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Numero do processo: 15940.720165/2012-09
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008
AÇÃO JUDICIAL. IDENTIDADE DE OBJETO. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
PROVAS.
A dilação probatória fica condicionada à sua necessidade na formação da convicção da autoridade julgadora.
AÇÃO JUDICIAL. LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE.
A mera existência de ação judicial, sem decisão favorável ao sujeito passivo, não é suficiente para impedir que a Administração Pública efetue o lançamento de ofício.
MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Nova Lei limitou a multa de mora a 20%.
A multa de mora, aplicada até a competência 11/2008, deve ser recalculada, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte.
MULTA DE OFÍCIO. EXCLUSÃO
Se à época dos fatos geradores a multa de ofício não existia para o tributo em questão, ela deve ser excluída do lançamento.
INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGÜIÇÃO. AFASTAMENTO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA.
A instância administrativa é incompetente para afastar a aplicação da legislação vigente em decorrência da argüição de sua inconstitucionalidade ou ilegalidade.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-002.970
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para, até a competência 11/2008, excluir a multa de ofício e determinar o recálculo da multa de mora, artigo 35, nas competências em que foi aplicada. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão das multas.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Ewan Teles Aguiar - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Magalhães Peixoto e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas.
Nome do relator: EWAN TELES AGUIAR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008 AÇÃO JUDICIAL. IDENTIDADE DE OBJETO. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. PROVAS. A dilação probatória fica condicionada à sua necessidade na formação da convicção da autoridade julgadora. AÇÃO JUDICIAL. LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. A mera existência de ação judicial, sem decisão favorável ao sujeito passivo, não é suficiente para impedir que a Administração Pública efetue o lançamento de ofício. MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Nova Lei limitou a multa de mora a 20%. A multa de mora, aplicada até a competência 11/2008, deve ser recalculada, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte. MULTA DE OFÍCIO. EXCLUSÃO Se à época dos fatos geradores a multa de ofício não existia para o tributo em questão, ela deve ser excluída do lançamento. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGÜIÇÃO. AFASTAMENTO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. A instância administrativa é incompetente para afastar a aplicação da legislação vigente em decorrência da argüição de sua inconstitucionalidade ou ilegalidade. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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IDENTIDADE DE OBJETO. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. PROVAS. A dilação probatória fica condicionada à sua necessidade na formação da convicção da autoridade julgadora. AÇÃO JUDICIAL. LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. A mera existência de ação judicial, sem decisão favorável ao sujeito passivo, não é suficiente para impedir que a Administração Pública efetue o lançamento de ofício. MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Nova Lei limitou a multa de mora a 20%. A multa de mora, aplicada até a competência 11/2008, deve ser recalculada, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte. MULTA DE OFÍCIO. EXCLUSÃO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 94 0. 72 01 65 /2 01 2- 09 Fl. 332DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por EWAN TELES AGUIAR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Se à época dos fatos geradores a multa de ofício não existia para o tributo em questão, ela deve ser excluída do lançamento. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGÜIÇÃO. AFASTAMENTO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. A instância administrativa é incompetente para afastar a aplicação da legislação vigente em decorrência da argüição de sua inconstitucionalidade ou ilegalidade. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para, até a competência 11/2008, excluir a multa de ofício e determinar o recálculo da multa de mora, artigo 35, nas competências em que foi aplicada. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão das multas. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Ewan Teles Aguiar Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Magalhães Peixoto e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas. Fl. 333DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por EWAN TELES AGUIAR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15940.720165/201209 Acórdão n.º 2403002.970 S2C4T3 Fl. 156 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente – SANATÓRIO SÃO JOÃO LTDA contra Acórdão nº 1441.559 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto RPO , que julgou procedente a autuação. O que se discute nos autos em análise são os AI`s lavrados em 20/11/2012, sendo cientificado o contribuinte em 24/11/2012, assim descritos: ► DEBCAD 37.069.2918 decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal referente às contribuições previdenciárias devidas pela empresa incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados (inclusive a parcela relativa à alíquota SAT/RAT e adicional de aposentadoria especial) e contribuintes individuais (Lei n° 8.212/91, artigo 22, I a III) no valor de R$ 630.252,72 (seiscentos e trinta mil, duzentos e cinqüenta e dois reais e setenta e dois centavos), incluindo o principal, juros e multas de ofício e de mora. ► DEBCAD 37.069.2934 decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal referente às contribuições devidas pela empresa incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados, destinadas a outras entidades e fundos – Terceiros (Salárioeducação, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE), no valor de R$ 160.112,25 (cento e sessenta mil, cento e doze reais e vinte e cinco centavos), incluindo o principal, juros e multas de ofício e de mora. ► DEBCAD 37.069.2926 – decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal referente às contribuições devidas pelos segurados empregados e contribuintes individuais, no valor de R$ 15.311,77 (quinze mil, trezentos e onze reais e setenta e sete centavos), incluindo o principal, juros e multas de ofício e de mora. A recorrente foi intimada a apresentar o Registro de Entidade Beneficente de Assistência Social no CNAS tendo apresentado resposta com o conteúdo seguinte: Ingressou com ação cautelar em 25/02/2000 na qual foi proferida decisão liminar suspendendo a exigibilidade do crédito tributário. Em 11/04/2000 ingressou com ação declaratória requerendo o reconhecimento do seu caráter beneficente. A União recorreu, sendo concedido inicialmente efeito suspensivo e, em 05/04/2010, mantendose a decisão que determinava a suspensão da exigibilidade do crédito.Foi dado provimento ao agravo de instrumento. A ação declaratória aguarda o julgamento definitivo da ADI 2028, de modo que, segundo a autuada, faz jus à utilização do código de entidade beneficente o que será corroborado com o julgamento da ação declaratória. Consultada a PFN, foi enviada decisão proferida pela 3a. Vara Federal de Presidente Prudente que autoriza a constituição do crédito tributário, vedando, porém, qualquer medida executiva ou obstativa de direito. Fl. 334DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por EWAN TELES AGUIAR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Em 07/08/2012 foi publicada sentença julgando improcedente a cautelar e a ação declaratória mencionadas anteriormente, dando azo ao lançamento que integra o presente AI. Durante a ação fiscal, foi constatado que a autuada entregou GFIP com código FPAS 639 (próprio de entidade filantrópica) nas competências 06/2007 a 12/2008. Não foram entregues as GFIP correspondentes às competências 13/2007 e 13/2008. O crédito tributário constituído referente às contribuições da empresa incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais foi lançado em decorrência da constatação de que a autuada não se enquadrava na condição de entidade filantrópica apta a utilizar o código FPAS 639. Em atenção à regra exposta no artigo 106, II, “c” do CTN, que impõe – em caso de alteração legal superveniente à ocorrência do fato gerador e de lançamento ainda não definitivamente julgado a aplicação da penalidade menos gravosa ao sujeito passivo, foi aplicada a multa de ofício prevista no artigo 44, I da Lei n° 9.430/96, quando menos gravosa, em virtude da alteração promovida no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, pela Medida Provisória n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009, conforme esclarecimentos detalhados no Relatório Fiscal. Irresignada, a autuada apresentou impugnação na qual alega que: Por decisão judicial, o fisco está impedido de constituir o crédito tributário, ainda que com o objetivo de prevenir a decadência, antes do julgamento definitivo da ADI 2028; A autuada goza de imunidade, inclusive reconhecida judicialmente. A suspensão da exigibilidade do crédito perdurou de 2000 a 2008, quando provido agravo de instrumento que reformou a liminar concedida em sede de ação cautelar. Foi proferida sentença julgando improcedentes os pedidos da autuada, contudo, referida decisão não encontra respaldo no ordenamento jurídico vigente, pois é equivocado o entendimento de que os requisitos para fruição da imunidade possam ser instituídos por lei ordinária. Discorre acerca da controvérsia do tema e afirma que o STF ainda não sedimentou entendimento quanto ao tema. A fiscalização baseouse em decisão proferida pelo STF em 1999, quando da análise de pedido de concessão de liminar em Ação Direta de Inconstitucionalidade. Referido entendimento já está ultrapassado, “sendo certo que o Supremo Tribunal Federal adotará medidas para proceder ao julgamento conforme determina a boa técnica, pugnando pela inconstitucionalidade de qualquer requisito para fruição de imunidades tributárias que esteja sendo veiculado por intermédio de lei ordinária”. Da referida sentença, foi interposta apelação em 22/08/2012, pendente de julgamento no TRF. Discorre a respeito da imunidade tributária, da importância dos serviços de saúde, dos princípios constitucionais aplicáveis. Fl. 335DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por EWAN TELES AGUIAR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15940.720165/201209 Acórdão n.º 2403002.970 S2C4T3 Fl. 157 5 Aduz que o fisco está descumprindo a decisão judicial, ainda que não definitiva, que obsta o nascimento da obrigação tributária. Descreve as dificuldades enfrentadas na administração da instituição, inclusive com interdição judicial de uma das sócias. Aduz que os atos praticados por esta sócia não são válidos. Menciona a crise financeira enfrentada e informa que caso não sejam excluídos os créditos lançados não lhe restará outra alternativa além de recorrer ao Poder Judiciário. Resume seus argumentos concluindo que o crédito não poderia existir pois, conseqüência de uma administração desastrosa e contrário à decisão judicial. Impetrou mandado de segurança objetivando consolidar seus débitos no parcelamento previsto na Lei n° 11.941/2009 (Refis da Crise). Mesmo a ação mandamental ainda não tendo sido julgada, a fiscalização não poderia efetuar o lançamento. Esclarece que renunciou às discussões judiciais, pagando as parcelas no valor estipulado até o mês anterior ao da consolidação, mas ainda assim, o fisco lhe negou o direito à consolidação do parcelamento. Não pode subsistir a multa aplicada. Não houve pagamento parcial ou a menor, não houve preenchimento equivocado da GFIP e, não houve falta de declaração ou declarações inexatas. Para a qualificação da multa é necessário que haja a comprovação da intenção de fraude, o que não se verifica no caso concreto. Invoca o princípio da vedação ao confisco e alerta pela impossibilidade de pagamento dos valores excessivos. Ao final, pugna pela nulidade do processo ante a inobservância da decisão judicial, pela desconstituição dos AI que integram o feito, a exclusão da multa ou sua redução, bem como dos juros aplicados ao mínimo possível, além da realização das necessárias diligências, inclusive pericial, bem como a produção de todas as provas admitidas. A impugnação apreciada pela 9ª Turma da DRJ/São José do Rio Preto, manteve hígido o lançamento, tendo sido expressa a seguinte Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008 AÇÃO JUDICIAL. IDENTIDADE DE OBJETO. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. PROVAS. Fl. 336DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por EWAN TELES AGUIAR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 A dilação probatória fica condicionada à sua necessidade na formação da convicção da autoridade julgadora. AÇÃO JUDICIAL. LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. A mera existência de ação judicial, sem decisão favorável ao sujeito passivo, não é suficiente para impedir que a Administração Pública efetue o lançamento de ofício. MULTA DE OFÍCIO. Será aplicada a multa de ofício quando verificada a falta de pagamento ou recolhimento, a falta de declaração ou declaração inexata, constatandose tais situações de forma objetiva, dispensandose a verificação do elemento subjetivo da conduta do agente. MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE. Aos fatos geradores anteriores à Medida Provisória 449/2008, aplicase a multa de ofício quando esta mostrarse menos severa ao sujeito passivo do que às multas previstas na legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGÜIÇÃO. AFASTAMENTO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. A instância administrativa é incompetente para afastar a aplicação da legislação vigente em decorrência da argüição de sua inconstitucionalidade ou ilegalidade. Intimada da Decisão em 23/05/2013(fls. 300), persistindo inconformado o contribuinte apresenta Recurso Voluntário, no qual repisa os argumentos trazidos quando de sua impugnação. É o relatório. Fl. 337DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por EWAN TELES AGUIAR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15940.720165/201209 Acórdão n.º 2403002.970 S2C4T3 Fl. 158 7 Voto Conselheiro Ewan Teles Aguiar, Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação nos autos. Avaliados os pressupostos, passo ao Mérito. QUANTO AO MÉRITO Do Requerimento pela Produção de Provas: A autuada requereu a produção de todas as provas necessárias e admitidas, inclusive prova pericial e diligências. O ordenamento jurídico contempla regras garantidoras da celeridade processual e, nesse sentido, os elementos trazidos aos autos são suficientes à formação da convicção necessária ao seu julgamento, cabendo o indeferimento do pleito para a produção de outras provas, posto serem desnecessárias, o que se faz com fulcro na Portaria 10.875/2007, artigo 11, e Decreto 70.235/72, artigo 18. Das Contribuições Lançadas: O crédito tributário lançado referese às contribuições patronais destinadas à Seguridade Social e foi constituído em razão de a impugnante não gozar da imunidade tributária relativa a tais contribuições. Também foram lançadas no Debcad 51.032.7818 as contribuições devidas pelos segurados não recolhidas pela empresa. A autuada alegou que o crédito tributário não poderia ter sido constituído pois contrário à decisão judicial, além de ser originário de uma administração desastrosa. Assim, a primeira questão a ser analisada referese à possibilidade de a fiscalização lançar o crédito tributário à vista das ações judiciais existentes. Quanto a este particular, verificase que a autuada ingressou em juízo pleiteando o reconhecimento de sua condição de entidade beneficente e, por conseguinte, beneficiária da imunidade das contribuições previdenciárias. Pugnou, ainda, por provimento judicial que obstasse o lançamento e a cobrança das contribuições em questão. A autuada obteve decisão liminar, proferida em 28/02/2000 nos autos da Ação Cautelar 2000.61.12.0012080, que suspendeu a exigibilidade do crédito previdenciário, impedindo que a fiscalização lhe dirigisse qualquer medida punitiva (fls. 99). Esta decisão foi objeto de recurso de agravo de instrumento pelo INSS, no qual não foi concedido efeito suspensivo ainda em 2000, perdurando naquela ocasião o óbice ao lançamento (fl. 89). Fl. 338DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por EWAN TELES AGUIAR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Posteriormente, em 28/10/2008, foi dado provimento a agravo de instrumento, afastando a decisão que impedia o lançamento do crédito tributário (fl. 96). Em 03/04/2009 foi proferida decisão nos autos da ação declaratória suspendendo o feito até o julgamento da ADI 2028, indeferindo a possibilidade de lançamento para evitar a ocorrência da decadência (fl. 97). Mais tarde, em 21/05/2012, foi prolatada nova decisão na ação em questão, reconsiderando a anterior e autorizando o lançamento, com vista ao afastamento da decadência, vedando qualquer medida executiva ou obstativa de direito (fl. 106). Ambas as ações (cautelar e declaratória) foram julgadas improcedentes, conforme sentença publicada em 07/08/2012 (fls. 109/119). Foi interposto recurso de apelação pela recorrente, cujo recebimento nos efeitos devolutivo e suspensivo ocasionou os embargos de declaração da União apresentados em 15/10/2012, aventando a possibilidade de constituição do crédito tributário (fls. 171/174). Analisando este recurso, o juízo de primeira instância exarou o despacho publicado em 14/12/2012 com o seguinte teor: “A parte requerida propôs Embargos de Declaração em face da decisão de fl. 2327, que recebeu a apelação no duplo efeito (devolutivo e suspensivo). Alega que não existe nos autos decisão judicial que suspenda a exigibilidade do crédito tributário ou impedindo o lançamento pela autoridade fiscal. Afirma, outrossim, que tal situação restou corroborada pela sentença que culminou na improcedência do pleito inicial. Pugna, portanto, pela ‘integração da decisão para suprir omissão relacionada à possibilidade de a União constituir e cobrar seus créditos tributários, haja vista o atual estado das coisas’, em outras palavras, que o recurso de apelação seja recebido no efeito meramente devolutivo. (...) Todavia, ao prolatar a sentença, a pretensão da parte autora foi julgada improcedente, oportunidade em que de forma expressa foi revogada a tutela antecipada concedida anteriormente. Nesse contexto, temse que após a prolação da sentença, nada obsta a autuação do fisco. (...) Contudo, em uma análise mais atenta, chegase a conclusão de que, mesmo recebida no duplo efeito, a apelação não tem o poder de restabelecer a antecipação da tutela anteriormente concedida, tendo em vista a completa descaracterização da verossimilhança da alegação, frente a sentença de improcedência do pedido. Assim, o efeito suspensivo da apelação não atinge o dispositivo da sentença que cassou a antecipação da tutela. (...) Desta forma, embora não subsista a alegada omissão, sirvome da oportunidade para esclarecer a dúvida trazida pela parte ré. Fl. 339DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por EWAN TELES AGUIAR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15940.720165/201209 Acórdão n.º 2403002.970 S2C4T3 Fl. 159 9 No mais, procedase conforme determinado no despacho de fls. 2327.” Como se vê, por determinado período esteve em vigência decisão judicial que obstava a constituição do crédito tributário, mas quando efetuado o lançamento não mais havia qualquer impedimento para que o fisco assim procedesse. Deste modo, não impedem o lançamento do crédito tributário a mera existência de ação judicial, sem qualquer provimento vigente em favor da autuada, e, da mesma forma, a ação mandamental mencionada na impugnação, na qual a autuada busca provimento judicial para ingressar no parcelamento especial previsto na Lei 11.941/2009, também sem decisão que lhe favoreça. Portanto, não é correta para a situação atualmente vigente, a afirmação contida na impugnação, às fls. 257, de que “conforme determinação do Excelentíssimo Doutor Juiz de Direito da 3a Vara Federal da Subseção Judiciária de Presidente Prudente, em decisão proferida no processo 000210962.2000.4.03.6112, não existe autorização para o Fisco sequer constituir os créditos”. Esta vedação, conforme visto, já restou superada. Ainda na peça impugnatória, mais adiante, a própria autuada revela que compartilha do entendimento de que a decisão que impedia a constituição do crédito tributário produziu efeitos em período anterior ao lançamento: “... o Sanatório esteve albergado por decisão judicial que suspende a exigibilidade do crédito tributário desde 2000 até 2008, quando provido Agravo de Instrumento que reformou a liminar concedida em sede de ação cautelar.” (fl. 259) Não há, portanto, desrespeito a qualquer decisão judicial. Não se pode considerar como óbice ao lançamento uma decisão que fora revogada em data anterior ao lançamento. Quanto ao mérito da questão referente à condição da autuada de entidade beneficente que faz jus à imunidade das contribuições previdenciárias – como se vê no relato das ações judiciais, tal tema foi submetido à apreciação do Poder Judiciário, configurandose desta feita, obstáculo para que o assunto seja apreciado na esfera administrativa. A respeito, a matéria já se encontra sedimentada na Súmula 01 do CARF: “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Em remate, a apreciação de argumentos relativos ao acerto da decisão proferida pela Justiça Federal ou o possível desfecho da ADI 2028 não tem lugar no presente Voto, no qual não se analisará, portanto, o direito da autuada à imunidade pretendida. Quanto ao argumento de que houve a interdição judicial de uma das sócias da instituição e, por isso, os atos por ela praticados não são válidos, não há como se estabelecer um vínculo entre este fato e a obrigação tributária da qual resulta o crédito lançado, que se originou do não recolhimento oriundo do entendimento da autuada, sem amparo em decisão Fl. 340DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por EWAN TELES AGUIAR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 judicial, de que fazia jus à imunidade tributária, entendimento este, que continua fazendo parte dos argumentos da autuada como se vê na impugnação. E, quanto às dificuldades financeiras da instituição, é certo que a autoridade fiscal não pode por esse motivo, deixar de proceder ao lançamento – atividade plenamente vinculada nos termos do artigo 142 do CTN. Dos Juros e da Multa: Quanto aos juros não há qualquer reparo a ser feito ao acórdão recorrido. Os juros impostos à recorrente são aqueles dispostos na legislação de regência, não podendo a autoridade administrativa não aplicála no caso concreto, visto que a atuação de lançamento é vinculada e obrigatória nos termos do art. 142 do CTN. No que se referem à multa de mora aplicada, mister se faz tecer alguns comentários. A MP nº 449, convertida na Lei nº 11.941/09, que deu nova redação aos arts. 32 e 35 e incluiu os arts. 32A e 35A na Lei nº 8.212/91, trouxe mudanças em relação à multa aplicada no caso de contribuição previdenciária. Assim dispunha o art. 35 da Lei nº 8.212/91 antes da MP nº 449, in verbis: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, Fl. 341DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por EWAN TELES AGUIAR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15940.720165/201209 Acórdão n.º 2403002.970 S2C4T3 Fl. 160 11 enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (sem destaques no original) Verificase, portanto, que antes da MP nº 449 não havia multa de ofício. Havia apenas multa de mora em duas modalidades: decorrente do pagamento em atraso, desde que de forma espontânea e decorrente da notificação fiscal de lançamento, conforme previsto nos incisos I e II, respectivamente, do art. 35 da Lei nº 8.212/91, então vigente. Nesse sentido dispõe a hodierna doutrina (Contribuições Previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais / Elias Sampaio Freire, Marcelo Magalhães Peixoto (coordenadores). – Julio César Vieira Gomes (autor) – São Paulo: MP Ed., 2012. Pág. 94), in verbis: “De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo, portanto, necessária a constituição do crédito tributário por meio do lançamento, ainda assim a multa era de mora. (...) Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora.” (com destaque no original) Com o advento da MP nº 449, que passou a vigorar a partir 04/12/2008, data da sua publicação, e posteriormente convertida na Lei nº 11.941/09, foi dada nova redação ao art. 35 e incluído o art. 35A na Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (sem destaques no original) Nesse momento surgiu a multa de ofício em relação à contribuição previdenciária. Logo, tendo em vista que o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 144 do CTN, temse que, em relação aos fatos geradores ocorridos até 11/2008, aplicase apenas a multa de mora. Já em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 12/2008, aplicase apenas a multa de ofício. Contudo, no que diz respeito à multa de mora aplicada até 11/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, cominelhe penalidade Fl. 342DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por EWAN TELES AGUIAR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, salvo a aparte relativa a concomitância experimentada quanto a imunidade/isenção e no mérito para DAR PROVIMENTO PARCIAL determinando a exclusão da multa de ofício até a competência 11/2008 e o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte.. É como voto. Ewan Teles Aguiar Fl. 343DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por EWAN TELES AGUIAR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10840.720625/2008-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA.
