Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,087)
- Segunda Turma Ordinária d (18,060)
- Primeira Turma Ordinária (16,567)
- Primeira Turma Ordinária (16,459)
- Primeira Turma Ordinária (16,358)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,296)
- Segunda Turma Ordinária d (16,086)
- Segunda Turma Ordinária d (14,575)
- Primeira Turma Ordinária (13,128)
- Primeira Turma Ordinária (12,614)
- Segunda Turma Ordinária d (12,554)
- Primeira Turma Ordinária (11,521)
- Quarta Câmara (11,514)
- Quarta Câmara (85,999)
- Terceira Câmara (68,521)
- Segunda Câmara (57,460)
- Primeira Câmara (21,771)
- 3ª SEÇÃO (16,296)
- 2ª SEÇÃO (11,369)
- 1ª SEÇÃO (6,889)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (128,887)
- Segunda Seção de Julgamen (116,175)
- Primeira Seção de Julgame (78,015)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,150)
- Terceiro Conselho de Cont (25,980)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,430)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,612)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,273)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,232)
- HELCIO LAFETA REIS (3,928)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,937)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,875)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,791)
- WILDERSON BOTTO (2,683)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,961)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,925)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,477)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,674)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2026 (16,704)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2026 (20,932)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 18471.001501/2008-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed May 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2000 a 30/11/2001
Ementa:. RECURSO VOLUNTÁRIO. ADESÃO AO PARCELAMENTO. PERDA DO INTERESSE EM AGIR. Tendo em vista que o parcelamento tributário se constitui em situação na qual o contribuinte renuncia de forma expressa o direito sobre o qual se funda a autuação, com a sua adesão ao programa de parcelamento, mitigado está o seu interesse de agir. Precedentes.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2402-004.626
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em homologar a desistência e não conhecer do recurso voluntário.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espindola Reis, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2000 a 30/11/2001 Ementa:. RECURSO VOLUNTÁRIO. ADESÃO AO PARCELAMENTO. PERDA DO INTERESSE EM AGIR. Tendo em vista que o parcelamento tributário se constitui em situação na qual o contribuinte renuncia de forma expressa o direito sobre o qual se funda a autuação, com a sua adesão ao programa de parcelamento, mitigado está o seu interesse de agir. Precedentes. Recurso Voluntário Não Conhecido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 06 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 18471.001501/2008-98
anomes_publicacao_s : 201505
conteudo_id_s : 5473082
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 08 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2402-004.626
nome_arquivo_s : Decisao_18471001501200898.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : LOURENCO FERREIRA DO PRADO
nome_arquivo_pdf_s : 18471001501200898_5473082.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em homologar a desistência e não conhecer do recurso voluntário. Júlio César Vieira Gomes - Presidente Lourenço Ferreira do Prado - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espindola Reis, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
id : 5959116
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:40:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047890054610944
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1752; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 1.021 1 1.020 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.001501/200898 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402004.626 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de março de 2015 Matéria RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Recorrente PETROLEO BRASILEIRO S/A PETROBRAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2000 a 30/11/2001 Ementa:. RECURSO VOLUNTÁRIO. ADESÃO AO PARCELAMENTO. PERDA DO INTERESSE EM AGIR. Tendo em vista que o parcelamento tributário se constitui em situação na qual o contribuinte renuncia de forma expressa o direito sobre o qual se funda a autuação, com a sua adesão ao programa de parcelamento, mitigado está o seu interesse de agir. Precedentes. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em homologar a desistência e não conhecer do recurso voluntário. Júlio César Vieira Gomes Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espindola Reis, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 15 01 /2 00 8- 98 Fl. 817DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/04/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRÁS, em face do acórdão que manteve integralmente a NFLD n. 35.699.6280, lavrado para a cobrança de contribuições previdenciárias no percentual de 11%, incidentes sobre a contratação de prestadora de serviços mediante cessão de mãodeobra. Consta do relatório fiscal que a recorrente contratou, sob regime de empreitada por preços unitários, de serviços de manutenção predial, operações de carga e descarga, conservação e limpeza, serviços administrativos e outros correlatos, no âmbito dos órgãos da Petrobras sediados em Manaus/AM, de conformidade com os termos e condições nele estipulados e no Anexo II Especificação dos Serviços Aduziu o fiscal que a recorrente não comprovou o cumprimento das obrigações da construtora para com a Seguridade Social, ou seja, não houve a devida comprovação, através de guias de recolhimento específicas para a obra contratada, nem a apresentação de folhas de pagamentos específicas dos segurados empregados alocados, de modo que, por este motivo, fora considerada como responsável solidária a teor do disposto no art. 31 da Lei 8.212/91, vigente à época. O lançamento fora efetuado por aferição indireta considerando o percentual de 40 % (quarenta por cento) sobre a parte considerada como mãodeobra constante nas notas fiscais de prestação de serviço. Por fim, consta que quando do lançamento foram consideradas como responsáveis solidárias as empresas PETROBRAS GÀS S/A – GASPETRO, PETROBRAS TRANSPORTE S/A – TRANSPETRO e PETROBRAS QUÍMICA S.A. – PETROQUISA, com fundamento no art. 30, IX da Lei 8.212/91. A decisão Notificação manteve parcialmente os levantamentos desta NFLD combatida e diante da interposição de recurso voluntário pela contribuinte principal e as demais consideradas como solidárias, os Autos foram enviados ao CRPS para julgamento, oportunidade na qual, a 2ª CAJ converteru o julgamento em diligência, para que os autos baixassem e a Secretaria de Receita Previdenciária verificasse se de fato existiam os anexos I e II indicados pelo fiscal em seu relatório fiscal, enviandoos aquele órgão em caso positivo. Cumprida a diligência, a contribuinte foi cientificada do seu resultado, tendo apresentado considerações sobre o seu resultado. Assim, retornam os autos a este Eg. Conselho para julgamento com recursos : PETROBRÁS DISTRIBUIDORA S/A 1. o cerceamento de seu direito de defesa, na medida em que a Recorrente não recebeu cópia da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) e dos documentos que a instruem, mas tão somente oficio informando diversos lançamentos. Fl. 818DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/04/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18471.001501/200898 Acórdão n.º 2402004.626 S2C4T2 Fl. 1.022 3 2. na contratação de serviços, empresas que eventualmente componham grupo econômico com a contratante não têm qualquer ligação com o fato gerador da contribuição previdenciária — folha de salários de contratada — bem como não têm absolutamente nenhuma possibilidade de efetuar a retenção e assim elidir sua responsabilidade; 3. que as empresas do grupo econômico, com exceção da contratante, por não terem relação com a contratada não podem efetuar retenção nem exigir daquela a apresentação de documentos comprobatórios da quitação do tributo, motivo pelo qual não lhe pode ser atribuída a responsabilidade solidária. PETROBRÁS GÁS S/A – GASPETRO 4. Além das alegações supra, acrescenta que todas as empresas apontadas como componentes do grupo econômico são pessoas jurídicas distintas uma das outras; possuem quadro próprio de empregados, admitidos por processo seletivo público, bem como suas Gerências, Diretorias Executivas, Conselhos Fiscal e de Administração e, principalmente, não estão sujeitas a qualquer tipo de orientação, emanada diretamente da Petrobrás S/A; PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRÁS 5. que o Acórdão que determinou a anulação da NFLD, também determinou que a fiscalização verificasse a oportunidade de efetuar um novo lançamento, desde que demonstrasse "a inidoneidade da documentação apresentada", o que não ocorreu na presente notificação, lavrada apenas com base nos dados obtidos pela análise do Relatório de Fatos Geradores da NFLD 35.371.8939, não atendendo, dessa forma, a determinação daquele julgado; 6. a decadência do lançamento com arrimo no art. 150, §4o do CTN; 7. que a fiscalização não obedeceu o disposto no Parecer CJ/MPAS no 2.376, que determinava o prévio cruzamento de dados entre as empresas tidas como solidárias para que então se formalizasse o lançamento; 8. a inexistência da cessão de mãodeobra, que justifique a lavratura do lançamento, pois não houve um serviço contínuo, com a colocação de empregados / segurados à disposição da Recorrente, de modo a configurar uma cessão de mãodeobra, e, por via de conseqüência, Fl. 819DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/04/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 ensejar a responsabilidade tributária, já que o contrato versou sobre uma prestação de serviços específica, com direção e coordenação exclusivas da contratada e dentro dos limites de seu objeto, com a execução do serviço como um todo, não existindo qualquer previsão contratual que deixe à disposição do contratante o pessoal que participou da prestação dos serviços; 9. que a imputação da solidariedade enseja a necessidade de prévia constituição da dívida ou da obrigação, afim de que o credor possa imputálas aos demais responsáveis. Assim é mister que a fiscalização faça a verificação prévia junto a empresa prestadora dos serviços. 10. que o agente fiscal, equivocadamente, considerou o valor bruto das notas fiscais como a base de cálculo da contribuição, quando deveria fazêlo somente sobre o montante relativo ao pessoal empregado, isso porque outras verbas também integram a NF (materiais, insumos etc PETROBRÁS QUÍMICA S/A PETROQUISA 11. que todas as empresas apontadas como componentes do grupo econômico são pessoas jurídicas distintas uma das outras; possuem quadro próprio de empregados, admitidos por processo seletivo público, bem como suas Gerências, Diretorias Executivas, Conselhos Fiscal e de Administração e, principalmente, não estão sujeitas a qualquer tipo de orientação, emanada diretamente da Petrobrás S/A; 12. que deve ser reconhecida como parte ilegítima ao lançamento; É o relatório. Fl. 820DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/04/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18471.001501/200898 Acórdão n.º 2402004.626 S2C4T2 Fl. 1.023 5 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado CONHECIMENTO Da análise dos autos, vejo que a recorrente atravessou petição (fls. 662) requerendo a desistência do recurso informando ter incluído o débito no programa de parcelamento da Lei 12.249/10. Em virtude da informada adesão ao parcelamento administrativo, o contribuinte agiu de forma a reconhecer expressa e irrevogavelmente a procedência do lançamento em questão, motivo pelo qual, a meu ver não mais subsiste o interesse processual da parte ao julgamento do presente Recurso Voluntário. A propósito cito o art. 78 do RICARF, a seguir: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1° A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse. {2} Sobre o assunto, já se manifestou a Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme se percebe do precedente a seguir, de relatoria do Em. Conselheiro Marcelo Oliveira: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/1999 a 30/10/2006 RECURSO ESPECIAL. DESISTÊNCIA. AUSÊNCIA DE INTERESSE. No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, Fl. 821DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/04/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse. Ante todo o exposto, homologo a desistência e NÃO CONHEÇO dos recursos voluntários interpostos. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado Fl. 822DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/04/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 18471.002175/2005-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2001
Ementa:
GLOSA DE DESPESAS. INSUBSISTÊNCIA.
Tratando-se de glosa de valores apropriados no resultado contábil a título de concessão de descontos e prêmios por produtividade, diante do volume de registros associados à apropriação em referência, caberia à autoridade fiscal, por meio de amostra representativa dos valores contabilizados, demonstrar a total improcedência dos citados registros, ou, juntando robusta documentação, glosar aqueles para os quais restasse efetivamente comprovada a ausência da concessão do benefício. A simples anexação de alguns poucos depoimentos de clientes, desacompanhados de documentação complementar, assim como elementos adicionais de natureza meramente formal apontados na peça acusatória, não autorizam a Fiscalização concluir pela improcedência in totum das despesas, especialmente na circunstância em que a autuada aporta ao processo volumosa documentação comprovando, ainda que em parte, a efetiva ocorrência dos dispêndios.
ICMS SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA.AUSÊNCIA DE CÔMPUTO NO ESTOQUE. POSTERGAÇÃO DE IMPOSTO. INOCORRÊNCIA.
Considerados os termos da imputação feita pela Fiscalização, em que nenhum pronunciamento foi feito acerca dos registros contábeis promovidos pela fiscalizada relativamente ao ICMS incidente sobre as operações auditadas, a simples constatação de que o estoque final encontra-se subavaliado em razão da ausência do cômputo do referido tributo, na circunstância em que os estoques iniciais e as compras também encontram-se da mesma forma desonerados do ICMS, não autoriza o lançamento de imposto com base na alegação de que o seu pagamento restou postergado.
ARQUIVOS MAGNÉTICOS. FALTA OU ATRASO NA APRESENTAÇÃO. PENALIDADE.
Restando comprovado nos autos que, intimada, a contribuinte fiscalizada envidou esforços no sentido de cumprir a exigência formalizada pela autoridade fiscal, descabe penalizá-la com base no argumento de que os arquivos objeto da intimação foram apresentados com atraso. O fato de os arquivos que foram apresentados dentro do prazo supostamente prorrogado, revelarem deficiências técnicas, não constitui tipo capaz de abrigar a aplicação da multa trazida pela lei. Noutro sentido, muito embora o Mandado de Procedimento Fiscal represente mero instrumento de controle interno, a ausência de registro nele, ou em qualquer outro documento de controle, acerca da ampliação da investigação a outras pessoas jurídicas, torna insubsistente a penalidade aplicada por falta de apresentação de arquivos magnéticos, mormente quando não se identifica nos autos indícios de qualquer natureza capazes de demonstrar que a ação fiscalizadora foi efetivamente prejudicada em virtude da ausência dos referidos arquivos. Presentes, contudo, elementos capazes de criar a convicção de que a ação fiscalizadora foi efetivamente estendida em relação ao contribuinte originalmente selecionado para fins de auditoria fiscal, o fato de o Mandado de Procedimento Fiscal não contemplar de forma expressa referida extensão, não tem o condão de tornar nula a intimação promovida no sentido de exigir os arquivos magnéticos correspondentes.
INCONSTITUCIONALIDADES. CONFISCO. VIOLAÇÃO. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA DE OFÍCIO. TRANSMISSÃO AO SUCESSOR. POSSIBILIDADE.
Nos exatos termos da súmula CARF nº 47, é cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. Ademais, a expressão crédito tributário contida no art. 129 do Código Tributário Nacional (CTN) alcança tanto o valor do tributo porventura devido, como os demais acréscimos incidentes sobre estes, incluídas aí as multas de ofício regularmente aplicadas.
Numero da decisão: 1301-001.754
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator, parcela do montante glosado a título descontos e prêmios e das multas aplicadas pela falta de apresentação de arquivos digitais, e, pelo voto de qualidade, manter a multa aplicada pela ausência de apresentação dos arquivos digitais correspondentes às operação realizadas no período de 2001 a 2004 pela Supergasbrás Distribuidora de Gás Ltda., vencidos os Conselheiros Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
documento assinado digitalmente
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201502
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2001 Ementa: GLOSA DE DESPESAS. INSUBSISTÊNCIA. Tratando-se de glosa de valores apropriados no resultado contábil a título de concessão de descontos e prêmios por produtividade, diante do volume de registros associados à apropriação em referência, caberia à autoridade fiscal, por meio de amostra representativa dos valores contabilizados, demonstrar a total improcedência dos citados registros, ou, juntando robusta documentação, glosar aqueles para os quais restasse efetivamente comprovada a ausência da concessão do benefício. A simples anexação de alguns poucos depoimentos de clientes, desacompanhados de documentação complementar, assim como elementos adicionais de natureza meramente formal apontados na peça acusatória, não autorizam a Fiscalização concluir pela improcedência in totum das despesas, especialmente na circunstância em que a autuada aporta ao processo volumosa documentação comprovando, ainda que em parte, a efetiva ocorrência dos dispêndios. ICMS SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA.AUSÊNCIA DE CÔMPUTO NO ESTOQUE. POSTERGAÇÃO DE IMPOSTO. INOCORRÊNCIA. Considerados os termos da imputação feita pela Fiscalização, em que nenhum pronunciamento foi feito acerca dos registros contábeis promovidos pela fiscalizada relativamente ao ICMS incidente sobre as operações auditadas, a simples constatação de que o estoque final encontra-se subavaliado em razão da ausência do cômputo do referido tributo, na circunstância em que os estoques iniciais e as compras também encontram-se da mesma forma desonerados do ICMS, não autoriza o lançamento de imposto com base na alegação de que o seu pagamento restou postergado. ARQUIVOS MAGNÉTICOS. FALTA OU ATRASO NA APRESENTAÇÃO. PENALIDADE. Restando comprovado nos autos que, intimada, a contribuinte fiscalizada envidou esforços no sentido de cumprir a exigência formalizada pela autoridade fiscal, descabe penalizá-la com base no argumento de que os arquivos objeto da intimação foram apresentados com atraso. O fato de os arquivos que foram apresentados dentro do prazo supostamente prorrogado, revelarem deficiências técnicas, não constitui tipo capaz de abrigar a aplicação da multa trazida pela lei. Noutro sentido, muito embora o Mandado de Procedimento Fiscal represente mero instrumento de controle interno, a ausência de registro nele, ou em qualquer outro documento de controle, acerca da ampliação da investigação a outras pessoas jurídicas, torna insubsistente a penalidade aplicada por falta de apresentação de arquivos magnéticos, mormente quando não se identifica nos autos indícios de qualquer natureza capazes de demonstrar que a ação fiscalizadora foi efetivamente prejudicada em virtude da ausência dos referidos arquivos. Presentes, contudo, elementos capazes de criar a convicção de que a ação fiscalizadora foi efetivamente estendida em relação ao contribuinte originalmente selecionado para fins de auditoria fiscal, o fato de o Mandado de Procedimento Fiscal não contemplar de forma expressa referida extensão, não tem o condão de tornar nula a intimação promovida no sentido de exigir os arquivos magnéticos correspondentes. INCONSTITUCIONALIDADES. CONFISCO. VIOLAÇÃO. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA DE OFÍCIO. TRANSMISSÃO AO SUCESSOR. POSSIBILIDADE. Nos exatos termos da súmula CARF nº 47, é cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. Ademais, a expressão crédito tributário contida no art. 129 do Código Tributário Nacional (CTN) alcança tanto o valor do tributo porventura devido, como os demais acréscimos incidentes sobre estes, incluídas aí as multas de ofício regularmente aplicadas.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 27 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 18471.002175/2005-93
anomes_publicacao_s : 201504
conteudo_id_s : 5472901
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 08 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1301-001.754
nome_arquivo_s : Decisao_18471002175200593.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : WILSON FERNANDES GUIMARAES
nome_arquivo_pdf_s : 18471002175200593_5472901.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator, parcela do montante glosado a título descontos e prêmios e das multas aplicadas pela falta de apresentação de arquivos digitais, e, pelo voto de qualidade, manter a multa aplicada pela ausência de apresentação dos arquivos digitais correspondentes às operação realizadas no período de 2001 a 2004 pela Supergasbrás Distribuidora de Gás Ltda., vencidos os Conselheiros Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. documento assinado digitalmente Valmar Fonseca de Menezes Presidente documento assinado digitalmente Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
id : 5958935
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:40:20 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047890113331200
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 66; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2569; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 7.850 1 7.849 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.002175/200593 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1301001.754 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 04 de fevereiro de 2015 Matéria IRPJ GLOSA DE DESPESAS Recorrentes FAZENDA NACIONAL SHV GÁS BRASIL LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2001 Ementa: GLOSA DE DESPESAS. INSUBSISTÊNCIA. Tratandose de glosa de valores apropriados no resultado contábil a título de concessão de descontos e prêmios por produtividade, diante do volume de registros associados à apropriação em referência, caberia à autoridade fiscal, por meio de amostra representativa dos valores contabilizados, demonstrar a total improcedência dos citados registros, ou, juntando robusta documentação, glosar aqueles para os quais restasse efetivamente comprovada a ausência da concessão do benefício. A simples anexação de alguns poucos depoimentos de clientes, desacompanhados de documentação complementar, assim como elementos adicionais de natureza meramente formal apontados na peça acusatória, não autorizam a Fiscalização concluir pela improcedência in totum das despesas, especialmente na circunstância em que a autuada aporta ao processo volumosa documentação comprovando, ainda que em parte, a efetiva ocorrência dos dispêndios. ICMS SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA.AUSÊNCIA DE CÔMPUTO NO ESTOQUE. POSTERGAÇÃO DE IMPOSTO. INOCORRÊNCIA. Considerados os termos da imputação feita pela Fiscalização, em que nenhum pronunciamento foi feito acerca dos registros contábeis promovidos pela fiscalizada relativamente ao ICMS incidente sobre as operações auditadas, a simples constatação de que o estoque final encontrase subavaliado em razão da ausência do cômputo do referido tributo, na circunstância em que os estoques iniciais e as compras também encontramse da mesma forma desonerados do ICMS, não autoriza o lançamento de imposto com base na alegação de que o seu pagamento restou postergado. ARQUIVOS MAGNÉTICOS. FALTA OU ATRASO NA APRESENTAÇÃO. PENALIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 21 75 /2 00 5- 93 Fl. 7859DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 18471.002175/200593 Acórdão n.º 1301001.754 S1C3T1 Fl. 7.851 2 Restando comprovado nos autos que, intimada, a contribuinte fiscalizada envidou esforços no sentido de cumprir a exigência formalizada pela autoridade fiscal, descabe penalizála com base no argumento de que os arquivos objeto da intimação foram apresentados com atraso. O fato de os arquivos que foram apresentados dentro do prazo supostamente prorrogado, revelarem deficiências técnicas, não constitui “tipo” capaz de abrigar a aplicação da multa trazida pela lei. Noutro sentido, muito embora o Mandado de Procedimento Fiscal represente mero instrumento de controle interno, a ausência de registro nele, ou em qualquer outro documento de controle, acerca da ampliação da investigação a outras pessoas jurídicas, torna insubsistente a penalidade aplicada por falta de apresentação de arquivos magnéticos, mormente quando não se identifica nos autos indícios de qualquer natureza capazes de demonstrar que a ação fiscalizadora foi efetivamente prejudicada em virtude da ausência dos referidos arquivos. Presentes, contudo, elementos capazes de criar a convicção de que a ação fiscalizadora foi efetivamente estendida em relação ao contribuinte originalmente selecionado para fins de auditoria fiscal, o fato de o Mandado de Procedimento Fiscal não contemplar de forma expressa referida extensão, não tem o condão de tornar nula a intimação promovida no sentido de exigir os arquivos magnéticos correspondentes. INCONSTITUCIONALIDADES. CONFISCO. VIOLAÇÃO. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA DE OFÍCIO. TRANSMISSÃO AO SUCESSOR. POSSIBILIDADE. Nos exatos termos da súmula CARF nº 47, é cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. Ademais, a expressão “crédito tributário” contida no art. 129 do Código Tributário Nacional (CTN) alcança tanto o valor do tributo porventura devido, como os demais acréscimos incidentes sobre estes, incluídas aí as multas de ofício regularmente aplicadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator, parcela do montante glosado a título descontos e prêmios e das multas aplicadas pela falta de apresentação de arquivos digitais, e, pelo voto de qualidade, manter a multa aplicada pela ausência de apresentação dos arquivos digitais correspondentes às operação realizadas no período de 2001 a 2004 pela Supergasbrás Distribuidora de Gás Ltda., vencidos os Conselheiros Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. “documento assinado digitalmente” Fl. 7860DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 18471.002175/200593 Acórdão n.º 1301001.754 S1C3T1 Fl. 7.852 3 Valmar Fonseca de Menezes Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 7861DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 18471.002175/200593 Acórdão n.º 1301001.754 S1C3T1 Fl. 7.853 4 Relatório Trata o presente processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativas ao anocalendário de 2000, formalizadas a partir da imputação das seguintes infrações: i) Glosa de despesas – DESCONTOS CONCEDIDOS e PRÊMIO PRODUTIVIDADE (R$ 10.456.629,58 + R$ 68.947.020,25); ii) Redução indevida do lucro em decorrência de ausência de contabilização, no estoque de mercadorias para revenda, do ICMS pago por substituição tributária (R$ 1.358.482,26); e iii) Multa em virtude da falta ou apresentação incompleta de arquivos magnéticos (R$ 8.552.529,33 + R$ 102.243.468,66) Inconformada, a autuada interpôs impugnação (fls. 885/1.017), momento em que trouxe os seguintes argumentos: Da inexistência de correlação entre o ICMS descontado da SUPERGASBRAS como substituída tributária nas vendas de GLP e da avaliação dos estoques de mercadorias para revenda: que o Fisco teria desprezado o esclarecimento prestado a respeito do assunto (fls. 794/797) e embaralhou os conceitos de substituído e substituto tributário; que o Fisco afirmou que o valor do ICMS substituição tributária cobrado dela por ocasião de GLP para revenda como substituto tributário, em vez de contabilizado a débito da conta representativa de ICMS a recuperar, deveria ter integrado o custo da mercadoria em estoque, porém, no presente caso, a produtora PETROBRÁS figura como contribuinte, lançando o ICMS normal relativo à venda efetuada à ela e, simultaneamente, como substituta tributária da dela (distribuidora) e de toda a cadeia posterior de revenda, até o consumidor final, podendo esta parcela ser complementada pela distribuidora ou parcialmente ressarcida à ela, conforme legislação especial do setor de comercialização de GLP e as regras especificas para cada estado; que, além disso, destaca que não se utiliza do método PEPS (artigo 288 do RIR/1999), conforme já preconizado no documento acostado às fls. 794/797, para avaliar o custo das mercadorias revendidas, valendose de registro permanente de estoques, como faculta o mesmo dispositivo regulamentar; que, desse modo, o valor do ICMS cobrado por substituição pela refinaria não foi computado nos estoques, pois as compras foram contabilizadas diariamente sem esse valor; Fl. 7862DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 18471.002175/200593 Acórdão n.º 1301001.754 S1C3T1 Fl. 7.854 5 que, como o CMV é também apurado e registrado diariamente a crédito daquela conta representativa dos estoques, seu valor já estaria automaticamente reduzido do ICMS cobrado por substituição nas compras, o que invalidaria por completo o raciocínio fiscal; que, se o ICMS substituição devesse ser adicionado aos estoques finais, também as compras de mercadorias e os estoques iniciais do exercício deveriam estar acrescidos daquelas importâncias, o que seguramente ensejaria um CMV muito superior ao apurado no auto de infração; que não se trata de uma substituição tributária corriqueira, que se esgota na saída do GLP da refinaria para a distribuidora, mas de um sistema de substituição tributária peculiar, que demanda um acompanhamento contábil complexo, com registro permanente do ICMS recolhido pela refinaria, isto é, desde a entrada dos produtos na distribuidora, passando por eventuais transferências para outros estabelecimentos da mesma empresa, até chegar às revendas a terceiros; que o certo é que a segregação do ICMS nos estoques e a utilização da conta "ICMS a recuperar" ou outro nome qualquer que se queira atribuir, tornase indispensável, a fim de permitir a apropriação do ICMSRF e do ICMSST recolhido pela refinaria no momento da venda e na proporção das mercadorias saídas, de acordo, aí sim, com o regime de competência; que, dependendo das circunstâncias, podia haver ressarcimento em favor da distribuidora substituída ou complementação do pagamento do imposto recolhido pela refinaria; que o ICMS retido pela refinaria, proporcional às mercadorias em estoque, não era incorporado ao estoque, mas também não era lançado em conta de resultado, permanecendo na conta ICMS a recuperar (Ativo Circulante), até a venda dos bens, como de fato permaneceu, possuindo esta conta, em 31/12/2000 o saldo de R$ 1.999.488,16, maior do que os R$ 1.358.482,26 apurados pela fiscalização (documento em anexo). Da insubsistência da glosa da totalidade dos saldos das contas "Descontos Concedidos"; "Prêmio de Produtividade" e "Descontos Comerciais": que questionava as declarações prestadas por quatro clientes da SUPERGASBRÁS, negando terem se beneficiado de qualquer desconto ou prêmio não lançado nas notas fiscais; que no período as compras realizadas por aquelas empresas representaram 1,1% do total das vendas da SUPERGASBRÁS e que elas usufruíram 0,44% dos descontos glosados pela Fiscalização, números sem dúvida imateriais e insuscetíveis de representar uma amostra representativa do universo investigado, mormente se, em decorrência deles, deduzem se créditos tributários de R$ 53.710.967,23 e instaurase processo de arrolamento dos bens do seu ativo permanente para restringir sua livre disponibilidade numa fase em que sabidamente ela busca reestruturar seu negócio para atender melhor a população e enfrentar a concorrência predatória que campeia no setor; que a quantidade das informações colhidas pelo Fisco seria insignificante e, apesar de importantes, não se prestam para, isoladamente, prevalecer sobre as suas declarações e os seus lançamentos contábeis em sentido oposto, pois, como a experiência indica, empresas Fl. 7863DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 18471.002175/200593 Acórdão n.º 1301001.754 S1C3T1 Fl. 7.855 6 de pequeno porte nem sempre se esmeram em registrar inteiramente suas vendas e, conseqüentemente, as compras de mercadorias que fizeram; que teria sido necessário aprofundar as investigações, bastando que, durante a ação fiscal desenvolvida ao longo de um ano e quatro meses, limitada praticamente a duas situações (descontos e ICMS), a movimentação financeira e os assentamentos contábeis dos declarantes fossem confrontados com os da SUPERGASBRÁS, porque dessa comparação afloraria a verdade; que se ela afirmou ter a SUPERGASBRÁS concedido descontos não anotados nas notas fiscais, cujos valores foram deduzidos das dívidas dos depoentes, pagos em cheques nominais ou creditados nas suas contas bancárias, mas esses depoentes a contradisseram, afirmando terem pago integralmente os valores constantes dos citados documentos, ou esses pagamentos foram contabilizados pelos depoentes, os registros de suas movimentações financeiras os comprovam e eles possuem recibos dos valores brutos entregues à SUPERGASBRÁS, ou, diferentemente, a contabilidade daquelas empresas e os registros de suas contas bancárias demonstram que assim não ocorreu, podendo até mesmo as compras efetuadas junto à SUPERGASBRÁS terem sido omitidas, hipótese em que prevalecerão os esclarecimentos prestados por ela; que, contudo, isso não aconteceu e, sem ao menos auditar aqueles pequeníssimos 0,44% dos descontos, a Fiscalização sentiuse confortável em glosar mais de R$ 79.000.000,00 de despesas da SUPERGASBRÁS; que entendia que os lançamentos deveriam ser declarados nulo pela total falta de conteúdo e de objeto, simplesmente porque meros indícios não se prestam para dar sustento às acusações neles contidas (citou jurisprudência administrativa); que, além disso, se aqueles quatro foram os únicos depoimentos juntados aos autos é de se supor terem sido também aqueles quatro os únicos clientes da SUPERGASBRÁS intimados pela Fiscalização a prestar informações sobre o assunto; que, qual não foi a sua perplexidade ao tomar conhecimento no mercado, após a lavratura dos inquinados autos de infração, de que a circularização mencionada pelo Fisco havia alcançado diversas outras empresas, inclusive de muito maior porte do que as quatro ali citadas; que, partindo da listagem de fls. 110, constatou que pelo menos dez outras empresas tinham sido intimadas pelo autor do feito, sem que nos autos haja notícia de tais procedimentos; que dirigiuse a cada um dos circularizados, sendo que foi reformulada uma das informações prestadas ao Fisco por Maria das Graças de Assis Correia e pela CHAMIGÁS LTDA. (documentos 06 e 07); que, relativamente às demais empresas circularizadas, assim foram as respostas enviadas ao Fisco que não foram citadas na ocasião das autuações: EMPRESA RESPOSTA PESCADOR COM. E TRANSP. DE GÁS LTDA. DECLAROU E DEMONSTROU O RECEBIMENTO DE DESCONTOS CONCEDIDOS PELA SUPERGASBRÁS Fl. 7864DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 18471.002175/200593 Acórdão n.º 1301001.754 S1C3T1 Fl. 7.856 7 NÃO CONSIGNADOS NAS NOTAS FISCAIS, INFORMANDO AINDA MAIS R$ 9.981,92 DO QUE O SOMATÓRIO DOS DESCONTOS DE QUE EFETIVAMENTE SE BENEFICIOU (DOC. 08 E 09). JC DISTRIBUIDORA DE GÁS LTDA. DECLAROU E DEMONSTROU O RECEBIMENTO DE DESCONTOS CONCEDIDOS PELA SUPERGASBRÁS NÃO CONSIGNADOS NAS NOTAS FISCAIS TRANSGÁS TRANSPORTE E COMÉRCIO DE GÁS LTDA. DEMONSTRA QUE RECEBEU O DESCONTO NÃO REGISTRADO EM NOTA FISCAL (DOC. 10 E 11). IMPERIAL COMÉRCIO E TRANSPORTE DE GÁS LTDA. DEMONSTRA QUE RECEBEU O DESCONTO NÃO REGISTRADO NA NOTA FISCAL (DOC. 10 E 11). BIG TRIO COMÉRCIO DE GÁS PRESTARAM DECLARAÇÕES DE QUE RECONHECEM OS DESCONTOS RECEBIDOS FORA DAS NOTAS FISCAIS (DOC. 12 A 17). NITERGÁS REPRESENTAÇÕES LTDA. PRESTARAM DECLARAÇÕES DE QUE RECONHECEM OS DESCONTOS RECEBIDOS FORA DAS NOTAS FISCAIS (DOC. 12 A 17). PRÍNCIPE REAL COMÉRCIO DE GÁS LTDA. ME PRESTARAM DECLARAÇÕES DE QUE RECONHECEM OS DESCONTOS RECEBIDOS FORA DAS NOTAS FISCAIS (DOC. 12 A 17). JP VILA ROSÁRIO COMÉRCIO DE GÁS LTDA. PRESTARAM DECLARAÇÕES DE QUE RECONHECEM OS DESCONTOS RECEBIDOS FORA DAS NOTAS FISCAIS (DOC. 12 A 17). DINO COMÉRCIO DE GLP LTDA. PRESTARAM DECLARAÇÕES DE QUE RECONHECEM OS DESCONTOS RECEBIDOS FORA DAS NOTAS FISCAIS (DOC. 12 A 17). RAL COMÉRCIO DE GÁS LTDA. ME PRESTARAM DECLARAÇÕES DE QUE RECONHECEM OS DESCONTOS RECEBIDOS FORA DAS NOTAS FISCAIS (DOC. 12 A 17). que os valores dos descontos concedidos fora das notas fiscais e confirmados por estas seis empresas e pelas duas já descritas no Termo de Verificação, totalizam R$ 8.227.316,47 (doc. 18), ou seja, 10,36% do total dos descontos glosados, coeficiente 23,54 vezes maior do que o utilizado como amostragem pela fiscalização para justificar o lançamento; que, diante destes precedentes, é provável que outros clientes da SUPERGASBRÁS tenham recebido intimações de igual teor e confirmado a efetividade da despesa, sem que suas respostas tenham sido juntadas aos autos; que tal conduta enseja a nulidade dos lançamentos efetuados, por ofensa a todos os comandos constitucionais e legais já citados anteriormente (carência de requisito essencial, ampla defesa e do contraditório); que, diante de defeito tão proeminente na formulação das peças acusatórias, confia que seja declarado de imediato a nulidade do feito; Fl. 7865DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 18471.002175/200593 Acórdão n.º 1301001.754 S1C3T1 Fl. 7.857 8 que, sem prejuízo deste pedido, em face da gravidade da imputação feita à SUPERGASBRÁS, sentiase compelida a fornecer mais informações a respeito da matéria, a fim de eliminar qualquer dúvida sobre a individualização dos beneficiários, bem como a usualidade, a necessidade e a efetividade das despesas em questão; que a concessão de descontos e abatimentos não registrados nas notas fiscais constitui uma praxe, ou seja, um procedimento usual e normal nas vendas de GLP efetuadas pelas distribuidoras (é pacifico e nem a ANP, órgão competente do Governo Federal para regular o setor, o ignora); que anexava aos autos relatório elaborado pelo Dr. Paulo Barata Ribeiro, intitulado "Histórico sobre a Prática de Descontos nos Preços de GLP" (doc. 22); que, para incentivar os revendedores, as distribuidoras lançaram mão de mais descontos por atingimento de metas, complementação das margens, apoio a investimentos, enfrentamento de guerras de preços locais etc.; que, nesse ambiente, a decisão sobre os descontos precisou ser descentralizada, para ser tomada com agilidade e sem maiores formalidades, servindo de instrumento de conquista de novos clientes e reação imediata à concorrência no mercado local, advindo dai a praxe de, como um verdadeiro "segredo" das relações comerciais entre a distribuidora e cada um dos seus revendedores, não se destacar as aludidas vantagens nas notas fiscais; que, nesse contexto, nada mais usual, normal e até mesmo necessário à manutenção da fonte produtora dos rendimentos; que nenhum prejuízo acarretou para o Fisco, pois tratavamse de deduções efetivas dos preços de vendas das distribuidoras, devidamente controladas, escrituradas e comprovadas, como se poderia ver adiante, ou de pagamentos em espécie, mediante cheques nominativos ou créditos de contas bancárias. Da inaplicabilidade das normas tidas como infringidas ao caso concreto e das demais alegações feitas pela Fiscalização que os valores glosados corresponderam aos saldos integrais das contas Descontos Concedidos e Prêmio de Produtividade, sobre os quais a Fiscalização requereu a apresentação de todos os documentos relativos a todos os milhares de estabelecimentos compradores no país, no ano de 2000; que, para comproválos, além de prestar diversos esclarecimentos, apresentou planilha individualizada dos valores correspondentes a cada beneficiário (com ressalva da diferença de R$ 10.456.629,58, esclarecida nesta petição) e incontáveis dossiês de cada cliente, composto por documentos que não se limitavam aos juntados desordenadamente às fls. 188/759, nos moldes dos que disse ter juntados aos autos a titulo de nova amostragem, bem como relatórios do sistema de processamento de dados que os controla eletronicamente; que não se poderia negar que os descontos concedidos pela SUPERGASBRÁS a seus revendedores são necessários à finalidade da empresa e à manutenção da sua fonte produtora, ou usuais no seu tipo de transações, operações ou atividades; Fl. 7866DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 18471.002175/200593 Acórdão n.º 1301001.754 S1C3T1 Fl. 7.858 9 que a IN/SRF n° 51/1978, por seu turno, foi editada unicamente para uniformizar as demonstrações de resultados que instruem a declaração de rendimentos; que, ainda que se possa compreender que alguns dos descontos não se enquadram no subitem 4.2 do citado ato normativo, isso não produzirá o menor reflexo sobre o desfecho deste processo, pois se aqueles valores não forem diretamente dedutíveis da receita bruta, serão do lucro bruto, como despesas operacionais, sem qualquer alteração no lucro líquido e, portanto, no lucro real e na base de cálculo da CSLL; que argüir que sem contrato não há como autorizar a dedutibilidade das despesas em tela e que documentos internos, movimentação financeira e respectivos registros contábeis não têm aptidão para comprovar os gastos é desconhecer o Direito; que alegar que os descontos são indedutíveis porque não houve desembolso financeiro ou porque a SUPERGASBRÁS não adquiriu bem algum é um contrasenso que dispensa argumentação para ser rebatido, porque os descontos, por natureza, decorrem justamente da inocorrência de desembolso financeiro ou da aquisição de bens; • Da rotina de concessão de DESCONTOS adotada pela SUPERGASBRÁS e os controles adotados que teria selecionado aleatoriamente quarenta e dois clientes localizados em diferentes regiões do país (doc. 23) que receberam vinte e três por cento dos totais dos saldos glosados das contas em exame e reuniu casos concretos, desses clientes, relativos a diferentes meses do ano de 2000, no montante de cinco por cento dos valores por eles auferidos, o que significa pouco mais de quatorze por cento da média mensal dos descontos concedidos a todos os clientes da SUPERGASBRÁS no período (R$ 68.946.860,00: 12 x 14%); que, reproduziu, então, os dossiês desses clientes, nos moldes do material posto à disposição da Fiscalização, capeando cada um deles com texto esclarecedor do que se passou na situação específica, informando a região em que se localiza o cliente, a sigla da filial com que se relaciona, seu código de cadastro na SUPERGASBRÁS, sua denominação social, sua inscrição no CNPJ, o total dos DESCONTOS obtidos em 2000, o mês escolhido para fins de amostragem, o total dos DESCONTOS obtidos pelo cliente naquele mês, a percentagem que o valor do mês corresponde ao do ano e o tipo de desconto concedido, segundo tabela também juntada aos autos (doc. 24), com indicação da conta em que o desconto foi debitada (doc. 25 a 66); que, tomando como exemplo a Transgás Transporte e Comércio de Gás Ltda. (Transgás), localizada na região Sul do país e primeira daquela planilha, vêse que, em agosto de 2000 aquela empresa recebeu DESCONTOS dos tipos 2 e 3, conforme classificação do anexo 24, no total de R$ 12.791,00; que o dossiê que lhe corresponde contém: 1. capa relacionando os seus anexos e descrevendo o processo interno de concessão do desconto; 2. solicitação de concessão do desconto para cliente, à razão de R$ 3,60 por botijão de gás, com indicação das operações a que se refere, ou seja, as aquisições feitas nos meses de junho e julho de 2000, totalizando R$ 12.790,80, subscrita pela gerente comercial regional de Curitiba, com data de 31.07.2000, e aprovada pelo diretor regional; 3. nota fiscal de devolução de gás do cliente para a SUPERGASBRÁS, no valor de R$ 1.314,72; 4. fita de máquina de somar demonstrando o crédito a ser efetuado na conta corrente do cliente, no valor de R$ 14.105,52 (R$ 12.790,80 + Fl. 7867DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 18471.002175/200593 Acórdão n.º 1301001.754 S1C3T1 Fl. 7.859 10 R$ 1.314,72); 5. notas fiscais de vendas ao cliente no mês de agosto, cujos valores somados e deduzidos dos DESCONTOS concedidos resultaram num saldo a pagar de R$ 451,22; 6. Relatório de cheques recebidos de clientes pela SUPERGASBRÁS, no qual figura o cheque de R$ 451,22, entregue pela Transgás para quitar sua dívida, compondo o total de R$ 23.368,62, entregue ao Bradesco para custódia (cheques prédatados), com vencimento no dia 16.08.2000; 7. extrato fornecido pelo Bradesco no dia 17.08.2000, confirmando o resgate dos R$ 23.368,62; 8. Relatório da situação do cliente espelhando o registro eletrônico do crédito a ser deduzido do seu saldo em contacorrente com a SUPERGASBRÁS no dia 31.07.2000, no montante de R$ 12.790,89, extraído do módulo de Contas a Receber do sistema DATASUL EMS 2.04, elaborado pela DATASUL S.A., utilizado pela fiscalizada para fins de controle dessas operações; 9. Relatório da situação do cliente espelhando o registro eletrônico de todas as operações de sua contacorrente e o crédito a ser deduzido do seu saldo com a SUPERGASBRÁS no dia 31.07.2000, no montante de R$ 12.790,89, extraído do mesmo sistema mencionado na letra "h"; 10. Folha do Livro Razão e do Diário Auxiliar do Contas a Receber do mês, estampando a movimentação e as baixas das dívidas do cliente mediante, inclusive, compensação com os DESCONTOS que lhe foram concedidos; que os dossiês que seguem, relativos às demais empresas, apresentam estruturas equivalentes e, com auxílio das informações constantes de suas capas, V.Sas., peritos em auditoria, não encontrarão dificuldades para compreendêlos, mesmo que um ou outro formulário de autorização do DESCONTO ou de controle bancário se modifique conforme a filial e a região; que a rotina, portanto, está demonstrada, cabendo destacar que a competência para aprovação dos DESCONTOS é do diretor regional (que poderá exercê la diretamente, ou delegála a outro funcionário graduado), mas a concessão dos DESCONTOS requererá no mínimo duas assinaturas, sendo pelo menos uma a do gerente comercial da localidade; que o documento físico em que se registrava a aprovação do desconto servia de fonte primordial para a entrada dos dados no sistema Datasul SEM 2.04, cadastrandose o desconto na contacorrente do cliente e gerando uma nota de crédito, de modo que, se após a compensação o saldo resultasse desfavorável ao revendedor, esse saldo lhe era cobrado e, se favorável, o sistema gerava, eletrônica e automaticamente, um documento para compensação do valor no período subseqüente, pagamento mediante cheque nominal ou crédito em conta bancária, conforme fosse acordado; que o sistema contava ainda com um controle de senhas de restrições de uso, para conferir a segurança, a integridade e fidedignidade dos dados, operando de acordo com os "Manuais de Referência" em anexo, capeados por correspondência da prestadora de serviços que o elaborou, com breves esclarecimentos sobre o seu funcionamento (doc. 67); • Da diferença de R$ 10.456.629,58 que as contas Descontos Comerciais; Descontos Concedidos e Prêmio de Produtividade recebiam lançamentos originários de 5 módulos do sistema de processamento eletrônico de dados de sua escrituração comercial, denominados FTP (faturamento), CRP (contas a receber), APP (contas a pagar), FGL (contabilidade) e CBP (caixa e bancos), e se distribuíam da seguinte forma: os 2 primeiros (FTP e CRP) armazenavam em campos específicos dos seus registros os números de inscrição no CNPJ de cada cliente, o que permitiu identificálos automaticamente a preparar a planilha entregue fiscalização; Fl. 7868DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 18471.002175/200593 Acórdão n.º 1301001.754 S1C3T1 Fl. 7.860 11 que o mesmo não ocorria com relação aos demais, cuja identificação dos beneficiários constava apenas (i) dos documentos que deram origem aos lançamentos contábeis, os quais também discriminavam as operações a que se referiam, e (ii) das descrições dos lançamentos, o que não permitia o levantamento individual de forma automatizada; que essas diferenças de origem devemse basicamente a três situações: erros na contabilização, que exigiam estornos; reclassificações contábeis decorrentes de utilização de contas transitórias em determinado momento; e pagamento dos descontos aos clientes mediante cheques nominais ou depósitos nas respectivas contas bancárias, hipótese em que, diferentemente do narrado pelo fisco, as contrapartidas não acarretavam créditos na conta 113.100 (contas a receber de clientes), mas eram lançadas em conta do passivo circulante ou conta representativa de disponibilidade (caixa ou bancos); que, para identificar cada um daqueles descontos há necessidade de (i) elaborar programas especiais de cruzamento de dados do sistema, de maneira ainda mais sofisticada do que ela precisou fazer para atender ao pedido especial da fiscalização, ou (ii) recorrer ao lançamento primário da operação, isto é, ao que originariamente ensejou sua entrada no sistema para, a partir do documento de suporte, identificar o beneficiário; que esta última parte estava em andamento quando o auto de infração foi lavrado, tendo ela logrado discriminar os beneficiários das quantias de R$ 244.996,32 e R$ 969.272,87, lançados a débito das contas 333.200 e 333.300, respectivamente, provenientes do módulo APP (contas a pagar), num total de R$ 1.207.269,19, conforme planilhas em anexo (doc. 68); que todos esses valores foram pagos mediante cheques nominais ou créditos em conta bancária do cliente como exemplifica o pagamento de R$ 25.908,62, referente à comissão pela venda de gás a condomínios paga por cheque contra a apresentação da correspondente nota fiscal (doc. 69), que nem propriamente desconto seria, e as quantias de R$ 2.722,00; R$ 3.769,80; R$ 4.612,45; R$ 3.555,65; R$ 3.606,90; R$ 2.405,85; R$ 32.467,30; R$ 50.649,62; R$ 9.169,73; R$ 53.189,04; R$ 10.773,70; R$ 18.026,50; R$ 39.522,40; R$ 34.210,35; R$ 7.000,00 e R$ 38.025,00, todas debitadas nas contas bancárias da SUPERGASBRÁS e creditadas nas contas bancárias dos clientes ou pagas com cheques nominais (doc. 70); que o levantamento dos demais descontos compreendidos naquela diferença requer trabalho braçal de pesquisa em cada documento, o que está sendo providenciado, razão pela qual protestava pela posterior juntada desses elementos, sem prejuízo de, antes disso, decidirse pela improcedência dos lançamentos sobre o tema, em face dos demais argumentos expendidos. • Do pedido de perícia que requeria fosse seja deferida a perícia para que os quesitos formulados fossem respondidos pelo perito designado; que indicava como seu perito a Deloitte Touche Tohmatsu Consultoria Contábil e Tributária S/C Ltda., que iria atuar na pessoa do seu sócio Carlos Alberto Vivas Ferreira Cardoso; Fl. 7869DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 18471.002175/200593 Acórdão n.º 1301001.754 S1C3T1 Fl. 7.861 12 • Do descabimento das multas de valor fixo no montante de R$ 110.795.997,99 aplicáveis por atraso ou falta de apresentação dos arquivos magnéticos e sistemas que, na ocasião em que foram emitidas as duas intimações, estava em fase de ampla reestruturação administrativa, com vistas à incorporação de suas controladas, inclusive a SUPERGASBRÁS, o que envolvia mudanças de cargos, substituição de sistemas de processamento eletrônico de dados, preparação de demonstrações financeiras etc., ultimadas em 03/01/2005, conforme atestado pelo Fisco; que, não obstante esse quadro, a dificultar enormemente o atendimento de tais demandas, que exigiam programação especifica, a SUPERGASBRÁS se empenhou e preparou aqueles arquivos; que, porém, antes de apresentálos à Fiscalização, verificou que as intimações mencionadas continham contradição insanável, simplesmente porque o programa Sinco. adquirido no site da SRF e cuja aplicação era exigida naqueles atos, não validava arquivos magnéticos gerados de acordo com a IN/SRF n° 68/95 e a Portaria COFIS n° 13/95, prestandose somente para validar arquivos de notas fiscais e lançamentos contábeis gerados em conformidade com a IN/SRF n° 86/2001 e do ADE COFIS n° 15/2001; que, alertado sobre o fato, o insigne AFRF, depois de levar algum tempo para decidir sobre o impasse que ele mesmo causara, solicitou que somente os arquivos suscetíveis de validação pelo Sinco, dentre os quais não figura o do Livro de Registro de Inventário, lhe fossem entregues no formato previsto na IN/SRF n° 86/2001 e o ADE COFIS n° 15/2001, com o que, de boafé e, a titulo de colaboração, concordou, mesmo consciente de que essa anuência implicava novos e expressivos custos de programação e refonnatação de arquivos; que entre 18.11.2004 e 03.03.2005, nada mais foi requerido até que, pela intimação de fls. 62, a Fiscalização exigiu lhe fosse apresentada toda a documentação comprobatória relativa aos lançamentos efetuados nas contas contábeis 333.150 Descontos Comerciais, 333.200 Descontos Concedidos e 333.300 Prêmio Produtividade, e que foram considerados como redução na apuração da receita liquida na Linha 11 da Ficha 06A da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica, relativa ao anocalendário de 2000, apresentada pela contribuinte SUPERGASBRÁS; que, sem levar em conta que a SUPERGASBRÁS operava com 46 filiais localizadas em vários municípios do Brasil e emitia milhares de notas fiscais por dia, nem ponderar que documentos solicitados referiamse a fatos ocorridos há quase 5 anos, tornando impossível cumprir aquela intimação no prazo concedido, em 05.04.2005 a Fiscalização requereu ainda a apresentação, em 20 dias, de planilha especial impressa, discriminando, por beneficiário, cada desconto ou prêmio concedido, a data da concessão, o lançamento a que se refere no Diário, o valor, e em que fatura e em que nota fiscal de venda ele está alocado (fls. 72); que a impressão desse relatório, não previsto na legislação tributária, implicaria o desenvolvimento especial de mais programas e sistemas de processamento eletrônico de dados diferentes dos mencionados na Portaria COFIS n° 13/95 e no ADE COFIS n° 15/2001, além da emissão de outras milhares de folhas de papel seguramente Fl. 7870DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 18471.002175/200593 Acórdão n.