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Numero do processo: 15586.000277/2006-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2000, 2001
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. NULIDADE.
Não está inquinado de nulidade o Auto de Infração lavrado por autoridade competente e em consonância com o que preceitua a legislação, nem tampouco a decisão na qual foi analisado todos os fatos e o direito questionado.
DECADÊNCIA.
Quando não ocorre pagamento antecipado ou diante de dolo, fraude, ou simulação, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE.
A responsabilidade tributária decorre de lei e há solidariedade quando, na mesma obrigação, concorre mais de um credor, ou mais de um devedor, cada um com direito, ou obrigado, à dívida toda.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000, 2001
SIGILO BANCÁRIO. QUEBRA SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL.
Não há que se falar em quebra de sigilo bancário sem autorização judicial, uma vez que os lançamentos estão baseados em documentos fiscais fornecidos pela própria autuada.
ARBITRAMENTO.
A não apresentação de livros e documentos durante o procedimento fiscal justifica o arbitramento do lucro.
OMISSÃO DE RECEITAS DE VENDAS.
Diante de receitas de vendas não oferecidas à tributação, é devido lançamento.
MULTA QUALIFICADA.
Justifica-se a aplicação da multa qualificada quando o contribuinte, de forma reiterada, omite receitas de venda.
JUROS. TAXA SELIC.
É procedente a exigência de juros de mora com base na taxa SELIC, por expressa determinação legal.
PIS. CSLL. COFINS. LANÇAMENTOS REFLEXOS.
Aplica-se ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento principal, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1201-001.765
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em:
a) conhecer do recurso de ofício para NEGAR-LHE provimento;
b) não conhecer dos recursos voluntários interpostos por José Carlos Vassuler, Silvério José Vassuler, Rodrigo Ramos Ribeiro e Agnaldo da Silva Batista, por estranhos à presente lide, assim como o segundo recurso apresentado pelo arrolado Márcio Alexandre Sarnaglia, por intempestivo;
c) conhecer dos recursos voluntários interpostos por Wanderley Stuhr, Márcio Alexandre Sarnaglia, José Antônio Binda, Custódio Forzza Comércio e Exportação Ltda., Itacocal Armazéns Gerais Ltda., Nicchio Sobrinho Café S/A, Giucafé Exportação e Importação Ltda., Silvino Faria Júnior, Zuccon Armazéns Gerais Ltda., Antenor Peris Zuccon e Josildo Schwambach Machado, para:
c.1) DAR provimento aos interpostos por Wanderley Stuhr, Zuccon Armazéns Gerais Ltda., Antenor Peris Zuccon, para excluir as respectivas responsabilidades solidárias;
c.2) NEGAR provimento aos demais recursos.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Rafael Gasparello Lima e José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: PAULO CEZAR FERNANDES DE AGUIAR
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000, 2001 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. NULIDADE. Não está inquinado de nulidade o Auto de Infração lavrado por autoridade competente e em consonância com o que preceitua a legislação, nem tampouco a decisão na qual foi analisado todos os fatos e o direito questionado. DECADÊNCIA. Quando não ocorre pagamento antecipado ou diante de dolo, fraude, ou simulação, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. A responsabilidade tributária decorre de lei e há solidariedade quando, na mesma obrigação, concorre mais de um credor, ou mais de um devedor, cada um com direito, ou obrigado, à dívida toda. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2001 SIGILO BANCÁRIO. QUEBRA SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. Não há que se falar em quebra de sigilo bancário sem autorização judicial, uma vez que os lançamentos estão baseados em documentos fiscais fornecidos pela própria autuada. ARBITRAMENTO. A não apresentação de livros e documentos durante o procedimento fiscal justifica o arbitramento do lucro. OMISSÃO DE RECEITAS DE VENDAS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 02 77 /2 00 6- 70 Fl. 31600DF CARF MF 2 Diante de receitas de vendas não oferecidas à tributação, é devido lançamento. MULTA QUALIFICADA. Justificase a aplicação da multa qualificada quando o contribuinte, de forma reiterada, omite receitas de venda. JUROS. TAXA SELIC. É procedente a exigência de juros de mora com base na taxa SELIC, por expressa determinação legal. PIS. CSLL. COFINS. LANÇAMENTOS REFLEXOS. Aplicase ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento principal, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em: a) conhecer do recurso de ofício para NEGARLHE provimento; b) não conhecer dos recursos voluntários interpostos por José Carlos Vassuler, Silvério José Vassuler, Rodrigo Ramos Ribeiro e Agnaldo da Silva Batista, por estranhos à presente lide, assim como o segundo recurso apresentado pelo arrolado Márcio Alexandre Sarnaglia, por intempestivo; c) conhecer dos recursos voluntários interpostos por Wanderley Stuhr, Márcio Alexandre Sarnaglia, José Antônio Binda, Custódio Forzza Comércio e Exportação Ltda., Itacocal Armazéns Gerais Ltda., Nicchio Sobrinho Café S/A, Giucafé Exportação e Importação Ltda., Silvino Faria Júnior, Zuccon Armazéns Gerais Ltda., Antenor Peris Zuccon e Josildo Schwambach Machado, para: c.1) DAR provimento aos interpostos por Wanderley Stuhr, Zuccon Armazéns Gerais Ltda., Antenor Peris Zuccon, para excluir as respectivas responsabilidades solidárias; c.2) NEGAR provimento aos demais recursos. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Rafael Gasparello Lima e José Carlos de Assis Guimarães. Fl. 31601DF CARF MF Processo nº 15586.000277/200670 Acórdão n.º 1201001.765 S1C2T1 Fl. 3 3 Relatório Adoto como relatório aquele do Acórdão nº 1246.431 da 1ª Turma da DRJ/RJO1, de 17 de maio de 2012 (fls. 30.102 a 30.117), complementandoo a seguir: Versa este processo sobre os Autos de Infração de fls. 12.772/12.900 (ora fls. 15.160/15.288, vol. 66 do eprocesso), que têm como parte integrante o Termo de Verificação de Infração, lavrados pela DRF/VitóriaES, para a exigência de créditos tributários de IRPJ, no valor de R$2.620.336,97, de PIS, no valor de R$722.674,49, de CSLL, no valor de R$1.219.514,73, e de Cofins, no valor de R$3.335.421,20, acrescidos de multa de 150% e de juros de mora. O crédito tributário total lançado monta a R$27.812.820,09. O lançamento foi efetuado em virtude de, em procedimento fiscal, ter havido arbitramento do lucro, “tendo em vista que o contribuinte notificado a apresentar os livros e documentos da sua escrituração, conforme Termo de Início de Fiscalização e Termo de Reintimação em anexo, deixou de apresentálos”. O arbitramento foi efetuado com base na receita omitida. A fiscalização aponta que o interessado, de forma reiterada, omitiu receitas provenientes da venda de café às empresas comerciais, conforme constatado no Termo de Verificação de Infração. O enquadramento legal se encontra nos Autos de Infração. A fiscalização atribuiu responsabilidade pessoal e solidária pelo crédito tributário apurado contra o interessado (Tamex Mercantil Ltda.) às pessoas físicas e jurídicas relacionadas à fl. 12.860 (ora fl. 15.248, vol. 66 do eprocesso). Em decorrência dos fatos apurados (relatados no Termo de Verificação de Infração), foi lavrada Representação Fiscal para Fins Penais, protocolada através do processo nº 15586.000414/200676. Foram apresentadas as impugnações de fls. 12.939/16.001 (ora fls. 15.331/18.462, vol. 67/82 A do eprocesso). Primavera Armazéns Gerais Ltda. alega, em síntese, que: tem legitimidade para impugnar o lançamento, pois lhe foi conferida responsabilidade pessoal e solidária pelo fato gerador do tributo; foi a única empresa que assumiu o uso da conta bancária e alimentou o Fisco com informações, não cabendo sua inclusão no rol dos contribuintes que tentaram ludibriar o Fisco; não dispõe de elementos para impugnar o feito, uma vez que nunca teve participação fraudulenta no evento; deseja adimplir o lançamento no exato quantum que lhe é cabível; ocorreu a decadência em relação aos tributos cujo fato gerador tenha ocorrido antes de dezembro de 2001; não pode ser responsabilizada por fato gerador da empresa Tamex; Fl. 31602DF CARF MF 4 o valor que lhe foi imputado supera em muito seu patrimônio, com “claro arranho ao princípio da capacidade contributiva”; quanto ao arbitramento, “não coadunou com a lei do silêncio”, não podendo sofrer as penalidades. Requer perícia contábil. Giucafé Exportação e Importação Ltda. alega, em síntese, que: os valores lançados foram alcançados pela decadência – obrigação de 2000 e 2001 e ciência da autuação em 02/01/2007; caso não seja deferido o pedido de produção de cópia, o lançamento estará eivado de nulidade pela negativa de ampla defesa; não foi provado seu envolvimento no esquema; não foi individualizada a prática delitiva e o ônus respectivo; a tentativa do Fisco de lhe imputar a responsabilidade tributária é equivocada; o depoimento do Sr. Antônio Tadeu Calmon é imprestável; o lançamento está calcado na violação de sigilo bancário, sem a adequada autorização judicial, o que gera a sua nulidade, diante da violação de diversos princípios constitucionais, como o da irretroatividade; a taxa Selic é inconstitucional. Tamex Mercantil Ltda. alega, em síntese, que: aplicandose o instituto da decadência, a ação fiscal é nula; encontrase extinta a pretensão de qualquer ação pela prescrição; o Auto de Infração ultrapassa as raias do bom entendimento da norma, pois desconhece peculiaridades do mercado local e da comercialização de produtos agrícolas no Espírito Santo; quando se trata de conta bancária, devese expurgar todos os valores a título de empréstimos, juros, taxas, etc.; “sempre atendeu as determinações da Receita e jamais agiu com dolo”, não cabendo a multa de 150%; lucro é débito menos crédito, que, em caso de café, não chega a 1%; “se a contabilidade foi utilizada para cálculo e não apenas a movimentação financeira, não houve sonegação, nem tampouco base jurídica para aplicar o arbitramento”; deve prevalecer a tributação pelo lucro real; a mora há que ser limitada em 20%. Requer perícia e a produção de todas as provas em direito admitidas. Josildo Schwambach Machado alega, em síntese, que: Fl. 31603DF CARF MF Processo nº 15586.000277/200670 Acórdão n.º 1201001.765 S1C2T1 Fl. 4 5 por ter sido identificado como sujeito passivo, na condição de responsável tributário, tem legitimidade para impugnar o lançamento; os elementos que lhe foram enviados (Termo de Verificação de Infração, Autos de Infração e Termo de Encerramento da Ação Fiscal) não satisfazem às exigências do Decreto nº 70.235/1972; ocorreu a decadência, na forma do art. 150, § 4º, do CTN; não é cabível a responsabilidade tributária que lhe foi imputada. Requer a realização de diligência. Sérgio Valani alega, em síntese, que: tem legitimidade para impugnar o lançamento; é sócio da Primavera Armazéns Gerais Ltda., única empresa que assumiu o uso da conta bancária e alimentou o Fisco com informações, não cabendo sua inclusão no rol dos contribuintes que tentaram ludibriar o Fisco; não dispõe de elementos para impugnar o feito, uma vez que nunca teve participação fraudulenta no evento; deseja adimplir o lançamento no exato quantum que lhe é cabível; ocorreu a decadência em relação aos tributos cujo fato gerador tenha ocorrido antes de dezembro de 2001; não pode ser responsabilizado por fato gerador da empresa Tamex; o valor que lhe foi imputado supera em muito seu patrimônio, com “claro arranho ao princípio da capacidade contributiva”; quanto ao arbitramento, “não coadunou com a lei do silêncio”, não podendo sofrer as penalidades. Requer perícia contábil. Wanderley Stuhr alega, em síntese, que: tem legitimidade para impugnar o lançamento; ocorreu a decadência em relação aos tributos cujo fato gerador tenha ocorrido antes de dezembro de 2001; não pode ser responsabilizado por fato gerador da empresa Tamex; o valor que lhe foi imputado supera em muito seu patrimônio, com “claro arranho ao princípio da capacidade contributiva”; quanto ao arbitramento, não coadunou com o esquema narrado pela fiscalização, não podendo sofrer as penalidades. Requer perícia contábil. Custódio Forzza Comércio e Exportação Ltda. alega, em síntese, que: Fl. 31604DF CARF MF 6 deve ser deferido o pedido de produção de cópia, ou o lançamento estará eivado de nulidade pela negativa de ampla defesa; os valores lançados foram alcançados pela decadência – obrigação de 2000 e 2001 e ciência da autuação em 20/12/2006; não foi provado seu envolvimento no esquema; não foi individualizada a prática delitiva e o ônus respectivo; a tentativa do Fisco de lhe imputar a responsabilidade tributária é equivocada; o depoimento do Sr. Antônio Tadeu Calmon é imprestável, devido a seu interesse pessoal no deslinde do processo; o lançamento está calcado na violação de sigilo bancário, sem a adequada autorização judicial, o que gera a sua nulidade, diante da violação de diversos princípios constitucionais, como o da irretroatividade; a taxa Selic é inconstitucional. Nicchio Sobrinho Café S/A alega, em síntese, que: é nulo o lançamento, posto que as provas foram obtidas com violação à Constituição; a fiscalização se baseou em depoimentos pessoais; não foi provada sua responsabilidade; a exigência foi atingida pela decadência; a multa qualificada é indevida. Silvino Faria Júnior alega, em síntese, que não é nem nunca foi sócio de fato da Tamex e que não há prova documental que o vincule à Tamex. Márcio Alexandre Sarnaglia alega, em síntese, que: seu enquadramento como responsável tributário não tem solidez; parcela substancial do crédito tributário foi atingida pela decadência; a própria Receita Federal já reconheceu sua atuação como corretor (intermediador) de café; simplesmente manejava a conta bancária da Tamex para realizar os pagamentos de cafés adquiridos pela empresa frente a produtores rurais; sua responsabilidade tributária deve ser limitada ao crédito tributário apurado exclusivamente pela conta corrente que movimentava. Requer a produção de todas as provas em direito admitidas. José Antônio Binda alega, em síntese, que: seu enquadramento como responsável tributário não tem solidez; parcela substancial do crédito tributário foi atingida pela decadência; Fl. 31605DF CARF MF Processo nº 15586.000277/200670 Acórdão n.º 1201001.765 S1C2T1 Fl. 5 7 a própria Receita Federal já reconheceu sua atuação como corretor (intermediador) de café; simplesmente manejava a conta bancária da Tamex para realizar os pagamentos de cafés adquiridos pela empresa frente a produtores rurais; operase um bis in idem, posto que os cheques depositados em sua conta corrente foram tributados pelo IRPF; sua responsabilidade tributária deve ser limitada ao crédito tributário apurado exclusivamente pela conta corrente que movimentava. Requer a produção de todas as provas em direito admitidas. Itacocal Armazéns Gerais Ltda. alega, em síntese, que: seu enquadramento como responsável tributário não tem solidez; parcela substancial do crédito tributário foi atingida pela decadência. Requer a produção de todas as provas em direito admitidas. Zuccon Armazéns Gerais Ltda. e Antenor Peris Zuccon alegam, em síntese, que: “os fatos foram solidarizados na sua complenitude, apesar da fiscalização não ter correlacionado nem pontuado as condutas, que deveriam ter sido individualizadas”; o fato de ter escriturado as operações com a Tamex é mais do que um indício de que não participava do “esquema”; a imputação de responsabilidade deve se dar de acordo com a lei e com o devido processo legal; nada foi descontado da base de cálculo dos demais tributos (PIS, Cofins e CSLL), a fiscalização não considerou as hipóteses de exclusão da base de cálculo previstas na Lei nº 9.718/1998, nem observou que há valores que são repassados a terceiros que correspondem ao custo da operação; quando cientificado, já havia ocorrido a decadência; não houve conduta sua a justificar a multa de 150%, percentual que, além do mais, representa confisco. Às fls. 16.007/16.017 (ora fls. 18.469/18.479, vol. 82 A do eprocesso), foi proferido o Acórdão nº 1215.343 – 3º Turma da DRJ/RJOI. A decisão da DRJ/RJ01, que entendia que, no Voto da DRJ, “não cabe manifestação a respeito da imputação de responsabilidade pessoal e solidária pelo crédito tributário apurado contra o interessado (Tamex Mercantil Ltda.) às pessoas físicas e jurídicas relacionadas”, foi anulada pelo Acórdão nº 110200.471 do CARF, de 30/06/2011, às fls. 19.260/19.275, vol. 85 do eprocesso, que, reproduzindo o acórdão 110200.376 (que analisou a matéria da responsabilidade), determinou o retorno dos Autos, para que outro acórdão fosse feito na boa e devida forma, com análise das impugnações tempestivamente interpostas. Fl. 31606DF CARF MF 8 Foram apresentados aditamentos à impugnação (fls. 19.333/19.729, vol. 86 do eprocesso). A impugnação foi considerada procedente em parte, conforme decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2001 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. NULIDADE. Não está inquinado de nulidade o Auto de Infração lavrado por autoridade competente e em consonância com o que preceitua a legislação. DECADÊNCIA. Quando não ocorre pagamento antecipado ou diante de dolo, fraude, ou simulação, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ARBITRAMENTO. A não apresentação de livros e documentos durante o procedimento fiscal justifica o arbitramento do lucro. OMISSÃO DE RECEITAS DE VENDAS. Diante de receitas de vendas não oferecidas à tributação, é devido lançamento. MULTA QUALIFICADA. Justificase a aplicação da multa qualificada quando o contribuinte, de forma reiterada, omite receitas de venda. JUROS. TAXA SELIC. É procedente a exigência de juros de mora com base na taxa SELIC, por expressa determinação legal. PIS. CSLL. COFINS. LANÇAMENTOS REFLEXOS. Aplicase ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento principal, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula. SOLIDARIEDADE. Há solidariedade quando, na mesma obrigação, concorre mais de um credor, ou mais de um devedor, cada um com direito, ou obrigado, à dívida toda. A decisão de primeiro grau foi enviada à autuada principal e aos arrolados como responsáveis tributários (ARs às fls. 30.122, 30.125 a 30.139, 30.242 a 30.245). A autuada principal e os responsáveis JMB Corretora de Café Ltda., Sérgio Valani e Primavera Fl. 31607DF CARF MF Processo nº 15586.000277/200670 Acórdão n.