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Numero do processo: 10494.002817/2003-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 03/05/1996 a 31/12/1997
Ementa:
SÚMULA CARF Nº 1.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Recurso voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 3202-001.146
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o recurso voluntário.Ausente o Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama, Luis Eduardo Garrossino Barbieri e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES
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SÚMULA Nº 1. Recorrente DHB COMPONENTES AUTOMOTIVOS S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 03/05/1996 a 31/12/1997 Ementa: SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o recurso voluntário.Ausente o Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Thiago Moura de Albuquerque Alves – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama, Luis Eduardo Garrossino Barbieri e Thiago Moura de Albuquerque Alves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 49 4. 00 28 17 /2 00 3- 12 Fl. 1604DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 2 Relatório Trata o presente processo de auto de infração, referente a cobrança de crédito tributário no valor de R$ 10.250.533,08, relativo a multa prevista no art. 13, VII, da Lei nº 9449/97. O referido lançamento originouse da importação de autopeças com redução do Imposto de Importação – II no período de 03 de maio de 1996 a 31 de dezembro de 1997, em valor superior a 2/3 das exportações líquidas computadas no mesmo período, em desacordo com o estabelecido no art. 2º, IV, da Lei nº 9.449/97, regulamentado pelo art. 9º do Decreto nº 2072/96. Contra a autuação, a contribuinte apresentou impugnação ( fls. 1375 a 1392), sob os seguintes argumentos: 1 A DHBCA habilitouse ao "Regime Automotivo" pelas regras do Decreto n° 1.761/95, conforme Certificado de Habilitação n° 039/96, tendolhe sido concedido o TERMO DE APROVAÇÃ 0 em 22.03.96. 2 — A empresa foi enquadrada na condição de "newcomer", que lhe concedia um prazo de carência de 3 (três) anos (até 31 de dezembro de 1999) para cumprir as proporções, limites e índice de nacionalização previstos no programa, com a possibilidade de importar insumos com redução prédeterminada do Imposto de Importação. 3 — Em 19.03.97, três dias antes do compromisso da primeira reabilitação (e decorrido apenas um ano de vigência do Regime, para a DHBCA), O Ministério exigiulhe a assinatura do TERMO ADITIVO n° 0391/97, impondolhe as regras do (novo) Decreto n° 2.072/96, diminuindo os coeficientes de redução do Imposto de Importação sobre insumos e reduzindo a carência de três anos para apenas um ano. 4 — Como resultado da imposição das regras novas e imprevistas, a Secretaria da Receita Federal denunciou a DHB CA de "inadimplemento" em relação ao "Regime Automotivo". Efetuouse um procedimento de fiscalização, que deu origem a um Auto de Infra cão, através do qual a Receita Federal pretende cobrar da Requerente multa por excesso de importação (com redução de imposto), de 70% sobre o montante tido como "a maior", resultando dai penalidade no valor de R$ 10.1250.533,08. 5 — Quando da assinatura do TERMO ADITIVO com as novas regras (19.03.97), A DHBCA não tinha como voltar atrás, nem estancar sua PARTICIPAÇÃO NO "Regime Automotivo", tendo em vista que: (a) a Requerente arcaria com todo o prejuízo resultante dos investimentos realizados para participar do Regime; e (b) já não haveria como apagar" as importações realizadas em 1996/97 — naturalmente mais substanciosas face à expectativa da carência original de três anos..80.19, dentre as Fl. 1605DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10494.002817/200312 Acórdão n.º 3202001.146 S3C2T2 Fl. 1.605 3 "Outras" (Unidades de máquinas automáticas para processamento de dados), como entende a fiscalização. 6 — A ser considerado o triênio carencial previsto originalmente em três anos, os resultados apontarão o cumprimento da meta estabelecida, com superávit de US$ 3.033.055,00 na rubrica das exportações — em favor, portanto, da DHBCA. 7 — Tratase no caso concreto, de isenção nor prazo certo e condicional (condição resolutiva). A legislação, a jurisprudência e a doutrina brasileiras inadmitem a revogação e/ou a redução de isenções concedidas por prazo certo e sob condição onerosa. Nesse sentido, art. 178 do CTN e Súmula 544 do STF. Na mesma linha, ensinamento de AL1OMAR BALEEIRO ("Direito Tributário Brasileiro", 10a ed., 1985, pp. 592/593). 8 — A alteração imposta viola direito adquirido (art. 5° XXXVI — da CF88), através de ato juridicamente perfeito. 9 — Os princípios da legalidade tributária e da segurança jurídica impõem a previsibilidade quanto à vigência dos atos tributários, sendo inadmissível o aumento retroativo do tributo. 10 — Modificadas as regras para apenas uma parcela dos "newcomers", os importadores de insumos (e não para as montadoras), resta afrontado o principio da igualdade jurídica tributária (art. 150, II, da CF88). A DRJ/FNS nº 3.957 de 08 de abril de 2004, julgou improcedente a impugnação, mantendo a exigência da multa (fls. 1.477 e ss.), sob o argumento de que ao assinar o Termo Aditivo nº 039/I/97, a empresa aceitou as novas regras da Lei nº 9.449/97 e do Decreto nº 2.072/96. Confirase: Ao assinar o Termo Aditivo n° 039/1197 a interessada aceitou as novas regras estabelecidas pela Lei n° 9.449/97 e Decreto n° 2.072/96. Portanto, cabe razão a autoridade lançadora ao evocar o art. 111, II, do CTN, pois as regras são aquelas delineadas nos Termos assinados pelas partes, baseadas em dispositivos legais, sendo que elas devem ser interpretadas literalmente. O Termo Aditivo 039/1197 não deu inicio ao programa, mas sim alterou determinadas regras que foram modificadas pela Lei n°9.449/97 e Decreto n° 2.072/96. Prova disso é a Cláusula Segunda do termo de aditivo que RATIFICA as outras condições estabelecidas no termo de aprovação. Desta forma, o inicio do programa não foi alterado, continuou a ser o dia em que se deu o primeiro desembaraço aduaneiro, ou seja, em 03/05/1996 e seu término passou a ser o dia 31/12/1997. Contra a Decisão da DRJ/FNS (acórdão nº 3957, de 08.04.2004), a contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 1.517 e ss), reiterando os argumentos da impugnação. Fl. 1606DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 4 Apreciando o recurso voluntário, a Turma decidiu converter o julgamento em diligência, para que fossem acostadas aos autos as cópias do Processo nº 2002.34.00.0360323, com o pedido da empresa na ação declaratória e de decisão que possivelmente já tenham sido tomadas, com o objetivo de demonstrar possível concomitância de discussão judicial e administrativa (fls. 1.563/ss.). Em obediência a diligência solicitada, a Procuradoria da Fazenda Nacional foram anexou aos autos as cópias da Ação declaratória de indébito fiscal (fls. 1.571/ss.). Dessa forma, através da Notificação nº 6/2011, a contribuinte foi intimada para que no prazo de 15 dias, para se manifestar acerca da renúncia administrativa evidenciada com a Ação Declaratória de indébito fiscal. Findo esse prazo, sem nenhum procedimento por parte da interessada, segue encaminhamento do processo para o CARFDF. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, Relator. O recurso é tempestivo e, por isso, merece a ser apreciado. Com o retorno da diligência, fica claro que a recorrente optou pela via judicial para impugnar o auto de infração sob julgamento. Efetivamente, na cópia da petição de fl. 1.591/ss, a empresa indica ao Juízo o presente auto de infração como motivo para concessão da tutela antecipada para suspensão da exigibilidade da cobrança: Não tendo ainda V. Exa. se manifestado sobre o requerido, nesse meio tempo a Autora foi intimada do AUTO DE INFRAÇÃO n.° 10494.002817/200312, datado de 22.12.2003, através do qual a Fazenda Publica pretende cobrar da Requerente o montante de R$ 10.250.533,08 (dez milhões, duzentos e cinqüenta mil, quinhentos e trinta e três reais e oito centavos), a titulo de multa por alegado DESCUMPRIMENTO DE PROPORÇÃO, relativamente aos parâmetros legais estabelecidos para o REGIME AUTOMOTIVO, ao qual a Autora havia se habilitado e recebera aprovação. A Demandante pede vênia, pois, para juntar aos autos o referido Auto de Infração, bem como a respectiva impugnação oferecida, para o esclarecimento desse M.M. Juizo sobre os elementos de fato e de direito que perpassam a lide. [...] Tal situação, agora, sofreu radical alteração. Se, naquela oportunidade, a Demandante entendeu presente o fumus boni iuris, pelas razões de fato e de direito expostas — e bem assim o periculum in mora, pela ameaça concreta de medidas causadoras (inscrição na divida pública e no CAD1N) de "dano Fl. 1607DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10494.002817/200312 Acórdão n.º 3202001.146 S3C2T2 Fl. 1.606 5 irreparável ou de difícil reparação"— tal situação, hoje, reveste se de iminência concretamente ameaçadora, de urgência premente. A reiteração do pedido de tutela antecipada se faz agora presente e de especial relevância, ante o fato novo de que o Fisco, através do citado Auto de Infração, já intimou a Autora para recolher a importância da multa questionada ao longo do feito. Assim sendo, é a presente para reiterar os pedidos anteriormente formulados, em especial no sentido do deferimento, por esse M.M. Juizo, da tutela antecipada (art. 273, CPC), com vistas ao cumprimento do disposto no inciso V acrescentado ao art. 151 do CTN pela Lei Complementar n.° 104/2001. Notese que a recorrente, apesar de intimada, não se manifestou sobre o resultado da diligência solicitada pelo CARF. Ante o exposto, NÃO CONHEÇO do recurso voluntário, nos termos da Súmula CARF nº 1, devendo ser observadas, pela autoridade de origem, as decisões provisórias ou definitivas, proferidas na Ação Judicial nº 2002.34.00.0360323, encetada na 16ª Vara Federal de Brasília/DF, para fins de continuidade ou não da cobrança. É como voto. Thiago Moura de Albuquerque Alves Fl. 1608DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 19311.000320/2009-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
DECADÊNCIA PARCIAL. ARTS 45 E 46 LEI 8.212/1991. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA VINCULANTE 08 do STF.
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o que dispõe o art. 150, § 4º, ou o art. 173 e seus incisos, ambos do Código Tributário Nacional, nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não, respectivamente.
No caso de lançamento das contribuições sociais, em que os fatos geradores efetuou-se antecipação de pagamento, deixa de ser aplicada a regra geral do art. 173, inciso I, para a aplicação do art. 150, § 4º, ambos do CTN.
CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. ARRECADAÇÃO.
A arrecadação das contribuições para outras Entidades e Fundos Paraestatais deve seguir os mesmos critérios estabelecidos para as contribuições Previdenciárias (art. 3°, § 3° da Lei 11.457/2007).
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.078
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para reconhecer a decadência até a competência 08/2004, inclusive. Declarou-se impedido o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 DECADÊNCIA PARCIAL. ARTS 45 E 46 LEI 8.212/1991. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA VINCULANTE 08 do STF. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o que dispõe o art. 150, § 4º, ou o art. 173 e seus incisos, ambos do Código Tributário Nacional, nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não, respectivamente. No caso de lançamento das contribuições sociais, em que os fatos geradores efetuou-se antecipação de pagamento, deixa de ser aplicada a regra geral do art. 173, inciso I, para a aplicação do art. 150, § 4º, ambos do CTN. CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. ARRECADAÇÃO. A arrecadação das contribuições para outras Entidades e Fundos Paraestatais deve seguir os mesmos critérios estabelecidos para as contribuições Previdenciárias (art. 3°, § 3° da Lei 11.457/2007). Recurso Voluntário Provido em Parte.
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ARTS 45 E 46 LEI 8.212/1991. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA VINCULANTE 08 do STF. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o que dispõe o art. 150, § 4º, ou o art. 173 e seus incisos, ambos do Código Tributário Nacional, nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não, respectivamente. No caso de lançamento das contribuições sociais, em que os fatos geradores efetuouse antecipação de pagamento, deixa de ser aplicada a regra geral do art. 173, inciso I, para a aplicação do art. 150, § 4º, ambos do CTN. CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. ARRECADAÇÃO. A arrecadação das contribuições para outras Entidades e Fundos Paraestatais deve seguir os mesmos critérios estabelecidos para as contribuições Previdenciárias (art. 3°, § 3° da Lei 11.457/2007). Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 00 03 20 /2 00 9- 21 Fl. 444DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para reconhecer a decadência até a competência 08/2004, inclusive. Declarouse impedido o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 445DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19311.000320/200921 Acórdão n.º 2402004.078 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, concernente à parcela patronal, incluindo as contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT) e as contribuições destinadas a outras Entidades/Terceiros. O período de lançamento dos créditos previdenciários é de 01/2004 a 12/2004. O Relatório Fiscal da notificação (fls. 128/146) informa que as bases de cálculo das contribuições devidas estão totalizadas, por competência, nos lançamentos contábeis relacionados nos Anexos I e II dos autos, e o cálculo das contribuições devidas encontramse discriminadas no Discriminativo Analítico de Débito para o levantamento, SI SALÁRIO INDIRETO. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 21/09/2009 (fls. 01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 193/201), alegando, em síntese, que: 1. reconhece que sua interpretação da legislação no tocante à forma do pagamento de valores a título de reembolso de quilometragem estava equivocada e que tais reembolsos, na forma em que até então eram pagos, deveriam ter sido incluídos na base de cálculo das contribuições previdenciárias. Sendo assim, a empresa pretende efetuar o pagamento parcial dos valores exigidos no presente Auto de Infração, notadamente os valores relativos às competências de setembro a dezembro de 2004, com os benefícios de redução de multas e juros previstos na Lei 11.941/2009 Desse modo requer o desmembramento do lançamento; 2. não concordar com a exigência relativa às competências de janeiro a agosto de 2004, eis que foram atingidas pela decadência, pois da data da lavratura/ciência do auto de infração, que se deu em 21 de setembro de 2009, decorreram mais de cinco anos, considerandose, assim, definitivamente homologado o procedimento seguido pela Impugnante e extinto o crédito tributário, nos moldes do que determina o artigo 150, § 4°, do CTN; 3. requer por fim o desmembramento do lançamento e o cancelamento da exigência das contribuições previdenciárias referente ao período de 01 a 08/2004, em razão da decadência. Fl. 446DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Às folhas 69/231 do processo apensado 19311.000321/200975 (contribuições destinadas a outras Entidades/Terceiros), protocola a juntada dos comprovantes da entrega das GFIP e das GPS pagas do período do lançamento. E, às folhas 394/398 do processo principal 19311.000320/200921 expõe o seguinte: “Conforme informado no item II de sua impugnação a contribuinte optou pelo pagamento parcial dos valores exigidos no presente Auto de Infração, notadamente os valores relativos às competências de setembro a dezembro de 2004 com os benefícios de redução de multas e juros previstos na Lei 11.94112009, requerendo o desmembramento do Auto de Infração para este fim”. Anexa cópia do Cálculo de Contribuições, folhas 396 e, cópia das GPS pagas e referentes ao período que concorda com o lançamento. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Campinas/SP – por meio do Acórdão 0528.831 da 8a Turma da DRJ/CPS (fls. 401/405) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto. A Notificada apresentou recurso voluntário (fls. 413/421), manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Jundiaí/SP informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 447DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19311.000320/200921 Acórdão n.º 2402004.078 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. A Recorrente alega que seja declarada a extinção do crédito tributário, pois os supostos créditos levantados pela fiscalização estariam fulminados pelo instituto jurídico da decadência, nos termos do art. 150, § 4o, do Código Tributário Nacional (CTN). Pelos motivos a seguir delineados, tal alegação será acatada em parte. Inicialmente, registramos que o Supremo Tribunal Federal, ao julgar os Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, negou provimento aos mesmos por unanimidade, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, ambos da Lei 8.212/1991. Na oportunidade, os ministros ainda editaram a Súmula Vinculante 08 a respeito do tema, a qual transcrevo abaixo: Súmula Vinculante 8 STF: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. É necessário observar os efeitos da súmula vinculante, conforme se depreende do art. 103A, caput, da Constituição Federal que foi inserido pela Emenda Constitucional 45/2004, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (g.n.) Da leitura do dispositivo constitucional, podese concluir que, a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. O Código Tributário Nacional trata da decadência no artigo 173, abaixo transcrito: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: Fl. 448DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (g.n.) II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Por outro lado, ao tratar do lançamento por homologação, o Códex Tributário definiu no art. 150, § 4º o seguinte: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Entretanto, tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça, que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Se, no entanto, o sujeito passivo não efetuar pagamento algum, nada há a ser homologado e, por consequência, aplicase o disposto no art. 173 do CTN, em que o prazo de cinco anos passa a ser contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Para corroborar o entendimento acima, colaciono alguns julgados no mesmo sentido: "TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL. INTELIGÊNCIA DOS ARTS. 173, I, E 150, § 4º, DO CTN. 1. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art. 173, I, do CTN, segundo o qual 'o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado'. Fl. 449DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19311.000320/200921 Acórdão n.º 2402004.078 S2C4T2 Fl. 5 7 2. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação – que, segundo o art. 150 do CTN, 'ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa' e 'operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa' –,há regra específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN. Precedentes jurisprudenciais. 3. No caso concreto, o débito é referente à contribuição previdenciária, tributo sujeito a lançamento por homologação, e não houve qualquer antecipação de pagamento. É aplicável, portanto, conforme a orientação acima indicada, a regra do art. 173, I, do CTN. 4. Agravo regimental a que se dá parcial provimento." (AgRg nos EREsp 216.758/SP, 1ª Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 10.4.2006) "TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. MANDADO DE SEGURANÇA. MEDIDA LIMINAR. SUSPENSÃO DO PRAZO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), que é de cinco anos. 2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. (...) 4. Embargos de divergência providos." (EREsp 572.603/PR, 1ª Seção, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 5.9.2005) Verificase que o lançamento fiscal em tela referese a período compreendido entre 01/2004 a 12/2004 e foi efetuado em 21/09/2004, data da intimação e ciência do sujeito passivo (fls. 01). No caso em tela, tratase do lançamento de contribuições, cujos fatos geradores a Recorrente efetuou antecipação de pagamento, eis que os valores apurados decorrem de diferenças de contribuições não recolhidas, provenientes de salário indireto, conforme Relatório Fiscal e guias de recolhimentos juntadas aos autos (fls. 224/398). Nesse sentido, aplicase o art. 150, § 4º, do CTN, para considerar que os valores apurados até a competência 08/2004, inclusive, foram abrangidos pela decadência tributária. Fl. 450DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 No âmbito da apuração do crédito tributário, registrase que, ainda que haja representação fiscal para fins penais, não há demonstração nos autos de conduta dolosa, fraudulenta ou simulada suficientes à descaracterizar a regra de cômputo de prazo do art. 150, §4°, para aplicar a regra do art. 173, ambos do CTN. Para tanto, o Fisco informa que a empresa apresentou a escrituração contábil de forma regular, apresentado folhas de pagamento, recibos e outros documentos solicitados, sendo que isso viabilizou a caracterização do fato gerador oriundo de salário indireto. Com isso – como o crédito foi constituído com fundamento no direito potestativo do Fisco em lançar os valores das contribuições não recolhidas em época determinada pela legislação vigente –, a preliminar de decadência será acatada para os valores apurados até a competência 08/2004, inclusive, eis que o lançamento fiscal referese ao período de 01/2004 a 12/2004 e as competências posteriores a 08/2004 não foram abarcadas pela decadência tributária. Diante disso, acato parcialmente a preliminar de decadência tributária, excluindo as contribuições apuradas até a competência 08/2004, inclusive, a teor do art. 150, § 4º, do CTN. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para reconhecer que sejam excluídos, em decorrência da decadência tributária quinquenal, os valores apurados até a competência 08/2004, inclusive, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 451DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 12898.000967/2009-60
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA MULTA DE OFÍCIO. NORMAS PROCEDIMENTAIS/REGIMENTAIS. RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. NÃO CONHECIMENTO.
