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Numero do processo: 10840.720935/2011-39
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2010
RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO FORA DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE.
Não deve ser conhecido recurso voluntário interposto fora do prazo definido no artigo 33 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 1801-001.642
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros da 1ª Turma Especial, por unanimidade de votos, em não conhecer o recurso, por intempestivo, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes - Presidente
(assinado digitalmente)
Leonardo Mendonça Marques
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: LEONARDO MENDONCA MARQUES
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2010 RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO FORA DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE. Não deve ser conhecido recurso voluntário interposto fora do prazo definido no artigo 33 do Decreto nº 70.235/72.
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INTEMPESTIVIDADE. Não deve ser conhecido recurso voluntário interposto fora do prazo definido no artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros da 1ª Turma Especial, por unanimidade de votos, em não conhecer o recurso, por intempestivo, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Leonardo Mendonça Marques Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 72 09 35 /2 01 1- 39 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 15/05 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES 2 Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão proferida pela DRJ em Ribeirão Preto, que manteve a multa de R$ 500,00, aplicada por atraso na entrega da DCTF relativa a maio de 2010. Debateuse, na decisão recorrida, por força de questionamentos arguidos em impugnação, os efeitos suscitados pelo sujeito passivo quanto à aplicação do artigo 138 do CTN, sobre a entrega espontânea, mas extemporânea, da DCTF. A manutenção da multa foi fundamentada na alegação de que a norma inscrita no referido artigo não contempla a sanção por descumprimento de obrigação acessória. O recurso voluntário reitera as alegações veiculadas com a impugnação, adicionando precedentes desta E. Segunda Instância administrativa. Também invoca doutrina relacionada à exclusão da multa no caso de parcelamento de dívida tributária, antes de qualquer ato fiscal a ela relacionado. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Mendonça Marques, Relator Conforme se verifica nos autos – extrato dos Correios relativo ao AR, protocolo aposto na primeira folha do recurso, e Despacho de Encaminhamento da DRF – a ciência do contribuinte se deu em 22/03/12, tendo o recurso sido interposto em 24/04/12. O recebimento ocorreu em uma quintafeira. Considerada a regra do Código Tributário Nacional (artigo 210), excluído o dia da intimação, o transcurso do prazo teve início na sextafeira, dia 23 de março. Contados os 30 dias, o prazo encerrarseia no dia 21 de abril, o qual, sendo sábado, levou o dies ad quem para 23 de abril de 2012. Houve transcurso de prazo superior aos 30 dias definidos no artigo 33 do Decreto nº. 70.235/72 (norma dotada de força de lei), revelando a intempestividade do recurso voluntário. A extemporaneidade do recurso consubstancia preclusão, a perda da chance de se insurgir contra a decisão a quo, no processo administrativo, buscando a revisão deste E. Conselho. Ademais, não há, no recurso voluntário, qualquer apontamento quanto a eventuais circunstâncias (feriado local, fechamento da repartição) que pudessem deslocar o início ou o término da contagem do prazo em comento. Nem argumentação tendente a atribuir ineficácia da cientificação operada por via postal. Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo. (assinado digitalmente) Leonardo Mendonça Marques Fl. 61DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 15/05 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES Processo nº 10840.720935/201139 Acórdão n.º 1801001.642 S1TE01 Fl. 61 3 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 15/05 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES
score : 1.0
Numero do processo: 10932.000408/2010-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3401-000.783
Decisão: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados
Data do fato gerador: 31/10/2009, 30/11/2009, 31/12/2009, 31/01/2010, 28/02/2010, 31/03/2010.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade, converteu-se o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator. Ausente justificadamente o Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça.
(assinado digitalmente)
Julio Cesar Alves Ramos Presidente
(assinado digitalmente)
Fernando Marques Cleto Duarte - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida, Angela Sartori.
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade, converteuse o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator. Ausente justificadamente o Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça. (assinado digitalmente) Julio Cesar Alves Ramos – Presidente (assinado digitalmente) Fernando Marques Cleto Duarte Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida, Angela Sartori. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 32 .0 00 40 8/ 20 10 -0 2 Fl. 531DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 1/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10932.000408/201002 Resolução nº 3401000.783 S3C4T1 Fl. 532 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por Ragi Refrigerantes Ltda, em face acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto, cuja a ementa transcrevo: MULTA. FALTA DE INSTALAÇÃO DO SICOBE NO PRAZO ESTIPULADO. Na falta de instalação do SICOBE, apesar de instado a tal, o estabelecimento industrial envasado de bebidas incide em multa correspondente a 100% do valor comercial da mercadoria produzida em cada período de apuração, a partir do término do prazo estipulado, em montante global não inferior a R$ 10.000,00. IMPUGNAÇÃO. PROVAS ADICIONAIS. PRECLUSÃO TEMPORAL Tendo em vista a superveniência da preclusão temporal, é rejeitado o pedido de apresentação de provas suplementares, pois o momento propício para a defesa cabal é o da oferta da peça impugnatória. PEDIDO DE PERÍCIA TÉCNICA. INDEFERIMENTO Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou de perícia, e, outrossim, que não apresente seus motivos e não contenha a formulação dos quesitos e a indicação do perito. Conforme se observa da descrição dos fatos, de fl. 325, que remete ao termo de verificação fiscal de fls. 301/321, a contribuinte, fabricante de bebidas classificadas nas posições 22.01 e 22.02 da TIPI, apesar de intimada em várias ocasiões e de ter sido baixado o Ato Declaratório Executivo COFIS nº 42, de 22/09/2009, com a exigência de regularizar a situação no prazo de 30 dias (termo final em 22/10/2009), deixou de tomar as providências para a instalação pela Casa da Moeda do Brasil (CMB) do Sistema de Controle de Produção de Bebidas (SICOBE), de que trata a instrução Normativa RFB nº 869, de 12 de agosto de 2008. O valor da multa regulamentar foi determinado conforme disposto na Lei nº 11.488/2007, art. 30, e na IN RFB nº 869/2008, art. 13, I, consoante se observa do Fl. 532DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 1/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10932.000408/201002 Resolução nº 3401000.783 S3C4T1 Fl. 533 3 demonstrativo de fl. 320 com os montantes mensais de vendas escriturados no livro de Registro de Apuração do IPI. Regularmente cientificado da peça acusatória, o contribuinte apresentou sua impugnação (fls. 341/362), aduzindo, em apertada síntese: a) que não teve tempo hábil para a implantação das alterações impostas pela CMB; b) as adaptações das linhas de produção da empresa implicam em modificação de toda sua planta industrial; c) as obrigações do SICOBE violam o direito de propriedade e de livre iniciativa; d) há violação ao princípio da razoabilidade; e) violação ao princípio do não confisco; f) o Corpo de Bombeiro vetou a exigências da CMB. A DRJ não acolheu as alegações da contribuinte, mantendo o lançamento efetuado em sua integralidade (fls. 477/491). Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário, reiterando as alegações trazidas em sede de impugnação e aduzindo que a Casa da Moeda do Brasil e a Receita Federal reconheceram a impossibilidade da recorrente em instalar o SICOBE na forma como determinado no Cadernos de Requisitos de Instalação (RQI), no Processo Administrativo nº 08.1.19.00.2011.00485 (fls. 496/522). Não houve contrarazões por parte da Fazenda, sendo os autos encaminhados a este Conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 533DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 1/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10932.000408/201002 Resolução nº 3401000.783 S3C4T1 Fl. 534 4 Voto DA ADMISSIBILIDADE O recurso é tempestivo e presentes se encontram os demais requisitos para sua admissibilidade, razão pela qual, dele eu conheço. DA NECESSIDADE DE DILIGÊNCIA O contribuinte informa em suas razões recursais que a Casa da Moeda do Brasil e a Receita Federal reconheceram a necessidade de adequação do Caderno de Requisitos de Instalação do SICOBE à realidade fática das linhas de produção da recorrente, no procedimento fiscal nº 08.1.19.00.2011.000485, trazendo trecho do relatório pericial feito pela Casa da Moeda: Fl. 534DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 1/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10932.000408/201002 Resolução nº 3401000.783 S3C4T1 Fl. 535 5 Ora, não paira dúvida de que a solução do mencionado procedimento fiscal irá afetar diretamente a controvérsia imposta nos presentes autos, não podendo este Conselho firmar seu convencimento sem ter a devida noção do quanto decidido pela Receita Federal e pela Casa da Moeda do Brasil no procedimento fiscal nº 08.1.19.00.2011.000485. Destarte, pareceme condição sine qua non para que possamos analisar com afinco o presente caso que a solução do procedimento fiscal nº 08.1.19.00.2011.000485 nos seja encaminhada. CONCLUSÃO Neste sentido, voto por conhecer o recurso do contribuinte e converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento informe o resultado do procedimento fiscal nº 08.1.19.00.2011.000485. Fernando Marques Cleto Duarte Relator Fl. 535DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 1/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE
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Numero do processo: 10166.729245/2011-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/01/2011
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. CRÉDITOS DE TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE.
A compensação de contribuições previdenciárias está sujeita às limitações legais e à homologação pela fiscalização, não sendo um direito absoluto do sujeito passivo.
A cessão de crédito celebrada entre as empresas é negócio jurídico válido somente entre as partes, sendo vedada a compensação da contribuição previdenciária devida com crédito adquirido de terceiros, por meio de cessão de direitos creditórios.
É ilegítima a compensação baseada em crédito cedido por terceiros, mesmo que o crédito tenha sido reconhecido em decisão judicial, que não se manifestou a respeito.
MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. JUSTIFICATIVA PARA SUA APLICAÇÃO.
É justificável a exigência da multa qualificada quando o sujeito passivo tenha procedido com evidente intuito de fraude, minuciosamente justificado e comprovado nos autos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-003.968
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes acompanhou o relator pelas conclusões.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. CRÉDITOS DE TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE. A compensação de contribuições previdenciárias está sujeita às limitações legais e à homologação pela fiscalização, não sendo um direito absoluto do sujeito passivo. A cessão de crédito celebrada entre as empresas é negócio jurídico válido somente entre as partes, sendo vedada a compensação da contribuição previdenciária devida com crédito adquirido de terceiros, por meio de cessão de direitos creditórios. É ilegítima a compensação baseada em crédito cedido por terceiros, mesmo que o crédito tenha sido reconhecido em decisão judicial, que não se manifestou a respeito. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. JUSTIFICATIVA PARA SUA APLICAÇÃO. É justificável a exigência da multa qualificada quando o sujeito passivo tenha procedido com evidente intuito de fraude, minuciosamente justificado e comprovado nos autos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 92 45 /2 01 1- 44 Fl. 812DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes acompanhou o relator pelas conclusões. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 813DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10166.729245/201144 Acórdão n.º 2402003.968 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondente a contribuições compensadas, de forma administrativa, indevidamente pelo sujeito passivo, mediante o procedimento de glosa, no período de 01/2009 a 01/2011. O Relatório Fiscal (fls. 25/35) informa que o contribuinte compensou contribuições com créditos oriundos de outros sujeitos passivos, razão pela qual glosou as respectivas compensações. Informa ainda que há um grupo econômico, que denominou de GRUPO ECONÔMICO DISBRAVE, em razão dos seguintes fatos: similaridades no quadro societário das empresas envolvidas, a existência de empresas controladas, que empresas estão localizadas num mesmo endereço comercial e que as próprias empresas admitem a existência do grupo econômico. Para caracterização do grupo econômico, fundamentouse no que dispõe os incisos I e II do art. 124 do CTN e inciso IX do art. 30 da Lei 8.212/1991. Da Compensação Indevida. Informa que a DISBRAVE CONSÓRCIOS não respeitou o limite de 30% imposto pelo § 3º do art. 89 da Lei 8.212/1991, para as compensações declaradas em GFIP até 03/12/2008. Esclarece que o GRUPO DISBRAVE apresentou diversas escrituras públicas para justificar suas compensações, observandose o seguinte: a) as escrituras apresentadas pelo GRUPO DISBRAVE foram lavradas em Cartórios da Comarca de Curitiba – PR, localidade que não guarda relação com o domicílio tributário das empresas nela citadas; b) os termos dessas escrituras foram redigidos tomandose como base apenas o que foi declarado pelas partes envolvidas na cessão de direitos creditórios; c) todas as escrituras se referem ao mesmo processo judicial, embora citem empresas diferentes como detentoras de direitos creditórios. Da Multa Isolada. A Fiscalização caracterizou, em tese, conduta ilegal do contribuinte, uma vez que inseriu em GFIP informação de compensação a que não teria direito, reduzindo, deliberadamente, o valor devido e, por conseguinte, os recolhimentos das contribuições previdenciárias. Nesse sentido, destaca que o GRUPO DISBRAVE, por várias vezes, já tinha sido informado da impossibilidade do aproveitamento de créditos de outro sujeito passivo, no entanto, não providenciou a retificação da GFIP no que se refere às compensações informadas. Dessa forma, entendeu que o contribuinte teve a intenção de utilizar seus supostos créditos de maneira indevida. Juntou aos autos o Anexo 5, a fim de comprovar que o sujeito passivo foi informado da compensação indevida. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 28/12/2011 (fls. 406). Fl. 814DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 418/437), alegando, em síntese, que: 1. os créditos compensados foram decorrentes das escrituras publicas de Cessão de Direitos Creditórios adquiridos das empresas SERVPORT Serviços, Participações e Administração de Bens Ltda, detentora de direitos creditórios junto ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), originários de sentença transitada em julgado em 05/04/2002, nos autos do processo originário de n° 94.00493690, atual de n° 004936904.1994.4.02.5101, no montante total de R$408.000,00 (Quatrocentos e oito mil reais). Por ser o cartório de livre escolha entre as partes, as escrituras foram feitas na cidade de Curitiba – PR. Aduz que, até a data em que adquiriu as cessões de direitos creditórios, jamais atuou com dolo ou máfé, já que agiu em função do contido em decisão judicial e, não, como entendeu a Autoridade Fiscal ao inferir que informou em GFIP compensação que sabidamente não teria direito, o que fez reduzir deliberadamente o valor devido e o subseqüente recolhimento das contribuições previdenciárias. Afirma que não houve esta intenção de sua parte, tanto que forneceu todas a documentação solicitada, quais seja: escritura publica, contrato de intermediação, contrato de assessoria, para que fosse verificada a veracidade dos títulos; 2. considerando os fatos apontados, descabe a aplicação da multa isolada por declaração indevida de compensação, pois não houve dolo ou intenção de fraude. Postula que descabe falar em falsidade de declaração da GFIP, pois adquiriu os créditos da SERVPORT de forma regular, processando as compensações de acordo com as decisões judiciais; 3. conforme entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, na cobrança concomitante de multa isolada com multa de ofício, tem que ser afastada a cobrança de multa isolada. Em sendo assim, solicita a exclusão das multas de ofício. Entende que o cálculo esta incorreto na aplicação da multa com relação a dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, pois o art. 32A da Lei 8.212/81, alterou a forma de cálculo das multas pelas incorreções ou omissões contidas na GFIP, calculando o valor de R$20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10(dez) informações incorretas ou omitidas. Dessa forma, deve ser aplicada a multa sobre o grupo de 10 informações incorretas ou omitidas, e não sobre o numero de funcionários. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Belém/PA – por meio do Acórdão 0127.145 da 4a Turma da DRJ/BEL (fls. 462/473) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto. A Notificada apresentou recurso voluntário, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. Fl. 815DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10166.729245/201144 Acórdão n.º 2402003.968 S2C4T2 Fl. 4 5 A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Brasília/DF informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 816DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. Com relação ao direito de realizar a compensação, razão não assiste à Recorrente, eis que é vedada a compensação de contribuição previdenciária devida com crédito adquirido de terceiro, distinto da relação obrigacional tributária. Inicialmente, devese observar que o caráter facultativo da compensação não desobriga o sujeito passivo do cumprimento da legislação pertinente, no caso, o Código Tributário Nacional (CTN) e a Lei 8.212/1991. Assim, se em uma ação fiscal ficar constatada a compensação de valores em desacordo com o permitido pela legislação previdenciária, será constituído o crédito tributário por meio do instrumento competente, sem prejuízo das penalidades cabíveis. A compensação como modalidade de extinção do crédito tributário está prevista no art. 156, II, do Código Tributário Nacional (CTN). O mesmo diploma legal, artigos 170 e 170A, prevê regras gerais sobre a matéria; as regras específicas são objeto de lei ordinária. Transcrevemos abaixo os artigos do CTN que tratam da compensação: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) II a compensação; ......................................................................................................... Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (g.n.) ......................................................................................................... Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (Artigo incluído pela Lei Complementar nº 104, de 10.1.2001) A Lei 8.212/1991 – diploma que dispõe sobre o Plano de Custeio da Seguridade Social – em seu art. 891, que ora transcrevemos, traz comando no sentido de que 1 Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 817DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10166.729245/201144 Acórdão n.º 2402003.968 S2C4T2 Fl. 5 7 somente serão compensados os valores pagos ou recolhidos indevidamente a título de contribuição para a Seguridade Social nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. O direito à compensação surgirá após o pagamento indevido de contribuição destinada à Seguridade Social, de atualização monetária, de multa ou de juros de mora. Nesse caminhar, somente é permitida a compensação entre créditos e débitos que se contrapõem. Deve haver, portanto, identidade entre os sujeitos das relações jurídicas. Não se admite compensar valor devido a uma pessoa com crédito existente perante terceiro. Pois, a regra estampada no art. 170 do CTN somente autoriza a compensação de créditos tributários com créditos que o próprio sujeito passivo tenha contra a Fazenda Pública. O fundamento legal para a impossibilidade de compensação com créditos de terceiro está no próprio CTN, que não menciona (interpretação restritiva, literal, art. 111) a possibilidade de compensações com créditos que seriam de terceiros e que foram cedidos para o interessado. Logo, a compensação tributária com a utilização de créditos de terceiros encontra óbice na falta de previsão legal. A Recorrente realizou a compensação de contribuição previdenciária devida com créditos pertencentes à empresa diversa da relação obrigacional tributária, qual seja, a Servport Serviços Marítimos e Portuários Ltda, que supostamente teria obtido uma decisão favorável nos autos do processo 94.00.493690. A empresa Servport cedeu, por subrogação, os direitos creditórios que detinha à Recorrente, por meio de Escritura de Cessão e Transferência de Direitos Creditórios. A Recorrente menciona dispositivos do Código Civil para demonstrar a possibilidade de cessão de direito de crédito de terceiros contra a Fazenda Pública. Entretanto, quando se trata de matéria tributária, é necessário observar a especialidade da legislação que trata do assunto, em virtude da relação Fisco/contribuinte não se situar no mesmo patamar das relações privadas. A impossibilidade de realizar compensação com crédito de terceiros já foi manifestada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), nos seguintes termos: “AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO DE DÉBITO DE ICMS COM CRÉDITOS ALIMENTARES HABILITADOS PRECATÓRIOS. TRIBUTOS DISTINTOS. PESSOAS JURÍDICAS DIFERENTES. IMPOSSIBILIDADE. 1. Cuidase de agravo regimental em agravo de instrumento no qual a agravante pretende a reforma da decisão que negou direito de compensar os seus débitos com o ICMS com créditos alimentares vencidos, habilitados em precatórios judiciais, adquiridos por cessão de direitos, ou seja, de outra pessoa jurídica, no caso o IPERGS. 2. A compensação tributária somente é permitida entre tributos e contribuições da mesma natureza, sendo proibida a compensação de créditos entre pessoas jurídicas distintas." 3. Agravo regimental nãoprovido.” (AgRg no Ag 827639/RS, Relator Min. José Delgado, DJ 27.09.2007) Fl. 818DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 No âmbito deste Tribunal Administrativo, a compensação com crédito de terceiros também não encontra acolhida, conforme se depreende das decisões, cujas ementas transcrevo abaixo: Recurso 139334, Sessão 19/10/2007, Acórdão 20218448: “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ementa: COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. CRÉDITO DE TERCEIROS DECORRENTE DE DECISÃO JUDICIAL. É ilegítima a compensação baseada em créditoprêmio do cedido por terceiros, mesmo que o crédito tenha sido reconhecido em decisão judicial, que não se manifestou a respeito.” ......................................................................................................... Recurso 128959, Sessão 12/04/2005, Acórdão 30331951: "Ementa: COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS COM CRÉDITOS DE TERCEIROS. Descabe a compensação de débitos de natureza tributária com créditos de terceiros vedação expressa na IN/SRF 41/2000 e art. 74 da Lei 9.430/96, alteração introduzida pela Lei 10.637/2002. RECURSO VOLUNTÁRIO DESPROVIDO.” Considerando os elementos fáticos e probatórios, entendese que a Recorrente não cumpriu todos os requisitos previstos na legislação previdenciária para realizar as compensações almejadas nas competências 01/2009 a 01/2011. Quanto à aplicação da multa qualificada, não vejo como acatar a alegação da Recorrente, pois o Fisco demonstrou a hipótese de falsidade da declaração apresentada. A Recorrente afirma que as compensações foram efetivadas e informadas com base na Escritura de Cessão e Transferência de Direitos Creditórios de terceiro (empresa Servport Serviços Marítimos e Portuários Ltda), que cedeu, por subrogação, os direitos creditórios que detinha à Recorrente. Decorre dos elementos probatórios juntados aos autos que a Recorrente realizou, por meio de situações que não espelhavam a sua realidade fática contábil, operações fiscais com o intuito de burlar o Fisco, já que ela não detinha qualquer direito de compensação materializado em seus registros contábeis. Pelo contrário, o seu suposto direito compensatório provinha de uma mera relação privada, estabelecida mediante cessão de direitos creditório, em que o Fisco já havia informado da impossibilidade do aproveitamento de créditos de outro sujeito passivo. Isso está evidenciado no Relatório Fiscal (itens 34 a 36), eis que a Recorrente inseriu nas GFIP’s informação não verdadeira, declarando créditos inexistentes, ou seja não passíveis de compensação, nos seguintes termos: “[...] 34. O sujeito passivo, ao inserir em GFIP informação de compensação a que não teria direito, reduziu, deliberadamente, o valor devido e, conseqüentemente, os recolhimentos de suas obrigações tributárias para com a Seguridade Social, o que configura, em tese, conduta ilegal do mesmo. 35. Com efeito, cumpre ressaltar, a título de ilustração, que, conforme ANEXO 5, o GRUPO DISBRAVE, já havia sido informado, em diversas outras ocasiões, da impossibilidade do Fl. 819DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10166.729245/201144 Acórdão n.º 2402003.968 S2C4T2 Fl. 6 9 aproveitamento de créditos de outro sujeito passivo e, no que tange às compensações, não retificou suas declarações em GFIP. Tal fato revela a intenção do sujeito passivo de utilizar seus supostos créditos de maneira indevida. (g.n.) 36. Diante do exposto e da comprovação de que a empresa veiculou em GFIP informação sabidamente falsa, fezse necessária a aplicação da multa isolada em relação às GFIP entregues a partir de 04/12/2008, independentemente da competência a que se referiram, uma vez que o fato gerador da infração ocorre na data da entrega da GFIP (MP nº 449/2008, transformada na Lei nº 11.941/2009). Ressaltase ainda que a competência dessa multa é o mês em que ocorreu a infração, ou seja, o mês em que ocorreu a falsa declaração. [...]”. Os elementos probatórios, contidos no Relatório Fiscal e nos seus anexos, permitem evidenciar que a Recorrente, embora tenha apresentado GFIP para as competências 01/2009 a 01/2011, efetivamente não recolheu os valores das contribuições que pretendeu compensar e baseouse exclusivamente no fato de que detinha crédito de outro sujeito passivo para realizar a compensação, mesmo tendo o conhecimento de sua impossibilidade. Esse fato é distinto da hipótese prevista no art. 89 da Lei 8.212/1991, que somente permite a compensação de valor oriundo de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido. O Fisco demonstrou nos autos que o GRUPO DISBRAVE (grupo econômico), do qual a Recorrente é parte integrante, foi devidamente informado, em diversas ocasiões, da impossibilidade da compensação decorrente de créditos de outro sujeito passivo, conforme documentos de fls. 244 e 262 e consubstanciado nos Despachos Decisórios (fls. 236/242 e 252/258), por meio dos quais as compensações solicitadas foram consideradas como não declaradas, em razão de não ter amparo legal a Declaração de Compensação que utiliza créditos de terceiros. Assim, mesmo ciente da impossibilidade das compensações efetuadas, a Recorrente não providenciou a retificação das GFIP’s. A conduta dissimuladora ou fraudulenta da Recorrente encontrase evidenciada no momento em que inseriu dados e informações que não correspondem à realidade fática da empresa, assim como apresentou irregularidades na formalização das compensações realizadas por meio das GFIP’s. Diante desse quadro, entendo correta a interpretação adotada pelo Fisco de que a Recorrente agiu com perfeito conhecimento dos fatos e do direito, mediante aplicação de condutas totalmente injustificáveis perante a escrituração contábil e fiscal. Logo, está caracterizada a prática pela autuada da conduta tipificada no art. 89, § 10, da Lei 8.212/1991 c/c art. 44, § 1º, da Lei 9.430/1996, que decorre a aplicação da multa isolada de 150%. Lei 8.212/1991: Art. 89. (...) § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá Fl. 820DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (g.n.) Lei 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007) (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007) Ressaltase que, com a edição da Medida Provisória n° 449, de 03 de dezembro de 2008 (posteriormente convertida na Lei 11.941/2009, de 27 de maio de 2009), foi introduzido o § 10 ao art. 89 da Lei 8.212/1991. Assim, para os fatos ocorridos a partir da publicação da Medida Provisória n° 449/2008, aplicam se os dispositivos da Lei 9.430/1996, nos casos de lançamento de ofício, inclusive com a constatação de dolo, fraude ou simulação. Com relação às demais questões postuladas na peça recursal, elas foram devidamente refutadas na decisão de primeira instância, a qual não encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação dessa decisão, nos seguintes termos: “[...] A litigante solicita a exclusão das multas de ofício, amparandose no entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Quanto às multas aplicadas estas se encontram fundamentadas na legislação indicada no Relatório Fiscal (fls. 22/32) e no relatório denominado Fundamentos Legais do Débito – FLD (fls. 12/13), conforme abaixo discriminado: • Multa de mora de 0,33% por dia de atraso, até o máximo de 20%, relativamente aos valores compensados indevidamente na GFIP, no período de 03/2007 a 12/2008, de acordo com o art. 89, §9º c/c com o art. 35, da Lei nº 8.212/91, com a redação alterada pela MP nº 449, de 03/12/08, convertida na Lei nº 11.941, de 27/05/09 e, • Multa Isolada equivalente a 150% (cento e cinqüenta por cento) dos valores compensados indevidamente na GFIP, na competência 12/2008, de acordo com o art. 89, §10 da Lei nº 8.212/91, acrescentado pela MP nº 449, de 03/12/08, convertida na Lei nº 11.941, de 27/05/09. Devese observar que foram aplicadas, dependendo de cada caso, multa de mora, além de multa isolada, conforme a natureza da infração, não constituindo cumulação indevida de multas, por se tratarem de motivações fáticas e jurídicas distintas. Fl. 821DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10166.729245/201144 Acórdão n.º 2402003.968 S2C4T2 Fl. 7 11 Ressalto que no presente caso, a multa de ofício de 75% foi qualificada pela Fiscalização em 150%, na forma prevista no art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430/96, em razão da conduta de falsidade nas declarações apresentadas pela impugnante, sendo a mesma devidamente mantida conforme demonstrado nos itens anteriores, não havendo valores a serem excluídos como reclamou a impugnante. Não houve também a lavratura de Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA relativo a fatos geradores não declarados em GFIP, cuja aplicação da multa está prevista no art. 32A, da Lei nº 8.212/91, motivo pelo qual deixo de contra argumentar as alegações apresentadas pela impugnante. A postulante pede que seja desconsiderada a Representação Fiscal Para Fins Penais, vez que não cometeu qualquer ilícito penal. (...) Vale transcrever a Súmula nº 28, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), que possui efeito vinculante em relação à administração tributária federal, nos termos da Portaria nº 383, de 12/07/2010, do Ministério da Fazenda, publicada no DOU de 14/07/2010: Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Dessa forma, não cabe a este órgão administrativo proceder qualquer análise nesta seara. [...]” Pelas razões fáticas e jurídicas acima delineadas, as alegações da Recorrente não devem ser acatadas. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 822DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 18239.004037/2010-69
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2008
NÃO INSTAURAÇÃO DO LITÍGIO NO PROCEDIMENTO.
A apresentação intempestiva da impugnação tem o efeito de tornar definitiva a Notificação de Lançamento pela não instauração do litígio no procedimento.