º 1301001.754 S1C3T1 Fl. 7.862 13 incompulsáveis em escala humana, revelando tratarse de um trabalho extremamente oneroso, não exigido por lei ou ato administrativo e rigorosamente sem utilidade para a auditoria; que, em 25.04.2005. além de pedir dilatação de prazo para apresentar a documentação concernente aos DESCONTOS, (i) entregou ao autor do feito os arquivos magnéticos antes referenciados, conforme acertado com aquele servidor, (ii) aos quais, diversamente do que ele procuraria agora sugerir, não estava obrigada por força do § 10 do artigo 3° da IN/SRF n° 86, e que (iii) não tinham sido exigidos em 18/11/2004, porque as intimações lavradas naquelas datas eram de execução impossível, em face das contradições insanáveis nelas estampadas; que esses arquivos foram recebidos e conferidos sem a mínima ressalva (fls. 74); que estava, portanto, cumprida satisfatoriamente aquela obrigação acessória, embora para a presente ação fiscal os dados contidos naqueles arquivos não aparentassem ter relevância porque, como visto, com exceção dos descontos, até então nada mais tinha interessado à Fiscalização e, como se poderia ver adiante, além dessa questão e do ICMS ST, nada mais teve importância; que, adiante, tendo a Fiscalização acolhido as suas ponderações e aceitado receber arquivos magnéticos gerados especialmente com planilha de descontos classificados por cliente, com indicação da sua inscrição no CNPJ, totalizado por ano, no dia 16/05/2005, fez a entrega de arquivo contendo aqueles dados; que esse arquivo que, repitase, não tem correlação com os previstos na Portaria COFIS n° 13/95 e ela não estava obrigada a gerar, apresentou problemas, sendo substituído por outros em 25/05/2005 e em 31/05/2005, havendo, então, requerido prazo maior para rever o trabalho, porque encontrava dificuldades em atender aquele pedido especial, em face da necessidade de reativar bases de dados de sistemas não mais utilizadas; que, ao redigir o Termo de Verificação, o Fisco misturou o fornecimento daqueles arquivos com o de outros arquivos e relatórios que, apesar de não previstos na legislação, ele desejava fossem extraordinariamente produzidos por ela, a sua custa, cuja falta de apresentação, em hipótese alguma, pode se prestar para inculpála de descumprimento do artigo 11 e 12, inciso II da Lei n° 8.218/91, com a redação dada pelo artigo 72 da Medida Provisória n° 2.15834/2001 e reedições; que o Fisco alegou ainda que, a partir do MPF de fls. 1, ela seria a nova fiscalizada para, em decorrência disso, passar a exigir também seus próprios arquivos magnéticos, juntamente com os de suas incorporadas e não apenas para o ano de 2000, mas para os últimos 5 anos, quando é notório que aquele MPF foi emitido tão somente para atender à sucessão da SUPERGASBRAS, sem nada mais inovar com relação ao MPF primitivamente emitido; • Da nulidade do lançamento relativo à falta de entrega dos arquivos magnéticos da impugnante e das incorporadas que a ordem para deflagrar a ação fiscal está formalizada no MPF n° 07.1.902004016810, subscrita pelo Delegado da DEFIC/RJO, traçando seus limites: Fl. 7871DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 18471.002175/200593 Acórdão n.º 1301001.754 S1C3T1 Fl. 7.863 14 contribuinte a ser fiscalizado SUPERGASBRAS; e tributo IRPJ do período 01/2000 a 12/2000; que não se outorgou ao AFRF designado para realizar os trabalhos competência para fiscalizar com profundidade nenhum fato relativo a outra empresa que não fosse a SUPERGASBRÁS, nem outro período de apuração que não fosse o anocalendário de 2000, salvo no que diz respeito às sumárias verificações obrigatórias; que falecia, portanto, competência ao servidor para exigir dela os aludidos arquivos magnéticos, por todos os fundamentos suscitados, já que nem o MPF de fls. 3 nem o de fls. 1 lhe outorgaram poderes para agir desse modo; que seria nulo, por conseguinte, o auto de infração, por materializar a deficiência capitulada no inciso I do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72; • Da impossibilidade de o Fisco exigir da impugnante os arquivos relativos aos anos de 2000 e 2001 na forma da IN/SRF n° 86/2001 e o ADE COFIS n° 15/2001 que, reiterando, os auditores não detinham e não detém poderes legais para impor a apresentação de arquivos magnéticos gerados naquela forma, sendo opção do contribuinte fazêlo ou não; que, portanto, o autuante seria incompetente para expedir as intimações de fls. 160 e 177 e nulo o auto de infração que delas depende diretamente como prescreve o já transcrito inciso I do artigo 59 do Decreto n° 70.235/1972 e seu § l°; que também não houve atraso por parte dela; que, assim, se deu a cronologia dos fatos: em 18.11.2004, a Fiscalização intimou a SUPERGASBRÁS a apresentar arquivos magnéticos do ano de 2000, na forma da IN/SRF n° 68/95 e da Portaria COFIS n° 13/95, "validados com o programa sinco" (fls. 42 a 47 e 48 a 59); preparados os arquivos para entrega à Fiscalização, ela verificou que o programa Sinco, adquirido no site da SRF e cuja aplicação era exigida naquele ato, não validava arquivos magnéticos gerados de acordo com a IN/SRF n° 68/95 e a Portaria COFIS n° 13/95, prestando se somente para validar arquivos de notas fiscais e lançamentos contábeis gerados em conformidade com a IN/SRF n° 86/2001 e o ADE COFIS n° 15/2001; teria alertado, então, o autor do feito da impossibilidade de atendêlo nesse aspecto, o qual, após largo tempo, solicitou que ela apresentasse apenas os arquivos suscetíveis de validação pelo Sinco, dentre os quais não figurava o do Livro de Registro de Inventário, e ainda assim formatados consoante a IN/SRF n.° 86/2001 e o ADE COFIS n° 15/2001; de boafé e com espírito de cooperação, pois, como é sabido, a isso não estava obrigada, ela o atendeu em 25.04.2005, entregandolhe os arquivos magnéticos mencionados anteriormente, conforme acertado com aquele servidor, que os conferiu e os recebeu sem ressalvas (fls. 74); no dia 09.06.2005, infringindo o § 1° do artigo 3° da IN/SRF n° 86/2001, a Fiscalização requisitou novos arquivos magnéticos do ano de 2000, na forma da IN/SRF n° 86/2001 e do ADE COFIS n° 15/2001 (fls. 86); ainda assim, no dia 06.07.2005 (fls. 108) ela o atendeu; em 11.07.2005, a Fiscalização solicitou que ela efetuasse correções em dois campos de alguns dos arquivos magnéticos que havia recebido (fls. 158), o que foi feito no dia 01.08.2005 (fls. 159); quando recebeu os arquivos magnéticos, a Fiscalização requereu a apresentação de arquivo digital do Livro de Registro de Inventário da SUPERGASBRÁS relativo ao ano de 2000, de acordo com a IN/SRF n° 86/2001 e o ADE Fl. 7872DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 18471.002175/200593 Acórdão n.º 1301001.754 S1C3T1 Fl. 7.864 15 COFIS n° 15/2001, alegando tratarse de reintimacão (fls. 163); esse ato, além de infringir mais uma vez § 1° do artigo 3° da IN/SRF n° 86/2001, não configurava reintimacão, como já se comprovou anteriormente; ainda assim, em 13.10.2005 ela apresentou esses arquivos (fls. 183); indagou: onde estaria, então, o atraso de mais de cinquenta dias para entrega dos arquivos magnéticos da SUPERGASBRÁS do ano de 2000 apontado pela Fiscalização?; se havia atraso, por que a Fiscalização, que caracterizou sua auditoria por reintimações freqüentes, denominando como tal até mesmo as que não o era, não expediu nenhuma com relação aos arquivos magnéticos da SUPERGASBRÁS do ano de 2000? qual o termo inicial da contagem deste prazo? que, da mesma forma, também não houve atraso na entrega dos arquivos em meio magnético da SUPERGASBRÁS, relativos aos anos de 2001 a 2004, nem dela nem da S&M, referentes aos anos de 2000 a 2004; que em 13/10/2005, pediu prorrogação do prazo para atender a intimação em questão, explicando, na petição de fls. 179, os motivos pelos quais considerava razoável seu pleito e proporcional às dimensões do trabalho a ser empreendido; que deveria, no entanto, em face da petição apresentada, a Administração ter respondido o seu pleito dentro do prazo estabelecido na legislação de regência; que, assim, diante da omissão da autoridade sobre o pedido de prorrogação formalizado, deveria ser o mesmo considerado deferido; que, espúrio, portanto, o auto de infração lavrado dois meses e meio depois, na vigência do prazo requerido e não denegado, isto é, concedido tacitamente, devendo, no caso, ser o mesmo declarado nulo (citou acórdão do Primeiro Conselho de Contribuintes acerca da matéria); que a multa aplicada feriria os Princípios da Anterioridade e da Irretroatividade, no que toca aos períodos de 2000 e 2001, em razão da modificação legislativa ter aumentado a sanção prevista no inciso III do artigo 12 da Lei n° 8.218/1991; que seus efeitos só poderiam alcançar obrigações acessórias dependentes de obrigações principais, cujos fatos geradores tivessem ocorrido a partir de 01/01/2002 (citou, sobre o assunto, acórdão proferido pelo Primeiro Conselho de Contribuintes). • Do caráter confiscatório da multa aplicada que a multa aplicada superaria duas vezes a soma dos resultados de cinco anos de trabalho dela e das suas incorporadas, circunstância que, independentemente da gravidade do ato praticado pela apenada, inviabiliza a continuidade do seu negócio; que não houve qualquer prejuízo no interesse da Fiscalização e da arrecadação neste caso, pois os livros da escrituração contábil e fiscal daquelas empresas, bem como a documentação suporte dos lançamentos neles efetuados foram franqueados ao autor do procedimento fiscal e nada mais quis o mesmo examinar, além das questões concernentes a descontos concedidos pela SUPERGASBRÁS em 2000 e os efeitos da contabilização do ICMS ST por aquela empresa, no mesmo período; que da mesma forma entende o Supremo Tribunal Federal (citou acórdãos). Fl. 7873DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 18471.002175/200593 Acórdão n.º 1301001.754 S1C3T1 Fl. 7.865 16 • Da multa de oficio aplicada à incorporadora que, ainda que pudesse ser responsabilizada pelo IRPJ e pela CSLL devidos, não haveria como computar penalidades de oficio nos créditos tributários constituídos, a teor do disposto no artigo 132 do CTN, que veda a transmissão da responsabilidade por penalidades ao sucessor; que, decorrendo a obrigação do sucessor, nos exatos termos do artigo 121, parágrafo único, inciso II do C'TN, de disposição expressa de lei e restringindo a lei de maneira expressa essa responsabilidade apenas ao montante do tributo devido, sem aludir a penalidades, descabido se torna lançar mão de interpretação extensiva para gravar o patrimônio da sociedade incorporadora com aquele encargo punitivo, sob pena de violação do principio da legalidade, insculpido no artigo 5°, inciso II da Carta Magna (citou jurisprudência emanada do Poder Judiciário bem como do Primeiro Conselho de Contribuintes); que seriam insustentáveis, assim, a imposição das penalidades de oficio. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, apreciando as razões trazidas pela defesa inaugural, decidiu, por meio do acórdão nº 11.438, de 17 de agosto de 2006, pela procedência parcial dos lançamentos tributários, vez que considerou insubsistente parcela das multas regulamentares aplicadas em virtude da apresentação dos arquivos magnéticos fora do prazo estabelecido. Diante da exoneração de parte do crédito tributário constituído, a autoridade julgadora de primeira instância recorreu de ofício. Às fls. 5.578, identificase extrato em que resta consignado que, em 11 de outubro de 2006, os créditos tributários controlados por meio do presente processo foram transferidos para o de nº 13603.001453/200618, que se encontra apenso. Às fls. 5.579, consta despacho de encaminhamento do presente processo ao então Primeiro Conselho de Contribuintes, datado de 04 de dezembro de 2006, no qual foi assinalada a seguinte informação: Os débitos mantidos (conforme fl. 5.578) foram transferidos para o processo nº 13603.001453/200618, juntado ao presente processo, tendo em vista a apresentação tempestiva do recurso voluntário. Depreendese do extrato de fls. 5.578, que a unidade administrativa de origem promoveu a segregação dos créditos tributários originalmente constituídos, mantendo no presente processo a parcela cancelada pelo acórdão nº 11.438, de 17 de agosto de 2006, e transferindo para processo nº 13603.001453/200618 o montante mantido pela referida decisão. Em sessão realizada em 12 de setembro de 2007, a Primeira Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes, por meio do acórdão nº 10196.293, não conheceu o recurso de ofício, vez que, no julgamento do recurso voluntário (processo nº 13603.001453/200618), a decisão de primeira instância foi anulada (fls. 5.580/5.583). Às fls. 5.596 e seguintes, foram juntados os seguintes documentos, todos relacionados ao processo nº 13603.001453/200618: Termo de Recepção de Crédito Tributário; Fl. 7874DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 18471.002175/200593 Acórdão n.º 1301001.754 S1C3T1 Fl. 7.866 17 despacho de encaminhamento ao então Primeiro Conselho de Contribuintes, datado de 04 de dezembro de 2006, para fins de apreciação do recurso voluntário interposto; cópia do Acórdão nº 10196.294, prolatado em sessão realizada em 12 de setembro de 2007, pela Primeira Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes, em que é decretada a nulidade, por cerceamento do direito de defesa, do Acórdão nº 11.438, proferido pela 4ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro em 17 de agosto de 2006. Às fls. 5.617, consta TERMO DE JUNTADA, assinalando que em 12 de setembro de 2008 foi juntado ao presente, por apensação, o processo nº 13603.001453/2006 18. Diante da decretação da nulidade da decisão por ela exarada, a 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, por meio da Resolução nº 243, de 04 de setembro de 2008, fls. 5618/5620, requisitou a realização de diligência para que fossem prestados os seguintes esclarecimentos, in verbis: I Quanto às glosas efetuadas nas contas 333.200; 333.300 e 333.150: a) Foram apenas circularizados quatro clientes da interessada diante de uma carteira de 4.805 clientes? Houve mais algum? Qual o universo de clientes atingido? Como foram extraídas as amostras? Foram juntados nos autos todos os documentos relativos ao total daqueles que foram circularizados? Caso não tenha havido considerável circularização nos clientes da interessada, que seja feito nesta oportunidade, com um universo maior de clientes. b) Os clientes da interessada admitiram efetivamente que recebiam os descontos que a interessada alega ter concedido? Os descontos constavam das notas fiscais recebidas por estes clientes? Tais descontos correspondiam àqueles contabilizados em separado pela interessada em sua escrituração? Justificar. c) Aliado a tais manifestações, foi trazido algum documento comprobatório que identificasse os pressupostos de dedutibilidade destas despesas? Foi trazida pela interessada ou por seus clientes alguma motivação à concessão de tais descontos? Relacionar cada justificativa. d) Em algum momento, em análise aos documentos apresentados durante a fiscalização e os apresentados "a posteriori", é possível identificar as efetivas razões para a concessão dos descontos (ex.: desconto para liquidar o valor antes do vencimento ou qualquer outra razão que possa se justificar tal 'prática)? Fazer quadro demonstrativo com a correspondência entre os clientes, suas respostas, os documentos acostados com a citação das fls. dos autos e os volumes onde tais documentos se encontram. e) Algumas notas fiscais, cujo desconto foi diretamente destacado, foram base para algum valor glosado no presente lançamento? Houve algum desconto incondicional que foi objeto de glosa fiscal? Justificar e demonstrar. f) Como foi encontrado o valor tributável no caso da glosa dos descontos concedidos e dos prêmios de produtividade? Especificar cada montante. g) Em exame das informações trazidas pelos clientes durante a circularização, é possível concluir acerca dos valores dos descontos, abatimentos e prêmios Fl. 7875DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 18471.002175/200593 Acórdão n.º 1301001.754 S1C3T1 Fl. 7.867 18 concedidos pela interessada? Eles coincidem com aqueles escriturados pela interessada na sua contabilidade? Justificar e demonstrar. h) Foram confirmadas, junto à SUPERGASBRAS, as informações prestadas pelos clientes declarantes sobre os descontos concedidos? Em caso de resposta positiva, quais seriam as condições para a concessão dos mesmos? i) Os descontos concedidos, não consignados nas notas fiscais, foram contabilizados em contacorrente separada, com a motivação da necessidade pelos clientes e pela interessada, sem que o fisco tivesse tomado qualquer conhecimento da questão e efetuado o lançamento pelo valor total das contas 333.200 e 333.300? Justificar. j) Diante de toda a documentação trazida pela interessada, relativa aos descontos e prêmios (contas 333.200 e 333.300), conseguese inferir serem os mesmos reais e correspondentes a uma operação efetiva? k) Os descontos e prêmios concedidos (conta 333.200 e 333.300), espelhados em documentos internos da interessada (como notas de débito), podem ser confirmados tanto pela sua movimentação financeira quanto pela movimentação financeira e contábil do universo de clientes recebedores dos mesmos? Justificar. l) Como foi procedida a glosa da conta 333.150? m) Os descontos comerciais são os descontos consignados na nota fiscal? n) Os valores não individualizados à época da fiscalização e trazidos à colação com a apresentação da impugnação (R$ 10.456.629,58) possuem lastro documental capazes de demonstrar concretamente a comprovação das informações prestadas? II – Quanto à contabilização do ICMS ST: o) A interessada alega, quanto à contabilização do ICMS ST, o fato de que, a contabilização em conta do Ativo Circulante não ensejaria a antecipação de custos. Portanto, onde foram contabilizados, efetivamente, os valores relativos ao ICMS ST? Houve majoração no CMV? Justificar p) O Conselheiro Relator requer seja aprofundada a matéria relativa ao ICMS ST, tal qual a interessada à época da interposição do Recurso Voluntário. Diante de tal fato, há mais alguma consideração sobre a situação relativa a forma de contabilização deste tributo que deixou de ser colocada à época da fiscalização bem como quando da realização desta diligência? Justificar. q) Este ICMS pago pela PETROBRÁS, em razão da substituição tributária, possui o caráter de recuperabilidade, sendo incorreto incluir tal tributo no custo das mercadorias adquiridas e, por conseqüência, não deveria ser incluído no valor das mercadorias em estoque da interessada? Sendo a resposta positiva ou negativa, quais as razões? Ao final, restou consignado na referida Resolução: INTIMESE a interessada do início dos trabalhos para que seu Perito, Carlos Alberto Vivas Ferreira Cardoso, sócio da empresa DELOITTE TOUCHE TOHMATSU CONSULTORIA CONTABIL S/C LTDA., tenha a possibilidade de, também, trazer aos autos seu laudo sobre os quesitos aqui formulados. Fl. 7876DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 18471.002175/200593 Acórdão n.º 1301001.754 S1C3T1 Fl. 7.868 19 Após, seja cientificada a interessada do inteiro teor dos novos elementos que venham a ser carreados aos autos, em decorrência da diligência ora determinada, concedendolhe, expressamente, o prazo de 30 (trinta) dias para, querendo, aditar razões de defesa à inicial sobre os elementos aduzidos. Em atendimento, a Delegacia da Receita Federal de Fiscalização no Rio de Janeiro juntou aos autos a INFORMAÇÃO FISCAL e o TERMO DE ENCERRAMENTO DE DILIGÊNCIA FISCAL, que constituíram as folhas 01/16 do ANEXO I, juntado ao presente. Cientificada das conclusões expendidas na INFORMAÇÃO FISCAL acima referenciada, a contribuinte apresentou o documento de fls. 5.665/5.685, por meio do qual: a) alegou que a Turma Julgadora de primeira instância incorreu em omissão, vez que não fixou o prazo para a realização da perícia, nos termos do preconizado pelo parágrafo 1º do art. 18 do Decreto nº 70.235/72; b) argumentou que o prazo de vinte dias concedido pelo autuante (também responsável pela realização da diligência fiscal) não poderia ser levado em conta, seja em razão da ausência de competência deste para fixar o citado prazo, seja porque tal medida, ao dispensar tratamento desigual entre as partes (segundo a contribuinte, a autoridade responsável pela realização da diligência teve um ano e seis meses para efetivála) representaria flagrante violação ao devido processo legal, à ampla defesa e ao princípio da isonomia; c) requereu que lhe fosse concedido prazo de sessenta dias, contados da data em que recebeu a cópia integral dos autos (1º de abril de 2010), para apresentar o trabalho do seu perito; e d) sustentou que a autoridade responsável pela diligência não atendeu ao solicitado pela Resolução da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, restando inútil, para tal fim, a Informação Fiscal por ela produzida (para fins de comprovação do alegado, promoveu confronto entre os quesitos elencados na Resolução e as respostas trazidas pela Informação Fiscal). Às fls. 5.707/5.743, consta LAUDO PERICIAL, elaborado por perito indicado pela autuada, protocolizado em 04 de junho de 2010, ao qual foram juntados os documentos de fls. 5.744/5.923. Em nova apreciação da impugnação interposta e considerando os elementos aportados ao processo a partir da diligência efetuada, a 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro prolatou o acórdão nº 1235.731, de 15 de fevereiro de 2011, por meio do qual decidiu pela manutenção parcial dos lançamentos tributários. O referido julgado restou assim ementado: DELIMITAÇÃO DA LIDE. A parcela em que a interessada aceita a autuação tornase excluída do contraditório instaurado. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPRECISÃO DE DADOS NA CAPITULAÇÃO LEGAL. INOCORRÊNCIA. Deixa de se declarar a nulidade do auto de infração quando sua confecção encontrase perfeita e dentro das exigências legais, mormente quando há obediência ao devido processo legal e inexiste prejuízo ao sujeito passivo, que tenha o condão de macular sua defesa. Fl. 7877DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 18471.002175/200593 Acórdão n.º 1301001.754 S1C3T1 Fl. 7.869 20 NULIDADE. VERIFICAÇÃO POR AMOSTRAGEM. IMPERTINÊNCIA. A lei não estabeleceu rito especial a ser seguido no procedimento administrativo que visa determinar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária correspondente. A escolha do modo de proceder a investigação fiscal situase na competência da autoridade administrativa, respeitados os princípios da legalidade e da proporcionalidade. AUSÊNCIA DE EMISSÃO DE MPF ESPECÍFICO PARA APRECIAR AS OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal, sob a égide da Portaria que o criou, é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da auditoria fiscal, não implicando nulidade do procedimento fiscal aquele emitido sem a citação expressa para verificação de obrigações acessórias, as quais já era obrigação do contribuinte mantêlas à disposição da autoridade fiscal. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. À autoridade administrativa falece competência para apreciar a ilegalidade da norma, cujo comando legal encontrase plenamente em vigor. LANÇAMENTO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. O lançamento do crédito tributário é obrigatório, sob pena de responsabilidade funcional da autoridade administrativa. Possui caráter retrospectivo e se reporta, quanto aos aspectos materiais, à data da ocorrência do fato gerador da obrigação, regendose pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. MULTA REGULAMENTAR. ARQUIVOS MAGNÉTICOS. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA PREVISTA NA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA REGENCIAL. O fato gerador da multa é o próprio descumprimento do prazo estabelecido para apresentação dos arquivos e sistemas solicitados e ocorre exatamente no momento em que inadimplida referida prestação, data a que deve se reportar o lançamento, a ser regido pela lei então vigente. MULTA DE OFÍCIO. INCORPORAÇÃO. RESPONSABILIDADE DOS SUCESSORES. A incorporadora responde pelo pagamento da multa de oficio decorrente de operações da sucedida, ainda mais se o evento societário ocorrer posteriormente ao início da ação fiscal. DESPESAS OPERACIONAIS. DEDUTIBILIDADE. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO POR MEIO DE DOCUMENTOS HÁBEIS E IDÔNEOS. Fl. 7878DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 18471.002175/200593 Acórdão n.º 1301001.754 S1C3T1 Fl. 7.870 21 Quando o fisco, durante o procedimento fiscal, colher elementos que culminem na glosa de despesas consideradas dedutíveis pelo sujeito passivo em sua declaração de rendimentos, caberá a este a sua comprovação, através de documentos hábeis e idôneos, tornandose incabível a glosa quando comprovadas as respectivas operações. DESCONTOS INCONDICIONAIS. DIVERGÊNCIA ENTRE VALORES ESCRITURADOS E APRESENTADOS PELA INTERESSADA. GLOSA PROCEDENTE. A diferença apurada entre os valores escriturados pela interessada, objeto de dedução na sua declaração de rendimentos, através da conta descontos incondicionais, e os apresentados pela mesma à fiscalização, deverão ser exigidos para que se faça valer a realidade dos fatos, já que a interessada não obteve êxito em comprovar o motivo da respectiva diferença de valores. DIFERENÇAS ENTRE VALORES ESCRITURADOS E VALORES DECLARADOS PELA INTERESSADA, ATRAVÉS DE PLANILHA DEMONSTRATIVA. Impossível se torna a mensuração das diferenças entre os valores escriturados e demonstrados em planilha pela própria interessada, quando, à época em que apresentou suas justificativas, verificouse coincidência entre valores que compunham as contas objeto de glosa fiscal. Se, diante das justificativas do sujeito passivo quanto a estas diferenças, o Fisco, no âmbito da diligência, deixa de aprofundar a investigação para segregar quais valores estavam em que contas de mesma natureza, não há como se sustentar a respectiva autuação. INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA. ANTECIPAÇÃO DE CUSTOS. ICMS SUBSTITUIÇÃO TRIBUTARIA. A interessada, ao demonstrar, através da sua contabilidade, mesmo que por amostragem, como realiza a apropriação do ICMS substituição tributária, sem que o Fisco, no âmbito da diligência, após indagado sobre os fatos colacionados, tenha demonstrado de que forma o procedimento adotado na contabilidade seria maléfico ao regime de competência, com a conseqüente antecipação indevida de custos, aliada a demonstração de que o ICMSST, em conta do Ativo Circulante até a venda dos bens, deixa de ser lançado em conta de resultado, faz com (que) caia por terra a autuação neste sentido. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. DECORRÊNCIA. Ao subsistirem parcialmente as infrações que originaram o auto de infração principal, igual sorte colherá o lançamento dele reflexo. ADICIONAL DA CSLL. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO E CAPITULAÇÃO LEGAL. O Fisco, não obstante sua descrição no Demonstrativo de Apuração da CSLL, ao deixar de trazer à baila o enquadramento legal, bem como o Fl. 7879DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 18471.002175/200593 Acórdão n.º 1301001.754 S1C3T1 Fl. 7.871 22 demonstrativo que faz alusão ao respectivo valor de adicional da citada contribuição, não poderá efetuar seu lançamento, tendo em vista a inexistência de lastro explicativo ou descrição da forma pela qual foi este adicional composto e, mais que isso, qual seria a base legal a ele atribuída. Diante do cancelamento de parte das exigências, a autoridade julgadora de primeira instância recorreu de ofício. Cientificada da decisão exarada em primeira instância em 14 de março de 2011, conforme registro às fls. 6.034, a contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 6.050/6.242, em que, em apertada síntese: descreve os termos da exigência fiscal; discorrendo sobre os fatos que antecederam a decisão recorrida, reproduz a argumentação expendida na peça impugnatória e aprecia, em contexto comparativo com pronunciamento feito por perito por ela indicado, a Informação Fiscal resultante do procedimento de diligência realizado; discorre sobre o seu perfil e o da SUPERGASBRÁS; sustenta que a glosa dos saldos das contas 333.200 – DESCONTOS CONCEDIDOS e 333.300 – PRÊMIO DE PRODUTIVIDADE e de pequena parte dos lançamentos efetuados na conta 333.150 – DESCONTOS COMERCIAIS não pode subsistir, especialmente em razão da nulidade das peças acusatórias, face a ausência de objeto ou conteúdo; reitera esclarecimentos acerca da origem, da evolução e do funcionamento do setor de distribuição de GLP; aponta deficiências na decisão recorrida que justificariam a sua reforma; descreve procedimentos e apresenta conclusões decorrentes da revisão da sua rotina, de seus sistemas de processamento de dados e dos documentos relacionados com a concessão de descontos, abatimentos e prêmios de produtividade; descreve as circunstâncias que, na visão da Fiscalização, amparariam a aplicação das penalidades pela falta de apresentação dos arquivos magnéticos e sistemas; sustenta a nulidade do lançamento relativo à falta de entrega dos arquivos magnéticos (seus e da empresa S&M), relativos aos anos de 2000 a 2004, bem como da SUPERGASBRÁS no que tange aos anos de 2001 a 2004, vez que “não se outorgou ao autor dos feitos competência para fiscalizar com profundidade nenhum fato relativo a outra empresa que não fosse a SUPERGASBRÁS, nem para auditar outro tributo que não fosse o IRPJ, nem outro período de apuração que não fosse o anocalendário de 2000, salvo no que diz respeito às sumárias verificações obrigatórias”; argumenta que a Fiscalização não poderia exigir arquivos magnéticos relativos aos anos de 2000 e 2001 na forma da IN/SRF nº 86, de 2001, e do ADE COFIS nº 15, também de 2001; Fl. 7880DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 18471.002175/200593 Acórdão n.º 1301001.754 S1C3T1 Fl. 7.872 23 alega que não houve atraso nem falta de entrega dos arquivos em meio magnético da SUPERGASBRÁS, relativos aos anos de 2001 a 2004, nem dela e da S&M, referentes aos anos de 2000 a 2004; afirma que a primeira instância, ao silenciar sobre os argumentos aduzidos na impugnação, proferiu decisão maculada por nulidade; sustenta que a aplicação da multa prevista nos arts. 11 e 12, inciso III, da Lei nº 8.218/91, com a redação dada pelo art. 72 da MP nº 2.15834/2001, fere os princípios da anterioridade e da irretroatividade, com relação aos arquivos dos anos de 2000 e 2001; alega que a multa de R$ 102.243.468,66 tem caráter confiscatório; argumenta que a multa de ofício não se comunica à incorporadora; destaca a anexação ao primeiro Recurso Voluntário impetrado de Parecer Jurídico, para o qual solicita que seja considerado como pertencente a este. Em sessão realizada em 08 de agosto de 2013, esta Primeira Turma Ordinária, por meio da Resolução nº 1.301000.148, resolveu converter o julgamento em diligência para que a unidade administrativa de origem adotasse as seguintes providências: a) esclarecesse se o Mandado de Procedimento Fiscal de fls. 01, emitido em 24 de agosto de 2005, em nome de SHV GÁS BRASIL LTDA, decorreu única e exclusivamente do fato de a empresa SUPERGASBRÁS DISTRIBUIDORA DE GÁS S/A ter sido incorporada no curso da ação fiscal autorizada pelo Mandado de Procedimento Fiscal nº 07.1.90.002004016810 (fls. 03) ou de programação específica; b) no caso de programação específica para a empresa SHV GÁS BRASIL LTDA, anexasse cópia do Registro de Procedimento Fiscal e do Relatório de Programação correspondente, nos quais teriam sido descritos os elementos motivadores da instauração do procedimento; c) caso tivesse havido programação específica para instauração de procedimento fiscal em relação à empresa S&M ENGARRAFADORA DE GÁS LTDA, anexasse, da mesma forma, cópia do Registro de Procedimento Fiscal e do Relatório de Programação correspondente, nos quais tinham sido descritos os elementos motivadores da instauração do procedimento; d) anexasse o documento que autorizou a extensão do procedimento de fiscalização para os anos calendário de 2001, 2002, 2003 e 2004 para as empresas incorporadas (SUPERGASBRÁS DISTRIBUIDORA DE GÁS LTDA e S&M ENGARRAFADORA DE GÁS LTDA) e para a incorporadora (SHV GÁS BRASIL LTDA); e e) informasse se em razão da autorização porventura concedida e cuja documentação estava sendo solicitada (letra “d” acima) haviam sido promovidos lançamentos tributários relativos aos anos calendário de 2001, 2002, 2003 e 2004 para as empresas SUPERGASBRÁS DISTRIBUIDORA DE GÁS LTDA, S&M ENGARRAFADORA DE GÁS LTDA e SHV GÁS BRASIL LTDA., indicando, se fosse o caso, os números dos respectivos processos administrativos. Fl. 7881DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 18471.002175/200593 Acórdão n.º 1301001.754 S1C3T1 Fl. 7.873 24 Em atendimento, a Delegacia da Receita Federal no Rio de Janeiro aportou ao processo INFORMAÇÃO FISCAL, por meio da qual prestou os esclarecimentos solicitados. É o Relatório. Fl. 7882DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 18471.002175/200593 Acórdão n.º 1301001.754 S1C3T1 Fl. 7.874 25 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço dos apelos. Em conformidade com o Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fls. 845/850), a ação fiscal sob apreciação foi empreendida na pessoa jurídica SUPERGASBRÁS DISTRIBUIDORA DE GÁS S/A, incorporada pela ora Recorrente, e teve por objeto o ano calendário de 2000. De acordo com o referido Termo, foram as seguintes as infrações imputadas à fiscalizada: i) falta de comprovação de despesas registradas a título de DESCONTOS COMERCIAIS, DESCONTOS CONCEDIDOS e PRÊMIO PRODUTIVIDADE, no montante de R$ 10.456.629,58, pois, embora reintimada, a contribuinte não justificou a diferença detectada entre o montante escriturado e o demonstrado por meio de planilha apresentada à Fiscalização, conforme demonstrativo abaixo; CONTA ESCRITURADO DEMONSTRADO DIFERENÇA 333150 51.012.229,17 50.987.107,62 25.121,55 333200 68.039.597,58 64.816.510,13 3.223.087,45 333300 11.338.770,70 4.130.350,12 7.208.420,58 TOTAL 10.456.629,58 ii) glosa de despesas restantes apropriadas nas contas 333.200 (DESCONTOS CONCEDIDOS) e 333.300 (PRÊMIO PRODUTIVIDADE), nos montantes respectivos de R$ 64.816.510,13 e R$ 4.130.350,12, sob fundamento de que a documentação apresentada para comprovar os dispêndios revelouse inidônea; iii) antecipação indevida de custos, no montante de R$ 1.358.482,26, decorrente da ausência de cômputo, no estoque final, do valor correspondente ao ICMS substituição tributária; e iv) multa em virtude da falta e/ou apresentação fora do prazo de arquivos magnéticos, conforme discriminação abaixo. iv.1) R$ 8.552.529,13, em virtude da apresentação fora do prazo dos arquivos da empresa SUPERGASBRÁS DISTRIBUIDORA DE GÁS LTDA., relativos ao ano calendário de 2000; iv.2) R$ 102.243.468,66, em razão da falta de apresentação dos arquivos magnéticos das empresas incorporadas S&M ENGARRAFADORA DE GÁS LTDA, relativamente aos anoscalendário de 2000 a 2004, e SUPERGASBRÁS DISTRIBUIDORA DE GÁS LTDA., relativamente aos anoscalendário de 2001 a 2004; e da incorporadora, SHV GÁS BRASIL LTDA, relativamente aos anoscalendário de 2000 a 2004. Fl. 7883DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 18471.002175/200593 Acórdão n.º 1301001.754 S1C3T1 Fl. 7.875 26 Aprecio, pois, conjuntamente, os recursos interpostos. CONCESSÃO DE DESCONTOS E PRÊMIOS INFRAÇÃO “ii” Relativamente à falta de comprovação, por meio de documentação hábil e idônea, das despesas apropriadas a título de DESCONTOS CONCEDIDOS e PRÊMIO PRODUTIVIDADE, nos montantes respectivos de R$ 64.816.510,13 e R$ 4.130.350,12, infração “ii”, acima mencionada, a Turma Julgadora de primeiro grau exonerou a contribuinte do crédito tributário decorrente dos montantes de R$ 9.647.874,51 e R$ 349.302,61, em virtude de comprovação. Diante de tal decisão, os valores passíveis de tributação a esses títulos passaram a ser de R$ 55.168.635,62 e R$ 3.781.047,51. No que tange a essa matéria, transcrevo fragmentos do voto condutor da decisão exarada em primeira instância, dos quais é possível extrair os fundamentos que serviram de suporte para o cancelamento de parte das exigências formalizadas. [...] Após a realização da diligência, bem como dos depoimentos trazidos pelos clientes, além das elucidações trazidas pela própria interessada, no que pertine ao processamento dos respectivos descontos, não vejo como, aqueles que possuem ratificação dos seus beneficiários, não considerálos operacionais, senão vejamos (GRIFO DO ORIGINAL): Das 89 empresas intimadas pelo Fisco, após o deferimento da diligência, selecionadas em função do volume de descontos e prêmios concedidos pela interessada, tomandose por base as planilhas de fls. 110 a 157, limitados no valor de R$ 200.000,00 (corte), visando um universo de 40 clientes com respostas efetivas, 11 responderam que recebiam descontos não destacados na nota fiscal, cujas denominações societárias abaixo se seguem: ARNO MULLER COMÉRCIO DE COMBUSTÍVEIS E DERIVADOS LTDA.; CEDASA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PISOS LTDA.; CEFL COMÉRCIO ELETRO GÁS FUKAMATI LTDA.; ESTRELA GÁS DO RIO DAS PEDRAS LTDA. ME.; IMPERIAL COMÉRCIO E TRANSPORTE DE GÁS LTDA.; J A NETTO BOXAS BAR; KEVIGÁS GÁS LTDA. ME.; PAIVA GÁS LTDA. EPP.; PRÍNCIPE REAL COMÉRCIO DE GÁS LTDA.; RAL COMÉRCIO DE GÁS LTDA. ME. e RODOFIL TRANSPORTES E COMÉRCIO LTDA. EPP. Deve ser ressaltado que não há qualquer substância tributária nas práticas habituais existentes no mercado, sem que estejam lastreadas em documentação hábil e idônea que tenha a capacidade de subsidiar as informações constantes na escrituração de uma empresa. As orientações da RFB e dispositivos legais pressupõem o cumprimento de regras a serem observadas pelos contribuintes e não podem ser interpretados isoladamente. De início, entendi que a interpretação pretendida pela defesa não seria razoável, pois, segundo o PN CST n° 32/81, a qualificação dos dispêndios da pessoa jurídica, como despesas dedutíveis na determinação do lucro real, estaria subordinada a normas específicas da legislação do imposto de renda, que fixam o Fl. 7884DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 18471.002175/200593 Acórdão n.º 1301001.754 S1C3T1 Fl. 7.876 27 conceito próprio de despesas operacionais e estabelecem condições objetivas norteadoras da imputabilidade, ou não, das cifras correspondentes para aquele efeito. Conforme o disposto no artigo 299 e seus §§, do RIR/99, o gasto é necessário quando essencial a qualquer transação ou operação, exigida pela exploração das atividades, principais ou acessórias, que estejam vinculadas com as fontes produtoras de rendimentos. E despesa normal é aquela que se verifica comumente no tipo de operação ou transação efetuada e que, na realização do negócio, se apresenta de forma costumeira ou ordinária. O requisito de usualidade deve ser interpretado na acepção de habitual na espécie do negócio. O que também se ressente no presente processo é que diante de tantos volumes de documentos, pareceres, laudos etc., não houve por parte da interessada juntada de contratos entre as partes que poderiam estipular tais descontos e nem mesmo demonstrações de sua parte que a usualidade e a normalidade na concessão dos mesmos em face da concorrência estaria calcado em procedimentos adotados por suas concorrentes. Seria dever do contribuinte, à época, até porque como bem ressaltara as empresas circularizadas não há como, após, mais de 10 anos, comprovar documentalmente todas as operações que alterem sua situação patrimonial. [...] Desta forma, vale dizer que caberia ao interessado o ônus da prova quanto aos custos e despesas operacionais que importaram na redução do crédito tributário. A dedutibilidade das despesas estaria condicionada à comprovação de sua efetiva realização e de sua necessidade. [...] Contudo, após analisar profundamente as questões trazidas à baila após a realização da diligência, verifiquei que os valores referentes àquelas empresas que confirmaram os respectivos descontos condicionados devem ser aceitos a título de descontos operacionais, eis que houve a sua comprovação e confirmação, requisitos primordiais à caracterização da dedutibilidade, não havendo apenas que serem consideradas despesas necessárias, habituais ou normais. A comprovação também é fundamental para a respectiva dedução de uma despesa considerada operacional. [...] Quanto àquelas, cuja ausência de comprovação, nem mesmo após a diligência foi suprida, em que pese o caráter de usualidade e a normalidade, ou mesmo a necessidade, não há, in casu, instrumentos hábeis e idôneos que as comprovem, ou mesmo confirmações por parte dos beneficiários (maiores descontos concedidos), com todo respeito àqueles que pensam de forma contrária, eis que, através da forma de julgamento colegiado, aprendemos ao longo de todos esses anos a respeitar todas as posições e formas de julgar, desde que devidamente fundamentadas, como no presente caso. (GRIFEI) Portanto, considero comprovados e dedutíveis do lucro real, os seguintes descontos concedidos (contas 333.200 e 333.300) para o anocalendário de 2000: Empresa Descontos Concedidos conforme fls. 110/157 (conta 333.200) Prêmios Produtividade conforme fls. 110/157 (conta 333.300) Fl. 7885DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 18471.002175/200593 Acórdão n.º 1301001.754 S1C3T1 Fl. 7.877 28 Maria das Graças de Assis Correia ME 1.100/1106 R$ 199.391,87 0,00 CHAMIGÁS LTDA. 1108/1114 R$ 47.066,87 0,00 PESCADOR COMÉRCIO E TRANSPORTE DE GÁS LTDA. 1116/1165 R$ 523.701,58 R$ 156.532,86 JC DISTRIBUIDORA DE GÁS LTDA. 1167/1189 R$ 787.786,09 0,00 TRANSGÁS 1194/1227 R$ 42.014,11 * (valor apresentado divergentes da interessada, prevalecendo o declarado pela empresa circularizada) 0,00 IMPERIAL 1.229/1.247 R$ 582.240,90 0,00 BIG TRIO 1.250/1.266 R$ 1.038.791,95 15.714,00 NITERGÁS 1.268/1.295 R$ 1.198.114,02 4.911,94 PRÍNCIPE REAL COMÉRCIO DE GÁS LTDA. ME 1.297/1.316 R$ 1.308.822,81 0,00 JP VILA ROSÁRIO COMÉRCIO DE GÁS LTDA. ME. 1.318/1.329 R$ 1.033.554,49 0,00 DINO COMÉRCIO DE GLP LTDA. 1.331/1341 R$ 598.619,86 11.686,00 RAL COMÉRCIO DE GAS LTDA. ME. 1.343/1.369 R$ 555.103,37 10.000,00 ARNO MULLER COMÉRCIO DE COMBUSTÍVEIS E DERIVADOS LTDA (informação prestada na diligência fls. 287/288, ANEXO II) R$ 133.873,52 153.015,75 CEDASA INDUSTRIA E COMÉRCIO DE PISOS LTDA. (informação prestada na diligência — fls. 307/308, ANEXO II) R$ 116.663,59 (fls. 112) 0,00 CEFL COMÉRCIO ELETRO GÁS FUKAMAT1 LTDA. (informação prestada na diligência fls.350/352, ANEXO II) 504.360,06 + 89.293,78 = R$ 593.653,84 ** (valor relativo a mesma empresa) 0,00 ESTRELA GÁS DO RIO DAS PEDRAS LTDA. ME (informação prestada na diligência fls. 506, ANEXO III) R$ 194.874,43 0,00 J A NETTO BOXAS BAR (informação prestada na diligência fls. 551/552, ANEXO III) R$ 158.904,71 (fls. 111) 0,00 KEVIGÁS GÁS LTDA. ME (informação prestada na diligência fls. 566, ANEXO III) R$ 152.587,87 2.354,00 PAIVA GÁS LTDA. EPP (informação prestada na diligência — fls. 607/608, ANEXO IV) R$ 206.421,69 0,00 RODOFIL TRANSPORTES E COMÉRCIO LTDA. EPP. (informação prestada na diligência fls. 668/669, ANEXO IV) R$ 175.686,94 0,00 TOTAL R$ 9.647.874,51 349.302,61 Observação: Foram aceitos a título de dedução como despesas operacionais o menor valor no comparativo entre a planilha de fls. 110/157 e as planilhas apresentadas pelas empresas beneficiárias dos descontos, quando os mesmos não eram coincidentes. Noto, primeiramente, que a decisão de primeiro grau revela um certo grau de dubiedade acerca dos elementos necessários à admissibilidade da dedução das despesas, vez Fl. 7886DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 18471.002175/200593 Acórdão n.º 1301001.754 S1C3T1 Fl. 7.878 29 que ao mesmo tempo em que argumenta que a contribuinte não juntou aos autos contratos estipulando os descontos e documentos que pudessem concorrer para demonstrar a normalidade e usualidade dos dispêndios, conclui no sentido de que, para os casos em que houve ratificação dos beneficiários, não há como não considerálos operacionais. Destaco que, em outra passagem, a decisão de primeira instância, discorrendo sobre o mercado de distribuição de GLP, assinala que “não se pode duvidar, que o produto comercializado, mesmo que por um grupo pequeno de empresas, tem como base de sua negociação, a livre concorrência de mercado, o que, porventura, pode, sim, gerar concessão de descontos aos clientes por parte das empresas distribuidoras”. O pronunciamento acerca da dedutibilidade ou não de determinado gasto, à luz da legislação do imposto de renda, passa, à evidência, pela constatação da existência de documento hábil e idôneo que o comprove e pela verificação acerca do preenchimento dos requisitos de necessidade, normalidade e usualidade, ex vi do disposto no art. 299 do Regulamento de 1999 (RIR/99). Da análise do Termo de Verificação e Constatação Fiscal lavrado pela autoridade autuante (fls. 845/850), concluo que a glosa dos descontos em questão teve por base os seguintes fundamentos: 1. a fiscalizada (a empresa incorporada SUPERGASBRÁS DISTRIBUIDORA DE GÁS LTDA.), na Declaração de Informações apresentada à Receita Federal (DIPJ/2001), registrou os DESCONTOS CONCEDIDOS (conta 333.200) e os PRÊMIOS PRODUTIVIDADE (conta 333.300) na linha correspondente às vendas canceladas, devoluções e descontos incondicionais; 2. contabilmente, o registro correspondente aos descontos e aos prêmios foi efetuado de forma global, impossibilitando assim a identificação dos respectivos beneficiários, do valor individual e da nota fiscal correspondente; 3. em atendimento à intimação, a contribuinte esclareceu que os descontos e prêmios escriturados não foram consignados em nota fiscal de venda, mas, sim, em notas de crédito; 4. também em atendimento à intimação, a contribuinte fiscalizada apresentou PLANILHA com os totais dos descontos e prêmios concedidos, cujos totais anuais foram confrontados com o que foi escriturado, resultando daí o seguinte quadro: CONTA ESCRITURADO PLANILHA DIFERENÇA 333150 51.012.229,17 50.987.107,62 25.121,55 333200 68.039.597,58 64.816.510,13 3.223.087,45 333300 11.338.770,70 4.130.350,12 7.208.420,58 TOTAL 10.456.629,58 5. apesar de intimada, a fiscalizada não apresentou esclarecimentos acerca da diferença de R$ 10.456.629,58, apurada, como visto, a partir do confronto entre a escrituração e a planilha demonstrativa por ela apresentada; Fl. 7887DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 18471.002175/200593 Acórdão n.º 1301001.754 S1C3T1 Fl. 7.879 30 6. intimada a apresentar documentos comprobatórios da concessão de descontos e prêmios a alguns clientes, a contribuinte prestou esclarecimentos e apresentou documentos produzidos por ela própria; 7. embora intimada, a fiscalizada não apresentou os documentos em virtude dos quais os seus clientes foram cientificados dos descontos e prêmios concedidos, bem como não apresentou contratos relacionados a tais fatos; 8. alguns clientes da fiscalizada, apontados na planilha entregue à Fiscalização como beneficiários de descontos e prêmios, afirmaram que não receberam tais benefícios; 9. a contribuinte, em resposta à Fiscalização, afirmou que “as renúncias de receitas” eram referentes a descontos incondicionais, mesmo sem constar das notas fiscais. A partir desse contexto, a autoridade fiscal concluiu que: a) os lançamentos contábeis relativos aos descontos e prêmios foram efetuados sem lastro em documentação idônea; b) documentos de produção interna não são hábeis para comprovar os gastos, não sendo possível, assim, avaliar a necessidade e a normalidade da renúncia de receita; c) em conformidade com pronunciamentos da Receita Federal (IN SRF nº 51/78 e Processo de Consulta nº 14, de 2002 da SRRF da 4ª Região Fiscal), descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de venda quando constarem da nota fiscal correspondente. Em apertada síntese, a glosa dos descontos e prêmios concedidos consubstanciouse nos seguintes elementos: registro em linha imprópria na declaração de informações apresentada à Receita Federal; impossibilidade de identificação dos beneficiários por meio dos registros contábeis; registros contábeis amparados por documentos considerados não hábeis, impossibilitando a avaliação acerca da necessidade e da normalidade da renúncia de receita; declarações de clientes da contribuinte no sentido de que não foram beneficiados com descontos e prêmios, além dos concedidos nas próprias notas fiscais; e descontos incondicionais devem, necessariamente, constar da nota fiscal. A questão acerca do registro impróprio na declaração de informações é de natureza meramente formal, não representando, assim, causa relevante para a efetivação da glosa. A impossibilidade de identificação na contabilidade dos beneficiários dos descontos e prêmios foi suprida por meio da apresentação de planilha por parte da contribuinte (fls. 109/157), documento que, inclusive, foi utilizado pela autoridade autuante para promover as circularizações e para identificar diferença em relação aos valores escriturados. A natureza do desconto (se condicional ou incondicional), isoladamente, diante da possibilidade, em tese, da dedução dos valores (como redutor da receita de vendas ou do lucro bruto), também não é merecedora de apreciação individualizada. Tenho, pois, que, em essência, a glosa empreendida pela Fiscalização repousou no fato de os registros contábeis correspondentes estarem amparados em documentos produzidos pela própria fiscalizada, e em declarações de alguns de seus clientes no sentido de que não foram beneficiados com descontos e prêmios que não fossem os concedidos nas próprias notas fiscais. Fl. 7888DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 18471.002175/200593 Acórdão n.º 1301001.754 S1C3T1 Fl. 7.880 31 Na linha do decidido em primeira instância, entendo que encontramse reunidos aos autos elementos que autorizam concluir que a solução da controvérsia, no que diz respeito ao item sob apreciação (DESCONTOS E PRÊMIOS CONCEDIDOS), está direcionada única e exclusivamente para a comprovação da concessão dos benefícios, isto é, resta fora de dúvida que, considerada a atividade explorada pela fiscalizada, a concessão de descontos e prêmios aos seus clientes constitui prática comumente adotada, não cabendo, assim, discussão acerca do atendimento aos requisitos de necessidade, normalidade e usualidade. Embora tenha afirmado que, a partir da desconsideração dos elementos de prova trazidos no curso da ação fiscal (“documentos de produção interna”), não teria sido possível avaliar a necessidade e a normalidade da “renúncia de receita”, a autoridade fiscal não avançou na análise acerca da natureza da despesa glosada de modo a concluir que, independentemente de sua comprovação, ser ela (a despesa) desnecessária, fruto de mera liberalidade, e, portanto, indedutível. Com o devido respeito, penso que, no presente caso, estaria ao alcance da autoridade autuante, da mesma forma que procedeu em relação a determinados clientes da fiscalizada, promover averiguações junto a outros distribuidores de GLP, com vistas a colher elementos que possibilitassem concluir que a prática adotada pela contribuinte auditada (concessão de descontos e prêmios) não era, nem usual, nem normal, no mercado em que ela atuava. Contudo, não identifico nos autos documentos capazes de indicar a adoção de esforços nesse sentido. A autuada, por outro lado, no próprio curso da ação fiscal já havia se pronunciado no sentido de que a concessão de descontos visava manter a sua participação no mercado (fls. 75/77). Por ocasião da interposição da impugnação, aportou ao processo documentos procurando demonstrar que a concessão de descontos, abatimentos e prêmios eram práticas usuais e normais no mercado de distribuição de GLP. Nesse diapasão, juntou ao processo os seguintes documentos: o documento denominado DIAGNÓSTICO DAS EMPRESAS DISTRIBUIDORAS E DESAFIOS PRESENTES E FUTUROS PARA O SETOR DE GLP (fls. 1.373/1.462), do qual releva destacar a seguinte passagem: A evolução desfavorável da demanda e o aumento de preços provocou um acirramento da concorrência entre as empresas do setor, aumentando o poder da revenda sobre os preços e elevando a concessão de abatimentos concedidos pelas distribuidoras, pressionando fortemente a receita líquida destas. Assim, em 1998, para um faturamento bruto de R$ 2,5 bilhões foi repassado à revenda abatimentos de R$ 347 milhões; só no primeiro semestre de 2003, para um faturamento de R$ 4,9 bilhões o repasse revenda sob a forma de abatimentos foi de R$ 852 milhões ! correspondência da TREVISAN CONSULTORES (fls. 1.464/1.465), em que consta assinalado: A propósito dos contactos mantidos com V.Sas., servimonos da presente para confirmar que, por solicitação do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo Sindigás, empreendemos, no período de outubro de 2003 a fevereiro de 2004, levantamento de dados do mercado brasileiro distribuidor de gás liquefeito de petróleo (também denominado gás de cozinha ou GLP), que Fl. 7889DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 18471.002175/200593 Acórdão n.