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Numero do processo: 10380.013395/2002-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002
PROVAS - A prova dos fatos deverá ser colhida pelos meios admitidos em direito, no processo, e pela forma estabelecida em lei. Será na prova assim produzida que irá o julgador formar sua convicção sobre os fatos, sendo-lhe vedado fundamentá-la em elementos desprovidos da segurança jurídica que os princípios e normas processuais acautelam.
De acordo com a legislação, a manifestação de inconformidade mencionará, dentre outros, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir o direito creditório ao sujeito passivo.
Numero da decisão: 3402-002.378
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Adriana Oliveira e Ribeiro, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Luiz Carlos Shimoyama, Fenelon Moscoso de Almeida.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Será na prova assim produzida que irá o julgador formar sua convicção sobre os fatos, sendolhe vedado fundamentála em elementos desprovidos da segurança jurídica que os princípios e normas processuais acautelam. De acordo com a legislação, a manifestação de inconformidade mencionará, dentre outros, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir o direito creditório ao sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Adriana Oliveira e Ribeiro, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Luiz Carlos Shimoyama, Fenelon Moscoso de Almeida. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 33 95 /2 00 2- 15 Fl. 1248DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 2 Relatório Como forma de elucidar os fatos ocorridos colaciono o relatório da Resolução nº 3402000460, de 26/09/2012: O contribuinte acima qualificado formalizou pedido de ressarcimento de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, no valor de R$ 52.319,58 (vide fl. 251), referente ao 2° trimestre de 2002, com fundamento no art. 11 da Lei n.° 9.779, de 1999. Em apenso, encontrase o processo n.° 13302.000132/200259, que consubstancia o pedido de compensação do crédito pleiteado com débitos que menciona. Em Termo de Informação Fiscal (fls. 337/343), a autoridade diligenciadora opinou pelo deferimento parcial do pedido, no valor de R$ 5.141,60, depois de consignar, dentre outras, as seguintes informações: Foram constatadas notas fiscais de entrada, relativas a aquisições de insumos com geração de crédito, que não apresentam data de saída, data de entrada, ou as contém em duplicidade, descrição do produto, identificação do destinatário. Tais documentos foram considerados inidôneos e/ou sem valor legal, como determinam os arts. 248, 300 e 330 do RIPI/98; "A requerente não comprovou entrada (através de comprovação de pagamento, comprovação de transporte e escrituração no Livro Registro de Controle da Produção e Estoque ou Fichas semelhantes) de Notas Fiscais, sendo, portanto, glosadas"; No Livro de Registro de Apuração de IPI RAIPI, constatouse: a) créditos referentes a devoluções, para os quais a legislação exige o cumprimento de requisitos que não foram cumpridos; b) créditos decorrentes de aquisição de bens do ativo imobilizado, para os quais a legislação não dá direito a escrituração; c) créditos referentes a aquisições para comercialização, para os quais a legislação não dá direito a escrituração; d) créditos referentes a devoluções de vendas, para os quais a legislação não dá direito a escrituração; e) créditos referentes a transferência para escrituração, para os quais a legislação não da direito a escrituração; f) créditos referentes a pagamento de DARF, para os quais a legislação não dá direito a escrituração. Com relação aos débitos, descreve uma série de irregularidades, todas relativas a erros na classificação do produto, na aplicação de alíquota vigente no momento da saída, na determinação do Fl. 1249DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10380.013395/200215 Acórdão n.º 3402002.378 S3C4T2 Fl. 126 3 valor tributável, além de saídas de produtos sem o destaque do IPI; Devido as irregularidades constatadas, lavrouse auto de infração, protocolado sob o n.° 10380.011374/200419, no qual se encontram lançadas, detalhadas e comprovadas todas as ocorrências; Realizouse a reconstituição da escrita fiscal do período compreendido entre o 1° decênio de abril de 2000 ao 3° decênio de dezembro de 2002, que corresponde ao período auditado; O contribuinte procedeu ao estorno dos valores relativos aos pedidos de ressarcimento "sem obedecer a data de protocolização do Processo de Pedido do Ressarcimento e/ou Valor Solicitado". Na reconstituição da data da escrituração do RAIPI, tais valores, até mesmo pela modificação dos saldos após a reconstituição, foram anulados, através de lançamento no Demonstrativo de Dados Apurados, "por essa fiscalização, dos valores fiscalização, na coluna Outros Débitos ou Créditos, como débitos, obedecendo ao Valor do Saldo reconstituído, reconhecido por essa fiscalização, e a data de protocolização do Processo de Pedido de Ressarcimento, para cada trimestre" (passa a expor os valores anulados, por período de apuração). Na folha 348, encontrase Despacho Decisório, subscrito pela Delegada da DRF de Fortaleza, através do qual defere parcialmente o crédito pleiteado e homologa o pedido de compensação no mesmo montante. No prazo legal (vide fl. 349), o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual aduz: A empresa foi diligenciada em razão dos pedidos de ressarcimento que protocolizou. Nesta diligência, gerouse auto de infração, no valor de R$ 612.281,87, processado sob o n.° 10380.011374/200419, ora em julgamento na DRJ/Recife; O processo em tela está atrelado ao do auto de infração, por isto deverá ser aguardado julgamento deste; A Empresa fundamenta a sua defesa no fato de que o auto de infração já foi objeto de impugnação, de modo que qualquer medida antecipada ao julgamento deverá ser improcedente. Ao final, requer o contribuinte o acolhimento da manifestação de inconformidade, para restabelecerse o crédito no valor pleiteado. Em anexo à peça de defesa, o contribuinte acostou a impugnação apresentada nos autos do processo n.° 10380.011374/200419. A 5ª Turma da DRJ Recife (PE) julgou a manifestação de inconformidade deferida em parte, nos termos do Acórdão nº 14899, de 24 de março de 2006, cuja ementa abaixo transcrevo: “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 Fl. 1250DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 4 Ementa: MANTA LAMINADA. CLASSIFICAÇÃO. O produto "manta laminada", à base de poliuretano, classificase na posição 3921 da TIPI, mesmo que a operação de industrialização lhe de a característica de artigo pronto para uso. ENTRADA DE PRODUTO TRIBUTADO NO ESTABELECIMENTO. NÃO COMPROVAÇÃO. GLOSA. A não comprovação da entrada de produto tributado no estabelecimento do contribuinte, quando intimado pelo fisco a fazêlo, enseja a glosa do crédito registrado. DEVOLUÇÃO DE VENDAS. REQUISITOS.DESCUMPRIMENTO. GLOSA DO CRÉDITO. Somente quando cumpridos os requisitos previstos na legislação e regência, permitese o creditamento do imposto relativo a produtos tributados recebidos em devolução ou retorno. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 Ementa: FALTA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO, NAS SAÍDAS DE INSUMOS DO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL, ADQUIRIDOS DE TERCEIROS, COM DESTINO A OUTROS ESTABELECIMENTOS, PARA INDUSTRIALIZAÇÃO OU REVENDA. FALTA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO NAS SAÍDAS DE PRODUTOS TRIBUTADOS DO ESTABELECIMENTO, PELA NÃO INCLUSÃO, NA BASE DE CÁLCULO, DO VALOR DOS DESCONTOS CONCEDIDOS NAS NOTAS FISCAIS. MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS. Consideramse não impugnadas as matérias que não tenham sido expressamente contestadas pela interessada. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. IRREGULARIDADES. O MPF constituise em elemento de controle interno da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância da norma infralegal não pode gerar nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal.” Descontente com o deferimento parcial decidido pela instância a quo, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário ao CARF, onde defende, em breve síntese, que: a) A recorrente sofreu fiscalização fundada no Mandado de Procedimento Fiscal anexo aos autos, que teve por conclusão a suposta e contestável infração de haver deixado de recolher aos cofres públicos a quantia de R$ 171.274,78 (cento e setenta e um mil reais duzentos e setenta e quatro reais e setenta e oito centavos) lançamento que foi fundado em cinco pontos. 1) saídas de insumos sem o devido débito do imposto (IPI), para outras empresas; 2) saídas de produtos sem o devido debito do imposto (IPI), por ausência de inclusão de desconto no valor da operação; 3) saídas de produtos sem o devido débito do imposto (IPI), em virtude de classificação equivocada; 4) crédito indevido, notas fiscais de insumos que foram desconsideradas; 5) crédito indevido, ausência de Notas Fiscais de entrada ou saída que representem a devolução do produto. Como conseqüência direta da autuação, a empresa teve refeita sua escrita de IPI (Livro Apuração do IPI), esvaziandose o saldo credor de vários períodos relacionados aos direito do artigo 11 Fl. 1251DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10380.013395/200215 Acórdão n.º 3402002.378 S3C4T2 Fl. 127 5 da Lei no 9.779/99, ou seja, saldo credor não aproveitado com o próprio IPI devido pelas saídas (0%, isento). Nesse diapasão, resta evidente a vinculação do presente "Pedido de Ressarcimento e Compensação" com o auto de infração contido no processo nº 10380011374/200419, uma vez que o resultado de seu julgamento interferirá no crédito presentemente solicitado. b) A decisão da primeira instância é nula por claro cerceamento do direito de defesa, em vista da ausência de motivação em relação a reclassificação fiscal dos produtos saídos do estabelecimento do recorrente; c) Houve erro na reclassificação fiscal de seus produtos – colchão e flocos; d) As devoluções efetuadas dão direito ao creditamento, sendo indevidas as glosas sob essa rubrica;e e) Houve claro erro material da decisão recorrida com relação ao lançamento da multa isolada. É que nos termos da legislação vigente, a multa isolada deve ser aplicada de acordo com o valor do tributo que eventualmente deixa o contribuinte de lançar em virtude de aproveitamento de créditos indevidos. Notese que a decisão de primeira instância reduziu o valor da autuação em R$ 64.799,38 (sessenta e quatro mil, setecentos e noventa e nove reais e trinta e oito centavos), o que por si só tem reflexos no valor da multa aplicada. Lembramos que a decisão de primeira instância acatou exatamente créditos do contribuinte, reformando o lançamento fiscal no que diz de perto com o suposto crédito indevido. Ocorre que apesar de haver sido considerado como legitimo o credito do contribuinte no valor acima apontado, reduzindose o valor principal da autuação, a aplicação da multa isolada permaneceu intocada, o que se apresenta como verdadeiro erro material, pois para seu cômputo seria necessária a exclusão dos créditos tidos por idôneos. Termina sua petição recursal requerendo que: a) Julgue nula a decisão recorrida, nos termos acima indicados, por claro cerceamento do direito de defesa do contribuinte, ou; b) Julgue nulo o lançamento, nos termos acima indicados, por ausência de motivação em relação a reclassificação fiscal dos produtos saídos do estabelecimento do contribuinte, o que também acarreta cerceamento do direito de defesa, ou; c) Nas discussões de mérito: a) Julgue IMPROCEDENTE com relação aos produtos reclassificados acima citados, nos termos das Regras de Interpretação do Sistema Harmonizado, realizando perícia técnica sobre os produtos descritos nesta pega, no sentido de confirmar a classificação apontada pelo contribuinte; b) Julgue IMPROCEDENTE com relação aos créditos legítimos lançados e aproveitados pela recorrente, nos moldes em que acima apontados, e, Fl. 1252DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 6 caso ache necessário, realize diligências no sentido de ratificar as alegações e veracidade dos documentos aqui citados e anexados; c) Julgue IMPROCEDENTE com relação ao lançamento de multa isolada, na medida em que for confirmada a legitimidade dos créditos utilizados pelo contribuinte A 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF converteu o julgamento em diligência para que fosse anexada aos autos cópia da decisão definitiva do processo nº 10380.011374/200419, em virtude do entrelaçamento das lides daquele processo com esta que está em julgamento. Os autos retornaram ao CARF devidamente instruído. É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a apreciar. Conforme já explicitado na Resolução nº 3402000460, de 26/09/2012, a informação fiscal de fls. 337/343, que subsidiou inteiramente o Despacho Decisório da DRF em Fortaleza/CE de fl. 348, não deixa margem a qualquer dúvida de que o pedido de ressarcimento objeto deste processo teve o seu mérito transportado para o processo administrativo n° 10380.011374/200419, que, por sua vez, contém um auto de infração de IPI lavrado por conta de irregularidades na apuração do saldo credor de março de 2001, caracterizadas por glosa nos créditos, por variados motivos, e por lançamento de débitos, por utilização de alíquota inferior à constante da TIPI. A recomposição do saldo credor de IPI com exsurgimento de débitos não declarados e/ou pagos se refletia e tornava dele dependente toda a discussão que se trava neste processo (glosa de créditos de IPI postulados em pedido de ressarcimento). Essa afirmação foi ratificada na peça impugnatória apresentada pelo sujeito passivo no processo nº 10380.011374/200419, onde afirma categoricamente que: A Recorrente sofreu diligência referente aos processos n°s. 10380.016961/0008,10380.016960/0037,10380.013654/2001 19, 10380.013655/200163, 10380.013656/200116, 10380.002643/200294, 10380.007919/200221, 10380.0133951200215, 10380.013396/200251 e 13302.000013/200387, todos referentes ao Ressarcimento de IPI que foram fundamentados no art° 11 da Lei 9779/99. Ocorreu que dessa diligência foi gerado um auto de infração no total de R$ 612.281,87 processado sob o n° 10380.011374/2004 19. Fato que foi dado ciência ao contribuinte através do oficio n° 817/2004/DRF/FOR/SEFIS datado em 09 de dezembro de 2.004, que inclusive relaciona o processo em questão, ressaltase que, este auto já contempla todos os processos acima citados. Fl. 1253DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10380.013395/200215 Acórdão n.º 3402002.378 S3C4T2 Fl. 128 7 Assim sendo, a decisão proferida no processo administrativo nº 10380.011374/200419 dará rumo à lide a ser resolvida nestes autos. Compulsando os autos, identifico que o recorrente protocolou em 26/02/2010 um pedido de desistência total da impugnação ou do recurso interposto constante no processo administrativo nº 10380.011374/200419. Observo, outrossim, que a decisão da DRJ Recife foi proferida na sessão do dia 24 de março de 2006, antes do pedido de desistência. Portanto, diante da desistência de recorrer da decisão proferida pela DRJ, o destino da lide posta naqueles autos foi decidido pela primeira instância. Fincada essa premissa, passo a análise da decisão proferida no processo nº 10380.011374/200419, para, então, decidir o futuro do processo ora em julgamento. Nos termos do Acórdão nº 14.895, de 24 de março de 2006, foi mantida a exigência do IPI, multa de ofício e multa isolada no valor total de R$ 210.503,16. A decisão proferida na ocasião definiu que: a) Classificação do produto “manta laminada”. o produto "manta laminada" classificase na posição 3921, em razão do que dispõe a Regra Geral de Interpretação do Sistema Harmonizado n.° 1 (valor legal da classificação determinado, no presente caso, pelo texto da posição), na subposição de primeiro nível 3921.13, ao amparo da Regra Geral n.° 6 (valor legal determinado pelo texto da subposição — poliuretano), e, em sendo o caso, no item 3921.13.90, com embasamento na Rega Geral Complementar n.° 1 (valor legal no texto do item), quando excluído a item precedente em razão de seus próprios dizeres. b) Devolução de Vendas. o contribuinte pretende se creditar do IPI tãosomente com base, na sua grande maioria, nas segundas vias das notas fiscais que ele mesmo emitiu, por ocasião das saídas dos produtos de seu estabelecimento, não em notas fiscais de entrada acobertando operação, acompanhadas de carta emitidas pelos respectivos adquirentes, pessoas físicas, nas quais estariam registrados os motivos da devolução (vide fls. 290/366). Nas poucas vezes em que a devolução se deu com a emissão de notas fiscais pelo estabelecimento adquirente do produto, o contribuinte não trouxe aos autos, quando poderia fazêlo ao menos na impugnação, prova de que as escriturou no Livro de Registro de Entradas, ou Livro de Registro de Controle da Produção e do Estoque, consoante exigência prevista na alínea "b" do inciso II do art. 152, acima reproduzido, ao reincorporar ao estoque os produtos cuja saída efetivou. Nos autos, colacionouse apenas copia do RAIPI no qual os valores do imposto estariam escriturados. Digase, de passagem, que a exigência formulada na alínea "c" do mesmo dispositivo pode ou não ser devida, o que depende da forma com a qual os produtos foram negociados com os respectivos adquirentes. Fl. 1254DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 8 Registrese que, no Termo de Solicitação de Esclarecimentos de fl. 285, através do qual o contribuinte foi intimado a esclarecer os lançamentos que efetuou no RAIPI, mencionados em seu anexo (fls. 286/287), a autoridade autuante fez referência aos dispositivos da legislação que regem a matéria. É de se concluir, destarte, que as operações de devolução de vendas aludidas no Termo de Esclarecimentos não ensejam o creditamento do IPI, pelo que deve ser mantida a exigência quanto aos valores do imposto indevidamente registrados no RAIPI. c) Creditamento indevido decorrente das aquisições glosadas. Diz a autoridade autuante, neste item da autuação, que procedeu à glosa de valores de IPI registrados nos livros fiscais do contribuinte, os quais tinham as seguintes origens: 1. Aquisições com base em notas fiscais sem o registro de data de saída, sem de entrada (ou contendo em duplicidade), sem a descrição do produto, sem a identificação, no campo "Destinatário", do nome do estabelecimento fiscalizado (fls. 144/182). Tais documentos foram considerados inidôneos ou sem valor legal, nos termos dos arts. 248, 300 e 330, do RIPI/98; 2. Operações que resultaram em creditamento no RAIPI dos seguintes créditos (fls. 367/511), vedados pela legislação (arts. 146 a 181 do RIPI198): a) créditos referentes a aquisições para o ativo imobilizado; b) créditos referentes a aquisições para comercialização; c) créditos referentes a devoluções de vendas de mercadorias adquiridas de terceiros; d) créditos referentes a transferências para comercialização; e) créditos referentes a pagamentos de Documentos da arrecadação de Receitas Federais DARF 3. Aquisição de mercadorias, para as quais não foram comprovadas as respectivas entradas, embora intimado o contribuinte a fazêlo (afirma que não houve resposta até a lavratura do auto de infração). Diante disso, as notas fiscais de aquisição ainda não "glosadas" conforme item 27.1 foram, então, "glosadas". Ao analisar os fatos que embasaram a autuação, na parte relativa à infração supra, constatase que, ao menos em parte, a autoridade autuante desconsiderou o crédito em razão de ter encontrado, nas notas fiscais que acobertaram algumas das operações referidas no item 27.1, o descumprimento de exigências previstas na legislação para a emissão de notas fiscais. Entretanto, vêse que a quase totalidade das notas fiscais acostadas is fls. 144/182 traz os dados mais importantes, tais como a descrição e os valores dos produtos, a identificação do contribuinte como destinatário e os valores de IPI devido nas Fl. 1255DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10380.013395/200215 Acórdão n.º 3402002.378 S3C4T2 Fl. 129 9 operações de venda. Conquanto uma ou outra exigência regulamentar possa ter sido descumprida e isto não está em discussão não se pode desconsiderar, segundo me parece, só por isso,o crédito do imposto com base em tais documentos, como se as operações não tivessem se realizado (raciocínio que deve ser estendido aos casos em que a descrição dos produtos se deu através de códigos próprios do estabelecimento fabricante, tais como "KIT GRÉCIA", "KIT PARIS", "KIT MADEIRA", ainda que dificulte a sua identificação em futuro inventário), mormente quando a análise das notas fiscais comprova que houve, inclusive, o transporte dos produtos, o que se demonstra mediante as autenticações feitas pelos diversos Postos Fiscais dos Estados da Federação, por onde teriam circulado até o estabelecimento destinatário. (...) Do exposto, entendo que todos os créditos com base nas notas fiscais mencionadas nos item 27.1, desconsideradas pela fiscalização excetuada a de n.° 000034, de 31/05/2002, emitida pela PURCOM SISTEMAS DE POLIURETANO LTDA, à qual nos referimos acima podem ser utilizados para efeito de creditamento no livro fiscal próprio. No entanto, devem ser mantidas as glosas relacionadas nos demonstrativos intitulados "NOTAS FISCAIS QUE NÃO FORAM COMPROVADAS AS ENTRADAS NO ESTABELECIMENTO", pela razão exposta (vide novo Demonstrativo de Reconstituição da Escrita Fiscal, em anexo). Contudo, melhor sorte não assiste ao contribuinte no que respeita aos créditos referenciados no item 27.2, que tiveram por base aquisições para o ativo imobilizado, aquisições para comercialização, devoluções de vendas de mercadorias adquiridas de terceiros, transferências para comercialização e pagamentos de DARFs. Com efeito, o contribuinte, intimado a apresentar justificativas sobre as irregularidades constatadas (fl. 285/287), alegou a impossibilidade de fazêlo, em razão de o Livro de Registro de Entradas se encontrar em poder da fiscalização (fls. 288/289), isto quanto aos créditos referentes a compras para comercialização, compras para o ativo imobilizado, devoluções de mercadorias adquiridas pelo estabelecimento a terceiros e transferências para comercialização, hipóteses para as quais a legislação não permite o creditamento. Sem embargo do argumento, mesmo considerando, a priori, nesta parte, procedente a autuação, a teor do que prevê os dispositivos da legislação de regência (arts. 147 e 148 do R1PI198), o contribuinte também poderia ter trazido aos autos, agora juntamente com a sua peça de defesa, cópia do referido livro fiscal, que, no seu entender, poderia infirmar o lançamento. Mais uma vez permaneceu inerte, descurando do comando estatuído no §40 do art. 16 do PAF. Fl. 1256DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 10 No que respeita aos valores de IPI que o contribuinte afirma terem sido recolhidos indevidamente, a legislação impede a sua utilização mediante creditamento no RAIPI, porquanto a hipótese não se inclui dentre as taxativamente previstas nos art. 147 e 148 do RIPI/98, que autorizam o registro dos denominados "créditos básicos" de IPI A autorização disciplinada no art. 14 da Instrução Normativa — IN SRF n.° 21, de 10/03/1997, posteriormente revogada pela IN SRF n.° 210, de 30/09/2002, para compensação de tributos e contribuições da mesma espécie e destinação constitucional, independentemente de requerimento, de créditos decorrentes de pagamento indevido ou maior que o devido com débitos da própria pessoa jurídica, correspondentes a períodos subseqüentes, não instituiu nova hipótese de creditamento, pelo que se deveria efetivar fora do RAIPI em livro de escrituração contábil da empresa. Por todo o exposto, voto por considerar PROCEDENTE EM PARTE o lançamento, para manter a exigência quanto aos valores do IPI (principal) a seguir elencados, sobre os quais incidirão multa de oficio (75%) e juros de mora, na forma da legislação de regência, e a multa isolada no valor de R$ 210.503,16, incidente sobre o imposto não lançado com cobertura de crédito. Agora digo eu. Posteriormente à reconstituição da escrita fiscal do recorrente efetuado nos autos do processo nº 10380.011374/200419, ficou caracterizado que o sujeito passivo possui crédito básico de IPI no valor de R$ 15.062,20, referente ao período compreendido entre 01/04/2002 e 30/06/2002. O recorrente não apresentou nenhuma prova contrária que confirmasse suas alegações. Essas provas deveriam ser apresentadas na propositura da impugnação. É noção cediça que a regra fundamental do sistema processual adotado pelo Legislador Nacional, quanto ao ônus da prova, encontrase cravada no art. 333 do Código de Processo Civil, in verbis: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída para a autoridade Fiscal quando realiza o lançamento tributário, para o sujeito passivo, quando formula pedido de repetição de indébito/ressarcimento. Definida a regra que direciona o onus probandi no âmbito do processo administrativo fiscal, resta estabelecer o conceito de prova, sua finalidade e seu objeto. O conceito de prova retirado dos ensinamentos de Moacir Amaral Santos: Fl. 1257DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10380.013395/200215 Acórdão n.