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Numero do processo: 10640.002505/2001-16
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jul 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF
Ano-calendário: 1997
IRRF. NORMAS PROCESSUAIS. DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF.
POSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO DURANTE A VIGÊNCIA DO ART. 90 DA MP 2.15835, ANTES DA INOVAÇÃO INTRODUZIDA PELO. ARTIGO 18 DA LEI N° 10.833/2003. Cabível o lançamento de oficio exigindo tributos declarados pelo contribuinte mediante Declaração de Contribuições e Tributos Federais — DCTF, efetuado anteriormente à vigência do artigo 18 da Lei n° 10.833/2003, ainda ao amparo do artigo 90 da Medida Provisória n° 2.15835/2001, que
expressamente exigia o lançamento de oficio para as hipóteses relativas à ausência de comprovação do pagamento de tributo declarado.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-001.664
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, determinando o retorno dos autos à Câmara de origem para análise das demais questões.
Matéria: DCTF - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada(TODOS)
Nome do relator: Gustavo Lian Hadad
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NORMAS PROCESSUAIS. DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF. POSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO DURANTE A VIGÊNCIA DO ART. 90 DA MP 2.15835, ANTES DA INOVAÇÃO INTRODUZIDA PELO. ARTIGO 18 DA LEI N° 10.833/2003. Cabível o lançamento de oficio exigindo tributos declarados pelo contribuinte mediante Declaração de Contribuições e Tributos Federais — DCTF, efetuado anteriormente à vigência do artigo 18 da Lei n° 10.833/2003, ainda ao amparo do artigo 90 da Medida Provisória n° 2.15835/2001, que expressamente exigia o lançamento de oficio para as hipóteses relativas à ausência de comprovação do pagamento de tributo declarado. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, determinando o retorno dos autos à Câmara de origem para análise das demais questões. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/08/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 (Assinado digitalmente) Otacilio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Relator EDITADO EM: 04/08/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacilio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Oliveira. Relatório Em face de Tarumã Distribuidora de Bebidas Ltda foi lavrado o auto de infração de fls. 04/07, objetivando a exigência de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF, declarado pela contribuinte em sua DCTF do 1º trimestre do anocalendário de 1997, cujo pagamento não foi identificado pela autoridade fiscal. A Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, ao apreciar o recurso voluntário interposto pela contribuinte, exarou o acórdão n° 10423.249, que se encontra às fls. 45/57 e cuja ementa é a seguinte: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1997 VALOR LANÇADO EM DCTF – COMPENSAÇÃO INDEVIDA PROCEDIMENTO Incabível o lançamento para exigência de saldo a pagar, apurado em DCTF, salvo se ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73, da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. Ainda assim, o lançamento deve restringirse à exigência da multa de ofício. O saldo do imposto a pagar, em qualquer caso, deve ser encaminhado à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição na Dívida Ativa da União. Recurso provido.” A anotação do resultado do julgamento indica que a Câmara, pelo voto de qualidade, deu provimento ao recurso para considerar inadequada a exigência de Imposto de Renda Retido na Fonte e consectários por meio de Auto de Infração. Intimada pessoalmente do acórdão em 31/07/2009 (fls. 58) a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial às fls. 61/70, em que sustenta contrariedade à Fl. 2DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/08/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10640.002505/200116 Acórdão n.º 920201.664 CSRFT2 Fl. 2 3 legislação em vigor, mais precisamente os artigos 106 e 142 do CTN e o artigo 90 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, bem como entendimento divergente de decisões de outras câmaras do antigo Conselho de Contribuintes. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho nº 9202 00.175, de 21/09/2009 (fls. 72 e vº). Intimado sobre a admissão do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional o contribuinte apresentou suas contrarazões de fls. 77 e documentos de fls. 78/158. É o Relatório. Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator O recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional preenche os requisitos de admissibilidade. Dele conheço. No mérito a discussão ora posta é relativa à possibilidade de exigência de valores declarados em DCTF, cujo pagamento não foi identificado pela Receita Federal do Brasil, por meio de auto de infração. O v. acórdão recorrido entendeu que é incabível o lançamento de ofício para exigência de tributo declarado em DCTF, constituído na vigência do art. 90 da Medida Provisória n. 2.15835, de 2001, por tal dispositivo ter perdido eficácia a partir da edição do art. 18 da Lei n. 10.833, de 2003, que deve ser aplicado retroativamente. Segundo essa posição estaria o débito declarado em DCTF já devidamente lançado, devendo ser encaminhado à Procuradoria da Fazenda Nacional para cobrança executiva, sendo desnecessária a lavratura de auto de infração. Entendo, no entanto, que no case em exame assiste razão à Procuradoria da Fazenda Nacional. Já me manifestei em oportunidades anteriores de que não compartilho com o entendimento externado no v. acórdão recorrido e tenho para mim que ele aplica indevidamente a regra da retroatividade benigna, prevista no art. 106 do CTN para a hipótese de aplicação de penalidade, a questão relativa a procedimento fiscal, cuja norma de regência é sempre a do momento da prática do ato, salvo norma posterior expressamente retroativa. O art. 90 da MP n. 2.15835, vigente a partir de 28 de agosto de 2001 e base legal da autuação, era bastante explícito: “Art. 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, Fl. 3DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/08/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal.” O argumento da tese vencedora no v. acórdão recorrido é o de que tal disposição perdeu eficácia com a edição do art. 18 da MP n. 135, publicada em 31 de outubro de 2003 (posteriormente convertido no art. 18 da Lei n. 10.833, de 2003). Referido dispositivo assim estabeleceu: “Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitar seá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964.” De fato, é patente que a partir da entrada em vigor do dispositivo não mais se tornou necessário procedimento de ofício para constituição de crédito tributário declarado em DCTF mas não pago, salvo nas hipóteses previstas no dispositivo. Não obstante, entender que o dispositivo tornou nulos os atos praticados na vigência do art. 90 da MP n. 2.15835 é dar a ele extensão demasiada, incompatível com os cânones de interpretação. Reportome à explicação constante do voto proferido pelo I. Conselheiro José Antônio Francisco, da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, formalizado no Acórdão 20177.839, in verbis: “Em outubro de 2003, com a publicação da MP nº 135 (convertida na Lei n. 10.833, de 2003), o lançamento anteriormente previsto no art. 90 da MP nº 2.15835, de 2001, passou a ser cabível somente nas hipóteses de compensação indevida, em que houvesse dolo, fraude ou conluio, relativamente à multa de ofício qualificada, não havendo lançamento em relação aos débitos declarados em DCTF. (...) A primeira conseqüência das referidas alterações implicaram a restrição da aplicação da multa de ofício, no caso de débitos declarados em DCTF, nos termos do art. 106, II, “a”, do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966), uma vez que a vinculação do débito em DCTF somente representa infração, segundo a nova legislação, nos casos em que tenha havido dolo. A conclusão mencionada foi objeto da Solução de Consulta Interna nº 3, de 8 de janeiro de 2004, emitida pela Coordenação do Sistema de Tributação, que também concluiu que os lançamentos, nas hipóteses da antiga redação do art. 90 da MP nº 2.15835, de 2001, e os recursos apresentados, entre a publicação daquela MP e a da MP nº 135, de 2003, seriam atos perfeitos, cabendo, portanto, a apreciação do recurso. Ademais, ainda, concluiu que “no julgamento dos processos pendentes, cujo crédito tributário tenha sido constituído com base no art. 90 da MP nº 2.15835, as multas de ofício exigidas juntamente com as diferenças lançadas devem ser exoneradas Fl. 4DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/08/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10640.002505/200116 Acórdão n.º 920201.664 CSRFT2 Fl. 3 5 pela aplicação retroativa do ‘caput’ do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, desde que essas penalidades não tenham sido fundamentadas nas hipóteses versadas no ‘caput’ desse artigo”. A aplicação de tais conclusões não se restringe aos casos de apresentação de pedido de compensação válido formalmente, como se poderia supor, uma vez que a disposição da MP nº 135, de 2003, foi bastante clara em restringir o lançamento à aplicação da multa e somente nos casos em que tenha havido dolo, fraude, ou conluio. Embora se concorde com o afastamento da aplicação da multa de ofício, aplicandose, entretanto, a de mora, se for o caso, não se pode concordar com a conclusão de que o auto de infração seja considerado improcedente, relativamente ao lançamento da contribuição. Se o auto de infração é um ato jurídico perfeito, por ter sido lavrado nos termos da legislação vigente, então passou a ser o meio adequado para cobrança dos valores lançados, ainda que a multa de ofício não seja aplicável. Segundo o art. 144 do CTN, “O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada”, de forma que o auto de infração foi regularmente lavrado, sob seus aspectos formais.” Em resumo, cabe aplicar a retroatividade benigna para afastar a exigência da multa de ofício, como muito bem concluiu a CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação (COSIT) da Secretaria da Receita Federal na Solução Interna de Consulta n. 3, de 2004. Não obstante, como também afirma a referida solução de consulta o procedimento de lançamento foi efetuado segundo a norma de regência então vigente (art. 90 da MP n. 2.15835), sendo ato jurídico perfeito, não cabendo afastálo por norma posterior não expressamente retroativa. No presente caso, tratase de IRRF relativo ao 1º trimestre do anocalendário de 1997, declarado pela recorrente em sua DCTF. Verificado o não pagamento por meio de auditoria interna, nos termos do artigo 4º da Instrução Normativa nº 54/1997, caberia o lançamento de imposto suplementar, por meio da lavratura de auto de infração, nos termos do art. 90 da MP n. 2.15835, vigente à época da autuação (outubro de 2001). A postura adotada pelo acórdão recorrido, se prevalecesse, poderia dar ensejo a questionamento em sede de embargos de execução fiscal quanto à inviabilidade de prosseguimento da cobrança em face da ausência de instrumento apto ao lançamento. Verifico, portanto, que a autoridade fiscal agiu corretamente ao efetuar o lançamento de ofício relativamente ao IRRF não recolhido com os respectivos consectários legais, sendo legítima a constituição do crédito tributário via auto de infração à época da autuação. Assim, entendo que deve ser reformado o v. acórdão recorrido, o qual determinou o cancelamento do Auto de Infração em epígrafe, devendo o processo ser remetido à Câmara a quo para análise das demais razões recursais suscitadas pela Contribuinte para se evitar supressão de instância. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/08/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito, DAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL, determinando o retorno dos autos à Câmara de origem para análise das demais questões. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 6DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/08/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 15471.000723/2006-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2002
PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. PAGAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA. RECONHECIMENTO.
Em respeito ao princípio da verdade material, deve-se reconhecer o pagamento do crédito tributário lançado, quando efetivamente comprovados através de documentos acostados pelo contribuinte.
Numero da decisão: 2102-001.609
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
provimento ao recurso.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano-calendário: 2002 PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. PAGAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA. RECONHECIMENTO. Em respeito ao princípio da verdade material, deve-se reconhecer o pagamento do crédito tributário lançado, quando efetivamente comprovados através de documentos acostados pelo contribuinte.
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PAGAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA. RECONHECIMENTO. Em respeito ao princípio da verdade material, devese reconhecer o pagamento do crédito tributário lançado, quando efetivamente comprovados através de documentos acostados pelo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Presidente. Assinado digitalmente CARLOS ANDRÉ RODRIGUES PEREIRA LIMA Relator. EDITADO EM: 06/01/2012 Fl. 69DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2012 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/01/2012 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 15471.000723/200633 Acórdão n.º 2102001.609 S2‐C1T2 Fl. 66 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atílio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 43 a 54, interposto contra decisão da DRJ no Rio de Janeiro/RJ, de fls. 29 a 31, que julgou procedente o lançamento de IRPF de fls. 02 a 06 dos autos, lavrado em 13/09/2006, relativo ao anocalendário 2002, com ciência da RECORRENTE em 25/10/2006 (fl. 25). O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 3.933,21, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de ofício de 75%. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal de fl. 03, o presente lançamento teve origem na seguinte infração: “TOTAL DOS RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS Omissão de rendimentos recebidos de Pessoa Jurídica ou Física decorrentes de trabalho com vínculo empregatício. INSS R$ 17.761,01; Telos R$ 26.102,72. Enquadramento Legal: arts. 1º a 3º e 6º da Lei nº 7.713/88; arts. 1º a 3º da Lei nº 8.134/90; arts. 1º, 3º, 5º, 6º, 11 e 32 da Lei nº 9.250/95; art. 21 da Lei nº 9.532/97; Lei nº 9.887/99; arts. 1º, 2º e 15 da Lei nº 10.451/2002; arts. 43 e 44 do Decreto n" 3.000/99 RIR/1999. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE O valor da Linha 05 Imposto Retido na Fonte, foi alterado em razão da inclusão de valores, devidamente comprovados, correspondentes a rendimentos tributáveis que não haviam sido informados na Linha 01.” Após as mencionadas alterações, foi apurado saldo de imposto a pagar no valor de 1.692,58, acompanhado de juros de mora e multa de ofício de 75% (fls. 04 a 06). DA IMPUGNAÇÃO Em 31/10/2006, a RECORRENTE apresentou, tempestivamente, sua impugnação de fl. 01. Em suas razões, alegou estar quite com as obrigações fiscais (imposto de renda) referentes ao anocalendário 2002, conforme documentos acostados aos autos na ocasião, quais sejam: Fl. 70DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2012 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/01/2012 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 15471.000723/200633 Acórdão n.º 2102001.609 S2‐C1T2 Fl. 67 3 I. recibo de entrega da declaração de ajuste anual simplificada (fl. 08); II. 06 cópias de DARFs relativos aos pagamentos efetuados, de abril/2003 a setembro/2003 (fls. 09 a 11); III. declaração de ajuste anual simplificada (fls. 12 a 14); e IV. comprovantes de rendimentos das fontes pagadoras Telos (fl. 15) e INSS (fl. 16). A declaração de ajuste anual da RECORRENTE, constante da base de dados da Receita Federal, foi acostada às fls. 21 a 23 dos autos. DA DECISÃO DA DRJ A DRJ, às fls. 29 a 31 dos autos, julgou procedente o lançamento, através de acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. O lançamento é efetuado de oficio quando o contribuinte deixa de informar rendimentos em sua Declaração de Ajuste Anual, implicando redução do imposto a pagar ou devido. (art. 841 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto 3.000 de 26/03/1999 – RIR/1999 e art. 149, inc. II e IV, do CTN). Lançamento Procedente” Nas razões do voto do referido julgamento, a autoridade julgadora expôs os seguintes entendimentos sobre a matéria discutida nos autos: “(...) Em que pesem as alegações da contribuinte, fato é que a Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Física DIRPF do Exercício 2003, AnoCalendário 2002, foi apresentada em 15/04/2003 com todos os campos zerados, como se observa às fls. 20/23. (...) Havendo previsão legal para que seja efetuado o lançamento nos casos de falta de declaração ou de declaração inexata (art. 841 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto Fl. 71DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2012 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/01/2012 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 15471.000723/200633 Acórdão n.º 2102001.609 S2‐C1T2 Fl. 68 4 3.000 de 26/03/1999 RIR/1999 e art. 149, inc. II e IV, do CTN), deve ser mantido o lançamento. (...) Quanto aos recolhimentos efetuados por meio de DARF's e vinculados ao período de apuração, não cabe ao Contencioso Administrativo se pronunciar sobre os mesmos por falta de competência regimental, no entanto estes deverão ser observados pelo servidor competente para fins de abatimento do imposto apurado, desde que devidamente comprovados, sem que isso implique a exoneração da multa de oficio decorrente do lançamento de oficio. O crédito tributário apurado pela autoridade autuante somente pode ser satisfeito com os encargos do lançamento de oficio (art. 957 do Decreto n.º 3.000, de 26 de março de 1999 RIR). (...)” Portanto, findou por julgar procedente o lançamento, mantendo a exigência do crédito tributário. DO RECURSO VOLUNTÁRIO A RECORRENTE foi intimado da decisão da DRJ em 18/06/2009, conforme AR de fl. 34, e apresentou em 14/07/2009 o recurso voluntário de fls. 43 a 54, através de procurador devidamente constituído à fl. 55. Em suas razões de recurso, a RECORRENTE apresentou, em síntese, defendeu que: I. O pagamento do imposto de renda incidente sobre as infrações constatadas pela fiscalização. Tal fato estaria comprovado, de forma inequívoca, nos autos, a partir da juntada dos DARFs contendo a integralidade do tributo, cujo pagamento ocorreu mediante quotas que foram quitadas. Afirmou que o somatório do valor principal dos DARF (R$ 1.692,58) é exatamente igual ao apurado pela autoridade lançadora. II. O tributo não foi pago após constatação da Receita Federal, conforme demonstra as datas de recolhimento dos DARFs acostados aos autos. III. Não há que se falar em declaração inexata que implicou redução de imposto a pagar (art. 841 do RIR/99), pois o pagamento do imposto de fato ocorreu. IV. A despeito da declaração constante da base de dados da Receita Federal estar com os campos “zerados”, tal situação somente deveria gerar Fl. 72DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2012 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/01/2012 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 15471.000723/200633 Acórdão n.