º 1301001.754 S1C3T1 Fl. 7.881 32 resultou em estudo consubstanciado no relatório intitulado Diagnóstico das Empresas Distribuidoras e Desafios Presentes e Futuros para o Setor de GLP", ofertado à Agência Nacional do Petróleo (ANP), no qual, dentre outros aspectos, constatamos: [...] b) com base das demonstrações contábeis das 5 (cinco) maiores distribuidoras de gás de cozinha do Brasil, que a queda no consumo provocou um acirramento da concorrência entre as empresas do setor, evidenciado pelo aumento da concessão de abatimentos pelas distribuidoras aos revendedores, de modo que, em 1999 esses abatimentos atingiram, em média, 13% da receita bruta daquelas empresas, evoluindo para 15%, 16% e 19%, respectivamente, nos anos de 2000, 2001 e 2002; [...] declaração do Presidente Executivo do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo – Sindigás (fls. 1.467/1.468), da qual extraio o seguinte fragmento: DECLARO, para fins de prova junto à Secretaria da Receita Federal, constituir prática notória, usual e normal do mercado de distribuição de gás liquefeito de petróleo, a Concessão, por nossas associadas, de descontos, abatimentos e prêmios aos seus clientes revendedores de gás armazenado em botijões, não destacados nas notas fiscais. Esta prática é herança, ainda, do tempo de preços tabelados no qual todas as empresas eram obrigadas a praticar um único preço nas notas fiscais, restando somente a prática de abatimentos concedidos não destacados nas notas fiscais. Ainda hoje é freqüente a dificuldade de comprovação das margens médias de comercialização da revenda e da distribuição, devido aos descontos e abatimentos concedidos no pagamento das duplicatas e que não constam nas notas fiscais que são objeto de pesquisa da ANP. Observação do documento anexo da Superintendência de Qualidade de Produto, setor preço da ANP, em suas notas, demonstra com singular precisão a prática acima descrita, que transcrevemos abaixo: "Margens de Distribuição e de Revenda: calculadas com base nos dados semanais do Levantamento de Preços e de Margens de Comercialização de Combustíveis da ANP, regulamentado pela Portaria ANP N° 202, de 15 de agosto de 2000. Os preços de distribuição podem, eventualmente, contemplar valores relativos à descontos por Pagamentos de duplicatas no vencimento e por cumprimento de metas de vendas." Verificase, portanto, de maneira irrefutável, o reconhecimento da existência da prática de descontos e abatimentos quando do pagamento das duplicatas ou da quitação de dívidas, descontos estes não constantes nas notas fiscais. documento subscrito por Paulo Barata Ribeiro discorrendo sobre o histórico da prática de descontos nos preços de GLP (fls. 1.477/1.499). Ainda com relação à comprovação de que a concessão de descontos não destacados em nota fiscal constituía prática comumente adotada, a Recorrente registrou: Fl. 7890DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 18471.002175/200593 Acórdão n.º 1301001.754 S1C3T1 Fl. 7.882 33 [...] Para essa mesma direção convergiram as respostas dos clientes que confirmaram o recebimento dos descontos, prêmios e abatimentos não lançados nas notas fiscais, a exemplo de: a) Arno Muller S/A, Kevigas Gas Ltda. ME, Príncipe Real Comércio de Gás Ltda. ME ao atestarem que esse comportamento era "...praxe do mercado de gás"; b) CEFLComércio EletroGás Fukamato Ltda., ao asseverar que "a motivação da concessão deste beneficio foi tão somente a pretensão da SUPERGASBRAS DISTRIBUIDORA DE GÁS SA de preservar a nossa continuidade com sua bandeira, pois fazíamos constantes ameaças de mudança de fornecedor" e, C) Paiva Gás Ltda. EPP, ao esclarecer serem tais descontos acordados verbalmente "...conforme costume do mercado brasileiro de Gás". Diante de tais documentos e da econômica fundamentação apresentada pela autoridade autuante, em que pese o fato de ter havido menção expressa ao art. 299 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR/99) nas peças acusatórias, penso que não se pode decretar a procedência da autuação ao argumento de que as despesas em debate não se revelaram necessárias. Afastada, pois, a hipótese de que as despesas com descontos, genericamente consideradas, não poderiam ser admitidas em virtude do não atendimento aos requisitos gerais de dedutibilidade estampados na legislação de regência (necessidade, normalidade e usualidade), resta apreciar o critério adotado pela autoridade fiscal para considerar incomprovados os valores apropriados a título de despesa com descontos e prêmios concedidos. Perscrutando os autos, verifico que a autoridade fiscal, depois de ter reiteradamente intimado a contribuinte fiscalizada a apresentar documentos e planilha relativos aos descontos concedidos, circularizou supostos beneficiários dos referidos descontos, intimandoos a apresentar tais elementos (documentos e planilha). Aos autos, relativamente à circularização acima mencionada, foram juntados os seguintes documentos: i) declaração de Maria das Graças de Assis Correia ME, informando que os descontos foram dados em nota fiscal e que não foram concedidos descontos ou prêmios que não constaram do referido documento (nota fiscal) – fls. 93; ii) declaração de CHAMIGÁS LTDA no sentido de que “no livro Razão de 2000 não consta nenhum desconto e prêmios recebidos, pois tal desconto não caracteriza lançamento contábil, tratase de desconto incondicional” (fls. 97); iii) esclarecimento de PROGÁS LTDA de que “todos os descontos foram concedidos diretamente nas notas fiscais, sendo que Valor Contábil corresponde ao valor líquido” (fls. 103); e Fl. 7891DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 18471.002175/200593 Acórdão n.º 1301001.754 S1C3T1 Fl. 7.883 34 iv) informação de ELI EUSTÁQUIO MAIA de que “nenhum descontos (sic) foram recebidos pela minha empresa sem constarem em documentos fiscais (notas fiscais ou duplicatas), como também não recebemos nenhum prêmio no referido exercício”. Em princípio, penso que no caso em que os descontos concedidos (não obstante terem sido considerados como “incondicionais”) não constarem das notas fiscais, não terem sido lastreados em contratos e de terem como elemento de suporte dos registros contábeis documentos produzidos pela própria empresa, caberia à contribuinte auditada a comprovação da efetividade e da vinculação à fonte produtora dos rendimentos das despesas apropriadas no resultado. Na circunstância versada nos autos, todavia, não me parece restar dúvida de que a autoridade fiscal, amparada por planilha apresentada pela contribuinte, concluiu de forma definitiva pela improcedência da apropriação da despesa com base em pronunciamentos de clientes da fiscalizada que, não obstante terem sido indicadas como beneficiárias na referida planilha, afirmaram não ter recebido desconto fora da nota fiscal. Observo que a autoridade fiscal não cuidou de examinar documentos relacionados à totalidade das pessoas indicadas pela fiscalizada como beneficiárias dos descontos e prêmios concedidos, o que, à evidência, revelouse perfeitamente justificável, haja vista a quantidade de pessoas constante na planilha de fls. 110/157 dos autos. Depreendo, assim, que a glosa dos descontos e prêmios concedidos, apesar de ter alcançado os montantes integrais dos valores apropriados contabilmente a esses títulos, decorreu essencialmente de inferência extraída de amostra colhida pela autoridade fiscal. Dos argumentos trazidos pela Recorrente para contestar os lançamentos tributários decorrentes da glosa dos descontos e prêmios concedidos, destaco os seguintes: i) a autoridade autuante baseouse em uma amostra de apenas quatro clientes, de uma “população” de quatro mil oitocentos e cinco, para promover os lançamentos tributários; ii) dos quatro clientes que informaram à Fiscalização que não haviam sido beneficiados com descontos, dois, em momento posterior, prestaram declarações confirmando o contrário, isto é, que efetivamente receberam os descontos; iii) outros clientes, em número muito superior ao mencionado no auto de infração, informaram à própria Fiscalização que tinham sido beneficiados com descontos, porém, tais declarações não foram referenciadas nos autos; iv) por ocasião da apresentação da impugnação, foram juntados aos autos documentação relativa a trinta e seis clientes que receberam descontos, e, ao recurso, foram juntados, adicionalmente, documentos relativos a outros dez clientes que, da mesma forma, haviam sido beneficiados com os citados descontos; v) a diligência efetuada por determinação da autoridade julgadora de primeiro grau, realizada pelo mesmo autor dos lançamentos tributários questionados, limitouse ao envio por via postal de oitenta e sete cartas a clientes da fiscalizada, não tendo sido examinado nenhum documento, nem analisado qualquer registro contábil, além de não terem sido respondidas as indagações formuladas na Resolução correspondente; Fl. 7892DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 18471.002175/200593 Acórdão n.º 1301001.754 S1C3T1 Fl. 7.884 35 vi) visando demonstrar a superficialidade da diligência efetuada, a Recorrente assinala: [...] No entanto, para constar essa absoluta superficialidade da nova fiscalização, têmse como exemplo, em uma análise preliminar, que, dentre os 29 (vinte e nove) clientes que teriam negado o recebimento dos descontos, prêmios e abatimentos não consignados nas notas fiscais: a) RS da Rocha Revendedora de Gás ME e Retiro da Imprensa Comércio de Gás Ltda. negaram qualquer relação comercial com a SUPERGASBRAS nos anos calendários de 2000 a 2004, quando, na realidade apenas no anocalendário de 2000, adquiriram daquela empresa, que contabilizou como receitas tributáveis, sem contestação pelo autuante, mercadorias nos montantes de R$ 902.599,60 e R$ 847.695,87, respectivamente (vide fls. 110/111 do processo), comprovando a total ausência de confiabilidade das informações prestadas pelas referidas empresas; b) a Big Trio Depósito de Gás Ltda., ao revés, prestou a Declaração anexada como doc. 17 à impugnação, confirmando o recebimento dos citados dos descontos abatimentos e prêmios de produtividade; C) ainda a respeito da Big Trio Depósito de Gás Ltda. e da Progás Ltda., a RECORRENTE trouxe em anexo ao seu Recurso Voluntário primitivo (Livro 10, v. 1 a 5, Livro 13, v. 1 a 14 do doc. 32 anexo àquela petição), em adição aos exemplos que havia levantado no subitem 4.7.1 da Impugnação, a totalidade dos comprovantes dos descontos abatimentos e prêmios de produtividade não consignados na notas fiscais por eles gozados durantes todo o anocalendário de 2000, sobre os quais o perito da União se calou por completo, devendo, por conseguinte, serem considerados provas bastantes das alegações da defesa, e, d) mais uma vez a Progás Ltda., além de Fluzão Revend. De Gás e Distr. de Bebidas Ltda., José Pinheiro dos Santos, Lavras Distr. De Gás Ltda. ME, Pescador Com. e Transp. de Gás Ltda., Real Comércio de Gás Ltda. e Superchama Com. e Transporte de Gás Ltda., SOMENTE NEGARAM o recebimento de descontos abatimentos e prêmios de produtividade não registrados nas notas fiscais NO ANO CALENDÁRIO DE 2004, fato que nenhuma relação possui com este feito, que versa, repitase à exaustão, exclusivamente fatos ocorridos no anocalendário de 2000, com relação aos quais não se pronunciaram, alegando os efeitos do parágrafo único do artigo 195 c/c com parágrafo único do artigo 149, ambos do CTN e artigo 264 do RIR/99, o que também não foi contrariado pelo autuante. vii) apreciando o quesito em que a autoridade julgadora de primeira instância indagava se era possível concluir acerca dos valores dos descontos, abatimentos e prêmios concedidos e se tais valores coincidiam com os escriturados pela fiscalizada, a Recorrente consignou: [..] 2.9.1. No que concerne a pergunta em tela, o autuante, na informação fiscal, apenas relatou o teor das respostas apresentadas pelos Clientes às circularizações efetuadas no decorrer da diligência. 2.9.2. No particular, a RECORRENTE chama atenção para o fato de que a Cedasa Indústria e Comércio de Piso Ltda., única a guardar documentação do anocalendário de 2000, apesar de alcançado pela decadência, confirmou o Fl. 7893DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 18471.002175/200593 Acórdão n.º 1301001.754 S1C3T1 Fl. 7.885 36 recebimento de descontos, abatimentos e prêmios não consignados nas notas fiscais naquele ano, em valores idênticos aos informados pela RECORRENTE, e trouxe à colação: a) cópia do seu Livro Razão Analítico; b) correspondências a ela enviadas pela supergasbras dando ciência do valor desses descontos (doc 01 anexado à petição protocolada em resposta à Informação fiscal) e, c) boletos bancários, nos quais o campo desconto/abatimento consigna o valor do desconto, comprovando, assim, que o pagamento da nota fiscal correspondente não se deu pelo seu valor cheio (doc. 01 anexado à petição protocolada em resposta à Informação fiscal). (GRIFOS DO ORIGINAL) viii) é possível que os clientes da SUPERGASBRÁS que negaram ter usufruído de descontos, abatimentos e prêmios de produtividade nem tenham contabilizado as compras das mercadorias que fizeram junto aquela empresa, quanto mais descontos, abatimentos e prêmios de produtividade; ix) a autoridade fiscal não efetuou, junto à SUPERGASBRÁS, o confronto das informações prestadas pelos clientes declarantes (reprodução de informação prestada pelo perito indicado por ela); x) discorrendo sobre a rotina de concessão de descontos e acerca dos controles adotados, a Recorrente assinala: [...] 5.10. Resta, portanto, conhecer o que contêm os documentos produzidos internamente pela SUPERGASBRAS, tidos por inidôneos pela fiscalização. 5.10.1. Com esse objetivo, a RECORRENTE: a) selecionou aleatoriamente 42 clientes localizados em diferentes regiões do País (doc. 23 anexo à Impugnação) alguns, inclusive, intimados pela fiscalização , que receberam 23% dos totais dos saldos glosados das contas em exame e b) reuniu casos concretos desses clientes, relativos a diferentes meses do ano de 2000, no montante de 5% dos valores por eles auferidos, o que significa pouco mais de 14% da média mensal dos DESCONTOS concedidos a todos os clientes da SUPERGASBRAS no período (R$ 68.946.860,00: 12 x 14%). 5.10.2. Reproduziu, então, os dossiês desses clientes, nos moldes do material posto à disposição da fiscalização, capeando cada um deles com texto esclarecedor do que se passou na situação específica, informando a região em que se localiza o cliente, a sigla da filial com que se relaciona, seu código de cadastro na SUPERGASBRAS, sua denominação social, sua inscrição no CNPJ, o total dos DESCONTOS obtidos em 2000, o mês escolhido para fins de amostragem, o total dos DESCONTOS obtidos pelo cliente naquele mês, a percentagem que o valor do mês corresponde ao do ano e o tipo de desconto concedido, segundo tabela também juntada aos autos (doc. 24 anexo à Impugnação), com indicação da conta em que o desconto foi debitada (docs. 25 a 66 anexos à Impugnação). Fl. 7894DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 18471.002175/200593 Acórdão n.º 1301001.754 S1C3T1 Fl. 7.886 37 5.10.3. Tomando como exemplo a Transgás Transporte e Comércio de Gás Ltda. (Transgás), localizada na região Sul do País e primeira daquela planilha, vêse que, em agosto de 2000, aquela empresa recebeu DESCONTOS dos tipos 2 e 3, conforme classificação do anexo 24, no total de R$ 12.791,00. 5.10.3.1. O dossiê que lhe corresponde contém: a) capa relacionando os seus anexos e descrevendo o processo interno de concessão do desconto; b) solicitação de concessão do desconto para cliente, à razão de R$ 3,60 por botijão de gás, com indicação das operações a que se refere, ou seja, as aquisições feitas nos meses de junho e julho de 2000, totalizando R$ 12.790,80, subscrita pela gerente comercial regional de Curitiba, com data de 31.07.2000, e aprovada pelo diretor regional; c) nota fiscal de devolução de gás do cliente para a SUPERGASBRAS, no valor de R$ 1.314,72; d) fita de máquina de somar demonstrando o crédito a ser efetuado na conta corrente do cliente, no valor de R$ 14.105,52 (R$ 12.790,80 + R$ 1.314,72); e) notas fiscais de vendas ao cliente no mês de agosto, cujos valores somados e deduzidos dos DESCONTOS concedidos resultaram num saldo a pagar de R$ 451,22; f) relatório de cheques recebidos de clientes pela SUPERGASBRAS, no qual figura o cheque de R$ 451,22, entregue pela Transgás para quitar sua dívida, compondo o total de R$ 23.368,62, enviado ao Bradesco para custódia (cheques pré datados), com vencimento no dia 16.08.2000; g) extrato fornecido pelo Bradesco no dia 17.08.2000, confirmando o resgate dos R$ 23.368,62; h) relatório da situação do cliente espelhando o registro eletrônico do crédito a ser deduzido do seu saldo em contacorrente com a SUPERGASBRAS no dia 31.07.2000, no montante de R$ 12.790,89, extraído do módulo de Contas a Receber do sistema DATASUL EMS 2.04, elaborado pela DATASUL S.A., utilizado pela fiscalizada para fins de controle dessas operações; i) relatório da situação do cliente espelhando o registro eletrônico de todas as operações de sua contacorrente e o crédito a ser deduzido do seu saldo com a SUPERGASBRAS no dia 31.07.2000, no montante de R$ 12.790,89, extraído do mesmo sistema mencionado na letra "h"; j) folha do Livro Razão e do Diário Auxiliar de Contas a Receber do mês, estampando a movimentação e as baixas.das dívidas do cliente mediante, inclusive, compensação com os DESCONTOS que lhe foram concedidos. 5.10.4. Os dossiês anexos à Impugnação que seguem, relativos às demais empresas, apresentam estruturas equivalentes e, com auxílio das informações constantes de suas capas, V.Sas., peritos em auditoria, não encontrarão dificuldades para compreendêlos, mesmo que um ou outro formulário de autorização do DESCONTO ou de controle bancário se modifique conforme a filial e a região. 5.10.5. A rotina, portanto, está demonstrada, cabendo destacar que a competência para aprovação dos DESCONTOS é do diretor regional (que Fl. 7895DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 18471.002175/200593 Acórdão n.º 1301001.754 S1C3T1 Fl. 7.887 38 poderá exercêla diretamente, ou delegála a outro funcionário graduado), mas a concessão dos DESCONTOS requererá, no mínimo, 2 assinaturas, sendo pelo menos uma a do gerente comercial na localidade. 5.10.6. O documento físico em que se registrava a aprovação do DESCONTO servia de fonte primordial para entrada dos dados no sistema DATASUL EMS 2.04 acima referido, cadastrandose o DESCONTO na contacorrente do cliente e gerando uma nota de crédito, de modo que, se após a compensação o saldo resultasse desfavorável ao revendedor, esse saldo lhe era cobrado e, se favorável, o sistema gerava, eletrônica e automaticamente, um documento para compensação do valor no período subseqüente, pagamento mediante cheque nominal, ou crédito em conta bancária, conforme fosse acordado. 5.10.7. O sistema contava ainda com um controle de senhas e restrições de uso, para conferir segurança à integridade e fidedignidade dos dados, operando de acordo com os "Manuais de Referência" capeados por correspondência da prestadora de serviços que o elaborou, como breves esclarecimentos sobre o seu funcionamento anexado Impugnação como doc. 67. (GRIFOS DO ORIGINAL) Às peças de defesa, a Recorrente juntou, entre outros, os seguintes documentos: declaração, por meio da qual MARIA DAS GRAÇAS DE ASSIS CORRÊA afirma que foi beneficiada com desconto “extranota fiscal” no valor de R$ 199.392,87 no “exercício de 2000”, concedido pela SUPERGASBRÁS (fls. 1.101); declaração, por meio da qual CHAMIGÁS LTDA. afirma que foi beneficiada com desconto “extranota fiscal” no valor de R$ 47.066,87 no “exercício de 2000”, concedido pela SUPERGASBRÁS (fls. 1.108); resposta da empresa PESCADOR COMÉRCIO E TRANSPORTE DE GÁS LTDA. a Termo de Intimação lavrado pela Fiscalização, na qual consta informação acerca do recebimento de descontos não consignados em nota fiscal (fls. 1.116/1.163); cópia do Termo de Intimação Fiscal, datado de 20 de junho de 2005, por meio da qual a Fiscalização requereu informações à empresa PESCADOR COMÉRCIO E TRANSPORTE DE GÁS LTDA. (fls. 1.164); resposta da empresa JC DISTRIBUIDORA DE GÁS LTDA. a Termo de Intimação lavrado pela Fiscalização, na qual consta informação acerca do recebimento de descontos não consignados em nota fiscal (fls. 1.167/1.168); cópia do Termo de Intimação Fiscal, datado de 20 de junho de 2005, por meio da qual a Fiscalização requereu informações à empresa JC DISTRIBUIDORA DE GÁS LTDA. (fls. 1.169); cópia do Termo de Intimação Fiscal, datado de 20 de junho de 2005, por meio da qual a Fiscalização requereu informações à empresa TRANSGÁS TRANSPORTE E COMÉRCIO DE GÁS LTDA. (fls. 1.191); Fl. 7896DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 18471.002175/200593 Acórdão n.º 1301001.754 S1C3T1 Fl. 7.888 39 resposta da empresa TRANSGÁS TRANSPORTE E COMÉRCIO DE GÁS LTDA. ao Termo de Intimação lavrado pela Fiscalização, na qual consta informação acerca do recebimento de descontos não consignados em nota fiscal (fls. 1.193/1.227); cópia do Termo de Intimação Fiscal, datado de 20 de junho de 2005, por meio da qual a Fiscalização requereu informações à empresa IMPERIAL COMÉRCIO E TRANSPORTE DE GÁS LTDA. (fls. 1.230); resposta da empresa IMPERIAL COMÉRCIO E TRANSPORTE DE GÁS LTDA. ao Termo de Intimação lavrado pela Fiscalização, na qual consta informação acerca do recebimento de descontos não consignados em nota fiscal (fls. 1.231/1.246); cópia do Termo de Intimação Fiscal, datado de 20 de junho de 2005, por meio da qual a Fiscalização requereu informações à empresa BIG TRIO COMÉRCIO DE GÁS, ESPORTE E LAZER LTDA. (fls. 1.250); cópia de planilhas apresentadas pela empresa BIG TRIO COMÉRCIO DE GÁS, ESPORTE E LAZER LTDA., em resposta ao Termo de Intimação lavrado pela Fiscalização, na qual consta informação acerca do recebimento de descontos (fls. 1.253/1.266); cópia do Termo de Intimação Fiscal, datado de 20 de junho de 2005, por meio da qual a Fiscalização requereu informações à empresa NITERGÁS REPRESENTAÇÕES LIMITADA (fls. 1.268); cópia de planilhas apresentadas pela empresa NITERGÁS REPRESENTAÇÕES LIMITADA, em resposta ao Termo de Intimação lavrado pela Fiscalização, na qual consta informação acerca do recebimento de descontos (fls. 1.270/1.295); cópia do Termo de Intimação Fiscal, datado de 20 de junho de 2005, por meio da qual a Fiscalização requereu informações à empresa PRÍNCIPE REAL COMÉRCIO DE GÁS LTDA. (fls. 1.297); cópia de planilhas apresentadas pela empresa PRÍNCIPE REAL COMÉRCIO DE GÁS LTDA., em resposta ao Termo de Intimação lavrado pela Fiscalização, na qual consta informação acerca do recebimento de descontos (fls. 1.299/1.316); cópia do Termo de Intimação Fiscal, datado de 20 de junho de 2005, por meio da qual a Fiscalização requereu informações à empresa JP VILA ROSÁRIO COMÉRCIO DE GÁS LTDA. (fls. 1.318); cópia de planilhas apresentadas pela empresa JP VILA ROSÁRIO COMÉRCIO DE GÁS LTDA., em resposta ao Termo de Intimação lavrado pela Fiscalização, na qual consta informação acerca do recebimento de descontos (fls. 1.320/1.329); cópia do Termo de Intimação Fiscal, datado de 20 de junho de 2005, por meio da qual a Fiscalização requereu informações à empresa DINO COMÉRCIO DE GLP LTDA. (fls. 1.331); cópia de planilhas apresentadas pela empresa DINO COMÉRCIO DE GLP LTDA., em resposta ao Termo de Intimação lavrado pela Fiscalização, na qual consta informação acerca do recebimento de descontos (fls. 1.334/1.341); Fl. 7897DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 18471.002175/200593 Acórdão n.º 1301001.754 S1C3T1 Fl. 7.889 40 cópia do Termo de Intimação Fiscal, datado de 20 de junho de 2005, por meio da qual a Fiscalização requereu informações à empresa RAL – COMÉRCIO DE GÁS LTDA. (fls. 1.343); cópia de planilhas apresentadas pela empresa RAL – COMÉRCIO DE GÁS LTDA., em resposta ao Termo de Intimação lavrado pela Fiscalização, na qual consta informação acerca do recebimento de descontos (fls. 1.345/1.369); planilha denominada LEVANTAMENTO “AMOSTRAGEM DOS DESCONTOS INCONDICIONAIS CONCEDIDOS – ANO 2000, na qual foram indicados quarenta e dois clientes beneficiados com descontos (fls. 1.501); planilha denominada MODELO DE DESCONTOS INCONDICIONAIS, contendo tipo, descrição e operacionalização do benefício (fls. 1.503); documentação relacionada aos descontos concedidos (fls. 1.506/5.472). Como foi relatado, após a apreciação inicial feita em primeira instância pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, da qual resultou o acórdão nº 11.438, de 17 de agosto de 2006, a parcela das exigências que foi mantida foi transferida para o processo administrativo nº 13603.001453/200618, que se encontra apenso ao presente. No referido processo, foi interposto Recurso Voluntário pela sucessora da fiscalizada (SHV GÁS BRASIL LTDA), em que, basicamente, foram apresentados os argumentos que já haviam sido expendidos na peça impugnatória e os declinados na peça recursal interposta contra a segunda decisão exarada em primeira instância (1235.731, de 15 de fevereiro de 2011, também da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro). Não obstante, ao Recurso Voluntário Primitivo, assim denominado pela ora Recorrente, foram juntados, entre outros, os seguintes documentos (processo administrativo nº 13603.001453/200618): relatório denominado DIAGNÓSTICO DE CONTROLES INTERNOS OPERACIONAIS DE DESCONTOS, EFETUADO NA SUPERGASBRÁS DISTRIBUIDORA DE GÁS S.A.; documento denominado PLANILHA DETALHADA POR EVENTO DOS DESCONTOS E PRÊMIOS CONCEDIDOS A REVENDEDORES NO ANO DE 2000; documento denominado DOCUMENTAÇÃO SUPORTE DE DESCONTOS E PRÊMIOS A REVENDEDORES – ANO BASE 2000; e Parecer Jurídico. Ainda que se possa identificar situações em que o cliente apontado pela Fiscalizada na planilha de fls. 109/157 afirme que não foi beneficiado com desconto ou prêmio, penso que a confirmação de outros tantos no sentido de que efetivamente receberam tais descontos, aliada à vasta documentação aportada ao processo pela Recorrente, contamina de incerteza a autuação, especialmente em razão do fato de que ela (a autuação) baseiase primordialmente na declaração de um número diminuto de supostos beneficiários, sem qualquer outro aprofundamento. Destaco, pois, que a insubsistência da autuação no que tange ao presente item decorre da incerteza da imputação feita pela autoridade fiscal, seja em razão do necessário aprofundamento que a matéria exigia, seja em virtude dos elementos colacionados autos, em sede de defesa, por parte da sucessora da autuada. Fl. 7898DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 18471.002175/200593 Acórdão n.º 1301001.754 S1C3T1 Fl. 7.890 41 Não obstante, deixo de acolher o argumento da Recorrente no sentido de que, diante da ausência de conteúdo ou objeto, deveria ser decretada a nulidade dos autos de infração. Isto porque, a meu ver, ainda que as declarações apresentadas por clientes da fiscalizada tenham representado para a autoridade autuante elemento essencial à glosa por ela efetuada, não se pode dizer, à luz da descrição dos fatos apresentada no Termo de Verificação e Constatação Fiscal, que a autuação baseouse exclusivamente nelas. É certo, porém, que os demais motivos apontados na peça acusatória (registro em linha imprópria na declaração de informações apresentada à Receita Federal; impossibilidade de identificação dos beneficiários por meio dos registros contábeis; registros contábeis amparados por documentos considerados não hábeis, impossibilitando a avaliação acerca da necessidade e da normalidade da renúncia de receita; e necessidade de os descontos incondicionais constarem da nota fiscal), conforme apreciação anterior, não concorrem, conjunta ou isoladamente, para a manutenção das exigências formalizadas. Nessa linha, não enxergo como desleal o fato de a autoridade fiscal não ter carreado ao processo as declarações de clientes da fiscalizada afirmando que receberam descontos no anocalendário de 2000, e nem mesmo como contrário às disposições do art. 9º do Decreto nº 70.235, de 1972, pois, nos exatos termos ali estampados, a exigência deve estar instruída “com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito”. É evidente que declarações de clientes afirmando que foram beneficiados com descontos não constituíam elemento de comprovação do ilícito, mas, para a autoridade fiscal, as outras declarações, conjugadas com os outros elementos por ela levantados, seriam suficientes à imputação da infração. Em conclusão, no que diz respeito aos valores cujos beneficiários foram devidamente identificados na planilha de fls. 110/157, penso que caberia à autoridade fiscal, por meio de amostra representativa dos valores contabilizados, demonstrar a total improcedência dos registros, ou, juntando robusta documentação, glosar aqueles para os quais restasse efetivamente comprovada a ausência da concessão do benefício. Conforme pronunciamento anterior, a simples anexação de alguns poucos depoimentos de clientes, desacompanhados de documentação complementar, assim como os elementos adicionais descritos no Termo de Verificação e Constatação Fiscal, a meu ver, não autorizam a Fiscalização concluir pela improcedência in totum das despesas, especialmente na circunstância em que a autuada aporta ao processo volumosa documentação comprovando, ainda que em parte, a efetiva concessão dos benefícios. INFRAÇÃO “i” As considerações acima esposadas dizem respeito aos valores glosados pela Fiscalização cujos beneficiários foram identificados na planilha de fls. 110/157. Como se viu, a Fiscalização promoveu ainda a glosa de despesas registradas a título de descontos e prêmios concedidos, no montante de R$ 10.456.629,58, em virtude da constatação de diferença, não justificada no curso da ação fiscal, entre o montante escriturado e o demonstrado por meio da referida planilha. A autoridade julgadora de primeira instância, relativamente a essa infração, excluiu de tributação o montante de R$ 8.602.817,73. Fl. 7899DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 18471.002175/200593 Acórdão n.º 1301001.754 S1C3T1 Fl. 7.891 42 O voto condutor da decisão de primeiro grau registra: [...] Quanto à diferença de 10.456.629,58, à época também objeto de glosa fiscal, a interessada, em sua impugnação, às fls. 962, protestou pela posterior juntada da documentação que, sendo certo que as explicações foram acostadas aos autos no recurso voluntário conduzido ao Egrégio CARF, conforme afirma o Laudo Pericial trazido pela interessada às fls. 5.736: "...Com relação ao montante glosado, conforme documentação acostada às fls. 21.232 a 21.261 do Conselho, o valor de R$ 5.038.280,03, integrante do montante total de R$ 10.456.629,58, havia sido originalmente lançado na conta 555.300 (descontos concedidos), a qual recebia lançamentos de descontos complementares nos casos em que o cadastro de descontos estava desatualizado, sendo nos meses subsequentes seu saldo transferido para a conta 333.200 (descontos concedidos)..." E assim por diante. No caso, como o CARF anulou o acórdão anteriormente proferido por esta Turma, e em face do princípio da Economia Processual, passo a analisar os documentos juntados pela interessada nos autos do processo, objetivando o deslinde do presente item da autuação, o qual também fora objeto da diligência deferida por esta Turma, bem como objeto de resposta constante no instrumento defensivo (laudo pericial) juntado pela interessada. Afirma a interessada que dos R$ 10.456.629,58, R$ 1.828.690,50 efetivamente, encontramse sem comprovação, aceitando, portanto, a autuação deste valor, o qual, portanto, fica excluído da presente lide. (GRIFEI) Quanto ao valor remanescente de R$ 8.627.939,08, alega a interessada que R$ 5.038.280,03, fora originalmente lançado na conta 555.300 (descontos concedidos) a qual recebia lançamentos de descontos complementares nos casos em que o cadastro de descontos estava desatualizado, sendo nos meses subsequentes seu saldo transferido para a conta 333.200 (descontos concedidos), concluindose que, ao final, estes valores também estavam inseridos nos valores relativos aos descontos concedidos (conta 333.200). Além disso, também foi justificando as diferenças através das fls. 5.736/5.738 dos presentes autos. Finalmente, quanto ao valor de R$ 25.121,35, entendo que, por se tratarem de descontos incondicionais e não terem sido juntados pela interessada os documentos relativos a este valor que deixou de constar na planilha acima citada, devem ser mantidos na presente demanda. (GRIFEI) Assim, revendo, mais uma vez, minha posição, verifico que o valor total de R$ 10.456.629,58 (à exceção dos R$ 25.121,35, a título de descontos incondicionais não comprovados) pode ou não caracterizarse dentro dos valores já tributados, no caso, os que se encontram nas contas 333.200 e 333.300, respectivamente nos valores R$ 64.816.510,13 e R$ 4.130.350,12. O Fisco, na verdade, durante o procedimento investigatório não localizou de fato quais os clientes que deixariam de constar nas planilhas de fls. 110/157, o que, neste caso, prejudica a exigência deste item da autuação. Assim, entendo que não deva ser objeto de exigência o valor de 8.602.817,73 (R$ 10.456.629,58 R$ 25.121,35 R$ 1.828.690,50, este fora da lide). (GRIFO DO ORIGINAL) Na impugnação, a ora Recorrente assinalou: A Diferença de R$ 10.456.629,58. Fl. 7900DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 18471.002175/200593 Acórdão n.º 1301001.754 S1C3T1 Fl. 7.892 43 4.9. Importa agora explicar a origem da R$ 10.456.629,58 (item 45 do TVCF, fls. 848) que, de fato, a IMPUGNANTE não conseguiu individualizar durante a fiscalização. 4.9.1. Para esclarecer o que se passou, a IMPUGNANTE recorda que as contas 333.150, 333.200 e 333.300, cujos saldos no ano de 2000 somaram de R$130.390.597,45, recebiam lançamentos originários de 5 módulos do sistema de processamento eletrônico de dados de sua escrituração comercial, denominados FTP (Faturamento), CRP (Contas a Receber), APP (Contas a Pagar), FGL (Contabilidade) e CBP (Caixa e Bancos), e assim se distribuíram: Módulo Origem 333150 333.200 333.300 Total Faturamento FTP 50.986.289,63 43.876.772,04 94.863.061,67 Contas a Receber CRP 1.026,88 20.960.983,65 4.130.350,12 25.092.360,65 Contabilidade FGL 25.090,14 1.813.334,65 6.052.808,36 7.891.233,15 Caixas e Bancos CBP (177,48) 1.143.510,92 193.339,35 1.336.672,79 Contas a Pagar APP 244.996,32 962.272.87 1.207.269,19 Total do balancete 51.012.229,17 68.039.597,58 11.338.770,70 130.390.597,45 Oriundo dos módulos: FTP e CRP 50.987.316,51 64.837.755,69 4.130.350,12 119.955.422,32 FGL, CBP e APP 24.912,66 3.201.841,89 7.208.420,58 10.435.175.13 Total do balancete 51.012.229,17 68.039.597,58 11.338.770,70 130.390.597,45 4.9.2. Os 2 primeiros (FTP e CRP) armazenavam em campos específicos dos seus registros os números de inscrição no CNPJ de cada cliente, o que permitiu identificálos automaticamente e preparar a planilha entregue à Fiscalização. 4.9.3. O mesmo não ocorria com relação aos demais, cuja identificação dos beneficiários constava apenas (i) dos documentos que deram origem aos lançamentos contábeis, os quais também discriminavam as operações a que se referiam, e (ii) das descrições dos lançamentos, o que não permitia o levantamento individual de forma automatizada. 4.9.4. Essas diferenças de origem devemse basicamente a três situações: a) erros na contabilização, que exigiam estornos; b) reclassificações contábeis decorrentes de utilização de contas transitórias em determinado momento; e c) pagamentos dos DESCONTOS aos clientes mediante cheques nominais ou depósitos nas respectivas contas bancárias, hipóteses em que, diferentemente do narrado no TVCF, as contrapartidas não acarretavam créditos na conta 113.100 — Contas a Receber de Clientes, mas eram lançadas em conta do passivo circulante, ou conta representativa de disponibilidade (Caixa ou Bancos). 4.9.5. Logo, para identificar cada um daqueles DESCONTOS há necessidade de (i) elaborar programas especiais de cruzamento de dados do sistema, de maneira ainda mais sofisticada do que a que a IMPUGNANTE precisou fazer para atender ao pedido especial da fiscalização, ou (ii) recorrer ao lançamento primário da operação, Fl. 7901DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 18471.002175/200593 Acórdão n.º 1301001.754 S1C3T1 Fl. 7.893 44 isto é, ao que originariamente ensejou sua entrada no sistema para, a partir do documento de suporte, identificar o beneficiário. 4.9.6. Essa última parte, estava em andamento quando o auto de infração foi lavrado, tendo a IMPUGNANTE logrado discriminar os beneficiários das quantias de R$ 244.996,32 e R$ 962.272,87, lançados a débito das contas 333.200 e 333.300, respectivamente, provenientes do módulo APP (Contas a Pagar), num total de R$ 1.207.269,19, conforme as planilhas em anexo (doc. 68). 4.9.7. Observese que todos esses valores foram pagos mediante cheques nominais ou créditos em conta bancária do cliente, como exemplifica o pagamento de R$ 25.908,62, referente a comissão pela venda de gás a condomínios paga por cheque contra a apresentação da correspondente nota fiscal (doc. 69) 1 , que nem propriamente DESCONTO seria, e as quantias de R$ 2.722,00, R$ 3.769,80, R$ 4.612,45, R$ 3.355,65, R$ 3.606,90, R$ 2.405,85, R$ 32.467,30, R$ 50.649,62, R$ 9.169,73, R$ 53.189,04, R$ 10.773,70, R$ 18.026,50, R$ 39.522,40, R$ 34.210,35, R$ 7.000,00 e R$ 38.025,00, todas debitadas nas contas bancárias da SUPERGASBRAS e creditadas nas contas bancárias dos clientes ou pagas com cheques nominais" (doc. 70). 4.9.8. O levantamento dos demais descontos compreendidos naquela diferença requer, como aqui assinalado, trabalho braçal de pesquisa em cada documento, o que está sendo providenciado, razão pela qual a IMPUGNANTE protesta pela juntada posterior desses elementos, sem prejuízo de, antes disso, V.Sas. decidirem pela improcedência dos lançamentos sobre o tema, em face dos demais argumentos expendidos nesta petição. No primeiro recurso voluntário apresentado pela Recorrente, restou assinalado: [...] A Documentação Suporte de Descontos, Abatimentos e Prêmios a Revendedores. [...] 4.17.2. Destarte, já que a confiabilidade dos sistemas e controles da SUPERGASBRAS e a fidedignidade dos seus lançamentos contábeis foram reconhecidas pela Price Waterhouse Coopers Auditores Independentes, que os auditou na ocasião e, agora, pela TERCO, a solução foi elaborar o relatório intitulado "Documentação Suporte de Descontos e Prêmios a Revendedores Ano Base 2000" (doravante referido apenas como RELATÓRIO doc. 32) e, ao contrário do que fez o autuante, com o lamentável beneplácito da instância de origem, realizar uma amostragem verdadeiramente representativa do universo dos DESCONTOS em questão. [...] 4.17.3.1.3. Para facilitar a compreensão sobre o momento em que ocorreu cada evento, seu registro contábil e/ou a emissão de documento, a RECORRENTE: 1 Em nota, a contribuinte informa: "a cópia do cheque microfilmada foi solicitada ao banco sacado e será apresentada em breve." Fl. 7902DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 18471.002175/200593 Acórdão n.º 1301001.754 S1C3T1 Fl. 7.894 45 a) numerou com algarismos romanos os documentos e informações relativos a cada etapa do processo tratandoos como Anexos, descrevendo o conteúdo de cada um nas páginas 12 e 13 do RELATÓRIO; b) organizou esses anexos em 13 (treze) Livros, um para cada estabelecimento de revendedor selecionado na forma dos subitens 4.17.3.1.1 e 4.17.3.1.2, podendo um Livro comporse de mais de um volume (docs. 33 a 92), de acordo com o índice da página 10 do RELATÓRIO (doc. 32); e c) utilizou o mesmo fluxograma encontrado no DIAGNÓSTICO, acrescentandolhe, em cada etapa, o número do Anexo ao RELATÓRIO em que se encontram os documentos de suporte que lhe diz respeito (páginas 2 e 3 do RELATÓRIO – doc. 32); 4.17.3.2. Além disso, na página 9 do RELATÓRIO, foram identificadas as origens dos valores que compõem o total de R$ 10.456.629,58, glosados por falta de identificação dos beneficiários, conforme, inclusive, havia sido feito no subitem 4.9 da Impugnação. (GRIFEI) 4.17.3.2.1. Vêse, então, que aquela quantia se decompunha de: a) R$ 5.038.280,03, originalmente lançados na conta 555.300 Descontos Concedidos, a qual, conforme explicado no subitem 4.16.3 acima, recebia os lançamentos de descontos complementares nos casos em que o cadastro de descontos estava desatualizado, sendo, no mês seguinte, seu saldo transferido para a conta 333.200; b) R$ 2.382.389,86, lançados, em contrapartida da conta 217.310 – Créditos Diversos Consumidores, do Passivo Circulante, para registrar somente prêmios de produtividade segundo o regime de competência, isto é, no momento em que o cliente cumpria as condições para fazer jus ao seu recebimento, cujo saldo era anulado por compensação contra Contas a Receber de Clientes, do Ativo Circulante, correspondente ao cliente, ou contra Bancos – Conta Movimento, quando o valor era pago aos clientes mediante cheques nominativos, conforme esclarecido no subitem 4.16.3 acima; c) R$ 1.207.269,19, lançados em contrapartida da conta 211.100 – Contas a Pagar, do Passivo Circulante, que possuía função equivalente à da conta 217.310, mas recebia descontos, abatimentos e prêmios que foram pagos aos clientes mediante créditos nas suas contas bancárias, ou cheques nominativos (vide subitem 4.9.6 da Impugnação); d) R$ 407.563,26, R$ 1.336.672,79 e R$ 21.454,45, cujos valores foram localizados em outros módulos dos sistemas da SUPERGASBRAS, mas a RECORRENTE não obteve êxito em identificar os beneficiários, motivo pelo qual procedeu ao recolhimento do IRPJ e da CSLL na forma dos DARFs anexo (doc. 93), como demonstração inconteste de sua boafé mas reservase o direito de requerer restituição caso no futuro consiga apurar os revendedores a que correspondem. 4.17.3.2.2. Quanto aos totais mencionados nas letras "a", "h" e "c" do subitem anterior, no entanto, parte dos seus beneficiários já havia sido identificada no subitem 4.9.6 da Impugnação e a RECORRENTE conseguiu agora identificar o restante. 4.17.3.2.3. Assim, para ampliar a amostragem que ora realiza além da documentação citada nos subitens 4.17.3.1.1 e 4.17.3.1.2, a RECORRENTE reuniu, Fl. 7903DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 18471.002175/200593 Acórdão n.º 1301001.754 S1C3T1 Fl. 7.895 46 no Livro 14 (doc. 94), que instrui o RELATÓRIO (doc. 32), detalhamento por beneficiário dos DESCONTOS que transitaram: a) pela conta 555.300, assim como esclarecimentos sobre os DESCONTOS lançados primitivamente nesta conta em favor dos revendedores selecionados de acordo com o critério descrito no subitem 4.17.3.1.1, mostrando sua correlação com as contas de DESCONTOS glosadas e provando os pagamentos de DESCONTOS efetuados a outros clientes, cujos montantes superaram, no ano de 2000, R$ 100 mil, conforme páginas 10/11 do RELATÓRIO (ANEXO A do Livro 14 doc. 94); b) idem pela conta 217.310 (ANEXO B do Livro 14 doc. 94); e c) idem pela conta 211.100 (ANEXO C do Livro 14 — doc. 94). 4.17.4. Ademais, em face do volume de papéis que integram cada Anexo ao RELATÓRIO e das sucessivas ações que unem encadeadamente o momento da concessão do DESCONTO ao momento da sua utilização por uma das formas aqui mencionadas, a RECORRENTE montou o Livro 15, com 3 (três) volumes (docs. 95 a 97), escolhendo uma espécie de operação para cada estabelecimento dos 8 (oito) revendedores selecionados. 4.17.4.1. Nele a RECORRENTE demonstra a seqüência dessas ações, bem como os documentos ou registros eletrônicos que lhes correspondem, de acordo com os esclarecimentos prestados na página 16 do RELATÓRIO (doc. 32) e nas planilhas que capeiam cada uma delas, de modo que, acompanhando passo a passo cada uma delas, V.Sas. conseguirão compreender o funcionamento das demais, cujos documentos foram anteriormente juntados. 4.17.5. Isto posto, se a necessidade, a usualidade e a normalidade dos DESCONTOS já estavam demonstradas cabalmente nestes autos, agora, a comprovação da efetiva ocorrência dessas despesas é também inconteste, inclusive no que se refere à parcela primitivamente não individualizada por beneficiário contestada neste Recurso, com exceção da parte sobre a qual a RECORRENTE pagou os tributos cobrados. No que tange ao presente item, penso não merecer reparo o decidido em primeira instância, eis que a exemplo do que foi observado em relação à infração “ii”, a exigência formalizada pela autoridade autuante carece de maior grau de aprofundamento, revelandose, pois, incerta. Diante da efetiva possibilidade de o montante explicado (R$ 8.602.817,73) estar inserido na matéria tributável correspondente à infração “ii”, cabem aqui as mesmas considerações feitas por ocasião da apreciação da referida infração. Não obstante, devem ser mantidos os valores de R$ 1.828.690,50 e R$ 25.121,35. O primeiro em razão de a própria Recorrente admitir que não logrou êxito na comprovação dos respectivos beneficiários, e o segundo em virtude de não ter sido trazido aos autos qualquer elemento capaz de demonstrar a procedência da sua dedutibilidade. ANTECIPAÇÃO INDEVIDA DE CUSTOS – ICMS SUBSTITUIÇÃO No que diz respeito ao montante de R$ 1.358.482,26, tributado como decorrente da antecipação indevida de custos em virtude da ausência de cômputo, no estoque Fl. 7904DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 18471.002175/200593 Acórdão n.º 1301001.754 S1C3T1 Fl. 7.896 47 final, do valor correspondente ao ICMS substituição tributária, o voto condutor da decisão exarada em primeira instância assinala: [...], analisando a questão mais profundamente, também após a realização da diligência, bem como através da juntada de novos documentos trazidos à colação, quando da apresentação do Recurso Voluntário ao CARF, verifiquei ter sido demonstrado pela interessada nos autos que, com relação ao ICMS, a Petrobrás (produtora) figura como contribuinte, lançando o ICMS relativo à venda efetuada à impugnante e, que, simultaneamente, como substituta tributária da impugnante (distribuidora) e de toda a cadeia posterior de revenda, até o consumidor final, podendo esta parcela ser complementada pela distribuidora ou parcialmente ressarcida à impugnante, tendo em vista o que dispõe a própria legislação de comercialização de GLP. O próprio fisco constatara que nos estoques finais de mercadorias para revenda, durante o ano de 2000, não estava incluído o ICMS substituição tributária (fls. 849 item 52 do Termo de Verificação Fiscal), sendo escriturado na conta ICMS a Recuperar (...). Este procedimento da fiscalizada, na ótica da apuração do resultado, segundo o entendimento fiscal, reduziria, indevidamente, o lucro do período, pois não seria observado o princípio da competência dos exercícios (...). A controvérsia, portanto, estabeleceuse a partir deste entendimento de manter no Ativo Circulante (ICMS a recuperar) os valores de ICMSST proporcionais a mercadorias em estoque, o que, “na ótica da apuração do resultado, reduz indevidamente o lucro do período”. Não obstante a nomenclatura utilizada pela interessada em sua escrituração, fato é que, o ICMS retido pela refinaria, proporcional as mercadorias em estoque, não era incorporado ao estoque, mas também não era lançado em conta de resultado, permanecendo em conta do Ativo Circulante, até a venda dos bens. Razoável, portanto, a argumentação da interessada no sentido de, no caso, imaginandose que se o ICMS ST devesse ser adicionado aos estoques finais, também as compras de mercadorias e os estoques iniciais do exercício deveriam estar acrescidos daquelas importâncias, o que, seguramente, ensejaria CMV muito superior ao apurado no auto de infração. Tal convencimento foi concretizado também em face do retorno dos autos após a diligência deferida por esta Turma Julgadora, onde o Fisco nada aduziu sobre os fatos indagados nos quesitos relativos à contabilização do ICMSST, repetindo o que já havia descrito no Termo de Verificação Fiscal (fls. 849/850), sem que houvesse de sua parte qualquer demonstração da forma pela qual esta contabilização do ICMSST majoraria o custo das mercadorias vendidas e representasse uma antecipação indevida de custos, infração por ele lançada no presente auto de infração. Assim sendo, diante da ausência da sustentação da tese fiscal da ocorrência de antecipação indevida de custo, bem como da demonstração pela interessada, por amostragem, da contabilização do ICMSST e seu reflexo no resultado do exercício, entendo, neste ponto, pela improcedência da infração. É certo que, tratandose de ICMS submetido à substituição tributária, não possuindo ele, para o substituído, caráter de recuperabilidade, a sua contabilização deveria ser feita na conta de estoque por ocasião da aquisição da mercadoria. Fl. 7905DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 18471.002175/200593 Acórdão n.º 1301001.754 S1C3T1 Fl. 7.897 48 Contudo, no caso vertente, não verifico o efeito referenciado pela autoridade autuante, sendo correta, a meu ver, a decisão de primeira instância no sentido de desonerar a Recorrente do crédito tributário correspondente ao presente item. Com efeito, indagada acerca da diferença entre o valor total de faturamento apurado nos arquivos em meio magnético contendo as notas fiscais de venda e o declarado a título receita da revenda de mercadorias (Linha 07 da Ficha 06 A da DIPJ/2000) por parte da SUPERGASBRÁS, a Recorrente apresentou os esclarecimentos de fls. 794/797, informando, inicialmente, que a diferença corresponderia à parcela do ICMS Substituição Tributária reembolsado pelo revendedor no momento da venda. A autoridade autuante, ao invés de aprofundar as suas averiguações em relação ao tratamento contábil e fiscal dispensado ao então denominado “reembolso de imposto”, decidiu imputar à fiscalizada uma postergação do pagamento do imposto em decorrência de uma suposta subavaliação de estoques, em virtude da ausência de cômputo, nos referidos estoques, do ICMS substituição tributária. Na linha do sustentado pela Recorrente na peça impugnatória e acolhido pela Turma Julgadora de primeiro grau, analisandose a questão unicamente pela imputação feita pela autoridade autuante, se, no caso, os estoques iniciais e as compras também não foram influenciados pelo ICMS substituição tributária, o efeito vislumbrado pela Fiscalização inocorre, descabendo falar, assim, em postergação do pagamento do imposto. ARQUIVOS MAGNÉTICOS Aprecio primeiramente a penalidade no montante de R$ 8.552.529,33, correspondente à multa pelo atraso na apresentação dos arquivos magnéticos da SUPERGASBRÁS relativos ao ano de 2000. A Turma Julgadora de primeiro grau, no caso, pronunciouse pelo cancelamento da exigência. O voto condutor da decisão de primeira instância consigna: [...] b) Da cominação à interessada da multa regulamentar, em razão do atraso na apresentação dos arquivos magnéticos pela SUPERGASBRÁS (incorporada pela interessada) para o ano de 2000 Verificase, de plano, que a primeira intimação realizada pelo fisco foi em 18/11/2004 (fls. 42), onde em anexo também enviou à interessada os documentos de fls. 43/59 (descrição das regras de formatação e preenchimento dos citados arquivos). Pois bem. Notese que neste período a SUPERGASBRÁS (MPF n° 07.1.90.002004016810 fls. 3) não havia ainda sido incorporada pela SHV GÁS BRASIL LTDA. (MPF n° 06.1.10.002005002159 fls. 1). O fisco tomou como termo final da contagem do prazo para a apresentação dos arquivos magnéticos da SUPERGASBRÁS (ano 2000) o dia 25/04/2005, quando a interessada apresentara dois "cd" relativos ao ano de 2000, mesmo que as tivesse corrigido e apresentado posteriormente, já com as correções, os arquivos Fl. 7906DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 18471.002175/200593 Acórdão n.