Numero da decisão: 1801-001.916
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Leonardo Mendonça Marques que votou pelo provimento do recurso.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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A apresentação intempestiva da impugnação tem o efeito de tornar definitiva a Notificação de Lançamento pela não instauração do litígio no procedimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Leonardo Mendonça Marques que votou pelo provimento do recurso. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 23 9. 00 40 37 /2 01 0- 69 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 18239.004037/201069 Acórdão n.º 1801001.916 S1TE01 Fl. 61 2 Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrada a Notificação de Lançamento às fl. 07, com a exigência do crédito tributário no valor de total de R$16.450,10 a título de multa de ofício isolada por atraso na entrega em 29.01.2010 da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) do anocalendário de 2007, cujo prazo final era 30.06.2008. Para tanto, foi tem cabimento o seguinte enquadramento legal: art. 113, art. 115 e art. 160 do Código Tributário Nacional, art. 11 do DecretoLei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982, art. 10 do DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983, art. 30 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1996, art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002 e art. 19 da Lei nº n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004, bem como art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001 e art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999. Cientificada eletronicamente em 17.02.2010, fl. 42, a Recorrente apresentou a impugnação em 23.09.2010, fls. 0206, com as alegações a seguir transcritas: DA DEVOLUÇÃO DO PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO Quanto a esse tema, fazse indispensável destacar que o contribuinte não recebeu a notificação de lançamento ora impugnada, tendo sabido de sua existência somente recentemente, razão pela qual deve ser devolvido o prazo para a respectiva impugnação, cujas razões desde logo passa a expor. DA ILEGALIDADE DO LANÇAMENTO O lançamento se deu por ter, o contribuinte, entregue a declaração de imposto de renda de 2008 com atraso, tendo sido aplicado o artigo 7º da Lei n° 10.426 de 24/04/2002, com redação dada pelo artigo 1º da Lei n° 11.051 de 29/12/2004. De fato, o contribuinte reconhece o atraso na sua entrega, não porque não quis entregála no prazo, mas porque embora a tenha preparado corretamente no prazo, não logrou êxito em enviála, embora acreditasse têlo feito, o que só foi descoberto posteriormente e imediatamente, antes de qualquer notificação por parte da Receita Federal, providenciou seu envio. O contribuinte não sabe explicar como a entrega não foi efetivada no prazo, acreditando que isso tenha ocorrido por problemas de sinal de internet, o que, infelizmente, não foi percebido no momento do envio, mas somente alguns meses depois. É muito importante frisar que todos os tributos devidamente declarados foram pagos integralmente e na data do vencimento como se declaração houvesse sido entregue demonstrando a total boa fé do contribuinte e que tudo não passou de mero equívoco quanto ao envio. Ora, não faria sentido nenhum o contribuinte deixar de apresentar a respectiva declaração de renda até o dia determinado na lei, quando já havia pago todos os tributos decorrentes desta declaração, antes mesmo do vencimento do prazo para seu envio à receita federal. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 18239.004037/201069 Acórdão n.º 1801001.916 S1TE01 Fl. 62 3 Restando claro assim que o atraso ora punido não foi doloso e não trouxe qualquer prejuízo à Receita Federal, que já tinha recebido todo tributo que lhe cabia, há de se passar a analisar a legalidade da aplicação desta penalidade. O artigo 7° da Lei nº 10.426/ 02, com a redação dada pelo art. 19 da Lei n°11.051/04, base legal do auto de infração, [...]. Inicialmente, da análise do mencionado artigo verificase que a norma contida no mesmo não se aplica ao presente caso, uma vez que o pagamento integral do imposto foi feito nos respectivos vencimentos, sem qualquer atraso de pagamento e, principalmente, antes do prazo de entrega da declaração de renda, e não posteriormente ou no momento da entrega em atraso. A norma contida no referido artigo referese a casos em que o pagamento do tributo é feito após e somente após o vencimento do prazo para a entrega da declaração, ou como ocorre mais comumente, quando se paga o tributo devido concomitantemente com a entrega da declaração fora do prazo. Este entendimento está de acordo com dois princípios constitucionais dè suma importância e balisadores da elaboração e interpretação de todas as normas, para que as mesmas estejam sempre de acordo com o ordenamento jurídico, mais precisamente, com o bloco constitucional brasileiro de perspectiva ampla, quais sejam: o princípio da razoabilidade e da proporcionalidade. Ressaltese que o contribuinte não está defendendo a tese de inconstitucionalidade, mas de aplicação da norma no caso em concreto com interpretação de acordo com a constituição e seus princípios. No presente caso, salta aos olhos que a norma inserida não fora criada para punir o contribuinte que pagou a integralidade do imposto no valor de R$164.501,02 no vencimento e antes do prazo de entrega de sua respectiva declaração, com um valor de R$32.900,20, apurado com a aplicação de um percentual de 20% sobre o imposto que sequer era mais devido uma vez que pago nos devidos vencimentos. Entendimento assim seria ferir de morte os mencionados princípios do bloco constitucional brasileiro, uma vez que estaria sendo aplicada de forma indevida justamente a desproporcionalidade e a irrazoabilidade. À Receita Federal não cabe, é verdade, dizer se uma lei é inconstitucional ou não, mas apenas aplicála ao caso concreto, porém, esta aplicação deve ser de acordo com as normas constitucionais e seus princípios inerentes. Assim, no entendimento do contribuinte, a norma interpretada à luz da constituição e seus princípios, notadamente, proporcionalidade e razoabilidade, não se aplica ao caso, posto que a entrega em atraso da declaração fora feita espontaneamente, e o tributo pago integralmente antes mesmo do prazo da sua entrega. Aqui caberia a mesma aplicação e interpretação, por analogia, do rebente entendimento esposado pelo STF, quanto ao não cabimento da cobrança de multa moratória para os casos de entrega em atraso com o concomitante pagamento do tributo. O caso tem fundo muito semelhante, embora não seja idêntico, mas a interpretação aplicada à norma naquele caso deve servir de orientação para a Receita Federal no exercício de suas funções, e no presente caso, no que tange à forma de aplicação do artigo base desta autuação. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 18239.004037/201069 Acórdão n.º 1801001.916 S1TE01 Fl. 63 4 Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui: Face ao exposto, solicitamos o deferimento da presente impugnação, co n a conseqüente declaração de improcedência da autuação, e colocamonos ao dispor dos ilustres julgadores para apresentar esclarecimentos adicionais, caso estes venham a ser considerados indispensáveis à decisão da presente lide. Está registrado como resultado do Acórdão da 5ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº 1234.585, de 02.12.2010, fls. 4850: Impugnação Não Conhecida. Restou ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2007 APRESENTAÇÃO INTEMPESTIVA INADMISSIBILIDADE DA IMPUGNAÇÃO. Deixase de conhecer de impugnação apresentada após o prazo de 30 dias da ciência do auto de infração, contados de acordo com o art. 5o do Decreto n° 70.235/1972, quando, em se tratando de multa por atraso na entrega de Declarações, não for a mesma apresentada antes da data de vencimento. Notificada em 25.04.2011, fl. 52, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 20.05.2011, fls. 3439, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera os argumentos apresentados na impugnação. Acrescenta que: I DOS FATOS A recorrente sofreu notificação de lançamento que se deu por ter o contribuinte entregue a declaração do IRPJ de 2008 com atraso, tendo fio aplicado o artigo 7 o da Lei nº 10.426 de 24/04/2002, com a redação dada pelo artigo 1° da Lei nº 11.051 de 29/12/2004. O contribuinte impugnou a notificação argumentando que embora tenha havido realmente atraso na entregada DIPJ de 2008, este atraso só fora percebido alguns meses depois, pois, na época, o contribuinte acreditava ter conseguido entregar no prazo, não sabendo dizer o motivo da entrega não ter se efetivado, acreditando que tenha ocorrido algum problema de sinal na internet. O recorrente lembrou na impugnação que tanto isso era verdade que todos os tributos devidamente declarados foram pagos integralmente e na data do respectivo vencimento como se a declaração tivesse sido entregue. Argumentou ainda o recorrente em sua impugnação que não havia recebido nenhuma intimação para que pudesse se defender, no prazo legal, da multa ora aplicada, solicitando então que lhe fosse devolvido o prazo para impugnar. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 18239.004037/201069 Acórdão n.º 1801001.916 S1TE01 Fl. 64 5 Contudo, a 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento entendeu por não conhecer da Impugnação, por considerar a mesma intempestiva, defendendo a tese de que as notificações de lançamento são emitidas automaticamente coma entrega da declaração intempestiva, conforme portaria SRF n° 259, de 13 de março de 2006, não havendo como aceitar as ponderações da impugnante. II DO DIREITO AO CONHECIMENTO DA IMPUGNAÇÃO PELO ÓRGÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA O fato é que o impugnante não recebeu a notificação, razão pela qual não há aplicabilidade da portaria SRF n° 259 citada pelo órgão julgador, e nem mesmo do Parecer COSIT/COTIR/DITIR n° 26, de 09/04/1997, posto que o recorrente sequer sabia que constava contra o mesmo uma multa. Não conhecia a notificação e obviamente não sabia da existência da multa e de seu vencimento. A prova da intimação cabe à Receita Federal, não podendo a mesma arguir uma mera presunção de intimação e, de fato, a mesma não comprovou a intimação do contribuinte, razão pela qual deve ser a impugnação considerada tempestiva, devendo os julgadores adentrarem o seu mérito. III DO MÉRITO No mérito é dizer que a multa do art. 7º da Lei nº 10.426/02, com redação dada pelo art. 19 da Lei n° 11.051/04 não se aplica ao presente caso, por uma simples razão: o recorrente pagou o tributo no respectivo vencimento, sem qualquer atraso de pagamento, e, principalmente, antes do prazo da declaração de renda, e não posteriormente ou no momento da entrega em atraso. A norma acima referese claramente a casos em que o pagamento do tributo é feito após o vencimento do prazo para a entrega da declaração, ou como ocorre mais comumente, quando se paga o tributo devido junto com a entrega da declaração fora do prazo. Julgadores, esta multa se aplica em duas situações: a) quando ocorre atraso na entrega da declaração e os tributos dela Constantes tenham não tenham sido pagos. b) quando ocorre atraso na entrega da declaração e os tributos dela constantes tenham sido pagos posteriormente ao vencimento para a entrega da declaração, ainda que antes da entrega intempestiva. Frisese, os itens "a" e “b" não retratam o que ocorreu no presente caso, pois os tributos foram todos pagos antes do vencimento para a entrega da declaração e entre o vencimento do prazo para entrega da declaração e a entrega em atraso da declaração, nenhum, repitase, nenhum tributo era devido, portanto, há de se concluir que não poderia haver multa sobre o que não era devido. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui: À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim Fl. 64DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 18239.004037/201069 Acórdão n.º 1801001.916 S1TE01 Fl. 65 6 de assim ser decidido, em preliminar, devolvendose os autos para conhecimento pela instância inferior, e, no débito cancelandose o débito fiscal reclamado. Termos em que, Pede deferimento Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes são asseguradas aos litigantes em processo administrativo. Por esta razão há previsão de que a pessoa jurídica seja intimada para apresentar sua defesa, inclusive, por via postal no domicílio fiscal constante nos registros internos da RFB, procedimento este que deve estar comprovado nos autos. Quando resultar improfícuo este meio, a intimação poderá ser feita por edital publicado na dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação, caso em que se considera efetivada 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. A autoridade administrativa deve cientificar o sujeito passivo da Notificação de Lançamento e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, o pagamento ou facultativamente à Recorrente, no prazo referido apresentar a impugnação contra o lançamento de ofício. Ainda contra a decisão de primeira instância, cabe apresentação do recurso voluntário para reexame da sucumbência, que tem efeito suspensivo e que deve ser interposto dentro dos trinta dias seguintes à sua ciência. Estes prazos legais são peremptórios, já que não podem ser reduzidos ou prorrogados pelas partes. Considerase definitiva a Notificação de Lançamento, no caso de esgotado o prazo legal sem que a peça de defesa tenha sido interposta1. Verificase no presente caso que a Recorrente foi cientificada eletronicamente da Notificação de Lançamento em 17.02.2010, fl. 42, e apresentou a impugnação em 23.09.2010, fls. 0206. A apresentação intempestiva da impugnação tem o efeito de tornar definitiva a Notificação de Lançamento pela não instauração do litígio no procedimento2. Ademais, notificada em 25.04.2011, fl. 52, a Recorrente apresentou o recurso 1 Fundamentação legal: inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 33 e art. 42 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e art. 182 do Código de Processo Civil. 2 Fundamentação legal: inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 14, art. 15, art. 33 e art. 42 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e art. 182 do Código de Processo Civil. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 18239.004037/201069 Acórdão n.º 1801001.916 S1TE01 Fl. 66 7 voluntário em 20.05.2011, fls. 3439. Por essa razão, houve ausência de instauração de litígio no procedimento. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 66DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 11543.000773/2010-55
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
ISENÇÃO MOLÉSTIA GRAVE. INÍCIO DA ISENÇÃO.
O termo inicial da isenção sobre os rendimentos de aposentadoria ou pensão dos portadores de moléstia grave é o da data do início da doença atestada em laudo do emitido por serviço médico oficial da União, dos Estado, do Distrito Federal ou dos Municípios que especifique a existência da patologia prevista no texto legal, se o referido laudo não especificá-la, será a data da expedição do laudo. No caso dos autos, não se pode reconhecer a isenção no ano-calendário da autuação porque o início da doença foi definido como sendo no ano posterior.
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. CARDIOPATIA GRAVE.
O conceito de cardiopatia grave não é exclusivo da medicina, tem origem legal e seu reconhecimento visa à aplicação da lei. É um conceito definido a partir das diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia, de forma que para ter direito à isenção dos proventos de portador de cardiopatia grave é necessário que o laudo médico oficial expressamente reconheça a existência dessa patologia, que não é mero gênero que abrange as mais diversas espécies de cardiopatias.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2802-002.431
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 17/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas De Mello, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 ISENÇÃO MOLÉSTIA GRAVE. INÍCIO DA ISENÇÃO. O termo inicial da isenção sobre os rendimentos de aposentadoria ou pensão dos portadores de moléstia grave é o da data do início da doença atestada em laudo do emitido por serviço médico oficial da União, dos Estado, do Distrito Federal ou dos Municípios que especifique a existência da patologia prevista no texto legal, se o referido laudo não especificá-la, será a data da expedição do laudo. No caso dos autos, não se pode reconhecer a isenção no ano-calendário da autuação porque o início da doença foi definido como sendo no ano posterior. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. CARDIOPATIA GRAVE. O conceito de cardiopatia grave não é exclusivo da medicina, tem origem legal e seu reconhecimento visa à aplicação da lei. É um conceito definido a partir das diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia, de forma que para ter direito à isenção dos proventos de portador de cardiopatia grave é necessário que o laudo médico oficial expressamente reconheça a existência dessa patologia, que não é mero gênero que abrange as mais diversas espécies de cardiopatias. Recurso negado.
