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Numero do processo: 35092.000497/2005-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2000
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65.
Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65).
Numero da decisão: 2202-004.286
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2000 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65. Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
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RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65. Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 09 2. 00 04 97 /2 00 5- 81 Fl. 91DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 19515.001700/200813. "Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve a cobrança do crédito tributário. O Auto de Infração foi lavrado por descumprimento de obrigação acessória verificada durante ação fiscal realizada em órgão público. A autuação ocorreu em nome do sujeito passivo, na condição de dirigente de órgão público, por força do disposto no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, vigente à época dos fatos geradores. O recorrente tomou ciência do lançamento e apresentou defesa, entretanto, a primeira instância de julgamento manteve a autuação. Inconformado com a decisão, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário ao CARF, onde alega a improcedência da autuação. É o relatório." Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 2202004.158, de 03/10/2017, proferido no julgamento do processo 19515.001700/200813, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 2202004.158): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. O lançamento em questão foi efetuado contra o dirigente do órgão público com base no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, que, à época dos fatos geradores, estabelecia: Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 35092.000497/200581 Acórdão n.º 2202004.286 S2C2T2 Fl. 3 3 Contudo, o dispositivo transcrito foi revogado pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, não mais se aplicando, contra dirigente de órgão público, a penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Sobre a matéria, a Súmula CARF nº 65 dispõe o seguinte: Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige. Em função disso, aplicase ao caso, a retroatividade benigna de que trata a alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN): Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] II tratandose de ato não definitivamente julgado: [...] c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifei) Portanto, o lançamento em questão deve ser cancelado. Conclusão Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relator" Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Fl. 93DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15563.720102/2012-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIAS ALEGADAS NA IMPUGNAÇÃO. MATÉRIAS RECURSAIS. NECESSIDADE DE IDENTIDADE. PRECLUSÃO CONSUMATIVA.
O recurso voluntário é interposto contra decisão de primeiro grau que contrariou os interesses do sujeito passivo. As matérias alegadas no apelo devem estar contidas dentre aquelas que constavam da impugnação ao lançamento, em razão de expressa determinação legal. Inteligência do artigo 17 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 2201-003.960
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário interposto.
(assinado digitalmente)
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 17/10/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIAS ALEGADAS NA IMPUGNAÇÃO. MATÉRIAS RECURSAIS. NECESSIDADE DE IDENTIDADE. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. O recurso voluntário é interposto contra decisão de primeiro grau que contrariou os interesses do sujeito passivo. As matérias alegadas no apelo devem estar contidas dentre aquelas que constavam da impugnação ao lançamento, em razão de expressa determinação legal. Inteligência do artigo 17 do Decreto nº 70.235/72.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente e Relator. EDITADO EM: 17/10/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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MATÉRIAS ALEGADAS NA IMPUGNAÇÃO. MATÉRIAS RECURSAIS. NECESSIDADE DE IDENTIDADE. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. O recurso voluntário é interposto contra decisão de primeiro grau que contrariou os interesses do sujeito passivo. As matérias alegadas no apelo devem estar contidas dentre aquelas que constavam da impugnação ao lançamento, em razão de expressa determinação legal. Inteligência do artigo 17 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente e Relator. EDITADO EM: 17/10/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 72 01 02 /2 01 2- 99 Fl. 133DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso de Voluntário interposto contra acórdão da 6ª Turma da DRJ em Brasília/DF, que julgou improcedente a impugnação apresentada e manteve, na integralidade, o lançamento tributário relativo ao IRPF supostamente devido no anocalendário de 2009, em razão de ganho de capital por alienação de ações não listada em bolsa. Tal crédito foi constituído por meio do auto de infração (fls. 46 do processo digitalizado), devidamente explicitado, pelo qual foi apurado o crédito tributário de R$ 683.871,84, que compreende imposto (R$ 345.529,43), juros de mora (R$ 79.195,34), multa proporcional (R$ 259.147,07), valores consolidados em maio de 2012. A ciência do auto de infração, que contém o lançamento referente ao IRPF do anocalendário 2009, ocorreu em 25 de maio de 2012, conforme se verifica pela cópia do AR às folhas 152. Em 22 de junho de 2012, foi apresentada impugnação (fls 55) ao lançamento. A decisão da 6ª Turma da DRJ BSB, consubstanciada no Acórdão 0369.478 (fls. 176), de 20 de outubro de 2015, foi pela improcedência da impugnação, mantendose o crédito tributário constituído. Transcrevo a ementa do acórdão recorrido: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2010 GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. ALIENAÇÃO A PRAZO. Nas alienações a prazo, o ganho de capital será tributado na proporção das parcelas recebidas em cada mês, considerandose a respectiva atualização monetária, se houver. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" A decisão acima ementada contém o seguinte relatório (fls. 77), que adoto por sua precisão e clareza: "O lançamento teve origem na constatação da omissão de ganhos de capital obtidos na alienação de ações ou quotas das pessoas jurídicas Drogaria Vida de Caxias Ltda, CNPJ 01.401.791/000124, e Delivere de Caixas Expressos Drogaria Ltda, CNPJ 05.922.789/000151, conforme demonstrado no Termo de Verificação Fiscal de fls. 43 a 45, parte integrante do Auto de Infração. Cientificado do lançamento em 25/05/2012 (Aviso de Recebimento de fls. 52), o Interessado protocolou, em Fl. 134DF CARF MF Processo nº 15563.720102/201299 Acórdão n.º 2201003.960 S2C2T1 Fl. 134 3 22/06/2012, a impugnação de fls. 55 e 56, juntamente com os documentos de fls. 57 a 73, alegando que: a) não há que se falar em infração, pois não foi concretizada a negociação comercial de ambas as empresas, conforme documentos já anexados aos autos; b) o ganho de capital somente deveria ser calculado quando a ação judicial por ele proposta – processo nº 0029806 95.2012.8.19.0021 exigindo o recebimento dos valores transacionados, estiver terminada; c) a conta corrente nº 000401911, na agência da Caixa Econômica Federal nº 2538 só foi aberta para receber os pagamentos das referidas transações, sendo que foi depositado ali apenas o montante líquido de R$ 1.758.660,76. Diante do exposto, requer a nulidade do Auto de Infração. Em 26 de fevereiro de 2016, o sujeito passivo apresenta recurso voluntário (fls. 87), de maneira tempestiva conforme se constata pelo despacho de folhas 131, contra a decisão de primeiro grau. Tal recurso, em linhas gerais, contém os seguintes argumentos: · que os valores percebidos pela venda das empresas que originaram o ganho de capital decorreram do lucro existente nos caixas das mesmas; · que o lucro não é tributável pelo IRPF, sendo portanto necessário excluir tais valores do lançamento; · que lucros e dividendos distribuídos pela pessoa jurídica não integram a base de cálculo do IRPF dos sócios que os perceberam; · pede a redução da multa aplicada, caso se considere devido o imposto, para o percentual de 20% em face do erro escusável cometido pelo sujeito passivo O processo foi distribuído em sessão pública, de modo eletrônico, para este Conselheiro. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade, passo a apreciar o apelo interposto. Fl. 135DF CARF MF 4 Porém, verifico a existência de uma prejudicial de mérito. As matérias constantes do recurso voluntário não constam da impugnação. Explicito. Observo na impugnação apresentada, às folhas 55 a contestação ao lançamento com base nos seguintes argumentos: A simples leitura aponta os motivos da insurgência: Fl. 136DF CARF MF Processo nº 15563.720102/201299 Acórdão n.º 2201003.960 S2C2T1 Fl. 135 5 · falta de concretização do negócio comercial representado pela compra e venda das empresas mencionadas, o que segundo a impugnação obsta o lançamento com base no ganho de capital; · a existência de ação judicial proposta para recebimento dos valores acordados; · o recebimento do valor de R$ 1.758.660,76 referente ao negócio entabulado, e não do valor constante do lançamento; · a necessidade do aguardo da decisão judicial definitiva para que se calcule o ganho de capital com base no preço justo e certo. Analisando as questões constantes da impugnação, a 6ª Turma da DRJ Brasília proferiu a decisão contra a qual se insurge o recorrente, com base nos seguintes fundamentos ( fls. 78): "Cumpre assinalar, inicialmente, que as participações societárias em questão haviam sido alienadas por R$ 6.000.000,00, conforme Instrumento Particular de Compra e Venda de Quotas Sociais fls. 27 a 31. Posteriormente, por meio do Termo de Aditamento de Instrumento Particular de Compra e Venda de Quotas Sociais de fls. 35 e 36, o preço do negócio foi reajustado para R$ 10.800.000,00, a serem pagos da seguinte forma: R$ 5.400.000,00 em 26/12/2009; R$ 2.000.000,00 descontados a título de passivo com fornecedores; e R$ 3.400.000,00 em 15 parcelas mensais, iguais e sucessivas de R$ 226.667,00, a serem pagas a partir de 15/01/2010; Compulsando o Termo de Verificação Fiscal de fls. 43 a 45, constatase que o ganho de capital objeto do lançamento em discussão abrangeu somente a parcela de R$ 5.400.000,00, recebida em 26/12/2009, sendo que coube ao Contribuinte 43% desse montante, correspondente a R$ 2.322.000,00. Ou seja, o ganho de capital relativo ao restante do valor a receber não foi lançado neste processo, tampouco a quantia de R$ 2.000.000,00, correspondente ao passivo com fornecedores. Embora o Interessado afirme, em sua impugnação, que na conta aberta para receber os valores da aludida operação foi depositada somente a quantia de R$ 1.758.660,76, na cópia da petição inicial de ação judicial de cobrança o próprio Impugnante, juntamente com a outra acionista das empresas alienadas, atesta que recebeu o montante de R$ 5.400.000,00 em 26/12/2009 (fls. 37 a 42). Como parte do pagamento, R$ 2.000.000,00, seria descontado a título de passivo com fornecedores, o saldo a receber seria de R$ 3.400.000,00, haja vista que o preço da venda foi de R$ 10.800.000,00. E, como pode ser verificado naquela petição, os Fl. 137DF CARF MF 6 requerentes estão pedindo somente a quantia de R$ 3.400.000,00. Assim, como resta comprovado que o valor de R$ 5.400.000,00, objeto da apuração do ganho de capital lançado no Auto de Infração em discussão, foi efetivamente recebido pelo Contribuinte em 26/12/2009 (na proporção de 43%), e o ganho de capital objeto do lançamento em questão abrange somente a quantia acima recebida, não há qualquer reparo a ser feito no lançamento, haja vista que a legislação que trata da matéria foi estritamente cumprida, a saber: (...)" (destaques não constam de decisão recorrida) Ao verificarmos as alegações recursais, como consta do relatório, encontraremos (fls. 88) O lançamento teve origem na constatação da omissão de ganhos de capital obtidos na alienação de ações ou quotas das pessoas jurídicas DROGARIA VIDA DE CAXIAS LTDA, CNPJ 01.401.7911000124, e DELIVERE DE CAIXAS EXPRESSOS DROGARIA LTDA, CNPJ 05.922.789/000151, conforme demonstrado no Termo de Verificação Fiscal de fls. 43 a 45, parte integrante do Auto de Infração. Contudo, o lançamento deve ser declarado nulo, uma vez que o peticionário não obteve rendimento tributável que faça jus à imposição de imposto de renda suplementar no valor de R$ 683.871,84, senão vejamos. Inicialmente, deve ser esclarecido, que o peticionário informou na sua declaração de imposto de renda o real valor recebido a título de ganho de capital pela venda das empresas DROGARIA VIDA DE CAXIAS LTDA, CNPJ 01.401.7911000124, e DELIVERE DE CAIXAS EXPRESSOS DROGARIA LTDA, CNPJ 05.922.789/000151. As referidas empresas foram alienadas pelo valor de R$ 10.800.00,00, contudo tal valor incluía parcelas referentes a débitos e o lucro existente no caixa da empresa destinados aos sócios da mesma, na data da alienação. O valor de fato das empresas efetuando os referidos descontos foi de R$ 6.000.000,00, sendo o valor do ganho de capital a ser calculado sobre tal verba e não sobre a totalidade dó negócio. Ressaltandose, que coube à peticionária 43% desse montante, sendo tal valor pago de forma parcelada. Evidente, que a quantia correspondente ao estoque existente que não corresponde a dívidas com fornecedores, bem como o lucro da empresa, no valor total de R$ 2.800.000,00, não poderia compor o valor da alienação. Atualmente, os rendimentos de lucros e dividendos das pessoas físicas não são tributados na fonte nem na declaração de ajuste anual. São informados na referida declaração como rendimentos isentos e/ou não tributáveis. Ou seja, a atual legislação não submete a distribuição de lucros e dividendos Fl. 138DF CARF MF Processo nº 15563.720102/201299 Acórdão n.º 2201003.960 S2C2T1 Fl. 136 7 dos acionistas e sócios de pessoas jurídicas à tabela do IR (Imposto de Renda). (...) O art. 153, III, da CRFB outorga competência à União para a instituição de imposto sobre "renda e proventos de qualquer natureza". Diante de tal premissa legal, o valor a ser tributado pelo fisco, tem que ser o valor efetivamente recebido sem incluir valores referentes a lucro da empresa. Assim sendo o lançamento do imposto suplementar é totalmente descabido devendo tal fato ser reconhecido justamente para evitar uma injustiça e que o recorrente venha recolher o imposto sobre um valor o qual já foi tributado conforme legislação vigente. A renda é o acréscimo patrimonial produto do capital ou do trabalho. Proventos são os acréscimos patrimoniais decorrentes de uma atividade que já cessou. "Acréscimo patrimonial", portanto, é o elemento comum e nuclear dos conceitos de renda e de proventos, ressaltado pelo próprio art. 43 do CTN na definição do fato gerador de tal imposto. Como a isenção da distribuição de lucros está apoiada no Art. 10 da Lei n° 9.249/95, que diz que os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributados com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não estão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integram a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. (...) Evidente, que no caso me tela os valores pagos referentes ao lucro da empresa bem como o seu estoque, não pode ser visto como ganho de capital tributável. Está bastante sedimentada, ainda, a jurisprudência no sentido de que os valores referentes a lucro da pessoa jurídica não ensejam a incidência de imposto de renda, uma vez que a legislação vigente trata especificamente da matéria e diz que não a incidência do imposto, até porque já foi tributado na pessoa jurídica. Também já restou claro, mediante transcrições de MARÇAL JUSTEN FILHO e JOÃO DÁCIO ROLIM, que o acréscimo patrimonial significa riqueza nova, de modo que corresponde ao que sobeja de todos os investimentos realizados e despesas Fl. 139DF CARF MF 8 efetuadas para a obtenção do ingresso, o que tem repercussão na apuração da base de cálculo do imposto. (...) III DA REDUÇÃO DA MULTA: Ad argumentando, mesmo que se considere devido o imposto de renda sobre o valor referente ao lucro aferido pela pessoa jurídica, há que ser reduzida a multa de 75 % para 20%." ( destaques nossos) A leitura de alguns trechos do recurso voluntário permite a conclusão de que as matérias que na visão do recorrente impedem o lançamento tributário como efetuado são: · o valor do ganho de capital apontado não é passível de tributação posto que decorrente do lucro da pessoa jurídica e; · a redução da multa de ofício para 20% do valor do tributo devido, caso não seja adotado o entendimento recursal. O pedido constante do recurso voluntário (fls. 106), comprova tal síntese: "IV— A CONCLUSÃO À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer o recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado, já que o lançamento teve por base valor que foi recebido pelo recorrente decorrente de lucro da pessoa jurídica, com base no art. 10 da Lei n° 9.249/95, não sendo este o entendimento que reduza a multa aplicada para 20%, por ser medida de justiça e direito." Claríssima a distinção entre as matérias impugnadas e as constantes do recurso. Na primeira, contestouse a concretização do negócio entabulado, o valor percebido e a necessidade de aguardarse o desfecho da ação proposta para o conhecimento do valor efetivo do ganho de capital obtido. Na segunda, no recurso, fundouse o apelo na inexistência de tributação posto que o valor decorrente do negócio tinha a natureza de lucro da pessoa jurídica e, subsidiariamente, na insurgência quanto ao percentual da multa aplicada. Totalmente distintas as matérias constantes da impugnação e do recurso. Assim, forçosa a aplicação do aplicação do artigo 17 do Decreto nº 70.235/72, que determina: "Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante" Tal determinação legal, posto que o Decreto nº 70.235/72 foi recepcionado pela Carta de 1988, visa assegurar não a eficiência do processo administrativo federal como, principalmente, o duplo grau de jurisdição, não permitindo supressão de instância. Nesse sentido a dicção do artigo 42 do mesmo Decreto nº 70.235/75, que preceitua: Fl. 140DF CARF MF Processo nº 15563.720102/201299 Acórdão n.º 2201003.960 S2C2T1 Fl. 137 9 "Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância, esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; II de segunda instância, de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; III de instância especial. Parágrafo único: Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeira a recurso de ofício." Nesse mesmo sentido, da vedação de produção de novas alegações após a contestação, que transportada para a seara tributária administrativa equivale à impugnação, há determinação no artigo 303 do Código de Processo Civil. Não é outro o entendimento jurisprudencial. Este Conselho, por meio da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, em sessão de 30 de agosto de 2017, proferiu decisão consubstanciada no Acórdão 3401003.957, cuja ementa explicita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário:2001, 2002, 2003 MATÉRIA NÃO CONTESTADA EM IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO.OCORRÊNCIA. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada em impugnação, verificandose a preclusão consumativa em relação ao tema. LANÇAMENTO. FATOS MODIFICATIVOS. ÔNUS DA PROVA. SUJEITO PASSIVO. No processo administrativo fiscal, por aplicação subsidiária do Código de Processo Civil, o ônus probatório dos fatos modificativos do lançamento recai sobre o sujeito passivo, de maneira que deduzida alegação, em recurso administrativo, de duplicidade de exigência de crédito tributário, fundada em elementos de sua contabilidade, a ele incumbe a produção da prova capaz de demonstrar a iliquidez da autuação. (...)" (ementa transcrita na parte mencionada. Destaques nossos) No mesmo sentido, caminha o entendimento do Superior Tribunal de Justiça. Em decisão de 12 de setembro de 2017, a 4ª Turma acompanhou o voto do Ministro Luis Felipe Salomão proferido no AgInt no AREsp 1089644/PR, que restou assim ementado: "AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PRINCÍPIO DA UNIRRECORRIBILIDADE. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. RECURSO QUE DEIXA DE IMPUGNAR Fl. 141DF CARF MF 10 ESPECIFICAMENTE OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO ORA AGRAVADA. INCIDÊNCIA DOS ARTS. 932, III, E 1.021, § 1º, DO CPC/2015 E DA SÚMULA 182 DO STJ. RECURSO MANIFESTAMENTE INADMISSÍVEL. APLICAÇÃO DE MULTA. ART. 1.021, § 4º, CPC. SUSPENSÃO DO FEITO EM RAZÃO DE ADMISSIBILIDADE DE RECURSO REPETITIVO. IMPOSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL QUE IMPONHA AOS MEMBROS DESTA CORTE A SUSPENSÃO DOS RECURSOS QUE JÁ SE ENCONTRAM NO STJ EM TAL CASO. AGRAVOS NÃO CONHECIDOS. 1. Revelase defesa a interposição simultânea de dois agravos contra o mesmo ato judicial, ante o princípio da unirrecorribilidade e a ocorrência da preclusão consumativa, o que reclama o não conhecimento da segunda insurgência. 2. A jurisprudência deste Sodalício firmou posicionamento no sentido de que a determinação de suspensão dos processos prevista no art. 543C do antigo Código de Processo Civil, correspondente ao art. 1.037, II, do atual CPC, somente atinge os recursos em trâmite perante os Tribunais locais, não se aplicado aos processos em trâmite nesta Corte Superior. Precedentes. 3. Inexistindo impugnação específica, como seria de rigor, aos fundamentos da decisão ora agravada, essa circunstância obsta, por si só, a pretensão recursal, pois, à falta de contrariedade, permanecem incólumes os motivos expendidos pela decisão recorrida. Incide na espécie o disposto no arts. 932, III e 1.021, § 1º, do Código de Processo Civil de 2015 e a Súmula n. 182 do Superior Tribunal de Justiça. 4. O recurso mostrase manifestamente inadmissível, a ensejar a aplicação da multa prevista no artigo 1.021, § 4º, do CPC, no percentual de 1% sobre o valor atualizado da causa, ficando a interposição de qualquer outro recurso condicionada ao depósito da respectiva quantia, nos termos do § 5º, do citado artigo de lei. 5. Agravos internos de fls. 432/628 e 629/825 não conhecidos, com aplicação de multa." (sublinhei) CONCLUSÃO Diante do exposto e pelos fundamentos apresentados, voto por não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Relator Fl. 142DF CARF MF Processo nº 15563.720102/201299 Acórdão n.º 2201003.960 S2C2T1 Fl. 138 11 Fl. 143DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000025/2007-45
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Nov 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS COM RESSARCIMENTO DE DANOS CAUSADOS A CLIENTES. REQUISITOS PARA INTERPOSIÇÃO DO RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO RECURSAL.
Não deve ser conhecido recurso especial que não seja instruído com acórdão paradigma que, ao enfrentar situação fática semelhante, apresente divergência de interpretação quanto à mesma legislação enfrentada no acórdão recorrido.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
DESPESAS. CONTRIBUIÇÕES A ENTIDADES DE CLASSE. CONTRIBUIÇÕES NÃO COMPULSÓRIAS.
Inadmissível a dedução de contribuições a entidades de classe não compulsórias, que não se enquadrarem nas hipóteses de exceção do inciso V, do art.13, da Lei nº 9.249/95.
Numero da decisão: 9101-003.056
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à dedutibilidade de contribuições a entidades de classe. No mérito, na parte conhecida, por maioria de votos, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto (relator) e Demetrius Nichele Macei (suplente Convocado), que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Adriana Gomes Rego. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, substituída pelo conselheiro Demetrius Nichele Macei.
