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Numero do processo: 19647.000548/2003-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2001
DIFERENÇAS APURADAS ENTRE O ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DA MESMA ESPÉCIE. REQUISITOS
A falta ou insuficiência de recolhimento da CSLL, não confessada, não constitui infração quando demonstrada a compensação entre créditos da mesma espécie foi feita na contabilidade antes da entrada em vigor da sistemática das Dcomps, mesmo que tal compensação não tenha constado em DCTF
Numero da decisão: 1401-001.381
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Relator e Presidente em exercício
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Luiz Gomes de Mattos, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Carlos Mozart Barreto Vianna, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 1998, 1999, 2000 MATÉRIA NÃO CONTESTADA.MULTAS ISOLADAS. Considerarseá preclusa a matéria que não tenha sido expressamente contestada na primeira instância e, portanto, definitiva na instância administrativa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2001 DIFERENÇAS APURADAS ENTRE O ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DA MESMA ESPÉCIE. REQUISITOS A falta ou insuficiência de recolhimento da CSLL, não confessada, não constitui infração quando demonstrada a compensação entre créditos da mesma espécie foi feita na contabilidade antes da entrada em vigor da sistemática das Dcomps, mesmo que tal compensação não tenha constado em DCTF Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator e Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 05 48 /2 00 3- 33 Fl. 787DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19647.000548/200333 Acórdão n.º 1401001.381 S1C4T1 Fl. 787 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Luiz Gomes de Mattos, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Carlos Mozart Barreto Vianna, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Antonio Bezerra Neto. Fl. 788DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19647.000548/200333 Acórdão n.º 1401001.381 S1C4T1 Fl. 788 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 0811.089, da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento FortalezaCE. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: “Tintas Iquine Ltda., inscrito no CNPJ sob o nº 09.722.463/000131, teve contra si lavrado auto de infração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, fls. 04/11, anocalendário 2001, e Multa Isolada por falta de pagamento de estimativas de CSLL, anoscalendário de 1998, 1999, 2000, com crédito tributário total no valor de R$ 447.542,95. Conforme Descrição dos Fatos às fls. 05/06 foi apurada diferença entre o valor escriturado e o declarado/pago. O contribuinte declarou a menor o valor da CSLL apurado para o 3º e 4º trimestre de 2001, como também não foi recolhido o valor na sua totalidade. Foi apurada, também, “falta de pagamento da Contribuição Social, incidente sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos e/ou balanços de suspensão ou redução”, em novembro/98, maio/99, julho a dezembro de 1999, janeiro e fevereiro de 2000. Cientificado do auto de infração aos 19/08/2003 apresentou o contribuinte, aos 17/09/2003, impugnação parcial ao lançamento conforme peça de defesa acostada às fls. 222/230, aduzindo ser indevida a exigência da exação relativa ao 3º e 4º trimestres de 2001 porquanto efetivou compensações com os saldos de CSLL pagos a maior nos 1º e 2º trimestres de 2001, tendo utilizado, também, os saldos negativos de CSLL apurados na DIPJ/99 e DIPJ/00, o que liquida o débito da contribuição lançada pela fiscalização. É o relatório.” A DRJ, por unanimidade de votos, manteve o lançamento, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2001 CSLL. DIFERENÇAS APURADAS. A falta ou insuficiência de recolhimento da CSLL, não confessada, constitui infração que autoriza a lavratura do Fl. 789DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19647.000548/200333 Acórdão n.º 1401001.381 S1C4T1 Fl. 789 4 competente auto de infração, para a constituição do crédito tributário. CSLL. REGRAS SOBRE COMPENSAÇÃO A compensação é uma prerrogativa deferida ao contribuinte; no entanto, este deve observar os procedimentos fixados pela Administração Tributária a fim de fazer valer o seu direito. Não cabe a compensação de ofício, autorizada apenas em caso de verificação de débitos quando da análise de pedido de restituição ou ressarcimento. O sujeito passivo utilizou o meio inadequado para solicitar a compensação. Usou a impugnação, prevista no art. 14 do Decreto nº 70.235/72, quando deveria ter apresentado a Declaração de Compensação, nos termos das instruções normativas baixadas pela SRFB. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 1998, 1999, 2000 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este CARF, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação e aduzindo em complemento: Questiona pela primeira vez a ilegalidade da cobrança de multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas após encerramento do exercício em que houve apuração de saldos negativos da CSLL; Alega que a maior parte dos débitos foi quitada através de pagamentos e a outra parte por meio de compensação na forma do art. 14 da IN 21/97, operação que foi devidamente registrada em sua escrita contábil, demonstra assim tanto que ela dispunha de crédito suficiente para suportar as compensações quanto o efetivo abatimento do saldo credor à medida que as compensações foram efetuadas; O problema é que ao informar na DCTF os valores apurados, informa somente o que foi efetivamente pago via DARF e não todo o valor apurado, demonstrando que para a extinção dos créditos tributários foram utilizados os DARFs e as compensações sem DARF. ressalta por fim que a legislação regente da matéria determina que a contabilidade faz prova em favor da contribuinte, razão pela qual os elementos até então apresentados devem ser considerados no deslinde do processo. por fim, clama pela aplicação do princípio do indúbio pro réu, ex vi art. 112 do CTN. Fl. 790DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19647.000548/200333 Acórdão n.º 1401001.381 S1C4T1 Fl. 790 5 Esta Quarta Câmara baixou o julgamento em diligência em relação apenas ao anocalendário de 2001, uma vez que em relação aos outros anoscalendário a matéria foi considerada preclusa (multas isoladas). Às fls. 651/656 consta pronunciamento conclusivo da Fiscalização em sentido desfavorável à Recorrente. Às fls. 670/686 consta manifestação de inconformidade contra a Informação Fiscal da Diligência. É o relatório. Fl. 791DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19647.000548/200333 Acórdão n.º 1401001.381 S1C4T1 Fl. 791 6 Voto Conselheiro ANTONIO BEZERRA NETO, Relator O Recurso Voluntário reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Tratase de lançamento referente a diferenças de CSLL, apurada nos 3º e 4º trimestres de 2001, que segundo o autuante, não foi confessada nem recolhida; bem assim , e Multa Isolada por falta de pagamento de estimativas de CSLL, anoscalendário de 1998, 1999, 2000. Delimitação da lide Conforme já relatado pela DRJ, o lançamento de multas isoladas por falta das estimativas de CSLL, anoscalendário de 1998, 1999 e 2000, não foi impugnado pelo contribuinte, e tornouse definitiva a sua exigência, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, já por ocasião da decisão de primeira instância. Portanto, aqui não serão conhecidos os argumentos de defesa no sentido de contestar a cobrança da multas isoladas sobre estimativas não pagas. A lide circunscrevese, então, apenas em relação ao anocalendário de 2001, em que o contribuinte optante pela tributação com base no Lucro Real Trimestral, apurou a CSLL no montante de R$ 75.998,51 e R$ 146.090,23, respectivamente para o 3º e 4º trimestre de 2001, fls. 217/218. Porém, nas DCTF apresentadas, que são instrumentos de confissão de dívida, foram confessados débitos de CSLL referentes àqueles mesmos trimestres, em valores inferiores ao que foi apurado, ou seja, declarou apenas R$ 18.836,44 e R$ 32.292,33, respectivamente para os 3º e 4º trimestres de 2001, tendo pago os valores de R$ 18.836,44 (3º Trim) e R$ 41.192,78 (4º Trim), sendo estes os valores considerados declarados pelo autuante. Outrossim, a DIPJ em relação os valores de CSLL, 3º e 4º trimestre de 2001, informados na Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica de Ajuste Anual – DIPJ/2002, não podem ser considerados como declarados, pois a partir de 1999 tais documentos não mais são considerados como instrumentos de confissão de dívidas,mas simples declaração de informações econômicofiscais. No exame do mérito, vejo que toda a linha de defesa da recorrente é voltada para o seu “direito” à compensação de supostos pagamentos a maior CSLL (1º e 2º trimestre de 2001 e nos anos de 1999 e 2000). Em seu recurso, não contesta diretamente as diferenças apresentadas entre o apurado e o declarado e também não refuta o argumento da DRJ na linha de que se pedido de compensação não teria sido espontâneo: Fl. 792DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19647.000548/200333 Acórdão n.º 1401001.381 S1C4T1 Fl. 792 7 Outrossim, a DRJ considerou que a DIPJ em relação os valores de CSLL, 3º e 4º trimestre de 2001, informados na Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica de Ajuste Anual – DIPJ/2002, não podem ser considerados como declarados, pois a partir de 1999 tais documentos não mais são considerados como instrumentos de confissão de dívidas,mas simples declaração de informações econômicofiscais. Segundo a DRJ: No caso em apreço o interessado não informou na DCTF toda a CSLL apurada para o 3º e 4º trimestre de 2001. Assim, não ficou configurada a confissão de dívida do citado tributo, informada apenas através da DIPJ/2002. Agora, em sede de julgamento, vem o impugnante em sua defesa informar ser detentor de créditos suficientes à liquidação da diferença de CSLL apurada para o 3º e 4º trimestre de 2001. Afirma, o contribuinte, que detém saldos de CSLL pagos a maior no 1º e 2º trimestre de 2001, e saldos positivos de CSLL apurados nos anos calendário de 1999 e 2000, conforme DIPJ/1999 e DIPJ/2000; créditos estes que diz estarem disponíveis e que compensam com sobra a diferença de CSLL apurada para o 3º e 4º trimestre de 2001. Ora, pelos documentos anexados aos autos o contribuinte não apresentou DCTF nem Declaração de Compensação a fim de efetivar as compensações que diz ter efetuado, formalizando, assim, as regras determinadas pela SRFB para a instrumentalização da compensação de créditos líquidos e certos com débitos do mesmo contribuinte. Somente nesta fase de julgamento vem o contribuinte informar sobre as compensações que deseja sejam efetivadas. (grifei) A Recorrente, a fim de refutar os pontos acima, tenta demonstrar que efetuou o procedimento de autohomologação ou seja, realizou a compensação entre tributos da mesma espécie tal qual previsto na Lei nº 8.383/91 e do art. 14 da IN 21/97, operação que foi devidamente registrada em sua escrita contábil, que demonstra tanto que a recorrente dispunha de crédito suficiente para suportar as compensações quanto o efetivo abatimento do saldo credor à medida que as compensações foram efetuadas. O que, entretanto não foi observado por ela foi talvez a obrigação acessória de informar através de DCTF a referida compensação. Assim, segundo ela, “se o contribuinte que apurasse saldo negativo de CSLL ou efetuasse pagamento indevido ou a maior que o devido, poderia se utilizar desses créditos para quitar débitos posteriores também de CSLL sem a necessidade de requerimento prévio à RFB (Pedido de Compensação), somente se faria o registro contábil das compensações”. Passa então ela a descrever pormenorizadamente o seu procedimento contábil: De acordo com a documentação acostada aos autos, notadamente DIPJ (doc. 03 e DARF's (doc. 04), no ano de 1999 a Recorrente apurou um saldo negativo de CSLL no valor de R$ 77.995,62, que foi devidamente escriturado (doc. 05). Posteriormente, no anocalendário de 2000, por ocasião da Declaração de ajuste anual, a Recorrente ao efetuar a apuração do lucro real, verificou mais uma vez que havia recolhido a Fl. 793DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19647.000548/200333 Acórdão n.º 1401001.381 S1C4T1 Fl. 793 8 maior a CSLL no valor de R$ 135.605,96, conforme se pode verificar em DIPJ (doc. 06), DARF's (doc. 07) do anocalendário de 2000 e escrita fiscal (doc. 08). Adicionalmente, no próprio anocalendário de 2001, verificando o valor apurado de CSLL (informado em DIPJ (doc. 09)) e DARF's (doc. 10) de pagamentos efetuados, que também foram escriturados (doc. 11), a Recorrente recolheu a maior nos dois primeiros trimestres, o valor de R$ 26.453,60, sendo R$ 11.595,02 a maior para o 1º trimestre e R$ 14.858,58 a maior para o 2º trimestre, conforme quadro I da Impugnação. Esse valor, inclusive está demonstrado pela fiscalização em sua planilha de cálculo (doc. 12) Observado o principal pressuposto para se efetuar compensação, que é dispor de crédito por parte da Recorrente, assim sendo, compensou com os débitos de CSLL apurados no 3o e 4o Trimestres de 2001, conforme preceitua o art. 14 da IN 21/97, sem, no entanto, enviar Pedido de Compensação, pois se tratava de créditos de mesma natureza (CSLL) e anteriores aos débitos. Para comprovar as compensações efetuadas, a Recorrente demonstra o registro contábil regular no tocante tanto ao registro do saldo negativo de CSLL quanto das compensações que foram realizadas se utilizando desse saldo negativo, conforme bem se pode verificar ao acompanhar os livros razão da Recorrente no 3º e 4º Trimestres de 2001 (doc. 11). Ressaltase Senhores Conselheiros, que o valor de CSLL apurado pela Recorrente e informado em sua DIPJ, foi o mesmo que a Autoridade Fiscal levanta, até porque a base utilizada pela fiscalização foi a própria DIPJ da Recorrente (doc. 12). O problema é que a Recorrente ao informar na DCTF os valores apurados, informa somente o que foi efetivamente pago via DARF e não todo o valor apurado, demonstrando que para extinção dos créditos tributários, foram utilizados os DARF's e as compensações sem DARF.(...) A princípio é bom esclarecer que a DRJ parte de uma premissa errada, ou seja, de que não se estaria diante do procedimento de autohomologação permitido pela legislação durante toda a vigência da Lei nº 8.383/91, o que se deu até setembro de 2002, com o estabelecimento da nova sistemática de compensação através das Dcomps (MP 66/2002). A passagem abaixo deixa bem claro o equívoco da DRJ: Todavia, não consta nos autos indicação que o sujeito passivo tenha efetuado a compensação de forma espontânea antes de iniciada a fiscalização. Até pelos argumentos apresentados na impugnação, fica claro que a compensação não foi feita anteriormente à fiscalização. Então, na realidade, há que se considerar que o sujeito passivo está solicitando, por meio da impugnação, que seja efetuada a compensação. Fl. 794DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19647.000548/200333 Acórdão n.º 1401001.381 S1C4T1 Fl. 794 9 Ocorre que o sujeito passivo utilizou o meio inadequado para alcançar sua pretensão, ou seja, utilizouse da impugnação prevista no art. 14 do Decreto nº 70.235/72, quando deveria ter apresentado a Declaração de Compensação, nos termos do art. 26 da IN SRF nº 460/2004, hoje IN SRF nº 600/2005, cuja competência para homologação do procedimento compete à unidade local da Receita Federal, mais precisamente, no caso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Recife/PE. Posto isso, e tendo sempre como norte o princípio da verdade material, o presente processo foi convertido em diligência para que fossem adotadas as seguintes providências pela Fiscalização: “ aprofundar melhor a investigação verificando em primeiro lugar se os saldos negativos já não foram objeto de outros pedidos de restituição/compensação; intimar o Contribuinte a apresentar os seus livros de escrituração contábil. De posse dos originais e dos demonstrativos, a autoridade fiscal deverá se pronunciar sobre a autenticidade das cópias juntadas do Razão, verificando primeiro se os registros relevantes lá indicados estão espelhados também no livro Diário; bem assim verificar a correção desses lançamentos contábeis (volume 3) em confronto com as tabelas de cálculo de fls. 224/231 de forma a saber se as compensações foram feitas com o saldo suficiente que a Recorrente diz possuir e se estão todas espelhadas em sua contabilidade independente de ter sido ou não declaradas DCTF; se for o caso, refazer os cálculos do auto de infração após as imputações e atualizações, de forma a verificar se ainda restaria alguma diferença a ser cobrada; apresentar outras informações ou mesmo intimar o contribuinte a apresentar novas informações e esclarecimentos que entender pertinentes à solução da lide; a autoridade fiscal deverá elaborar relatório conclusivo das verificações efetuadas nos itens anteriores . De pertinente para a diligência é o que faz ainda parte da lide, ou seja, ano calendário de 2001. A Informação Fiscal destacou o seguinte: Ressalta, mais uma vez, que a compensação efetuada teve respaldo no artigo 14 da instrução Normativa 21/1997, segundo o qual os créditos da pessoa jurídica poderão ser compensados com débitos de mesma espécie independente de requerimento. " Constatamos o seguinte, referente ao acima transcrito: 1. Houve saldo negativo da CSLL no ano de 2000, de acordo com o que consta na sua Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica ano de 2001 no valor de R$ 135.605,92, fls. 558. Não existe registro na sua contabilidade desse valor, bem como compensações com mesmo. Fl. 795DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19647.000548/200333 Acórdão n.º 1401001.381 S1C4T1 Fl. 795 10 2. Houve pagamento a maior da CSLL no Io Trimestre e no 2o Trimestre de 2001, conforme consta na planilha às fls. 31 e abaixo transcrita acrescida dos valores dos pagamentos a maior. Os pagamentos efetuados constam nos nossos sistemas, cópia às fls. 167. PERÍODO DE APURAÇÃO CSLL APURADA CSLL DECLARADA CSLL PAGA CSLL LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CSLL PAGA A MAIOR 1ºltrim/01 92.388,08 103.983,10 103.983,10 0,00 11.595,02 2º trim/01 51.637,03 66.495,61 66.495,61 0,00 14.858,58 3º trim/01 75.998,51 18.836,44 18.836,44 57.162,07 0,00 4º trim/01 146.073,76 32.319,68 41.192,78 104.880,98 0,00 Não existe registro na sua contabilidade referente a compensações efetuadas com os valores acima informados. Daremos ciência ao contribuinte das nossas conclusões, pela entrega de uma cópia deste termo e o prazo de 30(trinta) dias para que ele se pronuncie sobre o mesmo. Decorrido esse prazo o processo será devolvido ao CARF para prosseguimento do julgamento (Destquei) Não resta dúvida que, em havendo crédito decorrente de recolhimento a maior do imposto, o sujeito passivo tem o direito de utilizálo espontaneamente na compensação de débitos seus, desde que não de forma espontânea após lançamento de ofício, como foi o caso. É de se ver. A Autoridade Diligenciante afirma que "não existe registro na sua contabilidade referente a compensações efetuadas com os vaiores acima informados". Vide abaixo as considerações efetuadas e o registro das documentações apresentadas na segunda resposta ao Termo de Informação Fiscal: No 3o Trimestre de 2001 a Requerente contabilizou a título de CSLL a pagar o valor de R$ 80.869,00. Para tanto, realizou os seguintes lançamentos contábeis (Livro Diário de 01/09/2001 a 30/09/2001, folha 382 doc. 08): D 5.3.1.02.11310 Despesa CSLL C 2.1.6.00.00002 Provisão /Contribuição Social R$ 80.869,00 Ato contínuo, ainda em 30/09/2001, efetuou os seguintes lançamentos: D 2.1.6.00.00002 Passivo Provisão /Contribuição Social C 2.1.3.00.00004 Passivo Contribuição Social no valor de R$ 18.836,44 C 1.1.5.00.00005 Ativo CSLL a Recuperar no valor de R$ 62.032,56 Os R$ 18.836,44 foram pagos e reconhecidos por esta fiscalização. A grande questão se refere ao valor compensado, conforme se depreende dos registros contábeis da Requerente. Fl. 796DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19647.000548/200333 Acórdão n.º 1401001.381 S1C4T1 Fl. 796 11 Da mesma forma ocorreu com o valor cobrado de CSLL do 4o Trimestre de 2001. Foi contabilizado a título de CSLL do 4o Trimestre o valor de R$ 150.445,98 (Livro Diário folha 38 doc. 09). Em Janeiro de 2002, houve ajuste no valor da provisão efetuada nos 3o e 4o Trimestres (Livro Diário página 278 doc. 10). Com o ajuste, o valor provisionado de CSLL do 4o Trimestre de 2001 foi de R$ 146.090,23 (conta contábil 2.1.3.00.0004 doc. 10), sendo que R$ foi pago R$ 41.192,78 e compensado o valor de R$ 104.897,45 (conta contábil 1.1.5.00.0005 doc. 10) Os registros citados encontramse registrados nas páginas de números 872, 933, 942, 1074, 1191 e 1131 dos respectivos razões contábeis. Como se vê, o contribuinte demonstrou em sua contabilidade que para os 3o e 4o Trimestres de 2001, as compensações foram efetuadas, sim, e estão demonstradas nos Livros Razão e Diário entregues à autoridade fiscal (doc. 08 e 09 da segunda resposta do Termo de Informação Fiscal), com históricos contábeis inclusive adequados: “Vlr. De CSSL a a recuperar compensada no 3o /4º trimestre”. Caberia à fiscalização ter demonstrado de forma mais fundamentada e precisa porque não considerou às razões acima aduzidas pelo contribuinte, que a meu ver são bastantes coerentes e correspondentes com os livros contábeis. E não simplesmente, fazer uma assertiva banhada do argumento de autoridade, sem fazer referência de forma a desconstituir o contexto contábil trazido pela Recorrente. Outrossim, também se, por hipótese, já que o fiscal não aduziu nada, a questão seria a não coincidência numérica, também não procede, pois o que se vê é uma aproximação bastante razoável, tendo sido feito a compensação, inclusive, um pouco maior do que o fora lançado de ofício no 3o Trim, sendo que o 4o a coincidência é quase total, senão vejamos: LANÇADO DE OFÍCIO COMPENSADO NA CONTABILIDADE 3O Trim 57.162,07 62.032,56 4o Trim 104.880,98 104.897,45 Por todo o exposto, dentro dos limites da lide (não conhecimento das razões ligadas às multas isoladas), DOU provimento ao recurso para considerar homologadas as compensações referentes ao 3o e 4o trimestres de 2001. (assinado digitalmente) ANTONIO BEZERRA NETO Fl. 797DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19647.000548/200333 Acórdão n.º 1401001.381 S1C4T1 Fl. 797 12 Fl. 798DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 10280.903958/2009-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004
DIREITO CREDITÓRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.
O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da RFB.
