, fls., 1407/1422. É o relatório. Fl. 1426DF CARF MF Processo nº 10980.010586/200509 Acórdão n.º 9303005.295 CSRFT3 Fl. 1.427 4 Voto Conselheiro Demes Brito Relator Os Recurso interposto é tempestivo, atende aos demais requisitos de Admissibilidade, dele tomo conhecimento. A matéria divergente posta a esta E.Câmara Superior, diz respeito a incidência ou não de juros sobre a multa de ofício. Com efeito, adoto como fundamento em minhas razões de decidir o voto condutor do acórdão nº 9303004.126, de 07 de junho de 2016, de relatoria do Ilustre Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, versando sobre a mesma matéria, que passa a fazer parte integrante deste voto. Vejamos: "Na sessão de janeiro de 2016, essa matéria foi enfrentada por esse Colegiado, dando origem ao Acórdão nº 9303.003385, da lavra do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres. O conselheiro com sua habitual argúcia abordou o tema de forma profunda e didática. Como suas razões de decidir refletem minha posição sobre a matéria, peço vênia reproduzilas e utilizálas como se minhas fossem, verbis: Sobre esse tema já tive oportunidade de me manifestar algumas vezes, e sempre o fiz no sentido de não conhecer da matéria por não estar ela submetida ao rito do Decreto 70.235/1972, vez que esses acréscimos moratórios são afeitos à execução do acórdão, e, como, tal, não integraria a lide, cujo contorno fora delineado pela impugnação, e, por óbvio, esta não contemplaria tal matéria. Todavia, apesar de ainda continuar a pensar dessa forma, esse não é o entendimento do Colegiado, que por diversas vezes, entendeu ser competente para enfrentar a matéria. Diante disso, resguardo meu entendimento, e passo a adotar o da maioria, no sentido de admitir essa matéria como sujeita ao rito do PAF. Passemos agora, ao exame da questão. O Colegiado a quo afastou os juros sobre a multa de oficio sob o argumento de que haveria necessidade de lei específica que previsse tal hipótese. A meu sentir, esse entendimento não merece guarida, vez que a legislação tributária prevê, expressamente, a incidência de juros moratórios sobre o crédito tributário não pagos no vencimento, aí incluídos o decorrente de penalidades, conforme demonstrar seá linhas abaixo. A obrigação tributária principal, como é de conhecimento de todos, surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto o pagamento do tributo ou de penalidade pecuniária, e extinguese com o crédito dela decorrente. Essa é a dicção do § 1º do 1art. 113 do CTN. 1 Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. Fl. 1427DF CARF MF Processo nº 10980.010586/200509 Acórdão n.º 9303005.295 CSRFT3 Fl. 1.428 5 A seu turno, o 2art. 139 do CTN dispõe que o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Do cotejo desses dispositivos legais, concluise, sem qualquer margem à dúvida, que o crédito tributário inclui tanto o valor do tributo quanto o da penalidade pecuniária, visto que ambos constituem a obrigação tributária, a qual tem a mesma natureza do crédito a ela correspondente. Um é a imagem, absolutamente, simétrica do outro, apenas invertida, como ocorre no reflexo do espelho. Olhandose do ponto de vista do credor (pólo ativo da relação jurídica tributária, verseá o crédito tributário; se se transmutar para o pólo oposto, que se verá, justamente, o inverso, uma obrigação. Daí o art. 139 do CTN declarar expressamente que um tem a mesma natureza do outro. Assim, como o crédito tributário correspondente à obrigação tributária e esta é constituída de tributo e de penalidade pecuniária, a conclusão lógica, e a única possível, é que a penalidade é crédito tributário. Estabelecidas essas premissas, o próximo passo é verificar o tratamento dispensado pela Legislação às hipóteses em que o crédito não é liquidado na data de vencimento. Primeiramente, temse a norma geral estabelecida no Código Tributário Nacional, mais precisamente no caput do 3art. 161, o qual dispõe que, o crédito não integralmente pago no vencimento será acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. Essa norma geral, por si só, já seria suficiente para assegurar a incidência de juros moratórios sobre multa não paga no prazo de vencimento, pois disciplina especificamente o tratamento a ser dado ao crédito não liquidado no tempo estabelecido pela legislação tributária, mas o legislador ordinário, para não deixar margem à interpretação que discrepasse desse entendimento, foi preciso ao estabelecer que o crédito decorrente de penalidades que não forem pagos no respectivo vencimento estarão sujeitos à incidência de juros de mora. Essa previsão consta, expressamente, do art. 43 da Lei 9.430/1996, que se transcreve linhas abaixo. "Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. 2 Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. 3 Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Fl. 1428DF CARF MF Processo nº 10980.010586/200509 Acórdão n.º 9303005.295 CSRFT3 Fl. 1.429 6 Da leitura do dispositivo acima transcrito, concluise, facilmente, sem necessidade de se recorrer a 4Hermes ou a uma 5Pitonisa, que o crédito tributário, relativo à penalidade pecuniária, constituído de ofício, não pago no respectivo vencimento, fica sujeito à incidência de juros moratórios, calculados à taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Em síntese, temse que o crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, fica sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento Após algumas manifestações em sentido contrário, a jurisprudência das Turmas Julgadoras do CARF e da Câmara Superior de Recursos Fiscais vem se inclinando no sentido de admitir a incidência da Taxa Selic sobre multa de ofício. A título de exemplo, citase: a) Acórdão 9101000.539: Assunto: Juros Sobre Multa de Officio Exercício: 1996 a 1998 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Recurso da Fazenda Nacional Provido. b) Acórdão 1103001.151: MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA. A multa de lançamento de ofício sofre a incidência de juros de mora com base na taxa Selic a partir do seu vencimento. Como apontado no acórdão, posição com a qual comungo, por força do comando inserido no art. 139, combinado com o §1º do art. 113 do CTN, não há como deixar de considerar que a expressão "crédito tributário" compreenda exclusivamente o tributo ou contribuição que deixou de ser recolhido. 4 Na Mitologia Grega, Hermes filho de Zeus e da misteriosa Ninfa Maia (também chamada de Noite) era considerado como mensageiro ou intérprete da vontade dos deuses do Olympo, deu origem ao termo hermenêutica. 5 Os gregos davam o nome de Pitonisas a todas as mulheres que tinham a profissão de adivinhas, porque o deus da adivinhação, Apolo, era cognominado de Pítio, quer por haver matado a serpentedragão Píton, quer por ter estabelecido o seu oráculo em Delfos, cidade primitivamente chamada Pito. Fl. 1429DF CARF MF Processo nº 10980.010586/200509 Acórdão n.º 9303005.295 CSRFT3 Fl. 1.430 7 Consequentemente, nos termos do art. 161 Código Tributário Nacional, combinado com o § 3º do art. 61, caput e § 3º da Lei nº 9.430, de 1996, caberá correção monetária da multa de ofício, por meio da aplicação da taxa Selic. Igualmente relevante é a manifestação da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, assentada no acórdão que enfrentou o AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.335.688 PR6, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva,a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990∕PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14∕9∕2009). De igual modo: REsp 834.681∕MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2∕6∕2010. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao Recurso da Contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito 6 MINISTRO BENEDITO GONÇALVES, julgado em 04/12/2012. Unânime. Fl. 1430DF CARF MF Processo nº 10980.010586/200509 Acórdão n.º 9303005.295 CSRFT3 Fl. 1.431 8 Fl. 1431DF CARF MF
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Numero do processo: 11131.000964/2010-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2009
OPERAÇÕES DE COMÉRCIO EXTERIOR. IMPORTAÇÃO. ORIGEM DOS RECURSOS. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA.
Presume-se a interposição fraudulenta de terceiro nas operações de comércio exterior em que não resta comprovado a origem, disponibilidade e transferência dos recursos financeiros.
DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA.
Considera-se dano ao Erário a ocultação do real adquirente da mercadoria, sujeito passivo na operação de importação, infrações puníveis com a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.123
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos recursos voluntários, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Renato Vieira de Avila, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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IMPORTAÇÃO. ORIGEM DOS RECURSOS. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. Presumese a interposição fraudulenta de terceiro nas operações de comércio exterior em que não resta comprovado a origem, disponibilidade e transferência dos recursos financeiros. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA. Considerase dano ao Erário a ocultação do real adquirente da mercadoria, sujeito passivo na operação de importação, infrações puníveis com a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos recursos voluntários, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 13 1. 00 09 64 /2 01 0- 69 Fl. 2030DF CARF MF 2 Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Renato Vieira de Avila, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de processo de Auto de Infração, lavrado contra a empresa CAMY PLAST BR INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PLÁSTICOS LTDA (doravante denominada de CAMY), em sede de procedimento especial de fiscalização aduaneira nas Declarações de Importações registradas por sua conta e risco próprios no período de 01/01/2005 a 31/12/2009, em face de ter restado apurado a infração tipificada como “Dano ao Erário” decorrente da não comprovação da origem, disponibilidade e efetiva transferência dos recursos financeiros requeridos para o seu financiamento, assim como, para a formação do seu capital social, ilícito punível com a penalidade de perdimento das mercadorias importadas, convertida em multa equivalente ao seu valor aduaneiro em face da impossibilidade de sua apreensão por não serem localizadas ou já consumidas, do que restou apurado o crédito tributário no valor de R$ 637.396,10 (multa proporcional ao valor aduaneiro das mercadorias). O procedimento especial está previsto pelos arts. 68 e 80 da MP 2.158 35/2001, regulado pela Instrução Normativa SRF n° 228, de 2002, que dispõe sobre o procedimento especial de verificação da origem dos recursos aplicados em operações de comércio exterior e combate à interposição fraudulenta de pessoas. Seguem os dispositivos legais pertinentes ao tema, lembrando que o artigo 59 da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002, alterou o texto do artigo 23 do Decretolei nº 1.455, de 07/04/1976, norma regulamentada pelo art. 618, XXII, do RA/2002, e atualmente regulamentada pelo Regulamento Aduaneiro RA/2009, aprovado pelo Decreto nº 6.759/2009. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, de nº 1143.858, prolatada pela 6ª Turma da DRJ em Recife (PE), a seguir transcrito na sua integralidade (fls. 1.107/1.151): "(...) A Fiscalização relatou um extenso rol de providências investigatórias sobre as atividades do comércio exterior praticadas pela empresa (coleta de documentos, arquivos magnéticos e informações de interesse fiscal, bem como a tomada a termo do depoimento de diversas pessoas, direta ou indiretamente relacionadas com a fiscalizada); assim como uma larga sequência de reintimações fiscais (seguidamente desatendidas, total ou parcialmente) que, ao final, possibilitaram a apuração de diversos fatos e elementos indiciários, dos quais destacaremos os principais, como segue. 1. Que o processo de fiscalização da empresa CAMY teve origem na diligência iniciada em 08/10/2008 na empresa VERONA GARDEN para a apreensão de máquinas importadas, desembaraçadas por força de mandado judicial e que, após trânsito em julgado, restou decisão favorável ao Fisco Federal com a manutenção da pena de perdimento de bens (processo nº 11131.000434/200219). Fl. 2031DF CARF MF Processo nº 11131.000964/201069 Acórdão n.º 3402004.123 S3C4T2 Fl. 2.031 3 2. A Fiscalização apurou que vários elementos do quadro indiciário que identificou no procedimento estavam umbilicalmente ligados à empresa VERONA GARDEN LTDA (CNPJ nº 02.305.054/000190), que após ter sido submetida ao procedimento especial de fiscalização aduaneira foi autuada por interposição fraudulenta em operações do comércio exterior, com a perda do valor aduaneiro das importações realizadas pela empresa nos últimos 5 (cinco) anos, conforme processo nº 11131.000745/2010. 3. Que a diligência realizada para apreender as máquinas importadas encontrou a empresa fechada, momento em que foi informado pela vizinhança que outra empresa, situada na rua ao lado, em terreno contíguo, era ligada à empresa VERONA. Relatou que naquela oportunidade, um carteiro estava depositando a correspondência na caixa de correio da empresa VERONA e que, segundo informação dessa vizinhança, um funcionário da referida empresa estabelecida ao lado vinha coletálas com frequência. A empresa em referência era justamente a CAMY para a qual a Fiscalização então se encaminhou. No entanto, naquela ocasião, não lhe foi permitido acesso ao estabelecimento, nem falar com qualquer dirigente, tendo sido entregue para contato o número do telefone do contador da empresa. 4. Em 14/11/2008 foi feita diligência na empresa CAMY, ao amparo do Mandado de Procedimento Fiscal — Diligência nº 03176002008000910, sendo naquela ocasião apreendidos "folders" que comprovavam a ligação entre as duas empresas haja vista que se referiam à exposição e discriminação de produtos de sua fabricação. Verificou que parte das máquinas utilizadas pela CAMY adquirida da empresa VERONA e que o principal cotista formal da empresa CAMY era o fundador da empresa VERONA, Sr.TARCÍSIO MONTAGNA (CPF nº 677.501.41391). Na ocasião, mediante Termo de Intimação, foi solicitada a apresentação dos documentos relativos à propriedade dos bens do ativo imobilizado, o Livro Registro de Empregados e a documentação que comprovasse a integralização do capital social, no prazo regulamentar de 20 (vinte) dias corridos. 5. Encerrado o prazo regulamentar concedido sem que o contribuinte se manifestasse e em atenção aos indícios de irregularidades da vinculação da empresa CAMY com a empresa VERONA GARDEN, foi instaurado em 02/03/2009 o Procedimento Especial de Fiscalização das operações do comércio exterior da CAMY, mediante o MPFFiscalização nº 03.1.76.002009000116, tendo ficado cientificada desse procedimento na mesma data (02/03/2009). Registrou ainda que em 06/03/2009 foi suspensa sua autorização para continuar operando no comércio exterior. 6. Em 23/03/2009 a empresa solicitou prorrogação de prazo para o atendimento da intimação, vez que alguns dos documentos solicitados remanesciam faltando, como, por exemplo, a Fl. 2032DF CARF MF 4 documentação comprobatória da efetiva transferência dos recursos que integralizaram o seu capital social da empresa, dentre outros documentos de relevante interesse para a fiscalização. Consignou que a fiscalizada, em 14/04/2009, continuou atendendo apenas parcialmente a intimação fiscal entregando parte dos livros e documentos requeridos. 7. Na análise da documentação obtida pela Fiscalização, observou que em 25/10/2004, foi registrado na Junta Comercial do Ceará o Contrato Social da empresa CAMY com data de 08/10/2004. Naquele Contrato, se firmou que a integralização do Capital Social de R$ 300.000,00 (trezentos mil reais) se daria dentro do período de 6 (seis) meses, da seguinte forma: R$ 285.000,00 (duzentos e oitenta e cinco mil reais) por parte do Sr.TARCÍSIO MONTAGNA (CPF nº 677.501.41391)e R$ 15.000,00 (quinze mil reais)por parte do Sr. EDMILSON GOMES MOREIRA (CPF nº 211.758.02387). Observou ainda que o sócio EDMILSON GOMES MOREIRA era o contador das empresas CAMY PLAST e VERONA GARDEN desde as suas criações. 8. Que em 30/04/2009, a empresa apresentou Declaração consignando que a Integralização do seu Capital Social no valor de R$ 285.000,00 (Duzentos e oitenta e cinco mil reais)por parte do sócio controlador, Sr. TARCÍSIO MONTAGNA, teria ocorrido da seguinte forma: a) recebimento do exterior de R$ 136.000,00 (cento e trinta e seis mil reais) e de R$ 1.099,34 (um mil, noventa e nove reais e trinta e quatro centavos), remetidos pelo sócio majoritário, Sr. TARCÍSIO MONTAGNA, nas datas respectivas de 24/03/2005 e 01/04/2005. Registrou que, de fato, essas remessas ocorreram nas datas acima referidas, embora nos valores de R$ 136.418,10 (cento e trinta e seis mil, quatrocentos e dezoito reais e dez centavos) e R$ 1.284,77 (um mil duzentos e oitenta e quatro reais e setenta e sete centavos); b) recebimento como INVESTIMENTO EXTERNO DIRETO na empresa no valor de R$ 147.892,06 (cento e quarenta e sete mil, oitocentos e noventa e dois reais e seis centavos) em 11/08/2005. 9. Os recursos recebidos a título de INVESTIMENTO EXTERNO DIRETO na empresa no valor de R$ 147.892,06 teriam sido destinados da seguinte forma: A) aquisição de uma Caminhonete PAJERO, Placa KKH 8899, ANO/MODELO 2002/2003 no valor de R$ 88.642,02 (oitenta e oito mil, seiscentos e quarenta e dois reais e dois centavos) e ao pagamento de R$ 4.215,94 (quatro mil, duzentos e quinze reais e noventa e quatro centavos) a título de despesas com despachante, transferência do veículo e emplacamento. O veículo deu entrada no ativo da empresa em 24/11/2005, conforme nota fiscal de entrada nº 027; B) empréstimo feito pelo sócio Sr. TARCÍSIO MONTAGNA no valor de R$ 59.250,04 (cinquenta e nove mil, duzentos e cinquenta reais e quatro centavos), valor que teria saído da conta corrente do sócio para a aquisição de matériasprimas para a empresa, as quais teriam sido pagas em 5 (cinco) cheques a pessoas e empresas. 10. Em 15/05/2009, o contribuinte foi (re) intimado a apresentar as informações que lhe foram anteriormente solicitadas e fornecer esclarecimentos relativos à forma e à origem dos recursos utilizados na liquidação financeira das importações da Fl. 2033DF CARF MF Processo nº 11131.000964/201069 Acórdão n.º 3402004.123 S3C4T2 Fl. 2.032 5 empresa, o que veio a ocorrer nas datas de 05/06/2009 e 08/06/2009. Na primeira data são fornecidos os dados dos cheques sacados da conta corrente do Sr. TARCÍSIO MONTAGNA e que teriam sido utilizados como empréstimo à empresa. Na segunda, 08/06/2009, o contribuinte entregou novamente os Livros Razão (vez que tinham sido devolvidos anteriormente para retificação por apresentarem múltiplas inconsistências). 11. Todavia, alegando “descontrole contábil”, o contribuinte solicitou e teve deferida a prorrogação de prazo para atendimento total da intimação haja vista que naquela ocasião não conseguia dizer qual teria sido a forma e a origem dos recursos utilizados na liquidação financeira das importações da empresa. A Fiscalização destacou o fato de que ao declarar que não sabe como explicar a forma como teria se dado a integralização do capital da empresa em data pretérita se conclui logicamente que não houve registros das operações no Livro Diário e nos demais Livros Contábeis e Fiscais. 12. Em 16/06/2009, o contribuinte apresentou declaração e recibos de pagamento referenciando os empréstimos realizados à empresa através dos cheques emitidos pelo Sr. TARCÍSIO MONTAGNA. A Fiscalização chamou a atenção de que esses títulos não transitaram pelas contas correntes da empresa. Ainda nesta mesma data, a empresa apresentou o DÉCIMO ADITIVO AO CONTRATO SOCIAL, datado de 28/11/2008, formalizando que a empresa EPC ENVIRONMENT PROJECTS CONSULTING LLC (CNPJ nº 10.501.718/000115),passou a deter 50% do Capital Social, ficando o restante com a titularidade do Sr. TARCÍSIO MONTAGNA. O contribuinte ainda entregou à fiscalização cópia do Contrato Social da nova sócia, sua tradução e a Certidão Simplificada da empresa CAMY PLAST BR atualizada. 