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Numero do processo: 15374.900049/2008-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2003
DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO
A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório.
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião.
Numero da decisão: 2201-004.431
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcelo Milton da Silva Risso e Douglas Kakazu Kushiyama, que votaram pela conversão do julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2003 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião.
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ERRO EM DCTF Recorrente BANCO BANERJ S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2003 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcelo Milton da Silva Risso e Douglas Kakazu Kushiyama, que votaram pela conversão do julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 00 49 /2 00 8- 59 Fl. 100DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 58/62, interposto contra decisão da DRJ no Rio de Janeiro/RJ, de fls. 46/50, que não deu provimento à Manifestação de Inconformidade do contribuinte, não homologando a compensação pleiteada haja vista a ausência de comprovação da existência do crédito. Tratase do PER/DCOMP nº 42231.06940.191103.1.3.040710, fls. 19/24, no qual o contribuinte buscava compensar suposto crédito no valor original de R$ 9.271,87, oriundo do pagamento indevido ou a maior de IRRF, código 0561, com o débito de CPMF, da 2º semana de novembro de 2003, no valor de R$ 9.836,53. Conforme Despacho Decisório de fl. 16, a compensação pleiteada não foi homologada pois "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos (...), mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados em PER/DCOMP". Da Manifestação de Inconformidade Em razão da clareza didática do resumo elaborado pela DRJ no Rio de Janeiro/RJ das razões apresentadas em manifestação de inconformidade, adotase, ipsis litteris, tal trecho para compor parte do presente relatório: "Inconformada, a interessada apresentou, em 28/03/2008, a manifestação de inconformidade de fls. 3/7, na qual alega, em síntese: 3.1) que faltou ao despacho decisório a demonstração das razões que levaram à não homologação da compensação, o que a impediu de exercer o direito constitucional de ampla defesa; 3.2) que o Fisco não trouxe aos autos nenhum elemento que desse suporte ao fato motivador da nãohomologação da compensação, exceto a descrição dos valores apurados; 3.3) que o ônus da prova incumbe a quem alega o fato constitutivo de seu direito; 3.4) que o ato administrativo há de ser sempre motivado; 3.5) que o "auto de infração" é nulo de pleno direito por não haver a demonstração do alegado, não permitindo apreender o motivo e o fato da autuação; 3.6) que declarou, por erro, o valor que indica como pagamento indevido ou a maior como DARF vinculado ao débito do período; Fl. 101DF CARF MF Processo nº 15374.900049/200859 Acórdão n.º 2201004.431 S2C2T1 Fl. 88 3 3.7) que sua alegação é comprovada pelo PER/DCOMP (fls. 16/21), DARF (fl. 22) e quadro demonstrativo (fl. 23) trazidos aos autos; 3.8) que o valor do débito apresentado na DCTF (fls. 24/33) contém erro que deve ser observado, especificamente, no campo pagamento com DARF, pois o valor pleiteado foi recolhido indevidamente; e 3.9) que pede a alteração de oficio das informações constantes da DCTF.” Da Decisão da DRJ A DRJ no Rio de Janeiro julgou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo o despacho decisório que não homologou a compensação pleiteada, na decisão assim emendada (fls. 46/50): “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer cerceamento a direito de defesa. ASSUNTO: NORMAS GERALS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO INDEFERIMENTO. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. Não se homologa compensação baseada em direito creditório, o qual não foi devidamente demonstrado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Em suas razões, a autoridade julgadora afastou a preliminar de nulidade arguida pelo contribuinte, afirmando não haver violação ao princípio constitucional da ampla defesa, considerando que no Despacho Decisório de fl. 16 informa, com clareza, as razões pela qual não reconhece o direito creditório invocado. Também nas palavras da autoridade julgadora, o DARF foi vinculado ao débito nos termos da própria declaração apresentada pelo contribuinte (fls. 27/36). Quanto ao mérito, afirma que o contribuinte não provou as alegações de erro de preenchimento da DCTF, notadamente não apresentando prova documental capaz de provar, cabalmente, a existência do direito creditório. A DRJ entendeu que os documentos apresentados (PER/DCOMP, DARF e quadro demonstrativo) não servem para demonstrar erro o erro de fato que culminou no pagamento indevido ou a maior. Fl. 102DF CARF MF 4 Do Recurso Voluntário O RECORRENTE, cientificado do Acórdão da DRJ em 31/05/2010, conforme fazem prova o AR de fl. 57 e a tela de consulta dos Correios de fl. 77, apresentou o recurso voluntário de fls. 58/62 em 30/06/2010. Em suas razões, praticamente reiterou as alegações de mérito apresentadas em sede de manifestação de inconformidade, além de defender que o processo administrativo se rege pelo princípio da verdade material e que os documentos apresentados, quando interpretados sob a ótica de tal princípio, são suficientes para comprovar a existência do direito creditório. Ademais, juntou ao processo documentação que acredita ser relevante para comprovar a existência do pagamento indevido ou a maior de IRRF, quais sejam, documentos relativos ao processo judicial nº 1605/99, que tramitou na 33ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro, bem como o DARF (fls. 78/84). Sobre esse tema, afirmou que, o crédito em questão se refere ao recolhimento do IRRF relativo às verbas trabalhistas pagas pelo RECORRENTE a um exfuncionário (autor da Reclamação Trabalhista nº 1605/99). Alega ter efetuado depósito judicial no valor de R$ 44.098,72 e realizou o recolhimento do IR no montante de R$ 9.271,87 sobre tal depósito. Todavia, o montante depositado judicialmente não foi liberado ao exfuncionário, mas sim restituído integralmente ao RECORRENTE (fl. 83). Portanto, afirmou que o recolhimento de IRRF no valor de R$ 9.271,87 sobre tal depósito que não foi levantado pelo Reclamante (seu exfuncionário) é indevido. Consequentemente, entendeu estar demonstrado o seu direito ao crédito pleiteado, o qual não foi contemplado somente por erro no preenchimento da DCTF. Alegou que tal erro não poderia ser utilizado como fundamento para o não reconhecimento do crédito. Este recurso de voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Por ser tempestivo e por preencher as demais condições de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. Da Alegação de Prevalência do Princípio da Verdade Material Conforme demonstrado pelo Despacho Decisório de fl. 16, o pedido de compensação não foi homologado por não restar crédito disponível para compensação, devido ao DARF ter sido utilizado integralmente para quitar débito do RECORRENTE relativo ao código 0561 (IRRF rendimento do trabalho assalariado) cujo período de apuração foi 26/07/2003. Fl. 103DF CARF MF Processo nº 15374.900049/200859 Acórdão n.º 2201004.431 S2C2T1 Fl. 89 5 Sustenta o RECORRENTE que, em verdade, houve equívoco cometido na elaboração das DCTF originais apresentadas, haja vista que o mesmo débito foi declarado em dois DARFs distintos. Aduz ser equivocada a conclusão do Julgador de 1ª Instância sobre a impossibilidade da DRJ e do CARF reconhecerem direito a crédito sem suporte documental produzido previamente pelo contribuinte, pois no processo administrativo vigora o princípio da verdade material. Um dos princípios norteadores do processo administrativo é o cumprimento a estrita legalidade, desta forma, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais promove a verificação da legalidade dos atos administrativos produzidos no curso do procedimento fiscal e do julgamento em primeira instância, cotejando os fatos identificados e os efetivamente ocorridos com a legislação tributária correspondente. No caso dos tributos federais, a compensação tributária ocorre nos termos do art. 74 da Lei 9.430/96: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. No presente caso, a Autoridade Administrativa emitiu o Despacho Decisório de fl. 16 informando que o crédito que se almeja compensar já estava consignado em outro débito, confessado pelo contribuinte em DCTF. Neste sentido, assim, dispõe o DecretoLei nº 2.124/1984: Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Fl. 104DF CARF MF 6 Ora, não pode a autoridade administrativa proceder com a homologação quando existe, de fato, vinculação do crédito a valores confessados pelo contribuinte como devidos, por meio de instrumento hábil e suficiente a sua exigência. Sobre o tema, adoto como razões de decidir as palavras do Ilustríssimo Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo, proferida no acórdão nº 2201004.311: A criação do Sistema de Controle de CréditosSCC objetivou dar maior celeridade e segurança à necessária conferência dos pedidos de restituição, ressarcimentos e declarações de compensação formalizados pelos contribuintes. Naturalmente, tratase de ferramenta de extrema utilidade e eficiência quando batimentos de sistemas podem indicar a existência dos direitos pleiteados. Por outro lado, quando a complexidade da demanda exige, remanesce a necessidade de análise manual dos créditos pleiteados. Das situações possíveis de serem tratadas eletronicamente, sem sombra de dúvida, os indébitos tributários decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior são, como regra, os que apresentam menor complexidade de análise, já que basta o SCC localizar o pagamento, identificar suas características e verificar, no sistema próprio, se há débitos compatíveis que demonstrem, no todo ou em parte, a ocorrência de um pagamento indevido ou a maior. (...) Portando, em uma análise primária, notase que a não homologação em discussão é procedente, o que não impede que se reconheça, em respeito à verdade material, que tenha havido algum erro de fato que justifique sua revisão. Contudo, para tanto, necessário que sejam apresentados os elementos que comprovem a ocorrência de tal erro. Portanto, não basta alegar a ocorrência de erro material, é necessário prova lo. Quanto ao ônus da prova, o Código de Processo Civil dispõe o seguinte: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Apesar do procedimento de constituição do crédito tributário não ser regido pelo CPC, a adoção dos critérios principiológicos criados por tal norma em aplicação analógica ao presente caso oferece diretrizes de suma importância para resolução da demanda. Assim, uma vez em curso o procedimento de análise de compensação de crédito, é do contribuinte o ônus de provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da Fazenda. Apenas em sede de Recurso Voluntário o contribuinte traz um mínimo de provas para fundamentar sua alegação de ocorrência de erro de fato, qual seja, a cópia de alguns trechos do processo judicial 1605/99, que tramitou na 33ª Vara do Rio de Janeiro, processo este que originou o débito de IRRF objeto da presente celeuma. Fl. 105DF CARF MF Processo nº 15374.900049/200859 Acórdão n.º 2201004.431 S2C2T1 Fl. 90 7 Contudo, não deveria o contribuinte comprovar o suposto recolhimento indevido, pois é evidente que houve o recolhimento, tanto que o despacho decisório atesta a utilização do pagamento reputado como a maior pelo contribuinte para quitar débito confessado pelo RECORRENTE. Em verdade, deveria o contribuinte comprovar que cometeu equívoco na sua DCTF; ou seja, que os débitos confessados nessa declaração estavam equivocados. Assim, deveria ter comprovado o erro na DCTF através de balanços contábeis e demais documentos aptos a comprovar o valor correto devido a título IRRF para o período em questão, ou então auditoria realizada por perito independente. Neste sentido se verifica no Acórdão nº 3201001.713 da 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária: DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. É bem verdade que, em razão do princípio da autotutela, pode a Administração Tributária reconhecer de ofício a ocorrência de erro que justifique a alteração de ato administrativo que tenha constituído crédito tributário em desacordo com a legislação aplicável, ou tenha denegado ao contribuinte pleito que faz jus. Todavia, não existe nos autos evidências suficientes para se proceder com a correção de ofício, considerando que, o crédito tributário objeto de pedido compensação foi integralmente utilizado para quitar dívida confessada pelo contribuinte. Não há, também, nos presentes autos elementos que justifiquem eventual conversão em diligência, ante ausência quase que integral de conteúdo probatório do direito do contribuinte. Por fim, não há nada nos autos que indique eventual ofensa aos ao princípio da Verdade Material. Todo o procedimento fáticoprobatório e jurídico presente nos autos foi levado em consideração nesta decisão, uma vez não comprovada a ocorrência de erro de fato; a cobrança de um débito indevidamente compensado é medida que se impõe como consequência da não homologação da compensação, devendo sobre estes incidir os acréscimos legais previstos para os casos de pagamento a destempo. Conclusão Pelas razões acima, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Fl. 106DF CARF MF 8 (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 107DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.007540/2008-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1301-000.585
Decisão:
Nome do relator: ROBERTO SILVA JUNIOR
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1704; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 604 1 603 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11516.007540/200896 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1301000.585 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 9 de abril de 2018 Matéria SIMPLES OMISSÃO DE RECEITA DEPÓSITO BANCÁRIO Embargante CARISMA TRANSPORTES LTDA. e JOÃO FERNANDES RODRIGUES Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OMISSÃO. CABIMENTO. Cabem embargos declaratórios para que seja examinado ponto acerca do qual o Colegiado deveria ter se manifestado e não o fez. Assim, os embargos opostos devem ser parcialmente acolhidos para sanar a omissão mencionada. Ao sanálos, verificase a necessidade da unidade origem anexar aos autos cópia do relatório circunstanciado que embasou a emissão das RMFs, o que dá causa ao saneamento do processo, através da conversão em diligência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em acolher parcialmente os embargos para converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os Conselheiros Roberto Silva Junior e Leonam Rocha de Medeiros, que votaram por acolher os embargos, com efeitos infringentes, para anular o lançamento. Designado redator do voto vencedor o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 75 40 /2 00 8- 96 Fl. 604DF CARF MF Processo nº 11516.007540/200896 Acórdão n.º 1301000.585 S1C3T1 Fl. 605 2 Roberto Silva Junior Relator (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Ângelo Antunes Nunes (suplente convocado para manter paridade do colegiado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à Conselheira Bianca Felícia Rothschild). Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de embargos de declaração opostos por CARISMA TRANSPORTES LTDA. e JOÃO FERNANDES RODRIGUES, já qualificados nos autos, contra o Acórdão nº 1801001.897, da 1ª Turma Especial, da Primeira Seção de Julgamento do CARF. Os embargantes apontam a existência de contradição entre o acórdão e as provas reunidas nos autos. No recurso, alegavase a inexistência de relatório circunstanciado, que é condição prévia para emitirse a Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira RMF, solicitando diretamente aos bancos os extratos das contas do contribuinte. O acórdão embargando, todavia, em desacordo com as provas, afirmou o cumprimento de todos os requisitos necessários para a requisição direta de tais informações. Os embargos declaratórios foram admitidos, mas com outro fundamento. Entendeu a Presidente da 1ª Câmara existir omissão, conforme se constata pelo despacho de fls. 598 a 603, abaixo reproduzido: Notase, portanto, que um dos argumentos de defesa apresentado pela contribuinte em sede de recurso voluntário disse respeito a uma suposta ausência de elaboração, por parte da Fiscalização, do "relatório circunstanciado" a que alude o § 5º do art. 4º do Decreto n° 3.724, de 2001, que, nos termos do referido ato regulamentar, deve servir de suporte para a emissão da denominada Requisição de Movimentação Financeira (RMF). O voto condutor do acórdão embargado, por sua vez, enfrentando a argumentação acima mencionada, registra: A RFB, por intermédio de servidor ocupante do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, somente pode expedir e a Requisição de Movimentação Financeira (RMF) com a finalidade de examinar informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis. Fl. 605DF CARF MF Processo nº 11516.007540/200896 Acórdão n.º 1301000.585 S1C3T1 Fl. 606 3 A RMF será precedida de intimação ao sujeito passivo para apresentação de informações sobre movimentação financeira, necessárias à execução do MPF e será expedida com base em relatório circunstanciado, elaborado pelo AuditorFiscal da Receita Federal encarregado da execução do MPF ou por seu chefe imediato. Nesse relatório deverá constar a motivação da proposta de expedição da RMF, que demonstre, com precisão e clareza, tratarse de situação enquadrada em hipótese de indispensabilidade, observado o princípio da razoabilidade. As informações, os resultados dos exames fiscais e os documentos serão mantidos sob sigilo fiscal, na forma da legislação pertinente. Consta nas RMF n°s 09.2.01.002008000823, 9.2.01.002008000831 e 09.2.01.002008000840, fls. 5059: Requisito, nos termos do art. 6° da Lei Complementar n° 105, de 10 de janeiro de 2001, regulamentado pelo Decreto n° 3.724, de 10 de janeiro de 2001, as informações especificadas nesta Requisição de Informações Sobre Movimentação Financeira RMF, que deverão ser apresentadas ao(s) Auditor(es) Fiscal(is) da Receita Federal do Brasil abaixo identificados, ou encaminhados a esta DRF Florianópolis, no prazo e forma especificados. Esta RMF é indispensável ao andamento do procedimento de fiscalização em curso, nos termos do art. 4°, § 6°, do Decreto n°3.724, de 2001. [...] (...) As normas de regência prevêem a necessidade do "relatório circunstanciado" que será elaborado pelo AuditorFiscal para embasar a expedição da Requisição de Informações sobre a Movimentação Financeira (RMF). A fiscalização observou o requisito previsto para a requisição do RMF. Existe de fato o referido o relatório circunstanciado, pressuposto para expedição do RMF, e foram preenchidas as exigências que dão suporte à utilização das informações bancárias para justificar os Auto de Infração. (grifo do original) ... No presente caso, houve observação da forma prescrita nos atos normativos de elaboração da RMF e ainda há indicação expressa dos motivos de fato e de direito para fins de obtenção dos extratos bancários e sua utilização para fins levantamento das informações fiscais. Tendo em vista que a própria Recorrente expressa seu entendimento de que não apresentou os extratos bancários por estar protegida pelo sigilo bancário, estão regulares os procedimentos fiscais. O Delegado da Receita Federal do Brasil em Florianópolis/PR expediu os RMF n°s 09.2.01.002008000823, 9.2.01.002008000831 e 09.2.01.002008000840, fls. 5059 com a motivação explícita, clara e congruente e ainda precedida de intimação ao sujeito passivo para apresentação de informações sobre movimentação financeira. A contestação proposta pela defendente, dessa maneira, não se confirma. Vêse, assim, que o ato decisório embargado, para refutar a alegação da contribuinte acerca das prescrições estabelecidas pelo Decreto n° 3.724, de 2001, admite que o RELATÓRIO CIRCUNSTANCIADO, propulsor da emissão da RMF, é necessário, e que ele "existe de fato". A embargante, entretanto, assegura que "de fato não consta do processo o referido relatório". Perscrutando os autos, efetivamente não identifico o RELATÓRIO que serviu de lastro para a emissão das Requisições das Movimentações Financeiras. Fl. 606DF CARF MF Processo nº 11516.007540/200896 Acórdão n.º 1301000.585 S1C3T1 Fl. 607 4 A meu ver, se a decisão julga necessária a emissão de relatório e fundamenta a rejeição da ausência de atendimento a essa formalidade na alegação de existência do referido relatório, deveria ter apontado em que folhas dos autos o documento encontrase juntado, sendo insuficiente, a meu sentir, o argumento de que ele "existe de fato", ou mesmo a simples descrição do suposto motivo da sua emissão. Presente, a meu ver, não a contradição, mas a omissão na decisão, que não se pronunciou sobre ponto em relação ao qual deveria fazêlo, qual seja, a ausência nos autos do RELATÓRIO CIRCUNSTANCIADO que serviu de suporte para a emissão de REQUISIÇÕES DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. Por todo o exposto, declaro procedente as alegações suscitadas, de forma que ADMITO os embargos de declaração interpostos. (fls. 601 a 603) É o que basta relatar. Voto Vencido Conselheiro Roberto Silva Junior, Relator Cabem embargos de declaração nas hipóteses em que o acórdão contenha obscuridade; contradição entre a decisão e seus fundamentos; ou omissão acerca de ponto sobre o qual o órgão julgador deveria pronunciarse. No caso em exame, a decisão embargada deixou de examinar a alegação de que foram expedidas várias requisições de movimentação financeira RMF, sem que existisse o respectivo relatório circunstanciado, exigido pelo Decreto nº 3.724/2001. O decreto (vigente ao tempo dos fatos) previa, no seu art. 4º, como condição da RMF, a necessidade de relatório circunstanciado, no qual a autoridade responsável pela fiscalização demonstrasse, de forma clara e precisa, a indispensabilidade do acesso às informações financeiras da pessoa fiscalizada. Eis o dispositivo: Art. 4º Poderão requisitar as informações referidas no caput do art. 2º as autoridades competentes para expedir o MPF. (...) § 1º A requisição referida neste artigo será formalizada mediante documento denominado Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) e será dirigida, conforme o caso, ao: (...) § 2º A RMF será precedida de intimação ao sujeito passivo para apresentação de informações sobre movimentação financeira, necessárias à execução do MPF. (...) Fl. 607DF CARF MF Processo nº 11516.007540/200896 Acórdão n.º 1301000.585 S1C3T1 Fl. 608 5 § 5º A RMF será expedida com base em relatório circunstanciado, elaborado pelo AuditorFiscal da Receita Federal encarregado da execução do MPF ou por seu chefe imediato. § 6º No relatório referido no parágrafo anterior, deverá constar a motivação da proposta de expedição da RMF, que demonstre, com precisão e clareza, tratarse de situação enquadrada em hipótese de indispensabilidade prevista no artigo anterior, observado o princípio da razoabilidade. (g.n.) O relatório circunstanciado é instrumento que permite o controle, pela própria Administração e pelo Poder Judiciário, da legalidade do ato pelo qual se requisitam diretamente aos bancos as informações relativas à movimentação financeira do fiscalizado. É importante lembrar que o E. Supremo Tribunal Federal STF, ao julgar a ADI 2.859DF, e declarar constitucional o acesso direto pelo Fisco à movimentação financeira do contribuinte, fez referência expressa, na ementa do acórdão, ao Decreto nº 3.724, para consignar que Estados e Municípios só poderiam ter acesso direto àquelas informações, quando a matéria estivesse devidamente regulamentada, por eles, de maneira análoga à do Decreto nº 3.724, porque entendeu a Suprema Corte que a disciplina dada naquele ato regulamentar resguardava as garantias processuais do contribuinte, na forma preconizada pela Lei nº 9.784/1999, além de proteger o sigilo de seus dados bancários. Do voto condutor da decisão do E. STF, do Min. Dias Toffoli, se pode extrair o seguinte excerto: Por fim, no que tange especificamente ao art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, acolho as sugestões formuladas em Plenário pelos eminentes Ministros Roberto Barroso e Ricardo Lewandowski, no sentido de deixar explicitado neste julgamento que os Estados e Municípios somente poderão obter as informações de que trata o preceito em referência quando a matéria estiver devidamente regulamentada, de forma análoga ao Decreto federal nº 3.724/2001, o qual foi formulado de forma a resguardar as garantias processuais do contribuinte, na forma preconizada pela Lei nº 9.784/99, e o sigilo dos seus dados bancários. Assim, a exemplo do que prevê o mencionado decreto federal, a regulamentação da matéria no âmbito estadual e municipal deverá, obrigatoriamente, conter as seguintes garantias: (g.n.) i) pertinência temática entre as informações bancárias requeridas na forma do art. 6º da LC nº 105/01 e o tributo objeto de cobrança no processo administrativo instaurado; ii) prévia notificação do contribuinte quanto à instauração do processo (leia se, o contribuinte deverá ser notificado da existência do processo administrativo previamente à requisição das informações sobre sua movimentação financeira) e relativamente a todos os demais atos; iii) submissão do pedido de acesso a um superior hierárquico do agente fiscal requerente; iv) existência de sistemas eletrônicos de segurança que sejam certificados e com registro de acesso, de modo que torne possível identificar as pessoas que tiverem acesso aos dados sigilosos, inclusive para efeito de responsabilização na hipótese de abusos; Fl. 608DF CARF MF Processo nº 11516.007540/200896 Acórdão n.º 1301000.585 S1C3T1 Fl. 609 6 v) estabelecimento de mecanismos efetivos de apuração e correção de desvios; vi) amplo acesso do contribuinte aos autos, garantindolhe a extração de cópias de quaisquer documentos e decisões, de maneira a permitir que possa exercer a todo tempo o controle jurisdicional dos atos da administração, segundo atualmente dispõe a Lei 9.784/1999. As disposições do Decreto nº 3.724, no que concerne às exigências para requisição de informações financeiras aos bancos, devem ser observadas com a mesma reverência com que se cumpre a própria lei. Da observância à disciplina do decreto regulamentar depende a legitimidade do acesso aos dados bancários e, por conseguinte, a validade do próprio lançamento que se apóie em tais informações. Dispõe o art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001: Art. 6o As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. O relatório circunstanciado é o instrumento, previsto no Decreto nº 3.724, pelo qual o agente do Fisco demonstra a indispensabilidade do exame dos dados bancários. Ao mesmo tempo, é a exposição dos motivos que justificam a decisão de expedir a RMF. O relatório, por conseguinte, deve preceder à requisição das informações. Em suma, a ausência do relatório circunstanciado torna inválido o lançamento na parte que se refere aos dados bancários obtidos diretamente das instituições financeiras. No caso em exame, a ausência do referido relatório compromete todo o lançamento, que por essa razão deve ser invalidado. Conclusão Pelo exposto, voto por acolher os embargos declaratórios, para, com efeitos infringentes, suprir a omissão apontada e dar provimento ao recurso voluntário, anulando o lançamento. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 609DF CARF MF Processo nº 11516.007540/200896 Acórdão n.º 1301000.585 S1C3T1 Fl. 610 7 Voto Vencedor Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Redator Designado. Em que pese o entendimento do ilustre Relator quanto ao provimento do recurso voluntário, anulando, por conseguinte, o lançamento efetuado, durante as discussões em sessão, surgiu divergência que levou ao entendimento no sentido de converter o julgamento em diligência. Assim, passo a expor os fundamentos desta decisão. Conforme relatado, os embargos declaratórios opostos foram admitidos, por evidenciar omissão no acordão recorrido que deixou de se pronunciar sobre ponto relevante. De fato, a decisão julgou necessária a emissão de relatório circunstanciado e fundamenta a rejeição da ausência de atendimento a essa formalidade na alegação de existência do referido relatório, porém, não apontou em que folhas dos autos o documento encontrase juntado. De acordo com o I. Relator, a ausência do relatório circunstanciado desde o início do processo torna inválido o lançamento, comprometendoo como um todo, vez que baseado em dados bancários obtidos diretamente das instituições financeiras. Porém, como se disse, esse não foi esse o entendimento da maioria do Colegiado. Com efeito, o presente processo encontrase embasado em extratos bancários obtidos pela fiscalização diretamente às instituições bancárias, através da denominada "Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira" (RMF). Nessa hipótese, é imprescindível que os atos que envolvam sua obtenção tenham observado os ditâmes da Lei Complementar nº 105/2001 e Decreto nº 3.724/2001, sob pena dos extratos serem considerados inválidos. De acordo com estas normas, é necessária a existência de relatório cicunstanciado, para embasar a expedição da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira, destacandose que, neste relatório, a autoridade responsável pela fiscalização deve demonstrar, de forma clara e precisa, a indispensabilidade do acesso às informações financeiras da pessoa fiscalizada. De fato, compulsando os autos, não encontro o relatório mencionado, não sendo possível avalizar (ou não), pelo menos neste instante, a legalidade das emissões das RMF´s (essas sim existentes nos autos). Ou seja, os autos não foram instruídos com informações necessárias para que seja possível analisar a legalidade das emissões das RMF´s, em especial o mencionado relatório circunstanciado com o enquadramento nas hipóteses de indispensabilidade previstas no art. 3º do Decreto nº 3.724, de 2001, devendo tal providência ser imediatamente sanada. Como ressaltado em sessão pelo I. Presidente desta Turma, Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, a referida RMF só é emitida quando do registro, no sistema operacional utilizado pela RFB, da hipótese legal que se enquadraria sua emissão, preenchendose, naquela circunstância, o campo relativo ao relatório circunstanciado que embasaria a expedição da RMF. Fl. 610DF CARF MF Processo nº 11516.007540/200896 Acórdão n.º 1301000.585 S1C3T1 Fl. 611 8 Portanto, não se trata de questionar se existem ou não tais documentos preparatórios à expedição da RMF, mas sim de determinar a unidade de origem que acoste aos autos essa documentação, fornecendo cópia aos recorrentes para que, se assim desejarem, se manifestem sobre seu conteúdo. Conclusão Desse modo, encaminho meu voto para acolher parcialmente os embargos, para converter o julgamento em diligência a fim de que a unidade origem anexe aos autos cópia do relatório circunstanciado que embasou a emissão das RMFs. Ao final, os recorrentes deverão ser cientificados do resultado da diligência, fornecendose cópia dos documentos em questão e abrindose prazo de 30 dias para que, querendo, manifestemse sobre seu conteúdo (art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/2011). Cumprido o rito determinado, retornemse os autos ao CARF para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 611DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13738.000216/2008-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jun 27 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2401-000.668
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 37 38 .0 00 21 6/ 20 08 -6 8 Fl. 109DF CARF MF Processo nº 13738.000216/200868 Resolução nº 2401000.668 S2C4T1 Fl. 110 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Rio de Janeiro II (DRJ/RJOII), por meio do Acórdão nº 1324.791, de 15/05/2009, cujo dispositivo tratou de considerar procedente o lançamento fiscal, mantendo o crédito tributário exigido no processo administrativo (fls. 46/48): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ALUGUÉIS. Comprovado que o contribuinte é beneficiário dos rendimentos considerados omitidos, devese manter o crédito tributário exigido. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo interessado, nos termos do art. 17 do Decreto n° 70.235/72. Lançamento Procedente 2. Em face do contribuinte foi emitida a Notificação de Lançamento nº 2005/607450670254097, relativa ao anocalendário de 2004, decorrente de procedimento de revisão interna de Declaração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF), em que a fiscalização apurou as seguintes infrações (fls. 05/10): (i) omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoa jurídica: (a) Café Bar e Restaurante Ferreira´s de Friburgo Ltda, CNPJ 04.815.480/000108, R$ 15.174,00; (b) Igreja Evangélica Assembleia de Deus Central em Nova Friburgo, CNPJ 29.578.780/000144, R$ 4.250,00; e (c) Nova Cor Diagnóstico e Tratamento em Cardiologia S/C Ltda, CNPJ 39.248.648/000128, R$ 1.149,43. (ii) omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de contribuições à Previdência Privada, no importe de R$ 6.000,00. Fl. 110DF CARF MF Processo nº 13738.000216/200868 Resolução nº 2401000.668 S2C4T1 Fl. 111 3 2.1 A Notificação de Lançamento alterou o resultado de sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), exigindo o Fisco imposto suplementar, acrescido de juros de mora e multa de ofício. 3. A ciência da notificação por via postal deuse em 15/01/2008, tendo o sujeito passivo impugnado, no dia 12/02/2008, a exigência fiscal (fls. 02/04 e 38/39). 4. Intimado em 30/09/2009, por via postal, da decisão do colegiado de primeira instância, às fls. 49/51, o recorrente apresentou recurso voluntário no dia 30/10/2009, o qual contém, em síntese, os seguintes argumentos de fato e de direito contra a pretensão fiscal (fls. 54): (i) é improcedente a omissão de rendimentos de aluguéis com respeito à pessoa jurídica Café Bar e Restaurante Ferreira´s de Friburgo Ltda, CNPJ 04.815.480/000108, uma vez que os valores foram declarados pelo contribuinte em nome de outra empresa, Café e Restaurante Ferreira´s de Friburgo Ltda, CNPJ 32.215.881/000154. O motivo foi a disponibilização de informações equivocadas pela administradora do imóvel locado, Predial Primus Ltda, para fins de preenchimento da declaração de ajuste anual pelo recorrente; e (ii) no que diz respeito aos rendimentos de aluguéis pagos pela Igreja Evangélica Assembleia de Deus Central em Nova Friburgo, CNPJ 29.578.780/000144, o contribuinte recebeu a parcela de R$ 4.250,00, considerada como omissão no anocalendário de 2004, apenas no ano de 2005, declarando os rendimentos juntamente com os demais valores de aluguéis pagos no anocalendário. 5. Por intermédio da Resolução nº 2102000.060, de 15/05/2012, a 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Segunda Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais converteu o julgamento do recurso voluntário em diligência (fls. 73/76). 5.1 A fim de prestarem esclarecimentos adicionais quanto aos pagamentos de aluguéis recebidos pela pessoa física durante o anocalendário de 2004, foi determinada a intimação das fontes pagadoras "Café Bar e Restaurante Ferreira´s de Friburgo Ltda", CNPJ 04.815.480/000108, e "Igreja Evangélica Assembleia de Deus Central em Nova Friburgo", CNPJ 29.578.780/000144, da empresa "Café e Restaurante Ferreira´s de Friburgo Ltda", CNPJ 32.215.881/000154, além da administradora dos imóveis, "Predial Primus Ltda". 5.2 Ao final do procedimento, deveria ser oferecido a possibilidade de manifestação do recorrente sobre o resultado alcançado pela diligência fiscal (fls. 73/76). 6. A unidade da RFB em Nova Friburgo (RJ) providenciou as intimações, enviadas por via postal (fls. 79/88 e 90/92 e 97/100). Todavia, o resultado da diligência foi insatisfatório, haja vista que apenas houve atendimento à intimação do órgão fazendário pela Igreja Evangélica Assembleia de Deus Central em Nova Friburgo e pela administradora Predial Primus Ltda (fls. 89 e 93). Fl. 111DF CARF MF Processo nº 13738.000216/200868 Resolução nº 2401000.668 S2C4T1 Fl. 112 4 6.1 A entidade religiosa declarou que pagou, no anocalendário de 2004, a importância de R$ 12.750,00, com retenção na fonte a título de imposto de renda igual a R$ 888,09. Por sua vez, a administradora dos imóveis alegou a impossibilidade de fornecer quaisquer explicações, tendo em vista o extravio dos arquivos eletrônicos do período a que se referiam os dados solicitados. 7. Quanto ao resultado da diligência, não localizei a intimação do contribuinte para tomar conhecimento e oferecer razões extras. 8. Por fim, tendo em vista que Turma de origem foi extinta, assim como o relator originário não mais integra o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, foi realizado novo sorteio e distribuição deste processo para o julgamento do recurso voluntário no âmbito da Segunda Seção (fls. 107/108). É o relatório. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 13738.000216/200868 Resolução nº 2401000.668 S2C4T1 Fl. 113 5 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator 9. Em cognição não exauriente, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário. 10. A matéria controvertida cingese, exclusivamente, às omissões de rendimentos percebidos das fontes pagadoras Café Bar e Restaurante Ferreira’s de Friburgo Ltda, CNPJ nº 04.815.480/0001–08, no importe de R$ 15.174,00, e Igreja Evangélica Assembléia de Deus Central, CNPJ 29.758.760/000144, igual a R$ 4.250,00, apuradas pela fiscalização a partir dos dados extraídos das Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf) entregues pelas fontes pagadoras (fls. 42/43). 10.1 Por sua vez, o recorrente alega que os valores declarados no ajuste anual do ano calendário de 2004 seguiram exatamente a relação de pagamentos fornecida pela administradora dos imóveis, Predial Primus Ltda, para fins da comprovação do imposto de renda na fonte (fls. 22/25 e 33/34). 11. Pois bem. De início, verifico que a diligência determinada pelo colegiado extinto não foi integralmente cumprida, senão vejamos (fls. 76): (...) Concluída a diligência, a autoridade que a presidir deve confeccionar relatório circunstanciado, com ciência de tudo ao recorrente, para que, querendo, ofereça razões adicionais no prazo de 30 dias. Fluindo tal prazo, com ou sem resposta do recorrente, devolver os autos para este Colegiado, para prosseguimento do julgamento. (...) 11.1 Com efeito, o contraditório nesse caso é fundamental, sob pena de acarretar o cerceamento do direito de defesa do particular, tendo em vista a resposta desfavorável ao contribuinte fornecida pela fonte pagadora Igreja Evangélica Assembleia de Deus Central em Nova Friburgo, CNPJ 29.578.780/000144 (fls. 89). 11.2 Presumese, inclusive, o interesse da parte autuada em colaborar na comprovação dos fatos que pretende fazer prevalecer para fins da decisão no contencioso administrativo. 12. Nessa senda, a despeito do tempo decorrido desde os fatos geradores que compõem o lançamento fiscal, é recomendável insistir na busca da aproximação com a verdade material, mediante a juntada de elementos de convicção adicionais, ainda mais que as intimações realizadas não surtiram o efeito projetado pela Turma julgadora para a elucidação dos pontos controvertidos. Fl. 113DF CARF MF Processo nº 13738.000216/200868 Resolução nº 2401000.668 S2C4T1 Fl. 114 6 13. É o caso, por exemplo, dos dados apresentados por meio da Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (Dimob), relativamente aos anoscalendário de 2004 e 2005, pela administradora de imóveis, que poderão concorrer para o deslinde do julgamento. 14. Por tais motivos, VOTO POR CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, devendo a unidade da RFB: (i) verificar nos sistemas e, uma vez disponíveis, anexar ao processo administrativo os dados da Dimob apresentada pela administradora Predial Primus Ltda, CNPJ 30.541.171/000199, relativamente aos anoscalendário de 2004 a 2005, cujas informações vinculemse ao nome do beneficiário, José Kalil Gastim, CPF 035.257.40700, e às pessoas jurídicas "Café Bar e Restaurante Ferreira´s de Friburgo Ltda", CNPJ 04.815.480/000108, "Igreja Evangélica Assembleia de Deus Central em Nova Friburgo", CNPJ 29.578.780/000144, ou "Café e Restaurante Ferreira´s de Friburgo Ltda", CNPJ 32.215.881/000154. Na sequência, deverá ser elaborado um relatório sintético com as informações obtidas; (ii) confeccionar breve exposição do resultado da diligência fiscal anterior, conforme determinado pela Resolução nº 2102000.060, de 15/05/2012, juntamente com os eventuais dados extraídos da Dimob, para fins de possibilitar a manifestação escrita do recorrente; e (iii) dar ciência ao recorrente e intimálo também a apresentar os contratos de locação dos imóveis, referentes ao período de 2004 e 2005, com "Igreja Evangélica Assembleia de Deus Central em Nova Friburgo", CNPJ 29.578.780/0001 44", Café Bar e Restaurante Ferreira´s de Friburgo Ltda", CNPJ 04.815.480/000108, e/ou "Café e Restaurante Ferreira´s de Friburgo Ltda", CNPJ 32.215.881/000154. 15. Após as providências acima elencadas, retornese os autos, devidamente instruídos pelo órgão preparador da RFB, para julgamento no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Conclusão Voto, portanto, por converter o julgamento em diligência, nos termos acima propostos. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 114DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.904329/2011-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
COMPENSAÇÃO - SALDO NEGATIVO DE CSLL.