º 1201001.765 S1C2T1 Fl. 6 9 Armazéns Gerais Ltda. foram cientificados por edital (fls. 30.124, 30.144 e 30.995), em face da devolução da correspondência enviada aos respectivos endereços. A Tamex Mercantil Ltda. (autuada) e os arrolados JMB Corretora de Café Ltda., Sérgio Valani, Primavera Armazéns Gerais Ltda. e Thiago Abdenor Lopes não apresentaram recurso. Os demais arrolados protocolaram os recursos em que repisam as razões de impugnação, acrescentandose: Wanderley Stuhr: nulidade da decisão de primeira instância por mudança do critério jurídico (art. 146 do CTN), uma vez originariamente ter sido imputada a responsabilidade (art. 135 do CTN) e não a solidariedade; é "descabido (...) falar de responsabilidade tributária no caso vertente, haja vista não se revelar caracterizada alguma "representação" por parte do ora recorrente relativamente à TAMEX MERCANTIL LTDA, mormente de caráter legal, conforme exigido pela previsão do artigo 135, III, do CTN, e tampouco também cogitar de solidariedade tributária, haja vista que o ora recorrente não atuou interessado nos negócios da empresa, sobretudo neles como um todo, mas unicamente visando os seus interesses próprios de intermediador de café, em operações pontuais e específicas que compreenderam a citada pessoa jurídica"; Márcio Alexandre Sarnaglia: houve quebra do sigilo bancário; de que não era administrador da Tamex; jamais figurou em qualquer lista de corretores atuantes em operações de venda promovidas por Tamex Mercantil Ltda., à medida que sua atuação se refere às vendas promovidas por pessoas físicas (pequenos produtores rurais), ou seja, pelas compras feitas por Tamex Mercantil Ltda.; não tinha e não tem qualquer interesse nas operações de venda de café promovidas por pessoas jurídicas; a presunção de que o peticionário promoveu as operações a partir das quais realizados os depósitos na contacorrente por ele movimentada não se sustenta; não é aplicável a multa qualificada de 150%; José Antônio Binda: jamais figurou em qualquer lista de corretores atuantes em operações de venda promovidas por Tamex Mercantil Ltda., à medida que sua atuação se refere às vendas promovidas por pessoas físicas (pequenos produtores rurais), ou seja, pelas compras feitas por Tamex Mercantil Ltda.; Fl. 31608DF CARF MF 10 não tinha e não tem qualquer interesse nas operações de venda de café promovidas por pessoas jurídicas; a presunção de que o peticionário promoveu as operações a partir das quais realizados os depósitos na contacorrente por ele movimentada não se sustenta; não é aplicável a multa qualificada de 150%; Custódio Forzza Comércio e Exportação Ltda.: o pedido de sobrestamento do processo até a decisão do STF sobre quebra do sigilo bancário sem autorização judicial; a nulidade do acórdão da DRJ/RJO uma vez não terem sido analisados todos os argumentos postos na impugnação e por cerceamento do direito de defesa; porque não foi intimada a comprovar a origem dos depósitos bancários de conta de que seria titular, o que viola a disposição do art. 42, § 6º, da Lei nº 9.430/96; não poderia haver a responsabilização da pessoa jurídica por atos relativos a outra pessoa jurídica, segundo o artigo 135 do CTN; houve decadência relativamente a todos os lançamentos; Itacocal Armazéns Gerais Ltda.: a quebra do sigilo bancário; que "não é dado saber a que título foi arrolada como responsável, haja vista a fiscalização haver se omitido completamente a respeito; assim, " a) seja por não declinar o motivo segundo o qual direcionado o ato administrativo (auto de infração) à pessoa da impugnante; b) seja por (parecer) pressupor um motivo absolutamente impertinente e incapaz de suscitar a conseqüência (responsabilidade tributária) deslanchada; e, por último c) seja por fundarse em artifício jurídico inconsistente (desconsideração de personalidade jurídica às avessas ou transposição de sanção administrativa), o auto de infração posto em xeque, não merece subsistir, no que se refere à impugnante; a responsabilidade, no mínimo, deve ficar limitada aos créditos referentes aos depósitos efetuados em suas contas correntes; não cabe a aplicação da multa qualificada; Nicchio Sobrinho Café S/A: que "os documentos carreados à impugnação não foram, definitivamente, avaliados, haja vista que, se fossem minimamente observados, a autoridade julgadora pensaria de outra maneira"; não pode ser atribuída a responsabilidade com base no artigo 124, inciso I, do CTN, por falta de interesse comum; a decadência de todos os lançamentos; Fl. 31609DF CARF MF Processo nº 15586.000277/200670 Acórdão n.º 1201001.765 S1C2T1 Fl. 7 11 não é cabível a qualificação da multa; Giucafé Exportação e Importação Ltda.: o sobrestamento do processo até a decisão do STF sobre quebra do sigilo bancário sem autorização judicial; a nulidade do acórdão da DRJ/RJO uma vez não terem sido analisados todos os argumentos postos na impugnação e por cerceamento do direito de defesa; que não foi intimada a comprovar a origem dos depósitos bancários de conta de que seria titular, o que viola a disposição do art. 42, § 6º, da Lei nº 9.430/96; que não poderia haver a responsabilização da pessoa jurídica por atos relativos a outra pessoa jurídica, segundo o artigo 135 do CTN; houve decadência relativamente a todos os lançamentos; Silvino Faria Júnior: a nulidade da decisão de primeira instância que não analisou a impugnação de forma individualizada; a análise quanto à responsabilidade tributária é de competência exclusiva da Procuradoria da Fazenda Nacional; o instrumento de mandato que detinha o Recorrente nada mais era do que a formalização conferida pela Tamex para que ele pudesse negociar o café e receber créditos pela respectiva venda, não havendo evidências que coloquem em xeque a sua atuação; Zuccon Armazéns Gerais Ltda. e Antenor Peris Zuccon: a nulidade do auto de infração por falta de fundamentação legal da decisão; a nulidade da decisão de primeira instância, por não analisar as razões aduzidas na impugnação; a decadência em face da ciência quanto aos autos de infração ter ocorrido em 2007; que não houve comprovação quanto à responsabilidade dos recorrentes; Josildo Schwambach Machado: a) não foram atendidos os princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, uma vez não ter sido apreciada a impugnação; b) houve cerceamento do direito de defesa por não ter sido deferida a diligência; c) os autos de infração são ineficazes em relação ao recorrente; Fl. 31610DF CARF MF 12 d) ocorreu a decadência relativamente a todos os lançamentos; e) o recorrente não pode ser responsável tributário ante aos débitos lançados pela inaplicabilidade do artigo 135, inciso III, do CTN; f) se em ação fiscal anterior cujo modus operandi foi o mesmo desta (que investigou a V&F) excluiuse expressamente a responsabilidade do recorrente, deve este ser excluído também na presente, uma vez que não teve qualquer participação na constituição da Tamex e jamais representou de fato a Tamex, não tendo participado, assim, do esquema de sonegação fiscal. Foram protocolados, também, recursos pelas pessoas físicas José Carlos Vassuler, Silvério José Vassuler, Rodrigo Ramos Ribeiro e Agnaldo da Silva Batista, estranhos à presente lide, assim como novo recurso pelo arrolado Márcio Alexandre Sarnaglia, este em 30 de julho de 2012. O arrolado Wanderley Stuhr protocolou cópia de ação de justificação (fls. 31.318 a 31.592), que foi contraditada pela PFN (fls. 31.594 e 31.595). É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Relator. Admissibilidade. O valor exonerado pela decisão de piso ultrapassa o limite de alçada R$ 2.500.000,00, pelo que o recurso de ofício deve ser conhecido. Os recursos voluntários estranhos à presente lide não podem ser conhecidos. O segundo recurso protocolado por Márcio Alexandre Sarnaglia é intempestivo, dele não se conhecendo. Relativamente ao recurso protocolado por Nicchio Sobrinho Café S/A, não há chancela de recebimento, pelo que se considera tempestivo em face dos princípios da formalidade mitigada, contraditório e ampla defesa. Os outros recursos voluntários são tempestivos. Os demais pressupostos de admissibilidade foram atendidos. Conhecese pois desses recursos. Recurso de ofício. Na decisão de primeira instância foram exonerados créditos tributários de IRPJ e CSLL relativos aos três primeiros trimestres de 2000 e de contribuição para o PIS/Pasep e Cofins de janeiro a novembro desse mesmo ano. Entendeu a relatora que, quanto ao IRPJ e à CSLL, o lançamento de ofício poderia ser efetuado desde outubro e, quanto ao PIS/Pasep e Cofins, desde dezembro, de 2000. Fl. 31611DF CARF MF Processo nº 15586.000277/200670 Acórdão n.º 1201001.765 S1C2T1 Fl. 8 13 Em face desse entendimento, aplicandose o artigo 173, inciso I, do CTN, a contagem do prazo decadencial iniciarseia em 1º de janeiro de 2001, com o termo final em 31 de dezembro de 2005. Uma vez que os lançamentos foram cientificados à autuada principal em 14 de dezembro de 2006, já havia transcorrido o prazo peremptório. Correta pois a posição adotada na decisão a quo. Quadro geral dos fatos narrados pelo autuante. Reproduzse abaixo um resumo das constatações constantes no Termo de Verificação de Infração (fls. 15.236 e 15.237): A partir das informações e documentos fornecidos pelos clientes, sócios, contadores e procuradores da empresa TAMEX MERCANTIL, instituições financeiras, gerentes das agências bancárias, CARTÓRIO ANTÔNIO MARIA, PRIMAVERA ARMAZÉNS GERAIS, sócios e funcionários da empresa JMB CORRETORA DE CAFÉ LTDA, produtores rurais, empresas de armazéns gerais e sistemas de informações da SRF, constatamos os seguintes fatos referentes à empresa TAMEX MERCANTIL LTDA: 1. A empresa TAMEX foi constituída tendo em seu quadro societário ANTÔNIO TADEU CALMON e MOISÉS ITACIR DA SILVA, conforme contrato social registrado na Junta Comercial do Estado do Espírito Santo. 2. A empresa TAMEX, em seu contrato social, tinha como objetivo o comércio atacadista de café e outras mercadorias livres de comercialização. 3. MOISÉS ITACIR DA SILVA teve a sua assinatura falsificada no referido contrato social, portanto não participou da constituição e muito menos da gerência da empresa TAMEX. 4. ANTÔNIO TADEU CALMON também não participava da gerência da empresa TAMEX. 5. A empresa TAMEX foi constituída com interpostas pessoas em seu quadro societário, ANTÔNIO TADEU CALMON e MOISÉS ITACIR DA SILVA, objetivando ocultar os reais beneficiários das operações de vendas de café e cacau realizadas em nome daquela empresa. 6. A empresa TAMEX foi constituída tendo como objetivo a sonegação de tributos federais (IRPJ, CSLL, PIS, COFINS) incidentes sobre as operações de venda de mercadorias, e da Contribuição Social sobre a Produção Rural (antigo FUNRURAL) incidente sobre as operações de compras de mercadorias dos produtores rurais. 7. Os sócios de fato da empresa TAMEX eram SILVINO FARIA JÚNIOR, conhecido como "JUNINHO" e JOSILDO Fl. 31612DF CARF MF 14 SCHWAMBACH MACHADO, conhecido como "GRIVES", sócios de direito da empresa JMB CORRETORA DE CAFÉ LTDA. 8. SILVINO FARIA JÚNIOR e JOSILDO SCHWAMBACH MACHADO representavam a empresa TAMEX perante empresas atacadistas de café, instituições financeiras e procuradores da referida empresa. 9. SILVINO FARIA JÚNIOR e JOSILDO SCHWAMBACH MACHADO utilizavam a empresa TAMEX para realizar a venda do cacau e café de outras pessoas participantes do esquema de sonegação, para pessoas jurídicas comerciais atacadistas de café. 10. Identificamos as seguintes pessoas físicas e jurídicas que participaram do esquema de sonegação montado por SILVINO FARIA JÚNIOR e JOSILDO SCHWAMBACH MACHADO: MÁRCIO ALEXANDRE SARNÁGLIA e JOSÉ ANTÔNIO BINDA (ITAGUAÇU COMÉRCIO DE CAFÉ E ITACOCAL ARMAZÉNS GERAIS), SÉRGIO VALANI e ADEMAR VALANI (PRIMAVERA ARMAZÉNS GERAIS), NERIO PERES ZUCCON e ANTENOR PERES ZUCCON (ZUCCON ARMAZÉNS GERAIS), WANDERLEY STHUR, GIUCAFÉ EXP. IMP. LTDA, CUSTÓDIO FORZZA COMÉRCIO EXPORTAÇÃO LTDA, NICCHIO SOBRINHO CAFÉ S/A. Eram estas pessoas, que de fato, realizavam a compra de café dos produtores rurais, o transporte e a armazenagem, todas estas operações ocultandose sob o manto da empresa TAMEX MERCANTIL LTDA. Recursos voluntários. Os recursos voluntários serão apreciados em conjunto, no que diz respeito às alegações comuns, valendo as conclusões para todos eles. Em seguida, será efetuada a análise individualizada de cada um deles, segundo as alegações específicas. Sigilo bancário. Foi aduzido em alguns dos recursos que houve a quebra do sigilo bancário sem autorização judicial, o que macularia todo o procedimento. Também, que a Lei nº 10.174/2001 não poderia retroagir para alcançar fatos geradores ocorridos em 2000. Há pedidos de sobrestamento do processo até que o e. Supremo Tribunal Federal emita decisão sobre o assunto em sede de repercussão geral. Por primeiro cumpre esclarecer que o lançamento não foi realizado com base em depósitos bancários de origem não comprovada, mas por arbitramento, utilizandose a receita bruta conhecida: notas fiscais e planilhas de vendas apresentadas, conforme consta no Termo de Verificação de Infração (fl. 130). Não obstante isso, relativamente às questões aventadas: a) foi editada a Súmula CARF nº 35, pacificando a matéria no que tange à retroatividade da norma emquestão: Fl. 31613DF CARF MF Processo nº 15586.000277/200670 Acórdão n.º 1201001.765 S1C2T1 Fl. 9 15 Súmula CARF nº 35: O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. b) já se pronunciou o STF, conforme notícia extraída do seu "site": Quartafeira, 24 de fevereiro de 2016 STF garante ao Fisco acesso a dados bancários dos contribuintes sem necessidade de autorização judicial O Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu na sessão desta quartafeira (24) o julgamento conjunto de cinco processos que questionavam dispositivos da Lei Complementar (LC) 105/2001, que permitem à Receita Federal receber dados bancários de contribuintes fornecidos diretamente pelos bancos, sem prévia autorização judicial. Por maioria de votos – 9 a 2 – , prevaleceu o entendimento de que a norma não resulta em quebra de sigilo bancário, mas sim em transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros. A transferência de informações é feita dos bancos ao Fisco, que tem o dever de preservar o sigilo dos dados, portanto não há ofensa à Constituição Federal. Multa de ofício. Qualificação. Os recorrentes pugnam pela impossibilidade da qualificação da multa e ainda que o percentual seria confiscatório. Segundo eles, não ficou caracterizado ter havido sonegação ou fraude, ao menos em relação a cada um dos respectivos recorrentes, arrolados como responsáveis tributários. Como visto nos autos, em especial no Termo de Verificação da Infração, a Tamex foi organizada de forma fraudulenta, inclusive com assinatura falsa de um dos supostos sócios. Também, foram outorgadas procurações para que fossem abertas contas bancárias em nome da Tamex, nas quais eram feitos depósitos relativos a vendas de café e cacau efetuadas por terceiros e acobertadas por notas fiscais da Tamex. Além disso, como demonstrado, a Tamex não comprovou a integralização do capital social, não possui bens, possuía registrado apenas um empregado e "funcionava" em uma sala que se mantinha a maior parte do tempo fechada e era utilizada somente para fins de recebimento de correspondência. Segundo conclui o autuante: A Tamex foi constituída tendo como objetivo, exclusivo, a sonegação de tributos federais (IRPJ, CSLL, PIS, COFINS) incidentes sobre as operações de venda de mercadorias (café e cacau), e da Contribuição Social sobre a Produção Rural (antigo FUNRURAL) incidente sobre as operações de compras de mercadorias dos produtores rurais. Fl. 31614DF CARF MF 16 Por meio das operações em nome da Tamex, nos anos calendário de 2000 e 2001, foram omitidas receitas da atividade de comércio atacadista de café em grão e cacau no valor total de R$ 111.180.709,90 (cento e onze milhões, cento e oitenta mil, setecentos e nove reais e noventa centavos). Apesar do elevado montante de vendas efetuadas em nome da Tamex Mercantil, não foram oferecidas à tributação quaisquer valores de receitas e por consequência ocorreu a sonegação dos tributos federais devidos sobre a totalidade das receitas auferidas. Ainda, segundo constatado: Verificamos que o contribuinte apresentou as Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ 2001 e 2002, anos calendários de 2000 e 2001, em 24/05/2005, e as Declarações de Contribuições e Tributos Federais DCTF, do 1o ao 4o trimestre dos referidos anoscalendário, em 25/05/2005. Pelo exposto e por tudo o mais que consta no referido Termo de Verificação de Infração, não há dúvidas de que a intenção da autuada era a de sonegação de tributos federais, como de fato ocorreu, já que, mesmo havendo vendas nos anoscalendário em tela, nenhum tributo federal foi recolhido. Corrobora esse entendimento o fato de não ter sido apresentadas as DIPJs e as DCTFs no tempo oportuno, mas somente depois do início da fiscalização. Correta pois a qualificação da multa de ofício. Relativamente à alegação de que o percentual é confiscatório, temse que ele está devidamente previsto em lei (art. 44, inciso II da Lei n° 9.430/1996), cabendo ao agente da administração o seu cumprimento pelo princípio da legalidade objetiva. Não cabe pois aos órgãos administrativos a análise da conformidade de lei regularmente editada com as disposições constitucionais. Nesse sentido, a súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Decadência. Ante ao explanado no item anterior, quanto à contagem do prazo decadencial é aplicável o artigo 173, inciso I, do CTN. Conforme visto em item pretérito, foram exonerados os créditos tributários dos três primeiros trimestres de 2000 (IRPJ e CSLL) e dos meses de janeiro a novembro de 2000 (PIS/Pasep e Cofins), em face da decadência. O IRPJ e a CSLL do último trimestre de 2000 e, bem assim, a contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins do mês de dezembro de 2000, podiam ser lançados de ofício apenas em 2001. Dessa forma, o prazo decadencial iniciarseia em 1º de janeiro de 2002 (primeiro dia do exercício seguinte). Tendose em vista a ciência do lançamento em 14 de dezembro de 2006, não havia transcorrido o prazo fatal de cinco anos. No que tange aos lançamentos do anocalendário 2001, com mais razão devem ser mantidos, pois não havia decaído o direito quanto ao lançamento. Fl. 31615DF CARF MF Processo nº 15586.000277/200670 Acórdão n.