(assinatura digital)
Adriana Gomes Rego - Presidente em exercício e Redatora designada
(assinatura digital)
Luís Flávio Neto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Leonardo de Andrade Couto (suplente convocado), Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rego (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
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Interessado UNIÃO (FAZENDA NACIONAL) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS COM RESSARCIMENTO DE DANOS CAUSADOS A CLIENTES. REQUISITOS PARA INTERPOSIÇÃO DO RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO RECURSAL. Não deve ser conhecido recurso especial que não seja instruído com acórdão paradigma que, ao enfrentar situação fática semelhante, apresente divergência de interpretação quanto à mesma legislação enfrentada no acórdão recorrido. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 DESPESAS. CONTRIBUIÇÕES A ENTIDADES DE CLASSE. CONTRIBUIÇÕES NÃO COMPULSÓRIAS. Inadmissível a dedução de contribuições a entidades de classe não compulsórias, que não se enquadrarem nas hipóteses de exceção do inciso V, do art.13, da Lei nº 9.249/95. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à dedutibilidade de contribuições a entidades de classe. No mérito, na parte conhecida, por maioria de votos, acordam em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto (relator) e Demetrius Nichele Macei (suplente Convocado), que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Adriana Gomes Rego. Declarouse impedida de participar do julgamento a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, substituída pelo conselheiro Demetrius Nichele Macei. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 00 25 /2 00 7- 45 Fl. 882DF CARF MF Processo nº 16327.000025/200745 Acórdão n.º 9101003.056 CSRFT1 Fl. 101 2 (assinatura digital) Adriana Gomes Rego Presidente em exercício e Redatora designada (assinatura digital) Luís Flávio Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Leonardo de Andrade Couto (suplente convocado), Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rego (Presidente em exercício). Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Unibanco União de Bancos Brasileiros S/A (doravante “contribuinte” ou “recorrente”), em face do acórdão n. 1402 00.394 (doravante “acórdão a quo” ou “acórdão recorrido”), proferido pela 2a Turma Ordinária da 4a Câmara desta 1a Seção (doravante “Turma a quo”). O contribuinte teria incorrido em despesas com contribuições a entidades de classes representativas de sua categoria econômica e com o ressarcimento de danos causados a clientes em razão de perdas na prestação seus serviços (fraudes praticadas por funcionários ou prestadores contratados). A questão em detate reside na dedutibilidade de tais despesas. A DRJ julgou a impugnação improcedente, mantendo integralmente o lançamento (efls. 282 e seg.). A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 DESPESAS OPERACIONAIS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. GLOSA. Procedente a glosa dos valores lançados a título de despesas que não forem comprovados com documentação idônea pela contribuinte, a quem cabe o ônus da prova. DESPESAS OPERACIONAIS. REPASSE DE RECURSOS À UNIÃO. REDE ARRECADADORA DE RECEITAS FEDERAIS. O repasse de recursos arrecadados por meio de participação da instituição financeira na Rede Arrecadadora de Receitas Federais não pode ser considerado como despesa operacional. DESPESAS. PREJUÍZO POR DESFALQUE. É incabível a dedução de prejuízo por desfalque sofrido por terceiros. DESPESAS. CONTRIBUIÇÕES A ENTIDADES DE CLASSE. CONTRIBUIÇÕES NÃO COMPULSÓRIAS. Inadmissível a dedução de contribuições a entidades de classe não compulsórias, que não se enquadrarem nas hipóteses de exceção do inciso V, do art. 13, da Lei n° 9.249/95. O Fl. 883DF CARF MF Processo nº 16327.000025/200745 Acórdão n.º 9101003.056 CSRFT1 Fl. 102 3 entendimento acerca da compulsoriedade de contribuições decorre de previsão constitucional. DEMAIS TRIBUTOS. CSLL. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fato gerador de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à real ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, o decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação dele decorrente. Lançamento Procedente Nesse seguir, foi interposto recurso voluntário pelo contribuinte, com a prolação do acórdão ora orecorrido, que restou assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2004 DESPESAS NECESSÁRIAS. MULTA CONTRATUAL. Cabível a dedução de dispêndio com multa contratual ou perda em atividades operacionais. Outrossim, devem ser adicionados na apuração do IRPJ e CSLL os dispêndios incorridos por liberalidade do contribuinte. DESPESAS. CONTRIBUIÇÕES A ENTIDADES DE CLASSE. CONTRIBUIÇÕES NÃO COMPULSÓRIAS. Inadmissível a dedução de contribuições a entidades de classe não compulsórias, que não se enquadrarem nas hipóteses de exceção do inciso V, do art.13, da Lei n° 9.249/95. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. DESPESAS OPERACIONAIS ABATIMENTOS CONCEDIDOS NA LIQUIDAÇÃO DE CRÉDITOS – DEDUTIBILIDADE. Não tratando, a situação fática, de perdas provisórias, isto é, a créditos para os quais não foi dada quitação ao devedor, mas que já estejam vencidos há um ou dois anos, conforme previsto no art. 9° da Lei 9.430/96, não há que se falar em esgotamento das possibilidades e meios de cobrança. Os abatimentos concedidos ao devedor na liquidação de operações de crédito classificamse como despesas operacionais e são dedutíveis do lucro operacional. Recurso Voluntário Provido em Parte. A PFN interpôs embargos de declaração (efls. 425 e seg.), os quais não foram admitidos por despacho (efls. 427 e seg.). A PFN, então, interpôs recurso especial (fls. 439 e seg. do eprocesso), os quais também não foram admitidos por despacho (fls. 460 e seg. do eprocesso), o qual foi confirmado em sede de reexame de admissibilidade (fls. 470 e seg. do eprocesso). O contribuinte, por sua vez, também interpôs recurso especial (fls. 733 e seg. do eprocesso), arguindo divergência de interpretação com relação a dois pontos: (1) dedutibilidade de contribuições a entidades de classe; (2) dedutibilidade de despesas com perdas incorridas na prestação de serviços a clientes. O referido recurso foi admitido em sua integralidade (efls. 844 e seg.). Em brevíssima síntese, alega o contribuinte: “Tais gastos não foram realizados pela Recorrente com objetivo meramente altruísta, tais como são as contribuições e doações descritas no art. 13, V, da Lei nº 9.249/95. Eles têm um propósito econômico específico, consistente na possibilidade de a Recorrente usufruir as vantagens garantidas por tais associações às instituições financeiras, que as representam, na defesa de seus direitos. Por outro turno, tais contribuições são indispensáveis à execução das finalidades das associações” (efls.738). Fl. 884DF CARF MF Processo nº 16327.000025/200745 Acórdão n.º 9101003.056 CSRFT1 Fl. 103 4 “Em suma, demonstrado que a Recorrente teve que arcar com dispêndios por fraude na execução de serviços prestados a seu cliente, é aplicável ao caso o art. 364 do RIR/99, sendo de rigor o reconhecimento da legitimidade da dedução da despesa. Quando menos, os dispêndios devem ser considerados dedutíveis, face a sua subsunção aos ditames do art. 299 do RIR/99” (efls. 744). A PFN apresentou contrarrazões ao recurso especial do contribuinte, repisando os termos do acórdão recorrido. Ressaltase que a recorrida não se opôs, em contrarrazões, à admissibilidade do presente recurso especial. (fls. 852 do eprocesso). Concluise, com isso, o relatório. Voto Vencido Conselheiro Luís Flávio Neto, Relator. O contribuinte interpôs recurso especial arguindo divergência de interpretação com relação a dois pontos: (1) dedutibilidade de contribuições a entidades de classe; (2) dedutibilidade de despesas relacionadas a perdas na prestação seus serviços (ressarcimentos por fraudes praticadas por funcionários ou prestadores contratados). Com relação à primeira matéria, compreendo que o despacho de admissibilidade bem analisou o cumprimento dos requisitos para a interposição do recurso especial de divergência interposto pela contribuuinte, razão pela qual não merece reparo neste ponto. Contudo, compreendo que o recurso especial não deve ser admitido em relação ao segundo tema, atinente à dedutibilidade de despesas com perdas incorridas na prestação de serviços a clientes. Nos termos do art. 67 do atual RICARF, “Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF”. Significa dizer que a competência da CSRF é restrita às hipóteses em que houver demonstração de divergência de interpretação no âmbito de diferentes Turmas do CARF. Ausente a demonstração da divergência jurisprudencial, os membros da CSRF devem ser considerados incompetentes para decidir sobre a matéria, tornandose definitiva administrativamente a decisão da Turma Ordinária. Tratandose de norma de atribuição de competência, as regras objetivamente prescritas pelo art. 67 do RICARF para a admissibilidade do recurso especial assumem crucial relevância ao devido processo legal. Ocorre que, como ensina ROQUE ANTONIO CARRAZZA1, “toda atribuição de competência envolve, ao mesmo tempo, uma autorização e uma limitação”. Há um binômio irredutível, composto pela situação fática semelhante e pela demonstração da divergência de interpretação quanto à mesma legislação, que é fundamental no exame da admissibilidade do recurso especial e, portanto, na aferição de competência da 1 CARRAZZA, Roque Antonio. Curso de direito constitucional tributário. 20. ed. São Paulo: Malheiros, 2004. Fl. 885DF CARF MF Processo nº 16327.000025/200745 Acórdão n.º 9101003.056 CSRFT1 Fl. 104 5 CSRF para enunciar ato administrativo decisório. Aliado a isso, devem ainda ser observadas todas as exigências formais requeridas no art. 67, especialmente em seus parágrafos, e em outros dispositivos do RICARF. O acórdão n. 10320.394, indicado como paradigma para a matéria (2), não preenche o aludido binômio. Naquele julgamento, por estar presente a análise quanto à dedutibilidade de despesas incorridas pela instituição financeira em razão de cheques liquidados indevidamente, aplicouse como núcleo para a solução da questão os deveres impostos pela “Lei do Cheque” (Lei n. 7.357/85), compreendendo, então, tratarse de despesa necessária. Destacase o trecho da ementa do eludido acórdão indicado como paradigma: “IRPJ CHEQUES ENDOSSADOS FALSAMENTE POR TERCEIROS LIQUIDAÇÃO INDEVIDA INDENIZAÇÃO A CLIENTE LIBERALIDADE DESPESA INDEDUTÍVEL IMPROCEDÊNCIA ACUSATÓRIA A lei do cheque sob o n.º 7.357 de 02.09.1985 em seu art. 39 determina que O sacado que paga cheque à ordem é obrigado a verificar a regularidade da série de endossos, mas não a autenticidade das assinaturas dos endossantes. Dessa forma, tangida a Instituição Financeira por responsabilidades objetivas, a indenização ao cliente pela prática espúria de ex funcionário da recorrente não exime o banco sacado de responder pelo dano, se nãoprovada a culpa do correntista. É improcedente qualquer caráter de mera liberalidade atribuído à despesa a esse teor.” No acórdão indicado como paradigma, sequer é possível idenficar se, ausente aquela lei específica, relacionada aos cheques, os julgadores ainda assim compreenderiam dedutível a despesa em questão. O presente caso, por sua vez, não envolve cheques, bem como não se questiona a incidência da Lei n. 7.357/85 ou outra lei específica que veiculasse obrigação objetiva semelhante àquela identificada no acórdão paradigma. O lançamento tributário atinente à glosa das despesas com perdas incorridas na prestação de serviços a clientes foi fundamentado “nos parágrafos e no caput do art. 299 do RIR/99 art. 299 do RIR/99”, bem como no art. 364 do mesmo Decreto (correspondente ao art. 47, § 3º, da Lei nº 4.506/64. Sobre a matéria, compreendeu a Turma a quo inexistente obrigação objetiva ao ressarcimento dos danos em questão, in verbis: “Aqui, entendo que não cabe razão à recorrente, isso porque, embora tenha suportado a perda, o fez por mera liberalidade, visando, a meu ver, continuar com o bom relacionamento com cliente. Diferentemente do que vimos no item anterior, a recorrente não trouxe aos autos provas de que as perdas decorreram de falhas da mesma nos procedimentos com a folha de pagamento de seu cliente, tampouco que deveria arcar com as perdas por força de disposição contratual. Mantenho a tributação desse item.” Portanto, ausente o binomio fundamental requerido em relação à segunda matéria ventilada pela recorrente (situação fática semelhante e demonstração da divergência de interpretação quanto à mesma legislação), voto pelo conhecimento parcial do recurso especial, para não conhecer o tema da dedutibilidade de despesas com perdas incorridas na prestação de serviços a clientes. Quanto ao mérito pertinente à matéria admitida, o lançamento tributário atinente à glosa das despesas com dedutibilidade de contribuições a entidades de classe foi Fl. 886DF CARF MF Processo nº 16327.000025/200745 Acórdão n.º 9101003.056 CSRFT1 Fl. 105 6 fundamentado nos artigos 249 e 365 do RIR/99, que refletem o que dispõe o art. 13, V, da Lei n. 9.249/95. Sobre o tema, o acórdão recorrido assim fundamentou a sua decisão: “As alegações da recorrente, embora coerentes, não podem aqui prevalecer. É certo que a contribuinte realiza pagamentos para custeio das aludidas organizações, em face de ser a elas associada. Não se trata, em principio, de liberalidade ou dispêndios desvinculados. Também é certo que tais organizações proporcionam benefícios e contrapartida à empresa. Todavia, o art. 13, inciso V, da Lei 9.249/1995, acima transcrito, base legal da autuação, não comporta outro entendimento: tais valores são indedutíveis na apuração do IRPJ/CSLL. Mantenho esta glosa.” No caso, o contribuinte, instituição financeira, contribuiu com entidades como a Associação Brasileira das Entidades de Crédito (ABECIP), Federação Brasileira de Bancos (FEBRABAN), Associação de Bancos do Rio de Janeiro (ABERJ), Associação de Bancos de Investimento (ANBID) e Sociedade Operadora deo Mercado de Ativos (BOVESPA). Compreendo que essa despesa operacional preenche os requisitos da necessidade, usualilidade, normalidade requeridos pelo legislador. O conceito de “necessidade” foi bem descrito por RICARDO MARIZ DE OLIVEIRA2, in verbis: “Por isso mesmo, a lei vincula a dedutibilidade à existência de uma relação entre despesas e atividades da empresa ou a sua fonte produtora. Estabelecida a existência dessa relação, o que qualquer pessoa pode fácil e objetivamente fazer, a despesa será por todos reconhecida como necessária, independentemente do que qualquer um pense ou possa pensar, ache ou possa achar, quanto à sua conveniência ou por comparação com qualquer outro referencial de apreciação. Isso é da maior importância: o referencial legal para se constar a necessidade é a relação objetiva entre a despesa e a empresa, isto é, entre a despesa e as atividades da empresa ou a sua fonte produtora! É isto, e nada mais, que importa para a lei! Qualquer outro referencial, que alguem queira subjetivamente utilizar, é imaterial e irrelevante perante a lei.” A lição doutrinária esta perfeitamente correta, devendo a aferição quanto à necessidade da despesa pautase na relação objetiva entre a despesa e as atividades da empresa ou a sua fonte produtora. As despesas com associações de classe, como aquelas incorridas pela recorrente, mantém objetivamente relação com as atividades da empresa ou mesmo com a sua fonte produtora. Tratase de despesa necessária, normal e usual. No caso, seria inclusive estranho se a contribuinte, instituição financeira, não se associasse a outras entidades do seu setor, hábeis a lhe fornecer uma série de benesses intimamente relacionadas à sua fonte produtora, como a congregação de interesses comuns diretamente pertinentes à atividade desenvolvida pelo setor, estudos que agregam em sua lucratividade, parcerias que viabilizam transações empresariais, representação de direitos etc. 2 OLIVEIRA, Ricardo Mariz de. Fundamentos do imposto de renda. São Paulo : Quartier Latin, 2008, p. 693 e seg. Fl. 887DF CARF MF Processo nº 16327.000025/200745 Acórdão n.º 9101003.056 CSRFT1 Fl. 106 7 Notese que muitas das atividades desenvolvidas em questão, se não desenvolvidas por tais associações, o seriam diretamente por cada um de suas associadas, o que implicaria em despesas dedutíveis em relação a cada uma delas, individualmente. É notório que associações dessa natureza têm a capacidade de agregar enorme valor aos seus associados, contribuindo, por variadas formas, para a eficiência e lucratividade destas. A norma do art. 13, V, da Lei n. 9.249/95, utilizada como fundamento para a lavratura do auto de infração, não se presta à tutela da situação em questão. Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: (...) V das contribuições não compulsórias, exceto as destinadas a custear seguros e planos de saúde, e benefícios complementares assemelhados aos da previdência social, instituídos em favor dos empregados e dirigentes da pessoa jurídica; Para a compreensão do alcance da aludida norma, é fundamental observar o que se disse na exposição de motivos para a edição do art. 13 da Lei n. 9.249/95, in verbis: “9. Ainda no âmbito da simplificação, a proposta a base tributável, vedando a dedução de despesas passíveis de manipulação, geralmente relacionadas com ‘fringe benefits’, que beneficiam de forma especial os grandes contribuintes, dotados de sofisticada infraestrutura contábiltributária, tornando mais precisa a regra geral de indedutibilidade em vigor, cujos critérios, por serem excessivamente subjetivos, ensejam interpretações conflitantes e prestamse a práticas abusivas, tendentes a reduzir a base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro (art. 13). No mesmo sentido, a regra do art. 14 revoga o benefício instituído em favor das empresas que exploram atividade monopolizada.” Como se observa da exposição de motivos, o art. 13 da Lei n. 9.249/95 é vocacionado a tutelar gastos da pessoa jurídica com benefícios colocados à disposição de seus dirigentes, impossibilitando, em regra, a dedutibilidade de tais despesas da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. A vedação à dedutibilidade se insere nesse contexto dos “fringe benefits” que poderiam gerar distorções. O art. 13, V, da Lei n. 9.249/95 garante a dedutibilidade, tanto da base de cálculo do IRPJ quanto da CSLL, de contribuições “destinadas a custear seguros e planos de saúde, e benefícios complementares assemelhados aos da previdência social, instituídos em favor dos empregados e dirigentes da pessoa jurídica”, vedando a dedutibilidade a outras das contribuições não compulsórias a tais empregados em dirigentes. Ocorre que não essa essa, em absoluto, a hipótese tratada nos autos, o que afasta a incidência do art. 13, V, da Lei n. 9.249/95. Nesse seguir, voto no sentido de CONHECER PARCIALMENTE e, na parte admitida, DAR PROVIMENTO ao recurso especial. (assinatura digital) Fl. 888DF CARF MF Processo nº 16327.000025/200745 Acórdão n.º 9101003.056 CSRFT1 Fl. 107 8 Luís Flávio Neto Voto Vencedor Conselheira Adriana Gomes Rêgo, Redatora Designada. Divergese do Relator, venia concessa, no que toca ao julgamento de mérito do tema da dedutibilidade de contribuições a entidades de classe. O Relator entende que as contribuições a entidades de classe de que aqui se trata [tais como Associação Brasileira das Entidades de Crédito (ABECIP), Federação Brasileira de Bancos (FEBRABAN), Associação de Bancos do Rio de Janeiro (ABERJ), Associação de Bancos de Investimento (ANBID) e Sociedade Operadora do Mercado de Ativos (BOVESPA)] preenchem os requisitos de "usualilidade, normalidade e necessidade". E manifesta entendimento de que "o art. 13 da Lei n. 9.249/95 é vocacionado a tutelar gastos da pessoa jurídica com benefícios colocados à disposição de seus dirigentes, impossibilitando, em regra, a dedutibilidade de tais despesas da base de cálculo do IRPJ e da CSLL", não se aplicando à hipótese aqui tratada. Transcrevese o dispositivo em tela: Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei n° 4.506, de 30 de novembro de 1964: I de qualquer provisão, exceto as constituídas para o pagamento de férias de empregados e de décimoterceiro salário, a de que trata o art. 43 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995, e as provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável; II das contraprestações de arrendamento mercantil e do aluguel de bens móveis ou imóveis, exceto quando relacionados intrinsecamente com a produção ou comercialização dos bens e serviços; III de despesas de depreciação, amortização, manutenção, reparo, conservação, impostos, taxas, seguros e quaisquer outros gastos com bens móveis ou imóveis, exceto se intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços; IV das despesas com alimentação de sócios, acionistas e administradores; V das contribuições não compulsórias, exceto as destinadas a custear seguros e planos de saúde, e benefícios complementares assemelhados aos da previdência social, instituídos em favor dos empregados e dirigentes da pessoa jurídica; VI das doações, exceto as referidas no § 2°; VII das despesas com brindes. Melhor interpretação é a alcançada pela DRJ (fls. 232 e ss Volume V2 do e processo), que traz o mesmo art. 13 da Lei n° 9.249, de 1995 para asseverar que "as contribuições a entidades de classe efetuadas pela contribuinte são de fato contribuições não compulsórias, sujeitas, conseqüentemente, à disciplina do inciso V do art.13, da Lei n° 9.249/95". No mesmo sentido vai o acórdão ora recorrido. Confirase a conclusão ali vertida: As alegações da recorrente, embora coerentes, não podem aqui prevalecer. É certo que a contribuinte realiza pagamentos para custeio das aludidas Fl. 889DF CARF MF Processo nº 16327.000025/200745 Acórdão n.º 9101003.056 CSRFT1 Fl. 108 9 organizações, em face de ser a elas associada. Não se trata, em principio, de liberalidade ou dispêndios desvinculados. Também é certo que tais organizações proporcionam benefícios e contrapartida à empresa. Todavia, o art. 13, inciso V, da Lei 9.249/1995, acima transcrito, base legal da autuação, não comporta outro entendimento: tais valores são indedutíveis na apuração do IRPJ/CSLL. Vale lembrar que o art. 111 do CTN estabelece a obrigatoriedade de interpretação literal das normas desonerativas. Pelo exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial nessa matéria. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 890DF CARF MF
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Numero do processo: 10850.909099/2011-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE.
A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido.
Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria.
Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação.
Recurso Especial do Contribuinte não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-006.188
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceram do recurso.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. Recurso Especial do Contribuinte não Conhecido.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceram do recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
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PAGAMENTO INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Recorrente GREEN STAR PEÇAS E VEÍCULOS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. Recurso Especial do Contribuinte não Conhecido. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceram do recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 90 99 /2 01 1- 11 Fl. 277DF CARF MF Processo nº 10850.909099/201111 Acórdão n.º 9303006.188 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Contribuinte com fundamento nos artigos 64, inciso II, 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra ao acórdão nº 3803006.727, que decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário por ausência de prova efetiva da existência do direito creditório pleiteado. A decisão recorrida restou assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa não infirmada com documentação hábil e idônea. Não conformada com tal decisão a Contribuinte interpôs o presente recurso. Visando comprovar o dissenso jurisprudencial apontou como paradigmas os Acórdãos nºs 3801004.317 e 3801004.318. Mediante despacho de admissibilidade do Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF foi dado seguimento ao recurso. Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões nas quais requer o nãoconhecimento do recurso especial interposto pela Contribuinte. Alternativamente, requer, no mérito, que seja negado provimento ao recurso, mantendose o acórdão proferido pela eg. Turma a quo por seus próprios fundamentos. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.174, de 13/12/2017, proferido no julgamento do processo 10850.900064/201205, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.174): Fl. 278DF CARF MF Processo nº 10850.909099/201111 Acórdão n.º 9303006.188 CSRFT3 Fl. 4 3 "O Recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, restando contudo investigar adequadamente o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade, prerrogativa, em última análise, da composição plenária da Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual tem competência para não conhecer de recurso especiais nos quais não estejam presentes os pressupostos de admissibilidade respectivos. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamada de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos. Após essa breve introdução, passemos, então, ao exame de admissibilidade do Recurso Especial. A divergência suscitada pela Contribuinte diz respeito à comprovação de seu direito creditório, e trouxe os seguintes acórdãos paradigmas, 3801004317 e 3801004318, que tratam em tese da mesma matéria, diferindo a solução. Pelas ementas não se pode reconhecer a divergência, todavia, se examinar os votos dos paradigmas verseá a que não há identidade de (conjunto probatório) e diversidade das soluções. Verificase que o voto condutor da decisão recorrida, o recurso voluntário não mereceu provimento sob o fundamento de que: "Conforme se verifica do relatório supra, a DRJ Ribeirão Preto/SP não reconheceu o direito creditório por ausência de provas hábeis a demonstrar e comprovar o suposto recolhimento a maior, considerando que os documentos apresentados se referiam apenas às receitas financeiras, dados esses insuficientes à apuração da base de cálculo da contribuição, qual seja, o faturamento. O Recorrente alega que, junto às Manifestações de Inconformidade, havia trazido aos autos planilhas de cálculo, cópias do balancete e do livro Razão, documentos esses que, segundo ele, seriam bastantes para a comprovação do direito pleiteado. A par das decisões da DRJ Ribeirão Preto/SP, em que a questão da prova do indébito foi posta como condicionante ao reconhecimento do direito creditório, tendo sido ressaltada pelo julgador de piso a necessidade de se comprovar o faturamento do período para fins de apuração da contribuição efetivamente devida no período, o contribuinte nada acrescenta aos autos em grau de recurso para fins de demonstrar inequivocamente a base de cálculo da contribuição. Não se pode olvidar que, de acordo com o art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de indeferimento do direito pleiteado, prova essa que deve ser apresentada no momento da manifestação de inconformidade. Conforme já dito, os elementos trazidos aos autos por cópias pelo contribuinte na primeira instância não eram aptos, por si sós, a comprovar o direito reclamado, dado que restritos às informações relativas às receitas financeiras e a outras receitas, situação em que não se tem por comprovada a base de cálculo da contribuição devida (faturamento), o que impede o confronto entre os valores recolhidos aos cofres públicos e aqueles efetivamente devidos. Fl. 279DF CARF MF Processo nº 10850.909099/201111 Acórdão n.º 9303006.188 CSRFT3 Fl. 5 4 Abrir a possibilidade de produção de novas provas, a meu ver, ainda que em consonância com o princípio da verdade material, configura afronta à obrigatoriedade de atuação da Administração em conformidade com a lei e o Direito e à adequação entre meios e fins (art. 2º, parágrafo único, da Lei nº 9.784, de 1999), assim como ao dever do administrado de apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado antes das decisões administrativas e de prestar todas as informações necessárias ao esclarecimento dos fatos (art. 3º, III, e 4º, IV, da Lei nº 9.784, de 1999). Mesmo depois de ter sido alertado pelo julgador administrativo de primeira instância acerca da necessidade de apresentação de documentos comprobatórios da base de cálculo da contribuição (faturamento), com vistas a se apurar o alegado crédito pleiteado, o Recorrente não se predispôs a instruir o processo nesta segunda instância de forma efetiva, dado que nenhum documento contábilfiscal foi acrescentado aos autos". Como se observa, a decisão recorrida, acompanhou o fundamento esposado pela DRJ de origem, no sentido de que: “A planilha contendo as receitas financeiras e a cópia de parte do balancete contendo tais receitas não permitiriam apurar a base de cálculo com as exclusões pretendidas, para se chegar ao valor devido e comparálo com o valor recolhido, pois tais documentos permitem vislumbrar tão somente as receitas financeiras do período, mas não o faturamento da empresa. Assim, não haveria como se apurar o total da base de cálculo e a contribuição devida, para comparála com o recolhimento efetuado e concluirse pela eventual existência de recolhimento a maior, e em que montante”. Por outro lado, o acórdão paradigma nº 3801004.317, analisou tão somente a questão de mérito, dando provimento ao Recurso por entender que a Lei nº 9.718/98, conversão da Medida Provisória nº 1.724/98, estendeu o conceito de faturamento, base de cálculo das contribuições PIS e Cofins, definindoo no §1º do art. 3º como a receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Sem embargo, o Colegiado decidiu o direito creditório da contribuinte com fundamento no artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010, que dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral. Como se vê, o acórdão paradigma não trouxe outro fundamento com relação as provas, e não se verifica demonstrada semelhança fática e divergência jurisprudencial. Vejamos: "No mérito, entendo que assiste razão à recorrente, senão vejamos: A Lei nº 9.718/98, conversão da Medida Provisória nº 1.724/98, estendeu o conceito de faturamento, base de cálculo das contribuições PIS e Cofins, definindoo no §1º do art. 3º como a receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Neste sentido, entendo estarmos diante da hipótese prevista no artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010, que dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral, conforme colacionado acima. Desta forma, deve ser reconhecido o direito creditório do Recorrente caso exista, em seu favor, crédito oriundo de recolhimentos efetuados a título de COFINS na forma da Lei nº 9.718/98, excluindose da sua base de cálculo as receitas não compreendidas no conceito de Fl. 280DF CARF MF Processo nº 10850.909099/201111 Acórdão n.º 9303006.188 CSRFT3 Fl. 6 5 faturamento nos moldes da Lei Complementar nº 70/91, nos termos dos conceitos já firmados pelo Supremo Tribunal Federal". No mesmo sentido, o acórdão paradigma nº 3801004.316, mesmo relator do acórdão, nº 3801004.317, deu provimento ao Recurso Voluntário,para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. Como se observa, o acórdão paradigma nada tratou sobre provas, e não se comprova semelhança fática e divergência jurisprudencial. Vejamos: "É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998". Como visto, contexto fático e jurisprudencial exposto nas decisões paradigmas e no acórdão recorrido, patente pela leitura das passagens acima transcritas, demanda do mesmo modo, que o recurso especial não seja conhecido em face da ausência de demonstração de que, discutindo casos similares, foi dada interpretação jurídica diversa. Neste sentido, O Manual de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial (versão atualizada, pg.30) estabelece que: O RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, assim estabeleceu, em seu art. 67, § 1º, do Anexo II: "§ 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar de forma objetiva qual a legislação que está sendo interpretada de forma divergente." Em 15 de fevereiro de 2016, foi publicada a Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016, com a seguinte redação: “§ 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente.” Neste sentido, não tomo conhecimento do Recurso interposto pela Contribuinte, em razão de não ter sido comprovada divergência, e similitude fática, nos termos do § 1º da Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte não foi conhecido. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 281DF CARF MF
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Numero do processo: 11128.004481/2003-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 31/07/1998
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PALMITATO DE VITAMINA A.
O Palmitato de Vitamina A adicionado de substâncias além daquelas usuais e indispensáveis, destinada à adição na preparação de produtos alimentícios diversos, deve ser classificado na NCM 2106.90.90, posição residual dentro das "Preparações Alimentícias não Especificadas nem Compreendidas em outras posições".
Numero da decisão: 3201-003.092
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para afastar a reclassificação fiscal. Ficou de apresentar declaração de voto o Conselheiro Orlando Rutigliani Berri.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente.
TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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PALMITATO DE VITAMINA A. O Palmitato de Vitamina A adicionado de substâncias além daquelas usuais e indispensáveis, destinada à adição na preparação de produtos alimentícios diversos, deve ser classificado na NCM 2106.90.90, posição residual dentro das "Preparações Alimentícias não Especificadas nem Compreendidas em outras posições". Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para afastar a reclassificação fiscal. Ficou de apresentar declaração de voto o Conselheiro Orlando Rutigliani Berri. WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente. TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 44 81 /2 00 3- 63 Fl. 200DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do acórdão nº 1723.497, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento São Paulo II (SP), que assim relatou o feito: O importador, por meio da Declaração de Importação Dl n° 98/0.754.4017, de 31/07/1998, importou a mercadoria descrita como VITAMINA A PALMITATO, classificando no código tarifário NCM 2936.21.13, com alíquotas de 5% para o Imposto de Importação e 0% para o Imposto sobre Produtos Industrializados. Segundo a fiscalização, o produto tratase de uma preparação química constituída de uma substância ativa , a Vitamina A, adicionada de DLAlfaTocoferol, Sacarose, Amido e Substâncias Inorgânicas à base de Fosfato, que visam tornar o produto particularmente apto para usos específicos de preferência a sua aplicação geral. Entende a fiscalização que a classificação fiscal correta para o produto é a NCM 3824.90.89, com alíquota do Imposto de Importação de 17% e do Imposto sobre Produtos Industrializados de 10%, vez que a formulação tratase de um suplemento nutricional, o que significa já ter um determinado tipo de utilização. A autuação baseouse no Laudo Fucamp n° 2085/98, fls. 34 e seguintes, e, ainda, nos Laudos no S 2084/98 e 2084A/03, estes últimos realizados para a Declaração de Importação n°. 98/0.754.4041 que despachou o mesmo produto para o mesmo importador. Através do auto de infração, fls. 1 a 23, foi feito o lançamento tributário para exigir a diferença do Imposto de Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados, bem como os juros de mora, a multa administrativa e a de ofício. Devidamente cientificada da exigência fiscal, em 22/07/2003, fls. 39v., a interessada apresentou impugnação e documentos em 31/07/03, juntados às fls. 40 e seguintes, alegando em síntese que: 1. Não procede a desclassificação fiscal, pois pela natureza das vitaminas, que muitas vezes apresentam constituição química relativamente complexa, verificase a possibilidade de nelas serem incluídos os produtos estabilizados para sua conservação ou transporte; 2. Consta, nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado, relativamente à posição 2936 que: As vitaminas são substâncias de constituição química geralmente complexa, provenientes de fontes exteriores e indispensáveis ao funcionamento normal do organismo do Fl. 201DF CARF MF Processo nº 11128.004481/200363 Acórdão n.º 3201003.092 S3C2T1 Fl. 201 3 homem ou dos animais. Como o corpo humano não pode efetuar a síntese destes produtos, eles devem ser fornecidos do exterior sob a sua forma definitiva ou então quase definitiva (provitaminas). Atuando em doses infinitesimais, podem ser consideradas como biocatalisadores exógenos, cuja ausência ou insuficiência provoca perturbações do metabolismo ou "doenças de carência". 3. Também estão expressamente indicados nas Notas Explicativas ao capítulo os produtos que 'devem ser classificados como provitaminas ou vitaminas na acepção da posição 2936'; estando incluída nesta lista a Vitamina A Palmitato; 4. Nas próprias Notas Explicativas do Sistema Harmonizado consta que 'os produtos da presente posição podem ser estabilizados para tornálos aptos à conservação ou transporte: por adsorção em substâncias apropriadas (ácido sílico, por exemplo'); 5. Desta forma, a presença de outros elementos tais como Substâncias Inorgânicas à base de fosfato, não torna o produto uma 'outra preparação química' capaz de excluílo do capítulo 29; 6. Claro está que o produto importado tratase de vitamina e não de outras preparações químicas como afirma o LABANA; 7. Comprovada a correta classificação tarifária dada ao produto não há que se falar na aplicação de penalidade prevista no art. 633, inciso II, alínea "a" do Decreto 4.543/2002, por importação ao desamparo de licenciamento; 8. Mesmo considerada incorreta a classificação tarifária dada pela interessada, não poderia prevalecer a aplicação da referida multa, visto que o produto importado foi devidamente descrito conforme se verifica através da Declaração de Importação n° 98/0754407; 9. Cita, nesse sentido, decisões da DRJ/SP e do Terceiro Conselho de Contribuintes; Ante ao acima exposto , pede que seja declarada nulidade do auto de infração. Após exame da Impugnação apresentada pelo Contribuinte, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 31/07/1998 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIA. Fl. 202DF CARF MF 4 A Preparação constituída de Palmitato de Retinol (Palmitato de Vitamina A); DLa Tocoferol, Sacarose, Amido e Substâncias Inorgânicas a base de Fosfato, na forma de microesferas, encontra sua correta classificação tarifária na NCM 3824.90.89. A autoridade fiscal comprovou com base em Laudo Técnico que as substâncias acrescidas tornam o produto apto para o uso específico preferencial a sua aplicação geral. Lançamento Procedente Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este CARF, reiterando os argumentos de defesa apresentados. Em primeira análise, este órgão julgador determinou a conversão do feito em diligência para que o Laboratório de Análises que elaborou os Laudos Técnicos nos quais se fundamentou a Fiscalização apresentasse os seguintes esclarecimentos: Entendo que não foram feitas perguntas essenciais para o correto julgamento da demanda ao técnico responsável pelo Laudo n. 2085 acima mencionado, portanto, VOTO, por novamente converter o julgamento em diligência para que a autoridade preparadora consiga junto ao Laboratório de Análises, preferencialmente com os mesmos técnicos responsáveis pelo laudo técnico acima, respostas às seguintes questões: A Preparação constituída de Palmitato de Retinol; (Palmitato de Vitamina A), DLaTocoferol, Sacarose, Amido e Substâncias Inorgânicas a base de Fosfato, na forma de microesferas pode ser classificada como algum dos produtos a seguir? uma mistura de produtos químicos com substâncias alimentícias ou outras possuindo valor nutritivo, dos tipos utilizados na preparação de alimentos próprios para consumo humano; um medicamento ou matéria prima para medicamento; um tipo de cristal cultivado (exceto elementos de óptica) de óxido de magnésio ou de sais halogenados de metais alcalinos ou alcalinoterrosos, de peso unitário igual ou superior a 2,5g; óleos fuseis; óleo de Dippel; produto para apagar tintas de escrever, acondicionados em embalagens para venda a retalho; produto para correção de matrizes de duplicadores (estênceis) ou outro líquido corretor, acondicionado cm embalagem para venda a retalho; indicadores fusíveis para verificação da temperatura dos fornos (por exemplo, cones de Seger). Ou ainda, pode esta Preparação ser definida como sendo um tipo de: Fl. 203DF CARF MF Processo nº 11128.004481/200363 Acórdão n.º 3201003.092 S3C2T1 Fl. 202 5 compostos orgânicos de constituição química definida apresentados isoladamente, mesmo contendo impurezas; misturas de isômeros de um mesmo composto orgânico (mesmo contendo impurezas), com exclusão das misturas de isômeros (exceto estereoisômeros) dos hidrocarbonetos acíclicos, saturados ou não (Capítulo 27); produtos das posições 29.36 a 29.39, os éteres, acetais e ésteres de açúcares, e seus sais, da posição 29.40, e os produtos da posição 29.41, de constituição química definida ou não; Qual a função de cada um dos componentes adicionados ao Palmitato de Vitamina A? Algum deles atribuiu ao produto uma nova função ou tornam o produto particularmente apto para uso específico? Favor acrescentar qualquer esclarecimento que no entender do técnico responsável seja interessante ao deslinde da presente demanda. Os quesitos foram devidamente respondidos com a seguinte conclusão: Considerandose os Resultados das Análises constantes no Laudo em epigrafe e Literaturas Técnicas (cópias anexas) de produto com a denominação "DRY VITAMINA A PALMITATE 250FOOD", concluímos que a mercadoria tratase de uma Preparação constituída de Palmitato de Vitamina A, DLalfa Tocoferol (antioxidante) e Excipientes como a Sacarose, o Amido e as Substâncias Inorgânicas à base de Fosfato, uma Preparação especificamente elaborada para ser adicionada na formulação de alimentos, pela Indústria Alimentícia. Após manifestação pelo contribuinte, reafirmando a validade da sua classificação fiscal, os autos foram devolvidos a este CARF e a mim redistribuídos por sorteio. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário O Recurso Voluntário e próprio e tempestivo e dele tomo conhecimento. Conforme se verifica do Relatório Fiscal, tratase de discussão acerca da classificação fiscal de mercadoria descrita como "VITAMINA A PALMITATO". O contribuinte adotou o NCM 2936.21.13: Fl. 204DF CARF MF 6 29 Produtos químicos orgânicos 2936 Provitaminas e vitaminas, naturais ou reproduzidas por síntese (incluídos os concentrados naturais), bem como os seus derivados utilizados principalmente como vitaminas, misturados ou não entre si, mesmo em quaisquer soluções 2936.2 Vitaminas e seus derivados, não misturados: 2936.21 Vitaminas A e seus derivados 2936.21.1 Vitamina A1 álcool (retinol) e seus derivados 2936.21.13 Palmitato Todavia, a Fiscalização, baseandose no "Laudo Fucamp n° 2085/98, fls. 34 e seguintes, e, ainda, nos Laudos no S 2084/98 e 2084A/03, estes últimos realizados para a Declaração de Importação n°. 98/0.754.4041 que despachou o mesmo produto para o mesmo importador", entende que a classificação correta seria o NCM 3824.90.89: 38 Produtos diversos das indústrias químicas 3824 Aglutinantes preparados para moldes ou para núcleos de fundição; produtos químicos e preparações das indústrias químicas ou das indústrias conexas (incluídos os constituídos por misturas de produtos naturais), não especificados nem compreendidos em outras posições 3824.90 Outros 3824.90.8 Produtos e preparações à base de compostos orgânicos, não especificados nem compreendidos em outras posições 3824.90.89 Outros Notase que a classificação fiscal adotada pela Autoridade Fiscal é residual. A utilização desta em detrimento da classificação específica utilizada pelo Contribuinte se deu ao argumento de que houve a adição de substâncias ao produto "Vitamina A" que não são "necessárias à segurança, estabilidade, conservação ou transporte do produto nem tampouco impurezas, mas sim parte da formulação de uma preparação química elaborada para uma finalidade específica". Fundamentase nas Notas Explicativas da posição 2936, verbis: As Notas Explicativas da posição 2936, posição pretendida pela interessada, estabelecem que nela se incluem: "As protovitaminas e as vitaminas, naturais ou reproduzidas por síntese, bem como os seus derivados utilizados principalmente como vitaminas. Os concentrados de vitaminas naturais (os de vitaminas A ou D, por exemplo)... As misturas entre si de vitaminas, de provitaminas ou de concentrados... Fl. 205DF CARF MF Processo nº 11128.004481/200363 Acórdão n.º 3201003.092 S3C2T1 Fl. 203 7 Os produtos acima mencionados diluídos em qualquer solvente (oleato de etila, propan12dioil, etanodiol, óleos vegetais, por exemplo)." Acrescentam, ainda, as referidas notas que: "Os produtos da presente posição (2936) podem ser estabilizados para tornálos aptos à conservação ou transporte: por adição de agente antioxidante; por adição de agentes antiaglomerantes (hidratos de carbono, por exemplo). por revestimento com substâncias apropriadas (gelatinas, ceras, etc.) mesmo plastificadas, ou por adsorção em substâncias apropriadas (ácido silícico, por exemplo) desde que a quantidade das substâncias acrescentadas ou os tratamentos a que são submetidos não sejam superiores aos necessários à sua conservação ou transporte, nem modifiquem o caráter do produto de base nem os tornem particularmente aptos para usos específicos de preferência à sua aplicação geral." (grifei). Visando a esclarecer quais justificativas às adições verificadas no produto importado, os autos foram baixados em diligência com a formulação de quesitos complementares, devidamente respondidos, conforme transcrevo: 1º QUESITO A preparação constituída de Palmitato de Retinol; (Palmitato de Vitamina A), DLAlfa Tocoferol, Sacarose, Amido e Substâncias Inorgânicas à base de Fosfato, na forma de microesferas, pode ser classificada como algum dos produtos a seguir? uma mistura de produtos químicos com substâncias alimentícias ou outras possuindo valor nutritivo, dos tipos utilizados na preparação de alimentos próprios para consumo humano; um medicamento ou matériaprima para medicamento; um tipo de cristal cultivado (exceto elementos de ótica) de óxido de magnésio ou de sais halogenados de metais alcalinos ou alcalinoterrosos, de peso unitário igual ou superior a 2,5g; óleos fúseis; óleo de Dippel; produto para apagar tinta de escrever, acondicionados em embalagens para venda a retalho; Fl. 206DF CARF MF 8 produto para correção de matrizes de duplicadores (estênceis) ou outro líquido corretor, acondicionado em embalagem para venda a retalho; indicadores fusíveis para verificação de temperatura dos fornos (por exemplo cones de Seger). 1º QUESITO Não se trata de mistura de produtos químicos com substâncias alimentícias ou outras possuindo valor nutritivo, dos tipos utilizados na preparação de alimentos próprios para o consumo humano. Não se trata de Medicamento e nem de matériaprima para medicamento. Não se trata de Cristal cultivado de óxido de magnésio. Não se trata de Óleos Fúseis. Não se trata de Óleo de Dippel. Não se trata de Produto para apagar tinta de escrever. Não se trata de produto para correção de matrizes de duplicadores. Não se trata de indicadores fusíveis para verificação de temperaturas de fornos. 2°. QUESITO Ou ainda pode esta preparação ser definida como um tipo de: compostos orgânicos de constituição química definida apresentados isoladamente, mesmo contendo impurezas; misturas de isômeros de um mesmo composto orgânico (mesmo contendo impurezas), com exclusão das misturas de isômeros (exceto estereoisômeros) dos hidrocarbonetos acíclicos, saturados ou não (capítulo 27); produtos das posições 29.36 a 29.39, os éteres, acetais e ésteres de açúcares, e seus sais, da posição 29.40, e os produtos da posição 29.41, de constituição química definida ou não? 2º QUESITO Não se trata de composto orgânico de constituição química definida apresentado isoladamente e/ou contendo impurezas. Não se trata de Mistura de Isômeros de um mesmo composto orgânico, mesmo contendo impurezas. Não se trata somente de Palmitato de Vitamina A, um composto orgânico de constituição química definida e isolado. Fl. 207DF CARF MF Processo nº 11128.004481/200363 Acórdão n.º 3201003.092 S3C2T1 Fl. 204 9 Não se trata de Hormônios, Heterosídeos, Alcalóides, Açúcares Quimicamente Puros e nem de Antibióticos de constituição química definida e isolado. 3o . QUESITO Qual a função de cada um dos componentes adicionados ao Palmitato de Vitamina A? Algum deles atribui ao produto uma nova função ou tornam o produto particularmente apto para uso específico? 3º QUESITO O DLalfaTocoferol presente na mercadoria tem a função de um aditivo antioxidante. A Sacarose, o Amido e as Substâncias Inorgânicas à base de Fosfato presentes na mercadoria em epígrafe são excipientes utilizados como diluentes, aglutinantes, adsorventes, entre outros, e são adicionados com a função de facilitar a dosagem da Vitamina A de maneira uniforme na formulação a que se destina. De acordo com Literaturas Técnicas, mercadorias dessa natureza, ou seja, Palmitato de Vitamina A disperso em uma matriz à base de Sacarose, Amido, Substâncias Inorgânicas à base de Fosfato, contendo Antioxidante, encontramse especificamente preparadas para serem utilizadas em preparações alimentícias na fortificação de leite em pó desnatado, em alimentos líquidos, alimentos infantis, misturas para sopas reconstituíveis com água, etc. 4o . QUESITO Favor acrescentar qualquer esclarecimento que no entender do técnico responsável seja interessante ao deslinde da presente demanda. Considerandose os Resultados das Análises constantes no Laudo em epigrafe e Literaturas Técnicas (cópias anexas) de produto com a denominação "DRY VITAMINA A PALMITATE 250FOOD", concluímos que a mercadoria tratase de uma Preparação constituída de Palmitato de Vitamina A, DLalfaTocoferol (antioxidante) e Excipientes como a Sacarose, o Amido e as Substâncias Inorgânicas à base de Fosfato, uma Preparação especificamente elaborada para ser adicionada na formulação de alimentos, pela Indústria Alimentícia. Inicialmente, temse que o quesito 1 destinouse a excluir a aplicação das Notas 1 e 3 do Capítulo 38 da NESH (utilizado pela Fiscalização): 1.O presente Capítulo não compreende: a)os produtos de constituição química definida, apresentados isoladamente, exceto os seguintes: Fl. 208DF CARF MF 10 1)a grafita artificial (posição 38.01); 2)os inseticidas, rodenticidas, fungicidas, herbicidas, inibidores de germinação e reguladores de crescimento para plantas, desinfetantes e produtos semelhantes, apresentados nas formas ou embalagens previstas na posição38.08; 3)os produtos extintores apresentados como cargas para aparelhos extintores ou em granadas ou bombas, extintoras (posição 38.13); 4)os materiais de referência certificados, especificados na Nota 2 abaixo; 5)os produtos especificados nas Notas 3 a) ou 3 c) abaixo; b)as misturas de produtos químicos com substâncias alimentícias ou outras, possuindo valor nutritivo, dos tipos utilizados na preparação de alimentos próprios para consumo humano (em geral, posição 21.06); c)as escórias, cinzas e resíduos (incluídas as lamas (borras*), exceto as lamas de tratamento de esgotos (lamas de depuração*) contendo metais, arsênio ou suas misturas e cumpram as condições das Notas 3 a) ou 3 b) do Capítulo 26 (posição 26.20); d)os medicamentos (posições 30.03 ou 30.04); e)os catalisadores esgotados do tipo dos utilizados para extração de metais comuns ou para fabricação de compostos químicos à base de metais comuns (posição 26.20), os catalisadores esgotados do tipo dos utilizados principalmente para recuperação de metais preciosos (posição 71.12), bem como os catalisadores constituídos por metais ou ligas metálicas, por exemplo, em pó muito fino ou em tela metálica (Seções XIV ou XV). (...) 3.Incluemse na posição 38.24 e não em qualquer outra posição da Nomenclatura: a)os cristais cultivados (exceto elementos de óptica) de óxido de magnésio ou de sais halogenados de metais alcalinos ou alcalinoterrosos, de peso unitário igual ou superior a 2,5g; b)os óleos fúseis (óleos de fusel*); o óleo de Dippel; c)os produtos para apagar tintas de escrever, acondicionados em embalagens para venda a retalho; d)os produtos para correção de matrizes de duplicadores (estênceis) e os outros líquidos corretores, acondicionados em embalagens para venda a retalho; e)os indicadores fusíveis para verificação da temperatura dos fornos (por exemplo, cones de Seger). Ou seja, o novo Laudo Pericial atestou que o produto importado não está listado dentre aqueles que não estão compreendidos pelo Capítulo 38 (Nota 1), tampouco Fl. 209DF CARF MF Processo nº 11128.004481/200363 Acórdão n.º 3201003.092 S3C2T1 Fl. 205 11 dentre aqueles que, obrigatoriamente, devem ser classificados na Posição 38.24 (Nota 3). Essa conclusão, portanto, afasta a reclassificação fiscal pretendida. Lado outro, o quesito 2 analisou a aplicação da Nota 1, alíneas a, b e c do Capítulo 29 (Contribuinte), também concluindo que o produto não se enquadra dentre aqueles necessariamente classificados no referido Capítulo 29: 1.Ressalvadas as disposições em contrário, as posições do presente Capítulo apenas compreendem: a)os compostos orgânicos de constituição química definida apresentados isoladamente, mesmo contendo impurezas; b)as misturas de isômeros de um mesmo composto orgânico (mesmo contendo impurezas), com exclusão das misturas de isômeros (exceto estereoisômeros) dos hidrocarbonetos acíclicos, saturados ou não (Capítulo 27); c)os produtos das posições 29.36 a 29.39, os éteres, acetais e ésteres de açúcares, e seus sais, da posição 29.40, e os produtos da posição 29.41, de constituição química definida ou não; A mesma Nota 1 do Capítulo 29 foi objeto de exame por meio do Quesito 3, no que diz respeito especificamente às alíneas e, f, e g: e)as outras soluções dos produtos das alíneas a), b) ou c) acima, desde que essas soluções constituam um modo de acondicionamento usual e indispensável, determinado exclusivamente por razões de segurança ou por necessidades de transporte, e que o solvente não torne o produto particularmente apto para usos específicos de preferência à sua aplicação geral; f)os produtos das alíneas a), b), c), d) ou e) acima, adicionados de um estabilizante (ou mesmo de um agente antiaglomerante) indispensável à sua conservação ou transporte; g)os produtos das alíneas a), b), c), d), e) ou f) acima, adicionados de uma substância antipoeira, de um corante ou de uma substância aromática, com a finalidade de facilitar a sua identificação ou por razões de segurança, desde que essas adições não tornem o produto particularmente apto para usos específicos de preferência à sua aplicação geral; Assim, notase que produto classificado na NCM 2936.21.13 Palmitato pode estar adicionados de outras substâncias destinadas ao acondicionamento, segurança, transporte, estabilizante, antiaglomerante, conservantes, antipoeira, corante ou mesmo aromáticas, desde que estas adições não tornem o produto apto para usos específicos de preferência à sua aplicação geral. Todavia, conforme resposta ao Laudo Pericial supra, o produto em questão não pode ser entendido como Palmitato A na sua composição pura, sendo que, as adições possuem tanto finalidade antioxidante (DLalfaTocoferol), como diluentes, aglutinantes e absorventes (Sacarose, o Amido e as Substâncias Inorgânicas à base de Fosfato). Fl. 210DF CARF MF 12 De acordo, ainda, com o laudo complementar, o objetivo das adições verificadas é tornar o produto apto para o consumo via alimentação humana. Essa conclusão, portanto, afasta a classificação do contribuinte (NCM 2936.21.13 Palmitato), uma vez que concluise que as adições vão além daquelas permitidas pela Nota 1 do Capítulo 29. Desse modo, necessário verificar qual seria a classificação correta a ser utilizada. De acordo com o Laudo Pericial, o produto em questão consiste em "Palmitato de Vitamina A", adicionado de substâncias destinadas a facilitar a sua utilização em produtos alimentícios. Em atenção às pertinentes observações apresentadas pelo conselheiro Orlando Rutigliani Berriem em sessão de julgamento, esclarecidas em sua Declaração de voto, passase à análise acerca da mais adequada classificação a ser adotada ao produto em exame. O Capítulo 21 da NESH aprovada pelo Decreto nº 1.767 de 28/12/1995 dispõe Acerca das "Preparações Alimentícias Diversas" E apresenta a seguinte classificação: Desse modo, tendo em vista as manifestações técnicas, entendo que a classificação mais adequada é a 2106.90.90, posição residual dentro das "Preparações Alimentícias não Especificadas nem Compreendidas em outras posições". Acrescento, ainda, pertinente consideração apresentada pelo Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, quanto à Fundamentação da Solução de Consulta COANA 107 de 1/12/2014: ASSUNTO: Classificação de Mercadorias EMENTA: Código NCM 2106.90.90 Mercadoria: Preparação nutritiva em pó a base de glicinato de ferro quelato e maltodextrina, utilizada na preparação de alimentos como fortificante ou suplemento nutricional e na formulação de medicamentos não injetáveis. DISPOSITIVOS LEGAIS: RGI/SH 1 (texto da posição 21.06) e 6 (texto da subposição 2106.90) e RGC/NCM 1 (texto do item 2106.90.90) da TEC, aprovada pela Resolução Camex nº94, de 2011 e da Tipi, aprovada pelo Decreto n.º7.660, de 2011, e susbsídios extraídos d Pelo exposto, ainda que a classificação fiscal adotada pelo contribuinte não esteja correta, a reclassificação proposta pela fiscalização também não se mostra adequada. A Fl. 211DF CARF MF Processo nº 11128.004481/200363 Acórdão n.º 3201003.092 S3C2T1 Fl. 206 13 inadequação da fundamentação no lançamento tributário impede a manutenção da cobrança nele baseada. Assim, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, cancelando integralmente a exigência tributária, considerando como correta a classificação NCM 2106.90.90. Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Declaração de Voto Peço licença aos insignes conselheiros desta distinta turma de julgamento para me manifestar acerca dos fatos reportados no recurso voluntário sob exame; o faço apenas no intuito de exaltar minha concordância com o entendimento adotado no voto condutor de lavra da ilustre conselheira relatora. Tratase da apreciação de recurso aviado nos autos do processo nº 11128.004481/200363, de interesse do contribuinte M Cassab Comércio e Indústria Ltda. item 28 da pauta da reunião de agosto de 2017, que posto em vista coletiva, proporcionoume a oportunidade de analisar com mais vagar os fatos inerentes ao procedimento de importação, processado com o registro, em 31 de julho de 1998, da Declaração de Importação (DI) nº 98/07544017, que, ao final, resultaram na autuação fiscal contestada. Citada DI permitiu a internação da mercadoria, nela descrita, como sendo "VITAMINA "A" PALMITATO", ocasião em que recebeu a classificação fiscal no código tarifário 2936.21.13 da TEC/NCM. Referido processamento foi direcionado para o canal vermelho de verificação, que impõe seja realizada conferência física da mercadoria importada. Neste sentido, o produto foi analisado pelo Laboratório Nacional de Análise (LABANA), que, por conseguinte, expediu o Laudo Laboratorial nº 2085, de 13 de outubro de 1998, concluindo tratarse de "PALMITATO DE VITAMINA "A", DLALFATOCOFEROL, SACAROSE, AMIDO E SUBSTÂNCIAS INORGÂNICAS À BASE DE FOSFATO, NA FORMA DE MICROESFERAS". Reproduzo os aspectos mais relevantes apresentados nos laudos periciais que fundamentaram a autuação fiscal: o produto apresenta mais de uma substância química, não se tratando portanto de um composto de constituição química definida e apresentado isoladamente; Fl. 212DF CARF MF 14 o DLAlfaTocoferol é um aditivo antioxidante indispensável para estabilizar a substância ativa (Vitamina A) contra oxidação; a Sacarose, o Amido, e as Substâncias Inorgânicas à base de Fosfato não são antiaglomerantes, impurezas, estabilizantes e nem agentes antipoeira, e tampouco são indispensáveis à sua segurança, conservação ou transporte; a Sacarose, o Amido e as Substâncias Inorgânicas à base de Fosfato são excipientes utilizados no revestimento da microesfera e têm a finalidade de tornar a Vitamina, que quando pura é um líquido oleoso, um pó de alta fluidez e facilidade de manuseio e dosagem; a proteção que os excipientes fornecem à "Vitamina A" dizem respeito a tornar o produto particularmente apto para usos específicos de preferência à sua aplicação geral, ou seja, a formulação já tem em vista um determinado tipo de utilização, que segundo o Laudo será de suplemento nutricional em adição a alimentos. Essa proteção não é necessária e nem indispensável durante a fabricação ou transporte da "Vitamina "A", mas apenas configura um estágio intermediário de industrialização do produto final a que se destina; já foi objeto de análises pelo LABANA a "Vitamina A" sem a presença de excipientes, apenas com o antioxidante AlfaDL Tocoferol, através do Laudo nº. 1364/02, fato que demonstra inequivocamente a prescindibilidade dos excipientes na estabilização, conservação ou segurança do produto. Nesse sentido, a autoridade lançadora assim concluiu: não se trata de um produto classificado no Capítulo 29 da TEC; portanto, está incorreta a classificação 2936.21.13, utilizada pelo importador; De acordo com as Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado, RGISH, que integram as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias NESH, aprovadas pelo Decreto n° 435, de 28 de janeiro de 1992: "... REGRA 1: ... PARA OS EFEITOS LEGAIS, A CLASSIFICAÇÃO É DETERMINADA PELOS TEXTOS DAS POSIÇÕES E DAS NOTAS DE SEÇÃO E DE CAPÍTULO ...". 4. NOTAS DO CAPÍTULO 29 DA TEC Relacionamos a seguir as condições impostas pela TEC para que um produto químico seja enquadrado em seu capítulo 29, intitulado "PRODUTOS QUÍMICOS ORGÂNICOS", de acordo com as suas Notas do Capítulo 29: "1. Ressalvadas as disposições em contrário, as posições do presente capítulo apenas compreendem: Fl. 213DF CARF MF Processo nº 11128.004481/200363 Acórdão n.º 3201003.092 S3C2T1 Fl. 207 15 a)os compostos químicos de constituição química definida, apresentados isoladamente, mesmo contendo impurezas; b)as misturas de isômeros de um mesmo composto orgânico (mesmo contendo impurezas), com exclusão das misturas de isômeros (exceto estereoisômeros) dos hidrocarbonetos acíclicos, saturados ou não (Capítulo 27); c)os produtos das posições 2936 a 2939, os éteres e ésteres de açúcares e respectivos sais da posição 2940, e os produtos da posição 2941, de constituição química definida ou não; d)as soluções aquosas dos produtos das alíneas "a", "b", ou "c", acima; e)as outras soluções dos produtos das alíneas "a", "b" ou "c", acima, desde que essas soluções constituam um modo de acondicionamento usual e indispensável, determinado exclusivamente por razões de segurança ou por necessidade de transporte, e que o solvente não torne o produto particularmente apto para usos específicos de preferência à sua aplicação geral; f)os produtos das alíneas "a", "b", "c", "d" ou "e" acima, adicionados de um estabilizante (incluído um agente antiaglomerante) indispensável à sua conservação ou transporte; g)os produtos das alíneas "a", "b", "c", " d " , "E" ou "f" acima, adicionados de uma substância antipoeira, de um corante ou de uma substância aromática, com finalidade de facilitar a sua identificação ou por razões de segurança, desde que essas adições não tornem o produto particularmente apto para usos específicos de preferência à sua aplicação geral; h)os produtos seguintes, de concentraçãotipo, destinados à produção de corantes azóicos: sais de diazônio, copulantes utilizados para estes sais e arainas diazotáveis e respectivos sais. (...)