Não se admite a compensação de débito com crédito que se comprova inexistente. O contribuinte deve munir a contabilidade de documentos e elementos que comprovem a efetiva realização dos fatos nela registrados. No caso, o contribuinte não traz os documentos que a lei define como hábeis para provar as retenções que teria contabilizado, insistindo em aduzir que os possui e estão à disposição.
Numero da decisão: 1401-002.494
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia de Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 COMPENSAÇÃO SALDO NEGATIVO DE CSLL. Não se admite a compensação de débito com crédito que se comprova inexistente. O contribuinte deve munir a contabilidade de documentos e elementos que comprovem a efetiva realização dos fatos nela registrados. No caso, o contribuinte não traz os documentos que a lei define como hábeis para provar as retenções que teria contabilizado, insistindo em aduzir que os possui e estão à disposição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia de Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 90 43 29 /2 01 1- 65 Fl. 526DF CARF MF Processo nº 13603.904329/201165 Acórdão n.º 1401002.494 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório 1. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte (MG) que manteve o crédito tributário decorrente da não homologação de pedido de compensação apresentado pelo contribuinte. 2. Foi emitido despacho decisório, por meio do qual foi parcialmente homologada a compensação declarada no PER/DCOMP objeto do presente lançamento. 3. O crédito transmitido pela via da compensação foi reconhecido como insuficiente para compensar integralmente os débitos informados no PER/DCOMP, razão pela qual se homologou o débito parcialmente. 4. O interessado apresentou MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE, na qual alegou: · Que "houve um equívoco, por parte da RFB, na apuração dos valores relativos aos créditos compensados, já que foi considerado indevidamente como valor original utilizado na Declaração de Compensação"; · Diz que, “com as devidas correções, o valor do crédito utilizado na data da transmissão da Declaração de Compensação, ora parcialmente homologada, se faz perfeitamente justificável e suficiente, conforme atestam as tabelas anexas. As tabelas que seguem anexas trazem a discriminação de todas as notas fiscais e respectivas retenções efetuadas O total de retenções é superior aos valores compensados. O valor do crédito informado se fazia suficiente para compensação dos débitos relacionados na declaração parcialmente homologada”; · Requereu o acolhimento da presente Manifestação de Inconformidade para homologar a compensação declarada no PER/DCOMP, com o reconhecimento da extinção do crédito tributário objeto da compensação. Protestando, pela produção de todos os meios de prova em direito admitidos, destacando que não juntou cópia de cada nota fiscal em virtude do volume de documentos. 5. O Acórdão ora Recorrido recebeu a seguinte ementa: COMPENSAÇÃO SALDO NEGATIVO DE CSLL. Não se admite a compensação de débito com crédito que se comprova inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Crédito Tributário Mantido. 5. Isto porque, segundo entendimento da Turma, no Despacho Decisório considerouse confirmado a CSLL retida na fonte em valor inferior ao declarado, não tendo Fl. 527DF CARF MF Processo nº 13603.904329/201165 Acórdão n.º 1401002.494 S1C4T1 Fl. 4 3 sido considerada a totalidade das retenções informadas no PER/DCOMP em virtude da não confirmação em DIRF. 6. Por isso, “na falta da confirmação por DIRF, o documento hábil para comprovar a retenção, a ser apresentado pelo beneficiário dos pagamentos é o previsto no art. 86 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, disciplinado pela Instrução Normativa SRF nº 119, de 28 de dezembro de 2000, e alterações posteriores. É requisito para dedução do imposto retido a sua comprovação mediante comprovante de rendimento regularmente emitido pela fonte pagadora, consoante expressa disposição legal contida nos seguintes dispositivos: art. 55 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985; art. 815 do RIR de 1999; art. 4º da Instrução Normativa SRF nº. 119, de 2000”. 7. Considerou, que “não há crédito de saldo negativo de CSLL do trimestre objeto de compensação, além do já reconhecido no despacho decisório”. 8. Ciente da decisão do Acórdão que julgou improcedente a manifestação apresentada, o contribuinte interpõe Recurso Voluntário, alegando as seguintes razões: · DO INDEFERIMENTO DE PROVAS: alega que “destacou em sua Manifestação de Inconformidade que não juntou cópia de cada nota fiscal objeto do pedido de compensação, pois o volume de documentos inviabilizaria o manuseio da mesma”. Mas, os livros de Notas Fiscais estariam à disposição; · NO MÉRITO, destaca que houve equívoco por parte da RFB na apuração dos valores relativos aos créditos compensados; · Argumenta que “o valor do crédito utilizado na data da transmissão da Declaração de Compensação se faz perfeitamente justificável e suficiente, conforme as tabelas anexadas”, destacando, que o total de retenções é superior aos valores compensados pela Recorrente. · Afirma que conforme os documentos e tabelas anexas ao presente recurso voluntário, demonstra a insubsistência e improcedência da homologação parcial da compensação declarada, com isso, requereu a extinção do crédito tributário com a consequente homologação da compensação declarada no PER/DCOMP em sua integralidade. 9. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.331, de 16.03.2018, proferido no julgamento do Processo nº 13603.904309/201194, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Fl. 528DF CARF MF Processo nº 13603.904329/201165 Acórdão n.º 1401002.494 S1C4T1 Fl. 5 4 Nos presentes autos o contribuinte solicita a compensação de débito com crédito oriundo de saldo negativo de CSLL apurado no período de 01/07/2008 a 30/09/2008, concorrendo para a formação do saldo negativo parcela referente à dedução de contribuição social sobre o lucro líquido retida na fonte. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.331): "Sendo tempestivo, passo a analisar o Recurso Voluntário. No que se refere à preliminar de nulidade em razão do indeferimento da produção de provas entendo que a mesma não merece ser acolhida. Em regra geral, o momento oportuno para a juntada de provas em que se fundamentam as alegações é quando da apresentação da impugnação (art. 15 do Dec. n.º 70.235, de 1972). A impugnação, deve ser formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, constituindose ônus do contribuinte apresentar as provas de suas alegações. No caso concreto, até o presente momento, o contribuinte não traz aos autos, nem exemplificativamente ou por amostragem, parte das provas que amparam seu direito, simplesmente aduz que em razão do grande volume as mesmas encontramse à disposição. Tratamse de documentos que deveriam estar em posse do contribuinte e, mesmo tendo a sua manifestação de inconformidade indeferida, permanece sem fazer prova do que alega. Daí que não se admite que o pedido de realização de diligência seja usado como instrumento de coleta de provas que cabiam à parte interessada produzir, e muito menos transferir esse ônus à autoridade administrativa. Outrossim, o deferimento de diligência cabe à análise do julgador, de acordo com as razões e fundamentos apresentados nos autos. No caso concreto, diante da inexistência de contexto probatório hábil a dar suporte às razões do contribuinte, o julgador optou por indeferir a diligência, decisão com a qual me coaduno. Assim, não há o que se falar em desrespeito ao princípio da verdade material quando a parte interessada não demonstra, nem de forma exemplificativa, que há alguma verdade, diferente da dos autos, que deva ser alcançada. Face o exposto, deixo de acolher a preliminar de nulidade. Como visto, o crédito utilizado na compensação é de saldo negativo de IRPJ, concorrendo para a formação do saldo negativo parcela referente à dedução de imposto de renda retido na fonte. Fl. 529DF CARF MF Processo nº 13603.904329/201165 Acórdão n.º 1401002.494 S1C4T1 Fl. 6 5 Portanto, o crédito utilizado nas compensações analisadas tem origem na dedução efetuada, de cuja confirmação depende a homologação pretendida. Na falta da confirmação por DIRF, o documento hábil para comprovar a retenção, a ser apresentado pelo beneficiário dos pagamentos é o previsto no art. 86 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, disciplinado pela Instrução Normativa SRF nº 119, de 28 de dezembro de 2000, e alterações posteriores. É requisito para dedução do imposto retido a sua comprovação mediante comprovante de rendimento regularmente emitido pela fonte pagadora, consoante expressa disposição legal contida nos seguintes dispositivos: art. 55 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985; art. 815 do RIR de 1999; art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 119, de 2000. O contribuinte deve munir a contabilidade de documentos e elementos que comprovem a efetiva realização dos fatos nela registrados. No caso, o contribuinte não traz os documentos que a lei define como hábeis para provar as retenções que teria contabilizado, insistindo em aduzir que os possui e estão à disposição. Assim, diante da inexistência de comprovação do saldo negativo, não dou provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 530DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.901119/2008-55
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 15/01/2004
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comprová-lo. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3002-000.118
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Diego Weis Junior, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 15/01/2004 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comprová-lo. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1427; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T2 Fl. 155 1 154 S3C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10805.901119/200855 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3002000.118 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 11 de abril de 2018 Matéria DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR PIS Recorrente HOSPITAL E MATERNIDADE DR. CHISTOVÃO DA GAMA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/01/2004 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comproválo. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 90 11 19 /2 00 8- 55 Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10805.901119/200855 Acórdão n.º 3002000.118 S3C0T2 Fl. 156 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Diego Weis Junior, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves Relatório O processo administrativo ora em análise trata de PER/DCOMP 34252.16885.040504.1.3.047351 (fl. 02/06), transmitido em 04/05/2004, cujo crédito teria origem em recolhimento do PIS efetuado a maior. A compensação declarada não foi homologada, conforme Despacho Decisório (fl. 18), pelos seguintes motivos: "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP." Após ser intimada da decisão em 27/05/2008, a ora recorrente apresentou tempestivamente Manifestação de Inconformidade em 26/06/2008 (fl. 22/28), na qual informou que cometeu alguns erros no momento da apuração da base de cálculo e recolhimento das contribuições ao PIS e a COFINS. Informa, também, que deixou de efetuar as deduções permitidas pelo inciso II do artigo 3° da Lei 10.637/02, por mera inobservância da regra a que estava submetida na época, o que gerou um recolhimento a maior do PIS e, conseqüentemente, a apuração de um saldo credor do tributo. A recorrente segue relatando que, ao verificar a falta de dedução de tais créditos, promoveu a devida correção monetária do crédito detido, o que deu origem ao saldo credor no valor de R$ 25.443,46 (vinte e cinco mil, quatrocentos e quarenta e três reais e quarenta e seis centavos). Aduz, ainda, que a compensação não foi homologado por ela ter cometido erro no preenchimento do DARF e da DIPJ 2004. Ademais, enumera os seguintes fatos: "(i) diante das alterações promovidas na sistemática de apuração do PIS, somado ao fato de que a imediata aplicação do regime nãocumulativo não propiciou tempo suficiente para que a Manifestante se adaptasse aos novos procedimentos do sistema de créditos e débitos, esta acabou por cometer alguns equívocos na apuração da base de cálculo da contribuição ao Pis, nos descontos de créditos permitidos pela lei e, também, no recolhimento do imposto; (ii) o primeiro equivoco foi com relação ao código de receita adotado para o recolhimento do PIS nãocumulativo que constou 8109 (Pis Faturamento), conforme se observa no comprovante de arrecadação ora juntado, quando o correto seria ter procedido ao recolhimento da exação no código de receita 6192 (Pis nãocumulativo Lei 10.637/02); Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10805.901119/200855 Acórdão n.º 3002000.118 S3C0T2 Fl. 157 3 (iii) o segundo equivoco se deve ao fato de que a Manifestante, quando da apuração da contribuição ao Pis, deixou de deduzir os valores relativos aos insumos utilizados na prestação dos seus serviços, permitido nos termos do art.3°, inciso II da Lei 10.637/02; (iv) em tempo, observou a possibilidade da dedução de tais créditos e promoveu as devidas correções, o que deu origem a apuração de um saldo credor no valor de R$ 25.443,46; (v) ato continuo e, no intuito de aproveitar os créditos devidamente apurados, apresentou a PER/DCOMP para saldar débitos de PIS e IRPJ; (vi) por fim, é possível observar a existência do crédito mencionado na linha 23 da Ficha 20 da DIPJ/2004, equivocandose apenas no momento de transportar tais valores para a linha 27 da Ficha 21 da mesma declaração e não ter procedido a devida retificação da declaração." Por fim, invoca o Princípio da Verdade Material e pede a reforma do Acórdão recorrido, a fim de ver homologada a compensação pleiteada. Para comprovar o seu suposto crédito, a recorrente juntou as fichas 20 e 21 da DIPJ 2004 e Relatório de Saldo de Contas à sua Manifestação de inconformidade. Em seqüência, analisando as argumentações da contribuinte e os documentos juntados, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas DRJ/CPS julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003 DCTF E DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. DIPJ. NATUREZA JURÍDICA. Considerase confissão de divida os débitos declarados em DCTF, motivo pelo qual qualquer alegação de erro nos valores nela declarados deve vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos hábeis e suficientes para justificar as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação) como origem do crédito foi utilizado para quitar débito confessado em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), e que o contribuinte não logra comprovar Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10805.901119/200855 Acórdão n.º 3002000.118 S3C0T2 Fl. 158 4 por meio de provas robustas que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido. A DIPJ tem caráter meramente informativo, não se constituindo em instrumento de confissão de divida. Manifestação de Inconformidade Improcedente Intimada dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fl. 109/119), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, repisando fatos e argumentos já apresentados e acrescentando que a DIPJ e o Relatório de Saldo de Contas, ao contrário do asseverado pela Turma Julgadora da DRJ/CPS, são documento hábeis para comprovar o crédito da contribuinte, segundo os Acórdãos nº 110100.517 e 372.371 proferidos, respectivamente, pela 1ª TO da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF e pelo TRF da 2ª Região. Da mesma forma, a recorrente assevera que a jurisprudência deste Tribunal Administrativo reconhece que, se comprovado o erro de fato no preenchimento da DIPJ, deve se reconhecer o direito creditório do contribuinte, segundo Acórdão nº 130100.504 proferido pela 1ª TO da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF. Além disso, a recorrente alega que as provas apresentadas na Manifestação de Inconformidade são suficientes para a comprovação do crédito e não apresenta novos documentos. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Entendo que a questão fundamental a ser decidida no presente julgamento se refere ao direito probatório em processos administrativos fiscais. O art. 173 do Código de Processo Civil (CPC) estabelece que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e ao autor, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Ou seja, em regra, incumbe à parte fornecer os elementos de prova das alegações que fizer, visando prover o julgador com os meios necessários para o seu convencimento, quanto à veracidade do fato deduzido como base da sua pretensão. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10805.901119/200855 Acórdão n.º 3002000.118 S3C0T2 Fl. 159 5 Seguindo essa mesma linha, o art. 36 da Lei nº 9.784, de 1999, que regula os processos administrativos federais, dispõe que cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Quanto ao processo administrativo fiscal, o art. 16 do Decreto 70.235/72 assim estabelece: Art. 16. A impugnação mencionará: I omissis ......................................................................................................... III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Inciso com redação dada pela Lei nº 8.748, de 9/12/1993) ......................................................................................................... § 1° omissis ......................................................................................................... § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluíndo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira se a fato ou a direito superveniente; c) destine se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Parágrafo acrescido pela Lei nº 9.532, de 10/12/1997) ......................................................................................................... Como se percebe dos dispositivos transcritos, o dever de provar incumbe a quem alega. Assim, creio que o ônus da prova atua de forma diversa em processos decorrentes de lançamento tributário e processos decorrentes de pedido de restituição, ressarcimento e compensação. Nestes, cabe ao contribuinte provar a liquidez e a certeza do seu crédito, naqueles, cabe ao fisco provar a ocorrência do fato gerador. Por certo, não se pode olvidar do Princípio da Verdade Material, que norteia o processo administrativo, devendo o julgador buscar o esclarecimento dos fatos, adotando as providências necessárias no sentido de firmar sua convicção quanto a verdade real. Contudo, a atuação do julgador somente pode ocorrer de forma subsidiária à atividade probatória, que deve ser desempenhada pelas partes. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10805.901119/200855 Acórdão n.º 3002000.118 S3C0T2 Fl. 160 6 Assim, não pode o julgador usurpar a competência da autoridade fiscal e intentar produzir provas, que validem um lançamento fiscal fracamente instruído, assim como, lhe é vedado desincumbir, pela sua atuação ativa no processo, o sujeito passivo de trazer aos autos o conjunto probatório mínimo necessário para comprovar o seu direito creditório. Dessa forma, a busca pela verdade material não pode ser entendida como ilimitada. Em realidade, nenhum Princípio é soberano e outros também regem o processo administrativo, tais como: os Princípios da Celeridade, Imparcialidade, Eficiência, Moralidade, Legalidade, Segurança Jurídica, dentre outros. Por conseguinte, será lastreado nas circunstâncias fáticas do caso concreto, que o julgador deverá ponderar e sopesar a influência de cada um dos diversos Princípios, visando a maior justeza em seu julgamento. Ainda sobre o mesmo tema, devese tecer alguns comentários sobre o valor probatório do material eventualmente apresentado. Não basta a juntada de documentos, estes devem possuir valor probatório, mínimo que seja, considerandose as vicissitude do caso concreto posto em análise. Assim, determinado documento pode guardar conteúdo probatório das alegações em um processo e, em outro, não se configurar prova. Por certo, em regra, as declarações fiscais transmitidas pelo contribuinte, assim como, seus registros contábeis, fazem prova em seu favor. Contudo, esses elementos, para possuírem algum valor probatório, devem ter sido elaborados segundo os ditames legais e em época apropriada. Vejamos, por exemplo, a DCTF retificadora. Como vem se manifestando, reiteradamente, este Conselho, a apresentação da DCTF retificadora antes da transmissão do pedido de compensação, em casos de pagamento indevido ou a maior, ou mesmo antes da ciência do Despacho Decisório, não é condição para a homologação da compensação pleiteada, pois o direito creditório não surge com a declaração, mas com o efetivo pagamento indevido ou a maior. Entretanto, a mera apresentação da DCTF retificadora não tem o condão de, por si só, comproválo. Nessa linha, outras declarações prestadas à RFB, tais como DIPJ e Dacon, poderiam fazer prova da veracidade dos dados registrados na DCTF retificadora, desde que transmitidas antes do Despacho Decisório e possuíssem informações compatíveis com o conteúdo da retificadora. Então, nesse caso, a juntada de outras declarações ao processo se constituiria num conjunto com força probatória, ainda que relativa e, por isso mesmo, não afastaria a necessidade de apresentação de outros elementos, visando a comprovação das alegações. De forma diversa, deveriam ser consideradas essas mesmas declarações se fossem transmitidas extemporaneamente, pois não passariam de documentos sem nenhum valor probatório. Assim, registros contábeis, que não estejam revestidos das formalidades legais ou que não se possa confirmar tais requisitos, não se constituem prova. No presente caso em análise, a ora recorrente restringiuse apenas a fazer alegações sobre seu suposto crédito e a juntar cópia das fichas 20 e 21 da DIPJ 2004 e de um Relatório de Saldo de Contas. Se, por um lado, é certo que a DIPJ não é instrumento de confissão de dívida, por outro, também é certo que isso não afasta seu valor probatório. Assim, considerandose que essa declaração foi transmitida no momento devido, creio que faz prova em favor do contribuinte, porém, tênue e, desse modo, não afastou a necessidade de Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10805.901119/200855 Acórdão n.º 3002000.118 S3C0T2 Fl. 161 7 apresentação de outros documentos, que também comprovassem o suposto crédito de forma mais robusta. De maneira diversa, deve ser apreciada a cópia de um Relatório de Saldo de Contas, visto que não se pode confirmar que ele espelhe um Livro Razão revestido das formalidade legais. Por isso, a meu ver, não tem nenhum valor probatório. Dessa forma, entendo que a decisão da instância a quo foi correta, pois o sujeito passivo não se desincumbiu do seu ônus de comprovar a liquidez e a certeza do crédito pleiteado. Quanto à jurisprudência trazida pela recorrente, importa salientar que, em primeiro lugar, as decisões de Turmas Julgadoras do CARF não implicam em vinculação de outras Turmas sobre a mesma matéria, além do mais, devese levar em conta que o Acórdão 110100.517 referese a julgamento realizado há cerca de sete anos e que o entendimento majoritário desta Corte foi alterado. Em segundo lugar, ressaltese que a decisão judicial, também colacionada pela recorrente, deixa claro que as declarações devem espelhar a escrita fiscal do contribuinte e somente isso daria suporte às compensações pleiteadas. Logo, ao invés de corroborar a alegação da recorrente, o Acórdão demonstra a necessidade de apresentação dos livros fiscais obrigatórios para a comprovação do direito creditório. Melhor sorte não assiste a recorrente, quando da menção ao Acórdão 130100.504, pois ele deixa consignado a necessidade da comprovação do erro de fato no preenchimento DIPJ para reconhecimento do crédito. Fato que, no presente caso, não ocorreu. Nesse ponto, creio ser oportuno discorrer sobre o momento para a apresentação de provas. Como é cediço, a autoridade fiscal tem como limite temporal para a juntada de provas, usualmente, a lavratura do Auto de Infração. Em contrapartida, o sujeito passivo está limitado, em regra, ao momento de instauração da fase litigiosa do processo, isto é, quando da apresentação de sua Impugnação/Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, conforme o § 4º do art. 16 do Decreto 70.235/72. Entretanto, o próprio dispositivo citado enumera três circunstâncias , as quais permitiriam ao contribuinte carrear provas aos autos em outro momento processual: a) fique demonstrado a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente e c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Considerandose os Princípios da Igualdade, Moralidade, Imparcialidade e o da Verdade Material, entendo, data venia, que as exceções dispostas só podem ser validamente consideradas se estendidas a ambas as partes. A jurisprudência desse Conselho mostra que, em várias ocasiões, temse admitido a juntada de provas em fase posterior àquela definida na legislação e em circunstâncias diversas daquelas exceções legais, que afastam a preclusão. Tudo em nome do Princípio da Verdade Material. Creio que isso é possível, legal, justo e desejável. Entretanto, somente em condições bastante específicas. Entendo que somente devese admitir tais provas, quando no momento oportuno, o sujeito passivo já tenha carreado aos autos provas mínimas do que alega. Importante frisar que não basta ter apresentado documentos, que não guardam nenhum valor probatório no caso concreto analisado, há que ter sido juntado na Impugnação/Manifestação de Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10805.901119/200855 Acórdão n.º 3002000.118 S3C0T2 Fl. 162 8 Inconformidade um conjunto probatório mínimo. Assim, as provas excepcionalmente juntadas de forma extemporâneas são aceitáveis, quando apenas reforçam o valor probatório do material já anteriormente apresentado. Agir de forma diversa, aceitando qualquer tipo de prova, em qualquer circunstância, sem que tenha sido apresentado um conjunto probatório no momento fatal definido em lei, a fim de privilegiar a verdade material, significaria, data venia, se emprestar uma força absoluta e soberana a um Princípio em detrimento aniquilar dos outros. Ademais, estariase diante de uma verdadeira derrogação do § 4º do art. 16 do Decreto 70.235, realizada pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, o seu disposto não seria aplicado em hipótese alguma, excluindoo do ordenamento jurídico, fato que somente poderia ser realizado por lei. Então, considerandose todo o raciocínio lógicojurídico sobre o direito probatório, desenvolvido ao longo do presente voto, e nas circunstâncias do caso concreto, isto é, já ter sido apresentada uma prova mínima, entendo que seria admissível a apresentação de novas provas juntamente com o Recurso Voluntário. Contudo, repisese que a recorrente não apresentou mais nenhuma prova. Essa atitude da recorrente tornase incompreensível, tendo em vista que, no Acórdão recorrido, restou claro quais outros documentos deveriam ter sido apresentados: "Para corroborar seus argumentos a manifestante juntou ainda parte do "Relatório do Saldo de Contas" extraído de sua contabilidade. Entretanto, também esse documento sem os elementos (notas fiscais) que deram sustentação para os respectivos lançamentos contábeis não pode ser sobreposto à declaração efetuada na DCTF originalmente, pois não tem o condão de comprovar efetivamente que os valores ali descritos correspondem de fato à autorização legal de dedução para a apuração da base de calculo da contribuição. Destaquese que nos termos do art. 226, caput, do Código Civil, abaixo transcrito, os livros e fichas da sociedade provam a seu favor quando escriturados sem vícios e forem confirmados por documentos hábeis e idôneos: Art. 226. Os livros e fichas dos empresários e sociedades provam contra as pessoas a que pertencem, e, em seu favor, quando, escriturados sem vicio extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios." (grifo nosso) Dessarte, forçoso é admitir que a recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o seu suposto direito creditório, seja por seus erros anteriores ao Despacho Decisório, seja pela ausência da apresentação de provas robustas da sua liquidez e certeza, tanto na instância a quo, como nesta Corte. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10805.901119/200855 Acórdão n.º 3002000.118 S3C0T2 Fl. 163 9 Assim sendo, por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário e não reconhecer o direito creditório. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 163DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13984.720210/2012-85
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS OU DOCUMENTAÇÃO HÁBIL. PROVAS JUNTADAS AO PROCESSO DEVEM ESTAR DE ACORDO COM A LEGISLAÇÃO.
Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. Porém, a documentação probatória deve estar de acordo com o disposto na lei e devidamente juntada ao processo.
Necessária apresentação de comprovação que satisfaça a exigência da legislação tributária.
Numero da decisão: 2001-000.206
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos o conselheiro Jorge Henrique Backes, que lhe deu provimento.
(Assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(Assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS OU DOCUMENTAÇÃO HÁBIL. PROVAS JUNTADAS AO PROCESSO DEVEM ESTAR DE ACORDO COM A LEGISLAÇÃO. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. Porém, a documentação probatória deve estar de acordo com o disposto na lei e devidamente juntada ao processo. Necessária apresentação de comprovação que satisfaça a exigência da legislação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos o conselheiro Jorge Henrique Backes, que lhe deu provimento. (Assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (Assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 72 02 10 /2 01 2- 85 Fl. 66DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de Despesas Médicas. O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 5.098,50, a título de imposto de renda pessoa física suplementar, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2009. O fundamento básico do lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento da decisão da lavratura do lançamento, o fato de que a Recorrente deveria ter apresentado comprovação dos pagamentos de despesas médicas de acordo com a exigência da legislação tributária, para usufruir da dedução na declaração de ajuste anual do imposto sobre a renda de pessoa física. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente no que se refere à posição de que para utilizar o benefício da dedução das despesas médicas na declaração de ajuste do imposto sobre a renda é indispensável à apresentação de documentação que atenda ao exigido na legislação tributária, como segue: (...) 5. A presente lide trata da glosa da dedução de despesas médicas. A defesa se insurge o lançamento, alegando que tratase de gasto realizado com o interessado, com t profissionais de saúde, no valor total de R$ 18.540,00. 5.1. Em sua impugnação, o autor alega essencialmente que os pagamentos das despesas médicas foram realizados em espécie, não sendo razoável exigir outros documentos comprobatórios. Aduz ainda que os recibos com todos os requisitos formais se constituem na prova requerida pela fiscalização. (...) 5.3. A glosa se refere à prova do efetivo pagamento das despesas e não sobre requisitos formais dos documentos. Dessa forma, a controvérsia está situada na seara da comprovação da transferência do numerário (cheques, depósitos bancários etc.) e/ou da efetividade da prestação dos serviços (laudos, exames, prontuários médicos etc.). 6. A matéria tratada neste processo é regida pelos seguintes dispositivos do Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/99), Decreto 3.000, de 26 de março de 1999: Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99 – Decreto 3.000, de 1999: Fl. 67DF CARF MF Processo nº 13984.720210/201285 Acórdão n.º 2001000.206 S2C0T1 Fl. 67 3 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). (...) Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (...) 6.1. Nos termos do inciso III do § 1º, do art. 80, combinado com o § 1º, do art.73, todos do RIR/1999, acima transcritos, para que as despesas médicas constituam dedução, é necessária a comprovação, mediante documentação hábil e idônea, da prestação dos serviços, limitandose, ainda, a pagamentos especificados e comprovados ou justificados, a juízo da autoridade lançadora. 6.2. No caso de deduções, o ônus da prova é do contribuinte, consoante artigo 73 do RIR/99. Neste contexto, a comprovação das deduções de despesas médicas deve conter os requisitos essenciais (nome, CPF, endereço do profissional e identificação da pessoa beneficiada pelo serviço), além de outros elementos adicionais de prova, tais como, a efetividade da prestação do serviço e/ou do efetivo pagamento, a exemplo de fichas ou prontuários de atendimento, laudos médicos, cópias de prescrições, cópias dos cheques, transferências bancárias, extratos bancários etc. (...) 8. Esclareçase que a autuação não possui como fundamento a falsidade documental, mas a falta de comprovação da efetividade do pagamento e da prestação dos serviços, em decorrência da imprestabilidade dos recibos, apresentados isoladamente, para fruição do benefício fiscal. Fl. 68DF CARF MF 4 9. Quando se tem a finalidade de utilizar despesas médicas como dedução, o contribuinte deve ter em mente que o pagamento correspondente não envolve apenas ele e o profissional de saúde, mas também a Administração Tributária. Por essa razão, deve conservar, além dos recibos, outros meios probantes do pagamento e da realização do serviço. (...) (...) 12. De todo o exposto, voto pela improcedência da impugnação, para determinar a manutenção do valor lançado a título de Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar no valor de R$ 5.098,50, acrescido de multa de ofício (75%) e juros de mora devidamente atualizado de acordo com a legislação vigente. Assim, conclui o acórdão vergastado pela improcedência da impugnação para manter a exigência de imposto suplementar no valor de R$ 5.098,50, referente à glosa do valor das despesas médicas. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: Fl. 69DF CARF MF Processo nº 13984.720210/201285 Acórdão n.º 2001000.206 S2C0T1 Fl. 68 5 É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e por isso deve ser conhecido. O que se evidencia com facilidade de visualização é que o Recorrente utilizouse de abatimento do imposto sobre a renda mediante apresentação de documentação simplificada e carente de informações mínimas que satisfaçam o convencimento do Fisco e injustificadamente não a complementou, permanecendo, portanto, em desacordo com os temos da legislação tributária. O texto base da divergência interpretativa está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Fl. 70DF CARF MF 6 Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; É clara a disposição de que a exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (deduçãotributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, assim, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Logo, seria legítima a dedução a título de despesas médicas do valor pago pelo contribuinte, por comprovação mediante apresentação de documento hábil, da nota fiscal de prestação de serviço ou recibo, este assinado por profissional habilitado e informações de identificação complementares, pois tais documentos guardam ao mesmo tempo reconhecimento da prestação de serviços assim como também confirma o seu pagamento, desde que se refira a pessoa do Recorrente, referente à efetiva prestação de serviço, efetivamente comprovada. A decisão prolatada no Acórdão da DRJ se fundamenta na afirmativa de que as despesas médicas para serem deduzidas do imposto devem ter sido incorridas com o próprio declarante ou de seus dependentes legalmente comprovados, nos termos da legislação tributária, com prova do efetivo desembolso das despesas pagas ou com elementos que sustentem a veracidade das informações. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 13984.720210/201285 Acórdão n.º 2001000.206 S2C0T1 Fl. 69 7 No exame da documentação acostada ao presente processo verificase que o Recorrente não apresentou a documentação comprobatória da efetiva realização da despesa, na forma estipulada em lei, para a comprovação da despesa que utilizou como dedutível na declaração de ajuste do imposto. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito NEGAR PROVIMENTO, mantendo os termos do acórdão vergastado com a mantença da exigência do crédito tributário referente a imposto suplementar. (Assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 72DF CARF MF
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Numero do processo: 10882.723672/2013-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 31/01/2009 a 31/12/2009
IPI. SERVIÇO GRÁFICO POR ENCOMENDA E PERSONALIZADO. INCIDÊNCIA. SÚMULAS 143 DO TFR E 156 DO STJ. INAPLICABILIDADE.
A prestação de serviço gráfico, personalizado e sob encomenda, ainda que envolva fornecimento de mercadorias, está sujeita ao Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, visto que a LC nº 116, de 2003, apenas afasta a incidência cumulativa de ISS e ICMS, inexistindo na referida lei qualquer determinação quanto à não incidência do IPI.
Numero da decisão: 3302-005.285
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Sarah Maria L. de A. Paes de Souza (Relatora), Walker Araújo, José Renato P. de Deus e Raphael M. Abad que davam provimento ao recurso voluntário. Designada a Conselheira Maria do Socorro F. Aguiar para redigir o voto vencedor. O Conselheiro Diego Weis Jr (Suplente convocado) não participou do julgamento em razão do voto definitivamente proferido pela Conselheira Sarah Maria L. de A. Paes de Souza.
[assinado digitalmente]
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
[assinado digitalmente]
Raphael Madeira Abad - Relator Ad Hoc.
[assinado digitalmente]
Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Redatora.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Walker Araujo.
Nome do relator: SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA
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SERVIÇO GRÁFICO POR ENCOMENDA E PERSONALIZADO. INCIDÊNCIA. SÚMULAS 143 DO TFR E 156 DO STJ. INAPLICABILIDADE. A prestação de serviço gráfico, personalizado e sob encomenda, ainda que envolva fornecimento de mercadorias, está sujeita ao Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, visto que a LC nº 116, de 2003, apenas afasta a incidência cumulativa de ISS e ICMS, inexistindo na referida lei qualquer determinação quanto à não incidência do IPI. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Sarah Maria L. de A. Paes de Souza (Relatora), Walker Araújo, José Renato P. de Deus e Raphael M. Abad que davam provimento ao recurso voluntário. Designada a Conselheira Maria do Socorro F. Aguiar para redigir o voto vencedor. O Conselheiro Diego Weis Jr (Suplente convocado) não participou do julgamento em razão do voto definitivamente proferido pela Conselheira Sarah Maria L. de A. Paes de Souza. [assinado digitalmente] Paulo Guilherme Déroulède Presidente. [assinado digitalmente] Raphael Madeira Abad Relator Ad Hoc. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Redatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 72 36 72 /2 01 3- 95 Fl. 1423DF CARF MF 2 Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Walker Araujo. Relatório Conselheiro Raphael Madeira Abad, redator "ad hoc" Na condição de redator "ad hoc" para formalização desta decisão, passo a transcrever o relatório constante da minuta do voto da relatora Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza. Por bem transcrever os fatos e ser sintético, colacionamse trechos do relatório DRJ/Ribeirão Preto, fls. 13301 e seguintes: Tratase de auto de infração lavrado para o lançamento do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, constituindose os respectivos créditos tributários em desfavor da contribuinte epigrafada, no montante total de R$ 26.193.968,89 (vinte e seis milhões, cento e noventa e três mil, novecentos e sessenta e oito reais, oitenta e nove centavos), consolidado na data do lançamento, conforme demonstrativo de efls. 2 e 1026. De acordo com o levantamento efetuado pela Fiscalização, consignado na Informação Fiscal (efls. 1003/1025), a fiscalizada deu saída, durante o anocalendário de 2009, a diversos produtos sujeitos à tributação pelo IPI. Não tendo sido declarados e nem comprovados os correspondentes pagamentos, a autoridade fiscal efetuou, de ofício, o lançamento dos débitos apurados. Em resumo, descreveu os seguintes fatos: 1 Do procedimento fiscal O estabelecimento fiscalizado (matriz) não foi localizado no endereço informado no cadastro CNPJ. Intimações foram expedidas aos demais estabelecimentos filiais da empresa, todas infrutíferas, retornadas por não terem sido eles localizados. Os sócios da empresa, intimados, também não se manifestaram. Em decorrência, foram tomadas providências no sentido de declarar a inaptidão da pessoa jurídica. Diante da ausência de apresentação dos documentos requeridos à fiscalizada e da DIPJ/2010 (anocalendário 2009), foram consideradas as seguintes informações: · Das GIA's enviadas pela contribuinte à Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo – SEFAZSP, no período de 01/2009 a 12/2009, constatouse uma receita de vendas no total declarado de R$ 28.666.804,85. · Dos Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais (DACON) arquivados nos sistemas de controle 1 Todas as páginas, referenciadas no voto, correspondem ao eprocesso. Fl. 1424DF CARF MF Processo nº 10882.723672/201395 Acórdão n.º 3302005.285 S3C3T2 Fl. 3 3 da RFB, verificouse que o sujeito passivo auferiu, em 2009, uma receita bruta de R$ 71.060.667,88. · Consta, nos sistemas de controle da RFB, que outras empresas adquiriram insumos da fiscalizada no valor total de R$ 5.962.291,93. Cinco empresas foram responsáveis pelo montante de R$ 5.313.113,96. Junto a estas, foram efetuadas diligências. · Consta, nos sistemas de controle da RFB, que houve retenção de IRRF em nome da fiscalizada, por outras pessoas jurídicas, acusando pagamentos de R$ 20.100.383,58. Deste total, quatro empresas e uma autarquia foram responsáveis por 99,72%, representando o montante de R$ 20.044.416,46. Junto a estas, foram efetuadas diligências. · Houve emissão de Requisição de Movimentação Financeira (RMF), nos termos do art. 3°, incisos VII e VIII, alínea b, do Decreto nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001, a instituições financeiras, a fim de se apurar os valores de depósitos bancários movimentados pela fiscalizada. Desconsiderandose os valores referentes a transferências entre contas de mesma titularidade, resgates de aplicações financeiras, estornos, cheques devolvidos, empréstimos bancários e demais lançamentos que não constituem rendimento, chegouse à conclusão que houve, em 2009, R$ 59.295.421,69 de depósitos bancários de origem não comprovada. Receitas Apuradas (R$) Em Diligências Mês (2009) DACON Movimentação Financeira GIA Prestação de Serviços Venda de Mercadorias Janeiro 13.406.798,02 7.174.310,64 122.491,78 2.685.373,53 Fevereiro 5.419.129,59 6.182.026,57 44.882,00 1.027.018,11 Março 4.544.176,60 10.300.110,32 23.866,77 1.597.130,21 Abril 4.518.971,50 2.900.568,81 41.690,98 1.061.112,71 Maio 5.251.702,29 3.981.346,57 1.500.304,57 974.001,35 Junho 3.839.675,88 1.869.427,72 2.150.031,89 1.315.709,65 Julho 4.480.390,23 6.290.508,81 4.087.420,37 1.353.173,28 62.075,79 Agosto 3.936.318,10 2.840.336,00 2.617.641,20 1.091.852,93 414.098,63 Setembro 4.379.278,65 4.271.199,11 4.116.509,65 1.756.405,83 33.517,61 Outubro 9.465.185,46 6.062.742,96 6.594.935,Q8 3.326.398,76 492.908,29 Novembro 5.430.258,33 3.922.788,92 4.474.260,33 1.173.633,45 779.128,19 Dezembro 6.388.783,23 3.500.055,26 2.892.770,23 384.297,92 304.521,70 Totais 71.060.667,88 59.295.421,69 28.666.804,85 17.746.107,73 2.086.250,21 2 Da omissão de receitas Tendo em vista as divergências de valores de receitas auferidas, em face de fontes de informações distintas, a Fiscalização assumiu, como valor da receita do período, o maior valor apurado em cada mês. Para caracterizar a omissão de receitas, primeiramente foram considerados os valores apurados em diligências. Como os CFOP constantes nas notas fiscais verificadas em diligência foram declarados nas GIA, as diferenças a maior declaradas nas GIA foram consideradas Fl. 1425DF CARF MF 4 omissões apuradas em GIA. Em seguida, as diferenças a maior entre o valor declarado em DACON e o valor [Diligência + GIA] foram tidas como omissões apuradas em DACON. Finalmente, os valores remanescentes podem ser considerados omissões apuradas da movimentação financeira (depósitos bancários). Em suma, a omissões apuradas pela Fiscalização podem ser sintetizadas na tabela abaixo: Receitas Apuradas (R$) Omissão Apurada em Diligência Mês (2009) Total da Omissão de Receitas Prestação de Serviços Venda de Mercadorias Omissão Apurada em GIA Omissão Apurada em DACON Omissão Apurada em RMF Janeiro 13.406.798,02 2.685.373,53 0,00 0,00 10.721.424,49 0,00 Fevereiro 6.182.026,57 1.027.018,11 0,00 0,00 4.392.111,48 762.896,98 Março 10.300.110,32 1.597.130,21 0,00 0,00 2.947.046,39 5.755.933,72 Abril 4.518.971,50 1.061.112,71 0,00 0,00 3.457.858,79 0,00 Maio 5.251.702,29 974.001,35 0,00 526.303,22 3.751.397,72 0,00 Junho 3.839.675,88 1.315.709,65 0,00 834.322,24 1.689.643,99 0,00 Julho 6.290.508,81 1.353.173,28 62.075,79 2.672.171,30 392.969,86 1.810.118,58 Agosto 3.936.318,10 1.091.852,93 414.098,63 1.111.689,64 1.318.676,90 0,00 Setembro 4.379.278,65 1.756.405,83 33.517,61 2.326.586,21 262.769,00 0,00 Outubro 9.465.185,46 3.326.398,76 492.908,29 2.775.628,03 2.870.250,38 0,00 Novembro 5.430.258,33 1.173.633,45 779.128,19 2.521.498,69 955.998,00 0,00 Dezembro 6.388.783,23 384.297,92 304.521,70 2.203.950,61 3.496.013,00 0,00 Total 79.389.617,16 17.746.107,73 2.086.250,21 14.972.149,94 36.256.160,00 8.328.949,28 3 Da apuração dos débitos de IPI Das diligências efetuadas junto às pessoas jurídicas que declararam ter adquirido bens e serviços da fiscalizada, foi identificado o fornecimento dos seguintes produtos: Produto NCM Alíquota TIPI Papel offset 4802.55.92 5% Papel laser 4802.55.92 5% Envelope ATM Depósito Cheque 4817.10.00 5% Envelope ATM Depósito Dinheiro 4817.10.00 5% Aviso de Recebimento 4817.20.00 5% Bloqueto de Cobrança 4820.10.00 15% Formulário Base Cheque 4820.40.00 5% Questionários Socioeconómicos 4901.10.00 NT Cadernos de Testes 4901.10.00 NT Manuais (Livros) 4901.10.00 NT Segundo o relatório fiscal, apenas os produtos classificados no código 4802.55.92 tiveram o IPI destacado nas notas fiscais. Os demais produtos, embora tenham sido vendidos como prestação de serviços, deveriam sofrer a incidência do imposto, uma vez que ocorreram operações de industrialização. Por isso, as saídas identificadas com esses códigos foram tributadas com as respectivas alíquotas. Contudo, das omissões apuradas em GIA, DACON e da movimentação financeira, não foi possível discriminar os produtos vendidos por código NCM. Mesmo em algumas das notas fiscais diligenciadas, não foi possível identificar as classificações aplicáveis. Para estes casos, com fundamento no art. 448 do RIPI/2002, aplicouse a maior alíquota, de 15%. Em resumo, os débitos de IPI apurados resultaram assim: (...) 4 Da escrita fiscal Tendo sido apurados débitos de IPI, é necessária a constituição da escrita fiscal (Registro de Apuração do IPI – RAIPI) com vistas a confrontar créditos e débitos, em virtude do princípio da nãocumulatividade. Todavia, a contribuinte não apresentou os Livros do RAIPI, de modo que a Fiscalização considerou as Fl. 1426DF CARF MF Processo nº 10882.723672/201395 Acórdão n.º 3302005.285 S3C3T2 Fl. 4 5 informações prestadas em PER/DCOMP apresentados pela contribuinte para fins de reconstituição da escrita: (...) 5 Das multas de ofício Observou a autoridade fiscal que, sobre o IPI não destacado em notas fiscais, incide a multa prevista no art. 80 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. Além disso, em razão de não atendimento às intimações, a multa deve ser agravada em 50%, ao teor do art. 80, § 7º, da Lei nº 4.502, de 1964. 6 Da responsabilidade solidária De acordo com a informação fiscal, tendo sido constatado que a contribuinte não pode ser localizada em seu domicílio e que não opera mais no local designado na ficha cadastral da JUCESP, resta configurada a infração à lei por parte dos administradores, pela falta de comunicação à Junta Comercial de um ato elementar, qual seja a dissolução da sociedade, ato este que visa organizar o patrimônio da sociedade para assegurar a quitação de suas dívidas. Para reforçar o entendimento, a Súmula 435 do STJ enuncia: “Presumese dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando o redirecionamento da execução fiscal para o sóciogerente”. Além disso, a omissão em relação à Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ 2010) aponta para uma outra infração legal. Na Ficha Cadastral da Junta Comercial do Estado de São Paulo (JUCESP), obtida no sítio eletrônico “http://www.jucesp.fazenda.sp.gov.br/”, consta que o Sr. Emanuel Wolff, CPF 006.559.65874, e a Sra. Anita Wolff, CPF 053.539.04834, encontravamse, na última alteração no quadro societário, na condição de sócios e administradores, assinando pela empresa. Assim, foram lavrados Termos de Sujeição Passiva Solidária para os sóciosadministradores (efls. 1042/1049), cujas cópias foram encaminhadas aos seus endereços via postal. Cientificada a contribuinte apresentou impugnação, fls. 1085 e seguintes, onde alegou em síntese: 1. Que a totalidade dos valores faturados pela impugnante não se submete à tributação do IPI; 2. Transcreve a súmula 156, do Superior Tribunal de Justiça, e diz que é exatamente essa a atividade da Impugnante, qual seja, a prestação de serviços gráficos, mediante encomenda, de materiais de uso exclusivo do encomendante, e que não serão utilizados comercialmente; Fl. 1427DF CARF MF 6 3. Ela afirma que os materiais que são vendidos por ela, mas que não se consubstanciam em impressos personalizados, como papel offset e papel laser, foram oferecidos à tributação pelo contribuinte. Os demais materiais listados referemse a impressos utilizados pelas empresas encomendantes, como envelopes para depósito em cheque ou dinheiro, bloquetos de cobrança, utilizados pelas instituições financeiras, avisos de recebimento encomendados pela Empresa de Correios e Telégrafos, e questionários sócio econômicos, cadernos de testes e manuais (livros) encomendados pela Universidade Federal de Juiz de Fora; 4. Colaciona uma série de precedentes do STJ, que demonstram que a industrialização sob encomenda está sujeita ao ISS exclusivamente; 5. Afirma que há inexistência de omissão na receita declarada, e que a divergência existente entre os valores faturados e os constantes das movimentações financeiras da empresa se dá em razão dos prazos de pagamento concedidos aos seus clientes. Com efeito, operações faturadas em janeiro de 2009 foram efetivamente pagas pelos adquirentes em fevereiro e março de 2009, provocando as diferenças numéricas, sem, contudo, equivaler a sonegação de qualquer espécie. Exemplifica, demonstrando que, o valor faturado em janeiro de 2013, R$ 13.406.798,02, é muito inferior ao valor financeiro movimentado nesse mesmo mês, R$ 7.174.310,64, sendo a diferença objeto de recebimentos nos meses seguintes; 6. Afirma que há desproporcionalidade no que concerne à multa agravada, que a multa não pode restringir o direito de propriedade da contribuinte e que configura enriquecimento sem causa do poder público, citando jurisprudência da Corte Superior; 7. Alega pela não incidência da Taxa Selic sobre a multa de ofício; 8. Pleiteia pela produção de provas em atenção ao princípio da verdade material e a realização de perícia. Não houve impugnação por parte dos responsáveis solidários, o que resultou nos termos de revelia, fls. 1357/1358. Houve a conversão do feito em diligência pela DRJ/Ribeirão Preto, fls. 1250, para: Assim sendo, voto no sentido de que o julgamento seja convertido em diligência, de modo a ser verificada a compatibilidade entre as receitas de vendas levantadas pela Fiscalização, os registros dos documentos fiscais e contábeis em posse do representante legal da empresa e a movimentação financeira ocorrida. Além disso, sendo possível identificar as receitas de vendas por tipo de produto e código NCM, em cada período, a existência de destaque do IPI nas notas fiscais, os mesmos devem ser informados, reapurandose o IPI devido. Atentese ainda que, sendo cabível, eventuais lançamentos complementares deverão ser efetuados, juntandose ao presente, por apensação, o respectivo processo. Às fls. 1318, encontrase o Termo de Encerramento de Diligência e Relatório Fiscal. Fl. 1428DF CARF MF Processo nº 10882.723672/201395 Acórdão n.º 3302005.285 S3C3T2 Fl. 5 7 Sobreveio julgamento da DRJ/Ribeirão Preto, fls. 1328 e seguintes, julgando parcialmente procedente o feito. Colacionase abaixo a ementa da decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 SAÍDA DE PRODUTOS DE IMPRESSÃO GRÁFICA POR ENCOMENDA. OCORRÊNCIA DE FATO GERADOR DO IPI. O processo gráfico, ainda que sob encomenda, na regra geral constitui operação de industrialização nos termos definidos pela legislação de regência. Haveria exceção caso se tratasse de impressão, por encomenda direta do consumidor ou usuário, na residência do preparador ou em oficina, conforme definido no Regulamento do IPI, devendo ser, em qualquer situação, preponderante o trabalho profissional. No caso concreto, restou afastada a hipótese de exceção. OPERAÇÕES SUJEITAS AO ISS E AO IPI. SÚMULA 156 DO STJ. ÉGIDE DA CF/1988. INAPLICABILIDADE AO CASO CONCRETO. A Súmula nº 156 do STJ serve para dirimir eventual conflito de competência entre estados e municípios, isto é, resolve conflitos acerca da incidência de ICMS ou ISS. É irrelevante, para determinar a incidência do IPI, o fato do serviço estar catalogado na lista anexa ao Decretolei nº 406, de 1968, ou à Lei Complementar nº 116, de 2003, desde que se caracterize como operação de industrialização dentre as modalidades previstas no Regulamento do IPI. A incidência do ISS não exclui a do IPI. APURAÇÃO DO IPI. OMISSÃO DE RECEITAS. BASE DE CÁLCULO. Apuradas receitas cuja origem não seja comprovada, considerarseão provenientes de vendas não registradas e sobre elas será exigido o IPI. As disposições legais e regulamentares estabeleceram a presunção legal de que os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, não comprovados com documentação hábil e idônea, constituem receita omitida. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Considerase como não contestada a matéria que não tenha sido expressamente questionada. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. Fl. 1429DF CARF MF 8 As presunções legais relativas provocam a chamada “inversão do ônus da prova”, cabendo ao contribuinte provar que o Fisco está equivocado, apresentando para tanto provas materiais que contradigam o lançamento. PRODUÇÃO DE PROVAS. PEDIDO DE PERÍCIA CONTÁBIL. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de perícia quando a prova das questões a serem deslindadas poderia ter sido feita mediante a apresentação oportuna de documentos, bem como por não estar configurada situação a exigir conhecimentos técnicos ou científicos especializados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.CONSTITUCIONALIDADE. Escapa à competência da autoridade administrativa afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Nesta condição, diante da ocorrência da hipótese prevista em lei, há que se aplicar a multa de ofício. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União,decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, é regular a incidência dos juros de mora, a partir de seu vencimento. O valor exonerado do auto de infração no julgamento da DRJ/Ribeirão Preto está abaixo do previsto na Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017. No próprio acórdão, não há interposição de Recurso de Ofício. A contribuinte irresignada apresentou Recurso Voluntário, fls. 1381 e seguintes, onde repisou os argumentos da impugnação. Os solidários responsáveis, que já eram revéis na fase de impugnação, não apresentaram Recurso Voluntário. É o relatório." Voto Vencido Conselheiro Raphael Madeira Abad, redator "ad hoc" Na condição de redator "ad hoc" para formalização desta decisão, passo a transcrever o voto constante da minuta do voto da relatora Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza. "1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, a ciência do acórdão ocorreu em 14 de junho de 2016, fls. 1376, por meio do edital de ciência eletrônico, e Fl. 1430DF CARF MF Processo nº 10882.723672/201395 Acórdão n.º 3302005.285 S3C3T2 Fl. 6 9 o recurso foi protocolado em 05 de julho de 2016, fls. 1377. Tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Do mérito 2.1. Do campo de incidência tributária do IPI e do conflito com o campo de incidência tributária do ISS No que concerne ao mérito, a Recorrente afirma que a totalidade dos valores faturados não se submete à tributação do IPI, afirmando ser uma caso de não incidência tributária, colacionando jurisprudência do STJ e do CARF. No caso em análise, primeiramente, é importante observar a chamada competência constitucional a fim de realizar um exame se há incidência ou não do IPI nos serviços da indústria gráfica sob encomenda. Preceitua a Constituição Federal: Constituição Federal Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: (...) IV produtos industrializados; Art. 156. Compete aos Municípios instituir impostos sobre: (...) III serviços de qualquer natureza, não compreendidos no art. 155, II, definidos em lei complementar. Quanto ao critério material do IPI, JOSÉ ROBERTO VIEIRA2 o elucida: Temos, enfim, o critério material da hipótese de incidência tributária desse imposto, em sua inteira compostura constitucional: realizar operações com produtos industrializados. Assim, aquele que realizar operações de industrialização, no caso, o industrial é o chamado destinatário constitucional tributário. Das lições doutrinárias3, retiramse mais lições para elucidar a incidência tributária do tributo em questão: Por fim, no que concerne à hipótese da norma de incidência desse tributo, acrescentese uma última reflexão. Se, da Lei Maior, deflui a noção de que o IPI tributa a realização de operações com produtos industrializados, despontando o industrial como o destinatário constitucional tributário; e se, da lei ordinária, deriva a ideia de que essas operações são jurídicas e implicam transmissão da propriedade ou posse dos produtos, bem como decorre a informação de que elas se devem dar por consumadas no momento da saída dos produtos industrializados 2 VIEIRA, José Roberto. IPI X ICMS X ISS: conflitos de competência ou sedução de aparências. In: SANTI, Eurico Marcos Diniz de; CANADO, Vanessa Rahal. Direito tributário: tributação do setor industrial. São Paulo: Saraiva, 2013, p. 63. 3 Ibid, p. 6768. Fl. 1431DF CARF MF 10 dos estabelecimentos que os industrializaram; tornase certo e inconteste que esse tributo atinge os negócios jurídicos com os produtos, quando eles tenham sido, imediatamente antes, industrializados; resulta límpido e incontroverso que o IPI incide na primeira etapa da cadeia de produção e comercialização dos produtos industrializados. (...) De pleno acordo com a tese, entendemos manifesto e indisputável que esse imposto alcança as operações realizadas pela indústria. Das lições acima citadas, entendese que o campo do IPI é realizar operações com produtos industrializados, já o campo de incidência de ISS é prestar serviços. É nítido que o campo de incidência do IPI e do ISS possuem zonas de conflito, como o vislumbrando no caso em análise. Enquanto o IPI consubstanciase em uma operação de dar, o ISS apresenta se como uma obrigação de fazer. Os serviços complexos e a industrialização por encomenda são duas zonas cinzentas, em que se depara com um possível conflito de competência entre o IPI e o ISS, onde deve ser analisado se é uma obrigação de dar ou uma obrigação de fazer. Quanto aos campos de incidência tributária, a Constituição Federal, por meio da atribuição da competência tributária, os delimita e caso haja um possível conflito de competência, ela, em seu artigo 146, dispõe o seguinte: Constituição Federal Art. 146. Cabe à lei complementar: I dispor sobre conflitos de competência, em matéria tributária, entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios; No caso em análise, a lei complementar do ISS, LC nº 116/2003, que, por sua vez, possui um caráter de lei nacional, é o instrumento adequado para regular o conflito de competência do caso em análise, se sob os serviços de indústria gráfica incidirá ou não o IPI, tentando solucionar a tensão existente entre a incidência do IPI e a incidência do ISS. No que concerne à referida lei, das lições de JOSÉ ROBERTO VIEIRA4, retirase: Solucionase juridicamente bem a questão, lembrando que essa lei complementar guarda uma relação de espécie para com o gênero da lei complementar do art. 146, destinandose, no caso, apenas a dispor sobre eventuais conflitos "de competência" (...) Da Lei Complementar nº 116/2003, retirase: Lista de serviços anexa à Lei Complementar nº 116, de 31 de julho de 2003. 