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Numero do processo: 11618.003150/2006-37
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004
COFINS. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE COMPENSAR COM DÉBITOS DO SIMPLES. PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DO TRATAMENTO DIFERENCIADO E NÃO CUMULATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE .
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme inteligência da súmula 02.
Numero da decisão: 3001-000.198
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Cássio Schappo.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2004 COFINS. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE COMPENSAR COM DÉBITOS DO SIMPLES. PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DO TRATAMENTO DIFERENCIADO E NÃO CUMULATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE . O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme inteligência da súmula 02.
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COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE COMPENSAR COM DÉBITOS DO SIMPLES. PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DO TRATAMENTO DIFERENCIADO E NÃO CUMULATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE . O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme inteligência da súmula 02. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Cássio Schappo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 8. 00 31 50 /2 00 6- 37 Fl. 558DF CARF MF 2 Relatório Despacho Decisório O mencionado Despacho Decisório houve por bem deferir os Pedidos constantes dos PER/DCOMP e deferir parcialmente o Pedido de Restituição no valor de R$ 235,02 (duzentos e trinta e cinco reais e dois centavos) , em virtude do reconhecimento parcial do direito creditório em que se fundamenta. Ainda, não homologou a Declaração de Compensação DCOMP, constante do PER/DCOMP rl° 17282.41132 .250505 .1.3.04 9054 em virtude de inexistência de crédito. Manifestação de Inconformidade Em sua defesa a Recorrente insurgese contra a negativa da homologação de seus créditos tributários relativos a PIS, COFINS e IMPOSTO DE RENDA recolhidos antecipadamente. Não cumulatividade Segundo consta a Recorrente, à época, sendo optante pelo SIMPLES, argumenta que qualquer recolhimento de tributo em desacordo com a Lei n° 9.317/96, transgride as normas gerais de direito tributário e afronta o princípio constitucional da NÃO CUMULATIVIDADE, de que trata o artigo 153, § 3°, II, da Constituição Federal Tratamento diferenciado Na seqüência de argumentos tecidas em sua defesa, argumentou também, que as empresas de pequeno porte, estão albergadas pelo disposto no artigo 179 da Carta Magna. Em decorrência, foi sancionada a Lei n° 9.317/96, e a Lei Complementar n° 123/2007, a qual regulamenta, definitivamente, o assunto ao estabelecer normas gerais relativas ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas. Substituiçao Tributária Por fim, insurgese em face do recolhimento do PIS e da COFINS sobre a aquisição de mercadorias para revenda relativamente à substituição tributária. Arguiu que tal imposição produz ônus para as microempresas e empresas de pequeno porte, sendo que, em sua ótica, estaria albergada por entendimento do Superior Tribunal de Justiça a não fazêlo. Em seu Pedido, requereu seja reformado o despacho decisório para permitir a compensação, decorrente de valores pagos nas aquisições de mercadoria e produtos para revenda, conforme consta dos documentos fiscais anexos DRJ/REC A manifestação de inconformidade foi julgada com a seguinte ementa: Acórdão 1125.780 4” Turma Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTARIA. ' Os comerciantes varejistas de veículos sujeitos ao regime de Fl. 559DF CARF MF Processo nº 11618.003150/200637 Acórdão n.º 3001000.198 S3C0T1 Fl. 559 3 substituição, quando optantes pelo SIMPLES não podem excluir da receita bruta o valor das vendas desses produtos para efeito da apuração da base de cálculo das contribuições. Não são considerados créditos líquidos e certos, do comerciante varejista optante pelo SIMPLES, passíveis de ressarcimento ou compensação, os valores recolhidos pelos fabricantes ou importadores de veículos a título de PIS e COFINS na condição de substituto. `Solicitação Indeferida O relatório do mencionado acórdão, por bem retratar a situação fática, será aproveitado conforme a transcrição a seguir: A interessada acima qualificada apresentou Pedido de Restituição à fl. 01 alegando retenção indevida de PIS, COFINS e IRRF nos anos calendários de 2003 e 2004 no valor original de R$ 20.321,32, e respectiva Declaração de Compensação em formulário, às fls.02/03 do citado crédito com débitos do SIMPLES (código 6106) relativos aos anos calendários de 2003; 2004 e 2005 no valor original de R$ 20.011,27. De acordo com o Parecer DRF/JPA/SAORT N° 364/2007 (fls. 495/498), a homologação parcial da compensação, consoante discriminado a seguir: a) quanto às retenções no código 1708, foi verificado que a contribuinte havia compensado, de maneira incorreta, o montante de R$ 20.322,69 com débitos referentes ao SIMPLES dos anos calendários de 2003 e 2004. Posteriormente, a contribuinte apresentou PER/DCOMP às fis.69 a 419. Após análises e intimações, a contribuinte efetuou as seguintes correções necessárias, quais sejam: i) pedidos de cancelamento das DCOMP apresentadas (fls.425 a 490 e 492 a 494; ii) retificação das PJSI referentes aos anos calendários de 2003 e 2004, substituindo o número das DCOMP pelo do presente processo (fls. 422 a 424). Realizada a análise, o citado parecer propôs o deferimento das solicitações de cancelamento das DCOMP (fls. 425 a 490 e 492 a 494), acatando a compensação do valor de R$ 235,02, originário da retenção do Consórcio Nacional Suzuki Motos Ltda cujo beneficiário é a interessada. b) quanto às retenções nos códigos 8645 e 8496 apresentadas às fls. 16 a 18 não conferem qualquer direito creditório à interessada tendo em vista se relacionarem com o CNPJ n° 84.447.804/000123. c) relativamente à PER/DCOMP n° 17282.41l32.250505.l.3.049054 (fls. 372 a 377), a qual se refere a um pagamento supostamente efetuado a maior Fl. 560DF CARF MF 4 (fl.494) no mês de setembro/2004, após análise foi constatado não se tratar de pagamento efetuado a maior, visto que o valor informado da PJ SI também estava incorreto. Aprovando o citado parecer, o Delegado da Receita Federal do Brasil em João Pessoa exarou o Despacho Decisório de fls. 499, através do qual resolveu: I) Deferir os pedidos de cancelamento constantes das PER/DCOMP às fls. 425 a 490 e 492 a 494; II) Deferir parcialmente o Pedido de Restituição (Íl. 01) no valor de R$ 235,02; III) Homologar parcialmente a DCOMP fls. 02 a 03 no valor de R$ 235,02; IV) Não Homologar a “Declaração de Compensação” constante da PEIUDCOMP n° 17282.41l32.250505.l.3.04 9054 (fls. 373 a 377), em virtude de inexistência de crédito. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls.503 a 514), na qual se insurge contra o indeferimento do pedido de homologação de compensação de crédito de PIS, COFINS e IR recolhidos através de substituição tributária de confonnidade com o disposto na IN SRF n° 54 de 19/05/2000, quando da aquisição de produtos para revenda. Em sua petição (fls. 505 a 509) transcreve artigos da Constituição Federal, bem como da Lei Complementar n° 123 de 14/12/2006, com vigência a partir de 01/07/2007, acerca do tratamento diferenciado da microempresa e empresas de pequeno porte. Relativamente à substituição tributária que produz ônus para as microempresa e empresas de pequeno porte transcreve, às fls. 510 a 5 13, ementas de decisões do STJ. Concluindo a contribuinte afirma que 'foi compelida, coagida a efetuar o recolhimento do PIS e da COFINS sobre aquisição de mercadorias para revenda cujo pagamento representa sangria na suas atividades, proporcionando irremediável prejuízo provocado pelas importâncias exigidas pela legislação atinente à substituição tributária que o Delegado da Receita Federal de João Pessoa entende indevidos ” No voto, a autoridade julgadora de primeira instância firma seu entendimento no sentido de delimitar o tema a ser enfrentado, qual seja, ao pedido de compensação de créditos decorrentes dos seguintes valores: a) relativos ao IR fonte recolhido no código 1708; b) relativos à COFINS Substituição tributária e PIS Substituição tributária códigos 8645 e 8496 respectivamente; c) valor de R$ 319,00 relativo ao recolhimento do Darf Simples relativo ao mês de setembro de 2004. Os créditos questionados portanto, dizem respeito apenas aos valores recolhidos a título de substituição tributária relativas à COFINS e ao PIS. substituição tributária e SIMPLES Fl. 561DF CARF MF Processo nº 11618.003150/200637 Acórdão n.º 3001000.198 S3C0T1 Fl. 560 5 não consta da legislação aplicável previsão legal para ressarcimento ou compensação de crédito decorrente de substituição tributária sofrida pelo comerciante varejista que seja tributado pelo regime simplificado (SIMPLES). Matéria não impugnada PER/DCOMP n° 17282.41l32.250505.l.3.049054, tendo em vista que a interessada não se insurgiu contra a não homologação da mesma, considerarseá não impugnada, Recurso Voluntário Em sua peça de defesa a Recorrente repisa seus argumentos expostos na Manifestação de Inconformidade. Tratamento Diferenciado Pugnou pelo tratamento diferenciado e por seu direito ao ressarcimento e à compensação dos valores pagos a titulo de PIS e COFINS quando da aquisição de mercadorias que revende, mencionando que o Judiciário tem decidido favoravelmente às pretensões da Recorrente, no sentido de compensar os recolhimentos efetuados relativos a PIS e COFINS, qualquer que seja a forma de pagamento extra tributação pelo SIMPLES É o relatório. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator Tratase de Pedido de Restituição alegando retenção indevida de PIS, COFINS e IRRF, e respectiva Declaração de Compensação em formulário, às fls.02/03 do citado crédito com débitos do SIMPLES. Em breve síntese, a Recorrente sustenta haver crédito seu em favor graças ao princípio da não cumulatividade, tratado no artigo 153, § 3°, II, da Constituição Federal, e, também, o tratamento diferenciado albergado pelo disposto no artigo 179 da Carta Magna. Tais temas, entretanto, não são tratados em sede de contencioso administrativo, haja vista a previsão contida na Súmula 02 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Conclusão Diante do exposto, conheço do recurso e negolhe provimento. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 562DF CARF MF 6 Fl. 563DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13607.000736/2004-32
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2003
EXCLUSÃO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. ATIVIDADE VEDADA. ARTIGO 9º, XIII, DA LEI Nº 9.317/1996. PROVA.
Não há fundamento para a exclusão da pessoa jurídica do regime do SIMPLES por desrespeito ao inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.317/1996, se não restar provada a efetiva prestação de serviços constante da acusação, que se baseara apenas na previsão do contrato social.
Numero da decisão: 9101-003.383
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Re^go - Presidente.
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2003 EXCLUSÃO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. ATIVIDADE VEDADA. ARTIGO 9º, XIII, DA LEI Nº 9.317/1996. PROVA. Não há fundamento para a exclusão da pessoa jurídica do regime do SIMPLES por desrespeito ao inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.317/1996, se não restar provada a efetiva prestação de serviços constante da acusação, que se baseara apenas na previsão do contrato social.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1503; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 170 1 169 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13607.000736/200432 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101003.383 – 1ª Turma Sessão de 5 de fevereiro de 2018 Matéria SIMPLES ATIVIDADE VEDADA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado BOBINADORA PX LTDA ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2003 EXCLUSÃO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. ATIVIDADE VEDADA. ARTIGO 9º, XIII, DA LEI Nº 9.317/1996. PROVA. Não há fundamento para a exclusão da pessoa jurídica do regime do SIMPLES por desrespeito ao inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.317/1996, se não restar provada a efetiva prestação de serviços constante da acusação, que se baseara apenas na previsão do contrato social. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 7. 00 07 36 /2 00 4- 32 Fl. 170DF CARF MF Processo nº 13607.000736/200432 Acórdão n.º 9101003.383 CSRFT1 Fl. 171 2 Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela PGFN, em face do acórdão nº 110100.599, da 1ªTurma Ordinária da 1ª Câmara, assim ementado: “SIMPLES. EXCLUSÃO INDEVIDA. SERVIÇOS DE REBOBINAGEM DE MOTORES ELÉTRICOS, CONSTRUÇÃO, REPARAÇÃO E MANUTENÇÃO DE REDE ELÉTRICA. SERVIÇOS AUXILIARES E COMPLEMENTARES DA CONSTRUÇÃO CIVIL. ÔNUS DA PROVA. A atividade de prestação de serviços de montagem e reparação de instalações elétricas, não está vedada à opção pelo SIMPLES. No procedimento de exclusão do regime cabe à Administração Tributária provar que a pessoa jurídica exercia atividade vedada à opção pelo sistema. Não é cabível a exclusão do SIMPLES sem a efetiva demonstração do exercício de atividade não permitida.” De acordo com o voto condutor do aresto recorrido: a) a Fiscalização não comprovou que as atividades então exercidas pela Recorrida exigiam a interferência de engenheiro mecânico ou assemelhados; b) o artigo 4º da Lei nº 10.964/2004, com a redação dada pela Lei nº 11.051/2004, retroage ao tempo da opção pelo Simples para excluir a restrição do inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.317/1996, em benefício das pessoas jurídicas prestadoras de serviços de manutenção e reparação de automóveis, caminhões, ônibus e outros veículos pesados, bem como serviços de manutenção e reparação de aparelhos eletrodomésticos, desde que não enquadradas em outras hipóteses de vedação; c) a jurisprudência do antigo 3º Conselho de Contribuintes acolhia aplicação retroativa da Lei Complementar nº 123/2006. Nesse sentido, as pessoas jurídicas dedicadas às atividades de reparação e manutenção de máquinas e equipamentos agrícolas, antes excluídas do Simples federal em razão da equiparação com prestadoras de serviços de engenharia, tornaramse inseridas no mencionado regime. Tendo em conta que os autos físicos chegaram à PGFN no dia 13/03/2012 (fl. 141), considerase efetivada a intimação do órgão de defesa fazendário no dia 12/04/2012. Recurso Especial remetido ao CARF no dia 26/04/2012, à fl. 142. Nessa oportunidade, a Recorrente ataca o acórdão recorrido no ponto em que este sustenta que o ônus da prova da realização da atividade vedada é da Fiscalização, e não do contribuinte. Para tanto, expõe o acórdão nº 30239613, da 2ª Câmara do extinto 3º Conselho de Contribuintes, oferecido como paradigma na defesa da tese de que o ônus da prova cabe ao contribuinte: “SIMPLES. PRESENÇA DE ATIVIDADE VEDADA NO CONTRATO SOCIAL. FALTA DE COMPROVAÇÃO EM CONTRÁRIO. A exclusão do Simples em razão da presença de atividade vedada no contrato social da empresa pode ser revertida, desde que a empresa comprove que nunca exerceu a atividade vedada.” Fl. 171DF CARF MF Processo nº 13607.000736/200432 Acórdão n.º 9101003.383 CSRFT1 Fl. 172 3 A Recorrente também apresenta o acórdão nº 20212341, da 2ª Câmara do extinto 2º Conselho de Contribuintes, que, adotando interpretação divergente sobre o dispositivo legal que emprestou fundamento ao acórdão recorrido, perfilhou o entendimento de que a previsão no contrato social é suficiente para excluir a pessoa jurídica do Simples, ainda que não esteja exercendo efetivamente a atividade vedada, verbis: “SIMPLES EXCLUSÃO ATIVIDADE ECONÔMICA NÃO PERMITIDA I A caracterização da atividade econômica da pessoa jurídica, primordialmente, dáse pela verificação do registro de seu objeto social. II A previsão no objeto social da pessoa jurídica ou o exercício das atividades de publicidade e propaganda, ou de atividades assemelhadas a uma delas, ainda que não esteja ela exercendo, efetivamente, por estarem relacionadas no art. 9º, inciso XIII, da Lei nº 9.317/96, constituem impedimento à opção ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES. Recurso que se nega provimento.” A defesa da Fazenda Nacional salienta que a exclusão do Simples decorreu da constatação da existência de previsão contratual e, mais além, da prestação de serviços de rebobinagem de motores elétricos; construção, reparação e manutenção de rede elétrica; elaboração de projetos elétricos e comércio varejista de peças e material elétrico. Nessa linha, manifesta que tais atividades só podem ser exercidas por engenheiros ou assemelhados, destacando, ainda, que, quando intimada a entregar as notas fiscais de prestação de serviços, a Recorrida intencionalmente optou por deixar de apresentar a totalidade das notas fiscais de serviços relativos ao período de 2002 a 2004. Ao final, requer que o Recurso Especial seja conhecido e provido, restaurandose a decisão de primeira instância. Ciência da Recorrida para apresentação de contrarrazões no dia 06/09/2015. Prazo transcorrido in albis. É o relatório. Voto Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator. Na interposição do presente Recurso Especial, foram atendidos os requisitos de recorribilidade. Dele conheço. Consta no Ato Declaratório Executivo DRF/STL nº 510.803, de 2 de agosto de 2004, que a Recorrida foi excluída do Simples, a partir de 01/01/2002, em razão de atividade econômica vedada: 31127/02 – instalação, reparação e manutenção de transformadores, indutores, conversores, sincronizadores e semelhantes – ocorrida em 21/11/2000, o que configuraria infração ao inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.317/1996. Com a impugnação do feito, a DRJ/Belo Horizonte indeferiu a solicitação de revisão do ato de exclusão, escorandose nos seguintes argumentos: “[...] A hipótese de exclusão da pessoa jurídica do SIMPLES com fundamento no exercício de atividade econômica vedada para o sistema, Fl. 172DF CARF MF Processo nº 13607.000736/200432 Acórdão n.º 9101003.383 CSRFT1 Fl. 173 4 pressupõe a obtenção de receita oriunda de atividade vedada. O referido diploma legal impede a opção pelo Simples por parte das pessoas jurídicas: que prestem os serviços profissionais expressamente listados; que prestem os serviços profissionais assemelhados àqueles expressamente listados; que prestem serviços profissionais não expressamente listados, cujo exercício dependa de habilitação legalmente exigida. Em conformidade com a Primeira Alteração de Contrato, fls. 10/12, a descrição do objeto social é: [...] prestação de serviços de rebobinagem de motores elétricos; construção, reparação e manutenção de rede elétrica; elaboração de projetos elétricos e comércio varejista de material elétrico. A requerente afirma na SRS. fl. 14. que a atividade que explora é a: [...] Fabricação de subestações, quadro de comando, reguladores de alta voltagem e outros aparelhos e equipamentos para distribuição e controle de energia, comércio varejista de peças e material elétrico, e eventualmente reparação de aparelhos de distribuição de energia (rebobinagem) bem como em número muito pequeno serviços de instalação elétrica. [...] A empresa esclarece ainda que até a presente data não prestou quaisquer serviços de elaboração de projetos elétricos. Verificase a obtenção de receita oriunda da prestação de serviço profissional de engenheiro caracterizada pela "reparação de aparelhos de distribuição de energia" e pelos "serviços de instalação elétrica". Logo, o ato de exclusão não contém incorreções. (grifei) Pelo fato das alegações referentes à exclusão e seus efeitos, cabe ressaltar que a Lei n° 9.317, de 1996, determina: Art. 12. A exclusão do SIMPLES será feita mediante comunicação pela pessoa jurídica ou de oficio. Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica darseá: I por opção; II obrigatoriamente, quando: a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art. 9°; [...] Fl. 173DF CARF MF Processo nº 13607.000736/200432 Acórdão n.