." Prossegue aduzindo a fiscalização: "... à luz das Regras Gerais para a Interpretação do Sistema Harmonizado, RGI, item 1, analisamos as Notas relativas ao Capítulo 30 da TEC (PRODUTOS FARMACÊUTICOS), mais especificamente de sua posição 3003 (MEDICAMENTOS), segundo as quais são compreendidos nessa posição "...as preparações medicamentosas de uso interno ou externo, para fins terapêuticos ou profiláticos em medicina humana ou veterinária..." Tendo em vista que o produto em análise pode ser utilizado na suplementação de medicamentos e alimentos, não se tratando ele próprio de um medicamento pronto, nem tampouco de um alimento, fica excluída a sua classificação tarifária no Capítulo Fl. 214DF CARF MF 16 30, bem como dos capítulos 16 a 27, que tratam de preparações alimentares. Tratase portanto de uma preparação química do Capítulo 38 da TEC (PRODUTOS DIVERSOS DAS INDÚSTRIAS QUÍMICAS"), cuja posição 3824 intitulase "...PRODUTOS QUÍMICOS E PREPARAÇÕES DAS INDÚSTRIAS QUÍMICAS ...NÃO ESPECIFICADOS E NEM COMPREENDIDOS EM OUTRAS POSIÇÕES. E não havendo dentro do Capítulo 38 uma posição específica para o produto, fica o mesmo classificado com o código 3824.90.89 ("Outras Preparações Químicas"), com alíquotas à época de registro da Declaração de Importação de 17% para o II e 10% para o IPI. Para, ao final, o auto de infração concluir: que a Descrição Detalhada da Mercadoria informada pelo importador na DI, "VITAMINA A PALMITATO", é carente dos elementos essenciais necessários à sua perfeita identificação e enquadramento tarifário, portanto não abrangida pelo Ato Declaratório 12/97, e; que o registro da DI implicou na obtenção de licenciamento automático de importação produto para classificado na TEC com o código 2936 21.13, quando a mercadoria efetivamente importada tratavase de um produto pertinente ao código 3824.90.89. Fica caracterizada a infração administrativa prevista no artigo 633, inciso II, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto 4.543, de 26/12/2002. Depreendese da Notificação/EQCOT 134/03 e "AR", que o auto de infração foi cientificado ao contribuinte em 22 de julho de 2003 (fls. 39 e verso): NOTIFICAÇÃO/EQCOT 134/03 Santos, 11/07/03 RAZÃO: M CASSAB INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. CNPJ: 49.698.723/000103 ENDEREÇO: AV. DAS NAÇÕES UNIDAS, 20.882 BAIRRO: JURUBATUBA CEP: 04795000 SÃO PAULO/SP REFERÊNCIA: PROCESSO Nº 11128.004481/200363 Com a finalidade de cientificar o interessado, estamos encaminhando, em anexo, cópia do Auto de Infração 0817800/00063/03, referente ao processo em epígrafe. Atentamos para observância do prazo e demais informações indicados no campo "Intimação" apresentado no corpo do referido Auto de Infração. Em 31 de julho de 2003 o contribuinte apresenta impugnação (fls. 40/47), cujo resumo transcrevo, no entanto, apenas ao pertinente à reclassificação fiscal: DA DESCLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA Não procede a desclassificação tarifária constante do Auto de Infração ora atacado, vez que tece análises absolutamente desprovidas de razão e amparo técnico, não podendo a Requerente arcar com Fl. 215DF CARF MF Processo nº 11128.004481/200363 Acórdão n.º 3201003.092 S3C2T1 Fl. 208 17 ônus tributários decorrentes dessa desclassificação equivocada e nem suportar retaliações em virtude da mesma. Consta nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado, relativamente à posição 29.36, que: "29.36 Provitaminas e vitaminas, naturais ou reproduzidas por síntese (incluídos os concentrados naturais), bem como os seus derivados utilizados Provitaminas e vitaminas, naturais ou reproduzidas por síntese (incluídos os concentrados naturais), bem como os seus derivados utilizados principalmente como vitaminas, misturados ou não entre si, mesmo em quaisquer soluções. (...) As vitaminas são substâncias de constituição química geralmente complexa, procedentes de fontes exteriores e indispensáveis ao funcionamento normal do organismo do homem ou dos animais. Como o corpo humano não pode efetuar a síntese destes produtos, eles devem ser fornecidos do exterior sob a forma definitiva ou quase definitiva (provitaminas). Atuando em doses infinitesimais, podem ser consideradas biocatalizadores exógenos, cuja ausência ou insuficiência provoca perturbação do metabolismo ou doenças de carência". Justamente pela natureza das vitaminas que muitas vezes apresentam constituição química relativamente complexa, verificase através das considerações acima transcritas, a possibilidade de nela serem incluídos os produtos estabilizados, objetivando à sua conservação ou transporte dos produtos. Acrescentese ainda, que de acordo com as Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado, para fins de classificação da mercadoria a posição mais específica prevalece sobre a mais genérica, bem como pela matéria ou artigo que lhe confira a característica essencial. Além do acima exposto, nas Notas Explicativas ao Capítulo estão expressamente indicados os produtos que "devem ser classificados como provitaminas ou vitaminas na acepção da posição 2936", estando incluída nesta lista a Vitamina A Palmitato, nos seguintes termos: "As Vitaminas A, denominadas antixeroflálmicas ou de crescimento, são indispensáveis ao desenvolvimento normal do corpo e, especialmente, da pele do osso e da retina; tornam os tecidos epiteliais mais resistentes às infecções e intervêm na reprodução e lactação normais. São lipossolúveis e, geralmente, insolúveis em água. I) Vitamina AI álcool (axeroftol, retinol (DCI)). Vitamina Al aldeído (retineno1, retina!). Vitamina Al ácido (tretinoína (DCI), acido retinóico). Fl. 216DF CARF MF 18 A Vitamina Al encontrase, sob a forma de álcool ou de ésteres de ácidos graxos (gordos*), nos produtos animais (peixes do mar, laticínios e ovos). Extraise, principalmente, dos óleos frescos de fígado de peixes. Também se pode obter por síntese. Substância sólida amarela que, à temperatura ambiente, pode apresentarse por sobrefusão em forma oleosa. Sendo sensível à ação do ar, é frequentemente estabilizada por adição de antioxidantes. (...) 3) Acetato, palmitato e outros ésteres de ácidos graxos (gordos*) das Vitaminas " Estes produtos são obtidos a partir da Vitamina A sintética; todos são sensíveis à oxidação. O acetato é um pó amarelo, o palmitato é um líquido amarelo que, quando puro, pode cristalizarse. Assim, como a Vitamina A Palmitato, em seu estado puro, somente é termoestável na ausência de oxigênio (ar), da luz, calor e umidade, o que a torna de difícil manuseio e comercialização, pois, para efeito de estocagem e transporte, requer o acondicionamento a vácuo, em recipientes herméticos e opacos, além do que restringese demasiadamente a forma de manipulação, que deve ocorrer, igualmente, sob estas condições. Para tanto, a Vitamina A Palmitato na forma de pó foi produzida a partir da sua adsorção, passando, com isso, do estado líquido para o estado sólido (pó), adquirindo, inclusive, grande estabilidade para transporte, estocagem e manipulação, sem que esta adsorção interferisse nas propriedades bioquímicas da vitamina. Conforme já mencionado e transcrito, nas próprias Notas Explicativas do Sistema Harmonizado consta que "os produtos da presente posição podem ser estabilizados para tornálos aptos à conservação ou transporte: por adsorção em substâncias apropriadas (ácido sílico, por exemplo)". Assim, a presença de outros elementos tais como Substâncias Inorgânicas à base de fosfato, não torna o produto uma "outra preparação química" capaz de excluílo do capítulo 29. Resta claro, que o produto importado tratase de vitamina e não de outras preparações químicas, como afirmaram os Senhores Peritos do LABANA, fato que deixa claro que a importação promovida pela Requerente está amparada pela respectiva Guia de Importação, na qual foi declarada a correta classificação tarifária do produto envolvido ora em comento. Assim, na verdade, a mercadoria denominada Vitamina A Palmitato, tratase de um insumo, eis que a referida vitamina tem aplicação para o uso em geral, uma vez que a fosfato adicionada ao produto, não modifica o seu caráter. Aliás, o próprio fiscal reconhece que o produto importado pela Requerente pode ser utilizada para o uso em geral, sendo inclusive impossibilitado de classificálo como medicamento, ou como preparação alimentícia, nos seguintes termos: Fl. 217DF CARF MF Processo nº 11128.004481/200363 Acórdão n.º 3201003.092 S3C2T1 Fl. 209 19 "Tendo em vista que o produto em análise pode ser utilizado na suplementação de medicamentos e alimentos, não se tratando ele próprio de um medicamento pronto, nem tampouco de um alimento, fica excluída a sua classificação tarifária no Capítulo 30, bem como dos capítulos 16 a 27, que tratam de preparações alimentares." Logo, ante as explanações técnicas acima efetuadas acerca das vitaminas, não dúvida de que a Requerente classificou de maneira correta o produto que importou, razão pela qual deve ser afastada a pretensão do Requerido em enquadrála no capítulo 38 da TEC. Apreciando a impugnação apresentada, a primeira instância, em 26 de fevereiro de 2008, por meio o voto condutor do Acórdão nº 1723497, da 1ª Turma da DRJ/SPOII, assim se pronunciou (fls. 92/101): ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 31/07/1998 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIA. A Preparação constituída de Palmitato de Retinol (Palmitato de Vitamina A); DLa Tocoferol, Sacarose, Amido e Substâncias Inorgânicas a base de Fosfato, na forma de microesferas, encontra sua correta classificação tarifária na NCM 3824.90.89. A autoridade fiscal comprovou com base em Laudo Técnico que as substâncias acrescidas tornam o produto apto para o uso específico preferencial a sua aplicação geral. Lançamento Procedente (...) Voto A impugnação atende os requisitos formais, de admissibilidade, previstos no ordenamento do processo administrativo fiscal, pois dela se toma conhecimento. A solução do presente litígio consiste em decidir se o produto importado se classifica no código 2936.21.13, como "PROVITAMINAS E VITAMINAS"..., de acordo com o entendimento da interessada, ou no código 3824.90.89 como "Outras Preparações Químicas", conforme pretende à fiscalização. Segundo consta do Laudo LABANA nº. 2084/98 e aditamento nº 2084A/03, fls. 35 e seguintes, o produto tratase de Preparação constituída de Palmitato de Retinol; (Palmitato de Vitamina A); DLaTocoferol, Sacarose, Amido e Substâncias Inorgânicas a base de Fosfato, na forma de microesferas. O Aditamento ratifica as análises do Laudo 2084/98 e esclarece que as substâncias agregadas à "Vitamina A" na formulação do produto, com exceção do DLaTocoferol, não são substâncias necessárias à segurança, estabilidade, conservação ou transporte do produto nem tampouco impurezas, mas sim parte da formulação de uma preparação química elaborada para uma finalidade específica. Fl. 218DF CARF MF 20 Realizadas tais considerações, passase ao exame da correta classificação tarifária do produto. Conforme as REGRAS GERAIS PARA INTERPRETAÇÃO DO SISTEMA HARMONIZADO, a classificação das Mercadorias na Nomenclatura regese pelas seguintes regras: "1. Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes:..." (grifei) Como já explicitado, o produto VITAMINA A PALMITATO foi classificado pelo importador na NCM no código 2936.21.13: 2936 PROVITAMINAS E VITAMINAS, NATURAIS OU REPRODUZIDAS POR SÍNTESE (INCLUÍDOS OS CONCENTRADOS NATURAIS), BEM COMO OS SEUS DERIVADOS UTILIZADOS PRINCIPALMENTE COMO VITAMINAS, MISTURADOS OU NÃO ENTRE SI, MESMO EM QUAISQUER SOLUÇÕES 2936.2 Vitaminas e seus derivados, não misturados 2936.21 Vitaminas A e seus derivados 2936.21.1 Vitamina A1 álcool (retinol) e seus derivados 2936.21.11 Vitamina A1 álcool (retinol) 2936.21.12 Acetato 2936.21.13 Palmitato. (grifei) As Notas Explicativas da posição 2936, posição pretendida pela interessada, estabelecem que nela se incluem: "As protovitaminas e as vitaminas, naturais ou reproduzidas por síntese, bem como os seus derivados utilizados principalmente como vitaminas. Os concentrados de vitaminas naturais (os de vitaminas A ou D, por exemplo)... As misturas entre si de vitaminas, de provitaminas ou de concentrados... Os produtos acima mencionados diluídos em qualquer solvente (oleato de etila, propan12dioil, etanodiol, óleos vegetais, por exemplo)." Acrescentam, ainda, as referidas notas que: "Os produtos da presente posição (2936) podem ser estabilizados para tornálos aptos à conservação ou transporte: por adição de agente antioxidante; por adição de agentes antiaglomerantes (hidratos de carbono, por exemplo); por revestimento com substâncias apropriadas (gelatinas, ceras, etc.) mesmo plastificadas; ou por adsorção em substâncias apropriadas (ácido silícico, por exemplo) desde que a quantidade das substâncias acrescentadas ou os tratamentos a que são submetidos não sejam superiores aos necessários à sua conservação ou transporte, nem modifiquem o caráter do Fl. 219DF CARF MF Processo nº 11128.004481/200363 Acórdão n.º 3201003.092 S3C2T1 Fl. 210 21 produto de base nem os tornem particularmente aptos para usos específicos de preferência à sua aplicação geral." (grifei). Conforme se pode depreender do acima citado, é permitida a adsorção da vitamina em substâncias apropriadas. Entretanto, certas condições são impostas, tais como a de não tornar o produto particularmente apto para usos específicos de preferência à sua aplicação geral, que se não observadas, excluem a vitamina da posição 2936. As conclusões do Laudo Técnico, que abaixo se reproduz, são bastante elucidativas na determinação do produto e sua conseqüente classificação fiscal. "CONCLUSÃO: Tratase Preparação constituída de Palmitato de Retinol (Palmitato de Vitamina A), DLaTocoferol, Sacarose, Amido e Substâncias Inorgânicas a base de Fosfato, na forma de microesferas. 1. Não se trata de Palmitato de Retinol; (Palmitato de Vitamina A). Tratase Preparação constituída de Palmitato de Retinol; (Palmitato de Vitamina A), DLaTocoferol, Sacarose, Amido e Substâncias Inorgânicas a base de Fosfato, na forma de microesfera. 2. De acordo com a Literatura Técnica Específica de preparações desta natureza, a mercadoria é utilizada em preparações de medicamentos e alimentos na forma sólida, e que são reconstituídos com líquidos, especialmente os tabletes efervescentes. Também, são utilizados na suplementação de sucos e leites. 3. Tratase de Preparação. Segundo a descrição constante na etiqueta da embalagem, a mercadoria DRV Vitamin A Palmitate 250 Food, da empresa Basf Health & Nnutrition A/S, é constituída de Sacarose, Goma Arábica, Palmitato de Vitamina A, Amido, Fosfato Tricálcico e DLaTocoferl. 4. De acordo com referências bibliográficas, preparação desta natureza é obtida pela dispersão do Palmitato de Vitamina A em excipientes como a Sacorose, Goma Arábica e Fosfato de Cálcio, com adição de antioxidante, o DLaTocoferol, e revestido com Amido. Preparado desta forma, o Palmitato da Vitamina A, que é um líquido oleoso, pode ser manuseado como um pó de alta fluidez. Vitaminas preparadas deste modo são utilizadas em: (1) formulações de medicamentos e suplementos alimentícios secos; Fl. 220DF CARF MF 22 (2) suplementação de vitaminas em leites, sucos de frutas, pois com essa transformação a vitamina tornase dispersível em água fria. Além disso, os excipientes, que estão na forma de microcápsulas, ajudam manter a integridade do Palmitato de Vitamina A na presença de oligoelementos, quando é submetida às condições adversas durante o armazenamento do produto final, em termos de umidade, temperatura e contra agressões físicas na preparação de alimentos e medicamentos. De qualquer maneira, como se trata de mercadoria para uso alimentício e para a formulação de medicamentos, consultar o Ministério da Saúde (órgão Competente), quanto as indicações e modo de uso." No Laudo nº 2084A/03 consta expressamente a afirmação que o produto é uma preparação especificamente elaborada para ser utilizada pelas indústrias alimentícias e/ou farmacêuticas, em formulações de suplementos e/ou medicamentos." Assim, ante a tais esclarecimentos, cristalino resta que o produto não pertence ao capítulo 29 da TEC, portanto incorreta a classificação 2936.21.13 utilizada pelo importador. Superada esta parte, cabe também verificar se a classificação eleita pela fiscalização merece prosperar. Quanto à convicção da fiscalização para o correto enquadramento tarifário do produto, esta foi extraída dos laudos técnicos, cujas informações consideradas mais relevantes estão a expostas a seguir: 1. o produto apresenta mais de uma substância química, não se tratando portanto de um composto de constituição química definida e apresentado isoladamente; 2. o DLAlfaTocoferol é um aditivo antioxidante indispensável para estabilizar a substância ativa (Vitamina A) contra oxidação; 3. a Sacarose, o Amido e as Substâncias Inorgânicas à base de Fosfato não são antiaglomerantes, impurezas, estabilizantes e nem agentes antipoeira, e tampouco são indispensáveis á sua segurança, conservação ou transporte; 4. a Sacarose, o Amido e as Substâncias Inorgânicas à base de Fosfato são excipientes utilizados no revestimento da microesfera e têm a finalidade de tornar a Vitamina, que quando pura é um líquido oleoso, um pó de alta fluidez e facilidade de manuseio e dosagem; 5. a proteção que os excipientes fornecem à 'Vitamina A' dizem respeito a tornar o produto particularmente apto para usos específicos de preferência à sua aplicação geral, ou seja, a formulação já tem em vista um determinado tipo de utilização, que segundo o Laudo, será de suplemento nutricional em adição a alimentos. Essa proteção não é necessária e nem indispensável durante a fabricação ou transporta da 'Vitamina A', mas apenas Fl. 221DF CARF MF Processo nº 11128.004481/200363 Acórdão n.º 3201003.092 S3C2T1 Fl. 211 23 configura um estágio intermediário de industrialização do produto final a que se destina; (grifei); 6. já foi objeto de análise pelo LABANA a 'Vitamina A' sem a presença de excipientes, apenas com o antioxidante AlfaDL Tocoferol, através do Laudo nº. 1364/02, fato que demonstra inequivocamente a prescindibilidade dos excipientes na estabilização, conservação ou segurança do produto. A Nota Explicativa da posição 3003, diz que: A presente posição compreende as preparações medicamentosas de uso interno ou externo, para fins terapêuticos ou profiláticos em medicina humana ou veterinária .... Tendo em vista que o produto em análise pode ser utilizado na suplementação de medicamentos e alimentos, não se tratando ele próprio de um medicamento pronto nem de um alimento, sua classificação fica excluída do capítulo 30, bem como do capítulo 16 a 27, que tratam de preparações alimentares. Tais observações são o caminho para considerar que uma preparação especificamente elaborada para ser utilizada pelas indústrias alimentícias e/ou farmacêuticas, em formulações de suplementos e/ou medicamentos, está inserida na posição 3824. Senão vejamos: 3824 AGLUTINANTES PREPARADOS PARA MOLDES OU PARA NÚCLEOS DE FUNDIÇÃO; PRODUTOS QUÍMICOS E PREPARAÇÕES DAS INDÚSTRIAS QUÍMICAS OU DAS INDÚSTRIAS CONEXAS (INCLUÍDOS OS CONSTITUÍDOS POR MISTURAS DE PRODUTOS NATURAIS), NÃO ESPECIFICADOS NEM COMPREENDIDOS EM OUTRAS POSIÇÕES; PRODUTOS RESIDUAIS DAS INDÚSTRIAS QUÍMICAS OU DAS INDÚSTRIAS CONEXAS, NÃO ESPECIFICADOS NEM COMPREENDIDOS EM OUTRAS POSIÇÕES, (grifei) (...) 3824.90 Outros (...) 3824.90.89 Outros Não há no capítulo 38 uma posição específica para o produto, razão pela qual foi enquadrado no código 3824.90.89 (Outras Preparações Químicas), com alíquotas vigentes à época do registro da Dl, ou seja, de 17% para o II e 10% para o IPI. Ao final, deduzo que a Fiscalização definiu corretamente o enquadramento tarifário relativo ao produto importado, restando, dessa forma, cabível o tributo lançado em função de uma alíquota diretamente ligada a esse enquadramento. (...) Referida decisão foi cientificada ao contribuinte em 18 de março de 2008 Intimação nº 071/08 e respectivo "AR" (fls. 102 e seguintes). Fl. 222DF CARF MF 24 Em 8 de abril de 2008 o contribuinte apresenta recurso voluntário para contestar a decisão proferida pela 1ª instância. Aduz, em síntese, que deve prevalecer a classificação fiscal adotada quando do registro da DI em referência (fls. 108/117). Em 25 de maio de 2010 a 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara, mediante a Resolução nº 320100.130, decide por converter o julgamento em diligência, nos seguintes termos (fls. 128/129): Entendo que não foram feitas perguntas essenciais para o correto julgamento da demanda ao técnico responsável pelo Laudo n. 2085 acima mencionado, portanto, VOTO, por novamente converter o julgamento em diligência para que a autoridade preparadora consiga junto ao Laboratório de Análises, preferencialmente com os mesmos técnicos responsáveis pelo laudo técnico acima, respostas às seguintes questões: A Preparação constituída de Palmitato de Retinol; (Palmitato de Vitamina A), DLaTocoferol, Sacarose, Amido e Substâncias Inorgânicas a base de Fosfato, na forma de microesferas pode ser classificada como algum dos produtos a seguir? uma mistura de produtos químicos com substâncias alimentícias ou outras possuindo valor nutritivo, dos tipos utilizados na preparação de alimentos próprios para consumo humano; um medicamento ou matéria prima para medicamento; um tipo de cristal cultivado (exceto elementos de óptica) de óxido de magnésio ou de sais halogenados de metais alcalinos ou alcalinoterrosos, de peso unitário igual ou superior a 2,5g; óleos fuseis; óleo de Dippel; produto para apagar tintas de escrever, acondicionados em embalagens para venda a retalho; produto para correção de matrizes de duplicadores (estênceis) ou outro líquido corretor, acondicionado cm embalagem para venda a retalho; indicadores fusíveis para verificação da temperatura dos fornos (por exemplo, cones de Seger). Ou ainda, pode esta Preparação ser definida como sendo um tipo de: compostos orgânicos de constituição química definida apresentados isoladamente, mesmo contendo impurezas; misturas de isômeros de um mesmo composto orgânico (mesmo contendo impurezas), com exclusão das misturas de isômeros (exceto estereoisômeros) dos hidrocarbonetos acíclicos, saturados ou não (Capítulo 27); Fl. 223DF CARF MF Processo nº 11128.004481/200363 Acórdão n.º 3201003.092 S3C2T1 Fl. 212 25 produtos das posições 29.36 a 29.39, os éteres, acetais e ésteres de açúcares, e seus sais, da posição 29.40, e os produtos da posição 29.41, de constituição química definida ou não; Qual a função de cada um dos componentes adicionados ao Palmitato de Vitamina A? Algum deles atribuiu ao produto uma nova função ou tornam o produto particularmente apto para uso específico? Favor acrescentar qualquer esclarecimento que no entender do técnico responsável seja interessante ao deslinde da presente demanda. Juntada aos autos a resposta aos quesitos acima, a autoridade preparadora deverá intimar o recorrente a se manifestar sobre o resultado da diligência, no prazo de 30 (trinta). Após, retornem os autos a este Conselho, que deverá providenciar a intimação da douta Procuradoria da Fazenda Nacional, para manifestação, no prazo de 30 (trinta) dias e, por fim, retornem a este relator para continuidade do julgamento. E como voto. Com vista a atender os termos da diligência supra citada, a Alfândega do Porto de Santos expede, em 23 de fevereiro de 2011, o Memorando EQREV nº 006/2011 (fls. 134/135): ASSUNTO: ADITAMENTO A LAUDO DE ANÁLISES n°. 2.085, de 13/10/1998 Sra. Chefe do GRALT Tendo em vista o Acórdão nº. 320100.130, de 25 de maio de 2010, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Terceira Seção de Julgamento, que converteu em diligência o julgamento do processo nº. 11128.006533/200336, solicito a elaboração de um Aditamento ao Laudo de Análises em epígrafe, referente à D.I. nº. 98/0.754.4017, registrada em 31/07/1998, cujos quesitos, transcritos do referido Acórdão, são os seguintes: 1º . QUESITO A preparação constituída de Palmitato de Retinol; (Palmitato de Vitamina A), DLAlfa Tocoferol, Sacarose, Amido e Substâncias Inorgânicas à base de Fosfato, na forma de microesferas, pode ser classificada como algum dos produtos a seguir? uma mistura de produtos químicos com substâncias alimentícias ou outras possuindo valor nutritivo, dos tipos utilizados na preparação de alimentos próprios para consumo humano; um medicamento ou matériaprima para medicamento; um tipo de cristal cultivado (exceto elementos de ótica) de óxido de magnésio ou de sais halogenados de metais alcalinos ou alcalinoterrosos, de peso unitário igual ou superior a 2,5g; óleos fúseis; óleo de Dippel; Fl. 224DF CARF MF 26 produto para apagar tinta de escrever, acondicionados em embalagens para venda a retalho; produto para correção de matrizes de duplicadores (estênceis) ou outro líquido corretor, acondicionado em embalagem para venda a retalho; indicadores fusíveis para verificação de temperatura dos fornos (por exemplo cones de Seger). 2º. QUESITO Ou ainda pode esta preparação ser definida como um tipo de: compostos orgânicos de constituição química definida apresentados isoladamente, mesmo contendo impurezas; misturas de isômeros de um mesmo composto orgânico (mesmo contendo impurezas), com exclusão das misturas de isômeros (exceto estereoisômeros) dos hidrocarbonetos acíclicos, saturados ou não (capítulo 27); produtos das posições 29.36 a 29.39, os éteres, acetais e ésteres de açúcares, e seus sais, da posição 29.40, e os produtos da posição 29.41, de constituição química definida ou não? 3º . QUESITO Qual a função de cada um dos componentes adicionados ao Palmitato de Vitamina A? Algum deles atribui ao produto uma nova função ou tornam o produto particularmente apto para uso específico? 4º . QUESITO Favor acrescentar qualquer esclarecimento que no entender do técnico responsável seja interessante ao deslinde da presente demanda. Em 2 de março de 2011, em atenção ao memorando acima reproduzido, o Laboratório de Análise (L.A.) Falcão Bauer, elabora e subscreve o Laudo de Análise nº 2085/98Funcamp Aditamento (fls. 136/137): Em atendimento a solicitação de Aditamento ao Laudo 2085/98 Funcamp de 13/10/1998, Pedido de Exame Lab. 349/015, por meio do Memorando EQREV nº 006/2011, informamos: Respostas aos Quesitos constantes no Memorando EQREV nº 006/2011 1º QUESITO Não se trata de mistura de produtos químicos com substâncias alimentícias ou outras possuindo valor nutritivo, dos tipos utilizados na preparação de alimentos próprios para o consumo humano. Não se trata de Medicamento e nem de matériaprima para medicamento. Não se trata de Cristal cultivado de óxido de magnésio. Não se trata de Óleos Fúseis. Não se trata de Óleo de Dippel. Não se trata de Produto para apagar tinta de escrever. Fl. 225DF CARF MF Processo nº 11128.004481/200363 Acórdão n.º 3201003.092 S3C2T1 Fl. 213 27 Não se trata de produto para correção de matrizes de duplicadores. Não se trata de indicadores fusíveis para verificação de temperaturas de fornos. 2º QUESITO Não se trata de composto orgânico de constituição química definida apresentado isoladamente e/ou contendo impurezas. Não se trata de Mistura de Isômeros de um mesmo composto orgânico, mesmo contendo impurezas. Não se trata somente de Palmitato de Vitamina A, um composto orgânico de constituição química definida e isolado. Não se trata de Hormônios, Heterosídeos, Alcalóides, Açúcares Quimicamente Puros e nem de Antibióticos de constituição química definida e isolado. 3º QUESITO O DLalfaTocoferol presente na mercadoria tem a função de um aditivo antioxidante. A Sacarose, o Amido e as Substâncias Inorgânicas à base de Fosfato presentes na mercadoria em epígrafe são excipientes utilizados como diluentes, aglutinantes, adsorventes, entre outros, e são adicionados com a função de facilitar a dosagem da Vitamina A de maneira uniforme na formulação a que se destina. De acordo com Literaturas Técnicas, mercadorias dessa natureza, ou seja, Palmitato de Vitamina A disperso em uma matriz à base de Sacarose, Amido, Substâncias Inorgânicas à base de Fosfato, contendo Antioxidante, encontramse especificamente preparadas para serem utilizadas em preparações alimentícias na fortificação de leite em pó desnatado, em alimentos líquidos, alimentos infantis, misturas para sopas reconstituíveis com água, etc. 4º QUESITO Considerandose os Resultados das Análises constantes no Laudo em epigrafe e Literaturas Técnicas (cópias anexas) de produto com a denominação "DRY VITAMINA A PALMITATE 250FOOD", concluímos que a mercadoria tratase de uma Preparação constituída de Palmitato de Vitamina A, DL alfaTocoferol (antioxidante) e Excipientes como a Sacarose, o Amido e as Substâncias Inorgânicas à base de Fosfato, uma Preparação especificamente elaborada para ser adicionada na formulação de alimentos, pela Indústria Alimentícia. Referências Bibliográficas Literatura Técnica Dry Vitamin A Pamitate 250 Food Folha de dados de Segurança BASF The Chemical Company DRY VITAMINA APALMITATE 250 FOOD. KOROLKOVAS, A., Química Farmacêutica, Editora Guanabara Koogan S.A., 1988, p. 657. Fl. 226DF CARF MF 28 The Merck Index 14a Ed, p. 1723 e ref. 10013 Em 12 de abril de 2011, por meio da Intimação nº 12/2011 (fls. 139/140), o contribuinte é cientificado do resultado da diligência retro destacada (Acórdão nº 3201 00.130), motivandoo aditar, em 25 de abril de 2011, o recurso voluntário interposto (fls. 156/ 165): (...) a resposta aos quesitos, elaborada pelo Laboratório FALCÃO BAUER, o qual presta serviços técnicos de apoio à fiscalização aduaneira da Alfândega da Receita Federal do Brasil, foi favorável às pretensões da RECORRENTE. (...) cabe a REQUERENTE neste momento processual repisar os argumentos expostos em manifestações apresentadas anteriormente, estas corroboradas pelo Aditamento ao Laudo Pericial apresentado. (...) 9. Conforme fartamente discorrido na impugnação apresentada pela REQUERENTE, bem como em sede de Recurso Voluntário, o produto importado denominado "Vitamina A PALMITATO" (Acetato de Vitamina A1 Álcool), encontrase perfeitamente descrito no Capítulo 29, conforme transcrição das Notas Explicativas do Sistema Harmônico (...) NESH: "CONSIDERAÇÕES GERAIS Neste subcapítulo, incluemse as substâncias ativas, que constituem um grupo de compostos de constituição química relativamente complexa, e cuja presença no organismo dos animais ou de plantas é indispensável ao equilíbrio das suas funções e ao desenvolvimento harmônico da sua vida. 29.36 PROTOVITAMINAS E VITAMINAS, NATURAIS OU REPRODUZIDAS POR SÍNTESE (INCLUÍDOS OS CONCENTRADOS NATURAIS), BEM COMO OS SEUS DERIVADOS UTILIZADOS PRINCIPALMENTE COMO VITAMINAS , MISTURADOS ENTRE SI, MESMO EM QUAISQUER SOLUÇÕES. Esta posição inclui: d) Os produtos acima mencionados diluídos em qualquer solvente (oleato de etila, propan12diol, etanodiol, óleos vegetais, por exemplo). Os produtos da presente posição podem estabilizados para tornálos aptos à conservação ou transporte: por adição de agente antioxidante, por adição de agentes antiaglomerantes (hidratos de carbono, por exemplo), por revestimento com substâncias apropriadas (gelatina, ceras, matérias graxas (gordas), por exemplo), (...) Fl. 227DF CARF MF Processo nº 11128.004481/200363 Acórdão n.º 3201003.092 S3C2T1 Fl. 214 29 Lista dos produtos que devem ser classificados como protovitaminas ou vitaminas na acepção da posição 29.36. 1) Vitamina A álcool (axeroftol, retinos (DCI))" 10. Frente as transcrições acima, tornase claro que o produto importado pela REQUERENTE deve ser classificado no capítulo 2936, uma vez que ele está perfeitamente ali descrito. Repisase que referido capítulo permite que seja adicionado substâncias antioxidantes e outras que possibilitem o transporte do produto, desde que essas substâncias não tornem o produto apto à apenas uma destinação ou o desnaturem. 11. Para demonstrar que o produto não possui destinação específica o Laudo pericial se manifestou de maneira conclusiva: " Não se trata de mistura de produtos químicos com substâncias alimentícias ou possuindo valor nutritivo, dos tipos utilizados na preparação de alimentos próprios para o consumo humano. Não se trata de Medicamento e nem de matériaprima para medicamento. Não se trata de Cristal cultivado de oxido de magnésio. Não se trata de óleos Fúseis. Não se trata de Óleo de Dippel. Não se trata de Produto para apagar tinta de escrever. Não se trata de produto para correção de matrizes de duplicadores. Não se trata de indicadores fusíveis para verificação de temperatura de fornos." 