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Numero do processo: 10120.722143/2013-96
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 22 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.205
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva Relatório Tratase Recurso Voluntário contra o acórdão, número 0128.727 da 2ª Turma da DRJ/BEL, o qual indeferiu a Manifestação de Inconformidade contra Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, face a exercer atividade vedada à opção pelo Simples Nacional. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 21 43 /2 01 3- 96 Fl. 63DF CARF MF 2 A ora recorrente apresentou uma impugnação ao referido termo. cuja decisão da DRJ foi contrária à manifestação de inconformidade, a qual reproduzido: Relatório Versa o presente processo sobre Manifestação de Inconformidade ao Termo de Indeferimento da Opção pelo SIMPLES NACIONAL, recibo nº 00.05.41.25.79, registrado na data de 27/02/2013, opção requerida em 09/01/2013, fl nº 04. 2. O indeferimento se deu pelo fato do sujeito passivo exercer atividade econômica vedada codificada sob o nº 68102/ 02 – Aluguéis de Imóveis Próprios. 3. A fundamentação legal está contida no inciso XI, do art. 17 da Lei Complementar nº 123, de 14.12.2006. 4. O sujeito passivo apresentou Manifestação de Inconformidade protocolada em 08/03/2013, e argumentou, em resumo, o seguinte, fls nºs 02 e 03: a) Que a pendência cadastral referente à atividade vedada, foi solucionada através da 11ª alteração contratual, registrada sob o nº 521301930038, na data de 31/01/2013, alterando o objetivo para um compatível com o Simples Nacional, conforme cópia anexa; b) Requereu ser incluído no Simples Nacional. 5. Para comprovar suas alegações, o sujeito passivo apresentou os seguintes documentos: Décima Primeira Alteração Contratual registrada na Junta Comercial do Estado de Goiás, na data de 31/01/2013, fls nºs 07 a 12; Cartão do CNPJ, tela emitida na data de 27/02/2013, fl nº 13. 6. Para instruir o processo a Delegacia de Origem juntou a tela do Sistema CONSULTA PELO CNPJ, que mostra como data do Evento da alteração do CNAE, ficou registrada como 31/01/2013, fl nº 31. 7. A Delegacia de Origem emitiu o Despacho nº 1182/2013 – Seort/DRF/GOI, que, em resumo, o seguinte, fls 33 e 34: a) que conforme cópia de alteração contratual apresentada pelo interessado, e de telas juntadas às fls 29 a 31, verificase que de fato foi realizada a alteração cadastral na data de 31/01/2013, retirando a atividade de CNAE 68102/ 02 (Aluguel de imóveis próprios) que gerou o indeferimento por ser vedada, conforme o anexo VI da Resolução CGSN nº 94, de 29 de novembro de 2011, alterando a atividade principal para “Aluguel de imóveis para terceiros” para a qual foi adotado o código CNAE 68226/00 (Gestão e administração da propriedade mobiliária), e a secundária para “Conservação e limpeza de edifícios”, para a qual foi adotado o CNAE 81117/ 00 (Serviços combinados para apoio a edifícios, exceto condomínios prediais), sendo esta última permitida ao SINAC; Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10120.722143/201396 Acórdão n.º 1001000.205 S1C0T1 Fl. 3 3 b) que ocorre que, no caso do código 68226/ 00, este consta do Anexo VI da Resolução CGSN nº 94/2011, que lista os códigos previstos na CNAE, que abrangem concomitantemente atividade impeditiva e permitida ao Simples Nacional; c) que outrossim, a atividade “Aluguel de imóveis para terceiros” parece estar abrangida não pelo código 68226/00, e sim pelo CNAE 68218/ 02 (Corretagem no aluguel de imóveis), vedada para opção ao SINAC, por constar do Anexo VI da Resolução CGSN nº 94/2011, e que possui as seguintes atividades, conforme consta da tela juntada à fl nº 32, retirada da página doIBGE na internet, e descreveu: Código Atividade 68218/ 02 Alugueis de Terceiros, Cobrança de 68218/ 02 Aluguel de Imóveis de Terceiros, Assessoramento em 68218/02 Aluguel de Imóvel de Terceiros, Serviços de Intermediação de 68218/ 02 Arrendamento de Imóveis de Terceiros, Serviços de 68218/ 02 Cobrança de Aluguel de Terceiros, Serviços de 68218/ 02 Imóveis de Terceiros, Intermediação na locação de 8. É o que importa relatar. Voto 9. A Manifestação de Inconformidade é tempestiva e atende aos requisitos de admissibilidade previstos nos arts 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72, e dela tomo conhecimento. Do Mérito 10. No que se refere à matéria objeto deste processo, verificase que o sujeito passivo questiona a possibilidade de ser tributado pela modalidade denominada de SIMPLES NACIONAL, prevista na Lei Complementar nº 123/2006. 11. De acordo com o art. 16 da Lei complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, “A opção pelo Simples Nacional da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e empresa de pequeno porte darseá na forma a ser estabelecida em ato do Comitê Gestor, sendo irretratável para todo o ano calendário.” 12. Nesse sentido, o Comitê Gestor de Tributação das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (CGSN) dispôs que a forma de ingresso no regime especial deve se dar pela Internet, até o último dia útil do mês de janeiro, de acordo com o art. 7º da Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007: Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. Fl. 65DF CARF MF 4 § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 3º deste artigo e observado o disposto no § 3º do art. 21. § 1ºA Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009 II efetuar o cancelamento da solicitação de opção, salvo se o pedido já houver sido deferido. (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009). 13. Analisando os documentos acostados ao processo, fls 2 a 4, 7 a 12, 13, 31, 33, 34, 41 e 42, já acima relatadas, verificouse que não assiste razão ao sujeito passivo, tendo em vista que embora tenha procedido à alteração contratual para retirar a atividade que motivou o indeferimento de sua opção, até a data limite, que para o caso sob análise foi 31/01/2013, incluiu outra atividade que se encontra na listagem de códigos previstos no CNAE que abrangem concomitantemente atividade impeditiva e permitida ao Simples Nacional, deixando de cumprir o que determina o inciso I, do § 1ºA, d o art. 7º da Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007, acima transcrito. Conclusão 14. Pelo exposto, encaminho o meu voto, no sentido de considerar a Manifestação deInconformidade como IMPROCEDENTE. Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade e, portanto, dele eu conheço. Em seu recurso voluntário, a recorrente não trouxe nenhum fato novo àqueles apresentados quando da impugnação ao termo de indeferimento. A DRJ fez uma análise detalhada do caso e a ela teria a acrescentar apenas o art. 8°, e parágrafos, da Resolução CGSN 94/2001, abaixo reproduzido: Art. 8º Serão utilizados os códigos de atividades econômicas previstos na Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) informados pelos contribuintes no CNPJ, para verificar se a ME ou EPP atende aos requisitos pertinentes. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10120.722143/201396 Acórdão n.º 1001000.205 S1C0T1 Fl. 4 5 § 1º O Anexo VI relaciona os códigos da CNAE impeditivos ao Simples Nacional. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) § 2º O Anexo VII relaciona os códigos ambíguos da CNAE, ou seja, os que abrangem concomitantemente atividade impeditiva e permitida ao Simples Nacional. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) § 3º A ME ou EPP que exerça atividade econômica cujo código da CNAE seja considerado ambíguo poderá efetuar a opção de acordo com o art. 6º, se: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) I exercer tãosomente as atividades permitidas no Simples Nacional, e; II prestar a declaração que ateste o disposto no inciso I. § 4º Na hipótese de alteração da relação de códigos impeditivos ou ambíguos, serão observadas as seguintes regras: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) I se determinada atividade econômica deixar de ser considerada como impeditiva ao Simples Nacional, a ME ou EPP que exerça essa atividade passará a poder optar por esse regime de tributação a partir do anocalendário seguinte ao da alteração desse código, desde que não incorra em nenhuma das vedações do art. 15; II se determinada atividade econômica passar a ser considerada impeditiva ao Simples Nacional, a ME ou EPP optante que exerça essa atividade deverá efetuar a sua exclusão obrigatória, porém com efeitos para o anocalendário subsequente. Portanto, baseado nas normas em vigor, já analisadas pela DRJ e acima apresentadas, nego provimento ao presente recurso voluntário, sem crédito tributário em litígio. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 67DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17460.000556/2007-66
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Dec 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2007
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
Para os períodos em que houver multas relativas à obrigação principal além da acessória o cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.240
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2007 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Para os períodos em que houver multas relativas à obrigação principal além da acessória o cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1745; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 207 1 206 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 17460.000556/200766 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202006.240 – 2ª Turma Sessão de 28 de novembro de 2017 Matéria 67.636.4010 CS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS PENALIDADES/RETROATIVIDADE BENIGNA AIOP/AIOA: FATOS GERADORES ANTERIORES À MP Nº 449, DE 2008 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MEDINA CIA LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2007 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Para os períodos em que houver multas relativas à obrigação principal além da acessória o cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 46 0. 00 05 56 /2 00 7- 66 Fl. 201DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Do auto de infração ao recurso voluntário Trata o presente processo de auto de infração AI, DEBCAD nº 37.075.254. 6, à efl. 02, no qual foram constituídos créditos referentes a contribuições para seguridade social, correspondente à parte da empresa, ao financiamento dos benefícios concedidos em decorrência do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e aos terceiros. O crédito lançado tem como fatos geradores das contribuições lançadas, as remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais (Pro Labore dos sócios e remuneração de trabalhadores autônomos), constantes em Folhas de Pagamento e/ou Guias de Recolhimento de FGTS e Informações à Previdência SocialGFIP. São objeto do presente lançamento os valores relacionados às contribuições patronais, uma vez que os valores descontados dos segurados, e não recolhidos pela empresa, foram objeto da NFLD n° 37.075.2538 O AI foi cientificado à contribuinte em 15/03/2007 e constituiu créditos, para o período de 01/2002 a 01/2007, com multa e juros no valor de R$ 69.046,51, consolidados em 13/03/2007, e tem seu relatório fiscal de infração posto às efls. 79 a 81. O AI foi impugnado, às efls. 93 a 107. Já a 7ª Turma da DRJ/BHE, no acórdão nº 0217.120, prolatado em 13/02/2008, às efls. 123 a 127, considerou, por unanimidade, procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido. Inconformada, em 18/04/2008, a contribuinte, interpôs recurso voluntário, às efls. 136 a 148, argumentando, em apertada síntese, que: · houve presunção para imputação de tributo, violando o princípio da legalidade e da tipicidade, sem verificar os acordos trabalhistas para constatar ajustes de caráter indenizatório; · é inconstitucional a utilização da UFIR como correção monetária; · a taxa Selic não pode ser utilizada para atualização dos débitos fiscais, mas sim os índices do INPC do IBGE; e · a aplicação de multas é confiscatória devendo elas ser limitadas a 20%. Fl. 202DF CARF MF Processo nº 17460.000556/200766 Acórdão n.º 9202006.240 CSRFT2 Fl. 208 3 O recurso voluntário foi apreciado pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento em 18/04/2012, resultando no acórdão 240301.240, às efls. 158 a 178, que tem as seguintes ementas: PREVIDENCIÁRIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO PERÍODO PARCIALMENTE ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL SÚMULA VINCULANTE STF Nº 8. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal Na hipótese dos autos, aplicase o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar pelo contribuinte. A Recorrente teve ciência da NFLD no dia 15.03.2007, o período do débito é de 01/2002 a 01/2007. Dessa forma, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados até a competência 02/2002, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO INOBSERVÂNCIA DE REGULARIDADE NO LANÇAMENTO NÃO OCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, Fl. 203DF CARF MF 4 especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO TAXA SELIC APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalvase a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art.5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. O acórdão teve o seguinte teor: ACORDAM os membros do Colegiado, nas Preliminares por unanimidade de voto, em dar provimento parcial ao recurso reconhecendo a decadência das competências até 02/2002, inclusive, com base no art. 150, § 4º do CTN. Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que seja recalculada a multa de mora de acordo com a redação do artigo 35 da Lei 8.212/91, dada pela Lei 11.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fazendo prevalecer a mais benéfica ao contribuinte RE da Fazenda Fl. 204DF CARF MF Processo nº 17460.000556/200766 Acórdão n.º 9202006.240 CSRFT2 Fl. 209 5 A Procuradoria da Fazenda foi intimada do acórdão nº 240301.240 em 23/05/2012 (efl. 179) e interpôs recurso especial de divergência, em 30/05/2012, às efls. 180 a 188. Segundo a Procuradora,o Colegiado a quo entendeu que, para alcance da multa mais benéfica ao sujeito passivo, devese aplicar o artigo 35, caput, da Lei nº 8.212/1991 observandose e comparadose com a atual redação emprestada pela Lei nº 11.941/2009. E como na atual redação há remissão ao art. 61 da Lei nº 9.430/96, entendeu que o patamar da multa aplicada estaria limitado a 20% (§ 2º do art. 61). Já o acórdão paradigma nº 240200.233 defende que, para situação fática similar, o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 deveria agora ser observado à luz da norma introduzida pela Lei nº 11.941/2009, qual seja, o art. 35A que, por sua vez, faz remissão ao art. 44, da Lei nº 9.430/96. O RE da Procuradora foi apreciado pelo Presidente da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, nos termos dos arts. 67 e 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009, no despacho nº 2400459/2012, às efls. 191 a 193, datado de 1º/08/2012, entendendo por lhe dar seguimento, ao vislumbrar similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma e o recurso cumprir os demais requisitos regimentais. Houve encaminhamento à contribuinte de intimação (efl. 196) do acórdão nº 240301.240, do recurso especial de divergência da Fazenda e do despacho de admissibilidade 2400459/2012, em 28/11/2012 (efl. 197); contudo, a contribuinte não se manifestou dentro do prazo regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional é tempestivo, atende os demais requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; Fl. 205DF CARF MF 6 b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. Fl. 206DF CARF MF Processo nº 17460.000556/200766 Acórdão n.º 9202006.240 CSRFT2 Fl. 210 7 A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no auto de infração de obrigação acessória AIOA somado com a multa aplicada na NFLD do auto de infração da obrigação principal AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. Fl. 207DF CARF MF 8 § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de Fl. 208DF CARF MF Processo nº 17460.000556/200766 Acórdão n.º 9202006.240 CSRFT2 Fl. 211 9 NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 209DF CARF MF 10 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se Fl. 210DF CARF MF Processo nº 17460.000556/200766 Acórdão n.º 9202006.240 CSRFT2 Fl. 212 11 cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, nas competências em que houve o lançamento de multas por descumprimento de obrigações principais em concomitância com multas por descumprimento de obrigação acessória baseada na redação do art. 32, §§ 4º e 5º, anteriormente à vigência da MP nº 449/2008, há que se aplicar o critério de retroatividade benigna em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04/12/2009. Fl. 211DF CARF MF 12 Conclusão Assim, voto por dar provimento ao recurso de iniciativa da Fazenda Nacional, para, que se aplique o critério de retroatividade benigna em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04/12/2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 212DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.002209/2006-30
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 02 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3001-000.001
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência para que a Delegacia de origem informe:1) a situação do processo de compensação nº 13811.001031/2003-36, em que alega o contribuinte ser objeto de compensação os créditos autuados para o período de 01/03/2002 a 30/04/2002; e 2) se houve manifestação da administração tributária acerca da compensação pretendida no prazo legal estabelecido ou se ocorreu homologação tácita (art. 74 da Lei nº 9.430/96, § 5º). Vencido o Conselheiro Renato Vieira de Avila, que deu provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri, Cássio Schappo, Renato Vieira de Avila e Cleber Magalhães.
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência para que a Delegacia de origem informe:1) a situação do processo de compensação nº 13811.001031/200336, em que alega o contribuinte ser objeto de compensação os créditos autuados para o período de 01/03/2002 a 30/04/2002; e 2) se houve manifestação da administração tributária acerca da compensação pretendida no prazo legal estabelecido ou se ocorreu homologação tácita (art. 74 da Lei nº 9.430/96, § 5º). Vencido o Conselheiro Renato Vieira de Avila, que deu provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Cássio Schappo – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri, Cássio Schappo, Renato Vieira de Avila e Cleber Magalhães. Relatório A origem do processo teve causa na constatação pelo agente notificante de que a fiscalizada omitiu nas DCTFs correspondentes aos 1º, 2º e 4 º Trimestres de 2002, as contribuições para o PIS pertinentes aos meses de março, abril, maio e dezembro de 2002, nos valores de R$ 5.451,60; R$ 2.907,20; R$ 4.657,04 e R$ 4.933,05; respectivamente. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 02 20 9/ 20 06 -3 0 Fl. 285DF CARF MF Processo nº 19515.002209/200630 Resolução nº 3001000.001 S3C0T1 Fl. 3 2 A conduta infracional apurada veio fundamentada nos dispositivos legais que integram o Auto de Infração, sendo na oportunidade intimado o contribuinte a pagar o crédito tributário ou impugnar o lançamento no prazo legalmente estabelecido. Discordando da autuação efetuada o sujeito passivo da obrigação tributária tempestivamente apresentou impugnação, demonstrando a improcedência da cobrança dos créditos tributários pelo fato de estarem pagos ou lançados em processo de compensação, conforme quadro a seguir apresentado: Tributo Fato Gerador Valor em R$ Forma de Extinção do Crédito(docs. anexos) PIS 31/03/2002 5.451,60 Pedido comp. Proc.n.13811.001031/200336. PIS 31/04/2002 2.907,20 Pedido comp. Proc.n.13811.001031/200336. PIS 31/05/2002 4.657,04 Darf quitado em 14/06/2002. PIS 31/12/2002 4.933,05 Perdcomp n. 39224.10596.24110.61304.2291. Diz ainda que é improcedente a alegação de falta ou insuficiência de declaração, uma vez que os débitos constam na sua totalidade na DIPJ do exercício de 2003, ano base de 2002 (cópia anexa) e também, que foram entregues DCTFs retificadoras (docs. Anexos). No julgamento proferido em primeiro grau pela DRJ/SP (fls.281/237), foi apontado o fato de que as DCTFs retificadoras foram apresentadas em 24/11/2006, com data superveniente à autuação, perdendo seus efeitos em relação ao lançamento. Quanto a DIPJ que anterior ao auto de infração, esta veio confirmar que estão corretas as grandezas monetárias dos valores ora discutidos. Com relação aos valores lançados o julgador abre por períodos e faz seu pronunciamento da seguinte forma: Dezembro/2002 – como a constituição do crédito foi regida pela Lei 9.718/98 e sendo aplicável a Lei 10.637/2001, conforme apurado pela empresa, é indevida a presente constituição creditícia; Maio/2002 – embora procedente o valor autuado por falta de registro de seu adimplemento na DCTF originária, foi comprovada a arrecadação correspondente e confirmado pelo sistema da RFB. Portanto, essa informação já estava disponível quando do lançamento, razão pela qual não se justifica a exigência pretendida para o mês correspondente; Março e abril/2002 – o fato da existência de processo de compensação com base em ação judicial, essa só foi dado conhecimento com a impugnação. Ao tempo do lançamento cientificado em 27/10/2006, teria esse o condão de subtrair a condição resolutória decadencial em curso. Aproveitando os efeitos da ação judicial que afasta o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 na constituição creditícia, alteramse as bases de incidência da contribuição para o PIS/Pasep, reduzindose os seus valores para R$ 4.898,57 e R$ 2.317,10 dos meses de março e abril de 2002, respectivamente; Concluiu o julgador em seu voto pela procedência em parte do lançamento, conforme tabela: WDB EXIGIDO MANTIDO EXONERADO 2002 PIS MULTA PIS MULTA PIS MULTA Março 5.451,60 4.088,70 4.898,57 3.673,93 553,03 414.77 Abril 2.907,20 2.180,40 2.317,10 1.737,83 590,10 442,58 Maio 4.657,04 3.492,78 o o 4.657,04 3.492,78 Fl. 286DF CARF MF Processo nº 19515.002209/200630 Resolução nº 3001000.001 S3C0T1 Fl. 4 3 Dezembro 4.933,05 3.699,79 o o 4.933,05 3.699,79 Total 17.948,89 13.461,67 7.215,67 5.411,75 10.733,22 8.049,92 * Demais acréscimos legais conforme legislação vigente. Para os débitos parcialmente mantidos de março e abril de 2002 a unidade jurisdicionante deve atentar para o resultado final da apreciação da declaração de compensação feita no processo 13.811 001.031/200336. Em grau de recurso a recorrente resume os fatos processuais transcorridos até o julgamento da DRJ/SP com o pronunciamento do voto condutor do acórdão recorrido e apresenta suas razões de direito assim sintetizadas: 1 – que os valores mantidos para as competências março e abril de 2002 não podem ser exigidos, tanto o principal quanto a multa, pois é alvo de Processo de Compensação nº 13811.001031/200336; 2 – apesar da menção no acórdão de que a unidade jurisdicionante deverá apreciar a compensação apresentada, não ocorreu até a data de apresentação do recurso, conforme acompanhamento processual; 3 – que não é possível dar continuidade ao processo de cobrança, “pois quem de fato encontrase devedor é quem se reveste de credor, é o lobo disfarçado de ovelha”; 4 – pede, por medida de justiça, a suspensão da exigibilidade dos débitos compensados no Processo de Compensação nº 13811.001031/200336 até o resultado final do mesmo, em respeito a norma estabelecida no art. 151 do CTN; É o relatório. Voto Conselheiro Cássio Schappo, Relator O fato efetivamente discutido no presente recurso está diretamente relacionado ao Processo de Compensação de nº 13811.001031/200336, que envolve os valores de débitos do PIS/Pasep nos meses de março e abril de 2002. Da decisão recorrida se extrai as seguintes citações com relação aos débitos dos meses de março e abril: A apuração revela débitos em março e abril não confessados em DCTF (fls 9 c/c 10). A defesa diz que já constavam do processo 13811.001031/200336 de 14/4/2003 (fl 32 c/c 61). A existência da Declaração de Compensação foi levada em conta pelo auditor (fl 21). Fl. 287DF CARF MF Processo nº 19515.002209/200630 Resolução nº 3001000.001 S3C0T1 Fl. 5 4 Convém lembrar que a declaração feita em abril de 2003 não produzia certos efeitos que só adviriam do artigo 17 da MP 135, de 30/10/2003 (e.g. :"a declaração de compensação constitui confissão de divida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados") A defesa cita entendimento(s) emitido(s) em ação(ões) judicial(is) na(s) qual(is) é litigante. Sendo impetrante, pode se beneficiar do resultado mandamental (artigo 472, do CPC). Ao tempo do lançamento cientificado em 27/10/2006, que se contrapõe à condição resolutória decadencial em curso, a norma judicial do caso concreto já estava no ordenamento, de modo que, se tivesse sido cientificado pela autuada à autuante, o mandamento deveria moldar o aspecto quantitativo da exação das obrigações ainda pendentes. No entanto, o conhecimento da existência de ação mandamental deuse apenas com a impugnação. Cabe aqui comentar os pontos da parte transcrita da decisão de primeiro grau, em que alguns confirmam os fatos e razões de defesa e outros me parecem conflitantes, senão vejamos: 1 – “A apuração revela débitos em março e abril não confessados em DCTF (fls 9 c/c 10)”. Isso é verdade, inclusive confirmado na impugnação, mas que os mesmos valores autuados haviam sido informados na DIPJ de 2003, ano base 2002. Veja o que diz o acórdão na questão de mérito: A defesa anexa DIPJ. A DIPJ é anterior ao auto de infração (fl 69). Nos meses ora tratados contém Pis a pagar com os mesmos valores autuados (fl 72 a 78). A DIPJ confirma que estão corretas as grandezas monetárias dos valores ora discutidos. 2 – “A defesa diz que já constavam do processo 13811.001031/200336 de 14/4/2003 (fl 32 c/c 61)” e que “A existência da Declaração de Compensação foi levada em conta pelo auditor (fl 21)”. Partindose do princípio que a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, como se extrai do art. 142, parágrafo único, tendo o autuante conhecimento do Processo de Compensação com os mesmos débitos, contrariou o que veio a ser definido pela MP 135, de 30/10/2003, convertida em Lei nº 10.833/2003 que alterou o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, nos termos do § 6º: “A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados”. Fl. 288DF CARF MF Processo nº 19515.002209/200630 Resolução nº 3001000.001 S3C0T1 Fl. 6 5 Como atinente ao caso citase o art. 268 do Decreto nº 7.212, de 2010 que regulamenta questões de IPI, também tributo federal: Art.268.O sujeito passivo que apurar crédito do imposto, inclusive decorrente de trânsito em julgado de decisão judicial, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observadas as demais prescrições e vedações legais (Lei nº 5.172, de 1966, art. 170, Lei nº 9.430, de 1996, art. 74, Lei no 10.637, de 2002, art. 49, Lei no 10.833, de 2003, art. 17, e Lei no 11.051, de 2004, art. 4o). §1oA compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados (Lei nº 9.430, de 1996, art. 74, § 1º, e Lei nº 10.637, de 2002, art. 49). §2oA compensação declarada à Secretaria da Receita Federal do Brasil extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação (Lei nº 9.430, de 1996, art. 74, § 2º, e Lei nº 10.637, de 2002, art. 49). Ainda que o lançamento discutido no presente processo tivesse como objetivo a prevenção decadencial, os seus valores haveriam de ficar suspensos até resolução do processo de compensação. 3 – “No entanto, o conhecimento da existência de ação mandamental deuse apenas com a impugnação”. A ação mandamental como citado diz respeito ao alargamento da base de cálculo estabelecida pela Lei nº 9.718/98, afastando os efeitos do § 1º do art. 3º da referida Lei. Esse fato efetivamente veio a ser de conhecimento por ocasião da impugnação e foi levado em consideração pela DRJ/SP tanto que ajustou as bases e reduziu as contribuições dos meses de março e abril de 2002. Tendo em vista o fato de existir Processo de Compensação para os débitos declarados de PIS/PASEP para os meses de março e abril de 2002, fazse necessária a verificação da situação final do Processo nº 13811.001031/200336. Isso exposto, voto no sentido de que o presente processo retorne em Diligência à Delegacia de origem para que informe: 1 – a situação do Processo de Compensação nº 13811.001031/200336, em que alega o contribuinte ser objeto de compensação os créditos autuados para o período de 01/03/2002 a 30/04/2002; e 2 se houve a manifestação da administração tributária acerca da compensação pretendida no prazo legal estabelecido ou se ocorreu a homologação tácita (art. 74 da Lei nº 9.430/1996, § 5º). Comunique o sujeito passivo, abrindo prazo para a sua manifestação e após retorne os autos para julgamento. Fl. 289DF CARF MF Processo nº 19515.002209/200630 Resolução nº 3001000.001 S3C0T1 Fl. 7 6 (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 290DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10835.721220/2015-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/03/2012
ARBITRAMENTO DO LUCRO.