º 1201001.765 S1C2T1 Fl. 10 17 Quanto às alegações de que alguns dos responsáveis tributários foram intimados somente em 2007, temse que a decadência, também nesse caso, não se operou, uma vez a responsabilidade ter sido atribuída com base no artigo 135, inciso III, do CTN. Para fundamentar esse entendimento, trazse à colação as lições da Cons. Sandra Maria Faroni, no Acórdão nº 10196.145, de 23 de maio de 2007: Em caso de se aceitar que a responsabilidade tratada a partir do art. 129 do CTN constitui sujeição passiva indireta, seria de se indagar quanto à obrigatoriedade de referidas pessoas figurarem, desde o momento do lançamento, no pólo passivo, o que teria repercussão na decadência. A resposta a essa questão, a meu ver, apenas é positiva nas seguintes hipóteses: (a) nos casos tratados no artigo 130 (em que há subrogação na pessoa do adquirente do imóvel que deu causa aos créditos); (b) artigo 131, I (tributos relativos a bens adquiridos ou remidos); (c) nos casos de sucessão em que, no momento da lavratura do auto de infração, o sujeito passivo direto não mais exista (por exemplo, tendo ocorrido fusão); (d) nas hipóteses previstas no art. 137 (responsabilidade por infrações). Nos demais casos, antes de ser exigido dos responsáveis, o cumprimento da obrigação deve ser exigido do sujeito passivo direto, e no caso do art. 135, a atuação com excesso de poder ou infração a lei, contrato social e estatuto é matéria de defesa, e deve ser alegada pelo sujeito passivo direto, a quem compete a prova. Nas hipóteses em que não há obrigatoriedade de efetuar o lançamento, desde logo, na pessoa do que se convencionou chamar de sujeito passivo indireto, sua posterior inclusão como coresponsáveis não se submete aos limites da decadência, mas sim da prescrição. Responsabilidade tributária. Atribuição. Há a alegação de que a análise quanto à responsabilidade tributária é de competência exclusiva da Procuradoria da Fazenda Nacional. Independentemente da possibilidade de a PFN incluir inicialmente o responsável no Termo de Inscrição em Dívida Ativa ou de poder depois redirecionar a execução para eles (responsáveis), aqueles que, de início, são identificados como responsáveis pelo adimplemento da obrigação tributária devem ser intimados do lançamento, sendolhes facultada a discussão no processo administrativo não só quanto à inclusão no pólo passivo, como também quanto ao mérito do lançamento, procedimento que guarda consonância com o os princípios do contraditório, ampla defesa e devido processo legal. Quanto ao assunto, socorrese, mais uma vez, das lições da Cons. Sandra Maria Faroni insculpidas no voto acima referido: Quanto à inclusão dos coresponsáveis de pólo passivo da execução, duas situações podem ocorrer. A primeira é quando a indicação já consta do Termo de Inscrição da Dívida Ativa, que confere ao coresponsável legitimidade para figurar no pólo Fl. 31616DF CARF MF 18 passivo da execução, só podendo discutir sua responsabilidade por via de embargos à execução. A segunda é quando, no curso do processo, a PFN pede o redirecionamento ou aditamento da execução. Nesse caso, cabe a ela demonstrar a ocorrência das situações previstas no direito material para configuração da responsabilidade subsidiária para que o juiz defira o redirecionamento ou aditamento. Em qualquer caso, é de todo aconselhável que as provas das situações que configuram a responsabilidade sejam produzidas no curso da fiscalização. Porque dificilmente, em momento posterior, essa prova poderá ser feita pela PFN. Não só pela distância temporal dos fatos, mas também pela indiscutível superioridade de aparelhamento da fiscalização para execução dessa tarefa. Assim, em que pese a PFN prescindir de ato formal da fiscalização para incluir os coresponsáveis no Termo de Inscrição da Divida Ativa, ainda que não lavre qualquer termo de indicação de coresponsabilidade, o fisco deve carrear aos autos todos os elementos a que tenha acesso no curso da investigação, para possibilitar à PFN ajuizar quanto à inclusão das pessoas envolvidas. Por outro lado, mesmo desobrigada de praticálo, se a fiscalização, tendo procedido ao lançamento contra o sujeito passivo direto, lavre termo incluindo formalmente terceiro como coresponsável, deve o indicado ter o direito de discutir administrativamente essa acusação. Tratase, no caso, de conciliar o interesse arrecadatório da administração com a garantia dos direitos individuais do cidadão, e respeito ao direito constitucional ao contraditório e à ampla defesa. Ao receber administrativamente a imputação de co responsabilidade, deve ser assegurado o sujeito o direito de se defender administrativamente da imputação. Sobre o tema, transcrevo as judiciosas considerações de Marcos Vinícus Neder, no ensaio "A Imputação da Responsabilidade Tributária a Terceiros no Auto de Infração e o Direito de Defesa: 1 "A imputação de responsabilidade pelo auditor e a posterior inclusão do acusado na CDA resultam, sem dúvida, conseqüências gravosas na esfera de direitos do contribuinte. O responsável, não realizador do fato jurídicotributário, se vê diante de uma demanda judicial expropratória de seu patrimônio com fulcro em exigência de tributo e respectivos acréscimos legais. Essa ação executiva vem acompanhada por prova plena, qualificada pela presunção de certeza e liquidez, cuja origem está lastreada em prévio processo administrativo. Em que pese haver a possibilidade de defesa judicial pela via dos embargos à execução, o responsável inscrito na divida ativa figurará, até que lhe seja fornecida a possibilidade da interposição dos referidos embargos, como inadimplente, arcando com todas as conseqüências 1 In Responsabilidade Tributária. Coordenadores Maria Rita Ferragut, Marcos Vinícius Neder São Paulo: Dialética, 2007 Fl. 31617DF CARF MF Processo nº 15586.000277/200670 Acórdão n.º 1201001.765 S1C2T1 Fl. 11 19 danosas advindas desse fato (v.g., inscrição no Cadin, impossibilidade de obter certidão negativa)." Taxa Selic. Inconstitucionalidade. Relativamente aos juros de mora, temse que eles são devidos por força de lei, mesmo durante o período em que a respectiva cobrança houver sido suspensa por decisão administrativa ou judicial (Decretolei n° 1.736/79, art. 5°; RIR194, art. 988, § 2°, e RIR/99, art. 953, § 3°). E, a partir de 10 de abril de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — Selic, por força do disposto nos artigos 13 e 18 da Lei n° 9.065/95, c/c o artigo 161 do CTN, inclusive segundo entendimento sumulado: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Quanto à alegada inconstitucionalidade da lei que determina a aplicação da referida taxa aos créditos tributários, invocase, novamente a Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Decisão de primeira instância administrativa. Nulidade. Aduzem os recorrentes que a decisão de primeira instância administrativa seria nula em face de: a) cerceamento do direito de defesa; b) a impugnação não ter sido analisada individualizadamente e, por consequência, não terem sido examinados todos os argumentos de defesa; c) mudança do critério jurídico (art. 146 do CTN), uma vez originariamente ter sido imputada a responsabilidade (art. 135 do CTN) e não a solidariedade. No voto condutor da referida decisão, assim se refere a relatora:: As receitas omitidas foram resultado de atividades comerciais praticadas por pessoa jurídica, sendo, então, o crédito tributário constituído em nome desta. No entanto, em face dos fatos apurados durante o procedimento fiscal, relatados no Termo de Verificação de Infração, foi identificada, conforme item 31 do referido Termo, a ocorrência de Sujeição Passiva Solidária. No Termo de Verificação de Infração, a fiscalização descreve, minuciosamente, os diversos procedimentos efetuados durante a ação fiscal (as diligências; as intimações; os depoimentos), que levaram às constatações e conclusões apresentadas nos itens 26 e 27, abaixo transcritos. [...] Constatações Fl. 31618DF CARF MF 20 No item 31 do Termo, a fiscalização reproduz os artigos 128 e 135 do CTN e registra que “a responsabilidade das pessoas descrita no artigo 135 é pessoal e solidária. O dispositivo citado impõe a prática de atos diversos ao estabelecido em lei ou contrato social ou estatuto com o propósito de incorrer a responsabilidade solidária”. Cita doutrina e aponta que “face ao acima exposto e ante todos os fatos exaustivamente relatados no presente Termo de Verificação de Infração, dúvidas inexistem quanto à responsabilidade pessoal e solidária, pelo crédito tributário apurado pela fiscalização contra o contribuinte TAMEX MERCANTIL LTDA, das seguintes pessoas físicas e jurídicas: SILVINO FARIA JÚNIOR, CPF 769.418.68791, JOSILDO SCHWAMBACH MACHADO, CPF 466.084.60678, JMB CORRETORA DE CAFÉ LTDA, CNPJ 03.451.581/0001 76, THIAGO ABDENOR LOPES, CPF 077.122.23785, MÁRCIO ALEXANDRE SARNÁGLIA, CPF 008.228.85778, JOSÉ ANTÔNIO BINDA, CPF 252.411.50706, ITACOCAL ARMAZÉNS GERAIS, CNPJ 008.228.85778, SÉRGIO VALANI, CPF 031.557.50774, PRIMAVERA ARMAZÉNS GERAIS LTDA, CNPJ 04.387.272/000147, ANTENOR PERES ZUCCON, CPF 796.081.67787, ZUCCON ARMAZÉNS GERAIS, CNPJ 27.322.940/000153, WANDERLEY STHUR, CPF 841.208.86700, GIUCAFÉ EXP. IMP. LTDA, CNPJ 31.805.823/000118, CUSTÓDIO FORZZA COMERCIO EXPORTAÇÃO LTDA, CNPJ 31.803.604/000108, NICCHIO SOBRINHO CAFÉ S/A, CNPJ 27.487.131/000100, em virtude das mesmas serem as representantes, de fato, do contribuinte fiscalizado”. Há solidariedade, quando, na mesma obrigação, concorre mais de um credor, ou mais de um devedor, cada um com direito, ou obrigado, à dívida toda (art. 264 do CC). Assim, não há amparo legal à pretensão de a tributação, em relação a cada sujeito passivo solidário, dever ser individualizada e incidir, apenas, sobre determinado quantum. Em sede de impugnação, não foi juntado aos Autos qualquer elemento probante que demonstrasse a inexistência dos fatos relatados no Termo de Verificação de Infração, fatos estes suficientes para justificar a imputação de sujeição passiva, pelo dispositivo citado. Pelo exposto, não há como afastar a responsabilidade tributária imputada a qualquer um dos sujeitos passivos solidários. Não se vislumbra o cerceamento alegado. À autuada principal e aos arrolados como responsáveis tributários foi deferida a possibilidade de impugnar os autos de infração, sendolhes entregues tanto os documentos de formalização destes, quanto o Termo de Verificação de Infração, constituído de noventa folhas, assim como o Termo de Encerramento de Ação Fiscal, facultandolhes a impugnação, nos termos da legislação reguladora do Processo Administrativo Tributário, direito que está sendo exercido por meio do presente processo. Fl. 31619DF CARF MF Processo nº 15586.000277/200670 Acórdão n.º 1201001.765 S1C2T1 Fl. 12 21 Quanto à análise individualizada de cada uma das impugnações, isso não se faz necessário, podendo, naquilo que for comum, ser efetuada a análise em conjunto, valendo as conclusões para todos os impugnantes, como no caso ocorreu. Demais disso, "o julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão", de acordo com a jurisprudência do e. Superior Tribunal de Justiça conforme transcrito abaixo: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA ORIGINÁRIO. INDEFERIMENTO DA INICIAL. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO, OBSCURIDADE, ERRO MATERIAL. AUSÊNCIA. 1. Os embargos de declaração, conforme dispõe o art. 1.022 do CPC, destinamse a suprir omissão, afastar obscuridade, eliminar contradição ou corrigir erro material existente no julgado, o que não ocorre na hipótese em apreço. 2. O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 veio confirmar a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida. 3. No caso, entendeuse pela ocorrência de litispendência entre o presente mandamus e a ação ordinária n. 002781280.2013.4.01.3400, com base em jurisprudência desta Corte Superior acerca da possibilidade de litispendência entre Mandado de Segurança e Ação Ordinária, na ocasião em que as ações intentadas objetivam, ao final, o mesmo resultado, ainda que o polo passivo seja constituído de pessoas distintas. 4. Percebese, pois, que o embargante maneja os presentes aclaratórios em virtude, tão somente, de seu inconformismo com a decisão ora atacada, não se divisando, na hipótese, quaisquer dos vícios previstos no art. 1.022 do Código de Processo Civil, a inquinar tal decisum. 5. Embargos de declaração rejeitados. STJ. 1ª Seção. EDcl no MS 21.315DF, Rel. Min. Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3ª Região), julgado em 8/6/2016. (grifo acrescido) Houve ainda a alegação de nulidade do auto de infração por falta de fundamentação legal da decisão. Nos autos de infração consta a fundamentação legal quanto ao lançamento, assim como no Termo de Verificação de Infração, como pode ser visto às fls. 129 a 135 e 138 a 176. Como visto na transcrição de excerto do voto da decisão de primeira instância, a relatora, quanto à responsabilidade tributária, cita os artigos do CTN utilizados pelo autuante como fundamento para a lavratura dos autos de infração. Também, como pode ser visto no referido voto (fls. 30.108 a 30.112), há fundamento legal invocado para cada um dos tópicos abordados: sigilo bancário, decadência, arbitramento, multa qualificada e juros de mora. Fl. 31620DF CARF MF 22 Ainda, segundo os recorrentes, seria nula a decisão por cerceamento do direito de defesa, uma vez não terem sido deferidos os pedidos de produção de provas, em especial a diligência e a perícia. No entanto, a decisão está bem fundamentada quanto ao indeferimento, nos termos dos artigos 16 e 18 do CTN: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) [...] Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Consta do voto: Quanto ao protesto final pela produção de novas provas, cabe observar que o inciso III, do artigo 16, do Decreto 70.235/1972, com redação do artigo 1º, da Lei 8.748/1993, determina que a impugnação apresentada deve necessariamente mencionar “os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir”. O artigo aduz, ainda, em seu § 4°, acrescentado pela Lei 9.532/1997, que a prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrado motivo de força maior, se refira a fato ou a direito superveniente, ou se contraponha a razões ou a fatos trazidos aos autos posteriormente. Fl. 31621DF CARF MF Processo nº 15586.000277/200670 Acórdão n.º 1201001.765 S1C2T1 Fl. 13 23 Quanto aos pedidos de perícia e diligência, indefiro por prescindíveis, uma vez que constam dos Autos todos os elementos de que necessita o julgador para formar convicção acerca da matéria lançada. Por fim, no que tange à mudança do critério jurídico (art. 146 do CTN), uma vez originariamente ter sido imputada a responsabilidade (art. 135 do CTN) e não a solidariedade, como visto no Termo de Verificação de Infração, além da capitulação pelo artigo 135, inciso III, do CTN, o autuante afirma (fl. 135): A propósito, os dirigentes ou representantes da pessoa jurídica quando agem de forma ilícita com afronta à legislação tributária, como no caso de sonegação fiscal, são responsáveis pelos créditos tributários devidos pelo contribuinte (responsabilidade solidária). (grifo acrescido) Portanto, não há que se falar em mudança de critério jurídico. Transcrevese abaixo o ensinamento de Hugo de Brito Machado que o autuante trouxe à colação no Termo de Verificação de Infração: Na lição de Hugo de Brito Machado, em seu Curso de Direito Tributário, 1997, p. 115, a responsabilidade das pessoas referidas no art. 135 do CTN não implica a exoneração da sujeição passiva do contribuinte. Argumenta que: "A lei diz que são pessoalmente responsáveis, mas não diz que sejam os únicos. A exclusão da responsabilidade, a nosso ver, teria de ser expressa. Com efeito, a responsabilidade do contribuinte decorre de sua condição de sujeito passivo direto da relação obrigacional tributária. Independe de disposição legal que expressamente a estabeleça. Assim, em se tratando de responsabilidade inerente à própria condição de contribuinte, não é razoável admitirse que desapareça sem que a lei o diga expressamente. Isto, aliás, é o que se depreende do disposto no art. 128 do Código Tributário Nacional, segundo o qual "a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindo a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação". Pela mesma razão que se exige dispositivo legal expresso para atribuição da responsabilidade a terceiro, também se há de exigir dispositivo legal expresso para excluir a responsabilidade do contribuinte".A responsabilidade solidária decorre também do artigo 124 do CTN e não simplesmente do indicado artigo 135 e, no caso dessa solidariedade. Conjunto probatório. Como explanado acima, a decisão de primeira instância abordou a imputação da responsabilidade tributária de uma forma englobada, sem no entanto incidir em nulidade. Fl. 31622DF CARF MF 24 No caso, após todo o procedimento de fiscalização, chegouse às conclusões trazidas na referida decisão, no sentido de que a responsabilidade se sustentava, em razão das constatações a que chegou o AuditorFiscal autuante. Cumpre esclarecer que quando se trata de situações em que envolvida a simulação, como por exemplo a constituição de pessoas jurídicas cujos sócios titulares são interpostas pessoas, a prova, na maioria das vezes, é indireta a qual digase, não sofre nenhuma restrição no processo administrativo fiscal. Por outro lado, verificase que a fiscalização não se baseou em fracos indícios, mas num robusto conjunto probatório integrado por vários indicativos convergentes no sentido da estruturação da estratégia concebida, com a participação de várias pessoas, físicas e jurídicas, para praticar a sonegação. Transcrevemse abaixo a descrição de algumas das diligências realizadas e as conclusões que delas advieram, as quais conduzem na direção de que todos os arrolados como responsáveis tributários participaram da estrutura e da organização da Tamex. Os grifos serão acrescidos para o destaque em relação aos recorrentes. Os depoimentos pessoais tomados durante o procedimento, embora tenham pertinência e sejam elucidativos não serão transcritos, pelo que eventual menção será feita remetendose às folhas dos autos: 5. DILIGÊNCIAS CLIENTES DA TAMEX MERCANTIL Com o objetivo de apurarmos as receitas de vendas do contribuinte, nos anoscalendário 2000 e 2001, foram realizadas diligências junto às seguintes pessoas jurídicas comerciais atacadistas de café: As referidas pessoas jurídicas foram intimadas a apresentar,através dos Termos de Intimação Fiscal n° 13/2004 a 30/2004, os elementos abaixo especificados (fls. • 39 a 115): 1. Relação das compras efetuadas, durante os anos de 2000 e 2001, da empresa TAMEX MERCANTIL LTDA, CNPJ 02.414.629/000103, informando o número da nota fiscal, data de emissão e valor. Fl. 31623DF CARF MF Processo nº 15586.000277/200670 Acórdão n.