º 9101003.383 CSRFT1 Fl. 174 5 § 1° A exclusão na forma deste artigo será formalizada mediante alteração cadastral. [...] Art. 14. A exclusão darseá de oficio quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: I exclusão obrigatória, nas formas do inciso II e § 2° do artigo anterior, quando não realizada por comunicação da pessoa jurídica; [...] Art. 16. A. pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Ainda a Instrução Normativa SRF n° 355, de 2003, que vigorava à época, previa: Art. 24. [...] Parágrafo único. Para as pessoas jurídicas enquadradas nas hipóteses dos incisos III a XVII do art. 20, que tenham optado pelo Simples até 27 de julho de 2001, o efeito da exclusão darseá a partir: [...] II de 1º de janeiro de 2002. quando a situação excludente tiver ocorrido até 31 de dezembro de 2001 e a exclusão for efetuada a partir de 2002. No presente caso a pessoa jurídica incorreu em situação excludente e por esta razão estava obrigada a preceder à exclusão mediante comunicação à Secretaria da Receita Federal. Como este procedimento não foi adotado voluntariamente, foi efetuada de forma regular a exclusão de ofício pelo Delegado da Receita Federal em Sete Lagoas/MG, no estrito cumprimento do dever legal (art. 116 da Lei n° 8.112. de 11 de dezembro de 1990). Além disso, a partir dos efeitos da exclusão, ou seja, 01/01/2002, a requerente fica sujeita às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, inclusive às obrigações tributárias principais e acessórias. Logo os efeitos do ato de exclusão devem prevalecer.” Com o indeferimento da manifestação de inconformidade, a Recorrida interpôs recurso voluntário ao 3º Conselho de Contribuintes. No primeiro momento, a 1ª Turma Especial do 3º Conselho de Contribuintes expediu resolução para a realização de diligência destinada a apurar, “através (sic) do exame de notas fiscais, recibos, faturas ou documentos assemelhados, a real atividade exercida pelo [então] Recorrente.” No desempenho da diligência, o agente fiscal designado intimou o próprio recorrido a entregar à Fiscalização: Fl. 174DF CARF MF Processo nº 13607.000736/200432 Acórdão n.º 9101003.383 CSRFT1 Fl. 175 6 “todos os Blocos de Notas Fiscais de Saída/Prestação de Serviços para o período de 01/01/2002 a 31/12/2004, bem como Contratos de Prestação de Serviços e Livros Caixas relativos ao mesmo período”; “todos os Livros de Registros de Empregados, bem como contratos de prestação de serviços por profissionais autônomos – anos de 2002 a 2004”. No relatório denominado Informação Fiscal, o agente fiscal assim resumiu o que pôde coletar na realização do trabalho, afora suas conclusões: “Em função da não apresentação da totalidade dos blocos de Notas Fiscais de Prestação de Serviços relativos ao período de 2002 a 2004 não é possível afirmar se a empresa prestou ou não serviços de Elaboração de Projetos Elétricos. Contudo se constata, na especificação dos serviços executados constantes das Notas Fiscais apresentadas, que ora citamos por amostragem, a prestação dos serviços de construção, reparação e manutenção de rede elétrica fls 85 a 117. (grifei) [...] Ainda, os segurados empregados, em quase sua totalidade, foram contratados pela empresa para exercer as funções de Eletricista de Bobinagem, Auxiliar de Eletricista, Eletricista Industrial I, Gerente de Planejamento Elétrico, Eletricista Instalador, Eletricista, ½ Oficial Eletricista, Eletricista Montador e Eletricista de Manutenção conforme LRE Livro de Registro de Empregados fls 62 a 84. [...] A interessada exerce a atividade de prestação de serviços de rebobinagem de motores elétricos, construção, reparação e manutenção de rede elétrica e comércio varejista de material elétrico. A Lei n° 5.194, de 24/12/1966, que regula o exercício das profissões de Engenheiro, Arquiteto e Engenheiro Agrônomo, no seu art. 27, determina: Art. 27 São atribuições do Conselho Federal: (...) f) baixar e fazer publicar as resoluções previstas para regulamentação e execução da presente Lei, e ouvidos os Conselhos Regionais, resolver os casos omissos; A Resolução CONFEA n° 218, de 29/06/1973, assim dispõe: O Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia, usando das atribuições que lhe conferem as letras "d" e "f, parágrafo único do artigo 27 da Lei n° 5.194, de 24 Dez 1966, CONSIDERANDO que o art.7° da Lei n° 5.194/66 refere se às atividades profissionais do engenheiro, do arquiteto e do engenheiro agrônomo, em termos genéricos; (...) RESOLVE: Fl. 175DF CARF MF Processo nº 13607.000736/200432 Acórdão n.º 9101003.383 CSRFT1 Fl. 176 7 art. 1o Para efeito de fiscalização do exercício profissional correspondente às diferentes modalidades da engenharia, arquitetura e agronomia em nível superior e em nível médio, ficam designadas as seguintes atividades: (...) Atividade 11 Execução de obra e serviço técnico; (...) Atividade 14 Condução de trabalho técnico; Atividade 15 Condução de equipe de instalação, montagem, operação, reparo ou manutenção; Atividade 16 Execução de instalação, montagem, e reparo; Atividade 17 Operação e manutenção de equipamento e instalação; art. 9o Compete ao ENGENHEIRO ELETRÔNICO ou ao ENGENHEIRO ELETRICISTA, MODALIDADE ELETRÔNICA ou ao ENGENHEIRO DE COMUNICAÇÃO I o desempenho das atividades 01 a 18 do artigo 1o desta Resolução, referentes a materiais elétricos e eletrônicos; equipamentos eletrônicos em geral; sistemas de comunicação e telecomunicações; sistemas de medição e controle elétrico e eletrônico; seus serviços afins e correlatos. (...) art. 23 Compete ao TÉCNICO DE NÍVEL SUPERIOR OU TECNÓLOGO: I o desempenho das atividades 09 a 18 do artigo 1° desta Resolução, circunscritas ao âmbito das respectivas modalidades profissionais; (...) art. 24 Compete ao TÉCNICO DE GRAU MÉDIO: I o desempenho das atividades 14 a 18 do artigo 1° desta Resolução, circunscritas ao âmbito das respectivas modalidades profissionais; (grifo nosso). IV CONCLUSÃO O exercício de qualquer atividade impeditiva, independentemente da participação percentual das receitas dela provenientes no resultado total da pessoa jurídica, veda a adesão ao Simples, uma vez que não há previsão legal para o pagamento de tributos da forma que poderíamos denominar mista, isto é, parte segundo as regras do sistema tradicional e parte consoante as normas do Simples. De todo o exposto, concluímos que o Contribuinte desenvolveu, no período de 2002 a 2004, atividades atinentes à profissão de engenheiro, tecnólogo ou técnico de grau médio, profissões que dependem de habilitação profissional legalmente exigida.” (grifei) Verificase, no exame dos autos, que a Turma recorrida não deu a menor importância à citada Informação Fiscal, além de demonstrar discordância em relação aos fundamentos do acórdão da DRJ, ao ressaltar que não há qualquer evidência de que as Fl. 176DF CARF MF Processo nº 13607.000736/200432 Acórdão n.º 9101003.383 CSRFT1 Fl. 177 8 atividades exercidas pela recorrida exijam a interferência de engenheiro, “ou que nela se desempenham atividades de competência primordial de profissionais legalmente habilitados na área de engenharia.” Também impende dar o devido relevo ao voto condutor do acórdão recorrido quando este pronuncia que o ônus da prova da realização da atividade vedada é da Fiscalização. Seguindo essa linha de raciocínio, o aresto recorrido concluiu que a Fiscalização eximiuse do encargo de comprovar o exercício de atividade vedada. Cabe frisar, ainda, que o voto condutor encerra o juízo segundo o qual dever seia aplicar a Lei Complementar nº 123/2006 retroativamente, em benefício da Recorrida. Com efeito, a diligência empreendida extrapolou do objeto da acusação, que se concentrara em ocorrência do anocalendário de 2000, ao passo que o diligenciante buscou evidências relativas a fatos dos anoscalendário de 2002 a 2004. Considerando a necessária sujeição ao princípio que impõe a correlação entre a acusação e a decisão a ser tomada, não se deve acolher, em fase recursal, a exclusão do regime do Simples, requerida pela PGFN, pela realização de atividades, no período de 2002 a 2004, relacionadas à “profissão de engenheiro, tecnólogo ou técnico de grau médio, profissões que dependem de habilitação profissional legalmente exigida.” Ademais, é preciso fixar a atenção no verbo “prestar”, ao qual se associa o objeto "serviços profissionais", ambos inscritos no tipo legal do inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.317/1996, os quais deslocam o ônus da prova para a Fiscalização. Ou seja, só a efetiva prestação de serviços vedados dá causa à exclusão do Simples com base no inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.317/1996. Nesses termos, devese reconhecer que a Administração Tributária fracassou na produção da prova da efetiva prestação de serviço interditado ao Simples, pois restringiuse à mera previsão no objeto social, que apenas demarca as atividades que os sócios da pessoa jurídica se propõem a empreender, o que não significa que se obrigam a exercêlas ou que tenham sido exercidas. Portanto, em face do exposto, conheço do Recurso Especial da PGFN para, no mérito, negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Fl. 177DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10611.000771/2007-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 26/12/2006, 22/02/2006, 23/02/2007
Ementa:
CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL
De acordo com a Súmula CARF nº 1 implica na renúncia às instâncias administrativas. a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Recurso voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 3301-004.226
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, em face de concomitância entre a via administrativa e judicial.
José Henrique Mauri - Presidente.
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 26/12/2006, 22/02/2006, 23/02/2007 Ementa: CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL De acordo com a Súmula CARF nº 1 implica na renúncia às instâncias administrativas. a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso voluntário não conhecido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/12/2006, 22/02/2006, 23/02/2007 Ementa: CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL De acordo com a Súmula CARF nº 1 implica na renúncia às instâncias administrativas. a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, em face de concomitância entre a via administrativa e judicial. José Henrique Mauri Presidente. Valcir Gassen Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 61 1. 00 07 71 /2 00 7- 47 Fl. 456DF CARF MF Processo nº 10611.000771/200747 Acórdão n.º 3301004.226 S3C3T1 Fl. 457 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 444 a 454) interposto pelo Contribuinte, em 11 de setembro de 2013, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 0825.195 (fls. 426 a 434), de 28 de março de 2013, proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE), que julgou, por unanimidade de votos: 1) declarar definitivo o crédito tributário na esfera administrativa por concomitância de discussão na esfera judicial, relacionado à DI nº 06/15670959, 1.1) equivalente ao principal dos tributos e respectivas multas de ofício, ao qual deverão ser acrescentados os juros de mora, observados a decisão judicial exarada no processo nº 2007.38.00.0039230 e o pagamento alegado pelo Contribuinte; 1.2) equivalente às multas de ofício e juros de mora lançados para as DI nº 07/02269179 e nº 07/02328825, que fica subordinado ao que for decidido no processo judicial nº 2007.38.00.0092620; 2) e conhecer de forma parcial a Impugnação, afastando a arguição preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, considerando não impugnada a matéria referente ao lançamento do principal dos tributos relacionado às DIs nº 07/02269179 e 07/02328825, observandose os pagamentos alegados pelo Contribuinte. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: Trata o presente processo dos autos de infração de fls. 02/15 constituídos para cobrança da Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços (Pis/PasepImportação) e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior (CofinsImportação), acrescidas das multas de ofício e dos juros de mora, perfazendo na data da autuação um valor de R$ 740.411,62 (setecentos e quarenta mil, quatrocentos e onze reais e sessenta e dois centavos). Na descrição dos fatos a fiscalização consignou, em resumo, que: em 26/12/06, 22/02/07 e 23/02/07 o contribuinte registrou, respectivamente, as Declarações de Importação (DI) no 06/15670959, 07/02269179 e 07/02328825, relativas a importações de equipamentos médicos, que, segundo informação consignada nos despachos, se deram através de operações de arrendamento mercantil e, por essa razão, foram objeto de processo de consulta, protocolizado em 03/10/06, junto à Superintendência da Receita Federal da 8a Região Fiscal, antes, portanto, do registro das DI. A consulta procurava abrigo ao entendimento de que a edição da Lei no 10.925/04, sucedânea da Lei no 10.865/04, teria reduzido a zero as alíquotas da CofinsImportação e Pis/Pasep Importação, no tipo de operação em questão; antes que o processo de consulta fosse solucionado, o importador registrou as três DI, sem o recolhimento das contribuições, como se, no caso em espécie, tivessem suas alíquotas reduzidas a zero e, ao assim proceder, infringiu os artigos 4° e 13 da Lei no 10.865/04 (lançamento inexato desacompanhado de recolhimento); Fl. 457DF CARF MF Processo nº 10611.000771/200747 Acórdão n.º 3301004.226 S3C3T1 Fl. 458 3 a alegação constante das DI sobre o processo de consulta é improcedente “haja vista que os processos de consulta, smj, não possuem competência para provocar a suspensão da exigibilidade do tributo conforme depreendese da leitura dos artigos 151 da Lei 5.172/66 combinado com os artigos 48 e 49 do Decreto 70.235/72”. constatada a infração no curso do despacho, registrouse na DI no 06/15670950, parametrizada para o canal vermelho, a exigência no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex) para o recolhimento das contribuições e respectiva multa de oficio. Nas demais DI, como foram parametrizadas para o canal verde, efetuouse a mesma exigência por meio dos termos de intimação Sapea de n° 07031503 e 07030101 (fls. 18/19); decorridos mais de quinze dias da ciência, prazo concedido nas intimações e, não atendidas as exigências na forma determinada, foi lavrado o auto de infração para constituir o crédito tributário não lançado nem recolhido, e para lançar a penalidade determinada para a infração cometida constante dos artigos 44 e 61 da Lei no 9.430/96. Cientificado dos autos de infração em 09/04/07 (fls. 4 e 10), o interessado, em 08/05/07, apresentou a impugnação de fls. 115/127, onde alega, em síntese, que: em 03/10/06, antes do registro das DI, protocolou consulta, processo no 13896.001533/200617, junto à Delegacia da Receita Federal de São Paulo, por meio da qual indagou se as importações poderiam se beneficiar da alíquota zero da Pis/PasepImportação e da CofinsImportação, por se tratarem de operações de arrendamento mercantil, de acordo com o previsto no § 14, art. 8o, da Lei n° 10.865/04, incluído pela Lei n° 10.925/04; visando o desembaraço das DI e recebimento dos equipamentos importados, informou no campo “Dados Complementares” que estava em trâmite consulta para a qual, até aquele momento, não havia obtido resposta; é sabido que, nessa situação, não poderia sofrer nenhuma restrição ao seu desembaraço e entrega, e ainda, não poderia lhe ser cobrado os tributos, muito menos acrescidos de multa e juros, conforme expressamente determina o caput do art. 48 do Decreto 70.235/72, que regula o Processo Tributário Administrativo em âmbito federal e é norma geral de observância obrigatória em tal esfera; ademais, em 23/02/07 [sic], visando o desembaraço e liberação das mercadorias importadas, efetuou o recolhimento das contribuições supostamente incidentes, eis que, até aquela data ainda não havia sido solucionada a consulta, o que veio a ocorrer apenas no dia 19/04/07, passado bastante tempo após os registros das DI; apesar do recolhimento, agora, é surpreendida com um auto de infração onde é cobrado, além dos tributos, como se ainda não tivessem sido pagos, os juros e multas, que, como manda a legislação, não são devidos enquanto não for solucionada a consulta; é absurdo e totalmente inválido o auto de infração lavrado, pois bem antes da solução da consulta (17/04/2007), os tributos já haviam sido recolhidos (DARF's em anexo), ou seja, o auto de infração além de cobrar indevidamente os juros e multas, ainda está a cobrar o principal que já foi devidamente recolhido; não poderia ter sido formalizado o presente auto de infração, pois até a data da sua lavratura, 05/04/2007, ainda não havia transcorrido o prazo legal do art. 48 do Fl. 458DF CARF MF Processo nº 10611.000771/200747 Acórdão n.º 3301004.226 S3C3T1 Fl. 459 4 Decreto n° 70.235/72, qual seja, 30 dias da ciência da solução da consulta formulada, prazo esse que, durante seu transcurso é vedada qualquer ação fiscal visando cobrar o tributo. Em seguida, o impugnante requer que preliminarmente o auto de infração seja declarado nulo por ter sido lavrado em 05/04/07, “antes mesmo da ciência, por parte da Autuada, da solução da Consulta Formulada (19/04/2007)”, e, ainda, em razão dos tributos já terem sido pagos/recolhidos aos cofres públicos “não havendo o menor amparo em nosso ordenamento jurídico para a cobrança de dívida paga”. Acrescenta que “tanto o PIS quanto a COFINS Importação, ou seja, o principal, nunca poderiam ter sido alvo do presente Auto de infração, mas, mesmo os juros e multas cobrados, estão em desacordo com o ordenamento jurídico que regula o Processo Administrativo Fiscal sob o qual estavam as mercadorias importadas” (art. 48, do Decreto no 70.235/72). Que o Código Tributário Nacional (art. 161, § 2o) e o Decreto no 4.543/02 Regulamento Aduaneiro (art. 665), que possuem redações idênticas, são expressos em excetuar a incidência de juros e multas de mora em casos onde haja consulta formulada. Após a instauração da lide o processo foi encaminhado a esta DRJ/FOR que, em 21/12/10, recepcionou correspondência eletrônica oriunda da unidade de origem (fl. 214), por meio da qual era informado que a matéria aqui tratada estava sendo objeto de discussão na esfera judicial por meio do processo no 2007.38.00.0039230. Diante dessa informação, foi realizada, nesta DRJ/FOR, consulta ao processo judicial, disponível na internet no sítio da Seção Judiciária de Minas Gerais (fls. 215/218), verificandose que no campo “Observação” se fazia referência à DI no 06/15670959, mas não às DI no 07/02269179 e 07/02328825, que também são objeto deste processo administrativo. Além disso, não havia elementos neste processo, como, por exemplo, a petição inicial, que permitissem a delimitação com segurança da abrangência da matéria que estava sendo (ou fora) discutida no Judiciário. De modo que este processo, por meio do Despacho no 1, da 2a Turma da DRJ/FOR, de 11/03/11 (fls. 220/222), foi devolvido à Inspetoria da Receita Federal do Brasil, em Belo Horizonte/MG, “para a anexação da Petição Inicial, Sentença e demais decisões acaso proferidas no Mandado de Segurança no 2007.38.00.0039230”. Como resultado da diligência foi anexada cópia do Processo Administrativo de Acompanhamento Judicial (PAJ) no 10611.000409/200776 que segue a tramitação na justiça do processo no 2007.38.00.0039230 (fls. 230/359), sendo o interessado cientificado dessa providência em 25/11/11 (fls. 373/374). Em 19/12/11, a Sociedade Anônima compareceu aos autos para, basicamente, ratificar os argumentos apresentados por ocasião da impugnação e esclarecer que a DI no 06/1560959 referese ao Mandado de Segurança no 2007.38.00.0039230, que transitou em julgado no dia 17/05/07 e as outras DI são correlatas à ação mandamental no 2007.38.00.0092620, em tramitação na 1a Região. Foram apresentados juntamente com essa última manifestação do autuado os doc. 01 a 04: inicial do mandado de segurança no 2007.38.00.0039230 (fls. 380/394); inicial do mandado de segurança no 2007.38.00.0092620 (fls. 395/416) e os documentos de fls. 417/423, por meio dos quais o autuado almeja comprovar o pagamento dos tributos referentes às DI em questão. Fl. 459DF CARF MF Processo nº 10611.000771/200747 Acórdão n.º 3301004.226 S3C3T1 Fl. 460 5 Tendo em vista a decisão consubstanciada no Acórdão ora recorrido, o Contribuinte ingressou com Recurso Voluntário, para que seja anulado o referido Acórdão ou, ainda, que seja reformada a decisão julgando improcedente o Lançamento Fiscal consubstanciado no Auto de Infração nº 01251100. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen O Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 0825.195, é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/12/2006, 22/02/2006, 23/02/2007 AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA PARCIAL ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. OCORRÊNCIA. A existência ou propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial com o mesmo objeto do lançamento importa em renúncia ou em desistência ao litígio nas instâncias administrativas. O curso do processo administrativo, quando houver matéria distinta da constante do processo judicial, terá prosseguimento em relação à matéria diferenciada. ARGUIÇÃO DE NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, diante de fato no qual interpreta que a legislação impõe a constituição do crédito tributário, está obrigado a fazer o lançamento, sob pena de vir a responder funcionalmente pela sua omissão. Se no processo administrativo fiscal de determinação e exigência dos créditos tributários da União são observados os requisitos formais e materiais exigidos pelo Código Tributário Nacional e pelo Decreto no 70.235/72 não há que se falar em nulidade. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. OCORRÊNCIA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Impugnação Improcedente O ora analisado Recurso Voluntário visa anular o referido Acórdão ou, se for o caso, reformar a decisão, julgando improcedente o lançamento fiscal consubstanciado no Auto de Infração nº 01.251100. Os argumentos trazidos pelo Contribuinte sobre o mérito da lide dizem respeito a: Nulidade do Auto de Infração por lançamento do crédito tributário objeto de consulta fiscal; Fl. 460DF CARF MF Processo nº 10611.000771/200747 Acórdão n.