Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,087)
- Segunda Turma Ordinária d (18,060)
- Primeira Turma Ordinária (16,567)
- Primeira Turma Ordinária (16,459)
- Primeira Turma Ordinária (16,358)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,296)
- Segunda Turma Ordinária d (16,086)
- Segunda Turma Ordinária d (14,575)
- Primeira Turma Ordinária (13,128)
- Primeira Turma Ordinária (12,614)
- Segunda Turma Ordinária d (12,554)
- Primeira Turma Ordinária (11,521)
- Quarta Câmara (11,514)
- Quarta Câmara (85,999)
- Terceira Câmara (68,521)
- Segunda Câmara (57,460)
- Primeira Câmara (21,771)
- 3ª SEÇÃO (16,296)
- 2ª SEÇÃO (11,369)
- 1ª SEÇÃO (6,889)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (128,887)
- Segunda Seção de Julgamen (116,175)
- Primeira Seção de Julgame (78,015)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,150)
- Terceiro Conselho de Cont (25,980)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,430)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,612)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,273)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,232)
- HELCIO LAFETA REIS (3,928)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,937)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,875)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,791)
- WILDERSON BOTTO (2,683)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,961)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,925)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,477)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,674)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2026 (16,704)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2026 (20,932)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10480.728759/2017-13
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2016
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA.
Só se mantém o lançamento fiscal referente a omissão de rendimentos quando demonstrado de forma inequívoca nos autos que se trata de rendimentos tributáveis auferidos pelo sujeito passivo, que não foram oferecidos a tributação.
MULTA DE OFÍCIO E VEDAÇÃO AO CONFISCO.
No lançamento de oficio a multa a ser aplicada é de 75% conforme estabelece a legislação. Uma vez positivada a norma, é dever da autoridade administrativa aplicá-la, não lhe competindo o exame da constitucionalidade das Leis, nem deixar de aplicá-las, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal neste sentido. Art. 44, I da Lei 9.430/96.
Numero da decisão: 2001-001.193
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencida a conselheira Fernanda Melo Leal que negava-lhe provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Alfredo Duarte Filho.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal Relatora
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho Redator designado.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201902
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2016 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA. Só se mantém o lançamento fiscal referente a omissão de rendimentos quando demonstrado de forma inequívoca nos autos que se trata de rendimentos tributáveis auferidos pelo sujeito passivo, que não foram oferecidos a tributação. MULTA DE OFÍCIO E VEDAÇÃO AO CONFISCO. No lançamento de oficio a multa a ser aplicada é de 75% conforme estabelece a legislação. Uma vez positivada a norma, é dever da autoridade administrativa aplicá-la, não lhe competindo o exame da constitucionalidade das Leis, nem deixar de aplicá-las, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal neste sentido. Art. 44, I da Lei 9.430/96.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10480.728759/2017-13
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6001578
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2001-001.193
nome_arquivo_s : Decisao_10480728759201713.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : FERNANDA MELO LEAL
nome_arquivo_pdf_s : 10480728759201713_6001578.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencida a conselheira Fernanda Melo Leal que negava-lhe provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Alfredo Duarte Filho. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Redator designado. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
id : 7724110
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:43:35 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051907574988800
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1641; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T1 Fl. 84 1 83 S2C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.728759/201713 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001001.193 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 26 de fevereiro de 2019 Matéria IRPF: OMISÃO DE RENDIMENTOS PENSÃO ALIMENTICIA Recorrente MARIA DO SOCORRO VIEIRA DANTAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2016 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA. Só se mantém o lançamento fiscal referente a omissão de rendimentos quando demonstrado de forma inequívoca nos autos que se trata de rendimentos tributáveis auferidos pelo sujeito passivo, que não foram oferecidos a tributação. MULTA DE OFÍCIO E VEDAÇÃO AO CONFISCO. No lançamento de oficio a multa a ser aplicada é de 75% conforme estabelece a legislação. Uma vez positivada a norma, é dever da autoridade administrativa aplicála, não lhe competindo o exame da constitucionalidade das Leis, nem deixar de aplicálas, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal neste sentido. Art. 44, I da Lei 9.430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencida a conselheira Fernanda Melo Leal que negavalhe provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Alfredo Duarte Filho. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 87 59 /2 01 7- 13 Fl. 84DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho – Redator designado. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento relativa a Imposto de Renda Pessoa Física, lavrada em nome do sujeito passivo em epígrafe, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2016, anocalendário de 2015. De acordo com o Relatório de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, foi apurada a omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, no valor de R$ 34.003,61, referente à beneficiária de pensão alimentícia Paula Roberta Dantas Chagas, dependente da contribuinte na declaração de ajuste anual (DIRPF). A contribuinte apresentou impugnação alegando, em síntese, que o banco não lhe enviou o demonstrativo com os valores da pensão alimentícia e que, também por falta orientação, a informação acabou passando desapercebida. Alega que não tinha o intuito de sonegar e pede o perdão da dívida, pois enfrenta dificuldades financeiras. A DRJ Salvador, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que em se tratando de matéria tributária, não importa se o sujeito passivo cometeu a infração por equívoco, por desconhecimento da legislação, pela complexidade técnica exigida para a elaboração da declaração ou, ainda, por ter sido induzido a erro por qualquer circunstância. O Princípio da Responsabilidade Objetiva está previsto no art. 136 do Código Tributário Nacional (CTN Lei n.º 5.172, de 25 de outubro de 1966). Assim, não produzem efeitos as alegações da impugnante. Em relação ao perdão da dívida, qualquer pedido ou alegação que ultrapasse a análise de conformidade do ato administrativo de lançamento com as normas legais vigentes, em franca ofensa à vinculação a que se encontra submetida a instância administrativa (art. 142, parágrafo único, do CTN), não pode ser acolhido por este instância julgadora. Em sede de Recurso Voluntário, a Contribuinte afirma que foi violado o seu direito a ampla defesa, que não foi observado o principio da proporcionalidade da aplicação das penalidades previstas em lei, que não teve enriquecimento por conta do recebimento da pensão da filha, pois a renda era toda revertida para o pagamento de suas despesas e ainda alega confisco na aplicação da multa e juros. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10480.728759/201713 Acórdão n.º 2001001.193 S2C0T1 Fl. 85 3 O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Omissão de rendimentos, princípios constitucionais ampla defesa proporcionalidade No caso em comento argumenta de forma exaustiva a Recorrente que desconhecia a obrigação de informar os rendimentos de pensão alimentícia recebidos, e, por via de conseqüência, invoca diversos princípios a fim de argumentar que não e devida a manutenção do auto de infração em comento. É importante destacar, primeiramente, que o principio de que ninguém pode se beneficiar de sua própria torpeza possui uma aplicabilidade geral, em qualquer seara do Direito. Em uma definição bem singela, podese dizer que o princípio "ninguém pode se beneficiar da própria torpeza" referese a questão de que nenhuma pessoa pode fazer algo incorreto e/ou em desacordo com as normas legais e depois alegar tal conduta em proveito próprio. Além disso, resta positivado na legislação tributária o Princípio da Responsabilidade Objetiva art. 136 do Código Tributário Nacional (CTN Lei n.º 5.172, de 25 de outubro de 1966). No que se refere à busca incansável da contribuinte por argumentos para declaração de nulidade, com a devida vênia, totalmente desprovido de lógica e fundamento essa alegação vazia. No presente processo houve o atendimento integral a todos requisitos específicos da notificação fiscal houve o regular lançamento, procedimento administrativo por meio do qual o órgão que administra o tributo qualificou o sujeito passivo, consignou o valor do crédito tributário devido, o prazo para recolhimento ou apresentação de impugnação ao lançamento, bem como a disposição legal infringida, constando a indicação do cargo e o número de matrícula do chefe do órgão expedidor. Verificase, pois, que a nulidade do lançamento somente poderia ser declarada no caso de não constar, ou constar de modo errôneo, a descrição dos fatos ou o enquadramento legal de modo a consubstanciar preterição do direito à defesa. Fato esse que não ocorreu em nenhuma hipótese no processo em análise. A descrição dos fatos é um dos requisitos essenciais à formalização da exigência tributária, mediante o procedimento de lançamento. Por meio da descrição, revelam se os motivos que levaram ao lançamento, estabelecendo a conexão entre os meios de prova coletados e/ou produzidos e a conclusão a que chegou a autoridade fiscal. Seu objetivo é, primeiramente, oportunizar ao sujeito passivo o exercício do seu direito constitucional de ampla defesa e do contraditório, dandolhe pleno conhecimento do desenrolar dos fatos e, após, convencer o julgador da plausibilidade legal da notificação, demonstrando a relação entre a matéria consubstanciada no processo administrativo fiscal com a hipótese descrita na norma jurídica. Fl. 86DF CARF MF 4 É necessário, portanto, que o auditorfiscal relate com clareza os fatos ocorridos, as provas e evidencie a relação lógica entre estes elementos de convicção e a conclusão advinda deles. Não é necessário que a descrição seja extensa, bastando que se articule de modo preciso os elementos de fato e de direito que levaram o auditor ao convencimento de que a infração deve ser imputada ao contribuinte. TUDO isto foi devidamente atendido pelas autoridades fiscais. Assim, resta claro que não houve qualquer arbitrariedade ou atitude sorrateira por parte da autoridade fiscal. Pelo contrário. O procedimento fiscal sempre primou pela transparência e oportunidade de colaboração do contribuinte. Ademais, não houve também qualquer ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa (artigo 5º, inciso LV da CF/88). Ao contrário, a Recorrente teve resguardado o seu direito à reação contra atos que lhe foram supostamente desfavoráveis, momento esse em que a parte interessada exerceu o direito à ampla defesa, cujo conceito abrange o princípio do contraditório. A observância da ampla defesa ocorre quando é dada ou facultada a oportunidade à parte interessada em ser ouvida e a produzir provas, no seu sentido mais amplo, com vista a demonstrar a sua razão no litígio. Desta forma, quando a Administração Pública antes de decidir sobre o mérito de uma questão administrativa dá à parte contrária à oportunidade de impugnála da forma mais ampla que entender, o que aconteceu no processo em epígrafe, não está infringindo, nem de longe, os princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório. Resta muito claro, pois, que o contribuinte teve todos os seus direitos de defesa devidamente reservados e garantidos, o processo fiscal cumpriu todas as suas etapas, a notificação fiscal está completa e clara, e o contribuinte teve acesso a tudo. O seu argumento, aparentemente protelatório, de que deveria ser declarada a nulidade da presente notificação fiscal, é absolutamente vazio. Nesta senda entendo que deve ser trazido à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10480.728759/201713 Acórdão n.º 2001001.193 S2C0T1 Fl. 86 5 A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Neste diapasão, verificando os argumentos claros e objetivos trazidos pela decisão a quo, além dos princípios acima aventados, de que ninguém pode se beneficiar da própria torpeza, entendo que deve ser negado provimento ao Recurso Voluntário e ser mantido o lançamento fiscal na sua integralidade pelos motivos exposados. Mérito SELIC Juros e multa aplicada No que se refere a aplicação da multa e Selic, vale frisar logo de início que aos tributos federais, a partir de 1º de janeiro de 1996, a taxa SELIC passou a ser o índice de juros e correção monetária a ser aplicado desde o pagamento indevido, por força do art. 39, § 4º, da Lei9.250/95. Vale dizer, para os tributos federais deve ser aplicada a taxa Selic (instituída pela Lei nº 9.250/95) e não mais o regramento previsto no Código Tributário Nacional, haja vista que ele próprio abre espaço para que cada ente da federação legisle de forma distinta quanto aos seus tributos. O termo inicial da fluência tanto da correção monetária quanto dos juros de mora, nos tributos federais, após 1º de janeiro de 1996, será a data do recolhimento indevido. A Súmula CARF de número 4 não traz nenhum ponto de dúvida em relação à sua aplicação. Vejamos: Fl. 88DF CARF MF 6 Súmula nº 4 CARF: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos nos períodos de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. No que tange à multa, em que pese a multa não seja tributo, mas sim penalidade que tem por fim coibir o cometimento de infrações, ainda que, hipoteticamente, fosse aplicável a questão de confisco, não compete a esta instância administrativa sopesar a exigência tributária: se é ou não demasiada. Essa tarefa assiste ao Legislador e ao Poder Judiciário. No âmbito do Poder Executivo, deve a autoridade fiscalizadora apenas cumprir a determinação legal, de forma vinculada e obrigatória, aplicando o ordenamento vigente às infrações concretamente constatadas. Apenas a título de ratificação, o STJ já se manifestou diversas vezes no sentido de que é legal o arbitramento realizado pelo Fisco, quando o contribuinte não apresenta documentos hábeis a afastar a infração. A multa de oficio de 75% não se confunde com a multa de mora. Esta decorre do não pagamento no prazo do tributo. A multa de oficio é aplicada quando, em decorrência de fiscalização, é lavrado auto de infração, apurado o quantum devido e efetuado o lançamento de oficio. Inteligência do art. 44, da Lei nº 9.430 /96. Ademais, conforme determinado no art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96, de 27/12/96, nos lançamentos de oficio serão aplicadas as multas de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, quando das ocorrências de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Portanto, no que tange à multa de 75%, em face do lançamento de oficio, a respectiva penalidade não pode ser reduzida nem dispensada, pois foi expressamente determinada pela legislação de regência. Por tudo quanto exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao Recurso Voluntário e manter a decisão a quo nos exatos termos da DRJ. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para manter o lançamento fiscal na sua integralidade, conforme acima detalhado. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10480.728759/201713 Acórdão n.º 2001001.193 S2C0T1 Fl. 87 7 Voto Vencedor Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Redator Designado Em que pese às razões da Conselheira Relatora peço vênia para redigir o posicionamento da maioria do colegiado, em sentido diverso do adotado no voto vencido que negou provimento ao Recurso Voluntário, no que refere à omissão de rendimentos, conforme apontada na feitura do Lançamento e contestada pela Recorrente. O voto vendido trata de omissão de rendimentos atribuídos a Recorrente Maria do Socorro Vieira Dantas, porém, o valor em pauta de discussão se refere a crédito de pensão alimentícia que tem como beneficiária Paula Roberta Dantas Chagas, filha da Contribuinte. Ocorre que a inclusão de dependente na declaração de imposto de renda pessoa física para efeito de dedução não torna a declarante sujeito passivo dos rendimentos recebidos pelo dependente, vez que a obrigação tributária é individual para cada contribuinte. Neste caso, o benefício da dedução para a Recorrente não se vincula com os rendimentos da dependente, devendo ser apresentada declaração do imposto individualmente considerandose os rendimentos e os abatimentos próprios de cada uma delas na respectiva declaração. O sujeito passivo deve estar ligado ao fato gerador, relação pessoal e direta, conforme art. 121 da Lei nº 5.172/66, do CTN Código Tributário Nacional, conforme se transcreve a seguir: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal dizse: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; Em obediência a legislação que trata do imposto sobre a renda deve ser seguida a orientação de que a percepção do rendimento está ligada ao titular da disponibilidade econômica ou jurídica do bem, conforme arts. 43 e 45 do CTN, bem como nas Leis nº 7.713/88 e nº 8383/91, como segue: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Fl. 90DF CARF MF 8 Art. 45. Contribuinte do imposto é o titular da disponibilidade a que se refere o artigo 43, sem prejuízo de atribuir a lei essa condição ao possuidor, a qualquer título, dos bens produtores de renda ou dos proventos tributáveis. Esclareçase, por oportuno, que a ligação familiar rege as condições de dependência não se confundem com a identificação do sujeito passivo que é determinada pela ligação econômicojurídica com o fato gerador. A legislação do imposto sobre a renda não permite atribuir a condição de sujeito passivo a outra pessoa que não aquela ligada ao fato gerador, condição estabelecida no art. 121 do CTN, antes citado, que rege as normas gerais de direito tributário, matéria especificamente aplicada ao caso presente. A interpretação das normas legais fazse na ordem hierárquica em que se estruturam. Assim que, a sujeição passiva impõese como exame inicial da matéria com delimitação na lei complementar do campo tributário. No caso, a relação pessoal e direta com o fato gerador está vinculada com a beneficiária dos rendimentos, outra pessoa/contribuinte que não a Recorrente Maria do Socorro Vieira Dantas. Descumprida tal ligação, não há como se admitir a constituição do crédito tributário na pessoa da Contribuinte/Recorrente. Acrescentese que na legislação que rege o imposto sobre a renda não existe previsão para o somatório dos rendimentos do dependente com os do titular, caso em que se configura inadmitida a exigência por falta de amparo legal, pois, sem lei que a estabeleça. Em conclusão, tendo em vista a incorreta identificação da Contribuinte como sujeito passivo de rendimentos de outrem, é de julgar improcedente o Lançamento. Por todo o exposto e o que consta nos autos, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 91DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.904475/2008-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 14/11/2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA.
É nula, por preterição do direito de defesa, a decisão que deixa de enfrentar todos os argumentos deduzidos na impugnação que sejam essenciais à solução da lide administrativa, à luz do que determina o art. 59, II, do Decreto 70.235, de 1972.
Numero da decisão: 2201-004.898
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar suscitada de ofício pelo Conselheiro Relator, para considerar nula, por cerceamento do direito de defesa, a decisão proferida em sede de 1ª instância e determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento para que emita nova decisão, oportunidade em que todos os temas tratados na impugnação deverão ser analisados pelo colegiado administrativo.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Data do fato gerador: 14/11/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. É nula, por preterição do direito de defesa, a decisão que deixa de enfrentar todos os argumentos deduzidos na impugnação que sejam essenciais à solução da lide administrativa, à luz do que determina o art. 59, II, do Decreto 70.235, de 1972.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 16327.904475/2008-90
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5995340
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2201-004.898
nome_arquivo_s : Decisao_16327904475200890.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
nome_arquivo_pdf_s : 16327904475200890_5995340.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar suscitada de ofício pelo Conselheiro Relator, para considerar nula, por cerceamento do direito de defesa, a decisão proferida em sede de 1ª instância e determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento para que emita nova decisão, oportunidade em que todos os temas tratados na impugnação deverão ser analisados pelo colegiado administrativo. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
id : 7711895
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:43:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051907585474560
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1738; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.904475/200890 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 2201004.898 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de janeiro de 2019 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Recorrente CITIBANK DISTRIBUIDORA DE TÍTULOS E VALORES MOB SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 14/11/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. É nula, por preterição do direito de defesa, a decisão que deixa de enfrentar todos os argumentos deduzidos na impugnação que sejam essenciais à solução da lide administrativa, à luz do que determina o art. 59, II, do Decreto 70.235, de 1972. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar suscitada de ofício pelo Conselheiro Relator, para considerar nula, por cerceamento do direito de defesa, a decisão proferida em sede de 1ª instância e determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento para que emita nova decisão, oportunidade em que todos os temas tratados na impugnação deverão ser analisados pelo colegiado administrativo. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 44 75 /2 00 8- 90 Fl. 158DF CARF MF Processo nº 16327.904475/200890 Acórdão n.º 2201004.898 S2C2T1 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2201004.880, de 17 de janeiro de 2019 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 16327.904487/200814, paradigma deste julgamento. "Acórdão nº 2201004.880 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Tratase de recurso voluntário apresentado em face da decisão de primeiro grau que negou provimento à manifestação de inconformidade formalizada pelo sujeito passivo negando o direito ao crédito do IRRF recolhido a ser compensado com outro tributo administrado pela Receita Federal. De acordo com o despacho decisório, o pagamento indicado não possui saldo disponível para compensação, visto que foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte. O contribuinte alega que efetuou a retenção de forma equivocada de IRRF sobre operações de ganho de capital em operação de compra e venda em bolsa de valores pois considerou diversas empresas investidoras não residentes e situadas em países com tributação favorecida (paraíso fiscal). Aduz que houve erro, pois de acordo com a IN 188/02 as empresas situadas em Luxemburgo que não sejam constituídas na forma de Holding Company não estão sujeitas a retenção do IRRF e, portanto o pagamento do tributo foi compensado. A Delegacia da Receita de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte sob o fundamento em síntese de falta de comprovação dos documentos societários constitutivos da empresa investidora para não ter o tratamento de holding company na forma da legislação luxemburguesa, sendo que considerando esses fatos, foi apresentado recurso voluntário para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Neste colegiado, o processo em análise compôs lote sorteado em sessão pública para este Conselheiro. É o que havia para ser relatado." Fl. 159DF CARF MF Processo nº 16327.904475/200890 Acórdão n.º 2201004.898 S2C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2201004.880, de 17 de janeiro de 2019 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 16327.904487/200814, paradigma deste julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2201004.880, de 17 de janeiro de 2019 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária: "Acórdão nº 2201004.880 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária O recurso preenche os requisitos de admissibilidade e, portanto, o conheço. Tratase de recurso voluntário apresentado em face da decisão de primeiro grau que negou provimento à manifestação de inconformidade formalizada pelo sujeito passivo mantendo integralmente os termos do despacho decisório que não homologou o crédito de IRRF para compensação com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. No presente recurso o contribuinte questiona além do fato de existir provas de que a empresa investidora não era à época dos fatos holding company para se inserir na regra de retenção do IRRF, argumenta também sobre a existência de erro de fato. Contudo não foi enfrentada no acórdão da decisão da DRJ e não dedicada nem uma só linha sequer sobre o assunto do erro de fato muito embora seja ela essencial ao deslinde desta lide administrativa e tenha constado na manifestação de inconformidade do contribuinte. O contribuinte destaca em seu recurso e na manifestação de inconformidade tanto o tema quanto a ocorrência de erro de fato quanto a questão da comprovação da natureza societária em Luxemburgo da empresa investidora. Contudo, pela análise da decisão de piso, verifico que apenas a questão sobre a natureza societária da empresa investidora, no caso a comprovação se era a época dos fatos, holding company, foi objeto de decisão de primeiro grau, deixando a C. Turma do colegiado a quo de se manifestar em relação a questão do erro de fato, que foi objeto de capítulo exclusivo na manifestação de inconformidade do contribuinte. Portanto, nesse caso, de ofício e de forma preliminar entendo que para evitar supressão de instância devido ao fato da DRJ não ter analisado essa questão quanto ao erro de fato, levantada pelo contribuinte desde a manifestação de inconformidade e também em recurso voluntário, entendo que houve preterição ao direito de defesa de acordo com art. 59, II do Decreto 70.235/72 devendo ser anulada a r. decisão recorrida para que a DRJ a analise, ressalvado ao Fl. 160DF CARF MF Processo nº 16327.904475/200890 Acórdão n.º 2201004.898 S2C2T1 Fl. 5 4 contribuinte, posteriormente o recurso em relação aos demais itens não abordados nessa decisão. Com efeito, os demais argumentos trazidos no recurso ficam prejudicados quanto a sua análise em vista das razões acima, sendo que ficam ressalvados em caso de necessidade de posterior análise após nova decisão da DRJ. Conclusão Diante do exposto, conheço e DOU PROVIMENTO AO RECURSO para reconhecer de ofício a nulidade da decisão de primeira instância administrativa, por cerceamento do direito de defesa, e determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento para que emita nova decisão, oportunidade em que todos os temas tratados na impugnação deverão ser analisados pelo colegiado administrativo." Diante do exposto, conheço e DOU PROVIMENTO AO RECURSO para reconhecer de ofício a nulidade da decisão de primeira instância administrativa, por cerceamento do direito de defesa, e determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento para que emita nova decisão, oportunidade em que todos os temas tratados na impugnação deverão ser analisados pelo colegiado administrativo. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Fl. 161DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17878.000031/2007-29
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003
HOMOLOGAÇÃO TÁCITA NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO.
O CARF não pode declarar a ocorrência de homologação tácita que decorra do escoamento do prazo em face da declaração de nulidade do despacho decisório.