Com arrimo no artigo 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, somente deverá ser conhecido o Recurso Especial, escorado naquele dispositivo regimental, quando devidamente comprovada a divergência arguida entre o Acórdão recorrido e o paradigma, a partir da demonstração fundamentada, acompanhada da cópia da publicação da ementa do Acórdão paradigma ou do seu inteiro teor, impondo, ainda, a comprovação do pré-questionamento a respeito do tema. Mais especificamente, no caso de multa isolada relativo ao IRPF, pela falta de recolhimento mensal a título de carnê-leão (artigo 44, § 1º, inciso III, da Lei nº 9.430/96), não se presta como paradigma o Acórdão que não contempla aludida penalidade isolada concomitante com a de ofício, diante da ausência de lançamento de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-003.162
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator
EDITADO EM: 14/05/2013
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA MULTA DE OFÍCIO. NORMAS PROCEDIMENTAIS/REGIMENTAIS. RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. NÃO CONHECIMENTO. Com arrimo no artigo 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, somente deverá ser conhecido o Recurso Especial, escorado naquele dispositivo regimental, quando devidamente comprovada a divergência arguida entre o Acórdão recorrido e o paradigma, a partir da demonstração fundamentada, acompanhada da cópia da publicação da ementa do Acórdão paradigma ou do seu inteiro teor, impondo, ainda, a comprovação do pré-questionamento a respeito do tema. Mais especificamente, no caso de multa isolada relativo ao IRPF, pela falta de recolhimento mensal a título de carnê-leão (artigo 44, § 1º, inciso III, da Lei nº 9.430/96), não se presta como paradigma o Acórdão que não contempla aludida penalidade isolada concomitante com a de ofício, diante da ausência de lançamento de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas. Recurso especial não conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator EDITADO EM: 14/05/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
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CONCOMITÂNCIA MULTA DE OFÍCIO. NORMAS PROCEDIMENTAIS/REGIMENTAIS. RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. NÃO CONHECIMENTO. Com arrimo no artigo 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, somente deverá ser conhecido o Recurso Especial, escorado naquele dispositivo regimental, quando devidamente comprovada a divergência arguida entre o Acórdão recorrido e o paradigma, a partir da demonstração fundamentada, acompanhada da cópia da publicação da ementa do Acórdão paradigma ou do seu inteiro teor, impondo, ainda, a comprovação do pré questionamento a respeito do tema. Mais especificamente, no caso de multa isolada relativo ao IRPF, pela falta de recolhimento mensal a título de carnê leão (artigo 44, § 1º, inciso III, da Lei nº 9.430/96), não se presta como paradigma o Acórdão que não contempla aludida penalidade isolada concomitante com a de ofício, diante da ausência de lançamento de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 09 67 /2 00 9- 60 Fl. 324DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por OTACILIO DAN TAS CARTAXO 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: 14/05/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Relatório JORGE COUTO DE CARVALHO, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já devidamente qualificada nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, em 29/06/2009 (AR fl. 146), exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, com qualificação da penalidade, bem como multa exigida isoladamente pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de CarnêLeão, em relação ao exercício 2006, conforme peça inaugural do feito, às fls. 124/145, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário à Segunda Seção de Julgamento contra Decisão da 7a Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ II, consubstanciada no Acórdão nº 1329.758/2010, às fls. 170/172, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 1ª TO da 2a Câmara, em 01/12/2011, por unanimidade de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO VOLUNTÁRIO DO CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 2201 01.401, sintetizados na seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2006 MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. MESMA BASE DE CÁLCULO. Pacífica a jurisprudência deste Conselho Administrativo de que não cabe a aplicação concomitante da multa de lançamento de ofício com multa isolada, apuradas em face da mesma omissão. SELIC. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por OTACILIO DAN TAS CARTAXO Processo nº 12898.000967/200960 Acórdão n.º 9202003.162 CSRFT2 Fl. 7 3 O art. 61, §3º da Lei nº 9.430, de 1996, determina o emprego da taxa Selic, a título de juros moratórios, conforme determina a Súmula CARF nº 4: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Irresignada, a Procuradoria interpôs Recurso Especial, às fls. 248/255, com arrimo nos artigos 64, inciso II, e 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, alegando ter contrariado entendimento levado a efeito pelas demais Câmaras dos Conselhos de Contribuintes/CARF e, bem assim, da Câmara Superior de Recursos Fiscais a respeito da mesma matéria, conforme se extrai do Acórdão nº 10422.037, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, uma vez comprovada a divergência arguida. Defende que o Acórdão guerreado contrariou a legislação de regência, especialmente o artigo 44, § 1º, inciso III, da Lei nº 9.430/96 (atual artigo 44, inciso II), afrontando, igualmente, a jurisprudência do STJ a respeito do tema. A fazer prevalecer seu entendimento, considera legítima a aplicação cumulativa de duas multas de ofício, não se cogitando em bis in idem, eis que, apesar de incidirem sobre a mesma base de cálculo, decorrem de infrações diversas. Contrapõese ao entendimento inserido no Acórdão recorrido, aduzindo para tanto que não há óbice legal para aplicação ao contribuinte omisso, diante de duas infrações tributárias diversas, de duas penalidades que possuam a mesma base de cálculo, ao contrário do que restou decidido pela Câmara a quo, não havendo que se falar em bis in idem, confisco ou excesso punitivo na hipótese dos autos. Alega que a Turma recorrida, ao afastar a aplicação da multa isolada, criou nova hipótese de dispensa de penalidade não prevista na legislação de regência, em total afronta aos preceitos inscritos no artigo 97, inciso VI, do Código Tributário Nacional. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 2ª Câmara da 2a SJ do CARF, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Procuradoria, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o decisório recorrido divergiu do entendimento consubstanciado no paradigma, Acórdão nº 10422.037, conforme Despacho nº 220000.917/2012, às fls. 281/285. Instada a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Procuradoria, o contribuinte ofereceu suas contrarrazões, às fls. 298/307, corroborando os fundamentos do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção. É o relatório. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por OTACILIO DAN TAS CARTAXO 4 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Com a devida vênia ao ilustre Presidente da 2a Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, ouso divergir do despacho que deu seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, por não vislumbrar na hipótese vertente requisito regimental amparando a pretensão da recorrente, não merecendo ser conhecida sua peça recursal, como passaremos a demonstrar. Conforme se depreende da análise dos elementos que instruem o processo, a matéria objeto do presente recurso diz respeito a multa isolada, exigida cumulativamente com a multa de ofício, em razão de a contribuinte ter deixado de recolher o IRPF a título de carnê leão, mensalmente, na forma do artigo 44, § 1º, inciso III, da Lei nº 9.430/96 (atual artigo 44, inciso II). Em suas razões recursais, sinteticamente, pretende a Procuradoria a reforma do Acórdão recorrido, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram a jurisprudência deste Colegiado, traduzida no Acórdão nº 10422.037, bem como os preceitos contidos no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96. A fazer prevalecer seu entendimento, defende que não há óbice legal para aplicação ao contribuinte omisso, diante de duas infrações tributárias diversas, de duas penalidades que possuam a mesma base de cálculo, ao contrário do que restou decidido pela Turma a quo, não havendo que se falar em bis in idem, confisco ou excesso punitivo na hipótese dos autos. Por derradeiro, assevera que a Turma recorrida, ao afastar a aplicação da multa isolada, criou nova hipótese de dispensa de penalidade não prevista na legislação de regência, em total afronta aos preceitos inscritos no artigo 97, inciso VI, do Código Tributário Nacional. Não obstante o esforço da recorrente, corroborado quanto ao conhecimento pelo nobre Presidente subscritor do Despacho que deu seguimento ao especial, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Da análise dos elementos que instruem o processo, constatase que a Procuradoria não logrou comprovar a divergência entre teses arguida, na forma que os dispositivos regimentais exigem, in verbis: “Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1º Para efeito da aplicação do caput, entendese como outra câmara ou turma as que integraram a estrutura dos Conselhos de Contribuintes, bem como as que integrem ou vierem a integrar a estrutura do CARF. § 2º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ou que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de primeira instância. Fl. 327DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por OTACILIO DAN TAS CARTAXO Processo nº 12898.000967/200960 Acórdão n.º 9202003.162 CSRFT2 Fl. 8 5 § 3º O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. § 4º Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência arguida indicando até duas decisões divergentes por matéria. § 5º Na hipótese de apresentação de mais de dois paradigmas, caso o recorrente não indique a prioridade de análise, apenas os dois primeiros citados no recurso serão analisados para fins de verificação da divergência. § 6º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. § 7º O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. § 8º Quando a cópia do inteiro teor do acórdão ou da ementa for extraída da Internet deve ser impressa diretamente do sítio do CARF ou da Imprensa Oficial. § 9º As ementas referidas no § 7º poderão, alternativamente, ser reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade e com identificação da fonte de onde foram copiadas. § 10. O acórdão cuja tese, na data de interposição do recurso, já tiver sido superada pela CSRF, não servirá de paradigma, independentemente da reforma específica do paradigma indicado.” Como se verifica, a Fazenda Nacional ao formular o Recurso Especial utilizou como fundamento à sua empreitada os dispositivos encimados, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, sem conquanto observar os requisitos ali insculpidos, especialmente aqueles constantes do § 6o, capaz de ensejar o conhecimento de sua peça recursal. Destarte, no caso do Acórdão paradigma, tendo em vista que os rendimentos não foram omitidos, e sim informados na Declaração de Ajuste Anual, foi aplicada apenas a multa isolada pela falta de recolhimento do carnêleão, na forma prevista no artigo 44, § 1º, inciso III, da Lei nº 9.430, de 1996, portanto, não foi caracterizada a concomitância de penalidades. A diferença entre as situações fáticas retratadas nos Acórdãos recorrido e paradigma fica ainda mais patente quando se analisa o voto condutor do paradigma, esclarecendo que a multa em questão não poderia ser excluída diante da pretensa denúncia espontânea, como requerido pelo contribuinte, porquanto não se trata de ausência de informação dos rendimentos recebidos de pessoa física, mas, sim, de falta de recolhimento da antecipação determinada pelo art. 8° da Lei n°7.713, de 1988. Fl. 328DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por OTACILIO DAN TAS CARTAXO 6 Não se trata, pois, de situação em que os rendimentos recebidos de pessoa física foram omitidos no ajuste anual, razão da aplicação da multa isolada (pela falta de antecipação), bem como a de ofício (diante da omissão de rendimento), o que justificaria a desoneração da penalidade isolada, eis que concomitante com a de ofício, como se vislumbra no decisório combatido. Na esteira desse raciocínio, relativamente à aplicação da multa isolada concomitantemente com a multa de ofício, não se pode cogitar na comprovação da divergência suscitada pela recorrente, impondo o não conhecimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Nesse sentido, com a devida vênia ao ilustre Presidente subscritor do r. Despacho que deu seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, não entendemos ser possível (regimentalmente) admitir aludida peça recursal quando não estiverem presentes os requisitos regimentais para tanto, os quais não podem ser afastados, sob pena de se estabelecer uma análise de admissibilidade pautada em subjetividade. Assim, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte, na forma decidida pela 1a TO da 2a Câmara da 2a SJ do CARF, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado, mormento em relação aos pressupostos de conhecimento de sua peça recursal. Por todo o exposto, estando o Recurso Especial da Fazenda Nacional em dissonância com as normas regimentais deste Conselho, VOTO NO SENTIDO DE NÃO CONHECÊLO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 329DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por OTACILIO DAN TAS CARTAXO
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Numero do processo: 10730.901902/2008-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO. Há cerceamento do direito de defesa do contribuinte quando este (contribuinte) deixa de ser previamente intimado, por termo específico, para sanear ou justificar inconsistências de preenchimento de documentos entregues ao Fisco, identificadas no exame eletrônico da DCOMP, que justificaram o indeferimento do pedido de compensação.
Recurso voluntário provido para reconhecer a nulidade da decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 1102-000.626
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, acolher a preliminar de nulidade da decisão de 1ª instancia por cerceamento de direito de defesa, suscitada de ofício pelo Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho, vencidos o Conselheiro Relator e Gleydson Kleber Lopes de Oliveira, que rejeitavam a preliminar e prosseguiam no exame de mérito.Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho.
(documento assinado digitalmente)
João Otávio Oppermann Thomé Presidente
(documento assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Relator.
(documento assinado digitalmente)
Antonio Carlos Guidoni Filho Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente à época), João Otávio Oppermann Thomé, Gleydson Kleber Lopes de Oliveira, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Leonardo de Andrade Couto e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO. Há cerceamento do direito de defesa do contribuinte quando este (contribuinte) deixa de ser previamente intimado, por termo específico, para sanear ou justificar inconsistências de preenchimento de documentos entregues ao Fisco, identificadas no exame eletrônico da DCOMP, que justificaram o indeferimento do pedido de compensação. Recurso voluntário provido para reconhecer a nulidade da decisão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, acolher a preliminar de nulidade da decisão de 1ª instancia por cerceamento de direito de defesa, suscitada de ofício pelo Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho, vencidos o Conselheiro Relator e Gleydson Kleber Lopes de Oliveira, que rejeitavam a preliminar e prosseguiam no exame de mérito.Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho. (documento assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé – Presidente (documento assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 90 19 02 /2 00 8- 30 Fl. 156DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10730.901902/200830 Acórdão n.º 1102000.626 S1C1T2 Fl. 3 2 (documento assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente à época), João Otávio Oppermann Thomé, Gleydson Kleber Lopes de Oliveira, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Leonardo de Andrade Couto e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório A interessada apresentou DIPJ original referente ao anocalendário de 1999 apurando IRPJ no montante de R$ 18.218,80; pago em quatro parcelas: R$ 3.792,68; 5.047,23; 6.598.97 e 4.102,35. Posteriormente, retificou a Declaração informando a inexistência de imposto a pagar. Trata o presente de Per/Dcomp através do qual solicita o reconhecimento do crédito de R$ 6.598,97; correspondente a uma das parcelas do suposto pagamento indevido, e a compensação de parte desse valor com débitos da Cofins e do PIS referentes ao mês de dezembro de 2004. Foi emitido Despacho Decisório eletrônico indeferindo o pleito, em função do pagamento supostamente indevido ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos do sujeito passivo, não estando qualquer crédito disponível para compensação. Em manifestação de inconformidade a interessada confirma que retificou a DCTF onde constava o débito de IRPJ no valor de R$ 6.598,97 e excluiu esse montante no novo documento. Informou ainda que também retificou a DIPJ correspondente ao ano calendário de 1999, com as alterações que implicaram em zerar o IRPJ informado na Declaração original. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro prolatou o Acórdão 1236.047 dando provimento apenas parcial ao pleito. Em relação ao montante mais significativo do crédito alegado, a decisão identificou que a alteração efetuada pela interessada na DIPJ, entregue com opção pelo presumido, referese à alteração no percentual de presunção utilizado de 32% para 8%. Isso porque a reclamante entendeu que prestaria serviços de natureza hospitalar e não de caráter geral, o que justificaria a alteração efetuada e o direito à restituição/compensação dos valores recolhidos sob o percentual maior. No entendimento do acórdão recorrido, a interessada não teria demonstrado a prática de serviços hospitalares nos termos definidos pela legislação de regência, especialmente o Ato Declaratório Interpretativo (ADI) SRF nº 18, de 2003; a Instrução Normativa SRF nº 306/2003, com alterações posteriores; e o inciso III, do § 1º, do art. 15, da Lei nº 9.249/95, com as alterações do art. 29, da Lei nº 11.727/2008. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10730.901902/200830 Acórdão n.º 1102000.626 S1C1T2 Fl. 4 3 Em recurso dirigido a este Colegiado, a interessada sustenta que se enquadraria nas especificações do ADI 18/2003 bem como na IN/SRF 539/2005 (que alterou a IN/SRF nº 306/2003), por exercer “atividades fins de prestação de atendimento de apoio ao diagnóstico e terapia” conforme estabelecido no inciso II, do art. 27 desse ato normativo que, por sua vez, teve como base a RDC (Resolução de Diretoria Colegiada) nº 50/2002 emitida pela Anvisa. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Leonardo de Andrade Couto O cerne da questão consiste em avaliar se a interessada exerce atividade definida como serviço hospitalar o que lhe possibilitaria, ao apurar o resultado na sistemática do lucro presumido, utilizar o coeficiente de presunção de 8% e não de 32 % aplicável aos prestadores de serviço em geral. Nesse caso, como recolheu o IRPJ apurado sob o percentual de 32% no ano calendário de 2004, teria direito ao crédito do valor recolhido a maior. Como documentos comprobatórios de suas alegações, apresenta cópia de notas fiscais emitidas em nome da Secretaria Municipal de Saúde de São Gonçalo, Unimed e GEAP Fundação de Seguridade Social, fazendo referência à prestação de serviços médicos e hospitalares; um laudo médico para autorização de procedimentos ambulatoriais de alta complexidade (APAC); e cópia do livro de registro de empregados com a ficha funcional de quatro funcionárias: uma recepcionista, uma auxiliar técnica, uma faturista e uma auxiliar de enfermagem. A apresentação da ficha funcional de alguns empregados teve o intuito de atestar que a recorrente não se enquadraria no art. 2º do ADI SRF nº 18/2003. Para melhor entendimento, transcrevo o referido Ato (destaques acrescidos): O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 259, de 24 de agosto de 2001, e considerando o que dispõe o art. 23 da Instrução Normativa SRF nº 306, de 12 de março de 2003, e o Processo nº 13819.000897/9921, declara: Art. 1º Para fins do disposto no art. 15, §1º, III, "a'' da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, considerase serviços hospitalares os prestados pelos estabelecimentos assistenciais de saúde constituídos por empresários ou sociedades empresárias. Art. 2º Para fins do disposto no art. 1º, independentemente da forma de constituição da pessoa jurídica, não serão considerados serviços hospitalares, ainda que com o concurso de auxiliares ou colaboradores, quando forem: Fl. 158DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10730.901902/200830 Acórdão n.º 1102000.626 S1C1T2 Fl. 5 4 I prestados exclusivamente pelos sócios da empresa; ou II referentes unicamente ao exercício de atividade intelectual, de natureza científica, dos profissionais envolvidos. Parágrafo único. Os termos auxiliares e colaboradores de que trata o caput referemse a profissionais sem a mesma habilitação técnica dos sócios da empresa e que a esses prestem serviços de apoio técnico ou administrativo. Tendo em vista que o inciso I, do art. 2º estabelece que não seriam considerados serviços médicos aqueles prestados exclusivamente pelos sócios da empresa, a interessada quis demonstrar a presença de outros funcionários no exercício das atividades sob exame. Na ausência de outros elementos de prova, a intenção do sujeito passivo não foi bem sucedida. Importa ressaltar que a restrição imposta teve como escopo deixar clara a impossibilidade de considerar serviço hospitalar a atividade ambulatorial exercida em consultórios ou clínicas dirigidas principalmente a consultas, exames, diagnósticos e tratamentos de menor complexidade, sem a necessidade de profissionais especializados que não os próprios sócios. Daí porque, conforme estabelecido no caput e no Parágrafo Único do dispositivo em questão, a simples presença de auxiliares ou colaboradores não é suficiente para caracterizar a atividade hospitalar. Sob esse prisma, as fichas funcionais apresentadas pela recorrente, por si só, não têm qualquer força probante para atestar a prestação de serviços hospitalares. O laudo médico indica que a interessada está apta a efetuar diagnósticos de distúrbios oftalmológicos de indicação cirúrgica, como é o caso da catarata. Entretanto, não é suficiente para demonstrar a existência de centro cirúrgico em suas instalações e, mais importante ainda, a disponibilidade de leitos, ainda que voltados à internações de curto prazo, de forma a caracterizar a típica atividade hospitalar. Quanto às notas fiscais, o que se tem é a indicação da realização de “serviços médicos e hospitalares” sem especificação do que seriam tais serviços. Aqui também, na ausência de outros elementos de prova, não há como saber se as atividades exercidas pela recorrente se enquadariam efetivamente como serviços hospitalares, nos termos das normas que regem a matéria. Na peça recursal, a reclamante transcreve trechos da legislação destacando dispositivos onde entende que estaria albergado. No caso da IN/SRF nº 306/2003 e alterações posteriores, farei aqui o mesmo destaque: Art. 27. Para fins do disposto nesta Instrução Normativa, são considerados serviços hospitalares aqueles diretamente ligados à atenção e assistência à saúde, de que trata o subitem 2.1 da Parte II da Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária nº 50, de 21 de fevereiro de 2002, alterada pela RDC nº 307, de 14 de novembro de 2002, e pela RDC nº 189, de 18 de julho de 2003, prestados por Fl. 159DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10730.901902/200830 Acórdão n.º 1102000.626 S1C1T2 Fl. 6 5 empresário ou sociedade empresária, que exerça uma ou mais das: I seguintes atribuições: a) prestação de atendimento eletivo de promoção e assistência à saúde em regime ambulatorial e de hospitaldia (atribuição 1); b) prestação de atendimento imediato de assistência à saúde (atribuição 2); ou c) prestação de atendimento de assistência à saúde em regime de internação (atribuição 3); II atividades fins da prestação de atendimento de apoio ao diagnóstico e terapia (atribuição 4). § 1° A estrutura física do estabelecimento assistencial de saúde deverá atender ao disposto no item 3 da Parte II da Resolução de que trata o caput, conforme comprovação por meio de documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal. (.....) Assim, a interessada entende que estaria enquadrada no que seriam “atividades fins de prestação de atendimento de apoio ao diganóstico e terapia (atribuição 4)”. Na inexistência de maiores esclarecimentos por parte do sujeito passivo, buscouse na norma regulamentadora um maior detalhamento do que seriam tais atividades. Conforme mencionado no caput do dispositivo supra transcrito, a definição almejada está contida na Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) nº 50/2002, emitida pela Anvisa que dispõe, nos termos da ementa, sobre o Regulamento Técnico para planejamento, programação, elaboração e avaliação de projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde. As atividades mencionadas nos incisos e alíneas supra transcritos foram extraídas do item 2.1 da RDC e foram denominadas atribuições fim. Representam os serviços hospitalares em essência. Com maiores detalhes, nos termos da RDC, são elas: 1Prestação de atendimento eletivo de promoção e assistência à saúde em regime ambulatorial e de hospitaldia atenção à saúde incluindo atividades de promoção, prevenção, vigilância à saúde da comunidade e atendimento a pacientes externos de forma programada e continuada; 2Prestação de atendimento imediato de assistência à saúde atendimento a pacientes externos em situações de sofrimento, sem risco de vida (urgência) ou com risco de vida (emergência); 3Prestação de atendimento de assistência à saúde em regime de internação atendimento a pacientes que necessitam de assistência direta programada por período superior a 24 horas (pacientes internos); Fl. 160DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10730.901902/200830 Acórdão n.º 1102000.626 S1C1T2 Fl. 7 6 4Prestação de atendimento de apoio ao diagnóstico e terapia atendimento a pacientes internos e externos em ações de apoio direto ao reconhecimento e recuperação do estado da saúde (contato direto); O item 2.2 da RDC apresenta as atividades e subatividades de cada um desses serviços. Para o serviço correspondente à atividade 4, a que o sujeito passivo entende se adequar a RDC indicou as subatividades de Patologia clínica, Imagenologia, Métodos Gráficos, Anatomia patológica e citopatologia, Desenvolvimento de atividades de medicina nuclear, Realização de procedimentos cirúrgicos e endoscópicos, Realização de partos normais, cirúrgicos e intercorrências obstétricas, Desenvolvimento de atividades de reabilitação em pacientes externos e internos, Desenvolvimento de atividades hemoterápicas e hematológicas, Desenvolvimento de atividades de radioterapia, Desenvolvimento de atividades de quimioterapia, Desenvolvimento de atividades de diálise, Desenvolvimento de atividades relacionadas ao leite humano, e Desenvolvimento de atividades de oxigenoterapia hiperbárica (OHB). Cada uma dessas subatividades veio acompanhada de uma descrição de procedimentos para facilitar o enquadramento do estabelecimento de saúde. Considerando que foi a interessada que trouxe à baila as disposições da RDC, é razoável supor que ela deveria ao menos tentar demonstrar o enquadramento em algumas das subatividades com a realização dos procedimentos correspondentes, bem como a adequação física para a prática dos serviços, nesse último caso em atendimento ao § 1º do art. 27, da Instrução Normativa em comento. A questão aqui sob exame deve ser dirimida sob um juízo de valoração probante no que tange à prática de serviços hospitalares pela interessada. Do até aqui exposto entendo que não foram trazidos aos autos elementos suficientes a demonstrar o alegado, motivo pelo qual voto por negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Voto Vencedor Conselheiro: Antonio Carlos Guidoni Filho Peço vênia para suscitar, de ofício, preliminar de nulidade da decisão de primeira instância por cerceamento do direito de defesa da Contribuinte. Conforme se constata do exame dos autos, tratase de pedido de compensação indeferido por despacho decisório eletrônico pela Receita Federal do Brasil, sob o fundamento de que os créditos de IRPJ alegados pela Contribuinte e utilizados no procedimento de compensação teriam sido utilizados para quitação de outros débitos relativos ao mesmo tributo, conforme DIPJ e DCTF (originais) entregues pela Contribuinte ao Fisco. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10730.901902/200830 Acórdão n.º 1102000.626 S1C1T2 Fl. 8 7 Contra esse despacho, observados os limites de sua fundamentação, a Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade argüindo em sua defesa que tais DIPJ e DCTF, consideradas pelo despacho decisório, foram por ela retificadas com a finalidade de excluir citado débito de IRPJ e, por conseguinte, de tornar evidente o crédito objeto do pleito de compensação. Ad cautelam et argumentandum, a Contribuinte apresentou justificativa superficial para a realização de tais retificações (de declarações), embora essa discussão não tivesse sido invocada como fundamento para a negativa do pedido de compensação pelo despacho decisório. Diante de tais fatos, nada obstante os limites de cognição impostos pelo despacho decisório, o acórdão recorrido passou a tratar exclusivamente da correção (ou não) das declarações retificadoras apresentadas pela Contribuinte e, por conseguinte, da existência em sentido estrito do direito creditório, sem versar sobre a validade (ou não) do despacho decisório visàvis as citadas declarações retificadoras e, especialmente, sem permitir à Contribuinte defesa quanto ao objeto das retificações, mediante intimação específica para que apresentasse documentos sobre a correção de suas providências (retificações). Notese que a Norma de Execução Codac/Cosit/Cofis/Cocaj/Cotec nº 6, de 21 de novembro DE 2007, que define procedimentos relativos ao tratamento de pedidos de restituição, de ressarcimento e de declarações de compensação apresentados por intermédio do Programa PER/DCOMP,.estabelece que, nas hipóteses de apreciação eletrônica dos pedidos de compensação, como o caso, será lavrado termo de intimação ao contribuinte para que possam ser saneadas ou justificadas inconsistências ou irregularidades dos documentos entregues ao Fisco que justificariam o indeferimento do pedido de compensação. No caso, não houve a lavratura do citado termo de intimação. Não se nega ao Colegiado a quo o exame da procedência do pleito de compensação. Contudo, considerado o objeto do despacho decisório eletrônico (que, em última análise, delimita o contencioso administrativo) e a ausência de citada intimação prévia à Contribuinte, incumbiria ao Colegiado a quo – antes de tratar da procedência (ou não) das retificações realizadas permitir à Contribuinte, mediante intimação ou diligência, a apresentação de documentos e defesa específica sobre a natureza das atividades por ela desenvolvidas e a conseqüente correção das retificações de declaração apresentadas. Do contrário, com a devida vênia, resta intuitivo o cerceamento do direito de defesa da Contribuinte. Nesses termos, orientase voto no sentido de anular a decisão de primeira instância, por cerceamento de direito de defesa, para que outra seja proferida na boa e devida forma, permitindose à Contribuinte, no prazo de 30 dias contados da data da intimação desta decisão, a apresentação de documentos e defesa específica sobre a correção das retificações de suas declarações objeto desse processo. (documento assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Fl. 162DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10730.901902/200830 Acórdão n.º 1102000.626 S1C1T2 Fl. 9 8 Fl. 163DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 15954.000132/2007-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/03/2006
DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias. Decadência reconhecida por qualquer das regras do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-004.009
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência do período lançado correspondente aos fatos geradores até 11/2000 e, quanto ao período subseqüente, em homologar o pedido de desistência
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 30/03/2006 DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias. Decadência reconhecida por qualquer das regras do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Provido.
