Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,087)
- Segunda Turma Ordinária d (18,060)
- Primeira Turma Ordinária (16,567)
- Primeira Turma Ordinária (16,459)
- Primeira Turma Ordinária (16,358)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,296)
- Segunda Turma Ordinária d (16,086)
- Segunda Turma Ordinária d (14,575)
- Primeira Turma Ordinária (13,128)
- Primeira Turma Ordinária (12,614)
- Segunda Turma Ordinária d (12,554)
- Primeira Turma Ordinária (11,521)
- Quarta Câmara (11,514)
- Quarta Câmara (85,999)
- Terceira Câmara (68,521)
- Segunda Câmara (57,460)
- Primeira Câmara (21,771)
- 3ª SEÇÃO (16,296)
- 2ª SEÇÃO (11,369)
- 1ª SEÇÃO (6,889)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (128,887)
- Segunda Seção de Julgamen (116,175)
- Primeira Seção de Julgame (78,015)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,150)
- Terceiro Conselho de Cont (25,980)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,430)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,612)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,273)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,232)
- HELCIO LAFETA REIS (3,928)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,937)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,875)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,791)
- WILDERSON BOTTO (2,683)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,961)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,925)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,477)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,674)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2026 (16,704)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2026 (20,932)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 16832.000928/2009-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano calendário:2006
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A partir de 01/01/1997, com a edição da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art.
42, a existência dos depósitos bancários, cuja origem não seja comprovada, foi erigida à condição de presunção legal de omissão de receita. Tal presunção acarretou a inversão do ônus da prova, cabendo ao sujeito passivo da relação jurídica provar que a prática do fato que lhe está sendo imputado não corresponde à realidade. Na ausência de provas que refutem a presunção
deve ser mantida a autuação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-001.010
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201204
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano calendário:2006 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A partir de 01/01/1997, com a edição da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 42, a existência dos depósitos bancários, cuja origem não seja comprovada, foi erigida à condição de presunção legal de omissão de receita. Tal presunção acarretou a inversão do ônus da prova, cabendo ao sujeito passivo da relação jurídica provar que a prática do fato que lhe está sendo imputado não corresponde à realidade. Na ausência de provas que refutem a presunção deve ser mantida a autuação. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 16832.000928/2009-88
conteudo_id_s : 5235942
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 06 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1402-001.010
nome_arquivo_s : Decisao_16832000928200988.pdf
nome_relator_s : ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 16832000928200988_5235942.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2012
id : 4597478
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:01:54 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041575845560320
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2043; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1 1 0 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16832.000928/200988 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 140201.010 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de abril de 2012 Matéria AUTO DE INFRACAO IMPOSTO SIMPLES Recorrente ESTETICA SHOPPING LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A partir de 01/01/1997, com a edição da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 42, a existência dos depósitos bancários, cuja origem não seja comprovada, foi erigida à condição de presunção legal de omissão de receita. Tal presunção acarretou a inversão do ônus da prova, cabendo ao sujeito passivo da relação jurídica provar que a prática do fato que lhe está sendo imputado não corresponde à realidade. Na ausência de provas que refutem a presunção deve ser mantida a autuação. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 709DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16832.000928/200988 Acórdão n.º 140201.010 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório ESTETICA SHOPPING LTDA. recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: Trata o presente processo dos autos de infração de fls. 407/473, lavrados no âmbito da Delegacia da Receita Federal de Fiscalização no Rio de Janeiro/RJ, em 19/11/2009, por meio dos quais estão sendo exigidos da interessada acima identificada, o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ/SIMPLES, no valor de R$ 49.268,42 (fls. 423/432); a Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS/SIMPLES, no valor de R$ 36.044,93 (fls. 433/443); a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL/SIMPLES, no valor de R$ 49.863,21 (fls. 444/453); a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS/SIMPLES, no valor de R$ 146.622,21 (fls. 454/463) e a Contribuição para a Seguridade Social – INSS/SIMPLES, no valor de R$ 422.698,11 (fls. 464/473), todos acrescidos de multa de 75% e juros de mora calculados até 30/10/2009. O valor total do crédito tributário constituído é R$ 1.490.901,37, conforme demonstrativo de fl. 01. Como parte integrante do auto de infração veio o Termo de Verificação Fiscal (fls. 404/406), onde estão detalhadas as razões da autuação, que resumese: o exame fiscal decorreu da operação 91231Movimentação Financeira Incompatível com Receita Declarada, no ano calendário de 2006, iniciado com o Termo de Início de Fiscalização, datado de 22 de julho de 2009 (fl. 20); a pessoa jurídica, alegando atraso por parte das instituições para obter os extratos bancários, requereu prorrogação de 30 dias para apresentálos, o que veio a ocorrer findo o prazo referenciado (fl. 27); em cumprimento ao escopo da fiscalização procedeuse minucioso levantamento dos créditos bancários que constam dos extratos das contascorrentes movimentadas na CAIXA ECONÔMICA (fls. 28/204), BRADESCO (fls. 205/329) e BANCO DO BRASIL (fls.330/344), no período de janeiro a dezembro de 2006, conforme planilhas de fls. 345/398, e, com base nas informações extraídas dos extratos das instituições acima referenciadas os créditos apurados foram segregados na seguinte ordem: a) créditos decorrentes de repasses de operadoras de cartão de crédito (fl. 399 vol.II); b) créditos decorrentes de depósitos em dinheiro,cheques, TED, DOC, etc.. (fl. 402 vol. II); c) consolidação dos valores mês a mês (fl.403vol.III); foram excluídos os créditos identificados como empréstimos, transferências interbancárias, cheques devolvidos e tudo o mais que não tivesse característica de receita sujeita à tributação; Fl. 710DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16832.000928/200988 Acórdão n.º 140201.010 S1C4T2 Fl. 0 3 conforme se pode comprovar no Demonstrativo Consolidado (fl.403 vol.III), os valores dos créditos bancários movimentados nas contascorrentes, no período de janeiro a dezembro de 2006, são superiores aos valores da receita bruta declarada, conforme abaixo se demonstra: I. Total dos valores creditados.....R$6.459.364,17 II. Receita total declarada.............R$1.871.403,47 III. Diferença (I II).....................R$4.587,960,70 por essa razão o sujeito passivo foi intimado (fl. 23) a comprovar a origem das diferenças estampadas no mencionado demonstrativo, cuja base são os créditos individualizados nas planilhas (fls. 345/398); o mesmo não ofereceu qualquer justificativa capaz de elidir a presunção de omissão de receita, consubstanciada no nexo causal existente, tanto em relação aos créditos referentes aos repasses efetuados por sociedades operadoras de cartão de crédito, sem dúvida, produto de venda de mercadorias, bem como, quanto aos demais créditos relacionados como depósitos em dinheiro, em cheques, etc...; dessa forma, as respectivas diferenças apuradas foram consideradas receita omitida e levadas à tributação, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal que consta do auto de infração lavrado nesta data, do qual o termo de verificação é parte integrante e inseparável; em conseqüência do lançamento referenciado, restou comprovado que a fiscalizada ultrapassou o limite legal estabelecido na legislação que rege o Estatuto da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, logo, não mais poderá se beneficiar do tratamento jurídico diferenciado previsto na lei de regência; por esse motivo, foi efetuada Representação Fiscal a ser encaminhada ao Sr. Delegado da Receita Federal de Fiscalização no Rio de Janeiro, (Processo n° 16832.000929/200922) visando a exclusão do Simples, a partir dos anos calendários seguintes, por violação ao artigo 9°, inciso II da Lei n° 9.317/96,com a redação dada pela Lei n° 11.307/2006, do que a fiscalizada fica foi cientificada, mediante a assinatura do termo de verificação fiscal. Irresignada com a autuação a empresa apresentou, em 11/12/2009, a impugnação de fls. 477/491, instruída com os documentos de fls. 492/501, onde alega resumidamente que: DA IMPROPRIEDADE DOS AUTOS DE INFRAÇÃO o Auditor autuante optou por considerar como omissão de receita a diferença entre a receita bruta declarada e a totalidade dos valores discriminados na “PLANILHA DE CONCILIAÇÃO FINANCEIRA; ocorre que a impugnante não consegue aceitar o porquê da não consideração dos valores cuja origem vem estampada no histórico do próprio extrato, quais sejam: 1) depósito em cheque; 2) cheque descontado; 3) repasse de cartão de crédito; Fl. 711DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16832.000928/200988 Acórdão n.º 140201.010 S1C4T2 Fl. 0 4 em seguida passa a discorrer sobre cada um dos valores a serem excluídos da autuação. DOS DEPÓSITOS EM CHEQUE define como disponibilidade econômica o incremento de valor produzido no patrimônio da pessoa em um dado momento ou em um determinado espaço de tempo e do qual tem a referida disponibilidade; alega que somente no momento em que passa a existir, por ter sido realizado, separado e, conseqüentemente, suscetível de ser trocado, é que ocorre a disponibilidade; sustenta que se os depósitos ainda se encontram bloqueados (não disponíveis), nem em uma interpretação extremamente fiscalista podese concluir que ocorreu a disponibilidade econômica e conseqüentemente o fato gerador do imposto de renda; é claro que a disponibilidade desses depósitos, se ocorreu, pois, podem perfeitamente também não se tornar disponíveis, efetuouse em data posterior, ocorrendo então, caso a origem não tenha sido comprovada, o fato gerador do imposto de renda, isto é, somente na data em que os depósitos se tornam disponíveis é que acontece o crédito dos recursos e conseqüentemente o fato gerador do imposto de renda; no caso vertente notase claramente o deslocamento do fato gerador em diversos meses, como, por exemplo, maio e junho, devido a depósitos em cheques nos últimos dias do mês; por conseguinte, os créditos referentes aos depósitos em cheque somente ocorreram em datas posteriores, ou seja, a disponibilidade econômica e conseqüentemente a ocorrência do fato gerador somente se efetivaram em dias diferentes das datas dos respectivos depósitos; a fiscalização jamais poderia ter agido como agiu, pois no mínimo, a sua conveniência, deslocou ilegalmente, a ocorrência do fato gerador; cita o artigo 142 do CTN para, com fundamento no princípio da tipicidade cerrada, defender que a atividade fiscal é vinculada e deve se reportar à data da ocorrência do fato gerador, no caso do presente tópico, por ocasião da disponibilidade do crédito; o lançamento é regido pela lei e, em virtude de erro da identificação da data de ocorrência do fato gerador não pode prosperar, conforme jurisprudência transcrita às fls. 550/551; DOS CHEQUES DESCONTADOS sustenta que o desconto de cheques é um adiantamento de recursos feito pelo banco sobre os valores dos respectivos cheques e, neste tipo de operação, a empresa recebe dinheiro antecipado de suas vendas a prazo; tais valores decorrentes de desconto de cheques (históricocheque descontado) jamais poderiam ter sido considerados como de origem não comprovada; a origem desses créditos nada mais é do que empréstimos concedidos pelas instituições financeiras que têm como garantias cheques recebidos pela empresa; Fl. 712DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16832.000928/200988 Acórdão n.º 140201.010 S1C4T2 Fl. 0 5 se os cheques são decorrentes de vendas declarados ou não, não tem relevância para o tipo de tributação imposta pelo Fisco (depósito sem comprovação da origem); o que realmente importa é se os créditos têm ou não a comprovação da origem, e no caso em pauta, é lógico que os créditos tem origem no desconto de cheques (adiantamento de recursos empréstimo); caso os cheques fossem oriundos de vendas não declaradas deveriam, os valores em questão, ter sido submetidos às normas de tributações específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos, conforme dispõe o parágrafo segundo do art. 287 do RIR/99 e nunca como depósitos sem comprovação da origem; os valores relacionados nas planilhas anexadas ao processo que tem como histórico "cheque descontado" se referem a recursos obtidos através de descontos de cheques, conforme comprovado através do próprio histórico dos extratos, justificando, de modo irrefutável, a origem dos recursos, devendo ser excluídos da base tributável levantada pela Fiscalização; DOS REPASSES DE CARTÕES DE CRÉDITO quanto aos valores referentes a repasses das operadoras de cartões de crédito que foram discriminados pela própria fiscalização em planilhas separadas referemse, obviamente, a recebimento de vendas através de cartões de crédito, em decorrência de vendas a prazo anteriormente efetuadas pela empresa; frisa que só podem ser considerados como omissão de receita os valores que efetivamente não tiveram sua origem comprovada, conforme dispõe os artigos 287 e 849 do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto n°. 3.000 de 26/03/99 (RIR/99); uma grande parte dos valores constantes dos extratos bancários referese a recebimentos de vendas com cartão de crédito, conforme claramente exposto nos próprios extratos bancários; tais valores jamais poderiam ter sido tratados pelo Fisco como depósitos sem comprovação de origem, uma vez que tal origem vem estampada no próprio extrato, tais como: VISA ELECTRON, VDA CARTÃO CRÉD, CR MÁSTER e CR R SHOP; tanto o parágrafo 2 do art. 287 como o inciso II do art. 849, ambos do RIR/99, são extremamente claros, ou seja, se a origem foi comprovada, mas os valores não foram oferecidos à tributação, deverão então, submeterse às normas específicas previstas na legislação e nunca ser tributados como presunção de omissão de receita capitulada no artigo 42 da Lei 9.430/96, conforme foi o caso; os valores decorrentes dos recebimentos das operadoras de cartões, é óbvio, que se referem a vendas pretéritas sendo, portanto, relativos a receitas já ocorridas, declaradas ou não; não se pode admitir que o Fisco, além de não considerar a origem dos recursos a seu bel prazer, defina a ocorrência do fato gerador do tributo no momento em que a empresa efetivamente recebe os valores decorrentes do seu trabalho; o fato gerador do Imposto de renda, bem como das contribuições que foram objetos de tributação está bem definido na legislação de regência e, com certeza, não é o recebimento dos citados valores, ou seja, o regime é de competência e não o de caixa, como faz supor o ilustre agente do Fisco; Fl. 713DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16832.000928/200988 Acórdão n.º 140201.010 S1C4T2 Fl. 0 6 o art. 142 do CTN que é claro quando define o lançamento como procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, não podendo o fato gerador ser apenas presumido, como no caso em exame; a própria fiscalização no Termo de Verificação Fiscal afirma que os repasses efetuados pelas operadoras de cartões de crédito, sem dúvida, são produto de venda de mercadorias, portanto, reconhece a origem dos valores em questão; a própria fiscalização discrimina em planilhas diferentes os valores repassados pelas operadoras de cartão de crédito; ao agir desta forma, é lógico que entende que estes créditos têm natureza diferente dos demais, ou seja, em relação a estes a fiscalização efetivamente conseguiu identificar a origem (receitas de vendas de mercadorias), e quanto aos outros não; o Fisco, ao reconhecer de forma taxativa, a origem dos valores referentes aos repasses das operadoras de cartões de crédito, jamais poderia ter efetuado a tributação como presunção de omissão de receita pela não comprovação da origem dos recursos; finaliza este tópico requerendo o cancelamento integral da autuação. DA INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS. por todo o acima exposto, e tendo em vista que a insuficiência de recolhimento foi apurada pela fiscalização em decorrência da inconsistente presunção de omissão de receita, como já mencionado, o presente lançamento deve, portanto, em relação a este tópico, ser também considerado improcedente na sua totalidade. DA EXCLUSÃO DO SIMPLES em virtude da lavratura do Auto de Infração SIMPLES relativo ao anocalendário 2006 que apurou suposto presunção omissão de receita com base na comparação entre receitas não escrituradas e as declarados o contribuinte foi excluído do SIMPLES; tendo em vista que a presente impugnação encontrase pendente de apreciação resta claro que a representação fiscal mencionada no Termo de Verificação Fiscal foi efetuada de forma ilegal e arbitrária, posto que somente se poderia justificar a sua lavratura após o trânsito em julgado da lide, e na remotíssima hipótese de não serem acatados os argumentos apresentados pela Impugnante com apoio em documentação comprobatória e o lançamento tributário, por conseguinte, fosse considerado procedente mesmo após ultrapassadas todas as instâncias administrativas a que esta tem direito por determinação legal; a medida extrema de exclusão do SIMPLES somente pode se tornar efetiva e, por conseguinte, produzir seus efeitos APÓS O TRÂNSITO EM JULGADO do processo e na hipótese de a decisão definitiva considerar o ato da autoridade tributária procedente na sua plenitude a despeito de todos os argumentos e provas em contrário apresentados pelo contribuinte. por tais razões requer o cancelamento de sua exclusão. A decisão recorrida está assim ementada: Fl. 714DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16832.000928/200988 Acórdão n.º 140201.010 S1C4T2 Fl. 0 7 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A partir de 01/01/1997, com a edição da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 42, a existência dos depósitos bancários, cuja origem não seja comprovada, foi erigida à condição de presunção legal de omissão de receita. Tal presunção acarretou a inversão do ônus da prova, cabendo ao sujeito passivo da relação jurídica provar que a prática do fato que lhe está sendo imputado não corresponde à realidade. Na ausência de provas que refutem a presunção deve ser mantida a autuação. CONTRIBUIÇÕES/SIMPLES PIS, COFINS, CSLL e INSS Ressalvados os casos especiais, os lançamentos reflexivos colhem a sorte daquele que lhes deu origem, na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas Impugnação Improcedente Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento, nos seguintes termos (verbis): É o relatório. Fl. 715DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16832.000928/200988 Acórdão n.