º 3301004.226 S3C3T1 Fl. 461 6 Improcedência do Auto de Infração por lançamento de crédito tributário extinto pelo pagamento. Nesse contexto, o Contribuinte aduz que o referido Auto de Infração deve ser anulado uma vez que já havia sido formulada Consulta, por parte do próprio Contribuinte, antes do vencimento do crédito tributário, o que inviabilizaria, segundo ele, a instauração de procedimento fiscal e o lançamento do crédito tributário. Em que pese os argumentos trazidos pelo Contribuinte em seu Recurso Voluntário, insta observar que deve ser mantido o entendimento da decisão consubstanciada no Acórdão ora recorrido, uma vez que o Contribuinte buscou na esfera judicial a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, o que tem por consequência a renúncia à esfera administrativa, como se verifica no seguinte trecho da decisão e que serve como razões para decidir (fls. 430 a 432): Tendo sido constatado que, sob o aspecto tributário, as operações das DI no 06/15670959, 07/02269179 e 07/02328825 foram submetidas ao Judiciário, por meio dos processos no 2007.38.00.0039230 e 2007.38.00.009260, resta realizar o cotejo entre o que lá foi pedido e o que foi impugnado no âmbito administrativo, para, no que se refere à matéria coincidente, não conhecer da impugnação, declarando aqui a definitividade da respectiva parcela do crédito tributário e a sua subordinação ao que for decidido na esfera judicial e, ainda, verificar se subsiste ou não matéria diferenciada a ser analisada por esta instância julgadora, tudo nos termos do art. 87, do Decreto no 7.574 de 29 de setembro de 2011 e Ato Declaratório Normativo (ADN) no 3, de 14 de fevereiro de 1996, da Coordenação Geral do Sistema de Tributação (Cosit) desta Secretaria. Da matéria submetida ao Judiciário No caso da DI no 06/15670959, o importador procurou guarida no mandado de segurança no 2007.38.00.0039230 para que a autoridade administrativa liberasse o equipamento médico importado sem fazer qualquer exigência fiscal no curso do despacho aduaneiro, fosse em relação ao principal dos tributos, fosse em relação à multa de ofício e juros, pois entendia encontrarse amparado em razão da consulta que havia protocolado junto à Delegacia da Receita Federal de São Paulo, até então ainda não solucionada. Naquele processo judicial, que transitou em julgado em 17/05/07, o juiz decidiu que: 1) a importação não fazia jus à alíquota zero da Pis/PasepImportação e da Cofins Importação (vide fl. 327): Na hipótese sob exame, conforme foi ressaltado pela autoridade administrativa a redução a zero da alíquota prevista disposto [sic] no § 14º, do art. 8º, da Lei 10865/2004 não se destina a isentar a importação via leasing da COFINS/PIS Importação, mas tão somente de evitar que a operação de arrendamento mercantil seja tributada duas vezes – (...). [...]. Desta forma, a redução de alíquota prevista no art. 8º, § 14º, da Lei 10865 de 30/04/2004, somente incide na hipótese prevista no art. 3º, II, do mesmo diploma legal (pagamento de serviços prestados) razão pela qual ela não incide na primeira hipótese (entrada de bens estrangeiros no território Fl. 461DF CARF MF Processo nº 10611.000771/200747 Acórdão n.º 3301004.226 S3C3T1 Fl. 462 7 nacional) mediante o desembaraço aduaneiro que é a hipótese dos presentes autos. 2) a consulta apresentada não produzia os efeitos previstos no art. 48, do Decreto no 70.235/72, nem suspendia a exigibilidade do crédito tributário (vide fls. 328 e 330/331): Ora, para que a consulta produza os efeitos previstos no art. 48 do Decreto 70235/1972 especialmente impedir a instauração de procedimento fiscal contra a consulente, relativamente à matéria objeto da consulta, a partir de sua apresentação até o trigésimo dia subseqüente à data da decisão definitiva, é necessário que a consulta satisfaça os requisitos de validade previstos em lei. [...]. Mesmo que assim não se entenda, no caso concreto, a despeito da alegada morosidade da Administração Tributária Federal no Estado de São Paulo em examinar o conteúdo da consultada que lhe foi dirigida e respondêla prontamente fazse pertinente observar que a referida consulta não suspende a exigibilidade do crédito por força do disposto no art. 49, do Decreto 70235, de 06/03/1972 (...). [...]. Assim sendo, tendo presentes as razões expostas e, pelo que mais dos autos constam, denego a segurança impetrada porque para que a consulta fiscal produza os efeitos previstos no art. 48 do Decreto 70235/1972 especialmente impedir a instauração de procedimento fiscal contra o consulente, relativamente à matéria objeto da consulta, a partir de sua apresentação até o trigésimo dia subseqüente à data da decisão definitiva, é necessário que a consulta satisfaça os requisitos de validade previstos em lei – entre eles não estar o fato objeto da consulta definido ou declarado em disposição literal de lei – (art. 52, VI, do Decreto 70235/72), tal como ocorre no caso sob apreciação, conjugada com a circunstância de tratarse de tributo autolançado (art. 49, do Decreto 70235/72) de sorte que a consulta formulada pela contribuinte no caso examinado não suspende a exigibilidade do crédito. (...). Assim, está plenamente caracterizada a renúncia à discussão na esfera administrativa de todo o crédito tributário relacionado à DI no 06/15670959. Quanto às DI no 07/02269179 e 07/02328825, a ação judicial no 2007.38.00.0092620, em tramitação na 12ª Vara da Justiça Federal – Seção Judiciária de Minas Gerais, tem como pedido que seja determinado à autoridade administrativa “que se abstenha de cobrar multa de ofício e juros de mora, eis que o principal, o PIS e a COFINSImportação, supostamente incidentes sobre os equipamentos descritos nas D.I.’s no 07/02269179 e 07/02328825 (doc. 02), já foram devidamente recolhidos” (vide fl. 415). Temse, assim, caracterizada a renúncia à discussão na esfera administrativa da parcela do crédito tributário referente à multa de ofício e aos juros de mora relacionados às DI no 07/02269179 e 07/02328825. Fl. 462DF CARF MF Processo nº 10611.000771/200747 Acórdão n.º 3301004.226 S3C3T1 Fl. 463 8 Portanto, resta claro a concomitância entre a esfera administrativa e judicial, o que não contesta o Contribuinte em seu Recurso Voluntário. O que alega em seu recurso, e que não é objeto da medida judicial no entendimento da decisão ora recorrida, diz respeito a duas questões como acima salientado, 1) nulidade do Auto de Infração por lançamento do crédito tributário objeto de consulta fiscal; e, 2) Improcedência do Auto de Infração por lançamento de crédito tributário extinto pelo pagamento. Em que pese os argumentos da decisão ora recorrida, de que não há concomitância quanto a discussão da nulidade do auto de infração, visto que o lançamento do crédito tributário é objeto de consulta fiscal, e, que esse crédito tributário estaria extinto pelo pagamento, fica patente que essa discussão está compreendida nos processos judiciais nºs 2007.38.00.0039230 e 2007.38.00.009260, tanto que o que for decidido em relação a essas duas questões ficam dependentes do que for decidido na via judicial. Neste sentido, cabe lembra a aplicação da Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Portanto, de acordo com a legislação aplicável e os autos do processo, voto por não conhecer do Recurso Voluntário devido a concomitância entre a via judicial e a administrativa. Valcir Gassen Relator Fl. 463DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002781/2007-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
Caracterizam-se como omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Tratando-se de uma presunção legal de omissão de rendimentos, a autoridade lançadora exime-se de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova ao contribuinte. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida.
ALIENAÇÃO DE BENS. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. AUSÊNCIA. CRITÉRIOS PARA APURAÇÃO. INAPLICABILIDADE.
Na ausência do custo de aquisição para fins de apuração do ganho de capital obtido na alienação de bens, a legislação estabelece métodos para a sua apuração vinculantes para a autoridade fiscal, com a consequente atribuição de valor zero ao custo de aquisição.
Numero da decisão: 2201-004.137
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
EDITADO EM: 16/03/2018
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Caracterizam-se como omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tratando-se de uma presunção legal de omissão de rendimentos, a autoridade lançadora exime-se de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova ao contribuinte. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. ALIENAÇÃO DE BENS. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. AUSÊNCIA. CRITÉRIOS PARA APURAÇÃO. INAPLICABILIDADE. Na ausência do custo de aquisição para fins de apuração do ganho de capital obtido na alienação de bens, a legislação estabelece métodos para a sua apuração vinculantes para a autoridade fiscal, com a consequente atribuição de valor zero ao custo de aquisição.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator EDITADO EM: 16/03/2018 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Caracterizamse como omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tratandose de uma presunção legal de omissão de rendimentos, a autoridade lançadora eximese de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova ao contribuinte. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. ALIENAÇÃO DE BENS. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. AUSÊNCIA. CRITÉRIOS PARA APURAÇÃO. INAPLICABILIDADE. Na ausência do custo de aquisição para fins de apuração do ganho de capital obtido na alienação de bens, a legislação estabelece métodos para a sua apuração vinculantes para a autoridade fiscal, com a consequente atribuição de valor zero ao custo de aquisição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 27 81 /2 00 7- 80 Fl. 735DF CARF MF Processo nº 19515.002781/200780 Acórdão n.º 2201004.137 S2C2T1 Fl. 736 2 Carlos Henrique de Oliveira Presidente (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator EDITADO EM: 16/03/2018 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 1733.446 5ª Turma da DRJ/SPO II, o qual julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração pelo qual se exige Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF incidente sobre ganho de capital e omissão de rendimentos decorrente de depósitos bancários não identificados. Contra o contribuinte supra qualificado foi lavrado o Auto de Infração de fls.426/434, relativo ao imposto sobre a renda de pessoas físicas dos anoscalendário de 2002, 2003 e 2004, em decorrência de ação fiscal que teve por objeto o exame do cumprimento das obrigações tributárias relativas a esse período (fl.0l). Das verificações realizadas resultou a apuração do crédito tributário no valor total de R$ 912.509,08 (novecentos e doze mil, quinhentos e nove reais e oito centavos), na seguinte composição: Imposto R$ 409.919,69 Juros de mora (calc. Até 31 /08/2007) R$ 195.149,63 Multa proporcional R$ 307.439,76 O crédito tributário constituído referese a irregularidades assim descritas no Auto de Infração: Omissão de Ganhos de Capital na alienação de bens e direitos; Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Os valores tributáveis e o enquadramento legal encontramse discriminados no corpo do auto de infração. Fl. 736DF CARF MF Processo nº 19515.002781/200780 Acórdão n.º 2201004.137 S2C2T1 Fl. 737 3 No Termo de Verificação e Constatação Fiscal TVCF de fls. 391/401, que faz parte integrante do Auto de Infração, a auditora fiscal responsável pelo procedimento dá conta dos fatos que originaram a autuação. Consta que em relação aos depósitos bancários, o fiscalizado foi instado por diversas vezes a apresentar documentos hábeis e idôneos para comprovação da origem dos recursos depositados nas suas contas bancárias mantidas junto às instituições Banco Itaú S/A e Banco Santander S/A, nos períodos examinados. Após análise dos documentos e esclarecimentos prestados, foram os depósitos considerados sem origem comprovada lançados como omissão de rendimentos nos termos do artigo 42 da Lei 9.430/1996. Já os ganhos de capital na alienação de bens e direitos foram apurados com base nas escrituras apresentadas pelo 23° Tabelião de Notas da Capital e pelo Cartório de Registro Civil e anexos de Bertioga, em atendimento a ofícios expedidos pela fiscalização. A multa de ofício foi aplicada no percentual de 75,00% (setenta e cinco por cento), com fundamento no artigo 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. Foi apresentada impugnação. Levada a julgamento, foram os autos baixados em diligência, por Resolução da 5ª Turma da DRJ/SPO II, com vistas a intimar os compradores do imóvel situado em Bertioga (Riviera de São Lourenço), à confirmar as datas, valores e forma de pagamento, uma vez que o impugnante pretendia justificar origens de recursos de alguns depósitos bancários com as quantias recebidas na alienação. Em atendimento, a fiscalização anexou aos autos os documentos de fls.659/668. Foi prolatado o Acórdão nº 1733.446 5ª Turma da DRJ/SPO II (fls. 669/686), que a julgou improcedente, mantendo integralmente o Auto de Infração, nos termos da seguinte ementa: NULIDADES Tendo o auto de infração sido lavrado por servidor competente, com estrita observância das normas reguladoras da atividade de lançamento e, existentes no instrumento todas as formalidades necessárias para que o contribuinte exerça o direito do contraditório e da ampla defesa, não há que se falar em nulidade, devendo os erros apontados pelo sujeito passivo ser analisados e, se for o caso, retificados. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO. Invocando uma presunção legal de omissão de rendimentos, a autoridade lançadora eximese de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova ao contribuinte. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas que justifiquem individualmente as origens dos depósitos perquiridos pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. Saldos e valores globais de rendimentos, ainda que declarados, não se constituem em provas hábeis para comprovar depósitos Fl. 737DF CARF MF Processo nº 19515.002781/200780 Acórdão n.º 2201004.137 S2C2T1 Fl. 738 4 bancários, se não encontrarem correspondência individualizada com estes. Excluídos do lançamento os depósitos comprovadamente incluídos sem observância das normas aplicáveis e os que tiveram a origem comprovada em documentação hábil e idônea. GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS Retificase a apuração do ganho de capital sobre alienação de imóvel para considerar seu custo de aquisição, equivocadamente considerado omitido pela autoridade fiscal. A ciência dessa decisão ocorreu em 13/11/2009 (fl.696) e o recurso voluntário foi tempestivamente apresentado em 11/12/2009 (fls. 697/729). Em suas razões de recorrer, o contribuinte alega, em síntese, que: 1) O Agente Fiscal ao lavrar o auto está amparado em meras suposições ao simplesmente considerar omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento. Não é admissível o lançamento efetuado com base em extratos bancários. Os valores constantes dos extratos bancários, embora possam refletir sinais exteriores de riqueza, não caracterizam por si só rendimentos tributáveis; 2) A autuação fiscal não pode se basear em meras presunções; 3) As inconsistências verificadas culminam na nulidade do Auto de Infração; 3) Não são tributáveis, como omissão de rendimentos, os rendimentos oriundos da atividade rural, bem como, os ganhos de capital na alienação de bens e direitos, constantes das Declarações de Ajuste Anual. Nesse sentido é o entendimento do Conselho de Contribuintes. Transcreve jurisprudência administrativa; 4) Os valores declarados pelo contribuinte em suas Declarações de Ajuste Anual, como dinheiro em espécie, "dinheiro em caixa" numerário em cofre" e outras rubricas semelhantes, devem ser aceitos para acobertar acréscimos patrimoniais, salvo prova inconteste de sua inexistência no término do anobase em que tal disponibilidade for declarada. Portanto, não há como prosperar o auto de infração lavrado. 5) A autoridade deve provar que o contribuinte realizou gastos em montante superior a renda disponível. Ilegítimo é o lançamento quando a autoridade lançadora deixe de comprovar o sinal exterior de riqueza. Tendo o contribuinte declarado que os valores foram recebidos de determinada fonte, cabe ao Fisco, de posse das informações constantes de seus registros, demonstrar a alegada omissão. Por outro lado, nada há na legislação que obrigue que a comprovação dos valores ocorra mediante a coincidência de datas e de valores. 6) Se o contribuinte somente declara rendimentos provenientes da atividade rural e o Fisco não prova que a omissão apurada tem origem em outra atividade, não procede a pretensão de deslocar o rendimento apurado para a tributação normal, devendo o valor tributado limitarse a vinte por cento da omissão apurada. Fl. 738DF CARF MF Processo nº 19515.002781/200780 Acórdão n.º 2201004.137 S2C2T1 Fl. 739 5 7) Os valores decorrentes das alienações de bens imóveis, conforme já mencionados na defesa foram depositados através de dinheiro na conta do contribuinte, situação esta que justifica a origem dos valores depositados a esse título. 8) Quando da venda do imóvel localizado no “Edifício Veredas da Cantareira”, também se verificam inconsistências: O Agente Fiscal deixou de observar que o valor decorrente da venda foi depositado na conta do contribuinte no Banco Santander, nos valores de R$ 157.000,00 e R$ 37.800,00, conforme se comprova dos extratos e escritura anexos ao processo administrativo. 9) O Agente Fiscal ao imputar o valor devido ao contribuinte a título de ganho de capital restou por não observar que consta de sua Declaração de Ajuste Anual o custo de aquisição do bem, cujo valor foi declarado no montante de R$ 90.717,70, que resulta em nova inconsistência no auto lavrado. 10) Há valores que foram depositados na conta do contribuinte e que são decorrentes de transações efetuadas com a Cooperativa de Laticínios São José dos Campos, sendo certo que tais valores são originários em função de atividades realizadas na Fazenda da qual o contribuinte é titular, conforme já exposto. 11) O Agente Fiscal lançou em nome do contribuinte valores por ele considerados decorrentes de omissões. Entretanto, ao lavrar o auto de infração, restou por laborar novamente em erro ao deixar de observar que existem valores que foram originários de transferências entre os bancos Itaú e Santander, conforme se observa dos extratos bancários anexos. 12) Há valores que são decorrentes de depósito de resgate de valores a título de operação denominada POUP MAX, ou seja, os valores foram sacados e posteriormente depositados em conta do contribuinte, conforme se comprova dos extratos anexos. 13) Há também valores decorrentes de operações realizadas com factoring que foram desconsiderados pelo Fiscal e que devem ser excluídos do auto lavrado. Por fim, requer o recebimento do presente Recurso para, julgar improcedente o Auto de Infração, cancelandoo integralmente, bem como anulandose todas e quaisquer penalidades impostas ao contribuinte. É relatório. Voto Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra – Relator Admissibilidade O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Preliminarmente Fl. 739DF CARF MF Processo nº 19515.002781/200780 Acórdão n.º 2201004.137 S2C2T1 Fl. 740 6 Nulidade Sustenta o recorrente que o Auto de Infração possui inconsistências que levariam a sua nulidade. Todavia, as razões apresentadas confundemse com o mérito, não tendo sido arguido nenhum aspecto formal que maculasse o lançamento ou o próprio processo administrativo fiscal. De pronto, afasto a preliminar de nulidade aventada no recurso voluntário, tendo em vista que não se verificam nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, verbis: “Art. 59. São nulos; I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” A autoridade fiscal que presidiu o procedimento é ocupante do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, sendo competente, no exercício de suas atribuições, para lavrar todos os termos necessários para o correto desempenho de suas funções. Os atos e termos lavrados por pessoa competente, dentro da estrita legalidade e garantido o mais absoluto direito de defesa, mediante abertura do prazo legal de impugnação, não há que se cogitar de nulidade dos autos de infração. Igualmente foram atendidos os preceitos do artigo 10 do PAF (Decreto n° 70.235, de 1972), ratificando a inexistência da nulidade pretendida, pelo que se indefere o pleito em relação a vícios de natureza formal. Mérito Omissão de Rendimentos O recorrente alega que não se pode tributar omissão de rendimentos baseada em mera presunção e que todos esses rendimentos foram oferecidos à tributação em sua Declaração de Ajuste Anual. Fazse necessário esclarecer que o que se tributa, no presente processo, não são os depósitos bancários, como tais considerados, mas a omissão de rendimentos por eles representada. Os depósitos bancários são apenas a forma, o sinal de exteriorização, pelos quais se manifesta a omissão de rendimentos objeto de tributação. Os depósitos bancários se apresentam, num primeiro momento, como simples indício da existência de omissão de rendimentos. Entretanto, esse indício se transforma na prova da omissão de rendimentos, quando o contribuinte, tendo a oportunidade de comprovar a origem dos recursos aplicados em tais depósitos, se nega a fazêlo, ou não o faz satisfatoriamente. Fl. 740DF CARF MF Processo nº 19515.002781/200780 Acórdão n.