13. Que mediante (re) intimação (ciência em 11/08/2009), foi solicitada a apresentar o extrato completo da sua conta corrente no Banco do Brasil. Ocorre que, findo o prazo regulamentar concedido de 20 (vinte) dias corridos, a empresa não apresentou qualquer justificativa para a não apresentação dos documentos solicitados. 14. Neste mesmo período foi deflagrada urna operação da Policia Federal, chamada de "Operação Estorno", em que foi apreendida farta documentação das empresas CAMY PLAST e VERONA que estavam de posse do seu contador (é o mesmo de ambas as empresas). Naquela oportunidade tanto o contador como seu auxiliar foram presos. Em 17/08/2009, a Fiscalização solicitou à Polícia Federal o acesso e a cópia da documentação apreendida das duas empresas. Assim sendo, foi informada que a documentação se encontrava de posse da Secretaria da Fazenda do Estado do Ceará SEFAZ/CE, tendo recebido autorização para a consultála na sede daquela Secretaria. Fl. 2034DF CARF MF 6 15. Em 03 de setembro de 2009 a empresa tomou ciência de Termo de Reintimação pelo não atendimento do Termo anterior. Em 22 de setembro de 2009, atendendo parcialmente àquela intimação, a empresa entregou alguns documentos ficando faltando os Livros Diário. Na ocasião da entrega dos documentos, a representante da empresa, Sra. Maria Valnice Pereira, afirmou que os Livros Diário, possivelmente, não haviam sido emitidos, e que iria solicitar à Policia Federal acesso aos HD apreendidos para emitilos. Ocorre que não houve qualquer manifestação por parte da empresa depois dessa afirmativa. 16. Em 17/11/2009, a empresa tornou ciência de nova (re) intimação, em que se solicitou mais uma vez a apresentação dos extratos das contas correntes da empresa e seus Livros Diário. Em diligência efetuada na SEFAZCE, foi fornecida cópia dos documentos apreendidos, quando se observou a existência de notas fiscais com os logotipos das duas empresas impressos conjuntamente CAMY PLAST BR e VERONA GARDEN e uma correspondência do Sr. MÁXIMO TOGNOLA dando ordens na empresa: "Atualizar os nomes no gerencial e tirar Tarcísio da Verona e colocálo na Camy". Apontou que esse seria um forte indício de que o Sr. TARCÍSIO MONTAGNA não se enquadra como dono da empresa CAMY PLAST mas sim como "testa de ferro" do Sr. MÁXIMO TOGNOLA proprietário da empresa alienígena (EUA) SAXON TRUST LLC. 17. Em 19/11/2009, a empresa respondeu ao Termo de Reintimação informando que os Livros Diário estariam nos HD's que se encontravam no Departamento de Polícia Federal. Também continuou alegando a impossibilidade de apresentação dos contratos de venda das máquinas da empresa VERONA GARDEN para a CAMY PLAST BR pelo mesmo motivo. 18. Em 26/11/2009 a empresa foi reintimada a apresentar novos documentos (contrato de câmbio, SWIFT e o RDE — Registro do Investimento Estrangeiro no Banco Central do Brasil), agora relativos ao valor de R$ 136.000,00 (cento e trinta e seis mil reais) o qual teria sido utilizado para integralizar parte do Capital Social da empresa pelo cotista Sr.TARCÍSIO MONTAGNA No entanto, não se obteve qualquer resposta da empresa. 19. Em 23/02/2010, o Departamento de Polícia Federal espelhou os HD's apreendidos no curso da operação estorno. Ato contínuo, em 24/02/2010, a Fiscalização reiterou, mediante reintimação, que o contribuinte apresentasse os livros e os documentos faltantes. Em 02/03/2010, tomou ciência dessa REINTIMAÇÃO e em 05/03/2010, respondeu aos questionamentos acerca da documentação existente nos HD's nos seguintes termos: a) "... apenas de natureza comercial e que por sinal já foram formatadas"; b) "No entanto, depois de desencadeada a operação, que também atingiu o escritório de contabilidade, e para desagradável surpresa da empresa, foi detectado que a contabilidade, dos mais simples atos até a confecção dos livros obrigatórios, como o diário, era inexistente,..."; e c) "...é forçoso reconhecer que a realidade contábil da empresa era caótica,...". Fl. 2035DF CARF MF Processo nº 11131.000964/201069 Acórdão n.º 3402004.123 S3C4T2 Fl. 2.033 7 20. Em 05/04/2010, a empresa foi reintimada a apresentar os documentos referentes ao outro Investimento Externo Estrangeiro registrado no Banco Central sob o nº REDIED IA070215, realizado cm 02/12/2008, no valor de R$ 152.108,00. Como não houve atendimento à solicitação referenciada no item anterior, foi emitida nova intimação fiscal solicitando os documentos faltantes. Esse Termo foi cientificado ao contribuinte em 05/04/2010. 21. Em 09/04/2010 o contribuinte afirmou não ter encontrado em seus arquivos o referido contrato de câmbio, motivo pelo qual estaria solicitando cópia à instituição financeira e, portanto, solicitava nova dilatação de prazo, no que sempre era atendida. Sucedeu, porém, que após essa última declaração, a empresa não mais se manifestou, motivo que levou ao encerramento das solicitações de informações à empresa, face ao histórico de dificuldades enfrentado pela Fiscalização no cumprimento do seu mister, desde o início dos trabalhos: sequência de intimações e reintimações desatendidas total ou parcialmente, solicitações de prorrogação de prazos desatendidos. 22. Ainda assim, a Fiscalização, em 18/06/2010, intimou a fiscalizada para esclarecer sobre o destino que teria dado às importações que realizou. Em 05/07/2010, a empresa atendeu essa intimação afirmando que as matérias primas importadas já tinham sido consumidas; que o maquinário importado se encontrava na empresa assim como parte dos equipamentos de mergulho que importou. 23. Solicitou ainda a apresentação da cópia do CONTRATO DE CÂMBIO e do EXTRATO CONSOLIDADO DO INVESTIMENTO EXTERNO NO BRASIL no valor de R$ 147.892,06 (cento e quarenta e sete mil, oitocentos e noventa e dois e seis reais), de 11/08/2005, assim como o EXTRATO DA CONTA CORRENTE da empresa onde teria dado entrada o recurso, já que tal depósito não constava dos extratos apresentados à Fiscalização e teria sido utilizado na integralização de parte do Capital Social da empresa pelo sócio TARCÍSIO MONTAGNA. A empresa tomou ciência em 21/07/2010 e atendeu a intimação em 29/07/2010, apresentando diversos documentos, mas não aquele contrato específico que lhe foi solicitado. 24. Consignou serem fortes os indícios de que o TARCÍSIO MONTAGNA, "estaria a mando" do Sr. MASSIMO TOGNOLA, diretor da empresa SAXON TRUST LLC (CNPJ nº 05.992.220/000162),situada na Alameda Silverside Road, 501 Apto. 100, em WILMINGTON, no estado de NORTH CAROLINE, nos EUA. O maior acionista atual dessa empresa acima referenciada é a factoring TSS FOMENTO COMERCIAL LTDA (CNPJ nº 08.207.257/000120),a qual é sediada na Avenida Santos Dumont, 3131, sala 623, no bairro da Aldeota — Fortaleza — CE. 25. Destacou que o Sr. TARCÍSIO MONTAGNA já tem um passado de irregularidades no Brasil. No ano de 2004 fez Fl. 2036DF CARF MF 8 depósitos de origem não comprovada no valor de R$ 952.049,12 (novecentos e cinquenta e dois mil, quarenta e nove reais e doze centavos),em sua conta corrente, tendo sido autuado pela RFB (em valores de 10/03/2009) em R$ 592.038,88 (quinhentos e noventa e dois mil, trinta e oito reais e oitenta e oito centavos),conforme Auto de Infração de que trata o Processo n° 10380.003494/200957. 26. Relatou também que, no período de 2000 a 2003, o Sr. TARCÍSIO MONTAGNA manteve depósitos remunerados na LIBRATUR, empresa que operava sem autorização do Banco Central do Brasil. Registrou que o Sr TARCÍSIO não declarou os valores internados no país nem informou à RFB a posse dos referidos valores nem qualquer rendimento daí auferidos, conforme Processo nº 2006.81.00.01.0133680 da 11ª Vara da Justiça Federal do Ceará. Aduziu ainda que, malgrado, o Sr. TARCÍSIO MONTAGNA, tenha internado recursos no Brasil sem o registro do numerário no Banco Central do Brasil, os indícios apontam para o fato de ter se prestado a ser o "testa de ferro" de empresas e pessoas estrangeiras: Sr. MAXIMO TOGNOLA e a empresa SAXON TRUST LLC. Tal fato restou demonstrado na documentação apreendida e consultada na Secretaria de Fazenda do Estado do Ceará. Concluiu que a empresa ao não conseguir demonstrar a origem lícita dos recursos nela empregados se enquadra na condição de ter cometido dano ao erário na condição de ocultação do verdadeiro adquirente das mercadorias importadas e interposição fraudulenta. 27. Apurou que a empresa CAMY foi criada quando a empresa VERONA GARDEN iniciava o processo de esvaziamento de seus ativos. Tal ação teria sido desencadeada no sentido de reduzir as garantias que fariam face ao altíssimo grau de endividamento da empresa. O passivo da VERONA GARDEN permanecia a descoberto em mais de três milhões há vários anos. Por outro lado, a empresa CAMY PLAST absorveu a quase totalidade dos funcionários e dos ativos da VERONA GARDEN. Esta "migração" é comprovada através dos registros de empregados, onde se verifica que vários empregados saem de uma empresa e passam a fazer parte da outra, e das declarações dos ex sócios da empresa VERONA GARDEN, notadamente da Sra. JOYCE MARQUES NOJOSA (CPF nº 877.355.47315),em depoimento na Alfândega do Porto de Fortaleza, em que se manifestou da seguinte forma quando perguntada o que entenderia da relação entre as empresas CAMY e VERONA GARDEN: "Achava que era a mesma empresa. A VERONA funcionava onde hoje é a CAMY PLAST. Mais ou menos em 2007 se construiu um galpão na Rua Eduardo Sá onde hoje é a VERONA e se montou um pequeno escritório dentro do galpão onde passei a trabalhar. Na verdade onde tinha escrito VERONA passou a se pintar o logotipo da CAMY PLAST BR, inclusive, os funcionários eram os mesmos e foram de uma empresa para a outra. Um dos motivos que me levou a pedir a minha saída da empresa era o boato de que iria se acabar com a VERONA GARDEN e só ficaria a CAMY. O transporte da empresa que transportava os empregados tinha o logotipo da VERONA e depois pintaram o logotipo da CAMY”. 28. Ao final, concluiu que a CAMY, durante o período fiscalizado, realizou diversas operações de importação de mercadorias que Fl. 2037DF CARF MF Processo nº 11131.000964/201069 Acórdão n.º 3402004.123 S3C4T2 Fl. 2.034 9 foram cursadas sem a comprovação da origem lícita, disponibilidade e efetiva transferência dos recursos requeridos para o seu financiamento, bem como para a formação do seu capital social, infração punível com a pena de perdimento de mercadorias, convertida em multa equivalente ao seu valor aduaneiro, quando não localizadas ou já consumidas, nos termos do art. 23, inciso V e §§ 1º, 2º c/c art. 3º do Decreto Lei nº 1.455/76, com redação dada pelo art. 59, da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637 de 30/12/2002. No presente caso, a conversão em multa se deu para as importações de matérias primas, porquanto já consumidas e o perdimento para as importações de máquinas e equipamentos e mercadorias diversas compostas de: material de mergulho e de mesas e cadeiras de plástico importados da Itália. 29. Assim sendo, o procedimento ensejou ao seu final a aplicação da pena de perdimento das mercadorias importadas apreendidas, quais sejam as máquinas e equipamentos, as mesas, cadeiras e "pallets" de plástico e os equipamentos de mergulho, importações detalhadas no valor de R$ 1.766.927,39 (um milhão, setecentos e sessenta e seis mil, novecentos e vinte e sete reais e trinta e nove centavos) ao câmbio do dia 26/08/2010, ou seja, R$ 1,7727; e a Conversão da pena de perdimento em multa equivalente a 100% do valor aduaneiro das mercadorias importadas, já consumidas, quais sejam as matérias primas, no valor de R$ 637.396,10 (seiscentos e trinta e sete mil, trezentos e noventa e seis reais e dez centavos), valor também calculado com base no câmbio do dia 26/08/2010, ou seja, R$ 1,7727. De outra parte, contraditando o procedimento em causa, as contrarrazões apresentadas pela impugnante podem ser sinteticamente descritas como seguem. (A) Que “o Dr. Fiscal Autuante, impôs pesadíssimos ônus a empresa autuada, por equivocadamente, açodadamente e simploriamente em decisão pessoal, concluir que houve "Interposição Fraudulenta na Importação", calcado num contraditório e improvável documento denominado de "RELATÓRIO PARCIAL DE FISCALIZAÇÃO ESPECIAL", enquadrando, por absurdo, igualmente a autuada em "REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS e REPRESENTAÇÃO PARA BAIXA DE OFÍCIO DO CNPJ”. (B) Que “na realidade os fatos básicos que motivaram o Dr. Auditor Autuante a perpetrar tamanhos desmandos, se calcaram em alguns pequenos fatos denominados de incoerências e agravantes, que não expressam a verdade,”. (C) Que “em anexo DOC III encaminhamos fotocópia da Declaração Espontânea elaborada e firmada pelo profissional habilitado, encarregado pela contabilidade da empresa autuada, esclarecedores sobre os preceitos contábeis adotados, os valores apurados, o pagamento de impostos e os parcelamentos efetivados e que vêm sendo rigorosamente cumpridos.”. Fl. 2038DF CARF MF 10 (D) Que “o documento intitulado de RELATÓRIO PARCIAL DE FISCALIZAÇÃO ESPECIAL, se valendo como um dos argumentos utilizados para perpetrar essa violência fiscal contra a autuada, nada mais é, de que meras providências legais de ordem administrativa e mercadológica adotadas para resguardar os seus negócios, como utilização de folders e parte do espaço físico de outra empresa que veio complementar a linha de produção uma da outra. Assim sendo, jamais se poderiam imputar essas providências necessárias e indispensáveis como sucessão sorrateira e/ou finalidade escusa. A utilização de parcerias como sobrevivência empresarial paralela são fatores indispensáveis no ramo empresarial em que atua a impugnante”. (E) Que “ainda, é temerário e desprovido de qualquer lógica, é inveridica a afirmação sob qualquer aspecto, de que existe falta de identificação na origem dos recursos utilizados na maior parte da integralização do Capital Social da empresa, e como também, alegação de obscuridade de quem sejam os investidores e detentores do Capital Social da empresa autuada, quando estão todas elas claras, lógicas e evidentes. Agora inacreditável e imaginável é vir a autoridade fiscal alegar, aleivosamente, que o Sr. TARCÍSIO MONTAGNA, CPF 677.501.41391, já tem um passado de irregularidades no Brasil. Para tanto, transcreve um mero auto de infração objeto do processo administrativo de n° 10380.003494/200957, anexando cópia de mesmo ao presente processo, que se encontra em fase de impugnação administrativa”. (F) Que “portanto, senhores julgadores, de plano, reiteramos neste ato, o fato de que toda a matéria prima e a quase totalidade das máquinas e equipamentos, objetos dos Autos de Infrações neste ato vergastado (que foram relacionados para efeito de Conversão de Perdimento em Multa — Matéria Prima e Termo de Apreensão e Guarda — Equipamentos),foram importados legalmente com fechamento de câmbio e pagos todos os impostos e taxas correspondentes, inexistiram favores fiscais e financeiros e/ou regimes especiais de importação. Para comprovação dessas assertivas, anexos em DOC. V fotocópias dos comprovantes de importação com os devidos pagamentos de todos os impostos incidentes.”. (G) Ao final, indagou “que fraude poderá resultar ou mesmo subsistir na empresa autuada, que comprou legalmente sua matéria prima, seus equipamentos, importandoos legalmente, e vem saldando todos os seus compromissos fiscais e financeiros. Para comprovação, fazemos anexar em DOC. X, a documentação correspondente ao pagamento de todos os impostos Federais devidos pela empresa autuada no período de 2005 a 2010, inclusive parcelamento dos valores apurados e não pagos nas datas previstas, isto posta, por dificuldades financeiras experimentada”. É o relatório. Fl. 2039DF CARF MF Processo nº 11131.000964/201069 Acórdão n.º 3402004.123 S3C4T2 Fl. 2.035 11 Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, no entanto, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão abaixo transcrito (fls. 1.957/1.982): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2009 IMPORTAÇÃO. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO CONVERTIDA EM MULTA. Considerase dano ao Erário a ocultação do real adquirente, mediante fraude ou simulação, infração punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Posto isto, a Recorrente (CAMY) foi regularmente intimada do referido Acórdão em 10/12/2013 (cópia recibo AR Correios, fl. 1.987) e em 02/01/2014 (protocolo fl. 1.988), apresentou seu Recurso Voluntário de fls. 1.988/2.020. Em suas razões recursais, a Recorrente renova TODOS os argumentos sustentados na fase de Impugnação na ÍNTEGRA e reforça com as seguintes razões, em resumo: 1) a Decisão da DRJ em Recife PE, que manteve em sua totalidade o auto de infração guerreado, se encontra desmotivada, equivocada e inconseqüente, não levando em consideração toda a realidade dos fatos (pleitos) e documentação anexada pela impugnante; 2) é inimaginável que os Julgadores de primeira instância venha afirmar por absurdo (cita trecho), para descaracterizar a contabilidade da autuada, fazendo referência a ilegalidade apontada em seu Livro Diário; 3) é fato surpreendentemente insistir em afirmar que houve nas operações de importações/câmbio "beneficiários anônimos", quando afirma que houve "ocultação do real responsável pela operação", isto posto, simplesmente pelo fato absurdo de glosar toda a integralização de capital da sociedade, e 4) efetua a seguinte indagação: que fraude poderá resultar ou mesmo subsistir na empresa autuada, que comprou legalmente sua matéria prima, seus equipamentos, importandoos legalmente, e vem saldando todos os seus compromissos fiscais e financeiros. Por todo o exposto, em vista do arrazoado e de toda a documentação comprobatória já anexada ao processo, espera ter demonstrado a improcedência e inadequação total do Auto de Infração, portanto, requer determinar a extinção do débito tributário. É o relatório. Fl. 2040DF CARF MF 12 Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra – Relator Da admissibilidade dos recursos Passase ao exame do recurso voluntário apresentado pela CAMY, que é tempestivo e atende os pressupostos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. Preliminar da decisão de 1ª instância, falta de motivação Alega a Recorrente em seu recurso que a Decisão da DRJ em Recife PE, que manteve em sua totalidade o Auto de Infração guerreado, "se encontra desmotivada, equivocada e inconseqüente, não levando em consideração toda a realidade dos fatos (pleitos) e da documentação anexada pela impugnante". Como visto, segundo a Recorrente, a decisão a quo estaria carente de motivação por não ter levado em consideração todos os seus pleitos, bem como o exame da documentação apresentada em sua impugnação. Como é cediço, as decisões proferidas pela instância administrativa, devem necessariamente ser motivadas, sob pena de nulidade. A respeito da motivação das decisões proferidas no âmbito do processo administrativo fiscal, convém destacar os disposto no art. 31 do Decreto nº 70.235/72, bem como os artigos 2º e 50, ambos da Lei nº 9.784/99. Assim, toda e qualquer decisão proferida no âmbito de processo administrativo fiscal deve ser fundamentada, ou seja, deve ser justificada em concreto pelo julgador. Neste diapasão, verificase que a decisão de piso analisou vasta colação de elementos probatórios trazidos aos autos entre as fls. 57/890, estabelecendo uma análise de sua valoração quanto aos fundamentos fáticos e jurídicos do lançamento, matéria atinente ao exame de mérito do litígio (que se dará em ocasião posterior a este exame das questões de ordem preliminar). Verificase que, quanto ao Auto de Infração, o mesmo teve origem em auditoria realizada pela Fiscalização da RFB, fartamente detalhada no Relatório Parcial de Fiscalização (fls. 25/47), onde consta a motivação para o lançamento e as provas que conduziram a autoridade fazendária a lavratura do Auto de Infração. A ora Recorrente foi cientificada da exigência fiscal e apresentou impugnação que foi apreciada em julgamento realizado na primeira instância. Irresignada com o resultado do julgamento da DRJ, protocolou Recurso Voluntário, rebatendo as posições adotadas no acórdão recorrido, combatendo as razões de decidir daquela autoridade, portanto, as motivações para o lançamento, bem como, as do julgamento na primeira instância, foram claramente identificadas. Com todo este histórico de discussão administrativa, não se pode falar em cerceamento de direito de defesa ou quaisquer outros vícios (como a falta de motivação) no lançamento ou no julgamento da primeira instância. Todo o procedimento previsto no Decreto nº 70.235, de 1972, foi observado, tanto o lançamento tributário, o devido processo, como o julgamento de Piso. Apenas para um melhor esclarecimento sobre o assunto, transcrevese o dispositivo que rege a matéria no processo administrativo fiscal. Prescreve o art. 59 do Decreto nº 70.235/72, com a nova redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993: Art. 59. São nulos: Fl. 2041DF CARF MF Processo nº 11131.000964/201069 Acórdão n.