13 – Serviços relativos a fonografia, fotografia, cinematografia e reprografia. (...) 4 Ibid, p. 81. Fl. 1432DF CARF MF Processo nº 10882.723672/201395 Acórdão n.º 3302005.285 S3C3T2 Fl. 7 11 13.05 Composição gráfica, inclusive confecção de impressos gráficos, fotocomposição, clicheria, zincografia, litografia e fotolitografia, exceto se destinados a posterior operação de comercialização ou industrialização, ainda que incorporados, de qualquer forma, a outra mercadoria que deva ser objeto de posterior circulação, tais como bulas, rótulos, etiquetas, caixas, cartuchos, embalagens e manuais técnicos e de instrução, quando ficarão sujeitos ao ICMS. (Redação dada pela Lei Complementar nº 157, de 2016) Observado o que seria o conflito de competência e como a lei complementar vem dirimir tal problema, importante entender o caso em análise. MARCELO CARON BAPTISTA5 esclarece o que seria a industrialização por encomenda: O industrial, de regra, elabora o produto e assume os riscos quanto à sua comercialização. O fazer, então, é indissociável do comportamento de industrializar, de criar produtos, o que não afasta a natureza jurídica da prestaçãofim objeto de suas operações. Por essa razão, o único ponto de suposto atrito entre o IPI e o ISS está na chamada industrialização por encomenda. Tratase de contrato que tem por objeto a elaboração de um produto, pelo industrial, conforme as necessidades específicas daquele que fez a encomenda. O industrial, nesse caso, não se resume a elaborar o produto com as características que ele entende necessárias para viabilizar a sua comercialização, tal qual aqueles constantes de sua linha normal de produção. Ao contrário, ele somente atua mediante prévia contratação de seus esforços, para produzir algo que, mesmo podendo ser similar àquilo que normalmente elabora, será portador de propriedades idealizadas e/ou exigidas pelo autor da encomenda. Avultam, então, duas prestações diferentes; uma de fazer (elaborar o produto encomendado) e outra de dar (entregálo a quem encomendou). Ambas são imprescindíveis para que a obrigação do industrial se dê por cumprida. Sem a prestação de fazer não haverá produto, e sem a prestação de dar o dever jurídico não será cumprido. Resta saber qual dos comportamentos se sobrepõe como prestaçãofim da relação contratual. No caso em análise, a Recorrente chegou a tributar com IPI aqueles produtos que não se tratavam de industrialização por encomenda, como por exemplo, o papel off set. Retirase do TVF, fls. 1011, como a Recorrente tributou os produtos: Tecnoformas Indústria Gráfica LTDA apresentou Notas Fiscais contendo: ENVELOPE ATM DEPÓSITO CHEQUE ENVELOPE ATM DEPÓSITO DINHEIRO Obs.: Não houve destaque de IPI nas Notas Fiscais. 5 BAPTISTA, Marcelo Caron. ISS: do texto à norma. São Paulo: Quartier Latin, 2005, p. 318319. Fl. 1433DF CARF MF 12 TEC2DOC Serviços de Tecnologia: PAPEL OFF SET Obs.: Houve destaque de IPI nas Notas Fiscais. Fingerprint Processamento de Dados: PAPEL OFF SET PAPEL LASER Obs.: Houve destaque de IPI nas Notas Fiscais. UFJF: Impressão de Questionários Socioeconômicos Impressão de Cadernos de Testes Impressão de Manuais (Livros) Obs.: Não houve destaque de IPI nas Notas Fiscais. Entretanto, produto Não Tributado pelo mesmo. Correios: AVISO DE RECEBIMENTO Obs.: Não houve destaque de IPI nas Notas Fiscais. Banco Nossa Caixa S/A: ENVELOPE ATM DEPÓSITO CHEQUE ENVELOPE ATM DEPÓSITO DINHEIRO BLOQUETO DE COBRANÇA Obs.: Não houve destaque de IPI nas Notas Fiscais. Banco do Brasil S/A (BB): FORM BASE CHQ BLOQ DE COBRANÇA ENV ATM DEPÓSITO DINHEIRO ENV ATM DEPÓSITO DINHEIRO Obs.: Não houve destaque de IPI nas Notas Fiscais. CEF: Não foi possível identificar os itens das notas fiscais. Indústria Gráfica Brasileira LTDA e Editora Abril S/A: Não houve Notas Fiscais de Venda emitidas pelo Contribuinte para estas empresas. Fl. 1434DF CARF MF Processo nº 10882.723672/201395 Acórdão n.º 3302005.285 S3C3T2 Fl. 8 13 Observase a partir do Termo de Verificação Fiscal, que para a industrialização normal, houve o pagamento de IPI, mas para a industrialização sob encomenda não houve o destaque, apresentandose como correta a atitude da contribuinte, uma vez que, nestes casos, há a prevalência da obrigação de fazer sobre a obrigação de dar. Por exemplo, na confecção do aviso de recebimento dos Correios, industrializado sob encomenda pela Recorrente, tal tipo produto somente poderá ser utilizado em suas agências, apresentando se a obrigação de fazer como mais importante que a de dar, ou seja, tratase de um nítido caso de industrialização por encomenda e, portanto, fora do campo de incidência tributária do IPI. Assim, já decidiu o Superior Tribunal de Justiça: RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. IPI. COMPOSIÇÃO GRÁFICA PERSONALIZADA E SOB ENCOMENDA. IPI. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA 156/STJ. 1. A prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, está sujeita apenas ao ISS, não se submetendo ao ICMS ou ao IPI. 2. Aplicação analógica da Súmula n. 156/STJ: "A prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, ainda que envolva fornecimento de mercadorias, está sujeita, apenas, ao ISS". 3. Recurso especial a que se nega seguimento. (STJ; Resp 1.308.633SP; Relator: Ministro Castro Meira; Data da sessão: 28.05.2013) Portanto, diante do nítido conflito de competência, deve prevalecer a incidência do ISS, excluindose a incidência do IPI, assistindo razão à Recorrente em não oferecer à tributação a industrialização sob encomenda. 3. Conclusão Por todo exposto, conheço o recurso voluntário e concedo provimento integral. Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Caso seja vencida no mérito do Recurso Voluntário, passo à análise das demais questões: 1. Da multa agravada A Recorrente expõe que o percentual utilizado para aplicação da multa afronta o determinado na legislação. Ela diz que a multa não pode possuir um fim arrecadatório, tampouco restringir o chamado direito de propriedade, configurando um enriquecimento ilícito por parte do Estado. Afirma que, no caso em análise, a multa possui efeito confiscatório, colaciona jurisprudência do STF. Fl. 1435DF CARF MF 14 No caso em análise, foi aplicada a multa agravada de 112,5%, com base nos seguintes fundamentos fáticos, fls. 1023: F MULTA AGRAVADA Mesmo intimada e reintimada, com ciência do sócio administrador, acerca do andamento do presente procedimento, o Sujeito Passivo não atendeu às intimações lavradas pela fiscalização. Em face do exposto, a multa referente à falta de destaque de IPI será agravada em 50%, conforme determina o art. 80, §7º, da Lei nº 4.502, de 1964. Lei nº 4.502, de 1964, art. 80, § 7º: “§ 7º Os percentuais de multa a que se referem o caput e o § 6º deste artigo serão aumentados de metade nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos. (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007).” No caso em análise, a Recorrente foi intimada diversas vezes para apresentar a documentação solicitada pela fiscalização e não atendeu às intimações, o que resultou na multa agravada. O lançamento de ofício enseja a aplicação da multa de 75%, o que será acrescido da metade caso não haja atendimento nas intimações: Lei nº 9.430, de 1966 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; Quanto à argumentação da Recorrente quanto ao caráter confiscatório, aplica se a Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Portanto, diante da falta de atendimento às intimações de forma reiterada, mantémse a multa agravada. 2. Juros de mora sobre a multa de ofício A Recorrente alega que não deve haver a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, pois tal exigência é contrária à legislação em vigor e à jurisprudência deste Egrégio Tribunal. Observase, primeiramente, o que o Código Tributário Nacional versa sobre a aplicação dos juros de mora: Fl. 1436DF CARF MF Processo nº 10882.723672/201395 Acórdão n.º 3302005.285 S3C3T2 Fl. 9 15 Código Tributário Nacional Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. A legislação deixa claro que caso não haja legislação sobre o percentual dos juros de mora será aplicada a taxa de um por cento ao mês. No que concerne à legislação infraconstitucional, observase que o art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/1996, dispõe que: Lei nº 9.430, de 1996 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Realizase uma remissão, então, ao art. 5º, § 3º, da Lei 9.430/1996: Lei nº 9430, de 1996 Art. 5º. (...) (...) § 3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. A legislação prevê a incidência da taxa Selic, que no caso é o juros de mora, sobre a impontualidade do pagamento, mas não em relação à multa. Assim, já decidiu este Tribunal Administrativo: JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Não existe amparo legal para a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício. (Acórdão no 3403001.541, Rel. Cons. Antonio Carlos Fl. 1437DF CARF MF 16 Atulim, unanimidade em relação ao tema, sessão de 24.abr.2012) Nesse sentido, deve ser retirada a incidência do juros de mora sobre a multa de ofício por falta de fundamento legal. 3. Das Provas A Recorrente entende que é indispensável a realização de perícia para analisar as notas fiscais e entende que a decisão da DRJ/Ribeirão Preto é contraditória e que deve ser atendido o princípio da verdade material. Em relação ao deferimento da perícia, este não se mostra obrigatório em todos os casos que são pleiteados pelos contribuintes. Importante analisar o que a legislação prevê em relação à perícia: Decreto nº 70.235/1972 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. Observase que a legislação prescreve que a autoridade determinará a realização de perícia, quando entender necessária. No caso em análise, foi realizada uma perícia, ainda na fase de impugnação, fls. 1318, que o julgador entendeu necessária. Na presente fase processual, entendese que é desnecessária a realização de perícia, uma vez que como não foi entendido ser caso tão somente de incidência de ISS, não será a prova fática que irá modificar a opinião do julgador, já que a perícia anterior, que optou por entender pela incidência do IPI, refez o trabalho de apuração do IPI. Portanto, indeferese o pedido de perícia por ser desnecessária." Voto Vencedor Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Redatora: Com a devida vênia à i. Relatora, discorrerseá a seguir quanto aos fundamentos que emolduram a divergência quanto à parte meritória e juros sobre a multa de ofício, matérias atinentes ao voto vencedor. Destaca o Termo de Verificação Fiscal de fl. 1.003/1.025: Fl. 1438DF CARF MF Processo nº 10882.723672/201395 Acórdão n.º 3302005.285 S3C3T2 Fl. 10 17 Embora o Contribuinte tenha destacado IPI somente quando vendeu o produto identificado pelo NCM 4802.55.92 nas Notas verificadas nas Diligências, o Contribuinte também deveria ter destacado IPI nas vendas relacionadas aos demais produtos (exceto o NCM 4901.10.00, por ser NT). Uma vez que do papel utilizado na impressão pelo Contribuinte surge um novo produto específico (nova espécie), resta caracterizada a industrialização, ainda que tal produto tenha sido encomendado pelos clientes do Sujeito Passivo. Senão, vejamos:(grifei). (...) Não obstante a incidência do ISS nas Notas Fiscais apresentadas, não há óbice à incidência do IPI nas operações de Prestação de Serviços com posterior entrega de mercadoria, visto que a lei complementar que trata da incidência do ISS Lei Complementar (LC) n° 116, de 31 de julho de 2003 cumprindo o comando do art. 156, inciso III, da Constituição Federal em vigor, apenas determina, em seu art. 1º, § 2º, que os serviços mencionados na lista anexa à referida LC, ressalvadas as exceções expressas na própria lista, não estão sujeitos ao imposto ICMS, de competência estadual, incidente sobre os serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação. Em momento algum, exclui dos serviços relacionados na lista a incidência do IPI, de competência federal. Desta forma, se numa determinada prestação de serviço Fl. 1439DF CARF MF 18 também ocorre fato gerador do IPI, necessariamente este também incidirá. Senão, vejamos: (...) Ressaltase que a própria empresa reconhece que os seus produtos são industrializados, pois indicou a existência de saldo credor de IPI, decorrente da entrada de insumos, conforme veremos adiante na seção D (REESCRITA FISCAL). Caso contrário, se o produto fosse nãotributado ele não estaria no campo de incidência do imposto, não ocorrendo atuação do princípio da nãocumulatividade, pois assim o IPI destacado nos insumos deveria ser considerado custo.(grifei). Diante do contexto fático, observase que a matéria nuclear consiste em verificar se no caso em lide há a incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI. O 6art. 153 da CF/88 ao dispor que compete à União instituir impostos sobre produtos industrializados, indica que o critério material da hipótese de incidência tributária é a execução de uma operação de industrialização. Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: I,II, III (...); IV produtos industrializados;(grifei). Nesse contexto, dispõem os artigos 3º e 4º do RIPI/2002 (Decreto nº 4.544/2002). (grifei). Art. 2º O imposto incide sobre produtos industrializados, nacionais e estrangeiros, obedecidas as especificações constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI (Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 1º, e Decretolei nº 34, de 18 de novembro de 1966, art. 1º). (...) Art. 3º Produto industrializado é o resultante de qualquer operação definida neste Regulamento como industrialização, mesmo incompleta, parcial ou intermediária. Art. 4º Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, e Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 46, parágrafo único): 6 Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: I,II, III (...); IV produtos industrializados; Fl. 1440DF CARF MF Processo nº 10882.723672/201395 Acórdão n.º 3302005.285 S3C3T2 Fl. 11 19 I a que, exercida sobre matériasprimas ou produtos intermediários, importe na obtenção de espécie nova (transformação); (...) Parágrafo único. São irrelevantes, para caracterizar a operação como industrialização, o processo utilizado para obtenção do produto e a localização e condições das instalações ou equipamentos empregados.(grifei). (...) Art. 34. Fato gerador do imposto é (Lei nº 4.502, de 1964, art. 2º): (...) II a saída de produto do estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial. Das disposições acima transcritas verificase que para que haja incidência do IPI é necessária a existência de um produto resultante de uma operação de industrialização e que haja a saída do referido produto do estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial. Nesse sentido, apropriadamente fundamenta a decisão de piso: Defende a impugnante que parte de suas atividades tratase de serviços de composição gráfica realizados sob encomenda e, por isso, escapariam ao campo de incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados. Aduz (efls. 1089/1090): (...) Frisese que a impugnante não demonstra e não quantifica a parcela que corresponderia a essas atividades, cuja tributação é alvo de contestação. Mas vêse, desde logo, que o mérito da discussão cingese em determinar se as operações de saída por encomenda do estabelecimento constituiriamse em fatos geradores do IPI. No fundo, o que se debate é a competência tributária sobre os fatos econômicos ocorridos. Assim, a investigação deve principiar pela Constituição Federal, pois os âmbitos de incidência dos tributos estão ali predefinidos. (...) A CF/1969, ao tratar da competência dos Municípios para instituir impostos, excluiu expressamente a competência municipal, diante de fatos sujeitos às competências da União e dos Estados, conforme se pode verificar em seu art. 25, verbis: Art 25. Compete aos Municípios decretar impostos sobre: I (...); Fl. 1441DF CARF MF 20 II serviços de qualquer natureza não compreendidos na competência tributária da União ou dos Estados, definidos em lei complementar. Como na CF/1988 esta exclusão de competência foi mantida apenas em relação ao ICMS (art. 156, III), a conseqüência jurídica disto é que nos casos como no dos autos, quando a obrigação de fazer consistente na prestação do serviço se consubstanciar numa operação de industrialização, é perfeitamente possível a incidência do IPI e do ISS, à luz das respectivas regrasmatrizes de incidência fixadas na constituição vigente. (...) À luz da CF/1988, o IPI não interfere e nem sofre a interferência dos impostos ISS e ICMS, municipal e estadual. No presente caso, os clientes da ora impugnante, ao encomendarem as impressões gráficas personalizadas, sem dúvida estão encomendando uma prestação de serviço, nos moldes previstos originalmente no art.8º do DL nº 406, de 1968. Para que tal encomenda possa ser executada, a interessada, ora impugnante, é obrigada a adquirir insumos e a transformálos em novo produto que, posteriormente, sairá do estabelecimento para ser entregue ao cliente, consubstanciandose a hipótese prevista no art. 4º do Regulamento do IPI – RIPI/2002 (Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002). Finalmente, ao se consumar a prestação do serviço, pela tradição da coisa e recebimento do preço, ocorre a circulação de mercadoria (art. 2º, I, da Lei Complementar nº 87, de 13 de setembro de 1996). Bem se vê que, na mesma operação econômica, para a prestação desse serviço, a interessada pratica o fato gerador do IPI. Ressaltese que a edição da Lei Complementar nº 116, de 31 de julho de 2003, não modificou o entendimento. Concluise, então, que o processo gráfico, ainda quando realizado sob encomenda, na regra geral constitui operação de industrialização nos termos definidos pela legislação regente. Haveria exceção caso se tratasse de impressão, por encomenda direta do consumidor ou usuário, na residência do preparador ou em oficina, nos termos definidos no art.5º, V, do RIPI/2002, devendo ser, em qualquer situação, preponderante o trabalho profissional.(grifei). No caso concreto restou afastada a hipótese de exceção. Delimitada a situação fática, inferese que ocorrendo a incidência tributária, nasce portanto a obrigação tributária, cuja natureza é ex lege, conforme preveem o § 1º do art. 113 e o artigo 114 do C.T.N Estando assim a cobrança de tributo permeada pelo princípio da legalidade, e constatado no caso em apreço a ocorrência de uma operação de industrialização e o consequente fato gerador do IPI, inferese que só seria possível excluir a incidência do IPI se houvesse previsão expressa em lei excluindo da hipótese de incidência a atividade acima Fl. 1442DF CARF MF Processo nº 10882.723672/201395 Acórdão n.º 3302005.285 S3C3T2 Fl. 12 21 demonstrada, no entanto verificase que a lei de regência da matéria não traz essa exclusão em seu texto. Com efeito, inexistindo por expressa determinação legal exclusão da hipótese de incidência, no caso da operação de composição gráfica, tampouco se caracterizando a espécie dos autos como encomenda direta do usuário ou consumidor, nos termos do 7art. 5º, V, c/c art. 7º, II, do RIPI/2002 efetuada na residência do confeccionador ou preparador ou em oficina que forneça, preponderantemente, trabalho profissional, hipótese em que estaria descaracterizada a operação como industrialização, dessumese que há incidência do IPI na operação ora em lide. Ultrapassada essa questão, resta analisar se o ordenamento jurídico abriga a tributação pelo IPI e ISS na operação sub examine, em face da jurisprudência colacionada pela Recorrente. Constatase que o ISS, defendido pela Recorrente como único imposto exigível no caso dos autos, tem como fato gerador a prestação de serviços conforme lista anexa à a Lei Complementar nº 116, (LC), de 2003, não estando referidos serviços sujeitos ao ICMS, ainda que a prestação envolva fornecimento de mercadorias, conforme dicção do artigo 1º e § 2º do referido texto legal, inferindose portanto que existem serviços que contemplam também o fornecimento de mercadorias, cuidando nesse caso a lei de expressamente excluir o ICMS, no entanto, quanto ao IPI, como vimos, ainda que haja uma operação de industrialização que contemple também uma prestação de serviços, não há essa expressa determinação legal e desse modo, sendo a obrigação tributária, ex lege, como já ressaltado, não é possível por um mero raciocínio lógico inferirse que também está excluído o IPI. Dispõe a Lei Complementar nº 116, (LC), de 2003, acima referida: Art. 1º O Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza, de competência dos Municípios e do Distrito Federal, tem como fato gerador a prestação de serviços constantes da lista anexa, ainda que esses não se constituam como atividade preponderante do prestador. (...) § 2º Ressalvadas as exceções expressas na lista anexa, os serviços nela mencionados não ficam sujeitos ao Imposto Sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, ainda que sua prestação envolva fornecimento de mercadorias.(grifei). 7 Art. 5º Não se considera industrialização: (...) V o preparo de produto, por encomenda direta do consumidor ou usuário, na residência do preparador ou em oficina, desde que, em qualquer caso, seja preponderante o trabalho profissional; Art. 7º Para os efeitos do art. 5º: (...) II nos casos dos seus incisos IV e V: a) oficina é o estabelecimento que empregar, no máximo, cinco operários e, caso utilize força motriz, não dispuser de potência superior a cinco quilowatts; b) trabalho preponderante é o que contribuir no preparo do produto, para formação de seu valor, a título de mãodeobra, no mínimo com sessenta por cento. Fl. 1443DF CARF MF 22 Repisese que conforme acima disposto, e estando também ressaltado pelo TVF, a Lei Complementar (LC) n° 116, de 31 de julho de 2003, apenas determina, em seu art. 1º, § 2º, que os serviços contemplados na lista anexa à referida LC, ressalvadas as exceções expressas na própria lista, não estão sujeitos ao imposto ICMS, ou seja, referida lei apenas afasta a incidência cumulativa de ISS e ICMS, inexistindo assim, na referida lei qualquer determinação quanto à não incidência do IPI. Nesse mister, verificase inaplicável ao caso o enunciado da Súmula 156 do STJ, visto que os precedentes que embasaram a interpretação sumulada se referem expressamente quanto ao conflito de competências no âmbito do ISS e ICMS. Importa destacar para a conclusão da presente análise os seguintes dispositivos do CTN: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. (...). Art. 114. Fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência.(grifei) Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios;(grifei). Ante os comandos acima, considerando o substrato fático dos autos e as normas de regência do IPI, reproduzidas acima na parte que importa à interpretação da lide, tendo o IPI como fato gerador a industrialização e saída, do estabelecimento industrial, a ocorrência do pressuposto fático, de uma operação de industrialização, como é o caso dos autos, sem que exista dispositivo legal excluindo essa hipótese do campo de incidência, implica a incidência do referido imposto. Na esteira do raciocínio exposto, citamse os precedentes abaixo: Acórdão CSRF nº 9303002.265, de 09/05/2013: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 30/04/2003 IPI. INCIDÊNCIA. OPERAÇÃO MENCIONADA NA LISTA ANEXA AO DECRETOLEI 406/68 E NA ANEXA À LEI COMPLEMENTAR 116/2003. CABIMENTO Consoante a melhor dicção do art. 156 da Carta Política, apenas está constitucionalmente impedida a incidência sobre a mesma operação, conceituada como serviço, do ISS e do ICMS. Assim, tanto o decretolei nº 406/68, recepcionado como Lei Fl. 1444DF CARF MF Processo nº 10882.723672/201395 Acórdão n.º 3302005.285 S3C3T2 Fl. 13 23 Complementar até a edição da Lei Complementar nº 116/2003, quanto esta última, ao regularem tal dispositivo, apenas estão afastando a incidência cumulativa de ISS e ICMS, nada regulando quanto ao IPI. Para a incidência deste último, basta que a operação realizada se enquadre em um dos conceitos de industrialização presentes na Lei 4.502/64. Acórdão 3802003.433, de 20/08/2014: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2000 a 31/12/2000 IPI. SERVIÇOS DE COMPOSIÇÃO GRÁFICA (BOBINAS PERSONALIZADAS). Os serviços de composição gráfica, personalizados, previstos no art. 8°, § 1°, do DL n°406, de 1968, estão sujeitos à incidência do IPI e do ISS. Recurso ao qual se nega provimento. Em que pesem as respeitáveis decisões, judiciais e administradas apresentadas pelo Recorrente, as quais não vinculam essa instância administrativa, tomo de empréstimo mais uma vez excertos da decisão de piso que pertinentemente asseverou: Só seria jurídico excluir a incidência do IPI se houvesse previsão expressa em lei excluindo do conceito de industrialização a atividade de artes gráficas, a exemplo do que ocorre com os casos elencados no art. 5º do RIPI/2002, sendo que a existência de alguns julgados nesta direção não autoriza a aplicação do mesmo entendimento ao caso presente, porque o Tribunal não está impedido de rever este equivocado entendimento.(grifei). Concluise portanto, que inexistindo disposição legal quanto à não incidência do IPI na espécie dos autos, impõese ao caso as disposições da Lei 4.502, de 1964. Da incidência de juros sobre a multa de ofício Com relação aos juros moratórios sobre a multa de ofício, observese a dicção dos seguintes dispositivos do Código Tributário Nacional CTN: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. ... § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Fl. 1445DF CARF MF 24 ... Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Dos dispositivos acima transcritos constatase que a obrigação tributária concebida pelo CTN surge com a ocorrência do fato gerado, no entanto, os elementos da relação jurídicotributária só se encontram delineados por meio de ato administrativo, denominado de lançamento, quando então surge o crédito tributário. Com efeito, é importante ressaltar nos termos das disposições do artigo 139 acima transcrito que o legislador fez questão de diferenciar obrigação tributária do crédito tributário, apesar deste decorrer daquela e ambos terem a mesma natureza. Segundo 8Paulo de Barros Carvalho: O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. O crédito é elemento integrante da estrutura lógica da obrigação, de tal sorte que ostenta a relação de parte para com o todo. A natureza de ambas as entidades é, portanto, rigorosamente a mesma. Nesse sentido cabe transcrever as disposições do art. 161 do CTN: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Com efeito, a interpretação que se pode inferir do art. 161 acima transcrito encontra eco nos artigos precedentes do CTN já transcritos de modo a sinalizar que a norma insculpida no referido artigo não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Assim, na esteira desse raciocínio deduzse que o crédito tributário abriga tanto o valor do tributo quanto o da penalidade pecuniária, uma vez que ambos constituem a obrigação tributária, a qual tem a mesma natureza do crédito a ela correspondente. A matéria nuclear sub examine tem sido objeto de discussão reiterada nesse E. Conselho, de modo que adoto como fundamento decisório o voto proferido no Acórdão nº 9303002.400, de 15/08/2013, com escopo no artigo 50, § 1º da Lei nº 9.784, de 1999, cuja ementa e excertos do voto estão a seguir transcritos, na parte de interesse: EMENTA 8 CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário, 21ª ed São Paulo: saraiva, 2009, p.400. Fl. 1446DF CARF MF Processo nº 10882.723672/201395 Acórdão n.º 3302005.285 S3C3T2 Fl. 14 25 ASSUNTO:NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração:01/04/2000 a 30/06/2000 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira atributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora,calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento,e de um por cento no mês de pagamento. EXCERTOS DO VOTO A matéria trazida à apreciação deste colegiado restringese à incidência de juros de mora sobre multa de ofício não paga na data de seu vencimento. A decisão recorrida afastou os juros sobre a multa de oficio sob o argumento de que haveria necessidade de lei específica que previsse tal hipótese. A meu sentir esse entendimento não merece prosperar, vez que a legislação tributária prevê, expressamente, a incidência de juros moratórios sobre os créditos tributários não pagos no vencimento, aí incluídos aqueles decorrentes de penalidades, senão vejamos. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto o pagamento do tributo ou de penalidade pecuniária, e extinguese com o crédito dela decorrente, conforme o § 1º do art. 113 do CTN. Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Paralelamente, o art. 139 do CTN dispõe que o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Do cotejo desses dispositivos legais, concluise, indubitavelmente, que o crédito tributário inclui tanto o valor do tributo quanto o da penalidade pecuniária, visto que ambos constituem a obrigação tributária, a qual tem a mesma natureza do crédito a ela correspondente. Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta Conforme palavras do ilustre conselheiro Henrique Pinheiro Torres: Fl. 1447DF CARF MF 26 “Um é a imagem, absolutamente, simétrica do outro, apenas invertida, como ocorre no reflexo do espelho. Olhandose do ponto de vista do credor (pólo ativo da relação jurídica tributária, verseá o crédito tributário; se se transmutar para o pólo oposto, o que se verá será, justamento, o inverso, uma obrigação. Daí o art. 139 do CTN declarar expressamente que um tem a mesma natureza do outro. “Assim, como o crédito tributário correspondente à obrigação tributária e esta é constituída de tributo e de penalidade pecuniária, a conclusão lógica é que a penalidade é crédito tributário.(sic). Passamos agora a verificar o tratamento dispensado pela Legislação às hipóteses em que o crédito não é liquidado na data de vencimento. A norma geral, estabelecida no art. 161 do Código Tributário Nacional, dispõe que, o crédito não integralmente pago no vencimento será acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. A par dessa norma geral, para não deixar margem à dúvida, o legislador ordinário, estabeleceu que os créditos decorrentes de penalidades que não forem pagos nos respectivos vencimentos estarão sujeitos à incidência de juros de mora. Essa previsão consta, expressamente, do art. 43 da Lei 9.430/1996, que transcrevo abaixo. Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Em suma, temse que o crédito tributário, independentemente de se referir a tributo ou a penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, fica sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.(grifei). Feitas essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, para restabelecer a incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício não paga na data do respectivo vencimento.(grifei). A jurisprudência ainda pode ser demonstrada através dos seguintes acórdãos: Acórdão nº 9101001.863, de 30/01/2014: Fl. 1448DF CARF MF Processo nº 10882.723672/201395 Acórdão n.º 3302005.285 S3C3T2 Fl. 15 27 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 Ementa: A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Acórdão nº 2301004.441, de 27/02/2016: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício constitui juntamente com o tributo atualizado até a data do lançamento o crédito tributário e está sujeito à incidência de juros moratórios até sua extinção pelo pagamento. É digno de realce o entendimento do STJ acerca da matéria conforme ementa a seguir reproduzida: DIREITO TRIBUTÁRIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA FISCAL PUNITIVA. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. Precedentes citados: REsp 1.129.990PR, DJe 14/9/2009, e REsp 834.681MG, DJe 2/6/2010. AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/2012. Nos termos dos fundamentos acima colacionados, constatase que não há reparos no presente feito. Ante o exposto, VOTO POR NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Redatora Fl. 1449DF CARF MF
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Numero do processo: 10935.723840/2016-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2012, 2013
PERÍCIA. DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE.