º 2201004.137 S2C2T1 Fl. 741 7 Não comprovada a origem dos recursos, tem a autoridade fiscal o dever/poder de considerar os valores depositados como rendimentos tributáveis e omitidos na declaração de ajuste anual, efetuando o lançamento do imposto correspondente. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do princípio da legalidade que rege a administração pública, cabendo ao agente tãosomente a inquestionável observância do diploma legal. A decisão de piso considerou como suficientemente comprovada a origem dos depósitos no montante de R$ 170.700,00, os quais foram provenientes da alienação do apartamento localizado no Condomínio Sea Star. Em relação ao apartamento localizado no condomínio Veredas da Cantareira, alega o recorrente que não foram considerados os valores depositados de R$ 157.000,00 e R$ 37.800,00 originários de sua alienação. Todavia, acertadamente a decisão de piso pontuou que a soma desses valores não coincide com o valor da venda do imóvel, nos termos da escritura acostada aos autos. Referido documento atesta que o apartamento foi vendido por R$ 220.000,00, recebidos no ato de sua lavratura, ou seja, 24/09/2004. Não há nos autos prova do recebimento desses valores, ainda que em datas próximas. O recorrente, por sua vez, não trouxe novos elementos de fato e de direito capazes de refutar a decisão recorrida, limitandose a reproduzir os mesmos argumentos utilizados quando do protocolo da peça impugnatória. O acórdão da DRJ, mais uma vez, de maneira acertada, promoveu a exclusão da base de cálculo por comprovação da origem, o depósito do valor de R$ 2.000,00 efetuado no Banco Itaú S/A, em 07/01/2002, justificado pela compensação de cheque do Banco Santander S/A, na mesma data. Houve a exclusão, ainda, do valor depositado de R$ 5.600,00, em março/2002, em que houve a comprovação do estorno no mesmo dia, bem como do valor de R$ 5,23, correspondente a crédito de CPMF, em dezembro/2004. A insurgência do recorrente quanto ao cômputo dos valores movimentados na operação POUP MAX é improcedente, uma vez que estes valores já foram excluídos pela própria autoridade lançadora, conforme se depreende das planilhas de fls. 259/270 e 347/369. A alegação de que os valores omitidos em sua integralidade são originários de atividade rural, da mesma forma, não merecem prosperar. O sujeito passivo sustenta que foram depositados valores em sua conta corrente decorrentes de transações efetuadas com a Cooperativa de Laticínios São José dos Campos, reforçando que tais valores são originários do exercício de atividades realizadas na Fazenda da qual o contribuinte é titular. Em que pese o esforço argumentativo do recorrente, para afastar a presunção de omissão de rendimentos estabelecida pelo art. 42 da Lei nº 9.430/1996, a alegação tem que ser comprovada de maneira individualizada, o que não ocorreu no presente caso. O mesmo raciocínio deve ser aplicado em relação a alegação de que parte dos valores que transitaram em sua contacorrente se deram através de operações de factoring e que foi beneficiário de distribuição de lucros. De outro lado, o recorrente requer que os valores em espécie declarados se prestem para a comprovação da origem dos valores. Referida pretensão não guarda liame lógico, posto que não estamos a tratar dos bens declarados ou de sua variação patrimonial, mas Fl. 741DF CARF MF Processo nº 19515.002781/200780 Acórdão n.º 2201004.137 S2C2T1 Fl. 742 8 sim da presunção de renda dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento estabelecida pela lei. Os valores tributados são os que carecem de comprovação e que, nos termos do artigo 42, da Lei 9.430/96, presumemse como omissão de rendimentos: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1° O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3° Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil Reais). § 4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Como já mencionado, de acordo com disposto no art. 42 da Lei n° 9.430/96, é necessário comprovar individualizadamente a origem dos recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos ou não tributáveis. Cabe ao recorrente comprovar a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo suficiente alegações e indícios de prova sem correspondência com os valores lançados. Destarte, a tese do recorrente não merece prosperar. A presunção estabelecida pelo art. 42 da Lei n° 9.430/96 só poderá ser afastada através de documentos hábeis e idôneos, não bastando a mera alegação ou apresentação de documentos, que não se prestam para comprovar a origem dos valores depositados na conta corrente do sujeito passivo. Fl. 742DF CARF MF Processo nº 19515.002781/200780 Acórdão n.º 2201004.137 S2C2T1 Fl. 743 9 Assim, em razão da ausência de comprovação das origens dos valores que transitaram na conta do sujeito passivo, não merece reforma a decisão recorrida. Ganho de Capital Em relação ao lançamento por ganho de capital na alienação de imóveis urbano, o ponto fulcral da controvérsia diz respeito ao seu custo de aquisição, notadamente os apartamento do condomínio Veredas da Cantareira, em que a autoridade fiscal atribuiulhe custo de aquisição zero, pela inércia do sujeito passivo em informar tais valores. A decisão de piso alterou o custo de aquisição do apartamento localizado no condomínio Sea Star, que foi considerado pelo valor constante da Declaração de Ajuste Anual do contribuinte, na importância de R$ 30.717,70. Todavia, de acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fl. 396) esse imóvel não gerou a lavratura de Auto de Infração para o lançamento de ganho de capital. No que concerne à apuração do ganho de capital do apartamento do condomínio Veredas da Cantareira, em que a autoridade fiscal atribuiu custo de aquisição zero, mais uma vez, agiu com acerto a Fiscalização. De acordo com a Instrução Normativa SRF n° 84, de 11 de outubro de 2001, que dispõe sobre a apuração e tributação de ganhos de capital nas alienações de bens e direitos por pessoas físicas, na ausência do valor pago devem ser adotados os seguintes critérios: Custo na ausência do valor pago Art. 18. Na ausência do valor pago, o custo de aquisição é: I o valor que tenha servido de base para o cálculo do imposto de importação, acrescido do valor dos tributos e das despesas de desembaraço aduaneiro; II o valor de transmissão utilizado, na aquisição, para cálculo do ganho de capital do alienante anterior; III o valor corrente na data da aquisição; IV igual a zero, quando não possa ser determinado nos termos dos incisos I, II e III. Esta previsão tem base no art. 16 da Lei n° 7.713, de 1988: Art. 16. O custo de aquisição dos bens e direitos será o preço ou valor pago, e, na ausência deste, conforme o caso: I o valor atribuído para efeito de pagamento do imposto de transmissão; II o valor que tenha servido de base para o cálculo do Imposto de Importação acrescido do valor dos tributos e das despesas de desembaraço aduaneiro; II o valor da avaliação do inventário ou arrolamento; Fl. 743DF CARF MF Processo nº 19515.002781/200780 Acórdão n.º 2201004.137 S2C2T1 Fl. 744 10 IV o valor de transmissão, utilizado na aquisição, para cálculo do ganho de capital do alienante; V seu valor corrente, na data da aquisição. § 1° O valor da contribuição de melhoria integra o custo do imóvel. § 2° O custo de aquisição de títulos e valores mobiliários, de quotas de capital e dos bens fungíveis será a média ponderada dos custos unitários, por espécie, desses bens. § 3° No caso de participação societária resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, que tenham sido tributados na forma do art. 36 desta Lei, o custo de aquisição é igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista beneficiário. § 4° O custo é considerado igual a zero no caso das participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, no caso de partes beneficiárias adquiridas gratuitamente, assim como de qualquer bem cujo valor não possa ser determinado nos termos previsto neste artigo. Assim, entendo que a autoridade lançadora não teve meios de apurar o custo de aquisição do imóvel em comento, segundo os critérios delineados pela legislação de regência. Não o fazendo, outra solução não poderá ser adotada, senão apurar o custo de aquisisição com valor zero. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário apresentado para, rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negarlhe provimento. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Fl. 744DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.905797/2008-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
DCOMP. COMPENSAÇÃO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO.
Diligência fiscal que constatou ausência de créditos remanescentes, à compensar débitos deste processo.
DCOMP. COMPENSAÇÃO A DESTEMPO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA DEVIDA.
O afastamento da multa moratória, em face do benefício da denúncia espontânea, do art. 138, do CTN, exige o atendimento dos requisitos de existência de pagamento do tributo com os respectivos juros de mora e da inexistência de procedimento fiscal anterior ao pagamento.
A compensação é forma distinta de extinção do crédito tributário, sujeita à condição resolutória da sua homologação, estando restrito ao pagamento o gozo do benefício conferido pelo sobredito art. 138, do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3401-004.330
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, aplicando-se integralmente a informação fiscal, resultado da diligencia fiscal, com a conseqüente homologação parcial da compensação declarada.
ROSALDO TREVISAN - Presidente.
FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (Suplente), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 DCOMP. COMPENSAÇÃO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO. Diligência fiscal que constatou ausência de créditos remanescentes, à compensar débitos deste processo. DCOMP. COMPENSAÇÃO A DESTEMPO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA DEVIDA. O afastamento da multa moratória, em face do benefício da denúncia espontânea, do art. 138, do CTN, exige o atendimento dos requisitos de existência de pagamento do tributo com os respectivos juros de mora e da inexistência de procedimento fiscal anterior ao pagamento. A compensação é forma distinta de extinção do crédito tributário, sujeita à condição resolutória da sua homologação, estando restrito ao pagamento o gozo do benefício conferido pelo sobredito art. 138, do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, aplicando-se integralmente a informação fiscal, resultado da diligencia fiscal, com a conseqüente homologação parcial da compensação declarada. ROSALDO TREVISAN - Presidente. FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (Suplente), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
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COMPENSAÇÃO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO. Diligência fiscal que constatou ausência de créditos remanescentes, à compensar débitos deste processo. DCOMP. COMPENSAÇÃO A DESTEMPO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA DEVIDA. O afastamento da multa moratória, em face do benefício da denúncia espontânea, do art. 138, do CTN, exige o atendimento dos requisitos de existência de pagamento do tributo com os respectivos juros de mora e da inexistência de procedimento fiscal anterior ao pagamento. A compensação é forma distinta de extinção do crédito tributário, sujeita à condição resolutória da sua homologação, estando restrito ao pagamento o gozo do benefício conferido pelo sobredito art. 138, do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, aplicandose integralmente a informação fiscal, resultado da diligencia fiscal, com a conseqüente homologação parcial da compensação declarada. ROSALDO TREVISAN Presidente. FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 57 97 /2 00 8- 66 Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10980.905797/200866 Acórdão n.º 3401004.330 S3C4T1 Fl. 182 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (Suplente), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto os relatórios das Resoluções que converteram os feitos em diligências, os quais, por economia, reservome o direito de não transcrever. Considerando que o processo não se encontrava em condições de julgamento, foi resolvida sua conversão em diligência para que fosse apurado o valor que é devido em cada um dos códigos, o valor que fora efetivamente pago e, sendo assim, se a contribuinte possui direito creditório em caso de pagamento a maior. A informação fiscal proferida confirmou a homologação parcial da compensação declarada, "...isto porque o contribuinte não compensou a multa de mora a que o débito estava sujeito, dado que compensado quando já se encontrava vencido." Após ciência sobre a informação fiscal, apresentase manifestação, contestando as conclusões alcançadas pela diligência fiscal, em essência, alegando estar amparada pelo art. 138, da Lei n° 5.172/66 (CTN), que excluiria a responsabilidade pela denúncia espontânea, quanto à multa de mora. Voto O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Como visto do relatório, tratase de DCOMP, transmitida para a compensação de créditos tributários relativos às contribuições sociais para o PIS. Notar que, inicialmente, o despacho decisório eletrônico de não homologação das compensações declaradas, deuse pelo fato de que o DARF discriminado na DCOMP estava integralmente utilizado. Na manifestação de inconformidade, passa o interessado a justificar que o crédito pleiteado tem origem no recálculo da contribuição em razão da redução à alíquota a zero (%) por centro para o PIS no período. Em resposta, concluiu o acórdão DRJ, não ter sido trazido aos autos a comprovação da existência do direito creditório alegado. Diante destas razões, posteriormente trazidas, via decisão recorrida, contrapõe a recorrente, por meio do recurso voluntário, provas documentais, em planilhas e cópias de razões analíticos. Presente a hipótese prevista na alínea "c", §4º, art. 16, do PAF, no caso em discussão, os autos foram e retornaram de diligência com a confirmação da homologação parcial da compensação declarada, restando saldo devedor, em razão da não compensação da multa de mora a que o débito estava sujeito, dado que compensado quando já se encontrava vencido. Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10980.905797/200866 Acórdão n.º 3401004.330 S3C4T1 Fl. 183 3 Entendo, no mesmo sentido da decisão recorrida, que o art. 138, da Lei n° 5.172/66, exclui a responsabilidade pela denúncia espontânea, mas, quando acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora. Pagamento. Não compensação como é o caso. Aplicase ao caso, o teor do julgamento do REsp 1.149.022/SP, submetido ao rito dos recursos repetitivos, do art. 543C, do CPC/1973, determinandose que a denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente; decisão judicial de reprodução obrigatória pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, nos termos do §2º, do art. 62, do RICARF/2015 (Portaria MF nº 343, de 09/06/15). PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10980.905797/200866 Acórdão n.º 3401004.330 S3C4T1 Fl. 184 4 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine . 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. SÚMULA STJ nº. 360 O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. Aplicando o instituto da denuncia espontânea, à caso concreto semelhante, sob o aspecto da existência de compensação, ao invés de pagamento, o voto vencedor da Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, no Acórdão nº 3302002.772, de 13/11/2014, abaixo transcrito, adotadas suas razões de decidir para o presente processo: "Denúncia Espontânea O CTN somente excluiu, em seu art. 138, a responsabilidade tributária em razão de denúncia espontânea quando esta for acompanhada do pagamento do tributo devido com os respectivos juros moratórios. O comando do art. 138, do CTN, visa incentivar a regularização fiscal e o incremento da arrecadação, por meio da concessão de incentivo (qual seja, a exclusão da responsabilidade por infração) pelo pagamento de tributos em atraso espontaneamente denunciados. E como a compensação seja aos moldes pretéritos (em que era objeto de pedido e era passível de eventual Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10980.905797/200866 Acórdão n.º 3401004.330 S3C4T1 Fl. 185 5 posterior indeferimento), seja aos moldes atuais (em que é declarada e está sujeita, dentro do prazo de 5 anos, a ser fortuitamente não homologada na forma do art. 74, §1º, da Lei nº 9.430/96) –, trata de forma precária (não definitiva) da extinção do crédito tributário, não goza do benefício conferido por sobredito art. 138. O entendimento acima se afina com a jurisprudência do STJ a respeito desta questão peculiar, conforme patenteia a ementa do acórdão, recentemente publicado no DJE de 26/08/2010, proferido AgRg no Agravo de Instrumento nº 1.303.103/RS, no qual foi Relatora a Exma. Sra. Ministra Eliana Calmon: “TRIBUTÁRIO PROCESSO CIVIL DENÚNCIA ESPONTÂNEA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO DO PRINCIPAL E DOS JUROS DE MORA DEVIDOS NÃO CONFIGURAÇÃO. 1. A configuração da denúncia espontânea pressupõe o pagamento do principal da dívida acompanhado dos juros de mora devidos antes de qualquer procedimento fiscal, o que não ocorreu na espécie, na qual houve mero pedido de compensação. 2. Agravo regimental não provido.” (g.n.) De se ver que a jurisprudência colacionada pela contribuinte em suas peças de defesa atestam como requisitos para a não incidência de multa moratória em face da denúncia espontânea o atendimento de dois requisitos: a existência de pagamento do tributo com os respectivos juros de mora e a inexistência de procedimento fiscal anterior ao pagamento. A contribuinte não atendeu ao primeiro dos requisitos mencionados. (grifei/sublinhei) No mesmo sentido, o voto condutor do Conselheiro Luiz Roberto Domingo, no Acórdão nº 3101001.631, de 27/03/2014, abaixo transcrito, por unanimidade, entendo não ser cabível a exclusão da penalidade, nos termos do art. 138 do CTN, no casos de mera compensação: "É pacífica a jurisprudência, inclusive com diversos precedentes do E. STJ, no sentido de que é possível ao contribuinte sanar o inadimplemento de crédito tributário, ainda que a destempo, sem que haja aplicação da sanção legal, desde que mediante PAGAMENTO. Está assim pacificada a jurisprudência no âmbito do STJ: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. PRETENSÃO QUE ENCONTRA ÓBICE NA SÚMULA N. 7 DO STJ. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. 1. A revisão da conclusão do acórdão recorrido, no sentido da ausência de direito líquido e certo a ser amparado pelo mandamus, importaria em novo exame do conjunto fáticoprobatório dos autos. Precedentes: AgRg no AREsp 144.012/MA, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 15/05/2012; AgRg no AREsp 98.066/MG, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 23/04/2012; REsp 1206178/DF, Rel. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10980.905797/200866 Acórdão n.º 3401004.330 S3C4T1 Fl. 186 6 Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 17/11/2011; AgRg no Ag 1378589/DF, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 13/09/2011. 2. A extinção do crédito tributário por meio de compensação está sujeita à condição resolutória da sua homologação. Caso a homologação, por qualquer razão, não se efetive, temse por não pago o crédito tributário declarado, havendo incidência, de consequência, dos encargos moratórios. Nessa linha, sendo que a compensação ainda depende de homologação, não se chega à conclusão de que o contribuinte ou responsável tenha, espontaneamente, denunciado o não pagamento de tributo e realizado seu pagamento com os acréscimos legais, por isso que não se observa a hipótese do art. 138 do CTN. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp 174.514, Rel. Min. Benedito Gonçalves, 1A T, julg. 04/09/2012) Como no presente caso, diferentemente dos demais que foram por mim analisado, a Recorrente realizou a compensação dos débitos liquidados em atraso, conforme se verifica da planilha transcrita no relatório acima, entendo não ser cabível a exclusão da penalidade nos termos do art. 138 do CTN." (grifei) Portanto, no presente caso, inaplicável o instituto da denuncia espontânea, nos termos do art. 138, do CTN, e indevida a exclusão da penalidade da multa de mora. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, aplicandose integralmente a informação fiscal, resultado da diligencia fiscal, com a conseqüente homologação parcial da compensação declarada. Fenelon Moscoso de Almeida Relator Fl. 186DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.923156/2012-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do Fato Gerador: 19/10/2007
CIÊNCIA A ADVOGADO REPRESENTANTE DO CONTRIBUINTE.