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INÍCIO DA ISENÇÃO. O termo inicial da isenção sobre os rendimentos de aposentadoria ou pensão dos portadores de moléstia grave é o da data do início da doença atestada em laudo do emitido por serviço médico oficial da União, dos Estado, do Distrito Federal ou dos Municípios que especifique a existência da patologia prevista no texto legal, se o referido laudo não especificála, será a data da expedição do laudo. No caso dos autos, não se pode reconhecer a isenção no ano calendário da autuação porque o início da doença foi definido como sendo no ano posterior. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. CARDIOPATIA GRAVE. O conceito de cardiopatia grave não é exclusivo da medicina, tem origem legal e seu reconhecimento visa à aplicação da lei. É um conceito definido a partir das diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia, de forma que para ter direito à isenção dos proventos de portador de cardiopatia grave é necessário que o laudo médico oficial expressamente reconheça a existência dessa patologia, que não é mero gênero que abrange as mais diversas espécies de cardiopatias. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 07 73 /2 01 0- 55 Fl. 121DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 17/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas De Mello, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano. Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício 2009, anocalendário 2008, em virtude de glosa no valor de R$ 2.341,08, referente a dedução indevida de incentivo e de omissão de rendimentos que foram declarados como isentos em valor superior ao que é estabelecido como isento para os declarantes com 65 anos ou mais. A autoridade fiscal acrescentou que a contribuinte auferiu rendimentos de mais de uma fonte, o limite de isenção será considerado em relação à soma desses rendimentos para fins de apuração do imposto na declaração. A parcela isenta corresponde à quantia de R$ 1.372,81 mensais. A peça impugnatória consistiu das seguintes alegações: a) não houve omissão de rendimentos, pois somente recebeu os rendimentos declarados; b) é portadora de cardiopatia grave desde 2001, conforme atestado pelo Dr. Ulisses da Costa P. Neto; c) não está sujeita a retenção do imposto de renda, devendo ser restituído os valores retidos; A impugnante solicitou prioridade de tramitação dos autos com amparo no Estatuto do Idoso. A impugnação foi julgada improcedente pois: a) inexistiria direito à isenção uma vez ser exigida a prova de que os rendimentos são oriundos de aposentadoria ou pensão e a doença comprovada com laudo expedido por serviço médico oficial, ao passo que o laudo médico pericial emitido pelo Instituto de Previdência e Assistência dos Servidores do Estado do Espírito Santo (fls 53/54) indica que a impugnante é portadora de cardiopatia grave, com início da doença em 07/2009, posteriormente ao anocalendário da autuação, e a afirmação de que faz a jus a isenção do imposto de renda desde 2001, consta de laudo emitido por médico particular (fl. 16); b) no anocalendário 2008 o limite mensal de isenção dos declarantes com 65 anos ou mais é de R$ 16.473,72, valor que o AuditorFiscal considerou como isento referente à fonte pagadora Secretaria de Estado de Gestão de Recursos Humanos, considerando a omissão de R$ 46.292,70 (R$ 62.766,42 – R$ 16.473,72), referente às demais fontes pagadoras, estando correto o lançamento. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11543.000773/201055 Acórdão n.º 2802002.431 S2TE02 Fl. 115 3 Ciente da decisão de primeira instância em 06 de maço de 2012, o contribuinte interpôs recurso voluntário em 30 de março de 2012 com as alegações adiante resumidas: 1. a isenção pode ser reconhecida pelo julgador com base em outros elementos que lhe permitam formar convicção acerca da existência da doença, ainda que não haja o laudo médico expedido por serviço médico oficial, como é reconhecido em diversos precedentes judiciais apontados e previsto nos art. 131 e 436 do Código de Processo Civil; 2. junta outros documentos: Atestado do Dr. Melchior Lima, Relatório de Cirurgia, Ficha Médica, Laudo Cardiológico e Receita Médica. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. Não está em litígio a glosa de dedução de incentivo, nem a omissão de rendimentos em relação à parcela isenta em razão de ter o contribuinte mais de 65 anos. O mérito é a isenção por cardiopatia grave no ano de 2008. Não se discute a existência da cardiopatia grave, e sim a data em que pode ser tida como existente esta doença, uma vez que a DRJ acatou o laudo expedido por serviço médico oficial que indica início da doença em 2009, mas não admitiu como prova o laudo do médico particular. Os documentos juntados com a peça recursal, na maior parte, noticiam fatos acerca do paciente em relação a momento posterior ao ano de 2008. Quanto aos demais: a) as fichas e relatórios médicos em maioria possuem grafia que impossibilita a compreensão do conteúdo, e onde a leitura é possível não dão qualquer indicação da data de início da cardiopatia grave; e b) o laudo de fls. 26 apreciado pela DRJ é o único documento dos autos que faz referência a data anterior ao anocalendário 2008, porém além de ser laudo de médico particular, referese a insuficiência coronariana desde 16/10/2001 sem mencionar o termo cardiopatia grave. Não só a lei exige o laudo expedido por serviço médico oficial, como é necessário que esse laudo indique objetivamente a cardiopatia grave, pois essa não é um gênero no qual estão incluídas todas as doenças do coração, como a insuficiência coronariana. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Adoto com razão de decidir o entendimento firmado em precedentes desta Turma Julgadora a exemplo dos Acórdãos nº 280200.869, de 07/06/2011 e 2802002.363, de 18 de junho de 2013. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2007 ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Para ter direito isenção do imposto de renda sobre os rendimentos de aposentadoria, pensão ou reforma percebidos pelos portadores de moléstia grave, a patologia deve ser comprovada, mediante laudo emitido por serviço médico oficial da União, dos Estado, do Distrito Federal ou dos Municípios que especifique a existência da patologia prevista no texto legal. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. CARDIOPATIA GRAVE. O conceito de cardiopatia grave não é exclusivo da medicina, tem origem legal e seu reconhecimento visa à aplicação da lei. É um conceito definido a partir das diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia, de forma que para ter direito à isenção dos proventos de portador de cardiopatia grave é necessário que o laudo médico oficial expressamente reconheça a existência dessa patologia, que não é mero gênero que abrange as mais diversas espécies de cardiopatias. Recurso negado No mesmo sentido é o acórdão 280201.976, de 18/10/2012: Exercício: 2003 Ementa: ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Para ter direito isenção do imposto de renda sobre os rendimentos de aposentadoria, pensão ou reforma percebidos pelos portadores de moléstia grave, a patologia deve ser comprovada, mediante laudo emitido por serviço médico oficial da União, dos Estado, do Distrito Federal ou dos Municípios que especifique a existência da patologia prevista no texto legal. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. CARDIOPATIA GRAVE. MARCAPASSO. O conceito de cardiopatia grave não é exclusivo da medicina, tem origem legal e seu reconhecimento visa à aplicação da lei. É um conceito definido a partir das diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia, de forma que para ter direito à isenção dos proventos de portador de cardiopatia grave é necessário que o laudo médico oficial expressamente reconheça a existência dessa patologia, que não é mero gênero que abrange as mais diversas espécies de cardiopatias. Portar marcapasso, por si só, não implica reconhecer uma cardiopatia grave para efeito legal. Recurso voluntário negado. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11543.000773/201055 Acórdão n.º 2802002.431 S2TE02 Fl. 116 5 Em síntese cardiopatia grave é um conceito que não pertence à medicina exclusivamente, pelo contrário é uma expressão legal que inclui somente as doenças graves do coração que o profissional médico atestar ser uma cardiopatia grave, o que será feito segundo Diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia. Não é correto reduzir o termo cardiopatia grave a um gênero do qual todas as doenças graves do coração são espécies. Destarte para ter direito à isenção é fundamental que o laudo especifique que o paciente é portador de cardiopatia grave. Não cabe aos médicos do Serviço Médico Oficial reconhecerem a isenção, mas sim informar no laudo médico a doença tal como prevista no texto da lei. De outro giro, diferentemente do médico clínico que busca tratar o paciente, o médico perito está encarregado de fornecer a informação para o fim a que se destina, no caso informar se há ou não a doença tipificada para fins legais. Nesse sentido, insuficiência coronariana não é sinônimo de Cardiopatia Grave. É fundamental destacar o quanto foi afirmado pelos peritos do Instituto de Previdência dos Servidores: Para fins de reconhecimento da isenção de Imposto de Renda, analisamos o atual processo onde consta documentação — laudos e exames médicos todos apresentados pelo requerente acima identificado, além do quadro clinico claramente definido, esta Junta Médica conclui que a doença apresentada pelo(a) segurado(a) se enquadra na relação de moléstias graves constantes no inciso XIV, artigo 6° da Lei n°7.713/88 e suas alterações posteriores. Diagnóstico: Cardiopatia Grave CID: 125 Inicio dos Sintomas Comprovados da Doença: 07/2009 Não há nos autos qualquer documento que justifique ir além do que os peritos do Instituto de Previdência dos Servidores concluíram em relação à data comprovada do início da doença como sendo 07/2009. Tenho como prejudicada a análise da tese de que poderia ser comprovada a doença por outros meios que não o laudo do serviço médico oficial, pois ainda que admitida, em nada aproveitaria o recorrente. De todo modo, vale assinalar que não há jurisprudência consolidada no sentido indicado pelo recorrente, como se passa a demontrar. O recorrente indica diversos precedentes judiciais para comprovar que há jurisprudência consolidada que autoriza admitir outros meios de prova além do laudo do serviço médico oficial. O mais recente deles é de 2008, ao passo que decisões posteriores do STJ fornecem solução oposta. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA SOBRE PROVENTOS PERCEBIDOS Fl. 125DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 POR PORTADORES DE MOLÉSTIA GRAVE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA DOENÇA MEDIANTE LAUDO PERICIAL EMITIDO POR SERVIÇO MÉDICO OFICIAL. 1. Em conformidade com o art. 131 do Código de Processo civil, se houver uma norma jurídica sobre a prova a ser produzida, será ela aplicada, ou seja, a observância de certos critérios legais sobre provas e sua validade não pode ser desprezada pelo juiz. 2. Por força do que dispõe o art. 30 da Lei n. 9.250/95, a partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei n. 7.713/88, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. E a partir de 1º de janeiro de 2005, data do início da vigência da Lei n. 11.052/2004, passaram a ser incluídos entre os rendimentos isentos do imposto de renda os proventos de aposentadoria ou reforma percebidos pelos portadores de hepatopatia grave, desde que a doença seja comprovada enfatizese mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, nos termos do art. 30 da Lei n. 9.250/95. 3. No caso concreto, ao decidir que o juiz não estaria vinculado ao disposto no art. 30 da Lei n. 9.250/95, o Tribunal de origem acabou por contrariar o art. 131 do Código de Processo Civil. (...)(REsp 1254371/RJ 02/08/2011, grifos acrescidos) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA SOBRE PROVENTOS PERCEBIDOS POR PORTADORES DE MOLÉSTIA GRAVE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA DOENÇA MEDIANTE LAUDO PERICIAL EMITIDO POR SERVIÇO MÉDICO OFICIAL. 1. Por força do que dispõe o art. 30 da Lei n. 9.250/95, a partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei n. 7.713/88, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Antes do início da vigência da Lei n. 9.250/95, a moléstia especificada na Lei n. 7.713/88 poderia ser reconhecida através de parecer ou laudo emitido por dois médicos especialistas na área respectiva ou por entidade médica oficial da União. A partir de 1º de janeiro de 1996, é necessário que a doença mencionada na Lei n. 7.713/88 seja reconhecida através de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Para gozo do benefício fiscal, portanto, fazse necessário que o beneficiário preencha os requisitos legais exigidos, ou seja: (1) o reconhecimento do contribuinte como portador de moléstia grave, comprovado mediante laudo pericial, emitido por junta médica oficial e (2) serem os rendimentos percebidos durante a aposentadoria. (...) (REsp 1286094/CE, de 22/11/2011, grifos acrescidos) Por fim, há a Súmula CARF nº 63: Fl. 126DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11543.000773/201055 Acórdão n.º 2802002.431 S2TE02 Fl. 117 7 Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.(grifos acrescidos) Portanto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 127DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 12897.000117/2010-13
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GIFP. DADOS RELACIONADOS A FATOS GERADORES. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. DESCUMPRIMENTO.
Constitui infração deixar a empresa de informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS.
PROVA. NÃO APRESENTAÇÃO. NÃO ACOLHIMENTO.
Cabe ao contribuinte acostar aos autos provas cabais que corroborem os argumentos suscitados com objetivo de reforma da decisão a quo. Caso contrário, as alegações tornam-se inconsistentes.
DILIGÊNCIA. AUSÊNCIA DE FATOS NOVOS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. INDEFERIMENTO.