º 1301001.754 S1C3T1 Fl. 7.898 49 solicitados (em 06/07/2005). E considerou como termo inicial para a contagem do prazo de aplicação da multa capitulada em epígrafe, a data da primeira intimação (18/11/2004). Entretanto, alguns fatos marcaram a conduta da interessada em relação à entrega deste material, sendo vejamos: 1. Em 18.11.2004, a fiscalização intimou a SUPERGASBRÁS a apresentar arquivos magnéticos do ano de 2000, na forma da IN/SRF n° 68/95 e da Portaria COFIS n° 13/95, "validados com o programa sinco" (fls. 42 a 47 e 48 a 59); 2. Após, alegara a IMPUGNANTE que o programa Sinco, adquirido no site da SRF e cuja aplicação era exigida naquele ato, não validava arquivos magnéticos gerados de acordo com a IN/SRF n° 68/95 e a Portaria COFIS n° 13/95, termos das duas intimações então efetuadas pelo fisco, prestandose somente para validar arquivos de notas fiscais e lançamentos contábeis gerados em conformidade com a IN/SRF n° 86/2001 e o ADE COFIS n° 15/2001; 3. Verificase que, posteriormente, em 09/06/2005 (fls. 86), o fisco intimou a IMPUGNANTE apresentar os arquivos suscetíveis de validação pelo Sinco (conforme IN SRF 86/2001 e ADE COFIS 15/2001); 4. Pelo exame dos autos, a IMPUGNANTE apresentou ao fisco, em 25.04.2005, os arquivos magnéticos mencionados anteriormente, que os recebeu (fls. 74); 5. E foi a partir desta data que o fisco encerrou a contagem do prazo para atendimento da intimação, prazo esse que teve início com as intimações realizadas em 18/11/2004. Diante de tais fatos, entendo que a interessada, no que inquirida, não se quedou inerte. Desde a primeira intimação relatou dificuldades quanto à migração de seus dados servientes ao registro de negócios e atividades financeiras, escrituração de livros ou elaboração de documentos de natureza contábil ou fiscal – e assim mantidos sob arquivos e sistemas informatizados – para o formato prefigurado pelo ADE COFIS n° 15/2001 e conseqüente geração do arquivo devidamente validado, o qual, ao final, deveria ser transmitido via internet. Assim, cumpre enfatizar que as duas primeiras intimações realizadas para que a interessada apresentasse os arquivos magnéticos sob a formatação calcada em legislação anterior, os quais não eram validados pelo sistema Sinco (de 2004), não poderiam prevalecer como início da contagem do prazo para apresentação de tais arquivos. E, se é assim, não é propriamente o caso de se dizer que houve atraso, eis que o próprio fisco à época aceitou a documentação apresentada e não nega que a interessada cumprira a obrigação neste sentido, sendo que o prazo de apresentação computado pelo fisco tinha sido, até mesmo, anterior àquele o qual havia sido emitida a intimação para a apresentação dos mesmos conforme a legislação regencial. Daí, a incompatibilidade entre a multa aplicada (que supõe atraso) e os fatos descritos pelo contribuinte e emanado através da compulsão dos autos (que evidenciam dificuldades por parte do contribuinte). Dificuldade esta que também foi entendida pelo fisco. Daí a razão pela qual entendo que não deva ser cominada a respectiva penalidade no caso. Fl. 7907DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 18471.002175/200593 Acórdão n.º 1301001.754 S1C3T1 Fl. 7.899 50 Assim, inaplicável se toma a penalidade no valor de R$ 8.552.529,33 e, por tal razão deve ser julgada improcedente. O que as peças processuais retratam é que a SUPERGASBRÁS foi intimada em 18 de novembro de 2004 a apresentar, no prazo de vinte dias, os arquivos magnéticos relativos ao período de 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2000 (fls. 42 e 48). Nas intimações foi assinalado que os arquivos deveriam ser apresentados na forma da IN/SRF nº 68/95 e da Portaria Cofis nº 13/95, devendo ser validados com o programa SINCO, a ser adquirido no sítio da Receita Federal na INTERNET. Em sua impugnação, a ora Recorrente esclareceu que o pedido feito pela Fiscalização continha uma contradição que inviabilizava o seu atendimento, visto que o referido PROGRAMA SINCO não validava arquivos magnéticos gerados de acordo com os atos normativos referenciados nas intimações (IN/SRF nº 68/95 e Portaria Cofis nº 13/95), prestandose apenas para validar arquivos de notas fiscais e lançamentos contábeis gerados em conformidade com a IN/SRF nº 86/2001 e do ADE COFIS nº 15/2001. Aditou a então impugnante que a autoridade fiscal foi alertada acerca desse fato, e, depois de um certo tempo, solicitou que somente os arquivos suscetíveis de validação pelo programa SINCO lhe fossem entregues no formato estabelecido pela IN/SRF nº 86/2001 e pelo ADE COFIS nº 15/2001, o que foi feito em 25 de abril de 2005, data considerada pela Fiscalização como a correspondente ao atendimento por parte da contribuinte. Reputo relevante, ainda, os seguintes argumentos, trazidos em sede de impugnação: i) entre 18/11/2004 e 03/03/2005, nada foi requerido da fiscalizada; ii) em 03/03/2005, por meio da intimação de fls. 62, a contribuinte foi instada a apresentar, no prazo de dez dias, os documentos comprobatórios dos lançamentos efetuados nas contas contábeis 333.150 Descontos Comerciais, 333.200 Descontos Concedidos e 333.300 Prêmio Produtividade, sem atentar para o fato de que ela, a contribuinte, operava com quarenta e seis filiais em todo o país, emitindo milhares de notas fiscais por dia, o que tornava impossível o atendimento do solicitado no prazo estabelecido; iii) a Fiscalização também requereu a apresentação, no prazo de vinte dias, de PLANILHA ESPECIAL impressa, discriminando, por beneficiário, cada desconto ou prêmio concedido, a data da concessão, o lançamento correspondente no Diário, o valor e em que fatura e em que nota fiscal de venda ele estava alocado, o que demandou desenvolvimento especial de mais programas e sistemas de processamento de dados, diferentes dos mencionados na Portaria Cofis nº 13/95 e no ADE COFIS nº 15/2001; iv) a contribuinte entregou os arquivos magnéticos na forma acertada com a autoridade fiscal (formato estabelecido pela IN/SRF nº 86/2001 e pelo ADE COFIS nº 15/2001), embora nos termos do parágrafo primeiro do art. 3º da referida Instrução Normativa, tratandose de arquivos relativos a operações do ano de 2000, não estivesse obrigada a fazêlo. Os elementos acima mencionados servem para contextualizar a ação fiscal empreendida e, especificamente em relação à penalidade aplicada pelo atraso na apresentação de arquivos magnéticos, revelam a procedência da exoneração feita em primeira instância, eis que, de fato, resta demonstrado que a contribuinte reuniu esforços para atender a Fiscalização, não se mostrando indiferente às intimações formalizadas, mas, sim, trazendo questionamentos e esclarecimentos acerca dos pedidos formalizados, de modo a viabilizar o atendimento. Fl. 7908DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 18471.002175/200593 Acórdão n.º 1301001.754 S1C3T1 Fl. 7.900 51 No que tange ao montante de R$ 102.243.468,66, lançado a título de penalidade em virtude da falta de apresentação dos arquivos magnéticos das empresas incorporadas S&M ENGARRAFADORA DE GÁS LTDA, relativamente aos anoscalendário de 2000 a 2004; SUPERGASBRÁS DISTRIBUIDORA DE GÁS LTDA., relativamente aos anoscalendário de 2001 a 2004; e da incorporadora, SHV GÁS BRASIL LTDA, relativamente aos anoscalendário de 2000 a 2004, resta assinalado no Termo de Verificação Fiscal: IV Arquivos em meio magnético. ... 56. Em relação aos arquivos em meio magnético referentes às operações comerciais de SHV GAS BRASIL LTDA., CNPJ 19.791.896/000100, e das incorporadas SUPERGASBRAS Distribuidora de Gás LTDA., CNPJ 42.420.653/000170, e de S & M Engarrafadora de Gás LTDA, CNPJ 02.101.421/000134, durante os anoscalendário de 2000 a 2004 (exceto os da SUPERGASBRAS Distribuidora de Gás LTDA., CNPJ 42.420.653/000170, quanto ao anocalendário de 2000, itens 53 a 55 supra), em 01/09/2005, a fiscalizada foi intimada a apresentálos, com prazo de 20 (vinte) dias, e reintimada em 06/10/2005, nos mesmos termos. Sendo já transcorridos 76 (setenta e seis) dias e não tendo os referidos arquivos sido apresentados até a presente data, cabe a aplicação de multa equivalente a dois centésimos por cento, por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período, até o máximo de um por cento dessa, nos termos do artigo 12 da Lei n° 8.218/91, com a redação dada pelo artigo 72 da Medida Provisória n° 2.15835/2001. 57. Em relação à incorporada S & M Engarrafadora de Gás LIDA., CNPJ 02.101.421/000134, as receitas brutas apresentadas na Linha 07 da Ficha 06 A das DIPJ relativas aos anoscalendário de 2000 a 2004 (fls. 830 a 834) foram de: anocalendário receita bruta multa (1%) 2000 5.807.497,95 58.074,97 2001 7.414.535,74 74.145,35 2002 9.005.105,43 90.051,05 2003 9.748.611,90 97.486,11 2004 10.504.083,27 105.040,83 TOTAL 424.798,31 58. Em relação à incorporada SUPERGASBRAS Distribuidora de Gás LTDA., CNPJ 42.420.653/09.0170, as receitas brutas apresentadas na Linha 07 da Ficha 06 A das DIPJ relativas aos anoscalendário de 2001 a 2004 (fls. 835 a 840) foram de: anocalendário receita bruta multa (1%) 2001 995.576.340,33 9.955.763,40 2002 1.325.506.898,71 13.255.068,98 2003 1.592.371.080,71 15.923.710,80 Fl. 7909DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 18471.002175/200593 Acórdão n.º 1301001.754 S1C3T1 Fl. 7.901 52 2004 1.631.708.307,49 16.317.083,07 TOTAL 55.451.626,25 59. Em relação à incorporadora SHV GÁS BRASIL LTDA., CNPJ 19.791.896/000100, as receitas brutas apresentadas nas Linhas 07 e 08 da Ficha 06 A das DIPJ relativas aos anoscalendário de 2000 a 2004 (fls. 825 a 829) foram de: anocalendário receita bruta multa (1%) 2000 553.851.733,58 5.538.517,33 2001 675.898.216,03 6.758.982,16 2002 947.459.499,27 9.474.594,99 2003 1.185.105.459,88 11.851.054,59 2004 1.274.389.503,71 12.743.895,03 TOTAL 46.367.044,10 TOTAL GERAL (424.798,31 + 55.451.626,25 + 46.367.044,10) 102.243.468,66 A autoridade julgadora de primeira instância, pronunciandose pela manutenção da penalidade, registrou: [...] a) Arquivos Magnéticos relativos à SHV e S&M de 2000 a 2004 e SUPERGASBRAS de 2001 a 2004 Em sua defesa, a interessada alega a invalidade do auto de infração, eis que impõe multa por falta de apresentação de arquivos magnéticos não só sua mas também de suas incorporadas, relativamente aos anos de 2000 e 2001, com base na IN SRF n° 86/2001 e o ADE COFIS n° 15/2001, enquanto que seria correto embasar suas pretensões sob o pálio da IN SRF nº 68/1995, bem como na Portaria COFIS n° 13/1995. Pois bem. Diante desta argumentação, algumas considerações devem ser tecidas. Segundo dita o próprio RIR/1999, artigo 265, "in verbis": Art. 265. As pessoas jurídicas que, de acordo com o balanço encerrado no período de apuração imediatamente anterior, possuírem patrimônio líquido superior a um milhão seiscentos e trinta e três mil, setenta e dois reais e quarenta e quatro centavos e utilizarem sistema de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal ficarão obrigadas a manter, em meio magnético ou assemelhado, a disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos e sistemas durante o prazo de cinco anos (Lei n° 8.218, de 1991, artigo 11 e Par. 1º', Lei n° 8.383, de 1991, artigo 3°, inciso II e Lei n° 9.249, de 1995, artigo 30). Portanto, cumpre enfatizar que, até 27/07/2001, a obrigatoriedade de manter à disposição da RFB os arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto Fl. 7910DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 18471.002175/200593 Acórdão n.º 1301001.754 S1C3T1 Fl. 7.902 53 na legislação tributária, somente alcançava as pessoas jurídicas que utilizassem sistema de processamento eletrônico de dados para registrar seus negócios, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil e cujo patrimônio liquido, de acordo com o balanço encerrado em relação ao períodobase imediatamente anterior fosse superior a R$ 1.633.072,44. E, após 28/07/2001, todas as pessoas jurídicas que utilizassem sistema de processamento eletrônico, exceção das optantes pela sistemática do Simples, estariam adstritas a respectiva exigência acessória. Neste sentido, independentemente da Instrução Normativa ou da forma do arquivo magnético estabelecida pela COFIS, vale dizer que as empresas (tanto a interessada como suas incorporadas) possuíam a obrigação de manter à disposição da RFB pelo prazo decadencial os respectivos arquivos magnéticos relativos a sua escrituração, contabilidade e seus negócios. O fato em apreço, cumpre ressaltar, é divergente do âmago da matéria em evidência ora autuada, ou seja, a exigência estabelecida pelo fisco acerca do cumprimento das obrigações acessórias pela interessada, a qual também estaria adstrita em função da legislação tributária regencial, é que também está sendo objeto de verificação, não sendo objeto de cobrança de multa de oficio, a qual tem absoluta vinculação com a apuração do valor tributável apurado de oficio. Tal penalidade possui fato gerador especifico para que seja aplicada ao contribuinte. E é justamente este fato (apresentação dos arquivos magnéticos) é que deve ser apreciado na presente demanda. A opção, no caso estabelecido pela citada Instrução Normativa, diz respeito a forma do arquivo magnético e não à obrigatoriedade de possuílo e tampouco acerca da sua não apresentação. Assim, não assiste razão à interessada quando a mesma afirma, na sua peça de defesa, que o ato normativo deixava a critério do contribuinte possuir ou não os arquivos magnéticos, fato este que não se pode admitir. Tal dispositivo é de simples compreensão: os arquivos magnéticos, anteriores a 01/01/2002, poderiam ser apresentados pelo contribuinte já conforme as novas bases estabelecidas pela COFIS ou através da forma estabelecida pela COFIS em ato declaratório anterior. No caso, a penalidade cominada à interessada foi justamente pelo fato de não ter havido, por parte da mesma a apresentação de tais arquivos magnéticos, cuja obrigação era dela e de suas incorporadas possuir. E isto não se discute. Deveriam ter sido apresentadas à fiscalização dentro do prazo previsto na norma os arquivos em questão. O fato gerador da multa imposta foi o próprio descumprimento do prazo estabelecido para apresentação dos arquivos e sistemas solicitados e ocorre exatamente no momento do inadimplemento da referida prestação. Registrese, ainda, que a referida hipótese de aplicação da penalidade permaneceu inalterada, mesmo quando a Lei n° 8.218/1991 foi modificada por meio da MP n° 2.15835/2001. Ora, se o descumprimento do prazo estabelecido para apresentação dos arquivos magnéticos é o fato gerador da penalidade pecuniária, aplicase à correspondente exigência a legislação vigente à época em que ocorrera o inadimplemento da obrigação acessória a que a interessada e suas incorporadas estariam adstritas. Fl. 7911DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 18471.002175/200593 Acórdão n.º 1301001.754 S1C3T1 Fl. 7.903 54 Assim, entendo que deva ser mantida a aplicação da multa regulamentar em face da não apresentação dos arquivos magnéticos, obrigação acessória esta expressamente contemplada na legislação tributária reguladora da matéria desde 1991, não se podendo admitir que a interessada, após justamente passar por um processo de incorporação com mais duas empresas, não possua, à mão, informações acerca da escrituração contábil e fiscal tanto sua como das incorporadas, justamente com o objetivo de verificar a saúde empresarial das mesmas. Não poderia ser novidade a solicitação pelo fisco dos respectivos arquivos. Se a interessada já escriturava suas informações através de processamento eletrônico, tinha obrigação legal de durante o prazo decadencial possuir tais arquivos e apresentálos ao fisco sem qualquer demora ou atraso tão logo requisitado. Quanto à alegação de infringência ao disposto no artigo 150 do CTN (anterioridade e irretroatividade das leis), tendo em vista que, ao valer para aplicação de tributos, da mesma forma deverá ser aplicado às multas relativas aos tributos, como já foi dito, esta multa está calcada no descumprimento de obrigações acessórias e não ligada a qualquer tributo não recolhido, o que também não haveria previsão, segundo entendo, no mesmo artigo 150 citado. Ademais, ao final da citada MP (215835, de 2001), mais precisamente no artigo 92, foi estabelecido que sua entrada em vigor seria na data da respectiva publicação, ou seja, valeria, sim, para o anocalendário de 2001. Nestas condições, deixando de acolher as razões trazidas pela interessada em sua impugnação, bem como as arguições de infringência aos princípios da irretroatividade e da anterioridade das leis, no caso destas multas, mantenho a aplicação da penalidade regulamentar no valor de R$ 102.243.468,66. A ação fiscal tratada nos presentes autos foi autorizada por meio do Mandado de Procedimento Fiscal nº 07.1.90.002004016810 (fls. 03), datado de 10 de agosto de 2004, tendo por objeto a auditoria das operações realizadas pela pessoa jurídica SUPERGASBRÁS DISTRIBUIDORA DE GÁS LTDA no ano calendário de 2000. Em atendimento à intimação formalizada em 11 de julho de 2005, fls. 158, a pessoa jurídica SHV GÁS BRASIL LTDA noticia que, conforme Alteração do Contrato Social realizada em 03 de janeiro de 2005, registrada na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais em 22 de fevereiro de 2005 e na do Estado do Rio de Janeiro em 09 de março de 2005, a pessoa jurídica SUPERGASBRÁS DISTRIBUIDORA DE GÁS LTDA foi por ela incorporada. Em virtude de tal fato, em 1º de setembro de 2005, a Fiscalização, autorizada pelo Mandado de Procedimento Fiscal nº 06.1.10.002005002159 (fls. 01) formalizou intimação à SHV GÁS BRASIL LTDA nos seguintes termos (fls. 160): Nas funções de Auditor Fiscal da Receita Federal, em cumprimento ao RPF 2005002159, intimamos o contribuinte acima identificado a apresentar, no prazo de 20 (vinte) dias a contar da data de ciência do presente termo, os arquivos eletrônicos e documentos, abaixo relacionados, tendo como escopo as operações comerciais realizadas pela SHV GAS BRASIL LTDA., CNPJ 19.791.896/000100, e pelas incorporadas SUPERGASBRAS DISTRIBUIDORA DE GÁS LTDA, CNPJ 42.420.653/000170, e S&M ENGARRAFADORA DE GÁS LTDA., CNPJ 02.101.421/000134, na forma do disposto nos artigos 265, 266 e 927 do Decreto n° 3.000, de 26/03/99, e nos artigos 11 e 12 da Lei n° 8.218, de 29 de agosto de 1991, com a redação dada pela Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, Fl. 7912DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 18471.002175/200593 Acórdão n.º 1301001.754 S1C3T1 Fl. 7.904 55 com regulamentação pela Instrução Normativa do Secretário da Receita Federal n° 86, de 22 de outubro de 2001 e pelo Ato Declaratório Executivo n° 15, de 23 de outubro de 2001. Os arquivos e documentos solicitados são os abaixo discriminados e se referem ao período de 01/01/2000 a 31/12/2004, ressalvado, quanto à incorporada SUPERGASBRAS DISTRIBUIDORA DE GÁS LTDA, CNPJ 42.420.653/000170, o período de 01/01/2000 a 31/12/2000, já entregue. Arquivos: Arquivo de Lançamentos Contábeis e Arquivo de Saldos Mensais (Itens 4.1.1 e 4.1.2); Arquivo de Fornecedores/Clientes (Item 4.2.1); Arquivos de Documentos Fiscais (liens 4.3.1, 4.3.2, 4.3.3, 4.3.4, 4.3.5, 4.3.6, 4.3.7); Arquivos de Comércio Exterior (Itens 4.4.1 e 4.4.2); Arquivos de Controle de Estoque e Registro de Inventário (Itens 4.5.1 e 4.5.2); Arquivo de Relação Insumo/Produto (Item 4.6.1); Arquivo de Controle Patrimonial (Item 4.7.1); Arquivos Auxiliares (Itens 4.9.1, 4.9.2, 4.9.3, 4.9.4, 4.9.5, 4.9.6). (GRIFOS DO ORIGINAL) Em 06 de outubro de 2005, a autoridade fiscal lavrou Termo de Reintimação de Fiscalização, fls. 177, renovando o pedido de apresentação dos arquivos magnéticos. Em virtude tais intimações, a SHV GÁS BRASIL LTDA solicitou prorrogação de prazo por cento e cinqüenta dias para apresentar os referidos arquivos, ocasião em que trouxe as seguintes justificativas (fls. 179): Esclarecemos que a partir de novembro de 2002, a empresa optou por centralizar seus sistemas em um Datacenter, unificando suas bases de dados. Durante essa unificação, somente os dados vigentes foram migrados. Os demais dados foram preservados nas suas bases descentralizadas, que foram guardadas e desativadas. Para que possamos gerar as informações solicitadas. A fim de atendêlas na sua totalidade, precisaremos reativar cada uma das bases históricas. O tempo estimado para realização desse trabalho é de 3 dias por base dados, incluindo as tarefas de preparação da infraestrutura tecnológica, restauração dos backups, configuração do ambiente, processamento e exportação dos arquivos. Devido a limitações técnicas, esse trabalho precisará ser realizado base a base, ou seja, 3 dias para cada uma da 45 bases, além uma margem de segurança de mais 15 dias para de eventuais problemas, totalizando assim 150 dias úteis. Não identifico nos autos pronunciamento da autoridade fiscal acerca do pedido de prorrogação de prazo formalizado pela sucessora da fiscalizada. Por entender que a penalidade aqui tratada encontra sua justificativa nos prejuízos que podem advir para o Fisco em razão do atraso ou falta de apresentação de arquivos magnéticos, eis que a inobservância desse dever acessório pode inviabilizar a própria a ação fiscalizadora (no caso da falta de apresentação) ou fazer com que ela, a ação fiscal, seja comprometida em razão da exigüidade de tempo para a sua realização (no caso de atraso na apresentação dos referidos arquivos magnéticos), foi apresentada proposição, acolhida pela Turma Julgadora, no sentido de que o julgamento fosse convertido em diligência para que a unidade de origem prestasse esclarecimentos complementares que permitissem aferir a regularidade do procedimento levado a efeito contra a sucessora da SUPERGASBRÁS (SHV GÁS BRASIL LTDA), relativamente às obrigações próprias e às da sucedida S&M Fl. 7913DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 18471.002175/200593 Acórdão n.º 1301001.754 S1C3T1 Fl. 7.905 56 ENGARRAFADORA, e mais, que possibilitasse detectar eventuais prejuízos à Administração Tributária decorrentes do inadimplemento da obrigação. Nesse sentido, foram requisitadas à unidade administrativa de origem as seguintes informações: a) esclarecesse se o Mandado de Procedimento Fiscal de fls. 01, emitido em 24 de agosto de 2005, em nome de SHV GÁS BRASIL LTDA, decorreu única e exclusivamente do fato de a empresa SUPERGASBRÁS DISTRIBUIDORA DE GÁS S/A ter sido incorporada no curso da ação fiscal autorizada pelo Mandado de Procedimento Fiscal nº 07.1.90.002004016810 (fls. 03) ou de programação específica; b) no caso de programação específica para a empresa SHV GÁS BRASIL LTDA, anexasse cópia do Registro de Procedimento Fiscal e do Relatório de Programação correspondente, nos quais teriam sido descritos os elementos motivadores da instauração do procedimento; c) caso tivesse havido programação específica para instauração de procedimento fiscal em relação à empresa S&M ENGARRAFADORA DE GÁS LTDA, anexasse, da mesma forma, cópia do Registro de Procedimento Fiscal e do Relatório de Programação correspondente, nos quais tinham sido descritos os elementos motivadores da instauração do procedimento; d) anexasse o documento que autorizou a extensão do procedimento de fiscalização para os anos calendário de 2001, 2002, 2003 e 2004 para as empresas incorporadas (SUPERGASBRÁS DISTRIBUIDORA DE GÁS LTDA e S&M ENGARRAFADORA DE GÁS LTDA) e para a incorporadora (SHV GÁS BRASIL LTDA); e e) informasse se em razão da autorização porventura concedida e cuja documentação estava sendo solicitada (letra “d” acima) haviam sido promovidos lançamentos tributários relativos aos anos calendário de 2001, 2002, 2003 e 2004 para as empresas SUPERGASBRÁS DISTRIBUIDORA DE GÁS LTDA, S&M ENGARRAFADORA DE GÁS LTDA e SHV GÁS BRASIL LTDA., indicando, se fosse o caso, os números dos respectivos processos administrativos. No que tange ao Mandado de Procedimento Fiscal nº 06.1.10.002005 002159 14, fls. 01 dos autos, é importante registrar que ele não reflete alteração do escopo da Fiscalização, eis que nele permanece como objeto de auditoria o período de janeiro a dezembro de 2000 e, em resposta a questionamento feito por meio da Resolução nº 1301000.148 desta 1ª Turma de Julgamento, o responsável pela diligência fiscal informou: Em relação aos questionamentos anteriores, esclarecemos que a emissão do MPF 06.1.10.002005002159 (REGIONAL), em 24/08/2005, cientificado o contribuinte em 01/09/2005, decorreu única e exclusivamente do fato de a empresa SUPERGASBRÁS DISTRIBUIDORA DE GÁS S/A ter sido incorporada no curso da ação fiscal autorizada pelo Mandado de Procedimento Fiscal nº 07.1.90.002004016810. Depreendo, pois, de tal pronunciamento, que a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal nº 06.1.10.002005002159, de caráter REGIONAL haja vista o domicílio fiscal da pessoa jurídica incorporadora, objetivou, apenas, tornar regular o prosseguimento de fiscalização em face do desaparecimento, por incorporação, da Fl. 7914DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 18471.002175/200593 Acórdão n.º 1301001.754 S1C3T1 Fl. 7.906 57 SUPERGASBRÁS, e permitir que o procedimento em referência, que tinha por objeto as operações realizadas pela referida SUPERGASBRÁS no ano calendário de 2000, pudesse continuar sendo realizado por agente fiscal de jurisdição distinta da sucessora. Relativamente à pessoa jurídica S&M ENGARRAFADORA DE GÁS LTDA, contra a qual também foi aplicada penalidade pela falta de apresentação de arquivos magnéticos, a resposta da autoridade responsável pela diligência foi de que não houve programação específica de ação fiscal e que, desde 03 de janeiro de 2005, ela encontravase “baixada” do Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas. Tomando por base as demais informações trazidas pela INFORMAÇÃO FISCAL juntada aos autos pela autoridade diligenciante, verifico que: a) as intimações dirigidas à SHV GÁS BRASIL LTDA requisitando os arquivos magnéticos dela e da empresa sucedida S&M ENGARRAFADORA do período de 2000 a 2004, tiveram por suporte a autorização emanada do Mandado de Procedimento Fiscal nº 06.1.10.002005002159, que, como já visto, só faz referência ao ano de 2000 e, como a própria informação fiscal trazida pelo responsável pela diligência assinala “decorreu única e exclusivamente do fato de a empresa SUPERGASBRÁS DISTRIBUIDORA DE GÁS S/A ter sido incorporada no curso da ação fiscal autorizada pelo Mandado de Procedimento Fiscal nº 07.1.90.002004016810”; b) a partir da informação acima reproduzida e dos demais elementos reunidos ao processo, resta evidenciado que não houve programação específica para a deflagração de procedimento fiscal em relação às pessoas jurídicas S&M ENGARRAFADORA DE GÁS LTDA e SHV GÁS BRASIL LTDA; c) indagada acerca do documento que autorizou a extensão do procedimento de fiscalização para os anos calendário de 2001, 2002, 2003 e 2004 para as empresas incorporadas (SUPERGASBRÁS DISTRIBUIDORA DE GÁS LTDA e S&M ENGARRAFADORA DE GÁS LTDA) e para a incorporadora (SHV GÁS BRASIL LTDA, a autoridade responsável pela diligência informa que a autorização em questão está representada pelo reiteradamente referenciado Mandado de Procedimento Fiscal nº 06.1.10.00200500215 9, que, como já repetidamente afirmado, não foi emitido, segundo o próprio diligenciante, com esse objetivo, mas, sim, visando apenas possibilitar o prosseguimento da ação fiscal na SUPERGASBRÁS; e d) no que diz respeito ao pedido para que fosse informado se haviam sido promovidos lançamentos tributários relativos aos anos calendário de 2001, 2002, 2003 e 2004 para as empresas SUPERGASBRÁS DISTRIBUIDORA DE GÁS LTDA, S&M ENGARRAFADORA DE GÁS LTDA e SHV GÁS BRASIL LTDA., a INFORMAÇÃO FISCAL assinala que, com suporte no Mandado de Procedimento Fiscal nº 06.1.10.002005 002159, foi promovido lançamento de ofício em relação aos fatos ocorridos nos anos calendário de 2001, 2002, 2003 e 2004, lançamento esse formalizado por meio do processo administrativo nº 18471.001563/200638. Relativamente ao processo nº 18471.001563/200638, embora não tenha sido possível acessar os autos correspondentes, a análise do acórdão nº 10196.922 (sessão de 18 de setembro de 2008), disponível no sítio do CARF na INTERNET, possibilita extrair as seguintes informações: Fl. 7915DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 18471.002175/200593 Acórdão n.º 1301001.754 S1C3T1 Fl. 7.907 58 a) embora o lançamento tributário que constitui o seu objeto tenha alcançado os anos de 2001 a 2004, ele diz respeito às operações realizadas pela SUPERGASBRÁS, ou seja, considerada a informação trazida pela diligência requisitada, nenhuma ação fiscal foi instaurada contra as operações próprias da S&M ENGARRAFADORA DE GÁS LTDA e da SHV GÁS BRASIL LTDA; b) excluídas as penalidades ora apreciadas, as imputações feitas pela Fiscalização foram exatamente as mesmas que encontramse descritas no presente processo (falta de comprovação de despesas registradas a título de DESCONTOS COMERCIAIS, DESCONTOS CONCEDIDOS e PRÊMIO PRODUTIVIDADE, e antecipação indevida de custos decorrente da ausência de cômputo, no estoque final, do valor correspondente ao ICMS substituição tributária); c) por unanimidade de votos, a Primeira Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes julgou improcedente as exigências formalizadas, dando integral provimento ao recurso; e d) diante da ausência de registro acerca da interposição de recurso especial e do fato de que o citado processo encontrase arquivado, podese afirmar que a decisão de segunda instância nele prolatada não foi reformada. Poderseia até afirmar que a ausência de formalização de exigência em relação à S&M ENGARRAFADORA DE GÁS LTDA e à SHV GÁS BRASIL LTDA decorreu exatamente da falta de apresentação dos arquivos magnéticos, sendo esse o substancial prejuízo do Fisco capaz de servir de lastro para a aplicação da penalidade, contudo, penso que os elementos reunidos ao presente processo, analisados em seu conjunto, não militam a favor de tal tese, especialmente porque, não obstante as complementações de informações requisitadas por meio da Resolução nº 1.301000.148, não existe nos autos nenhuma indicação de ter havido programação específica de instauração de procedimento de fiscalização em relação às empresas S&M ENGARRAFADORA DE GÁS LTDA e SHV GÁS BRASIL LTDA, e, além disso, não existe também nos autos instrumento autorizador para a instauração de procedimento em relação aos anos de 2001, 2002, 2003 e 2004 para as pessoas jurídicas S&M ENGARRAFADORA DE GÁS LTDA e SHV GÁS BRASIL LTDA. No que tange especificamente à autorização para proceder auditoria em relação às operações dos anos de 2001, 2002, 2003 e 2004, tanto das empresas sucedidas, como da sucessora, alinhome ao entendimento manso e pacífico desta Corte administrativa de que o Mandado de Procedimento Fiscal representa mero instrumento de controle interno, de modo que eventual irregularidade na sua emissão não é capaz de, por si só, afastar a exigência formalizada pela autoridade fiscal competente. Entretanto, no item sob apreciação, em que se discute a pertinência da imposição de penalidade decorrente da falta de elemento essencial à realização do próprio procedimento fiscalizatório, penso que deve restar incontestavelmente retratado nos autos que a autoridade tributária planejou a ação fiscal e não a realizou (ou a realizou de forma não satisfatória) exatamente em razão do descumprimento do dever acessório por parte da contribuinte. Aqui, como visto, as peças processuais não conduzem a essa conclusão, mas, sim, a de que, a partir do conhecimento do evento sucessório, a autoridade responsável pelo procedimento na empresa sucedida simplesmente decidiu, por moto próprio, estender a ação fiscalizadora à sucessora (SHV) e à outra sucedida (S&M), exigindo apresentação de arquivos magnéticos. Fl. 7916DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 18471.002175/200593 Acórdão n.º 1301001.754 S1C3T1 Fl. 7.908 59 Não é demais notar que a sucessora SHV GÁS BRASIL LTDA, ao menos à época da ocorrência dos fatos, tinha domicílio fiscal em jurisdição distinta da do agente fiscal responsável pelo procedimento na sucedida SUPERGASBRÁS, de modo que na eventualidade de se decidir por uma completa auditoria de suas operações, circunstância em que a apresentação dos arquivos magnéticos seria crucial, a ação fiscalizadora correspondente deveria ser realizada por agentes fiscais em exercício em unidade administrativa do domicílio da SHV, não se justificando, a princípio, que procedimento tão extenso, afinal envolveria operações relativas a cinco anos, fosse desenvolvido por meio da emissão do denominado MPF REGIONAL. Repiso: apesar de não ter sido possível acessar as peças do processo administrativo nº 18471.001563/200638, os dados contidos no acórdão nº 10196.922 são bastante esclarecedores. Os fragmentos do Termo de Verificação e Constatação Fiscal reproduzidos no corpo do Relatório do citado acórdão, deixam fora de dúvida que, muito embora o agente fiscal tenha requisitado os arquivos magnéticos da sucessora SHV e da sucedida S&M ENGARRAFADORA, não houve qualquer alteração do escopo original da fiscalização, qual seja, submeter à auditoria as operações realizadas pela SUPERGASBRÁS. O item 6 da peça recursal trazida pela SHV aborda as penalidades impostas pela Fiscalização em virtude da ausência de apresentação dos arquivos magnéticos. Nele, a Recorrente traz considerações acerca dos seguintes temas: procedência do cancelamento promovido em primeira instância; histórico da ação fiscal; extrapolação dos limites da ação fiscal por parte do agente autuante; pedido de prorrogação de prazo para apresentação dos arquivos solicitados; subordinação da atuação do agente fiscal ao estabelecido no MPF; ausência de outorga à Fiscalização para auditar com profundidade fato relativo a outra empresa que não fosse a SUPERGASBRAS, nem outro tributo que não o IRPJ e nem outro período de apuração que não fosse o de 2000; ausência de finalidade ou motivação das intimações formalizadas para exigir os dados eletrônicos; violação às disposições do art. 2º da Lei nº 9.784/99 (inciso VI); ausência de competência do agente fiscal para exigir os arquivos magnéticos; nulidade do auto de infração; desvio de finalidade do ato praticado; impossibilidade de a Fiscalização exigir arquivos magnéticos relativos ao ano de 2000 e 2001, na forma da IN/SRF nº 86/2001 e do ADE COFIS nº 15/2001; ausência de atraso ou falta na entrega dos arquivos em meio magnético; nulidade da decisão de primeira instância; violação aos princípios da anterioridade e da irretroatividade, com relação aos arquivos dos anos de 2000 e 2001; e caráter confiscatório da multa aplicada. Observo que os argumentos trazidos em sede de recurso são, essencialmente, dirigidos no sentido de demonstrar a improcedência da penalidade aplicada em virtude da falta de apresentação dos arquivos magnéticos da SHV, relativamente às suas operações próprias, e da S&M, sucedida. Penso que, relativamente às penalidades aplicadas pela falta de apresentação dos arquivos magnéticos correspondentes às operações próprias da ora Recorrente e da sucedida S&M ENGARRAFADORA DE GÁS LTDA, as razões de defesa devem ser acolhidas, eis que, de fato, não identifico elementos capazes de criar a convicção de que as ações fiscais correspondentes estavam inseridas no planejamento levado a efeito na SUPERGASBRAS. Em tal circunstância, a aplicação da penalidade revelase absolutamente injustificada, vez que não se pode admitir dano a um procedimento que não se pretendia executar. Fl. 7917DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 18471.002175/200593 Acórdão n.º 1301001.754 S1C3T1 Fl. 7.909 60 No que diz respeito especificamente aos arquivos magnéticos da SUPERGASBRÁS, contudo, penso diferente. Os elementos carreados ao processo, conjugados com as informações constantes do acórdão nº 10196.922, deixam fora de dúvida que, não obstante a expedição de Mandado de Procedimento Fiscal em nome da SHV e do registro do período de 01/01 a 31/12/2000, a ação fiscalizadora tinha por objetivo auditar única e exclusivamente as operações realizadas pela SUPERGASBRÁS, primeiramente em relação ao ano de 2000, e, depois, em relação aos anos de 2001, 2002, 2003 e 2004. Nos já referenciados fragmentos do Termo de Verificação e Constatação Fiscal reproduzidos no corpo do Relatório do acórdão acima mencionado, resta induvidoso o prosseguimento da ação fiscal em relação aos anos subseqüentes no que diz respeito às operações da SUPERGASBRÁS. A título meramente ilustrativo, transcrevo as seguintes passagens: Em 13/06/2005, a fiscalizada foi intimada a apresentar planilha com o total de descontos e prêmios concedidos, por beneficiários, durante os anos de 2001 a 2004; Á reiniimação ocorrera em 14/03/2006; Em 03/04/2006, a fiscalizada apresentou planilhas com o total dos descontos e prêmios concedidos, por beneficiários, durante os anos de 2001 a 2004; ... Em 29/06/2006, a fiscalizada apresentou cópias de declarações emitidas pelos clientes Príncipe Real; JP Vila Rosário e Nitergás Representações Ltda., nas quais afirmam terem recebido os descontos e prêmios por ela concedidos e as cópias dos balancetes de encerramento dos anoscalendário de 2001 a 2004; Ainda, no mesmo dia, a fiscalizada reafirmou que nos estoques finais, nos períodos de apuração de 2001 a 2004, não estava incluído o ICMS substituição tributária, estando escriturado na conta/ICMS a recuperar e que, por adotar na avaliação do estoque final o método do custo médio ponderado, não seria possível vincular as notas fiscais de entrada com o estoque final apurado; (GRIFEI) O consignado no primeiro dos fragmentos acima reproduzidos, desqualifica até certo ponto a alegação da Recorrente de que, “mesmo após a emissão do novo, exceção feita às extravagantes intimações para apresentação de arquivos magnéticos da SUPERGASBRAS, relativos aos anos de 2001 a 2004, e da RECORRRENTE e da S&M, relativos aos anos de 2000 a 2005, continuou demandando unicamente informações referentes à SUPERGASBRAS, ao IRPJ e ao ano de 2000, ...”, pois ali consta a informação de que, em 13/06/2005, isto é, antes mesmo da emissão do MPF nº 06.1.10.002005002159, a contribuinte SUPERGASBRAS já havia sido intimada a apresentar documentos relativos ao período de 2001 a 2004. Embora, de fato, não se identifique nos autos pronunciamento da autoridade fiscal acerca do pedido de prorrogação de prazo para apresentação dos arquivos magnéticos, não se pode admitir que esse silêncio representou deferimento por parte da autoridade Fl. 7918DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 18471.002175/200593 Acórdão n.º 1301001.754 S1C3T1 Fl. 7.910 61 requisitante. No caso, caberia à fiscalizada buscar o pronunciamento da autoridade responsável pelo procedimento acerca do referido pedido. O fato de o Mandado de Procedimento Fiscal não fazer alusão à extensão da ação fiscalizadora, eis que emitido fazendo referência apenas ao ano calendário de 2000, traduz, na circunstância em que resta evidenciada a efetiva ampliação do procedimento, tão somente erro de natureza meramente formal, não tendo o condão assim de tornar nula a intimação formalizada pela Fiscalização, única circunstância que, a meu ver, poderia concorrer para a insubsistência da penalidade aplicada relativamente à falta de apresentação dos arquivos magnéticos da SUPERGASBRAS do período de 2001 a 2004. Diferentemente das circunstâncias que envolveram a aplicação da penalidade pela falta de apresentação dos arquivos próprios da SHV e da S&M, em que a alusão às deficiências do Mandado de Procedimento Fiscal representou elemento aditivo à formação da convicção acerca da improcedência da aplicação da penalidade, aqui, os elementos reunidos ao processo espelham a efetiva intenção da Administração Tributária de estender o procedimento fiscalizatório além do ano de 2000, de modo que a simples supressão do registro disso no instrumento em referência não pode dar azo à pretensão da Recorrente de tornar nula a intimação formalizada pela Fiscalização. A ampliação do procedimento resta evidenciada pelas intimações encaminhadas à Recorrente solicitando dados e documentos relativos ao período de 2001 a 2004 e, principalmente, pela autuação objeto do processo administrativo nº 18471.001563/200638. Cumpre destacar que a exigência formalizada pela autoridade fiscal, muito embora possa refletir dificuldades diversas face a complexidade dos arquivos envolvidos e, até mesmo, dubiedade em relação aos termos dos atos normativos que a disciplinam, não pode simplesmente ser objeto de um simples pedido de prorrogação de prazo, prorrogação essa, como visto, tida como deferida em razão do silêncio do agente fiscal. Penso que em relação especificamente à SUPERGASBRAS, em que pese a insubsistência da penalidade relativa ao ano calendário de 2000, a apresentação fora do prazo dos arquivos magnéticos requisitados e a falta da disponibilização deles, relativamente ao período de 2001 a 2004, trouxe graves prejuízos ao desenvolvimento da ação fiscalizadora, não se podendo olvidar que o atendimento às intimações poderia fazer emergir realidades absolutamente distintas das retratadas nas peças acusatórias, seja no presente processo, seja no relativo ao período de 2001 a 2004 (processo nº 18471.001563/200638). A meu ver, equivocase a Recorrente quando sustenta que a Fiscalização não poderia exigir arquivos magnéticos do ano de 2001 na forma da IN/SRF nº 86/2001 e do ADE COFIS nº 15/2001, visto que a faculdade trazida pelo parágrafo 1º do artigo 3º da citada instrução normativa, além de confirmar que as disposições trazidas pelo ato normativo são aplicáveis a arquivos digitais anteriores a 1º de janeiro de 2002, não autoriza a não apresentação dos referidos arquivos. Não resta dúvida de que, consoante o disposto no parágrafo 1º do artigo 3º da IN/SRF nº 86/2001, a Recorrente não estava obrigada a apresentar os arquivos na forma ali estabelecida, porém, isso não significa dizer que ela não precisaria apresentar arquivo algum e, muito menos, que a intimação formalizada em 2005, tomando por base um ato de 2001 que oferece ao contribuinte uma opção na forma de apresentação de arquivos digitais, não é valida. Fl. 7919DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 18471.002175/200593 Acórdão n.º 1301001.754 S1C3T1 Fl. 7.911 62 A Recorrente afirma que o agente fiscal não quis receber os arquivos digitais em forma distinta da estabelecida na IN/SRF nº 86/2001 e no ADE COFIS nº 15/2001, contudo, não comprova tal assertiva. A Recorrente também afirma que o agente fiscal não demonstrou interesse em relação aos arquivos magnéticos contendo os dados das operações da SUPERGASBRAS dos anos de 2001 a 2004. Diz que referidos arquivos, inclusive, ficaram à disposição da autoridade fiscal, tendo sido anexados aos presentes autos, em outubro de 2006, quando da interposição do recurso voluntário primitivo. Os argumentos acima, ao contrário do pretendido pela Recorrente, concorrem ainda mais para demonstrar o prejuízo provocado à Administração Tributária em razão do atraso ou da falta de apresentação dos arquivos magnéticos, tornando, assim, consistente a penalidade aplicada pela autoridade fiscal, pois, se em razão do atraso ou da falta dos referidos arquivos, a Fiscalização viuse obrigada a intimar a fiscalizada a produzir planilhas especiais, resta patente que inúmeras outras operações, que poderiam ser objeto de verificação, sequer foram analisadas. Pelo que é possível depreender dos argumentos da Recorrente, a comprovação de que os arquivos encontravamse à disposição da Fiscalização está representado pelo fato de eles, os arquivos, terem sido anexados ao recurso voluntário primitivo, apresentado em outubro de 2006. Ora, se os arquivos foram requisitados em 1º de setembro de 2005 (fls. 160), ainda que houvesse pronunciamento expresso da autoridade requisitante deferindo a prorrogação do prazo para a sua apresentação em cento e cinqüenta dias, eles deveriam ter sido entregues à autoridade fiscal, no máximo, no início de fevereiro de 2006, e não ser anexado em outubro de 2006 à peça recursal inicialmente apresentada. Nesse particular, inclusive, considerada a ementa reproduzida, revelase inaplicável o acórdão nº 10706.979 referenciado pela Recorrente, vez que não estamos diante de apresentação de arquivos magnéticos no prazo prorrogado. Rejeito a alegação de que o ato decisório de primeiro grau revelase nulo em virtude do fato de não ter feito menção a argumentos trazidos em sede de impugnação, eis que, na esteira da jurisprudência mansa e pacífica do Superior Tribunal de Justiça, não nega a prestação jurisdicional, o acórdão que, mesmo sem ter examinado individualmente cada um dos argumentos trazidos em sede de defesa, adota, entretanto, fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. Ademais, ao consignar que, “se a interessada já escriturava suas informações através de processamento eletrônico, tinha obrigação legal de durante o prazo decadencial possuir tais arquivos e apresentálos ao fisco, sem qualquer demora ou atraso, tão logo requisitado”, o acórdão atacado rejeita peremptoriamente a concessão de prorrogação de prazo para atendimento da requisição da Fiscalização, cabendo ressaltar que, relativamente aos argumentos tidos como não apreciados em primeira instância, as alegações acerca do pedido de prorrogação do prazo representam a sua maior parte. Penso que não merece acolhimento também o argumento da Recorrente de que, na aplicação da multa relativa aos arquivos dos anos de 2000 e de 2001, a autoridade autuante, ao servirse como suporte das disposições do inciso III do art. 12 da Lei nº 8.218, de 1991 com a redação dada pelo art. 72 da MP nº 2.15834/2001, violou os princípios da irretroatividade e da anterioridade das leis. Fl. 7920DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 18471.002175/200593 Acórdão n.º 1301001.754 S1C3T1 Fl. 7.912 63 A Recorrente, com o intuito de buscar abrigo nos citados princípios constitucionais, descreve o fato gerador da penalidade como se ele tivesse ocorrido em 2000 e em 2001, quando, na verdade, o fato em referência, refletido em uma conduta ilícita, ocorreu no momento em que a autoridade a intimou a apresentar os arquivos, isto é, 2005. Não resta dúvida que a multa aplicada, tratandose de pessoa jurídica do porte da então fiscalizada (SUPERGASBRAS), assume proporções extremamente gravosas. Entretanto, o julgador administrativo, como é cediço, não detém competência para afastar a sua aplicação por entender que o montante lançado tem natureza confiscatória. Cabe ele, apenas, certificarse que a conduta apontada na peça de autuação amoldase ao tipo descrito na norma que prevê a sanção. Nessa linha, merece referência a súmula CARF nº 2, de adoção obrigatória pelos membros do Colegiado. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em resumo, as alegações da Recorrente, especificamente no que diz respeito à falta de apresentação dos arquivos digitais da SUPERGASBRAS do período de 2001 a 2004, limitase a sustentar ter havido deferimento tácito da autoridade fiscal do seu pedido de prorrogação de prazo, o que, convenhamos, não pode servir de fundamento para o cancelamento da penalidade. MULTA DE OFÍCIO Argumenta a Recorrente que o acórdão recorrido incorreu em engano ao manter a multa de 75% e a penalidade pela falta de apresentação dos arquivos magnéticos da SUPERGASBRAS e da S&M, vez que inobservou as disposições do art. 132 do CTN, que impede a transmissão de responsabilidade por penalidades ao sucessor. Observo, de imediato, que a própria Recorrente afirma que a SUPERGASBRAS era sua controlada (impugnação, fls. 969 do processo), de modo que estamos diante de pessoas jurídicas que, antes da reorganização societária, compunham o mesmo Grupo Econômico. Aplicável, pois, o disposto na súmula CARF nº 47, abaixo reproduzida. Súmula CARF nº 47: Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. Ainda que assim não fosse, cabe destacar que o Superior Tribunal de Justiça vem, reiteradamente, entendendo que os arts. 132 e 133 do Código Tributário Nacional impõem ao sucessor a responsabilidade integral, tanto pelos eventuais tributos devidos quanto pela multa decorrente, seja ela de caráter moratório ou punitivo, conforme transcrições abaixo. AgRg no REsp 1452763 / SP AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2014/01061841 Relator: Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES Data do Julgamento: 10/06/2014 (DJe 17/06/2014) Fl. 7921DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 18471.002175/200593 Acórdão n.º 1301001.754 S1C3T1 Fl. 7.913 64 PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. SUCESSÃO EMPRESARIAL (INCORPORAÇÃO). RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO SUCESSOR. PRECEDENTES. 1. "Os arts. 132 e 133 do CTN impõem ao sucessor a responsabilidade integral, tanto pelos eventuais tributos devidos quanto pela multa decorrente, seja ela de caráter moratório ou punitivo" (Resp 670.224/RJ, 1ª Turma, Rel. Min. José Delgado, DJ de 13.12.2004). No caso, considerando que o fato gerador foi praticado pela pessoa jurídica sucedida, inexiste irregularidade na "simples substituição da incorporada pela incorporadora", como bem observou o Tribunal de origem. Nesse sentido: REsp 613.605/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 22.8.2005; REsp 1.085.071/SP, 1ª Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe de 8.6.2009. 2. Agravo regimental não provido. REsp 1237108 / SC RECURSO ESPECIAL 2011/00296601 Relator: Ministro CASTRO MEIRA Data do Julgamento: 05/09/2013 (DJe 12/09/2013) ... 4. Cuidandose de sucessão empresarial, permanece a responsabilidade pelo pagamento, também, das respectivas multas fiscais. Precedentes. EDcl no REsp 923012 / MG EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL 2007/00314980 Relator: Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO Data do Julgamento: 10/04/2013 (DJe 24/04/2013) ... 4. Tanto o tributo quanto as multas a ele associadas pelo descumprimento da obrigação principal fazem parte do patrimônio (direitos e obrigações) da empresa incorporada que se transfere ao incorporador, de modo que não pode ser cingida a sua cobrança, até porque a sociedade incorporada deixa de ostentar personalidade jurídica. 5. O que importa é a identificação do momento da ocorrência do fato gerador, que faz surgir a obrigação tributária, e do ato ou fato originador da sucessão, sendo desinfluente, como restou assentado no aresto embargado, que esse crédito já esteja formalizado por meio de lançamento tributário, que apenas o materializa. Na mesma linha, entendo que a expressão “créditos tributários”, contida no art. 129 do Código Tributário Nacional, alcança tanto os tributos como as multas porventura lançadas. E mais, consoante disposição contida no próprio artigo 129 do Código Tributário Nacional, o disposto naquela seção, que trata especificamente da RESPONSABILIDADE DOS Fl. 7922DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 18471.002175/200593 Acórdão n.º 1301001.754 S1C3T1 Fl. 7.914 65 SUCESSORES, aplicase, por igual, aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. Noutro sentido, tomando por empréstimo as lições de Gelson Amaro de Souza (Responsabilidade Tributária e Legitimidade Passiva na Execução Fiscal, 2ª ed.,rev., atual. e amp. – Ribeirão Preto, SP : Nacional de Direito Livraria e Editora, 2001), cabe lembrar que existe um princípio universal de direito consistente em que ninguém pode transferir mais direito do que tem. Amoldandose tal princípio à questão em apreço, temos que, se o sucedido tinha um determinado patrimônio, o saldo desse patrimônio deve corresponder à subtração do passivo frente ao ativo. Assim, seria uma incoerência se o Código Tributário Nacional fizesse exclusão de parcela do crédito tributário nos casos de sucessão, pois, seguindo ainda a linha de raciocínio do autor em referência, com a qual concordo, quem sucede, substitui o sucedido em seu patrimônio, e, se houvesse alguma exclusão de parte da responsabilidade, corresponderia a admitir que o sucedido transferiu mais direito do que tinha, circunstância que, em Direito, não se admite. O autor citado traz ainda a seguinte manifestação, verbis: O responsável por sucessão responde pelas obrigações tributárias deixadas pelo sucedido em toda sua extensão, sem exclusão alguma. O legislador, ao disciplinar a matéria da sucessão em seus arts. 131 a 133, especificamente, não fez nenhuma exclusão, como o fez para os casos do art. 134, do mesmo CTN. O parágrafo único do art. 134 exclui as responsabilidades em relação às multas de caráter pecuniário. Mas essa exclusão se restringe única e exclusivamente aos casos do art. 134 e não se aplica em hipóteses outras, que não as ali tratadas. Arrematando, entendo que a multa de ofício aplicada pela autoridade fiscal por infração praticada pelo contribuinte à lei tributária não possui caráter de pessoalidade, típica das penas criminais, mas ostenta caráter econômico e integra o passivo patrimonial das pessoas jurídicas, sendo, assim, transferível para o sucessor, da mesma forma que os demais elementos do passivo. Diante das considerações aqui expostas, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao RECURSO DE OFÍCIO e dar PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO VOLUNTÁRIO para: a) excluir de tributação o montante de R$ 58.949.683,13, correspondente a glosa de despesas referentes a descontos e prêmios de produtividade, mantendo a tributação sobre o valor de R$ 1.853.811,85 (R$ 1.828.690,50, em virtude da ausência de contestação, e R$ 25.121,25, em razão da falta de comprovação); b) exonerar a Recorrente do pagamento da multa aplicada em decorrência da falta de apresentação de arquivos digitais no montante de R$ 46.791.842,41, relativos às operações próprias da sucessora SHV GÁS BRASIL LTDA. e da sucedida S&M ENGARRAFADORA DE GÁS, mantendo, tão somente, o valor de R$ 55.451.626,25, representativo da multa aplicada em razão da ausência de apresentação dos arquivos magnéticos do período de 2001 a 2004 da pessoa jurídica SUPERGASBRAS DISTRIBUIDORA DE GÁS LTDA. “documento assinado digitalmente” Fl. 7923DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 18471.002175/200593 Acórdão n.º 1301001.754 S1C3T1 Fl. 7.915 66 Wilson Fernandes Guimarães – Relator Fl. 7924DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES
score : 1.0
Numero do processo: 10166.004020/2005-33
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jun 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2002
OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL. CONDIÇÃO VEDADA. IMPOSSIBILIDADE.