Na apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física são dedutíveis as despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, hospitais e Planos de saúde, efetuadas pelo contribuinte, restrita às relativas ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, quando comprovadas com documentação hábil e idônea.
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
Recibos emitidos por profissionais da área de saúde são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado.
Recurso Provido
Numero da decisão: 2202-002.873
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite Relatora
EDITADO EM: 22/01/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente em exercício), Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Rafael Pandolfo, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Dayse Fernandes Leite (Suplente convocada), Fabio Brun Goldschmidt.
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA. Na apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física são dedutíveis as despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, hospitais e Planos de saúde, efetuadas pelo contribuinte, restrita às relativas ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, quando comprovadas com documentação hábil e idônea. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado. Recurso Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente em exercício (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora EDITADO EM: 22/01/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente em exercício), Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Rafael Pandolfo, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Dayse Fernandes Leite (Suplente convocada), Fabio Brun Goldschmidt.
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DESPESA MÉDICA. Na apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física são dedutíveis as despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, hospitais e Planos de saúde, efetuadas pelo contribuinte, restrita às relativas ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, quando comprovadas com documentação hábil e idônea. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado. Recurso Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 72 06 25 /2 00 8- 19 Fl. 176DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 22/01/201 5 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 2 EDITADO EM: 22/01/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente em exercício), Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Rafael Pandolfo, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Dayse Fernandes Leite (Suplente convocada), Fabio Brun Goldschmidt. Relatório Versam os autos sobre Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, fls. 31/19, na qual se exige R$ 4.950,00, de imposto suplementar, R$ 3.712,50, de multa de ofício de 75%, e acréscimos legais decorrentes da revisão da declaração de rendimentos relativa ao exercício de 2005, ano calendário de 2004, em face de glosa de despesas médicas, no montante de R$ 18.000,00, por falta de comprovação do efetivo pagamento, das despesas médicas realizadas junto aos profissionais: 1) Fernando Gonçalves Junqueira Leite (Dentista) no valor de R$ 6.000,00, 2) Elisabeth Kunimatsu Cervi (Dentista) no valor de R$ 4.000,00, 3) Fernanda Bragagnolo Reis (Dentista) no valor de R$ 4.000,00, 4) Fernando Cesar Franco(Dentista) no valor de R$ 2.500,00 e 5) Ana Paula Afonso Franco (Dentista) no valor de R$ 1.500,00. Apresentada Impugnação de fls. 2/26, na qual o contribuinte contesta a glosa das despesas médicas, dos Juros Aplicados e da Multa Confiscatória . A ação fiscal foi julgada procedente, sob o fundamento de que se deve manter a glosa do valor de R$ 18.000,00, vez que a documentação ofertada pelo contribuinte para a comprovação das despesas médicas, não estavam acompanhadas da comprovação da assunção do efetivo encargo financeiro, pela confirmação do respectivo trânsito financeiro por meio de saques bancários coincidentes com as quantias glosadas. Com relação ao caráter confiscatório da multa de ofício, aplicada no percentual de 75% (setenta e cinco por cento), a autoridade de primeira instância , apresentou o seguinte fundamento: “que, em obediência ao princípio da legalidade, prevalece a impossibilidade de alteração do percentual da multa, cuja fixação não constitui ato discricionário.” Quanto aos juros aplicados. Taxa Selic, assim se manifestou a autoridade de primeira instância: “No que se refere à alegação de impossibilidade legal de utilização da taxa SELIC como juros tributários de mora, esta não pode ser acolhida. O Código Tributário Nacional – CTN em seu artigo 161 autoriza a utilização de percentual de juros diferente do que ele, a princípio, dispõe, desde que lei o estabeleça. A Lei n.º 9.430/96 apenas estabeleceu de modo diverso. A utilização da taxa SELIC não contraria o CTN, lei complementar que trata de matéria tributária, sendo constitucional a sua utilização para fins tributários”. Nas razões de Voluntário (fls. 57/), a recorrente: · Assevera que tem direito às despesas médicas devidamente declaradas e comprovadas, sendo de indevida a glosa existente e que as declarações, firmadas pelos profissionais prestadores dos serviços, comprovam a efetividade dos tratamentos efetuados. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 22/01/201 5 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 10840.720625/200819 Acórdão n.º 2202002.873 S2C2T2 Fl. 3 3 · Ressalta que sua Declaração de Rendimentos comprova que tinha saldo para efetuar o pagamento em dinheiro, o que efetivamente ocorreu, demonstrando o absurdo cometido pela fiscalização. · Destaca que o inciso III, do § 1°, do art. 80, do Regulamento do Imposto de Renda, ao tratar da dedução na declaração de rendimentos, das despesas médicas, é de clareza meridiana ao assentar a possibilidade de tal procedimento, observando que: "limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento". · Entende ter apresentado os comprovantes que demonstram, claramente, as despesas médicas efetuadas. Tudo foi realizado em total conformidade com os requisitos exigidos pelo Regulamento do Imposto de Renda, em seu art. 80. · Observa que sempre que foi solicitado, respondeu à fiscalização, fornecendo de imediato todos os . elementos de que dispunha, demonstrando, de forma clara, a sua boafé. Assim, somente caberia a exigência de cheque para a comprovação das despesas médicas, no caso de não ser possível a prova, por documento, que preencha os requisitos estabelecidos no art. 80. O inciso III, § 1°, do art. 80, do RIR é claro:"... na falta de documentação". · Argumenta que o fisco, simplesmente, presumiu a inidoneidade dos documentos apresentados, sem qualquer prova em contrário. Isto é presunção e o pior: arbitrária! A autoridade administrativa lavrou auto de infração tendo, exclusivamente, por supedâneo, a mera presunção, sem demonstrar, cabalmente, como era de sua competência, os elementos que compõem o fato jurídico tributário · Ratifica que é preciso que a fiscalização apresente ELEMENTOS COMPROBATÓRIOS SEGUROS da suposta inidoneidade dos documentos, o que não foi feito. · Invoca a seu favor, o princípio da boafé, pois não pode à Autoridade desconsiderar documentos que preenchem os requisitos do art. 80, do RIR, por presunção de máfé, sem realizar qualquer prova em contrário. · Alega que a multa de ofício aplicada revestese da natureza de confisco, o que é constitucionalmente vedado, e requer sua redução para o patamar de 20%, com base no art. 61, §2º, da Lei nº 9.430/96. · Contesta a aplicação dos juros de mora argumentando que dada sua natureza remuneratória, incabível a utilização da taxa Selic como juros moratórios em crédito tributário. Nem mesmo a Lei nº 9.065/95 Fl. 178DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 22/01/201 5 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 4 dá amparo jurídico legal a tal utilização, tendo em vista o art. 161, §1º, do Código Tributário Nacional , que permite fixação de juros em percentual menor que 1%, nunca maior · Por fim , observa das informações contidas no Auto de Infração lavrado, inferese que haverá incidência de juros SELIC sobre o montante cobrado a título de multa. No entanto, não procede a incidência de juros sobre a multa de ofício lançada, na medida em que, por definição, se os juros remuneram o credor por ficar privado do uso de seu capital, conforme ensina Maria Helena Diniz (Curso de Direito Civil Brasileiro, 2° vol. Pág. 322), eles devem incidir somente sobre o que não foi passado aos cofres públicos, que diz respeito tão somente à obrigação principal. · Fundamenta suas alegações, mencionando ementas de uma vasta jurisprudência deste colegiado.. Por determinação de maioria do colegiado, a 2ª Turma Especial Segunda Seção de Julgamento CARF, por meio da Resolução 2802000.154, de 18 de junho de 2013, converteu o julgamento do processo em diligência, em para que a Unidade Preparadora junte aos autos o dossiê de fiscalização, contendo todos os documentos apresentados pelo contribuinte. Era o essencial a ser relatado. Voto Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora O recurso é tempestivo. Estando dotado, ainda, dos demais requisitos de admissibilidade. Dele tomo conhecimento. O litígio tratase de comprovação de despesas médicas em que a autoridade fiscal fundamenta a autuação na falta de comprovação do efetivo dispêndio. Trata ainda, do caráter confiscatório da multa de ofício, aplicada ao percentual de 75% e a impossibilidade legal de utilização da taxa SELIC como juros de mora . Em primeira instância o lançamento foi mantido, em relação a glosa das despesas médicas, sob o fundamento de que: “Em sede de impugnação, o impugnante trouxe aos autos os seguintes documentos: fls.27/28 – duas vias de ficha de anamnese, preenchida apenas com seu nome, endereço e telefone, sem qualquer identificação do profissional ao qual se relaciona; fls.29 – declaração firmada pela cirurgia dentista Fernanda Bragagnolo Reis, em que afirma ter realizado tratamento odontológico no impugnante. O documento de fls. 27, que se repete às fls. 28, não contém qualquer valor probatório, sendo irrelevante à solução do litígio. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 22/01/201 5 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 10840.720625/200819 Acórdão n.º 2202002.873 S2C2T2 Fl. 4 5 Quanto à declaração fornecida pela citada profissional, tratase de documento particular que, ainda que pudesse conter informações elencadas na lei tributária, no contorno jurídico apenas noticia os fatos e a forma como estes teriam ocorrido, mas não provam a efetividade de sua ocorrência. Nesse sentido, o art. 368 do Código de Processo Civil, in verbis: Art. 368. As declarações constantes do documento particular, escrito e assinado, ou somente assinado, presumemse verdadeiras em relação ao signatário. Parágrafo único. Quando, todavia, contiver declaração de ciência, relativa a determinado fato, o documento particular prova a declaração, mas não o fato declarado, competindo ao interessado em sua veracidade o ônus de provar o fato. (grifei). Por conseguinte, quando tais documentos são questionados, deve o sujeito passivo deixar evidenciado, perante a administração tributária, a veracidade dos fatos neles relatados, principalmente, sobre as efetivas transferências de valor de uma para a outra parte, nas correspondentes quantias e datas informadas nos recibos, oferecendo outros documentos que os corroborem, como logrou fazer com relação a diversas despesas que foram objeto de glosa. A legislação tributária estabelece que o ônus da prova recai sobre aquele de cujo benefício se aproveita. Cabe ao contribuinte, no seu interesse, produzir as provas dos fatos consignados em suas declarações de rendimentos, sob pena de não têlos aceitos pelo Fisco. Provas que devem estar amparadas em documentos hábeis e idôneos, de modo a corroborar cabal e inequivocamente o que foi declarado e pleiteado. À vista de todo o exposto concluise que não procede a alegação de que a autoridade fiscal lançadora atuou com base em presunções. Cabe aqui lembrar uma noção básica da teoria da prova no âmbito administrativo. Na busca da verdade material, a autoridade administrativa, seja lançadora ou julgadora, forma seu convencimento, por vezes, não a partir de uma prova única, concludente por si só, mas de um conjunto de elementos que, se isoladamente nada atestam, agrupados têm o condão de estabelecer a evidência de uma dada situação de fato. A referida autoridade não está adstrita a uma pré estabelecida hierarquização dos meios de prova, podendo firmar sua convicção a partir do cotejo de elementos de variada ordem desde que estejam esses, por óbvio, devidamente juntados aos autos. A jurisprudência administrativa não vincula as decisões desta instância julgadora, mas tornase oportuno trazer, como ilustração, ementas de algumas decisões do Conselho de Contribuintes atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais relativas à matéria: Fl. 180DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 22/01/201 5 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 6 DESPESAS MÉDICAS GLOSA Tendo a autoridade fiscal efetuado a glosa de despesas médicas por não comprovação dos gastos, não há justificativa para seu restabelecimento sem confirmação do efetivo desembolso e da prestação do serviço. (Acórdão 10248.922, de 2008). DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS Recibos ou notas fiscais, mesmo que emitidos nos termos exigidos pela legislação, não comprovam, por si só, sem outros elementos de prova complementares, pagamentos realizados por serviços médicos ou odontológicos, quando há dúvidas sobre a efetividade da sua prestação. Nessa hipótese, justificase a exigência, por parte do Fisco, de elementos adicionais para a comprovação da efetividade da prestação dos serviços e/ou do pagamento. (Ac. 1º CC 10423.311, de 2008). IRPF DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS Nos termos do art. 8º, § 2º, inc. III da Lei nº 9.250/95, somente podem ser deduzidas as despesas médicas comprovadas por meio de recibo que preencha os requisitos da lei (com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu). Quando o documento apresentado pelo contribuinte não preenche tais requisitos e também não é feita a comprovação do pagamento por qualquer outro meio de prova, deve prevalecer a glosa da referida despesa. (Ac. 10616.880, de 2008). DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS COMPROVAÇÃO A validade da dedução de despesas médicas, quando impugnadas pelo Fisco, depende da comprovação do efetivo pagamento e/ou da prestação dos serviços. (Acórdão 10422.781, de 2007). IRPF GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS À luz do artigo 29 do Decreto 70.235 de 1972, na apreciação de provas a autoridade julgadora tem a prerrogativa de formar livremente sua convicção. Correta a glosa de valores deduzidos a título de despesas odontológicas, com cirurgião plástico e com psicóloga, cuja efetividade dos serviços e o pagamento não foram comprovados.(Ac. 10248.510, de 2007). Princípio da boa fé O princípio fundamental a reger a atividade de lançamento tributário é o da legalidade, do qual decorre incumbir à autoridade fiscal o dever de buscar a aplicação correta da lei ao caso concreto. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 22/01/201 5 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 10840.720625/200819 Acórdão n.