º 3402002.378 S3C4T2 Fl. 130 11 No sentido objetivo, como os meios destinados a fornecer ao julgador o conhecimento da verdade dos fatos. Mas a prova no sentido subjetivo é aquela que se forma no espírito do julgador, seu principal destinatário, quanto à verdade desse fatos. A prova, então, consiste na convicção que as provas produzidas no processo geram no espírito do julgador quanto à existência ou inexistência dos fatos. Compreendida como um todo, reunindo seus dois caracteres, objetivo e subjetivo, que se completam e não podem ser tomados separadamente, apreciada como fato e como indução lógica, ou como meio com que se estabelece a existência positiva ou negativa do fato probando e com a própria certeza dessa existência. Para Carnelutti: As provas são fatos presentes sobre os quais se constrói a probabilidade da existência ou inexistência de um fato passado. A certeza resolvese, a rigor, em uma máxima probabilidade. Dinamarco define o objeto da prova: ....conjunto das alegações controvertidas das partes em relação a fatos relevantes para todos os julgamentos a serem feitos no processo. Fazem parte dela as alegações relativas a esses fatos e não os fatos em si mesmos. Sabido que o vocábulo prova vem do adjetivo latino probus, que significa bom, correto, verdadeiro, seguese que provar é demonstrar que uma alegação é boa, correta e portanto condizente com a verdade. O fato existe ou inexiste, aconteceu ou não aconteceu, sendo portanto insuscetível dessas adjetivações ou qualificações. Não há fatos bons, corretos e verdadeiros nem maus, incorretos mendazes. As legações, sim, é que podes ser verazes ou mentirosas e daí a pertinência de proválas, ou seja, demonstrar que são boas e verazes. Já a finalidade da prova é a formação da convicção do julgador quanto à existência dos fatos. Em outras linhas, um dos principais objetivos do direito é fazer prevalecer a justiça. Para que uma decisão seja justa, é relevante que os fatos estejam provados a fim de que o julgador possa estar convencido da sua ocorrência Em virtude dessas considerações, é importante relembrar alguns preceitos que norteiam a busca da verdade real por meio de provas materiais. Dinamarco afirma: Todo o direito opera em torno de certezas, probabilidades e riscos, sendo que as próprias certezas não passam de probabilidades muito qualificadas e jamais são absolutas porque o espírito humano não é capaz de captar com fidelidade e segurança todos os aspectos das realidades que o circulam. Fl. 1258DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 12 O risco de errar ao presumir dimensionase na razão inversa à do grau de probabilidade de que a relação entre a ocorrência de um fato e a de outro se mantenha sempre. Quanto maior a probabilidade, menor o risco; menor a probabilidade, maior o risco a assumir. Para entender melhor o instituto “probabilidade” mencionado professor Dinamarco, aduzo importante distinção feita por Calamandrei entre verossimilhança e probabilidade: É verossimil algo que se assemelha a uma realidade já conhecida, que tem a aparência de ser verdadeiro. A verossimilhança indica o grau de capacidade representativa de uma descrição acerca da realidade. A verossimilhança não tem nenhuma relação com a veracidade da asserção, não surge como resultante do esforço probatório, mas sim com referência à ordem normal das coisas. A probabilidade está relacionada à existência de elementos que justifiquem a crença na veracidade da asserção. A definição do provável vinculase ao seu grau de fundamentação, de credibilidade e aceitabilidade, com base nos elementos de prova disponíveis em um contexto dado., resulta da consideração dos elementos postos à disposição do julgador para a formação de um juízo sobre a veracidade da asserção. Desse modo, a certeza vai se formando através dos elementos da ocorrência do fato que são colocados pelas partes interessadas na solução da lide. Mas não basta ter certeza, o julgador tem que estar convencido para que sua visão do fato esteja a mais próxima possível da verdade. Como o julgador sempre tem que decidir, ele deve ter bom senso na busca pela verdade, evitando a obsessão que pode prejudicar a justiça célere. Mas a impossibilidade de conhecer a verdade absoluta não significa que ela deixe de ser perseguida como um relevante objetivo da atividade probatória. Quanto ao exame da prova, defende Dinamarco: (...) o exame da prova é atividade intelectual consistente em buscar, nos elementos probatórios resultantes da instrução processual, pontos que permitam tirar conclusões sobre os fatos de interesse para o julgamento. Já Francesco Carnelutti compara a atividade de julgar com a atividade de um historiador: (...) o historiador indaga no passado para saber como as coisas ocorreram. O juízo que pronuncia é reflexo da realidade ou mais exatamente juízo de existência. Já o julgador encontrase ante uma hipótese e quando decide converte a hipótese em tese, adquirindo a certeza de que tenha ocorrido ou não o fato. Estar certo de um fato quer dizer conhecêlo como se houvesse visto. No mesmo sentido, o professor Moacir Amaral Santos afirma que a prova dos fatos fazse por meios adequados a fixálos em juízo. Por esses meios, ou instrumentos, os fatos deverão ser transportados para o processo, seja pela sua reconstrução histórica, ou sua representação. Fl. 1259DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10380.013395/200215 Acórdão n.º 3402002.378 S3C4T2 Fl. 131 13 Assim sendo, a verdade encontrase ligada à prova, pois é por meio desta que se torna possível afirmar idéias verdadeiras, adquirir a evidência da verdade, ou certificarse de sua exatidão jurídica. Ao direito somente é possível conhecer a verdade por meio das provas. Posto isto, concluímos que a finalidade imediata da prova é reconstruir os fatos relevantes para o processo e a mediata é formar a convicção do julgador. Os fatos não vêm simplesmente prontos, tendo que ser construídos no processo, pelas partes e pelo julgador. Após a montagem desse quebracabeça, a decisão se dará com base na valoração das provas que permitirá o convencimento da autoridade julgadora. Assim, a importância da prova para uma decisão justa vem do fato dela dar probabilidade às circunstâncias a ponto de formar a convicção do julgador. Regressando aos autos, como já mencionado, o recorrente não apresentou indícios mínimos de seu direito, de sorte que me sinto na obrigação de julgar com os dados constantes nos autos. Neste contexto, não vislumbro razões para reformar a decisão de primeira instância uma vez que sua decisão foi baseada nos fundamentos jurídicos constantes dos autos e a consequente subsunção aos fundamentos legais que regiam a matéria à época dos fatos geradores Isto posto, nego provimento ao recurso voluntário Sala das Sessões, em 27/05/2014 Gilson Macedo Rosenburg Filho. Fl. 1260DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 10640.720593/2012-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008, 2009
OMISSÃO DE RECEITAS. CRÉDITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Caracterizada omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, em relação aos quais a interessada, regularmente intimada, não comprove a origem dos recursos utilizados.
BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E CSLL. DEDUÇÃO DAS EXIGÊNCIAS REFLEXAS DE PIS/PASEP E COFINS.
PIS/Pasep e Cofins com exigibilidade suspensa em virtude de impugnação apresentada, no termos do art. 151, III da Lei 5.172/66 (CTN), são indedutíveis na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL.
DESPESAS NÃO ESCRITURADAS. INDEDUTIBILIDADE.
É incabível a dedução de despesas não escrituradas e não declaradas, mesmo que vinculadas à receita que tenha sido incluída, pó meio de lançamento de ofício, na base de cálculo do imposto.
Numero da decisão: 1302-001.359
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Guilherme Pollastri Gomes da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Helio Eduardo de Paiva Araujo e Alberto Pinto Souza Junior.
Nome do relator: GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2008, 2009 OMISSÃO DE RECEITAS. CRÉDITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizada omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, em relação aos quais a interessada, regularmente intimada, não comprove a origem dos recursos utilizados. BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E CSLL. DEDUÇÃO DAS EXIGÊNCIAS REFLEXAS DE PIS/PASEP E COFINS. PIS/Pasep e Cofins com exigibilidade suspensa em virtude de impugnação apresentada, no termos do art. 151, III da Lei 5.172/66 (CTN), são indedutíveis na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. DESPESAS NÃO ESCRITURADAS. INDEDUTIBILIDADE. É incabível a dedução de despesas não escrituradas e não declaradas, mesmo que vinculadas à receita que tenha sido incluída, pó meio de lançamento de ofício, na base de cálculo do imposto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2042; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2.989 1 2.988 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10640.720593/201294 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302001.359 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 08 de abril de 2014 Matéria PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Recorrente INDUSTRIA DE COMERCIO DE MÓVEIS EUROPA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008, 2009 OMISSÃO DE RECEITAS. CRÉDITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizada omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, em relação aos quais a interessada, regularmente intimada, não comprove a origem dos recursos utilizados. BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E CSLL. DEDUÇÃO DAS EXIGÊNCIAS REFLEXAS DE PIS/PASEP E COFINS. PIS/Pasep e Cofins com exigibilidade suspensa em virtude de impugnação apresentada, no termos do art. 151, III da Lei 5.172/66 (CTN), são indedutíveis na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. DESPESAS NÃO ESCRITURADAS. INDEDUTIBILIDADE. É incabível a dedução de despesas não escrituradas e não declaradas, mesmo que vinculadas à receita que tenha sido incluída, pó meio de lançamento de ofício, na base de cálculo do imposto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 72 05 93 /2 01 2- 94 Fl. 2989DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Helio Eduardo de Paiva Araujo e Alberto Pinto Souza Junior. Fl. 2990DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10640.720593/201294 Acórdão n.º 1302001.359 S1C3T2 Fl. 2.990 3 Relatório Contra a interessada foram lavrados autos de infração de IRPJ, PIS, CSLL e COFINS, nos respectivos valores de R$ 6.355.523,56, R$ 431.844,73, R$ 2.287.988,48 e R$ 1.989.102,90, em função das irregularidades descritas no Relatório Fiscal de fls. 41/54. Do Relatório Fiscal podemos destacar o seguinte: Que a ação fiscal foi determinada para que fossem procedidas verificações sobre a movimentação financeira, incompatível com a renda declarada pelo contribuinte AISSER MOTA MAUAD. Que intimado a comprovar a origem dos recursos creditados em suas contas declarou que: 1 Os recursos creditados nas contas do Banco do Brasil pertencem à empresa INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MÓVEIS EUROPA LTDA, CNPJ 25.777.392/000120, da qual era empregado na época. 2 Que abriu as contascorrentes a pedido do sócio da empresa, Sr. NILTON COELI FILHO e não tinha conhecimento das senhas e nem de suas movimentações; 3 Que o gerente da agência do Banco do Brasil onde a conta foi aberta é irmão do Sr. Nilton; 4 Que a movimentação de recursos nessa contacorrente, oriundos da INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MÓVEIS EUROPA LTDA, ocorreram também no ano calendário de 2009. O Auditor Fiscal ressalta ainda que os créditos efetuados nas contas do Banco do Brasil eram oriundos de COBRANÇA, o que comprova a natureza comercial da origem destes depósitos. Considerando que a movimentação financeira nas demais contas bancárias era compatível com os rendimentos declarados pelo Sr. Aisser, foi aberta então ação fiscal na INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MÓVEIS EUROPA LTDA, já que o Sr. Aisser Mota Mauad já estava sob fiscalização. A empresa foi intimada a apresentar os Livros Diário, Razão, de Inventário, de ISS, de apuração de ICMS, notas fiscais, recibos, escrituras contrato social e alterações, relação de bens e direito, extratos bancários de conta corrente, aplicações financeiras, caderneta de poupança de todas as contas no Brasil e no exterior. Diante da solicitação de prazo em função de alegado extravio dos extratos bancários, foi feita RMF para o Banco do Brasil solicitando a movimentação do Sr. Aisser e da fiscalizada. Fl. 2991DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 4 Em relação ao Banco do Brasil, a empresa somente apresentou os extratos da conta corrente n° 4.1599 da agência 02704 e não apresentou os extratos da conta n°105.3317 da agência 1757 do Unibanco. Foi lavrado novo Termo solicitando que a empresa confirmasse que as contas do Banco do Brasil (AG 29483 CC 20.9775 e AG 01627 CC 36.3111) eram de fato movimentadas por ela e por que razões. Em resposta a empresa afirmou que "estas contas são de recebimentos da empresa e tiveram como gestor AISSER MOTA MAUAD, exfuncionário que na época exercia cargo de extrema confiança". Foi então solicitado que se comprovasse, mediante apresentação de documentação hábil, a origem dos recursos depositados nas contas do Banco do Brasil, em nome de AISSER MOTA MAUAD, que realizava a movimentação financeira da empresa. Em atendimento a empresa esclareceu que o contador Aisser Mota Mauad era o responsável pela contabilização e gestão das contas do Banco do Brasil, e que as remessas enviadas por clientes, transferências interbancárias e cobrança se referem a notas fiscais emitidas e contabilizadas em conta transitória registrada na contabilidade. A fiscalizada alega também que existe compatibilidade entre a receita declarada e a movimentação financeira nas contas bancária extraídas dos extratos bancários. Segundo ele foi declarado receita bruta de R$ 41.923.714,00 e R$ R$ 45.074.673,00, contra uma movimentação de R$ 41.426.575,40 e R$ 44.198.483,48 respectivamente nos anos de 2008 e 2009. Foi constatado, após batimento entre a contabilidade do contribuinte e a resposta ao Termo Fiscal, que os depósitos efetuados na conta de Aisser Mota Mauad não estavam contabilizados. Com o propósito de ratificar esta constatação, foi solicitado que se identificasse, nas planilhas RAZÃO 2008 e 2009 CLIENTES RECEBIMENTO DE DUPLICATAS, os lançamentos referentes à resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 02 que consta do CD que acompanha o termo com o nome de CONSOLIDADO DE ADQUIRENTES. As planilhas RAZÃO 2008 CLIENTES RECEBIMENTO DE DUPLICATAS e RAZÃO 2009 foram geradas a partir dos arquivos magnéticos da contabilidade da empresa e registram os lançamentos a crédito nas contas de todos os clientes, referentes a recebimento de duplicatas. A planilha denominada CONSOLIDADO DE ADQUIRENTES nada mais é do que a resposta do contribuinte organizada por nome de Cedente/Cliente. Em atendimento ao termo a fiscalizada apresentou planilha excell, em CD, onde correlaciona os recebimentos na conta de Aisser com os valores contabilizados. A empresa apresentou DIPJ dos anoscalendário de 2008 e 2009, com tributação pelo Lucro Real e intimada apresentou os arquivos digitais anuais referentes aos anoscalendário de 2008 e 2009. Em atendimento ao Termo Fiscal n° 02 a empresa esclareceu que as remessas enviadas por clientes, transferências interbancárias e cobranças creditadas na conta de Fl. 2992DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10640.720593/201294 Acórdão n.º 1302001.359 S1C3T2 Fl. 2.991 5 Aisser se referem a notas fiscais emitidas, estando contabilizadas em conta transitória registrada na contabilidade, conforme demonstrado nas planilhas anexadas à sua resposta. Ressalta a fiscalização que a conta corrente n° 20.9775 da Agência 2948 3 em nome de Aisser Mota Mauad apresentou movimentação financeira de janeiro a março de 2008 e em 20/03/2008 o saldo de R$526.307,73 foi transferido para a conta n° 36.3111 da Agência 01627. Que não dá para entender de onde a empresa tirou movimentação financeira na conta n° 20.977 no ano de 2009, uma vez que ela deixou de ser movimentada a partir de 20/03/2008. Que na verdade todos os valores apresentados pela Fiscalizada na planilha estão equivocados. De acordo com a DIMOF Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira, apresentada pelos Bancos, a empresa teve uma movimentação de R$ 47.113.176,17 e R$ 49.859.934,52 respectivamente nos anos de 2008 e 2009, e não de R$ 41.426.575,40 e R$ 44.198.483,48 como declarado. Que após excluir dos arquivos enviados pelas instituições financeiras, as transferências bancárias, estornos, financiamentos, resgates de aplicações e demais créditos que não configuravam receita concluiu que os totaisde créditos apurados no período eram compatíveis com os valores registrados na contabilidade. Dessa forma a movimentação bancária contabilizada era a registrada nas contas em nome da empresa, e as contas em nome do Sr. Aisser não estava contabilizadas. Às fls. 49, consta a planilhacom os valores que a fiscalizada não logrou comprovação. Observou ainda a fiscalização que os créditos efetuados na conta do Sr. Aisser, não coincidem em datas e valores com aqueles registrados na contabilidade da empresa, evidenciando que aqueles depósitos não estavam contabilizados. Constatou ainda que a maioria dos recebimentos de duplicatas era registrado pelo débito na conta NUMERÁRIO EM TRANSITO e crédito na conta do CLIENTE. Poucos recebimentos foram debitados diretamente nas contas bancárias. A conta NUMERÁRIO EM TRANSITO era creditada, dentre outras coisas, pelo valor de depósitos bancários efetuados no mês. Concluiu assim a fiscalização que: 1 A empresa foi intimada no Termo de Inicio de Ação Fiscal a apresentar os extratos bancários de contascorrente, de aplicações financeiras e de cadernetas de poupança de todas as contas mantidas junto a instituições financeiras no Brasil e exterior, e não apresentou os extratos das contas mantidas no Banco do Brasil em nome do contador Aisser Mota Mauad. 2 A fiscalizada admitiu que as contas do Banco do Brasil em nome de Aisser Mota Mauad registravam operações da Industria e Comércio de Móveis Europa Ltda. Fl. 2993DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 6 3 A contabilidade da empresa registra valores compatíveis com os extratos bancários das contas em nome da pessoa jurídica. 4 Os depósitos efetuados nas contas de Aisser Mota Mauad diferem em data e valor dos registros contábeis, evidenciando que eles não foram contabilizados. 5 A empresa, regularmente intimada, não comprovou com documentação hábil e idônea a origem dos recursos depositados/creditados nas contas do Banco do Brasil AG 29483 CC 20.9775 e AG 01627 CC 36.3111. Entendeu assim que todos os depósitos efetuados nas contas de terceiro (Aisser Mota Mauad) constituem receita mantida à margem da contabilidade e os tributou na forma do art. 42 da Lei 9.430/96 Lançou então os seguintes valores: Ano Mês Valor Jan 782.851,70 Fev 792.746,92 Mar 1.314.117,63 Abr 636.634,55 Mai 1.086.297,17 Jun 679.846,67 Jul 1.027.612,21 Ago 881.554,93 Set 1.032.167,94 Out 911.101,48 Nov 783.835,94 Dez 698.550,10 Jan 578.534,40 Fev 425.307,43 Mar 353.129,70 Abr 111.465,95 Mai 248.797,48 Jun 42.252,44 2008 2009 Jul 1.840,00 Total 12.388.644,64 A empresa apresentou impugnação na qual alega, em síntese: Preliminarmente: 1) “DA VERDADE MATERIAL SOBRE OS DEPÓSITOS NAS CONTAS CORRENTES: que é vasta a jurisprudência que define que é improcedente a autuação com base em omissão de receitas por existência de depósitos bancários não contabilizados quando a fiscalização não logra demonstrar cabalmente a existência da omissão. que não cabe lançamento baseado em presunção. que nos livros constam os lançamentos na conta de clientes dos respectivos recebimentos, dos débitos na CONTA TRANSITÓRIA, e, das respectivas reversões a crédito da CONTA TRANSITÓRIA e a débitos das CONTAS BANCOS, o que somente poderia ter sido comprovado se houvesse um rastreamento completo. Fl. 2994DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10640.720593/201294 Acórdão n.º 1302001.359 S1C3T2 Fl. 2.992 7 que não consta dos autos qualquer intimação requerendo explicação específica para a planilha relatada no relatório fiscal em fls. 55/62, afrontando o PRINCIPIO DO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. que a Agente Fiscal afirma que excluiu as transferências bancárias, estornos, créditos de financiamento, resgate de aplicações financeiras e demais créditos que não confiram receita da fiscalizada e concluiu que o total anual de credito apurado eram compatíveis com os registrados na contabilidade, porém, contraditoriamente alcansou uma base de cálculo de R$ 12.388.644,64. que não identificou nos autos qualquer planilha demonstrativa dos valores individualizados, os quais convergiram para as totalizações apresentadas mês a mês. que analisando criteriosamente o lançamento verificamos que o lançamento no valor de R$ 526.307,73, do dia 20/03/2008, se refere à transferencia bancaria entre contas de mesma titularidade. que da mesma forma, os valores de R$ 155.000,00, R$ 80.000,00 e R$ 130.000,00, de Maio de 2008, se referem a resgates de aplicações financeiras. que os fatos geradores devem ser analisados e demonstrados individualmente, e, não como fez a Agente Fiscal. que as movimentações destas contas foram escrituradas nas contas intituladas “contas transitórias”, com registro no livro diário e compondo os balancetes de 2008 e 2009, e, respectivamente os livros razão e diário . 2) DA RECOMPOSIÇÃO DA BASE DE CALCULO TRIBUTARIA: que se o lucro, que é a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, é apurado mediante a dedução da receita bruta dos custos e despesas, o valor do PIS e da COFINS não devem ser considerados para fins de tributação, mesmo em caso de lançamento de oficio. que pelo Lucro Real os valores dos custos dos produtos vendidos devem ser excluídos da base de cálculo do IR e da CSLL, em obediência ao disposto no art. 60 e parágrafos do Decretolei n° 1.598/97. ora se o lucro é a base de cálculo deve ser apurado mediante a dedução da receita bruta os custos e despesas. 3) PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA: que a composição do credito tributário é confusa e equivocada o que não lhe propiciou exercer a ampla defesa, conforme insculpida no art. 5o, inc. LV, da Constituição Federal. 4) PRINCIPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA: Fl. 2995DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 8 que deve APLICADO O PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA previsto no Artigo 106 do CTN. A 2ª Turma da DRJ/JFA, através do acórdão nº 0940236, por unanimidade de votos manteve a autuação conforme ementa a seguir: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2008, 2009 OMISSÃO DE RECEITAS. CRÉDITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracteriza omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituições financeiras, em relação aos quais a interessada, regularmente intimada, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E CSLL. DEDUÇÃO DAS EXIGÊNCIAS REFLEXAS DE PIS/PASEP E COFINS. Como as exigências reflexas de PIS/Pasep e Cofins tiveram sua exigibilidade suspensa em virtude da impugnação apresentada, nos termos do art. 151, III da Lei 5.172/66 (CTN), elas são indedutíveis na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. DESPESAS NÃO ESCRITURADAS. INDEDUTIBILIDADE. É incabível a dedução de despesas não escrituradas e não declaradas, mesmo que estejam vinculadas à receita que tenha sido incluída, por meio de lançamento de ofício, na base de cálculo do imposto. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Intimada da decisão da DRJ, em 13/06/12, apresentou recurso voluntário em 09/07/12, alegando em apertada síntese o seguinte: que restou demonstrada a compatibilidade entre receita nas DIPJ´s de 2008 e 2009 (fls. 03 e 04) do relatório fiscal com a movimentação financeira nas contas bancárias. que no AC de 2008 teve uma receita bruta de R$ 41.923.714,00, contra uma movimentação de R$ 41.426.575,40 (Bradesco R$ 4.598.916,08, Caixa R$ 4.140,95, Unibanco R$ 6.595.535,21, Santander R$ 1.378.705,00, BB R$ 5.317.330,00, BB R$ 2.049.685,77 e BB R$ 8.581.631,47). que no AC de 2009 teve uma receita bruta de R$ 45.074.673,00, contra uma movimentação de R$ 44.198.483,48 (Bradesco R$ 17.135.635,00, Caixa R$ 368.052,95, Unibanco R$ 6.595.535,21, Santander R$ 13.383.822,99, BB R$ 15.807.055,08, BB R$ 2.049.685,77e BB R$ 1.759.327,40). tais argumentos não foram incluídos no relatório do acórdão recorrido, o que causou prejuízos ao recorrente, violou a constituição e tornou o acórdão nulo. que o voto não foi fundamentado e careceu de análise individual da alegada receita omitida e a escrituração fiscal do razão e diário a afastar o arbitramento. O voto não analisou este argumento. Fl. 2996DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10640.720593/201294 Acórdão n.