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Numero do processo: 10930.901114/2013-54
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2009
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPLEMENTAÇÃO DE DECISÕES PROFERIDAS POR DRJ/CARF. OBRIGAÇÃO DE OFÍCIO DE UNIDADE DE ORIGEM. SÚMULA CARF Nº 4.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. No presente caso, a DRF aplicou corretamente a taxa SELIC sobre o crédito reconhecido em decisão proferida pela DRJ.
Numero da decisão: 1002-000.717
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva- Presidente.
(assinado digitalmente)
Rafael Zedral- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Rafael Zedral e Marcelo José Luz de Macedo.
Nome do relator: RAFAEL ZEDRAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPLEMENTAÇÃO DE DECISÕES PROFERIDAS POR DRJ/CARF. OBRIGAÇÃO DE OFÍCIO DE UNIDADE DE ORIGEM. SÚMULA CARF Nº 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. No presente caso, a DRF aplicou corretamente a taxa SELIC sobre o crédito reconhecido em decisão proferida pela DRJ.
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IMPLEMENTAÇÃO DE DECISÕES PROFERIDAS POR DRJ/CARF. OBRIGAÇÃO DE OFÍCIO DE UNIDADE DE ORIGEM. SÚMULA CARF Nº 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. No presente caso, a DRF aplicou corretamente a taxa SELIC sobre o crédito reconhecido em decisão proferida pela DRJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Rafael Zedral Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Rafael Zedral e Marcelo José Luz de Macedo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 11 14 /2 01 3- 54 Fl. 87DF CARF MF 2 Relatório Por bem sintetizar os fatos até o momento processual anterior ao do julgamento da Manifestação de Inconformidade contra a não homologação da compensação, transcrevo e adoto o relatório produzido pela DRJ/RJ: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório n° de rastreamento 050892827 emitido eletronicamente em 03/05/2013, fl. 13, referente à declaração de compensaçãoDcomp n° 26255.85989.171212.13.048059 transmitida com o objetivo de compensar o (s) débito (s) discriminado (s) na referida Dcomp com crédito de imposto de renda pessoa jurídica (IRPJ), código 3373, período de apuração 30/06/2009, no valor original na data de transmissão de R$ 640,61, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 31/08/2009 (R$ 35.504,27). De acordo com o Despacho Decisório a partir das características do DARF descrito na Dcomp acima identificada, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados na Dcomp. Assim, diante da inexistência do crédito, foi exigido do interessado débito de R$ 518,80 acrescido de encargos moratórios. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei n° 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificado da decisão em 13/05/2013, conforme documento de fl. 16, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 17 a 22, em 11/06/2013, alegando, em síntese, que o Despacho Decisório recorrido foi lavrado sem considerar as informações apontadas na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) retificadora transmitida em 22/01/2013. O Acórdão 1275.868 2ª Turma da DRJ/RJO identificou que a DCTF retificadora foi transmitida pela contribuinte antes da ciência do despacho decisório de fls. 24. Verificou a relatora do acórdão recorrido que os sistemas de controle da pagamentos da RFB constam a alocação do recolhimento de valor R$ 35.504,27 ao débito (já retificado) de valor R$ 34.865,55) além também de Juros no valor de R$ 351,52. Afirma a relatora que " RFB reconhece que houve recolhimento a maior de R$ 290,07" mas parte deste valor estaria alocado (reservado) a uma outra compensação no valor de R$ 246,98 (DCOMP 20.513.50929.250113.1.3.041917). Assim, reconheceu o crédito de R$ 43,09, como sendo a diferença entre 290,07 e 246,98. Inconformado com a decisão, a contribuinte apresenta recurso voluntário (fls. 50/56), por meio do qual os procuradores da recorrente alegam que a DRJ não aplicou os "juros e correções monetárias que a Recorrente perfaz de direito", negando, segundo alega, vigência à lei 9.250/95. Centram suas razões de recurso exclusivamente na aplicação da taxa Selic sobre crédito reconhecido. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10930.901114/201354 Acórdão n.º 1002000.717 S1C0T2 Fl. 88 3 Ao final requer o acolhimento do presente recurso para o fim de análise e reconhecimento do direito creditório que entende fazer jus. É o Relatório do essencial. Voto Conselheiro Rafael Zedral Admissibilidade Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do art. 23B da Portaria MF nº 343/2015 (Regimento Interno do CARF), com redação dada pela Portaria MF nº 329/2017. Demais disso, observo que o recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Mérito DA TAXA SELIC A recorrente interpôs Recurso Voluntário questionando exclusivamente a aplicação da taxa Selic sobre o crédito reconhecido pela DRJ do Rio de Janeiro. Alega que Delegacia de Julgamento do Rio de Janeiro "brilhantemente homologou o direito da Recorrente em compensar os valores ora apontados no seu acórdão" mas não teria a DRJ do Rio de Janeiro se atentado aos juros e correções monetárias aplicáveis. Afirma em seu recurso voluntário, às fls. 60, que o Acórdão recorrido teria negado vigência à lei 9250/1995 quanto à aplicação da taxa Selic na correção do crédito reconhecido. Não há razão à recorrente quanto a este ponto. Considerando que a aplicação de índices de atualização sobre um valor é um procedimento de ordem matemática, deveria a recorrente apresentar os cálculos que considera corretos, bem como demonstrar porque os cálculos da DRJ/RJO estariam incorretos. Mesmo assim, demonstraremos abaixo que o procedimento realizado feito pela Delegacia da Receita Federal de Londrina ( e não pela DRJ/RJO) estão corretos. A DRJ/RJO reconheceu o crédito no valor de R$ 43,09 referente a um recolhimento via DARF ocorrido em 31/08/2009. Não há no texto do acórdão de fls. 48/52 qualquer referência a aplicação de qualquer índice de atualização e isto se deve ao fato de que o valor de R$ 43,09 é o indébito na data do recolhimento. O acórdão recorrido, no seu parágrafo 18 reconhece o valor de R$ 43,09 e "homologa a compensação até o limite do crédito reconhecido" . Não faz o Acórdão qualquer referencia ao montante amortizado e qual seria o valor do saldo de débitos, porque esta tarefa, em todos os casos, cabe à Delegacia de jurisdiciona o contribuinte, no caso a DRF Londrina PR. Fl. 89DF CARF MF 4 A utilização da taxa Selic na correção de créditos desta natureza é imposição da legislação e foi aplicada de ofício pelos servidores da Delegacia da Receita Federal que jurisdiciona o contribuinte quando da implementação da decisão da DRJ, independentemente de pronunciamento quando a este ponto nos acórdãos dos orgãos de julgamento administrativo ou judicial. O presente caso não foi exceção pois crédito foi corretamente atualizado pela Delegacia da Receita Federal. Vejamos: Do dia 31/08/2009 até a data da transmissão da DCOMP 26255.85989.171212.1.3.048059, em 17/12/2012 incide taxa Selic no valor acumulado de 30,80% (De setembro de 2009 até Novembro de 2012) mais 1% referente a Dezembro de 2012, perfazendo 31,80%, o que é a mesma taxa informada pela recorrente na DCOMP 26255.85989.171212.1.3.048059 às fls. 04 (linha " Selic Acumulada"). Aplicando o fator 1,318 sobre R$ 43,09 chegase ao valor atualizado de R$ 56,79 em Dezembro de 2012, o que vem a ser o mesmo valor constante no extrato do processo (fls. 53), no campo " Extinto Compensação": Assim, o valor reconhecido pela DRJ no valor de R$ 43,09 foi utilizado na amortização do débito no valor de R$ 518,80 de PIS, tendo sido atualizado até a data da compensação (12/2012) (pela Taxa Selic) para o montante de R$ 56,79, restando saldo de débitos no valor de R$ 462,01 conforme atesta o extrato do processo de débito às fls. 53 e que foram posteriormente juntado pelo próprio recorrente às fls. 82 Demonstrado está a exatidão do procedimento adotado pela DRF de Londrina PR que aplicou corretamente a taxa Selic sobre o valor de crédito reconhecido. Dispositivo Ante o exposto, voto para conhecer do Recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. É como Voto. Rafael Zedral Relator Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10930.901114/201354 Acórdão n.º 1002000.717 S1C0T2 Fl. 89 5 Fl. 91DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15563.000099/2010-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 30/04/2005 a 30/06/2005
AMAZÔNIA OCIDENTAL. INSUMO COM ALÍQUOTA ZERO NÃO DÁ DIREITO A CRÉDITO.
Não existe direito ao crédito na aquisição de insumo da Amazônia Ocidental que tenha alíquota zero de IPI, exceção feita aos casos em que a própria legislação do imposto prevê a possibilidade de créditos incentivados.
Numero da decisão: 3302-006.922
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto).
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 30/04/2005 a 30/06/2005 AMAZÔNIA OCIDENTAL. INSUMO COM ALÍQUOTA ZERO NÃO DÁ DIREITO A CRÉDITO. Não existe direito ao crédito na aquisição de insumo da Amazônia Ocidental que tenha alíquota zero de IPI, exceção feita aos casos em que a própria legislação do imposto prevê a possibilidade de créditos incentivados.