º 3402004.123 S3C4T2 Fl. 2.036 13 I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º (...). Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Deste modo, não merece guarida a alegação de nulidade da decisão recorrida, uma vez que foram cumpridos todos os dispositivos legais vigentes, não se enquadrando, portanto, em nenhum dos requisitos do citado art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Por isso, rejeito a preliminar de nulidade da decisão por falta de motivação. Da descaracterização da contabilidade da autuada Aduz a Recorrente que é inimaginável que os Julgadores de primeira instância venha afirmar, pela descaracterização da contabilidade da autuada, fazendo referência a ilegalidade apontada em seu LIVRO DIÁRIO. De plano, é inimaginável que o Sr. Julgador de primeira instância (DRJ) venha afirmar por absurdo o que: "Como se verifica, o legislador acertadamente obrigou o registro do Termo de Abertura e do Termo de Fechamento do Livro Diário na data pertinente haja vista que, se não desta forma, a contabilidade de uma empresa poderia ser "modificada " a qualquer momento de acordo com interesses diversos. O caso em tela é suficiente para descaracterizar a contabilidade da empresa." E prossegue afirmando em seu recurso que, "(...) Ora pois, isso não se refere a empresa autuada, pois os Termos de Abertura e Encerramento do LIVRO DIÁRIA anexado ao processo e que faz prova inconteste e inquestionável do mesmo, têm seus Termos, tanto de ABERTURA como de ENCERRAMENTO rigorosamente anterior aos assentamentos contábeis, apenas a autenticação da Junta Comercial do Estado do Ceará é que se deu em período posterior. Portanto, nenhuma legislação em vigor, e toda aquelas transcritas pelo Sr. Julgador no bojo de sua decisão, enquadra esse fato como indutor de ilegalidade do LIVRO DIÁRIO". Discordo da Recorrente. Pode se observar que se trata de mais um indicador que contribuiu para a coleção dos indícios de irregularidades apurados na empresa, qual seja, a não apresentação dos Livros Diário, mesmo após várias intimações e reintimações. Como se verá adiante, a Recorrente alega que os mesmos não teriam sido emitidos e que estariam nos "HD's" apreendidos pela Policia Federal e, portanto, estariam impossibilitados de emitir tais Livros solicitados. No caso, o Fisco assevera que os Livros Diários impressos a destempo são inservíveis para regularizar a "escrita" da empresa. É que seria preceito importante o registro destes livros na Junta Comercial, onde chancelada a sua abertura e o seu fechamento como previsto no art. 257 e 258 do Regulamento do Imposto de Renda (PJ) RIR, Decreto nº 3.000, de 1999. Fl. 2042DF CARF MF 14 No entanto, não foi simplesmente por este motivo que o Fisco descaracterizou sua contabilidade. Consta à fl. 30 e ss. do Relatório Fiscal, que em agosto de 2009, foi deflagrada uma operação da Policia Federal, chamada de "Operação Estorno", em que foi apreendida farta documentação das empresas CAMY e VERONA que estavam de posse do seu contador (é o mesmo de ambas as empresas). Naquela oportunidade tanto o contador como seu auxiliar foram presos. Em 17/08/2009, a Fiscalização solicitou à Polícia Federal o acesso e a cópia da documentação apreendida das duas empresas. Assim sendo, foi informada que a documentação se encontrava de posse da Secretaria da Fazenda do Estado do Ceará SEFAZ/CE, tendo recebido autorização para a consultála na sede daquela Secretaria. Em 03 de setembro de 2009 a empresa tomou ciência de Termo de Reintimação pelo não atendimento do Termo anterior. Em 22 de setembro de 2009, atendendo parcialmente àquela intimação, a empresa entregou alguns documentos ficando faltando os Livros Diário. Na ocasião da entrega dos documentos, a representante da empresa, Sra. Maria Valnice Pereira, afirmou que os Livros Diário, possivelmente, não haviam sido emitidos, e que iria solicitar à Policia Federal acesso aos HD apreendidos para emitilos. Somente em 23/02/2010, o Departamento de Polícia Federal "espelhou" os HD's apreendidos no curso da "Operação Estorno". Ato contínuo, a Fiscalização reiterou, mediante reintimação, que o contribuinte apresentasse os livros e os documentos faltantes. Em 02/03/2010, tomou ciência dessa REINTIMAÇÃO e em 05/03/2010, respondeu aos questionamentos acerca da documentação existente nos HD's nos seguintes termos: a) "... apenas de natureza comercial e que por sinal já foram formatadas"; b) "No entanto, depois de desencadeada a operação, que também atingiu o escritório de contabilidade, e para desagradável surpresa da empresa, foi detectado que a contabilidade, dos mais simples atos até a confecção dos livros obrigatórios, como o diário, era inexistente,..."; e c) "...é forçoso reconhecer que a realidade contábil da empresa era caótica,...". Portanto, no caso sob análise, considerandose todos os fatos e elementos de prova coletados no curso das ações fiscais realizadas, restou comprovado que, nesse particular, um dos elementos do quadro indiciário identificado pelo Fisco, foi de que a CAMY não possuía contabilidade regular, vez que não apresentou o seu Livro Diário regularmente registrado na Junta Comercial do Estado do Ceará, conforme previsto em lei, não se podendo conferir credibilidade aos registros realizados nos seus livros contábeis e fiscais. Acresce ainda que a impugnante declara imposto de renda pela sistemática do lucro real modalidade que exige a regular lavratura do Livro Diário e o registro de sua Abertura e Encerramento pela Junta Comercial, conforme preconizado pelo art. 258 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999). Do MÉRITO do Auto de Infração O cerne da lide diz respeito à aptidão de provas trazidas pelo Fisco para demonstrar que houve a infração de Dano ao Erário por, "mercadoria estrangeira, na importação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do comprador ou do responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros", em relação às Declaração de Importações efetuadas pela empresa CAMY, nos anos de 2005 a 2009, valores constantes do Auto de Infração às fls. 07/08. Tal infração está prevista no art. 23, inciso V, e §§1º, 2º e c/c 3º, do DecretoLei nº 1.455, de 1976, convertendose em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. Fl. 2043DF CARF MF Processo nº 11131.000964/201069 Acórdão n.º 3402004.123 S3C4T2 Fl. 2.037 15 Consta dos autos que a Recorrente foi igualmente autuada em processos de "REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS e REPRESENTAÇÃO PARA BAIXA DE OFÍCIO DO CNPJ”. Das operações realizadas a "beneficiários anônimos" ocultação do real responsável Aduz a Recorrente que outro fato surpreendentemente foi o de insistir em afirmar, "(...) que houve nas operações de câmbio "beneficiários anônimos", quando afirma que houve 'ocultação do real responsável pela operação' , isto posto, simplesmente pelo fato absurdo de glosar toda a integralização de capital da sociedade, que bastando um perfunctória avaliação dos termos e comprovação dos fatos pela autuada, que a seguir se transcreve: (...)". Pois bem. Consta que, de fato, a empresa CAMY promoveu o registro das DI’s abrangidas no procedimento fiscal informando que o adquirente da mercadoria era o PRÓPRIO IMPORTADOR. Entretanto, restou demonstrado nos autos pela fiscalização, que a CAMY nunca demonstrou capacidade financeira e operacional para a realização dessas operações nesse tipo de modalidade (por conta e risco próprios), deixando toda evidência, que são operações de importações realizadas por conta e ordem de terceiros, e que ocultou essa informação do Fisco. Atendendo ao disposto no inciso I, do art. 80 da MP nº 2.15835, de 2001, foi editada a Instrução Normativa SRF n° 225/02, de 18 de outubro de 2002, que veio a regular as importações por conta e ordem de terceiros. Nos termos da citada Instrução Normativa, tanto o importador, quanto o adquirente, devem obter habilitação prévia no Sistema Integrado de Comércio Exterior (SISCOMEX), bem como o registro prévio neste sistema informatizado da vinculação dos envolvidos (art. 2°). Além disso, a fatura comercial deve espelhar a operação, apresentando o nome do adquirente (art. 3°, § 2°). Na Declaração de Importação, no caso de importação por conta e ordem de terceiros, deverá ser indicado o número de inscrição do adquirente no CNPJ no campo próprio destinado a esta informação (art. 3°, caput da IN SRF n° 225/2002). Posteriormente, a Lei n° 10.637, de 2002, trouxe nova disposição sobre o tema, em seu art. 27: Art. 27. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Neste aspecto, primeiramente, verificase que foram apurados nos autos ausência de comprovação da integralização do Capital Social da empresa, bem como das origens, disponibilidade e efetividade das transferências de numerários requeridas para a realização das importações em questão. Vejamos. Como pontuado no Relatório do Fisco, da análise da documentação obtida, observouse que em 25/10/2004, foi registrado na Junta Comercial do Ceará o Contrato Social da empresa CAMY, com data de 08/10/2004. No Contrato Social, firmouse que a integralização do Capital Social de R$ 300.000,00, se daria dentro do período de 6 (seis) meses, da seguinte forma: R$ 285.000,00, por parte do Sr. Tarcísio Montagna (CPF nº Fl. 2044DF CARF MF 16 677.501.41391) e R$ 15.000,00, por parte do Sr. Edmilson Gomes Moreira (CPF nº 211.758.02387). Em 30/04/2009, a empresa apresentou Declaração consignando que a integralização do seu Capital Social no valor de R$ 285.000,00, por parte do sócio controlador, Sr. Tarcísio Montagna, teria ocorrido da seguinte forma: (i) recebimento do exterior de R$ 136.000,00 e de R$ 1.099,34, remetidos pelo sócio majoritário, Sr. Tarcísio Montagna, nas datas respectivas de 24/03/2005 e 01/04/2005. Registrou que, de fato, essas remessas ocorreram nas datas acima referidas, embora nos valores de R$ 136.418,10 e R$ 1.284,77, e (ii) recebimento como Investimento Externo Direto na empresa no valor de R$ 147.892,06, em 11/08/2005. Os recursos recebidos a título de Investimento Externo Direto na empresa no valor de R$ 147.892,06, teriam sido destinados da seguinte forma: (a) aquisição de uma Caminhonete PAJERO, Placa KKH 8899, ano/modelo 2002/2003 no valor de R$ 88.642,02 e ao pagamento de R$ 4.215,94, a título de despesas com despachante, transferência do veículo e emplacamento. O veículo deu entrada no ativo da empresa em 24/11/2005, conforme nota fiscal de entrada nº 027, e (b) empréstimo feito pelo sócio Sr. Tarcísio Montagna no valor de R$ 59.250,04, valor que teria saído da conta corrente do sócio para a aquisição de matérias primas para a empresa, as quais teriam sido pagas em 5 (cinco) cheques a pessoas e empresas. Em 15/05/2009, o contribuinte foi (re) intimado a apresentar as informações que lhe foram anteriormente solicitadas e fornecer esclarecimentos relativos à forma e à origem dos recursos utilizados na liquidação financeira das importações da empresa, o que veio a ocorrer nas datas de 05/06/2009 e 08/06/2009. Na primeira data são fornecidos os dados dos cheques sacados da conta corrente do Sr. Tarcísio Montagna e que teriam sido utilizados como empréstimo à empresa. Na segunda, 08/06/2009, o contribuinte entregou novamente os Livros Razão (vez que tinham sido devolvidos anteriormente para retificação por apresentarem múltiplas inconsistências). Por fim, a Recorrente apresentou declaração e recibos de pagamento referenciando os empréstimos realizados à empresa através dos cheques emitidos pelo Sr. Tarcísio Montagna. O Fisco verificou que esses títulos não transitaram pelas contas correntes da empresa. A empresa também apresentou o Décimo Aditivo ao CONTRATO SOCIAL, datado de 28/11/2008, formalizando que a empresa EPC ENVIRONMENT PROJECTS CONSULTING LLC (CNPJ nº 10.501.718/000115), passou a deter 50% do Capital Social, ficando o restante com a titularidade do Sr. Tarcísio Montagna. A Recorrente ainda entregou à fiscalização cópia do Contrato Social da nova sócia, sua tradução e a Certidão Simplificada da empresa CAMY PLAST BR atualizada. Neste período é que foi deflagrada uma operação da Policia Federal, chamada de "Operação Estorno", que foi apreendida farta documentação das empresas CAMY. Portanto, detectouse a falta de comprovação da entrada regular dos recursos referentes ao Investimento Externo Direto, datado de 11/08/2005, no valor de R$ 147.892,06. Embora tenha sido reiteradamente requerida essa comprovação, não restou demonstrada qualquer remessa de Investimento Externo Direto no país em data próxima àquela que afirma terem ingressados esses recursos (11/08/2005), assim como não existe o registro do depósito correspondente na conta corrente bancária da empresa. Válido realçar que esse tipo de operação (Investimento Externo Direto no Brasil) exige que o ingresso dos recursos (divisas) seja creditado diretamente na conta corrente da empresa, de sorte que não poderiam ter sido utilizados para a aquisição de bens por parte dos sócios, como foi o caso da aquisição do Fl. 2045DF CARF MF Processo nº 11131.000964/201069 Acórdão n.º 3402004.123 S3C4T2 Fl. 2.038 17 veículo e dos “empréstimos” para pagamento de insumos feitos pelo sócio Sr. Tarcísio Montagna. Desta forma, resta claro que o fluxo financeiro dos recursos empregados nas operações de comércio exterior deve ser considerado para determinar se a operação importação foi efetuada por conta própria ou por conta e ordem de terceiro. A própria denominação conta e ordem indica que os recursos serão disponibilizados pelo adquirente (por conta) e que a operação ocorrerá por determinação, decisão deste (por ordem). A recorrente não poderia ter recusado ao Fisco a demonstração clara e objetiva das origens dos recursos que empregou no pagamento das despesas, encargos e tributos incidentes sobre as operações de importações abrangidas pelo procedimento. Não poderia olvidar que foi a lei tributária/aduaneira que estabeleceu, por força das alterações promovidas pela Lei n° 10.637/02 no art. 23, inciso V, do Decretolei n° 1.455/76, o dever legal de demonstrar a origem dos recursos aplicados em operações de comércio internacional para aqueles que tenham disponibilizado recursos para tal fim. Outro fato importante, decorreu da não apresentação dos Livros Diário devidamente registrados na Junta Comercial conforme previsto na legislação (RIR/99), a despeito das sucessivas reintimações fiscais que lhe foram destinadas. Nesse ponto, como já dito em tópico anterior, a CAMY alegou que esses livros não teriam sido ainda emitidos, mas que estariam nos HD's apreendidos pela Polícia Federal, motivo pelo qual estava impossibilitada de emitilos. Ressaltase para aclarar a questão, que no caso do ilícito tipificado como “Dano ao Erário”, o prejuízo decorrente da presunção não necessita ser mensurado, ou seja, independe de provas, conforme art. 334 do citado diploma legal (Lei nº 5.869/73 Código de Processo Civil), vigente a época dos fatos. Assim, restou demonstrado no procedimento que as operações internacionais foram cursadas sem a devida comprovação da origem regular dos recursos aplicados, bem como para a formação de seu capital social, tendo lugar a presunção legal estatuída no art. 23, inciso V, §2º, do Decreto Lei n° 1.455, de 07/04/1976, com as alterações dadas pela Lei nº 10.637, de 30/12/2002 e Medida Provisória n° 497 de 27/07/2010, que definiu como DANO AO ERÁRIO a ocultação do sujeito passivo, do real adquirente, beneficiário ou responsável pela operação mediante fraude, simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, infração esta punida com o perdimento das mercadorias ou multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas. Da compra de matéria prima, equipamentos, importados legalmente dos pagamentos de impostos Federais Indaga a Recorrente qual a fraude que poderá resultar ou mesmo subsistir, quando a empresa comprou legalmente sua matéria prima, seus equipamentos, importandoos legalmente, e vem saldando todos os seus compromissos fiscais e financeiros. Para comprovação, anexou a documentação correspondente ao pagamento de todos os impostos Federais devidos pela empresa autuada no período de 2005 a 2010, inclusive parcelamento dos valores apurados e não pagos nas datas previstas, isto posta, por dificuldades financeiras experimentada. Fl. 2046DF CARF MF 18 No entanto, a questão que aqui se discute não é a falta de pagamento dos tributos e sim a ausência de comprovação das origens, disponibilidade e efetividade das transferências de numerários requeridas para a realização das importações em questão, inclusive da formação do Capital Social da empresa. No conceito de Dano não reside apenas a falta de ingresso de dinheiro aos cofres públicos. O dano pecuniário não é elemento constitutivo do ilícito, mas sim uma consequência possível. O ilícito tipificado como “Dano ao Erário” tem caráter formal e permanente ou continuado, cujos efeitos persistem ao longo do tempo até o momento em que cessa a permanência da ilicitude. A sua caracterização decorre do descumprimento, do seu dever legal, de prestar informações necessárias ao controle aduaneiro das operações do comércio exterior (habilitação prévia no SISCOMEX), essenciais aos interesses e à defesa nacionais, cuja violação pode ensejar gravíssimos prejuízos ao país. Como bem pontuada pela decisão a quo, a ocultação do real responsável pela operação é artifício em geral empregado para afastar obrigações tributárias principais e acessórias, porquanto ocultado o sujeito passivo, por meio de interposta pessoa, tornase obrigado ao pagamento de tributo para a pessoa interposta, que muitas vezes não satisfaz a condição de capacidade contributiva. Deste modo, a ocultação do real sujeito passivo é método de se eximir da responsabilização pelos atos praticados: (i) não figurar como contribuinte “equiparado a industrial” e evitar a incidência do IPI Imposto sobre Produtos Industrializados nas operações subsequentes; (ii) não se submeter a procedimentos fiscais de habilitação para atuar no comércio exterior; (iii) interferir na avaliação do risco da operação, mensurada em função do perfil e histórico cadastral dos intervenientes aduaneiros envolvidos; (iv) buscar benefícios fiscais estaduais indevidamente; (v) acobertamento de ações fraudulentas, etc. Conclusão Restou evidenciado que a CAMY, durante o período fiscalizado, realizou diversas operações de importação de mercadorias que foram cursadas sem a comprovação da origem lícita, disponibilidade e efetiva transferência dos recursos requeridos para o seu financiamento, bem como para a formação do seu capital social, com vistas à ocultação do real adquirente ou beneficiário interposição fraudulenta (considerado dano ao Erário), infração punível com a pena de perdimento de mercadorias (matérias primas), convertida em multa equivalente ao seu valor aduaneiro, quando não localizadas ou já consumidas, nos termos do art. 23, inciso V e §§1º, 2º c/c art. 3º do DecretoLei nº 1.455/76, com redação dada pelo art. 59, da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637 de 30/12/2002. Posto isto, conheço do recurso interposto, para negarlhe provimento, MANTENDOSE a multa objeto da presente lide à CAMY PLAST BR INDUSTRIA E COMERCIO DE PLÁSTICOS LTDA. É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 2047DF CARF MF Processo nº 11131.000964/201069 Acórdão n.º 3402004.123 S3C4T2 Fl. 2.039 19 Fl. 2048DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.900606/2012-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2006
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2.