º 1302001.359 S1C3T2 Fl. 2.993 9 que logo se vê que estamos diante de uma decisão nula. Junta jurisprudência a seu favor. que foi cerceado seu direito de defesa. que o auto de infração contém números aleatórios sem correspondência com os fatos e documentos acarreados aos autos. que a planilha dos créditos supostamente omissos foi contra posta pela defesa e sua análise não foi feita. que no mês de março de 2008 consta o valor de R$ 526.307,73, que é uma transferência bancária datada de 20/03/2008, agência 0162 conta 36311 oriunda da conta 20977 agência 2948 lançada em 20/03/2012 (fls.56), e não pode ser considerada receita tributável. que a recorrente identificou também valores provenientes de resgates de aplicações financeiras de R$ 155.000,00, R$ 80.000,00 e R$ 130.000,00 em maio de 2008, que também não podem ser tributáveis. que deve ser aceita também a exclusão dos valores do PIS e da COFINS da base de cálculo do IRPJ e CSLL. É o relatório. Fl. 2997DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 10 Voto Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos do Decreto nº 70.235/72, razão porque dele conheço. Entendo como o acórdão recorrido que a nulidade dos autos de infração deve ser analisada à luz do art. 59 do Decreto 70.235/72, que estabelece: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Os autos foram lavrados por autoridade competente à Contribuinte apresentou impugnação que instaurou a fase litigiosa do procedimento e não houve qualquer ato que a impedisse de apresentar argumentos ou documentos contrários à autuação, tendo inclusive recorrido da decisão da DRJ. Verificase, pois, que não foram feridos os princípios do contraditório e da ampla defesa como alegado. Pelas alegações de mérito contidas na impugnação e no recurso, bastante minuciosas e detalhadas, é possível perceber que a Recorrente compreendeu inteiramente as circunstâncias que levaram ao lançamento, e pôde se defender perfeitamente não tendo havido qualquer cerceamento do direito de defesa. A Recorrente seja aplicada a retroatividade benigna, porém não esclarece qual diploma legal, que seja posterior aos fatos apurados, deva retroagir em seu benefício. A análise dessas alegações fica portanto prejudicada. O procedimento fiscal na empresa Indústria e Comércio de Móveis Europa Ltda., teve início em função da apuração de irregularidades cometidas por ela, no decorrer da fiscalização realizada na pessoa de Aisser Mota Mauad, quando foi constatado que parte das receitas da empresa eram depositadas diretamente na conta corrente do fiscalizado. Sendo assim os autos de infração foram lavrados em função de receitas operacionais movimentadas na conta dele, sem origem comprovada. A partir do momento em que ficou comprovado que contas bancárias de terceiro (pessoa física) eram usadas pela empresa, a autoridade fiscal elaborou relação na qual discrimina os depósitos e os créditos efetuados em cada conta corrente e intimou a empresa a comprovar a origem de cada um deles. Como resposta, foram apresentadas planilhas nas quais constam o valor depositado/creditado e indica as notas fiscais dos quais eles se originam. Com base nessas planilhas a fiscalização elaborou um demonstrativo, de “CRÉDITOS BANCÁRIOS SEM JUSTIFICATIVA”, que, depois das depurações necessárias, relaciona os valores que pertencem a recorrente no período em questão. Fl. 2998DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10640.720593/201294 Acórdão n.º 1302001.359 S1C3T2 Fl. 2.994 11 Como esses valores, recebidos pela empresa usando contas bancárias de interposta pessoa não foram oferecidos à tributação, eles foram corretamente tributados como receitas omitidas pela autuada. A empresa foi intimada a se manifestar sobre essa planilha e não o fez. Diferentemente do que afirma a Recorrente, a fiscalização considerou todos os comprovantes apresentados e só levou à tributação os valores de depósitos para os quais não foi comprovada a origem. A alegação da empresa de que a fiscalização que tem que demonstrar a existência da omissão, não se sustenta na medida que estes depósitos constituem presunção legal como preceitua o artigo 42 da Lei 9.430/96. Esta presunção legal vincula a autoridade fiscal. Assim, sendo a contribuinte intimada e não comprovando a origem dos recursos depositados, deve ser feito o lançamento tributando esses valores como omissão de receita, exatamente como fez a fiscalização. A recorrente alega que a fiscalização considerou como depósitos com origem não comprovada, valores que se referem “à TRANSFERENCIA BANCARIA datada de 20/03/2008 AGENCIA 0162 CONTA 36311 oriundo da CONTA 20977 AGENCIA 2948 lançado no extrato bancário em data de 20/03/2012” e também “valores referentes a resgates de aplicações financeiras incluídos na referida base de calculo nos valores de R$ 155.000,00 (cento e cinquenta e cinco mil reais), R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) e R$ 130.000,00 (cento e trinta mil reais), estas em Maio de 2008”, porém não anexa documentos hábeis e idôneos para comprovar tal afirmação, o que prejudica sua análise. A empresa requer a recomposição da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, excluindo delas os valores de PIS/Pasep e de Cofins lançados nos presentes autos de infração, no entanto, não há como se acatar tal pretensão em face do que dispõe o § 1o do art. 344 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), aprovado pelo Decreto 3.000/99, in verbis: Art. 344. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência (Lei nº 8.981, de 1995, art. 41). § 1º. O disposto neste artigo não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 da Lei nº 5.172, de 1966, haja ou não depósito judicial (Lei nº 8.981, de 1995, art. 41, § 1º). (Grifei) Uma vez que as exigências reflexas de PIS/Pasep e Cofins tiveram sua exigibilidade suspensa em virtude da própria impugnação apresentada, ora em análise, não há que se falar em indedutibilidade destes na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Pelo mesmo motivo não podem ser deduzidos os juros moratórios sobre os tributos lançados. Em relação à alegação de que toda a argumentação apresentada não foi devidamente rebatida pela decisão recorrida, prevalece neste Conselho que o Julgador não é obrigado a enfrentar todos os argumentos apresentados pelas partes quando tenha empregado fundamento bastante para dirimir a controvérsia (v. Acórdão n. 3301001.956, Acórdão n. Fl. 2999DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 12 3301001.955, Acórdão n. 3801001.981, Acórdão n. 3301.001.802 entre outros), entendimento ao qual me filio. Dessa forma, havendo fundamentação na decisão recorrida, não há que se falar em omissão. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário e manutenção integral do crédito tributário lançado. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator Fl. 3000DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10073.002004/2007-15
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jul 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1992 a 31/12/1996
NULIDADE. VÍCIO MATERIAL.
O vício material ocorre quando o auto de infração não preenche aos requisitos constantes do art. 142 do Código Tributário Nacional, havendo equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou contribuição do crédito tributário, enquanto que o vício formal ocorre quando o lançamento contiver omissão ou inobservância de formalidades essenciais, de normas que regem o procedimento da lavratura da auto, ou seja, da maneira de sua realização.
PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA
Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2403-002.601
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer a decadência do lançamento por quaisquer dos critérios do CTN. Os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro votaram pelas conclusões.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Júlio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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VÍCIO MATERIAL. O vício material ocorre quando o auto de infração não preenche aos requisitos constantes do art. 142 do Código Tributário Nacional, havendo equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou contribuição do crédito tributário, enquanto que o vício formal ocorre quando o lançamento contiver omissão ou inobservância de formalidades essenciais, de normas que regem o procedimento da lavratura da auto, ou seja, da maneira de sua realização. PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 00 20 04 /2 00 7- 15 Fl. 607DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer a decadência do lançamento por quaisquer dos critérios do CTN. Os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro votaram pelas conclusões. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Júlio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 608DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10073.002004/200715 Acórdão n.º 2403002.601 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Acórdão que julgou procedente o lançamento consubstanciado no DEBCAD 37.048.2930, cuja notificação se deu em 26/12/2006, referente ao período de 01/1992 a 12/1996. A autuação almeja o recolhimento de contribuições sociais correspondentes à parte empresa, parte devida pelos segurados (não objeto de retenção por parte da empresa) e à destinada ao financiamento da complementação das prestações por acidentes do trabalho – SAT (para as competências até 06/97) e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho para as competências a partir de 07/97. A importância financeira do presente caso é de R$ 261.048,38 (duzentos e sessenta e um mil, quarenta e oito reais e trinta e oito centavos). Segundo o Relatório Fiscal, fls. 42/45, a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito acima foi lavrada em substituição da NFLD 35.007.3546, que foi anulada pela 4ª Câmara de julgamento – Acórdão 724/2005 – Ofício n. 10/4ª/CAJ/CRPS, de 04/04/2006. O mesmo relatório afirma que as contribuições foram aferidas com base nas notas fiscais/faturas/recibos de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, pelas quais, a contratante responde solidariamente, nos termos do art. 31 da Lei n. 8.212/91, podendo apenas elidirse da responsabilidade no caso de prova do recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, levantamento OD0 OBRA. Durante a ação fiscal, foram solicitados à empresa, mediante TIAD, a comprovação dos recolhimentos das contribuições previdenciárias, inclusive as incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados incluída nas notas fiscais/faturas/recibos dos serviços executados. Os referidos documentos não foram apresentados, o que levou a auditoria fiscal lançar a contribuição por arbitramento, art. 33, parágrafo 3º da Lei 8.212/91. Os valores dos documentos relacionados foram identificados através de notas fiscais e dos lançamentos contábeis (livros Razão e Diário) apresentados na fiscalização anterior. Via AR foi intimada a Companhia Siderúrgica Nacional – CSN, assim como a solidária ENTECONS ENG. E TÉCNICOS EM CONSTRUÇÃO LTDA. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a ENTECONS – ENG E TÉCNICOS EM CONSTRUÇÃO LTDA, apresentou impugnação nas fls. 50/51. DO ACÓRDÃO DA DRJ Fl. 609DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 Em análise da impugnação ofertada a Décima Primeira Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, prolatou na sessão de 30 de outubro de 2008, o Acórdão n. 1221.609, fls. 87/97, reconhecendo em parte a decadência no caso concreto, trazendo para tanto a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1992 a 31/12/1996 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA – CONSTRUÇÃO CIVIL A responsabilidade solidária não comporta benefício de ordem, podendo a RFB exigir o total do crédito constituído da empresa contratante, a teor do artigo 30, inço VI, da Lei n. 8.212/1991, com a redação vigente à época dos fatos geradores, c/c artigo 124 parágrafo único, do Código Tributário Nacional (Lei n. 5.172/1966) DECADÊNCIA PARCIAL. SÚMULA VINCULANTE. A súmula vinculante declara inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/777 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência do crédito tributário. O julgador do processo administrativo fiscal deve obedecer ao enunciado da súmula vinculante a partir da sua publicação, nos termos do art. 103A da CRFB/88 c/c art. 2º da Lei n. 11.417/06. SUPERVENIÊNCIA DE PARECER. O Parecer PGFN/CAT n. 1.617/2008 aprovado pelo Sr. Ministro do Estado da Fazenda vincula a Secretaria da Receita Federal do Brasil à tese jurídica fixada (art. 42 da Lei Complementar n. 73/1993). OPÇÃO PELA VIA AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. DEFINITIVIDADE DA EXIGÊNCIA NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A propositura pelo sujeito passivo, no caso a tomadora de serviços COMPANHIA SIDERÚRGICA NACIONAL, de ação judicial por qualquer modalidade processual antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual trate o processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo e na constituição definitiva, na esfera administrativa, do crédito tributário em questão, conforme art. 126, parágrafo 3º, da Lei n. 8.213/91, combinado com o art. 307 do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Lançamento Procedente em Parte DO RECURSO VOLUNTÁRIO Irresignada, a Recorrente, Companhia Siderúrgica Nacional – CSN, interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário, fls. 106/123, requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, utilizandose, para tanto, dos seguintes argumentos: o vício declarado na NFLD anterior não foi meramente formal, mas sim de conteúdo material, por ferir a ampla defesa e o Fl. 610DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10073.002004/200715 Acórdão n.º 2403002.601 S2C4T3 Fl. 4 5 contraditório; a ausência de comprovação da existência do débito exigido; a observância do princípio da razoável duração do processo. DA BAIXA EM DILIGÊNCIA PELO CARF Os autos foram submetidos ao à esta Segunda Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a qual prolatou em 20 de setembro de 2010, a resolução n. 2402000.087, por parte da 4ª Câmara da 2ª Turma Ordinária, para que a autoridade fiscal informe se a prestadora do serviço foi submetida à fiscalização contábil integral, no período que corresponde ao levantamento, bem como se tenha aderido a alguma espécie de parcelamento e ainda se tem CND de baixa, fls. 465/467 DA MANIFESTAÇÃO. Em virtude da diligência requerida, a Fiscalização proferiu manifestação, acostada aos autos nas fls. 500/503 DA RESPOSTA DO CONTRIBUINTE Devidamente intimado, o contribuinte, Companhia Siderúrgica Nacional – CSN apresentou resposta, fls. 510/517, reiterando o pleito de provimento integral do Recurso Voluntário. DEMAIS INFORMAÇÕES Nos autos consta a informação de que o contribuinte ajuizou dois processos que versam sobre matérias correlatas aos dos presentes autos, no entanto, entendo não se amoldar à aplicação da Súmula CARF n. 01. O primeiro trata do Mandado de Segurança n. 2007.51.10.0000350, fl.65/69, distribuído à 05ª Vara Federal de São João do Meriti, em que o contribuinte pede, em sede de mérito, a anulação dos lançamentos notificados em 01/12/2006. O segundo trata da Ação Anulatória n. 2008.51.01.0105666, fl. 6344/6353 (processo 10073.001965/200702), em que se discute a anulação das NFLD`s n. 37.048.3545, 37.048.3570, 37.048.3556 distribuída à 07ª Vara Federal da Seção Judiciária no Rio de Janeiro. Ambas as ações discutem lançamentos (NFLD`s/DEBCAD’s) decorrentes daquele anulado pela 4ª Câmara de Julgamento do CRPS em 12/04/2006, NFLD 35.007.3546, fls. 215/219 do processo 10073.001965/200702 e mantido em sede de pedido de uniformização de jurisprudência, fl. 222/224, também do processo 10073.001965/200702. No entanto, apesar de serem decorrentes do mesmo procedimento, não se tratam dos mesmos processos o que afasta por si só o alcance do instituto da renúncia à esfera administrativa. É o relatório. Fl. 611DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA ADMISSIBILIDADE Conforme documentos de fl. 286, temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA NATUREZA DA NULIDADE DO ACÓRDÃO ANTERIOR – DA DECADÊNCIA O Acórdão 724/2005 da 4ª Câmara de Julgamento do CRPS foi acostado pela então impugnante nas fls. 215/220 nos autos do processo 10073.001965/200702, que possui a seguinte ementa: PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ARTIGO 31 DA LEI N. 8.212/91. AFERIÇÃO INDIRETA. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. NULIDADE ABSOLUTA. A ausência de fundamentação legal do arbitramento das contribuições previdenciárias é vício insanável e gera a nulidade absoluta da notificação em referência. NFLD ANULADA. Analisando o inteiro teor do acórdão, percebese que três foram as razões para declaração da nulidade do acórdão: a) a falta de indicação do dispositivo legal que prevê a aferição indireta no relatório específico intitulado Fundamentação Legal de Débito – FLD; b) o cerceamento do direito de defesa em razão da forma pela qual a fiscalização lançou o auto, em razão da falta de clareza na descrição do fato gerador, o qual englobou uma quantidade imensa de contratos como base de cálculo sem discriminar a base decorrente de cada um individualmente e; c) não ter intimado os contribuintes solidários o que caracteriza cerceamento do direito de defesa. Ocorre que não se chegou a tratar expressamente acerca da natureza da nulidade declarada, se material ou formal. Entendo que a nulidade ali declarada é de natureza material e não formal, como faz crer a fiscalização. Ademais, se formal fosse, o CRPS teria se referido expressamente sobre a sua anulação com base no art. 173, II do CTN. Desde já, impende salientar que a partir da leitura do Termo de Encerramento de Procedimento Fiscal, vários foram os autos de infração lavrados contra o contribuinte, os quais seguiram trâmite independente. Dentre eles, o processo 11330.000493/200747, já foi submetido a julgamento por esta Segunda Seção de Julgamento, que concluiu da mesma forma pela qual se está fundamentando o presente voto, ou seja, pelo reconhecimento da nulidade material e da consequente decadência no presente caso, conforme acórdão de n. 2301002.663, Fl. 612DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10073.002004/200715 Acórdão n.º 2403002.601 S2C4T3 Fl. 5 7 de 13 de março de 2012, de relatoria do Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, da 3ª Câmara da 1ª Turma Ordinária, cuja ementa segue transcrita, in verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Período de Apuração: 01/1996 a 12/1998 NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL. Ocorre vício material quando cerceado o direito de defesa do contribuinte, consistente na ausência de indicação no lançamento do dispositivo legal que fundamenta o lançamento e a existência da própria obrigação tributária. O vício material é aquele que atinge um dos pressupostos do art. 142 do Código Tributário Nacional, cujo texto segue abaixo reproduzido, in verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. No caso concreto, percebo que houve malferimento especificamente com relação a dois pressupostos do lançamento: a) determinação da matéria tributável e b) identificação do sujeito passivo. Cumpre destacar também que a nulidade em razão ao cerceamento do direito de defesa também está presente no Decreto 70.235/72, no art. 59, in verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) A natureza material da nulidade é assente neste tribunal, conforme se percebe de julgamentos desta Segunda Seção, que já decidiu desta forma no Recurso Voluntário n. Fl. 613DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 151.240, nos autos do Processo n. 36474.007407/200632, em 21 de setembro de 2010, que resultou no Acórdão n. 240201.175, advindo da 4ª Câmara, 2ª Turma Ordinária. Com os mesmos fundamentos, a Primeira Seção de Julgamento, 4ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, nos autos do processo n. 10875.004309/200475, na sessão de 19 de outubro de 2011, prolatou o acórdão 140100.665, que possui a seguinte redação: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/06/1999, 31/07/1999, 30/11/1999 AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. NULIDADE. A ausência de indicação correta e completa da matéria tributável, mediante a adequada descrição do fato imputável e das disposições legais infringidas, caracteriza vício material do lançamento, impondose a decretação de nulidade do feito, por cerceamento de direito de defesa. Da mesma forma foi o julgamento do Acórdão n. 10808.174 de 23/02/2005 da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE VÍCIO FORMAL LANÇAMENTO FISCAL COM ALEGADO ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO INEXISTÊNCIA Os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, ou seja, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevemse a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao seu conteúdo material. O suposto erro na identificação do sujeito passivo caracteriza vício substancial, uma nulidade absoluta, não permitindo a contagem do prazo especial para decadência previsto no art. 173, II, do CTN. Também, há de se destacar o julgamento no Recurso 129.310, Processo 10247.000082/0091 em 09 de julho de 2002, Acórdão n. 10706.695, ementado da seguinte forma: (...) RECURSO EX OFFICIO NULIDADE DO LANÇAMENTO VÍCIO FORMAL. A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido a indentificação do sujeito passivo, definidos no art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, são elementos fundamentais intrínsecos, do lançamento, sem cuja delimitação precisa não se pode admitir a existência da obrigação tributária em concreto. O levantamento e observância desses elementos básicos antecedem o são preparatórios à sua formalização, a qual se dá no momento seguinte, mediante a lavratura do auto de infração, seguida da notificação ao sujeito passivo, quando, aí sim, deverão estar presentes os seus requisitos formais, extrínsecos, como, por função e o número de matrícula, a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Fl. 614DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10073.002004/200715 Acórdão n.º 2403002.601 S2C4T3 Fl. 6 9 (...) No decorrer do voto condutor do acórdão, o relator, Dr. Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz , afirma: Mal comparando, poderíamos dizer que o vício substancial está para a constituição do crédito tributário assim como o cálculo estrutural está para a edificação, no ramo da construção civil, enquanto que a forma seria, para o lançamento de ofício, o equivalente ao acabamento, à "fachada", na edificação civil. Deduzse daí que o vício substancial pressupõe a ocorrência de defeito na estrutura que é o sustentáculo de toda edificação, seja na construção civil ou na constituição do crédito tributário, possuindo sua ocorrência, assim, efeito demolidor, que joga por terra a obra erigida com esse insanável vício. Em outro passo, o defeito de forma, de acabamento ou na "fachada", não possui os tais efeitos devastadores causados pelo vício de estrutura, sendo contomáveis, sem que dano de morte cause à edificação. Fazemse os acertos ou até mesmo as modificações pertinentes, porém, sem reflexo algum sobre as bases em que a obra tenha sido erigida ou à sua própria condição de algo que existe, apesar dos defeitos. e, a meu ver, são esses "defeitos menores"que o legislador quis contemplar quando admite que tais vícios, apenas eles, podem e devem ser sanados e que somente a partir da decisão que declarar a nulidade desse ato é que passaria a fluir o prazo de decadência para o sujeito ativo da obrigação tributária, exercer o direito a novo lançamento de ofício. No mesmo norte, é o julgamento do Acórdão n. 19200 015 IRPF, de 14/10/2008 da Segunda Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes: O vício material ocorre quando o auto de infração não preenche aos requisitos constantes do art. 142 do Código Tributário Nacional, havendo equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou contribuição do crédito tributário, enquanto que o vício formal ocorre quando o lançamento contiver omissão ou inobservância de formalidades essenciais, de normas que regem o procedimento da lavratura da auto, ou seja, da maneira de sua realização. A nulidade declarada no Acórdão 724/2005 de 04/04/2006, é de natureza material, não podendo o fisco realizar lançamento substitutivo nos termos do art. 173, II do CTN, uma vez que este dispositivo se refere apenas às hipóteses de decretação de nulidade por vício formal, o que não é o presente caso, uma vez que foram declaradas as nulidades por ausência de tipificação legal, assim como por cerceamento do direito de defesa tanto do contribuinte à época intimado, quanto do solidário sequer citado. Por essa razão deve ser analisada a decadência à luz do disposto no art. 150, parágrafo 4º, ou mesmo do art. 173, I. Fl. 615DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária de 12 de Junho de 2008, aprovou a Súmula Vinculante nº 8, nos seguintes termos: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Referida Súmula declara inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que impõem o prazo decadencial e prescricional de 10 (dez) anos para as contribuições previdenciárias, o que significa que tais contribuições passam a ter seus respectivos prazos contados em consonância com os artigos 150, § 4º, 173 e 174, do Código Tributário Nacional: CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; De acordo com o art. 103A, da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 vincula toda a Administração Pública, inclusive este Colegiado. In casu, como se trata de contribuições sociais previdenciárias que são tributos sujeitos a lançamento por homologação, contase o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, caso se verifique a antecipação de pagamento (mesmo que parcial) ou, nos termos do art. 173, I, do CTN, quando o pagamento não foi antecipado pelo contribuinte. Ocorre que o período de apuração compreendeu as competências 01/1992 a 03/1996 e a notificação ocorreu apenas em 26/12/2006, por essa razão, fora ultrapassado mais de 10 (dez) anos da data do fato gerador mais recente lançado. Logo, o prazo decadencial ocorreu em relação a todo o período, por quaisquer dos critérios do Código Tributário Nacional. Face todo o exposto, merece provimento o recurso voluntário, uma vez que a nulidade declarada pela 4ª Câmara de Julgamento fora de natureza material, por malferir o art. 142 do Código Tributário Nacional, e, tendo o lançamento substitutivo sido realizado em prazo posterior ao previsto no art. 150 parágrafo 4º, bem como art. 173, I do CTN, há que se reconhecer a decadência no presente caso. Fl. 616DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10073.002004/200715 Acórdão n.º 2403002.601 S2C4T3 Fl. 7 11 CONCLUSÃO Ante o exposto, conheço do recurso voluntário para reconhecer a decadência integral por quaisquer dos critérios do Código Tributário Nacional. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 617DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 10380.905395/2009-10
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2006
BENEFÍCIO FISCAL DE REDUÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. RECONHECIMENTO RETROATIVO. EFICÁCIA.