Não pode optar pelo Simples a pessoa jurídica que incorre em uma ou mais das vedações à opção.
Numero da decisão: 1801-002.331
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Leonardo Mendonça Marques, Neudson Cavalcante Albuquerque, Joselaine Boeira Zatorre, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2002 OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL. CONDIÇÃO VEDADA. IMPOSSIBILIDADE. Não pode optar pelo Simples a pessoa jurídica que incorre em uma ou mais das vedações à opção.
turma_s : Primeira Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jun 10 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10166.004020/2005-33
anomes_publicacao_s : 201506
conteudo_id_s : 5474808
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 10 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1801-002.331
nome_arquivo_s : Decisao_10166004020200533.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : ROGERIO APARECIDO GIL
nome_arquivo_pdf_s : 10166004020200533_5474808.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich - Presidente. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Leonardo Mendonça Marques, Neudson Cavalcante Albuquerque, Joselaine Boeira Zatorre, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
id : 5963752
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:41:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047890140594176
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1550; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 2 1 1 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.004020/200533 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1801002.331 – 1ª Turma Especial Sessão de 24 de março de 2015 Matéria Simples Nacional Recorrente REI DAS ESQUADRIAS MATERIAIS PARA CONSTRUÇÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2002 OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL. CONDIÇÃO VEDADA. IMPOSSIBILIDADE. Não pode optar pelo Simples a pessoa jurídica que incorre em uma ou mais das vedações à opção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Leonardo Mendonça Marques, Neudson Cavalcante Albuquerque, Joselaine Boeira Zatorre, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 40 20 /2 00 5- 33 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 10/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2015 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 09/06/201 5 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRIC H 2 A Recorrente foi excluída do Simples, desde o dia 01/01/2003, pelo fato de que sócio da empresa participa de outra empresas, com mais de 10% e a receita bruta global no ano calendário de 2002 ultrapassou o limite legal. CPF 693.421.13168 e CNPJ 02.983.408/000156 (Ato Declaratório Executivo DRF/BSA nr. 496828, de 02/08/2004, fl. 20). Observase nos sistemas CNPJ (fl.09) e SINAL 01 (fis.11 a 15) que a Recorrente apresentou Declarações Anuais Simplificadas, até o ano calendário 2005, e efetuou recolhimentos com o código de receita 6106 (SIMPLES), até 11/04/2005. Optando posteriormente pela forma de tributação do Lucro Presumido. A empresa era optante do Simples desde 06/12/1999 e foi excluída por ter sócia, CPF 693.421.13168, KÁTIA MAIA LIMP PEGORAGO, com mais de 10% do capital social que participa de outra empresa no ano calendário 2002, ultrapassando o limite legal (fl. 06) (evento 311) com efeitos em 01/01/2003. A exclusão do Simples foi efetuada em 17/05/2005 e seus efeitos retroagiram a 01/01/2003 (fls. 17/21). A empresa demonstrou a intenção de aderir a sistemática do SIMPLES, até o ano calendário de 2004, pois apresentou Declarações Anuais Simplificadas, e efetuou recolhimentos com o código de receita 6106 (Simples). Entretanto, dispõe o art. 9°, inciso IX, da Lei n° 9.317, de 05/12/1996 e no art. 41, 20, inciso IX, da Instrução Normativa SRF n° 608, de 09/01/2006: Art. 9° Não poderá optar pelo Simples, a pessoa jurídica: IX cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, optante pelo Simples ou não, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso lido art. 22, observado o disposto no art. 32; A redação dada ao art. 2°, inciso II, da Lei n° 9.317, de 05/12/1996 pela Lei n° 9.732, de 11/12/1998, que vigorou até o ano de 2006 quando teve sua redação alterada pela Lei n° 11.196, de 2005, considerava Empresa de Pequeno Porte: "Art. 2° Para os fins do disposto nesta Lei, considerase: II empresa de pequeno porte, a pessoa jurídica que tenha auferido, no anocalendário,receita bruta superior a R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais) e igual ou inferior a R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais) (Redação dada pela Lei n°9.732, de 11.12.1992) II empresa de pequeno porte a pessoa jurídica que tenha auferido, no anocalendário, receita bruta superior a R$ 240.000,00 (duzentos e quarenta mil reais) e igual ou inferior a R$ 2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil reais). (Redação dada pela Lei n°11.196, de 2005)" Apesar de ser vedada a opção pelo SIMPLES de pessoa jurídica que possua sócio com mais de 10% de outras empresas, desde que a soma da receita bruta ultrapasse, até o ano calendário de 2005, R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais) e a partir de 2006 mais de R$ 2.400.00,00 (dois milhões e quatrocentos mil reais). Pode se observar que a sócia da empresa, CPF 693.421.13168, KÁTIA MAIA LIMP PEGORAGO, também é sócia com Fl. 82DF CARF MF Impresso em 10/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2015 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 09/06/201 5 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRIC H Processo nº 10166.004020/200533 Acórdão n.º 1801002.331 S1TE01 Fl. 3 3 mais de 10% de outras empresas, conforme quadros demonstrativos de fl. 39 , onde constam também as respectivas receitas brutas. Tais quadros, elaborados pela DRF, evidenciam que a Recorrente incorreu em situação de vedação pois os somatórios das receitas brutas nos anos calendários de interesse para o processo atingiram os limites estabelecidos pelo art. 2°, II, da Lei n° 9.317, de 05/12/1996. Cabe ressaltar que as outras receitas brutas de outras participações societárias não foram objeto de análise mais aprofundada, por não interferirem diretamente na análise do processo. A Recorrente alega que, apesar de ter desrespeitado o art. 9°., inciso IX da Lei 9.317/96, não seria juridicamente possível que a exclusão do sistema SIMPLES, tenha efeitos retroativos. Argumenta que, o art. 15, inciso II, da Lei 9.317/96, do mesmo diploma legal, estabelece que "a pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas". Concluiu que somente a partir do mês seguinte ao que se procedeu a exclusão, ocorrida em 02 de agosto de 2004, quando retomouse o recolhimento nos moldes da legislação geral, é que deveria surtir os efeitos da exclusão. Citou julgados na tentativa de demonstrar que os efeitos da exclusão não podem retroagir a 31/12/2002. Requereu o acolhimento do Recurso Voluntário para que seja determinado o cancelamento do referido ato administrativo, sob a alegação de que não cabe cobrança retroativa. Não requereu provimento ao recurso. É o relatório Voto Conselheiro ROGÉRIO APARECIDO GIL Presentes os pressupostos de admissibilidade do Recurso Voluntário e por ser tempestivo, conheço do recurso. Não assiste razão à Recorrente, devendo o Acórdão recorrido ser ratificado. A Recorrente não efetuou a comunicação obrigatória quando incorreu na situação excludente do Simples, desrespeitandose o disposto no art. 13, inciso II, alínea "a" da Lei n° 9.317, de 05/12/1996 e art. 22, inciso II, alínea "a" da Instrução Normativa n° 608, de 09/01/2006. Assim, deve ser mantida a aplicação do disposto no art. 14, inciso I da Lei n° 9.317, de 05/12/1996 e art. 23, inciso I da Instrução Normativa n° 608, de 09/01/2006, que determinam a exclusão de oficio, por meio do Ato Declaratório Executivo ADE, de acordo Fl. 83DF CARF MF Impresso em 10/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2015 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 09/06/201 5 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRIC H 4 com o que dispõem o art. 15, § 30 da Lei n°9.317, de 05/12/1996 (incluído pela Lei n°9.732, de 11.12.1998) e art. 23, § único da Instrução Normativa n° 608, de 09/01/2006. "Art. 14. A exclusão darseá de oficio quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: I exclusão obrigatória, nas formas do inciso lI e § 2° do artigo anterior, quando não realizada por comunicação da pessoa jurídica; Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: § 3° A exclusão de oficio darseá mediante ato declaratório da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdicione o contribuinte, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo tributário administrativo .( Incluído pela Lei n°9.732, de 11. 12. 1998)" Os efeitos da exclusão de oficio devem respeitar o que dispõe o art. 24, inciso III, da Instrução Normativa n° 608, de 09/01/2006, surtindo efeito a partir de 01/01/2003. "Art. 24. A exclusão do Simples nas condições de que tratam os arts. 22 e 23 surtirá efeito: III a partir do anocalendário subseqüente ao da ciência do ato declaratório a que se refere o parágrafo único do art. 23 nos casos dos incisos XIV e XV do art. 20;" Assim, o referido Ato Declaratório produz os efeitos da exclusão da Recorrente do Simples, a partir do mês subseqüente àquele em que incorrida a situação excludente, ou seja, 01/01/2003, pois a situação excludente ocorreu em 31/12/2002 (Lei 9.317/1996, art. 15II). Por todo o exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário e ratifico os termos do Ato Declaratório Executivo DRF/BSA nr. 496828, de 02/08/2004, mantendose a Recorrente excluída do Simples a partir de 01/01/2003. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Fl. 84DF CARF MF Impresso em 10/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2015 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 09/06/201 5 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRIC H
score : 1.0
Numero do processo: 11684.001319/2009-73
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu May 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 27/07/2009
MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. AGENTE MARÍTIMO E TRANSPORTADOR. LEGITIMIDADE PASSIVA
A legislação prevê que o agente marítimo, assim como o transportador internacional, respondem solidariamente por quaisquer infrações que tenham concorrido para a prática, solidariamente, sendo, pois, o agente parte legítima a figurar no polo passivo de auto de infração.
MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO.
A multa por prestação de informações fora do prazo encontra-se prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n 37/1966 prescindindo, para a sua aplicação, de que haja prejuízo ao Erário, sobretudo por se tratar de obrigação acessória em que as informações devem ser prestadas na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal.
MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de deveres instrumentais caracterizados pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010. A aplicação deste dispositivo deve-se considerar o conteúdo da obrigação acessória violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo. Nestas a aplicação da denúncia espontânea implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.824
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201501
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 27/07/2009 MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. AGENTE MARÍTIMO E TRANSPORTADOR. LEGITIMIDADE PASSIVA A legislação prevê que o agente marítimo, assim como o transportador internacional, respondem solidariamente por quaisquer infrações que tenham concorrido para a prática, solidariamente, sendo, pois, o agente parte legítima a figurar no polo passivo de auto de infração. MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. A multa por prestação de informações fora do prazo encontra-se prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n 37/1966 prescindindo, para a sua aplicação, de que haja prejuízo ao Erário, sobretudo por se tratar de obrigação acessória em que as informações devem ser prestadas na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal. MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A denúncia espontânea não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de deveres instrumentais caracterizados pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010. A aplicação deste dispositivo deve-se considerar o conteúdo da obrigação acessória violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo. Nestas a aplicação da denúncia espontânea implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu May 28 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 11684.001319/2009-73
anomes_publicacao_s : 201505
conteudo_id_s : 5474195
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 08 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3801-004.824
nome_arquivo_s : Decisao_11684001319200973.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 11684001319200973_5474195.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
id : 5960229
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:41:20 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047890143739904
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2607; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 2 1 1 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11684.001319/200973 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3801004.824 – 1ª Turma Especial Sessão de 27 de janeiro de 2015 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO ADUANEIRO Recorrente ALIANCA NAVEGACAO E LOGISTICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 27/07/2009 MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. AGENTE MARÍTIMO E TRANSPORTADOR. LEGITIMIDADE PASSIVA A legislação prevê que o agente marítimo, assim como o transportador internacional, respondem solidariamente por quaisquer infrações que tenham concorrido para a prática, solidariamente, sendo, pois, o agente parte legítima a figurar no polo passivo de auto de infração. MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. A multa por prestação de informações fora do prazo encontrase prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n 37/1966 prescindindo, para a sua aplicação, de que haja prejuízo ao Erário, sobretudo por se tratar de obrigação acessória em que as informações devem ser prestadas na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal. MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A denúncia espontânea não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de deveres instrumentais caracterizados pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010. A aplicação deste dispositivo devese considerar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo. Nestas a aplicação da denúncia espontânea implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 68 4. 00 13 19 /2 00 9- 73 Fl. 154DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11684.001319/200973 Acórdão n.º 3801004.824 S3TE01 Fl. 3 2 Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente). Fl. 155DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11684.001319/200973 Acórdão n.º 3801004.824 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de o presente processo de Auto de Infração lavrado face ao descumprimento da obrigação acessória de prestar informação sobre veículo ou carga transportada ou sobre operações que executar, no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, de acordo com o que dispõe o art. 107, inciso IV, alínea “e”, do Decreto lei37, de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei 10.833, de 2003. Regularmente cientificada, a interessada apresentou a impugnação na qual alega, em breve síntese, que não é parte legitima para figurar no pólo passivo, tendo em vista que atuou na qualidade de mera agência de navegação marítima da empresa transportadora e que não responde por eventuais tributos e/ou obrigações acessórias devidos por esta. Afirma que o agente marítimo age em nome do Armador e com este não se confunde, razão pela qual não pode ser pessoalmente responsabilizada pela autuação em tela, até porque a própria Lei (art. 107, IV "e" do Decreto Lei 37/66) assim não prevê. Alega ausência de tipicidade, porque não deixou de prestar informação no prazo previsto em Regulamento. Apenas retificou posteriormente a sua informação, o que é uma hipótese diferenciada da penalidade estipulada e não se encontra tipificada na alínea 'e' do inciso IV, do art. 107 do Decreto Lei 37/66, com a redação dada pela Lei 10.833/03. Aduz que a autuação carece de elemento essencial de validade, pois, conforme o art. 113, § 2º do CTN, não há um fim específico e próprio que justificasse a penalidade, ou seja, o eventual descumprimento de prestar informações no prazo estipulado não gera qualquer prejuízo ao Fisco. Afirma que o lançamento fere o princípio da Reserva Legal, porque fundamentado em dispositivo constante em Instrução Normativa. Argui que não existe amparo legal para aplicação de penalidade para a ação de alteração/correção de dados no Sistema Sicarga. Alega que o procedimento fiscalizatório somente foi iniciado após ter formalizado a denúncia espontânea, o que a exime de qualquer penalidade, conforme o disposto no parágrafo 2 do art. 102, do Decreto Lei n 37, de 18 de novembro de 1966, cuja redação foi alterada pela Medida Provisória n 497, de 27 de julho de 2010, bem como o art. 138, caput, do Código Tributário Nacional. Requer seja anulado ou cancelado o auto de infração. A DRJ de Florianópolis (DRJ/FNS) decidiu pela improcedência da impugnação, mantendo o crédito, sendo o Acórdão dispensado de ementa, de acordo com a Portaria SRF n° 1.364, de 10/11/2004. Inconformada com improcedência de sua impugnação, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, expondo que: Por ser uma agência de navegação da transportadora não poderia ser considerado representante do transportador para fins de responsabilidade tributária não lhe correndo os efeitos do Decreto Lei 37/66; Alega que a sua declaração extemporânea teria os mesmos efeitos que a denúncia espontânea e esta seria aplicável às obrigações acessórias; Entende que a Instrução Normativa nº 800/07, infringe o princípio da reserva legal, conforme art. 97, V do CTN; Fl. 156DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11684.001319/200973 Acórdão n.º 3801004.824 S3TE01 Fl. 5 4 Entende que sua conduta, retificação, seria atípica com relação à sanção prevista no art. 107 do Decreto Lei nº 37/66; Alega que a multa regulamentar, enquanto obrigação acessória, carece de validade essencial, por não estar demonstrado o interesse da arrecadação ou fiscalização de tributos, não sendo assim justificada aplicação da mesma; Entende que não deixou de apresentar informações dentro do prazo referido pela IN nº800/07, mas promoveu a retificação destas. É o sucinto relatório. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11684.001319/200973 Acórdão n.º 3801004.824 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Vencido Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço, portanto. Ilegitimidade Passiva Muito embora compartilhe do entendimento que as agências marítimas não possam ser sujeitas da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66, devendo ser estas serem impostas somente ao transportador, tenho que no presente caso tal argumentação não se aplica. A recorrente é empresa transportadora, conforme demonstra o seu CNPJ e objeto social, que assim determina a Cláusula Segunda que: A sociedade tem por objeto a navegação marítima de longo curso marítima (...) o exercício das atividades de agente de transporte multimodal, assessoria ao transporte marítimo e terrestre de cargas em todo o território nacional (...) Face a isto, afasto o argumento da Recorrente de que, por ser a empresa uma agência marítima, e não uma transportadora, não está configurada sua responsabilidade quanto à prática da infração objeto dos autos. Diversos são os julgados deste Conselho onde foi compreendido que a obrigação do transportador, de prestar as informações à RFB, encontrase estabelecida no art. 37 do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Ultrapassados tais argumentos, entendo que a penalidade não deve ser aplicada no presente caso por motivos diversos. Denúncia Espontânea Inicio a análise do argumento da denúncia espontânea, pois uma vez julgado o seu provimento, todas as demais matérias se tornarão prejudicadas. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11684.001319/200973 Acórdão n.º 3801004.824 S3TE01 Fl. 7 6 O Recorrente alega que as informações foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora,ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentado após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Ocorre que, muito embora típica e perfeitamente subsumido o fato à norma, no caso em tela se está diante de uma excludente da punibilidade, haja vista a Recorrente estar amparada pela hipótese legal da chamada denúncia espontânea. Esse instituto jurídico tem lugar quando o contribuinte informa à administração as infrações por ele praticadas, antes de iniciado qualquer procedimento fiscalizatório. A vantagem dessa confissão prévia e espontânea para o contribuinte está na consequência legal que o instituto lhe garante. No presente caso temse que o pedido de retificação prestado pela recorrente foi anterior lavratura do Auto de Infração, bem como de qualquer outra intimação da RFB. Deste modo, aplicase ao presente caso o instituto da denúncia espontânea. O Código Tributário Nacional disciplina no art. 138 a exclusão da responsabilidade quando a denúncia espontânea for acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora, restringindo tal hipótese quando caracterizado o início do procedimento administrativo ou qualquer medida de fiscalização, nos termos do parágrafo único. Destacase também que até a edição da Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, a caracterização da denúncia espontânea não contemplava as obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo. Porém, com a vigência da norma acima, foi modificado o § 2º, do art. 102 do DecretoLei nº 37/66, incluindo as penalidades administrativas dentre aquelas possíveis de aplicação da denúncia espontânea, in verbis: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11684.001319/200973 Acórdão n.º 3801004.824 S3TE01 Fl. 8 7 § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) No presente caso, temos, portanto que a retificação foi apresentada antes de qualquer procedimento de fiscalização, caracterizando a denúncia espontânea, devendo ser excluída a penalidade ora discutida, de natureza administrativa, conforme previsão do § 2º do artigo 102 do DecretoLei nº 37/66. Ainda, cabe observar que, sendo o fato gerador anterior a Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, necessário aplicar in casu a retroatividade benigna da alteração legislativa processada pela referida Medida Provisória, conforme determina o artigo 106 do CTN. Logo, aplicável à referida legislação ao presente caso. Acrescentase ainda que este Egrégio Conselho tem compartilhado deste entendimento, consoante se verifica pelos arestos abaixo: DENÚNCIA ESPONTÂNEA CONFIGURAÇÃO A retificação de informação prestada em registro de conhecimento de carga antes de qualquer procedimento da fiscalização aduaneira, está amparada pela denúncia espontânea prevista no art. 102, do mesmo diploma legal (Acórdão 3101001.138, 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 22/05/2012, Relator Conselheiro Luiz Roberto Domingo) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO AS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A alteração do art. 102 do DecretoLei nº 37/66 promovida pela Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, que incluiu as penalidades de natureza administrativa, dentre aquelas alcançadas pela denúncia espontânea é aplicada aos casos ainda pendentes de julgamento, em razão da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. (Acórdão 3102001.663, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 25/10/2012, Relator Conselheiro Álvaro Arthur L. de Almeida Filho) Cabe analisar a restrição imposta pelo art. 683, §3º do Decreto nº 6.759, de 05 de fevereiro de 2009, que regulamenta a administração das atividades aduaneiras, e a fiscalização, o controle e a tributação das operações de comércio exterior. Este determina que: Art. 683. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento dos tributos dos acréscimos legais, excluirá a imposição da correspondente penalidade (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 102, caput, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 1o; e Lei nº 5.172, de 1966, art. 138, caput). (…) Fl. 160DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11684.001319/200973 Acórdão n.º 3801004.824 S3TE01 Fl. 9 8 §3o Depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador. O texto original do Decreto nº 6.759/2009 previa em seu §3oque a espontaneidade era afastada depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior e por conseqüência igualmente afastada seria a denúncia espontânea. Notese que esta redação deve ser lida em consonância com o disposto na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010 que passou a ter a seguinte redação: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) Notese que o Decreto nº 6.759/2009 deve ser lido em conformidade com a Lei nº 12.350/2010. Tratase de norma superior e posterior. Assim, tanto pelo critério da hierarquia, quanto pelo critério cronológico deve prevalecer a norma posterior. Da leitura da lei posterior se nota que não há a restrição prevista no §3o, do art. 683 do Decreto nº 6.759/2009, de tal modo que onde não houve restrição legal não poderá a norma regulamentadora restringir, sob pena de ofensa ao princípio da estrita legalidade. Diante da aplicação do instituto da denúncia espontânea, entendo pelo provimento do recurso e passo a analisar as demais matérias, não obstante prejudicadas, para fins de privilégio do devido processo legal. Reserva Legal A infração em tese cometida pela recorrente se encontra caracterizada pela apresentação de declaração de informações sobre o veículo e carga transportada fora do prazo estabelecido, por força do art. 107 do DecretoLei 37/66, com redação dada pela Lei nº 10.833/03, c/c art. 44 da Instrução Normativa 28/94, com redação dada pela Instrução Normativa 510/05 e art. 22 da Instrução Normativa 800/07. No que tange a tipificação da conduta do recorrente, a sua descrição consta igualmente e inicialmente tipificada no art. 107 do DecretoLei 31/66, que estabelece a aplicação de multa para quem deixar de prestar a declaração sobre veículo e carga transportada, bem como quem de forma omissiva ou comissiva embaraçar ação de fiscalização. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11684.001319/200973 Acórdão n.º 3801004.824 S3TE01 Fl. 10 9 Ademais, as instruções normativas tem como finalidade de preencher lacunas que por vezes se encontram dentro dos procedimentos fiscais, no caso específico de normas que estabelecem prazo para a apresentação ou recolhimento de obrigações acessórias, não estão sujeitas a reserva legal do art. 97 do CTN, por não compreenderem o rol de matérias lá estabelecido, cabendo, portanto, o estabelecimento dos prazos por norma de hierarquia inferior, como as Portarias e Instruções Normativas, conforme tem se posicionado o CARF. ASSUNTO: OBRIGAÇÕESACESSÓRIAS Datadofatogerador:31/12/1998 OBRIGAÇÃO ACESSORIA. PRAZO. INSERÇÃO SISCOMEX DE DECLARAÇÃO DE EMBARQUE DE MERCADORIAS. O prazo de inserção das informações do embarque de mercadoria no SISCOMEX é de sete dias, contados do dia do efetivo embarque. Não se aplica a norma processual do artigo 210 do Código Tributário Nacional, neste caso prevalece o prazo fixado em Portarias e Instruções Normativas em razão de que não contemplam aspectos da hipótese de incidência, estão fora da reserva legal prevista no artigo 97 do CTN. Constado inserção além do prazo fixado, impõe negar provimento ao recurso. RecursoNegado. Ressalto que o entendimento seria pela carência de razão do contribuinte caso não estivesse prejudicada a análise desta matéria. Obrigação Acessória Carece de razão a alegação da recorrente quanto à carência de elemento essencial na autuação por descumprimento de obrigação acessória. Isto porque as obrigações acessórias não possuem uma relação de dependência de uma obrigação principal. Como o próprio artigo citado pela recorrente são prestações positivas ou negativas, fazer ou não fazer algo em benefício do interesse arrecadatório ou fiscalizatório. No caso dos autos, a declaração que gerou a autuação da recorrente era uma obrigação acessória, positiva e com finalidade fiscalizatória, pois se caracteriza em um dever de declarar o bem carregado e cujas informações contidas auxiliam o fisco a verificar a adequada descrição de bem importado pelo importador, se houve emissão de notas fiscais, se a importadora estaria correta em sua escrituração fiscal. Logo, a responsabilidade de declarar a mercadoria transportada pela empresa, conforme art. 107 do Decreto lei 37/66, é uma obrigação acessória de declaração ao fisco e cujo descumprimento implica na aplicação de multa por embaraço à fiscalização. Nestes termos, não sendo prestada a obrigação de declaração de mercadorias dentro do prazo legal, houve prejuízo na fiscalização aduaneira, devida, portanto, a multa pelo descumprimento. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11684.001319/200973 Acórdão n.º 3801004.824 S3TE01 Fl. 11 10 Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Tipificação A recorrente alega que não incorreu no tipo específico de descumprimento de declaração de mercadoria, conforme art.37 e 107, IV, “e” do DecretoLei 37/66, posto que não deixou de prestar informações sobre o veículo ou sobre a carga transportada entendendo que retificação, conduta que afirma ter praticado seria diferente de deixar de informar. Entendo que não assiste razão a recorrente, tendo em vista que no auto de infração é possível verificar que o recorrente apresentou Conhecimento de Embarque, promovendo a alteração de NCM fora dos prazos de atracação do navio e conforme art.37 do Decretolei 37/66 “o transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecido, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado”. O entendimento deste Conselho, inclusive para esta empresa em autuação pretérita foi o seguinte: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 05/04/2006 a 15/01/2009 MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. AGENTE MARÍTIMO E TRANSPORTADOR. LEGITIMIDADE PASSIVA A legislação prevê que o agente marítimo, assim como o transportador internacional, respondem solidariamente por quaisquer infrações que tenham concorrido para a prática, solidariamente, sendo, pois, o agente parte legítima a figurar no polo passivo de auto de infração. MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. A multa por prestação de informações fora do prazo encontrase prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n 37/1966 prescindindo, para a sua aplicação, de que haja prejuízo ao Erário, sobretudo por se tratar de obrigação acessória em que as informações devem ser prestadas na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Não há que se falar em denúncia espontânea de obrigação acessória se a norma em comento tem como finalidade a prestação de informações na forma e, sobretudo, no prazo fixado pela legislação, prazo esse que não seria observado se se considerar que a prestação de informações fora do prazo configuraria denúncia espontânea. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11684.001319/200973 Acórdão n.º 3801004.824 S3TE01 Fl. 12 11 Recurso Voluntário Negado. Nesta senda, uma vez não cumprindo o prazo de apresentação das declarações o transportador já incorre no fato gerador da multa regulamentar, resta devidamente enquadrada a conduta da recorrente à infração referida, não havendo qualquer traço de atipicidade. Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Art. 50 da Instrução Normativa 800/2007 Entendo que não assiste razão ao recorrente. Conforme a redação do artigo 50 da IN 800/07, informa que os prazos de antecipação de informação previstos no art. 22º da mesma instrução somente serão obrigatórios a partir de 1 de janeiro de 2009. Vejamos: Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1ºde janeiro de 2009. Parágrafoúnico. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País.(grifonosso) Este dispositivo, ao mesmo tempo em que prevê que os prazos mínimos para a prestação de informações à RFB previstos no artigo 22 da IN RFB nº 800/2007 somente são obrigatórios a partir de 1ºde janeiro de 2009, dispõe que o transportador tem a obrigação de prestar informações sobre as cargas transportadas antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. Resta claro, portanto, que já a partir do momento em que se inicia a produção de efeitos da IN RFB nº 800/2007, qual seja 31 de março de 2008, as informações sobre as cargas transportadas devem ser prestadas pelas transportadoras antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País, conforme art. 52 da Instrução Normativa, prazo também descumprido pelo contribuinte. Em adição, havendo prazo que estabeleça o início da vigência das antecipações, nos caso dos fatos geradores que antecedem a vigência da Instrução Normativa 800/07, o contribuinte deveria ter cumprido o prazo de sete dias descritos art. 37 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 1994, com a redação dada pela IN SRF n° 510, de 2005, para a apresentação da declaração, no que ultrapassou demasiado. Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Penalidade Aplicada Por Viagem Fl. 164DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11684.001319/200973 Acórdão n.º 3801004.824 S3TE01 Fl. 13 12 A recorrente se insurge contra a aplicação da multa regulamentar contra cada uma das declarações de forma extemporânea, tendo em vista que o entendimento da Receita Federal sobre o assunto em Consulta Interna teria determinado que o transportador fosse multado uma única vez pela prestação de informações fora do prazo, referindo a COSIT SCI nº 8 de 14 de fevereiro de 2008. Não obstante os auditores fiscais tenham interpretado, em sua maioria, a legislação como que a multa deveria ser aplicada por cada declaração fora do prazo, o dispositivo legal deixa brecha para tanto interpretar que a penalidade deve ser aplicada por viagem quanto por declaração, visto que o dispositivo aborda apenas o aspecto quantitativo da multa, a tipificação da conduta, no caso, deixar de apresentar informações nos prazo estabelecidos à Receita Federal e identificação do infrator, qual seja a empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de transporte internacional expresso ou agente de carga. Neste sentido, entendo que se deve interpretar a norma de forma mais favorável ao contribuinte quando esta determina penalidade ao tipo de conduta, conforme resta estabelecido no art. 112, do Código Tributário Nacional – CTN, segundo o qual “a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto”: à capitulação legal do fato; à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade ou punibilidade; e à natureza da penalidade, aplicação, ou à sua gradação. Sobre o tema em comento, temse decidido nas sessões deste Conselho a interpretação da norma em favor do infrator. Vejamos: Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2006 ILEGIMITIDADE PASSIVA. MULTA. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. EXPORTAÇÃO. RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR. É legitimo para figurar no polo passivo da autuação, o transportador que registou os dados de embarque fora do prazo estabelecido no art. 37, §2º, da Instrução Normativa SRF nº 28/94. Inteligência dos arts. 107, inciso IV, alínea “e” e 37 do DecretoLei nº 37/66 c/c arts. 37, §2º, 44 e 46 da Instrução Normativa SRF nº 28/94. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR.Ocorrendo dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; e à natureza da penalidade aplicação, ou à sua gradação, deve ser aplicada a interpretação mais favorável ao acusado (art. 112, CTN).A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação no Siscomex é aplicada por viagem do veículo transportador e não por carga (Declaração para Despacho de Exportação). DUPLICIDADE DA COBRANÇA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Não comprovada documentalmente o alegado bis in idem, improcedente a alegação de duplicidade da cobrança e a consequente identidade de objetos entre dois processos administrativos fiscais. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138, CTN. MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. Não alegado Fl. 165DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11684.001319/200973 Acórdão n.º 3801004.824 S3TE01 Fl. 14 13 em momento oportuno, o argumento está precluso, pelo que não merece ser conhecido, ex vi dos arts. 16, inciso III e 17, do Decreto nº 70.235/72. (Recurso Voluntário nº 11968.001039/200717, Relator Bruno Mauricio Macedo Curi, da 2ª Câmara da 3ª Sessão de Julgamento do Carf, Publicada em 11/09/2013) Nestes termos, entendo que a penalidade do art. 107, IV, alínea “e” do Decreto Lei nº 37/66, deve ser aplicada por viagem e não por declaração de carga, devendo as penalidades aplicadas por declaração excluídas para que fiquem apenas a multa aplicada por viagem apurada no auto de infração. Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É assim que voto. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator Fl. 166DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11684.001319/200973 Acórdão n.º 3801004.824 S3TE01 Fl. 15 14 Voto Vencedor Conselheiro Marcos Antonio Borges, Em que pese o entendimento do relator, ouso dele discordar em relação à aplicação do instituto da denúncia espontânea. Da aplicação do instituto da denúncia espontânea No entendimento do STJ, conforme comprovam diversos julgados, a entrega extemporânea de qualquer tipo de obrigação acessória (DCTF, por exemplo) configura infração formal, não podendo ser considerada como infração de natureza tributária apta a atrair o instituto da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. A prestação de informações no Siscomex, como é o caso, é uma obrigação acessória e, aplicandose essa linha de raciocínio, deveria se observar a aplicação da Súmula CARF n° 49, que adota a mesma interpretação: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do CTN) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. No entanto, essa discussão foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) Apesar de alguns julgados recentes do CARF estarem admitindo a caracterização da denúncia espontânea com fundamento da nova redação do dispositivo, entendo que na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11684.001319/200973 Acórdão n.º 3801004.824 S3TE01 Fl. 16 15 Esse entendimento, do qual eu compartilho, foi evidenciado em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3a S/1a C/2a TO. S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2°, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser Fl. 168DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11684.001319/200973 Acórdão n.º 3801004.824 S3TE01 Fl. 17 16 citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Assim, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo, no caso a prestação de informação no Siscomex na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, implicaria no esvaziamento do dever instrumental, comprometendo o controle aduaneiro efetuado pela autoridade administrativa no exercício do seu Poder de Polícia. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de obrigações acessórias caracterizadas pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. Desta forma, em virtude de todos os motivos apresentados e dos fatos presentes no caso concreto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11684.001319/200973 Acórdão n.º 3801004.824 S3TE01 Fl. 18 17 (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 170DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 13896.000463/2010-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
Multa de Lançamento de Oficio. Sonegação/Fraude.
A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do dolo do sujeito passivo. A subtração de rendimentos da atividade à tributação, mediante manutenção de receitas auferidas na prestação de serviços em conta de passivo "Adiantamento de Clientes", não configura, por si só, a ocorrência de sonegação/fraude, dada a falta da caracterização do elemento subjetivo do ilícito fiscal, para o qual concorre a demonstração de conduta reiterada e/ou de ato simulado.
Desqualificada a infração, retifica-se a penalidade aplicada para ajustar ao percentual de 75%.
Juros de mora com base na Taxa SEELIC sobre a multa de ofício. Aplicabilidade.
O art. 161 do Código Tributário Nacional CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o crédito a que se refere o caput do artigo. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC.
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS - PIS E COFINS - 2005
PIS e COFINS. Regime de Apuração. Nulidade. Não cabimento
As contribuições para o PIS e COFINS sujeitam-se ao regime mensal de apuração, nos termos da legislação de regência. Eventual erro na indicação do valor tributável, pelo uso indevido do regime trimestral, não enseja o cancelamento da exigência, mas tão-somente a sua retificação, ajustando-se a base de cálculo dos fatos geradores expressamente identificados no lançamento para o regime mensal.
PIS e COFINS. Base de Cálculo. Receitas Financeiras. Inconstitucionalidade Reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal.
Declarada a inconstitucionalidade do parágrafo 1° do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, em acórdão transitado em julgado e exarado em sessão plenária pelo Supremo Tribunal Federal, que, inclusive, reconheceu a repercussão geral da matéria em questão, impõe-se, em observância ao art. 26-A, parágrafo 6°, inciso I, do Decreto 70.235, de 1972, afastar a exigência de Pis e Cofins sobre receitas que a própria fiscalização identifica como financeiras e distintas daquelas decorrentes da prestação de serviços.
Numero da decisão: 1401-001.111
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso ofício e, quanto ao recurso voluntário, NEGAR provimento, nos seguintes termos: I) Pelo voto de qualidade, negar provimento em relação à omissão de receitas. Vencidos os Conselheiros Maurício Pereira Faro (Relator), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira e Karem Jureidini Dias que davam provimento integral; II) Por maioria de votos, negar provimento em relação aos juros de mora. Vencidos os Conselheiros Maurício Pereira Faro (Relator) e Karem Jureidini Dias, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos.
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Presidente e Redator para Formalização do Acórdão
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos - Redator Designado
Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura em 04/09/2015. Da mesma maneira, tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator MAURÍCIO PEREIRA FARO não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização do voto vencido.
Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Mauricio Pereira Faro e Karem Jureidini Dias.