º 2202002.873 S2C2T2 Fl. 5 7 A declaração de ajuste anual de imposto de renda pessoa física constitui o momento em que o contribuinte oferece à tributação os rendimentos auferidos, bem como as deduções efetuadas – relativa a dependentes, despesas médicas, despesas com instrução, dentre outras, porque existe previsão legal nesse sentido. Importa ressaltar que as deduções legais consistem em redução da base de cálculo do tributo. Em situações como a dos autos, a glosa das deduções efetuadas foi precedida por solicitação, dirigida ao contribuinte que as pleiteou, para que comprove a prestação de serviços / pagamento de modo a demonstrar a regularidade de suas deduções. Essa providência se coaduna como o regramento legal: está o auditor fiscal a buscar a aplicação correta da lei ao caso concreto e, para tanto, busca os verdadeiros fatos praticados pelo contribuinte. Desse modo, depende do próprio contribuinte a comprovação dos fatos ocorridos, para que a autoridade fiscal possa concluir quanto à existência ou não de algum tipo de infração à legislação tributária. Conforme já exaustivamente demonstrado, incumbe ao interessado o ônus de provar os fatos por ele praticados: não poderia o fisco substituílo, pois como regra geral de direito, a prova cabe a quem alega. E foi o contribuinte quem alegou ter feito despesas que se enquadram nas condições legais autorizadoras de redução da base de cálculo do tributo. Tratase, portanto, de ônus, o que significa dizer que é faculdade do interessado fazêlo. Por outro lado, é seu dever jurídico informar à autoridade fiscal os atos que determinaram o valor da tributação e seus fundamentos. Essas considerações se fazem necessárias para demonstrar que, no presente caso, a garantia da verdade material depende de atuação do próprio contribuinte, ou seja, sendo o sujeito dos atos – utilização e pagamento de serviços médicos por ele ou seus dependentes qualificados na forma da legislação do imposto de renda, somente ele pode trazer elementos que demonstrem a verdade material. Entretanto, o impugnante não apresentou os elementos de prova necessários, não restando outra alternativa à fiscalização a não ser considerar como indevidas as deduções pleiteadas. Quanto à alegação de que a autoridade fiscal lançadora não teria observado a boa fé do impugnante, importa ressaltar que, em se tratando de matéria tributária, não importa se a pessoa física cometeu a infração à legislação imbuída de boa fé, ou ainda, se tal fato aconteceu por puro descuido ou desconhecimento. É o que estabelece o art. 136 do Código Tributário Nacional: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou Fl. 182DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 22/01/201 5 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 8 do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Conforme já salientado, diante da constatação de infração à legislação tributária, o lançamento fiscal deve ser efetuado. Concluo que o contribuinte não logrou comprovar à fiscalização os elementos necessários para se manter as deduções pleiteadas e, em sua impugnação, não apresentou elementos hábeis a ilidir o lançamento, não havendo como decidir em sentido diverso daquele expresso pela fiscalização. Assim, mantenho as glosas efetuadas.” O litígio trata substancialmente de comprovação de despesas médicas em que a autoridade fiscal fundamenta a autuação na premissa de que os recibos emitidos pelos profissionais de saúde não comprovam o “efetivo pagamento”, e que uma vez alegado que os pagamentos ocorreram em dinheiro, a prova seria a coincidência de datas e valores entres os saques em contas correntes e de poupança e os valores consignados nos recibos apresentados, sem que a autoridade fiscal aponte quais as razões pelas quais os recibos apresentados não são suficientes ainda que atendam as formalidades legais. As despesas em litígio somam R$ 18.000,00 e são assim discriminadas: 1) Fernando Gonçalves Junqueira Leite (Dentista) no valor de R$ 6.000,00, 2) Elisabeth Kunimatsu Cervi (Dentista) no valor de R$ 4.000,00, 3) Fernanda Bragagnolo Reis (Dentista) no valor de R$ 4.000,00, 4) Fernando Cesar Franco(Dentista) no valor de R$ 2.500,00 e; 5) Ana Paula Afonso Franco (Dentista) no valor de R$ 1.500,00. Em atendimento a diligência proposta na Resolução 2802000.154 2ª Turma Especial Segunda Seção CARF, foram juntados aos autos os recibos emitidos pelos profissionais acima especificados. O entendimento da autoridade lançadora, foram ratificados pela DRJ. Passo ao cerne do litígio: a comprovação da efetividade do pagamento e da prestação dos serviços. Em casos desta natureza, importante ressaltar que extensa discussão se trava no âmbito deste CARF, com relação aos documentos necessários para se comprovar as despesas médicas. Enquanto alguns defendem que o simples recibo faz prova em favor do contribuinte, outros entendem que, havendo dúvidas na efetividade da prestação do serviço, ou em seu pagamento, pode o Fisco exigir provas complementares. Entretanto, tenho me manifestado reiteradamente que a princípio, os recibos emitidos por profissionais legalmente habilitados que atendam às formalidade legais são hábeis a comprovar as deduções pleiteadas, mas, em havendo fortes indícios de que a documentação é inidônea, existe o direitodever de o fisco intimálo a comprovar o efetivo desembolso e prestação do serviço. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 22/01/201 5 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 10840.720625/200819 Acórdão n.º 2202002.873 S2C2T2 Fl. 6 9 Assim, a decisão sobre a dedutibilidade ou não da despesa médica merece análise caso a caso, consoante os elementos trazidos aos autos, tanto pelo fisco como pelo contribuinte, os quais serão decisivos para a formação da livre convicção do julgador. No presente caso tomo como ponto de partida a imputação feita no lançamento, e nela não vejo apontamento algum de indícios em desfavor dos documentos apresentados pelo recorrente, logo não há nos autos elementos que permitam afastar a idoneidade dos documentos apresentados pelo requerente para fazer jus às deduções pleiteadas É certo que o artigo 73 do RIR/99 estabelece em seu caput que “todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora”. Todavia, segundo entendo, não contém o RIR/99 ou outro diploma legal qualquer permissivo genérico para a exigência dos comprovantes de efetivo desembolso, independentemente de fundamentação. Não havendo prova em desfavor dos recibos, ainda que por meio de um conjunto forte de indícios e enquanto não houver disciplina legal mais adequada, atende ao verdadeiro interesse público privilegiar o devido processo legal e as demais garantias ínsitas ao Estado Democrático de Direito, cujos valores superam eventual perda arrecadatória. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso, para restabelecer a dedução com despesas médicas no valor de R$18.000,00 (dezoito mil reais). (assinatura ditigal ) Dayse Fernandes Leite Relatora Fl. 184DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 22/01/201 5 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA
score : 1.0
Numero do processo: 10166.900066/2006-66
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2002
COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao sujeito passivo a prova do crédito alegado em processo de compensação tributária.
Numero da decisão: 1103-001.150
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
ACORDAM os membros do colegiado negar provimento por unanimidade. Declarou-se impedido o Conselheiro André Mendes de Moura.
Aloysio José Percínio da Silva Presidente e Relator
(assinatura digital)
Participaram do julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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ÔNUS DA PROVA. Cabe ao sujeito passivo a prova do crédito alegado em processo de compensação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros do colegiado negar provimento por unanimidade. Declarouse impedido o Conselheiro André Mendes de Moura. Aloysio José Percínio da Silva – Presidente e Relator (assinatura digital) Participaram do julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 00 66 /2 00 6- 66 Fl. 352DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10166.900066/200666 Acórdão n.º 1103001.150 S1C1T3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de PER/DCOMP transmitida em 08/07/2003 (fls. 4)1 por meio da qual foi declarada compensação de suposto crédito de estimativa de CSLL de março de 2002, no valor original de R$ 940.314,70, com débito da mesma contribuição relativo a estimativa mensal de janeiro do ano seguinte. A DRF/Brasília não homologou a compensação ao fundamento de impossibilidade de aproveitamento de valores referentes a estimativas mensais para compensação, uma vez que, sendo pagos sob o regime de antecipação, só seriam utilizáveis na apuração da CSLL anual, como dedução, conforme o despacho decisório de fls. 134. A 2ª Turma da DRJ/Brasília indeferiu por unanimidade a manifestação de inconformidade da contribuinte (fls. 149), nos termos do Acórdão 0330.468/2009 (fls. 203). Cientificada da decisão em 26/05/2009 (fls. 223), a contribuinte apresentou recurso voluntário em 08/06/2009 (fls. 212). Os autos foram devolvidos à unidade de origem por determinação da Resolução 110300.030/2011 (fls. 118 e 232) com solicitação de intimação à contribuinte para "(i) demonstrar com base na escrituração (e documentação que a respalda) a apuração do valor supostamente devido da CSLL mensal estimada de março de 2002 – de R$ 3.815.560,39 – e (ii) provar que o valor alegado como pago a maior – R$ 940.314,70 – não foi utilizado como dedução da CSLL anual devida do anocalendário 2002." A autoridade fiscal elaborou relatório de diligência (fls. 340), centificado à contribuinte em 11/12/2012 (fls. 348) com abertura de prazo de 30 (trinta) dias para contestação, o que não ocorreu. É o relatório. 1 As folhas dos autos estão indicadas conforme a numeração atribuída pelo sistema "eprocesso". Fl. 353DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10166.900066/200666 Acórdão n.º 1103001.150 S1C1T3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva – Relator. Conforme relatado, os autos retornam de diligência determinada pela Resolução 110300.030/2011 (fls. 118 e 232) para prosseguimento do julgamento. Após minucioso trabalho de verificação da documentação apresentada pela contribuinte em atendimento às intimações fiscais (fls. 250, 262, 264, 329 e 331), a autoridade encarregada do procedimento elaborou o relatório de fls. 340 expondo em detalhes a fundamentação da sua conclusão pela inexistência do crédito declarado no PER/DCOMP sob exame. Afirmou: "Assim, verificase que a contribinte, apesar de ter calculado corretamente a receita bruta auferida no mês de março de 2002, incorreu em erro na apuração da CSLL a pagar no referido período, por não incluir na base de cálculo as receitas relacionadas às fls. 191 e 202." A contribuinte não refutou a constatação da autoridade fiscal, concordando implicitamente com a conclusão exposta no relatório. Vêse, portanto, que o alegado crédito não foi devidamente comprovado. Conclusão Pelo exposto, nego provimento ao recurso. Aloysio José Percínio da Silva (assinatura digital) Fl. 354DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 10950.002008/2007-18
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. JUSTIÇA TRABALHISTA. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. JURISPRUDÊNCIA DO STJ E STF. REGIMENTO INTERNO DO CARF. ART. 62-A.
No caso de rendimentos pagos acumuladamente em cumprimento de decisão judicial, a incidência do imposto ocorre no mês de recebimento, mas o cálculo do imposto deverá considerar os períodos a que se referirem os rendimentos, evitando-se, assim, ônus tributário ao contribuinte maior do que o devido, caso a fonte pagadora tivesse procedido tempestivamente ao pagamento dos valores reconhecidos em juízo. Jurisprudência do STJ e do STF, com aplicação da sistemática dos Arts. 543 - B e 543 - C do CPC. Art. 62-A do RICARF determinando a reprodução do entendimento.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-004.033
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que negava provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Eivanice Canário da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: Marcio Henrique Sales Parada
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JUSTIÇA TRABALHISTA. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. JURISPRUDÊNCIA DO STJ E STF. REGIMENTO INTERNO DO CARF. ART. 62A. No caso de rendimentos pagos acumuladamente em cumprimento de decisão judicial, a incidência do imposto ocorre no mês de recebimento, mas o cálculo do imposto deverá considerar os períodos a que se referirem os rendimentos, evitandose, assim, ônus tributário ao contribuinte maior do que o devido, caso a fonte pagadora tivesse procedido tempestivamente ao pagamento dos valores reconhecidos em juízo. Jurisprudência do STJ e do STF, com aplicação da sistemática dos Arts. 543 B e 543 C do CPC. Art. 62A do RICARF determinando a reprodução do entendimento. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que negava provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 20 08 /2 00 7- 18 Fl. 247DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /04/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10950.002008/200718 Acórdão n.º 2801004.033 S2TE01 Fl. 248 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Eivanice Canário da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Em desfavor do contribuinte acima identificado foi lavrada Notificação de Lançamento, onde lhe foi exigido crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas, exercício de 2005, ano calendário de 2004, no valor de R$ 31.095,50, acrescido de multa proporcional de 75% e mais juros de mora calculados pela Selic. Na descrição dos fatos (fl. 34), narra a Autoridade Fiscal que constatou a omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, acumuladamente, em virtude de processo judicial trabalhista, no total de R$ 230.569,64, apontando a fonte HSBC Bank Brasil S/A. Inconformado, o Contribuinte apresentou Impugnação ao lançamento, onde alegou, em resumo, que algumas parcelas seriam isentas e não tributáveis, como "férias indenizadas" e "indenização por estabilidade", e que a parcela referente ao "13º salário" não seria tributável no ajuste anual. Além disso, pleiteou adequação da dedução da contribuição à previdência privada (12%), em face do aumento do rendimento tributável, constatado na Notificação. Em 10/10/2010, posteriormente à apresentação de sua Impugnação, apresentou complemento, adicionando às questões debatidas o fato dos rendimentos em caso terem sido pagos acumuladamente, citando decisões judiciais, Parecer da PGFN e decisões administrativas. Falou ainda sobre os juros moratórios. Assim, concluiu que além dos pedidos que constavam de sua Impugnação, argüia a tributação acumulada dos rendimentos e a tributação sobre os juros moratórios. Sua manifestação foi tratada pela DRJ em Curitiba/PR, que em suma dispôs que apesar de não serem tributáveis as férias proporcionais, não era possível, em face dos acordos celebrados perante a Justiça, identificar perfeitamente tal parcela; em relação ao 13º salário, reconhecendo que não era cabível tributálo no ajuste anual, da mesma forma, ante a impossibilidade de discriminação da parcela tributável exclusivamente na fonte, entendeu por manter a tributação conforme o lançamento fiscal; entendeu ainda que a "indenização" por estabilidade provisória seria tributável, no caso, por não estar literalmente contemplada como isenção, na legislação tributária. Em relação ao pedido que trata de dedução de previdência privada, entendeu que não seria possível eleválo ao percentual de 12% dos rendimentos constatados, admitindo parcialmente aumentálos somente até o montante declarado pelo Contribuinte, em DIRPF, ante a impossibilidade de ser retificada a declaração, após notificado do lançamento. Em relação ao pedido protocolado após a apresentação da Impugnação, citando o Decreto nº 70.235, de 1972, entendeu pela preclusão. Ressalvou apenas a questão alusiva ao Parecer da PGFN nº 01/2009, que tratava da forma de cálculo do tributo incidente sobre os rendimentos percebidos acumuladamente. Entretanto, assentou que na data daquele julgamento o referido Parecer se encontrava suspenso. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /04/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10950.002008/200718 Acórdão n.º 2801004.033 S2TE01 Fl. 249 3 Cientificado dessa Decisão em 12/05/2011 (AR na folha 205), o contribuinte, ainda inconformado, apresentou recurso voluntário em 09/06/2011, com protocolo na folha 207. Em sede de recurso, volta a defender a não incidência do imposto sobre as férias indenizadas, esclarecendo a forma de cálculo, para chegar ao valor que entende a essa parcela referirse do total do acordo celebrado com o antigo empregador; também questiona a incidência do imposto, no ajuste anual, sobre o 13º salário. Acrescenta questionamento sobre "adicional de transferência", pedindo exclusão do rendimento tributável. Diz que as indenizações decorrentes de despedida ou rescisão de contrato são isentas. Volta a questionar a tributação sobre a parcela referente a "indenização por estabilidade", inclusive citando a previsão em Acordo ou Convenção coletiva de trabalho. Trata dos "rendimentos recebidos acumuladamente", citando o Parecer da PGFN e decisões administrativas e judiciais. Por fim, fala da incidência do tributo sobre juros moratórios e sua natureza "indenizatória". O processo foi submetido à análise da 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Segunda Seção deste CARF, que em Sessão de 18 de setembro de 2013 resolveu sobrestar o julgamento, em face da matéria envolvendo a forma de tributação de rendimentos recebidos acumuladamente, da decisão proferida pelo STF, no RE 614.406, que determinou a repercussão geral do tema e de disposições regimentais então vigentes (§§ 1º e 2º do artigo 62A do RICARF). É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado e, atendidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. A numeração de folhas a que me refiro a seguir é a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). Em outras decisões onde se verifica a ocorrência de pagamento de verbas acumuladas, em virtude de acordos firmados perante a Justiça Trabalhista, em relação à forma de apuração do imposto pelo regime de caixa, tenho mantido o entendimento já expressado por esta Turma Especial de que, ao firmar o acordo, o montante recebido substitui as competências porventura existentes, para fins de aplicação do regime de tributação. Ou seja, em virtude do acordo, não há que se falar em aplicação de alíquotas e tabelas vigentes em relação a cada período a que referirseiam os rendimentos (regime de competência), uma vez que a composição judicial não os estabelece, mas superaos, homologando uma parcela única, em relação a cada verba acima tratada, a ser paga na data em que determina. Vejamos: Acórdão nº 2801003.839 – 1ª Turma Especial Sessão de 2 de dezembro de 2014 JUSTIÇA TRABALHISTA. HOMOLOGAÇÃO DE ACORDO. IMPOSSIBILIDADE DE AFERIÇÃO DOS RENDIMENTOS MENSAIS A QUE TERIA DIREITO O TRABALHADOR. INCIDÊNCIA DO TRIBUTO SOBRE O VALOR TOTAL. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /04/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10950.002008/200718 Acórdão n.º 2801004.033 S2TE01 Fl. 250 4 Em acordo homologado na Justiça do Trabalho as verbas remuneratórias e indenizatórias que eram devidas ao trabalhador são substituídas por um valor único, impossibilitando a aferição da real natureza de cada parcela que seria recebida e dos montantes mensais a que fazia jus o Reclamante, impondose a incidência do imposto de renda sobre o todo, pelo regime de caixa, haja vista a inviabilidade de se apurar a base de cálculo do tributo pelo regime de competência, por ausência dos valores mensais a que teria direito o Interessado. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. ACORDO CELEBRADO NA JUSTIÇA TRABALHISTA. Prevalece o lançamento fiscal por omissão de rendimentos quando os valores lançados na declaração de ajuste anual estão em descompasso com os valores recebidos em decorrência de acordo celebrado na Justiça do Trabalho. Recurso Voluntário Negado Entretanto, neste caso, houve uma Sentença Judicial, conforme folhas 41 a 49 e, posteriormente, um acordo entre as partes, para por fim ao litígio, onde estão discriminadas as parcelas, não se resumindo a um montante único, e, especialmente, as competências a que se referem (11/1992 a 05/1997), conforme documentos de folha 57 a 75. Apesar das considerações feitas pela DRJ, em 1ª instância, para não reconsiderar a tributação do 13º salário e das férias indenizadas, dizendo que não era possível discriminálos perfeitamente, em face do acordo, observo que é plenamente possível verificar que os rendimentos referemse a períodos pretéritos e distintos, que foram posteriormente pagos, acumuladamente, em 2004. A própria DRJ sinalizou para este entendimento, porém deixou de aplicálo porque o posicionamento da PGFN pela desistência de recursos que versassem sobre a tributação de rendimentos acumuladamente, na forma do artigo 12 da lei nº 7.713, de 1988, encontravase, então, suspenso. Transcrevo do Voto do Acórdão recorrido: "A única exceção fica por conta da menção feita pelo contribuinte ao Ato Declaratório da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional nº 1, de 27/03/2009, que tratava da autorização para a dispensa da interposição de recursos e desistência dos recursos já interpostos em processos nos quais se discutia a forma de cálculo do imposto de renda sobre rendimentos recebidos acumuladamente. ... Contudo não é possível acolher o pedido do contribuinte, pois o Ato Declaratório em questão foi suspenso pelo Parecer PGFN/CRJ nº 2331, de 27/10/2010, o qual determinou que os Procuradores da Fazenda Nacional voltassem a contestar e recorrer nas ações referentes a rendimentos acumulados recebidos anteriormente a 1º de janeiro de 2010." Assim, nestes autos, entendo pela aplicação do seguinte raciocínio, assentado pelos Tribunais Superiores: Fl. 250DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /04/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10950.002008/200718 Acórdão n.º 2801004.033 S2TE01 Fl. 251 5 DOS RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Em relação aos rendimentos recebidos acumuladamente em virtude de ação judicial, verifico que se referiam a diversos períodos pretéritos e foram tributados, integralmente, no mês em que foram recebidos, em dezembro de 2004 (DIRF fl. 126) Observase que a tributação deuse, então, na forma do artigo 12 da Lei nº 7.713/1988, que determina que, nesses casos, o imposto incide sobre o total dos rendimentos, no mês do recebimento do valor, diminuído das despesas com a ação judicial necessárias ao recebimento. Ocorre, entretanto, que a constitucionalidade da regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, sobre a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente no mês do recebimento do crédito, foi levada à apreciação, em caráter difuso, por parte do Supremo Tribunal Federal, o qual reconheceu a repercussão geral do tema e determinou o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do Código de Processo Civil (CPC), em decisão assim ementada: “TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados – se por regime de caixa ou de competência – vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC.” (STF, RE 614406 AgRQORG, Relatora: Min. Ellen Gracie, julgado em 20/10/2010, DJe043 DIVULG 03/03/2011). Em 23/10/2014, a Suprema Corte assim decidiu, em relação à matéria: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /04/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10950.002008/200718 Acórdão n.º 2801004.033 S2TE01 Fl. 252 6 ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal em negar provimento ao recurso extraordinário, por maioria, vencida a relatora, Ministra Ellen Gracie, em sessão presidida pelo Ministro Ricardo Lewandowski, na conformidade da ata do julgamento e das respectivas notas taquigráficas. Voto. Ministra Ellen Gracie Relatora: O Acórdão recorrido considerou inconstitucional o art. 12 da Lei 7.713/88, que determinou a incidência do imposto por ocasião do recebimento dos valores, sobre a sua totalidade. Entendeu violados os princípios da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, nos termos do que restou sintetizado na ementa do acórdão relativo à argüição de inconstitucionalidade julgada pela Corte Especial daquele Tribunal Regional Federal da 4ª Região: (...) Voto Ministro Marco Aurélio Redator do Acórdão: Não passa pela minha cabeça que o sistema possa apenar o contribuinte duas vezes. Explico melhor: o contribuinte não recebe as parcelas na época devida. É compelido a ingressar em Juízo para ver declarado o direito a essas parcelas e, recebendo as posteriormente, há a junção para efeito de incidência do Imposto de Renda, surgindo, de início, a problemática da alíquota, norteada pelo valor recebido. (...) Qual é a consequência de se entender de modo diverso do que assentado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região? Haverá, como ressaltado pela doutrina, principalmente a partir de 2003, transgressão ao princípio da isonomia. Aqueles que receberam os valores nas épocas próprias ficaram sujeitos a certa alíquota. O contribuinte que viu resistida a satisfação do direito e teve que ingressar em Juízo será apenado, alfim, mediante a incidência de alíquota maior. Mais do que isso, tem se o envolvimento da capacidade contributiva... (...) Ou seja, o fato de o direito haver sido resistido e de se ter que acionar garantia inerente à cidadania, que é a do ingresso em Juízo, implicaria a majoração da alíquota. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) também já havia se manifestado sobre a matéria, como lembraramse os Ministros do STF, inclusive atribuindo aos recursos a Fl. 252DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /04/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10950.002008/200718 Acórdão n.º 2801004.033 S2TE01 Fl. 253 7 sistemática dos “repetitivos”, sobre a interpretação a ser dada ao dispositivo da Lei nº 7.713/1988, em comento. Vejamos: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. (grifei) 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008.(grifei) (REsp 1.118.429 / SP RECURSO ESPECIAL 2009/00557226. Ministro HERMAN BENJAMIN (1132). DJe 14/05/2010) TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. (...). ACÓRDÃO DO TRIBUNAL DE ORIGEM EM CONSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ QUANTO AO TRATAMENTO TRIBUTÁRIO DE PARCELAS PAGAS ACUMULADAMENTE EM CUMPRIMENTO DE DECISÃO JUDICIAL. TEMAS JÁ JULGADOS PELA SISTEMÁTICA INSTITUÍDA PELO ART. 543C DO CPC. 1.... 2. Em relação ao ponto do recurso especial em que a Procuradoria da Fazenda Nacional alega contrariedade ao art. 12 da Lei n. 7.713/88 e impugna o capítulo do acórdão do Tribunal de origem sob a rubrica "Da incidência mês a mês do imposto de renda", consta da decisão ora agravada que o mencionado recurso não procede porque a decisão proferida pelo Tribunal de origem está em consonância com a orientação firmada pela Primeira Seção do STJ, por ocasião do julgamento do recurso repetitivo REsp 1.118.429/SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), cuja ementa assim enuncia: "O imposto de renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente." 3. Ao dispor sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, o art. 12 da Lei 7.713/88 disciplina o momento da incidência do imposto de renda, porém nada diz a respeito das alíquotas aplicáveis a tais rendimentos. Assim, no julgamento do recurso especial, não ocorreu violação do art. 97 da Constituição da República, tampouco contrariedade à Súmula Vinculante n. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /04/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10950.002008/200718 Acórdão n.º 2801004.033 S2TE01 Fl. 254 8 10/STF. Como já proclamou a Quinta Turma, ao julgar os EDcl no REsp 622.724/SC (Rel. Min. Felix Fischer, REVJMG, vol. 174, p. 385), "não há que se falar em violação ao princípio constitucional da reserva de plenário (art. 97 da Lex Fundamentalis) se, nem ao menos implicitamente, foi declarada a inconstitucionalidade de qualquer lei".(sublinhei) 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no AgRg no REsp 1332443 / PR AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES 2012/0138520 DJe 08/02/2013) Outrossim, diz ALEXANDRE DE MORAES que “assim como podemos afirmar que o STF é o guardião da Constituição, também podemos fazêlo no sentido de ser o STJ o guardião do ordenamento jurídico federal” . Continuando, o autor diz que em relação ao recurso especial, ensinanos o Ministro do STJ Sálvio de Figueiredo Teixeira, tratarse: “de modalidade de recurso extraordinário latu sensu, destinado, por previsão constitucional, a preservar a unidade e autoridade do direito federal, sob inspiração de que nele o interesse público, refletido na correta interpretação da lei, deve prevalecer sobre os interesses das partes...”(MORAES. Alexandre, Direito Constitucional, 15ª ed., São Paulo : Atlas, 2004, p. 496 e 498)(sublinhei) Para REGINA HELENA COSTA, “a aplicação reiterada das normas jurídicas por órgãos do Poder Judiciário constrói pensamento hábil a orientar a conduta dos jurisdicionados, bem como influenciar a atuação dos legisladores e administradores na busca de aperfeiçoamentos e modificações que o ordenamento jurídico requer.”(sublinhei) Assim, conclui a Ministra do STJ e livredocente em Direito Tributário, que: “Nos dias atuais, inegável o papel da jurisprudência como fonte do direito. Conquanto não ostente a mesma importância que apresenta nos países que adotam o sistema da common law, a jurisprudência tem ganho cada vez mais visibilidade, especialmente no campo tributário, à vista do elevado grau de litigiosidade existente nessa seara.” (COSTA. Regina Helena, Curso de Direito Tributário, 2ª ed. São Paulo : Saraiva, 2012, p. 47)(destaquei) O que os Tribunais Superiores ratificam, na minha modesta leitura, seguindo aliás a melhor doutrina, é que existem, dentre outros, dois aspectos distintos do fato gerador: Aspecto quantitativo do Fato Gerador: neste aspecto, destacam se a base de cálculo e a alíquota. Na operação de lançamento tributário, após a verificação da ocorrência do fato gerador, da identificação do sujeito passivo e da determinação da matéria tributável, há que se calcular o montante do tributo devido aplicandose a alíquota sobre a base de cálculo. Esta é, pois, uma ordem de grandeza própria do aspecto quantitativo do fato gerador. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /04/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10950.002008/200718 Acórdão n.º 2801004.033 S2TE01 Fl. 255 9 Aspecto temporal do Fato Gerador: é de fundamental importância esse aspecto para definição da lei aplicável, segundo o princípio tempus regit actum. Esse aspecto diz respeito ao momento da consumação ou da ocorrência do fato gerador, ....(HARADA. Kiyoshi. Direito Financeiro e Tributário, 23ª ed, Atlas : São Paulo, 2014, p. 544/545) Observo assim a aplicação do artigo 62A do Regimento Interno do CARF: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Considerando que a jurisprudência do STJ já havia se posicionado pela forma como deveria ser interpretado o art. 12 da Lei nº 7.713/1988 e, mais recentemente, o STF entendeu pela sua inconstitucionalidade do dispositivo, verifico então que existe erro de cunho material na apuração do montante devido, por aplicação incorreta da fórmula para apuração do imposto sobre os rendimentos recebidos acumuladamente (aspecto quantitativo da hipótese de incidência) e observo a determinação contida no Art. 62A caput do Regimento Interno do CARF, como fundamento para decidir. Vinhamse verificando, na jurisprudência deste CARF, decisões no seguinte sentido, no tocante a esta matéria: Acórdão 2201002.387 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de abril de 2014 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para aplicar aos rendimentos recebidos acumuladamente a tabela progressiva vigente à época em que os valores deveriam ter sido pagos ao Contribuinte, nos termos do voto do relator. Transcrevo e destaco daquele Voto: Releva tratarse de rendimento recebido acumuladamente para incidir na regra do art. 62A, do Regimento Interno deste Conselho, pouco importando a espécie ou a natureza do rendimento recebido, se trabalhista, previdenciário ou outro, importa ser rendimento acumulado tributado. Pois bem, a autuação levou em consideração o rendimento total recebido, de forma acumulada, sem separar o período de cada competência. Por essa razão é necessário provimento parcial ao recurso para o recalculo da autuação. Pois bem, como se observa aqui, neste Voto, concordo em parte com o entendimento lá proferido pela Colenda Turma Ordinária, contudo, peço vênia para divergir em relação à parte que entende ser cabível devolver à Receita Federal os autos, para que se faça Fl. 255DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /04/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10950.002008/200718 Acórdão n.º 2801004.033 S2TE01 Fl. 256 10 novo cálculo do tributo devido, aplicando as tabelas progressivas vigentes à época de cada competência (mês) dos rendimentos recebidos. Isso porque o artigo 142 do CTN dispõe que o ato de lançamento constituise na atividade atinente à autoridade administrativa para: verificar a ocorrência do fato gerador e determinar a matéria tributável (antecedentes), calcular o montante devido e identificar o sujeito passivo (consequentes). Portanto, esses elementos constituemse em aspectos da hipótese de incidência tributária. Socorrendome mais uma vez na doutrina de REGINA HELENA COSTA: Os aspectos pessoal e quantitativo compõem o chamado "consequente" da hipótese de incidência tributária, isto é, descrita a materialidade e indicadas as coordenadas espacial e temporal do fato no antecedente da norma, exsurge uma relação jurídica mediante a qual um sujeito possui o direito de exigir o tributo e outro sujeito o dever de pagálo (aspecto subjetivo), apontandose o valor da prestação correspondente (aspecto quantitativo).(Op. Cit. p. 205) Ora, se houve equívoco reconhecido na apuração do montante devido (aspecto quantitativo da hipótese de incidência) o lançamento encontrase viciado e, para sanar o problema, necessário ser feito um novo lançamento. Não é possível, data maxima venia, "corrigir" ou "emendar" um lançamento onde se reconhece que houve erro na apuração do tributo, por aplicação equivocada de alíquotas indevidas sobre bases de cálculo acumuladas. Não entendo que se trate de mero erro de forma, de inobservância de aspectos formais, mas que esteve ferida a própria substância do lançamento, na aferição do montante devido. Porque, observando o processo tributário, forma é aquilo que existe para garantir às partes o exercício de seus direitos, como por exemplo a ampla defesa e o livre acesso ao judiciário. Cito: "... porque as formalidades se justificam como garantidoras da defesa do contribuinte; não são um fim, em si mesmas, mas um instrumento para assegurar o exercício da ampla defesa. (PAULSEN, Leandro. Direito tributário: Constituição e Código Tributário....15. ed. Porto Alegre : Livraria do Advogado Editora, ESMAFE, 2013, p.1197) E, em ordem prática, suponhase que efetuada nova apuração e encaminhada a cobrança o sujeito passivo dela discorde. Como se darão a impugnação e recurso, nos termos das normas reguladoras do processo administrativo fiscal? Recomeça a fase litigiosa do procedimento? De forma análoga, se o Fisco identifica incorretamente o sujeito passivo, cobrando de Tício quando o contribuinte ou responsável é Mélvio, não se pode simplesmente alterar a ficha de identificação do Auto de Infração e exigir o tributo, agora corretamente, encaminhando a notificação de cobrança, após o julgamento de recurso daquele, a esse. É necessário um novo lançamento, porque se feriram aspectos substanciais da hipótese de incidência tributária. Nesses casos, o novo lançamento só seria possível enquanto Fl. 256DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /04/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10950.002008/200718 Acórdão n.º 2801004.033 S2TE01 Fl. 257 11 não decaído o direito da Fazenda Pública e observadas todas as normas pertinentes, na legislação tributária. CONCLUSÃO. Pelo exposto, considerando o posicionamento referente à forma de tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente, desnecessário tratar da tributação/isenção de cada uma das parcelas e dos juros, e VOTO por dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, consubstanciada na Notificação de Lançamento. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 257DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /04/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN
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Numero do processo: 10580.725762/2012-34
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
COMPENSAÇÃO.GLOSA.CABIMENTO
A compensação efetivada antes do trânsito em julgado da decisão judicial favorável, deve ser glosada, conforme art 170-A do CTN. Cabível a multa prevista no art. 89 §10 da lei 8212/91.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-004.108
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Gustavo Vettorato quanto à multa isolada.