Se a empresa não demonstra a necessidade de perícia e de diligência, impõe-se a conclusão da desnecessidade de ambas, razão pela qual devem-se afastar tais pedidos.
NULIDADE. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
A nulidade de um lançamento fiscal pressupõe a existência de um ato administrativo lavrado por autoridade incompetente ou que não se franqueie à parte adversária o amplo direito de se defender. Caso isto não ocorra - ou não se prove -, impende-se afastar o pedido de nulidade do lançamento.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012, 2013
SALDO CREDOR DE CAIXA. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS PROBANTE.
A presunção legal corresponde ao instituto pelo qual, a partir da prova de um fato conhecido direto, chega-se a um fato desconhecido indireto que se quer buscar. Se o fato indiciário - correspondente ao saldo credor de caixa - restou provado inequivocadamente pela fiscalização, cabe à empresa afastar a ocorrência da omissão de receitas (fato indireto).
OMISSÃO DE RECEITAS. EMPRÉSTIMOS. PRESUNÇÃO SIMPLES. PROVA DO FISCO.
As presunções simples até podem ser utilizadas para fundamentar lançamento de omissão de receitas. Entretanto, devem estar acompanhadas de documentação inequívoca de suas ocorrências, não cabendo tão somente levantar suspeições baseadas em meros indícios.
CSLL. PIS. COFINS. REFLEXOS.
Por decorrerem dos mesmos elementos de fato e de direito, aplica-se às contribuições sociais em destaque o quanto decidido em relação ao IRPJ.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2012, 2013
SÚMULA CARF Nº 02. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
SÚMULA CARF Nº 25. OMISSÃO DE RECEITAS POR PRESUNÇÃO LEGAL. MULTA QUALIFICADA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE DOLO.
A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2012, 2013
CRÉDITO DE PIS. FARINHA. ÓLEO DIESEL.
O insumo adquirido sem pagamento da contribuição social (alíquota zero) e o insumo não utilizado no processo produtivo não dão direito a crédito de Pis.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2012, 2013
CRÉDITO DE COFINS. FARINHA. ÓLEO DIESEL.
O insumo adquirido sem pagamento da contribuição social (alíquota zero) e o insumo não utilizado no processo produtivo não dão direito a crédito de Cofins.
Numero da decisão: 1401-002.354
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as alegações de nulidade, em negar provimento aos pedidos de perícia e de diligência, e, no mérito, em negar provimento ao recurso de ofício e ao recurso voluntário. Ausente momentaneamente a Conselheira Livia De Carli Germano.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição à Conselheira Livia De Carli Germano), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA
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DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. Se a empresa não demonstra a necessidade de perícia e de diligência, impõe se a conclusão da desnecessidade de ambas, razão pela qual devemse afastar tais pedidos. NULIDADE. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A nulidade de um lançamento fiscal pressupõe a existência de um ato administrativo lavrado por autoridade incompetente ou que não se franqueie à parte adversária o amplo direito de se defender. Caso isto não ocorra ou não se prove , impendese afastar o pedido de nulidade do lançamento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012, 2013 SALDO CREDOR DE CAIXA. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS PROBANTE. A presunção legal corresponde ao instituto pelo qual, a partir da prova de um fato conhecido direto, chegase a um fato desconhecido indireto que se quer buscar. Se o fato indiciário correspondente ao saldo credor de caixa restou provado inequivocadamente pela fiscalização, cabe à empresa afastar a ocorrência da omissão de receitas (fato indireto). OMISSÃO DE RECEITAS. EMPRÉSTIMOS. PRESUNÇÃO SIMPLES. PROVA DO FISCO. As presunções simples até podem ser utilizadas para fundamentar lançamento de omissão de receitas. Entretanto, devem estar acompanhadas de documentação inequívoca de suas ocorrências, não cabendo tão somente levantar suspeições baseadas em meros indícios. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 72 38 40 /2 01 6- 22 Fl. 3924DF CARF MF 2 CSLL. PIS. COFINS. REFLEXOS. Por decorrerem dos mesmos elementos de fato e de direito, aplicase às contribuições sociais em destaque o quanto decidido em relação ao IRPJ. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2012, 2013 SÚMULA CARF Nº 02. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. SÚMULA CARF Nº 25. OMISSÃO DE RECEITAS POR PRESUNÇÃO LEGAL. MULTA QUALIFICADA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE DOLO. A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2012, 2013 CRÉDITO DE PIS. FARINHA. ÓLEO DIESEL. O insumo adquirido sem pagamento da contribuição social (alíquota zero) e o insumo não utilizado no processo produtivo não dão direito a crédito de Pis. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2012, 2013 CRÉDITO DE COFINS. FARINHA. ÓLEO DIESEL. O insumo adquirido sem pagamento da contribuição social (alíquota zero) e o insumo não utilizado no processo produtivo não dão direito a crédito de Cofins. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as alegações de nulidade, em negar provimento aos pedidos de perícia e de diligência, e, no mérito, em negar provimento ao recurso de ofício e ao recurso voluntário. Ausente momentaneamente a Conselheira Livia De Carli Germano. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator Fl. 3925DF CARF MF Processo nº 10935.723840/201622 Acórdão n.º 1401002.354 S1C4T1 Fl. 3.925 3 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição à Conselheira Livia De Carli Germano), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Relatório Tratase de Recurso de Ofício e de Recurso Voluntário interpostos em face de decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (DRJ/JFA), que, por meio do Acórdão 0962.783, de 05 de abril de 2017, julgou procedente em parte a impugnação apresentada pela empresa. Reproduzo, por oportuno, o teor do relatório constante no acórdão da DRJ: (início da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) Trata o processo em questão de Autos de Infração, referentes aos anos calendário de 2012 e 2013, provenientes de omissão de receitas, de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, às fls. 3664/3684, no valor de R$ 11.768.929,62, de contribuição para o PIS/Pasep, às fls. 3685/3694, no valor de R$ 784.296,47, de Cofins, às fls. 3695/3704, no valor de R$ 3.612.517,55, e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, às fls. 3705/3720, no valor de R$ 4.255.118,01, todos acrescidos da multa de ofício qualificada de 150% e dos juros de mora calculados até 12/2016. Também foram lavrados autos de infração de PIS, às fls. 3721/3726, no valor de R$ 17.201,37, e Cofins, às fls. 3727/3732, no valor de R$ 79.230,58, por insuficiência no recolhimento, acrescidos da multa de ofício de 75% e dos juros de mora calculados até 12/2016. Como consta do TVF, o Auto de Infração de IRPJ foi proveniente de: 3 Apuração de saldo credor de caixa nos anoscalendário de 2012 e 2013, para exigência do IRPJ e reflexos no regime de tributação do lucro real; 4 Apuração de omissão de receita nos anoscalendário de 2012 e 2013, para exigência do IRPJ e reflexos no regime de tributação do lucro real, em razão de empréstimos fictícios detectados; 5 Compensação de prejuízos fiscais e base negativa da contribuição social; 6 Glosa dos créditos das contribuições para o PIS e COFINS no período de 01/2012 a 11/2012; 7 Apuração dos valores das contribuições para o PIS e COFINS do período 01/2012 a 05/2012 e 09/2012 a 11/2012 devidos e não declarados. A contribuinte impugnou o lançamento, alegando em síntese que: Fl. 3926DF CARF MF 4 Do saldo credor de caixa e da omissão de receitas: Desde o início do procedimento fiscal, a autoridade foi informada, através dos documentos apresentados pela Impugnante, acerca da existência de diversos contratos de mútuos que justificam os pagamentos das despesas efetuadas pela empresa e que o Fisco considerou como saldo credor de caixa. Aduz o Fisco que foi constatado diversos valores debitados que não constituíram ingressos efetivos de caixa, principalmente em relação a cheques liquidados pelo banco, divergência de informação do valor e data do cheque com os registros efetuados, cheques não localizados etc. O que se denota no presente caso é a tentativa do Fisco em querer induzir um Saldo Credor de Caixa que nunca existiu, primeiro ao excluir diversos lançamentos a débito da referida conta, segundo por embasar sua justificativa nas diferenças de datas dos cheques com seus respectivos registros. Não há como se admitir a glosa de tais recursos na conta Caixa. Como já dito, o principal argumento da autoridade autuante é a ausência de correspondência entre a entrada (cheque) com uma saída posterior, no entanto, tal fato não pode ser justificativa para glosa de valor culminando com existência de saldo credor de caixa. A título de exemplo, uma prática muito corriqueira, como pagamento em lote de boletos, em que não fica identificado o meio (cheque, dinheiro, outros títulos de crédito) ou conjunto de meios constantes da conta Caixa e utilizados para quitar cada boleto, fica sujeita à glosa fiscal. Os contribuintes com relevante movimento financeiro remetem à instituição bancária os recursos suficientes para quitar as dívidas, porém não fazem qualquer exigência de correlação entre determinado meio de pagamento e despesa específica. Noutras palavras, então, temse que as contas de Bancos transferem os recursos (cheques) para a conta Caixa, e, a partir desta, junto com outras espécies de recursos, as despesas são pagas. Que tipo de recurso para cada despesa não é possível identificar, podendo, inclusive, ser mais de um. Ademais, nada impede que sejam lançados a débito de Caixa cheques compensados, com contrapartida a crédito na conta do Banco de emissão, sendo os lançamentos a débito de Caixa feito a partir do extrato bancário, como no presente caso, quando os cheques então já foram compensados. Se, entre o lapso do pagamento e o débito do cheque houver saldo positivo em Caixa, nada há que se reprovar nesta conduta. Por isso mesmo, o Conselho Administrativo de Recurso Fiscais já se manifestou sobre a questão (...) Arbitramento por presunção Nulidade Fl. 3927DF CARF MF Processo nº 10935.723840/201622 Acórdão n.º 1401002.354 S1C4T1 Fl. 3.926 5 (...) As movimentações financeiras apontadas pela autoridade fiscal foram objeto de contratos de mútuo celebrados entre as empresas, sendo que em diversas oportunidades os valores que ingressaram e saíram são os mesmos, contudo, somente foram consideradas as entradas de recursos, multiplicando o efeito fiscal, mas fugindo totalmente da realidade dos fatos. Não obstante a contribuinte não possa comprovar todas as operações, cabe frisar que o lançamento dos tributos, na forma aqui pretendida, é nulo. (...) Era exatamente este o ponto que queríamos abordar, a tipicidade fechada, típica do direito tributário. A autoridade fiscal pretende efetuar lançamento tributário sem demonstrar em que momento os saldos identificados correspondem a supostas operações de venda de mercadorias. Não há nexo causal direto entre uma coisa e outra, para que ocorra o fato imponível da obrigação tributário é preciso caracterizar perfeitamente todos os elementos formadores da obrigação tributária, o que não ocorre no auto de infração aqui atacado. E a presunção utilizada pela autoridade fiscal não alcança validade no mundo jurídico. É critério arbitrário e que não guarda qualquer relação com a legalidade a que o direito tributário está vinculado constitucionalmente e pelo CTN. (...) E não há que se falar que a presunção é válida porque está relacionada na legislação como hipótese de apuração de tributos. Ora, a presunção só é cabível para casos em que a contabilidade seja precária e não tenha qualquer credibilidade, ou não alcance validade, o que não é o caso. Os registros contábeis da empresa e seus livros fiscais são regularmente escriturados e refletem a realidade da movimentação de vendas da empresa. Em nenhum momento, no curso do procedimento fiscal levado a efeito, ficou demonstrada a ocorrência de qualquer saída de mercadoria sem emissão de nota fiscal ou sem oferecimento à tributação, o que torna defesa a utilização da presunção. (...) Contratos de mútuo e movimentações financeiras Cabe esclarecer, como já dito anteriormente, todos os valores apontados pelo Fisco referemse a movimentação financeira realizada pelo sócio Edvandro Cesar Modema com as demais empresas que também é sócio, sendo que os valores apontados referemse ao mesmo dinheiro que transitava de uma empresa para outra. Fl. 3928DF CARF MF 6 Tratase de um empresário que gere a administra as suas empresas praticamente sozinho, razão pela qual era comum o envio de dinheiro de uma para outro e sua posterior devolução. O argumento de que as empresas que realizaram o empréstimo não teria capacidade financeira para tal não pode prosperar, pois o fisco considerou tão somente o faturamento do ultimo ano e em nenhum momento exigiuse, até porque não se faz necessário, a comprovação da referida capacidade financeira. O valor do empréstimo não pode ser condicionado tão somente ao faturamento da empresa que está emprestando, até porque as suas aplicações não restringemse somente ao faturamento de um único ano como está considerando o agente autuador. (...) Todos os contratos de mútuos que foram realizados foram apresentados a esta autoridade, sendo que diversas transferências não eram objeto de contrato, pois havia grande circulação de valores entre as empresas, fato que afasta inclusive a alegação do Fisco de que os contratos de mútuos não foram quitados. Ademais, para se caracterizar omissão de receita com a incidência dos tributos que se pretende cobrar neste auto de infração, pois se está desconsiderando os empréstimos realizados, necessariamente deve ter havido entrada de valores na empresa, que, em tese, teria se dado com a comercialização das suas mercadorias, venda de imóveis, enfim, receitas oriundas de suas atividades, no entanto, em momento algum o agente fiscal prova a existência de qualquer operação a justificar o lançamento efetuado. A despeito disso, de forma totalmente equivocada entendeu por bem a autoridade autuante efetuar o lançamento por arbitramento, deixando de detalhar a forma de apuração da base de cálculo dos tributos aqui cobrados. Da base de cálculo dos tributos – equívoco no arbitramento (...) A sistemática de apuração dos tributos pelo lucro real serve, justamente, para que o contribuinte possa apontar qual o efetivo lucro obtido com suas atividades mercantis, ou seja, para determinação da base de cálculo do IRPJ e CSLL, devem ser deduzidos todos os custos e despesas para produção e comercialização dos produtos. (...) Este é mais um ponto que comprova de forma inequívoca a nulidade total do lançamento pretendido. Se fosse para seguir os ditames legais, para fazer valer sua interpretação e estabelecer a correta base de cálculo dos tributos que pretendia lançar, a autoridade fiscal deveria ter examinado a operação explorada pela contribuinte (ou empresas do mesmo ramo) para Fl. 3929DF CARF MF Processo nº 10935.723840/201622 Acórdão n.º 1401002.354 S1C4T1 Fl. 3.927 7 estabelecer a base de cálculo correta dos tributos que pretende cobrar. (...) É LÓGICO QUE A TOTALIDADE DOS VALORES APONTADOS COMO OMISSÃO DE RECEITA NÃO CORRESPONDEM À BASE DE CÁLCULO PARA APURAÇÃO DOS TRIBUTOS LANÇADOS, EXISTINDO CRITÉRIOS ESPECÍFICOS PARA ARBITRAMENTO DE TRIBUTOS POR PRESUNÇÃO, FLAGRANTEMENTE NÃO OBSERVADOS NO PRESENTE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Das omissões de receita apontadas – inexistência de operações mercantis tributáveis – nulidade da presunção (...) Em razão do exposto, fazse necessário a revisão da base de cálculo informada nos demonstrativos do auto de infração ora combatido para que dela sejam excluídos, mês a mês, os valores correspondentes às operações fiscais relacionadas acima e que não correspondem a fato gerador que implique na incidência dos tributos aqui discutidos. O relatório demonstra que a autoridade fiscal, à míngua de critérios técnicos que embasem de forma suficiente seu entendimento, se limita a descrever fatos que não condizem com a realidade, menosprezando e desconsiderando as informações que lhe foram trazidas no curso do processo fiscalizatório. (...) O artigo 284 do Regulamento do Imposto de renda assim prevê (...) Conforme preconiza o artigo supra transcrito, são vários os critérios a serem adotados para fixação da base de cálculo do tributo e no auto lavrado em nenhum momento há demonstração clara de como teria sido apurada a base de cálculo. Tal fato por si só já afasta a exigência aqui pretendida. O que se vê neste caso é o abuso do agente fiscal que extrapola os critérios previstos na legislação para proceder ao lançamento, até porque não há demonstração clara e cabal da existência da referida omissão. Não se pode admitir uma autuação fundada em meros indícios, devendo os créditos apontados como omitidos serem analisados individualmente o que não ocorreu no presente caso. Os frágeis argumentos do agente autuador não são suficientes para caracterizar o desvio de receita por parte da empresa, sendo necessário maior aprofundamento na investigação para a comprovação da omissão, o que não ocorreu no presente auto de infração, sob pena de tributação sobre valores que em hipótese Fl. 3930DF CARF MF 8 alguma configuram faturamento/receita ou que não representam base de cálculo dos tributos pretendidos em cobrança. (...) Ao proceder ao lançamento por presunção a própria autoridade atesta e certifica a ausência de provas absolutas a justificar o lançamento, amparandose única exclusivamente em suposições de omissão de receita e Saldo Credor de Caixa, sendo que a referida autoridade desprezou contratos de mútuos apresentados pela empresa e a justificativa apresentada acerca das movimentações financeiras entre as empresas pertencentes ao mesmo sócio, além ainda de não apontar qual a origem da receita que considerou como omitida, tampouco apontou a relação comercial originária. Ademais, cabe aqui destacar algumas decisões sobre lançamento por presunção, desamparados de provas robustas, exatamente como ocorreu no presente caso (...) Nesta seara, cabe destacar ainda a determinação contida no artigo 112 do CTN que assim preconiza (...) O artigo supra descrito é claro, havendo dúvida, como no presente caso, o mesmo deve ser interpretado em favor do contribuinte e não efetuarse o lançamento por presunção como pretendeu a autoridade fiscal. (...) Dos créditos de PIS e COFINS Do auto de infração lavrado denotase que autoridade glosou os créditos anteriormente apontados e utilizados pela Impugnante mais especificamente sobre os insumos Farinha de Trigo e Óleo Diesel, sob a justificativa de que a farinha de trigo está sujeita a alíquota zero e, portanto, não gera direito ao crédito e o óleo Diesel não faria parte do processo produtivo a justificar a utilização de crédito. Totalmente equivocado o entendimento externado pelo agente fiscal. Em relação ao óleo diesel, diferentemente do alegado pelo Fisco, o referido insumo é inteiramente consumido na fabricação do produto comercializado pela Impugnante, caracterizandose, portanto, como matéria prima a ser utilizado no processo produtivo. (...) No presente caso, o direito ao crédito baseiase na legitimidade para apropriação dos mesmos, em decorrência da sua aquisição indispensável para a fabricação do produto final comercializado pela Impugnante, conforme preconiza a própria Lei Complementar nº 87/96, que não pode ser obstada em sua vigência. Quanto a farinha de trigo, também deve ser afastado o entendimento do agente fiscal. Fl. 3931DF CARF MF Processo nº 10935.723840/201622 Acórdão n.º 1401002.354 S1C4T1 Fl. 3.928 9 Cabe aqui destacar o que determina o artigo 11 da Lei 9.779/99. (...) Muito embora o artigo supra descrito faça referencia ao IPI, por analogia, a interpretação deve ser extensiva ao PIS e COFINS. Ainda que o produto seja adquirido à alíquota zero, sendo o mesmo utilizado na fabricação dos bens comercializados, gera direito ao crédito. A vedação ao crédito nas entradas isentas, não tributadas ou reduzidas a alíquota zero como está ocorrendo neste auto de infração, fere o princípio constitucional da nãocumulatividade, previsto no inciso II, do § 3º do artigo 153, da Carta Magna, fazendoo incidir em evidente efeito cascata, pois suas saídas, tributadas por diversas alíquotas acabam incidindo não só sobre o valor agregado, mas sim, sobre o montante total da operação. Da inexistência do evidente intuito de fraude Com efeito, de acordo com reiteradas e torrenciais decisões do Conselho de Contribuintes, a “aplicação da multa de ofício agravada para 150% depende da comprovação, pela autoridade lançadora, do evidente intuito de fraude”. No caso presente, o Sr. Auditor Fiscal nada traz de fato indiciário ou prova concreta que confirmem as alegações que lança contra a contribuinte. (...) Da ausência de prova O Sr. Auditor Fiscal efetuou lançamento sob o argumento de omissão de receita e saldo credor de caixa. Contudo, não trouxe quaisquer provas suficientes a comprovar a existência de tais fatos. (...) E, ainda, em julgamento do Primeiro Conselho de Contribuintes, assim ficou assentado: “(...) PAF – PRINCÍPIO INQUISITÓRIO – O dever de investigação decorre da necessidade que tem o fisco de provar a ocorrência do fato constitutivo do seu direito de lançar. Sendo seu o encargo de provar a ocorrência do fato imponível, para exercício do direito de realizar o lançamento, a este corresponderá o dever de investigação com o qual deverá produzir as provas ou indícios segundo determine a regra aplicável ao caso. (...)” (negrito e sublinhado nosso) (nº recurso 143.989, número do processo 13603.002101/200418, nº do acórdão 10808971, 8ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, Relatora: Conselheira Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (vencida), Relator Designado para redigir o voto: Conselheiro Margil Mourão Gil Nunes, sessão em 17/08/2006). Fl. 3932DF CARF MF 10 Quanto à aplicação da multa majorada Como visto, inexistente, por parte da contribuinte, o evidente intuito de fraude a justificar a aplicação majorada da multa de ofício. O dolo, a fraude e/ou a simulação não se presumem. Devem ser provadas. A empresa autuada entende que todos os atos praticados, de transferência de valores entre as empresas do mesmo sócio, caracterizando empréstimos e devolução de empréstimos, são regulares, não se tratando em hipótese alguma de omissão de receita ou saldo credor de caixa. Não houve fraude, em hipótese alguma, caso seja mantido o lançamento, temse que o não recolhimento dos tributos decorreu da ausência de conhecimento da autuante acerca do procedimento correto a ser adotado para os atos que praticava. (...) As “omissões de receita” decorreram da interpretação equivocada da autoridade fiscal, que insiste em querer tributar operações não sujeitas à incidência dos tributos de competência federal. CARÁTER CONFISCATÓRIO DO AUTO DE INFRAÇÃO (...) RELAÇÃO ENTRE A RECEITA BRUTA DA EMPRESA E O VALOR DOS AUTOS DE INFRAÇÃO (...) IMPLICAÇÕES NA HIPÓTESE DA PROCEDÊNCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO (...) Das penalidades impostas – improcedência: (...) A interpretação aplicada pelo Sr. Fiscal está totalmente equivocada, representa um excesso da penalidade e ainda, conforma expressa violação aos princípios constitucionais da legalidade, da vedação ao confisco, e ainda, o da proporcionalidade dos atos públicos. Da Violação ao art. 112 do CTN: (...) Enfim, resta claro que o presente auto de infração representa apenas o intuito de utilizar as penalidades previstas para incrementar a arrecadação, desprezando o principio do art. 112 do CTN. Alem disso, não resta duvidas ao se afirmar que a fiscalização viola as premissas contidas no art. 37, da Carta Magna, explícito ao dispor: Fl. 3933DF CARF MF Processo nº 10935.723840/201622 Acórdão n.º 1401002.354 S1C4T1 Fl. 3.929 11 (...) Ao desvirtuar a realidade dos fatos, ao desprezar as informações prestadas, a documentação enviada, a Fiscalização infringiu os preceitos norteadores da administração publica, que deveria primar pela aplicação da lei fiscal, ou buscar o correto enquadramento dos produtos da Contribuinte. (...) Da improcedência da suposta sonegação. (...) Ademais, no ramo do direito, a fraude como instrumento de culpa ou dolo não se presume, dependendo de prova para sua identificação, o Auto de Infração em apreço está fadado ao cancelamento, dada a total ausência de provas que tenham condão de afastar a BOA–FÉ do Contribuinte. (...) Como visto, a multa agravada só deve ser aplicada nos casos de fraude ou sonegação, sendo que a atitude tomada pela Impugnante em hipótese alguma pode ser enquadrado nestes aspectos. E ainda, os precedentes apontam para a necessidade da fraude ser provada pelo Fisco, fato que não se demonstra no presente caso. (...) Da violação aos preceitos da proporcionalidade, da razoabilidade (...) Primandose pela natureza punitiva da multa, esta deve incidir em percentual que extrapola os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Da inequívoca violação ao princípio da vedação ao confisco, da capacidade contributiva: (...) Das Provas Visando comprovar todas as suas alegações a contribuinte requer a produção das seguintes provas (...) (término da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) A DRJ, por meio do Acórdão 0962.783, de 05 de abril de 2017, julgou procedente em parte a impugnação apresentada pela empresa, que resultou na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 3934DF CARF MF 12 Anocalendário: 2012, 2013 SALDO CREDOR DE CAIXA. A existência de saldo credor de caixa é suficiente para caracterizar a presunção legal de omissão de receita. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. O lançamento com base em presunção legal transfere o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada. EMPRÉSTIMO FICTÍCIO. OMISSÃO DE RECEITA. Tratandose de presunção simples, o lançamento só é possível quando indícios convergentes e irrefutáveis apontem de forma convincente para omissão de receita. MULTA QUALIFICADA. Não cabe a qualificação da multa de ofício quando o lançamento se norteou somente em presunção legal de omissão de receita, sem outros indícios caracterizadores de fraude, sonegação ou conluio. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2012, 2013 INCONSTITUCIONALIDADE. A alegação de que o lançamento viola princípios constitucionais não pode ser analisada nesta instância, em face do princípio da vinculação à lei a que está submetido o julgador administrativo, exceto nas hipóteses previstas no artigo 26A do PAF. NULIDADE. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. PROVA PERICIAL. DESNECESSIDADE Revelase desnecessária a realização de perícia contábil quando o feito fiscal contém todos os elementos necessários para seu prosseguimento, inexistindo nos autos qualquer dúvida de ordem técnica que dependa de novas ações a fim de aferir dados factuais. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2012, 2013 LANÇAMENTO DECORRENTE. Decorrendo as exigências da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o Imposto de Renda, desde que não presentes arguições específicas ou elementos de prova novos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2012, 2013 REGIME NÃOCUMULATIVO. GLOSA DE CRÉDITOS. Fl. 3935DF CARF MF Processo nº 10935.723840/201622 Acórdão n.º 1401002.354 S1C4T1 Fl. 3.930 13 Os créditos admissíveis no regime nãocumulativo são aqueles inseridos na legislação pertinente. LANÇAMENTO DECORRENTE. Decorrendo as exigências da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o Imposto de Renda, desde que não presentes arguições específicas ou elementos de prova novos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2012, 2013 REGIME NÃOCUMULATIVO. GLOSA DE CRÉDITOS. Os créditos admissíveis no regime nãocumulativo são aqueles inseridos na legislação pertinente. LANÇAMENTO DECORRENTE. Decorrendo as exigências da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o Imposto de Renda, desde que não presentes arguições específicas ou elementos de prova novos. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Da decisão, a DRJ recorreu de ofício a esta CARF, uma vez que o valor exonerado ultrapassara o limite de alçada. Cientificada eletronicamente em 17/04/2017, conforme "Termo de Ciência por Abertura de Mensagem" (efl. 3.860), a empresa apresentou recurso voluntário (efls. 3.864 a 3.919) na data de 15/05/2017, conforme "Termo de Análise de Solicitação de Juntada" (efl. 3.863), em que repisou os argumentos apresentados na impugnação, e acrescentou alguns argumentos para combater a decisão da DRJ. No CARF, coube a mim a relatoria do processo. É o Relatório. Fl. 3936DF CARF MF 14 Voto Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator A admissibilidade dos Recursos (de Ofício e Voluntário) será tratada nos tópicos destinados a cada um deles. RECURSO DE OFÍCIO Como o valor exonerado ultrapassa o montante de R$ 2.500.000,00, estabelecido pela Portaria MF nº 63, de 09/02/2017, publicada no Diário Oficial da União de 09/02/2017, o recurso de ofício preenche os requisitos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. As infrações que foram objeto de recurso de ofício são as seguintes: 1 Omissão de Receitas por Empréstimos Fictícios 2 Multa Qualificada 1 Omissão de Receitas Empréstimos Fictícios Fundamento da exoneração do crédito → Falta de comprovação da omissão de receitas A fiscalização efetuou o lançamento fiscal de omissão de receitas, servindo se de valores que ingressaram no caixa da empresa e que tiveram como justificativa empréstimos financeiros em que a recorrente figurou como mutuária. Para tanto, o fisco alegou que os documentos apresentados pela ora recorrente para comprovar o ingresso dos numerários, a falta de sincronização entre os contratos e os valores ingressados e contabilizados e a falta de capacidade financeira de alguns mutuantes demonstram que os empréstimos efetivamente não existiram, razão pela qual entendeu se tratar de omissão de receitas. A DRJ, por sua vez, exonerou o lançamento fiscal por entender que os elementos descritos pelo fisco não seriam suficientes para comprovar a citada omissão de receitas. Bem. Tenho que concordar com o posicionamento da delegacia de piso. Vejo que o lançamento fiscal teve como base a suposta omissão de receitas decorrente de passivo fictício. Ou seja, o fisco não se utilizou do expediente da presunção de omissão de receitas para efetuar o lançamento fiscal. Caso o fundamento fosse com base na presunção legal de omissão de receitas, bastava à fiscalização indicar e comprovar o fato indiciário de sua ocorrência fato indireto do ilícito ou fato conhecido para que o ônus da prova fosse invertido em desfavor do sujeito passivo. Se o contribuinte não lograsse infirmar o fato indiciário, a omissão de receitas estaria caracterizada e o lançamento fiscal prosperaria. Fl. 3937DF CARF MF Processo nº 10935.723840/201622 Acórdão n.