º 140201.010 S1C4T2 Fl. 0 8 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Em litígio, exigências fiscais do anocalendário de 2006, em face de omissão de receitas pela falta ou insuficiência de comprovação da origem de depósitos bancários, nos seguintes montantes: I. Total dos valores liquidos creditados em contas bancárias ......R$6.459.364,17 II. Receita total declarada.......................................R$1.871.403,47 III. Diferença tributada (I II)...............................R$4.587,960,70 Uma vez que a contribuinte não trouxe no recurso voluntário novas provas e considerando que os fundamentos da decisão recorrida não merecem reparos, peço vênia para tanscrevelos e adotálos com razões de decidir (verbis): Em relação aos valores autuados decorrentes de cheques descontados e de repasse de cartões de crédito, o contribuinte sustenta que a autuação não pode prosperar em virtude dos extratos demonstrarem claramente a origem dos recursos. No caso dos cheques descontados, por óbvio, seriam decorrentes de empréstimos concedidos pelas instituições financeiras que têm como garantias cheques recebidos pela empresa, sendo decorrentes de vendas efetuadas. Também no caso dos cartões de crédito, as origens estariam estampadas no próprio extrato bancário juntado pelo Fisco, não podendo prosperar a autuação. Com o devido respeito à tese, a mesma não pode ser acolhida, como passase a demonstrar. Vejase o caput do artigo 42 “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.” Interpretandose o artigo, percebese, com clareza, que, se o contribuinte regularmente intimado não comprovar a origem dos recursos dos depósitos, estes serão considerados receitas omitidas. Fl. 716DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16832.000928/200988 Acórdão n.º 140201.010 S1C4T2 Fl. 0 9 Por necessário, deve ser esclarecido que esta origem não pode ser entendida no seu sentido mais corriqueiro princípio, começo, procedência, naturalidade, mas sim no contexto do dispositivo legal, que pretende obter esclarecimentos sobre a causa, a razão dos depósitos efetuados na conta da empresa. Se, hipoteticamente, decorrentes de empréstimo, devem ser esclarecidos os seus valores, as operações que lhe deram causa, a finalidade, etc... E, por força da inversão do ônus da prova, devem ser juntados os contratos e outros documentos que demonstrem a efetividade da operação. Ou seja, há que se elucidar a origem de tais recursos. Em não o fazendo, presumemse tais valores receitas omitidas. Similarmente, se a empresa alega que os depósitos foram decorrentes de vendas, sejam elas a prazo ou à vista, precisa identificálas, juntar as notas fiscais, as duplicatas, identificando as mercadorias e/ou serviços que deram causa à receita. Em suma: somente a alegação não é suficiente para afastar a presunção de omissão de receitas. No caso em exame a tese da empresa é de que os extratos comprovam a origem e que tal demonstração estaria estampada nos próprios documentos. Seu argumento, como visto, carece de comprovação, em face da ausência de qualquer documento que identifique as supostas vendas e os supostos descontos de cheques. Passo a analisar as demais razões trazidas pela empresa. DOS DEPÓSITOS EM CHEQUE Sinteticamente o contribuinte alega que: a) somente no momento em que a os depósitos se tornam disponíveis é que acontece o crédito dos recursos e conseqüentemente o fato gerador do imposto de renda; b) em virtude de erro da identificação da data de ocorrência do fato gerador o lançamento não pode prosperar, citando jurisprudência A interpretação do contribuinte fundase no entendimento de que somente após o crédito em conta corrente dos recursos disponibilizados através dos depósitos em cheque é que se materializaria o fato gerador do imposto de renda. Com a devida licença, tal interpretação não pode prosperar, como se verá. A prevalecer a interpretação do contribuinte os fatos geradores decorrentes da disponibilidade jurídica não seriam afetados pelo imposto de renda. Nesta situação, por exemplo, as vendas de mercadorias à prazo não integrariam a base de cálculo do tributo, porque somente em momento posterior é que se efetua o pagamento relativo aos bens adquiridos. Ocorre que a regra geral do imposto de renda é a apuração segundo o regime de competência, e, tem como fato gerador a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica, conforme dispõe o artigo 43 do CTN. Então, não pode prosperar a argumentação do impugnante. Além disso, fato é que a autuação foi efetuada justamente do modo como o contribuinte entende como correto, perdendo sentido o seu argumento. Pode ser, no entanto, que não tenha percebido isto. Para demonstrar como foi efetuado o lançamento, vejase, a título de exemplo (fl. 391), que no dia 05/01/2006 consta um depósito no valor de R$ 6.842,28, o Fl. 717DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16832.000928/200988 Acórdão n.º 140201.010 S1C4T2 Fl. 0 10 qual compôs a autuação, posto o Bradesco ter liberado os recursos nesta data, conforme se observa à fl. 205. Situação análoga é a do depósito no valor de R$ 1.000,00, efetuado em 26/04/2006 (fl. 371), considerado pelo fisco para fins de composição da base de cálculo da autuação, na data de liberação do recurso na conta corrente da autuada pela CEF (fl. 89). E, assim sucessivamente, restando claro que a autuação baseouse na data de liberação dos recursos pela instituição financeira. Quanto ao seu questionamento acerca da data de ocorrência do fato gerador, a autuação foi efetuada em acordo com o artigo 42 da Lei 9.430/1996, que determina: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais).(Alterado pela Lei nº 9.481, de 13.8.97) § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira.”“. Conforme consta às fls. 23/26, o contribuinte foi intimado em 23/10/2009 a comprovar, de forma individualizada (fls. 345/403), a origem dos recursos depositados nas contas correntes ali discriminados. Na ausência de explicação foi autuado por omissão de receitas, nos termos exatamente previstos no artigo transcrito. Ainda de acordo com os demonstrativos constantes das intimações os valores compuseram a base de cálculo mensal dos tributos e contribuições, conforme determina a lei. Em seu favor o contribuinte poderia juntar elementos que ilidissem a presunção, como não foi capaz de explicar a origem de tais recursos a autuação quanto a este item deve ser mantida, por ser perfeitamente legal e em conformidade com o artigo 142 do CTN. Fl. 718DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16832.000928/200988 Acórdão n.º 140201.010 S1C4T2 Fl. 0 11 DOS CHEQUES DESCONTADOS O contribuinte sustenta, resumidamente, que parte dos valores autuados referese a descontos de cheques correspondentes a vendas efetuadas, os quais nada mais são do que empréstimos concedidos pelas instituições financeiras que têm como garantias títulos por ele emitidos. Destaca que ainda que se os depósitos fossem oriundos de vendas não declaradas deveriam ter sido submetidos às normas de tributação específica, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos, conforme dispõe o parágrafo segundo do art. 287 do RIR/99 e nunca como depósitos sem comprovação da origem. Ao fim, requer que sejam excluídos da autuação os valores provenientes deste tipo de operação, que se referem a adiantamento de recursos, conforme comprovado através do próprio histórico dos extratos, justificando, de modo irrefutável a origem dos recursos. De plano deve ser afastado a alegação do contribuinte no sentido que o histórico dos extratos comprova de modo irrefutável a origem dos recursos. Tal não é verdadeiro. Para comprovar os descontos de cheques, o contribuinte deveria ter juntado aos autos provas destas operações, bem como as notas fiscais correspondentes às vendas. No entanto não juntou aos autos tais provas, prejudicando a comprovação do que alega. Ademais, o contribuinte não juntou aos autos qualquer documento contábil, que evidencie a realização dos supostos descontos de cheques, prejudicando a demonstração de seu argumento. Cabe analisar sua postulação de que se os depósitos fossem oriundos de vendas não declaradas deveriam ter sido submetidos às normas de tributações específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos, conforme dispõe o parágrafo segundo do art. 287 do RIR/99 e nunca como depósitos sem comprovação da origem. Vejase o dispositivo parcialmente reproduzido: “Art. 287. Caracterizamse também como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (Lei nº 9.430, de 1996, art. 42). negritei (..) § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo do imposto a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos (Lei nº 9.430, de 1996, art. 42, § 2º).” Em primeiro lugar, importa destacar que o primeiro passo para aplicação do dispositivo é a intimação ao contribuinte para que comprove a origem dos recursos depositados em suas contas correntes mantidas em instituições financeiras. Deste modo, a intimação é um passo obrigatório e necessário para a aplicação da presunção de omissão de receitas contida no artigo 42 da Lei 9.430. Fl. 719DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16832.000928/200988 Acórdão n.º 140201.010 S1C4T2 Fl. 0 12 O passo seguinte é a resposta do contribuinte. Se em atendimento à intimação o contribuinte não esclarece a origem dos recursos, resta configurada a presunção, sendo os recursos depositados considerados receitas omitidas, lhe restando a oportunidade, sem sede de impugnação, de ilidir a autuação mediante a comprovação da origem dos depósitos (ressaltese origem dos recursos para a empresa, a causa dos depósitos, as operações a ele relacionadas, a demonstração das vendas, dos empréstimos, etc... – mediante a juntada de provas) De outro modo, pode ser que atendendo à intimação, o contribuinte demonstre a origem dos recursos. Neste caso, se proveniente de vendas, por exemplo, caberá ao Fisco, se desejar prosseguir na auditoria fiscal, verificar se tais operações estão contabilizadas e se os recursos foram oferecidos à tributação. Este é o escopo do parágrafo segundo do artigo em exame. Sua aplicação se dá no curso da autuação. É nesta hipótese segunda hipótese que o Fisco, numa eventual autuação por omissão de receitas, fundada em prova direta e não em presunção, deverá observar as normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que os rendimentos foram auferidos ou recebidos. No entanto, o contribuinte foi autuado com base na presunção legal de omissão de receitas, pretendendo afastar a autuação sob o argumento de que os extratos são autoexplicativos. Reafirmese que tal tese não pode prosperar. Há necessidade de sejam demonstradas as vendas correspondentes aos créditos em conta corrente de recursos provenientes das operadoras de cartão de crédito. Por falta de provas, este item da autuação também deve ser mantido. Ademais, como sabido, a contabilidade faz prova em favor do contribuinte desde que suportada por documentos hábeis e idôneos. Contudo, no presente caso, além de não terem sido juntados documentos, também não o foram os livros contábeis, devendo ser mantido integralmente este item da autuação. Destaquese, mais uma vez, que a autuação encontrase em sintonia com o artigo 142 do CTN. Sinteticamente o contribuinte defende que os valores referentes a repasses das operadoras de cartões de crédito que foram discriminados pela própria fiscalização em planilhas separadas referemse, obviamente, a recebimento de vendas através de cartões de crédito, em decorrência de vendas a prazo anteriormente efetuadas pela empresa, conforme claramente exposto nos próprios extratos bancários, e ainda conforme atestado pelo Fisco no Termo de Verificação Fiscal, não podendo prosperar a autuação. De modo análogo ao que já foi dito, o contribuinte não junta aos autos qualquer elemento que vincule os valores recebidos a vendas efetuadas, prejudicando desde já a sua argumentação. Não é demais lembrar que a ele cabe ilidir a presunção legal, e, nos termos pretendidos, demonstrar que os valores depositados referemse a cobrança de valores relativos a vendas anteriormente efetuadas. Contudo, as provas necessárias à demonstração de seus argumentos não vieram aos autos. Também defende que tanto o parágrafo 2 do art. 287 como o inciso II do art. 849, ambos do RIR/99, são extremamente claros, ou seja, se a origem foi comprovada, mas os valores não foram oferecidos à tributação, deverão então, submeterse às normas específicas Fl. 720DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16832.000928/200988 Acórdão n.º 140201.010 S1C4T2 Fl. 0 13 previstas na legislação e nunca ser tributados como presunção de omissão de receita capitulada no artigo 42 da Lei 9.430/96, conforme foi o caso. Este segundo argumento foi analisado no item anterior. Assim, valhome das razões ali apontadas para afastar suas alegações. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 721DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 13856.000208/00-19
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 02 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/1989 a 31/10/1993
PIS. RESTITUIÇÃO.
O prazo prescricional para o pedido de repetição de indébito junto à Administração Tributária é de 10 anos contados do fato gerador, para pedidos protocolizados anteriormente a 8 de junho de 2005 (data de entrada em vigência da Lei Complementar n º 118, de 9 de fevereiro de 2005). RE 566.621/RS - com repercussão geral.
Recurso do Contribuinte provido em parte
Numero da decisão: 9303-001.835
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos FISCAIS, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Marcos Aurélio Pereira Valadão
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201202
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1989 a 31/10/1993 PIS. RESTITUIÇÃO. O prazo prescricional para o pedido de repetição de indébito junto à Administração Tributária é de 10 anos contados do fato gerador, para pedidos protocolizados anteriormente a 8 de junho de 2005 (data de entrada em vigência da Lei Complementar n º 118, de 9 de fevereiro de 2005). RE 566.621/RS - com repercussão geral. Recurso do Contribuinte provido em parte
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 13856.000208/00-19
conteudo_id_s : 5238325
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 06 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 9303-001.835
nome_arquivo_s : Decisao_138560002080019.pdf
nome_relator_s : Marcos Aurélio Pereira Valadão
nome_arquivo_pdf_s : 138560002080019_5238325.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos FISCAIS, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 02 00:00:00 UTC 2012
id : 4599381
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:02:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041575852900352
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1708; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 862 1 861 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13856.000208/0019 Recurso nº 226.214 Voluntário Acórdão nº 930301.835 – 3ª Turma Sessão de 2 de fevereiro de 2012 Matéria PIS/PASEP RESSARCIMENTO Recorrente USINA SÃO MARTINHO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1989 a 31/10/1993 PIS. RESTITUIÇÃO. O prazo prescricional para o pedido de repetição de indébito junto à Administração Tributária é de 10 anos contados do fato gerador, para pedidos protocolizados anteriormente a 8 de junho de 2005 (data de entrada em vigência da Lei Complementar n º 118, de 9 de fevereiro de 2005). RE 566.621/RS com repercussão geral. Recurso do Contribuinte provido em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Otacílio Dantas Cartaxo _ Presidente da CSRF Marcos Aurélio Pereira Valadão Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Fl. 1DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 2 Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente); Relatório Por bem descrever os fatos adoto o Relatório do acórdão recorrido, no qual, por sua vez, foi adotado o relatório da DRJ: Por bem traduzir o conteúdo do processo até a fase em que foi interposto o presente Recurso Voluntário, reproduzo o "Relatório" do Acórdão DRJ/POR N°4384, de 3 de novembro de 2003, verbis: A interessada acima qualificada ingressou com o pedido de fl. 01, em 28/09/2000, requerendo a restituição do montante de R$ 1.440.573,74 (um milhão quatrocentos e quarenta mil quinhentos e setenta e três reais e setenta e cinco centavos), a preços de setembro de 2000, relativo a indébitos de contribuições para o PIS que teriam sido recolhidas a maior mensalmente nos períodos de 10 de abril de 1989 a 22 de novembro de 1993, incidentes sobre os fatos geradores ocorridos nos meses de competência de janeiro de 1989 a outubro de 1993, cumulada com a compensação de créditos tributários vencidos e/ ou vincendos de sua responsabilidade, administrados pela Secretaria da Receita Federal. Para comprovar os indébitos pleiteados, anexou ao seu pedido o demonstrativo de fls. 03/07 denominado "Controle de Pagamentos Indevidos e Compensação do PIS", bem como os Datfs de .fls. 10 a 84. O pedido foi inicialmente analisado pela Delegacia da Receita Federal (DRF) em Ribeirão Preto, SP, que o indeferiu, conforme Despacho • Decisório às fls. 635/639, com fundamento no Código Tributário Nacional (CTN), art. 156, I, c/c os arts. 165, I, e 168, 1, sob o argumento de que o direito de a interessada pleitear a restituição dos pretensos indébitos ora reclamados extinguiuse com o decurso de prazo de cinco anos, contados dos pagamentos a maior e/ ou indevidos. Cientificada daquele despacho decisório e inconformada com o indeferimento do seu pedido, a interessada interpôs a manifestação de inconformismo de fls. 646/677, dirigida a esta DRJ, requerendo a reforma da decisão proferida por aquela DRF, para o fim de lhe deferir as compensação pretendidas, decretando a insubsistência e arquivamento da Intimação n.° 0810906/ARF/JABOTICABAL/DRF/RP0/079/2003 e, conseqüentemente, a exigência dos tributos (créditos tributários) nela indicados, assim como dos juros de mora e multa, arquivandose em seguida o presente processo e, ainda, que após as diligências requeridas e da produção de novas provas, se necessárias e indispensáveis, seja prolatada a decisão Fl. 2DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 13856.000208/0019 Acórdão n.º 930301.835 CSRFT3 Fl. 863 3 fundamentada. Protestou, também, pela apresentação de provas, testemunhal, documental, pericial e tudo o mais que em direito for permitido, inclusive sustentação oral. Como razões de mérito, alegou: 1) Quanto à compensação: Em face da Resolução do Senado Federal de nº 49, de 09/10/1995, que suspendeu a execução dos Decretoslei nº 2.445 e n.° 2.449, ambos de 1988, tem direito à restituição e/ ou compensação dos valores das contribuições para o PIS que foram recolhidas nos termos destes decretos e que tenham excedido aos valores devidos segundo a Lei Complementar (LC) n.° 7, de 1970. Tal compensação encontra base legal no Código Tributário Nacional (CTN) e na Lei rt° 8.383, de 1994, • art. 66. Também a Lei n.° 9.430, de 27/12/1996, o Decreto n°2.138, de 29/01/1997, e a Instrução Normativa n.° 21, de 10/03/1997, permitem as compensações pretendidas. 2)Em relação aos valores recolhidos indevidamente Segundo seu entendimento, a DRF em Ribeirão Preto, em momento algum, teria contestado a origem dos valores reclamados, bem como a documentação apresentada por ela e a liquidez dos indébitos pretendidos. 3) Quanto ao prazo para o exercício do seu direito à restituição/compensação Neste item, argumentou que o prazo para repetição e/ ou compensação de indébitos fiscais segundo o CTN, art. 168. I, c/c o art. 165, é de cinco anos contados da extinção do crédito tributário. Contudo, nas hipóteses previstas no art. 165, o CTN não versou especificamente sobre o prazo para a repetição de tributos declarados inconstitucionais como no presente caso. Nessa lacuna, firmouse 'na doutrina e na jurisprudência a inteligência de que esse termo s é de cinco anos, contados da publicação da decisão do Supremo. Tribunal Federal (STF) que declarou a inconstitucionalidade do diploma legal sob o qual vinha sendo pago o tributo ou da Resolução do Senado Federal que determinou a suspensão de sua execução. No caso concreto, o prazo decadencial deve ser contado a partir da data da publicação da Resolução n. 49 do Senado Federal, em 10 de outubro de 1995, que suspendeu a execução dos Decretos lei nº 2.445 e n° 2449, ambos de 1988, e não das datas de extinção dos créditos tributários pelo pagamento como entendeu a DRF em. Ribeirão Preto SP. Assim, não há que se falar em decadência de seu direito em relação aos indébitos reclamados. 