º 1201001.765 S1C2T1 Fl. 14 25 2.Apresentar cópia das notas fiscais relacionadas no item 1. 3. Informar qual a forma de pagamento dos valores referentes às compras efetuadas (depósito em conta, cheque, etc.). 4. Comprovar o efetivo pagamento dos valores referentes às citadas transações comerciais, mediante documentação hábil e idônea (cópias da frente e do verso dos cheques autenticados pela Instituição financeira, cópias de depósitos, recibos, etc,), coincidentes em datas e valores. 5. Informar o nome, endereço e o telefone da(s) pessoa(s) com quem manteve contato comercial referentes àquelas transações. Em resposta, as referidas pessoas jurídicas apresentaram os seguintes documentos: 5.1. Forzza Café Exportadora Ltda. • Resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 13/2004 com a relação das compras efetuadas do contribuinte TAMEX MERCANTIL LTDA (fls. 116 e 117). • Notas fiscais emitidas pelo contribuinte TAMEX MERCANTIL LTDA (fls. 118 a 131). • Cópias de cheques nominais ao fornecedor em formulário de controle interno (fls. 132 a 139). • Extratos bancários de titularidade desta empresa (FORZZA CAFÉ) no Banco Bradesco, Agência de Colatina, conta corrente n° 23.2203 (fls. 140 a 144) > Nas referidas notas fiscais consta como local de retirada da mercadoria a empresa ARMAZÉNS GERAIS FORZZA LTDA, Rod. BR 259 — KM 46 — Barbados, Colatina/ES. > No curso do procedimento fiscal verificamos que os valores de R$ 167.5000,00 e de R$ 89.294,00, pagos pela empresa Forzza Café, foram depositados na conta corrente n° 22.606 na agência 05541 Colatina, que é movimentada, através de Procuração, por EDSON DA SILVA BATISTA, gerente da empresa CUSTODIO FORZZA COMERCIO E EXPORTAÇÃO LTDA. 5.2. Nicchio Sobrinho Café S/A • Resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 14/2004 (fls. 145). • Notas fiscais emitidas pelo contribuinte TAMEX MERCANTIL LTDA (fls. 146 a 232). • Faturas emitidas pelo contribuinte TAMEX MERCANIL LTDA, sem a data do aceite e sem a assinatura do sacado (fls. 233 a 308). • Cópias de cheques nominais ao fornecedor em formulário de controle interno (fls. 309 a 378). Fl. 31624DF CARF MF 26 > Nas referidas notas fiscais consta como local de retirada da mercadoria as empresas ARMAZÉNS GERAIS NICCHIO Ltda, Av. Brasil, 112 — Lace — Colatina ES e ARCA ARMAZÉNS GERAIS NORTE CAPIXABA LTDA, Rod. Carlos Germano Naumam, Colatina/ES. 5.3. Real Café • Resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 15/2004 encaminhando a documentação das compras efetuadas do contribuinte TAMEX MERCANTIL LTDA (fls. 379). • Cópias das Notas fiscais emitidas pelo contribuinte TAMEX MERCANTIL LTDA (fls. 380 a 481). • Cópias de Autorização/Recibo de pagamento, cheques nominais ao fornecedor em formulário de controle interno, Recibos de pagamento assinados por PATRICIA PEREIRA DA SILVA, ROBERTO DO BONFIM, CARLOS ANTÔNIO PINTO DA SILVA JÚNIOR e ANTÔNIO TADEU CALMON, comprovantes de Depósito/Transferência e Recibos de Depósito (fls. 482 a 617). > No curso do Procedimento fiscal verificamos que PATRICIA PEREIRA DA SILVA, ROBERTO DO BONFIM e CARLOS ANTÔNIO PINTO DA SILVA JÚNIOR eram funcionários da empresa JMB CORRETORA DE CAFÉ LTDA. > Os comprovantes de depósitos são referentes a créditos efetuados nas seguintes contas correntes do contribuinte TAMEX MERCANTIL LTDA: > As contas correntes n° 81116 e 12.140 são movimentadas através de procuração, por MARLENE GIUBERTI MARGON, gerente financeira da pessoa jurídica GIUCAFÉ EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA. > As contas correntes n° 51993 e 505.1991 são movimentadas através de procuração, por PATRICIA PEREIRA DA SILVA, ROBERTO DO BONFIM e CARLOS ANTÔNIO PINTO DA SILVA JÚNIOR, funcionários da pessoa jurídica JMB CORRETORA DE CAFÉ LTDA. > Nas referidas notas fiscais consta como local de retirada da mercadoria a empresa GIUCAFÉ ARMAZÉNS GERAIS LTDA, rodovia BR 101 KM 139, Canivete Linhares/ES. 5.4. Custódio Forzza Comércio e Exportação Ltda. Fl. 31625DF CARF MF Processo nº 15586.000277/200670 Acórdão n.º 1201001.765 S1C2T1 Fl. 15 27 • Resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 16/2004 com a relação das compras efetuadas do contribuinte TAMEX MERCANTIL LTDA (fls. 618 a 620). • Cópias das Notas fiscais emitidas pelo contribuinte TAMEX MERCANTIL LTDA, nas quais consta como local de retirada da mercadoria ARMAZÉNS GERAIS FORZZA LTDA, Rod. BR 259 — KM 46 — Barbados, Colatina — ES (fls. 621 a 667). • Cópias de cheques nominais ao fornecedor em formulário de controle interno (fls. 668 a 697). • Extratos bancários de titularidade desta empresa (CUSTÓDIO FORZZA COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO LTDA) no Banco Bradesco, Agência . 05541 Colatina, conta corrente n°4014 (fls. 698 a 718) 5.5. Agro Food Imp. E Exp. Ltda • Resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 17/2004 com a relação das compras efetuadas do contribuinte TAMEX MERCANTIL LTDA (fls. 719 a 721). • Cópias das Notas fiscais emitidas pelo contribuinte TAMEX MERCANTIL LTDA, dentre as quais consta como local de retirada da mercadoria GERCINO COSER CAFÉ S/A, Itaguaçu — ES e ARMAZÉNS GERAIS CARAPINA Ltda (fls. 722 a 791). • Cópia dos Documentos de Crédito — DOC "C" Recibo destinados às seguintes contas correntes (fls. 792 a 882): 5.6. Stockler Comercial e Exp. de Café S/A • Resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 18/2004 encaminhando a documentação das compras efetuadas do contribuinte TAMEX MERCANTIL LTDA (fls. 883 a 887). • Em sua resposta informou dentre os seus contatos comerciais SILVINO FARIA JUNIOR E JOSILDO SCHWAMBACH MACHADO, sócios da empresa JMB Corretora de Café Ltda. • Cópias das Notas fiscais emitidas pelo contribuinte TAMEX MERCANTIL LTDA, dentre as quais consta como local de retirada da mercadoria GIUCAFÉ ARMAZÉNS GERAIS LTDA (fls. 888 a 930). • Cópias de cheques nominais ao fornecedor em formulário de controle interno, Recibos de pagamento assinados por Fl. 31626DF CARF MF 28 PATRICIA PEREIRA DA SILVA, ROBERTO DO BONFIM, CARLOS ANTÔNIO PINTO DA SILVA JÚNIOR e ANTÔNIO TADEU CALMON, e Recibos de Depósitos (fls. 931 a 999). • Fotocópias dos cheques microfilmados pelas instituições financeiras utilizados em pagamento das compras efetuadas do contribuinte TAMEX MERCANTIL LTDA (fls. 1.000 a 1074). > No curso do Procedimento Fiscal verificamos que PATRICIA PEREIRA DA SILVA, ROBERTO DO BONFIM e CARLOS ANTÔNIO PINTO DA SILVA JÚNIOR como funcionários/colaboradores da pessoa jurídica JMB CORRETORA DE CAFÉ e procuradores do contribuinte TAMEX MERCANTIL LTDA. > Os comprovantes de Depósito são referentes a créditos efetuados nas seguintes contas correntes do contribuinte TAMEX MERCANTIL LTDA: > Constatamos que a conta corrente n° 12.140 é movimentada através de procuração, por MARLENE GIUBERTI MARGON, gerente financeira da pessoa jurídica GIUCAFÉ EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA. > Em sua resposta informou que os contatos comerciais com a referida empresa eram realizados através dos Srs. SILVINO FARIA JUNIOR e JOSILDO SCHWAMBACH MACHADO, sócios da empresa JMB CORRETORA DE CAFÉ LTDA. 5.8. Cafenorte S/A Imp. e Exp. • Resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 20/2004 encaminhando a documentação das compras efetuadas do contribuinte TAMEX MERCANTIL LTDA (fls. 1.426 a 1.428). • Cópias das Notas fiscais emitidas pelo contribuinte TAMEX MERCANTIL LTDA, Cópias de cheques nominais ao fornecedor em formulário de controle interno, Recibos de pagamento assinados por PATRICIA PEREIRA DA SILVA, ROBERTO DO BONFIM e CARLOS ANTÔNIO PINTO DA SILVA JÚNIOR, procurações em nome da TAMEX MERCANTIL outorgando poderes às referidas pessoas (fls. 1.429 a 1.713). > Em sua resposta informou , entre outros contatos comerciais, a empresa JMB CORRETORA DE CAFE LTDA. 5.9. Coimbra S/A. • Resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 21/2004 encaminhando a documentação das compras efetuadas do contribuinte TAMEX MERCANTIL LTDA (fls. 1.714). • Cópias das Notas fiscais emitidas pelo contribuinte TAMEX MERCANTIL LTDA, dentre as quais consta como local de retirada da mercadoria GIUCAFÉ ARMAZÉNS GERAIS Fl. 31627DF CARF MF Processo nº 15586.000277/200670 Acórdão n.º 1201001.765 S1C2T1 Fl. 16 29 LTDA e ARMAZÉNS GERAIS NICCHIO LTDA (fls. 1.715 a 1.994). • Cópias de cheques nominais ao fornecedor em formulário de controle interno, Recibos de pagamento assinados por ROBERTO DO BONFIM, CARLOS ANTÔNIO PINTO DA SILVA JÚNIOR e ANTÔNIO TADEU CALMON (fls. 1.995 a 3.047). 5.10. Coimex • Resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 22/2004 encaminhando a documentação das compras efetuadas do contribuinte TAMEX MERCANTIL LTDA (fls. 3.048 a 3.077). • Cópias das Notas fiscais emitidas pelo contribuinte TAMEX MERCANTIL LTDA, Recibo de depósitos bancários efetuados nas contas correntes da TAMEX, planilhas de pagamento .de café e cálculo de corretagem, Recibos de pagamento assinados por PATRICIA PEREIRA DA SILVA, ROBERTO DO BONFIM e CARLOS ANTÔNIO PINTO DA SILVA JÚNIOR, procurações em nome da TAMEX MERCANTIL outorgando poderes às referidas pessoas (fls. 3.078 a 3.168). • Extratos bancários da empresa COIMEX (fls. 3.169 a 3.178). > Nas planilhas de pagamento de café e cálculo de corretagem constam, dentre outros, como corretores a empresa JMB CORRETORA DE CAFÉ LTDA e seu sócio SILVINO FARIA JUNIOR. 5.11. Cia. Cacique • Resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 23/2004 encaminhando a documentação das compras efetuadas do contribuinte TAMEX MERCANTIL LTDA (fls. 3.179 e 3.180). • Demonstrativo das notas fiscais de compra de mercadorias (fls. 3.181 a 3.182). • Cópia das notas fiscais que suportaram as operações comerciais com a empresa TAMEX MERCANTIL LTDA e dos comprovantes de efetivação do pagamento, demonstrando que os valores pagos foram creditados através de Documento de Ordem de Crédito (fls. 3.183 a 3.291). • Relação das pessoas jurídicas ou físicas que foram intermediárias nas operações comerciais com a TAMEX MERCANTIL (fls. 3.292 a 3.293). > Verificamos que na relação de contatos comerciais constam os nomes de SILVINO FARIA JÚNIOR e JMB CORRETORA DE CAFÉ LTDA. 5.12. Giucafé Exportação e Importação Ltda. Fl. 31628DF CARF MF 30 • Resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 24/2004 encaminhando a documentação das compras efetuadas do contribuinte TAMEX MERCANTIL LTDA (fls. 3.294 e 3.295). • Cópias das Notas fiscais emitidas pelo contribuinte TAMEX MERCANTIL LTDA e recibos de pagamentos assinados por ANTÔNIO TADEU CALMON (fls. 3.296 a 3.604). > Nas cópias das Notas fiscais consta como local de retirada da mercadoria a empresa GIUCAFÉ ARMAZÉNS GERAIS LTDA. 5.13. Café Três Corações S/A • Resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 25/2004 encaminhando a documentação das compras efetuadas do contribuinte TAMEX MERCANTIL LTDA (fls. 3.605 a 3.609). • Cópias das Notas fiscais emitidas pelo contribuinte TAMEX MERCANTIL LTDA, extratos da empresa CAFÉ TRÊS CORAÇÕES, comprovantes de depósitos e documentos de crédito (fls. 3.610 a 3.952). > Em diversos documentos de crédito constam como favorecido SÉRGIO VALANI (fls. 3780, 3.783, 3.811, 3.822, 3.389, 3.897, 3.389). > No curso da fiscalização constatamos que SÉRGIO VALANI é procurador da TAMEX MERCANTIL e sócio da empresa PRIMAVERA ARMAZÉNS GERAIS. 5.14. Tristão Companhia de Comércio Exterior • Resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 26/2004 encaminhando a documentação das compras efetuadas do contribuinte TAMEX MERCANTIL LTDA (fls. 3.953 a 3.959). • Cópias das Notas fiscais emitidas pelo contribuinte TAMEX MERCANTIL LTDA, extratos bancários da empresa TRISTÃO, recibos de pagamento em nome da TAMEX assinados por ROBERTO DO BONFIM, CARLOS ANTÔNIO PINTO DA SILVA JÚNIOR e ANTÔNIO TADEU CALMON, e comprovantes de depósitos (fls. 3.960 a 4.128). 5.15. Marca Café • Resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 27/2004 encaminhando a documentação das compras efetuadas do contribuinte TAMEX MERCANTIL LTDA (fls. 4.129 a 4.137). • Cópias das Notas fiscais emitidas• pelo contribuinte TAMEX MERCANTIL LTDA, cópias de cheques nominais ao fornecedor em formulário de controle interno, recibos de pagamento assinados por PATRICIA PEREIRA DA SILVA, ROBERTO DO BONFIM e CARLOS ANTÔNIO PINTO DA SILVA JÚNIOR, procurações em nome da TAMEX MERCANTIL outorgando poderes às referidas pessoas e comprovantes de depósito (fls. 4.138 a 4.736). [...]. Fl. 31629DF CARF MF Processo nº 15586.000277/200670 Acórdão n.º 1201001.765 S1C2T1 Fl. 17 31 5.18. Nestlé Brasil Brasil Ltda. • Resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 28/2004 encaminhando a documentação das compras efetuadas do contribuinte TAMEX MERCANTIL LTDA (fls. 4.908 a 4.911). • Cópias das Notas fiscais emitidas pelo contribuinte TAMEX MERCANTIL LTDA e cópias dos depósitos bancários (fls. 4.912 a 5.076). > A empresa NESTLÉ, em sua resposta, informou que o contato com a TAMEX era direcionado através dos corretores JMB CORRETORA DE CAFÉ LTDA e GRIVES (JOSILDO SCHWAMBACH MACHADO), sendo que esse era o nosso principal corretor. CONSTATAÇÕES > Os clientes realizavam os contatos comerciais com a TAMEX MERCANTIL LTDA, em sua maior parte, com a empresa JMB CORRETORA DE CAFÉ LTDA ou com os sócios destas, SILVINO FARIA JÚNIOR, conhecido como "JUNINHO" e JOSILDO SCHWAMBACH MACHADO, conhecido como "GRIVES". > Nenhum dos clientes tinha contato como ANTÔNIO TADEU CALMON e MOISÉS ITACIR DA SILVA, que constam como sócios da TAMEX no contrato social. > Os pagamentos eram efetuados pelos clientes através de créditos nas contas correntes da TAMEX MERCANTIL LTDA e/ou através de cheques. > Quando os pagamentos eram realizados em cheques, os recibos emitidos em nome da TAMEX eram assinados por PATRÍCIA PEREIRA DA SILVA, ROBERTO DO BONFIM, CARLOS ANTÔNIO PINTO DA SILVA e ANTÔNIO TADEU CALMON. > Os clientes encaminhavam as procurações em que a empresa TAMEX MERCANTIL na figura do seu sócio ANTÔNIO TADEU CALMON outorgou poderes as seguintes pessoas: PATRÍCIA PEREIRA DA SILVA, ROBERTO DO BONFIM e CARLOS ANTÔNIO PINTO DA SILVA. > PATRÍCIA PEREIRA DA SILVA, ROBERTO DO BONFIM e CARLOS ANTÔNIO PINTO DA SILVA eram funcionários da empresa JMB CORRETORA DE CAFÉ LTDA. > PATRÍCIA PEREIRA DA SILVA, ROBERTO DO BONFIM e CARLOS ANTÔNIO PINTO DA SILVA agiam sob ordens de SILVINO FARIA JÚNIOR e JOSILDO SCHWAMBACH MACHADO, sócios da empresa JMB CORRETORA DE CAFÉ LTDA. > O café destinado à empresa TAMEX MERCANTIL era armazenado nas empresas ARMAZÉNS GERAIS FORZZA Fl. 31630DF CARF MF 32 LTDA, PRIMAVERA ARMAZÉNS GERAIS, GIUCAFÉ ARMAZÉNS GERAIS LTDA, ARCA ARMAZÉNS GERAIS NORTE CAPIXABA LTDA e ARMAZÉNS GERAIS NICCHIO. Como se vê na transcrição das constatações do Termo de Verificação de Infração, as negociações e as operações comerciais entre a Tamex e seus clientes eram entabuladas pelos sócios ou funcionários da JMB Corretora de Café Ltda.: Silvino Faria Júnior, conhecido como "Juninho" e Josildo Schwambach Machado, conhecido como "Grives", Patrícia Pereira da Silva, Roberto do Bonfim e Carlos Antônio Pinto da Silva. Temse, também, que ficou constatado que as contas correntes n° 81116 (Banco do Brasil, Ag. 04782) e 12.140 (Bradesco, Ag. 14931) de titularidade da Tamex eram movimentadas por meio de procuração, por Marlene Giuberti Margon, gerente financeira da pessoa jurídica Giucafé Exportação e Importação Ltda. Outras contas correntes, também de titularidade da Tamex, n° 51993 (Banco do Brasil, Ag. 00213) e 505.1991 (Banco do Brasil, Ag. 37907) eram movimentadas por meio de procuração, por Patrícia Pereira da Silva, Roberto do Bonfim e Carlos Antônio Pinto da Silva Júnior, funcionários da pessoa jurídica JMB Corretora de Café Ltda. Outra constatação é de que o café destinado à empresa Tamex Mercantil era armazenado nas empresas Armazéns Gerais Forzza Ltda., Primavera Armazéns Gerais, Giucafé Armazéns Gerais Ltda., Arca Armazéns Gerais Norte Capixaba Ltda. e Armazéns Gerais Nicchio. Foram efetuadas diligências também quanto às contas bancárias de titularidade da Tamex. Transcrevemse abaixo excertos dos resultados: 6.2.1.Conta corrente n° 071072 — Posto de ltaguaçu • FichaProposta / Cadastro para Abertura de Contas assinada por MÁRCIO ALEXANDRE SARNÁGLIA (fls. 5.349). • Cartão de autógrafo da pessoa jurídica assinado por MARCIO ALEXANDRE SARNÁGLIA (fls. 5.350). • Autorização de Débito Automático para as contas correntes de MARCIO ALEXANDRE SARNÁGLIA e JOSÉ ANTONIO BINDA (fls. 5.352). • Documentos de identificação e comprovação de endereço de. MÁRCIO ALEXANDRE SARNÁGLIA (fls. 5.353 e 5.354). • Contrato de Constituição e Primeira Alteração Contratual da TAMEX MERCANTIL LTDA (fls. 5.355 a 5.357). • Procuração lavrada no CARTÓRIO ANTONIO MARIA, TABELIONATO E REGISTRO CIVIL DO DISTRITO DE CARAPINA — MUNICÍPIO DA SERRA — COMARCA DE VITÓRIA — ESTADO DO ESPÍRITO SANTO, Livro 0161, Folha 183, na qual a empresa TAMEX MERCANTIL LTDA, representada por seu sócio ANTONIO TADEU CALMON, constitui como seu procurador MÁRCIO ALEXANDRE SARNÁGLIA, ao qual confere poderes para representar o outorgante junto a quaisquer instituições bancárias estabelecidas na Capital deste Estado (fls. 5.358). Fl. 31631DF CARF MF Processo nº 15586.000277/200670 Acórdão n.º 1201001.765 S1C2T1 Fl. 18 33 • Documentos de Transferência de créditos da conta corrente n° 71072 da TAMEX MERCANTIL LTDA para a conta corrente n° 20.0018 de JOSÉ ANTÔNIO BINDA (fls. 5.359 e 5.360). • Extrato da conta corrente (fls. 5.361a 5.392). • Cópia dos cheques com valores acima de R$ 10.000,00, assinados por MÁRCIO ALEXANDRE SARNÁGLIA (fls. 5.393 a 5.448). > Verificamos que a maioria dos cheques são nominais a JOSÉ ANTONIO BINDA e MARCIO ALEXANDRE SARNÁGLIA, sócios das empresa ITACOCAL ARMAZÉNS GERAIS e ITAGUAÇU COMÉRCIO DE CAFÉ LTDA. > Constatamos que MÁRCIO ALEXANDRE SARNÁGLIA administrava a conta corrente n° 071072 mantida no posto de Itaguaçu da COOPERATIVA DE CRÉDITO RURAL DE SANTA MARIA DE JETIBÁ. > MÁRCIO ALEXANDRE SARNÁGLIA e JOSÉ ANTÔNIO BINDA eram beneficiários dos recursos que transitaram pela conta corrente n° 071072. [...] 