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SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias. Decadência reconhecida por qualquer das regras do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência do período lançado correspondente aos fatos geradores até 11/2000 e, quanto ao período subseqüente, em homologar o pedido de desistência Júlio César Vieira Gomes Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 4. 00 01 32 /2 00 7- 14 Fl. 268DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 28/07/2 014 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por SÃO MARTINHO S/A, em face da Decisão Notificação que manteve integralmente o AI n. 35.927.7349, lavrado para a cobrança de contribuições parte da empresa incidentes sobre pagamentos efetuados a administradores a título de prólabore direto e indireto, este caracterizado pelas seguintes rubricas: a) Contribuição Pessoal dos Administradores ao Inss: A empresa assumiu despesas com as contribuições pessoais devidas ao INSS por diretores, no período anterior a 04/2003, quando ainda não era legalmente obrigada a reter e recolher estas contribuições b) Previdência Privada: Pela análise contábil, ficou constatado que a empresa pagou plano de previdência privada a diretores, sendo que este beneficio não estava disponível aos demais empregados; c) Seguro de Vida: A empresa assume a despesa integral do seguro de vida dos diretores, enquanto que aos empregados é concedido um subsidio de apenas 50%. Nesse caso o auditor esclareceu que a empresa contribui com 50% dos custos com o seguro de vida dos empregados, sendo que os outros 50% são suportados pelos próprios empregados, mediante desconto em folha de pagamento. Para os administradores, entretanto, a empresa assume a despesa integral, sem qualquer desconto no prolabore pago. Portanto, a parcela excedente a 50% das despesas da empresa com o seguro de vida dos diretores está sendo considerada fato gerador de contribuições previdenciárias. d) Seguro Saúde: Pela análise da contabilidade, constatouse que a empresa paga um plano de saúde aos administradores denominado Seguro Saúde Notre Dame. Tratase de um plano de saúde diferenciado, de alto padrão, em que o beneficiário pode escolher qualquer estabelecimento ou profissional da área médica e, posteriormente, solicitar o reembolso das despesas. Aos empregados, a empresa proporciona um subsidio de 65% no custeio de um plano de saúde básico, de cobertura limitada, contratado junto à Cooperativa Medical, de Limeira (SP). Ainda sobre o seguro saúde o fiscal entendeu pela incidência das contribuições pelo fato de que a diferença no subsídio e cobertura do plano concedido aos administradores em face dos empregados não o permitiu concluir que o benefício era estendido a todos os segurados. e) PróLabore Direto: Na competência 08/2001, a empresa pagou um montante de R$ 57.545,44 de prolabore aos administradores, registrado na conta contábil 421405 – HONORÁRIOS, tendo deixado de recolher apenas diferença das contribuições incidentes sobre este rubrica; O lançamento compreende o período de 01/1999 a 03/2006, tendo sido o contribuinte cientificado em 28/11/2006 (fls. 01). Fl. 269DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 28/07/2 014 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15954.000132/200714 Acórdão n.º 2402004.009 S2C4T2 Fl. 269 3 Devidamente intimado do julgamento em primeira instância, a recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. a decadência das competências lançadas até 10/2001; 2. que na eventualidade de não ser acolhida a decadência, há de ser retificada a aplicação da multa de mora relativamente à competência de 11/99, reduzindoa do patamar de 30% para 15%; 3. que diante do fato da fiscalização ter caracterizado o grupo econômico São Martinho, foram indevidamente incluídos no pólo passivo os diretores da empresa, eis que não houve ofensa ao disposto no art. 135 do CTN, devendo, pois, os mesmos serem excluídos da presente notificação; 4. ilegalidade da SELIC; 5. a necessidade de realização de perícia Às fls. 238 sobreveio petição da recorrente noticiando a desistência parcial do recurso com relação às competências de 12/2000 a 03/2006. Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório Fl. 270DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 28/07/2 014 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. PRELIMINARMENTE Conforme já relatado houve desistência do recurso relativamente às competências lançadas a partir de 12/00, tendo em vista a adesão da recorrente ao parcelamento da Lei 11.941/09. O recurso versa, somente, quanto às competências lançadas até 11/1999. Em tendo sido argüida a decadência, passo a sua análise. Quanto a decadência, há de se levar em consideração, que o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, em observância aquilo que disposto no artigo 146, III, “b”, da Constituição Federal, à unanimidade de votos, negou provimento aos Recursos Extraordinários nº 556.664, 559.882, 559.943 e 560.626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n. 8.212/91, os quais concediam à Previdência Social o prazo de 10 (dez) anos para a constituição de seus créditos. Na mesma assentada, inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, o STF editou a Súmula Vinculante de n º 8, cujo teor é o seguinte: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Dessa forma, em observância ao que disposto no artigo 103A e parágrafos da Constituição Federal, inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004, as súmulas vinculantes, por serem de observância e aplicação obrigatória pelos entes da administração pública direta e indireta, devem ser aplicadas por este Eg. Conselho de Contribuintes, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Logo, inaplicável o prazo de 10 (dez) anos para a aferição da decadência no âmbito das contribuições previdenciárias, resta necessário, para a solução da demanda, a Fl. 271DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 28/07/2 014 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15954.000132/200714 Acórdão n.º 2402004.009 S2C4T2 Fl. 270 5 aplicação das normas legais relativas à decadência e constantes no Código Tributário Nacional, a saber, dentre os artigos 150, § 4º ou 173, I, diante da verificação, caso a caso, se tenha ou não havido dolo, fraude, simulação ou o recolhimento de parte dos valores das contribuições sociais objeto da NFLD, conforme mansa e pacífica orientação desta Eg. Câmara. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, motivo pelo qual, em regra, devem observar o previsto no art. 150, § 4º do CTN. Dessa forma, verificado o pagamento antecipado, mesmo que parcial, observarseá a regra de extinção inscrita no art. 156, inciso VII do CTN, que condiciona o acerto do lançamento efetuado pelo contribuinte a ulterior homologação por parte de Fisco. Ao revés, caso não exista pagamento, não há o que ser homologado, motivo que enseja a incidência do disposto no art. 173, inciso I do CTN, hipótese na qual o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. No caso dos autos, considerando que o lançamento se reporta às competência de 01/1999 a 11/2000, tendo sido o contribuinte cientificado em 28/11/2006, o lançamento encontrase fulminado pela decadência por qualquer das regras constantes no Código Tributário Nacional, seja a do art. 150, §4o ou 173, I. Ante todo o exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário e homologo a desistência com relação às competências de 12/2000 até 03/2006. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 28/07/2 014 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10283.900220/2009-14
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Exercício: 2002
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA.
O art. 11 da Instrução Normativa RFB n° 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando- se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1° de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit n° 19, de 2011).
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. SALDO NEGATIVO. REEXAME.
O pagamento de estimativa mensal, indicado como direito creditório no correspondente Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. PLEITO DE CONSIDERAÇÃO DE BENEFÍCIOS FISCAIS. MATÉRIA ESTRANHA.
Trata-se de matéria estranha aos autos em que se discute Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (DComp), não se comportando em seus estreitos limites, pleito de consideração de eventuais benefícios fiscais a que faça ou venha a fazer jus o sujeito passivo.
Recurso provido em parte
Numero da decisão: 1803-001.976
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade jurisdição, para análise do mérito do litígio, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva
Presidente
(Assinado Digitalmente)
Sérgio Luiz Bezerra Presta
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, que presidiu a Turma, Meigan Sack Rodrigues,Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sergio Rodrigues Mendes, Neudson Cavalcante Albuquerque.
Nome do relator: SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA
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ANÁLISE INTERROMPIDA. O art. 11 da Instrução Normativa RFB n° 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1° de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit n° 19, de 2011). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. SALDO NEGATIVO. REEXAME. O pagamento de estimativa mensal, indicado como direito creditório no correspondente Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. PLEITO DE CONSIDERAÇÃO DE BENEFÍCIOS FISCAIS. MATÉRIA ESTRANHA. Tratase de matéria estranha aos autos em que se discute Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (DComp), não se comportando em seus estreitos limites, pleito de consideração de eventuais benefícios fiscais a que faça ou venha a fazer jus o sujeito passivo. Recurso provido em parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 02 20 /2 00 9- 14 Fl. 64DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 09/0 6/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10283.900220/200914 Acórdão n.º 1803001.976 S1TE03 Fl. 65 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade jurisdição, para análise do mérito do litígio, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (Assinado Digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, que presidiu a Turma, Meigan Sack Rodrigues,Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sergio Rodrigues Mendes, Neudson Cavalcante Albuquerque. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao presente contencioso administrativo, adoto parte do relato do contido no Acórdão nº 0121.946 proferido pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém PA, constante das fls. 42 e seguintes dos autos, a seguir transcrito: “Trata o presente processo de PER/DCOMP transmitido em 17.02.2005, através do qual foi efetivada a compensação de débitos da interessada acima identificada com crédito de IRPJ referente a pagamento indevido (efetuado através do DARF descrito na fl. 03), no valor original de R$ 33.312,45. 2. A DRF/Manaus, através de despacho decisório eletrônico (fl. 06), indeferiu o pedido de restituição e considerou "não homologada” a referida compensação, em virtude do DARF apontado haver sido integralmente utilizado na quitação de débito da empresa. 3. Cientificada em 05.03.2009 (fl. 09) a interessada apresentou, tempestivamente, em 03.04.2009, manifestação de inconformidade (fl. 10/11) na qual alega: ‘1. A Manifestante é empresa devidamente estabelecida na Zona Franca de Manaus, gozando dos incentivos exercendo atividades no Pólo Industrial de Manaus desde 1985. 2. Dentre as atividades que exerce, destacase a industrialização e comércio de componentes de metal, alumínio e magnésio injetados sob pressão para motocicletas, motores, veículos, para indústria eletroeletrônica e para outros segmentos industriais, bem como de moldes, matrizes, dispositivos e equipamentos para ensaios. 3. Dentro deste contexto, a Manifestante é industria produtora de bens intermediários (partes e peças para motocicletas), fabricadas, em boa parte, mediante a utilização de matériaprima adquirida de outras unidades da federação, sobretudo do Estado de São Paulo. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 09/0 6/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10283.900220/200914 Acórdão n.º 1803001.976 S1TE03 Fl. 66 3 4. Após o processo produtivo, a Manifestante comercializa as partes e peças para motocicletas com as empresas produtoras de motocicletas, também estabelecidas na Zona Franca de Manaus, ocasião em que a operação, por força de lei, apresenta alíquota zero. no que diz respeito à contribuição ao Programa de Integração Social PIS COFINS. 5. Nos anos de 2001 e 2003 foi feito recolhimento a maior do que o calculado na Declaração de ajuste, ficando assim a empresa com imposto a pagar negativo, ou seja, a restituir na DIPJ de 2002 Anocalendário 2001 e de 2003 Anocalendário 2002 conforme pags. 13 e 18 da DIPJ (COPIA EM ANEXO, juntamente com os recibos de entrega e mais as PER DCOMPs e as cópias dos Darfs de pagamentos). Logo o valor recolhido foi maior que o devido. E assim podendo ser utilizado para a compensação, restando, à Manifestante, a opção de formular a PER DCOMP de compensação do valor pago indevidamente que lhe é de direito”. A 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém PA, na sessão de 06/06/2011, ao analisar a peça impugnatória apresentada, proferiu o Acórdão nº 0121.946 entendendo por unanimidade de votos, “julgar improcedente a manifestação de inconformidade”, em decisão assim ementada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002 COMPENSAÇÃO. Incabível compensar débitos informados em declaração de compensação com valores referentes a créditos diversos daquele indicado no documento, os quais simplesmente não integram o seu conteúdo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Cientificado da decisão de primeira instância em 08/07/2011 (sextafeira) (AR constante das fls. 46), a METALFINO DA AMAZONIA LTDA, qualificada nos autos em epígrafe, inconformada com a decisão contida no Acórdão nº 0121.946, recorre em 08/08/2011 (fls. 47 e segs dos autos) a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais objetivando a reforma do julgado, atacando os argumentos do acórdão recorrido. Na referência às folhas dos autos considerei a numeração do processo eletrônico (eprocesso). É o relatório do essencial. Voto Conselheiro SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Fl. 66DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 09/0 6/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10283.900220/200914 Acórdão n.º 1803001.976 S1TE03 Fl. 67 4 Observando o que determina os arts. 5º e 33 ambos do Decreto nº. 70.235/1972 conheço a tempestividade do recurso voluntário apresentado, preenchendo os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele, portanto tomo conhecimento. Trata o presente processo de pedido de restituição cumulado com compensação (DCOMP), cujo direito creditório se refere a pagamento a maior ou indevido de IRPJ (estimativa) relativo ao ano calendário 2002, conforme DARF recolhido em 30/08/2002. Efetivamente, a negativa contida na decisão de primeira instância e ratificada pelo Acórdão nº 0121.946 proferido pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém PA deve ser revista amparada que está tão somente nas Instruções Normativas nºs 460/2004 e 600/2005, restando prejudicada com a superveniência da Instrução Normativa 900/2008, conforme entendimento sintetizado na Solução de Consulta Interna Cosit n° 19, de 5/12/2011, assim ementada: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB n° 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1° de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa”. Este tema já foi enfrentado diversas vezes por essa 3ª Turma Especial, com vários julgados do ilustre Conselheiro Walter Adolfo Maresch, ao qual rendo as minhas homenagens. E, para exemplificar, trago a colação parte da decisão proferida no julgamento do processo nº. 10283.900182/200991 na sessão de dezembro de 2012, consubstanciado pelo Acórdão nº. 1803001.600, que teve a seguinte ementa “verbis”: “ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO O art. 11 da Instrução Normativa RFB n° 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1° de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit n° 19, de 2011). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. SALDO NEGATIVO. REEXAME. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 09/0 6/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10283.900220/200914 Acórdão n.º 1803001.976 S1TE03 Fl. 68 5 O pagamento de estimativa mensal, indicado como direito creditório no correspondente Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. PLEITO DE CONSIDERAÇÃO DE BENEFÍCIOS FISCAIS. MATÉRIA ESTRANHA. Tratase de matéria estranha aos autos em que se discute Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), não se comportando em seus estreitos limites, pleito de consideração de eventuais benefícios fiscais a que faça ou venha a fazer jus o sujeito passivo.”. Desta forma voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o consequente retorno dos autos à unidade de jurisdição, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. (Assinado digitalmente) Sergio Luiz Bezerra Presta – Relator Fl. 68DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 09/0 6/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA
score : 1.0
Numero do processo: 13888.916070/2011-56
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do Fato Gerador: 31/03/2002
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO MATERIAL NÃO DEMONSTRADO. RECURSO NÃO PROVIDO.