Confere-se eficácia plena a Laudo Constitutivo, e respectivo Ato Declaratório Executivo, que reconheceram o benefício fiscal de redução do imposto de renda de forma retroativa, de modo a propiciar à Recorrente todos os direitos que possuiria se tais normas individuais e concretas houvessem sido editadas contemporaneamente aos fatos tributários.
Numero da decisão: 1803-002.138
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Cármen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Arthur José André Neto.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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RECONHECIMENTO RETROATIVO. EFICÁCIA. Conferese eficácia plena a Laudo Constitutivo, e respectivo Ato Declaratório Executivo, que reconheceram o benefício fiscal de redução do imposto de renda de forma retroativa, de modo a propiciar à Recorrente todos os direitos que possuiria se tais normas individuais e concretas houvessem sido editadas contemporaneamente aos fatos tributários. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 53 95 /2 00 9- 10 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 17/04/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.905395/200910 Acórdão n.º 1803002.138 S1TE03 Fl. 90 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Arthur José André Neto. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 17/04/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.905395/200910 Acórdão n.º 1803002.138 S1TE03 Fl. 91 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 62verso): Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta contra Despacho Decisório que indeferiu a declaração de compensação informada por meio do PER/DCOMP nº 22704.38224.190406.1.3.040256. 2. O pedido de compensação objetivava compensar débito(s) com suposto pagamento a maior de Cofins (sic), efetuado em 31/10/2005. O Despacho Decisório (fls. 05/06) considerou improcedente o crédito informado na PER/DCOMP, à luz da seguinte fundamentação: Limite do crédito analisado correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: R$ 63.406,40. Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. 3. O referido decisório está arrimado no seguinte enquadramento legal: os arts. 165 e 170 da Lei 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); art. 10 da IN SRF n° 600, de 2005; art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 4. Cientificado da decisão em 03/04/2009 (fls. 07), o administrado apresentou manifestação de inconformidade (fls. 08/11), requerendo a homologação da compensação pleiteada com crédito oriundo de pagamento a maior, com as seguintes alegações: a) O pagamento a maior deveuse ao fato de que o requerente não deduziu corretamente, da base de cálculo do imposto, as receitas da atividade incentivada, nos termos do artigo 223, § 6°, do RIR/1999; b) O crédito que o requerente possui não diz respeito a uma eventual diferença no resultado anual, ou seja, não decorre do ajuste relativo à efetiva base de cálculo do imposto, mas sim ao valor excedente indevidamente recolhido aos cofres públicos; c) Trouxe decisões administrativas em seu favor. 5. Os processos n° 10380.904904/200989, 10380.905396/200956 e 10380.905395/200910 foram julgados em conjunto, por referiremse ao mesmo crédito pleiteado. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 62): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 91DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 17/04/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.905395/200910 Acórdão n.º 1803002.138 S1TE03 Fl. 92 4 Anocalendário: 2005 INDÉBITO DE ESTIMATIVA MENSAL. SALDO NEGATIVO. BALANCETE DE SUSPENSÃO/REDUÇÃO IRREGULAR. DEFERIMENTO PARCIAL. Não caracterizado o indébito do pagamento de estimativa, surgido com a apresentação de Balancete de Suspensão/Redução irregular, deve ser atendido, em parte, o pedido formulado, na forma de saldo negativo, desde que presentes as seguintes condições: (i) o requerente não utilizou o alegado pagamento indevido de estimativa no ajuste anual do imposto ou contribuição; (ii) o sujeito passivo declarou saldo negativo. BALANCETE DE SUSPENSÃO/REDUÇÃO. REGULARIDADE. PRAZO. É irregular o Balancete de Suspensão/Redução, original ou retificador, que houver sido elaborado ou transcrito, nos livros Diário e Lalur, depois do vencimento do débito de estimativa, cujo pagamento se pretenda suspender ou reduzir. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte 3. Cientificada da referida decisão em 06/05/2011 (fls. 67), a tempo, em 20/05/2011, apresenta a interessada Recurso de fls. 71 a 76, nele argumentando, em síntese: a) que, apresentada manifestação de inconformidade, a DRJ/FOR reconheceu a legitimidade da compensação, mas acolheu apenas em parte o pedido, para excluir do crédito o valor relativo à sua atualização mensal, e determinar que tal atualização somente tivesse início em janeiro de 2006. Para tanto, entendeu que o pagamento da estimativa do IRPJ somente se tornou indevido (a maior) com a apuração do imposto, que ocorreu no dia 31 de dezembro de 2006 (sic), e que, depois de encerrado o exercício, não poderia mais haver a retificação dos Balancetes de Suspensão ou Redução BSR; b) que a decisão recorrida faz indevida referência ao Balancete de Suspensão ou Redução — BSR, que não foi o motivo da constatação do pagamento indevido das antecipações; c) que, na verdade — independentemente da apuração do resultado parcial que ocorre nos referidos balancetes — a Recorrente pagou a estimativa de forma incorreta e a maior. Isso porque deixou de deduzir da base de calculo da estimativa o valor correspondente às receitas da atividade incentivada (Benefício concedido pela Agência de Desenvolvimento do Nordeste ADENE em 20.12.2005, com efeitos retroativos a janeiro de 2005), nos termos do § 6º do art. 223 do RIR/99); d) que, uma vez aplicada corretamente a legislação que trata da apuração da base de cálculo da estimativa de IRPJ, o valor a ser pago deveria ser bem menor. Assim, tratase de pagamento indevido cujo crédito dele decorrente poderia ser aproveitado no mês seguinte. Como tal, portanto, deve ser considerado para efeito de atualização pela SELIC; Fl. 92DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 17/04/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.905395/200910 Acórdão n.º 1803002.138 S1TE03 Fl. 93 5 e) que, na verdade, a própria decisão recorrida reconhece que o pagamento indevido pode restar consumado no mesmo mês do recolhimento da estimativa, nos casos em que houver erro manifesto na apuração da base de cálculo sobre a receita bruta, como é precisamente o caso de que aqui se cuida. Os julgadores de primeiro grau deixaram de aplicar a SELIC a partir do mês seguinte ao recolhimento indevido apenas em razão do equívoco de considerar relevante o BSR, quando neste caso não o é; f) que, com a revogação do art. 10 da Instrução Normativa nº 600/2005, a Administração Tributária reconheceu o direito de os contribuintes utilizarem o crédito oriundo dos pagamentos indevidos de estimativa de IRPJ para compensar com débitos de outros tributos devidos dentro do mesmo ano, ou seja, antes da apuração feita em dezembro; e g) que não há a menor dúvida, portanto, de que os créditos da Recorrente devem ser atualizados pela SELIC a partir do mês subsequente àquele em que ocorreu o pagamento indevido. Em mesa para julgamento. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 17/04/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.905395/200910 Acórdão n.º 1803002.138 S1TE03 Fl. 94 6 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. Estimativa paga indevidamente 2. O presente voto se reporta a diversos processos da Recorrente, atinentes a Pedidos de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), cujos créditos pleiteados, decorrentes de pagamentos indevidos do IRPJ mensal por estimativa, são referentes aos meses de fevereiro, março, setembro, outubro e novembro de 2005 (meses de pagamento). 3. Os despachos decisórios de todos esses processos não homologaram as compensações declaradas mediante Per/DComp, com fundamento no art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005. 4. Superada essa questão já nas próprias decisões recorridas, adentrouse ao mérito do pedido, manifestandose, essas decisões, em contrariedade parcial ao pleito da Recorrente, sob os seguintes fundamentos: a) que, no caso, se trata de pagamento a maior, ou seja, devido segundo determinação legal vigente à época em que efetuado, e não de pagamento indevido; b) que, tendo o Balancete de Suspensão ou Redução (BSR) a finalidade de suspender ou reduzir o pagamento da estimativa de determinado mês, tais efeitos se exaurem no vencimento da correspondente estimativa, de modo que eles não podem ser produzidos ou retificados posteriormente com eficácia retroativa; c) que o BSR apresentado altera a forma de apuração do débito de estimativa, originalmente determinado sobre a receita bruta (em alguns processos); e d) que o ato concessivo do incentivo fiscal possui caráter constitutivo, não podendo retroagir ao início do ano de 2005. 5. Dessa forma, as decisões recorridas negaram a caracterização de pagamento indevido de estimativa, mas o admitiram como pagamento a maior do imposto, reconhecendo parcialmente o direito creditório pleiteado, considerandoo válido, para efeito de atualização monetária, a partir de janeiro de 2006. 6. Posta assim a questão, cumpre dizer, de início, que é fato incontroverso a existência de direito creditório por parte da Recorrente. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 17/04/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.905395/200910 Acórdão n.º 1803002.138 S1TE03 Fl. 95 7 7. A única discussão que remanesce nos autos é quanto ao termo inicial a ser considerado para a efetivação desse direito creditório, se da data de cada pagamento efetuado, no decorrer do anocalendário de 2005, ou se de janeiro de 2006, como entenderam as decisões recorridas. 8. Chamo a atenção para o fato de que não se está diante de pedido de retificação ou de elaboração de BSR, mas de pleito de restituição/compensação de valor pago indevidamente. 9. Assim, não procede a extensa argumentação da decisão recorrida, no sentido de ser impossível dita retificação ou elaboração e de que o BSR apresentado alteraria a forma de apuração do débito de estimativa, originalmente determinado sobre a receita bruta (em alguns processos). 10. Abrese, aqui, um parêntese para se destacar o que segue. 11. Por meio do Laudo Constitutivo nº 0334/2005, de 20 de dezembro de 2005, expedido pela Agência de Desenvolvimento do Nordeste (ADENE), teve a Recorrente reconhecido o benefício fiscal de Redução do Imposto de Renda, nos termos do art. 13 da Lei nº 4.239, de 27 de junho de 1963, com a nova redação dada pelo art. 3º da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e alterações posteriores, conforme Medida Provisória nº 2.19914, de 24 de agosto de 2001 e Decreto nº 4.213, de 26 de abril de 2002, sendo o início do prazo de fruição do benefício o anocalendário de 2005. 12. Posteriormente, pelo Ato Declaratório Executivo nº 016, de 13 de março de 2006, a Delegacia da Receita Federal em FortalezaCE reconheceu que a Recorrente faz jus à redução do imposto de renda, e adicionais não restituíveis, calculados com base no lucro da exploração, relativamente ao empreendimento de que trata o Laudo Constitutivo nº 0334/2005, expedido pelo Ministério da Integração Nacional, na forma ali discriminada (Percentual de redução do Imposto de Renda e adicionais não restituíveís: 75% (setenta e cinco por cento); Início do prazo de fruição do beneficio: anocalendário 2005; Prazo total de fruição: 10 anos; Término do prazo de fruição do beneficio: anocalendário de 2014). 13. Fechado o parêntese, observase que, na determinação do imposto devido mensalmente com base em balanço ou balancete de suspensão ou redução (BSR), no período abrangido por esse mesmo balanço ou balancete, admitese a dedução dos incentivos fiscais Regionais de Redução e/ou Isenção do Imposto. 14. Logicamente, se o citado Laudo Constitutivo, e o respectivo Ato Declaratório Executivo, houvesse sido emitido antes do início do anocalendário de 2005, não teria feito uso, a Recorrente, da determinação do imposto devido mensalmente com base em estimativa sobre a receita bruta (o que se deu em alguns processos), mas, sim, daquela primeira (BSR). 15. Não é, pois, correto, se pretender equiparar a situação em análise a uma espécie de “mudança de opção” (em alguns processos), tomada ao livre arbítrio da Recorrente, para a situação excepcional ora analisada. 16. Tratase, como visto, de fato superveniente e relevante, com reflexos retroativos por força de lei, como segue (anocalendário em que o empreendimento entrou em operação 2002): Fl. 95DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 17/04/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.905395/200910 Acórdão n.º 1803002.138 S1TE03 Fl. 96 8 Art. 1º Sem prejuízo das demais normas em vigor aplicáveis à matéria, a partir do anocalendário de 2000, as pessoas jurídicas que tenham projeto protocolizado e aprovado até 31 de dezembro de 2013 para instalação, ampliação, modernização ou diversificação enquadrado em setores da economia considerados, em ato do Poder Executivo, prioritários para o desenvolvimento regional, nas áreas de atuação das extintas Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste Sudene e Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia Sudam, terão direito à redução de 75% (setenta e cinco por cento) do imposto sobre a renda e adicionais, calculados com base no lucro da exploração. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º A fruição do benefício fiscal referido no caput deste artigo darseá a partir do anocalendário subseqüente àquele em que o projeto de instalação, ampliação, modernização ou diversificação entrar em operação, segundo laudo expedido pelo Ministério da Integração Nacional até o último dia útil do mês de março do anocalendário subseqüente ao do início da operação. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2º Na hipótese de expedição de laudo constitutivo após a data referida no § 1º, a fruição do benefício darseá a partir do ano calendário da expedição do laudo. § 3º O prazo de fruição do benefício fiscal será de 10 (dez) anos, contado a partir do anocalendário de início de sua fruição. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) 17. Essa, aliás, a conclusão a que chegou a Informação Fiscal que instruiu a edição do mencionado Ato Declaratório Executivo: 4.4. De acordo com os parágrafos 1º a 3º do art. 73 da Instrução Normativa nº 267, de 23 de dezembro de 2002 c/c o § 3º do art. 1º da Medida Provisória nº 2.19914, de 24 de agosto de 2001, com a redação dada pelo art. 32 da Lei nº 11.196/2005, a fruição do benefício se dará, a partir do anocalendário 2005 até o anocalendário 2014, tendo em vista que o empreendimento entrou em operação no anocalendário 2002 e o Laudo Constitutivo foi expedido em 20 de dezembro de 2005 (fls. 24 a 28). 18. E se referido favor fiscal possui, inegavelmente, efeitos ex tunc, não se pode pretender limitar esses efeitos com fundamento em procedimentos adotados pela Recorrente, quando ainda não reconhecido a ela aquele benefício. 19. Portanto, é de se conferir eficácia plena ao Laudo Constitutivo, e respectivo Ato Declaratório Executivo, que reconheceram o benefício fiscal de redução do imposto de renda de forma retroativa, de modo a propiciar à Recorrente todos os direitos que possuiria se tais normas individuais e concretas houvessem sido editadas contemporaneamente aos fatos tributários. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 17/04/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.905395/200910 Acórdão n.º 1803002.138 S1TE03 Fl. 97 9 20. Afirma a decisão recorrida que, no caso, se trataria de “pagamento a maior”, ou seja, devido segundo determinação legal vigente à época em que efetuado, e não de “pagamento indevido”. 21. Se, por “pagamento devido” deve ser entendido aquele efetuado de acordo com a lei vigente ao tempo de sua realização – como, aliás, entende a própria decisão recorrida estáse diante de um pagamento indevido, já que a lei vigente àquela época era a que concedia o benefício fiscal à Recorrente, fato esse reconhecido posteriormente, de forma expressa, tanto pela ADENE, quanto pela RFB. 22. Afirma, ainda, a decisão recorrida que a utilização do BSR seria uma opção do contribuinte e se destinaria a suspender ou reduzir o pagamento do imposto/contribuição devido em cada mês (tendo por referência o que seria recolhido com base na receita bruta), uma vez demonstrado que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto/contribuição, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. 23. Sucede, porém, que, no presente caso, em face da retroação do benefício fiscal obtido pela Recorrente, o BSR terá outra função, que não a de simples redução ou suspensão de antecipação mensal, qual seja, apurar se e em que mês no período correspondente, efetuouse pagamento que, em face daquele benefício, não se teria procedido (“pagamento indevido”). 24. Não se trata, portanto, de “gerar pagamento indevido de estimativa”, mas, apenas, de reconhecer a sua inevitável existência no caso em análise. 25. Defende, ainda, a decisão recorrida, que o ato concessivo do incentivo fiscal possuiria caráter constitutivo, não podendo retroagir ao início do ano de 2005. 26. Considerando, porém, que a própria Delegacia da Receita Federal em Fortaleza reconheceu a redução de imposto de renda, por meio do Ato Declaratório Executivo (ADE) nº 16, de 13/03/2006, com início do prazo de fruição do beneficio no anocalendário 2005, não se sustenta o alegado “caráter constitutivo do ato concessivo do incentivo fiscal”, mas sim, a sua natureza meramente declaratória, com a inevitável retroação de seus efeitos ao início do anocalendário apontado. 27. Por fim, ainda que ultrapassado tudo o que se disse, devese ter presente o contido no § 3º do art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, de seguinte teor (destacouse): Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. [...]. § 3º As receitas provenientes de atividade incentivada não comporão a base de cálculo do imposto, na proporção do Fl. 97DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 17/04/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.905395/200910 Acórdão n.º 1803002.138 S1TE03 Fl. 98 10 benefício a que a pessoa jurídica, submetida ao regime de tributação com base no lucro real, fizer jus. 1 28. Considerandose que 100% (cem por cento) da receita da Recorrente é incentivada, apenas 25% dessa receita comporia a base de cálculo para determinação do imposto devido mensalmente com base em estimativa sobre a receita bruta (redução de 75%): 1 Perguntas e Respostas – DIPJ 2006: 604 Na determinação da base de cálculo estimada qual o tratamento aplicável às receitas provenientes de atividades incentivadas (isenção ou redução)? A pessoa jurídica que gozar de incentivos fiscais calculados com base no lucro da exploração poderá excluir da receita bruta total, para fins de determinação da base de cálculo estimada, o valor da receita bruta ou redução a que tiver direito. O valor efetivo do benefício de isenção ou redução calculado com base no lucro da exploração será determinado em 31 de dezembro de cada ano. Disponível em: <www.receita.fazenda.gov.br/publico/perguntao/dipj2006/PergRespDIPJ2006.pdf>. Acesso em: 30 mar. 2014. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 17/04/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.905395/200910 Acórdão n.º 1803002.138 S1TE03 Fl. 99 11 Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório, a título de pagamento a maior de estimativa, de R$ 120.028,23, relativo a outubro de 2005, na parte correspondente à Selic calculada até janeiro de 2006, e homologar a compensação pleiteada dos débitos que a ele façam referência até o limite do direito creditório reconhecido (processos nºs 10380.904904/200989, 10380.905396/200956 e 10380.905395/200910). É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 99DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 17/04/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 10073.902066/2009-82