12. Logo resta demonstrado que o produto importado não tem destinação especifica, devendo ser enquadrado no código 2936. 13. Não bastando, tal como informado pela REQUERENTE, os produtos adicionados à VITAMINA A são antioxidantes e utilizados apenas para possibilitar o seu manuseio e transporte, como se nota do trecho abaixo: "3º QUESITO O DLalfaTocoferol presente na mercadoria tem a função de um aditivo antioxidante. A Sacarose, o Amido e as Substâncias Inorgânicas a base de fosfato presentes na mercadoria em epígrafe são excipientes utilizados como diluentes, aglutinantes, adsorventes, entre outros, e são adicionados com função de facilitar a dosagem de Vitamina A de maneira Uniforme na formulação a que se destina." 14. Assim, I. Conselheiros, resta demonstrado que os produtos adicionados à mercadoria importada tem como função única Fl. 228DF CARF MF 30 permitir o seu manuseio e transporte, justificada está a posição adotada pela RECORRENTE. Por fim, em 9 de maio de 2011, os autos do presente processo são reenviados a este Carf para prosseguimento do feito (fl. 168): Considerando o cumprimento da diligência determinada pela Resolução nº 320100.130 da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos FiscaisCARF, fls. 128 e 129, conforme documentos juntados às fls. 134 a 160 e manifestação do interessado às fls. 156 a 164, proponho o encaminhamento deste ao CARF para julgamento. Porém, considerando as restrições de envio de processos em papel ao CARF, conforme orientação da SRRF08, proponho que o processo aguarde neste setor até implementação do procedimento de digitalização dos processos. Procedida a resenha dos fatos que importam para esta declaração de voto, procurarei, fazendo uso dos mesmos fundamentos jurídicos regras de classificação fiscal de mercadorias que nortearam o lançamento tributário e a decisão de 1ª instância, evidenciar, com amparo nos elementos de prova carreados aos autos, as razões pelas quais esta turma de julgamento concluiu que o produto importado pela DI nº 98/07544017 não comporta a classificação fiscal determinada pela autoridade lançadora e menos ainda aquela pretendida pelo contribuinte. De início, valhome da determinação disposta no DecretoLei nº 1.154, de 1º de março e 1971, por se tratar da norma legal que estabeleceu a Nomenclatura Brasileira de Mercadorias (NBM), baseada na então Nomenclatura Aduaneira de Bruxelas (NAB), que adaptou a tarifa aduaneira vigente à época com a referida nomenclatura. Neste sentido, transcrevo o seu artigo 3º, que hodiernamente ainda confere legalidade à matéria sob exame e que com as necessárias adaptações, é reproduzido nos regulamentos aduaneiros editados pelo poder executivo: Art. 3º. A interpretação do conteúdo das posições e desdobramentos da Nomenclatura Brasileira de Mercadorias (NBM) farseá pelas suas Regras Gerais e Regras Gerais Complementares e, subsidiariamente, pelas Notas Explicativas da Nomenclatura Aduaneira de Bruxelas (NENAB). Parágrafo único. As alterações das Notas Explicativas da Nomenclatura Aduaneira de Bruxelas (NENAB) que impliquem em modificações na Nomenclatura Brasileira de Mercadorias (NBM), somente serão válidas após aprovação pelo Comitê Brasileiro de Nomenclatura segundo critérios e normas que serão estabelecidas, na forma de suas atribuições. Em face do acima transcrito comando legal, cabe trazermos a baila às disposições das regras para a interpretação do sistema harmonizado, segundo estabelece a "Convenção Internacional sobre o Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias”: REGRAS GERAIS PARA INTERPRETAÇÃO DO SISTEMA HARMONIZADO A classificação das mercadorias na Nomenclatura regese pelas seguintes regras: Fl. 229DF CARF MF Processo nº 11128.004481/200363 Acórdão n.º 3201003.092 S3C2T1 Fl. 215 31 1. Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes: 2. a) Qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado. Abrange igualmente o artigo completo ou acabado, ou como tal considerado nos termos das disposições precedentes, mesmo que se apresente desmontado ou por montar. b) Qualquer referência a uma matéria em determinada posição diz respeito a essa matéria, quer em estado puro, quer misturada ou associada a outras matérias. Da mesma forma, qualquer referência a obras de uma matéria determinada abrange as obras constituídas inteira ou parcialmente por essa matéria. A classificação destes produtos misturados ou artigos compostos efetuase conforme os princípios enunciados na Regra 3. 3. Quando pareça que a mercadoria pode classificarse em duas ou mais posições por aplicação da Regra 2 b) ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuarse da forma seguinte: a) A posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. Todavia, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um dos componentes de sortidos acondicionados para venda a retalho, tais posições devem considerarse, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria. b) Os produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho, cuja classificação não se possa efetuar pela aplicação da Regra 3 a), classificamse pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação. c) Nos casos em que as Regras 3 a) e 3 b) não permitam efetuar a classificação, a mercadoria classificase na posição situada em último lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração. 4. As mercadorias que não possam ser classificadas por aplicação das Regras acima enunciadas classificamse na posição correspondente aos artigos mais semelhantes. 5. Além das disposições precedentes, as mercadorias abaixo mencionadas estão sujeitas às Regras seguintes: a) Os estojos para aparelhos fotográficos, para instrumentos musicais, para Fl. 230DF CARF MF 32 armas, para instrumentos de desenho, para jóias e receptáculos semelhantes, especialmente fabricados para conterem um artigo determinado ou um sortido, e suscetíveis de um uso prolongado, quando apresentados com os artigos a que se destinam, classificamse com estes últimos, desde que sejam do tipo normalmente vendido com tais artigos. Esta Regra, todavia, não diz respeito aos receptáculos que confiram ao conjunto a sua característica essencial. b) Sem prejuízo do disposto na Regra 5 a), as embalagens contendo mercadorias classificamse com estas últimas quando sejam do tipo normalmente utilizado para o seu acondicionamento. Todavia, esta disposição não é obrigatória quando as embalagens sejam claramente suscetíveis de utilização repetida. 6. A classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das Notas de Subposição respectivas, assim como, mutatis mutandis, pelas Regras precedentes, entendendo se que apenas são comparáveis subposições do mesmo nível. Para os fins da presente Regra, as Notas de Seção e de Capítulo são também aplicáveis, salvo disposições em contrário. REGRA GERAL COMPLEMENTAR (RGC) 1. (RGC1) As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado se aplicarão, "mutatis mutandis", para determinar dentro de cada posição ou subposição, o item aplicável e, dentro deste último, o subitem correspondente, entendendose que apenas são comparáveis desdobramentos regionais (itens e subitens) do mesmo nível. 2. (RGC2) As embalagens contendo mercadorias e que sejam claramente suscetíveis de utilização repetida, mencionadas na Regra 5 b), seguirão seu próprio regime de classificação sempre que estejam submetidas aos regimes aduaneiros especiais de admissão temporária ou de exportação temporária. Caso contrário, seguirão o regime de classificação das mercadorias. REGRA GERAL COMPLEMENTAR DA TIPI (RGC/TIPI) 1. (RGC/TIPI1)As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado se aplicarão, "mutatis mutandis", para determinar, no âmbito de cada código, quando for o caso, o "Ex" aplicável, entendendose que apenas são comparáveis "Ex" de um mesmo código. Nessa toada, também convém contextualizar o que são as "Notas Explicativas do Sistema Harmonizado" NESH"; vejamos: a Organização Mundial das Aduanas (OMA) dispõe de um corpo de "experts", constituído com o intuito de dirimir as inevitáveis dúvidas merceológicas merceologia é a parte da ciência do comércio que trata em especial da compra e venda e estuda a classificação e especificação das mercadorias que surgem durante o exame da correta classificação tarifária de determinado produto. Por isso tais peritos, representantes dos diversos Estados Membros, reúnemse periodicamente para examinar tais questões, cujas as apreciações resultou e ainda resultam na elaboração de um compêndio, o qual, após anos de aperfeiçoamento, transformouse num tratado merceológico, disponível a todos os Estados Fl. 231DF CARF MF Processo nº 11128.004481/200363 Acórdão n.º 3201003.092 S3C2T1 Fl. 216 33 Membros isto são as NESH, cujo escopo é explicitar o conteúdo do texto da posição e sub posição, a fim de melhor interpretar as regras de classificação. Portanto, em síntese, o disposto no transcrito artigo 3º do DL nº 1.154, de 1971, confere às NESH, em face da ausência de outros elementos de convicção, valor probante, ao determinar que a interpretação do conteúdo das posições e desdobramentos da NBM (e conseqüentemente da NCM) farseá pelas seis regras gerais de interpretação e pelas regras gerais complementares e, subsidiariamente, pelas NESH. Entendimento, inclusive, referendado pelo artigo 17 do Decreto nº 2.637, de 25 de junho de 1998, que aprovou a TIPI. Prosseguindo, entendo ser relevante enfatizar que o maior desafio de todo "classificador" reside na dificuldade em determinar a correta identificação de determinada mercadoria, posto que são inúmeras as dificuldades de identificação, in casu, não só pela diferença de línguas, como também pela diferença de nomes de um mesmo produto, inclusive num mesmo País. Desta feita, com o incremento das trocas internacionais, surgiu a necessidade das nações participantes desse comércio de se reunirem para estudar esta questão e adotarem soluções compatíveis. Essa dúvida só é dissipada depois de empreenderse aprofundado estudo das características da mercadoria merceologia, o que leva o classificador, via de regra, à dependência de laudo técnico ou expediente congênere. Retroagindo um pouco no tempo, foi basicamente a partir da década de 1970 que começouse a empreender maiores esforços no sentido de alcançar uma maior compatibilidade entre as nomenclaturas aduaneiras e as estatísticas. Em virtude das dificuldades apontadas e também pelo fato da NCCA ter sido criada como uma nomenclatura monovalente, isto é, criada pelas autoridades aduaneiras européias para as necessidades das aduanas de todos os países, o próprio CCA, com base na “Convenção Internacional sobre o Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias” firmada em junho de 1983, ofereceu, já em 1985, à comunidade do comércio internacional uma nomenclatura polivalente, isto é, que basicamente pudesse ser utilizada por todos os intervenientes do comércio internacional, com uniformidade (aduana, transportadores, seguradoras, bancos centrais, estatísticos, etc.). Este novo Acordo Internacional de nomenclatura foi posto à disposição dos países pelo CCA, sob o título de “Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias”, ou simplesmente “Sistema Harmonizado”. O Brasil tornouse signatário deste tratado, com reserva de ratificação, em 31.10.1986. Portanto, podemos definir, grosso modo, nomenclatura como sendo uma linguagem artificial merceológica, ou seja, criada pelo homem para a identificação de mercadorias no comércio internacional. Linguagem esta denominada Sistema Harmonizado. Com base nas informações e provas acostadas nos presentes autos, consubstanciado na legislação de regência da matéria sub judice, podemos agora, sem mais delongas, pontuar as razões pelas quais discordamos da classificação fiscal adotada na ação fiscal auto de infração e na pretendida pelo contribuinte impugnação e recurso voluntário. Para tanto, reservome o direito de, primeiro, tão somente demonstrar, em breves linhas, nossa discordância quanto aos códigos tarifários adotados NCM/TEC 2936.21.13, utilizado pelo importador, e NCM/TEC 3824.90.89, utilizado pela autoridade lançadora e confirmado pela 1ª Instância de Julgamento; para, em seguida, explicitar os Fl. 232DF CARF MF 34 motivos pelos quais entendemos que o produto efetivamente importado comporta uma terceira classificação fiscal. A classificação fiscal adotada na DI pelo importador está incorreta porque: a) o produto importado não se trata apenas de "vitamina A palmitato", conforme o importador havia descrito na DI nº 98/07544017; b) o produto importado tratase efetivamente de "Palmitato de vitamina "A", DLalfatocoferol, adicionado à sacarose, amido e substâncias inorgânicas à base de fosfato, na forma de microesferas", conforme concluiu o Laudo Laboratorial nº 2085/1998; c) a descrição correta do produto conforme item "b" acima já evidencia que o mesmo não pode ser classificado no Capítulo 29 da TEC. Pois, conforme abaixo explicitado, os excipientes que compõem referido produto, a exceção do DLalfatocoferol, não são necessários e nem indispensáveis para o processo de fabricação ou para transporte e conservação da "vitamina "A", na medida em que evidenciam que o produto importado encontrase num estágio intermediário de industrialização do produto final a que se destina (1ª RGISH), vejamos: c1) apresenta mais de uma substância química, logo, não se trata de um composto de constituição química definida, apresentado isoladamente, c2) somente o DLalfatocoferol, por ser um aditivo antioxidante, é indispensável para estabilizar a vitamina A contra oxidação, c3) a sacarose, o amido e as substâncias inorgânicas à base de fosfato, por não se tratar de substâncias antiaglomerantes, impurezas, estabilizantes e sequer agentes antipoeira, não são indispensáveis para a segurança, conservação ou transporte da vitamina A, pois tratamse de excipientes utilizados no revestimento da microesfera, c4) tais excipientes permitem que a vitamina A, que quando pura é um líquido oleoso, transformese em um pó de alta fluidez, facilitando seu manuseio e sua dosagem, o que a torna um produto particularmente apto para usos específicos de preferência à sua aplicação geral; d) embora irrelevante para solução do presente litígio, posto que já restou evidenciado que o produto sequer pode ser classificado no Capítulo 29, apenas para contextualizar discorreremos rapidamente sobre as características inerentes à posição 29.36, a fim de evidenciar a improcedência de se pretender classificálo nesta posição tarifária (1ª RGI SH). Tal posição abrange as protovitaminas e as vitaminas, sejam elas naturais ou reproduzidas por síntese, assim como os seus derivados utilizados principalmente como vitaminas, misturados entre si, mesmo em quaisquer soluções; ainda que diluídos em qualquer solvente, ou estabilizados para tornálos aptos à conservação ou transporte, seja por adição de agente antioxidante, por adição de agentes antiaglomerantes ou por revestimento com substâncias apropriadas. No entanto, afora o exposto no item "c" acima, tais substâncias acrescentadas ou tratamentos a que são submetidos não podem, por sua quantidade ou especificidade serem aplicados de forma a modificar o caráter do produto nem tornálos particularmente aptos para usos específicos de preferência à sua aplicação geral, pois do contrário, ainda que vitamina "A" fosse, o que não é, já seria suficiente para excluíla da posição 29.36; e) por fim, consta expressamente no Laudo nº 2084A/03 que o produto é uma preparação especificamente elaborada para ser utilizada pelas indústrias alimentícias e/ou farmacêuticas, em formulações de suplementos e/ou medicamentos. Fl. 233DF CARF MF Processo nº 11128.004481/200363 Acórdão n.º 3201003.092 S3C2T1 Fl. 217 35 A reclassificação fiscal pretendida pela fiscalização e confirmada pela instância a quo não prospera porque: Por meio da diligência determinada pela Resolução nº 320100.130, a 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF entendeu que algumas dúvidas ainda persistiam acerca da finalidade específica do produto identificado pelo laudo de análise que deu sustentação a autuação fazendo com que a autoridade lançadora incorrese em equívoco, na medida que referido laudo pericial concluiu de forma dúbia que o produto importado, por sua composição, poderia ser destinado para as indústrias alimentícias ou farmacêuticas utilizado tanto na formulação de suplementos alimentares ou medicamentosos. É notório que, em face dos quesitos formulados na diligência, buscouse, de forma objetiva, melhor evidenciar se o produto importado comportava classificação no Capítulo 38 da TEC/NCM, próprio para os "produtos diversos das indústrias químicas", conforme entendeu a fiscalização aduaneira, posto que não mais persistia qualquer dúvida que a classificação fiscal informada na DI era absolutamente descabida, pois já era fato inconteste, conforme visto no tópico anterior, que sequer tratavase, na espécie, de um produto químico orgânico do Capítulo 29 da TEC/NCM. As respostas do Laboratório de Análise (L.A.) Falcão Bauer, evidenciam que o produto analisado, não obstante não se tratar daqueles produtos que as Notas de Capítulo 1 a 3"e" expressamente excluem do Capítulo 38 "produtos diversos das indústrias químicas", bem assim não se tratar, como visto já visto a exaustão, de composto orgânico de constituição química definida apresentado isoladamente e/ou contendo impurezas, de mistura de isômeros de um mesmo composto orgânico, mesmo contendo impurezas, de hormônios, heterosídeos, alcalóides, açúcares quimicamente ouros e nem de antibióticos de constituição química definida e isolado e sequer somente de palmitato de vitamina A, é enfático ao pontuar que "De acordo com Literaturas Técnicas, mercadorias dessa natureza, ou seja, Palmitato de Vitamina A disperso em uma matriz à base de Sacarose, Amido, Substâncias Inorgânicas à base de Fosfato, contendo Antioxidante, encontramse especificamente preparadas para serem utilizadas em preparações alimentícias na fortificação de leite em pó desnatado, em alimentos líquidos, alimentos infantis, misturas para sopas reconstituíveis com água, etc" (resposta ao 3º quesito formulado). Demais disso, ao ser questionado se no seu entender o técnico responsável teria algum esclarecimento a prestar para o deslinde da demanda (quesito 4º), este acrescentou que "Considerandose os Resultados das Análises constantes no Laudo em epigrafe e Literaturas Técnicas (cópias anexas) de produto com a denominação "DRY VITAMINA A PALMITATE 250FOOD", concluímos que a mercadoria tratase de uma Preparação constituída de Palmitato de Vitamina A, DLalfaTocoferol (antioxidante) e Excipientes como a Sacarose, o Amido e as Substâncias Inorgânicas à base de Fosfato, uma Preparação especificamente elaborada para ser adicionada na formulação de alimentos, pela Indústria Alimentícia. (grifos não pertencem ao original) Referências Bibliográficas Literatura Técnica Dry Vitamin A Pamitate 250 Food; Folha de dados de Segurança BASF The Chemical Company DRY VITAMINA APALMITATE 250 FOOD; KOROLKOVAS, A., Química Farmacêutica, Editora Guanabara Koogan S.A., 1988, p. 657; e The Merck Index 14a Ed, p. 1723 e ref. 10013". Fl. 234DF CARF MF 36 Portanto, em face da constatação que o produto importado pela DI nº 98/07544017 é "uma Preparação especificamente elaborada para ser adicionada na formulação de alimentos, pela Indústria Alimentícia"; em atenção à "Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado 3a)", que determina que no caso em que pareça que a mercadoria pode classificarse em duas ou mais posições, por qualquer razão, a classificação deve efetuarse levando em consideração que a posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas, não há como prevalecer a reclassificação fiscal pretendida pelo fisco, quando a autoridade lançadora reclassificou o produto para o código tarifário NCM 3824.90.89 da TEC. Dito isto, cabenos, neste momento, com supedâneo nas regras de classificação fiscal e nas informações complementadas no aditamento ao laudo pericial (fls. 136/137), procedermos à correta classificação fiscal do produto em questão. O Laudo Laboratorial nº 2085 conclui que o que produto analisado tratase de "PALMITATO DE VITAMINA "A", DLALFATOCOFEROL, SACAROSE, AMIDO E SUBSTÂNCIAS INORGÂNICAS À BASE DE FOSFATO, NA FORMA DE MICROESFERAS". As informações complementares do Laboratório de Análise (L.A.) Falcão Bauer, esclarece que conforme literaturas técnicas o Palmitato de Vitamina A disperso em uma matriz à base de sacarose, amido, substâncias inorgânicas à base de fosfato, contendo antioxidante, encontramse especificamente preparadas para serem utilizadas em preparações alimentícias na fortificação de leite em pó desnatado, em alimentos líquidos, alimentos infantis, misturas para sopas reconstituíveis com água, dentre outras; e que, em face dos resultados das análises procedidas no antes mencionado laudo literaturas técnicas de produto denominado "DRY VITAMINA A PALMITATE 250FOOD", chegouse à conclusão que a mercadoria tratase de uma preparação constituída de palmitato de citamina A, DLalfatocoferol, um antioxidante, e excipientes como a sacarose, o amido e as substâncias inorgânicas à base de fosfato; portanto, uma preparação especificamente elaborada para ser adicionada na formulação de alimentos, pela indústria alimentícia. Para tanto, vejamos o que dispõe as NESH do Capítulo 21 da TEC: Capítulo 21 Preparações alimentícias diversas Notas. 1.O presente Capítulo não compreende: a) As misturas de produtos hortícolas da posição 07.12; b) Os sucedâneos torrados do café que contenham café em qualquer proporção (posição 09.01); c) O chá aromatizado (posição 09.02); d) As especiarias e outros produtos das posições 09.04 a 09.10; e) As preparações alimentícias, exceto os produtos descritos nas posições 21.03 ou 21.04, que contenham, em peso, mais de 20 % de enchidos, de carne, de miudezas, de sangue, de peixes ou crustáceos, de moluscos ou de outros invertebrados aquáticos ou de uma combinação destes produtos (Capítulo 16); f) As leveduras acondicionadas como medicamentos e os outros produtos das posições 30.03 ou 30.04; g) As enzimas preparadas da posição 35.07. 2.Os extratos dos sucedâneos mencionados na Nota 1 b) acima incluemse na posição 21.01. Fl. 235DF CARF MF Processo nº 11128.004481/200363 Acórdão n.º 3201003.092 S3C2T1 Fl. 218 37 3.Na acepção da posição 21.04, consideramse “preparações alimentícias compostas homogeneizadas” as preparações constituídas por uma mistura finamente homogeneizada de diversas substâncias de base, como carne, peixe, produtos hortícolas, fruta, acondicionadas para venda a retalho como alimentos para lactentes e crianças de tenra idade ou para usos dietéticos, em recipientes de conteúdo de peso líquido não superior a 250 g. Para aplicação desta definição, não se consideram as pequenas quantidades de ingredientes que possam ter sido adicionados à mistura para tempero, conservação ou outros fins. Estas preparações podem conter, em pequenas quantidades, fragmentos visíveis. Frente às disposições do laudos periciais, o produto importado não pode ser encartado nas posições 21.01, que abriga os "extratos, essências e concentrados de café, chá ou mate e preparações à base destes produtos ou à base de café, chá ou mate; chicória torrada e outros sucedâneos torrados do café e respectivos extratos, essências e concentrados"; 21.02, que abriga as "leveduras (vivas ou mortas); outros microrganismos monocelulares mortos (exceto as vacinas da posição 30.02); pós para levedar, preparados"; 21.03, que abriga as "preparações para molhos e molhos preparados; condimentos e temperos compostos; farinha de mostarda e mostarda preparada"; 21.04, que abriga as "preparações para caldos e sopas; caldos e sopas preparados; preparações alimentícias compostas homogeneizadas" e 21.05, que abriga os "sorvetes, mesmo que contenham cacau". Restanos examinar a posição residual 21.06, que abrange as "preparações alimentícias não especificadas nem compreendidas noutras posições", e seus desdobramentos: a subposição 2106.10.00, é uma subposição de 1º nível fechada que compreende os "concentrados de proteínas e substâncias proteicas texturizadas"; a subposição 2106.90, é uma subposição de 1º nível aberta e residual que compreende "outras" preparações, na medida que comporta diversos itens e subitens; compulsando referidos itens e subitens, temos que compreendem as "preparações do tipo utilizado para elaboração de bebidas" (2106.90.10), os "pós, inclusive com adição de açúcar ou outro edulcorante, para a fabricação de pudins, cremes, sorvetes, flans, gelatinas ou preparações similares" (2106.90.2), os "complementos alimentares" (2106.90.30), as "misturas à base de ascorbato de sódio e glucose próprias para embutidos" (2106.90.40), as "gomas de mascar, sem açúcar" (2106.90.50) e os "caramelos, confeitos, pastilhas e produtos semelhantes, sem açúcar" (2106.90.60). Portanto, em atenção, ainda, às RGI6 e RGC1 o produto objeto de litígio, classificase no código NCM 2106.90.90, ou seja, no item fechado "outras" da subposição aberta "outras" da posição das "preparações alimentícias não especificadas nem compreendidas noutras posições". Por derradeiro, ressalto que o "Boletim de Inspeção para Liberação de Cargas" da Secretaria de Vigilância Sanitária do MInistério da Saúde nº 13696 (fl. 33) e a Fatura Comercial/Invoice nº 2008006 02421868 (fl. 34), por seus próprios dizeres, evidenciam que o produto em tela é, respectivamente matériaprima da indústria alimentícia. Ante o exposto, solicito que esta declaração de voto seja juntada nos autos, e faça parte integrante do acórdão de julgamento, nos termos do Regimento Interno desta Corte. É a minha declaração de voto. Fl. 236DF CARF MF 38 assinado digitalmente Orlando Rutigliani Berri Conselheiro Suplente 1ª TO / 2ª Câmara / 3ª SeJul CARF Fl. 237DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15956.000249/2006-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2002
CRÉDITO PRESUMIDO. COOPERATIVA E COOPERADA. IMPOSSIBILIDADE.
O direito de aproveitar o crédito presumido de IPI, quando a comercialização for efetuada por meio de cooperativas centralizadoras de vendas, é do cooperado e não da cooperativa.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-003.141
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Designado para o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Giovani Vieira. Acompanhou o julgamento a patrona do contribuinte, Sra. Hellen Souza Silvestre, RG: 3114182/SSP-DF, escritório Advocacia Dias de Souza.
(assinado digitalmente)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA- Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator.
(assinado digitalmente)