4) Quanto à jurisprudência Em sua impugnação, citou e transcreveu ementa do Superior Tribunal de Justiça (STJ) sobre repetição de indébito relativo a empréstimo compulsório, decidindo que o prazo prescricional Fl. 3DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 4 para sua repetição tem como termo inicial a data da declaração de inconstitucionalidade da lei em que se fundamentou seu gravame. Também citou e transcreveu ementas sobre repetição de indébitos relativos a Finsocial, decidindo que o prazo para haver restituição e ou compensação de tributos lançados por homologação é de cinco anos, contados da data de sua homologação e expirado esse prazo, sem que ela ocorra, dáse a homologação tácita, e daí começa a fluir o prazo para o contribuinte 1 pleitear sua restituição e/ ou compensação. Na hipótese de declaração de inconstitucionalidade do tributo, este é o termo inicial do lapso prescricional para o ajuizamento da ação correspondente. Citou, ainda, e transcreveu ementas do Conselho de Contribuinte reconhecendo que o prazo para se exercer o direito à repetição e/ ou compensação de indébitos resultantes de tributos pagos sob norma declarada inconstitucional tem início na data da Resolução do Senado Federal que suspendeu sua execução e não na data da extinção do crédito tributário pelo pagamento. É o relatório. O Acórdão recorrido indeferiu o pleito da. interessada, tendo sido assim elaborada a sua ementa: “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário . Período de apuração: 01/09/1989 a 31/10/1993 Ementa: INDÉBITO FISCAL. DECADÊNCIA A decadência do direito de se pleitear restituição e/ ou compensação de indébito fiscal ocorre em cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento, inclusive, na hipótese de ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO A restituição e/ ou compensação de indébito fiscal com crédito tributário vencido e/ ou vincendo está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito Solicitação indeferida." Novamente irresignada, a interessada manifestouse contrária a tal entendimento por meio do Recurso Voluntário, onde praticamente repete as argumentações apresentadas na fase impugnatória, aduzindo, desta feita que, ainda que fosse o caso de se iniciar o prazo de prescrição a contar do pagamento indevido, deveria ser aplicada a tese dos "cinco + cinco", aliás, na linha do que foi decidido pelo STJ, conforme as decisões que cita. Acrescenta ainda que, diferentemente do entendimento esposado pela DRJ de Ribeirão Preto no Acórdão recorrido, os documentos juntados com o pedido de restituição comprovam inequivocamente os valores pagos a título de PIS nos termos dos DL declarados inconstitucionais. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 13856.000208/0019 Acórdão n.º 930301.835 CSRFT3 Fl. 864 5 A Câmara a quo negou provimento ao recurso voluntário. O acórdão foi assim ementado: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1989 a 31/10/1993 Ementa: PIS. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Na forma do § 1° do art. 150 do CTN, a extinção do crédito tributário se dá com o pagamento do crédito, sob condição resolutória de ulterior homologação. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO/DECADÊNCIA. Extinguese em cinco anos, contados da data do pagamento indevido, o prazo para pedido de compensação ou restituição de indébito tributário Recurso negado. Irresignado, o sujeito passivo apresentou recurso especial às fls. 779/804, por meio do qual requereu a reforma do acórdão ora fustigado. Insurgese quanto ao indeferimento do pedido de restituição/compensação sob o fundamento de que a extinção do crédito tributário se dá com o pagamento do crédito, sob condição resolutória de ulterior homologação, na forma do § 1º do art. 150, do CTN, adotandose o prazo de cinco anos, contados da extinção do crédito tributário, ou seja, do pagamento indevido. Alega em sua peça recursal que deve ser considerada como prazo decadencial a data da publicação da Resolução do Senado Federal, n°49 (10/10/1995), que suspendeu a execução dos Decretos 2.445/88 e 2.449188, uma vez que a declaração de inconstitucionalidade dessas normas foi proferida em sede de controle difuso. O recurso foi admitido pelo Presidente da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por meio de despacho às fls. 843. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarazões às fls. 846/859. É o Relatório. Voto Conselheiro Relator Marcos Aurélio Pereira Valadão Aprecio o Recurso Especial do Contribuinte, apresentado em boa forma, que conheço. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 6 A matéria posta à apreciação por esta Câmara Superior, referese ao prazo prescricional para o encaminhamento de pedido de restituição de indébitos tributários. A decisão da 3ª Câmara da 2º Conselho de Contribuintes entendeu que o prazo prescricional é de cinco anos contados do pagamento, enquanto a tese do contribuinte é de que o prazo é de cinco anos contados da Resolução nº 49 doSenado Federal, publicada no Diário Oficial, em 10/10/95, dando pela inaplicabilidade do art. 3° da Lei Complementar n. 118/2005, de forma que todos os indébitos anteriores à Resolução sejam passíveis de restituição. Ambas as posições devem ser afastadas. A primeira, no que diz respeito ao período em discussão e a segunda de maneira geral (é inadmissível a imprescritibilidade ad infinitum para trás, a partir de uma declaração de inconstitucionalidade). A posição que deve ser aceita atualmente decorre da jurisprudência do STJ conforme estabelecida no julgamento do RE 566.621/RS (Relatora: Ministra Ellen Gracie, decidido em 04/08/2010), com repercussão geral, em que o STF reconheceu a aplicabilidade dos 10 anos contados da data do fato gerador para os pedidos de restituição protocolizados antes da data da vigência da LC 118/2005, o que se deu no caso presente, para os débitos referentes aos fatos geradores ocorridos a partir de 28/09/1990. É esta a conclusão obrigatória decorrente da aplicação da decisão do STF, conforme o voto da Ministra Ellen Gracie que foi ementado da seguinte forma: EMENTA: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos Fl. 6DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 13856.000208/0019 Acórdão n.º 930301.835 CSRFT3 Fl. 865 7 seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Deve, portanto, ser revista a decisão recorrida. Os indébitos relativos aos fatos geradores anteriores a 28/09/1990 (período 01/01/1989 a 27/09/1990) foram atingidos pela prescrição, visto que o pedido foi protocolizado em 28/09/2000. São passíveis de restituição/compensação indébitos relativos aos fatos geradores ocorridos no período que vai de 28/09/1990 a 31/10/1993. Pelo exposto, dou provimento parcial ao Recurso Especial do Contribuinte, de forma a garantir a restituição/compensação indébitos relativos aos fatos geradores ocorridos no período que vai de 28/09/1990 a 31/10/1993, resguardado o direito da Fazenda Nacional de averiguar a liquidez e certeza dos créditos compensáveis. Marcos Aurélio Pereira Valadão Fl. 7DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANT AS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 11070.001394/2010-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2302-000.169
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade em converter o julgamento em diligência nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201205
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
numero_processo_s : 11070.001394/2010-96
conteudo_id_s : 6401104
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 14 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2302-000.169
nome_arquivo_s : 230200169_11070001394201096_201205.pdf
nome_relator_s : MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 11070001394201096_6401104.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade em converter o julgamento em diligência nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Thu May 17 00:00:00 UTC 2012
id : 4602057
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:02:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041575858143232
conteudo_txt : Metadados => date: 2020-11-25T18:06:35Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2020-11-25T18:06:35Z; Last-Modified: 2020-11-25T18:06:35Z; dcterms:modified: 2020-11-25T18:06:35Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:93041af6-74e2-4203-9749-f063e5676c6b; Last-Save-Date: 2020-11-25T18:06:35Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2020-11-25T18:06:35Z; meta:save-date: 2020-11-25T18:06:35Z; pdf:encrypted: true; modified: 2020-11-25T18:06:35Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2020-11-25T18:06:35Z; created: 2020-11-25T18:06:35Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 2; Creation-Date: 2020-11-25T18:06:35Z; pdf:charsPerPage: 1805; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:created: 2020-11-25T18:06:35Z | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 84 1 83 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11070.001394/201096 Recurso nº 999.999 Resolução nº 230200.169 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 17 de maio de 2012 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente RÁDIO REGIONAL LTDA Recorrida DRJ RIO DE JANEIRO RJ Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade em converter o julgamento em diligência nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato e Manoel Coelho Arruda Júnior. O presente lançamento tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, cujos valores constaram em folhas de pagamento, referente ao período compreendido entre as competências julho de 2007 a maio de 2010, fls. 23 a 24. Houve a exclusão do Simples Nacional, por meio do Ato Declaratório n. 90 de 2010. Não conformado com a autuação, foi apresentada defesa pela sociedade empresária, fls. 28 a 33. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento analisou os argumentos da autuada e exarou a decisão, que confirmou a procedência do lançamento, fls. 47 a 56. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela autuada, conforme fls. 69 a 74. Em síntese, alega o seguinte: a) o servidor não podia conceder apenas cinco dias de prazo para a autuada apresentar documentos; b) a recorrente não podia ter sido excluída do Simples; c) fora irregular a exclusão da recorrente; d) foram solicitados livros que a empresa não era obrigada; e) requer a permanência no Simples. Não foram apresentadas contrarrazões pelo órgão fazendário. É o relato suficiente. Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 75. Superado, dessa forma, o pressuposto de admissibilidade, passo ao exame das questões preliminares ao mérito. Conforme informação na decisão de primeira instância, o presente lançamento foi realizado para prevenir decadência, enquanto não se torna definitivo o processo de exclusão do Simples Nacional. Uma vez que todo o argumento de defesa baseiase na exclusão do regime simplificado, e considerando a relação de prejudicialidade entre estes autos e aqueles que tratam da exclusão, entendo que deva ser convertido em diligência para verificar se já houve o julgamento do processo de n. 11070.001282/201035. CONCLUSÃO: Voto pela conversão em diligência, devendo a Receita Federal informar se já houve o julgamento do processo de exclusão do Simples Nacional, juntando cópias das decisões. Do resultado da diligência, antes de os autos retornarem a este Colegiado, deve ser conferida vistas à recorrente, para que, desejando, possa manifestarse. É o voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 85DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10855.003084/2002-14
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997
NORMAS PROCESSUAIS. AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE REQUISITOS ESSENCIAIS. NULIDADE.
O ato administrativo de lançamento deve se revestir de todas as formalidades exigidas em lei, sendo nulo por vício formal o auto de infração que não contiver todos os requisitos prescritos como obrigatórios pela legislação processual tributária.
RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR NEGADO
Numero da decisão: 9303-001.895
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Especial.
Matéria: DCTF_PIS - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (PIS)
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : DCTF_PIS - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (PIS)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201203
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997 NORMAS PROCESSUAIS. AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE REQUISITOS ESSENCIAIS. NULIDADE. O ato administrativo de lançamento deve se revestir de todas as formalidades exigidas em lei, sendo nulo por vício formal o auto de infração que não contiver todos os requisitos prescritos como obrigatórios pela legislação processual tributária. RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR NEGADO
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 10855.003084/2002-14
conteudo_id_s : 5238328
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri May 08 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 9303-001.895
nome_arquivo_s : Decisao_10855003084200214.pdf
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 10855003084200214_5238328.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Especial.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2012
id : 4599411
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:02:07 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041575860240384
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1461; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 481 1 480 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10855.003084/200214 Recurso nº 236.595 Especial do Procurador Acórdão nº 930301.895 – 3ª Turma Sessão de 8 de março de 2012 Matéria PAF Nulidade. Recorrente SVEDALA LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997 NORMAS PROCESSUAIS. AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE REQUISITOS ESSENCIAIS. NULIDADE. O ato administrativo de lançamento deve se revestir de todas as formalidades exigidas em lei, sendo nulo por vício formal o auto de infração que não contiver todos os requisitos prescritos como obrigatórios pela legislação processual tributária. RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR NEGADO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Especial. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. (assinado digitalmente) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rebelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), apresentado, tempestivamente, em face do acórdão n° 340300.168, de 16/11/2009, cuja ementa está assim redigida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997 NORMAS PROCESSUAIS, AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUSËNCL4 DE REQUISITOS ESSENCIAIS. NULIDADE. O ato administrativo de lançamento deve se revestir de todas as formalidades exigidas em lei, sendo nulo por vicio de forma o auto de infração que não contiver todos os requisitos prescritos como obrigatórios pelos art. 10 do Decreto n'. 70.235172 e 142 do CTN. Recurso Provido. O Auto de Infração foi lavrado em decorrência de revisão interna de DCTF, relativo ao PIS, para fins de suspensão da exigibilidade dos débitos declarados, conforme se vê do "Anexo I Demonstrativo dos Créditos Vinculados Não Confirmados", da coluna "ocorrência", que consigna “proc.jud. não comprovado”. lrresignada, a contribuinte apresentou impugnação, alegando, em preliminar, que o auto de infração é nulo por não conter a descrição dos fatos, apoiando o pleito em acórdãos dos Conselhos de Contribuintes. Quanto ao mérito, afirma que obteve sentença parcialmente favorável nos autos do Processo nº 94.09043809, que autorizou a compensação de créditos relativa à exigência da Contribuição ao PIS. Motivo pelo qual interposto Recurso de Apelação, que na segunda Instância tomou o numero 95.03.0779022, sendo o mesmo provido por decisão unânime proferida pela Sexta Turma do Egrégio Tribunal Federal da 3ª Região. Acrescenta que a exigência da multa de oficio e dos juros de mora é indevida, tendo em vista que os débitos estavam com sua exigibilidade suspensa por liminar. A decisão rejeitou a preliminar de nulidade, deixou de acatar a compensação dos créditos, mantendo o lançamento, acrescidos da multa de oficio e dos juros de mora. No recurso voluntário, a empresa repisa seus argumentos de defesa, pugnando pela nulidade do lançamento, quer por desatendimento dos requisitos essenciais Fl. 2DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10855.003084/200214 Acórdão n.º 930301.895 CSRFT3 Fl. 482 3 previstos no art. 10º do Decreto n° 70.235/72, quer pela compensação realizada com base em decisão judicial. É o relatório Voto O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser admitido. Incontroverso o fato de que houve erro na descrição dos fatos que ensejou o lançamento. O processo judicial informado na DCTF, ao contrário do informado no auto de infração existia e assegurava o direito à realização das compensações efetuadas. O lançamento decorre da suposta inexistência de processo judicial informado como justificativa para a suspensão da exigibilidade dos débitos quitados por compensação autorizada em sede de tutela antecipada. Com efeito, no presente caso, houve inovação na matéria que foi objeto de apreciação nos autos. Foi trazida uma matéria jurídica não presente originariamente. Esse fato traz um inaceitável cerceamento ao direito de defesa. O contribuinte se defende dos fatos e não do direito. Assim, se houvesse mera modificação da fundamentação legal, não haveria que se falar em nulidade do lançamento, o que não ocorreu na presente lide. A descrição incorreta do fato motivador do lançamento ofendeu o art. 10ª, inciso III, do Decreto n° 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal, verbis: "Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: III a descrição do fato; " (destaquei) Ao não descrever de forma correta o fato que ensejou a autuação, o Fisco deixou, também, de especificar corretamente a matéria tributável, de cuja essência se consubstanciaria o motivo do lançamento. A descrição correta dos fatos formam a motivação do lançamento, que significa a descrição dos motivos que ensejam o lançamento, que é responsável pela materialização da obrigação tributária, tornandose possível identificar os sujeitos da obrigação e quantificar o crédito. Com efeito, a motivação é um requisito formal do ato administrativo, que é o lançamento. Um vício de motivação não poderá ser sanado no decorrer do processo administrativo tributário, não restando outra alternativa, senão a nulidade do ato ( auto de infração). Fl. 3DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 A lei processual tributária (Dec. 70.235/72 e Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011) é bem clara ao trazer como requisito do lançamento a descrição dos fatos. De fato houve uma afronta à legislação tributária e processual tributária que deve ensejar a anulação do auto de infração nos exatos termos do acórdão recorrido. Examinando situação semelhante a esta, a eminente Conselheira Maria Teresa Martinez López assim se manifestou (Acórdão n 2 20217.721, de 25/05/2006): "A ausência desses elementos ou de algum deles, inquestionavelmente, dá causa à nulidade do lançamento por defeito de estrutura e não apenas por um vício formal, caracterizado, pela inobservância de uma formalidade exterior ou extrínseca necessária para a correta configuração desse ato jurídico. É lícito concluir que as investigações intentadas no sentido de determinar, aferir, precisar o fato que se pretendeu tributar anteriormente, revelamse incompatíveis com os estreitos limites dos procedimentos reservados ao saneamento do vício formal. Sob o pretexto de corrigir o vício formal detectado no auto de infração, não pode. Fisco intimar o contribuinte para apresentar informações, esclarecimentos, documentos etc. tendentes a apurar a matéria tributável. Se tais providências forem necessárias, significa que a obrigação tributária não estava definida e o vício apurado não seria apenas deforma, mas, sim, de estrutura ou da essência do ato praticado. Destarte, por meio da descrição dos fatos, revelamse os motivos que levaram à autuação. Não é necessário que a descrição seja extensa, bastando que se articule de modo preciso os elementos de fato e de direito que levaram o auditor ao convencimento de que a infração deve ser imputada à contribuinte. Do exposto, voto pelo não provimento do presente recurso, mantendose, na íntegra, a decisão do colegiado a quo. Rodrigo da Costa Possas Relator Fl. 4DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 15374.903572/2008-37
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. RELATÓRIO SUCINTO. AUSÊNCIA DE OMISSÃO A simples objetividade da parte dispositiva do relatório do acórdão não configura omissão que mereça ser reparada.