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: null
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Numero da decisão: 3802-003.124
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência. Bem como o contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. Recurso Voluntário o qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 90 20 66 /2 00 9- 82 Fl. 120DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 O interessado acima identificado recorre a este Conselho de Contribuintes, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I/RJ. Tratase de Declaração de Compensação Eletrônica, cujo suposto crédito pleiteado é oriundo de pagamento a maior, a título de PIS/COFINS, referente ao período de apuração indicado. Por meio do Despacho Decisório emitido eletronicamente, a DRF Volta Redonda, não homologou a compensação declarada, alegando não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a Interessada alega em sede de manifestação de inconformidade que: A Empresa apurou créditos de tributos e contribuições pagos indevidamente ou a maior a qual se utilizou dos benefícios legais e que no momento do procedimento das compensações — PER/DCOMP informou corretamente todos os dados constantes no DARF como também o crédito, já identificado no despacho decisório. Tratase então, de apenas proceder as retificações das respectivas DCTFs — Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, o que não invalida o direito de proceder a compensação do pagamento efetuado indevidamente ou a maior. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, ou seja, o julgamento foi pela improcedência da manifestação de inconformidade, no sentido de manter a não homologação da compensação, por falta de direito creditório, nos seguintes termos: INDÉBITO FISCAL. COMPENSAÇÃO. Somente com a comprovação do pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável, cogitase o reconhecimento de indébito fiscal, e da sua utilização na compensação de outros tributos e contribuições. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 ÔNUS DA PROVA. ALEGAÇÃO DESACOMPANHADA DE PROVA.PRECLUSÃO. A prova do crédito, que suporta Declaração de Compensação, cabe à contribuinte, devendo ser apresentada até o momento da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, salvo em casos excepcionais legalmente previstos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10073.902066/200982 Acórdão n.º 3802003.124 S3TE02 Fl. 122 3 Portanto, o julgamento foi no sentido de não acolher a pretensão pela falta de liquidez e certeza do aludido crédito de compensação. Consta a informação que tendo em vista a greve dos correiosETC, não foi possível precisar data do AR, pois o mesmo foi extraviado, dessa forma fica o recurso voluntário aceito. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, a recorrente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira para prosseguimento. É o Relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente da não conformidade pela não homologação da compensação do débito declarado, por falta de direito creditório contra a Fazenda Nacional, já que o alegado recolhimento indevido não fora suficiente. O cerne da questão é a comprovação ou não do direito creditório para fins da compensação/restituição. No caso da compensação, o marco inicial do contencioso é declaração produzida pelo próprio contribuinte, que constitui a relação de indébito do Fisco (pagamento indevido) e promove atos para a extinção da obrigação tributária, nos termos do art. 156, II do CTN, que fica sujeita a posterior homologação, ou seja, submetese ao poderdever da Administração de verificação de sua regularidade. A não homologação, não obstante, localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de outros débitos. De fato, tal constatação decorre diretamente do exame de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF apresentada pelo próprio contribuinte e na qual o pagamento apontado na DCOMP é utilizado totalmente para a quitação do débito indicado. Portanto, a análise das declarações prestadas à Receita Federal mostra que o crédito utilizado na compensação declarada não é suficiente. Não havendo saldo disponível para suporte de uma nova extinção, por meio de compensação. Não há a disponibilidade, tampouco suficiência de tal direito creditório, muito menos a efetividade e regularidade da compensação alegada, por meio da apresentação da escrituração contábil e fiscal. Observase, portanto, que a Receita Federal em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por Fl. 122DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado, logo, tributo considerado devido, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Assim sendo, o Despacho Decisório foi lançado perfeitamente, com base nas informações disponíveis à Receita Federal. Como sabido, a Lei nº 9.430/96 prevê que somente os créditos passíveis de restituição e compensação poderão ser utilizados na compensação tributária. Quanto à retificação da DCTF, como argumenta a recorrente, mesmo que tivesse sido efetuada, não dispensa o dever de comprovar a origem do crédito alegado na PerdComp. Este dever está vinculado a quem solicita, inclusive com prova contábilfiscal robusta para suportar sua alegação, o que não ocorreu ao caso. Esta turma tem admitido a DCTF retificadora mesmo quando posterior à ciência do despacho decisório, desde que acompanhada da prova de erro na DCTF retificada, por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis. São exemplos deste entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios, dentre outros. Assim sendo, é ônus do recorrente de comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a não – homologação dos créditos. A recorrente não comprova a alegação. Não junta aos autos qualquer documento contábilfiscal que pudesse corroborar o direito alegado. Para que o alegado direito a crédito fosse comprovado, a contribuinte deveria ter trazido aos autos o demonstrativo de apuração das contribuições acompanhado da escrituração contábil e fiscal que pudesse lastrear as informações nele contidas. Em face do exposto, observase que a inércia da recorrente, que detém o ônus da prova para comprovar a liquidez e certeza do direito creditório é determinante pelo não reconhecimento do direito creditório reivindicado. No que tange à prova, é de se observar o esclarecimento de Paulo Celso B. Bonilha (Da Prova no Processo Administrativo Tributário, 2ª Edição, Dialética, São Paulo, 1997): “Embora de maior amplitude, o poder de prova das autoridades administrativas deve ser, por uma questão de princípio, distinto do direito de prova a ser exercido pela Fazenda na relação processual. Essa conclusão elementar decorre da própria estrutura da relação processual administrativa, visto que ela pressupõe modos de atuação distintos da Administração: não se confundem as atribuições de defesa da pretensão fiscal e a de julgamento, por isso mesmo desempenhadas por órgãos autônomos. Essas premissas, a nosso ver, justificam as seguintes assertivas: o poder instrutório das autoridades de julgamento (aqui englobamos a de preparo) deve se nortear pelo esclarecimento dos pontos controvertidos , mas sua atuação não pode implicar invasão dos campos de exercício de prova do contribuinte ou da Fazenda. Em outras palavras, o caráter Fl. 123DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10073.902066/200982 Acórdão n.º 3802003.124 S3TE02 Fl. 123 5 oficial da atuação dessas autoridades e o equilíbrio e imparcialidade com que devem exercer suas atribuições, inclusive a probatória, não lhes permite substituir as partes ou suprir a prova que lhes incumbe carrear para o processo.” (Grifado) Por essa razão, não se pode aceitar a compensação em discussão, com base nas alegações da recorrente sem documentação necessária à comprovação da consistência dos créditos, que pretende compensar. Por todo o acima exposto, nego provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 124DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001863/00-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1997
PERC
Conforme Súmula nº 37 do CARF - Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. - Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo.
Numero da decisão: 1401-001.121
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Karem Jureidini Dias Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alckmim Teixeira, Karem Jureidini Dias, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Victor Humberto da Silva Maizman, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Roberto Armond Ferreira da Silva.
Nome do relator: KAREM JUREIDINI DIAS
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CRÉDITO FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997 PERC Conforme Súmula nº 37 do CARF Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 18 63 /0 0- 25 Fl. 215DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16327.001863/0025 Acórdão n.º 1401001.121 S1C4T1 Fl. 6 2 Karem Jureidini Dias – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alckmim Teixeira, Karem Jureidini Dias, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Victor Humberto da Silva Maizman, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Roberto Armond Ferreira da Silva. Relatório Tratase de retorno de diligência solicitada pela Oitava Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes por meio da resolução de n° 10800.495, em sessão de 19 de setembro de 2000. Originalmente, cuidase de processo concernente à Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC), referente ao anocalendário de 1997, exercício de 1998, o qual foi indeferido sob o argumento de que o Contribuinte não havia comprovado a quitação de tributos ou contribuições federais, conforme seguinte trecho: “O sistema não emitiu o incentivo, em função do contribuinte possuir débitos de tributos e contribuições federais, conforme mensagem abaixo: DEB. IRPJ ANOCAL/97 C/ EXIG. SUSPENSA CONTRIBUINTE C/ DEB. TRIB. E CONT. FEDE (...) Em consulta ao SINCOR, verificamos a existência de débitos com exigibilidade junto ao PROFISC e junto a Procuradoria da Fazenda Nacional: (...) Emitimos o relatório de suporte à certidão negativa e verificamos a existência de débitos exigíveis junto ao SIEF. (...) Diante do exposto, concluise que, nesta data, o contribuinte permanece com as restrições impostas pelo artigo 60, da Lei 9.069/95, em função de débitos existentes junto a Procuradoria da Fazenda Nacional e SRF, o que impede a revisão pleiteada.” Em suma, mediante a consulta junto ao SINCOR em 03.08.2005 (fls. 80/92), foi constatada a presença dos seguintes débitos: 1. Débitos em cobrança no sistema CONTACORPJ – Débitos com vencimentos de 1991 a 1996 com Exigibilidade Suspensa (fls. 85/89). Fl. 216DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16327.001863/0025 Acórdão n.º 1401001.121 S1C4T1 Fl. 7 3 2. Processos Fiscais em cobrança no sistema PROFISC – Processos Fiscais com Exigibilidade Suspensa (fls. 82, 83, 89 e 90). 3. Débitos em cobrança no sistema SIEF – vencimentos de 1998 a 2004 (fls. 84 e 91). 4. Processos inscritos em Dívida Ativa da União – vencimento em 02.08.2005 (fls. 82) 5. Inscrição no Cadin (fls. 80) Nesse contexto, o Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 98/100), aduzindo, em síntese: (i) Ausência de pendência que justificasse o indeferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC), vez que os débitos estavam em processo de regularização. Sobreveio, então, o acórdão 8.867 proferido pela 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo – SP (fls. 104/106), que houve por bem rejeitar o pleito da Manifestação, fundamentando, para tanto, a ausência de comprovação da regularidade fiscal. Irresignado, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário de fls. 109/112 ratificando os termos de sua Manifestação de Inconformidade, alegando também a comprovação da quitação dos débitos que obstaram a emissão do incentivo fiscal. O processo foi remetido à Oitava Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes que, por unanimidade de votos, decidiu converter o julgamento em diligência, em sessão de 19 de setembro de 2008, sob o fundamento de que a regularidade do contribuinte deve ser averiguada no momento de sua opção pelo investimento incentivado, e não da data da análise do pedido pela fiscalização ou instância julgadora, sendo certo que tal opção se dá no momento da entrega da declaração pelo contribuinte, conforme jurisprudência já pacificada. Assim sendo, a Resolução n. 10800.495 converteu o julgamento em diligência para verificar se era possível comprovar que na data da entrega da declaração existia algum débito sem exigibilidade suspensa, bem como se os débitos existentes até abril de 1998 já estavam, naquele momento, com exigibilidade suspensa conforme consta do extrato de fls. 80/92. Concluída a diligência pela Divisão de Orientação e Análise Tributária da Delegacia Especial de Instituições Financeiras/SPO, constatouse a regularidade fiscal do Contribuinte quando do pedido da emissão da isenção, conforme Despacho de Encaminhamento de fls. 213 retornando os autos na sequência para julgamento. É o relatório. Voto Fl. 217DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16327.001863/0025 Acórdão n.º 1401001.121 S1C4T1 Fl. 8 4 Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora Verifico que a diligência foi respondida a contento, pelo que passo à análise do mérito. Conforme é cediço, para fazer jus ao benefício fiscal o contribuinte deve estar em situação de regularidade perante o Fisco Federal. Após acirrados debates neste Conselho, a questão pacificouse no sentido de que o momento em que deve ser verificada a regularidade fiscal é o momento da opção, vale dizer, da entrega da respectiva declaração de rendimentos. Nesse sentido, transcrevo a Súmula CARF nº 37: “Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. O benefício fiscal foi pleiteado no anocalendário de 1997, exercício de 1998, quando houve a opção, pelo contribuinte, de destinar parte do imposto sobre a renda da pessoa jurídica para investimentos no FINOR. Portanto, em consonância à súmula supramencionada, a comprovação da regularidade fiscal cingese apenas ao período referido, melhor dizendo, a data da entrega da declaração de rendimentos da pessoa jurídica. A d. autoridade que indeferiu o pleito, por sua vez, ao analisar a regularidade fiscal do contribuinte, constatou a existência de débitos de tributos e contribuições federais através de consulta ao SINCOR em 03.08.2005, isto é, momento posterior ao que deve ser analisado. Todavia, conforme respondido pela d. autoridade fiscal no Despacho de Encaminhamento que respondeu a diligência fiscal, no ato da entrega da DIPJ/1998 o Contribuinte gozava de regularidade fiscal, não havendo motivos para manter o indeferimento. É o que se constata do Despacho de Encaminhamento de fls. 213, em resposta à diligência solicitada, verbis: “No que diz respeito a este quesito, a identificação de eventuais débitos existentes em uma data específica, no caso vertente a data da entrega da DIPJ/1998 (30/04/98) pelo interessado, deve se reconhecer que os sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB não possibilitam a realização deste tipo de consulta. No entanto, para atendimento do solicitado pela autoridade administrativa julgadora “ad quem”, poderseia utilizar as informações constantes do sistemas da RFB, particularmente o SINCOR – TRATANI – CERTIDÃO – CERTSRF. No caso concreto, da pesquisa efetuada, conforme telas ora anexadas, contatase a existência de certidão de regularidade fiscal válida na data da efetiva entrega da DIPJ/1998, ocorrida em 30/04/98 (fls. 204/205).” Ante o exposto, adotandose as conclusões da diligência, não há que se negar o direito do contribuinte ao aproveitamento do benefício fiscal, razão pela qual voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16327.001863/0025 Acórdão n.º 1401001.121 S1C4T1 Fl. 9 5 Sala das Sessões, em 12 de fevereiro (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias Fl. 219DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
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Numero do processo: 10830.724375/2012-91
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2009 a 30/11/2009
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP - OCORRÊNCIA - INOBSERVÂNCIA DE PROVIMENTO JUDICIAL - AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO - VÍCIO MATERIAL
Tendo o fiscal autuante não demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, há que se falar em nulidade do lançamento. A lavratura das autuações deve observar sentença judicial anteriormente prolatada, de forma a refleti-la na fundamentação sob pena de se violar os princípios da ampla defesa e da segurança jurídica.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2403-002.393
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, em preliminares, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para anular por vício material os AIOP nº 51.017.289-0, AIOP nº 51.017.290-3 e AIOA nº 51.017.288-1. Fez sustentação oral a Dra. Carina Elaine de Oliveira - OAB nº 19.7618/SP.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Freitas Souza Costa, Jhonatas Ribeiro da Silva e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente justificadamente o Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2009 a 30/11/2009 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP - OCORRÊNCIA - INOBSERVÂNCIA DE PROVIMENTO JUDICIAL - AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO - VÍCIO MATERIAL Tendo o fiscal autuante não demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, há que se falar em nulidade do lançamento. A lavratura das autuações deve observar sentença judicial anteriormente prolatada, de forma a refleti-la na fundamentação sob pena de se violar os princípios da ampla defesa e da segurança jurídica. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, em preliminares, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para anular por vício material os AIOP nº 51.017.289-0, AIOP nº 51.017.290-3 e AIOA nº 51.017.288-1. Fez sustentação oral a Dra. Carina Elaine de Oliveira - OAB nº 19.7618/SP. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Freitas Souza Costa, Jhonatas Ribeiro da Silva e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente justificadamente o Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto.