Realidade em que o sujeito passivo, embora abrigado, em tese, pela inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, não demonstrou nos autos o alegado recolhimento indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional. A não comprovação, portanto, do indébito, impede seja reconhecido o direito à restituição pleiteada.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-002.838
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: Francisco José Barroso Rios
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do Fato Gerador: 31/03/2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO MATERIAL NÃO DEMONSTRADO. RECURSO NÃO PROVIDO. Realidade em que o sujeito passivo, embora abrigado, em tese, pela inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, não demonstrou nos autos o alegado recolhimento indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional. A não comprovação, portanto, do indébito, impede seja reconhecido o direito à restituição pleiteada. Recurso a que se nega provimento.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do Fato Gerador: 31/03/2002 PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1O DO ARTIGO 3O DA LEI NO 9.718, DE 1998, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC NO 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal. Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional no 20, de 1998. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 31/03/2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO MATERIAL NÃO DEMONSTRADO. RECURSO NÃO PROVIDO. Realidade em que o sujeito passivo, embora abrigado, em tese, pela inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, não demonstrou nos autos o alegado recolhimento indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional. A não comprovação, portanto, do indébito, impede seja reconhecido o direito à restituição pleiteada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 91 60 70 /2 01 1- 56 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 2 Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 4a Turma da DRJ Ribeirão Preto (fls. 30/52 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, indeferiu a manifestação de inconformidade formalizada pela interessada em face do indeferimento de restituição no valor de R$ 73,36, referente a suposto recolhimento a maior que o devido de PIS de competência do mês de março de 2002. A DRF Piracicaba/SP indeferiu o pedido de restituição porque o pagamento supostamente recolhido a maior havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte, não restando, portanto, nenhum saldo disponível para restituição. Inconformada, a interessada aduziu que o crédito decorre do indevido cômputo das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição, isso diante da declarada inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, que previa a incidência da contribuição para o PIS e para a COFINS sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica. Ressalta ainda que referido dispositivo fora revogado pelo artigo 79, inciso XII, da Lei nº 11.941/2009. A título comprobatório do direito creditório o sujeito passivo juntou uma planilha discriminando os valores recolhidos a maior em cada período de apuração. A primeira instância não reconheceu o direito creditório com base nos seguintes fundamentos: a) que, diante da não retificação da DCTF, o pagamento estava integralmente vinculado ao débito declarado, de sorte que não havia crédito a ser ressarcido; b) que a revogação do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo artigo 79, inciso XII, da Lei nº 11.941/09 não tem efeitos retroativos e, portanto, não atinge o período a que se refere o PER/DCOMP em análise; Fl. 98DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13888.916070/201156 Acórdão n.º 3802002.838 S3TE02 Fl. 86 3 c) que a autoridade administrativa não poderia afastar a norma declarada inconstitucional uma vez que a contribuinte não figurara como postulante nas ações julgadas pelo STF, e que ao referido julgado não fora dado efeito erga omnes; e, d) que o contribuinte não apresentou provas documentais discriminando as receitas financeiras que alegou compor a base de cálculo do tributo no período em questão, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. A ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 16/07/2013 (fls. 84 Termo de Ciência por Decurso de Prazo). Inconformado, o sujeito passivo apresentou, em 15/07/2013 (fls. 82), o recurso voluntário de fls. 57/74, onde se insurge contra o indeferimento de seu pleito sob o argumento de que o STF efetivamente declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, e que isso deveria ser reconhecido pela Administração ainda que tal decisão houvesse sido prolatada no controle difuso. Ressalta que, por força do disposto no artigo 62A do Regimento Interno deste Conselho, tal entendimento deveria ser reproduzido pelos conselheiros do CARF, uma vez reconhecida a repercussão geral do tema pelo STF. Concernente à produção de provas, ressalta que, juntamente com a manifestação de inconformidade, apresentou a cópia do DARF, a cópia do PER/DCOMP e o demonstrativo do crédito, não havendo que se falar em preclusão do direito de apresentação de prova documental em vista dos princípios da instrumentalidade e da verdade material. Requer, ao final, seja deferida a restituição pleiteada. Além dos documentos acima citados, a suplicante acosta aos autos, às fls. 80/81, cópias das folhas do Livro Razão inerentes à contabilização das receitas financeiras do período. É o relatório. Voto O recurso há que ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Do direito subjetivo arguido A discussão envolve crédito decorrente da declaração de inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98. Como se sabe, o § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98 ampliou a base de cálculo do PIS e da COFINS. O aumento da carga tributária daí decorrente foi contestado na justiça, tendo o Poder Judiciário, por diversas vezes, entendido que a amplitude de faturamento referida no artigo 195, inciso I, da Constituição Federal, na redação anterior à Emenda Constitucional – EC nº 20, de 1998, não legitimava a incidência de tais contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pelas empresas contribuintes, advertindo, ainda, que a superveniente promulgação da EC no 20, de 1998, publicada no dia 16 de dezembro de 1998, Fl. 99DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 4 “não teve o condão de validar a legislação ordinária anterior, que se mostrava originariamente inconstitucional” (Ag.Reg. RE 546.3273/SP, Rel. Min. Celso Mello). Assim, entendeu o Poder Judiciário que o § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718, de 1998, ao alargar o conceito de faturamento, criara exação nova, assunto o qual deveria ter sido objeto de lei complementar, por força do disposto no artigo 195, § 4o, c/c artigo 154, inciso I, da Constituição Federal. Portanto, o alargamento da base de cálculo objeto da Lei no 9.718, de 27/11/1998 (decorrente da conversão da MP no 1.724, de 29/10/1998 – antes, ressaltese, da EC no 20, de 15/12/1998), estava maculado por vício formal de constitucionalidade. Com efeito, o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário no 390.840/MG, apreciado pelo pleno em 09/11/2005, decidiu no seguinte sentido (relator Ministro Marco Aurélio): CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE – ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 – EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO – INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS – SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – PIS – RECEITA BRUTA – NOÇÃO – INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. A decisão teve a seguinte votação: Decisão: O Tribunal, por unanimidade, conheceu do recurso extraordinário e, por maioria, deulhe provimento, em parte, para declarar a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, vencidos, parcialmente, os Senhores Ministros Cezar Peluso e Celso de Mello, que declaravam também a inconstitucionalidade do artigo 8º e, ainda, os Senhores Ministros Eros Grau, Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes e o Presidente (Ministro Nelson Jobim), que negavam provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, a Senhora Ministra Ellen Gracie Plenário, 09.11.2005. Posteriormente, o STF, no julgamento do Recurso Extraordinário no 585.235 1/MG, proferido em 10/09/2008 e publicado em 28/11/2008, reconheceu a repercussão geral do tema, conforme ementa do acórdão em tela, que teve a relatoria do Ministro Cezar Peluso: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13888.916070/201156 Acórdão n.º 3802002.838 S3TE02 Fl. 87 5 Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Especificamente sobre exame de constitucionalidade de norma, o caput do artigo 62 do Anexo II do mesmo Regimento veda “[...] aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”, admitidas, contudo, as exceções elencadas no parágrafo único do referenciado artigo, dentre as quais a de que trata a hipótese objeto de seu inciso I, qual seja, afastar preceito “que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal”, como na hipótese presente. Aliás, segundo o artigo 62A do RICARF (inserido pela Portaria MF no 586/2010), As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Além disso, o parágrafo único do artigo 4o do Decreto no 2.346, de 10/10/1997, dispõe que, Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Com a declaração de inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, o STF entendeu que o PIS e a COFINS somente poderiam incidir sobre as receitas operacionais das empresas, ou seja, aquelas ligadas às suas atividades principais. Sobre tal dispositivo, vale ressaltar, a título de informação, que o mesmo foi posteriormente revogado pela Lei no 11.941, de 27 de maio de 2009. Consequentemente, não é legítima a exigência da contribuição sobre receitas outras que não as originadas da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, devendo ser excluídos da base de cálculo os montantes decorrentes das rubricas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional no 20, de 19981. 1 Com efeito, referida Emenda Constitucional, como já citado, unificou os conceitos de receita bruta e de faturamento, o que se deu somente após a edição da Lei nº 9.718/98, cujo § 1º do artigo 3º, ampliador do conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, ainda não estava respaldado pelo alicerce constitucional decorrente da reportada EC no 20/98. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 6 Logo, de fato, é indevida, em tese, a exigência do PIS e da COFINS sobre receitas financeiras auferidas pelo sujeito passivo, que tem como atividade principal o “aluguel de imóveis próprios”, código 68.10202, conforme consta na sua ficha cadastral junto ao CNPJ, que está em sintonia com o artigo 3º de seu Estatuto Social, publicado no Diário Oficial do Estado de São Paulo em 12/04/1995 (cópia acostada aos autos). Do direito material É verdade que o sujeito passivo não retificou a DCTF do período nem apresentou, na primeira instância, documentação suficiente para a comprovação do direito creditório reclamado. Com efeito, naquela ocasião trouxe apenas demonstrativo de cálculo do aduzido crédito, além da cópia do DARF com o pagamento do tributo. Agora, além dos documentos acima citados, a suplicante acosta aos autos cópias das folhas do Livro Razão inerentes à contabilização das receitas financeiras do período (ver fls. 80/81). Todavia, permanece sem apresentar a DCTF retificadora, o mesmo podendo ser dito em relação à DIPJ retificadora e ao DACON retificador. Ou seja, mesmo considerando a possibilidade de retificação de ofício da DCTF por parte da autoridade administrativa – acaso demonstrada a legitimidade da correção dos valores declarados –, entendimento que esta Turma tem adotado em muitos de seus julgados, não se pode olvidar da necessidade de apresentação dos documentos comprobatórios do reclamado indébito, dentre os quais o DACON retificador, imprescindível para verificar se, na base de cálculo da contribuição, foram originalmente consideradas as receitas financeiras do sujeito passivo, fonte do direito creditório reclamado. Sem a devida comprovação não há como afirmar que o crédito reclamado é indevido, ainda que admitidas as novas provas acostadas aos autos (Livro Razão) em homenagem ao princípio da efetividade do processo, que tem como norte um processo menos formalista, que deságua na busca pela verdade material. Mas esta há que ser harmonizada com a segurança e a celeridade exigidas nas lides administrativas, não se podendo transferir para o Fisco o ônus de comprovar o direito creditório alegado, que é do sujeito passivo, a teor do disposto no artigo 333, inciso I, do CPC. Portanto, penso que a realidade em exame não se subsume ao direito de que trata o inciso I do artigo 165 do CTN, que possibilita a restituição de tributo recolhido indevidamente, uma vez não demonstrado nos autos o alegado recolhimento indevido, não obstante a legitimidade da tese relacionada à inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98. Da Conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada. Sala de Sessões, em 26 de março de 2014. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Relator Fl. 102DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13888.916070/201156 Acórdão n.º 3802002.838 S3TE02 Fl. 88 7 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
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Numero do processo: 10980.723516/2011-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/1988 a 30/09/2005
DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.
CÁLCULOS EFETUADOS PELA RFB. LAPSO ARITMÉTICO. NÃO COMPROVAÇÃO.
Não comprovado os lapsos aritméticos alegados pela Recorrente, relativamente aos cálculos elaborados pela autoridade lançadora, ratifica-se a planilha de crédito apresentada.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3101-001.585
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Luiz Roberto Domingo, Valdete Aparecida Marinheiro e Vanessa Albuquerque Valente que dava provimento parcial. O Conselheiro Luiz Roberto Domingo fará declaração de voto.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator.
EDITADO EM: 15/05/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (suplente), Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. CÁLCULOS EFETUADOS PELA RFB. LAPSO ARITMÉTICO. NÃO COMPROVAÇÃO. Não comprovado os lapsos aritméticos alegados pela Recorrente, relativamente aos cálculos elaborados pela autoridade lançadora, ratifica se a planilha de crédito apresentada. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Luiz Roberto Domingo, Valdete Aparecida Marinheiro e Vanessa Albuquerque Valente que dava provimento parcial. O Conselheiro Luiz Roberto Domingo fará declaração de voto. Henrique Pinheiro Torres Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 35 16 /2 01 1- 54 Fl. 1393DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinad o digitalmente em 19/05/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 2 Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. EDITADO EM: 15/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (suplente), Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo. Relatório Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase (fls.1218 a 1224 da numeração eletrônica): Trata o presente processo de análise das Declarações de Compensação apresentadas pela Manifestante, conforme documentos anexados às fls. 01 a 663. As Dcomp em análise informam que seu crédito decorre da ação judicial de n° 2000.70.00.0192055. O crédito discutido diz respeito a pagamentos de PIS feitos sob a égide dos Decretosleis n° 2.445/88 e 2.449/88, declarados inconstitucionais. Importante destacar, inicialmente, que a Recorrente entregou, antes de postular seu crédito em juízo, Pedido de Restituição em formulário, protocolado em 29/05/1998, tendo como crédito os pagamentos de PIS feitos sob a égide dos referidos Decretosleis, no valor de R$ 6.511.824,98. Utilizou tal crédito para compensar débitos de PIS e de Cofins, relativos ao período de apuração entre 03/1998 e 04/1999. Tal Pedido de Restituição e as ditas compensações foram analisadas no processo de n° 11637.000233/9820. Em 08/12/1999, a contribuinte protocolou novos Pedidos de Compensação, com base no Pedido de Restituição acima informado. O crédito analisado foi deferido parcialmente no valor de R$ 662.492,36, em 17/03/2000 (fl. 827), tendo em vista que os recolhimentos feitos entre julho de 1988 e maio de 1993 foram considerados prescritos, além de não ter sido aplicada a tese da semestralidade nos cálculos do crédito. Em 14/08/2000, a Interessada impetrou o Mandado de Segurança n° 2000.70.00.0192055 para requerer o reconhecimento dos créditos de PIS, alegando, em síntese, o seguinte: · Não foram considerados os recolhimentos anteriores a maio de 1993; · Não foi considerada no cálculo a tese da semestralidade; · Não foram considerados os valores compreendidos entre os períodos de 08/1994 até 12/1994 sob a alegação de que tais períodos estariam lançados em Auto de Infração (processo n° 10980.007032/9853); Fl. 1394DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinad o digitalmente em 19/05/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 10980.723516/201154 Acórdão n.º 3101001.585 S3C1T1 Fl. 1.394 3 · Igualmente, não foram considerados os períodos conexos aos processos de parcelamento que são: 06/1994 (processo n° 11637.000093/9439) e de 03/1995 a 05/1995, 08/1995, 09/1995 (processo n° 11637.000217/9521). · O contribuinte alega que os valores constantes do Auto de Infração e dos processos de parcelamento foram calculados com base na legislação declarada inconstitucional e, portanto, deverão ser revistas. · Requer que os valores sejam calculados à alíquota de 0,65% e não 0,75%. Com base nas considerações anteriores, a Interessada requereu judicialmente que se procedesse à apuração do PIS recolhidos entre julho/1988 e setembro/1995, utilizando a base de cálculo do sexto mês anterior, de acordo com o estabelecido no parágrafo único, do art. 6o da Lei Complementar n° 07/70 e à alíquota de 0,65%, além da atualização do crédito pela taxa SELIC. O Acórdão do TRF da 4a Região, relativo à Apelação em Mandado de Segurança n° 2000.70.00.0192055/PR (fls. 664 a 681), decidiu pela inconstitucionalidade dos Decretosleis n°s 2.445/88 e 2.449/88, pelo direito de pleitear a restituição, considerandose a tese dos “5 anos + 5 anos” e determinando que se corrigisse o indébito aplicandose as súmulas 32 e 37 do TRF da 4a região e aplicação da SELIC ao indébito tributário após 01/01/1996. A ação judicial transitou em julgado, após Recurso Especial não provido, em 20/09/2004, conforme certidões de fls. 687 e 688. Tendo a ação transitada em julgado, a Requerente habilitou seu crédito junto à RFB no processo de n° 10980.013170/200534. A informação fiscal de habilitação do crédito deuse em 02/12/2005, conforme fl. 849. Com base nesse crédito foram apresentadas pela Interessada as Dcomp anexadas às fls. 01 a 663. Analisando as Dcomp anexadas ao processo, percebese que a data de transmissão da Dcomp mais antiga é 10/07/2006. Com base na determinação judicial, o Auditor Fiscal providenciou planilha de cálculo (fls. 1.022/1.033) do direito creditório da Recorrente, fundado nas seguintes premissas: · As bases de cálculo da exação consideraram o sexto mês anterior à ocorrência do fato gerador e estão de acordo com os valores fornecidos pela própria Interessada e constantes das planilhas de cálculo anexadas ao processo à fl. 774. · O valor do PIS devido (até o período de apuração de novembro de 1991, relativos aos recolhimentos realizados até 31/12/1991) Fl. 1395DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinad o digitalmente em 19/05/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 4 foi atualizado para R$ (database de 31/12/1995), observando os expurgos inflacionários conexos às Súmulas do TRF da 4a Região. · A coluna “Diferença” representa o valor a maior ou a menor recolhido no mês de referência e está expressa em R$ (para recolhimentos feitos até 31/12/1991) ou em UFIR (para recolhimentos feitos a partir de 31/12/1991). · A coluna “diferença atualizada” representa o valor da coluna “Diferença” em UFIR convertida para R$ com base na UFIR de 0,8287. · Para comparação de valores no mesmo padrão monetário, as bases de cálculo dos meses de 11/88 até 06/89 e de 07/93 até 01/94 foram divididas por 1.000 e as bases de cálculo de 06/94 até 12/94 foram divididas por 2.750. · Os créditos relativos aos recolhimentos realizados após 29/08/1994 e anteriores a 31/12/1994 foram atualizados multiplicandose o valor pago a maior pelo coeficiente definido como sendo: numerador o valor da UFIR de 0,8287 e denominador o valor da UFIR do mês seguinte ao do pagamento. · Os créditos conexos a recolhimentos realizados após 01/01/1995 (data da vigência da Medida Provisória n° 812/94 Lei n° 8.981/96 art. 96) foram atualizados multiplicandose o valor pago a maior pelo coeficiente definido como sendo: numerador o valor da UFIR de 0,8287 e denominador o valor da UFIR do trimestre seguinte ao do pagamento. · Relativamente ao processo de parcelamento n° 11637.000093/9439, os valores parcelados foram considerados nos cálculos como sendo crédito do interessado. · Relativamente ao processo de parcelamento n° 11637.000217/9521, os valores parcelados foram considerados nos cálculos como sendo crédito do interessado. · O processo de Auto de Infração n° 10980.007032/9853 foi arquivado tendo em vista as decisões favoráveis ao contribuinte na 1a e 2a instâncias de julgamento administrativo que extinguiram os débitos conexos ao processo mencionado. A autoridade fiscal chegou à conclusão, então, de que o crédito de PIS foi de R$ 3.492.738,79 (database de 31/12/1995), a ser acrescido de juros Selic após 01/01/1996. Entretanto, relata o Auditor Fiscal que já havia sido analisado no processo de n° 11637.000233/9820 o mesmo crédito de PIS. Informa que, de acordo com a decisão datada de 17/03/2000, já havia sido reconhecido o montante de R$ 662.492,36, acrescidos de taxa Selic a partir de 01/01/1996. Por esse motivo, foi deferido no processo em análise a importância de R$ 2.830.246,43, a ser acrescido de taxa Selic a partir de 01/01/1996. Fl. 1396DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinad o digitalmente em 19/05/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 10980.723516/201154 Acórdão n.º 3101001.585 S3C1T1 Fl. 1.395 5 Foi efetuada, então, a imputação do crédito aos débitos compensados nas Dcomp anexadas ao processo, sendo os débitos remanescentes cadastrados e cobrados nos processos de n° 10980.724478/201157 e 10980.724490/201161. Cientificada em 31/08/2011, a Recorrente entrou com Manifestação de Inconformidade em 29/09/2011. Tece, inicialmente, considerações sobre a tempestividade do recurso apresentado. Em seguida, no item – “2. Dos Fatos Necessários” – a Recorrente afirma que após fazer levantamento contábil entrou com pedido de reconhecimento de crédito, tendo como objetivo a compensação dos valores recolhidos ao PIS, referente aos períodos de julho/1988 a setembro/1995, apurando um valor de R$ 6.511.824,98, atualizado até julho de 1999. Informa que tal pedido, acolhido no processo de n° 11637.000233/9820, dizia respeito a recolhimentos de PIS calculados com a aplicação da alíquota de 0,65% sobre a base de cálculo definida pela Lei Complementar n° 7/70, art. 6o, § único. Tendo sido deferido somente o montante de R$ 662.492,36 aponta que ingressou com Mandado de Segurança, o qual determinou o seguinte: Ante o exposto, rejeito a preliminar e, no mérito, concedo parcialmente a segurança para, afastando a prescrição e decadência, reconhecer o direito de a impetrante efetuar a compensação da diferença dos valores que recolheu a título de contribuições ao PIS no período de Julho de 1988 a Setembro de 1995, atendendo a exigência contida nos Decretos lei n°s 2.445 e 2.449/88, devidas por força das Leis Complementares 7/70 e 17/73, (rechaçada a interpretação da autora quanto ao parágrafo único, do art. 6o da Lei Complementar n° 07/70, e incidindo a alíquota de 0,65% somente a partir de 01/10/1995) INCLUINDO NA COMPENSAÇÃO DO INDÉBITO, A MESMO TÍTULO, OBJETO DE PARCELAMENTO E AUTO DE INFRAÇÃO, COM A COFINS, IRPJ E IPI, além DO PRÓPRIO PIS, juros e correção monetária na forma da fundamentação. (Grifo e caixa alta nossa). Informa ainda que houve recurso ao TRF, da 4a RF, no qual restou prestigiada a tese dos cinco mais cinco anos e a inconstitucionalidade dos DecretosLei 2445 e 2449, correção e juros moratórios, decisão que foi confirmada no Recurso Especial interposto. Na sequência, no item “3. Do Despacho Administrativo”, anexa a parte final do Despacho Decisório para demonstrar que o valor deferido foi de R$ 2.830.246,43, a ser acrescido de taxa Selic a partir de 01/01/1996. No item “4. Do Procedimento Administrativo”, informa que, transitada em julgado o Mandado de Segurança, habilitou seu crédito judicial. Aduz que “a habilitação de crédito efetuouse aos 23/08/2005, ocorreu a Fl. 1397DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinad o digitalmente em 19/05/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 6 manifestação administrativa com plena concordância, sendo o contribuinte intimado do decisório, efetivandose as compensações via DCOMP”. Diz que isso era de se esperar, afinal a “decisão primária” mandou incluir “na compensação do indébito, a mesmo título, objeto de parcelamento e auto de infração, com a Cofins, IRPJ e IPI, além do próprio PIS”. Sustenta que “ocorrendo o trânsito em julgado em dezembro de 2004, sendo deferido por este o direito creditório, inclusive dos parcelamentos e das compensações, a pretensão de indeferir tal direito creditório esbarra no previsto pelo CTN”, nos termos de seu art. 105. Argumenta, ademais, que, o art. 49, da Lei 9.784, de 29 de janeiro de 1999, determina que “concluída a instrução do processo administrativo, a Administração tem o prazo de até 30 dias para decidir, salvo prorrogação por igual período expressamente motivada”. Por isso, entende a Recorrente que “estando prescrito o direito cobratório da União Federal, o indeferimento da compensação requerida no devido tempo, deverá ser alvo do exposto para as autoridades administrativas” no art. 53 da Lei 9.784/99, segundo o qual “Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos” e art. 170 do CTN. Na sequência, invoca o art. 173 do CTN para alegar que o “direito creditório que foi secundado pela habilitação do crédito e pelo Dcomp, efetivado em dezembro de 2005, distam mais de cinco anos do pedido de documentos para análise das compensações efetuadas recebido pelo contribuinte em 08/07/2011, permeando 5 (cinco) e 8 (oito) meses”. Sustenta, ainda, que do trânsito em julgado das decisões, a ciência da não homologação das compensações pleiteadas distam seis anos e oito meses, restando atingida pela “prescrição do direito cobratório”. No item “5. Do Lapso Aritmético”, aponta que a Autoridade Fiscal “deixou de bem observar as decisões judiciais, efetuou cálculos distantes do iterativamente resolvido por nossos Tribunais, obrigando a que o contribuinte contratasse perito especializado, anexando a esta Declaração de Inconformidade os resultados obtidos”. Ressalta que os lapsos aritméticos consistiram em: · A planilha de valores da base de cálculo se inicia em julho/88, não sendo considerados os valores recolhidos desde o início de 1988; · Os valores recolhidos entre janeiro e junho de 1988, se corrigidos na forma ordenada pela decisão primária e colegiada, “teriam o valor muito elevado”; · Diz que os valores recolhidos até junho de 1988, “em valores da época seriam iguais a R$ 1.712.828,70 (hum milhão, setecentos e doze mil, oitocentos e vinte e oito reais e setenta centavos), e Fl. 1398DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinad o digitalmente em 19/05/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 10980.723516/201154 Acórdão n.