Numero da decisão: 9303-008.518
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento para afastar a homologação tácita declarada no acórdão recorrido, com retorno dos autos à Unidade de Origem para apreciação do mérito do pedido.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201904
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 HOMOLOGAÇÃO TÁCITA NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. O CARF não pode declarar a ocorrência de homologação tácita que decorra do escoamento do prazo em face da declaração de nulidade do despacho decisório.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 17878.000031/2007-29
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6006779
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9303-008.518
nome_arquivo_s : Decisao_17878000031200729.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
nome_arquivo_pdf_s : 17878000031200729_6006779.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento para afastar a homologação tácita declarada no acórdão recorrido, com retorno dos autos à Unidade de Origem para apreciação do mérito do pedido. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
dt_sessao_tdt : Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
id : 7738329
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:44:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051907598057472
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1567; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 502 1 501 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 17878.000031/200729 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303008.518 – 3ª Turma Sessão de 17 de abril de 2019 Matéria 40.612.4488 IPI COMPENSAÇÃO Homologação tácita Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SPACO 2 COMERCIO E REPRESENTACOES LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 HOMOLOGAÇÃO TÁCITA NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. O CARF não pode declarar a ocorrência de homologação tácita que decorra do escoamento do prazo em face da declaração de nulidade do despacho decisório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento para afastar a homologação tácita declarada no acórdão recorrido, com retorno dos autos à Unidade de Origem para apreciação do mérito do pedido. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 87 8. 00 00 31 /2 00 7- 29 Fl. 502DF CARF MF 2 Trata o presente processo de pedido de ressarcimento eletrônico de créditos de IPI no PERD/COMP nº 03740.00522.141103.1.3.019793, no montante originário de R$ 20.451,08, referente ao saldo credor do IPI do 1º trimestre de 2003, de acordo com o documento de efls. 11 a 37, efetuado em 14/11/2003. O crédito deste pedido foi utilizado como base para declarações de compensação de débitos no mesmo PER/DCOMP, bem como no PER/DCOMP nº 41127.33647.151203.1.3.012688, efetuado em 15/12/2003, às efls. 38 a 43. A Divisão de Fiscalização da DRF Volta Redonda RJ, após realização de diligência, elaborou Relatório Fiscal, às efls. 182 e 183, dando base ao Despacho Decisório de efls. 189 a 191,em 13/03/2008, pelo qual não reconheceu o direito creditório pleiteado e não homologou as compensações dele dependentes. No referido despacho, sem entrar no mérito do direito creditório, consta que o contribuinte não havia provado ser contribuinte do tributo (pelo contrato social, não se vislumbraria atividade industrial), nem a existência do direito creditório, por conta de vícios na escrituração apresentada. Cientificada (efl. 196) do despacho, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, às efls. 202 a 208. Já a 3ª Turma da DRJ/JFA, em 04/12/2009, apreciou os pleitos da contribuinte, e elaborou o acórdão nº 0927.454, às efls. 391 a 395, que considerou improcedente a manifestação de inconformidade. Na decisão, a autoridade julgadora de primeira instância, rechaça a existência de vícios na escrituração e aceitou a possibilidade de o contribuinte ser contribuinte do IPI. Entretanto, mais uma vez sem entrar no mérito, negou provimento à manifestação de inconformidade, por entender que, no caso, tratarseia de estabelecimento equiparado a industrial e que, nessa qualidade, o contribuinte não faria jus ao creditamento pleiteado. Irresignada, a empresa interpôs recurso voluntário ao CARF em 17/02/2010, às efls. 406 a 409. Em resumo traz os seguintes argumentos: a) sua manifestação de inconformidade tratou apenas das formalidades intrínsecas e extrínsicas na escrituração do Registro de apuração do IPI, irregularidades que o acórdão recorrido entendeu insuficientes para a denegação dos pedidos; b) a autoridade de primeira instância inovou nas razões para o indeferimento dos pedidos de ressarcimento e compensação, afirmando que havia suspensão do IPI na venda de produtos industrializados por encomenda, levando à nulidade da decisão de primeira instância; e c) ainda que afastada a nulidade, a inovação do feito caracterizaria a decadência dos débitos que nem mesmo constituídos foram em face da linha adotada na própria decisão. A 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, no acórdão nº 3802 000.359, apreciou o recurso em 1º/03/2011, às efls. 426 a 431, e, por unaimidade, deu provimento ao recurso voluntário. Tal julgado foi assim ementado: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. FUNDAMENTAÇÃO INOVADA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FISCALIZAÇÃO. QUESTÕES PRELIMINARES. SUPERAÇÃO. NULIDADE. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Fl. 503DF CARF MF Processo nº 17878.000031/200729 Acórdão n.º 9303008.518 CSRFT3 Fl. 503 3 O cerceamento do direito de defesa caracterizado pela inovação nos fundamentos adotados pela decisão a quo e a superação das questões preliminares anteriormente levantadas pela fiscalização indicariam o necessário retorno dos autos à unidade de origem para nova decisão. Entretanto, reconhecida a nulidade destas decisões, a superveniente ocorrência de homologação tácita das compensações prejudica a análise do mérito do pedido de ressarcimento dos créditos utilizados pelo contribuinte. O referido acórdão teve a seguinte redação: ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer a ocorrência de homologação tácita das compensações em epígrafe consoante §5º do art. 74 da Lei nº 9.430/96, prejudicada a análise do mérito do pedido de ressarcimento dos créditos utilizados pelo contribuinte, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Embargos da Fazenda Intimada para ciência do acórdão nº 3802000.359, em 09/08/2011 (efl. 434), a Procuradoria da Fazenda Nacional manejou embargos de declaração às efls. 435 a 437, em 19/08/2011. Afirma existir omissão no aresto embargado, haja vista que as compensações apresentadas em 14/11/2003 e 15/12/2003, tiveram despacho decisório denegatório emitido pela DRF de jurisdição da contribuinte em 13/02/2008, antes do encerramento do prazo quinquenal para a homologação tácita omitindose a decisão de abordar tal situação. Os embargos foram apreciados no despacho da Presidente da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, em 04/02/2014, à efl. 441, que os admitiu para serem apreciados pela referida Turma. A apreciação dos embargos resultou no acórdão nº 3802002.378, em 26/02/2012, às efls. 442 a 447, que deles conheceu, mas negoulhes provimento, tendo as seguintes ementas: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO NO ACÓRDÃO. ADMISSIBILIDADE. Admitirseá embargos de declaração, dentre outras hipóteses, quando o acórdão for omisso com respeito a questão sobre a qual deveria ter se pronunciado. DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO DEFEITUOSA. NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL. Demonstrada mácula na única motivação em que se alicerçou o despacho decisório que não homologou a compensação vislumbrada pelo sujeito passivo, deverá aludido despacho ser declarado nulo, por vício material. (...) Fl. 504DF CARF MF 4 COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGATÓRIO. NULIDADE. EXTINÇÃO DOS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS DECLARADOS POR HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Mantida a nulidade do despacho decisório que não homologou as compensações declaradas pelo sujeito passivo, subsiste o acórdão do colegiado de segundo grau segundo o qual deverá ser reconhecida a homologação tácita das compensações objeto do litígio, posto que expirado o prazo previsto no artigo 74, § 5°, da Lei nº 9.430/96. Recurso especial da Fazenda A Procuradoria da Fazenda Nacional foi intimada do acórdão de embargos em 12/06/2015 (efl. 450) e interpôs recurso especial de divergência ao acórdão 3802002.378, em 15/06/2015, às efls. 451 a 478. No recurso especial, o Procurador indica o acórdão nº 3801001.609 como paradigma para a divergência, que, frente à nulidade do despacho decisório, entendeu não ser possível a declaração de homologação tácita das compensações pleiteadas no processo, determinando o retorno dos autos para análise do mérito na DRF de origem do sujeito passivo. Observase aí franca divergência com o acórdão a quo, que considera ocorrida a homologação tácita para a mesma situação. Em 25/04/2016, o Presidente da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, apreciou o recurso especial de divergência do Procurador, no despacho de efls. 491 a 495, em 25/04/2016, e deulhe seguimento, com base no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343 de 09/06/2015. A contribuinte teve ciência (efl. 499) do acórdão nº 3802000.359, do acórdão de embargos nº 3802002378, do recurso especial de divergência de efls. 451 a 478 e do despacho de sua admissibilidade de efls. 702 a 707, em 13/06/2016, sem que se manifestasse no prazo regulamentar. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional é tempestivo, cumpre os requisitos regimentais e por isso dele conheço. Afasto, no caso, a ocorrência de homologação tácita, porque houve manifestação do autoridade fiscal antes de transcorrido o prazo de cinco anos. Em seguida, passo à análise do caso. Neste processo, houve pedidos de ressarcimento e de saldo credor de IPI, utilizado em dois pedidos de compensação. Fl. 505DF CARF MF Processo nº 17878.000031/200729 Acórdão n.º 9303008.518 CSRFT3 Fl. 504 5 Houve diligência da DRF de jurisdição do sujeito passivo que apontou algumas supostas irregularidades, à efl 182: 1. o Contrato Social de empresa não evidenciava a atividade de industrialização ou sua equiparação à empresa industrial; 2. informações da contribuinte levaram a concluir que ela atuava na revenda de produtos; 3. os livros de registro de Apuração do IPI apresentavam diversas irregularidades; 4. a contribuinte não apresentou demonstrativos do saldo credor por ela apurado contendo diversas informações solicitadas pela fiscalização; e 5. os originais de notas fiscais apresentados pela empresa não foram carimbados para não utilização em outros pedidos, não estando ela amparada para obter os ressarcimentos pleiteados. Despacho Decisório da DRF de jurisdição do sujeito passivo, com base nesse relatório, e informações da contribuinte denegou o ressarcimento e as consequentes compensações, apenas por entender descumpridos os requisitos para admissão dos livros contábeis da contribuinte, notadamente o de Registro de Apuração do IPI, para comprovação dos valores dos créditos pleiteados. Praticamente não se manifestou sobre os itens 1, 2, 4 e 5 do Relatório Fiscal. Como base legal de sua argumentação, invoca o art. 1.181 do Código Civil, e os arts. 190, 193, 371 e 373 do RIPI/2002. A DRJ, analisando manifestação de inconformidade da contribuinte, acatou os livros com suas irregularidades, único fundamento do despacho decisório, afastando inclusive os demais itens citados no Relatório Fiscal, ressaltando que seria necessário, ao menos, nova diligência para avaliar se a empresa não teria realizado industrialização por encomenda. Entendo que, assim, considerou haver início de prova que poderia levar ao reconhecimento do crédito apurado em face de nova diligência. Com efeito, a DRJ afastou os fundamentos preliminares do despacho decisório. Situação em que caberia à unidade de origem complementar sua análise, enfrentando o mérito. Contudo, deixou de se ater à comprovação do crédito pleiteado, para inovar, tratando da impossibilidade de utilização dos créditos, pelos estabelecimentos equiparados a industriais, para os insumos utilizados na industrialização de produtos remetidos com suspensão às indústrias alimentícias, entre outras. Tanto inova, que invoca como base de sua decisão o art. 29 da Lei nº 10.637/2002 e os arts. 1º e 23 da IN SRF nº 296/2003. Por essas razão, indeferiu a manifestação de inconformidade. Ressalto que a decisão de primeira instância não se inclinou para a anulação do despacho decisório, mas entendeu que havia necessidade, em favor do pleito da contribuinte, que não tinha provas adequadas da liquidez e certeza de seu crédito, da realização Fl. 506DF CARF MF 6 da diligência para matéria probatória. Deixou de proceder nesse sentido, por apresentar novo motivo, com base apenas em questão jurídica, para indeferir o pleito. O acórdão do recurso voluntário que aqui se controverte, entendeu que a inovação levaria à nulidade do acórdão de piso da DRJ, com o que concordo. Contudo, ele foi além, e simplesmente afirmou também a nulidade do despacho decisório, o que só veio a esclarecer no acórdão de embargos de declaração que passou a integrálo. Neste acórdão afirma que o Despacho Decisório continha vício de motivação; o que não foi alegado naquele acórdão de piso. Por decorrência, sendo nulo o Despacho Decisório, teria ocorrido homologação tácita Em outras palavras, a decisão recorrida, ao invés de reformar a decisão de primeira instância, declarou sua nulidade e também do despacho decisório. Aqui levanto minha discordância com relação à nulidade do despacho como obter dictum, em face de não ter sido apontada divergência quanto a isso e assim a matéria não foi a essa Turma devolvida pois entendo que motivação para o despacho decisório havia, o que não havia era prova robusta das situações que motivaram àquela decisão originária. Lembro que a prova em casos de restituição e ressarcimento é de quem pleiteia os crédito, cabendo ao fisco analisála. Sendo assim, após apresentação da complementação probatória necessária à comprovação do crédito alegado, entendo necessária a análise de mérito dessa prova. Não se pode simplesmente anular um despacho, pela consideração de que a prova juntada permitiria uma eventual existência do crédito. Com efeito, não ocorre cerceamento de defesa nesse caso, o que afasta a ocorrência da alegada nulidade, conforme previsto no art. 59 da Decreto nº 70.235 de 06/03/1972 PAF. Dessarte, entendo que o despacho decisório não seria nulo e a não homologação nele realizada era válida, até decisão em contrário. Reparase que o recurso de divergência não abarca a discussão do mérito do crédito. Tal recurso ataca tão somente a homologação tácita da compensação, reconhecida pela decisão recorrida, em razão da nulidade do Despacho Decisório reconhecida. Em seu recurso, a Fazenda Nacional defende simplesmente que eventual nulidade do Despacho Decisório, não teria o condão de não se admite resultar na homologação tácita da compensação. Nesse sentido, argumenta que a nulidade de um ato processual só afetaria os atos que a ele se seguem. Ora, as decisões posteriores à elaboração dos despachos decisórios podem vir, e no caso concreto vieram, a ser apreciadas em instâncias superiores. Portanto, a sua declaração de nulidade do despacho não poderia afetar o ressarcimento contido na próprio PER/DCOMP. Compulsando a Manifestação de Inconformidade e o Recurso Voluntário da contribuinte, percebese que tal matéria não é invocada em nenhum dos dois e a decisão de piso da DRJ dela não trata. Tratase de decisão extra petita no acórdão recorrido, não sendo nem mesmo de ordem pública, mas prejudicial de mérito da legislação de regência das compensações. Dessarte, afasta homologação tácita e, para dar tratamento ao caso, afasto também a nulidade alegada no despacho decisório, reconhecendo a improcedência da fundamentação formal, devendo ser então complementada a análise do caso, com o enfrentamento do mérito do pedido. Fl. 507DF CARF MF Processo nº 17878.000031/200729 Acórdão n.º 9303008.518 CSRFT3 Fl. 505 7 Saliento que esse tratamento é necessário, para evitar supressões de instância e garantir o contraditório e a ampla defesa. Por analogia, registro que, em todos os casos nos quais são afastadas preliminares ou prejudiciais de mérito (tais como o decurso do prazo para o pedido de repetição de indébito) o processo tem sido devolvido à unidade de origem para apreciação do mérito do pedido. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional para afastar a homologação tácita declarada no acórdão recorrido e, em face das nulidades nele declaradas, que se retorne o processo à unidade de origem para que se volte à apreciação do mérito do pedido. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 508DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.903886/2009-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 06/06/2005
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS PROBATÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVA.
Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior
Oportunizada, em face do exercício do contraditório, com a trazida da manifestação de inconformidade e do recurso voluntário, a apresentação de documentos pela empresa interessada e não apresentado qualquer documento capaz de afastar a conclusão contida no despacho decisório contestado, mantém-se o indeferimento da compensação, por inexistência do crédito indicado em Per/Dcomp.
DILIGÊNCIA E/OU PERÍCIA. JUNTADA DE PROVAS. DESNECESSIDADE.
Deve ser indeferido o pedido de diligência e/ou perícia, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Ao indicar como crédito um pagamento indevido, destacando, inclusive, as informações constantes do Darf pleiteado, sem proceder a qualquer retificação, ou comprovar o erro material em sua retificação, não há como transmudar a vontade expressa na Dcomp transmitida, sendo desnecessária a diligência e/ou perícia, bem assim a eventual juntada de novas provas.
VERDADE MATERIAL. PROVA. LIMITES.
Ainda que o Processo Administrativo Fiscal Federal esteja jungido ao principio da verdade material, o mesmo não é absoluto, sob pena de malferi-lo, bem como aos princípios da legalidade e da isonomia e as regra do devido processo legal.
Numero da decisão: 2201-004.924
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Data do fato gerador: 06/06/2005 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS PROBATÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior Oportunizada, em face do exercício do contraditório, com a trazida da manifestação de inconformidade e do recurso voluntário, a apresentação de documentos pela empresa interessada e não apresentado qualquer documento capaz de afastar a conclusão contida no despacho decisório contestado, mantém-se o indeferimento da compensação, por inexistência do crédito indicado em Per/Dcomp. DILIGÊNCIA E/OU PERÍCIA. JUNTADA DE PROVAS. DESNECESSIDADE. Deve ser indeferido o pedido de diligência e/ou perícia, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Ao indicar como crédito um pagamento indevido, destacando, inclusive, as informações constantes do Darf pleiteado, sem proceder a qualquer retificação, ou comprovar o erro material em sua retificação, não há como transmudar a vontade expressa na Dcomp transmitida, sendo desnecessária a diligência e/ou perícia, bem assim a eventual juntada de novas provas. VERDADE MATERIAL. PROVA. LIMITES. Ainda que o Processo Administrativo Fiscal Federal esteja jungido ao principio da verdade material, o mesmo não é absoluto, sob pena de malferi-lo, bem como aos princípios da legalidade e da isonomia e as regra do devido processo legal.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 16327.903886/2009-49
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5997376
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2201-004.924
nome_arquivo_s : Decisao_16327903886200949.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
nome_arquivo_pdf_s : 16327903886200949_5997376.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
id : 7715178
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:43:13 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051907619028992
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2030; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.903886/200949 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 2201004.924 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de janeiro de 2019 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Recorrente CITIBANK DISTRIBUIDORA DE TÍTULOS E VALORES MOB SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 06/06/2005 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS PROBATÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior Oportunizada, em face do exercício do contraditório, com a trazida da manifestação de inconformidade e do recurso voluntário, a apresentação de documentos pela empresa interessada e não apresentado qualquer documento capaz de afastar a conclusão contida no despacho decisório contestado, mantémse o indeferimento da compensação, por inexistência do crédito indicado em Per/Dcomp. DILIGÊNCIA E/OU PERÍCIA. JUNTADA DE PROVAS. DESNECESSIDADE. Deve ser indeferido o pedido de diligência e/ou perícia, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Ao indicar como crédito um pagamento indevido, destacando, inclusive, as informações constantes do Darf pleiteado, sem proceder a qualquer retificação, ou comprovar o erro material em sua retificação, não há como transmudar a vontade expressa na Dcomp transmitida, sendo desnecessária a diligência e/ou perícia, bem assim a eventual juntada de novas provas. VERDADE MATERIAL. PROVA. LIMITES. Ainda que o Processo Administrativo Fiscal Federal esteja jungido ao principio da verdade material, o mesmo não é absoluto, sob pena de malferi lo, bem como aos princípios da legalidade e da isonomia e as regra do devido processo legal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 38 86 /2 00 9- 49 Fl. 161DF CARF MF Processo nº 16327.903886/200949 Acórdão n.º 2201004.924 S2C2T1 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2201004.917, de 17 de janeiro de 2019 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 16327.903749/200912, paradigma deste julgamento. "Acórdão nº 2201004.917 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Tratase de recurso voluntário apresentado em face da decisão de primeiro grau que negou provimento à manifestação de inconformidade formalizada pelo sujeito passivo negando o direito ao crédito do IRRF recolhido a ser compensado com outro tributo administrado pela Receita Federal. De acordo com o despacho decisório, o pagamento indicado não possui saldo disponível para compensação, visto que foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte. O contribuinte alega que efetuou a retenção de forma equivocada de IRRF sobre operações de ganho de capital, ocasionada por de erro no cálculo na obtenção do custo médio das ações de propriedade de empresa investidora e deixado de compensar prejuízos em operações anteriores. Alega que após tais ajustes o IR sobre ganho de capital foi reduzido a zero, sendo que houve a apuração de diferença entre o IR correto e o errado objeto da compensação. Aduz também que o cálculo incorreto ocorreu por conta do fato da investidora ter efetuado Split das ações (desdobramento) e que não foi incluído no cálculo do IRRF. Alega que efetuou a devolução do montante do Imposto à empresa investidora. A Delegacia da Receita de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte sob o fundamento em síntese de falta de comprovação do erro de fato no preenchimento da DCTF e falta de comprovação dos lançamentos contábeis e outros documentos que pudessem evidenciar o erro cometido na operação, sendo que considerando esses fatos, foi apresentado recurso voluntário para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Neste colegiado, o processo em análise compôs lote sorteado em sessão pública para este Conselheiro. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 16327.903886/200949 Acórdão n.º 2201004.924 S2C2T1 Fl. 4 3 É o que havia para ser relatado." Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2201004.917, de 17 de janeiro de 2019 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 16327.903749/200912, paradigma deste julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2201004.917, de 17 de janeiro de 2019 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária: "Acórdão nº 2201004.917 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária O recurso preenche os requisitos de admissibilidade e, portanto, o conheço. O presente processo está sendo julgado na mesma sessão dos processos nº 16327.903749/200912, 16327.903880/200971, 16327.903881/200916, 16327.903882/200961, 16327.903883/200913, 16327.903884/200950, 16327.903885/200902, 16327.903886/200949, 16327.903887/200993, 16327.903888/200938 e 16327.903889/200982 nos termos do § 2º do art. 47 do Anexo II à Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, que aprovou o Regimento Interno do CARF. Tratase de recurso voluntário apresentado em face da decisão de primeiro grau que negou provimento à manifestação de inconformidade formalizada pelo sujeito passivo mantendo integralmente os termos do despacho decisório que não homologou o crédito de IRRF para compensação com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Não verifico razões para a reforma do julgado, que se baseou nos elementos de prova juntados pelo contribuinte que teve assegurado o devido processo legal e contraditório, inclusive podendo ter juntado novos documentos na época para comprovar a existência do direito creditório. No presente caso, o Despacho Decisório não homologou a compensação em razão de o crédito a ser compensado estar alocado como pagamento de débito confessado na DCTF original. Após a emissão do Despacho Decisório, a DCTF foi retificada para se excluir tal débito e se caracterizar o recolhimento em questão como indevido/a maior. A apresentação de DCTF constituise em obrigação acessória. Entretanto, uma vez apresentada, o contribuinte comunica a existência de crédito tributário, confessando a dívida (DecretoLei n° 2.124, de 1984, art. 5°, § 1°)1. Destarte, o Despacho Decisório foi validamente emitido, eis que havia débito confessado correspondente ao valor recolhido em DARF. Resta perquirir se sua eficácia permanece, em face da posterior retificação da DCTF. Ao apresentar a DCTF retificadora após a emissão do Despacho Decisório, o contribuinte pretende corrigir pretenso erro de preenchimento da DCTF original, Fl. 163DF CARF MF Processo nº 16327.903886/200949 Acórdão n.º 2201004.924 S2C2T1 Fl. 5 4 conforme expressamente consignado na manifestação de inconformidade e nas razões do recurso. A simples apresentação das DCTFs original e retificadora, ainda que acompanhadas de DARF, não se constitui em prova do alegado erro de fato. A retificação da DCTF é ineficaz, pois cabe ao contribuinte o ônus de comprovar o erro não apurável pelo mero exame das DCTFs (CTN, art. 147; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, II; Lei n° 13.105, 2015, arts. 15 e 373, II2; e IN RFB n° 903, de 2008, art. 11, §2°, III). A alegação de erro de fato nessa instância recursal, no caso, deve vir acompanhada de documentos incontestes quanto a esse fato, posto que tais oportunidades de esclarecimentos e juntada de novos documentos que comprovam a veracidade das razões recursais, o foram analisadas quando do julgamento de primeiro grau constatando a não comprovação do alegado direito pelo contribuinte. Ora, apesar das planilhas estarem com os valores mencionados na manifestação de inconformidade e juntadas também em recurso voluntário, as mesmas vieram desacompanhadas de quaisquer outros documentos que pudessem evidenciar o erro cometido. Da forma como ponderado pela decisão de piso, há uma simples alteração de valores sem qualquer comprovação. No caso, seria necessário demonstrar por meio de notas de compra das ações da empresa investidora o custo médio antes e depois, até porque o manifestante alega que a justificativa do erro é pelo fato de ter ocorrido um split das ações, ou seja, o citado desdobramento na realidade faria com que o custo médio das ações diminuísse e não aumentasse, de forma que seria mais coerente que o preço a ser considerado fosse mesmo o menor. Também seria necessário comprovar o total de prejuízos anteriores trazendo, por exemplo, as operações que geraram tal prejuízo com os respectivos documentos que as embasam. As telas de movimentação financeira juntadas também não comprovam a retenção indevida, mas apenas que houve uma transferência de valores, não foram anexados sequer os lançamentos contábeis indicando a retenção e o alegado estorno para a conferência dos valores e também não ficou evidenciado que a conta creditada era do cliente da recorrente sendo juntado de terceiro com outra denominação, não esclarecendo os fatos. Os empresários têm o dever de manter a escrituração dos negócios de que participam, nos termos do art. 1.179 do Código Civil (lei n° 10.406/2002): "Art. 1.179. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a seguir um sistema de contabilidade, mecanizado ou não, com base na escrituração uniforme de seus livros, em correspondência com a documentação respectiva, e a levantar anualmente o balanço patrimonial e o de resultado econômico. É oportuno citarmos um trecho da exposição de motivos do Código de Comércio Napoleônico, lembrado por Fábio Ulhoa Coelho, em sua obra "Curso de Direito Comercial": "A consciência do comerciante está escrita nos seus livros; neles é que o comerciante registra todas as suas ações; são, para ele, imia espécie de garantia (...). Quando surgem contestações, é Fl. 164DF CARF MF Processo nº 16327.903886/200949 Acórdão n.º 2201004.924 S2C2T1 Fl. 6 5 preciso que a consciência do juiz fique esclarecida; e é então que os livros são necessários, pois que eles são os confidentes das ações do comerciante ". O objetivo primordial da Contabilidade é apreender e entender as mutações sofridas pelo patrimônio de uma entidade. Desta forma, os registros contábeis são o meio de prova mais natural para demonstrar a liquidez e certeza do direito creditório. Nesse ponto, adoto como razões de decidir excerto dessa Turma da lavra do I. Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim AC. 2201004.437 j. 04/04/18, verbis: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 2004 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. (...) omissis Ora, não pode a autoridade administrativa proceder com a homologação quando existe, de fato, vinculação do crédito a valores confessados pelo contribuinte como devidos, por meio de instrumento hábil e suficiente a sua exigência. Sobre o tema, adoto como razões de decidir as palavras do Ilustríssimo Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo, proferida no acórdão nº 2201004.311: A criação do Sistema de Controle de CréditosSCC objetivou dar maior celeridade e segurança à necessária conferência dos pedidos de restituição, ressarcimentos e declarações de compensação formalizados pelos contribuintes. Naturalmente, tratase de ferramenta de extrema utilidade e eficiência quando batimentos de sistemas podem indicar a existência dos direitos pleiteados. Por outro lado, quando a complexidade da Fl. 165DF CARF MF Processo nº 16327.903886/200949 Acórdão n.º 2201004.924 S2C2T1 Fl. 7 6 demanda exige, remanesce a necessidade de análise manual dos créditos pleiteados. Das situações possíveis de serem tratadas eletronicamente, sem sombra de dúvida, os indébitos tributários decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior são, como regra, os que apresentam menor complexidade de análise, já que basta o SCC localizar o pagamento, identificar suas características e verificar, no sistema próprio, se há débitos compatíveis que demonstrem, no todo ou em parte, a ocorrência de um pagamento indevido ou a maior. (...) Portando, em uma análise primária, notase que a não homologação em discussão é procedente, o que não impede que se reconheça, em respeito à verdade material, que tenha havido algum erro de fato que justifique sua revisão. Contudo, para tanto, necessário que sejam apresentados os elementos que comprovem a ocorrência de tal erro. Portanto, não basta alegar a ocorrência de erro material, é necessário provalo. Quanto ao ônus da prova, o Código de Processo Civil dispõe o seguinte: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Apesar do procedimento de constituição do crédito tributário não ser regido pelo CPC, a adoção dos critérios principiológicos criados por tal norma em aplicação analógica ao presente caso oferece diretrizes de suma importância para resolução da demanda. Assim, uma vez em curso o procedimento de análise de compensação de crédito, é do contribuinte o ônus de provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da Fazenda. (...) Quanto a questão da diligência e perquirição de provas e aplicação do princípio da busca da verdade material, tomo como razões de decidir parte do Voto do I. Conselheiro Orlando Rutigliani Berri no Ac. 3001000.545 j. 17/10/2018, verbis: Mais, que analisados os pretensos elementos de prova carreados aos presentes autos, verificouse que se mostraram insuficientes para comprovar o direito creditório alegado. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 16327.903886/200949 Acórdão n.º 2201004.924 S2C2T1 Fl. 8 7 Diante destas constatações e o que dos autos consta, aí também aliado aos corretos fundamentos da decisão recorrida, advogo o entendimento segundo o qual não é papel deste colegiado recursal conceder infindáveis oportunidades para que o contribuinte transponha aos autos documentos e/ou informações que venham confirmar seu direito, digo isto pois entendo que tal concessão importaria em desrespeito aos prazos estabelecidos na legislação processual de regência, como vimos anteriormente. Prosseguindo um pouco mais, podese dize ainda que é comezinho a obrigação do sujeito passivo, desde a feitura de seu pleito reivindicatório, passando pela sua manifestação de inconformidade, municiar sua pretensão em documentos hábeis suficientes para evidenciar a liquidez e certeza do crédito tributário cuja restituição postula. Por isso, e não por outra razão, é que a legislação impõe ao contribuinte o dever de demonstrar sua liquidez e certeza. De outra forma dizendo, é ônus do sujeito passivo e não da Administração Tributária tal mister. Desta feita, não se pode, sob o pálio da "verdade material" suplantar toda e qualquer regra processual aplicável ao processo administrativo fiscal federal a fim de, ao arrepio, dentre outros, do princípio da isonomia, permitir seja desbancada a competência originária da autoridade fiscal ou mesmo do colegiado recorrido, para fins de substituir tarefa que competia ao sujeito passivo, seja espontaneamente ou mesmo depois de provocado, em face das sucessivas rejeições da sua pretensão. Portanto, não é correto afirmar que a aventada a menor rigidez dos prazos para a produção de prova tenha o condão de sobrepujar determinadas regras, vez que o primado da "verdade material", na medida em que autoriza o julgador apreciar provas e/ou indícios não contemplados pela instância a quo, impõe que estas tenham sido produzidas no momento oportuno, o que não se observa nestes autos, uma vez que não foram produzidas. omissis Ultrapassada a contextualização fático, esclareço, por oportuno que este colegiado, atento à hodierna tendência de se mitigar os rigores das regras preclusivas contidas no processo administrativo fiscal, para o fim de acolher provas apresentadas nesta instância recursal, entende que para aplicarse tais regras, o comportamento do sujeito passivo é determinante. Melhor dizendo, estando o contribuinte, como é o caso em apreço, ciente dos motivos pelos quais os elementos de prova coligidos aos autos não foram considerados hábeis e suficientes para seu desiderato, era seu o dever demonstrar que envidou o esforço no sentido de sanar as lacunas probatórias aventadas na decisão recorrida. Fl. 167DF CARF MF Processo nº 16327.903886/200949 Acórdão n.º 2201004.924 S2C2T1 Fl. 9 8 No entanto, o recorrente, ao manter se fiel à linha argumentativa, mesmo sabedor que o fundamento da decisão recorrida assentouse na ausência de documentos que corroborassem sua pretensão, preferiu agir de forma não proativa, ao deixar de se empenhar em provar o direito que alega possuir, impedindo, in totum, que este julgador aventasse, quiçá, a hipótese de conversão deste julgamento em diligência, com supedâneo no novel princípio da cooperação, que atualmente tem redação implementada pelo artigo 6º da Lei nº 13.105, de 16.03.2015 Novo Código de Processo Civil, que afirma que "todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva". Em suma, constatase que no caso destes autos, o alegado indébito não foi correta e suficientemente demonstrado e provado. Conclusão Diante do exposto, conheço do recurso e NEGOLHE PROVIMENTO." Diante do exposto, conheço do recurso e NEGOLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Fl. 168DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10410.901849/2013-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009
NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMOS
O alcance do conceito de insumo, segundo o regime da não-cumulatividade do PIS Pasep e da COFINS é aquele em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de (i) essencialidade ou relevância com/ao processo produtivo ou prestação de serviço; e sua (ii) aferição, por meio do cotejo entre os elementos (bens e serviços) e a atividade desenvolvida pela empresa.
PROCESSO PRODUTIVO. PRODUÇÃO DE AÇÚCAR E ÁLCOOL. ETAPA AGRÍCOLA. CUSTOS. CRÉDITO
Os custos incorridos com bens e serviços aplicados no cultivo da cana de açúcar guardam estreita relação de relevância e essencialidade com o processo produtivo das variadas formas e composição do álcool e do açúcar e configuram custo de produção, razão pela qual integram a base de cálculo do crédito das contribuições não-cumulativas.
REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE BENS COM DIREITO A CRÉDITO. DIREITO À APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO NA DESPESA DE FRETE.
No âmbito do regime não cumulativo da Cofins, a despesa com transporte de bens utilizado como insumos na produção/industrialização de bens destinados à venda, suportado pelo comprador, e devida à pessoa jurídica, propicia a dedução de crédito se incluído no custo de aquisição dos bens.
CRÉDITOS DE INSUMOS. CONTRIBUIÇÕES NÃO-CUMULATIVAS. SERVIÇOS E PEÇAS DE MANUTENÇÃO DE VEÍCULOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO.
Os serviços e bens utilizados na manutenção de veículos, máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não-cumulativos.
VEÍCULOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CRÉDITO SOBRE DEPRECIAÇÃO. UTILIZAÇÃO EM ETAPAS DO PROCESSO PRODUTIVO E DE INDUSTRIALIZAÇÃO.
A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre encargos de depreciação em relação a veículos, máquinas e equipamentos adquiridos e utilizados em etapas pertinentes e essenciais à produção e à fabricação de produtos destinados à venda, conforme disciplinado pela Secretaria da Receita Federal em sua legislação (IN SRF nº 457/2004).
REGIME NÃO-CUMULATIVO. DESPESAS COM ARMAZENAGEM E FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA.
Concede-se direito à apuração de crédito às despesas de armazenagem e frete contratado relacionado a operações de venda, desde que amparado em documentos fiscal e o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedor e pago à pessoa jurídica beneficiária domiciliada no País.
Numero da decisão: 3201-005.295
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, apenas para conceder o crédito das contribuições para o PIS/Cofins, revertendo-se as glosas efetuadas, atendidos os demais requisitos dos §§ 2º e 3º dos arts. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003 e legislação pertinente à matéria: I - Serviços utilizados como insumos na fase agrícola: (item 1.1) Serviços de Terceiros-Equipamentos Agrícolas: serviços de manutenção e solda em equipamentos agrícolas e de irrigação, e serviços de "lavagem de roupas-herbicidas"; (item 1.2) Manutenção e Reparo de Equipamentos Agrícolas: peças aplicadas por terceiros na manutenção de implementos agrícolas e irrigação; (item 1.3) Fretes de compra (apenas para os valores comprovados através da apresentação de Conhecimento de Carga); e (item 1.4) Transporte de cana (bens aplicados em veículos próprios, utilizados no transporte de cana); II - Bens utilizados como insumos na fase agrícola (item "1.2"): Óleo Diesel, Material Lubrificante, Pneus e Câmaras, Material de Manutenção, utilizados em veículos empregados especificamente na movimentação e transporte da cana-de-açúcar e nos centros de custos relacionados à fase agrícola, tais como: Adutoras, Pivôs, Carregadeiras, Grades, Fazendas, Tratores, Sulcador, Aplicação de Herbicidas, Produção de Mudas; III - Bens e serviços utilizados na fase industrial de fabricação de açúcar e álcool (itens "4.1" e "4.2") - transporte de resíduos industriais; serviços de dedetização, desde que nas instalações das atividades produtivas; produtos químicos, desde que utilizados na limpeza de instalações industriais; e produtos químicos específicos para tratamento de águas; IV - Encargos de depreciação de bens utilizados na fase agrícola: tratores, colheitadeiras, caminhões, reboques e outros bens utilizados na agricultura ou transporte da cana; e V - Despesas com armazenagem e fretes nas operações de vendas.