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A lavratura das autuações deve observar sentença judicial anteriormente prolatada, de forma a refletila na fundamentação sob pena de se violar os princípios da ampla defesa e da segurança jurídica. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 43 75 /2 01 2- 91 Fl. 597DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, em preliminares, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para anular por vício material os AIOP nº 51.017.289 0, AIOP nº 51.017.2903 e AIOA nº 51.017.2881. Fez sustentação oral a Dra. Carina Elaine de Oliveira OAB nº 19.7618/SP. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Freitas Souza Costa, Jhonatas Ribeiro da Silva e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente justificadamente o Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 598DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10830.724375/201291 Acórdão n.º 2403002.393 S2C4T3 Fl. 598 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, interposto pelo Recorrente – MATERNIDADE DE CAMPINAS contra Acórdão nº 0540.259 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas SP, que não conheceu a parte da Impugnação devido à renúncia ao contencioso administrativo em razão de propositura de ação judicial pelo sujeito passivo com objeto idêntico ao veiculado no processo administrativo, Autos de Infração AIOP nº 51.017.2890, AIOP nº 51.017.2903 e AIOA nº 51.017.2881. Conforme o Relatório Fiscal, às fls 370, segue o objeto da autuação: 4 O sujeito passivo acima está sendo notificado do presente Processo Administrativo Fiscal, nos termos dos artigos 2º e 3º da Lei 11.457, de 16/03/2007, no valor consolidado e detalhado, por tipo de exigência, nos DEBCAD adiante relacionados, relativamente às contribuições, a saber: ∙ Contribuição previdenciária patronal incidente sobre a remuneração dos trabalhadores empregados e contribuintes individuais, nos termos do art. 22, inciso I e III da Lei 8.212/91 e alterações constantes do Relatório FLD –Fundamentos Legais do Débito, em anexo, específicos por DEBCAD; ∙ Contribuição previdenciária patronal para financiamento dos benefícios em razão do grau de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – RAT, conforme art. 22, inciso II da Lei 8.212/91 e alterações constantes do Relatório FLD – Fundamentos Legais do Débito, em anexo, específicos por DEBCAD; ∙ Contribuição previdenciária (adicional) para custeio do benefício previsto na Lei nº. 8.213/91, artigo 57, §6º, em face da inclusão em GFIP do código de ocorrência “04” (Exposição a agente nocivo – aposentadoria especial aos 25 anos de trabalho), nos termos da legislação constante do Relatório FLD –Fundamentos Legais do Débito, em anexo, específicos por DEBCAD; ∙ Contribuições para Outras Entidades e Fundos Terceiros (SALÁRIOEDUCAÇÃO, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE), código de terceiros 0115, nos termos da legislação constante do Relatório FLD Fundamentos Legais do Débito, em anexo, específicos por DEBCAD. Foram lavrados os Autos de Infração: AI Descrição VALOR R$ 51.017.2881 AIOA CFL 78 500,00 Fl. 599DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 51.017.2890 AIOP contribuição patronal 7.332.538,29 51.017.2903 AIOP contribuição aos terceiros 1.324.672,18 Em relação ao lançamento fiscal, o Relatório Fiscal informa: 7 Através do ATO CANCELATÓRIO DE RECONHECIMENTO DE ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS nº 21.424.1/001/2004, datado de 06/10/2004, foi cancelada a isenção das contribuições de que trata os artigos 22 e 23 da Lei 8.212 de 24/07/91 concedida à MATERNIDADE DE CAMPINAS, por infração aos incisos IV e V do artigo 55 da Lei 8.212 de 24/07/91. A Entidade argüiu a nulidade do processo através de Recurso de Embargos de Declaração, em 10/01/2007, cujo decisório foi pelo não conhecimento do recurso de revisão, por unanimidade, mantendose, assim, o Ato Cancelatório da Isenção, conforme Acórdão nº 1078/2007, de 27/06/2007. 8 – A Medida Provisória nº 446, de 07/11/2008, que vigorou no período de 10/11/2008 a 11/02/2009, estabeleceu que o direito ao gozo da isenção podia ser exercido pela entidade a partir da data de sua certificação pelo Ministério da área de atuação correspondente, desde que atendidos, cumulativamente, os requisitos previstos no referido ato legal, não sendo necessário formular requerimento à RFB. Em face da rejeição da MP nº 446/2008 pelo Congresso Nacional, em Ato do Presidente da Câmara dos Deputados, a Lei nº 8.212/1991 teve sua vigência restabelecida a partir de 12/02/2009. 9 – A Lei nº 12.101, de 27/11/2009, regulamentada pelo Decreto nº 7.237, de 20/07/2010, trouxe alterações similares às promovidas pela MP 446/2008, revogando os dispositivos da Lei 8.212/91, a partir de sua vigência, em 30/11/2009. 10 – Com base no acima exposto, foram apuradas as contribuições patronais, devidas pela Maternidade de Campinas, na vigência da Lei 8.212/91, qual seja: de 01/01/2008 à 09/11/2008 e de 12/02/2009 à 29/11/2009, sendo incluído no presente processo, o período de 01/01/2008 a 09/11/2008 e no processo 10830.724375/201291 o período de 12/02/2009 à 29/11/2009. 11 O sujeito passivo informou as remunerações dos trabalhadores a seu serviço e demais fatos geradores de contribuição previdenciária em Guias de Recolhimento ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, com o código do FPAS 639. Ao utilizar o código do FPAS 639 na GFIP o sistema deixou de calcular a cota patronal de contribuição previdenciária. Entretanto em razão do ATO CANCELATORIO, citado no item “7”, o sujeito passivo deixou de fazer jus à isenção da parcela patronal da contribuição previdenciária, durante a vigência da Lei 8.212/91, sendo, portanto, inadequada a utilização do referido código. Agindo assim o sujeito passivo teve a intenção de iludir a autoridade fazendária, com conduta sistemática, durante o período fiscalizado, fato que ensejou a lavratura do Auto de Infração de Obrigações Acessórias AIOA Fl. 600DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10830.724375/201291 Acórdão n.º 2403002.393 S2C4T3 Fl. 599 5 nº 51.017.2881, código de fundamentação legal – CFL 68, bem como o AIOA nº 51.017.2881 – CFL 78, incluído no processo 10830.724375/201291. 12 A situação ora descrita configura, em tese, a prática de crime contra a ordem tributária de acordo com o artigo 1o, Inciso I da Lei 8137/90, motivo pelo qual será objeto de REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS, em relatório à parte, com comunicação à autoridade competente para as providências cabíveis. 13 O Lançamento do crédito previdenciário foi efetuado com base nos comprovantes de declaração das contribuições a recolher à previdência social e a outras entidades e fundos, por FPAS 639 e comprovantes de entrega da GFIP, via Conectividade Social, apresentados pela empresa, após recebimento do Termo de Inicio do Procedimento Fiscal – TIPF e posteriores Termos de Intimação Fiscal, corroborados com as informações constantes dos nossos sistemas corporativos: GFIP WEB e PLENUS. Em relação aos fatos geradores: 14.1 As remunerações pagas, devidas ou creditadas aos trabalhadores empregados, código categoria 01, no período abrangido pelas competências 02/2009 a 11/2009, apuradas com base nos valores informados na GFIP, no código FPAS incorreto, lançadas sob código de levantamento “RE2” e discriminadas, por trabalhador, no ANEXO III; 14.2 As remunerações pagas, devidas ou creditadas aos trabalhadores contribuintes individuais, código categoria 13, no período abrangido pelas competências 02/2009 a 11/2009, apuradas com base nos valores informados na GFIP no código FPAS incorreto, lançadas sob código de levantamento “RC2” e discriminadas no ANEXO III; 14.3 – As contribuições para custeio do benefício previsto na Lei nº. 8.213/91, artigo 57, §6º, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos trabalhadores empregados, código categoria 01, no período abrangido pelas competências 02/2009 a 11/2009, apuradas com base nos valores informados na GFIP, no código FPAS incorreto, com indicação no campo de ocorrência 4 ou 8 (exposição a agentes nocivos – aposentadoria especial 25 anos de trabalho), sendo a base de cálculo lançada no presente Auto, sob código de levantamento “AR2” e discriminada no Relatório de Lançamentos – RL. 15 Os créditos lançados na competência 02/2009 a 11/2009 foram apurados proporcionalmente ao número de dias da vigência da Lei 8.212/91, qual seja: Fl. 601DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA O Relatório Fiscal, às fls. 374, assim dispõe: 17 – O sujeito passivo incorreu em infração à legislação previdenciária por descumprimento de obrigação acessória, a seguir relatada: FUNDAMENTO LEGAL 78 – DEBCAD 51.017.2881 – VALOR: R$ 500,00. Descrição sumária da infração e dispositivo legal infringido – Em ação fiscal desenvolvida junto à empresa ora autuada, constatamos que a mesma informou as Guias de Recolhimento ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP com código do FPAS 639. Conforme descrito nos itens 7 a 11 do presente relatório, o mesmo não faz jus à isenção da parcela patronal da contribuição previdenciária tendo, a utilização do referido código do FPAS, implicado em alteração dos valores das contribuições devidas no período 12/02/2009 a 29/11/2009, vez que o sistema deixou de calcular a referida cota patronal de contribuição previdenciária. 17.1 Cabe salientar que a GFIP de competência 11/2008 foi entregue pelo sujeito passivo, via conectividade social, no dia 04/12/2009, ou seja, a infração “declarar com omissões/incorreções” ocorreu na vigência da MP 449/2008, razão pela qual foi lavrado o Auto de Infração de Obrigações Acessórias – CFL 78. Em relação à multa aplicada: 18 Conforme o disposto no art. 32A “caput”, inciso I e parágrafos 2º e 3º da Lei 8.212/91, incluídos pela MP 449, de 03/12/2008, convertida na Lei 11.941, de 27/05/2009, respeitado o disposto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, da Lei 5.172, de 25/10/66 – CTN, a empresa está sujeita à multa correspondente a R$ 20,00 para cada grupo de 10 informações incorretas ou omissas. 19 Ante ao exposto nos itens 17 e 18 e considerandose o disposto no parágrafo 3º do artigo 32A da Lei 8.212/91, aplico à infratora a multa mínima de R$ 500,00 (quinhentos reais). O período objeto dos AIOPs, conforme o Relatório Discriminativo do Débito DD, é de 02/2009 a 11/2009. O período objeto do AIOA, conforme o Relatório Anexo, é de 02/2009 a 11/2009. O contribuinte teve ciência das autuações em 22.11.2012, conforme fls. 01 dos autos. A Recorrente apresentou Impugnação tempestiva, na qual alega em síntese, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: Fl. 602DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10830.724375/201291 Acórdão n.º 2403002.393 S2C4T3 Fl. 600 7 obteve decisão judicial favorável, proferida no processo nº 0000017152012.403.6105, no sentido de cancelar todas as exigências fiscais decorrentes do ato Cancelatório 21.424.1/001/2004; a Apelação apresentada pela União foi recebida somente no efeito devolutivo; o presente somente poderia ter sido lavrado para prevenir a decadência, mas que deve ficar suspenso até o trânsito em julgado daquela decisão judicial; na data da lavratura do presente existia decisão judicial favorável à impugnante que determinava a suspensão da exigibilidade e que, portanto, não lhe poderia ter sido imposta qualquer multa; este tem sido o entendimento do CARF. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando por não conhecer da Impugnação na parte de matéria objeto de ação judicial e considerar improcedente a Impugnação, nos termos do Acórdão nº 0540.259 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas SP, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2009 a 30/11/2009 AÇÃO JUDICIAL CONCOMITANTE. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. A propositura de ação judicial implica renúncia ao contencioso administrativo no tocante à matéria em que os pedidos administrativo e judicial são idênticos, devendo o julgamento administrativo aterse, eventualmente, à matéria diferenciada. A existência de ação judicial não desobriga o Fisco de formalizar o lançamento, eis que esta é atividade vinculada e obrigatória. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. ASPECTO MATERIAL. LANÇAMENTO INCONTROVERSO. Consolidase administrativamente a matéria não impugnada, assim entendida aquela que não tenha sido expressamente contestada pela impugnante, notadamente quanto ao seu aspecto quantitativo e material, vale dizer, o montante da remuneração paga aos segurados e os valores pagos à cooperativa de trabalho. MULTA. LEGALIDADE. As multas aplicadas pela fiscalização estão em perfeita sintonia com os dispositivos legais de regência. Fl. 603DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão Acordam os membros da 9ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER da impugnação, na parte que contém matéria objeto de discussão judicial, e considerar IMPROCEDENTE a impugnação relativa aos Autos de Infração nº 51.017.2890, nº 51.017.2903 e nº 51.017.2881 (Processo nº 10830.724375/201291), MANTENDOSE os créditos previdenciários por meio deles constituídos, na forma do voto do Relator. Intimese para pagamento dos créditos mantidos no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao CARF Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em igual prazo, conforme facultado pelo art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, alterado pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002. À Unidade de Origem, para cientificar o interessado deste Acórdão, nos termos da legislação em vigor. Sala de Sessões, em 14 de março de 2013 Inconformada com a decisão de primeira instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário tempestivo, onde alega em apertada síntese que: (i) DA EXISTÊNCIA DE PRÉVIA DECISÃO NA ESFERA JUDICIAL SUSPENDENDO A EXIGIBILIDADE DOS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS EM DISCUSSÃO NO QUE TANGE À MATRIZ A Recorrente teve cancelado via ATO CANCELATÓRIO DE RECONHECIMENTO DE ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS n° 21.424.1/001/2004, isenção de contribuições sociais. (...) Todavia, o citado "Ato Cancelatório de Isenção" foi objeto de medida judicial, qual seja, da Ação Declaratória de Nulidade de Ato Cancelatório com Pedido de Liminar, processo n° 000001715.2012.403.6105, em trâmite perante a 4a Vara Federal da Subseção Judiciária de Campinas/SP, ajuizada em face da UNIÃO FEDERAL, em 30/12/2011 Insta asseverar que o objeto da medida judicial é anular o "Ato Cancelatório de Reconhecimento de Isenção de Contribuições Sociais n° 21.424.1/001/2004", conforme anexa cópia da petição inicial (Doe. 04). Fl. 604DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10830.724375/201291 Acórdão n.º 2403002.393 S2C4T3 Fl. 601 9 A liminar foi deferida para suspender a exigibilidade do crédito tributário constituído em virtude do "Ato Cancelatório de Reconhecimento de Isenção de Contribuições Sociais n° 21.424.1/001/2004", conforme se verifica abaixo (Doe. 05): No dia 15 de junho de 2012 foi proferida sentença que concedeu parcialmente a segurança pleiteada pela ora Recorrente no sentido de cancelar todas as exigências fiscais relativas a contribuições previdenciárias oriundas do cancelamento de sua isenção, notadamente em relação à matriz, dispondo o MM. Juízo de primeira instância: "(...) Diante de tudo o que dos autos consta, JULGO PARCIALMENTE PROCEDENTE O PEDIDO, razão pela qual cancelo em parte as exigências fiscais relativas às contribuições previdenciárias. quota pa *Tonal. decorrente do Ato Cancelatório no. 21.424.1/001/2004, uma vez aue os documentos coligidos aos autos atestam o expresso reconhecimento dos entes federados (União. Estado e Município), quanto à autora, da sua condição de entidade beneficente assistencial. De outro lado, diante da impossibilidade de se estender automaticamente o benefício fiscal constante do art. 195, 7°., da Constituição Federal, à filial da autora, que, por sua vez, deve abranger unicamente as rendas destinadas à entidade beneficente matriz para o desenvolvimento das suas atividades estatutárias, determino que a parte ré promova a revisão do lançamento, mediante a devida apuração das contribuições previdenciárias e dos benefícios legais gozados indevidamente pela filial, conforme motivação, nos termos da legislação vigente, e aue, em sendo o caso, constitua o crédito tributário e adote as medidas administrativas pertinentes em face desta, resolvendo o mérito nos termos A determinação judicial é bastante clara para que a UNIÃO FEDERAL tome as seguintes providências: Cancelar os lançamentos relativos às Contribuições Previdenciárias, constituídos em decorrência do Ato Cancelatório no. 21.424.1/001/2004, incidentes sobre a matriz da Maternidade de Campinas CNPJ n° 46.043.980/000100; Promover a revisão dos lançamentos para constituir eventual crédito tributário relativo às contribuições previdenciárias, possivelmente incidente sobre a Filial da Recorrente antigo Terminal Rodoviário de Campinas CNPJ n° 46.043.980/0002¬ 91. Desta feita, resta claro que foi reconhecida a imunidade tributária da matriz da Maternidade de Campinas, e foi determinada a anulação de todos os lançamentos decorrentes do Ato Cancelatório n° 21.424.1/001/2004. Fl. 605DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 Em 18 de junho de 2012 os autos foram encaminhados à Procuradoria da Fazenda Nacional para ciência da sentença que concedeu parcialmente a segurança, conforme se verifica através do extrato anexo movimentação n° 39 obtido no s/feda Justiça Federal. (Doe. 06) A UNIÃO interpôs recurso de Apelação, o qual foi recebido somente no efeito devolutivo, conforme comprovam o extratos de andamento processual e a publicação no Diário Oficial anexos (Does. 07 e 08) juntados quando da impugnação administrativa, situação esta que ainda permanece, devendo posteriormente haver julgamento favorável a Recorrente no TRF (ii) DA IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DE MULTA Importante observar não ser possível impor qualquer multa, nem mesmo a decorrente por descumprimento de obrigação acessória, pois, na data da lavratura do auto de infração, ou seja, 22/11/2012, havia decisão judicial favorável a ora Recorrente suspendendo a exigibilidade do crédito e determinando o cancelamento das contribuições previdenciárias decorrentes do Ato Cancelatório de Isenção n° 21.424.1/001/2004. Esse entendimento já está consolidado em Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e não pode ser afastada como fez o julgador de primeira instância, senão vejamos: Súmula CARF 17: Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Desta forma, deve ser cancelada a multa aplicada, eis que totalmente descabida. Além disso, a multa aplicada por descumprimento da obrigação acessória, qual seja, em razão da ausência de declaração em GFIP das contribuições previdenciárias também é descabida, eis que há decisão judicial que determina que a Recorrente não é imune ao recolhimento das contribuições previdenciárias em cobro. Ora, se o tributo não é devido, também não lhe pode ser aplicada multa em virtude de sua não declaração em GFIP. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 606DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10830.724375/201291 Acórdão n.º 2403002.393 S2C4T3 Fl. 602 11 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação nos autos. Avaliados os pressupostos, passo para as Preliminares. DAS QUESTÕES PRELIMINARES. (i) DA EXISTÊNCIA DE PRÉVIA DECISÃO NA ESFERA JUDICIAL SUSPENDENDO A EXIGIBILIDADE DOS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS EM DISCUSSÃO NO QUE TANGE À MATRIZ A Recorrente teve cancelado via ATO CANCELATÓRIO DE RECONHECIMENTO DE ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS n° 21.424.1/001/2004, isenção de contribuições sociais. (...) Todavia, o citado "Ato Cancelatório de Isenção" foi objeto de medida judicial, qual seja, da Ação Declaratória de Nulidade de Ato Cancelatório com Pedido de Liminar, processo n° 000001715.2012.403.6105, em trâmite perante a 4a Vara Federal da Subseção Judiciária de Campinas/SP, ajuizada em face da UNIÃO FEDERAL, em 30/12/2011 Insta asseverar que o objeto da medida judicial é anular o "Ato Cancelatório de Reconhecimento de Isenção de Contribuições Sociais n° 21.424.1/001/2004", conforme anexa cópia da petição inicial (Doe. 04). A liminar foi deferida para suspender a exigibilidade do crédito tributário constituído em virtude do "Ato Cancelatório de Reconhecimento de Isenção de Contribuições Sociais n° 21.424.1/001/2004", conforme se verifica abaixo (Doe. 05): No dia 15 de junho de 2012 foi proferida sentença que concedeu parcialmente a segurança pleiteada pela ora Recorrente no Fl. 607DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 12 sentido de cancelar todas as exigências fiscais relativas a contribuições previdenciárias oriundas do cancelamento de sua isenção, notadamente em relação à matriz, dispondo o MM. Juízo de primeira instância: "(...) Diante de tudo o que dos autos consta, JULGO PARCIALMENTE PROCEDENTE O PEDIDO, razão pela qual cancelo em parte as exigências fiscais relativas às contribuições previdenciárias. quota pa *Tonal. decorrente do Ato Cancelatório no. 21.424.1/001/2004, uma vez aue os documentos coligidos aos autos atestam o expresso reconhecimento dos entes federados (União. Estado e Município), quanto à autora, da sua condição de entidade beneficente assistencial. De outro lado, diante da impossibilidade de se estender automaticamente o benefício fiscal constante do art. 195, 7°., da Constituição Federal, à filial da autora, que, por sua vez, deve abranger unicamente as rendas destinadas à entidade beneficente matriz para o desenvolvimento das suas atividades estatutárias, determino que a parte ré promova a revisão do lançamento, mediante a devida apuração das contribuições previdenciárias e dos benefícios legais gozados indevidamente pela filial, conforme motivação, nos termos da legislação vigente, e aue, em sendo o caso, constitua o crédito tributário e adote as medidas administrativas pertinentes em face desta, resolvendo o mérito nos termos A determinação judicial é bastante clara para que a UNIÃO FEDERAL tome as seguintes providências: Cancelar os lançamentos relativos às Contribuições Previdenciárias, constituídos em decorrência do Ato Cancelatório no. 21.424.1/001/2004, incidentes sobre a matriz da Maternidade de Campinas CNPJ n° 46.043.980/000100; Promover a revisão dos lançamentos para constituir eventual crédito tributário relativo às contribuições previdenciárias, possivelmente incidente sobre a Filial da Recorrente antigo Terminal Rodoviário de Campinas CNPJ n° 46.043.980/0002¬ 91. Desta feita, resta claro que foi reconhecida a imunidade tributária da matriz da Maternidade de Campinas, e foi determinada a anulação de todos os lançamentos decorrentes do Ato Cancelatório n° 21.424.1/001/2004. Em 18 de junho de 2012 os autos foram encaminhados à Procuradoria da Fazenda Nacional para ciência da sentença que concedeu parcialmente a segurança, conforme se verifica através do extrato anexo movimentação n° 39 obtido no s/feda Justiça Federal. (Doe. 06) A UNIÃO interpôs recurso de Apelação, o qual foi recebido somente no efeito devolutivo, conforme comprovam o extratos de andamento processual e a publicação no Diário Oficial anexos (Does. 07 e 08) juntados quando da impugnação Fl. 608DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10830.724375/201291 Acórdão n.