6.3. Cooperativa de Crédito Rural de Venda Nova do Imigrante c/c n° 6386 A COOPERATIVA DE CRÉDITO RURAL DE VENDA NOVA DO IMIGRANTE enviou a documentação bancária referente à conta corrente n° 006386, através dos ofícios datados em 28/12/2004, 03/01/2005, 11/01/2005 e 19/01/2005 (fls. 5.495 a 5.498): • FichaProposta / Cadastro para Abertura de Contas assinada por ANTONIO TADEU CALMON e outra pessoa não identificada (fls. 5.499). • Proposta de Admissão assinada por ANTONIO TADEU CALMON (fls. 5.500 e 5.501). • Cartão de autógrafo da pessoa jurídica assinado por ANTONIO TADEU CALMON e por outra pessoa não identificada (fls. 5.502). • Documentos de identificação de MOISÉS ITACIR DA SILVA, sócio da TAMEX MERCANTIL LTDA (fls. 5.503). • Contrato de Constituição da TAMEX MERCANTIL LTDA (fls. 5.504 E 5.505). • Documentos de identificação de ANTONIO TADEU CALMON, sócio da TAMEX MERCANTIL LTDA (fls. 5.506). • Relatório dos DOCs recebidos na conta corrente da TAMEX MERCANTIL (fls. 5.507 a 5.512). Fl. 31632DF CARF MF 34 • Contratos de abertura de Crédito Rotativo na conta corrente da TAMEX MERCANTIL, que tem como avalistas os Srs. ANTENOR PERIS ZUCCON e SERGIO PERES ZUCCON (fis 5.513 a 5.530). • Extrato de conta corrente (fls. 5.531a 5.648). • Cópia dos cheques com valores acima de R$ 10.000,00, assinado por pessoa não identificada (fls. 5.649 a 6.098). > Verificamos que o telefone n° 5461278, constante em todos os cheques emitidos da conta n° 6386, pertence à empresa ZUCCON ARMAZÉNS GERAIS, cujos sócios são os Srs. ANTENOR PERIS ZUCCON e SÉRGIO PERES ZUCCON [...] 6.4.1.Conta corrente n° 5051991 Agência Shopping Vitória (ES) 37907 • Contrato de Abertura de Conta Corrente assinado por Antônio Tadeu Calmon (fls. 6.113). • Cartão de autógrafo da pessoa jurídica assinado por CARLOS ANTONIO PINTO DA SILVA JÚNIOR, procurador da TAMEX MERCANTIL e funcionário da JMB CORRETORA DE CAFÉ LTDA (fls. 6.114). • Cartão de autógrafo da pessoa jurídica assinado por ANTONIO TADEU CALMON, sócio da TAMEX MERCANTIL (fls. 6.115) • Documentos de identificação de CARLOS ANTONIO PINTO DA SILVA JÚNIOR, CPF 086.802.34770 (fls. 6.116). • Extrato da conta corrente (fls. 6.118 a 6.239). • Cópia dos cheques, assinados por CARLOS ANTONIO PINTO DA SILVA JÚNIOR e ANTONIO TADEU CALMON, com valores acima de R$ 10.000,00 (fls. 6.241 a 7.028). 6.4.2. Conta corrente n°51993 Agência Vitória (ES) 00213 • Ficha Cadastral Pessoa Jurídica (fls. 7.030). • Contrato de Abertura de Conta Corrente assinado por ANTÔNIO TADEU CALMON (fls. 7.031). • Documentos de identificação de ANTONIO TADEU CALMON e MOISÉS ITACIR DA SILVA (fis. 7.032 e 7.033). • Termo de Solicitação, responsabilidade e autorização para utilização de cartões magnéticos em nome de ROBERTO DO BONFIM, procurador da TAMEX MERCANTIL e funcionário da empresa JMB CORRETORA DE CAFÉ LTDA (fls. 7.035). • Termo de recebimento do cartão BB Pessoa Jurídica assinado por ROBERTO DO BONFIM (fls. 7.036) • Cartão de autógrafo da pessoa jurídica assinado por ANTONIO TADEU CALMON (fls. 7.037). Fl. 31633DF CARF MF Processo nº 15586.000277/200670 Acórdão n.º 1201001.765 S1C2T1 Fl. 19 35 • Contrato de Constituição e Primeira Alteração Contratual da TAMEX MERCANTIL LTDA (fls. 7.038 e 7.039). • Extrato da conta corrente n° 067091 (fls. 7.041 a 7.069). • Cópia dos cheques com valores acima de R$ 10.000,00 (fls. 7.071 a 7.269). 6.4.3.Conta corrente n°8.1116 Agência Linhares (ES) 4782 • Contrato de Abertura de Conta Corrente — Pessoa Jurídica, assinado por MARLENE GIUBERTTI MARGON, CPF n° 930.204.57734, procuradora da TAMEX MERCANTIL e funcionária da empresa GIUCAFÉ EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA, CNPJ 31.805.8230001/18 (fls. 7.270 e 7.271). • Termo de adesão do Plano Ouro de Serviços — Pessoa jurídica, assinado por MARLENE GIUBERTTI MARGON (fls. 7.272) • Cartão de autógrafo da pessoa jurídica assinado por MARLENE GIUBERTTI MARGON (fls. 7.275). • Procuração lavrada no CARTÓRIO ANTONIO MARIA, TABELIONATO E REGISTRO CIVIL DO DISTRITO DE CARAPINA — MUNICÍPIO DA SERRA — COMARCA DE VITÓRIA — ESTADO DO ESPÍRITO SANTO, Livro 0165, Folha 169, na qual a empresa TAMEX MERCANTIL LTDA, representada por seu sócio ANTONIO TADEU CALMON, constitui como seu procurador MARLENE GIUBERTTI MARGON, a qual confere poderes para representar o outorgante em todo o território nacional (fls. 7.276). • Procuração lavrada no CARTÓRIO ANTONIO MARIA, TABELIONATO E REGISTRO CIVIL DO DISTRITO DE CARAPINA — MUNICÍPIO DA SERRA — COMARCA DE VITÓRIA — ESTADO DO ESPÍRITO SANTO, Livro 0165,Folha 170, na qual a empresa TAMEX MERCANTIL LTDA, representada por seu sócio ANTONIO TADEU CALMON, constitui como seu procurador SERGIO AFONSO POLTTRONIERI, CPF n° 656.801.20763,ao qual confere poderes para representar o outorgante em todo o território nacional (fls. 7.277). • Contrato de Constituição e Primeira Alteração Contratual da TAMEX MERCANTIL LTDA (fls. 7.278 a 7.280). • Cópia do Cartão CNPJ da TAMEX MERCANTIL LTDA (fls. 7.281 e 7.282). • Documentos de identificação de ANTONIO TADEU CALMON e MOISÉS ITACIR DA SILVA, sócios da TAMEX MERCANTIL (fls. 7.283 e 7.284). Fl. 31634DF CARF MF 36 • Comprovante de endereço de ANTÔNIO TADEU CALMON, no qual consta o telefone para contato n° 3249199 com TADEU ou PATRÍCIA (fls 7.285) • Extrato da conta corrente (fls. 7.286 a 7.313). • Cópia dos cheques com valores acima de R$ 10.000,00, assinados por MARLENE GIUBERTTI MARGON (fls. 7.314 a 7.490). > Verificamos que MARLENE GIUBERTTI MARGON e SERGIO AFONSO POLTTRONIERI são funcionários da empresa GIUCAFÉ EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA. > MARLENE GIUBERTTI MARGON era responsável pela movimentação . financeira da conta corrente n° 8.1116 mantida na agência de Linhares do _ Banco do Brasil. > O telefone de n° 3249199 pertencia à empresa JMB CORRETORA DE CAFÉ LTDA. [...] 6.5.1.Conta corrente 8.9095 Agência Palácio do Café (ES) 2.1970 • Cadastro de Clientes, em que consta como representantes ROBERTO DO BONFIM, CARLOS ANTONIO PINTO DA SILVA JUNIOR e PATRICIA PEREIRA DA SILVA, procuradores da TAMEX e funcionários da empresa JMB CORRETORA DE CAFÉ LTDA (fls. 8.276 a 8.280). • Cartões de autógrafos assinados .por ROBERTO DO BONFIM,CARLOS ANTONIO PINTO DA SILVA JUNIOR, PATRICIA PEREIRA DA SILVA, MOISÉS ITACIR DA SILVA e ANTONIO TADEU CALMON (fls. 8.282 a 8.284). • Documentos de identificação de CARLOS ANTONIO PINTO DA SILVA JUNIOR, PATRICIA PEREIRA DA SILVA, MOISÉS ITACIR DA SILVA e ANTONIO TADEU CALMON (fls. 8.285 a 8.287). . • Procuração lavrada no CARTÓRIO ANTONIO MARIA, TABELIONATO E REGISTRO CIVIL DO DISTRITO DE CARAPINA — MUNICÍPIO DA SERRA — COMARCA DE VITÓRIA — ESTADO DO ESPÍRITO SANTO, Livro 0158, Folha 175, na qual a empresa TAMEX MERCANTIL LTDA, representada por seu sócio ANTONIO TADEU CALMON, constitui como seu procurador ROBERTO DO BONFIM, ao qual confere poderes para representar o outorgante em todo o território nacional (fls. 8.288). • Procuração lavrada no CARTÓRIO ANTONIO MARIA, TABELIONATO E REGISTRO CIVIL DO DISTRITO DE CARAPINA — MUNICÍPIO DA SERRA — COMARCA DE VITÓRIA — ESTADO DO ESPÍRITO SANTO, Livro 0165, Folha 118, na qual a empresa TAMEX MERCANTIL LTDA, representada por seu sócio ANTONIO TADEU CALMON, constitui como seu procurador CARLOS ANTONIO PINTO DA Fl. 31635DF CARF MF Processo nº 15586.000277/200670 Acórdão n.º 1201001.765 S1C2T1 Fl. 20 37 SILVA JUNIOR, ao qual confere poderes para representar o outorgante em todo o território nacional (fls. 8.289 e 8.290). • Procuração lavrada no CARTÓRIO ANTONIO MARIA, TABELIONATO E REGISTRO CIVIL DO DISTRITO DE CARAPINA — MUNICÍPIO DA SERRA — COMARCA DE VITÓRIA — ESTADO DO ESPÍRITO SANTO, Livro 0157, Folha 190, na qual a empresa TAMEX MERCANTIL LTDA, representada por seu sócio ANTONIO TADEU CALMON, constitui como seu procurador PATRICIA PEREIRA DA SILVA, a qual confere poderes para representar o outorgante em todo o território nacional (fls. 8.291). • Comprovante de endereço de ANTÔNIO TADEU CALMON (fls. 8.294). • Comprovante de endereço de MOISES ITACIR DA SILVA (fls 8.295). • Extrato da conta corrente (fls. 8.296 a 8.382). • Cópia dos cheques com valores acima de R$ 10.000,00 (fls. 8.383 a 9.659). 6.5.2. Conta corrente n° 12.1401 Agência Linhares (ES) 1.4931 • Cadastro de Clientes, em que consta como representantes SÉRGIO AFONSO POLTRONIERI, procurador da TAMEX e funcionário da empresa GIUCAFÉ EXP. IMP. LTDA(fls. 9.660 e 9.661). • Cartões de autógrafos assinados pelos por SERGIO AFONSO POLTRONIERI, ANTONIO TADEU CALMON e MARLENE GIUBERTI MARGON, gerente financeira da pessoa jurídica GIUCAFÉ EXP. IMP. LTDA. (fls. 9.662 e 9.663). • Correspondência de devoluções de cheques da TAMEX MERCANTIL, assinada por SÉRGIO AFONSO POLTRONIERI e MARLENE GIUBERTTI MARGON (fls. 9.664) • Procuração lavrada no CARTÓRIO ANTONIO MARIA, TABEL1014ATO E REGISTRO CIVIL DO DISTRITO DE CARAPINA — MUNICÍPIO DA SERRA — COMARCA DE VITÓRIA — ESTADO DO ESPÍRITO SANTO, Livro 0165, Folha 169, na qual a empresa TAMEX MERCANTIL LTDA, representada por seu sócio ANTONIO TADEU CALMON, constitui como seu procurador MARLENE GIUBERTTI MARGON, a qual confere poderes para representar " o outorgante em todo o território nacional (fls. 9.665). • Procuração lavrada no CARTÓRIO ANTONIO MARIA, TABELIONATO E REGISTRO CIVIL DO DISTRITO DE CARAPINA — MUNICÍPIO DA SERRA — COMARCA DE VITÓRIA — ESTADO DO ESPÍRITO SANTO, Livro 0165, Folha 170, na qual a empresa TAMEX MERCANTIL LTDA, representada por seu sócio ANTONIO TADEU CALMON, Fl. 31636DF CARF MF 38 constitui como seu procurador SERGIO AFONSO POLTTRONIERI, CPF n° 656.801.20763,ao qual confere poderes para representar o outorgante em todo o território nacional (fls. 9.666). • Procuração lavrada no CARTÓRIO ANTONIO MARIA, TABELIONATO E REGISTRO CIVIL DO DISTRITO DE CARAPINA — MUNICÍPIO DA SERRA — COMARCA DE VITÓRIA — ESTADO DO ESPIRITO SANTO, Livro 0172, Folha 029, na qual a empresa TAMEX MERCANTIL LTDA, representada por seu sócio ANTONIO TADEU CALMON, constitui como seu procurador SERGIO AFONSO POLTTRONIERI, CPF n° 656.801.20763,ao qual confere poderes para representar o outorgante em todo o território nacionaI (fls. 9.666). • Contrato de Constituição e Primeira Alteração Contratual da TAMEX MERCANTIL LTDA (fls. 9.669 a 9.673). • Extrato da conta corrente (fls. 9.676 a 9.708). • Cópia dos cheques com valores acima de R$ 10.000,00, assinados por MARLENE GIUBERTTI MARGON (fls. 9.709 a 9.881). > Verificamos que MARLENE GIUBERTTI MARGON e SERGIO AFONSO POLTTRONIERI são funcionários da empresa GIUCAFÉ EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA. > MARLENE GIUBERTTI MARGON era responsável pela movimentação financeira da conta corrente n° 12.1401 mantida na agência de Linhares do Banco Bradesco. 6.5.3. Conta corrente n° 22.6068 Agência Colatina (ES) 5541 • Cadastro de Clientes, em que consta como representantes EDSON DA SILVA BATISTA, procurador da TAMEX e gerente da empresa CUSTODIO FORZZA COMERCIO EXPORTAÇÃO LTDA, CNPJ n° 31.803.604/000108 (fls.). • Cartão de autógrafos assinado por EDSON DA SILVA BATISTA (fls. 9.885). • Proposta de Abertura de conta corrente da pessoa jurídica TAMEX MERCANTIL, com informações de seus sócios e de seu procurador EDSON DA SILVA BATISTA (fls. 9.886 a 9.888). • Procuração lavrada no CARTÓRIO ANTONIO MARIA, TABELIONATO E REGISTRO CIVIL DO DISTRITO DE CARAPINA — MUNICÍPIO DA SERRA — COMARCA DE VITÓRIA — ESTADO DO ESPÍRITO SANTO, Livro 0158, Folha 060, na qual a empresa TAMEX MERCANTIL LTDA, representada por seu sócio ANTONIO TADEU CALMON, constitui como seu procurador EDSON DA SILVA BATISTA, ao qual confere poderes para representar o outorgante em todo o território nacional (fls. 9.889). • Contrato de Constituição da TAMEX MERCANTIL LTDA (fls. 9.890 e9.891). Fl. 31637DF CARF MF Processo nº 15586.000277/200670 Acórdão n.º 1201001.765 S1C2T1 Fl. 21 39 • Extrato da conta corrente (fls. 9.895 a 9.897). • Cópia dos cheques com valores acima de R$ 10.000,00, assinados por EDSON DA SILVA BATISTA (fls. 9.899 a 9.932). > O endereço para correspondência constante no documento de Cadastro de Cliente (Av. Silvio Ávidos, 759, São Silvano, Colatina/ES) é o endereço da empresa CUSTODIO FORZZA COMERCIO EXPORTAÇÃO LTDA. > Verificamos que EDSON DA SILVA BATISTA é gerente da empresa CUSTODIO FORZZA COMERCIO EXPORTAÇÃO LTDA. > Contatamos que EDSON DA SILVA BATISTA era responsável pela movimentação financeira da conta corrente n° 22.6068 mantida na agência de Colatina do Banco Bradesco. Os documentos enviados pelos estabelecimentos bancários confirmam a movimentação de contas de titularidade da Tamex por procuradores com amplos poderes, além de outras pessoas físicas, a saber: a) José Antonio Binda e Márcio Alexandre Sarnáglia, sócios das empresa Itacocal Armazéns Gerais e Itaguaçu Comércio de Café Ltda.; b) Carlos Antonio Pinto da Silva Júnior, funcionário da JMB Corretora de Café Ltda.; c) Roberto do Bonfim, funcionário da empresa JMB Corretora de Café Ltda.; d) Marlene Giubertti Margon, funcionária da empresa Giucafé Exportação e Importação Ltda.; e) Sérgio Afonso Polttronieri, funcionário da empresa Giucafé Exportação e Importação Ltda.; f) Carlos Antonio Pinto da Silva Junior e Patrícia Pereira de Silva, funcionários da empresa JMB Corretora de Café Ltda.; g) Edson da Silva Batista, gerente da empresa Custódio Forzza Comércio Exportação Ltda.. Além disso, ficou constatado também que, por meio da conta corrente nº 638 6 da Cooperativa de Crédito Rural de Venda Nova do Imigrante, de titularidade da Tamex, houve a abertura de contratos, tendo como avalistas os Srs. Antenor Peris Zuccon e Sérgio Peres Zuccon. Nessa conta, houve emissão de cheques de valores acima de R$ 10.000,00, assinado por pessoa não identificada. Também, foi verificado que o telefone n° 5461278, constante em todos os cheques emitidos da conta n° 6386, pertence à empresa Zuccon Armazéns Gerais, cujos sócios são os Srs. Antenor Peris Zuccon e Sérgio Peres Zuccon. Alegações específicas. Fl. 31638DF CARF MF 40 Passase, pois, às alegações de cada um dos recorrentes, individualizadamente. Giucafé Exportação e Importação Ltda. É alegado, em síntese, que: não foi provado seu envolvimento no esquema, não havendo a vinculação das suas atividades com as da Tamex que se localiza em outro município; não foi individualizada a prática delitiva e o ônus respectivo; a tentativa do Fisco de lhe imputar a responsabilidade tributária é equivocada; não teve acesso a livros e documentos da Tamex; o depoimento do Sr. Antônio Tadeu Calmon é imprestável; que não foi intimada a comprovar a origem dos depósitos bancários de conta de que seria titular, o que viola a disposição do art. 42, § 6º, da Lei nº 9.430/96; que não poderia haver a responsabilização da pessoa jurídica por atos relativos a outra pessoa jurídica, segundo o artigo 135 do CTN. Conforme visto acima, o arrolado detinha procuração para a movimentação de conta corrente de titularidade da Tamex, por meio de sua funcionária. Além disso, a mercadoria comercializada pela Tamex era retirada de armazém de empresa do mesmo grupo: a Giucafé Armazéns Gerais Ltda., sem ter sido comprovados qualquer contrato, notas fiscais ou prestação de contas relativos aos serviços de armazenagem no ano de 2000. Relativamente a 2001, não foi comprovado o recebimento relativo aos serviços. No entanto, a saída da mercadoria era acobertada por nota fiscal da Tamex, o que pressupõe a atuação da recorrente como representante dessa pessoa jurídica. O depoimento do senhor Antonio Tadeu Calmon não é o único elemento de prova. No entanto, vai ao encontro das demais provas trazidas aos autos pela fiscalização. No que tange à intimação prévia nos termos do artigo 42, § 6º, da Lei nº 9.430/1996, temse que tal dispositivo não é aplicável ao caso em questão: a conta movimentada pela recorrente não se tratava de conta conjunta. Demais disso, o lançamento referese a uma pessoa jurídica utilizada para a sonegação de impostos e a recorrente foi arrolada como responsável tributária em face da participação na estrutura organizada para esse intento. Tal lançamento deuse com base em arbitramento, tendose em vista a receita conhecida obtida por meio das notas fiscais e planilha de vendas e não com base em depósitos bancários de origem não comprovada. No que tange à imputação da responsabilidade, como visto no Termo de Verificação de Infração além da capitulação pelo artigo 135, inciso III, do CTN, o autuante afirma (fl. 135): A propósito, os dirigentes ou representantes da pessoa jurídica quando agem de forma ilícita com afronta à legislação tributária, como no caso de sonegação fiscal, são responsáveis Fl. 31639DF CARF MF Processo nº 15586.000277/200670 Acórdão n.º 1201001.765 S1C2T1 Fl. 22 41 pelos créditos tributários devidos pelo contribuinte (responsabilidade solidária). (grifo acrescido) A responsabilidade solidária decorre também do artigo 124 do CTN e não simplesmente do indicado artigo 135 e, no caso dessa solidariedade, não há nenhum óbice que a responsável solidária seja uma pessoa jurídica. Ademais, a representação, num sentido "lato", pode ser exercida por pessoas físicas e jurídicas, o que legitima a atribuição da responsabilidade como feita no presente caso. Quanto ao acesso aos livros e documentos da Tamex, temse que os documentos em que se baseou a autuação estão nos autos, basicamente as notas fiscais, uma vez o lançamento ter sido efetuado por arbitramento. Josildo Schwambach Machado alega que: a) os elementos que lhe foram enviados (Termo de Verificação de Infração, Autos de Infração e Termo de Encerramento da Ação Fiscal) não satisfazem às exigências do Decreto nº 70.235/1972; b) não é cabível a responsabilidade tributária que lhe foi imputada; c) os autos de infração são ineficazes em relação ao recorrente; d) o recorrente não pode ser responsável tributário ante aos débitos lançados pela inaplicabilidade do artigo 135, inciso III, do CTN; e) se em ação fiscal anterior cujo modus operandi foi o mesmo desta (que investigou outra pessoa jurídica) excluiuse expressamente a responsabilidade do recorrente, deve este ser excluído também na presente, uma vez que não teve qualquer participação na constituição da Tamex e jamais representou de fato a Tamex, não tendo participado, assim, do esquema de sonegação fiscal. Pelo quanto visto na transcrição das diligências efetuadas, verificase que um dos sócios de fato e administrador da Tamex era o Sr. Josildo. Com base em todo o trabalho de fiscalização como descrito no Termo de Verificação de Infração, chegouse às seguintes constatações: 1. A empresa TAMEX foi constituída tendo em seu quadro societário ANTÔNIO TADEU CALMON e MOISÉS ITACIR DA SILVA, conforme contrato social registrado na Junta Comercial do Estado do Espírito Santo. 