º 2102001.609 S2‐C1T2 Fl. 69 5 presunção relativa de omissão de rendimentos, o que poderia ser combatida mediante a apresentação de prova em contrário. Desta forma, é certo que o imposto apurado em função dos rendimentos auferidos pela RECORRENTE foi correta e tempestivamente recolhido aos cofres públicos. V. Alegou que a multa de 75% é para ser aplicada nos casos de falta de declaração e nos de declaração inexata quando, e somente quando, da falta de declaração ou de sua inexatidão, defluirem ausência de recolhimento ou recolhimento inferior ao devido. E esta não era a situação fática da RECORRENTE; VI. Afirmou que os membros da 7ª Turma de Julgamento da DRJ de origem deveriam, em obediência ao Princípio da Verdade Material, converter o julgamento em diligência para que fosse apurada a ocorrência de provável falha no sistema de transmissão de declarações da Receita Federal (envolvendo possível falha de execução do programa ReceitaNet). Uma vez que o valor do imposto apurado, e lançado nos DARFs, é igual àquele lançado pela autoridade fiscal, tal fato induz a aceitar que o tributo fora apurado mediante correta utilização do programa gerador da declaração de rendimentos; VII. Defendeu a aplicação de diversos princípios processuais, dentre eles o da verdade real ou material. Por todo o exposto, a RECORRENTE requereu a improcedência do auto de infração. De acordo com o documento de fl. 59, o Fisco aproveitou os pagamentos realizados pela RECORRENTE – conforme DARFs de fls. 09 a 11 – para a redução do crédito tributário, nos termos dos REDARFs de fls. 35 a 40 e extrato de fls. 41 a 42. Assim, restou um valor residual a pagar de R$ 448,60 (sujeito à multa de ofício de 75%), “em razão de o credito tributário constante do Auto ser aplicado para pagamento em um único vencimento (ou seja, sem divisão em cotas) e com multa de oficio”. A RECORRENTE foi intimada das alterações promovidas em 23/07/2009 (fl. 61). Este recurso voluntário compôs lote, sorteado para este relator, em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Rodrigues Pereira Lima Fl. 73DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2012 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/01/2012 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 15471.000723/200633 Acórdão n.º 2102001.609 S2‐C1T2 Fl. 70 6 O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. Entendo que deve ser acatado o pleito da RECORRENTE, uma vez que o imposto ora cobrado já havia sido integralmente pago. É que antes da lavratura do lançamento de ofício (13/09/2006), a RECORRENTE já havia pago em seis quotas o saldo de imposto de renda devido, referente ao anocalendário 2002, como fazem prova os DARFs de fls. 09 a 11, cujas datas de pagamento são as seguintes: 30/04/2003; 30/05/2003; 30/06/2003; 31/07/2003; 28/08/2003; e 30/09/2003. O somatório dos valores principais indicados nos DARFs perfaz a quantia de R$ 1.692,54, que corresponde justamente ao valor do saldo de imposto de renda a pagar apurado pela fiscalização. Importante destacar que todos os pagamentos foram efetuados com os valores devidamente atualizados para a data do respectivo pagamento, bem como foram realizados com o código de recolhimento 0211, que corresponde à declaração de ajuste anual. A despeito da declaração de ajuste da RECORRENTE, constante do banco de dados da Receita Federal (fls. 21 a 23), indicar os campos de preenchimento completamente zerados (fato este que motivou o lançamento), não se pode desconsiderar que houve o efetivo pagamento do montante de tributo lançado antes da lavratura do auto de infração. A RECORRENTE acostou às fls. 12 a 14 dos autos o que entendeu ser a declaração de ajuste anual referente ao anocalendário 2002. Tal documento deve ser tratado como “esboço de declaração” pelo fato de divergir da declaração constante do banco de dados da Receita Federal. Verificase que o esboço de declaração (fl. 13) possui os mesmos valores utilizados pela autoridade fiscal para efetuar o acerto da declaração de fl. 18. Assim, entendo que a RECORRENTE apurou (não declarou, contudo, por falha sua ou do sistema) de forma correta o imposto devido à época, tendo inclusive optado por recolher o saldo em seis cotas de R$ 282,09, sendo impossível determinar os motivos que levaram à declaração de ajuste ser alocada ao banco de dados da Receita Federal com todos os campos zerados. É difícil ao contribuinte apurar a ocorrência de algum erro quando do envio da declaração pela Internet, especialmente no anocalendário em referência, quando a via transmitida da declaração ainda não ficava disponível para acesso através do programa eCac. Contudo, o que se pode concluir é que resta nítido o fato de a RECORRENTE ter agido de boafé ao efetuar o cálculo do imposto devido (conforme esboço da declaração), tendo inclusive recolhido o correspondente valor apurado. Portanto, concluise que a RECORRENTE honrou a sua obrigação fiscal tempestivamente, independentemente de a sua declaração ter sido recebida com os campos de preenchimento zerados. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2012 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/01/2012 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 15471.000723/200633 Acórdão n.º 2102001.609 S2‐C1T2 Fl. 71 7 Repito, o fato de os campos da declaração de ajuste estarem zerados não ocasionou falta de recolhimento de tributo, ou ainda recolhimento a menor, uma vez que todo o imposto devido foi pago tempestivamente, antes da lavratura do auto de infração. Consequentemente, não há que se falar em multa de ofício de 75% a ser aplicada no presente caso. Nesse sentido, importante transcrever o art. 957 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99): “Art. 957. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de imposto (Lei nº 9.430, de 1996, art. 44): I de setenta e cinco por cento nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II de cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Parágrafo único. As multas de que trata este artigo serão exigidas (Lei nº 9.430, de 1996, art. 44, § 1º): I juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago; II isoladamente, quando o imposto houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; III isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto na forma do art. 106, que deixar de fazêlo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto, na forma do art. 222, que deixar de fazê lo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal, no anocalendário correspondente.” De acordo com o dispositivo acima, a multa de ofício somente deve ser exigida se (i) o imposto não houver sido anteriormente pago; (ii) o imposto houver sido pago após o vencimento do prazo previsto; (iii) a pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto, na forma do art. 106, deixar de fazêlo; ou (iv) a pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto, na forma do art. 222, deixar de fazêlo. Portanto, entendo que a prática da autoridade fiscal, de efetuar os REDARFs a fim de aproveitar os valores pagos pela RECORRENTE com a finalidade de amortizar o saldo devedor do imposto e da multa de ofício (fls. 35 a 42 e fl. 59), não foi correta, pois não Fl. 75DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2012 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/01/2012 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 15471.000723/200633 Acórdão n.º 2102001.609 S2‐C1T2 Fl. 72 8 há, no caso, multa a ser amortizada. O valor principal do tributo terminou de ser pago em setembro de 2003 e o auto de infração foi lavrado, apenas, em 2006. Assim, os valores pagos pela RECORRENTE devem ser considerado pela autoridade fiscal para, exclusivamente, amortizar o principal do imposto devido. Ao agir dessa forma, não restará saldo de imposto a pagar, pois a multa de ofício é indevida. Desta forma, em respeito ao princípio da verdade material e à regra de espontaneidade prevista no Código Tributário Nacional, devese acatar o pleito da RECORRENTE para subtrair do valor lançado toda a quantia já paga, o que implicara na liquidação total do crédito, com igual cancelamento da multa de ofício. Ante o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, no sentido reconhecer o pagamento prévio do imposto e cancelar o lançamento tributário. Assinado digitalmente Carlos André Rodrigues Pereira Lima Relator Fl. 76DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2012 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/01/2012 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO
score : 1.0
Numero do processo: 10242.000015/2004-11
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Sep 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Sep 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTOS DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTESIMPLES
Ano-calendário: 2000
ATIVIDADE VEDADA. PREVISÃO DO CONTRATO SOCIAL. SITUAÇÃO QUE, POR SI SÓ, NÃO ENSEJA A EXCLUSÃO DO SIMPLES. PROVA DA INEXISTÊNCIA DE PRÁTICA EFETIVA PELO CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE CONTRAPROVA PELO FISCO.
A previsão, no contrato social, de atividade vedada ao Simples não importa, necessariamente, a exclusão do sistema especial de pagamento, quando o contribuinte junta provas no sentido de que desenvolvia apenas as atividades, constantes do seu contrato social, permitidas para o Simples. Inércia do Fisco no sentido de comprovar que o contribuinte efetivamente desenvolvia as
atividades proibidas.
Numero da decisão: 9101-001.170
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos
FISCAIS, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTOS DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTESIMPLES Ano-calendário: 2000 ATIVIDADE VEDADA. PREVISÃO DO CONTRATO SOCIAL. SITUAÇÃO QUE, POR SI SÓ, NÃO ENSEJA A EXCLUSÃO DO SIMPLES. PROVA DA INEXISTÊNCIA DE PRÁTICA EFETIVA PELO CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE CONTRAPROVA PELO FISCO. A previsão, no contrato social, de atividade vedada ao Simples não importa, necessariamente, a exclusão do sistema especial de pagamento, quando o contribuinte junta provas no sentido de que desenvolvia apenas as atividades, constantes do seu contrato social, permitidas para o Simples. Inércia do Fisco no sentido de comprovar que o contribuinte efetivamente desenvolvia as atividades proibidas.
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DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N° 08. RECURSO ESPECIAL INTERPOSTO COM BASE EM CONTRARIEDADE À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. NÃO CONHECIMENTO. Recurso especial que não deve ser conhecido, pois com a com a edição da súmula vinculante n° 08, o dispositivo legal tido como contrariado não pertence mais ao sistema normativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Otacilio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 215DF CARF MF Emitido em 30/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/12/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 02/12/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 27/12/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10768.032877/9766 Acórdão n.º 9101001.218 CSRFT1 Fl. 2 2 Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacilio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Antonio Carlos Guidoni Filho, João Carlos de Lima Junior, Alberto Pinto Souza Junior, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri e Claudemir Rodrigues Malaquias. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, com fundamento em violação à legislação tributária. Lavrouse o auto de infração contra o contribuinte O contribuinte apresentou impugnação (fls. 56/61). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento julgou parcialmente procedente o lançamento, nos termos da seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1992 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. AUSENTES OS PRESSUPOSTOS LEGAIS INERENTES À SUA CONCREÇÃO. Inexiste cerceamento do direito de defesa quando as irregularidades apontadas pelo sujeito passivo na confecção do auto de infração não influenciam na solução do litígio, bem como causam influência direta nas questões meritórias, deixando, quanto a este ponto, de ser declarada a nulidade para que no mérito a questão possa ser decidida a favor do sujeito passivo. DECADÊNCIA DO DIREITO DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. O decurso do prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese dentro de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado. Inexistindo pagamento de tributo, o prazo decadencial contado a partir do fato gerador para os casos de lançamento por homologação, deslocase para a norma genérica prevista no artigo 173, inciso I do Código Tributário Nacional. Inaplicável à espécie o instituto de decadência, uma vez que ainda transcorria o prazo legal para a Fazenda exercitar seu direito. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica Anocalendário: 1992 Fl. 216DF CARF MF Emitido em 30/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/12/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 02/12/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 27/12/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10768.032877/9766 Acórdão n.º 9101001.218 CSRFT1 Fl. 3 3 Ementa: OMISSÃO DE RECEITA. SALDO CREDOR DE CAIXA. Firmase a presunção de omissão de receitas quando o sujeito passivo deixa de trazer aos autos elementos probantes capazes de afastar a imputação fiscal, argüindo apenas aspectos formais que não teriam o condão de influenciar a solução do litígio. OMISSÃO DE RECEITA. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO. Deixa de se caracterizar a omissão de receita com base em suprimento de numerário quando o fisco não comprovar que o ingresso de recursos no caixa da pessoa jurídica foi realizado pelas pessoas expressamente designadas na lei tributária tipificadora da presunção legal. Assunto: Outros Tributos e Contribuições Anocalendário: 1992 Ementa: TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. COFINS. CSL. Verificada a procedência parcial da matéria objeto da infração principal, igual sorte colherão os lançamentos decorrentes. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. Exigível o crédito tributário proveniente do lançamento a título de IRRF quando há previsão no contrato social ou alteração contratual da distribuição de lucros aos sócios (IN SRF n° 63/1997 c/c Lei n° 7713/1988, art. 35). Lançamento Procedente em Parte O contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 120/127). A antiga Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes deu parcial provimento ao recurso do contribuinte. Eis a ementa do julgado: DECADÊNCIAOMISSÃO DE RECEITAS —SALDO CREDOR DE CAIXA SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO Preliminar de decadência que se acolhe para os fatos geradores de 1992, uma vez que se trata de lançamento por homologação, cujo prazo se inicia dos fatos geradores e não do pagamento, que é irrelevante para tal contagem. Quanto ao mérito, uma vez não afastada a presunção de omissão de receitas por absoluta carência de provas documentais em contrário, é de se manter a exigência principal e reflexos tributários. A Procuradoria da Fazenda Nacional opôs embargos de declaração (fls. 156/157), os quais restaram rejeitados. Fl. 217DF CARF MF Emitido em 30/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/12/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 02/12/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 27/12/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10768.032877/9766 Acórdão n.º 9101001.218 CSRFT1 Fl. 4 4 A Procuradoria da Fazenda Nacional, então, interpôs o presente recurso especial (fls. 168/180), com fundamento em violação à legislação tributária. A recorrente insurgiuse, especificamente, contra a parte do acórdão recorrido em que, por maioria de votos, se acolheu a preliminar de decadência do lançamento da CSLL e da COFINS. Defende a incidência do artigo 45 da Lei n° 8.212/91. que estabelece o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições sociais para a seguridade social. O contribuinte apresentou suas contrarrazões às fls. 187/193 dos autos. Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora O presente recurso é tempestivo. Contudo, não preenche os demais requisitos de admissibilidade, de modo que não deve ser conhecido. Com efeito, o recorrente fundamentou o seu recurso especial em violação da decisão recorrida ao artigo 45 da lei n° 8212/91. Sucede que, em 12 de junho de 2008, a Corte Máxima do País julgou inconstitucional o referido dispositivo, editando a Súmula Vinculante nº 8, publicada no Diário Oficial da União do dia 20/06/2008 com o seguinte enunciado: “Em sessão de 12 de junho de 2008, o Tribunal Pleno editou os seguintes enunciados de súmula vinculante que se publicam no Diário da Justiça e no Diário Oficial da União, nos termos do § 4º do art. 2º da Lei nº 11.417/2006: Súmula vinculante nº 8 São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Precedentes: RE 560.626, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 556.664, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 559.882, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 559.943, rel. Min.Cármen Lúcia, j. 12/6/2008; RE 106.217, rel. Min. Octavio Gallotti, DJ 12/9/1986; RE 138.284, rel. Min. Carlos Velloso, DJ 28/8/1992. Legislação: Fl. 218DF CARF MF Emitido em 30/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/12/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 02/12/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 27/12/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10768.032877/9766 Acórdão n.º 9101001.218 CSRFT1 Fl. 5 5 DecretoLei nº 1.569/1997, art. 5º, parágrafo único Lei nº 8.212/1991, artigos 45 e 46 CF, art. 146, III Brasília, 18 de junho de 2008. Ministro Gilmar Mendes Presidente” (DOU nº 117, de 20/06/2008, Seção I, pág. Diante disso, verificase que não há violação à legislação tributária, já que a norma reputada como atingida não pode, sob qualquer aspecto, ser aplicada. Ora, norma que é declarada inconstitucional em súmula vinculante é norma que foi retirada do ordenamento jurídico brasileiro. Destarte, não conheço do presente recurso especial, tendo em vista que não restou demonstrada a violação à legislação tributária. Sala das Sessões, em 18 de outubro de 2011 (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 219DF CARF MF Emitido em 30/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/12/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 02/12/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 27/12/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 11030.000057/2006-71
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2004, 2005
AUTO DE INFRAÇÃO. PRELIMINAR DE NULIDADE. DESCABIMENTO.
Só se pode cogitar de declaração de nulidade de auto de infração quando for, esse auto, lavrado por pessoa incompetente.
CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA.
Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas.
ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Exercício: 2004, 2005
PIS. COFINS. RESCISÃO CONTRATUAL. REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO DA TRIBUTAÇÃO.
Em face de decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), em procedimento de Repercussão Geral, contrária ao contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, devem ser excluídos da tributação da Contribuição para o Programa de Integração Social (Pis) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) os valores relativos a rescisão
contratual.
Numero da decisão: 1803-001.086
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, para reduzir as matérias tributáveis do Pis e da Cofins, nos meses de setembro, outubro e novembro do ano calendário de 2004, aos valores de R$ 24.834,00, R$ 12.390,61 e R$ 14.727,07, nos termos do relatório e votos que integram o
presente julgado.