º 1401002.354 S1C4T1 Fl. 3.931 15 Porém, sendo a própria omissão de receitas, ou presunção simples de omissão de receitas como aduziu a DRJ, a base para o lançamento, deveria a fiscalização ser bem mais diligente a ponto de comprovar a efetiva omissão. E foi esse o ponto que levou a DRJ a afastar o lançamento. Assim, por concordar com os fundamentos da delegacia de piso, reproduzo seu voto e o adoto como razões de decidir quanto a esta infração: Tratase de empréstimos obtidos de terceiros. Foram detectadas inconsistências nos contratos apresentados quando confrontados com a escrituração Contábil Digital, entre elas: 1) Em todos os contratos particulares de mútuo que motivaram o lançamento, sem exceção, há previsão de pagamentos de juros anuais, no prazo de 3 (três) anos a contar da data da assinatura de cada contrato, contradizendo as informações contidas nos documentos apresentados pela fiscalizada, nos quais afirma que não houve pagamentos de juros aos mutuantes, tanto que na contabilidade de 2012 e 2013 não foram encontrados registros alusivos a esse tipo de despesa, passível de dedução para efeito de tributação no lucro real, anual em 2012 e trimestral em 2013; 2) os valores dos empréstimos no contrato não são coincidentes com os valores registrados na contabilidade. 3) intimadas, as mutuantes não apresentaram, para os anoscalendário 2012 e 2013, conforme o caso: listagem contendo data e valor dos empréstimos, com discriminação, para cada empréstimo, data e valor das respectivas quitações; comprovantes bancários próprios, coincidentes em data e valor, para fins de comprovação da efetiva transferência dos empréstimos, bem assim dos pagamentos (quitações); documentação hábil e idônea, coincidente em data e valor, para comprovação da origem dos recursos utilizados nas operações de empréstimos à empresa Industrial Arbhores Compensados Eireli EPP/CNPJ (MF): 10.887.398/000183. 4) as mutuantes não tinham capacidade financeira para realização dos empréstimos. 5) H. M DominguesME tem o mesmo domicílio tributário que Edvandro César ModenaME; 6) Edvandro César ModenaME não auferiu receita nos anoscalendário em questão; 7) os contratos particulares de mútuo contêm assinaturas sem reconhecimento de firma em cartório. Consta ainda do TVF: (...) Fl. 3938DF CARF MF 16 concluise que os contratos particulares de mútuo apresentados pela Arbhores merecem a devida desclassificação para efeitos fiscais, pois, diante dos vícios, falhas ou deficiências encontrados, são imprestáveis para comprovar os alegados empréstimos recebidos de terceiros, não devendo, portanto, serem considerados como documentação hábil e idônea, coincidente em data e valor, para fins de comprovação da origem dos valores debitados nas contas contábeis 10100102009BANCO BRADESCO C/C 261351, 10100102007 BANCO SICREDI, 10100102012BANCO ITAU C/C 162884 e 10100102010 BANCO SANTANDER S/A C/C 4648 nos anos calendário de 2012 e 2013. Desta forma, os empréstimos obtidos de terceiros (Compensados Indupinho Ltda, Edvandro César ModenaME, H. M Domingues ME e Ari Santin), registrados a débito nessas contas contábeis, claramente demonstram ser fictícios, caracterizando omissão de receitas, devendo seus valores,(...) Quanto à alegação do contribuinte de que o lançamento em tela foi efetuado com base em presunção de omissão de receitas não prevista na legislação do imposto de renda, cabe aqui, primeiramente, destacar que o emprego da presunção no direito brasileiro está perfeitamente amparado pela doutrina e pela jurisprudência e está presente em nosso ordenamento jurídico, conforme se pode constatar no art. 136, do Código Civil Brasileiro, in verbis: “Art. 136 Os atos jurídicos, a que não se impõe forma especial, poderão provarse mediante: I confissão; II atos processados em juízo; III documentos públicos ou particulares; IV testemunhas; V presunção; VI exames e vistorias; VII arbitramento”. (grifei) O processo administrativo fiscal admite todos os meios de prova em direito admitidas, inclusive a presunção simples, desde que, nesse caso, a presunção esteja corroborada por vários indícios convergentes. O uso de presunções simples pelo agente administrativo independe de expressa autorização legal. Isso não significa que sua atividade de vinculada transformese em discricionária, pois continua preso à pesquisa, mesmo que indireta, dos fatos previstos no tipo tributário. As presunções, e também os indícios, são classificadas pela Doutrina como espécies de provas indiretas. Paulo Celso Bonilha esclarece bem a natureza desses dois conceitos: “Evidenciase, portanto, que o indício é a base objetiva do raciocínio ou atividade mental por via do qual poderseá chegar ao fato desconhecido. Se positivo o resultado, tratase de uma presunção. A presunção é, assim, o resultado do raciocínio do julgador, que se guia nos conhecimentos gerais universalmente aceitos e por aquilo que ordinariamente acontece para chegar ao conhecimento do fato probando. É inegável, portanto, que a estrutura desse raciocínio é a do silogismo, no qual o fato Fl. 3939DF CARF MF Processo nº 10935.723840/201622 Acórdão n.º 1401002.354 S1C4T1 Fl. 3.932 17 conhecido situase na premissa menor e o conhecimento mais geral da experiência constitui a premissa maior. A conseqüência positiva resulta do raciocínio do julgador e é a presunção.(In Da prova no Processo Administrativo Tributário, Ed. LTR, páginas 112 e 113)”. Sobre o mesmo tema, assim se pronuncia o Douto Antônio da Silva Cabral: “Valor da prova indireta. Em direito fiscal conta muito a chamada prova indireta. Conforme consta do Ac. CSRF/01 0.004, de 26/10/79, ‘A prova indireta é feita a partir de indícios que se transformam em presunções. Constitui o resultado de um processo lógico, em cuja base está um fato conhecido (indício), prova que provoca atividade mental, em persecução do fato conhecido, o qual será causa ou efeito daquele. O resultado desse raciocínio, quando positivo, constitui a presunção’”.(In Processo Administrativo Fiscal, Ed. Saraiva, São Paulo, 1993, página 311). O mesmo autor prossegue: “O fisco se utiliza da prova indireta, mediante indícios e presunções, sobretudo para descobrir omissões de rendimentos ou receitas”. (Obra citada, página 311). E conclui: “O julgador de uma causa não esteve em contato com os fatos, não conheceu as circunstâncias e as pessoas que atuaram. Tudo isso é dado no processo e ele procura, manipulando as provas, chegar ao verdadeiro conhecimento dos fatos para, depois, aplicar a norma. Como todo ser humano que se debruça sobre os fatos, tem ele de valerse por vezes, da experiência adquirida com o trato da coisa pública. As presunções e os indícios servem, pois, para o julgador chegar à verdade dos fatos.” (Obra citada, página 312). No que tange às presunções, convém destacar que a Doutrina do Direito Tributário identifica duas espécies distintas: as legais e as simples (comuns). As presunções legais se subdividem em absolutas (jures tantum) e relativas (jure et de jure). As presunções absolutas não admitem prova em contrário ao fato presumido, já as relativas admitem prova contrária, reputandose verdadeiro o fato presumido até que a parte interessada prove o contrário. As presunções legais relativas provocam a chamada “inversão do ônus da prova”, cabendo ao contribuinte provar que o Fisco está equivocado. As hipóteses de saldo credor de caixa; de falta de escrituração de pagamentos efetuados; de passivo fictício; de suprimentos de caixa, por administradores ou acionistas; de levantamento quantitativo por espécie e de depósitos bancários sem comprovação de origem, constituem presunções relativas de omissão de receitas, conforme preceituam os arts. 281, 282, 286 e 287, todos do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999) Decreto nº 3.000/1999. Fl. 3940DF CARF MF 18 Contudo, mister se faz ressaltar que o caso em tela não se enquadra em nenhuma das duas hipóteses supracitadas, tratandose de uma presunção simples ou comum. Tratase, portanto, de uma presunção simples, não prevista pelo legislador, mas decorrente da análise lógica dos fatos, calcada em elementos materiais. Para prosperar tal presunção, é preciso que a Fiscalização demonstre a relação de causalidade entre os elementos encontrados e o fato gerador presumido, o que será analisado a seguir para o caso sob comento. Cumpre, agora, analisar cada um dos indícios invocados pela fiscalização para respaldar o lançamento de omissão de receitas, bem como os elementos suscitados pelo contribuinte, na peça impugnatória, em atenção a estes e, também, com o fito de formar a convicção sobre a procedência ou não do lançamento sob análise. Tratandose de presunção simples, todos os indícios trazidos na peça fiscal devem convergir para a caracterização de que os empréstimos descaracterizados correspondem, na verdade, à omissão de receita. Nesse sentido, a afirmação de que os empréstimos recebidos de terceiros, não devem ser considerados como documentação hábil e idônea, coincidente em data e valor, para fins de comprovação da origem dos valores debitados nas contas contábeis, a meu ver, não tem amparo na legislação vigente. A comprovação da origem dos recursos recebidos pela empresa e da efetividade de entrega, coincidente em data e valor, está inserta no artigo 282 do Decreto 3.000/99 (RIR/99), abaixo transcrito, mas não se reporta aos recursos de caixa fornecidos por terceiros. Reportase exclusivamente a transações com sócios da própria empresa e, nesse caso, vinculase a uma presunção legal: Art.282. Provada a omissão de receita, por indícios na escrituração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, a autoridade tributária poderá arbitrála com base no valor dos recursos de caixa fornecidos à empresa por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstradas (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, §3º, e DecretoLei nº1.648, de 18 de dezembro de 1978, art. 1º, inciso II). Nada impede que um contrato de mútuo fixe a entrega de determinada quantia e esta quantia venha a ser repassada em parcelas ou em data(s) diferente(s) daquela em que o contrato foi assinado. Os valores dos empréstimos no contrato não coincidirem exatamente com os valores registrados na contabilidade também não seria motivo para descaracterização de empréstimo. Poderia indicar, por exemplo, a antecipação do pagamento de juros. Importa destacar que o autuante não descaracterizou as entradas escrituradas, ou seja: os recursos entraram no Caixa em valores que não coincidem exatamente com aqueles estipulados no contrato. Como exemplo citamos trecho extraído do TVF: (...) que têm como mutuante a empresa Compensados Indupinho Ltda/CNPJ(MF): 02.916.279/000183, constam como valores dos empréstimos respectivamente as quantias de R$ 745.000,00 (setecentos e quarenta e cinco mil reais), R$ 874.551,13 (oitocentos e setenta e quatro mil, quinhentos e cinqüenta e um reais e treze centavos),(...) diferentes dos valores encontrados na Fl. 3941DF CARF MF Processo nº 10935.723840/201622 Acórdão n.º 1401002.354 S1C4T1 Fl. 3.933 19 contabilidade de 2012 e 2013 que são respectivamente: R$ 724.000,00 (setecentos e vinte e quatro mil reais), R$ 777.551,13 (setecentos e setenta e sete mil, quinhentos e cinqüenta e um reais e treze centavos), (...) O autuante afirma que as mutuantes não tinham capacidade financeira. Por exemplo: a receita de vendas de mercadorias em 2012 da empresa Compensados Indupinho Ltda, somou R$ 339.367,11 e os contratos de mútuo totalizaram R$ 6.015.590,04. Ora, aqui poderia existir omissão de receita da mutuante com empréstimo a contribuinte advindo de caixa dois, mas não necessariamente infração cometida pela autuada. Em sua impugnação a contribuinte aponta que: (...) As movimentações financeiras apontadas pela autoridade fiscal foram objeto de contratos de mútuo celebrados entre as empresas, sendo que em diversas oportunidades os valores que ingressaram e saíram são os mesmos, contudo, somente foram consideradas as entradas de recursos, multiplicando o efeito fiscal, mas fugindo totalmente da realidade dos fatos. Não obstante a contribuinte não possa comprovar todas as operações, cabe frisar que o lançamento dos tributos, na forma aqui pretendida, é nulo. (...) Era exatamente este o ponto que queríamos abordar, a tipicidade fechada, típica do direito tributário. A autoridade fiscal pretende efetuar lançamento tributário sem demonstrar em que momento os saldos identificados correspondem a supostas operações de venda de mercadorias. Não há nexo causal direto entre uma coisa e outra, para que ocorra o fato imponível da obrigação tributário é preciso caracterizar perfeitamente todos os elementos formadores da obrigação tributária, o que não ocorre no auto de infração aqui atacado. E a presunção utilizada pela autoridade fiscal não alcança validade no mundo jurídico. É critério arbitrário e que não guarda qualquer relação com a legalidade a que o direito tributário está vinculado constitucionalmente e pelo CTN. (...) Cabe esclarecer, como já dito anteriormente, todos os valores apontados pelo Fisco referemse a movimentação financeira realizada pelo sócio Edvandro Cesar Modema com as demais empresas que também é sócio, sendo que os valores apontados referemse ao mesmo dinheiro que transitava de uma empresa para outra. Tratase de um empresário que gere a administra as suas empresas praticamente sozinho, razão pela qual era comum o envio de dinheiro de uma para outro e sua posterior devolução. Fl. 3942DF CARF MF 20 (...) Todos os contratos de mútuos que foram realizados foram apresentados a esta autoridade, sendo que diversas transferências não eram objeto de contrato, pois havia grande circulação de valores entre as empresas, fato que afasta inclusive a alegação do Fisco de que os contratos de mútuos não foram quitados. Ademais, para se caracterizar omissão de receita com a incidência dos tributos que se pretende cobrar neste auto de infração, pois se está desconsiderando os empréstimos realizados, necessariamente deve ter havido entrada de valores na empresa, que, em tese, teria se dado com a comercialização das suas mercadorias, venda de imóveis, enfim, receitas oriundas de suas atividades, no entanto, em momento algum o agente fiscal prova a existência de qualquer operação a justificar o lançamento efetuado. A defesa apresentada pela contribuinte aponta a existência de um conta corrente único entre as empresas em que Edvandro Cesar Modema participa como sócio. Tanto o empréstimo entre empresas ligadas como o contacorrente único poderiam, se enquadrados na hipótese legal pertinente, ensejar o lançamento de IOF. O autuante afirma que não foram pagos os juros contratuais, deixando transparecer que repasses que não importem em juros foram realizados pela contribuinte para as mutuantes, ratificando a assertiva da impugnante que "... era comum o envio de dinheiro de uma para outro e sua posterior devolução". Fato esse que também enfraqueceria a tese de omissão de receita por presunção simples. Em suma, não havendo convergência quanto aos indícios apresentados e nem o nexo causal que levariam a presunção simples de omissão de receita, não pode prosperar o lançamento que teve por mote a descaracterização de empréstimos de terceiros. Diante do exposto, proponho negar provimento ao recurso de ofício quanto a este ponto. 2 Multa Qualificada Fundamento da exoneração do crédito → falta de comprovação de fraude, sonegação ou conluio Convém frisar que a multa qualificada aqui discutida referese tão somente à infração de saldo credor de caixa, uma vez que a infração referente à omissão de receitas decorrente dos empréstimos fictícios foi exonerada. A fiscalização entendeu ter havido prática habitual e reiterada de manter a débito da conta Caixa valores que efetivamente não constituem ingressos de recursos, com o objetivo ocultar o surgimento de saldos credores de Caixa, decorrentes da omissão de receita. Assim, tipificou a conduta como decorrente de fraude e sonegação, majorando a multa de ofício para 150%. Bem. Não entendo que a multa qualificada merece prosperar. Fl. 3943DF CARF MF Processo nº 10935.723840/201622 Acórdão n.º 1401002.354 S1C4T1 Fl. 3.934 21 Por meio da súmula CARF nº 25, firmouse entendimento de que a presunção legal de omissão de receitas, por si só, não é capaz de ensejar a qualificação da multa de ofício: Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Como disse neste voto, a presunção legal de omissão de receitas pressupõe a comprovação do fato indireto da ocorrência da própria omissão de receitas, mas, se provado, transfere ao sujeito passivo a necessidade de demonstrar que tal fato não ocorrera. Mas eventual falta/impossibilidade de infirmação do fato indiciário não requer de forma alguma pressupor que a conduta praticada pela empresa foi fraudulenta. E esta premissa decorre da própria definição do termo "presunção" ("uma conclusão baseada em indícios, dicas ou aparências"). Isto porque nunca se saberá se a omissão de receitas efetivamente ocorreu no mundo dos fatos. Daí impende concluir que há uma enorme distância entre efetuar lançamento com base em presunção de omissão de receitas, mesmo sendo uma presunção prevista em lei, e afirmar que a conduta tenha sido fraudulenta. E, no caso em apreço, percebo que a fiscalização não trouxe elementos que comprovassem a intenção (dolo) da recorrente em deixar de recolher os tributos que lhe eram supostamente obrigatórios. Desta forma, entendo correto o entendimento manifestado no voto da DRJ, pelo que proponho negar provimento ao recurso de ofício quanto a este ponto. Diante do exposto, nego provimento ao recurso de ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de validade, devendo portanto ser conhecido. PERÍCIA E DILIGÊNCIA A recorrente reafirma necessidade de realização de prova pericial e de diligência. Vejase em trecho de seu recurso voluntário: a) Juntada de documentos e relatórios que se mostrem necessários a elucidar quaisquer dúvidas e esclarecer pontos divergentes; b) Prova pericial quanto à existência de omissão de receita, bem como saldo credor de caixa, além de apontar a origem das receitas supostamente omitidas, por perito designado pela Receita Federal do Brasil, que deverá ser acompanhado por assistente técnico nomeado pela contribuinte; c) Demais diligências que se mostrem necessárias durante o processo administrativo fiscal. Fl. 3944DF CARF MF 22 O art. 18 do Decreto nº 70.235/1972 atribui à autoridade julgadora a verificação da possibilidade de diligência ou perícia, que somente devem ser pedidas quando necessárias ao desembaraço das questões relevantes ao julgamento: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. O art. 16 § 4º do Decreto nº 70.235/1972, por sua vez, estabelece que a prova deve ser apresentada na fase impugnatória, a não ser que se demonstre a impossibilidade de sua apresentação em momento oportuno em razão de uma das condições das alíneas "a", "b" e "c" do mesmo dispositivo legal. Vejase na redação: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. No caso dos autos, a recorrente apenas pugna pela juntada de relatórios e documentos, mas sequer comprova sua impossibilidade de apresentação temporânea à impugnação e também sequer destaca quais documentos fariam prova a seu favor. A meu ver, a recorrente apenas traz mais um argumento ao recurso voluntário, para que seja enfrentado por este julgador, mas não concatena seus questionamentos com eventuais documentos e elementos que possam fazer prova de que a fiscalização tenha se equivocado no lançamento fiscal. Desta forma, proponho afastar os pedidos de perícia e de diligência formulados pela recorrente. NULIDADE A recorrente apresenta digressão sobre alguns princípios, dentre eles o princípio da legalidade e o classifica em três subprincípios: superlegalidade, reserva da lei e tipicidade tributária. Alega que o fisco efetuou lançamento sem demonstrar em que momento os saldos identificados correspondem à operação de venda de mercadorias, e, com isso, utilizouse de critério arbitrário para se servir da presunção legal. Aduz também que a presunção somente cabe quando a contabilidade é precária, pugnando pela nulidade do lançamento fiscal diante desses argumentos. Afirmo que não entendo ter razão a recorrente. Fl. 3945DF CARF MF Processo nº 10935.723840/201622 Acórdão n.º 1401002.354 S1C4T1 Fl. 3.935 23 Mesmo que a contabilidade seja regular, contenha todas as formalidades intrínsecas e extrínsecas e não abarque vícios, ainda assim cabe o lançamento de omissão de receita por presunção legal, pois a presunção em nada se alia à ideia de irregularidade contábil, mas sim a de comprovação de um indiciário, que em nada se associa à eventual regularidade contábil. Também não há necessidade de haver menção a eventuais fornecedores, clientes, empresas, operações, tipo de produto vendido ou insumos aplicados, para se caracterize a omissão de receitas decorrente de presunção. Basta que a fiscalização apure um (ou mais) fato(s) indiciário(s) convergentes, irrefutáveis e que vão ao encontro das disposições contidas na norma de regência, in casu, o inciso I do art. 281 do RIR/99, para que a presunção se caracterize, vejase: Art. 281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, §2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 40): I a indicação na escrituração de saldo credor de caixa; Após a mencionada subsunção do fato à norma, cabe à outra parte lançar prova contrária ao fato alegado, conforme caput do art. 281, acima transcrito. O art. 59 do Decreto nº 70.235/1972 destaca que somente são nulos os atos administrativos lavrados por pessoa incompetente ou com cerceamento do direito de defesa do contribuinte: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Em razão de não restar caracterizada nenhuma hipótese de nulidade do lançamento fiscal, proponho o afastamento do pedido de nulidade. MÉRITO Presunção legal de Saldo Credor de Caixa Como visto, em relação ao mérito do recurso voluntário, restou verificar a infração de omissão de receitas decorrente de saldo credor de caixa. A recorrente gasta boa parte de sua peça recursal apresentando alegações que, a meu ver, foge do cerne da questão aqui a ser debatida, qual seja, a comprovação da inexistência do fato que gerou a apuração de omissão de receitas por saldo credor de caixa. Assim, alguns argumentos apresentados no recurso voluntário serão debatidos de forma mais célere, uma vez que não guardam correspondência com o lançamento ora questionado. Fl. 3946DF CARF MF 24 A meu ver, o que deve ser avaliado é se a fiscalização poderia excluir da conta Caixa alguns lançamentos a débito por entender que não faziam prova da efetiva passagem, de tais valores, pela conta Caixa. Vejase os motivos que levaram o fisco a excluir tais valores: Com o procedimento de batimento dos lançamentos contábeis a débito na conta Caixa (10100101001 CAIXA) dos anoscalendário de 2012 e 2013 (arquivos nãopagináveis às fls. 3634/3635) com as informações contidas nos extratos bancários apresentados pelo contribuinte (fls. 213/463 e 894/1170), em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal nº 01/2016, lavrado em 05/05/2015 (fls. 62/69), foi constatado que diversos valores debitados não constituem ingressos efetivos no Caixa, valores estes relativos a: cheques liquidados através do serviço de compensação bancária (conforme extratos bancários: CHEQUE DEP. CONTA; CHEQUE COMPENSADO; CHEQUE ESPECIE; CHEQUE ESP/DIV; CHEQUE DIVERSOS RECEBIMENTOS; CHEQUES DEP/ESP; CHEQUE COMPE SICRED; CHEQUE); cheques pagos não coincidentes em data e valor com os registros contábeis; cheques não localizados nos extratos bancários; cheques a compensar não localizados nos extratos bancários, cujas cópias não foram apresentadas pelo contribuinte quando intimado em duas oportunidades pelo Termo de Intimação Fiscal nº 01/2016, lavrado em 05/05/2015 (fls. 62/69) e Termo de Reintimação Fiscal nº 01/2016, lavrado em 25/08/2016 (fls. 2350/2351); transferência eletrônica disponível (TED); transferência eletrônica entre contas para pagamentos; pagamentos por meio de DOC; pagamentos eletrônicos de cobrança; pagamentos de fornecedores por meio de TED; pagamentos de prestações de empréstimos e financiamentos; pagamentos de encargos de conta garantida; pagamentos de tributos; pagamentos de prêmio de seguro; pagamentos de títulos; pagamentos de convênios; pagamentos de tarifa bancária; pagamentos de conta de telefone; pagamentos de conta de energia elétrica; pagamentos de gastos com cartão de crédito; baixa de duplicatas descontadas; liquidação de bloquetos; Fl. 3947DF CARF MF Processo nº 10935.723840/201622 Acórdão n.º 1401002.354 S1C4T1 Fl. 3.936 25 aplicação em fundo exclusivo. Quer dizer, a fiscalização excluiu valores que não deveriam transitar pela conta Caixa por indicarem se tratar de lançamentos da conta Bancos. Além do mais, mesmo que pudesse transitar pela conta Caixa, as saídas deveriam ter um correspondência com as entradas, o que não ocorreu no caso concreto. E por utilizar essa nomenclatura incomum na conta Caixa, quanto ao histórico de "compensação de cheques", por exemplo, é de se concluir que de maneira alguma os cheques foram convertidos em dinheiro, em seguida encaminhados (fisicamente) para a empresa (para o seu caixa), para posteriormente serem utilizados para pagar algum fornecedor. Tal prática é totalmente desconexa com uma operação comercial, pois gera riscos de desvalorização da moeda (comparandose em manter o recurso aplicado no banco, mesmo que momentaneamente) e, principalmente, de segurança contra furtos e roubos. Não obstante o caráter incomum de tal prática, essa constatação não pode nos levar a invalidála e manter o lançamento fiscal com base somente nesses argumentos. Por outro lado, cabe observar que esta prática não é proibida. Entretanto, devemse tomar algumas cautelas para que não sejam caracterizadas supostas omissões de receitas. E foi justamente o que demonstrou a fiscalização, que os valores saídos da conta bancos e ingressados na conta Caixa não tiveram uma correspondência inequívoca com os valores saídos de tal conta. Veja em trecho do TVF: É prática usual que, para um maior controle, as empresas adotem o procedimento de fazer constar toda a movimentação financeira na conta Caixa, ainda que o numerário não tenha efetivamente entrado no caixa da empresa, como, por exemplo, é o caso dos cheques compensados, entre outros, que aparecem em grande quantidade. Nada a opor contra este procedimento, desde que sejam feitos, simultaneamente, dois lançamentos: um para registrar a saída a crédito da conta Bancos e entrada a débito da conta Caixa e, logo a seguir, a saída do caixa para o beneficiário do pagamento. Um detalhe é essencial nesta sistemática: o lançamento que registra a entrada do cheque no caixa deve imediatamente ser seguido pelo lançamento de saída, na mesma data e valor, pois, não tendo o numerário ingressado efetivamente no caixa, não há justificativa para sua permanência naquela conta, sob pena de contabilizar uma disponibilidade fictícia. A recorrente alega que esta premissa, lançada pela fiscalização, é equivocada. Afirma que há situações de pagamentos em lote, em que existem vários pagamentos que não necessariamente sairiam no mesmo montante da entrada. Apesar de tal argumento, a recorrente não apresenta um exemplo sequer, que correlacione os valores saídos com o montante ingressado na conta caixa. E esta prova deve ser feita pela empresa, que logrou revés na apresentação de prova da inexistência da omissão de receitas por presunção legal. Desta forma, proponho negar provimento ao recurso voluntário quanto a este ponto, mantendo o lançamento fiscal quanto à infração de omissão de receitas por saldo credor de caixa. Fl. 3948DF CARF MF 26 A empresa alega que não há no auto de infração qualquer menção a eventuais fornecedores, clientes, empresas, operações, tipo de produto vendido ou insumos aplicados, para se caracterize a omissão de receitas decorrente de presunção. Como já dito no enfrentamento do pedido de nulidade do lançamento fiscal, não há necessidade de comprovação de omissão de receitas, mas sim basta que a fiscalização apure um (ou mais) fato(s) indiciário(s) convergentes, irrefutáveis e que vão ao encontro das disposições contidas na norma de regência, in casu, o inciso I do art. 281 do RIR/99, para que a presunção se caracterize, vejase: Art. 281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, §2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 40): I a indicação na escrituração de saldo credor de caixa; Desta forma, afasto tal alegação. Contratos de Mútuo e movimentações financeiras A recorrente alega que parte os valores ingressados em sua conta corrente decorre de empréstimos levantados junto a empresas de seu sócio Edvandro César Modena. Além disso, os empréstimos não podem estar vinculados somente ao faturamento de um ano, mas devem se referir a todo montante pertencente ao caixa (bancos) da empresa mutuante. Entretanto, fica somente no campo das alegações. Só apresenta o contrato de mútuo, que não pode fazer prova da efetividade da operação. Desta forma, afasto tal argumento. Base de Cálculo dos Tributos equívoco no arbitramento A recorrente apresenta as seguintes argumentações: a) Alega que o fisco apurou todo o saldo de credor de caixa como omissão de receitas, e não considerou os custos dos produtos vendidos, deixando de apurar o lucro real, pedindo a nulidade do lançamento. Estende o questionamento ao Pis e à Cofins, em razão do método de apuração não cumulativa destes tributos, que permite a ela aproveitar créditos decorrentes das operações de entrada. b) Cita que os critérios utilizados para lançamento estão equivocados. c) Tangencialmente pede pelo arbitramento. d) Por fim, declara que não cabe a ela fazer prova negativa do seu direito, ou seja, de que não sonegou, mas sim ao fisco. Pediu nulidade. Pois bem. Fl. 3949DF CARF MF Processo nº 10935.723840/201622 Acórdão n.