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INSUMO COM ALÍQUOTA ZERO NÃO DÁ DIREITO A CRÉDITO. Não existe direito ao crédito na aquisição de insumo da Amazônia Ocidental que tenha alíquota zero de IPI, exceção feita aos casos em que a própria legislação do imposto prevê a possibilidade de créditos incentivados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 00 00 99 /2 01 0- 21 Fl. 456DF CARF MF Processo nº 15563.000099/201021 Acórdão n.º 3302006.922 S3C3T2 Fl. 457 2 Relatório Por bem descrever a realidade dos fatos, adoto e transcrevo relatório da decisão de primeira instância, acórdão nº 0940.710 3ª Turma da DRJ/JFA: Trata o presente processo de crédito tributário exigido por meio de auto de infração lavrado contra o estabelecimento em epígrafe às fls. 217/220, com demonstrativos de fls. 1429/1509 e termo de verificação fiscal de fls. 214/216, referente á glosa de crédito do imposto sobre produtos industrializados (IPI) no montante de R$ 8.350.214,40 e multa regulamentar no montante de R$ 65,70. A descrição dos fatos e enquadramento legal consta de fls. 219/220, tendo a Fiscalização fundamentado a lavratura do auto de infração nos seguintes itens: “001 – CRÉDITOS INDEVIDOS BEBIDAS CRÉDITOS NÃO COMPROVADOS Valor apurado conforme Termo de Verificação Fiscal” Enquadramento legal: “Arts. 122, 127, 130, 164, 190, inciso I, 199 e parágrafo único, 200, inciso IV e 202, do Decreto nº 4.544/02 (RIPI/02)”. “002 – MULTAS DE VALOR FIXO MULTA REGULAMENTAR BÁSICA Valor apurado conforme Termo de Verificação Fiscal” Enquadramento legal: “Art. 508 do Decreto nº 4.544/02 (RIPI/02)”. No termo de verificação fiscal de fls. 212/213, foram detalhados os procedimentos, critérios e conclusões fiscais que ensejaram a autuação. Inicialmente, a autoridade fiscal faz um relatório das diversas oportunidades em que tentou, via intimações e reintimações, obter, junto ao contribuinte, os documentos fiscais comprobatórios dos créditos escriturados no campo “outros créditos” no Livro de Registro de Apuração do IPI de nº 2. Foram também solicitadas informações acerca da utilização e destino dado aos produtos adquiridos da empresa Stratus. Ante a negativa da contribuinte em fornecer os documentos e informações solicitadas, foi lavrado auto de infração para glosa dos créditos decorrentes das aquisições da empresa Stratus, bem como aplicação da multa regulamentar prevista no artigo 508, do Regulamento do Imposto sobre Produtos Fl. 457DF CARF MF Processo nº 15563.000099/201021 Acórdão n.º 3302006.922 S3C3T2 Fl. 458 3 Industrializados, aprovado pelo Decreto nº 4.544, de 26/12/02 (RIPI/02). Cientificado da autuação em 28/04/2010 (fl. 218), a autuada apresentou sua impugnação (fls. 263/290) onde argumenta, de início, que não há qualquer dispositivo legal no auto de infração que fundamente a multa de 75%. A seguir passa a tratar do mérito da autuação, combatendo a glosa dos créditos gerados pelas aquisições de produtos desonerados oriundos da Zona Franca de Manaus. Começa sua defesa fazendo um breve arrazoado acerca do princípio da não cumulatividade. Alega, a seguir, que os insumos em questão integraram o seu processo de industrialização. Ainda na defesa do seu direito ao crédito, vem alegando que as saídas de sua fornecedora se deram com a isenção prevista no DecretoLei nº 1.435/75 e que o seu direito ao creditamento estaria amparado no artigo 11, da Lei nº 9.779/99, como se lê na transcrição abaixo: “23. Assim, com base no artigo 11, da Lei nº 9.799/99, a impugnante apropriouse dos créditos decorrentes da operação anterior, ou seja, a aquisição dos insumos da Stratus Indústria e Comércio Ltda. para utilizálos no processo produtivo, haja vista que, a legislação lhe autoriza a compensar com o IPI devido na saída de seus produtos, inclusive de produto isento, o crédito decorrente da aquisição de insumos...” No tocante á aplicação da multa regulamentar vem argumentando que, em não havendo irregularidade no creditamento, não é o caso de sua aplicação. Ao final, faz uma longa explanação na tentativa de demonstrar o caráter confiscatório da multa de 75% e da aplicação da taxa Selic na correção dos débitos tributários. No item relativo aos pedidos veio requerer a anulação da multa de 75%, o reconhecimento do seu direito aos créditos glosados com a conseqüente improcedência da multa regulamentar. Caso seja mantido o auto de infração vem requerer a redução da multa para o patamar de 30% e a aplicação da taxa de juros prevista no artigo 161, § 1º, do CTN. Finaliza este item requerendo a produção de provas e a realização de perícia sem, contudo, formular quesitos a serem respondidos ou indicar o perito que deveria ser encarregado dos trabalhos. O processo foi julgado na sessão do dia 25 de maio de 2012, sendo proferido o acórdão nº 0940.411. A seguir foram detectadas algumas inconsistências no voto do referido acórdão o que acarretou a necessidade de retorno do processo para que se efetivasse a revisão. Fl. 458DF CARF MF Processo nº 15563.000099/201021 Acórdão n.º 3302006.922 S3C3T2 Fl. 459 4 Em 22/06/2012, a 3ª Turma da DRJ/JFA, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 30/04/2005 a 30/06/2005 INSUMO DESONERADO. AMAZÔNIA OCIDENTAL. DIREITO AO CRÉDITO. Somente as entradas isentas que se derem com fundamento no inciso III, do art. 82, do Decreto nº 4.544/02, irão garantir o direito ao crédito incentivado instituído pelo DecretoLei nº 1.435/75, conforme disposição expressa do art. 175, do Decreto nº 4.544/02 (RIPI 2002). INSUMO DESONERADO. DIREITO AO CRÉDITO. Não existe direito ao crédito na aquisição de insumo que não seja onerado pelo imposto, exceção feita aos casos em que a própria legislação do imposto prevê a possibilidade de créditos incentivados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 30/04/2005 a 30/06/2005 ELEMENTOS DE PROVA. Os elementos de prova no processo administrativo são, quando não mais é possível comprovar, in loco, a situação descrita pelo contribuinte, a sua escrituração fiscal regulamente realizada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada da decisão, em 12/07/2012, consoante AR de efl. 391, a recorrente supra mencionada interpôs recurso voluntário, tempestivo, em 09/08/2012, consoante carimbo na folha de rosto do recurso, fl. 394, a recorrente supra mencionada interpôs recurso voluntário, no qual alegou em preliminar que a decisão estava a complementar o auto de infração (porque a glosa dos créditos, pela fiscalização, ocorreu pela falta de apresentação de documentos, e na primeira instância, porque os insumos não foram elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais provenientes da Amazônia Ocidental); anexa laudo técnico que diz atestar o processo de industrialização do preparado líquido para refresco de guaraná sem açúcar; aponta o fundamento legal para os artigos 82, III e 175 do RIPI/02 Decretolei n° 1.435/75 (que consta das notas fiscais); invoca o artigo 11 da lei n° 9.779/99, para alicerçar seu direito. Por fim, requer a improcedência do auto de infração. Posteriormente, o expediente foi encaminhado a esta Turma ordinária para julgamento. Fl. 459DF CARF MF Processo nº 15563.000099/201021 Acórdão n.º 3302006.922 S3C3T2 Fl. 460 5 É o relatório. Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. DA DECISÃO RECORRIDA A alegação de que a decisão recorrida estava a complementar o auto de infração, porque a glosa dos créditos, pela fiscalização, ocorreu pela falta de apresentação de documentos, e a decisão de primeira instância manteve o auto de infração porque os insumos não foram elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais provenientes da Amazônia Ocidental, não faz o menor sentido, uma vez que a fiscalização simplesmente não teve acesso às provas trazidas na impugnação, e bem por isso não podia avaliar as notas fiscais. Por outro giro, a decisão recorrida tratou de avaliar as notas fiscais trazidas com a impugnação e as avaliou como imprestáveis para demonstrar de per si o direito vindicado pela impugnante. Tanto isso é verdade que a recorrente tratou de anexar laudo técnico, agora em segundo grau, que diz atestar o processo de industrialização do preparado líquido para refresco de guaraná sem açúcar, para tentar robustecer a prova que emana das notas fiscais apresentadas em primeira instância. Afastase, portanto, a preliminar de nulidade da decisão recorrida. DOS INSUMOS DA AMAZÔNIA OCIDENTAL No que tange ao mérito da lide, o direito pleiteado pela recorrente tinha assento no art. 175 do RIPI/2002: “Aquisição da Amazônia Ocidental Art. 175. Os estabelecimentos industriais poderão creditarse do valor do imposto calculado, como se devido fosse, sobre os produtos adquiridos com a isenção do inciso III do art. 82, desde que para emprego como MP, PI e ME, na industrialização de produtos sujeitos ao imposto (Decretolei nº 1.435, de 1975, art. 6º, § 1º)." Pois bem, tal crédito somente exsurgiria para o estabelecimento industrial adquirente desde que houvesse algum imposto para calcular. Notese que a expressão "como se devido fosse" referese à isenção do inciso III do art. 82. E aí aparece o problema para a recorrente ter seu direito reconhecido com as notas fiscais trazidas aos autos, porquanto o produto adquirido descrito e classificado nas notas fiscais PREPARADO COMPOSTO NÃO ALCOOLICO DA AMAZÔNIA (PCNAA), classificação fiscal Fl. 460DF CARF MF Processo nº 15563.000099/201021 Acórdão n.º 3302006.922 S3C3T2 Fl. 461 6 2106.90.10 tem alíquota zero, e portanto não propicia valor de imposto algum a calcular. Nesse sentido trazse a TIPI da época, trazida pela própria impugnante, fl. 263 dos autos em papel: Tabela do Imposto sobre Produtos Industrializados 21.06 Preparações alimentícias não especificadas nem compreendidas em outras posições. 2106.10.00 Concentrados de proteínas e substâncias protéicas texturizadas alíquota 0 2106.90 Outras 2106.90.10 Preparações dos tipos utilizados para elaboração de bebidas alíquota 0 Ex 01 Preparações compostas, não alcoólicas (extratos concentrados ou sabores concentrados), para elaboração de bebida da posição 22.02, com capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado 27 Ex 02 Preparações compostas, não alcoólicas (extratos concentrados ou sabores concentrados), para elaboração de bebida refrigerante do Capitulo 22, com capacidade de diluição de até 10 partes da bebida para cada parte do concentrado 40 As notas fiscais podem ser analisadas às fls. 314 e seguintes dos autos originais em papel. Assim é que não existe direito ao crédito na aquisição de insumo da Amazônia Ocidental que tenha alíquota zero de IPI. Vale trazer à baila, ainda, a Súmula CARF nº 18, que trata expressamente dos insumos "alíquota zero" e deve ser aplicada ao presente caso: A aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Ante o exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida; e no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Fl. 461DF CARF MF Processo nº 15563.000099/201021 Acórdão n.º 3302006.922 S3C3T2 Fl. 462 7 Fl. 462DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.900687/2014-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)
Data do fato gerador: 31/12/2012
DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas legais pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO.
Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 2401-006.395
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.900539/2014-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas legais pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.900539/2014-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 06 87 /2 01 4- 84 Fl. 74DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.395 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900687/2014-84 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10880.900539/2014-60, paradigma deste julgamento. “Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra ato da autoridade administrativa que não homologou a compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a crédito de IRRF que teria sido recolhido a maior no período de apuração constante dos autos. Como bem relatado pela instância a quo , o Despacho Decisório não homologou o pedido de compensação em debate, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: 1. Sem qualquer fundamento legal ou maiores explicações, a autoridade administrativa não homologou a compensação realizada pela empresa, através do despacho decisório proferido nos presentes autos. 2. A alegação de que não existe crédito disponível não pode ser entendida como fundamento do despacho decisório, sem constar o porquê dessa inexistência. 3. A autoridade administrativa não se deu ao trabalho de motivar sua decisão, a teor do art. 50 da Lei n° 9.784, de 1999. 4. A não homologação dessa compensação ocorreu por sistema informatizado, porque o crédito sequer foi apreciado. Limitou-se a autoridade administrativa em fazer uma verificação prévia se o pagamento realizado indevidamente ou a maior estava disponível em seus sistemas. Ainda inconformada, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário, repisando parte de suas razões apresentadas em sede de Impugnação que são, em síntese, as seguintes: a) o V. Acórdão merece reforma, basicamente, porque firmou entendimento equivocado, o ato administrativo que não reconheceu o direito creditório do contribuinte é vinculado, devendo conter os pressupostos de fato e de direito, em obediência ao princípio da legalidade; b) Na mesma esteira de entendimento, o ato administrativo deve ser motivado para se mostrar eficaz, razão pela qual não deve prosperar o acórdão ora guerreado; c) o crédito que se fundou o direito subjetivo do contribuinte foi protocolado por meio de compensação, todavia, sem qualquer fundamentação a autoridade não homologou a compensação realizada pela Recorrente, através de Despacho Decisório Fl. 75DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.395 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900687/2014-84 eletrônico, onde se questiona a falta de elementos do ato administrativo, ou seja, falta de fundamentação e nulidades; d) Todavia entenderam os Nobres Julgadores que o Despacho Decisório foi devidamente fundamentado, cabendo ao Recorrente o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária, julgando improcedente a Impugnação; e) Reitera a necessidade de motivação, a teoria dos motivos determinantes e o cerceamento de defesa como institutos jurídicos a embasarem sua pretensão de reforma do ato administrativo ora em debate ; f) Defende a tese de que a Fazenda Nacional deve rever seus próprios atos, seja para revogá-los (quando inconvenientes) seja para anulá-los (quando ilegais) Cita a Súmula 473 do STF, os arts. 1º e 5º inciso LVI da CF/88., como normas de conteúdo vedatório para obtenção de provas pelo Poder Público que derive de transgressão a cláusulas de ordem constitucional; g) Ao final requer a reforma do v. Acórdão, eis que a controvérsia posta é identificar se o ato administrativo é vinculado ou discricionário. É o Relatório.” Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10880.900539/2014-60, paradigma deste julgamento. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2401-006.258 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária “1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE RECURSO VOLUNTÁRIO O presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, razão pela qual dele CONHEÇO, já que presentes os requisitos de sua admissibilidade 2. DA PRELIMINAR a) nulidade A alegação de nulidade do Despacho Decisório não merece prosperar posto que o mesmo foi realizado dentro dos ditames delineados em lei, apresentando de forma clara e objetiva o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a Fl. 76DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-006.395 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900687/2014-84 inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na declaração de compensação - DCOMP. Nesse diapasão, não há cerceamento de defesa em nenhuma fase do curso processual capaz de produzir qualquer tipo de nulidade ou óbice para que se avance na análise de mérito no presente feito. 3. DO MÉRITO Em seu Recurso Voluntário o contribuinte, em síntese, se restringe a alegar que o ato administrativo, que não reconheceu o seu direito creditório, é vinculado , devendo conter os pressupostos de fato e de direito que o motivaram, sob pena de cerceamento do seu direito de defesa e desobediência ao princípio da legalidade. O que se observa é que assim, as alegações preliminares acabam se confundindo com as de mérito. Todavia, razão não assiste à Recorrente, senão vejamos: Conforme esclarecido pela instância de piso e verificado pela análise dos autos, as próprias declarações e documentos produzidos pela Recorrente fundamentaram os motivos da não-homologação do Despacho Decisório in casu, caracterizando assim a prova e a motivação do ato administrativo, sendo de pleno conhecimento do Recorrente já que por ele produzidos. Após análise detalhada, não foi identificado por esta Relatora qualquer erro na decisão de indeferimento da compensação, nem tampouco a Recorrente apontou eventual divergência, capaz de maculá-lo. A causa da não homologação é clara e objetiva, e se deve ao fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Logo, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Recorrente pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. Conforme se verifica, o débito declarado e pago encontra-se em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Como ja esclarecido acima, quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Dessa forma, a recorrente, na data da transmissão do PER/ DCOMP não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito Fl. 77DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-006.395 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900687/2014-84 creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. Ou seja, de maneira diametralmente oposta às suas alegações recursais, o ato administrativo foi motivado e fundamentado, todavia não foi homologado por absoluta falta de amparo legal para sua concessão. Da análise da DCTF retificadora ativa da Requerente (juntada por imagem no Acórdão de Manifestação de Inconformidade, referente ao tributo e período em análise, verificou-se que ela declarou um débito de IRRF referente ao fato gerador daquela data e vinculou um pagamento de igual valor. Já no quadro reproduzido no voto, podemos verificar que o DARF, pago em atraso com multa de mora e juros de mora, foi integralmente alocado para o saldo a pagar do débito declarado, cujos valores são idênticos. A Requerente pagou em atraso o tributo e corretamente adicionou a multa de mora e os juros de mora, valor que ele agora indevidamente reclama de volta para compensação. Conforme informado pela DRJ , além do DARF constante dos presentes autos, ter sido alocado ao débito normal do período, regularmente declarado em DCTF, a Recorrente solicita sobre esse valor, a homologação de 152 pedidos de compensação que, somados, resultam em um valor de R$ 1.974.130,39, conforme relação dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF, transcritas no voto do Acórdão ora recorrido. E este fato indica que a Recorrente se movimenta no sentido de efetuar compensação administrativa, não amparada na legislação, para liquidar débitos com créditos inexistentes. Todavia, utiliza-se do expediente de prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que a Recorrente respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração que ensejaria a aplicação da Lei n° 10.833, de 2003, art. 18, §2º, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto para CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. É como voto.” Pelos motivos expendidos, voto para CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 78DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-006.395 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900687/2014-84 Fl. 79DF CARF MF
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Numero do processo: 13819.900002/2009-74
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/03/2005
RESSARCIMENTO DO IPI ART. 11 DA LEI 9.779/99.
O benefício fiscal a que alude o art. 11 da Lei 9.799/99 só incide sobre aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados no processo industrial da adquirente, o que refoge ao caso dos autos em que a empresa os revende.
Recurso especial do contribuinte negado.
Numero da decisão: 9303-008.671
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
(Assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 30/03/2005 RESSARCIMENTO DO IPI ART. 11 DA LEI 9.779/99. O benefício fiscal a que alude o art. 11 da Lei 9.799/99 só incide sobre aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados no processo industrial da adquirente, o que refoge ao caso dos autos em que a empresa os revende. Recurso especial do contribuinte negado.
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O benefício fiscal a que alude o art. 11 da Lei 9.799/99 só incide sobre aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados no processo industrial da adquirente, o que refoge ao caso dos autos em que a empresa os revende. Recurso especial do contribuinte negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 00 02 /2 00 9- 74 Fl. 480DF CARF MF 2 Tatiana Midori Migiyama – Relatora (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra o acórdão nº 3301003.040, da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 RESSARCIMENTO DO IPI. ART. 11 DA LEI 9.779/99. APLICÁVEL QUANDO HOUVER ATIVIDADE INDUSTRIAL O ressarcimento do IPI aplicase exclusivamente a contribuintes que pratiquem atividades industriais. Como o contribuinte compra e revende e é contribuinte por opção (inc. I do art. 11 do RIPI/2002), não tem direito a requerer o ressarcimento. ART. 11 DA LEI N° 9.779/99. VIOLAÇÃO DO DIREITO À PROPRIEDADE. INCONSTITUCIONALIDADE O CARF não é competente para se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de dispositivo legal, nos termos da Súmula CARF n° 2.” Irresignado, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão Fl. 481DF CARF MF Processo nº 13819.900002/200974 Acórdão n.º 9303008.671 CSRFT3 Fl. 3 3 · A recorrente adquiriu produto intermediário, bem de produção com destaque do IPI e os revendeu à estabelecimento industrial que os utilizou no seu processo produtivo; · Nos termos do inciso I, do art. 11, do RIPI/2002, equiparase a estabelecimento industrial, estabelecimento comercial que der saída a bens de produção para estabelecimentos industriais ou revendedores; · A recorrente se creditou do IPI pela aquisição de chapas de aço que foram adquiridas com o destaque do r. imposto e, tendo em vista que a saída se deu com suspensão, por força do que dispõe o art. 29, da Lei 10.637/02, acumulou saldo credor · No entanto, o acórdão recorrido entendeu que a recorrida não teria direito ao ressarcimento do IPI, uma vez que não realiza qualquer processo industrial ou não realiza industrialização por encomenda; · Reputase existente o direito à restituição, no caso concreto, por existir, em qualquer hipótese, crédito do contribuinte para com o ente federativo tributante, o que ocasiona o dever inafastável da Administração Pública de restituir este imposto ao contribuinte como determina a lei, em obediência ao conceito de Justiça Fiscal e do Estado de Direito. Em Despacho às fls. 520 a 522, foi dado seguimento aos recursos especiais interpostos pelo sujeito passivo. Contrarrazões foram apresentadas pela Fazenda Nacional, que trouxe, entre outros, que, diante da prescrição normativa veiculada pelo art. 29 da Lei 10.637/02 e da regulamentação posta no art. 44 do RIPI/02 e na IN SRF 296/03, alterada pela IN SRF 429/04, a argumentação da defesa não deve prevalecer. É o relatório. Voto Vencido Fl. 482DF CARF MF 4 Conselheira Tatiana Midori Migiyama – Relatora. Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo, eis que atendidos os requisitos constantes do art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015. O que concordo com o Despacho de admissibilidade de recurso. Vêse que a própria Fazenda Nacional traz que o recurso do sujeito passivo deva ser conhecido: “6. Com efeito, como concluiu o ilustre conselheiropresidente, o acórdão recorrido diverge em relação ao acórdão paradigma quanto à interpretação da legislação tributária relativamente ao aproveitamento de créditos de IPI. O acórdão paradigma não apresenta nenhuma restrição quanto ao fato de o estabelecimento ser equiparado a industrial "por opção", o que é ponto central no acórdão atacado.” Sendo assim, conheço o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Quanto ao mérito, importante recordar que: · O sujeito passivo compra aço da CSN com destaque do IPI; · Posteriormente, vende o aço para a empresa que o processa (industrializa) com suspensão do IPI, restando, a rigor, credora da União – acumulando o crédito da aquisição do aço. Para melhor elucidar, importante trazer o art. 29 da Lei 10.637/02 – que trata da suspensão do IPI na saída do produto especificado nesse dispositivo que, por sua vez, corresponde ao caso vertente: “Art. 29. As matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem, destinados a estabelecimento que se dedique, preponderantemente, à elaboração de produtos classificados nos Capítulos 2, 3, 4, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 23 (exceto códigos 2309.10.00 e 2309.90.30 e Ex01 no código 2309.90.90), 28, 29, 30, 31 e 64, no código 2209.00.00 e 2501.00.00, e nas posições 21.01 a 21.05.00, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, inclusive aqueles a que corresponde a notação NT (não tributados), sairão do estabelecimento industrial com suspensão do referido imposto. (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) [...]” Fl. 483DF CARF MF Processo nº 13819.900002/200974 Acórdão n.º 9303008.671 CSRFT3 Fl. 4 5 Sendo assim, na saída do produto, a recorrente agiu corretamente ao observar a suspensão do r. tributo, eis que, nos termos do art. 11 do Decreto 4.544/02 (RIPI/2002 – vigente à época), ela seria equiparada a industrial: “Equiparados a Industrial por Opção Art. 11. Equiparamse a estabelecimento industrial, por opção (Lei nº 4.502, de 1964, art. 4º, inciso IV, e Decretolei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 1ª): I os estabelecimentos comerciais que derem saída a bens de produção, para estabelecimentos industriais ou revendedores; e II as cooperativas, constituídas nos termos da Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971, que se dedicarem a venda em comum de bens de produção, recebidos de seus associados para comercialização.” Sendo assim, de forma singela, considerando os comandos legais, inegável que a recorrente tinha o direito ao ressarcimento do crédito do IPI da aquisição do aço, nos termos do art. 11 da Lei 9.779/99: “Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda.” Tal dispositivo é abrangente ao dispor que a equiparação deve valer “para todos os efeitos” da lei do IPI. Vêse que a equiparação a industrial teve a finalidade de colocar os distintos estabelecimentos na mesma condição, no mesmo patamar, sujeitandose às mesmas obrigações e adotando os mesmos procedimentos previstos na legislação do IPI. Fl. 484DF CARF MF 6 Dessa forma, considero que a Instrução Normativa nº 296, de 2003, especificamente o art. 23 (redação dada pela IN SRF 429/04 é de discutível legalidade, vez que os comandos legais não restringiam a equiparação a industrial para a recorrente: “Art. 23. O disposto nesta Instrução Normativa não se aplica: I [...] II a estabelecimento equiparado a industrial, salvo quando se tratar da hipótese de equiparação prevista no art. 4º.” Tal IN restringe dispositivo de lei que trata de equiparação industrial, em confronto aos ditames do art. 100 do CTN. Frisese a inteligência da decisão dada pelo STF quando da apreciação do RE 950.841: “JURÍDICA. FATO GERADOR. IMPORTADOR. ESTABELECIMENTO EQUIPARADO A INDUSTRIAL. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. SAÍDA DO ESTABELECIMENTO. BITRIBUTAÇÃO. FATOS GERADORES E CONTRIBUINTES DIVERSOS. 1. O IPI não recai sobre a atividade de industrialização, de elaboração do produto, mas sobre o resultado do processo produtivo, ou seja, a operação jurídica que envolve a prática de um ato negocial do qual resulte a circulação econômica da mercadoria. 2. Mostrase equivocada a assertiva de que a operação jurídica abrange somente o fabricante e o adquirente direto do bem industrializado, não abarcando situações em que a mercadoria não foi industrializada por nenhuma das partes envolvidas no negócio jurídico de transmissão da propriedade ou posse. [...]” Em vista de todo o exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 485DF CARF MF Processo nº 13819.900002/200974 Acórdão n.º 9303008.671 CSRFT3 Fl. 5 7 Voto Vencedor Jorge Olmiro Lock Freire Redator designado Com a devida vênia, divirjo da ilustre relatora. O contribuinte em questão não é contribuinte do IPI. Assim, a meu sentir, é absolutamente despropositado quererse aplicar à hipótese a incidência da norma insculpida no art. 11 da Lei 9.799/99. No caso em testilha não se discute o direito à fruição da saída com suspensão do IPI incidente sobre as revendas da recorrente, e nem mesmo a legitimidade do acúmulo de créditos. A questão de fundo é se é possível a recorrente pleitear o ressarcimento de IPI nos termos do mencionado art. 11 da Lei 9.799/99, regulado pela IN SRF nº 33/99, pois este foi o fundamento do suposto crédito, que mesmo sem sua certeza o contribuinte já saiu a se compensar do mesmo. Dispõe a referida norma: "Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda." De sua feita, reza o art. 4º da IN SRF 33/99. Art. 4° O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1° de janeiro de 1999. Ou seja, simplório que o incentivo a que se refere o art. 11 da Lei 9.779/99 aplicase exclusivamente em relação a créditos decorrentes da aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. E, estreme de dúvida, que as aquisições da recorrente deramse exclusivamente para fins de revenda, não se enfeixando na hipótese de incidência daquela norma incentivadora, vez que não se destinavam a serem aplicados na industrialização de produtos. Pelo que despicienda a discussão acerca de a recorrente ser equiparada à industrial por encomenda. Assim, sem reparos à r. decisão, que deve ser mantida pelos seus próprios termos. CONCLUSÃO Fl. 486DF CARF MF 8 Ante o exposto, nego provimento ao especial. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 487DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.902020/2013-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Ano-calendário: 2010
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo.
Numero da decisão: 3301-006.302
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Ano-calendário: 2010 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-07-26T15:01:18Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-07-26T15:01:18Z; Last-Modified: 2019-07-26T15:01:18Z; dcterms:modified: 2019-07-26T15:01:18Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-07-26T15:01:18Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-07-26T15:01:18Z; meta:save-date: 2019-07-26T15:01:18Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-07-26T15:01:18Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-07-26T15:01:18Z; created: 2019-07-26T15:01:18Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2019-07-26T15:01:18Z; pdf:charsPerPage: 1719; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-07-26T15:01:18Z | Conteúdo => S3-C 3T1 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 13888.902020/2013-53 Recurso Voluntário Acórdão nº 3301-006.302 – 3ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de junho de 2019 Recorrente FISCHER INDUSTRIA MECANICA LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Ano-calendário: 2010 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório O presente processo trata de pedido de compensação transmitido eletronicamente com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de COFINS. Após análise eletrônica, foi emitido Despacho Decisório, onde consta que a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP correspondente, foram localizados um ou mais pagamentos, integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 20 20 /2 01 3- 53 Fl. 74DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-006.302 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.902020/2013-53 Como enquadramento legal citou-se: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Devidamente cientificado, o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade onde argumenta, essencialmente, o que se segue: - que a alegação de que não restou crédito disponível não pode ser entendida como fundamento para o despacho decisório; - que a autoridade administrativa quedou-se inerte na análise de qualquer situação que legitima o crédito postulado; - que o processo administrativo no âmbito federal tem regulamentação própria e deve ser observada pela autoridade julgadora; - que a Lei 9784, de 1999, no art. 2, inciso VIII, dispõe, entre outros, sobre os princípios da legalidade, motivação e observância das formalidades; - que a autoridade não se deu nem sequer ao trabalho de motivar seu despacho; - que se torna evidente que a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, porque o crédito propriamente dito nem sequer foi apreciado; - que a autoridade administrativa limitou-se a verificar se o pagamento realizado estava disponível em seus sistemas; - que a única conclusão que se chega é a de que se trata do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entregue o débito recolhido por DARF e o crédito declarado em DCTF; - que diversas situações que acarretariam na restituição do valor recolhido, seja pela inclusão indevida de valores na base de cálculo, seja por erro de fato na apuração do imposto, seja por situações que autorizam o contribuinte a reduzir valores da base de cálculo, hipóteses que são regulamentadas pela IN 1.300/2012; - que a autoridade administrativa furtou-se em analisar qualquer das possibilidades que ensejaria a restituição postulada; - que simplesmente não homologar a compensação sem explicar os motivos da suposta indisponibilidade do crédito, torna a decisão totalmente nula, por não oferecer os elementos necessários para que a empresa possa promover sua defesa e a prova da existência deste crédito; - que houve cerceamento de direito de defesa, porque a autoridade não analisou o mérito da compensação efetuada e nem sequer intimou a empresa a prestar os esclarecimentos necessários; - em observância ao princípio constitucional da eficiência, a administração está obrigada a intimar o interessado a fazer os esclarecimentos necessários e comprovar o alegado, sempre que lhe restar dúvidas; - que o crédito é legítimo, porque o valor efetivamente pago é maior do que o valor correto do débito apurado pela empresa; Fl. 75DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-006.302 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.902020/2013-53 - o contribuinte, ao calcular o débito, incluiu na base de cálculo não só a receita decorrente do seu faturamento, mas também receitas que não a deveriam compor; - não providenciou a devida retificação da DCTF, para que ela apresentasse os valores efetivamente devidos; - que ficou impossibilitada a oportuna apresentação de prova do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe o motivo do indeferimento, tampouco a impugnante; - há de ser aplicada a regra autorizadora da produção posterior de provas, para o momento em que a lide esteja delineada em seus termos. Ao final, pede-se que seja determinada a suspensão da exigibilidade do crédito tributário e que seja acatada a preliminar de nulidade. Por seu turno, a DRJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente, concluindo que não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo. Irresignado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que argumenta que o Despacho Decisório não foi motivado, pois não esclareceu o motivo da não homologação. Assim, é nulo, pois violou o princípio da motivação. Além disto, a nulidade do Despacho Decisório decorre também do fato de a ausência de motivação impedir o exercício do direito de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3301-293. 325, de 17 de junho de 2019, proferido no julgamento do processo 13888.901749/2014-93, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301-006. 293): O recurso voluntário preenche os requisitos legais e deve ser conhecido. No recurso voluntário, a recorrente alega apenas que o Despacho Decisório não foi motivado, pois não teria informado o motivo pelo qual a compensação não foi homologada. E, uma vez que não foi motivado, seria nulo (art. 50 da Lei nº 9.784/99). Não trouxe aos autos documentos para comprovar a higidez do direito creditório. O Despacho Decisório (fl. 81) informa que o valor do suposto crédito está integralmente vinculado a um débito, pelo que não pode ser utilizado para compensação. Não obstante seu laconismo, entendo que o ato não é nulo. Foi devidamente motivado (art. 50 da Lei nº 9.784/99), pois indica os elementos fático (vinculação do valor a outro débito) e jurídico (artigos 165 e 170 do CTN e 74 da Lei nº 9.430/96) em que se baseou. Fl. 76DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-006.302 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.902020/2013-53 A recorrente, todavia, não cumpriu sua parte, isto é, fazer prova do direito que alega deter (inciso I do art. 373 do Código de Processo Civil). Não apresentou documento ou mesmo informação acerca da origem do crédito. Desta forma, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.901159/2008-46
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO DO JULGADO. CABIMENTO.
São cabíveis embargos de declaração para suprir contradição no acórdão prolatado, não concedendo efeitos infringentes ao recurso quando a contradição constatada não tiver o condão de alterar a decisão embargada.