º 3101001.585 S3C1T1 Fl. 1.396 7 atualizados para 31/12/1995, somam o valor de R$ 8.233,76 (oito mil, duzentos e trinta e três reais e setenta e seis reais)”. · Afirma que todo o “caudal de recolhimentos antecipados, pois não permitida a semestralidade montaria a R$ 5.057.442,53”, que, corrigidos até outubro de 2005, teria o valor de R$ 14.985.936,36. · Alega que os parcelamentos, que restam parcial ou integralmente pagos, não foram considerados no cálculo do crédito efetuado pelo Fisco. · Aduz, por fim, que os saldos mensais constantes da planilha elaborada pela DRF de origem “deixaram de sofrer correção monetária, na forma reiteradamente decidida por nossos tribunais”. A Manifestante conclui então que: Ocorrendo lapso aritmético na demonstração de valores devidos, dos valores quitados e ainda, os possíveis alvos de compensação, a declaração de nulidade dos valores alocados pela RFB deve ocorrer e considerados eivados de nulidade, anexando o contribuinte a planilha elaborada em acordo com a decisão e ainda, com nossa legislação e que demonstram diferenciais de grande monta com os valores amostrados pela decisão alvo do presente Recurso. No item “6. Da planilha do contribuinte”, alega que para bem instruir o processo, anexou planilha de valores elaborada por perito especializado, que foi elaborada em estrita obediência aos termos sentenciais. Entende que, se não declarada a prescrição, as compensações deverão ser devidamente homologadas, declarandose o direito creditório da Contribuinte, na data de 30/09/2005, o valor de R$ 14.985.936,36. Aduz, ainda, que como o valor do crédito judicial foi habilitado pela Receita Federal em R$ 16.713.367,67 em dezembro 2005, devido ao tempo transcorrido, este é valor que deve ser reconhecido pelo órgão fazendário. Assevera ainda que o “trabalho pericial unilateral”, realizado por “perito com pósgraduação em auditoria contábil e profissional de largo trânsito”, demonstra que o total das diferenças não reconhecidas pelo Fisco e atualizadas até a setembro de 2011 perfaz o montante de R$ 25.081.961,69. No item “7. Dos fatos tributários necessários”, aduz que fez, em 29/05/1998, seu pedido inicial de reconhecimento creditório. Tal pedido restou parcialmente deferido no montante de R$ 662.492,36, razão pela qual teve que impetrar Mandado de Segurança em agosto de 2000. Este transitou em julgado, segundo afirma, em dezembro de 2004. Alega que habilitou seu crédito em dezembro de 2005 e apenas em 2011 foi Fl. 1399DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinad o digitalmente em 19/05/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 8 intimado a apresentar documentos à RFB. Diz ainda que em 25/08/2011 houve o despacho indeferindo parcialmente a compensação, tendo tomado ciência deste documento em 31/08/2011. Diante disso, entende a Recorrente que os tributos não compensados já se encontravam prescritos no instante “da resposta ou solução do Ofício enviado pelo Juiz Federal Singular à SRF”. Em seguida, no tópico “8. Do direito aplicável e do pronunciamento de nossos tribunais”, alega, novamente, que no momento da ciência do Despacho Decisório os débitos cobrados já estavam prescritos. Traz aos autos uma série de decisões judiciais. Solicita, entretanto, que “possam as CDA´s descritas pelo Oficio 606/2011, caso não compensadas, restar inclusas ao novo parcelamento especial dado pela Lei 11.941/2009, dado que à data determinada pelo ingresso no parcelamento especial, ainda não conhecia estar o pedido de compensação indeferido e ocorrer eventual direito cobratório da União Federal”. Alega que a legislação e os Tribunais autorizam tal inclusão, pois os valores discutidos neste processo não eram conhecidos quando da opção que fez ao REFIS. Na sequência, no item “9. Da prescrição e decadência”, a Recorrente argumenta, novamente, que ocorreu a prescrição. Diz que entre a data do primeiro protocolo e a data de ciência do Despacho recorrido passaramse 13 anos, 3 meses e 2 dias, estando “a resposta mortalmente atingida pela PRESCRIÇÃO DO DIREITO DE INDEFERIR POSTULAÇÕES TRIBUTÁRIAS”. Traz aos autos diversas decisões judiciais sobre o tema. Requer: · A prescrição dos débitos cobrados no Ofício 606/2011; · Que, alternativamente, seja reconhecida como “pertinente a perícia unilateral alocado ao caderno processual”; · Caso contrário, que seja declarado o direito de incluir os débitos no Parcelamento Especial Refis; · Pede, por fim, justiça, protestando pela efetivação das necessárias diligências, inclusive “a pertinente prova pericial para cimentação do presente Recurso Administrativo”. Lista, então, na sequência, uma série de quesitos para a prova pericial. A 3ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba, em sessão de julgamento datada de 11 de abril de 2012, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não conheceu do pedido de parcelamento, mantendo integralmente os termos do Despacho Decisório recorrido. O acórdão 0636.375 foi assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/1988 a 30/09/2005 NULIDADE. ATOS E TERMOS PROCESSUAIS. Fl. 1400DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinad o digitalmente em 19/05/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 10980.723516/201154 Acórdão n.º 3101001.585 S3C1T1 Fl. 1.397 9 Somente são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com cerceamento do direito de defesa. LEI 9.784/1999. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. APLICAÇÃO SUBSIDIÁRIA. O art. 49, da Lei 9.784/1999, não se aplica ao Processo Administrativo Fiscal, regido pelo Decreto 70.235/1972, o qual não fixa prazo para sua conclusão, nem imputa qualquer sanção pela demora. SENTENÇAS JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões judiciais não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão aquela objeto da decisão, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação. PEDIDO DE PARCELAMENTO. INCOMPETÊNCIA DA DRJ. Não compete às Turmas da DRJ examinar pedidos de parcelamento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/1988 a 30/09/2005 PERÍCIA. NÃO FORMULADO. Considerase não formulado o pedido perícia que não preenche todos os requisitos exigidos em Lei. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/1988 a 30/09/2005 DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. CÁLCULOS EFETUADOS PELA RFB. LAPSO ARITMÉTICO. NÃO COMPROVAÇÃO. Não comprovado os lapsos aritméticos alegados pela Manifestante, relativamente aos cálculos elaborados pelo auditor fiscal, ratificase a planilha de crédito apresentada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 1401DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinad o digitalmente em 19/05/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 10 A interessada apresentou seu Recurso Voluntário onde reprisa os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade, requerendo a reforma do acórdão recorrido e a restituição do saldo creditório alegadamente remanescente. A Repartição de origem encaminhou os autos, com o Recurso Voluntário, para apreciação do órgão julgador de segundo grau. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes. O recurso voluntário é tempestivo e dele se toma conhecimento. A recorrente alega a prescrição do direito cobratório e erro no cálculo efetuado pela autoridade fiscal, que deixou de observar, no cálculo efetuado, segundo seu entendimento, o decidido judicialmente. Reprisa os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade e alega como pertinente a perícia unilateral alocada ao caderno processual, na qual, segundo seu entendimento, certifica o valor do direito creditório requerido. Da prescrição Quanto à alegação da recorrente de ter já existido previamente a prescrição do direito cobratório, transcrevo parte do voto do acórdão a quo (fls.12261228 da numeração eletrônica), a qual desconstrói a tese de homologação tácita das Dcomp em litígio, adotando como minhas as suas razões de decidir: [A Recorrente] invoca o art. 173 do CTN para alegar que o “direito creditório que foi secundado pela habilitação do crédito e pela Dcomp, efetivado em dezembro de 2005, distam mais de cinco anos do pedido de documentos para análise das compensações efetuadas recebido pelo contribuinte em 08/07/2011, permeando 5 (cinco) e 8 (oito) meses”. Sustenta, ainda, que do trânsito em julgado das decisões, a ciência da não homologação das compensações pleiteada distam seis anos e oito meses, restando atingida pela “prescrição do direito cobratório”. Cabe ressaltar, sobre o ponto alegado, que o art. 173 diz respeito a prazos decadenciais relativos ao direito de o Fisco constituir o crédito tributário, que possui diferentes termos de início, a depender da hipótese a ser tratada, conforme dispõe os incisos I e II e parágrafo único. Tal artigo não aplicase, portanto, ao caso ora debatido, pois não há lançamento algum no Despacho Decisório recorrido. No caso em análise – débitos confessados em Dcomp e não homologadas – incide a regra do art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que trata da restituição e compensação de tributos no âmbito federal. Fl. 1402DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinad o digitalmente em 19/05/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 10980.723516/201154 Acórdão n.º 3101001.585 S3C1T1 Fl. 1.398 11 Conforme dispõe o §5º do art. 74, da referida Lei e abaixo transcrito, o prazo que a Administração possui para a homologação da compensação é de cinco anos contados da entrega da declaração de compensação. Dispõe a referida norma que: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (...) § 7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGera da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9º. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) (...) In casu, a Recorrente entregou dezenas de Dcomp vinculadas ao crédito judicial. As datas de entrega, conforme podese observar da análise das fls. 01 a 663, se iniciam em 10/07/2006 (Dcomp 20918.65233.100706.1.3.574236 – fls. 47/50) e vão até 24/05/2010 (14405.00047.240510.l.3.570136 – fls. 591/596). Fl. 1403DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinad o digitalmente em 19/05/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 12 Tendo a ciência do Despacho Decisório sido recebida em 31/08/2011, conforme aviso de recebimento anexado à fl. 1.043, só há que se falar em homologação tácita do direito de a Fazenda Pública cobrar seus débitos para as Dcomp transmitidas entre 10/07/2006 e 30/08/2006. São elas: Os débitos compensados nas Dcomp acima listadas estão abaixo discriminados: Contudo, como se percebe à fl. 891 do processo, no documento “Listagem de Débitos/Saldos Remanescentes”, todos os débitos acima listados já foram totalmente compensados. Por tal motivo, tais débitos não fazem parte do litígio. Ademais, é possível verificar, à fl. 898, que o primeiro débito não compensado pelo crédito reconhecido é o de IRPJ, código 2362, do PA 09/2007, com vencimento em 31/10/2007, compensado numa Dcomp transmitida em 31/10/2007. Todos os débitos subsequentes são relativos Fl. 1404DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinad o digitalmente em 19/05/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 10980.723516/201154 Acórdão n.º 3101001.585 S3C1T1 Fl. 1.399 13 a Dcomp transmitidas posteriormente a 31/10/2007. Por tal motivo, como a ciência do Despacho Decisório recorrido ocorreu em 31/08/2011, não há que se falar em homologação tácita em nenhuma das Dcomp em litígio. A recorrente alega também que o seu crédito judicial foi habilitado totalmente, ocorrendo a “manifestação administrativa com plena concordância”. Entretanto, ressaltase que o deferimento do pedido de habilitação do crédito não implica homologação da compensação ou o deferimento do pedido de restituição, ou o reconhecimento do direito creditório postulado, mas apenas a autorização para recepção do PER/DCOMP, cujo crédito tem como origem ação judicial. Tal habilitação referese apenas a análise sumária dos requisitos dispostos no art. 71, §4º, da IN 900/2008, e apenas autorizou a transmissão das DCOMP’s pela recorrente, com base no crédito judicial. Do lapso aritmético O Despacho Decisório de 29/08/2011 (fls. 10201047 da numeração eletrônica) reconheceu o direito creditório de R$ 2.830.246,43 a ser acrescido de taxa de juros SELIC a partir de 01/01/1996, homologou as compensações dos débitos elencados nas planilhas de fls.897 a 904, e não homologou as compensações dos débitos conforme elencados nas planilhas de fls. 904 a 911, com base na planilha de cálculo (fls. 10281044) do direito creditório da Recorrente, fundado nas seguintes premissas: · As bases de cálculo da exação consideraram o sexto mês anterior à ocorrência do fato gerador e estão de acordo com os valores fornecidos pela própria Interessada e constantes das planilhas de cálculo anexadas ao processo à fl. 774. · O valor do PIS devido (até o período de apuração de novembro de 1991, relativos aos recolhimentos realizados até 31/12/1991) foi atualizado para R$ (database de 31/12/1995), observando os expurgos inflacionários conexos às Súmulas do TRF da 4a Região. · A coluna “Diferença” representa o valor a maior ou a menor recolhido no mês de referência e está expressa em R$ (para recolhimentos feitos até 31/12/1991) ou em UFIR (para recolhimentos feitos a partir de 31/12/1991). · A coluna “diferença atualizada” representa o valor da coluna “Diferença” em UFIR convertida para R$ com base na UFIR de 0,8287. · Para comparação de valores no mesmo padrão monetário, as bases de cálculo dos meses de 11/88 até 06/89 e de 07/93 até 01/94 foram divididas por 1.000 e as bases de cálculo de 06/94 até 12/94 foram divididas por 2.750. Fl. 1405DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinad o digitalmente em 19/05/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 14 · Os créditos relativos aos recolhimentos realizados após 29/08/1994 e anteriores a 31/12/1994 foram atualizados multiplicandose o valor pago a maior pelo coeficiente definido como sendo: numerador o valor da UFIR de 0,8287 e denominador o valor da UFIR do mês seguinte ao do pagamento. · Os créditos conexos a recolhimentos realizados após 01/01/1995 (data da vigência da Medida Provisória n° 812/94 Lei n° 8.981/96 art. 96) foram atualizados multiplicandose o valor pago a maior pelo coeficiente definido como sendo: numerador o valor da UFIR de 0,8287 e denominador o valor da UFIR do trimestre seguinte ao do pagamento. · Relativamente ao processo de parcelamento n° 11637.000093/9439, os valores parcelados foram considerados nos cálculos como sendo crédito do interessado. · Relativamente ao processo de parcelamento n° 11637.000217/9521, os valores parcelados foram considerados nos cálculos como sendo crédito do interessado. · O processo de Auto de Infração n° 10980.007032/9853 foi arquivado tendo em vista as decisões favoráveis ao contribuinte na 1a e 2a instâncias de julgamento administrativo que extinguiram os débitos conexos ao processo mencionado. A recorrente alega que a Autoridade Fiscal deixou de observar, no cálculo efetuado, o decidido judicialmente, afirmando existir lapsos aritméticos. A autoridade julgadora a quo rechaçou todos os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade e na planilha elaborada pelo Perito Contábil Contador Dário Ney Gonçalves, CRC SC 021.845/05 (fls. 11211134 da numeração eletrônica). Reproduzimos abaixo trecho do voto da decisão recorrida (fls.12281230), cujo entendimento adotamos no presente voto: Inicialmente, a Recorrente alega que a planilha de valores da base de cálculo se inicia em julho/88, não sendo considerados os valores recolhidos desde o início de 1988, o que elevaria, em muito, segundo afirma, o valor a que tem direito. Porém, não cabe razão à Recorrente. Conforme fl. 687, a decisão que transitou em julgado é relativa ao período de julho de 1988 a setembro de 1995. Vejamos a Certidão expedida pela Justiça Federal: CERTIFICO TAMBÉM QUE sentença de 30 de abril de 2001, rejeitou a preliminar e, no mérito, concedeu parcialmente a segurança para, afastando a prescrição e decadência, reconhecer o direito de a impetrante efetuar a compensação da diferença dos valores que recolheu a título de contribuições ao PIS no período de julho de 1988 a setembro de 1995, atendendo a exigência contida nos Decretoslei n° 2.445 e 2.449/88, devidas por força das Leis Complementares 07/70 e 17/73 (rechaçada, a interpretação da autora quanto ao,parágrafo único, do art. 6o, da Lei Complementar 07/70, e incidindo a alíquota de 0,65% somente a partir de 01/10/1995) , incluindo na compensação o indébito a mesmo título, objeto de parcelamento e auto de Fl. 1406DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinad o digitalmente em 19/05/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 10980.723516/201154 Acórdão n.º 3101001.585 S3C1T1 Fl. 1.400 15 infração, com a COFINS, IRPJ e IPI, além do próprio PIS; juros e correção monetária na forma da fundamentação; (grifo nosso). Aliás, na Manifestação de Inconformidade apresentada, a Recorrente informa que o seu direito creditório decorre de pagamentos indevidos relativos ao período compreendido entre julho de 1988 e setembro de 1995, como podese verificar à fl. 1049: O contribuinte, após efetuar levantamento contábil, verificando ser credora da União, adentrou com pedido de RECONHECIMENTO DE CRÉDITO, tendo como objetivo a COMPENSAÇÃO dos valores recolhidos antecipados do PIS Programa de Integração Social, referente aos períodos de Julho de 1988 a Setembro de 1995, apurando um valor de R$ 6.511.824,98 (seis milhões, quinhentos e onze mil, oitocentos e vinte e quatro reais e noventa e oito centavos) isto atualizado até Julho de 1999, tendo o pedido, recebido o n° 11637.000233/98 20, junto a Receita Federal em Curitiba. (grifo nosso) Por isso, corretamente a Autoridade administrativa procedeu ao cálculo do direito creditório, englobando o período de julho de 1988 a setembro de 1995. Argumenta na sequência que os parcelamentos, que restam parcial ou integralmente pagos, não foram considerados no cálculo do crédito efetuado pelo Fisco. Porém, tal alegação também não merece ser acolhida. Consta expressamente do Despacho Decisório a seguinte informação: Relativamente ao processo de parcelamento n° 11637.000093/9439, em que foram parcelados débitos de PIS conexos aos períodos de apuração de 05/1993 até 12/1993 e 06/1994, o mesmo foi arquivado tendo em vista a quitação das parcelas contratadas. Observese que os valores parcelados foram considerados nos cálculos como sendo crédito do interessado conforme as informações do quadro a seguir: Período de apuração Valores parcelados em UFIR mai/93 9.461,47 jun/93 5.255,47 jul/93 10.647,66 ago/93 17.095,14 set/93 25.475,20 out/93 12.169,77 nov/93 10.758,02 dez/93 36.564,91 jun/94 89.110,75 Fl. 1407DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinad o digitalmente em 19/05/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 16 Relativamente ao processo de parcelamento n° 11637.000217/9521, em que foram parcelados débitos de PIS conexos aos períodos de apuração de 06/1991 a 12/1991 o mesmo foi arquivado tendo em vista a quitação das parcelas contratadas. Observese que os valores parcelados foram considerados nos cálculos como sendo crédito do interessado conforme as informações do quadro a seguir: Período de apuração Valores parcelados jun/91 Cr$ 2.007.757,46 ago/91 Cr$ 2.264.09,13 set/91 Cr$ 2.228.184,70 out/91 Cr$ 4.290.647,18 nov/91 Cr$ 5.427.476,34 dez/91 Cr$ 22.425.738,36 mar/95 R$ 83.474,02 abr/95 R$ 42.762,51 mai/95 R$ 73.066,30 ago/95 R$ 2.219,73 set/95 R$ 4.014,02 Ademais, é possível constatar na planilha de cálculo apresentada pelo Auditor Fiscal, constante do corpo do Despacho Decisório, conforme fls. 1.033 a 1.038, que os valores acima informados compuseram o cálculo do crédito efetuado. Não merece, portanto, ser acolhida tal alegação. A recorrente não identificou, em seu recurso voluntário, em quais pontos a planilha de cálculo elaborada pela Autoridade Fiscal, responsável pelo Despacho Decisório, equivocouse. Apenas alega que a decisão recorrida não examinou os cálculos efetuados pelo perito por ela contratado. Consta, no acórdão a quo, suas razões de decidir, a manifestação ponto a ponto quanto às alegações da interessada e as conclusões a que chegou o relator com base nos elementos de prova. Caso alguma inconsistência porventura exista no cálculo elaborado pela Autoridade Fiscal e não identificado pela autoridade julgadora a quo, a recorrente deveria expressamente identificála, não bastando, para isso, apresentar argumentos genéricos de erro de cálculo. Concluímos que a Autoridade Fiscal, com base em metodologia descrita em seu Despacho Decisório e reproduzida acima, corretamente efetuou a correção dos valores, com base na decisão judicial, reconhecendo o direito creditório residual de R$ 2.830.246,43 a ser acrescido de taxa de juros SELIC a partir de 01/01/1996, utilizado totalmente nas compensações dos débitos elencados nas planilhas de fls.897 a 911, que foram parcialmente homologados conforme referido Despacho Decisório. Dessa forma, não merece reparos a decisão recorrida e o Despacho Decisório. Fl. 1408DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinad o digitalmente em 19/05/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 10980.723516/201154 Acórdão n.