º 1401002.354 S1C4T1 Fl. 3.937 27 Convém observar que o lançamento fiscal se deu pelo lucro real anual (2012) e trimestral (2013), que foram as formas de apuração adotadas pela empresa. Quando a recorrente trata de suposto equívoco em arbitramento, somente quer dizer que o fisco deveria abater os custos e despesas que foram atribuídos àquelas receitas omitidas. Estende tal raciocínio para os créditos de Pis e Cofins. Não obstante tal argumento, a recorrente permanece no campo das alegações, não trazendo nada de novo junto à sua peça recursal que pudesse fazer prova de suas indagações. A recorrente trata de outras possibilidades de se arbitrar a omissão de receitas. Cita o art. 284 do RIR/99, para tentar demonstrar que a receita poderia ser aferida por meio do movimento diário das vendas. Ora, a meu ver este argumento é meramente protelatório, pois em nada se encaixa na contenda que teve como fundamento o art. 281, do RIR/99 devendo ser rechaçado por este relator. Quanto ao pedido de arbitramento, entendo que também deve ser afastado, por não estarem presentes nenhuma das hipóteses legais para isto. Por fim, em razão da presunção legal de omissão de receitas, bastou ao fisco provar o fato indiciário para que o ônus da prova fosse invertido em desfavor da recorrente, pelo que afasto tal argumento. Créditos de Pis e Cofins A fiscalização glosou créditos de Pis e Cofins decorrentes de aquisição de óleo diesel por não fazer parte do processo produtivo e de aquisição de farinha de trigo por estar sujeita à alíquota zero. Alega a recorrente que o óleo diesel é totalmente consumido na fabricação de seu produto. Cita, para tanto, os artigos 19 e 20 da Lei Complementar nº 87/1996 (Lei Kandir), que não têm pertinência alguma com o Pis e a Cofins, pois tal lei trata da regras inerentes à apuração do ICMS (imposto estadual). Cumpre destacar que entendo que a apuração de créditos de Pis e Cofins não segue as regras do IRPJ quanto ao aproveitamento de custos e despesas (que tem regra mais abrangente), mas também não se limita às regras aplicadas ao IPI (que possui regras mais restritas para a tomada de créditos). Nada obstante à intenção de restringir os créditos somente aos insumos ligados (e consumidos) diretamente ao (no) processo produtivo, apresentada pelas Instruções Normativas que estabelecem regras ao Pis e à Cofins, a 3ª Seção do CARF tem entendido que tais regras mitigaram os desígnios dispostos nas leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, e por isso tem emitido decisões estendendo o direito de tomada de crédito para além das operações cingidas pelas referidas Instruções Normativas. Não obstante compartilhar do entendimento da 3ª Seção do CARF, no caso concreto a recorrente sequer tomou as devidas cautelas para fundamentar seu pedido creditório. Primeiro, colacionou regramento totalmente distinto à regra legal atinente à contribuição para o Pis (Lei nº 10.637/2002) e à Cofins (Lei nº 10.833/2003) do regime não Fl. 3950DF CARF MF 28 cumulativo. Além disso, não demonstrou em que parte do processo produtivo tal produto era consumido, o que já impediria a tomada de tal crédito. Para repulsar de vez o pedido da empresa, a fiscalização indicou em seu Termo de Verificação Fiscal que nenhum maquinário ou equipamento do processo produtivo da recorrente utilizou óleo diesel, o que inevitavelmente nos induz a manter a glosa do crédito. Quanto ao crédito decorrente de aquisição de farinha de trigo, a recorrente pede pela extensão do art. 11 da Lei nº 9.779/1990, que trata do IPI, à contribuição para o Pis e à Cofins: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. Apesar da redação legal, a contribuição para o Pis e a Cofins, apuradas pelo regime não cumulativo, sujeitamse aos ditames das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, respectivamente. E tais dispositivos legais impedem o aproveitamento de créditos de insumos não sujeitos ao pagamento das contribuições, vejase: Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 Art. 3º (...) (...) § 2º Não dará direito a crédito o valor: II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. A recorrente adquiriu farinha de trigo classificada no código 1101.00.10 da TIPI (Tabela do IPI). De acordo com a redação da Lei nº 10.925/2004, a alíquota deste insumo fica reduzida a 0 (zero), no período do fato gerador apurado: Leis nº 10.925/2004 Art. 1º Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta de venda no mercado interno de: (...) XIV farinha de trigo classificada no código 1101.00.10 da Tipi; Desta forma, proponho manter a glosa do crédito. Fl. 3951DF CARF MF Processo nº 10935.723840/201622 Acórdão n.º 1401002.354 S1C4T1 Fl. 3.938 29 Nesse sentido, proponho negar provimento ao recurso voluntário quanto às glosas de créditos de Pis e Cofins decorrentes de aquisição de óleo diesel e farinha de trigo. Incoerência na relação entre a receita declarada e o valor do auto de infração A recorrente alega que não há coerência entre a receita bruta declarada por ela e o valor do auto de infração lavrado, sendo que no auto de infração os valores são bem mais expressivos. Ora, em nada se aplica tal argumento. Não há nada na lei que impeça que o valor do auto de infração seja maior que a receita bruta declarada. Aliás, esta seria a aspiração de todo sonegador fiscal, se tal norma existisse, pois bastaria informar receita bruta zero e sonegar milhões de reais que a autoridade fiscal nada poderia fazer, sequer lançar auto de infração de R$ 1,00 (um real) numa situação hipotética bem esdrúxula pois já ultrapassaria o limite da receita bruta "declarada". Por ser totalmente descabido e sem amparo legal, afasto veementemente o argumento da recorrente. Multa Quanto à suposta excessividade da multa de ofício (mesmo reduzida a 75% conforme voto da DRJ e deste julgador), não entendo ter razão a recorrente. A referida multa aplicada segue o disposto no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, não cabendo a este órgão enfrentar qualquer argumento de suposta ilegalidade da lei: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Além disso, não compete a este julgador deixar de aplicála por pedido de inconstitucionalidade da norma, de aplicação de algum princípio constitucional, como razoabilidade e proporcionalidade, de violação à vedação ao confisco e à capacidade contributiva. A Súmula CARF nº 2 trata da impossibilidade de enfrentamento dessas matérias: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CSLL, PIS e COFINS reflexos Por decorrerem dos mesmos elementos de prova, a decisão do IRPJ aplicase à CSLL, ao PIS e à COFINS. Fl. 3952DF CARF MF 30 Conclusão Diante do exposto, voto por AFASTAR as alegações de nulidade, NEGAR provimento aos pedidos de perícia e de diligência, e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso de ofício e ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Fl. 3953DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.901092/2015-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
RENDIMENTOS DE DEBÊNTURES. IRRF. PLANEJAMENTO INOPONÍVEL AO FISCO. DIREITO CREDITÓRIO.
Retirados os efeitos prejudiciais ao Fisco de emissão fraudulenta de debêntures em grupo econômico, com a indedutibilidade das despesas na emissora, uma vez corretamente recolhido o IRRF e não glosadas as receitas na adquirente do título e estas oferecidas à tributação, há que se conceder o direito creditório constituído somente do IRRF.
Numero da decisão: 1302-002.797
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Cesar Candal Moreira Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ângelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: CARLOS CESAR CANDAL MOREIRA FILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ângelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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IRRF SOBRE REMUNERAÇÃO DE DEBÊNTURE. Recorrente COMPANHIA AGRÍCOLA QUATÁ (INCORPORADORA DE COMPANHIA AGRÍCOLA LUIZ ZILLO E SOBRINHOS) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 RENDIMENTOS DE DEBÊNTURES. IRRF. PLANEJAMENTO INOPONÍVEL AO FISCO. DIREITO CREDITÓRIO. Retirados os efeitos prejudiciais ao Fisco de emissão fraudulenta de debêntures em grupo econômico, com a indedutibilidade das despesas na emissora, uma vez corretamente recolhido o IRRF e não glosadas as receitas na adquirente do título e estas oferecidas à tributação, há que se conceder o direito creditório constituído somente do IRRF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ângelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 90 10 92 /2 01 5- 91 Fl. 3461DF CARF MF 2 Relatório Adoto, em parte, o relatório do acórdão recorrido, por bem descrever os fatos: Tratase da manifestação de inconformidade interposta contra o despacho decisório da DRF Bauru (SP) que indeferiu o pedido de restituição do saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2010 e não homologou as compensações relacionadas ao crédito. O pedido de restituição foi originalmente formulado no PER/DCOMP 19793.34559.040111.1.2.020197, pelo valor de R$ 15.731.550,05. Posteriormente, foi retificado pelo PER/DCOMP 39129.88935.110711.1.6.029900, que alterou o valor do crédito pleiteado para R$ 15.799.235,37. O saldo negativo foi obtido a partir de retenções de imposto de renda na fonte, porquanto não houve imposto de renda apurado no período. O crédito foi formado basicamente por duas sociedades empresárias incorporadas pela interessada: Companhia Agrícola Luiz Zillo e Sobrinhos e Companhia Agrícola Zillo Lorenzetti. As duas sofreram retenções de imposto sobre remuneração de debêntures, emitidas por Usina Barra Grande de Lençóis e Açucareira Zillo Lorenzetti, nos valores de R$ 9.392.168,80 e R$ 6.369.381,25. Todas as empresas citadas – inclusive a interessada – integravam o mesmo grupo econômico. A DRF Bauru não reconheceu o saldo negativo em face de as retenções na fonte terem sido realizadas sobre operações inoponíveis ao fisco. A decisão sofreu reflexo dos autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), lavrados contra as emissoras das debêntures, visando a retirar os efeitos tributários dos títulos. As autuações são conduzidas nos processos administrativos 16561.720147/201416 e 16651.720070/201476. De outra parte, as compensações não foram homologadas em razão do descumprimento dos requisitos do art. 170 do CTN (liquidez e certeza do crédito). A fiscalização reputou que as operações com debêntures seriam desprovidas de substrato negocial e objetivariam a redução drástica do pagamento de tributos. No entender fiscal, somente o fato de emitentes e subscritoras serem empresas pertencentes aos mesmos sócios justificaria a emissão das debêntures, uma vez que não houve captação de recursos novos, os acertos de direitos e obrigações entre as partes ocorreram sem transferência de recursos (por mero encontro de contas) e a remuneração dos títulos se deu, além dos juros de 12% a.a., pela elevada participação nos lucros no percentual de 50%. Fl. 3462DF CARF MF Processo nº 10825.901092/201591 Acórdão n.º 1302002.797 S1C3T2 Fl. 3.462 3 Segundo a unidade fiscal, a vantagem tributária para as emissoras dos títulos se daria pela redução das bases de cálculo de IRPJ e CSLL, decorrentes de despesas registradas com a remuneração dos títulos, bem como pela não tributação dos prêmio na emissão dos títulos; e, para a sucessora das debenturistas, pelo impacto tributário nulo representado pelas remunerações, uma vez que habitualmente apresenta resultado negativo em suas atividades e tem prejuízo ou base de cálculo negativa a compensar (atividade rural não se submete à trava dos 30%), e pela possibilidade de amortizar prêmio pago na aquisição das debêntures (art. 442, III, do RIR/99). (...) Nos termos da decisão recorrida, a glosa do imposto de renda retido na fonte deduzido do IRPJ pela contribuinte na declaração do anocalendário 2010 foi consequência lógica da desconsideração das operações com debêntures. Ademais, a unidade fiscal alertou para possível duplicidade na utilização dos valores recolhidos, tendo em conta que as empresas autuadas (emissoras das debêntures) pleitearam o expurgo das quantias retidas nas impugnações aos autos de infração. A interessada foi intimada do despacho decisório em 24/11/15 e apresentou manifestação de inconformidade em 23/12/15. A contribuinte pede o reconhecimento da integralidade do crédito pleiteado e a homologação das compensações. Supletivamente, requer o desmembramento do processo e posterior reunião aos de número 16561.720147/201416 e 16561.720070/201476, de acordo com as respectivas proporções, de forma a possibilitar o julgamento conjunto das demandas, porque discutiriam o tratamento a ser dado às mesmas operações com debêntures das quais participaram pessoas incorporadas por ela. Quanto ao menos, requer o sobrestamento deste processo até o julgamento definitivo do processo 16561.720147/201416. As razões da inconformidade são, basicamente, estas: a) o saldo negativo apurado é regular e independe da desconsideração dos efeitos fiscais das debêntures; b) a decisão deste litígio é reflexo do resultado consignado para os autos de infração; c) a regularidade dos efeitos fiscais das transações com debêntures só poderia ser questionada até 2007, uma vez que os títulos foram emitidos no ano de 2002 (decadência, conforme art. 150, § 4º, do CTN); Fl. 3463DF CARF MF 4 d) as justificativas para o indeferimento da restituição e compensações não demonstram a prática de operações abusivas, uma vez que não foi avaliado se as debêntures serviram ao financiamento das atividades produtivas da emissora e se o prêmio pago e percentual de participação nos lucros não se justificavam economicamente, considerando o retorno esperado com o montante recebido, além de não ter sido comparada a redução da carga tributária mediante financiamento via debêntures com participação no lucro (DPL) face a obtenção de empréstimo bancário ou pagamento de juros sobre o capital próprio; e) a transação praticada tem fundamentos econômicos, pois os parâmetros definidos na emissão das debêntures e os valores pagos em resgate à debenturista são explicáveis, comutativos e inferiores aos custos de um financiamento perante instituição independente ou por pagamento de juros sobre o capital próprio, ao passo que a transação também foi lucrativa para a requerente; f) as autoridades fiscais são incompetentes para qualificarem atos jurídicos como abusivos ante a ausência da regulamentação do art. 116, parágrafo único, do CTN; e g) transcorreu o prazo fixado no direito civil para anulação de atos considerados abusivos. A 1ª Turma da DRJ de Porto Alegre julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade com argumentos assim ementados: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010 REUNIÃO DE PROCESSOS. AUTOS DE INFRAÇÃO DE IRPJ E CSLL E RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DE IRPJ. TITULARES DIFERENTES. QUESTÕES DE FUNDO SIMILARES. A legislação pertinente ao processo administrativo fiscal não prevê a reunião de processo de exigência tributária de IRPJ com de restituição/compensação de saldo devedor de IRPJ, sobretudo quando são distintos os titulares e porque já houve julgamento em primeira instância. SOBRESTAMENTO DE PROCESSO. Não há autorização legislativa para o sobrestamento do processo administrativo. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2010 DECADÊNCIA. FATOS COM REPERCUSSÃO EM PERÍODOS FUTUROS. Fl. 3464DF CARF MF Processo nº 10825.901092/201591 Acórdão n.º 1302002.797 S1C3T2 Fl. 3.463 5 É legítimo o exame de fatos ocorridos há mais de cinco anos do procedimento fiscal para deles extrair a repercussão tributária em períodos ainda não atingidos pela caducidade. JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA. EFEITOS. Os efeitos da jurisprudência administrativa no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil somente se aplicam às partes envolvidas, não possuindo caráter normativo, exceto nos casos previstos em lei. DEBÊNTURES. ATOS CONSIDERADOS ABUSIVOS. DESCARACTERIZAÇÃO DE OPERAÇÕES. São inoponíveis ao fisco as operações com debêntures realizadas apenas entre empresas do mesmo grupo, sem captação efetiva de recursos novos, dissociada de realidade negocial efetiva e levada a efeito em condições anormais e não usuais, com o objetivo de eliminar a incidência dos tributos incidentes sobre o lucro. RESTITUIÇÃO. RETENÇÃO BASEADA EM REMUNERAÇÃO CUJA CAUSA FOI DESCONSIDERADA. PAGAMENTO SEM CAUSA. TITULARIDADE SOBRE EVENTUAL CRÉDITO. Com a descaracterização dos efeitos da operação sobre a qual se baseou a retenção de imposto de renda na fonte, o pagamento deve ser considerado sem causa, passível de tributação por alíquota diferenciada, tributação exclusiva na fonte e base de cálculo reajustada. Na hipótese de existir eventual indébito, o titular para reivindicálo seria a fonte pagadora. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a decisão de primeiro grau, a Empresa apresentou Recurso Voluntário, alegando: 2.1. Regularidade do saldo negativo apurado independentemente da desconsideração dos efeitos fiscais das debêntures. Admitindose, somente para argumentar, que as debêntures em exame deveriam ter o seu tratamento fiscal afastado a partir dos elementos expostos, mesmo assim é inafastável o direito ao saldo negativo. Afinal, a Recorrente recebeu rendimentos tributados na fonte como antecipação do devido e no encerramento do período não tinha IRPJ a recolher em razão de o lucro apurado ser compensável com prejuízo fiscal sem o limite de 30%, como faculta a própria legislação. Fl. 3465DF CARF MF 6 2.2. Decadência. Impossibilidade de o Fisco impugnar as operações mais de 5 anos após terem sido realizadas, nos termos do art. 150, §4º, do CTN. As debêntures resgatadas em 2010 foram emitidas em 2002. Logo a regularidade dos efeitos fiscais da transação só poderia ser questionada até 2007 e não como eito em 2015 por meio do despacho decisório inicialmente recebido. 2.3. Desmembramento do presente feito e reunião aos processos originários dos autos de infração em que glosadas as despesas com as debêntures. Quando menos, o sobrestamento da cobrança até a solução definitiva dos processos em que houve as lavraturas dos autos de infração que glosaram as despesas com o pagamento das debêntures. Alternativamente, caso não sejam acatados os fundamentos anteriores, requerse o desmembramento do presente feito e posterior reunião com os processos 16561.720147/201416 e 16561.720070/201476 decorrentes dos AIs com as glosas das despesas com as debêntures. Isso, pois o presente processo engloba exatamente as transações objeto do processo 16561.720147/201416, no que se refere à UBG; e as transações objeto do processo 16561.720070/201476, no que se refere à AZL. Assim, se as parcelas do presente feito referentes a cada emitente forem decididas de forma separada dos seus respectivos processos originários, correse o risco de se ter conclusões diversas, o que é injustificável. Quando menos, deve ser sobrestada a solução do presente litígio até que sejam encerrados os PA 16561.720147/201416 e 16561.720070/201476, na medida em que esses constituem os feitos principais, enquanto o presente qualificase como reflexo. 2.4. Inexistência de operação abusiva. 2.4.1. Ausência de demonstração da prática de operação abusiva. Os elementos levantados não se mostram hábeis e suficientes a autorizar a conclusão adotada, no sentido de que teria se dado a prática de operações abusivas. Para que pudesse realizar tal avaliação, seria necessário verificar/avaliar: (1) se as debêntures serviram ao financiamento das atividades produtivas da emissora; (2) se o prêmio pago e o percentual de participação nos lucros não se justificavam economicamente, bem como confrontar o retorno esperado com o montante recebido; e (3) se houve redução de carga tributária, a partir de demonstração comparativa, com a opção pelo financiamento via DPLs, ao invés de obtenção de empréstimo bancário ou JCPs. Nenhuma das medidas descritas foi adotada no caso concreto, o que era imprescindível. A título de homologar o saldo negativo, o despacho se apressou em concluir pela existência de operação abusiva tão só em razão de a emissora e emitente serem controladas pelas mesmas pessoas, as debêntures preverem remuneração parcial em lucros e a Recorrente, sucessora por incorporação da subscritora original, possuir resultados fiscais negativos passíveis de compensação sem a necessidade de observância da trava de 30%, circunstâncias insuficientes para servirem de motivação à glosa realizada; e Fl. 3466DF CARF MF Processo nº 10825.901092/201591 Acórdão n.º 1302002.797 S1C3T2 Fl. 3.464 7 2.4.2. A transação praticada tem fundamentos econômicos. Os parâmetros definidos na emissão das debêntures e os valores pagos à debenturista em resgate são explicáveis, comutativos e inferiores aos custos que seriam incorridos caso houvesse a opção pela obtenção de financiamento junto à instituição independente ou pelo pagamento de juros sobre o capital próprio. Do lado da Recorrente, a transação foi igualmente lucrativa. Logo, o tratamento tributário aplicado configura exercício regular de direito. 2.5. Impossibilidade de desconsideração dos efeitos fiscais ao argumento da ocorrência de abuso de direito. 2.5.1. Incompetência das autoridades fiscais para qualificarem atos jurídicos como abusivos ante a ausência da edição de lei regulamentando o artigo 116, parágrafo único, do CTN. Ainda que representassem abuso de direito, assunção aceita unicamente a título de argumentação, as operações não poderiam ser impugnadas sob tal fundamento, na medida em que a Lei Complementar 104/01, que introduziu o parágrafo único ao artigo 116 do CTN justamente com o objetivo de afastar os efeitos fiscais de operações abusivas, é norma de eficácia limitada, dependente de regulamentação por lei ordinária inexistente até o presente. 2.5.2. Impossibilidade de qualificação das operações como abusivas com fundamento na legislação de direito privado. Transcurso do prazo prescricional fixado. Mesmo que pudessem ser classificadas como abuso de direito, tal como disciplinado no direito privado, ilação admitida tão só para argumentar, as operações avaliadas não permitiriam a glosa dos créditos realizada, haja vista o transcurso do prazo, igualmente fixado no direito civil, para a anulação de atos abusivos. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, assim, dele conheço. O presente julgamento diz respeito à pedido de restituição de saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 15.799.235,37 (quinze milhões, setecentos e noventa e nove mil, duzentos e trinta e cinco reais e trinta e sete centavos), apurado no anocalendário 2010 por Companhia Agrícola Luiz Zillo e Sobrinhos e Companhia Agrícola Zillo Lorenzetti, incorporadas pela interessada, decorrente de IRRF retido no recebimento de rendimentos de debêntures lançadas por empresa do mesmo grupo econômico. Várias declarações de compensação são vinculadas ao crédito solicitado. Fl. 3467DF CARF MF 8 Os créditos deste processo estão compostos da seguinte forma: Os únicos créditos que são objeto de análise são o IRRF relativos ao resgate de debêntures da Usina Barra Grande de Lençóis, no valor de R$9.362.168,80 e da Açucareira Zillo Lorenzetti S/A, no valor de R$ 6.369.381,25, ambos declarado sem liquidez e certeza pelo DD. Toda a operação relativa às debêntures foi objeto de procedimentos fiscais dos quais decorreram lançamentos, controlados nos processos 15889.000621/200705 (ano calendário de 2002), 15889.000243/200832 (anoscalendário 2004, 2005, 2006) e 16561.720147/201416 (IRPJ/CSLL anoscalendário de 2010, 2011, 2012 Barra Grande de Lençóis) e 16561.720070/201476 (IRPJ/CSLL 2009,2010,2011,2012 Zillo Lorenzetti). Nos interessam, portanto, os dois últimos processos por tratarem da operação com debêntures e relativamente aos anoscalendário de 2010: um da Barra Grande de Lençóis e outro da Zillo Lorenzetti. De qualquer sorte, esta é a situação atual de todos os processos: O processo 15889.000621/200705 foi julgado pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara deste CARF em 19 de outubro de 2011, assim ementado: DESPESAS COM REMUNERAÇÃO DE DEBÊNTURES. As despesas com remuneração aos sócios da autuada, correspondentes à operação com debêntures, a pretexto de captar recursos para dotar a companhia de um novo sistema de gestão, não podem ser deduzidas do lucro líquido, na medida em que se comprova nos autos que deixaram de reunir as condições necessárias estabelecidas pela legislação fiscal. Foi dado provimento parcial ao recurso de ofício apenas para determinar a reconstituição do resultado do ano de 2002, bem como compensação de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL em face de decisão definitiva em outro processo. Após tomada esta providência, os valores remanescentes foram transferidos para o processo 13828.000190/2010 63, que foi objeto de desistência para fins de inclusão dos valores em parcelamento especial (Refis da Crise, Lei 11.941, de 2009). O processo 15889.000243/200832 foi julgado pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara deste CARF em 3 de dezembro de 2013, assim ementado: Fl. 3468DF CARF MF Processo nº 10825.901092/201591 Acórdão n.º 1302002.797 S1C3T2 Fl. 3.465 9 IRPJ e CSLL PROVISÕES Os encargos com pagamento da participação nos lucros devida aos debenturistas, se não forem certos, exigíveis e identificados no períodobase, não compreendem despesas incorridas, mas verdadeiras provisões contabilizadas. Foi dado provimento parcial ao recurso apenas para a reconstituição dos saldos de prejuízos fiscais dos anos de 2004 a 2006, face ao decidido no processo 15889.000621/200705, acima referido. O saldo de créditos tributários foi transferido para o processo 13828.000142/201156, que, também foi objeto de desistência por parte da autuada para inclusão no Refis da Crise. O processo 16561.720147/201416 foi julgado pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara em 17 de maio de 2017, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011, 2012 PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. OPONIBILIDADE AO FISCO. ABUSO DO DIREITO. PROPÓSITO NEGOCIAL. INDEDUTIBILIDADE A emissão de debêntures, com o único propósito de reduzir a carga tributária, implica em planejamento tributário abusivo, mais especificamente, elisão abusiva. Para que um planejamento tributário seja oponível ao fisco, não basta que o contribuinte, no exercício do direito de autoorganização, pratique atos ou negócios jurídicos antes dos fatos geradores e de acordo com as formalidades previstas na legislação societária e comercial. É necessário que haja um propósito negocial, de modo que o exercício do direito seja regular. Foi dado provimento parcial ao recurso voluntário apenas para reduzir a multa qualificada ao patamar de 75%. A Procuradoria da Fazenda entrou com embargos declaratórios, admitidos mas pendentes de julgamento. Especificamente sobre a compensação do IRRF o voto condutor do acórdão recorrido assim se manifesta: 9) Incongruência da requalificação feita pela Fiscalização. Impossibilidade de ser dado tratamento de distribuição de lucros, haja vista que a CAQ não era sócia da Recorrente. Mesmo assim considerando, deveria então a Fiscalização ter compensado o IRRF pago em nome da CAQ com o IRPJ e a CSLL lançados de ofício Neste ponto, alega a Recorrente que a Fiscalização teria considerado como injustificável a atribuição de lucros às Fl. 3469DF CARF MF 10 debêntures quando estas são subscritas por sociedades ligadas à emitente. Infere que, se assim fosse, o fato então ocorrido teria sido a distribuição de lucros; por conseguinte, o IRRF pago em nome da Companhia Agrícola Quatá S/A deveria ser compensado com os tributos lançados de ofício. Confesso que li atentamente o Termo de Verificação Fiscal por várias vezes e não encontrei, em nenhuma de suas passagens, qualquer atribuição, por parte da Autoridade Fiscal, de que os valores pagos a título de remuneração das debêntures seriam, na verdade, distribuição de lucros. O único ponto do TVF que mais se assemelha àquilo que foi arguido pela Recorrente é este que reproduzo abaixo (v. efls. 725): É nesse ponto que há mais incoerência ainda, pois quando uma empresa emite debêntures com participação nos lucros e a debenturista é uma pessoa jurídica com os mesmos acionistas daquela, na verdade se está dando a conotação de remuneração para aquilo que já é por direito dos próprios proprietários. Não haveria necessidade de debêntures para que eles tivessem acesso a esses lucros. Embora a Lei das Sociedades Anônimas permita que as debêntures possam ser remuneradas com participações nos lucros, só há sentido em se abrigar sob o manto desse dispositivo se o debenturista for pessoa estranha à sociedade, ou seja, só faz sentido se a transação for realizada com terceiros. Ora, o que quis dizer a Autoridade Fiscal é que a remuneração das debêntures com base nos lucros, neste caso em particular, seria incoerente, haja vista que ambas as empresas, emitente e debenturista, possuem os mesmos proprietários. Assim, em tese, seria despropositada a remuneração dos títulos com base em algo (no caso, os lucros), que já são de fato e de direito pertencentes aos proprietários de ambas as empresas. Em relação ao aproveitamento por parte da Fiscalização do IRRF, também não há como se dar guarida. Isso porque os pagamentos considerados indevidos seguem um rito próprio quanto ao processamento de sua restituição/compensação. E a definição quanto a justeza de seu recolhimento só será alcançada ao final deste processo administrativo. Assim, se a Recorrente restar vencida ao final do mesmo, poderá instaurar o procedimento próprio de restituição/compensação do tributo pago indevidamente, conforme o rito estabelecido pelo art. 74 da Lei nº 9.430/96. Além do mais, o IRPJ devido pela pessoa jurídica não tem qualquer relação com o IRRF, de tributação exclusiva na fonte, retido e incidente sobre os rendimentos pagos à debenturista. In casu, a recorrente figurou somente como responsável pela retenção do imposto por ter efetuado o pagamento dos rendimentos. Portanto, resta incabível se cogitar de uma Fl. 3470DF CARF MF Processo nº 10825.901092/201591 Acórdão n.