No processo administrativo fiscal não pode o advogado receber intimação, notificação e outras mensagens que por expressa disposição legal cabe ao contribuinte seu cumprimento ou conhecimento.
AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a valoração em Per/Dcom, despacho decisório ou acórdão recorrido que atendem os requisitos formais, apresentam clara descrição dos fatos, correta capitulação legal e razões de decidir, especialmente, se ao sujeito passivo foi oportunizado adequadamente o contraditório e o direito de defesa.
COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MORA
Na forma da legislação de regência, no procedimento de compensação tanto os créditos quanto os débitos sofrem a correspondente incidência de acréscimos legais por ocasião do encontro de contas (valoração), resultando sempre em desequilíbrio quando presente a mora.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.856
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araujo, Lenisa R. Prado e José Renato P. de Deus votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Dèrouléde - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado. Ausente, justificadamente, a Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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DCOMP TRANSMITIDA APÓS VENCIMENTO DO DÉBITO. Recorrente ESPN DO BRASIL EVENTOS ESPORTIVOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do Fato Gerador: 19/10/2007 CIÊNCIA A ADVOGADO REPRESENTANTE DO CONTRIBUINTE. No processo administrativo fiscal não pode o advogado receber intimação, notificação e outras mensagens que por expressa disposição legal cabe ao contribuinte seu cumprimento ou conhecimento. AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a valoração em Per/Dcom, despacho decisório ou acórdão recorrido que atendem os requisitos formais, apresentam clara descrição dos fatos, correta capitulação legal e razões de decidir, especialmente, se ao sujeito passivo foi oportunizado adequadamente o contraditório e o direito de defesa. COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MORA Na forma da legislação de regência, no procedimento de compensação tanto os créditos quanto os débitos sofrem a correspondente incidência de acréscimos legais por ocasião do encontro de contas (valoração), resultando sempre em desequilíbrio quando presente a mora. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araujo, Lenisa R. Prado e José Renato P. de Deus votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Dèrouléde Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 31 56 /2 01 2- 06 Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10880.923156/201206 Acórdão n.º 3302004.856 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado. Ausente, justificadamente, a Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza. Relatório A recorrente acima qualificada apresentou Declaração de Compensação pleiteando a compensação de débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB com créditos decorrentes de pagamento supostamente indevido ou a maior. Por meio de Despacho Decisório emitido pela DERATSP, a compensação declarada não foi homologada na sua totalidade, tendo em vista que o valor do pagamento tido como origem do crédito pretendido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP. Na Manifestação de Inconformidade apresentada, a contribuinte salienta que sempre cumpriu com suas obrigações tributárias, recolhendoas nos seus devidos prazos ou por força maior, com os devidos encargos legais, por isso discorda do débito cobrado no Despacho Decisório. Diz ser detentora de crédito decorrente de pagamento supostamente indevido ou a maior, que foi utilizado para compensar débito no mesmo valor, cuja data de vencimento é a mesma do recolhimento. Lembra que não se apropriou de juros pela taxa Selic sobre os valores declarados em Per/Dcomp e não imputou multa e juros sobre os débitos compensados porque são do mesmo período de apuração. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06045.320. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que, na compensação declarada pelo sujeito passivo, os débitos sofrem a incidência de acréscimos legais até a data da entrega da Declaração de Compensação, na forma da legislação de regência. Cientificada daquela decisão a Recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega em síntese que: · existe nulidade do despacho decisório e do acórdão recorrido por ausência de motivação, dada a generalidade da fundamentação sem aferir o real motivo do indeferimento ou o equívoco cometido pela recorrente, com consequente cerceamento do direito de defesa; · o despacho que não homologa o pedido de compensação deve conter, tal qual o auto de infração, a descrição do fato, disposição legal infringida e multa aplicável; · não houve prejuízo para o Erário, pois apenas houve erro na rubrica no DARF, e não atraso no recolhimento; · a cobrança de multa de mora sem atraso no recolhimento constitui enriquecimento sem causa Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10880.923156/201206 Acórdão n.º 3302004.856 S3C3T2 Fl. 4 3 · não há que se falar em juros de mora uma vez que, no caso, o período de apuração é o mesmo para o crédito e o débito. · subsidiariamente solicita diligência para reexame dos documentos; · reitera a necessidade de suspensão da exigibilidade do crédito tributário em análise , finalmente · solicita que a advogada da causa seja intimada e informada de todas as publicações sob pena de arguição de nulidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.825, de 25 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10880.923119/201290, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.825): "O Recurso deve ser conhecido por ter sido apresentado tempestivamente e atender os demais pressupostos e requisitos de admissibilidade. Do pedido do subscritor do recurso (advogada) para recebimento de futuras publicações/intimações no endereço por ela indicado. No Processo Administrativo Fiscal PAF o artigo 10 do Decreto nº 7.574 estabelece as formas de intimação sempre direcionadas ao próprio contribuinte. Por sua vez o artigo 26 e seguintes da Lei nº 9.784, de 1999 Processo Administrativo Federal também não prevê que o advogado possa ser comunicado dos atos de interesse do administrado que em última instância é quem sofrerá seus efeitos. Atentese, ainda, que a intimação em sede de PAF é de competência da RFB não havendo pronunciamento normativo do CARF amparando a pretensão, assim sendo, indefiro o pedido. Do alegado cerceamento ao direito de defesa Sem razão a Recorrente. O Despacho Decisório de fl, 17, assim como a Decisão recorrida estão perfeitamente fundamentados, com enquadramento legal, descrição dos fatos e cálculo da valoração (detalhamento da compensação, valores devedores e Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10880.923156/201206 Acórdão n.º 3302004.856 S3C3T2 Fl. 5 4 emissão de DARF, fl. 11), portanto não há que se falar em nulidade de atos ou cerceamento ao direito de defesa. Mérito Cuida o presente processo de erro cometido pela Recorrente no preenchimento de código em DARF pago, cujo valor a Recorrente deseja aproveitar para pagamento do débito correspondente ao código/tributo correto sem, entretanto, sofrer os acréscimos legais da multa de mora. A recorrente não alega qualquer tipo de erro nos débitos nem há notícia de que os mesmos não tenham sido informados nas correspondentes declarações entregues antes do PerDcomp, assim sendo, os fatos mostramse incontroversos e dispensam diligência. Não se vislumbra incorreção no procedimento da RFB na análise do PerDcomp que culminou com cobrança de débitos indevidamente compensados em virtude do contribuinte não ter considerado a multa de mora no pagamento/compensação dos débitos. Pois bem, um tributo só é considerado efetivamente pago, total ou parcialmente, quando o sistema de dados da Fazenda Nacional compara o código informado no DARF com o correspondente código do débito informado em declaração específica e faz a vinculação entre ambos. Caso contrário o valor recolhido equivocadamente permanece "em aberto" como crédito e não como pagamento, podendo por isso ser restituído acrescido dos juros compensatórios. Por outro lado o débito formalmente declarado, que não corresponde ao código informado equivocadamente no DARF, continua sem quitação e a sofrer os acréscimos de juros e multa de mora. Optando ou não a contribuinte pela compensação, sempre haverá cobrança de mora se o débito não foi formalmente liquidado na data do vencimento, independente de quando tenha sido realizado o pagamento indevido. A sistemática de análise de PerDcomp não altera essas duas situações distintas e independentes (pagamento indevido e pagamento em atraso), pois ela apenas faz o encontro de contas na data da entrega do PerdComp, momento da valoração do crédito para restituição e automática conversão em pagamento do débito em aberto, total ou parcialmente, mediante compensação. Repitase que este encontro de contas sempre será desfavorável ao contribuinte tendo em vista que o código do débito1, 1 Lei 9.430, de 1996 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10880.923156/201206 Acórdão n.º 3302004.856 S3C3T2 Fl. 6 5 correspondente ao código correto que deveria constar no DARF, não foi encontrado pelo sistema e assim o débito em aberto sofre acréscimos da multa de mora diária mais juros de mora mensais até a data a entrega do Perdcomp, enquanto que (ii) o crédito2 a ser restituído e compensando sofre somente os juros compensatórios mensais, calculados também até a data da entrega do PerDcomp. Em resumo, se no momento da valoração, ou seja na data da transmissão da PerDcomp, o débito que se buscou compensar já estava sujeito a acréscimos moratórios, e o crédito com seus acréscimos não foram suficientes para quitálos, então a compensação é homologada parcialmente e o saldo residual do débito considerado indevidamente compensado, exigindose, em consequência, seu pagamento com os acréscimos legais3. A mesma sistemática se repete em sucessivos PerDcomp quando existe saldo residual de crédito na compensação homologada a ser aproveitado em outro(s) PerdComp. A situação parece injusta mormente porque o pagamento indevido ou a maior decorre em regra de um erro do contribuinte que não pretendia ficar em mora, porém não é o caso de se aplicar o art. 108 do CTN, pois verificase que não foi a RFB que deu causa ao erro. Ademais, mesmo sem levar em consideração os transtornos e custos que os erros causam à administração, há de se observar ainda que o julgador administrativo está vinculado à lei, ainda na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. 2 Art. 72. O crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou reembolso, será restituído, reembolsado ou compensado com o acréscimo de juros Selic para títulos federais, acumulados mensalmente, e de juros de 1% (um por cento) no mês em que: II houver a entrega da Declaração de Compensação ...; § 1º No cálculo dos juros de que trata o caput, observarseá, como termo inicial da incidência: (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 973, de 27 de novembro de 2009) III na hipótese de pagamento indevido ou a maior: c) o mês subseqüente ao do pagamento, se este tiver sido efetuado após 31 de dezembro de 1997; 3 Lei nº 9.430 /1996 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito... § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) IN 900/2009 Art. 38. O tributo objeto de compensação não homologada será exigido com os respectivos acréscimos legais. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10880.923156/201206 Acórdão n.º 3302004.856 S3C3T2 Fl. 7 6 que esta reflita apenas aspectos sobre cumprimento dos prazos e forma de apuração dos valores, e assim não pode deixar de reconhecer a aplicação destas formalidades legais utilizadas para cálculo da restituição de pagamentos indevidos e para cobrança de débitos vencidos, independente deste tipo de erro cometido pela contribuinte que o deixou em mora. Não se vislumbra ilegalidade no procedimento da Receita Federal e tampouco enriquecimento ilícito da União, pois decorrente da lei. Conclusão Diante de tudo que foi exposto, rejeito a preliminar arguida, e no mérito nego provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o(s) débito(s) que se procuravam compensar já se encontravam vencidos na data em que foi transmitida a DCOMP inicial. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 145DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.902492/2008-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
A certeza e liquidez do indébito tributário são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, constitui fundamento válido para a não homologação da compensação.
Numero da decisão: 1201-001.964
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Leonam Rocha de Medeiros. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
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REQUISITOS. A certeza e liquidez do indébito tributário são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, constitui fundamento válido para a não homologação da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Leonam Rocha de Medeiros. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 24 92 /2 00 8- 04 Fl. 145DF CARF MF 2 A Recorrente transmitiu DCOMP, por meio do qual busca compensar crédito a título de estimativa de CSLL relativa ao mês de dezembro de 1999, de R$ 1.674,20, com débitos tributários de sua responsabilidade, no montante de R$ 2.610,41. O Despacho Decisório (fl.55) não homologou o pleito do contribuinte, sob a alegação de que, embora localizado o Darf de pagamento indicado na DCOMP, o crédito já teria sido integralmente utilizado para quitação de outro débito, não restando crédito disponível. Irresignada com a exigência, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 1/3). Sustenta que sua DIPJ (fls. 5/51) indica que houve recolhimentos de IRPJ apurados no 2º trimestre de 1999, de R$ 1.499,83, e no 4º trimestre, de R$1.111,91, devidamente compensados com 1/3 da COFINS efetivamente paga, conforme permitias a Lei nº 9.718/98. Aduz que o valor pago de COFINS (de R$ 113.861,26) seria suficiente para compensar toda a apuração da CSLL, razão pela qual toda a CSLL recolhida (R$ 39.450,72), incluído aí o referido crédito de R$ 1.674,20, constitui pagamento a maior passível de compensação. Em Sessão de 10 de junho de 2011, a 2ª Turma da DRJ/BSB, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 0343.546 (fls. 89/95), cuja ementa recebeu o seguinte descritivo: LEI Nº 9.718/98, ART. 8º, § 1º. COMPENSAÇÃO. CSLL E 1/3 DA COFINS EFETIVAMENTE PAGA. A compensação da CSLL com até 1/3 da Cofins efetivamente paga, em vigor de fevereiro a dezembro de 1999, está autorizada pelos §§ 1º a 3º do art. 8º da Lei nº 9.718, de 1998. ESTIMATIVA. IRRETRATABILIDADE DA OPÇÃO DE PAGAMENTO DO IRPJ OU DA CSLL POR ESTIMATIVA. A forma de pagamento do IRPJ ou da CSLL por estimativa será irretratável para todo o anocalendário. DIREITO CREDITÓRIO. NÃO COMPROVAÇÃO. Não se admitem no processo administrativo fiscal, para efeitos de impugnação, meras alegações desprovidas de fundamentos. Intimada da decisão de primeira instância, a Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 99/103). Informa a competência correta do crédito (dezembro de 1999, e não janeiro de 2000). Diz existir tremenda contradição da DRJ, uma vez que a mesma 2ª Turma já teria reconhecido o direito creditório em outro processo que indica e transcreve no item 06, fls. 102. Após encaminhamento dos autos ao E. CARF, o julgamento do recurso voluntário foi convertido em diligência por meio da Resolução nº 1801000.081 (fls. 110/112), a qual determinou o retorno dos autos à unidade de jurisdição da Recorrente para que seja analisado o mérito do pedido, ou seja, a origem e a procedência do crédito pleiteado, em face da sua contabilidade, registros no Sapli, outros pedidos de restituição/compensação com origem no mesmo crédito, vinculação a outros processos administrativos fiscais, formação do saldo negativo no final do ano calendário etc. Em atendimento à diligência, a autoridade fiscal responsável emitiu Termo de Informação Fiscal (fls. 124/128), manifestandose pela insuficiência do crédito solicitado pelo contribuinte. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10166.902492/200804 Acórdão n.º 1201001.964 S1C2T1 Fl. 3 3 Já o contribuinte apresentou Contestação (fls. 132/135). Afirma que a autoridade administrativa, na verdade, julgou a lide; que ela se esqueceu de que, no julgamento anterior, o pagamento da CSLL por estimativa foi considerado erro de fato e que o crédito referente a um terço (1/3) da Cofins pode ser aproveitado também em outra competência. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli O recurso é tempestivo e cumpre os requisitos legais, razão pela qual dele tomo conhecimento. De acordo com o despacho decisório, o crédito pleiteado pela Recorrente não existiria, uma vez que teria sido utilizado para quitar débitos lançados em DCTF no mesmo montante, não havendo pagamento a maior ou indevido passível de compensação. Após a diligência requerida, a autoridade fiscal responsável ratificou a insuficiência do crédito, conforme atesta o seguinte trecho de sua conclusão: 11. Nessa linha, o valor do débito de CSLL para o 4° Trimestre/1999, num total de R$ 21.603,91, apurado em tabela 01 abaixo, são os valores declarados em DCTF (fl.118), que é documento de confissão de dívida e instrumento hábil para a exigência do crédito, consoante preconiza o art. 5° e §§ do DecretoLei n° 2.124/84, diferentemente da DIPJ, que é declaração de natureza informativa à administração tributária. Código Receita Período de Apuração Vencimento Valor (reais) 2484 10/1999 30/11/1999 5.357,71 2484 11/1999 30/12/1999 8.176,94 2484 12/1999 31/01/2001 8.069,11 Total: 21.603,76 TABELA 01 12. Por outro lado, os pagamentos recolhidos a título de COFINS para o 4° Trimestre/1999, extraídos do sistema SIEF (fl. 119), estão relacionados em tabela 02 abaixo: Código Receita Período de Apuração Vencimento Data de Arrecadação Valor (reais) 2171 11/1999 15/12/1999 15/12/1999 11.835,85 2172 11/1999 15/12/1999 15/12/1999 1.765,12 2172 11/1999 15/12/1999 15/12/1999 3.434,30 2172 12/1999 14/01/2000 17/01/2000 3.487,91 2172 12/1999 14/01/2000 17/01/2000 1.205,65 2172 12/1999 14/01/2000 17/01/2000 12.117,09 Total: 33.845,92 TABELA 02 Fl. 147DF CARF MF 4 13. Assim, para o 4° Trimestre/1999, nos termos da Lei 9.718/98, que possibilitou a compensação da CSLL com 1/3 do valor total de COFINS recolhido para o mesmo período de apuração, verificase que 1/3 da COFINS, R$ 11.281,97 (33.845,92/3), poderá ser compensada com os débitos de CSLL. Nesse contexto, como os débitos de CSLL somam um valor total de R$ 21.603,76 (conforme tabela 01), concluise que deve haver um recolhimento efetivo de CSLL, após a dedução de 1/3 de COFINS, no valor de R$ 10.321,79 (21.603,76 11.281,97). Logo, o valor pago a título de CSLL acima de R$ 10.321,79 deve ser considerado pagamento a maior, passível de restituição/compensação. 14. Partese então para verificação dos pagamentos recolhidos sob a rubrica de CSLL. De acordo com o sistema Sief, fl. 120, foram recolhidos, para o 4° Trimestre/1999, R$ 15.481,55, conforme tabela 03 abaixo. Assim, como o valor total de CSLL recolhido para esse período foi de R$ 15.481,55, verificase que R$ 5.159,76 (15.481,5510.321,79) foram recolhidos a maior, e que esse é o valor que a contribuinte tem como direito creditório de pagamento indevido ou a maior de CSLL. Pagamento Código Receita Período de Apuração Vencimento Data de Arrecadação Valor (reais) 01 2484 10/1999 29/10/1999 29/10/1999 411,16 02 2484 10/1999 29/10/1999 29/10/1999 250,31 03 2484 11/1999 30/12/1999 30/12/1999 5.681,21 04 2484 11/1999 30/12/1999 30/12/1999 1.648,47 05 2484 11/1999 30/12/1999 30/12/1999 847,26 06 2484 12/1999 31/01/2000 31/01/2000 5.816,20 07 2484 12/1999 31/01/2000 31/01/2000 1.674,20 15.481,55 TABELA 03 15. Ainda de acordo com o sistema Sief, dos sete pagamentos listados em tabela 03 acima, cinco pagamentos, números 03, 04, 05, 06 e 07, foram utilizados em DCOMPs, conforme tabela 04 abaixo. Em consulta ao sistema Sief, verificouse que o pagamento de número 04, no valor de R$ 1.648,47, já foi totalmente utilizado em compensação, conforme tela de fl.117. Como o crédito a que a contribuinte tem direito é no valor de R$ 5.159,76, resta um saldo credor de R$ 3.511,29. Pagamento Período de Apuração Data de Arrecadação Valor (reais) DCOMP Processo 03 11/1999 30/12/1999 5.681,21 03551.71916.181104.1.3.047449 10166.902486/200849 04 11/1999 30/12/1999 1.648,47 17226.91720.181104.1.3.046478 10166.902505/200837 05 11/1999 30/12/1999 847,26 35300.05293.181104.1.3.043098 10166.902478/200801 06 12/1999 31/01/2000 5.816,20 10902.30899.181104.1.3.040625 10166.902462/200890 07 12/1999 31/01/2000 1.674,20 06546.22682.181104.1.3.049008 10166.902492/200804 TABELA 04 16 Esse saldo credor, no valor de R$ 3.511,29, será vinculado à DCOMP 03551.71916.181104.1.3.047449, referente ao pagamento de n. 03, cujo valor é de R$ 5.681,21. Logo, essa DCOMP possui um crédito parcial de R$ 3.511,29 e as demais DCOMPs, referentes aos pagamentos de n° 05, 06 e 07, não possuem crédito passível de compensação. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10166.902492/200804 Acórdão n.º 1201001.964 S1C2T1 Fl. 4 5 17. Pelo exposto, em razão do direito creditório de pagamento a maior de CSLL, apurado para o 4° Trimestre/1999, no valor de R$ 5.159,76, ter sido totalmente utilizado em DCOMP de n° 03551.71916.181104.1.3.047449 e em DCOMP de n. 17226.91720.181104.1.3.046478, resta comprovada a inexistência de saldo credor referente ao pagamento de R$ 1.674,20 (data de arrecadação 31/01/2000), DCOMP 06546.22682.181104.1.3.049008, que é o objeto de análise deste processo de compensação. A autoridade fiscal demonstrou que realmente o alegado direito creditório não procede. Isso porque o crédito que a contribuinte diz que possui foi alocado para outras compensações, não restando saldo suficiente para liquidar o débito ora exigido. A fiscalização procedeu com uma apuração rigorosa e explicou no detalhe os motivos da insuficiência do crédito. Considerou corretamente os valores declarados em DCTF (instrumento de confissão de dívida) e, a partir daí, evidenciou todo o "passo a passo" dos créditos e débitos compensados, indicando as respectivas fontes de análise. Já a contribuinte, no seu recurso voluntário, faz menção apenas a alguns argumentos genéricos, sem identificar precisamente sua vinculação direta com a metodologia que foi adotada e sem explicar as razões concretas de onde e como o fiscal teria se equivocado. Alegações genéricas sobre a origem do direito creditório, desacompanhadas de documentos hábeis e idôneos acerca de sua natureza e efetiva origem, são incapazes de fazer prova acerca da liquidez e certeza do crédito. Conforme restou sedimentado no STJ: "allegare nihil et allegatum non probare paria sunt nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais" ou, ainda, "alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada". Em se tratando de compensação, a comprovação da liquidez e certeza do crédito constitui ônus da contribuinte, conforme interpretase do 170 do CTN, in verbis: “Artigo 170 A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.” Grifei. Nesse caso concreto, a Recorrente não apresentou sua escrituração contábil, apurações fiscais, planilhas demonstrativas ou qualquer outro documento pertinente a fazer prova do crédito que pleiteia. O que se tem no caso, pois, é uma compensação cujo crédito não restou efetivamente comprovado, prejudicando o direito correlato de compensação. Vale assinalar que a jurisprudência do CARF, conforme atestam as ementas dos julgados abaixo, admite a possibilidade de compensação de indébito, mas desde que haja comprovação cabal quanto à liquidez e certeza do crédito pleiteado, o que não ocorreu. “RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indeferese o pedido e não Fl. 149DF CARF MF 6 homologase a compensação pretendida entre crédito e débito tributários.” (Ac. 1102000.890. Sessão de 14/08/2013). “DESPACHO DECISÓRIO E DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. São válidos o despacho decisório e a decisão que apresentam todas as informações necessárias para o entendimento do contribuinte quanto aos motivos da nãohomologação da compensação declarada. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas apresentadas pelo contribuinte”. (Ac. 3302 002.383.. Sessão de 02/11/2013). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação” (Ac. 3802002.076. Sessão de 14/08/2013). À falta, então, da demonstração cabal e comprovação do crédito informado na DCOMP analisada, o direito alegado milita contra a Recorrente. Nesse sentido, NEGO PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 150DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.001826/2009-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006
DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. ATO FORMAL DE LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA.