Nome do relator: Sérgio Rodrigues Mendes
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2004, 2005 AUTO DE INFRAÇÃO. PRELIMINAR DE NULIDADE. DESCABIMENTO. Só se pode cogitar de declaração de nulidade de auto de infração quando for, esse auto, lavrado por pessoa incompetente. CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA. Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Exercício: 2004, 2005 PIS. COFINS. RESCISÃO CONTRATUAL. REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO DA TRIBUTAÇÃO. Em face de decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), em procedimento de Repercussão Geral, contrária ao contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, devem ser excluídos da tributação da Contribuição para o Programa de Integração Social (Pis) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) os valores relativos a rescisão contratual. Fl. 344DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 11030.000057/200671 Acórdão n.º 180301.086 S1TE03 Fl. 342 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reduzir as matérias tributáveis do Pis e da Cofins, nos meses de setembro, outubro e novembro do anocalendário de 2004, aos valores de R$ 24.834,00, R$ 12.390,61 e R$ 14.727,07, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 345DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 11030.000057/200671 Acórdão n.º 180301.086 S1TE03 Fl. 343 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido, na parte mantida (fls. 283 a 285): Contra o contribuinte foram lavrados autos de infração (i) de IRPJ folhas 04/07, (ii) de PIS folhas 13/15, (iii) de CSLL – folhas 21/24, e (iv) de Cofins – folhas 30/32. O crédito tributário lançado monta em R$ 164.107,95. A descrição dos fatos aponta duas infrações, literalmente, da seguinte forma: Omissão de receitas da atividade de representação comercial em que o contribuinte declarou somente parte dela e à alíquota de 16%, quando o correto é 32%, conforme planilha anexa. e Aplicação incorreta do coeficiente de 16% sobre as receitas da atividade de 2003 e 2004, declaradas em DCTF, quando o correto seria de 32%. O contribuinte impugnou o lançamento (folhas 257/279) alegando, em síntese: PRELIMINARMENTE – NULIDADE DOS AUTOS DE INFRAÇÃO 1. Os lançamentos carecem de um mínimo razoável de fundamentação fática, vale dizer, prescindem da indispensável exposição dos motivos que levaram a formalizar as exigências (art. 10, III, Decreto nº 70.235, de 1972), aptos a permitir, tanto quanto fosse possível, o exercício pleno do direito magno à ampla defesa e ao contraditório, pois, muito longe de alinhavar a “descrição dos fatos” como requisito essencial bastante a permitir, não só à impugnante compreender o real motivo da formalização do crédito tributário, restandolhe, a partir daí, o indeclinável direito de concordar ou não com os critérios fiscais adotados, mas, e sobretudo, para possibilitar à própria Administração Fazendária exercer o controle da legalidade dos atos emanados por seus agentes, examinando o acerto ou desacerto dos mesmos. 2. Não se vislumbra nas autuações, tirante os dispositivos legais infringidos, seus alicerces informadores, o que contraria flagrantemente, além dos princípios basilares (motivação e fundamentação), o que estabelece o art. 142 do Código Tributário Nacional, que determina, dentre outras, a obrigação de o agente fiscal verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante devido. 3. As dificuldades exsurgidas dessa inobservância fiscal permitem afirmar, sem sombra de dúvidas, ter havido prejuízo para a impugnante no que toca ao indispensável conhecimento (compreensão) da causa dos lançamentos, dos reais motivos e circunstâncias sobre os quais estão assentados. A insuficiência ou deficiência de que se fala remete à incontornável conclusão da sua nulidade em face ao cerceamento do direito constitucional de defesa. 4. A Lei nº 9.784, de 1999, determina não só os postulados magnos, mas outros deles decorrentes, como princípios formadores do ato administrativo, dentre outros, o Princípio da Fundamentação e o Princípio da Motivação. Tal Lei é cogente Fl. 346DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 11030.000057/200671 Acórdão n.º 180301.086 S1TE03 Fl. 344 4 no que concerne à obrigatoriedade da motivação clara, explícita e congruente dos atos administrativos, vale dizer, inclusive do lançamento, acompanhada da indicação dos fatos e fundamentos jurídicos que o embasaram, sob pena de caracterizarse como imputação imprecisa de irregularidade fiscal. 5. Tais pressupostos vêm ainda explicitados nos arts. 10, inc. III e IV, e 59, inc. II, do Decreto nº 70.235, de 1972, os quais determinam, dentre outros requisitos obrigatórios, que o auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, a (1) descrição do fato e (2) disposição legal infringida, suficientemente articuladas para permitir ao contribuinte o direito à amplitude de defesa, sob pena de eivarse o procedimento em nulidade absoluta. MÉRITO [...]. ILEGALIDADE/INCONSTITUCIONALIDADE DE EXIGIR IRPJ E CSLL SOBRE SOMA DE CARÁTER INDENIZATÓRIO E O DESVIRTUAMENTO DO FATO GERADOR DA CSLL 7. Dentre outros valores apurados e atribuídos pelo Autuante como sendo omissão de rendimentos ou falta/insuficiência de recolhimentos, foram incluídas importâncias, no anobase de 2004, recebidas em função da rescisão de contratos de representação comercial com as empresas Santa Maria Cia. de Papel e Celulose e Golbert Indústria e Comércio Ltda., como se depreende dos comprovantes de pagamentos e retenções de folhas 45 e 70. 8. Tais valores referemse a indenização pela rescisão unilateral dos contratos de representação, que não se subsumem à norma do art. 43 do Código Tributário Nacional, por não representarem acréscimo patrimonial, renda ou lucro. 9. Por sua vez, a base de cálculo da CSLL nada mais é do que um resultado final, positivamente experimentado num determinado período de apuração, depois de procedidos todos os abatimentos de importâncias empenhadas para a sua obtenção. Somente com a obtenção deste resultado final se revela o plus de sua capacidade econômica, passível, pois, de ser tributado, daí escapando as indenizações de que se fala. Daí é que o legislador (Lei nº 7.689, de 1988) não pode, como também o aplicador e o intérprete, movidos por interesses imediatistas de arrecadação, alterar o conceito de lucro, sob pena de ofensa frontal ao art. 110 do CTN. A ILEGALIDADE/INCONSTITUCIONALIDADE DO LANÇAMENTO DA COFINS E DO PIS SOBRE IMPORTE INDENIZATÓRIO (VERBAS NÃO OPERACIONAIS) 10. A Lei nº 9.718, de 1998, responsável por ampliar a base de cálculo do PIS e Cofins para abarcar outras receitas que não só as ditas receitas operacionais, afronta a autorização contida no art. 195, inc. I, da Constituição Federal, tendo sido objeto de decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucionalidade do § 3º do art. 1º da referida Lei. Por último, requer o acolhimento da impugnação para que sejam declarados nulos e/ou improcedentes os lançamentos questionados. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada, na parte mantida (fls. 281 e 282): Fl. 347DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 11030.000057/200671 Acórdão n.º 180301.086 S1TE03 Fl. 345 5 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003, 2004 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Não é nulo o lançamento quando constarem nos autos elementos suficientes para o pleno exercício do direito de defesa por parte do sujeito passivo. [...]. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003, 2004 A solução dada ao lançamento do IRPJ se aplica integralmente à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. [...]. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003, 2004 INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DE NORMAS E ATOS LEGAIS A autoridade administrativa não é competente para se manifestar acerca da constitucionalidade ou legalidade de normas e atos legalmente editados, prerrogativa essa reservada ao Poder Judiciário. ERRO DE APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. [...]. O valor da indenização, por rescisão contratual, integra a base de cálculo para determinação do IRPJ. LANÇAMENTOS DECORRENTES PIS E COFINS. OMISSÃO DE RECEITAS A receita omitida, independente de sua natureza jurídica, integra a base de cálculo do PIS e da Cofins. [...]. Lançamento Procedente em Parte 3. Cientificada da referida decisão em 10/07/2009, sextafeira (fls. 303), a tempo, em 11/08/2009, apresenta a interessada Recurso de fls. 304 a 337, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos e aduzindo mais os seguintes: a) que desponta como prejudicial o fato de a decisão recorrida ter se esquivado de exercer seu papel fundamental no controle da legalidade dos atos administrativos em contenda, sob o pálio da invocada “incompetência” para desafiálos ao teste da conformidade com a lei, esta entendida como a de hierarquia superior (CTN e Constituição Federal), Fl. 348DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 11030.000057/200671 Acórdão n.º 180301.086 S1TE03 Fl. 346 6 deixando de [re]conhecer e julgar, pois, defesa articulada pela Recorrente que veiculasse tais matérias; b) que a não apreciação destes tópicos da contestação maculam o acórdão da mais absoluta nulidade, especialmente por ofender os princípios basilares que informam e impulsionam o processo administrativofiscal: o “devido processo legal”, a “amplitude de defesa” e o “contraditório”, consagrados nos inc. LIV e LV do art. 50 da CRFB/88 e de inevitável observância na esfera judicante da Administração Pública; c) que não se está a defender a subtração ou invasão de competência do Judiciário e ofender, com isso, o princípio da tripartição dos poderes como chegou a ventilar o Acórdão Recorrido; d) que se trata, isso sim, de pedir seja reconhecida, ao invés de “declarada” esta sim de competência exclusiva daquele Poder a inconstitucionalidade ou ilegalidade indireta de atos administrativos; e) que há que prevalecer as razões que forjaram o voto vencido de fls. 285 a 291; f) que reitera o pedido de nulidade dos autos infracionais, por ser medida de justiça que se impõe; e g) que, com relação ao Pis e à Cofins, o plenário do Supremo Tribunal Federal decretou a inconstitucionalidade de a tributação dessas espécies tributárias recair sobre toda e qualquer receita distinta daquelas resultantes da (efetiva) “venda de mercadorias” ou da “prestação de serviços”. Em mesa para julgamento. Fl. 349DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 11030.000057/200671 Acórdão n.º 180301.086 S1TE03 Fl. 347 7 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. Preliminar de nulidade dos autos de infração 4. Argui a Recorrente, preliminarmente a nulidade dos autos de infração por, supostamente, carecerem de fundamentação fática e jurídica. 5. Quanto a essa arguição, cabe aduzir que a única hipótese prevista de nulidade dos atos processuais, entre os quais se incluem os autos de infração, está perfeitamente definida no inciso I do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – Processo Administrativo Fiscal (PAF), e referese ao caso em que a lavratura tenha sido feita por pessoa incompetente, o que não veio a ocorrer na situação presente. 6. De todo modo, não se vislumbra a alegada insuficiência de descrição dos fatos e de enquadramento legal, que havia sido ventilada no voto vencido do acórdão recorrido (fls. 285 a 291). 7. Constou do auto de infração o seguinte (fls. 5): 001 OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE A PARTIR DO AC 93 Omissão de receitas da atividade de representação comercial em que o Contribuinte declarou somente parte dela e à alíquota de 16%, quando o correto é de 32%, conforme planilha anexa. 8. A descrição dos fatos acima é muito clara: omitiu a Recorrente parte das receitas de representação comercial, pelo que, em decorrência, a redução do percentual de determinação do lucro presumido, de 32 % (trinta e dois por cento) para 16 % (dezesseis por cento), por ela usufruída e prevista apenas para as pessoas jurídicas prestadoras de serviços em geral cuja receita bruta anual seja de até R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais) tornouse indevida. 9. Constou, ainda, do auto de infração, o seguinte (fls. 6): 002 APLICAÇÃO INDEVIDA DE COEFICIENTE DE DETERMINAÇÃO DO LUCRO A PARTIR DO AC 93 APLICAÇÃO INDEVIDA DE COEFICIENTE DE DETERMINAÇÃO DO LUCRO Aplicação incorreta do coeficiente de 16% sobre as receitas da atividade de 2003 e 2004, declaradas em DCTF, quando o correto seria de 32%. Fl. 350DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 11030.000057/200671 Acórdão n.º 180301.086 S1TE03 Fl. 348 8 10. Ora, como se sabe, é condição essencial para o gozo do percentual reduzido de 16 % (dezesseis por cento), na determinação do lucro presumido, que a receita bruta anual da pessoa jurídica exclusivamente prestadora de serviços em geral (excetuados serviços hospitalares e de transporte e serviços de profissões legalmente regulamentadas) não ultrapasse o limite de R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais). 11. Sucede que apenas o montante da omissão apurada no item 001 já havia extrapolado esse limite, submetendose, pois, essa omissão, ao percentual de 32 % (trinta e dois por cento) de determinação do lucro presumido. 12. Forçoso exigir, portanto, a diferença de percentual (32% 16% = 16%) também em relação às receitas declaradas, o que se procedeu devidamente no item 002 do auto de infração. 13. Os seguintes demonstrativos de apuração, integrantes do auto de infração, bem esclarecem a questão, quantificando devidamente as bases imponíveis (fls. 8 e 10): Fl. 351DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 11030.000057/200671 Acórdão n.º 180301.086 S1TE03 Fl. 349 9 14. A própria Recorrente não desconhece o motivo da autuação, quando discorre, em sua Impugnação (fls. 265): Basta ver que boa parte dos valores tributados pelo Autuante foram obtidos com esteio nas respostas às intimações fiscais enviadas às empresas “SANTA MARIA & CIA. DE PAPÉIS E CELULOSE” (fls. 41, 44/48) e “GOLBET INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA.” (fls. 49, 5281), por meio das quais deram lhe conta (AFRF) dos valores dos rendimentos pagos e o montante representado pelas retenções realizadas, relativamente ao período aludido. 15. De se destacar que, por ocasião da fiscalização, quando intimada a respeito das diferenças de receitas apuradas em procedimento de circularização e em Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirfs) apresentadas (fls. 82 a 84), ela assim se manifestou (fls. 85 e 86): I Com o objetivo de atender a solicitação fiscal, é importante esclarecer alguns fatores que contribuíram decisivamente no quadro ora fiscalizado. Como V. Sra. sabe, a Intimada opera no ramo de representação comercial. Originariamente, sua sede era estabelecida no município de Guarapuava/PR, mas, em função da forte atuação no mercado riograndense, bem ainda por economia de despesas operacionais, transferiua para a cidade de Passo FundoRS. No entanto, em prestígio ao profissional contador responsável pela escrituração, controle e pagamento dos tributos até então, optouse por permanecer confiandolhe os trabalhos na cidade de Guarapuava/PR. Fl. 352DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 11030.000057/200671 Acórdão n.º 180301.086 S1TE03 Fl. 350 10 Ocorre que, por ocasião deste procedimento e da necessidade de revolver os elementos requeridos pela respeitável fiscalização, constatou que o contabilista referido descurou da sua atribuição e não procedeu como deveria um controle rigoroso dos valores (ingressos) recebidos no período aludido. E, lamentavelmente, como já se adiantou, só despertou (Intimada) para este fato precariedade e desorganização dos lançamentos agora; até porque, antes, pela dificuldade de contatos com o mesmo (contador), só se preocupava em remeterlhe os documentos pertinentes para a devida contabilização. 16. Rejeito a preliminar de nulidade arguida. Alegações de inconstitucionalidade de lei 17. Defende a Recorrente a ilegalidade/inconstitucionalidade de se exigir IRPJ, CSLL, Pis e Cofins sobre soma de caráter indenizatório e, ainda, o desvirtuamento do fato gerador da CSLL. 18. No que se refere ao IRPJ e à CSLL, a matéria tributável correspondente foi excluída pela decisão recorrida, por motivo diverso (os valores deveriam ter sido acrescidos ao lucro presumido, para determinação da base de cálculo do imposto e contribuição devidos pela pessoa jurídica, o que não ocorreu), tornando inócua a discussão a esse respeito. 19. Com relação ao Pis e à Cofins, em face de decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), em procedimento de Repercussão Geral (Leading case: RE 585.235RGQO, Min. Cezar Peluso), contrária ao contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, devem ser excluídos de tributação os valores relativos a rescisão contratual (código 9385 Multas e Vantagens), como segue (fls. 45, 70 e 84): Lançado Resc. Contr. Mantido set/04 97.256,05 (72.422,05) 24.834,00 out/04 101.025,31 (88.634,70) 12.390,61 nov/04 87.149,12 (72.422,05) 14.727,07 Demais exigências 20. Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência daquele, na medida que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas. Fl. 353DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 11030.000057/200671 Acórdão n.º 180301.086 S1TE03 Fl. 351 11 Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para reduzir as matérias tributáveis do Pis e da Cofins, nos meses de setembro, outubro e novembro do anocalendário de 2004, aos valores de R$ 24.834,00, R$ 12.390,61 e R$ 14.727,07. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 354DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES
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Numero do processo: 10280.720567/2010-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Nov 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 31/12/2005 a 31/12/2008
PASEP. CONTRIBUINTES. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI
MUNICIPAL DE AUTO EXCLUSÃO. O Pretório Excelso considerou
inconstitucional dispositivo de lei que promovera a auto exclusão da relação
jurídicotributária
de ente federativo em relação à Contribuição para o
Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público PASEP,
criado
pela Lei Complementar nº 8, de 3 de dezembro de 1970, porquanto o artigo
239 da Constituição Federal de 1988 a constitucionalizara, dandolhe
caráter
eminentemente nacional, com as alterações nele enunciadas (§§ 1º, 2º, 3º e
4º). (Precedente do STF no julgamento da Ação Cível Originária ACO
nº
471.3, em 11/04/2002).
DESISTÊNCIA DA DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA DO
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INOCORRÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA
DE JULGAMENTO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. Em não havendo
óbice judicial à exigência da exação que dera causa ao lançamento de ofício,
importando dizer que a decisão administrativa terá seu curso normal,
inexistindo qualquer das hipóteses de suspensão previstas no artigo 151 do
Código Tributário Nacional CTN,
e sendo o período de apuração alcançado
pelo lançamento bem posterior ao que está sendo objeto de questionamento
judicial em que o sujeito passivo argúi a inexistência de relação jurídicotributária
para a cobrança da exação, não resta caracterizada a aludida
concomitância.
MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. No lançamento de ofício é cabível a
imposição da multa prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/1996.