º 2403002.393 S2C4T3 Fl. 603 13 administrativa, situação esta que ainda permanece, devendo posteriormente haver julgamento favorável a Recorrente no TRF Analisemos. Conforme o Relatório Fiscal, em outro processo administrativofiscal, através do ATO CANCELATÓRIO DE RECONHECIMENTO DE ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS nº 21.424.1/001/2004, datado de 06/10/2004, foi cancelada a isenção das contribuições de que trata os artigos 22 e 23 da Lei 8.212 de 24/07/91 concedida à MATERNIDADE DE CAMPINAS, por infração aos incisos IV e V do artigo 55 da Lei 8.212 de 24/07/91. Entretanto, tal Ato Cancelatório de Isenção foi objeto de medida judicial, qual seja, da Ação Declaratória de Nulidade de Ato Cancelatório com Pedido de Liminar, processo n° 000001715.2012.403.6105, em trâmite perante a 4a Vara Federal da Subseção Judiciária de Campinas/SP, ajuizada em face da UNIÃO FEDERAL, em 30/12/2011. A controvérsia está centrada no argumento da Recorrente de que estaria desobrigada das autuações lavradas na matriz, CNPJ 46.043.980/000100, em função de sentença judicial favorável no Processo nº 0000017152012403.6105, tramitando na Justiça Federal de São Paulo. Em consulta ao site do TRF 3ª região (http://www.trf3.jus.br), em 17.01.2014, encontramos a seguinte movimentação processual na qual aponta que o Agravo Regimental entrará em pauta de julgamento no dia 17.02.2014, sendo relator o Desembargador Federal Antonio Cedenho, portanto sem ainda ter ocorrido o trânsito em julgado: Consulta Processual Visualizar Processo Momento da consulta: sextafeira, 17 de janeiro de 2014 às 15:00 Número (CNJ, 20 dígitos) 000001715.2012.4.03.6105 Processo 2012.61.05.0000175 Número de origem 000001715.2012.4.03.6105 Classe 1808785 AC SP Vara 4 CAMPINAS SP Data de autuação 23/11/2012 Partes Nome ApelanteUniao Federal (FAZENDA NACIONAL) AdvogadoMARLY MILOCA DA CAMARA GOUVEIA E AFONSO GRISI NETO ApeladoMATERNIDADE DE CAMPINAS AdvogadoJOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator DES.FED. ANTONIO CEDENHO Fl. 609DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 14 Assuntos Descrição AssuntoContribuição sobre a folha de salários Contribuições Previdenciárias Contribuições Direito Tributário Detalhe 1Suspensão da Exigibilidade Crédito Tributário Direito Tributário Detalhe 2Contribuição de Autônomos, Empresários (Pró labore) e Facultativos Contribuições Previdenciárias Contribuições Direito Tributário Detalhe 3Entidades sem Fins Lucrativos Imunidade Limitações ao Poder de Tributar Direito Tributário Detalhe 4PROCEDIMENTO ORDINÁRIO Órgão julgador QUINTA TURMA Localização SUBSECRETARIA DA QUINTA TURMA Endereço AV. PAULISTA, 1842 15º ANDAR TORRE SUL Número de volumes 3 Número de páginas 541 Número de caixa 0 Peticões NúmeroTipoParteEntradaData de juntada 2013095420AGRAVO (REGIMENTAL/LEGAL)Uniao Federal (FAZENDA NACIONAL)02/05/201313/05/2013 2013133447MANIFESTAÇÃOMATERNIDADE DE CAMPINAS13/06/201327/06/2013 2013212283MANIFESTAÇÃOMATERNIDADE DE CAMPINAS10/09/201317/09/2013 Fases DataDescriçãoDocumentos 15/01/2014INCLUIDO EM PAUTA PEDIDO DE DIA PELO RELATOR DO DIA 17.02.2014 SEQ.: 8 (DO DIA 17/02/2014 SEQ: 8) 14/01/2014RECEBIDO(A) COM DESPACHO/DECISÃO INCLUASE EM PAUTA DE JULGAMENTO 13/01/2014DESPACHO MERO EXPEDIENTE (1) Das datas em que ocorreram os fatos Para melhor esclarecimento acerca da controvérsia, devemos observar as datas em que ocorreram os fatos, utilizandose também da consulta ao site da Justiça Federal em São Paulo, Processo Judicial nº 000001715.2012.4.03.6105, em 17.01.2014, (http://www.jfsp.jus.br/forunsfederais/): (a) O procedimento fiscal teve início em 06.06.2011, conforme o Termo de Início de Procedimento Fiscal, às fls. 03; (b Em 30.12.2011, o sujeito passivo ingressou com Ação Declaratória de Nulidade de Ato Cancelatório com Pedido de Liminar, processo n° 0000017 Fl. 610DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10830.724375/201291 Acórdão n.º 2403002.393 S2C4T3 Fl. 604 15 15.2012.403.6105, em trâmite perante a 4ªa Vara Federal da Subseção Judiciária de Campinas/SP, ajuizada em face da UNIÃO FEDERAL. (c) Em 14.03.2012, é conferida a decisão liminar deferindo a tutela antecipada; (d) Em 14.06.2012 é prolatada a sentença com resolução do mérito, com o pedido procedente em parte; (e) O contribuinte teve ciência das autuações em 22.11.2012, conforme fls. 01 dos autos. (2) Da liminar expedida em 14.03.2012, no transcorrer do procedimento fiscal: (3) Da sentença prolatada no Processo Judicial nº 0000017 15.2012.4.03.6105, em 14.06.2012, no transcorrer do procedimento fiscal e antes da lavratura das autuações: Fl. 611DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 16 Resta claro que a sentença judicial decidiu por cancelar os lançamentos relativos às Contribuições Previdenciárias incidentes sobre a matriz da Maternidade de Campinas CNPJ n° 46.043.980/000100, bem como que se faça a revisão dos lançamentos para constituir eventual crédito tributário relativo às contribuições previdenciárias incidentes sobre a Filial da Recorrente CNPJ n° 46.043.980/000291. (4) Das autuações fiscais lavradas, com ciência do Recorrente em 22.11.2012: O contribuinte teve ciência das autuações em 22.11.2012, conforme fls. 01 dos autos. Compulsandose o Relatório Fiscal, às fls. 369 a 377, não se encontra qualquer referência à decisão judicial prolatada, em 14.06.2012, no Processo Judicial nº 000001715.2012.4.03.6105. Ora, resta óbvio que o procedimento fiscal na fase de lavratura dos Autos de Infração, quais sejam, AIOP nº 51.017.2890, AIOP nº 51.017.2903 e AIOA nº 51.017.2881, não considerou a decisão judicial anteriormente veiculada no Processo Judicial nº 000001715.2012.4.03.6105. (5) Da autuação fiscal em relação à Matriz do sujeito passivo Cumpre esclarecer que o lançamento fiscal deve ser elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Fl. 612DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10830.724375/201291 Acórdão n.º 2403002.393 S2C4T3 Fl. 605 17 Por outro lado, as autuações fiscais em relação à Matriz, CNPJ nº 46.043.980/000100, quais sejam, AIOP nº 51.017.2890, AIOP nº 51.017.2903 e AIOA nº 51.017.2881, deveriam ter sido lavradas com a fundamentação de que o lançamento fiscal estaria sendo realizado para se prevenir a decadência, com referência expressa à sentença prolatada no Processo Judicial nº 000001715.2012.4.03.6105, porquanto este processo judicial, conforme consulta ao site do TRF 3ª região (http://www.trf3.jus.br) em 17.01.2014, ainda não transitou em julgado. Anotese que a motivação deve ser própria, inerente e contemporânea ao Relatório Fiscal pois a ausência ou a deficiência de fundamentação não podem ser supridas em instâncias “a posteriori". Logo, as autuações lavradas em relação à Matriz do sujeito passivo, CNPJ nº 46.043.980/000100, devem ser anuladas por vício material pela falta de fundamentação, violando portanto o art. 142, CTN, por não refletir o prolatado na sentença decorrente do Processo Judicial nº 000001715.2012.4.03.6105, o que, ademais, claramente também implicou em violação aos princípios constitucionais da ampla defesa e da segurança jurídica posto que o contribuinte teve o provimento judicial a seu favor descumprido pela AuditoriaFiscal, mesmo que momentâneo pois ainda não tinha ocorrido o trânsito em julgado, (6) Da autuação fiscal em relação à Filial do sujeito passivo Em relação à filial do sujeito passivo, CNPJ nº 46.043.980/000291, temos que a sentença judicial decidiu que se faça a revisão dos lançamentos para constituir eventual crédito tributário relativo às contribuições previdenciárias incidentes sobre a Filial da Recorrente CNPJ n° 46.043.980/000291. No entanto, conforme o já exposto, compulsandose o Relatório Fiscal, às fls. 369 a 377, não se encontra qualquer referência à decisão judicial prolatada, em 14.06.2012, no Processo Judicial nº 000001715.2012.4.03.6105, restandose óbvio que o procedimento fiscal na fase de lavratura dos Autos de Infração, quais sejam, AIOP nº 51.017.2890, AIOP nº 51.017.2903 e AIOA nº 51.017.2881, não considerou a decisão judicial anteriormente veiculada no Processo Judicial nº 000001715.2012.4.03.6105. Nesta ponto, devemos observar o que a sentença judicial expressamente determinou em relação à filial do sujeito passivo: "determino que a parte ré promova a revisão do lançamento, mediante a devida apuração das contribuições previdenciárias e dos benefícios legais gozados indevidamente pela filial (...) e que, em sendo o caso, constitua o crédito tributário (...)". (gn). Logo, as autuações lavradas em relação à Filial do sujeito passivo, CNPJ nº 46.043.980/000291, devem ser anuladas por vício material pela falta de fundamentação, violando portanto o art. 142, CTN, por não refletir o prolatado na sentença decorrente do Processo Judicial nº 000001715.2012.4.03.6105, o que, ademais, claramente também implicou em violação aos princípios constitucionais da ampla defesa e da segurança jurídica posto que o contribuinte teve o provimento judicial a seu favor descumprido pela AuditoriaFiscal, mesmo que momentâneo pois ainda não tinha ocorrido o trânsito em julgado Fl. 613DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 18 (ii) DA IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DE MULTA Analisemos. Não iremos discutir este tópico em função da análise do tópico anterior em que se decidiu pela anulação por vício material das autuações. CONCLUSÃO Voto pelo CONHECIMENTO do Recurso Voluntário, para, NAS PRELIMINARES, anular por vício material os AIOP nº 51.017.2890, AIOP nº 51.017.290 3 e AIOA nº 51.017.2881. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 614DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 11012.000233/2009-36
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
PENSÃO ALIMENTÍCIA. COMPROVAÇÃO. SUFICIÊNCIA.
Estando suficientemente comprovado o pagamento de pensão alimentícia, não subsiste o gravame lançado.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 2802-002.935
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para que seja restabelecido como dedução de pensão alimentícia o montante de R$ 27.357,11 (vinte e sete mil, trezentos e cinquenta e sete reais e onze centavos), nos termos do relatório e votos integrantes do julgado. Vencido o Conselheiro Ronnie Soares Anderson (relator) que dava provimento parcial em menor extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Jaci de Assis Júnior.
(Assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Relator.
(Assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández e Ronnie Soares Anderson. Ausentes justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano e, momentaneamente, o Conselheiro Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para que seja restabelecido como dedução de pensão alimentícia o montante de R$ 27.357,11 (vinte e sete mil, trezentos e cinquenta e sete reais e onze centavos), nos termos do relatório e votos integrantes do julgado. Vencido o Conselheiro Ronnie Soares Anderson (relator) que dava provimento parcial em menor extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Jaci de Assis Júnior. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Relator. (Assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández e Ronnie Soares Anderson. Ausentes justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano e, momentaneamente, o Conselheiro Carlos André Ribas de Mello.
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COMPROVAÇÃO. SUFICIÊNCIA. Estando suficientemente comprovado o pagamento de pensão alimentícia, não subsiste o gravame lançado. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para que seja restabelecido como dedução de pensão alimentícia o montante de R$ 27.357,11 (vinte e sete mil, trezentos e cinquenta e sete reais e onze centavos), nos termos do relatório e votos integrantes do julgado. Vencido o Conselheiro Ronnie Soares Anderson (relator) que dava provimento parcial em menor extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Jaci de Assis Júnior. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Relator. (Assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior – Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 01 2. 00 02 33 /2 00 9- 36 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Ass inado digitalmente em 28/07/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON 2 e Ronnie Soares Anderson. Ausentes justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano e, momentaneamente, o Conselheiro Carlos André Ribas de Mello. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (RS), que julgou parcialmente procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) exigindo crédito tributário no valor total de R$ 17.208,68, relativo ao anocalendário 2006. A autuação decorreu da dedução indevida de despesas médicas, e de pensão alimentícia judicial, ambas por falta de comprovação. Em sede de impugnação, o contribuinte aduziu as seguintes razões, bem sintetizadas na seguinte passagem do relatório do acórdão recorrido: O contribuinte, inconformado com o lançamento, apresentou impugnação tempestiva à Notificação de Lançamento, às fls. 01 a 03, através de procurador formalmente constituído – docs. fls. 04 e 05, alegando que ficou obrigado por determinação judicial a pagar parte do sustento, a título de pensão alimentícia, dos seus filhos a partir da separação conjugal, na proporção de 2/3 com limites de R$ 1.300,00 por mês com o filho Aloísio e de R$ 2.000,00 por mês com a filha Samantha, na condição especial de deficiente físico desde 1992. Entre as partes combinaram que o pagamento da pensão se daria através da utilização do cartão de crédito, pagamento do plano de saúde e/ou dinheiro, que totalizaram R$ 14.280,00 para cada filho, no anocalendário de 2006, abaixo do limite determinado judicialmente. No caso da alimentanda Samanta foi efetuado o pagamento da referida pensão diretamente e em moeda nacional, sem a exigência de recibo de quitação, uma vez que existe a relação de confiança entre as partes. No caso do alimentando Aloísio, ocorreram pagamentos em dinheiro além das despesas pagas com cartão de crédito. Acrescenta, ainda, que foram desprezados os documentos apresentados como cópias das faturas de cartão de crédito e das faturas de pagamentos de planos de saúide – Unimed Porto Alegre, inclusive a sua parcela de R$ 1.551,55. Em primeira instância julgadora foi parcialmente cancelado o lançamento, exonerando os R$ 1.551,55 relativo a contribuições mensais à UNIMED – Porto Alegre, CNPJ nº 87.096.616/000196, face ao documento de fls. 18, trazido então pelo contribuinte, o qual, aliás, admitiu a glosa parcial das despesas com plano de saúde. Ao final, foi mantida a exigência relativa à pensão alimentícia. O contribuinte interpôs recurso voluntário em 6/9/2011, repisando os argumentos da impugnação e salientando que a determinação judicial não determina prazo de duração e tampouco a forma de pagamento das pensões alimentícias. Ataca a decisão recorrida, dizendo que esta desclassificou as faturas de cartão de crédito como documentos comprobatórios porque as despesas ali relacionadas não atendiam o previsto na determinação judicial, e que isso não se sustenta, pois não há previsão específica nesse sentido na indigitada decisão. Acrescenta que a legislação tributária não exige que o Fl. 73DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Ass inado digitalmente em 28/07/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 11012.000233/200936 Acórdão n.º 2802002.935 S2TE02 Fl. 73 3 alimentando deva prestar conta de suas despesas e tampouco o contribuinte pode assim lhe exigir. Afirma que os valores deduzidos foram declarados como rendimentos tributáveis dos alimentandos, trazendo também declaração de pagamentos firmada pela beneficiária Samanta Almeida de Almeida, e demandando, ao final, o cancelamento das glosas dos valores deduzidos a título de pensão alimentícia. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A matéria recorrida cingese à glosa de deduções a título de pagamento de pensão alimentícia judicial no valor de R$ 28.560,00, por falta de comprovação. Dispõe o art. 78 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99): Pensão Alimentícia Art.78. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei n º 9.250, de 1995, art. 4 º , inciso II). §1 º A partir do mês em que se iniciar esse pagamento é vedada a dedução, relativa ao mesmo beneficiário, do valor correspondente a dependente. §2 º O valor da pensão alimentícia não utilizado, como dedução, no próprio mês de seu pagamento, poderá ser deduzido nos meses subseqüentes. §3 º Caberá ao prestador da pensão fornecer o comprovante do pagamento à fonte pagadora, quando esta não for responsável pelo respectivo desconto. (...) O contribuinte acostou aos autos Termo de Audiência judicial (fl. 16) na qual se realizou a conversão da ação de separação litigiosa em consensual mediante acordo, sendo assim decidido relativamente à questão dos alimentos: O réu fica responsável pelo sustento dos filhos até o dia 10/11/2011, e a partir de então, dois terços do sustento caberá ao réu, e um terço à autora, respeitado o limite máximo pela Fl. 74DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Ass inado digitalmente em 28/07/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON 4 filha Samanta em dois mil e quinhentos reais, e ao filho Aloísio Júnior, em mil e trezentos reais. Para o adequado deslinde da controvérsia, recomendável é analisar separadamente a pensão devida a cada um dos dois alimentandos. Samanta Almeida de Almeida, CPF nº 731.502.58049. O contribuinte deduziu R$ 14.280,00 a título de pagamento de pensão alimentícia à epigrafada em sua Declaração de Ajuste Anual (DAA) do anocalendário 2006. Observo que foram juntados aos autos, primeiro quando da impugnação e depois na interposição do recurso voluntário, dois documentos de teor bastante similar (fls. 17 e 67, respectivamente), qual seja, declarações de Samanta Almeida afirmando ter recebido do autuado o referido valor de R$ 14.280,00 como pagamento de pensão alimentícia que lhe era devida, sem prestação de recibo. Reparese que tais documentos não foram objeto de qualquer avaliação pela instância a quo, conforme a leitura do respectivo acórdão de julgamento revela. Presente neste processo administrativo, também, DAA Simplificada do exercício 2007 entregue pela alimentanda, na qual está informado o auferimento de rendimentos recebidos de pessoa física no valor de R$ 14.280,00. A existência de decisão judicial impondo o dever do contribuinte de pagar pensão alimentícia, as reiteradas declarações da beneficiária no sentido de estar recebendo valor compatível com o determinado judicialmente e com o declarado pelo autuado, e o oferecimento desse valor à tributação na DAA daquela, formam um conjunto de evidências que permitem concluir pela efetividade do pagamento em dinheiro do valor em exame, na ausência de elementos em sentido contrário. Cabe, por conseguinte, ser restabelecido como dedução o valor glosado de R$ 14.280,00, vinculado ao pagamento de pensão alimentícia à Samanta Almeida de Almeida. Aloísio Martins de Almeida Júnior, CPF nº 826.831.82015. Consoante descrito no relatório supra, o contribuinte alega que combinou com a autora da ação judicial que o pagamento da pensão devida ao seu filho se daria através da utilização do cartão de crédito, ocorrendo também pagamentos em dinheiro para complementála. Observa, no recurso voluntário, que a maior parte da pensão paga ao beneficiário em destaque foi quitada através da utilização de cartões de crédito adicionais, sendo que nas faturas dos cartões Visa e Mastercard (fls. 20/41) estão segregadas despesas em nome do alimentando, no montante anual de R$ 13.077,11, sendo o restante do total de R$ 14.280,00 R$ 1.202,89 pagos em espécie. Consta neste processo administrativo, outrossim, DAA Simplificada do exercício 2007 entregue pelo alimentando, na qual está informado o auferimento de rendimentos recebidos de pessoa física no valor de R$ 14.280,00. Diversamente do caso da beneficiária Samanta Almeida de Almeida, porém, não veio a lume nos presentes autos qualquer prova adicional de que o pagamento dos valores em espécie tivesse se dado conforme declarado pelo autuado, portanto, entendo não estar suficientemente comprovado o pagamento de R$ 1.202,89. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Ass inado digitalmente em 28/07/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 11012.000233/200936 Acórdão n.º 2802002.935 S2TE02 Fl. 74 5 No que diz respeito aos pagamentos realizados com cartões de crédito de titularidade do autuado, na prática o que se tem é que este pagou, no decorrer do ano calendário de 2006, uma série de despesas constantes nas respectivas faturas como sendo referentes à utilização de cartões adicionais, emitidos em nome de Aloísio Martins de Almeida Júnior. Quanto ao suposto acordo realizado com a autora da ação judicial, não há prova de sua realização, não sendo trazida, tampouco, declaração do beneficiário nos moldes das apresentadas pela outra beneficiária de pensão judicial, que pudesse conferir credibilidade mais significativa à versão do recorrente. A legislação do imposto de renda pessoa física não contempla hipótese de dedução de pensão alimentícia quando se verifica o pagamento direto de despesas do alimentando pelo alimentante. Pelo contrário, nem mesmo com relação a algumas das despesas mais importantes para a formação da pessoa humana, como a educação e a saúde, é permitido o pagamento direto a título de pensão alimentícia, conforme regram os §§ 4º e 5º do precitado art. 78 do RIR/99: Art.78.Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei n º 9.250, de 1995, art. 4 º , inciso II). (...) §4 º Não são dedutíveis da base de cálculo mensal as importâncias pagas a título de despesas médicas e de educação dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente (Lei n º 9.250, de 1995, art. 8 º , §3 º). §5 º As despesas referidas no parágrafo anterior poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo do imposto de renda na declaração anual, a título de despesa médica (art. 80) ou despesa com educação (art. 81)(Lei n º 9.250, de 1995, art. 8 º , §3 º ). Na realidade, a sistemática normativa posta requer que o valor pago como pensão alimentícia ingresse, efetivamente, na esfera jurídica do alimentando ou da pessoa em cuja guarda ele estiver, para que se cogite de sua dedutibilidade da base de cálculo do imposto de renda; assim disponibilizado, esse valor constituise, inclusive, em rendimento sujeito à tributação na pessoa do beneficiário, de acordo com o § 1º do art. 3º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988: Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Ass inado digitalmente em 28/07/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON 6 Notese que, na espécie, a própria decisão judicial estabelece em valor pecuniário o dever, para o contribuinte, de prestar alimentos, não havendo falar em pagamento direto de despesas, salvo por liberalidade daquele. Por sua vez, a existência de acordo particular entre as partes a respeito da forma de pagamento da prestação sequer está comprovada nos autos. E, em todo caso, eventual avença estabelecida em desconformidade com a determinação do poder judicante não tem o condão de se sobrepor às disposições constantes nas normas tributárias. Ante o exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para fins de que seja restabelecido como dedução de pensão alimentícia o montante de R$ 14.280,00, correspondente ao pagamento de pensão alimentícia à Samanta Almeida de Almeida. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Relator Voto Vencedor Conselheiro Jaci de Assis Junior, Redator designado Não obstante o muito bem elaborado voto do Conselheiro Relator, divirjo, exclusivamente, em relação ao não acolhimento das faturas dos cartões de crédito adicionais, fls. 20 a 41, em nome do alimentando Aloísio Martins de Almeida Júnior, como prova do pagamento da pensão alimentícia no valor de R$ 13.077,11. De acordo com a cópia do Termo de Audiência realizado no curso do processo judicial de separação, fls. 16, ficou consentido que: “(...) O réu fica responsável pelo sustento dos filhos até o dia 10/11/2001, e a partir de então, dois terços do sustento caberá ao réu, e um terço à autora, respeitado o limite máximo pela filha Samanta em dois mil e quinhentos reais, e ao filho Aloísio Júnior, em mil e trezentos reais. (...).” Da leitura dos termos fixados nessa conciliação judicial, depreendese que o recorrente ficou obrigado a pagar o sustento do seu filho a partir da separação conjugal, sendo os respectivos gastos limitados a R$ 1.300,00 por mês. Portanto, à vista dos termos dessa conciliação, entendo que não pode prosperar o argumento firmado pelo ilustre Conselheiro Relator no sentido de considerar mera liberalidade o fato de o recorrente adotar a atitude de manter o controle dos gastos advindos desse sustento utilizandose de cartões de crédito adicionais do próprio alimentando. Também concorre a favor do recorrente a constatação de que, à vista da determinação judicial em referência, mencionada atitude se revela necessária e até mesmo indispensável à prática cotidiana de sustento do alimentando. No meu modo de entender, tal atitude, inclusive, favorece a identificação de que os gastos registrados foram realizados pelo próprio alimentando, haja vista constarem segregados dos demais gastos do contribuinte nas respectivas faturas dos cartões de crédito. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Ass inado digitalmente em 28/07/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 11012.000233/200936 Acórdão n.º 2802002.935 S2TE02 Fl. 75 7 Diante dessa circunstância, repitase, advinda em face dos termos descritos na conciliação judicial, não se pode equiparar o caso examinado nos presentes autos com a hipótese de pagamento direto de despesas do alimentando, mesmo porque os gastos estão devidamente registrados em faturas de cartões de crédito adicionais, pertencentes ao próprio alimentando, Aloísio Martins de Almeida Júnior. Ademais, constatase que esses gastos não ultrapassaram o limite mensal do sustendo determinado pela conciliação judicial. Portanto, estando suficientemente comprovado nos autos o pagamento do valor de R$13.077,11 correspondente à pensão alimentícia devida ao alimentando Aloísio Martins de Almeida Júnior, também não poderá subsistir a glosa realizada pela notificação de lançamento, a exemplo do valor de R$14.280,00 que foi acatado pelo ilustre Conselheiro Relator, vinculado ao pagamento de pensão alimentícia à Samanta Almeida de Almeida. Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para que seja restabelecido como dedução de pensão alimentícia o montante de R$27.357,11 (vinte e sete mil, trezentos e cinquenta e sete reais e onze centavos). (Assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Fl. 78DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Ass inado digitalmente em 28/07/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON
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Numero do processo: 16004.001135/2008-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 13 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2401-000.373