A diligência fiscal se justifica quando o contribuinte acosta aos autos, novos fatos que podem ir de encontro à argumentação fiscal. Ausente a comprovação da imprescindibilidade da diligência fiscal para a sua realização, desnecessário o procedimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-003.142
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Léo Meirelles do Amaral e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GIFP. DADOS RELACIONADOS A FATOS GERADORES. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. DESCUMPRIMENTO. Constitui infração deixar a empresa de informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. PROVA. NÃO APRESENTAÇÃO. NÃO ACOLHIMENTO. Cabe ao contribuinte acostar aos autos provas cabais que corroborem os argumentos suscitados com objetivo de reforma da decisão a quo. Caso contrário, as alegações tornamse inconsistentes. DILIGÊNCIA. AUSÊNCIA DE FATOS NOVOS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. INDEFERIMENTO. A diligência fiscal se justifica quando o contribuinte acosta aos autos, novos fatos que podem ir de encontro à argumentação fiscal. Ausente a comprovação da imprescindibilidade da diligência fiscal para a sua realização, desnecessário o procedimento. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 7. 00 01 17 /2 01 0- 13 Fl. 156DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/0 4/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 12897.000117/201013 Acórdão n.º 2803003.142 S2TE03 Fl. 157 2 (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Léo Meirelles do Amaral e Eduardo de Oliveira. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/0 4/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 12897.000117/201013 Acórdão n.º 2803003.142 S2TE03 Fl. 158 3 Relatório 1. Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela CLORAL INDÚSTRIA DE PRODUTOS QUÍMICOS LTDA, contra o acórdão nº 1254.075 proferido pela 11ª Turma da DRJ do Rio de JaneiroI que por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido – CFL 68. 2. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 23/31 a empresa apresentou as Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com informações omissas referentes a dados cadastrais e financeiros de empregados, correspondentes a fatos geradores das contribuições previdenciárias, nas competências 01/2006 a 12/2006 e 13º/2006. 4. Conforme trecho que transcrevo abaixo: “(...). 4.1. A empresa apresentou o documento a que se refere a Lei n° 8.212, de 24.07.91, art. 32, inc. IV, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10 de dezembro de 1997, publicada no D.O.U. em 11/12/1997 (Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP), com informações omissas, referentes a dados cadastrais e financeiros de empregados, correspondentes a fatos geradores das contribuições previdenciárias, nas competências de 01 a 12/2006, incluindo o 13°. Salário; 4.2. Ao confrontarmos as Folhas de Pagamento de empregados com os dados declarados nas GFIP's, entregues de 01 a 12/2006, incluindo o 13° Salário, constatamos que a empresa omitiu destas a maior parte dos empregados no período. Em consulta aos sistemas integrados da SRFB, constatouse que a empresa informou apenas um funcionário por competência, quais sejam Luiz Carlos Ferreira, em 01 e 03/2006, e José Carlos de Oliveira Penedo, em 02/2006 e de 04 a 12/2006. (fls. 27/28). (...).” 5. A decisão proferida pelo colegiado de primeira instância restou ementada nos seguintes termos: “DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS Constitui infração deixar a empresa de apresentar qualquer documento ou livro relacionado com as contribuições previdenciárias, ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira. Impugnação Improcedente Fl. 158DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/0 4/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 12897.000117/201013 Acórdão n.º 2803003.142 S2TE03 Fl. 159 4 Crédito Tributário Mantido.” (fl. 70). 6. Inconformada com a decisão supra mencionada, o contribuinte interpôs recurso voluntário alegando em síntese: a) Que a decisão a quo não analisou a documentação referente a base de cálculo das contribuições previdenciárias e que a obrigação acessória foi cumprida; b) Requer a realização de diligência, a fim de, com isso permitir que as GFIPs apresentadas posteriormente tenham a oportunidade de ser conferidas com a documentação referente a folha de salários da ora recorrente; c) Mostrase inconformada com o fato de a fiscalização ter ignorado os eventuais créditos que a recorrente acreditara possuir. 7. Sem contrarrazões fiscais, os autos vieram a esse Conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/0 4/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 12897.000117/201013 Acórdão n.º 2803003.142 S2TE03 Fl. 160 5 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DA AUTUAÇÃO FISCAL 2. De acordo com os autos, a auditoria fiscal teve como finalidade verificar o cumprimento das obrigações previdenciárias referentes aos rendimentos pagos, devidos ou creditados a segurados empregados e contribuintes individuais no período de 01/2006 a 13/2006. Durante o procedimento fiscal foram submetidas à análise da fiscalização os seguintes documentos, estes apresentados pelo contribuinte: a) registro de empregados; b) folhas de pagamento de todos os segurados empregados; c) declaração de imposto de renda retido na fonte – Dirf; d) guia de recolhimento do fundo de garantia do tempo de serviço e informações à previdência social – GFIP, com comprovantes de entrega e eventuais retificações; e) contrato social e 15ª alteração contratual, de 30/08/1976 e 28/10/1997, respectivamente; f) relação anual de informações sociais – RAIS; g) programa de prevenção de riscos ambientais (PPRA); h) escrituras do terreno e prédio da empresa, com laudo de avaliação de valor imobiliário; i) livro de apuração do imposto sobre circulação de mercadorias e serviços – ICMS 3. No entanto, além desses foram solicitados, porém não apresentados à fiscalização (i) as Informações em meio digital com leiaute atual ou em vigor a época de ocorrência dos fatos geradores, conforme solicitado no Termo mencionado no item 2.2 e previsto nos arts. 48 a 50 da Instrução Normativa RFB n° 971, de 13 de novembro de 2009, publicada no D.O.U. de 17 de novembro de 2009 c/c o art. 11 da Lei n° 8.218, de 29 de agosto de 1991, publicada no D.O.U. de 30 de agosto del991; e (ii) os Livros Diários e Razões do período. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/0 4/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 12897.000117/201013 Acórdão n.º 2803003.142 S2TE03 Fl. 161 6 4. Assim em razão da ausência de apresentação dos livros diários a conferência das remunerações de empregados foi efetuada com base na comparação entre as folhas de pagamento, a RAIS e a Dirf do período, que apresentaram valores coincidentes. No entanto, ao analisar os valores declarados em GFIP do mesmo período, verificouse, nesta, diferenças informadas a menor dos mesmos valores. 5. Questiona a recorrente as diferenças mencionadas supra. Acredita que a fiscalização não apurou corretamente tais valores e que a decisão a quo não analisou a documentação referente a base de cálculo das contribuições previdenciárias. 6. No entanto, compulsando os autos constatase claramente que tanto o relato fiscal apresentado pela fiscalização quanto os demais elementos que o compõem, atenderam aos requisitos legais e formais para a sua lavratura, da mesma forma vêse que a autoridade fiscal atuou de forma diligente e detalhou ponto a ponto todos os procedimentos adotados para apurar os valores que constam no auto de infração. 7. Dessa forma, tendo em vista que o montante devido foi apurado mediante análise das folhas de pagamento fornecidas pela própria recorrente, bem como que a comparação entre a RAIS e DIPJ. Inquestionável a base de cálculo considerada. 8. A recorrente sustenta sua tese sob o argumento de que “é verdade que em alguns meses, a recorrente pagou a menor a contribuição descontada de seus empregados, porém, nos meses posteriores, pagou a maior, compensandose essa diferença para totalizar o recolhimento correto”. 9. Nos argumentos do recurso voluntário que seguem, a recorrente admite que “tentou a recorrente justificar alguns recolhimentos que realmente deixaram de ser efetivados, apesar de haver, também, alguns recolhimentos a maior, procedendo a recorrente a uma compensação interna em seus livros que foi ignorada pelo ilustre fiscal autuante”, ação que auto intitula de “compensação interna corporis da recorrente”. 10. Ocorre que, ainda que tal conduta fosse aceita pela fiscalização, não consta nos autos que a empresa apresentou, alguma guia de recolhimento que comprove o alegado. Sendo assim, não há como acolher o argumento de que se trata apenas de pequenas diferenças, ou de que houve recolhimentos a maior que estariam sendo compensados posteriormente. 11. Conforme disciplina ao art. 16, III, do Decreto Lei nº 70.235/72, cabe à recorrente apresentar no momento da impugnação as provas que julgar pertinente, in verbis: “Art. 16 A impugnação mencionará: III – os motivos de fato e de direito em que se fundamente, os pontos de discordância e as razoes e provas que possuir.” 12. Quanto à situação fática, a legislação de regência, qual seja o disposto na Lei nº 8.212/91, art. 32, inciso IV e parágrafo 3º, acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, o que constitui infração ao artigo 32, IV e § 5º da Lei nº 8.212/91, também acrescentados pela Lei nº 9.528 c/c art. 225, inciso IV e § 4º do RPS, dispõe: Lei nº 8.212/91: Fl. 161DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/0 4/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 12897.000117/201013 Acórdão n.º 2803003.142 S2TE03 Fl. 162 7 “Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...). IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (...). § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior.” Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3048/99: “Art.225. A empresa é também obrigada a: (...). IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto (...). §4º O preenchimento, as informações prestadas e a entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social são de inteira responsabilidade da empresa.” 13. Dessa forma, considerando que, conforme relato fiscal a empresa declarou em GFIP somente alguns dos seus segurados empregados, deixando, consequentemente, de recolher a contribuição social previdenciária referente aos demais, e considerando que não foi acostado aos autos, prova documental do cumprimento da obrigação em discussão, não possui razão a recorrente. Corretamente aplicada a penalidade fiscal. 14. Ainda quanto aos argumentos recursais da recorrente requer a realização de diligência, a fim de, com isso permitir que as GFIPs apresentadas tenham a oportunidade de ser conferidas com a documentação referente a folha de salários da ora recorrente de forma mais diligente. 15. Sustenta a necessidade de diligência fiscal para que todos os valores e números determinantes na apuração das diferenças apuradas descontadas de seus empregados tenham a devida e completa análise. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/0 4/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 12897.000117/201013 Acórdão n.º 2803003.142 S2TE03 Fl. 163 8 16. Ocorre que, não merece acolhida o pleito da recorrente, tendo em vista que a fiscalização, diligentemente, conforme relato fiscal, já efetuou tal batimento das GFIPs e das folhas de pagamento da recorrente, e observou que não havia qualquer recolhimento de contribuição previdenciária no período. Ademais, não se pode sustentar uma diligência fiscal, quando a recorrente não trouxe nenhum fato novo que justifique a realização da diligência pleiteada, portanto desnecessária a diligência. 17. Sendo assim, considerando que a empresa não trouxe aos autos nenhuma guia de recolhimento comprovando o recolhimento dos empregados faltantes na GFIP, tampouco conseguiu demonstrar a imprescindibilidade da realização de diligência fiscal, não procedem os argumentos de que se tratam de apenas pequenas diferenças, ou de que houveram recolhimentos a maior que estariam sendo compensados, estes apresentados em sede de recurso voluntário. CONCLUSÃO 18. Diante do exposto, conheço do recurso voluntário, para, no mérito, negar lhe provimento, nos termos acima alinhavados. É como voto. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/0 4/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA
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Numero do processo: 11516.002003/2007-79
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL.
Em se tratando de rendimentos recebidos acumuladamente recebidos por força de ação judicial, embora a incidência ocorra no mês do pagamento, o cálculo do imposto deverá considerar os meses a que se referem os rendimentos. Precedentes do STJ e Julgado do STJ sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil de aplicação obrigatória nos julgamentos do CARF por força do art. 62-A do Regimento Interno.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. EQUÍVOCO NA APLICAÇÃO DA LEI QUE AFETOU SUBSTANCIALMENTE O LANÇAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR PARA REFAZER O LANÇAMENTO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA.
Ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, o lançamento empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizando-se um vício material a invalidá-lo. Não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, mas tão somente afastar a exigência indevida.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LIMITES DA COMPETÊNCIA DO ÓRGÃO JULGADOR. INEXISTÊNCIA DE RECURSO PREVENTIVO.
Não compete ao CARF apreciar razões fáticas e/ou de direito que desafiam preventivamente um lançamento não realizado.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2802-002.881
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para cancelar o lançamento, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Jaci de Assis Júnior que dava provimento parcial em menor extensão.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 19/05/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). O Conselheiro Ronnie Soares Anderson declarou-se impedido, nos termos do inciso II do art. 42 do Regimento Interno do CARF (Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, com alterações da Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010).
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Em se tratando de rendimentos recebidos acumuladamente recebidos por força de ação judicial, embora a incidência ocorra no mês do pagamento, o cálculo do imposto deverá considerar os meses a que se referem os rendimentos. Precedentes do STJ e Julgado do STJ sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil de aplicação obrigatória nos julgamentos do CARF por força do art. 62A do Regimento Interno. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. EQUÍVOCO NA APLICAÇÃO DA LEI QUE AFETOU SUBSTANCIALMENTE O LANÇAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR PARA REFAZER O LANÇAMENTO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, o lançamento empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizandose um vício material a invalidálo. Não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, mas tão somente afastar a exigência indevida. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LIMITES DA COMPETÊNCIA DO ÓRGÃO JULGADOR. INEXISTÊNCIA DE RECURSO PREVENTIVO. Não compete ao CARF apreciar razões fáticas e/ou de direito que desafiam preventivamente um lançamento não realizado. Recurso provido em parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 20 03 /2 00 7- 79 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para cancelar o lançamento, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Jaci de Assis Júnior que dava provimento parcial em menor extensão. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 19/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). O Conselheiro Ronnie Soares Anderson declarouse impedido, nos termos do inciso II do art. 42 do Regimento Interno do CARF (Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, com alterações da Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010). Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício 2003, anocalendário 2002, decorrente de a fiscalização ter apurado omissão de rendimentos tributáveis de R$20.824,40, recebidos na ação declaratória 2003.863.000093234, e porque, no julgamento da apelação cível nº 345122/PE, o Tribunal Regional Federal da 5ª região considerou os rendimentos de natureza remuneratória. O contribuinte impugnou sob argumentação de que (a) não omitiu rendimentos, pois os declarou como rendimentos isentos (precatório 42.022/AL) em razão de a não incidência tributária sobre essas verbas estar sendo pleiteada judicial (processo 2003.84.00.0049739); e (b) não é lícita a autuação pois se encontra sub judice a natureza dessa verba. A Delegacia de Julgamento não conheceu da impugnação quanto à matéria discutida judicialmente (incidência do imposto), julgandoa exclusivamente quanto à matéria diferenciada, qual seja a negativa de omissão de rendimentos por terem sido declarados como isentos e não tributados. Desse julgamento, resultou o indeferimento da impugnação, porque o erro de declarar como isentos e não tributáveis implicou em não terem sido oferecidos á tributação. Ciente em 28/03/2011, o contribuinte recorreu em 10/04/2011 com os seguintes argumentos: 1) não houve omissão de rendimentos, pois os mesmos foram declarados no campo próprio para rendimentos isentos ou não tributáveis, o que se justifica por estar essa Fl. 96DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.002003/200779 Acórdão n.º 2802002.881 S2TE02 Fl. 96 3 matéria sub judice, com presunção juris tantum e somente com o trânsito em julgado poderia ser feita a cobrança; 2) por se tratar de rendimento recebido acumuladamente, o cálculo do imposto deveria ter sido feito com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias, como reconhecido pela Jurisprudência do STJ e atos administrativos que vinculam os agentes e órgãos da Receita Federal do Brasil (parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, despacho do Ministro da Fazenda e Ato Declaratório PGFN nº 1/2009); e 3) prescrição ocorrida em razão do tempo entre o fato e a possibilidade de novo lançamento nos termos do Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009. O julgamento foi sobrestado por meio da Resolução 2802000.137, porém com a revogação da norma regimental que prescrevia o sobrestamento de processos no CARF, o julgamento foi retomado. Em síntese, esse é o caso a ser julgado. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso já foi admitido, bem como foi considerado que não há contestação em relação ao não conhecimento de parte da impugnação por concomitância entre a via administrativa e a judicial. Razão pela qual se trata de matéria incontroversa e, portanto, preclusa. Tal como na impugnação, o recorrente alega que não houve omissão de rendimentos, pois os mesmos foram declarados no campo próprio para rendimentos isentos ou não tributáveis, o que se justifica por estar discutindo esta questão em juízo. A fundamentação do acórdão recorrido está correta. A omissão de rendimentos se caracteriza pelo fato de os rendimentos não terem sido levado à tributação na Declaração de Ajuste Anual, o que se dá com a inclusão na base de cálculo. Declarar como isentos corresponde a não levar os rendimentos à formação da base de cálculo. No recurso voluntário, o recorrente vai além das alegações impugnatórias e argumenta acerca da forma de tributação dos rendimentos acumulados. Neste ponto, destacamse duas premissas: a) a omissão de rendimentos está em litígio; e b) cabe ao CARF o controle de legalidade do ato de lançamento. É dever do CARF analisar a correção do critério adotado no lançamento. Já tive oportunidade de manifestar meu entendimento sobre o tema em outros julgados, como o foram os acórdãos nº 280200.476 e 280200.477, de 22 de setembro de 2010 e 280200.548, de 20 de outubro de 2010, dessa Turma, todos unânimes. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Em um primeiro momento fundamentei meus votos a partir das seguintes premissas: a) consolidação no Superior Tribunal de Justiça (STJ) do entendimento acerca dos rendimentos recebidos acumuladamente; b) decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que negou repercussão geral ao tema; e c) publicação do Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, do Despacho do Ministro da Fazenda SN/2009, do Ato Declaratório PGFN nº 1, de 27 de março de 2009 e do Parecer PGFN /CAT 815/2010, editados com fulcro na Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002. O referido Ato Declaratório autorizava a dispensa de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexistisse outro fundamento relevante, "nas ações judiciais que visem obter a declaração de que, no cálculo do imposto renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, devem ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global", mencionando os seguintes julgados do STJ: Resp 424225/SC (DJ 19/12/2003); Resp 505081/RS (DJ 31/05/2004); Resp 1075700/RS (DJ 17/12/2008); AgRg no REsp 641.531/SC (DJ 21/11/2008); Resp 901.945/PR (DJ 16/08/2007). Ocorreu que o STF decidiu por reconhecer repercussão geral ao tema e com isso a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) suspendeu a eficácia do Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, e conseqüentemente tornou insubsistentes o Ato Declaratório PGFN nº 1, de 27 de março de 2009 e o Parecer PGFN /CAT 815/2010. A mudança da posição do STF ocorreu no AgRQO/RS, rel. Min. Ellen Gracie, 20.10.2010, (RE614232 e RE 614406) em que se enfrentou questão provocada pelo fato de o TRF da 4ª Região ter declarado a inconstitucionalidade, sem redução de texto, do art. 12 da Lei 7.713/88, o qual determina a incidência do Imposto de Renda no mês do recebimento de valores acumulados sobre o total dos rendimentos. Com a admissão da repercussão geral e determinação de sobrestamento dos processes no STF, estes processos passaram a ser sobrestados no CARF com fundamento no §1º do art.62A do Regimento Interno do CARF. Todavia, essa norma regimental foi revogada e os julgamentos devem prosseguir seu curso novamente. Até o momento não há uma decisão final do STF nos Recursos Extraordinários nº 614232 e 614406 que sãos os paradigmas para esse tema. O desafio, portanto, é aplicar a correta interpretação do art. 12 da Lei 7.713/1988, o que demanda uma análise contextualizada da questão. Vejamos. A tese consolidada no STJ foi proferida no REsp 1118429/SP, julgado em 24/03/2010, em acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC, portanto de aplicação obrigatória no CARF. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.002003/200779 Acórdão n.º 2802002.881 S2TE02 Fl. 97 5 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art.543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008.( REsp 1118429 / SP) Sabese que, neste Conselho, há entendimentos de que o referido julgado está restrito ao recebimento acumulado de benefícios previdenciários ou que sua adoção implicaria deixar de aplicar o art. 12 da lei 7.713/1988. Com devido respeito a essa linha argumentativa, à qual não se adere, passase a analisar, contextualizadamente, a jurisprudência em questão. Os casos que deram origem à jurisprudência do STJ referiamse à revisão de benefícios previdenciários mensais, benefícios previdenciários mensais reconhecidos e pagos com atraso, reajustes mensais de servidores públicos pagos em atraso e pagamentos mensais em atraso devido a retorno ao serviço ativo. Em todos eles os valores foram reconhecidos por competência, possibilitando aplicar a norma tributária a cada caso, implicando em reconhecer que os valores estavam isentos ou definir a alíquota correspondente a cada mês. A título ilustrativo, é possível cotejar alguns do principais julgados que levaram à consolidação da jurisprudência no STJ: a) aposentadoria por tempo de serviço concedida e paga pelo INSS com anos de atraso RESP 758.779/SC; b) revisão de benefícios mensais do INSS – RESP 492.247/RS (Relator Ministro Luiz Fux); RESP 719.774/SC Ministro Teori Zavascki; RESP 901.945 – Relator Ministro Teori Zavascki; RESP 1.088.739/SP– decisão monocrática Ministro Francisco Falcão; c) diferenças salariais mensais da URP – RESP 424.225/SC (Relator Ministro Teori Zavascki); RESP 383.309/SC (Relator Ministro João Otávio Noronha); d) valores mensais de Benefícios previdenciários e assistenciais pagos por precatório – RESP 505.081/RS (Relator Ministro Luiz Fux); e) valores mensais de benefícios previdenciários RESP 1.075.700/RS (Relatora Ministra Eliana Calmon); RESP 723.196/RS – Relator Ministro Franciulli Netto; RESP 667.238/RJ; RESP 667.238/RJ (Relato Ministro José Delgado); RESP 613.996/RS Relator Ministro Arnaldo Esteves Lima; RESP 783.724/RS Relator Ministro Castro Meira; e f) Valores mensais de rendimentos de servidor público – AgReg. AI 766.896/SC, Relator Ministro José Delgado. É fato que as ações de benefícios previdenciários são muito freqüentes, porém se constata que não eram apenas esses casos. Entre inúmeros julgados do Tribunal Superior, elenco alguns para deles extrair os respectivos fundamentos adotados: a) RESP 758.779/SC; tratamento justo ao caso (equidade); Fl. 99DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 b) RESP 492.247/RS; princípios da legalidade e da isonomia.; c) RESP 719.774/SC; princípios da legalidade e da isonomia e vedação ao enriquecimento sem causa da Administração; d) RESP 901.945 – resolução de aparente antinomia entre o art. 521 do RIR1980 (Decreto 85.450/80) e o art. 12 da Lei 7.713/88 se resolve pela seguinte exegese: este último disciplina o momento da incidência; o outro, o modo de calcular o imposto. (Precedentes citados: REsp 617081/PR, 1ª T, Min. Luiz Fux, DJ 29.05.2006 e Resp 719.774/SC, 1ª T, Min. Teori Albino Zavascki, DJ 04.04.2005.); e) RESP 424.225/SC ao dispor sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, o art. 12 da Lei 7.713/88 disciplina o momento da incidência do Imposto de Renda, porém nada diz a respeito da alíquota aplicável a tais rendimentos, adotou a jurisprudência dominante e assentou que não havia declaração de inconstitucionalidade da lei d) RESP 505.081/RS – se o rendimento mensalmente era isento, ao ser recebido de uma só vez não perde essa natureza; e e) RESP 1.075.700/RS não há violação do art. 12 da Lei n.º 7.713∕88 e art. 56, do Decreto n.º 3.000∕99, pois o acórdão recorrido está alinhado com a jurisprudência. Afastar a aplicação do art. 12 da Lei n.º 7.713∕88 está fora da órbita de competência dos membros desse Conselho, portanto fica vedado adotar como razão precedentes judiciais que tenham esse fundamento, ainda que pautados por ofensa à legalidade, à isonomia e mesmo sob o fundamento de buscar o tributo justo. Outrossim, seria inadequado adotar precedentes que se socorreram da equidade, pois há vedação legal expressa quanto ao emprego da equidade para dispensar a exigência de tributo (§2º do art. 108 do CTN). De outro giro, outras premissas devem ser levadas em conta: a) está implícito na função do CARF contribuir para a segurança jurídica em matéria tributária; b) essa Turma já se posicionou diversas vezes sobre esse tema, enquanto não vigorava a norma regimental que impôs o sobrestamento; c) é competência constitucional do STJ atuar como guardião e intérprete da lei federal; d) há jurisprudência consolidada da jurisprudência do STJ sobre o tema e julgada na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil – CPC, cuja reprodução é obrigatória pelos membros do CARF (caput art. 62A do Regimento Interno do CARF, introduzido pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010). Destarte, no CARF, a questão deve ser solucionada com a adoção do entendimento proferido nos acórdãos do STJ que se fundamentaram na interpretação do art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, no sentido de que o momento do recebimento dos rendimentos define a ocorrência do fato gerador, porém no cálculo do tributo aplicamse as alíquotas e tabelas próprias das competências a que os valores se referem (RESP 424.225/SC e RESP 901.945, tese consolidada no RESP 1.118.429/SP). Fl. 100DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.002003/200779 Acórdão n.º 2802002.881 S2TE02 Fl. 98 7 Frisese: é interpretação do art. 12 e não declaração de sua inconstitucionalidade. Diversas vezes, o STF reconheceu que, com esse fundamento, o STJ não está declarando a inconstitucionalidade da norma legal, mas apenas interpretando a legislação infraconstitucional aplicável ao caso: RE 572580/RS, julgado em 03/06/2008; RE 563.347/SC; AI 660.020/SC, e AI 636303/SC, julgado em 01/07/2008. Teria a admissão de repercussão geral, sem decisão definitiva de mérito, o condão de afastar a aplicação do entendimento adotado no STJ e inviabilizar sua aplicação pelo CARF? O Recurso Extraordinário em questão enfrentou um acórdão de Tribunal Regional que declarou a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei 7.713/1988. Por essa razão, as razões do deferimento da repercussão geral foram: a declaração de inconstitucionalidade superveniente e a relevância jurídica correspondente à presunção de constitucionalidade das leis, a necessidade de garantir a unidade do ordenamento jurídico, a uniformidade da tributação federal (art. 151, I da Constituição) e a isonomia (art. 150, II da Constituição) (RE 614232 AgRQO/RS, rel. Min. Ellen Gracie, 20.10.2010, RE 614232). Com a aplicação do entendimento consignado no RESP 1.118.429/SP não está sendo afastada aplicação da lei, mas tão somente dando ao dispositivo legal vigente na época de ocorrência dos fatos geradores (art. 144 do CTN) a interpretação pacificada no âmbito de seu intérprete mais abalizado. Em suma: ausente decisão de mérito do STF na sistemática do art. 543B do CPC, nos Recursos Extraordinários paradigmas, o art. 12 está em vigor e sua interpretação se dá nos moldes do julgado do STJ que adotou o rito do art. 543C do CPC, no sentido de que o momento do recebimento dos rendimentos define a ocorrência do fato gerador, porém no cálculo do tributo aplicamse as alíquotas e tabelas próprias das competências a que os valores se referem (RESP 1.118.429/SP). Após a análise dos precedentes que levaram à tese firmada no Recurso Especial repetitivo, proferido em sede do art. 543C do CPC, concluise que esse julgado merece uma interpretação sistemática e não apenas literal restrita a sua ementa. Destarte, o referido entendimento deve ser implementado nos casos de condenações trabalhistas que sejam compatíveis com o mesmo entendimento, e não apenas ao casos de benefícios previdenciários. Essa exegese vem sendo adotada pelo próprio STJ. Vejamos: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. IMPOSTO DE RENDA. VERBAS TRABALHISTAS DECORRENTES DE RESCISÃO. APURAÇÃO DO VALOR DEVIDO. REGIME DE COMPETÊNCIA. JUROS DE MORA. ISENÇÃO. 1. "O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido Fl. 101DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ" (REsp 1.118.429/SP, processado sob o rito do art. 543C do CPC, Rel. Ministro Herman Benjamin, Primeira Seção, DJe 14/5/2010). 2. A Primeira Seção desta Corte, apreciando o REsp 1.089.720/RS, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, DJe 28/11/12, consolidou entendimento no sentido de que: (I) a regra geral é a incidência do imposto de renda sobre os juros de mora (art. 16, caput e parágrafo único, da Lei n. 4.506/1964), inclusive quando fixados em reclamatórias trabalhistas; (II) há isenção de IR: a) quando o pagamento for realizado no contexto de rescisão do contrato de trabalho e b) quando a verba principal for igualmente isenta ou fora do âmbito do imposto, aplicandose o princípio do accessorium sequitur suum principale. 3. Hipótese em que o recorrido, por força de decisão judicial, recebeu, acumuladamente, verbas trabalhistas decorrentes de rescisão de contrato de trabalho. 4. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no REsp 1238127/RS, Data do julgamento 20/02/2014. No mesmo sentido: REsp 1410118/PE, data do julgado25/02/2014) PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. SERVIDOR PÚBLICO MUNICIPAL. DIFERENÇAS SALARIAIS RESULTANTES DE AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 269, IV, DO CPC. DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. DISPOSITIVOS APONTADOS COMO VIOLADOS. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 282/STF. PRESCRIÇÃO. RELAÇÃO DE TRATO SUCESSIVO. SÚMULA 85/STJ. VERBAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. CÁLCULO MÊS A MÊS. IMPOSTO DE RENDA. MONTANTE GLOBAL. ILEGITIMIDADE. MATÉRIA SUBMETIDA AO RITO DO ART. 543C, DO CPC. RESP 1.118.429/SP. (...) 3. Na espécie, não se discute nem o direito ao reenquadramento, nem as normas em que se fundou tal ato, mas questionase apenas os valores correspondentes ao reenquadramento salarial do servidor, isso conforme a opção pelo Plano de Cargos e Salários e de acordo com a pontuação obtida pelo Plano de Avaliação de Desempenho, pelo que não há falar em prescrição do fundo de direito, mas tão somente das parcelas anteriores ao quinquênio que precedeu à propositura da ação. Inteligência da Súmula 85/STJ. Precedentes: AgRg no AREsp. 4.355/SP, Rel. Min. Castro Meira, Segunda Turma, DJe 1/7/2011; AgRg no Ag. 1.213.131/SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, Sexta Turma, DJe 1/6/2011; e AgRg no Ag 1.076.183/SP, Rel. Min. Laurita Vaz, Quinta Turma, DJe 9/3/2009. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.002003/200779 Acórdão n.º 2802002.881 S2TE02 Fl. 99 9 4. A Primeira Seção desta Corte, ao julgar o REsp 1.118.429/SP, sob o regime do art. 543C do CPC, assentou o entendimento no sentido de que "o Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado", não sendo legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente". 5. Agravo regimental não provido.(AgRg no AREsp 434044/SP, Data do Julgamento 20/02/2014) Este caso concreto é de recebimento de diferenças salariais devidas a servidor público, portanto compatível com a interpretação do art. 12 da Lei 7.713/1988 firmada no RESP 1.118.429/SP. Contudo, ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, o lançamento empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizandose um vício material a invalidálo. Não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, mas tão somente afastar a exigência indevida. Citamse excertos de ementas de alguns precedentes que operam no mesmo sentido: (...) PIS – LEI COMPLEMENTAR 7/70 – BASE DE CÁLCULO – O parágrafo único do art. 6° da LC 7/70 estabeleceu que a base de cálculo correspondia ao faturamento do 6° mês anterior. Se o lançamento desrespeitou essa norma, e como ao julgador administrativo não é permitido refazer o lançamento, então resta apenas cancelar a exigência. (...).( CSRF/0105.163, de 29/11/2004)(grifos acrescidos) Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2008 DESPESA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. NATUREZA JURÍDICOCONTÁBIL. Equivocase o lançamento que considera a despesa de amortização do ágio como despesa com provisão, pois o ágio é a parcela do custo de aquisição do investimento (avaliado pelo MEP) que ultrapassa o valor patrimonial das ações, o que não se confunde com provisões expectativas de perdas ou de valores a desembolsar. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. A instância julgadora pode determinar que se exclua uma parcela da base tributável e que se recalcule o tributo devido, ou mesmo determinar que se recalcule a base de cálculo considerando uma despesa dedutível ou uma receita como não tributável, mas não pode refazer o lançamento a partir de outro critério jurídico que o altere substancialmente. (Acórdão 1302001.170, de 11/09/2013)(grifos adicionados) Fl. 103DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 10 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INALTERABILIDADE DO CRITÉRIO JURÍDICO DO LANÇAMENTO EM RELAÇÃO AO MESMO SUJEITO PASSIVO. Na fase contenciosa, não é admissível a mudança do critério jurídico adotado no lançamento contra o mesmo sujeito passivo em relação aos fatos geradores já concretizados. (...) (Acórdão 2802002.489, de 17/09/2013)(grifos não constam do original) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1996 LANÇAMENTO FISCAL. REDUÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. REDUÇÃO DE SALDO NEGATIVO. DIFERENÇA. No lançamento fiscal, a irregularidade de se lançar sem reduzir o prejuízo fiscal implica em erro na formação da própria base tributável, o que não é passível de correção por parte do julgador administrativo, que não pode alterar o lançamento. Neste sentido, a jurisprudência do CARF é tranqüila no sentido de se cancelar o auto de infração por inteiro. (...) 1401001.086, de 07/11/2013) (grifos acrescentados) Não há outra infração no lançamento guerreado. O recorrente alega ainda que haveria prescrição em razão do tempo entre o fato e a possibilidade de novo lançamento nos termos do Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009. Não há prescrição no âmbito do processo administrativo fiscal. Se o recorrente quis referirse a decadência de novo lançamento, não cabe ao Órgão Julgador manifestarse sobre alegações contra um ato não praticado (novo lançamento). Não há previsão legal de “recurso preventivo”. Ademais, o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009 teve eficácia suspensa. Diante do exposto, devese DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para cancelar o lançamento. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 104DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 13019.000162/2004-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRAZO DE CINCO DIAS. ART. 65 DO RICARF:
O prazo para a interposição de embargos de declaração é de 05 (cinco) dias a contar da intimação da decisão, de acordo com o art. 65 do RICARF. Os embargos apresentados após o transcurso deste prazo não deve ser conhecido.