Numero da decisão: 1802-001.224
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em REJEITAR os embargos nos termos do voto do relator.
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201205
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. RELATÓRIO SUCINTO. AUSÊNCIA DE OMISSÃO A simples objetividade da parte dispositiva do relatório do acórdão não configura omissão que mereça ser reparada.
turma_s : Segunda Turma Especial da Primeira Seção
numero_processo_s : 15374.903572/2008-37
conteudo_id_s : 5235587
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 04 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1802-001.224
nome_arquivo_s : Decisao_15374903572200837.pdf
nome_relator_s : GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
nome_arquivo_pdf_s : 15374903572200837_5235587.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em REJEITAR os embargos nos termos do voto do relator.
dt_sessao_tdt : Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
id : 4597318
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:01:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041575913717760
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1518; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 392 1 391 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.903572/200837 Recurso nº 516515 Embargos Acórdão nº 1802001.224 – 2ª Turma Especial Sessão de 09 de maio de 2012 Matéria DCOMP ELETRÔNICA Embargante FUNDAÇÃO DE SEGURIDADE SOCIAL BRASLIGHT Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. RELATÓRIO SUCINTO. AUSÊNCIA DE OMISSÃO A simples objetividade da parte dispositiva do relatório do acórdão não configura omissão que mereça ser reparada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em REJEITAR os embargos nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Gilberto Baptista, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 597DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 15374.903572/200837 Acórdão n.º 1802001.224 S1TE02 Fl. 393 2 Relatório Tratase de embargos de declaração interpostos por entidade fechada de previdência privada, constituída sob a forma de fundação e mantida pelas contribuições da sua patrocinadora e dos seus participantes, visando sanar alegado vício de omissão constante do Acórdão nº 180200.824, proferido por este colegiado na sessão de 24/02/2011, às fls. 148 a 151. Em 30.01.2004, a Embargante pagou débito de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), referente ao período de apuração de 31.03.2003, no valor de R$ 228.356,81, com remissão parcial, nos termos da Medida Provisória (MP) n° 2.222, de 04.09.2001 e alterações posteriores, nas condições do art. 17 da Lei n° 9.779, de 19.01.1999, acrescido pelo art. 10 da MP n° 2158, de 24.08.2001. Suscita que esse pagamento foi indevido, em face da coisa julgada proferida no Mandado de Segurança (MS) n° 90.00100712 e no AG n° 1999.02.01.0320250, que reconheceram sua imunidade à cobrança de todos os impostos, nos termos do art. 150, VI, “c”, da Constituição Federal de 1988 (CF/88), de forma ampla e irrestrita. Em 04.08.2004, a Embargante protocolou declaração de compensação utilizando o referido crédito de IRPJ para quitar, por compensação, débitos de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) de terceiros, no montante de R$ 28.213,09. No entanto, a Delegacia Especial de Instituições Financeiras no Rio de Janeiro Divisão de Orientação e Análise Tributária (DEINFDIORT) não reconheceu o direito creditório da Embargante e, conseqüentemente, não homologou a declaração de compensação em questão. Contra a referida decisão, a Embargante interpôs manifestação de inconformidade que a 1ª Turma da DRJ/RJI, por unanimidade de votos, julgou improcedente sob os fundamentos que: a) a Embargante teria perdido sua imunidade em razão da edição da MP nº 2.222/01 e do julgamento do Plenário do E. STF, no RE nº 202.7006DF, que decidiu que as entidades de previdência privada não gozam da imunidade prevista no art. 150, VI, “c” da CF/88 e b) a Embargante não seria imune, porque a partir do anocalendário de 2002 passou a indicar em suas declarações a informação de que seria "ISENTA" e não mais "IMUNE". Em relação a essa nova decisão da DRJ/RJI, a Embargante interpôs recurso voluntário, suscitando que: a) a coisa julgada formada no MS nº 90.00100712 reconhece que a Embargante é imune à cobrança de todos os impostos, nos termos do art. 150, VI, “c”, da CF/88, de forma ampla e irrestrita (itens 3.1 a 3.8. do recurso voluntário); Fl. 598DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 15374.903572/200837 Acórdão n.º 1802001.224 S1TE02 Fl. 394 3 b) ainda que houvesse alguma dúvida quanto ao fato da imunidade da Embargante ser ampla e irrestrita, ela (dúvida) foi sanada com a decisão proferida e transitada em julgado nos autos do AG nº 1999.02.01.0320250, de que foi relator o Desembargador Federal Paulo Barata, que esclareceu que (itens 3.9 a 3.12 do recurso voluntário): a. a imunidade reconhecida à Embargante tem indole constitucional porque concedida com fundamento no art. 150, VI, “c”, da CF/88; e b. a alteração da legislação infraconstitucional não tem o condão de limitar a coisa julgada proferida no MS nº 90.00100712, mas somente a alteração do próprio art. 150, VI, “c” da CF/88 (o que não ocorreu). c) o fato de o STF, no julgamento do RE nº 202.7006DF, de que foi relator o Ministro Maurício Corrêa, ter decidido que as entidades de previdência privada não gozam da imunidade prevista no art. 150, VI, “c”, da CF/88 não descaracteriza a condição de imune da Embargante, porque: a. esse julgamento produziu efeitos inter partes (apenas entre as partes litigantes), uma vez que o julgamento da inconstitucionalidade ocorreu em um caso concreto; b. no caso, a Embargante tem decisão judicial transitada em julgado reconhecendo a sua imunidade de forma ampla e irrestrita; d) o pagamento do IRPJ realizado pela Embargante nos termos da MP nº 2.222/2001 e a informação da Embargante em sua declaração de que é "ISENTA" e não "IMUNE" não tem o condão de importar em reconhecimento de que o referido tributo era efetivamente devido nem de alterar os efeitos da decisão transitada em julgado e) firmada a premissa de que o pagamento de IRPJ foi realizado indevidamente, em razão da imunidade da Embargante, ela tem o direito de utilizar esse crédito, acrescido de juros, para quitar, por compensação, débitos administrados pela RFB, nos termos do art. 74 da Lei n° 9.430/96 e da jurisprudência pacífica do STJ e do próprio Conselho Em sessão de julgamento realizada em 24.02.2011, 2ª Turma Especial da 1ª Seção do CARF, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário, por meio do Acórdão n° 180200.824, com a seguinte ementa da qual foi relator o Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior: “DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSTOS RECOLHIDOS DIANTE DA INOVAÇÃO NO SISTEMA JURÍDICO POSITIVO APÓS IMUNIDADE RECONHECIDA POR DECISÃO JUDICIAL. É ponto pacífico na jurisprudência e nos precedentes desse CARF que a coisa julgada não obsta que lei nova possa reger a matéria em termos diversos do disposto em decisão judicial, o Fl. 599DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 15374.903572/200837 Acórdão n.º 1802001.224 S1TE02 Fl. 395 4 que implicaria, inarredavelmente, em desrespeito ao sistema de freios e contrapesos decorrente da tripartição dos poderes.” No presente recurso a Embargante transcreve trecho do voto do Acórdão acima citado: “(...) o enfrentamento da questão da recorrente deve ser realizado à luz da eficácia das decisões do Poder Judiciário, já que não se discute a efetividade dos pagamentos, como também não se discute o mandamento legal que impôs a superveniente obrigação à recorrente, tampouco, a mudança de posicionamento do Supremo Tribunal Federal acerca das entidades fechadas de previdência. Relembrese, portanto, que o óbice encontrado pela decisão recorrida consiste no fato de o Supremo Tribunal Federal, em caso alheio ao processo da ora recorrente, ter decidido que as entidades fechadas de previdência privada não gozavam da imunidade de impostos de que trata a alínea "c" do inciso VI do art. 150 da CF (sendo este o fundamento da imunidade da recorrente), e que a lei inovadora não encontra limites na sua eficácia em razão da decisão judicial anterior, evitando eternizarse os efeitos da coisa julgada. Tem razão a decisão recorrida. Por óbvio não se olvida que em determinado período, cotejando a legislação e a jurisprudência que vigoravam, a recorrente obteve do Poder Judiciário declaração de ser ente imune, ocorre também que não se pode olvidar que o quadro normativo vigente, as leis que regem a matéria e o posicionamento do Poder Judiciário, evoluíram para os fins de obrigar a recorrente ao pagamento do imposto tido por ela como indevido. (...) Como bem observou a decisão recorrida, a recorrente gozou incontinente da reconhecida imunidade, até que sobreveio alteração no sistema jurídico vigente, fato que a obrigou ao pagamento do imposto, como de fato o fez nos recolhimentos por ela considerados, posteriormente, como se indevidos fossem. Ademais, é ponto pacífico na jurisprudência e nos precedentes desse CARF que a coisa julgada não obsta que lei nova possa reger a matéria em termos diversos, o que implicaria, inarredavelmente, em desrespeito ao sistema de freios e contrapesos decorrente da tripartição dos poderes.” A Embargante alegou as seguintes omissões no citado acórdão: (i) que o mesmo é bastante sucinto por não possuir sequer uma folha inteira do processo e por ter resumido os argumentos suscitados pela Embargante em seu recurso voluntário no seguinte: "Devidamente notificada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, argumentando que seria imune conforme reconhecido por provimento jurisdicional transitado em julgado e, portanto, os pagamentos efetivados foram flagrantemente indevidos, dando lastro às restituições/compensações pleiteadas.” Fl. 600DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 15374.903572/200837 Acórdão n.º 1802001.224 S1TE02 Fl. 396 5 (ii) que, no relatório, não é feito menção a todos os argumentos suscitados pela Embargante no seu recurso voluntário, tendo sido omitido pelo Relator um dos principais argumentos da Embargante que justifica a homologação da compensação em exame, qual seja, o de que a decisão proferida e transitada em julgado nos autos do AG nº 1999.02.01.0320250, de que foi relator o Desembargador Federal Paulo Barata, adota o entendimento de que (i) a imunidade reconhecida à Embargante tem índole constitucional porque concedida com fundamento no art.150, VI, “c”, da CF/88 e (ii) a alteração da legislação infraconstitucional não tem o condão de limitar a coisa julgada proferida no MS n° 90.00100712, mas somente a alteração do próprio art. 150, VI, “c” da CF/88. Em seguida transcreve a ementa do acórdão proferido nos autos do AG n°1999.02.01.0320250, o qual entende que não foi devidamente abordado pelo Relator: "CONSTITUCIONAL E PROCESSUAL CIVIL – MANDADO DE SEGURANÇA – IMUNIDADE TRIBUTÁRIA – COISA JULGADA. 1. Reconhecida a imunidade tributária da recorrida por sentença transitada em julgada, proferida em mandado de segurança, com base em dispositivo constitucional, não pode a Fazenda Nacional exigir o recolhimento de IOF com base em legislação infraconstitucional superveniente. (...) 3. Agravo de instrumento desprovido e agravo regimental prejudicado." (D.J., Seção II, de 11.07.2002. Adiante, reproduz trecho do voto condutor do acórdão embargado que concluiu que somente a alteração do art. 150, VI, “c” da CF/88, pode restringir o alcance da coisa julgada formalizada no MS nº 90.00100712: “Ao meu ver, não tem razão a ora agravante, pois, como salientou a juíza de 1 grau, a sentença transitada em julgado reconheceu ser a recorrida detentora de imunidade tributária, na forma prevista na Constituição Federal, sendo com ela incompatível a legislação infraconstitucional supramencionada. (…) O argumento da recorrente de que a coisa julgada não impede que lei nova passe a reger diferentemente os fatos ocorridos a partir de sua vigência não se aplica ao presente caso, já que se trata de legislação infraconstitucional, tendo sido declarada a imunidade tributária da recorrida, por sentença transitada em julgado, com base em dispositivo constitucional. (...) Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao agravo de instrumento e JULGO PREJUDICADO o agravo regimental. É como voto." Em suma, entende que a decisão proferida foi omissa por não ter atendido os argumentos de que há decisão transitada em julgado reconhecendo: (i) que a Embargante é imune; e (ii) que a alteração da legislação infraconstitucional não afeta a coisa julgada que tem fundamento constitucional, a saber, o art. 150, VI, "c", da CF/88. Fl. 601DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 15374.903572/200837 Acórdão n.º 1802001.224 S1TE02 Fl. 397 6 Por fim aduz que como consequência da omissão supra relatada, o argumento da Embargante sequer foi debatido pelos Conselheiros integrantes desta Turma e que pela leitura do voto do Acórdão n° 180200.824, os mesmos desconhecem por completo as filigranas processuais da ação judicial atrelada ao processo em causa, o que adotou o entendimento sobre matéria que já havia sido definitivamente julgada nos autos do AG n° 1999.02.01.0320250 de forma favorável à Embargante. Este é o Relatório. Fl. 602DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 15374.903572/200837 Acórdão n.º 1802001.224 S1TE02 Fl. 398 7 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. Os Embargos são tempestivos, portanto deles tomo conhecimento. Conforme exposto no relatório a Embargante ingressou com o presente recurso visando sanar alegado vício de omissão constante do Acórdão nº 180200.824, proferido por este colegiado na sessão de 24/02/2011, às fls. 148 a 151. As omissões alegadas podem ser resumidas nos seguintes pontos: a) que o acordão é bastante sucinto por não possuir sequer uma folha inteira do processo, o que implicou no resumo dos argumentos suscitados pela Embargante; b) que, no relatório, não é feito menção a todos os argumentos suscitados pela Embargante no seu recurso voluntário, tendo sido omitido pelo Relator um dos principais argumentos da Embargante que justifica a homologação da compensação em exame, qual seja, o de que a decisão proferida e transitada em julgado nos autos do AG nº 1999.02.01.0320250, de que foi relator o Desembargador Federal Paulo Barata, adota o entendimento de que (i) a imunidade reconhecida à Embargante tem índole constitucional porque concedida com fundamento no art. 150, VI, “c”, da CF/88 e (íi) a alteração da legislação infraconstitucional não tem o condão de limitar a coisa julgada proferida no MS n° 90.00100712, mas somente a alteração do próprio art. 150, VI, “c” da CF/88. Deixando de lado os aspectos referentes à matéria que foi julgada, passamos a analisar somente os pontos que poderiam gerar a dita omissão alegada pela Embargante, eis que os presentes embargos não consistem no remédio adequado para reapreciar matéria já discutida. Como se verifica à fls. 149 o relatório é objetivo, não trazendo todo o detalhamento almejado pela Embargante, contudo o mesmo destaca, em síntese, os principais pontos alegados pela defesa, de modo que esta objetividade não caracteriza qualquer omissão. Ademais, cumpreme informar que o voto condutor do acórdão ora embargado aborda todos os pontos elencados pela Embargante como omisso, conforme se verifica na transcrição in verbis: “O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de admissibilidade, admitoo para julgamento. Cuidase como visto, de apresentação de DCOMPs cujo crédito seria oriundo de pagamentos efetivados indevidamente porquanto a recorrente, na qualidade de ente imune, pagou Fl. 603DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 15374.903572/200837 Acórdão n.º 1802001.224 S1TE02 Fl. 399 8 impostos à União. Argumentou a recorrente que a referida imunidade teria sido reconhecida por provimento jurisdicional transitado em julgado, decorrendo daí, diante de pagamento espontâneo de impostos, o seu direito creditório. A decisão recorrida, reportandose aos fundamentos também contidos no Despacho Decisório, refutou o crédito pleiteado já que os recolhimentos foram efetivados pela recorrente espontaneamente em 2002 e decorreram das disposições contidas na MP nº 2.222, de 04 de setembro de 2001. A recorrente, por seu turno, insiste que tem reconhecida a imunidade por decisão judicial transitada em julgado, e diante disso, ainda que tenha efetivado os recolhimentos, esses se revestiriam de caráter de “tributo pago indevidamente”. Temse, portanto, que o deslinde do caso concreto passa necessariamente pelo cotejo dos efeitos da norma individual e concreta obtida pela recorrente. Inegavelmente (“vide” documentos de folhas 35 a 52 – cópias do processa judicial, incluindo certidão de trânsito em julgado), a recorrente obteve do Poder Judiciário, posicionamento no qual se assinalou que entidades fechadas de previdência privada (como seu caso), embora cobrando dos seus associados contribuições mensais a título de remuneração pelos serviços prestados, gozam de imunidade tributária. Por essa razão é que se reafirma que o enfrentamento da questão da recorrente deve ser realizado à luz da eficácia das decisões do Poder Judiciário, já que não se discute a efetividade dos pagamentos, como também não se discute o mandamento legal que impôs a superveniente obrigação à recorrente, tampouco, a mudança de posicionamento do Supremo Tribunal Federal acerca das entidades fechadas de previdência. Relembrese, portanto, que o óbice encontrado pela decisão recorrida consiste no fato de o Supremo Tribunal Federal, em caso alheio ao processo da ora recorrente, ter decidido que as entidades de previdência privada não gozavam da imunidade de impostos de que trata a alínea "c" do inciso VI do art. 150 da CF (sendo este o fundamento da imunidade da recorrente), e que a lei inovadora não encontra limites na sua eficácia em razão de decisão judicial anterior, evitando eternizarse os efeitos da coisa julgada. Tem razão a decisão recorrida. Por óbvio não se olvida que em determinado período, cotejando a legislação e a jurisprudência que vigoravam, a recorrente obteve do Poder Judiciário declaração de ser ente imune, ocorre, que também na se pode olvidar, que o quadro normativo vigente, as leis que regem a matéria e o posicionamento do Poder Judiciário, evoluíram para os fins de obrigar a recorrente, ao pagamento do imposto tido por ela como indevido. Fl. 604DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 15374.903572/200837 Acórdão n.º 1802001.224 S1TE02 Fl. 400 9 Confirase, nesse propósito, o teor do artigo 1º da Medida Provisória nº 2.222/2001, convertida na Lei nº 11.053/2004, e cuja disciplina hospedou os recolhimentos efetivados pela ora recorrente, in verbis: Art. 1º A partir de 1º de janeiro de 2002, os rendimentos e ganhos auferidos nas aplicações de recursos das provisões, reservas técnicas e fundos de entidades abertas de previdência complementar e de sociedades seguradoras que operam planos de benefícios de caráter previdenciário, ficam sujeitos à incidência do imposto de renda de acordo com as normas de tributação aplicáveis às pessoas físicas e às pessoas jurídicas nãofinanceiras. Parágrafo único. O imposto correspondente à parcela do rendimento ou ganho apropriada ao participante ou assistido pelo plano não pode ser compensado com qualquer imposto ou contribuição devido pelas pessoas jurídicas referidas neste artigo ou pela pessoa física participante ou assistida. Como bem observou a decisão recorrida, a recorrente gozou incontinente da reconhecida imunidade, até que sobreveio alteração no sistema jurídico vigente, fato que a obrigou ao pagamento do imposto, como de fato o fez nos recolhimentos por ela considerados, posteriormente, como se indevidos fossem. Ademais, é ponto pacífico na jurisprudência e nos precedentes desse CARF que a coisa julgada não obsta que lei nova possa reger a matéria em termos diversos, o que implicaria, inarredavelmente, em desrespeito ao sistema de freios e contrapesos decorrente da tripartição dos poderes. Dito isso, verificase que os pagamentos realizados pela recorrente, não se revestem do caráter de “pagamento indevido”, motivo pelo qual, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário.” Deste modo, conheço dos embargos, mas no mérito voto no sentido de REJEITÁLOS frente a ausência da alegada omissão. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 605DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 15374.903572/200837 Acórdão n.º 1802001.224 S1TE02 Fl. 401 10 Fl. 606DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10880.962332/2008-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2000 Ementa: DOCUMENTOS NOVOS. A apresentação de documentos novos em segunda instância de julgamento determina o retorno do processo a instância anterior sob pena de preterição do direito de defesa por supressão de instância. Processo Anulado. Aguardando Nova Decisão.