2. A empresa TAMEX, em seu contrato social, tinha como objetivo o comércio atacadista de café e outras mercadorias livres de comercialização. 3. MOISÉS ITACIR DA SILVA teve a sua assinatura falsificada no referido contrato social, portanto não participou da constituição e muito menos da _ gerência da empresa TAMEX. Fl. 31640DF CARF MF 42 4. ANTÔNIO TADEU CALMON também não participava da gerência da empresa TAMEX. 5. A empresa TAMEX foi constituída com interpostas pessoas em seu quadro societário, ANTÔNIO TADEU CALMON e MOISÉS ITACIR DA SILVA, objetivando ocultar os reais beneficiários das operações de vendas de café e cacau realizadas em nome daquela empresa. 6. A empresa TAMEX foi constituída tendo como objetivo a sonegação de tributos federais (IRPJ, CSLL, PIS, COFINS) incidentes sobre as operações de venda de mercadorias, e da Contribuição Social sobre a Produção Rural (antigo FUNRURAL) incidente sobre as operações de compras de mercadorias dos produtores rurais. 7. Os sócios de fato da empresa TAMEX eram SILVINO FARIA JÚNIOR, conhecido como "JUNINHO" e JOSILDO SCHWAMBACH MACHADO, conhecido como "GRIVES", sócios de direito da empresa JMB CORRETORA DE CAFÉ LTDA. 8. SILVINO FARIA JÚNIOR e JOSILDO SCHWAMBACH MACHADO representavam a empresa TAMEX perante empresas atacadistas de café, instituições financeiras e procuradores da referida empresa. 9. SILVINO FARIA JÚNIOR e JOSILDO SCHWAMBACH MACHADO utilizavam a empresa TAMEX para realizar a venda do cacau e café de outras pessoas participantes do esquema de sonegação, para pessoas jurídicas comerciais atacadistas de café. Relativamente à intimação quanto ao lançamento, se lhe foi atribuída a responsabilidade tributária por meio de um termo que foi enviado junto com os autos de infração, por óbvio que o lançamento tem efeitos com relação a ele pessoa física arrolada como responsável tributário, não havendo nenhuma afronta aos dispositivos do Decreto nº 70.235/1972. Tanto é assim que houve a impugnação e, posteriormente, a interposição do recurso voluntário ora julgado. Mais uma vez, como explanou a Cons. Sandra Maria Faroni, conforme excertos de voto já transcritos supra, a notificação dos arrolados como responsáveis tributários é consentânea com os princípios da ampla defesa e do contraditório, não sendo necessário, nesses casos, que haja um auto de infração específico. O envio das peças ao arrolado é suficiente para que este possa se defender, como no presente caso, inclusive quanto às matérias de fundo e não somente quanto à imputação da responsabilidade. Segundo o recorrente, nunca foi representante da Tamex. Foi sócio da JMB Corretora de Café Ltda., empresa constituída posteriormente à Tamex. Alega que só operava no ramo de corretagem e que, em momento posterior aos fatos a que se refere o presente processo, retirouse da sociedade JMB por divergências profissionais com o Sr. Silvino Faria Junior. Aduz ainda que o Sr. Junior é que mantinha amizade com o Sr. Tadeu Calmon e com a Tamex. Independentemente dessas alegações, pelas provas dos autos o Sr. Josildo era um dos sócios de fato e representantes da empresa Tamex. Assim, é aplicável a norma Fl. 31641DF CARF MF Processo nº 15586.000277/200670 Acórdão n.º 1201001.765 S1C2T1 Fl. 23 43 insculpida no artigo 135, inciso III, do CTN ao caso, com a imputação da responsabilidade tributária ali prevista. Quanto ao procedimento anterior em que foi fiscalizada pessoa jurídica diversa, as conclusões daquele processo são válidas apenas ali. Neste, segundo as provas carreadas aos autos, ficou demonstrada a responsabilidade do recorrente, conforme visto supra. Silvino Faria Júnior: Alega, em síntese, que: não é nem nunca foi sócio de fato da Tamex e que não há prova documental que o vincule à Tamex; o instrumento de mandato que detinha o Recorrente nada mais era do que a formalização conferida pela Tamex para que ele pudesse negociar o café e receber créditos pela respectiva venda, não havendo evidências que coloquem em xeque a sua atuação. As transcrições efetuadas acima, no tópico relativo ao recorrente Sr. Josildo são aqui aplicáveis. Assim como no caso anterior (recorrente Sr. Josildo), pelas diligências realizadas durante a fiscalização, o outro sócio de fato e administrador da Tamex era o Sr. Silvino. No recurso do Sr. Josildo, este informa ainda que o Sr. Silvino mantinha íntima relação de amizade com o Sr. Antonio Tadeu Calmon, sócio que constava no contrato social da Tamex. Ainda, o controle e a representação da Tamex era exercido por meio de procurações passadas a funcionários da JMB Corretora de Café, da qual eram sócios os senhores Josildo e Silvino, assim como, pelas respostas às diligências, pelas quais se observou que o Sr. Silvino atuava como verdadeiro representante da Tamex. Aqui também, correta a aplicação da norma do artigo 135, inciso III, do CTN, em relação ao recorrente. Márcio Alexandre Sarnaglia e José Antônio Binda, embora tenham apresentado recursos separados, trazem praticamente os mesmos argumentos. Aduzem que: o enquadramento como responsáveis tributários não tem solidez; a própria Receita Federal já reconheceu a atuação de ambos como corretores (intermediadores) de café; simplesmente manejavam a conta bancária da Tamex para realizar os pagamentos de cafés adquiridos pela empresa frente a produtores rurais; a responsabilidade tributária deve ser limitada ao crédito tributário apurado exclusivamente pela conta corrente que movimentavam; que não eram administradores da Tamex; Fl. 31642DF CARF MF 44 jamais figuraram em qualquer lista de corretores atuantes em operações de venda promovidas por Tamex Mercantil Ltda., à medida que a atuação se refere às vendas promovidas por pessoas físicas (pequenos produtores rurais), ou seja, pelas compras feitas por Tamex Mercantil Ltda.; não tinham e não têm qualquer interesse nas operações de venda de café promovidas por pessoas jurídicas; a presunção de que os peticionários promoveram as operações a partir das quais realizados os depósitos na contacorrente por eles movimentada não se sustenta. Tendose em vista os argumentos trazidos por ambos os recorrentes e a íntima relação comercial entre eles (sócios das mesmas pessoas jurídicas: Itacocal Armazéns Gerais e Itaguaçu Comércio de Café Ltda), a análise será realizada em conjunto. Os recorrentes apresentaram um longo arrazoado em que aduzem não poder serlhes imputada a responsabilidade tributária. Também que, se isso ocorrer, a responsabilidade há de ficar limitada proporcionalmente à movimentação da conta corrente da qual era responsável como procurador. Ocorre que não é essa a situação vislumbrada após as diligências, conforme abaixo: 6.2.1.Conta corrente n° 071072 — Posto de ltaguaçu • FichaProposta / Cadastro para Abertura de Contas assinada por MÁRCIO ALEXANDRE SARNÁGLIA (fls. 5.349). • Cartão de autógrafo da pessoa jurídica assinado por MARCIO ALEXANDRE SARNÁGLIA (fls. 5.350). • Autorização de Débito Automático para as contas correntes de MARCIO ALEXANDRE SARNÁGLIA e JOSÉ ANTONIO BINDA (fls. 5.352). • Documentos de identificação e comprovação de endereço de. MÁRCIO ALEXANDRE SARNÁGLIA (fls. 5.353 e 5.354). • Contrato de Constituição e Primeira Alteração Contratual da TAMEX MERCANTIL LTDA (fls. 5.355 a 5.357). • Procuração lavrada no CARTÓRIO ANTONIO MARIA, TABELIONATO E REGISTRO CIVIL DO DISTRITO DE CARAPINA — MUNICÍPIO DA SERRA — COMARCA DE VITÓRIA — ESTADO DO ESPÍRITO SANTO, Livro 0161, Folha 183, na qual a empresa TAMEX MERCANTIL LTDA, representada por seu sócio ANTONIO TADEU CALMON, constitui como seu procurador MÁRCIO ALEXANDRE SARNÁGLIA, ao qual confere poderes para representar o outorgante junto a quaisquer instituições bancárias estabelecidas na Capital deste Estado (fls. 5.358). • Documentos de Transferência de créditos da conta corrente n° 71072 da TAMEX MERCANTIL LTDA para a conta corrente n° 20.0018 de JOSÉ ANTÔNIO BINDA (fls. 5.359 e 5.360). • Extrato da conta corrente (fls. 5.361a 5.392). Fl. 31643DF CARF MF Processo nº 15586.000277/200670 Acórdão n.º 1201001.765 S1C2T1 Fl. 24 45 • Cópia dos cheques com valores acima de R$ 10.000,00, assinados por MÁRCIO ALEXANDRE SARNÁGLIA (fls. 5.393 a 5.448). > Verificamos que a maioria dos cheques são nominais a JOSÉ ANTONIO BINDA e MARCIO ALEXANDRE SARNÁGLIA, sócios das empresa ITACOCAL ARMAZÉNS GERAIS e ITAGUAÇU COMÉRCIO DE CAFÉ LTDA. > Constatamos que MÁRCIO ALEXANDRE SARNÁGLIA administrava a conta corrente n° 071072 mantida no posto de Itaguaçu da COOPERATIVA DE CRÉDITO RURAL DE SANTA MARIA DE JETIBÁ. > MÁRCIO ALEXANDRE SARNÁGLIA e JOSÉ ANTÔNIO BINDA eram beneficiários dos recursos que transitaram pela conta corrente n° 071072. Está comprovado que o Sr. Márcio detinha procuração para a movimentação de conta bancária em nome da Tamex. Além disso, foi constatado pela fiscalização que A armazenagem, o transporte, o preenchimento da nota fiscal e compra do café dos produtores rurais em nome da TAMEX eram realizados pelas seguintes pessoas físicas e jurídicas: MÁRCIO ALEXANDRE SARNÁGLIA e JOSÉ ANTÔNIO BINDA (ITAGUAÇU COMÉRCIO DE CAFÉ E ITACOCAL ARMAZÉNS GERAIS), [...]. Eram estas pessoas, que de fato, realizavam a compra de café dos produtores rurais, o transporte e a armazenagem, todas estas operações ocultandose sob o manto da empresa TAMEX MERCANTIL LTDA. 36. As mercadorias em nome da TAMEX MERCANTIL eram armazenadas nas, empresas participantes do esquema de sonegação ou em empresas do mesmo grupo. A armazenagem e a saída da mercadoria dos armazéns eram feitas com notas fiscais da TAMEX MERCANTIL. Conforme consta no Termo de Verificação de Infração, as empresas nas quais adentravam, eram armazenados e das quais saíam os produtos (café), dentre as quais a Itacocal Armazéns Gerais, foram intimadas para apresentarem a documentação relativa às operações: notas fiscais de entrada e de saída, notas fiscais de serviço e comprovação do recebimento pelos serviços prestados. No entanto, a referida empresa não respondeu à intimação (fls. 121 e 122). Pelo exposto, não ficou comprovado que as operações praticadas pelas empresas dos recorrentes se limitavam à armazenagem de café adquirido pela Tamex. Pelo contrário, tanto as aquisições como as vendas ocorreram como efetuadas pela Tamex, tendo como representantes os recorrentes, pelo que correta a imputação da responsabilidade nos termos do artigo 135, inciso III, do CTN. Também, como visto no Termo de Verificação de Infração além da capitulação pelo artigo 135, inciso III, do CTN, o autuante afirma (fl. 135): Fl. 31644DF CARF MF 46 A propósito, os dirigentes ou representantes da pessoa jurídica quando agem de forma ilícita com afronta à legislação tributária, como no caso de sonegação fiscal, são responsáveis pelos créditos tributários devidos pelo contribuinte (responsabilidade solidária). (grifo acrescido) E a responsabilidade solidária abarca todo o crédito lançado e não somente parte dele como requerido pela recorrente. No que tange ao alegado bis in idem, uma vez que os cheques depositados em sua contacorrente foram tributados pelo IRPF, não há nenhum documento nos autos a corroborar essa afirmação. E, mantida a responsabilidade tributária do recorrente José Antonio Binda quanto às operações da Tamex, se ocorreu a tributação na pessoa física essa se deu de forma errônea, ensejando o pedido de restituição de tributo pago indevidamente ou a maior que o devido, nos termos da legislação de regência. Itacocal Armazéns Gerais Ltda. As alegações são: seu enquadramento como responsável tributário não tem solidez; que "não é dado saber a que título foi arrolada como responsável, haja vista a fiscalização haver se omitido completamente a respeito"; assim, "a) seja por não declinar o motivo segundo o qual direcionado o ato administrativo (auto de infração) à pessoa da impugnante; b) seja por (parecer) pressupor um motivo absolutamente impertinente e incapaz de suscitar a conseqüência (responsabilidade tributária) deslanchada; e, por último c) seja por fundarse em artifício jurídico inconsistente (desconsideração de personalidade jurídica às avessas ou transposição de sanção administrativa), o auto de infração posto em xeque, não merece subsistir, no que se refere à impugnante"; a responsabilidade, no mínimo, deve ficar limitada aos créditos referentes aos depósitos efetuados em suas contas correntes; Relativamente a essa recorrente, são aplicáveis as mesmas conclusões acima explicitadas, no que diz respeito aos recorrentes Márcio Alexandre Sarnaglia e José Antônio Binda. A inclusão dessa recorrente no pólo passivo da obrigação tributária, por responsabilidade solidária, deuse em face das operações praticadas por seus sócios como representantes da Tamex, como visto acima, e ainda em face da utilização da recorrente para a prática de tais operações. Isso está explicitado no Termo de Verificação de Infração (fls. 128 e 129): 35. A armazenagem, o transporte,o preenchimento da nota fiscal e compra do café dos produtores rurais em nome da TAMEX eram realizados pelas seguintes pessoas físicas e jurídicas: MÁRCIO ALEXANDRE SARNÁGLIA e JOSÉ ANTÔNIO BINDA (ITAGUAÇU COMÉRCIO DE CAFÉ E ITACOCAL ARMAZÉNS GERAIS), [...]. Eram estas pessoas, que de fato, realizavam a compra de café dos produtores rurais, o transporte e a Fl. 31645DF CARF MF Processo nº 15586.000277/200670 Acórdão n.º 1201001.765 S1C2T1 Fl. 25 47 armazenagem, todas estas operações ocultandose sob o manto da empresa TAMEX MERCANTIL LTDA. 36. As mercadorias em nome da TAMEX MERCANTIL eram armazenadas nas empresas participantes do esquema de sonegação ou em empresas do mesmo grupo. A armazenagem e a saída da mercadoria dos armazéns eram feitas com notas fiscais da TAMEX MERCANTIL. [...] 39. Identificamos as seguintes pessoas físicas e jurídicas que participaram do esquema de sonegação montado por SILVINO FARIA JUNIOR e JOSILDO SCHWAMBACH MACHADO: MÁRCIO ALEXANDRE SARNÁGLIA e JOSÉ ANTÔNIO BINDA (ITAGUAÇU COMÉRCIO DE CAFÉ E ITACOCAL ARMAZÉNS GERAIS) [...]. Pelo demonstrado, a recorrente foi a real vendedora e também adquirente do produto (café), embora revestida pelo invólucro de simples armazenadora. Assim, está devidamente comprovada a participação da recorrente nas operações praticadas, pelo que correta a atribuição da responsabilidade, nas forma como ocorreu. Frisese, mais uma vez que, conforme consta no Termo de Verificação de Infração, após intimada a apresentar a documentação relativa às operações de armazenamento: notas fiscais de entrada e de saída, notas fiscais de serviço e comprovação do recebimento pelos serviços prestados, a recorrente não respondeu à intimação (fls. 121 e 122), fato que corrobora a conclusão emitida no parágrafo anterior. Wanderley Stuhr, alega, em síntese, que: tem legitimidade para impugnar o lançamento; não pode ser responsabilizado por fato gerador da empresa Tamex; o valor que lhe foi imputado supera em muito seu patrimônio, com “claro arranho ao princípio da capacidade contributiva”; quanto ao arbitramento, não coadunou com o esquema narrado pela fiscalização, não podendo sofrer as penalidades; é "descabido (...) falar de responsabilidade tributária no caso vertente, haja vista não se revelar caracterizada alguma "representação" por parte do ora recorrente relativamente à TAMEX MERCANTIL LTDA, mormente de caráter legal, conforme exigido pela previsão do artigo 135, III, do CTN, e tampouco também cogitar de solidariedade tributária, haja vista que o ora recorrente não atuou interessado nos negócios da empresa, sobretudo neles como um todo, mas unicamente visando os seus interesses próprios de intermediador de café, em operações pontuais e específicas que compreenderam a citada pessoa jurídica". O recorrente trouxe ainda cópia de ação de justificação (fls. 31.318 a 31.592) com a qual pretende provar que a sua atividade é somente a de corretagem de café e que não era representante da Tamex. Fl. 31646DF CARF MF 48 No Termo de Verificação de Infração está registrado: Os produtores rurais que prestaram informações nunca ouviram falar nem da empresa TAMEX MERCANTIL nem de seus sócios ANTONIO TADEU CALMON e MOISÉS ITACIR DA SILVA, apesar de terem em seus blocos, notas fiscais cujo destinatário da mercadoria era a empresa TAMEX MERCANTIL. A armazenagem, o transporte, o preenchimento da nota fiscal e compra do café dos produtores rurais eram realizados por [...], WANDERLEI STHUR, [...], conforme declarações dos produtores rurais, que foram tomadas a termo (fls. 10.752 a 10.914). [...] Identificamos as seguintes pessoas físicas e jurídicas que participaram do esquema de sonegação montado por SILVINO FARIA JUNIOR e JOSILDO SCHWAMBACH MACHADO: [...], WANDERLEY STHUR, [...]. Eram estas pessoas, que de fato, realizavam a compra de café dos produtores rurais, o transporte e a armazenagem, todas estas operações ocultandose sob o manto da empresa TAMEX MERCANTIL LTDA. Também no referido termo, relativamente às diligências junto às instituições bancárias, está consignado: 14.4. Avelino Hell — SICOOB Santa Maria de Jetibá Em 05/10/2006, AVELINO HELL, que nos anos de 2000 e 2001, exercia a função de gerente da Cooperativa de Crédito Rural de Santa Maria de Jetibá, prestou dentre outras, as seguintes informações, conforme Termo de Depoimento n° 124/2006 (fls. 10.366 a 10.369): 1. Que era Wanderley Stuhr quem administrava a movimentação financeira em nome da TAMEX MERCANTIL, na conta n° 6709 1; 2. Que Wanderley Stuhr comprava e vendia café na região de Santa Maria de Jetibá, sendo um dos principais compradores nos anos de 2000 e 2001; 3. Que era com Wanderley Stuhr que o Sicoob/Santa Maria de Jetibá mantinha contato telefônico para tratar de assuntos relacionados à TAMEX MERCANTIL. 4. Que o Sr. Wanderley Stuhr dizia que a conta em nome da TAMEX MERCANTIL foi aberta com o objetivo de facilitar a comercialização de café. 5. Que eventuais correspondências para a TAMEX eram entregues pessoalmente a Wanderley Stuhr. 14.5. Joimar Holz — SICOOB Santa Maria de Jetibá Em 05/10/2006, JOIMAR HOLZ, que nos anos de 2000 e 2001, exercia a função de encarregado de crédito da Cooperativa de Crédito Rural de Santa Maria de Jetibá, prestou, dentre outras, Fl. 31647DF CARF MF Processo nº 15586.000277/200670 Acórdão n.