O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/01/2012
APURAÇÃO DA CSLL.
Aplicam-se à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/03/2012
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal.
RESPONSABILIDADE DOS SUCESSORES.
A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato.
Numero da decisão: 1402-002.756
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer a responsabilidade tributária da empresa JBS e negar provimento aos recursos voluntários. Declarou-se impedido o Conselheiro Demetrius Nichele Macei.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Evandro Correa Dias - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:
Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Declarou-se impedido o Conselheiro Demetrius Nichele Macei.
Nome do relator: EVANDRO CORREA DIAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Período de apuração: 01/01/2012 a 31/03/2012 ARBITRAMENTO DO LUCRO. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Período de apuração: 01/01/2012 a 31/01/2012 APURAÇÃO DA CSLL. Aplicam-se à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2012 a 31/03/2012 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. RESPONSABILIDADE DOS SUCESSORES. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer a responsabilidade tributária da empresa JBS e negar provimento aos recursos voluntários. Declarou-se impedido o Conselheiro Demetrius Nichele Macei. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Declarou-se impedido o Conselheiro Demetrius Nichele Macei.
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O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Período de apuração: 01/01/2012 a 31/01/2012 APURAÇÃO DA CSLL. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2012 a 31/03/2012 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. RESPONSABILIDADE DOS SUCESSORES. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 72 12 20 /2 01 5- 04 Fl. 5339DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer a responsabilidade tributária da empresa JBS e negar provimento aos recursos voluntários. Declarouse impedido o Conselheiro Demetrius Nichele Macei. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Declarouse impedido o Conselheiro Demetrius Nichele Macei. Fl. 5340DF CARF MF Processo nº 10835.721220/201504 Acórdão n.º 1402002.756 S1C4T2 Fl. 5.340 3 Relatório Adoto a seguir, integralmente, o relatório do Acórdão de Impugnação nº 02 67.687, proferido pela 4ª Turma da DRJ/BHE, julgado em 24 de março de 2016. "1. Lançamentos Contra a contribuinte acima qualificada foram lavrados os Autos de Infração de fls. 4623 a 4643, para exigência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido no valor total de R$ 47.234.881,90, correspondente ao valor principal dos tributos, juros de mora e multa de ofício de 150%. Na "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal/Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica", a fls. 4628 a 4629, o Autor do feito registra ter procedido ao arbitramento do lucro do sujeito passivo pelo seguinte motivo: Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que o contribuinte notificado a apresentar os livros e documentos da sua escrituração, conforme Termo de Início de Fiscalização e reiterados termo(s) de intimação, deixou de apresentálos. 2. Relatório Fiscal Os procedimentos e verificações realizados no curso da ação fiscal, bem como as conclusões que dela resultaram, estão narrados no "Relatório Fiscal" de fls. 4657 a 4705, sintetizado pelos excertos transcritos a seguir: O contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, sujeitouse ao arbitramento de lucro de ofício, com base nas receitas de vendas de produtos e vendas de seus estabelecimentos, por deixar de apresentar à autoridade tributária, apesar de várias vezes intimado, os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, relativos ao ano período fiscalizado de 01/01/2012 a 31/12/2012, a seguir relacionados: •Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur) •Balancetes mensais de verificação •Transmitir a escrituração contábil obrigatória para a base do SPED Contábil e autenticála •Escrituração contábil no formato do SPED Contábil ou no formato previsto no item 4.1 do Ato Declaratório Executivo (ADE) da CoordenaçãoGeral de Fiscalização (Cofis) da SRF n° 15, de 23/10/2001 (redação do ADE/Cofis/RFB n° 25/2010), gravados CD/DVD para entrega diretamente ao fisco, diante da recusa da transmissão obrigatória da contabilidade para a base do SPED •Livro Registro de Apuração do ICMS de todos estabelecimentos Fl. 5341DF CARF MF 4 •Balanço Patrimonial e Demonstração do Resultado do Exercício •Livro Registro de Entradas, modelo 1, de todos estabelecimentos •Livro Registro de Saídas, modelo 2, de todos estabelecimentos Apesar do contribuinte não ter apresentado a contabilidade e os livros fiscais do ano de 2011, é possível afirmar que ele estaria obrigado, no ano fiscalizado de 2012, à tributação com base no lucro real, pois sua receita bruta total, no anocalendário anterior, ou seja, 2011, superou o limite de R$ 48.000.000,00 (quarenta e oito milhões de reais), conforme demonstra o relatório às fls. 3957 elaborado com base nas notas fiscais eletrônicas de vendas no ano de 2011, atingindo o vultoso montante deR$ 378.614.121,58. Além da falta de apresentação da escrituração contábil, o contribuinte também deixou de transmitir para a base do SPED Fiscal e de atender às intimações da fiscalização, dentro dos prazos, para apresentação dos Livro Registro de Apuração do ICMS; Livro Registro de Entradas, modelo 1; Livro Registro de Saídas, modelo 2; de todos os estabelecimentos. Segundo o contribuinte, documentos fiscais foram roubados de seu estabelecimento industrial em AriquemesRO em 22 de janeiro de 2012, por isso não poderia atender à fiscalização dentro dos prazos especificados. Ocorre que se o contribuinte já incidia na hipótese de arbitramento de lucros prevista na legislação fiscal, no período de apuração do 1° trimestre de 2012, por não dispor da escrituração contábil e dos livros fiscais, caberia a ele no mês de abril de 2012 ter exercido a opção pela tributação com base no lucro arbitrado mediante o pagamento da primeira quota ou da quota única do imposto devido, correspondente ao primeiro trimestre de 2012. O contribuinte não só deixou de cumprir com a obrigação de transmitir a escrituração contábil, balanços, demonstração do resultado de exercício do ano de 2012 para a base do SPED Contábil até a data de 30 de junho de 2013 como também deixou de declarar ou fazer o pagamento do imposto de renda devido com base no lucro arbitrado até 30/04/2012, mesmo sabendo do montante de receita bruta decorrente das vendas feitas pelos seus estabelecimentos industriais às fls. 3958 (únicos estabelecimentos que estão autorizados a emitir notas fiscais segundo consulta no fisco Estadual às fls. 3951 a 3956). O contribuinte alegou que não apresentou os livros e documentos fiscais solicitados pela fiscalização, porque esses haviam sido extraviados em função de roubo que sofrera. Tal fato foi objeto de boletim de ocorrência policial, conforme resposta às fls. 9 a 27. Nesses casos, preceitua o art. 264 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n.° 3.000/1999 (RIR/1999): [...] Podese constatar que o interessado não demonstrou ter observado os requisitos elencados no artigo 264 do RIR/1999, como por exemplo, não comprovou ter feito a publicação da ocorrência em jornal de grande circulação nem apresentou comprovação de ter comunicado o fato junto ao Fl. 5342DF CARF MF Processo nº 10835.721220/201504 Acórdão n.º 1402002.756 S1C4T2 Fl. 5.341 5 órgão de Registro do Comércio e à Secretaria da Receita Federal, conforme prevê a norma. A não observação por parte da contribuinte, ao disposto no citado artigo 264, por si só, seria bastante para que, segundo a legislação tributária, a alegação de extravio não se revista da eficácia de elidir o procedimento fiscal. Conforme resposta às diversas intimações, o furto/roubo teria ocorrido em 22 de janeiro de 2012 no estabelecimento industrial de AriquemesRO, enquanto o sujeito passivo foi cientificado do início da ação fiscal em 03/02/2015, ou seja, três anos após o alegado furto/roubo, sem que tivesse sido tomada qualquer providência prevista na norma. E importante esclarecer, entretanto, que mesmo a adoção dos procedimentos previstos no § 1° supra transcrito, apesar de necessários, não são suficientes para excluir a responsabilidade do contribuinte pela guarda e conservação de seus documentos contábeis e fiscais, tampouco fica afastada a obrigatoriedade de comprovar os valores que compuseram a apuração das bases de cálculos dos tributos. Caberia ao interessado, no caso, buscar e obter as informações e cópias de documentos junto a terceiros, como instituições financeiras, repartições estaduais e federais, fornecedores, clientes etc. Além disso, o boletim de ocorrência apresentado pelo contribuinte não especifica quais documentos fiscais e contábeis e seus respectivos períodos de referência foram subtraídos pelo alegado roubo/furto. Não há qualquer indicação expressa no boletim de ocorrência quais são os documentos fiscais e contábeis subtraídos exatamente e a qual período se referem. A fiscalizada explorava suas atividades industriais e comerciais através dos estabelecimentos situados nos endereços a seguir (estes dois estabelecimentos geravam 100% das receitas da empresa), cujos imóveis e alguns bens eram arrendados de empresas do grupo familiar, possuindo um histórico de não fornecer ao fisco documentos fiscais e contábeis necessários à auditoria. •Unidade Frigorífica de Rio BrancoAC, situada à Rodovia BR 364, Km 10, CNPJ 64.611.213/000728, arrendada da empresa do grupo familiar JEMA Participações LTDA, CNPJ 03.417.700/000174. •Unidade Frigorífica de AriquemesRO, situada à Rodovia BR 364, Km 518, CNPJ 64.611.213/000647, arrendada da empresa do grupo familiar MJE Administração de Bens LTDA, CNPJ 08.930.235/000194. As referidas unidades frigoríficas inicialmente eram exploradas pela empresa Amazon Meat Indústria de Alimentos Ltda, sendo sucedida de fato pela empresa Agropastoril Estevam LTDA, que exerceu as atividades até março de 2012, e, finalmente, foi sucedida de fato pela empresa JBS S/A, conforme já reconhecido pela justiça trabalhista e relatado no item "III a) Responsabilidade tributária da sucessora de fato JBS S/A ". A vista do exposto, considerando o fato do contribuinte ter deixado de transmitir à base do SPED contábil e SPED Fiscal, ou ter deixado de Fl. 5343DF CARF MF 6 apresentar à autoridade tributária, dentro dos prazos especificados, os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, relativos ao anocalendário de 2012 [...]configura hipóteses de arbitramento, cabendo determinar o lucro tributável segundo as regras relativas ao regime de tributação com base no lucro arbitrado com base na receita bruta conhecida de vendas de produtos no valor de R$ 68.869.644,04 (R$ 69.508.508,74 638.864,70) já deduzidas as devoluções (vide planilha às fls. 3958) e com base na receita conhecida da venda dos estabelecimentos industriais no valor de R$ 42.354.055,80 (vide contrato de venda e compra às fls. 2811 a 2818) e procedendose ao lançamento de oficio com aplicação da multa de oficio qualificada, conforme descrito no tópico "IV DA MULTA QUALIFICADA E RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA DO SÓCIO ADMINISTRADOR". III RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA a) Responsabilidade tributária da sucessora de fato JBS S/A A JBS S/A adquiriu de fato da Agropastoril Estevam LTDA o fundo de comércio e estabelecimentos comercial e industrial e continuou a respectiva exploração, devendo responder pelos tributos devidos pelo alienante, que paralisou a exploração das atividades a partir da data da alienação (Obs: a Agropastoril Estevam Ltda ficou obrigada a suspender a atividade efetivamente explorada responsável por 100% das receitas pelo período de 10 anos, direta ou indiretamente, conforme contrato particular), configurando hipótese de responsabilidade subsidiária prevista no art. 133 inciso II do CTN, in verbis, tendo em vista o exercício de outras atividades pelo grupo econômico e familiar. O art. 1142 do Código Civil dispõe que "Considerase estabelecimento todo complexo de bens organizado, para exercício da empresa, por empresário, ou por sociedade empresária." A JBS S/A adquiriu as referidas unidades industriais e comerciais (estas representam 100% do faturamento da empresa Agropastoril Estevam) da Agropastoril Estevam Ltda pelo conceito de "porteira fechada". A Agropastoril Estevam Ltda emitiu as notas fiscais de venda à JBS S/A (vide fls. 3959) de seus ativos, bens móveis, equipamentos, utensílios, veículos, instalações, aparelhos, pelo valor deR$ 25.461.879,10 eR$ 17.124.275,96 pelas unidades de Ariquemes e Rio Branco, respectivamente, perfazendo o total de R$ 42.586.155,06. No entanto, a JBS S/A, como será melhor explicado adiante, não reconhece os valores das notas ficais às fls. 3959 como os valores reais aquisição, nem declara essa compra no SPED Fiscal, e informa que a compra ocorreu pelo sistema de "porteira fechada" e que elaborou laudo de avaliação para determinar o valor de cada ativo adquirido que ingressou no patrimônio da JBS S/A e passou a calcular as despesas depreciação. A JBS S/A foi intimada e reintimada expressamente a apresentar o Anexo I do contrato de compra e venda das unidades frigoríficas (vide termo de Diligência Fiscal n° 04, Termo de Diligência Fiscal n° 06 e Termo de Diligência Fiscal n° 09), que contém a listagem de todos os bens e direitos negociados, contudo esta recusouse a fornecêlos, alegando que a "JBS S/A negociou as unidades Fl. 5344DF CARF MF Processo nº 10835.721220/201504 Acórdão n.º 1402002.756 S1C4T2 Fl. 5.342 7 frigoríficas no conceito de "porteira fechada", na qual foi pago um montante por todos os ativos das referidas unidades frigoríficas. Para proceder à individualização dos itens a JBS S/A contratou a execução, por empresa especializada, de laudos de avaliação (já apresentados), com os itens registrados contabilmente e seu valor individual de avaliação, distribuindo o preço pago por item dos ativos recebidos. Assim, devem ser considerados os laudos de avaliação citados, os quais, repitase, englobam os ativos das unidades frigoríficas objeto do contrato do contrato em questão." (vide fls. 3569 a 3570) O alienante Agropastoril Estevam LTDA paralisou a exploração da atividade que estava realizando e não iniciou a exploração de outra atividade. A Agropastoril Estevam LTDA mudou o seu objeto social após a alienação de seus estabelecimentos comerciais e industriais, deixou de explorar a atividade que desenvolvia nos estabelecimentos alienados e também não iniciou a exploração de nova atividade, de acordo com os elementos disponíveis, haja vista: não ter autorização do fisco estadual para emissão de notas fiscais pelos estabelecimentos remanescentes (vide fls. 3954 a 3956) nem ter emitido notas fiscais; não dispor de escrituração contábil; estar omissa na declaração da DIPJ anocalendário 2012 e apresentála como inativa no ano calendário de 2013. A sucessora de fato JBS SA pagou pela aquisição da empresa Agropastoril Estevam LTDA o montante de R$ 42.354.055,80 (quarenta e dois milhões, trezentos e cinquenta e quatro mil, cinquenta e cinco reais e oitenta centavos), conforme trecho transcrito a seguir, R$1.500.000,00 pela aquisição da arrendadora Jema Participações Ltda (vide escritura pública às fls. 2807 a 2810 e contrato particular às fls. 2819 a 2825) e R$ 1.500.000,00 pela aquisição da arrendadora M J E Administração de Bens Ltda (vide escritura pública às fls. 2798 a 2806 e contrato particular às fls. 2826 a 2833). A JBS S/A estabeleceu cláusulas contratuais para assegurar a clientela e os fornecedores da Agropastoril Estavam Ltda, impedindo a concorrência e garantindo maior possibilidade de resultados. O dispositivo contratual que impediu a competição no mercado da Agropastoril Estevam Ltda pelo prazo de 10 (dez) anos é o seguinte (vide contrato às fls. 2811 a 2818): A vedação ao exercício de atividade coincidente ou assemelhada ao da JBS S/A, de forma direta ou indireta, também foi estendida às arrendadoras Jema Participações Ltda e M J E Administração de Bens Ltda (vide contratos particular de venda e compra às fls. 2773 a 2789), que são do mesmo grupo econômico e familiar. As unidades frigoríficas de Ariquemes e Rio Branco passaram para a titularidade da JBS S/A no fim de março de 2012 e os empregados continuaram a trabalhar na mesma atividade sem solução de continuidade. De acordo com a GFIP PA 04/2012, a JBS S/A assumiu as unidades frigoríficas no mês de abril de 2012 com um total de 654 empregados (vide relação de trabalhadores na GFIP PA 04/2012 às fls. 3638 a 3949), sendo que 650 destes empregados são oriundos da Agropastoril Estevam LTDA (vide Fl. 5345DF CARF MF 8 relação de trabalhadores na GFIP da Agropastoril PA 03/2012 às fls. 3636 e vide relação de trabalhadores na GFIP da JBS S/A PA 04/2012 às fls. 3637 oriundos da Agropastoril Estevam Ltda), ou seja, 99% do universo dos empregados são provenientes da Agropastoril Estevam LTDA. A Agropastoril Estevam paralisou suas atividades logo em seguida a venda dos estabelecimentos industriais e comerciais à JBS SA em março de 2012. Embora tenha deixado e restado somente a matriz como ativa, este estabelecimento também de fato paralisou suas atividades, tendo em vista não estar autorizada pelo fisco estadual a emitir nota fiscal, não dispor de nenhum empregado a partir de maio de 2012 até a presente data, não declarar vendas em GIA. E importante também consignar, que a Agropastoril Estevam LTDA apresentou declaração de inatividade no anocalendário de 2013, conforme DIPJ anexa. A JBS S/A garantiu o fornecimento de insumos para o seu processo produtivo através dos antigos fornecedores da Agropastoril LTDA e como prova disso é que no anocalendário examinado de 2012 realizou a compra aproximadamente de R$ 271.462.913,47 em bovinos (vide fls. 3962 e 3963), sendo que R$ 180.772.971,20 milhões são compras dos antigos fornecedores da Agropastoril Estevam LTDA (vide fls. 3964). O adquirente JBS S/A ainda aproveitouse da clientela da Agropastoril Estevam LTDA, tanto que no ano analisado de 2012, os estabelecimentos industriais de Ariquemes e Rio Branco continuaram imediatamente vendendo diretamente para os antigos clientes da Agropastoril Estevam Ltda, atingindo o montante de R$ 63.184.621,26 em produtos industrializados (vide fls. 3965). A sucessão de fato está demonstrada sobretudo porque a JBS SA continuou desenvolvendo a mesma atividade da Agropastoril Estevam Ltda, aproveitandose de mais de 99% da mão de obra e utilizandose de ativos, bens móveis, equipamentos, utensílios, veículos, instalações, aparelhos que integram as unidades frigoríficas de AriquemesRO e Rio BrancoAC, adquiridos da Agropastoril Estevam Ltda pelo preço de R$ 42.354.055,80, além de também adquirir as empresas arrendadoras dos imóveis pertencentes ao grupo econômico e familiar pelo montante de R$3.000.000,00. Não houve aproveitamento somente de alguns empregados da Agropastoril, mas sim 99% dos empregados da JBS S/A em abril de 2012 eram oriundos da Agropastoril. Houve assim aquisição de fato da organização produtiva e fundo de comércio da Agropastoril Estevam LTDA como um todo. A justiça do trabalho prolatou diversas decisões quando do julgamento de processos trabalhistas movido contra a empresa Agropastoril reconhecendo a JBS S/A como sucessora, para fins de cobrança de dívidas trabalhistas, da empresa Agropastoril Estevam Ltda que é sucessora de fato da empresa Amazon Meat Indústria de Alimentos Ltda (mesma unidade frigorífica e sócio administrador também é o Sr. Márcio Brito Estevam). A JBS S/A ofereceu exceção de préexecutividade nos auto de execução fiscal que lhe move a Fazenda Nacional, alegando acerca da carência da ação Fl. 5346DF CARF MF Processo nº 10835.721220/201504 Acórdão n.º 1402002.756 S1C4T2 Fl. 5.343 9 por ilegitimidade passiva por não haver sucessão de empresa a justificar a sua inclusão como responsável pelo débito executado e salientou que o fato da JBS S/A ter adquirido as instalações da empresa Agropastoril Estevam Ltda, que utilizada tais mobiliários por contrato de arrendamento pactuado com a executada Amazon Meat Indústria de Alimentos Ltda, não importa em aquisição de fundo de comércio desta última, pois não pactuou qualquer negócio direto com a Amazon Meat Indústria de Alimentos Ltda e tampouco prosseguiu com a exploração de sua atividade empresarial. O juízo de 1° grau rejeitou a exceção de préexecutividade arguida por JBS S/A em desfavor da Fazenda Nacional, por se infundada, e decidiu que a JBS S/A é responsável pelos tributos devidos pela Amazon Meat que foi sucedida pela Agropastoril Estevam Ltda. (vide fls. 339), conforme trechos da decisão transcritos a seguir. [...] A vendedora Agropastoril Estevam Ltda paralisou suas atividades, porém há elementos que demonstram que o grupo familiar prosseguiu na exploração da atividade de criação de bovinos, portanto a responsabilidade do adquirente JBS S/A será classificada como subsidiária nos termos do art. 133 inciso II do CTN. Verificase que os irmãos Márcio Brito Estevam Júnior (é representante, responsável ou procurador da empresa Agropastoril Estevam Ltda, com poderes extraordinários inclusive para movimentar as contas bancárias e trabalhava em conjunto com o pai Márcio Brito Estevam vide transcrição anterior do trecho do processo judicial n° 00054428.2010.5.14.0032, ou seja, é sócio de fato da Agropastoril Estevam Ltda e prestava serviços sem remuneração declarada em GFIP), Eduardo Cavalcante Estevam (é representante, responsável ou procurador da empresa Agropastoril Estevam Ltda, com poderes extraordinários inclusive para movimentar as contas bancárias e trabalhava em conjunto com o pai Márcio Brito Estevam, inclusive administrando financeiramente a Agropastoril vide transcrição anterior do trecho do processo judicial n° 000544 28.2010.5.14.0032, ou seja, é sócio de fato da Agropastoril Estevam Ltda e prestava serviços sem remuneração declarada em GFIP), bem como a mãe deles Marli Cavalcante Estevam continuaram a exercer a atividades de criação e venda de bovinos, conforme demonstram as notas fiscais eletrônicas às fls. 4464, inclusive vendendo vultosos montantes de bovinos para a própria JBS S/A no período de 2010 a 2015 no valor de R$ 18.742.280,97. Está evidenciado com base nos elementos disponíveis que a administração das fazendas de criação de gado era feita em conjunto por, pelo menos, Márcio Brito Estevam Júnior, Eduardo Cavalcante Estevam e Marli Cavalcante Estevam, pois são as pessoas responsáveis pela compra dos insumos necessários para o desenvolvimento das atividades, conforme demonstram as notas fiscais de compra às fls. 4463 que figuram como participantes. Não houve uma simples aquisição isolada de estabelecimento, mas sim na realidade a aquisição da íntegra do fundo de comércio e da empresa Agropastoril Estevam Ltda, que foi proibida de exercer suas atividades de fabricação de carne ou qualquer atividade assemelhada com o da JBS S/A (as arrendadoras JEMA e MJE também foram proibidas), direta ou indiretamente, pelo prazo de 10 anos. Fl. 5347DF CARF MF 10 b) Responsabilidade solidária dos sócios administradores da empresa Jema Participações Ltda, Marli Cavalcante Estevam e Márcio Brito Estevam Júnior A empresa Jema Participações Ltda, CNPJ 03.417.700/000174, proprietária do estabelecimento localizado em Rio BrancoAC, BR 364, Km 10, composto por uma área de terra rural, com 20,0843 ha, com 03 (três) unidades construídas, a 1ª unidade sala ou conjunto 001; 2ª unidade galpão 002; e 3ª unidade galpão 003; perfazendo uma área total construída de 2.491,38 m2, arrendavao à empresa Agropastoril Estevam Ltda pelo valor mensal de R$ 25.000,00, a partir de 02 de janeiro de 2010, conforme averbado na escritura de registro do imóvel matrícula 4.449, até alienálo em março de 2012 à JBS S/A de acordo com a escritura pública de venda e compra às fls. 2807 a 2810 e instrumento particular de contrato de compromisso de venda e compra de unidade frigorífica às fls. 2819 a 2825. As receitas da Jema Participações Ltda decorrem exclusivamente de locação de imóveis, e esse estabelecimento arrendado para a Agropastoril Estevam Ltda constituía a principal fonte de receitas, de acordo com a DIMOB (vide fls. 3626) e DIPJ. Segundo a escritura pública e contrato particular de compra e venda, a operação de venda da área de terra com a construção foi registrada pelo valor irrisório de R$ 1.213.372,00. Ocorre que a verdadeira área construída alienada era de 6.199,69 m2 (vide Laudo de Avaliação da JBS S/A às fls. 2976 a 3069), ou seja, o subfaturamento na venda do imóvel está claro. Aparentemente a Jema Participações teria feito um negócio desvantajoso, mas isso não corresponde à verdade dos fatos. A JBS S/A adquiriu a Agropastoril Estevam Ltda, Jema Participações Ltda (arrendadora do estabelecimento de Rio BrancoAC) e MJE Administração de Bens Ltda (arrendadora do estabelecimento de AriquemesRO) pelo sistema de "porteira fechada". A JBS S/A contratou empresa especializada para elaboração de laudo de avaliação e procedeu ao rateio do preço pago para registro contábil, que não possui qualquer correspondência com os valores constantes da escritura pública de venda e compra. De acordo com o laudo de avaliação, considerando somente a parte de terreno e construções, o estabelecimento adquirido da JEMA Participações Ltda ingressou no ativo contábil da JBS S/A pelo valor de mercado de R$10.438.340,30 (R$ 730.431,84 (valor de mercado do terreno) + R$ 9.707.908,46 (valor de mercado das construções)) e aproveitouse desse valor justo de mercado para calcular as despesas da depreciação. Resta demonstrado que a venda do imóvel da Jema Participações Ltda à JBS S/A é apenas aparentemente desvantajosa, mas na realidade estes ganhos estão embutidos no preço de venda da empresa Agropastoril Estevam LTDA para a JBS SA através do contrato de venda e compra de unidade frigorífica de AriquemesRO e Rio BrancoAC no montante de R$ 42.354.055,80. Este artifício realizado em evidente conluio com a JBS S/A claramente visava reduzir os ganhos da Jema Participações Ltda e desviálos para a Agropastoril Estevam LTDA, cujo patrimônio foi esvaziado (vide DIPJ inativa anocalendário 2013), é grande devedora de tributos, num evidente intuito de frustrar a cobrança pelo fisco dos possíveis créditos tributários lançados contra a Agropastoril Estevam Ltda. Fl. 5348DF CARF MF Processo nº 10835.721220/201504 Acórdão n.