Nome do relator: MAURICIO PEREIRA FARO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201312
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 Multa de Lançamento de Oficio. Sonegação/Fraude. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do dolo do sujeito passivo. A subtração de rendimentos da atividade à tributação, mediante manutenção de receitas auferidas na prestação de serviços em conta de passivo "Adiantamento de Clientes", não configura, por si só, a ocorrência de sonegação/fraude, dada a falta da caracterização do elemento subjetivo do ilícito fiscal, para o qual concorre a demonstração de conduta reiterada e/ou de ato simulado. Desqualificada a infração, retifica-se a penalidade aplicada para ajustar ao percentual de 75%. Juros de mora com base na Taxa SEELIC sobre a multa de ofício. Aplicabilidade. O art. 161 do Código Tributário Nacional CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o crédito a que se refere o caput do artigo. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS - PIS E COFINS - 2005 PIS e COFINS. Regime de Apuração. Nulidade. Não cabimento As contribuições para o PIS e COFINS sujeitam-se ao regime mensal de apuração, nos termos da legislação de regência. Eventual erro na indicação do valor tributável, pelo uso indevido do regime trimestral, não enseja o cancelamento da exigência, mas tão-somente a sua retificação, ajustando-se a base de cálculo dos fatos geradores expressamente identificados no lançamento para o regime mensal. PIS e COFINS. Base de Cálculo. Receitas Financeiras. Inconstitucionalidade Reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal. Declarada a inconstitucionalidade do parágrafo 1° do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, em acórdão transitado em julgado e exarado em sessão plenária pelo Supremo Tribunal Federal, que, inclusive, reconheceu a repercussão geral da matéria em questão, impõe-se, em observância ao art. 26-A, parágrafo 6°, inciso I, do Decreto 70.235, de 1972, afastar a exigência de Pis e Cofins sobre receitas que a própria fiscalização identifica como financeiras e distintas daquelas decorrentes da prestação de serviços.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Sep 08 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 13896.000463/2010-66
anomes_publicacao_s : 201509
conteudo_id_s : 5518183
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 08 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1401-001.111
nome_arquivo_s : Decisao_13896000463201066.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : MAURICIO PEREIRA FARO
nome_arquivo_pdf_s : 13896000463201066_5518183.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso ofício e, quanto ao recurso voluntário, NEGAR provimento, nos seguintes termos: I) Pelo voto de qualidade, negar provimento em relação à omissão de receitas. Vencidos os Conselheiros Maurício Pereira Faro (Relator), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira e Karem Jureidini Dias que davam provimento integral; II) Por maioria de votos, negar provimento em relação aos juros de mora. Vencidos os Conselheiros Maurício Pereira Faro (Relator) e Karem Jureidini Dias, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura - Presidente e Redator para Formalização do Acórdão (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos - Redator Designado Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura em 04/09/2015. Da mesma maneira, tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator MAURÍCIO PEREIRA FARO não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização do voto vencido. Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Mauricio Pereira Faro e Karem Jureidini Dias.
dt_sessao_tdt : Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2013
id : 6119817
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:42:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047890151079936
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 28; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2302; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1‐C4T1 Fl. 2 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13896.000463/201066 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1401001.111 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 04 de dezembro de 2013 Matéria IRPJ Recorrente SOLUÇÃO INTERMEDIAÇÕES DE NEGÓCIOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 Multa de Lançamento de Oficio. Sonegação/Fraude. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do dolo do sujeito passivo. A subtração de rendimentos da atividade à tributação, mediante manutenção de receitas auferidas na prestação de serviços em conta de passivo "Adiantamento de Clientes", não configura, por si só, a ocorrência de sonegação/fraude, dada a falta da caracterização do elemento subjetivo do ilícito fiscal, para o qual concorre a demonstração de conduta reiterada e/ou de ato simulado. Desqualificada a infração, retificase a penalidade aplicada para ajustar ao percentual de 75%. Juros de mora com base na Taxa SEELIC sobre a multa de ofício. Aplicabilidade. O art. 161 do Código Tributário Nacional CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PIS E COFINS 2005 PIS e COFINS. Regime de Apuração. Nulidade. Não cabimento As contribuições para o PIS e COFINS sujeitamse ao regime mensal de apuração, nos termos da legislação de regência. Eventual erro na indicação do valor tributável, pelo uso indevido do regime trimestral, não enseja o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 04 63 /2 01 0- 66 Fl. 1232DF CARF MF Impresso em 08/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13896.000463/201066 Acórdão n.º 1401001.111 S1‐C4T1 Fl. 3 2 cancelamento da exigência, mas tãosomente a sua retificação, ajustandose a base de cálculo dos fatos geradores expressamente identificados no lançamento para o regime mensal. PIS e COFINS. Base de Cálculo. Receitas Financeiras. Inconstitucionalidade Reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal. Declarada a inconstitucionalidade do parágrafo 1° do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, em acórdão transitado em julgado e exarado em sessão plenária pelo Supremo Tribunal Federal, que, inclusive, reconheceu a repercussão geral da matéria em questão, impõese, em observância ao art. 26A, parágrafo 6°, inciso I, do Decreto 70.235, de 1972, afastar a exigência de Pis e Cofins sobre receitas que a própria fiscalização identifica como financeiras e distintas daquelas decorrentes da prestação de serviços. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso ofício e, quanto ao recurso voluntário, NEGAR provimento, nos seguintes termos: I) Pelo voto de qualidade, negar provimento em relação à omissão de receitas. Vencidos os Conselheiros Maurício Pereira Faro (Relator), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira e Karem Jureidini Dias que davam provimento integral; II) Por maioria de votos, negar provimento em relação aos juros de mora. Vencidos os Conselheiros Maurício Pereira Faro (Relator) e Karem Jureidini Dias, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Presidente e Redator para Formalização do Acórdão (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Redator Designado Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura em 04/09/2015. Da mesma maneira, tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator MAURÍCIO PEREIRA FARO não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização do voto vencido. Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Mauricio Pereira Faro e Karem Jureidini Dias. Fl. 1233DF CARF MF Impresso em 08/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13896.000463/201066 Acórdão n.º 1401001.111 S1‐C4T1 Fl. 4 3 Relatório Tratase dos Autos de Infração relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, à Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL, à Contribuição ao Programa de Integração Social PIS e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, lavrados em 08/03/2010, que formalizaram o crédito tributário contra a contribuinte em epígrafe no valor total de R$ 5.618.428,14, incluindo multa de oficio proporcional, bem como juros de mora calculados até 26/02/2010, devido as irregularidades assim discriminadas na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal do IRPJ — fls. 968/969 (exigência principal): 001 OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE A PARTIR DO AC 93. Omissão de receitas da atividade referentes a recebimentos de Comissão por Serviços Prestados, sem emissão das Notas Fiscais, conforme descrito no Termo de Verificação e de Encerramento da Ação Fiscal desta data, que faz parte integrante deste Auto de Infração. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 31/03/2005 R$ 2.616.560,69 150,00 30/06/2005 R$ 882.571,62 150,00 30/09/2005 R$ 4.505.415,92 150,00 31/12/2005 R$ 5.794.791,36 150,00 Enquadramento Legal: Art. 528 do RIR199. 002 RENDIMENTOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS DE RENDA FIXA. O sujeito passivo não incluiu na base de cálculo do imposto de renda os rendimentos de aplicação financeira de renda fixa apurados conforme descrito no Termo de Verificação e de Encerramento da Ação Fiscal desta data, que faz parte integrante deste Auto de Infração. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 30/06/2005 R$ 445.963,92 75,00 30/09/2005 R$ 18.215,12 75,00 31/12/2005 R$ 1.067.604,53 75,00 Enquadramento Legal: Art. 521 do RIR/99. No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, com base nos arts. 904, 905, 911, 927 e 928 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda), e em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal MPF n° 08128002008004318, no tocante ao IRPJ do anocalendário 2005, constatamos o seguinte: 1 DESCRIÇÃO DOS FATOS Fl. 1234DF CARF MF Impresso em 08/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13896.000463/201066 Acórdão n.º 1401001.111 S1‐C4T1 Fl. 5 4 A ação fiscal determinada no MPF n° 08128002008000431 8 teve inicio em 14/08/2008, quando o sujeito passivo foi considerado ciente do Termo de Inicio de Fiscalização. Através do citado Termo o sujeito passivo foi intimado a fornecer, no prazo de 20 (vinte) dias contados da ciência: 1) Cópia do Contrato Social vigente no anocalendário 2005 e alterações posteriores até a presente data, 2) Livros com. A escrituração do anocalendário 2005 a seguir mencionados: Livros Caixa/Diário, Livro Apuração de ISS; 3) Comprovantes dos informes anuais das aplicações financeiras do anocalendário 2005; e 4) Comprovantes dos informes anuais de rendimentos do anocalendário 2005 dos contribuintes: HSBC BANK BRASIL S/A; BANCO ABN AMRO REAL S/A; ABN AMRO ARRENDAMENTO MERCANTIL S/A; BANCO ITAULEASING S/A; BANCO FINASA S/A; BANCO 1TAU S/A e BANCO FIAT S/A. Contribuinte foi reintimado a apresentar os mesmos elementos solicitados no termo de inicio, em 09/10/2008; 01/12/2008; 16/01/2009. Em resposta, através de carta datada de 06/2/2009, o contribuinte apresentou entre outros, cópia do contrato social vigente no anocalendário 2005 e alterações posteriores, e o Livro Diário N° 02, devidamente registrado, tendo solicitado na ocasião dilação de prazo para apresentar demais elementos solicitados. Contribuinte foi reintimado a apresentar os demais elementos solicitados em 14/08/2008 , 17/07/2009, 20/08/2009 e 22/10/2009, não tendo apresentado os referidos documentos até a presente data. Em 26/02/2009, a empresa BANCO FIAT S/ACNPJ 61.190.658/000106 04 foi intimada a apresentar os seguintes elementos: 1) Informar a motivação dos pagamentos realizados à empresa SOLUÇÃO INTERMEDIAÇÕES DE NEGóCIOS LTDACNPJ 06.270.544/000188 efetuados no ano calendário 2005 no código de receita: 8045 IRRF Outros Rendimentos, conforme consta na sua DIRF Resumo do Beneficiário Detalhamento Mensal entregue à Receita Federal; e 2) Apresentar cópias das notas fiscais/recibos, contratos de prestação de serviços, etc., que amparem as operações mencionadas no item anterior, bem como os respectivos comprovantes dos pagamentos. Em resposta, através de carta datada de 18/03/2009, a empresa esclarece que os pagamentos efetuados a empresa SOLUÇÃO INTERMEDIAÇÕES DE NEGÓCIOS LTDA foram executados a titulo de comissão, tendo encaminhado na ocasião relatório dos pagamentos realizados à referida empresa, informando que os demais documentos seriam encaminhados posteriormente. A empresa foi reintimada a apresentar o restante dos documentos solicitados em 07/04/2009. Cabe ressaltar que os valores dos pagamentos constantes no relatório apresentado constitui a planilha Anexo I e comporá a planilha OMISSÃO DE RECEITAS, que constitui o Anexo IX. Em resposta através de carta datada de 23/04/2009, a empresa encaminha cópia de DOCs de maior valor efetuados em cada período mensal de 2005, e após reintimação datado de 04/09/2009, a. empresa apresenta através de carta datada de 16/09/2009, cópia de contrato de prestação de serviços. Em 26/02/2009, a empresa BANCO ITAULEASING S/ACNPJ 49.925.225/000148 foi intimada a apresentar os seguintes elementos: 1) Informar a motivação dos pagamentos realizados A empresa SOLUÇÃO INTERMEDIAÇÕES DE NEGÓCIOS LTDACNPJ 06.270.544/000188 efetuados no anocalendário 2005 no código de receita: 8045IRRFOutros Rendimentos, conforme consta na sua DIRF Resumo do Beneficiário Detalhamento Mensal entregue à Receita Federal; e 2) Apresentar cópias das notas Fl. 1235DF CARF MF Impresso em 08/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13896.000463/201066 Acórdão n.º 1401001.111 S1‐C4T1 Fl. 6 5 fiscais/recibos, contratos de prestação de serviços, etc, que amparem as operações mencionadas no item anterior, bem como os respectivos comprovantes dos pagamentos. Em resposta, através de carta datada de 18/03/2009, a empresa esclarece que os pagamentos efetuados a empresa SOLUÇÃO INTERMEDIAÇÕES DE NEGÓCIOS LTDA foram executados a titulo de comissão, tendo encaminhado na ocasião relatório dos pagamentos realizados à referida empresa; informando que os demais documentos seriam encaminhados posteriormente. A empresa foi reintimada a apresentar o restante dos documentos solicitados em 07/04/2009. Cabe ressaltar que os valores dos pagamentos constantes no relatório apresentado constitui a planilha Anexo II e comporá a planilha OMISSÃO DE RECEITAS, que constitui o Anexo IX. Em resposta através de carta datada de 23/04/2009, a empresa encaminha cópia de DOCs de maior valor efetuados em cada período mensal de 2005, e após reintimação datado de 04/09/2009, a empresa apresenta através de carta datada de 16/09/2009, cópia de contrato de prestação de serviços. Em 25/02/2009, a empresa BANCO ITAU S/ACNPJ 60.701.190/000104 foi intimada a apresentar os seguintes elementos; 1) Informar a motivação dos pagamentos realizados A empresa SOLUÇÃO INTERMEDIAÇÕES DE NEGÓCIOS TDACNPJ 06.270.544/000188 efetuados no anocalendário 2005 no código de receita: 8045 IRRF Outros Rendimentos, conforme consta na sua DIRF Resumo do Beneficiário Detalhamento Mensal entregue à Receita Federal; e 2) Apresentar cópias das notas fiscais/recibos, contratos de prestação de serviços, etc, que amparem, as operações mencionadas no item anterior, bem como os respectivos comprovantes dos pagamentos. Em resposta, através de carta datada de 16/03/2009, a empresa esclarece que os pagamentos efetuados a empresa SOLUÇÃO INTERMEDIAÇÕES DE NEGÓCIOS LTDA foram executados a titulo de comissão, tendo encaminhado na ocasião relatório dos pagamentos realizados à referida empresa; informando que os demais documentos seriam encaminhados posteriormente. A empresa foi reintimada a apresentar o restante dos documentos solicitados em 06/04/2009. Cabe ressaltar que os valores dos pagamentos constantes no relatório apresentado constitui a planilha Anexo III e comporá a planilha OMISSÃO DE RECEITAS, que constitui o Anexo IX. Em resposta através de carta datada de 23/04/2009, a empresa encaminha cópia de DOCs de maior valor efetuados em cada período mensal de 2005, e após reintimação datado de 04/09/2009, empresa apresenta através de carta datada de 16/09/2009, cópia de contrato de prestação de serviços. Em 04/03/2009, a empresa BANCO FINASA S/ACNPJ 57.561.615/000104 foi intimada a apresentar os seguintes elementos: 1) Informar a motivação dos pagamentos realizados A empresa SOLUÇÃO INTERMEDIAÇÕES DE NEGÓCIOS LTDACNPJ 06.270.544/000188 efetuados no calendário 2005 no código de receita:8045IRRF Outros Rendimentos, conforme consta na sua DIRF Resumo do BeneficiárioDetalhamento Mensal entregue à Receita Federal; e 2) Apresentar cópias das notas fiscais/recibos, contratos de prestação de serviços, etc, que amparem as operações mencionadas no item anterior, bem como os respectivos comprovantes dos pagamentos. Fl. 1236DF CARF MF Impresso em 08/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13896.000463/201066 Acórdão n.º 1401001.111 S1‐C4T1 Fl. 7 6 Em resposta, através de carta datada de 09/03/2009, a empresa esclarece que os pagamentos efetuados a empresa SOLUÇÃO INTERMEDIAÇÕES DE NEGÓCIOS LTDA referemse a Retomo CDC FordComissão sobre Financiamento/Contrato e Comissão TAC — Tarifa de Análise de Crédito, recebidos por contrato efetuado, tendo encaminhado na ocasião relação dos referidos pagamentos. Cabe ressaltar que os valores dos pagamentos constantes na relação apresentada constitui a planilha Anexo IV e comporá a planilha OMISSÃO DE RECEITAS, que constitui o Anexo IX. Em 24/02/2009, a empresa HSBC BANK BRASIL S/BANCO MÚLTIPLO CNPJ 01.701.201/000189 foi intimada a apresentar os seguintes elementos: 1) Informar a motivação dos pagamentos realizados A empresa SOLUÇÃO INTERMEDIAÇÕES DE NEGÓCIOS LTDACNPJ 06.270.544/000188 efetuados no calendário 2005 no código de receita: 8045IRRFOutros Rendimentos, conforme consta na sua DIRF Resumo do BeneficiárioDetalhamento Mensal entregue A Receita Federal; e 2) Apresentar cópias das notas fiscais/recibos, contratos de prestação de serviços, etc, que amparem as operações mencionadas no item anterior, bem como os respectivos comprovantes dos pagamentos. Em resposta, através de carta datada de 24/03/2009, a empresa esclarece que os pagamentos efetuados a empresa SOLUÇÃO INTERMEDIAÇÕES DE NEGÓCIOS LTDA referemse a acordo comercial de prestação de serviço, tendo sido encaminhado cópia das notas fiscais e telas extraídas com os dados das notas fiscais não localizadas. Cabe ressaltar que os valores constantes das notas fiscais encaminhadas pela empresa, bem como nas outras notas fiscais emitidas pelo fiscalizado em 2005, cópias em anexo, conforme planilha Anexo V, foram devidamente escriturados no Livro Diário n° 02 e oferecidos A tributação na DIPJ do ano calendário 2005, exceto os valores correspondentes As notas fiscais de n° 61, de 18/02/2005, no valor de R$ 7.310,00 (IRFONTE — R$ 109,65) e 62, de 18/02/2005, no valor de R$ 490,00 (IRFONTE — R$ 7,35), cujos valores comporão a planilha OMISSÃO DE RECEITAS, que constitui o Anexo IX. Em 26/02/2009, a empresa ABN AMR ARRENDAMENTO MERCANTIL S/ACNPJ 34.033.779/000163 foi intimada a apresentar os seguintes elementos: 1)Informar a motivação dos pagamentos realizados à empresa SOLUÇÃO INTERMEDIAÇÕES DE NEGÓCIOS LTDACNPJ 06.270.544/000188 efetuados no calendário 2005 no código de receita: 8045IRRFOutros Rendimentos, conforme consta na sua DIRF Resumo do BeneficiárioDetalhamento Mensal entregue à Receita Federal; e 2) Apresentar cópias das notas fiscais/recibos, contratos de prestação de serviços, etc, que amparem as operações mencionadas no item anterior, bem como os respectivos comprovantes dos pagamentos. Em resposta, através de carta datada de 23/03/2009 e 03/02/2010, a empresa esclarece que os pagamentos efetuados a empresa SOLUÇÃO INTERMEDIAÇÕES DE NEGÓCIOS referemse a serviços prestados por ela conforme cópia do contrato de prestação de serviços apresentado, tendo encaminhado na ocasião relatório onde consta os referidos pagamentos. Cabe ressaltar que os valores dos pagamentos constantes no relatório apresentado constitui a planilha Anexo VI e comporá a planilha OMISSÃO DE RECEITAS, que constitui o Anexo IX. Em 25/02/2009, a empresa BANCO ABN AMRO REAL S/ACNPJ 33.066.408/000115 foi intimada a apresentar os seguintes elementos: 1) Informar a motivação Fl. 1237DF CARF MF Impresso em 08/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13896.000463/201066 Acórdão n.º 1401001.111 S1‐C4T1 Fl. 8 7 dos pagamentos realizados A. empresa SOLUÇÃO INTERMEDIAÇÕES DE NEGÓCIOS LTDACNPJ 06.270.544/000188 efetuados no calendário 2005 no código de receita: 8045 IRRFOutros Rendimentos e 1708IRRFRemuneração Serviços Prestados por Pessoa Jurídica, conforme consta na sua DIRF Resumo do BeneficiárioDetalhamento Mensal entregue h. Receita Federal; e 2) Apresentar cópias das notas fiscais/recibos, contratos de prestação de serviços, etc, que amparem as operações mencionadas no item anterior, bem como os respectivos comprovantes dos pagamentos. Em resposta, através de carta datada de 23/03/2009 e 03/02/2010, a empresa esclarece que os pagamentos efetuados a empresa SOLUÇÃO INTERMEDIAÇÕES DE NEGÓCIOS LTDA referemse a serviços prestados por ela conforme cópia do contrato de prestação de serviços apresentado, tendo encaminhado na ocasião remessa parcial dos relatórios onde constam os referidos pagamentos. Cabe ressaltar que os valores dos pagamentos constantes no relatório parcial apresentado constitui a planilha Anexo VII e comporá a planilha OMISSÃO DE RECEITAS, que constitui o Anexo IX. Em atendimento, ao Termo de Reintimação Fiscal datado de 06/04/2009, a empresa BANCO ABN AMRO REAL S/A, através de carta datada de 04/05/2009, encaminha remessa complementar dos relatórios onde constam os pagamentos por prestação de serviços, bem como remessa parcial das cópias das notas fiscais, tendo sido encaminhadas o restante das cópias das notas fiscais através de carta datada de 21/05/2009. Cabe ressaltar que os valores constantes nas notas fiscais encaminhadas pela empresa, bem como nas outras notas fiscais emitidas pelo fiscalizado em 2005, cópias em anexo, conforme planilha Anexo VIII, foram devidamente escriturados no Livro Diário n° 02 e oferecidos à tributação na DIPJ do ano calendário 2005, exceto os valores correspondentes aos pagamentos de: R$ 10.000,00, datado de 23/06/2005, R$ 10.000,00, datado de 08/08/2005 e R$ 15.000,00, datado de 15/09/2005, cujos valores comporão a planilha OMISSÃO DE RECEITAS, que constitui o Anexo IX. Contribuinte foi cientificado da continuidade do procedimento fiscal através de documentos datados de 27/02/2009, 03/04/2009, 20/05/2009, 01/10/2009, 25/11/2009, 16/12/2009 e 22/01/2010. Em 25/02/2010, o contribuinte foi intimado a apresentar, no prazo de 24 horas, a relação de bens e direitos atuais, discriminando o documento de aquisição, data e valor, bem como o órgão e o número de registro, se for o caso, tendo sido solicitado que o contribuinte anexasse cópia dos documentos de aquisição dos bens e direitos, tais como: escrituras e certidões de registro de imóveis, certificados de registro e licenciamento, entre outros. Contribuinte através de carta datada de 26/02/2010 informa que a empresa não possui bens em seu nome para indicar ou discriminar. 2. INFRAÇÃO APURADA 2.1 OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE O contribuinte foi intimado através do Termo de Inicio de 14/08/2008 e reintimações posteriores a apresentar entre outros, os comprovantes dos informes anuais de rendimentos do anocalendário 2005 dos contribuintes: HSBC BANK BRASIL S/A; BANCO ABN AMRO REAL S/A; ABN AMRO ARRENDAMENTO MERCANTIL S/A; BANCO ITAULEASING S/A; BANCO FINASA S/A; BANCO ITA6 S/A e BANCO FIAT S/A, não tendo apresentado tais documentos até a presente data. Fl. 1238DF CARF MF Impresso em 08/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13896.000463/201066 Acórdão n.º 1401001.111 S1‐C4T1 Fl. 9 8 Prosseguindo, esta fiscalização através de intimações e respectivas respostas das empresas supra, conforme descrito no item anterior, constatou que os valores dos pagamentos efetuados A fiscalizada pelas empresas em questão referemse a Comissão por Serviços Prestados, conforme contratos apresentados. Cabe ressaltar que os valores pagos pelas empresas HSBC BANK BRASIL S/A (Anexo V), e pelos valores da remessa complementar de BANCO ABN AMRO REAL S/A (Anexo VIII) em quase sua totalidade estão cobertas por notas fiscais, devidamente escrituradas como Receitas de Prestação de Serviços no Livro Diário n° 02 e oferecidos A. tributação na DIPJ do anocalendário 2005. No entanto, a maior parte dos valores recebidos a titulo de comissão era lançada como Adiantamento de Clientes, como por exemplo, o lançamento As fls. 02 no Livro Diário nº 02 referente ao pagamento efetuado pela empresa BANCO FIAT S/A no dia 13/01/2005, no valor de R$ 95.572,89, conforme cópia do DOC apresentada pela referida empresa; prática contábil confirmada com o lançamento a débito da conta Adiantamento de Clientes e a crédito da conta Prestação de ServiçosRetorno no valor de R$ 2.002.445,33, no dia 30/04/2005 As fls. 10 do Livro Diário n° 02. Pelo exposto, esta fiscalização elaborou a planilha Omissão de Receitas Anexo l, com base nos valores constantes nos relatórios de pagamentos apresentados pelas empresas HSBC BANK BRASIL S/A; BANCO ABN AMRO REAL S/A; ABN AMRO ARRENDAMENTO MERCANTIL S/A; BANCO ITAULEASING S/A; BANCO FINASA S/A; BANCO ITAÚ S/A e BANCO FIAT S/A; exceto os valores constantes nas notas fiscais emitidas pela fiscalizada em 2005, bem como o montante de R$ 2.002.445,33 referente ao lançamento supra; que foram contabilizados e oferecidos A tributação na DIPJ do ano calendário 2005, ensejando assim a lavratura de auto de infração para proceder A tributação do IRPJ nos termos do artigo 528 do RIR/99. 2.2 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE APLICAÇÃO FINANCEIRA DERENDA FIXA O contribuinte foi intimado através do Termo de Inicio de 14/08/2008 e reintimações posteriores a apresentar, entre outros, os comprovantes dos informes anuais das aplicações financeiras do anocalendário 2005, não tendo apresentado tais documentos até a presente data. Examinando a declaração DIPJ do ano calendário 2005, verificase que o fiscalizado não ofereceu quaisquer valores a titulo de rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa. Pelo exposto, esta fiscalização elaborou a planilhaOmissão de Rendimentos de Aplicações Financeiras abaixo, com base nos valores constantes nas DIRF's entregues a Receita Federal do Brasil pelas empresas BANCO ABN AMR REAL S/ACNPJ 33.066.408/000115, BB ADM DE ATIVOS DISTR TÍTULOS E VALORES,IMOBILIÁRIOS S/ACNPJ 30.822.936/000169, e BANCO SAFRA DE INVESTIMENTOS S/ACNPJ 07.002.898/000186, ensejando assim a lavratura de auto de infração para proceder a tributação do IRPJ nos termos do artigo 521 do RIR/99. CNPJFONTE PAGADORA DATA RENDIMENTO IMPOSTO RETIDO 30.822.936/000169 Abril/05 174.247,91 34.849,23 Fl. 1239DF CARF MF Impresso em 08/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13896.000463/201066 Acórdão n.º 1401001.111 S1‐C4T1 Fl. 10 9 30.822.936/000169 Mai/05 222.073,83 35.489,33 07.002.898/000186 Mai/05 27.065,06 4.059,75 33.066.408/000115 Mai/05 22.577,12 3.386,56 OMISSÃO REND2° TRIM/05 445.963,92 77.784,87 30.822.936/000169 Jul/05 13.231,44 3.763,74 30.822.936/000169 Ago/05 74,18 20,70 30.822.936/000169 Set/05 4.909,50 1.218,25 OMISSÃO REND3° TRIM/05 18.215,12 5.002,69 30.822.936/000169 Out/05 138.494,77 32.329,83 30.822.936/000169 Nov/05 635.422,27 125.004,99 33.066.408/000115 Nov/05 117.059,86 17.558,97 07.002.898/000186 Nov/05 141.675,94 21.251,39 30.822.936/000169 Dez/05 34.951,69 20.547,65 OMISSÃO REND4° TRIM/05 1.067.604,53 216.692,83 3. SONEGAÇÃO AGRAVAMENTO DA MULTA APLICADA Os lançamentos referentes a Omissão de Receitas da Atividade descritos no presente termo foram efetuados com a aplicação da multa prevista no Inciso 11, do Artigo 44 da Lei 9430/96, cujo teor transcrevo na sequência. "...Artigo 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a total idade ou diferença de imposto: II de cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Esta fiscalização aplicou a multa de 150% por entender que o contribuinte praticou sonegação, nos termos estabelecidos no Caput e no Inciso I do Artigo 71 da Lei 4502/64, cujo teor transcrevo na seqüência. Artigo 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. A sonegação encontrase evidenciada nas seguintes condutas da fiscalizada: a) O fiscalizado recebeu a titulo de Comissão por Serviços Prestados, no ano calendário 2005, pagamentos de vários clientes no montante de R$ 19.351.159,74, no entanto, ofereceu A tributação apenas parte desses valores, como consta na DIPJ entregue a Secretaria da Receita Federal, que apresenta Receita Bruta total no anocalendário 2005 no total de R$ 5.551.820,14. Fl. 1240DF CARF MF Impresso em 08/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13896.000463/201066 Acórdão n.º 1401001.111 S1‐C4T1 Fl. 11 10 b) O fiscalizado lançou a maior parte dos valores recebidos a titulo de Comissão por Serviços Prestados na conta Adiantamento de Clientes, tendo oferecido, posteriormente, à tributação como Receitas de Prestação de Serviços apenas o montante de R$2.002.445,33. c) O fiscalizado foi reiteradamente intimado a apresentar documentos comprobatórios referentes às operações realizadas com vários clientes, no anocalendário 2005, no entanto, nada apresentou até a presente data. Cabe ressaltar que a apuração da Omissão de Receitas apurada pela fiscalização foi realizada com base nos documentos entregues pelos clientes, entre outros, relação dos pagamentos efetuados, comprovante de pagamentos e contratos de prestação de serviços. 3 CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS Os créditos tributários apurados foram constituídos conforme demonstrativos integrantes do Auto de Infração objeto do Processo Administrativo Fiscal n° 13896.000463/201066. 4ENQUADRAMENTO LEGAL A exigência tributária está embasada na legislação expressamente mencionada no Auto de Infração. 5 ENCERRAMENTO Encerramos nesta data a ação fiscal levada a efeito no sujeito passivo acima identificado. O Auto de Infração lavrado contempla as irregularidades constatadas relativamente ao IRPJ do período de Janeiro de 2005 a Dezembro de 2005. A fiscalização foi realizada com base nos elementos fornecidos pelo fiscalizado e pelas empresas HSBC BANK BRASIL S/A; BANCO ABN AMRO REAL S/A; ABN AMRO ARRENDAMENTO MERCANTIL S/A; BANCO ITAULEASING S/A; BANCO F1NASA S/A; BANCO ITAU S/A e BANCO FIAT S/A e nas informações disponíveis nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB. As verificações foram realizadas por amostragem, motivo pelo qual ressaltamos o direito da Fazenda Nacional proceder a novas verificações em virtude de outros programas ou fatos supervenientes não observados nesta oportunidade, inclusive nos períodos objeto da presente fiscalização. E, para surtir os efeitos legais, lavramos o presente Termo, em três vias de igual teor e forma, assinado por mim, AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, e pelo representante legal do contribuinte com quem fica uma das vias. A contribuinte tomou ciência dos autos de infração em 11/03/2010, requerendo a retirada do processo da repartição para exame, em 01/04/2010 (fls. 998), oportunidade na qual lhe foi concedido exercer o direito de vista processual e extração de cópias corn equipamento eletrônico (fls. 996). Fl. 1241DF CARF MF Impresso em 08/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13896.000463/201066 Acórdão n.º 1401001.111 S1‐C4T1 Fl. 12 11 Inconformada com o lançamento, a interessada apresentou, em 12/04/2010, impugnação de fls. 1008/1029, acompanhada dos documentos de fls. 1030/1037, regularizando a representação processual às fls. 1039/1046. Ao fazer breve resumo dos fatos, informa, quanto aos valores lançados a titulo de IRPJ e CSLL, que não são objeto da impugnação, por razões de cunho estritamente gerenciais e econômicas. Acrescenta que estará efetuando o pagamento, com os benefícios estabelecidos na Lei n° 11.941, de 2009. Contrapõese, apenas, às exigências do Pis e da Cofins, dizendo: "(...), sendo tributos distintos jamais poderiam as autuações de PIS e COFINS ter se dado por mero reflexo, tendo em vista terem base de cálculo próprias, sujeitas a certas peculiaridades, a começar pelos efeitos da declaração de inconstitucionalidade do parágrafo 1°, artigo 3° da Lei 9.718/98 pelo STJ, dentre outras questões". Quanto ao mérito da exigência de tais contribuições, propriamente dito, inicia abordando a omissão de rendimentos de aplicação financeira de renda fixa. Tomando como fundamento as disposições dos arts. 2°, I, "a", 10, 22 e 51, todos do Decreto n° 4.524, de 2002, o qual veio regulamentar a Lei n° 9.718, de 1998, e a Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, argumenta que a ampliação do conceito de faturamento, para incluir diversas outras receitas, dentre elas as financeiras, é manifestamente inconstitucional, pois: "a) por força do art. 195, I da Constituição Federal, com a redação em vigor quando da edição da Lei 9.718/98, a União Federal tinha competência para exigir contribuição unicamente sobre o faturamento; b) faturamento é conceito de Direito Comercial que de acordo corn a legislação, doutrina e jurisprudência do STF corresponde à receita bruta tal como definida pela LC 70/91, substancialmente idêntica ao disposto no DL 2397/87, art. 22, alínea "a", não podendo ser alterado pela legislação tributária por força do disposto no artigo 110 do CTN, não se compreendendo portanto neste conceito quaisquer outras receitas, tais como as provenientes de locação de imóveis, receitas financeiras, etc.; e c) não infirma as conclusões acima, antes a confirma, o advento da EC 20/98, porque promulgada posteriormente à publicação da Lei 9.718/98, reconhecendo que época de sua edição a Unido Federal não possuía competência para instituir contribuição sobre receitas, mas apenas sobre faturamento." Salienta que a procedência dos argumentos acima já foi reconhecida pela decisão proferida pelo Plenário do C. Supremo Tribunal Federal STF no Recurso Extraordinário n° 357.950, quando se declarou a inconstitucionalidade do parágrafo 1° do artigo 3° da Lei n° 9.718, de 1998. Alega que o STF passou a julgar de forma monocrática os recursos sobre a matéria, com base no art. 557 do Código de Processo Civil — CPC, aplicando em cada caso o entendimento firmado pelo Plenário, a teor das decisões mencionadas na sua defesa, as quais, Fl. 1242DF CARF MF Impresso em 08/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13896.000463/201066 Acórdão n.º 1401001.111 S1‐C4T1 Fl. 13 12 inclusive, "transitaram em julgado sem que tenha sido interposto recurso pela Fazenda Nacional, em n claro reconhecimento de que a controvérsia sobre a matéria já está efetivamente superada". Ressalta que o próprio Conselho de Contribuintes CC (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARP) determinou o cancelamento de lançamento constituído para a cobrança de Cofins sobre valores de receita financeira, justamente em face da decisão do STF, conforme Acórdão 20217425, de 19/10/2006, relativo ao processo n° 11065.002738/200324. E que, inclusive, recentemente, por força do art. 79 da Lei n° 11.941, de 2009, foi expressamente revogado o § 1° do art. 3 0 da Lei n° 9.718, de 1998, o qual ampliou indevidamente a base de cálculo das contribuições em discussão, para nela incluir a totalidade das receitas auferidas, extrapolando o conceito de faturamento. Conclui, assim, que a partir de 28/05/2009 sequer há mais fundamento legal para se eleger como base de cálculo das citadas contribuições a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, de modo que os autos de infração do Pis e da Cofins jamais poderiam ter sido lavrados sobre a receita financeira, dada a já reconhecida inconstitucionalidade do § 1° do art. 3 0 da Lei n° 9.718, de 1998. Além disso, acusa que a fiscalização, ao exigir a tributação reflexa da suposta omissão de receita, limitouse a calcular e exigir o valor das contribuições relativamente aos mesmos fatos trimestrais para os quais efetuou os lançamentos de IRPJ e CSLL, quando as contribuições para o Pis e a Cofins incidem sobre fatos geradores mensais, a teor do art. 74 do Decreto n° 4.524, de 2002, e do art. 70 da Instrução Normativa SRF n° 247, de 2002. Entende que o vicio apontado macula os valores exigidos e implica a evidente e manifesta insubsistência dos autos de infração, "posto que os respectivos créditos tributários apurados a titulo de PIS e COFINS não são nem certos, e muito menos líquidos ou exigíveis, conforme norma prescrita pelo artigo 142 do Código Tributário Nacional". A justificar seu entendimento, ensina: "E isto é assim porque a norma tributária alberga o conjunto de elementos necessários à perfeita individualização da obrigação, a identificação do fato jurídico tributável, dos sujeitos ativos e passivos, a determinação da matéria tributável e sua quantificação através da exata apuração da base de cálculo sobre a qual serão aplicadas as alíquotas. Assim, com base nesses elementos contidos nas leis as autoridades fiscais devem formalizar a obrigação tributária com seu correspectivo crédito, através do lançamento. Entretanto, a exigência de tributos por meio de lançamento fiscal só é legitimo quando há liquidez e certeza do débito, o que não ocorre no caso concreto, como se demonstrou acima." Aponta jurisprudência (Acórdãos 1° CC n's 10330.136; 10707.369 e 107 08.735) e conclui pela nulidade da autuação. Fl. 1243DF CARF MF Impresso em 08/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13896.000463/201066 Acórdão n.º 1401001.111 S1‐C4T1 Fl. 14 13 Passo seguinte, contrapõese à multa de lançamento de oficio qualificada, no percentual de 150%. Diz que, no caso concreto, ainda que houvesse ocorrido efetivamente omissão de receita, a impugnante não teria cometido qualquer conduta a justificar a aplicação da multa qualificada. Demais disso, entende que a penalidade deve ser afastada de pronto, por ferir os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, considerados os aspectos, no campo das sanções tributárias, de adequação, necessidade e proporcionalidade em sentido estrito, nos termos da doutrina apontada. Aponta decisão do STF no RE 81.550/MG, na qual se concluiu pela feição confiscatória da multa moratória exigida no percentual de 100%. No mesmo sentido, cita o RE 492842/RN e o AC 1975 MC/RS. Por tais razões, requer o cancelamento da penalidade questionada. Na sequência, impugna, desde já, a cobrança de juros sobre multa, a prevalecer a exigência fiscal, "para que não se alegue posteriormente que tal matéria não pode ser objeto de exame porque não foi abordada na defesa apresentada". Em suas palavras: "Com efeito, pelo que se infere da legislação que rege a matéria, esta somente autoriza a incidência de multa e juros sobre o valor atualizado do tributo ou da contribuição. Não autoriza, como pretende o Fisco, o cálculo dos juros sobre o valor da multa. De se salientar que especificamente a este respeito já são vários os acórdãos do Conselho de Contribuintes reconhecendo o não cabimento da exigência.” A titulo exemplificativo, vale transcrever o seguinte excerto do bem fundamentado voto do ilustre Conselheiro Antônio Zomer, verbis: "Não me parece que a palavra "débitos" utilizada pelo caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 está a contemplar o principal e a multa de oficio. Com efeito, se assim fosse, esse dispositivo estaria a amparar a cobrança da multa de mora sobre a multa de oficio, pois, que, taxativamente, prega que "Os débitos para com a União serão acrescidos de multa de mora.". (...) Assim, não vejo como o parágrafo 3° do referido artigo possa embasar a cobrança de juros de mora sobre a multa de oficio, porque não é dado autoridade administrativa aplicar uni dispositivo legal apenas em parte. A se entender que o termo "débitos" encampa o principal e a multa de oficio, não se pode fazer incidir a multa de mora, disposto no caput, sobre o Fl. 1244DF CARF MF Impresso em 08/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13896.000463/201066 Acórdão n.º 1401001.111 S1‐C4T1 Fl. 15 14 principal e os juros de mora, tratados no parágrafo 3° sobre o principal e a multa de ofício. Restaria, por derradeiro, a possibilidade de aplicação, sobre as multas de oficio não pagas no vencimento, dos juros previstos no art. 161 do Código Tributário Nacional, que assim determina: (...) Entretanto, nem aqui a cobrança de juros de mora sobre a multa de oficio encontra guarida. Isto porque a redação do art. 161 do CTN permite inferir que o termo crédito nele referido não engloba o tributo e a multa de oficio, mas apenas o tributo, pois se assim não fosse, deixaria de ter sentido a expressão "sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis" que aparece logo depois da previsão dos juros sobre o crédito. Se a multa de oficio está contida no termo crédito, de que penalidade estaria tratando a parte final do art. 161 do CTN? A conclusão a que chego, mais uma vez, é que o CTN também não buscou regular a cobrança de juros de mora sobre a multa de oficio. Ante todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para excluir da cobrança os juros de mora incidentes sobre a multa de oficio." (Recurso n° 125.436, acórdão 20216.397,11s. 433). Este, aliás, é o entendimento recentemente firmado por 12 votos a 2 pela C. 22ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais ao julgar o recurso especial n° 202 131.351, bem como das C. 10, 32 e 5ª Câmaras deste E. 1° Conselho de Contribuintes, nos autos dos processos n° 16327.004079/200275 (acórdão 10196.008), n° 16327.001458/2005 56 (acórdão n° 10196601), n° 16327.001400/200511 (acórdão n° 10323423) e n° 16327.001228/200414 (acórdão n° 10516.472), e das C. 1ª e 2ª Câmaras do E. 2° Conselho (acórdãos 20178.718 e 20216.397). Busca os dizeres do art. 161 do CTN, extraindo a mesma conclusão constante da jurisprudência acima transcrita, além do entendimento de que o parágrafo 1° do referido dispositivo legal só seria aplicável no silêncio da lei e, no caso, o legislador, ao editar a Lei n° 9.430, de 1996, expressamente optou por prever a incidência dos juros de mora apenas sobre o valor dos tributos, contribuições e multas isoladas, e não sobre as multas de oficio exigidas como acessório, juntamente com o principal. Acrescenta, também, voltandose ao art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, que os débitos de tributos/contribuições e multas (penalidades) têm causas diversas; um se originando do fato gerador e o outro da violação da norma legal. E que o referido dispositivo legal, ao utilizar a expressão "os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições", só pode estar aludindo a débitos não lançados, visto estar normatizando a incidência da multa de mora. Fl. 1245DF CARF MF Impresso em 08/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13896.000463/201066 Acórdão n.º 1401001.111 S1‐C4T1 Fl. 16 15 Enfatiza, a se admitir que a palavra "débitos", contida no referido art. 61, incluísse o principal e a multa de oficio, terseia de admitir que as multas de oficio sofreriam também o acréscimo de multa de mora, bem como a incidência de juros sobre os juros de mora, além da multa de mora sobre estes, conclusões as quais não se mostram razoáveis. Além disso, afirma que o art. 43 da Lei n° 9.430, de 1996, vem evidenciar ainda mais que o citado art. 61 prevê a cobrança de juros unicamente sobre o valor dos tributos e contribuições. Encerra requerendo a total insubsistência do auto de infração. Não consta informação nestes autos que a autoridade preparadora tenha apartado deste processo as exigências do IRPJ e da CSLL, não impugnadas pela contribuinte. Em face de tais argumentos, entenderam os membros da 2ª Turma de Julgamento da DRJ/CPS, por maioria de votos, julgar a Impugnação Procedente em parte. Anocalendário: 2005 IRPJ e CSLL. Matéria não Impugnada. Omissão de Receita da Atividade. Omissão de Receitas Financeiras. Consolidase administrativamente a exigência fiscal e operase a preclusão processual em relação a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela contribuinte na impugnação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2005 Multa de Lançamento de Oficio. Inconstitucionalidade. Instâncias Administrativas. Competência. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do Fisco. Multa de Lançamento de Oficio. Sonegação/Fraude. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do dolo do sujeito passivo. A subtração de rendimentos da atividade Fl. 1246DF CARF MF Impresso em 08/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13896.000463/201066 Acórdão n.º 1401001.111 S1‐C4T1 Fl. 17 16 à tributação, mediante manutenção de receitas auferidas na prestação de serviços em conta de passivo "Adiantamento de Clientes", não configura, por si só, a ocorrência de sonegação/fraude, dada a falta da caracterização do elemento subjetivo do ilícito fiscal, para o qual concorre a demonstração de conduta reiterada e/ou de ato simulado. Desqualificada a infração, retificase a penalidade aplicada para ajustar ao percentual de 75%. Multa de Lançamento de Oficio. Incidência de Juros de Mora. Sobre a multa de oficio incidem juros de mora h. taxa SELIC, a partir do seu vencimento. Omissão de Receita. Tributação Reflexa. CSLL. PIS. COFINS Lavrado o Auto principal, devem também ser lavrados os Autos reflexos, nos termos do art. 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, devendo as exigências reflexas seguirem a mesma orientação decisória daquela da qual decorrem. PIS e COFINS. Regime de Apuração. Nulidade. Não Cabimento. As contribuições para o PIS e a COFINS sujeitamse ao regime mensal de apuração, nos termos da legislação que rege a matéria. O erro na indicação do valor tributável, pelo uso indevido do regime trimestral, não enseja o cancelamento da exigência, mas, apenas, a sua retificação, ajustandose a base de cálculo dos fatos geradores expressamente identificados no lançamento para o regime mensal, quando é possível identificar os valores que a compõem, nos demonstrativos que acompanham o auto de infração. PIS e COFINS. Base de Cálculo. Receitas Financeiras. Inconstitucionalidade Reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal. Declarada a inconstitucionalidade do parágrafo 1° do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, em acórdão transitado em julgado e exarado em sessão plenária pelo Supremo Tribunal Federal, que, inclusive, reconheceu a repercussão Fl. 1247DF CARF MF Impresso em 08/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13896.000463/201066 Acórdão n.º 1401001.111 S1‐C4T1 Fl. 18 17 geral da matéria em questão, impõese, em observância ao art. 26A, parágrafo 6°, inciso I, do Decreto 70.235, de 1972, afastar a exigência de Pis e Cofins sobre receitas que a própria fiscalização identifica como financeiras e distintas daquelas decorrentes da prestação de serviços. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em face do referido acórdão de Primeira Instância, a DRJ interpôs Recurso de Ofício e o contribuinte interpôs Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 1248DF CARF MF Impresso em 08/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13896.000463/201066 Acórdão n.º 1401001.111 S1‐C4T1 Fl. 19 18 Voto Vencido Conselheiro André Mendes de Moura, Redator para Formalização do Voto. Em face da necessidade de formalização da decisão proferida nos presentes autos, e tendo em vista que o relator originário do processo não mais integra o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, encontrome na posição de Redator, nos termos dos arts. 17 e 18, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (RICARF). Informo que, na condição de Redator, transcrevo literalmente a minuta que foi apresentada pelo Conselheiro durante a sessão de julgamento. Portanto, a análise do caso concreto reflete a convicção do relator do voto na valoração dos fatos. Ou seja, não me encontro vinculado: (1) ao relato dos fatos apresentado; (2) a nenhum dos fundamentos adotados para a apreciação das matérias em discussão; e (3) a nenhuma das conclusões da decisão incluindose a parte dispositiva e a ementa. A seguir, a transcrição do voto. Conforme já mencionado no relatório, a questão aqui posta discute a autuação por omissão de receita da atividade e de rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa, no Ano Calendário 2005, tendo sido qualificada a primeira infração, com aplicação de penalidades de 150%. A discussão no presente caso versa sobre a aplicação da referida penalidade de 150%, a cobrança de juros de mora sobre a multa de lançamento de ofício aplicada, bem como as exigências reflexas do Pis e da Cofins, especialmente no que concerne aos rendimentos de aplicação financeira, além da possibilidade de eventual vício na constituição do crédito tributário relativo às contribuições mencionadas, tendo em vista o cálculo efetuado pelo Fisco com a utilização do regime trimestral, ao invés do regime mensal. Vale a importante ressalva que o contribuinte em questão não está discutindo o ponto referente ao IRPJ e a CSLL, tendo em visto que houve a desistência expressa do mesmo quanto ao litígio para inclusão dos referidos débitos no parcelamento especial da Lei 11.941/2009. Dito isto, passarei a analisar os pontos e fundamentos contidos no Recurso de Ofício e no Recurso Voluntário de forma separada. Do Recurso de Ofício No que tange ao Recurso de Ofício, após analisar os fatos e fundamentos utilizados pela primeira instância julgadora, entendo que o mesmo não merece reparos. Primeiramente, devese analisar o ponto referente à aplicação da multa qualificada de 150%. Fl. 1249DF CARF MF Impresso em 08/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13896.000463/201066 Acórdão n.º 1401001.111 S1‐C4T1 Fl. 20 19 Conforme bem indicado na decisão recorrida, houve a comprovação, através documentação contábil e fiscal, que a contribuinte auferiu rendimentos de aplicações financeiras, os quais deixaram de ser oferecidos à tributação. Ocorre que para justificar a qualificação da multa de ofício, é imperiosa a caracterização da sonegação/fraude e da intenção dolosa do contribuinte no que tange ao não recolhimento de tributos. Tal premissa é notória em nosso ordenamento pátrio, inclusive no que tange a jurisprudência sedimentada de nossos tribunais administrativos. Isto porque, como bem explicado, a subtração de rendimentos da atividade à tributação, mediante a manutenção no passivo de obrigações já liquidadas, não configura, por si só, a ocorrência de sonegação/fraude, se não houver a caracterização do elemento subjetivo do ilícito fiscal, para o qual concorre a demonstração de conduta reiterada e/ou de ato simulado. Nessa linha, a decisão recorrida não merece reparos, vez que em suas razões de julgamento deixou claramente consignado que as condutas praticadas pela contribuinte não tiverem intuito de fraude, inclusive afastando de pronto qualquer hipótese prevista nos artigos 71,72, e 73 da Lei 4.502/64. Além disso, já é pacífico nesse Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que a simples constatação de omissão de receita não dar ensejo à aplicação da penalidade qualificada, tanto que foi editada a Súmula nº 14 do 1º CC: "Súmula 1° CC n° 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprova cão do evidente intuito de fraude do sujeito passivo." No presente caso, conforme bastante assentado, não restou configurado nenhuma conduta que justificasse a qualificação da multa, bem como a autoridade lançadora não logrou êxito em comprovar qualquer intuito de fraude da contribuinte, motivo pelo qual tal ponto merecer ser mantido. No que tange a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições referentes ao PIS e a COFINS, pelo art. 3º, parágrafo 1º, da Lei nº 9.718/98, não possui muito que descrever. Isto porque a inclusão das receitas financeiras no conceito de faturamento já foi há muito declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, conforme constam nos julgamentos dos Recursos Extraordinários nº 390.840, 346.084, 358.273 e 585.2351, sendo este último com repercussão geral reconhecida, conforme abaixo transcrito: "CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3°, § 1°, DA LEI N° 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL N° 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Fl. 1250DF CARF MF Impresso em 08/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13896.000463/201066 Acórdão n.º 1401001.111 S1‐C4T1 Fl. 21 20 Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o principio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § I° DO ARTIGO 3° DA LEI N° 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior a Emenda Constitucional n° 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas a venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. E inconstitucional o § I° do artigo 3° da Lei n° 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (Destaques incluídos) O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a existência de repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência da Corte acerca da inconstitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei 9.718/98, que ampliou a base de cálculo da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, e negar provimento a recurso extraordinário intoposto pela Unido, ludo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Min. Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Min. Cezar Peluso, relator, para e dição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta a Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gihnar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008." Assim, também não merece reparo esta parte da decisão recorrida que afastou da base de calculo do Pis e da Cofins as receitas de aplicações financeiras de renda fixa, exonerando, por consequência, esta parte do crédito tributário. Do Recurso Voluntario Passo a análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. A Recorrente alega que a autoridade fiscal quando efetuou o lançamento de PIS e COFINS, o fez limitandose a calcular o valor das contribuições sobre a receita e rendimentos apurados como supostamente omitidos, e exigir tais contribuições relativamente aos mesmos fatos geradores trimestrais para os quais efetuou os lançamentos de IRPJ e CSLL. Fl. 1251DF CARF MF Impresso em 08/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13896.000463/201066 Acórdão n.º 1401001.111 S1‐C4T1 Fl. 22 21 A irresignação da Recorrente é no sentido de que a autoridade atuante apurou as referidas contribuições com base em fatos geradores trimestrais, enquanto que o correto seria a apuração mensal, para tanto cita o artigo 74 do decreto 4524/02 e a Instrução Normativa da SRF nº 247 que afirmam ser o fato gerador mensal. Nessa linha, a Turma Julgadora de Primeira instância reconheceu o erro da autoridade atuante, contudo entendeu que este equívoco não seria suficiente para afastar a exigência fiscal, podendo naquele momento ser a apuração alterada do trimestral para a apuração mensal. Insurgiuse então a Recorrente, em sede de Recurso Voluntario, alegando que tal erro implicaria na manifesta insubsistência do auto de infração. Isto posto, assiste razão a contribuinte. No presente caso, a decisão recorrida alterou por completo a metodologia utilizada pela fiscalização na apuração da matéria tributável. O que se vê na realidade foi a Turma Julgadora tentar a qualquer custo salvar o lançamento tributário, inclusive, alterando os seus fundamentos iniciais de autuação, sendo isto completamente vedado em nosso ordenamento jurídico. Nessa linha, o artigo 142, do CTN, dispõe sobre os requisitos obrigatórios do lançamento tributário. Vejase: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” (Grifouse) Conforme se vê da norma acima, a fundamentação legal é requisito obrigatório para validade do lançamento fiscal tendente a verificar a ocorrência do fato gerador do tributo. Esse é o motivo pelo qual o art. 2º, parágrafo único, VII e o artigo. 50, da Lei 9784/99, exigem a expressa indicação dos fundamentos de fato e de direito utilizados em cada ato decisório praticado pela Administração Pública. Da mesma forma, o art. 10, III, do Decreto 70.235/73, elenca como requisito de validade do auto de infração a indicação dos fatos sobre os quais se apoia a ação fiscal. No caso em tela, verificase que a DRJ/CPS pretendeu alterar nitidamente o lançamento, ao “corrigir” a autuação da PIS e da COFINS que deveria ser com base na apuração mensal, ao invés da apuração trimestral, conforme foi realizado pela Autoridade Lançadora. No entanto, a DRJ realiza tal manobra, mesmo reconhecendo o equívoco realizado pela fiscalização, ao invés de cancelar o auto de infração, o que, por certo, constitui novo lançamento tributário. Fl. 1252DF CARF MF Impresso em 08/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13896.000463/201066 Acórdão n.º 1401001.111 S1‐C4T1 Fl. 23 22 Sendo o lançamento ato administrativo vinculado, o fundamento nele contido deve guardar compatibilidade com a situação fática que lhe serve de esteio. Infirmada essa realidade, fulminado estará o respectivo ato. Nesse sentido, é o posicionamento do Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme ementas: MUDANÇA DE MOTIVOS DETERMINANTES. NULIDADE DO ACÓRDÃO DE IMPUGNAÇÃO. A motivação constitui o fundamento do lançamento tributário, ato administrativo vinculado. A adoção, pela decisão recorrida, de fundamento distinto do utilizado pelo auto de infração (infirmado pelo contribuinte), visando à manutenção da relação tributária, revelasse inconciliável com o estado democrático de direito. Recurso voluntário provido (Acordão nº 220201.548, 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção, Relator Rafael Pandolfo, Sessão de 18 de Janeiro de 2012) AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO NULIDADE– ALTERAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DE FATO NO JULGAMENTO DE SEGUNDA INSTÂNCIA Se a autuação toma como pressuposto de fato a inexistência de processo judicial em nome do contribuinte, limitandose a indicar como dado concreto "PROC JUD DE OUTRO CNP.1",ou "PROC JUD NÃO COMPROVAD" e o contribuinte demonstra a existência desta ação, bem como que figura no polo ativo, devese reconhecer a nulidade do lançamento por absoluta falta de amparo fálico. Não há como manter a exigência fiscal por outros fatos e fundamentos, senão aqueles constantes no ato do lançamento. Teoria dos motivos determinantes, Recurso Voluntário Provido. (Processo 16327,001486/.200.221, 3a.Turma Especial, Relator Daniel Maurício Fedato, Sessão 24 de agosto de 2010). Não é a toa que a Lei 9.784/99 consagra como requisitos de validade princípios como o da motivação e ainda preceitua, nos incisos VII e VIII de seu artigo 2º, a “indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão” e a “observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados”. Por tal motivo o ordenamento jurídico pátrio reconhece a inalterabilidade do fundamento fático/jurídico utilizado, que equivale ao motivo determinante do lançamento tributário, conforme enxertos de nossa doutrina: “De acordo com esta teoria, os motivos que determinaram a vontade do agente, isto é, os fatos que serviram de suporte à sua decisão, integram a validade do ato. Sendo assim, a invocação de "motivos de fato" falsos, inexistentes ou incorretamente qualificados vicia o ato mesmo quando, conforme já se disse, a lei não haja estabelecido, antecipadamente, os motivos que ensejariam a prática do ato. Uma vez enunciados pelo agente os motivos em que se calçou, ainda quando a lei não haja Fl. 1253DF CARF MF Impresso em 08/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13896.000463/201066 Acórdão n.º 1401001.111 S1‐C4T1 Fl. 24 23 expressamente imposto a obrigação de enunciálos, o ato só será válido se estes realmente ocorreram o e o justificavam.”1 “A teoria dos motivos determinantes fundase na consideração de que os atos administrativos, quando tiverem sua prática motivada, ficam vinculados aos motivos expostos, para todos os efeitos jurídicos. Tais motivos é que determinam e justificam a realização do ato, e, por isso mesmo, deve haver perfeita correspondência entre eles e a realidade. [...] Havendo desconformidade entre os motivos determinantes e a realidade, o ato é inválido.”2 Ora, no presente caso, a autoridade julgadora, acolhendo aos argumentos expostas na Impugnação da contribuinte, reconhece que a apuração correta da PIS e da COFINS deveria ser a apuração mensal, contudo, altera o lançamento, ajustando os novos valores devidos e julga entendendo que tal alteração não invalida o lançamento anteriormente efetuado. Diante disto, resta clara a patente nulidade do ato Administrativo consubstanciado na Decisão de 1ª Instância que maculou frontalmente o lançamento do presente caso. Assim, merece ser provido o Recurso Voluntário para declarar a nulidade do da decisão da DRJ, e, por via de consequência, do lançamento tributário, vez que a autoridade julgadora alterou os fundamentos do lançamento, sem possuir competência para tal. Por fim, merece análise o último ponto do presente caso, no que tange a exigência de juros sobre a multa de ofício. Neste ponto, também merece respaldo os argumentos trazidos pela Recorrente, o que enseja a reforma da decisão proferida pela DRJ. Isto porque a multa de ofício não pode ser corrigida pelos juros da taxa SELIC tendo em vista que os débitos de tributos e contribuições decorrem da prática dos respectivos fatos geradores, e as multas decorrem de violação à norma legal, no caso, do suposto não pagamento dos tributos e contribuições. A interpretação simultânea dos artigos 43 e 61 da Lei 9430/96 não deixam margem quanto isto. Nessa linha, este conselho, há tempos já decidiu quanto a não aplicação da correção da SELIC sobre a multa de ofício, desde a época dos já extintos 1ºCC, 2ºCC, e 3ºCC, Conselhos de Contribuintes, bem como do atual CARF: 1 DE MELLO, Celso Antônio Bandeira, Curso de Direito Administrativo, 19 ed., Malheiros, p. 376 2 MEIRELLES, Hely Lopes, Direito Administrativo Brasileiro, 31 ed., Malheiros, p. 197 Fl. 1254DF CARF MF Impresso em 08/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13896.000463/201066 Acórdão n.º 1401001.111 S1‐C4T1 Fl. 25 24 TAXA SELIC. JUROS DE MORA INCIDENTE SOBRE MULTA DE OFICIO. INAPLICABILIDADE. Os juros de mora equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC não incidem sobre a multa de oficio lançada juntamente com o tributo ou contribuição, por absoluta falta de previsão legal. (Acórdão nº 2202001.985, 2ª Turma Ordinária da 2ª câmara da 2ª Seção, sessão em 08/11/2012). JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. PREVISÃO LEGAL. INEXISTÊNCIA. Não existe amparo legal para a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício. (Acórdão nº 3403001.629, 3ª Turma Ordinária da 4ª câmara da 3ª Seção, sessão em 13/07/2012). MULTA DE OFÍCIO. JUROS MORATÓRIOS. Na execução das decisões administrativas, os juros de mora à taxa selic só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa aplicada. Sobre a multa podem incidir juros de mora à taxa de 1% ao mês, contados a partir do vencimento do prazo para impugnação (Acórdão nº 130200.386, 2ª Turma Ordinária da 3ª câmara da 1ª Seção, sessão em 10.11.2010). Por tais motivos, merece ser julgado procedente o presente Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Redator para Formalização do Voto Fl. 1255DF CARF MF Impresso em 08/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13896.000463/201066 Acórdão n.º 1401001.111 S1‐C4T1 Fl. 26 25 Voto Vencedor Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos Redator Desigando Delimitação do presente voto O presente voto referese, exclusivamente, ao recurso voluntário apresentado pela contribuinte. O ilustre Conselheiro Relator apresentou respeitável voto, dando provimento integral ao aludido recurso voluntário. Após prolongados debates, foram colhidos os votos dos demais conselheiros integrantes desse colegiado, tendo o ilustre Relator restado vencido, pelo voto de qualidade em relação à omissão de receitas e por maioria de votos em relação aos juros de mora. Fui designado pelo conselheiro Presidente para redigir o voto vencedor, demonstrando os motivos pelos quais este colegiado decidiu negar provimento ao presente recurso voluntário. É o que passo a fazer, com a devida vênia do ilustre Conselheiro Relator. Tributação das receitas omitidas No caso em apreço, a autuação da PIS e da COFINS foi realizada por meio de apuração trimestral, sendo que o procedimento correto consistiria em fazêlo com base na apuração mensal. Tal procedimento, contudo, foi ratificado pelo colegiado julgador a quo, O ilustre Conselheiro Relator, porém, considerou que este equívoco ensejava a nulidade do lançamento, nos seguintes termos: Ora, no presente caso, a autoridade julgadora, acolhendo aos argumentos expostas na Impugnação da contribuinte, reconhece que a apuração correta da PIS e da COFINS deveria ser a apuração mensal, contudo, altera o lançamento, ajustando os novos valores devidos e julga entendendo que tal alteração não invalida o lançamento anteriormente efetuado. Diante disto, resta clara a patente nulidade do ato Administrativo consubstanciado na Decisão de 1ª Instância que maculou frontalmente o lançamento do presente caso. Assim, merece ser provido o Recurso Voluntário para declarar a nulidade do da decisão da DRJ, e, por via de consequência, do lançamento tributário, vez que a autoridade julgadora alterou os fundamentos do lançamento, sem possuir competência para tal. Com a devida vênia do ilustre Conselheiro Relator, discordo frontalmente deste entendimento. O equívoco cometido pelas autoridades fiscais não produziu qualquer Fl. 1256DF CARF MF Impresso em 08/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13896.000463/201066 Acórdão n.º 1401001.111 S1‐C4T1 Fl. 27 26 prejuízo para o direito de ampla defesa do contribuinte. Assim sendo, estamos diante de uma situação típica do aplicação do consagrado pas de nullité sans grief (não há nulidade sem prejuízo). Importante ressaltar que, no caso específico dos autos, os elementos que acompanham o auto de infração possibilitam a apuração das bases de cálculo mensais das referidas exações fiscais. Assim, revelase extremamente fácil a retificação dos presentes lançamentos. Sobre o tema, manifestouse com muita propriedade a decisão de piso, fls. 11241125: [...] devese observar, na formalização da exigência, o regime de tributação ao qual se submetem as diversas espécies tributárias. Nesse particular, impõese reconhecer assistir razão à impugnante em sua acusação de não ter sido atendido, no lançamento, o regime de apuração mensal, ao qual se submetem as contribuições aqui analisadas (art. 2º da Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998, e art. 2º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991). Com efeito, notese que a fiscalização tomou, por equívoco, na determinação do Pis e da Cofins, as mesmas bases de cálculo trimestrais utilizadas na apuração do IRPJ e dda CSLL (vide demonstrativos de fls. 970/971, fls. 975/976, fls. 977/978 e fls. 982/983. Tal fato, contudo, não invalida o lançamento efetuado. Em sendo possível se determinar os valores de receitas coretos com as informações constantes dos Anexos I a IX, bem como as informações da planilha omissão de Rendimentos de Aplicações Financeiras, as quais são partes integrantes do Auto de Infração, o erro fiscal enseja, tãosomente, a retificação da exigência, para ajustar a base de cálculo aos valores de receitas mensais correspondentes, apenas, aos fatos geradores de 31/03/2005, 31/06/2005, 31/09/2005 e 31/12/2005, únicos períodos para os quais foi efetivamente formalizada a exigência das contribuições em estudo, mediante indicação do sujeito passivo, do fato gerador, da matéria tributável, do cálculo do montante devido e da penalidade cabível, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, aprovado pela Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. Forte neste entendimento, em relação ao presente tema, considero que o recurso voluntário não merece provimento. Incidência de juros sobre a multa de ofício. A matéria sob exame pode ser dividida em duas questões, que se completam. A primeira, diz respeito à própria possibilidade genérica da incidência de juros sobre a multa, e Fl. 1257DF CARF MF Impresso em 08/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13896.000463/201066 Acórdão n.º 1401001.111 S1‐C4T1 Fl. 28 27 centrase na interpretação do artigo 161 do CTN; a segunda questão envolve a discussão sobre a existência ou não de previsão legal para a exigência de juros sobre a multa, cobrados com base na taxa Selic. Sobre a incidência de juros de mora o citado art. 161 do CTN prevê o seguinte: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Inicialmente entendo que o art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício após a lavratura do auto de infração, já que a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo. Ou seja, tanto a multa como o tributo compõem o crédito tributário, devendo lhes ser aplicado os mesmos procedimentos e os mesmos critérios de cobrança, sendo, portanto, possível a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Por seu turno o § 1.º do art. 161 do CTN, ao prever os juros moratórios incidentes sobre os créditos não satisfeitos no vencimento, estipula taxa de 1% ao mês, não dispondo a lei de modo diverso. Abriu, dessa forma, possibilidade ao legislador ordinário tratar da matéria, o que introduz a segunda questão: a da existência ou não de lei prevendo a incidência de juros sobre a multa de oficio com base na taxa Selic. O artigo 43 da Lei nº 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa. Confirase in verbis: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." (grifei) Esse entendimento se coaduna com a Súmula nº 45 do extinto Tribunal Federal de Recursos, que já previa a correção monetária da multa: Fl. 1258DF CARF MF Impresso em 08/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13896.000463/201066 Acórdão n.º 1401001.111 S1‐C4T1 Fl. 29 28 As multas fiscais, sejam moratórias ou punitivas, estão sujeitas à correção monetária. Considerando a natureza híbrida da taxa SELIC, representando tanto taxa de juros reais quanto de correção monetária, justificase a sua aplicação sobre a multa. Neste sentido se posicionou a 2ª Turma da CSRF: JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO APLICABILIDADE O art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo Recurso especial negado. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Precedentes do Tribunal Regional da 4ª Região. Recurso Especial Negado." (Acórdão no 9202001.991,de 16/02/2012, relator: conselheiro Elias Sampaio Freire) Destarte, entendo que é legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício após a lavratura do auto de infração, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Fl. 1259DF CARF MF Impresso em 08/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
score : 1.0
Numero do processo: 11516.007294/2008-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jun 16 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1401-000.179
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, nos termos da Portaria nº 01/2012 do CARF, sobrestar o julgamento.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Karem Jureidini Dias
Nome do relator: Não se aplica
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201210
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 16 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 11516.007294/2008-72
anomes_publicacao_s : 201506
conteudo_id_s : 5477098
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 17 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1401-000.179
nome_arquivo_s : Decisao_11516007294200872.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : Não se aplica
nome_arquivo_pdf_s : 11516007294200872_5477098.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, nos termos da Portaria nº 01/2012 do CARF, sobrestar o julgamento. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Karem Jureidini Dias
dt_sessao_tdt : Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2012
id : 5972903
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:41:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047890173100032
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1326; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11516.007294/200872 Recurso nº 000.001Voluntário Resolução nº 1401000.179 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 4 de outubro de 2012 Assunto Sobrestamento Recorrente R&N INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, nos termos da Portaria nº 01/2012 do CARF, sobrestar o julgamento. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva– Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Karem Jureidini Dias RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .0 07 29 4/ 20 08 -7 2 Fl. 640DF CARF MF Impresso em 16/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 11516.007294/200872 Resolução nº 1401000.179 S1C4T1 Fl. 3 2 Dentre as questões em discussão no presente feito, encontrase a utilização da Requisição de Movimentação Financeiras – RMF, por parte da Autoridade Fiscal, como forma de conhecer os extratos bancários da Recorrente. A constitucionalidade de referido instrumento está em julgamento perante o Supremo Tribunal Federal, nos autos do RE 601.314. Ainda, no RE 410.054 AgRg, foi determinado o sobrestamento do feito até o julgamento do processo em repercussão geral. Segundo o art. 62, § 1º Código de Processo Civil, “Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543b, do CPC”. Ainda, nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, o reconhecimento da repercussão geral conduzirá |à aplicado no art. 543B do CPC. Senão, veja se: Art. 328. Protocolado ou distribuído recurso cuja questão for suscetível de reproduzirse em múltiplos feitos, o Presidente do Tribunal ou o Relator, de ofício ou a requerimento da parte interessada, comunicará o fato aos tribunais ou turmas de juizado especial, a fim de que observem o disposto no art. 543B do Código de Processo Civil, podendo pedirlhes informações, que deverão ser prestadas em 5 (cinco) dias, e sobrestar todas as demais causas com questão idêntica. Parágrafo único. Quando se verificar subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, o Presidente do Tribunal ou o Relator selecionará um ou mais representativos da questão e determinará a devolução dos demais aos tribunais ou turmas de juizado especial de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil. (sem grifos no original). Ainda, a Portaria nº 138, de 23 de julho de 2009, do Supremo Tribunal Federal, impõe que todo processo onde tiver havido repercussão geral deverá ser sobrestado, independentemente de determinação expressa nesse sentido. Leiase o dispositivo, in verbis: PORTARIA Nº 138, DE 23 DE JULHO DE 2009 O PRESIDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, no uso de suas atribuições legais e tendo em vista o disposto no art. 543B, § 5º, do Código de Processo Civil, com a redação da Lei nº 11.418/06, e no art. 328, parágrafo único, do Regimento Interno, com redação da Emenda Regimental nº 21/07, RESOLVE: Art. 1º Determinar à Secretaria Judiciária que devolva aos Tribunais, Turmas Recursais ou Turma Nacional de Uniformização dos Juizados Especiais os processos múltiplos ainda não distribuídos relativos a matérias submetidas à análise de repercussão geral pelo STF, os encaminhados em desacordo com o disposto no § 1º do art. 543B, do Código de Processo Civil,bem como aqueles em que os Ministros tenham determinado sobrestamento ou devolução. Por fim, a Portaria nº 01/2012 deste Conselho determina o sobrestamento do feito, sempre que, cumulativamente, a matéria encontrase em repercussão geral e tiver havido Fl. 641DF CARF MF Impresso em 16/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 11516.007294/200872 Resolução nº 1401000.179 S1C4T1 Fl. 4 3 ordem de sobrestamento de processos por força de referida situação. No caso, essa cumulação de requisitos se apresenta pelos RE 601.314 e RE 410.054 AgRg, ambos do Supremo Tribunal Federal. Pelo exposto, nos termos da Portaria nº 1 do CARF, voto no sentido de sobrestar o julgamento do presente feito até ulterior análise da questão constitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Transitada em julgada a decisão do Excelso Pretório, retornem os autos para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Fl. 642DF CARF MF Impresso em 16/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10218.000575/2005-53
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Aug 31 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 04/07/2003
REGIME ADUANEIRO ESPECIAL DE DRAWBACK. EXPORTAÇÃO FORA DO PRAZO ESTABELECIDO EM ATO CONCESSÓRIO. INADIMPLEMENTO.