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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Cabível a multa prevista no art. 89 §10 da lei 8212/91. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Gustavo Vettorato quanto à multa isolada. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 57 62 /2 01 2- 34 Fl. 283DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10580.725762/201234 Acórdão n.º 2803004.108 S2TE03 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Ricardo Magaldi Messetti. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10580.725762/201234 Acórdão n.º 2803004.108 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve os autos de infração lavrados, referente a glosa de compensações e multa isolada em razão daquelas. O r. acórdão – fls 164 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo os autos de infração lavrados. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário, alegando, em síntese, o seguinte: · As parcelas compensadas pela recorrente referemse às contribuições sociais previdenciárias incidentes sobre os valores pagos nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do funcionário doente ou acidentado (antes da obtenção do auxíliodoença ou do auxílio acidente ), bem como, a título de saláriomaternidade, férias,adicional de férias de 1/3 (um terço). · Há decisão favorável no mandado de segurança impetrado e decisões proferidas em sede de recurso repetitivo. · Decisão em sede de Mandado de Segurança justifica a respectiva compensação, mesmo antes do trânsito em julgado. · Indevida exigência de contribuição previdenciária sobre os valores objeto do mandado de segurança. · Descabimento da multa isolada.Ausência de falsidade · Ausência de descrição precisa dos fatos. Atentado à ampla defesa. · Requer o provimento do recurso, com a declaração de nulidade dos autos lavrados. É o relatório. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10580.725762/201234 Acórdão n.º 2803004.108 S2TE03 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Oséas Coimbra O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. DO MÉRITO DAS RUBRICAS APURADAS A ação judicial impetrada representou renúncia ao contencioso administrativo. Dessarte a discussão sobre a legalidade das rubricas apuradas é transferida para a esfera judicial, não cabendo manifestação sobre o mérito por parte do contencioso administrativo. A discussão judicial, contudo, não afasta o lançamento, cabendo à Administração Tributária a cautela necessária quando do prosseguimento do processo de cobrança, observando a exigibilidade do crédito sub judice. Vejamos súmulas nºs 01 e 48 do CARF, aplicáveis ao caso. Súmula nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Súmula nº 48: A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura de auto de infração. Assim sendo, correto o posicionamento da fiscalização em lavrar o presente auto de infração. Ressaltese que a compensação foi indevidamente aplicada em razão da não comprovação do trânsito em julgado da decisão que discute as rubricas apuradas, em desconformidade com o art. 170A do CTN, como melhor explanado a seguir. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10580.725762/201234 Acórdão n.º 2803004.108 S2TE03 Fl. 6 5 DA MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA A aplicação da multa isolada fundamentouse na indevida compensação das parcelas discutidas judicialmente, antes do trânsito em julgado. O relatório fiscal aponta ainda que a decisão de primeiro grau somente reconheceu o direito da impetrante em relação ao adicional de 1/3 de férias e os primeiros 15 dias de afastamento dos empregados doentes (auxílio doença), não reconhecendo em relação a saláriomaternidade, férias e auxilio acidente. O art. 170A do CTN informa: Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) A decisão judicial expressamente fez constar: “Pelas Razoes expendidas, tem direito as impetrantes de compensarem as exações recolhidas no que tange tãosó aos valores recebidos pelos seus empregados nos primeiros quinze dias que antecedem o auxíliodoença, bem como aqueles referentes ao adicional de 1/3 de férias. Porém, as compensações pleiteadas serão viáveis apenas após o trânsito em julgado da decisão, ante o disposto no artigo 170A do Código Tributário Nacional, segundo o qual “é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial”. O art. 89 §10 da lei 8212/91 informa: § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Não estamos a tratar de equívoco em declaração de GFIP, e sim em falsidade das compensações que constam da mesma, posto o uso consciente de créditos inexistentes ou juridicamente não habilitados à compensação. Tampouco temos como obrigatória a caracterização de fraude, pois o texto legal assim não se manifesta, sendo necessário para a aplicação da multa, que a declaração de compensação não reflita a verdade, o que efetivamente aconteceu. Sendo inverídicas as compensações utilizadas, cabível a multa isolada, bem como a autuação em razão da extemporânea compensação. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10580.725762/201234 Acórdão n.º 2803004.108 S2TE03 Fl. 7 6 CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, negolhe provimento. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 14112.000222/2005-92
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/1988 a 30/06/1995
NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA.
A preliminar de nulidade da decisão recorrida, por não levar em consideração a situação de processo de restituição apontado, deve ser rejeitada, uma vez que aquele expediente não é prejudicial a este contencioso.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO CONSTITUÍDO.
A impossibilidade de a União cobrar seus créditos, por falta de constituição desses, não gera direito à homologação de compensação, até porque não há débitos lançados em desfavor do contribuinte a serem extintos por compensação.
Numero da decisão: 3803-006.957
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida; e no mérito, por maioria, negar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Belchior Melo de Sousa que não conhecia do mérito.
Corintho Oliveira Machado - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 23/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Belchior Melo de Sousa, Paulo Renato Mothes de Moraes, Demes Brito e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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INEXISTÊNCIA. A preliminar de nulidade da decisão recorrida, por não levar em consideração a situação de processo de restituição apontado, deve ser rejeitada, uma vez que aquele expediente não é prejudicial a este contencioso. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO CONSTITUÍDO. A impossibilidade de a União cobrar seus créditos, por falta de constituição desses, não gera direito à homologação de compensação, até porque não há débitos lançados em desfavor do contribuinte a serem extintos por compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida; e no mérito, por maioria, negar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Belchior Melo de Sousa que não conhecia do mérito. Corintho Oliveira Machado Presidente e Relator. EDITADO EM: 23/03/2015 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 11 2. 00 02 22 /2 00 5- 92 Fl. 204DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 23/03 /2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Belchior Melo de Sousa, Paulo Renato Mothes de Moraes, Demes Brito e Corintho Oliveira Machado. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: O processo em exame, protolizado em 17/06/2005, versa sobre pedidos de compensação de supostos créditos da contribuição para o Pasep, referentes aos fatos geradores ocorridos de janeiro/1988 a junho/1995, com débitos da mesma contribuição. A seguir, para compreensão dos fatos, transcrevese parte do Parecer SAORT/DRF/Campo GrandeMS Nº 0268/2007 (fls. 100/105): 3. O presente processo já havia sido objeto de análise Parecer n° 147/2005 fls. 61/66 e não abrangia as Declarações de Compensação apresentadas em 2005 (itens 16 a 19, tabela 1). Contudo, verificouse que tal ato administrativo não se encontravam em perfeita consonância com a legislação devendo, através da revisão de ofício, ser declarada nula para, então, ser proferida nova Decisum 4. Cabe ressaltar, de início, que o crédito utilizado nas compensações foi originariamente analisado no processo 10140001.795/0032, tendo o pedido de restituição sido indeferido pela DRF e DRJ, com base na ocorrência da decadência. Interposto o Recurso Voluntário, o Conselho de Contribuintes deu provimento ao mesmo, afastando a decadência, e reconheceu, em tese, o direito à restituição. No entanto, no que se refere ao efetivo valor do crédito, o Acórdão ressalvou o direito da Fazenda Nacional examinar e conferir todos os cálculos. 5. Procedeuse à apuração do direito creditório a qual resultou no Despacho Decisório n° 197/2007, exarado no processo de restituição n° 10140001.795/0032, cópia às fls. 75/78, concluindo que o direito creditório apurado em favor do requerente é ZERO. Por tal motivo, o pedido de restituição foi INDEFERIDO. 6. Apurado o montante do direito creditório, a questão agora se volta às declarações de compensação. No período que abrange as declarações de compensação apresentadas, o procedimento administrativo compensatório sofreu várias alterações, tendo sido modificadas características essenciais tais como a natureza processual, efeitos jurídicos, o trâmite administrativo, entre outros. Em razão dessa diversidade de situações, cada grupo de declarações de compensação deverá ser analisado de acordo com a realidade normativa vigente. Portanto, as declarações de compensação apresentadas (TABELA 1) serão analisadas em três (3) processos distintos, a seguir: Fl. 205DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 23/03 /2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 14112.000222/200592 Acórdão n.º 3803006.957 S3TE03 Fl. 3 3 Conforme o Parecer acima citado, a contribuinte apresentou um Pedido de Compensação em 14/01/2002, seis Declarações de Compensação em formulário (apresentados de 25/10/2002 a 28/03/2003) e doze DCOMP transmitidas pela Internet, no período de 24/06/2003 a 19/08/2005. Os pedidos de compensação foram agrupados em conformidade com a realidade normativa vigente em cada período: no presente processo foram analisados o Pedido de Compensação de 14/01/2002, as seis Declarações de Compensação em formulário (apresentados de 25/10/2002 a 28/03/2003) e a DCOMP apresentada em 24/06/2003; no processo nº 14112.000146/200787 foram analisadas as DCOMP apresentadas de 05/12/2003 a 22/11/2004; e no processo nº 14112.000149/200711 foram analisadas as DCOMP apresentadas de 22/06/2005 a 19/08/2005. O já citado Parecer SAORT/DRF/Campo GrandeMS Nº 0268/2007, concluiu por: a) rever de ofício o Despacho Decisório nº 147/2005, declarandoa nula; b) declarar nulo o Pedido de Compensação apresentado em 14/01/2002; c) não homologar as compensações declarados no período de 01/10/2002 a 30/10/2003; d) determinar à Safis a constituição dos créditos tributários compensados referentes aos períodos de apuração dezembro/2001 e de setembro/2002 a maio/2003; e) cientificar a contribuinte do lançamento de ofício e do despacho decisório, simultaneamente. A Safis/DRF/Campo Grande lavrou a Informação Fiscal de fls. 107 concluindo pela impossibilidade de constituição do crédito tributário por ser o prazo decadencial do Pasep ser de cinco anos, tendo em vista decisão proferida na Súmula Vinculante nº 08, exarada pelo Supremo Tribunal Federal, e possibilidade de reconhecimento ex officio confirmada pelo Parecer PGFN/CRJ/CDA nº 1.437/2008. Cientificada do Parecer SAORT/DRF/Campo GrandeMS Nº 0268/2007 e da Informação Fiscal em 25/04/2012 (fls. 110), a contribuinte apresentou o pedido de esclarecimento (equivalente a manifestação de inconformidade) em 16/05/2012 (fls. 111/120). Sua inconformidade foi com a Informação Fiscal (fls. 107) que concluiu pela decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários referentes aos fatos geradores de dezembro/2001 a maio/2003. A contribuinte entendeu que o prazo decadencial de cinco anos equivaleria a uma redução do prazo prescricional para a repetição do indébito. Concluiu requerendo a homologação de todas as compensações realizadas no presente processo e anulação de qualquer tentativa de cobrança/inscrição em dívida ativa e cadastros restritivos que estejam em trâmite na RFB e na PFN. A DRJ em Campo Grande/MS não conheceu da manifestação de inconformidade, ficando a decisão assim ementada: Fl. 206DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 23/03 /2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1988 a 30/06/1995 DCOMP. Débito Não Confessado. Lançamento de Ofício. Decadência. Não Conhecimento do Pedido. Relativamente aos débitos não confessados pelo sujeito passivo, o lançamento de ofício é o ato jurídico que, nos termos do art. 142 do CTN, perfaz o único instrumento legal hábil para formalizar a pretensão fazendária. Não sendo possível a constituição dos créditos tributários em razão da decadência, descabe conhecer do pedido da contribuinte, por falta de objeto. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Sem Crédito em Litígio Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, onde preliminarmente invoca nulidade da decisão recorrida, por não levar em consideração a situação do processo de restituição nº 10140.001795/0032 (onde estariam os créditos da recorrente); discorre sobre a liquidez e certeza dos créditos no processo de restituição; concorda com a decadência do direito de lançar, relativamente aos débitos não confessados e diz que tal entendimento não foi aplicado ao processo principal (nº 10140.001795/0032); ao final requer deferimento do recurso voluntário sub analisis, para reconhecer o direito à homologação das compensações efetuadas bem como no processo de restituição apontado, em razão da desnecessidade de apresentação de novos documentos e do reconhecimento da decadência do direito do Fisco de lançar. Apresentado o recurso voluntário, a repartição de origem encaminhou os presentes autos para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para fins de julgamento. Relatado, passase ao voto. Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 23/03 /2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 14112.000222/200592 Acórdão n.º 3803006.957 S3TE03 Fl. 4 5 DA DECISÃO RECORRIDA A decisão recorrida entendeu prejudicado o pedido de homologação das compensações porque não havia débitos constituídos a favor da União a serem extintos, por falta de lançamento daqueles, e assim não conheceu da manifestação de inconformidade, porquanto não havia objeto remanescente à lide. Corolário disso, temse por despiciendo qualquer esforço no sentido de aferir a liquidez e certeza dos créditos que seriam oriundos daquele outro processo de restituição, bem como o quantum desses, para a satisfação dos supostos débitos deste processo. Nesse diapasão, é de se rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida, por não levar em consideração a situação do processo de restituição nº 10140.001795/0032, uma vez que tal expediente não é prejudicial a este contencioso. DAS COMPENSAÇÕES Mesmo após ter reconhecido o seu direito a não ser cobrada pelos débitos extintos pela decadência, a recorrente insiste em que suas compensações merecem homologação e quer que a decadência reconhecida nesta lide contamine o processo de restituição, para ver lá, também, reconhecidos os seus créditos. Ora, a essa inversão de papéis demonstra bem que a recorrente confunde os dois institutos tributários e equivocase, por consequência, no plano processual. O processo de restituição é que deveria, em regra, contaminar o processo de compensação, porquanto a existência e dimensão do crédito é aferido no processo restituitório, para depois ter consequências no processo compensatório. No caso vertente, a regra geral não vale porque os débitos da recorrente não foram devidamente lançados. Só isso. Então o pedido da recorrente homologação das compensações e reconhecimento do direito à restituição invertido equivocadamente, conforme exposto, não merece em momento algum ser deferido. A impossibilidade de a União cobrar seus créditos, por falta de constituição desses, não gera direito à homologação de compensação, até porque não há débitos lançados em desfavor do contribuinte a serem extintos por compensação, e mais, porque o processo de restituição já se encontra findo no plano administrativo com resultado desfavorável à pretensão da recorrente, por unanimidade de votos, consoante acórdão da 3ª Seção, nº 3403002.613, da 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária, de 26 de novembro de 2013, cuja ementa segue abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 208DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 23/03 /2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Anocalendário:1988, 1989, 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995 RESTITUIÇÃO. REQUISITOS. CERTEZA. LIQUIDEZ. A comprovação da certeza e da liquidez do crédito constitui requisito essencial à acolhida de pleitos de restituição, em matéria tributária. Posto isso, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 209DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 23/03 /2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10680.903653/2008-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Ano-calendário: 2003
DIREITO CREDITÓRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.
O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da RFB.