É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.139
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 06 06 /2 01 2- 68 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13830.900606/201268 Acórdão n.º 1302002.139 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratam os autos de análise eletrônica de Pedido de Restituição, por intermédio do qual o contribuinte pretende a restituição de suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que decidiu pelo indeferimento do pedido de restituição, haja vista que o montante recolhido pelo Darf apontado como origem do crédito foi integralmente utilizado para liquidar débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que os créditos de PIS e Cofins nãocumulativos não devem afetar a determinação do lucro real, nem a base de cálculo da CSLL. A exigência de IRPJ e CSLL sobre tais créditos desrespeita o princípio constitucional da neutralidade tributária. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO. É o administrador um mero executor de leis não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida constitucionalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado com o decisium, o recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que a Administração não pode eximirse da competência sobre o controle de constitucionalidade das leis, decretos e portarias, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP, as quais apresentam presunção de legitimidade. É o relatório. Voto Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13830.900606/201268 Acórdão n.º 1302002.139 S1C3T2 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.134, de 18.05.2017, proferido no julgamento do processo nº 13830.900610/201226, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.134): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme depreendese da leitura do Relatório acima, o Recorrente sustenta seus argumentos com base em supostas inconstitucionalidades perpetradas pela autoridade fiscal e ratificadas pela decisão recorrida. Contudo, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. As autoridades administrativas, enquanto responsáveis pela execução das determinações legais, devem sempre partir do pressuposto de que o legislador tenha editado leis compatíveis com a Constituição Federal e Código Tributário Nacional. Assim, não há que se cogitar de desobediência aos dispositivos legais elencados, no âmbito da Administração Tributária, quando esta, no exercício da sua atividade de fiscalização, logre efetuar o lançamento de crédito tributário, lastreado em fatos e atos atribuídos ao sujeito passivo, que ensejam a exigência de tributos e dos acréscimos legais pertinentes, desde que referido lançamento seja devidamente fundamentado em regular procedimento de ofício e de acordo com os dispositivos legais que regem a espécie. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. Afasto, portanto, o presente argumento, por não ser o CARF competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Noutra banda, verificase que o recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a presente autuação, bem como em relação a decisão proferida em Fl. 77DF CARF MF Processo nº 13830.900606/201268 Acórdão n.º 1302002.139 S1C3T2 Fl. 5 4 primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Para esse Relator fica claro que o Recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão nº 2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 78DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10073.720474/2013-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri May 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2010
ITR. VTN. APTIDÃO AGRÍCOLA. COMPROVAÇÃO. POSSIBILIDADE.
A inexistência de aptidão agrícola para a propriedade possibilita a aceitação do VTN informado pelo recorrente.
APP. ISENÇÃO. ADA. OBRIGATORIEDADE.
A isenção do ITR só pode ser concedida mediante a apresentação de ADA tempestivo ou de diploma legal que declare a área como de preservação permanente emitida pelo IBAMA ou por órgão ambiental estadual.
NULIDADE. CAPITULAÇÃO LEGAL DO FATO. AFASTADA.
Estando devidamente configurado o fato que causou o lançamento tributário, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. Caso dos autos.
RESERVATÓRIO DE USINAS HIDROELÉTRICAS. ÁREA ALAGADA. NÃO INCIDÊNCIA.
O ITR não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas. (Súmula CARF nº 45)
Numero da decisão: 2401-004.842
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso. No mérito, por maioria, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer o valor da terra nua e afastar a tributação sobre a área alagada. Vencidos o relator e as conselheiras Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Denny Medeiros da Silveira, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2010 ITR. VTN. APTIDÃO AGRÍCOLA. COMPROVAÇÃO. POSSIBILIDADE. A inexistência de aptidão agrícola para a propriedade possibilita a aceitação do VTN informado pelo recorrente. APP. ISENÇÃO. ADA. OBRIGATORIEDADE. A isenção do ITR só pode ser concedida mediante a apresentação de ADA tempestivo ou de diploma legal que declare a área como de preservação permanente emitida pelo IBAMA ou por órgão ambiental estadual. NULIDADE. CAPITULAÇÃO LEGAL DO FATO. AFASTADA. Estando devidamente configurado o fato que causou o lançamento tributário, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. Caso dos autos. RESERVATÓRIO DE USINAS HIDROELÉTRICAS. ÁREA ALAGADA. NÃO INCIDÊNCIA. O ITR não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas. (Súmula CARF nº 45) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 04 74 /2 01 3- 02 Fl. 374DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso. No mérito, por maioria, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer o valor da terra nua e afastar a tributação sobre a área alagada. Vencidos o relator e as conselheiras Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Denny Medeiros da Silveira, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 375DF CARF MF Processo nº 10073.720474/201302 Acórdão n.º 2401004.842 S2C4T1 Fl. 375 3 Relatório LIGHT SERVIÇOS DE ELETRICIDADE S.A., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos auto do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 1a Turma da DRJ em Brasília/DF, Acórdão nº 03057.208/2013, às efls. 251/279, que julgou procedente o lançamento fiscal, referente ao Imposto sobre a Propriedade Rural ITR, em relação ao exercício 2010, conforme Notificação de Lançamento, às efl. 126/130, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Notificação de Lançamento, lavrada em 16/04/2013 (AR. fl. 128), nos moldes da legislação de regência, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, decorrente do seguinte fato gerador: "Área de Preservação Permanente não comprovada Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovou a isenção da área declarada a título de preservação permanente no imóvel rural. O Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT) foi alterado e os seus valores encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido , em folha anexa. De acordo com o artigo 111 da Lei n° 5172/66 (CTN) interpreta s e literalmente a legislação tributária que disponha sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário e outorga de isenção. (...) Valor da Terra Nu declarado não comprovado Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovou por meio de Laudo de Avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.6533 da ABNT, o valor da terra nua declarado. No Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT), o campo valor da terra nua por ha (VTN/h a) foi arbitrado considerando o valor obtido no Sistema de Preços de Terra (SIPT), e o valor Total da terra nua foi calculado multiplicando se esse VTN/ha arbitrado pela área total do imóvel. O Sistema de Preços de Terra (SIPT) da RFB, instituído através da Portaria SRF n° 447, de 28/03/02, é alimentado com os valores recebidos das Secretarias Estaduais ou Municipais de Agricultura ou entidades correlatas, sendo que esses valores são Fl. 376DF CARF MF 4 informados para cada município/UF, de localização do imóvel rural, e exercício (AC da DITR); assim foram obtidos os dados para os respectivos campos: município, UF e exercício. Os valores do DIAT encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa.(...)" No procedimento de análise e verificação da documentação apresentada e das informações constantes da DITR/2010, a fiscalização resolveu glosar, integralmente, a área de preservação permanente de 5.151,0 ha, que corresponde a área total do imóvel, além de alterar o Valor da Terra Nua (VTN) declarado de R$3.324.712,60 (R$645,45/ha), arbitrando o valor de R$19.701.905,37 (R$3.824,87/ha), com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), instituído pela Receita Federal, com conseqüente redução da área tributável/aproveitável e aumento do VTN tributável, disto resultando o imposto suplementar de R$3.940.371,07, conforme demonstrado às fls. 126. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às efls. 286/308, procurando demonstrar a total improcedência da Notificação, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, reitera as razões da impugnação, aduz preliminarmente que a capitulação legal seria insuficiente, considerando que os dispositivos legais mencionados não guardam relação com os fundamentos de fato que motivaram o lançamento, deles não se extraindo qualquer infração legal, o que contraria o art. 11, III, do Decreto n° 70.235/72, impedindo a perfeita compreensão das acusações, impondo a nulidade do lançamento por cerceamento de defesa (art. 59, II, do Decreto n° 70.235/72). Entende ser improcedente o lançamento em razão da impossibilidade de utilização do SIPT para as sociedades empresárias de energia elétrica, em face do DecretoLei n° 3.128/41, que disciplina o tombamento de seus bens, nos termos de seus artigos 4 e 6, citando Decisão do Antigo Conselho de Contribuintes, para referendar sua tese de que os bens das sociedades empresárias de eletricidade devem ser avaliados por seu custo histórico, o qual, não sendo possível de comprovação documental, deve ser apurado por perícia e, assim, revela se descabido o arbitramento, o que compromete a apuração da base de cálculo do lançamento e, por isso, deve ser julgado improcedente. Suscita o disposto no § 7°, art. 10, da Lei n° 9.393/96, que expressamente dispensa a declaração para fim de isenção do ITR de "prévia comprovação", o STJ firmou jurisprudência no sentido de que a prévia apresentação de ADA não é condição para a não tributação da APP, a qual pode ser provada por qualquer meio de prova e transcreve Ementa de Decisão do STJ. Sendo evidente a ilegalidade do lançamento, na parte em que condiciona a não tributação do APP à prévia apresentação de ADA. Registra ter, em resposta à intimação, apresentado dois ADA relativos ao imóvel e, ainda, que os ADA não se refiram ao exercício de 2010, mas aos de 2008 e 2009, a sua apresentação, tendo em vista o §° 7 do art. 10 da Lei n° 9.393/1996, atribuiu à autoridade fiscal o ônus de comprovar que a declaração da APP não corresponde à realidade, o que demonstra a improcedência do lançamento. Explicita, ainda, que apresentou Laudo Técnico, onde atesta o que consta da DITR/2010, que, inclusive, serviu de amparo para Acórdão do CARF, que cancelou o lançamento do Processo Administrativo n° 13009.000015/200417, devendo ser observado o princípio da verdade material. Fl. 377DF CARF MF Processo nº 10073.720474/201302 Acórdão n.º 2401004.842 S2C4T1 Fl. 376 5 Traz a colação Laudo Técnico, com ART, elaborado pelo Engenheiro Florestal Jorge Jacob Neto, que atesta que o imóvel corresponde a áreas não sujeitas à tributação, porquanto referentes a áreas de preservação permanente, fragmentos florestais, áreas de interesse ecológico e alagadas para fins de constituição de usinas hidrelétricas (Lei n° 9.303/96, art. 10, § 1°, "a", "b" e "f"). Salienta restar comprovado que parte da área é submersa, utilizada como reservatório de usinas hidrelétricas, fazse necessário o afastamento da tributação sobre essas terras, conforme jurisprudência do CARF, inclusive, objeto da Súmula n° 45. Sintetiza com o entendimento de estar comprovado que o imóvel é composto por APP, fragmentos florestais, áreas de especial interesse ecológico e alagadas para reservatórios de usinas hidrelétricas, por sua localização e integração no "Corredor da Biodiversidade TinguáBocaina", no âmago da Serra do Mar, em uma das últimas áreas com Mata Atlântica preservada, ficando atestada sua importância ecológica e a condição de preservação permanente, que impõem o reconhecimento de que o imóvel é integralmente composto por áreas não tributáveis, nos termos do art. 10, § I , da Lei n° 9.393/96. Demonstra a fragilidade do lançamento pelo fato de a fiscalização ao tributar 100% do imóvel, ter desconsiderado o art. 20, VIII, da CR, que estabelece serem "bens da União" "os potenciais de energia elétrica". Afirma não ter a fiscalização atentado, ainda, para a Lei n° 9.427/96, que ao disciplinar o "regime econômico e financeiro das concessões de serviço público de energia elétrica", estabelece no art. 14, II e V, respectivamente, que o contrato de concessão deve prever "a responsabilidade da concessionária em realizar investimentos em obras e instalações que reverterão à União na extinção do contrato", bem como a indisponibilidade, pelo concessionário, dos bens reversíveis. Entende que imóvel tributado configura bem público, da União, por definição constitucional e por afetação, cuja tributação pelo ITR, portanto, contraria a imunidade recíproca do art. 150, VI, "a", da CR. Conclui, sobre o tema, pois tratandose de bens públicos, indisponíveis ao concessionário, encontramse fora do comércio, sem valor aferível, o que os torna insuscetíveis de tributação do ITR, cuja base de cálculo é o valor do imóvel e cita e transcreve Ementas excertos de Decisões deste Tribunal, para referendar seu argumento. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação de Lançamento, tornandoo sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 378DF CARF MF 6 Voto Vencido Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso voluntário. Conforme analise deste conselheiro, verifico que já participei do julgamento de uma demanda desta empresa, tratando da mesma matéria e o mesmo fato gerador, além de ser de uma área continua, sendo lançado em separado apenas por conta da distinção de município, motivo pelo qual irei adotar os excertos que concordei com a relatora e o voto vencedor constante no Acórdão n° 2401004.410, que assim dispõe: PRELIMINAR DE NULIDADE Em relação a preliminar suscitada: "Preliminarmente o recorrente alega que o auto de infração menciona dispositivos legais que não guardam relação com os fundamentos de fato que motivaram a formalização do lançamento. Entendo que não assiste razão ao contribuinte, pois o documento de lançamento (efl. 630) contém a descrição dos fatos e o enquadramento legal relativo à infração, por ex. " Art. 10, par. 1, inciso II, alínea 'a' da Lei 9393/96". Ainda, na descrição dos fatos menciona o referido documento de lançamento: DA GLOSA DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE Não apresentou ADA relativo ao exercício 2010, o Laudo Técnico relativo à área de preservação permanente não está acompanhado da respectiva ART Anotação de Responsabilidade Técnica, nem reúne informações detalhadas acerca da localização e dimensão da r e f e r i d a área. Não apresentou certidão de órgão público atestando que o imóvel ou parte dele se encontra inserido em área declarada como de preservação permanente. Entendo que a descrição dos fatos está clara. [...]" Assim, igualmente a conclusão acima mencionada, afasto a preliminar argüida nesta oportunidade. VTN ARBITRADO Quanto ao VTN arbitrado, o voto condutor do Acórdão já mencionado assim tratou: "[...]O disposto nos art. 14, § 1o. da Lei nº 9.396, de 1996, quando combinado com o art. 12 da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, permite que se aceite, no caso em questão, o arbitramento pelo SIPT quando efetuado com utilização do VTN médio que leve em consideração também o fator de aptidão agrícola, in verbis: Fl. 379DF CARF MF Processo nº 10073.720474/201302 Acórdão n.