É de se reconhecer a decadência quanto aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando o Fisco, com o fito de prevenir a caducidade dos créditos discutidos em juízo, realiza seu poder de constituição do mesmo fora do lustro previsto no CTN, ainda que existam valores depositados judicialmente com o objetivo de suspender a exigibilidade do crédito tributário.
DEPÓSITO JUDICIAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. JUROS E MULTA DE MORA. INEXIGIBILIDADE.
A ocorrência do depósito do montante integral do débito em dinheiro importa a suspensão da exigibilidade do crédito tributário correspondente, sendo incabível a exigência de multa de mora, exclusivamente, no caso de o depósito ter sido efetuado antes do decurso do prazo regular para o pagamento do tributo lançado, assim como os juros moratórios desde a data da efetivação do depósito.
Numero da decisão: 2201-004.273
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em acolher a preliminar de decadência. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski e Marcelo Milton da Silva Risso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. No mérito, por maioria, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Redator designado.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
EDITADO EM: 22/03/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: Relatora Dione Jesabel Wasilewski
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ATO FORMAL DE LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA. É de se reconhecer a decadência quanto aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando o Fisco, com o fito de prevenir a caducidade dos créditos discutidos em juízo, realiza seu poder de constituição do mesmo fora do lustro previsto no CTN, ainda que existam valores depositados judicialmente com o objetivo de suspender a exigibilidade do crédito tributário. DEPÓSITO JUDICIAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. JUROS E MULTA DE MORA. INEXIGIBILIDADE. A ocorrência do depósito do montante integral do débito em dinheiro importa a suspensão da exigibilidade do crédito tributário correspondente, sendo incabível a exigência de multa de mora, exclusivamente, no caso de o depósito ter sido efetuado antes do decurso do prazo regular para o pagamento do tributo lançado, assim como os juros moratórios desde a data da efetivação do depósito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em acolher a preliminar de decadência. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski e Marcelo Milton da Silva Risso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. No mérito, por maioria, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 18 26 /2 00 9- 69 Fl. 224DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente e Redator designado. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora. EDITADO EM: 22/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 212/218) apresentado em face do Acórdão nº 0344.314, da 5ª Turma da DRJ/BSB (fls. 181/191), que deu parcial provimento à impugnação do sujeito passivo ao auto de infração (fl. 2) pelo qual se exige crédito tributário relativo às contribuições devidas ao Serviço Social do Comércio SESC, incidente sobre a remuneração paga, devida ou creditada a segurados empregados pela matriz e algumas das filiais. Segundo o relatório fiscal (fls. 128/133), a autuada teria ingressado com a Ação Ordinária nº 97.00200728 junto à 8ª Vara da Justiça Federal no Ceará, objetivando suspender a exigibilidade das contribuições destinadas ao SEBRAE e ao SESC e SENAC. A fiscalizada teria apresentado cópia das guias de depósitos judiciais dos valores referentes à contribuição em tela no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, bem como livros contábeis contendo os lançamentos relativos a tais depósitos. Ainda que tenham sido efetuados depósitos judiciais referentes às contribuições nesse período, houve lançamento para prevenir a decadência. A autoridade fiscal menciona ainda que parte dos livros e documentos solicitados pela fiscalização não foram apresentados, o que teria justificado a imposição de penalidade nos Autos de Infração AIOA nº 37.165.7568 e AIOA nº 37.165.7571. Em relação ao período lançado, extraise do relatório fiscal o seguinte parágrafo: 1.9 Em face da ocorrência da ressalva prevista no art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, por se ter verificado a existência de dolo, fraude ou simulação, foram lançadas contribuições referentes a período maior que cinco anos. Fl. 225DF CARF MF Processo nº 10380.001826/200969 Acórdão n.º 2201004.273 S2C2T1 Fl. 225 3 Mais adiante, a fiscalização relata as irregularidades que foram verificadas no curso do procedimento fiscalizatório: • Não foram apresentados os livros Razão referentes aos exercícios de 2005 e de 2006. • Nos livros Diários apresentados, verificouse a existência de lançamentos relativos a despesas com fardamento, combustíveis, manutenção de veículos, material de escritório, material utilizado no serviço, viagens, cestas básicas, sem referência a documento fiscal, conforme cópias xerográficas anexadas ao AIOP DEBCAD 37.209.9602. • A partir de 2005, o histórico das despesas acima citadas passou a referenciar o número do documento fiscal. Por se tratarem de despesas de valor elevado, principalmente no que tange a compra de fardamento, material de escritório e utilizado no serviço, e por terem sido anteriormente escrituradas sem referência A nota fiscal, concluiuse quanto à indispensabilidade do exame de alguns desses comprovantes no sentido de determinar se tais gastos se referiam efetivamente à finalidade consignada nos títulos contábeis. • Solicitados os documentos fiscais comprobatórios das despesas escrituradas, apenas parte dos mesmos foi apresentada à fiscalização, tendo os comprovantes sido retidos e posteriormente, apreendidos. • Os documentos fiscais apresentados pela empresa continham indícios de inautenticidade, tais como selo fiscal sem talho doce e numeração de notas apostas com numerador manual. • Tais indícios determinaram a intimação dos fornecedores para apresentação das vias das notas fiscais com a mesma numeração e relativas aos mesmos períodos das apresentadas pela CORPVS. • Examinadas as Notas Fiscais emitidas pelos fornecedores, verificouse que: • as notas com a mesma numeração apresentada pela CORPVS não tinham sido emitidas contra este cliente ou sequer tinham sido emitidas ainda pelo fornecedor; • tanto as datas de emissão das Notas quanta os valores das mesmas eram diferentes das contidas nas apresentadas pela CORPVS; • o layout das Notas apresentadas pelos fornecedores não era compatível com o das vias encontradas na CORPVS. • Solicitadas informações A Secretaria da Fazenda do Estado do Ceará acerca das empresas para quem teriam sido emitidas as Autorizações para Impressão de Documentos Fiscais AIDF, constatouse que as Autorizações constantes das Notas Fiscais Fl. 226DF CARF MF 4 apresentadas pela CORPVS como sendo de seus fornecedores foram emitidas pela SEFAZ para outras empresas. • Foi solicitada ainda a Secretaria da Fazenda do Estado do Ceará a identificação dos contribuintes para quem foram emitidas a Autorizações para Impressão dos Selos apostos em Notas Fiscais apresentadas pela CORPVS. Também nesse caso verificouse terem sido as Autorizações emitidas para empresas diferentes daquelas constantes das Notas apresentadas pela CORPVS. • Tais constatações determinaram a conclusão quanto A apresentação deficiente de documentos bem como quanto A tese de crime de falsificação de documento público, conforme previsto no art. 297 do DecretoLei 2.848/40 Código Penal. • No caso dos selos apostos nas Notas Fiscais, deve ser levantada a tese de crime de falsificação de papéis públicos, conforme previsto no art. 293, inciso I, do Código Penal. A impugnação do sujeito passivo (fls. 141/150) deu origem ao Acórdão nº 0344.314, da 5ª Turma da DRJ/BSB, que reconheceu a decadência do lançamento no período compreendido entre 01/2003 e 11/2003. Esta decisão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD 37.043.9090 PRAZO DECADENCIAL. INÍCIO DA CONTAGEM. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. A Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal STF, publicada no Diário Oficial da União, em 20/06/2008, ao determinar a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212, de 24/07/1991, atraiu a incidência do prazo decadencial para a Lei nº 5.172, de 25/10/1966 Código Tributário Nacional CTN. Para fixação do dies a quo do prazo decadencial, ocorrendo as hipóteses de dolo, fraude ou simulação, devese aplicar o disposto no inciso I, do art. 173 do CTN. CRÉDITO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DEPÓSITO DO SEU MONTANTE INTEGRAL. AÇÃO JUDICIAL EM CURSO. A propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual trate o processo administrativo, importa em renúncia ao contencioso administrativo. Ocorrerá, todavia, a instauração do contencioso somente em relação à matéria distinta daquela discutida judicialmente. JUROS E MULTA DE MORA. APLICAÇÃO. REDUÇÃO Tratandose de lançamento destinado a resguardar o crédito dos efeitos da decadência, justificase acautelar tanto a importância principal quanto os seus consectários legais. Fl. 227DF CARF MF Processo nº 10380.001826/200969 Acórdão n.º 2201004.273 S2C2T1 Fl. 226 5 A multa moratória somente será reduzida em cinquenta por cento, na hipótese de as contribuições terem sido declaradas em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, em consonância com o Art. 239, §11 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06/05/1999. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O sujeito passivo tomou ciência dessa decisão em 13/09/2011 (fl. 211) e apresentou tempestivamente seu recurso voluntário em 04/10/2011(fls. 212/218). Suas razões recursais podem ser assim resumidas: 1. Não ocorreu dolo, fraude ou simulação na apuração e recolhimento das contribuições exigidas no presente auto, de forma que deve ser aplicada a regra decadencial do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional. 2. As contribuições relativas ao período anterior à competência abril/2004 já estavam fulminadas pela decadência. 3. O depósito tem o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário, de forma que o lançamento feito para prevenir a decadência não deve incluir a multa por lançamento de ofício e juros de mora. 4. Em caso de aplicação de multa e juros moratórios, eles deveriam ser reduzidos em 50%, conforme as disposições contidas no art. 239, §11, do Decreto nº 3.048, de 1999. Com base no exposto, pede a reforma da decisão recorrida para cancelar o lançamento das contribuições extintas pela decadência e a exclusão de juros e multa em virtude da existência de depósito judicial das contribuições lançadas neste auto de infração. Nesta 2ª Seção de Julgamento, o processo compôs lote sorteado a esta Conselheira em sessão pública. É o que havia para ser relatado. Voto Vencido Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos de admissibilidade e dele conheço. Preliminar de Mérito Decadência Fl. 228DF CARF MF 6 Em sede preliminar, a recorrente alega estarem decaídos os fatos geradores ocorridos até a competência abril de 2004, pois não restaria comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação em relação à apuração do tributo lançado neste auto de infração. Penso que, em parte, assiste razão à recorrente. Fundamento. Em benefício da clareza, volto a transcrever o parágrafo com o qual a autoridade fiscal justifica a aplicação da regra decadencial do art. 173, I, do CTN: 1.9 Em face da ocorrência da ressalva prevista no art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, por se ter verificado a existência de dolo, fraude ou simulação, foram lançadas contribuições referentes a período maior que cinco anos. O art. 150 do Código Tributário Nacional está assim redigido: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifouse) De acordo com esse artigo, o lançamento por homologação ocorre nos casos em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de realizar o pagamento sem a prévia análise da autoridade pública e a homologação se dá a partir do conhecimento desta autoridade acerca da atividade assim exercida por ele. Pelo parágrafo quarto, o prazo para homologação será de cinco anos a partir da ocorrência do fato gerador, a não ser que seja "comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação". Parece evidente que a conduta dolosa, fraudulenta ou simulada a que se refere o CTN neste artigo deve estar relacionada à atividade do contribuinte passível de homologação pela Fazenda Pública. Ou seja, não é a prática de "qualquer" conduta com dolo, fraude ou simulação que justificaria a imposição de um prazo decadencial mais elastecido, mas sim de comportamentos dissuasivos relacionados à apuração e pagamento do tributo em análise. Fl. 229DF CARF MF Processo nº 10380.001826/200969 Acórdão n.º 2201004.273 S2C2T1 Fl. 227 7 Na hipótese em questão, a fiscalização alega que apurou a ocorrência de fatos que podem ser caracterizados como crime. Ocorre, porém, que não estabeleceu um vínculo entre essas condutas e os fatos geradores que deram origem ao lançamento. Pelo contrário, discorre sobre a conduta do sujeito passivo de levar sua discordância em relação à exação em análise ao poder judiciário, bem como sobre o fato de que os valores em discussão estão sendo depositados judicialmente, sem qualquer ressalva quanto à eventual insuficiência desse depósito. Portanto, entendo que não se estabeleceu um nexo de causalidade entre as irregularidades narradas, passíveis de enquadramento como conduta dolosa, simulada ou fraudulenta, que consistem na existência, no livro diário, de despesas diversas suportadas por documentos fiscais aparentemente falsos, com o fato gerador do tributo exigido neste auto de infração. Deve ser registrado, ainda, que o relatório fiscal aponta a existência de pagamentos da contribuição em tela pela filial de Recife. Tudo considerado, entendo que os argumentos apresentados pela fiscalização para a aplicação da ressalva contida no § 4º do art. 150 do CTN não são idôneos para tanto, de forma que o prazo decadencial deveria ser contado pela regra insculpida na primeira parte desse dispositivo, tendo seu marco inicial na data da ocorrência do fato gerador tributário. Pelas razões expostas, considerando que a ciência do auto de infração ocorreu em 09/03/2009 (fl. 140), estariam já atingidas pela decadência os fatos geradores relativos às competências anteriores à fevereiro de 2004, esta incluída. Antes de avançar, necessário destacar, entretanto, que o relatório fiscal dá conta de que nessas competências o lançamento foi efetuado para prevenir a decadência, uma vez que os valores já se encontravam depositados judicialmente. A decadência é matéria de defesa, portanto é um fato que impede, modifica ou extingue o direito alegado pela autoridade autuante. Dessa forma, reconhecer a decadência de parte do período lançado poderia levar o contribuinte a entender que se tornou indevida a exigência em relação ao período depositado, o que poderia justificar o pedido de levantamento em favor do depositante. Nesta matéria, entretanto, filiome ao entendimento já consolidado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça STJ, retratado na seguinte ementa de relatoria do Ministro Herman Benjamin, no REsp 1637092/RS, julgado em 09/12/2016: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL DA DÍVIDA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ART. 151, II, DO CTN. PRAZO DECADENCIAL PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL. DISPENSA DO ATO FORMAL DE LANÇAMENTO. DECADÊNCIA NÃO CONFIGURADA. SUMULA 83/STJ. 1. Tribunal a quo julgou improcedente a apelação e não reconheceu a decadência quanto aos depósitos efetuados para Fl. 230DF CARF MF 8 discutir a exigibilidade de tributo relativo ao período anterior a 23/04/2007. 2. É pacífica a jurisprudência do STJ no sentido de que, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o contribuinte, ao realizar o depósito judicial com o objetivo de suspender a exigibilidade do crédito tributário, promove a constituição deste; como resultado, tornase desnecessário o ato formal de lançamento pela autoridade administrativa no que se refere aos valores depositados. 3. O acórdão recorrido está em sintonia com o atual entendimento deste Tribunal Superior, razão pela qual não merece prosperar a irresignação. Incide, in casu, o princípio estabelecido na Súmula 83/STJ: "Não se conhece do Recurso Especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida." 4. Recurso especial não provido. Os fundamentos para essa decisão podem ser extraídos do voto do Ministro Mauro Campbel Marques no Acórdão nº 1.008.788/CE, de onde se extrai: Quanto ao mérito, sem razão a recorrente, pois a jurisprudência deste STJ firmouse no sentido de que, nos casos de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o contribuinte, ao realizar o depósito judicial com vistas à suspensão do crédito tributário, promoveu a constituição deste nos moldes do que dispõe o art. 150 e parágrafos do CTN. Isso, porque verificou a ocorrência do fato gerador, calculou o montante devido e, em vez de efetuar o pagamento, depositou a quantia aferida, a fim de impugnar a cobrança da exação. Assim, o crédito tributário foi constituído por meio da declaração do sujeito passivo, não havendo falar em decadência do direito do Fisco de lançar, caracterizandose com a inércia da autoridade fazendária apenas a homologação tácita da apuração anteriormente realizada. Destarte, tratandose de tributo sujeito a lançamento por homologação, entendese que o crédito foi constituído pelo contribuinte quando do depósito da quantia apurada, não havendo necessidade, portanto, de ato formal de lançamento por parte da autoridade. Com efeito, para que seja suspensa a exigibilidade de um crédito é necessário que ele já esteja constituído. No caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a atividade de pagamento pode ser substituída pelo depósito que produzirá efeitos semelhantes, estando, contudo, sujeito a um evento futuro e incerto pelo qual o depósito realizado poderá ser convertido em pagamento definitivo ou restituído ao sujeito passivo. Nesse ínterim, incabível se falar em fluência do prazo decadencial. Com base no exposto, nego provimento ao recurso voluntário no que diz respeito às alegações de decadência. Mérito Fl. 231DF CARF MF Processo nº 10380.001826/200969 Acórdão n.º 2201004.273 S2C2T1 Fl. 228 9 Quanto ao mérito, a recorrente insurgese contra o lançamento de multa e juros moratórios no período em que realizado o depósito integral dos valores exigidos no lançamento. Quanto a essa matéria, penso que tem razão a recorrente. Neste ponto, adoto como razões de decidir o trecho a seguir transcrito do Acórdão nº 2301005.062, de relatoria da Conselheira Andrea Brose Adolfo: Sobre a cobrança de juros de mora quando há comprovação do depósito judicial em montante integral, temos a Súmula CARF nº 5, de aplicação obrigatória pelos membros deste colegiado, que afasta essa exigência. “Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.”(grifamos) Com relação à multa moratória, em que pese não haver expressa disposição em lei afastando sua aplicação nos casos de exigibilidade suspensa em decorrência do depósito do montante integral do tributo devido, entendo que incabível pela própria definição de "mora". Nos termos do art. 394 do Código Civil: "Considerase em mora o devedor que não efetuar o pagamento e o credor que não quiser recebêlo no tempo, lugar e forma que a lei ou a convenção estabelecer." Estando consignado no próprio Relatório Fiscal da Autuação que os valores foram integralmente depositados antes do início da ação fiscal não há que se falar em inadimplemento por parte do contribuinte, devendo ser afastada também a cobrança da multa de mora. No caso em análise, a fiscalização menciona a existência de ação judicial e de depósito da quantia relativa ao tributo exigido, sem fazer qualquer referência à eventual insuficiência ou intempestividade dele, fatos que seriam constitutivos do direito alegado. Portanto, não identifico na narrativa construída pela fiscalização elementos para justificar a imposição de juros ou multa moratória à empresa autuada no período em houve depósito judicial, o que torna imperioso dar provimento ao recurso nessa matéria. Tendo afastado a exigência de multa e juros moratórios no período em que o valor devido se encontrava depositado judicialmente, tornase impertinente a alegação de sua redução. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso voluntário apresentado para, rejeitada a preliminar de decadência, no mérito, darlhe parcial provimento para excluir do lançamento a multa e os juros moratórios do período em que o valor lançado se encontrava depositado judicialmente. Dione Jesabel Wasilewski Relatora Fl. 232DF CARF MF 10 Voto Vencedor Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira, Redator designado. Em que pese o brilhantismo do voto da insigne Conselheira Relatora, ouso, com o máximo respeito, dela discordar quanto aos efeitos da decadência verificada. Explico. Preliminarmente, como mencionado, há decadência do crédito tributário constituído relativo ao período anterior a fevereiro de 2004, incluído. No entendimento da Relatora: "Deve ser registrado, ainda, que o relatório fiscal aponta a existência de pagamentos da contribuição em tela pela filial de Recife. Tudo considerado, entendo que os argumentos apresentados pela fiscalização para a aplicação da ressalva contida no § 4º do art. 150 do CTN não são idôneos para tanto, de forma que o prazo decadencial deveria ser contado pela regra insculpida na primeira parte desse dispositivo, tendo seu marco inicial na data da ocorrência do fato gerador tributário. Pelas razões expostas, considerando que a ciência do auto de infração ocorreu em 09/03/2009 (fl. 80), estariam já atingidas pela decadência os fatos geradores relativos às competências anteriores à fevereiro de 2004, esta incluída." (destaquei) Porém, mesmo reconhecendo a decadência do direito do Fisco em constituir o crédito tributária, a ínclita Relatora opta pelo não provimento do recurso nessa parte. Os argumentos abaixo fundamentam sua decisão: "A decadência é matéria de defesa, portanto é um fato que impede, modifica ou extingue o direito alegado pela autoridade autuante. Dessa forma, reconhecer a decadência de parte do período lançado poderia levar o contribuinte a entender que se tornou indevida a exigência em relação ao período depositado o que poderia justificar o pedido de levantamento em favor do depositante. Nesta matéria, entretanto, filiome ao entendimento já consolidado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça STJ, retratado na seguinte ementa de relatoria do Ministro Herman Benjamin, no REsp 1637092/RS, julgado em 09/12/2016: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL DA DÍVIDA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ART. 151, II, DO CTN. PRAZO DECADENCIAL PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL. DISPENSA DO ATO FORMAL DE LANÇAMENTO. DECADÊNCIA NÃO CONFIGURADA. SUMULA 83/STJ. 1. Tribunal a quo julgou improcedente a apelação e não reconheceu a decadência quanto aos depósitos efetuados para Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10380.001826/200969 Acórdão n.