Numero da decisão: 3401-002.413
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade, não se conheceu do recurso, por ser intempestivo.
(assinado digitalmente)
JULIO CESAR ALVES RAMOS - Presidente.
(assinado digitalmente)
FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl, Jean Cleuter Simoes Mendonca, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Angela Sartori.
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRAZO DE CINCO DIAS. ART. 65 DO RICARF: O prazo para a interposição de embargos de declaração é de 05 (cinco) dias a contar da intimação da decisão, de acordo com o art. 65 do RICARF. Os embargos apresentados após o transcurso deste prazo não deve ser conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade, não se conheceu do recurso, por ser intempestivo. (assinado digitalmente) JULIO CESAR ALVES RAMOS Presidente. (assinado digitalmente) FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl, Jean Cleuter Simoes Mendonca, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Angela Sartori. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 01 9. 00 01 62 /2 00 4- 22 Fl. 591DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 9/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 2 Relatório 1. Tratase de Embargos de Declaração opostos, intempestivamente, pela contribuinte ITAPINUS INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MADEIRA LTDA. contra o Acórdão nº. 220100.080 (fls. 432/438) deste Colegiado que, por unanimidade de votos, negou provimento ao Recurso Voluntário interposto. 2. Transcrevo a ementa da decisão embargada, in verbis: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 COFINS NÃOCUMULATIVA. FRETE PARA ESTABELECIMENTO DA CONTRIBUINTE. O frete de mercadorias acabadas para armazenamento em estabelecimento da contribuinte não dá direito a créditos de COFINS por falta de previsão legal nesse sentido. COFINS NÃOCUMULATIVA. FRETES VINCULADOS A SUPOSTAS OPERAÇÕES DE COMPRA DE INSUMOS JUNTO A PESSOAS FÍSICAS. A aquisição de insumos junto a pessoas físicas não dá direito a créditos de COFINS por falta de previsão legal. Recurso Voluntário Negado.” 3. Em suas razões de Embargos Declaratórios (fls. 536/541), a contribuinte esclarece que o recurso é tempestivo em razão de ter tomado conhecimento da decisão da qual recorre apenas em 03 de fevereiro de 2012. 4. No mérito, aponta que o acórdão recorrido merece reparação sob o argumento de que o transporte entre filiais para atingir o objetivo social da empresa gera direito de crédito da Cofins nãocumulativa. Cita o acórdão nº 340100.708, que entende ratificar sua tese. 5. Discorre que suas mercadorias eram vendidas para clientes domiciliados no exterior. Enfatiza que a tradição das mercadorias, que se destinavam unicamente à comercialização para o mercado externo, se dava no porto de embarque. 6. Indica, ainda, que o transporte entre as filiais era feito com único objetivo de exportação. 7. Em seu pedido, postula a total procedência do recurso com o consequente reconhecimento do seu direito ao crédito da Cofins nãocumulativa em relação ao custo do frete pelo transporte entre filiais. É a síntese do necessário. Voto Fl. 592DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 9/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 13019.000162/200422 Acórdão n.º 3401002.413 S3C4T1 Fl. 564 3 Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte 1. Os Embargos de Declaração têm um prazo inadiável de 5 (cinco) dias para ser interposto mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, de acordo com o §1º, do art. 65, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, transcrito a seguir: “Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. § 1° Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de cinco dias contado da ciência do acórdão: I por conselheiro do colegiado; II pelo contribuinte, responsável ou preposto; III pelo Procurador da Fazenda Nacional; IV pelos Delegados de Julgamento, nos casos de nulidade de suas decisões; V pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão.” 2. De igual modo, o art. 536, do Código de Processo Civil, prevê o mesmo prazo de 5 (cinco) dias para a interposição dos Embargos Declaratórios. Confirase abaixo: “Art. 536. Os embargos serão opostos, no prazo de 5 (cinco) dias, em petição dirigida ao juiz ou relator, com indicação do ponto obscuro, contraditório ou omisso, não estando sujeitos a preparo.” (Redação dada pela Lei nº 8.950, de 1994) 3. No caso em tela, o protocolo se deu após este lapso temporal, sendo assim intempestivo. A Contribuinte foi intimada da decisão do Acórdão proferido por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em 06.10.2009, conforme Aviso de Recebimento juntado às fls. 441, entretanto, só protocolizou o seu embargo, em 17.02.2012, (fls. 536), quando este deveria ser protocolizado até o dia 12.10.2009. 4. Impende destacar que a contribuinte não se desincumbiu do ônus probatório a si imposto de demonstrar que tomou conhecimento do acórdão recorrido apenas em 03.02.2012, conforme discorre em seu recurso (fls. 538). Fl. 593DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 9/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 4 5. Deste modo, não conheço do recurso, por sua intempestividade. É como voto. Fernando Marques Cleto Duarte Relator Fl. 594DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 9/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE
score : 1.0
Numero do processo: 10840.720930/2011-14
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2010
RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO FORA DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE.
Não deve ser conhecido recurso voluntário interposto fora do prazo definido no artigo 33 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 1801-001.637
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros da 1ª Turma Especial, por unanimidade de votos, em não conhecer o recurso, por intempestivo, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes - Presidente
(assinado digitalmente)
Leonardo Mendonça Marques
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: LEONARDO MENDONCA MARQUES
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INTEMPESTIVIDADE. Não deve ser conhecido recurso voluntário interposto fora do prazo definido no artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros da 1ª Turma Especial, por unanimidade de votos, em não conhecer o recurso, por intempestivo, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Leonardo Mendonça Marques Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 72 09 30 /2 01 1- 14 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 19/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 15/05 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES 2 Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão proferida pela DRJ em Ribeirão Preto, que manteve a multa de R$ 500,00, aplicada por atraso na entrega da DCTF relativa a outubro de 2010. Debateuse, na decisão recorrida, por força de questionamentos arguidos em impugnação, os efeitos suscitados pelo sujeito passivo quanto à aplicação do artigo 138 do CTN, sobre a entrega espontânea, mas extemporânea, da DCTF. A manutenção da multa foi fundamentada na alegação de que a norma inscrita no referido artigo não contempla a sanção por descumprimento de obrigação acessória. O recurso voluntário reitera as alegações veiculadas com a impugnação, adicionando precedentes desta E. Segunda Instância administrativa. Também invoca doutrina relacionada à exclusão da multa no caso de parcelamento de dívida tributária, antes de qualquer ato fiscal a ela relacionado. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Mendonça Marques, Relator Conforme se verifica nos autos – extrato dos Correios relativo ao AR, protocolo aposto na primeira folha do recurso, e Despacho de Encaminhamento da DRF – a ciência do contribuinte se deu em 22/03/12, tendo o recurso sido interposto em 24/04/12. O recebimento ocorreu em uma quintafeira. Considerada a regra do Código Tributário Nacional (artigo 210), excluído o dia da intimação, o transcurso do prazo teve início na sextafeira, dia 23 de março. Contados os 30 dias, o prazo encerrarseia no dia 21 de abril, o qual, sendo sábado, levou o dies ad quem para 23 de abril de 2012. Houve transcurso de prazo superior aos 30 dias definidos no artigo 33 do Decreto nº. 70.235/72 (norma dotada de força de lei), revelando a intempestividade do recurso voluntário. A extemporaneidade do recurso consubstancia preclusão, a perda da chance de se insurgir contra a decisão a quo, no processo administrativo, buscando a revisão deste E. Conselho. Ademais, não há, no recurso voluntário, qualquer apontamento quanto a eventuais circunstâncias (feriado local, fechamento da repartição) que pudessem deslocar o início ou o término da contagem do prazo em comento. Nem argumentação tendente a atribuir ineficácia da cientificação operada por via postal. Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo. (assinado digitalmente) Leonardo Mendonça Marques Fl. 62DF CARF MF Impresso em 19/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 15/05 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES Processo nº 10840.720930/201114 Acórdão n.º 1801001.637 S1TE01 Fl. 61 3 Fl. 63DF CARF MF Impresso em 19/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 15/05 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES
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Numero do processo: 15940.000673/2010-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3302-000.375
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator.
EDITADO EM: 02/02/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto e Paulo Guilherme Déroulède.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 02/02/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto e Paulo Guilherme Déroulède.