DIREITO CREDITÓRIO COMPROVADO EM DILIGÊNCIA Direito creditório do contribuinte foi comprovado por diligência realizada pela Delegacia da Receita Federal de circunscrição do contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Direito Creditório Reconhecido em Parte
Numero da decisão: 3301-002.495
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da 3ª Seção de Julgamento, em dar provimento parcial ao recurso voluntário reconhecendo o direito creditório até o limite do crédito.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Relator
Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas (relator), Sidney Eduardo Stahl, Andrada Márcio Canuto Natal, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 DIREITO CREDITÓRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da RFB. DIREITO CREDITÓRIO COMPROVADO EM DILIGÊNCIA Direito creditório do contribuinte foi comprovado por diligência realizada pela Delegacia da Receita Federal de circunscrição do contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da 3ª Seção de Julgamento, em dar provimento parcial ao recurso voluntário reconhecendo o direito creditório até o limite do crédito. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Luiz Augusto do Couto Chagas Relator Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas (relator), Sidney Eduardo Stahl, Andrada Márcio Canuto Natal, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 39 58 /2 00 9- 55 Fl. 188DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 04 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10280.903958/200955 Acórdão n.º 3301002.495 S3C3T1 Fl. 189 2 Relatório O Contribuinte CADAM S.A. devidamente qualificado nos autos, recorre a este Conselho, através do recurso de fls. 107 e seguintes, contra o acórdão nº 0117.832, de 02/06/2010, da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém – PA, fls. 100/102, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, resultante de pagamento indevido ou a maior através de DARF relativo a pagamento de COFINS, conforme relatório nos seguintes termos, ao qual me reporto: Tratase de declaração de compensação transmitida em 30/10/2006 pela contribuinte acima identificada, na qual indicou crédito de R$ 22.858,43, resultante de pagamento indevido ou a maior originário de DARF relativo a receita de código 5856, do período de apuração de 31/12/2004, no valor originário de R$ 293.906,61. A Delegacia de origem, em análise datada de 25.05.2009 (fl. 05), constatou que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP (...) foram localizados um ou mais pagamentos (...), mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Assim, não homologou a compensação declarada. Cientificada em 04/06/2009, a interessada apresentou, em 03.07.2009, manifestação de inconformidade na qual alega (fls. 09/16): "O crédito analisado (...) deriva do pagamento de DARF (...) referente à COFINS apurada em 31/12/04 pela empresa. Conforme já exposto, o pagamento do referido DARF foi indevido, pois, ao apurar o valor da COFINS devida em 31/12/04, a empresa não considerou os créditos tributários acumulados até o período. Constatado o equivoco, a empresa providenciou imediatamente a retificação do (...) DACON (...), relativo ao quarto trimestre de 2004, a fim de incluir os créditos decorrentes de exportação (...) e de incidência não cumulativa, demonstrando, inequivocamente, que não havia COFINS a pagar naquele período. Todavia, a empresa deixou de retificar a (...) DCTF referente ao mesmo período. Logo, verificase na referida CTF (...) que foi apurado — e pago. Um débito de COFINS no valor de R$ 293.906,61 (...) Fl. 189DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 04 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10280.903958/200955 Acórdão n.º 3301002.495 S3C3T1 Fl. 190 3 Em que pese o fato de a empresa ter deixado de retificar a DCTF, é inequívoca a existência do crédito declarado na PER/DCOMP, conforme se verifica no DACON RETIFICADOR apresentado pela empresa antes da prolação do despacho decisório ora recorrido. É certo que o DACON RETIFICADORA, transmitido pela empresa à SRF antes da apresentação da PER/DCOMP, é bastante para comprovar a existência do crédito tributário declarado na compensação (...). Logo, considerando que a empresa apontou a existência do crédito no DACON RETIFICADORA antes da realização do PER/DCOMP, é forçoso que a autoridade fiscal reveja a decisão recorrida a fim de homologar a compensação declarada pela Requerente em face da indubitável existência do crédito declarado. Nesse sentido é o entendimento do Conselho de Contribuintes. Ressaltese que, em atenção ao principio da verdade material, que deve nortear o processo administrativo fiscal, não se pode ignorar o conjunto de provas acostado aos autos, o qual revela a existência do crédito tributário declarado (.)." A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, indeferindo o pedido de ressarcimento de IPI, nos termos da seguinte Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2004. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. O crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de divida previstas pela legislação tributária; como é o caso da DCTF. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. Considerase não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Nas declarações de compensação referentes a pagamentos indevidos ou a maior o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Irresignada, a Contribuinte apresentou o recurso voluntário pedindo a reforma do Julgado insistindo na existência do crédito negado, o qual transcrevo alguns trechos: Fl. 190DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 04 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10280.903958/200955 Acórdão n.º 3301002.495 S3C3T1 Fl. 191 4 Conforme já exposto, o pagamento do referido DARF foi indevido, pois, ao apurar o valor da COFINS devida em 31/12/04, a empresa não considerou os créditos tributários acumulados até o período. Constatado o equivoco, a empresa providenciou imediatamente a retificação do Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais DACON (documento já anexado), relativo ao quarto trimestre de 2004, a fim de incluir os créditos decorrentes de exportação (art. 6°, § 1° da Lei n. 10.833/03) e de incidência não cumulativa, demonstrando, inequivocamente, que não havia COFINS a pagar naquele período. Todavia, a empresa deixou de retificar a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF referente ao mesmo período. Logo, verificase na referida DCTF, na página 59 (documento já anexado), que foi apurado e pago um débito de COFINS no valor de R$ 293.906,61 (duzentos e noventa e três mil novecentos e seis reais e sessenta e um centavos). Ao analisar o pedido de compensação apresentado pela empresa, a autoridade fiscal considerou o crédito tributário declarado como inexistente, pois o DARF discriminado no PER/DCOMP foi vinculado ao pagamento da COFINS, conforme indicado na DCTF, o que resultou na não homologação da compensação realizada pela empresa. Em que pese o fato de a empresa ter deixado de retificar a DCTF, é inequívoca a existência do crédito declarado na PER/DCOMP, conforme se verifica no DACON RETIFICADOR apresentado pela empresa antes da prolação do despacho decisório. É certo que o DACON RETIFICADOR, transmitido pela empresa à SRF antes da apresentação da PER/DCOMP, é bastante para comprovar a existência do crédito tributário declarado na compensação. O art. 11 § 10 da Instrução Normativa n° 590/05 da Secretaria da Receita Federal estabelece que: Art. 11. Os pedidos de alteração nas informações prestadas no Dacon serão formalizados por meio de Dacon retificador, com observância das mesmas normas estabelecidas, para a demonstrativo retificado. § 1º O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou Fl. 191DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 04 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10280.903958/200955 Acórdão n.º 3301002.495 S3C3T1 Fl. 192 5 efetivar qualquer alteração nos créditos informados em demonstrativos anteriores. Ou seja, o DACON RETIFICADOR tem o condão de substituir integralmente o demonstrativo apresentado originariamente, inclusive para efetivar a inclusão de créditos não informados anteriormente. É imperioso que o Fisco constate que os créditos apontados pela empresa no DACON RETIFICADOR apontam um valor de R$ 293.906,61 (duzentos e noventa e três mil, novecentos e seis reais e sessenta e um centavos),ou seja, o mesmo valor indicado pela empresa na PER/DCOMP 01667.42148.081106.1.3.042827 Por fim, requer seja cancelado o débito fiscal reclamado. O julgamento do presente recurso foi convertido em diligência a fim de que a DRF de origem examinasse as alegações do Contribuinte e os documentos juntados, e também para que se verificasse se realmente existe pagamento a maior do tributo e suas conseqüências no PER/DCOMP apresentado. A diligência foi realizada. É o Relatório. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 04 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10280.903958/200955 Acórdão n.º 3301002.495 S3C3T1 Fl. 193 6 Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas Relator O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos na lei e deve ser conhecido. A minuciosa e efetiva diligência foi realizada pela DRF/Belém, solicitada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para que se procedesse à apuração da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, período de apuração 31/12/2004. O contribuinte alega que “ao apurar o valor da Cofins devida em 31/12/2004, a empresa não considerou os créditos tributários acumulados até o período”. Isso gerou para a empresa um valor a pagar de R$ 293.906,61 referente a Cofins, que foi efetivamente recolhido por meio de DARF. Posteriormente, houve a retificação do Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais (DACON), referente ao 4º trimestre de 2004. A retificação teve o efeito de fazer com que os créditos provenientes da Cofins não cumulativa fossem suficientes para compensar os valores da contribuição devida. Dessa forma, o valor recolhido anteriormente a título de Cofins seria indevido. Sendo assim, a diligência analisou o DACON, referente ao 4º trimestre de 2004, para aferir se há contribuição a pagar para esse período de apuração, se o pagamento efetuado pelo contribuinte é indevido e quais os efeitos sobre o PER/DCOMP objeto do presente processo. A análise verificou os créditos de Cofins já que esses créditos podem ser utilizados para dedução do valor da contribuição a recolher conforme estabelece o art. 6º, § 1º, inciso I da Lei 10.833, de 29 de dezembro de 2003. O cálculo dos créditos de Cofins, pelo fato de poderem ser utilizados para dedução da contribuição a recolher, influenciam diretamente o valor da contribuição a pagar o que representa informação fundamental para determinar se o valor pago pelo contribuinte foi indevido. A tabela abaixo relaciona os processos, e respectivas Declarações de Compensação (DCOMP), que se utilizam do mesmo pagamento indevido que a empresa alega ter efetuado. Dessa forma, a diligência serviu como base para a análise dos seguintes processos cujas diligências foram solicitadas pelo CARF: Fl. 193DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 04 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10280.903958/200955 Acórdão n.º 3301002.495 S3C3T1 Fl. 194 7 A diligência analisou com precisão todas as glosas realizadas pela fiscalização e concordou totalmente com o procedimento realizado. Posteriormente a diligência realizou a recomposição da base de cálculo e dos créditos da Cofins no período em tela. Após a análise, verificouse que mesmo tendo sido efetuadas glosas o contribuinte ainda possui créditos suficientes para compensar a contribuição apurada, ou seja, não houve contribuição a pagar para o período analisado conforme demonstrado na recomposição do DACON referente ao 4º trimestre de 2004. Sendo assim, constatou que o pagamento de R$ 293.906,61, do período de apuração de 31/12/2004, é indevido e pode ser utilizado para compensar os débitos declarados no PER/DCOMP nº 28190.95789.301006.1.3.042494, em análise neste processo, até o limite do crédito solicitado no PER/DCOMP nº 33288.05564.031006.1.3.048950. Importa ressaltar que a PER/DCOMP nº 33288.05564.031006.1.3.048950 está sendo analisada no processo nº 10280.901632/200993 e encontrase atualmente em fase de julgamento no CARF. Assim, pelos fatos expostos, voto pelo provimento parcial do recurso voluntário, reconhecendo o direito creditório até o limite do crédito e aguardando a análise da PER/DCOMP nº 33288.05564.031006.1.3.048950. Luiz Augusto do Couto Chagas Relator (ASSINADO DIGITALMENTE) LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Fl. 194DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 04 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10280.723136/2011-15
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 23 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1103-000.171
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS
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Ltda. Recorrida Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva. RELATÓRIO Lançamento A questão sob análise diz respeito a autos de infração cientificados em 19/12/2011 para a exigência de débitos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS relativos ao ano calendário de 2006 (fls. 846881), acrescidos de multa de ofício de 150% e juros de mora. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 80 .7 23 13 6/ 20 11 -1 5 Fl. 996DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10280.723136/201115 Resolução nº 1103000.171 S1C1T3 Fl. 997 2 De acordo com o relatório fiscal de fls. 841845, o procedimento de fiscalização foi iniciado (i) por existir diferença de R$7.178.181,10 entre as compras lançadas na DIPJ (R$22.065.261,55) e a receita bruta do período (R$14.887.080,45), (ii) porque a movimentação financeira informada pelo Banco Bradesco por meio da declaração de CPMF foi superior à receita bruta em R$7.029.711,63 e (iii) porque a contribuinte apurou prejuízos fiscais elevados em todos os trimestres do anocalendário de 2006 (R$5.221.556,58, R$6.744.431,63, R$2.732.596,18 e R$2.541.005,34, respectivamente). O auditor fiscal concluiu pela imprestabilidade da escrituração e realizou a apuração do lucro pela sistemática do arbitramento, tendo indicado no relatório fiscal os diversos vícios que entendeu estarem presentes nas demonstrações contábeis da contribuinte. Foi consignado, no relatório fiscal, que em 22/10/2010 foi lavrado termo de intimação e devolução de documentos, no qual foram solicitados esclarecimentos sobre falhas e omissões encontradas nos livros razão e diário e a contribuinte foi intimada a retificar tais informações, sob pena de arbitramento do lucro. A contribuinte apresentou esclarecimentos, mas não retificou as incorreções apontadas pela autoridade fiscal, exceto quanto à identificação do contador responsável. Em 21/10/2011 a contribuinte foi novamente intimada a comprovar os valores da conta 211.01.02 “Fornecedores” e da conta 221.01.01 “Empréstimos a Coligada a Longo Prazo”, mas tais esclarecimentos não foram prestados até o encerramento da ação fiscal, que ocorreu em 13/12/2011. Também foi registrado no relatório fiscal que a contadora da contribuinte, em depoimento prestado à Fiscalização, afirmou ser a contabilidade imprestável para apurar o lucro real. Em razão (i) das fraudes na contabilidade objetivando apurar um prejuízo inexistente e (ii) tendo em vista a imprestabilidade da escrita contábil para a apuração do lucro real, a autoridade fiscal procedeu à qualificação da multa para 150% e formalizou representação fiscal para fins penais. Foi observado o prazo decadencial previsto pelo art. 173, I do CTN pois (i) não houve apresentação de DCTF e DACON, tampouco (ii) pagamentos a título de IRPJ, CSLL, COFINS E PIS; (iii) foi desclassificada a “DIPJ como apuração pelo lucro real” e (iv) houve fraude na escrita contábil com qualificação da multa. Impugnação Fl. 997DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10280.723136/201115 Resolução nº 1103000.171 S1C1T3 Fl. 998 3 Em 17/01/2012 a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 908927 alegando, em suma, o que segue. - Houve cerceamento do direito de defesa, pois a contribuinte não foi intimada das nove renovações do prazo do MPF 02.1.01.002010000277, sendo assim o auto de infração nulo nos termos do art. 12, II do Decreto nº 7.574/11; - Os autos de infração estão fundamentados em provas obtidas ilicitamente, pois a contribuinte foi coagida a apresentar seus extratos bancários, uma vez que, se tais documentos não fossem exibidos à Fiscalização, seria caracterizado embaraço à fiscalização e lavrado auto de infração mediante a utilização do critério de arbitramento. Cita o RE nº 389.808PR, em que o STF decretou a inconstitucionalidade do art. 6º da LC 105, de 10/01/2001; - Ocorreu a decadência dos créditos tributários correspondentes aos três primeiros trimestres de 2006 (considerandose a apuração trimestral), pois deve ser aplicado o art. 150, §4º do CTN, e não o art. 173, I. Isso porque foi apresentada a DIPJ relativa ao ano calendário de 2006 e a contribuinte apenas não recolheu IRPJ, CSLL, PIS e COFINS porque apurou prejuízo fiscal. Além disso, não houve fraude, pois não foi praticada conduta dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido ou evitar ou diferir o seu pagamento; - Auditor fiscal agiu de forma equivocada ao declarar a imprestabilidade da escrita fiscal da contribuinte, pois inexistiram os elementos necessários para tanto, fixados na legislação vigente. Isso porque (i) o auditor fiscal teve acesso à movimentação financeira e bancária da contribuinte, (ii) foram prestados todos os documentos e esclarecimentos solicitados durante o procedimento de fiscalização, (iii) a escrita fiscal da contribuinte era regular, com o preenchimento de todos os livros exigidos pela legislação para as empresas optantes pelo lucro real; - Subsidiariamente, o lançamento deve ser declarado nulo, ainda que parcialmente, em relação à CSLL, ao PIS e à Cofins, pois o MPFF foi expedido com o objetivo inicial de apurar a regularidade do cumprimento de obrigações tributárias relativas ao IRPJ, ou seja, o auditor fiscal extrapolou sua competência; - Deve ser afastada a qualificação da multa, pois essa penalidade foi substituída por uma mais benéfica e não foi caracterizado o evidente intuito de fraude; e - Tendo sido demonstrado que não foi realizada fraude pela contribuinte, deve ser declarada a perda de objeto da representação fiscal para fins penais. Fl. 998DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10280.723136/201115 Resolução nº 1103000.171 S1C1T3 Fl. 999 4 Acórdão da DRJ Às fls. 949967, os membros da 1ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (PA) julgaram procedente em parte a impugnação em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXTINÇÃO. DECADÊNCIA. Nos lançamentos cuja exação se faz por homologação, havendo pagamento antecipado do imposto, ou da contribuição, e ausentes o dolo, fraude ou simulação, realizase a contagem do prazo decadencial pelo disposto no §4º do art. 150 do CTN, de outra forma, aplicase a regra ordinária da decadência estampada no art. 173, inciso I, do CTN. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. AUSÊNCIA. DEMONSTRATIVO DE EMISSÃO E PRORROGAÇÃO CIÊNCIA O MPF Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Seu vencimento não constitui, por si só, causa de nulidade do lançamento e nem provoca a reaquisição de espontaneidade por parte do sujeito passivo. Eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal não são causa de nulidade do auto de infração. LUCRO ARBITRADO. APLICAÇÃO. O contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou deixar de apresentar o Livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a movimentação financeira, inclusive bancária, quando optar pelo lucro presumido e não mantiver escrituração contábil regular, deve ser tributado pelo Lucro Arbitrado. SIGILO BANCÁRIO. Havendo procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda e dos Estados não constitui quebra do sigilo bancário, mas mera transferência de dados protegidos pelo sigilo bancário às autoridades obrigadas a mantêlos no âmbito do sigilo fiscal. Fl. 999DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10280.723136/201115 Resolução nº 1103000.171 S1C1T3 Fl. 1000 5 PROVA PERICIAL. LIMITES OBJETIVOS. Destinamse as perícias à formação da convicção do julgador, devendo limitarse ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também já incluídos nos autos, não podendo ser utilizadas para suprir a ausência de provas que já poderiam as partes ter juntado à impugnação ou para reabrir, por via indireta, a ação fiscal. MULTA QUALIFICADA. APLICAÇÃO. É necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo para autorizar a qualificação da multa de ofício. TRIBUTAÇÃO REFLEXA: PIS e COFINS. Dada a íntima relação de causa e efeito, o lançamento decorrente segue a sorte do lançamento principal, se não houver razão para decidir diversamente. Em suma, e nos termos do voto do Relator, a DRJ afastou a qualificação da multa de ofício por não ter sido demonstrado o evidente intuito de fraude pela autoridade fiscal. Não foi interposto recurso de ofício. Recurso Voluntário Contra o referido acórdão a contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 974993, no qual reiterou os argumentos tecidos em sede de impugnação, exceto quanto à multa qualificada. É o relatório. VOTO Conselheiro Breno Ferreira Martins Vasconcelos. A numeração de fls. indicada neste voto é a do eprocesso. Conforme relatado, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém – PA, ao julgar a impugnação apresentada pela contribuinte, decidiu afastar a qualificação da multa de ofício por entender que não foi comprovado o evidente intuito de fraude. Fl. 1000DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10280.723136/201115 Resolução nº 1103000.171 S1C1T3 Fl. 1001 6 De acordo com os autos de infração de fls. 846881, as multas de ofício exigidas no patamar de 150% totalizavam R$2.243.248,70, de modo que, após a redução para 75%, houve desoneração no valor histórico de R$1.121.624,35: 150% 75% Desoneração IRPJ R$ 731.208,56 R$ 365.604,28 R$ 365.604,28 CSLL R$ 345.243,85 R$ 172.621,93 R$ 172.621,93 PIS R$ 207.785,56 R$ 103.892,78 R$ 103.892,78 COFINS R$ 959.010,73 R$ 479.505,37 R$ 479.505,37 Total R$ 2.243.248,70 R$ 1.121.624,35 R$ 1.121.624,35 Por ter ocorrido exoneração em valor total superior a R$1.000.000,00, deveria ter sido interposto recurso de ofício pelo Presidente da 1ª Turma da DRJBelém, tendo em vista o que dispõem o art. 34, I do Decreto nº 70.235/72 e a Portaria MF nº 3/08 (vigente quando do julgamento da impugnação, em 30/11/2012): Decreto nº 70.235/72 Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. Portaria MF nº 3/08 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Desse modo, VOTO no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém – PA: a) Interponha recurso de ofício contra o Acórdão nº 0125.734, proferido em 30/11/2012 nos autos do presente processo administrativo; Fl. 1001DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10280.723136/201115 Resolução nº 1103000.171 S1C1T3 Fl. 1002 7 b) Cientifique o contribuinte sobre a interposição do recurso de ofício, para, se assim desejar, apresentar manifestação limitada ao objeto de tal recurso, no prazo de 30 (trinta) dias, conforme o art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/11; e c) Findo o prazo acima, devolva os autos ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Breno Ferreira Martins Vasconcelos Fl. 1002DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 19515.721608/2011-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006, 2009
OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS.
Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, seguida de incorporações reversas e nova capitalização, em nítida inobservância da primazia da essência sobre a forma, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a consequente tributação do novo ganho de capital apurado.
MULTA QUALIFICADA. INOCORRÊNCIA
A existência de correntes doutrinárias divergentes, além de precedentes jurisprudenciais favoráveis ao negócio jurídico praticado pelo contribuinte, demonstra, na verdade, uma hipótese de erro de proibição. Não há como ser reconhecido o dolo necessário à qualificação da multa, quando se percebe dos autos a convicção do recorrente no sentido de estar agindo segundo o permissivo legal, sem ocultação da prática e da intenção final dos seus negócios.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC.
Numero da decisão: 2201-002.638
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%. Vencidos os Conselheiros NATHÁLIA MESQUITA CEIA (Relatora), VINÍCIUS MAGNI VERÇOZA (Suplente convocado) e GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), que deram provimento integral ao recurso, inclusive desqualificaram a multa de ofício e excluíram os juros de mora sobre ela incidentes. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH.
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado Digitalmente
NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora.
Assinado Digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH - Redator designado.
EDITADO EM: 11/02/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERCOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA e EDUARDO TADEU FARAH. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ e GUSTAVO LIAN HADDAD.