Numero da decisão: 3201-000.850
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201201
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2000 Ementa: DOCUMENTOS NOVOS. A apresentação de documentos novos em segunda instância de julgamento determina o retorno do processo a instância anterior sob pena de preterição do direito de defesa por supressão de instância. Processo Anulado. Aguardando Nova Decisão.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
numero_processo_s : 10880.962332/2008-31
conteudo_id_s : 5239247
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jan 24 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 3201-000.850
nome_arquivo_s : Decisao_10880962332200831.pdf
nome_relator_s : JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO
nome_arquivo_pdf_s : 10880962332200831_5239247.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2012
id : 4599514
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:02:10 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041575917912064
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1749; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 314 1 313 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.962332/200831 Recurso nº 918.950 De Ofício Acórdão nº 3201000850 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de janeiro de 2012 Matéria COFINS. Recorrente ARNO SA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2000 Ementa: DOCUMENTOS NOVOS. A apresentação de documentos novos em segunda instância de julgamento determina o retorno do processo a instância anterior sob pena de preterição do direito de defesa por supressão de instância. Processo Anulado. Aguardando Nova Decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. [assinado digitalmente] Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente. [assinado digitalmente] Judith do Amaral Marcondes Armando Relatora. EDITADO EM: 06/06/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Judith do Amaral Marcondes Armando, Daniel Mariz Gudiño, Adriane Miranda, Luciano Lopes de Almeida e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), ausente justificadamente Marcelo Ribeiro Nogueira. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente e m 06/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCOS AU RELIO PEREIRA VALADAO 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação apresentada em 09/11/2004, na qual buscou o contribuinte compensar créditos de COFINS, com débitos de COFINS, decorrentes de pagamento indevido ou a maior efetuado em 15/02/00. Sobreveio Despacho Decisório proferido pela DRF em São Paulo que não homologou a compensação sob o argumento de que o DARF vinculado à Dcomp foi integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensar os débitos informados no Per/Dcomp. Após ciência do ato retro (20/01/2009), apresentou a Inconformidade, na qual alega, em apertada síntese, que: a) o crédito de COFINS utilizado na compensação referese à parcela indevidamente paga sobre valores relativos às saídas não onerosas (“brindes”) de seus produtos; b) quando da composição da base de cálculo da contribuição, equivocouse ao incluir valores que não compõem sua receita ou faturamento, bem como, ao não retificar as declarações para excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/Pasep tais valores; c) a despeito disso, tal equívoco não macula seu direito à obtenção dos créditos, fato facilmente apurado caso o Órgão Fiscalizador houvesse diligenciado ao estabelecimento. Em complemento aos argumentos por esta aduzidos, acostou demonstrativo de composição da base de cálculo da COFINS, bem como balancetes de verificação, nos quais indica os valores das mercadorias que teriam saído do estabelecimento como “brindes” e que, por conseguinte, não deveriam ter integrado a base de cálculo da referida contribuição. A decisão proferida pelo colegiado a quo foi no sentido de não reconhecer o direito creditório e não homologar a compensação levada à efeito pela Manifestante posto que ausentes os atributos da liquidez e certeza que devem revestir o crédito tributário ante a inexistência de elementos probatórios nos autos do direito alegado pela Arno S.A.. Eis a ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS AnoCalendário: 2000 DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da existência do direito declarado, para possibilitar a aferição de sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. NÃO COMPROVAÇÃO. EFEITOS. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente e m 06/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCOS AU RELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10880.962332/200831 Acórdão n.º 3201000850 S3C2T1 Fl. 315 3 A falta de comprovação do crédito objeto da Declaração de Compensação apresentada impossibilita a homologação das compensações declaradas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente notificada em 23/05/2011 (fls. 48) apresentou Recurso Voluntário a este CARF, no qual refuta a decisão que lhe foi desfavorável expondo, em apertada síntese, que a) não está em discussão nos presentes autos a não incidência da COFINS sobre as mercadorias que saem do estabelecimento a título gratuito, posto que, em nenhum momento, foi contestada pela decisão recorrida, tendo sido abordada, tãosomente, a questão da não apresentação de documentos que comprovassem a liquidez e certeza do crédito; b) o Despacho Decisório impugnado é nulo, tomando por vista que não intimou o sujeito passivo a apresentar documentos comprobatórios dos créditos alegados nem determinou diligências ao estabelecimento, claramente desobedecendo o art. 24º da IN SRF 600/2005; c) os documentos inicialmente apresentados são hábeis e idôneos à comprovação do direito creditório. Isto porque, a Manifestação de Inconformidade foi subscrita pelo representante legal da Recorrente que, ainda que implicitamente, atestou a veracidade dos documentos e assumiu a responsabilidade pelas informações ali contidas; d) caso não se considere a documentação outrora apresentada apta à comprovação do direito da Recorrente ao indébito, a mesma apresenta outros documentos que apenas corroboram aqueles acostados na Manifestação de Inconformidade e que devem ser apreciados em primazia ao princípio da verdade material. Ao final, pugna pela: a) decretação de nulidade do Despacho Decisório; b) homologação da compensação discutida no presente processo. É o relatório. Voto Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para a sua admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. A contribuinte, ora Recorrente, apresentou Declaração de Compensação almejando compensar seus créditos de COFINS com débitos da mesma contribuição social, oriundos de pagamento a maior ou indevido. Consta dos autos que o crédito tributário discutido decorre da saída de “brindes” do estabelecimento comercial da Arno S.A, valores estes que, ao seu entender, não deveriam ter sido contabilizados quando da composição da base de cálculo da COFINS. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente e m 06/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCOS AU RELIO PEREIRA VALADAO 4 Suas alegações não foram acolhidas pela instância de piso, o que motivou o recurso que analisamos nesta assentada. Preliminarmente, verificase que, de fato, a nãoincidência da contribuição sobre os valores supostamente recolhidos pela empresa, a título de saída de produtos não onerosos do estabelecimento comercial não foi objeto de apreciação pela 6ª Turma da DRJ/SPI, desta forma, por se tratar de matéria incontroversa, não será ela apreciada nesta instância recursal por falta de interesse de agir. Inicialmente, pugna o sujeito passivo pela declaração de nulidade do Despacho Decisório ao suscitar violação a dispositivo legal. No seu entender, ao contrário do posicionamento firmado pelo Colegiado a quo, a autoridade administrativa possui o dever de investigar o crédito alegado, intimando o contribuinte a prestar os devidos esclarecimentos, quando as informações prestadas na Declaração de Compensação forem insuficientes para o reconhecimento de plano do direito creditório. Vejamos o que dispõe o art. 24 da IN SRF 600/2005, incubida de disciplinar o ressarcimento e a compensação de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social: Art. 24. A autoridade da SRF competente para decidir sobre o pedido de ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos da pessoa jurídica a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. (grifamos) Após uma análise teleológica do dispositivo suso, podemos observar que, de fato, o legislador estabeleceu uma faculdade à autoridade administrativa competente para condicionar o reconhecimento do crédito à apresentação dos documentos pertinentes à comprovação do suposto direito e permitiu ao mesmo a possibilidade de diligenciar nos estabelecimentos da pessoa jurídica com o fito de verificar, pelo exame da escrituação contábil e fiscal, a veracidade e exatidão das informações prestadas. Segundo a definição do dicionário Michaelis, o verbo transitivo direto “poder”, do latim potere, conjugado no futuro do presente do indicativo (poderá), significa a faculdade, possibilidade de impor obediência, autoridade, mando, bem como, a faculdade ou direito de exercer certas funções. Assim, pactuo do entendimento que o legislador foi suficientemente claro ao conferir uma faculdade à autoridade administrativa para requisitar diligências fiscais visto que, caso houvesse manifestado o desejo de firmar uma obrigação, ato administrativo plenamente vinculado, teria se utilizado do vocábulo “deverá”, não dando qualquer margem para a ocorrência de um ato administrativo discricionário. Neste ponto, não vislumbrei qualquer nulidade formal no Despacho Decisório combatido. Entretanto, à luz dos princípios norteadores da Administração Pública, mormente o da moralidade, e eficiência administrativa, é dever da Autoridade Fiscalizadora, a determinação da realização de diligências a fim de sanar eventuais dúvidas quanto a existência do crédito tributário. Ocorre que, conforme se depreende da leitura dos autos, à época da transmissão da Dcomp o contribuinte não havia apresentado a DCTF retificadora, o que somente ocorreu em setembro de 2004, após ciência do Despacho Decisório. Assim, não há o que repreender quando a autoridade administrativa de origem não diligenciou junto ao Fl. 196DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente e m 06/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCOS AU RELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10880.962332/200831 Acórdão n.º 3201000850 S3C2T1 Fl. 316 5 estabelecimento da contribuinte, uma vez que, até então não havia informação da existência de créditos do sujeito passivo aptos a compensar os débitos declarados. Outra questão pertinente e merecedora de melhor análise é a decisão da DRJ/SPOI que não reconheceu o direito creditório da Recorrente e não homologou a compensação efetuada ante a ausência de provas que comprovassem a liquidez e certeza do crédito, bem assim, o próprio direito creditório. Restou consignado que o conjunto probatório até então colacionado, quais sejam, Demonstrativo da COFINS do perído em apuração e um “balancete”, não eram suficientes para comprovar os valores supostamente pagos a maior ou indevidamente visto que sequer continham os elementos mínimos como nome e assinatura do contabilista responsável, sua categoria profissional e registro no CRC, estabelecidos pelas Normas Brasileiras de Contabilidade, de acordo com a NBC T. 2.7, aprovada pela Resolução CFC nº 685/90, vigente à época do fato gerador. O contribuinte, por sua vez, refutou os argumentos outrora esposados, sobretudo a inidoneidade das provas aventada pela DRJ, aduzindo que os documentos inicialmente apresentados são hábeis e idôneos à comprovação do direito creditório. Isto porque, a Manifestação de Inconformidade foi subscrita pelo representante legal da Recorrente o qual, ainda que implicitamente, atestou a veracidade dos documentos e assumiu a responsabilidade pelas informações ali contidas. A despeito das alegações do sujeito passivo asseverase que, como regra, compete a quem alega o ônus da prova. Cabe à administração fazendária o ônus da prova no ilícito tributário, e ao sujeito passivo o dever de trazer à colação documentos que comprovem, verdadeiramente, o direito alegado. Isto porque, não conferiu a lei ao contribuinte o poder de se eximir de sua responsabilidade através da omissão da entrega dos elementos materiais à apreciação objetiva e subjetiva estabelecida na legislação tributária. Assim, cumpre transcrever a disciplina do art. 333 do Código de Processo Civil: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo, ou extintivo do direito do autor. Quando o contribuinte transmite uma Dcomp alegando a existência de crédito, sobre este recai a responsabilidade da apresentação de toda a escrituração contábil e fiscal do período em apuração, bem como demais documentos hábeis e idôneos, que demonstrem a cabal existência do crédito pretendido. De fato, conforme bem suscitou o relator do julgamento de piso, ainda que a Arno S.A houvesse retificado as declarações pertinentes ao período em análise (o que não fez), o balancete e demonstrativo apresentados, sem os requisitos mínimos para a sua admissão, não se constituem documentos hábeis e idôneos para comprovar a inclusão indevida dos valores a título de saída de produtos desonerados do estabelecimento comercial da pessoa jurídica na base de cálculo da COFINS. Diante disto, competirá exclusivamente ao contribuinte, exibir as provas técnicas, contábeis e jurídicas de que suas operações não se realizaram ao arrepio da lei, sob pena de não homologação da compensação e não reconhecimento do direito creditório. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente e m 06/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCOS AU RELIO PEREIRA VALADAO 6 Neste diapasão, ao transmitir um Per/Dcomp, pressupõese a existência de um crédito tributário do contribuinte contra a Fazenda Nacional, para extinguir um débito constituído em seu nome, de forma que, o indébito tributário deve ser o fundamento fático e jurídico de qualquer declaração de compensação ou pedido de restituição. Por essa razão, deve o sujeito passivo trazer aos autos justificativas lastreadas em documentos e lançamentos contábeis que identifiquem, inequivocamente, a ocorrência do fato gerador, a base de cálculo sujeita à tributação e o correspondente tributo devido. Ocorre que, oportunamente, a ora Recorrente além de retificar o erro cometido em primeiro grau, qual seja, a inclusão do nome e assinatura do contador responsável e respectivo registro no CRC, apresentou novos instrumentos de prova, os quais, ao meu ver, constituem indícios do pagamento a maior/ indevido e que devem ser objeto de análise pela RFB. São eles: Demonstrativos das Notas Fiscais que não deveriam ter sido incluídas na base de cálculo da COFINS, com indicação dos respectivos montantes e CFOPs; cópia do Termo de Abertura, cópia do Termo de Encerramento e das páginas do Livro Registro de Saídas em que foram lançadas as respectivas notas fiscais, devidamente autenticados. Reza o parágrafo 4º, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72 que “a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual”. A alínea “d” do aludido dispositivo, nos trás uma exceção à regra geral, qual seja, a admissão da prova em momento posterior, quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Ademais, atento para o fato de que a não apreciação do conjunto probatório colacionado, ainda que a posteriori, pelo sujeito passivo claramente afronta garantia constitucional consagrada pelo art. 5º, LV, da Carta Magna. Ipsis litteris: LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; Cumpre ressaltar que a juntada da documentação foi devidamente requerida pelo representante legal da empresa em petição na qual se restou demonstrada a ocorrência de pelo menos uma das hipóteses elencadas pelo parágrafo 4º, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72. Ante o exposto voto por anular a decisão a quo e retornar os autos à delegacia de origem a fim de que se proceda à análise dos documentos ora apresentados, seguindose o devido processo administrativo. [assinado digitalmente] Judith do Amaral Marcondes Armando – Relatora Fl. 198DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente e m 06/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCOS AU RELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 14751.000141/2008-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006
RECUSA OU SONEGAÇÃO DE DOCUMENTOS OU SUA APRESENTAÇÃO DEFICIENTE. AFERIÇÃO INDIRETA DA BASE DE CÁLCULO. CABIMENTO.
A recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua
apresentação deficiente, constitui-se motivo justo, bastante, suficiente e determinante para a apuração, por aferição indireta, das contribuições previdenciárias efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2302-001.784
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201204
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006 RECUSA OU SONEGAÇÃO DE DOCUMENTOS OU SUA APRESENTAÇÃO DEFICIENTE. AFERIÇÃO INDIRETA DA BASE DE CÁLCULO. CABIMENTO. A recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, constitui-se motivo justo, bastante, suficiente e determinante para a apuração, por aferição indireta, das contribuições previdenciárias efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
numero_processo_s : 14751.000141/2008-18
conteudo_id_s : 5234349
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2302-001.784
nome_arquivo_s : Decisao_14751000141200818.pdf
nome_relator_s : ARLINDO DA COSTA E SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 14751000141200818_5234349.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
id : 4594272
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:01:36 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041575943077888
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1838; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 64 1 63 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14751.000141/200818 Recurso nº 001.784 Voluntário Acórdão nº 230201.784 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 19 de abril de 2012 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS NFLD Recorrente JOACIR FERNANDO DE FREITAS MELO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006 RECUSA OU SONEGAÇÃO DE DOCUMENTOS OU SUA APRESENTAÇÃO DEFICIENTE. AFERIÇÃO INDIRETA DA BASE DE CÁLCULO. CABIMENTO. A recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, constituise motivo justo, bastante, suficiente e determinante para a apuração, por aferição indireta, das contribuições previdenciárias efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Vera Kempers de Moraes Abreu e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Relatório Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006 Data da lavratura da NFLD: 28/02/2008. Data da Ciência da NFLD: 11/03/2008. Tratase de crédito tributário lançado em desfavor da empresa em epígrafe, consistente em contribuições previdenciárias a cargo da empresa destinada ao custeio da Seguridade Social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a outras entidades e fundos, incidentes sobre a remuneração paga, creditada ou devida aos segurados empregados e segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviços no mês, apuradas mediante aferição indireta, conforme minudente narrativa no Relatório Fiscal a fls. 36/39, e anexos. Relata a Autoridade Lançadora que a empresa fiscalizada optou pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, instituído pela Lei 9.317/96, em 20/07/1999. No entanto, foi excluída de ofício pela Receita Federal do Brasil deste sistema, em 27/03/2007, por exercício de atividade vedada, com efeitos retroativos a partir de 01/08/1999, conforme dessai do documento a fl. 42. Informa o Agente fiscal que, apesar de regularmente intimada, a empresa não apresentou os livros contábeis e recibo de pagamento aos seus dirigentes. Impossibilitada de verificar os exatos valores pagos a título de pro labore, tal rubrica teve que ser apurada mediante aferição indireta, tomandose como parâmetro o valor da maior remuneração paga a segurado empregado em cada competência, conforme discriminativo a fl. 41. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fl. 51. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife/PE lavrou Decisão Administrativa a fls. 55/58, julgando procedente o lançamento, e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 15/10/2008, conforme Aviso de Recebimento a fl. 60. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fl. 60, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos seguintes elementos: • Que não entregou a documentação das obrigações acessórias porque a auditor fiscal que prolatou o auto de infração ao contribuinte, ficou de pegar tais documentos com o titular da empresa e não compareceu, tendo comparecido posteriormente já com a fiscalização concluída e os Autos de Infração já prontos; Fl. 73DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14751.000141/200818 Acórdão n.º 230201.784 S2C3T2 Fl. 65 3 • Que não se poderia autuar o contribuinte por falta de documentos, pois o contribuinte estava de posse de tais documentos; Ao fim, requer a declaração de nulidade do lançamento ora guerreado. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 21/02/2008. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 20/03/2008, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. Ante a inexistência de questões preliminares, passamos diretamente ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO Cumpre, de plano, assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente contestadas pelo Recorrente, as quais se presumirão verdadeiras. 2.1. DA MOTIVAÇÃO PARA O ARBITRAMENTO Sustenta o Recorrente que não entregou a documentação das obrigações acessórias porque a auditor fiscal que prolatou o auto de infração ficou de pegar tais documentos com o titular da empresa e não compareceu, tendo comparecido posteriormente já com a fiscalização concluída e os Autos de Infração já prontos. As alegações deduzidas pelo Recorrente conflitamse com a realidade dos autos. Em sede de impugnação, a fl. 51, o impugnante afirma categoricamente que “recebeu do fiscal LINEU BARROS BORGES, do supracitado órgão, no dia 23012008, o Fl. 74DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 termo de intimação fiscal para fiscalizar a pessoa jurídica do titular da firma, como a documentação não estava no escritório e não estava separada, pediuse um prazo ao referido fiscal para pegar e separar a documentação, o qual foi concedido, dizendo que depois ligaria para dizer o dia que viria buscar a documentação. O fiscal, de fato, ligou algumas vezes para o escritório do Sr. JOACIR FERNANDO, mas não encontrou o mesmo, mesmo tendo o celular do mesmo. Em um certo dia da ação fiscal, o referido servidor chegou ao escritório e encontrado o mesmo pediu a documentação, o contribuinte falou que não havia separado toda documentação, pois faltava livro caixa e outros documentos que queria anexar ...”. Bem... Então a realidade é outra. A fiscalização, mediante TIAF a fls. 30/31, intimou o sujeito passivo a exibir uma série de documentos, os quais não foram apresentados na data estipulada, requerendo o contribuinte dilatação do prazo para o cumprimento da obrigação. Após várias tentativas infrutíferas de se contactar, via telefone, com o Recorrente, este foi encontrado em seu escritório numa visita imprevista do auditor fiscal, que solicitou a exibição da documentação antes exigida, a qual não foi fornecida em sua integralidade, deixando de ser apresentados os livros contábeis e os Recibos de Pagamento a Autônomos. Ante a apresentação deficiente da documentação, a fiscalização, com arrimo jurídico nas disposições inscritas no §3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91, lançou de ofício importância reputada como devida, transferindo para o sujeito passivo o ônus da prova em contrário. Com efeito, o art. 195, I da Constituição Federal determinou que a Seguridade Social fosse custeada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, mediante recursos oriundos, dentre outras fontes, das contribuições sociais a cargo da empresa incidentes sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata Fl. 75DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14751.000141/200818 Acórdão n.º 230201.784 S2C3T2 Fl. 66 5 o art. 201; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) No plano infraconstitucional, a disciplina da matéria em relevo ficou a cargo da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, a qual instituiu o Plano de Custeio da Seguridade Social, consubstanciado nas contribuições sociais a cargo da empresa e dos segurados obrigatórios do RGPS, nos limites traçados pela CF/88. Envolto na ordem jurídica realçada nas linhas precedentes, o art. 22 da citada lei de custeio da Seguridade Social estatuiu como encargo da empresa as contribuições sociais incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. Cumpre neste comenos destacar que, no capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional, a Carta Constitucional outorgou à Lei Complementar a competência para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre as obrigações tributárias, dentre outras. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: (...) III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: (...) b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Nessa vertente, no exercício da competência que lhe foi outorgada pelo Constituinte Originário, o CTN honrou prescrever, com propriedade, a distinção entre as duas modalidades de obrigações tributárias, ad litteris et verbis: Código Tributário Nacional CTN Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. §1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. §2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. (grifos nossos) Fl. 76DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 §3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (grifos nossos) As obrigações acessórias, consoante os termos do Diploma Tributário, consubstanciamse deveres de natureza instrumental, consistentes em um fazer, não fazer ou permitir, fixados na legislação tributária, na abrangência do art. 96 do CTN, em proveito do interesse da administração fiscal no que tange à arrecadação e à fiscalização de tributos. No plano infraconstitucional, no que pertine às contribuições previdenciárias, a disciplina da matéria em relevo ficou a cargo da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, a qual fez inserir na Ordem Jurídica Nacional uma diversidade de obrigações acessórias, criadas no interesse da arrecadação ou da fiscalização das contribuições previdenciárias, sem transpor os umbrais limitativos erguidos pelo CTN. Envolto no ordenamento realçado nas linhas precedentes, o art. 32 da citada lei de custeio da Seguridade Social estatuiu como obrigação acessória da empresa preparo de folhas de pagamento das remunerações pagas a seus segurados, bem como o lançamento mensal, em títulos próprios da contabilidade, de forma descriminada, de todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, o montante das quantias descontadas dos segurados, as contribuições a cargo da empresa, bem como os totais por esta recolhidos. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) No que pertine à elaboração das folhas de pagamento, ouvimos em alto e bom som das normas assentadas no Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 que a folha de pagamento deve ser elaborada mensalmente, de forma coletiva por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços, com a correspondente totalização, devendo, necessariamente, discriminar o nome dos segurados, indicando cargo, função ou serviço prestado; agrupar os segurados por categoria, assim entendido: segurado empregado, trabalhador avulso, contribuinte individual; destacar o nome das seguradas em gozo de saláriomaternidade; destacar as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais e indicar o número de quotas de salário família atribuídas a cada segurado empregado ou trabalhador avulso. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14751.000141/200818 Acórdão n.º 230201.784 S2C3T2 Fl. 67 7 Citese que tal documento deve ser mantido pela empresa à disposição da fiscalização, observadas as normas estabelecidas pelos órgãos competentes, até que ocorra a decadência das obrigações tributárias a eles associadas ou deles decorrentes. De outro canto, mas ária de outra ópera, a lei ordena que sejam lançados mensalmente em títulos próprios da contabilidade, de forma discriminada, todos os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Mostrase auspicioso destacar que a contabilidade tem como uma de suas finalidades assegurar o controle do patrimônio e fornecer as informações sobre a composição e variações patrimoniais, bem como o resultado das atividades econômicas envolvidas, visando a atender, de forma uniforme, às exigências das leis e regulamentos dos órgãos públicos. Na atualidade ela cumpre, igualmente, o papel de instrumento gerencial, que se utiliza de um sistema de informações para registrar as operações da organização, elaborar e interpretar relatórios que mensurem os resultados, e fornecer informações necessárias à tomada de decisões no processo de gestão, planejamento, execução e controle. Contudo, a razão maior para a uniformização dos princípios gerais da contabilidade é a configuração de um sistema de informações tributárias, através do qual o fisco possa sindicar os fatos geradores ocorridos e apurar os tributos devidos, fiscalizar a regularidade do seu recolhimento, para, assim, traçar as diretrizes da política tributária. Registrese, por relevante, que os registros contábeis devem ser feitos de modo preciso, com esteio em documentação idônea, a qual deve ser conservada em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, bem como a escrituração, correspondência e demais papéis relativos à atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, a teor do art. 4º do DecretoLei nº 486, de 3 de março de 1969. Enganase aquele que acredita serem os livros contábeis exigíveis apenas pela legislação comercial. A legislação Tributária é aquela que mais impõe modulações e padrões aos lançamentos contábeis e à estruturação e formalização dos livros, não sendo por outro motivo também conhecidos como “Livros Fiscais”. No tocante à escrituração contábil, a não observância das formalidades exigidas pela legislação tributária sujeita o contribuinte ao pagamento de penalidades pecuniárias a lhe serem impostas mediante o competente Auto de Infração. No âmbito das contribuições sociais previdenciárias, a Lei nº 8.212/91 atribuiu à fiscalização previdenciária a prerrogativa de examinar toda a contabilidade da empresa, não podendo lhe ser oposta qualquer disposição legal excludente ou limitativa do direito de examinar os livros, arquivos, documentos ou papéis comerciais ou fiscais. Em ádito, impôs à empresa a obrigação de exibir à fiscalização todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previdenciárias estatuídas na lei em realce. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete Fl. 78DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘d’ e ‘e’ do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). §1º É prerrogativa do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e do Departamento da Receita FederalDRF o exame da contabilidade da empresa, não prevalecendo para esse efeito o disposto nos arts. 17 e 18 do Código Comercial, ficando obrigados a empresa e o segurado a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados. (grifos nossos) §2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. §3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita FederalDRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Salientese que as diretivas ora enunciadas não discrepam dos mandamentos encartados no Código Tributário Nacional CTN, cujo art. 195 aponta, inflexivelmente, para o mesmo norte. Código Tributário Nacional CTN Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Avulta nesse panorama que as prestações adjetivas ordenadas na legislação tributária têm por finalidade precípua permitir à fiscalização a sindicância ágil, segura e integral dos fatos jurígenos tributários ocorridos nas dependências jurídicas do sujeito passivo, motivo pelo qual se exige que a escrituração seja: a) Mensal, em razão do critério de apuração das contribuições previdenciárias ser por competência; b) Em títulos próprios, que propicie uma fácil e rápida identificação pelos agentes fiscais das contas contábeis onde se encontram registrados os fatos geradores de contribuições previdenciárias; Fl. 79DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14751.000141/200818 Acórdão n.º 230201.784 S2C3T2 Fl. 68 9 c) De forma discriminada, de molde a se identificar as rubricas integrantes da base de incidência das contribuições previdenciárias, eis que, a cada uma delas corresponde uma alíquota própria a ser empregada no cômputo da contribuição devida; d) Que individualize o montante das quantias descontadas dos segurados, as contribuições a cargo da empresa, bem como os totais por esta recolhidos, de maneira que a fiscalização possa verificar a correcção das importâncias descontadas dos segurados e os montantes a cargo destes e os devidos pela empresa vertidos aos cofres públicos. Não se mostra demasiado enaltecer que o registro dessas informações na contabilidade, assim como nas folhas de pagamento, não se constitui faculdade da empresa, mas, sim, uma obrigação tributária a ela imposta diretamente, com a força de império da lei formal, gerada nas Conchas Opostas do Congresso Nacional, segundo o trâmite gestacional plasmado nos artigos 61 a 69 da nossa Lei Soberana. Não se deve perder de vista, igualmente, que os livros contábeis e as folhas de pagamento equiparamse a documentos públicos e que o seu preenchimento com informações incorretas ou omissas constituise crime de falsidade ideológica, na forma prevista no DecretoLei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal Brasileiro. DecretoLei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal Falsificação de documento público Art. 297 Falsificar, no todo ou em parte, documento público, ou alterar documento público verdadeiro: Pena reclusão, de dois a seis anos, e multa. §1º Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendose do cargo, aumentase a pena de sexta parte. §2º Para os efeitos penais, equiparamse a documento público o emanado de entidade paraestatal, o título ao portador ou transmissível por endosso, as ações de sociedade comercial, os livros mercantis e o testamento particular. (grifos nossos) §3º Nas mesmas penas incorre quem insere ou faz inserir: (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) I na folha de pagamento ou em documento de informações que seja destinado a fazer prova perante a previdência social, pessoa que não possua a qualidade de segurado obrigatório;(Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) II na Carteira de Trabalho e Previdência Social do empregado ou em documento que deva produzir efeito perante a previdência social, declaração falsa ou diversa da que deveria ter sido escrita; (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) III em documento contábil ou em qualquer outro documento relacionado com as obrigações da empresa perante a previdência social, declaração falsa ou diversa da que deveria ter constado. (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) (grifos nossos) §4º Nas mesmas penas incorre quem omite, nos documentos mencionados no §3º, nome do segurado e seus dados pessoais, a Fl. 80DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 remuneração, a vigência do contrato de trabalho ou de prestação de serviços.(Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) (grifos nossos) Falsidade ideológica Art. 299 Omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, com o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante: (grifos nossos) Pena reclusão, de um a cinco anos, e multa, se o documento é público, e reclusão de um a três anos, e multa, se o documento é particular. Parágrafo único Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendose do cargo, ou se a falsificação ou alteração é de assentamento de registro civil, aumentase a pena de sexta parte. No caso vertente, a Autoridade Lançadora intimou a empresa mediante Termo próprio a apresentar, no prazo assinalado, uma série de documentos do interesse da fiscalização e da arrecadação, conforme discriminado no Termo de Início de Ação Fiscal a fl. 30, deixando o Recorrente de exibir à fiscalização os Livros Contábeis e os Recibos de Pagamento a Autônomos. Nessas circunstâncias, as omissões perpetradas pelo Recorrente, da estatura das que foram verificadas pela Autoridade Fiscal, frustraram os objetivos da lei, prejudicando a atuação ágil e eficiente dos agentes do fisco, que se viram impelidos a despender uma energia investigatória suplementar na apuração dos fatos geradores em realce, não somente nos documentos suso destacados, mas, igualmente, em outras fontes de informação. A estrutura normativa dos tributos em geral aponta no sentido de que a sua base de cálculo, em princípio, deve ser apurada com base em documentos do Sujeito Passivo que registrem, de forma precisa, os montantes pecuniários correspondentes a cada hipótese de incidência prevista nas leis de regência correspondentes. Excepcionalmente, nas ocasiões em que o conhecimento fiel dos montantes acima referidos não for viável, o ordenamento jurídico admite o emprego da aferição indireta. Tivesse a empresa cumprido, com o devido rigor, as obrigações acessórias impostas pela legislação, os fatos geradores teriam sido apurados diretamente nas folhas de pagamento, nas GFIP e na escrita fiscal. Mas assim não ocorreu. A não observância das formalidades exigidas pela legislação tributária quebrou o mecanismo idealizado pelo legislador ordinário para a apuração ágil e precisa dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, obrigando os agentes fiscais a investigar uma miríade de outros documentos e títulos diversos e genéricos da contabilidade, para a captação dos fatos jurígenos tributários de sua competência, no cumprimento efetivo do seu dever de ofício. Diante desse quadro, a recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação ou a apresentação deficiente figura como motivo justo, bastante, suficiente e determinante para a apuração, por aferição indireta, das contribuições previdenciárias efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário, a teor do permissivo legal encartado nos parágrafos 3º e 6º do art. 33 da Lei nº 8.212/91. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14751.000141/200818 Acórdão n.º 230201.784 S2C3T2 Fl. 69 11 Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘d’ e ‘e’ do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). §1º É prerrogativa do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e do Departamento da Receita FederalDRF o exame da contabilidade da empresa, não prevalecendo para esse efeito o disposto nos arts. 17 e 18 do Código Comercial, ficando obrigados a empresa e o segurado a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados. (...) §3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita FederalDRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (grifos nossos) (...) §6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (grifos nossos) Diante desse panorama, outra alternativa não se abriu à fiscalização que não apurar o montante devido por aferição indireta da base de cálculo, autorizada que estava pelo permissivo legal encartado nos §§ 3º e 6º do art. 33 da Lei nº 8.212/91, transferindose para o sujeito passivo o ônus da prova em contrário. Citese por relevante que no procedimento de apuração da matéria tributável por arbitramento, louvouse a Autoridade Fiscal em considerar como remuneração dos dirigentes o mesmo valor pago ao segurado empregado melhor remunerado em cada competência, adotando assim um critério bastante conservativo ao nosso sentir. Nessa perspectiva, conforme expressamente estatuído na lei, não concordando o sujeito passivo com o valor aferido pela Autoridade Lançadora, competelhe, ante a refigurada distribuição do ônus da prova, que lhe é avessa, demonstrar por meios idôneos que tal montante não condiz com a realidade. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 Nada obstante, nas oportunidades que teve de se manifestar nos autos, o Recorrente limitouse à narrativa dos fatos e circunstâncias vicinais ao lançamento, mal aproveitando assim a adequada oportunidade concedida pela lei para atacar a tese e espancar os fatos sobre os quais se escorou o órgão a quo, no juízo negativo de desconstituição do crédito tributário objeto da presente NFLD. Em sua defesa, argumentou o Recorrente não ter entregue a documentação porque a auditor fiscal ficou de pegar tais documentos com o titular da empresa e lá não compareceu para pegála, tendo comparecido posteriormente já com a fiscalização concluída e os Autos de Infração já prontos. Mas não é bem com esse gingado que se dança o Vira. Nas circunstâncias em que se sucedeu o presente lançamento, a não apresentação da documentação exigida no prazo assinalado autoriza o fisco a inscrever de ofício montante de tributo considerado devido, o qual foi apurado mediante arbitramento, transferindose para o notificado o ônus da prova em contrário. Todavia, quedouse inerte o Recorrente, não produzindo as provas necessárias à elisão do lançamento tributário que ora se edifica. Limitouse a deduzir e contrapor alegações vazias, desprovidas de esteio em indício de prova material, apoiandose única e exclusivamente na fugacidade e efemeridade das palavras, em eloquente exercício de retórica, tão somente, gravitando ao redor dos reais motivos ensejadores do presente lançamento, não logrando assim desincumbirse do encargo que lhe pesava e se lhe mostrava contrário. Optou, a seu risco, por exortar asserções ao vento, as quais se mostraram insuficientes para elidir por completo a imputação que lhe fora infligida pela fiscalização previdenciária, não logrando dessarte o Recorrente produzir meios de prova hábeis a desconstituir o lançamento que ora se opera. Diante do que se coligiu até o momento, restou visível a procedência do procedimento levado a cabo pela Autoridade Fiscal. 2.2. DA AUTUAÇÃO POR FALTA DE DOCUMENTOS Pondera o Recorrente que não se poderia ser autuado por falta de documentos, pois ele estava de posse de tais documentos. A rogativa acima esposada não pode ser discutida nos presentes autos, eis que ela se constitui no núcleo do Auto de Infração nº 37.150.3345, lavrado na mesma ação fiscal, não tendo este Colegiado competência para proferir decisões referentes a demandas objeto de Processo Administrativo Fiscal diverso. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14751.000141/200818 Acórdão n.º 230201.784 S2C3T2 Fl. 70 13 É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 84DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11128.003391/2007-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 26/02/2007, 30/03/2007, 17/04/2007 e 03/05/2007
CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. APRECIAÇÃO DA QUESTÃO PELA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA JULGADORA A QUO.