MARCELO GIOVANI VIEIRA - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1553; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 365 1 364 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15956.000249/200605 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201003.141 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de setembro de 2017 Matéria Imposto sobre Produtos Industrializados Recorrente COPERSUCAR COOPERATIVA DE PRODUTORES DE CANA DE AÇUCAR, AÇUCAR E ALCOOL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2002 CRÉDITO PRESUMIDO. COOPERATIVA E COOPERADA. IMPOSSIBILIDADE. O direito de aproveitar o crédito presumido de IPI, quando a comercialização for efetuada por meio de cooperativas centralizadoras de vendas, é do cooperado e não da cooperativa. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Designado para o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Giovani Vieira. Acompanhou o julgamento a patrona do contribuinte, Sra. Hellen Souza Silvestre, RG: 3114182/SSPDF, escritório Advocacia Dias de Souza. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. (assinado digitalmente) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Relator. (assinado digitalmente) MARCELO GIOVANI VIEIRA Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 00 02 49 /2 00 6- 05 Fl. 365DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 305 interposto em face de decisão de primeira instância de procedimento administrativo fiscal de âmbito Federal proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ/PA de fls. 250, que considerou totalmente improcedente a Impugnação de fls. 196 e não reconheceu o direito da Cooperativa ao crédito presumido de IPI. Sendo costume desta Turma de Julgamento a transcrição do relatório da decisão de primeira instância, segue para apreciação: " Trata o presente processo de auto de infração de fls. 06/23 e 230/248, relativo a Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, no valor de R$ 1.444.136,63, acrescido de multa de ofício e juros de mora. A contribuinte tomou ciência do lançamento em 02/01/2007 (fl. 191). A Delegacia de origem efetuou o lançamento, conforme fundamentos expostos no Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 231/237: O favor fiscal em questão. Crédito Presumido do IPI, tem como objetivo ressarcir as contribuições ao PIS/PASEP e COFINS pagas por ocasião da venda dos insumes ao produtor exportador (alcançando também a circulação anterior destes insumos). Esta situação equivale, portanto, a uma isenção que viesse a ser concedida àqueles que vendessem insumos ao produtorexportador. Concluise, portanto, segundo a norma que concede o Crédito Presumido de IPI e a interpretação de forma literal, conforme determina o Código Tributário Nacional, que a contribuinte supramencionada não tem direito ao beneficio. Ainda que fosse utilizada um interpretação extensiva da legislação tributária, equiparando a operação efetivada pela empresa àquela realizada pela comercial exportadora, quem teria direito ao crédito presumido do IPI é a empresa produtora, no caso as pessoas jurídicas coooperadas produtoras do açúcar (Usinas) e não a cooperativa que realiza a exportação. Dessa forma, a contribuinte não tem o direito de se utilizar do Crédito Presumido de IPI em questão, visto que: 1 A norma concedente do beneficio fiscal não tipificou em seu corpo a situação fática praticada pela empresa, ou seja, a empresa não produz a mercadoria que exporta e também não é Fl. 366DF CARF MF Processo nº 15956.000249/200605 Acórdão n.º 3201003.141 S3C2T1 Fl. 366 3 produtora de bens exportados através de Empresa Comercial Exportadora, logo não está abrangida pelo favor fiscal; 2 A interpretação extensiva da norma tributária, concedente do beneficio fiscal, é vedada pelo Código Tributário Nacional, impedindo que a contribuinte se enquadre por equiparação ao mesmo tratamento tributário dado às empresas beneficiárias conforme legislação especifica. Portanto, o estabelecimento Matriz não tem direito ao Crédito Presumido de IPI e, conseqüentemente, todos os créditos dessa Natureza transferidos e utilizados pela filial fiscalizada são ilegais e devem ser excluídos pelo Fisco. O sujeito passivo apresentou impugnação de fls. 196/209, em 30/01/2007, na qual alegou que: (...) 02. A Recorrente foi autuada pela fiscalização da Receita Federal, tendo e m vista que, na condição de uma das filiais operadoras da COPERSUCAR Matriz localizada na cidade de São Paulo utilizou se de créditos presumidos do IPI, transferidos por aquela Matriz, referentes aos períodos de apuração do primeiro Decêndio do mês de Janeiro de 2002 ao terceiro Decêndio do mês de Dezembro de 2002, para utilização como compensação com IPI a pagar e que foram registrados em seu Livro de Registro de Apuração do imposto. 03 . Esses créditos, transferidos pela Matriz , conforme autorizado pela Instrução Normativa SRF n° 21/97 e utilizados pela Filial autuada, são "créditos presumidos de I P I " que configuram o beneficio criado pela Lei n° 9.363/96, ou seja, a possibilidade de recuperação das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7/70 ; 8/70 e 70/91 (PIS e COFINS) incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo de produtos exportados. (...) 05. Os créditos presumidos, cujo aproveitamento foi contestado pela Fiscalização da Secretaria da Receita Federal, foram calculados pela Copersucar Estabelecimento Matriz, da qual a autuada é Filial. A Copersucar Matriz realiza os cálculos desse crédito presumido, tendo e m vista ser ela quem detém todos os dados relativos ao volume das exportações realizadas por suas Filiais, além de receber, de todas elas, suas cooperadas, as informações sobre o valor dos insumos (matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem) utilizados na industrialização dos produtos exportados. A Copersucar Matriz detém todos esses dados por ser e l a o substituto tributário do IPI devido por suas Cooperadas (art. 35 da Lei n° 4.502/64, com as modificações Fl. 367DF CARF MF 4 introduzidas pelo art. 31 da Lei n° 9.430/96) e ser também a responsável pelo recolhimento da COFINS e do PIS daquelas Cooperadas (art. 66 da Leí n° 9.430/96). 06. A Autoridade Autuante, sem levar em consideração as peculiaridades de uma cooperativa centralizadora de vendas em comum, como é a COPERSUCAR, entendeu que o beneficio fiscal instituído pela Lei n° 9.363/96, regulamentada pelas INs nos 21/97, 23/97 e 102/97 , somente pode ser concedido à pessoa jurídica produtora e exportadora. 07 . Entendeu o Autuante, que a situação típica abrange somente aquela e m que a empresa é produtora e exportadora das mercadorias, como determina o artigo 2° da I N SRF 23/97 . A Autoridade Autuante reconhece também que, se a exportação for efetivada através de uma empresa comercial exportadora (exportação indireta), a pessoa jurídica também tem direito ao beneficio do crédito presumido, conforme estipula o artigo 2 ° , § 1°, inciso II , da IN SRF 103/97. (...) As Razões de Impugnar 15. Como se vê, o motivo que fundamenta a presente exigência fiscal consiste no entendimento da Fiscalização de que a cooperativa não tem direito ao crédito presumido do IPI por não ser produtora do açúcar que exporta. É o fundamento único da Autuação Fiscal. 16. O auto de infração ora impugnado não apresenta qualquer outro fundamento para a constituição da exigência fiscal, que não a acusação de que a ora impugnante deixou de recolher IPI, relativo aos períodos especificados, por ter registrado em sua escrita fiscal créditos presumidos do IPI, transferidos pelo estabelecimento matriz, que foram considerados indevidos pelo fato de a cooperativa não ser produtora do açúcar que exporta e por não revestir a condição de comercial exportadora. 17. Assim, a impugnante passa a demonstrar que os créditos presumidos transferidos às filiais da Copersucar não são indevidos, havendo que se admitir a regularidade de sua utilização, pois não há indicação no auto de infração de nenhuma outra restrição a que referidos créditos fossem utilizados. As vendas efetuadas pela cooperativa são vendas dos cooperados 18. O primeiro equívoco da Fiscalização está no pressuposto de que a cooperativa não atendeu ao artigo 1° da Lei n° 9.363/96, como explicitado no processo n° 19515.001733/20051, originado da DEFIC/SÃO PAULO. Noutros termos a fiscalização entende que o contribuinte não produz a mercadoria que exporta. 19. O engano está na suposição de que, no sistema cooperativo de vendas em comum, o cooperado e a cooperativa sejam entes distintos, o primeiro incumbido da produção, a segunda incumbida da venda ou exportação. Fl. 368DF CARF MF Processo nº 15956.000249/200605 Acórdão n.º 3201003.141 S3C2T1 Fl. 367 5 20. Não é assim. No sistema cooperativo de vendas em comum, quem vende ou exporta é o próprio produtor cooperado. A cooperativa é mera intermediária, mandatária legal, como se depreende do art. 83 da Lei n° 5.764, de 1971 (a Lei do Cooperativismo): Art. 83. A entrega da produção do associado à sua cooperativa significa a outorga a esta de plenos poderes para a sua livre disposição, inclusive para gravála e dála em garantia de operações de crédito realizadas pela sociedade, salvo se, tendo em vista os usos e costumes relativos à comercialização de determinados produtos, sendo de interesse do produtor, os estatutos dispuserem de outro modo. (grifamos) 21. O mandato legal, contido no art. 83 da Lei 5.764/71, outorga à Copersucar poderes para agir em nome, por conta, ordem e risco dos cooperados, dispensadas, inclusive, procurações e formalidades, exceto o processo de filiação dos cooperados. 22. Em razão de a Cooperativa agir em nome dos cooperados, no exercício de um mandato legal, consolidouse vasto elenco de dispositivos legais, pareceres, atos normativos e, inclusive, jurisprudência do Segundo Conselho de Contribuintes, com o entendimento de que o cooperado, que vende seus produtos por intermédio de cooperativa de vendas, reveste em si próprio a dupla condição de produtor e de vendedor, ou de produtor e exportador. 23. O Segundo Conselho de Contribuintes já teve oportunidade de se manifestar em processos em que se cobrava a COFINS de pessoas jurídicas filiadas a cooperativas, cooperados, por terem deixado, estes, de pagar referida contribuição com base na alegação de que as vendas de seus produtos teriam sido feitas pela cooperativa e não por eles. 24. O Segundo Conselho, todavia, entendeu que as vendas realizadas por intermédio de cooperativa eram vendas do próprio cooperado e, assim, manteve a cobrança da COFINS sobre tais vendas, como se vê, dentre outros, pelos Acórdãos 20175.187 (Recurso 110.088) e 20213.259 (Recurso 110248), decididos por unanimidade. 25. O Acórdão 20175.187, da Primeira Câmara, lastreiase em voto do Relator Serafim Fernandes Correa, onde se lê: "A meu ver, há incidência de COFINS sobre a venda de produtos entregues pelo cooperativado à cooperativa, restando, no entanto, definir o momento em que ocorre a tributação. Tal conclusão decorre do fato de que a venda através da cooperativa não deixa de ser uma venda. Normalmente, uma empresa vende mercadorias a terceiros e aí há incidência da COFINS. No caso em tela, a empresa igualmente vende os seus produtos, só que através da cooperativa. Ou seja, a empresa entrega a sua produção à cooperativa que, por sua vez, a vende para terceiros. A diferença é que, no primeiro caso a venda é direta e no segundo indireta, mas nem por isso deixa de ser venda." Fl. 369DF CARF MF 6 26. O Acórdão 20213.259, da Segunda Câmara, teve como base o voto do Relator Eduardo da Rocha Schmidt. O excerto desse voto, transcrito a seguir, endossa a tese de que a cooperativa, ao exportar produtos, o faz na condição de mera intermediária de seus cooperados: "Temse, assim, que a venda de produtos ou mercadorias do cooperado pela cooperativa a terceiros não se consubstancia em ato cooperativo, devendo este ser entendido como a mera intermediação, a aproximação realizada pela sociedade cooperativa, com vistas à obtenção de melhores condições de venda, entre seu associado e o terceiro adquirente. A venda, no caso, é realizada pelo associado no caso, cooperado atuando a cooperativa em seu benefício, conta e nome, sendo, pois, ato mercantil." (grifamos) 27. A Lei 9.430/96, art. 66, ao eleger a cooperativa centralizadora de vendas em comum como "responsável" pelo pagamento das contribuições do PIS e da COFINS, em consonância com o art. 121 do CTN, consagra o entendimento de que a cooperativa não tem relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador. Esta relação, que resulta da realização da venda, é mantida pelo cooperado, ao qual pertence a receita correspondente, como se vê pelo item 4.1 do Parecer Normativo CST 77/76: 4.1. E, como a entrega da produção do associado à sua cooperativa não significa mais do que a outorga de poderes (art. 106. do mesmo decreto), a computação como receita operacional, para efeito do imposto de renda, deve basearse na emissão da "nota fiscal" de saída do produto da cooperativa. 28. Com efeito, o CTN, ao conceituar o sujeito passivo da obrigação O tributária, assim dispôs no seu art. 121: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação dizse: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. 29. A conclusão lógica e irrefutável a que se chega, portanto, é a de que a condição de contribuinte, que a lei reconhece ser mantida pelo cooperado, somente pode decorrer do fato de que é ele quem realiza a venda (ou seja mantém a relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador da obrigação), embora por intermédio da cooperativa, simples mandatária legal. A Cooperativa é mero instrumento para concretizar a venda, sem vinculação pessoal e direta com o fato gerador. 30. A Lei 10.336, de 19.12.01, que instituiu a CIDE sobre a importação e comercialização de álcool etílico combustível, definiu, como contribuinte, o produtor e, como fato gerador, a Fl. 370DF CARF MF Processo nº 15956.000249/200605 Acórdão n.º 3201003.141 S3C2T1 Fl. 368 7 comercialização no mercado interno realizada pelo vendedor. Com efeito, assim dispõem seus artigos 2° e 3°: Art. 2° São contribuintes da CIDE o produtor, o formulador e o importador, pessoa física ou jurídica, dos combustíveis relacionados no artigo 3°. Art. 3° A CIDE tem como fatos geradores as operações, realizadas pelos contribuintes referidos no art. 2°, de importação e de comercialização no mercado interno de: VI álcool etílico combustível. 31. Ora, como na forma da Lei 10.336/2001 o fato gerador decorre da comercialização no mercado interno do álcool etílico combustível efetuada pelo produtor, caso se considerasse a cooperativa um ente distinto do cooperado, não poderia haver a incidência da CIDE sobre as vendas realizadas pela cooperativa. Para que haja a incidência da CIDE, devese considerar que, de fato, a cooperativa é mandatária do cooperado e este, o vendedor efetivo. 32. A Decisão de Consulta SRRF/8ª RF/DISIT n° 190, de 20 de agosto de 2002 esclarece esse aspecto da questão, como se vê da ementa expressa nos seguintes termos: Ementa. CIDE. ÁLCOOL COMBUSTÍVEL. INCIDÊNCIA. VENDAS ATRAVÉS DE COOPERATIVA. Ocorre o fato gerador da CIDE, instituida pela Lei n° 10.336, de 2001, nas vendas de álcool combustível efetuadas pelos produtores através de suas cooperativas de vendas em comum. São contribuintes da CIDE nessas operações, haja vista o que estabelece o art. 2° da referida lei, os produtores de álcool e não a cooperativa mediante a qual se dá a comercialização do produto. 33. A Divisão de Tributação da SRRF 8ª RF, ao fundamentar a solução da consulta, reconhece expressamente: a) que as cooperativas atuam como representantes ou mandatárias dos cooperados, em nome dos quais e com autorização dos quais negociam os produtos por eles entregues; e b) que as vendas de produtos dos cooperados, realizadas pela cooperativa, resultam em faturamento dos próprios cooperados. Vejase, dentre outros, o item 16 da Decisão de Consulta 190/2002 (colhido do ítem 17 da Nota Cosit 234/2003): “16. Dessa forma, no que concerne á incidência da Cide instituida pela Leí n° 10.336, de 2001, seria injustificado pretender criar uma distinção entre vendas feitas diretamente pelo produtor e vendas de produtos feitas por intermédio de cooperativas de vendas, dos produtos que lhes são remetidos por seus associados para tal propósito. Em ambos os casos a operação final (i.e.: a venda do álcool combustível no mercado) é feita em nome e em favor do respectivo produtor, que apropria a receita correspondente, a qual compõe sua receita de vendas e integra seu faturamento. Em essência, portanto, haja ou não participação da cooperativa, há efetivamente venda do produtor. Fl. 371DF CARF MF 8 Não obstante, há que se considerar, ainda, que se a intenção do legislador fosse contemplar as operações realizadas através das cooperativas com um tratamento diferenciado ou privilegiado em relação à Cide de que ora se trata, então o teria feito expressamente, no ato que criou a contribuição ou em ato legal especifico posterior, o que não ocorreu, (g.n.)." 34. Mais importante que tudo isso, contudo, é o fato de a própria SRF mediante a Nota COSIT n° 234. de 01/08/2003. reconhecer, expressamente, que, nas vendas efetuadas por intermédio de cooperativa de vendas em comum. o produtor cooperado é o próprio vendedor (no caso, exportador). Vejase, dentre outros, o item 15 da referida Nota: "15. No momento em que a cooperativa exporta a produção de determinado cooperado, é correto o entendimento de que ficam preenchidos os requisitos para a fruição do crédito presumido do IPI, vale dizer, houve industrialização e exportação. Entendemos ser razoável o argumento trazido pela Copersucar de que a exportação é realizada, na verdade, pelo cooperado. O que há de particular é que o cooperado o faz por intermédio da cooperativa centralizadora de vendas. Assim, faz jus o cooperado ao crédito presumido de IPI. (g.n.)" 35. As inúmeras manifestações apresentadas nos itens anteriores, dentre outras, consagram o entendimento de que, nas operações intermediadas pela cooperativa, o verdadeiro exportador é o próprio produtor (cooperado). 36. Removido o equivocado pressuposto em que se funda o auto de infração, de que a cooperativa teria feito, por conta própria, as exportações que deram origem aos créditos presumidos do IPI, há que se reconhecer referidos créditos como absolutamente legítimos. 37. Com efeito, a própria Secretaria da Receita Federal reconheceu o direito do produtor cooperado ao crédito presumido do IPI, no item 18 da Nota Cosit 234,de 2003: 18. Então, chegase à conclusão de que faz jus o Cooperado ao crédito presumido de IPI quando a Cooperativa centralizadora de vendas exportar produção por ele entregue. A impertinente referência da equiparação a comercial exportadora 38. 0 segundo equivoco da Fiscalização está no pressuposto de que, se a cooperativa pudesse ser equiparada a uma empresa comercial exportadora, como se discorreu no auto de infração lavrado contra o estabelecimento matriz, poderseia dispensar As operações efetuadas com a cooperativa o tratamento dispensado As vendas efetuadas As comerciais exportadoras. 39. A referência de que a cooperativa não é comercial exportadora não se aplica ao caso presente. Nem a cooperativa invocou essa fundamentação para o registro dos créditos presumidos de IPI relativos As exportações efetuadas por seu intermédio. Fl. 372DF CARF MF Processo nº 15956.000249/200605 Acórdão n.º 3201003.141 S3C2T1 Fl. 369 9 40. 0 auditor fiscal jamais poderia ter feito essa referência, porque as duas situações são absolutamente distintas. Observese, com atenção, a determinação do parágrafo único do artigo 1° da Lei n° 9.363/96: "Parágrafo único. 0 disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim especifico de exportação para o exterior." 41. 0 dispositivo transcrito equipara uma venda interna a uma exportação, antecipando o direito ao beneficio do "crédito presumido", empresa que vende A comercial exportadora, para o momento da venda interna. Houve, então, necessidade de se editar lei permissiva para o procedimento mencionado, tendo em vista tratarse de situação excepcional. 42. No caso da exportação por intermédio de cooperativa de vendas, mandatária do produtor, a situação é diversa. Nesta, o cooperado não efetua venda à cooperativa. Simplesmente entrega a sua produção, realizando o autêntico ato cooperativo definido no art. 79 da Lei n° 5.764/71, transcrito a seguir, para que a cooperativa, agindo em seu nome, a venda no mercado interno ou externo: "Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. 0 ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria." 43. A entrega da produção, nesse caso, não configura venda, como no caso de alienação a empresa comercial exportadora. 0 cooperado s6 terá direito ao beneficio do "crédito presumido" quando a produção entregue cooperativa for efetivamente exportada. Nessas circunstâncias, não haveria motivo para a edição de lei dispondo sobre o imediato ressarcimento do direito A desoneração, como foi feito em relação As vendas a comerciais exportadoras. 44. Concluída a demonstração de que, nas exportações efetuadas por intermédio de cooperativa de vendas, o direito ao "crédito presumido" s6 ocorre após a realização da venda para o exterior, situação que dispensa o tratamento excepcional conferido As vendas a empresa comercial exportadora, cumpre ignorar o equivoco cometido pela autoridade fiscal. A Conclusão 45. Para concluir, a impugnante apresenta a síntese das suas razões: Fl. 373DF CARF MF 10 a) O auto de infração foi lavrado sob a alegação da existência, nos livros fiscais da cooperativa, de débitos do IPI não recolhidos. b) Os débitos do IPI objetos da autuação tinham sido extintos por compensação com créditos presumidos do IPI. A compensação não foi aceita sob alegação de que os créditos presumidos eram indevidos. c) Os débitos do IPI extintos por compensação eram oriundos de vendas de açúcar no mercado interno. Os créditos presumidos utilizados na compensação com os débitos do IPI eram decorrentes de exportações de açúcar. d) Tanto as vendas no mercado interno, como as exportações, foram vendas e exportações dos próprios produtores, realizadas por intermédio da cooperativa. e) Os créditos presumidos do IPI foram considerados indevidos sob a alegação de que a cooperativa não é produtora do açúcar que exporta. f) O primeiro engano da Fiscalização está no pressuposto de que o cooperado e a cooperativa seriam entes distintos, o primeiro incumbido da produção, a segunda incumbida da venda ou exportação, quando não o são: a segunda é simplesmente mandatária legal do primeiro. g) A impugnante demonstrou mediante análise de pareceres, atos normativos, dispositivos legais (Acórdãos 20175.187 e 20213.259, art. 66 da Lei 9.430/96, arts. 2° e 3° da Lei 10.336/2001 c/c a Decisão de Consulta SRRF/8ª 190/2002, Nota COSIT n° 234/2003), que as vendas realizadas por intermédio de cooperativa centralizadora de vendas são vendas dos próprios cooperados e não da cooperativa. h) A cooperativa age em nome, por conta e risco e em proveito dos cooperados, como simples mandatária legal dos cooperados. i) Por isso a SRF reconheceu, no item 18 da Nota Cosit 234/2003, que o produtor que exporta seus produtos por intermédio de cooperativa tem direito aos créditos presumidos do IPI. j) Tratase portanto, de créditos presumidos do IPI absolutamente legítimos, e não de créditos presumidos indevidos. k) Demonstrouse A. saciedade que as exportações realizadas por intermédio de cooperativas são exportações dos próprios produtores cooperados. A cooperativa age como simples mandatária legal dos cooperados. l) Assim sendo, os créditos presumidos do IPI decorrentes dessas exportações mantêm ilesa a qualidade de absolutamente legítimos. 46. As razões expostas demonstram que a ação fiscal resulta da rejeição indevida de compensações de débitos do IPI com créditos presumidos do IPI, absolutamente legítimos. Assim, a Fl. 374DF CARF MF Processo nº 15956.000249/200605 Acórdão n.º 3201003.141 S3C2T1 Fl. 370 11 exigência fiscal não pode prosperar, tanto em homenagem à JUSTIÇA, como em homenagem ao PRINCÍPIO inserto no § 2° do art. 174 da Constituição de que "A lei apoiará e estimulará o cooperativismo e outras formas de associativismo." O Pedido 47. Face à comprovada improcedência e ausência de suporte legal da presente ação fiscal, a impugnante protesta pela apresentação de razões aditivas, caso necessário, com base no principio da verdade material, e requer, respeitosamente, o acolhimento integral de sua defesa e, em conseqüência, o cancelamento do Auto de Infração." Esta decisão de primeira instância proferida pela DRJ/PA, foi publicada com a seguinte Ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2002 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. COOPERATIVAS CENTRALIZADORAS DE VENDAS. Incabível a apuração, a escrituração ou a utilização do crédito presumido de IPI a que fazem jus os cooperados pela Cooperativa centralizadora de vendas. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas por órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão, na forma do art. 100, II, do Código Tributário Nacional (CTN). Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido." Em Recurso Voluntário o contribuinte solicitou a nulidade da nova razão de manutenção do lançamento, utilizada pela DRJ/PA na decisão de primeira instância e reforçou todos os demais argumentos apresentados na Impugnação. Os autos foram distribuídos e pautados para julgamento conforme regimento interno deste Conselho. Relatório proferido. Voto Vencido Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 375DF CARF MF 12 Conforme o Direito Tributário, a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros Titulares, conforme Portaria de Condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. A alegação preliminar de nulidade da razão inovadora de decidir apresentada na decisão de primeira instância não merece prosperar, visto que não prejudica o andamento do julgamento, nos moldes do Art. 59 do Decreto 70.235/72, que regula o procedimento administrativos fiscal. Ademais, a questão da centralização efetuada pela cooperativa na venda e exportação dos produtos tem conexão direta com o lançamento e, portanto, pode ser utilizada como razão de decidir, ainda que não tenha constado expressamente no lançamento. Com relação ao mérito, de início, é importante reconhecer que o crédito presumido de IPI para ressarcimento de PIS/COFINS previsto na Lei 9.363/96, em uma visão breve e prática, tem o objetivo e fim social de ressarcir as contribuições da cadeia nacional industrial exportadora para que não seja exportado valor do tributo, com a conseqüente desoneração da cadeia produtiva e fortalecimento da competitividade da indústria nacional no mercado internacional. Verificase nos autos que a fiscalização entendeu que a Cooperativa não se enquadra na hipótese prevista no Art. 1.º da Lei 9.363/96, que instituiu o crédito presumido de IPI para ressarcimento do Pis e Cofins, por não ser "empresa produtora ou exportadora" de mercadorias nacionais, conforme disposto na legislação transcrita a seguir: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo." O contribuinte, por sua vez, alega que recolhe o Pis e Cofins e que, na condição de outorgado, representante dos cooperados, é equiparado a produtor e exportador e, portanto, se enquadra na hipótese prevista acima. Este é o ponto central desta lide administrativa fiscal. Se a Cooperativa que atua em nome dos cooperados, na exportação de açúcar, tem ou não direito ao crédito presumido de IPI. É importante registrar que a fiscalização não contestou a condição de substituto tributário da cooperativa (Termo de Acordo de fls. 136), não contestou a transferência dos créditos presumidos de IPI entre matriz e filial, assim como não contestou nenhum desses procedimentos de transferências ou aproveitamento de crédito presumido de IPI previstos na IN SRF 21/97, assim como não apontou nenhuma irregularidade. É importante registrar que a apuração do IPI centralizado no estabelecimento matriz, está em conformidade com o art. 15, II, da Lei nº 9.779, de 1999, determinando que a Fl. 376DF CARF MF Processo nº 15956.000249/200605 Acórdão n.º 3201003.141 S3C2T1 Fl. 371 13 apuração do crédito presumido do IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96 (Art. 2.º) 1, seja centralizado “pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica”, podendo ainda ser transferido para qualquer estabelecimento da empresa para efeito de compensação com o próprio IPI. 2 Portanto, a lide é limitada à discussão do ponto central. Em pesquisa dos precedentes deste Conselho é possível constatar que é majoritária a posição apresentada pela fiscalização. Mas, da mesma forma, é possível verificar que a maioria dos precedentes possui grande controvérsia, sendo que a maioria das votação para a manutenção do lançamento ou são por maioria ou por voto de qualidade. Desta forma, não há que se falar em jurisprudência administrativa fiscal pacífica. Também, em análise da legislação, em que pese fazer sentido a aplicação do Art. 111 do CTN, que prevê a interpretação literal da legislação nos casos de benefícios fiscais como o crédito presumido de IPI, existem dispositivos expressos que precisam ser observados, em razão da atividade deste Conselho ser vinculada, à luz da regra constitucional da legalidade. Assim, será apresentada neste voto a idéia de que, aplicando a interpretação restritiva prevista no Art. 111 do CTN ou não, às Cooperativas não foi expressamente proibido o direito ao crédito presumido de IPI. Logo, se produzem e exportam as mercadorias em conjunto com os cooperados e, também recolhem o Pis e Cofins nos moldes previstos no Art. 66 da Lei 9.430/96, devem fazer jus ao crédito presumido de IPI nos mesmos moldes do Art. 1.º da Lei 9363/96 (que instituiu o crédito presumido de IPI para ressarcimento do Pis e Cofins). Segue o Art. 66 da Lei 9.430/96, in verbis: "Art. 66. As cooperativas que se dedicam a vendas em comum, referidas no art. 82 da Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971, que recebam para comercialização a produção de suas associadas, são responsáveis pelo recolhimento da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, instituída 1 "Art. 2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. § 1º O crédito fiscal será o resultado da aplicação do percentual de 5,37% sobre a base de cálculo definida neste artigo. (Vide Lei nº 10.637, de 2002) § 2°..No caso de empresa com mais de um estabelecimento produtor exportador, a apuração do crédito presumido poderá ser centralizada na matriz. § 3º. O crédito presumido, apurado na forma do parágrafo anterior, poderá ser transferido para qualquer estabelecimento da empresa para efeito de compensação com o Imposto sobre Produtos Industrializados, observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal. (grifado)." 2 Art.15. Serão efetuados, de forma centralizada, pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica: I o recolhimento do imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos; II a apuração do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI de que trata a Lei no 9.363, de 13 de dezembro de 1996;" Fl. 377DF CARF MF 14 pela Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991 e da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, criada pela Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, com suas posteriores modificações." Este entendimento está em consonância com o próprio objetivo e fim social da lei que instituiu o crédito presumido de IPI. Conforme instrumentos societários juntados aos autos com a Impugnação e também com Recurso Voluntário, assim como descrito no próprio lançamento, é possível constatar que as mercadorias produzidas pelas cooperadas são encaminhadas à COPERSUCAR para posterior comercialização dessas a terceiros e rateio proporcional do resultado das vendas entre os cooperados. A cooperativa, portanto, comercializa os produtos acabados em nome e benefício dos cooperados, procedimento legal e previsto no art. 83 da lei nº 5.764/71, in verbis: “A entrega da produção do associado à sua cooperativa significa a outorga a esta de plenos poderes para a sua livre disposição, inclusive para gravála e dála em garantia de operações de crédito realizadas pela sociedade, salvo se, tendo em vista os usos e costumes relativos à comercialização de determinados produtos, sendo de interesse do produtor, os estatutos dispuserem de outro modo.” O propósito negocial e formatação societária das cooperativas é único e diferenciado dos conceitos mais comuns de empresas limitadas ou de sociedade anônima, mas não é por isto que deixarão de ter o direito ao crédito presumido de IPI. Para fins financeiros e inclusive fiscais, as cooperativas trabalham em conjunto com seus cooperados, singindo todos os cooperados e cooperativa em um só negócio, empresas com objetivos em comum. Esta é a leitura dos Art. 3.º e 83 da Lei 5.764/71, lei que definiu a política nacional de cooperativismo e instituiu o regime jurídico destas. Segue para apreciação a transcrição do mencionado Art. 3.º, in verbis: "Das Sociedades Cooperativas. Art. 3° Celebram contrato de sociedade cooperativa as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício de uma atividade econômica, de proveito comum, sem objetivo de lucro." Em adição, o conceito de empresa produtora e exportadora, para efeito da concessão do crédito presumido de IPI, pode incluir as empresas que possuem estabelecimentos equiparados a industrial. É uma disposição expressa no Art. 11, II, do RIPI/02, transcrita a seguir: "Art. 11. Equiparamse a estabelecimento industrial, por opção (Lei nº 4.502, de 1964, art. 4º, inciso IV, e Decretolei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 1ª): II as cooperativas, constituídas nos termos da Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971, que se dedicarem a venda em comum de bens de produção, recebidos de seus associados para comercialização." Fl. 378DF CARF MF Processo nº 15956.000249/200605 Acórdão n.º 3201003.141 S3C2T1 Fl. 372 15 Assim, em acordo claro e pacato com a legislação, a cooperativa exporta como se a cooperada fosse, equiparada à esta e, portanto, é produtora e exportadora nos moldes do Art. 1.º da Lei 9.363/96, que instituiu o crédito presumido de IPI para ressarcimento do Pis e Cofins. CONCLUSÃO. Diante do exposto, votase para DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para que seja cancelado o lançamento. Voto proferido. (assinatura digital) Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 379DF CARF MF 16 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, redator designado. O Presidente incumbiume de redigir o voto vencedor na matéria, posto que, com a devida vênia, abri divergância em relação ao posicionamento do Conselheiro relator. O direito de aproveitamento do crédito presumido é do produtor, isto é, no presente caso, dos cooperados. Vejase a legislação: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (ressaltei) Ainda que a cooperativa possa representar os cooperados em vários âmbitos, não há regulamentação para substituição quanto à titularidade dos créditos presumidos. Tal questão já foi submetida pela empresa à administração tributária, que prolatou a Nota Cosit 234/2003. No item 21.5 dessa nota ficou estipulado que a centralizadora de vendas não poderia utilizar o crédito presumido de IPI. No mesmo sentido os precedentes do Carf 330201.554, 3402003.212, 3401 003.796, que tratam da mesma matéria e da mesma cooperativa. Desse modo, votei por negar provimento ao recurso, tese que restou vencedora por voto de qualidade. Marcelo Giovani Vieira, redator designado. Fl. 380DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.722870/2015-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Oct 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2013
COMPENSAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE.
Afasta-se a glosa do valor compensado pelo contribuinte a título de imposto de renda retido na fonte, quando for comprovada a retenção através de documentos emitidos pela fonte pagadora.