Nome do relator: NATHALIA MESQUITA CEIA
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DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, seguida de incorporações reversas e nova capitalização, em nítida inobservância da primazia da essência sobre a forma, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a consequente tributação do novo ganho de capital apurado. MULTA QUALIFICADA. INOCORRÊNCIA A existência de correntes doutrinárias divergentes, além de precedentes jurisprudenciais favoráveis ao negócio jurídico praticado pelo contribuinte, demonstra, na verdade, uma hipótese de erro de proibição. Não há como ser reconhecido o dolo necessário à qualificação da multa, quando se percebe dos autos a convicção do recorrente no sentido de estar agindo segundo o permissivo legal, sem ocultação da prática e da intenção final dos seus negócios. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 16 08 /2 01 1- 61 Fl. 653DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/02/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 19/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Vencidos os Conselheiros NATHÁLIA MESQUITA CEIA (Relatora), VINÍCIUS MAGNI VERÇOZA (Suplente convocado) e GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), que deram provimento integral ao recurso, inclusive desqualificaram a multa de ofício e excluíram os juros de mora sobre ela incidentes. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado Digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA Relatora. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH Redator designado. EDITADO EM: 11/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERCOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA e EDUARDO TADEU FARAH. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ e GUSTAVO LIAN HADDAD. Relatório Pelo Auto de Infração, de fls. 363 e seguintes, lavrado em 03/11/2011, exigese do Contribuinte JOSE OCTAVIO MENDES VITA o montante de R$ 1.816.138,87 de imposto sobre a renda da pessoa física (IRPF), R$ 2.724.208,30 de multa de ofício qualificada e R$ 556.921,50 de juros de mora, totalizando um crédito tributário de R$ 5.097.268,67 (atualizados até a data da autuação) referente aos anos calendários 2006 e 2009, decorrente de Omissão de Ganhos de Capital na Alienação de Ações/Quotas não Negociadas em Bolsa. O Termo de Verificação e Encerramento do Procedimento Fiscal, de fls. 363 e seguintes, relata: · A fiscalização aponta que o Contribuinte não apurou de forma correta o ganho de capital na alienação de participação societária, pois majorou inadequadamente o custo de aquisição da referida participação. Ainda entende a fiscalização existirem fatos que justifiquem a aplicação de multa qualificada. · O Contribuinte era acionista da empresa Nova Pactual Participações Ltda. que detinha participação na empresa Pactual SA que detinha o Banco Pactual. Em 2006, os acionistas do Grupo Pactual alienaram o Banco Pactual. Como o comprador pretendia apenas adquirir o Banco Pactual, os acionistas, pessoas físicas, promoveram uma reestruturação societária, onde inicialmente a Pactual SA incorporou sua investidora e, Fl. 654DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/02/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 19/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.721608/201161 Acórdão n.º 2201002.638 S2C2T1 Fl. 3 3 ato contínuo, o Banco Pactual incorporou sua investidora (sociedade remanescente da incorporação anterior), sendo que ao final os acionistas (pessoas físicas) restaram detentores diretos do Banco Pactual que, posteriormente, fora alienado ao comprador. · Tanto Nova Pactual Participações Ltda. quanto a Pactual SA apresentavam lucros e reserva de lucros à época da reestruturação, sendo que esses foram capitalizados antes dos respectivos atos de incorporação. · Em face do exposto, a fiscalização argumenta que como havia duas sociedades holdings entre os acionistas, pessoas físicas, e a empresa operacional do grupo (o Banco Pactual), o único resultado que representa efetivamente riqueza é o resultado apresentado pelo banco, sendo que os lucros das holdings investidoras do banco, nada mais são do que reflexo do lucro do banco nessas sociedades, em face da aplicação do método contábil da equivalência patrimonial. · Com base nessa argumentação, entende a fiscalização que a capitalização dos lucros das sociedades holdings não deve ser considerada para fins de incremento do custo de aquisição do investimento da pessoa física, pois não representam riqueza, mas sim mero reflexo contábil do lucro da investida (Banco Pactual) nas suas investidoras (sociedades holdings). · A fiscalização reajustou a apuração do ganho de capital reportado pelo Contribuinte com vistas a expurgar a parcela que entende como artificial para fins de composição de custo de aquisição da pessoa física, tendo em vista que o incremento do custo de aquisição resulta em pagamento a menor do ganho de capital. · Assim, para efeito da correta apuração do ganho de capital ocorrido na alienação da participação societária que o Contribuinte possuía no Banco Pactual S/A, foi expurgado, para fins de cálculo de seu efetivo custo de aquisição, o efeito produzido pelas capitalizações de lucros e/ou reservas nas empresas Nova Pactual Participações e Pactual Holdings, ocorridas em 13/10/2006, nos respectivos valores de R$ 686 milhões e de R$ 202,5 milhões, uma vez que, como acima evidenciado, esse efeito foi utilizado em duplicidade e está embutido na capitalização de lucros da Pactual S/A, realizada em 03/11/2006, no valor de R$996.087.876,00. Expurgandose o acréscimo promovido pelo Contribuinte no custo de aquisição de suas ações, em razão capitalização da empresa Nova Pactual Participações, no valor de R$ 15.350.501,00, foi apurado o valor correto do custo de aquisição das ações alienadas, que somou R$ 29.610.909,82 (R$ 44.961.410,82 R$ 15.350.501,00). · A fiscalização ainda entende que a estrutura de holdings adotada pelo Grupo Pactual, bem como a reestruturação societária prévia à alienação do Banco Pactual foi efetuada de forma irregular e artificial com o intuito exclusivo de pagamento a menor de tributo e com fulcro nessa argumentação aplica multa qualificada. O Contribuinte tomou ciência da autuação em 17/11/2011, conforme AR (fls. 372), tendo apresentado Impugnação, de fls. 375 e seguintes, em 30/11/2011, na qual trouxe as seguintes alegações: · A autuação considerou dispositivos genéricos na sua fundamentação que não guardam relação direta com a matéria autuada. Não há no Auto de Infração comprovação do dispositivo legal que fora violado. Fl. 655DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/02/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 19/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 4 · A então estrutura societária do Grupo Pactual com a presença de 02 holdings era factível e interessava de forma imprescindível à gestão do Grupo, pois garante que o poder de decisão seja alocado de forma coerente, observando as regras civis e societárias vigentes, bem como permite que a distribuição de resultados seja efetuada de acordo com a participação de cada acionista para alcançar o resultado. Ou melhor, aqueles acionistas que mais contribuíram recebem mais do que aqueles que menos contribuíram, prezando pelo caráter meritório da distribuição de resultados. Logo, a estruturação do Grupo Pactual em holdings não tem o intuito de evitar ou reduzir o pagamento de tributos. · A reestruturação societária prévia à alienação do Banco Pactual foi necessária em razão de exigência do comprador que tinha como alvo a empresa operacional do Grupo Pactual, ou seja, o Banco Pactual. Portanto, a reestruturação goza de propósito negocial e econômico e foi efetuada da forma mais célere e menos burocrática com vistas que o negócio fosse concretizado em um curto espaço de tempo. · A conduta do Contribuinte pautouse na aplicação da legislação tributária em vigor que autoriza o aumento do custo de aquisição do investimento em face à capitalização de lucros e /ou reservas de lucros. · A aplicação da multa qualificada deve ser desconsiderada por restar demonstrado durante a fiscalização que a intenção do Contribuinte não foi a redução do pagamento de tributo de forma artificial e ilícita. O Contribuinte não se valeu de fraude, abuso de direito ou simulação em sua conduta. · Em antecipação defende que não devem incidir juros de mora sobre a multa de ofício por se tratar de uma majoração indevida da penalidade já aplicada. A 16ª Turma da DRJ/SP1, na sessão de 11/04/2012, pelo Acórdão nº 1637.546, de fls. 529 e seguintes, julgou improcedente a Impugnação, nos seguintes termos: ENQUADRAMENTO LEGAL GENÉRICO. O fato de constar do auto de infração vários dispositivos legais concernentes a aspectos gerais relativos à tributação dos rendimentos de ganho de capital não macula o lançamento, quando restar caracterizado que não houve prejuízo ao contribuinte, seja porque a descrição da infração lhe possibilita ampla defesa, seja porque a impugnação apresentada revela pleno conhecimento da infração imputada. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. VALIDADE. Só é considerado válido o planejamento tributário, conjunto de medidas e atos adotados pelo contribuinte na organização de sua vida econômico fiscal, se este anteceder o fato gerador e pautarse pela legalidade, com o afastamento de qualquer forma de simulação em relação aos atos e negócios praticados. OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. INCORPORAÇÕES REVERSAS. DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, seguida de incorporações reversas e nova capitalização, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a consequente tributação do novo ganho de capital apurado. SIMULAÇÃO. OPERAÇÕES ESTRUTURADAS EM SEQUÊNCIA. O fato de cada uma das transações dentro do grupo societário, isoladamente e do ponto de vista formal, ostentar legalidade, não garante a legitimidade do conjunto de operações, quando restar comprovada a simulação, visto que, por trás da verdade Fl. 656DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/02/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 19/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.721608/201161 Acórdão n.º 2201002.638 S2C2T1 Fl. 4 5 declarada, uma aparente reorganização societária representada por um conjunto de alterações contratuais, existia uma outra verdade, qual seja, a majoração artificial do custo das ações do acionista pessoa física e a obtenção de benefícios fiscais, que, de outra forma, não poderiam ser alcançados. MULTA QUALIFICADA. É cabível, por disposição literal de lei, a incidência de multa de ofício sobre o valor do imposto apurado em procedimento de ofício, que deverá ser exigida juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte, independentemente do motivo determinante da falta. No caso em exame, tendo sido comprovado o intento doloso do contribuinte de reduzir indevidamente sua base de cálculo, a fim de se eximir do pagamento do imposto devido, cabível é a aplicação da multa qualificada. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Considerando que a multa de ofício é classificada como débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, é correta a incidência dos juros de mora sobre os valores da multa de ofício não pagos, a partir de seu vencimento. O Contribuinte foi notificado do Acórdão pela certidão de fls. 564, em 27/04/2012, vindo apresentar Recurso Voluntário, às fls. 568 e seguintes, em 07/05/2012, reafirmando os pontos levantados na sua Impugnação. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Nathália Mesquita Ceia. Conheço do recurso, pois é tempestivo e goza dos demais requisitos de admissibilidade. I. DO MÉRITO I.1. Custo de Aquisição – Elemento formador da base de cálculo Ganho de capital é base de cálculo do imposto sobre a renda e consiste na diferença positiva entre o valor de venda e o custo de aquisição de investimento. Assim, como o custo de aquisição e o valor de venda são elementos formadores da base de cálculo, ambos devem ser devidamente definidos na norma tributária, com vistas a garantir a segurança jurídica e evitar critérios subjetivos e casuísticos. A definição do custo de aquisição não pode ser entendida como um conceito aberto sujeito a interpretações subjetivas e casuísticas. Por se tratar de elemento formador da base de cálculo do tributo sua definição deve ser clara e objetiva. No caso em questão, a discussão se trava quanto à possibilidade de incremento do custo de aquisição do investimento detido pelo Contribuinte, especialmente em face da capitalização de lucros/reserva de lucros resultantes única e exclusivamente de Fl. 657DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/02/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 19/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 6 equivalência patrimonial. Logo, tratase de tema que impacta a base de cálculo do imposto de renda. A norma tributária dispõe, no artigo 135 do RIR/99, como é definido o custo de aquisição do investimento quando da capitalização de lucros ou reserva de lucros, confira se: Custo de Participações Societárias Adquiridas com Incorporação de Lucros e Reservas Art. 135. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital ou incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista (Lei nº 9.249, de 1995, art.10, parágrafo único). Logo, percebese que a definição do custo de aquisição encontrase prevista em Lei e, portanto, não cabe definição casuística. O dispositivo em questão goza de caráter genérico e deve ser aplicado de forma indistinta a todos os fatos que se enquadrem na sua disposição. No caso em apreço, tanto a fiscalização quanto o Contribuinte não discordam que o referido dispositivo legal se aplica, porém não há concordância acerca da interpretação do dispositivo legal. Se por um lado a autoridade tributária entende que é a capitalização de lucros ou reserva de lucros resultantes única e exclusivamente de equivalência patrimonial representa a mesma riqueza e, portanto apenas passível de incrementar o custo de aquisição do investimento uma única vez, por outro lado o Contribuinte entende que não há vedação legal para se proceder ao incremento do custo de aquisição do investimento em face lucros ou reserva de lucros oriundos de equivalência patrimonial. Em face das interpretações apresentadas, entendo que a Lei faculta ao contribuinte o acréscimo ao custo de aquisição de investimento a capitalização de lucros ou reserva de lucros, mesmo que esses tenham sido apurados única e exclusivamente com base em resultado de equivalência patrimonial. Isso porque não há dispositivo legal que impeça o incremento do custo de aquisição com base em resultados oriundos de equivalência patrimonial e como mencionado anteriormente por ser elemento formador da base de cálculo do imposto sobre a renda, a definição do custo de aquisição deve ser clara e objetivamente determinada, não sendo possíveis interpretações que se afastem do caráter objetivo da norma. Logo, onde o legislador não restringiu não cabe ao intérprete fazêlo. Assim, entendo que procedeu de forma correta o Contribuinte ao acrescer ao custo de aquisição do investimento as capitalizações de lucro e reservas de lucros oriundos de resultados única e exclusivamente apurados com base em equivalência patrimonial. Porém, pareceme que esse não é o único argumento pelo qual o Auto de Infração não deve ser mantido. A diferenciação entre os efeitos econômicos e jurídicos para fins tributários também é de importante análise para esses fins. Fl. 658DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/02/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 19/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.721608/201161 Acórdão n.º 2201002.638 S2C2T1 Fl. 5 7 I.2. Tributação Jurídica x Econômica Sob a alegação que a capitalização de lucros e reserva de lucros resultantes de equivalência patrimonial não deve ser considerada para fins de aumento do custo de aquisição, a fiscalização pretende reduzir o custo de aquisição do Contribuinte utilizado para apurar o ganho de capital na venda do investimento. O lucro resultante de equivalência patrimonial nada mais é que a riqueza auferida pela investida (Banco Pactual) refletida nos registros contábeis das investidoras (holdings). Assim, no entendimento da fiscalização, permitir que o custo de aquisição seja aumentado em face da capitalização de lucros oriundos de equivalência patrimonial, seria permitir que a mesma riqueza representasse aumento do custo de aquisição mais de uma vez, fato que acaba por refletir na apuração do ganho de capital e, por consequência, em pagamento a menor de tributo. Sob a ótica econômica, é certo que o lucro da investida é refletido no lucro da investidora por equivalência patrimonial e se isolarmos esse fato e apenas pensarmos economicamente, chegamos à conclusão que é a mesma riqueza e de fato é. A partir desse raciocínio que a autoridade tributária desconsidera parte dos lucros capitalizados, pois já que é economicamente a mesma riqueza, não poderiam aumentar o custo de aquisição (elemento integrante da base de cálculo do ganho de capital) duplamente. Porém, os efeitos econômicos não devem ser utilizados para exigir indistintamente a tributação, especialmente quando há norma formal expressa sobre o tema. A tributação econômica ocorre diariamente e não deve ser tomada como base para fins de cobrança de imposto ou para fins de nãopagamento de imposto. Para tanto devemos considerar a tributação jurídica, aquela prescrita nas normas tributárias que garantem aos jurisdicionados a segurança jurídica. Proponho um exercício sob outra perspectiva, qual seja, quando o contribuinte, sob a ótica econômica, paga duas vezes tributo sobre a mesma riqueza. Imaginemos um profissional assalariado que recebe mensalmente seu ordenado e é descontado na fonte o imposto de renda. Tal profissional recebe seu rendimento líquido de imposto e contrata os serviços de um arquiteto para reformar sua residência. Pois bem. O profissional assalariado remunera o arquiteto pelos serviços prestados e o arquiteto, por também ser contribuinte do imposto de renda, deve recolher imposto sobre esse rendimento auferido. Percebase que sob a ótica econômica tratase do mesmo rendimento, qual seja da mesma riqueza (salário e honorários do arquiteto). Porém, não há possibilidade de o arquiteto não pagar imposto de renda sobre o rendimento auferido sob a alegação que se trata de riqueza economicamente já tributada no nível do profissional assalariado. Fl. 659DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/02/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 19/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 8 Isso porque o ordenamento jurídico brasileiro é pautado na tributação jurídica da renda e não em sua tributação econômica. Devese tributar aquilo que a Lei prescreve como tributável, independente do efeito econômico. Assim, não se pode sob o pretexto de uma tributação econômica desconsiderar por completo a legislação posta. A tributação não pode ser decidida casuisticamente e com base em critérios econômicos, aritméticos ou matemáticos como defende a fiscalização. A tributação deve observar a norma legal, mesmo que essa por algumas vezes, não se coadune de forma perfeita com a realidade econômica dos fatos. Desta forma, tendo em vista que a presente autuação é exclusivamente baseada em critérios econômicos, entendo que o auto de infração não deve prosperar. I.3. Afastamento da multa de ofício qualificada A fiscalização entende aplicável multa de ofício qualificada por restar caracterizado o evidente intuito de fraude do Recorrente no sentido de impedir ou retardar, total ou parcialmente a ocorrência do fato gerador do imposto de renda ou a excluir ou modificar as suas características essenciais Com vistas a respaldar o entendimento acima, a fiscalização elenca uma série de condutas do Contribuinte e dos exacionistas do Grupo Pactual. Vejamos a seguir os argumentos levantados pela fiscalização e o contraponto do Contribuinte. I.3.1. Estrutura do Grupo Pactual em holdings A estrutura societária do Grupo Pactual com holdings já existia antes do processo de venda. Era a forma societária pela qual o Grupo executava suas atividades. De acordo com o apresentado pelo Contribuinte, a referida estrutura vale por uma questão de assegurar a divisão da gestão e controle do Grupo, bem como para repartir os lucros em face dos acionistas que mais contribuíram para alcançar resultado, com base no sistema da meritocracia. Ou seja, aqueles acionistas que gerem melhor suas áreas de atuação recebem mais retorno financeiro. A estrutura da forma que se encontra é validamente aceitável perante o ordenamento jurídico brasileiro e atinge aos objetivos a que se propõe. Ou melhor, a estrutura de holding não foi criada para fins de planejamento tributário. Assim, acredito que argumentação no sentido de que a estrutura societária com holdings objetiva redução do pagamento de imposto devido em face da operação de alienação não pode ser acatada, pois a estrutura de holdings apresentada pelo Grupo existe muito antes de se cogitar a venda do Banco Pactual, bem como a estrutura apresenta propósito jurídico válido, ou seja, organizar não apenas a divisão do controle e gestão do Grupo Pactual, mas também repartir os resultados de forma meritória entre aos acionistas. I.3.2. Incorporação inversa Fl. 660DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/02/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 19/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.721608/201161 Acórdão n.º 2201002.638 S2C2T1 Fl. 6 9 A fiscalização entende que as incorporações inversas tiveram como único objetivo incrementar artificialmente o custo de aquisição do investimento detido pelo Contribuinte. Argumentar que a incorporação inversa não seria o processo “normal”, parece uma limitação aquilo que o legislador não pretendeu limitar. Não há na lei processo normal ou alternativo à operação de incorporação. De acordo com o artigo 227 da Lei nº 6.404/76, temse que: A incorporação é a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações. Verificase da leitura do dispositivo legal que não há “processo normal” de incorporação. A incorporação é uma operação societária que visa absorção de sociedades com a sucessão de direitos e obrigações. Não há na lei menção há investidoras e investidas. A ilação da fiscalização busca conceder à operação um caráter escuso que essa não apresenta. O Contribuinte argumenta que efetuar a reestruturação societária para fins de venda da forma que a fiscalização sugere é um processo mais gravoso, burocrático e demorado, além de por em risco negócios firmados pelo Banco Pactual, tendo em vista que nos contratos financeiros há cláusulas expressas que vedam a incorporação da instituição financeira por outra sociedade, cláusula que visa garantir a integridade do banco para seus credores. Ademais, a atividade financeira apresenta como principal característica a fidúcia, ou seja, seus clientes e credores devem ter a confiança que a instituição vai ali permanecer sem alterações substanciais. Logo, tendo em vista o fato concreto em questão, promover a reestruturação com a incorporação do Banco Pactual pela sua investidora acabaria por prejudicar as atividades do Banco e possivelmente influenciaria de forma negativa a operação de alienação. Além disso, a incorporação do Banco Pactual pela sua investidora, especialmente porque sua investidora não é qualificada como instituição financeira perante o Banco Central do Brasil, acabaria por acarretar necessidade de um tempo maior, com vistas a serem atendidos os requisitos regulatórios nacionais para que a investidora pudesse assumir as atividades do Banco Pactual. Portanto, entendo não haver ilícito na forma pela qual a reestruturação societária foi efetuada. Ilicitude haveria se tal reestruturação fosse realizada para dissimular ou fraudar o real objetivo das partes. Julgo coerentes, razoáveis e justificáveis os fatos apresentados pelo Recorrente para justificar a reestruturação da forma que ocorreu. I.3.3. Atos societários sucessivos A fiscalização também se prende à questão dos atos societários terem sido praticados em curto espaço de tempo, fato que pode ser entendido como um planejamento ilícito. Como demonstrado pelo Contribuinte, o fato dos atos societários terem sido praticados de forma sucessiva e em curto espaço de tempo decorrem única e exclusivamente do Fl. 661DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/02/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 19/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 10 caráter negocial da operação. Ou melhor, os então acionistas do Grupo Pactual possuíam uma “janela de oportunidade” para alienar o Banco Pactual. Em face da oportunidade, os exacionistas se deparam com a condição do comprador que deseja apenas adquirir a unidade operacional do Grupo, qual seja, o Banco Pactual. Ao comprador não interessa a aquisição de uma estrutura de holdings que apenas faz sentido da forma que o Grupo Pactual era estruturado em face da sua multiplicidade de acionistas, sendo preciso um mecanismo societário eficaz que conseguisse alocar poder de decisão, gestão e repartição de resultados. Assim, em face da premência do fechamento do negócio, os vendedores envidam seus melhores esforços para que em um espaço de tempo reduzido apenas reste o Banco Pactual como ativo a ser alienado ao comprador. Daí, os atos societários terem sido realizados em curto espaço de tempo e quase que em dias sucessivos. Argumenta o Contribuinte que a incorporação da investidora pela investida foi adotada como forma de extinção das holdings, pois era o procedimento mais célere e menos burocrático dentre todos os possíveis. Portanto, entendo que o fato de os atos societários das incorporações terem ocorrido de forma sucessiva e em curto espaço de tempo mantém total alinhamento com o objetivo dos negócios nos tempos atuais, qual seja, celeridade. Entendo não restar comprovado haver intuito de fraude, abuso de direito ou simulação nos atos societários que foram praticados para fins de incorporação. Os mesmos observaram seus objetivos, quais sejam reduzir o Grupo Pactual a uma única empresa para venda e foram praticados em linha com o ordenamento jurídico pátrio. I.3.4. Intenção do negócio A fiscalização entende que todos os atos de capitalização de lucros e extinção das investidoras tiveram a intenção de majorar o custo de aquisição das ações e, consequentemente, reduzir de forma irregular o ganho de capital do Contribuinte e demais acionistas, evitando, de forma artificial, o pagamento do imposto devido. Ou seja, o entendimento da fiscalização é no sentido de que a intenção dos exacionistas do Banco Pactual S/A era reduzir imposto devido apurado na operação de ganho de capital. Não obstante, a percepção dos fatos pela fiscalização, entendo que não restou comprovado que a intenção do Contribuinte (exacionistas) com a reestruturação era de reduzir o imposto sobre o ganho de capital. Pelo contrário, entendo que a intenção dos exacionistas era “enxugar” a estrutura societária do Grupo Pactual da forma mais rápida e econômica possível para não perder a oportunidade de concluir a venda. I.3.5. Abuso de direito, fraude ou simulação A fiscalização pondera no auto de infração que o Contribuinte pode utilizar o art. 135 do RIR/99 para respaldar sua conduta. E complementa a fiscalização, que nesse caso sua conduta estaria em conformidade com a letra da lei, mas em desconformidade com o espírito da lei. E, considerando, a conduta do Contribuinte estar em desconformidade com o espírito da lei, complementa que agiu o Contribuinte com abuso de direito. Com toda vênia a argumentação da fiscalização, ao meu ver, o caso não se trata de abuso de direito, mas sim de divergência de interpretação da norma. A norma pode ser interpretada de várias formas a depender do operador do direito que a esteja manejando. A Fl. 662DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/02/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 19/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.721608/201161 Acórdão n.º 2201002.638 S2C2T1 Fl. 7 11 interpretação literal e a interpretação teleológica são formas de interpretação aceitas pelo ordenamento jurídico pátrio e lançar mão de uma ou de outra para observar a norma não caracteriza de forma alguma abuso de direito. A fiscalização interpreta a letra e o espírito da norma sob o viés econômico, enquanto o Contribuinte compreende o disposto na norma sob uma acepção jurídica. Interpretações antagônicas não caracterizam abuso de direito, mas sim divergência. E, quando há divergência de interpretação, cabe aos julgadores nortearem o melhor sentido para aplicação da norma. Ademais, não houve prestação de informação falsa pelo Contribuinte, esse de fato ao elaborar o cálculo do ganho de capital entende estar aplicando a legislação fiscal vigente. O máximo que poderia ter ocorrido, e já afasto essa hipótese, seria um equívoco de interpretação legislativa do contribuinte. Logo, entendo comprovado o propósito negocial da estrutura, não havendo que se ventilar simulação, fraude ou abuso de direito. Pelo contrário os atos praticados isoladamente, bem como os atos vistos dentro de um conjunto têm como objetivo a alienação do Banco Pactual ao comprador da forma mais célere e menos onerosa possível, dentro dos limites e ditames legais. Em resumo, pelos fatos e argumentos acima narrados, concluo que a qualificação da multa de ofício não condiz com a realidade fática e deve ser afastada. II.4. Juros de Mora sobre a Multa de Ofício O Contribuinte em antecipação já defende a não incidência de juros de mora sobre a multa de ofício aplicada, em razão da ausência de respaldo legal, bem como se tratar de uma dupla penalização. A cobrança de juros sobre multa de oficio ocorre em face do Parecer MF nº. 28, de 02/04/1998, emitido pela Coordenação Geral do Sistema de Tributação (COSIT), cuja conclusão deixa exposto que: O referido Parecer conclui, com base no disposto nos arts. 29 e 30 da Medida Provisória n. 1.62131, de 13.1.98, no art. 84 da Lei n. 8.981/95 e no art. 13 da Lei n. 9.065/95, que as multas de ofício, associadas a fatos geradores ocorridos até 21.12.94, que não tenham sido objeto de parcelamento requerido até 31.8.95, estão sujeitas à incidência de juros de mora, se recolhidas em atraso. Conclui, igualmente, com apoio no art. 61 e seu parágrafo 3º, da Lei n. 9.430/96, que, com relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1.1.97, incidirão juros moratórios sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições – inclusive, pois, relativos às multas de ofício não pagas nos respectivos vencimentos. Contudo, essa conclusão parte de uma exegese equivocada, porquanto o art. 61 da Lei nº 9.430/96 trata da possibilidade de cobrança de juros de mora sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, não havendo qualquer menção às multas de oficio, que não são espécie tributária, conforme previsão do art. 3º do Código Tributário Nacional. Fl. 663DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/02/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 19/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 12 Assim, entendo não ser cabível a cobrança de juros de mora sobre a multa de oficio. Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário. Voto Vencedor Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, redator designado. Cuida o presente lançamento de omissão de ganhos de capital na alienação de ações/quotas não negociadas em bolsa, relativamente a fatos ocorridos nos anoscalendário 2006 e 2009. Como visto do relatório, cingese a controvérsia na regularidade do procedimento adotado pelo contribuinte para a apuração do custo de aquisição das ações do Banco Pactual que foram alienadas à UBS Brasil. Em seu apelo, defende o contribuinte a higidez da operação alegando que o Grupo Pactual era composto por diversas holdings constituídas há mais de dez anos, com o objetivo de organizar o controle do Banco, quando sequer cogitavam alienar seus investimentos. Afirma que as incorporações de holdings tem sido a opção para a eliminação de empresas cuja existência se torna desnecessária, conforme dispõe o art. 8º da Lei 9.532/1997. Assegura que é inaplicável o art. 116, parágrafo único, do CTN, já que a validade do método encontra respaldo no art. 135 do RIR/1999. Do exposto, verificase que o recorrente aumentou o custo de aquisição de sua participação, por meio de artifícios contábeis que tiveram como única origem o lucro obtido pelo Banco Pactual S/A. Na verdade, a mesma riqueza representou aumento do custo de aquisição mais de uma vez, reduzindo, dessa feita, o ganho de capital e, por consequência, o pagamento do imposto de renda devido. Diferentemente do que alega o recorrente, não há qualquer impedimento à utilização do art. 135 do RIR/1999 para computar no custo de aquisição os lucros ou reservas de lucros oriundos do aumento de capital ou incorporação dos resultados apurados pela sociedade, contudo, uma vez utilizados os lucros e reservas de capital, não é plausível que eles possam lastrear nova operação, já que, no caso dos autos, não houve geração de lucros autônomos e independentes nas sociedades investidoras. O método de equivalência patrimonial consiste em atualizar o valor contábil do investimento ao valor equivalente à participação societária da sociedade investidora no patrimônio líquido da sociedade investida. Portanto, pode o contribuinte promover o acréscimo ao custo de aquisição de investimento a capitalização de lucros ou reserva de lucros, mesmo que esses tenham sido apurados única e exclusivamente com base em resultados decorrentes da aplicação do método de equivalência patrimonial. Entretanto, in casu, houve o aumento do custo de aquisição pelo efeito multiplicativo dos resultados do Banco Pactual, evidenciando, dessa feita, a elevação artificial do custo de alienação das ações, conforme se infere da comparação do aumento do patrimônio líquido do Banco Pactual no período de 31/12/2005 a 31/11/2006 ao acréscimo do custo de aquisição das ações do contribuinte no mesmo período. Fl. 664DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/02/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 19/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.721608/201161 Acórdão n.