Numero da decisão: 1001-001.240
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos sem efeitos infringentes para, sanando a omissão apontada, manter a decisão anterior de negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Sergio Abelson - Presidente
(Assinado digitalmente)
Jose Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sergio Abelson (presidente), Andrea Machado Millan e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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OMISSÃO DO JULGADO. CABIMENTO. São cabíveis embargos de declaração para suprir contradição no acórdão prolatado, não concedendo efeitos infringentes ao recurso quando a contradição constatada não tiver o condão de alterar a decisão embargada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos sem efeitos infringentes para, sanando a omissão apontada, manter a decisão anterior de negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Sergio Abelson Presidente (Assinado digitalmente) Jose Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sergio Abelson (presidente), Andrea Machado Millan e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 11 59 /2 00 8- 46 Fl. 308DF CARF MF 2 Tratase de exame de admissibilidade dos embargos declaratórios opostos pelo sujeito passivo em epígrafe. Afirma a embargante que a 1ª Turma Extraordinária da 1ª Seção do CARF, ao prolatar o acórdão 1001000.718, incorreu em obscuridade e omissão, conforme trechos de seus embargos a seguir reproduzidos: A ora Embargante esclarece que os presentes Embargos Declaratórios não têm o condão de procrastinar o feito, tampouco de rediscutir questões já abordadas de forma clara por este Pretório Excelso. O presente recurso tem o objetivo de buscar o esclarecimento acerca da obscuridade havida entre a ementa e o teor do voto do r. Relator e, também, de destacar relevante ponto constante no Recurso Voluntário, sobre o qual o Acórdão recorrido restou omisso, qual seja, EXISTÊNCIA DE DOCUMENTOS NOS AUTOS QUE COMPROVAM A LEGIMITIMIDAE DO DIREITO CREDITÓRIO. Comecemos pela apontada obscuridade. Conforme reproduzido acima, consta da ementa: O valor do débito tributário lançado na em DCTF constitui confissão de dívida e somente pode ser alterado mediante a sua retificação. (grifo nosso) Já no voto, consta o quanto segue: (...) Assim, a PER/DCOMP constitui confissão de dívida e, no caso da recorrente, deveria ter sido objeto de retificação. (grifo nosso) O esclarecimento da obscuridade se faz imperioso não apenas para que fique claro à Recorrente os motivos que levaram o Acórdão recorrido a negar provimento ao seu recurso voluntário, mas, também, para esclarecer o segundo ponto que justifica a oposição dos presentes Declaratórios, que é a omissão que será melhor detalhada abaixo. Vejamos. A Recorrente transmitiu a Declaração de Compensação objeto dos presentes autos em fevereiro de 2004 e o despacho decisório que não homologou o seu pleito foi emitido em maio de 2008. Com efeito, a partir da emissão do despacho decisório, ou seja, a partir de maio de 2008, a Recorrente não poderia retificar nem a DCOMP nem a DCTF então apresentadas, por expresso impeditivo normativo. Partindose da premissa de que a negativa ao pleito da Recorrente tenha sido por conta da não retificação da DCTF, é oportuno ressaltar que a Recorrente anexou aos autos documentos que comprovam a existência e legitimidade do direito creditório. Contudo, nada obstante a documentação anexada aos autos qual seja, (i) a DIPJ 2002, 2003 e 2005 (fls. 84); (ii) os comprovantes de pagamento (fls. 244); (iii) o Balanço contábil de 2001, 2003 e 2004 (fls. 246); (iv) o Razão contábil (fls. 256) Fl. 309DF CARF MF Processo nº 10983.901159/200846 Acórdão n.º 1001001.240 S1C0T1 Fl. 3 3 não houve, no Acórdão recorrido, qualquer menção, análise ou manifestação sobre tais documentos, incorrendo o decisum em clara omissão. Oportuno destacar que a análise dos documentos anexados aos autos é essencial ao deslinde da presente demanda, eis que os mesmos – efetivamente– comprovam a existência de saldo negativo do IRPJ no ano calendário de 2001. Não custa referir que, acaso perdure a omissão acerca dos documentos constantes dos autos, tal acarretará inequívoco cerceamento de defesa à Recorrente. Neste contexto, oportuno referir que o CARF já vem se manifestando em linha de que a simples retificação de DCTF não basta à confirmação do direito creditório. O contribuinte deve comprovar, através de provas materiais, a existência do seu crédito. Vejamos a ementa a seguir: (...) Com efeito, no caso dos autos, a Recorrente comprovou seu crédito, ainda que, de fato, não tenha retificado a DCTF, vez que se encontrava impedida de fazêlo, por conta da emissão do despacho decisório. (...) Com efeito, conforme referido acima, o Acórdão recorrido foi omisso quanto às provas trazidas aos autos, o que, inevitavelmente, acarreta nítido cerceamento de defesa. Além disso, o Acórdão recorrido foi omisso ao deixar de analisar a presente questão frente às recentes decisões proferidas pelo próprio CARF, em linha de que não basta a retificação da obrigação acessória para o reconhecimento do crédito, eis que deve haver a prova cabal DF CARF MF Fl. 302 deste (o que consta dos presentes autos) e, também, que a falta de retificação da DCTF não implica no não reconhecimento do direito creditório, quando este restar provado pelo contribuinte. (...) Feito o relato, passo, a seguir, ao exame da presença dos pressupostos para admissibilidade dos embargos declaratórios, nos termos do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, que assim estabelece: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. §1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão: I por conselheiro do colegiado, inclusive pelo próprio relator; Fl. 310DF CARF MF 4 II pelo contribuinte, responsável ou preposto; III pelo Procurador da Fazenda Nacional; IV pelos Delegados de Julgamento, nos casos de nulidade de decisões da delegacia da qual é titular; (Redação dada pela Portaria MF nº 153, de 2018) V pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão; ou (Redação dada pela Portaria MF nº 153, de 2018) VI pelo Presidente da Turma encarregada pelo cumprimento do acórdão de recurso especial. (Redação dada pela Portaria MF nº 153, de 2018) §2º O presidente da Turma poderá designar o relator ou redator do voto vencedor objeto dos embargos para se pronunciar sobre a admissibilidade dos embargos de declaração. §3º O Presidente não conhecerá os embargos intempestivos e rejeitará, em caráter definitivo, os embargos em que as alegações de omissão, contradição ou obscuridade sejam manifestamente improcedentes ou não estiverem objetivamente apontadas. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) Voto Conselheiro Jose Roberto Adelino da Silva Relator Os embargos foram opostos antes de decorrido o prazo regimental de 5 (cinco) dias contados da ciência do acórdão embargado, logo, são tempestivos. Ademais, foram opostos por parte legítima, qual seja, o próprio sujeito passivo, por meio de representante regularmente constituído. Pois bem, relativamente à alegação de divergência entre a ementa e o voto condutor do acórdão entendo que não há propriamente obscuridade, como alegado pela embargante, mas sim contradição. De fato, enquanto na ementa afirmase que é a DCTF que deve ser objeto de retificação, no voto asseverase que é a DCOMP que deve ser retificada. Reconheçase que há divergência jurisprudencial sobre se cabem, ou não, embargos para desfazer contradição entre o fundamento do acórdão e a ementa1. Contradição. Ementa e acórdão. Admitemse EDcl para espancar contradição existente entre a ementa e o acórdão que lhe serviu de fundamento (STJ, 2.ª T., EDclREsp 10123SP, rel. Min. Antonio de Pádua Ribeiro, j. 19.8.1991, DJU 9.9.1991, p. 12183). Deve prevalecer o conteúdo do acórdão porque a ementa tem valor meramente informativo (JC 1112/516). Em sentido contrário, entendendo que só são admissíveis EDcl se a contradição ocorrer no próprio acórdão: STF, 1.ª T., EDclRE 88690, rel. Min. Moreira Alves, j. 19.6.1978, JTACivSP 53/136; RJTJRS 135/90. Fl. 311DF CARF MF Processo nº 10983.901159/200846 Acórdão n.º 1001001.240 S1C0T1 Fl. 4 5 Havendo divergência jurisprudencial sobre o assunto considero que não é manifestamente improcedente a alegação de obscuridade, aqui recebida como alegação de contradição. Quanto à alegação de omissão da Turma em examinar os documentos anexados ao recurso voluntário os quais supostamente comprovariam a natureza e a existência do direito creditório, entendo que não assiste razão à embargante. Isso porque, embora realmente não conste no acórdão alusão ao exame dos referidos documentos, o fato é que a Turma entendeu que, de acordo com o Parecer Cosit nº 2/2015, caberia ao sujeito passivo, ora embargante, retificar a DCOMP sob exame, na qual informou que o direito creditório referirseia a "pagamento a maior ou indevido", e, na manifestação de inconformidade, informou que tratavase de crédito oriundo de prejuízo fiscal. De acordo com a Turma embargada, embora o sujeito passivo tenha tido oportunidade de retificar a DCOMP, não o fez. Vejamos o que consta do voto condutor do acórdão a esse respeito: Assim, a PER/DCOMP constitui confissão de dívida e, no caso da recorrente, deveria ter sido objeto de retificação. Em não havendo, prevalece o que confessado na originalmente entregue. Veja o que diz o Parecer Normativo COSIT 2/2015: 14.2. Via de regra, objetivando dar maior celeridade ao processo, a análise deste PER/DCOMP é feita eletronicamente, de forma automática, mediante “batimento” das informações contidas no PER/DCOMP com os dados dos sistemas da RFB, inclusive os declarados em DCTF. 14.3. Após a análise preliminar do PER/DCOMP, encontrada alguma inconsistência entre essas informações, é dada ao sujeito passivo a oportunidade de verificar as informações prestadas à RFB e corrigilas, se for o caso – tratase do serviço denominado Autorregularização. De acordo com a Nota Corec nº 30, de 2013, o acompanhamento do processamento eletrônico do PER/DCOMP motivou a disponibilização desse serviço, tendo em vista a observação de que uma parte das decisões proferidas de forma automática, e posteriormente levada ao contencioso, era decorrente de erros cometidos pelos contribuintes no preenchimento do próprio PER/DCOMP ou das declarações que embasavam as informações nele contidas. (...) 14.5. A partir dessa análise preliminar, caso se identifiquem erros nas informações prestadas no PER/DCOMP ou em outras declarações (como a DCTF), o contribuinte terá oportunidade de corrigilos pela sua retificação ou, ainda, pelo cancelamento do PER/DCOMP. (...) Portanto, as regras são suficientemente claras e a recorrente teve toda as oportunidades de retificar a declaração Fl. 312DF CARF MF 6 originalmente entregue. Releva ressaltar, que não cabe nenhuma restrição à decisão da DRJ que analisou e respondeu aos exatos argumentos apresentados pela recorrente quando de sua manifestação de inconformidade onde fez afirmações que não correspondiam à realidade (afirmou que se tratava de crédito oriundo de prejuízo fiscal). (...) Noutros termos, entendeu a Turma que caberia ao sujeito passivo providenciar a retificação da DCOMP no momento oportuno, não sendo possível pretender comprovar a natureza e a existência do direito creditório em sede de recurso voluntário. Por fim é de se dizer que não há que se falar em omissão da Turma em deixar de se pronunciar sobre a jurisprudência do CARF sobre o assunto, uma vez que tal jurisprudência não é vinculante. De fato, observase que houve uma contradição entre a ementa e o voto. Na ementa deve constar que a PER/DCOMP constitui confissão de dívida, como consta no voto e não a DCTF. Desta forma, voto por acolher os embargos sem efeitos infringentes para, sanando a contradição apontada, manter a decisão anterior, prolatada no acórdão 1001 000.718. É como voto. (Assinado digitalmente). José Roberto Adelino da Silva Fl. 313DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.932191/2013-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)
Data do fato gerador: 31/10/2012
DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas legais pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO.
Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 2401-006.431
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.900539/2014-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Data do fato gerador: 31/10/2012 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas legais pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas legais pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.900539/2014-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 21 91 /2 01 3- 99 Fl. 67DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.431 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.932191/2013-99 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10880.900539/2014-60, paradigma deste julgamento. “Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra ato da autoridade administrativa que não homologou a compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a crédito de IRRF que teria sido recolhido a maior no período de apuração constante dos autos. Como bem relatado pela instância a quo , o Despacho Decisório não homologou o pedido de compensação em debate, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: 1. Sem qualquer fundamento legal ou maiores explicações, a autoridade administrativa não homologou a compensação realizada pela empresa, através do despacho decisório proferido nos presentes autos. 2. A alegação de que não existe crédito disponível não pode ser entendida como fundamento do despacho decisório, sem constar o porquê dessa inexistência. 3. A autoridade administrativa não se deu ao trabalho de motivar sua decisão, a teor do art. 50 da Lei n° 9.784, de 1999. 4. A não homologação dessa compensação ocorreu por sistema informatizado, porque o crédito sequer foi apreciado. Limitou-se a autoridade administrativa em fazer uma verificação prévia se o pagamento realizado indevidamente ou a maior estava disponível em seus sistemas. Ainda inconformada, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário, repisando parte de suas razões apresentadas em sede de Impugnação que são, em síntese, as seguintes: a) o V. Acórdão merece reforma, basicamente, porque firmou entendimento equivocado, o ato administrativo que não reconheceu o direito creditório do contribuinte é vinculado, devendo conter os pressupostos de fato e de direito, em obediência ao princípio da legalidade; b) Na mesma esteira de entendimento, o ato administrativo deve ser motivado para se mostrar eficaz, razão pela qual não deve prosperar o acórdão ora guerreado; c) o crédito que se fundou o direito subjetivo do contribuinte foi protocolado por meio de compensação, todavia, sem qualquer fundamentação a autoridade não homologou a compensação realizada pela Recorrente, através de Despacho Decisório Fl. 68DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.431 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.932191/2013-99 eletrônico, onde se questiona a falta de elementos do ato administrativo, ou seja, falta de fundamentação e nulidades; d) Todavia entenderam os Nobres Julgadores que o Despacho Decisório foi devidamente fundamentado, cabendo ao Recorrente o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária, julgando improcedente a Impugnação; e) Reitera a necessidade de motivação, a teoria dos motivos determinantes e o cerceamento de defesa como institutos jurídicos a embasarem sua pretensão de reforma do ato administrativo ora em debate ; f) Defende a tese de que a Fazenda Nacional deve rever seus próprios atos, seja para revogá-los (quando inconvenientes) seja para anulá-los (quando ilegais) Cita a Súmula 473 do STF, os arts. 1º e 5º inciso LVI da CF/88., como normas de conteúdo vedatório para obtenção de provas pelo Poder Público que derive de transgressão a cláusulas de ordem constitucional; g) Ao final requer a reforma do v. Acórdão, eis que a controvérsia posta é identificar se o ato administrativo é vinculado ou discricionário. É o Relatório.” Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10880.900539/2014-60, paradigma deste julgamento. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2401-006.258 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária “1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE RECURSO VOLUNTÁRIO O presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, razão pela qual dele CONHEÇO, já que presentes os requisitos de sua admissibilidade 2. DA PRELIMINAR a) nulidade A alegação de nulidade do Despacho Decisório não merece prosperar posto que o mesmo foi realizado dentro dos ditames delineados em lei, apresentando de forma clara e objetiva o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a Fl. 69DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-006.431 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.932191/2013-99 inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na declaração de compensação - DCOMP. Nesse diapasão, não há cerceamento de defesa em nenhuma fase do curso processual capaz de produzir qualquer tipo de nulidade ou óbice para que se avance na análise de mérito no presente feito. 3. DO MÉRITO Em seu Recurso Voluntário o contribuinte, em síntese, se restringe a alegar que o ato administrativo, que não reconheceu o seu direito creditório, é vinculado , devendo conter os pressupostos de fato e de direito que o motivaram, sob pena de cerceamento do seu direito de defesa e desobediência ao princípio da legalidade. O que se observa é que assim, as alegações preliminares acabam se confundindo com as de mérito. Todavia, razão não assiste à Recorrente, senão vejamos: Conforme esclarecido pela instância de piso e verificado pela análise dos autos, as próprias declarações e documentos produzidos pela Recorrente fundamentaram os motivos da não-homologação do Despacho Decisório in casu, caracterizando assim a prova e a motivação do ato administrativo, sendo de pleno conhecimento do Recorrente já que por ele produzidos. Após análise detalhada, não foi identificado por esta Relatora qualquer erro na decisão de indeferimento da compensação, nem tampouco a Recorrente apontou eventual divergência, capaz de maculá-lo. A causa da não homologação é clara e objetiva, e se deve ao fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Logo, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Recorrente pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. Conforme se verifica, o débito declarado e pago encontra-se em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Como ja esclarecido acima, quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Dessa forma, a recorrente, na data da transmissão do PER/ DCOMP não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito Fl. 70DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-006.431 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.932191/2013-99 creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. Ou seja, de maneira diametralmente oposta às suas alegações recursais, o ato administrativo foi motivado e fundamentado, todavia não foi homologado por absoluta falta de amparo legal para sua concessão. Da análise da DCTF retificadora ativa da Requerente (juntada por imagem no Acórdão de Manifestação de Inconformidade, referente ao tributo e período em análise, verificou-se que ela declarou um débito de IRRF referente ao fato gerador daquela data e vinculou um pagamento de igual valor. Já no quadro reproduzido no voto, podemos verificar que o DARF, pago em atraso com multa de mora e juros de mora, foi integralmente alocado para o saldo a pagar do débito declarado, cujos valores são idênticos. A Requerente pagou em atraso o tributo e corretamente adicionou a multa de mora e os juros de mora, valor que ele agora indevidamente reclama de volta para compensação. Conforme informado pela DRJ , além do DARF constante dos presentes autos, ter sido alocado ao débito normal do período, regularmente declarado em DCTF, a Recorrente solicita sobre esse valor, a homologação de 152 pedidos de compensação que, somados, resultam em um valor de R$ 1.974.130,39, conforme relação dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF, transcritas no voto do Acórdão ora recorrido. E este fato indica que a Recorrente se movimenta no sentido de efetuar compensação administrativa, não amparada na legislação, para liquidar débitos com créditos inexistentes. Todavia, utiliza-se do expediente de prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que a Recorrente respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração que ensejaria a aplicação da Lei n° 10.833, de 2003, art. 18, §2º, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto para CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. É como voto.” Pelos motivos expendidos, voto para CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 71DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-006.431 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.932191/2013-99 Fl. 72DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.920258/2012-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Data do fato gerador: 13/05/2005
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO.
O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. A juntada dos documentos deve observar a regra prevista no §4º, do artigo 16, do Decreto 70.235/72.
Numero da decisão: 3302-007.065
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Substituto
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente substituto), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato de Deus e Denise Madalena Green.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Data do fato gerador: 13/05/2005 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. A juntada dos documentos deve observar a regra prevista no §4º, do artigo 16, do Decreto 70.235/72.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Substituto Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente substituto), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato de Deus e Denise Madalena Green.
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ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. A juntada dos documentos deve observar a regra prevista no §4º, do artigo 16, do Decreto 70.235/72. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Substituto Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente substituto), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato de Deus e Denise Madalena Green. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade apresentada em face do despacho decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba, o qual indeferiu o pedido de restituição efetuado por meio eletrônico (PER). Após análise automática foi proferido despacho decisório indeferindo o pedido. Como justificativa para o indeferimento foi apontado o fato de que, embora localizado o pagamento indicado no PER como origem do crédito, referido valor teria sido totalmente utilizado na extinção de outro débito de contribuições (PIS e/ou Cofins). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 92 02 58 /2 01 2- 33 Fl. 78DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-007.065 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.920258/2012-33 Devidamente cientificada, a recorrente interpôs Manifestação de Inconformidade, na qual relata que apurou crédito tributário de PIS e de Cofins em razão da declaração de inconstituicionalidade do art. 3º, da Lei nº 9.718, de 1998, proferida pela Supremo Tribunal Federal no RE 457553-1 em Sessão Plenária de 09/11/05 e aproveitou parte do referido crédito para compensar débitos, conforme lhe faculta o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Acredita que a razão de o PER haver sido indeferido estaria no fato de que referido crédito não consta nas bases de dados da Receita Federal do Brasil. Explica que extinguiu os déditos de PIS e Cofins conforme declarado em DCFT e, posteriormente, com a declaração de inconstituicionalidade do art. 3º § 1º da Lei nº 9.718, de 1998, surgiu o crédito oponível ao Fisco incidente sobre as receitas financeiras. Ocorre que no processamento do PER, o sistema da RFB não localizou o crédito porque na DCTF o débito foi declarado integralmente, inclusive com a parcela inconstituicional incidente sobre as receitas financeiras. Por seu turno, embora tenha reconhecido a inconstitucionalidade apontada pela recorrente, e declarada pelo Supremo Tribunal Federal, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por entender inexistir nos autos prova da origem do crédito apurado pela Recorrente. Em sua decisão, observou que, para fins de deferimento de pedido de restituição, o recolhimento indevido ou a maior, em virtude da declaração de inconstitucionalidade de dispositivo relativo ao alargamento da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, deve ser comprovado mediante documentação hábil e idônea. Novamente cientificada, a recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese: (i) que caso a Fiscalização entenda que a documentação apresentada pela recorrente não exaure a questão controvertida contida no Pedido de Restituição, com supedâneo na legislação de regência do processo administrativo fiscal, a Autoridade Administrativa pode determinar diligências com a finalidade de investigar e concluir o procedimento fiscal com o máximo de elementos para firmar a convicção que deve fundamentar o ato administrativo; (ii) não se alegue a impossibilidade de se admitir os documentos apresentados na atual etapa processual. Isto porque, somente por ocasião da prolação do acórdão recorrido, pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba, é que o direito creditório buscado pela recorrente foi indeferido com base na alegada ausência de comprovação dos recolhimentos da COFINS sobre as receitas financeiras; (III) que o crédito apurado diz respeito ao PIS/Cofins incidente sobre receitas financeiras; e (iv) qualquer conclusão diversa constituirá violação ao direito de defesa da contribuinte, resultando em vício insanável que gera a nulidade fixada no artigo 59, II do Decreto 70.235/1972: Juntou documentos para respaldar suas pretensões. É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, Fl. 79DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-007.065 