VEDAÇÃO AO ENRIQUECIMENTO SEM CAUSA. O Contribuinte não perde o direito de reaver o indébito por mero erro de preenchimento da DCOMP, se os valores em questão puderem e estiverem devidamente comprovados nos autos.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3301-002.558
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: MONICA ELISA DE LIMA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 2003 DIREITO CREDITÓRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da RFB. VEDAÇÃO AO ENRIQUECIMENTO SEM CAUSA. O Contribuinte não perde o direito de reaver o indébito por mero erro de preenchimento da DCOMP, se os valores em questão puderem e estiverem devidamente comprovados nos autos. Recurso Voluntário Provido.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2015-02-24T14:57:15Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2015-02-24T14:57:15Z; Last-Modified: 2015-02-24T14:57:15Z; dcterms:modified: 2015-02-24T14:57:15Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2015-02-24T14:57:15Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2015-02-24T14:57:15Z; meta:save-date: 2015-02-24T14:57:15Z; pdf:encrypted: true; modified: 2015-02-24T14:57:15Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2015-02-24T14:57:15Z; created: 2015-02-24T14:57:15Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; Creation-Date: 2015-02-24T14:57:15Z; pdf:charsPerPage: 1576; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2015-02-24T14:57:15Z | Conteúdo => S3-C3T1 Fl. 213 1 212 S3-C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.903653/2008-50 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301-000.558 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de janeiro de 2015 Matéria DCOM PIS Recorrente COLETIVOS SÃO CRISTÓVÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 2003 DIREITO CREDITÓRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da RFB. VEDAÇÃO AO ENRIQUECIMENTO SEM CAUSA. O Contribuinte não perde o direito de reaver o indébito por mero erro de preenchimento da DCOMP, se os valores em questão puderem e estiverem devidamente comprovados nos autos. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Presidente. MÔNICA ELISA DE LIMA - Relatora. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA Processo nº 10680.903653/2008-50 Acórdão n.º 3301-000.558 S3-C3T1 Fl. 214 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (presidente da turma), Maria Tereza Martínez López (vice-presidente), Andrada Marcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário em que a Contribuinte se insurge contra o Acórdão 02-35.652 proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, que declarou a procedência parcial de Manifestação de Inconformidade, por meio da qual se pretendia o reconhecimento do direito creditório da Contribuição para o PIS (código 6912), relativa ao período de apuração de dezembro de 2003, no valor originário de R$18.821,07. A Contribuinte foi cientificada do Acórdão em 14.12.2011 e apresentou sua peça recursal em 12.01.2012 (fls.36 e 37). Por bem descrever os fatos, colhe-se o Relatório elaborado pela DRJ/BHE: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento 779932125 emitido eletronicamente em 09/05/08, fls. 03, referente ao PER/DCOMP nº 18430.15457.080704.1.3.04-7291 (doc. de fls. 14/20). A Declaração de Compensação foi gerada pelo programa PER/DCOMP transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório, correspondente a PIS/PASEP, recolhido em 15/01/04 e de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP. De acordo com o Despacho Decisório a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório em 19/05/08, o interessado apresenta manifestação de inconformidade (fl. 02), protocolada em 11/06/08, alegando que o valor declarado na DCTF relativo à competência dezembro/2003, com vencimento em 15/01/2004 para PIS era de R$ 9.629,53 e que esta informação pode ser confirmada em sua DIPJ/2004/2003, de 29/06/2005, nº 80451720320. Entretanto, recolheu em 05/01/2004 dois Darf com os seguintes valores: R$ 22.457,97 e R$ 5.992,63, totalizando recolhimento a maior de R$ 18.821,07. A seguir, pede a acolhida da manifestação com o cancelamento do débito fiscal reclamado. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA Processo nº 10680.903653/2008-50 Acórdão n.º 3301-000.558 S3-C3T1 Fl. 215 3 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte – DRJ/RJ2, proferiu, em Sessão de 25 de outubro de 2011, por meio de sua 2ª Turma, o acórdão nº 02-35.652, julgando parcialmente procedente a Manifestação de Inconformidade, materializado, em resumo, nos seguintes termos (fls.30 a 34): EMENTA DRJ EMENTA DRJ: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da RFB, respeitadas as normas vigentes para a sua utilização. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte VOTO DRJ Analisando os argumentos da manifestante, os documentos presentes aos autos e os controles internos da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), verifica-se que o contribuinte informou como crédito o valor de R$ 18.821,07 obtido mediante a soma de dois Darf, um de R$ 22.457,97 e outro de R$ 5.992,63, entretanto ofereceu à compensação somente o Darf de R$ 22.457,97. Isso porque cada Darf com pagamento indevido ou a maior deve ser informado individualmente. Portanto, não pode o contribuinte informar um determinado Darf como origem de crédito e após o indeferimento de seu pleito, agregar novos Darf para compor o valor do crédito. Logo, o único pagamento que pode ser objeto de análise neste voto é o informado como crédito no PerDcomp, ou seja, o Darf de valor R$ 22.457,97. Analisando-se a existência de saldo nesse Darf, verifica-se que, após o pagamento do débito de PIS, PA 12/2003, de R$ 9.629,53, havia saldo de R$ 12.828,44, e que ele estava integralmente reservado para a compensação 39939.91591.150704.1.3.04- 2560, processo 10680.906926/2008-18, transmitida posteriormente em 15/07/04, razão pela qual não foi utilizado Fl. 215DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA Processo nº 10680.903653/2008-50 Acórdão n.º 3301-000.558 S3-C3T1 Fl. 216 4 neste processo, conforme se verifica na cópia da tela Documento de Arrecadação Em função do exposto, os cálculos foram refeitos, a partir deste saldo remanescente, respeitando as regras para a efetivação das compensações, dentre elas a de valoração do crédito (art. 52 da Instrução Normativa nº 600, de 27 de dezembro de 2005) e a de incidência de acréscimos legais (art. 28 da referida IN); Conclui-se que o crédito apresentado era suficiente para compensar os débitos em discussão administrativa. A DRJ/BHE julgou procedente em parte a Manifestação de Inconformidade para: Reconhecer o direito creditório de R$ 12.828,44 referente ao saldo do Darf, código de receita 6912, data de arrecadação 15/01/2004, PA 31/12/2003 e valor R$ 22.457,97. Cientificada da Decisão em 14.12.2011, a Contribuinte apresenta, em 12.01.2012, Recurso Voluntário de fls. 37 e seguintes, invocando, em síntese, que: Conforme-se colhe dos autos, a DRJ/BHE houve por bem não acolher em parte a manifestação de inconformidade apresentada pela ora Recorrente, homologando em parte a compensação e, por outro lado, na parcela indeferida, tendo gerou a cobrança de débito remanescente sob o código 2172, referente a COFINS. Isso porque, a Delegacia de Julgamento de Belo Horizonte deixou de reconhecer e, por isso mesmo; validar a compensação, uma vez que deixou de vincular o recolhimento do DARF de R$5.995,63 nos pedidos de compensação apresentados. Ora, de se ver que a verificação da Receita não se mostra razoável, eis que o valor de R$5.992,63 foi sim incluído na PER/DCOMP entregue, na página 2, qual seja, estando inserido no direito creditório total de R$18.821,07. O valor de R$9.629,53 encontra-se justificado pelo DIPJ 2004, ano base 2003, retificadora, recepcionada pelo SERPRO em 29.05.2005. A Recorrente valeu-se dos indébitos de R$22.457,97 e R$5.992,63, após deduzido o PIS devido (R$9.626,53) para se chegar o recolhimento de R$18.821,07, que é exatamente aquele informado e ao qual se fez referência. A despeito do entendimento da DRJ de que o Recorrente deveria ter informado individualmente os pagamentos indevidos ou a maior, tem-se que o direito de crédito há de ser respeitado, sob pena de se validar o enriquecimento sem causa. Diante do Erro material, poderia a Autoridade rever o ato e até autorizar a retificação. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA Processo nº 10680.903653/2008-50 Acórdão n.º 3301-000.558 S3-C3T1 Fl. 217 5 Pede, por fim, que seja mantida a suspensão da exigibilidade e acolhida a compensação, pelo que pode e deve ser reconhecido o direito de crédito sobre os valores apresentados e justificados para o fim de se extinguir o débito lançado no DARF emitido sob o código de receita 2172, número de referência 10680.908665/2008-71. É o Relatório. Voto Conselheira Mônica Elisa de Lima O Recurso é tempestivo e cumpre os requisitos de admissibilidade; portanto, dele conheço. Para se verificar a existência de direito creditório em favor da Contribuinte, hão de se dirimidas algumas questões: A primeira delas é saber se, ao ocorrer um fato imponível gerando um crédito tributário de R$9.629,53, e o Sujeito Passivo efetuar recolhimento no total de R$28.453,60 , estará caracterizado um indébito de R$18.821,07. A Resposta entendo ser Sim. A segunda é se existe alguma diferença entre o Contribuinte recolher os R$28.453,60 em um único DARF ou fazê-lo em dois documentos de arrecadação, no mesmo dia, com o mesmo código e o mesmo período de apuração, sendo um no valor de R$22.457,97 e o outro de R$5.992,63. A Resposta entendo ser Não. Ou seja, até este ponto, a Fazenda Pública não está sofrendo qualquer lesão, tampouco a Contribuinte, que tem a seu favor um crédito no valor de R$18.821,07, para ser restituído ou compensado. Pois bem, em um segundo momento, a Contribuinte apresenta ao Fisco um pedido de utilização (parcial) desse crédito e, para tanto, utiliza o instrumento adequado, qual seja, uma DCOMP, por meio da qual declara o valor dos débitos que pretende compensar, o valor original de seu crédito inicial (R$18.821,07) e o valor do crédito original utilizado na compensação (R$4.014,67). Neste ponto, também, há um perfeito equilíbrio entre as partes, nenhuma das duas sendo lesada em seus haveres. E, para que assim o seja, do batimento entre débitos e créditos, deverá resultar, como diferença em favor da Contribuinte, o montante de R$14.806,40. Com efeito, diferente do que leva a crer a r. Decisão a quo, o fato de o Contribuinte haver informado no campo específico da DCOMP o valor do Darf de R$22.457,97, em absolutamente nada, muda a equação acima, cujos fundamentos são preceitos inafastáveis, como a vedação ao enriquecimento sem causa, a boa-fé, a equidade, a legalidade e, no caso do processo administrativo, a supremacia do conteúdo sobre a forma, ou o formalismo moderado e a busca pela verdade material. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA Processo nº 10680.903653/2008-50 Acórdão n.º 3301-000.558 S3-C3T1 Fl. 218 6 Muito mais do que uma simples questão aritmética ou de mero erro escusável no preenchimento de uma das declarações a que a Contribuinte está obrigado a apresentar, está-se diante da necessidade cogente de observar o Código Tributário Nacional, que, ao tratar do pagamento indevido, preceitua: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I - cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; Também há de se afastar, com a devida vênia, a observação da i. DRJ segundo a qual "não pode o contribuinte informar um determinado Darf como origem de crédito e após o indeferimento de seu pleito, agregar novos Darf para compor o valor do crédito". Apresenta-se, abaixo, quadro sinótico dos eventos aludidos nestes autos: DATA EVENTO FLS. VALOR OBS 15.01.2004 RECOLHIMENTO DE DARF 32 e 56 R$22.457,97 Código 6912 RECOLHIMENTO DE DARF 55 R$5.992,63 Código 6912 08.07.2004 TRANSMISSÃO DA PER/DCOMP Nº 18430.15457.080704.1.3.04.7291 14 a 20 Débito de PIS: R$1.464,90 (12/2002) Débito de Cofins: R$2.725,39 (12/2002, 01/2003 e 03/2003) (Total PIS/Cofins: 4.190, 29) Débito de IRRF: R$109,42 (03/2003) Total de Débitos: R$ 4.299,71 Valor Original do Crédito Inicial de PIS : 18.821,07 Total do Crédito Original Utilizado na DCOMP: R$4.014,67 Darf PIS/PASEP no valor de R$22.457,97. 29.06.2005 DIPJ RETIFICADORA 6 / 7 Débito apurado de Pis em dezembro de 2003: R$9.629,53 Em relação ao recolhimentos, haveria uma sobra de R$18.821,07 04.06.2008 DCTF RETIFICADORA 4 / 5 Débito apurado de Pis em Fl. 218DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA Processo nº 10680.903653/2008-50 Acórdão n.º 3301-000.558 S3-C3T1 Fl. 219 7 dezembro de 2003: R$9.629,53 09.05.2008 Emitido Despacho Decisório negando a compensação. Cobrança de R$2.917,58 3 Motivação: Crédito original na data da transmissão informado na PER/DCOMP: R$18.821,07 valor original total utilizado R$22.457,97. Inexistência de crédito. Não homologada a compensação Os fatos não confirmam a afirmação da DRJ/BHE, eis que, conforme é nítido e a própria Autoridade Julgadora constatou, verifica-se que a Contribuinte informou como crédito o valor de R$ 18.821,07, obtido mediante a soma de dois Darf, um de R$ 22.457,97 e outro de R$ 5.992,63. Aquele valor líquido, e isto é claramente perceptível, resulta da soma dos dois recolhimentos diminuída do débito declarado (R$9.629,53). Na verdade, a informação foi prestada, já de início e, ainda que os sistemas informatizados não estejam programados para fazer este tipo de cruzamento no processamento da DCOMP, a ora Recorrente apresentou, consistentemente seus esclarecimentos, demonstrando o correto valor do crédito e do débito. Inconsistente, portanto, o cálculo apontado na Decisão a quo, segundo o qual haveria um indébito de R$ 12.828,44. Como visto, o valor do pagamento a maior é de R$ 18.821,07, conforme pleiteado pela Recorrente. Pagamento deste que, sendo utilizado para a compensação de R$4.014,67, ainda restará em um crédito em favor da Contribuinte igual a R$14.806,40. Esta falta de flexibilidade das Decisões da DRF e da DRJ vai de encontro à atual orientação contida no Parecer Normativo COSIT/SRF nº 8, de 3 de setembro de 2014, que abre à própria Autoridade preparadora o poder/dever de rever de ofício lançamentos como o ora discutido; independente, mesmo, da instauração do contencioso. Assim, transcreve-se, por pertinente: Parecer Normativo COSIT/SRF nº 8 REVISÃO DE DESPACHO DECISÓRIO QUE NÃO HOMOLOGOU COMPENSAÇÃO, EM SENTIDO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. A revisão de ofício de despacho decisório que não homologou compensação pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese de ocorrer erro de fato no preenchimento de declaração (na própria Declaração de Compensação – Dcomp ou em declarações que deram origem ao débito, como a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF e mesmo a Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, quando o crédito utilizado na compensação se originar de saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica - IRPJ ou de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL), desde que este não esteja submetido aos órgãos de julgamento administrativo ou já tenha sido objeto de apreciação destes. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA Processo nº 10680.903653/2008-50 Acórdão n.º 3301-000.558 S3-C3T1 Fl. 220 8 Relatório Trata-se de analisar questões processuais específicas e frequentes no âmbito do processo administrativo tributário federal, divididas em três partes, quais sejam: a) revisão e retificação de ofício – de lançamento de ofício e de débito confessado em declaração, respectivamente –, em prol do contribuinte, e assim reduzir créditos tributários constituídos; b) revisão de ofício, em prol do contribuinte, de despacho decisório em sede de compensação tributária; e c) recorribilidade em sede de execução de julgado administrativo, no que toca à apuração de cálculos. (...) Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I - quando a lei assim o determine; II - quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; (...) Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. (...) A regra do parágrafo único visa a proteger o contribuinte contra revisões do lançamento que venham a lhe onerar mediante elevação do montante do crédito tributário. Estabelece, assim, que o Fisco tem o prazo decadencial para constituir o seu crédito, seja originariamente, seja mediante revisão de lançamento anterior. O prazo corre contra o Fisco. Não há que se entender, assim, que tal parágrafo impeça o fisco de revisar lançamento feito a maior, de modo a beneficiar o contribuinte mediante diminuição do crédito tributário para sua adequação à legislação válida aplicável. Isso pode decorrer tanto por força de lei como de decisão judicial, ou mesmo simples verificação administrativa à luz de documentos novos apresentados pelo contribuinte. (...) 22. Ao tratar do erro de fato, a lei não fez nenhuma distinção quanto à sua causa, se motivada por falha do Fisco ou se por ação ou omissão do contribuinte, de modo que, neste inciso, inexiste o requisito de imputação de culpa a balizar a revisão de ofício. Note-se que em sede judicial este aspecto se presta para definir a imputação do ônus pelo pagamento de honorários advocatícios, sem que influa, todavia, no direito material, uma vez que se imporá a extinção da execução fiscal em virtude de cancelamento do débito por erro de fato, conforme se extrai do contido no Parecer PGFN/CAT/Nº 591/2014, de 17 de abril de 2014, que concluiu que "a melhor interpretação quanto à correção do erro no lançamento previsto no art. 149, inciso VIII Fl. 220DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA Processo nº 10680.903653/2008-50 Acórdão n.º 3301-000.558 S3-C3T1 Fl. 221 9 do CTN, em função de fato não conhecido ou não provado na ocasião do lançamento, é de que esse erro deve ser entendido em sua concepção mais ampla, relativa ao fato como um todo que ensejou a incidência, incluindo aquele decorrente da não apresentação tempestiva de documentos legítimos que alterem o montante devido, devendo a administração promover a correção do erro, ainda que tenha sido ocasionado pelo administrado." (...) Retificação de ofício de débito confessado em declaração 41. As declarações entregues para comunicar a existência de crédito tributário, representando confissão de dívida nos termos do §1º do art. 5º do Decreto-Lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, tais como DCTF, DIRPF, DITR e GFIP, podem ser retificadas espontaneamente pelo sujeito passivo, com espeque no art. 18 da Medida Provisória nº 2.189-49, de 23 de agosto de 2001, atendidos os limites temporais estabelecidos em normas específicas (§ 2º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010 – DCTF, art. 5º da IN RFB nº 958, de 15 de julho de 2009 – DIRPF e DITR; art. 463 da IN RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009 – GFIP), respeitado o prazo de cinco anos para retificação (conforme Parecer Cosit nº 48, de 07 de julho de 1999). 42. Não mais sendo possível retificação por iniciativa do sujeito passivo, esta poderá ser realizada de ofício pela autoridade administrativa da unidade local de jurisdição para reduzir os débitos a serem encaminhados ao órgão da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa, haja vista orientação contida na Portaria Conjunta SRF/PGFN nº 1, de 1999, antes referida. Nos termos desta portaria, mesmo após a inscrição do débito em dívida ativa, e ainda que iniciada a execução fiscal, a retificação de ofício poderá ser efetuada se comprovado o erro de fato no preenchimento da declaração. 43. No caso específico da DCTF, desde 2004 (IN SRF nº 482, de 21 de dezembro de 2004) há previsão específica para revisão de ofício por erro de fato no preenchimento desta declaração, a fim de alterar débito que tenha sido enviado para a PGFN ou que tenha sido objeto de procedimento fiscal. Tal disposição, hoje, consta da norma disciplinadora da DCTF, qual seja, a IN RFB nº 1.110, de 2010, especificamente no § 3º do art. 9º: (...) REVISÃO DE OFÍCIO DO DESPACHO DECISÓRIO Revisão de ofício do despacho decisório que não homologou a declaração de compensação – Dcomp. 46. Trata-se, neste ponto, de analisar a possibilidade de rever de ofício despacho decisório anteriormente proferido que não homologou compensação efetuada via Dcomp quando, ultrapassada a possibilidade de discussão administrativa via manifestação de inconformidade, o sujeito passivo apresenta petição para apontar ocorrência de erro de fato. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA Processo nº 10680.903653/2008-50 Acórdão n.º 3301-000.558 S3-C3T1 Fl. 222 10 (...) 49. No caso da Dcomp, o encaminhamento de débito para inscrição em dívida ativa dá-se quando a compensação efetuada não é homologada por despacho decisório da autoridade administrativa (em função de análise manual ou eletrônica), e, cumulativamente, tal decisão não é reformada em função de contencioso administrativo, seja pelo fato de não se ter instaurado o litígio, seja em virtude de decisão administrativa definitiva, total ou parcialmente, desfavorável a ele. 50. A declaração de compensação extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação, e tem caráter de confissão de dívida (§§2º e 6º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996). Ocorre, porém, que o débito ali declarado, em regra, teve sua constituição operada por outro meio (lançamento de ofício ou declaração do contribuinte, como a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, p. ex.). Dessa forma, na hipótese de regular alteração no meio originário que constituiu o crédito tributário – como, p.ex., uma retificação da DCTF –, a redução do valor do débito implicará a necessidade de correção deste valor na Dcomp (já extinto pela própria declaração), que pode se dar tanto por meio de retificação da Dcomp por parte do contribuinte, quando cabível, como por revisão de ofício, caso a matéria já não esteja sob a alçada da DRJ, em virtude de manifestação de inconformidade interposta. 51. Extrai-se do exposto que, se o contribuinte apresentar petição com alegação de erro de fato no preenchimento da Dcomp após o prazo de trinta dias estabelecido no §7º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, ou após a conclusão de contencioso administrativo porventura instaurado, ainda que o débito já se encontre inscrito na dívida ativa e em execução fiscal, a autoridade administrativa deve analisar o pleito e, se pertinente, proferir nova decisão, de ofício, para revisar o despacho decisório anterior que não homologou a compensação e retificar a Dcomp. Contudo, deverão ser observados os trâmites da referida portaria conjunta se o débito já tiver sido encaminhado para inscrição na dívida ativa.(...). Por fim, ressalte-se ser estranho aos autos o pedido da Recorrente de que o reconhecimento se dê "para o fim de se extinguir o débito lançado no DARF emitido sob o código de receita 2172, número de referência 10680.908665/2008-71". Por ser questão não afeta a este processo, não cabe manifestação a respeito. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário, para reformar a Decisão de Primeira Instância, reconhecendo o direito creditório no valor de R$18.821,07, o qual deve ser utilizado na homologação da compensação referente à DCOMP nº 18430.15457.080704.1.3.04.7291, cabendo à Autoridade Preparadora considerar em tal montante os pagamentos efetuados através dos DARF de R$22.457,97 e R$5.992,63, recolhidos em 15.01.2004, período de apuração 01.12.2003, código 6912. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA Processo nº 10680.903653/2008-50 Acórdão n.º 3301-000.558 S3-C3T1 Fl. 223 11 Mônica Elisa de Lima - Relatora Fl. 223DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 13710.002513/99-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/1999
IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO.