º 2201002.638 S2C2T1 Fl. 8 13 Com efeito, não é dado ao contribuinte criar determinada situação para se encaixilhar na situação legalmente prevista, ou seja, proceder a uma interpretação jurídica da norma descasada com seu aspecto econômico. O fato de cada uma das transações isoladamente e do ponto de vista formal, ostentar legalidade, não garante a legitimidade, perante o fisco, do conjunto de operações, quando fica comprovado que os atos praticados tinham objetivo diverso daquele que lhes é próprio. O princípio da liberdade de autoorganização, mitigado que foi pelos princípios constitucionais da isonomia tributária e da capacidade contributiva, não mais endossa a prática desses atos. Concluise, pois, que o recorrente majorou artificialmente o custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, seguida de incorporações reversas e nova capitalização, em nítida inobservância da primazia da essência sobre a forma, já que seu propósito era de fato reduzir o montante de seu ganho de capital e consequente imposto incidente sobre essa alienação. Essa premissa fica mais evidente quando se constata que os aumentos de capital tiveram origem em um único fato econômico, o lucro obtido pelo Banco Pactual S/A, sendo que os demais aumentos de custo foram destituídos de qualquer amparo material e econômico. Em decisões semelhantes, nos casos de outros envolvidos na operação, o CARF reiteradamente posicionouse no sentido da ilegitimidade da majoração artificial do custo de aquisição, consoante se observa das ementas transcritas: OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, seguida de incorporações reversas e nova capitalização, em nítida inobservância da primazia da essência sobre a forma, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a conseqüente tributação do novo ganho de capital apurado. (Acórdão nº 2202 002.165) .... OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, seguida de incorporações reversas e nova capitalização, em nítida inobservância da primazia da essência sobre a forma, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a conseqüente tributação do novo ganho de capital apurado. (Acórdão nº 2202 002.428) ...... Fl. 665DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/02/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 19/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 14 GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE AÇÕES. CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS REFLETIDOS NAS HOLDINGS. MAJORAÇÃO ARTIFICIAL DO CUSTO DE AQUISIÇÃO. Na incorporação societária é indevida a majoração do custo de aquisição na capitalização de lucros ou reservas de lucros apurados pela empresa investidora (operacional) refletidos nas investidas (holdings), apurados pelo Método de Equivalência Patrimonial, por se tratar de serem os mesmos lucros refletidos da investidora e das investidas holdings. (Acórdão n° 2201 002.196) ...... OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, seguida de incorporações reversas e nova capitalização, em nítido inobsevância do Principio da essência sobre a forma, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a consequente tributação do novo ganho de capital apurado. (Acórdão nº 2202 002.167) .... OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, seguida de incorporações reversas e nova capitalização, em nítido inobsevância do Principio da essência sobre a forma, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a consequente tributação do novo ganho de capital apurado. (Acórdão nº 2202 002.166) Quanto à alegação de erro na base de cálculo, penso que não tem passagem, já que a autoridade fiscal identificou corretamente a base de cálculo, conforme o valor de cotas apontadas pelo próprio recorrente em sua declaração de ajuste anual, tendo, inclusive, compensado o valor tempestivamente recolhido pelo contribuinte. Portanto, correto o procedimento adotado pela fiscalização de se expurgar o efeito das seguidas capitalizações nas participações, tendo em vista que a operação implicaria em capitalização duplicada, e sem fundamentação econômica. Por fim, os juros de mora sobre a multa são devidos em função do § 3º do art. 113 do CTN, pois tanto a multa quanto o tributo compõe o crédito tributário, sendo, portanto, aplicáveis os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. Esse entendimento encontrase precedentes da 2ª Turma da CSRF: Acórdão nº 920201.806 e Acórdão nº 920201.991. Ressaltese que em recente decisão o Superior Tribunal de Justiça (STJ) reconheceu a legalidade dos juros de mora sobre a multa de oficio (AgRg no REsp 1.1335.688/PR; REsp 1.129.990PR; REsp 834.681MG). Fl. 666DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/02/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 19/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.721608/201161 Acórdão n.º 2201002.638 S2C2T1 Fl. 9 15 Ante ao exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa a percentual de 75%. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 667DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/02/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 19/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 13864.720067/2011-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2402-000.496
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Julio César Vieira Gomes- Presidente
Luciana de Souza Espíndola Reis- Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Julio César Vieira Gomes Presidente Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 64 .7 20 06 7/ 20 11 -1 5 Fl. 6688DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13864.720067/201115 Resolução nº 2402000.496 S2C4T2 Fl. 6.688 2 Tratase de recurso voluntário interposto por TI Brasil Indústria e Comércio Ltda em face do Acórdão n.º 0539.744 da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Campinas (SP), fl. 60166058, com ciência ao sujeito passivo em 18/02/2013, fl. 60976100, que julgou procedente o lançamento tributário do período de 07/2006 a 12/2007, composto pelos seguintes autos de infração: 1. Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) Debcad nº 37.322.3811: contribuinte TI Brasil Indústria e Comércio Ltda e responsável solidário Bundy Refrigeração Brasil Indústria e Comércio Ltda. Referese às contribuições a cargo da empresa, inclusive a destinada ao custeio dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), no período de 07/2006 a 10/2006. 2. Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) Debcad nº 37.322.3820: contribuinte TI Brasil Indústria e Comércio Ltda e responsável solidário Bundy Refrigeração Brasil Indústria e Comércio Ltda. Referese às contribuições a cargo dos segurados, no período de 07/2006 a 10/2006. 3. Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) Debcad nº 37.322.3838: contribuinte TI Brasil Indústria e Comércio Ltda. Referese às contribuições a cargo das empresas a outras entidades e fundos (terceiros), relativas à contribuição do salárioeducação e as destinadas ao INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE, no período de 07/2006 a 122007. 4. Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) Debcad nº 37.322.3846: contribuinte TI Brasil Indústria e Comércio Ltda. Referese às contribuições a cargo da empresa, inclusive a destinada ao custeio dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), no período de 11/2006 a 12/2007. 5 Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) Debcad nº 37.322.3854: contribuinte TI Brasil Indústria e Comércio Ltda. Referese às contribuições a cargo dos segurados, no período de11/2006 a 12/2007. 6. Auto de Infração de Obrigação Acessória (AIOA) Debcad nº 37.322.386 2: contribuinte TI Brasil Indústria e Comércio Ltda. Trata de exigência de penalidade com base no fato de a empresa ter apresentado Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com omissão da remuneração de empregados e contribuintes individuais no período de 07/2006 a 12/2007. De acordo com o relatório fiscal, constituem fatos geradores das contribuições aqui tratadas: a) contribuição decorrente da obrigação de efetuar retenção de 11% do valor bruto da nota fiscal ou fatura emitida pelas empresas prestadoras de serviço mediante cessão de mão de obra ou empreitada, identificadas no item II.2.2 do relatório fiscal, cujos dados relevantes estão demonstrados na planilha de discriminação de valores de retenção devidos por prestador de serviço, contendo: nº NFS, Data de emissão NFS, descrição do serviço, valor Fl. 6689DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13864.720067/201115 Resolução nº 2402000.496 S2C4T2 Fl. 6.689 3 bruto NFS, valor do material, valor da mão de obra, retenção destacada na NFS, e base de cálculo apurada pela fiscalização, fl. 159184; b) contribuição de 15% incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura relativo a serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, conforme notas fiscais de serviços discriminadas na planilha de fl. 185192; c) valores pagos a contribuintes individuais que prestaram serviços à empresa, apuradas nas notas fiscais de serviços, conforme planilhas de fl. 193194. d) remuneração indireta a título de previdência privada, considerados pela fiscalização como pagamento de prêmios, pois decorrentes de planos de premiação em razão do alcance de metas de produtividade, tendo por beneficiários alguns empregados, notadamente os ocupantes dos cargos de direção e gerência, conforme registrado na contabilidade e conforme discriminativo às fl. 195 dos beneficiários e valores pagos. e) valores pagos a título de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) em desacordo com a legislação, conforme folhas de pagamento, e conforme demonstrado em planilha contendo a relação nominal dos beneficiários e o cálculo das contribuições dos segurados, fl. 196243. f) valores pagos a título de “abono convenção”, apurados em folhas de pagamento. TI Brasil Indústria e Comércio Ltda apresentou impugnação parcial às fl. 832 4331, admitindo expressamente as contribuições incidentes sobre a remuneração dos contribuintes individuais e os pagamentos feitos a título de abono convenção e informando que efetuou o recolhimento dessas contribuições. Foram contestadas as demais matérias, com base nas seguintes razões, em síntese: Em preliminar, alegou nulidade dos autos de infração por falta da adequada motivação e suscitou a inconstitucionalidade da contribuição incidente sobre a contratação de cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. No mérito, sustentou, em síntese, que o Programa de Participação dos Lucros e Resultados está de acordo com a Lei 10101/2000: a) o acordo estipula metas globais para a empresa e o cálculo da PLR de cada funcionário depende do resultado da empresa calculado de forma coletiva; b) todos os acordos firmados tiveram a participação do sindicato; c) as filiais CNPJ 000201 e CNPJ 000384, que são da mesma região do estabelecimento matriz, estão abarcadas pelo acordo coletivo da matriz, sendo que a filial CNPJ 000201 foi extinta em 2006; d) ao contrário do afirmado pela fiscalização, existe acordo PLR 2006 para o estabelecimento CNPJ 001617, conforme documento anexo, e, em 14/05/2007 essa filial foi extinta e os empregados transferidos para Bundy Refrigeração Indústria e Comércio Ltda, tendo sido firmado acordo PLR com essa empresa; e) a não inclusão de diretores e gerentes no programa PLR não é vedada pela lei; f) a parcela mínima garantida no PLR referese a adiantamento. Argumentou, quanto ao Plano de Previdência Privada (PPP), que ele está disponível a todos os seus empregados, conforme comprovam o regulamento e o contrato do Plano Gerador de Benefício Livre (PGBL) empresarial, em anexo. Fl. 6690DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13864.720067/201115 Resolução nº 2402000.496 S2C4T2 Fl. 6.690 4 Demonstrou contrariedade à cobrança de 11% sobre as notas fiscais dos prestadores de serviço por cessão de mão de obra e empreitada, afirmando que, na maioria dos casos existe recolhimento da contribuição devida pelas empresas, e, noutros casos, estava dispensada de fazer a retenção, conforme documentos anexos (notas fiscais, GPS, declarações de dispensa de retenção, planilhas extraídas da contabilidade, extratos das empresas, contendo o recolhimento das contribuições). Alega que não pode ser realizada a cobrança na tomadora antes da verificação do efetivo recolhimento na prestadora de serviço, conforme jurisprudência administrativo e do STJ. Insurgiuse contra a aplicação da multa de ofício de 75%, pois a multa estabelecida na antiga redação do artigo 35 da Lei nº 8.212/91 é mais benéfica. Pediu a exclusão da responsabilidade dos diretores, sócios e demais cargos de gerência com base no artigo 13 da Lei nº 8.620/93, em razão da revogação desse dispositivo pela Lei nº 11.941/2009, e por não estarem presentes as hipóteses previstas no artigo 137 do CTN. Quanto à exigência das contribuições destinadas ao SESI e SENAI, argumentou que é indevida pois arrecada diretamente a essas entidades, conforme convênios anexos. Com relação ao auto de infração por descumprimento de obrigação acessória (AIOP 37.322.3862) requereu a revisão da multa mediante aplicação do disposto no art. 32A da Lei 8.212/91, por ser mais benéfica. Ao final, pediu a realização de diligência, apresentado quesitos, e, por fim, o reconhecimento da improcedência do lançamento. Bundy Refrigeração Brasil Indústria e Comércio Ltda não apresentou impugnação. O julgamento foi convertido em diligência, conforme Resolução nº 3346, fl. 58985904, para análise da documentação juntada pela defesa. Em atendimento, foi emitida a informação fiscal de fl. 59065909, considerando parcialmente eficazes as guias de recolhimento (GPS) apresentadas na impugnação, referentes ao recolhimento de 11% sobre a NFS (código de recolhimento 2936), conforme fundamentado e demonstrado às fl. 59105985. Após cientificada do resultado da diligência, TI Brasil Indústria e Comércio Ltda apresentou manifestação de inconformidade de fl. 59936009, reiterando as razões da defesa e acrescentando que, ao contrário do que se concluiu na informação fiscal, os extratos de recolhimentos dos prestadores de serviços por ela apresentados são idôneos para comprovar a extinção das contribuições lançadas, além disso, não pode prosperar a rejeição da GPS com base em mero erro de preenchimento do CNPJ ou erro na indicação da competência, sob pena de se incorrer em duplicidade de cobrança e enriquecimento ilícito do fisco, solicitando a realização de nova diligencia para apreciação dos demais quesitos formulados na impugnação, sob pena de cerceamento de defesa. Bundy Refrigeração Brasil Indústria e Comércio Ltda, regularmente intimada do resultado da diligência, não se manifestou. Foi então proferida a decisão de primeira instância ora recorrida, que julgou a impugnação procedente em parte e manteve em parte o crédito tributário lançado. O acórdão Fl. 6691DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13864.720067/201115 Resolução nº 2402000.496 S2C4T2 Fl. 6.691 5 recorrido excluiu parte do crédito tributário relativo à contribuição de 11% incidente sobre o valor da nota fiscal ou fatura de serviços prestados mediante empreitada ou cessão de mão de obra, cujo recolhimento foi comprovado na fase de impugnação, nos exatos termos da informação fiscal de fl. 59065985. O julgado restou assim ementado: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2007 CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O lançamento efetuado com base nos documentos apresentados pelo contribuinte, contendo a discriminação das bases de cálculo e fundamento legal do débito, afasta a alegação de cerceamento de defesa. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. Integra o saláriodecontribuição a verba intitulada participação nos lucros ou resultados da empresa quando paga ou creditada em desacordo com a lei específica. LANÇAMENTO FISCAL. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR CUSTEIO SEM ATENDIMENTO AOS PRESSUPOSTOS DA LEI. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. Integra o saláriodecontribuição o valor pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, quando não custeado à totalidade de seus empregados e dirigentes. LANÇAMENTO FISCAL. RETENÇÃO. CESSÃO DE MÃODEOBRA. A responsabilidade pelo recolhimento da retenção de onze por cento do valor bruto da nota fiscal de serviço quando da contratação de serviços executados mediante cessão de mãodeobra/empreitada é da contratante. RETENÇÃO. COMPROVANTE DE RECOLHIMENTO. A apresentação de guias de recolhimento com pagamento à época própria em relação a retenção de 11% em nome dos prestadores de serviços, autoriza a retificação do lançamento. LANÇAMENTO FISCAL. CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVA DE TRABALHO. A empresa tomadora de serviços é responsável pelo recolhimento de 15% incidente sobre a nota fiscal/fatura quando da prestação de serviços por cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho. INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. ARGUIÇÃO. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo. MULTA. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 6692DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13864.720067/201115 Resolução nº 2402000.496 S2C4T2 Fl. 6.692 6 Aplicase a lei superveniente quando cominar penalidade menos severa que a prevista naquela vigente ao tempo da lavratura do auto de infração. INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Constitui infração à Lei n° 8.212/91, a apresentação de Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com omissão de fatos geradores de contribuições previdenciárias. PROVAS. As provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, salvo as exceções legais. DILIGÊNCIA. Desnecessária realização de diligência quando presentes nos autos os elementos necessários para a verificação da subsunção dos fatos à norma. CORESPONSÁVEIS. O Relatório de vínculos é parte integrante da autuação, tendo por finalidade indicar as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte. Em 18/03/2013, TI Brasil Indústria e Comércio Ltda interpôs recurso voluntário em face de todas as autuações: recurso AIOP nº 37.322.3846, fl. 61026174, recurso AIOP nº 37.322.3820, fl. 62096252, recurso AIOP nº 37.322.3838, fl. 62876343, recurso AIOA nº 37.322.3862, fl. 63756453, recurso AIOP nº 37.322.3854, fl. 64856541, recurso AIOP nº 37.322.3811, fl. 65736627. Neles a recorrente pede que seja reconhecida a improcedência dos lançamentos, ou, subsidiariamente, que seja revista a multa aplicada, adotandose a multa da antiga redação do art. 35 da Lei 8.212/91, nos autos de infração de obrigação principal, e a multa do art. 35A da Lei 8.212/91, com a redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, no auto de infração de obrigação acessória. Requer a exclusão das exigências quanto às contribuições lançadas a título de abono convenção e as contribuições incidentes sobre as remunerações dos contribuintes individuais, por terem sido reconhecidas e devidamente recolhidas, conforme guias de recolhimento (GPS) anexas, fl. 61956203, repetidas às 62736281, 62876343, 63646372, 63756453, 63746482, 64856541, 65626570, 65736627, 66486656. Quanto às demais matérias, nos recursos são reiteradas as razões da impugnação e da manifestação de inconformidade, cuja síntese, englobando todos os recursos, segue abaixo: Fl. 6693DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13864.720067/201115 Resolução nº 2402000.496 S2C4T2 Fl. 6.693 7 Invalidade dos lançamentos por cerceamento de defesa, afirmando que os fatos tributários não foram caracterizados com precisão, pois não há precisa indicação do motivo legal nem há clara descrição dos fatos geradores, o que afronta o art. 243 do Regulamento da Previdência Social (RPS). Além disso, a fiscalização analisou os documentos da recorrente com superficialidade e não comprovou a ocorrência do fato gerador, baseandose em meras ilações e presunções. Inconstitucionalidade das contribuições incidentes sobre o valor da nota fiscal ou fatura das cooperativas de trabalho. Contribuições devidas aos Terceiros (AI 37.322.3838): alega incompetência da Secretaria da Receita Federal do Brasil para arrecadar essas contribuições, uma vez que a recorrente celebrou convênios para arrecadação direta ao SESI e SENAI. No mérito, alega que os recursos contemplam as seguintes matérias e os argumentos abaixo relatados resumidamente: Participação Nos Lucros e Resultados (PLR): sustenta que os pagamentos feitos a este título estão desvinculados da remuneração por expressa previsão constitucional e estão albergados pela imunidade constitucional, sendo, por isso, despiciendo o acordo de PLR. De qualquer modo, o tema foi regulamentado, primeiro pela MP 794/94 e atualmente pela Lei 10.101/2000, em cujo bojo trazem a primazia da livre negociação entre os empregados e a empresa para a fixação dos termos da participação nos lucros, sem préestabelecer critérios ou parâmetros obrigatórios. Afirma que os planos PLR 2006 e 2007 estão de acordo com a Lei 10.101/2000: a) quanto à forma: foram feitos por meio de acordos coletivos firmados entre a recorrente e seus funcionários juntamente com o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalurgias e Mecânicas para cada região; b) quanto às regras: foram estipuladas metas globais para a empresa (cf. Metas PLR 2006: redução da sucata interna, aumento da podutividade e da qualidade e redução do absenteísmo, conforme índices destacados no acordo) e o cálculo da participação de cada funcionário depende do resultado da empresa calculado de forma coletiva. Explica que o plano PLR, ao contrário do afirmado pela fiscalização, abrange todas as filiais da empresa: a) quanto às filiais CNPJ 000201 e 000384, estão localizadas na mesma região da matriz, de modo que estão abarcadas pelo acordo coletivo do programa PLR 2006 da matriz. Em 2007 a filial CNPJ 000201 foi extinta em 10/11/2006, conforme certidão de baixa expedida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), em anexo; b) quanto à filial CNPJ 001607, existe acordo de PLR dessa filial, juntado com a impugnação. Em 14/05/2007 essa filial foi extinta, conforme certidão de baixa expedida pela RFB, em anexo, e os empregados foram transferidos para a empresa Bundy Refrigeração Brasil Indústria e Comércio Ltda, tendo sido firmado acordo de PLR com essa empresa. Confirma que o Programa do PLR prevê pagamento a todos os funcionários da empresa, com exceção dos ocupantes de cargos de direção e gerência, o que não é vedado pelas Leis 8.212/91 e 10.101/2000, citando jurisprudência do CARF. Explica que a parcela fixa garantida nos acordos de PLR constitui pagamento de adiantamento na participação dos lucros e resultados e é determinada com base no histórico de Fl. 6694DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13864.720067/201115 Resolução nº 2402000.496 S2C4T2 Fl. 6.694 8 pagamento de PLR da empresa. A segunda parcela, por sua vez, tem valor variável e é paga após a apuração das metas, descontado o valor do adiantamento. Plano de Previdência Privada (PPP): afirma que o Programa de Previdência Privada é oferecido a todos os funcionários da recorrente, conforme clausula 3 do contrato, não havendo previsão legal quanto à obrigatoriedade da realização de depósitos/aportes nas contas vinculadas no fundo de previdência de todos os funcionários, conforme Solução de Consulta nº 407/2009. Afirma também que as contribuições ao PPP não constituem remuneração por expressa previsão constitucional (art. 202 § 2o), e não integram o salário de contribuição, conforme art. 2o do DecretoLei 2.296/89 e arts. 22 e 28 § 9o “p” da Lei 8.212/91. Rebate a tese de que os aportes teriam natureza de pagamento de prêmios com base no argumento de que é vedado, aos participantes, sacar os valores depositados mensalmente ou aleatoriamente, podendo fazêlo apenas após o início do período de concessão do benefício, conforme cláusula 29 do regulamento e cláusula 8 do contrato, ambos do PGBL. Ademais, a instituidora do plano de previdência complementar é a Itaú Previdência e Seguros S/A, entidade privada idônea, fiscalizada e aprovada pela Secretaria de Previdência Complementar do Ministério da Previdência. Retenção de onze por cento na prestação de serviço por cessão de mão de obra ou empreitada: alega que a exigência é indevida, ora por ter recolhido o valor retido a este título, conforme demonstram as guias de recolhimentos, as notas fiscais de serviços e os extratos de recolhimentos dos prestadores de serviços, documentos esses apresentados na defesa, ora porque estava dispensada de fazer a retenção pelo fato de algumas prestadora serem optantes pelo regime tributário do SIMPLES, nos termos das declarações juntadas aos autos. Argumenta que os “extratos de contribuições de empresas e equiparados” em nome das prestadoras de serviços, emitidos pela RFB, comprovam o recolhimento feito pela recorrente, em substituição às GPS extraviadas e contesta a rejeição de GPS emitidas com erro na indicação da competência ou do CNPJ como prova do pagamento, por se tratar de simples erro material, devendo prevalecer a realidade de fato – que é o pagamento – sob pena de o Fisco incorrer em enriquecimento ilícito devido à dupla cobrança do mesmo tributo. Multa: quanto aos autos de infração de obrigação principal, entende que é mais benéfica a multa prevista na antiga redação do art. 35 da Lei 8.212/91, variável de 24% a 50%, e quanto ao auto de infração de obrigação acessória por omissão de fatos geradores em GFIP, entende que é mais benéfica a multa instituída pela MP 449/2008 e Lei 11.941/2009. Conclui que cabe aplicar a legislação mais benéfica, com base no art. 106 do CTN. Bundy Refrigeração Brasil Indústria e Comércio Ltda não apresentou recurso. Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, os autos foram enviados a este Conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 6695DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13864.720067/201115 Resolução nº 2402000.496 S2C4T2 Fl. 6.695 9 Voto Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, Relatora Recurso Voluntário Conheço do recurso por estarem presentes os requisitos de admissibilidade. Diligência Dentre as questões abordadas no recurso, destaco a que contesta a decisão de primeira instância, a qual, corroborando informação fiscal proferida em sede de diligência, rejeitou as Guias de Recolhimento da Previdência Social (GPS) relativas ao suposto recolhimento de valores retidos pela recorrente, em cumprimento ao disposto no art. 31 da Lei 8.212/91, com a redação da Lei 9.711/98. O acórdão recorrido considerou que parte das GPS apresentadas na impugnação pela recorrente é ineficaz como prova do recolhimento das contribuições exigidas nos AIOP nº 37.322.3846 e 37.322.3811, referentes à retenção de onze por cento do valor da nota fiscal ou fatura do prestador de serviço mediante cessão de mão de obra ou empreitada, adotando os exatos fundamentos da autoridade lançadora, cujo resultado da análise desses e de outros documentos consta de informação fiscal e seu anexo, às fls. 5.9065.985. Da análise da informação fiscal e da planilha anexa, concluise, em suma, que foram aceitas as GPS emitidas regularmente e comprovadamente recolhidas, tendo, a decisão de primeira instância, reconhecido a parcial extinção do crédito tributário lançado. As demais GPS apresentadas na impugnação foram rejeitadas pelos seguintes motivos: a) GPS que já haviam sido aproveitadas no momento da apuração do crédito tributário, mas foram apresentadas novamente na impugnação; b) GPS com autenticação bancária ilegível ou inexistente; c) GPS com código de recolhimento diferente do código 2631 (contribuição retida sobre a NF/Fatura da Empresa Prestadora de Serviço – CNPJ); d) GPS com competência diferente do mês da emissão da nota fiscal/fatura indicada na própria guia de recolhimento; e) GPS com estabelecimento diferente daquele que emitiu a nota fiscal, f) GPS com código de pagamento ilegível, g) não existe lançamento correspondente à competência da GPS, h) a nota fiscal indicada na GPS não constitui elemento fático do lançamento. Como visto, dentre os motivos apresentados pela fiscalização está a rejeição das GPS com base em autenticação bancária ilegível. Entretanto, não ficou esclarecida a questão do recolhimento dessas GPS. A eficácia probatória da GPS, com autenticação bancária legível ou não, carece da verificação da efetiva arrecadação pelo órgão lançador, cabendo a este, em qualquer caso, conferir a autenticidade da guia de recolhimento com base nas informações disponíveis nos bancos de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil (contacorrente, GFIP do prestador do serviço, dentre outros), ou outros meios, conforme arts. 36 e 37 da Lei 9.784/99: 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Fl. 6696DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13864.720067/201115 Resolução nº 2402000.496 S2C4T2 Fl. 6.696 10 Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. A comprovação da autenticidade da GPS com código de recolhimento ilegível deve seguir a mesmo procedimento, ainda mais quando as informações consignadas na via da GPS do contribuinte, tais como nome do contratante e nº da nota fiscal, são indicativas de recolhimento da contribuição retida sobre a nota fiscal da empresa prestadora de serviço. Quanto às guias de recolhimento não vinculadas à competência das notas fiscais, cabe mencionar que constitui ônus do sujeito passivo vincular os pagamentos aos fatos geradores mediante correta informação em GFIP e GPS. Como não há previsão legal para que a tomadora informe os fatos geradores aqui tratados em sua GFIP, cabe a ela proceder à correta identificação, na GPS, da competência do fato gerador, que é o mês da emissão da nota fiscal/fatura, e do estabelecimento emitente da nota fiscal/fatura, dentre outros dados. De qualquer sorte, se pagamentos existirem que não estão vinculados a fatos geradores, esses podem ser considerados pagamentos indevidos. Neste caso, a princípio é facultado ao contribuinte solicitar o aproveitamento do indébito aos créditos tributários compatíveis com a natureza e a competência dos recolhimentos indevidos. Diante do exposto, entendo que o processo não está em condições de ser apreciado, carecendo, antes, de manifestação motivada da autoridade lançadora quanto ao aqui exposto, mediante esclarecimento dos seguintes pontos: a) informar se ocorreu a efetiva arrecadação dos pagamentos veiculados nas GPS com autenticação ilegível (GPS fls. 3033 e 3035, 3038, 3041, 3051 e 3052, 3055). b) informar se ocorreu a efetiva arrecadação dos pagamentos veiculados nas GPS com código de recolhimento ilegível (GPS fls. 2581 e 2587). c) informar se ocorreu a efetiva arrecadação dos pagamentos veiculados nas GPS rejeitadas com base no motivo de que a nota fiscal de serviço se refere a outra competência (fls. 3009, 2805, 2696, 2822, 3048, 2831, 2836 e 3020, 3022, 3049, 2780 e 3019, 2692 e 3037) e se esses recolhimentos porventura já foram aproveitados nas competências às quais se referem as GPS. d) informar se nesses autos foi constituído crédito tributário em desfavor da recorrente, vinculado ao mesmo prestador de serviço e às mesmas competências das GPS referidas no item anterior. e) prestar as mesmas informações solicitadas nos itens “c” e “d” em relação às GPS rejeitadas com base no motivo de que a nota fiscal de serviço indicada na GPS não foi objeto do lançamento tributário, fl. 3017 e 3034. Em suma, a autoridade fiscal deverá examinar os documentos apresentados, elaborar relatório de diligência detalhado e conclusivo, inclusive prestando informações adicionais e juntando documentos que entender necessários, intimar a interessada do relatório da diligência e conceder prazo de trinta dias para apresentação de contrarrazões. Fl. 6697DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13864.720067/201115 Resolução nº 2402000.496 S2C4T2 Fl. 6.697 11 Conclusão Com base no exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência. Luciana de Souza Espíndola Reis. Fl. 6698DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10283.909673/2009-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005
DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM.
Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-001.541
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005 DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM. Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 96 73 /2 00 9- 06 Fl. 390DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório A interessada apresentou pedido eletrônico de compensação de débitos próprios com crédito oriundo de pagamento a maior de Imposto de Importação – II e de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, com origem no período de 08/05/2001 a 12/12/2005. A compensação não foi homologada, ao fundamento de que o DARF a indicado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Alegado pela contribuinte o cometimento de um equívoco no preenchimento do DARF, os autos foram baixados em diligência pela DRJ, quando se constatou que o presente processo é conexo ao de nº 10283.007613/200604, por meio do qual se requereu a restituição do crédito que se pretende compensar. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o argumento de inexistência do direito creditório objeto do processo nº 10283.007613/200604. No prazo legal, a contribuinte apresentou recurso voluntário, cujas razões de defesa não serão relatadas em vista do que se passa a expor no voto. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP objetivando a compensação de débito próprio com crédito oriundo de pagamento indevido de II e de IPI vinculado que são objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604. Como o direito à restituição foi negado, também aqui negouse o direito à compensação. Contudo, nesta mesma sessão de julgamento consideraramse indevidas as razões adotadas pela DRF de origem, e mantidas pela instância de piso, para denegar o pedido de restituição, motivo pelo qual determinouse que os autos do processo administrativo n.º 10283.007613/200604 devem retornar à DRF para que, ultrapassada a questão decidida no julgamento, estime os valores a serem restituídos. Fl. 391DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10283.909673/200906 Acórdão n.º 3202001.541 S3C2T2 Fl. 391 3 Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para que a DRF de origem, após a análise do direito creditório objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604, profira nova decisão quanto ao pedido de compensação. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 392DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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Numero do processo: 10980.727178/2012-19
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2012
MULTA - ART. 18, § 4º, DA LEI 10.833/03 - MULTA DE 150%
1 - Constitucionalidade da multa é matéria cujo enfrentamento é defeso a este órgão julgador, conforme a Súmula CARF nº 2.
2 - Crédito de pedido de restituição (PER) inexistente, cuja autoria é negada pela recorrente. Dcomps que utilizam os crédito da PER - causa da multa por compensação considerada não declarada. É possível a conformação das referidas compensações à hipótese de compensação considerada não declarada do art. 74, § 12, I, e, da Lei 9.430/96. Dcomps a que a recorrente se limita a negar a autoria. Tanto as Dcomps como as DCTFs retificadoras, que procuram travar os débitos, foram transmitidas do mesmo IP local. PER - de cujo crédito se utilizam as Dcomps - que se encontra instruída com cópia de identidade, de CPF e de recibo de DIRPF de todos os sócios da recorrente. No caso, a falsidade - e não mera inveracidade - do crédito postulado nas declarações de compensação fica evidenciada.
Numero da decisão: 1103-001.144
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado NEGAR provimento ao recurso, por unanimidade de votos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Takata - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2012 MULTA - ART. 18, § 4º, DA LEI 10.833/03 - MULTA DE 150% 1 - Constitucionalidade da multa é matéria cujo enfrentamento é defeso a este órgão julgador, conforme a Súmula CARF nº 2. 2 - Crédito de pedido de restituição (PER) inexistente, cuja autoria é negada pela recorrente. Dcomps que utilizam os crédito da PER - causa da multa por compensação considerada não declarada. É possível a conformação das referidas compensações à hipótese de compensação considerada não declarada do art. 74, § 12, I, e, da Lei 9.430/96. Dcomps a que a recorrente se limita a negar a autoria. Tanto as Dcomps como as DCTFs retificadoras, que procuram travar os débitos, foram transmitidas do mesmo IP local. PER - de cujo crédito se utilizam as Dcomps - que se encontra instruída com cópia de identidade, de CPF e de recibo de DIRPF de todos os sócios da recorrente. No caso, a falsidade - e não mera inveracidade - do crédito postulado nas declarações de compensação fica evidenciada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado NEGAR provimento ao recurso, por unanimidade de votos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Takata - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos e Aloysio José Percínio da Silva.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2012 MULTA ART. 18, § 4º, DA LEI 10.833/03 MULTA DE 150% 1 Constitucionalidade da multa é matéria cujo enfrentamento é defeso a este órgão julgador, conforme a Súmula CARF nº 2. 2 Crédito de pedido de restituição (PER) inexistente, cuja autoria é negada pela recorrente. Dcomps que utilizam os crédito da PER causa da multa por compensação considerada não declarada. É possível a conformação das referidas compensações à hipótese de compensação considerada não declarada do art. 74, § 12, I, “e”, da Lei 9.430/96. Dcomps a que a recorrente se limita a negar a autoria. Tanto as Dcomps como as DCTFs retificadoras, que procuram “travar” os débitos, foram transmitidas do mesmo IP local. PER de cujo crédito se utilizam as Dcomps que se encontra instruída com cópia de identidade, de CPF e de recibo de DIRPF de todos os sócios da recorrente. No caso, a falsidade e não mera inveracidade do crédito postulado nas declarações de compensação fica evidenciada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado NEGAR provimento ao recurso, por unanimidade de votos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 71 78 /2 01 2- 19 Fl. 478DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.727178/201219 Acórdão n.º 1103001.144 S1C1T3 Fl. 479 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos e Aloysio José Percínio da Silva. Fl. 479DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.727178/201219 Acórdão n.º 1103001.144 S1C1T3 Fl. 480 3 Relatório DO LANÇAMENTO Tratase de auto de infração de multa regulamentar isolada aplicada no percentual qualificado de 150%, lavrado em 21/9/2012 e com ciência da recorrente em 28/9/2012, no valor de R$ 1.988.437,72. Fundamentalmente, o auto de infração decorreu da compensação realizada pela recorrente dos débitos próprios com a utilização de créditos que declarou ser inexistente. Apontou que o enquadramento legal da infração cometida pela recorrente encontrase no artigo 18 da Lei 10.833/03, com redação das Leis 11.051/04, 11.196/05 e do artigo 18 da Lei 11.488/2007. Sobre a fundamentação do presente auto de infração, cumpre transcrever os seguintes excertos, de fls. 305 a 309 e 311 (eprocesso), do despacho decisório da DRF/Curitiba, o qual dá o motivo da autuação: “CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES 4. O PER, como nele pode ser visto, está assinado por pessoa não identificada, o mesmo acontecendo com a exposição de motivos que o instrui (fls. 4 a 19). Por outro lado, tal assinatura também não confere com a constante em qualquer dos documentos que se encontram instruindo o PER – RG (fls. 21 a 22) e Contratos Sociais (fls. 23 a 32). Mais: o crédito não se encontra devidamente identificado, e parte dos débitos compensados não se encontravam confessados em DCTF. 4.2 – Por esta razão, intimouse o contribuinte (fls. 37 a 38), nos seguintes termos: a) pronunciarse em relação ao signatário do PER, identificandoo corretamente, bem como, sendo o caso, apresentar instrumento de outorga de poderes, se assinado por terceiro (art. 3°, § 3°, da IN RFB n° 900/2008); b) na hipótese de negar a sua autoria, pronunciarse quanto à DCOMP apresentada, pela qual já fez aproveitamento parcial do crédito, bem como à DCTF informando tal compensação; c) apresentar as fls. 2, 3 e 4, referidas no subitem 3.2, acima; d) apresentar planilha demonstrando, tributo a tributo, período a período, o valor do crédito que pleiteia (em valor original), na qual reste demonstrado o valor que julga devido, o valor que efetivamente recolheu e em que data, disso fazendo prova por meio dos respectivos DARF, bem como outros documentos pertinentes, em conformidade com o § 2° do art. 3° da IN RFB n° 900/2008; e) em se tratando de tributo retido na fonte, fazer a prova mediante apresentação do respectivo Informe de Rendimentos; e, f) apresentar DCTF retificadora para os meses de julho e agosto de 2011, confessando os débitos a que se fez referência no item 5, acima, bem como outros, se for o caso. Fl. 480DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.727178/201219 Acórdão n.º 1103001.144 S1C1T3 Fl. 481 4 4.2.2 – Em resposta, o contribuinte compareceu com o documento, à fl. 41, informando: “desconhecemos qualquer PEDIDO DE RESTITUIÇÃO de créditos por nos solicitado, no valor epigrafado na referida intimação; mesmo porque, não possuímos tais créditos, entendemos que se deva tratar de algum equívoco”. Pelo acima exposto se REQUER que V., Sas, anulem a referida intimação por não nos dizer respeito. 4.3 – Como o contribuinte não havia atendido a tudo o que se lhe havia solicitado, emitiuse nova intimação (fl. 46), reintimandoo a atender aos itens 6b e 6f da Intimação n° 100/12. 4.3.2 – Em atendimento, compareceu com os esclarecimentos, à fl. 48, informando: Procedemos a RETIFICADORA, da DCTF de julho/2011 e agosto/2011, porém entendemos haver algum equívoco no sistema, pelo qual faremos uma revisão nas informações enviadas. 4.4 – Como o contribuinte, após o recebimento daquela Intimação, houvesse apresentado DCTF retificadoras para todos os PA envolvidos na compensação de que tratam as DCOMP acima referidas, informando que tais débitos, ao invés de compensados pelas referidas DCOMP, como havia informado na DCTF, encontravamse, isso sim, suspensos com base em processo judicial, mais uma vez se intimou o contribuinte para que apresentasse cópia do inteiro teor do referido processo. 4.4.2 – Em atendimento, apresentou os documentos, de fls. 54 a 135. DO CRÉDITO 5. O contribuinte, como já relatado, nega a autoria do PER, cuja cópia recebeu em anexo à Intimação n° 100/12 (fls. 37 a 3 9), afirmando, inclusive, que não possui qualquer daqueles créditos. 5.2 – Então, se o próprio contribuinte afirma que não possui qualquer daqueles créditos, não há que perder tempo com a análise do PER, já que não há crédito a reconhecer. DA COMPENSAÇÃO 6. Contudo, ainda que o contribuinte negue a autoria do PER, há que considerar que apresentou as DCOMP acima referidas utilizando do crédito cujo direito, em princípio, se encontrava exercido neste processo. Vejamos. 6.2 Pela Intimação n° 100//12 (fls. 37 a 38) intimouse o contribuinte, entre outras questões, para que, na hipótese de negar a sua autoria, pronunciarse quanto à DCOMP apresentada, pela qual já fez aproveitamento parcial do crédito, bem como à DCTF informando tal compensação, e que, para além disso, apresentasse DCTF retificadora para os meses de julho e agosto de 2011, confessando os débitos a que se fez referência no item 5, acima, bem como outros, se for o caso. Como não havia atendido a tais questões, reintimouse o contribuinte, pela Intimação n° 109/12 (fl. 46), para que atendes se a tais itens. Fl. 481DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.727178/201219 Acórdão n.º 1103001.144 S1C1T3 Fl. 482 5 6.2.2 – Em atendimento, compareceu com a resposta, à fl. 48, informando que procedeu à retificação da DCTF dos meses de julho/2011 e agosto/2011, mas que, porém, entende que deve haver algum equívoco no sistema. Ou seja, mais uma vez deixou de se pronunciar quanto à questão posta no item 6b da Intimação n° 100/12, qual seja, pronunciarse quanto à DCOMP apresentada, pela qual já fez aproveitamento parcial do crédito, bem como à DCTF informando tal compensação. 6.3 – O contribuinte escamoteia a informação na medida de sua conveniência. É que, no caso, embora negue a autoria do PER, não tem como negar a autoria, nem das DCOMP, nem das DCTF em que informou a compensação, umas e outras com IP atribuído ao computador utilizado para sua transmissão, evidenciando sua autoria, conforme se pode comprovar pelos registros do “Receitanet”, às fls. 301 e 302, apenas como amostragem, isto não só pela comparação destes dados entre si, como também destes com os dados constantes nos demais documentos transmitidos pela via eletrônica, que são muitos. 6.4 – A primeira DCOMP (42132.53452.300412.1.3.040826) e as DCTF que informaram tal compensação, registrese, foram transmitidas no mesmo dia da protocolização do PER, 30/04/12. 6.5 – Ora, se o contribuinte nega a autoria do PER, PER este que, registrese, encontrase devidamente instruído com os Contratos Sociais do contribuinte (fls. 23 a 32), com RG e CPF dos dois sócios (fls. 21 e 22) e, ainda, com cópias dos recibos de entrega da DIRPF/2011 dos sócios (fls. 33 a 36), como poderia, então, valerse da sua existência para transmitir as DCOMP declarando a compensação de débitos, bem como retificar as DCTF informando tal compensação? 6.6 – O contribuinte vem dando as informações na medida exata do imprescindível. Primeiro, negou a autoria do PER; depois, como não tinha como negar a autoria, quer das DCOMP, quer das DCTF em que a compensação foi informada, tratou de retificar novamente as DCTF (fls. 159 a 216) para, desta vez, informar que os débitos encontramse com exigibilidade suspensa em face do processo judicial 00415.171920/1140. Deste aspecto (suspensão da exigibilidade dos débitos) se tratará no item 9, abaixo. 6.6.2 – Para se ter uma ideia de como o contribuinte procede em relação às informações que presta à RFB, vejase, por exemplo, o fato de, em relação à DCTF do PA 07/2011, ter apresentado, até o momento, nada menos que 13 retificadoras. Em algumas delas, inclusive, excluindo a totalidade dos débitos. 7. Se, como se viu, crédito a apreciar não há, o mesmo não acontece com a compensação feita pelas DCOMP acima referidas, cuja autoria o contribuinte não teve como negar. Efetivamente o contribuinte fez compensações utilizando do crédito deste processo, tendoas informado, inclusive, nas DCTF correspondentes, com isto garantindo que os débitos ficassem na condição de quitados sob condição resolutória da posterior Fl. 482DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.727178/201219 Acórdão n.º 1103001.144 S1C1T3 Fl. 483 6 homologação da compensação, nos termos do art. 74, § 2°, da Lei n° 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pelo art. 49 da Lei n° 10.637/2002, pelo menos até que a análise das DCOMP fosse feita. 7.2 – Portanto, se o contribuinte nega a existência do crédito, mas não as compensações, seria de se concluir que estas, a toda a evidência, foram feitas com crédito inexistente. Isto, porém, não é possível. Só existe compensação mediante a existência concomitante de crédito e débito. E, se o contribuinte, como se viu, não nega a compensação, é porque o crédito utilizado, ainda que inexistente de fato, não é um crédito tributário e próprio como exige a legislação de regência (art. 74 da Lei n° 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pelo art. 49 da Lei n° 10.637/2002). Ou seja, tratase de uma compensação fraudulenta, que deve ser considerada não declarada, nos termos da legislação de regência.” [...] 9. Como já noticiado, verificandose que o contribuinte havia retificado as DCTF alterando a informação de que os débitos se encontravam compensados para, de outra forma, informálos como estando com exigibilidade suspensa com base no processo de Execução de Título Extrajudicial 004151719.2011.4.01.3400, intimouse o contribuinte a apresentar cópia do inteiro teor do referido processo. Em atendimento, apresentou os documentos, de fls. 56 a 79. 9.2 – Entre tais documentos, consta uma Inicial dirigida à Justiça Federal do DF, cujo autor é o contribuinte Márcio Eduardo Coelho Gonçalves – ME, CNPJ 05.652.058/000133, que recebeu o número 4151719 2011 4 01 3400. Este processo está confirmado, via internet, conforme extrato, de fls. 306 a 307. 9.2.2 Porém, o contribuinte Nicolini não aparece como parte na Ação e, após 19/06/12, não há registro, no processo, de qualquer evento que pudesse presumir a recepção do pleito do Autor da Ação para inclusão do contribuinte Nicolini, como pólo ativo da Ação, já que é datado de 25/06/12 (fl. 135). O referido documento (fls. 133 a 135), aliás, não se encontra assinado, e também não apresenta qualquer elemento pelo qual se pudesse concluir pela sua recepção na Justiça Federal, como geralmente ocorre, por carimbo de protocolo. 9.2.3 – Pelo que nele consta, é solicitado, tão somente, que o contribuinte Nicolini seja incluído no pólo ativo da Ação. Ainda assim, cabe averiguarse sobre tal pleito, de forma a concluirse se, pela Inicial, a suspensão da exigibilidade dos débitos seria possível. 9.2.4 – Pelo pleito constante na Inicial (fls. 56 a 79), é solicitado que a União e o INSS efetuem o pagamento de R$ 37.706.159,00, relativamente ao Título da Dívida Externa Brasileira emitido pela Prefeitura do Distrito Federal, do qual anexa cópia, à fl. Fl. 483DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.727178/201219 Acórdão n.º 1103001.144 S1C1T3 Fl. 484 7 83, título este emitido com base na Lei n° 1.101, de 19/11/1903, no valor nominal de 20 Libras, com resgate regulado pelo DL n° 6.019/1943. Não há um pedido de suspensão da exigibilidade de eventuais débitos do autor, ou dos autores, supondose que a inclusão do contribuinte Nicolini venha a ser aceite no pólo ativo da Ação, nem, muito menos, uma decisão judicial que isso determinasse, pois que somente em 19/09/11 o processo apresenta registro da fase “concluso para sentença” (fl. 307), não havendo, entre os eventos posteriores, até a presente data, qualquer outro que indique haver sentença de qualquer tipo. [...] Assim sendo, proponho não se conhecer do Pedido de Restituição, à fl. 3, bem como, tendo em vista o art. 74, § 12, inciso II, alínea “e”, da Lei n° 9.430/96, incluído pelo art. 4° da Lei n° 11.051/2004, se considere não declarada a compensação dos débitos constantes nas DCOMP acima referidas. (negrito do original) Como dito, o relatório fiscal da autuação lança motivo no despacho decisório em questão, e conclui pela falsidade da compensação considerada não declarada, razão pela qual imputa à recorrente a multa isolada de 75% aplicada em dobro (multa qualificada), conforme o art. 18, §§ 2º e 4º, da Lei 10.833/03. DA IMPUGNAÇÃO Irresignada, a recorrente apresentou impugnação de fls. 361 a 375 (e processo). Primeiramente apontou que, tendo em vista que não há subsunção dos fatos alegados ao artigo 18 da Lei 10.833/2003, os presentes autos de infração devem ser julgados totalmente improcedentes. Afirmou que a declaração de falsidade do pedido de compensação supostamente realizado pela recorrente foi feita pela fiscalização por meio de suposições, pois não houve no presente processo a comprovação da falsidade da declaração apresentada pela recorrente e a comprovação de que essa apresentou o pedido de compensação. Entendeu que outro fator que afasta a aplicação do artigo 18 da Lei 10.833/2003 à presente lide, corresponde ao fato de não haver no caso em tela a manifestação da fiscalização acerca da existência de compensação “nãohomologada” ou “nãodeclarada”. Aduziu que a multa aplicada possui nítido caráter confiscatório, já que essa foi aplicada no percentual de 150% sobre o valor do principal, extrapolando, desse modo, os limites da razoabilidade, da proporcionalidade e da sensatez e não possuindo a dupla motivação de punireducar. Quanto a isso, colacionou doutrina. Atestou que uma multa desproporcional, além de caracterizar o confisco, o qual é vedado pela Constituição Federal, pode fazer com que o contribuinte tornese insolvente. Sobre isso, colacionou jurisprudência e doutrinas. Fl. 484DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.727178/201219 Acórdão n.º 1103001.144 S1C1T3 Fl. 485 8 Transcreveu jurisprudências que consideram que a multa por descumprimento da obrigação tributária no percentual de 75% sobre o valor do principal fere o princípio do nãoconfisco. Estabeleceu que, além da tributação, a penalização tributária pode também ser inconstitucional, pois ela não pode ser utilizada como verdadeiro tributo disfarçado. Consignou que a sonegação de determinado tributo não justifica a aplicação de uma multa desproporcional à infração cometida, pois essa não pode ser muitas vezes mais relevante do que o principal, já que o principal não segue a sorte do acessório. Quanto a isso, colacionou doutrina. Por fim, requereu a improcedência total dos autos de infração e, ad argumentandum, a redução da multa aplicada a um percentual de 20%. DA DECISÃO DA DRJ Em 14/2/2013, acordaram os membros da 1ª Turma de Julgamento da DRJ de Curitiba, por unanimidade de votos, negar provimento à impugnação, de forma a manter o crédito tributário impugnado, conforme o entendimento que se segue. Primeiramente, realizou uma breve síntese dos fatos e afirmou que a recorrente negou expressamente o conhecimento do crédito e do PER em questão, mesmo tendo sido o PER instruído com todos os seus documentos e de seus sócios, e mesmo tendo ela mencionado o referido crédito em Dcomp e o utilizado para compensar débitos em suas DCFT. Apontou que a recorrente, após prestar esclarecimentos para a fiscalização, realizou a retificação de suas DCTF, fazendo com que a quitação de seus débitos, que antes haviam sido declarados como compensação, constasse como suspenso em face do Processo Judicial 00415.171920/1144, da 19ª Vara de Brasília. Com relação ao processo judicial retromencionado, cumpre transcrever o seguinte trecho, de fl. 387 (eprocesso), do acórdão da Turma Julgadora da DRJ: “Os autos do referido processo judicial foram carreados, por cópia, para este processo administrativo e estão às fls. 57133. A ação tem como autor a pessoa jurídica MÁRCIO EDUARDO COELHO GONÇALVES – ME, CNPJ 05.652.058/000133, com sede na Av. Tenente Coronel Duarte, nº 33, bairro Centro, Cuiabá MT, CEP 78.015500, e tem como objeto a execução de título extrajudicial contra a União Federal e o INSS, que se consiste numa apólice ao portador emitida pela PREFEITURA do DISTRITO FEDERAL – TÍTULOS DA DÍVIDA EXTERNA BRASILEIRA, cuja origem nasceu da Lei nº 1.101 de 19 de novembro de 1903, no valor nominal de 20 LIBRAS (fls. 58). A autuada, Industria e Comércio de Metais Nicolini Ltda., teria ingressado na referida ação judicial, como coautora, nos termos da petição de fls. 134136, datada de 25/06/2012, fazendo jus à uma cota de R$ 6.000.000,00. Fl. 485DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.727178/201219 Acórdão n.º 1103001.144 S1C1T3 Fl. 486 9 Ocorre que referido ato, além de não estar assinado e apresentando a devida chancela de protocolo da Justiça Federal, não consta da consulta processual que se fez em relação ao processo, conforme fls. 323324. Não há nestes autos, tampouco (sobretudo instruindo a Impugnação), maiores explicações e esclarecimentos de como a autuada ingressou na ação judicial; com quem foram realizadas as tratativas da compra do Crédito; quanto pagou pelo Crédito; como pagou por ele; como foi e está contabilizado o Crédito em sua contabilidade; etc.” Consignou que o fundamento da aplicação da multa no percentual de 150% encontrase no § 4º do artigo 18 da Lei 10.833/03, e não em seu caput, estando, dessa forma, constituído o fato jurídico infracional. Isso porque as compensações que a recorrente desejava realizar por meio da Dcomp 42132.53452.300412.1.3.040826 foram tidas como não declaradas pela fiscalização, o que difere de nãohomologadas. Quanto a isso, transcreveu o artigo 74, §12, II, da Lei 9.430/96. Registrou que a recorrente defendese como se o fundamento jurídico da autuação fosse a nãohomologação por ocorrência de falsidade, não se atentando ao fato de que a fiscalização deixou assente a ocorrência de fraude, visando a qualificação da multa em 150%, não enquadrando a infração como proveniente da falsidade. Com relação ao conceito de fraude, colacionou doutrina. Nesse sentido, aduziu que caso fosse aplicado o caput do art. 18 da Lei 10.833/03, e houvesse a necessária identificação da falsidade das Dcomps apresentadas pela recorrente, o julgador relator, pelo estado dos autos, concluiria pela sua ocorrência. Isso porque os autos indicam que o PER foi o passo inicial de uma finalidade de fraudar a quitação de débitos da recorrente, por meio de Dcomps com conteúdo falso, eis que inexiste o crédito informado. Entendeu que a qualificação da multa no percentual de 150% é procedente, de acordo com trecho do voto do relator, de fs. 390 (eprocesso), infratranscrito: “Com efeito, em relação à qualificação da multa, para 150%, não tenho dúvidas ser de todo procedente, eis que a fraude salta dos autos, sendo este um caso emblemático para referida medida, bastando ver que o contribuinte apresentou um PER (ainda que se esforce inutilmente em negar), veiculando Crédito que sabia, por evidente, ser inexistente. A par disso, emitiu DCOMP e DCTF pretendendo, de adrede, utilizar aquele Crédito que, a todo sentido, sabia ser fraudulento. Depois, ao ser mirado em lupa e instado sobre os dados de sua declaração, tratou de reconduzilas a outro caminho, mudando a situação de seus Débitos de quitados por compensação para suspensos por processo judicial, o que só piorou a extensão da fraude, já que necessitou ampliar a fabricação de dados.” Com relação à alegação da recorrente no sentido de que a multa aplicada caracterizou o confisco, afirmou que, tendo em vista que essa foi aplicada de acordo com o artigo 44, I, da Lei 9.430/96, duplicado na forma de seu § 1º, a Turma Julgadora da DRJ não possui competência para julgar a constitucionalidade da Lei regularmente positivada. Fl. 486DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.727178/201219 Acórdão n.