º 1402002.756 S1C4T2 Fl. 5.344 11 A empresa Jema Participações foi intimada e reintimada a apresentar a escrituração contábil, contratos de arrendamento, e livros e documentos fiscais, contudo deixou de atender dentro dos prazos especificados, num evidente intuito de embaraçar a fiscalização e dificultar a análise dos efeitos tributários. Assim sendo, a Jema Participações Ltda deveria responder solidariamente pelo adimplemento integral de todas as obrigações tributárias da Agropastoril Estevam Ltda por ter interesse comum na situação que constitua o fato gerador e por constituir grupo econômico e familiar sob administração de fato em comum, incidindo na hipótese do art. 124, I, do CTN, in verbis. Considerando que a empresa foi baixada na junta comercial (mantémse ativa somente nos cadastros da Receita Federal), o sócio administrador da época dos fatos Marli Cavalcante Estevam e o filho dela sócio administrador Márcio Brito Estevam Júnior devem responder solidariamente pelas dívidas, nos termos do art. 124 inciso I do CTN. A empresa Jema Participações Ltda encerrou suas atividades em 15/08/2012, transferindo seus bens, na maior parte das vezes, por dação em pagamento em beneficio da exsócia administradora Marli Cavalcante Estevam (exesposa de Márcio Brito Estevam), conforme demonstra a tabela 4 abaixo ou extrato detalhado da DOI às fls. 3605 a 3621. O CARF já decidiu ao julgar o processo n° 17460.000162/200716 (vide fls. 4273 à 4287) sobre a existência de grupo econômico entre as empresas Jema Participações Ltda, Agropastoril Estevam Ltda, Santa Marina Alimentos Ltda (sócia da Agropastoril Estevam Ltda) etc, devendo a empresa Jema Participações Ltda responder solidariamente pelos débitos previdenciários da empresa Santa Marina Alimentos Ltda, conforme trecho do acórdão abaixo aduzido: c) Responsabilidade solidária do sujeito passivo MJE Administração de Bens Ltda A empresa MJE Administração de Bens Ltda, CNPJ 08.930.235/000194, proprietária do estabelecimento localizado em AriquemesRO, BR 364, Km 518, composto por: a) Prédio Comercial em alvenaria, medindo 5.754,26 m2, lote 14/J, situado em área de 7,26 ha, valor estimado de R$ 884.443,00, matrícula 16.165; b) Lote 14/N com área de 2,42 ha, valor estimado de 30.000,00, matrícula 24.305; c) Lote 14/0 com área de 2,8197 ha, valor de R$ 140.000,00, matrícula 24.306; arrendavao à empresa Agropastoril Estevam Ltda (vide DIMOB anocalendário 2011 e 2012 às fls. 3626) até alienálo à empresa JBS S/A em março de 2012 de acordo com a escritura pública de venda e compra às fls. 2798 a 2806 e instrumento particular de contrato de compromisso de venda e compra de unidade frigorífica às fls. 2826 a 2833. As receitas da MJE Administração de Bens Ltda decorrem exclusivamente de locação de imóveis, e esse estabelecimento constituía a principal fonte de receitas, de acordo com a DIMOB e DIPJ. Segundo a escritura pública e contrato particular de compra e venda, a operação de venda foi registrada no valor irrisório de R$ 1.054.443,00. Fl. 5349DF CARF MF 12 Aparentemente a MJE Administração de Bens Ltda teria feito um negócio extremamente desvantajoso, mas isso não corresponde à verdade dos fatos. A JBS S/A adquiriu a Agropastoril Estevam Ltda, Jema Participações Ltda (arrendadora do estabelecimento de Rio BrancoAC) e MJE Administração de Bens Ltda (arrendadora do estabelecimento de AriquemesRO) pelo sistema de "porteira fechada". A JBS S/A contratou empresa especializada para elaboração de laudo de avaliação e procedeu ao rateio do preço pago para registro contábil, que não possui qualquer correspondência com os valores constantes da escritura pública ou da escritura do registro de imóveis. De acordo com o laudo de avaliação às fls. 2890 a 2975, considerando somente a parte de terreno e construções, o estabelecimento adquirido da MJE Administração de Bens Ltda ingressou no ativo contábil da JBS S/A pelo valor de mercado de R$ 9.910.396,72 (R$ 387.082,97 (valor de mercado do terreno) + R$ 9.523.313,75 (valor de mercado das construções), e aproveitouse desse valor justo de mercado para calcular as despesas da depreciação. Resta demonstrado que a venda do estabelecimento da MJE Administração de Bens Ltda à JBS S/A é apenas aparentemente desvantajosa, mas na realidade estes ganhos estão embutidos no preço de venda da Agropastoril Estevam LTDA (que é arrendatária de si mesma) para a JBS S/A através do contrato de venda e compra de unidade frigorífica de AriquemesRO e Rio BrancoAC no montante de R$ 42.354.055,80. Este artifício realizado em evidente conluio com a JBS S/A claramente visava a reduzir os ganhos da M J E Administração de Bens Ltda e desviálos para a Agropastoril Estevam LTDA, cujo patrimônio foi esvaziado (vide DIPJ inativa anocalendário 2013), é grande devedora de tributos, num evidente intuito de frustrar a cobrança dos possíveis créditos tributários lançados contra a Agropastoril Estevam Ltda. A empresa MJE Administração de Bens Ltda foi intimada e reintimada a apresentar a escrituração contábil, contratos de arrendamento, e livros e documentos fiscais, contudo deixou de atender dentro dos prazos especificados, num evidente intuito de embaraçar a fiscalização. A empresa Agropastoril Estevam Ltda, CNPJ 64.611.213/000647, unidade de AriquemesRO, emitiu na data de 27/03/2012 notas fiscais de venda de bens do ativo imobilizado, no valor total de R$25.250.400,00. Assim sendo, a JBS S/A foi intimada por meio do Termo Diligência Fiscal n° 03 a demonstrar a contabilização da aquisição dos bens do ativo imobilizado de tais bens. Em resposta às fls. 2763 A 2772, a JBS S/A esclarece que desconhece as notas fiscais emitidas pela empresa Agropastoril Estevam Ltda., no valor total de R$ 25.250.400,00, e que os valores negociados com a Agropastoril Estevam Ltda estão discriminados no contrato firmado, bem como nos respectivos comprovantes de pagamentos. Esclarece ainda que a JBS SA possui itens de ativo imobilizado registrados de acordo com os contratos firmados, e individualizados contabilmente de acordo com laudo de avaliação preparado por empresa especializada, não tendo relação direta com os registros de origem nas empresas vendedoras. Ainda a JBS S/A foi intimada por meio do Termo de Diligência Fiscal n° 08 a demonstrar as providências judiciais e administrativas que a JBS S/A adotou pelo fato do vendedor Agropastoril Estevam Ltda ter elaborado, Fl. 5350DF CARF MF Processo nº 10835.721220/201504 Acórdão n.º 1402002.756 S1C4T2 Fl. 5.345 13 emitido e utilizado notas fiscais falsas em nome da JBS S/A perfazendo montantes vultosos de R$ 25.250.400,00, sob pena de ser colocada como partícipe do crime, bem como informar para cada item de nota fiscal do Anexo I com apresentação de documentação hábil e idônea, quais são os verdadeiros valor unitário, quantidade de produto, valor total do item e descrição do produto. Em resposta às fls. 3543 a 3552, a JBS SA: a) informa que somente teve ciência das referidas Notas Fiscais emitidas pela Agropastoril Estevam Ltda., por meio do procedimento fiscal, razão pela qual o Departamento Jurídico está tomando as providências cabíveis em face da Agropastoril Estevam Ltda, tal como o envio da Notificação Extrajudicial; A Agropastoril Estevam Ltda em resposta à notificação extrajudicial da JBS S/A encaminhada à JBS S/A (vide fls. 4561 a 4587) informou que "Com relação à venda de nosso imobilizado à JBS S/A., tem a informar que a mesma foi feita de acordo com a Lei e seguindo orientação de procuradores dessa empresa, quando estiveram na cidade de Presidente Prudente, por várias vezes, inclusive por ocasião da lavratura da escritura dos imóveis que foram adquiridos pela JBS S/A no ano de 2012. Assim, causanos estranheza o pedido e as ameaças contidas na notificação de V.Sas., data de 12.06.2015, uma vez que as notas fiscais foram extraídas em razão de imposição legal e em atendimento ao pedido de V.Sas., a fim de que pudessem efetuar os pagamentos das parcelas de acordo com o contrato firmados entre as partes." A JBS S/A encaminhou manifestação à contranotificação extrajudicial à Agropastoril Estevam alegando que: "os bens do ativo imobilizado adquiridos pela JBS S/A da AGROPASTORIL ESTEVAM LTDA., foram registrados com suporte no contrato firmado, e individualizado contabilmente conforme laudo de avaliação preparado por empresa especializada", "a JBS S/A desconhece as notas fiscais mencionadas, visto que elas não nos foram encaminhadas" e não representa a verdade material dos fatos que as notas fiscais em discussão foram emitidas a pedido da JBS S/A. Conforme demonstrado, não existe qualquer equivalência entre os valores individuais dos bens constantes das escrituras ou contratos de compra e venda dos estabelecimentos da Agropastoril Estevam Ltda (arrendatária), MJE Administração de Bens Ltda (arrendadora) e Jema Participações Ltda (arrendadora) e os valores contabilizados pela JBS S/A no seu ativo. A concentração dos maiores ganhos pela Agropastoril Estevam Ltda na venda das unidades frigoríficas decorrem de diferenças cobradas e recebidas da JBS S/A pela venda dos estabelecimentos das arrendadoras por preço muito menor que o de mercado, ou seja, as receitas de vendas dos imóveis das arrendadoras foram desviadas para a Agropastoril Estevam Ltda. Assim sendo, a MJE Administração de Bens Ltda deve responder solidariamente pelo adimplemento integral de todas as obrigações tributárias da Agropastoril Estevam Ltda por ter interesse comum na situação que constitua o fato gerador e por constituir grupo econômico e familiar sob administração de fato em comum, incidindo na hipótese do art. 124,1, do CTN. Fl. 5351DF CARF MF 14 IV DA MULTA QUALIFICADA E RESPONSABILIDADE TRIBUTARIA SOLIDÁRIA DO SÓCIO ADMINISTRADOR MÁRCIO BRITO ESTEVAM Foi aplicada a multa de oficio qualificada no percentual de 150% sobre tributos exigidos de oficio em razão do sujeito passivo ter praticado os atos previstos no art. 44, §1°, da Lei 9.430/1996, in verbis: O sujeito passivo agiu dolosamente na sonegação ou fraude previstas nos arts. 71 e 72, Lei 4.502/1964, mediante as condutas, de: a) deixar de transmitir à base do SPED contábil ou SPED Fiscal ou deixar de apresentar diretamente à autoridade tributária, dentro dos prazos especificados, os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, relativos ao anocalendário de 2012, a saber: escrituração contábil; Balancetes; Balanço Patrimonial; Demonstrativo do Resultado do Exercício; Livro de Apuração do Lucro Real LALUR; Livro Registro de Entradas; Livro Registro de Saídas; e Livro Registro de Apuração do ICMS; embora intimado por meio do Termo de Início de Procedimento Fiscal e reiteradamente reintimado pelos Termos de Intimação Fiscal n°s 2, 3, 4, 5 e 6; b) deixar de apresentar a DIPJ anocalendário 2012; c) deixar de transmitir à base do SPED contábil ou de apresentar diretamente à fiscalização a escrituração contábil do anocalendário 2011 e o LALUR dos anos antecedentes (2010 e 2011) embora intimado por meio do Termo de Início de Procedimento Fiscal e reiteradamente reintimado pelos Termos de Intimação Fiscal n°s 2, 3, 4, 5 e 6, assim como deixar de apresentar o LALUR dos anos posteriores (2012 e 2013), embora intimado e reintimado através dos Termos de Intimação Fiscal n°s 4, 5 e 6. Os livros LALUR dos anos anteriores 2009 e 2010 também serviriam para conferência dos registros e controles de valores que afetariam e constituiriam ajustes do período de apuração fiscalizado e os LALUR dos anos subseqüentes também seriam necessários à auditoria (Levantamento de postergação de tributos, redução indevida do lucro líquido etc); d) desviar os ganhos obtidos na venda dos estabelecimentos e fundo de comércio do grupo econômico e familiar em evidente conluio com a JBS S/A em favor da empresa Agropastoril Estevam Ltda, que esvaziou seu patrimônio, conforme DIPJ ano base 2013 de inativa, que não mantém escrituração contábil regular nem demonstra o oferecimento à tributação das receitas auferidas. A JBS S/A concordou na concentração dos ganhos na Agropastoril Estevam Ltda, tanto que formalizou os preços do negócio nos contratos, escritura pública e na escritura de registro de imóveis, não obstante tenha escriturado no ativo o ingresso dos bens por valor diverso com base no valor de mercado, atribuindo, por exemplo, às construções de valor irrisório adquiridas das arrendadoras (MJE e JEMA) um valor várias vezes maior; e) Não bastasse isso, o contribuinte também deixou de transmitir à base do SPED contábil e deixou de apresentar à fiscalização a escrituração contábil do anocalendário anterior ao fiscalizado, 2011, impedindo o exame da legitimidade dos saldos iniciais do período fiscalizado, auditoria dos fatos Fl. 5352DF CARF MF Processo nº 10835.721220/201504 Acórdão n.º 1402002.756 S1C4T2 Fl. 5.346 15 com efeitos contábeis e/ou tributários para o período fiscalizado e a avaliação de eventuais débitos tributários contabilizados; sujeitandose ao arbitramento dos lucros e aplicação da multa qualificada de 150%. Ademais, o contribuinte ou pessoas relacionadas tem histórico de não fornecer livros e documentos da escrituração contábil ou fiscal ao fisco, conforme relatado no tópico "II INFRAÇÕES APURADAS Histórico de habitualidade de não fornecer documentos fiscais e contábeis ao fisco ". As notas fiscais de venda dos estabelecimentos pela Agropastoril Estevam Ltda indicam o valor de R$ 42.586.155,06, no entanto o valor real da operação não era para superar o valor de R$ 22.237.418,04 (42.586.155,06 9.910.396,72 10.438.340,30) (deduzimos o valor dos imóveis e construções no valor de R$ 9.910.396,72 e R$ 10.438.340,30 dos estabelecimentos de Ariquemes e Rio Branco, respectivamente), que é o montante avaliado por empresa especializada contratada pela JBS S/A. Essa diferença serviu para ocultar os ganhos obtidos com a alienação dos imóveis das arrendadoras patrimoniais (grupo econômico e familiar) Jema Participações Ltda (esvaziou seu patrimônio composto por vários imóveis rurais em favor principalmente da sócia administradora Marli Cavalcante Estevam (exesposa do sócio administrador da Agropastoril Estevam Sr. Márcio Brito Estevam) e outras pessoas do grupo familiar) e MJE Administração de Bens Ltda, que foram desviados para recebimento e faturamento pela Agropastoril Estevam Ltda, cujo patrimônio esvaziouse DIPJ de inatividade do anocalendário de 2013), num evidente intuito de prejudicar o fisco na cobrança dos débitos sobre empresa sem patrimônio e sem capacidade econômica. Assim, pelo fato do sócio administrador da Agropastoril Estevam Ltda, Sr. Márcio Brito Estevam, ter exercido a administração ou gerência da sociedade com a prática de atos com infração à lei, pondo em execução a fraude e a sonegação fiscal, este deve responder solidariamente pelas dívidas tributárias, nos termos do artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional, verbis. Convém registrar que foi formulada Representação Fiscal para Fins Penais para noticiar à autoridade competente os crimes, em tese, constatados. Foram intimados do lançamento, por via postal, Márcio Brito Estevam, em 7 de agosto de 2015 (fls. 4706); JBS SA, em 7 de agosto de 2015 (fls. 4709); MJE Administração de Bens Ltda., em 10 de agosto de 2015 (fls. 4710); Agropastoril Estevam Ltda., em 10 de agosto de 2015 (fls. 4711); Marli Cavalcante Estevam, em 10 de agosto de 2015 e Márcio Brito Estevam, em 10 de agosto de 2015 (fls. 4713). 3. Impugnações O lançamento foi impugnado por cada um dos notificados, estando as peças de defesa, todas protocoladas no dia 8 de setembro de 2015, juntadas às fls. 4722 a 5076. Fl. 5353DF CARF MF 16 3.1 JBS S/A A impugnante, em suas razões de defesa, alega, em síntese e fundamentalmente, o seguinte: • Lendo o relatório fiscal, não ficou claro como a fiscalização obteve o valor indicado acima de R$ 25.250.400,00 (vinte e cinco milhões, duzentos e cinqüenta mil e quatrocentos reais); • A fim de comprovar que a AGROPASTORIL encerrou suas atividades após a alienação de seus estabelecimentos para a Impugnante, a fiscalização utilizou como principal argumento as cláusulas de não competição (no compete); • A fiscalização constatou que a AGROPASTORIL paralisou suas atividades, porém, prosseguiu na exploração da atividade de criação de bovinos, motivo pelo qual a Impugnante foi "classificada como subsidiária nos termos do art. 133, inciso II do CTN"; • Todavia, em que pese a fiscalização ter aplicado contra a Impugnante o art. 133, inciso II do CTN , que trata da mitigação da responsabilidade do adquirente (o qual goza de benefício de ordem, só lhe podendo ser exigida a satisfação do crédito após a execução frustrada do alienante), a fiscalização, em sua conclusão quanto à responsabilidade tributária da Impugnante, não dispôs que esta seria subsidiária; • A fiscalização não comprovou a falta de capacidade da AGROPASTORIL. MJE, JEMA e dos seus sócios/administradores (os irmãos Márcio Brito Estevam Júnior e Eduardo Cavalcante Estevam e a mãe destes, Marli Cavalcante Estevam), para adimplir suas obrigações; • A unidade da RFB que promoveu a fiscalização e lavrou a autuação dista aproximadamente 600 quilômetros da Impugnante, o que dificulta a Impugnante de exercer plenamente sua defesa; de promover a entrega de documentos e dirimir dúvidas relativas à própria fiscalização, causandolhe cerceamento e infringido princípios assegurados pela Constituição Federal, esculpidos no art. 5 °, inciso LV; • Por expressa disposição legal a Impugnante jamais poderia compor o pólo passivo da presente autuação, justamente porque a responsabilidade dos dirigentes das empresas investigadas, AGROPASTORIL, MJE e JEMA, à época dos fatos geradores, é exclusiva, originária e pessoal, nos termos do artigo 135, III do CTN; • Tanto a doutrina como a recente jurisprudência do STJ apontam a responsabilização EXCLUSIVA dos administradores decorrente da prática de atos com infração de lei, contrato social ou estatutos da sociedade que tenham desencadeado uma relação jurídica obrigacional stricto sensu entre Fisco e a pessoa jurídica por eles administrada; • A Autoridade Fiscal não promoveu esforços para obter informações para subsidiar o procedimento fiscal junto aos referidos administradores, pois se a fiscalização tem elementos para intimar os referidos administradores a prestar esclarecimentos, requerer documentos e promover diligências in loco Fl. 5354DF CARF MF Processo nº 10835.721220/201504 Acórdão n.º 1402002.756 S1C4T2 Fl. 5.347 17 na busca de elementos para subsidiar o procedimento fiscal, é DEVER dela assim proceder, e não mera faculdade; • Deixar de praticar ato de ofício e exercer o poder de polícia, sem justificativa, além de atentar contra diversos princípios administrativos segurança jurídica, impessoalidade, moralidade, finalidade, razoabilidade, entre outros constitui crime devidamente tipificado no Código Penal Brasileiro. • O agente fiscal se sustenta na trilha que entende mais fácil para constituir o crédito tributário, qual seja: intimar a Impugnante, empresa notoriamente de grande porte, fazendo tabula rasa à busca da verdade real. • Requerse desde já, a intimação dos administradores da AGROPASTORIL, MJE E JEMA à época dos fatos (identificados na fiscalização), a fim de que prestem esclarecimentos e apresentem documentos necessários à apuração dos fatos, sob pena de se instar o Ministério Público para fins de apuração de eventual crime de prevaricação. • A fiscalização presumiu que a Impugnante é responsável tributária por sucessão de fato da AGROPASTORIL, não sendo admitido o lançamento pautado em presunções. • As conclusões são frágeis, na medida em que são baseadas substancialmente nas cláusulas de não competição dos contratos de venda e compra de unidade frigorífica, firmados entre a Impugnante e a AGROPASTORIL, MJE e JEMA, sem qualquer investigação aprofundada a respeito. • A Impugnante apenas adquiriu as plantas da MJE e JEMA arrendadas à AGROPASTORIL em Rio Branco/AC e Ariquemes/RO e não a empresa. A sucessão trabalhista guarda requisitos distintos da sucessão tributária, uma vez que a responsabilidade pelas verbas trabalhistas não implica, conseqüentemente, em cessão da "exploração do comércio, indústria ou atividade" daquela, como prevê o art. 133 do CTN. • Sequer as decisões proferidas no âmbito da Justiça do Trabalho servem para fins de atribuição de responsabilidade tributária por sucessão. • No tocante à presunção da fiscalização de que houve aquisição de fundo de comércio, a fiscalização não comprovou a aquisição do complexo imaterial próprio do conceito de fundo de comércio como, por exemplo, as marcas, know how, patentes, o nome, etc. • No âmbito judicial é pacífico que não há que se falar em responsabilidade tributária (art. 133 do CTN) por presunção. • Em relação à alegação de "omissão de ganho de capital" a fiscalização "apurou" este valor com base no valor bruto da alienação (R$ 42.354.055,80 DOC. 04 Contrato e Venda e Compra entre a AGROPASTORIL e a Impugnante), sem descontar o custo de aquisição das unidades alienadas. Fl. 5355DF CARF MF 18 • A fiscalização sequer investigou/apurou o custo de aquisição das unidades alienadas, em flagrante ofensa à sistemática desse instituto. • Na página 3 do relatório fiscal a fiscalização afirmou que o ganho de capital da AGROPASTORIL foi de R$ 24.711.764.67 (vinte e quatro milhões, setecentos e onze mil, setecentos e sessenta e quatro reais e sessenta e sete centavos), porém, não demonstrou como chegou nesse valor e, ainda, "preferiu", no cálculo do crédito tributário, utilizar o valor bruto na alienação (R$ 42.354.055,80). • A fiscalização deveria ter se atentado ao fato devidamente exposto e comprovado durante a o procedimento fiscal de que a Impugnante pagou à AGROPASTORIL o valor de R$ 37.360.114,24 (trinta e sete milhões, trezentos e sessenta mil, cento e quatorze reais e vinte e quatro centavos) e não de R$ 42.354.055,80 (quarenta e dois milhões, trezentos e cinqüenta e quatro mil, cinqüenta e cinco reais e oitenta centavos), uma vez que, nos termos do § 2o da Cláusula 6, a Impugnante poderia realizar determinados descontos. • Por tudo isso o presente lançamento é absolutamente precário, pautado em presunção de ocorrência do fato gerador, e em erros materiais no cálculo do crédito tributário, em total afronta ao disposto no artigo 142 do CTN, razão pela qual o auto de infração é manifestamente insubsistente/nulo e, portanto, deve ser cancelado, ou, no mínimo, recalculado. • Podese dizer que o fundo de comércio, ou estabelecimento empresarial, é a universalidade de bens, que podem ser corpóreos ou incorpóreos e que viabilizam a atividade empresarial e para sua aquisição seria necessário que houvesse a comprovação de aquisição, dentre outras coisas, do ponto, clientes, nome, marcas, patentes, know how, etc, o que não foi feito pela fiscalização. • O "ponto" da AGROPASTORIL não é determinante para a atividade da empresa, que precisava tão somente das instalações das estruturas dos imóveis comprados. • No tocante aos clientes também não há caracterização de aquisição de tal elemento, pois, conforme é público e notório, a Impugnante possui clientela própria não só no próprio Estado, como no país inteiro (incluindose em Rio Branco/AC e Ariquemes/RO), sem falar na clientela internacional, em que a Impugnante é líder mundial. • A AGROPASTORIL continua proprietária de seus ativos, bens móveis e imóveis, tangíveis e intangíveis, de forma que não há que se falar em aquisição de fundo de comércio, lembrandose, novamente, que a Impugnante adquiriu apenas algumas unidades industriais (localizadas em Ariquemes/RO e Rio Branco/AC) e não a empresa. • Nos termos do inciso II, do art. 133 do CTN, caso o alienante continue como no presente caso a exercer a exploração do comércio, indústria ou atividade, ou iniciar dentro de 06 (seis) meses nova atividade no mesmo ou em outro ramo negocial, a responsabilidade do adquirente será subsidiária à do alienante, ou seja, o adquirente só responderá pelos tributos relativos ao Fl. 5356DF CARF MF Processo nº 10835.721220/201504 Acórdão n.