Numero da decisão: 2201-003.892
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
EDITADO EM: 10/10/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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Afastase a glosa do valor compensado pelo contribuinte a título de imposto de renda retido na fonte, quando for comprovada a retenção através de documentos emitidos pela fonte pagadora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. EDITADO EM: 10/10/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 28 70 /2 01 5- 58 Fl. 124DF CARF MF 2 Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Nesta oportunidade, utilizome trechos do relatório produzido em assentada anterior, eis que aborda de maneira elucidativa os fatos objeto dos presentes autos, nos termos seguintes: Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrada a notificação de lançamento do anocalendário 2012 (fls.30/33), em que foi apurada Compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, no montante de R$ 28.666,23, figurando como beneficiário o CPF nº 054.584.49754. O crédito tributário e o enquadramento legal constam da notificação de lançamento. Inconformado, o contribuinte apresentou a impugnação, de fls. 2 e 3, juntamente com demais documentos, conforme as razões ali expostas. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) julgou improcedente a impugnação, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 COMPENSAÇÃO INDEVIDA DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. O imposto retido na fonte será deduzido do imposto progressivo para fins de determinação do saldo do imposto a pagar ou a ser restituído, na declaração de ajuste anual, quando devidamente comprovada a respectiva retenção. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Posteriormente, foi interposto recurso voluntário, no qual a contribuinte sustentou, em síntese, que: a) foram juntados aos autos todos os documentos comprovando o recolhimento e a retenção na fonte do imposto de renda, mas a decisão de primeira instância ignorou esses documentos; b) a fonte pagadora enviou ao contribuinte o demonstrativo de rendimentos pagos e de imposto sobre a renda retido na fonte sob o n.º CNPJ n.º 13.018.396/000146, no valor de 12.236,94, incluindo também os DARFs que comprovam o recolhimento do imposto de renda na fonte, no valor de R$ 6.118,47, para cada DARF; c) o auto de infração veio com a descrição errada do CNPJ da fonte pagadora AMRTEC TECNOLOGIA, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO (CNPJ 30.183.960/001462), que é inexistente; Fl. 125DF CARF MF Processo nº 12448.722870/201558 Acórdão n.º 2201003.892 S2C2T1 Fl. 3 3 d) no que se refere à fonte pagadora Hospital Maternidade Therezinha de Jesus , foi apresentado o demonstrativo de rendimentos pagos e de imposto sobre a renda retido na fonte sob o CNPJ n.º 21.583.042/000172, no valor de R$ 11.342,35, incluindo também os 5 DARFs comprovando o recolhimento do imposto de renda na fonte, no valor de R$ 2.268,47, para cada DARF; e) também anexou o contrato de locação, comprovando a existência do vínculo obrigacional; f) constou do auto de infração número equivocado de CNPJ (15.830.420/001722), sendo inexistente; g) foi anexado aos autos o comprovante de rendimentos pagos e de imposto sobre a renda retido na fonte sob o CNPJ n.º 10.213.051/000155, tendo sido recolhido o valor de R$ 9.563,14, incluindo 7 DARFs do recolhimento do imposto de renda retido na fonte, no valor de R$ 2.543,47 e R$ 893,47; h) também foi anexado contrato de locação e demonstrado o erro no CNPJ da empresa. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e com condições de admissibilidade. Conforme narrado, os presentes autos tratam da compensação indevida de imposto de renda retido na fonte. O recorrente afirma que efetuou corretamente o preenchimento de sua declaração com as informações prestadas pelas fontes pagadoras RG LOG LOGÍSTICA E TRANSPORTE LTDA., AMRTEC TECNOLOGIA IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. e HOSPITAL E MATERNIDADE THEREZINHA DE JESUS, comprovando o recolhimento do IR fonte com os 7 DARF, 2 DARF, 5 DARF em anexo, respectivamente. Aduz também que tais DARFs apresentam outros números de CNPJ, especificados na peça defensória (fls. 2 e 3 dos autos), diferentes dos constantes da notificação de lançamento, o que pode ter gerado o erro de fato na identificação dos recolhimentos. Desse modo, solicita o contribuinte o cancelamento da infração já que houve o recolhimento do IR fonte das fontes pagadoras, consoante se comprova com os DARFs juntados (docs. fls. 5/28). Acerca do tema, a Delegacia de Origem assim se pronunciou: Fl. 126DF CARF MF 4 Da legislação acima extraise que a condição para a dedutibilidade do imposto de renda retido na fonte é a posse pelo contribuinte de comprovante da retenção emitido pela fonte pagadora, para apresentação à Fiscalização quando intimado a fazêlo. No caso em tela, o contribuinte trouxe aos autos cópias de DARF sob o código 3208 (fls. 7/10, 14/15 e 19/28) e Comprovantes de Rendimentos Pagos e de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (fls. 12 e 18), correspondentes a aluguéis e royalties pagos à pessoa física, cuja beneficiária seria a esposa do interessado, Sra. Maria da Conceição Carvalho Estrella, sua dependente na declaração do imposto de renda. Todavia, os números de CNPJ contidos nos DARF e nos Comprovantes de Rendimentos Pagos e de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte trazidos à colação, não coincidem com aqueles apurados pela fiscalização, constantes da presente notificação de lançamento (fl. 31). Cabe enfatizar que não se pode caracterizar como erro de fato, uma vez que as empresas locatárias declararam rendimentos sob outro CNPJ, impossibilitando, assim, vincular os supostos recolhimentos aos números dos CNPJs em questão. Ressaltese, ainda, que o interessado deixou de acostar aos autos os respectivos contratos de locação e em pesquisa nos arquivos eletrônicos da RFB – DIRF, verificase que inexiste DIRF para as empresas AMRTEC Tecnologia Importação e Exportação Ltda. e Hospital e Maternidade Therezinha de Jesus, deixando de ter qualquer referência às empresas em questão, tornandose vazias de sentido as alegações do recorrente. Com relação à empresa RG Log Logística e Transporte Ltda., o contribuinte declarou R$ 54.000,00 como Rendimentos Recebidos de Pessoas Jurídicas pelos Dependentes. Entretanto, em pesquisa nos sistemas informatizados da RFB – DIRF (fl. 43), verificase que existe uma DIRF em nome do contribuinte, no valor de R$ 30.000,00, com rendimentos pagos a partir de agosto. Ressaltese que o contribuinte informou em sua Declaração de Ajuste Anual ter recebido a quantia de R$ 54.000,00 com IRRF de R$ 9.554,29 e a fiscalização corrigiu os rendimentos declarados de acordo com a DIRF apresentada pela empresa. Sendo assim, o Fisco agiu corretamente ao alterar o valor de R$ 54.000,00 para R$ 30.000,00 (NL – fl. 32 dos autos), com IRRF de R$ 893,47 mensais, que correspondem aos DARF apresentados. O impugnante solicita seja considerado o valor de R$ 2.543,47, com vencimento em 20/08/2012 (CNPJ diverso, sob o n° 010.213.051/000155), e o mesmo valor com vencimento em 20/07/2012, porém este último sem autenticação bancária (DARF – fl. 7). Cabe destacar que, inexistindo nos autos outros documentos que pudessem demonstrar que esse imóvel estaria alugado antes de Fl. 127DF CARF MF Processo nº 12448.722870/201558 Acórdão n.º 2201003.892 S2C2T1 Fl. 4 5 agosto de 2012 como, por exemplo, o contrato de locação identificando as partes contratantes, bem como o valor do aluguel, não há como acatar novos valores de imposto de renda retido na fonte – IRRF. Sendo assim, verificase que cumpre manter a infração apurada de Compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, no valor de R$ 28.666,23. Com relação à fonte pagadora ARMTEC, consta dos autos o demonstrativo de rendimentos pagos e de imposto sobre a renda retido na fonte sob o n.º CNPJ n.º 13.018.396/000146, no valor de 12.236,94, incluindo também os DARFs que comprovam o recolhimento do imposto de renda na fonte, no valor de R$ 6.118,47, para cada DARF. Embora conste da Notificação de Lançamento o CNPJ n.º 30.183.960/0014 62 (ARMTEC), em consulta aos site da receita, tal CNPJ não existe, fls. 78 e 79. Assim, assiste razão ao contribuinte quanto à retenção na fonte realizada pela empresa, no CNPJ n.º 13.018.396/000146, conforme documentos de fls. 76 e 77. Pois restou constatada a inexistência do outro CNPJ (constante da Notificação) e a coincidência dos valores retidos pela empresa, declarados pelo contribuinte e pagos (de acordo com os DARFs), apesar de não ter sido anexado contrato de aluguel. No que se refere à fonte pagadora Hospital e Maternidade Therezinha de Jesus, foi anexado contrato de locação, comprovante de imposto retido da fonte, do CNPJ n.º 21.583.042/000172, no valor de R$ 11.342,35, DARFs, fls. 81 a 103, e comprovante de inexistência do CNPJ autuado. Nesse contexto, entendo devidamente comprovada a retenção na fonte, mesmo havendo divergência entre o CNPJ autuado (inexistente no sistema da receita) e o CNPJ utilizado no comprovante de imposto retido na fonte e seus respectivos DARFs, considerando que não pode ser atribuído ao contribuinte o ônus da empresa locatária que declarou os rendimentos sob outro CNPJ, dificultando a vinculação dos recolhimentos aos números dos CNPJs em questão. Sobre a fonte RG Logística e Transporte LTDA, foram apresentados os DARFs, contrato de locação, comprovante da inexistência do CNPJ autuado, fls. 104 a 118. Contudo, constou da DIRF, em nome do contribuinte, o valor de R$ 30.000,00, com rendimentos pagos a partir de agosto. Ressaltese que o recorrente informou, em sua Declaração de Ajuste Anual, ter recebido a quantia de R$ 54.000,00 com IRRF de R$ 9.554,29 e a fiscalização corrigiu os rendimentos declarados de acordo com a DIRF apresentada pela empresa, fls. 43. Desse modo, o Fisco alterou o valor de R$ 54.000,00 para R$ 30.000,00 (NL – fl. 32 dos autos), com IRRF de R$ 893,47 mensais, que correspondentes à parte dos DARFs apresentados. Apesar do exposto, não foram aproveitados os DARFs de fls. 114 (2 DARFs no valor individual de R$ 2.543,47), pois a Delegacia de Origem entendeu que não havia nos autos elementos que pudessem demonstrar que o imóvel estava alugado antes de agosto de 2012, bem como que um dos DARFs não teria autenticação bancária. Fl. 128DF CARF MF 6 Observase que a soma dos DARFs (R$ 2.543,47+ R$ 2.543,47+ R$ 4.467,35) perfazem o total declarado pelo contribuinte de R$ 9.554,29, sendo que todos os DARFs anexados ao recurso possuem autenticação bancária. Assim, embora conste dos DARFs um número diferente de CNPJ, restou demonstrado pelo contribuinte que o CNPJ descrito na autuação é inexistente, inclusive, nos demais DARFs que foram apresentados e aproveitados pelo fisco, também constava CNPJ distinto do autuado (correto/ativo). Portanto, assiste razão ao recorrente em seus argumentos, pois demonstrada a efetiva retenção na fonte. Diante do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar lhe provimento. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 129DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.933179/2009-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Nov 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2005
SÚMULA CARF Nº 84.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
Numero da decisão: 1401-002.143
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a arguições de nulidade e, no mérito, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o crédito de R$ 2.519.864,93.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e José Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a arguições de nulidade e, no mérito, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o crédito de R$ 2.519.864,93. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e José Roberto Adelino da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 93 31 79 /2 00 9- 71 Fl. 467DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (DRJ/BHE), que, por meio do Acórdão 0225.807, de 03 de março de 2010, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela empresa. Reproduzo, por oportuno, o teor do relatório constante no acórdão da DRJ: (início da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP), mediante utilização de pretenso “Pagamento Indevido/a Maior” no valor de R$ 2.519.864,93. 2. As compensações declaradas pelo contribuinte, sinteticamente: Crédito utilizado Débitos compensados DCOMP Data Origem Valor Código Valor do principal Vencimento 26609.28985.180708.1.3.04-3279 18/07/2008 Pagamento indevido/a maior R$ 2.519.864,93 5856 R$ 3.583.499,92 18/07/2008 Despacho Decisório da DRF 3. A análise do documento protocolizado pelo contribuinte foi efetuada pela DRF através do Despacho Decisório nº 848544443 anexado à fl. 34, exarado aos 07/10/2009, que assim se manifestou: “Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o Saldo Negativo de IRPJ ou CSLL do período”. 3.1 Como enquadramento legal foram citados os arts. 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 1966 ( CTN), art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 2005 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. 4. Tendo em vista as razões acima expendidas, a DRF NNÃÃOO HHOOMMOOLLOOGGAA a compensação declarada pelo contribuinte na DCOMP identificada no item 2. Manifestação de Inconformidade 5. O contribuinte foi cientificado do procedimento aos 20/10/2009, conforme documento à fl. 60. Irresignado, o contribuinte apresenta em 18/11/2009 a manifestação de inconformidade anexada às fls. 01 a 09, onde, em síntese, argumenta: 5.1 A tempestividade da apresentação da manifestação de inconformidade. 5.2 Informa que apurou a CSLLEstimativa Mensal no mês de abril/2005 no montante de R$ 2.519.864,93, informou o valor apurado em DCTF e efetuou o recolhimento da importância correspondente. 5.2.1 Acrescenta que, posteriormente, constatou erro na apuração do valor da CSLL (estimativa mensal) para o período, e “acabou por encontrar prejuízo”, Fl. 468DF CARF MF Processo nº 10680.933179/200971 Acórdão n.º 1401002.143 S1C4T1 Fl. 468 3 “gerando o recolhimento indevido de todo o montante anteriormente recolhido no valor de R$2.519.864,93”.(grifo e negrito do original) 5.2.2 A DCTF originalmente apresentada foi retificada e os valores apurados como devidos estão em conformidade com as informações prestadas em DIPJ. O indébito apurado foi utilizado em compensações de débito declaradas em DCOMP. 5.3 A autoridade fiscal Não Homologou a compensação declarada, exigindo do contribuinte o principal, multa e juros referentes ao débito compensado. “Todavia, a Requerente demonstrará ser totalmente ilegal a cobrança do saldo devedor acima referido, pleiteando pela homologação das compensações declaradas e a anulação do despacho decisório (...)”. 5.4 Tendo em vista a motivação apresentada pela DRF argumenta que “o entendimento da autoridade fiscal destoa do entendimento do Conselho de Contribuintes sobre o assunto, não atendendo aos ditames da Lei nº 9.430, de 1996”. Invoca os arts. 2º e 74 da Lei nº 9.430, de 1996 para alegar que “não há qualquer impedimento legal à compensação pleiteada”. Afirma que a única restrição existente está prevista no art. 10 da IN SRF nº 600, de 2005. Ilustra com acórdãos e voto do Conselho de Contribuintes. 5.4.1 Argumenta que “a Requerente efetuou recolhimento antecipado de IRPJ e, em função de ter constatado erro na apuração da base de cálculo mensal, apurou antecipação superior à que seria efetivamente devida dentro do próprio mês.” Informa a retificação da DCTF, “tornando perfeitamente identificável o mês de geração do indébito tributário”. 5.4.2 Ressalta que a Instrução Normativa nº 900, de 2008, que revogou a IN SRF nº 600, de 2005 revogou “a hipótese de vedação à compensação dentro do próprio ano, o que demonstra uma mudança de entendimento dentro da própria RFB, em relação ao tema objeto da presente impugnação”. 5.5. Em outra linha argumentativa, o manifestante “requer que seja preservado o direito à restituição do indébito tributário, tendo em vista que a Declaração de Compensação e a presente impugnação, tempestivamente apresentada, são provas do cumprimento do prazo prescricional de 05 (cinco) anos previsto no art. 168 do CTN”. Destaca ainda que “na hipótese de o despacho decisório em epígrafe não for reformado, considerase resguardado o seu direito de contestação na esfera judicial em até dois anos contados da decisão administrativa que denegar a compensação, por força do art. 169 do Código Tributário Nacional”. 5.6 Por fim, requer o acolhimento da manifestação de inconformidade para reformar o Despacho Decisório prolatado pela DRF e a homologação da compensação, além da suspensão da exigibilidade do crédito tributário. 6. Diante da manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, o processo foi encaminhado a esta DRJ para manifestação acerca da lide (fl.61). (término da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) A DRJ, por meio do Acórdão 1272.619, de 06 de fevereiro de 2015, julgou procedente em parte a impugnação apresentada pela empresa, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Fl. 469DF CARF MF 4 Data do fato gerador: 31/05/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, passíveis de restituição ou ressarcimento, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação vigente para a sua utilização. COMPENSAÇÃO PAGAMENTOS POR ESTIMATIVA As estimativas mensais, ainda que pagas em valor superior ao calculado na forma da lei não se caracterizam, de imediado, como tributo indevido ou a maior passível de restituição/compensação. A opção pelo pagamento mensal por estimativa difere para o ajuste anual a apuração do possível indébito, quando ocorre a efetiva apuração do imposto devido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada da decisão da DRJ na data de 10/05/2010 via ARECF (efls. 83) e não satisfeita com a decisão da delegacia de piso, resolveu apresentar recurso voluntário em 09/06/2010 (efls. 85 a 106), repetindo basicamente os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, diferenciandose em razão do pedido de nulidade do acórdão recorrido, como se pode observar de trecho das razões do recurso voluntário (efl. 92): Dessa forma, o Acórdão recorrido, não só por desconsiderar a prova dos autos, mas também por tecer considerações favoráveis acerca da compensação, e depois, imprimir ao pagamento indevido a pecha de "mera antecipação de pagamento", vedando ao contribuinte a possibilidade de obter o aproveitamento de créditos para o adimplemento de outros tributos exigíveis e administrados pela Receita Federal do Brasil, é eivado de nulidade insanável, o que determina o seu imediato cancelamento, bem como a devolução dos autos à DRJ/BHE, para que seja prolatada nova decisão, agora coerente com os fatos apresentados pela Recorrente. Em julgamento no CARF, esta turma ordinária, em outra composição, resolveu baixar o processo em diligência para que a unidade de origem verificasse se efetivamente a empresa possuía o crédito que fora pleiteado. Isto porque, na época do julgamento do processo, o CARF já havia publicado a Súmula CARF nº 84, de 10/12/2012, em que se superou a impossibilidade de utilização do saldo negativo do IRPJ e da CSLL para quitar as estimativas apuradas dentro do mesmo exercício fiscal. Vejase, em trecho da Resolução nº 1401000.343, da sessão de 24/03/2015, a proposta da diligência: (início da transcrição do voto constante na Resolução do CARF) O pedido inicial da Recorrente referente ao reconhecimento do direito creditório pleiteado do valor de IRPJ ou de CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada, pode ser analisado, uma vez que o “pagamento indevido ou a maior a título de estimativa pode caracterizar indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação”, desde que comprovado erro, em conformidade com a Súmula CARF nº 84. Fl. 470DF CARF MF Processo nº 10680.933179/200971 Acórdão n.º 1401002.143 S1C4T1 Fl. 469 5 A Unidade de origem afastou a possibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados, não permite concluir pela integridade da formação do crédito e assim não foi analisada a efetiva existência do direito creditório pleiteado. Superada esta questão, necessário se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. Os efeitos do acatamento da preliminar da possibilidade de deferimento da Per/DComp, cujo pretenso direito creditório se refere ao pagamento de estimativa em valor indevido, impõe, pois, o retorno dos autos à unidade de jurisdição da Recorrente para que seja analisado o mérito do pedido, ou seja, a origem e a procedência do crédito pleiteado, em conformidade com a escrituração mantida com observância das disposições legais, desde que comprovada por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, bem como com os registros internos da RFB. Também devem ser examinados conjuntamente os Per/DComp que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas, se for o caso. Analisando o que foi anteriormente exposto, verificase que a decisão recorrida abstevese de verificar a existência do suposto pagamento a maior efetuado pela contribuinte a título de recolhimento de estimativa sob o argumento que as estimativas mensais, ainda que pagas em valor superior ao calculado na forma da lei não se caracterizam, de imediato, como tributo indevido ou a maior passível de restituição/compensação. Em assim sucedendo e com observância do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, voto por converter o julgamento na realização de diligência para que a autoridade preparadora da Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdicione a Recorrente, considerando a observância ao princípio da verdade material, determinar o retorno do processo para que sejam verificados os seguintes pontos: i) a comprovação da efetividade dos pagamentos que geraram o tributo pago a maior; e ii) requerer a juntada dos documentos necessários a averiguação da base de cálculo da DCTF retificada, a partir do montante comprovado quantificar o direito creditório. (negritei) A autoridade designada ao cumprimento da diligência solicitada deverá elaborar o Relatório Fiscal circunstanciado e conclusivo sobre os fatos averiguados em especial a comprovação da efetividade dos pagamentos que geraram o tributo pago a maior, bem como quantificar o direito creditório (término da transcrição do voto constante na Resolução do CARF) No resultado da Diligência (efl. 450), a fiscalização apresentou a seguinte conclusão: Assim, afastada a impossibilidade de formação de indébitos em estimativas pela súmula nº 84 do CARF, fica caracterizado o crédito de pagamento indevido no valor de R$ 2.519.864,93. (negritei) Intimada do resultado da diligência, a empresa apresentou resposta de efls. 457 a 459, em que demonstrou ter concordado com o resultado da diligência, no que repetiu seu pedido de deferimento do crédito pleiteado. No retorno do processo ao CARF, coube a mim sua relatoria. Fl. 471DF CARF MF 6 É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator O processo preenche os requisitos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. NULIDADE A recorrente pugna pela nulidade do acórdão da DRJ. Conforme disposição contida no § 3º do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, supero a questão preliminar trazida pela recorrente, pois proponho dar provimento ao recurso voluntário quanto às questões de mérito. Vejase a redação: § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) MÉRITO Como visto, o cerne da discussão neste processo reside no afastamento do direito creditório da recorrente em razão da suposta impossibilidade de aproveitamento de saldo negativo de determinado período para se compensar com estimativas apuradas em períodos posteriores dentro de um mesmo anocalendário. A DRJ, após apresentar digressões sobre o direito creditório, julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base nos seguintes argumentos: 25.3.2 A única hipótese para a restituição/compensação está prevista após a apuração do imposto em 31 de dezembro, ou seja, após a apuração definitiva do imposto. Somente neste momento a lei atribuiu aos valores “antecipados a maior” a característica de “restituíveis”. Assim sendo, somente passíveis de restituição e consequentemente hábeis a declarar a compensação da forma prevista no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 o pretenso indébito apurado em 31 de dezembro, intitulado “Saldo Negativo de IRPJ” ou “Saldo Negativo de CSLL”, conforme o caso. 25.3.3 Em síntese, a lei somente atribuiu a condição de “restituível”, e como conseqüência, autorizou a compensação do pretenso indébito correspondente aos optantes pelo IRPJ/CSLLLucro Real Anual após a apuração definitiva do imposto. Neste contexto, todos os pagamentos efetuados pelo contribuinte no decorrer do período de apuração, ainda que efetuados em valor maior que o estimado devem ser deduzidos do imposto apurado no final do período para então, quantificar as possíveis antecipações efetuadas a maior, passíveis de restituição ou compensação. Fl. 472DF CARF MF Processo nº 10680.933179/200971 Acórdão n.º 1401002.143 S1C4T1 Fl. 470 7 25.3.4 Esclareçase, por oportuno que, com a edição da Lei nº 9.532, de 1997, o Saldo Negativo do IRPJ e da CSLL passaram a “restituíveis” a partir do mês de janeiro do ano calendário subseqüente ao período de apuração, conforme Ato Declaratório SRF nº 003, de 07 de janeiro de 2000. Após julgamento da DRJ e interposição do recurso voluntário pela empresa, foi aprovada, pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a Súmula CARF nº 84, na sessão de 10/12/2012, em que se possibilitou o aproveitamento do saldo negativo apurado em certo período para compensar as estimativas apuradas em períodos posteriores, vejase o teor da Súmula: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Assim sendo, a turma do CARF resolveu baixar o processo em diligência para verificar se a empresa efetivamente havia apurado o crédito ora pleiteado. Como resultado da diligência, a DRF reconheceu o crédito R$ 2.519.864,93. Apresento abaixo as informações contidas no Relatório de Diligência Fiscal, as/das quais adoto e sirvome como razões de decidir: (início da transcrição do Relatório de Diligência Fiscal) Trata o presente processo de compensação de crédito de pagamento a maior de estimativa da CSLL, período de apuração abril de 2005, originado pela Dcomp nº 26609.28985.180708.1.3.043279 (fls. 46 a 51 da numeração digital). Para análise do recurso voluntário, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais solicitou a esta DRF, comprovar a efetividade do pagamento que gerou o tributo pago a maior, averiguar a base de cálculo da DCTF retificada e quantificar o direito creditório (fl. 166). Para tanto, o contribuinte foi intimado a: • informar o método de apuração da estimativa mensal (Receita Bruta x Balanço de Suspensão/Redução) do mês de 04/2005, utilizado nos cálculos dos valores originalmente declarados e dos valores retificados; • demonstrar e comprovar o erro de fato cometido na apuração do valor devido a título de estimativas no período de apuração 04/2005, com precisa indicação nos elementos documentais apresentados; • juntar os documentos necessários à averiguação da base de cálculo da DCTF retificada; • apresentar outros elementos que entender cabíveis com vistas a comprovação do erro de fato alegado. A empresa apresentou resposta em 03/06/2016 (fls. 170 a 207). Posteriormente, em 09/03/2017, apresentou novos documentos, que foram anexados às folhas 208 a 232. Anexei também cópias integrais de todas as DIPJ relativas ao anocalendário 2005 e de todas as DCTF relativas a abril de 2005: Fl. 473DF CARF MF 8 • DIPJ original, de 30.06.2006 (fls. 233 a 289); • DIPJ retificadora, de 25.10.2006 (fls.290 a 346); • DIPJ retificadora, de 29.04.2010 (fls. 347 a 403) ativa no sistema; • DCTF original, de 07.06.2005 (fls. 404 a 412); • DCTF retificadora, de 15.09.2006 (fls. 413 a 420); • DCTF retificadora, de 26.10.2006 (fls. 421 a 429); • DCTF retificadora, de 24.09.2007 (fls. 430 a 443) ativa no sistema. Por fim, anexei a cópia do LALUR de abril de 2005, apresentada pela empresa no processo 10680.933176/200938, referente ao pagamento a maior de estimativa do IRPJ no mesmo período (fl. 445 a 446). Método de apuração da estimativa mensal Em sua resposta, a empresa informou que, desde a primeira apuração, optou pelo Balanço ou Balancete de Suspensão/Redução (fl. 170). Essa informação é coerente as DCTF anexadas, pois desde a DCTF original, os débitos de estimativa da CSLL informam a opção pelo Balanço de Redução. Também as DIPJ informam que todas as estimativas de 2005 foram apuradas com base em Balanço ou Balancete de Suspensão ou Redução. O quadro a seguir informa os valores da estimativa constantes nas declarações anexadas. Verificase que, com exceção da DCTF original, anterior à entrega da DIPJ, as demais são coerentes com as DIPJ entregues. Data de entrega Declaração Valo do débito Observação 07.06.2005 DCTF original R$ 2.519.864,93 vinculado a pagamento 30.06.2006 DIPJ original 0,00 15.09.2006 DCTF retificadora Não consta 25.10.2006 DIPJ retificadora R$ 39.093,38 26.10.2006 DCTF retificadora R$ 39.093,38 vinculado a pagamento 29.04.2007 DIPJ retificadora 0,00 DIPJ ativa 24.09.2007 DCTF retificadora Não consta DCTF ativa Erro de fato cometido na apuração do valor da estimativa Quanto à alteração do valor apurado, o contribuinte alega, à folha 171, que: “o erro foi gerado devido à falta, à época da apuração, da inclusão de adições e exclusões dos seguintes itens, dentre outros: •Reconhecimento dos efeitos referentes ao passivo atuarial Forluz; •Reconhecimento de ganho e perda no MEP das Coligadas e Controladas. Cabe esclarecer que tais fatos não foram considerados inicialmente na apuração, pois a empresa encontravase em processo de conclusão de desverticalização, sendo o ano de 2005 o primeiro a considerar os efeitos da reorganização societária.” Fl. 474DF CARF MF Processo nº 10680.933179/200971 Acórdão n.º 1401002.143 S1C4T1 Fl. 471 9 Na memória de cálculo às folhas 182 e 210, a empresa compara a apuração “Preliminar” da estimativa (DCTF original) com a apuração “Final” (DIPJ e DCTF ativas), indicando os itens responsáveis pela alteração do valor apurado: Apuração "Preliminar" Apuração "final" Efeito no Lucro Real ADIÇÕES Provisão Passivo Atuarial Forluz EXCLUSÕES 0,00 121.319,11 + 121.319,11 Reversão Provisão Indedutível Passivo Atuarial Forluz 0,00 1.271.123,41 1.271.123,41 Reversão Provisão Indedutível Contingências 1.075.167,60 24.524.378,57 23.449.210,97 Reavaliação Provisão Indedutível Passivo Atuarial Forluz 0,00 16.980.227,21 16.980.227,21 Reversão da PRL 61.247.455,74 58.638.855,22 + 2.618.600,52 TOTAL 38.960.641,96 Devido aos itens citados, a Base de Cálculo da CSLL, que tinha o valor de R$ 35.727.809,20 na apuração “Preliminar” foi transformado em Base de Cálculo Negativa de – R$ 3.232.832,76 na apuração “Final”. Consequentemente, o débito de estimativa no valor de R$ 2.519.864,93 da apuração “Preliminar” deixou de existir. Foi verificado que as contas de ajuste utilizadas na apuração “Final” são coerentes com a cópia do LALUR (fl. 446). Quanto aos valores utilizados na apuração “Preliminar”, a maioria das contas apresenta o mesmo valor da apuração “Final” e, portanto, do LALUR. Não foram apresentadas explicações detalhadas sobre os erros cometidos originalmente nas contas que depois sofreram alteração. A explicação foi genérica: o processo de desverticalização da empresa. A documentação adicional às respostas de junho de 2016 (fls. 183 a 190) e março de 2017 (fls. 211 a 232) não esclarecem os motivos dos lançamentos errados. Apesar disso, o fato de todas as DCTF e DIPJ informarem apuração de estimativas por Balanço de Redução indica que não houve mudança no método de apuração (Receita Bruta x Balanço de Redução). Assim, embora não esclarecidos em detalhes os motivos dos erros, tudo indica que eles ocorreram de fato e foram a causa dos valores apurados originalmente. Existência e quantificação do crédito O sistema SIEF apresenta o pagamento de R$ 2.519.864,93 inteiramente disponível, pois a DCTF ativa não informa débito de estimativa da CSLL, PA abril de 2005 (fl. 444). A DIPJ 2006 ativa (fls. 347 a 403) mostra que esse valor não foi utilizado na formação do Saldo Negativo da CSLL: DIPJ 2006 ativa Ficha 16 – Estimativas CSLL Estimativa apurada Maio 300.962,97 Novembro 1.264.216,17 Total das estimativas apuradas 1.565.179,14 Fl. 475DF CARF MF 10 Ficha 17 – Cálculo da CSLL Dedução CSLL Mensal Pago por Estimativa 1.565.179,14 O crédito de Saldo Negativo da CSLL apurado foi objeto da Dcomp nº 17427.049.170910.1.3.034927, já analisada no processo nº 10680.720355/200915. Nesse processo, o pagamento em questão não é utilizado no cálculo do crédito de Saldo Negativo da CSLL. Assim, afastada a impossibilidade de formação de indébitos em estimativas pela súmula nº 84 do CARF, fica caracterizado o crédito de pagamento indevido no valor de R$ 2.519.864,93. Proponho o envio deste relatório ao contribuinte, facultandolhe o prazo de 30 (trinta) dias do recebimento para apresentação de razões adicionais à defesa, com posterior retorno do processo ao CARF. (término da transcrição do Relatório de Diligência Fiscal) Como visto, a Equipe de Restituição, Compensação e Ressarcimento PJ EqrestPJ, do Serviço de Orientação e Análise Tributária Seort, da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Belo Horizonte, reconheceu o crédito objeto da discussão constante neste recurso voluntário. Desta forma, proponho o deferimento do total do crédito objeto deste processo de compensação. Conclusão Diante do exposto, voto por AFASTAR as arguições de nulidade e, no mérito, voto por DAR provimento ao recurso voluntário para reconhecer o crédito de R$ 2.519.864,93. (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Fl. 476DF CARF MF Processo nº 10680.933179/200971 Acórdão n.º 1401002.143 S1C4T1 Fl. 472 11 Fl. 477DF CARF MF
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Numero do processo: 17515.001100/2008-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 27/08/2008
CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. RECONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº 01.
Consoante determina a Súmula CARF nº 01, deve haver o reconhecimento da existência de concomitância quando a ação judicial e o processo administrativo tenham o mesmo objeto. E o comando vai além, permitindo a análise, pelo órgão de julgamento administrativo, tão somente de matéria distinta da constante no processo judicial. Entende-se por objeto da demanda aquilo que com ela se pretende alcançar.
O reconhecimento da existência de concomitância implica que não haverá decisão no contencioso administrativo sobre a matéria de mérito do auto de infração que também está sendo discutida na esfera judicial, inclusive tornando-se insubsistentes eventuais julgados já proferidos, mesmo os favoráveis à Contribuinte.
De outro lado, havendo o trânsito em julgado da demanda judicial de forma favorável ao Sujeito Passivo, extinguindo a obrigação tributária, como é o caso dos presentes autos, a declaração de concomitância não traz qualquer prejuízo às partes, pois caberá à Administração Tributária cumprir a decisão judicial definitiva de mérito.