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.920258/2012-33 de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3302- 007.050, de 22 de maio de 2019, proferido no julgamento do processo 10980.920245/2012-64, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3302-007.050): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Conforme exposto anteriormente, a Recorrente apresentou o PER/DCOMP nº 27989.81927.250108.1.2.04-4061 para compensar seu débito com crédito de COFINS. O crédito apurada pela Recorrente foi indeferido e sua declaração de compensação foi considerada "não homologado", considerando que o crédito já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte. Irresignada com a decisão, Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, alegando que com a declaração de inconstituicionalidade do art. 3º § 1º da Lei nº 9.718, de 1998, surgiu o crédito oponível ao Fisco incidente sobre as receitas financeiras no valor de R$ R$ 6.135,06. Não juntou documentos na manifestação de inconformidade para comprovar seu direito. A decisão recorrida, por sua vez, afastou as pretensões da Recorrente, por entender que não restou comprovado o direito almejado pelo contribuinte, por total ausência de documentos comprobatórios, cujas razões peço vênia para colacionar: Ocorre que para se aferir qual o valor exato da base de cálculo do PIS e da COFINS que deve ser afastado, é necessário que a contribuinte informe e comprove qual o montante total das receitas, para se apartar o faturamento das demais receitas. No caso presente, verificou-se que nenhum documento comprobatório que pudesse comprovar inequivocamente a ocorrência de pagamentos indevidos em razão do alargamento da base de cálculo foi apresentado pela requerente. A propósito, o § 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, abaixo transcrito, dispõe que são aplicadas às manifestações de inconformidade as mesmas regras do Processo Administrativo Fiscal, previstas no Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 74. (...) § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a não-homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) (...) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadram-se no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. E de acordo com o que estabelece o Decreto n.º 70.235, de 1972, a impugnação formalizada deve ser instruída com os documentos em que fundamente suas alegações: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 80DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-007.065 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.920258/2012-33 (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refira-se a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) Grifou-se As disposições do Decreto n.º 70.235, de 1972 foram consolidadas pelo Decreto nº 7.574 de 29/09/2011, que mantém o entendimento da norma citada: Art. 56. A impugnação, formalizada por escrito, instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada em unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, bem como, remetida por via postal, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência, instaura a fase litigiosa do procedimento (Decreto no 70.235, de 1972, arts. 14 e 15). (...) Art. 57. A impugnação mencionará (Decreto no 70.235, de 1972, art. 16, com a redação dada pela Lei no 8.748, de 1993, art. 1o, e pela Lei no 11.196, de 2005, art. 113): (...) III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (...) Art. 119. É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no art. 110, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação (Lei no 9.430, de 1996, art. 74, § 9o, incluído pela Lei no 10.833, de 2003, art. 17). (...) § 2o A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam o caput e o § 1o obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 1972 (Título II deste Regulamento), e enquadram-se no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 1966 - Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação (Lei no 9.430, de 1996, art. 74, § 11, incluído pela Lei no 10.833, de 2003, art. 17). Além disso, é bom lembrar o que está disposto no art. 333 do Código de Processo Civil, ou seja, de que o ônus de provar o fato constitutivo de seu direito é do próprio autor do pedido. Art. 333 – O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II – ao réu, quanto a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Desse modo, tendo em vista que a manifestante não apresentou os elementos probatórios hábeis a comprovar a origem do indébito tributário, não há como reconhecer o direito creditório vindicado. Já em sede recursal, a Recorrente traz argumentos mais robustos sobre o direito ao crédito, bem como sobre o erro na base de cálculo da contribuição apurada, acompanhado de documentos para embasar suas pretensões. Fl. 81DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-007.065 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.920258/2012-33 Contudo, entendo que os documentos carreados autos pela Recorrente, ainda que se prestem à comprovar seu pretenso direito, não devem ser considerados para julgamento do presente processo, considerando a preclusão prevista no §4º, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/72, que assim preceitua: Art. 16. A impugnação mencionará: I - a autoridade julgadora a quem é dirigida; II - a qualificação do impugnante; III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV - as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V - se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerar-se-á não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscá-las. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provar-lhe-á o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refira-se a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Com efeito, os documentos carreados no recurso deveriam ter sido trazidos em sede de manifestação de inconformidade, admitindo, no caso de negativa por parte da DRJ, a juntada complementar de documentos para contrapor as razões da decisão recorrida. No presente caso, a Recorrente não trouxe nenhum documento em sua manifestação para comprovar seu direito, sendo, totalmente, inadmissível o fazer nessa faze processual, em razão da preclusão prevista no §4º daquele dispositivo. Fl. 82DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2005/Lei/L11196.htm#art113 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-007.065 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.920258/2012-33 Por fim, não vejo que a decisão proferida por este relator, seja ela qual for, acarreta alguma hipótese de nulidade prevista no artigo 59, do Decreto nº 70.235/1972, principalmente aquelas elencadas no inciso II, considerando inexistir despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Neste cenário, não vejo como acolher as pretensões da Recorrente . Diante do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário do contribuinte. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator Fl. 83DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.002277/2004-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2001
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo que tenha sido intimado a fazê-lo.
Numero da decisão: 2301-006.222
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar as preliminares e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Antonio Sávio Nastureles - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado em substituição à conselheira Juliana Marteli Fais Feriato), Wilderson Botto (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente).
Ausente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa.
Nome do relator: ANTONIO SAVIO NASTURELES
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LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo que tenha sido intimado a fazê-lo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar as preliminares e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital - Presidente (documento assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado em substituição à conselheira Juliana Marteli Fais Feriato), Wilderson Botto (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). Ausente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. Relatório 1. Trata-se de julgar recurso voluntário (e-fls 74/75) interposto em face do Acórdão nº 13-21.459 (e-fls 62/69) prolatado pela DRJ Rio de Janeiro II, em sessão de julgamento realizada em 12/09/2008. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 22 77 /2 00 4- 28 Fl. 78DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-006.222 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.002277/2004-28 2. Faz-se a transcrição do relatório inserto na decisão recorrida: início da transcrição do relatório contido no Acórdão nº 13-21.459 Trata o presente processo de crédito tributário constituído por meio do Auto de Infração de fls. 27 a 31 1 , relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício(s) 2001, ano(s)-calendário 2000, no valor total de R$58.619,82 (cinqüenta e oito mil, seiscentos e dezenove reais e oitenta e dois centavos), sendo: Imposto - R$24.674,76 Juros de Mora (calculados até 29/10/2004) - R$15.438,99 Multa Proporcional (passível de redução) - R$18.506,07 A descrição dos fatos encontra-se detalhada no Termo de Verificação Fiscal às fls. 25 a 26 2 , e o enquadramento legal, no Auto de Infração, à(s) fl(s). 28, versando exclusivamente sobre a seguinte infração: “001 – DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA” No que se refere à atualização monetária e às penalidades aplicáveis, o enquadramento legal correspondente consta do Demonstrativo de Multa e Juros de Mora de fls. 30. Cientificado do Auto de Infração em 06/12/2004, o Contribuinte apresentou, em 05/01/2005, a impugnação de fls. 35 a 37 3 , instruída com documentos de fls. 38 a 56. Preliminarmente, suscita a nulidade do Auto de Infração por erro na constituição do crédito tributário. Alega que a Autoridade Fiscal não excluiu da base de cálculo o valor previsto no art. 4º da Lei nº 9.481/1997. No mérito, sustenta que os créditos havidos em sua conta bancária provem de operações financeiras, que estão sujeitos à tributação exclusiva. Afirma que os recursos utilizados nas operações financeiras decorrem da venda de imóvel de sua propriedade em face de dissolução de sociedade conjugal. Afirma que recebeu R$205.000,00 dessa venda e, como é operador atuante no mercado financeiro, aplicou a quantia em operações de renda fixa e variável. Diz que os ganhos foram tributados de acordo com a legislação de regência. Nesse contexto, alega que tentou obter junto ao Banco Sudameris documentos relativos às liquidações de suas aplicações em Bolsas, inclusive mediante notificação extrajudicial, mas não obteve êxito. Defende que o intervalo de 35 dias entre os depósitos demonstra que se trata de liquidações de operações realizadas em Bolsas. Ressalta, uma vez mais, que esses rendimentos não estão sujeitos ao ajuste anual. final da transcrição do relatório contido no Acórdão nº 13-21.459 1 Auto-de-infração anexado às e-fls 29/33. 2 Termo de Verificação Fiscal anexado às e-fls 27/28. 3 Impugnação anexada às e-fls 37/39. Fl. 79DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-006.222 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.002277/2004-28 2.1. Ao julgar procedente o lançamento, o acórdão recorrido tem a ementa que se segue: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2001 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo que tenha sido intimado a fazê-lo. 3. Ao interpor o recurso voluntário (e-fls 74/75), o Recorrente deduz as mesmas alegações ofertadas ao tempo da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Sávio Nastureles, Relator. 4. O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. PPRREELLIIMMIINNAARREESS 5. A decisão de primeira instância rejeitou a preliminar suscitada com base no artigo 59 do Decreto 70.235/1972, de modo que adoto os mesmos fundamentos para afastar a mesma questão preliminar suscitada na fase recursal. início da transcrição do voto contido no Acórdão nº 13-21.459 No que alcança à hipotética nulidade argüida pelo Interessado, é mister ressaltar que o Auto de Infração em epígrafe se revestiu de todas as formalidades legais previstas pelo art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, com alterações introduzidas pela Lei nº 8.748, de 1993 verbis: “Art. 10 O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente”: I - a qualificação do autuado; II - o local, a data e a hora da lavratura; III - a descrição do fato; IV - a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V - a determinação da exigência e a intimação para cumpri-la ou impugná-la no prazo de 30 (trinta) dias; VI - a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula”. Fl. 80DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-006.222 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.002277/2004-28 Além disso, o art. 59 do referido decreto, que regula o Processo Administrativo Fiscal, enumera os casos que acarretam a nulidade do lançamento, in verbis: “Art. 59. São nulos”: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa”. No presente caso, constata-se que a lavratura do Auto de Infração foi levada a efeito por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, que tem competência para tal. Também se verifica que não foi negado ao contribuinte o direito de discordar com a autuação. De fato, com a apresentação da impugnação ao lançamento, conhecida e ora analisada, foi dado ao requerente a oportunidade de defender-se e mais, foi-lhe também garantido o direito de ter suas razões analisadas pelo órgão revisor. Dessa forma, não se observando as hipóteses de nulidade previstas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, e estando o lançamento revestido dos elementos exigidos pelo art. 142 do código Tributário Nacional (Lei nº 5.172/66), rejeita-se a preliminar de nulidade argüida pelo interessado. final da transcrição do voto contido no Acórdão nº 13-21.459 MMÉÉRRIITTOO 6. Nas demais questões de mérito, constatada a coincidência entre as alegações deduzidas no recurso e aquelas ofertadas ao tempo da impugnação, e por concordar com o entendimento feito pela decisão de primeira instância, no que refere , adoto como razões de decidir início da transcrição do voto contido no Acórdão nº 13-21.459 Sobre a discordância com a base de cálculo e considerando o conhecimento que o Contribuinte demonstra ter sobre o assunto, necessário examinar a legislação relativa ao lançamento com base em depósitos bancários. O lançamento do crédito tributário compreendeu a autuação com base na omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. O que se tributa não são os depósitos bancários, como tais considerados, mas a omissão de rendimentos por eles representada. Os depósitos bancários são apenas a forma, o sinal de exteriorização, pela qual se manifesta a omissão de rendimentos objeto de tributação. Depósitos bancários se apresentam, num primeiro momento, como simples indício da existência de omissão de rendimentos. Entretanto, esse indício se transforma na prova da omissão de rendimentos, quando o contribuinte, tendo a oportunidade de comprovar a origem dos recursos aplicados em tais depósitos, se nega a fazê-lo, ou não o faz satisfatoriamente. Não comprovada a origem dos recursos, tem a autoridade fiscal o dever/poder de considerar os valores depositados como rendimentos tributáveis e omitidos na declaração de ajuste anual, efetuando o lançamento do imposto correspondente. Fl. 81DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-006.222 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.002277/2004-28 A Lei nº 9.430, de 1996, que embasou o lançamento, com as alterações introduzidas pelo art. 4º da Lei nº 9.481, de 13 de agosto de 1997, e pelo art. 58 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, assim dispõe acerca dos depósitos bancários: Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I – os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II – no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12. 