Numero da decisão: 3302-001.285
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ
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CONTRIBUINTES. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI MUNICIPAL DE AUTO EXCLUSÃO. O Pretório Excelso considerou inconstitucional dispositivo de lei que promovera a auto exclusão da relação jurídicotributária de ente federativo em relação à Contribuição para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público PASEP, criado pela Lei Complementar nº 8, de 3 de dezembro de 1970, porquanto o artigo 239 da Constituição Federal de 1988 a constitucionalizara, dandolhe caráter eminentemente nacional, com as alterações nele enunciadas (§§ 1º, 2º, 3º e 4º). (Precedente do STF no julgamento da Ação Cível Originária ACO nº 471.3, em 11/04/2002). DESISTÊNCIA DA DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INOCORRÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA DE JULGAMENTO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. Em não havendo óbice judicial à exigência da exação que dera causa ao lançamento de ofício, importando dizer que a decisão administrativa terá seu curso normal, inexistindo qualquer das hipóteses de suspensão previstas no artigo 151 do Código Tributário Nacional CTN, e sendo o período de apuração alcançado pelo lançamento bem posterior ao que está sendo objeto de questionamento judicial em que o sujeito passivo argúi a inexistência de relação jurídico tributária para a cobrança da exação, não resta caracterizada a aludida concomitância. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. No lançamento de ofício é cabível a imposição da multa prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 512DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE , Assinado digitalmente em 07/12/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE , Assinado digitalmente em 14/12/2011 por WALBER JOSE D A SILVA 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente. (Assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Relator. EDITADO EM: 07/12/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabíola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Fl. 513DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE , Assinado digitalmente em 07/12/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE , Assinado digitalmente em 14/12/2011 por WALBER JOSE D A SILVA Processo nº 10280.720567/201031 Acórdão n.º 330201.285 S3C3T2 Fl. 11 3 Relatório Tratase de lançamento de ofício formalizado contra o Município de Belém – PA, para cobrança da Contribuição para o PIS/Pasep relativa aos períodos mensais de apuração de 31/12/2005 a 31/12/2008, através do Auto de Infração de fls. 392/407, lavrado em 20/04/2010 e cientificado à contribuinte em 03/05/2010 (fls. 376), com a imposição de multa de ofício à razão de 75%, tendo a ação fiscal sido iniciada em 21/09/2009. A autuada, através da Lei Municipal nº 7.987/99, considerando que estaria usando da faculdade prevista em lei, efetuara sua desfiliação do PASEP, nos seguintes termos: Art. 1º. Ficam extintas, por esta Lei, a integração e a contribuição do Município de Belém e demais Órgãos da Administração Indireta ao Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PASEP, instituído pela Lei nº 6.886, de 02 de Dezembro de 1971. O autor do procedimento fiscal fez constar do seu “RELATÓRIO DE ENCERRAMENTO PARCIAL DE FISCALIZAÇÃO”, às fls. 408/429, que a autuada impetrara ação judicial argüindo inexistência de relação jurídicotributária que a obrigasse ao recolhimento da referida Contribuição ao PIS/Pasep, de cuja ação principal nº 2000.39.00.0053194 a Fazenda Nacional obtivera o provimento do recurso de apelação interposto pela União, mediante decisão proferida pela 8ª Turma do TRF da 1ª Região, em 24/05/2005, assim ementada: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PARA O PASEP. MUNICÍPIOS. OBRIGATORIEDADE. ART. 239 DA CF/88. POSSIBILIDADE DE RETENÇAO DO FPM: ART. 160, PARÁGRAFO ÚNICO, DA CF/88. 1. A contribuição para o PASEP é obrigatória para os municípios, em virtude da norma do artigo 239 da Constituição Federal. Não pode a municipalidade, portanto, editar lei na qual se isenta do referido pagamento. 2. (...). Consta ainda do mencionado Relatório fiscal que, na sequência, aquela municipalidade interpusera Recurso Especial (RESP) e Extraordinário que não foram admitidos na origem, pelo TRF1, em decisão de 17/03/2006, nos seguintes termos: (...). 2. O recorrente não indicou o dispositivo infraconstitucional que restaria violado ou cuja vigência tenha sido negada pelo acórdão recorrido, o que contraria jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: (...) (destaques acrescidos) Fl. 514DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE , Assinado digitalmente em 07/12/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE , Assinado digitalmente em 14/12/2011 por WALBER JOSE D A SILVA 4 passando a autoridade fiscal à transcrição de ementa de decisão do STJ nesse mesmo sentido, ou seja, do não conhecimento do RESP na ausência de indicação do dispositivo tido por violado, concluindo o TRF1 pela não comprovação do dissídio alegado. Ainda de acordo com o Relatório fiscal, na tentativa de modificar o juízo de admissibilidade que lhe fora desfavorável, a então fiscalizada, ora recorrente, interpusera Agravo de Instrumento (AI) junto ao STJ (AIRESP nº 796.715PA), no qual foi proferida a decisão a seguir, em 30/11/2006: Ante o exposto, com fundamento no artigo 254, I, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, nego provimento ao agravo. O multicitado Relatório fiscal assevera que igual procedimento foi adotado pelo ente municipal no STF, sendo negado o Embargo de Declaração no AI em Recurso Extraordinário (AIRE nº 648.310PA), conforme tela extraída do sítio eletrônico do STF na rede internet (...), em decisão de 11/03/2008. Não logrando êxito nas apelações feitas junto aos Tribunais Superiores (STJ e STF), todas elas sendo rejeitadas em sede preliminar de juízo de admissibilidade, está o processo concluso ao Ministro relator, no STF, desde 28/04/2008, para a apreciação dos Embargos de Declaração no Agravo Regimental interposto, fazendo ver a autoridade de fiscalização que a então fiscalizada não obtivera decisão judicial suspendendo a exigibilidade do crédito tributário nem fizera depósito judicial com a mesma finalidade, não ocorrendo assim qualquer das hipóteses necessárias à sua suspensão, nos termos do artigo 151 do Código Tributário Nacional CTN. Assevera o autuante que, ainda que o ente municipal tenha obtido decisões favoráveis em ações judiciais visando o desbloqueio do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) (Mandado de Segurança nº 2004.39.00.0029114, histórico da consulta processual em anexo) e a expedição de Certidão Positiva de Débito com efeito de Negativa (CNPD) (Ação Cautelar Inominada nº 2000.39.00.0042343, histórico da consulta processual em anexo), tratamse de decisões com fundamentos fáticos e legais diversos. É certo que, uma vez suspensa a exigibilidade do crédito tributário, as conseqüências seriam o fornecimento da CNPD e liberação do FPM, mas, o inverso não é verdadeiro. Com relação ao lançamento da multa de ofício, a autoridade fiscal defende sua procedência em face do que determina o art. 44 da Lei nº 9.430/1996, consoante Despacho do Presidente da República publicado no DOU de 15/07/2004, aprovando parecer da Advocacia Geral da União – AGU no sentido de que os lançamentos de crédito tributário contra entes públicos devem ser acompanhados da multa de ofício, uma vez existente a previsão legal para tanto (...). Relativamente à decisão recorrida, consta do seu voto condutor que o lançamento fora efetuado para prevenir a decadência, não tendo, assim, ofendido a qualquer determinação judicial. Assevera ainda que, segundo a Portaria MF nº 58/2006, artigo 7°, os julgadores devem observar as normas legais e regulamentares, assim como o entendimento da Secretaria da Receita Federal expresso em atos tributários e aduaneiros. Portanto, deve o julgador observar o entendimento manifestado no Ato Declaratório Normativo SRF/Cosit n° 03/1996. Além desse ato, também a Portaria MF n° 58/2006, contém, em seu art. 26, regra no mesmo sentido: Fl. 515DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE , Assinado digitalmente em 07/12/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE , Assinado digitalmente em 14/12/2011 por WALBER JOSE D A SILVA Processo nº 10280.720567/201031 Acórdão n.º 330201.285 S3C3T2 Fl. 12 5 Art. 26. O pedido de parcelamento, a confissão irretratável da dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte contra a Fazenda Nacional de ação judicial com o mesmo objeto importa a desistência do processo. Dessa forma, conclui o órgão de julgamento a quo que o sujeito passivo desistira do presente processo administrativo. Quanto à procedência da multa de ofício, a decisão recorrida aduz que somente seria incabível, em face do que dispõe o artigo 63 da Lei nº 9.430/1996, com alterações posteriores, nos casos em que o lançamento é feito para prevenir a decadência do crédito tributário, estando suspensa sua exigibilidade, na forma dos incisos IV e V do artigo 151 do CTN. Assevera não ser essa a situação do caso sob análise, sendo, assim, devida a cobrança dessa penalidade. O órgão de julgamento de primeiro grau concluiu, então, pela procedência integral do auto de infração, consoante Acórdão nº 0119.469 3ª Turma da DRJ/BEL, em 06/10/2010, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 JURISDIÇÃO UNA. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. DESISTÊNCIA. A coisa julgada proferida no âmbito do Poder Judiciário jamais pode ser alterada no processo administrativo, pois tal iniciativa fere a Constituição Federal brasileira, que adota o modelo de jurisdição una. Isso significa que as decisões judiciais são soberanas. A propositura pelo contribuinte contra a Fazenda Nacional de ação judicial com o mesmo objeto importa a desistência do processo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito pelo lançamento. Decisão Judicial não impede sua constituição pelo lançamento. MULTA DE OFÍCIO. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. PREVENÇÃO. APLICABILIDADE. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade não houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do artigo 151 do CTN, caberá lançamento de multa de ofício. Cientificada dessa decisão em 21/02/2011, a contribuinte interpôs recurso voluntário a este Conselho em 16/03/2011, apresentando os seguintes argumentos: preliminarmente, que ao caso não seria aplicável o artigo 26, da Portaria MF nº 58/2006, porquanto essa regra se direciona para aquelas situações, onde o contribuinte, no curso da discussão de processo administrativo, ingressa na Justiça, buscando discutir a questão suscitada no vinculado processo, sendo que, ao contrário, o ‘debate judicial’ é pretérito a discussão que se empreende no presente processo, pois esta discussão se iniciou a partir da lavratura de auto de infração, o qual não tem até a presente data, qualquer ‘questionamento judicial’, constituindose a não apreciação da defesa administrativa em Fl. 516DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE , Assinado digitalmente em 07/12/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE , Assinado digitalmente em 14/12/2011 por WALBER JOSE D A SILVA 6 flagrante cerceamento do direito ao contraditório e à ampla defesa, nos termos dos incisos LIV e LV da C.F.; que após a promulgação da Lei Municipal nº 7.987, de 30/12/1999, que tomou como base o art. 8º da Lei Complementar nº 08/70, o Município de Belém se desvinculara do programa ao qual havia aderido por força da autorização da Lei Municipal nº 6.886, de 02/12/1971; que a proposição, no exercício financeiro de 2000, de Ação Declaratória de Inexistência de Obrigação, cumulada com Repetição de Indébito, em relação à contribuição em causa, fora precedida do ajuizamento de Ação Cautelar Inominada, na qual foi deferida liminar suspendendo o bloqueio dos repasses das suas quotas do FPM, cujo bloqueio havia sido realizado pela Fazenda Nacional; que peticionara incidentalmente nessa Ação Declaratória com o objetivo de impedir a materialização de danos irreparáveis ou de difícil reparação, tendo sido deferida a antecipação parcial de tutela, nos termos da decisão constante dos autos; que o direito dos Estados e Municípios a se vincularem e se desvincularem ao PASEP está claro através do disposto no art. 8º, da Lei Complementar nº 08/70, como também claros são os argumentos para tanto, gravados no Parecer emitido por Geraldo Ataliba (fls.), parecer este que sintetiza, com a clareza do grande mestre, o assunto em discussão; que, há mais de trinta anos, criou e mantém atuante o Instituto de Previdência e Assistência do Município de Belém – IPAMB, o qual presta todas as atividades atinentes à seguridade social para seus servidores, fazendo referência doutrinária a respeito; que, com a Constituição de 1988, a autonomia municipal foi definitivamente consagrada, já que foi assegurado no Município o poder de autoorganizarse (através da Lei Orgânica), mantida a autonomia política, administrativa e financeira), citando a doutrina de José Afonso da Silva; Finaliza transcrevendo ementas de decisões do TRF 1ª Região em favor da sua tese, solicitando, assim, a anulação do auto de infração. É o relatório. Fl. 517DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE , Assinado digitalmente em 07/12/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE , Assinado digitalmente em 14/12/2011 por WALBER JOSE D A SILVA Processo nº 10280.720567/201031 Acórdão n.