Não há como manter decisão proferida em primeira instância administrativa que deixou de apreciar argumentos de defesa trazidos na impugnação por entender, equivocadamente, que havia concomitância entre os processos administrativo e judicial em relação a matéria que não foi levada ao Poder Judiciário para discussão.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3202-000.503
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, para declarar a inexistência de concomitância e determinar o retorno dos autos à DRJ, a fim de que sejam apreciados os argumentos de defesa trazidos pela contribuinte na impugnação.
O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior declarou-se impedido.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201205
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 26/02/2007, 30/03/2007, 17/04/2007 e 03/05/2007 CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. APRECIAÇÃO DA QUESTÃO PELA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA JULGADORA A QUO. Não há como manter decisão proferida em primeira instância administrativa que deixou de apreciar argumentos de defesa trazidos na impugnação por entender, equivocadamente, que havia concomitância entre os processos administrativo e judicial em relação a matéria que não foi levada ao Poder Judiciário para discussão. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
numero_processo_s : 11128.003391/2007-89
conteudo_id_s : 5233002
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 15 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 3202-000.503
nome_arquivo_s : Decisao_11128003391200789.pdf
nome_relator_s : IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
nome_arquivo_pdf_s : 11128003391200789_5233002.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, para declarar a inexistência de concomitância e determinar o retorno dos autos à DRJ, a fim de que sejam apreciados os argumentos de defesa trazidos pela contribuinte na impugnação. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior declarou-se impedido.
dt_sessao_tdt : Wed May 23 00:00:00 UTC 2012
id : 4593916
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:01:24 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041575948320768
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1946; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 378 1 377 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11128.003391/200789 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3202000.503 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de maio de 2012 Matéria II. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Recorrente MABE BRASIL ELETRODOMÉSTICOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 26/02/2007, 30/03/2007, 17/04/2007 e 03/05/2007 CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. APRECIAÇÃO DA QUESTÃO PELA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA JULGADORA A QUO. Não há como manter decisão proferida em primeira instância administrativa que deixou de apreciar argumentos de defesa trazidos na impugnação por entender, equivocadamente, que havia concomitância entre os processos administrativo e judicial em relação a matéria que não foi levada ao Poder Judiciário para discussão. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, para declarar a inexistência de concomitância e determinar o retorno dos autos à DRJ, a fim de que sejam apreciados os argumentos de defesa trazidos pela contribuinte na impugnação. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior declarouse impedido. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Fábia Regina Freitas. Relatório Fl. 400DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 Cuida a lide de Autos de Infração lavrados contra a contribuinte BSH CONTINENTAL ELETRODOMÉSTICOS LTDA, atual MABE BRASIL ELETRODOMÉSTICOS LTDA, para exigência de créditos tributários referentes às diferenças que deixaram de ser recolhidas relativas ao Imposto sobre a Importação, IPIvinculado, COFINSImportação e PIS/PASEPImportação, no valor total de R$. 152.001,19, inclusos o principal, juros de mora e multa de 1% do valor aduaneiro da mercadoria, por classificação incorreta na Nomenclatura Comum do Mercosul (fls. 01/38). As diferenças encontradas decorreram da reclassificação fiscal das mercadorias importadas constantes das DI nº. 07/02410122, adição 001, registrada em 26/02/2007; DI nº 07/04083900, adição 001, registrada em 30/03/2007; DI nº 07/04876080, adições 001 a 004, registrada em 17/04/2007, e DI nº 07/05631430, adições 001 a 003, registrada em 03/05/2007. A contribuinte classificou as mercadorias descritas como “aparelhos depuradores de ar de uso doméstico” no código NCM 8421.39.90 – Outros aparelhos para filtrar ou depurar gases, tendo a autoridade fiscal reclassificandoas para o código NCM 8414.60.00 – Coifas (exaustores) para extração ou reciclagem, com ventilador incorporado, mesmo filtrantes, com dimensão horizontal máxima não superior a 120cm. O lançamento foi efetuado para prevenir a decadência, encontrandose o crédito tributário com sua exigibilidade suspensa, por força de depósito judicial das quantias correspondentes ao valor da exação, procedido nos autos da ação sob o rito ordinário, com pedido de antecipação parcial de tutela, processo nº 97.00600564, em trâmite perante a 2ª Vara Cível da Justiça Federal do Estado de São Paulo. O objeto da referida ação diz respeito à classificação fiscal do produto denominado “depurador de ar”. Intimado da autuação, a contribuinte apresentou impugnação tempestiva (fls.227/230). A DRJSão Paulo II/SP não conheceu da impugnação, em razão de concomitância entre as esferas administrativa e judicial (fls. 296/298), nos termos da ementa adiante transcrita: “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2007 CONCOMITÂNCIA O recurso ao Poder Judiciário para discussão de matéria coincidente com aquela objeto do'lançamento de ofício, antes ou após a lavratura do Auto de Infração, importa na renúncia de discutir a matéria objeto da ação judicial na esfera administrativa, uma vez que as decisões judiciais se sobrepõem às administrativas. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido” Irresignada, a querelante apresentou recurso voluntário perante este Colegiado (fls.346/363). Alega a inexistência de concomitância, tendo em vista que tanto a impugnação apresentada quanto o recurso oferecido discutem tãosomente parte da autuação em que não haveria a alegada concomitância, a qual diz respeito ao lançamento da multa regulamentar de 1%, por classificação incorreta na NCM. Aduz que esta matéria não está sendo discutida na esfera judicial, a qual atémse, tãosomente, a apreciar a questão relativa à Fl. 401DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11128.003391/200789 Acórdão n.º 3202000.503 S3C2T2 Fl. 379 3 classificação fiscal da mercadoria. No mérito, repisa os argumentos expendidos na impugnação, em que defende o não cabimento da referida multa. É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, Relatora Tratase de recurso voluntário tempestivo apresentado em face de decisão de primeira instância que não conheceu da impugnação, por entender haver concomitância entre as esferas judicial e administrativa. Temse que, no caso, assiste razão à contribuinte. Nos termos da súmula nº 01 do CARF, a concomitância, que importa renúncia às instância administrativas, somente se dá quando há propositura de ação judicial pelo mesmo sujeito passivo e com o mesmo objeto do processo administrativo, cabendo ao órgão administrativo judicante apreciar a matéria distinta daquela constante do processo judicial. Vejase: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo da ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.(negritei) In casu, a matéria que se discute na esfera judicial não é a mesma que se discute nestes autos administrativos. Perante o Judiciário, a lide se estabeleceu quanto à classificação fiscal da mercadoria importada pela recorrente, denominada “depuradores de ar”. Já nestes autos administrativos, a contribuinte manifesta entendimento acerca da suspensão da exigibilidade do crédito tributário e insurgese quanto à aplicação a multa de 1% do valor aduaneiro em razão da incorreta classificação fiscal na NCM, não questionando a classificação fiscal em si. São, claramente, matérias distintas, muito embora seja a aplicação da multa consequente da suposta classificação incorreta, que se está a discutir judicialmente. Assim, não havendo concomitância entre os processos judicial e administrativo, voto no sentido DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para declarar a inexistência de concomitância e determinar o retorno dos autos à DRJ, a fim de que sejam apreciados os argumentos de defesa trazidos pela contribuinte na impugnação É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Fl. 402DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 Fl. 403DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10980.005511/2005-06
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 30 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3801-000.483
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201303
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 30 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10980.005511/2005-06
anomes_publicacao_s : 201304
conteudo_id_s : 5236458
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 30 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3801-000.483
nome_arquivo_s : Decisao_10980005511200506.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : MARCOS ANTONIO BORGES
nome_arquivo_pdf_s : 10980005511200506_5236458.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
id : 4597586
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:01:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041576001798144
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1333; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 86 1 85 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.005511/200506 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3801000.483 – 1ª Turma Especial Data 21 de março de 2013 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente AVENIDA 7 MATERIAIS DE CONSTRUCAO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .0 05 51 1/ 20 05 -0 6 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/04/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10980.005511/200506 Resolução nº 3801000.483 S3TE01 Fl. 87 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: Trata o processo de pedido de restituição (apresentado por meio de formulário`papel') de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), fl. 01, protocolizado em 14/06/2005, em relação aos pagamentos efetuados entre 15/03/1999 e 15/02/2004 para os períodos de apuração 02/1999 a 01/2004, no montante atualizado de R$ 315.846,14, consoante planilha de fls. 05/07. Instruem o pedido, ainda, os documentos de fls. 02/04 e 08/14 (esclarecimentos acerca do pedido, cópia do cartão CNPJ, de procuração e de documentos societários). 2. À fl. 01, consta como motivo do pedido (campo 02): "Ilegalidade e Inconstitucionalidade da Lei 9.718198, Vide detalhamento anexo. " 3. Em 08/07/2005, após análise, o pedido foi indeferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba/PR, despacho decisório às fls. 17/19, em razão da decadência, a teor dos arts. 165 e 168 do CTN e item I do Ato Declaratório SRF n° 96, de 26/11/1999, quanto aos recolhimentos havidos antes de 14/06/2000. Na mesma ocasião, e quanto aos pagamentos efetuados após 14/06/2000, considerouse não formulado o pedido, por ter sido formalizado em desacordo com as normas de regência. 4. Inconformada com a decisão proferida, da qual foi cientificada em 12/07/2005 (fls. 20/21), a interessada interpôs, em 04/08/2005, manifestação de inconformidade a esta Delegacia de Julgamento, fls. 22/46, cujo teor é sintetizado a seguir. 5. Primeiramente, após breve relato dos fatos, afirma que o direito de pleitear a restituição relativamente aos recolhimentos anteriores a 14/06/2000 não está prescrito pois o prazo, tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, é de 10 (dez) anos (tese dos `cinco mais cinco'). Sobre o assunto, cita jurisprudência. 6. Após, aduz ser equivocada a decisão de não tomar conhecimento do pedido de restituição. Diz ter demonstrado que o pedido não poderia ter sido feito eletronicamente, elenca as hipóteses em que o pedido eletrônico deve ser efetuado e diz não haver dúvidas quanto à possibilidade de sua formalização nos moldes em que consta dos autos. 7. Na sequência, discorre sobre a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida no art. 3 0, § 11, da Lei n° 9.718, de 1998. Disserta, também, sobre a majoração de alíquota da Cofins. Diz que se trata de exigência nova, que não obedeceu os ditames constitucionais. Salienta não ser devedora da Cofins calculada com base na Lei n° 9.718, de 1998 e pede, ao final, o reconhecimento do direito pleiteado. Pede, ainda, que o crédito deferido seja compensado ou ressarcido, devidamente atualizado, nos termos da legislação. A Delegacia de Julgamento em Curitiba (PR), às fls. 50/59, proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: Fl. 87DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/04/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10980.005511/200506 Resolução nº 3801000.483 S3TE01 Fl. 88 3 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/1999 a 30/04/2000 PREJUDICIAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. DECADÊNCIA. O direito de o contribuinte pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente, ou em valor maior que o devido, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/05/2000 a 31/01/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. FORMULÁRIO IMPRESSO. AUSÊNCIA DE IMPEDIMENTO NO SISTEMA ELETRÔNICO. APRESENTAÇÃO APOS 29/09/2003. INADMISSIBILIDADE. Sem que haja impedimento de utilização do sistema eletrônico, considera se não formulado o pedido de restituição apresentado em formulário impresso após 29/09/2003. Solicitação Indeferida Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 66 a 78, alegando e requerendo em síntese: · o prazo para pleitear a restituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação é de dez anos (tese pacífica do STJ — 5 mais 5); · não se enquadra nas hipóteses prevista para que se possa elaborar pedido de restituição por meio eletrônico, através do programa PER/DCOMP, razão pela qual o pedido foi elaborado em formulário; · a ampliação da base de cálculo da Cofins conferida pela Lei n° 9.718198 é ilegal e inconstitucional, conforme declarou o Supremo Tribunal Federal, devendo ser garantido o direito da contribuinte recolher a referida contribuição nos moldes da Lei Complementar n° 70/91, ou seja, incidente sobre o faturamento e não sobre a totalidade das receitas; · os valores a serem restituídos deverão ser acrescidos dos juros nos moldes fixados pela Lei n° 9.250/95, desde a data do pagamento indevido. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/04/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10980.005511/200506 Resolução nº 3801000.483 S3TE01 Fl. 89 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A questão posta em discussão envolve três pontos, quais sejam (i) prazo decadencial para requerimento de restituição de créditos tributários pagos indevidamente pelo contribuinte; (ii) o pedido de restituição apresentado em formulário impresso e (iii) direito ao crédito de COFINS pago com base no art. 3º, § 1, da Lei n° 9.718, de 1998, que foram posteriormente declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. 1 – Preliminar: Do Prazo para o Pedido de Restituição. Preliminarmente, no que tange à decadência, devemos atentar para o que dispõe os artigos 3o e 4o da Lei Complementar 118/05, que fixou o termo inicial do prazo para a restituição dos valores indevidamente recolhidos, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, na data do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 do CTN e com efeitos retroativos, o que equivale dizer que o prazo para restituição/compensação passou a ser de 5 anos, contados da data do pagamento indevido. Sem adentrar, neste momento, em todas as discussões travadas pela doutrina e pelos Tribunais acerca do alcance da referida interpretação, o STF, no julgamento do RE nº 566.621/RS, julgado no qual havia sido aplicada a repercussão geral da matéria em exame, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 4°, segunda parte, da LC 118/05 e firmou o posicionamento, por maioria dos votos, de que, somente para os processos ajuizados após a entrada em vigor da LC nº 118/2005, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005, o prazo para compensação ou repetição do indébito tributário, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, é de 05 (cinco) anos contados do pagamento indevido. Segue a ementa, in verbis: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente Fl. 89DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/04/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10980.005511/200506 Resolução nº 3801000.483 S3TE01 Fl. 90 5 interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardando se, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (RE 566621, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL0260502 PP00273) (Grifo nosso) Neste sentido, há de se observar o artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010, que dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No caso em tela, o pedido de restituição de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) foi protocolizado em 14/06/2005, correspondendo a pagamentos efetuados no período de 15/03/1999 a 15/02/2004. Ou seja, o pedido administrativo ocorreu após o início de vigência da LC nº 118/2005, aplicandose, assim, o prazo previsto na mencionada lei complementar, conforme o posicionamento do STF. Portanto o direito de pleitear a restituição dos pagamentos alegadamente indevidos anteriores a 14/06/2000 já havia sido atingido pela decadência no momento do pedido administrativo. Resta analisar os valores recolhidos posteriormente à essa data. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/04/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10980.005511/200506 Resolução nº 3801000.483 S3TE01 Fl. 91 6 2 – Preliminar: Pedido de Restituição Formulado em Papel. Quanto à questão da forma de apresentação do pedido de restituição, assiste razão à recorrente, pois seu pleito referese também a pagamentos efetuados a mais de cinco anos da protocolização, e, conquanto possase alegar que o pedido deveria ter sido desmembrado em dois: um, para os pagamentos anteriores aos últimos cinco anos, e outro, para os demais pagamentos, há de se considerar que, reiteradamente, a administração tributária não conhece de pedidos formulados com fundamento em inconstitucionalidade de lei não declarada pelo Poder competente, com efeito erga omnes, haja vista a própria decisão ora recorrida. Ademais, a atual sistemática de repetição de indébito, incluída tanto a restituição como a compensação, é hoje disciplinada pela Lei n° 9.430/96, que no seu art. 74 estabelece o procedimento para se apurar tal direito do contribuinte, não determina a obrigatoriedade do pedido administrativo ser feito pela via eletrônica, o que poderia atingir inclusive o basilar direito de petição do contribuinte. Nesse ponto, cumpre lembrar que, nos termos do art. 74, § 12, alínea "f', da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009, na hipótese em exame, caso houvesse declaração de compensação para o crédito pleiteado, tal compensação seria considerada nãodeclarada e não se lhe aplicaria o rito processual do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. 3 – Mérito: A Lei nº 9.718/98, conversão da Medida Provisória nº 1.724/98, estendeu o conceito de faturamento, base de cálculo das contribuições PIS e Cofins, definindoo no §1º do art. 3º como "receita bruta" da pessoa jurídica, e esta seria “a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas”. Ocorre, todavia, que o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, e n.º 346.0846/PR, do Ministro Ilmar Galvão, pacificou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98. Os aludidos acórdãos foram assim ementados: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/04/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10980.005511/200506 Resolução nº 3801000.483 S3TE01 Fl. 92 7 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. No mais, o STF, no julgamento do RE nº 585.235, publicado no DJ nº 227 do dia 28/11/2008, julgado no qual havia sido aplicada a repercussão geral da matéria em exame, reconheceu a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Segue a ementa, in verbis: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Diante disso, voltouse a apurar a base de cálculo da COFINS segundo o conceito de faturamento adotado na Lei Complementar nº 70, de 1991, qual seja, a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Tal situação só foi se alterar com a edição da Medida Provisória 135, de 30/10/2003, convertida na Lei 10.833, de 29/12/2003, que instituiu a não cumulatividade na apuração da Cofins, produzindo efeitos a partir de 01/02/2004. Neste sentido, entendo estarmos diante da hipótese prevista no artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010, que dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral, conforme colacionado acima. Outrossim, o Decreto nº 70.235/72, que rege o processo fiscal, estabelece: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade* (...) §6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:* I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;* (...)” *Nova redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/04/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10980.005511/200506 Resolução nº 3801000.483 S3TE01 Fl. 93 8 Com efeito, é incontroverso o bom direito da recorrente em relação aos pagamentos posteriores a 14/06/2000, conforme a preliminar da decadência já analisada e tendo em vista que esse litígio administrativo tem como objeto principal a restituição de contribuição paga a maior com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF (alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins). Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, Constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados são insuficientes para se apurar a correta composição da base de cálculo da contribuição Cofins e eventuais pagamentos a maior. Consignese, por oportuno, que a interessada limitouse em apresentar uma planilha às fls. 06 e 07. Por outro lado, é notório que boa parte dos contribuintes recorreu ao Poder Judiciário em relação ao alargamento da base de cálculo das contribuições PIS e Cofins, o que implica, em tese, na renúncia à esfera administrativa. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para que a Delegacia de origem: a) informe se a interessada propôs ação judicial com o mesmo objeto deste processo administrativo fiscal. Em caso positivo, fazer uma síntese do andamento processual; b) apure a correta composição da base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) com base na escrituração fiscal e contábil, períodos de apuração de maio/2000 a jan/2004, segundo o conceito de faturamento adotado na Lei Complementar nº 70, de 1991, qual seja, a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza, bem como verifique se constam nos sistemas de arrecadação os respectivos comprovantes de pagamento; c) cientifique a interessada quanto ao teor dos cálculos para, desejando, manifestarse no prazo de dez dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator Fl. 93DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/04/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001746/2007-72
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
Ementa: PERC
Nos termos do art. 60 da Lei 9.069/95, a concessão de qualquer incentivo fiscal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais. Uma vez comprovada deve ser deferida.