º 1402002.756 S1C4T2 Fl. 5.348 19 fundo ou estabelecimento adquiridos, depois de executados os bens do alienante. • A cobrança do débito em discussão contra a Impugnante é indevida, pois, uma vez aplicado o inciso II, do art. 133 do CTN, deveria ter havido comprovação da incapacidade do sujeito passivo, AGROPASTORIL, de adimplir com a obrigação tributária (o que não ocorreu) para, somente após, redirecionar o débito à Impugnante. • Uma vez que a fiscalização adotou em face da Impugnante o art. 133, inciso II do CTN, a inteligência deste dispositivo deve ser aplicada. • O art. 133 do CTN, utilizado pela fiscalização como subsídio para imputar responsabilidade tributária à Impugnante, prevê a responsabilidade por tributos devidos até a data da aquisição do fundo de comércio ou estabelecimento comercial (limite temporal). • O IRPJ e a CSLL incidentes sobre eventual ganho de capital obtido pela AGROPASTORIL (decorrente de alienação à Impugnante) é de sua responsabilidade exclusiva ou de seus sócios, na medida em que esses tributos surgiram incontroversamente APÓS a aquisição do estabelecimento e fundo de comércio. • Como a venda ocorreu em março/2012, a alienante (AGROPASTORIL) deveria, nos termos da legislação do imposto de renda, declarar o ganho de capital apenas no exercício seguinte (2013), assim, não há como a adquirente (Impugnante) ser responsável por um tributo apurado e devido somente após a data do ato de aquisição, conforme determina o art. 133 do CTN. • A fiscalização aplicou o art. 124, inciso I do CTN, que trata da responsabilidade solidária por "interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal apenas e tão somente contra as empresas do grupo econômico e familiar da AGROPASTORIL: JEMA e MJE. • Diante do exposto, está claro que a Impugnante não agiu com dolo, má fé, conluio, dissimulação, fraude ou algo do gênero, tanto é que nenhum dos seus sócios/administradores foram incluídos no pólo passivo deste auto de infração. • A responsabilidade da Impugnante deveria estar vinculada ao fato jurídico que lhe deu origem (no caso, a suposta aquisição de estabelecimento e fundo de comércio). • Luciano Amaro ensina que, no caso da sucessão tributária prevista no art. 133 do CTN, somente podem ser suscetíveis de sucessão tributária o ISS, o ICMS, o IPI e, no caso de instituições financeiras, o IOF, tendo em vista que tais tributos estão diretamente ligados aos negócios desenvolvidos por intermédio do estabelecimento ou fundo de comércio, ficando, portanto, excluídos da sucessão o IR, a CSLL, o PIS e a COFINS. Fl. 5357DF CARF MF 20 • A Impugnante não poderá ser responsabilizada pela Multa e Juros calculados, os quais deverão ser direcionados exclusivamente aos administradores da AGROPASTORIL à época dos fatos, pois o artigo 132 do CTN é claro no sentido de que o incorporador responde pelos "tributos" relativos ao estabelecimento empresarial, o que suscita a questão de saber se o dispositivo legal alcança as multas tributárias, moratórias ou punitivas, impostas ao suposto adquirente. • No plano jurisprudencial o Conselho de Contribuintes (atual CARF) já apreciou a questão da responsabilidade do sucessor pelas multas tributárias, não sendo o tema controvertido, prevalecendo a posição desde os precedentes mais antigos até os mais novos. • A Primeira Seção do E. STJ deixou claramente assentado um marco temporal para a responsabilidade do sucessor por multa da sucedida, qual seja: a multa "transferível" é somente aquela lavrada anteriormente ao momento da sucessão. • A multa aplicada nesse percentual, considerando a ausência de máfé ou de vantagem auferida pela Impugnante, incorre num verdadeiro locupletamento ilícito, causando repulsa do ordenamento jurídico, nos termos estabelecidos pelo artigo 150, IV, da CF/88. • A exigência de juros de mora sobre a multa de ofício de 150% não tem qualquer amparo legal. • É plenamente cabível a realização de diligência, bem como juntada de novos documentos no decorrer do processo, até prolação de decisão administrativa. Por fim, formula os quesitos que pretende esclarecidos e requer que as intimações sejam realizadas em nome do advogado que menciona, inclusive para se fazer presente no julgamento e realizar sustentação oral. 3.2 Agropastoril Estevam Ltda. Inicialmente, relata a Impugnante que foi obrigada a vender as duas unidades frigoríficas que possuía, uma em AriquemesRO e outra em Rio Branco Acre, para a empresa JBS S/A., que utilizou o seguinte estratagema: "Montou nas cidades de Rio BrancoAcre e AriquemesRO, dois estabelecimentos frigoríficos; Depois, com o propósito de enfraquecer e afastar os concorrentes, começou a pagar pela arroba do boi em pé valor superior ao de mercado, atraindo para os seus estabelecimentos a quase totalidade dos produtores e vendedores de boi daquelas regiões. Em razão desse procedimento, as duas unidades frigoríficas da Agropastoril Estevam Ltda. conseguiam comprar poucos bovinos, ficando seus empregados na ociosidade, o que passou a gerar constantes e pesados prejuízos, e praticamente impedia o seu funcionamento. Com o seu procedimento, depois de enfraquecer as unidades frigoríficas, a JBS S/A. se propôs a comprálas, pelo preço e condições que lhes eram convenientes. Não mais tendo condições de funcionar, a Agropastoril Estevam Ltda. não teve outra alternativa se não a de curvarse às investidas da JBS S/A., vendendolhe Fl. 5358DF CARF MF Processo nº 10835.721220/201504 Acórdão n.º 1402002.756 S1C4T2 Fl. 5.349 21 suas duas unidades frigoríficas, e se sujeitando (ao impedimento, pelo prazo de 10 (dez) anos, de se estabelecer na mesma atividade." Afirma que, sem nenhuma dúvida, a empresa JBS S/A é sucessora de fato da impugnante e, nessa condição, também responde pelos tributos e multas por ela eventualmente devidos, ainda que referentes a fatos geradores ocorridos antes da sucessão, ainda que objetos de lançamentos efetuados posteriormente. Aduz ainda que "a fls. 4.6284.633 e 4.6394.643 estão demonstrativos cujo enquadramento legal não constitui nenhuma imputação à impugnante, razão porque são refutados sem se descer a qualquer detalhe" e que "sobre a alegação extra auto de infração, de caracterização de grupo econômico, entre pessoas e empresas de filhos e da exesposa do titular da impugnante, é ela também refutada com toda veemência, por não corresponder à realidade". Transcreve jurisprudência e entendimentos doutrinários. 3.3 Márcio Brito Estevam Afirma não ter praticado ato com excesso de poderes ou infração a lei, contrato social ou estatuto, não podendo, assim, sofrer as penalidade que o Fisco quer lhe impor e, ainda, que não existe e nunca existiu grupo econômico familiar, como pretende, sem apoio legal, o Fisco. Transcreve decisões dos tribunais. 3.4 Márcio Brito Estevam Júnior e Marli Cavalcante Estevam Márcio Brito Estevam Júnior diz que, nem como pessoa física e nem como participante de qualquer empresa, teve envolvimento com a empresa Agropastoril Estevam Ltda., especialmente quando esta, em 2012, fez negociações com a empresa JBS S/A. Sustenta que e entendimento que sobre grupo econômico se quer dar é equivocado e antijurídico, porque só o fato de um ente familiar prestar auxílio a outro é coisa comum e corriqueira, que não gera nenhum efeito. Aduz que não caracteriza a existência de grupo econômico, a participação de uma mesma pessoa no quadro societário de várias empresas e transcreve jurisprudência e entendimentos doutrinários. 3.5 MJE Administração de Bens Ltda. Alega que, com a Agropastoril Estevam Ltda., teve apenas relacionamento no que tange ao imóvel em AriquemesRO que alugava à empresa e que não caracteriza a existência de grupo econômico o só fato de uma empresa alugar a outra um imóvel seu, sendo que, no caso a empresa JBS S/A adquiriu da Impugnante o imóvel que esta alugava à Agropastoril Estevam Ltda." Passo a complementar o relatório acima colacionado. Fl. 5359DF CARF MF 22 Da apreciação das Impugnações apresentadas pelo contribuinte e responsáveis, os membros da 4ª Turma de Julgamento da DRJ/BHE julgaramnas parcialmente procedente, para: 1. Rejeitar as preliminares de nulidade de lançamento; 2. Manter parcialmente os créditos tributários exigidos nos seguintes valores: a) R$ 12.133.672,18, correspondentes ao valor principal de IRPJ, a ser acrescido de juros de mora e multa de ofício de 150%; b) R$ 4.519.040,42, a título de valor principal de CSLL, a ser acrescido de juros de mora e multa de ofício de 150%. 3. Afastar a responsabilidade tributária de JBS S/A; 4. Manter a sujeição passiva solidária de MJE Administração de Bens Ltda., Márcio Brito Estevam, Márcio Brito Estevam Júnior e Marli Cavalcante Estevam. O Acórdão nº 02.67.687 da 4ª Turma de Julgamento da DRJ/BHE teve a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/01/2012 a 31/03/2012 ARBITRAMENTO DO LUCRO. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Período de apuração: 01/01/2012 a 31/03/2012 APURAÇÃO DA CSLL. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2012 a 31/03/2012 LANÇAMENTO E VEDAÇÃO AO CONFISCO. O princípio constitucional da vedação ao confisco é dirigido ao legislador e, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála, pois o lançamento é atividade administrativa plenamente vinculada, sob pena de responsabilidade funcional. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Fl. 5360DF CARF MF Processo nº 10835.721220/201504 Acórdão n.º 1402002.756 S1C4T2 Fl. 5.350 23 São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. RESPONSABILIDADE DOS SUCESSORES. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2012 a 31/03/2012 NULIDADE. São nulos apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente, e os despachos e decisões emitidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. DILIGÊNCIA. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Recursos Voluntários Inconformados com a decisão de 1 ª instância, Agropastoril Estevam Ltda., MJE Administração de Bens Ltda., Márcio Brito Estevam Júnior e Marli Cavalcante Estevam, interpuseram Recurso Voluntário a este Conselho, repisando seus argumentos. Ressaltase que Márcio Brito Estevam não interpôs recurso. Agropastoril Estevam Ltda e MJE Administração de Bens Ltda. As recorrentes AGROPASTORIL ESTEVAM LTDA e MJE ADMINISTRAÇÃO DE BENS LTDA apresentam as seguintes alegações: · Não resta dúvida, assim, que a empresa JBS S/A. é sucessora de fato da recorrente, e, nessa condição, também responde pelos tributos e multas por ela eventualmente devidos, mesmo que referentes a fatos geradores ocorridos antes da sucessão, ainda que objetos de lançamentos efetuados posteriormente. · A propósito, a transcrição abaixo: MULTA TRIBUTÁRIA. SUCESSÃO DE EMPRESAS. RESPONSABILIDADE. OCORRÊNCIA. Fl. 5361DF CARF MF 24 A responsabilidade tributária não está limitada aos tributos devidos pelos sucedidos, mas também se refere às multas, moratórias ou de outra espécie, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor. 3. Nada obstante os art. 132 e 133 apenas refiramse aos tributos devidos pelo sucedido, o art. 129 dispõe que o disposto na Seção II do Código Tributário Nacional aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição, compreendendo o crédito tributário não apenas as dívidas decorrentes de tributos, mas também de penalidades pecuniárias (art. 139 c/c § Io do art. 113 do CTN)". (STJ, 2a T., REsp 1017186/SC, Rei. Ministro CASTRO MEIRA, mar/08). · Não deixa dúvida quanto a isso, a incisiva disposição trazida pelo Código Tributário Nacional no seu artigo 133 e respectivo inciso I, abaixo transcritos: "Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato: I integralmente, se o alienante cessar a exploração do comércio, indústria ou atividade; · Tratase, pois, de uma sucessão de atividade empresarial, sendo que; por cláusula imposta pela empresa JBS S/A., a recorrente está impedida, por 10 (dez) anos, do exercício da atividade frigorífica, que era o seu ramo de negócio, como sobressai do contrato cuja cópia se anexa. · A fls. 4.6284.633 e 4.6394,643, do auto de infração, estão demonstrativos cujo enquadramento legal não constitui nenhuma imputação à recorrente, razão porque foram e são refutados sem se descer a qualquer detalhe. · Sobre a alegação e caracterização de grupo econômico, entre pessoas e empresas de filhos e da exesposa do titular da recorrente, é ela também refutada com toda veemência, por não corresponder à realidade, não passando de um excesso intimidatório praticado pelo Fisco. · No tocante à alegação de que a apelada faz parte do grupo econômico em que a composição societária da apelada e da executada tem os mesmos coresponsáveis, a jurisprudência tem adotado o entendimento de que apenas o controle acionário de várias empresas pelas mesmas pessoas físicas não implica necessariamente na existência de grupo econômico. · Ademais, a existência de grupo econômico exige a comunhão de imobilizados, ativos ou força laboral e gerencial comum, não se Fl. 5362DF CARF MF Processo nº 10835.721220/201504 Acórdão n.º 1402002.756 S1C4T2 Fl. 5.351 25 caracterizando com a mera participação de uma pessoa física no rol dos sócios das demais empresas. · Não há, e nunca houve, no caso, interesse comum no fatogerador de qualquer obrigação tributária, e muito menos no negócio celebrado entre a Agropastoril Estevam e a JBS S/A., para a transferência das unidades frigoríficas de Ariquemes e Rio Branco. · Os prédios, onde estava estabelecida a empresa Agropastoril Estevam Ltda., em Ariquemes(RO) e Rio Branco(AC), pertenciam, exclusivamente, há muito tempo, às empresas JEMA PARTICIPAÇÕES LTDA. e M J E ADMINISTRAÇÃO DE BENS LTDA. · O fato de se tratar de empresas pertencentes a filhos do titular da locatária, não traz e nem autoriza nenhum entendimento no sentido de composição de grupo econômico, como está pretendendo o Fisco e aceitou o Acórdão aqui atacado. · Vejase que ambos o Fisco e o Acórdão , não conseguiram desmerecer o que a respeito e em oposição foi dito, e muito menos conseguiram contrariar a farta jurisprudência oferecida e nem indicar decisão ou decisões sérias e fundamentadas que dessem apoio ao seu equivocado entendimento. · A incriminação da recorrente, de dois filhos e da exmulher de Márcio Brito Estevam e de suas empresas, está acomodada em falsas hipóteses, e tem o só propósito de proteger, excluindoa do procedimento fiscal, a multibilionária empresa JBS S/A., única pessoa que, no caso, legalmente responde pelos tributos devidos pela empresa Agropastoril Estevam Ltda., cujos estabelecimentos adquiriu, com todos os funcionários existentes, e a quem impôs a proibição, pelo prazo de 10 (dez) anos, de explorar o mesmo ramo de comércio, como mostram documentos que instruem estes autos. · Todavia, além de manter as pessoas acima mencionadas e suas empresas no procedimento fiscal, dele afastou a empresa JBS S/A., sob os seguintes argumentos: · Argumenta ainda a JBS S/A que os tributos dela exigidos surgiram após a aquisição dos estabelecimentos ou fundos de comércio, o que afastaria sua responsabilidade. Entendo que neste ponto assiste razão à impugnante. Como se sabe o fato gerador do IRPJ, como também da CSLL, é complexivo ou periódico, com apuração trimestral. Ou seja, considerase ocorrido o fato gerador ao final de cada trimestre. No caso ora apreciado, o período objeto de lançamento encerrouse em 31.03.2012 e os tributos correspondentes passaram a ser exigíveis em 03.04.2012, enquanto a transferência dos estabelecimentos ocorreu em 9 de março de 2012, segundo o contrato de venda e compra firmado entre a Agropastoril Estevam Ltda. e a JBS S/A. (fls. 2675 a Fl. 5363DF CARF MF 26 2681). Uma vez que o artigo 133 do CTN determina que o sucessor responde pelos tributos devidos pelo sucedido até a data do negócio, não poderá a JBS S/A. responder pelos tributos cobrados no vertente processo. Nestes termos, a responsabilidade da JBS S/A. pelo crédito tributário constituído no presente processo deverá ser afastada". · "Data vénia", a decisão acima transcrita é canhestra, uma vez que confundiu o que é devido daquilo que é exigido. · No caso, o fato gerador do tributo em questão ocorreu em 09.03.2012, e a sua exigência, segundo a decisão atacada, só aconteceu em 30.04.2012. · Pouco importa a data do vencimento para o pagamento do tributo; o que importa é a data em que o tributo se tomou devido, ou seja, a data do seu FATO GERADOR, ou seja, a data do fato que gera a obrigação de pagar o tributo. Márcio Brito Estevam Júnior e Marli Cavalcante Estevam Os recorrentes Márcio Brito Estevam Júnior e Marli Cavalcante Estevam apresentam as seguintes alegações: · Nem como pessoa física e nem como participante de qualquer empresa, o recorrente teve envolvimento com a empresa Agropastoril Estevam Ltda., especialmente quando esta, em 2012, fez negociações com a empresa JBS S/A. · Portanto, não existe razão e nem apoio legal para que o recorrente tenha sido incluída no auto de infração como responsável solidária de fato, por qualquer transação efetuada entre as empresas Agropastoril Estevam e JBS S/A. · O corpo do auto de infração não há nenhuma acusação no sentido de que o recorrente, seu pai e sua mãe constituem grupo econômico familiar, o que dispensa qualquer impugnação a respeito. · Todavia, no Relatório de Fiscalização foram feitas alegações no sentido de que o recorrente, seu pai e sua mãe constituem, de fato, grupo econômico familiar, alegações essas que não mereceram nenhuma referência no acórdão aqui atacado, o que, para espancar dúvidas e evitar entendimentos equivocados, será aqui também combatido. · O entendimento que sobre o assunto se quer dar é equivocado e antijurídico, porque o só fato de um ente familiar eventualmente prestar auxílio a outro é coisa comum e corriqueira, que não gera nenhum efeito. Fl. 5364DF CARF MF Processo nº 10835.721220/201504 Acórdão n.º 1402002.756 S1C4T2 Fl. 5.352 27 · Também, o só fato da participação de uma mesma pessoa no quadro societário de várias empresas, NÃO caracteriza a existência de grupo econômico. Recurso de Ofício Tendo em vista o afastamento do vínculo de responsabilidade tributária da contribuinte JBS S/A, submeteuse à apreciação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, por força de recurso necessário. Fl. 5365DF CARF MF 28 Voto Conselheiro Evandro Correa Dias, Relator. Os recursos voluntários foram apresentados tempestivamente e deles tomo conhecimento. Do Recurso de Ofício A autoridade fiscal atribui à JBS S/A responsabilidade subsidiária pelo crédito tributário, como se constata pelos seguintes excertos do Relatório Fiscal: · A JBS S/A adquiriu de fato da Agropastoril Estevam LTDA o fundo de comércio e estabelecimentos comercial e industrial e continuou a respectiva exploração, devendo responder pelos tributos devidos pelo alienante, que paralisou a exploração das atividades a partir da data da alienação (Obs: a Agropastoril Estevam Ltda ficou obrigada a suspender a atividade efetivamente explorada responsável por 100% das receitas pelo período de 10 anos, direta ou indiretamente, conforme contrato particular), configurando hipótese de responsabilidade subsidiária prevista no art. 133 inciso II do CTN, in verbis, tendo em vista o exercício de outras atividades pelo grupo econômico e familiar. · A vendedora Agropastoril Estevam Ltda paralisou suas atividades, porém há elementos que demonstram que o grupo familiar prosseguiu na exploração da atividade de criação de bovinos, portanto a responsabilidade do adquirente JBS S/A será classificada como subsidiária nos termos do art. 133 inciso II do CTN. (gn.) · Preceitua o artigo 133, II, do CTN: Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato: I integralmente, se o alienante cessar a exploração do comércio, indústria ou atividade; II subsidiariamente com o alienante, se este prosseguir na exploração ou iniciar dentro de seis meses a contar da data da alienação, nova atividade no mesmo ou em outro ramo de comércio, indústria ou profissão, (g.n.) · Assinalese que, conquanto a autoridade fiscal afirme que a JBS S/A, na compra das unidades frigoríficas, agiu em conluio para reduzir os ganhos de Jema Participações e MJE Administração, desviandoos Fl. 5366DF CARF MF Processo nº 10835.721220/201504 Acórdão n.º 1402002.756 S1C4T2 Fl. 5.353 29 para a Agropastoril Estevam, a responsabilização da empresa se deu exclusivamente com fundamento no artigo 133, II, isto é, foi imputada à JBS S/A a sujeição passiva subsidiária pelos débitos lançados exclusivamente em razão de ter sucedido a Agropastoril Estevam Ltda. Assim, a apreciação da responsabilidade tributária da JBS S/A por este órgão julgador deverá partir desta premissa. Verificase que a sujeição passiva imputada à JBS S/A fundamentase em provas coletadas no curso da ação fiscal: · A receita bruta de vendas de produtos no valor de R$ 68.869.644,04 foi obtida a partir das notas fiscais de saída emitidas pela Agropastoril Estevam Ltda. no período de 02.01.2012 a 22.03.2012. Já a receita pela venda dos estabelecimentos industriais, no montante de R$ 42.354.055,80, está registrada em contrato de venda e compra firmado entre a Agropastoril Estevam Ltda. e a JBS S/A. Observese que este preço não é negado pela JBS S/A, que, como já abordado, apenas pleiteia o reconhecimento de determinadas deduções. Tampouco é contestado pela Agropastoril Estevam. · De acordo com o mencionado contrato de venda e compra, a JBS S/A adquiriu da Agropastoril Estevam Ltda. as "unidades frigoríficas" de Rio Branco, AC, e Ariquemes, RO, ou seja, foram adquiridos os estabelecimentos industriais, correspondentes às filiais da Agropastoril naqueles municípios. Nas palavras da JBS, os ativos dos frigoríficos lhe foram alienados pelo sistema de "porteira fechada", ou seja, a aquisição abrangeu a totalidade das unidades industriais. Demonstra a fiscalização que 99% dos empregados da JBS naquelas unidades eram provenientes da Agropastoril e ainda que, após a alienação, os clientes e fornecedores dos estabelecimentos não se alteraram. Relata a Autoridade Fiscal que: · A sucessão de fato está demonstrada sobretudo porque a JBS SA continuou desenvolvendo a mesma atividade da Agropastoril Estevam Ltda, aproveitandose de mais de 99% da mão de obra e utilizandose de ativos, bens móveis, equipamentos, utensílios, veículos, instalações, aparelhos que integram as unidades frigoríficas de AriquemesRO e Rio BrancoAC, adquiridos da Agropastoril Estevam Ltda pelo preço de R$ 42.354.055,80, além de também adquirir as empresas arrendadoras dos imóveis pertencentes ao grupo econômico e familiar pelo montante de R$3.000.000,00 · E, nos termos do artigo 133 do CTN, a pessoa jurídica que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social, responde pelos tributos relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato, sendo desnecessária a Fl. 5367DF CARF MF 30 comprovação de aquisição do complexo imaterial da vendedora como alega a impugnante. Ressaltase que a responsabilidade da JBS S/A pelo crédito tributário constituído no presente processo foi afastada pela decisão de 1ª Instância nos seguintes termos: · Como se sabe o fato gerador do IRPJ, como também da CSLL, é complexivo ou periódico, com apuração trimestral. Ou seja, considerase ocorrido o fato gerador ao final de cada trimestre. No caso ora apreciado, o período de apuração objeto de lançamento encerrouse em 31.03.2012 e os tributos correspondentes passaram a ser exigíveis em 30.04.2012, enquanto a transferência dos estabelecimentos ocorreu em 9 de março de 2012, segundo o contrato de venda e compra firmado entre a Agropastoril Estevam Ltda. e a JBS S/A (fls. 2675 a 2681). Uma vez que o artigo 133 do CTN determina que o sucessor responde pelos tributos devidos pelo sucedido até a data do negócio, não poderá a JBS S/A responder pelos tributos cobrados no vertente processo. A responsabilidade por sucessão tem seu regramento previsto no artigo 129 e seguintes do CTN. O art. 129 do CTN preceitua que a responsabilidade dos sucessores abrange tanto os créditos definitivamente constituídos à data dos atos nelas referidos, quanto aos créditos constituídos posteriormente desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. Posto que, este artigo aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. Pontuase, nesse caso, que é o momento do ato de alienação que determina a aplicação das regras de responsabilização, há que se falar em responsabilidade do sucessor até a data de alienação. Verificase de acordo com o Art. 1.144 do Código civil que: "O contrato que tenha por objeto a alienação, o usufruto ou arrendamento do estabelecimento, só produzirá efeitos quanto a terceiros depois de averbado à margem da inscrição do empresário, ou da sociedade empresária, no Registro Público de Empresas Mercantis, e de publicado na imprensa oficial". No processo não consta a averbação no Registro Público de Empresas Mercantis e a publicação na imprensa oficial do contrato de alienação do contrato de venda e compra firmado entre a Agropastoril Estevam Ltda. e a JBS S/A, contudo verificase que na que trigésima segunda alteração do contrato social da Agropastoril Estevam Ltda, registrado na JUCESP em 10 de abril de 2012, realizouse o cancelamento das filiais, adquiridas pela JBS S/A, localizadas no endereço na Rodovia BR364, km. 518, Setor Industrial, na cidade de AriquemesRO., CEP76877221 NIRE 11900134665 e CNPJ 64.611.213/000647; na Rodovia BR364, km. 10, Distrito Industrial, na cidade de Rio BrancoAC., CEP69914220 NIRE 12900101563 e CNPJ 64.611.213/000728 (fls. 36 a 42). Portanto considerase que 10 de abril de 2012 é o marco temporal para se falar em responsabilidade do sucessor. Fl. 5368DF CARF MF Processo nº 10835.721220/201504 Acórdão n.º 1402002.756 S1C4T2 Fl. 5.354 31 No caso em concreto, tenho ocorrido o fato gerador do IRPJ e da CSLL e por conseqüência o surgimento da obrigação principal, em 31/03/2002, concluise que a JBS S/A é responsável, por sucessão, pelo crédito tributário constituído no presente processo Fl. 5369DF CARF MF 32 Por essa razão deve ser restabelecida a responsabilidade subsidiária da JBS S/A no termos do Art. 133 inciso II do CTN. No mérito, adoto o critério utilizado na decisão de 1ª Instância para o valor dos bens alienados, conforme informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais, DIPJ, de 2012: · "Como relatado, a fiscalizada deixou de apresentar sua escrituração contábil e fiscal, o que, inclusive, motivou o arbitramento de seu lucro. Com isto, foi obstada a apuração pelo Fisco do efetivo valor contábil dos ativos transferidos, em março de 2012, para a JBS S/A. Todavia, considerandose o relato da autoridade fiscal de que 100% da atividade produtiva da empresa se concentrava nas unidades transferidas, entendo que se pode adotar Processo 10835.721220/201504 como valor contábil dos bens alienados o valor total do imobilizado da empresa em 31/12/2011 informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais, DIPJ, de 2012: R$ 406.852,90 (q.v. fls. 4353)". · "Deste modo, deve ser considerada como ganho de capital a importância de R$ 41.947.202,90 (R$ 42.354.055,80 menos R$ 406.852,90), reduzindose, em conseqüência, o IRPJ devido de R$ 12.235.385,41 para R$ 12.133.672,18 e a CSLL devida de R$ 4.555.657,18 para R$ 4.519.040,42". Dos Recursos Voluntários MJE Administração de Bens Ltda, Marli Cavalcante Estevam e Marcio Brito Estevam Júnior Cumpre destacar que o mérito do lançamento não foi expressamente contestado pelos recorrentes Agropastoril Estevam Ltda., Márcio Brito Estevam Júnior, Marli Cavalcante Estevam e MJE Administração de Bens Ltda. Essencialmente, nos recursos por eles apresentados, argumentaram que a empresa JBS S/A é sucessora de fato da recorrente, e, nessa condição, também responde pelos tributos e multas por ela eventualmente devidos, mesmo que referentes a fato geradores ocorridos antes da sucessão, ainda que objetos de lançamentos efetuados posteriormente. Os recursos apresentados refutaram, também, a caracterização de grupo econômico entre empresas de filhos e da exesposa do proprietário da Agropastoril Estevam Ltda, assim como a responsabilização de tais empresas e de seus sócios pelo crédito tributário exigido, o que será analisado a seguir. Do Relatório Fiscal se extrai o seguinte: "Segundo a escritura pública e contrato particular de compra e venda, a operação de venda foi registrada no valor irrisório de R$ 1.054.443,00. Aparentemente a MJE Administração de Bens Ltda teria feito um negócio extremamente desvantajoso, mas isso não corresponde à verdade dos fatos. A JBS S/A adquiriu a Agropastoril Estevam Ltda, Jema Participações Ltda (arrendadora do estabelecimento de Rio BrancoAC) e MJE Administração Fl. 5370DF CARF MF Processo nº 10835.721220/201504 Acórdão n.