º 2401004.842 S2C4T1 Fl. 377 7 Lei 9.393/96 Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAT ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios.(g.n.) Lei 8.629/93 Art.12.Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos:(Redação dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) I localização do imóvel;(Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) II aptidão agrícola;(Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) III dimensão do imóvel;(Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) IV área ocupada e ancianidade das posses;(Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) V funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias.(Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) (grifei) §1oVerificado o preço atual de mercado da totalidade do imóvel, procederseá à dedução do valor das benfeitorias indenizáveis a serem pagas em dinheiro, obtendose o preço da terra a ser indenizado em TDA.(Redação dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) §2oIntegram o preço da terra as florestas naturais, matas nativas e qualquer outro tipo de vegetação natural, não podendo o preço apurado superar, em qualquer hipótese, o preço de mercado do imóvel.(Redação dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) Noto que, na efl. 626, consta que não foi encontrado VTN médio para o município de localização do imóvel rural, ou seja, não possui aptidão agrícola discriminada. Entendo que, de acordo com os dispositivos antes mencionados, deve ser aceito o VTN declarado pelo contribuinte,[...]" Fl. 380DF CARF MF 8 Adotando as razões encimadas, deve ser restabelecido o VTN de acordo com o declarado pela contribuinte em DIRT. ÁREA ALAGADA Em relação especificamente de que trata a área alagada, na ocasião do Acórdão, acompanhei a divergência, conforme muito bem fundamentou o voto vencedor do Dr. Cleberson Alex Friess, que dispôs: "Peço vênia a ilustre Relatora para discordar de seu voto tão somente na parte em que optou por não excluir a tributação sobre áreas alagadas. Alega a recorrente, Light Serviços de Eletricidade S/A, que parte da área do imóvel rural "Áreas em Rio Claro" é submersa, utilizada como reservatório de usina hidrelétrica, devendo ser afastada a tributação. A decisão de piso não reconheceu o pleito, dada a ausência de comprovação da existência dessas áreas no imóvel, assim como a falta de apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA), vinculado ao anocalendário da exigência fiscal. Porém, segundo o enunciado da Súmula nº 45, deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), o ITR não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatórios de usinas hidroelétricas. Reproduzo o verbete: Súmula CARF nº 45: O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas. Os precedentes do enunciado apontam que, relativamente às terras submersas, a posse e o domínio útil pertencem à União, descabendo a incidência do imposto sobre tais áreas. Ao integrar as águas o patrimônio da União, o ente político detém o domínio útil da área submersa da propriedade, o que afasta, por conseguinte, a sujeição passiva da pessoa jurídica de direito privado. 1 A despeito da ausência de apresentação de ADA, compulsando os autos verifico a juntada de Laudo Técnico, em que foram utilizadas imagens aéreas tiradas em 13/6/2008, devidamente georreferenciadas, documento técnico que afirma a existência de 2.269 hectares de área líquida alagada para usina hidrelétrica (fls. 708/779). Entendo, portanto, que a recorrente traz aos autos prova hábil e suficiente para comprovar a existência de áreas alagadas utilizadas para fins de reservatórios do Complexo Hidrelétrico de Ribeirão das Lajes, atraindo a aplicação do enunciado da Súmula nº 45. Ressalto que em julgamento administrativo referente ao mesmo imóvel, relativo ao exercício 2009, a 1ª Turma da 2ª Câmara da 2ª Seção já havia decidido por também reconhecer os mesmos 2.269 hectares a título de áreas alagadas (Acórdão nº 2201002.476, sessão de 12/8/2014)." Fl. 381DF CARF MF Processo nº 10073.720474/201302 Acórdão n.º 2401004.842 S2C4T1 Fl. 378 9 Neste diapasão, entendo restar comprovada a existência de áreas alagadas utilizadas para fins de reservatórios hidrelétricos, atraindo a aplicação do enunciado da Súmula CARF n° 45. Portanto, deve ser afastada a tributação sobre os 426 hectares de áreas alagadas. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE Por último em relação a Área de Preservação Permanente, igualmente aquela oportunidade, também dei provimento ao recurso da contribuinte, mantendo coerência o faço nesta oportunidade. Conforme se extrai dos dispositivos legais encimados, a questão remonta a um só ponto, qual seja: a exigência de requerimento tempestivo do Ato Declaratório Ambiental junto ao IBAMA ou mesmo a averbação procedida antes do fato gerador, não são, em si, exclusivas condições eleitas pela Lei para que o proprietário rural goze do direito de isenção do ITR relativo às glebas de terra destinadas à preservação permanente e reserva legal/utilização limitada. Somente a título elucidativo, não sendo a requisição atempada do ADA, anteriormente ao exercício 2000, condição legal para obtenção do beneficio isentivo que ora cuidamos, e na linha do que fora exposto no julgado recorrido, nos parece coerente reconhecer que a ausência de tais elementos apenas confere a auditoria fiscal à possibilidade de presumir a inexistência da parcela de proteção ambiental e assim considerála como sendo área passível de aproveitamento, e, portanto, tributável. Contudo, ainda que a legislação exigisse a comprovação por parte do contribuinte, ad argumentandum tantum, o reconhecimento da inexistência das áreas de reserva legal e preservação permanente decorrente de um raciocínio presuntivo, não torna essa condição absoluta, sendo perfeitamente possível que outros elementos probatórios demonstrem a efetiva destinação de gleba de terra para fins de proteção ambiental. Em outras palavras, a mera inscrição em Cartório ou ainda o requerimento do ADA, não se perfazem nos únicos meios de se comprovar a existência ou não de reserva legal. Assim, realizado o lançamento de ITR decorrente da glosa das áreas de reserva legal e preservação permanente, a partir de um enfoque meramente formal, ou seja, pelo não assentamento prévio em cartório ou requisição do ADA, e demonstrada, por outros meios de prova, a existência da destinação de área para fins de proteção ambiental, deverá ser restabelecida a declaração do contribuinte, e lhe ser assegurado o direito de excluir do cálculo do ITR à parte da sua propriedade rural correspondente à reserva legal. Aliás, a jurisprudência Judicial que se ocupou do tema, notadamente após a edição da Lei n° 10.165/2000, corrobora o entendimento encimado, ressaltando, inclusive, que a MP n° 2.166/2001, por ser posterior ao primeiro Diploma Legal, o revogou, fazendo prevalecer, assim, a verdade material. Ou seja, ainda que não apresentado e/ou requerido o ADA no prazo legal ou procedida a averbação tempestiva, conquanto que o contribuinte comprove a existência das áreas declaradas como de preservação permanente e/ou reserva legal, mediante documentação hábil e idônea, quando intimado para tanto ou mesmo autuado, devese admitilas para fins de apuração do ITR, consoante se extrai dos julgados assim ementados: Fl. 382DF CARF MF 10 “TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR. LEI N. 9.393/96 E CÓDIGO FLORESTAL (LEI N. 4.771/65). ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO DO IBAMA. MP. 2.16667/2001. APLICAÇÃO DO ART. 106 DO CTN. 1. "Ilegítima a exigência prevista na Instrução Normativa SRF 73/2000 quanto à apresentação de Ato Declaratório Ambiental ADA comprovando as áreas de preservação permanente e reserva legal na área total como condição para dedução da base de cálculo do Imposto Territorial Rural ITR, tendo em vista que a previsão legal não a exige para todas as áreas em questão, mas, tãosomente, para aquelas relacionadas no art. 3º, do Código Florestal" (AMS 2005.35.000112067/GO, Rel. Desembargadora Federal Maria do Carmo Cardoso, DJ de 10.05.2007). 2. A Lei n. 10.165/00 inseriu o art. 17O na Lei n. 6.938/81, exigindo para fins de exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal da área tributável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA). 3. Consoante a jurisprudência do STJ, a MP 2.16667/2001, que dispôs sobre a exclusão do ITR incidente sobre as áreas de preservação permanente e de reserva legal, consoante o § 7º do art. 10 da Lei 9.393/96, veicula regra mais benéfica ao contribuinte, devendo retroagir, a teor disposto nos incisos do art. 106 do CTN, porquanto referido diploma autoriza a retrooperância da lex mitior, dispensando a apresentação prévia do Ato Declaratório Ambiental no termos do art. 17O da Lei n. 6.938/81, com a redação dada pela Lei n. 10.165/00. 4. Apelação provida.” (8ª Turma do TRF da 1ª Região AMS 2005.36.00.0087250/MT eDJF1 p.334 de 20/11/2009) “EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ITR. ÁREAS DE RESERVA LEGAL. APRESENTAÇÃO ADA. AVERBAÇÃO MATRÍCULA. DESNECESSIDADE. ÁREAS DE PASTAGENS. DIAT DOCUMENTO DE INFORMAÇÃO E APURAÇÃO. DEMONSTRAÇÃO DE EQUÍVOCO. ÔNUS DO FISCO. 1. Não se faz mais necessária a apresentação do ADA para a configuração de áreas de reserva legal e conseqüente exclusão do ITR incidente sobre tais áreas, a teor do § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393/96 (redação da MP 2.16667/01). Tal regra, por ter cunho interpretativo (art. 106, I, CTN), retroage para beneficiar os contribuintes. 2. A isenção decorrente do reconhecimento da área não tributável pelo ITR não fica condicionada à averbação, a qual possui tão somente o condão de declarar uma situação jurídica já existente, não possuindo caráter constitutivo. 3. A falta de averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel, ou a averbação feita alguns meses após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR, ante a proteção legal estabelecida pelo art. 16 da Lei nº 4.771/65. 4. Cabe ao Fisco demonstrar que houve equívoco no DIAT Documento de Informação e Apuração do ITR, passível de Fl. 383DF CARF MF Processo nº 10073.720474/201302 Acórdão n.º 2401004.842 S2C4T1 Fl. 379 11 fundamentar o lançamento do débito de ofício, de conformidade com o art. 14, caput, da Lei nº 9.393/96, o que não restou evidenciado na hipótese dos autos. 5. Apelação e remessa oficial desprovidas.” (2ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região APELAÇÃO CÍVEL Nº 2008.70.00.0062742/PR 28 de junho de 2011) Como se observa, em face da legislação posterior (MP n° 2.166/2001) mais benéfica, dispensando o contribuinte de comprovação prévia das áreas declaradas em sua DITR, não se pode exigir a apresentação e/ou requisição do ADA ou mesmo a averbação tempestiva à margem da matrícula do imóvel para fins do benefício fiscal em epígrafe, mormente em homenagem ao princípio da retroatividade benigna da referida norma, em detrimento a alteração introduzida anteriormente pela Lei n° 10.165/2000. Mais a mais, com arrimo no princípio da verdade material, o formalismo não deve sobrepor à verdade real, notadamente quando a lei disciplinadora da isenção assim não estabelece. Para aclarar ainda mais esse Princípio, a contribuinte apresentou ADA para os períodos anteriores, e, também, posterior. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em dissonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, afastar a preliminar, e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 384DF CARF MF 12 Voto Vencedor Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Redatora designada Com a devida vênia, divirjo do ilustre Conselheiro Relator quanto à Área de Preservação Permanente (APP). Nesse sentido, adoto as razões de decidir constantes do Acórdão nº 2401 004.410, citado pelo Relator, para manter a tributação da área: O art. 17O da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981 estabelece que o ADA é requisito indispensável para a isenção de ITR para áreas de preservação permanente, conforme a seguir. Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei nº9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000)(...) § 1ºA utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) (grifei) Conforme o art. 111 da Lei 5172/66 (Código Tributário Nacional), a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção deve ser interpretada literalmente. Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. O próprio contribuinte admite que não apresentou ADA tempestivo para o ano 2010. Desta forma, está consciente de que não cumpriu a exigência legal para a isenção do tributo. Mais grave ainda é o fato de não ter cumprido a exigência e mesmo assim ter informado na DIAT a existência da área para efeito de isenção tributária. O recorrente alega que a legislação desobriga o contribuinte a comprovar previamente a existência de área de preservação permanente, no que lhe assiste razão. Contudo, caso seja inquirido pela autoridade fiscal, deve sim apresentar os documentos utilizados para preencher a DITR. Ocorre que, Fl. 385DF CARF MF Processo nº 10073.720474/201302 Acórdão n.º 2401004.842 S2C4T1 Fl. 380 13 sendo o ITR um tributo cujo lançamento é por homologação, é o contribuinte o responsável por declarar o tributo e efetuar o pagamento, sujeito à homologação pela Receita Federal num prazo de 5 anos, conforme art. 10 da lei 9.393/96. Não é necessário que o contribuinte, antes de fazer o lançamento e o pagamento do tributo apresente esses documentos à Receita Federal. Tal procedimento visa facilitar o recolhimento do tributo, evitando burocracia desnecessária ao contribuinte num primeiro momento. Entretanto, caso exigido pela autoridade fiscal, deverá sim comprovar as informações da declaração. A autoridade fiscal tem o deverpoder de, em encontrando alguma irregularidade/inconsistência, intimar o contribuinte para comprovar as informações prestadas ao fisco por ocasião do lançamento por homologação. Pelo exposto, não tendo sido apresentada a ADA para o ano sob análise, voto por manter a tributação do ITR sobre essa área. Acompanho o Relator nas demais matérias do seu voto. É como voto. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 386DF CARF MF
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Numero do processo: 10183.004830/2001-58
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1996, 1997, 1998
TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ.
Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, entendeu que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I do artigo 173 do CTN, e não de acordo com o § 4º do artigo 150, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.