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição ao conselheiro Charles Mayer de Castro Souza), Tatiana Josefovicz Belisario, Laercio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201904
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMOS O alcance do conceito de insumo, segundo o regime da não-cumulatividade do PIS Pasep e da COFINS é aquele em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de (i) essencialidade ou relevância com/ao processo produtivo ou prestação de serviço; e sua (ii) aferição, por meio do cotejo entre os elementos (bens e serviços) e a atividade desenvolvida pela empresa. PROCESSO PRODUTIVO. PRODUÇÃO DE AÇÚCAR E ÁLCOOL. ETAPA AGRÍCOLA. CUSTOS. CRÉDITO Os custos incorridos com bens e serviços aplicados no cultivo da cana de açúcar guardam estreita relação de relevância e essencialidade com o processo produtivo das variadas formas e composição do álcool e do açúcar e configuram custo de produção, razão pela qual integram a base de cálculo do crédito das contribuições não-cumulativas. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE BENS COM DIREITO A CRÉDITO. DIREITO À APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO NA DESPESA DE FRETE. No âmbito do regime não cumulativo da Cofins, a despesa com transporte de bens utilizado como insumos na produção/industrialização de bens destinados à venda, suportado pelo comprador, e devida à pessoa jurídica, propicia a dedução de crédito se incluído no custo de aquisição dos bens. CRÉDITOS DE INSUMOS. CONTRIBUIÇÕES NÃO-CUMULATIVAS. SERVIÇOS E PEÇAS DE MANUTENÇÃO DE VEÍCULOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. Os serviços e bens utilizados na manutenção de veículos, máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não-cumulativos. VEÍCULOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CRÉDITO SOBRE DEPRECIAÇÃO. UTILIZAÇÃO EM ETAPAS DO PROCESSO PRODUTIVO E DE INDUSTRIALIZAÇÃO. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre encargos de depreciação em relação a veículos, máquinas e equipamentos adquiridos e utilizados em etapas pertinentes e essenciais à produção e à fabricação de produtos destinados à venda, conforme disciplinado pela Secretaria da Receita Federal em sua legislação (IN SRF nº 457/2004). REGIME NÃO-CUMULATIVO. DESPESAS COM ARMAZENAGEM E FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. Concede-se direito à apuração de crédito às despesas de armazenagem e frete contratado relacionado a operações de venda, desde que amparado em documentos fiscal e o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedor e pago à pessoa jurídica beneficiária domiciliada no País.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri May 17 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10410.901849/2013-57
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6008121
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat May 18 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3201-005.295
nome_arquivo_s : Decisao_10410901849201357.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10410901849201357_6008121.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, apenas para conceder o crédito das contribuições para o PIS/Cofins, revertendo-se as glosas efetuadas, atendidos os demais requisitos dos §§ 2º e 3º dos arts. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003 e legislação pertinente à matéria: I - Serviços utilizados como insumos na fase agrícola: (item 1.1) Serviços de Terceiros-Equipamentos Agrícolas: serviços de manutenção e solda em equipamentos agrícolas e de irrigação, e serviços de "lavagem de roupas-herbicidas"; (item 1.2) Manutenção e Reparo de Equipamentos Agrícolas: peças aplicadas por terceiros na manutenção de implementos agrícolas e irrigação; (item 1.3) Fretes de compra (apenas para os valores comprovados através da apresentação de Conhecimento de Carga); e (item 1.4) Transporte de cana (bens aplicados em veículos próprios, utilizados no transporte de cana); II - Bens utilizados como insumos na fase agrícola (item "1.2"): Óleo Diesel, Material Lubrificante, Pneus e Câmaras, Material de Manutenção, utilizados em veículos empregados especificamente na movimentação e transporte da cana-de-açúcar e nos centros de custos relacionados à fase agrícola, tais como: Adutoras, Pivôs, Carregadeiras, Grades, Fazendas, Tratores, Sulcador, Aplicação de Herbicidas, Produção de Mudas; III - Bens e serviços utilizados na fase industrial de fabricação de açúcar e álcool (itens "4.1" e "4.2") - transporte de resíduos industriais; serviços de dedetização, desde que nas instalações das atividades produtivas; produtos químicos, desde que utilizados na limpeza de instalações industriais; e produtos químicos específicos para tratamento de águas; IV - Encargos de depreciação de bens utilizados na fase agrícola: tratores, colheitadeiras, caminhões, reboques e outros bens utilizados na agricultura ou transporte da cana; e V - Despesas com armazenagem e fretes nas operações de vendas. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição ao conselheiro Charles Mayer de Castro Souza), Tatiana Josefovicz Belisario, Laercio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
id : 7745125
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:44:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051907654680576
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 30; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2028; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 1.850 1 1.849 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10410.901849/201357 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201005.295 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de abril de 2019 Matéria COFINS NÃO CUMULATIVO PEDIDO DE RESSARCIMENTO Recorrente TRIUNFO AGROINDUSTRIAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMOS O alcance do conceito de insumo, segundo o regime da nãocumulatividade do PIS Pasep e da COFINS é aquele em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de (i) essencialidade ou relevância com/ao processo produtivo ou prestação de serviço; e sua (ii) aferição, por meio do cotejo entre os elementos (bens e serviços) e a atividade desenvolvida pela empresa. PROCESSO PRODUTIVO. PRODUÇÃO DE AÇÚCAR E ÁLCOOL. ETAPA AGRÍCOLA. CUSTOS. CRÉDITO Os custos incorridos com bens e serviços aplicados no cultivo da cana de açúcar guardam estreita relação de relevância e essencialidade com o processo produtivo das variadas formas e composição do álcool e do açúcar e configuram custo de produção, razão pela qual integram a base de cálculo do crédito das contribuições nãocumulativas. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE BENS COM DIREITO A CRÉDITO. DIREITO À APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO NA DESPESA DE FRETE. No âmbito do regime não cumulativo da Cofins, a despesa com transporte de bens utilizado como insumos na produção/industrialização de bens destinados à venda, suportado pelo comprador, e devida à pessoa jurídica, propicia a dedução de crédito se incluído no custo de aquisição dos bens. CRÉDITOS DE INSUMOS. CONTRIBUIÇÕES NÃOCUMULATIVAS. SERVIÇOS E PEÇAS DE MANUTENÇÃO DE VEÍCULOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 90 18 49 /2 01 3- 57 Fl. 1850DF CARF MF Processo nº 10410.901849/201357 Acórdão n.º 3201005.295 S3C2T1 Fl. 1.851 2 Os serviços e bens utilizados na manutenção de veículos, máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS nãocumulativos. VEÍCULOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CRÉDITO SOBRE DEPRECIAÇÃO. UTILIZAÇÃO EM ETAPAS DO PROCESSO PRODUTIVO E DE INDUSTRIALIZAÇÃO. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre encargos de depreciação em relação a veículos, máquinas e equipamentos adquiridos e utilizados em etapas pertinentes e essenciais à produção e à fabricação de produtos destinados à venda, conforme disciplinado pela Secretaria da Receita Federal em sua legislação (IN SRF nº 457/2004). REGIME NÃOCUMULATIVO. DESPESAS COM ARMAZENAGEM E FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. Concedese direito à apuração de crédito às despesas de armazenagem e frete contratado relacionado a operações de venda, desde que amparado em documentos fiscal e o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedor e pago à pessoa jurídica beneficiária domiciliada no País. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, apenas para conceder o crédito das contribuições para o PIS/Cofins, revertendose as glosas efetuadas, atendidos os demais requisitos dos §§ 2º e 3º dos arts. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003 e legislação pertinente à matéria: I Serviços utilizados como insumos na fase agrícola: (item 1.1) Serviços de Terceiros Equipamentos Agrícolas: serviços de manutenção e solda em equipamentos agrícolas e de irrigação, e serviços de "lavagem de roupasherbicidas"; (item 1.2) Manutenção e Reparo de Equipamentos Agrícolas: peças aplicadas por terceiros na manutenção de implementos agrícolas e irrigação; (item 1.3) Fretes de compra (apenas para os valores comprovados através da apresentação de Conhecimento de Carga); e (item 1.4) Transporte de cana (bens aplicados em veículos próprios, utilizados no transporte de cana); II Bens utilizados como insumos na fase agrícola (item "1.2"): Óleo Diesel, Material Lubrificante, Pneus e Câmaras, Material de Manutenção, utilizados em veículos empregados especificamente na movimentação e transporte da canadeaçúcar e nos centros de custos relacionados à fase agrícola, tais como: Adutoras, Pivôs, Carregadeiras, Grades, Fazendas, Tratores, Sulcador, Aplicação de Herbicidas, Produção de Mudas; III Bens e serviços utilizados na fase industrial de fabricação de açúcar e álcool (itens "4.1" e "4.2") transporte de resíduos industriais; serviços de dedetização, desde que nas instalações das atividades produtivas; produtos químicos, desde que utilizados na limpeza de instalações industriais; e produtos químicos específicos para tratamento de águas; IV Encargos de depreciação de bens utilizados na fase agrícola: tratores, colheitadeiras, caminhões, reboques e outros bens utilizados na agricultura ou transporte da cana; e V Despesas com armazenagem e fretes nas operações de vendas. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Presidente em Exercício e Relator Fl. 1851DF CARF MF Processo nº 10410.901849/201357 Acórdão n.º 3201005.295 S3C2T1 Fl. 1.852 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição ao conselheiro Charles Mayer de Castro Souza), Tatiana Josefovicz Belisario, Laercio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. Relatório Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo no Acórdão nº 1464.821: Tratase de Pedido de Ressarcimento de créditos da Cofins não cumulativa do 4º Trimestre de 2009, relativos a despesas vinculadas a receitas de exportação, no importe de R$ 993.427,26, formalizado por meio do PER/DCOMP nº 41811.26700.200510.1.1.09 2907 (fls. 34/41), ao qual a contribuinte vinculou declarações de compensação nas quais procurou extinguir débitos próprios, relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB. Analisada a pretensão, foi emitido o Despacho Decisório nº de Rastreamento 095447330 (fl. 42), tendo o direito creditório sido reconhecido parcialmente, disso resultando declaração de compensação homologada parcialmente e declarações de compensação não homologadas, além de inexistência de saldo a ser ressarcido. Os fundamentos da decisão estão no Relatório Fiscal de fls. 982/1018, no qual a autoridade fiscal se manifestou pelo deferimento parcial do pedido, e expôs os motivos de seu entendimento, conforme segue. Inicia esclarecendo que: a empresa dedicase à produção e comercialização de açúcar e álcool utilizando como matéria prima básica a canadeaçúcar obtida mediante produção própria ou adquirida de terceiros; como a maioria das empresas deste ramo, tem produção sazonal, normalmente ocorrendo o período de safra/produção entre os meses de setembro a março; a comercialização é feita tanto no mercado interno como no externo, sendo que o açúcar é predominantemente exportado e o álcool é majoritariamente comercializado no mercado interno. Passa a tratar dos créditos glosados informando inicialmente que o conceito de insumo, para fins de apuração de créditos da não cumulatividade do PIS e da Cofins está regido em legislação própria e não pode ser confundido nem interpretado à luz da legislação do IRPJ. Relata que em atendimento ao Termo de Início de Ação Fiscal, a contribuinte apresentou planilhas detalhadas em que demonstrava a memória de cálculo dos valores de crédito que Fl. 1852DF CARF MF Processo nº 10410.901849/201357 Acórdão n.º 3201005.295 S3C2T1 Fl. 1.853 4 informou no DACON e que embasaram seus Pedidos de Ressarcimento. Informa ainda que estas planilhas apresentavam os insumos “que foram utilizados para compor os créditos discriminados por utilização em AGRICULTURA ou INDÚSTRIA”. Diz ainda que, na AGRICULTURA, a contribuinte incluiu também “as despesas (serviços, fretes, peças de veículos...) com o transporte e movimentação de canade açúcar, tanto a cana adquirida de terceiros como também a cana produzida em suas diversas fazendas até a unidade fabril”. Ressalta (os destaques são do original): Ora, em relação aos gastos ocorridos na Agricultura, tais aquisições não poderiam gerar direito aos créditos pleiteados por tratarse de ciclos produtivos diferentes: um, a atividade rural de cultivo da canadeaçúcar e outro, a produção de álcool e açúcar. A contribuinte fabrica açúcar e álcool, e além disso, cultiva parte da canadeaçúcar que utiliza na própria atividade industrial. Entende a Receita Federal que a fabricação de açúcar e álcool e a produção de canadeaçúcar são dois processos diferentes e que não se confundem para fins de apuração de PIS e Cofins no regime nãocumulativo. Além disso, não representam gastos com insumos utilizados na produção de produtos destinados à venda e sim gastos/insumos utilizados na obtenção de matérias prima para o próprio consumo. Registra que este entendimento está expresso em diversas Soluções de Consulta, das quais transcreve trechos, e ainda, que o mesmo entendimento se aplica a outras atividades do segmento agroindustrial como, por exemplo, siderúrgicas com produção própria de carvão vegetal, indústria de papel com produção própria de eucaliptos, e acrescenta: E não é só. Mesmo na absurda hipótese de creditamento de bens e serviços aplicados na área agrícola, nem assim os supostos créditos seriam integrais, uma vez que a maioria das atividades agrícolas (entre as quais se inclui a produção de cana...), está sujeita a que parte dos seus custos com preparo e plantio seja imobilizada através da EXAUSTÃO e, ao contrário da depreciação e da amortização, não existe qualquer previsão legal para o creditamento de quotas de exaustão. (...) (destaques no original) Apresenta, em nota de rodapé, a seguinte observação: A empresa apresentou uma planilha denominada Serviços de TerceirosAgrícola na qual relacionava todos os serviços de manutenção, frete de cana, solda, diversos,....efetuados na área agrícola. Para fins de melhor visualização, a ação fiscal "quebrou" esta planilha em várias outras de acordo com o tipo do serviço prestado: Frete de Cana, Serviços de Terceiros manutenção e solda de equipamentos agrícolas, Serviços Diversos e Serviços de Terceirosmanutenção e solda de veículos e equipamentos de transporte. A mesma "quebra" foi efetuada na Planilha Manutenção e Reparos, que foi dividida em Equipamentos Agrícolas e Transporte. Convém acrescentar que a Fl. 1853DF CARF MF Processo nº 10410.901849/201357 Acórdão n.º 3201005.295 S3C2T1 Fl. 1.854 5 "quebra" não implicou alteração nos valores totais, que, de qualquer forma e independentemente da divisão adotada, seriam glosados, uma vez que referemse a atividades que não ensejam creditamento. Passa então a informar as glosas efetuadas, relativas a aquisições para a área agrícola: 1.1 SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS ÁREA AGRÍCOLA Do valor total de Serviços Utilizados como Insumos foram glosados os seguintes créditos referentes a agricultura: • Serviços de TerceirosEquipamentos Agrícolas: serviços de manutenção e solda em equipamentos agrícolas e de irrigação; • Serviços Diversos: outros créditos de serviços na área agrícola, de natureza indireta e administrativa, tais como Consultoria Agrícola, Consultoria em Meio Ambiente, Lavagem de Roupa Herbicidas e Manutenção de Programas de Computador. • Manutenção e Reparo de Equipamentos Agrícolas: peças aplicadas por terceiros na manutenção de implementos agrícolas e irrigação. Os valores glosados estão demonstrados abaixo e também nas Planilhas “Apuração dos Valores de Serviços utilizados como Insumos” e “Serviços de Terceiros Prestados na Agricultura Creditamentos Glosados”, Anexo 04. (...) 1. 2 BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS ÁREA AGRÍCOLA Conforme exposto anteriormente, em suas planilhas apresentadas a empresa englobou como “Agricultura” as despesas referentes à aquisição de bens utilizados em automóveis e veículos para a movimentação e transporte da cana de açúcar. Além disso, apresentou todas as aquisições em uma única planilha (“Bens Insumos”), sem separação por tipo ou natureza do bem. Com o objetivo de melhor apresentação e visualização dos créditos glosados, a ação fiscal separou os bens nas planilhas da empresa, utilizando a mesma classificação existente na Contabilidade (SPED ContábilReq. 1dffe5fa2f9348db9308 3175c5a3a827, Anexo 01), ou seja, Óleo Diesel, Material Lubrificante, Pneus e Câmaras, Material de Manutenção. A seguir, a empresa foi intimada a identificar centros de custos (item 2 do Termo de Intimação n° 03) e, com base nas informações recebidas (Respostas Apresentadas pela Empresa Anexo 03) e com base nas informações contábeis que identificavam o centro de custo para o qual o material foi requisitado, foram separados aqueles gastos específicos da agricultura ( bens utilizados em tratores, colheitadeiras, Fl. 1854DF CARF MF Processo nº 10410.901849/201357 Acórdão n.º 3201005.295 S3C2T1 Fl. 1.855 6 equipamentos de irrigação,...) daqueles mais específicos do transporte (caminhões, automóveis, motos,..). Em Agricultura foram considerados centros de custos tais como, Adutoras, Pivôs, Carregadeiras, Grades, Fazendas, Tratores, Sulcador, Aplicação de Herbicidas, Produção de Mudas,.... Em Transportes foram classificados os centros de custos Toyota Hillux, Fiat Uno, Ford Cargo, Caminhão MBB, Moto Honda, Pajero TR4, Reboques,... Os valores contábeis foram separados por Agricultura e Transporte e os percentuais obtidos aplicados sobre as aquisições constantes nas planilhas da empresa: Óleo Diesel, Lubrificantes, Pneus e Câmaras e Material de Manutenção. Os valores glosados estão relacionados abaixo e também nas Planilhas da Ação Fiscal “Apuração do Rateio entre Bens Utilizados na Área Agrícola e no Transporte de Cana” e “Apuração dos Valores de Bens Utilizados como Insumos” (Anexo 05). 1. 3 OUTRAS GLOSAS DE CRÉDITOS EFETUADAS NA ÁREA AGRÍCOLA Outros créditos também foram glosados na área Agrícola, tais como o Frete de Compras, Transporte de Cana, Transporte de Pessoal e Aluguéis de Veículos, os quais se encontram apresentados em tópicos específicos, a seguir. Discorre então sobre os fretes de compras, salientando a inexistência de previsão legal para a apuração de créditos sobre tais despesas. Depois, justifica as glosas relativas a “Frete de Compras na Aquisição de Bens” e, a seguir, as glosas relativas a “Frete de Compras na Aquisição de CanadeAçúcar de Terceiros”. Na sequência, trata dos créditos glosados no transporte de cana: A empresa possui diversas fazendas onde planta canadeaçúcar que é utilizada para consumo próprio em sua unidade fabril. Uma vez colhida esta cana é transportada de seus estabelecimentos agrícolas até a sua unidade fabril. Neste processo de movimentação da matériaprima, a empresa tanto utiliza sua frota própria de caminhões e reboques como também pode utilizar serviços de terceiros. Nos dois casos tratase da mesma situação, que é o comumente chamado “frete interno”, ou seja, o transporte de matériaprima, produto em elaboração ou produtos acabados entre estabelecimentos de uma mesma empresa. E o crédito para tal tipo de transporte é totalmente vedado pela legislação e por inúmeras Soluções de Consulta e Julgamento. Confiramse algumas: Cita soluções de consulta, bem como acórdãos de diversas DRJ, e conclui: Fl. 1855DF CARF MF Processo nº 10410.901849/201357 Acórdão n.º 3201005.295 S3C2T1 Fl. 1.856 7 Abaixo e também nas Planilhas “Apuração dos Valores de Bens Utilizados como Insumos” (Anexo 05) e “Apuração dos Valores de Serviços Utilizados como Insumos”, “Serviços com Creditamento Glosado” e “Detalhamento da Apuração das Glosas em Frete de Cana: Própria e Adquirida de Terceiros” (Anexo 04) estão demonstrados os valores glosados. Prossegue (destaques no original): Em Bens Aplicados em Equipamentos e Veículos de Transporte de Cana: Óleo Diesel, Lubrificantes, Pneus e Câmaras, Material de Manutenção, Os critérios utilizados na segregação destes créditos foram os já expostos no item 1.2 – Bens utilizados como Insumos – Área Agrícola. (...) Em Serviços Aplicados em Equipamentos e Veículos para o Transporte de Cana: Serviços de TerceirosCaminhões, Motos e Automóveis, Manutenção e Reparo de Veículos e Equipamentos de Transporte e Frete de Cana. (...) A seguir, o AuditorFiscal discorre sobre os créditos glosados na indústria. Sustenta (os destaques são do original): Como já exposto anteriormente, enseja o creditamento a utilização de insumos na atividade de “prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda” (lei 10.833/03, art. 3o, II), que, no caso da empresa, é a fabricação de açúcar e álcool. No entanto, no processo de análise dos bens e serviços que a empresa considerou em sua apuração, foram identificados diversos grupos de bens e serviços que não se enquadram no conceito de insumo da legislação do PIS/COFINS. São eles: 4.1 SERVIÇOS DE DEDETIZAÇÃO E TRANSPORTE DE RESÍDUOS Foram glosados dispêndios com Dedetização e Transporte de Resíduos, abaixo demonstrados e também nas Planilhas “Apuração dos Valores de Serviços Utilizados como Insumos” e “Serviços com Creditamento Glosado” (Anexo 04). (...) 4.2 DESINCRUSTANTES E PRODUTOS DE LIMPEZA E TRATAMENTO DE ÁGUAS A empresa utiliza diversos produtos químicos na limpeza de suas instalações, com o objetivo de remover incrustações tais como a soda cáustica (desincrustante geral) e dispersolubizante (desincrustante para sistema de geração de vapor). São também utilizados produtos químicos específicos para tratamento de águas, tais como P70 e algicidas. Seguem abaixo trechos de algumas Soluções de Consulta sobre o assunto: Fl. 1856DF CARF MF Processo nº 10410.901849/201357 Acórdão n.º 3201005.295 S3C2T1 Fl. 1.857 8 (...) Os valores glosados estão abaixo demonstrados e também nas Planilhas “Apuração dos Valores de Bens Utilizados como Insumos” e “Bens com Creditamento Glosado” (Anexo 05). (...) 4.3 – BENS E SERVIÇOS C/NATUREZA DE ATIVO FIXO É praxe nas Usinas de Açúcar, como também na maioria das indústrias sujeitas à sazonalidade, aproveitar o período de entressafra para a reforma e recuperação de máquinas e equipamentos. Estas reformas envolvem tanto a substituição de partes e peças como também serviços gerais de recuperação, ambos objetivando o aumento da vida útil destes bens, evitando novas aquisições. Neste processo de recuperação e na análise dos bens que compuseram o crédito pleiteado pela empresa, foi constatada a existência de partes e peças utilizadas no processo de recuperação, de alto valor unitário e com nítida natureza de ativo fixo, principalmente partes e peças de uso nas moendas, como foi o caso das bagaceiras, camisas de moedas, buchas, casquilhos e outros. A bagaceira, por exemplo, é uma peça enorme, de metros de comprimento, geralmente em ferro fundido, preço em torno de R$ 6.000,00 e vida útil bem superior a uma safra. De acordo com o art. 346 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR), deverão ser capitalizadas partes e peças, cuja substituição resultar aumento de vida útil superior a um ano da máquina ou equipamento ao qual serão integrados: “Art. 346. Serão admitidas, como custo ou despesa operacional, as despesas com reparos e conservação de bens e instalações destinadas a mantêlos em condições eficientes de operação (Lei nº 4.506, de 1964, art. 48). § 1º Se dos reparos, da conservação ou da substituição de partes e peças resultar aumento da vida útil prevista no ato de aquisição do respectivo bem, as despesas correspondentes, quando aquele aumento for superior a um ano, deverão ser capitalizadas, a fim de servirem de base a depreciações futuras (Lei nº 4.506, de 1964, art. 48, parágrafo único).” Sobre o assunto convém destacar parte da Solução de Consulta 204: (...) Ora, é evidente que, se tratando de partes e peças significativas em um equipamento, a sua substituição irá aumentar a vida útil deste equipamento. É o caso, por exemplo, da substituição ou retífica de um bloco de motor de automóvel ou de um rotor em uma bomba. Desta forma a ação fiscal buscou identificar bens de alto valor unitário, significativos e relevantes na máquina ou Fl. 1857DF CARF MF Processo nº 10410.901849/201357 Acórdão n.º 3201005.295 S3C2T1 Fl. 1.858 9 equipamento e que não tenham sido novamente requisitados pelo menos nos dois anos seguintes. Os valores glosados estão abaixo demonstrados e também nas Planilhas “Apuração dos Valores de Bens Utilizados como Insumos” e “Bens com Creditamento Glosado” (Anexo 05). (...) 4.4 OUTROS BENS Foram também glosadas aquisições diversas, tais como lâmpadas, fechaduras para porta, peças para arcondicionado, ferramentas, graxa e outros. Em relação ao material de construção glosado, convém ressaltar que a legislação não veda seu creditamento desde que incorporado ao bem ou instalação, onde passa a ter seu credito efetuado indiretamente através da depreciação. Sobre a graxa, que representou a glosa mais significativa, segue abaixo parte do Acórdão DRJ 02 42.382 sobre o assunto: Acórdão DRJ N° 0242.382 de 04 de fevereiro de 2013. GASTOS COM GRAXA Assim, não procede a alegação de que estaria revisto o entendimento contido na Solução de Divergência COSIT n° 12/2007, com a publicação da Solução de Divergência COSIT nº 15/2008, uma vez que, conforme acima demonstrado, ambas tratam de questões específicas diversas e, portanto, convivem perfeitamente, sem nenhuma contradição entre si. Por conseguinte, a justificativa para enquadramento da graxa como insumo, para efeito de aproveitamento de crédito por se constituir produto indispensável à realização de suas atividades cai por terra, uma vez que a citada Solução de Divergência COSIT n° 12/2007 já abordou profundamente essa questão, conforme transcrito abaixo: 18.3) Em termos técnicos, as graxas são diferentes dos óleos lubrificantes, visto que elas são tidas como uma combinação de um fluido com um espessante, resultando em um produto homogêneo com qualidades lubrificantes. Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), enquanto lubrificante ou óleo lubrificante é líquido obtido por destilação do petróleo bruto, utilizados para reduzir o atrito e o desgaste de engrenagens e peças, desde o delicado mecanismo de relógio até os pesados mancais de navios e máquinas industriais, a graxa é lubrificante fluido espessado por adição de outros agentes, formando uma consistência de 'gel' e tem a mesma função do óleo lubrificante, mas com consistência semisólida para reduzir a tendência do lubrificante a fluir ou vazar. Não fosse a disposição literal que se encontra no art. 3° Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003 (“bens utilizados como insumo ... na produção ou fabricação de bens ou produtos Fl. 1858DF CARF MF Processo nº 10410.901849/201357 Acórdão n.º 3201005.295 S3C2T1 Fl. 1.859 10 destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes...”), as graxas com certeza poderiam ser aqui incluídas. Entretanto, o referido artigo não contém o termo graxa e, por isso, não se pode desonerar a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins. Tal ocorre porque: 18.3.1) Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre a exclusão do crédito tributário (art. 111 do CTN), de forma que o termo graxa deverá estar contemplado na lei; 18.5) Os combustíveis e lubrificantes geram direito ao creditamento não porque sejam insumos diretos de produção, mas apenas por disposição legal. (...) 19.2) Graxas. Tratase, mesmo no contexto produtivo da interessada, de insumo indireto de produção. Embora seja uma mercadoria com propriedades lubrificantes, difere dos lubrificantes, também ditos óleos lubrificantes e, por isso, deveriam constar literalmente da legislação em tela. Como tal não ocorre, também aqui se constata que não geram direito a crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins; Os valores glosados estão abaixo demonstrados e também nas Planilhas “Apuração dos Valores de Bens Utilizados como Insumos” e “Bens com Creditamento Glosado” (Anexo 05). O Auditor Fiscal abre então um tópico intitulado “OUTROS VALORES GLOSADOS”, que divide em vários subitens, conforme segue: 5.1 – SERVIÇOS DE TRANSPORTE DE PESSOAL A empresa contrata serviços de transporte tanto para os funcionários de sua área agrícola como também para funcionários da indústria. Apesar de ser um gasto de inegável alcance social e ser aceito na legislação do imposto de renda (evidentemente se não se revestir de liberalidade...), tal dispêndio não é considerado insumo para a legislação do PIS/COFINS, pelo fato de não se aplicar diretamente ao processo produtivo. Pese ainda o fato da maior parte deste dispêndio estar relacionada à área agrícola. Sobre o assunto convém destacar as seguintes Soluções de Divergência: (...) Foram os seguintes os valores glosados, também demonstrados nas Planilhas e também nas Planilhas “Apuração dos Valores de Serviços Utilizados como Insumos” e “Serviços com Creditamento Glosado” (Anexo 4): Fl. 1859DF CARF MF Processo nº 10410.901849/201357 Acórdão n.º 3201005.295 S3C2T1 Fl. 1.860 11 (...) 5.2 – ALUGUEL DE VEÍCULOS A legislação permite o creditamento de Aluguéis de Prédios, Máquinas e Equipamentos, conforme Lei 10.833/03, art. 3º, IV: (...) Notese que neste caso a própria Lei usa o termo “atividades da empresa” ao contrário de outras disposições em que vincula o crédito à prestação de serviços e à produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Desta forma a ação fiscal aceitou todos os valores apresentados pela empresa em sua Planilha de Serviços/Aluguel de Máquinas e Equipamentos. Inclusive aqueles relacionados à Agricultura, uma vez que, repetimos, para este tipo de dispêndio a Lei não restringiu o creditamento à produção ou fabricação de produtos destinados à venda. No entanto, e embora tivesse sido englobado no valor dos Aluguéis de Prédios, Máquinas e Equipamentos informado no DACON, foram glosados os dispêndios com aluguel de automóveis e aeronaves, os quais, a própria empresa separou e discriminou em planilhas próprias e separadas das planilhas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos. Foram os seguintes os valores glosados, também demonstrados nas Planilhas “Apuração dos Valores de Aluguéis de Máquinas e Despesas de Armazenagem e Frete de Vendas” e Relatório Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoas Jurídicas, Anexo 06: (...) 5.3 –DEPRECIAÇÃO A legislação do PIS/COFINS vincula o direito ao creditamento de encargos de depreciação à utilização dos bens na prestação de serviços ou na produção de bens destinados à venda. Confirase o art. 3o da lei 10.833/03: (...) Desta forma encargos de depreciação de bens não utilizados na fabricação de produtos destinados à venda não ensejam aproveitamento de crédito. É o caso de tratores, colheitadeiras, caminhões, reboques e outros bens utilizados na agricultura ou transporte da cana, conforme já exposto em itens anteriores. Convém ressaltar que, mesmo na absurda hipótese de concessão de crédito para agricultura e transporte de cana, nem assim os valores apresentados pela empresa poderiam ser integralmente acatados, uma vez que a empresa incluiu bens do tipo “Nissan Livina”, “Mitsubshi L 200”, “Pajero TR 4” e outros, que nem com muita boa vontade, poderiam ser considerados integrantes de um processo produtivo de fabricação de açúcar e álcool. Fl. 1860DF CARF MF Processo nº 10410.901849/201357 Acórdão n.º 3201005.295 S3C2T1 Fl. 1.861 12 Mesmo no processo de fabricação do açúcar e do álcool também foram encontrados bens que, que embora alocados fisicamente na área industrial, não se enquadram no conceito de utilização na fabricação de bens destinados à venda, como por exemplo, bomba centrífuga na casa de hóspedes, quadro de distribuição de energia do banheiro industrial, roupeiro em aço, águas residuais, betoneira, ferramentas manuais, splits, ar condicionado, escadas, e outros. (...)O detalhamento dos itens glosados está demonstrado na Planilha “Apuração das Glosas em Depreciação” e “Apuração dos Valores de Encargos de Depreciação e Ajustes Negativos”, Anexo 06. 5.4. DUPLICIDADE NO APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS A empresa adquire partes e peças para uso normal em máquinas, equipamentos e instalações de seu processo produtivo. É o caso de fusíveis, parafusos, material elétrico, perfis, contatores, tubos, etc... Tais materiais ensejam direito a crédito e são normalmente creditados quando de sua aquisição. No entanto estas mesmas peças também podem ser requisitadas do Almoxarifado para o Ativo Imobilizado, geralmente em grandes reformas ou recuperações na conta 142010990002 Obras em Andamento. Ao se analisar os registros contábeis desta conta foram observadas inúmeras contabilizações de grupos de contas (Material Elétrico e Material de Manutenção) que tem seu crédito apropriado quando da aquisição. No Termo de Intimação n° 04 a empresa foi intimada a apresentar dados dos materiais requisitados para essa conta e constatouse que para os Grupos Material Elétrico e Material de Manutenção, a maioria dos materiais requisitados, constava nas Planilhas de BensInsumos apresentadas pela empresa, ou seja, tiveram seu crédito apropriado no momento da aquisição. O problema é que, quando termina a recuperação ou reforma, o valor registrado em Obras em Andamento é creditado e debitado à conta específica do bem no Ativo Imobilizado. E, a partir do momento em que a reforma ou instalação é ativada, a mesma peça que teve seu crédito apropriado quando de sua aquisição, passa a ser novamente creditada, através da depreciação do bem no qual foi empregada. Em resumo, uma clara (e ilegal) situação de duplicidade na apropriação de créditos. Como é muito difícil definir o destino de uma peça de uso geral, o procedimento correto seria o de apropriar a totalidade do crédito na aquisição, porém efetuando o estorno proporcional quando de uma eventual e posterior destinação ao Ativo Imobilizado. Para tal a empresa poderia ter utilizado a Linha Fl. 1861DF CARF MF Processo nº 10410.901849/201357 Acórdão n.º 3201005.295 S3C2T1 Fl. 1.862 13 do DACON de “Ajustes Negativos de Crédito”. No entanto os valores que a empresa registrou nesta linha referemse apenas a devoluções de compra. No Termo de Intimação N° 9 a empresa foi então intimada a apresentar, em arquivo magnético, os materiais requisitados para Obras em Andamento. No arquivo apresentado a ação fiscal desconsiderou da apuração aqueles materiais que não foram objeto de creditamento na entrada, tais como tintas, eletrodos, cimento e outros. Também foram desconsiderados os materiais que já tinham sido glosados por não se enquadrarem no conceito de insumos, tais como lâmpadas e tomadas. Abaixo e nas planilhas “Glosa de Bens Utilizados como Insumos Duplicidade na Apuração do Crédito Bens com Creditamento na Aquisição Requisitados para o Ativo Fixo” e “Apuração dos Créditos de Depreciação dos Bens do Ativo Imobilizado e Ajustes Negativos”, Anexo 06, estão demonstrados os valores apurados: (...) 5. 5. DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA NÃO APRESENTADA Através do item 2 do Termo de Intimação N° 07, a empresa foi intimada a apresentar documentação comprobatória (conhecimentos de transporte) de dispêndios registrados em suas planilhas de apuração como “Frete de Cana”, os quais ainda se encontravam pendentes de apresentação. No entanto ao se analisar os documentos apresentados (Anexo 03) verificouse que o documento apresentado pela empresa foi uma simples “Autorização de Fornecimento”, enquanto que o documento solicitado pela ação fiscal foi o “Conhecimento de Transporte”, que é o documento hábil e legal para se comprovar um transporte de mercadorias. Desta forma, a solicitada apresentação de documentação comprobatória para estes lançamentos de transporte foi considerada não atendida e os créditos a ela relacionados foram glosados. (...) No entanto, como a totalidade do Frete de Cana já tinha sido glosada, tal glosa acabou não tendo efeitos. 5. 6. DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETE DE VENDAS A maior parte da produção de açúcar da empresa é destinada e transferida para os armazéns da CRPAAALCooperativa Regional dos Produtores de Açúcar e Álcool de Alagoas, onde fica armazenada aguardando uma futura venda. Esta situação ficou evidenciada através da Diligência efetuada na CRPAAAL, em que esta foi intimada a apresentar os recebimentos de açúcar Fl. 1862DF CARF MF Processo nº 10410.901849/201357 Acórdão n.º 3201005.295 S3C2T1 Fl. 1.863 14 da Usina Triunfo (Anexo 1 Termos da Ação Fiscal). Na resposta apresentada (Anexo 3 Cartas e Respostas da Empresa e Diligências) , vêse claramente que a maior parte do açúcar foi destinada aos armazéns da Cooperativa. Mesmo boa parte do açúcar destinado à exportação também não foi transferida diretamente ao Porto de Maceió, mas sim a um armazém da Cooperativa em Marechal Deodoro, onde ficou armazenada até o seu transporte ao Porto. Para confirmar esta situação, o Porto de Maceió, através da EMPATEmpresa Alagoana de Terminais Ltda, também foi diligenciado no sentido de informar os recebimentos de açúcar para exportação da Usina Triunfo. Na resposta apresentada (Anexo 3 Cartas e Respostas da Empresa e Diligências), a EMPAT discriminou todos os recebimentos de açúcar, datas, quantidades e transportadora. Constatouse que a maior parte do açúcar foi transportado através da “Transportadora Padre Cícero” que nem sequer foi relacionada dentre os Fretes de Venda com direito a crédito informados na Planilha apresentada pela Usina Triunfo (Anexo 2 Planilhas Apresentadas pela Empresa Serviços). Ou seja, açúcar transportado dos armazéns da Cooperativa para o Terminal da EMPAT. Nesta situação fica claro que não existe nenhuma vinculação entre o frete e a venda. Tanto assim, que não há, no Conhecimento de Transporte, nenhuma indicação de quem seja o cliente da mercadoria. Na realidade tratase de “frete interno” ou “frete logístico”, ou ainda “frete para formação de estoque”, o qual não apresenta qualquer relação com a efetiva operação de venda. Sobre o assunto já foram emanadas diversas Soluções de Consulta, cujos trechos de maior interesse abaixo transcrevemos: (...) E mesmo para os demais fretes de vendas, ao cotejar a Planilha de Fretes de Venda apresentada pela empresa com as informações recebidas nas Diligências, constatouse ainda que: • A Usina Triunfo se creditou de fretes de transportadoras que não foram relacionadas dentre as transportadoras que entregaram o açúcar no Terminal da EMPAT, como por exemplo, A J B Transportes e Sandoval F de Moraes. • E mesmo dentre as transportadoras relacionadas, foram verificadas discrepâncias, como por exemplo o fato de a Usina Triunfo ter se creditado de fretes da “R de Oliveira Transportes” desde início de 2009 quando, de acordo com informações da EMPAT, tal empresa só começou a realizar entregas no Porto a partir de Setembro de 2009. Também foram verificados alguns fretes de transportadoras dos quais a Usina Triunfo se apropriou de créditos, não compatíveis com as informações de datas e quantidades fornecidas pela EMPAT/CRPAAA. Fl. 1863DF CARF MF Processo nº 10410.901849/201357 Acórdão n.º 3201005.295 S3C2T1 Fl. 1.864 15 Foram os seguintes os valores glosados, também demonstrados nas Planilhas “Apuração dos Valores de Aluguéis de Máquinas e Despesas de Armazenagem e Frete de Vendas” e Relatório Despesas de Armazenagem e Frete de Vendas Creditamentos Glosados, Anexo 06: (...) O AuditorFiscal apresenta então um tópico intitulado “APURAÇÃO DOS VALORES DO CRÉDITO”, no qual esclarece: Como resultado das glosas efetuadas foram apurados novos valores de crédito, demonstrados na Planilha “Resumo da Apuração dos Créditos” e “Apuração dos Valores dos Créditos Passíveis de Ressarcimento”, Anexo 07. (...) O valor correto apurado para o Pedido de Ressarcimento em questão totalizou R$ 435.628,92 (quatrocentos e trinta e cinco mil seiscentos e vinte e oito reais e noventa e dois centavos). As glosas de crédito totalizaram R$ 429.989,40 (quatrocentos e vinte e nove mil novecentos e oitenta e nove reais e quarenta centavos) correspondente ao somatório dos valores indevidamente solicitados. Por fim, apresenta uma “Relação de Anexos”. Cientificada do Despacho Decisório em 16/06/2014, conforme o Termo de Intimação de fl. 243, no dia 15/07/2014 a contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 258/264. Após breve resumo do objeto da manifestação de inconformidade, a contribuinte alega “decadência”. Neste sentido, transcreve o at. 74, caput, e § 5º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e sustenta: Conforme se infere do presente processo, o pedido eletrônico formulado pelo contribuinte foi protocolizado em 17.04.2009. A negativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, contudo, somente se deu em 16.06.2014, quando ultrapassado o qüinqüênio legal. Assim, resta claramente demonstrado que se operou a decadência do poder de não homologar o crédito, restando definitiva a compensação declarada pela contribuinte. Transcreve então o caput e o inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e passa a contestar as glosas efetuadas. Sustenta: É claro o dispositivo em comento ao prever a possibilidade de utilização pelo contribuinte de créditos calculados sobre os bens e serviços utilizados como insumos da produção de bens. Fl. 1864DF CARF MF Processo nº 10410.901849/201357 Acórdão n.º 3201005.295 S3C2T1 Fl. 1.865 16 No caso em questão, resta incontroverso que a Manifestante exerce atividade agroindustrial, consistente no cultivo da cana de açúcar e sua transformação em açúcar e álcool. Assim, os gastos com a aquisição de bens e as despesas incorridas no processo produtivo da Manifestante geram o direito à apropriação do crédito a título de COFINS não cumulativa. Analisandose o despacho decisório ora combatido, observase que a decisão combatida, ao glosar diversos créditos utilizados pela Manifestante, ignorou as especificidades da atividade agroindustrial por ela desenvolvidas, cindindo, de forma absurda, as atividades agrícolas e industriais, com o único propósito de impedir a plena fruição dos créditos que a legislação tributária assegura ao contribuinte. Com efeito, a grande controvérsia estabelecida no Despacho Decisório está em saber se a Manifestante poderia apropriarse de créditos a título de COFINS não cumulativa pelas despesas relacionadas a insumos pertinentes à etapa de cultivo da cana de açúcar que será utilizada como matéria prima no processo de industrialização. A resposta, por óbvio, só pode ser positiva. Mas não se consegue chegar à resposta sem a exata compreensão do que seja atividade agroindustrial. E foi esse o equívoco em que incorreu o despacho decisório aqui impugnado. Passa então a discorrer sobre “atividade agroindustrial”. Além de invocar, neste sentido, o art. 22A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, e o art. 6º da Instrução Normativa SRF nº 660, de 17 de julho 2006, salienta que “a própria Receita Federal, em seus atos normativos, reconhece que a atividade desenvolvida pela Manifestante se enquadra na categoria de ‘agroindustrial’, não se confundindo com a atividade agropecuária nem com a atividade industrial em sentido estrito”. Prossegue (os destaques são do original): Resta demonstrado, portanto, que a pessoa jurídica, como sucede com a Manifestante, "cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros" enquadrase no conceito de agroindústria. Essa premissa é fundamental para que se compreenda o direito creditório da Manifestante, que foi absurdamente glosado no despacho decisório aqui impugnado. A atividade agroindustrial, por imposição da definição dada pelo art. 22A, caput, da Lei n° 8.212/91, abrange a industrialização da produção própria ou de terceiros. Portanto, tratandose de produção própria, as despesas incorridas na lavoura, plantio, conservação, aplicação de herbicidas, adubação, além de outras geram direito ao crédito da COFINS não cumulativa, de que trata o art. 3o da Lei n. 10.833/03. Fl. 1865DF CARF MF Processo nº 10410.901849/201357 Acórdão n.º 3201005.295 S3C2T1 Fl. 1.866 17 Alega que o entendimento adotado pela fiscalização criaria uma situação antiisonômica, pois a aquisição de matéria prima, no caso, canadeaçúcar, de terceiros daria origem ao crédito presumido da Cofins, enquanto a produção da matériaprima pela própria industrializadora não seria beneficiada com o creditamento. Acrescenta: Assim, usinas de açúcar que predominantemente adquirissem canas de açúcar através de terceiros (fornecedores) gozariam de uma situação fiscal muito mais favorecida (em razão do crédito presumido gerado nessa aquisição) em relação às usinas que optassem por investir na produção própria da matériaprima (as quais não teriam direito ao crédito de insumos, segundo o despacho decisório ora questionado). Revelase, também por esse motivo, inaceitável a glosa efetuada no despacho decisório ora questionado. A subdivisão ilegal (porque colide frontalmente com o disposto no art. 22A, caput, da Lei n. 8.212/91) promovida pelo despacho decisório entre a fase agrícola e a fase industrial de uma agroindústria, como se pudessem ser seccionadas para fins de apropriação das despesas da Manifestante, gerou a glosa equivocada. Todas as despesas que integram a fase agrícola, envolvendo aí, mas não somente: o tratamento do solo, plantio, manejo e colheita representam insumos para o processo fabril do açúcar e do álcool. Não há como a empresa Manifestante produzir açúcar e álcool sem promover os tratos culturais, plantio e demais trabalhos sobre a lavoura da canadeaçúcar, que é sua matéria prima fundamental. Essas etapas integram o seu processo produtivo e não poderiam ser seccionadas, como equivocadamente o fizera o despacho decisório em questão, exclusivamente com o propósito de glosar os créditos fiscais que a Lei n. 10.833/03, em seu art. 3o, já assegura ao contribuinte. Depois a contribuinte passa a alegar o direito à apuração de créditos sobre todas as suas despesas incorridas na área agrícola, bem como com transporte de pessoal, transporte de matériaprima, etc, uma vez que se trata de atividades essenciais ao seu processo produtivo: O mesmo sucede em relação aos custos com frete, serviços de transporte de pessoal, serviços de dedetização, transporte de resíduos, serviços de manutenção e reparo dos equipamentos agrícolas, e todos os demais serviços utilizados como insumos na área agrícola pela empresa. De fato, seria inimaginável que a Manifestante cultivasse a matériaprima fundamental por ela produzida (canadeaçúcar) e deixasse de realizar o transporte do que foi colhido para as suas caldeiras, a fim de iniciar o processamento fabril. Fl. 1866DF CARF MF Processo nº 10410.901849/201357 Acórdão n.º 3201005.295 S3C2T1 Fl. 1.867 18 As diversas despesas com transporte (aí incluindo o transporte dos trabalhadores que precisam ser deslocados entre as diversas fazendas onde se situam os canaviais, assim como o transporte do produto colhido do campo para a indústria) são essenciais ao processo produtivo e integram a base de cálculo do crédito previsto no art. 3o da Lei n. 10.833/03. Não se pode supor que esses custos seriam supostamente "indiretos", isto é, não integrariam o processo produtivo, pois, como visto, a premissa equivocada de que se partiu no despacho decisório para glosa dos créditos informados nas declarações de compensação foi a de que os custos incorridos na fase agrícola seriam desprezíveis. Afirma ainda: Como se demonstrou, o despacho decisório partiu da premissa de que a Manifestante exerceria atividade industrial, quando, na verdade, exerce atividade agroindustrial! A atividade do contribuinte deve ser vista como um todo único e indivisível, segundo a própria definição extraída do art. 22A, caput, da Lei n. 8.212/91. Notese que uma simples interpretação literal do art. 3o, II, da Lei n° 10.833/03, que alude a insumos aplicados na “produção ou fabricação” de bens e serviços destinados à venda, fica claro que a lei contemplou com o direito de crédito tanto a “produção” quanto a “fabricação”. Por fim, a contribuinte conclui: Diante das considerações acima aduzidas, vem a Manifestante, respeitosamente, à presença de V. Exa, requerer seja reformado o despacho decisório exarado nos autos do processo n. 10410.901.843/201380, reconhecendo em favor da Manifestante a totalidade dos créditos informados no PER 27624.49566.170409.1.05.092959(sic) e nas DCOMP’s a ele correspondentes. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP por intermédio da 11ª Turma, no Acórdão nº 1464.821, sessão de 23/03/2017, julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte e não reconheceu o direito creditório. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. No cálculo da Cofins nãocumulativa somente podem ser descontados créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens Fl. 1867DF CARF MF Processo nº 10410.901849/201357 Acórdão n.º 3201005.295 S3C2T1 Fl. 1.868 19 aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens destinados à venda, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado ou, ainda, sobre os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Bens e serviços empregados no cultivo de canadeaçúcar não se classificam como insumos na fabricação de álcool ou de açúcar, por se tratarem de processos produtivos diversos. As despesas com aqueles itens não geram direito à apuração de créditos na determinação da contribuição devida sobre as receitas auferidas com vendas de açúcar e de álcool produzidos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada a contribuinte, apresentou recurso voluntário no qual repisa os mesmos argumentos para pleitear o deferimento integral dos valores que constam do pedido de ressarcimento e homologação de todas as declarações de compensações. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Considerações Iniciais No mérito, consta dos autos que o litígio versa sobre o inconformismo do contribuinte em face do despacho decisório, mantido hígido na decisão a quo, que não concedeu o ressarcimento da integralidade de saldo credor da Contribuição nãocumulativa, apurado no trimestre em referência e vinculados às receitas de vendas para o mercado externo, em razão de glosa de créditos com bens e serviços não considerados insumos e outros dispêndios. A recorrente é uma agroindustrial que se dedica às atividades de plantio, cultivo e colheita de canadeaçúcar com fins à produção de álcool e açúcar, este destinado principalmente à exportação. Dessa forma, consoante às Leis que instituíram a sistemática de apuração não cumulativa para o PIS/Pasep e para a Cofins é permitida à pessoa jurídica que se dedica à atividade industrial a tomada de créditos nas aquisições de bens e serviços considerados Fl. 1868DF CARF MF Processo nº 10410.901849/201357 Acórdão n.º 3201005.295 S3C2T1 Fl. 1.869 20 insumos na produção e prestação de serviços, e de despesas específicas, a teor do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. A autoridade julgadora de 1ª instância entendeu que a contribuinte limitouse apenas à contestação das glosas como um todo, sem apresentar nenhum questionamento quanto aos cálculos apresentados pela autoridade fiscal. De fato, na manifestação de inconformidade e agora em recurso voluntário, a contribuinte, no mérito, insurgese quanto ao procedimento fiscal que glosou os créditos apropriados com os dispêndios relacionados aos insumos da fase agrícola, e mais; para a recorrente, todas as despesas incorridas e sua atividade econômica geram crédito a serem descontados das contribuições. Não se trata de uma contestação genérica. A recorrente pretende o reconhecimento dos créditos de insumos na fase agrícola, tal como a fiscalização concedera na atividade de produção de açúcar/álcool (desde que obedecidos os requisitos legais). Outrossim, resta claro nos autos que se pretende créditos com todas as despesas incorridas no âmbito de sua atividade econômica. Assim, incumbe a este Colegiado decidir acerca da possibilidade da recorrente apropriarse dos créditos nas aquisições de bens e serviços vinculados à atividade agrícola plantio, cultivo e colheita da principal matériaprima (canadeaçúcar) dos produtos fabricados e destinados à venda. De outra banda, devese decidir no tocante à extensão dos dispêndios que a legislação de regência permite a apropriação dos créditos da não cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins. Os dispositivos dos incisos e parágrafos do art. 3º da Lei nºs 10.637/03 (PIS/Pasep) e da Lei 10.833/03 (Cofins) são suficientes para decidir o litígio. De ressaltar, contudo, que este voto devese ater apenas aos elementos que constam nos autos com fins à confrontação da descrição do dispêndio, sua correlação com o centro de custo relacionado à natureza da atividade e o motivo da glosa efetuada pela autoridade fiscal. Passemos às matérias em litígio. Conceito de insumos para créditos de PIS e Cofins Este Conselho, incluindo esta Turma, entende que o conceito de insumo é mais elástico que o adotado pela fiscalização e julgadores da DRJ nas suas Instruções Normativas n°s. 247/2002 e 404/2004, mas não alcança a amplitude de dedutibilidade utilizado pela legislação do Imposto de Renda, como requer a recorrente. Isto posto, há de se fixar os contornos jurídicos para delimitar os dispêndios (gastos) que são considerados insumos com direito ao crédito das contribuições sociais, quer no processo produtivo ou na prestação de serviço. Fl. 1869DF CARF MF Processo nº 10410.901849/201357 Acórdão n.º 3201005.295 S3C2T1 Fl. 1.870 21 Ressalto que este Relator vinha acolhendo e adotando o conceito estabelecido pelo Ministro do STJ Mauro Campbell Marques no voto condutor do REsp nº 1.246.317MG, no qual se firmara o entendimento no tripé de que (i) o bem ou serviço tenha sido adquirido para ser utilizado na prestação do serviço ou na produção, ou para viabilizálos em síntese, tenha pertinência ao processo produtivo; (ii) a produção ou prestação do serviço dependa daquela aquisição a essencialidade ao processo produtivo; e (iii) não se faz necessário o consumo do bem ou a prestação do serviço em contato direto com o produto que exprime a possibilidade de emprego indireto no processo produtivo. Recentemente os Ministros do STJ reviram seu posicionamento mantendose a decisão intermediária para concessão do crédito considerandose a essencialidade ou relevância do bem ou serviço no processo produtivo, conforme o REsp nº 1.221.170/PR, julgamento de 22/02/2018, Relatoria do Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, com a ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos [sic] realtivos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao Fl. 1870DF CARF MF Processo nº 10410.901849/201357 Acórdão n.º 3201005.295 S3C2T1 Fl. 1.871 22 PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Este novo entendimento, que na verdade não conduz à divergência em relação à decisão no REsp indigitado, insere outros fundamentos para a delimitação dos elementos que geram crédito assentado na essencialidade ou relevância a ser aferida no cotejo (desses elementos) com o processo produtivo ou a atividade desenvolvida pela empresa. A seguir os excertos do voto vista proferido pela Ministra Regina Helena Costa que acabou por pautar o entendimento exarado no voto condutor do Ministro Relator que considero relevantes para demonstrar o entendimento daquele Tribunal e adotálos neste voto: [...] Nesse cenário, penso seja possível extrair das leis disciplinadoras dessas contribuições o conceito de insumo segundo os critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte, tal como já expressei, no TRF da 3ª Região, no julgamento das Apelações Cíveis em Mandado de Segurança ns. 001235252.2010.4.03.6100/SP e 0005469 26.2009.4.03.6100/SP, respectivamente em 15.12.2011 e 31.05.2012. [...] Marco Aurélio Greco, ao dissertar sobre a questão, pondera: De fato, serão as circunstâncias de cada atividade, de cada empreendimento e, mais, até mesmo de cada produto a ser vendido que determinarão a dimensão temporal dentro da qual reconhecer os bens e serviços utilizados como respectivos insumos [...] O critério a ser aplicado, portanto, apóiase na inerência do bem ou serviço à atividade econômica desenvolvida pelo contribuinte (por decisão sua e/ou por delineamento legal) e o grau de relevância que apresenta para ela. Se o bem adquirido integra o desempenho da atividade, ainda que em fase anterior à obtenção do produto final a ser vendido, e assume a importância de algo necessário à sua existência ou útil para que possua determinada qualidade, então o bem estará sendo utilizado como insumo daquela atividade (de produção, fabricação), pois desde o momento de sua aquisição já se encontra em andamento a atividade econômica que – vista global e unitariamente – desembocará num produto final a ser vendido. (Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS , in Revista Fórum de Fl. 1871DF CARF MF Processo nº 10410.901849/201357 Acórdão n.º 3201005.295 S3C2T1 Fl. 1.872 23 Direito Tributário RFDT, Belo Horizonte, n. 34, jul./ago. 2008, p. 6) [...] Demarcadas tais premissas, temse que o critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência. Por sua vez, a relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço.Desse modo, sob essa perspectiva, o critério da relevância revelase mais abrangente do que o da pertinência. [...] Como visto, consoante os critérios da essencialidade e relevância, acolhidos pela jurisprudência desta Corte e adotados pelo CARF, há que se analisar, casuisticamente, se o que se pretende seja considerado insumo é essencial ou de relevância para o processo produtivo ou à atividade desenvolvida pela empresa. Observandose essas premissas, penso que as despesas referentes ao pagamento de despesas com água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual EPI, em princípio, inseremse no conceito de insumo para efeito de creditamento, assim compreendido num sistema de não cumulatividade cuja técnica há de ser a de "base sobre base". Todavia, a aferição da essencialidade ou da relevância daqueles elementos na cadeia produtiva impõe análise casuística, porquanto sensivelmente dependente de instrução probatória, providência essa, como sabido, incompatível com a via especial. Logo, mostrase necessário o retorno dos autos à origem, a fim de que a Corte a quo, observadas as balizas dogmáticas aqui delineadas, aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custos e despesas com:água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual EPI. [...] Fl. 1872DF CARF MF Processo nº 10410.901849/201357 Acórdão n.º 3201005.295 S3C2T1 Fl. 1.873 24 Firmado nos fundamentos assentados, quanto ao alcance do conceito de insumo, segundo o regime da nãocumulatividade do PIS Pasep e da COFINS, entendo que a acepção correta é aquela em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de: 1. essencialidade ou relevância, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte; 2. aferição casuística da essencialidade ou relevância, por meio do cotejo entre os elementos (bens e serviços) e o processo produtivo ou a atividade desenvolvida pela empresa; Assim, há de se verificar se o recorrente comprova a utilização dos insumos no contexto da atividade fabricação, produção ou prestação de serviço de forma a demonstrar que o gasto incorrido guarda relação de pertinência com o processo produtivo/prestação de serviço, mediante seu emprego, ainda que indireto, de forma que sua subtração implique ao menos redução da qualidade. Passo à análise da possibilidade de apropriação de créditos das contribuições nas despesas com bens e serviços na fase agrícola (plantio e cultivo), em que se inicia o processo industrial da agroindústria, como é o caso da contribuinte. Créditos com insumos na fase agrícola Na linha de raciocínio assentada, depreendese que o processo produtivo considera todo o ciclo de produção e compõe o objeto de uma única pessoa jurídica, sendo indevido interpretálo como etapas distintas que se completam, e o direito ao crédito é concedido àquela em que se pressupõe uma industrialização mais efetiva ou a que resulta no bem final destinado à venda. Não há fundamento para tal, sequer autorização nos textos legais. As leis que regem a não cumulatividade atribuem o direito de crédito em relação ao custo de bens e serviços aplicados na "produção ou fabricação" de bens destinados à venda, inexistindo amparo legal para secção do processo produtivo da sociedade empresária agroindustrial em cultivo de matériaprima para consumo próprio e em industrialização propriamente dita, a fim de expurgar do cálculo do crédito os custos incorridos na fase agrícola da produção. Os custos incorridos com bens e serviços aplicados no plantio, cultivo e colheita da canadeaçúcar guardam estreita relação de emprego, relevância e essencialidade com o processo produtivo do açúcar e do álcool e configuram custo de produção, razão pela qual integram a base de cálculo do crédito das contribuições nãocumulativas. Com base nesses fundamentos entendo pela possibilidade da contribuinte apropriarse dos créditos de PIS e Cofins decorrentes das despesas com bens e serviços utilizados como insumos na etapa agrícola, do plantio à colheita da canadeaçúcar, aplicados no processo industrial da pessoa jurídica, e atendidos todos os demais requisitos da Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003 pertinentes à matéria e que não incorram nas vedações previstas nos referidos textos. Fl. 1873DF CARF MF Processo nº 10410.901849/201357 Acórdão n.º 3201005.295 S3C2T1 Fl. 1.874 25 Análise das glosas na fase agrícola A fabricação de açúcar e álcool e a produção de canadeaçúcar são processos indissociáveis de forma que os custos e despesas com a cultura de canadeaçúcar e seu transporte até a unidade de fabricação do açúcar e do álcool enquadramse no conceito legal de insumo desta fabricação. A autoridade fiscal glosou créditos lançados pela contribuinte e relacionados ao cultivo da canadeaçúcar que, posteriormente, serviria à produção própria de açúcar e álcool. Segundo a autoridade fiscal, tais créditos foram apurados indevidamente por não terem sido, os bens e serviços, diretamente empregados na fabricação do açúcar e do álcool. Nenhum outro fundamento foi assentado para glosa. A posição adotada por este Colegiado para considerar custos e despesas geradoras do direito creditório como aquelas em que o bem/serviço participa do processo produtivo (fase agrícola) de forma essencial e necessária implica reconhecer os dispêndios com aquisições de bens e serviços, com a observação a seguir. Dessa forma revertemse as glosas de créditos com custos e/ou despesas nos itens a seguir relacionados, atendidos aos demais requisitos da legislação das Contribuições não cumulativas, em especial dos §§ 2º e 3º do art. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003, com a observação adicional de que, em se tratando de bens/serviços cujos dispêndios são incorporados ao Ativo Imobilizado, os créditos concedidos limitamse ao valor da depreciação (e não de despesas), conforme as regras contábeis, e art. 3º, inciso VII do caput, e inciso III o §1º, das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002: Tópico "1.1 SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS ÁREA AGRÍCOLA" Serviços de TerceirosEquipamentos Agrícolas: serviços de manutenção e solda em equipamentos agrícolas e de irrigação. Serviços de Lavagem de RoupaHerbicidas. Manutenção e Reparo de Equipamentos Agrícolas: peças aplicadas por terceiros na manutenção de implementos agrícolas e irrigação. Tópico "1. 2 BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS ÁREA AGRÍCOLA" Aquisição de bens (Óleo Diesel, Material Lubrificante, Pneus e Câmaras, Material de Manutenção) utilizados em veículos empregados especificamente na movimentação e transporte da canadeaçúcar e nos centros de custos relacionados à fase agrícola, tais como Adutoras, Pivôs, Carregadeiras, Grades, Fazendas, Tratores, Sulcador, Aplicação de Herbicidas, Produção de Mudas Fl. 1874DF CARF MF Processo nº 10410.901849/201357 Acórdão n.º 3201005.295 S3C2T1 Fl. 1.875 26 Fretes na fase agrícola Na atividade industrial, conquanto não haja expressa previsão legal à tomada de crédito nas despesas com frete na aquisição de insumos, a interpretação que se dá ao art. 3º, I e § 1º, I das Leis 10.637/02 e 10.833/03 cumulada com o art. 290 do RIR/1999 possibilita o entendimento de que é legítima a apropriação dos créditos do PIS e das Cofins, calculados sobre o valor do frete relativo ao serviço de bens a serem utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Os textos legais: Lei 10.833/2003: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, (...); (...) § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2ª desta Lei sobre o valor: I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; (...) Art. 290. O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13, §1º): I o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto no artigo anterior; (...) De acordo com os referidos preceitos legais, inferese que a parcela do valor do frete, relativo ao transporte de bens a serem utilizados como insumos de produção ou fabricação de bens destinados à venda, integra o custo de aquisição dos referidos bens e somente nesta condição compõe a base cálculo dos créditos das mencionadas contribuições. Assim, sendo o bem transportado um insumo com direito a credito, também o será o gasto com transporte, se suportado pelo adquirente e pago à pessoa jurídica. Portanto, revertemse as glosas do Tópico "1. 3 OUTRAS GLOSAS DE CRÉDITOS EFETUADAS NA ÁREA AGRÍCOLA" relacionadas: Fretes de compra (apenas para os valores comprovados através da apresentação de Conhecimento de Carga) Fl. 1875DF CARF MF Processo nº 10410.901849/201357 Acórdão n.º 3201005.295 S3C2T1 Fl. 1.876 27 Transporte de cana (bens aplicados em veículos próprios, utilizados no transporte de cana) Análise das glosas na fase industrial (produção de açúcar e álcool) As glosas de gastos com bens e serviços descritos a partir do item "4.1" a "4.4" do Relatório Fiscal tiveram fundamento na ausência de enquadramento no conceito de insumo. Como relatado linhas acima, a contribuinte não questiona o conceito de insumo empregado pelo Fisco e tampouco asseverou seu próprio entendimento, apenas pretende crédito de todos os gastos incorridos em sua atividade empresarial. Nada obstante, a descrição de alguns dos dispêndios permite concluir pela sua essencialidade ou relevância face à atividade industrial desenvolvida. Dessa forma revertemse as glosas relativas a: Transporte de resíduo industriais Serviço de dedetização, desde que nas instalações da atividade produtiva; Produtos químicos, desde que utilizados na limpeza de instalações industriais; Produtos químicos específicos para tratamento de águas. Outros bens e serviços pretensamente utilizados nas atividades industriais carecem de comprovação, ônus do qual não se desincumbiu a recorrente. Glosas de Despesas Os dispêndios com serviços de transporte de pessoal carecem de previsão legal para o aproveitamento do crédito. Quanto aos automóveis e aeronaves alugados não se tem comprovação de uso como equipamento nas atividades da empresa, mantendose a glosa com base no art. 3º da Lei nº 10.833/03. Encargos de depreciação Os mesmos fundamentos para a reversão das glosas de gastos com bens utilizados na etapa agrícola são válidos para a manutenção do crédito com encargos de Fl. 1876DF CARF MF Processo nº 10410.901849/201357 Acórdão n.º 3201005.295 S3C2T1 Fl. 1.877 28 depreciação de tratores, colheitadeiras, caminhões, reboques e outros bens utilizados na agricultura ou transporte da cana. Mantémse as glosas de créditos dos demais encargos de depreciação de veículos e bens não utilizados nas etapas produtivas e de fabricação. Produtos acabados Armazenagem e frete na venda A fiscalização glosou os créditos com despesas de armazenagem e frete pois entendeu restar descaracterizada a operação de venda a cliente. Segundo a autoridade fiscal, a inexistência de informação do clienteadquirente nos documentos fiscais bem como a entrega do açúcar fabricado em locais que não identificam a venda/exportação, no caso o porto de embarque, revelam uma mera operação de “frete interno” ou “frete logístico”, ou ainda “frete para formação de estoque”, o qual não apresenta qualquer relação com a efetiva operação de venda. Discordo do entendimento fiscal. A legislação referente ao PIS/PASEP (Lei nº 10.637/2004) e a COFINS (Lei nº 10.833/2003) tratam da possibilidade de creditamento do frete como insumo no processo produtivo e na operação de venda (suas etapas) quando o ônus for suportado pelo vendedor, como dispõe: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; [...] IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. A operação de venda não se revela simplesmente pela saída do produto acabado do estabelecimento industrial diretamente ao adquirente ou embarque para exportação. No caso, a operação de venda comporta uma logística de transporte e armazenagem do açúcar fabricado, caracterizandose necessários à atividade final de venda. Dessa forma, não se pode admitir que as transferências do produto fabricado restringemse a uma mera opção de logística ou comercial, mas essencial e necessários à preservação dos produtos até que se complete a atividade final de venda. Fl. 1877DF CARF MF Processo nº 10410.901849/201357 Acórdão n.º 3201005.295 S3C2T1 Fl. 1.878 29 Neste sentido é o entendimento deste Colegiado no Acórdão nº 3201 004.279, sessão de 23/10/2018, cujo voto vencedor na matéria é de lavra do Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, que transcrevo na parte que interessa a este julgamento: [...] No caso dos gastos logísticos na venda, entendo que estão abrangidos pela expressão “armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda”, conforme consta no inciso IX do artigo 3º das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002. Entendo que são termos cuja semântica abrange a movimentação das cargas na operação de venda.. Assim, tais dispêndios logísticos estão inseridos no direito de crédito, respeitados os demais requisitos da Lei, como, por exemplo, que o serviço seja feito por pessoas jurídicas tributadas pelo Pis e Cofins. Outrossim, as discrepâncias entre quantidades e datas nos conhecimentos de transporte ou documentos do armazenador não desnaturam a operação como de armazenagem e frete de venda, com direito ao aproveitamento do crédito a teor do inciso IX, do art. 3º da Lei nº 10.833/03. Com essas considerações, concedese o creditamento dos fretes de produtos acabados, em que o ônus é suportado pelo vendedor e pago à pessoa jurídica beneficiária domiciliada no País à vista de documento fiscal hábil e idôneo. Por fim, a ausência de refutação específica as todas os demais dispêndios (insumos ou despesas) glosados e mormente o afastamento da acusação fiscal de duplicidade no aproveitamento de créditos (item "5.4") mantémse as glosas efetivadas pela autoridade fiscal. Conclusão Diante de todo o exposto, voto para DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para conceder o crédito das contribuições para o PIS/Cofins, revertendose as glosas efetuadas, atendidas os demais requisitos dos §§ 2º e 3º dos arts. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003 e legislação pertinente à matéria, exclusivamente quanto a: 1. Serviços utilizados como insumos na fase agrícola (itens "1.1" e "1.3") 1.1 Serviços de TerceirosEquipamentos Agrícolas: serviços de manutenção e solda em equipamentos agrícolas e de irrigação, e serviços de lavagem “roupasherbicidas”; 1.2 Manutenção e Reparo de Equipamentos Agrícolas: peças aplicadas por terceiros na manutenção de implementos agrícolas e irrigação; 1.3 Fretes de compras (apenas para os valores comprovados através da apresentação de Conhecimento de Carga); 1.4 Transporte de cana (bens aplicados em veículos próprios, utilizados no transporte de cana) Fl. 1878DF CARF MF Processo nº 10410.901849/201357 Acórdão n.º 3201005.295 S3C2T1 Fl. 1.879 30 2. Bens utilizados como insumos na fase agrícola (item "1.2") 2.1 Óleo Diesel, Material Lubrificante, Pneus e Câmaras, Material de Manutenção, utilizados em veículos empregados especificamente na movimentação e transporte da canadeaçúcar e nos centros de custos relacionados à fase agrícola, tais como: Adutoras, Pivôs, Carregadeiras, Grades, Fazendas, Tratores, Sulcador, Aplicação de Herbicidas, Produção de Mudas. 3. Bens e serviços utilizados na fase industrial de fabricação de açúcar e álcool (itens "4.1" e "4.2") 3.1 Transporte de resíduos industriais; 3.2 Serviços de dedetização, desde que nas instalações da atividade produtiva; 3.3 Produtos químicos, desde que utilizados na limpeza de instalações industriais; e 3.4 Produtos químicos específicos para tratamento de águas. 4. Encargos de depreciação de bens utilizados na fase agrícola: tratores, colheitadeiras, caminhões, reboques e outros bens utilizados na agricultura ou transporte da cana; e 5. Despesas com armazenagem e fretes nas operações de vendas (à vista de documento fiscal hábil e idôneo). (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 1879DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.901621/2013-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/2008 a 31/08/2008
PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA.