º 1103001.144 S1C1T3 Fl. 487 10 Rejeitou o pedido subsidiário da recorrente de reduzir a multa para o percentual de 20%, pois não há parâmetros fáticos que permitam a aplicação da legislação que reduz a multa ao percentual requerido. Nesse sentido, apontou que o fato de a recorrente ter aceitado a aplicação da multa, mesmo que em percentual inferior, indica que ela concorda que a infração foi praticada. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Inconformada com a decisão, a recorrente interpôs, tempestivamente, recurso voluntário de fls. 396 a 407 (eprocesso), reiterando o alegado em sede de impugnação e o que a seguir se sintetiza. Afirmou que, tendo em vista que não restou comprovada a fraude imputada à recorrente, não há suporte fático e legal para a aplicação da multa agravada de 150% por compensação indevida. Entendeu que o fato de não haver declaração expressa da recorrente sobre a Dcomp e a DCTF mencionadas no processo não indica que a recorrente admitiu a autoria da compensação analisada pela fiscalização. Nesse sentido, estabeleceu que a recorrente, ao negar expressamente a autoria do PER, ao desconhecer a assinatura do signatário do PER e ao afirmar que não fez nenhum aproveitamento de crédito e que não possui créditos, negou também a autoria e responsabilidade pela Dcomp e DCTF em questão. Consignou que a recorrente, ao realizar um pedido sucessivo em sua impugnação ao auto de infração, não reconheceu a sua culpa, pois o pedido sucessivo é técnica processual e está de acordo com o princípio da eventualidade, o direito de petição (art. 5º, XXXIV, “a”, da CF) e o artigo 289 do CPC. Arguiu, também, o caráter confiscatório da multa, com o que ela deve ser derruída. Por fim, requereu o reconhecimento e o provimento do presente recurso, de modo a reformar a decisão recorrida e anular totalmente os autos de infração em questão. É o relatório. Fl. 487DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.727178/201219 Acórdão n.º 1103001.144 S1C1T3 Fl. 488 11 Voto Conselheiro Marcos Shigueo Takata O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade (fls. 394 e 396). Dele, pois, conheço. A numeração indicada neste voto é a do eprocesso (inclusive quanto a fls. do processo apenso). Como se viu do relatório, a recorrente nega autoria do PER (apresentada em papel, fl. 4 do processo administrativo nº 10166.001879/201210, apenso a este feito), tendo afirmado que não possui o crédito nele indicado. Isso, em resposta à intimação 100/12 (fls. 71 a 73 do processo apenso mencionado), na qual se questionou também quanto à Dcomp apresentada, em que se faz aproveitamento parcial do crédito, e quanto à DCTF retificadora na qual consta tal compensação – em nova retificadora da DCTF, não mais figura a compensação. A resposta acima descrita consta na fl. 75 do processo apenso, e não se manifesta quanto à Dcomp. Na intimação 109/12, reiterase o questionamento quanto à Dcomp apresentada, e se consigna que a falta de atendimento às questões reiteradas nessa intimação implica a não negativa de autoria da Dcomp em que se declara compensação de crédito daquela PER, e que não desconhece a DCTF na qual se comunica tal compensação (fl. 80 do processo apenso). A recorrente limitase a responder sobre as DCTFs relativas a julho/11 e agosto/11 (uma das perguntas que constavam na intimação 100/12 e reiterada na intimação 109/12), afirmando que procedera a suas retificações e que deve ter havido algum equívoco no sistema, e que seria feita revisão nas informações enviadas (fl. 82 do processo apenso). Nada diz sobre a Dcomp. Na intimação 119/12 (fl. 85 do processo apenso), é observado que as Dcomps 41132.53452.300412.1.3.040826 e 09243.69434.170512.1.3.046854 declaram a compensação do crédito do processo administrativo nº 10166.001879/201210, i.e., do crédito informado naquela PER; nas novas retificadoras de DCTF não constam mais tais compensações, mas débitos com exigibilidade suspensa por processo judicial. A intimação é para a apresentação do inteiro teor do processo judicial indicado nas DCTFs. No despacho decisório é acentuado que a recorrente não é parte do processo judicial, cujo autor é Márcio Eduardo Coelho Gonçalves – ME: há cópia de petição sem carimbo de recepção na Justiça Federal e sem assinatura, para inclusão da recorrente no pólo ativo da ação; nada há que possa presumir que ela figure como parte na ação. De fato, vejo que nas fls. 167 a 169 (do processo apenso) só há petição sem assinatura, sem chancela ou carimbo da Justiça Federal. Cópia da inicial com documentos Fl. 488DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.727178/201219 Acórdão n.º 1103001.144 S1C1T3 Fl. 489 12 anexos, guia de custas, etc. consta nas fls. 90 a 163, sendo autor Márcio Eduardo Coelho Gonçalves – ME. Tratase de execução de títulos de 1903. Relembrase que, após a análise das Dcomps, PER, DCTFs, das respostas às intimações, e dos demais documentos carreados aos autos, o despacho decisório considerou não declaradas as compensações, com base no art. 74, § 12, II, “e”, da Lei 9.430/96, e fraudulentas as Dcomps. O art. 74, § 12, II, “e”, da Lei 9.430/96 trata como compensação considerada não declarada se o crédito postulado não for relativo a tributos administrados pela Receita Federal: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] II em que o crédito: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF. (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) O auto de infração lança motivo no despacho decisório, para imputar à recorrente a multa isolada de 75% aplicada em dobro (multa qualificada), com suporte no art. 18, §§ 2º e 4º, da Lei 10.833/03: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] § 4o Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 Fl. 489DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.727178/201219 Acórdão n.º 1103001.144 S1C1T3 Fl. 490 13 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1o, quando for o caso. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Já manifestei meu entendimento inúmeras vezes de que o mero erro na capitulação legal não inquina o lançamento ou auto de infração. Fundamental é o motivo: seu vício fulmina o lançamento ou auto de infração por nulidade material. Se se estiver diante de compensação considerada não declarada e presente a falsidade na declaração, o caso será de aplicação do art. 18, § 4º, da Lei 10.833/03 – e não do § 2º desse artigo da lei. Pois bem. Como se vê na fl. 303, as Dcomps 09243.69434.170512.1.3.046854 e 41132.53452.300412.1.3.0408, nas quais se utilizou o crédito declarado na PER, foram transmitidas do mesmo IP local 192.168.1.100, a primeira citada em 17/5/12, e a outra, em 30/4/12. E na fl. 302 se nota que as DCTFs retificadoras de julho/2011 foram transmitidas daquele mesmo IP local 192.168.1.100, sendo que a primeira retificadora fora enviada em 30/4/12 – mesma data da Dcomp 41132.53452.300412.1.3.0408 – e a segunda retificadora em 9/7/12. Repitase, tanto a DCTF retificadora, na qual se informa a compensação de débitos da Dcomp de início 41132.53452, como a superveniente retificadora DCTF foram transmitidas do mesmo IP local de onde foram transmitidas as Dcomps. A isso a recorrente nada contrasta. Limitase a negar a autoria no recurso. E como não seriam de autoria da recorrente as carentes Dcomps, se nelas se utiliza crédito da PER, que inclusive se encontra instruída com cópia de identidade e CPF de todos os sócios, Paulo Cezar Nicolini e Valdir Nicolini, do contrato social e dos recibos de entrega da DIRPF/11 de ambos (fls. 22 a 37)? E quanto às DCTFs nas quais se informaram a compensação em questão, como poderia têlas transmitido se não fossem as Dcomps de autoria da recorrente? Nesse passo, vale transcrever excertos do deduzido no despacho decisório: 6.2.2 – Em atendimento, compareceu com a resposta, à fl. 48, informando que procedeu à retificação da DCTF dos meses de julho/2011 e agosto/2011, mas que, porém, entende que deve haver algum equívoco no sistema. Ou seja, mais uma vez deixou de se pronunciar quanto à questão posta no item 6b da Intimação n° 100/12, qual seja, pronunciarse quanto à DCOMP apresentada, pela qual já fez aproveitamento parcial do crédito, bem como à DCTF informando tal compensação. 6.3 – O contribuinte escamoteia a informação na medida de sua conveniência. É que, no caso, embora negue a autoria do PER, Fl. 490DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.727178/201219 Acórdão n.º 1103001.144 S1C1T3 Fl. 491 14 não tem como negar a autoria, nem das DCOMP, nem das DCTF em que informou a compensação, umas e outras com IP atribuído ao computador utilizado para sua transmissão, evidenciando sua autoria, conforme se pode comprovar pelos registros do “Receitanet”, às fls. 301 e 302, apenas como amostragem, isto não só pela comparação destes dados entre si, como também destes com os dados constantes nos demais documentos transmitidos pela via eletrônica, que são muitos. 6.4 – A primeira DCOMP (42132.53452.300412.1.3.040826) e as DCTF que informaram tal compensação, registrese, foram transmitidas no mesmo dia da protocolização do PER, 30/04/12. 6.5 – Ora, se o contribuinte nega a autoria do PER, PER este que, registrese, encontrase devidamente instruído com os Contratos Sociais do contribuinte (fls. 23 a 32), com RG e CPF dos dois sócios (fls. 21 e 22) e, ainda, com cópias dos recibos de entrega da DIRPF/2011 dos sócios (fls. 33 a 36), como poderia, então, valerse da sua existência para transmitir as DCOMP declarando a compensação de débitos, bem como retificar as DCTF informando tal compensação? (fl. 307, negritos nossos) Viuse que, posteriormente, a recorrente retifica novamente as DCTFs que continham a informação de adimplemento dos débitos por compensação declarada nas Dcomps em dissídio (nas quais se usa justamente o crédito da indigitada PER). A retificação, então, foi para declarar que os débitos se encontram com sua exigibilidade suspensa, em face do processo judicial, do qual a recorrente sequer é parte. Isso para não falar que, sobre não constar suspensão de exigibilidade em tal processo, cuidase de execução de títulos criados em 1903. Atentese que o procedimento da recorrente busca ofuscar as Dcomps de cuja autoria não consegue escapar, e que utilizam crédito de PER sobre o qual a recorrente afirma não ser possuidora, e, ao mesmo tempo, “travar” os débitos por retificações sucessivas de DCTFs, indicando exigibilidade suspensa em ação judicial da qual não é parte. No caso, a falsidade – e não mera inveracidade – nas declarações de compensação fica evidenciada. Falsidade do crédito postulado nas declarações de compensação (derivado de PER cuja autoria insiste em negar). O conjunto dos demais atos praticados pela recorrente reforça tal falsidade: as DCTFs retificadoras que passam pelas compensações em questão, para, depois, terem nova retificação com indicação de suspensão da exigibilidade de débitos por ação judicial de que não é parte. Por outro lado, é possível a conformação das referidas compensações à hipótese de compensação considerada não declarada da alínea “e” do inciso I do § 12 do art. 74 da Lei 9.430/96. Diante de tudo quanto ficou deduzido, a incidência do art. 18, § 4º, da Lei 10.833/03 é de rigor. A recorrente alega ainda o caráter confiscatório da multa que lhe foi infligida. Fl. 491DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.727178/201219 Acórdão n.º 1103001.144 S1C1T3 Fl. 492 15 Quanto à constitucionalidade da multa, tratase de matéria cujo enfrentamento é defeso a este órgão julgador, conforme o art. 26A do Decreto 70.235/72 c/ a redação da Lei 11.941/09, e o art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Também, nos termos da Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Sob a ordem de todas essas considerações e juízo, nego provimento ao recurso. É o meu voto. Sala das Sessões, em 25 de novembro de 2014 (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator Fl. 492DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 13839.902589/2008-37
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 10/12/2004
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. TRIBUTO LANÇADO POR HOMOLOGAÇÃO.
A denúncia espontânea nos tributos lançados por homologação, sem prejuízo dos demais requisitos do art. 138 do Código Tributário Nacional, é caracterizada sempre que o pagamento ocorre antes da apresentação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), e afasta a exigência da multa de mora. Entendimento consolidado pelo STJ nos Recursos Especiais nº 886.462/RS (Rel. Min. Teori Albino Zavascki. DJe 28/10/2008) e (RESP 1.149.022/SP. Rel. Min. Luiz Fux. DJe 24/06/2010), julgados na sistemática do art. 543-C do CPC-Código de Processo Civil. Reprodução obrigatória (art. 62 A do RI/CARF). Recurso ao qual se dá provimento.
Numero da decisão: 3802-004.055
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Renato Silveira, OAB/SP 222.047.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1920; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 113 1 112 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13839.902589/200837 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3802004.055 – 2ª Turma Especial Sessão de 24 de fevereiro de 2015 Matéria IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUTRIALIZADOS IPI Recorrente INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE COSMÉTICOS NATURA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 10/12/2004 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. TRIBUTO LANÇADO POR HOMOLOGAÇÃO. A denúncia espontânea nos tributos lançados por homologação, sem prejuízo dos demais requisitos do art. 138 do Código Tributário Nacional, é caracterizada sempre que o pagamento ocorre antes da apresentação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), e afasta a exigência da multa de mora. Entendimento consolidado pelo STJ nos Recursos Especiais nº 886.462/RS (Rel. Min. Teori Albino Zavascki. DJe 28/10/2008) e (RESP 1.149.022/SP. Rel. Min. Luiz Fux. DJe 24/06/2010), julgados na sistemática do art. 543C do CPCCódigo de Processo Civil. Reprodução obrigatória (art. 62 A do RI/CARF). Recurso ao qual se dá provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Renato Silveira, OAB/SP 222.047. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 25 89 /2 00 8- 37 Fl. 113DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: Tratase de PER/DCOMP apresentado pela interessada, através do qual requer a restituição e compensação de R$ 6.030,98 pagos em 23/11/2004, a título de multa de mora, em relação a pagamento em atraso de IPI realizado em 20/02/2004, relativo à diferença de IPI devido do 1º decêndio de novembro/2001. A DRF de origem prolatou despacho decisório eletrônico de fl. 45, indeferindo o pedido e não homologando a compensação por entender que o valor pleiteado foi inteiramente utilizado na quitação de débitos da contribuinte. Irresignada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade de fls. 02/15, na qual defende que o recolhimento efetuado por ela em 20/02/2004, com principal e juros (DARF às fls. 40), foi espontâneo porque foi anterior à retificação da DCTF em 19/04/2004, e o pagamento da multa de mora em 23/11/2004 (DARF à fl. 41) seria indevido. Fundamenta suas alegações no art. 138 do CTN e em jurisprudência do STJ. Conclui requerendo a homologação da compensação. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/RPO no 1437.102, de 28/03/2012, proferida pelos membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, cuja ementa dispõe, verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 10/12/2004 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXIGÊNCIA DA MULTA DE MORA. A multa de mora é aplicável naqueles casos em que, embora espontaneamente, o recolhimento do crédito tributário pelo contribuinte se dê apenas após a data de vencimento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O julgamento foi no sentido de julgar improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo a nãohomologação da compensação que integra a declaração de compensação, ratificando o Despacho decisório. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13839.902589/200837 Acórdão n.º 3802004.055 S3TE02 Fl. 114 3 Ainda insatisfeito, o contribuinte protocolizou o Recurso Voluntário, tempestivamente, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Ressalta que a motivação da declaração recorrida, para manutenção da não homologação das compensações, foi exclusivamente a de que a multa de mora não teria natureza punitiva e não estaria abrangida pela denúncia espontânea. A multa de mora tem natureza punitiva como reconhecido pelo STJ (recurso especial de n° 1.149.022, julgado pela sistemática de recurso repetitivo) e até mesmo pela PGFN (Pareceres PGFN/CRJ de n°s 2.113/2011 e 2124/2011). Sendo assim, deve ser reproduzido pelo CARF, nos termos do art. 62A do RICARF. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. Foram encaminhados memoriais pela recorrente. É o Relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Tratase de PER/DCOMP onde se pleiteia restituição/compensação pagos em 23/11/2004, a título de multa de mora, no valor de R$ 6.030,98. A recorrente argumenta que o recolhimento complementar foi efetuado com o principal e juros, portanto espontâneo, pois anterior à retificação da DCTF, e o pagamento da multa de mora posteriormente, sendo indevido; logo, solicitando a homologação da compensação. Existem diversos julgados por esta Turma de julgamento, dentre eles, o proferido pelo Conselheiro Solon Sehn nos autos do processo no 10680.000035/200775 (Acórdão no 3802000.738, de 06/10/2011), cujas razões de decidir adoto para o presente caso: No mérito, cumpre destacar que a denúncia espontânea nos tributos lançados por homologação, sem prejuízo dos demais requisitos do art. 138 do CTN, é caracterizada sempre que o pagamento ocorre antes da apresentação da Dctf. Essa interpretação, embora questionada por parte da doutrina e da jurisprudência, foi consolidada pelo STJ no Recurso Especial no 886.462/RS (Rel. Min. Teori Albino Zavascki. DJe 28/10/2008. Transitado em julgado em 01/12/2008). O afastamento da multa de mora na denúncia espontânea, por outro lado, restou pacificado no julgamento do REsp 1.149.022/SP: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Consequentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, Fl. 116DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13839.902589/200837 Acórdão n.º 3802004.055 S3TE02 Fl. 115 5 nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ. 1ª S. RESP 1.149.022/SP. Rel. Min. Luiz Fux. DJe 24/06/2010, transitado em julgado em 30/08/2010). Referido recurso foi julgado nos moldes do regime previsto no art. 543C do Código de Processo Civil (CPC), razão pela qual deve ser aplicado o art. 62A do Regimento Interno desse Conselho: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No caso em exame, o Recorrente apresentou (i) prova do pagamento do principal, acrescido de juros de mora (fls. 44 e ss); (ii) realizado no dia 1512/2003, antes de qualquer providência fiscalizatória (fls. 43); (iii) cópia das Dctfs originárias (fls. 57 e ss.) e retificadoras, de 06/06/2004 (fls. 72 e ss.). A comparação destes dois últimos documentos mostra que o pagamento foi anterior a ambos. Encontramse presentes, portanto, os pressupostos do art.138 do CTN: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Estando caracterizada a denúncia espontânea, não cabe a incidência de multa, punitiva ou moratória, inclusive porque, consoante destaca Robson Maia Lins, ambas têm a mesma configuração normativa: [...] embora com nomes distintos o pressuposto de ambas as multas é um descumprimento de um dever jurídico e o consequente é o pagamento de uma quantia em dinheiro. Não importa o nome: multa punitiva e multa moratória têm a mesma configuração normativa de sanção e por isso devem ser excluídas quando da denúncia espontânea (LINS, Robson Maia. A mora no direito tributário. Tese de Doutorado. Faculdade de Direito. PUC/SP. São Paulo, 2008, p. 245) 1. No mesmo sentido, destacamse os seguintes acórdãos do Carf: DENÚNCIA ESPONTÂNEA DA INFRAÇÃO. MULTA DE MORA. INAPLICABILIDADE. Se o débito é denunciado espontaneamente ao Fisco, acompanhado do correspondente pagamento do imposto 1 Disponível em: http://www.sapientia.pucsp.br/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=8261. Acesso: 12/05/2011. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 corrigido e dos juros moratórios, é incabível a exigência de multa de mora, de vez que o art. 138 do CTN não estabelece distinção entre multa punitiva e multa moratórias. MULTA DE OFÍCIO. Em decorrência, é descabida a imposição da multa de ofício em face do pagamento do tributo desacompanhado da multa de mora. Recurso especial provido. (3ª T. Acórdão CSRF/0305.102. Rel. Anelise Daudt Prieto. Sessão de 06/11/2006). MULTAS DE OFÍCIO E DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA O contribuinte faz jus a tal beneficio de exclusão da multa, seja de oficio ou de mora, por haver recolhido o imposto mais os juros devidos antes do inicio qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional (CTN). Recurso especial negado. (3ª T. Acórdão CSRF/0304.690. Rel. Carlos Henrique Klaser Filho. Sessão de 20/02/2006). DENÚNCIA ESPONTÂNEA DA INFRAÇÃO MULTA DE MORA INAPLICABILIDADE. Se o débito é denunciado espontaneamente ao Fisco, acompanhado do correspondente pagamento do imposto corrigido e dos juros moratórios, é incabível a exigência de multa de mora, de vez que o art. 138 do CTN não estabelece distinção entre multa punitiva e multa moratória. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO (3ª C. 3º CC. Acórdão 303 30.332. Rel. Zenaldo Loibman. Sessão de 10/07/2002). Votase, portanto, pelo conhecimento e provimento integral do recurso, afastandose a exigência da multa de mora. Outros julgados, a título de exemplo, confiramse as seguintes ementas: Acórdão de n° 3802003.381, de relatoria de Waldir Navarro Bezerra: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário:2007 IOF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. TRIBUTO LANÇADO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTERIOR À ENTREGA DA DCTF. CARACTERIZAÇÃO. AFASTAMENTO DA MULTA MORATÓRIA. A denúncia espontânea nos tributos lançados por homologação, sem prejuízo dos demais requisitos do art. 138 do Código Tributário Nacional, é caracterizada sempre que o pagamento ocorre antes da apresentação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), e afasta a exigência da multa de mora. Essa interpretação foi consolidada pelo STJ nos Recursos Especiais nº 886.462/RS (Rel. Min. Teori Albino Zavascki. DJe 28/10/2008) e (RESP 1.149.022/SP. Rel. Min. Luiz Fux. DJe 24/06/2010), julgados no regime previsto no art. 543Cdo Código de Processo Civil. Interpretação vinculante nos termos do art. 62A do Regimento Interno do Fl. 118DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13839.902589/200837 Acórdão n.º 3802004.055 S3TE02 Fl. 116 7 CARF Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Acórdão de n° 3802003.434, de minha relatoria: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2002 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. TRIBUTO LANÇADO POR HOMOLOGAÇÃO. A denúncia espontânea nos tributos lançados por homologação, sem prejuízo dos demais requisitos do art. 138 do Código Tributário Nacional, é caracterizada sempre que o pagamento ocorre antes da apresentação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), e afasta a exigência da multa de mora. Entendimento consolidado pelo STJ nos Recursos Especiais nº 886.462/RS (Rel. Min. Teori Albino Zavascki. DJe 28/10/2008) e (RESP 1.149.022/SP. Rel. Min. Luiz Fux. DJe 24/06/2010), julgados na sistemática do art. 543C do CPCCódigo de Processo Civil. Reprodução obrigatória (art. 62 A do RI/CARF). Recurso ao qual se dá provimento. A recorrente defende que o recolhimento efetuado por ela em 20/02/2004, com principal e juros (DARF às fls. 40), foi espontâneo porque foi anterior à retificação da DCTF em 19/04/2004, e o pagamento da multa de mora em 23/11/2004 (DARF à fl. 41) seria indevido Observase, portanto, que o pagamento ocorreu antes da apresentação da DCTF, e ainda, antes da prática de qualquer ato de fiscalização. Assim, diante da documentação, a Recorrente promoveu o pagamento em atraso, mas antes da entrega da DCTF, solicitando a aplicação do art. 138 do Código Tributário Nacional, restando caracterizada a denúncia espontânea. E, diante da jurisprudência reiterada do STJ, inclusive em sede de recurso repetitivo, e Atos Normativos PGFN nº 04/2011 e 08/2011, bem como na Nota Técnica Cosit nº 1/2012, entendo estar correto o sujeito passivo, merecendo acolhida seu Recurso Voluntário. Aplicação do art. 62A do RI/CARF. (Portaria MF n° 256/2009). Por todo o exposto, voto para dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 119DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 Fl. 120DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 19515.005660/2008-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2402-000.484