º 330201.285 S3C3T2 Fl. 13 7 Voto Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz , Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Extraise do relatório que a questão posta à nossa apreciação diz respeito a autuação para a cobrança da Contribuição para o PIS/Pasep dos períodos de apuração de 31/12/2005 a 31/12/2008. A recorrente alega que não procede o lançamento de ofício, haja vista a inexistência de relação jurídicotributária que lhe possibilite figurar no pólo passivo da exação, e que, nesse sentido, em relação ao exercício financeiro de 2000, impetrara Ação Declaratória de Inexistência de Obrigação, cumulada com Repetição de Indébito e precedida do ajuizamento de Ação Cautelar Inominada. Dessa forma, entendo que preliminarmente deve ser verificada se estaria ocorrendo concomitância de julgamento nas esferas judicial e administrativa, tendo a decisão recorrida considerado que tal concomitância estaria caracterizada e, portanto, que ao caso aplicarseia o artigo 26 da Portaria MF nº 58/2006, a seguir: Art. 26. O pedido de parcelamento, a confissão irretratável da dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte contra a Fazenda Nacional de ação judicial com o mesmo objeto importa a desistência do processo. (destaques acrescidos) Diante desse entendimento, os argumentos impugnativos quanto às questões de mérito da autuação deixaram de ser apreciados pelo órgão julgador de primeiro grau, contra cujo entendimento a recorrente se insurge argüindo cerceamento do seu direito constitucional ao contraditório e à ampla defesa. Consta do relatório que a recorrente impetrara ação judicial quanto a fatos geradores ocorridos em períodos de apuração do ano de 2000, enquanto que o auto de infração em causa fora lavrado em 20/04/2010, portanto após o transcurso de 10 (dez) anos em relação àqueles fatos geradores questionados judicialmente, compreendendo, o presente auto de infração, conforme já asseverado, os períodos de apuração de 31/12/2005 a 31/12/2008. Extraise ainda do relatório que a referida ação judicial não obtivera o sucesso almejado pela impetrante nas instâncias iniciais, motivo pelo qual a decisão denegatória passou a ser guerreada através de sucessivos agravos e recursos especiais aos tribunais superiores, sem que tenham sido apreciados quanto às questões de mérito em nenhuma das instâncias provocadas, em face de os apelos não terem superado o juízo de admissibilidade, restando conclusos para apreciação pelo Ministro relator, no STF, desde 28/04/2008, embargos declaratórios no Agravo Regimental em Agravo de Instrumento. Fl. 518DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE , Assinado digitalmente em 07/12/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE , Assinado digitalmente em 14/12/2011 por WALBER JOSE D A SILVA 8 Assevera a recorrente que o ‘debate judicial’ é pretérito a discussão que se empreende no presente processo, pois esta discussão se iniciou a partir da lavratura de auto de infração, o qual não tem até a presente data, qualquer ‘questionamento judicial’. Atentese ainda para o fato de o crédito tributário em discussão na via judicial, conforme fez ver a autoridade de fiscalização, não obtivera decisão judicial suspendendo sua exigibilidade, tampouco se fizera depósito judicial com a mesma finalidade, não ocorrendo assim qualquer das hipóteses de suspensão, nos termos do artigo 151 do Código Tributário Nacional – CTN. Da análise dos fatos acima expostos, entendo que não se trata de lançamento de ofício efetuado para prevenir a decadência, porquanto não há óbice judicial à sua exigibilidade, estando assim correta a imposição da multa de ofício. Em relação ao litígio administrativo instaurado quando da apresentação da peça impugnativa, entendo que o mesmo deve ter seu seguimento normal, porquanto, em não havendo o mencionado óbice judicial à exigência da exação fiscal que lhe dera causa, significa dizer que se a decisão administrativa for pela procedência da autuação, e, sendo o período de apuração que fora alcançado pelo lançamento bem posterior ao que está sendo questionado judicialmente, não estaria caracterizada a aludida concomitância. Pelo lado da recorrente, se a decisão judicial que lhe foi contrária nas instâncias iniciais de julgamento tornou aquele crédito tributário exigível, e assim permanecendo até o momento atual, não tendo seus apelos às instâncias superiores de julgamento logrado ultrapassar sequer o juízo de admissibilidade, e ainda por se tratar de um ente federado que tem clamado pelo seu direito de acesso às instâncias de julgamento do contencioso administrativo, entendo que sua irresignação deve ser apreciada, à luz do Processo Administrativo Fiscal regido pelo Decreto nº 70.235/1972. Superada essa preliminar, passemos à questão que nos é posta, a qual diz respeito à possibilidade de a contribuinte se auto excluir dessa condição, conforme o fez através da Lei Municipal nº 7.987, de 30/12/1999, eximindose, assim, de fazer o recolhimento das respectivas contribuições mensais para o Programa Social de Financiamento para o PIS/Pasep, sob o entendimento de que o direito dos Estados e Municípios a se vincularem e se desvincularem ao PASEP está claro através do disposto no art. 8º, da Lei Complementar nº 08/70. Nos seus argumentos a recorrente reportase à opinião de respeitáveis doutrinadores, trazendo ainda precedentes jurisprudenciais do TRF 1ª Região sobre a matéria. Entretanto, a jurisprudência emanada do Pretório Excelso não lhe socorre, consoante se pode extrair da decisão proferida pelo Pleno do Supremo Tribunal Federal – STF, no julgamento da Ação Cível Originária ACO nº 471.3, em 11/04/2002, sendo relator o Ministro Sydney Sanches e autor o Estado do Paraná, assim ementada: EMENTA: DIREITO CONSTITUCIONAL E PREVIDENCIÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PARA O PASEP. AÇÃO CÍVEL ORIGINÁRIA, PROPOSTA PELO ESTADO DO PARANÁ, CONTRA A UNIÃO FEDERAL, VISANDO À DECLARAÇÃO INCIDENTAL DE VALIDADE E EFICÁCIA DA LEI ESTADUAL Nº 10.533, DE 30 DE NOVEMBRO DE 1993, SEGUNDO A QUAL O ESTADO, SUAS AUTARQUIAS E FUNDAÇÕES DEIXARÃO DE Fl. 519DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE , Assinado digitalmente em 07/12/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE , Assinado digitalmente em 14/12/2011 por WALBER JOSE D A SILVA Processo nº 10280.720567/201031 Acórdão n.º 330201.285 S3C3T2 Fl. 14 9 CONTRIBUIR AO PROGRAMA FEDERAL DE FORMAÇÃO DO SERVIDOR PÚBLICO; E A DECLARAÇÃO PRINCIPAL DE INEXIGIBILIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES PARA O PASEP. 1. O artigo 239 da Constituição Federal de 1988 constitucionalizou o PASEP, criado pela Lei Complementar nº 8, de 3 de dezembro de 1970, dandolhe caráter eminentemente nacional, com as alterações nele enunciadas (§§ 1º, 2º, 3º e 4º). O mais foi objeto da Lei, que encomendou, ou seja, a de nº 7.998, de 10/01/1990. 2. Sendo assim, o Estado do Paraná, que, durante a vigência da Lei Complementar nº 8, de 3 de dezembro de 1970, se obrigara, por força da Lei nº 6.278, de 23/05/1972, a contribuir para o PROGRAMA DE FORMAÇÃO DO PATRIMÔNIO DO SERVIDOR PÚBLICO, já não poderia se eximir da contribuição, mediante sua Lei nº 10.533, de 30/11/1993, pois, com o advento da Constituição Federal de 1988, a contribuição deixou de ser facultativa, para ser obrigatória, nos termos do art. 239. 3. Ação julgada improcedente, declarandose, incidentalmente, a inconstitucionalidade da Lei paranaense nº 10.533, de 30/11/1993, e, em conseqüência, a exigibilidade da contribuição do PASEP, pela União Federal, ao Estado do Paraná. 4. (...). Nesse mesmo sentido decidiu nosso Tribunal Constitucional, também em sessão plenária, no julgamento da ACO nº 621/SP – SÃO PAULO, em 12/12/2003, em aresto assim ementado: EMENTA: DIREITO CONSTITUCIONAL E PREVIDENCIÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PARA O PASEP. AÇÃO CÍVEL ORIGINÁRIA, PROPOSTA PELO ESTADO DE SÃO PAULO, CONTRA A UNIÃO FEDERAL, VISANDO À DECLARAÇÃO DE VALIDADE DA LEI ESTADUAL Nº 10.851, DE 10 DE JULHO DE 2001, QUE DISPÕE SOBRE A DESVINCULAÇÃO DO ESTADO DO SISTEMA DE CONTRIBUIÇÃO AO PROGRAMA DE FORMAÇÃO DO PATRIMÔNIO DO SERVIDOR PÚBLICO PASEP, INSTITUÍDO PELO ART. 8º, DA LEI COMPLEMENTAR FEDERAL Nº 8, DE 03 DE DEZEMBRO DE 1970. E, CONSEQÜENTEMENTE, O RECONHECIMENTO DA INEXIGIBILIDADE DO RECOLHIMENTO DESSA CONTRIBUIÇÃO, PELO ESTADO. 1. O artigo 239 da Constituição Federal de 1988 constitucionalizou o PASEP, criado pela Lei Complementar nº 8, de 3 de dezembro de 1970, dandolhe caráter eminentemente nacional, com as alterações nele enunciadas (§§ 1º, 2º, 3º e 4º). Dessa forma, tornou obrigatória a contribuição, que antes era facultativa. O mais foi Fl. 520DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE , Assinado digitalmente em 07/12/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE , Assinado digitalmente em 14/12/2011 por WALBER JOSE D A SILVA 10 objeto da Lei, que encomendou, ou seja, a de nº 7.998, de 11/01/1990. 2. Precedente: ACO n° 471. 3. Ação julgada improcedente, declarandose, incidentalmente, a inconstitucionalidade da Lei paulista nº 10.851, de 10 de julho de 2001, e a exigibilidade da contribuição relativa ao PASEP (devida pelo Estado à União), cassada, em conseqüência, a liminar concedida nos autos da Petição nº 2.436. 4. Plenário. Decisão unânime Dessa forma, considerando que o lançamento de ofício guarda consonância com o entendimento do nosso Tribunal Maior, o mesmo não merece reparo. Nessa ordem de juízos, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. (Assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Fl. 521DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE , Assinado digitalmente em 07/12/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE , Assinado digitalmente em 14/12/2011 por WALBER JOSE D A SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10680.003927/00-07
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 1996
Ementa:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MANIFESTO. PRAZO DECADENCIAL. CONTAGEM.
Devem ser admitidos os embargos de declaração quando constatado que a decisão incorreu em erro manifesto ao proceder a contagem do prazo decadencial.
Numero da decisão: 9101-000.951
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para reparar as imperfeições do Acórdão nº 9101-00260, de 28 de julho de 2009, dando-lhes efeito infringentes, para restabelecer a exigência.
Nome do relator: CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1996 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MANIFESTO. PRAZO DECADENCIAL. CONTAGEM. Devem ser admitidos os embargos de declaração quando constatado que a decisão incorreu em erro manifesto ao proceder a contagem do prazo decadencial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para reparar as imperfeições do Acórdão no 9101-00260, de 28 de julho de 2009, dando-lhes efeito infringentes, para restabelecer a exigdn 'a. Claudemir • laquias — Rela °I. ad h°1 0 NI A I 2U11 Participara da sess o de julgamento os conselheiros: Caio Marcos Cândido (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Claudemir Rodrigues Malaquias, Alexandre Antônio Alkimim Teixeira, Viviane Vidal Wagner, Antonio Carlos Guidoni Filho, Alberto Pinto Souza Junior, Valmir Sandri e Susy Gomes Hoffman (Vice-Presidente). Processo n° 10680.003927/00-07 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-00.951 Fl , 197 Relatório Com fundamento no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF n 2 256, de 22.06.2009, a Fazenda Nacional apresenta Embargos de Declaração em face do Acórdão 9101-00.260, proferido por esta Primeira Turma e que restou assim ementado: "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1998 DECADÊNCIA — Nos tributos lançados originalmente por homologação o prazo decadencial é de 5 (cinco) anos contados do fato gerador, inclusive na hipótese de realização incentivada do lucro inflacionário. Recurso Provido" Argumenta a embargante que o entendimento exarado na ementa e no corpo acórdão, no que diz respeito ao termo inicial para a contagem do prazo decadencial, não foi observado pela decisão, caracterizando a obscuridade no julgado. Ao final, a embargante requer o acolhimento dos presentes declaratórios para sanar o vicio apontado, com a devida integração do julgado. Os autos foram a mim distribuídos com fundamento no art. 49, § 7 2, do Anexo II do RICARF, verbis: "Art. 49. Os processos recebidos pelas Câmaras serão sorteados aos conselheiros. 70 Os processos que retornarem de diligência, os com embargos de declaração opostos e os conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos, em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, com designação de relator ad hoc." o relatório no essencial. Processo n° 10680.003927100-07 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-00.951 F1.198 Voto Conselheiro Claudemir Rodrigues Malaquias, relator ad hoc Os embargos foram apresentados tempestivamente e preenchem os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual deles tomo conhecimento. Em seus embargos, a Fazenda Nacional sustenta que o entendimento exarado na ementa e no corpo acórdão, no que diz respeito ao termo inicial para a contagem do prazo decadencial, não foi observado pela decisão, caracterizando a obscuridade do julgado. 0 colegiado, seguindo por maioria o voto do relator, considerou que o termo inicial para a contagem do prazo decadencial e a data do fato gerador. Porém, este entendimento não foi aplicado A. decisão que cancelou a exigência, ao admitir que o lançamento de oficio, cientificado em 12.04.2000, relativo ao fato gerador de 31.12.1995, havia sido alcançado pelo instituto da decadência. Examinando-se o teor do acórdão embargado, constata-se, de fato, a existência da imperfeição alegada, ensejando seu pronto suprimento. Como dito acima, a decisão fixou, no caso dos autos, que o termo inicial para a contagem do prazo decadencial deve ser o dia seguinte A ocorrência do fato gerador. A fundamentação foi apresentada no seguinte trecho da decisão (fls. 189): "0 Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e a Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, a partir da Lei n 2 8.383/1991, passaram a ser apurados mensalmente e, após a Lei n2 9.430/1996, trimestralmente. Assim, a partir do dia seguinte a ocorrência do fato gerador, quando o contribuinte realiza espontaneamente a apuração do tributo devido, inicia-se a contagem do prazo decadencial. (...) 0 que o Código Tributário Nacional determina homologar é o lançamento e não o pagamento. (Procedimento que tanto pode apontar lucro, resultado nulo, ou prejuízo). 0 entendimento majoritário dessa Turma da CSRF, bem como do pleno tem (sic) vem sendo nesse sentido e se aplica inclusive na hipótese versada nos autos (falta de realização do lucro inflacionário). Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de dar provimento ao recurso interposto pela contribuinte, cancelando a exigência." (negritou-se) Das partes destacadas, depreende-se, sem qualquer dúvida, que a decisão considerou que o termo inicial para a contagem do prazo decadeneial é o dia seguinte à ocorrência do fato gerador. Entretanto, compulsando-se os autos, verifica-se que houve um lapso manifesto ao admitir o fato gerador como termo inicial para a contagem do prazo Clauclemir,R drigues Malaqui— Relator ad hoc ar Processo n° 10680.003927/00-07 CSRF-T 1 Acórdão n.° 9101-00.951 Fl. 199 decadencial e afastar exigência decorrente de lançamento efetivamente efetuado antes dos cinco anos. No caso concreto, a contribuinte optou pela apuração anual do lucro real no ano-calendário de 1995. Assim, os valores exigidos relativos ao período referem-se ao fato gerador ocorrido em 31.12.1995 (fls. 01/12). Tendo em conta o critério adotado pela decisão, conforme trecho acima transcrito, o prazo de cinco anos para a constituição do crédito tributário iniciou-se em 31.12.1995 e findou-se em 31.12.2000. Conforme consta dos autos, a contribuinte tomou ciência do auto de infração no dia 12.04.2000 (fls. 37/38). Logo, se a ciência do lançamento ocorreu em 12.04.2000, portanto, antes do fim do prazo extintivo do direito de lançar (31.12.2000), não se verificou a decadência como, por lapso manifesto, equivocadamente admitiu o colegiado. Em consequência do erro manifesto verificado na decisão embargada, a decisão precisa ser reparada, sendo que os presentes embargos constituem a via processual adequada para suprir as deficiências do julgado. Diante do exposto, voto por CONHECER dos embargos opostos pela Fazenda Nacional para, no mérito, ACOLHE-LOS para suprir a imperfeição do Acórdão n2 9101-00.260, de 28 de julho de 2009, atribuindo-lhes os necessários efeitos modificativos, restabelecendo-se a exigência dos tributos lançados. E como voto. 4
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Numero do processo: 15504.014782/2008-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO CARTÓRIO
CONTRATAÇÃO DE CELETISTAS PAGAMENTO DE REMUNERAÇÃO FATO GERADOR DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS IRREGULAR VINCULAÇÃO A RPPS.
A partir da publicação da Emenda Constitucional n° 20/1998, que alterou o art. 40 da Constituição Federal, os servidores ocupantes exclusivamente de cargos em comissão, contratados temporários, bem como os contratados celetistas como os descritos na NFLD em questão não poderiam mais estar amparados por Regime Próprio de Previdência, tendo em vista o alcance da referida emenda limitar-se aos servidores celetistas, aplicando-se
o RGPS.
INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA.