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente e Relator. EDITADO EM: 02/02/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto e Paulo Guilherme Déroulède. Relatório Contra a empresa VITAPELLI LTDA foi lavrado auto de infração para exigir o pagamento de Multa Regulamentar, prevista no art. 83, inciso II, § 1° da Lei n° 4.502/1964 e art. 1º, alteração 2ª, do Decretolei n° 400/1968, traduzidos para o art. 490 do RIPI/2002. As irregularidades que ensejaram o lançamento foram resumidas pelo Termo de Verificação Fiscal nos seguintes termos: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 59 40 .0 00 67 3/ 20 10 -0 5 Fl. 7666DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15940.000673/201005 Resolução nº 3302000.375 S3C3T2 Fl. 3 2 A ação fiscal teve inicio com a ciência, em 24/01/2006, do Termo de Inicio de Fiscalização (FLS. 02), onde consta a intimação para a contribuinte apresentar livros e documentos para análise de crédito de PIS e COFINS correspondente ao período de 2003 a 2005, pleiteado conforme processos administrativos protocolados para tal finalidade. Para o período compreendido entre janeiro/2006 a junho/2007, foi lavrado o termo de Intimação de fls. 5239. Em decorrência da análise, houve glosa de créditos pleiteados com base em notas fiscais inidôneas, ou seja, de emissão de empresas inexistentes de fato, as quais tiveram suas inscrições declaradas inaptas pelo Fisco Federal ou canceladas no âmbito de Fazendas Estaduais. Os documentos de emissão dessas empresas são considerados imprestáveis e tributariamente ineficazes, o que motivou a glosa dos créditos pleiteados com base em documentos nesta situação. A glosa de crédito refletiu na tributação de IRPJ e demais tributos e contribuições, bem como, lançamento de multa pelo uso de documentos inidôneos. No presente processo, está sendo exigida a multa regulamentar igual ao valor comercial da mercadoria em razão da utilização desses documentos. Os demais tributos/contribuições estão sendo exigidos através de processos distintos. Inconformada com a autuação, a empresa interessada impugnou o lançamento, cujos fundamentos da contestação foram resumidos pela decisão recorrida nos seguintes termos: 1. Não merece prosperar a glosa referente a fornecedores (abaixo discriminados) em situação irregular, por motivos como inexistência de fato, inatividade, não habilitação no SINTEGRA, etc., pois a efetividade das operações de compra, assim como o recebimento das mercadorias, tem comprovação nos documentos anexados (RPA's e comprovantes de pagamento): Carlos Roberto de Domenicis ME CNPJ 03.583.719/000190 este fornecedor encontravase devidamente "habilitado" junto ao SINTEGRA, à época das operações, sendo que, segundo a própria fiscalização o Ato Declaratório de sua inaptidão só foi publicado em 01/09/2008 e não poderia produzir efeitos passados. Ademais, a alegada divergência de peso líquido entre o ticket de pesagem e o que consta na nota fiscal, a mesma tem origem no fato do couro sofrer o processo de desidratação, além disso, restou comprovado o pagamento e recebimento das mercadorias, conforme documentos juntados; Comercial Frigonelli Ltda CNPJ 03.739.574/000174 este fornecedor encontravase devidamente "habilitado" junto ao SINTEGRA, à época das operações, sendo que, segundo a Fazenda Estadual do Rio de Janeiro, a decisão pela inidoneidade dos documentos emitidos pelo fornecedor só foi publicada em 11/05/2006 no D.O.E.R.J. e não poderia retroagir em prejuízo de terceiros. Ademais, a alegada divergência de peso líquido entre o ticket de pesagem e o que consta na nota fiscal, a mesma tem origem no fato do couro sofrer o processo de desidratação, além disso, restou comprovado o pagamento e recebimento das mercadorias, conforme documentos juntados; Copelco Componentes para Calçados Ltda CNPJ 07.587.770/000121 este fornecedor encontravase devidamente "habilitado" junto ao SINTEGRA, à. época das operações, sendo que, o Ato Declaratório de sua inaptidão só foi publicado a partir de 14/12/2007 e não poderia produzir efeitos passados, além disso, restou comprovado o pagamento e recebimento das mercadorias, conforme documentos juntados; Fl. 7667DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15940.000673/201005 Resolução nº 3302000.375 S3C3T2 Fl. 4 3 Frigoneto Ltda CNPJ 16.676.348/000990 este fornecedor encontravase devidamente "habilitado" junto ao SINTEGRA, à época das operações, sendo que, a decisão que cancelou a inscrição estadual só pode ter sido publicada em data posterior a 15/08/2008 e não poderia produzir efeitos passados, além disso, restou comprovado o pagamento e recebimento das mercadorias, conforme documentos juntados; Itaquacouros Comércio de Couros CNPJ 07.188.806/000102 este fornecedor encontravase devidamente "habilitado" junto ao SINTEGRA, à. época das operações, sendo que, a decisão que cancelou a inscrição estadual só pode ter sido publicada em data posterior a 15/01/2007 e não poderia produzir efeitos passados. Ademais, a alegada divergência de peso líquido entre o ticket de pesagem e o que consta na nota fiscal, a mesma tem origem no fato do couro sofrer o processo de desidratação, além disso, restou comprovado o pagamento e recebimento das mercadorias, conforme documentos juntados; Latino Comércio de Couros Ltda EPP CNPJ 06.344.078/000100 este fornecedor encontravase devidamente "habilitado" junto ao SINTEGRA, à época das operações, sendo que, segundo a própria fiscalização o Ato Declaratório de sua inaptidão só foi publicado em 19/05/2008 e não poderia produzir efeitos passados. Ademais, a alegada divergência de peso líquido entre o ticket de pesagem e o que consta na nota fiscal, a mesma tem origem no fato do couro sofrer o processo de desidratação, além disso, restou comprovado o pagamento e recebimento das mercadorias, conforme documentos juntados; M O A Comércio Atacadista de Couros Ltda CNPJ 08.032.036/000169 este fornecedor encontravase devidamente "habilitado" junto ao SINTEGRA, à época das operações, sendo que, a empresa baixou a inscrição no CNPJ de forma voluntária em 25/09/2007 e não há como admitir que se macule as operações praticadas anteriormente à data. Além disso, restou comprovado o pagamento e recebimento das mercadorias, conforme documentos juntados; Marina Vieira da Silva Piracaia CNPJ 02.424.668/000191 este fornecedor encontravase devidamente "habilitado" junto ao SINTEGRA, à época das operações, sendo que, segundo a própria fiscalização o Ato Declaratório de sua inaptidão só foi publicado em 09/09/2008 e não poderia produzir efeitos passados. Ademais, se tivesse encerrado suas atividades em 31/12/2003, como poderia sua titular ter firmado documento relativo à cessão de créditos relativos às vendas para terceiros? Além disso, restou comprovado o pagamento e recebimento das mercadorias, conforme documentos juntados; Max Comércio de Couros Rio Preto CNPJ 06.272.377/000186 este fornecedor encontravase devidamente "habilitado" junto ao SINTEGRA, à época das operações, sendo que, segundo a própria fiscalização o Ato Declaratório de sua inaptidão só foi publicado em 31/01/2008 e não poderia produzir efeitos passados. Além disso, restou comprovado o pagamento e recebimento das mercadorias, conforme documentos juntados, tampouco havendo que se falar em simulação, já que o negócio jurídico de fato existiu, tendo ocorrido, no máximo, uma "dissimulação", o que, pelo Código Civil não invalidaria as operações, sendo desprovidas de qualquer fundamento os argumentos lançados pela fiscalização contra a boafé do contribuinte; Paraíso Com. Componentes para Calçados Ltda CNPJ 07.301.184/000179 este fornecedor encontravase devidamente "habilitado" junto ao SINTEGRA, à época das operações, sendo que, segundo a própria fiscalização o Ato Declaratório de sua inaptidão só foi publicado em 08/05/2008 e não poderia produzir efeitos passados. Além disso, restou comprovado o pagamento e recebimento das mercadorias, conforme documentos juntados; Fl. 7668DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15940.000673/201005 Resolução nº 3302000.375 S3C3T2 Fl. 5 4 R D de Pádua Comércio de Couros Ltda CNPJ 07.907.944/000196 este fornecedor encontravase devidamente "habilitado" junto ao SINTEGRA, à época das operações, sendo que, o Ato Declaratório de sua inaptidão só foi publicado a partir de 21/01/2008 e não poderia produzir efeitos passados. Além disso, restou comprovado o pagamento e recebimento das mercadorias, conforme documentos juntados; Silva de Porcitancula Comércio de Couro Ltda CNPJ 07.340.773/000166 este fornecedor encontravase devidamente "habilitado" junto ao SINTEGRA, à época das operações, sendo que, segundo a própria fiscalização o Ato Declaratório de sua inaptidão só foi publicado em 23/09/2008 e não poderia produzir efeitos passados. Além disso, restou comprovado o pagamento e recebimento das mercadorias, conforme documentos juntados; WG Couros Ltda. CNPJ 04.461.371/000121 este fornecedor encontravase devidamente "habilitado" junto ao SINTEGRA, à época das operações, sendo que, segundo a própria fiscalização o Ato Declaratório de sua inaptidão só foi publicado em 24/03/2008 e não poderia produzir efeitos passados. Além disso, restou comprovado o pagamento e recebimento das mercadorias, conforme documentos juntados. 2. Nos termos da IN SRF n° 568, de 08 de setembro de 2005, art. 48, § 3°, inciso I, a inidoneidade de documentos emitidos somente pode ser aplicada com a publicação do ADE no Diário Oficial; a nãolocalização dos contribuintes não pode ensejar as glosas das operações que se referem ao ano de 2006, sendo as inaptidões declaradas apenas a partir de dezembro de 2007; 3. Pelos documentos ofertados à fiscalização, está mais que comprovado o recebimento das mercadorias descritas nas notas fiscais. A suposta infração ao art. 490, inciso II do Decreto n° 4.544/02 (RIPI/02), não pode prosperar, pois se os vendedores não recolheram os tributos devidos, não cabe à autuada qualquer providência, pois a ela não é dado o poder de fiscalização, sendo este decorrente de Poder de Policia; 4. A requerente é adquirente de boafé, sendo as inidoneidades afastadas perante a comprovação da real ocorrência das operações, conforme jurisprudência do Conselho de Contribuintes e do STJ; 5. Tomou o cuidado prévio de contratar fornecimentos de empresas habilitadas no sistema SINTEGRA do Fisco Estadual e junta documentos comprobatórios da efetividade das operações, como cópias de depósitos bancários que comprovam os pagamentos, "tickets de pesagem" que comprovam o recebimento das mercadorias e RPAs que comprovam o transporte das mercadorias, tudo discriminado em planilha elaborada; 6. Argúi ainda que não houve verificação do efetivo ingresso dos produtos adquiridos, cujas notas fiscais foram glosadas, em ofensa ao principio da verdade material que rege o Processo Administrativo Tributário; 7. A atuação é flagrantemente ilegítima e nula, pois à época das operações as empresas fornecedoras encontravamse devidamente habilitadas, tendo sido tornadas públicas as declarações de inidoneidade e de inaptidão em datas bem posteriores aos fatos. 8. A multa seria inexigível, por conta da aplicação do art. 1°, § 3°, inciso I, da Lei n° 11.941/2009 que prevê a redução de 100% das multas de oficio, o que significa a remissão desse tipo de multa, pois: Multa aplicada R$5000,00 Fl. 7669DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15940.000673/201005 Resolução nº 3302000.375 S3C3T2 Fl. 6 5 Redução 100% (R$5.000,00) Total à pagar R$0,00 Por derradeiro, requer a realização de diligencia e perícia para atender aos quesitos especificados na última página da manifestação de inconformidade. A 8a Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto SP julgou procedente o lançamento, nos termos do Acórdão no 1431.841, de 07/12/2010, cuja ementa abaixo se transcreve. DOCUMENTAÇÃO INIDÔNEA. TERCEIRO INTERESSADO. EFEITOS TRIBUTÁRIOS. Somente por meio da apresentação da comprovação cumulativa da entrada de bens no recinto industrial e do efetivo pagamento pelas aquisições, pode o terceiro interessado elidir a ineficácia jurídico tributária da documentação reputada como inidônea. CESSÃO DE CRÉDITO. CONTRATO. COMPROVAÇÃO. Para ter eficácia perante terceiros, a cessão de crédito deve estar embasada em contrato público, ou particular que atenda aos requisitos da legislação civil, em ambos os casos devidamente lançado no Registro de Títulos e Documentos. NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. RECEBIMENTO, REGISTRO E UTILIZAÇÃO. MULTA REGULAMENTAR. Infligese a multa correspondente ao valor atribuído à mercadoria na nota fiscal inidônea, recebida, registrada e utilizada pela adquirente. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Ciente desta decisão em 07/02/2011 (conforme AR), a interessada ingressou, no dia 02/03/2011, com Recurso Voluntário, no qual renova os argumentos da impugnação/manifestação de inconformidade, acima resumido, acrescentando os seguintes argumentos: 1 preliminarmente, 1.1 a decisão recorrida é nula por não ter apreciado todas as razões ofertadas na impugnação. Deixou de apreciar documentos juntados posteriormente aos autos. Cita jurisprudência. 1.2 ocorreu cerceamento do direito de defesa por ter a decisão recorrida indeferido a realização de perícia contábil regularmente solicitada. 1.3 a decisão recorrida não apreciou seus argumentos relativos à suposta infração ao art. 490 do RIPI/02 em conjunto com o disposto no art. 82 da Lei nº 9.430/96. 2 discorda do argumento da decisão recorrida sobre os requisitos de validade da cessão de créditos comerciais, pelas razões que articula. Fl. 7670DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15940.000673/201005 Resolução nº 3302000.375 S3C3T2 Fl. 7 6 3 há necessidade de julgamento simultânea com os Processos números 15940.000516/201091 (IRPJ/CSLL) e 15940.000730/201048 (IRRF). Na forma regimental, o recurso voluntário foi distribuído para relatar. É o Relatório. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais e, portanto, dele se conhece. Como relatado, contra a empresa Recorrente foi lavrado auto de infração de multa regulamentar por ter a empresa se utilizado, para fruir créditos de PIS e Cofins não cumulativas, de notas fiscais inidôneas, ou seja, de emissão de empresas inexistentes de fato, as quais tiveram suas inscrições declaradas inaptas pelo Fisco Federal ou canceladas no âmbito de Fazendas Estaduais. A empresa autuada não logrou provar a entrada das mercadorias e o pagamento do preço às empresas remetentes das mercadorias. Em sua defesa, a Recorrente levanta três preliminares de nulidade da decisão recorrida que deixase para apreciar em momento oportuno, em atenção a conversão do presente julgamento em diligência, como abaixo será demonstrado. Em sua defesa, a Recorrente defende a legitimidade da utilização das notas fiscais sob o argumento de que as operações de compras foram realizadas, as mercadorias entraram no seu estabelecimento e o pagamento foi realizado e que não há formalidades quanto ao pagamento, podendo ser diretamente ao fornecedor ou a terceiros. No ano de 2004 a empresa praticou as mesmas infrações que levaram à lavratura do presente auto de infração. Por esta razão, foi lavrado auto de infração de multa contra a Recorrente, controlado no Processo nº 15940.000292/200984, e também objeto de Recurso Voluntário junto ao CARF, cujo julgamento restou convertido em diligência à UL da RFB, nos termos da Resolução nº 3102000.274, de 24/07/2013. O Ilustre Conselheiro Relator da referida resolução argumenta, Dr. Álvaro Arthur L. de Almeida Filho, articulou as seguintes razões no voto condutor da Resolução: Acontece, que o auto foi lavrado, após a análise de crédito pretendido de PIS e COFINS, decorrente da utilização de notas fiscais emitidas por empresas fornecedoras com situação irregular, como empresa inexistente de fato, inativa, não cadastrada na Secretaria da Receita Estadual e/ou omissa contumaz no cumprimento de obrigações acessórias. Assim, como a recorrente trouxe aos autos elementos que comprovam que em alguns processos, os pedidos de ressarcimento do PIS e de COFINS, que originaram o lançamento foram deferidos para alguns fornecedores que haviam sido considerados inexistentes de fato, o que afetará proporcionalmente a multa ora lançada, já que as especificas Fl. 7671DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15940.000673/201005 Resolução nº 3302000.375 S3C3T2 Fl. 8 7 operações foram consideradas regulares fica, neste momento, prejudicado o julgamento o presente recurso voluntário. Neste diapasão, demonstrada a dependência do julgamento do presente litígio ao resultado final da decisão definitiva administrativamente a ser proferida no julgamento dos processos relativos ao pedido de ressarcimento, deve o presente ser sobrestado até que a mencionada decisão seja prolatada e o seu resultado informado nos autos. Em face do exposto, voto pela CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, com o retorno dos autos à Unidade da Receita Federal de origem, para que a Autoridade Preparadora ateste o resultado das decisões definitivas, de que trata o art. 42 do Decreto nº 70.235, de 1972, proferidas nos autos dos seguintes processos nº (...), assim como proceda a juntada das cópias dos respectivos julgados, realizando o cálculo proporcional da multa em atenção ao resultado dos referidos processos. Após, retornemse os autos a esta 2ª Turma Ordinária para prosseguimento do julgamento. No presente processo, existem 08 (oito) processos de pedido de ressarcimento do ano de 2006, cujos créditos de PIS e Cofins foram pleiteados pela Recorrente, todos julgados pela 3ª Turma Especial da 3ª Câmara, desta 3SJ/Carf. Por outro lado, a Recorrente solicita o julgamento simultâneo deste seu recurso com o recurso apresentado nos processos nº 15940.000516/201091 (IRPJ/CSLL) e 15940.000730/201048 (IRRF). O primeiro processo a competência para julgar o recurso voluntário é da Primeira Seção de Julgamento e o segundo é da Segunda Seção de Julgamento deste Carf. Portanto, não há como atender ao pedido da Recorrente. Ambos os processos já foram distribuídos aos competentes Conselheiros Relatores. Estão aguardando inclusão em pauta de julgamento. No entanto, a decisão que vier a ser proferido nesses processos pode ter algum reflexo no crédito tributário controlado neste processo. Devese, portanto, aguardar as suas decisões definitivas para só então efetuar o julgamento do presente recurso voluntário. Isto posto, voto pela CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, com o retorno dos autos à Unidade da Receita Federal de origem, para que a Autoridade Preparadora ateste o resultado das decisões definitivas (art. 42 do Decreto nº 70.235/72), proferidas nos autos dos processos nº 15940.000293/200767, 15940.000294/200710, 15940.000295/200756, 15940.000298/200790, 15940.000299/200734, 15940.000300/2007 21, 15940.000301/200775, 15940.000501/200728, 15940.000516/201091 e 15940.000730/201048, assim como proceda a juntada das cópias dos respectivos julgados, realizando o cálculo proporcional da multa em atenção ao resultado dos referidos processos. Após, retornemse os autos a esta 2ª Turma Ordinária / 3ª Câmara / 3ª Seção de Julgamento para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator Fl. 7672DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
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