Numero da decisão: 9303-004.726
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: DEMES BRITO
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ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, entendeu que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I do artigo 173 do CTN, e não de acordo com o § 4º do artigo 150, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 48 30 /2 00 1- 58 Fl. 567DF CARF MF Processo nº 10183.004830/200158 Acórdão n.º 9303004.726 CSRFT3 Fl. 568 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Contribuinte com fundamento no art. 67 e §§ do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº256/09, contra ao acórdão nº 20311.360, proferido pela 3º Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, que decidiu em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos seguintes termos: por unanimidade de votos, em conhecer do recurso; pelo voto de qualidade, afastar a decadência; no mérito, por unanimidade de votos, em acolher a semestralidade do PIS para os períodos não decaídos, e quanto as demais matérias, em negar provimento ao recurso. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: "Trata o presente processo de auto de infração de PIS lavrado em decorrência de diferenças verificadas entre o valor confessado/pago e o valor escriturado (fl.05). Em 21/07/2006 foi proferida decisão pelo Segundo Conselho de Contribuintes, reconhecendo a procedência em parte do Recurso Voluntário interposto pelo interessado (fls.224/230). Na referida decisão, foi reconhecido o direito de o interessado apurar o PIS relativo aos PAs 01/1996 e 02/1996 conforme estipulava a LC 07/1970, ou seja, a base de cálculo a ser considerada deve ser a do sexto mês anterior há ocorrência do fato gerador. Foram mantidos os lançamentos relativos aos PAs 12/1997 e 03/1998. O Acórdão restou assim ementado: Assunto: Contribuição para o P1S/Pasep Anocalendário: 1996, 1997, 1998 NORMA PROCESSUAL. ADMISSIBILIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Fl. 568DF CARF MF Processo nº 10183.004830/200158 Acórdão n.º 9303004.726 CSRFT3 Fl. 569 3 O arrolamento de bens e direitos como condição de prosseguimento do recurso, esta limitado ao Ativo Permanente da pessoa jurídica, não se podendo obstruir o seguimento do mesmo no caso de declaração firmada pelo sócio da pessoa jurídica de ausência total de bens e direitos no Ativo Permanente, em função da liquidação voluntária da pessoa jurídica. DECADÊNCIA. A Cofins é contribuição destinada A. Seguridade Social e, como tal, tem o prazo decadencial de dez anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte em que o crédito poderia ter sido constituído, entendimento esse consolidado no artigo 95 do Regulamento do PIS/Pasep e da Cofins, Decreto n° 4.524, de 2002. PIS. SEMESTRALIDADE. ENTENDIMENTO PACIFICO DO STJ. A semestralidade do PIS é matéria pacificada em sede jurisdicional, cuja orientação deve ser observada pela es fera administrativa. A compensação realizada pelo contribuinte deve levar em consideração tal particularidade do PIS, sem que a tanto se oponha o Fisco. Recurso parcialmente provido. VENDA PARA ENTREGA FUTURA. A nota fiscal de venda para entrega futura traduz negócio perfeito e acabado para todos os fins legais. A receita de tal operação comercial deve ser reconhecida na escrituração do mês em que celebrado o negócio. Recurso provido em parte. A Contribuinte apresentou embargos de declaração, fls. 380/384, contra decisão da 3º Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, os quais foram rejeitados, fls. 459/461. Não conformada com tal decisão, a Contribuinte interpõe o presente Recurso, sustentando que: os fatos geradores pretensamente ocorridos entre janeiro e fevereiro do ano base de 1996 foram alcançados pela decadência do direito de o Fisco Federal lançálos, consoante inteligência do art. 150, § 4° do CTN ; combinado com as disposições dos arts. 146, inc. Ill, alínea "b", e 149 da Constituição da República de 1988, e que os recolhimentos efetuados nos demais períodos em lide mostramse corretos (12/97 e 03/98), eis que as bases de cálculo apuradas pela Fiscalização tratavamse, na realidade, de "vendas para entrega futura", sendo certo que a apuração do tributo devido e os pagamentos correspondentes foram feitos de acordo com as notas fiscais, à época da entrega dos produtos ao comprador. Para comprovar o dissenso jurisprudencial, foi apontado, como paradigmas, os Acórdãos nºs 910100.039 e 910100.037, relativamente à decadência para a constituição do crédito tributário, e 10322.098 e 0106.055, atinentes às vendas para entrega futura. O Presidente da 4º Câmara, à época, Conselheiro Júlio César Alves Ramos, conheceu parcialmente do Recurso, especialmente quanto à decadência do lançamento. No que tange ás vendas para entrega futura, conforme entendimento do Presidente da Câmara, não houve indicação específica de divergência jurisprudencial, passando a contribuinte a debater o regime de escrituração de tais negócios e pugnando que fosse a questão equiparada à postergação de recolhimentos e tratada na forma do Parecer Normativo Cosit nº 02/96, oportunidade em que aponta os acórdãos supostamente dissidentes. Vejamos as ementas: Fl. 569DF CARF MF Processo nº 10183.004830/200158 Acórdão n.º 9303004.726 CSRFT3 Fl. 570 4 Acórdão Paradigma nº 10322.098 POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO – INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA – A inobservância do regime de competência impõe a formalização do lançamento sob o critério da chamada postergação, dentro dos limites do Parecer Normativa COSIT N° 2/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso voluntário interposto por MILLS DO BRASIL ESTRUTURAS E SERVIÇOS LTDA. Acórdão Paradigma nº 0106.055 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1995 "IRPJ TRAVA PARA APROVEITAMENTO DE PREJUÍZOS FISCAIS CONFIGURAÇÃO DE HIPÓTESE DE POSTERGAÇÃO E NÃO FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. A inobservância da trava geral hipótese de postergação quando o sujeito passivo comprova o pagamento do tributo postergado em exercícios subseqüentes. Se não demonstrada a postergação, mantémse a exigência fiscal. Recurso especial provido. Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. fls.539/547, pugna pelo improvimento do recurso, e o cumprimento da súmula vinculante nº08, editada pelo STF e do Parecer PGFN/CAT nº 1.617/2008. É o relatório. Voto Conselheiro Demes Brito Relator O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Com efeito, compulsando os autos, verificase que a Contribuinte foi autuada em 06.11.01 (ciência em 07.11.01), a fiscalização da Delegacia da Receita Federal de Cuiabá (MT) promoveu a cobrança de diferenças do PISFATURAMENTO que considerou devidas e não recolhidas nos períodos de apuração (intercalados) de 01/96 a 07/98, indicado ás fls. 04/10. A questão do prazo para a Fazenda Nacional lançar as contribuições sociais foi objeto de intermináveis discussões e acirrados debates no CARF, ora prevalecendo a posição contrária da Fazenda Nacional ora a dos contribuintes, dependendo da composição das Turmas de Julgamento. Contudo, houve posicionamentos no sentido de que a referida contribuição estava sujeita ao prazo decadencial estabelecido no art. 45 da Lei nº 8.212/1991. Todavia, em virtude da Súmula Vinculante nº 08 do STF, e da jurisprudência de todas as Turmas da Fl. 570DF CARF MF Processo nº 10183.004830/200158 Acórdão n.º 9303004.726 CSRFT3 Fl. 571 5 Câmara Superior de Recursos Fiscais, passou a ser adotado o prazo limite de cinco anos estabelecido no Código Tributário Nacional CTN. Portanto, afasto a incidência do art. 45 da Lei 8.212/1991, e passo a decidir o termo inicial dos 5 anos previstos no Código Tributário Nacional, se da data de ocorrência do fato gerador ou se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia haver sido efetuado. Destarte, com a alteração regimental, que acrescentou o art. 62A ao Regimento Interno do CARF, as decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos devem ser observados no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Neste passo, é justamente a hipótese dos autos, em que o STJ, em sede de recurso repetitivo versando sobre matéria idêntica à do recurso ora sob exame, decidiu que, nos tributos cujo lançamento é por homologação, o prazo para constituição do crédito tributário é de 5 anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, quando houver antecipação de pagamento, e do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, no caso de ausência de antecipação de pagamento, ou na ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Para reforçar aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, no caso em espécie, colaciono o paradigma julgado por esta turma, na sessão de 10 de dezembro de 2015, o qual, versa sobre o prazo decadencial para Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente a contribuição: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1998 a 28/02/1998 Decadência para constituir crédito tributário. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. O prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente à contribuição para o programa de integração social PIS é de 05 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia haver sido efetuado, na ausência de antecipação de pagamento ou quando houver dolo fraude ou simulação. A declaração do tributo, para efeitos legais, não equivale a pagamento.(Processo nº 16327.002657/200310). Recurso Especial do Procurador Provido Além disso, não consta nos autos antecipação de pagamento, portanto, aplicase a regra prevista no inciso I do art. 173 do CTN. No que tange, o prazo decadencial para lançamento dos créditos tributários nos casos de tributos cujo lançamento é por homologação, como é o caso do PIS, é de se destacar que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça (STJ) já se posicionou na sistemática do Fl. 571DF CARF MF Processo nº 10183.004830/200158 Acórdão n.º 9303004.726 CSRFT3 Fl. 572 6 artigo 543C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados “recursos repetitivos”. O precedente proferido tem a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo incorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Fl. 572DF CARF MF Processo nº 10183.004830/200158 Acórdão n.º 9303004.726 CSRFT3 Fl. 573 7 Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) (grifos e destaques nossos) Com isso, restou consolidado no âmbito do Egrégio STJ o entendimento de que, nos casos de tributos cujo lançamento é por homologação e não havendo pagamento, o termo inicial do prazo decadencial é o previsto no inciso I do artigo 173 do CTN, e não no § 4º do artigo 150 do mesmo Código. Verificase, assim, que a referida decisão do Egrégio Superior Tribunal de Justiça deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Pelo exposto, nego provimento ao Recurso da Contribuinte. É como penso é como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 573DF CARF MF Processo nº 10183.004830/200158 Acórdão n.º 9303004.726 CSRFT3 Fl. 574 8 Fl. 574DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.724103/2014-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE.
Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a plano de saúde efetuados pelo contribuinte, cujo beneficiário seja o próprio declarante ou seus dependentes, desde que comprovados mediante documentação hábil e idônea. Lei nº 9.250/1995, art. 8º, inc. II, § 2º.
Numero da decisão: 2202-003.868
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente
(assinado digitalmente)
Cecilia Dutra Pillar - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: CECILIA DUTRA PILLAR
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PLANO DE SAÚDE. Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a plano de saúde efetuados pelo contribuinte, cujo beneficiário seja o próprio declarante ou seus dependentes, desde que comprovados mediante documentação hábil e idônea. Lei nº 9.250/1995, art. 8º, inc. II, § 2º. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente (assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 41 03 /2 01 4- 38 Fl. 139DF CARF MF 2 Trata o presente processo de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas (fls. 25/31), decorrente de revisão da Declaração de Ajuste Anual do IRPF do exercício de 2012, ano calendário de 2011, em que foram glosados valores indevidamente deduzidos a título de despesas médicas e pagos a: 1) Gervásio Araújo, no valor de R$ 1.680,00, por falta de comprovação; 2) Emec Emprendimentos Médico Cirúrgicos Ltda, no valor de R$ 737,38, pois o documento apresentado não preenche os requisitos legais; 3) Sul América Companhia de Seguro Saúde, no valor de R$ 10.386,76, por falta de discriminação dos valores pagos por beneficiário do plano de saúde; 4) Clínica de Quiropraxia Procoluna, por falta de previsão legal para dedução. Foi apresentada impugnação tempestiva e parcial, tendo o contribuinte questionado apenas a glosa da despesa com plano de saúde da esposa, pago à Sul América Companhia de Seguro Saúde e juntado documentos (fls. 06/13). A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE), julgou improcedente a impugnação, conforme acórdão de fls. 85/90, pois o documento apresentado não identifica os beneficiários do plano de saúde com valores individualizados, informando o valor total de R$ 10.386,76, pago em nome da sra. Maria Eliane Oliveira C. Ferreira. Cientificado dessa decisão por via postal em 30/12/2014 (A.R. de fls. 94), o interessado interpôs Recurso Voluntário em 26/01/2015 (fls. 96/98), alegando que o plano da esposa junto à Sul América Cia de Seguro Saúde, é plano individual, que ele e o filho mantém plano de saúde junto à mesma seguradora mas que são debitados diretamente pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia enquanto o da esposa (sua dependente para fins de IRPF) é pago através de boleto bancário. Informa ter pedido junto ao site da Sul América a demonstração dos beneficiários do plano de saúde da esposa e que a resposta foi "Solicitação não possui dependentes Favor solicitar na opção "Demonstrativo de IR Prêmio", o que reforça a certeza de que o referido plano de saúde não contempla qualquer outro beneficiário. Junta também o comprovante de rendimentos de 2011, emitido pelo Tribunal de Justiça, onde constam os valores individualizados pagos pelo plano de saúde do recorrente e do dependente Rafael. Requer o provimento de seu recurso. É o Relatório. Voto Conselheira Cecilia Dutra Pillar Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais formalidades legais, portanto dele conheço. O presente recurso resumese à controvérsia acerca da não aceitação de documentos relativos a plano de saúde de titularidade da esposa do declarante, sua dependente para fins de IRPF, no valor de R$ 10.386,76, por falta de comprovação dos valores pagos por Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10530.724103/201438 Acórdão n.º 2202003.868 S2C2T2 Fl. 140 3 beneficiário, uma vez que o demonstrativo apresentado informa os valores totais das contribuições mensais. Em seu recurso o interessado juntou aos autos às fls. 99/102, as consultas feitas junto ao site da Sul América, que não são taxativas quanto ao plano da esposa ser individual, conforme alega. O demonstrativo emitido pela Sul América (fls. 101) apresenta os valores mensais das contribuições da sra. Maria Eliane Oliveira C. Ferreira ao seguro saúde nº 09003/194533050. Analisando os valores desembolsados pelo declarante para o seu plano de saúde junto à mesma seguradora no ano de 2011, que totalizaram R$ 8.254,63, descontados diretamente pela sua fonte pagadora, e, considerando que o declarante nasceu em 1952 e sua esposa em 1951 (mesma faixa etária), que os planos individuais em geral são mais onerosos que os coletivos (descontados em folha de pagamento), que os valores pagos pelo plano da esposa (R$ 10.386,76) se aproximam dos valores pagos ao plano do declarante é possível admitir que o plano da sra. Maria Eliana se trata de plano individual. Reconheço que o Decreto 70.235/1972, que regulamenta o processo administrativo fiscal, limita a apresentação posterior de provas, restringindoa aos casos previstos no § 4º do seu art. 16, porém a jurisprudência deste Conselho vem se consolidando no sentido de que essa regra geral não impede que o julgador conheça e analise novos documentos ofertados após a defesa inaugural, em observância aos princípios da verdade material e da instrumentalidade dos atos administrativos, sobretudo quando são capazes de rechaçar em parte ou integralmente a pretensão fiscal, bem como se prestam a corroborar alegações suscitadas desde o início do processo. Nesse sentido os seguintes acórdãos da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: 9202002.587, 920201.633, 920202.162 e 920201.914. Deste modo, com base no conjunto probatório dos autos, há que se restabelecer a dedução a título de despesas médicas, destinadas ao plano de saúde contratado em nome da esposa do declarante, sua dependente, no valor de R$ 10.386,76. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar Relatora Fl. 141DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.003117/2005-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
PREVIDÊNCIA PRIVADA. RESGATE.
Somente são isentos do Imposto Sobre a renda da Pessoa Física os resgates de previdência privada que correspondam às contribuições suportadas pelo próprio beneficiário no período de 01/01/1989 a 31/12/1995.
Numero da decisão: 2201-003.641
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator.
EDITADO EM: 22/05/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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RESGATE. Somente são isentos do Imposto Sobre a renda da Pessoa Física os resgates de previdência privada que correspondam às contribuições suportadas pelo próprio beneficiário no período de 01/01/1989 a 31/12/1995. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator. EDITADO EM: 22/05/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 31 17 /2 00 5- 30 Fl. 51DF CARF MF 2 Trata o presente de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo ao exercício de 2002, fl. 14 a 18, pelo qual a Autoridade Administrativa, em sede de Malha Fiscal, identificou a infração à legislação abaixo descrita (fl. 16): Omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de contribuições à previdência privada. A redução de R$ 118.401,34 pretendida pelo contribuinte sob alegação de corresponderem a valores contribuídos para o Unibanco, anteriores a 1995, não tem como ser aceita, pois não há prova de que o ônus tenha sido do participante. Ciente do lançamento em 31 de agosto de 2005, fl. 20, inconformado, o contribuinte apresentou, tempestivamente, a Impugnação de fl. 2/12, onde apresentou suas considerações que objetivavam comprovar a improcedência da alteração efetuada no curso do procedimento fiscal. No julgamento de 1ª Instância, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR julgou improcedente a impugnação, fl. 23/27, afirmando que não cabe a exclusão da base de cálculo do Ajuste Anual de rendimentos auferidos a título de resgates de contribuições previdenciárias cujo ônus tenha sido do empregador e que a isenção então vigente alcançaria apenas as contribuições cujo ônus tenha sido do próprio participante. Ciente do Acórdão da DRJ em 16 de dezembro de 2010, fl. 29, ainda inconformado, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fl. 30/40, no qual reitera os mesmos argumentos já expressos na impugnação, os quais serão tratados no curso do voto a seguir. É o relatório necessário. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Por ser tempestivo e por preencher as demais condições de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. Sustenta o recorrente que Autoridade Fiscal não considerou o valor dos rendimentos isentos e não tributáveis recebidos no ano de 2001, que teriam sido indevidamente considerados tributáveis pela sua fonte pagadora. Alega que teve o recolhimento do valor mensal do FGTS destinado a um Fundo de Previdência Privada até a data do seu desligamento dos quadros da empregadora, oportunidade em que resgatou o numerário lá acumulado com incidência de Imposto de Renda Retido na Fonte à alíquota de 27,5%. Utilizandose da própria Decisão recorrida, o contribuinte sustenta que não havia tributação dos resgates de previdência privada no período de 1989 a 1995, afirmando que o indeferimento do pedido estaria negando vigência aos termos do Regulamento do Imposto de Renda e da Lei 7.713/88, configurando abuso de poder. Afirma a existência de contradição do fundamento da decisão recorrida, com o único objetivo de obstar a legítima e necessária restituição do imposto indevidamente pago. Em seu entendimento, as conclusões da Autoridade Julgadora de 1ª Instância sobre a isenção Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10920.003117/200530 Acórdão n.º 2201003.641 S2C2T1 Fl. 52 3 prevista no inciso VIII do art. 6º da Lei 7.713/88, referente às contribuições pagas pelos empregadores aos programas de previdência privada, não apresentariam razão lógica, questionando "qual seria o objetivo de se dispensar a tributação quando da aplicação, supostamente beneficiando a empresa, quando é sabido que inexiste imposto quando da saída do capital?" Conclui sua peça recursal afirmando que os depósitos efetuados pelo empregador em período anterior à vigência da Lei 9.250/95 gozam de isenção legal, pouco importando se o ônus foi ou não do participante. Na hipótese do ônus ter sido da empresa, a isenção estaria materializada no inciso VIII, sendo do participante a isenção estaria materializada no inciso VII, tudo do art. 6º da Lei 7.713/88. Inicialmente, importante ressaltar que, embora o contribuinte apresente uma única alusão de que os valores do seu FGTS foram depositados em conta de previdência privada, não há nenhuma outra demonstração no Recurso ou nos autos neste sentido, o que evidencia algum equívoco na elaboração da tese da defesa. Desta forma, o presente julgamento se restringe ao teor das alegações relativas à não tributação dos valores resgatados a título de previdência privada. Vejamos, portanto, os exatos termos em que a Lei 7.713/88 tratou originalmente da questão: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) VII os benefícios recebidos de entidades de previdência privada: a) quando em decorrência de morte ou invalidez permanente do participante; b) relativamente ao valor correspondente às contribuições cujo ônus tenha sido do participante, desde que os rendimentos e ganhos de capital produzidos pelo patrimônio da entidade tenham sido tributados na fonte; VIII as contribuições pagas pelos empregadores relativas a programas de previdência privada em favor de seus empregados e dirigentes; Posteriormente, com o advento da Lei 9.250/95, o inciso VII citado acima ganho nova redação, passando aos termos abaixo: VII os seguros recebidos de entidades de previdência privada decorrentes de morte ou invalidez permanente do participante. Com isso, resta evidente que, no período de vigência do texto original do inciso VII da Lei 7.713, 01/01/1989 a 31/12/1995, ficaram isentos do Imposto sobre a Renda os benefícios recebidos de entidades de previdência privada relativamente ao valor que corresponde às contribuições cujo ônus tenha sido do participante. Ademais, da mesma forma, são isentas as contribuições pagas pelos empregadores relativas aos programas de previdência privada em favor de seus empregados e dirigentes. Fl. 53DF CARF MF 4 Ora, se o legislador pretendesse isentar todos os valores resgatados de programas de previdência privada, por que teria segregado o tratamento entre aquilo que fosse resgatado cujo ônus tivesse sido suportado pelo participante e aquilo que fosse depositado pelas fontes em benefícios de seus empregados? Não seria mais fácil apenas prever que todos os resgates a este título estariam isentos? O que temos, na verdade, é que, na época em tela, os valores cujo ônus fossem suportados pelo participante, no momento da aplicação, não poderiam ser excluídos da base de cálculo anual do IRPF, por falta de previsão legal. Assim, tendo sido tributados no momento do ajuste anual relativos aos períodos de aplicação, não deveriam ser tributados quando do resgate, para que o mesmo numerário não fosse tributado duas vezes. Por outro lado, a previsão de isenção para as contribuições pagas pelos empregadores relativas a programas de previdência privada em favor de seus empregados e dirigentes, ao contrário do que entende o recorrente, não se trataria de isenção na aplicação ou saída do capital para beneficiar a empresa. Mas mera previsão para beneficiar o próprio empregado, que não poderia ser tributado, no momento da aplicação, pelo crédito de tal montante em seu benefício. Portanto, a previsão do inciso VIII do art. 6º da lei 7.713/88 resguarda da incidência tributária o patrimônio do beneficiário no momento da aplicação, em seu benefício, efetuada pelo empregador. Quando do resgate, como a norma isentiva do inciso VII do mesmo art. 6º da Lei 7.713/88 alcança apenas a parcela relativa às contribuições cujo ônus tenha sido do participante, fica cristalino que o resgate dos valores que correspondam às contribuições do empregador são regularmente tributados. Portanto, no caso em tela, apenas os valores resgatados cujo ônus tenham sido suportados pelo próprio recorrente nos anos de 1989 a 1995 é que poderiam ser excluídos do montante tributável para fins de apuração do IRPF devido no exercício de 2002. Contudo, não há nos autos nenhum elemento que pudesse demonstrar inequivocamente tal montante. Assim, entendo que não há reparos a serem feitos na decisão recorrida. Conclusão Tendo em vista tudo que conta nos autos, bem assim na descrição e fundamentos legais que constam do presente, conheço do Recurso Voluntário e, no mérito, negolhe provimento. Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Fl. 54DF CARF MF
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Numero do processo: 16643.000070/2009-89
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jul 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA.