º 2201004.273 S2C2T1 Fl. 229 11 discutir a exigibilidade de tributo relativo ao período anterior a 23/04/2007. 2. É pacífica a jurisprudência do STJ no sentido de que, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o contribuinte, ao realizar o depósito judicial com o objetivo de suspender a exigibilidade do crédito tributário, promove a constituição deste; como resultado, tornase desnecessário o ato formal de lançamento pela autoridade administrativa no que se refere aos valores depositados. 3. O acórdão recorrido está em sintonia com o atual entendimento deste Tribunal Superior, razão pela qual não merece prosperar a irresignação. Incide, in casu, o princípio estabelecido na Súmula 83/STJ: "Não se conhece do Recurso Especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida." 4. Recurso especial não provido. (...) Com efeito, para que seja suspensa a exigibilidade de um crédito é necessário que ele já esteja constituído. No caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a atividade de pagamento pode ser substituída pelo depósito que produzirá efeitos semelhantes, estando, contudo, sujeito a um evento futuro e incerto pelo qual o depósito realizado poderá ser convertido em pagamento definitivo ou restituído ao sujeito passivo. Nesse ínterim, incabível se falar em fluência do prazo decadencial. Com base no exposto, nego provimento ao recurso voluntário no que diz respeito às alegações de decadência." Inegável o equívoco conceitual em que incorreu a eminente Relatora. Vejamos. O crédito em discussão, como apontado, decorre de autuação fiscal em que existindo ação judicial com depósito do montante integral a autoridade lançadora opta por realizar um lançamento tributário visando prevenir eventual decadência do crédito tributário decorrente da demanda proposta. Ora, a motivação do lançamento de per si já demonstra o equívoco do voto. O lançamento visa precipuamente prevenir a perda do direito do Fisco em realizar a constituição do crédito tributário em face de ocorrência de interstício temporal no qual o credor, o Fisco, permanece inerte não exercitando seu direito de constituir o crédito tributário. Essa é a definição de decadência. Nos dizeres de Paulo de Barros Carvalho (Curso de Direito Tributário, 142ª ed., Ed. Saraiva, pag. 461): "A decadência ou caducidade é tida como o fato jurídico que faz perecer um direito pelo seu não exercício durante certo lapso de tempo (...) Só se observa o efeito extintivo da obrigação Fl. 234DF CARF MF 12 tributária, porém, quando o fato da decadência for reconhecido posteriormente à instalação da obrigação tributária" Ora, ao reconhecer que houve a obrigação tributária, que surge, infalivelmente nos dizeres de Paulo de Barros, com a ocorrência do fato gerador, o Fisco decide por praticar seu ato administrativo de constituição do crédito tributário, porém, o faz fora do lustro permitido pelo artigo 150, § 4º, do CTN Tal fato não passou despercebido pela Relatora. Seu equívoco conceitual se consubstancia na afirmação de que: "(...) reconhecer a decadência de parte do período lançado poderia levar o contribuinte a entender que se tornou indevida a exigência em relação ao período depositado o que poderia justificar o pedido de levantamento em favor do depositante." (nova reprodução de trecho do voto, acima transcrito) O reconhecimento da decadência nada mais é de que a comprovação de que o crédito tributário constituído pelo lançamento não pode prosperar posto que, extinto, ou seja, não há mais direito de crédito a ser reconhecido pelo Fisco, uma vez que este se quedou inerte quanto ao exercício desse direito por um lapso temporal maior do que o permitido pela lei. Com o perdão da repetição: a extinção do crédito tributário pela comprovação da decadência ocorrida não afeta de modo algum o depósito judicial realizado pelo contribuinte e reconhecido pela Autoridade Fiscal, apenas e tão somente impede o Fisco da agir no sentido da constituição desse crédito atingido pela caducidade. O que há efetivamente é a impossibilidade de discussão sobre valores constantes do lançamento tributário decorrente do lançamento aqui combatido, vez que o ato administrativo foi realizado fora do período que em era permitido à Administração Tributária, realizálo. Tal entendimento, decorrência lógica da própria jurisprudência mencionada no voto, se encontra demonstrado também doutrinariamente. Em livro coordenado por Eurico Marcos Diniz de Santi (Decadência no Imposto sobre a Renda, Investigação e Análise I, Editora Quartier Latin, pag. 106), encontramos exatamente a mesma questão aqui analisada. Reproduzo: "É imprópria, assim, a interpretação de que o depósito judicial pertence ao depositante, ou está a disposição do juiz.Ele representa o objeto cuja titularidade está sendo discutida judicialmente e, ao final da demanda, deve ser atribuído ao vencedor. Contudo, o lançamento é necessário, não só porque a Lei nº 9.430/96 assim implicitamente cogitou, mas também para liquidação do valor devido e como segurança contra interpretações judiciais divergentes. Cabe à autoridade julgadora, neste contexto, avaliar se a autoridade lançadora ainda tinha competência para editar a norma jurídica vinculada pelo lançamento, competência esta cujo aspecto temporal é definido mediante a fixação dos prazos decadenciais. Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10380.001826/200969 Acórdão n.º 2201004.273 S2C2T1 Fl. 230 13 Significa dizer que, se o lançamento for efetuado a destempo, deve ser declarada a decadência do direito do Fisco constituir o crédito tributário por meio do lançamento, o que não implica concluir que o crédito tributário esteja extinto pela decadência, por ser possível cogitar sua constituição também na esfera judicial" (destaquei) Em que pese, de minha parte, alguma discordância teórica com o final do excerto reproduzido (posto que o que há no depósito judicial é uma forma de pagamento do crédito tributário devido, verdadeira constituição de crédito por meio do lançamento por homologação vez que o contribuinte somente cumpre (perante o juiz), os ditames do artigo 150 do CTN), inegável que a distinção entre decadência e a conversão em renda do depósito do montante integral como formas de extinção de crédito tributário, se demonstra. Como exemplo de tal assertiva, podemos imaginar um crédito tributário extinto pelo pagamento, no entendimento do contribuinte, que o Fisco pugna ser insuficiente para o cumprimento integral da obrigação tributária que lhe deu origem. O fato de terse operado a decadência do direito de constituir tal crédito, pela Administração Tributária, não implica em dizer que os valores pagos podem ser objeto de pedido de ressarcimento ou compensação. Em resumo: a decadência operada se consubstancia na impossibilidade de lançamento de ofício do crédito tributário relativo ao período caduco, como se verifica no caso concreto, uma vez que, como apontado pela Relatora, tal crédito se refere a período anterior a fevereiro de 2004, inclusive. Tal constatação em nada, absolutamente nada, afeta os valores depositados, pelo Recorrente, em juízo. Mister apontar, por amor a clareza, minha total aquiescência com os demais pontos do voto da ínclita Relatora. CONCLUSÃO Em face do exposto e pelos fundamentos apresentados, e ainda, compatibilizando meu voto com os demais termos do voto da Relatora, voto, em acatar a preliminar arguída, em razão do reconhecimento da decadência operada, para determinar a exclusão do lançamento dos valores relativos as competências anteriores a fevereiro de 2004, inclusive. No mais, no mérito, voto por dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento a multa e os juros moratórios do período em que o valor lançado se encontrava depositado judicialmente. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Fl. 236DF CARF MF 14 Fl. 237DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.904798/2011-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.278
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Pedro Sousa Bispo. Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne e, momentaneamente, o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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(assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Pedro Sousa Bispo. Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne e, momentaneamente, o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire. Relatório Trata o presente processo de indeferimento de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório emitido eletronicamente que não homologou a Declaração de Compensação em tela face a inexistência de saldo credor. Conforme este Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados na quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito. Cientificado do Despacho Decisório, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade, tempestivamente, fazendo um resumo dos fatos: a) em preliminar, assevera que exerceu o seu direito conforme disposto na legislação vigente, sendo que apenas não procedeu à retificação das DCTF e demais obrigações acessórias; b) quanto ao mérito, tece considerações sobre o direito à compensação administrativa e a respeito das hipóteses em que há vedação legal e expressa para a declaração de compensação; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .9 04 79 8/ 20 11 -0 0 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10580.904798/201100 Resolução nº 3402001.278 S3C4T2 Fl. 89 2 b.1) assinala ainda os pontos de discordância: (i) da inexistência do crédito para a compensação constante do PER/DCOMP e respectivo Darf, e (ii) do direito em retificar as DCTF e demais obrigações acessórias. Ao final, faz referência aos documentos anexados e pede seja acolhida a presente manifestação de inconformidade. A DRJ/BHE julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, adotando, para tanto, o convencimento no sentido de que "(...) a retificação da DCTF atesta apenas a alteração do valor do débito anteriormente confessado, mas não comprova o erro que levou ao suposto pagamento indevido ou a maior do tributo apurado originalmente, de forma a conferir a necessária certeza e liquidez ao crédito postulado". Cientificada da decisão do Colegiado a quo e irresignada com o teor do Acórdão nº 0256.934, a Recorrente recorre a este Conselho, apresentando um argumento novo visando amparar a legalidade dos créditos aqui discutidos. Vejase os principais trechos abaixo reproduzidos: "(...) 2. A ora Recorrente SOCIEDADE ANÔNIMA HOSPITAL ALIANÇA, determinouse em identificar e excluir da base de cálculo de PIS e COFINS os medicamentos com incidência de alíquota zero, conforme se pode inferir na petição inicial com pedido de liminar devidamente protocolada em 23/09/2009 com distribuição e inicio do processo Judicial sob o n° 2009.34.00,0314472, em trâmite perante a 9ª Vara Federal da Seção Judiciária Federal do Distrito Federal. Distribuída a Ação, o MM. Juiz deferiu in tantum a LIMINAR pleiteada nos seguintes termos: "Assim, em face do exposto, DEFIRO o pedido liminar, e determino à autoridade Impetrada que suspenda a exigibilidade do PIS e da COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma. prevista pela Lei 10.147/00, com as alterações feitas pela Lei 10.548/02, isentando, assim, de efetuar a cobrança de tais valores, dos Hospitais e Clinicas substituídos." A liminar foi deferida em 27/10/2009 e ainda confirmada por decisão final de primeira instância em 07/04/2010 que assim declarou: "isto posto, ratifico a liminar e CONCEDO a SEGURANÇA para: 1) determinar à autoridade Impetrada e seus prepostos que se abstenha de exigir o recolhimento da contribuição para o PIS e COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma prevista pela Lei 10.147/00, com as alterações realizadas pela Lei 10.548/02, eximindo os hospitais e clinicas _ substituídos dos . respectivos pagamentos; 2) declara o direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos á titulo de PIS e COFINS sobre a receita de medicamentos que já sofreram tal tributação, nos termos da Lei 10.147/00, com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, em atenção aos arts. 73. e 74 da Lei 9.430/96 e observado o disposto no art. 170A do CTN." Dessa forma, a Recorrente REQUER: 1. Determinar à autoridade impetrada e seus prepostos que se abstenham de exigir o recolhimento da contribuição para PIS e COFINS sobre a receita proveniente da utilização de Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10580.904798/201100 Resolução nº 3402001.278 S3C4T2 Fl. 90 3 medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma prevista pela Lei 10.147/00, com as alterações realizadas pela Lei 10.548/02 e posteriores. 2. Que seja este Recurso Voluntário conhecido por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e, ao final, provido, para efeitos de restar reformado o r. acórdão recorrido, mantendo se a integralidade do crédito e a homologação da compensação nos moldes como informado pela mesma, reconhecendose a legitimidade adotada pela Recorrente e o reconhecimento de DCTF e DACON retifícadores ora apresentados junto à SRFB. 3. Declarar o direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos a título de PIS e de COFINS sobre a receita de medicamentos que já sofreram tal tributação, nos termos da Lei 10.147/00 e alterações posteriores, com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, em atenção aos arts. 73 e74 da Lei nº 9.430/96 e observado o disposto no art. 170A, do CTN. 4. Sucessivamente, cumprir a decisão e sentença, com sede de Liminar, no sentido de .. suspender qualquer cobrança em processo administrativo e/ou execução até que seja julgado o mérito da referida ação, fazendo valer seus efeitos. A Recorrente anexa cópia dos seguintes documentos: cópia da Decisão e Sentença do Processo Judicial sob n° 2009.34.00.0314472, 9ª Vara Federal Seção Judiciária Federal do Distrito Federal; cópia da Certidão de objeto e pé expedida pelo Tribunal Regional Federal da Primeira Região referente ao processo 2009.34.00.0314472; DCTF e DACON retificadores. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Relator Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402001.261, de 28 de fevereiro de 2018, proferida no julgamento do processo 10580.904788/201166, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402001.261: 1. Da admissibilidade do recurso O recurso voluntário interposto é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. 2. Das razões do Recurso Voluntário Não é possível ainda analisar o mérito do presente processo por este órgão Colegiado. Isto porque, antes disso, uma questão prejudicial deve ser adequadamente respondida, saneando o processo, para que nenhuma das partes que compõe o litígio tenha tratamento Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10580.904798/201100 Resolução nº 3402001.278 S3C4T2 Fl. 91 4 desconforme a legislação tributária que rege o processo administrativo fiscal. Tratase de questão acerca do Mandado de Segurança Coletivo (MSC), com pedido de liminar, impetrado pela CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE, HOSPITAIS E ESTABELECIMENTOS E SERVIÇOS, contra ato do SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, objetivando a concessão da medida liminar da forma requestada visando à imediata suspensão da exigibilidade do PIS e da COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicamentos que já sofreram tal tributação, impedindo que a autoridade coatora e seus prepostos possam efetuar a cobrança de tais valores dos Hospitais e Clinicas Substituídos. Como se vê, a Impetrante do MSC, no caso, atuando como substituta processual, é pessoa jurídica de direito privado, devendo os substituídos exercer atividade social de prestação de serviços hospitalares, sendo, desta forma, contribuintes do PIS e da CONFINS. É fato que para a consecução de suas respectivas atividades empresariais, além da prestação de serviços hospitalares, os Hospitais e Clínicas Substituídos sempre necessitaram realizar a aplicação de vários produtos, dentre eles, os medicamentos ministrados aos pacientes. Pois bem. Verificase na "Copia da Certidão de objeto e pé expedida pelo Tribunal Regional Federal da Primeira Região referente ao processo 2009.34.00.0314472", que a Justiça Federal concedeu a SEGURANÇA no seguinte sentido (fl. 40): (1) determinar à autoridade impetrada e seus prepostos que se abstenham de exigir o recolhimento da contribuição para PIS e COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicamentos que já sofreram tal tributação na forma prevista pela Lei nº 10.147/00, com as alterações realizadas pela Lei 10.548/02, eximindo os hospitais, e clínicas substituídos dos respectivos pagamentos; 2) declarar o direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos a título de PIS e de COFINS sobre a receita de medicamentos que já sofreram tal tributação, nos termos da Lei 10.147/00, com.outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, em atenção aos arts. 73 e 74 da Lei n. 9.430/96 e observado o disposto no art. 170A do CTN . Posto isto, tornase imprescindível nos autos, a comprovação de que a Recorrente, enquadrase, no caso, como substituída da CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE, HOSPITAIS E ESTABELECIMENTOS E SERVIÇOS. Em situações como a ora sob análise, o CARF tem entendido pelo cabimento de diligência para a averiguação das informações faltantes, para então decidir pelo conhecimento ou não das razões aduzidas no recurso voluntário apresentado pela Recorrente. Nesse sentido, destaco a Resolução nº 3403000551, proferida no bojo do Processo nº 13898.000203/200261. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10580.904798/201100 Resolução nº 3402001.278 S3C4T2 Fl. 92 5 3. Da conversão em Diligência Com essas considerações, voto pela conversão do processo em diligência, a fim de que a Autoridade Administrativa da DRF de origem, adote a seguintes providências: (i) Intimar a Recorrente a apresentar documentos que comprove ser substituída (associada ou parte) da CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE, HOSPITAIS E ESTABELECIMENTOS E SERVIÇOS, indicando claramente a data de sua filiação; (ii) informar a fase processual (certidão de inteiro teor ou objeto e pé), que se encontra na Justiça Federal o referido Mando de Segurança Coletivo. Caso entender necessário, intimar a empresa para atendimento deste quesito; (iii) após encerrada as diligências, a Autoridade Administrativa deverá elaborar Relatório Conclusivo das averiguações efetuadas, juntar aos autos todos os documentos comprobatórios dos fatos que forem analisados e, caso queira (uma vez que tais fatos não foram apresentados em instâncias anteriores), manifestarse sobre os termos do Recurso Voluntário apresentado; (iv) por fim, a Autoridade Administrativa deverá cumprir o disposto no artigo 35, parágrafo único do Decreto nº 7.574/2011, dando ciência à Recorrente do termo e dos demais documentos mencionados no item (iii), concedendolhe prazo de 30 (trinta dias) para manifestação. Atendida a diligência acima solicitada, o processo deverá ser devolvido para esta 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, 3ª Seção do CARF, para prosseguimento do julgamento. Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, a fim de que a Autoridade Administrativa da DRF de origem, adote as seguintes providências: (i) Intimar a Recorrente a apresentar documentos que comprove ser substituída (associada ou parte) da CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE, HOSPITAIS E ESTABELECIMENTOS E SERVIÇOS, indicando claramente a data de sua filiação; (ii) informar a fase processual (certidão de inteiro teor ou objeto e pé), que se encontra na Justiça Federal o referido Mando de Segurança Coletivo. Caso entender necessário, intimar a empresa para atendimento deste quesito; (iii) após encerrada as diligências, a Autoridade Administrativa deverá elaborar Relatório Conclusivo das averiguações efetuadas, juntar aos autos todos os documentos comprobatórios dos fatos que forem analisados e, caso queira (uma Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10580.904798/201100 Resolução nº 3402001.278 S3C4T2 Fl. 93 6 vez que tais fatos não foram apresentados em instâncias anteriores), manifestar se sobre os termos do Recurso Voluntário apresentado; (iv) por fim, a Autoridade Administrativa deverá cumprir o disposto no artigo 35, parágrafo único do Decreto nº 7.574/2011, dando ciência à Recorrente do termo e dos demais documentos mencionados no item (iii), concedendolhe prazo de 30 (trinta dias) para manifestação. Atendida a diligência acima solicitada, o processo deverá ser devolvido para esta 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, 3ª Seção do CARF, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 88DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.725388/2013-49
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 30/11/2008
PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE INTERMEDIAÇÃO DE VENDA DE IMÓVEIS POR CORRETOR QUE ATUA EM NOME DA IMOBILIÁRIA. PAGAMENTO DA COMISSÃO DIRETAMENTE PELO CLIENTE. IRRELEVÂNCIA PARA CARACTERIZAÇÃO DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO.