º 3101001.585 S3C1T1 Fl. 1.401 17 Em face do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do presente voto. Sala das sessões, em 26 de fevereiro de 2014. [Assinado digitalmente] Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator Declaração de Voto Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Ouso divergir do Eminente Conselheiro Relator Dr. Rodrigo Mineiro Fernandes, por ter constatado que nos cálculos de apuração do quantum devido a título de restituição inseridos no Despacho Decisório de fls. 1020/1041, a autoridade fiscal lançou para abatimento do direito creditório, os créditos tributários devidos em relação aos meses em que o contribuinte recolheu a menor contribuição ao PIS, nos seguintes períodos de apuração: dez/90, jan/91, fev/91, set/91, jan/92, jun/94, dez/94, jan/95, fev/95, mar/95, abr/95, ago/95 e set/95. A atividade fiscal é pautada pela estrita legalidade ou seja, a administração está obrigada a aplicar as normas jurídicas na forma e no tempo em que elas determinam. A modalidade de lançamento neste caso é a por homologação, tendo tratamento diferenciado pela legislação tributária, uma vez que a Fazenda Pública transfere para o contribuinte (sujeito passivo da obrigação) a incumbência de constatar a ocorrência do fato gerador, formar a base de cálculo e aplicar a alíquota correspondente, a fim de apurar o quantum devido, antecipando o pagamento, limitandose, aquela, a exercer o controle e administração tributários, homologando, expressa ou tacitamente, os expedientes realizados pelo contribuinte. Analisando o "lançamento por homologação" constatamos três momentos distintos com características próprias: (i) o ato de formalização do contribuinte, em que reconhece o fato gerador e aplica a legislação fiscal ao fato jurídico; (ii) a antecipação do pagamento; e (iii) o ato homologatório da Fazenda Pública dos procedimentos adotados pelo contribuinte. Na prática, a Fazenda Pública, ao conferir os procedimentos do contribuinte, mormente não expede um ato de homologação, mas, verificando o não cumprimento correto da obrigação tributária, realiza o lançamento de ofício notificando o contribuinte a cumprilo. O termo “lançamento por homologação” merece crítica severa, uma vez que não se pode atribuir ao contribuinte uma atividade exclusiva da administração. É que o art. 142 do Código Tributário Nacional dispõe que o “compete privativamente à autoridade Fl. 1409DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinad o digitalmente em 19/05/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 18 administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento” definindo lançamento como sendo “o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível”. O que se verifica é que o lançamento é um ato administrativo, ainda que decorrente de um procedimento fiscal, mas um ato administrativo de caráter declaratório da ocorrência de um fato imponível (fato ocorrido no mundo fenomênico) e constitutivo de uma relação jurídica tributária, entre o sujeito ativo, representado funcionalmente pelo agente prolator do ato, e o sujeito passivo a quem fica acometido de um dever jurídico, cujo objeto é o pagamento de uma obrigação pecuniária. Sendo ato administrativo de lançamento é privativa da autoridade administrativa que tem o poder de aplicar o direito e reduzir a norma geral e abstrata em norma individual e concreta. É, portanto, mais que um poder é um ato de dever de aplicar a norma, de forma vinculada e obrigatória. O Professor, Hugo de Brito Machado1 ensina: “A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória sob pena de responsabilidade funcional (CTN, art. 142, parágrafo único). Tomando conhecimento do fato gerador da obrigação tributária principal, ou do descumprimento de uma obrigação tributária acessória, que a este eqüivale porque faz nascer também uma obrigação tributária principal, no que concerne à penalidade pecuniária respectiva, a autoridade administrativa tem o dever indeclinável de proceder ao lançamento tributário. O Estado, como sujeito ativo da obrigação tributária, tem um direito ao tributo, expresso no direito potestativo de criar o crédito tributário, fazendo o lançamento. A posição do Estado não se confunde com a posição da autoridade administrativa. O Estado tem um direito, a autoridade tem um dever.” No mesmo sentido Alberto Xavier2 lembra que: “O lançamento é ato de aplicação da norma tributária material ao caso em concreto, e por isso se destingue de numerosos atos regulados na lei fiscal que, ou não são a rigor atos de aplicação da lei, ou não são atos de aplicação de normas instrumentais.” ... “Devemos, por isso, aperfeiçoar a noção de lançamento por nós inicialmente formulada, definindoo como o ato administrativo de aplicação da norma tributária material que se traduz na declaração da existência e quantitativa da prestação tributária e na sua conseqüente exigência.” Aliomar Baleeiro, ao estudar o Direito Tributário como ramo do Direito das Finanças3, cuja origem não pode ser negada, entendia, a exemplo do Código Tributário Nacional, que: “Esses atos dos agentes públicos, provocados pelo fato gerador, se chamam lançamento e têm por finalidade a verificação, em caso concreto, das condições legais para a exigência do tributo, calculando este segundo os elementos quantitativos revelados por essas mesmas condições.” 1 op. cit. Pág. 120 2 Xavier, Alberto. Do Lançamento – Teoria Geral do Ato, do Procedimento e do Processo Tributário, 2ª ed., Forense, Rio de Janeiro, 1998, pág. 54 e 66 3 Aliomar Baleeiro, “Uma Introdução à Ciência das Finanças”, vol. I/ 281, nº 193 Fl. 1410DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinad o digitalmente em 19/05/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 10980.723516/201154 Acórdão n.º 3101001.585 S3C1T1 Fl. 1.402 19 Não menos categórico, Américo Masset Lacombe 4 ao tratar do tema “Crédito Tributário”, postula: “A atividade do lançamento é, assim, conforme determina o parágrafo único deste artigo, vinculada e obrigatória. É vinculada aos termos previstos na lei tributária. Sendo a obrigação tributária decorrente de lei, não podendo haver tributo sem previsão legal, e sabendose que a ocorrência do fato imponível prevista na hipótese de incidência da lei faz nascer o vínculo pessoal entre o sujeito ativo e o sujeito passivo, o lançamento que gera o vínculo patrimonial, constituindo o crédito tributário (obligatio, haftung, relação de responsabilidade), não pode deixar de estar vinculado ao determinado pela lei vigente na data do nascimento do vínculo pessoal (ocorrência do fato imponível previsto na hipótese de incidência da lei). Esta atividade é obrigatória. Uma vez que verificado pela administração o nascimento do vínculo pessoal entre o sujeito ativo e o sujeito passivo (nascimento da obrigação tributária, debitum, shuld, relação de débito), a administração estará obrigada a efetuar o lançamento. A hipótese de incidência da atividade administrativa será assim a ocorrência do fato imponível previsto na hipótese de incidência da lei tributária.” Nos conceitos colacionados, vemos a atividade da administração tributária como um dever de aplicação da norma tributária. O agente administrativo, no exercício de sua competência atribuída pela lei, tem o deverpoder de, verificada a ocorrência do fato imponível, exercer sua atividade e lançar o tributo devido. Não tem o Auditor Fiscal do Tesouro Nacional qualquer discricionariedade ao aplicar a norma, vinculandose integralmente aos ditames da lei que o obriga a realizar o lançamento com o fim de preservar o bem e o interesse públicos. O ato administrativo do lançamento é obrigatório e incondicional. Assim, dada a ocorrência do fato gerador no mundo fenomênico, em se tratando de lançamento por homologação, o contribuinte está obrigado a praticar todos os atos preparatórios ao lançamento e antecipar o pagamento do tributo devido, que para o caso em tela, encontravase sob suspensão da exigibilidade por força do pedido de compensação. Em contrapartida, a administração tributária tem o dever jurídico de constituir o crédito tributário (art. 142 e parágrafo único do CTN) pelo fato de ser o lançamento ato administrativo vinculado. Em nenhum momento poderia a administração tributária dispor de seu dever poder, em face da existência de uma norma individual e concreta (liminar concedida) ou geral e abstrata (suspensão da exigibilidade pelo depósito judicial) que, simplesmente, objetiva o vetor da relação jurídica tributária acometida ao sujeito passivo. Independentemente do conteúdo semântico que adotemos para o vocábulo “lançamento”, do art. 142, não podemos estendêlo para o vocábulo “lançamento”, do art. 150. 4 Lacombe, Américo Masset. Curso de Direito Tributário”, coordenação de Ives Gandra da Silva Martins, Ed. CEJUP, Belém, 1997 Fl. 1411DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinad o digitalmente em 19/05/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 20 Coincidem, no entanto, que lançamento é uma forma pela qual se verifica (seja através de ato ou de procedimento) a ocorrência do fato imponível, apurase a base de cálculo, aplicase a alíquota devida, tudo com o fim de quantificar o tributo devido à Fazenda. É um método de identificação e apuração do núcleo obrigacional da Relação Jurídica Tributária. O vocábulo “lançamento” contido no art. 150, por sua vez, não é ato privativo da autoridade tributária, nem mesmo é vinculado e obrigatório, para fins de responsabilidade funcional. Restalhe as características de procedimento constitutivo da obrigação tributária, pelo qual o sujeito passivo reúne os elementos probatórios dos eventos que se identificam com o fato jurídico. Atribuise ao sujeito passivo a função de colher os elementos constitutivos do fato imponível e de aplicarlhe a norma jurídica tributária, antecipando o pagamento do tributo devido independentemente do estabelecimento da relação jurídica tributária através do ato cogente do credor. Tratase de uma constituição material do crédito tributário (entendo como formal aquela instrumentalizada pela autoridade competente) que faz transparecer a relação jurídica tributária ensejadora do dever de pagar. É de ressaltarse que, levandose às últimas conseqüências a interpretação dos critérios para constituição do crédito tributário pela autoridade competente, nos termos do art. 142 (ato administrativo privativo e vinculado), enquanto não houvesse o exercício pela autoridade não haveria relação jurídica tributária e, conseqüentemente, não seria possível falar em obrigação. Se não há relação jurídica regularmente constituída, segundo os requisitos formais, não há obrigação exigível. Se o pagamento extingue o crédito tributário, cabível então outro questionamento: qual crédito tributário será extinto, aquele que não foi constituído? Ou seja, admitindose a possibilidade de somente o ato administrativo constituir o crédito tributário, o pagamento antecipado não teria extinguido nada, pois não houve a regular constituição desse crédito. Colocadas essas considerações, entendemos que o vocábulo “lançamento” do art. 150 do Código Tributário Nacional é procedimento, é dever instrumental acometido ao sujeito passivo que deverá reunir todas as informações e elementos integrante da Norma Jurídica Tributária, com o fim de possibilitarlhe o dever de antecipar o pagamento do tributo. O Código Tributário Nacional no art. 156, inciso V, coloca a prescrição e a decadência como modalidades de extinção do crédito tributário. Observese que o referido artigo contém 10 itens enumerativos das diversas modalidades de extinção do crédito tributário, sendo que a prescrição e a decadência estão consignadas juntas num único item. Há, aí, uma confusão, ou melhor uma identificação errônea da prescrição com a decadência como modalidade de extinção do crédito fiscal. Se assim podemos afirmar que há uma característica importante, em relação ao aspecto da aplicação do Direito no tempo, para precisar os momentos de ocorrência da decadência e da prescrição: a) a decadência se opera na fase de constituição do crédito (art. 173) e b) a prescrição se opera na fase de cobrança (art. 174). Na dicção da norma jurídica veiculada no art. 174, a prescrição começa quando termina a decadência – na “data da constituição definitiva” do crédito tributário, o que Fl. 1412DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinad o digitalmente em 19/05/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 10980.723516/201154 Acórdão n.º 3101001.585 S3C1T1 Fl. 1.403 21 mostra que a constituição definitiva do crédito tributário é o divisor de águas entre a decadência (que se torna inaplicável se o lançamento ocorreu antes da verificação da decadência) e a prescrição (que inicia sua contagem a partir do lançamento). Fábio Fanucchi5 captou bem essa mensagem, idealizando um quadro da aplicação desses institutos jurídicos no tempo e ressaltando a distinção temporal na existência do curso da decadência e o curso da prescrição: E é exatamente aqui que se encontra a principal controvérsia: saber em que momento se dá o início da contagem do prazo decadencial e o momento em que se dá a constituição definitiva do crédito tributário para a Contribuição Social. Há duas regras que disciplinam a decadência no Código Tributário Nacional: (i) a regra geral do art. 173 e (ii) a regra específica para os tributos cuja modalidade de lançamento é por homologação do art. 150, § 4º, como seguem: A regra geral “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.” A regra especial – “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1 O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2 Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. 5 Fato Gerador Lançamento Pagamento Decadência Prescrição Obrig. Tributária Crédito Tributário Extinção Fl. 1413DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinad o digitalmente em 19/05/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 22 § 3 Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4 Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” No presente caso, entendo que tanto pela Regra Feral como pela Regra Especial transcorreu o prazo decadencial. Como visto, trata de pedido de restituição de pagamento a maior e indevido da contribuição ao PIS, ou seja, não é meio para que a Fazenda venha a satisfazer eventuais diferenças inadimplidas nos períodos dos de apuração em apreço, uma vez que não há ato administrativo de lançamento em relação a tais créditos tributários e não mais poderia ter em relação a tais períodos de apuração dez/90, jan/91, fev/91, set/91, jan/92, jun/94, dez/94, jan/95, fev/95, mar/95, abr/95, ago/95 e set/95 – uma vez que encontramse decaídos seja pela regra prevista no art. 150, § 4º, do CTN (pois se verificam pagamentos parciais nesses períodos) seja pela regra geral prevista no art. 173, inciso I, do CTN. Portanto, entendo que o Fisco não tem legitimidade para atuar ao arrepio das normas jurídicas para fazer valer a arrecadação indireta, sem lançamento tributário, sem motivação, fora do prazo legal, tudo no afã de fazer “justiça com as próprias mãos”. Diante do exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir do cálculo elaborado pelo Fisco os débitos lançados a título de satisfazer o crédito tributário parcialmente inadimplido pelo contribuinte, e que se encontram decaídos, o que resultará em valor maior a restituir ao contribuinte, segundo o levantamento feito no valor de R$ 215.088,49. Luiz Roberto Domingo Fl. 1414DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinad o digitalmente em 19/05/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 12861.000080/2008-16
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
SERVIÇOS HOSPITALARES. LUCRO PRESUMIDO. MARGEM DE LUCRO PRESUMIDA. TRIBUTAÇÃO.
A expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei nº 9.249/95, com a aplicação reflexa à CSLL através do art. 20 do mesmo diploma deve ser interpretada de forma objetiva, ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte, porquanto a lei, ao conceder o menor percentual estimado de lucro, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde).
Numero da decisão: 1802-002.232
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel.
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 SERVIÇOS HOSPITALARES. LUCRO PRESUMIDO. MARGEM DE LUCRO PRESUMIDA. TRIBUTAÇÃO. A expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei nº 9.249/95, com a aplicação reflexa à CSLL através do art. 20 do mesmo diploma deve ser interpretada de forma objetiva, ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte, porquanto a lei, ao conceder o menor percentual estimado de lucro, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel.
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LUCRO PRESUMIDO. MARGEM DE LUCRO PRESUMIDA. TRIBUTAÇÃO. A expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei nº 9.249/95, com a aplicação reflexa à CSLL através do art. 20 do mesmo diploma deve ser interpretada de forma objetiva, ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte, porquanto a lei, ao conceder o menor percentual estimado de lucro, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 86 1. 00 00 80 /2 00 8- 16 Fl. 1079DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 12861.000080/200816 Acórdão n.º 1802002.232 S1TE02 Fl. 37 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), que por unanimidade de votos julgou improcedente a impugnação apresentada pela ora Recorrente, mantendo o crédito tributário exigido. No procedimento instituído pelo Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) nº 08.1.09.002007008020, em desfavor da contribuinte, submetida à sistemática de tributação pelo lucro presumido, foi lavrado o auto de infração (fls. 3/15) que lhe exigiu Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) no valor de R$ 215.502,74, acrescida de R$ 161.627,01 de multa de ofício e R$ 83.448,80 de juros de mora, relativa aos anoscalendário de 2004 a 2006. O lançamento teve por base suposta apuração incorreta do tributo, cuja base de cálculo fora obtida pela alíquota de 12% sobre a receita bruta, quando a Lei nº 10.684/2003 estabelece que a alíquota é de 32%. Segundo consta do relatório, do valor do tributo apurado com aplicação da alíquota de 32% foram deduzidas as importâncias recolhidas nos respectivos períodos, conforme detalhado em planilhas (fls. 18/19). Intimada, a contribuinte ingressou com a impugnação (fls. 80/97) com alegação de que se trata de sociedade empresária com corpo de empregados e profissionais da área médica, situada em ambiente físico que atende aos requisitos exigidos pela Anvisa para caracterizála como estabelecimento de assistência à saúde, o que permite seu enquadramento como prestadora de serviços hospitalares, conforme as regras da Instrução Normativa RFB (IN RFB) nº 480/2004, com a redação dada pela IN RFB nº 539/2005. Segundo alegou sua caracterização como serviço hospitalar está baseada na conjunção dos seguintes fatores: a) composição societária; b) natureza dos serviços prestados; c) estrutura física de seu estabelecimento. Em vista de que o Sistema de Informação em Vigilância Sanitária (Sivisa) expediu licenças de funcionamento para atividades de atendimento hospitalar, serviços de diagnóstico por imagem e serviços de tomografia, e o enquadramento junto ao CNPJ registra a atividade de atendimento hospitalar, a impugnante foi reconhecida como estabelecimento hospitalar. Alegou que conta com participação direta de médicos, contratados para prestação de serviços médicos hospitalares, o que a caracteriza como sociedade empresária. Arguiu que dispõe de cinco leitos de atendimento hospitalar, com estrutura para atendimento de pacientes em caráter de emergência, com equipamentos de suporte para os Fl. 1080DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 12861.000080/200816 Acórdão n.º 1802002.232 S1TE02 Fl. 38 3 respectivos procedimentos. Seu estabelecimento está sediado no hospital Irmandade de Misericórdia de Sertãozinho e é responsável por todos serviços de radiologia e diagnóstico por imagem da entidade. Dedicase à prestação de assistência à saúde, conforme definido na Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) nº 50/2002, da Anvisa. Citou soluções de consulta proferidas por unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil, além de jurisprudência administrativa. Requereu a realização de prova pericial mediante elaboração de laudo técnico confeccionado por profissional independente e devidamente habilitado, nos termos do documento que anexou. Ao final requereu acolhida à sua pretensão com o reconhecimento da improcedência do auto de infração e a extinção do crédito tributário. Vindos os autos para julgamento, prolatouse despacho (fls. 891) com vistas a intimar a contribuinte a apresentar: a) cópia da alteração contratual que modificou sua natureza jurídica de sociedade simples para sociedade empresária; b) cópia do Livro de Registro de Empregados; c) cópia das autorizações de funcionamento a que se refere o § 1º do art. 27 da IN 480/2004, com a redação da IN 539/2005. Além do que consta anteriormente, registra o despacho que os assentamentos no livro de registro e as autorizações da vigilância sanitária deveriam ser contemporâneos ao período lançado e que a contribuinte deveria informar se ingressou com ação judicial com objeto semelhante ao da questão tratada no presente processo. Intimada, a contribuinte apresentou o arrazoado de fls. 896/9 com diversos documentos. Informou que: a) em face de alteração contratual fora convertida em sociedade empresária; b) apresentava livro de empregados, o que comprovaria ser sociedade que emprega pessoas na consecução de seus objetivos; c) juntava cópias das autorizações de funcionamento expedidas pelos órgãos de vigilância sanitária; d) juntava cópia do comprovante de inscrição no CNPJ que atestaria sua atividade como atendimento hospitalar. Colocouse à disposição para realização de diligência em seu estabelecimento com vistas à comprovação de que efetivamente exerce atividade de atendimento médico hospitalar, ao mesmo tempo em que pleiteou fosse avisada com antecedência para possibilitar o acompanhamento dos agentes envolvidos na diligência. Por fim, reiterou seu pedido de reconhecimento do direito à tributação benéfica, com análise da prova pericial produzida e anexada à impugnação, elaborada por profissional independente, e a exoneração do crédito tributário lançado. Fl. 1081DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 12861.000080/200816 Acórdão n.º 1802002.232 S1TE02 Fl. 39 4 A DRJ de Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a impugnação, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004, 2005, 2006 Ementa: PRESTADOR DE SERVIÇOS HOSPITALARES. PERCENTUAL DE LUCRO PRESUMIDO. REQUISITOS. Para ser considerado serviço de natureza hospitalar é necessário que o empresário ou a sociedade empresária ostentem caráter empresarial, atividades desenvolvidas e estrutura física do estabelecimento em consonância com a legislação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Dessa decisão da qual tomou ciência em 15/03/2013, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário em 11/04/2013. No Recurso alega em apertada síntese que o acórdão: 1 – distorce o conceito de responsabilidade técnica pelos serviços médico hospitalares prestados pela Recorrente; 2 – distorce o teor das Licenças de Funcionamento de fls. 158/172 e fls. 789/801; 3 – que não foi apreciada a prova técnica produzida pela Recorrente; 4 – que foi desconsiderada a classificação legal da Recorrente como sociedade empresária limitada, disciplinada pelo Código Civil e subsidiariamente pela Lei nº 6.404/76 (Lei das SA’s); No mais reitera as alegações anteriores e pugna pelo provimento do seu Recurso Voluntário ou, alternativamente, pela conversão do julgamento em diligência. Este é o Relatório. Fl. 1082DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 12861.000080/200816 Acórdão n.º 1802002.232 S1TE02 Fl. 40 5 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O Recurso é tempestivo, portanto dele tomo conhecimento. A presente lide consiste na interpretação da Delegacia da Receita Federal em Ribeirão Preto que entendeu que a contribuinte, optante pelo lucro presumido, deveria utilizar o percentual de lucro de 32% sobre sua receita bruta de prestação de serviços hospitalares, portanto divergente do percentual de 12%, o qual a contribuinte utilizou entendendo ser pertinente às suas atividades. De acordo com o entendimento da fiscalização, a Lei nº 10.684/2003 criou a alíquota de 32% para a apuração da CSLL para as pessoas jurídicas optantes pelo Lucro Presumido, enquadradas na mesma situação da contribuinte, embora a mesma tenha continuado a utilizar a alíquota de 12%. Vejamos o diploma legal em questionamento: “Art. 22. O art. 20 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. Parágrafo único. A pessoa jurídica submetida ao lucro presumido poderá, excepcionalmente, em relação ao quarto trimestrecalendário de 2003, optar pelo lucro real, sendo definitiva a tributação pelo lucro presumido relativa aos três primeiros trimestres." (NR) Passo portanto a análise do mérito. Para tanto colaciono o dispositivo questionado, constante da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995: “Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III Fl. 1083DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 12861.000080/200816 Acórdão n.º 1802002.232 S1TE02 Fl. 41 6 do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. (Redação dada Lei nº 10.684, de 2003) (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) (Vide Lei nº 11.119, de 205) (Vide Medida Provisória nº 627, de 2013) (Vigência)” Reproduzindo também o dispositivo referente ao IRPJ, o qual ampara a CSLL: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: [...] III trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) [...] Como de plano se observa, a Lei n° 11.727, de 23 de junho de 2008, promoveu alteração no sentido de adicionar atividades específicas no rol de exceções à aplicação da alíquota de 32%, sem adicionar contudo, os serviços radiológicos. Ocorre que tal alteração não afeta o caso em tela em virtude de: (I) não servir de caráter expressamente interpretativo para o termo “serviços hospitalares”, fato que poderia ensejar a retroatividade nos termos do art. 106, I, do Código Tributário Nacional; e (II) vir após a ocorrência dos fatos geradores que lhe deram causa (anos calendário de 2004, 2005 e 2006). Portanto, da análise devese verificar o texto legal vigente à época dos fatos geradores, que era “prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares”. Neste prisma, a Recorrente entende prestar serviços hospitalares e, nesta condição, entende que nos fatos geradores supra estaria na regra de exceção à aplicação da alíquota de presunção de lucro a 32%. Fl. 1084DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 12861.000080/200816 Acórdão n.