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Elias Sampaio Freire - Presidente Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 60 04 .0 01 13 5/ 20 08 -5 8 Fl. 837DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/06 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16004.001135/200858 Resolução nº 2401000.373 S2C4T1 Fl. 838 2 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo e demais devedores solidários contra o Acórdão n.º 1431.494 de lavra da 9.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Ribeirão Preto (SP), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração – AI n.º 37.135.3190. A lavratura em questão referese à exigência das contribuições patronais para outras entidades ou fundos. Os fatos geradores contemplados no lançamento foram as remunerações pagas a segurados empregados que prestaram serviços à autuada no período fiscalizado. Conforme o relato do fisco, a empresa exerceu exclusivamente a atividade de locação de mãodeobra, contrariando assim a legislação do Simples, razão pela qual foi excluída deste regime tributário, em 10/06/2008, mediante o Ato Declaratório Executivo n. 59, cujos efeitos retroagiram a 11/06/2003. Alerta o fisco que as contribuições descontadas dos segurados foram recolhidas e que a cota previdenciária contida nos recolhimentos efetuados sob a sistemática do Simples foram considerados na apuração. Passo a reproduzir trecho do relatório da decisão de primeira instância, no qual são narrados fatos que levaram o fisco a atribuir a responsabilidade solidária pelo crédito a diversas pessoas físicas e jurídicas: “Discorre acerca da operação "Grandes Lagos" desencadeada pela Policia Federal tendo como objeto a obtenção de provas de ilícitos praticados por organização constituída com objetivo de sonegar tributos e eximir os titulares de fato de suas responsabilidades trabalhista e previdenciária. Prossegue relatando a existência do "Núcleo Mozaquatro", indicando as pessoas físicas e jurídicas que o integravam, reportandose aos Anexos I e II, nos quais apresenta os fatos e documentos que caracterizam o grupo cm questão. Com base na análise da documentação a qual teve acesso a fiscalização, constatouse a existência de grupo econômico de fato formado pelas empresas: Coferfrigo ATC Ltda, Distribuidora de Carnes e Derivados Sao Luis Lida, Comercial de Carnes Boi Rio Ltda, Frigorífico Caromar Ltda, Nogueira e Poggi Lida, Pedretti e Magri Lida, Frigorífico Mega Boi Ltda, Friverde Indústria de Alimentos Ltda, Transverde Produtos Alimentícios Lida, CM4 Participações Ltda, Indústrias Reunidas CMA Ltda, Comercial Reis Produtos Bovinos Lida e Wood . Comercial Ltda, além das pessoas físicas Joao Pereira Fraga, Alfeu Crozato Mozaquatro, Marcelo Buzolin Mozaquatro e Patricia Buzolin Mozaquatro. Foram lavrados Termos de Sujeição Passiva Solidária em relação a todas essas pessoas jurídicas e físicas, encontrandose nos autos cópias dos referidos termos e dos comprovantes de recebimento dos mesmos pelos interessados. Fl. 838DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/06 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16004.001135/200858 Resolução nº 2401000.373 S2C4T1 Fl. 839 3 Tece considerações acerca da solidariedade existente entre empresas integrantes do grupo econômico, citando a legislação atinente. Afirma que a Comercial Reis foi constituída por intermédio de interpostas pessoas em seu quadro societário ("laranjas") exclusivamente para locar mãodeobra à empresa Indústrias Reunidas CMA Ltda. O sócio José Roberto Barbosa aparece no banco de dados institucional CNIS como empregado da CMA antes e depois do período de atividades da Comercial Reis. Apresenta relação de elementos juntados: (a) notas fiscais de prestação de serviços da Comercial Reis e demonstrativo de receitas e do SIMPLES; (b) documentos que apresentam a Sra. Deusa (encarregada do departamento pessoal da CMA) como pessoa da Comercial Reis para contato; (e) declarações de empregados da Comercial Reis. Finaliza mencionando os elementos que integram o Al, os demais AI lavrados, a caracterização, em tese, de ilícito de natureza penal. Afirma que foram enviadas cópias do Al aos sujeitos passivos solidários, assegurandolhes o exercício do direito de defesa. Integra a autuação o Anexo I no qual a fiscalização tece considerações inúmeras acerca das empresas ostensivas do "Grupo Mozaquatro" (empresas formalmente constituídas pelos membros da família Mozaquatro); das plantas frigoríficas utilizadas pelo grupo; das empresas constituídas por interpostas pessoas com o objetivo de fornecer a mãodeobra de que o grupo necessitava. Discorrese detalhadamente sobre cada empresa integrante do grupo, inclusive a Comercial Reis, e pessoas físicas vinculadas as mesmas, além da caracterização do grupo econômico e da solidariedade existente entre as empresas que o integram, procedendose, ainda, ajuntada de inúmeros documentos totalizando referido anexo 12 (doze) volumes. O Anexo II igualmente é composto por inúmeros documentos, tomando corpo em 21 (vinte e um) volumes, trazendo ao final o relatório denominado "VINCULAÇÃO ENTRE AS EMPRESAS NO GRUPO ECONÔMICO DE FATO — 'GRUPO MOZAQUATRO'", no qual são relacionados numerosos elementos probatórios que demonstram a vinculação entre as diversas empresas consideradas integrantes do grupo em questão, bem como, das pessoas físicas abrangidas pelo contexto fático.” As pessoas físicas Alceu Crozato Mozaquatro, Patrícia Buzolin Mozaquatro e Marcelo Buzolin Mozaquatro em conjunto com as empresas Indústrias Reunidas CMA Ltda e CM4 Participações Ltda impugnaram o crédito, lançando argumentos para questionar as suas inclusões no polo passivo da exigência mediante a utilização de presunção e de provas ilícitas. A autuada em sua defesa apresentou inconformismo contra a sua exclusão do Simples, primeiro porque não foi regularmente cientificada do Ato Declaratório e, depois, pelo fato do mesmo haver produzido efeitos retroativos. O Sr João Adson Fraga, na qualidade de inventariante do espólio de João Pereira Fraga, também apresentou peça impugnatória, na qual tenta afastar a responsabilidade imputada ao “de cujos” alegando que a única relação que possuía relação com o Grupo Fl. 839DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/06 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16004.001135/200858 Resolução nº 2401000.373 S2C4T1 Fl. 840 4 Mozaquatro foi o arrendamento de instalações industriais da Cofercarnes, da qual era sócio, para a empresa Coferfrigo, pertencente ao referido grupo. Sustenta que era, inclusive, inimigo do controlador do Grupo Mozaquatro, o Sr. Alceu Mozaquatro. Assevera que ocorreu decadência parcial do crédito, além de que teve o seu direito de defesa cerceado, posto que a lavratura foi totalmente edificada em presunções do fisco e não lhe foram apresentados os elementos necessários ao exercício da ampla defesa. Na apreciação das defesas, a DRJ declarou procedente o lançamento e manteve os vínculos de solidariedade imputados pela auditoria. Da mesma forma como na defesa, interpuseram recurso conjunto Alceu Crozato Mozaquatro, Patrícia Buzolin Mozaquatro e Marcelo Buzolin Mozaquatro e as empresas Indústrias Reunidas CMA Ltda e CM4 Participações Ltda. Na sua peça de inconformismo apresentaram as alegações abaixo. A prova emprestada do inquérito policial decorrente da “Operação Grandes Lagos” não é meio lícito para fundamentar a responsabilidade tributária dos recorrentes, uma vez que naquele procedimento não foram observados as garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa. Não sendo válidas as provas apresentadas, não se pode inverter o “onus probandi”, para se exigir dos recorrentes que demonstrem a inexistência dos fatos que deram ensejo a sua responsabilidade fiscal. De outra banda, o lançamento viola o princípio da presunção de inocência, uma vez que a ação penal baseada no referido inquérito ainda não teve trânsito em julgado. Ao final, pedem a anulação do AI. O inventariante de João Pereira Fraga manifestouse contra a decisão da DRJ, lançando os argumentos que se seguem. Deve prevalecer o entendimento expresso na declaração de voto do acórdão recorrido, que defendeu a conversão do julgamento em diligência para que fosse juntado o comprovante de ciência do ato que excluiu a autuada do Simples. O “de cujos” nunca foi sócio, administrador, colaborador ou preposto da empresa autuada, da qual sequer sabia a existência. A contribuinte possui patrimônio suficiente para fazer frente aos débitos lançados, portanto, não é razoável que se busque alcançar pessoas estranhas à empresa. O Sr. João Fraga apenas era procurador da empresa Coferfrigo em conta bancária utilizada para pagamento de gado por ela adquirido, não tendo sequer vínculo comercial com a autuada. Para que este pudesse assumir a condição de solidário pelas contribuições exigidas, o fisco teria que provar a sua relação com o contribuinte ou, ao menos, que teria interesse comum em seus negócios. A autoridade fiscal não conseguiu demonstrar o vínculo entre Comercial Reis Produtos Bovinos, Coferfrigo e João Fraga. Assim não há na espécie os requisitos legais para a responsabilização deste último. Fl. 840DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/06 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16004.001135/200858 Resolução nº 2401000.373 S2C4T1 Fl. 841 5 As contribuições relativas ao período de 07 a 12/2003 encontramse fulminadas pela decadência, haja vista que na falta de demonstração pelo fisco da ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial deve ser aferido pelo § 4. do art. 150 do CTN. A lavratura merece anulação pelo fato de faltar clareza e precisão quanto aos motivos que dariam ensejo à responsabilização do Sr. João Fraga. Esse fato demonstra o claro prejuízo da pessoa arrolada como devedora solidária. O Sr. João Fraga está impedido de se defender na medida em que não possui acesso aos documentos e à contabilidade da empresa autuada. A impossibilidade de defesa do administrado também é causa de nulidade da autuação. O fisco incorreu em total ilegalidade ao desconsiderar a personalidade jurídica da Comercial Reis Produtos Bovinos e atribuir ao espólio de João Pereira Fraga a responsabilidade pelas contribuições supostamente não adimplidas. Não se comprovou nos autos que a empresa autuada fora regularmente intimada a apresentar a comprovação de que recolhera as quantias exigidas, sendo que o espólio, na qualidade de pessoa estranha, não tem como verificar esse fato. Acrescenta que a lavratura mediante arbitramento com base em provas emprestadas somente é admitida quando fundamentada na legislação de regência, o que não ocorreu no presente caso. Ao final, pediu a decretação de nulidade do AI, a sua exclusão do polo passivo ou o reconhecimento da improcedência do lançamento. É o relatório. Fl. 841DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/06 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16004.001135/200858 Resolução nº 2401000.373 S2C4T1 Fl. 842 6 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade Os recursos merecem conhecimento, posto que preenchem os requisitos de tempestividade e legitimidade. Necessidade de sobrestamento do feito Verifico na espécie que o deslinde da presente contenda reclama a solução de um outro processo administrativo que sabemos ainda não foi concluído. Tratase do processo n.º 16004.000454/200846, que se refere à discussão acerca da exclusão do sujeito passivo do Simples. Ressaltese que essa questão foi inclusive motivo de declaração de voto no julgamento de primeira instância, onde os julgadores vencidos entenderam pela necessidade de conversão em diligência para verificação do feito relativo à exclusão do Simples. Assim, tendose em conta o caráter de prejudicialidade do mencionado processo de exclusão do Simples frente à lavratura sob apreciação, deve o presente julgamento ser convertido em diligência, para que os autos retornem à origem e somente subam para apreciação por esse Colegiado, quando se tenha o trânsito em julgado do processo em que se discute a situação da recorrente perante o regime simplificado de recolhimento. Facultese aos interessados o prazo legal para manifestação acerca do resultado da diligência. Conclusão Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência, nos termos acima propostos. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 842DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/06 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10314.009045/2009-14
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 17/07/2008, 27/08/2008
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
Aplica-se o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-003.252
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Sérgio Piqueira Pimentel Maia, OAB/RJ 24.968.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes- Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Aplicase o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Sérgio Piqueira Pimentel Maia, OAB/RJ 24.968. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 90 45 /2 00 9- 14 Fl. 118DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10314.009045/200914 Acórdão n.º 3801003.252 S3TE01 Fl. 3 2 Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10314.009045/200914 Acórdão n.º 3801003.252 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 7ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Fortaleza (DRJ/FOR), em que foi julgada improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte, sendo o crédito tributário mantido. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “O presente processo é referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação acessória de prestar informação sobre carga transportada, na forma e no prazoestabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. O lançamento, que foi contestado pela empresa autuada, (...)à época de sua formalização. Da Autuação No campo DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL do Auto de Infração consta, em síntese, que a empresa autuada solicitou, após o decurso do prazo para prestar informação sobre carga transportada, definido na Instrução Normativa RFB nº 800/2007, a retificação de dado já incluído no sistema informatizado de controle de cargas. Em razão dessa conduta, a autoridade autuante entendeu estar caracterizada a infração tipificada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003, e aplicou a multa ali prescrita. A fiscalização informou que, de acordo com a legislação regente, o controle aduaneiro da movimentação de cargas, embarcações e unidades de carga é feito por meio do Siscomex Carga, o qual deverá ser suprido de informações a serem prestadas pelos intervenientes no comércio exterior, inclusive as agências de carga ou de navegação, como é o caso da autuada. As referidas informações estão dispostas nos Anexos da IN SRF nº 800/2007, e servem para gerar o conhecimento eletrônico (CE) de carga. A autoridade lançadora esclareceu que, nos termos dos artigos 3º e seguintes da IN RFB nº 800/2007, a autuada responde pelas informações prestadas a destempo, e que essa responsabilidade é objetiva, perfazendose independentemente da intenção do agente, consoante dispõe o art. 136 do Código Tributário Nacional. Diante dos fatos apurados, a fiscalização lavrou o Auto de Infração em debate, tendo como fundamento, além dos dispositivos legais já mencionados, os indicados no campo ENQUADRAMENTO LEGAL do Auto de Infração. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10314.009045/200914 Acórdão n.º 3801003.252 S3TE01 Fl. 5 4 Da Impugnação O sujeito passivo foi cientificado da exação e apresentou impugnação, na qual aduz os argumentos a seguir sintetizados. a) A conduta da impugnante não está tipificada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966, com redação dada pela Lei n° 10.833/2003, uma vez que ela não deixou de prestar a informação exigida e a norma punitiva não admite analogia ou interpretação extensiva. b) Mesmo que a conduta da impugnante pudesse ser considerada infração, ainda assim não seria cabível a multa aplicada, pois o pedido de retificação foi feito antes de qualquer ação fiscal, sendo aplicável ao caso o instituto da denúncia espontânea, constante no art. 138 do CTN, para fins de exclusão da penalidade. c) A penalidade também não pode ser cominada à impugnante porque ela não se reveste da condição de empresa de transporte internacional, nem é prestadora de serviço de transporte internacional expresso portaaporta ou agência de carga. É apenas uma agência de navegação, que tem por fim prover as necessidades do navio no porto de destino, e não pode ser equiparada às empresas mencionadas anteriormente. d) O fato de a agência marítima ser representante do transportador estrangeiro não implica em responsabilidade solidária pela prestação de informação de forma irregular, pois a solidariedade tem que estar prevista em lei. e) O Auto de Infração não atende às exigências legais, pois não traz o transportador como sujeito passivo nem apresenta qualquer prova ou informação que possa contribuir para sua identificação. Ao final a defesa requer que o lançamento seja julgado improcedente.” A impugnação foi conhecida pela DRJ de origem, sendo julgada improcedente. O acórdão da DRJ/FOR conta com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO AGÊNCIA MARÍTIMA REPRESENTANTE DE TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. PRESTAÇÃO INTEMPESTIVA DE INFORMAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. Responde pela prestação intempestiva de informação legalmente exigida a agência de navegação marítima representante de transportador estrangeiro que tiver concorrido para a prática dessa infração ou dela se beneficiado. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10314.009045/200914 Acórdão n.º 3801003.252 S3TE01 Fl. 6 5 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. RETIFICAÇÃO INTEMPESTIVA DE REGISTRO. IRRELEVÂNCIA DA INTENÇÃO DO AGENTE. MULTA A retificação de registro sobre carga transportada após o prazo fixado para prestar essa informação confirma que o dado correto não foi apresentado tempestivamente, fato que é tipificado como infração autônoma, punível com multa específica, independente da intenção do agente. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DESCABIMENTO. A prestação de informações sobre as cargas transportadas na forma e no prazo legalmente estabelecidos é obrigação acessória autônoma, cujo descumprimento não comporta saneamento via denúncia espontânea, que é expressamente afastada após a atracação do veículo transportador. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a improcedência da impugnação, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, onde em suas razões, requer a reforma do acórdão. É o sucinto relatório. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10314.009045/200914 Acórdão n.º 3801003.252 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Paulo Antônio Velloso da Silveira –Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. A controvérsia em discussão nestes autos se refere à aplicação da multa à recorrente Wilson Sons Agência Marítima Ltda. A questão em debate cingese à incidência da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66, em que a Recorrente protesta pela atipicidade dos fatos praticados, pela nulidade do auto de infração que apresentou fundamentos conflitantes para a penalidade, bem como requer o benefício da denúncia espontânea, haja vista ter apresentado as informações previstas pela IN/SRF nº 28/94. A multa aplicada está prevista no art. 107, inciso IV, alínea "c", do Decreto lei n° 37, de 18 de novembro de 1966, com redação dada pelo art. 77, da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, in verbis: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de nãoapresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; Preliminarmente afasto o argumento da Recorrente de que, por ser a empresa uma agência marítima, e não uma transportadora, não está configurada sua responsabilidade quanto à prática da infração objeto dos autos. Ocorre que a obrigação do transportador, de prestar as informações à RFB, encontrase estabelecida no art. 37 do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar Fl. 123DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10314.009045/200914 Acórdão n.º 3801003.252 S3TE01 Fl. 8 7 as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Ultrapassados tal argumento, entendo que a penalidade não deve ser aplicada no presente caso. Ocorre que, muito embora típica e perfeitamente subsumido o fato à norma, no caso em tela se está diante de uma excludente da punibilidade, haja vista a Recorrente estar amparada pela hipótese legal da chamada denúncia espontânea. Esse instituto jurídico tem lugar quando o contribuinte informa à administração as infrações por ele praticadas, antes de iniciado qualquer procedimento fiscalizatório. A vantagem dessa confissão prévia e espontânea para o contribuinte está na consequência legal que o instituto lhe garante. É que a penalidade correspondente é excluída. Ocorre que a Recorrente solicitou através de petição datada de 20/01/2011 (fl. 21), retificação de informação do CEMERCANTE n° 151005206011704, referente ao Conhecimento de Carga n° MOLU13900291395, consignado à empresa New Track Importação, Exportação e Distribuição Ltda. A informação referiase ao NCM informado incorretamente. Assim, em 28/01/2011 foi promovida pela Receita Federal do Brasil a referida retificação, conforme consta no auto de infração. Assim, somente após o protocolo da petição retificadora da NCM, é que ocorreu a lavratura do Auto de Infração, sendo intimada a contribuinte, por carta A.R.. Portanto, o Auto de Infração somente foi lavrado após o protocolo da petição que retificou a NCM. Logo, o pedido de retificação prestado pela recorrente foi anterior à lavratura da Intimação, assim como antes também da lavratura do Auto de Infração. Deste modo, aplica se ao presente caso o instituto da denúncia espontânea. O Código Tributário Nacional disciplina no art. 138 a exclusão da responsabilidade quando a denúncia espontânea for acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora, restringindo tal hipótese quando caracterizado o início do procedimento administrativo ou qualquer medida de fiscalização, nos termos do parágrafo único. Destacase também que até a edição da Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, a caracterização da denúncia espontânea não contemplava as obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo. Porém, com a vigência da norma acima, foi modificado o § 2º, do art. 102 do DecretoLei nº 37/66, incluindo as penalidades administrativas dentre aquelas possíveis de aplicação da denúncia espontânea, in verbis: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; Fl. 124DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10314.009045/200914 Acórdão n.º 3801003.252 S3TE01 Fl. 9 8 b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) No presente caso, temos, portanto, que a retificação foi apresentada antes de qualquer procedimento de fiscalização, caracterizando a denúncia espontânea, devendo ser excluída a penalidade ora discutida, de natureza administrativa, conforme previsão do § 2º do artigo 102 do DecretoLei nº 37/66. Acrescentase ainda que este Egrégio Conselho tem compartilhado deste entendimento, consoante se verifica pelos arestos abaixo: DENÚNCIA ESPONTÂNEA CONFIGURAÇÃO A retificação de informação prestada em registro de conhecimento de carga antes de qualquer procedimento da fiscalização aduaneira, está amparada pela denúncia espontânea prevista no art. 102, do mesmo diploma legal (Acórdão 3101001.138, 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 22/05/2012, Relator Conselheiro Luiz Roberto Domingo) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO AS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A alteração do art. 102 do DecretoLei nº 37/66 promovida pela Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, que incluiu as penalidades de natureza administrativa, dentre aquelas alcançadas pela denúncia espontânea é aplicada aos casos ainda pendentes de julgamento, em razão da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. (Acórdão 3102001.663, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 25/10/2012, Relator Conselheiro Álvaro Arthur L. de Almeida Filho) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA ADMINISTRATIVA ADUANEIRA ISOLADA. DENUNCIA ESPONTÂNEA. Por força de dispositivo legal, a denúncia espontânea passou a beneficiar a multa administrativa aduaneira aplicada isoladamente por descumprimento de obrigação acessória denunciada antes de quaisquer procedimentos de fiscalização. (Acórdão 3301001.691, 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão Fl. 125DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10314.009045/200914 Acórdão n.º 3801003.252 S3TE01 Fl. 10 9 de 30/01/2013, Relator Conselheiro Jose Adão Vitorino de Morais) Em face do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para excluir a penalidade aplicada em razão da denúncia espontânea. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relator Fl. 126DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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