Somente serão aceitas para comprovação das obrigações assumidas por ocasião da concessão do Regime Aduaneiro Especial de Drawback, exportações realizadas dentro do prazo de validade do Ato Concessório (AC).
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-004.242
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015).
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Solon Sehn e Francisco Jose Barroso Rios.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 04/07/2003 REGIME ADUANEIRO ESPECIAL DE DRAWBACK. EXPORTAÇÃO FORA DO PRAZO ESTABELECIDO EM ATO CONCESSÓRIO. INADIMPLEMENTO. Somente serão aceitas para comprovação das obrigações assumidas por ocasião da concessão do Regime Aduaneiro Especial de Drawback, exportações realizadas dentro do prazo de validade do Ato Concessório (AC). Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 31 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10218.000575/2005-53
anomes_publicacao_s : 201508
conteudo_id_s : 5515812
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 31 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3802-004.242
nome_arquivo_s : Decisao_10218000575200553.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
nome_arquivo_pdf_s : 10218000575200553_5515812.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Solon Sehn e Francisco Jose Barroso Rios.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
id : 6113369
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:42:36 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047890175197184
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1816; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 597 1 596 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10218.000575/200553 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3802004.242 – 2ª Turma Especial Sessão de 18 de março de 2015 Matéria II/IPI Drawback Importação Recorrente FLORA FLORESTA DO ARAGUAIA CONSERVAS ALIMENTÍCIAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 04/07/2003 REGIME ADUANEIRO ESPECIAL DE DRAWBACK. EXPORTAÇÃO FORA DO PRAZO ESTABELECIDO EM ATO CONCESSÓRIO. INADIMPLEMENTO. Somente serão aceitas para comprovação das obrigações assumidas por ocasião da concessão do Regime Aduaneiro Especial de Drawback, exportações realizadas dentro do prazo de validade do Ato Concessório (AC). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D’amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Solon Sehn e Francisco Jose Barroso Rios. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 00 05 75 /2 00 5- 53 Fl. 597DF CARF MF Impresso em 31/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 31/08/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 28/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Relatório Preliminarmente, ressaltase que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc (fl. 596), para formalização do respectivo Acórdão, considerando o resultado do julgado, conforme o constante da ATA da respectiva sessão de julgamento. O contribuinte FLORA FLORESTA DO ARAGUAIA CONSERVAS ALIMENTÍCIAS LTDA. insurgese no presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 08 21.414, proferido pela 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza – DRJ/FOR, que julgou improcedente a impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário formalizado. Por bem descrever os fatos e atos processuais ocorridos até o momento da apresentação da impugnação, reproduzse aqui o relato formulado pela autoridade julgadora de 1ª instância, in verbis: Do lançamento Tratase de lançamento do Imposto de Importação — II e do Imposto Sobre Produtos Industrializados acrescidos dos encargos legais, fundamentado com base nos dispositivos legais e infralegais constantes das fls. 81 e 86, perfazendo, na data da autuação, crédito tributário no valor total de R$ 62.044,47, conforme autos de infração às fls. 78/88. Segundo a fiscalização, a autuada, por meio da DI de n° 03/0517147/0001, registrada em 19/06/2003 e desembaraçada em 04/07/2003, submeteu ao Regime Aduaneiro Especial de Drawback, na modalidade suspensão, mercadoria com a seguinte descrição: SACOS ASSÉPTICOS NAS DIMENSÕES: largura = 950 mm X comprimento = 1620 mm, num total de 5.114 quilogramas, classificada na Tarifa Externa Comum no código 3923.29.90, com base no Ato Concessório n° 20030049911, de 14/04/2003, com prazo de validade até 31/12/2003. Ainda de acordo com relato da fiscalização, os sistemas da Secretaria da Receita Federal acusaram a inadimplência do beneficiário em relação à obrigação de comprovar a reexportação, na forma prevista no ato concessário, das mercadorias importadas com o beneficio fiscal, não se encontrando nenhum registro de exportação vinculado ao ato concessório em comento. Assim, a Secretaria de Comércio Exterior — SECEX declarou o INADIMPLEMENTO TOTAL do contribuinte, com base no disposto no artigo 161 da Portaria SECEX n° 14/2004. Intimado pela SRF, o contribuinte não comprovou exportações vinculadas ao Ato Concessório n°20030049911. Ocorrido o final do prazo estabelecido no regime, não tendo o beneficiário tomado nenhuma das providências elencadas no artigo 342 do Regulamento Aduaneiro, devem ser exigidos os tributos suspensos. Fl. 598DF CARF MF Impresso em 31/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 31/08/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 28/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10218.000575/200553 Acórdão n.º 3802004.242 S3TE02 Fl. 598 3 Cientificada da autuação na forma pessoal, através da Sra. Ondina Ferreira de Souza Gomes, contadora, em 30/11/2005, a empresa autuada apresentou, em 27/12/2005, impugnação, alegando, em síntese, o seguinte: 1. que o prazo dado para as exportações foi extremamente exíguo, menos de 06 (seis) meses, enquanto o prazo dado pelo artigo 340 do Regulamento Aduaneiro é de no mínimo 01 (hum) ano, podendo inclusive ser prorrogado por mais 01 (hum), sendo inadmissível o fato de ter sido dado apenas 06 (seis) meses para a exportação total dos produtos. 2. que por motivos diversos, algumas exportações não ocorreram dentro do exíguo prazo estabelecido em Ato Concessório. Mas, o que resta claro e evidente, ante todos os documentos acostados, que realmente ocorreu a exportação total da mercadoria importada com a tributação suspensa, ou seja, os sacos foram utilizados, em sua totalidade, para acondicionarem polpa de fruta congelada e posteriormente exportada, cumprindo o objetivo do ato concessório; 3. que os RE's descritos na tabela constante das fls. 94/100, bem como os documentos juntados com a peça impugnatória (conhecimento marítimo, fatura comercial, notas fiscais, extrato de declaração de despacho, extrato do registro de exportação), documentos 05 ao 72, comprovam que houve as exportações; 4. que, havendo a exportação total do produto, a obrigação principal derivada do regime drawback suspensão foi cumprida, não podendo se falar em inadimplemento do regime, isto é, não podendo haver a cobrança do Imposto de Importação e do Imposto Sobre Produtos Industrializados, visto que a vinculação das exportações ao ato concessório e a exportação dentro do prazo estabelecido são meras obrigações acessórias que, inclusive, não possuem tipo de sanção pelo seu descumprimento em nosso Regulamento Aduaneiro, existindo apenas e tãosomente sanção pela não exportação, que seria a obrigação do pagamento dos tributos suspensos, fato que não aconteceu; 5. além disso, cabe relatar que a ora impugnante efetivamente só promoveu a importação de uma partida de sacos assépticos, e assim agiu porque após a importação, despacho da mercadoria sob regime aduaneiro especial de drawback e sua utilização, foi instalada no Brasil uma fábrica, de capital norteamericano, especializada no fabrico desses sacos, tendo em vista a imprescindível e crescente utilização dos mesmos, notadamente no envasamento, para exportação em larga escala, de suco de laranja para os Estados Unidos e para a Europa. Com a instalação do fabricante no território brasileiro desapareceu a necessidade de novas exportações do insumo, ou seja, sacos assépticos; 6. juntou várias jurisprudências, administrativas e judiciais, para fundamentar sua tese de defesa; 7. por último, ante todo o exposto em peça impugnatória, tendo sido a matériaprima importada — sacos assépticos — empregada na confecção do produto exportado, conforme demonstra toda a documentação anexada, Fl. 599DF CARF MF Impresso em 31/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 31/08/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 28/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 destacando que a produção da impugnante é inteiramente destinada ao mercado externo e que a Fiscalização Federal, que compulsou a contabilidade e documentação da impugnante, NÃO TER CONSTATADO A EXISTÊNCIA de prova de que a matériaprima questionada tenha sido vendida a terceiros, ao invés de ter sido destinada a reenvio ao exterior, sendo fato comprovador que afasta qualquer autuação fiscal por quebra do regime de drawback e que finalmente ter ocorrido a exportação integral dos bens importados com tributos suspensos, requer a impugnante seja julgado IMPROCEDENTE a autuação ora impugnada. Atendidas as cautelas de praxe, vieram os autos para julgamento neste órgão especializado. Não acatando as razões aduzidas pela interessada na instância a quo, a 7ª Turma da DRJ/FOR resumiu na forma da ementa abaixo os motivos pelo quais julgou improcedente a impugnação apresentada. Vejase: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 04/07/2003 REGIME ADUANEIRO ESPECIAL DE DRAWBACK. EXPORTAÇÃO DENTRO DO PRAZO ESTABELECIDO EM ATO CONCESSÓRIO. Somente serão aceitas para comprovação das obrigações assumidas por ocasião da concessão do Regime Aduaneiro Especial de Drawback exportações realizadas dentro do prazo de validade do ato concessório. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignado com a decisão supra, o sujeito passivo interpôs o presente Recurso Voluntário reafirmando as alegações já trazidas na sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, redator ad hoc designado para formalizar a decisão (fl. 596), uma vez que o Conselheiro Relator Bruno Maurício Macedo Curi, não mais compõe este colegiado e que a respectiva Turma Especial foi extinta, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros processos nessa situação tratamento diverso. Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso, passando à análise das razões nele expostas. Fl. 600DF CARF MF Impresso em 31/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 31/08/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 28/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10218.000575/200553 Acórdão n.º 3802004.242 S3TE02 Fl. 599 5 O primeiro argumento trazido à lume pela Recorrente diz respeito à duração do Regime Aduaneiro de Drawback. A Recorrente sustenta que o art. 340 do Regulamento Aduaneiro (RA) vigente à época da ocorrência dos fatos geradores (Decreto nº 4.543/2002) impõe que o prazo de duração do regime aduaneiro especial de Drawback necessariamente é de um ano. Assim dispõe o art. 340 do antigo RA: Art. 340. O prazo de vigência do regime será de um ano, admitida uma única prorrogação, por igual período, salvo nos casos de importação de mercadorias destinadas à produção de bens de capital de longo ciclo de fabricação, quando o prazo máximo será de cinco anos (Decretolei nº 1.722, de 3 de dezembro de 1979, art. 4º e parágrafo único). Parágrafo único. Os prazos de que trata o caput terão como termo final o fixado para o cumprimento do compromisso de exportação assumido na concessão do regime. Entendo que a leitura do caput do art. 340 do Regulamento Aduaneiro, de 2002, não deve ser feita dissociada do seu parágrafo único, o qual é extremamente claro ao definir que, nada obstante a duração ser ordinariamente de um ano, com prorrogação permitida por igual período, o prazo terá concretamente como termo final aquele fixado no Ato Concessório. Assim, andou bem a decisão recorrida ao definir que, mesmo à luz do Regulamento Aduaneiro, não houve qualquer irregularidade nos Atos Concessórios (AC) que estabeleceram prazo inferior a um ano para exportação dos produtos acabados, acondicionados nos sacos importados pelo Recorrente sob o beneplácito da suspensão do Imposto de Importação e do IPI: "(...) Para o deslinde do caso, é necessária uma interpretação sistemática das normas que regulam o regime aduaneiro de Drawback Suspensão. De acordo com tais dispositivos, no momento em que é concedido o regime nasce um vinculo jurídico entre o beneficiário e a União. O beneficiário se compromete a cumprir todos os requisitos constantes do Ato Concessário emitido pelo órgão competente DECEX/SECEX; a Unido, por sua vez, concede a suspensão dos tributos incidentes na importação. A condição básica para a obtenção do beneficio é que a empresa se comprometa exportar produtos em que foram utilizados os insumos importados sob o regime de Drawback, conforme prevê explicitamente o art. 335, inciso I, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto 4543/2002, vigente para os fatos geradores em questão, destacado alhures. Além do mais, deve haver uma perfeita vinculação, no que pertine a quantidade, peso, valor e descrição entre os produtos constantes do ato concessório e os produtos efetivamente exportados, além disso deve ser respeitado, também, o prazo estabelecido para a exportação. Na ótica de beneficio tributário, tratase de ato jurídico celebrado sob condição suspensiva, no qual o evento condicional é o adimplemento do compromisso de exportar as mercadorias nas condições estabelecidas no ato concessório, inclusive com observação do prazo. Realizada a exportação Fl. 601DF CARF MF Impresso em 31/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 31/08/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 28/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 tempestivamente, configurase a exclusão do crédito tributário, consolidandose a isenção. Por outro lado, não comprovada a exportação, conforme estabelecido em ato concessório, subsiste a obrigação tributária, impondose o recolhimento dos tributos devidos, acrescidos dos encargos legais". (grifos do original) Cabe realçar, nesse aspecto, que se o Recorrente não concordava com os prazos estabelecidos nos Atos Concessórios, deveria anteriormente ao fim do prazo ali estabelecido requerer a dilação do prazo – inclusive evocando, para respaldar seu pleito, o art. 340 do RA/2002. É o que dispõe o art. 16 da Portaria SECEX 04/97: Art. 16 – A empresa beneficiária poderá solicitar alterações das condições gerais estabelecidas quando da concessão do Regime, desde que devidamente justificado e dentro do prazo de validade do Ato Concessório de Drawback. Ao não fazêlo, automaticamente passou a infringir os termos dos Atos Concessórios, sendo certo que a exportação a desoras não pode ser considerada apta a convalidar as práticas pactuadas naquele regime aduaneiro especial. Válido, nesse aspecto, todo o repertório de jurisprudência do CARF e do STJ sobre a inaplicabilidade do instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias, assim entendidas como todos os deveres formais diferentes do pagamento, ex vi arts. 115 e 138 do Código Tributário Nacional. O segundo argumento trazido pelo Recorrente consiste na afirmação de que parte dos produtos importados sob o regime de drawback fora reexportada dentro do prazo definido nos Atos Concessórios. De fato, caso o Recorrente tenha efetivamente remetido ao exterior produtos acabados com os insumos que importou sob o regime aduaneiro especial, deve ter os tributos sobre eles incidentes excluídos do auto de infração. A própria decisão recorrida não destoa nesse aspecto, ao menos em tese. O óbice encontrado pela DRJ, no entanto, é o mesmo com o qual me deparo: não há nos autos qualquer demonstração de que os produtos reexportados tiveram utilizados os insumos constantes de cada Ato Concessório autuado, tanto mais nos prazos neles definidos. Vale frisar que a decisão a quo foi bastante enfática nesse aspecto, conforme se vê do excerto abaixo: "(...) No caso sub examinie (sic), conforme estabelecido no ato concessório (fl. 115), a empresa autuada deveria ter exportado os produtos compromissados até o dia 31/12/2003. Entretanto, de acordo com o que se depreende da documentação juntada aos autos, bem como do relato da própria impugnante, parte das exportações foram realizadas fora do prazo estabelecido. Frisese, também, que em outros RE's juntados, embora a averbação do embarque tenha ocorrido dentro do prazo de validade do ato concessório, não há vinculação entre este e o Registro de Exportação, fato que se conclui ante a constatação do enquadramento da operação ter sido efetuada no código "8000". Fl. 602DF CARF MF Impresso em 31/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 31/08/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 28/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10218.000575/200553 Acórdão n.º 3802004.242 S3TE02 Fl. 600 7 Tais fatos caracterizam o descumprimento do regime ora em análise. E a exegese que se extrai das normas que regulamentam o Regime Aduaneiro de DRAWBACK Suspensão". (...) Diante da assertiva da decisão recorrida, seria natural que o Recorrente a combatesse mediante a correlação entre os Registros de Exportação e os Atos Concessórios referentes a cada importação realizada. Ao não fazêlo, e se confirmando a inviabilidade de se identificar tais elos nos documentos constantes dos autos, resta frágil o argumento recursal. Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento, mantendo integralmente o crédito tributário formalizado contra o sujeito passivo. Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015, subscrevo o presente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc. Fl. 603DF CARF MF Impresso em 31/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 31/08/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 28/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720663/2013-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jul 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2010
JUROS DE MORA. PARCELA CORRESPONDENTE À REDUÇÃO DE 45% PREVISTA NA LEI Nº 11.941, DE 2009. PERDÃO DE DÍVIDA. RECEITA NÃO TRIBUTÁVEL.
O perdão de dívida constitui-se como receita e deve compor o resultado do exercício. Contudo, a parcela dos juros de mora correspondente à redução de 45% para pagamento à vista prevista no art. 1º, § 3º, I, da Lei nº 11.941, de 2009, não deve ser computada na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL por expressa disposição legal (inteligência do art. 4º, parágrafo único, da Lei nº 11.941, de 2009). Solução de Consulta Cosit nº 21/2013.
LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL.
A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplica-se, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 1402-001.947
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Cortez. Designado o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto para redigir o voto vencedor.
(Assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Redator ad hoc
(Assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Cristiane Silva Costa e Paulo Roberto Cortez.
Nome do relator: PAULO ROBERTO CORTEZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2010 JUROS DE MORA. PARCELA CORRESPONDENTE À REDUÇÃO DE 45% PREVISTA NA LEI Nº 11.941, DE 2009. PERDÃO DE DÍVIDA. RECEITA NÃO TRIBUTÁVEL. O perdão de dívida constitui-se como receita e deve compor o resultado do exercício. Contudo, a parcela dos juros de mora correspondente à redução de 45% para pagamento à vista prevista no art. 1º, § 3º, I, da Lei nº 11.941, de 2009, não deve ser computada na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL por expressa disposição legal (inteligência do art. 4º, parágrafo único, da Lei nº 11.941, de 2009). Solução de Consulta Cosit nº 21/2013. LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplica-se, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa. Recurso Provido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jul 03 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 19515.720663/2013-03
anomes_publicacao_s : 201507
conteudo_id_s : 5481084
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jul 03 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1402-001.947
nome_arquivo_s : Decisao_19515720663201303.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : PAULO ROBERTO CORTEZ
nome_arquivo_pdf_s : 19515720663201303_5481084.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Cortez. Designado o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto para redigir o voto vencedor. (Assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Redator ad hoc (Assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Cristiane Silva Costa e Paulo Roberto Cortez.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
id : 6014345
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:41:54 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047890179391488
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 24; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2124; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 424 1 423 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.720663/201303 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402001.947 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de março de 2015 Matéria IRPJ e CSLL Recorrente ITAÚ RENT ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2010 JUROS DE MORA. PARCELA CORRESPONDENTE À REDUÇÃO DE 45% PREVISTA NA LEI Nº 11.941, DE 2009. PERDÃO DE DÍVIDA. RECEITA NÃO TRIBUTÁVEL. O perdão de dívida constituise como receita e deve compor o resultado do exercício. Contudo, a parcela dos juros de mora correspondente à redução de 45% para pagamento à vista prevista no art. 1º, § 3º, I, da Lei nº 11.941, de 2009, não deve ser computada na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL por expressa disposição legal (inteligência do art. 4º, parágrafo único, da Lei nº 11.941, de 2009). Solução de Consulta Cosit nº 21/2013. LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Cortez. Designado o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto para redigir o voto vencedor. (Assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Redator ad hoc (Assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Redator Designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 06 63 /2 01 3- 03 Fl. 424DF CARF MF Impresso em 03/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Cristiane Silva Costa e Paulo Roberto Cortez. Fl. 425DF CARF MF Impresso em 03/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.720663/201303 Acórdão n.º 1402001.947 S1C4T2 Fl. 425 3 Relatório ITAÚ RENT ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES S/A., contribuinte inscrita no CNPJ/MF sob nº 02.180.133/000112, com domicílio fiscal na cidade de São Paulo, Estado de São Paulo, na Praça Alfredo Aranha, nº 100 Bairro Parque Jabaquara, jurisdicionada a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo SP, inconformada com a decisão de Primeira Instância de fls. 345/352, prolatada pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo SP, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 359/366. Contra a contribuinte, acima identificada, foi lavrado, em 26/03/2013, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fiscalização em São Paulo SP os Autos de Infração de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls. 258/262), com ciência, em 27/03/2013 (fl. 270), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 14.434.745,33, a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, acrescidos da multa de ofício normal de 75% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor do imposto referente ao exercício de 2010, correspondente ao anocalendário de 2009. Além disso, houve o ajuste de base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, sendo que o valor tributado foi totalmente compensado com a base negativa apurada no próprio anocalendário de 2009. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização onde a autoridade fiscal lançadora entendeu haver custos ou despesas não comprovadas havendo efetuado a glosa de despesas financeiras pelo valor declarado em DIPJ e não comprovado pela empresa. Infração capitulada nos arts. 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 299 e 300, do RIR/99. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela constituição do crédito tributário lançado esclarece o lançamento através do Termo de Verificação Fiscal (fls. 251/254) amparado, em síntese, nas seguintes considerações: que a empresa entregou, em 30/12/2010, a sua DIPJ retificadora referente ao anocalendário de 2009, tendo adotado o lucro real anual como regime de apuração do IRPJ, sendo que os correspondentes valores apurados foram declarados em DCTF; que foi analisado o efeito do pagamento dos débitos fiscais referentes aos Processos PA nº 16561.000076/200613, EF nº 2005.61.82.094632, PA nº 16327.000522/200158, MC nº 200.03.00.312652 e MS nº 96.00358372, oriundos originalmente de empresas incorporadas ou adquiridas pela empresa em anos anteriores à fiscalização; que esses pagamentos, em adesão ao programa instituído pela Lei nº 11.941/2009, de acordo com o inciso I, do § 3º, do artigo 1º, provocaram um ganho correspondente ao somatório da anistia de 100% das multas de ofício, com a parcela de desconto de 45% do total dos juros de mora, caracterizando uma Receita Não Operacional e não tributável. Tais valores são passíveis de exclusão na apuração do Lucro Real e da Base de Fl. 426DF CARF MF Impresso em 03/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO 4 Cálculo da CSLL, sendo que a empresa comprovou integralmente esses valores declarados em sua DIPJ do anocalendário 2009; que, contudo, a empresa não comprovou a totalidade do valor de R$ 66.141.493,90 declarados na linha 43, das Fichas 06A e da 07A: ”Outras Despesas Financeiras” da DIPJ/2010 – AC 2009, mesmo tendo sido intimada e reintimada; que verificouse que houve erro de cálculo por parte da empresa, decorrente de ter considerado como despesa financeira à totalidade do valor dos juros devidos nos processos fiscais acima listados, tendo incluindo indevidamente o valor não pago da redução de 45% dos juros de mora, pela anistia do pagamento à vista dos saldos na adesão ao programa instituído pela Lei nº 11.941/2009; que no item “outras despesas financeiras”, a empresa somente poderia considerar o valor da despesa incorrida, correspondendo ao valor dos juros efetivamente pagos via DARF (equivalente a 55% do saldo de juros devidos nos processos fiscais referidos, após o desconto da adesão ao programa da Lei nº 11.941/2009), deduzido do valor que foi objeto de pedido de restituição por parte da empresa a titulo de pagamento indevido ou a maior; que os cálculos da planilha anexa “VALORES NÃO COMPROVADOS DE OUTRAS DESPESAS FINANCEIRAS”, analisandose os pagamentos efetuados pela empresa via DARF e as planilhas e os documentos apresentados, foi verificado que do valor de R$ 66.141.493,90, declarado a título de “Outras Despesas Financeiras”, a empresa só comprovou R$ 37.839.458,98, caracterizando a ocorrência da infração no valor de R$ 28.302.034,92, a título de “CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS – GLOSA DE DESPESAS FINANCEIRAS”. Em decorrência do apurado foram lavrados os autos de infração do IRPJ e da CSLL. Em sua peça impugnatória de fls. 272/277, instruída pelos documentos de fls. 278/336 apresentada, tempestivamente, em 26/04/2013, a autuada se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida à impugnação para declarar a insubsistência do Auto de Infração, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: que o presente auto de infração teve origem na análise dos efeitos dos pagamentos dos débitos fiscais nos autos dos processos nºs 16561.000076/200613 e 16327.000522/200158, oriundos de empresas incorporadas ou adquiridas pela impugnante; que tais pagamentos foram efetuados com as benesses da anistia que, nos termos da Lei nº 11.941/2009, concedia desconto de 100% das multas e redução de 45% dos juros de mora, para os recolhimentos efetuados à vista; que o deslinde da questão tem seu mérito relacionado à contabilização adotada pela Impugnante, com relação aos tributos, juros e multa pagos por ocasião da anistia, todos esses lançamentos demonstrados pelos documentos contábeis anexos; que a discussão dos débitos fiscais mencionados eram considerados como contingência passiva de possível realização; que, dessa forma, ao decidir desistir das discussões e efetuar o pagamento com os benefícios da anistia, a Impugnante reconheceu o respectivo passivo tributário pelo seu valor integral (R$ 46.595.904,59 correspondente ao principal, R$ 65.651.503,75 correspondente aos juros moratórios e R$ 34.670.280,71 correspondente à multa de ofício). “Não poderia ser diferente, especialmente considerando o Princípio do Custo Original com Base de Valor”; Fl. 427DF CARF MF Impresso em 03/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.720663/201303 Acórdão n.º 1402001.947 S1C4T2 Fl. 426 5 que esse passivo acarretou despesa tributária, de igual valor. A contrapartida dessa despesa foi em parte no caixa (pagamento efetivo do imposto e da parte dos juros não anistiado, no valor de R$ 46.595.904,59 e R$ 35.963.432,61, respectivamente) e em parte em conta de receita, onde se registraram os efeitos dos benefícios da anistia, no valor de R$ 29.688.071,14 por conta dos juros anistiados e no valor de R$ 34.670.280,71 por conta da multa anistiada; que por conta de expressa disposição legal a referida receita, acima mencionada, foi excluída na apuração do Lucro Real (Lei nº 11.941/2009); que à primeira vista pode parecer ao incauto que houve erro da impugnante na apuração do seu lucro real. Na realidade, tal apuração foi realizada na mais estrita observância dos princípios contábeis e das regras fiscais vigentes; que, por fim, cumpre salientar que o montante glosado pela fiscalização relativo à diferença dos juros dos tributos pagos na anistia corresponde a 99,26% da autuação fiscal R$ 27.812.017,97, sendo o restante do lançamento R$ 490.016,95 relativos a despesas devidamente registradas e comprovadas por meio dos documentos e Razões contábeis ora juntados; que, admitindo, para argumentar que não seja declarada insubsistente a exigência fiscal, o Fisco não poderá exigir juros de mora sobre o valor da multa de ofício e se fossem cabíveis, seriam aplicáveis apenas juros moratórios à taxa Selic limitados a 1%. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pela impugnante, em 23/08/2013, os membros da 3°Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo SP concluíram pela procedência do lançamento e manutenção integral do crédito tributário, com base, em síntese, nas seguintes considerações: que conforme informado pela fiscalização, do valor de R$ 66.141.493,90 de “Outras Despesas Financeiras” registrado na DIPJ/2010 a empresa só comprovou a realização das despesas na quantia de R$ 37.839.458,98, caracterizando a ocorrência da infração no valor de R$ 28.302.034,92 (glosa de despesas); que a fiscalização apurou que esta diferença decorre de erro cometido pela Impugnante, pois, considerou como despesa financeira à totalidade do valor dos juros incorridos, incluindo os não pagos devido à anistia obtida com o pagamento à vista dos valores devidos, com a adesão ao programa instituído pela Lei nº 11.941/2009; que a Impugnante em sua defesa informa os critérios utilizados para a contabilização das contingências, que conforme pode ser entendido foi o seguinte (apresento de maneira presumida as contas contábeis movimentadas): (i) reconheceu integralmente o passivo com juros devidos: (crédito) – “Juros Devidos” e (débito) – “Despesas com Juros”; (ii) pagamento dos juros não anistiados: (débito) – “Juros Devidos”; (crédito) – “Banco”; (iii) estorno da parcela dos juros anistiados: (débito) – “Juros Devidos” e (crédito) – “Outras Receitas – Juros Anistiado”; que conforme a Impugnante informou, com base no previsto na Lei nº 11.941/2009, ela excluiu esta receita, dos juros anistiados, para apuração do Lucro Real. Logo, tornou sem efeito fiscal o estorno contábil dos juros não pagos; Fl. 428DF CARF MF Impresso em 03/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO 6 que sendo assim, a impugnante não procedeu da mesma maneira quanto às despesas de juros, pois, ela não adicionou para efeito de apuração do lucro Real o valor dos juros anistiados. Sendo este valor de R$ 28.302.034,92 que a fiscalização glosou como despesas financeiras não realizadas (juros não pagos); que quanto à diferença de R$ 490.016,95 (juros) que compõe o valor glosado pela fiscalização de R$ 28.302.034,92, que a Impugnante alega que está devidamente comprovada a despesa, já havia sido devidamente considerado, este valor, na análise realizada pela fiscalização; que destaco que a fiscalização se baseou, para suas análises, no valor de R$ 66.141.493,90 informado na DIPJ/2010 “Outras Despesas Financeiras”, que difere da quantia apresentada na impugnação de R$ 65.651.503,75, que se refere somente aos juros sobre os débitos incluídos no programa do pagamento a vista ou parcelado; que os juros de mora sobre a multa de ofício, ou seja, que não houve o lançamento de juros de mora sobre a multa de ofício aplicada. Essa questão relacionase com a cobrança do crédito tributário, que é posterior ao julgamento da impugnação. Os juros, incidentes sobre o crédito tributário lançado, serão calculados e atualizados até o efetivo pagamento, na fase de execução do acórdão e de cobrança do crédito tributário mantido, após tornarse definitiva, na esfera administrativa, a decisão acerca do lançamento impugnado; que deve ficar assentado que a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício está prevista nos artigos 43 e 61, § 3º, da Lei 9.430/96. Além da previsão legal, registre se também, a teor das disposições contidas nos artigos 113, § 1º, e 139, do CTN, que a penalidade pecuniária, a despeito de não ser tributo, faz parte do crédito tributário e, por conseguinte, deve receber o tratamento dispensado pelo CTN ao crédito tributário; que a taxa Selic, ou seja, à aplicação da taxa Selic limitada a 1%, o artigo 161, § 1º, do CTN; que valendose, dessa faculdade, foram editadas sucessivamente as normas legais: Lei nº 9.065/95, artigo 13, e Lei nº 9.430/96, artigos 6º, §2º e 61, §3º, determinando que os juros de mora seriam equivalentes à taxa SELIC; que a única exigência para a fixação de juros de mora distintos do percentual de um (1) por cento ao mês – expressa previsão legal – foi atendida com as normas acima indicadas; que deve ser rejeitado o pedido da impugnante relativo ao limite de 1% da taxa Selic, ressalto que não cabe a este julgador entrar no mérito se a Lei nº 9.065/95 atendeu o preceituado no artigo 161 do CTN. A decisão de Primeira Instância esta consubstanciada nas seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 DESPESAS DE JUROS. ANISTIA POR ADESÃO A PAGAMENTO A VISTA DE DÉBITO. NÃO DEDUTÍVEL. A parcela dos juros anistiada em decorrência de adesão a programa de pagamento a vista ou parcelado de débitos Fl. 429DF CARF MF Impresso em 03/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.720663/201303 Acórdão n.º 1402001.947 S1C4T2 Fl. 427 7 fiscais, deve ser adicionada na apuração do lucro real por não ter sido realizada a despesa. Mantida a glosa processada pela fiscalização. TAXA SELIC. CABIMENTO. Os juros de mora são devidos por expressa disposição legal. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE DA COBRANÇA. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento. AUTO REFLEXO. O decidido quanto ao IRPJ aplicase à tributação dele decorrente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 22/11/2013, conforme Termo constante à fl. 422, e, com ela não se conformando, o contribuinte interpôs, em tempo hábil (23/12/2013), o recurso voluntário de fls. 359/366, instruída pelos documentos de fls. 367/421, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que o auto de infração ora atacado teve origem na análise dos efeitos dos pagamentos dos débitos fiscais nos autos dos processos 16561.00076/200613, 2005.61.82.094632, 16327.000522/200158, 2000.03.00312652 e 96.00358370, oriundos de empresas incorporadas ou adquiridas pela Recorrente; que a fiscalização considerou como despesa comprovada o total de R$ 37.839.458,98 e confrontou com o total da linha “Outras Despesas Financeiras” (R$ 66.141.493,90) para identificação da base tributaria (RS 28.302.034,92). Ao proceder desse modo, não reconheceu o valor de R$ 490.016,95, que se refere a despesas normais à atividade da empresa e não teriam motivo para serem glosadas tal como já demonstrado na impugnação; que a DRJ informou que o valor de R$ 490.016,95 já havia sido considerado na análise realizada pela fiscalização. Destacou, ainda, que a autoridade fiscal se baseou no valor de R$ 66.493,90, informado na DIPJ/2010 – “Outras Despesas Financeiras”, que difere da quantia apresentada na impugnação de R$ 65.651.503,75; que ao se manifestar dessa forma, o julgador não deixou claro se entendeu que a base correta a ser autuada seria o montante de R$ 28.302.034,92 ou o montante de R$ 27.812.017,17, que o valor relativo aos juros dos tributos pagos com anistia; Fl. 430DF CARF MF Impresso em 03/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO 8 que na remota hipótese de manutenção do auto de infração, deve ser considerada a base de cálculo no montante de R$ 27.812.017,97; que da não incidência de juros sobre multa de oficio, no tocante à não incidência de juros sobre a multa de oficio, a DRJ rejeitou o pedido da Recorrente, sob o entendimento de que “não cabe a esse órgão julgador entrar no mérito se a Lei n° 9.065/95 atendeu o preceituado no artigo 161 do CTN”; que, sendo assim, não cabem juros sobre a multa. Se para argumentar, fossem cabíveis, seriam aplicáveis apenas juros moratórios à taxa Selic, limitados a 1%. É o relatório. Fl. 431DF CARF MF Impresso em 03/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.720663/201303 Acórdão n.º 1402001.947 S1C4T2 Fl. 428 9 Voto Vencido Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, Redator ad hoc Tendo em vista a impossibilidade de o Conselheiro Relator formalizar relatório e voto dos presentes autos por não mais compor este colegiado, passo a fazêlo na condição de Redator ad hoc, adotando os fundamentos apresentados pelo Relator na sessão de julgamento, ressalvando que o posicionamento ora externado não se coaduna com meu entendimento sobre os temas ora tratados. O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Não há arguição de qualquer preliminar. Em decorrência de ação fiscal levada a efeito junto ao contribuinte acima identificado e, em razão de irregularidade apurada, foram lavrados os Autos de Infração do: IRPJ ‐ R$ 14.434.745,33 e da CSLL – Ajuste de Base de Cálculo da Contribuição Social, com ciência dada em 27/03/2013. O valor tributado, no caso da CSLL, foi totalmente compensado com a base negativa apurada no próprio anocalendário de 2009. Os enquadramentos legais utilizados para fundamentar as autuações encontramse nos respectivos autos de infração. O trabalho fiscal apurou que houve erro de cálculo por parte da empresa, decorrente de ter considerado como despesa financeira a totalidade do valor dos juros devidos nos processos fiscais acima listados, tendo incluindo indevidamente o valor não pago da redução de 45% dos juros de mora, pela anistia do pagamento à vista dos saldos na adesão ao programa instituído pela Lei nº 11.941/2009. A decisão recorrida manteve de forma integral os lançamentos relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Agora, em virtude de não ter logrando êxito na instância inicial, a contribuinte apresenta a sua peça recursal a este E. Conselho de Contribuintes pleiteando a reforma da decisão prolatada na Primeira Instância onde apresenta razões de mérito contra o lançamento efetuado. DO MÉRITO Conforme informado pela autoridade fiscal, do valor de R$ 66.141.493,90 de “Outras Despesas Financeiras” registrado na DIPJ/2010 a empresa só comprovou a realização das despesas na quantia de R$ 37.839.458,98, caracterizando a ocorrência da infração no valor de R$ 28.302.034,92 (glosa de despesas). Fl. 432DF CARF MF Impresso em 03/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO 10 A autoridade fiscal apurou que esta diferença decorre, principalmente, de erro cometido pela empresa, pois, considerou como despesa financeira à totalidade do valor dos juros incorridos, incluindo os juros não pagos devido à anistia obtida com o pagamento à vista dos valores devidos, com a adesão ao programa instituído pela Lei nº 11.941/2009. A empresa em sua defesa informa os critérios utilizados para a contabilização das contingências: (i) reconheceu integralmente o passivo com juros devidos: (crédito) – “Juros Devidos” e (débito) – “Despesas com Juros”; (ii) pagamento dos juros não anistiados: (débito) – “Juros Devidos”; (crédito) – “Banco”; (iii) estorno da parcela dos juros anistiados: (débito) – “Juros Devidos” e (crédito) – “Outras Receitas – Juros Anistiado”; É certo de que a lei, não podendo prever uma a uma as inumeráveis atividades e espécies de gastos da empresa, parte da definição genérica de que todos os custos e todas as despesas são admitidos na apuração da base de cálculo do imposto de renda e estabelece as exceções para o cálculo do lucro tributável, que consistem: (1) na não dedutibilidade, ou (2) na limitação do valor dedutível, ou (3) na subordinação da dedutibilidade ao preenchimento de determinadas condições. Excepcionalmente, há dispositivos relativos (1) ao momento em que o custo ou despesa pode ser debitado a lucros e perdas, ou (2) à opção para levar custos à despesa, ou (3) à dedução a título de incentivo fiscal. Em vista disso, não há na lei relação de custos e despesas dedutíveis. Ao contrário, há apenas as exceções. Assim, o procedimento para se saber se um custo ou despesa é dedutível, consiste no seguinte: · verificar se existe dispositivo legal específico tratando da mesma; · se existir, o tratamento fiscal seguirá o dispositivo específico; · se não existir, os custos serão dedutíveis, observadas a sua distinção com o ativo permanente, circulante e realizável; Se não existir, as despesas serão dedutíveis se observadas as quatro regras gerais básicas para dedutibilidade, que são: 1ª Os valores não serem passíveis de apropriação direta em custos e não constituírem inversões de capital; 2ª Serem despesas necessárias, entendidas assim as essenciais, normais e vinculadas à fonte produtora dos rendimentos; 3ª Serem comprovadas e escrituradas; 4ª Serem debitadas no períodobase competente. Indubitavelmente, as regras dois e três oferecem as maiores dificuldades de análise. Deveras, à primeira vista, parece que o conceito de necessidade, por ser oposto ao de mera liberalidade, seria definido por critérios puramente subjetivos. Todavia, não é assim: ele deve ser corolário direto da relação havida entre os gastos (despesas) e a contribuição desses gastos para a geração da correspondente receita. Portanto, consequência direta do confronto entre duas situações de fato: gastos versus receitas. A comprovação, por seu turno, resulta de outros fatores: primeiro, a contabilização há que estar respaldada na plena identificação da despesa tanto no seu aspecto formal, mediante faturas, notas fiscais, recibos, etc., como no aspecto intrínseco, com a identificação da operação, quantidade, valor, partes envolvidas, etc.; segundo, há de haver prova plena da efetividade da prestação do serviço ou da entrega do bem. Assim, é de se observar de que as despesas escrituradas, para serem dedutíveis na apuração do lucro real, devem ser comprovadas com documentação hábil e Fl. 433DF CARF MF Impresso em 03/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.720663/201303 Acórdão n.º 1402001.947 S1C4T2 Fl. 429 11 idônea, cuja apresentação é obrigação da contribuinte, sendo que a sua inobservância sujeita a empresa à glosa dos valores não comprovados na determinação do lucro tributável. É de se ressaltar, que todos os encargos necessários à atividade da empresa e à sua manutenção, que não fazem parte do custo, classificamse como despesas operacionais. Para apuração do lucro operacional deduzse das receitas, além dos custos, as despesas administrativas, despesas com vendas, despesas financeiras e demais despesas operacionais. A dedutibilidade de despesa está condicionada que a mesma seja operacional e realizada, isto é, necessários à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora e deve ser efetiva, real e não estimada. Não deve o Fisco, portanto, desconsiderar as despesas que atendam às condições de operacionalidade que se caracterizam pela necessidade e pertinência com a atividade empresarial desenvolvida pela recorrente. De acordo o regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999) são despesas operacionais e encargos: Art. 249. Na determinação do lucro real, serão adicionados ao lucro líquido do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 2º): I os custos, despesas, encargos, perdas, provisões, participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto, não sejam dedutíveis na determinação do lucro real; (...) Art. 251. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 7º). Parágrafo único. A escrituração deverá abranger todas as operações do contribuinte, os resultados apurados em suas atividades no território nacional, bem como os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior (Lei nº 2.354, de 29 de novembro de 1954, art. 2º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 25). (...) Art. 299. São despesas operacionais as despesas não computas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa. § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. § 3º O disposto neste artigo aplicase às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. Fl. 434DF CARF MF Impresso em 03/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO 12 Fica evidente da análise do dispositivo supra transcrito que para que uma despesa seja considerada dedutível, para fins de Imposto de Renda da pessoa Jurídica, que ela não pode ser custo e tem que ser necessária à atividade da empresa e usual ou normal do tipo de operação desempenhada. Tais regramentos são claros e suficientes para que uma pessoa jurídica saiba exatamente que despesa pode deduzir. Afinal, cada empresa tem pleno domínio das despesas necessárias e usuais a sua atividade. Por outro lado, observase que mesmo com todo esforço administrativo, doutrinário e jurisprudencial, os questionamentos e discussões sobre o assunto se mantêm até hoje. Ainda mais com a constante e intensa diversificação da atividade produtiva das empresas que cada vez incorrem nas diferentes despesas para dar conta do seu funcionamento. No entanto, independentemente das situações se faz necessário que a fiscalização leve em consideração a diretriz objetiva da legislação do IRPJ e o funcionamento de tal imposto com base nos parâmetros constitucionais, e não as possíveis acepções que o termo despesas necessárias e usuais possa vir a ter nos mais variados contextos. É de se ressaltar, da mesma forma, que por períodobase competente entende se aquele em que a despesa ocorreu juridicamente, ou seja, ela passou a ser devida legal ou contratualmente. Este requisito determina, portanto, que a despesa seja reconhecida na contabilidade da empresa no momento em que ocorreu independentemente de já ter sido efetivamente paga ou não. Não há dúvidas de que além da escrituração, é imprescindível, para fins de dedutibilidade, que a pessoa jurídica comprove que a despesa realmente ocorreu e que ela se refere a uma atividade necessária e usual da empresa. A legislação que trata sobre o IRPJ, em especial a Lei nº 4.506, de 1964 – que serviu de base para o disposto no art. 299 do RIR/1999 em si, é clara e inequívoca ao determinar que as despesas dedutíveis são aquelas necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora e usuais no tipo de operações da empresa e que sejam realizadas. Não existe nesses diplomas legais qualquer tipo de enumeração, listagem, exemplificação de quais despesas podem ser consideradas necessárias. Ou seja, em última análise, não há restrições prédeterminadas relacionadas às especificidades das despesas na qual cada pessoa jurídica possa vir a incorrer. As despesas utilizadas na apuração do resultado devem ser comprovadas pela apresentação de documentos hábeis e idôneos que demonstrem sua efetividade (sua realização). Ora, conforme previsto na Lei nº 11.941/2009 não deverá ser considerada na apuração do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS a parcela equivalente à redução do valor dos juros em decorrência de adesão ao pagamento ou parcelamento de dívidas fiscais. É evidente que não deverá ser considerado o estorno dos juros não pagos (receita) na apuração da base de cálculo dos tributos, porém, também devem ser desconsideradas, na apuração do IRPJ e da CSLL, as despesas de juros contabilizadas e não realizadas (pagas), devido à anistia. In verbis: Seção I Do Parcelamento ou Pagamento de Dívidas Art. 1º Poderão ser pagos ou parcelados, em até 180 (cento e oitenta) meses, nas condições desta Lei, os débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e os débitos para Fl. 435DF CARF MF Impresso em 03/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.720663/201303 Acórdão n.