000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil reais). ...” O dispositivo acima estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos, que efetivamente autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Assim, o levantamento fiscal está de acordo com a legislação. É a própria lei definindo que os depósitos bancários de origem não comprovada caracterizam omissão de receita ou de rendimentos e não meros indícios de omissão, razão pela qual não há obrigatoriedade de se estabelecer o nexo causal entre cada depósito e o fato que represente omissão de rendimentos ou de se demonstrar o acréscimo patrimonial. Isso está em perfeita consonância com o disposto nos artigos 43 e 44 do CTN, abaixo reproduzidos: Art. 43 - O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I - de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II - de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Art. 44 - A base de cálculo do imposto é o montante, real, arbitrado ou presumido, da renda ou dos proventos tributáveis.(grifei) Fl. 82DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2301-006.222 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.002277/2004-28 A Autoridade Fiscal cumpriu plenamente sua função: comprovou o crédito dos valores, e intimou o interessado a apresentar os documentos, informações e esclarecimentos, com vistas à verificação da ocorrência de omissão de rendimentos de que trata o art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Nesse sentido, foram juntados aos autos os respectivos extratos bancários, apresentados pelo contribuinte, e os créditos foram individualizados nos termos de intimação encaminhados ao Interessado. Para elidir a presunção legal de que depósitos em conta corrente sem origem justificada referem-se a renda omitida, deveria o Interessado, na fase de instrução ou na impugnatória, ter comprovado a origem desses depósitos. O Contribuinte sustenta que os depósitos decorrem da liquidação de investimentos em bolsa e que foram utilizados recursos oriundos da venda de imóvel. Diz que os impostos devidos foram recolhidos de acordo com a legislação aplicável. Ocorre que o Interessado não apresentou nenhum documento que pudesse corroborar suas alegações. Não demonstra a saída de dinheiro das suas contas bancárias. Tampouco comprova a realização de aplicações e, posteriormente, de resgates. Difícil acreditar que um “operador atuante nesses mercados” não tenha em seu poder os extratos dessas alegadas operações, normalmente emitidos pelas corretoras. Não comprova sequer a suposta tributação na fonte dos ganhos auferidos. O Contribuinte argumenta ainda que não conseguiu obter junto ao Banco Sudameris os nomes dos depositantes das quantias lançadas, tendo promovido inclusive a notificação extrajudicial da instituição com esse fim. O Contribuinte não anexou qualquer documento onde a citada instituição se negue a apresentar os documentos solicitados. Tampouco juntou a resposta obtida após a notificação levada a efeito, decorridos mais de quatro anos desde então. Insta observar, inicialmente, que é vã essa tentativa do Contribuinte em transferir a terceiros a obrigação que é sua de manter em boa guarda documentos acerca da origem dos seus recursos. A Fazenda Nacional pode, a qualquer momento e enquanto não decaído seu direito, examinar as informações prestadas pelo Contribuinte e proceder ao lançamento, se for o caso. Ao Contribuinte cumpre apresentar os esclarecimentos solicitados, acompanhados de documentação hábil e idônea que sustentem suas alegações. Ademais, importante esclarecer que, para afastar a presunção legal, não seria suficiente somente a identificação dos depositantes, conforme requerido por ele ao Banco Sudameris. Faz-se necessário não só comprovar a origem, mas também a que título foram depositadas essas quantias, o que o Banco Sudameris não poderia fazer por ele. Em suma, a origem do crédito deve estar justificada de forma hábil e não apenas identificada. Sendo certo que nenhum valor surge em contas bancárias da noite para o dia, sem que exista alguém ou algum lançamento que lhe de origem, não cabe apenas a identificação da pessoa que realizou o depósito, remeteu ou creditou um determinado valor na conta corrente, caso contrário, bastaria simplesmente que o titular da conta apresentasse recibos de depósitos identificados, cheques nominais, ou documentos que identificassem o remetente de remessas para justificar créditos em sua conta bancária. Sem dúvida alguma, não é esse o intuito da Lei, pois, se assim Fl. 83DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2301-006.222 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.002277/2004-28 fosse, não haveria qualquer sentido prático na sua aplicação ou mesmo qualquer controvérsia sobre a sua edição. Da análise dos autos, forma-se a convicção quanto à correção dos fatos apontados pela fiscalização. Foi levantada uma presunção, devidamente autorizada pela lei, como explicitado ao longo do presente voto, de omissão de receitas pelo autuado, a qual demanda, apenas, que seja este regularmente intimado, pela autoridade fiscal, a comprovar a origem dos depósitos ou aplicações mantidos em seu nome em instituições financeiras, com inversão do ônus da prova. O contribuinte devidamente intimado, teve a oportunidade de comprovar a origem dos depósitos efetuados, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, e não o fez. Nem mesmo agora, em sua impugnação, apresenta algum elemento de prova. Sobre o alegado erro na base de cálculo, não assiste razão ao Contribuinte. Segundo o disposto no artigo 42, §3 o , inciso II da Lei nº 9.430/96, devem ser excluídos os depósitos de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil reais). No caso concreto, o lançamento recai sobre três depósitos nos valores de R$47.717,99, R$24.371,47 e R$17.636,96, ocorridos em 31/08, 30/09 e 31/10, respectivamente. Ou seja, todos acima do valor de R$12.000,00, sendo inaplicável o dispositivo suscitado pelo Contribuinte. final da transcrição do voto contido no Acórdão nº 13-21.459 CCOONNCCLLUUSSÃÃOO 7. Diante do exposto, VOTO por rejeitar as preliminares e negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Fl. 84DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.007989/2003-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/1998 a 31/05/1998
DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO AINDA QUE PARCIAL.
Para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, havendo pagamento antecipado, ainda que parcial, a regra para a contagem se dá de acordo com o art. 150, §4º, do CTN; sem pagamento, a regra para a contagem do prazo é a do art. 173, I, do mesmo diploma normativo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-006.062
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/1998 a 31/05/1998 DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO AINDA QUE PARCIAL. Para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, havendo pagamento antecipado, ainda que parcial, a regra para a contagem se dá de acordo com o art. 150, §4º, do CTN; sem pagamento, a regra para a contagem do prazo é a do art. 173, I, do mesmo diploma normativo. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 79 89 /2 00 3- 09 Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10980.007989/200309 Acórdão n.º 3301006.062 S3C3T1 Fl. 80 2 Relatório Adoto o relatório da decisão recorrida, por economia processual: Trata o presente processo de auto de infração, às fls. 22/27, pelo qual são exigidos R$ 28.111,31 de contribuição para o PIS, além da multa de ofício de 75% e dos acréscimos legais. O lançamento, decorrente de auditoria interna de DCTF, consoante descrição dos fatos, enquadramento legal e demonstrativos que o compõem, referese ao período de apuração de 01/04/1998 a 31/05/1998, 01/11/1998 a 31/12/1998, em que se constatou falta de recolhimento da contribuição, associada à nãolocalização de pagamento que o contribuinte declarou como meio de extinção do crédito tributário correspondente; quanto aos períodos de novembro e dezembro de 1998 a nãolocalização dos pagamentos informados se reporta a pretensas compensações. Cientificado da exigência fiscal, em 21/07/2003 (fl. 42), o interessado apresentou, tempestivamente, em 20/08/2003, a impugnação de fls. 01/06, acompanhada dos documentos de fls. 07/37, na qual alega que efetuou o recolhimento dos supostos débitos de novembro e dezembro de 1998, porém equivocouse ao informar que efetuara compensações; e que, em relação aos períodos de apuração de maio e junho de 1998, ocorreu a decadência do direito de lançamento, arguição que fundamenta no art. 150, § 4°, do CTN e em jurisprudência. Pede, ao final, a concessão de prazo para retificar a DCTF do quarto trimestre de 1998. Às fls. 39/40, consta a manifestação do interessado, de que não procederá à retificação da DCTF, uma vez já notificado do lançamento. A 4ª Turma de Julgamento da DRJ/CTA, no acórdão n° 0616.355, deu parcial provimento ao apelo, com decisão assim ementada: DECADÊNCIA. PRAZO. É de dez anos o prazo de que dispõe a Fazenda Nacional para constituir créditos relativos a contribuições sociais. DCTF. AUDITORIA INTERNA. PAGAMENTO. CONFIRMAÇÃO. LANÇAMENTO INDEVIDO. Confirmados parcialmente os pagamentos informados pelo contribuinte na DCTF, há que se cancelar o lançamento de ofício correspondente, decorrente de auditoria interna. Lançamento Procedente em Parte. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10980.007989/200309 Acórdão n.º 3301006.062 S3C3T1 Fl. 81 3 A decisão de piso não acolheu a preliminar de decadência e deu parcial provimento à impugnação, para cancelar a exigência de R$ 111,31 de contribuição (e multa de ofício e juros de mora), mantendo o lançamento de R$ 28.000,00 de contribuição, além da multa de ofício e dos acréscimos legais correspondentes. Em recurso voluntário, a Recorrente sustenta que houve a decadência dos fatos geradores de 01/04/98 a 31/05/98. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Aduz a Recorrente a ocorrência de decadência dos fatos geradores de 01/04/98 a 31/05/98, com base no art. 150, § 4º do CTN, uma vez que a notificação do auto de infração se deu em 21/07/2003. A base legal para o não reconhecimento da decadência pela DRJ foi o art. 45 da Lei n° 8.212/91, que prescrevia que o prazo decadencial das contribuições era 10 anos. Tal dispositivo foi rechaçado pelo STF, Súmula Vinculante n° 8: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto Lei 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991, que tratam da prescrição e decadência do crédito tributário. Prosseguindo, o prazo decadencial para a constituição de crédito tributário foi tratado pelo STJ, no REsp nº 973.733/SC, julgado na sistemática dos recursos repetitivos, no qual se pacificou que a constituição do crédito tributário dos tributos sujeitos a lançamento por homologação regese pelo art.150, §4º, do CTN, quando ocorre pagamento antecipado, ainda que inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em dolo, fraude ou simulação. Assim, inexistindo pagamento ou ocorrendo dolo, fraude ou simulação, o prazo é o do art.173, I, do CTN, ou seu parágrafo único, se verificada a existência de medidas preparatórias indispensáveis ao lançamento. O PIS é tributo sujeito ao lançamento por homologação, contudo, neste processo administrativo, o objeto em litígio é a cobrança do tributo declarado e não recolhido para essas competências: Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10980.007989/200309 Acórdão n.º 3301006.062 S3C3T1 Fl. 82 4 Logo, aplicase a regra do art. 173, I, do CTN. Nesse sentido, as Súmulas CARF n° 99 e 101: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Súmula CARF nº 101: Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). No caso em tela, os fatos geradores lançados são do ano de 1998, então para estes a contagem do prazo decadencial teve início em 1° de janeiro de 1999, encerrandose em 31/12/2004. Assim, considerando que o lançamento foi cientificado ao contribuinte em 21/07/2003, constatase que não se operou a decadência de nenhum dos períodos autuados. Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 82DF CARF MF
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