º 1402002.756 S1C4T2 Fl. 5.355 33 de Bens Ltda (arrendadora do estabelecimento de AriquemesRO) pelo sistema de "porteira fechada". A JBS S/A contratou empresa especializada para elaboração de laudo de avaliação e procedeu ao rateio do preço pago para registro contábil, que não possui qualquer correspondência com os valores constantes da escritura pública ou da escritura do registro de imóveis. De acordo com o laudo de avaliação às fls. 2890 a 2975, considerando somente a parte de terreno e construções, o estabelecimento adquirido da MJE Administração de Bens Ltda ingressou no ativo contábil da JBS S/A pelo valor de mercado de R$ 9.910.396,72 (R$ 387.082,97 (valor de mercado do terreno) + R$ 9.523.313,75 (valor de mercado das construções), e aproveitouse desse valor justo de mercado para calcular as despesas da depreciação. Resta demonstrado que a venda do estabelecimento da MJE Administração de Bens Ltda à JBS S/A é apenas aparentemente desvantajosa, mas na realidade estes ganhos estão embutidos no preço de venda da Agropastoril Estevam LTDA (que é arrendatária de si mesma) para a JBS S/A através do contrato de venda e compra de unidade frigorífica de AriquemesRO e Rio BrancoAC no montante de R$ 42.354.055,80. Este artifício realizado em evidente conluio com a JBS S/A claramente visava a reduzir os ganhos da M J E Administração de Bens Ltda e desviálos para a Agropastoril Estevam LTDA, cujo patrimônio foi esvaziado (vide DIPJ inativa anocalendário 2013), é grande devedora de tributos, num evidente intuito de frustrar a cobrança dos possíveis créditos tributários lançados contra a Agropastoril Estevam Ltda. [...] Segundo a escritura pública e contrato particular de compra e venda, a operação de venda da área de terra com a construção foi registrada pelo valor irrisório de R$ 1.213.372,00. Ocorre que a verdadeira área construída alienada era de 6.199,69 m2 (vide Laudo de Avaliação da JBS S/A às fls. 2976 a 3069), ou seja, o subfaturamento na venda do imóvel está claro. Aparentemente a Jema Participações teria feito um negócio desvantajoso, mas isso não corresponde à verdade dos fatos. A JBS S/A adquiriu a Agropastoril Estevam Ltda, Jema Participações Ltda (arrendadora do estabelecimento de Rio BrancoAC) e MJE Administração de Bens Ltda (arrendadora do estabelecimento de AriquemesRO) pelo sistema de "porteira fechada". A JBS S/A contratou empresa especializada para elaboração de laudo de avaliação e procedeu ao rateio do preço pago para registro contábil, que não possui qualquer correspondência com os valores constantes da escritura pública de venda e compra. De acordo com o laudo de avaliação, considerando somente a parte de terreno e construções, o estabelecimento adquirido da JEMA Participações Ltda ingressou no ativo contábil da JBS S/A pelo valor de mercado de R$10.438.340,30 (R$ 730.431,84 (valor de mercado do terreno) + R$ 9.707.908,46 (valor de mercado das construções) e aproveitouse desse valor justo de mercado para calcular as despesas da depreciação. Fl. 5371DF CARF MF 34 Resta demonstrado que a venda do imóvel da Jema Participações Ltda à JBS S/A é apenas aparentemente desvantajosa, mas na realidade estes ganhos estão embutidos no preço de venda da empresa Agropastoril Estevam LTDA para a JBS SA através do contrato de venda e compra de unidade frigorífica de AriquemesRO e Rio BrancoAC no montante de R$ 42.354.055,80. Este artifício realizado em evidente conluio com a JBS S/A claramente visava reduzir os ganhos da Jema Participações Ltda e desviálos para a Agropastoril Estevam LTDA, cujo patrimônio foi esvaziado (vide DIPJ inativa anocalendário 2013), é grande devedora de tributos, num evidente intuito de frustrar a cobrança pelo fisco dos possíveis créditos tributários lançados contra a Agropastoril Estevam Ltda. Assim sendo, a Jema Participações Ltda deve responder solidariamente pelo adimplemento integral de todas as obrigações tributárias da Agropastoril Estevam Ltda por ter interesse comum na situação que constitua o fato gerador e por constituir grupo econômico e familiar sob administração de fato em comum, incidindo na hipótese do art. 124, I, do CTN, in verbis. Considerando que a empresa foi baixada na junta comercial (mantémse ativa somente nos cadastros da Receita Federal), o sócio administrador da época dos fatos Marli Cavalcante Estevam e o filho dela sócio administrador Márcio Brito Estevam Júnior devem responder solidariamente pelas dívidas, nos termos do art. 124 inciso I do CTN. [...], não existe qualquer equivalência entre os valores individuais dos bens constantes das escrituras ou contratos de compra e venda dos estabelecimentos da Agropastoril Estevam Ltda (arrendatária), MJE Administração de Bens Ltda (arrendadora) e Jema Participações Ltda (arrendadora) e os valores contabilizados pela JBS S/A no seu ativo. A concentração dos maiores ganhos pela Agropastoril Estevam Ltda na venda das unidades frigoríficas decorrem de diferenças cobradas e recebidas da JBS S/A pela venda dos estabelecimentos das arrendadoras por preço muito menor que o de mercado, ou seja, as receitas de vendas dos imóveis das arrendadoras foram desviadas para a Agropastoril Estevam Ltda." Menciona o Autor do feito, ainda, decisão do Carf prolatada no processo n° 17460.000162/200716, de cujo dispositivo se reproduzem os seguintes trechos (fls. 4273 a 4287): "[...] a empresa Agropastoril Estevam Ltda, originalmente, tinha em seu quadro societário o Sr. Márcio Brito Estevam Jr. e Sra. Marli Cavalcante Estevam, retirandose estes em 16/11/2004; com a admissão, na qualidade de sócios, de Santa Marina Ind. Alimentícia Ltda e Márcio Brito Estevam. [...] a empresa JEMA Participações Ltda tem endereço na Av. Cel José S. Marcondes, 80 apt 11, em Presidente Prudente SP, o qual é o mesmo residencial de seus quatro sócios integrantes. [...] a reforçar a constatação de uma constante transferência de recursos entre as envolvidas, temse que pagamentos creditados à JEMA Participações Ltda, a partir de 12/2005, dizem respeito a arrendamento de um avião, embora não tenha sido apresentada à fiscalização o respectivo contrato entre as duas empresas parceiras. Também não guarda coerência contábil o fato de haver lançamentos de despesas, em 10/2005, de manutenção e revisão geral Fl. 5372DF CARF MF Processo nº 10835.721220/201504 Acórdão n.º 1402002.756 S1C4T2 Fl. 5.356 35 da aeronave arrendado, ou seja, antes do primeiro pagamento a título de arrendamento. Ainda, observase que são pagas pela arrendatária (Santa Marina Alimentos Ltda), conforme registros contábeis e notas fiscais apontadas no Relatório Fiscal, as despesas de condomínio do hangar e manutenção da aeronave. [...] além da constante triangulação de recursos financeiros entre as interessadas, observase, nitidamente, a proeminência do controle societário por parte do sócio com poderes de gerência e administração Sr. Márcio Brito Estevam." Efetivamente, o simples controle de empresas pelas mesmas pessoas físicas ou jurídicas não implica a imediata extensão da responsabilidade pelo crédito tributário para os partícipes daquele grupo econômico, sendo necessário demonstrarse o interesse comum no fato gerador da obrigação tributária. No caso ora apreciado, o interesse comum está caracterizado pela participação da Jema e da MJE no negócio celebrado entre a Agropastoril Estevam e a JBS S/A para transferência das unidades frigoríficas de Ariquemes e Rio Branco. Relembrese que os imóveis, que abrigavam os estabelecimentos industriais e que também foram alienados à JBS na mesma ocasião da venda das unidades frigoríficas, pertenciam à Jema e à MJE. Nestes termos, encontrase evidenciada a realização comum ou conjunta da situação que constituiu o fato gerador. Não há como negar uma clara comunhão de interesses, sendo inequívoca a participação comum na realização do lucro. De outro lado, as vendas dos imóveis da Jema e da MJE por valor inferior ao valor de mercado e a conseqüente sobrevalorização dos ativos transferidos pela Agropastoril Estevam indicam uma continuidade nas "triangulações de recursos financeiros" entre as empresas, já apontadas na decisão do CARF acima reproduzida. Por tais motivos, deve ser mantida a responsabilidade pelo crédito tributário das seguintes pessoas: MJE Administração de Bens Ltda., Marli Cavalcante Estevam e Márcio Brito Estevam Júnior. Quanto à sucessão e responsabilidade tributárias da JBS S/A, essa foi verificada na análise do Recurso de Ofício, configurandose hipótese de responsabilidade subsidiária prevista no art. 133 inciso II do CTN, tendo em vista o exercício de outras atividades pelo grupo econômico e familiar. A Jurisprudência e doutrina trazidos ao processo pelos recorrentes não vinculam a autoridade julgadora, uma vez que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa. Conclusão Ante o exposto, voto por negar provimento aos Recursos Voluntários, e prover em parte o Recurso de Ofício nos seguintes termos: 1. MANTER PARCIALMENTE os créditos tributários exigidos nos seguintes valores: a) R$ 12.133.672,18, correspondentes ao valor principal de IRPJ, a ser acrescido de juros de mora e multa de ofício de 150%; b) R$ Fl. 5373DF CARF MF 36 4.519.040,42, a título de valor principal de CSLL, a ser acrescido de juros de mora e multa de ofício de 150%. 3. RESTABELECER a responsabilidade tributária de JBS S/A; 4. MANTER a sujeição passiva solidária de MJE Administração de Bens Ltda., Márcio Brito Estevam, Márcio Brito Estevam Júnior e Marli Cavalcante Estevam. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Fl. 5374DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.000788/2004-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano calendário: 2000
Ementa: PERC NORMA PROCESSUAIS – PERDA DE PRAZO PARA RECORRER O
PERC tem natureza de recurso processual contra o indeferimento da opção pelo incentivo fiscal efetuada na declaração de rendimentos. Nos termos do Decreto nº 70.235/72, a perda de prazo processual para interposição de recurso administrativo ocorre após
transcorridos 30 dias da ciência da decisão, aplicandose
esse mesmo prazo para o exercício do direito de defesa por meio do PERC.
Numero da decisão: 1401-000.599
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Matéria: IRPJ - outros assuntos (ex.: suspenção de isenção/imunidade)
Nome do relator: Antonio Bezerra Neto
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Nos termos do Decreto nº 70.235/72, a perda de prazo processual para interposição de recurso administrativo ocorre após transcorridos 30 dias da ciência da decisão, aplicandose esse mesmo prazo para o exercício do direito de defesa por meio do PERC. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Sergio Luiz Bezerra Presta, Karem Jureidini Dias e Viviane Vidal Wagner. Fl. 336DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/07/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 31/07/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 10882.000788/200461 Acórdão n.º 1401000.599 S1C4T1 Fl. 316 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 0522.274, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento CampinasSP. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: A contribuinte apresentou o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC/FINAM porque sua opção para aplicação de parcela do IRPJ apurado no anocalendário 2000 no FINAM não foi reconhecida, pois à data do processamento da declaração de rendimentos constatouse que a empresa possuía pendências junto ao FGTS. Além disso, a Receita Federal informou ser sem efeito a opção efetivada após 02/05/2001. O PERC em questão, entretanto, foi indeferido, conforme despacho de fls. 216/219, sob a alegação de que tal pedido era intempestivo, visto que apresentado em 23/04/2004, quando o prazo limite era a data de 28/11/2003. Irresignada com a decisão, cuja ciência foi dada em 06/11/2007, a interessada, por intermédio de seus representantes legais, apresentou em 29/11/2007, manifestação de inconformidade de fls. 240/264, na qual, em síntese, alega: (a) Não existe disposição legal sobre o prazo para a apresentação do PERC; (b) O prazo constante do Decretolei n.° 1.376/74 não se refere à apresentação do PERC, mas sim a outra situação particular, diversa da situação do caso em concreto, pois se refere a prazo para que os contribuintes procurem seus títulos de quotas destinadas aos fundos de investimento, e não para que peçam a revisão de Extrato de Aplicação em Investimento Fiscal, não podendo, portanto, ser aplicado; (c) O Ato Declaratório Executivo Corat n.° 52 não tem base legal, nem fundamentação, sendo, por isso, inaplicável ao caso; (d) O prazo para a protocolização do PERC é de cinco anos, prazo esse correspondente ao prazo de decadência do tributo, como já decidiu o E. Conselho de Contribuintes; (e) Caso assim não se entenda o prazo para a apresentação do PERC seria de um ano, nos termos do art. 60 do Decreto n.° 20.910/32; (f) A Recorrente tomou ciência do Extrato em 14/08/2003, tendo protocolizado seu PERC em 23/04/2004, portanto, tempestivamente. (g) Quanto ao mérito, é certo que as instruções de preenchimento da DIPJ /2002, anocalendário de 2001, não podem ser aplicadas à DIPJ/2001, ano calendário 2000; Fl. 337DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/07/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 31/07/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 10882.000788/200461 Acórdão n.º 1401000.599 S1C4T1 Fl. 317 3 (h) O Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais emitido pela SRF não especifica quais seriam os supostos débitos em aberto, o que impede a comprovação efetiva da regularidade da situação fiscal pela Recorrente, fato esse que por si justifica o acolhimento do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC/2001; (i) A Recorrente não possuía (e não possui) débitos junto ao FGTS em aberto, tendo em vista a suspensão da exigibilidade dos débitos por meio da realização de depósitos judiciais; (j) no momento em que foi cassada a sentença favorável, a Recorrente passou a recolher os valores devidos de FGTS, regularmente, nas respectivas datas de vencimento; e (k) somente débitos existentes à época da ocorrência do fato gerador do tributo (31/12/2000), o que no, caso em concreto, não existiam, teriam o condão de acarretar a desconsideração das destinações ao FINAM, sendo descabido que débitos posteriores de FGTS venham a retroagir e atingir o fato gerador já concretizado. A DRJ, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 ORDEM DE EMISSÃO DE CERTIFICADO DE INVESTIMENTO. INTEMPESTIVIDADE. PERC/FINAM. O pedido de revisão de ordem de emissão de incentivos fiscais deve ser efetuado até o dia 30 de setembro do terceiro ano subseqüente ao ano calendário a que corresponder a opção, mesmo nos caso de falta de emissão pela Secretária da receita Federal do extrato das aplicações em incentivos regionais. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este Conselho, repisando os tópicos trazidos anteriormente. É o relatório. Fl. 338DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/07/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 31/07/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 10882.000788/200461 Acórdão n.º 1401000.599 S1C4T1 Fl. 318 4 Voto Conselheiro ANTONIO BEZERRA NETO, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo, portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a presente lide decorre da não emissão de ofício do incentivo fiscal, relativo ao exercício de 2001, em razão da existência junto ao FGTS. Além disso, a Receita Federal informou ser sem efeito a opção efetivada após 02/05/2001. Tendo a recorrente protocolizado o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais – PERC, O PERC em questão, entretanto, foi indeferido, conforme despacho de fls. 216/219, sob a alegação principal de que tal pedido era intempestivo, visto que apresentado em 23/04/2004, quando o prazo limite era a data de 28/11/2003. A DRJ nesse mesmo passo, também não enfrentou o mérito da questão, por também discordar da tempestividade do pedido de revisão apresentado. Passo então a enfrentar essa questão preliminar. A DRJ, independente de a recorrente ter ou não recebido o referido extrato, ampara o seu entendimento em atos administrativos infralegais, no sentido de usar um prazo fixo contado a partir do momento da opção pelo incentivo. Esse prazo estaria especificado no parágrafo 5º do art. 15 do Decretolei nº 1.376, de 12 de dezembro de 1974, com a redação dada pelo art. 1º do Decretolei nº 1.752, de 31 de dezembro de 1979, abaixo transcrito: O artigo 15 do Decretolei nº 1.376, de 12 de dezembro de 1974, passa a vigorar com a seguinte redação: Art. 15. A Secretaria da Receita Federal, com base nas opções exercidas pelos contribuintes e no controle dos recolhimentos, encaminhará, para cada exercício, aos Fundos referidos neste Decretolei e à EMBRAER, registros de processamento eletrônico de dados que constituirão ordens de emissão de certificados de investimentos e ações novas da EMBRAER, em favor das pessoas jurídicas optantes. (...) § 5º Reverterão para os Fundos de Investimento os valores das ordens de emissão cujos títulos pertinentes não forem procurados pelas pessoas jurídicas optantes até o dia 30 de setembro do segundo ano subseqüente ao exercício financeiro a que corresponder a opção. (grifei). Ou seja, a DRJ indeferiu o pedido de revisão com base nesse dispositivo legal que prevê a reversão para os Fundos de Investimentos dos valores das ordens de emissão cujos títulos não forem procurados até determinada data, uma vez que fez equivaler por analogia essa situação àquela em que a pessoa, por qualquer motivo, não procura saber do resultado de sua Fl. 339DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/07/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 31/07/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 10882.000788/200461 Acórdão n.º 1401000.599 S1C4T1 Fl. 319 5 opção feita por ocasião da entrega da declaração, nem contesta a falta do extrato respectivo ou a irregularidade na sua emissão. Embora não estejamos a falar propriamente de criação de tributo, ex vi art. 108 do CTN, é bom que se coloque que o nosso sistema tributário como um todo não é tolerante com o emprego de analogia para criação de consequência jurídica não prevista em Lei. O que ele permite e é louvável dada a complexidade do mundo fenomênico é permitir o uso de analogia para tratar hipóteses fáticas assemelhadas. O que o sistema sinaliza é o conjunto das hipóteses de fato é um sistema aberto e o conjunto das conseqüências jurídicas é um conjunto fechado, pois esse último visa privilegiar o primado da legalidade e da segurança jurídica. Pois bem, não consigo vislumbrar no parágrafo 5º do art. 15 do Decretolei nº 1.3761974 a consequência jurídica que representaria a hipótese de norma de caducidade do direito de discutir o indeferimento daquele extrato. Estarseia criando uma outra consequência jurídica não prevista no sistema, o que é vedado. Todavia, é verdade que, em nome do princípio da segurança jurídica, deve o exercício de qualquer direito submeterse à limitação temporal a fim de que as relações jurídicas não se eternizem no tempo. E que prazo, então, seria esse? Por óbvio que seria o prazo processual de 30 dias previsto no CTN. Afinal não se está no caso a se discutir um prazo para usufruir um eventual Direito Subjetivo ligado a algum Direito Objetivo previsto no ordenamento positivo. O Direito subjetivo já foi negado em um primeiro momento pela administração e o que se quer é se apresentar uma manifestação de inconformidade contrato esse ato (extrato). Cabe salientar que o extrato em tese pode muito bem cumprir esse papel fundamentando o motivo da negativa e propiciando ao contribuinte as condições para exercício do seu direito de defesa. O instrumento adequado para a manifestação é o PERC, em que o interessado recorre do indeferimento a sua opção formalizada. Por outro lado é verdade que outrora a CSRF já se pronunciou em sentido contrário ao que se ora defende. Asseverou no passado que, não existindo norma específica valeria a regra geral do CTN, prevista no seu art. 168. Dessa forma, assegurado estaria o direito do interessado repetir ou reclamar qualquer direito no prazo de 5(cinco) anos a contar da ciência do documento que não reconheceu a aplicação. CSRF/0105.255 (14/06/2005 “NORMAS PROCESSUAIS APLICAÇÕES EM INCENTIVOS FISCAIS DE IRPJ PERC PEDIDO DE REVISÃO PRAZO Inexistindo prazo específico para se > pleitear a revisão de extrato de aplicação em incentivos fiscais zerado pela SRF, não é cabível o recurso a analogia para restringir o direito do contribuinte a apreciação de sue pedido de revisão do indeferimento, devendose tomar por base a regra geral do art. 168 do CTN.” Porém, esse posicionamento já foi reformado pelo Acórdão nº CSRF/0105.754 de 10/09/2007 e atualmente defende o mesmo entendimento aqui esposado neste voto: “PERC NORMA PROCESSUAIS – PERDA DE PRAZO PARA RECORRER O PERC tem natureza de recurso processual contra o indeferimento da opção pelo incentivo fiscal efetuada na declaração de rendimentos. Nos termos do Decreto nº Fl. 340DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/07/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 31/07/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 10882.000788/200461 Acórdão n.º 1401000.599 S1C4T1 Fl. 320 6 70.235/72, a perda de prazo processual para interposição de recurso administrativo ocorre após transcorridos 30 dias da ciência da decisão, aplicandose esse mesmo prazo para o exercício do direito de defesa por meio do PERC.” Assim, em vista do brilhantismo com que o Conselheiro Marcos Vinicius Neder fundamentou caso assemelhado, passo também a adotar como razão de decidir os fundamentos utilizados nessa Decisão, abaixo reproduzidos: “A questão posta ao conhecimento do Colegiado cingese em identificar qual a regra aplicável na definição do prazo legal para interposição do pedido de revisão da ordem de emissão de incentivos fiscais – PERC. A decisão recorrida utiliza o prazo previsto no Decreto nº 70.235/72, enquanto o aresto paradigma sustenta o prazo de cinco anos previsto no artigo 168 do CTN para restituição de tributos. Ressaltese, por oportuno, que a opção pela aplicação em incentivos fiscais é formalizada na declaração de rendimentos e só se transforma em investimentos a partir do momento da concordância da SRF da opção formalizada. Enquanto a homologação expressa da Receita Federal não ocorrer, os valores informados na declaração de rendimentos do contribuinte para serem aplicados em incentivos fiscais continuam sendo receitas públicas da União. Na verdade, se a pessoa jurídica tem sua apuração com base no Lucro Real, pode optar investimento no Fundo de Investimentos da Amazônia FINAM, destinando parcela de seu imposto de renda, cuja rentabilidade e valorização serão retorno dos investimentos. O investimento no FINAM proporciona a implantação de projetos aprovados pela Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia SUDAM. Por isso, muitos classificam o incentivo de investimento no FINAM dentro do gênero restituição, numa espécie próxima ao ressarcimento de tributos, pois o imposto que seria pago retorna, por força da norma incentivadora, ao patrimônio do contribuinte na forma de um ativo. Com efeito, o procedimento administrativo previsto para gozo do mencionado incentivo iniciase com a opção pela aplicação em incentivos fiscais na declaração de rendimentos. O passo seguinte é a homologação expressa da Receita Federal que emite os Extratos das Aplicações em Incentivos Fiscais e envia aos Fundos de Investimento, conforme estabelecido no artigo 1º do Decretolei nº 1.752/79. Art 1º O artigo 15 do Decretolei nº 1.376, de 12 de dezembro de 1974, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 15 A Secretaria da Receita Federal, com base nas opções exercidas pelos contribuintes e no controle dos recolhimentos, encaminhará, para cada exercício, aos Fundos referidos neste Decretolei e à EMBRAER, registros de processamento eletrônico de dados que constituirão ordens de emissão de Fl. 341DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/07/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 31/07/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 10882.000788/200461 Acórdão n.º 1401000.599 S1C4T1 Fl. 321 7 certificados de investimentos e ações novas da EMBRAER, em favor das pessoas jurídicas optantes. A emissão do extrato representa um ato administrativo da Secretaria da Receita Federal e que tem por objetivo informálo a respeito da confirmação ou alteração dos dados relativos à opção pelos incentivos fiscais e, nesta hipótese (alteração), a sua respectiva motivação. Os Extratos ficam em poder do Fundo de Investimento, como se depreende da regra decadencial prevista no parágrafo 5º do artigo 1º do Decretolei nº 1.752/79, a saber: “§ 5º Reverterão para os Fundos de Investimento os valores das ordens de emissão cujos títulos pertinentes não forem procurados pelas pessoas jurídicas optantes até o dia 30 de setembro do segundo ano subseqüente ao exercício financeiro que corresponder a opção.” O Extrato propicia ao contribuinte as condições para exercício do seu direito de defesa e conseqüente manifestação da sua inconformidade ao órgão local da Secretaria da Receita Federal quanto aos itens eventualmente alterados em conseqüência da revisão realizada. O instrumento adequado para a manifestação é o PERC, em que o interessado recorre do indeferimento a sua opção formalizada. Para definição do prazo de interposição do PERC, a autoridade de primeiro grau entende aplicável a espécie a regra decadencial do parágrafo 5º acima transcrito. Vê, contudo, que a hipótese fática específica dos autos não se subsume a previsão normativa, pois esse diploma legal trata dos casos em que as ordens de emissão de certificados foram homologadas e não resgatadas pelos beneficiados no FINAM até o dia 30 de setembro do segundo ano subseqüente ao exercício financeiro que corresponder a opção. No caso presente, não houve o reconhecimento do direito, por parte da SRF, pela opção em incentivos fiscais formalizada pela contribuinte. Foram, inclusive, emitidos Extratos das Aplicações com divergência de valor. Ressaltese que, alterando minha posição esposada no julgado que serviu de paradigma para o recurso especial, não vislumbro também a possibilidade de se empregar o prazo do art. 168 do CTN para a apresentação do PERC. Mesmo que se pretendesse equiparar o procedimento administrativo de aplicação do imposto de renda em investimentos do FINAM ao procedimento de restituição/ressarcimento de tributo, seria o ato de opção da contribuinte pela aplicação no FINAM efetuada na DIPJ aquele ato que se equipararia ao pedido de ressarcimento do tributo. A apresentação do PERC, por outro lado, tem natureza processual e equiparase a manifestação de inconformidade contra o ato de indeferimento da Administração. O PERC investe contra a Fl. 342DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/07/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 31/07/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 10882.000788/200461 Acórdão n.º 1401000.599 S1C4T1 Fl. 322 8 alteração da opção pela aplicação prevista no incentivo, contida no Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais. Assim, entendo inaplicável a regra geral de restituição de tributos previsto do artigo 168 do Código Tributário Nacional para interposição do PERC. Acompanho a decisão recorrida, no entendimento de que o prazo aplicável é de 30 dias como previsto na regra processual o art. 15 do Decreto nº 70.235/72. Como o pedido foi feito após tal prazo legal, voto no sentido de negar provimento ao recurso.” Contudo, para dar eficácia a esse prazo deve existir nos autos a prova (AR) com a indicação precisa da data de recebimento do extrato, para fins de contagem do prazo de 30(trinta) dias, caso contrário, ou seja na falta dessa prova, venho dando provimento ao recurso do contribuinte para que ultrapassada a questão preliminar do prazo, se analise o mérito. Porém no presente caso existe essa prova, sim. A Recorrente desde a fase impugnatória como também no recurso voluntário afirma categoricamente que tomou ciência do Extrato em 14/08/2003, tendo protocolizado seu PERC em 23/04/2004, portanto, pela tese acima adotada pela CSRF, intempestivo estaria o seu pedido, sendo despiciendo, pois, a análise do mérito. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso, considerando que o interessado formalizou o pedido após o prazo limite previsto na legislação que rege o assunto, mesmo considerando o prazo mais elástico adotado pela CSRF. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 343DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/07/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 31/07/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER
score : 1.0
Numero do processo: 15504.726198/2015-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO.
Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 2201-003.981
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, em razão da intempestividade verificada.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
EDITADO EM: 31/10/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, em razão da intempestividade verificada. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora. EDITADO EM: 31/10/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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score : 1.0
Numero do processo: 11075.720018/2007-59
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. TEMPESTIVIDADE. INÍCIO DA AÇÃO FISCAL
A partir do exercício de 2001, tornou-se requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural a apresentação de Ato Declaratório Ambiental - ADA, protocolizado junto ao Ibama. A partir de uma interpretação teleológica do dispositivo instituidor, é de se admitir a apresentação do ADA até o início da ação fiscal. No caso em questão, o ADA não foi protocolizado antes do início da ação fiscal. Destarte, não é possível a exclusão da área de APP declarada da base de cálculo do ITR.
Numero da decisão: 9202-005.774
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento parcial.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci (Suplente convocado).
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1743; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 186 1 185 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11075.720018/200759 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9202005.774 – 2ª Turma Sessão de 31 de agosto de 2017 Matéria ITR Recorrente MARINA FERREIRA VIGNA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. TEMPESTIVIDADE. INÍCIO DA AÇÃO FISCAL A partir do exercício de 2001, tornouse requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural a apresentação de Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolizado junto ao Ibama. A partir de uma interpretação teleológica do dispositivo instituidor, é de se admitir a apresentação do ADA até o início da ação fiscal. No caso em questão, o ADA não foi protocolizado antes do início da ação fiscal. Destarte, não é possível a exclusão da área de APP declarada da base de cálculo do ITR. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento parcial. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 5. 72 00 18 /2 00 7- 59 Fl. 186DF CARF MF Processo nº 11075.720018/200759 Acórdão n.º 9202005.774 CSRFT2 Fl. 187 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci (Suplente convocado). Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 2202001.537, prolatado pela 2a Turma Ordinária da 2a. Câmara da 2a Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 18 de janeiro de 2012 (efls. 120 a 124). Ali, pelo voto de qualidade, negouse provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e decisão a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE/ RESERVA LEGAL. EXIGÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) POR LEI. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A partir do exercício de 2001, com a introdução do art. 17 na Lei nº 6.938, de 1981, por força da Lei nº 10.165, de 2000, o Ato Declaratório Ambiental (ADA) passou a ser obrigatório para fins de exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR. Recurso negado. Decisão: pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo, Guilherme Barranco de Souza e Pedro Anan Junior, que proviam o recurso. Enviados os autos à contribuinte para fins de ciência, ocorrida em 11/04/2012 (efl. 128), esta apresentou, em 26/04/2012 (efl. 130), Recurso Especial (efls. 130 a 145 e anexos), com fulcro nos arts. 67 e 68 do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22.06.2009. O recurso contém alegações de existência de divergência interpretativa quanto à apresentação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA), tendo sido admitido consoante exame de admissibilidade de efls. 172 a 175. Após defender a tempestividade do Recurso, alegase, no pleito, divergência em relação ao decidido pela 2a. Turma desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, através dos Acórdão 9.20201.901 e 9.20201.902, prolatados em 29 de novembro de 2011, de ementas e decisões a seguir transcritas: Acórdão CSRF 920201.901 Fl. 187DF CARF MF Processo nº 11075.720018/200759 Acórdão n.º 9202005.774 CSRFT2 Fl. 188 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ITR. ÁREAS DE RESERVA LEGAL E PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO VIA LAUDOS PERICIAIS. ADA INTEMPESTIVO. VALIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. Tratandose de áreas de reserva legal e preservação permanente, devidamente comprovadas mediante documentação hábil e idônea, notadamente Laudos Periciais e Averbação (Reserva Legal) à margem da matrícula do imóvel, formalizadas antes da ocorrência do fato gerador, ainda que não apresentado Ato Declaratório Ambiental ADA, impõese o reconhecimento de aludidas áreas, glosadas pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. INSTRUÇÕES NORMATIVAS. LIMITAÇÃO LEGAL. Às Instruções Normativas é defeso inovar, suplantar e/ou coarctar os ditames da lei regulamentada, sob pena de malferir o disposto no artigo 100, inciso I, do CTN, mormente tratandose as IN’s de atos secundários e estritamente vinculados à lei decorrente. Decisão: por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Marcelo Oliveira. Acórdão CSRF 920201.902 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ITR. ÁREAS DE RESERVA LEGAL E PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO VIA LAUDOS PERICIAIS. ADA INTEMPESTIVO. VALIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. Tratandose de áreas de reserva legal e preservação permanente, devidamente comprovadas mediante documentação hábil e idônea, notadamente Laudos Periciais e Averbação (Reserva Legal) à margem da matrícula do imóvel, formalizadas antes da ocorrência do fato gerador, ainda que não apresentado Ato Declaratório Ambiental ADA, impõese o reconhecimento de aludidas áreas, glosadas pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material. Fl. 188DF CARF MF Processo nº 11075.720018/200759 Acórdão n.º 9202005.774 CSRFT2 Fl. 189 4 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. INSTRUÇÕES NORMATIVAS. LIMITAÇÃO LEGAL. Às Instruções Normativas é defeso inovar, suplantar e/ou coarctar os ditames da lei regulamentada, sob pena de malferir o disposto no artigo 100, inciso I, do CTN, mormente tratandose as IN’s de atos secundários e estritamente vinculados à lei decorrente. Decisão: por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Marcelo Oliveira. Quanto à matéria em litígio, apresentação tempestiva do ADA para fins de exclusão de área de preservação permanente da base de cálculo do ITR, se alega que: a) Improcede a alegação de que não houve a comprovação da área de preservação permanente declarada, uma vez que foi apresentado Laudo Técnico lavrado por Engenheiro Florestal, acompanhado da ART; b) Entende a recorrente que, conforme dispõe o parágrafo 7o., artigo 10, da Lei no. 9.393, de 19 de dezembro de 1996, alterada pela Medida Provisória n. 2.16667, de 24 de agosto de 2001, essa área não está sujeita a prévia comprovação por parte do declarante, tendo o dispositivo legal retro, posterior a Lei no. 10.165, de 2000, revogado todas as disposições em contrário. Assim, entende que a redução da área tributável do ITR não está condicionada à posterior obtenção de Ato Declaratório Ambiental junto ao IBAMA. Comprovada, por meio idôneo, a existência destas áreas, a falta de ADA não pode embasar o lançamento. Cita jurisprudência do STJ que a ampararia. Requer, assim, que seja admitido e provido o presente Recurso Especial apresentado, para fins de reforma do acórdão ora recorrido e extinção do crédito tributário. Encaminhados os autos à Fazenda Nacional para fins de ciência, houve oferecimento de contrarrazões tempestivas de efls. 163 a 171, onde a sua Procuradoria: a) Cita o estabelecido no art. 10, §1o. inciso II, da Lei no. 9.393, de 1996, defendendo que o mesmo estabelece concessão de benefício fiscal e, assim, deve ser interpretado literalmente, de acordo com o art. 111 do CTN; b) Relembra que a exigência do ADA encontrase consagrada na Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17O, § 1º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000, e que, até o Exercício 2005, a legislação tributária não obrigava a entrega do ADA ao Ibama anualmente. Assim, caso tivesse protocolado um ADA anteriormente o contribuinte somente estava obrigado a apresentar outro se houvesse alteração das áreas nãotributáveis do imóvel. No caso, porém, não foi comprovado que a interessada apresentou ADA que seja tempestivo para o Exercício aqui tratado. Para exclusão da área da incidência do ITR no Exercício ora tratado, o contribuinte deveria protocolar o ADA no Ibama, ou em órgãos ambientais estaduais delegados por meio de convênio, no prazo de até 6 (seis) meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da declaração, conforme art. 9º, § 3º, inciso I, da IN SRF nº 256, de 2002; Fl. 189DF CARF MF Processo nº 11075.720018/200759 Acórdão n.º 9202005.774 CSRFT2 Fl. 190 5 c) Para as áreas de preservação permanente, além da comprovação do cumprimento da obrigação de protocolar o ADA junto ao Ibama, dentro do prazo estipulado na legislação tributária, sua existência deve ser comprovada com a apresentação de Laudo Técnico emitido por Engenheiro Agrônomo ou Florestal, acompanhado da ART, que apresente uma perfeita indicação do total de áreas do imóvel que se enquadram nessa definição e mencione especificamente em que artigo da Lei n.º 4.771/1965 (Código Florestal), com as alterações da Lei n.º 7.803/1989, a área se enquadra. São consideradas de preservação permanente as áreas definidas nos artigos 2º e 3º do Código Florestal, e há necessidade de identificação essas áreas por meio de laudo técnico, com indicação dos dispositivos legais em que se enquadram, tendo em vista que, para as indicadas no art. 3º, também é exigida declaração por ato do Poder Público, consoante previsão nele contida; d) O princípio da verdade material, ou da liberdade na prova, que vigora no processo administrativo, confere ao julgador administrativo maior elasticidade na apreciação das provas, podendo lançar mão de provas por ele próprio coletadas, além de poder determinar a produção de novas provas não produzidas pelas partes, se entender necessário. Esse princípio está ligado ao princípio da legalidade, pois o julgador deve buscar exatamente o que determina a lei, e ao princípio do informalismo, que dispensa formas rígidas para o processo administrativo, bastando as formalidades necessárias à obtenção da certeza jurídica e à segurança procedimental, o que permite concluir que a verdade material pode não corresponder à realidade dos fatos, para fins tributários, se o fato comprovado não encontrar previsão na lei tributária; e) Assim, em razão do não cumprimento de exigência prevista em Lei, que é a entrega tempestiva do ADA ao Ibama, não é possível afastar da tributação a área de preservação permanente declarada no Exercício em questão. Requer, assim, que seja negado provimento ao Recurso Especial interposto. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator Pelo que consta no processo quanto a sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade. Assim, conheço do recurso e passo à análise de mérito. Para que todos possam firmar suas convicção quanto ao mérito recursal, destaco os seguintes elementos de interesse acostados aos autos: a) Início da ação fiscal: 05/10/2007, consoante efl. 13; b) ADA/2003 não há. c) Laudo anexado pelo contribuinte efls. 22 e ss. Fl. 190DF CARF MF Processo nº 11075.720018/200759 Acórdão n.º 9202005.774 CSRFT2 Fl. 191 6 Limitado o litígio assim, à possibilidade de exclusão dos 238,3 ha. a título de área de preservação permanente (consoante demonstrativo de efl. 4), acerca do tema entendo que a fruição da redução da base de cálculo do ITR (possuidora, a meu ver de natureza isentiva), seja por áreas de preservação permanente ou de interesse ecológico, encontra um de seus requisitos legais claramente estabelecido, desde 2000, a partir do disposto no art. 17O da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, em especial em seu caput e parágrafo 1º, com atual redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000, verbis: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000)(...)o. § 1oA utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) (g.n.) Ou seja, mandatório para que se admita a redução da base tributável de áreas a título de Preservação Permanente ou de Interesse Ecológico que constem as mesmas de ADA entregue ao IBAMA. Tratase aqui, notese, de dispositivo legal específico, posterior à Lei no. 9.393, de 1996, restando, assim, quando da instituição de tal requisito, plenamente respeitado o princípio da Reserva Legal. Notese ser plenamente consistente a coexistência de tal obrigação com a vigência e aplicação da Lei no. 9.393, de 1996, sem qualquer tipo de antinomia. Ainda, de se rejeitar qualquer argumentação de revogação do dispositivo pelo §7° do art. 10 da Lei n.° 9.393, de 1996, instituído pela Medida Provisória n.° 2.16667, de 2001. O que se estabelece ali é uma desnecessidade de comprovação prévia tão somente no momento da declaração (DITR), sendo perfeitamente factível, porém, que, posteriormente, em sede de ação fiscal, sejam demandados elementos necessários à comprovação do constante na DITR do declarante e realizado o lançamento no caso de insuficientes elementos comprobatórios, a partir do expressamente disposto nos arts. 14 e 15 daquela referida Lei no. 9.393, de 1996. Tal posicionamento encontrase muito bem detalhado no âmbito do Acórdão CSRF 9202003.620, de 04 de março de 2015, no qual funcionei como Redator ad hoc do voto vencedor em substituição ao redator do voto designado, Dr. Alexandre Naoki Nishioka, adotando assim aqui seus fundamentos a seguir como razões de decidir, verbis: "(...) Pois bem. Muito embora inexistisse, até o exercício de 2000, qualquer fundamento para a exigência da entrega do ADA como requisito para a fruição da isenção, com o advento da Lei Federal n.° 10.165/2000 alterouse a redação do §1° do art. 17 O da Lei n.° 6.938/81, que passou a vigorar da seguinte forma: "Art. 17O. Fl. 191DF CARF MF Processo nº 11075.720018/200759 Acórdão n.º 9202005.774 CSRFT2 Fl. 192 7 (...) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória." Ora, de acordo com uma interpretação evolutiva do referido dispositivo legal, isto é, cotejandose o texto aprovado quando da edição da Lei n.° 9.960/00, em contraposição à modificação introduzida pela Lei n.° 10.165/00, verificase que, para o fim específico da legislação tributária, passouse a exigir a apresentação do ADA, como requisito inafastável para a fruição da redução da base de cálculo prevista pela Lei n.° 9.393/96, mais especificamente por seu art. 10, §1°, II. Assim, sendo certo que as normas que instituem isenções devem ser interpretadas de forma estrita, ainda que não se recorra somente ao seu aspecto literal, como se poderia entender de urna análise superficial do art. 111, do Código Tributário Nacional, fato é que, no que atine às regras tratadas como exclusão do crédito tributário pelo referido codex, a legislação não pode ser interpretada de maneira extensiva, de maneira que não há como afastar a exigência do ADA para o fim específico de possibilitar a redução da base de cálculo do ITR. (...)" Atendose mais especificamente ao caso em questão, notase, ao compulsar os autos, que o referido requisito de apresentação do ADA não foi efetivamente cumprido pela contribuinte. A propósito, quanto ao momento de entrega do ADA, com a devida vênia aos Conselheiros que adotam posicionamento diverso, o melhor posicionamento é, novamente em linha com o adotado no âmbito do mesmo Acórdão CSRF 9202003.620, admitir a protocolização do Ato Declaratório Ambiental até o início da ação fiscal, com fulcro nos seguintes fundamentos: "(...) Feita esta observação, relativa, portanto, à obrigatoriedade de apresentação do ADA, cumpre mover à análise do prazo em que poderia o contribuinte protocolizar referida declaração no órgão competente. No que toca a este aspecto específico, tenho para mim que é absolutamente relevante uma digressão a respeito da mens legis que norteou a alteração do texto do art. 17O da Lei n.° 6.938/81. Analisandose, nesse passo, o real intento do legislador ao estabelecer a obrigatoriedade de apresentação do ADA, podese inferir que a mudança de paradigma deveuse a razões atinentes à efetividade da norma isencional, especialmente no que concerne à aferição do real cumprimento das normas ambientais pelo contribuinte, de maneira a permitir que este último possa usufruir da redução da base de cálculo do ITR. Fl. 192DF CARF MF Processo nº 11075.720018/200759 Acórdão n.º 9202005.774 CSRFT2 Fl. 193 8 Em outras palavras, a efetiva exigência do ADA para o fim específico da fruição da redução da base de cálculo do ITR foi permitir uma efetiva fiscalização por parte da Receita Federal da preservação das áreas de reserva legal ou de preservação permanente, utilizandose, para este fim específico, do poder de polícia atribuído ao IBAMA. Em síntese, podese afirmar que a alteração no regramento legal teve por escopo razões de praticabilidade tributária, a partir da criação de um dever legal que permita, como afirma Helenílson Cunha Pontes, uma "razoável efetividade da norma tributária'" (PONTES, Helenílson Cunha. O princípio da praticidade no Direito Tributário (substituição tributária, plantas de valores, retenções de fonte, presunções e ficções, etc.): sua necessidade e seus limites. In: Revista Internacional de Direito Tributário, v. 1, n.° 2. Belo Horizonte, jul/dez2004, p. 57) , no caso da norma isencional. De fato, no caso da redução da base de cálculo do ITR, mais especificamente no que atine às áreas de interesse ambiental lato senso, além da necessidade de fiscalizar um número extenso de contribuintes, exigirseia, não fosse a necessidade da obrigatória protocolização do ADA, que a Receita Federal tomasse para si o dever de fiscalizar o extenso volume de propriedades rurais compreendido no território nacional, o que, do ponto de vista econômico, não teria qualquer viabilidade. Por esta razão, assim, passouse, com o advento da Lei Federal n.° 10.165/00 a exigir, de forma obrigatória, a apresentação do ADA para o fim de permitir a redução da base de cálculo do ITR, declaração esta sujeita ao poder de polícia do IBAMA. Tratandose, portanto, da interpretação do dispositivo em comento, deve o aplicador do direito, neste conceito compreendido o julgador, analisar o conteúdo principiológico que norteia referido dispositivo legal, a fim de conferirlhe o sentido que melhor se amolda aos objetivos legais. Partindose desta premissa basilar, verificase que o art. 17O da Lei n.° 6.938/81, em que pese o fato de imprimir, de forma inafastável, o dever de apresentar o ADA, não estabelece qualquer exigência no que toca à necessidade de sua protocolização em prazo fixado pela Receita Federal para o fim específico de permitir a redução da base de cálculo do ITR. A exigência de protocolo tempestivo do ADA, para o fim específico da redução da base de cálculo do ITR, não decorre expressamente de lei, mas sim do art. 10, §3°, I, do Decreto n.° 4.382/2002, que, inclusive, data de setembro de 2002, (...). (...) Com efeito, sendo certo que a instituição de tributos ou mesmo da exclusão do crédito tributário, na forma como denominada pelo Código Tributário Nacional, são matérias que devem ser integralmente previstas em lei, na forma como estatuído pelo art. Fl. 193DF CARF MF Processo nº 11075.720018/200759 Acórdão n.º 9202005.774 CSRFT2 Fl. 194 9 97, do CTN, mais especificamente no que toca ao seu inciso VI, não poderia sequer o poder regulamentar estabelecer a desconsideração da isenção tributária no caso da mera apresentação intempestiva do ADA. Repisese, nesse sentido, que não se discute que a lei tenha instituído a obrigatoriedade da apresentação do ADA, mas, sim, que o prazo de seis meses, contado da entrega da DITR, foi instituído apenas por Instrução Normativa, muito posteriormente embasada pelo Decreto n.° 4.382/2002, o que, com a devida vênia, não merece prosperar. Em virtude, portanto, da ausência de estabelecimento de um critério rígido quanto ao prazo para a apresentação do ADA, eis que não se encontra previsto em lei, cumpre recorrer aos mecanismos de integração da legislação tributária, de maneira a imprimir eficácia no disposto pelo art. 17O da Lei n.° 6.398/81. Dentre os mecanismos de integração previstos pelo ordenamento jurídico, dispõe o Código Tributário Nacional, em seu art. 108, I, que deve o aplicador recorrer à analogia, sendo referida opção vedada apenas no que toca à instituição de tributos não previstos em lei, o que, ressaltese, não é o caso. Nesse esteio, recorrendose à analogia para o preenchimento de referida lacuna, devese recorrer à legislação do ITR relativa às demais declarações firmadas pelo contribuinte, mais especificamente no que atine à DIAT e à DIAC, expressamente contempladas pela Lei n.° 9.393/96, aplicadas ao presente caso tendose sempre em vista o escopo da norma inserida no texto do art. 17O da Lei n.° 6.398/81, isto é, imprimir praticabilidade à aferição da existência das áreas de reserva legal e preservação permanente, para o fim específico da isenção tributária. Pois bem. Sendo certo que a apresentação do ADA cumpre o papel imprimir praticabilidade à apuração da área tributável, verificase que cumpre o escopo norma a sua entrega até o início da fiscalização, momento a partir do qual a apresentação já não mais cumprirá seu desiderato. De fato, até o início da fiscalização em face do contribuinte, verificase que a entrega do ADA possibilitará a consideração, por parte da Receita Federal, da redução da base de cálculo do ITR, submetendo as declarações do contribuinte ao pálio do órgão ambiental competente e retirando referida aferição do âmbito da Receita Federal do Brasil. A entrega, portanto, ainda que intempestiva, muito embora pudesse ensejar a aplicação de uma multa específica, caso existisse referida norma sancionatória, seria equivalente à retificação das demais declarações relativas ao ITR, isto é, da DIAT e da DIAC, devendo, pois, ter o mesmo tratamento que estas últimas, em consonância com o que estatui o brocardo jurídico "ubi eadem ratio, ibi eaedem legis dispositio", isto é, onde há o mesmo racional, a legislação não pode aplicar critérios distintos. Fl. 194DF CARF MF Processo nº 11075.720018/200759 Acórdão n.º 9202005.774 CSRFT2 Fl. 195 10 À guisa do exposto, portanto, no que toca à entrega do ADA, tenho para mim que cumpre seu desiderato até o momento do início da fiscalização, a partir do qual a omissão do contribuinte ensejou a necessidade de fiscalização específica relativa ao recolhimento do ITR, o que implica nos custos administrativos inerentes a este fato. Assim, aplicase ao ADA, de acordo com este entendimento basilar, a regra prevista pelo art. 18 da Medida Provisória n.° 2.18949/01, que assim dispõe, verbis: "Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa." De acordo com a interpretação que ora se sustenta, pois, é permitida a entrega do ADA, ainda que intempestivamente, desde que o contribuinte o faça até o início da fiscalização. (grifei) (...)" Repetindose, uma vez mais, que, no caso em questão, não houve entrega de ADA contemplando a área de preservação permanente glosada em litígio, é de se manter a glosa da área de preservação permanente perpretada pela autoridade fiscal. Assim, diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial da Contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 195DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.009751/2007-33
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jan 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2003 a 31/12/2005
MULTA. RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO
Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, deve-se cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções eventualmente aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Assim, estabelece-se como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%.