º 1201001.765 S1C2T1 Fl. 26 49 as seguintes informações, conforme Termo de Depoimento n° 125/2006 (fls. 10.370 a 10.372): 1. Que nunca foi procurado por Antônio Tadeu Calmon, ou outro sócio da TAMEX MERCANTIL LTDA, para tratar de interesses da referida empresa; 2. Que tem conhecimento de que negócios relacionados à conta corrente pertencente à TAMEX MERCANTIL LTDA eram tratados com pessoas da família Stuhr, especialmente, Wanderley Stuhr. Posteriormente, em ação de justificação, essas mesmas pessoas prestaram depoimento no seguinte sentido: Avelino Hell: ... que se recorda de uma correntista de conta do SICOOB de nome TAMEX MERCANTIL; que acredita que o requerente não tinha procuração para atuar em nome da referida empresa junto ao SICOOB, pois as operações eram realizadas por outra pessoa, de nome TADEU; que TADEU veio e abriu a conta no SICOOB; que como gerente da agência do SICOOB nunca soube de alguma conta que foi movimentada sem ter procuração; que o requerente checava se a conta da empresa TAMEX recebia dinheiro, para que o mesmo fizesse pagamentos; que os pagamentos eram para diversos produtores rurais; que o requerente possuía talões de cheques assinados pelos responsáveis da empresa TAMEX para poder realizar os pagamentos; que a empresa deve ter dado alguma autorização para que o requerente pudesse checar o saldo, mas que o BANCO SICOOB não possuía a autorização formal; que era comum que empresas dessem autorização verbal para que outras pessoas pudessem checar saldo ou créditos em conta; que hoje em dia esse tipo de prática não é mais permitido no SICOOB; que o depoente se recorda que os créditos eram de transações em que o requerente atuava como corretor; que nunca ouviu comentários a respeito da atuação do requerente como gestor, administrador, sócio ou representante da empresa TAMEX MERCANTIL ... [...] ... que o depoente presenciou a abertura da conta TAMEX, acreditando que TADEU é quem fez a abertura da conta, não se lembrando se outra pessoa também estava com ele; que acredita que TADEU tratase de ANTONIO TADEU CALMON; que TADEU não frequentava constantemente a Agência; que o depoente mantinha contato com o Sr. TADEU frequentemente; que já presenciou o requerente com o Sr. TADEU, em função da corretagem, os mesmos mantinham contato; que o depoente conheceu o Sr. TADEU no momento da abertura da conta; que acredita que o requerente foi quem apresentou o Sr. TADEU para o depoente; que o requerente estava junto no momento da abertura da conta, tendo apresentado o Sr. TADEU no dia da Fl. 31648DF CARF MF 50 abertura da conta da TAMEX; que acredita que o Sr. TADEU foi quem autorizou verbalmente o requerente, não sabendo quem foi a pessoa exata; que a autorização verbal era comum à época dos fatos; que a concessão de autorização verbal era de costume do depoente, não havendo impedimento legal; que fazia as concessões para pessoas ligadas conta, como por exemplo pai e filho, não fazendo concessão para pessoas estranhas; que acredita que a ligação entre o requerente e a TAMEX era com relação à corretagem, tendo concedido a autorização em função dessa relação, acreditando ser suficiente para o depoente; que especificamente para pagamento dos cheques da TAMEX para produtores rurais, o depoente acatava o pagamento, sem consultar o requerente, se houvesse saldo; que depois da abertura da conta, o depoente teve outros contatos com o Sr. TADEU fisicamente na Agência. Joimar Holz ... que conheceu a empresa TAMEX MERCANTIL pelo tempo que trabalhou no SICOOB, exercendo as funções de atendente, encarregado e outras funções que não se lembra o nome; que o depoente trabalhava no SICOOB nos anos de 2000 a 2001, tendo trabalhado até o inicio do ano de 2008; que não conhece SILVINO FARIA JUNIOR e JOSILDO SCHWAMBACH MACHADO; que já viu o nome de ANTONIO TADEU CALMON nas fichas referentes a conta da TAMEX MERCANTIL; que acredita que ANTONIO TADEU CALMON seja proprietário da TAMEX, acreditando em função do mesmo ter aberto a conta; que não presenciou a abertura da conta, tendo visto na ficha que ANTONIO TADEU CALMON foi quem fez a abertura da conta; que não sabe dizer se quando abriu a conta ANTONIO TADEU CALMON estava acompanhado; que nos anos de 2000 e 2001, o requerente era corretor de café; que não sabe dizer se o requerente trabalhava para a TAMEX ou tinha algum tipo de relação comercial com a mesma; que na época em que trabalhou no SICOOB, o AVELINO era gerente da agência, tendo trabalhado também com EDERSON; que não sabe dizer se o requerente tinha acesso á conta da TAMEX, não sendo da área de trabalho do depoente; que não tinha acesso as contas bancárias, ficando a encargo do gerente. [...] ... que o depoente não mexeu na conta bancária da TAMEX junto ao SICOOB; que o depoente não se lembra de ter tido nenhuma tarefa referente a conta bancária da TAMEX, não tendo tido nenhuma tarefa; que esteve na Receita Federal prestando declarações a respeito da conta da empresa TAMEX no SICOOB; que lido o contido no item 14.5 de fls. 72 dos autos, diz que disse o contido no item 1 porque nunca teve contato com ANTONIO TADEU CALMON e que com relação ao item 2, disse o contido no mesmo porque via o requerente no SICOOB e por causa de ligações do mesmo perguntando a respeito se havia entrado dinheiro dos produtores na conta da TAMEX; que como o requerente era corretor de café, o mesmo tinha que dar satisfação para os produtores; que quando via o requerente no SICOOB nunca ouviu o requerente se apresentar como sócio, representante, administrador ou pessoa de decisão da empresa Fl. 31649DF CARF MF Processo nº 15586.000277/200670 Acórdão n.º 1201001.765 S1C2T1 Fl. 27 51 TAMEX, escutando apenas o mesmo perguntar a respeito do dinheiro dos produtores; que é nascido e criado nesta cidade; que nunca ouviu dizer que o requerente já se apresentou como sócio ou dono da empresa TAMEX; Pelo que consta dos autos, o recorrente não era procurador da Tamex e a "movimentação" da conta bancária a que se referem a diligência e os depoimentos cujos excertos foram acima transcritos se limitava ao pagamento aos produtores que vendiam o café para a Tamex. Não consta também que tenha havido algum armazenamento de café na empresa Armazéns Gerais Sthur. O fato de o recorrente possuir talões com cheques já assinados, em branco, pelo representante (Antonio Tadeu Calmon) do titular da conta bancária (Tamex), embora não usual e que também significa um risco para esse titular, não faz com que o recorrente se caracterize como representante da Tamex, não incidindo, pois, a norma do artigo 135, inciso III, do CTN. Custódio Forzza Comércio e Exportação Ltda. Consta de suas alegações que: não foi provado seu envolvimento no esquema; não foi individualizada a prática delitiva e o ônus respectivo; a tentativa do Fisco de lhe imputar a responsabilidade tributária é equivocada; o depoimento do Sr. Antônio Tadeu Calmon é imprestável, devido a seu interesse pessoal no deslinde do processo; porque não foi intimada a comprovar a origem dos depósitos bancários de conta de que seria titular, o que viola a disposição do art. 42, § 6º, da Lei nº 9.430/96; não poderia haver a responsabilização da pessoa jurídica por atos relativos a outra pessoa jurídica, segundo o artigo 135 do CTN. Transcrevemse abaixo excertos do Termo de Verificação de Infração: 5.1. Forzza Café Exportadora Ltda. • Resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 13/2004 com a relação das compras efetuadas do contribuinte TAMEX MERCANTIL LTDA (fls. 116 e 117). • Notas fiscais emitidas pelo contribuinte TAMEX MERCANTIL LTDA (fls. 118 a 131). • Cópias de cheques nominais ao fornecedor em formulário de controle interno (fls. 132 a 139). Fl. 31650DF CARF MF 52 • Extratos bancários de titularidade desta empresa (FORZZA CAFÉ) no Banco Bradesco, Agência de Colatina, conta corrente n° 23.2203 (fls. 140 a 144) > Nas referidas notas fiscais consta como local de retirada da mercadoria a empresa ARMAZÉNS GERAIS FORZZA LTDA, Rod. BR 259 — KM 46 — Barbados, Colatina/ES. > No curso do procedimento fiscal verificamos que os valores de R$ 167.5000,00 e de R$ 89.294,00, pagos pela empresa Forzza Café, foram depositados na conta corrente n° 22.606 na agência 05541 Colatina, que é movimentada, através de Procuração, por EDSON DA SILVA BATISTA, gerente da empresa CUSTODIO FORZZA COMERCIO E EXPORTAÇÃO LTDA. [...] 5.4. Custódio Forzza Comércio e Exportação Ltda. • Resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 16/2004 com a relação das compras efetuadas do contribuinte TAMEX MERCANTIL LTDA (fls. 618 a 620). • Cópias das Notas fiscais emitidas pelo contribuinte TAMEX MERCANTIL LTDA, nas quais consta como local de retirada da mercadoria ARMAZÉNS GERAIS FORZZA LTDA, Rod. BR 259 — KM 46 — Barbados, Colatina — ES (fls. 621 a 667). • Cópias de cheques nominais ao fornecedor em formulário de controle interno (fls. 668 a 697). • Extratos bancários de titularidade desta empresa (CUSTÓDIO FORZZA COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO LTDA) no Banco Bradesco, Agência . 05541 Colatina, conta corrente n°4014 (fls. 698 a 718). [...] 6.5.3. Conta corrente n° 22.6068 Agência Colatina (ES) 5541 • Cadastro de Clientes, em que consta como representantes EDSON DA SILVA BATISTA, procurador da TAMEX e gerente da empresa CUSTODIO FORZZA COMERCIO EXPORTAÇÃO LTDA, CNPJ n° 31.803.604/000108 (fls.). • Cartão de autógrafos assinado por EDSON DA SILVA BATISTA (fls. 9.885). • Proposta de Abertura de conta corrente da pessoa jurídica TAMEX MERCANTIL, com informações de seus sócios e de seu procurador EDSON DA SILVA BATISTA (fls. 9.886 a 9.888). • Procuração lavrada no CARTÓRIO ANTONIO MARIA, TABELIONATO E REGISTRO CIVIL DO DISTRITO DE CARAPINA — MUNICÍPIO DA SERRA — COMARCA DE VITÓRIA — ESTADO DO ESPÍRITO SANTO, Livro 0158, Folha 060, na qual a empresa TAMEX MERCANTIL LTDA, representada por seu sócio ANTONIO TADEU CALMON, constitui como seu procurador EDSON DA SILVA BATISTA, ao Fl. 31651DF CARF MF Processo nº 15586.000277/200670 Acórdão n.º 1201001.765 S1C2T1 Fl. 28 53 qual confere poderes para representar o outorgante em todo o território nacional (fls. 9.889). • Contrato de Constituição da TAMEX MERCANTIL LTDA (fls. 9.890 e9.891). • Extrato da conta corrente (fls. 9.895 a 9.897). • Cópia dos cheques com valores acima de R$ 10.000,00, assinados por EDSON DA SILVA BATISTA (fls. 9.899 a 9.932). > O endereço para correspondência constante no documento de Cadastro de Cliente (Av. Silvio Ávidos, 759, São Silvano, Colatina/ES) é o endereço da empresa CUSTODIO FORZZA COMÉRCIO EXPORTAÇÃO LTDA. > Verificamos que EDSON DA SILVA BATISTA é gerente da empresa CUSTODIO FORZZA COMÉRCIO EXPORTAÇÃO LTDA. > Contatamos que EDSON DA SILVA BATISTA era responsável pela movimentação financeira da conta corrente n° 22.6068 mantida na agência de Colatina do Banco Bradesco. Conforme visto acima, o gerente da arrolada como responsável tributária, Sr. Edson da Silva Batista, detinha procuração para a movimentação de conta corrente de titularidade da Tamex. Além disso, a mercadoria comercializada pela Tamex era retirada de armazém de empresa do mesmo grupo: a Armazéns Gerais Forzza Ltda., sem ter sido comprovados qualquer contrato, notas fiscais ou prestação de contas relativos aos serviços de armazenagem nos anos em questão. No entanto, a saída da mercadoria era acobertada por nota fiscal da Tamex, o que pressupõe a atuação da recorrente como representante dessa pessoa jurídica. O depoimento do senhor Antonio Tadeu Calmon não é o único elemento de prova. No entanto, vai ao encontro das demais provas trazidas aos autos pela fiscalização. No que tange à intimação prévia nos termos do artigo 42, § 6º, da Lei nº 9.430/1996, temse que tal dispositivo não é aplicável ao caso em questão: a conta movimentada pela recorrente não se tratava de conta conjunta. Demais disso, o lançamento referese a uma pessoa jurídica utilizada para a sonegação de impostos e a recorrente foi arrolada como responsável tributária em face da participação na estrutura organizada para esse intento. Tal lançamento deuse com base em arbitramento, tendose em vista a receita conhecida obtida por meio das notas fiscais e planilha de vendas e não com base em depósitos bancários de origem não comprovada. No que tange à imputação da responsabilidade, como visto no Termo de Verificação de Infração além da capitulação pelo artigo 135, inciso III, do CTN, o autuante afirma (fl. 135): A propósito, os dirigentes ou representantes da pessoa jurídica quando agem de forma ilícita com afronta à legislação tributária, como no caso de sonegação fiscal, são responsáveis Fl. 31652DF CARF MF 54 pelos créditos tributários devidos pelo contribuinte (responsabilidade solidária). (grifo acrescido) A responsabilidade solidária decorre também do artigo 124 do CTN e não simplesmente do indicado artigo 135 e, no caso dessa solidariedade, não há nenhum óbice que a responsável solidária seja uma pessoa jurídica. Ademais, a representação, num sentido "lato", pode ser exercida por pessoas físicas e jurídicas, o que legitima a atribuição da responsabilidade como feita no presente caso. Nicchio Sobrinho Café S/A Alega a recorrente que: a fiscalização se baseou em depoimentos pessoais; não foi provada sua responsabilidade; não pode ser atribuída a responsabilidade com base no artigo 124, inciso I, do CTN, por falta de interesse comum. De fato, no Termo de Verificação de Infração, constam alguns depoimentos pessoais que indicam a participação da recorrente na representação da Tamex: 14.12. Eder José Libardi — BB Colatina • Em 03/10/2006, EDER JOSÉ LIBARDI, que exerce a função de gerente de pessoa jurídica, desde dezembro/1996, na agência de Colatina do Banco do Brasil, prestou dentre outras, as seguintes informações sobre a conta corrente n° 74179, conforme Termo de Depoimento n° 121/2006 (fls. 10.408 a 10.413): 1. Que não conheceu a sede da empresa TAMEX, que não conheceu e nem conhece Antônio Tadeu Calmon e Moises Itacir da Silva; 2. Que não conheceu e nem sabe identificar a pessoa da empresa TAMEX que mantinha contato com o Banco, pois a empresa TAMEX não fazia parte de sua carteira de clientes; 3. Que apresentado aos manuscritos "confirmado Brunella" e número "37232600" contidos no verso do cheque n° 000272, emitido em 18/07/01, no valor de R$ 11.000,00, reconheceu como sendo número do telefone do armazém da empresa NICCHIO SOBRINHO (do grupo NICCHIO) e sabe haver uma funcionária de nome Brunella no departamento financeiro da NICCHIO SOBRINHO; [...] 14.13. Adivalter Antonio Dalla Bernardina — BB Colatina Em 11/10/2006, ADILVATER ANTONIO DALLA BERNARDINA, que no período de 2000 a 2001, exercia a função de Caixa e eventualmente de Gerente de Expediente na agência de Colatina do Banco do Brasil, prestou as seguintes informações sobre a conta corrente n° 74179, conforme Termo de Depoimento n° 122/2006 (fls. 10.414 a 10.417): Fl. 31653DF CARF MF Processo nº 15586.000277/200670 Acórdão n.º 1201001.765 S1C2T1 Fl. 29 55 [...] • Que era procedimento normal, no caso de pagamento de cheques de valor elevado, ligar para o cliente, no número constante do cartão de autógrafos, para confirmação antes de efetuar o pagamento; • Que no caso da conta corrente n° 7.4179, em nome da empresa TAMEX MERCANTIL, o número utilizado para o contato, para a confirmação e liberação do pagamento de cheques, era o número da NICCHIO SOBRINHO; • Que, na maioria das vezes, falava com uma funcionária de nome BRUNELA, do setor financeiro; • Que, até onde sabe, tratase de BRUNELA NICCHIO, mas que não a conhece pessoalmente; • Que, mesmo sendo os cheques emitidos pela empresa TAMEX, a rotina, no caso dessa conta, era fazer o contato com o setor financeiro da empresa NICCHIO; • Que tinha conhecimento de que os pagamentos dos cheques da TAMEX eram autorizados por funcionários da NICCHIO; • Que existia uma autorização informal para esse procedimento, qual seja, ligar para o setor financeiro da empresa NICCHIO, para autorizar pagamentos de cheques da empresa TAMEX; • Que não sabe informar quem estabeleceu ou autorizou esse procedimento; • Que, para todos os efeitos, sempre achou que a TAMEX e a NICCHIO faziam parte de um mesmo grupo; • Que a NICCHIO era um dos principais correntistas, gerando uma das melhores rentabilidades para o Banco; [...] 14.14. Jose Antônio Marino — BB Colatina Em 04/10/2006, JOSE ANTONIO MARINO, que no período de 1999 a 2000, trabalhou na função de Caixa na agência de Colatina do Banco do Brasil, prestou as seguintes informações sobre a conta corrente n° 74179, conforme Termo de Depoimento n° 122/2006 (fls. 10.418 a 10.423): 1. Que se lembra de uma empresa chamada TAMEX, porém não conheceu sua sede e não sabe quem são seus sócios; 2. Que ao lhe ser apresentado o cartão de autógrafo da TAMEX, reconheceu o número 7213322, número manuscrito no cartão, como sendo o telefone da empresa NICCHIO SOBRINHO; 3. Que, ao ler o manuscrito Brunella, lembrouse que existe uma pessoa de nome BRUNELLA ou MARIA BRUNELLA que Fl. 31654DF CARF MF 56 trabalhou e talvez, ainda trabalhe na NICCHIO SOBRINHO, departamento financeiro; 4. Que sabe ser BRUNELLA da família NICCHIO; [...] 21.6. Maria Brunela Nicchio [...] Que não há outra funcionaria de nome Brunella na Nicchio Sobrinho; Que conhece o telefone 7213322, pois o mesmo era da empresa Nicchio Sobrinho, único telefone da empresa na época; Que quem sempre efetuou compras de café para a Nicchio Sobrinho são seus irmãos e acionistas da empresa Antonio Sérgio Nicchio e Jorge Luis Nicchio. Que todo o café de propriedade da Nicchio Sobrinho é armazenado na ARCA ArmazénsGerais Ltda que também tem como acionistas os irmãos Antonio Sérgio e Jorge Luis Nicchio. Contudo, tais depoimentos são muito contundentes no sentido de comprovar a movimentação de uma das contas de titularidade da Tamex pela recorrente, mesmo sem procuração formal, fato que indica, no mínimo, uma irregularidade grave. Na realidade, essa movimentação irregular da conta bancária da Tamex pela funcionária da recorrente comprova a representação em que se baseou o autuante para a imputação da responsabilidade tributária. Cumpre salientar que, além dos depoimentos pessoais, houve diligências em que se colheram provas documentais, a saber: 5.2. Nicchio Sobrinho Café S/A • Resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 14/2004 (fls. 145). • Notas fiscais emitidas pelo contribuinte TAMEX MERCANTIL LTDA (fls. 146 a 232). • Faturas emitidas pelo contribuinte TAMEX MERCANIL LTDA, sem a data do aceite e sem a assinatura do sacado (fls. 233 a 308). • Cópias de cheques nominais ao fornecedor em formulário de controle interno (fls. 309 a 378). > Nas referidas notas fiscais consta como local de retirada da mercadoria as empresas ARMAZÉNS GERAIS NICCHIO Ltda, Av. Brasil, 112 — Lace — Colatina ES e ARCA ARMAZÉNS GERAIS NORTE CAPIXABA LTDA, Rod. Carlos Germano Naumam, Colatina/ES. [...] 5.7. Esteve S/A Fl. 31655DF CARF MF Processo nº 15586.000277/200670 Acórdão n.