A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Caracteriza-se a concomitância quando o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais guardam irrefutável identidade.
Numero da decisão: 3302-006.842
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201904
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/08/2008 a 31/08/2008 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Caracteriza-se a concomitância quando o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais guardam irrefutável identidade.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri May 17 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 16682.901621/2013-43
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6008096
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat May 18 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3302-006.842
nome_arquivo_s : Decisao_16682901621201343.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 16682901621201343_6008096.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
id : 7744924
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:44:43 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051907664117760
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1652; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16682.901621/201343 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302006.842 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de abril de 2019 Matéria Processo Administrativo Fiscal Recorrente TIM S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2008 a 31/08/2008 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Caracterizase a concomitância quando o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais guardam irrefutável identidade. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. Relatório Trata o presente processo do Pedido de Restituição (PER), transmitido pelo contribuinte acima identificado, no qual solicita a restituição de PIS. Consta no processo Despacho Decisório Eletrônico proferido pela unidade de origem, o qual concluiu pela improcedência do crédito original informado no PER, sob o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 16 21 /2 01 3- 43 Fl. 336DF CARF MF Processo nº 16682.901621/201343 Acórdão n.º 3302006.842 S3C3T2 Fl. 3 2 fundamento de que o pagamento relacionado havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Cientificado desta decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, julgada improcedente pela DRJ, nos termos do Acórdão nº 12088.988. Inconformado com a decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta que: a) A ausência de retificação de DCTF ou de qualquer outra obrigação acessória jamais poderia ser impeditivo do reconhecimento do seu direito ao crédito, na medida em que o Fisco possui outros meios de apurar a existência de eventual indébito tributário. Assim, não restam dúvidas de que a falta de retificação da DCTF não deve implicar na perda do direito ao crédito; b) Não há concomitância entre o presente processo e o Mandado de Segurança n° 002418579.2013.4.02.5101. A lide proposta foi no sentido de que fosse reconhecido o direito líquido e certo da recorrente não se sujeitar à incidência do PIS/Cofins sobre as receitas de interconexão, bem como para reconhecer o crédito referente a eventuais valores pagos indevidamente, relativamente a contribuições apuradas e recolhidas após a impetração do writ. O objeto da ação judicial se destina apenas às contribuições de PIS e Cofins apuradas e recolhidas após a distribuição do referido MS; c) No caso concreto, há uma divisão muito clara. Os pagamentos indevidos de PIS/COFINS sobre receitas de interconexão de redes, apuradas antes de 23.9.2013, foram objeto de pedido administrativo de restituição. Apenas os pagamentos realizados com base em apurações de PIS/COFINS feitas partir de 23.9.2013, foram objeto do pedido judicial formulado no Mandado de Segurança n° 002418579.2013.4.02.5101. Bem verdade que há certa semelhança entre as causas de pedir dos processos administrativos e judicial. Ambos estão fundados na “não incidência do PIS/COFINS sobre receitas de interconexão”. Todavia, os pedidos efetuados para se afastar o PIS e a COFINS sobre as receitas de interconexão, bem como para se reconhecer o crédito sobre pagamentos indevidos realizados envolvem a mesma discussão para períodos de apuração distintos. Frisese: os pedidos administrativos se voltam às contribuições apuradas e pagas antes da impetração do mandado de segurança. Já aquelas apuradas e pagas após o ajuizamento da ação judicial são objeto do mandado de segurança. Diante desse cenário, verificase que não há concomitância entre o mandado de segurança em curso perante o Poder Judiciário e o presente processo administrativo, tendo em vista que os períodos de apuração relativos ao crédito referente ao indébito tributário são distintos; d) Os valores recebidos pela Recorrente e repassados a outras operadoras a título de interconexão de redes não configuram receita tributável pelo PIS e COFINS, pois não se trata de “receita” auferida pela Recorrente, quer do ponto de vista jurídico, quer mesmo do ponto de vista contábil. No caso dos valores recebidos pela Recorrente e repassados a terceiros a título de interconexão de redes, o que se verifica é um mero e transitório ingresso de recursos que devem ser repassados ao terceiro que cedeu seus meios de rede à Recorrente. Não há, portanto, qualquer efetivo acréscimo patrimonial da Recorrente, porque já há um imediato e compulsório destino para aquele valor recebido, que é repassado para as outras operadoras de telecomunicação; e) A tributação nos moldes pretendidos pelo Fisco implica a tributação pelo PIS/COFINS da receita total auferida pela Recorrente pela prestação do serviço de Fl. 337DF CARF MF Processo nº 16682.901621/201343 Acórdão n.º 3302006.842 S3C3T2 Fl. 4 3 telecomunicação, incluindo a parcela que será repassada a terceiros pela interconexão de redes. E, além dessa tributação, nos termos da pretensão fiscal, haveria uma nova incidência do PIS/COFINS pelo terceiro que realiza a interconexão, no momento em que ele apropriar a receita que lhe é repassada, caracterizando o bis in idem tributário; f) A base de cálculo do PIS/COFINS não deve ser integrada por elementos estranhos à receita auferida, notadamente pelos valores que devem ser repassados a terceiros a título de interconexão de redes. Na prática, isso faz com que todo o valor pago pela Recorrente a título de PIS/COFINS sobre esses valores de interconexão de redes seja qualificado como indébito tributário, que lhe deve ser restituído. Termina o recurso requerendo o provimento para que seja reformado o acórdão recorrido, a fim de que seja deferido o pedido de restituição formulado. É o breve relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Acórdão nº 3302006.815, de 25 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 16682.900008/201490, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3302006.815): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise. O cerne da questão está em decidir se há concomitância entre esse processo administrativo e o Mandado de Segurança n° 002418579.2013.4.02.5101. Para tanto, é necessário analisar os objetos dos respectivos processos. Conforme já mencionado na decisão a quo, o indébito pleiteado no Pedido de Restituição decorre, nas palavras do contribuinte, “da indevida inclusão na base de cálculo do PIS de valores referentes a ingressos de numerário em razão de contratos de interconexão, os quais não constituem "receita" da Manifestante”. Portanto, defende em processo administrativo a não incidência do PIS/COFINS sobre tarifas de interconexão. Vejamos o objeto do MS nº 002418579.2013.4.02.5101: Pela petição inicial, temos os seguintes pedidos: a) concessão de medida liminar para assegurar o direito liquido e certo da impetrante à suspensão da exigibilidade dos créditos tributários, nos termos do art. 151, IV, do CTN, das Fl. 338DF CARF MF Processo nº 16682.901621/201343 Acórdão n.º 3302006.842 S3C3T2 Fl. 5 4 contribuições ao PIS e a Cofins, sobre os meros ingressos apurados mensalmente pelo regime de competência pela impetrante decorrentes tão somente das tarifas de interconexão recebidas dos usuários pela coprestação dos serviços de telecomunicações prestados pelas demais operadoras e a elas integralmente repassadas (serviços de transmissão, emissão ou recepção de símbolos, caracteres, sinais, escritos, imagens, sons ou informações de qualquer natureza); b) determinação à Autoridade Coatora sobre o contudo da decisão liminar, bem como acerca do conteúdo do presente mandamus, para que no prazo legal, preste as informações que entender necessárias, com a posterior oitiva do representante do Ministério Público; c) Ciência à União Federal, nos termos do art. 7º, II, da Lei nº 12.016/2009; d) ao final, a concessão da segurança para confirmar a liminar requerida e assegurar o direito liquido e certo de a impetrante não se sujeitar à incidência das contribuições ao PIS e à Cofins, sobre meros ingressos apurados mensalmente pelo regime da competência pela impetrante decorrentes tão somente das tarifas de interconexão recebidas dos usuários pela coprestação dos serviços de telecomunicações prestados pelas demais operadoras e a elas integralmente repassadas (serviços de transmissão, emissão ou recepção de símbolos, caracteres, sinais, escritos, imagens, sons ou informações de qualquer natureza), sob pena de violação ao art. 2º da Lei nº 9,718/99 e aos arts. 5º, II; 145 § 1º; 150, I e IV e 195, I, "b" da Constituição Republicana de 1988, com a consequente compensação do indébito dessas contribuições, apurados desde a distribuição do presente writ, devidamente atualizado pela Taxa Selic, após o trânsito em julgado, nos termos dos artigos 165, 170 e 170A do CTN. A sentença de primeiro grau do Mandado de Segurança nº 002418579.2013.4.02.5101, assim decidiu: Tratase de mandado de segurança com pedido de liminar impetrado por INTELIG COMUNICAÇÕES LTDA contra ato atribuído ao DELEGADO DA DELEGACIA ESPECIAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE MAIORES CONTRIBUINTES NO RIO DE JANEIRO DEMAC, objetivando a declaração de não incidência das contribuições ao PIS e à COFINS, sobre os ingressos apurados mensalmente pelo regime de competência pela Impetrante, decorrentes de tarifas de interconexão serviços prestados pelas demais operadoras, que são posteriormente repassados àquelas congêneres, bem como a declaração do direito de compensar o indébito referente a estas contribuições, apurado desde a distribuição do writ. Sustenta, em apertada síntese, que as chamadas "tarifas de interconexão" não constituem receita, e sim meros ingressos econômicos ou financeiros, tendo cm vista que são recebidas, cm um primeiro momento, pela Impetrante, porem repassadas cm seguida às operadoras que efetivamente prestaram os serviços ao cliente usuário da Impetrante. (...) Fl. 339DF CARF MF Processo nº 16682.901621/201343 Acórdão n.º 3302006.842 S3C3T2 Fl. 6 5 Pelo exposto, com fulcro no art. 269. I, do CPC. JULGO PROCEDENTE O PEDIDO e CONCEDO A SEGURANÇA, para determinar ao Impetrado que se abstenha de exigir da Impetrante que recolha o PIS e a Cofins, incluindo na base de cálculo o valor recebido pela Impetrante e posteriormente repassado a operadora congênere, que prestou efetivamente o serviço, a título de "tarifa de interconexão", bem como para declarar o direito da Impetrante à compensação do indébito, apurado desde a distribuição do presente, na forma da lei de regência, de acordo com a modalidade escolhida pelas Impetrantes, aplicandose a SELIC como critério de atualização do indébito, vedada a cumulação com qualquer outro índice, nos termos da fundamentação supra. Analisando as razões jurídicas apresentadas na peça recursal, fico convencido da identidade das demandas administrativa e judicial, pois nas duas esferas o que se discute é a inexistência de relação jurídica tributária do PIS e da Cofins em relação as receitas de interconexão. O próprio recorrente reconhece essa congruência entre os processos administrativo e judicial. Sua alegação para afastar a concomitância se ampara no fato de que os pagamentos indevidos de PIS/COFINS sobre receitas de interconexão de redes, apuradas antes de 23.9.2013, foram objeto de pedido administrativo de restituição, e que apenas os pagamentos realizados com base em apurações de PIS/COFINS feitas partir de 23.9.2013, foram objeto do pedido judicial formulado no Mandado de Segurança n° 0024185 79.2013.4.02.5101. Não comungo do entendimento no qual a concomitância é afastada pela falta de identidade entre os períodos de apuração apontados nos processos judicial e administrativo. O diferencial entre os períodos de apuração, aqueles contemplados pelo mandamus e os não contemplados, na minha visão, referese somente à possibilidade de o recorrente utilizálos para pedido de compensação antes do trânsito em julgado, por ordem judicial, conforme sua solicitação na exordial. Os demais períodos de apuração, os que foram apurados antes da distribuições do writ, deverão esperar o trânsito em julgado da ação para poderem se credenciar a objeto de um pedido de restituição, com possíveis compensações. Digo isso, pois a decisão do Poder Judiciário sobre a incidência do PIS e da Cofins nas receitas oriundas das tarifas de interconexão, terá reflexos para todos os períodos de apuração, independentemente se foi contemplado no pedido do MS nº 002418579.2013.4.02.5101 ou não Isso se deve ao fato de que na existência de processos paralelos, com objeto e finalidade idênticos, não é salutar que haja decisões com efeitos redundantes ou antagônicos. Em qualquer das hipóteses, prevalecerá a decisão judicial, motivo pelo qual a concomitância de processos ofende o princípio da economia processual. Em face disso, a opção do contribuinte pela via judicial encerra o processo administrativo fiscal em definitivo, em qualquer das fases em que ele se encontre. Fl. 340DF CARF MF Processo nº 16682.901621/201343 Acórdão n.º 3302006.842 S3C3T2 Fl. 7 6 Registrese que a coisa julgada a ser proferida no âmbito do Poder Judiciário jamais poderia ser alterada no processo administrativo, pois tal procedimento feriria a Constituição Federal, que adota o modelo de jurisdição una, onde são soberanas as decisões judiciais. Sendo assim, nos casos em que o sujeito passivo opta pela via judicial para a discussão de matéria tributária implica na renúncia ao poder de recorrer nesta instância, nos termos do parágrafo único do art. 38 da Lei nº 6.830/80 e do § 2º, art. 1º do Decretolei nº 1.737, de 1979. Ratificando este entendimento, foi aprovado o enunciado de Súmula CARF nº 01, in verbis: Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Na linha do entendimento fixado, não conheço do recurso quanto à matéria submetida ao crivo do Poder Judiciário e na parte conhecida, nego provimento ao recurso por enxergar identidade entre os pedidos e as causas de pedir apresentados no MS nº 2007.70.00.0222765 e neste recurso administrativo." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 341DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.969889/2009-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005
RETIFICAÇÃO DO PER/DCOMP APÓS O DESPACHO DECISÓRIO.
ERRO DE FATO.
Erro de fato no preenchimento de Dcomp não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado, ao auferir receita não prevista em lei.
Reconhece-se a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem deferir o pedido de repetição do indébito ou homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez e certeza pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014.
Numero da decisão: 1401-003.376
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restituir os autos à Unidade de Origem para que faça a análise da liquidez e certeza do crédito pretendido, verificando sua existência, suficiência e disponibilidade, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 15374.963787/2009-98, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Carlos André Soares Nogueira, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201904
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2005 RETIFICAÇÃO DO PER/DCOMP APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ERRO DE FATO. Erro de fato no preenchimento de Dcomp não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado, ao auferir receita não prevista em lei. Reconhece-se a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem deferir o pedido de repetição do indébito ou homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez e certeza pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 15374.969889/2009-17
anomes_publicacao_s : 201906
conteudo_id_s : 6016782
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1401-003.376
nome_arquivo_s : Decisao_15374969889200917.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
nome_arquivo_pdf_s : 15374969889200917_6016782.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restituir os autos à Unidade de Origem para que faça a análise da liquidez e certeza do crédito pretendido, verificando sua existência, suficiência e disponibilidade, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 15374.963787/2009-98, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Carlos André Soares Nogueira, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Eduardo Morgado Rodrigues.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
id : 7770600
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:46:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051907679846400
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2122; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.969889/200917 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401003.376 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de abril de 2019 Matéria DCOMP. SALDO NEGATIVO DE IRPJ Recorrente EPANOR S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005 RETIFICAÇÃO DO PER/DCOMP APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ERRO DE FATO. Erro de fato no preenchimento de Dcomp não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado, ao auferir receita não prevista em lei. Reconhecese a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem deferir o pedido de repetição do indébito ou homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez e certeza pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restituir os autos à Unidade de Origem para que faça a análise da liquidez e certeza do crédito pretendido, verificando sua existência, suficiência e disponibilidade, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 15374.963787/200998, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 96 98 89 /2 00 9- 17 Fl. 220DF CARF MF Processo nº 15374.969889/200917 Acórdão n.º 1401003.376 S1C4T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Carlos André Soares Nogueira, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Trata o presente processo de Recurso Voluntário ao Acórdão 1151.859 proferido pela Quarta Turma da DRJ/REC em que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte, ocasião em que não reconheceu o alegado direito creditório. A seguir, transcrevo os termos e fundamentos da decisão recorrida: A interessada acima qualificada apresentou Declaração de Compensação – PER/DCOMP por meio da qual compensou crédito do IRPJ, do período de apuração de 31/01/2005, com os débitos relacionados. O crédito informado, no valor original na data da transmissão de R$ 25.128,70(...). Por meio do Despacho Decisório Eletrônico a Autoridade Competente resolveu NÃO HOMOLOGAR a compensação se fundamentando no fato de o DARF informado já ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando o seguinte: Alega que este crédito foi requerido em outra Per/Dcomp, porém esta foi cancelada por erros na informação do tipo de crédito. Expressamente requer: Voto A manifestação de inconformidade é tempestiva e preenche os demais requisitos de admissibilidade, dela se conhecendo. Analisando os elementos constantes dos autos, verificamos a ocorrência dos seguintes fatos: em 28/05/2007, a contribuinte transmitiu a PER/DCOMP em lide; Fl. 221DF CARF MF Processo nº 15374.969889/200917 Acórdão n.º 1401003.376 S1C4T1 Fl. 4 3 em 07/10/2009 foi emitido o Despacho Decisório, o qual decidiu pela não homologação do PER/DCOMP em lide, tendo em vista que o crédito analisado, pelas características do DARF discriminado no PER/DCOMP, tinha sido integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte; Consta como DCTF ativa no sistema para o período de apuração de 31/01/2005 a declaração abaixo: Nesta Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF ativa consta confessado o débito do IRPJ cód. 2362 para o período de apuração de 31/01/2005 o valor de R$ 104.288,02 e vinculação do crédito no mesmo valor referente ao recolhimento efetuado. Desta forma, o crédito pleiteado pela contribuinte encontrase alocado a um débito confessado pela própria impugnante. Dos fatos narrados acima, verificamos que a Delegacia da Receita Federal jurisdicionante do contribuinte, ao examinar a existência, ou não, do pretendido direito creditório, não poderia nortear sua análise senão a partir dos elementos contidos na Declaração de Compensação e na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF ativa à época, entregue pela contribuinte e constante dos sistemas de controle da RFB. Não merece reparo, portanto, a decisão prolatada por aquela autoridade, não homologando a compensação declarada. Por outro lado, também não apresentou os Livros Fiscais e Contábeis com os respectivos demonstrativos que viessem a demonstrar o erro dos valores informados em DCTF e que justificassem a redução do IRPJ confessado. Diante da ausência da apresentação dos livros fiscais e contábeis que justificassem a redução do valor do IRPJ e da não retificação da DCTF anteriormente à decisão da Autoridade Administrativa por meio do Despacho Decisório, este não merece reparo ao não conceder o direito creditório tendo em vista o crédito analisado encontrarse integralmente utilizado para quitação do crédito informado em DCTF. O Código Tributário Nacional – CTN determina, em seu artigo 170, o seguinte: Fl. 222DF CARF MF Processo nº 15374.969889/200917 Acórdão n.º 1401003.376 S1C4T1 Fl. 5 4 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento. Em não havendo liquidez e certeza quanto ao suposto crédito contra a Fazenda Nacional, não deve ser homologada a DCOMP a ele vinculada. CONCLUSÃO Diante da análise procedida, VOTO pela IMPROCEDÊNCIA da Manifestação de Inconformidade, para manter o Despacho Decisório em lide que NÃO HOMOLOGOU a PER/DCOMP constante dos autos. Cientificada da decisão do referido acórdão, o Contribuinte interpõe Recurso Voluntário onde, após um breve relato do indeferimento do seu pleito, alegou que no ano de 2005 não apurou imposto a pagar, entretanto, recolheu, por equívoco, estimativa de imposto mensal no valor de R$ 104.288,02, ref. período de janeiro/2005. Que para aproveitar este crédito, utilizou diversas compensações, que indica em seu recurso; que não foi realizada nenhuma intimação e/ou diligência para apurar a existência de crédito e inexistência de estimativa no ano de 2005; não obstante, inexiste o referido débito, conforme DIPJ, LALUR e balancete registrado em Diário. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401003.371, de 17/04/2019, proferido no julgamento do Processo nº 15374.963787/2009 98, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº1401003.371): Preenchidos os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário apresentado, dele conheço. Conforme relatoriado, a Recorrente informou como crédito, no Perd/Dcomp a que alude o Despacho Decisório, um valor pago de IRPJ/estimativa de R$ 104.288,02 (janeiro/2005), que reputa como pagamento indevido, cujo pedido inicialmente foi indeferido pelo Despacho Decisório. Fl. 223DF CARF MF Processo nº 15374.969889/200917 Acórdão n.º 1401003.376 S1C4T1 Fl. 6 5 Observese que na manifestação de inconformidade junto ao Acórdão da DRJ, a Recorrente não esclareceu que tipo de crédito se tratava, o fazendo somente agora em seu recurso voluntário. No sentido de demonstrar a liquidez e certeza de seu crédito, traz a sua DIPJ de 2005 onde encontrase ali declarado que não há lucro real positivo, além de balancetes, razão analítico e LALUR. Destaquese que tais documentos, trazidos somente agora, deveriam ter sido apresentados para a apreciação da DRJ, aliás, no voto condutor da decisão de piso consta que: Por outro lado, também não apresentou os Livros Fiscais e Contábeis com os respectivos demonstrativos que viessem a demonstrar o erro dos valores informados em DCTF e que justificassem a redução do IRPJ confessado. Entendo que o crédito informado na DCOMP, constatado sendo proveniente de um pagamento indevido, pode ser tratado como saldo negativo de IRPJ de 2005, pois utilizado em DCOMP para compensação com débitos de 2006, como aliás, sugere a Recorrente quando afirmou que "caso não se entenda pela existência de pagamento indevido, tendo em vista que, em 31/12/2005, não foi apurado lucro real a ser tributado pelo IRPJ, deve ser reconhecido este valor de R$ 104.288,02 como saldo negativo a ser compensado." Em assim sendo, estaríamos diante de um claro erro no preenchimento da DCOMP, equívoco este que pode ser superado com base no Parecer Normativo COSIT nº 8, de 2014, que a seguir se reproduz excertos: Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. REVISÃO E RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO – DE LANÇAMENTO E DE DÉBITO CONFESSADO, RESPECTIVAMENTE – EM SENTIDO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. CABIMENTO. ESPECIFICIDADES. A revisão de ofício de lançamento regularmente notificado, para reduzir o crédito tributário, pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, no caso de ocorrer uma das hipóteses previstas nos incisos I, VIII e IX do art. 149 do Código Tributário Nacional – CTN, quais sejam: quando a lei assim o determine, aqui incluídos o vício de legalidade e as ofensas em matéria de ordem pública; erro de fato; fraude ou falta funcional; e vício formal especial, desde que a matéria não esteja submetida aos órgãos de julgamento administrativo ou já tenha sido objeto de apreciação destes. A retificação de ofício de débito confessado em declaração, para reduzir o saldo a pagar a ser encaminhado à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional – PGFN para inscrição na Dívida Ativa, pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. REVISÃO DE DESPACHO DECISÓRIO QUE NÃO HOMOLOGOU COMPENSAÇÃO, EM SENTIDO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. A revisão de ofício de despacho decisório que não homologou compensação pode ser Fl. 224DF CARF MF Processo nº 15374.969889/200917 Acórdão n.º 1401003.376 S1C4T1 Fl. 7 6 efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese de ocorrer erro de fato no preenchimento de declaração (na própria Declaração de Compensação – Dcomp ou em declarações que deram origem ao débito, como a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF e mesmo a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, quando o crédito utilizado na compensação se originar de saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ ou de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL), desde que este não esteja submetido aos órgãos de julgamento administrativo ou já tenha sido objeto de apreciação destes. No sentido de não se suprimir instâncias de julgamento, entendo que deva ser oportunizado ao Contribuinte, após as intimações necessárias, sejam os documentos analisados a fim de se verificar a existência ou não do crédito alegado. Tudo se insere, inclusive, dentro do princípio pela busca da verdade material, uma vez que já se tem nos autos alguns documentos, ainda que só apresentados em sede recursal. Desta forma, comprovado o erro de fato no preenchimento da DCOMP, entendo cabível, seguindo orientação do PN 08/2014, que o processo seja encaminhado à Unidade de Origem para realização da revisão de ofício. Conclusão Voto por dar provimento parcial ao recurso para restituir os autos à Unidade de Origem para que faça a análise da liquidez e certeza do crédito pretendido, verificando sua existência, suficiência e disponibilidade, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014. Aplicase a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, no sentido de dar provimento parcial ao recurso para restituir os autos à Unidade de Origem para que faça a análise da liquidez e certeza do crédito pretendido, verificando sua existência, suficiência e disponibilidade, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 225DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10845.724898/2014-31
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2012
MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DIPJ. SÚMULA CARF 49.