º 1402001.947 S1C4T2 Fl. 430 13 com a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, inclusive o saldo remanescente dos débitos consolidados no Programa de Recuperação Fiscal REFIS, de que trata a Lei nº 9.964, de 10 de abril de 2000, no Parcelamento Especial PAES, de que trata a Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003, no Parcelamento Excepcional PAEX, de que trata a Medida Provisória nº 303, de 29 de junho de 2006, no parcelamento previsto no art. 38 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, e no parcelamento previsto no art. 10 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, mesmo que tenham sido excluídos dos respectivos programas e parcelamentos, bem como os débitos decorrentes do aproveitamento indevido de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI oriundos da aquisição de matérias primas, material de embalagem e produtos intermediários relacionados na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto nº 6.006, de 28 de dezembro de 2006, com incidência de alíquota 0 (zero) ou como não tributados. (...) Art. 2º No caso dos débitos decorrentes do aproveitamento indevido de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI oriundos da aquisição de matériasprimas, material de embalagem e produtos intermediários relacionados na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto nº 6.006, de 28 de dezembro de 2006, com incidência de alíquota zero ou como nãotributados: (...) Art. 3º No caso de débitos que tenham sido objeto do Programa de Recuperação Fiscal REFIS, de que trata a Lei nº 9.964, de 10 de abril de 2000, do Parcelamento Especial PAES, de que trata a Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003, do Parcelamento Excepcional PAEX, de que trata a Medida Provisória nº 303, de 29 de junho de 2006, do parcelamento previsto no art. 38 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, e do parcelamento previsto no art. 10 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, observarseá o seguinte: (...) Disposições Comuns aos Parcelamentos Art. 4º Aos parcelamentos de que trata esta Lei não se aplica o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.964, de 10 de abril de 2000, no § 2º do art. 14A da Lei nº 10.522, de 19de julho de 2002, e no § 10 do art. 1º da Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003. Parágrafo único. Não será computada na apuração da base de cálculo do Imposto de Renda, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS a parcela equivalente à redução do valor das multas, Fl. 436DF CARF MF Impresso em 03/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO 14 juros e encargo legal em decorrência do disposto nos arts. 1º, 2º e 3º desta Lei. Como visto, resta claro que a parcela de juros que foi anistiada deve ser ajustada na apuração do lucro real. Como já dito, a fiscalização se baseou, para suas análises, no valor de R$ 66.141.493,90, informado na DIPJ/2010 ”Outras Despesas Financeiras”, que difere da quantia apresentada na impugnação de R$ 65.651.503,75, que se refere somente aos juros sobre os débitos incluídos no programa do pagamento a vista ou parcelado. Ou seja, a autoridade fiscal entendeu que o valor não comprovado é a diferença entre R$ 66.141.493,90 registrado na DIPJ/2010 e o valor que foi comprovada de R$ 37.839.458,98, que importa em R$ 28.302.034,92. DOS JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO No que diz respeito à incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício aplicada, muito embora não haja qualquer menção nesse sentido, é cediço que as autoridades fiscais, por ocasião da cobrança de créditos constituídos impugnados/recorridos, atualizam o montante destes aplicando a taxa SELIC não somente sobre o principal exigido, mas, também, sobre eventual multa imposta – neste último caso, a partir da data do lançamento. No entanto, tendo em vista a inexistência de qualquer previsão legal a permitir a aplicação de juros SELIC sobre a multa, é de se acolher o entendimento da recorrente de que sobre a multa não há possibilidade de aplicação de juros moratórios. Com efeito, o artigo 44, da Lei nº 9.430, de 1996, responsável pela instituição das multas aplicáveis em caso de lançamento de ofício, não faz qualquer menção à incidência de juros de mora, calculados à taxa SELIC, sobre esses valores: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Fl. 437DF CARF MF Impresso em 03/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.720663/201303 Acórdão n.º 1402001.947 S1C4T2 Fl. 431 15 § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º, serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38. §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. §5º Aplicase também, no caso de que seja comprovadamente constatado dolo ou máfé do contribuinte, a multa de que trata o inciso I do caput sobre: I a parcela do imposto a restituir informado pelo contribuinte pessoa física, na Declaração de Ajuste Anual, que deixar de ser restituída por infração à legislação tributária Pois bem. Tal fato, se averiguado em face do quanto disposto pelo artigo 43, da Lei nº 9.430, de 1996, que trata de autos de infração sem tributo, deixa sem sombra de dúvidas que as multas de ofício, constituídas juntamente com a obrigação principal, não estão sujeitas à taxa SELIC. O referido dispositivo legal deixa evidente que o legislador, quando buscou submeter dado crédito tributário à taxa SELIC, expressamente o fez: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário corresponde exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o §3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (...) § 3º as quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente Fl. 438DF CARF MF Impresso em 03/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO 16 ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Ademais, vale dizer que não é possível sustentar a aplicação de juros SELIC com base no artigo 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Consoante se depreende, o dispositivo em questão utiliza a expressão “débito”, e não “crédito tributário”, donde se constata que está a instituir a incidência dos juros SELIC sobre o principal devido, e não sobre eventual multa de ofício aplicável. Afim de que não paire qualquer dúvida a respeito de estar o artigo 61, § 3º, da Lei nº 9.430, de 1996, tratando, apenas e tão somente, do principal devido, quando dispõe “aos débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora”, importa atentar para a leitura de seu caput. De fato, o caput do artigo 61, da Lei nº 9.430, de 1996, também utiliza a expressão “débitos”, mas o faz para determinar que estes sujeitamse à multa de mora, donde se constata que débito e multa são coisa distintas, de forma que o § 3º indiscutivelmente cuida apenas do principal devido. Por oportuno, cumpre lembrar que, em diversas oportunidades, assim já se manifestou o CARF, conforme se denota nos acórdãos abaixo, cujas ementas se transcreve nas partes que interessam: Acórdão nº 910100.722 – 1ª Turma, de 8/11/2010 RECURSO ESPECIAL – CONHECIMENTO. Não deve ser conhecido o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional quando inexiste similitude fática entre o acórdão paradigma e o acórdão recorrido. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE. Fl. 439DF CARF MF Impresso em 03/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.720663/201303 Acórdão n.º 1402001.947 S1C4T2 Fl. 432 17 Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa ofício aplicada. Acórdão nº 220201.712, de 17/04/2012 TAXA SELIC. JUROS DE MORA INCIDENTE SOBRE MULTA DE OFICIO. INAPLICABILIDADE. Os juros de mora equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC não incidem sobre a multa de oficio lançada juntamente com o tributo ou contribuição, por absoluta falta de previsão legal. Acórdão nº 180200.815, de 23/02/2011 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE. Os juros com base na taxa Selic não devem incidir sobre a multa de oficio, vez que o artigo 61 da Lei n.° 9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Igualmente, não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de oficio. As polêmicas e controvérsias sobre esse assunto vem de longa data, o que já fragiliza a tese em favor da incidência, pois, tratandose de norma punitiva, com implicação direta na dimensão da pena, não poderia o texto legal dar margem a tantas dúvidas. No âmbito das normas jurídicas de natureza punitiva, nenhuma pena, via de regra, vai sendo agravada com o decurso do tempo. Para que isso pudesse ocorrer (juros sobre a multa/penalidade), a Lei deveria ser muito clara a respeito, o que não se verifica no texto normativo vigente. Acórdão nº 1202001.018, de 10/09/2013 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE. Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa de ofício aplicada. Acórdão nº 1202001.076, de 04/12/2013 INCIDÊNCIA DE JUROS PELA TAXA SELIC SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Jurisprudência pacificada deste Conselho Administrativo no sentido de afastar a incidência de juros de mora sobre multa de ofício, devendo incidir somente sobre o valor do tributo devido. Assim, é certo que sobre a multa de ofício não devem ser aplicados juros SELIC, haja vista a inexistência de qualquer previsão legal nesse sentido. Fl. 440DF CARF MF Impresso em 03/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO 18 Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência os juros de mora aplicados sobre a multa de ofício (Assinado digitalmente) Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, Redator ad hoc Fl. 441DF CARF MF Impresso em 03/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.720663/201303 Acórdão n.º 1402001.947 S1C4T2 Fl. 433 19 Voto Vencedor Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Redator Designado Com a devida vênia, discordo do entendimento do ilustre Conselheiro Relator. Tal matéria já foi objeto de análise por esta turma, concluindose que a redução de 45% dos juros moratórios previstos na Lei nº 11.941/2009 tratase de uma receita não tributável, não devendo, portanto, compor a apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Já as despesas incorridas, em sua totalidade, são dedutíveis da apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL (Acórdão 1402001.495). Antes do reconhecimento do débito por parte do contribuinte, por se tratarem de débitos com exigibilidade suspensa, aplicase a exceção à dedutibilidade de juros pelo regime de competência prevista no art. 41, § 1º, da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 (base legal do art. 344, § 1º, do RIR de 1999), in verbis: “Art. 41. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência. § 1º. O disposto neste artigo não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1996, haja ou não depósito judicial.” (grifo nosso) Pois bem, se os débitos pagos sob a égide dos benefícios previstos na Lei nº 11.941/2009, até então, encontravamse com exigibilidade suspensa em razão de discussão administrativa, medida judicial ou depósito do montante integral, não poderia o contribuinte deduzir os tributos, bem como os juros moratórios sobre eles incidentes, enquanto perdurasse tal suspensão. Ao optar por incluir tais débitos no parcelamento a que se refere a Lei nº 11.941, ou ainda recolhendose o valor à vista nos termos do mesmo diploma legal, o contribuinte passou a fazer jus a dedução dos juros correspondentes. Tratandose de valores referentes a períodos anteriores, deveria o contribuinte ter contabilizado tais valores diretamente em conta de lucros acumulados a título de ajustes de exercícios anteriores, conforme determina o art. 186, I e § 1º, da Lei nº 6.404, de 1976, ou seja, tais valores não deveriam transitar por contas de resultado. Para que tais valores pudessem afetar seu resultado fiscal, deveria a Recorrente ter excluído tal montante na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Ainda que não adotado tal procedimento, resta evidente que optou o contribuinte por contabilizar a totalidade dos juros incorridos em conta de resultado, diminuindo, por conseguinte, tanto o lucro real apurado quanto a base de cálculo de CSLL. Sob o ponto de vista fiscal, os efeitos são os mesmos: os juros incorridos incidentes sobre tributos são dedutíveis das bases de cálculo de IRPJ e de CSLL quando não mais se mantenha a suspensão de sua exigibilidade. Fl. 442DF CARF MF Impresso em 03/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO 20 A correição de tal raciocínio pode ser extraída de recente posicionamento da RFB sobre o tema. Por meio da Solução de Consulta Interna nº 9 – Cosit, de 09 de junho de 20121, a RFB fixou entendimento de que: Não é admissível a dedutibilidade do tributo, na hipótese de concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial (art. 151, inciso V, do CTN), pelo regime de competência, por se tratar de uma provisão. Na hipótese de parcelamento (art. 151, inciso VI, do CTN) a dedutibilidade do tributo ocorre pelo regime de competência. (grifo nosso) [...] Confrontando as situações de suspensão de exigibilidade do crédito tributário introduzidas no CTN pela Lei Complementar nº 2004, de 2001, com inteligência do art. 41 da Lei nº 8.981, de 1995, verificase que a proibição de dedução pelo regime de competência é aplicada a situações em que o contribuinte não reconhece a dívida. Ora, se o contribuinte entende que não deve aquele valor não pode aproveitar da redução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Esta característica é encontrada nas situações elencadas nos incisos II a IV do art. 151 do CTN. Neste sentido, o mesmo tratamento deve ser aplicado a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial. A dedutibilidade do tributo não é autorizada pelo regime de competência por tratarse de provisão, ou seja, não há efetivamente o reconhecimento da dívida, ocorre apenas a contabilização de uma possível perda futura. Já a hipótese de parcelamento deve ter o mesmo tratamento dispensado à moratória porque o contribuinte efetivamente reconhece a dívida, existindo apenas a negociação do seu pagamento em prazo mais dilatado. [...] A regra aplicada à dedutibilidade dos juros deve ser a mesma aplicada aos tributos sobre os quais incidem, dada sua natureza de acessório, que segue o principal. No silêncio do § 1º do art. 41 da Lei nº 8.981, de 1995, em relação à dedutibilidade dos acréscimos moratórios, consoante os princípio de direito tributário, estes devem seguir a regra de dedutibilidade do principal. Ademais, frisese que os juros de mora devidos em razão de débitos recolhidos com atraso são sempre dedutíveis como despesas financeiras (cf. Parecer Normativo CST nº 174/1974). Tratandose o Parcelamento Excepcional (Paex), instituído pela Medida Provisória nº 303, de 2006, de parcelamento (confissão irretratável da dívida) devidamente aprovado e oficializado pela administração tributária, seus juros moratórios, previstos no § 3º do art. 3º da referida Medida Provisória, em consequência, são dedutíveis na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, a título de despesas financeiras. A regra vigente desde a 1 Disponível em: http://www.receita.fazenda.gov.br/publico/Legislacao/SolucoesConsulta/2012/Cosit/SCICosit092012.pdf. Acesso em: 23 out 2013. Fl. 443DF CARF MF Impresso em 03/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.720663/201303 Acórdão n.º 1402001.947 S1C4T2 Fl. 434 21 edição do art. 41 da Lei nº 8.981, de 1955, é a dedutibilidade pelo regime de competência. [grifos nossos] No que tange à redução de 45% nos juros de mora para pagamento à vista dos débitos, prevista na Lei nº 11.941, de 2009, conforme argumenta a Recorrente, o que o art. 4º, parágrafo único, de tal diploma legal objetivou foi a não tributação da receita oriunda do perdão de dívida (redução dos juros moratórios), e não limitar a dedutibilidade dos juros de mora ao valor efetivamente a ser pago (55% do total). Tanto que o legislador determinou que, além da parcela de 45% de redução não ser computada para fins de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, também não o fossem para fins de determinação das bases de cálculo de PIS e da Cofins. Ora, se a base de cálculo de tais contribuições é o faturamento, e, no regime não cumulativo, as despesas financeiras não compõem as bases de cálculo de créditos de PIS/Cofins, obviamente está a se tratar de receitas que não devem compor as bases de cálculo dos tributos ali referidos, e jamais a despesas, como, com a devida vênia, equivocadamente concluiu a autoridade julgadora a quo e o ilustre conselheiro relator. As despesas de juros foram efetivamente incorridas, podendo ser deduzidas do lucro real e da base de cálculo da CSLL. No que atine ao perdão de dívida a que se referem os artigos 1º, 2º e 3º da Lei nº 11.941, de 2009, se contabilizado como receita (e no caso concreto o foi), também pode ser excluído na apuração das bases de cálculo de IRPJ e da CSLL. A própria RFB possui tal entendimento, conforme se observa na Solução de Consulta Cosit nº 21, de 2013 (exarada, por coincidência, na mesma data da sessão de julgamentos que redundou no acórdão 1402001.495), cujos excertos de interesse ora transcrevese: 9.5. Cabe destacar que os juros de mora não perdem sua natureza de acréscimo moratório compensatório quando exigidos conjuntamente com o tributo e a multa punitiva, por meio de lançamento de ofício – não podem, entretanto, ser deduzidos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL enquanto o tributo estiver com a sua exigibilidade suspensa, como se viu. 10. Resta examinar o significado do art. 4º, parágrafo único, da Lei nº 11.941, de 2009, o qual convém reproduzir novamente (sublinhouse): Art. 4º Aos parcelamentos de que trata esta Lei não se aplica o disposto no § 1 o do art. 3 o da Lei n o 9.964, de 10 de abril de 2000, no § 2 o do art. 14A da Lei n o 10.522, de 19 de julho de 2002, e no § 10 do art. 1 o da Lei n o 10.684, de 30 de maio de 2003. Parágrafo único. Não será computada na apuração da base de cálculo do Imposto de Renda, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS a parcela equivalente à redução do valor das multas, juros e encargo legal em decorrência do disposto nos arts. 1º, 2º e 3º desta Lei. 10.1. Ao prescrever esse dispositivo que “não será computada na apuração da base de cálculo” dos tributos nele arrolados a parcela relativa à redução do débito tributário, depreendese que ele se refere a uma receita, sujeita a registro contábil, o que deflui da formação da base de cálculo desses tributos. 10.2. Para estabelecer a origem dessa receita, “equivalente à redução do valor Fl. 444DF CARF MF Impresso em 03/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO 22 das multas, juros e encargo legal” (encargo legal é o previsto no art. 1º do Decretolei nº 1.025, de 21 de outubro de 1969), há que se ter em mente o contexto contábilfiscal que imediatamente antecede (no caso em pauta) o pagamento à vista do débito tributário. Nesse momento, o montante dos valores relativos ao tributo e seus acréscimos legais (calculados até essa data) estará registrado em contas do passivo (pressupõese, para estudo, contas exclusivas para o débito a ser liquidado); realizado o pagamento (com a redução de multa e juros), a importância a ele correspondente será lançada a débito das correspondentes contas de passivo (e a crédito de caixa/bancos). Os saldos remanescentes nessas contas, por evidente, constituirão a parcela de que ora se cuida. Na sequência, as contas que registrem os saldos serão zeradas, mediante lançamentos a débito, em contrapartida a contas de receita. 10.3. Vale comentar que a redução de dívidas tributárias possui a natureza de perdão/remissão de dívida. O perdão de dívidas, consabidamente, configura receita para a pessoa jurídica devedora e caracteriza o fato gerador do imposto de renda, nos termos do art. 43, inciso II, e § 1º, do CTN, pois se está diante de um acréscimo patrimonial – resultante da diminuição de um passivo. Essa receita, igualmente, integra a base de cálculo da CSLL (art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988) e, em princípio, da Contribuição para o PIS/Pasep (art. 1º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002) e da Cofins (art. 1º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003). 10.4. A natureza da receita decorrente do perdão de dívidas dependerá da natureza da dívida que a gerou. Por exemplo, na hipótese de empréstimos ou financiamentos, terseá uma receita financeira – como esclarece o Ato Declaratório SRF nº 85, de 27 de outubro de 1999, ao dispor sobre “a renegociação de dívidas do crédito rural nos termos da Lei nº 9.138, de 29 de novembro de 1995” (prevista no art. 373 do RIR/1999). Em se tratando de dívidas perante fornecedores de mercadorias, estarseá diante de uma recuperação de custos, receita especificada no art. 392, inciso II, do RIR/1999. No caso de redução de multa e juros relativos a tributos, enquadrase a receita nesse mesmo dispositivo do RIR/1999, como recuperação ou devolução de custo ou despesa ou ainda reversão de provisão, conforme tenha sido feita originalmente a contabilização a débito do resultado. Transcrevese esse dispositivo: Art. 392. Serão computadas na determinação do lucro operacional: (...) II as recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões, quando dedutíveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 44, inciso III); (...) 10.5. Impende transcrever, ainda, o art. 53 da Lei nº 9.430, de 1996, e o art. 88 da Instrução Normativa SRF nº 390, de 2004 (sublinhouse): Lei nº 9.430, de 1996 Art. 53. Os valores recuperados, correspondentes a custos e despesas, inclusive com perdas no recebimento de créditos, deverão ser adicionados ao lucro presumido ou arbitrado para determinação do imposto de renda, salvo se o contribuinte comprovar não os ter deduzido em período anterior no qual tenha se submetido ao regime de tributação com base no lucro real ou que se refiram a período no qual tenha se submetido ao regime de tributação com base no lucro presumido ou arbitrado. Instrução Normativa SRF nº 390, de 2004 Art. 88. A base de cálculo da CSLL em cada trimestre, apurada com base no resultado presumido ou arbitrado, corresponderá à soma dos seguintes Fl. 445DF CARF MF Impresso em 03/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.720663/201303 Acórdão n.º 1402001.947 S1C4T2 Fl. 435 23 valores: (...) III os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo inciso I, auferidos no mesmo período de apuração, inclusive: (...) g) os valores recuperados correspondentes a custos e despesas, inclusive com perdas no recebimento de créditos, salvo se a pessoa jurídica comprovar não os ter deduzido em período anterior no qual tenha se submetido ao regime de incidência da CSLL com base no resultado ajustado, ou que se refiram a período no qual tenha se submetido ao regime de incidência da CSLL com base no resultado presumido ou arbitrado; (...) 10.6. Na situação da consulente, os débitos estavam com exigibilidade suspensa e, portanto, como já se disse, o tributo e os juros eram indedutíveis da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, tornandose passíveis de exclusão dela após o seu pagamento. [...]. No que concerne à redução atinente aos juros de mora, essa receita está ao abrigo da desoneração, podendo ser excluída da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. 10.7. Embora cristalino, importa acrescer que a multa de ofício é indedutível de forma definitiva, em nada influenciando o fato de a consulente ter usufruído do benefício que lhe foi concedido em razão da quitação à vista do débito tributário. 10.8. No que toca à base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, cumpre alertar quanto ao exato alcance do comando exoneratório. Ele prescreve que a parcela equivalente à redução do valor das multas (de mora e de ofício) e juros não será computada na base de cálculo dessas contribuições. Isso não implica dizer, como dá a entender a consulente, que essa parcela poderá ser deduzida da base de cálculo; só se pode falar em deduzila quando tenha integrado a base de cálculo. Conclusão 11. Ante o exposto, respondese à consulente, que: a) a receita oriunda da redução de multa de mora e juros de mora decorrente da fruição do benefício previsto no art. 1º, § 3º, inciso I, da Lei nº 11.941, de 2009, pode ser excluída do lucro líquido, para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, e não integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, por força do art. 4º, parágrafo único, da Lei nº 11.941, de 2009; b) as multas de ofício são indedutíveis na apuração da base de cálculo do IRPJ (lucro real) e da CSLL; a receita oriunda da redução de multa de ofício decorrente da fruição do benefício previsto no art. 1º, § 3º, inciso I, da Lei nº 11.941, de 2009, não é computada na base de cálculo desses tributos pois ela não terá sido deduzida em períodos de apuração anteriores (art. 392, inciso II, do RIR/1999; art. 53 da Lei nº 9.430, de 1996; art. 88, inciso III, alínea “g”, da Instrução Normativa SRF nº 390, de 2004), restando inócuo, neste ponto, o comando do art. 4º, parágrafo único, da Lei nº 11.941, de 2009; essa receita não Fl. 446DF CARF MF Impresso em 03/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO 24 integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Isso posto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, restando prejudicada a controvérsia quanto à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Redator Designado Fl. 447DF CARF MF Impresso em 03/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 10384.003021/2010-53
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jul 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2008 a 30/06/2009
PREVIDENCIÁRIO. TEMPESTIVIDADE.
Sob o comando do art. 5° do Decreto 70.235/72, os prazos serão contínuos, excluindo-se na sua contagem o dia do início e incluindo-se o do vencimento. Uma vez extrapolado o limite estabelecido, torna peremptos os recursos eventualmente interpostos.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2403-002.928
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por sua intempestividade.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Ivacir Júlio de Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Ewan Teles Aguiar e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201502
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2008 a 30/06/2009 PREVIDENCIÁRIO. TEMPESTIVIDADE. Sob o comando do art. 5° do Decreto 70.235/72, os prazos serão contínuos, excluindo-se na sua contagem o dia do início e incluindo-se o do vencimento. Uma vez extrapolado o limite estabelecido, torna peremptos os recursos eventualmente interpostos. Recurso Voluntário Não Conhecido.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 14 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10384.003021/2010-53
anomes_publicacao_s : 201507
conteudo_id_s : 5485039
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 14 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2403-002.928
nome_arquivo_s : Decisao_10384003021201053.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : IVACIR JULIO DE SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 10384003021201053_5485039.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por sua intempestividade. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Ivacir Júlio de Souza - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Ewan Teles Aguiar e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
id : 6038429
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:42:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047890187780096
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1679; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 2 1 1 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10384.003021/201053 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2403002.928 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 10 de fevereiro de 2015 Matéria LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente SECRETARIA MUNICIPAL DE SAUDE DO MUNICÍPIO DE CAMPINAS DO PIAUI. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 30/06/2009 PREVIDENCIÁRIO. TEMPESTIVIDADE. Sob o comando do art. 5° do Decreto 70.235/72, os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Uma vez extrapolado o limite estabelecido, torna peremptos os recursos eventualmente interpostos. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por sua intempestividade. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Ivacir Júlio de Souza Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Ewan Teles Aguiar e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 00 30 21 /2 01 0- 53 Fl. 58DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Relatório Tratase de processo apenso ao principal de n° 10384.003014/201051, que em razão da litispendência sofre a irradiação da decisão daquele. Aduz que o sobredito processo na forma do relatório e do voto abaixo transcritos teve provimento negado: "Tratase de auto de infração de Obrigação Principal AIOP, n° 37.287.2689 lavrado em desfavor da Prefeitura Municipal de Campinas do Piauí ao qual a recorrente interpôs impugnação tida como intempestiva. Na peça de impugnação de fls. 180, interposta em 23/09/2010, 1( um) dia depois do prazo fatal, nada argüiu a respeito de nulidade da notificação e, tampouco alegou preliminar de tempestividade. Demonstrando perfeito entendimento do procedimento a cumprir bem como, "a contrario sensu", confessando que recebera a notificação, exortou , de plano, o art. 15 do Decreto 70.235/72 conforme o abaixo transcrito do documento de impugnação, verbis: " consubstanciado no art. 15, do Decreto 70.235/72. Na oportunidade, requer que a presente defesa seja encaminhada à Delegacia Regional de Julgamento DRJ para devida apreciação, em face dos motivos e razões que passa a aduzir (...) "Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência." Considerada intempestiva a impugnação, a autuada ainda em sede de impugnação recorreu da decisão ao tempo que, concomitantemente, interpôs Recurso Voluntário buscando lastro no preceituado no art. 33 do Decreto 70.235/72.Conforme DESPACHO DECISÓRIO de fls. 280 não logrou êxito. Na oportunidade, no item 8 do referido despacho decisório, fora alertada de que, como não foi instaurada a fase litigiosa administrativa do processo, e conseqüentemente não foi proferida decisão em primeira instancia por parte da SRF, não havendo que se falar em recurso contra decisão de primeira instancia, posto que inexistente. Cumpre destacar que o art. 33 do Dec 70.235/72 permite interpor recurso voluntário dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão de intempestividade Às fls.230, datado de 09/12/2010, consta protocolizado RECURSO VOLUNTÁRIO, 69 dias depois da impugnação intempestiva. Em apertada síntese, a autuada EM PRELIMINAR DE TEMPESTIVIDADE, INOVANDO, requereu a nulidade da notificação na forma abaixo transcrita com grifos de minha autoria: Fl. 59DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10384.003021/201053 Acórdão n.º 2403002.928 S2C4T3 Fl. 3 3 "PRELIMINARMENTE DA NULIDADE DA INTIMAÇÃO POR AR AVISO DE RECEBIMENTO. Ocorre que, quando da análise do processo físico administrativo, verificouse que o Aviso de Recebimento (AR) foi recebido em 23 de agosto do corrente ano por uma pessoa cuja identificação de nome completo, RG, CPF, cargo, função ou matrícula não consta do AR (...) Outrossim, o CARF Conselho Administrativo de Recursos Fiscais estabelece que, caso a ciência por via postal não seja capaz de estabelecer o prazo para recurso, considerase como 15 (quinze) dias da expedição da notificação . Dessa forma, considerando a nulidade do Aviso de Recebimento, pugnase pela dilação do prazo em 15 (quinze) dias após a data da expedição da intimação e o conseqüente recebimento e conhecimento da referida Impugnação Administrativa com todos seus efeitos." É o Relatório VOTO Conselheiro Ivaccir Júlio de Souza DA TEMPESTIVIDADE E DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Na forma do abaixo, o recurso é intempestivo e não reúne os pressupostos de admissibilidade. Exortando o art. 33 do Decreto 70.235/72 em Recurso Voluntário a autuada alega, em preliminar, a nulidade da notificação para justificar tempestiva a impugnação e assim, na hipótese de êxito, instaurar o contencioso com o retorno do processo para a instância a quo proceder o julgamento. Cumpre notar que a autuada inova em Recurso Voluntário tendo em vista que a notificação não foi motivo de argüição na peça da impugnação. Neste sentido é relevante ressaltar que conforme os art, 23, II, § 2°, I e II, é legítima a intimação por via postal e só se admite prorrogar por 15 dias se restar provado que houve omissão de informação da data da ciência do intimado o não aconteceu no caso em comento: "Art. 23. Farseá a intimação: II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; ( Redação dada pela Lei n 9.532,de 1997) § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; Fl. 60DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; ( Redação dada pela Lei n 9.532,de 1997) " DA NULIDADE DA NOTIFICAÇÃO A autuada registra que a notificação deve ser declarada nula posto foi recebida por uma pessoa cuja identificação de nome completo, RG, CPF, cargo, função ou matrícula não constou do AR. Na forma do que consta no Aviso de Recebimento AR de fls. 178 endereçado para a prefeitura Municipal de Capinas do PiauiPI, a pessoa de nome Fabiana de S. Macedo , registro 3.330.648, recebeu e assinou a notificação em 23/08/2010, Analisando os autos, às fls, 175, consta que no curso da ação fiscal fora expedido o documento OFICIO N° 109/2010 onde a Prefeitura informa a relação de gestores durante os anos de 2007 a 2012. Aduz que quem assina o expediente , com a mesma grafia do AR de fls 178, é justamente a mesma pessoa Fabiana de S. Macedo (FABIANA DE SOUSA MACEDO ), que conforme destaque abaixo do nome vem a ser a Chefe de Gabinete do Prefeito. Faço segura afirmação sobre a grafia em razão de ter o curso de grafoscopia e a experiência em conferir assinaturas desenvolvida nos longos anos de prática no exercício da profissão de bancário. Desse modo por inverídicas, não procedem as alegações da Recorrente. Assim, resta provado que a notificação foi legítima e a impugnação foi INTEMPESTIVA não instaurando o contencioso. Não tenso sido instaurado o contencioso não há como suprimir instâncias, razão de não se conhecer do mérito. Sob o comando do art. 5° do Decreto 70.235/72, os prazos os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento: “ Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Face ao exposto, a impugnação se apresentou perempta. Portanto, dela não se toma conhecimento. DA CONEXÃO E DA LITISPENDÊNCIA Na forma dos art 103 da Lei n ° 5.869/73, duas ou mais ações são conexas quando entre elas houver identidade de partes, de causa de pedir ou de pedido. Como regra, a conexão gera a reunião de processos para julgamento conjunto. Na mesma lei supra, o art. 105 define que havendo conexão ou continência, o juiz, de ofício ou a requerimento de qualquer das partes, pode ordenar a reunião de ações propostas em separado, a fim de que sejam decididas simultaneamente." É o relatório. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10384.003021/201053 Acórdão n.º 2403002.928 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza Relator DA TEMPESTIVIDADE E DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Na forma do abaixo, o recurso é intempestivo e não reúne os pressupostos de admissibilidade. DA APENSAÇÃO E DA LITISPENDÊNCIA Em razão da identidade de partes e da causa de pedir, este recurso sofre a irradiação da decisão do processo principal n° 10384.003014/201051, ao qual foi apensado, cujo provimento negado. CONCLUSÃO Em razão de tudo que foi exposto, não conheço do Recurso Voluntário por INTEMPESTIVO. É como voto Ivacir Júlio de Souza. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 11065.002246/2001-77
Turma: Terceira Turma Superior
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Aug 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001
BASE DE CÁLCULO INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. EXCLUSÃO.
O incentivo denominado crédito presumido de IPI somente pode ser calculado sobre as aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, sendo indevida a inclusão, na sua apuração, de custos de serviços de industrialização por encomenda.
TAXA SELIC.
Não há previsão legal para atualização dos valores ressarcidos a título de crédito presumido de IPI pela taxa Selic.
Recursos Especiais do Procurador Provido e do Contribuinte Negado
Numero da decisão: 9303-000.794
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade: I) em dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional quanto à industrialização por encomenda; e II) em negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo quanto à incidência da taxa Selic sobre o valor do crédito a ressarcir. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Leonardo Siade Manzan, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann, que davam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: Gilson Macedo Rosenburg Filho
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201002
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 BASE DE CÁLCULO INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. EXCLUSÃO. O incentivo denominado crédito presumido de IPI somente pode ser calculado sobre as aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, sendo indevida a inclusão, na sua apuração, de custos de serviços de industrialização por encomenda. TAXA SELIC. Não há previsão legal para atualização dos valores ressarcidos a título de crédito presumido de IPI pela taxa Selic. Recursos Especiais do Procurador Provido e do Contribuinte Negado
turma_s : Terceira Turma Superior
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 25 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 11065.002246/2001-77
anomes_publicacao_s : 201508
conteudo_id_s : 5511298
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 25 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 9303-000.794
nome_arquivo_s : Decisao_11065002246200177.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : Gilson Macedo Rosenburg Filho
nome_arquivo_pdf_s : 11065002246200177_5511298.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade: I) em dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional quanto à industrialização por encomenda; e II) em negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo quanto à incidência da taxa Selic sobre o valor do crédito a ressarcir. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Leonardo Siade Manzan, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2010
id : 6099991
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:42:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047890241257472
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2020; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 248 1 247 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11065.002246/200177 Recurso nº 235.324 Especial do Procurador e do Contribuinte Acórdão nº 9303000.794 – 3ª Turma Sessão de 02 de fevereiro de 2010 Matéria IPI Ressarcimento Crédito presumido Industrialização por encomenda e Atualização Selic Recorrentes FAZENDA NACIONAL e H KUNTZLER & CIA. LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 BASE DE CÁLCULO INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. EXCLUSÃO. O incentivo denominado “crédito presumido de IPI” somente pode ser calculado sobre as aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, sendo indevida a inclusão, na sua apuração, de custos de serviços de industrialização por encomenda. TAXA SELIC. Não há previsão legal para atualização dos valores ressarcidos a título de crédito presumido de IPI pela taxa Selic. Recursos Especiais do Procurador Provido e do Contribuinte Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade: I) em dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional quanto à industrialização por encomenda; e II) em negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo quanto à incidência da taxa Selic sobre o valor do crédito a ressarcir. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Leonardo Siade Manzan, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 22 46 /2 00 1- 77 Fl. 248DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11065.002246/200177 Acórdão n.º 9303000.794 CSRFT3 Fl. 249 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de crédito presumido do IPI a que se refere a Lei nº 9.363/1996. Duas são as matérias devolvidas a este Colegiado: industrialização por encomenda e incidência da taxa Selic no valor do ressarcimento de IPI. O julgamento deste recurso tem como paradigmas os Recursos nºs 231.539 (industrialização por encomenda) e 228.964 (incidência da taxa Selic no valor do ressarcimento de IPI), julgados na sessão imediatamente anterior a esta, sendolhe aplicadas as mesmas teses daqueles julgados, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Em apertada síntese, este é o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Os recursos merecem ser conhecidos por serem tempestivos e atenderem aos pressupostos regimentais de admissibilidade. Este voto segue as disposições do § 2º, in fine, do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Para tanto, adoto as teses prevalentes no julgamento dos Recursos nºs 231.539 (industrialização por encomenda) e 228.964 (incidência da taxa Selic sobre o valor do ressarcimento de IPI). Recurso Especial da Fazenda Nacional Industrialização por encomenda A Fazenda Nacional assevera que o aresto recorrido desobedeceu o art. 1º da Lei nº 9.363/96, ao permitir a utilização do valor dos serviços prestados correspondentes à industrialização por encomenda na base de cálculo do crédito presumido do IPI. Sobre esse tema, percuciente é a lição do conselheiro Antonio Bezerra Neto, que peço vênia para transcrever e utilizar como fundamento de meu voto: A Lei n.º 9.363, de 1996, que introduziu o benefício em tela, previu, em seu art. 1º, que o crédito presumido de IPI, como ressarcimento das contribuições para o PIS e para a COFINS Fl. 249DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11065.002246/200177 Acórdão n.º 9303000.794 CSRFT3 Fl. 250 3 sejam incidentes “sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo” (g.n.). Em razão dos termos em que vazada a aludida norma, qualquer interpretação que se lhe empreste não deve afastarse das seguintes premissas: por primeiro, que os insumos utilizados no cômputo do benefício devam ser adquiridos, ou seja, comprados de outro estabelecimento, resultando de uma operação comercial de compra e venda mercantil, não de serviços, como é o caso em comento; segundo, que sejam efetivamente utilizados na produção de produtos exportados, no estabelecimento adquirente; terceiro, como se trata de direito excepto, não comporta interpretação ampliativa, pois os benefícios tributários devem ser interpretados restritivamente, já que envolvem renúncia de receitas públicas. Em relação à primeira das premissas, na operação realizada pela contribuinte não há qualquer aquisição de matériaprima, vez que já pertencia ao estabelecimento encomendante no momento do envio para industrialização por encomenda. A aquisição da matériaprima se deu, portanto, em momento anterior à remessa para industrialização. O custo do beneficiamento realizado por terceiro deve ser contabilizado como “Gastos Gerais de Fabricação”, não como incremento do valor da matériaprima, não podendo ser incluído no cálculo do crédito presumido. O montante despendido por tal pagamento não deve entrar no cômputo do benefício, mesmo porque a operação de envio e retorno se dá com suspensão do IPI, conforme sublinhado na Nota MF/SRF/COSIT/COTIP/DIPEX n.º 312, de 3 de agosto de 1998. Aliás, não há razão para que os custos dos insumos que não se enquadram no conceito de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem não sejam agregados quando utilizados pelo encomendante, quando a operação de industrialização se dá em seu próprio estabelecimento, mas, ao contrário, sejam agregados quando a industrialização se dê por encomenda. Ora, “Onde há a mesma razão, há de se aplicar o mesmo direito”, diz o brocardo romano. Com efeito, tratarseia de situação no mínimo incongruente, para não dizer injusta, retirando a racionalidade das disposições legais que compõem o arcabouço normativo do IPI. No tocante à última das premissas inicialmente delineadas, pois que, quanto à segunda, não há dissenso, importa destacar que há uma certa tendência à construção de exegeses que resultam, as mais das vezes, de considerações outras que não a propriamente jurídica, tal como as de natureza meramente econômica, tão costumeiramente encontráveis no diaadia do julgador. Em que pese o brilhantismo como tais teses são construídas, é preciso evidenciar que não cabe ao intérprete a tarefa de legislar, de modo que o sentido da norma não se pode afastar dos termos Fl. 250DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11065.002246/200177 Acórdão n.º 9303000.794 CSRFT3 Fl. 251 4 em que positivada, pena de, invadindo seara alheia, fugir de sua competência. Aliás, ainda com relação à terceira premissa, costuma ser encontradiço nos textos que discorrem sobre Hermenêutica Jurídica a afirmação de que “a lei não contém palavras inúteis”, a qual, segundo se diz, vem a ser princípio basilar da disciplina. É dizer, as palavras devem ser compreendidas como tendo, ao menos, alguma eficácia. Não se presumem, na lei, palavras inúteis (Carlos Maximiliano, Hermenêutica e aplicação do direito, 8a. ed., Freitas Bastos, 1965, p. 262). Querse evidenciar com isso que, caso se concebesse o contrário, não haveria razão para que o legislador expressamente previsse o cômputo do valor relativo à prestação de serviços na hipótese de industrialização por encomenda. Veja como dispôs ao estruturar o art. 1º da Lei n.º 10.276, de 2001, in verbis: “Art. 1º Alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. § 1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matériasprimas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; II correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, na hipótese em que o encomendante seja o contribuinte do IPI, na forma da legislação deste imposto” (g.n.). Ora, in casu, fosse verdadeira a afirmação de que os valores correspondentes ao serviço de beneficiamento, na industrialização por encomenda, deveriam ser incluídos no cômputo do crédito presumido de que trata a Lei n.º 9.363, de 1996, não haveria razão para que o legislador inequivocamente inserisse tal hipótese na Lei n.º 10.267, de 2001, permitindo o seu acréscimo juntamente com o custo de outros insumos (energia elétrica e combustíveis). Notese, por importante, que a aplicação do novel regramento, conforme disciplinado na Lei n.º 10.267, de 2001, se dá alternativamente ao estabelecido na Lei n.º 9.363, de 1996, quando da determinação do crédito presumido. Assim sendo, é de se concluir que a hipótese introduzida no inciso II naquele diploma legal não se encontrava incluída neste último. Pelos fundamentos jurídicos e legais expostos, nego o aproveitamento dos custos com beneficiamentos realizados Fl. 251DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11065.002246/200177 Acórdão n.º 9303000.794 CSRFT3 Fl. 252 5 externamente aos estabelecimentos da sociedade para fins de cálculo do crédito presumido de IPI. Recurso Especial do Sujeito Passivo Incidência da taxa Selic no valor do ressarcimento de IPI A questão da possibilidade de incidência da taxa SELIC no ressarcimento de IPI passa necessariamente pela diferenciação dos institutos do ressarcimento da restituição. A restituição é a repetição de um indébito. Decorre de pagamento indevido ou a maior que o devido. Já o ressarcimento não está vinculado a qualquer pagamento indevido, mas decorre de concessão legal. Sobretudo, não se pode olvidar que o direito subjetivo ao ressarcimento somente é constituído com o advento do despacho da autoridade competente, em oposição ao que ocorre com a repetição do indébito, em que o direito de repetir já nasce imediatamente com o pagamento indevido ou a maior, independentemente de qualquer ato da autoridade administrativa. Nesta linha, fica evidente existir duas figuras que não se confundem: a) restituição por pagamento indevido ou a maior do que o devido (repetição de indébito); e b) ressarcimento, previsto em lei concessiva. É certo que restituição e ressarcimento compartilham alguns aspectos, como o de ser ambos passíveis de satisfação em dinheiro ou mediante compensação, mas de nenhum modo ressarcimento é espécie do gênero restituição. Noutro giro, não há que se falar em desvalorização do valor a ser ressarcido, mesmo porque o ambiente de ampla correção monetária que vigia no passado foi abolido pelo Legislador. Com efeito, o Legislador aboliu e repudiou o sistema geral de indexação da economia através da aprovação das normas legais que consolidaram o Plano Real, inexistindo atualmente previsão de atualização monetária tanto para caso de ressarcimento como para caso de restituição. Nesse contexto, inadmissível pensar na aplicação da Taxa Selic como um meio de reposição do valor real da moeda. A Taxa Selic é, isto sim, a expressão numérica dos juros. Não se trata de atualização monetária. Juros, por sua vez, é um acréscimo ao principal, é um plus que inclusive se caracteriza como renda para aquele que o aufere. Ora, o Estado não pode pagar rendimentos – na forma de Taxa Selic, vale dizer, de juros – sem previsão legal, mormente quando o que seria o valor Fl. 252DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11065.002246/200177 Acórdão n.º 9303000.794 CSRFT3 Fl. 253 6 principal (ressarcimento) é, ele próprio, dependente de lei concessiva. A previsão legal para a incidência de juros Selic, por sua vez, somente se refere aos casos de restituição. Ao mencionar a compensação (art. 39, § 4º), é claro que o dispositivo referese aos valores que poderiam ser restituídos, não permitindo interpretação extensiva. O texto da Lei no 9.250, de 1995, é claro, não havendo como aplicar por analogia aquele dispositivo ao caso do ressarcimento. Neste sentido devese dizer que o art. 39, § 4º, da Lei no 9.250/95, inclusive não estabeleceu a atualização de valores restituídos ao contribuinte com base na Taxa Selic. Isto porque, simplesmente, tal taxa expressa juros, não correção ou atualização monetária. O que foi previsto para casos de restituição foi a aplicação de juros, calculados com base na Taxa Selic. Depois, o dispositivo trata de restituição, nada falando de ressarcimento. Por fim, a data prevista para o início da incidência dos juros é a do pagamento indevido ou a maior do que o devido, data essa que somente pode ser identificada se se tratar de pedido de restituição. A incidência dos juros Selic a partir da data de protocolo do processo de pedido de ressarcimento é critério que não consta da legislação, o que reforça a tese de que os juros não podem incidir, nesse caso. Nos termos dos votos paradigmas transcritos linhas acima, dáse provimento ao recurso da Fazenda Nacional e negase provimento ao especial do sujeito passivo. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 253DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