Independentemente do fato do cliente pagar a comissão diretamente ao corretor de imóveis, comprovando-se a existência de vinculo de trabalho deste para com a imobiliária, é esta que deve responder pelas obrigações tributárias decorrentes do serviço prestado.
Numero da decisão: 9202-006.519
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que lhe negaram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Ana Paula Fernandes.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
EDITADO EM: 16/04/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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PAGAMENTO DA COMISSÃO DIRETAMENTE PELO CLIENTE. IRRELEVÂNCIA PARA CARACTERIZAÇÃO DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. Independentemente do fato do cliente pagar a comissão diretamente ao corretor de imóveis, comprovandose a existência de vinculo de trabalho deste para com a imobiliária, é esta que deve responder pelas obrigações tributárias decorrentes do serviço prestado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que lhe negaram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Ana Paula Fernandes. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. EDITADO EM: 16/04/2018 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 53 88 /2 01 3- 49 Fl. 1288DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão n.º 2803003.866 proferido pela 3ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em 2 de dezembro de 2014, no qual restou consignada a seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 03/07/2013 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. CONTRATO DE CORRETAGEM. NÃO INCIDÊNCIA. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. Não ocorrendo pagamentos pela Recorrente, nem diretamente e tampouco indiretamente, aos corretores que procediam as vendas dos apartamentos, não se caracterizaram os fatos geradores de contribuições previdenciárias descritos por aferição indireta no lançamento, não ensejando, por consectário, a obrigatoriedade da contribuinte de informar tais valores em GFIP. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Conforme consta do Relatório Fiscal, fls. 1050 a 1078, tratase de crédito tributário, constituído em desfavor da empresa M. GARZON EUGENIO EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA, por intermédio do Auto de Infração de obrigação acessória DEBCAD n. 37.315.7584 (CÓDIGO DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL 68), no valor de R$ 56.599,20 (cinqüenta e seis mil, quinhentos e noventa e nove reais e vinte centavos), por deixar a empresa de declarar fatos geradores de contribuições previdenciárias em GFIP, no período de janeiro a novembro de 2008. Irresignada, o ora Recorrente impugnou a autuação aduzindo, em síntese: a nulidade decorrente da ausência de descrição dos fatos imponíveis; a inexistência de prestação de serviços, tendo em vista a natureza jurídica da corretagem; erro na identificação do sujeito passivo; e incorreção do arbitramento realizado. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento entendeu pela improcedência do da impugnação, restando integralmente mantido o lançamento originário. Posteriormente, em decorrência da análise do Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, foi reformada a decisão e dado provimento ao recurso. Por conseguinte, foi interposto Recurso Especial pela Procuradoria da Fazenda Nacional com o fito de rediscutir a existência de prestação de serviços por corretores autônomos à imobiliária, de modo a identificar a incidência da contribuição Fl. 1289DF CARF MF Processo nº 10166.725388/201349 Acórdão n.º 9202006.519 CSRFT2 Fl. 3 3 previdenciária sobre à remuneração de tais serviços, conforme o Despacho de Admissibilidade de fls. 1.278 a 1.279, sendo demonstrada a divergência suscitada com base no acórdão paradigma n.º 2401003.505. No que se refere ao mérito, a Recorrente aduz, em síntese, que: a) as comissões efetivamente se configuram como salário de contribuição, devendo ser esclarecido se tais valores decorreram de serviços prestados à contribuinte ou aos compradores dos imóveis, que efetivaram os pagamentos; b) a remuneração auferida (comissões) se deu em razão de prestação de serviços à recorrente, que atua no ramo de intermediação na compra, venda, permuta e aluguel de imóveis; prospecção e avaliação de terrenos para incorporação imobiliária; aproximação e assessoria para negócios entre proprietários de imóveis, incorporadores e investidores em geral ou em razão de contratação com os efetivos compradores; c) as diligências, por amostragem, efetuadas junto aos compradores revelaram que todos os imóveis foram adquiridos por intermédio da Imobiliária M Garzon Eugênio; os corretores não foram contratados pelos compradores; e se apresentaram como representante da M Garzon, inclusive usando crachá da empresa com a sua identificação pessoal; d) existe uma tarefa ser feita VENDA DE IMÓVEIS e para isso a construtora CONTRATA A CORRETORA/RECORRENTE MGARZON e esta CONTRATA PESSOAS FÍSICAS para executar o que contratado; e) o documento entregue pelos corretores aos compradores, a PROPOSTA DE VENDA COM RECIBO DE SINAL, que traz o imóvel objeto da proposta, as condições de pagamento, o recibo de pagamento, etc, tem a chancela de MGARZON. Os pagamentos de corretagem eram feitos à MGARZON, que os lançava na conta SERVIÇO PRESTADO À VISTA 3101150001; f) temos que seria irrelevante se o pagamento tivesse sido feito por terceiros, pois tal situação não tem o condão de alterar a relação jurídica entre a recorrente e as pessoas físicas em questão. Não há que se confundir "remuneração auferida" com pagamento, situações distintas, em momentos diversos e uma inclusive pode ocorrer sem que a outra se efetive. Foi dada ciência ao Contribuinte do Acórdão de Recurso Voluntário (fls. 1.220 a 1.231) e do Recurso Especial (fls. 1.233 a 1.244), por meio de Edital, ocorrida em 20/09/2016. É o relatório. Fl. 1290DF CARF MF 4 Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e presentes os requisitos de admissibilidade. Conforme narrado, a questão controvertida objeto da divergência suscitada tratase da incidência das contribuições previdenciárias sobre a remuneração dos serviços prestados à imobiliária por corretores autônomos de imóveis. O acórdão recorrido decidiu que comprovado o pagamento das comissões pelos próprios compradores de imóveis, ainda que se tenha feito uso das instalações da recorrida e de seu reconhecimento no mercado, ficaria afastada a incidência da contribuição previdenciária, em razão da ausência de prestação de serviços dos corretores à Contribuinte. Já o entendimento constante do acórdão paradigma apresentado pela Recorrente, em sentido contrário, é o de que, uma vez comprovada a prestação de serviços dos corretores de imóveis, presumese que houve remuneração por parte da empresa Recorrente, independentemente do fato de o pagamento das comissões terem ocorrido diretamente pelos próprios compradores dos imóveis. Assevera a Procuradoria da Fazenda, em seu Recurso Especial, que, diante da documentação apresentada, a Recorrida matinha verdadeiro departamento de vendas com corretores treinados e capacitados para atendimento ao público. Incumbia à M. Garzon orientar os corretores e passar diretrizes a serem seguidas no atendimento aos compradores, detendo o controle sobre o regime, periodicidade, horários e número de corretores de plantão nos pontos de venda das unidades imobiliárias. Além disso, o documento entregue pelos corretores aos compradores, a PROPOSTA DE VENDA COM RECIBO DE SINAL, que traz o imóvel objeto da proposta, as condições de pagamento, o recibo de pagamento, etc, tem a chancela de M. GARZON. Os pagamentos de corretagem eram feitos à M. GARZON, que os lançava na conta SERVIÇO PRESTADO À VISTA 3101150001. Acrescenta a Fazenda Nacional, de forma assertiva, que seria irrelevante se o pagamento tivesse sido feito por terceiros, pois tal situação não tem o condão de alterar a relação jurídica entre a recorrente e as pessoas físicas em questão. Não há que se confundir "remuneração auferida" com pagamento, situações distintas, em momentos diversos e uma inclusive pode ocorrer sem que a outra se efetive. O relatório fiscal demonstra efetivamente a ocorrência da prestação de serviços em comento, pois existia uma tarefa a ser feira: venda de imóveis, e para isso a construtora contratou a corretora/Recorrida e esta contratou pessoas físicas para executar o contratado, conforme se extrai do trecho do contrato obtido em diligência: Parágrafo Primeiro: Pelos serviços a serem prestados e desenvolvidos sob a coordenação da CONTRATADA, esta receberá a comissão de 3,5% (três vírgula cinco por cento) sobre o valor de cada venda, a ser pago diretamente pelo comprador, e descontado do contrato de compra e venda daunidade, da seguinte forma: Fl. 1291DF CARF MF Processo nº 10166.725388/201349 Acórdão n.º 9202006.519 CSRFT2 Fl. 4 5 a) 1,45%(um vírgula quarenta e cinco por cento) será devido aos corretores autônomos que intermediarem a venda, indicados e sob coordenação da contratada. b) 2,05% (dois vírgula zero cinco por cento) será devido à contratada. As diligências feitas junto aos compradores confirmam que estes não contrataram os corretores, os quais estavam no stand da MGARZON, informaram ainda que emitiram cheques NOMINATIVOS A MGARZON, conforme cópias dos mesmos fls 482. Passo seguinte, havia o repasse aos corretores. De acordo com o fisco, a autuada era contratada por construtoras/incorporadoras para efetuar as vendas de imóveis, geralmente na planta, e se utilizava de corretores para concretizar as operações de venda com os clientes. Nesse contexto fático, o meu entendimento se alinha ao que foi decidido no Acórdão n.º 2401003.506, de modo que utilizo como razões de decidir os fundamentos constantes do voto vencedor do Recurso Voluntário, nos termos abaixo transcritos: O principal argumento utilizado pela recorrente, de que os serviços eram destinados unicamente aos clientes, é a repetição de uma estratégia utilizada no afã de se livrar do recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobres os serviços que lhes foram prestados pelos corretores. Não há como esconder que as construtoras/incorporadoras efetuavam contrato com a imobiliária para venda dos imóveis e esta o fazia mediante o trabalho de captação de clientes realizado pelos corretores. Sendo que estes atuavam como representantes da autuada, por vezes até se utilizando do CRECI da própria imobiliária, conforme demonstrado nos autos. As informações coletadas em sede de diligências fiscais realizadas juntos às construtoras/incorporadoras e aos clientes não deixam dúvida de que o pagamento da comissão efetuado pelos clientes diretamente aos corretores representava apenas uma forma de tentar esconder do fisco a ocorrência do fato gerador. Consigo fazer uma analogia deste caso com os representantes comerciais autônomos que vendem produtos para determinada empresa mediante o pagamento de comissão. Pergunto: se a comissão for paga ao representantes diretamente pelo comprador, esse fato afastará o vínculo de prestação de serviço entre este e a empresa que representa? É evidente que não. Foge à razoabilidade o argumento de que era a corretora que captava os clientes e os direcionava para corretores com os quais não mantinham qualquer vínculo. Não consigo enxergar que transações imobiliárias possam ser efetuadas mediante pessoas que sequer tinham contrato escrito com a imobiliária. Também não se sustenta a afirmação de que uma empresa imobiliária possa manterse no mercado sem o concurso de Fl. 1292DF CARF MF 6 corretores, profissionais cuja participação na intermediação de compra, venda, permuta e locação de imóveis é obrigatória, conforme previsto na Lei n. 6.530/1978 e no Decreto n. 81.871/1978. Assim, resta claro que o fato gerador da contribuição previdenciária, consistente na prestação de serviço remunerado por pessoa física sem vínculo de emprego, configurouse, posto que fartamente demonstrado que os corretores prestaram à autuada o serviço de intermediação na venda de imóveis mediante o pagamento de comissão. O artifício de firmar com os compradores dos imóveis acerto para pagamento das comissões diretamente aos corretores não tem o condão de afastar a responsabilidade da autuada, nos termos do art. 123 do CTN, segundo o qual, as convenções particulares não podem ser opostas à Fazenda Pública para afastar a definição legal do sujeito passivo da obrigação tributária. Embora o pagamento tenha sido efetuado pelo comprador, a prestação de serviço de intermediação na venda dos imóveis foi feita no interesse da imobiliária, posto que esse é a sua principal atividade. Sem esquecer que os profissionais atuaram em nome da empresa recorrente. A jurisprudência colacionada pela recorrente diz respeito à impossibilidade de caracterização de corretores como empregados da imobiliária. Ocorre que no presente lançamento não houve a caracterização de vínculo empregatício, posto que os corretores foram tratados como trabalhadores autônomos. Assim, as decisões invocadas tratam de tema diverso daquele presente no processo sob julgamento. Desse modo, mostrase imperioso o reconhecimento de que a recorrente utiliza a prestação de serviço (intermediação) dos corretores e dela diretamente se beneficia para atingir os seus objetivos sociais. Importante acrescentar que o Superior Tribunal de Justiça, ao se manifestar no sentido de que era devida a contribuição previdenciária sobre os valores pagos pelas seguradoras aos corretores de seguros, assim entendeu: (...) E, no caso em análise, há sim prestação de serviços do corretor às seguradoras. Explico. Na corretagem de seguros, a função do corretor é a de intermediar o contrato entre o segurado e a seguradora, contribuindo para a obtenção do resultado econômico pretendido pela empresa, ainda que o profissional não esteja vinculado laboralmente a ela. (...). Repitase: o caso é de intermediação entre as partes envolvidas, ou seja, o fato de o corretor prestar serviço também ao segurado não leva à conclusão de que não tenha prestado serviço à seguradora. Tanto é assim que, justamente em virtude dessa intermediação, a pessoa jurídica remunera o corretor mediante o pagamento de uma comissão, arbitrada com base Fl. 1293DF CARF MF Processo nº 10166.725388/201349 Acórdão n.º 9202006.519 CSRFT2 Fl. 5 7 em percentagem do contrato celebrado. (REsp 519.260/RJ, Relator Ministro Herman Benjamin, DJU de 02.02.2009). Nesse sentido, foi editado o Enunciado de Súmula n.º 458 abaixo transcrito: Súmula 458: A contribuição previdenciária incide sobre a comissão paga ao corretor de seguros. Notase, dessa forma, que o posicionamento adotado no STJ foi no sentido da incidência das contribuições previdenciárias, em caso análogo, o que corrobora o entendimento de que a remuneração percebida pelo corretor pela venda de imóveis referese à prestação de serviço para a recorrente, hipótese de incidência prevista no art. 22, III, da Lei 8.212/91, bem como do imperioso cumprimento da obrigações acessórias relativas a tal obrigação. Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional, e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 1294DF CARF MF
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