º 1802002.232 S1TE02 Fl. 42 7 Confrontada com idêntica situação, o STJ através do REsp n° 859.574, de relatoria do Ministro Castro Meira, julgado em 23/06/2009 se pronunciou no sentido de se interpretar o termo “serviços hospitalares” objetivamente. No voto do Ilustre Ministro, que também citou precedente do decidido no REsp 951.251/PR, concluiuse o seguinte: ... a Seção decidiu que o benefício fiscal de redução de base de cálculo foi concedido de modo objetivo, pois leva em consideração o serviço prestado e não a natureza ou estrutura do prestador. Nesses termos, definiuse que a alíquota reduzida beneficia todos os prestadores de serviços tipicamente hospitalares – que são aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde , independentemente da complexidade ou da estrutura para internação de pacientes. A mens legis da norma em debate busca, através de um objetivo extrafiscal, minorar os custos tributários de serviços que são essenciais à população, não vinculando a prestação desses a determinada qualidade do prestador capacidade de realizar internação de pacientes , mas, sim, à natureza da atividade desempenhada. No julgamento citado, excetuaramse, apenas, as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. Na oportunidade foram fixadas duas situações que convergem para a concessão do benefício: a prestação de serviços hospitalares e que esta seja realizada por instituição que, no desenvolvimento de sua atividade, possuía custos diferenciados do simples atendimento médico, sem, contudo, decorrerem estes necessariamente da internação de pacientes. No caso, tratase de entidade que presta serviços de radiologia, ultrassonografia e diagnóstico por imagens dentro do Hospital Geral pertencente à Associação de Caridade Santa Casa do Rio Grande, que não possui esses serviços e, portanto, os terceiriza à recorrente. Não se trata de simples consulta médica, mas de atividade que se insere, indubitavelmente, no conceito de “serviços hospitalares, já que demanda maquinário específico, geralmente adquirido por hospitais ou clínicas de grande porte.” É importante deixar consignado – por sugestão do Min. Teori Zavascki no julgamento do REsp 951.251/PR – que a redução da base de cálculo somente deve favorecer a atividade tipicamente hospitalar desempenhada pela recorrente – especificamente a prestação de serviços de radiologia, ultrassonografia e diagnóstico de imagens – excluídas as simples consultas e outras atividades de cunho administrativo. [...] (Grifouse) Fl. 1085DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 12861.000080/200816 Acórdão n.º 1802002.232 S1TE02 Fl. 43 8 Retornando a matéria ao pleito do STJ, decidiu este pacificar seu entendimento no julgamento do REsp n° 1.116.399/BA, quando aplicou o regime do art. 543C do Código de Processo Civil, representativo da controvérsia, assim ementado: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". Fl. 1086DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 12861.000080/200816 Acórdão n.º 1802002.232 S1TE02 Fl. 44 9 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl.. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. (REsp 1116399/BA, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 28/10/2009, DJe 24/02/2010) Tal decisão ainda foi consolidada pelo julgamento de Embargos Declaratórios, cuja ementa também transcrevo a seguir, por adicionar elementos interessantes, em especial, a inaplicação do conceito de “serviços hospitalares” para “consultas médicas”, vejamos: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. 1. Os embargos de declaração são cabíveis quando o provimento jurisdicional padece de omissão, contradição ou obscuridade nos ditames do art. 535, I e II, do CPC, bem como para sanar a ocorrência de erro material. 2. A parte embargante aduz que há no acórdão embargado, basicamente, três questões a serem esclarecidas, quais sejam: (i) a atividade de consulta médica realizada no interior dos hospitais por profissionais com vínculo com a instituição deve ser conceituada como serviços hospitalares para efeito de Fl. 1087DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 12861.000080/200816 Acórdão n.º 1802002.232 S1TE02 Fl. 45 10 beneficiarse da redução da base de cálculo?; (ii) estão (ou não) abrangidas pelo benefício fiscal as consultas médicas prestadas em consultório médico não localizado no interior do hospital, mas com prestação de serviços que não a simples consulta médica?; e (iii) as consultas médicas prestadas em consultório médico de forma exclusiva se incluem no benefício? 3. No caso dos autos, o Colegiado foi claro e preciso ao afirmar que são excluídas dos benefícios tendentes à redução das alíquotas ora pleiteadas as atividades destinadas unicamente à realização de consultas médicas, de sorte que a conclusão ora buscada pela embargante decorre da simples leitura do acórdão embargado. 4. Não obstante, a fim de dirimir quaisquer dúvidas sobre o que foi efetivamente decidido pelo colegiado, prevenir interpretações errôneas do julgado, bem como o manejo de novos aclaratórios, devese esclarecer que a redução da base de cálculo de IRPJ na hipótese de prestação de serviços hospitalares prevista no artigo 15, § 1º, III, "a", da Lei 9.249/95, efetivamente, não abrange as simples atividades de consulta médica realizada por profissional liberal, ainda que no interior do estabelecimento hospitalar. Por conseguinte, também é certo que o benefício em questão não se aplica aos consultórios médicos situados dentro dos hospitais que só prestem consultas médicas. 5. Ademais, por ocasião do julgamento dos embargos declaratórios opostos pela Fazenda Nacional em face do acórdão proferido no REsp 951.251PR, o eminente Ministro Relator afirmou que: "Não há que se estender o benefício aos consultórios médicos somente pelo fato de estarem localizados dentro de um hospital, onde apenas sejam realizadas consultas médicas que não envolvam qualquer outro procedimento médico." 6. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no REsp 1116399/BA, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/09/2010, DJe 29/09/2010) Como se observa, o entendimento jurisprudencial de “serviços hospitalares” ficou consolidado em sentido amplo, relacionandose ao serviço prestado, e não à natureza ou a estrutura do prestador. A interpretação do dispositivo, portanto, é objetiva. Ressaltase que o CARF se sujeita ao definido nos termos do art. 543C do Código de Processo Civil, nos termos da Portaria CARF n° 256, de 22 de junho de 2009: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 1088DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 12861.000080/200816 Acórdão n.º 1802002.232 S1TE02 Fl. 46 11 A contrario sensu, a DRJ havia entendido pela aplicação temporã dos fatos geradores, à luz das Instruções Normativas vigentes a cada tempo, que vinham restringindo o conceito de serviços hospitalares, fl. 1039 a 1042: “O alcance do referido artigo 23 da IN SRF n.º 306, de 2003, foi explicitado com a edição do Ato Declaratório Interpretativo do Secretário da Receita Federal (ADI) n.º 18, de 23 de outubro de 2003, o qual manifestou o entendimento que, para fins do disposto no artigo 15, § 1.º, III, “a”, da Lei n.º 9.249, de 1995, consideramse serviços hospitalares os prestados pelos estabelecimentos assistenciais de saúde constituídos por empresários ou sociedades empresárias. O citado ADI ainda declara que não são considerados serviços hospitalares, para fins de determinação do lucro presumido, os serviços prestados exclusivamente pelos sócios da empresa ou referentes unicamente ao exercício de atividade intelectual, de natureza científica dos profissionais envolvidos, a saber: Art. 1º. Para fins do disposto no art. 15, §1º, III, "a'' da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, considerase serviços hospitalares os prestados pelos estabelecimentos assistenciais de saúde constituídos por empresários ou sociedades empresárias. Art. 2º. Para fins do disposto no art. 1º, independentemente da forma de constituição da pessoa jurídica, não serão considerados serviços hospitalares, ainda que com o concurso de auxiliares ou colaboradores, quando forem: I prestados exclusivamente pelos sócios da empresa; ou II referentes unicamente ao exercício de atividade intelectual, de natureza científica, dos profissionais envolvidos. Parágrafo único. Os termos auxiliares e colaboradores de que trata o caput referemse a profissionais sem a mesma habilitação técnica dos sócios da empresa e que a esses prestem serviços de apoio técnico ou administrativo. É importante registrar que a IN n. 306, de 12/3/2003, foi revogada sem interrupção de sua força normativa pela IN n. 480, de 15/12/2004, publicada no Diário Oficial da União (DOU) de 29/12/2004. Esta, por sua vez, inseriu o art. 27, adiante transcrito, posteriormente alterado pela IN n. 539, de 25/4/2005. Art. 27 da IN 480, de 15/12/2004, revogado pela IN 539/2005: Art. 27. Para os fins previstos nesta Instrução Normativa, são considerados serviços hospitalares Fl. 1089DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 12861.000080/200816 Acórdão n.º 1802002.232 S1TE02 Fl. 47 12 somente aqueles prestados por estabelecimentos hospitalares. § 1º Para os efeitos deste artigo, consideramse estabelecimentos hospitalares, aqueles estabelecimentos com pelo menos 5 (cinco) leitos para internação de pacientes, que garantam um atendimento básico de diagnóstico e tratamento, com equipe clínica organizada e com prova de admissão e assistência permanente prestada por médicos, que possuam serviços de enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente, durante 24 horas, com disponibilidade de serviços de laboratório e radiologia, serviços de cirurgia e/ou parto, bem como registros médicos organizados para a rápida observação e acompanhamento dos casos. § 2º Para efeito de enquadramento do estabelecimento como hospitalar levarseá, ainda, em conta se o mesmo está compreendido na classificação fiscal do Cadastro Nacional de Atividades Econômicas (CNAE), na classe 85111 – Atividades de Atendimento Hospitalar. § 3º São considerados pagamentos de serviços hospitalares, para os fins desta Instrução Normativa, àqueles efetuados às pessoas jurídicas: I prestadoras de serviços préhospitalares, na área de urgência, realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias de suporte avançado (Tipo "D") ou em aeronave de suporte médico (Tipo "E"); e II prestadoras de serviços de emergências médicas, realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias classificadas nos Tipos "A", "B", "C" e "F", que possuam médicos e equipamentos que possibilitem oferecer ao paciente suporte avançado de vida. Art. 27 da IN 480, de 15/12/2004, com a redação que lhe deu a IN 539, de 25/04/2005: Art. 27. Para fins do disposto nesta Instrução Normativa, são considerados serviços hospitalares aqueles diretamente ligados à atenção e assistência à saúde, de que trata o subitem 2.1 da Parte II da Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária nº 50, de 21 de fevereiro de 2002, alterada pela RDC nº 307, de 14 de novembro de 2002, e pela RDC nº 189, de 18 de julho de 2003, prestados por empresário ou sociedade empresária, que exerça uma ou mais das: I seguintes atribuições: Fl. 1090DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 12861.000080/200816 Acórdão n.º 1802002.232 S1TE02 Fl. 48 13 a) prestação de atendimento eletivo de promoção e assistência à saúde em regime ambulatorial e de hospital dia (atribuição 1); b) prestação de atendimento imediato de assistência à saúde (atribuição 2); c) prestação de atendimento de assistência à saúde em regime de internação (atribuição 3); II – atividades fins da prestação de atendimento de apoio ao diagnóstico e terapia (atribuição 4). § 1° A estrutura física do estabelecimento assistencial de saúde deverá atender ao disposto no item 3 da Parte II da Resolução de que trata o caput , conforme comprovação por meio de documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal. § 2º São também considerados serviços hospitalares, para fins do disposto nesta Instrução Normativa, os seguintes serviços prestados por empresários ou sociedade empresária: I – préhospitalares, na área de urgência, realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias de suporte avançado (Tipo D) ou em aeronave de suporte médico (Tipo E); II – de emergências médicas, realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias classificadas nos Tipos “A”, “B”, “C” e “F”, que possuam médicos e equipamentos que possibilitem oferecer ao paciente suporte avançado de vida. Diante do exposto, na vigência de referidos normativos, a definição de serviços hospitalares abrange aqueles prestados por empresário ou sociedade empresária que exerça uma ou mais das atribuições previstas no artigo 27 da IN SRF n.º 480, de 2004 (tratadas pela RDC n.º 50, de 2002), na redação dada pela IN SRF n.º 539, de 2005, e que possua estrutura física condizente com o disposto no item 3 da Parte II da citada resolução, devidamente comprovada por meio de documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal. Notese, também, que a IN SRF n.º 480, de 2004, na redação dada pela IN SRF n.º 539, de 2005, não alterou o conceito de serviços hospitalares; que no ADI SRF n.º 18, de 2003, também há o entendimento de que os serviços hospitalares alcançavam os prestados pelos estabelecimentos assistenciais de saúde constituídos por empresários ou sociedades empresárias e que a IN SRF n.º 306, de 2003, dispunha sobre a necessidade de os estabelecimentos possuírem estrutura física condizente com a atividade desenvolvida. Fl. 1091DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 12861.000080/200816 Acórdão n.º 1802002.232 S1TE02 Fl. 49 14 Ademais, não se consideram serviços hospitalares aqueles prestados exclusivamente pelos sócios da pessoa jurídica ou referentes unicamente ao exercício de atividade intelectual, de natureza científica, dos profissionais envolvidos, mesmo que envolvam o concurso de auxiliares ou colaboradores sem a mesma habilitação técnica dos sócios da empresa e que a esses prestem serviços de apoio técnico ou administrativo. Aduziu ainda, que a definição de empresário e sociedade empresária não se coaduna como elemento de empresa pela simples prestação de serviços profissionais na área médica, afastando pelas características estruturais o contribuinte da condição de estabelecimento hospitalar de que trata a lei. Ora, como já abordado, o STJ decidiu que o termo “serviços hospitalares” deve ser analisado objetivamente. No caso, houve uma interpretação subjetiva, levandose em conta outros fatores que não se relacionam à prestação do serviço, mas à estrutura e outras condições do estabelecimento, restringindo sua aplicação ao caso. Neste estigma, é oportuno ressaltar que este Conselho não se submete aos Atos do Ministério da Fazenda, que é parte interessada na arrecadação, mas deve atenção ao conteúdo estabelecido por leis, decretos, tratados ou acordos internacionais, nos termos da Portaria CARF n° 256, de 22 de junho de 2009: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: [...] Assim, é de se afastar a interpretação restritiva emanada através do Ato Declaratório Interpretativo (ADI) SRF n° 18, de 23 de outubro de 2003, bem como, as Instruções Normativas SRF n° 306, de 12 de março de 2003, n° 480, de 15 de dezembro de 2004 e n° 539, de 25 de abril de 2005, que não se coadunam ao conceito objetivo de “serviços hospitalares” e se apegar ao precedente jurisprudencial representativo da controvérsia emanado pelo STJ supracitado. Por derradeiro, ainda que possam haver discussões, vale colacionar decisões deste Conselho já levadas a efeito nesta matéria que consolidam a interpretação esposada: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 SERVIÇOS HOSPITALARES. ESPÉCIE DE SOCIEDADE. HIPÓTESE NÃO PREVISTA EM LEI. PERCENTUAL DE APURAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO. A expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva, ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo Fl. 1092DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 12861.000080/200816 Acórdão n.º 1802002.232 S1TE02 Fl. 50 15 contribuinte, porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Para a empresa que presta “serviços hospitalares”, o percentual de apuração do lucro presumido sobre as receitas da atividade, para os anos de 2002 a 2005, é de 8% para o IRPJ e de 12% para a CSLL, consoante arts. 15 e 20 da Lei nº 9.249/95. (Acórdão n° 1202000.584, Relator Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Segunda Câmara, Primeira Seção, julgado em 04/10/2011) IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 LUCRO PRESUMIDO. CLÍNICA DE DIAGNÓSTICOS. DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. COEFICIENTE No julgamento do Recurso Especial nº 1.116.399BA (2009/00064810), havido na sistemática dos recursos especiais repetitivos, o STJ decidiu, com a ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727 de 2008 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, que a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde), excluindose, contudo, as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004, 2005, 2006 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Subsistindo o lançamento principal, na seara do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica, igual sorte colhe o lançamento que tenha sido formalizado em legislação que toma por empréstimo a sistemática de apuração daquele. (Acórdão n° 1103000.552, Relator Conselheiro Jose Sergio Gomes, Primeira Câmara, Primeira Seção, julgado em 04/10/2011) Assim a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei nº 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva, ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte, porquanto a lei, ao conceder o menor percentual estimado de lucro, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério Fl. 1093DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 12861.000080/200816 Acórdão n.º 1802002.232 S1TE02 Fl. 51 16 subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Para a empresa que presta “serviços hospitalares”, o percentual de apuração do lucro presumido sobre as receitas da atividade é de 12% para a CSLL, consoante o art. 20 do mesmo diploma legal. Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 1094DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 19515.721435/2012-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
MATÉRIA NÃO CONTESTADA. DEFINITIVIDADE.
Considera-se definitiva, na esfera administrativa, matéria não expressamente contestada na peça recursal.
OMISSÃO DE RECEITAS. VENDAS EFETUADAS POR CARTÃO NÃO CONTABILIZADA.
Consideram-se receitas omitidas os valores das vendas efetuadas por meio de cartão de crédito/débito que não se encontram registradas na contabilidade e nem foram tributadas ou declaradas ao fisco.
MULTA MAJORADA POR INFRAÇÃO QUALIFICADA. VENDAS EFETUADAS POR CARTÃO NÃO CONTABILIZADA. FRAUDE.
Constatado que a autuada, de forma reiterada, deixou de registrar em sua contabilidade, e de declarar ao fisco, toda a movimentação com as vendas efetuadas por cartão de crédito/débito, evidencia o intuito de fraude com o claro objetivo de alcançar a redução do montante dos tributos devidos. Cabível a aplicação de multa majorada, por infração qualificada, baseada em elementos que comprovem a ação dolosa e fraudulenta do sujeito passivo.
MULTA AGRAVADA. NÃO ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO. ESCLARECIMENTO. CONFISCO.
O agravamento em 50% no percentual da multa de lançamento de ofício é aplicável quando comprovado que o sujeito passivo não atendeu à intimação fiscal para a apresentação de esclarecimentos relacionados com as atividades do fiscalizado. É inaplicável às multas o conceito de confisco, o qual é dirigido unicamente aos tributos.
LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS.
Subsistindo o lançamento principal, devem ser mantidos os lançamentos que lhe sejam decorrentes, na medida que os fatos que os ensejaram são os mesmos.
Numero da decisão: 1202-001.169
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em considerar definitivamente julgadas as matérias não expressamente contestadas, em manter a responsabilidade tributária das pessoas físicas arroladas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Pelo voto de qualidade, acordam em manter o agravamento da multa de ofício em 50%, vencidos os Conselheiros Marcos Antonio Pires, Manoel Mota Fonseca e Orlando José Gonçalves Bueno, que afastavam o agravamento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Geraldo Valentim Neto, Marcos Antonio Pires, Manoel Mota Fonseca e Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 MATÉRIA NÃO CONTESTADA. DEFINITIVIDADE. Considerase definitiva, na esfera administrativa, matéria não expressamente contestada na peça recursal. OMISSÃO DE RECEITAS. VENDAS EFETUADAS POR CARTÃO NÃO CONTABILIZADA. Consideramse receitas omitidas os valores das vendas efetuadas por meio de cartão de crédito/débito que não se encontram registradas na contabilidade e nem foram tributadas ou declaradas ao fisco. MULTA MAJORADA POR INFRAÇÃO QUALIFICADA. VENDAS EFETUADAS POR CARTÃO NÃO CONTABILIZADA. FRAUDE. Constatado que a autuada, de forma reiterada, deixou de registrar em sua contabilidade, e de declarar ao fisco, toda a movimentação com as vendas efetuadas por cartão de crédito/débito, evidencia o intuito de fraude com o claro objetivo de alcançar a redução do montante dos tributos devidos. Cabível a aplicação de multa majorada, por infração qualificada, baseada em elementos que comprovem a ação dolosa e fraudulenta do sujeito passivo. MULTA AGRAVADA. NÃO ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO. ESCLARECIMENTO. CONFISCO. O agravamento em 50% no percentual da multa de lançamento de ofício é aplicável quando comprovado que o sujeito passivo não atendeu à intimação fiscal para a apresentação de esclarecimentos relacionados com as atividades do fiscalizado. É inaplicável às multas o conceito de confisco, o qual é dirigido unicamente aos tributos. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 14 35 /2 01 2- 61 Fl. 1471DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/06/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.721435/201261 Acórdão n.º 1202001.169 S1C2T2 Fl. 1.472 2 Subsistindo o lançamento principal, devem ser mantidos os lançamentos que lhe sejam decorrentes, na medida que os fatos que os ensejaram são os mesmos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em considerar definitivamente julgadas as matérias não expressamente contestadas, em manter a responsabilidade tributária das pessoas físicas arroladas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Pelo voto de qualidade, acordam em manter o agravamento da multa de ofício em 50%, vencidos os Conselheiros Marcos Antonio Pires, Manoel Mota Fonseca e Orlando José Gonçalves Bueno, que afastavam o agravamento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Geraldo Valentim Neto, Marcos Antonio Pires, Manoel Mota Fonseca e Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Trata o processo de lançamentos fiscais formalizados em Autos de Infração do IRPJ e reflexos na CSLL, no PIS e na Cofins, relativamente ao anocalendário de 2008, em razão da ocorrência de omissão de receitas de vendas identificada pelas informações prestadas pelas administradoras de cartão de crédito/débito, conforme descrito no Termo de Verificação FiscalTVF, de fls. 02 a 07. Aos tributos exigidos foi aplicada multa de ofício, no percentual de 225%, qualificada em razão da ocorrência da hipótese do art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964, e agravada, diante do não atendimento às intimações emitidas no curso do procedimento fiscal, além da incidência dos juros de mora, com base na taxa Selic. Regularmente intimada, a interessada deixou de comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a contabilização das receitas originadas das vendas com cartões de crédito/débito, o que caracterizaria omissão de receitas apurada de forma direta, nos termos dos dispositivos legais citados no auto de infração, fls. 1233. O contribuinte não teria comprovado que as receitas apontadas estavam registradas na contabilidade e compunham o valor de receita apresentada na DIPJ/2009. A empresa autuada apurou o seu lucro, no anocalendário de 2008, com base na sistemática do lucro real, de modo que a fiscalização adotou a mesma sistemática para efetuar os lançamentos fiscais. Fl. 1472DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/06/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.721435/201261 Acórdão n.º 1202001.169 S1C2T2 Fl. 1.473 3 Em seguida, por bem retratar os fatos ocorridos, passo a adotar parte do Relatório do Acórdão nº 1643.382 da DRJ/São Paulo I, de fls. 1397 a 1408, assim transcrito: “5. A fiscalização apresenta, por meio do “Termo de Verificação Fiscal” (TVF), resumidamente, o seguinte. 5.1. O contribuinte intimado e reintimado não apresentou os livros e documentos solicitados. Devido a este fato a fiscalização entendeu que ficou caracterizado o embaraço à fiscalização, nos termos do Inciso I, artigo 33, da Lei nº 9.430/96. A fiscalização enviou o devido comunicado à empresa em 12/09/2011, via postal com AR nº RM806166380BR. 5.2. Como não foram apresentados pela empresa os extratos dos cartões de crédito, foram obtidos os dados referentes às vendas com cartões junto às operadoras, mediante a emissão das Solicitações de Emissão de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira – RMF com enquadramento no inciso VII, do art. 3º, do Decreto nº 3.724/2001. 5.3. Após o recebimento dos extratos enviados pelas Instituições Financeiras, o contribuinte foi intimado a demonstrar e comprovar, no prazo de vinte dias, com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a contabilização e o oferecimento à tributação, se fosse o caso, das receitas de vendas auferidas mediante utilização de cartões de crédito/débito conforme relação anexa ao Termo de Intimação. A intimação foi feita pessoalmente, em 25/05/2012. 5.4. Transcorrido o prazo para atendimento da intimação, não foi apresentado nenhum documento ou justificativa. Assim, foi lavrado o Termo de Reintimação Fiscal, concedendo um prazo de cinco dias para apresentação dos documentos solicitados. A ciência do contribuinte se deu no dia 18/06/2012, por via postal AR RQ341579401BR. 5.5. Em 21/06/2012 o contribuinte, representado por seu procurador Sr. Antonio Vicente Filho, CPF 531.437.79853, compareceu a Receita Federal e informou que não poderia atender a intimação, pois, os documentos haviam sido extraviados. Informou que os valores das operações com cartões de crédito no ano calendário de 2008 correspondiam a aproximadamente 95% do total das vendas. Tais informações foram prestadas também na forma escrita. Não houve, contudo, manifestação do contribuinte em relação às justificativas, comprovações, contabilização e o oferecimento à tributação das receitas de venda auferidas mediante utilização de cartões de crédito/débito, conforme extratos fornecidos pelas operadoras de cartão de crédito. 