A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.009
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Marcelo Freitas de Souza Costa (relator), que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o(a) Conselheiro(a) Elaine Cristina
Monteiro e Silva Vieira. Ausente ocasionalmente o conselheiro Igor Araújo Soares.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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A partir da publicação da Emenda Constitucional n ° 20/1998, que alterou o art. 40 da Constituição Federal, os servidores ocupantes exclusivamente de cargos em comissão, contratados temporários, bem como os contratados celetistas como os descritos na NFLD em questão não poderiam mais estar amparados por Regime Próprio de Previdência, tendo em vista o alcance da referida emenda limitarse aos servidores celetistas, aplicandose o RGPS. INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Marcelo Freitas de Souza Costa (relator), que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o(a) Conselheiro(a) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Ausente ocasionalmente o conselheiro Igor Araújo Soares. Fl. 61DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL 2 Elias Sampaio Freire Presidente. Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire; Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira; Kleber Ferreira de Araújo; Igor Araujo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Marcelo Freitas de Souza Costa. Fl. 62DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Processo nº 15504.014782/200826 Acórdão n.º 2401002.009 S2C4T1 Fl. 61 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte acima identificado, em face do descumprimento da obrigação principal, em face do não recolhimento de contribuições relativas à parte de terceiros, decorrentes de remunerações pagas aos segurados empregados. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 21/24, o lançamento tem como fato gerador das contribuições previdenciárias, o pagamento de remunerações aos segurados empregados, considerados pelo autuado como estatutários, conforme demonstra o Anexo I do RF às fls. 25/27. Inconformado com a decisão de fls. 41/47 o contribuinte apresentou recurso reiterando as alegações de defesa que, peço vênia para transcrever o Relatório da decisão de primeira instância que muito bem descreveu as razões do inconformismo da recorrente: Que não está enquadrada no fato gerador estipulado como obrigação principal; A Lei 8.935/94 dispondo sobre os serviços notariais e de registros em seu artigo 48 concede a faculdade ao estatutário de optar pelo regime geral de previdência; O Auditor Fiscal deixou de verificar as condições peculiares dos funcionários; Que a competência para legislar sobre previdência social é concorrente dos entes estatais, significando que o Estado de Minas tem competência para legislar sobre a previdência do Estado e que neste sentido foi promulgada a Lei Complementar 64/2002, posteriormente alterada pela Lei Complementar 70/03 a qual vincula compulsoriamente ao Regime Próprio de Previdência Social, o notário, o registrador, o escrevente e o auxiliar admitido até 18 de novembro de 1994 e não optante pela contratação segundo a legislação trabalhista, nos termos do artigo 48 da Lei Federal n° 8.935/94; O ministério da Previdência e Assistência Social expediu a Portaria n° 2.701/95, esclarecendo a situação dos cartórios e revogando as disposições em contrário ; O Auto de Infração fere preceitos constitucionais, inclusive cláusulas pétreas; A obrigação principal está sob contencioso e assim o presente feito deve aguardar até que seja comprovada a vinculação. Requer seja julgada improcedente a multa aplicada tendo em vista tratarse de funcionários estatutários regidos pela Previdência Estadual de Minas Gerais. Fl. 63DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL 4 É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. A presente autuação referese a contribuições relativas à parte de terceiros, decorrentes de remunerações pagas aos segurados empregados do recorrente. Sustenta a fiscalização que por não se tratarem de servidores detentores de cargo efetivo, são segurados obrigatórios do Regime Geral da Previdência Social – RPS com base na EC 20/98 e ainda, que o Regime Próprio de Previdência e Assistência dos servidores públicos do Estado de Minas Gerais não pode ser tomado na acepção de Regime Próprio de Previdência Social, conforme definido no artigo.10,. §3 ° do Regulamento da Previdência Social, RPS, por não constar o benefício da aposentadoria dentre aqueles por ele concedidos. Por seu turno o recorrente defende se tratar de servidores abrangidos pelo regime Próprio do Estado de Minas Gerais, conforme estabelecido na Lei Complementar Estadual nº 64/2002, alterada pela LCE nº 70/2003. Analisando a decisão de primeira instância e as razões recursais, entendo caber razão ao recorrente. O recorrente juntou à sua defesa os comprovantes de filiação dos seus funcionários ao regime estatutário, bem como Certidões e comprovantes de Contribuições junto ao IPSEMG, relativos a todos os funcionários listados no Anexo I do Relatório Fiscal. Na fundamentação da decisão guerreada, a ilustre relatora afirma que: “ a Lei Complementar Estadual e o seu regulamento naquilo que contrariam o mandamento constitucional devem ser considerados nulos pois ferem a vontade e a soberania nacionais consolidados na Carta Magna. Assim, às disposições do artigo 3°, incisos V e VI da Lei Complementar n° 70, de 30.07.2003, que alterou a Lei Complementar do Estado de Minas Gerais n° 64, de 25.03.2002, que vinculam compulsoriamente ao RPPS na qualidade de segurados, o notário, o registrador, o escrevente e o auxiliar admitido até 18/11/94 e não optante pela contratação segundo a legislação trabalhista, nos termos do artigo 48 da Lei Federal n° 8.935/94, devem ser desconsideradas pois não encontram respaldo na constituição federal de 2008.” (grifo nosso) Em que pese tal entendimento, tenho como equivocada a desconsideração de uma Lei que estava vigente à época dos fatos geradores e nunca foi declarada inconstitucional. Este procedimento não é de competência de nenhum órgão do poder administrativo e não poderia servir de fundamento para se manter a autuação. Outro equívoco da decisão vergastada é quanto a afirmação de que o IPSEMG não pode ser entendido como regime Próprio de Previdência por não conceder o benefício da aposentadoria a seus segurados. A Lei Complementar Estadual nº 64 de 2002 em Fl. 64DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Processo nº 15504.014782/200826 Acórdão n.º 2401002.009 S2C4T1 Fl. 62 5 seu art. 6º, I, “a” traz textualmente a aposentadoria como um dos benefícios concedidos, senão vejamos: Art. 6º São benefícios assegurados pelo Regime Próprio de Previdência Social: I – ao segurado: a) aposentadoria; b) licença para tratamento de saúde; c) licençamaternidade; d)(vetado); e) abonofamília; II ao dependente: a) pensão por morte; b) auxílioreclusão; c)(vetado). Portanto descabida tal assertiva, bem como as demais razões que levaram à presente autuação. Ante ao exposto, Voto no sentido de Conhecer do Recurso e no mérito Dar lhe provimento julgando improcedente a autuação. Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 65DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL 6 Voto Vencedor Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Redatora Designada Divirjo do entendimento do ilustre relator, quanto a possibilidade do cartório, contratar trabalhadores celetistas e vinculálos ao RPPS, considerando o alcance da legislação que regula o Regime Próprio do Estado. Para efeitos da legislação previdenciária, os órgãos, entidades públicas, bem como os cartórios são considerados empresa, conforme prevê o art. 15 da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras: Art.15.Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; Assim, o titular de cartório JOÃO MAURÍCIO VILANO FERRAZ, é considerado empresa perante a previdência social, devendo, portanto, contribuir para o RGPS, sempre que presentes fatos geradores de contribuições previdenciárias. Em se tratando de empregados celetistas no âmbito do serviço notorial, não há de se discutir a possibilidade de serem segurados do Regime Próprio de Previdência do Estado de Minas, uma vez que existe dispositivo constitucional que veda dita vinculação. Assim, desde a publicação da Emenda Constitucional n. 20/1998, já não mais se permitia a vinculação de outros tipos de segurados ao RPPS, sejam eles celetista ou mesmo exclusivamente comissionados. Dessa forma, a partir de 16/12/1998, tais trabalhadores passam a estar obrigatoriamente regidos pelo Regime Geral de Previdência Social – RGPS, tendo em vista que só os servidores EFETIVOS poderiam estar vinculados a Regime Próprio de Previdência – RPS. Assim, descreve a E.C n. 20, de 16.12.1998: Art.40 Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo. Conforme descrito anteriormente, tanto os Estados como os Municípios, têm competência para criar sistemas próprios de previdência social destinados exclusivamente à cobertura dos respectivos servidores e seus dependentes. Porém antes da permissão para a criação e vinculação de trabalhadores a regimes próprios, devese destacar o direito constitucional ao amparo previdenciário. Ou seja, em inexistindo RPPS, ou em sendo restrito o seu alcance, estariam os trabalhadores protegidos por intermédio de vinculação ao RGPS. De imediato o que o legislador constitucional resolveu regular, de forma muito coerente, digase de antemão, é que os servidores comissionados exclusivamente e os Fl. 66DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Processo nº 15504.014782/200826 Acórdão n.º 2401002.009 S2C4T1 Fl. 63 7 celetistas, bem como aqueles contratados de forma temporária não poderiam estar vinculados a RPPS, posto que na maioria das vezes quando aptos a gozar os benefícios não mais possuíam vinculo com ente público, restando muitas vezes para o RGPS a obrigação de amparar tais segurados. A partir de 16.12.1998, com a EC 20/98, a inclusão de segurados ao Regime Próprio de Previdência Social passa a sofrer restrições. Somente poderiam estar amparados, os servidores efetivos, ficando os segurados comissionados, celestistas e contratados a prazo determinado, obrigatoriamente vinculados ao RGPS, independente da necessidade de alteração legal dispondo nesse sentido. Ou seja, aplicase de imediato o dispositivo constitucional sem a necessidade de esperar que os Estados e Municípios alterassem sua legislação. Nesse sentido, estabelece a Instrução Normativa n. 100/2003: DOS ÓRGÃOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DIRETA, DAS AUTARQUIAS E DAS FUNDAÇÕES DE DIREITO PÚBLICO Seção I Dos Regimes Próprios de Previdência Social Art. 338. Entendese por regime próprio de previdência social dos servidores públicos da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios, e dos militares dos estados e do Distrito Federal, incluídas suas autarquias e fundações públicas, aquele que assegura, pelo menos, as aposentadorias e a pensão por morte previstas no art. 40 da Constituição Federal, observados os critérios definidos na Lei nº 9.717, de 27 de novembro de 1998, observado o seguinte: I até 15 de dezembro de 1998, com possibilidade de cobertura a qualquer espécie de servidor público civil ou militar da União, dos estados, do Distrito Federal ou dos municípios, bem como aos das respectivas autarquias ou aos das fundações de direito público, inclusive ao agente político e aos respectivos dependentes, observado o disposto no parágrafo único; II a partir de 16 de dezembro de 1998, por força da Emenda Constitucional nº 20, de 1998, com cobertura restrita ao servidor público civil titular de cargo efetivo e ao militar da União, dos estados, do Distrito Federal ou dos municípios, bem como ao servidor das respectivas autarquias e fundações de direito público e aos respectivos dependentes. Ou seja, com certeza as grandes distorções foram tecnicamente acertadas, porém em relação ao tempo anterior a EC nº 20 nada se pode fazer, considerando a liberdade dos entes em regular seus RPPS, sendo que se admitia que o regime de cada ente público determinasse que categoria de trabalhadores seriam seus segurados No entanto, no caso concreto, após o advento da referida emenda correto é o enquadramento ao RGPS dos trabalhadores celetistas, contratados pelos cartórios. A notificação fiscal tomou por base documentos do próprio recorrente, quais sejam GFIP e FOLHAS DE PAGAMENTOS e demais documentos pertinentes ao pagamentos das pessoas físicas que lhe prestaram serviços enquanto celetistas. Ademais, mesmo que e alegasse a inconstitucionalidade formal de lei, tal fato não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público, sendo a competência pelo seu exame adstrita ao Poder Judiciário. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo Fl. 67DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL 8 STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. No mesmo sentido posicionase este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ao publicar a súmula nº. 2 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes. SÚMULA N. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso, para no mérito NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. Fl. 68DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL
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Numero do processo: 37071.000067/2006-14
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon May 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon May 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/09/2003 a 29/02/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
De acordo com o princípio pas de nullité sans grief, que na sua tradução literal significa que não há nulidade sem prejuízo, não se declarará a nulidade por vício formal se este não causar prejuízo.
Podemos, então, estar diante a uma violação à prescrição legal sem que disso, necessariamente, decorra a nulidade. Como no presente caso, em que o art. 10, IV do Decreto nº 70.235/72 prescreve que o auto de infração conterá obrigatoriamente a disposição legal.
Não obstante a existência de vício formal no lançamento, a sua nulidade não deve ser decretada, por ausência de efetivo prejuízo por parte do contribuinte em sua defesa. Não há de se falar em nulidade do lançamento, por não restar configurado o binômio defeito-prejuízo.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-001.534
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional para afastar a nulidade declarada no acórdão vergastado, e determinar o retorno dos autos ao Colegiado recorrido para que enfrente as demais questões trazidas no recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcelo Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira que negavam provimento ao apelo fazendário.
Nome do relator: Elias Sampaio Freire
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2003 a 29/02/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. De acordo com o princípio pas de nullité sans grief, que na sua tradução literal significa que não há nulidade sem prejuízo, não se declarará a nulidade por vício formal se este não causar prejuízo. Podemos, então, estar diante a uma violação à prescrição legal sem que disso, necessariamente, decorra a nulidade. Como no presente caso, em que o art. 10, IV do Decreto nº 70.235/72 prescreve que o auto de infração conterá obrigatoriamente a disposição legal. Não obstante a existência de vício formal no lançamento, a sua nulidade não deve ser decretada, por ausência de efetivo prejuízo por parte do contribuinte em sua defesa. Não há de se falar em nulidade do lançamento, por não restar configurado o binômio defeito-prejuízo. Recurso especial provido.
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De acordo com o princípio pas de nullité sans grief, que na sua tradução literal significa que não há nulidade sem prejuízo, não se declarará a nulidade por vício formal se este não causar prejuízo. Podemos, então, estar diante a uma violação à prescrição legal sem que disso, necessariamente, decorra a nulidade. Como no presente caso, em que o art. 10, IV do Decreto nº 70.235/72 prescreve que o auto de infração conterá obrigatoriamente a disposição legal. Não obstante a existência de vício formal no lançamento, a sua nulidade não deve ser decretada, por ausência de efetivo prejuízo por parte do contribuinte em sua defesa. Não há de se falar em nulidade do lançamento, por não restar configurado o binômio defeitoprejuízo. Recurso especial provido. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional para afastar a nulidade declarada no acórdão vergastado, e determinar o retorno dos autos ao Colegiado recorrido para que enfrente as demais questões trazidas no recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcelo Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira que negavam provimento ao apelo fazendário. Fl. 202DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 Henrique Pinheiro Torres – PresidenteSubstituto (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – Relator (Assinado digitalmente) EDITADO EM: 24/05/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente – Substituto), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Giovanni Christian Nunes Campos, Manoel Coelho Arruda Junior, Alexandre Naoki Nishioka, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Oliveira. Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão nº 206 00.008, proferido pela antiga Sexta Câmara do 2º CC em 08/10/2007 (fls. 123/127), interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 141/162). A decisão recorrida, por unanimidade de votos, anulou a NFLD. Segue abaixo sua ementa: “PRELIMINAR. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. NULIDADE. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. ARBITRAMENTO. NULIDADE. VÍCIO FORMAL. 1. Na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito deve haver a expressa fundamentação legal do arbitramento procedido no relatório Fundamentos Legais do Débito e/ou no Relatório Fiscal. 2. A inobservância das formalidades legais na lavratura da NFLD configuram a sua nulidade. Processo anulado.” A recorrente afirma que a decisão ora atacada destoa da jurisprudência consolidada em outras Câmaras no ponto em que entendeu que a omissão do fundamento legal da forma de apuração do tributo, no instrumento que consubstancia o lançamento, é causa inequívoca de vício insanável deste. Apresenta paradigmas nos quais se verifica que a capitulação errônea ou imprecisa do auto de infração, ou até a ausência de enquadramento legal, não é suficiente para provocar a nulidade do lançamento, ainda mais quando o direito à ampla defesa foi exercido em sua plenitude, conforme previsão dos arts. 11, 59 e 60, do Decreto n° 70.235/72. Vejamos a seguir suas ementas: Acórdão n° CSRF/0202.301: "NORMAS PROCESSUAIS — CAPITULAÇÃO LEGAL NULIDADE INEXISTENTE. O estabelecimento autuado Fl. 203DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 37071.000067/200614 Acórdão n.º 920201.534 CSRFT2 Fl. 2 3 defendese dos fatos a ele imputado, e não do dispositivo legal mencionado na acusação fiscal. Não existe prejuízo à defesa quando os fatos narrados e fartamente documentados nos autos amoldamse perfeitamente às infrações imputadas à empresa fiscalizada. Não há nulidade sem prejuízo.” Acórdão n° CSRF/0104.780: "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — DESCRIÇÃO DOS FATOS E CAPITULAÇÃO LEGAL — IMPRECISÃO — CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA — NULIDADE — PROCESSO REFLEXIVO —DECORRÊNCIA PROCESSUAL: Tendo a peça impositiva procedido à perfeita descrição dos fatos, possibilita ao contribuinte seu amplo direito de defesa, ainda mais que ele foi exercido em sua plenitude. A capitulação legal, cuja precisão foi prejudicada pela generalidade, mas com perfeito enquadramento do tipo fiscal, não conduzindo à efetiva confusão nos argumentos de defesa, não é suficiente para provocar a nulidade do lançamento. Sendo processo reflexivo, pelo princípio da decorrência processual, é de se adotar a mesma decisão prolatada no processo principal.” Acórdão n° CSRF/0104.779: "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — DESCRIÇÃO DOS FATOS E CAPITULAÇÃO LEGAL — IMPRECISÃO — CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA — NULIDADE — PROCESSO REFLEXIVO —DECORRÊNCIA PROCESSUAL: Tendo a peça impositiva procedido à perfeita descrição dos fatos, possibilita ao contribuinte seu amplo direito de defesa, ainda mais que ele foi exercido em sua plenitude. A capitulação legal, cuja precisão foi prejudicada pela generalidade, mas com perfeito enquadramento do tipo fiscal, não conduzindo à efetiva confusão nos argumentos de defesa, não é suficiente para provocar a nulidade do lançamento. Sendo processo reflexivo, pelo princípio da decorrência processual, é de se adotar a mesma decisão prolatada no processo principal.” Alega que a descrição dos fatos e a metodologia utilizada para cálculo e constituição do crédito previdenciário encontramse satisfatoriamente postas no Relatório Fiscal. Do mesmo modo, os fundamentos legais que sustentam a constituição da exação estão precisamente explicitados na NFLD. Todos os elementos essenciais à notificação estão presentes, não restando evidenciada situação de prejuízo ao direito de defesa a ensejar a decretação de nulidade do processo. Ressalta que o relatório da fiscalização expressamente remete aos arts. 596 e 597, §1° da IN/SRP 03 de 14/07/05, cuja dicção voltase à regulação das situações em que o Fisco cataloga a documentação apresentada como deficiente ou que não atende aos requisitos legais, autorizando a aplicação da aferição indireta. Frisa que o procedimento fiscal contêm os elementos necessários e suficientes para o atendimento do art. 11 do Decreto n.° 70.235/72. Considera que o exercício amplo e efetivo do direito de defesa foi propiciado à contribuinte, que, inclusive, apresenta longo e detalhado arrazoado. Fl. 204DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 Cita uma segunda divergência, apresentando paradigma que refuta por inteiro a possibilidade de reconhecimento de nulidade sem prejuízo. Segue abaixo sua ementa: Acórdão n°. 