Não foram escriturados os estornos dos créditos pleiteados no período de apuração em que foi apresentado o pedido de ressarcimento.
Provas e documentos não apresentados na diligência.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-002.503
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Mônica Elisa de Lima e Fábia Regina Freitas.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Luiz Augusto do Couto Chagas Relator.
Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas (relator), Sidney Eduardo Stahl, Andrada Márcio Canuto Natal, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/1999 IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. Não foram escriturados os estornos dos créditos pleiteados no período de apuração em que foi apresentado o pedido de ressarcimento. Provas e documentos não apresentados na diligência. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/1999 IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. Não foram escriturados os estornos dos créditos pleiteados no período de apuração em que foi apresentado o pedido de ressarcimento. Provas e documentos não apresentados na diligência. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Mônica Elisa de Lima e Fábia Regina Freitas. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Luiz Augusto do Couto Chagas – Relator. Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas (relator), Sidney Eduardo Stahl, Andrada Márcio Canuto Natal, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 71 0. 00 25 13 /9 9- 02 Fl. 1200DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 10 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13710.002513/9902 Acórdão n.º 3301002.503 S3C3T1 Fl. 1.201 2 Relatório Cuidase de recurso em face do Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Juiz de Fora MG que indeferiu o pedido de ressarcimento de IPI relativo aos períodos de apuração do primeiro, segundo e terceiro trimestres de 1999. Por bem esclarecer os fatos, transcrevo a seguir, o relatório da Delegacia da Receita Federal de Juiz de Fora MG, nos seguintes termos: O contribuinte em epigrafe apresenta as fls. 01, 62 e 114, com lastro no art. 11 da Lei n° 9.779/99 e na IN SRF n" 33/99, pedidos de Ressarcimento das quantias de R$ 6.684,17, R$ 4.421,98 e R$ 4.903,33 a título de Imposto sobre Produtos Industrializados, relativos aos períodos de apuração do primeiro, segundo e terceiro trimestres de 1999. Em 27/06/2002 foi apresentado o Pedido de Compensação (Dcomp), à fl. 252, com base no artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pelo art. 49 da Lei n" 10.637/2002 e pelo art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. O Despacho Decisório às fls. 256/259 não reconheceu o direito creditório pleiteado e nem homologou a compensação realizada tendo em vista que não foram escriturados os estornos dos créditos pleiteados. Insurgiuse a contribuinte mediante a peça à fl. 263, alegando que somente a partir da edição da IN SRF nº 460/2004 ficou expressamente determinado (art. 17) que os créditos pleiteados devem ser estornados em sua escrituração fiscal no período de apuração em que for apresentado o pedido de ressarcimento. Acrescenta que, para comprovar que os créditos pleiteados não foram aproveitados escrituralmente em períodos subseqüentes, são anexadas cópias do Livro Registro de Apuração do IPI, modelo 8, desses períodos, às fls. 268/709. De acordo com a decisão recorrida, que indeferiu o pedido de ressarcimento pleiteado pela recorrente, a Instrução Normativa SRF n° 125, de 07 de dezembro de 1989, já dispunha sobre hipóteses de ressarcimento em dinheiro de crédito inaproveitado, constando de seu item 3: “Ao habilitarse para o ressarcimento, o requerente deverá proceder à imediata anulação do valor do crédito correspondente ao pedido, no Livro Registro de Apuração do IPI, modelo 8." Assim sendo, a manutenção dos créditos na escrita configuraria, segundo entendeu o acórdão recorrido, em fruição do benefício em duplicidade. Esclarece ainda o acórdão: "(...) que nem mesmo após a edição da IN SRF n" 460/2004 a contribuinte procedeu aos estornos dos valores solicitados/compensados, limitandose a afirmar que não foram aproveitados escrituralmente em períodos subseqüentes. Como Fl. 1201DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 10 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13710.002513/9902 Acórdão n.º 3301002.503 S3C3T1 Fl. 1.202 3 entre os registros a serem feitos no Livro Registro de Apuração de IPI, modelo 8, está o estorno dos saldos credores que são objeto do referido processo, a apresentação de cópias desse livro fiscal sem esses estornos caracteriza instrução incorreta do pedido de ressarcimento." Cientificada em 03/04/2006 (fl. 713, verso), a contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 716 e seguintes, protocolado em 28/04/2008, onde é aduzido, em síntese, o seguinte: a recorrente é uma empresa do ramo farmacêutico, cuja linha de produção atual é composta basicamente de produtos fitoterápicos (de origem vegetal); o produto principal produzido é o TAMARINE, um composto decorrente da associação sinérgica de diferentes plantas medicinais com efeito laxativo; por suas características, a classificação fiscal dos produtos da recorrente na TIPI tem alíquota zero e a aquisição de insumos utilizados na fabricação destes produtos, tais como material de embalagem e produtos intermediários, os quais geram créditos de IPI; tendo em vista que não há débitos de IPI, em razão de tratarse de produtos com alíquota zero, os créditos somente podem ser objeto de pedido de ressarcimento, ou utilizados para compensar débitos com outros tributos, de acordo com o art. 11, da Lei n° 9.779/99 e IN n° 33/99; a recorrente apresentou, em 1999, pedidos de Ressarcimento dos créditos do IPI gerados no primeiro trimestre do ano de 1999 (fls. 01, 62 e 114), referentes à filial (CNPJ n° 33.043.308/000254) que foi extinta em 09/03/2001; posteriormente, em 2002, apresentou pedido de compensação destes créditos com débitos de IRPJ e CSSL da matriz (fl. 252), transformado em Declaração de Compensação, "tendo sido feito o estorno dos créditos"; (grifado) a recorrente entende que tem direito à compensação, tendo em vista que o estorno do crédito feito após o pedido de ressarcimento, porém antes do ingresso do pedido de compensação, não trouxe nenhum prejuízo ao Fisco, tendo em vista a impossibilidade de estes créditos terem sido aproveitados em períodos posteriores, em razão da inexistência de débitos, pois, os produtos têm alíquota zero, "inexistindo pois duplicidade na utilização dos mesmos"; diferentemente do que consta na decisão recorrida, ingressou com pedido de ressarcimento de créditos em 1999, transformados em 2002, em pedido de compensação, porém, em 2001, foram estornados, quando da extinção da filial, o que não implicou absolutamente em prejuízo para o fisco, pois, não possuía débitos de IPI para compensar; o estorno foi registrado na folha 19 do Livro de Apuração de IPI de 2001 referente ao registro das operações do decêndio de 21/03/2001 a 31/03/2001, conforme se comprova pela cópia completa do Livro, em anexo." (fl. 763); esclarece que a exigência do estorno dos créditos tem por finalidade impedir o seu aproveitamento em períodos subseqüentes para anular saldos devedores porventura existentes e o fato do estorno ter sido extemporâneo não implicou duplicidade de fruição dos mesmos, por tratarse de alíquota zero. Fl. 1202DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 10 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13710.002513/9902 Acórdão n.º 3301002.503 S3C3T1 Fl. 1.203 4 Por fim, para comprovar que os créditos pleiteados não foram aproveitados em períodos subseqüentes, "estão sendo anexadas cópias completas dos Livros de Apuração do IPI, modelo 8, dos anos de 1999, 2000 e 2001 , e de notas fiscais de venda dos produtos " ( fls. 746 a 947). Foi apresentado recurso voluntário tempestivo ao CARF em que, basicamente o recorrente repete os argumentos apresentados anteriormente. Alega que o pedido de ressarcimento de IP1, requerido em 1999 (primeiro, segundo e terceiro trimestres), transformado posteriormente, em 2002, em pedido de compensação, sendo que em 2001 os créditos de IPI foram estornados, quando da extinção da filial (CNPJ n° 33.043.308/000254). Conforme esclarece a recorrente, a exigência do estorno dos créditos tem por finalidade impedir o seu aproveitamento em períodos subseqüentes para anular saldos devedores porventura existentes, e esta medida não implicou duplicidade de fruição dos mesmos, por tratarse de alíquota zero. Assim sendo, diante da documentação apresentada pela recorrente, pela qual se comprova o estorno dos créditos (folha 19 do Livro de Apuração do IPI de 2001) referente ao registro das operações do decêndio de 21/03/2001 a 31/03/2001, e demais comprovações "estão sendo anexadas cópias completas dos Livros de Apuração do IPI, modelo 8, dos anos de 1999, 2000 e 2001, e de notas fiscais de venda dos produtos" (fls. 746 a 947), sobre os quais não houve qualquer pronunciamento da fiscalização, e a fim de preservar o equilíbrio entre as partes, bem como o respeito à ampla defesa, a turma achou necessário ouvir a repartição fiscal de origem sobre esses documentos. Em face do exposto, foi convertido o julgamento em diligência, a fim de que fossem examinados os documentos juntados pela recorrente por ocasião do recurso, devendo a unidade fiscal de origem se manifestar conclusivamente sobre os mesmos. É o Relatório. Fl. 1203DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 10 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13710.002513/9902 Acórdão n.º 3301002.503 S3C3T1 Fl. 1.204 5 Voto O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos na lei e deve ser conhecido. O julgamento do presente recurso foi convertido em diligência a fim de que a DRF de origem examinasse as alegações do Contribuinte e os documentos juntados, e também para que se verificasse se realmente existe direito ao ressarcimento de IPI e suas conseqüências no pedido realizado. A diligência foi realizada e afirmou que: “Tratase de diligência para fins de análise de Ressarcimento de IPI, conforme folhas 01 e 02 do processo acima citado. Em 13/03/2009, demos início à diligência, conforme ciência do termo, pelo correio, com aviso de recebimento. Em 06/04/2009, o contribuinte alega dificuldades na localização dos documentos e pleiteia prazo. Concedido prazo de 15(quinze) dias. Em 05/05/2009, nova manifestação do contribuinte, ora informando da impossibilidade de apresentação dos elementos solicitados alegando prescrição. De plano observase que a alegação é descabida, pois a seu requerimento de ressarcimento todos os elementos de prova para análise do pleito deveriam estar à disposição do fisco. Ante o exposto, fica impossibilitada a análise do pleito de Ressarcimento de IPI. Os valores em questão, tão logo seja possível, devem ser cobrados com as correções e multas necessárias. Destaquese que fica prejudicado o cumprimento dos quesitos formulados nas páginas 955 a 958 do processo em tela, em especial no que tange a veracidade crédito, o necessário estorno e carimbo nas notas fiscais.” Considerando que esse colegiado decidiu por unanimidade que a diligência seria fundamental para que fosse possível acatar o recurso voluntario do contribuinte e não houve a manifestação do interessado, voto pelo não provimento do recurso voluntario. Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas Relator (ASSINADO DIGITALMENTE) LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Fl. 1204DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 10 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000305/2008-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2000 a 30/11/2001
Ementa:. RECURSO VOLUNTÁRIO. ADESÃO AO PARCELAMENTO DA LEI 12.996/14. PERDA DO INTERESSE EM AGIR. Tendo em vista que o parcelamento tributário se constitui em situação na qual o contribuinte renuncia de forma expressa o direito sobre o qual se funda a autuação, com a sua adesão ao programa de parcelamento, mitigado está o seu interesse de agir. Precedentes.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2402-004.485
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário e homologar o pedido de desistência.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espindola Reis, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2000 a 30/11/2001 Ementa:. RECURSO VOLUNTÁRIO. ADESÃO AO PARCELAMENTO DA LEI 12.996/14. PERDA DO INTERESSE EM AGIR. Tendo em vista que o parcelamento tributário se constitui em situação na qual o contribuinte renuncia de forma expressa o direito sobre o qual se funda a autuação, com a sua adesão ao programa de parcelamento, mitigado está o seu interesse de agir. Precedentes. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário e homologar o pedido de desistência. Júlio César Vieira Gomes - Presidente Lourenço Ferreira do Prado - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espindola Reis, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
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RECURSO VOLUNTÁRIO. ADESÃO AO PARCELAMENTO DA LEI 12.996/14. PERDA DO INTERESSE EM AGIR. Tendo em vista que o parcelamento tributário se constitui em situação na qual o contribuinte renuncia de forma expressa o direito sobre o qual se funda a autuação, com a sua adesão ao programa de parcelamento, mitigado está o seu interesse de agir. Precedentes. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 03 05 /2 00 8- 04 Fl. 1093DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 05/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário e homologar o pedido de desistência. Júlio César Vieira Gomes Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espindola Reis, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 1094DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 05/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18471.000305/200804 Acórdão n.º 2402004.485 S2C4T2 Fl. 1.022 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRAS, em face do acórdão que manteve integralmente a NFLD n. 35.496.3333, lavrado para a cobrança de contribuições previdenciárias parte dos segurados, da empresa e as destinadas ao financiamento do SAT, até 06/1997, e ao GILRAT a partir de então, na qualidade de responsável tributária solidária em decorrência da contratação de serviços da empresa ABB LTDA. Consta do relatório fiscal que a recorrente contratou com a empresa ABB, a execução de dois contratos, cujos objetos foram os seguintes: (i) EXECUÇÃO SOB O REGIME DE EMPREITADA POR PREÇOS UNITÁRIOS DE SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO NAS LINHAS DE CO (CA,28,29,30), CÂMARA DE ORIFÍCIO (0 2423), DUTOS DE CO, E ACESSÓRIOS , FORNO L2403 E MONTAGEM DE PROJETOS NA PARADA DA UNIDADE FCC DA RPBC, COMPREENDENDO APLICAÇÃO DE MÃO DE OBRA, EQUIPAMENTOS E MATERIAIS, REMOVENDO, LIMPANDO, PINTANDO E REESTRUTURANDO PEÇAS PARA REINSTALALAS; (ii) EXECUÇÃO SOB O REGIME DE EMPREITADA POR PREÇOS UNITÁRIOS, DE SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO DO CONVERSOR K2401 E ACESSÓRIOS, VASOS DO SISTEMA DE CATALISADOR, LINHÃO 011FCC60" E MONTAGEM DE PROJETOS NA PARADA DA UFCCUNIDADE DE FRACIONAMENTO DE FLUIDO CATALÍTICO NA RPBC, COMPREENDENDO APLICAÇÃO DE MATERIAIS FERRAMENTAS E MÃO DE OBRA, ENGLOBANDO SUB CONTRATAÇÃO. Também fora informado pelo auditor que a empresa não comprovou o cumprimento das obrigações da construtora para com a Seguridade Social, ou seja, não houve a devida comprovação, através de guias de recolhimento especificas para a obra contratada, nem a apresentação de folhas de pagamentos especificas dos segurados empregados alocados na obra contratada, de modo que a responsabilização da recorrente deuse com base no art. 30, IV, da Lei 8.212/91. O lançamento fora efetuado por aferição indireta considerando o percentual de 40 % (quarenta por cento) sobre a parte considerada como mãodeobra constante nas notas fiscais de prestação de serviço. O lançamento compreende, as competências de 11/2000, 01/2001 a 03/2001, 05/2001 e 07/2001 a 11/2001, tendo sido o contribuinte cientificado em 25/09/2002 (fls. 01) A decisão Notificação manteve a integralidade da NFLD combatida e diante da interposição de recurso voluntário os Autos foram enviados ao CRPS para julgamento, oportunidade na qual, sua 2a CAJ anulou a Decisão Notificação, em razão de que a imputação Fl. 1095DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 05/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 da responsabilidade solidária à recorrente prescindia da anterior necessidade de fiscalização da empresa prestadora dos serviços. Em face de referido julgamento fora interposto o extinto pedido de revisão de acórdão pelo INSS, que também fora analisado e não conhecido. As partes interessadas foram intimadas de referida decisão, por meio de ofício no qual restou consignado que (fls. 429): Pelo exposto, estamos cientificandoo desta decisão, fornecendo lhe cópia do acórdão e encaminhando o processo ao Serviço de Fiscalização, para que seja providenciada a diligência determinada pelo CRPS, adotandose todos os demais procedimentos para o reinicio do contencioso administrativo em relação ao mesmo. Fato é que quando referido ofício se refere à diligência, em verdade, se quer se referir a anulação do acórdão, pois, diante de informações constantes nos autos, este era, à época, o procedimento a ser adotado em sistema para a formalização da anulação da NFLD e continuidade do contencioso administrativo. Feito isso, às fls. 459, fora consignado o resultado da diligência, conforme determinado pelo acórdão n. 0000626/2004, esclarecendo o seguinte: “1 Efetuouse pesquisa nos sistemas informatizados da SRFB, sendo analisadas as informações disponíveis relativas á empresa contratada e prestadora dos serviços, e constatouse que houve ação fiscal com exame da contabilidade englobando o período referente ao lançamento em pauta, conforme cópia(s) da(s)tela(s) anexada(s) à(s) fl(s) 454 e 455. 2 Assim sendo, encaminhase o presente à Chefe da Equipe Fiscal para prosseguimento.” Foram os autos enviados à DRJ que, por intermédio de pedido de diligência constante de fls. 466 determinou o retorno dos autos à fiscalização “para uma nova análise das informações disponíveis nos sistemas informatizados, e caso se conclua que a empresa não foi fiscalizada com análise de sua contabilidade, deverá reiniciar o contencioso administrativo conforme fls. 396/400.” Após, sobreveio relatório fiscal aditivo às fls. 473, no qual fora consignado o seguinte: 1 Tratase de débito que fora lançado em 25/09/2002, relativo a valores apurados por responsabilidade solidária, em fiscalização realizada no contribuinte e empresa contratante acima identificada, decorrente de serviços de construção executados pela empresa: ABB LTDA, CNPJ: 61.074.829/003 34, sucedida por ASEA BROWN BOVERI LTDA, CNPJ:61.074.829/000123, conforme contratos n° 210.2.012.99 2 e 210.2.042.999, pactuados entre a empresa construtora (ABB LTDA) e contratante (PETROBRÁS). [...] 