Não há que se falar em ilegalidade na IN SRF nº 243/2002, cujo modelo matemático é uma evolução das instruções normativas anteriores. A metodologia leva em conta a participação do valor agregado no custo total do produto revendido. Adotando-se a proporção do bem importado no custo total, e aplicando-se a margem de lucro presumida pela legislação para a definição do preço de revenda, encontra-se um valor do preço parâmetro compatível com a finalidade do método PRL 60 e dos preços de transferência.
Numero da decisão: 9101-002.937
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio, Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em ilegalidade na IN SRF nº 243/2002, cujo modelo matemático é uma evolução das instruções normativas anteriores. A metodologia leva em conta a participação do valor agregado no custo total do produto revendido. Adotandose a proporção do bem importado no custo total, e aplicandose a margem de lucro presumida pela legislação para a definição do preço de revenda, encontrase um valor do preço parâmetro compatível com a finalidade do método PRL 60 e dos preços de transferência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio, Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em Exercício (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 3. 00 00 70 /2 00 9- 89 Fl. 1105DF CARF MF Processo nº 16643.000070/200989 Acórdão n.º 9101002.937 CSRFT1 Fl. 1.106 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto por VOITH PAPER MAQUINAS E EQUIPAMENTOS LTDA. (efls. 870 e segs) em face da decisão proferida no Acórdão nº 1302001.164 (efls. 801/832), pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Primeira Seção, na sessão de 10/09/2013, no qual foi negado provimento ao recurso voluntário interposto pela Contribuinte. Resumo das matérias A autuação fiscal (efls. 304/329) tratou de verificar os cálculos efetuados pelo Contribuinte, no anocalendário de 2007, de preços de transferência, conforme previsto nos arts. 18 a 24 da Lei n° 9.430, de 1996, com a alteração da Lei n° 9.959, de 27 de janeiro de 2000 e pela IN SRF n° 243, 2002. A Fiscalização efetuou ajustes na apuração relativa a operações de importação realizada pelo método PRL60. Foram lavrados autos de infração de IRPJ e CSLL. A Contribuinte apresentou impugnação (efls. 338/356) que foi julgada improcedente (efls. 416/425)pela primeira instância (DRJ). Foi interposto pela contribuinte recurso voluntário (efls. 756/780). Foi negado provimento ao recurso pela turma ordinária do CARF (efls. 801/832). Foram opostos embargos pela Contribuinte (efls. 841/856), que foram rejeitados por despacho de exame de admissibilidade de embargos (efls. 859/861). A Contribuinte interpôs recurso especial (efls. 870/901) em relação à matéria ilegalidade da IN SRF 243, de 2002, que foi admitido por despacho de exame de admissibilidade (efls. 1082/1084). A PGFN apresentou contrarrazões (efls. 1086/1096). A seguir, maiores detalhes sobre a fase contenciosa. Da Fase Contenciosa A contribuinte apresentou impugnação (efls. 338 e segs), que foi julgada improcedente pela 4ª Turma da DRJ/São Paulo I, nos termos do Acórdão nº 1625.670 (efls. 416/425), conforme ementa a seguir. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 Fl. 1106DF CARF MF Processo nº 16643.000070/200989 Acórdão n.º 9101002.937 CSRFT1 Fl. 1.107 3 MÉTODO PRL 60%. CÁLCULOS SEGUNDO INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF n° 243/02. ALEGAÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe a esfera administrativa apreciar questões relativas à legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas, competência esta exclusiva do Poder Judiciário. Foi interposto recurso voluntário (efls. 756 e segs) pela Contribuinte. A 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Primeira Seção, na sessão de 10/09/2013, decidiu negar provimento ao recurso, no Acórdão nº 1302001.164 (efls. 801/832), conforme ementa a seguir. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. IN SRF Nº 243/02. A IN SRF nº 243/02 não viola o princípio da legalidade tributária, estando em consonância com o que preconiza o art. 18 da Lei nº 9.430/96, na redação dada pela Lei nº 9.959/00. Foram opostos embargos de declaração pela Contribuinte (efls. 841/856), que foram rejeitados por despacho de exame de admissibilidade de embargos (efls. 859/861). A Contribuinte interpôs recurso especial (efls. 870 e segs.), protestando sobre a ilegalidade da metodologia para apuração de ajustes de preços de transferência introduzida pela Instrução Normativa SRF nº 243/2002, e requer pela reforma da decisão recorrida. O Despacho de Exame de Admissibilidade de efls. 1082/1084 deu seguimento ao recurso. Foram apresentadas contrarrazões pela PGFN (efls. 1086/1096), no qual discorre que a sistemática do PRL 60 definida pela IN SRF nº 243/02 concretiza devidamente o objetivo do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, e requer pela manutenção da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura Fl. 1107DF CARF MF Processo nº 16643.000070/200989 Acórdão n.º 9101002.937 CSRFT1 Fl. 1.108 4 Adoto as razões do Despacho de Admissibilidade de efls. 1082/1084, com fulcro no art. 50, § 1º da Lei nº 9.784, de 1999 1, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, para conhecer o recurso da Contribuinte. Foi devolvida para apreciação do Colegiado a matéria ilegalidade da metodologia para apuração de ajustes de preços de transferência introduzida pela Instrução Normativa SRF nº 243/2002. Sobre o assunto, a ilegalidade de IN SRF nº 243, de 2002, em face do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, tratase de matéria já bastante debatido, sendo objeto de profundas análises pela jurisprudência e pela doutrina. A normatização dos preços de transferência no Brasil inserese no contexto do fenômeno da globalização, em que a competição se desenvolve em escala global, e por consequência as empresas vem empreendendo esforços no sentido de reduzir a tributação das operações internacionais. Nesse contexto, vem sendo desenvolvidos mecanismos de planejamento, nem sempre adequados, dentre os quais o conhecido como transfer pricing, no qual são realizadas operações de compra e venda entre empresas vinculadas com sítio em países diferentes, no qual as fiscalizações tributárias tem verificado, em determinadas ocasiões, a utilização de preços artificiais, de modo a deslocar a tributação para países com carga tributária menor. Para monitorar tal sistemática, controles tem sido desenvolvidos pelos países, no sentido de comparar as operações transnacionais entre empresas e suas vinculadas, com operações no qual as mesmas empresas transacionam com outras sem qualquer espécie de vínculo. Verificase, assim, se o preço praticado nas operações entre a empresa e suas vinculadas tem similitude com o preço de mercado negociado entre empresas independentes, adotandose o princípio do arm's lenght. Não por acaso, a OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) editou convençãomodelo sobre os preços de transferência, no sentido de que, uma vez não observado o preço arm’s length nas transações entre empresas vinculadas em diferentes países, tem o Fisco a prerrogativa de tributar o lucro que teria sido obtido pela empresa em condições regulares de negociação, a preço de mercado. O assunto também foi tratado pela Organização das Nações Unidas, no Conselho Econômico e Social, resultando na elaboração do UN Practical Manual for Developing Countries 2. No Brasil, a matéria referente aos preços de transferência foi introduzida pelo legislador por meio dos artigos 18 a 24 da Lei nº 9.430, de 1996, dispondo sobre operações relativas à importação e exportação de bens, serviços e direitos. 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) V decidam recursos administrativos; (...) § 1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. 2 United Nations Practical Manual on Transfer Pricing for Developing Countries, http://www.un.org/esa/ffd/documents/UN_Manual_TransferPricing.pdf. Acesso em 15/03/2016. Fl. 1108DF CARF MF Processo nº 16643.000070/200989 Acórdão n.º 9101002.937 CSRFT1 Fl. 1.109 5 Certamente que o legislador brasileiro, ao positivar a matéria, levou em consideração a realidade e as particularidades do país, mas não se pode deixar de verificar a adoção das diretrizes das organizações internacionais, principalmente sob a égide do princípio do arm's length. E, delimitando a discussão do presente voto às operações de importação, tratadas no caso concreto, observase que foram adotados pelo legislador brasileiro os métodos PIC (Preços Independentes Comparados), PRL (Preço de Revenda Menos Lucro) e CPL (Custo de Produção mais Lucro), inspirados, respectivamente, nos métodos internacionais Comparable Uncontrolled Price (CUP), Resale Price Method e o Cost Plus Method. Especificamente em relação ao método PRL, vale transcrever a redação em vigor à época dos fatos objeto da autuação: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (...) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) Foram empreendidas grandes discussões em torno dos limites que a administração tributária teria que obedecer para encontrar um modelo matemático compatível com as diretrizes estabelecidas pela lei. E de fato, em razão da complexidade da matéria, foram editados vários atos administrativos, buscando encontrar um modelo adequado para a devida apuração do preço parâmetro. Fl. 1109DF CARF MF Processo nº 16643.000070/200989 Acórdão n.º 9101002.937 CSRFT1 Fl. 1.110 6 Debates intensos se sucederam analisando se os atos administrativos, editados com base no art. 100, inciso I do CTN 3, extrapolaram os limites da lei. Assunto tratado pela jurisprudência e doutrina, pelo vênia para transcrever as valiosas lições de Luís Eduardo Schoueri 4 : 3.11 Em certas circunstâncias, a regulamentação dos preços de transferência pode, sim, exigir a edição de ato administrativo para que se torne viável sua aplicação. (...) 3.12.2 Com efeito, a mera leitura dos dispositivos que tratam dos preços de transferência na Lei nº 9.430/96 revela que sua disciplina foi bastante enxuta. O legislador limitouse a definir os métodos aplicáveis e as consequências de os preços praticados superarem os limites legais. (...) 3.12.2.2 Obviamente, se a Instrução Normativa extrapolar a lei, será esta, e nunca aquela, que prevalecerá. Mas como saber se a Instrução Normativa ultrapassou a lei? 3.12.3 Surge, aqui, a importância do princípio do arm's lenght. Como já ficou esclarecido, é este princípio o bastião de constitucionalidade da Lei nº 9.430/96 5 Os ajustes impostos por esta lei se consideram constitucionais porque concretizam aquela princípio. 3.12.4 Nesse passo, surge a seguinte regra: a regulamentação da Lei nº 9.430/96 estará conforma a própria lei se estiver concretizando o princípio arm's length. 3.12.5 Quando, por outro lado, a regulamentação da Lei nº 9.430/96 emprestarlhe interpretação que se afaste do referido princípio, então há que se investigar a existência de outro princípio que justifique tal construção normativa. O desvio poderá indicar a concretização de outro valor constitucional, igualmente prestigiado pelo Ordenamento. Tal será o caso, por exemplo, quando a norma, desviandose do princípio arm's length, tiver sua justificativa em sua função indutora, ao buscar fomentar o desenvolvimento da economia nacional. 3.12.6 Não se encontrando a norma assim construída apoiada nem no princípio arm's length nem em outro fundamento constitucional, então tal interpretação será repudiada, denunciandose a ilegalidade da Instrução Normativa. Exemplos de tal afastamento não faltam. (grifei) 3 Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; (...) 4 SCHOUERI, Luís Eduardo. Preços de Transferência no Direito Tributário Brasileiro 3. ed. rev. a atual. São Paulo : Dialética, 2013, p. 5759 5 Cf. Ricardo Lobo Torres, "O Princípio Arm's Length, os Preços de Transferência e a Teoria de Interpretação do Direito Tributário", Revista Dialética de Direito Tributário nº 48, setembro de 1999, pp. 122135 (123) Fl. 1110DF CARF MF Processo nº 16643.000070/200989 Acórdão n.º 9101002.937 CSRFT1 Fl. 1.111 7 Não obstante o autor, no decorrer de sua obra, entender pela ilegalidade da IN SRF nº 243, de 2002, entendo que a premissa colocada, no sentido de se verificar se o ato normativo concretizou o princípio do arm's length, mostrase como uma referência a ser prestigiada. A redação do artigo em debate foi construída de maneira a amparar diferentes modelos matemáticos, desde que estejam em consonância com o princípio arm's length. E é precisamente o que se verifica no decorrer das instruções normativas editadas visando regulamentar o previsto no art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. De fato, optou o legislador, ao positivar a matéria, dispor sobre diretriz a ser seguida pelo método, e não adentrar na fórmula matemática, que, por consequência, foi tarefa delegada a tarefa para o ato administrativo complementar. Natural, portanto, movimento no sentido de se buscar um modelo matemático adequado à realidade e ao espírito da norma. Tanto que a lei primeiro foi regulamentada pela IN SRF nº 113, de 2000, depois pela IN SRF nº 32, de 2001, e, sem seguida, pela IN SRF nº 243, de 2002. Discussões foram empreendidas no sentido de compreender com quem a expressão do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção estaria fazendo referência, se à redação dada pelo art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996 (1) do caput do inciso II, PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos:, ou (2) da alínea "d", "1", sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e (...). No primeiro caso, discorreuse que se trataria de erro técnica legislativa inapropriada, ou seja, a expressão do valor agregado estaria correta, mas deveria estar inserida como uma nova alínea. Na segunda situação, falouse em erro gramatical, no sentido de que não se quis dizer do valor agregado, e sim o valor agregado, que estaria concordando com a expressão deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e (...) 6. Aplicandose as orientações do modelo matemático proposto pela IN SRF nº 32, de 2001, quaisquer das interpretações conduziram a uma distorção na apuração do preço parâmetro, principalmente em razão do tratamento conferido ao valor agregado, considerado de maneira isolada, completamente desconectado do processo produtivo. Admitindose a técnica legislativa inapropriada, a fórmula teria os seguintes contornos: PP = PL 0,6xPL VA Desenvolvendo a equação, terseia: PP = 0,4xPL VA onde PP: preço parâmetro, PL: preço líquido de revenda, VA: valor agregado no país. 6 GREGÓRIO, Ricardo Marozzi. Preços de Transferência: uma avaliação da sistemática do método PRL. In: Tributos e Preços de Transferência. 3º vol. São Paulo: Dialética, 2009. p. 170195. Fl. 1111DF CARF MF Processo nº 16643.000070/200989 Acórdão n.º 9101002.937 CSRFT1 Fl. 1.112 8 Percebese PP e VA na condição de grandezas inversamente proporcionais. Com um VA elevado, o preço parâmetro poderia atingir um valor negativo. Ao ser tratado de maneira isolada, descontextualizada do processo produtivo, conferiuse ao valor agregado um peso desproporcional na equação. Ou seja, o modelo matemático não se prestaria a refletir a realidade da situação em análise. Por outro lado, admitindose um erro gramatical, terseia a fórmula: PP = PL 0,6x(PL VA) Desenvolvendo a equação: PP = 0,4xPL + 0,6xVA onde PP: preço parâmetro, PL: preço líquido de revenda, VA: valor agregado no país. Neste caso a distorção seria tão evidente quanto a anterior, mas para um outro extremo. O PP e o VA estariam na condição de grandezas diretamente proporcionais. Da mesma maneira que na equação anterior, foi conferido ao valor agregado um peso desproporcional na equação. Percebese que, agregandose valor ao produto produzido no país, eventual distorção no preço do produto importado seria completamente neutralizada. O resultado implicaria em ausência de ajuste do preço do preço parâmetro mesmo diante da manipulação dos preços de produtos importados, quando o valor agregado respondesse por uma proporção significativa do produto. Várias demonstrações foram elaboradas, visando credenciar ou descredenciar a validade das fórmulas diante de vários casos concretos. Fato é que, com a IN SRF nº 243, de 2002, a nova fórmula desenhada mostrouse, indiscutivelmente, mais adequada e apta a refletir com maior realidade a metodologia do PRL, levando em consideração que a diminuição do valor agregado, a ser aplicada sobre o preço de revenda do bem ou direito, darseá de maneira proporcional, na medida da participação do custo do bem importado em relação ao preço do custo total do bem. Define com clareza que o valor agregado é parte da composição do custo total do bem, e não uma grandeza isolada, como na equação da IN SRF nº 32, de 2001. Não poderia ser diferente. O custo total é resultado da soma do custo do bem importado e do valor agregado no país. O valor agregado integra o custo, vez que agrega ao produto uma qualidade, um diferencial, que, por consequência, irá compor o custo total7. Assim, construiuse a fórmula no sentido de encontrar a proporção do custo do bem importado em relação ao custo total, dividindose o custo do bem importado pela soma do custo bem importado e o valor agregado: (custo do bem importado) / (custo do bem importado + valor agregado). A proporção encontrada foi aplicada para o cômputo do preço de transferência. Vale transcrever o § 11, do art. 12, da IN SRF nº 243, de 2002: § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: 7 Ver Acórdão nº 9101002.175 (p. 22), do Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. Fl. 1112DF CARF MF Processo nº 16643.000070/200989 Acórdão n.º 9101002.937 CSRFT1 Fl. 1.113 9 I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a " participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido" , calculado de acordo com o inciso III; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da " participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido" , calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. (grifei) O modelo matemático proposto pode ser apresentado na seguinte equação: PP = PLxPPart 0,6xPLxPPart Considerando PLxPPart = PBProd, então a fórmula seria: PP = PBProd 0,6xPBProd, ou PP = 0,4 x PBProd onde PP: preço parâmetro; PL: preço líquido de venda, PPart: percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido e PBProd: participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido. Destrinchando os elementos da equação, o PL (preço líquido de venda) é definido nos seguintes termos: PL = média aritmética ponderada de PV D I C onde PV: preços de venda do bem produzido, D: descontos incondicionais concedidos, I: impostos e contribuições sobre as vendas, C: comissões e corretagens pagas, e N: quantidade de produtos importados Por sua vez, o PPart (percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido), é definido por: Fl. 1113DF CARF MF Processo nº 16643.000070/200989 Acórdão n.