10808499: "IRPJ CSLL — RECURSO DE OFÍCIO — PREJUÍZO FISCAL — BASE DE CÁLCULO NEGATIVA — COMPENSAÇÃO LIMITADA A 30% É legítimo o aproveitamento do saldo do prejuízo fiscal de IRPJ e da base de cálculo negativa de CSLL, acumulados até a ocorrência do fato gerador, no limite de 30% do prejuízo fiscal e da base de cálculo positiva apurada, o que se coaduna com o decidido em primeiro grau. IRPJ — PRELMINAR DE NULIDADE — CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA — Incabível a preliminar de nulidade de cerceamento ao direito de defesa, pois o processo administrativo fiscal seguiu plenamente os trâmites legais, tendo a recorrente todas as oportunidades cabíveis para argumentar, não se vislumbrando qualquer prejuízo aparente. IRPJ — PRELIMINAR DE NULIDADE — FALTA DE DESCRICÃO NO AUTO DE INFRACÃO — Não há que se acolher a preliminar de nulidade ante a falta de descrição suficiente do auto de infração, eis o mesmo preenche todos os pressupostos legais em sua elaboração, e a autuada demonstrou pleno conhecimento da matéria em sua defesal não se verificando quaisquer irregularidades nesse sentido. IRPJ — CSLL — NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS — ILEGALIDADE —Incabível a utilização de notas fiscais inidôneas para reduzir a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Correta a decisão de primeira instância que glosou a título de custo o valor total das notas fiscais ilegítimas, uma vez que não constituem elementos hábeis e idôneos a suportar a dedubitilidade dos valores despendidos na aquisição de insumos na determinação da base imponível. Recurso de oficio negado. Preliminares rejeitadas. Recurso voluntário negado". Argumenta que se o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não somente preliminares, mas também razões de mérito, mostrase incabível a declaração de nulidade de lançamento por cerceamento de defesa, devendo prevalecer os princípios da instrumentalidade e economia processual em lugar do rigor dás formas. Ao final, requer o provimento do presente recurso para que se restabeleça a decisão de primeira instância. Nos termos do Despacho n.º 017/2009 (fls. 163/166), foi dado seguimento ao pedido em análise especificamente no que diz respeito à primeira divergência argüida (a capitulação errônea ou imprecisa do auto de infração, ou até a ausência de enquadramento legal, não é suficiente para provocar a nulidade do lançamento). O contribuinte ofereceu, tempestivamente, contrarazões às fls. 172/179. Entende ser impossível manter crédito tributário lançado sem a indicação de dispositivo legal que o fundamente. Pondera que não haveria sequer como proceder à inscrição do lançamento em dívida ativa, sob pena de nulidade desta. Ademais, entende inaplicáveis à espécie os paradigmas adotados pela PGFN, por apresentarem situações fáticas distintas da ora discutida. Fl. 205DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 37071.000067/200614 Acórdão n.º 920201.534 CSRFT2 Fl. 3 5 Explica que no presente caso não foi fundamentado o lançamento tributário, tampouco a motivação para o arbitramento. Os paradigmas, por outro lado, não tratam de hipótese de arbitramento. Aduz que nos casos dos paradigmas supostamente não houve prejuízos à defesa, tampouco foi alegada qualquer nulidade no curso do processo. No presente processo foi argüida nulidade, bem como foi sustentado que se a contabilidade que foi desconsiderada para fins de arbitramento era suficiente para embasar algum lançamento tributário, de igual sorte deveria ser suficiente para provar a inexistência de valores a serem lançado pela autoridade fiscal. Alega que os acórdãos paradigmas têm como princípio o brocardo de que sem prejuízo não há nulidade. Aponta que no presente acórdão a nulidade decorreu de prejuízo na defesa. Ao final, requer seja negado provimento ao recurso especial da PGFN. Eis o breve relatório. Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator O recurso especial preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. A questão controvertida posta à apreciação diz respeito à declaração de nulidade do lançamento em decorrência da ausência da expressa fundamentação legal do arbitramento procedido. No passado, por diversas vezes me manifestei pela nulidade de lançamentos fiscais que não apresentassem a expressa menção ao arbitramento. Aliás, este entendimento encontravase consolidado no âmbito das câmaras com competência para julgar os processos administrativos fiscais referentes às contribuições previdenciárias, desde que esta competência era exercida no âmbito do Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS, que aprovou o enunciado nº 29: “Nos casos de levantamento por arbitramento, a existência do fundamento legal que ampara tal procedimento, seja no relatório Fundamentos Legais do Débito FLD ou no Relatório Fiscal REFISC garante o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa, não gerando a nulidade do lançamento” Entretanto, a jurisprudência firmada no âmbito do CARF, no sentido de que não há nulidade sem prejuízo me fez reavaliar a questão. O seguinte precedente ilustra o entendimento dominante no CARF: NULIDADE ENQUADRAMENTO LEGAL Deve ser rejeitado o pedido de nulidade do auto de infração fundado na deficiência de enquadramento legal, quando os elementos contidos em termo, expressamente referido como parte integrante e Fl. 206DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 6 indissociável da peça acusatória, e utilizado pela própria Impugnante em sua defesa, supre suficientemente falha porventura ocorrida. Se não há prejuízo para a defesa e o ato cumpriu sua finalidade, o enquadramento legal da exigência, ainda que incompleto, não enseja a decretação de sua nulidade. O cerceamento do direito de defesa deve se verificar concretamente, e não apenas em tese. O exame da impugnação evidencia a correta percepção do conteúdo e da motivação do lançamento.(Acórdão 10807651 da 8ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, Relatora: conselheira Karem Jureidini Dias de Mello Peixoto) Modernamente, o direito processual, inclusive o administrativo fiscal, tem como primado a efetividade da tutela dos direitos assegurados, adotando a vertente de instrumentalidade do processo à persecução do direito material deduzido. As formalidades desmotivadas foram substituídas pela instrumentalidade e busca da eficiência na prestação jurisdicional. Ada Pellegrini Grinover sustenta que “a decretação da nulidade implica perda da atividade processual já realizada, transtornos ao juiz e às partes e demora na prestação jurisdicional almejada, não sendo razoável, dessa forma, que a simples possibilidade de prejuízo dê lugar à aplicação da sanção; o dano deve ser concreto e efetivamente demonstrado em cada situação.”1 Afirma, ainda, a referida autora que “o princípio do prejuízo constitui, seguramente, a viga mestre do sistema de nulidades e decorre da idéia geral de que as formas processuais representam tãosomente um instrumento para a correta aplicação do direito; sendo assim, a desobediência a formalidades estabelecidas pelo legislador só deve conduzir ao reconhecimento da invalidade do ato quando a própria finalidade pela qual a forma foi instituída estiver comprometida”.2 As formas do processo são meios para alcance da tutela jurisdicional. Caso a tutela jurisdicional pretendida seja alcançada, mesmo em detrimento das formas legalmente exigidas, não há nulidade. De acordo com o princípio pas de nullité sans grief, que na sua tradução literal significa que não há nulidade sem prejuízo, não se declarará a nulidade por vício formal se este não causar prejuízo. Ou seja, podemos, então, estar diante a uma violação à prescrição legal sem que disso, necessariamente, decorra a nulidade. Como no presente caso, em que o art. 10, IV do Decreto nº 70.235/72 prescreve que o auto de infração conterá obrigatoriamente a disposição legal. Assim sendo, em atendimento ao princípio do pas de nullité sans grief, a invalidade processual há de ser entendida como uma sanção que somente será aplicada caso se constate a presença do binômio defeito e prejuízo, devendo o último ser entendido como obstáculo ao alcance da finalidade do ato processual. Isto é, não há de ser declarada a nulidade de ato processual se este não causa prejuízo a alguém, já que o processo, como meio de pacificação dos conflitos sociais, nada mais é do que o instrumento para efetivação do direito. 1 Ada Pellegrini Grinover e outros; As Nulidades no Processo Penal; São Paulo, p. 26. 2 Idem, p. 27. Fl. 207DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 37071.000067/200614 Acórdão n.º 920201.534 CSRFT2 Fl. 4 7 Marcos Neder e Maria Teresa Martinez Lopez, citando Ada Pellegrini Grinover lecionam: “Assim, antes de se anular o ato processual, é preciso examinar a possibilidade de se aproveitar o ato realizado, eliminandose ou superandose o vício que, sobre ele, pesa. Para Ada Pellegrini Grinover, “a decretação da nulidade implica perda da atividade processual já realizada, transtornos ao juiz e às partes e demora na prestação jurisdicional almejada, não sendo razoável, dessa forma, que a simples possibilidade de prejuízo dê lugar à aplicação da sanção; o dano deve ser concreto e efetivamente demonstrado em cada situação”. Com efeito, é inútil, do ponto de vista prático, anularse ou se decretar a nulidade de um ato, não tendo havido prejuízo da parte. Afirma, ainda, a renomada autora que “o princípio do prejuízo constitui, seguramente, a viga mestre do sistema das nulidades e decorre da idéia geral de que as formas processuais representam tão somente um instrumento para a correta aplicação do direito; sendo assim, a desobediência a formalidades estabelecidas pelo legislador só deve conduzir ao reconhecimento da invalidade do ato quando a própria finalidade pela qual a forma foi instituída estiver comprometida. Com efeito, a atipicidade do ato não conduz necessariamente ao pronunciamento de sua nulidade. Se o ato defeituoso alcançou os fins postos pelo sistema, sem que se verifique prejuízo às partes e ao sistema de modo que o torne inaceitável, ele deve permanecer válido. São atos meramente irregulares que não sofreram a sanção de ineficácia. Nessa linha, a nulidade não deve ser declarada em todos os casos em que o julgador se defronta com vício formal no ato de lançamento, só nos casos em que está configurado prejuízo às partes ou ao sistema processual.” Destarte, não obstante a existência de vício formal no lançamento, a sua nulidade não deve ser decretada, por ausência de efetivo prejuízo por parte do contribuinte em sua defesa. Não há de se falar em nulidade do lançamento, por não restar configurado o binômio defeitoprejuízo. Isto posto, voto por DAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para afastar a nulidade por vício formal declarada no acórdão recorrido, em decorrência da ausência de fundamentação legal do arbitramento, devendo o colegiado a quo apreciar as demais matérias pertinentes ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte. Elias Sampaio Freire (Assinado digitalmente) Fl. 208DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 8 Fl. 209DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
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Numero do processo: 13671.000132/2003-31
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS
Data do fato gerador: 31/01/1998, 28/02/1998, 31/03/1998, 30/04/1998, 31/05/1998
DECADÊNCIA PARA LANÇAR.
As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo.
O prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS é de 05 anos, contados do fato gerador na hipótese de existência de antecipação de pagamento do tributo devido ou do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, na ausência de antecipação de pagamento.
Recurso provido.
Numero da decisão: 9303-001.533
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento ao recurso especial para afastar a decadência, e determinando o retorno dos autos à turma recorrida para examinar as demais questões trazidas no recurso voluntário. Vencidos os
Conselheiros Nanci Gama e Rodrigo Cardozo Miranda, que negavam provimento.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/01/1998, 28/02/1998, 31/03/1998, 30/04/1998, 31/05/1998 DECADÊNCIA PARA LANÇAR. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. O prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS é de 05 anos, contados do fato gerador na hipótese de existência de antecipação de pagamento do tributo devido ou do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, na ausência de antecipação de pagamento. Recurso provido.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/01/1998, 28/02/1998, 31/03/1998, 30/04/1998, 31/05/1998 DECADÊNCIA PARA LANÇAR. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. O prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS é de 05 anos, contados do fato gerador na hipótese de existência de antecipação de pagamento do tributo devido ou do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, na ausência de antecipação de pagamento. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial para afastar a decadência, e determinando o retorno dos autos à turma recorrida para examinar as demais questões trazidas no recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama e Rodrigo Cardozo Miranda, que negavam provimento. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Júlio Fl. 1DF CARF MF Emitido em 05/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/08/ 2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 César Alves Ramos, Marcos Tranchesi Ortiz, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Os fatos foram assim narrados pelo Acórdão recorrido: O Recurso Voluntário se insurgiu contra os termos do Acórdão nº 0216.350, de 26 de novembro de 2007, proferido pela Primeira Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que manteve o lançamento consubstanciado pelo Auto de Infração cientificado ao sujeito passivo em 02/07/2003, relativo à Cofins dos períodos de apuração de janeiro, fevereiro, março, abril e maio de 1998, cujo crédito tributário, nele incluídos o principal, juros de mora e multa de ofício de 75%, montou a R$ 83.666,70. No Recurso Voluntário, em resumo, pediu a Recorrente que fosse considerada nula a decisão da DRJ por não ter se detido sobre uma das causas de indeferimento de seu pedido de compensação dos débitos que acabaram sendo lançados por meio do auto de infração que ora se discute, qual seja, de que teria ocorrido a prescrição do direito de opor créditos do Finsocial. Alegou ainda que suas compensações foram realizadas sob o amparo de decisão judicial transitada em julgado em data anterior à do presente lançamento, o que caracterizaria a figura do abuso de poder do Fisco. Julgando o feito, a Câmara recorrida assim decidiu: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/01/1998, 28/02/1998, 31/03/1998, 30/04/1998, 31/05/1998 AUTO DE INFRAÇÃO. TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. CINCO ANOS CONTADOS DO FATO GERADOR. Nos termos da Súmula Vinculante 8 do Supremo Tribunal Federal, de 20/06/2008, é inconstitucional o artigo 45 da Lei nº 8.212, de 1991. Assim, a regra que define o termo inicial de contagem do prazo decadencial para a constituição de créditos tributários dos tributos e contribuições sujeitos ao lançamento por homologação é a do § 4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional, ou seja, cinco anos a contar da data do fato gerador. No caso, a ciência do auto de infração ocorreu em 02/07/2003, razão pela qual, de ofício, reconheceuse a decadência de todo o lançamento. Recurso Voluntário Provido. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 05/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/08/ 2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13671.000132/200331 Acórdão n.º 930301.533 CSRFT3 Fl. 176 3 Irresignada, a Fazenda recorreu a este Colegiado pugnando pela reforma do acórdão vergastado, vez que, em seu entender, o prazo decadencial é o previsto no art. 173, inciso I, do CTN. Por meio do despacho de fl. 155/156, o recurso foi admitido. Regularmente cientificada, a autuada apresentou contrarrazões, fls. 167 a 173. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, dele conheço. A teor do relatado, a controvérsia a ser aqui dirimida cingese à questão do prazo e do termo inicial para contagem da decadência do direito de a Fazenda Publicar lançar crédito tributário relativo à Cofins. A Câmara recorrida entendeu que o prazo é de 5 anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, nos termos do § 4º do art. 150 do CTN, enquanto a Fazenda Nacional, em seu apelo, defende o prazo de dez anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, como previsto no art. 45 da Lei 8.212/1991. Esse tema tem sido objeto de acirrados debates no CARF, ora prevalecendo a posição contrária da Fazenda Nacional ora a dos contribuintes, dependendo da composição das Turmas de Julgamento. No tocante ao prazo, o meu posicionamento era no sentido de que predita contribuição estava sujeita ao prazo decadencial estabelecido no art. 45 da Lei nº 8.212/1991. Todavia, em virtude da Súmula Vinculante nº 08 do STF, e da remansosa jurisprudência de todas as Turmas da Câmara Superior de Recursos Fiscais, adoto o prazo limite de cinco anos estabelecido no CTN. Afastado a incidência do do art. 45 da Lei 8.212/1991, resta decidir o termo inicial dos 5 anos previstos no CTN. Todavia, com a alteração regimental, que acrescentou o art. 62A ao Regimento Interno do Carf, as decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos devem ser observados no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Assim, se a matéria foi julgada pelo STJ, em sede de recurso repetitivo, a decisão de lá deve ser adotada aqui, independentemente de convicções pessoais dos julgadores. Essa é justamente a hipótese dos autos, em que o STJ, em sede de recurso repetitivo versando sobre matéria idêntica à do recurso ora sob exame, decidiu que, nos tributos cujo lançamento é por homologação, o prazo para restituição de indébito é de 5 anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, quando houver antecipação de pagamento, e do primeiro Fl. 3DF CARF MF Emitido em 05/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/08/ 2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, no caso de ausência de antecipação de pagamento. No caso dos autos, a teor do relatado, não houve antecipação de pagamento, daí, aplicarse ao caso a regra inserta no inciso I do art. 173 do CTN. Com isso, o termo inicial é primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia haver sido efetuado. Aplicando essa regra ao caso concreto, vêse que, dos créditos lançados, a decadência não alcançou qualquer dos períodos auditados, posto que, o mais remoto diz respeito a janeiro de 1998, cujo termo de inicio da contagem do prazo é 1º de janeiro de 1999, e o final, 31 de dezembro de 2003, enquanto o lançamento foi efetuado em 16 de junho de 2003. Esclareçase, por oportuno, que a compensação feita pelo sujeito passivo não pode ser equipara a pagamento, pois o objeto destes autos é, justamente, a glosa do encontro de contas realizado pela autuada. Demais disso, como bem asseverou a Fiscalização, fl. 119, (...) as compensações efetuadas unilateralmente pela autuada e informadas na DCTF do 1º ao 4º trimestre de 1998, não têm amparo na decisão judicial nº 2000.01.00.0695219 (Apelação Cível), posto que efetuadas no período de fevereiro/98 a junho/98 enquanto a ação somente foi ajuizada em 17/12/98. No mesmo sentido, o processo administrativo nº 13671.000009/9865 ao qual foram vinculadas as compensações nas DCTF não lhes dá respaldo posto que a autuada renunciou o seu deslinde no âmbito administrativo com a propositura da ação judicial sobre a mesma matéria. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para afastar a decadência declarada no acórdão recorrido, e determinar o retorno dos autos à instância a quo para examinar as demais questões trazidas no recurso voluntário. Henrique Pinheiro Torres Fl. 4DF CARF MF Emitido em 05/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/08/ 2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 13839.005539/2007-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2005
PREVIDENCIÁRIO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OMISSÃO NA ARRECADAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS A SERVIÇO DA EMPRESA.
Ao deixar de efetuar a arrecadação, mediante o desconto na remuneração, da contribuição dos segurados a seu serviço, o sujeito passivo incorre em descumprimento de obrigação legal.
REMUNERAÇÃO A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS
Incidem contribuições previdenciárias sobre as remuneração pagas a pessoas físicas sem vínculo de emprego, enquadrados como segurados contribuintes individuais, ainda que os pagamentos tenham se dado mediante o fornecimento e cartões de premiação.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2005
ALEGAÇÕES DESPROVIDAS DE PROVAS. NÃO CONHECIMENTO.
Não merecem conhecimento as alegações que não se façam acompanhar das provas em que possam lhe dar validade.
REQUERIMENTO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.
Será indeferido o requerimento de diligência quando esta não se mostrar útil para a solução da lide, pelo fato do julgador já se dar por satisfeito com os elementos constantes dos autos.
RELATÓRIO FISCAL QUE RELATA A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, APRESENTA A FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO TRIBUTO LANÇADO E ENFOCA A APURAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. AFRONTA À CONSTITUIÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Não se vislumbra afronta a princípios constitucionais, quando o lançamento foi edificado dentro das balizas legais permitindo ao sujeito passivo o pleno exercício da faculdade de impugnar a exigência.