Numero da decisão: 9303-006.020
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento para reconhecer a concomitância entre a esfera administrativa e judicial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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RECONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº 01. Consoante determina a Súmula CARF nº 01, deve haver o reconhecimento da existência de concomitância quando a ação judicial e o processo administrativo tenham o mesmo objeto. E o comando vai além, permitindo a análise, pelo órgão de julgamento administrativo, tão somente de matéria distinta da constante no processo judicial. Entendese por objeto da demanda aquilo que com ela se pretende alcançar. O reconhecimento da existência de concomitância implica que não haverá decisão no contencioso administrativo sobre a matéria de mérito do auto de infração que também está sendo discutida na esfera judicial, inclusive tornandose insubsistentes eventuais julgados já proferidos, mesmo os favoráveis à Contribuinte. De outro lado, havendo o trânsito em julgado da demanda judicial de forma favorável ao Sujeito Passivo, extinguindo a obrigação tributária, como é o caso dos presentes autos, a declaração de concomitância não traz qualquer prejuízo às partes, pois caberá à Administração Tributária cumprir a decisão judicial definitiva de mérito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento para reconhecer a concomitância entre a esfera administrativa e judicial. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 51 5. 00 11 00 /2 00 8- 11 Fl. 272DF CARF MF Processo nº 17515.001100/200811 Acórdão n.º 9303006.020 CSRFT3 Fl. 273 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL (fls. 221 a 225) com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, buscando a reforma do Acórdão nº 3801001.403 (fls. 208 a 212) proferido pela 1ª Turma Especial da Terceira Seção de julgamento, em 21 de agosto de 2012, no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, tendo sido ratificado pelo Acórdão nº 3801001.996 (fls. 217 a 219), que rejeitou os embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional. As decisões foram assim ementadas: Acórdão nº 3801001.403 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 27/08/2008 Ementa: Diante da imunidade em relação aos Imposto de Importação, Cofins e PIS/PASEP e a validade da expedição retroativa do Certificado de Fl. 273DF CARF MF Processo nº 17515.001100/200811 Acórdão n.º 9303006.020 CSRFT3 Fl. 274 3 Entidade Beneficente de Assistência Social ter sido reconhecida no âmbito do Poder Judiciário, essa deve ser reconhecida em sede administrativa. Acórdão nº 3801001.996 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 27/08/2008 Ementa: Não deve ser provido Embargos de Declaração que não demonstra vícios do julgado embargado. Os Embargos de Declaração não tem o condão de alterar a decisão proferida e, sim, aperfeiçoála. Embargos de Declaração Rejeitados O presente processo tem origem em auto de infração lavrado para exigência do PIS e da COFINS, com o intuito de prevenir a decadência, tendo em vista que a Contribuinte discutiu a imunidade quanto aos tributos e a validade do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, no âmbito do Poder Judiciário por meio do mandado de segurança nº 2008.70.0.0163420/PR. Por bem descrever os fatos ocorridos neste processo administrativo, adotase o relatório do acórdão recorrido, com os devidos acréscimos, in verbis: [...] Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ – Florianópolis/SC, abaixo transcrito: “O presente processo referese aos autos de infração de fls. 35/45, lavrados para as exigências de Cofins e PIS/PASEP, acrescidos de juros de mora e multa de oficio, totalizando um crédito tributário no valor de R$8.680,88. Segundo relato da fiscalização, a interessada registrou a DI n.° 08/13296387 em 27/08/2008, alegando a não incidência de PIS e Cofins, conforme Lei n.° 10.865/2004. Referido beneficio não foi concedido haja vista a não apresentação do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social. A importadora, então, impetrou Mandado de Segurança n.° 2008.70.0.0163420/PR, onde discute a imunidade quanto aos tributos e a validade do Certificado. O pedido de liminar foi indeferido e autorizado o depósito judicial do montante integral do crédito discutido para liberação das mercadorias importadas em 11/09/2008 (fls. 29). Fl. 274DF CARF MF Processo nº 17515.001100/200811 Acórdão n.º 9303006.020 CSRFT3 Fl. 275 4 Como o depósito judicial foi efetuado em valor inferior ao montante devido, a fiscalização lavrou os presentes autos de infração com as contribuições devidas e não recolhidas, correspondentes às diferenças não incluídas no depósito e que não estariam com a exigibilidade suspensa, bem como juros de mora e multa de oficio de 75% prevista na Lei n.° 9.430/96, art. 44, com a redação da Lei n.° 11.488/2007. Os valores devidos e não recolhidos que correspondiam ao montante do depósito judicial foram objetos do lançamento através do processo n.° 17515.000844/200819. Os valores lançados através do presente processo não encontramse amparados por medida liminar ou depósito judicial e portanto estão sendo exigidos. Intimada da autuação, a interessada apresentou a impugnação de fls. 53/57, alegando o que segue: 1 Haja vista o indeferimento da isenção requerida no registro da DI n.° 08/13296387 pela autoridade fiscal, a autuada impetrou Mandado de Segurança n.° 2008.70.00.0163420/PR para ser julgado seu pedido. A liminar foi indeferida mas autorizado o depósito do valor integral dos tributos para a suspensão da exigibilidade do crédito tributário e a liberação das mercadorias importadas. 2 Mesmo com a apresentação da guia de depósito nos autos do mandado de segurança, a fiscalização constituiu o auto de infração em tela cobrando os tributos e a exorbitante multa de oficio de 75%, mais juros de mora. 3 É sabido que a exigibilidade do crédito tributário encontrase suspensa por força do art. 151, II, do CTN. A liberação das mercadorias, e a conseqüente suspensão do crédito, só poderia ter ocorrido com o depósito integral do valor dos tributos, nos moldes da decisão proferida. E se o Inspetor não se opôs ao valor apresentado judicialmente, não há mais o direito da Secretaria da Receita Federal discutir diferenças e multas devidas. A maneira adequada para cobrar as diferenças seria impugnar a guia de depósito apresentada pela impugnante no mandado de segurança, o que não ocorreu. 4 Questiona também o valor do ICMS na base de cálculo das contribuições eis que é isenta do recolhimento de ICMS. 5 A multa exigida de 75% é exorbitante e não poderia passar de 20% do valor da contribuição. Analisando o litígio, a DRJ – Florianópolis/SC decidiu pela procedência dos autos de infração consubstanciados no presente processo administrativo, conforme ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 27/08/2008 MULTA DE OFÍCIO. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. Aplicase a multa de oficio em lançamento tendente a prevenir decadência de crédito discutido judicialmente em mandado de segurança impetrado contra exigência formulada no curso do despacho aduaneiro de importação, tendo em vista a exclusão da Fl. 275DF CARF MF Processo nº 17515.001100/200811 Acórdão n.º 9303006.020 CSRFT3 Fl. 276 5 espontaneidade do importador em conseqüência do inicio do despacho aduaneiro por meio do registro da Declaração de Importação. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. MEDIDA JUDICIAL. Ainda que houvesse medida judicial suspensiva da exigibilidade do crédito tributário não afastaria a constituição do mesmo através de auto de infração ou lançamento, tendo em vista a prevenção da decadência. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. CDT, ART. 151. DEPÓSITO INTEGRAL. ABRANGÊNCIA. O depósito somente suspende a exigibilidade do crédito tributário se for integral e em dinheiro. (Súmula 112/STJ) A expressão "depósito integral", contida no art. 151, do CTN, e na Súmula 112/STJ, abrange não só os tributos considerados devidos, mas, também, a multa e juros moratórios. Impugnação Improcedente”. Consta nos autos recurso voluntário apresentado tempestivamente, no qual a fundação traz as seguintes alegações, em resumo: ∙ O depósito judicial realizado nos autos do Mandado de Segurança suspendeu a exigibilidade do crédito tributário, circunstância que impediria a lavratura das autuações fiscais em debate; ∙ A Recorrente é imune ao recolhimento de impostos e contribuições em importações; ∙ A superveniente expedição do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social em nome da Recorrente, compreendendo os períodos de 28.09.2005 a 27.09.2008 e 10.11.2008 a 09.11.2011; e ∙ por fim, a exorbitância da multa aplicada aos autos de infração. É o relatório. [...] Sobreveio decisão de provimento do recurso voluntário, nos termos do Acórdão nº 3801001.403 (fls. 208 a 212) proferido pela 1ª Turma Especial da Terceira Seção de julgamento, em 21 de agosto de 2012, no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, tendo sido ratificado pelo Acórdão nº 3801001.996 (fls. 217 a 219), que rejeitou os embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional, de cuja fundamentação extraise ter entendido o Colegiado a quo por afastar a concomitância entre as esferas judicial e administrativa, sob o fundamento de o auto de infração ter sido lavrado para prevenir a decadência. Para elucidar a assertiva, pertinente a transcrição dos argumentos postos no julgado, in verbis: [...] Fl. 276DF CARF MF Processo nº 17515.001100/200811 Acórdão n.º 9303006.020 CSRFT3 Fl. 277 6 Os Embargos de Declaração foram opostos dentro do prazo legal pela Fazenda Nacional. Portanto, deles conheço. De pronto, contudo, consigno que não assiste razão à Embargante. Explicase. No acórdão embargado, de fato, houve a indicação de que o contribuinte havia proposto medida judicial, com o escopo de ver reconhecida a validade da expedição retroativa do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social e que esta foi reconhecida no âmbito do Poder Judiciário, com decisão favorável ao contribuinte transitada em julgado. Ocorre que, como inclusive reconhecido pela própria Delegacia Fiscal de Julgamento, em decisão proferida, o lançamento efetivado através do presente processo administrativo teve o condão de prevenir a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, uma vez que a matéria estava sendo discutida judicialmente pelo contribuinte. Inclusive, esse foi o argumento para que, em 1ª instância administrativa, fosse mantida a aplicação da multa de ofício aplicada. Neste sentido, reconhecida a imunidade em relação ao Imposto de Importação, Cofins e PIS/PASEP e a validade da expedição retroativa do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social pelo Poder Judiciário, não poderia subsistir o lançamento do crédito tributário, que, repitase, foi efetivado para prevenir a decadência do direito de a Fazenda constituílo. Não se vislumbra, portanto, qualquer vício do julgado, que possa ser objeto de Embargos de Declaração. Pelo contrário, a contradição apontada pela Fazenda Nacional foi justamente a fundamentação do julgamento colegiado, para que fosse dado provimento ao Recurso Voluntário do Embargado: a decisão judicial transitada em julgado favorável ao contribuinte extinguiu o crédito tributário constituído no presente processo administrativo. Esclareçase, ainda, que os Embargos de Declaração não tem o condão de alterar a decisão proferida e, sim, aperfeiçoála, quando presente algum vício na decisão proferida pelo colegiado. Desta forma, conheço dos Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional, mas a eles nego provimento, pela ausência de contradição que ensejasse a sua oposição. [....] No ensejo, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial (fls. 221 a 225), alegando divergência jurisprudencial quanto à existência de concomitância entre o processo administrativo e o processo judicial. Para comprovar o dissenso, indicou como paradigmas os acórdãos nºs 30133.151 e 2201002.093. Nas razões recursais, a Recorrente sustenta, em síntese, que: (a) está comprovada a divergência jurisprudencial, na medida em que, ao contrário da decisão recorrida, os paradigmas posicionamse pelo reconhecimento da renúncia à esfera administrativa e desistência de eventual Fl. 277DF CARF MF Processo nº 17515.001100/200811 Acórdão n.º 9303006.020 CSRFT3 Fl. 278 7 recurso interposto pela Contribuinte frente ao ajuizamento de ação judicial contra a Fazenda Nacional, antes ou depois da autuação, com o mesmo objeto de discussão. Caracterizase a concomitância de matérias entre o processo administrativo e o judicial; (b) a opção pela via judicial implica renúncia à discussão na esfera administrativa, para se evitar a existência de decisões conflitantes sobre o mesmo tema. Além disso, no sistema jurídico pátrio, há prevalência da decisão judicial sobre os atos decisórios proferidos por órgãos administrativos, em respeito ao princípio da inafastabilidade da jurisdição; (c) ampara as suas alegações no art. 1º, §2º do Decretolei nº 1.737/1979, no art. 38, § único, da Lei nº 6.830/1980 e no Ato Declaratório Normativo (ADN) nº 3/1996, da Coordenação Geral do Sistema de Tributação da Secretaria da Receita Federal COSIT; (d) é aplicável ao caso dos autos a Súmula CARF nº 01, que trata da renúncia à esfera administrativa na hipótese de propositura de ação judicial pelo Sujeito Passivo, devendo ser reconhecida a concomitância entre as esferas administrativa e judicial; (e) por fim, sustenta que a existência de decisão judicial transitada em julgado denota não haver discussão a ser travada na esfera administrativa, sendo o caso de cumprimento da decisão pelos órgãos de execução, providência a ser determinada pelo Poder Judiciário. Requer o provimento do recurso especial para ver declarada a concomitância. Foi admitido o recurso especial da Fazenda Nacional por meio do despacho S/Nº, de 30 de dezembro de 2015 (fls. 238 a 240), proferido pelo ilustre Presidente da 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em exercício à época, por entender comprovada a divergência jurisprudencial com relação à concomitância de matérias entre o processo administrativo e o judicial. A Contribuinte apresentou contrarrazões (fls. 245 a 248) postulando a negativa de provimento ao recurso especial. O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Fl. 278DF CARF MF Processo nº 17515.001100/200811 Acórdão n.º 9303006.020 CSRFT3 Fl. 279 8 Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento. No mérito, cingese a controvérsia à análise da existência de concomitância entre o processo administrativo e o mandado de segurança nº 2008.70.00.0163420/PR impetrado pela Contribuinte tendo por objeto a liberação da mercadoria importada sem o recolhimento dos tributos incidentes na importação, tendo em vista sua condição de entidade beneficente de assistência social sem fins lucrativos. A Fundação Pio XII, em 11/09/2008, submeteu a despacho aduaneiro mercadorias procedentes do exterior, consoante Declaração de Importação nº 08/13296387, Adições 001 e 002, requerendo a não incidência dos tributos incidentes na importação por se tratar de entidade beneficente de assistência social. Por não ter sido apresentado o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, com validade para o período da importação, foram apreendidos os bens importados. Buscando a liberação das mercadorias importadas, a Contribuinte impetrou o mandado de segurança nº 2008.70.00.0163420/PR, no qual, embora tenha restado indeferido o pedido liminar (fl. 102), foilhe possibilitado o depósito do montante integral dos tributos devidos, providência adotada pela empresa, tendo como consequência a liberação dos bens. Nesse contexto, os autos de infração (fls. 37 a 49) foram lavrados para exigência do saldo de PISImportação e COFINSimportação, acrescidos dos respectivos consectários legais, por ter entendido a Fiscalização como insuficientes os valores depositados judicialmente no mandado de segurança nº 2008.70.00.0163420 a título de tributos incidentes na importação, e por conseguinte efetuado o lançamento, sem a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, dos valores correspondentes às diferenças não incluídas no depósito e que estariam com a exigibilidade suspensa, bem como dos juros de mora e multa de ofício de 75%. No desenrolar do processo administrativo, sobreveio o trânsito em julgado do mandado de segurança, na data de 16/04/2010, com decisão favorável à Contribuinte. Em sede de julgamento do recurso de apelação pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, foi afastada em definitivo a obrigação de recolher os impostos e contribuições sobre a importação dos produtos hospitalares, em razão de ser entidade filantrópica. Consoante Certidão Narratória (fl. 249), com a baixa da ação judicial foram levantados os valores depositados em juízo. Portanto, o objetivo da Contribuinte ao impetrar o mandado de segurança, no qual obteve êxito, era ver liberadas as mercadorias sem o pagamento dos tributos incidentes na importação, tendo em vista seu caráter de filantropia. Referidos impostos e contribuições, com Fl. 279DF CARF MF Processo nº 17515.001100/200811 Acórdão n.º 9303006.020 CSRFT3 Fl. 280 9 os respectivos juros e multa de ofício, foram lançados pela Autoridade Fiscal com o intuito de prevenir a decadência do direito da Fazenda Nacional proceder à sua cobrança na hipótese de ser julgada improcedente a demanda judicial. Verificase, assim, a concomitância de matérias entre o processo administrativo e o processo judicial, nos termos da Súmula CARF nº 01: Súmula CARF nº 01: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Determina a súmula, portanto, o reconhecimento da existência de concomitância quando a ação judicial e o processo administrativo tenham o mesmo objeto. E o comando vai além, permitindo a análise, pelo órgão de julgamento administrativo, tão somente de matéria distinta da constante no processo judicial. Entendese por objeto da demanda aquilo que com ela se pretende alcançar. O reconhecimento da existência de concomitância implica que não haverá decisão no contencioso administrativo sobre a matéria de mérito do auto de infração que também está sendo discutida na esfera judicial, inclusive tornandose insubsistentes eventuais julgados já proferidos, mesmo os favoráveis à Contribuinte. De outro lado, havendo o trânsito em julgado da demanda judicial de forma favorável ao Sujeito Passivo, extinguindo a obrigação tributária, como é o caso dos presentes autos, a declaração de concomitância não traz qualquer prejuízo às partes, pois caberá à Administração Tributária cumprir a decisão judicial definitiva de mérito. Para elucidar a argumentação expendida, colacionase ainda trechos do Parecer Normativo Cosit nº 07, de 22 de agosto de 2014, ato da Administração Tributária tratando do tema da concomitância: "Da identidade de objetos dos processos administrativo e judicial 9. Poderseia questionar quanto à definição da expressão “mesmo objeto” a que se reportam o ADN Cosit nº3, de 1996, a Súmula nº1 do CARF e a Portaria MF nº341, de 2011. Aqui, fazse mister diferenciar o objeto da relação jurídica substancial ou primária do objeto da relação jurídica processual. Aquele consiste no bem da vida sobre o qual recaem os interesses em conflito, in casu, o patrimônio do contribuinte; este, por sua vez, diz respeito ao serviço que o Estado tem o dever de prestar, e nos procedimentos de que este se utiliza para tanto, resultando no proferimento de decisões administrativas ou judiciais em cada processo, guardando relação de instrumentalidade com a real demanda do autor (JUNIOR, Nelson Nery; Fl. 280DF CARF MF Processo nº 17515.001100/200811 Acórdão n.º 9303006.020 CSRFT3 Fl. 281 10 NERY, Rosa Maria de Andrade. Constituição Federal Comentada. 2. ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2009. p. 179). 9.1. Assim, só produz o efeito de impedir o curso normal do processo administrativo a existência de processo judicial para o julgamento de demanda idêntica, assim caracterizada aquela em que se verificam as mesmas partes, a mesma causa de pedir (fundamentos de fato – ou causa de pedir remota e de direito – ou causa de pedir próxima) e o mesmo pedido (postulação incidente sobre o bem da vida) a chamada teoria dos três eadem, conforme definida no art. 301, § 2ºda Lei nº5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil – CPC), o qual ora se aplica por analogia. 9.2. Levase em consideração o objeto da relação jurídica substancial; se a discussão judicial se refere a questões instrumentais do processo administrativo, contra as quais se insurge o sujeito passivo da obrigação tributária, não há que se falar em desistência da instância administrativa nem em definitividade da decisão recorrida, quando nesta se discute alguma questão de direito material. Se, no entanto, a discussão administrativa gira em torno de alguma questão processual, como a tempestividade da impugnação, por exemplo, questão esta também levada à apreciação judicial, configurase a renúncia à esfera administrativa quanto a este ponto específico. 9.3. Seguindo esse raciocínio, encontrase entendimento na doutrina e na jurisprudência de que só se caracteriza a identidade de ações quando se verificam as mesmas partes, o mesmo pedido e a mesma causa de pedir: 19. Identidade de ações: caracterização. As partes devem ser as mesmas, não importando a ordem delas nos pólos das ações em análise. A causa de pedir, próxima e remota [...], deve ser a mesma nas ações, para que se as tenha como idênticas. O pedido, imediato e mediato, deve ser o mesmo: bem da vida e tipo de sentença judicial. Somente quando os três elementos, com suas seis subdivisões, forem iguais é que as ações serão idênticas. (JUNIOR, Nelson Nery; NERY, Rosa Maria de Andrade. Código de Processo Civil Comentado. 11. ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2010. p. 595) Litispendência. Identidade de pedidos. A identidade de pedidos não caracteriza a litispendência. Somente se verifica a litispendência com a identidade de ações: as mesmas partes, o mesmo pedido e a mesma causa de pedir. (TRF5 ª, 1ª T., Ap 17299RN, rel. Juiz Ridalvo Costa, v.u., j. 10.12.1992, STJ 47/583) 9.4. Vale reproduzir o seguinte excerto do Parecer PGFN/Cocat nº 2/2013: 49. Dito disso, conferimos ao instituto da concomitância no PAF o mesmo tratamento da litispendência no processo civil, pois a verificação da ausência desses dois pressupostos negativos têm como finalidade precípua evitar o processamento de causas iguais quando houver: (i) identidade das partes, (ii) da causa de pedir e (iii) do pedido (art. 301, §§ 1ºe 2º, do CPC; e Súmula nº1/CARF). 50. Com efeito, na linha do que foi afirmado no item 26, tanto a concomitância quanto a litispendência constituem requisitos de validade objetivos extrínsecos da relação processual. São pressupostos negativos, ou seja, fatos que não podem ocorrer para que o procedimento se instaure Fl. 281DF CARF MF Processo nº 17515.001100/200811 Acórdão n.º 9303006.020 CSRFT3 Fl. 282 11 validamente. Representam acontecimentos estranhos à relação jurídica processual (daí o adjetivo "extrínseco") que, uma vez existentes, impedem a formação válida do processo (procedimento). (grifos conforme original) 9.5. Feitos esses esclarecimentos, e à vista da terminologia utilizada nos normativos retromencionados, adotarseá, neste parecer, o entendimento de que a expressão “mesmo objeto” diz respeito àquilo sobre o qual recairá o mérito da decisão, quando sejam idênticas as demandas. Portanto, temse como critérios de aplicação da impossibilidade do prosseguimento do curso normal do processo administrativo, em vista da concomitância com processo judicial, tanto o pedido como a causa de pedir, e não somente o pedido. 9.6. Seguindo essa lógica, caso o processo administrativo fiscal contenha pedido mais abrangente que o do processo judicial, ele deve ter seguimento somente em relação à parte que não esteja sendo discutida judicialmente. Se, por exemplo, a ação judicial requer a anulação de um lançamento em relação a determinada multa, mas nada diz sobre a base de cálculo do tributo, e a impugnação administrativa tratar também da discussão sobre a base de cálculo, esta parte deverá ser objeto de julgamento administrativo. 10.A prevalência, nesses casos, do curso do processo judicial se deve ao princípio constitucional da unicidade de jurisdição, insculpido no art. 5º, inciso XXXV, da Constituição Federal (“a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou monopólio do controle jurisdicional, não sendo necessário que se configure a efetiva lesão a direito, bastando a simples ameaça para que se dê o ingresso em juízo. Ademais, o caráter de não definitividade das decisões administrativas consiste na possibilidade de sua apreciação pelo Judiciário. Registrese, ainda, a desnecessidade do esgotamento da via administrativa para o acesso ao Poder Judiciário, como ocorria no sistema constitucional revogado (CF/1967, art. 153, § 4º). (CINTRA, Antônio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria Geral do Processo. 26. ed. São Paulo: Malheiros, 2010. p. 312). 10.1. Outra justificativa que se pode invocar para a inadmissibilidade da concomitância entre as discussões sobre a mesma matéria nas instâncias judicial e administrativa, sob pena de se admitir um dispêndio desnecessário de recursos públicos, além do risco de se obterem decisões conflitantes, passa pelo princípio da economia processual, o qual, segundo lecionam Cintra, Grinover e Dinamarco (CINTRA, Antônio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria Geral do Processo. 26. ed. São Paulo: Malheiros, 2010. p. 79), “preconiza o máximo resultado na atuação do direito com o mínimo emprego possível de atividades processuais”. Tratase do mesmo princípio que inspira os efeitos do instituto da litispendência no processo civil (arts. 219, 267 e 301 do CPC)." [...] Nessa esteira, é declarada a concomitância, consoante termos da Súmula CARF nº 01, e determinado à Administração Fazendária o cumprimento do comando judicial transitado em julgado no mandado de segurança nº 2008.70.00.0163420, reconhecendo a Fl. 282DF CARF MF Processo nº 17515.001100/200811 Acórdão n.º 9303006.020 CSRFT3 Fl. 283 12 imunidade tributária à Contribuinte por ser entidade beneficente de assistência social, extinguindose a cobrança do crédito tributário objeto do auto de infração. Diante do exposto, dáse provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional para reconhecer a concomitância entre a esfera administrativa e judicial e, ainda, determinar o cumprimento da decisão judicial transitada em julgado. É o voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 283DF CARF MF
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Numero do processo: 13962.000552/2007-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SIMPLES NACIONAL. BOA´-FÉ. PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE.
A existência de débitos irrisórios devidamente regularizados pelo
contribuinte permite a validação de sua opção ao regime do Simples
Nacional.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 1401-000.641
Decisão: ACORDAM os membros os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da
Primeira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencido o conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro.
Nome do relator: Alexandre Antonio Alkmim Teixeira
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BOAFÉ. PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. A existência de débitos irrisórios devidamente regularizados pelo contribuinte permite a validação de sua opção ao regime do Simples Nacional. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencido o conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Viviane Vidal Wagner (Presidente), Karem Jureidini Dias, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes De Mattos, Sergio Luiz Bezerra Presta. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 08/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALK MIM TEIXEIR 2 Relatório Tratase de indeferimento do pedido de inclusão no Simples Nacional, ao fundamento de que a contribuinte, ora Recorrente, apresentava pendências perante a Previdência Social e que tais débitos não se encontravam com a exigibilidade suspensa. No caso em tela, constatouse que a contribuinte possuía débitos previdenciários nas competências 01/2001, 02/2002, 04/2003 e 05/2005, nos valores de R$19,16, R$ 6,76, R$40,62 e R$ 41,06, respectivamente, tendo regularizado a sua situação por meio do recolhimento dos tributos vencidos e reprocessamento das GFIPs em 10 de março de 2008. Diante do indeferimento assinalado, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 33 a 36), afirmando que os valores devidos foram recolhidos e as divergências já foram sanadas. Sustentou, ainda, que ela preenche todos os requisitos para o enquadramento como microempresa e que, portanto, pode gozar dos benefícios do tratamento diferenciado. Afirmou que a Resolução CGSN n° 23, de 13/11/2007, ratificou o entendimento de que a não inclusão por existência de débitos ou por ausência de regularização da inscrição municipal ou estadual dependeria de notificação prévia com prazo de 30 dias para regularização, e que apenas produziria efeitos a partir do ano seguinte. Informou que, no presente caso, há a devida regularidade por parte da Recorrente, e que não houve a devida notificação prévia por parte da Receita Federal. Dessa forma, por entender que todos os atos executivos supra citados encontravamse em desacordo com as normas vigentes, requereu a sua inclusão no Simples Nacional. Submetida a Manifestação de Inconformidade à apreciação da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Florianópolis/SC, esta houve por bem julgála improcedente, sendo o acórdão de nº 0722.427 (fls. 90 a 94) assim ementado: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2007 REGULARIZAÇÃO DE PENDÊNCIAS. INCLUSÃO RETROATIVA. permitida a inclusão retroativa do contribuinte no Simples Nacional apenas nos casos em que a pendência impeditiva é regularizada antes do vencimento do prazo para opção. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio. Inconformada com o resultado do julgamento, a Recorrente interpôs o Recurso Voluntário de fls. 97 a 112, que, neste momento, passa a ser apreciado por este Conselho. É o relatório. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 08/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALK MIM TEIXEIR Processo nº 13962.000552/200776 Acórdão n.º 1401000.641 S1C4T1 Fl. 137 3 Voto Conselheiro Relator Alexandre Antonio Alkmim Teixeira A Delegacia da Receita Federal de Julgamento julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente, ao fundamento de que, diante da existência de débitos perante a Previdência Social, ela não poderia ingressar no Simples Nacional. Isso porque, aos contribuintes com pendências foi concedida a possibilidade de sanear sua situação enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção, que, para o ano calendário 2007, se encerrou em 20 de agosto daquele ano. Como no caso em tela constatouse que a contribuinte possuía débitos nas competências 01/2001, 02/2002, 04/2003 e 05/2005, e a sua situação somente foi regularizada por meio do recolhimento dos tributos vencidos e pelo reprocessamento das GFIPs em 10 de março de 2008, entendeu que a Recorrente não observou o prazo final de 20/08/2007 para regularizar eventuais pendências impeditivas ao seu ingresso no Simples Nacional. Deste modo, decidiu que a contribuinte não poderia ser incluída no regime simplificado. Apesar de os fundamentos expostos pela DRJ terem amparo em regulamentação específica, é preciso sempre atentar para a razoabilidade e proporcionalidade das medidas aplicadas, de modo evitar a criação de obstáculos desmedidos para o ingresso de pessoas jurídicas no regime simplificado, violando os princípios da livre exercício da atividade econômica, expressamente consagrado pela Constituição. Consoante se extrai da fl. 8 dos autos, a Recorrente formalizou, em 24/07/2007, o seu pedido de inclusão no Simples Nacional. Em seu recurso, a Recorrente demonstrou que a medida de indeferir a sua participação no regime simplificado mostrouse desproporcional e fora dos limites da razoabilidade, vez que as alegadas pendências financeiras já foram sanadas e não representavam nenhum perigo ao erário, já que as quantias são irrisórias se comparadas ao montante de tributos recolhidos durante o exercício financeiro. A Recorrente ilustrou as suas alegações fazendo quadros comparativos entre o total do tributo recolhido no exercício e o valor da suposta divergência apurada em determinadas competências. Confirase os resultados: (i) COMPETÊNCIA 01/2001 – divergência de R$19,16: “A Recorrente, no exercício financeiro de 2.001 recolheu aos cofres da Previdência Social a importância de R$4.591.21 (quatro mil quinhentos e noventa e um reais), enquanto que a divergência somou apenas o montante de R$19,16 (dezenove reais e dezesseis centavos). Por sua vez, concluise que a divergência então apurada equivale a 0,42% da importância total recolhida pela Recorrente a título de tributo no decorrer do exercício financeiro.” (ii) COMPETÊNCIA 02/2002 – divergência de R$6,76: “No referido exercício financeiro, a Recorrente recolheu a importância de R$ 5.126,31 (cinco mil cento e vinte e seis reais e trinta e um centavos) a título de tributo. Desta feita, a divergência apontada durante o exercício financeiro de 2.002 se Fl. 138DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 08/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALK MIM TEIXEIR 4 refere a 0,13% da totalidade de tributos recolhidos pela Recorrente.” (iii) COMPETÊNCIA 04/2003 – divergência de R$40,62: “Depreendese do quadro acima retratado que a Recorrente recolheu a importância de R$ 7.496,55 (sete mil quatrocentos e noventa e seis reais e cinquenta e cinco centavos), enquanto que a divergência apurada corresponde a 0,54% do quantum recolhido naquele exercício.” (iv) COMPETÊNCIA 05/2005 – divergência de R$41,06: “Verificase que a Recorrente recolheu a importância de R$8.282.33 (oito mil duzentos e oitenta e dois reais e trinta e três centavos) a título de tributo durante o exercício financeiro de 2.005. Por sua vez, a alegada pendência financeira correspondeu a 0,5% do montante recolhido de tributo.” Pela abordagem dada pela Recorrente, já é possível perceber contornos de desproporcionalidade na medida que veda a sua inclusão no Simples em razão de débitos de pequena monta, que, inclusive, já foram regularizados pela contribuinte. Além dos dados acima mencionados, cumpre notar que, em alguns meses dos exercícios analisados, a contribuinte efetuava o recolhimento das contribuições em valor superior ao realmente devido. É o que se percebe, por exemplo, do confronto entre os valores a recolher o e os valores recolhidos no exercício de 2002: enquanto na competência 02/2002 se exige da Recorrente uma diferença de R$6,76 (seis reais e setenta e seis centavos), verificase que ao final daquele exercício ela já havia recolhido saldo a maior de R$ 55,05 (cinqüenta e cinco reais e cinco centavos). Da comparação dos saldos, temse que a Recorrente, naquele exercício, é na verdade credora e não devedora. (fl.126) VALOR A RECOLHER VALOR RECOLHIDO outubro02 R$ 541,72 R$ 543,48 setembro02 R$ 541,72 R$ 543,48 agosto02 R$ 314,65 R$ 323,72 julho02 R$ 361,10 R$ 370,42 junho02 R$ 332,14 R$ 342,01 maio02 R$ 252,08 R$ 259,71 abril02 R$ 228,33 R$ 234,87 março02 R$ 228,33 R$ 234,87 DIFERENÇAS fevereiro02 R$ 249,31 R$ 242,55 R$ 6,76 janeiro02 R$ 289,03 R$ 298,35 TOTAIS R$ 3.338,41 R$ 3.393,46 R$ 55,05 É interessante observar, também, que ao promover a retificação das suas GFIPs nas competências de 04/2003 e 05/2005, bem como ao efetuar o recolhimento complementar nas competências de 01/2001, 02/2002, 05/2004, 06/2004 e 07/2004, a contribuinte demonstra o seu claro objetivo de regularizar as suas pendências. A Recorrente, ao proceder dessa forma, agiu de boafé e regularizou a sua situação perante a Previdência Social, devendo ser afastado o motivo que ensejou a negativa de sua inclusão na sistemática do Simples Nacional. Entender o contrário é atentar contra os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade entre a medida adotada e a finalidade que ela pretende alcançar. Isso porque, negar à contribuinte o direito de ser incluída no regime de Fl. 139DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 08/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALK MIM TEIXEIR Processo nº 13962.000552/200776 Acórdão n.º 1401000.641 S1C4T1 Fl. 138 5 tributação simplificada, apenas pelo fato de possuir pendências já sanadas e de valor irrisório, implica obrigála a se submeter a regime de tributação mais gravoso, não lhe permitindo ter acesso às proteções às microempresas e empresas de pequenas empresas contempladas pelo texto constitucional, regulamentadas pela Lei Complementar nº 123/2006. Não se pode, deste modo, desprezar a boa fé demonstrada pela contribuinte quando esta buscou solucionar as pendências existentes, com o intuito de ser admitida no Simples Nacional. Também deve ser levada em consideração a intenção do legislador que, ao instituir o Simples Nacional como forma de estabelecer um tratamento diferenciado às microempresas e empresas de pequeno porte, o fez nos moldes previstos na Constituição da República de 1988, visando conferir um incentivo às microempresas e empresas de pequeno porte, notórias geradoras de empregos. Cabe ressaltar que o Simples Nacional foi instituído como mecanismo de defesa e auxílio contra o abuso do poder econômico, com o escopo de retirar as empresas da informalidade e de capacitálas para o desenvolvimento do próprio negócio de acordo com a respectiva capacidade econômica e técnica, gerando, desse modo, maior circulação de riqueza e número de empregos. Portanto, o ideal é que a inclusão de empresas no regime simplificado prevaleça frente aos interesses meramente arrecadatórios, desde que, por óbvio, os motivos que ensejaram o indeferimento da inclusão não causem graves prejuízos ao erário e sejam contornados pelo contribuinte durante a discussão administrativa. Admitir o contrário, mantendo um ato de negativa de inclusão no regime, cujas pendências já foram regularizadas no curso do processo, é contrariar os princípios que regem a atividade econômica elencados no art. 170 da Constituição. Diante do exposto, conheço o presente recurso e doulhe provimento, determinando a inclusão da Recorrente no Simples Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Fl. 140DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 08/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALK MIM TEIXEIR
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