º 9101002.937 CSRFT1 Fl. 1.114 10 CII PPart = CTBP ou, ainda, por: CII PPart = CII + valor agregado onde CII: custo do valor do bem, serviço ou direito importado e CTBP: o custo total do bem produzido, resultado da soma entre o CII e o valor agregado. A diminuição do valor agregado, pretendida pela lei, foi modelada na equação pela introdução do valor agregado no denominador da divisão. Quanto maior a participação no valor agregado, obviamente, menor a participação do preço do produto importado na composição do custo total e, por isso, menor a sua colaboração na composição do preço de transferência. Observase que, numa situação limite, se não houvesse valor agregado (que receberia o valor zero), o percentual de participação do produto importado seria CII dividido por CII, resultando em 1, ou seja, 100%. Registrese que se trata de situação hipotética, que se presta a mostrar a validade do modelo proposto, isso porque a legislação trata da situação em que não há agregação de valor no art. 18, inciso II, alínea "d", item 2 da Lei nº 9.430, de 1996. Retomando à equação, de acordo com a definição da instrução normativa, a PBProd (participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido) é assim definida: CII PBProd = (média aritmética ponderada de PV D I C) x CTBP Enfim, o Preço Parâmetro, definido no inciso V, § 11, do art. 12, da IN SRF nº 243, de 2002, é a diferença entre a PBProd e o percentual de margem de lucro aplicado sobre o PBProd. Ou seja: PP = PBProd margem de lucro x PBProd Desenvolvendo a fórmula, temse: PP = PBProd x (1 margem de lucro) Observase que o PBProd é o preço de revenda do produto importado, calculado a partir de sua participação no preço de revenda do produto produzido que teve agregação de valor no país. E, aplicandose o percentual de presunção de margem de lucro de 60%: PP = PBProd x (1 0,6) PP = 0,4 x PBProd Fl. 1114DF CARF MF Processo nº 16643.000070/200989 Acórdão n.º 9101002.937 CSRFT1 Fl. 1.115 11 No mencionado UN Practical Manual for Developing Countries 8, ao discorrer sobre o Resale Price Method (que se trata do PRL), a fórmula empregada é a mesma. Vale transcrever o item 6.2.6.3 do documento: 6.2.6.3. . Consequently, under the RPM the starting point of the analysis for using the method is the sales company. Under this method the transfer price for the sale of products between the sales company (i.e. Associated Enterprise 2) and a related company (i.e. Associated Enterprise 1) can be described in the following formula: TP = RSP x (1 GPM), where: TP = the Transfer Price of a product sold between a sales company and a related company; RSP = the Resale Price at which a product is sold by a sales company to unrelated customers; and GPM = the Gross Profit Margin that a specific sales company should earn, defined as the ratio of gross profit to net sales. Gross profit is defined as Net Sales minus Cost of Goods Sold. Na equação TP = RSP x (1 GPM), TP é o preço praticado, RSP é o preço de revenda do produto importado, e o GPM o percentual de presunção de lucro aplicado sobre o preço de revenda. Vale transcrever, novamente, a fórmula empregada pela IN SRF nº 243, de 2002: PP = PBProd x (1 margem de lucro), onde PP é o preço praticado, PBProd é o preço de revenda do insumo importado levandose em consideração sua participação no preço de revenda total do produto, e a margem de lucro é o percentual de presunção do lucro aplicado sobre o preço de revenda. Aplicandose nas fórmulas o percentual de presunção de lucro de 60%, temos: UN Practical Manual for Developing Countries IN SRF 243, de 2002 TP = RSP x (1 0,6) TP = 0,4 x RSP, onde RSP é o preço de revenda do produto importado e o TP é o preço de transferência. PP = PBProd x (1 0,6) PP = 0,4 x PBProd, onde PBProd é o preço de revenda do produto importado e PP é o preço de transferência. 8 United Nations Practical Manual on Transfer Pricing for Developing Countries, http:www.un.org/esa/ffd/documents/UN_Manual_TransferPricing.pdf. Acesso em 15/03/2016. Fl. 1115DF CARF MF Processo nº 16643.000070/200989 Acórdão n.º 9101002.937 CSRFT1 Fl. 1.116 12 Percebese que o modelo matemático adotado pela IN SRF nº 243, de 2002, guarda consonância com os padrões internacionais, e não foge das diretrizes estabelecidas pelo art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. Na realidade, a normatização empreendida pela instrução normativa foi uma evolução do modelo matemático perseguido pela lei. Primeiro, porque considerou, acertadamente, que a apuração do custo total do produto revendido consiste na soma do preço produto importado e mais o valor agregado no país, tornado possível calcular a efetiva participação do preço do produto importado na composição do custo total do produto revendido, base sobre a qual se aplica o preço de revenda e a margem de lucro presumida. Segundo, tratase de modelo em harmonia com as diretrizes internacionais, estabelecidas com sob a égide do princípio do arm's length. Tampouco há que se falar que os preços de transferência, no Brasil, tiveram como outro objetivo, além do princípio do arm's length, ser instrumento de fomento à indústria nacional, razão pela qual se poderia recepcionar entendimento de que teria havido o erro gramatical na redação da lei, o que conduziria o preço parâmetro à fórmula "PP = PL 0,6x(PL VA)". A exposição de motivos da Lei nº 9.430, de 1996, ao discorrer sobre os artigos 18 a 24, esclarece que a norma é instrumento de combate à elisão internacional: As normas contidas nos artigos 18 a 24 representam significativo avanço da legislação nacional face ao ingente processo de globalização experimentado pelas economias contemporâneas. No caso específico, em conformidade com as regras adotadas da OCDE. São propostas normas que possibilitem o controle dos denominados “Preços de Transferência”, de forma a evitar a prática, lesiva aos interesses nacionais, de transferências de recursos para o Exterior, mediante a manipulação dos preços pactuados nas importações ou exportações de bens, serviços ou direitos, em operações com pessoas vinculadas, residentes ou domiciliadas no Exterior. De qualquer maneira, há que se considerar que o modelo preconizado pela OCDE trata de diretrizes, sem o condão de retirar a autonomia que cada país tem para dispor sobre a matéria em seu ordenamento jurídico. (grifei) Tratase de norma com objetivo primordial de corrigir distorções entre o preço praticado nas operações de uma empresa e suas vinculadas, adotandose como parâmetro o preço de mercado negociado entre empresas independentes, em referência clara ao princípio do arm's length. Não há, portanto, que se falar em ilegalidade da IN SRF nº 243, de 2002, em face do disposto no art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. A jurisprudência vem ratificando tal entendimento. Recentemente, na sessão de janeiro de 2016, o presente Colegiado julgou, por maioria de votos, pela legalidade da IN SRF nº 243, de 2002, tendo o Acórdão nº 9101002.175 apresentado a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 1116DF CARF MF Processo nº 16643.000070/200989 Acórdão n.º 9101002.937 CSRFT1 Fl. 1.117 13 Anocalendário: 2003 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. AJUSTE, IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Descabe a argüição de ilegalidade na IN SRF nº 243/2002 cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. O voto faz referência a jurisprudência judicial, como, por exemplo, da Terceira Turma Tribunal Regional Federal da 3ª Região, que decidiu rever seu entendimento anterior e decidir pela legalidade da sistemática do PRL 60 estabelecida na IN SRF nº 243/2002, por unanimidade de votos, no julgamento do processo nº 2003.61.00.0173814/SP: APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA. MÉTODO DE PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO PRL. LEI Nº 9.430/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 243/02. APLICABILIDADE. 1. Caso em que a impetrante pretende apurar o Método de Preço de Revenda menos Lucro PRL, estabelecido na Lei n.º 9.430/96, sem se submeter às disposições da IN/SRF n.º 243/02. 2. Em que pese sejam menos vantajosos para a impetrante, os critérios da Instrução Normativa n. 243/2002 para aplicação do método do Preço de Revenda Menos Lucro (PRL) não subvertem os paradigmas do art. 18 da Lei n. 9.430/1996. 3. Ao considerar o percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido, a IN 243/2002 nada mais está fazendo do que levar em conta o efetivo custo daqueles bens, serviços e direitos na produção do bem, que justificariam a dedução para fins de recolhimento do IRPJ e da CSLL. 4. Apelação improvida. (Divulgado no Diário Eletrônico da Justiça Federal da 3ª Região, em 18/2/2011. A Terceira Turma rejeitou os embargos opostos contra o acórdão, e manteve a orientação pela legalidade da IN nº 243/2002, em 5/5/2011.) Vale também transcrever ementa de decisão do processo nº 2003.61.00.0061258/SP, da Sexta Turma do TRF3: TRIBUTÁRIO TRANSAÇÕES INTERNACIONAIS ENTRE PESSOAS VINCULADAS MÉTODO DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO PRL 60 APURAÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL EXERCÍCIO DE Fl. 1117DF CARF MF Processo nº 16643.000070/200989 Acórdão n.º 9101002.937 CSRFT1 Fl. 1.118 14 2002 LEIS NºS. 9.430/96 E 9.959/00 E INSTRUÇÕES NORMATIVAS/SRF NºS. 32/2001 E 243/2002 PREÇO PARÂMETRO MARGEM DE LUCRO VALOR AGREGADO LEGALIDADE INOCORRÊNCIA DE OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DEPÓSITOS JUDICIAIS. 1. Constitui o preço de transferência o controle, pela autoridade fiscal, do preço praticado nas operações comerciais ou financeiras realizadas entre pessoas jurídicas vinculadas, sediadas em diferentes jurisdições tributárias, com vista a afastar a indevida manipulação dos preços praticados pelas empresas com o objetivo de diminuir sua carga tributária. 2. A apuração do lucro real, base de cálculo do IRPJ, e da base de cálculo da CSLL, segundo o Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL, era disciplinada pelo art. 18, II e suas alíneas, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 9.959/00 e regulamentada pela IN/SRF nº 32/2001, sistemática pretendida pela contribuinte para o ajuste de suas contas, no exercício de 2002, afastandose os critérios previstos pela IN/SRF nº 243/2002. 3. Contudo, ante à imprecisão metodológica de que padecia a IN/SRF nº 32/2001, ao dispor sobre o art. 18, II, da Lei nº 9.430/96, com a redação que lhe deu a Lei nº 9.959/00, a qual não espelhava com fidelidade a exegese do preceito legal por ela regulamentado, baixou a Secretaria da Receita Federal a IN/SRF nº 243/2002, com a finalidade de refletir a mens legis da regramatriz, voltada para coibir a evasão fiscal nas transações comerciais com empresas vinculadas sediadas no exterior, envolvendo a aquisição de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. 4. Destarte, a IN/SRF nº 243/2002, sem romper os contornos da regramatriz, estabeleceu critérios e mecanismos que mais fielmente vieram traduzir o dizer da lei regulamentada. Deixou de referirse ao preço líquido de venda, optando por utilizar o preço parâmetro daqueles bens, serviços ou direitos importados da coligada sediada no exterior, na composição do preço do bem aqui produzido. Tal sistemática passou a considerar a participação percentual do bem importado na composição inicial do custo do produto acabado. Quanto à margem de lucro, estabeleceu dever ser apurada com a aplicação do percentual de 60% sobre a participação dos bens importados no preço de venda do bem produzido, a ser utilizada na apuração do preço parâmetro. Assim, enquanto a IN/SRF nº 32/2001 considerava o preço líquido de venda do bem produzido, a IN/SRF nº 243/2002, considera o preço parâmetro, apurado segundo a metodologia prevista no seu art. 12, §§ 10, e 11 e seus incisos, consubstanciado na diferença entre o valor da participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido, e a margem de lucro de sessenta por cento. Fl. 1118DF CARF MF Processo nº 16643.000070/200989 Acórdão n.º 9101002.937 CSRFT1 Fl. 1.119 15 5. O aperfeiçoamento fezse necessário porque o preço final do produto aqui industrializado não se compõe somente da soma do preço individuado de cada bem, serviço ou direito importado. À parcela atinente ao lucro empresarial, são acrescidos, entre outros, os custos de produção, da mão de obra empregada no processo produtivo, os tributos, tudo passando a compor o valor agregado, o qual, juntamente com a margem de lucro de sessenta por cento, mandou a lei expungir. Daí, a necessidade da efetiva apuração do custo desses bens, serviços ou direitos importados da empresa vinculada, pena de a distorção, consubstanciada no aumento abusivo dos custos de produção, com a consequente redução artificial do lucro real, base de cálculo do IRPJ e da base de cálculo da CSLL a patamares inferiores aos que efetivamente seriam apurados, redundar em evasão fiscal. 6. Assim, contrariamente ao defendido pela contribuinte, a IN/SRF nº 243/2002, cuidou de aperfeiçoar os procedimentos para dar operacionalidade aos comandos emergentes da regra matriz, com o fito de determinarse, com maior exatidão, o preço parâmetro, pelo método PRL60, na hipótese da importação de bens, serviços ou direitos de coligada sediada no exterior, destinados à produção e, a partir daí, comparandose o com preços de produtos idênticos ou similares praticados no mercado por empresas independentes (princípio arm's length), apurarse o lucro real e as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. 7. Em que pese a incipiente jurisprudência nos Tribunais pátrios sobre a matéria, ainda relativamente recente em nosso meio, temna decidido o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, do Ministério da Fazenda, não avistando o Colegiado em seus julgados administrativos qualquer eiva na IN/SRF nº 243/2002. Confirase a respeito o Recurso Voluntário nº 153.600 processo nº 16327.000590/200460, julgado na sessão de 17/10/2007, pela 5ª Turma/DRJ em São Paulo, relator o conselheiro José Clovis Alves. No mesmo sentido, decidiu a r. Terceira Turma desta Corte Regional, no julgamento da apelação cível nº 001738130.2003.4.03.6100/SP, Relator o e. Juiz Federal Convocado RUBENS CALIXTO. 8. Outrossim, impõese destacar não ter a IN/SRF nº 243/2002, criado, instituído ou aumentado os tributos, apenas aperfeiçoou a sistemática de apuração do lucro real e das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, pelo Método PRL60, nas transações comerciais efetuadas entre a contribuinte e sua coligada sediada no exterior, reproduzindo com maior exatidão, o alcance previsto pelo legislador, ao editar a Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 9.959/2000, visando coibir a elisão fiscal. [...] (Divulgado no Diário Eletrônico da Justiça Federal da 3ª Região, em 1/9/2011. Grifos nossos) Portanto, não há que se falar em ilegalidade na IN SRF nº 243/2002, cujo modelo matemático é uma evolução das instruções normativas anteriores. A metodologia leva em conta a participação do valor agregado no custo total do produto revendido. Fl. 1119DF CARF MF Processo nº 16643.000070/200989 Acórdão n.º 9101002.937 CSRFT1 Fl. 1.120 16 Adotandose a proporção do bem importado no custo total, e aplicando a margem de lucro presumida pela legislação para a definição do preço de revenda, encontrase um valor do preço parâmetro compatível com a finalidade do método PRL 60 e dos preços de transferência. Enfim, não há que se falar que a Lei nº 12.715, de 2012 (convertida pela MP nº 563, de 2012), ao reproduzir dispositivos da IN SRF nº 243, de 2002, em tese "confirmaria" a ilegalidade da instrução normativa. Tal assertiva não resiste a uma análise mais precisa da exposição de motivos da medida provisória: 62. Entre essas alterações, merecem destaque as seguintes: a) substituição dos atuais métodos do Preço de Revenda menos Lucro PRL20 e PRL60, aplicáveis, respectivamente, a hipóteses nas quais os bens importados sejam exclusivamente revendidos ou sejam submetidos a processos produtivos no Brasil, a um único método de cálculo de preço parâmetro, o que fará com que os controles em questão não mais sejam relevantes na tomada de decisões quanto à forma de atuação das entidades sujeitas aos controles de preços de transferência no Brasil, bem como eliminará inúmeros litígios concernentes à conceituação do que venha a ser “submissão a processo produtivo no País”, fator este de enorme insegurança jurídica no que toca à matéria; b) aplicação, para fins de cálculo do PRL, de margens de lucro diferenciadas por setores da atividade econômica;(grifei) c) não consideração de montantes pagos a entidades não vinculadas ou a pessoas não residentes em países de tributação favorecida ou ainda a agentes que não gozem de regimes fiscais privilegiados a título de fretes, seguros, gastos com desembaraço e impostos incidentes sobre as operações de importação para fins de cálculo do preço parâmetro pelo método PRL, vez que tais montantes não são suscetíveis de eventuais manipulações empreendidas com o intuito de esvaziar a base tributária brasileira; No que concerne ao PRL 20 e PRL 60, deixa clara a exposição de motivos que o cerne da alteração em relação à lei anterior é o estabelecimento de um único método de cálculo de preço parâmetro, entendendo ser uma melhoria em relação à situação pretérita, no qual havia diferença de tratamento entre (i) os bens importados exclusivamente revendidos e (ii) aqueles submetidos a processos produtivos no Brasil. Discorre, de maneira expressa, sobre a preocupação com litígio que provocava a "conceituação" da expressão “submissão a processo produtivo no País”, o que, de acordo com o legislador, tratavase de "fator este de enorme insegurança jurídica". Ora, não se fala, em nenhum momento, em se dissipar qualquer eventual dúvida sobre a legalidade do art. 18 da IN SRF nº 243, de 2002. Tanto que, na sequência, discorre a exposição de motivos sobre a aplicação de margens de lucro diferenciadas por setores de atividade econômica, e sobre nova sistemática na apuração do preço de transferência para os valores a título de fretes, seguros, gastos com desembaraço e impostos incidentes sobre as operações de importação. Observase que a exposição de motivos expressamente se manifestou quando entendeu que a lei alterou a norma tributária relativa aos preços de transferência, ou seja, na Fl. 1120DF CARF MF Processo nº 16643.000070/200989 Acórdão n.º 9101002.937 CSRFT1 Fl. 1.121 17 adoção de um único método de cálculo de preço parâmetro para o PRL, na definição de margens de lucro diferenciadas por setores de atividade econômica e na sistemática para a inclusão de fretes, seguros, gastos com desembaraço e impostos incidentes sobre as operações de importação no preço praticado. Por outro lado, na medida em que não discorreu sobre o método adotado pelo 18 da IN SRF nº 243, de 2002, confirmou a interpretação dada pela norma complementar, tanto que positivou o entendimento na nova redação da lei. E se o legislador aproveitou a oportunidade para positivar, em texto legal, interpretação dada pela IN SRF nº 243, de 2002, tratase de procedimento que em nada altera a norma tributária em análise (método de cálculo do preço parâmetro pelo PRL 60), sob uma perspectiva substancial (material). A alteração é apenas no campo formal, tomandose como referência a data de vigência da Lei nº 12.715, de 2012: antes, a norma tinha previsão em lei e em norma complementar (instrução normativa autorizada pelo art. 100 do CTN 9); após, a previsão apenas em lei. Portanto, voto no sentido de conhecer e negar provimento ao recurso especial da Contribuinte. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura 9 Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; (...) Fl. 1121DF CARF MF
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