5.6. Assim, foram efetuados os lançamentos de ofício e constituídos os créditos tributários apurados referentes à omissão de receitas de venda mediante utilização de cartões de crédito/débito para as quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprovou o oferecimento à tributação destes recursos. Os valores mensais obtidos nos extratos fornecidos pelas operadoras dos cartões estão demonstrados no TFV. Abaixo estão demonstrados os valores anuais por operadora dos cartões. {quadro com os valores mensais informados pelas administradoras de cartão] 5.7. O contribuinte apresentou o DACON e a DCTF, para o período de 01 a 12/2008, porém, não comprovou a contabilização e o oferecimento à tributação das receitas de vendas auferidas mediante a utilização de cartões de crédito/débito. Fl. 1473DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/06/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.721435/201261 Acórdão n.º 1202001.169 S1C2T2 Fl. 1.474 4 5.8. Considerando que a receita total de 2008, declarada na DIPJ/2009, no valor de R$ 7.266.141,41, pode ter sido integralmente obtida em cheque ou dinheiro, a receita apurada pela fiscalização correspondente a venda com cartões foi integralmente considerada como omitida para efeito de tributação, sem qualquer abatimento da receita declarada. 5.9. O contribuinte apresentou o Livro Diário com os lançamentos de revenda de mercadorias consolidados mensalmente, sem qualquer segregação das receitas auferidas mediante utilização de cartões de crédito/débito. O Livro Razão não foi apresentado, embora o contribuinte tenha sido intimado e reintimado a apresentálo. Qualificação e Agravamento da Multa de Ofício 5.10. Tendo em vista que a empresa apresentou DIPJ/2009 com valor de faturamento inferior ao verificado nos extratos emitidos pelas operadoras de cartões de crédito/débito, ficou configurada a intenção do contribuinte de omitir declaração sobre rendas para eximirse do pagamento de tributos. Em decorrência disso, ficou configurado o ilícito tipificado no artigo 71 da lei nº 4.502/64 e sujeitandoo à duplicação da multa de lançamento de ofício, conforme previsto no § 1º do artigo 44 da lei nº 9.430/96. 5.11. Diante do não atendimento às intimações emitidas no curso do procedimento fiscal para apresentação dos extratos das operações realizadas com cartões de crédito/débito, do livro razão e da comprovação da contabilização e o oferecimento à tributação, se fosse o caso, das receitas de vendas auferidas mediante utilização de cartões de crédito/débito, a multa de lançamento de ofício de 75% foi, ainda, agravada em 50%, por infringência ao artigo 959, incisos I do RIR/99. Desta forma, a multa de lançamento de ofício aplicada foi de 225%. Da Sujeição Passiva Solidária 6. Considerando que o Sr. Raimundo Lima de Carvalho e a Sra. Rosangela Lima Costa eram os sócios administradores da época, entendemos que eles foram os responsáveis pelos atos ilícitos praticados com a finalidade de encobrir fatos geradores de obrigação tributária no ano de 2008. Diante do exposto, lavramos o Termo de Responsabilidade Tributária Solidária nos termos dos artigos 121, 124 e 135, III, do CTN e do artigo 1016 do Código Civil. 7. Foi, também, formalizada a Representação Fiscal para Fins Penais, por meio do processo nº 19515.721479/201291 apensado a este processo. IMPUGNAÇÃO 8. A Empresa tempestivamente apresentou impugnação, protocolada em 13/08/2012, contestando a lavratura dos Autos de Infração, nos seguintes termos, resumidamente (não foram apresentadas impugnações para os responsáveis solidários). 8.1. Devido à divergência encontrada a fiscalização desprezou totalmente os valores que foram devidamente declarados pela Impugnante e que tiveram os tributos devidamente recolhidos. 8.2. Presumiu que todo o montante informado pelas operadoras de cartão não se referiam aos valores já declarados pela Impugnante. Assim, a fiscalização supôs que a integralidade dos valores declarados pelas operadoras seriam decorrentes de omissão de receitas, arbitrando ilegalmente os mesmos como rendimentos Fl. 1474DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/06/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.721435/201261 Acórdão n.º 1202001.169 S1C2T2 Fl. 1.475 5 tributáveis, sendo que a maior parte destes valores, mais de 90% já haviam sido devidamente declarados e tributados pela Impugnante. 8.3. Está firmada na jurisprudência que o arbitramento do lucro é medida extremada e deve ser utilizada apenas quando fique comprovada a impossibilidade de determinar o imposto pelo lucro real. Logo, tornase imprescindível que se produza prova inequívoca de que o fisco tenha empreendido todos os esforços a fim de fixar a base real do imposto, o que não ocorreu no presente caso. Houve apenas um lançamento prematuro, despido de legalidade. 8.4. O critério utilizado para arbitrar o lucro deve guardar estrita consonância com a base legal utilizada, sendo materialmente nulo o lançamento efetuado com base em arbitramento do lucro apurado em desacordo com a fundamentação legal. 8.5. Houve uma mera divergência entre os valores declarados na DIPJ e os valores que as operadoras de cartão apresentaram na RECRED (sic), todavia, tal divergência não é motivo para que a fiscalização desconsidere todos os valores declarados e ao invés de realizar a tributação da diferença dos valores declarados. 8.6. Ressaltase que a Impugnante nunca simulou ou fraudou sua contabilidade, sendo que todos os elementos contábeis referentes à presente discussão serão devidamente apresentados em momento oportuno. A fiscalização, até mesmo, desconsiderou os adiantamentos de empréstimos realizados pelas operadoras de cartão para considerar como se todos os valores ali informados fossem decorrentes de vendas de mercadorias. A fiscalização não realizou qualquer esforço na tentativa de identificação os valores já declarados pela Impugnante, muito pelo contrário, optou pelo caminho mais cômodo e ilegal, desconsiderando totalmente estes valores. 8.7 A Impugnante aborda aspectos do: (i) Princípio da Segurança Jurídica; (ii) Princípio da Estrita Tipicidade em Matéria Tributária e (iii) Princípio da Capacidade Contributiva. 8.8. Finalizando, a Impugnante pleiteia, caso seja mantido o lançamento, que seja excluído o ICMS das bases de cálculo tanto do PIS quanto da COFINS, nos exatos termos do artigo 195 da Constituição Federal, bem como decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal. Da Impossibilidade de Aplicação de Multa no Percentual de 225% 8.9. A penalidade de 225% é inaplicável ao caso, pois em nenhum momento foi comprovada a tentativa de fraudar ou omitir informações ao fisco, ao contrário, a Impugnante recolheu os tributos regularmente, bem como nunca houve embaraço à fiscalização, até porque nunca houve diligência física no estabelecimento da Impugnante, apenas correspondências por Correios. Houve atendimento à fiscalização, inclusive com prestação de informações por escrito, conforme reconhecido pela própria fiscalização. 8.10. Resta claro que em hipótese alguma poderia se aplicar tamanha penalidade. Evidente intuito de fraude apenas consubstanciase na clareza e objetividade de se praticar determinado ato, o que foge ao presente, visto que todo o lançamento foi realizado por presunção. Na aplicação da multa qualificada, em hipótese alguma poderia se presumir algo que deveria ser evidente e provado. Fl. 1475DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/06/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.721435/201261 Acórdão n.º 1202001.169 S1C2T2 Fl. 1.476 6 8.11. Finalizando, a Impugnante pleiteia pela realização de diligência, bem como protesta pela apresentação de provas complementares por ocasião julgamento, nos termos do artigo 38 da Lei nº 9.784/98. Apresentação de Documentos Complementares 8.12. Em 29/08/2012 a Impugnante apresenta requerimento alegando que, como já informado na impugnação, as vendas com cartões de crédito representam mais de 85% do faturamento e que diante da divergência encontrada a fiscalização simplesmente desprezou totalmente os valores devidamente declarados e que tiveram os tributos devidamente recolhidos. 8.13. “Tal impropriedade deveria ter sido sanada ainda na fase de verificação fiscal, através de mera diligência no estabelecimento da Requerente de modo a constatar que no mínimo 85% das vendas são realizadas por meio de cartão de crédito, visando a compensar a exação cuja quitação já havia sido efetivada, permanecendo exigíveis apenas os valores remanescentes, caso efetivamente ainda houvesse saldo remanescente”. 8.14. “Ora! Se a fiscalização não foi diligente suficientemente a cumprir tal mister, a ora requerente, conforme exposto e requerido na impugnação, o faz promovendo a juntada das guias de recolhimentos e do relatório de apuração em relação ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS relativos ao exercício de janeiro a dezembro de 2008”. 8.15. “Tais guias são necessárias para demonstrar que, ao contrário do alegado pela fiscalização, houve sim o recolhimento de todos os tributos inerentes às operações de vendas declaradas pela Impugnante, recolhimentos estes que não foram deduzidos da absurda autuação realizada”. Na sequência, foi emitido o Acórdão nº 1643.382 da DRJ/São Paulo I, de fls. 1397 a 1408, julgando a impugnação improcedente, com o seguinte ementário: OMISSÃO DE RECEITAS. VALORES REPASSADOS POR ADMINISTRADORAS DE CARTÃO DE CRÉDITO. PROVA DIRETA NÃO APRESENTADA PELA AUTUADA. É procedente o lançamento a título de omissão de receitas, fundado em valores repassados por administradoras de cartão de crédito, eis que constitui prova direta do recebimento de rendimentos, que só poderia ser rejeitada mediante comprovação pela autuada, de que os valores foram registrados na contabilidade e oferecidos à tributação. MULTA QUALIFICADA. MULTA AGRAVADA. Correta a aplicação da multa qualificada sobre o IRPJ e lançamentos reflexos decorrente das receitas omitidas, pois a conduta do contribuinte se enquadrou no previsto no art. 71, inciso I, da Lei n.º 4.502/64, ao sonegar imposto e contribuições não informando valores de receitas tributáveis na DCTF e na DIPJ, tentando impedir o conhecimento, por parte das autoridades tributárias, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. Correto o agravamento da multa em 50%, em razão do não atendimento às intimações. Fl. 1476DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/06/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.721435/201261 Acórdão n.º 1202001.169 S1C2T2 Fl. 1.477 7 AUTOS REFLEXOS. PIS. COFINS. CSLL. O decidido quanto ao IRPJ aplicase à tributação dele decorrente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignado, o contribuinte apresentou seu recurso voluntário a este colegiado, mediante arrazoado, de fls. 1432 a 1453, repisando praticamente as mesmas alegações trazidas na peça impugnatória. A exclusão do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins deixou de ser contestada pela defesa em seu recurso. Em sessão de 07/11/2013, esta Turma de Julgamento emitiu a Resolução nº 1202000.231, sobrestando o julgamento do recurso, com fundamento no disposto no art. 62A, § 1º do Anexo II da Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009 e Repercussão Geral no RE n° 591340, que trata de matéria referente a constitucionalidade da quebra do sigilo bancário sem autorização judicial. Na seqüência, foi publicada a Portaria MF nº 545, de 28 de novembro de 2013, a qual revogou os §§s 1º e 2º do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Por essa razão, os autos retornaram a este Colegiado para prosseguimento do julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo O recurso voluntário apresentado pelo sujeito passivo é tempestivo e nos termos da lei. Portanto, dele tomase conhecimento. Em relação aos responsáveis tributários, Sr. Raimundo Lima de Carvalho e a Sra. Rosangela Lima Costa, não foram apresentados recursos a este colegiado, de maneira que para esses devem ser consideradas definitivamente julgadas as autuações não contestadas, bem assim a responsabilidade tributária, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e alterações. Já a defesa, em seu recurso voluntário, deixou de contestar expressamente matéria levantada na impugnação referente à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, de modo que essa matéria deve ser considerada definitivamente julgada, na esfera administrativa, nos termos do já citado art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 e alterações. Quanto aos princípios constitucionais abordados pelo recorrente, cabe dizer que este órgão julgador não detém competência para exame de tais questões. Compete Fl. 1477DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/06/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.721435/201261 Acórdão n.º 1202001.169 S1C2T2 Fl. 1.478 8 exclusivamente ao Poder Judiciário o exame da constitucionalidade das leis regularmente editadas. Aplicação da Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Em relação ao mérito, cabe referir que o lançamento fiscal se deveu pela ocorrência da omissão direta de receitas dos valores decorrentes das vendas com cartões de crédito. A fiscalização constatou que os valores repassados pelas administradoras de cartão de crédito/débito, após intimação regular do contribuinte, não teriam sido comprovadamente registrados na contabilidade e levadas à tributação na declaração DIPJ do anocalendário de 2008. A recorrente alega, em suma, que considera ilegal o arbitramento do lucro efetuado pela fiscalização e que no mínimo 85% das suas vendas são efetuadas por meio de cartão de crédito, de maneira que a quase totalidade das vendas foram devidamente declaradas em sua DIPJ, devendo ser tributadas apenas a diferença das receitas com vendas não declaradas. Diz que esse fato será comprovado por relatórios e documentos a serem entregues oportunamente (fls. 1438). Em primeiro lugar, cumpre esclarecer à recorrente que o lucro da pessoa jurídica não foi arbitrado. Na verdade, a fiscalização apurou omissão direta de receitas originadas dos valores informados pelas administradoras de cartão de crédito. Após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou que ditos valores teriam sido regularmente contabilizados, o que levou a fiscalização a concluir tratarse de omissão de receitas, que foram tributadas na mesma sistemática adotada pelo contribuinte para apuração do lucro, no caso, o lucro real conforme expressa disposição do art. 288 do RIR/99: Art. 288. Verificada a omissão de receita, a autoridade determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período de apuração a que corresponder a omissão (Lei nº 9.249, de 1995, art. 24). Já quanto à alegação de que a quase totalidade das vendas com cartão de crédito foram devidamente tributadas, e informadas na declaração DIPJ, cumpre dizer que essa alegação carece de provas nos autos. O contribuinte foi regularmente intimado a comprovar e demonstrar com documentação hábil e idônea, a contabilização e oferecimento à tributação dos valores referentes às receitas com vendas com cartão de crédito/débitos das administradoras REDECARD, CIELO, HIPERCARD e BANCO BANKPAR, conforme relação anexa ao Termo de Intimação das fls. 62. Entretanto, nenhum documento foi apresentado, quer no curso da ação fiscal, quer na fase impugnatória, não logrando esta comprovar a contabilização ou tributação dos valores omitidos. Assim, não restou outra alternativa à fiscalização senão considerar tais valores como receita omitida. Vejase o que disse a fiscalização em seu Termo de Verificação Fiscal, fls. 3: “8. Transcorrido o prazo para atendimento da intimação, não foi apresentado nenhum documento ou justificativa. Assim, foi lavrado o Termo de Reintimação Fiscal, concedendo um prazo de cinco dias para apresentação dos documentos Fl. 1478DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/06/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.721435/201261 Acórdão n.º 1202001.169 S1C2T2 Fl. 1.479 9 solicitados. A ciência do contribuinte se deu no dia 18/06/2012, por via postal AR RQ341579401BR. 9. Em 21/06/2012 o sujeito passivo, representado por seu procurador Sr. Antonio Vicente Filho, CPF 531.437.79853, compareceu a esta repartição pública e nos informou que não poderia atender `a intimação pois os documentos haviam sido extraviados. Informou ainda que os valores das operações com cartões de crédito no ano de 2008 correspondem a aproximadamente 95% (noventa e cinco por cento) do total das vendas. Tais informações foram prestadas também na forma escrita. Não houve, contudo, manifestação do contribuinte em relação às justificativas, comprovações, contabilização e o oferecimento à tributação das receitas de venda auferidas mediante utilização de cartões de crédito/débito, conforme extratos fornecidos pelas operadoras de cartão de crédito. A ocorrência da omissão é em favor do fisco, não se configurando numa mera suposição, pois transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação da omissão, mediante a comprovação da contabilização e tributação dos recursos recebidos. A par disso, assim dispõe o Código de Processo Civil, art. 333: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – [...]; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor”. Assim, uma vez que o contribuinte regularmente intimado, não conseguiu comprovar a contabilização e tributação dos valores informados pelas administradoras de cartões de crédito/débito, mediante documentação hábil e idônea, todos esses valores devem ser considerados omissão de receita, exatamente como fez a fiscalização. Quanto a pretensão de juntada de novos documentos em momento oportuno, é de se esclarecer à defesa que as provas deverão ser apresentadas por ocasião da impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70235, de 1972, § 4º. Já a exceção prevista na alínea "a" do mesmo § 4º somente é admitida na hipótese de “ficar demonstrada a impossibilidade de sua apresentação”, por “motivo de força maior”, hipótese não demonstrada nos autos. Art. 16. A impugnação mencionará: [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Fl. 1479DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/06/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.721435/201261 Acórdão n.º 1202001.169 S1C2T2 Fl. 1.480 10 Quanto à qualificação da multa de ofício, para o percentual de 150%, a fiscalização assim justifica a imposição (fl. 5 do TVF): “Tendo em vista que a empresa apresentou DIPJ para o anocalendário de 2008 com valor de faturamento inferior ao verificado nos extratos emitidos pelas operadoras de cartões de crédito/débito, ficou configurada a intenção do contribuinte de omitir declaração sobre rendas para eximirse do pagamento de tributos, configurando o ilícito tipificado no artigo 71 da lei nº 4.502/64 e sujeitandoo à duplicação da multa de lançamento de ofício, conforme previsto no § 1º do artigo 44 da lei nº 9.430/96. Pelo que consta do Termo de Verificação Fiscal, a receita de revenda de mercadorias, informada na declaração DIPJ, foi de R$ 7.266.141,41, enquanto que as receitas de vendas auferidas mediante utilização de cartões de crédito/débito, não contabilizadas e não oferecidas à tributação, foi de R$ 9.147.631,12. A autuada não conseguiu comprovar o regular registro dessas vendas, de modo que a maior parte de suas operações encontramse à margem da contabilidade, mas que deveriam ter sido oferecidas à tributação nas declarações DIPJ e DCTF. Fica, assim, evidenciado o claro intuito de omitir das autoridades fazendárias as movimentações financeiras de suas atividades e, por conseqüência, fugir da incidência dos impostos e contribuições devidos. Registrese que a ocultação das vendas com cartões de crédito/débito foi feita de forma reiterada e ocorreu ao longo de todo o ano autuado, o que podese afastar, desde já, a ocorrência de erro ou falha por parte da empresa no registro contábil e fiscal da totalidade de suas operações a que estava obrigada. No caso em questão, o procedimento levado a cabo pelo contribuinte revela a clara intenção de fraudar as informações contábeis/fiscais, ao optar por registrar apenas parte das suas vendas, em valor inferior àquele ocultado. Na sequência, cabe aqui esclarecer os conceitos de sonegação, fraude e conluio previstos nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964 e seus efeitos: Lei nº 4.502, de 1964 Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais: II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Fl. 1480DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/06/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.721435/201261 Acórdão n.º 1202001.169 S1C2T2 Fl. 1.481 11 Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72." No presente caso, ao omitir a totalidade das receitas originadas das vendas com cartões, não registrada na contabilidade e nem declarada ao fisco, ficou clara a ação dolosa tendente a impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, de modo a reduzir o montante do imposto devido, enquadrado nos arts. 71 e 72 acima transcrito, caracterizando a conduta como “sonegação” e “fraude”, pelas seguintes razões: i) a autuada, deliberadamente, deixou de registrar em sua contabilidade, e de declarar ao fisco, toda a movimentação financeira das vendas com cartões de crédito/débito; ii) a prática de omissão do registro da conta ocorreu de forma reiterada, em todo ano autuado, o que afasta a possível ocorrência de erros ou falhas nos registros da empresa, denotando a clara intenção do sujeito passivo em alcançar a redução do montante dos tributos devidos; iii) os valores omitidos são de expressivo valor, representando quantia maior daquela registrada/declarada, o que ratifica a intenção na omissão do registro, afastandose a ocorrência de falhas na escrituração; Dessa forma, é de se manter a qualificação da multa aplicada, no percentual de 150%, pois encontrase em sintonia com os fatos acima descritos e corretamente enquadrada no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, com a nova redação dada pelo art. 14 pela Lei nº 11.488, de 2007. Quanto ao agravamento da multa em 50%, passando o percentual de 150% para 225%, justificou a autoridade lançadora pelo não atendimento, por parte do sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar documento/esclarecimentos. Vejase a transcrição no TVF, fls. 05: “Diante do não atendimento às intimações emitidas no curso do procedimento fiscal para apresentação dos extratos das operações realizadas com cartões de crédito/débito, do livro razão e da comprovação da contabilização e o oferecimento à tributação, se fosse o caso, das receitas de vendas auferidas mediante utilização de cartões de crédito/débito , a multa de lançamento de ofício de 75% será, ainda, agravada em 50%, por infringência ao artigo 959, incisos I do RIR/99. Em relação a essa matéria, o parágrafo 2° do artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007, dispõe que a penalidade será aumentada de metade, quando o sujeito passivo deixar de prestar informações à fiscalização, no prazo marcado. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Fl. 1481DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/06/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.721435/201261 Acórdão n.º 1202001.169 S1C2T2 Fl. 1.482 12 (...) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) (grifos meus) No presente caso, o Termo de Início de Ação Fiscal (fl.10) entregue ao contribuinte em 22/07/2011, comprovante AR de fls. 11, intimando o contribuinte a entregar documentos e prestar esclarecimentos, no prazo de 20 dias, simplesmente não foi atendida, o que acarretou a lavratura de um Termo de Reintimação, também não atendido no prazo, conforme relatado no Termo de Embaraço à Fiscalização, de fls. 67. Da análise do caso em tela, e do comando legal transcrito, depreendese que o cabimento da multa agravada está vinculado ao grau de colaboração do sujeito passivo com a auditoria fiscal, de onde se conclui que é aplicável sua imposição quando o contribuinte não apresenta, no prazo, e sem qualquer justificativa, à intimação para prestar esclarecimentos/documentos. Assim, verificada a hipótese prevista em lei, é de se manter a multa aumentada de metade, para o percentual de 225%, como corretamente aplicou a autoridade fiscal. Quanto ao alegado caráter confiscatório da multa aplicada, com violação a princípio constitucional, cabe dizer que esta autoridade julgadora não detém competência para o exame de matéria constitucional, tarefa privativa do Poder Judiciário, como já mencionado neste voto. Uma vez identificada a omissão de receita pelos valores auferidos com cartões de crédito, sem comprovação da contabilização/tributação, o que foi decidido quanto ao principal, relativo ao IRPJ, repercute seus efeitos nos lançamentos reflexos da CSLL, do PIS e da COFINS. Em face do exposto, voto no sentido de que sejam consideradas definitivamente julgadas as matéria não expressamente contestadas, de que seja mantida a responsabilidade tributária das pessoas físicas arroladas e, no mérito, de que seja negado provimento ao recurso voluntário apresentado pelo contribuinte. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 1482DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/06/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.721435/201261 Acórdão n.º 1202001.169 S1C2T2 Fl. 1.483 13 Fl. 1483DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/06/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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