REPRESENTAÇÃO PARA FINS PENAIS. COMPETÊNCIA DO CARF. AUSÊNCIA
O CARF carece de competência para se pronunciar sobre processo de
Representação Fiscal Para Fins Penais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.152
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: : I)
indeferir o pedido para realização de diligência fiscal; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2005 PREVIDENCIÁRIO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OMISSÃO NA ARRECADAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS A SERVIÇO DA EMPRESA. Ao deixar de efetuar a arrecadação, mediante o desconto na remuneração, da contribuição dos segurados a seu serviço, o sujeito passivo incorre em descumprimento de obrigação legal. REMUNERAÇÃO A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Incidem contribuições previdenciárias sobre as remuneração pagas a pessoas físicas sem vínculo de emprego, enquadrados como segurados contribuintes individuais, ainda que os pagamentos tenham se dado mediante o fornecimento e cartões de premiação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2005 ALEGAÇÕES DESPROVIDAS DE PROVAS. NÃO CONHECIMENTO. Não merecem conhecimento as alegações que não se façam acompanhar das provas em que possam lhe dar validade. REQUERIMENTO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Será indeferido o requerimento de diligência quando esta não se mostrar útil para a solução da lide, pelo fato do julgador já se dar por satisfeito com os elementos constantes dos autos. RELATÓRIO FISCAL QUE RELATA A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, APRESENTA A FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO TRIBUTO LANÇADO E ENFOCA A APURAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. AFRONTA À CONSTITUIÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não se vislumbra afronta a princípios constitucionais, quando o lançamento foi edificado dentro das balizas legais permitindo ao sujeito passivo o pleno exercício da faculdade de impugnar a exigência. REPRESENTAÇÃO PARA FINS PENAIS. COMPETÊNCIA DO CARF. AUSÊNCIA O CARF carece de competência para se pronunciar sobre processo de Representação Fiscal Para Fins Penais. Recurso Voluntário Negado.
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DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OMISSÃO NA ARRECADAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS A SERVIÇO DA EMPRESA. Ao deixar de efetuar a arrecadação, mediante o desconto na remuneração, da contribuição dos segurados a seu serviço, o sujeito passivo incorre em descumprimento de obrigação legal. REMUNERAÇÃO A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Incidem contribuições previdenciárias sobre as remuneração pagas a pessoas físicas sem vínculo de emprego, enquadrados como segurados contribuintes individuais, ainda que os pagamentos tenham se dado mediante o fornecimento e cartões de premiação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2005 ALEGAÇÕES DESPROVIDAS DE PROVAS. NÃO CONHECIMENTO. Não merecem conhecimento as alegações que não se façam acompanhar das provas em que possam lhe dar validade. REQUERIMENTO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Será indeferido o requerimento de diligência quando esta não se mostrar útil para a solução da lide, pelo fato do julgador já se dar por satisfeito com os elementos constantes dos autos. RELATÓRIO FISCAL QUE RELATA A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, APRESENTA A FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO Fl. 112DF CARF MF Emitido em 15/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 TRIBUTO LANÇADO E ENFOCA A APURAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. AFRONTA À CONSTITUIÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não se vislumbra afronta a princípios constitucionais, quando o lançamento foi edificado dentro das balizas legais permitindo ao sujeito passivo o pleno exercício da faculdade de impugnar a exigência. REPRESENTAÇÃO PARA FINS PENAIS. COMPETÊNCIA DO CARF. AUSÊNCIA O CARF carece de competência para se pronunciar sobre processo de Representação Fiscal Para Fins Penais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: : I) indeferir o pedido para realização de diligência fiscal; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 113DF CARF MF Emitido em 15/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13839.005539/200729 Acórdão n.º 240102.152 S2C4T1 Fl. 113 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa acima epigrafada contra decisão da DRJ São Paulo I, a qual declarou procedente o lançamento consubstanciado no Auto de Infração AI n.º 37.096.2451, posteriormente cadastrado na RFB sob o número de processo constante no cabeçalho. O crédito em questão diz respeito à aplicação de penalidade pelo descumprimento da obrigação acessória de arrecadar, mediante desconto da remuneração, as contribuições dos segurados contribuintes individuais a serviço da autuada no período de 06/2004 a 06/2005. A penalidade assumiu o montante de R$ 1.195,12 (um mil, cento e noventa e cinco reais e doze centavos). Afirma a Auditoria que no período acima referido a empresa apresentou a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com indicação de ausência de fato gerador. Segundo o Fisco, os fatos geradores dos quais decorreu o lançamento foram os pagamentos efetuados a título de reembolso das notas fiscais de serviços emitidas pelas empresas Zicard Vieira Gerenciamento Promocional Ltda. (CNPJ 02.930.385/000111) e Neo Incentive Marketing Integrado Ltda. (CNPJ 05.568.653/0001 95), prestadoras de serviços de marketing de incentivos e fornecedoras de cartões eletrônicos. Afirmase ainda que os referidos valores foram registrados na contabilidade da empresa nas contas n.° 5.1.01.06.006 (Outros Serviços Tomados PJ) e 5.1.01.06.007 (Serviços de Marketing), além de que a empresa não conseguiu demonstrar que os valores repassados referiamse a reembolsos de despesas para execução do trabalho. A Auditoria apresenta demonstrativo, no qual constam as notas fiscais utilizadas na apuração e os beneficiários dos cartões de premiação. Informase ainda que a contribuição dos segurados foi calculada levando em conta o desconto sobre a remuneração recebida pelos segurados laboraram para a empresa Sim Incentive Marketing Ltda (CNPJ 03.745.219/000108). O presente AI é conexo à NFLD n.º 37.033.3583 (processo n.º 13839.005524/200761), cujo julgamento nessa Turma, em 22/08/2008, foi pela negativa de provimento ao recurso voluntário. A empresa ofertou impugnação, cujas alegações não foram acatadas pela DRJ que manteve integralmente o crédito tributário. Inconformado, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, no qual, em apertada síntese, alegou que: Fl. 114DF CARF MF Emitido em 15/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 a) as parcelas pagas com os cartões de premiação não possuem natureza salarial, uma vez que serviam para reembolsar despesas e não como contraprestação pelo serviço prestado; b) a incidência da contribuição previdenciária, pressupõese a existência de remuneração caracterizada pela habitualidade e como fonte de contraprestação a serviço prestado, portanto, sobre as aludidas parcelas não se pode exigir o recolhimento do tributo em questão; c) os documentos colacionados com a impugnação manejada contra a NFLD correlata comprovam que os valores correspondiam inequivocamente a reembolso de despesas; d) apresenta jurisprudência que firma o entendimento pela não incidência de contribuições sobre parcelas indenizatórias, como é o caso de reembolso de despesas; f) inexiste a materialidade do crime imputado pela Auditoria, uma vez que não se pode presumir a sonegação de contribuição previdenciária sem que tenha se configurado o fato gerador do tributo; g) sendo improcedente o presente lançamento, também o é a aplicação da multa pelo descumprimento da obrigação acessória de deixar de descontar a contribuição dos segurados; h) a aplicação da multa em descompasso com a legislação, revestese de caráter confiscatório; i) é cabível a realização de diligência fiscal para que a Auditoria possa analisar adequadamente os documentos exibidos durante a fiscalização, mas não apreciados; j) a Autoridade Notificante feriu a um só tempo os seguintes princípios: da legalidade, da finalidade, da motivação, da razoabilidade, da verdade real, da segurança jurídica e do interesse público. Ao final pede o cancelamento do crédito tributário sob enfoque. É o relatório. Fl. 115DF CARF MF Emitido em 15/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13839.005539/200729 Acórdão n.º 240102.152 S2C4T1 Fl. 114 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Da incidência de contribuições sobre os pagamentos mediante cartão de premiação Sobre essa questão, reportome ao voto relativo ao julgamento realizado nessa mesma turma quando julgou a notificação fiscal correlata (NFLD n.º 37.033.3583). Eis o que ficou ali consignado: A principal questão trazida ao processo diz respeito à natureza das parcelas repassadas às pessoas físicas pela empresa notificada mediante os cartões de premiação fornecidos por empresas contratadas para tal finalidade. O Fisco entendeu que esses pagamentos representariam remuneração a contribuintes individuais pelo fato da empresa não haver demonstrado que tais despesas, conforme alegou, tratavamse de reembolsos por dispêndios dos empregados para efetuarem seu trabalho. Por outro lado, afirma que a recorrente não apresentou qualquer outra forma de pagamento pelos serviços prestados pelos beneficiárias dos pagamentos mediante cartão. Para corroborar a sua apuração a Auditoria indicou o Relatório de Lançamentos, fls. 07/11, por competência, cada um das pessoas a que se destinaram os pagamentos. Também foram colacionados os contratos de prestação de serviço firmados entre a autuada e as empresas Zicard Vieira Gerenciamento Promocional Ltda e Neo Incentive Marketing Integrado Ltda e as notas fiscais emitidas, além da relação dos beneficiários fornecidas pela empresa. Também foi juntado às fls. 53/56 o anexo REL BENEFICIÁRIOS no qual estão vinculadas as pessoas que receberam as parcelas, as notas fiscais correspondentes e os valores pagos aos beneficiários. Por fim, o Demonstrativo das Notas Fiscais de Reembolso Conforme Livro Diário, fls.57/58, na qual estão relacionadas todas as notas fiscais emitidas e a conta contábil onde foram registradas, discriminandose o que se tratou de repasse aos trabalhadores e as quantias pagas a título de taxa de administração. A empresa na sua impugnação, embora afirmasse com veemência que as verbas tratavamse de meros reembolsos de despesas efetuadas pelos trabalhadores para executarem os serviços, não trouxe ao processo qualquer documento que pudesse comprovar os seus argumentos. Por esse motivo, o órgão a quo declarou improcedente a impugnação, mantendo integralmente a lavratura. Todavia,no recurso, foram acostados centenas de documentos de despesas tais como táxi, alimentação, estacionamento, combustível, etc. Embora, nos termos do § 4.º do art. 16 do Decreto n.º 70.235/1972, esse momento processual não seja o Fl. 116DF CARF MF Emitido em 15/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 apropriado para a juntada de documentos que o sujeito passivo já possuía quando da apresentação da defesa, não me furtei de analisar os documentos trazidos. Tratamse de recibos que, quase totalidade, não apresentam o nome do beneficiário, os quais não foram sequer acompanhados de demonstrativo que os vinculasse a emissão de determinada nota fiscal. Da forma como foram juntadas as provas pela recorrente não há como se chegar a conclusão alguma da sua correspondência com os valores apurados. Ao contrário do Fisco que procurou esclarecer a origem dos valores lançados, a notificada não se preocupou em desconstituir as conclusões da Auditoria mediante a apresentação dos documentos juntamente com demonstrativos que pudessem afastar a pretensão fiscal. Para esse julgador, a prova da maneira como foi exibida não se presta a modificar a decisão da DRJ, nem, por conseguinte, a apuração fiscal. O fato de alguns trabalhadores arrolados serem também empregados da empresa Sim Incentive Marketing Ltda também não altera as minhas conclusões, posto que nos termos do § 2.º do art. 12 da Lei n.º 8.212/1991, o exercício de várias atividades pelo trabalhador o sujeita a filiação em relação a cada uma delas: Art. 12 (...) § 2º Todo aquele que exercer, concomitantemente, mais de uma atividade remunerada sujeita ao Regime Geral de Previdência Social é obrigatoriamente filiado em relação a cada uma delas. Nesse sentido, o fato das pessoas listadas também receberem remuneração na condição de empregados de outra empresa apenas reflete no cálculo da contribuição do segurados que tem se sujeitar ao limite máximo do saláriodecontribuição. Verificase que esse teto foi respeitado pelo Fisco, conforme consta do Relatório Fiscal e anexos. De outra banda, analisando os contratos de prestação de serviço acostados pude concluir que, ao contrário do que afirmou a empresa, não se tratava unicamente de pagamento de reembolso. Vejamos. No contrato com a empresa Zicard Vieira Gerenciamento Promocional Ltda merece relevo a seguinte cláusula: CLAUSULA PRIMEIRA: OBJETO DO CONTRATO A Zicard Vieira Gerenciamento Promocional Ltda, garantirá o perfeito funcionamento do Sistema Marketing Card, cartões eletrônicos como meio de pagamentos eletrônicos da Campanha Promocional e reembolso de despesas, desde que obedecidas as cláusulas seguintes. Verificase que os cartões eram disponibilizados como meio de pagamento de campanha promocional e reembolso de despesas. Todavia, para que assumisse a feição de reembolso deveria haver a comprovação da realização do gasto, isso para cada um dos beneficiários. Desse encargo estou convencido de que a empresa não se desincumbiu. No mesmo sentido é o contrato firmado entre a notificada e a empresa Neo Card, como se pode ver desses termos: CONSIDERANDO QUE: Constitui objeto do presente contrato a prestação dos serviços de desenvolvimento e gerenciamento operacional da campanha de Fl. 117DF CARF MF Emitido em 15/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13839.005539/200729 Acórdão n.º 240102.152 S2C4T1 Fl. 115 7 incentivos e fidelização, reembolso do despesas , envolvendo Representantes Comerciais e Clientes da. MOVE, incluindo também toda a administração e gerenciamento da campanha promocional, assessoria e consultoria em marketing, objetivando a implantação de plano de ação para proporcionar o crescimento do volume de vendas, reter e fidelizar clientes, tudo como justo e contratado nas clausulas dispostas neste instrumento. Nessa situação está mais nítido ainda que o reembolso de despesas seria para a contratada apenas um dos itens de uma prestação de serviço que tinha como objetivo maior incrementar o volume de vendas da recorrente. Assim, verificandose que efetivamente houve a prestação de serviço e que a empresa não conseguiu demonstrar que os valores eram pagos para indenizar os trabalhadores por despesas efetuadas para executarem o trabalho, entendo que acertou o Fisco ao considerálas salário de contribuição, conforme dispõe o art. 12, V, da Lei n.º 8.212/1991, sendo devidas as contribuições lançadas nos termos dos artigos 21, “caput” e. 22 , III, da mesma lei. Da ocorrência da infração Uma vez que concluímos ter havido o fato gerador de contribuições previdenciárias, consubstanciado no pagamento de remunerações a contribuintes individuais, forçoso reconhecer que surgiu para o contribuinte o dever instrumental de efetuar a arrecadação, mediante desconto da remuneração, das contribuições dos segurados beneficiários das remunerações. Essa obrigação acessória encontrase prescrita no “caput” do art. 4.º da Lei 10.666/2003, verbis: Art. 4o Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia dois do mês seguinte ao da competência.(redação vigente na época da ocorrência dos fatos geradores) Assim, o descumprimento da norma acima é causa para aplicação da penalidade legalmente cominada, não devendo ser acolhida a alegação recursal de que não houve causa para imposição da pena que lhe foi aplicada. Do pedido para realização de diligência fiscal Quanto ao pedido de realização de diligência, entendo que não deva ser acatado. No processo administrativo fiscal vigora o princípio do livre convencimento motivado. Segundo o qual a autoridade julgadora tem liberdade para adotar a tese que ache mais adequada a solução da contenda, desde o que o faça com a devida motivação. Nesse sentido, somente à autoridade que preside o processo é dado determinar a realização de perícias e diligências caso ache necessário. Não está o julgador obrigado a deferir pedidos de dilação probatória se os elementos constantes nos autos já lhe dão o convencimento suficiente para emissão da decisão. Fl. 118DF CARF MF Emitido em 15/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Assim, sendo a prova dirigida a autoridade julgadora, é essa que tem a prerrogativa de determinar ou não a sua produção. Para mim, é inadmissível que o presente feito retorne à origem para realização de diligência, após todas as oportunidades que a recorrente de trazer aos autos as provas que entendesse necessárias. Isso seria uma afronta ao princípio constitucional da eficiência da administração pública. Da afronta a princípios constitucionais Ao contrário do que afirma a recorrente não enxerguei qualquer atropelo do fisco aos princípios da legalidade, da finalidade, da motivação, da razoabilidade, da verdade real, da segurança jurídica e do interesse público. A fundamentação legal indicada pelo Fisco não dá margem para que se diga que o princípio da legalidade tributária restou ferida. Foram apresentados os fatos e o direito no relato fiscal, onde foram bem delineados os fatos geradores e as circunstâncias de sua ocorrência. Também a composição da base de cálculo e as alíquotas aplicadas foram apresentadas com clareza. O pagamento de remuneração aos contribuintes individuais restou comprovado nos autos, de forma que a tributação desses valores foi decorrência da lei, não havendo o que se falar em desvio de finalidade ou ausência de motivação. Eis que o interesse público foi preservado quando a Autoridade Fiscal, ao se deparar com uma obrigação tributária acessória não cumprida, lavrou a AI para aplicar a multa legalmente prevista. Os fatos e as provas que foram levados em conta na apuração fiscal não autorizam que se afirme ter havido excesso de exação ou mesmo conduta desarrazoada, uma vez que todos os dados foram coletados de documentos fornecidos pelo sujeito passivo. Também se respeitou o princípio do contraditório e da ampla defesa no presente processo administrativo fiscal, onde o sujeito passivo teve oportunidade de produzir os argumentos e provas para afastar a pretensão do Fisco. Nesse sentido, entendendo que a Auditoria agiu dentro das balizas legais, reprovo o argumento de que na espécie teria havido afronta a princípios e garantias constitucionais. Da inexistência da materialidade do crime de sonegação Quanto ao argumento contrário à lavratura Representação Fiscal Para Fins Penais, em razão de não ter ocorrido o suposto crime de sonegação de contribuições previdenciárias, é matéria que não cabe a esse colegiado se pronunciar, nos termos da Súmula CARF n. 28: Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Conclusão Diante de todo exposto, voto por conhecer do recurso, por indeferir o pedido para realização de diligência fiscal, e, no mérito, pelo seu desprovimento. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 119DF CARF MF Emitido em 15/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13839.005539/200729 Acórdão n.º 240102.152 S2C4T1 Fl. 116 9 Fl. 120DF CARF MF Emitido em 15/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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