11 Informase que, para cumprimento do acórdão n. 0000626/2004, acima citado, elaborouse pesquisa nos sistemas Fl. 1096DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 05/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18471.000305/200804 Acórdão n.º 2402004.485 S2C4T2 Fl. 1.023 5 informatizados da SRFB/SRP, sendo analisadas as informações disponíveis relativas à empresa contratada e constatouse que não houve ação fiscal com exame da contabilidade, emissão de CND de baixa. Acrescentese que pesquisas efetuadas nos sistemas acima citados (SRFB/SRP) demonstraram que a empresa contratada não aderiu ao REFIS ou PAES. 12 Posteriormente, em 31/01/2007 foi editado pela, então, egrégia CÂMARA SUPERIOR DO CONSELHO DE RECURSOS DA PREVIDÊNCIA SOCIAL o Enunciado n° 30 do CONSELHO DE RECURSOS DA PREVIDÊNCIA SOCIAL, qual seja: "Enunciado n° 30: Em se tratando de responsabilidade solidária o fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços." 13 Desta forma, tendo em vista o estabelecido no art. 62 do Regimento Interno do Conselho de Recursos da Previdência Social, aprovado pela Portaria MPS n° 88, de 22 de janeiro de 2004, e os termos do Enunciado n° 30, acima transcrito, informase às empresas interessadas, através do presente Relatório Fiscal Aditivo, o reinicio do contencioso administrativo de que trata o lançamento original, face a NULIDADE da DECISÃO NOTIFICAÇÃO. 14 Ficam, portanto, a empresa contratante e contribuinte, responsável solidário, bem como a empresa contratada, ambas identificadas no início do presente relatório, cientificadas que têm o prazo de 30 (trinta) dias, a partir da ciência do presente, para apresentação de impugnação e que o prazo fluirá a partir do 1,° dia útil após a data de ciência, observandose que se exclui o dia da ciência e se inclui o dia do vencimento na contagem.[...] Ambas as empresas foram intimadas do relatório fiscal aditivo, sendo que somente a empresa prestadora de serviços ASEA BROWN BOVERI apresentou nova impugnação. Devidamente intimados do julgamento da DRJ em primeira instância, a recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. que a NFLD ora atacada não faz qualquer menção, seja no seu relatório; seja nos seus fundamentos, onde estaria caracterizada a responsabilidade tributária da ora Recorrente, pois não aponta onde estaria a cessão de mãodeobra que justificaria o lançamento; 2. que a fiscalização deixou de elaborar uma argumentação lógica e de correlação entre os fatos que, pretensamente, ensejaram a lavratura da NFLD e os fundamentos, legais e normativos, em que se apoiaram Fl. 1097DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 05/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 3. a ilegalidade do reconhecimento da retroatividade da aplicação do enunciado 30 do CRPS processo administrativo fiscal art. 2°, XIII, da lei n° 9.784/99 4. que a reabertura do contencioso administrativo sem a realização da diligência que lhe fora determinada pelo CRPS não tem qualquer cabimento, pois o fisco descumpriu expressa decisão administrativa válida, infringindo o disposto no art. 57, caput e no §1o do Regimento Interno do CRPS. 5. a inexistência da cessão de mãodeobra, que justifique a lavratura do lançamento, pois não houve um serviço contínuo, com a colocação de empregados / segurados à disposição da Recorrente, de modo a configurar uma cessão de mãodeobra, e, por via de conseqüência, ensejar a responsabilidade tributária, já que o contrato versou sobre uma prestação de serviços específica, com direção e coordenação exclusivas da contratada e dentro dos limites de seu objeto, com a execução do serviço como um todo, não existindo qualquer previsão contratual que deixe à disposição do contratante o pessoal que participou da prestação dos serviços; 6. que a imputação da solidariedade enseja a necessidade de prévia constituição da dívida ou da obrigação, afim de que o credor possa imputálas aos demais responsáveis. Assim é mister que a fiscalização faça a verificação prévia junto a empresa prestadora dos serviços. 7. que o disposto no art. 33, §3o não permite à fiscalização a conclusão da presunção de acordo com a conveniência fiscal, tendo em vista que os pagamentos efetuados por pessoas jurídicas podem ocorrer por vários motivos, tais como pagamento de insumos, mútuos, Também recorreu a empresa prestadora de serviços, aduzindo o seguinte: 8. A ilegalidade de reinício do processo administrativo com base no enunciado n. 30 do CRPS; 9. Que os serviços prestados não possuem a natureza de serviços de construção civil, o que afastaria a possibilidade de aplicação ao caso do art. 30, IV da Lei 8.212/91; 10. A falta de individualização dos limites dos salários de contribuição; 11. Ilegalidade da determinação da base de cálculo das contribuições lançadas; Fl. 1098DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 05/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18471.000305/200804 Acórdão n.º 2402004.485 S2C4T2 Fl. 1.024 7 Após, sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório Fl. 1099DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 05/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Da análise dos autos, vejo que a recorrente atravessou petição (fls. 1.022) requerendo a desistência do recurso informando ter incluído o débito no programa de parcelamento da Lei 12.966/14. Em virtude da informada adesão ao parcelamento administrativo, o contribuinte agiu de forma a reconhecer expressa e irrevogavelmente a procedência do lançamento em questão, motivo pelo qual, a meu ver não havendo matérias de ordem pública que pudessem ser tratadas na presente assentada, tenho não mais subsiste o interesse processual da parte ao julgamento do presente Recurso Voluntário. Sobre o assunto, já se manifestou a Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme se percebe do precedente a seguir, de relatoria do Em. Conselheiro Marcelo Oliveira: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/1999 a 30/10/2006 RECURSO ESPECIAL. DESISTÊNCIA. AUSÊNCIA DE INTERESSE. No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse. Ante todo o exposto, homologo a desistência e NÃO CONHEÇO do recurso voluntário. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 1100DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 05/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10680.011944/2007-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/05/2003 a 30/11/2004
AUTO DE INFRAÇÃO. CARTÃO PREMIAÇÃO. CORRELAÇÃO COM O LANÇAMENTO PRINCIPAL. Uma vez que já fora julgada a NFLD reconhecendo como fato gerador previdenciário o pagamento de verba paga pela Recorrente a título de cartão premiação. Assim, outra não pode ser a conclusão, senão para julgar improcedente o pleito da Recorrente em razão da relação de acessoriedade do presente feito com o processo principal, mantenho, portanto, o lançamento efetuado pela autoridade fiscal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.592
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espindola Reis, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/05/2003 a 30/11/2004 AUTO DE INFRAÇÃO. CARTÃO PREMIAÇÃO. CORRELAÇÃO COM O LANÇAMENTO PRINCIPAL. Uma vez que já fora julgada a NFLD reconhecendo como fato gerador previdenciário o pagamento de verba paga pela Recorrente a título de cartão premiação. Assim, outra não pode ser a conclusão, senão para julgar improcedente o pleito da Recorrente em razão da relação de acessoriedade do presente feito com o processo principal, mantenho, portanto, o lançamento efetuado pela autoridade fiscal. Recurso Voluntário Negado.
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CARTÃO PREMIAÇÃO. CORRELAÇÃO COM O LANÇAMENTO PRINCIPAL. Uma vez que já fora julgada a NFLD reconhecendo como fato gerador previdenciário o pagamento de verba paga pela Recorrente a título de cartão premiação. Assim, outra não pode ser a conclusão, senão para julgar improcedente o pleito da Recorrente em razão da relação de acessoriedade do presente feito com o processo principal, mantenho, portanto, o lançamento efetuado pela autoridade fiscal. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 19 44 /2 00 7- 39 Fl. 119DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário. Julio César Vieira Gomes Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espindola Reis, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10680.011944/200739 Acórdão n.º 2402004.592 S2C4T2 Fl. 292 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por MILLENIUM PROMOTORA DE VENDAS LTDAEPP, em face de acórdão que manteve a integralidade do Auto de Infração n. 37.033.8707, lavrado para a cobrança de multa por ter deixado a recorrente de lançar em títulos próprios de sua contabilidade fatos geradores de contribuições previdenciárias, no caso, pagamentos efetuados a segurados contribuintes individuais (sócios/gerentes), por intermédio de cartão premiação. Consta do relatório fiscal que os pagamentos das remunerações foram efetuados através de recursos alocados em cartões FLEXCARD, concedidos aos sócios gerentes da autuada, utilizando como intermediária a empresa INCENTIVE HOUSE S.A., CNPJ 00.416.126/000141, como comprovam o contrato assinado entre esta empresa e a autuada e as Notas Fiscais de emissão de INCENTIVE HOUSE, bem como Relação de pagamentos elaborada pela autuada, onde foram relacionados os segurados beneficiários. O lançamento compreende o período de 05/2003 a 11/2004, tendo sido o contribuinte cientificado em 02/01/2007 (fls. 20). Devidamente intimado do julgamento em primeira instância (fls.70/76), a recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. que o presente Auto de Infração é corolário da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito/DEBCAB 37.033.8731, lavrada em decorrência de suposto não recolhimento de contribuições previdenciárias, situação que configura o bis in idem; 2. que para que se cogite acerca da incidência da contribuição previdenciária, é forçoso que a remuneração creditada aos sócios decorra do trabalho do sócio na empresa, o que não ocorreu no caso dos autos; 3. que para que houvesse falar em incidência da exação aqui combatida, imperioso se vislumbrasse, no trabalho fiscal, de forma inequívoca, que as verbas pagas pela autuada aos seus sócios através da Incentive House S/A diziam respeito a efetivo trabalho por eles prestado em favor da sociedade, trabalho ou serviço este que sequer veio a ser mencionado no relatório fiscal ou mesmo na decisão de primeira instância; 4. que a fiscalização presumiu que os pagamentos efetuados aos sócios detinham correlação com o trabalho prestado na empresa, procedimento que deve ser considerado como ilegal, na medida em que o relatório fiscal não tratou dessa correlação; 5. que a verba transitou na conta de resultados da recorrente, de modo que sua verdadeira natureza jurídica foi fato ignorado pela r. decisão de primeira instância, e que os sócios declararam em suas declarações anuais de ajuste o recebimento de tais parcelas, pois, através do cartão eram creditados distribuição de lucros e resultados; 6. que em caso de manutenção do lançamento, que lhe seja aplicada a multa mais favorável, com esteio no art. 112 do CTN. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10680.011944/200739 Acórdão n.º 2402004.592 S2C4T2 Fl. 293 5 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. Sem preliminares. MÉRITO Inicialmente, cumpre esclarecer que as alegações recursais já foram objeto de análise quando do julgamento do processo nº 10680.008495/200741, NFLD nº37.033.8731, oportunidade na qual restou mantido o lançamento efetuado pela autoridade fiscal. A título de escalrecimento, segue o voto, na íntegra, proferido pela 3ª Turma Especial do CARF: “PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. REMUNERAÇÃO. INCENTIVE HOUSE. PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo administrado por interposta pessoa jurídica é fato gerador de contribuição previdenciária. Portanto, estando a verba no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver tributação sobre ela é necessário haver previsão legal nesse sentido. Qualquer medida contrária a tal pressuposto malferirá princípios, tais como, o da legalidade e da isonomia tributária. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Eduardo de Oliveira – Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD DEBCAD 37.033.8731, lavrada em desfavor do contribuinte acima indicado, referente as contribuições sociais destinadas à Seguridade Social, decorrentes de remunerações pagas e/ou creditadas aos segurados contribuintes individuais, sócios gerentes da empresa, por intermédio de cartão de premiação FLEXCARD. O lançamento alcançou as competências de 05/2003 a 11/2004. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 29 de maio de 2008, ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Período de apuração: 01/05/2003 a 30/11/2004 PREVIDENCIARIO. CUSTEIO. CONTRIBUIÇÕES A CARGO DA EMPRESA. A empresa é obrigada a recolher as contribuições a seu cargo, incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados contribuintes individuais, bem como recolher a contribuição devida por eles, mediante desconto na remuneração, a partir da competência de abril/2003, em conformidade com a legislação de regência. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO A INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. INAPLICABILIDADE DO ADICIONAL DE CONTRIBUIÇÃO. RETIFICAÇÃO. Não é devido o adicional de 2,5%(dois inteiro e cinco décimos por cento) por empresa não inserida no rol do § 1° do artigo 22 da Lei n. 8.212/91. Lançamento Procedente em Parte Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: O suposto crédito tributário objeto de lançamento foi apurado, consoante narrado no Relatório que acompanha a Notificação Fiscal em questão, com base em exame de lançamentos realizados pelo contribuinte na subconta "Prêmios por vendas", lançamentos estes que tinham por objeto pagamentos realizados em favor dos sócios da pessoa jurídica por intermédio da Incentive House S/A, no período 05/ 2003 a 12/2004. Argumenta a fiscalização que, não tendo os valores pertinentes aos pagamentos realizados aos sócios da pessoa jurídica transitado nas contas "Pro labore a pagar", "Pro Labore", ou "Lucros ou Prejuízos Acumulados", tratarseiam de "remunerações pagas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais", portanto sujeitas a incidência de contribuição previdenciária, nos termos dos arts. 22, III, § 1 0, e 28, III, da Lei n° 8.212/91. Discordando da autuação, a ora Recorrente aviou a competente impugnação sustentando, em síntese, que a verbas pagas aos seus sócios não estariam sujeitas a incidência de contribuição previdenciária e que se estaria diante de mera presunção de fato gerador de tributo. Em que pese os argumentos expedidos pela Recorrente, culminou por ser mantida em parte, a exigência fiscal, tendo sido afastada, no acórdão recorrido, tão somente a parcela atinente ao adicional de 2,5%. Esta é, em síntese, a hipótese dos autos. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10680.011944/200739 Acórdão n.º 2402004.592 S2C4T2 Fl. 294 7 Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Conselheiro Eduardo de Oliveira Relator Sendo tempestivo, conheço do recurso e passo ao seu exame. A correção do lançamento está plenamente demonstrada a partir da simples leitura do item 1.1, constante do objeto do contrato firmado pelo contribuinte com a empresa Incentive House. O Relatório Fiscal (fls. 28 e seguintes), inclusive, já alertava sobre este ponto. A forma de pagamento destas remunerações, por intermédio de INCENTIVE HOUSE S.A., está claramente exposta no contrato de prestação de serviços firmado entre as partes, o qual estipula em seus itens 1, 2 e 3 o seguinte: 1OBJETO 1.1 O presente contrato tem por objeto a prestação de serviços de planejamento, desenvolvimento e gerenciamento de programas de marketing de relacionamento, motivação, incentivo e fidelidade, promovidos pelo CLIENTE a seus colaboradores, canais de distribuição, clientes e/ou terceiros, mediante a utilização de sistemas de premiação. Esses programas visam aumentar a produtividade, estreitar relacionamentos, e/ou divulgar marcas do CLIENTE junto a seus públicos alvo. (grifouse e negritouse) Vêse, pois, não tratarse de suposto crédito tributário, mas sim, de efetivo crédito tributário devidamente levantado pela fiscalização. A conclusão da autoridade administrativa incumbida do lançamento, ao contrário das alegações do contribuinte, não foi baseada única e exclusivamente em mero exame realizado nas contas contábeis da empresa. Com efeito, as informações trazidas a lume pela fiscalização demonstram cabalmente que sobre a verba paga a título de premiação para aumentar a produtividade incide a contribuição previdenciária. Da análise dos autos não resta nenhuma dúvida de que a produtividade em questão decorre das atividades exercidas pelos beneficiários relativamente a trabalhos realizados no âmbito da empresa notificada. In casu, o contribuinte não trouxe à baila nenhum argumento jurídico capaz de enquadrar suas alegações nas hipóteses contidas no§ 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, que dispõem sobre as verbas que não integram o salário de contribuição para os fins do referido diploma legal. Destarte, não resta dúvida de que houve efetiva prestação de serviços à sociedade pelos segurados, e que pela prestação de tais serviços, os segurados foram regiamente pagos. Como não existe previsão legal para imunizar, não incidir ou isentar a premiação de incentivo das contribuições previdenciárias, não há, portanto, como afastar o lançamento. Uma vez que o contribuinte remunerou segurado, ele deveria ter efetuado o recolhimento das verbas devidas à Seguridade Social. Não efetuado o recolhimento, como é a situação destes autos, a notificada passa Fl. 125DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 automaticamente a ter a responsabilidade tributária perante a Fazenda Nacional. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo administrado por interposta pessoa jurídica é fato gerador de contribuição previdenciária. Portanto, estando a verba no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver tributação sobre ela é necessário haver previsão legal nesse sentido. Qualquer medida contrária a tal pressuposto malferirá princípios, tais como, o da legalidade e da isonomia tributária. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto por conhecer do recurso para, no mérito, negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Eduardo de Oliveira.” Logo, resta inconteste a ocorrência da infração descrita no Presente Auto de Infração, tendo em vista à ausência de lançamento na contabilidade da Recorrente dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, face à remuneração de seus segurados contribuintes individuais (sócios/gerentes) pagas por intermédio de cartão premiação, de modo que em não tendo sido trazidas aos autos outras alegações além daquelas já analisadas, deve ser mantida a multa aplicada. Ante todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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