º 1302002.797 S1C3T2 Fl. 3.466 11 compensação entre o IRPJ lançado contra a Recorrente na condição de contribuinte com o imposto de renda retido por ela na fonte e recolhido aos cofres públicos, enquanto responsável pelo pagamento das remunerações aos debenturistas. Ainda, para arrematar, a Autoridade Fiscal, em seu TVF às efls. 716 traz a informação de que os valores do IRRF pagos em nome da Companhia Agrícola Quatá S/A foram por ela aproveitados e objeto, inclusive, de pedido de restituição. O processo 16561.720070/201476, relativo à emissão de debêntures de Açucareira Zillo Lorenzetti S/A nos anoscalendário de 2009, 2010, 2011 e 2012 foi julgado pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara em 18 de maio de 2017, assim ementado: EMPRESAS COM MESMOS SÓCIOS. REMUNERAÇÃO DE DEBÊNTURE. INDEDUTÍVEL COMO DESPESA. Gastos com a remuneração de debêntures emitidas/compradas entre empresas com os mesmos sócios, não podem ser aceitos como despesas dedutíveis, se a operação não alterou o risco das empresas, não houve ingresso de recursos, mas compensações de contas entre as empresas envolvidas, e resultou não só na redução do IRPJ e CSLL pagos, mas também na criação de crédito de Saldos Negativos, que foram requeridos para a compensação de débitos. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO ABUSIVO. Caracteriza planejamento tributário abusivo, a operação posterior de incorporação da empresa debenturista por outra empresa também dos mesmos sócios, que acumulava prejuízos, operação que resultou não só na redução de IRPJ e CSLL a pagar, mas em direito creditório de Saldo Negativo de IRPJ, cuja restituição/compensação com débitos foi formalizada. DEBÊNTURES. REMUNERAÇÃO. IRRF. O Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF retido sobre a remuneração das debêntures não pode ser deduzido do valor do imposto devido pela fonte pagadora. O voto vencedor registra: 3 Da necessidade da despesa financeira com debêntures. Como evidenciou a PFN nas Contrarrazões, a controvérsia quanto ao mérito cingese a definir se os gastos com a remuneração das debêntures emitidas pela contribuinte podem ou não ser qualificados como necessários à atividade da Autuada; que, tais despesas devem guardar estrita conformidade com as exigências legais e regulamentares para serem dedutíveis e destaca que os seguintes fatos depõem contra a necessidade e normalidade dos dispêndios: 1. dada a ausência de recursos de terceiros, o resultado obtido com a operação analisada nos presentes autos não reflete o que normalmente acontece quando uma empresa decide captar Fl. 3471DF CARF MF 12 recursos financeiros por meio da emissão de debêntures; não houve aporte de recursos financeiros que viessem fora do grupo; ausência de crédito novo; 2. não há que se falar em risco do crédito numa operação realizada no âmbito de um grupo econômico; 3. a expectativa de ganhos a justificar o pagamento do Prêmio de Emissão pela debenturista inexistiu e o mesmo foi pago com redução da dívida entre empresas com os mesmos sócios; 4. Como dito, nenhum fluxo financeiro resultou; 5. A remuneração foi fixada entre empresas com os mesmos sócios e não em função das condições do mercado. De fato, o risco das empresas não foi alterado pela modificação dos passivos, contabilização de pagamentos, remunerações e recebimentos de Prêmio, mediante os encontros de contas; as condições financeiras do "grupo" permaneceram as mesmas; recurso algum foi agregado. O resultado foi economia de impostos. E geração de créditos de Saldo Negativo, cuja restituição/compensação foi requerida pela incorporadora/debenturista. As constatações supra levam à conclusão que os dispêndios com remuneração das debêntures, neste caso, não se caracterizam como despesas necessárias, e por isso, correta a conclusão de que são indedutíveis na apuração da base de cálculo do IRPj e CSLL. (grifei) Sobre a compensação do IRRF naquele processo: 5 Compensação IRPJ e CSLL autuados com IRRF sobre remunerações de debêntures pagas A Recorrente argumenta que, mesmo que em nenhum momento a fiscalização tenha afirmado que os pagamentos feitos eram lucros distribuídos, é fora de dúvida que afastou o tratamento deles como remuneração de debêntures e que, como a Recorrente pagou 50% de seus lucros à debenturista, então equivaleria a distribuição de dividendos, só possível se esta última fosse acionista da Recorrente; e aduz que o IRRF pode ser compensado pela debenturista, o que foi negado pelo Autuante, que deveria ter reconhecido o SN da incorporador/debenturista, ou deduzir o IRRF das exigências de ofício. Como consequência desse arrazoado, requer a apensação ao presente, do processo nº 10825.901978/201373, para evitar decisões divergentes. Opinou a PFN: Não se afigura, todavia, a relação de implicação lógica vislumbrada pela recorrente. Ao contrário do que afirma, a Fiscalização não Fl. 3472DF CARF MF Processo nº 10825.901092/201591 Acórdão n.º 1302002.797 S1C3T2 Fl. 3.467 13 descaracterizou os pagamentos como remuneração de debêntures. Na linha do que acima foi dito, o fiscal não desconsiderou a operação nem a anulou. O que fez, considerando a artificialidade da operação, foi concluir que as despesas incorridas com a remuneração das debêntures, que efetivamente existiram, não seriam usuais e normais, e, por consequente, reputouas indedutíveis. A DIPJ da incorporadora Companhia Agrícola Quatá, págs. 385/471 e 493/597, aponta IRRF consumido na apuração do Imposto de Renda sobre o Lucro Real: 2009 R$ 45.039,60 2010 R$ 15.785.661,27 2011 R$ 15.139.286,35 No entanto, a autuação se deu sobre a emitente das debêntures, Açucareira Zillo Lorenzetti S/A, que não se beneficiou dessas retenções; verificase, pág. 734/740, que a apuração fiscal, partiu do Lucro Real que a Autuada apurou. O aproveitamento do IRRF é assunto atinente à incorporadora/debenturista, Companhia Agrícola Quatá, não se tratando de matéria em discussão nos presentes autos. Podese concluir, portanto, que em relação ao IRRF, os dois julgamentos negaram a redução do valor lançado por considerarem que se trata de imposto atinente à Companhia Agrícola Quatá. Em relação ao lançamento da Zillo Lorenzetti, ainda, ficou claro que a fiscalização considerou as despesas de remuneração das debêntures como indedutíveis por não serem necessárias a obtenção dos objetivos da Empresa, embora trate como abusivo o planejamento tributário relativo às operações com debêntures. Fato incontroverso é que houve o pagamento ou a compensação dos valores retidos pelas duas emitentes das debêntures. A questão que se coloca é que temos de um lado uma operação considerada inoponível ao fisco, com despesas de remuneração de debêntures sendo glosadas por indedutíveis nas emissoras dos títulos, cobradas por meio de auto de infração, operações em que houve o efetivo recolhimento do IRRF não considerado na autuação por serem de responsabilidade das adquirentes das debêntures; de outro lado, nas empresas adquirentes das debêntures, a negativa de utilização dos valores recolhidos pelas emissoras a título de IRRF para compensar seus próprios tributos. Fato é que o valor do IRRF terá que ser considerado em algum momento, haja vista que ele foi efetivamente recolhido. Ainda que toda a operação seja desconsiderada para fins fiscais, no plano da eficácia, o IRRF restará recolhido, seja a que título for e, considerando o tempo de julgamento administrativo dos processos fiscais, não pode a Contribuinte esperar o resultado para então requerer a referida compensação, sob pena de prescrever o seu direito. Fl. 3473DF CARF MF 14 No caso presente, na minha ótica, está claro que este imposto recolhido não será utilizado na redução dos lançamentos efetuados. Os valores que foram reconhecidos como receita pelas duas empresas incorporadas pela Quatá estão sendo tributados nas emissoras dos debêntures, quando são considerados despesas indedutíveis, o que anula a não tributação na Recorrente por conta da compensação de prejuízos da atividade rural acumulados. Desta forma, desfazse as vantagens do planejamento tributário, restando apenas, como fator real, o recolhimento efetivado na fonte. Todo o planejamento envolvendo a emissão de debêntures, inoponível ao fisco, foi atacado pela parte da despesa indedutível nas emissoras, mas as receitas recebidas permaneceram registradas e incólumes nas empresas que receberam o rendimento do título, pelo que não há justificativa para não reconhecer o IRRF sobre ele retido. Outro aspecto a ser considerado é o fundamento adotado no DD para justificar a não reconhecimento do crédito tributário: a falta de liquidez e certeza, fulcro no artigo 170 do CTN. O PerDcomp apresentado justificava o saldo negativo apenas pelo IRRF assim demonstrado: Na DIPJ, folhas 425, vêse que a composição do saldo negativo ainda conta dom R$13.574,10 relativo a recolhimento de IRPJ por estimativa, que sequer consta da DComp. Fl. 3474DF CARF MF Processo nº 10825.901092/201591 Acórdão n.º 1302002.797 S1C3T2 Fl. 3.468 15 O DD só se manifesta em relação aos IRRF referidos em 0003 e 0004, nada falando em relação às demais fontes. Nem cogita o recolhimento de estimativa. Não vejo o motivo da alegada falta de liquidez e certeza, pois a exclusão dos valores registrados em 0003 e 0004, relativos às operações com debêntures, representaria um valor certo, uma vez mantidos as demais fontes recolhidas. Não há nenhuma incerteza ou iliquidez. O segundo ponto a ser considerado é se o valor das receitas respectivas foi oferecido à tributação. Entendo que sim. Como o problema é tratado na perspectiva da eficácia, e a retirada de efeitos do planejamento considerado abusivo se dá na tributação de todas os valores pagos pelas emissoras dos debêntures, por indedutíveis como despesas, resta que as receitas recebidas foram compensadas com prejuízos fiscais de atividade rural acumulados e os valores de IRRF, todos, compõe o saldo negativo. Nada a opor. Por outro lado, como nada foi falado em relação aos IRRF dos itens 0001, 0002, 0005 e 0006 acima destacados, entendo que foram reconhecidos como legítimos. Feitas estas ponderações, dou provimento ao recurso voluntário e reconheço o direito creditório pleiteado, homologando as compensações até o limite do crédito reconhecido. É como voto. (assinado digitalmente) Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator Fl. 3475DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15956.000019/2008-08
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jun 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003
RECURSO ESPECIAL. PRELIMINAR DE NÃO CONHECIMENTO.
A situação fática do acórdão paradigma não encontra similitude com o acórdão recorrido e, por conseqüência, não se vislumbra interpretação divergente da lei tributária, razão pela qual não deve ser conhecido o recurso interposto.
Numero da decisão: 9202-006.670
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado PEDRA AGROINDUSTRIAL S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 RECURSO ESPECIAL. PRELIMINAR DE NÃO CONHECIMENTO. A situação fática do acórdão paradigma não encontra similitude com o acórdão recorrido e, por conseqüência, não se vislumbra interpretação divergente da lei tributária, razão pela qual não deve ser conhecido o recurso interposto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 00 00 19 /2 00 8- 08 Fl. 364DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão n.º 2401003.155 proferido pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em 14 de agosto de 2013, no qual restou consignada a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. O relatório de Representantes Legais representa mera formalidade exigida pelas normas de fiscalização, em que é feita a discriminação das pessoas que representam a empresa ou participavam do seu quadro societário no período do lançamento, não acarretando, na fase administrativa do procedimento, qualquer responsabilização às pessoas constantes naquela relação. ENTREGA DE PRODUTO RURAL À COOPERATIVA. ATO COOPERATIVO NÃO ENVOLVE COMERCIALIZAÇÃO. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as Cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Somente haverá comercialização por ocasião do faturamento das vendas no mercado pela cooperativa. PRODUTO RURAL. EXPORTAÇÃO POR MEIO DE COOPERATIVA. IMUNIDADE EM RELAÇÃO ÀS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Se a empresa entrega sua produção rural à cooperativa que providencia a exportação incide a norma imunizante do inciso I, §2º do art. 149 da CF. SENAR. RECEITA DECORRENTE DE EXPORTAÇÃO. PRODUTOR RURAL E AGROINDUSTRIAL. CONTRIBUIÇÃO DEVIDA. A imunidade prevista no §2º do art. 149 da Constituição Federal apenas abrange as contribuições sociais e destinadas ao domínio econômico, não se estendendo ao SENAR, que se trata de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas. MULTA DE MORA.APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO APLICÁVEL NO TEMPO DA OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES INAPLICABILIDADE DO PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. Fl. 365DF CARF MF Processo nº 15956.000019/200808 Acórdão n.º 9202006.670 CSRFT2 Fl. 3 3 O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Sendo a multa prevista na nova sistemática, quando há lançamento de oficio, mais gravosa do que a multa imposta no período da ocorrência dos fatos geradores, incabível a limitação em 20% pretendida pelo recorrente, considerando a natureza das multas aplicadas. Recurso Voluntário Provido em Parte. Conforme consta do Relatório Fiscal, fls. 34 e 35, o crédito tributário fora constituído pelas seguintes razões: No caso concreto, o contribuinte exporta álcool e açúcar via cooperativa (COPERSUCAR — Cooperativa de Produtores de Cana de Açúcar, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo). Em cada usina cooperada existe um estabelecimento (filial) da cooperativa e o procedimento é o seguinte: diariamente, a usina emite notas de entrega para venda em favor da COPERSUCAR que à partir dai fica investida da posse dos produtos. A Copersucar e porta os produtos diretamente ou ainda via "trading" e ao final de cada mês elabora planilha demonstrativa em que atribui a cada usina cooperada uma receita proporcional à quantidade de produtos entregues para exportação (Parecer Normativo — PN/CST n° 66/86). O contribuinte não comprovou a existência de receita referente a exportação direta de seus produtos agro industriais. Os lançamentos contábeis de vendas registram somente os repasses efetuados pela Copersucar, demonstrados através de planilhas. Em virtude do exposto acima, estão sendo lançadas na presente NFLD as contribuições previdenciárias incidentes sobre as receitas decorrentes da comercialização da produção rural realizada por agroindústria no MERCADO EXTERNO que não foram recolhidas nos prazos legais. Assim, considerando que as contribuições sociais não incidiriam apenas nos casos em que a produção é comercializada diretamente com o exterior, a Fiscalização concluiu que os valores percebidos com as vendas realizadas para o mercado externo via COPERSUCAR deveriam ser incluídos na base de cálculo das contribuições, razão pela qual lavrou a referida Notificação Fiscal de Lançamento de Débito. Irresignada, o ora Recorrente impugnou a autuação requerendo, em síntese: a nulidade da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito; a inexigibilidade da multa cobrada; que as exportações realizadas por intermédio da cooperativa devem ser tidas como realizadas pela Própria Recorrente, diretamente com adquirente domiciliado no exterior, sendo a exigência contida na autuação inconstitucional, tendo em vista a imunidade tributária a ela relativa. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento entendeu pela improcedência da impugnação, mantendo o crédito tributário tal como lançado. Fl. 366DF CARF MF 4 Contudo, em decorrência da análise do Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, foi reformada a decisão e dado provimento parcial ao recurso, nos termos abaixo consignados: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas. II) Pelo voto de qualidade, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento as contribuições previdenciárias incidentes sobre a receita bruta, inclusive SAT. Vencidos os conselheiros Carolina Wanderley Landim (relatora), Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que davam provimento parcial em maior extensão, ao limitarem a multa em 20%. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Posteriormente, foi interposto Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional, fls. 308 a 316, com o fito de rediscutir a aplicação da imunidade tributária prevista no art. 149 da Constituição Federal sobre à receita bruta decorrente das exportações, quando realizadas por intermédio de cooperativa, no qual, acerca da divergência, a Recorrente Sustenta que o Acórdão vergastado adotou entendimento distinto do posicionamento adotado no Acórdão n.º 230201.039. Foi realizado exame de admissibilidade, fls. 319 a 322, sendo dado seguimento ao citado Recurso para a rediscussão da questão suscitada. No que se refere ao mérito, a Recorrente aduz, em síntese, que: a) relativamente à matriz constitucional do art. 149, §2º. I, da CF, é indiscutível que as receitas diretamente decorrentes de vendas para o mercado externo estão excluídas da esfera de tributação das contribuições sociais. Contudo, no caso em tela, a decisão recorrida vai além daquilo que foi expressamente previsto pelo poder constituinte derivado, uma vez que estende o alcance da norma imunizante às etapas que antecedem a venda direta ao comprador externo, ou seja, às operações intermediárias; b) tratase de mera VENDA INDIRETA, uma vez que entre a agroindústria e o comprador da produção no estrangeiro, se interpõe uma terceira pessoa jurídica, in casu, a COPERSUCAR. c) recordese que, para efeito da legislação previdenciária, segundo a redação do art. 15 parágrafo único da Lei n.º 8.212/91, as cooperativas são equiparadas às empresas. Não há base legal para dispensar tratamento mais favorecido a essas entidades associativas. d) entendese que deve incidir contribuição previdenciária sobre a receita bruta da comercialização da produção rural da agroindústria, ainda que se refere à venda indireta para o exterior, em razão do comando do art. 22A da Lei 8.212/91, com redação dada pela Lei 10.256/01, pois tais receitas não são alcançadas pela norma constitucional de imunidade, contida no art. 149, §2º, I, da CF; Fl. 367DF CARF MF Processo nº 15956.000019/200808 Acórdão n.º 9202006.670 CSRFT2 Fl. 4 5 e) o fato gerador da contribuição está claramente configurado, pois quando a agroindústria entrega a sua produção para a cooperativa, está efetuando nada mais nada menos do que uma operação de consignação mercantil, que corresponde ao mecanismo pelo qual o consignante (agroindústria) fornece a mercadoria para consignatário (cooperativa), para que este a negocie com um terceiro; f) seja conhecido e provido o presente Recurso Especial, e, conseqüentemente, seja restabelecida a decisão de primeira instância. De acordo com o Despacho de fls. 328, dentro do prazo para a apresentação de contrarrazões ao recurso da Fazenda Nacional e para apresentação de Recurso especial relativo à parte do acórdão que lhe foi desfavorável, o contribuinte não se manifestou. É o relatório. Fl. 368DF CARF MF 6 Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. Embora não tenha havido manifestação do Contribuinte; em sede de contrarrazões, acerca do não conhecimento do Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional; quando da sustentação oral, o patrono dos autos, argüiu a mencionada preliminar. Assim, entendi pelo acolhimento da questão suscitada, tendo em vista as ponderações da Recorrida, bem como todos os esclarecimentos trazidos aos autos pela Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, após pedido de vistas, conforme passo a expor. O Recurso não deve ser conhecido tendo em vista que não preenche os requisitos previstos no art. 67 do RICARF, tendo em vista que a situação tratada no recorrido não se assemelha a do paradigma. Vejamos as diferenças dos dois lançamentos que acabam por impossibilitar a demonostração de divergência: PARADIGMA FATOS GERADORES 3 — Constituiu o fato gerador destas contribuições a comercialização da produção rural realizada pelo produtor rural pessoa física ou pelo segurado especial com a empresa notificada, na condição de adquirente, consumidora, consignatária ou cooperativa. 4 — As contribuições a que se refere esta NFLD decorrem de operações de exportação de produtos rurais realizadas pela notificada, produtos estes que adquiriu de seus cooperados. A operação de exportação deuse sempre entre a pessoa jurídica COTRISA e o comprador no exterior. Portanto, o produtor rural pessoa física sempre vendia a produção para a cooperativa, onde a Nota Fiscal de Produtor era emitida contra a cooperativa, e esta emitia a respectiva contranota. 4.1 — As contribuições constantes nesta NFLD não foram recolhidas e nem foram depositadas em Juízo. 5 —Foi verificado que a empresa deixou de efetuar os descontos a título de contribuição previdenciária e passou a efetuar desconto a título de incentivo a exportação na taxa de 2%. Estes valores foram lançados na conta 020401030104 — Reserva de Incentivo à • Exportação. 6 — Importante destacar o que dispõe a Instrução Normativa (IN) SRP n. 03, de 14/07/2005, art. 245, §§ 1° e 2°, sobre a exportação de produtos rurais: "Art. 245. Não incidem as contribuições sociais de que trata este Capítulo sobre as receitas decorrentes de exportação de produtos, cuja comercialização ocorra a partir de 12 de dezembro de 2001, por força do disposto no inciso I do §2 0 do art. 149 da Constituição Federal, alterado pela Emenda Constitucional n o 33, de 11 de dezembro de 2001. Fl. 369DF CARF MF Processo nº 15956.000019/200808 Acórdão n.º 9202006.670 CSRFT2 Fl. 5 7 §1° Aplicase o disposto neste artigo exclusivamente quando a produção é comercializada diretamente com adquirente domiciliado no exterior. §2° A receita decorrente de comercialização com empresa constituída e em funcionamento no País é considerada receita proveniente do comércio interno e não de exportação, independentemente da destinação que esta dará ao produto."(g rifo nosso). 7 — Assim sendo, no caso em tela, não são os produtores rurais que exportam sua produção, mas a empresa notificada, em seu próprio nome. Esta operação, portanto, não goza da imunidade prevista na Carta Magna. A operação de exportação, inclusive, não é concomitante com a aquisição dos produtos rurais. A Cooperativa faz a exportação e só depois adquire o produto dos agricultores ou em outros casos a operação é ao contrário. Desta forma, as operações de compra e exportação não se confundem, pois ocorrem entre pessoas distintas e normalmente em momentos distintos, sendo que a aquisição do produto é feita pela Cooperativa e portanto constitui receita proveniente do comércio interno, não abrangida pela imunidade. Conforme destacado acima, no caso apreciado no paradigma, existia venda dos cooperados para a cooperativa e esta é que comercializava para o exterior, ou seja, o produtor rural pessoa física sempre vendia a produção para a cooperativa, onde a Nota Fiscal de Produtor era emitida contra a cooperativa, e esta emitia a respectiva contranota. Já no caso do recorrido, desde o lançamento se demonstrou a inexistência de aquisição por parte do recorrente, senão vejamos trecho do recorrido: Este dispositivo legal explicita tal imunidade em seu parágrafo primeiro, ao dispor que só é aplicável quando a produção é comercializada diretamente com o adquirente domiciliado no exterior. No parágrafo segundo reforça que a receita decorrente de comercialização com empresa constituída e em funcionamento no pais é considerada receita proveniente do comércio interno e não da exportação, independente da destinagdo que se dará ao produto. No caso concreto, o contribuinte exporta álcool e açúcar via cooperativa (COPERSUCAR — Cooperativa de Produtores de Cana de Açúcar, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo). Em cada usina cooperada existe um estabelecimento (filial) da cooperativa e o procedimento é o seguinte: diariamente, a usina emite notas de entrega para venda em favor da COPERSUCAR que à partir dai fica investida da posse dos produtos. A Copersucar e porta os produtos diretamente ou ainda via "trading" e ao final de cada mês elabora planilha demonstrativa em que atribui a cada usina cooperada uma receita proporcional à quantidade de produtos entregues para exportação (Parecer Normativo — PN/CST n° 66/86). 0 contribuinte não comprovou a existência de receita referente a exportação direta de seus produtos agro industriais. Os lançamentos contábeis de vendas registram Fl. 370DF CARF MF 8 somente os repasses efetuados pela Copersucar, demonstrados através de planilhas. Em virtude do exposto acima, estão sendo lançadas na presente NFLD as contribuições • previdencidrias incidentes sobre as receitas decorrentes da comercialização da produção rural realizada por agroindústria no MERCADO EXTERNO que não foram recolhidas nos prazos legais. Ou seja, pela simples análise dos pontos destacados, no caso do recorrido não existe demonstração de venda, na medida que o contribuinte exporta álcool e açúcar via cooperativa (COPERSUCAR — Cooperativa de Produtores de Cana de Açúcar, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo). Chama atenção a diferença de que não existe a operação de venda, pelo contrário em cada usina cooperada existe um estabelecimento (filial) da cooperativa sendo que a usina emite apenas notas de entrega para venda em favor da COPERSUCAR que à partir daí fica investida da posse dos produtos para exportálos. A diferença pode ser observada também nos fundamentos do acórdão paradigma que divergem do recorrido: A imunidade ora em debate possui previsão expressa no art. 149, parágrafo 2º, inciso I da Constituição Federal, nestas palavras: Art. 149. compete exclusivamente à união instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, iii, e 150, i e iii, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. (...) § 2º as contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: (incluído pela emenda constitucional n.º 33, de 2001) I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação; (incluído pela emenda constitucional n.º 33, de 2001) Conforme expressa previsão constitucional somente estão amparadas pela imunidade as operações decorrentes de exportação. A operação entre os cooperados e a cooperativa é uma operação interna, que não se confunde com a exportação. A relação jurídica entre a cooperativa e o cooperado se esgota na venda da produção deste para aquela; e independentemente se a cooperativa irá ou não realizar operação com o exterior já é devido o valor ao cooperado. Desse modo, não procede o argumento recursal de que a exportação teria sido realizada pelos cooperados por intermédio da cooperativa. Conforme previsto no art. 79, parágrafo único da Lei n 5.764 de 1971; o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Assim, ao adquirir dos seus cooperados, a cooperativa tem necessariamente que reter a contribuição devida, conforme expressamente previsto nos artigos legais já transcritos. Logicamente, quando a cooperativa realizar a exportação, sobre a receita obtida não haverá incidência de contribuição em virtude do disposto no art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. Fl. 371DF CARF MF Processo nº 15956.000019/200808 Acórdão n.º 9202006.670 CSRFT2 Fl. 6 9 Para a Secretaria da Receita Previdenciária, a imunidade somente alcança as exportações diretas, conforme previsto no art. 245 da Instrução Normativa nº 03/05. Art. 245. Não incidem as contribuições sociais de que trata este Capítulo sobre as receitas decorrentes de exportação de produtos, cuja comercialização ocorra a partir de 12 de dezembro de 2001, por força do disposto no inciso I do § 2º, do art. 149, da Constituição Federal, alterado pela Emenda Constitucional nº 33, de 11 de dezembro de 2001. § 1º Aplicase o disposto neste artigo exclusivamente quando a produção é comercializada diretamente com adquirente domiciliado no exterior. Conforme podemos extrair, não devemos confundir uma operação de venda consolidada entre os cooperados e a cooperativa (caso do paradigma), de operações que se assemelham com o ato cooperado, ou seja, sem a efetivação de venda como no caso do recorrido. Dessa forma, não há como preencher o pressuposto para o conhecimento do Resp, qual seja, na análise de situações semelhantes, colegiados distintos interpretaram de forma diversa um mesmo dispositivo legal. Diante do exposto, voto por não conhecer do recurso interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz . Fl. 372DF CARF MF
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