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espindola Reis, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Julio César Vieira Gomes Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espindola Reis, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 05 66 0/ 20 08 -7 1 Fl. 3311DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 20/02/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 19515.005660/200871 Resolução nº 2402000.484 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos em face do acórdão que deu parcial provimento ao recurso voluntário para excluir do lançamento: (i) os valores pagos a título de PPR aos funcionários localizados em São Paulo e Rio de Janeiro, relativamente aos acordos coletivos firmados em 2006; e (ii) os valores pagos a título de PLR aos funcionários localizados em São Paulo e Rio de Janeiro, relativamente aos acordos coletivos de 2003 a 2005, com exceção dos pagamentos realizados aos funcionários objeto de “Premiação negociada entre Diretorias e Presidência”, “Premiação Extraordinária da Força de Vendas” e Setores de venda de que tratam o parágrafo 2º da Cláusula VI dos acordos de 2003 a 2005. Defende a Embargante que, em que pese a turma ter considerado que a contabilização conjunta do PPR (decorrentes de cláusulas gerais que estipulavam índices salariais préfixados) e de outras gratificações tributáveis não retira a natureza do PPR, consignouse que seria impossível buscar segregar os pagamentos, motivo pelo qual não foi dado provimento ao recurso do contribuinte em relação a todos os pagamentos contabilizados nas contas de gratificações nos anos de 2003 a 2005, relativamente aos estabelecimentos de São Paulo e Rio de Janeiro. Defende a Embargante que a fiscalização pode perfeitamente segregar os valores pagos a título do dito PPR das parcelas remuneratórias, bem como que a exigência da forma como realizada viola o art. 3º do CTN, haja vista tratarse de tributo reconhecidamente indevido em razão de “sanção de ato ilícito”. É o relatório. Fl. 3312DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 20/02/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 19515.005660/200871 Resolução nº 2402000.484 S2C4T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que os presentes embargos de declaração atendem a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, deles tomo conhecimento. Para elucidação do tema, cabe transcrever abaixo trecho conclusivo do acórdão embargado: “Sintetizando os pontos debatidos neste processo, verificase que não deve ser dado provimento ao recurso voluntário, em relação às contribuições previdenciárias exigidas sobre os pagamentos realizados a título de PPR para os estabelecimentos situados fora dos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro (CNPJ’s nos 33.009.945/000204, 33.009.945/001103 e 33.009.945/001286). Por outro lado, deve ser dado provimento ao recurso voluntário, para extinguir os valores pagos a título de PPR aos funcionários localizados em São Paulo e Rio de Janeiro (CNPJ’s nos 33.009.945/000123 e 33.009.945/002339), decorrente dos acordos coletivos firmados para o período de 2006. Já no que se refere aos valores pagos aos colaboradores situados nestes estabelecimentos (São Paulo e Rio de Janeiro), porém em decorrência dos acordos coletivos firmados nos períodos de 2003 a 2005, temse que, em tese, só atrairiam a incidência da contribuição previdenciária os pagamentos dos valores à diretoria, gerência e chefia, sob a denominação de ‘Premiação negociada entre Diretorias e Presidência’, a totalidade dos valores pagos a título de ‘Premiação Extraordinária da Força de Vendas’, bem como os valores pagos às estruturas hierárquicas de que tratam os acordos de 2003 a 2005, nos seus respectivos parágrafos § 2º da Cláusula VI (Acordo de 2003 fls. 117/118; Acordo de 2004 – fls. 125; e Acordo de 2005 – fls. 133/134). Entretanto, considerando que a empresa escriturou os valores pagos a título de PPR em contas contábeis genéricas de gratificação, seria impossível buscar segregar os pagamentos realizados à Diretoria e à Presidência em decorrência das cláusulas gerais que estipulavam índices salariais préfixados para o cálculo do PPR, dos pagamentos feitos sob a denominação de “Premiação negociada entre Diretorias e Presidência”. O mesmo raciocínio se aplica aos funcionários inseridos nos setores que receberam os valores decorrentes da previsão contida no parágrafo § 2º da Cláusula VI dos acordos de 2003 a 2005, bem como os valores decorrentes de ‘Premiação Extraordinária da Força de Vendas’.” – destacouse Considerando o exposto acima, verificase que o acórdão embargado consignou que, relativamente aos acordos coletivos de 2003 a 2005 dos estabelecimentos de São Paulo e Rio de Janeiro, sujeitamse à incidência das contribuições previdenciárias os valores decorrentes de “Premiação negociada entre Diretorias e Presidência, a totalidade dos valores pagos a título de Premiação Extraordinária da Força de Vendas, bem como os valores pagos às estruturas hierárquicas de que tratam os acordos de 2003 a 2005, nos seus respectivos parágrafos § 2º da Cláusula VI (Acordo de 2003 fls. Fl. 3313DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 20/02/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 19515.005660/200871 Resolução nº 2402000.484 S2C4T2 Fl. 5 4 117/118; Acordo de 2004 – fls. 125; e Acordo de 2005 – fls. 133/134).” Considerando que, junto aos valores acima, foram contabilizados valores de PPR decorrentes de cláusulas gerais que estipulavam índices salariais préfixados, este Conselho entendeu por bem manter a exigência sobre o total das rubricas contabilizadas nas contas de gratificação, por impossibilidade de segregação. Em vista disso, defende a Embargante que a fiscalização pode perfeitamente segregar os valores pagos a título do dito PPR das parcelas remuneratórias, bem como que a exigência da forma como realizada viola o art. 3º do CTN, haja vista tratarse de tributo reconhecidamente indevido em razão de “sanção de ato ilícito”. Sobre o tema, destacase que o entendimento consignado no acórdão embargado decorreu do fato de as verbas não estarem perfeitamente identificadas nas contas contábeis da empresa, não sendo possível que este Conselho determinasse a exclusão direta dos valores pagos a título de PPR decorrentes de cláusulas gerais que estipulavam índices salariais préfixados. Como exemplo, podese verificar a planilha contida às fls. 43/44, onde não se verifica de pronto um padrão seguido pela empresa que permitisse a exclusão imediata dos valores de PPR tidos como legítimos. Caso este Conselho determinasse a exclusão imediata dos valores de PPR, correrseia o risco de impossibilitar a liquidação posterior do acórdão. No entanto, não há como negar que, nas contas contábeis da empresa, existem valores de PPR que não se sujeitariam à incidência das contribuições previdenciárias, nos termos do acórdão embargado. Assim, de forma a evitar que o acórdão se torne “ilíquido” e a Embargante seja compelida ao pagamento de contribuições previdenciária sobre verbas de PPR pagas legalmente, voto no sentido de converter este julgamento em diligência para que a fiscalização apure (junto à empresa, se for o caso), qual o montante a ser excluído do lançamento, a título de PPR decorrente de cláusulas gerais que estipulavam índices salariais préfixados, que foram contabilizados juntamente com outras gratificações, relativamente aos acordos de 2003 a 2005 dos estabelecimentos de São Paulo e Rio de Janeiro. Ante o exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, nos termos do voto. Após a realização da diligência, deve ser aberto prazo de 30 dias para manifestação do contribuinte, em atenção ao princípio da ampla defesa e do contraditório. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 3314DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 20/02/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES
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Numero do processo: 13770.000087/2007-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3202-000.330
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Acompanhou o julgamento o advogado Leonardo Carvalho, OAB/ES nº. 9.338.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Gilberto de Castro Moreira Junior Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama.
Relatório
Nome do relator: Não se aplica
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Acompanhou o julgamento o advogado Leonardo Carvalho, OAB/ES nº. 9.338. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento/Declarações de Compensação (Dcomp) de crédito relativo à COFINS nãocumulativa apurado pelo contribuinte no quarto trimestre de 2004. A DRF/Vitória exarou o despacho decisório de fl. 120, com base no Parecer SEORT/DRF/VIT nº 3.519/2008 (fls. 109/119), decidindo reconhecer em parte o direito creditório pleiteado, concernente ao saldo remanescente da apuração nãocumulativa da COFINS no 4º trimestre de 2004 e, por RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 37 70 .0 00 08 7/ 20 07 -2 1 Fl. 1642DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13770.000087/200721 Resolução nº 3202000.330 S3C2T2 Fl. 1.642 2 consequência, homologar parcialmente a compensação declarada pelo contribuinte. No Parecer SEORT, que serviu de base para o Despacho Decisório, a autoridade fiscal registra, em resumo, que: • Foram analisadas as aquisições de café dos fornecedores pessoas jurídicas responsáveis por 78% das aquisições da Rio Doce Café no ano de 2004; • Nesta amostragem, 49% do volume financeiro total registrado referemse a fornecedores que se enquadram como pessoas jurídicas que se declararam à Receita Federal do Brasil em situação de inatividade, ou simplesmente estão omissas perante o órgão. Outras ainda, quando prestaram tais informações, o fizeram de maneira irregular, eis que a receita declarada é nula, portanto totalmente incompatível com o valor das vendas realizadas, isto considerando apenas as operações mercantis com o ora requerente; • Ressaltase que dentre o valor das compras dos fornecedores analisados, 63% enquadramse nas situações acima descritas, não sendo, portanto exceção, e sim a regra as compras de café da Rio Doce Café de pessoas jurídicas em situação incompatível com as transações informadas. • A tabela às fl. 60 apresenta as compras dos fornecedores irregulares; • Como se pode extrair, a situação é paradoxal, haja vista que a Fazenda Nacional é instada a ressarcir um pretenso direito creditório que, como contrapartida, não possui o recolhimento dos tributos devidos na etapa imediatamente anterior; • Diante do que foi retratado, a plausível conclusão conduz inadmissibilidade do pleito formulado, no que toca às ditas compras, em razão de um claro enriquecimento sem causa em detrimento dos cofres públicos, o que representa uma cessão de interesses públicos em favor de particulares; • Com efeito, o princípio da nãocumulatividade, tal como insculpido no art. 153, § 3º, II da CF/88 (não obstante referirse ao Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, sem sombra de dúvida é o paradigma adotado para esta novel roupagem das contribuições sociais em comento), estabelece a compensação do que for devido em cada operação com o montante cobrado na anterior; • Irrefragável é a concepção segundo a qual a efetiva cobrança ou, na pior hipótese, a pressuposição de sua ocorrência, é condição sine qua nom para a admissão do creditamento. Vale esclarecer que tal "cobrança", para os tributos sujeitos ao denominado "lançamento por homologação", onde a lei atribui ao próprio contribuinte a iniciativa de apuração e recolhimento do montante devido, é caracterizada pela efetiva adoção de referidos procedimentos; • Isto se dá porque, diversamente do que só ocorre com o IPI, onde o imposto vem destacado na respectiva nota fiscal de aquisição, o que faz presumir a sua incidência, na apuração dos créditos de PIS/Pasep e Cofins tal cálculo é realizado pela aplicação da alíquota cabível sobre o valor das compras realizadas, o que não conduz a tal conjectura; • Como restou demonstrado na hipótese relatada, sabidamente não houve o respectivo recolhimento tributário de forma tal que não há razoabilidade em se admitir o reconhecimento do direito creditório, sob pena de se patrocinar verdadeira sangria nas finanças públicas; • Fl. 1643DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13770.000087/200721 Resolução nº 3202000.330 S3C2T2 Fl. 1.643 3 Outrossim, não se diga que tal compreensão do problema trará irreparáveis prejuízos ao contribuinte, ora requerente, porquanto, sendo o café uma "commodity" agrícola, tal qual a soja e o algodão, seu preço de compra e venda infalivelmente acompanha as cotações das bolsas de mercadorias nacionais e estrangeiras, de modo que a incidência tributária, seja a que titulo for, não influencia sobremaneira as oscilações de preço; Isto posto, foi providenciada a relação nominal dos fornecedores que se encontram nas situações descritas e respectivos valores de vendas, bem como, promovida a glosa pertinente, conforme tabela A (fls.60); • Os exames efetuados nos Livros Fiscais (Razão e Registro de Saídas) apontaram irregularidades quanto ao valor da base de cálculo e ao valor da contribuição apurada pela interessada; • O contribuinte apurou nos meses de agosto e setembro de 2004 receita não operacional decorrente de alugueis e rendas eventuais, conforme balancete às fls.36/46, totalizando R$43.039,13. Este valor foi incluído na base de cálculo da contribuição; • No regime da nãocumulatividade, apurase a contribuição para o PIS/Pasep confrontando os montantes dos débitos e créditos, obtendose como resultado ou o valor a recolher da contribuição, se devedor o saldo, ou o valor do crédito a ser transferido para o período seguinte, se credor o saldo; • No tocante ao crédito passível de utilização na compensação de outros tributos e contribuições, ficou assentado que, nos termos do art. 5°, § 1º, da Lei 10.637 e IN SRF n° 291/03, o mesmo corresponde ao valor apurado após a dedução de débitos da própria contribuição, e desde que seja derivado de operações de mercadorias para o exterior ou de venda a empresa comercial exportadora, com o fim especifico de exportação; • No processo administrativo 13770.000629/200412, o contribuinte buscou utilizar créditos no valor de R$ 329.895,53 (f1.05) referente ao mês de julho/2004. A análise deste processo reconheceu o crédito no valor de R$210.327,27, homologando parcialmente as compensações apresentadas naquele processo. Desta forma, do crédito total reconhecido para o período compreendido entre julho/04 a setembro/04 (3° trimestre /2004), abateuse o valor previamente reconhecido e utilizado, restando, pois saldo credor para utilização com compensação de outros tributos no valor de R$194.220,03. A contribuinte foi cientificada do Despacho Decisório em 22/03/2010 (fl. 81) e apresentou, em 15/04/2010, a Manifestação de Inconformidade de fl. 82 e ss. alegando, em síntese que: • As mercadorias (café) adquiridas das empresas supostamente inativas, baixadas, omissas ou com receitas declaradas incompatíveis com as vendas, cujas notas fiscais foram pagas através de depósitos bancários, TED ou DOC diretamente aos emitentes, devidamente registradas, escrituradas e contabilizadas, geram créditos de PIS, visto que a requerente não tem o poder de fiscalizar se as contribuições foram ou não devidamente recolhidas. Ressaltese que todas as informações fiscais são sigilosas, não tendo a recorrente, por isto, acessos aos dados fiscais dos seus fornecedores; • Toda a sistemática da nãocumulatividade do PIS e também da COFINS está assentada na permissão de que compras e a prestação de serviços, mesmo que antecedidas por suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência de Fl. 1644DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13770.000087/200721 Resolução nº 3202000.330 S3C2T2 Fl. 1.644 4 PIS e COFINS, geram créditos; • Importante frisar que a Recorrente realiza pagamentos aos seus fornecedores, somente via depósito bancário ou via TED/DOC diretamente aos emitentes das notas fiscais. Sua escrituração contábil e fiscal obedece as normas exigidas pela legislação. Agindo assim, de boafé; • No Direito Tributário o que confere a pessoa jurídica e física a condição de contribuinte é o fato dessa pessoa possuir relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; • No caso da contribuição do PIS nãocumulativo, são contribuintes as pessoas jurídicas em geral e a elas equiparadas pela legislação do IR, que auferem receitas, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Se as empresas comercializam bens e serviços sujeitas a incidência da referida contribuição, elas são contribuintes da exação tributária, independentemente das receitas por elas auferidas terem sido declaradas ao Fisco Federal; • Desse modo, os argumentos contidos no Parecer são desprovidos de legalidade e qualquer lógica jurídica, haja vista que as vendas de café por essas empresas, objeto da glosa, foram sim oneradas com a incidência do PIS; • É sabido que para configurar a incidência do tributo, basta que ocorra o seu fato gerador ou a sua hipótese de incidência. Vale lembrar, conforme dicção do artigo 114 do CTN, o fato gerador da obrigação principal se constitui quando se efetiva a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência; • No presente caso, restou configurada a ocorrência do fato gerador do PIS quando essas empresas, que estão sujeitas a referida contribuição, realizaram vendas de café para a requerente. Nesse sentido, cabe ao fisco efetuar o lançamento e realizar a cobrança, não podendo a requerente ser penalizada pela negligência da autoridade fazendária; • Todas as notas fiscais foram registradas e contabilizadas de acordo com a legislação; • Cabe ao Fisco cobrar das empresas fornecedoras das mercadorias (café) os impostos devidos por elas. Não pode penalizar a Recorrente glosando os créditos lançados sobre as referidas notas fiscais; • Ademais, o artigo 3º da Lei n. 10.637/2002, ao instituir as hipóteses que conferem direito a descontar créditos em relação a bens adquiridos para revenda, não condiciona à requerente, a obrigação de exigir a regularidade fiscal dos fornecedores de mercadorias (café); • Diante do exposto, glosar os lançamentos de créditos de PIS, nas hipóteses de notas fiscais supostamente inidôneas, quando estas, em seus aspectos, em suas aparências, nada tem de irregular, é responsabilizar terceiro por obrigação tributária acessória que não lhe compete. Ressaltese que todas as notas fiscais foram devidamente registradas, lançadas, escrituradas e contabilizadas de acordo com a legislação, cujos pagamentos foram realizados através de depósito bancário, TEC ou DOC em nome do emitente da mesma; • Os valores pagos a título de combustíveis e aquisição de sacaria, entre outros, são insumos utilizados na produção de seus produtos, possibilitando, todavia, o lançamento de crédito de PIS sobre os mesmos; • A pessoa jurídica enquadrase na redação do artigo 8º, § 6º, da Lei 10.925/2004, sendo, portanto, uma produtora em relação aos produtos classificados no código 09.01 da NCM (café), uma vez que executa, cumulativamente, as atividades de padronizar, beneficiar, preparar e Fl. 1645DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13770.000087/200721 Resolução nº 3202000.330 S3C2T2 Fl. 1.645 5 misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial; • Os créditos lançados pela contribuinte sobre as compras de combustíveis desconsiderados pela fiscalização, são lícitos, tendo em vista que são insumos utilizados na prestação de serviços e na produção de seus produtos destinados à venda e, além disso, todos foram adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no país e suportados pelo comprador (a requerente); • Caso seja mantida a glosa dos créditos conforme proposta pelo Auditor Fiscal, que seja determinado à restituição dos valores pagos a título de Imposto de Renda (25%) e Contribuição Social sobre o Lucro (9%), uma vez que os referidos valores glosados estão inclusos nas mencionadas bases de cálculo. Em 17/05/2012, a 17ª Turma da DRJ/RJ1 encaminhou o processo em diligência, por meio da Resolução nº 110 (fls. 1.350/1.351) para que a Delegacia de origem prestasse maiores esclarecimentos quanto ás irregularidades apuradas na apropriação de créditos da nãocumulatividade do PIS sobre as aquisições de café junto a pessoas jurídicas inaptas, inativas ou omissas. Em atendimento ao solicitado, foram anexados aos autos os documentos de fls. 1.353/1.847 e o resultado do procedimento de diligência realizado pelo SEFIS/DRF/Vitória consta do Relatório Fiscal em fls. 1.848/2.017. No referido Termo, a autoridade fiscal registra, em resumo, que: • A utilização de empresas laranjas como intermediárias fictícias na compra de café de produtores para obtenção e apropriação dos créditos do PIS/COFINS foi descortinada nas investigações da DRF/Vitória/ES (“Operação Tempo de Colheita”), iniciadas em outubro de 2007, e que resultaram posteriormente na “Operação Broca”, deflagrada em 01/06/2010, fruto da parceria entre o Ministério Público Federal, Polícia Federal e Receita Federal, na qual foram cumpridos mandados de busca e apreensão e prisão; • No início, as investigações restringiramse ao estado do Espírito Santo, onde estão localizadas importantes exportadoras de café do país. E, após a “Operação Broca”, foram realizadas diligências no Sul da Bahia (café conilon) e Região da Zona Mata Mineira e Sul de Minas Gerais (café arábica); • No período analisado, RIO DOCE CAFÉ era preponderantemente compradora de café arábica principalmente de Minas Gerais, maior produtor de café do país. O Espírito Santo produz mais de 70% de café conilon; • Fato é que na diligência efetuada em 2008 na RIO DOCE CAFÉ já despontavam como supostos maiores fornecedores da empresa a CAFEEIRA SÃO SEBASTIÃO, de VARGINHA/MG, com mais de R$75 milhões; CAIXETA & SCALCO, com R$27 milhões, SANCOSTA, com R$26 milhões, ambas de MACHADO/MG; COMERCIAL ATACADISTA TRIÂNGULO, de MONSENHOR PAULO/MG, CAFEEIRA SUL DE MINAS, de VARGINHA/MG, S.A. SILVEIRA, de SÃO GONÇALO DO SAPUCAI/MG e COMERCIAL DE CAFÉ ARÁBICA, de Fl. 1646DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13770.000087/200721 Resolução nº 3202000.330 S3C2T2 Fl. 1.646 6 CAMBUQUIRA/PATROCÍNIO/MG, todas com mais de R$20 milhões cada. No Espírito Santo, COLÚMBIA, com R$16 milhões, e NOVA BRASÍLIA, com R$12 milhões, foram os destaques; • O quadro societário RIO DOCE CAFÉ era composto da CUSTÓDIO FORZZA COMÉRCIO LTDA (acionista majoritário) e NICCHIO CAFÉ S/A EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO, ambas de COLATINA/ES, que foram alvo da Operação Broca; • Muito embora não tenha sido alvo de busca e apreensão durante a Operação Broca, as investigações da Receita Federal realizadas antes da deflagração da aludida operação delinearam diversas negociações de compras de café da própria RIO DOCE CAFÉ no ES, nas quais restou comprovado a interposição fraudulenta de empresa de fachada na compra de café de produtor/maquinista; • O modus operandi descrito detalhadamente pelos agentes da cadeia de comercialização (produtor/maquinista, corretor e representantes das fictas intermediárias – empresas laranjas) foi devidamente demonstrado mediante confrontação dos documentos colhidos no de decorrer das investigações e robustecido com aqueles apreendidos na Operação Broca; • No início das investigações no Espírito Santo, ANTÔNIO GAVA, sócio da COLÚMBIA, situada em COLATINA/ES, em breve palavras contidas nas declarações prestadas em 30/11/2007, apontou para o esquema de venda de notas fiscais da COLÚMBIA para guiar café de produtor; • Em seguida, a V. MUNALDI surgiu como mais uma “firma” vendedora de nota. Em 28/02/2008, ALTAIR BRÁZ ALVES, da V. MUNALDI, revelou o modus operandi do esquema; • Em 06/03/2008, em resposta às indagações fiscais, COLÚMBIA, ACÁDIA, DO GRÃO e L & L, todas de COLATINA/ES, manifestaramse de igual teor. Relataram à época que não possuíam imóveis, veículos, tampouco funcionários, e que, quando havia necessidade, contratavam serviços terceirizados de motoboy para entrega de documentos; • Quanto à origem dos recursos creditados nas contas correntes, afirmaram categoricamente que eram recursos que pertenciam a terceiros compradores do café: Asseveraram que não são e nunca foram empresas comercializadoras ou atacadistas de café; • Recebida a informação de quem era o vendedor, o comprador poderia ou não fazer contato com o mesmo. Certo é que o comprador depositava o valor na conta da COLÚMBIA, ACÁDIA, DO GRÃO e L & L e “exigia que o produtor ‘guiasse’ o produto com nota de produtor para a fiscalizada”. • E prosseguem relatando que: recebendo a nota fiscal do produtor, liberavam para este o valor da venda e emitiam em seguida uma nota fiscal própria de venda para a Compradora; • A ressaltar ainda das respostas das diligenciadas que o comprador “EXIGIA QUE O PRODUTOR ‘GUIASSE’ O PRODUTO COM NOTA DE PRODUTOR PARA A FISCALIZADA” E ELAS, EM CONTRAPARTIDA, EMITIAM UMA NOTA FISCAL DE SAÍDA PARA O COMPRADOR. Assim, não operam como atacadistas de café, mas, sim, são usadas como uma ponte de repasse de recursos dos compradores para produtores rurais/maquinistas. Agem desta forma “POR IMPOSIÇÃO DOS COMPRADORES (QUE SÃO POUCOS E PODEROSOS)”; • Revelaram, ainda, que em hipótese alguma teriam “recursos para operar da forma como operaram nos últimos anos, mormente considerando a pesada carga tributária imposta por lei na operação, em especial da forma Fl. 1647DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13770.000087/200721 Resolução nº 3202000.330 S3C2T2 Fl. 1.647 7 como exigida pelos compradores, qual seja com incidência integral de PIS/COFINS”; • No início, em 2003, as exportadoras sinalizaram e algumas chegaram a indicar as pseudoempresas para guiar suas compras de café, conforme declarado por maquinistas, produtores rurais, corretores e os próprios sócios das empresas de fachada; Criouse, então, a figura da intermediária fictícia, cujo objetivo era vender nota fiscal. A princípio, com poucas “empresas”, esse mercado paralelo de pseudoatacadistas de café expandiuse rapidamente de tal modo que gerou uma concorrência no preço cobrado pela venda da nota fiscal. A existência e o modo delas operarem não só é de pleno conhecimento das empresas exportadoras e torrefadoras como algumas ditavam as regras e outras simplesmente se omitiram, sendo assim culpadas dessa cumplicidade silenciosa; • A fiscalização diligenciou mais de uma centena de produtores rurais do ES. No início, a maioria produtores de café conilon do norte e noroeste do estado, estendendo posteriormente para outras regiões do ES e de outros estados (Bahia e Minas Gerais). O critério utilizado foi ouvir aqueles identificados como maiores produtores de determinadas regiões; • Os produtores ouvidos mostraram total desconhecimento acerca das pseudoempresas atacadistas usadas para guiar o café. Negociavam com pessoas conhecidas, de sua confiança, ou seja, os corretores, maquinistas e empresas da sua região, contudo, no momento da retirada do café surgiam nomes de “empresas” desconhecidas; • Sem exceção, os depoimentos dos produtores têm o mesmo teor: as notas fiscais do produtor rural, preenchidas pelos compradores/corretores/maquinistas ou a mando deles, têm como destinatárias supostas “empresas” totalmente desconhecidas dos depoentes e que não são as reais adquirentes do café negociado; • Ao longo dessas oitivas, surgiram novos nomes de pseudo atacadistas, principalmente, criadas a partir de 2006. A fiscalização diligenciou grande parte delas, que resultou na sua Inaptidão/Suspensão no cadastro do CNPJ; • Cada exportadora/torrefadora criou o seu próprio padrão para fazer referência à tributação do PIS/COFINS, conforme declaração unânime dos corretores. Nas suas compras tanto no Espírito Santo quanto nas demais regiões do país, a RIO DOCE CAFÉ usava o mesmo padrão acima mencionado; • Os documentos apreendidos mostram que a corretora fazia o controle do pagamento de café por meio de uma planilha, onde anotava o nome do vendedor (empresa laranja/produtor/maquinista), comprador, valor, data de entrega, banco para depósito e etc. No caso da operação entre Elaison Armani e RIO DOCE CAFÉ demonstrada nos autos, a planilha de controle corrobora que foi a L&L quem falsamente documentou a operação respaldada pela ordem de compra VT0013, da RIO DOCE CAFÉ; Marcelo Luiz Nascimento Barbosa, exauxiliar de classificação de café da RIO DOCE CAFÉ e corretor autônomo no Ed. Palácio do Café, onde compartilhava espaço cedido pelo corretor Luciano Arpini Gobbi, da corretora GECAFÉ, disse em 03/06/2008 que intermediava compra de café principalmente dos seguintes maquinistas: Luiz Carlos Bernabé, conhecido como Lila; José Valentim Fracaroli, conhecido como Zezinho; Ronan Roque Fortuna, conhecido como Ronan; José Nivaldo Casagrande, conhecido como Nivaldo; Frederido Graziotti, conhecido como Liquinho; Alair Bergamaschi, conhecido como Alair Berg e Fl. 1648DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13770.000087/200721 Resolução nº 3202000.330 S3C2T2 Fl. 1.648 8 Luiz Cristiano Muller; • O corretor Luciano Arpini Gobbi, da GECAFÉ, em 03/11/2008, confirmou “que as empresas exportadoras e indústrias do Estado têm conhecimento quanto à origem do café (maquinista ou produtor rural), não obstante o café estar sendo guiado em nome de uma pessoa jurídica”. Dito de outro modo: as exportadoras e torrefadoras sabiam que estavam comprando café de produtor/maquinista documentado com nota fiscal de empresa laranja; • Nos controles do corretor Luiz Fernandes Alvarenga, que foram apreendidos durante a Operação Broca, constam anotações relatando venda de café de Tamanini para a RIO DOCE CAFÉ por meio das empresas de fachada COLÚMBIA e WR DA SILVA. Por exemplo, o controle de Luiz Alvarenga traz a anotação no dia 07/11/2008 da entrega de 300 sacas de café de Tamanini para a RIO DOCE CAFÉ guiadas em nome da COLÚMBIA. Essa operação de compra e venda foi respaldada na confirmação 2400/08 e ordem de compra n° 412, da RI O DOCE CAFÉ; • Na busca e apreensão na residência de Luiz Fernandes Alvarenga e suas corretoras, foram encontradas confirmações de compra para a RIO DOCE CAFÉ, bem como controle de suas operações guiadas por empresas laranjas e anotações para identificar os vendedores produtores/maquinistas: L&L/RONAN (Ronan Roque Fortuna), WR DA SILVA/CUZZUOL (Ronaldo Cuzzuol), WR DA SILVA/MAZOLINI (Luiz Mazolini), CAFÉ BRASILE/MAZOLINI, WR DA SILVA/TAMANINI (Marcelo Fausto Tamanini/Carlos Alberto Tamanini), YPIRANGA/EDIMAR (Edimar Francisco Muller), L&L/ARMANI (Elailson José Armani), WR DA SILVA/AMÉRICO (Américo José Mai), RODRIGO SIQUEIRA/ADEMAR VALANE, L&L/FRANCISCO PRANDO, CAFÉ BRASILE/ADEMIR (Ademir Biazatte Lonardelli), Colúmbia/ROQUE (Roque Romeu Bonfante), NOVA BRASÍLIA/BARNABÉ (Luiz Carlos Bernabé) e WR DA SILVA/JARBAS (Jarbas Alexandre Nícoli). • Entre os documentos recebidos da Polícia Federal, encontrase um arquivo magnético em formato Excel denominado “COLÚMBIA SAÍDAS”. Na verdade, tratase de um controle das notas fiscais de saída emitidas pela COLÚMBIA nos anos de 2005 a 2008. Além de relacionar o número, data e valor da nota fiscal, identifica o verdadeiro vendedor – distinguindo o ficto (COLÚMBIA) do real vendedor (produtor/maquinista), o comprador e a quantidade adquirida, assim como o corretor envolvido na operação; • Ao compulsar o citado arquivo, verificouse que Luiz Mazolini efetuou várias vendas de café para a RIO DOCE CAFÉ documentadas com nota da COLÚMBIA, especialmente no ano de 2006 com mais de 5 mil sacas, intermediadas pela CASA DO CAFÉ, de Luiz Fernandes Alvarenga; • Jarbas Alexandre Nícoli, de Jaguaré/ES, com produção de 10.000 sacas de café conilon, informou em 04/07/2008 que negociou seu café, preponderantemente, por meio dos seguintes corretores de COLATINA: Luiz Fernandes Alvarenga (CASA DO CAFÉ) e Junior Preti (RP COMISSÁRIA); • Afirmou não conhecer Antônio Gava e Thiago Gava, gestores da COLÚMBIA e W.R. DA SILVA, Altair Bráz Alves, gestor da V. MUNALDI – ME, e Fernando Mattede, gestor da ACÁDIA, DO GRÃO e L & L; • Alegou que desde 2003 não consegue vender café diretamente para as empresas exportadoras, ou seja, com nota fiscal de produtor. Fl. 1649DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13770.000087/200721 Resolução nº 3202000.330 S3C2T2 Fl. 1.649 9 Assim, teria sido orientado pelos corretores a guiar o café em nome de COLÚMBIA, V. MUNALDI e etc; • Questionado, então, sobre as suas notas de produtor supostamente destinadas à COLÚMBIA, V. MUNALDI, DO NORTE CAFÉ, WR DA SILVA, ACÁDIA, DO GRÃO, respondeu detalhadamente sobre a figura da fícta interposição de uma pessoa jurídica na operação entre o produtor e as exportadoras, o transporte em veículo próprio e a troca de nota fiscal, preferencialmente em postos de gasolina; • O arquivo “COLÚMBIA SAÍDAS” anota vendas de Jarbas Alexandre Nícoli para a RIO DOCE CAFÉ nos anos de 2006 e 2007. Por intermédio da CASA DO CAFÉ e RP COMISSÁRIA, foram vendidas mais de 4,5 mil sacas de café guiadas em nome da COLÚMBIA para a RIO DOCE CAFÉ; • A relação de contratos (confirmações), apreendidas durante a Operação Broca na Corretora Cristal Brasil e na residência do seu sócio Devanir Fernandes dos Santos, mostram vendas de Nivaldo Casagrande em 2008 para a RIO DOCE CAFÉ com notas da laranja NOVA BRASÍLIA; • Os corretores demonstraram unidade em relação aos seguintes pontos: a) com o surgimento do PIS/COFINS não cumulativos as empresas comercias exportadoras e torrefadoras de café passaram a dificultar compra com nota fiscal do produtor rural, exigindo notas em nome de pessoa jurídica; b) com tal exigência surgiram no mercado empresas de fachada, pseudoempresas atacadistas de café; c) com frequência novas empresas de fachada foram criadas e incorporadas ao mercado, passando do dia para a noite a terem movimentação de notas em volume assustador; d) pela venda de nota usada para guiar café do produtor/maquinista, a empresa de fachada recebia um valor por saca de café, pago por produtor/maquinista e exportadores; e) as comerciais exportadoras e torrefadoras sabiam de antemão que o café adquirido por elas era de pessoa física (produtor/maquinista), bem como tinham pleno conhecimento da interposição de empresas de fachada para guiar o café; • A RIO DOCE CAFÉ não só tinha pleno conhecimento do esquema fraudulento como dele se beneficiava, conforme anotações nas próprias notas fiscais apresentadas pela empresa que foram extraídas do processo 15586.720174/201197, bem como das declarações prestadas pelo então comprador da RIO DOCE CAFÉ, em VARGINHA/MG, Regis Roriz de Oliveira, onde se concentrou o maior volume de compras da empresa. Cita se o seguinte trecho sobre a CAFEEIRA SÃO SEBASTIÃO, suposta maior fornecedora da RIO DOCE CAFÉ com R$110 milhões: “a Cafeeira São Sebastião Ltda só vendia as notas fiscais para o exportador”; • Diante desses fatos, restou demonstrado a utilização pela RIO DOCE CAFÉ de meios ilícitos para a obtenção de crédito tributário, o que afasta os limites impostos pela boafé. São operações fingidas, que mascaram a realidade; • Os representantes da COLÚMBIA, ACÁDIA, L & L e DO GRÃO respondendo às indagações dos Auditores Fiscais asseguraram que exportadoras e indústrias tinham pleno conhecimento da venda de notas e que era prática adotada em todo o país. Acrescentaram que muitas destas laranjas eram operadas por exfuncionários das próprias exportadoras e corretores, fato devidamente comprovado nas investigações realizadas no ES e, posteriormente, nas diligências em Minas Gerais; • No curso das investigações, os Auditores Fiscais constataram registros de vultosas compras nas empresas exportadoras do ES de supostas fornecedoras situadas no estado de Minas Gerais, principalmente, no município de Fl. 1650DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13770.000087/200721 Resolução nº 3202000.330 S3C2T2 Fl. 1.650 10 Manhuaçu (municípios da Zona da Mata Mineira) e de Varginha e municípios adjacentes (Sul de Minas Gerais); • Entretanto, a confrontação da movimentação financeira com dados fiscais dessas supostas atacadistas de café no estado de Minas Gerais não mostrou um quadro diferente do encontrado pelos AuditoresFiscais no Espírito Santo: movimentação financeira milionária para empresa na situação de inativa, omissa ou simplesmente preenchida zerada; Assim, mesmo antes da deflagração da OPERAÇÃO BROCA e dos Auditores Fiscais tomarem conhecimento da denúncia anônima sobre a mesmo tipo de fraude no estado de Minas Gerais, a análise dos dados fiscais e financeiros apontavam nesse sentido, que foi reforçado com as declarações de alguns produtores/maquinistas do Espírito Santo, situados na Região do Caparaó, divisa entre os estados do ES e MG; • Restou demonstrado que a RIO DOCE CAFÉ não só tinha pleno conhecimento do esquema fraudulento como dele se beneficiava, apropriandose de créditos fictícios sobre notas fiscais ideologicamente falsas gerados por empresas atacadistas de fachada; • Foram analisadas minuciosamente a origem e o modus operandi do esquema de interposição de empresa de fachada na compra e venda de café; • Os fatos apontados neste Relatório repercutem tanto na glosa de créditos do ano de 2004 quanto na glosa dos créditos dos anos de 2005 a 2010. O contribuinte foi cientificado do Termo de Enceramento de Diligência em 06/03/2013 –fl.2.043 e ss. e apresentou, em 02/04/2013, a Manifestação de fls. 2.045 e ss., alegando o seguinte: • O relatório elaborado após a Diligência propõe a alteração completa do ato administrativo que deu causa a negativa de homologação dos créditos; • O primeiro ato (Parecer e Despacho Decisório) teve como base fática normativa para a negativa dos créditos, simplesmente, o não pagamento das contribuições nas etapas econômicas anteriores e que tal realidade, pela essência da Lei, impediria a homologação. • Após a intimação da DRJ/RJ1, porém, o argumento mudouse por completo, a DRF introduziu a ausência de boafé da adquirente, que pretensamente era sabedora de um elaborado esquema descrito pela Receita Federal, como fator decisivo para a negativa da homologação; • Assim, ou temse como nulo o antigo ato administrativo, que negou primariamente a homologação (devolvendo os autos para a feitura de novo Parecer e Despacho Decisório), ou devese simplesmente desconsiderar os novos argumentos e documentos juntados; • O novo relatório fiscal, os milhares de documentos trazidos aos autos e a mudança radical da motivação para a negativa de homologação implicam em novo ato administrativo e a nulidade do ato anterior pela deficiência de motivação ou de base probatória; A não observância desse requisito legal implica também em violação direta ao devido processo legal e à ampla defesa, ou seja, afronta ao artigo 5º, LIV e LV, da Constituição Federal; • Devese também ter em mente que, se considerado o novo despacho decisório como mera resposta à diligência, a DRJRJ não poderá alterar o motivo primário que deu causa a negativa inicial dos créditos: não pagamento de PIS ou COFINS nas etapas Fl. 1651DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13770.000087/200721 Resolução nº 3202000.330 S3C2T2 Fl. 1.651 11 econômicas anteriores. Haveria se assim procedesse, lançamento por órgão incompetente ou supressão de instância. De qualquer modo, o Acórdão da DRJRJ 1 seria nulo; • Dos documentos juntados aos autos e das afirmações elencadas no Parecer SEORT e Despacho Decisório da DRFVitória glosando créditos de PIS/COFINS da recorrente, teve por base as operações Tempo de Colheita e seu sucedâneo policial Operação Broca; • No dia 14 de novembro de 2012, a Primeira Turma Especializada do TRF da 2ª Região, analisando Hábeas Corpus nº 001431181.2012.4.02.0000, em face de ato do Juízo Federal de Colatina – ES que instaurou a Ação Penal nº 2008.50.05.0005383 (surgida da operação broca), por unanimidade, concedeu a ordem para o fim de trancar a referida Ação Penal. Assim, os supostos crimes foram rechaçados pelo TRF 2ª Região; • A ação transitou em julgado, sendo os argumento que motivaram o indeferimento foram rechaçados definitivamente pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região; • Logo no início do processo administrativo, a Fiscalização demonstra o porque de suas conclusões equivocadas: foram ludibriados pelos criadores e gestores das empresas atacadistas e por seus colaboradores, alguns corretores de café do interior; • Notase que as empresas Colúmbia Comércio de Café, Acádia Comércio Exportação, Do Grão e L&L responderam as perguntas do mesmo modo, através de petições modelo, usando da mesma letra, mesma diagramação, mesmo palavreado. Está claro que apenas uma pessoa redigiu todos esses comunicados. Tudo na intenção de convencer os Fiscais de que aquilo que estavam falando era verdade e, assim, livrar os possíveis fraudadores da condenação certa. Pura enganação; • Observase que alguns desses comunicados padrão datam de março de 2008. Não se entende o porque da Receita Federal manter em funcionamento essas empresas, que hoje afirma inexistentes, por tanto tempo depois de ter certeza de suas práticas. Com isso, manteve as exportadoras reféns dessas fraudes; • Em nenhum momento, a Fiscalização traz a informação de que nenhum diretor da recorrente foi sequer citado na Broca, ou seja, não houve indiciamento, denúncia, mandados de prisão ou de busca e apreensão com relação a Rio Doce Café ou qualquer um de seus diretores (extinta pelo TRF2); • Após o advento dos créditos integrais de PIS e COFINS, muitas empresas atacadistas eclodiram nos Estados do Espírito Santo e de Minas Gerais (apesar de algumas já existirem como, por exemplo, a Colúmbia, criada em 2001) para, ao que parece hoje, unicamente, interpor a venda de café dos produtores rurais aos compradores finais; • É relevante citar que a Receita Federal de Vitória – ES já sabia das práticas destas empresas desde o final de 2007 e nada fez, por muitos anos, para coibir seus atos ilícitos. Ao que parece, preferiu aguardar, fomentar a prisão de alguns empresários (não da Rio Doce Café) e imputar a eles a responsabilidade de fiscalizar, que é unicamente sua; • As provas documentais trazidas pela fiscalização são, todas elas, produto unilateral de terceiros, originadas de buscas e apreensões. Mesmo que tais documentos apreendidos implicassem em alguma prova contra a Rio Doce Café, se a própria Fiscalização tem por fraudadores aquelas empresas e corretores, não deveria usálas para afastar a boafé de Fl. 1652DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13770.000087/200721 Resolução nº 3202000.330 S3C2T2 Fl. 1.652 12 uma empresa que sequer é citada Operação Broca ou qualquer outra operação; • Quanto à empresa Colúmbia, por exemplo, todas as mercadorias compradas foram devidamente entregues, deram entrada na Rio Doce Café, foram registradas na contabilidade da empresa e todos os pagamentos foram feitos através de depósitos, TEDs ou DOCs. Além disso, a empresa estava ativa na época das compras, como se pode verificar do CNPJ extraído do site da Receita Federal e do SINTEGRA emitido pela Fazenda Estadual. Por fim, o processo de inaptidão da Colúmbia (processo nº 15586.000037/200918) iniciouse em 2009, assim, certamente, ela não estava inativa nas épocas das compras pela Rio Doce Café. O mesmo ocorreu com todas as demais empresas; • Não há prova alguma da máfé e muito menos do dolo da recorrente. Ao contrário, foram juntados a manifestação de inconformidade os CNPJs e os SINTEGRAS, emitidos na época da compra, que provam os cuidados tomados na verificação da regularidade dessas atacadistas; • A fiscalização deveria ter demonstrado, de alguma forma, que a recorrente sabia ou incentivava o não recolhimento de tributos pelas empresas atacadistas ou, no mínimo, que tinha pleno conhecimento da inatividade das empresas; • A recorrente não tem tempo nem poder de investigar as suas centenas de fornecedoras e, após cotejar as declarações de imposto de renda, as DIRFs, as Dcreds, as DOIs, as Dmobs, as Gfips e outras tantas informações disponíveis à Receita Federal, verificar que sua atividade é restrita a corretagem de café ou a uma interposição fraudulenta; • Não havia nenhum Ato Declaratório ou até mesmo baixa de ofício dos contribuintes fornecedores da Rio Doce Café, na época em que foram adquiridas as mercadorias(café); • Os registros contábeis da recorrente, relativo às aquisições das mercadorias para revenda estão corretamente amparados por notas fiscais emitidas por pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil. O acórdão proferido pela DRJ do Rio de Janeiro foi assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 USO DE INTERPOSTA PESSOA. INEXISTÊNCIA DE FINALIDADE COMERCIAL. DANO AO ERÁRIO. COMPROVADO. Negócios efetuados com pessoas jurídicas, artificialmente criadas e intencionalmente interpostas na cadeia produtiva sem qualquer finalidade comercial, visando reduzir a carga tributária no contexto da não cumulatividade da COFINS, além de simular negócios inexistentes para dissimular negócios de fato existentes, constituem dano ao Erário e fraude contra a Fazenda Pública, rejeitandose peremptoriamente qualquer eufemismo de planejamento tributário. FRAUDE. DISSIMULAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO. NEGÓCIO ILÍCITO. Fl. 1653DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13770.000087/200721 Resolução nº 3202000.330 S3C2T2 Fl. 1.653 13 Comprovada a existência de simulação/dissimulação por meio de interposta pessoa, com o fim exclusivo de afastar o pagamento da contribuição devida, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos, desconsiderandose os negócios fraudulentos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. DECISÃO DEFINITIVA. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE NÃO CONHECIDA. Não se conhece da manifestação de inconformidade apresentada contra decisão administrativa definitiva que considerar não declarada a compensação. NULIDADE. SEM CAUSA.IMPROCEDÊNCIA. Incabível anular decisão sem que haja fatos ofensivos ao direito de ampla defesa, ao contraditório ou às normas que definem competência. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase como não impugnada a matéria não contestada expressamente pelo contribuinte. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. SEDE DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. MEIO IMPRÓPRIO. A manifestação de inconformidade não se presta à formulação de pedido de restituição, compensação ou de parcelamento, devendo estes ser formalizados em procedimentos autônomos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com tal decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário, onde repisa os argumentos anteriormente apresentados. É o Relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Verifico que a questão gira em torno da desconsideração das notas fiscais de aquisições feitas de empresas caracterizadas com inaptas que geraram a glosa de créditos por parte da fiscalização. Fl. 1654DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13770.000087/200721 Resolução nº 3202000.330 S3C2T2 Fl. 1.654 14 O artigo 82 da Lei nº 9430/96 fixa critérios objetivos para aferição da inidoneidade de documentos fiscais para fins de desconsideração dos atos e negócios jurídicos, senão vejamos: Art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços. Vêse, portanto, que a efetivação do pagamento do preço constante da nota fiscal, bem como o recebimento de bens pelo adquirente, são critérios objetivos a serem observados para a desconsideração jurídica dos documentos que ensejaram o crédito glosado nestes autos e que necessitam ser minuciosamente confirmados. Além disso, é importante realizar o cotejo destes itens (prova da entrega da mercadoria e prova do pagamento pela aquisição da mercadoria), com a declaração de inaptidão do CNPJ do fornecedor, em termos de cronologia dos acontecimentos, já que isso pode ter influência direta na análise a ser proferida pelo por esta Turma. Destaco, inclusive, que existem situações em que a inaptidão de fornecedores se deu após as compras realizadas pela Recorrente e outras após a autuação. Além disso, parecem existir operações objeto de glosa que foram realizadas até mesmo antes da operação deflagrada pela Polícia Federal. Diante das dúvidas apontadas anteriormente, não resta outra alternativa senão converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem adote as seguintes providências: a) Intimar a Recorrente para, com relação a todos os créditos objeto da glosa, elaborar demonstrativo relacionando os comprovantes de efetiva entrada das mercadorias adquiridas em seu estabelecimento, assim como os comprovantes de pagamento do preço de aquisição das mercadorias retratadas nas Notas Fiscais objeto de glosa, indicando as folhas dos autos em que constem referidas informações ou juntadoas; b) Informar a fiscalização conclusivamente (com cópias) quais as datas de publicação no DOU e a íntegra da decisão e respectiva fundamentação, quanto aos atos que declararam a inaptidão do CNPJ das comerciais atacadistas elencadas na r. decisão recorrida, cujas Notas Fiscais de aquisição supostamente geradoras dos créditos foram glosadas; c) Elaborar Demonstrativo em que conste, por operação, as datas das aquisições, dados das Notas Fiscais de aquisição que foram glosadas, data e endereço da entrega dos produtos adquiridos, data e forma de pagamento pela respectiva compra dos produtos, cotejando com a data de declaração de inaptidão do CNPJ do fornecedor, se for o caso, ou então, manifestando sobre a condição do CNPJ nas datas das operações (CNPJ ativo ou inativo); e Fl. 1655DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13770.000087/200721 Resolução nº 3202000.330 S3C2T2 Fl. 1.655 15 d) Elaborar Parecer Conclusivo especificamente quanto a Diligência realizada, bem como informando se a Recorrente consta da lista de empresas apontadas pelo Ministério Público Federal nas operações da Polícia Federal e se existem depoimentos dos dirigentes ou que citam os dirigentes da Recorrente; Após a realização da diligência, é mister que seja dado o prazo de trinta dias para que a Recorrente e a fiscalização se manifeste acerca do tema. É como voto. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 1656DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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