O atraso na entrega da DIPJ pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
Numero da decisão: 1003-000.689
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Kazumi Nakayama, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201905
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2012 MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DIPJ. SÚMULA CARF 49. O atraso na entrega da DIPJ pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu May 30 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10845.724898/2014-31
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6014509
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 30 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1003-000.689
nome_arquivo_s : Decisao_10845724898201431.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : BARBARA SANTOS GUEDES
nome_arquivo_pdf_s : 10845724898201431_6014509.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Kazumi Nakayama, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
id : 7763330
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:46:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051907686137856
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1489; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T3 Fl. 203 1 202 S1C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10845.724898/201431 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1003000.689 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 08 de maio de 2019 Matéria MULTA DE OFÍCIO ISOLADA Recorrente MARITIMA TRANSPORTES RODOVIARIOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2012 MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DIPJ. SÚMULA CARF 49. O atraso na entrega da DIPJ pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Kazumi Nakayama, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 72 48 98 /2 01 4- 31 Fl. 37DF CARF MF Processo nº 10845.724898/201431 Acórdão n.º 1003000.689 S1C0T3 Fl. 204 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão de nº 0834.433, de 28 de agosto de 2015, da 5ª Turma da DRJ/FOR, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente, mantendo o lançamento da multa por atraso na entrega da DIPJ. A Recorrente apresentou impugnação contra Notificação de Lançamento de multa por atraso na entrega da DIPJ relativa aos anocalendário 2010, no valor de R$ 15.972,92, alegando que, devido a sua exclusão no Simples Nacional, teve que substituir a Declaração Anual do Simples Nacional (DASN 2011) pela Declaração de Informações Econômicafiscais (DIPJ 2011), esse fato gerou cobrança de multa por atraso no envio da declaração. Esclarece, contudo, que a DASN foi entregue dentro do prazo e posteriormente foi excluído do Simples Nacional. A DRJ/FOR analisou a impugnação e julgou o pedido da Recorrente improcedente, nos moldes da ementa abaixo: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. EXCLUSÃO DO SIMPLES. A exclusão do contribuinte da sistemática do Simples Nacional se dá com efeito retroativo, razão pela qual são devidas as multas por atraso na entrega das declarações apresentadas fora do prazo legal previsto na legislação relativa ao tributo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário que, em síntese, destacou: (i) que a DASN 2011 foi entregue no prazo correto, apenas substituída posteriormente pela DIPJ 2011, devido à exclusão retroativa do Simples Nacional. (ii) o r. acórdão destaca que deve ser utilizado o mesmo raciocínio expressado no acórdão nº 1801002.286 sobre atraso no envio da DCTF e, considerando isso, a Recorrente entende que deve se beneficiar do acórdão do CARF nº 1803002.256 que exclui a multa por atraso de DCTF pela denúncia espontânea. Aduz que entregou a DIPJ espontaneamente, antes do conhecimento da infração pelo Fisco, conforme estabelece o art. 138 do CTN; (iii) Que em razão da exclusão retroativa do Simples Nacional teve que entregar DCTF dos anos de 2009 e 2010 e substituir as DIPJ gerando 16 multas no valor total de R$ 95.792,37, a qual afirma não ter condições de pagar. Fl. 38DF CARF MF Processo nº 10845.724898/201431 Acórdão n.º 1003000.689 S1C0T3 Fl. 205 3 Por fim, requereu a exclusão da multa em discussão nestes autos. É o Relatório. Voto Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente é tempestivo, conforme previsto no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Inicialmente, cumpre observar que a Recorrente não contestou o atraso na entrega da declaração, nem o cálculo que foi realizado no tocante ao valor da multa, limitando se, apenas, a alegar ter enviado a DASN no prazo e pleiteou pela aplicação da denúncia espontânea. A Recorrente era do regime do Simples Nacional desde 01/07/2007, contudo foi excluída do regime simplificado a partir de 01/01/2008, através do ato declaratório DRF/STS nº 016, segundo informou na sua manifestação de inconformidade. Em razão dessa exclusão, a Recorrente teve que substituir a DASN exercício 2011 pela DIPJ também do exercício de 2011, essa substituição gerou a cobrança de multa. Em recurso voluntário, a Recorrente pede que seja aplicado ao caso em análise o benefício da denúncia espontânea. A exclusão do Simples Nacional é realizada através do Ato declaratório Executivo de Exclusão (ADE), que sujeita o contribuinte às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, a partir do período em que se processa a exclusão, conforme se pode concluir pelo art. 32 da Lei Complementar 123/2006: Art. 32. As microempresas ou as empresas de pequeno porte excluídas do Simples Nacional sujeitarseão, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. A Ato Declaratório de Exclusão é considerando como meramente declaratório, e, portanto, tem efeito retroativo à data em que se enquadrou nas hipóteses de incompatibilidade com o sistema, e isto, além de previsão expressa em lei, é abalizado em acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça sob o efeito de recurso repetitivo: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. LEI 9.317/96. SIMPLES. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO. EFEITOS RETROATIVOS. POSSIBILIDADE. INTELIGÊNCIA DO ART. 15, INCISO II, DA LEI 9.317/96. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a averiguação acerca da data em que começam a ser produzidos os efeitos do ato de exclusão do Fl. 39DF CARF MF Processo nº 10845.724898/201431 Acórdão n.º 1003000.689 S1C0T3 Fl. 206 4 contribuinte do regime tributário denominado SIMPLES. Discutese se o ato de exclusão tem caráter meramente declaratório, de modo que seus efeitos retroagiriam à data da efetiva ocorrência da situação excludente; ou desconstitutivo, com efeitos gerados apenas após a notificação ao contribuinte a respeito da exclusão. 2. Não merece conhecimento o apelo especial quanto às alegações de contrariedade aos artigos 458 e 535 do CPC, porquanto a recorrente apresentou argumentação de cunho genérico, sem apontar quais seriam os vícios do acórdão recorrido, que justificariam sua anulação. Incidência da Súmula 284/STF. 3. No caso concreto, foi vedada a permanência da recorrida no SIMPLES ao fundamento de que um de seus sócios é titular de outra empresa, com mais de 10% de participação, cuja receita bruta global ultrapassou o limite legal no anocalendário de 2002 (hipótese prevista no artigo 9º, inciso IX, da Lei 9.317/96), tendo o Ato Declaratório Executivo n. 505.126, de 2/4/2004, da Secretaria da Receita Federal, produzido efeitos a partir de 1º/1/2003. 4. Em se tratando de ato que impede a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES em decorrência da superveniência de situação impeditiva prevista no artigo 9º, incisos III a XIV e XVII a XIX, da Lei 9.317/96, seus efeitos são produzidos a partir do mês subsequente à data da ocorrência da circunstância excludente, nos exatos termos do artigo 15, inciso II, da mesma lei. Precedentes. 5. O ato de exclusão de ofício, nas hipóteses previstas pela lei como impeditivas de ingresso ou permanência no sistema SIMPLES, em verdade, substitui obrigação do próprio contribuinte de comunicar ao fisco a superveniência de Agravo de Instrumento Turma Espec. II Tributário Nº CNJ : 0008415 18.2016.4.02.0000 (2016.00.00.0084152) RELATOR : Desembargador Federal LUIZ ANTONIO SOARES AGRAVANTE : E.M.P LANDIM GOMES SERVIÇOS DE LIMPEZA LTDA EPP ADVOGADO : CARLOS ALEXANDRE DE AZEVEDO CAMPOS E OUTROS AGRAVADO : UNIAO FEDERAL/FAZENDA NACIONAL PROCURADOR : Procurador da Fazenda Nacional ORIGEM : 01ª Vara Federal de Campos (00864466920164025103) 1 uma das situações excludentes. 6. Por se tratar de situação excludente, que já era ou deveria ser de conhecimento do contribuinte, é que a lei tratou o ato de exclusão como meramente declaratório, permitindo a retroação de seus efeitos à data de um mês após a ocorrência da circunstância ensejadora da exclusão. 7. No momento em que opta pela adesão ao sistema de recolhimento de tributos diferenciado pressupõese que o contribuinte tenha conhecimento das situações que impedem sua adesão ou permanência nesse regime. Assim, admitirse que o ato de exclusão em razão da ocorrência de uma das hipóteses que poderia ter sido comunicada ao fisco pelo próprio contribuinte apenas produza efeitos após a notificação da pessoa jurídica seria permitir que ela se beneficie da própria torpeza, mormente porque em nosso ordenamento jurídico não se admite descumprir o comando legal com base em alegação de seu desconhecimento. 8. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo Fl. 40DF CARF MF Processo nº 10845.724898/201431 Acórdão n.º 1003000.689 S1C0T3 Fl. 207 5 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 9. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa extensão, provido. (REsp 1124507/MG, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 28/04/2010, DJe 06/05/2010) A constitucionalidade das exclusões legais já foi reconhecida no julgamento da ADIN 16431, onde se estabeleceu que tais exclusões não afrontam o disposto no art.179, da Constituição da República, nem ao princípio constitucional da isonomia, ou qualquer outra de suas normas. Dessa forma, ainda que a Recorrente tenha enviado a DASN no prazo correto, era de seu conhecimento que, desde 01/01/2008, a mesma não preenchia os requisitos para se manter no Simples Nacional e, em razão disso, estaria submetida às regras e prazos das demais pessoas jurídicas. Em relação à figura da denúncia espontânea, contemplada no art.138 do CTN, frisese a sua inaplicabilidade ao fato, porque, juridicamente, só é possível haver denúncia espontânea de fato desconhecido pela autoridade, o que não é o caso do atraso na entrega da declaração, que se toma ostensivo com o decurso do prazo fixado para a sua entrega tempestiva. O STJ já se posicionou sobre o assunto e, em decisão unânime da 1ª Turma, o RE da Fazenda Nacional n° 246.963/PR (acórdão publicado em 05/06/2000 no Diário da Justiça da União DJUe): Tributário. Denúncia espontânea. Entrega com atraso de declaração de contribuições e tributos federais DCTF. 1. A entidade "denúncia espontânea” não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF. 2. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. 3. Recurso especial provido. Oportuno transcrever o partes do voto do relator, Min. José Delgado: A extemporaneidade na entrega de declaração do tributo é considerada como sendo o descumprimento, no prazo fixado pela norma, de uma atividade fiscal exigida do contribuinte. É regra de conduta formal que não se confunde com o não pagamento do tributo, nem com as multas decorrentes por tal procedimento. A responsabilidade de que trata o art. 138, do CTN, é de pura natureza tributária e tem sua vinculação voltada para as obrigações principais e acessórias àquelas vinculadas. .. As denominadas obrigações acessórias autônomas não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN Elas se impõem' como normas necessárias para que possa ser exercida a atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem qualquer laço com os efeitos de qualquer fato gerador do mesmo. A multa aplicada é em decorrência do poder de polícia exercido pela Fl. 41DF CARF MF Processo nº 10845.724898/201431 Acórdão n.º 1003000.689 S1C0T3 Fl. 208 6 administração pelo não cumprimento de regra de conduta imposta a uma determinada categoria de contribuinte. Não obstante os fundamentos acima expostos, o CARF também já possui posição consolidada sobre a questão, conforme se depreende da Súmula 49 deste Conselho: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Em suma, a exoneração da multa pelo atraso na entrega de declaração fundada na Denúncia espontânea não se aplica aos casos de multas decorrentes de descumprimento de obrigações acessórias. Isso se explica pelo fato da natureza da obrigação acessória, que é autônoma do tributo cobrado. Assim, quando se descumpre a obrigação acessória, nasce um direito autônomo à cobrança (art. 113, § 3°, do CTN). Em assim sucedendo, voto em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 42DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.721823/2017-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1402-000.856
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento diligência.
(assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente e Relatora.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (Suplente Convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente).
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201905
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10580.721823/2017-07
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6013384
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1402-000.856
nome_arquivo_s : Decisao_10580721823201707.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : EDELI PEREIRA BESSA
nome_arquivo_pdf_s : 10580721823201707_6013384.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento diligência. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa - Presidente e Relatora. Participaram do julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (Suplente Convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue May 14 00:00:00 UTC 2019
id : 7760177
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:45:51 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051907693477888
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 23; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1392; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 2 1 1 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.721823/201707 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1402000.856 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 16 de maio de 2019 Assunto Diligência Recorrente POLIS PROPAGANDA & MARKETING LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento diligência. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Presidente e Relatora. Participaram do julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (Suplente Convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente). RELATÓRIO POLIS PROPAGANDA & MARKETING LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Recife/PE que, por unanimidade de votos, julgou PARCIALMENTE PROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 28/03/2017, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 28.335.897,38. Consta da decisão recorrida o seguinte relato e introdução de voto: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .7 21 82 3/ 20 17 -0 7 Fl. 2434DF CARF MF Processo nº 10580.721823/201707 Resolução nº 1402000.856 S1C4T2 Fl. 3 2 Tratase de autos de infração do Imposto sobre a Renda de Jurídica – IRPJ (fls. 02 a 37) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls. 39 a 73), lavrados para formalização e exigência de crédito tributário no montante de R$ 28.335.897,38. 2. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 75 a 110), o lançamento decorreu de omissão de receita de prestação de serviços para o mercado externo e de omissão de receita caracterizada por falta de comprovação da origem de recursos utilizados em depósitos bancários. 3. Arbitrouse o lucro. Na apuração da receita bruta (base para o arbitramento), computaramse os valores das notas fiscais emitidas pela Polis nos anos objeto da autuação. Adicionouse à base de cálculo as receitas financeiras auferidas nesses anos não oferecidas de forma espontâneas nas DIPJs de 2013 e 2014. 4. Qualificouse a multa (150%) quanto à omissão de receita de prestação de serviços para o mercado externo e a por falta de comprovação da origem dos recursos utilizados no depósito bancário do dia 13.11.2012. Os Srs. João Cerqueira de Santana Filho e Mônica Regina Cunha Moura foram responsabilizados de forma solidária pelo crédito decorrente dessas infrações, motivo por que compõem o pólo passivo da obrigação. 5. A contribuinte e os responsáveis solidários apresentaram as impugnações das fls.1443 a 1483 (Polis Propaganda & Marketing), 1611 a 1666 (Mônica Regina Cunha Moura) e 1671 a 1726 (João Cerqueira de Santana Filho), contrapondo, em síntese: 5.1 Por equívoco, as receitas decorrentes das aplicações financeiras, apontadas como omitidas, não foram acrescidas à base de cálculo do IRPJ e da CSLL (lucro presumido), razão por que não se contestaria a infração. 5.2 Do montante de R$ 59.194.500,00, considerado como omissão de receita de prestação de serviços para o mercado externo, restaria apenas "uma diferença de R$ 3.124.904,46 a ser tributada". A fiscalização teria cobrado valores em duplicidade. Seria descabida a aplicação de "quaisquer multas sobre tributos já pagos; mais descabida ainda a aplicação de multa qualificada de 150%." 5.3 A receita de R$ 34.169.807,12, que integraria o montante de R$ 59.194.500,00, teria sido tributada no momento adequado, de modo que não haveria falar de postergação. 5.4 A fiscalização considerara adequadamente "a tributação da receita bruta decorrente da prestação de serviços no mercado doméstico". 5.5 Os tributos pagos pela Polis não teriam sido integralmente considerados no lançamento. 5.6 O arbitramento do lucro teria sido indevido. 5.7 Os Srs. João Cerqueira de Santana Filho e Mônica Regina Cunha Moura não poderiam ser responsabilizados pelo crédito, pois que não existiria no processo "qualquer indicação de condutas ilícitas" que tenham sido praticadas por eles. O mero fato de ser sócio de uma sociedade, ainda que inadimplente, não poderia implicar responsabilização pessoal. 5.8 A responsabilização de sócio administrador, com fulcro no inciso III do art. 135 do CTN, implicaria lavratura de auto de infração em seu nome, haja vista que o dispositivo encerraria hipótese de substituição de responsabilidade tributária. De sorte Fl. 2435DF CARF MF Processo nº 10580.721823/201707 Resolução nº 1402000.856 S1C4T2 Fl. 4 3 que no caso em questão teria havido erro na determinação do sujeito passivo. Por ter caráter pessoal, a multa não poderia ser exigida do substituto tributário. Voto [...] Da omissão de receita de prestação de serviços para o mercado externo. 8. Intimada1 a comprovar a origem dos recursos utilizados no depósito bancário havido em sua conta corrente do Bradesco nº 22.6726, Agência 22101, no valor de R$34.169.807,12, contabilizada no Livro Razão, no dia 13.11.2012, a título de "adiantamento de prestação de serviço em Angola"2, a Polis trouxe à colação, em adição a outras informações e documentos (inclusive ordens de pagamento), dois contratos de prestação de serviços firmados com o MPLA Partido Político Movimento Popular Libertação de Angola3, que, além de não comprovarem a referida origem4, evidenciaram, após minuciosa análise, os valores ali pactuados não foram oferecidos à tributação5. 9. Contrapôsse nas impugnações que, como se vê, encerram mesmo teor , em essência, a Polis teria firmado, em 2012, dois contratos de prestação de serviços com o 1 Termo de intimação fiscal nº 1, de 07/05/2015, e Termo de reitimação Fiscal, de 20.05.2015. 2 pág. 55 do Livro Razão n° 09 3 Termo de Verificação Fiscal, fl. 104: 85. Os contratos apresentados representativos de prestação de serviços em Angola (Contrato 01/2012 e Contrato 02/2012) foram considerados aptos por esta fiscalização pois apesar de somente cópias apresentadas pelo contribuinte verificouse que em ambos constam selo de autenticidade de reconhecimento da assinatura do contratante pela Embaixada do Brasil em Luanda. As ordens de pagamentos oriundas do MPLA somente conferem indicativos de pagamentos, não sendo consideradas por esta fiscalização suficientes para embasar lançamento de ofício pois nelas não constam autenticidades verificadas pela Embaixada do Brasil em Angola, apesar das datas divergentes em relação a vinculação das mesmas as datas de faturamentos e pagamentos previstas nos contratos considerados válidos. 4 Termo de Verificação Fiscal, fl. 83 e 84: 23. Os fatos constatados depois de cumprida as solicitações dos Termo de Início de Fiscalização e do Termo de Intimação Fiscal n° 01 e Termo de Reintimação Fiscal n° 01, e análise dos livros e documentos apresentados: a) não foram apresentados documentos bancários (extratos bancários de contas correntes mantidas em instituições financeiras no exterior, cópias de transferências eletrônicas) e documentos complementares que comprovassem a origem do recurso creditado em conta corrente mantida no Bradesco, no dia 13/12/2012 no valor de R$ 34.169.807,12, que remete em histórico a Prestação de Serviços em Angola, como este valor foi levado a base de cálculo do IRPJ e da CSLL do 4° trimestre de apuração de 2013 com pagamentos correspondentes nas datas de vencimentos (31/01/2014), presumimos indícios de postergação de receitas, no caso de origens não conhecidas; b) foram canceladas Notas Fiscais relacionadas a esta Prestação de Serviços, com indícios de se referirem a um outro Contrato de Prestação de serviços não entregue a Fiscalização Federal; c) os dois contratos apresentados Contrato 01/2012 e Contrato 02/2012 com o intuito de apresentar legalidade ao ingresso de divisas acarreta indícios de omissão de receitas de prestação de serviços no exterior, pois os documentos bancários e complementares entre os contratos e o ingresso de recursos não foram disponibilizados; d) apresentação de ordem de pagamento emitida pelo MPLA no valor de USD 10.000.000,00 em 22/08/2012 que não faz parte do Contrato 01/2012 (duas ordens de pagamentos apresentadas) e nem do Contrato 02/2012 (data de assinatura do contrato é posterior a ordem de pagamento apresentada), revela indícios de omissão de receitas de prestação de serviços no exterior; e) não foi identificada na escrituração comercial de 2012 conta contábil representativa da movimentação financeira em conta corrente mantida em instituição financeira no exterior; f) no Livro Caixa de 2012 apresentado não consta a movimentação financeira de contas correntes mantidas pelo contribuinte em instituições financeiras no exterior e g) não foram identificados nos Livros Diário e Razão de 2012 contas contábeis relacionadas a todas as receitas, custos e despesas relativas a prestação de serviços no exterior. 5 Termo de Verificação Fiscal, fl: 104: O tratamento para fins fiscais dos Contrato 1/2012 e Contrato 2/2012 apresentados pelo contribuinte, recai em omissão de receitas de prestação de serviços no exterior, pois ambos fornecem elementos inequívocos das datas de faturamento e pagamento e não foram levados a apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Fl. 2436DF CARF MF Processo nº 10580.721823/201707 Resolução nº 1402000.856 S1C4T2 Fl. 5 4 MPLA: "um para a campanha presidencial em 2012, denominado 'Contrato 01' pelo r. Auditor Fiscal, e outro para a propaganda institucional do partido após o pleito eleitoral, denominado 'Contrato 02' pelo r. Auditor Fiscal". Ambos os contratos e os documentos a ele pertinentes "ordens de pagamento em Angola, contratos de câmbio e comprovantes bancários brasileiros" teriam sido apresentados espontaneamente à fiscalização. 10. A receita total auferida pela Pólis, em relação ao Contrato 01, teria sido de USD20.000.000,00 (vinte milhões de dólares americanos) e a receita do Contrato 02, de USD10.000.000,00 (dez milhões de dólares americanos). Teria sido oferecido à tributação o valor de USD 27.000.000,00; sendo que o montante de USD 17.000.000,00 corresponderia ao depósito de R$ 34.169.807,12 (câmbio de 2.01), e os restantes USD 10.000.000,00 corresponderiam ao depósito de R$ 21.899.788,42 (câmbio 2.19), efetuados no Banco Bradesco nos dias 13.11.2012 e 02.10.2013, respectivamente. 11. Esses valores estariam também consignados em "contratos de câmbio (Doc 4, anexo)", que, apesar de não serem minuciosos, seriam claros "em afirmar que a origem de ambos valores está em Angola", e que a Polis seria a própria remetente. 12. As supostas inconsistências apontadas entre o que foi estipulado nos contratos e os valores depositados no Bradesco, ou seja "divergências entre as datas contratuais e as datas de pagamento", diriam respeito a simples adiantamentos e atrasos nos pagamentos feitos pelo MPLA". 13. O extrato bancário da conta da Polis no Banco Sol (Angola) evidenciaria que às ordens de pagamentos do MPLA, apresentadas à fiscalização, seguirseiam os respectivos créditos e, em "ordem perfeitamente cronológica, as transferências para o Banco Bradesco". 14. Até 30.08.2012, todos os USD30.000.000,00, estipulados nos contratos, já haviam sido pagos; alguns em atraso, outros em adiantado. Mas o que "importa para às partes do contrato é que no final das contas o preço foi pago e os serviços foram prestados". 15. Por "equívoco", não fora oferecido à tributação o montante de "USD 3.000.000,00 (R$ 5.022.192,88) restante. Também por "equívoco" teria havido "a tributação a maior de R$ 1.897.288,42", o que teria acarretado uma "tributação líquida a menor de R$ 3.124.904,46". 16. Exceto por esses "equívocos", as receitas concernentes à prestação de serviços ao MPLA, "no valor total de R$ 56.069.595,54", teriam sido oferecidas à tributação. A "pretensão fiscal de tributação de mais de R$ 59.194.500,00" implicaria "parcial dupla tributação desse montante"6. 17. Não obstante o Sr. João Santana ter declarado à Justiça Federal (Ação Penal nº 501340559.2016.4.04.7000/PR), que o valor total da campanha do Sr. José Eduardo Santos para a presidência de Angola fora de USD 50.000.000,00 (cinquenta milhões de dólares americanos), o que revelou uma diferença de USD 20.000.000,00 (vinte 6 fl. 1464: 72. Com tal lançamento pretendese tributar além do devido. Para tanto, a Fiscalização: (i) julga que certas receitas constantes de seu extrato bancário e contabilidade não teriam origem, e que (ii) as receitas constantes do contrato MPLA teriam sido omitidas. Em verdade, tratase das mesmas receitas: a origem das receitas contabilizadas fundamentase nos contratos com o MPLA, de modo que não há omissão de receita. Admitir o oposto seri apermitir à Fisccalização atingir objetivo ilícito, a saber, a tributação de valores que apenas foram agenciados pela impugnante. Fl. 2437DF CARF MF Processo nº 10580.721823/201707 Resolução nº 1402000.856 S1C4T2 Fl. 6 5 milhões de dólares americanos) entre o preço total do serviço e o estipulado nos referidos contratos, a inconsistência seria justificável7, dado a "natureza do tipo de serviço que presta a Polis, a saber, o agenciamento para propaganda". Consoante a legislação brasileira (vide fls. 1445 e 1456), esse tipo de "custo externo" não integraria a receita bruta (base de apuração do lucro presumido) das empresas que fazem agenciamento de propaganda. [...] Da falta de comprovação da origem de recursos utilizados em depósitos bancários. 29. Por não se ter logrado comprovar a origem dos recursos utilizados nos já referidos depósitos (R$ 34.169.87,12, do dia 13.11.2012, e R$ 21.899.788,42, do dia 02.10.2013), foram eles caracterizados como omissão de receita, com suporte no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, e tributados a esse título. 30. Uma vez que se declarou e pagou o imposto e a contribuição relativos aos depósitos, não se apurou imposto no terceiro trimestre de 2013 (vide fl. 26). Considerouse entretanto houvera "postergação no pagamento" de parte do imposto e da contribuição, relativos ao 4º trimestre de apuração de 2012"8. 31. Contrapôsse na impugnação, em essência, os depósitos seriam decorrentes de pagamentos efetuados pelo MPLA em face de serviços prestados pela Polis, que restariam comprovados pelos contratos apresentados, pelas ordens de pagamento, contratos de câmbio etc. E que não teria havido postergação no pagamento do imposto, porquanto fizera o pagamento de forma espontânea. 7 fl. 1462: 64.Nessa ação, constam depoimentos do Sr. João Santana e da Sra. Mônica Moura, segundo os quais o custo total da campanha em Angola foi de USD 50.000.000,00. Notese, por oportuno que, no bojo daquela ação Penal, esse pagamento não serviu de base para apuração de outros ilícitos penais, menos ainda para condenações para lavagem de dinheiro ou corrupção. 65. Não foi dito, e não etve em questão, como esse custo de USD 50.000.000,00 é composto. Nos autos desta Fiscalização, a impugnante explicou ao rf. Auditor Fiscal que , desse total, apenas (i) USD 30.000.000,00 eram atribuíveis a si, como consta nos contratos com o MPLA apresentados. Outros USD 20.000.000,00 foram atribuídos a prestadores de serviços locais, da seguinte maneira: (ii) USD 15.000.000,00 à empresa angolana Orion Marketing, Publicidade e Produção S.A. ("Orion"), (iii) e USD 5.000.000,00 com outros fornecedores. Disso, notase que apenas USD 30.000.000,00 são atribuíveis à impugnante. 66. Em relação à Orion, a impugnante apresenta o contrato de prestação de serviços (Doc. 02). Nesse documento observase clarmente a natureza do contrato, observase que ee foi agenciado pela Pólis e o dever de a Polis repassar recursos para tal empresa no valor de USD 15.000.000,00. (...) 67. Esses valores foram pagos à Orion diretamente pelo MPLA, ou seja, sequer transitaram pela conta da impugnante junto ao Banco Sol. Essa conta bancária, como será discutido adiante, serviu de simples canal para recebimento da remuneração atribuível à impugnante e teve limitada existência. 68. Quanto aos demais custos da campanha, a Fiscalizada apresentou diversos documentos para comproválos, mas eles foram apenas limitadamente considerados no processo de auditoria fiscal. 