Numero da decisão: 9202-006.230
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada).
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2003 a 31/12/2005 MULTA. RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, devese cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções eventualmente aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Assim, estabelecese como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 97 51 /2 00 7- 33 Fl. 1247DF CARF MF Processo nº 10980.009751/200733 Acórdão n.º 9202006.230 CSRFT2 Fl. 1.248 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada). Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 2301002.705, prolatado pela 1a Turma Ordinária da 3a Câmara da 2a Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 17 de abril de 2012 (efls. 1188 a 1205). Ali, por maioria de votos, deuse parcial provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e decisão a seguir: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2003 a 30/12/2005 Ementa: AFERIÇÃO INDIRETA. A constatação de que a contabilidade não registra o movimento real do faturamento, do lucro e de remuneração dos segurados a serviço da empresa, enseja a aferição indireta das contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. PERÍCIA INDEFERIMENTO A perícia será indeferida sempre que a autoridade julgadora entender ser prescindível e meramente protelatória e quando não houver dúvidas a serem sanadas. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação tributária punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. Assim, deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e da atual do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Fl. 1248DF CARF MF Processo nº 10980.009751/200733 Acórdão n.º 9202006.230 CSRFT2 Fl. 1.249 3 Decisão: I) Por maioria de votos: a) em manter a aplicação da multa. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Leonardo Henrique Pires Lopes Enviados os autos à Fazenda Nacional em 24/07/2012 (efl. 1206) para fins de ciência da decisão, insurgindose contra esta, sua Procuradoria apresenta, em 30/07/2012 (e fl. 1232), Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo Fiscal aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009, então em vigor quando da propositura do pleito recursal (efls. 1220 a 1231). Alegase, no pleito, divergência em relação ao decidido, em 06/05/2009, no Acórdão 240100.120, de lavra da 1a. Turma Ordinária da 4a. Câmara da 2a. Seção deste CARF, de ementa e decisão a seguir transcritas: Acórdão 240100.120 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1999 a 31/12/2005 SALÁRIO INDIRETO. CARTÕES DE PREMIAÇÃO PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDÊNCIÁRIA. JUROS SELIC. INCOSTITUCIONALIDADE DE LEI. DECLARAÇÃO. VEDAÇÃO. DECADÊNCIA 1 De acordo com o artigo 34 da Lei n° 8212/91, as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas elo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal e lançamento, pagas com atraso ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. 2 A teor do disposto no art. 49 do Regimento Interno deste Conselho é vedado ao Conselho afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto sob o fundamento de inconstitucionalidade, sem que tenham sido assim declaradas pelos órgãos competentes. A matéria encontrase sumulada, de acordo com a Súmula n° 2 do 2º Conselho de Contribuintes. 3Tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's n°s 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. Fl. 1249DF CARF MF Processo nº 10980.009751/200733 Acórdão n.º 9202006.230 CSRFT2 Fl. 1.250 4 Termo inicial: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial, (CTN, ART. 150, §4°).No caso, tratase de tributo sujeito a lançamento por Homologação e houve antecipação de pagamento. Aplicável, portanto, a regra do art. 150, § 4 ° do CTN2Nos termos do artigo 28, inciso I, da Lei n° 8.212/91, c/c artigo 457, § Iº, da CLT, integra o salário de contribuição, a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título aos segurados empregados, objetivando retribuir o trabalho.A verba paga pela empresa aos segurados empregados por intermédio de programa de incentivo, administrativo pela empresa INCENTIVE HOUSE é fato gerador de contribuição previdenciária. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Decisão: I) Por unanimidade de votos, em declarar a decadência das contribuições apuradas até a competência 11/2000; II) Por maioria de votos, em declarar a decadência dascontribuições apuradas até a competência 11/2001. Vencidas as Conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Bernadete de Oliveira Barros e Ana Maria Bandeira, que votaram por declarar a decadência das. contribuições apuradas até à competência 11/2000; e III) Por unanimidade de votos: a) em rejeitar a preliminar de nulidade; e b) no mérito, em negar provimento ao recurso. Após defender a existência de divergência interpretativa, caracterizada pela similitude de situações fáticas e soluções diametralmente opostas, em linhas gerais, argumenta a Fazenda Nacional em sua demanda que: a) O artigo 35 da Lei no. 8.212/91, na nova redação conferida pela MP no. 449/2008, convertida na Lei no. 11.941/2009, não pode ser entendido de forma isolada do contexto legislativo no qual está inserido, sobretudo de forma totalmente dissociada das alterações introduzidas pela MP no. 449 à legislação previdenciária. Para a solução destes questionamentos, devese lembrar que "não se interpreta o Direito em tiras, aos pedaços. (...) um texto de direito isolado, destacado, desprendido do sistema jurídico, não expressa significado normativo algum". Nesse contexto, impende considerar que a Lei no. 11.941, de 2009 (fruto da conversão da MP no. 449 de 2008), ao mesmo tempo em que alterou a redação do artigo 35, introduziu na Lei de Organização da Previdência Social o artigo 35A, a fim de instituir uma nova sistemática de constituição dos créditos previdenciários e respectivos acréscimos legais de forma similar à sistemática aplicável para os demais tributos federais; b) A redação do art. 35A é clara. Efetuado o lançamento de ofício das contribuições previdenciárias indicadas no artigo 35 da Lei no. 8.212, de 1991, deverá ser aplicada a multa de ofício prevista no artigo 44 da Lei no. 9.430/96. Assim, à semelhança do que ocorre com os demais tributos federais, verificado que o contribuinte não realizou o pagamento ou o recolhimento do tributo devido, cumpre à fiscalização realizar o lançamento de ofício e aplicar a respectiva multa (de ofício) prevista no artigo 44 da Lei no. 9.430/96; Fl. 1250DF CARF MF Processo nº 10980.009751/200733 Acórdão n.º 9202006.230 CSRFT2 Fl. 1.251 5 c) Por outro lado, como já ocorre com os demais tributos federais, a incidência da multa de mora ocorrerá naqueles casos expressos no art. 61 da Lei no. 9.430/96. Ou seja, nas hipóteses em que o contribuinte incorreu na mora e efetuou o recolhimento em atraso, de forma espontânea, independente do lançamento de ofício, efetuado com esteio no art. 149 do CTN. Assim, no lançamento de ofício, diante da falta de pagamento ou recolhimento do tributo e/ou falta de declaração ou declaração inexata, são exigidos, além do principal e dos juros moratórios, os valores relativos às penalidades pecuniárias que no caso consistirá na multa de ofício. A multa de ofício será aplicada quando realizado o lançamento para a constituição do crédito tributário. A incidência da multa de mora, por sua vez, ficará reservada para aqueles casos nos quais o sujeito passivo, extemporaneamente, realiza o pagamento ou o recolhimento antes do procedimento de oficio (ou seja, espontaneamente o que não foi o caso). Essa mesma sistemática deverá ser aplicada às contribuições previdenciárias, em razão do advento da MP no. 449 de 2008, posteriormente convertida da Lei no. 11.941/09; d) A multa de mora e a multa de ofício são excludentes entre si. E deve prevalecer, na hipótese de lançamento de ofício, configurada a falta ou recolhimento do tributo e/ou a falta de declaração ou declaração inexata, a multa de ofício prevista no art. 44 da Lei no. 9.430/96, diante da literalidade do art. 35A. Nessa esteira, não há como se adotar outro entendimento senão o de que a multa de mora prevista no art. 35, da Lei no. 8.212/91 em sua redação antiga (revogada) está inserida em sistemática totalmente distinta da multa de mora prescrita no art. 61 da Lei no. 9.430/96. Logo, por esse motivo não se poderia aplicar à espécie o disposto no art. 106 do CTN, pois, para a interpretação e aplicação da retroatividade benigna, a comparação é feita em relação à mesma conduta infratora praticada, em relação à mesma penalidade. Como conclusão, para se averiguar sobre a ocorrência da retroatividade benigna no caso concreto, a comparação entre normas deve ser feita entre o art. 35, da Lei no. 8.212/91 em sua redação antiga (revogada) e o art. 35A da LOPS. Cita, ainda a necessidade de aplicação da IN RFB no. 971, de 2009. Requer, assim, que seja admitido e provido o presente recurso para reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 35 da Lei no. 8.212/91 (na atual redação conferida pela Lei no. 11.941/2009), em detrimento do art. 35A, também da Lei no. 8.212/91, devendose verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou a do art. 35A da Lei no. 8.212/91. O recurso foi admitido pelo despacho de efls. 1234 a 1237. Cientificada a autuada em 10/05/16 (efl. 1245), esta quedou inerte quanto à apresentação de contrarrazões e/ou Recurso Especial de sua iniciativa. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator Pelo que consta no processo quanto a sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade. Assim, conheço do recurso da Fazenda Nacional e passo à análise de mérito. Fl. 1251DF CARF MF Processo nº 10980.009751/200733 Acórdão n.º 9202006.230 CSRFT2 Fl. 1.252 6 Sob análise, a Lei no. 8.212, de 1991, cujos dispositivos de interesse aplicáveis à análise do recurso, são abaixo reproduzidos, abrangendose as redações anterior e posterior à edição da Medida Provisória no. 449, de 2008: Lei 8.212, de 1991 (Antes da edição da MP 449/08) Lei 8.212, de 1991 (Após a edição da MP 449/08) Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) § 1º O Poder Executivo poderá estabelecer critérios diferenciados de periodicidade, de formalização ou de dispensa de apresentação do documento a que se refere o inciso IV, para segmentos de empresas ou situações específicas. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 2º As informações constantes do documento de que trata o inciso IV, servirão como base de cálculo das contribuições devidas ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, bem como comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 3º O regulamento disporá sobre local, data e forma de entrega do documento previsto no inciso IV. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (Redação dada pela MP nº 449, de 2008). (...) § 1o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o A declaração de que trata o inciso IV constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §4o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §5o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §6o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §7o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §8o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 9o A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV ainda que não ocorram fatos geradores de contribuição previdenciária, aplicando se, quando couber, a penalidade prevista no art. 32A. Fl. 1252DF CARF MF Processo nº 10980.009751/200733 Acórdão n.º 9202006.230 CSRFT2 Fl. 1.253 7 função do número de segurados, conforme quadro abaixo: (Parágrafo e tabela acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). 0 a 5 segurados 1/2 valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 6º A apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa de cinco por cento do valor mínimo previsto no art. 92, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitadas aos valores previstos no § 4º. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 7º A multa de que trata o § 4º sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 8º O valor mínimo a que se refere o § 4º será o vigente na data da lavratura do auto de infração. (Parágrafo (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 10. O descumprimento do disposto no inciso IV impede a expedição da certidão de prova de regularidade fiscal perante a Fazenda Nacional. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 11. Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3o; e (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008.: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em Fl. 1253DF CARF MF Processo nº 10980.009751/200733 Acórdão n.º 9202006.230 CSRFT2 Fl. 1.254 8 acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 9º A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV, mesmo quando não ocorrerem fatos geradores de contribuição previdenciária, sob pena da multa prevista no § 4º. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 10. O descumprimento do disposto no inciso IV é condição impeditiva para expedição da prova de inexistência de débito para com o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 11. Os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa durante dez anos, à disposição da fiscalização. (Parágrafo renumerado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: intimação. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). (...) Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). d) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). III – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). d) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Fl. 1254DF CARF MF Processo nº 10980.009751/200733 Acórdão n.º 9202006.230 CSRFT2 Fl. 1.255 9 a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. § 1o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 4o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Fl. 1255DF CARF MF Processo nº 10980.009751/200733 Acórdão n.º 9202006.230 CSRFT2 Fl. 1.256 10 § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Notese permanecer em litígio, no caso sob análise, somente o recálculo mais benéfico de multa perpretado pela autoridade julgadora recorrida, que optou por aplicar a multa de mora nos termos da redação nova do artigo 35 da Lei 8.212, de 1991, limitandose ao percentual máximo de 20%, previsto no art. 61 da Lei no. 9.430, de 1996. Com a devida vênia ao entendimento esposado no recorrido, entendo, a propósito, que, em verdade, o referido art. 35, da Lei no. 8.212, de 1991, regrava, anteriormente à sua alteração promovida pela MP no. 449, de 2008, duas multas de natureza diferenciada, a saber: a) em seu inciso I, o dispositivo regulamentava a aplicação de multa de natureza moratória, decorrente do recolhimento espontâneo efetuado pelo contribuinte a destempo, sem qualquer procedimento de ofício da autoridade tributária e mantida aqui a espontaneidade do contribuinte; b) em seu inciso II, o referido art. 35 estabelecia a aplicação de multa para o caso de lavratura de Notificação de Lançamento pela autoridade fiscalizadora, neste caso se tratando, aqui, de multa de ofício. Ainda, de se notar a possibilidade de aplicação, já anteriormente à edição da MP no. 449, de outras espécies de multa (também de ofício), quando da constatação, também em sede de ação fiscal, de descumprimento das obrigações acessórias, na forma preconizada pelos §§4o. e 5o. do art. 32 da Lei no. 8.212, de 1991, convertendose, nesta hipótese, a obrigação acessória em principal. Cediço em meu entendimento que, o que se passou a ter agora, a partir do advento da MP no. 449, de 2008, foi a existência de um dispositivo único a regrar a aplicação Fl. 1256DF CARF MF Processo nº 10980.009751/200733 Acórdão n.º 9202006.230 CSRFT2 Fl. 1.257 11 das multas aplicáveis em sede de ação fiscal, abrangendo a constatação, através de procedimento de ofício, tanto de falta de pagamento como a de falta de declaração (ou de declaração a menor) em GFIP de fatos geradores ocorridos/contribuições devidas, a saber, o art. 35A daquela mesma Lei no. 8.212, de 1991, acrescentado pela referida MP. Este também é o entendimento majoritário esposado por esta Câmara Superior, conforme excertos dos seguintes votos constantes dos Acórdãos CSRF 9.202 003.070 e 9.202003.386, os quais se adotam, aqui, como razões de decidir. Acórdão 9.202003.070 – Voto do Conselheiro Marcelo Oliveira “ (...) Portanto, pela determinação do CTN, acima, a administração pública deve verificar. nos lançamentos não definitivamente julgados, se a penalidade determinada na nova legislação é menos severa que a prevista na lei vigente no momento do lançamento. Só não posso concordar com a análise feita, que leva à comparação de penalidades distintas: multa de ofício e multa de mora. (...) Ocorre que o acórdão recorrido comparou, para a aplicação do Art. 106 do CTN, penalidade de multa aplicada em lançamento de ofício (grifos no original), com penalidade aplicada quando o sujeito passivo está em mora, sem a existência do lançamento de ofício, e decide, espontaneamente, realizar o pagamento. Para tanto, na defesa dessa tese, há o argumento que a antiga redação utilizava o termo multa de mora (grifos no original). Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora (grifos no original), que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): (...) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): Esclarecemos aqui que a multa de lançamento de ofício (grifos no original), como decorre do próprio termo, pressupõe a atividade da autoridade administrativa que, diante da Fl. 1257DF CARF MF Processo nº 10980.009751/200733 Acórdão n.º 9202006.230 CSRFT2 Fl. 1.258 12 constatação de descumprimento da lei, pelo contribuinte, apura a infração e lhe aplica as cominações legais. Em direito tributário, cuidase da obrigação principal e da obrigação acessória, consoante art. 113 do CTN. A obrigação principal é obrigação de dar. De entregar dinheiro ao Estado por ter ocorrido o fato gerador do pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária. A obrigação acessória é obrigação de fazer ou obrigação de não fazer. A legislação tributária estabelece para o contribuinte certas obrigações de fazer alguma coisa (escriturar livros, emitir documentos fiscais etc.): são as prestações positivas de que fala o §2º do art. 113 do CTN. Exige também, em certas situações, que o contribuinte se abstenha de produzir determinados atos (causar embaraço à fiscalização, por exemplo): são as prestações negativas, mencionadas neste mesmo dispositivo legal. O descumprimento de obrigação principal gera para o Fisco o direito de constituir o crédito tributário correspondente, mediante lançamento de ofício (grifos no original). É também fato gerador da cominação de penalidade pecuniária, leiase multa, sanção decorrente de tal descumprimento. O descumprimento de obrigação acessória gera para o Fisco o direito de aplicar multa, igualmente por meio de lançamento de ofício (grifos no original). Na locução do §3º do art. 113 do CTN, este descumprimento de obrigação acessória, isto é, de obrigação de fazer ou não fazer, convertea em obrigação principal, ou seja, obrigação de dar. Já a multa de mora não pressupõe a atividade da autoridade administrativa, não tem caráter punitivo e a sua finalidade primordial é desestimular o cumprimento da obrigação fora de prazo. Ela é devida quando o contribuinte estiver recolhendo espontaneamente um débito vencido. Essa multa nunca incide sobre as multas de lançamento de ofício (grifos no original) e nem sobre as multas por atraso na entrega de declarações. Portanto, para a correta aplicação do Art. 106 do CTN, que trata de retroatividade benigna, o Relator deveria ter comparado a penalidade determinada pelo II, Art. 35 da Lei 8.212/1991 (créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original)), antiga redação, com a penalidade determinada atualmente pelo Art. 35A da Lei 8.212/1991 (nos casos de lançamento de ofício (grifos no original)). Conseqüentemente, divirjo do acórdão recorrido, pelas razões expostas. (...)” Fl. 1258DF CARF MF Processo nº 10980.009751/200733 Acórdão n.º 9202006.230 CSRFT2 Fl. 1.259 13 Acórdão 9.202003.386 – Voto do Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos "(...) Verifico, assim, que, ainda que a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, tenha utilizado apenas a expressão “multa de mora”, independentemente da denominação que tenha se dado à penalidade, não resta dúvida de que estavam ali descritas duas diferentes espécies de multas: a) as multas de mora e b) as multas de ofício. As primeiras eram cobradas com o tributo recolhido espontaneamente. As últimas, cobradas nos lançamentos de ofício e através de notificação fiscal de lançamento de débito, ou, posteriormente, após a fusão entre a SRP e RFB, através de auto de infração (lançamento de obrigação principal) e auto de infração (no caso de obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI pelo seu descumprimento), ambas por força de ação fiscal, tal como ocorria com os demais tributos federais. Ainda, quanto às multas de ofício, estas duas situações supra elencadas se encontravam, respectivamente, regradas na forma dos antigos arts. 35, II (multa referente à obrigação principal constituída através de NFLD ou AI) e 32, IV, §4o. ou §5o. (ambos referindose à obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI pelo seu descumprimento), ambos da Lei nº 8.212, de 1991, sendo que, com a alteração legislativa propugnada no referido diploma, passaram a estar regradas conjuntamente na forma de seu art. 35A. Assim, entendo que a penalidade a ser aplicada não pode ser aquela mais benéfica a ser obtida pela comparação da antiga “multa de mora” estabelecida pela anterior redação do art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991, com a do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, agora referida pela nova redação dada ao mesmo art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, pela Lei nº 11.941, de 2009 e que, notese, pressupõe a espontaneidade, inaplicável à situação fática em tela. A propósito, entendo que, para fins de aplicação da retroatividade benéfica, se deva comparar àquela antiga multa regrada na forma da anterior redação do art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991 (repetindose, indevidamente denominada como “multa de mora”, nos casos de lançamento por força de ação fiscal), quando somada à multa aplicada no âmbito dos AIs conexos, lavrados de ofício por descumprimento de obrigação acessória (na forma da anterior redação do art. 32, inciso IV, §4o ou 5o da Lei nº 8.212, de 1991), a multa estabelecida pelo art. 44, da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e atualmente aplicável quando dos lançamentos de ofício,consoante disposto no art. 35 A, da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 1259DF CARF MF Processo nº 10980.009751/200733 Acórdão n.º 9202006.230 CSRFT2 Fl. 1.260 14 Assim, aplicandose o entendimento aqui adotado agora ao caso sob análise, entendo que se deva manter a cobrança das penalidades lançadas no presente auto, bem como aquelas aplicadas no âmbito do auto de obrigação acessória vinculado, limitado o somatório de ambas ao patamar estabelecido pelo art. 44 da Lei no. 9.430, de 1996 (75%), na forma propugnada pela Fazenda Nacional. O percentual de 75% (quando da inexistência de agravamento ou qualificação de multa) é o limite atual para sanções pecuniárias, decorrente de lançamento de ofício, quando de falta de declaração ou de declaração inexata, conforme previsto no art. 44, I da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e referenciado no art. 35A, da Lei nº 8.212, de 1991, aplicável aqui a retroatividade da norma, caso benéfica, em plena consonância, inclusive, com a sistemática estabelecida pelo art. 476A da Instrução Normativa RFB no. 971, de 2009, acrescido pela Instrução Normativa RFB no. 1.027, de 22 de abril de 2010, sistemática esta também expressa na Portaria Conjunta PGFN/RFB no. 14, de 2009 e que, evita, inclusive, qualquer hipótese de bis in idem no que tange à aplicação de multas referentes às obrigações principal e acessória. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, de forma a que se aplique a retroatividade benéfica em consonância com a sistemática estabelecida pelo art. 476A da Instrução Normativa RFB no. 971, de 2009, acrescido pela Instrução Normativa RFB no. 1.027, de 22 de abril de 2010, sistemática esta também expressa na Portaria Conjunta PGFN/RFB no. 14, de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 1260DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.910607/2011-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Data do fato gerador: 06/11/2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.499
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Data do fato gerador: 06/11/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado.