Numero da decisão: 1103-000.714
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso.
Nome do relator: MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201206
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 Ementa: PERC Nos termos do art. 60 da Lei 9.069/95, a concessão de qualquer incentivo fiscal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais. Uma vez comprovada deve ser deferida.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 16327.001746/2007-72
conteudo_id_s : 5224495
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1103-000.714
nome_arquivo_s : Decisao_16327001746200772.pdf
nome_relator_s : MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
nome_arquivo_pdf_s : 16327001746200772_5224495.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2012
id : 4577446
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:00:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041576007041024
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1358; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T3 Fl. 1 1 S1C1T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.001746/200772 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1103000.714 – 1ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 14 de junho de 2012 Matéria PERC Recorrente BANCO ZOGBI S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004 Ementa: PERC Nos termos do art. 60 da Lei 9.069/95, a concessão de qualquer incentivo fiscal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais. Uma vez comprovada deve ser deferida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Mário Sérgio Fernandes Barroso – Presidente em exercício e relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Sérgio Gomes, Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Hugo Correia Sotero e Mário Sérgio Fernandes Barroso. Relatório Fl. 507DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 2 A contribuinte acima identificada ingressou com o PERC – Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais de fl. 01, tendo em vista que houve redução do valor do incentivo fiscal pretendido, relativamente à sua opção (CNPJ nº 61.535.100/000107) por aplicação de parte do IRPJ relativo ao anocalendário 2004 exercício 2005 no FINAM, conforme extratos às fls. 56 a 59. 2.Por meio do Despacho Decisório de fls. 80/83, proferido em fevereiro/2009, a autoridade administrativa competente indeferiu o pedido, com base no artigo 60 da Lei nº 9.069, de 29/06/1995, tendo em vista o resultado de consultas ao CADIN/SISBACEN e aos registros de regularidade mantidos pela Secretaria da Receita Federal/PGFN, e perante o Fundo de Garantia, apontando a existência de débitos. 2.1. O auditor fiscal designado para apreciar o pedido informou que: “(...) 4 Motiva o pedido a não expedição da ordem de emissão de incentivos fiscais (OEIF) ao FINAM, como opção feita pela interessada, o que se verifica no extrato acostado aos autos às fls. 56, no valor de declarado de R$ 1.071.641,14, 12% da base de cálculo do incentivo fiscal, esta no valor de R$ 5.953.561,88, pelas ocorrências constatadas por ocasião do processamento eletrônico da declaração: 04redução do valor por recolhimento incompleto do imposto; e redução de valor por opção acima do limite do fundo, fls. 57 a 59. 5 O pedido deve ser considerado tempestivo, (...) 6 A situação cadastral atual da interessada junto ao CNPJ é “BAIXADA”, (...). 7 A interessada apresentou uma única DIPJ/2005, de nº 1232424, referente ao anocalendário 2004, referente ao período de 01.01.2004 a 30.11.2004, que foi efetuada por ocasião da incorporação, sendo processada e liberada sem o registro de eventos, fl. 52. 8 Não foram detectados DARF pagos que representassem aplicação dirigida a algum Fundo de Investimento (DARF específico). 9 Antes da apreciação do pedido da interessada, quanto ao mérito, convém verificar, em caráter preliminar, se a interessada pode usufruir o incentivo fiscal em questão, considerando o que dispõe a legislação que rege a matéria. Nesse intuito foram consultados o CADIN/SISBACEN e os registros de regularidade mantidos pela Secretaria da Receita Federal/PGFN e perante o Fundo de Garantia. 10 A aludida consulta indica que a interessada está, também nesta data, em situação irregular junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil/PGFN, como se verifica a fls. 65 a 75 deste processo, relatório SINCOR, indicando que constam débitos da interessada em cobrança no SIEF e no PROFISC, e tem débitos inscritos em Dívida Ativa da União, fatos estes que a impedem de comprovar a quitação de tributos e contribuições federais, com o que fica materializada a vedação abaixo transcrita: (...) PROPOSTA Fl. 508DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 16327.001746/200772 Acórdão n.º 1103000.714 S1C1T3 Fl. 2 3 11 Como conseqüência das questões preliminares suscitadas, concluise que, nesta data, a interessada não faz jus à expedição da Ordem de Emissão Adicional de Incentivos Fiscais, motivo pelo qual propomos que o pleito seja INDEFERIDO. 2.2.O referido despacho decisório encontrase assim ementado: Assunto:Pedido de revisão de ordem de emissão de incentivo (PERC), relativo ao IRPJ/2005, ano calendário 2004. Ementa:INCENTIVOS FISCAIS. PERC. A legislação veda a concessão de incentivos fiscais nas situações em que não esteja regular junto à Fazenda Pública. 3.Inconformada com o referido Despacho Decisório, do qual foi devidamente cientificada em 13/02/2009 (fl. 85), a interessada apresentou, em 13/03/2009, manifestação de inconformidade de fls. 86 a 89, acompanhada da documentação de fls. 90 a 214. Na peça de defesa a interessada argúi: 3.1.que em face das condições dinâmicas da atividade econômica, a posição da manifestante perante a Receita Federal do Brasil e perante a Procuradoria da Fazenda Nacional pode variar de “sem débito em aberto” a “com débito em aberto”; 3.2.que, em relação aos débitos apontados às fls. 65 a 75 destes autos: a) Fls. 68 – Processo Administrativo nº 16327.003659/200326 – situação fiscal PROFISC Processo Fiscal em Cobrança – tratase de cobrança de débito fiscal com a sua exigibilidade suspensa, nos termos do inciso II do artigo 151 do Código Tributário Nacional, face ao depósito judicial realizado nos autos do mandado de Segurança nº 2000.03.99.065138 0. como prova do alegado, o contribuinte anexa cópia da guia de depósito e cópia do extrato da conta de depósito judicial emitido pela Caixa Econômica Federal (doc. 03 – fl. 123/124); b) Fls. 69 – situação fiscal SIEF – débito fiscal em cobrança no valor de R$ 759,33, extinto por compensação, nos termos do inciso II do art. 156 do Código Tributário Nacional, por intermédio do PERDCOMP nº 37200.81911.131005.1.7.045582 (doc. 04– fls. 126/133); c) Fls. 70 – Processo Administrativo nº 16327.000775/200121 – situação fiscal PGFN – Tratase de débito fiscal inscrito em Dívida Ativa da União, com sua exigibilidade suspensa, nos termos do inciso II do art. 151 do Código Tributário Nacional, face ao depósito judicial realizado nos autos da Ação Anulatória de Débitos Fiscais nº 2006.61.00.0168352. Como prova do alegado, o contribuinte anexa cópia da guia do depósito judicial e cópia do extrato da conta de depósito judicial emitido pela Caixa Econômica Federal (doc. 05 – fls. 135/146); d) Fls. 70 – Processo Administrativo nº 16327.001518/200611 – situação fiscal PGFN – Tratase de débito fiscal inscrito em Dívida Ativa da União, com sua exigibilidade suspensa, nos termos do inciso II do art. 156 do Código Tributário Nacional, face ao depósito judicial realizado nos autos da Ação Anulatória de Débitos Fiscais nº 2008.61.00.0158586. Como prova do alegado, o contribuinte anexa cópia da guia do depósito judicial e cópia do extrato da conta de depósito judicial emitido pela Caixa Econômica Federal (doc. 06 – fls. 148/164); Fl. 509DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 4 e) Fls. 72 – situação fiscal SIEF (CNPJ/MF 61.535.100/000107 – Banco Zogbi S.A.) – débito fiscal em cobrança no valor de R$ 50.136,58, extinto por compensação nos termos do inciso II do art. 156 do Código Tributário Nacional, por intermédio do PERDCOMP Nº 37968.08521.230304.1.3.031836 (doc. 07 – fls. 166/169); f) Fls. 74 – situação fiscal SIEF (CNPJ/MF nº 02.603.990/000188 – COMPANHIA FINASA SECURITIZADORA DE CRÉDITOS FINANCEIROS FINANCEIROS) – débitos fiscais exigidos nos processos administrativos nºs 10880.905012/200803; 10880.905013/200828; 10880.905014/200872; 10880.906518/2008 18 e 10880.905519/200854, com a exigibilidade suspensa nos termos do inciso III do artigo 151 do Código Tributário Nacional, por força das Manifestações de Inconformidades apresentadas contra a sua cobrança(docs. 08 a 12 – fls. 171 a 214); 3.4.que todos os débitos fiscais indicados no SINCOR encontramse com sua exigibilidade suspensa ou extintos por compensação a teor da legislação de regência, e que supostamente obstariam o gozo do benefício fiscal almejado. A 8a.Turma da DRJ de São Paulo I, por meio do acórdão n.º 1622.834 decidiu: “PERC QUITAÇÃO DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS PROVA. Nos termos do art. 60 da Lei 9.069/95, a concessão de qualquer incentivo fiscal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais. Diante da ausência desta prova o PERC não pode ser deferido.” A recorrente alega, resumo: Inicialmente cabe ponderar, no exame das pendências à época da análise do PERC, não foi dado ao contribuinte a possibilidade de se esclarecer ou se justificar acerca dos débitos ora apontados como pendência para o deferimento dos incentivos fiscais. Sequer a recorrente teve conhecimento de que tais valores lhes estavam sendo cobrados. A autoridade fiscal que procedeu à análise do PERC decidiu pelo indeferimento, operandose, desta forma, clara ofensa ao preceito constitucional que assegura os direitos à ampla defesa e ao contraditório (Art. 5° da CF1988). Além disso, alega a autoridade julgadora que o recorrente não possuía regularidade fiscal, com base no extrato denominado "Informações de Apoio para Emissão de Certidão" emitido em 02/02/2009. Ocorre que, conforme já exposto, o recorrente possuía as certidões negativas expedidas pela Receita Federal do Brasil, Caixa Econômica Federal e INSS. A certidão é sim prova de regularidade fiscal, inclusive no que tange a comprovação de quitação de débitos isso porque as certidões apresentadas são hábeis a comprovar a regularidade fiscal do recorrente. Devendo fazer esta prova de quitação dos débitos. Fl. 510DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 16327.001746/200772 Acórdão n.º 1103000.714 S1C1T3 Fl. 3 5 Quando da emissão de uma Certidão Negativa ou de uma Certidão Positiva com efeitos de Negativa, dois fatos são certificados pela autoridade fiscal emitente: 1) que os débitos declarados pelo contribuinte foram devidamente quitados; 2) que os débitos declarados pelo contribuinte que não foram ainda quitados, encontramse com sua exigibilidade suspensa por força de um dos incisos do art. 151 do CTN. Desta forma, verificase que (i) à época da análise do PERC (02/02/2009),quando da prolação do despacho decisório, o recorrente também possuía todas as certidões negativas válidas (RFB, CEF e INSS); (ii) houve clara ofensa ao contraditório e a ampla defesa uma vez que não foi dada a oportunidade ao recorrente de sequer se pronunciar sobre supostos débitos que ensejaram o indeferimento do PERC e que, em sede de verdade material, estão com a exigibilidade suspensa ou foram extintos por compensação, conforme comprovados pela documentaçãoanexa portanto não há que se falarem irregularidade fiscal. Diante disto, a recorrente requer que, pelos fatos apontados, o presente recurso seja reconhecido e integralmente provido, para o fim de reformar a r. decisão recorrida, com a conseqüente reforma ao v. acórdão n. 1622.834 da 8' Turma, por ser medida de Direito e Justiça! Voto Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele, pois, conheço. Primeiramente, entendo que a argüição e cerceamento ao direito de defesa não foi dirigida ao acórdão da DRJ, contudo, pelo amor ao bom debate, não houve este cerceamento haja vista o relatório de fl. 65/75 onde constam todas as pendências contra a recorrente. Assim, rejeito a preliminar de cerceamento ao direito de defesa. Quanto a pendência referente a PGFN, a própria fl. 70 do relatório inicial já apontava que a situação era ativa não ajuizável (garantia), assim, não se trata de pendência que impeça a concessão de benefício fiscal. Quanto ao Processo Fiscal em Cobrança (PROFISC) nº 16327.003659/2003 26, o próprio relatório de fl. 68 mostrava que ele estava com recurso especial. Quanto ao valor de R$ 759,33, encontrase quitado fl. 327. Quanto ao débito SIEF, código de receita 2469 – P.A. MENSAL: 02/2004 fevereiro/2004), data de vencimento: 31/03/2004 (fl. 72), no valor de R$ 50.136,58, a contribuinte informa que estaria extinto por compensação, nos termos do inciso II do art. 156 do Código Tributário Nacional, por intermédio do PERD/COMP Nº 37968.08521.230304.1.3.031836 (fls. 166/169). Ocorre que o débito informado no referido PERD/COMP referese ao P.A.: Dezembro/2003, com vencimento em 31/03/2004 (fls. 168 e Fl. 511DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 6 219). Contudo, ambos os débitos tem código de receita 2469 (estimativa mensal), Assim, resta claro que houve erro na referida PERD/COMP homologada fl. 333, pois, o período certo é de fevereiro de 2004. Em face do exposto, voto por rejeitar a preliminar de cerceamento ao direito de defesa, e no mérito dar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 14 de junho de 2012 Mário Sérgio Fernandes Barroso Fl. 512DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
score : 1.0