8 Termo de Verificação Fiscal, fl. 102: 81. Na apuração efetuada pelo contribuinte, o crédito em conta no Bradesco em 13/11/2012 no valor de R$ 34.169.807,12 somente foi levado a base de cálculo no 4° trimestre de 2013. Na aplicação do art. 42, § 1º da Lei nº 9.430/96, a receita será considerada auferida no mês do crédito, logo em novembro de 2012. Como o valor apurado pelo contribuinte foi declarado e pago (no dia do vencimento em 31/01/2014), podemos dizer que ocorreu uma postergação no pagamento de parte do imposto de renda relativo ao 4° trimestre de apuração em 2012. Tal entendimento se aplica a CSLL. Os valores postergados de IRPJ e da CSLL constam dos respectivos Autos de Infração e foram considerados por seus valores líquidos, ou seja, apurado os valores referentes ao 4° trimestre de apuração 2013 (IRPJ e CSLL), subtraiu se os valores pagos (IRPJ e CSLL), levando os valores resultantes a deduzir os valores apurados a título de IRPJ e CSLL respectivamente do 4° trimestre de apuração em 2012. Fl. 2438DF CARF MF Processo nº 10580.721823/201707 Resolução nº 1402000.856 S1C4T2 Fl. 7 6 [...] Do arbitramento. 37. Consoante a impugnação, o arbitramento do lucro no anocalendário de 2012 teria sido indevido, porquanto "todas as transações" teriam sido escrituradas e tributadas. A falta de transcrição do extrato bancário de sua conta no Banco Sol de Angola, "referiu se a parte delimitada de suas transações, totalmente esclarecidas com base em outros documentos". Os valores constantes do extrato bancário não "apresentado durante a Fiscalização (mas agora apresentado)" teriam sido transportados para a conta bancária do Bradesco, totalmente escriturada. [...] 40. No tocante aos trimestres do anocalendário de 2013, o arbitramento se deu com fulcro nos incisos I e IV do art. 530 do RIR, de 1999, c/c o art. 13 da Lei nº 9.718, de 1998, alterado pelo art. 46 da Lei nº 10.637, de 2002, porquanto o contribuinte não poderia naquele ano ter optado pelo regime de lucro presumido, pois que no ano anterior optara indevidamente por essa forma de apuração do lucro. 41. O inconformismo da impugnante quanto a esses trimestres bate na mesma tecla de que os valores constantes dos contratos apresentados à fiscalização, na sua quase totalidade, teriam sido escriturados e oferecidos à tributação, argumento que, como visto, não cabe assentimento. [...] Da Dedução de IRRF 43. Consoante a impugnação, não teria sido deduzida no lançamento a totalidade dos tributos pagos pela empresa nos anos objeto da autuação (vide quadros das fls. 1476 e 1477). A fiscalização teria desconsiderado por completo o "IRRF pago sob o código 1708" e não teria levado em conta "o regime jurídicotributário peculiar à impugnante, uma agência de publicidade9." [...] Da Responsabilização dos Sócios. 50. Os Srs. João Cerqueira de Santana Filho e Mônica Regina Cunha Moura foram responsabilizados pelo crédito decorrente das "infrações apuradas sujeitas às multas de ofício qualificadas de 150%, cometidas com excesso de poderes e infração de lei"10, com fundamento no inciso I do art. 124 e inciso III do art. 135 do CTN. 9 Termo de Verificação Fiscal, fl. 76: 6. Da análise das Notas Fiscais e Livro Razão n° 09 de 2012, quanto ao faturamento da pessoa jurídica, verificou se a necessidade de esclarecimentos relativos: a) cancelamentos de Notas Fiscais de valores elevados relacionadas a prestação de serviços em Angola de mesmo tomador: MPLA – Partido Político Movimento Popular Libertação de Angola; b) crédito em conta corrente no Banco Bradesco – Agência 22101 – conta 22.6726 no valor de R$ 34.169.807,12 contabilizado no dia 13/11/2012 a título de adiantamento de prestação de serviço em Angola, conforme pág. 55 do Livro Razão n° 09 e c) esclarecimentos sobre a DIRF 2012 onde o contribuinte aparece como declarante e beneficiário dos mesmos fatos informados. Observase ainda das Notas Fiscais apresentadas que todo o faturamento no Brasil no ano 2012 tem como tomadores de serviços o Partido dos Trabalhadores – PT, Eleição 2012 – Comitê Financeiro SP Único PT e Eleição 2012 Fernando Haddad Prefeito. 10 Termo de Verificação Fiscal, fl. 109: 103. O Sr. João Cerqueira de Santana Filho, brasileiro, CPF: 059.802.24572, e a Sra. Mônica Regina Cunha Moura, CPF: 441.627.90515, constam como sócios e administradores/representantes da pessoa jurídica fiscalizada conforme Cláusula 3ª da Quinta Alteração Contratual com registro na Junta Comercial da Bahia sob o n° 96726731 em 04/01/2007. Concluímos que os sócios administradores/representantes da Pólis Propaganda & Marketing LTDA passam a responder pessoalmente pelo crédito tributário lançado no Auto de Infração do IRPJ e Fl. 2439DF CARF MF Processo nº 10580.721823/201707 Resolução nº 1402000.856 S1C4T2 Fl. 8 7 51. Nas impugnações eles contrapuseram, em essência, o mero fato de ser sócio de uma sociedade, ainda que inadimplente, não poderia implicar responsabilização pessoal; que não teria sido demonstrado eles teriam agido com excesso de poderes ou infração de lei; que teria havido erro na determinação do sujeito passivo e que a multa não poderia ser exigida do substituto tributário. [...] A Turma julgadora acolheu parcialmente estes argumentos aduzindo que: · ... temse por definitivamente constituído o crédito relativo à omissão de receitas financeiras (item 4.1), uma vez que, como relatado, os impugnantes reconhecem a procedência do lançamento quanto a essa infração. · Com referência à omissão de receita de prestação de serviços para o mercado externo, o contribuinte não logrou comprovar os valores dos referidos contratos são os mesmos depositados no Banco contratos. [...] todos os caminhos levam à conclusão de que os contratos, não obstante refletirem serviços pactuados entre a Polis e o MPLA, e portanto sujeitos à tributação, não se prestam à comprovação da origem dos referidos depósitos bancários. De sorte que correta foi a tributação dos valores dos serviços, neles acordados, a título de omissão de receita. · A qualificação da penalidade, contudo, não pode subsistir porque o motivo apresentado não induz de forma necessária, relativamente à omissão evidenciada nos referidos contratos, tenha a empresa agido no sentido de impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador, ou excluir ou modificar suas características essenciais. [...] Não há nos autos nenhuma evidência de que, de alguma forma, a empresa tenhase utilizado de ardis para ocultar a ocorrência dos fatos geradores relativos às receitas consubstanciadas nos contratos; ao revés, há referência a contrato por prestação de serviços em Angola no histórico do registro contábil (Livro Diário) concernente ao depósito bancário do dia 02.10.2013 (fl.590), bem assim há referência à antecipação de pagamento por serviços prestados em Angola no histórico do registro contábil do depósito do dia 13.11.2012 (fl. 452). Ora, não se tenta ocultar aquilo que se registra em livro contábil. · Também não subsistem as exigências decorrentes da postergação de pagamento apontada para as receitas que, pertinentes ao 4º trimestre de 2012, foram reconhecidas, com pagamento dos tributos, no 3º trimestre de 2013, vez que tomam por partida a imputação de omissão de receitas com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96 e, ao considerar que houvera postergação de parte do pagamento do imposto relativo ao depósito do dia 13.11.2012, o autuante se fia, de forma tácita, nos registros contábeis da Polis, em que resta consignado ele se trata de antecipação de pagamento por serviços prestados ao MPLA. Também por esse motivo, essa parte do lançamento não pode prosperar, pois que se se reconhece a origem dos recursos, não há presumirse omissão com fundamento no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. · O arbitramento deve ser mantido porque o lucro dos trimestres do ano calendário de 2012 foi arbitrado porquanto constatouse que apesar de o contribuinte manter conta corrente em instituição financeira no exterior não do Auto de Infração da CSLL com fundamentação nos arts 124, I e 135, III da Lei n° 5172/66 – CTN, evidentemente em relação as infrações apuradas sujeitas as multas de ofício qualificadas de 150%, cometidas com excesso de poderes e infração de lei. Fl. 2440DF CARF MF Processo nº 10580.721823/201707 Resolução nº 1402000.856 S1C4T2 Fl. 9 8 constaria de sua escrita nenhuma conta contábil refletindo a sua movimentação, particularidade que com efeito se amolda à hipótese da alínea "a" do inciso II do art. 530 do RIR, de 1999. · Com referência ao arbitramento no anocalendário 2013, considerando que os valores de receita omitidos no anocalendário de 2012, por si sós, superam R$48.000.000,00, com efeito não se poderia ter optado pelo lucro presumido no ano calendário de 2013. · Como visto, a tributação dos depósitos bancários restou indevida, de sorte que o adstrito questionamento fica sem sentido. Quanto ao IRRF, não há atrelar os valores dos sobreditos DARFs às receitas da prestação de serviços internos descritas nos anexos das fls. 111 e 112; ou melhor, não se trouxe à colação nenhum elemento a comprovar a retenção teria se dado em face do auferimento das receitas especificadas nos anexos, condição sine qua non à sua dedutibilidade. · A responsabilização dos sócios não pode subsistir porque o art. 124, I do CTN não diz com a responsabilização de sócios de direito e, quanto ao outro fundamento, o fato de os contratos firmados com o MPLA não comprovarem a origem dos depósitos bancários havidos no Bradesco, e evidenciarem que os valores por prestação de serviços, neles pactuados, tratase de receitas que não foram oferecidas à tributação, não implica os impugnantes tenham agido, relativamente à omissão, com excesso de poderes ou infração de lei, nos termos do inciso III do art. 135 do CTN. Ademais, sequer se pode dizer houve intenção de fraudar o fisco, por meio da prática de alguma das condutas previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964 motivo inclusive por que neste voto entendeuse indevida a qualificação da multa. Em suma, a 3ª Turma de Julgamento da DRJ/Recife decidiu julgar procedente em parte a impugnação, para: I Considerar definitivo o crédito relativo às receitas financeiras, que deverá ser apartado para efeito de cobrança; II Exonerar o crédito relativo à falta da comprovação de origem de recursos utilizados em depósitos bancários, no montante de R$ 1.440.272,55 (principal), mantendose todo o restante do crédito formalizado; III Reduzir a multa de ofício relativa à omissão de receita por prestação de serviços no mercado externo para 75% e IV Excluir do pólo passivo da obrigação os Srs. João Cerqueira de Santana Filho e Mônica Regina Cunha Moura. A exoneração do crédito tributário e da responsabilidade tributária foi submetida a reexame necessário. Em 17/11/2017, a contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 2085/2158), afirmandose cientificada mediante acesso ao documento no processo administrativo pelo próprio sistema eCAC em 20/10/2017, e pretendendo diminuir o valor da exigência fiscal, e garantir a não responsabilização dos sócios da contribuinte. Fl. 2441DF CARF MF Processo nº 10580.721823/201707 Resolução nº 1402000.856 S1C4T2 Fl. 10 9 A recorrente descreve o lançamento, observa inexistir controvérsia acerca das receitas tributáveis apontadas nos Anexos 1 (Demonstrativo Receita Bruta Conhecida Ano 2012, Ano 2013) e 2 (Demonstrativo de Aplicações Financeiras e Imposto de Renda Retido na Fonte). Quanto ao Anexo 3 (Demonstrativo em Conversão em Reais Receitas de Prestação de Serviços Exterior), assevera inexistir controvérsia de que esses valores devem ser tributados, ressalvado que: (i) tributou os valores em regime de caixa, ou seja, apenas quando lhes foram creditados sua conta corrente junto ao Banco Bradesco e (ii) deixou de tributar o total de R$ 3.124.692,88, pois abateu algumas despesas das receitas contratadas, o que não é permitido no regime do Lucro Presumido. As receitas referentes ao Anexo 3 corresponderiam aos valores de R$ 18.850.000,00 (30/04/2012), R$ 20.342.000,00 (30/06/2012), R$ 10.149.000,00 (30/09/2012) e R$ 9.853.500,00 (28/02/2013). Ao litígio acerca delas somamse os valores imputados a título de omissão de receita por presunção legal, em razão de depósitos bancários de origem não comprovada, imputada nos valores de R$ 34.169.807,12 (13/11/2012) e R$ 21.899.788,42 (02/10/2013). Durante o procedimento fiscal, a contribuinte teria esclarecido que os depósitos bancários em referência seriam recebimentos dos pagamentos discriminados no Anexo 03 advindos de dois contratos com seu cliente estrangeiro, o partido político angolano Movimento Popular de Libertação de Angola MPLA, mas somente em impugnação juntou seu extrato bancário junto ao Banco Sol, que até então não tinha localizado para apresentar. Com base nestes elementos e especialmente tendo em conta o "contrato 1", assevera que as receitas de 18.850.000,00 (30/04/2012) e R$ 20.342.000,00 (30/06/2012) corresponderiam ao depósito bancário de R$ 34.169.807,12 (13/11/2012), esclarecendo que a diferença de R$ 5.022.192,88 entre os valores implicou em pagamento a menor e decorre (i) da variação cambial usada pela d. Fiscalização e pela contribuinte e (ii) do equívoco de a contribuinte ter deduzido despesas de aproximados USD 3.000.095,96 dos valores a serem tributados. Esclarece que não nega ter deixado de oferecer à tributação a parcela de R$ 5.022.192,88. Já considerando o "contrato 2", correlaciona as receitas de R$ 10.149.000,00 (30/09/2012) e R$ 9.853.500,00 (28/02/2013) ao depósito bancário de R$ 21.899.788,42 (02/10/2013), esclarecendo que a diferença de R$ 1.897.288,42 entre os valores implicou pagamento a maior decorre da variação cambial usada pela d. Fiscalização e pela contribuinte. Conclui que as diferenças líquidas reduziram a base de cálculo dos tributos em R$ 3.124.692,88. Observa que a autoridade fiscal, apesar de não ter reconhecido a origem dos depósitos em referência, admitiu que o valor de R$ 34.169.807,12 foi oferecido à tributação em momento posterior, evidenciando postergação de pagamento. A DRJ notou a contradição nesta constatação e exonerou o crédito tributário lançado sobre os depósitos bancários, porém somente foi explícita para expurgar a exigência relativa ao valor de R$ 34.169.807,12, que corresponde ao saldo dos extratos bancários relacionados ao contrato 1. Possivelmente, assim agiu ante o fato de a Fiscalização ter se originado com especial atenção a esse numerário e porque a Fiscalização foi explícita quanto à tributação apenas desse valor (TVF fls. 1068). Nada obstante, a decisão da DRJ deve abranger também o outro valor de R$ 21.899.788,42, correspondente ao contrato 2,ao qual também se aplicou a Lei nº 9.430/1996, art. 42, assim como deve ser desqualificada a multa e os efeitos da aludida postergação de tributos. Fl. 2442DF CARF MF Processo nº 10580.721823/201707 Resolução nº 1402000.856 S1C4T2 Fl. 11 10 Ademais, caso se concorde com a decisão de 1ª instância, deveria serlhe dado os efeitos a que ela se presta, imputandose os pagamentos feitos pela contribuinte aos débitos julgados procedentes, algo que não foi feito adequadamente. Destaca, ainda, que ao anular a cobrança com base em depósitos bancários, a DRJ deixou de "apreciar as contraposições à postergação" do pagamento de tributos, e assim expõe as três consequências dessas decisões: 45. A primeira é que, como os valores dos contratos são superiores aos depósitos bancários, notase que a contribuinte equivocadamente deixou de tributar o equivalente a USD 3.000.095,96, relativo a despesas que não poderiam ter sido deduzidas da receita bruta nos regimes do Lucro Presumido ou do Lucro Arbitrado. 46. A segunda é que os efeitos da postergação devem cessar. O d. Auditor Fiscal havia realocado os valores de pagamentos entre períodos de apuração, mas a partir de então voltam a valer as datas dos pagamentos feitas pelo contribuinte. 47. A terceira é que os pagamentos feitos pelo contribuinte com base nos depósitos bancários devem ser aproveitados aos pagamentos exigidos com base nos contratos. Se isso não for feito, a contribuinte estará na injusta posição de ter pago indevidamente tributos sobre depósitos bancários, e ter deixado de pagar tributos sobre sua receita contratual. A recorrente informa que não questionará o arbitramento dos lucros por falta de escrituração dos registros bancários, apenas observando que não foi um erro intencional e que julgou ter cumprido adequadamente com suas obrigações ao tributar os valores recebidos do exterior, pois, em sua percepção, a conta bancária junto ao Banco Sol em Angola funcionava apenas como canal necessário para remeter os recursos ao Brasil, visto que o cliente MPLA não se dispôs a executar a transferência internacional por si mesmo. Na sequência, assim descreve o modo como pagou seus tributos sobre os depósitos bancários, reportandose aos recolhimentos de fls. 1891/1919: Fl. 2443DF CARF MF Processo nº 10580.721823/201707 Resolução nº 1402000.856 S1C4T2 Fl. 12 11 Defende a admissibilidade do DARF código 1708 de IRPJ, esclarecendo que as agências de publicidade devem recolher IRRF à alíquota de 1,5% sobre suas receitas. Tratase de hipótese de autorretenção, ou seja, a contribuinte e não a fonte pagadora recolhe o IRRF. Ao final do ano, a contribuinte envia os DARFs para a fonte, para que esta os informem em sua DIRF. Contudo, a contribuinte não tem como obrigar que a fonte preencha a DIRF adequadamente. É absurdo obrigar a contribuinte a pagar o IRRF em autorretenção, e só permitir seu uso se a fonte informar isso em sua DIRF. Os comprovantes de arrecadação estão juntados aos autos e é obrigação da Secretaria da Receita Federal do Brasil reconhecer os próprios comprovantes de arrecadação. Descreve as receitas que ensejaram o recolhimento do IRRF, observa que elas estão listadas no Anexo 01 do TVF, foram repetidas no lançamento e que os comprovantes de arrecadação constam dos autos. Neste contexto, afirma absurda a desconsideração do pagamento. Aplaude a exclusão da responsabilidade dos sócios porque a vontade da sociedade e seus sócios sempre foi a de tributar os valores recebidos do MPLA, a despeito dos equívocos verificados. E, pleiteando ajustes dos efeitos da decisão a seus próprios fundamentos, defende que a exoneração de R$ 1.440.272,55 (IRPJ) e de R$ 217.187,03 (CSLL) seja elevada para R$ 5.376.681,10 (IRPJ) e R$ 1.614.804,35 (CSLL), acrescidos de juros e multa reflexos. Isto porque os valores exonerados correspondem aos tributos apurados em face do depósito de R$ 34.169.807,12, desconsiderando outros efeitos decorrentes da tributação do lucro arbitrado, quais sejam: (i) a dedução de R$ 1.834.028,92 deve ficar livre para ser imputada a outros débitos; e (ii) a dedução de R$ 60.000,00 por trimestre da base de cálculo do adicional de 10% do IRPJ imputada ao depósito bancário deve ficar livre para ser imputada negativamente às demais receitas que competem ao 4º Trimestre de 2012. Com estes efeitos, a exoneração seria elevada para R$ 3.280.301,48 (IRPJ) e R$ 984.090,45 (CSLL). Quanto à exoneração correspondente ao depósito de R$ 21.899.788,42, a contribuinte relata os cálculos promovidos, destaca que a decisão é também a ele aplicável, mas ressalva que: 71. Concluise, portanto, que o crédito tributário e todos seus efeitos devem ser anulados. A Decisão da DRJ, contudo, foi explícita apenas em exonerar a parte do crédito tributário em aberto. Olvidouse, contudo, que a cobrança em aberto só não foi Fl. 2444DF CARF MF Processo nº 10580.721823/201707 Resolução nº 1402000.856 S1C4T2 Fl. 13 12 maior pois a Autoridade Fiscal a diminuiu por valores pagos pelo contribuinte. Isso é visto na parte “deduções” dos Autos de Infração. Ora, se a cobrança deve ser anulada, os créditos usados para pagar a exigência indevida devem ser devolvidos ao contribuinte, para que ele então possa imputálos à cobrança adequada! Expõe os passos para a correta exoneração da cobrança decidida pela DRJ, concernentes a (1) anular as cobranças sobre os depósitos bancários, (2) anular os efeitos da postergação tal como formulado pelo d. Auditor Fiscal, (3) reconhecer efeitos da postergação de modo adequado à Decisão da DRJ, (4) apurar o saldo a pagar, concluindo que o montante devido seguindo os fundamentos da Decisão da DRJ são, em valores principais, R$ 1.697.080,77 (IRPJ) e R$ 114.577,76 (CSLL). Sob o entendimento de que o trabalho que cabe às Autoridades Julgadoras está muito longe da ordem simplista formulada pela DRJ para se exonerar o crédito tributário de IRPJ de R$ 1.440.272,55 e o correspondente de CSLL, a contribuinte finaliza o recurso voluntário pleiteando: 1. A anulação do lançamento tributário, visto que há inexatidão irremediável na constituição do crédito tributário, consoante dispõe o CTN, arts. 142, art. 149, V. 2. Caso esse pedido não seja acolhido, pede que os fundamentos jurídicos da DRJ sejam acolhidos, mas que a quantificação do crédito tributário dele resultante se dê conforme exposto acima. Na sequência, para a hipótese de os Conselheiros decidirem reformar a Decisão da DRJ e acolherem o Recurso de Ofício, requer sejam conhecidas e providas as contrarrazões ao recurso de ofício, ao final assim sintetizadas: 192. Em vista do exposto a contribuinte pede que o lançamento seja anulado de modo que seu lucro seja arbitrado com base na receita bruta não conhecida, consoante os parâmetros de arbitramento específicos para essa situação. 193. Caso assim não se decida, pede então o seguinte: 1. Pede seja reconhecido que os valores dos depósitos bancários têm origem nas receitas contratuais com o MPLA, de modo que apenas os valores dos contratos sejam tributados, rechaçandose, pois, a cobrança com base nos depósitos bancários. 2. Também pede seja rechaçada a cobrança de tributos sobre os depósitos bancários, por não ser aplicável a presunção de omissão de receitas nos termos da Lei nº 9.430/1996, art. 42, dado que a contribuinte não omitiu tais valores de sua contabilidade, consoante proclamado na Decisão da DRJ. 3. Pede que os pagamentos de tributos com base nos depósitos bancários sejam aproveitados para pagamento da cobrança com base nas receitas contratuais. 4. Como resultado do cancelamento de tributos pedido, pede sejam cancelados os juros e multas deles decorrentes. 5. Em se acolhendo os pedidos acima pedese que a quantificação dos créditos tributários se dê em consonância com o exposto no Recurso Voluntário. 6. Pede seja rechaçada a multa de 150% que lhe é cobrada, restabelecendose a multa padrão de 75%, dado que as receitas contratuais com o MPLA foram devidamente Fl. 2445DF CARF MF Processo nº 10580.721823/201707 Resolução nº 1402000.856 S1C4T2 Fl. 14 13 registradas no momento em que a contribuinte contabilizou o recebimento desses contratos. 7. Caso assim não se entenda, pede então que a multa de 150% seja limitada a 100%, consoante precedente do STF e Regimento Interno do CARF, art. 62. 8. Pede seja declarado que não houve sonegação, fraude ou conluio e então extinta a Representação Fiscal para Fins Penais. Os responsáveis tributários João Cerqueira de Santana Filho e Mônica Regina Cunha Moura, depois de restar improfícuas as tentativas de ciência por via postal (fls. 2074/2075), foram cientificados da decisão de 1ª instância por editais desafixados em 22/11/2017 (fls. 2373/2374) e interpuseram recursos voluntário e contrarrazões ao recurso de ofício em 20/11/2018 (fls. 2205/2287 e 2290/2372), de idêntico teor. Em 30/07/2018 juntaram aos autos a procuração de seus patronos (fls. 2420/2425 e 2428/2433). As razões de recurso voluntário apresentadas pelos responsáveis tributários são as mesmas deduzidas pela contribuinte. Já nas contrarrazões ao recurso de ofício, além se suscitar os mesmos pontos apresentados pela contribuinte, os responsáveis questionam a imputação que lhes foi dirigida por inexistir no processo qualquer indicação de condutas ilícitas que tenham sido por ele praticadas, ou seja, porque a acusação decorreria do mero fato destes serem sócios administradores e representantes da Pólis. Discorrem sobre os requisitos expressos no art. 135, III do CTN e sobre a jurisprudência acerca do tema, observando que a própria DRJ, analisando o conjunto probatório, chegou à conclusão, à fl. 2058, de que o não oferecimento das receitas à tributação pela Pólis "não implica os impugnantes tenham agido, relativamente à omissão, com excesso de poderes ou infração de lei, nos termos do inciso III do art. 135 do CTN." Discordam da possibilidade de o mero fato de ser sócio de uma sociedade, ainda que inadimplente, implique na responsabilização pessoal, e defendem que a específica e precisa subsunção para conduta do tipo legal é mais do que fundamental, o que não aconteceu no presente caso. Acrescentam que o requisito de vinculação da obrigação jurídicotributária ao ato ilícito não tributário decorre do fato de que do ato ilícito não tributário deve nascer uma obrigação jurídica tributária, consoante se deduz dos arts. 128 e 135 do CTN. Transcrevem doutrina e jurisprudência administrativa, concluem que o terceiro (sócio, acionista ou administrador) que apenas age contrariando a lei, o mandato, o contrato social ou o estatuto e que desse agir surja uma obrigação jurídicotributária, tornase o responsável pelos tributos decorrentes da infração pratica, mas somente nesta hipótese, que não foi demonstrada nestes autos. Quanto à imputação com base no art. 124, I do CTN, argumentam que nesta hipótese é exigido que os solidários participem do fato jurídico tributário, isto é, que sejam contribuintes. Entendem evidente a ausência de critérios objetivos para qualquer forma de responsabilização, ainda mais pautandose no referido dispositivo legal, visto que os sócios não praticaram qualquer ato em nome ou em benefício próprio. Citam doutrina e destacam que a DRJ reconheceu que a imputação da responsabilidade foi indevida, especialmente na forma do art. 124 do CTN, esclarecendo que "o inciso I do art. 124 do CTN com efeito não diz com a responsabilização dos sócios de direito". Fl. 2446DF CARF MF Processo nº 10580.721823/201707 Resolução nº 1402000.856 S1C4T2 Fl. 15 14 Pedem, assim, que a decisão da DRJ seja mantida em relação à não responsabilização dos sócios pelo crédito tributário. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso voluntário e razões ao recurso de ofício (fls. 2380/2415). Com referência ao recurso voluntário, inicialmente destaca excertos da acusação fiscal que fundamentam a conclusão no sentido de que os valores previstos nos contratos 01/2012 e 02/2012 não correspondem aos montantes depositados na conta bancária de titularidade da contribuinte junto ao Bradesco. Destacando o comportamento da contribuinte durante o procedimento fiscal, assevera que ao deixar de apresentar os documentos solicitados pela autoridade fiscal, a contribuinte fez surgir dúvidas sobre a confiabilidade de seus registros contábeis e isso trouxe duas consequências: primeiro, a Fiscalização concluiu, acertadamente, que os valores previstos nos Contratos 01/2012 e 02/2012, não poderiam ser associados aos depósitos na conta de titularidade da contribuinte no Banco Bradesco – por falta de comprovação documental; segundo, a Fiscalização adotou o lucro arbitrado para realizar o lançamento, por entender que a contabilidade da contribuinte seria imprestável para identificar sua movimentação financeira, inclusive bancária. Nesse ponto, cumpre destacar que a contribuinte, em seu Recurso Voluntário, afirma que não questionará o arbitramento do lucro, reconhecendo que houve problemas em sua contabilidade (fl. 2226), o que reforça a percepção de que as conclusões da autoridade fiscal foram acertadas. Acrescenta que a contribuinte não apresentou extrato bancário ou documento que demonstrasse o fluxo financeiro da conta bancária mantida no Banco Sol, observando tratarse de mais um fato que corrobora a convicção da autoridade fiscal no sentido de que não é possível vincular os valores previstos nos Contratos 01/2012 e 02/2012 aos depósitos na conta da contribuinte no Banco Bradesco. Com efeito, se o principal argumento de defesa da contribuinte é que houve tributação em duplicidade dos mesmos recursos – sobre os pagamentos referentes aos Contratos 01/2012 e 02/2012 e sobre os valores depositados no Banco Bradesco –, caberia a ela demonstrar o equívoco cometido pela Fiscalização. Expondo o que entende ser a correta interpretação da decisão da DRJ, dado que a contribuinte tenta fazer parecer que a DRJ teria reconhecido a vinculação entre os Contratos 01/2012 e 02/2012 e os depósitos na conta corrente de sua titularidade no Banco Bradesco, a Procuradoria da Fazenda Nacional opõese à pretensão da contribuinte de que não haveria mais razão para se falar em postergação do lançamento, visto que a postergação foi reconhecida para a tributação das receitas dos depósitos bancários e, na visão da contribuinte, a DRJ exonerou essa parte do lançamento por ter admitido que deveria ser tributada apenas a receita advinda dos contratos. Daí o motivo para a recorrente alegar que devem cessar os efeitos da postergação, e assim pretender a imputação do IRPJ e da CSLL recolhidos em virtude das receitas dos depósitos bancários ao crédito exigido em decorrência da omissão de receitas de serviços prestados no exterior. Destacando a omissão, no recurso voluntário da transcrição do parágrafo 31 da decisão de 1ª instância, bem como de parte do parágrafo 32, firma o entendimento de que a decisão proferida pela turma julgadora de primeira instância é bastante clara: deve ser separar a acusação fiscal de omissão de receitas de serviços prestados no exterior e a acusação fiscal relativa a omissão de receitas por depósitos bancários de origem não comprovada. No tocante à primeira acusação fiscal, a premissa para manter a autuação de omissão de receitas de serviço no exterior é desvincular os depósitos bancários, na conta Fl. 2447DF CARF MF Processo nº 10580.721823/201707 Resolução nº 1402000.856 S1C4T2 Fl. 16 15 perante o Bradesco, dos valores previstos nos Contratos 01/2012 e 02/2012. Esse entendimento está expresso no parágrafo 32 da decisão da DRJ, quando o relator afirma que as contraposições da defesa “não merecem assentimento”. Ora, essas “contraposições da defesa” mencionadas no parágrafo 32 remetem ao parágrafo 31, no qual o relator do acórdão recorrido esclarece que as “contraposições” consistem na tese da contribuinte no sentido de que os depósitos na conta junto ao Banco Bradesco seriam decorrentes dos pagamentos previstos nos contratos firmados em Angola. Demonstrando que a DRJ apreciou especificamente a questão probatória referente à omissão de receitas de serviços prestados no exterior, a Procuradoria da Fazenda Nacional conclui que não há dúvidas de que a turma julgadora de primeira instância endossou a premissa inicial adotada pela Fiscalização, no sentido de que não restou comprovada a correlação entre os Contratos firmados em Angola e os depósitos bancários na conta da contribuinte junto ao Bradesco. Quanto ao segundo depósito bancário, ressalta que a DRJ não se manifestou, em nenhum momento, da forma indicada pela contribuinte, ou seja, no sentido de que haveria correspondência entre os depósitos bancários no Banco Bradesco e os pagamentos referentes aos contratos de prestação de