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PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Recorrente BANCO VOLKSWAGEN S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 06/11/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 06 07 /2 01 1- 18 Fl. 88DF CARF MF Processo nº 16327.910607/201118 Acórdão n.º 3402004.499 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de Recurso Voluntário contra a Decisão da DRJ em Ribeirão Preto (SP), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo o Despacho Decisório eletrônico proferido, que, por sua vez, indeferiu o Pedido de Restituição, referente a suposto pagamento de IOF a maior no ano de 2004. Conforme o que consta do referido Despacho Decisório, o pleito foi negado tendo em vista que o DARF discriminado no PER estava integralmente utilizado para a quitação do débito de IOF, não restando saldo de crédito disponível para a restituição almejada. Cientificada da decisão proferida, a empresa interpôs a Manifestação de Inconformidade alegando homologação por decurso de prazo, já que ultrapassado o prazo de cinco anos entre a data de envio, tanto do Pedido de Restituição (PER) quanto da Declaração de Compensação (DCOMP) a ele atrelada, e a data de proferimento do Despacho Decisório. Com base nessas considerações requer a reforma da decisão, com a consequente homologação da compensação declarada. No entanto, os argumentos aduzidos pelo Recorrente não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme Ementa do Acórdão nº 14060.743, prolatado pela DRJ em Ribeirão Preto (SP): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 06/11/2004 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO DECLARADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integralmente alocado à débito validamente declarado em DCTF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a homologação tácita de pedido de restituição, nem previsão de perda do poder de decidir por decurso de prazo em pedidos desta natureza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente cientificada desta decisão a recorrente interpôs, tempestivamente, o presente recurso voluntário, alegando as seguintes razões: (i) consta do Despacho Decisório que "foram localizados pagamentos, mas que foram integralmente utilizados para a quitação de débitos do Recorrente, não restando crédito disponível para restituição". Porém, tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em dezembro/2006, operandose, portanto, a homologação da compensação em dezembro de 2011; Fl. 89DF CARF MF Processo nº 16327.910607/201118 Acórdão n.º 3402004.499 S3C4T2 Fl. 4 3 (ii) cita e transcreve como base legal, o §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), bem como, registra o Acórdão nº 3801000.530, de 29/09/2010, proferido pelo CARF nos autos do PAF nº 10830.007499/9736; (iii) conclui que, dessa forma operouse a homologação tácita em dezembro de 2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente por meio de Despacho Decisório proferido em 2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Por fim, requer que o presente Recurso Voluntário seja recebido e julgado, com a conseqüente reforma da decisão recorrida e homologação da compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.467, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 16327.910558/201113, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.467): "1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. 2. Objeto da lide Verificase que o Recorrente não contesta a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório. O que se discute no recurso é a alegação de homologação tácita quanto ao Pedido de Restituição (PER). 3. Análise do Pedido Como relatado, o Recorrente pede o provimento do seu recurso unicamente sob o argumento da homologação tácita do seu Pedido de Restituição (PER) nº 01445.28437.211206.1.2.046453, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Aduz que tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em 21 e 26 dezembro de 2006, respectivamente e, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, operouse a homologação tácita da compensação em 26/12/2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente, por meio de Fl. 90DF CARF MF Processo nº 16327.910607/201118 Acórdão n.º 3402004.499 S3C4T2 Fl. 5 4 Despacho Decisório proferido em 03/01/2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Pois bem. É cediço que o Código Tributário Nacional (CTN), regulamenta o prazo decadencial de 5 anos para o agente fiscal homologar o lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, por determinação legal, em substituição ao agente arrecadador, possui a obrigação de apurar o tributo devido, em face da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, efetuar o seu recolhimento e realizar a respectiva declaração. No contexto do procedimento de homologação das compensações, no qual se atesta a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação da Administração Tributária é o prazo de cinco anos da data da apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência e suficiência dos créditos, conforme determina o artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 1996. Destaco a seguir seu conteúdo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 1º (...). § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (Grifei). No mesmo sentido, define a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, assim como as Instruções Normativas que a sucederam na regulamentação dessa matéria. Como se vê, por disposição legal expressa, a homologação tácita é aplicável unicamente à Declaração de Compensação, não havendo possibilidade de sua aplicação aos Pedidos de Restituição e Ressarcimento (PER). Isto ocorre porque quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Portanto, tal regra não se aplica ao caso do Recorrente com relação ao Pedido de Restituição de fls. 25/27, datado de 21/12/2006, justamente por se tratar de Pedido de Restituição e não de uma Fl. 91DF CARF MF Processo nº 16327.910607/201118 Acórdão n.º 3402004.499 S3C4T2 Fl. 6 5 Declaração de Compensação. O Pedido de Restituição não pode ser confundido com uma Declaração de Compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. E é por isso que a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150 do CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. Contudo, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos, nada o impede de, quase seis anos após o Pedido de Restituição (PER) formulado pelo Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, como defende a Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação. De se observar, também, que o Recorrente não rebate a alocação do pagamento (crédito solicitado no PER) ao débito de IOF do período de apuração tratado neste processo, o qual consta confessado em DCTF. Não contesta, portanto, a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório, dando margem ao entendimento de que o crédito almejado no Pedido de Restituição, não existe. Desta forma, considerando que o Recorrente se limitou a argüir a homologação tácita do Pedido de Restituição, com base no artigo 150, § 4º, do CTN, sem trazer qualquer documentação ou argumentação que comprovasse a existência de seu crédito, não há mesmo como acatar o seu pedido. 4. Dispositivo Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 92DF CARF MF
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Numero do processo: 11128.730090/2014-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 16/03/2012 a 20/02/2013
OCULTAÇÃO DO REAL INTERESSADO NAS OPERAÇÕES DE MERCADO EXTERNO.
Configura infração e presume interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem dos recursos empregados, autorizando a aplicação da pena de perdimento de mercadorias, caso estas não sejam localizadas, impõe-se conversão em multa equivalente ao valor aduaneiro ou preço de venda.
SOLIDARIEDADE. PROVA.
Demonstrado o interesse direto nas operações por meio de fornecimento de recursos financeiros resta caracterizada a interposição fraudulenta, impondo a solidariedade.
Recurso Negado. Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3302-004.145
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator
(assinado digitalmente)
Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza - Redatora Ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho (relator), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares de Araujo e Walker Araujo.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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Configura infração e presume interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem dos recursos empregados, autorizando a aplicação da pena de perdimento de mercadorias, caso estas não sejam localizadas, impõese conversão em multa equivalente ao valor aduaneiro ou preço de venda. SOLIDARIEDADE. PROVA. Demonstrado o interesse direto nas operações por meio de fornecimento de recursos financeiros resta caracterizada a interposição fraudulenta, impondo a solidariedade. Recurso Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. Domingos de Sá Filho Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 73 00 90 /2 01 4- 51 Fl. 653DF CARF MF Processo nº 11128.730090/201451 Acórdão n.º 3302004.145 S3C3T2 Fl. 653 2 Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Redatora Ad hoc Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho (relator), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares de Araujo e Walker Araujo. Relatório Foime designado formalizar o presente voto, como Redatora Ad Hoc, conforme despacho de fls. 652 eprocesso, Acórdão nº 3302004.145, proferido na sessão de 27 de abril de 2017, nos termos do artigo 17, inciso III do Anexo II do RICARF. Na condição de Redatora ad hoc para formalização deste acórdão, passo a transcrever o relatório constante da minuta do voto do Relator Conselheiro Domingos de Sá Filho. "Cuidase de Recurso Voluntário apresentados pelo devedor principal diante da irresignação com a decisão que manteve a exigência de multa por acusação de ocultação do real adquirente e a pessoas interessadas comum na situação que constituiu fato gerador da obrigação principal, no caso concreto a empresa ALIANÇA COMERCIAL, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. Acusação é de infração de que trata o art. 23, §3º do Decreto Lei nº 1.455/1976, com redação dada pelo art. 59 da Lei nº 10.637, de 2002, equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas, suscetíveis da aplicação da pena de perdimento, por já terem sido consumidas ou revendidas ou não localizadas. Adoto o relatório da decisão recorrida por bem espelhar a realidade dos autos: “Trata o presente processo do Auto de Infração, de fls. 31/33, por meio do qual é feita a exigência de R$ 386.165,25, relativa à multa de que trata o art. 23, §3º do DecretoLei nº 1.455, de 1976, com redação dada pelo art. 59 da Lei nº 10.637, de 2002, equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas, suscetíveis da aplicação da pena de perdimento, por já terem sido consumidas/revendidas ou não localizadas. Relata a auditoria, às fls. 2/30, que restou comprovada a ocultação da real adquirente das mercadorias objeto das Declarações de Importação (DI) listadas a empresa MULTIESFERAS COM. IMP. E EXPORTAÇÃO DE ESFERAS, CNPJ 06.261.059/000110, amoldandose à infração tipificada no artigo 23, inciso V, do Decretolei nº 1.455/1976. Relaciona as notas fiscais, cujas mercadorias são exatamente as mesmas constantes de declarações de importação recém desembaraçadas. Fl. 654DF CARF MF Processo nº 11128.730090/201451 Acórdão n.º 3302004.145 S3C3T2 Fl. 654 3 Informa que os adiantamentos verificados deixam claro que a MULTIESFERAS já transacionava as mercadorias com a ALIANÇA, como adquirente das mercadorias. Ressalta a sincronia das datas dos adiantamentos com as fases das operações de importação, conforme minuciosamente detalhado para cada nota fiscal/DI, inclusive constatando que os fechamentos de câmbio e pagamentos de tributos foram realizados através dos recursos enviados pela compradora MULTIESFERAS, eis que não havia bancários desta empresa. Nota que não foram seguidos os passos e as condições que devem ser observadas para tais operações, através de Instrução Normativa RFB nº 225, de 18 de outubro de 2002, e que o seu descumprimento traz prejuízo ao controle aduaneiro. Observa que, embora existisse fundamento jurídico para a aplicação da pena de perdimento das mercadorias objeto das DI 1204985792, 1206428572, 1217391799, 1222732914, 1300172241e 1303357323, estas já foram revendidas pelo real adquirente como se viu da resposta à intimação. Cientificada do lançamento (fls. 434/437), a empresa ALIANÇA apresentou impugnação (fls. 439/463), na qual, em síntese: Alega que, somandose as transferências bancárias, não é possível chegar ao real valor descrito nas notas fiscais, conforme a tabela que apresenta. Estas TED são decorrentes de outras transações entre as empresas e não se pode presumir ocultação do real adquirente somente pelo fato da existência de TED em datas próximas às datas das compras das mercadorias no exterior. Aduz que as vendas estão lançadas em sua contabilidade e também na da empresa Multiesferas e que possuía saldo bancário decorrente de transações econômicas com outras empresas. Desta forma, não existe dano ao erário e motivo da referida fiscalização. Além disto, não houve a caracterização de forma pormenorizada da ocultação do sujeito, não havendo “obscuridade do sujeito”, pois o agente fiscal já sabia quais eram as empresas que compraram referidas mercadorias importadas, tendo emitido MPF para a empresa Multiesferas. E que esta ausência de motivo fere os princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, gerando a nulidade do ato administrativo. Aduz que não houve ocultação do sujeito passivo, pois o auditor fiscal sabia para quem fora vendida a mercadoria, intimando a suposta empresa ocultada para prestar informações, e que falta clareza na descrição dos fatos, não atendendo a todos os requisitos de validade elencados pela legislação vigente. Não Fl. 655DF CARF MF Processo nº 11128.730090/201451 Acórdão n.º 3302004.145 S3C3T2 Fl. 655 4 havendo a perfeita subsunção do fato concreto à hipótese prevista legalmente, não há que se falar na aplicação da presente penalidade. Afirma que realizou as importações por encomenda e não por conta e ordem, e que, em momento algum, agiu com o intuito de fraude ou simulação. Assim, ainda que se entenda que a operação foi por conta e ordem, não é motivo suficiente para enquadrar a impugnante como responsável solidária. Alega incompetência do agente, pois a equipe que formaliza os autos de infração nas importações onde existam indícios de fraude em matéria aduaneira é da Eqpea e não da Eqaufi, que foi responsável pelo lançamento. Aduz que houve a prática de atos com excesso de poderes com relação ao Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), pois não lhe foram atribuídos poderes para solicitar extratos bancários das contas correntes, ferindo princípios constitucionais. No mérito, alega duplicidade de penalização com relação as diversas DI que relaciona, as quais fazem parte dos processos 11128.730.090/201451 e 11128.730.134/201442, acarretando bis in idem. Alega que a pena de perdimento aplicada não se encontra amparada legalmente, pois o auditor sabe para quem foi vendida a mercadoria, não havendo que se falar em ocultação do sujeito passivo. Elenca os seus procedimentos de importação e venda das mercadorias, caracterizandoa como por encomenda. Afirma que não existem provas cabais das alegações do fisco e que a pena aplicável seria tão somente a disposta no art. 711, III, da Lei nº 6.759/2009, ou seja, 1% do valor aduaneiro, conforme art. 712, 736, I, e 737, da mesma lei, pois, havendo o pagamento dos tributos a multa há de ser relevada. Requer seja declarada a nulidade do presente auto de infração, pelos motivos expostos, ou que seja desconstituído o lançamento, ou, que seja reduzido o valor da multa para 1%, pelo erro de preenchimento da DI, abstendose dos procedimentos de cobrança pela suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Requer a produção de provas, inclusive sustentação oral. Em 03 de agosto de 2015, conforme despacho de fls. 497/498, os presentes autos foram baixados em diligência para que a unidade de origem procedesse à intimação do lançamento à solidária, o que foi feito às fls. 499/502, tendo a empresa MULTIESFERAS apresentado impugnação tempestiva, às fls. 504/510, na qual: Alega que, sendo uma empresa que também atua no ramo de importações, poderia ela própria ter feita as aquisições no mercado externo, não havendo que se falar em dano ao erário, descontrole aduaneiro ou ocultação do real adquirente, estando a empresa quite com suas obrigações tributárias e sempre liberando as mercadorias nos canais amarelo e vermelho, ou Fl. 656DF CARF MF Processo nº 11128.730090/201451 Acórdão n.º 3302004.145 S3C3T2 Fl. 656 5 seja, estava automaticamente à disposição da fiscalização aduaneira. Aduz que, se as importações em questão foram feitas com seus recursos, não haveria como imputar ilegalidade em seu procedimento, eis que acreditava estar comprando produtos nacionalizados, uma vez que já transacionava com diversas outras empresas nacionais para reposição de seus estoques. Justifica as datas de pagamento próximas ao trâmite da importação como sendo do rigor das negociações correntes no setor privado e que a Aliança pode solicitar os pagamentos parcelados da forma que lhe convém. Assevera que foi desconsiderada a margem de lucro da empresa importadora e que a fiscalização não conseguiu comprovar qualquer ilicitude perpetrada pela impugnante, devendo o presente auto de infração ser anulado, posto que baseado em presunções e simples indícios e ferindo o princípio da legalidade. Alega que não é responsável solidária, nos termos do art. 124 do CTN, posto que não auferiu qualquer benefício com eventual irregularidade nas importações, tendo agido de boafé na aquisição das mercadorias da empresa Aliança, cumprindo os prazos e condições de pagamento por esta estipulados. Argumenta que a multa aplicada fere o princípio do Não Confisco, eis que põe em iminente risco a sua saúde financeira. Requer o cancelamento do presente lançamento, ou, subsidiariamente, diante de sua primariedade e boafé, que seja afastada a sua responsabilidade solidária ou que seja reduzida a multa a 10% do valor aduaneiro das mercadorias importadas.” Sobreveio o Recurso Voluntário, tempestivo, apresentado pela empresa Aliança Comercial Importadora e Exportadora Ltda. A Recorrente mantém os mesmos argumentos da fase inicial, bem como, preliminar de Ausência de Motivo do Lançamento, por entender que faltou o motivo que conduziram o agente público a elaboração do ato administrativo, constaria que a situação fática e jurídica que levou a lavratura do auto de infração não teria ocorrido, segundo o seu raciocínio, não existiu ocultação do real adquirente para realização de operações de comércio exterior. Sustenta também incompetência do agente, alegando, no caso de fraude em matéria aduaneira é da “Eqcol” e não da “Equafi”, quem lavrou o auto em discussão, menciona o artigo 59,do Decreto 70.235/72. Alega, ainda, pratica excedente ao MPF e indeferimento de PRODUÇÃO DE PROVA. Não há recurso voluntário por parte da responsável solidária MULTIESFERA COMÉRCIO, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE ESFERAS LTDA. É o relatório." Fl. 657DF CARF MF Processo nº 11128.730090/201451 Acórdão n.º 3302004.145 S3C3T2 Fl. 657 6 Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Redatora Ad Hoc. Na condição de redatora "ad hoc" para formalização deste acórdão, passo a transcrever as razões do julgado, constantes da minuta do voto do Conselheiro Domingos de Sá Filho. "Tratase de recurso tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. A matéria devolvida ao exame se refere acessão de nome para realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento dos reais intervenientes ou beneficiários sujeitos a multa de 10% (dez por cento). Há preliminares, antes de se dirigir ao ponto nodal da situação controvertida, impõese examinar questões atinentes admissibilidade do recurso, que propiciam acesso ao pedido propriamente dito. 1. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO Não merece prosperar, a sustentação por si só confunde com o mérito, pois trata de situação fática e jurídica, se existiu ou não ocultação do real adquirente nas operações realizadas de comércio exterior é o objeto principal do processo. Ademais, o fato do auditor entender tratarse de situação que configure a ocultação, revela o convencimento da autoridade para proceder ao lançamento, por essa razão não se vislumbra existência de elementos capaz de macular o lançamento. Sendo assim, o assunto será examinado quando da apreciação do mérito. 2. COMPETÊNCIA DO AGENTE A competência do auditor da Receita Federal para proceder à auditoria e lançamento decorre de força de lei desde que inerentes à função, por isso o acerto da decisão recorrida. A parda alegação de que a matéria aduaneira é da “Eqcol” e não da “Equafi”, não se sustenta, basta exame da legislação, dispõe o art. 9º do Decreto 70.235/72 e o art. 9º da Lei nº 11.457, de 2007, in verbis: Decreto 70.235, de 1972 Art. 9º. A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificação de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, Fl. 658DF CARF MF Processo nº 11128.730090/201451 Acórdão n.º 3302004.145 S3C3T2 Fl. 658 7 depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. § 2º Os procedimentos de que tratam este artigo e o art. 7º, serão válidos, mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. § 3º A formalização da exigência, nos termos do parágrafo anterior, previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer. Lei nº 11.457, de 2007 Art. 9º. A Lei no 10.593, de 6 de dezembro de 2002, passa a vigorar com a seguinte redação: Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições. b) elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativofiscal, bem como em processos de consulta, restituição ou compensação de tributos e contribuições e de reconhecimento de benefícios fiscais. c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados. d) examinar a contabilidade de sociedades empresariais, empresários, órgãos, entidades, fundos e demais contribuintes, não se lhes aplicando as restrições previstas nos arts. 1.190 a 1.192 do Código Civil e observado o disposto no art. 1.193 do mesmo diploma legal.” (...) Sendo assim, não merece prosperar, rejeito. 3. VÍCIO NO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL O MPF disciplina a execução do procedimento fiscal relativo aos tributos e contribuições sociais administrados pela Receita Federal, sendo assim, se revela instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte, em síntese, a meu ver, é meramente autorização para que o agente se apresente ao contribuinte. A ausência desse documento abre a porta para o contribuinte recusar o atendimento das solicitações efetivadas, entretanto, quaisquer omissão não macula o lançamento. Portanto, não vislumbro qualquer macula capaz de dar azo nulidade. Fl. 659DF CARF MF Processo nº 11128.730090/201451 Acórdão n.º 3302004.145 S3C3T2 Fl. 659 8 4. PRODUÇÃO DE PROVA. INDEFERIMENTO A produção de prova é direito constitucional. Os códigos de rito disciplinam os momentos oportunos as quais devem ser exibidas, com exceções daquelas que podem ser objeto ao longo do curso do procedimento, e não há dúvida de que o impedimento configura o cerceamento de defesa. No caso dos autos a irresignação está vinculada ao pedido de produção posterior de provas sustentado na fase de impugnação como se extraí da narração da peça recursal. Como restou bem contornado a questão pelo julgador de piso, a produção de prova deve ocorrer no momento da impugnação, cabe a parte provar as alegações por meio idôneos, juntar os documentos pertinentes ao assunto debatido, requerer outras, perícia desde que justificável, ficando a cargo da autoridade julgar se é conexas deferir ou não. Mesmo em nome da verdade material, deve o interessado fazer prova mínima do alegado, o complemento para momento diferente encontra disciplinado no artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, se demonstrado cabe ao julgador deferir, não é o caso dos autos, pois não há qualquer justificativa capaz de convencer o deferimento para outro momento. Sendo assim, deve ser afastada a alegação de cerceamento de defesa. NO MÉRITO Inicialmente cabe verificar se ocorreu de fato ocultação do real adquirente das mercadorias nas operações de comércio exterior analisadas neste processo. E, nesse aspecto, os elementos probatórios na autuação encontram fincados em adiantamentos de recursos financeiros pela empresa MULTIESFERAS COMÉRCIO, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE ESFERAS LTDA. Há demonstração de que houve adiantamento de recursos financeiros relativas às mercadorias importadas, observase que as transferência, no caso, aconteceram antes do fechamento de câmbio, os valores aproximam do quanto saído da conta bancária da empresa ALIANÇA para pagamento. Consolida, como prova definitiva da antecipação, o saldo bancário, em geral insignificante para fazer frente às obrigações antes da transferência do recurso financeiro. Esse mesmo fato observase após o pagamento, quando os saldos bancários reduzem a montantes irrelevantes, sobrando parcos recursos necessário as despesas corriqueiras, como se vê a partir das saídas das contas correntes. Tomando as datas de importação e os registros da transferência de recursos, constatase antecipação. Essa conduta configura ilícito, pois oculta o real adquirente das mercadorias dos controles aduaneiro, pouco importa se a fiscalização sabe o destinatário da mercadoria, não há como converter situação concreta ilícita diante da lei em operação prevista como sendo importação por “conta e ordem”, importação por encomenda. Simulouse importação direta, no entanto, todas as mercadorias tinham destino certo, ajuste considerado contrário à norma disciplinadora o bastante para considerar infração de ocultação do sujeito passivo. Fl. 660DF CARF MF Processo nº 11128.730090/201451 Acórdão n.º 3302004.145 S3C3T2 Fl. 660 9 No caso concreto os adiantamentos são provas contundentes da ocultação real de que trata de adquirente por conta e ordem, restou provado pela fiscalização. Contra essas acusações a defesa contentouse em sustentar a inexistência de ocultação de real interessado, a ocultação está exatamente no fato de não ter sido declarado nos documentos de importação que a empresa MULTIESFERAS era a interessada. Apurado o fato pela fiscalização, a alegação de que trata de mero erro de fato quanto ao preenchimento dos documentos e no SISCOMEX, tornase inócua, pois não há como aceitar de que tratava de importações por conta e ordem e não por encomenda. Em outros casos a fiscalização tomou como elementos de convicção a incapacidade financeira dos sócios, bem como, da principal Aliança, que, no caso concreto, demonstrase por meio de fluxo de remessa de recursos financeiros da empresa MULTIESFERAS para aquela. No tocante ao pedido alternativo no caso de manter o lançamento, que fosse aplicado à multa de 1% (um por cento) em razão do pagamento integral dos tributos, por erro de preenchimento no sistema SISCOMEX, cabe examinar se há possibilidade da substituição da penalidade. A conduta atribuída pela infração encontrase capitulada no art. 23 do Decretolei nº 1.455, 1976, que impõe o perdimento das mercadorias. A acusação de interposição fraudulenta na operação de comércio exterior decorrente da não comprovação da origem dos recursos financeiros empregados na operação, prevê multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias. No caso dos autos não se vislumbra possibilidade de substituição, sendo assim, impossibilitase de acudir o apelo. Diante do exposto, conheço do recurso voluntário e nego provimento. É como voto." Domingos de Sá Filho Relator (assinado digitalmente) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Redatora Ad Hoc Fl. 661DF CARF MF
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