serviço firmados em Angola. Essa premissa é fundamental para compreender a manutenção da autuação relativa a omissão de receitas de serviços prestados no exterior e a exoneração do crédito tributário referente aos depósitos bancários de origem não comprovada. Com efeito, ainda que os valores na conta junto ao Banco Bradesco tenham sido oferecidos à tributação, isso não afeta o lançamento de omissão de receitas de serviços prestados no exterior. Isso porque, não havendo vinculação entre os depósitos e os Contratos 01/2012 e 02/2012, caberia à contribuinte demonstrar que as quantias a que teria direito, em virtude destes contratos, foram oferecidos à tributação. Como não houve comprovação de que houve a pertinente tributação, foi correto o entendimento da DRJ em manter o lançamento nessa parte. Na sequência, frisando que a autoridade fiscal reconheceu a postergação apenas quanto ao lançamento decorrente de omissão de receitas por depósitos bancários de origem não comprovada, assevera que não há discussão sobre regime de caixa ou competência em relação ao lançamento de omissão de receitas de serviço prestado no exterior. A questão do reconhecimento das receitas em período distinto do que deveria ter sido feito (postergação) foi específico para o caso dos depósitos bancários de origem não comprovada. A contribuinte pretenderia causar confusão sobre o conteúdo da acusação fiscal com o propósito de atribuir a postergação reconhecida pela autoridade fiscal para o lançamento referente aos depósitos bancários de origem não comprovada para o lançamento relativos aos pagamentos advindos dos Contratos 01/2012 e 02/2012. Em seu entendimento, porém, essa pretensão da contribuinte parte da equivocada premissa de que a DRJ teria reconhecido a correlação entre os pagamentos decorrentes dos Contratos 01/2012 e 02/2012 e os depósitos na conta junto ao Banco Bradesco. Ocorre que, admitindose que foi indevida a exigência de IRPJ e CSLL por omissão de receitas de depósitos bancários de origem não comprovada, isso não significa que os pagamentos feitos pela contribuinte foram indevidos. Essa tese da recorrente não faz sentido. Defende que: O raciocínio desenvolvido pela recorrente se mostra confuso ou propositadamente voltado para confundir. A exoneração de IRPJ e CSLL concedida pela DRJ não gera direito a crédito compensáveis com o lançamento referente à omissão de receitas por Fl. 2448DF CARF MF Processo nº 10580.721823/201707 Resolução nº 1402000.856 S1C4T2 Fl. 17 16 serviços prestados no exterior. Primeiro porque a DRJ não atestou a existência de pagamentos indevidos, mas reconheceu que tais pagamentos seriam incompatíveis com o lançamento de IRPJ e CSLL com fundamento no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Em segundo lugar, há duas bases de incidência para o lançamento: omissão de receitas referentes a depósitos bancários de origem não comprovada e omissão de receitas por serviços prestados no exterior. Assim, mesmo que se entenda que o lançamento relativo aos depósitos bancários é indevida, isso não contamina o crédito tributário referente à omissão de receitas por serviços prestados no exterior. Portanto, todo o recálculo do lançamento, realizado pela contribuinte em seu Recurso Voluntário está fundamentado em uma interpretação equivocada tanto do lançamento quanto da decisão proferida pela DRJ, razão pela qual deve ser rechaçado. Por fim, importante salientar que não houve injusta tributação em duplicidade das mesmas receitas. Conforme explicado anteriormente, as receitas referentes aos depósitos bancários devem ser tributadas por terem composto a receita bruta da contribuinte nos períodos fiscalizados. Por seu turno, como não restou comprovada a correlação entre depósitos bancários no Banco Bradesco e os valores dos Contratos firmados em Angola, temse que não há provas sobre a tributação das receitas advindas dos aludidos contratos o que justifica o lançamento de IRPJ e CSLL por omissão de receitas. Para aceitar como válida a alegação da contribuinte, no sentido de que estaria sendo tributada a mesma receita duas vezes, terseia que acatar a sua premissa de que os valores depositados no Banco Bradesco têm como origem os Contratos 01/2012 e 02/2012. O problema é que não há prova dessa correlação, segundo o entendimento da Fiscalização e da DRJ. Além disso, novamente, cabe enfatizar que a exoneração do lançamento de omissão de receitas de depósitos bancário de origem não comprovada não afeta o crédito tributário referente às receitas omitidas em razão de serviços prestados no exterior. Diante de todo o exposto, mostrase que foi correto o entendimento da Fiscalização, confirmado pela DRJ, no sentido de que houve omissão de receitas relativas a serviços prestados no exterior. Registrando que são incontroversas a omissão de receitas financeiras e o cabimento do arbitramento, a Procuradoria da Fazenda Nacional também anota a ausência de questionamento acerca da opção da contribuinte pelo lucro presumido. Passando às razões do recurso de ofício, a Procuradoria da Fazenda Nacional defende o restabelecimento da multa qualificada, vez que a autoridade fiscal não fundamentou a qualificação da multa apenas pelo fato de ter havido omissão de receitas por serviços prestados no exterior. Com efeito, a Fiscalização apresentou, no Termo de Verificação Fiscal, outros elementos para qualificar a multa e responsabilizar pessoalmente os sócios. O primeiro elemento a ser destacado é a ausência de declaração da conta bancária de titularidade da contribuinte, mantida no Banco Sol, em Angola. Ao omitir a existência dessa conta bancária, a contribuinte conseguiu movimentar enormes quantias de dinheiro, no exterior, sem informar às autoridades brasileiras. Percebam, Srs. Conselheiros, que a informação sobre as contas no exterior não é de interesse apenas da Receita Federal do Brasil, para fins de lançamento de tributos. Com efeito, há a necessidade de prestar tais informações para que entidades como o BACEN, COAF e Polícia Federal possam atuar no controle de atividades financeiras e, igualmente, no combate e repressão a crimes, como o de lavagem de dinheiro e corrupção. Não é por acaso que o lançamento de omissão de receitas discutido no presente processo administrativo está associado a condutas reputadas ilícitas (crimes), as quais estão sendo Fl. 2449DF CARF MF Processo nº 10580.721823/201707 Resolução nº 1402000.856 S1C4T2 Fl. 18 17 investigadas pela Polícia Federal e são objeto de processos criminais no âmbito da Justiça Federal. Observa que a escolha por ocultar a existência da conta bancária em Angola já seria motivo suficiente para reconhecer a conduta dolosa da contribuinte, cujo objetivo era manter longe do conhecimento das autoridades brasileiras as transações realizadas no exterior, e acrescenta a constatação de falta de emissão de nota fiscal, relativa à prestação de serviço no exterior, ressaltando que mesmo admitindose válida a justificativa de que a não emissão decorreria da imunidade para as receitas decorrentes da exportação de serviços, o fato é que não há qualquer documento comercial atestando a regularidade da prestação de serviços em Angola. Ainda em suas palavras: Somese a isso os depoimentos prestados pelos sócios da contribuinte, o Sr. João Santana e a Sra. Mônica Moura, nos quais relatavam que receberam US$ 50 milhões pela prestação de serviço em Angola, mas somente registraram US$ 30 milhões. Os US$ 20 milhões restantes, conforme expressamente confessado pelos sócios da contribuinte, foram acertados por meio de “contratos de gaveta” e, portanto, não contabilizados nos livros contábeis e fiscais da contribuinte. Segundo a autoridade fiscal, tratase de forte indício de que houve sonegação fiscal de outros valores auferidos no exterior. Em que pese os US$ 20 milhões não serem objeto de exigência fiscal no presente processo administrativo, o fato é que realizar “contratos de gaveta” e não declarar o montante total contratado no exterior permite qualificar o comportamento da contribuinte como ilícito e voltado para práticas de sonegação fiscal. Ademais, considerando as diversas autuações fiscais existentes contra a contribuinte – as quais foram, inclusive, citadas pela recorrente em sua peça recursal (fls. 22532256) –, há que se concordar com a autoridade fazendária, quando afirma que “os sócios da pessoa jurídica fiscalizada, possuem ‘modus operandis’ em omitir informações das autoridades tributárias” (fl. 102). Com isso não se está pretendendo que a multa seja qualificada pela conduta da contribuinte e seus sócios analisadas em outros processos, mas apenas demonstrando que a ocultação de receitas examinada neste processo administrativo faz parte de um contexto, o qual evidencia a intenção consciente da contribuinte e seus sócios de omitir rendimentos auferidos no exterior. Implica dizer que a não contabilização da conta no Banco Sol, a falta de emissão de notas fiscais, os indícios de outros contratos não entregues à Fiscalização compõem um conjunto probatório que torna inquestionável a intenção da contribuinte de realizar sonegação fiscal. Nesse ponto, importante esclarecer que a alegação da recorrente, no sentido de que o Sr. João Santana e a Sra. Monica Moura foram absolvidos do crime de corrupção, no processo criminal que tramita na Justiça Federal, não afasta a existência do crime de sonegação fiscal. Aliás, pelo que consta dos depoimentos dos sócios da contribuinte, o crime de sonegação fiscal foi confessado no âmbito do processo criminal, o que explica o envio dos dados colhidos naquele processo para a Secretaria da Receita Federal, a fim de que este órgão pudesse apurar as fraudes fiscais e realizar os pertinentes lançamentos. Além do restabelecimento da multa qualificada, a Procuradoria da Fazenda Nacional também defende a imputação de responsabilidade aos sócios, mormente com base no art. 135, III do CTN, considerando especialmente a infração à lei que regulamenta o controle de atividades financeiras exercidas no exterior, consoante assim exposto: Fl. 2450DF CARF MF Processo nº 10580.721823/201707 Resolução nº 1402000.856 S1C4T2 Fl. 19 18 A leitura dos dispositivos acima transcritos escancara o desrespeito que a contribuinte e seus sócios tiveram pelo regime jurídico de controle de recursos em moeda estrangeira mantidos no exterior. Em primeiro lugar, cumpre destacar a regra prevista no § 2º do art. 1º da IN SRF nº 726, de 2007, a qual determina que a pessoa jurídica deverá manter escrituração contábil nos termos da legislação comercial, para evidenciar, destacadamente, os respectivos saldos e suas movimentações, independentemente do regime de apuração do imposto de renda adotado. Além de a contribuinte não ter registrado contabilmente a conta perante o Banco Sol e não ter transcrito ao Diário as movimentações relativas a esta conta bancária, convém lembrar que o Sr. João Santana confessou a existência de “contratos de gaveta”. Implica dizer que a contribuinte e seus sócios participaram de negociações no exterior totalmente à margem da contabilidade e do padrão esperado para operações lícitas e em conformidade com a legislação comercial e fiscal. Ademais, cabe notar que a declaração prevista no art. 8º da Lei nº 11.371, de 2006, foi regulamentada especificamente nos art. 5º, 6º e 7º da mencionada IN SRF, da seguinte forma: (a) o art. 5º reafirmou a obrigatoriedade da Declaração sobre a Utilização dos Recursos em Moeda Estrangeira Decorrentes do Recebimento de Exportações (Derex); (b) o art. 6º exigiu que fossem inseridas na DEREX as informações sobre “a origem e utilização dos recursos relativos ao recebimento de exportações não ingressadas no Brasil”; e (c) o art. 7º determinou que a discriminação dos recursos fosse segregada por instituição financeira, devendo haver a identificação das contas bancárias e os respectivos procuradores, representantes ou agentes no exterior, responsáveis pela sua movimentação. Novamente, ressaltase que nada disso foi observado pela contribuinte e seus sócios, tendo em vista que a conta no Banco Sol (Angola) e a respetiva movimentação de recursos não foram declaradas ao Fisco. Aliás, não houve maiores esclarecimentos sobre a movimentação de recursos na referida conta bancária, seja por meio da DEREX ou nas respostas aos Termos de Intimação Fiscal emitidas pela autoridade fazendária. Isso deixa claro a postura da contribuinte e seus sócios de se limitarem a fornecer o mínimo de informações possível sobre as operações realizadas no exterior, o que reforça a convicção sobre a conduta de sonegação fiscal – que motivou a qualificação da multa. Destacando que a informação sobre as contas no exterior não é de interesse apenas da Receita Federal do Brasil, para fins de lançamento de tributos, dado que tais informações são fundamentais para que entidades, como COAF, possam atuar no controle de atividades financeiras e, igualmente, no combate e repressão a crimes, como o de lavagem de dinheiro e corrupção, questiona: Nessa perspectiva, a prerrogativa de solicitar informações bancárias e financeiras, conferida ao COAF, restaria esvaziada se não houvesse qualquer tipo de responsabilização para os sócios das pessoas jurídicas que, simplesmente, se “esquecem” de declarar valores mantidos no exterior. Reparem, Srs. Conselheiros, que a conduta dos sócios da contribuinte, o Sr. João Santana e a Sra. Mônica Moura, não se restringiu a deixar de contabilizar, no Livro Diário, a conta mantida no Banco Sol. Com efeito, há uma série de normas legais e infralegais que deixaram de ser cumpridas pelos referidos sócios. E qual teria sido o objetivo dos sócios ao desconsiderar normas de amplo conhecimento? Considerando o volume dos recursos movimentados no exterior, seria escusável o “esquecimento” dos sócios, Sr. João Santana e Sra. Mônica Moura, na qualidade de diretores da contribuinte? Claramente, a conduta dos sócios da contribuinte não constituiu mero “esquecimento”, ainda mais quando se considera o “modus operandi” ao qual faz referência a Fl. 2451DF CARF MF Processo nº 10580.721823/201707 Resolução nº 1402000.856 S1C4T2 Fl. 20 19 autoridade fiscal. As diversas autuações fiscais que recaem sobre o Sr. João Santana e a Sra. Mônica Moura evidenciam que, na qualidade de diretores da contribuinte – e de outras pessoas jurídicas pertencentes aos dois –, o Sr. João Santana e a Sra. Mônica Moura optaram por deliberadamente descumprir as normas contábeis, financeiras, fiscais e, inclusive, criminais. Finaliza, assim, também pleiteando a reforma da decisão proferida pela DRJ, na parte em que resolveu retirar a responsabilidade pessoal dos sócios, o Sr. João Santana e a Sra. Mônica Moura, vez que demonstrada a existência de ato praticados com infração à lei – várias normas, é bom frisar –, o que configura hipótese de responsabilidade pessoal dos sócios com poderes de direção, nos termos do inciso III do art. 135 do CTN. VOTO Conselheira Edeli Pereira Bessa Relatora As exigências veiculadas nestes autos correspondem a IRPJ e CSLL devidos nos anoscalendário 2012 e 2013, apurados mediante arbitramento dos lucros, vez que no ano calendário 2012 a escrituração do sujeito passivo apresentava vícios, erros ou deficiências que a tornavam imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária em especial a omissão acerca de conta bancária mantida no exterior , ao passo que no ano calendário 2013 o sujeito passivo optara indevidamente pelo lucro presumido, apesar de estar obrigado ao lucro real em razão de ter auferido receitas superiores a R$ 48.000.000,00 no ano calendário 2012. Os recorrentes não contestam o arbitramento dos lucros. O lucro tributável foi determinado tendo em conta as seguintes receitas: · Receita bruta na prestação de serviços em geral Mercado interno, demonstrada no Anexo 01 ao Termo de Verificação Fiscal, e submetida ao coeficiente de 38,4%; · Receitas de aplicações financeiras de renda fixa demonstradas no Anexo 02 ao Termo de Verificação Fiscal, adicionadas ao lucro arbitrado com a dedução do correspondente imposto de renda retido na fonte; · Omissão de receita presumida a partir de depósitos bancários de origem não comprovada verificados em 13/11/2012 (R$ 34.169.807,12) e 02/10/2013 (R$ 21.899.788,42), especialmente porque a contribuinte deixou de apresentar provas de que tais recursos teriam advindo da conta corrente mantida no Banco Sol em Angola, e também considerando a prática de omitir informações das autoridades tributárias e os indícios constatados de que existiriam outros contratos celebrados e não apresentados à Fiscalização. Foram descontados os efeitos da postergação do reconhecimento do crédito de R$ 34.169.807,12, pertinente ao 4º trimestre de 2012, para a apuração dos tributos devidos no 4º trimestre de 2013; e Fl. 2452DF CARF MF Processo nº 10580.721823/201707 Resolução nº 1402000.856 S1C4T2 Fl. 21 20 · Omissão de receitas da atividade, decorrentes de prestação de serviços no mercado externo (Angola), demonstradas no Anexo 03 ao Termo de Verificação Fiscal, correspondentes aos Contratos 1/2012 e 2/2012, nas datas e valores neles fixados, desconsideradas as ordens de pagamento oriundas do cliente porque não autenticadas pela Embaixada do Brasil em Angola, e observandose que notas fiscais correspondentes a tais serviços foram emitidas e canceladas, sem posterior nova emissão. Esclareçase que embora a autoridade lançadora indique, no Termo de Verificação Fiscal, que a receita bruta na prestação de serviços em geral auferida no mercado interno estaria demonstrada nos Anexos 01 e 02 ao Termo de Verificação Fiscal, as informações referentes aos anoscalendário 2012 e 2013 foram consignadas apenas no Anexo 01. Em consequência, as receitas de aplicações financeiras de renda fixa restaram demonstradas no Anexo 02, e não no Anexo 03, como descrito no Termo de Verificação Fiscal. O Anexo 03 ao Termo de Verificação Fiscal, por sua vez, evidencia os cálculos de conversão para reais das receitas de prestação de serviços no exterior omitidas pela contribuinte. Os recorrentes manifestam concordância com as receitas tributáveis apontadas nos Anexos 1 (Demonstrativo Receita Bruta Conhecida Ano 2012, Ano 2013) e 2 (Demonstrativo de Aplicações Financeiras e Imposto de Renda Retido na Fonte). Considerando que não está sendo questionada a tributação na sistemática do lucro arbitrado, e também tendo em conta que estas exigências não se sujeitaram a multa de ofício qualificada, os créditos tributários correspondentes restariam definitivamente constituídos, não fosse pelo requerimento do sujeito passivo de que fossem deduzidas as retenções na fonte recolhidas pela contribuinte, na condição de agência de propaganda e publicidade. A autoridade julgadora de 1ª instância indeferiu tal pedido sob seguintes fundamentos a seguir reproduzidos, com ajuste na numeração das notas de rodapé: Da Dedução de IRRF 43. Consoante a impugnação, não teria sido deduzida no lançamento a totalidade dos tributos pagos pela empresa nos anos objeto da autuação (vide quadros das fls. 1476 e 1477). A fiscalização teria desconsiderado por completo o "IRRF pago sob o código 1708" e não teria levado em conta "o regime jurídicotributário peculiar à impugnante, uma agência de publicidade11" 44. Não há acordar com a defesa. Depreendese dos quadros das fls. 1476 e 1477, a sua pretensão é para que se considere a correção do pagamento do imposto e da contribuição, relativa aos depósitos bancários, no quarto trimestre do anocalendário de 2013, e se deduza o IRRF consubstanciado nos DARFs das fls. 1557 a 1561. 11 Termo de Verificação Fiscal, fl. 76: 6. Da análise das Notas Fiscais e Livro Razão n° 09 de 2012, quanto ao faturamento da pessoa jurídica, verificou se a necessidade de esclarecimentos relativos: a) cancelamentos de Notas Fiscais de valores elevados relacionadas a prestação de serviços em Angola de mesmo tomador: MPLA – Partido Político Movimento Popular Libertação de Angola; b) crédito em conta corrente no Banco Bradesco – Agência 22101 – conta 22.6726 no valor de R$ 34.169.807,12 contabilizado no dia 13/11/2012 a título de adiantamento de prestação de serviço em Angola, conforme pág. 55 do Livro Razão n° 09 e c) esclarecimentos sobre a DIRF 2012 onde o contribuinte aparece como declarante e beneficiário dos mesmos fatos informados. Observase ainda das Notas Fiscais apresentadas que todo o faturamento no Brasil no ano 2012 tem como tomadores de serviços o Partido dos Trabalhadores – PT, Eleição 2012 – Comitê Financeiro SP Único PT e Eleição 2012 Fernando Haddad Prefeito. Fl. 2453DF CARF MF Processo nº 10580.721823/201707 Resolução nº 1402000.856 S1C4T2 Fl. 22 21 45. Como visto, a tributação dos depósitos bancários restou indevida, de sorte que o adstrito questionamento fica sem sentido. Quanto ao IRRF, não há atrelar os valores dos sobreditos DARFs às receitas da prestação de serviços internos descritas nos anexos das fls. 111 e 112; ou melhor, não se trouxe à colação nenhum elemento a comprovar a retenção teria se dado em face do auferimento das receitas especificadas nos anexos, condição sine qua non à sua dedutibilidade. 46. As agências de propaganda e publicidade, consoante art. 3º da IN SRF nº 123, de 20 de novembro de 199212, com efeito devem recolher o imposto por ordem e conta do anunciante. O recolhimento deve se dar até o último dia útil do 1º (primeiro) decêndio do mês subsequente ao mês de ocorrência dos fatos geradores (alínea do inciso I do art. 70 da Lei nº 11.196, de 2005), sob o código 8045. 47. Depois do recolhimento, devese fornecer ao anunciante, até 31 de janeiro de cada ano, documento comprobatório com indicação do valor do rendimento e do imposto de renda recolhido, relativo ao anocalendário anterior. As informações prestadas devem ser discriminadas na Declaração de Imposto de Renda na Fonte (Dirf) anual do anunciante. 13 48. Não se há fiar no alegado erro de preenchimento da DIRF, em que a interessada aparece como tomadora e beneficiária dos serviços ao mesmo tempo, para pressupor os pagamentos, sob o código 1708, se deram em face das receitas especificadas nos anexos. 49. De mais a mais, o pleito da interessada admitindose houvera erro no código dos DARFs apresentados, o que se faz para levar a cabo o argumento não prescinde da confecção de Redarf, cuja admissibilidade segue rito próprio, previsto na IN SRF nº 672, de 30 de agosto de 2006. Consta dos recursos voluntários o mesmo quadro demonstrativo apresentado em impugnação: 12 Art. 3o O imposto deverá ser recolhido pelas agências de propaganda, por ordem e conta do anunciante, até o décimo dia da quinzena subseqüente à da ocorrência do fato gerador. 13 Instrução Normativa SRF nº 577, de 2005: Art. 15. Os rendimentos e o respectivo imposto de renda na fonte devem ser informados na Dirf: (...) II do anunciante que tenha pago a agências de propaganda importâncias relativas à prestação de serviços de propaganda e publicidade. Art. 16. As pessoas jurídicas que tenham recebido as importâncias de que trata o art. 15 devem fornecer às pessoas jurídicas que as tenham pago, até 31 de janeiro do ano subseqüente àquele a que se referir a Dirf, documento comprobatório com indicação do valor das importâncias pagas e do respectivo imposto de renda recolhido, relativos ao anocalendário anterior. Fl. 2454DF CARF MF Processo nº 10580.721823/201707 Resolução nº 1402000.856 S1C4T2 Fl. 23 22 Embora mencionem que esta demonstração se refere aos tributos pagos sobre depósitos bancários, os recorrentes, mais à frente, asseveram que as receitas que ensejaram os recolhimentos do IRRF estão listadas no Anexo 01 do Termo de Verificação Fiscal e integram o lançamento. Observando que os comprovantes de arrecadação constam dos autos, e que é obrigação da Receita Federal do Brasil reconhecêlos, os recorrentes esclarecem que as agências de publicidade devem recolher IRRF à alíquota de 1,5% sobre suas receitas. Tratase de hipótese de autorretenção, ou seja, a contribuinte e não a fonte pagadora recolhe o IRRF. Ao final do ano, a contribuinte envia os DARFs para a fonte, para que esta os informem em sua DIRF. Contudo, a contribuinte não tem como obrigar que a fonte preencha a DIRF adequadamente. É absurdo obrigar a contribuinte a pagar o IRRF em autorretenção, e só permitir seu uso se a fonte informar isso em sua DIRF. O exame da DIPJ originalmente apresentada para o anocalendário 2012 evidencia que apenas retenções de R$ 6.000,00 foram deduzidas no 1º trimestre/2012 (fls. 1327/1350). Já no lançamento, embora promovendo o arbitramento dos lucros a partir das receitas declaradas no 1º trimestre/2012, no valor de R$ 400.000,00, a autoridade lançadora admitiu como dedução, apenas, o IRPJ a pagar de R$ 20.000,00 (apurado depois da dedução de R$ 6.000,00 em face do IRPJ reconhecido como devido de R$ 26.000,00), acrescido do IRRF sobre os rendimentos de aplicações financeiras, demonstrados no Anexo 02 do Termo de Verificação Fiscal, no total de R$ 792,29 para o 1º trimestre de 2012. Já com referência ao 2º e 3º trimestres de 2012, embora a contribuinte não os tenha deduzido na apuração original do IRPJ devido, observase que todos os DARF de fls. 1557/1561, juntados à impugnação, apresentam as mesmas características e seus valores guardam correspondência com o esperado em razão da aplicação de 1,5% sobre as receitas declaradas no período. De fato, o recolhimento de R$ 6.000,00 corresponde a 1,5% da receita declarada no 1º trimestre de 2012 (R$ 400.000,00) e os recolhimentos do 3º trimestre de 2012, que totalizam R$ 75.000,00, correspondem a 1,5% da receita declarada de R$ 5.000.000,00. Apenas o recolhimento de R$ 2.250,00, no 2º trimestre de 2012, não guarda exata correspondência, mas ainda assim não supera o que seria esperado em razão da receita declarada de R$ 300.000,00. Neste contexto, é possível que os recolhimentos em questão se refiram, de fato, a retenções recolhidas pela agência de publicidade, razão pela qual o presente voto é no sentido de CONVERTER o julgamento em diligência para que se verifique junto à escrituração do Fl. 2455DF CARF MF Processo nº 10580.721823/201707 Resolução nº 1402000.856 S1C4T2 Fl. 24 23 sujeito passivo se, de fato, não há outros débitos que poderiam justificar o recolhimento sob o código 1708, ou outras evidências que não permitam admitir tais recolhimentos como retenções passíveis de dedução nos três primeiros trimestres de 2012, atestando, também, a disponibilidade de tais recolhimentos junto aos sistemas de controle da Receita Federal. Ao final dos trabalhos a autoridade fiscal deve produzir relatório circunstanciado, descrevendo suas análises e conclusões daí resultantes, dele cientificando a interessada, com reabertura de prazo de 30 (trinta) dias para complementação de suas razões de defesa. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa – Relatora Fl. 2456DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.944983/2013-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.557
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10880.944983/2013-14
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5994385
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3201-001.557
nome_arquivo_s : Decisao_10880944983201314.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 10880944983201314_5994385.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
id : 7708344
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:42:59 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051907720740864
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1585; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.944983/201314 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201001.557 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 29 de janeiro de 2019 Assunto Diligência Recorrente GRANOL INDUSTRIA COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório A interessada apresentou pedido de ressarcimento de contribuição não cumulativa, cumulado com compensação de débitos próprios. O pedido foi indeferido pela unidade de origem e não foram homologadas as compensações vinculadas. Irresignada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, onde afirma que houve erros graves nas planilhas elaboradas pela fiscalização, contesta as glosas efetuadas e defende a legitimidade de seu pleito. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 07039.488. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 44 98 3/ 20 13 -1 4 Fl. 1361DF CARF MF Processo nº 10880.944983/201314 Resolução nº 3201001.557 S3C2T1 Fl. 3 2 Inconformada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, o recurso voluntário ora em apreço, por meio do qual alega, em síntese que: As glosas sobre as aquisições de sebo bovino e crédito presumido foram objeto de contestação em processo administrativo próprio, e o pleito já foi lá deferido; O acórdão discutido deixou de se manifestar sobre a oposição a determinadas glosas, de tal sorte que deve ser anulado; Não se justificam as glosas mantidas em relação aos itens especificados na reclamação.; Deve incidir taxa Selic sobre o ressarcimento. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201001.553, de 29 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.944979/201348, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.553): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso deve ser conhecido. A Recorrente apresentou pedido de ressarcimento da Cofins referente ao 1º trimestre 2012 (origem na receita de mercado externo). Indeferido, apresentou manifestação de inconformidade, ao final considerada improcedente pela DRJ (antes de proferido o acórdão recorrido, em face dos argumentos de defesa, a DRJ baixou os autos em diligência, mediante mero despacho. A Informação Fiscal de fls. 1242 e ss. manteve, no entanto, o indeferimento de todo o valor pleiteado). Noticiam os autos que há muitos outros processos do mesmo Recorrente, tratando da mesma matéria: pedidos de ressarcimento. E vemos, também, que, para o mesmo período de apuração, há diferentes processos, pleiteando, separadamente, créditos de PIS/Cofins, com origem em operações do mercado interno, mercado externo e crédito presumido. Nesse contexto, voto por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a unidade preparadora reúna todos os processos do mesmo período (mercado interno, mercado externo e crédito presumido), tanto de PIS como de Cofins, ainda que em algum deles já tenha decisão transitado em julgado." Fl. 1362DF CARF MF Processo nº 10880.944983/201314 Resolução nº 3201001.557 S3C2T1 Fl. 4 3 Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora reúna todos os processos do mesmo período (mercado interno, mercado externo e crédito presumido), tanto de PIS como de Cofins, ainda que em algum deles já tenha decisão transitado em julgado. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 1363DF CARF MF
score : 1.0