º 1201001.765 S1C2T1 Fl. 30 57 • Resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 19/2004 encaminhando a documentação das compras efetuadas do contribuinte TAMEX MERCANTIL LTDA (fls. 1.075 a 1.090). • Cópias das Notas fiscais emitidas pelo contribuinte TAMEX MERCANTIL LTDA, dentre as quais consta como local de retirada da mercadoria GIUCAFÉ Armazéns Gerais Ltda e Armazéns Gerais Nicchio Ltda (fls. 1.091 a 1.256). • Cópias de formulários de autorização de pagamento e Recibos de Depósito " (fls. 1.257 a 1.425). [...] 5.9. Coimbra S/A. • Resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 21/2004 encaminhando a documentação das compras efetuadas do contribuinte TAMEX MERCANTIL LTDA (fls. 1.714). • Cópias das Notas fiscais emitidas pelo contribuinte TAMEX MERCANTIL LTDA, dentre as quais consta como local de retirada da mercadoria GIUCAFÉ ARMAZÉNS GERAIS LTDA e ARMAZÉNS GERAIS NICCHIO LTDA (fls. 1.715 a 1.994). • Cópias de cheques nominais ao fornecedor em formulário de controle interno, Recibos de pagamento assinados por ROBERTO DO BONFIM, CARLOS ANTÔNIO PINTO DA SILVA JÚNIOR e ANTÔNIO TADEU CALMON (fls. 1.995 a 3.047). Muito embora as empresas de armazenagem do grupo da recorrente tenham fornecido os documentos relativos aos serviços prestados, a forma como se dava a movimentação financeira da conta bancária referida supra comprova a representação para os fins da atribuição da responsabilidade tributária. Zuccon Armazéns Gerais Ltda. e Antenor Peris Zuccon Os recorrentes alegam, em síntese, que: “os fatos foram solidarizados na sua complenitude, apesar da fiscalização não ter correlacionado nem pontuado as condutas, que deveriam ter sido individualizadas”; o fato de ter escriturado as operações com a Tamex é mais do que um indício de que não participava do “esquema”; a imputação de responsabilidade deve se dar de acordo com a lei e com o devido processo legal; nada foi descontado da base de cálculo dos demais tributos (PIS, Cofins e CSLL), a fiscalização não considerou as hipóteses de exclusão da base de cálculo previstas na Lei nº 9.718/1998, nem observou que há valores que são repassados a terceiros que correspondem ao custo da operação; que não houve comprovação quanto à responsabilidade dos recorrentes. Fl. 31656DF CARF MF 58 Após diligência, o autuante relatou no Termo de Verificação de Infração: 6.3. Cooperativa de Crédito Rural de Venda Nova do Imigrante c/c n°6386 A COOPERATIVA DE CRÉDITO RURAL DE VENDA NOVA DO IMIGRANTE enviou a documentação bancária referente à conta corrente n° 006386, através dos ofícios datados em 28/12/2004, 03/01/2005, 11/01/2005 e 19/01/2005 (fls. 5.495 a 5.498): • FichaProposta / Cadastro para Abertura de Contas assinada por ANTONIO TADEU CALMON e outra pessoa não identificada (fls. 5.499). • Proposta de Admissão assinada por ANTONIO TADEU CALMON (fls. 5.500 e 5.501). • Cartão de autógrafo da pessoa jurídica assinado por ANTONIO TADEU CALMON e por outra pessoa não identificada (fls. 5.502). • Documentos de identificação de MOISÉS ITACIR DA SILVA, sócio da TAMEX MERCANTIL LTDA (fls. 5.503). • Contrato de Constituição da TAMEX MERCANTIL LTDA (fls. 5.504 E 5.505). • Documentos de identificação de ANTONIO TADEU CALMON, sócio da TAMEX MERCANTIL LTDA (fls. 5.506). • Relatório dos DOCs recebidos na conta corrente da TAMEX MERCANTIL (fls. 5.507 a 5.512). • Contratos de abertura de Crédito Rotativo na conta corrente da TAMEX MERCANTIL, que tem como avalistas os Srs. ANTENOR PERIS ZUCCON e SERGIO PERES ZUCCON (fis 5.513 a 5.530). • Extrato de conta corrente (fls. 5.531a 5.648). • Cópia dos cheques com valores acima de R$ 10.000,00, assinado por pessoa não identificada (fls. 5.649 a 6.098). > Verificamos que o telefone n° 5461278, constante em todos os cheques emitidos da conta n° 6386, pertence à empresa ZUCCON ARMAZÉNS GERAIS, cujos sócios são os Srs. ANTENOR PERIS ZUCCON e SERGIO PERES ZUCCON [...] Constatações: > A movimentação financeira da conta corrente n° 6386, mantida no SICOOB de Venda Nova do Imigrante em nome da TAMEX, foi financiada por empréstimos avalizados pelos Srs. NERIO PERES ZUCCON e ANTENOR PERES ZUCCON. Muito embora a constatação de que os recorrentes eram os avalistas relativamente a contratos de "Crédito Rotativo" e de inserção do número do telefone da Fl. 31657DF CARF MF Processo nº 15586.000277/200670 Acórdão n.º 1201001.765 S1C2T1 Fl. 31 59 recorrente no verso dos cheques emitidos, nenhum outro elemento há para a vinculação dos recorrentes às operações da Tamex. O simples aval quanto a linhas de crédito não se subsume a nenhuma das hipóteses contidas na norma invocada para a atribuição de responsabilidade. E o fato da inserção do número do telefone da recorrente no verso dos cheques emitidos, apesar de não usual uma vez a conta corrente não ser de sua titularidade, também não tem o condão de determinar a incidência da norma definidora de responsabilidade tributária. Uma outra constatação do Termo de Verificação de Infração é a de que "a armazenagem, o transporte, o preenchimento da nota fiscal e compra do café dos produtores rurais eram realizados por ANTENOR ZUCCON, [...]". Essa situação também, mesmo aliada às demais, também não é suficiente para os fins pretendidos pelo autuante. Dessa forma, não há como se imputar a responsabilidade tributária aos recorrentes com base no artigo 135, inciso III, do CTN. Conclusão. Pelo exposto: a) conheço do recurso de ofício para NEGARLHE provimento; b) não conheço dos recursos voluntários interpostos por José Carlos Vassuler, Silvério José Vassuler, Rodrigo Ramos Ribeiro e Agnaldo da Silva Batista, por estranhos à presente lide, assim como o segundo recurso apresentado pelo arrolado Márcio Alexandre Sarnaglia, por intempestivo; c) conheço dos recursos voluntários interpostos por Wanderley Stuhr, Márcio Alexandre Sarnaglia, José Antônio Binda, Custódio Forzza Comércio e Exportação Ltda., Itacocal Armazéns Gerais Ltda., Nicchio Sobrinho Café S/A, Giucafé Exportação e Importação Ltda., Silvino Faria Júnior, Zuccon Armazéns Gerais Ltda., Antenor Peris Zuccon e Josildo Schwambach Machado, para: c.1) DAR provimento aos interpostos por Wanderley Stuhr, Zuccon Armazéns Gerais Ltda., Antenor Peris Zuccon, para excluir as respectivas responsabilidades solidárias; c.2) NEGAR provimento aos demais recursos. É como voto. Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Fl. 31658DF CARF MF 60 Fl. 31659DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10469.725079/2012-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.865
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado.
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente ESPACIAL AUTO PEÇAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 50 79 /2 01 2- 83 Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10469.725079/201283 Acórdão n.º 3302003.865 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de PIS/PASEP incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06049.432. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10469.725079/201283 Acórdão n.º 3302003.865 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10469.725079/201283 Acórdão n.º 3302003.865 S3C3T2 Fl. 5 4 § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10469.725079/201283 Acórdão n.º 3302003.865 S3C3T2 Fl. 6 5 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10469.725079/201283 Acórdão n.º 3302003.865 S3C3T2 Fl. 7 6 Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 111DF CARF MF
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Numero do processo: 10183.001622/2001-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1998
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. ERRO MATERIAL. DECISÃO JUDICIAL. CUMPRIMENTO.
Constatada a contradição que pode alterar a relação entre a parte dispositiva do acórdão (ementa) e seus fundamentos, é de prover-se os mesmos para sanar a falha, alterando a parte dispositiva do acórdão, cumprindo assim, a decisão judicial.
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 1998
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMOS PERANTE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. POSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO. PRECEDENTE VINCULATIVO DO STJ. A restrição imposta pela IN/SRF nº 23/97 para fins de fruição de crédito presumido do IPI é indevida, sendo admissível o creditamento também na hipótese de aquisição de insumos de pessoas físicas e/ou cooperativas. Precedente do STJ retratado no REsp nº 993.164 (MG), julgado sob o rito de recursos repetitivos, apto, portanto, para vincular este Tribunal Administrativo, nos termos do art. 62, §2° do RICARF.
PRECLUSÃO. IMPUGNAÇÃO. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na impugnação apresentada à instancia a quo. Recurso não conhecido nesta parte.
RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo ilegítimo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade, descaracteriza o referido crédito como escritural, exsurgindo legítima a incidência de correção monetária (REsp 993.164/MG, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2010, submetido ao rito do artigo 543-C do CPC).
Embargos acolhidos com efeitos modificativos.
Numero da decisão: 3402-004.197
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração, com efeitos modificativos, para o fim de retificar o erro material do julgado e o vício de contradição na ementa do Acórdão e nos fundamentos do voto condutor, aplicando o REsp nº 993.164/MG ao caso, revertendo-se a glosa das aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas, na base de cálculo do crédito presumido do IPI apurado em conformidade com a Lei nº 9.363, de 1996, nos exatos termos do que prevê o art. 62, §2º do RI-CARF, atendendo-se desta forma, na integra, a decisão Judicial prolatada no processo nº 1002374-30.2016.4.01.3400, da 14ª Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro, Carlos Augusto Daniel Neto e Waldir Navarro Bezerra.
Proferiu sustentação oral pela Recorrente a Dra. Edlamar de Oliveira Acloque, OAB nº 34.300 (PR).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1866; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 390 1 389 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10183.001622/200105 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3402004.197 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de maio de 2017 Matéria IPI RESSARCIMENTO Recorrente OLVEPAR S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1998 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. ERRO MATERIAL. DECISÃO JUDICIAL. CUMPRIMENTO. Constatada a contradição que pode alterar a relação entre a parte dispositiva do acórdão (ementa) e seus fundamentos, é de proverse os mesmos para sanar a falha, alterando a parte dispositiva do acórdão, cumprindo assim, a decisão judicial. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 1998 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMOS PERANTE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. POSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO. PRECEDENTE VINCULATIVO DO STJ. A restrição imposta pela IN/SRF nº 23/97 para fins de fruição de crédito presumido do IPI é indevida, sendo admissível o creditamento também na hipótese de aquisição de insumos de pessoas físicas e/ou cooperativas. Precedente do STJ retratado no REsp nº 993.164 (MG), julgado sob o rito de recursos repetitivos, apto, portanto, para vincular este Tribunal Administrativo, nos termos do art. 62, §2° do RICARF. PRECLUSÃO. IMPUGNAÇÃO. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na impugnação apresentada à instancia a quo. Recurso não conhecido nesta parte. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo ilegítimo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI decorrente da aplicação do princípio AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 16 22 /2 00 1- 05 Fl. 390DF CARF MF 2 constitucional da não cumulatividade, descaracteriza o referido crédito como escritural, exsurgindo legítima a incidência de correção monetária (REsp 993.164/MG, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2010, submetido ao rito do artigo 543C do CPC). Embargos acolhidos com efeitos modificativos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração, com efeitos modificativos, para o fim de retificar o erro material do julgado e o vício de contradição na ementa do Acórdão e nos fundamentos do voto condutor, aplicando o REsp nº 993.164/MG ao caso, revertendose a glosa das aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas, na base de cálculo do crédito presumido do IPI apurado em conformidade com a Lei nº 9.363, de 1996, nos exatos termos do que prevê o art. 62, §2º do RICARF, atendendose desta forma, na integra, a decisão Judicial prolatada no processo nº 100237430.2016.4.01.3400, da 14ª Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro, Carlos Augusto Daniel Neto e Waldir Navarro Bezerra. Proferiu sustentação oral pela Recorrente a Dra. Edlamar de Oliveira Acloque, OAB nº 34.300 (PR). Relatório Trata os autos de Pedido de Ressarcimento de fls. 7/8, das contribuições para o PIS e a COFINS, no valor de R$ 4.360.977,62, incidentes sobre insumos empregados em produtos exportados, com fulcro na Lei nº 9.363/96, na Portaria MF nº 38/97 e na Instrução Normativa nº 23/97 (credito presumido de IPI). O Despacho Decisório de f1. 136, confirmando o Parecer SAORT/DRF/CUIABÁ nº 000563/2002 (fls. 132/135), deferiu o pleito parcialmente, tendo as glosas realizadas as seguintes justificativas em resumo: (i) exportação já inclusa no cálculo do credito presumido de 1998 da Recorrente, mediante processo 10183.001744/9917; (ii) exportação efetuada por empresas comerciais exportadoras, cujas comprovações não foram apresentadas; e (iii) valores referentes a frete e lenha, pois estes não se enquadram no conceito de matériaprima, material de embalagem e produto intermediário. A Recorrente insurgiuse por meio da Manifestação de fls.150/153, que assim vai resumido: Fl. 391DF CARF MF Processo nº 10183.001622/200105 Acórdão n.º 3402004.197 S3C4T2 Fl. 391 3 "(...) A Lei nº 9.363./96 não condicionou o credito presumido ás aquisições de matérias primas das pessoas jurídicas. O crédito presumido se refere a todas as aquisições de matériasprimas, produto intermediário e material de embalagens, seja ela oriunda de pessoas jurídicas ou de produtor pessoas física, posto que a lei não fez nenhuma restrição quanto ao fornecedor dos referidos produtos". A 3ª Turma da DRJ em Juiz de Fora MG, através do Acórdão n° 7.489 de 24 de junho de 2004 (217/220), indeferiu a solicitação da Recorrente para rejeitar a inclusão na base de cálculo do crédito presumido das aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas. Irresignada, a interessada interpôs recurso voluntário, no qual, aqui tratando o tema em apertada síntese, repisa as argumentações de sua Manifestação de Inconformidade e acrescenta o direito à inclusão das aquisições de lenha na base de cálculo do crédito presumido do IPI da empresa. O recurso é tempestivo e atendendo aos demais requisitos para sua admissibilidade, razão pela qual este CARF, dele tomou conhecimento. Distribuído para julgamento, o Segundo Conselho de Contribuintes, prolatou o Acórdão nº 20401.618 de 21/08/2006 (fls. 239/249), que o Relator do processo, ao apreciar o recurso, verificou que o cerne da questão seria o ressarcimento de créditos presumidos de IPI, referentes Contribuição para o PIS e da COFINS, incidentes sobre as aquisições no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Controvertemse a Recorrente e o Fisco sobre a inclusão na base de cálculo do incentivo dos insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas, portanto não contribuintes do PIS e da COFINS, aplicados no processo produtivo. Nesse quesito, reconheceu a inclusão na base de cálculo do imposto em discussão das aquisições de pessoas físicas e cooperativas. No que se refere à inclusão na base de cálculo do crédito presumido do IPI referente às aquisições de lenha, o Relator entendeu que nessa parte o recurso não pode ser conhecido (matéria preclusa). Isto porque a interessada não suscitou esta matéria em sede impugnatória. Por derradeiro, entendeu ser devida a incidência da denominada taxa Selic a partir da efetivação do pedido de ressarcimento. No entanto, o Colegiado, pelo voto de qualidade, manifestou divergência com o voto do Relator concernente às aquisições de insumos de pessoas físicas e das cooperativas, entendendo que deva ser negado provimento ao recurso, pelas razões elencadas em seu voto vencedor de fls. 245/249, mantendose, portanto, a glosa daqueles respectivos valores. Em 03/06/2008 (fl. 253), o PAF foi encaminhado à DRF Cuiabá (MT), unidade preparadora, para providenciar a ciência da Recorrente e de lá retornou em 24/05/2009 (fl. 270), com a informação de que o contribuinte teria interposto Embargos de declaração, em 12 de setembro de 2008 (fl. 264), ou seja, vários meses após a prolação do referido Acórdão. A referida informação também dava conta de que não fora localizada a comprovação da data de entrega à empresa, pelos Correios, da intimação regularmente expedida pela DRF ainda em 2008. Propunha aquela informação, por fim, que se adotasse a data de entrega dos Fl. 392DF CARF MF 4 embargos (que foi efetuada em outra unidade da federação), como a da efetiva ciência da contribuinte, o que faria tempestivos os referidos Embargos. O processo, etnão, foi encaminhado pela DRF Cuiabá para este CARF, mediante o seguinte despacho (fl. 270): "Tratase de embargos de declaração ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em BrasíliaDF, recebido em 27/4/2009 (fls. 248 a 253). Tendo em vista que não foi localizado aviso de recebimento dos correios, referente à Ciência 418/08 e consultando número de rastreamento RC406347602BR não consta entrega à contribuinte, considerase a ciência na data de apresentação dos embargos. Sendo assim, proponho o encaminhamento ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em BrasíliaDF, para prosseguimento”. Apesar de a proposta ter sido acolhida e ratificada pelo Sr. Chefe da Equipe de Arrecadação da DRF, o Colegiado do CARF entendeu que o “prosseguimento” ali recomendado não se poderia dar. Feitas várias considerações, votouse pela conversão do julgamento em diligência Resolução nº 3402000.210, de 04/05/2011 (2ª TO da 4ª Câmara, da 3ª Sejul), para que a unidade preparadora fizesse o saneamento do processo, na seguinte forma (fl. 1/5): "(...) (a) esclareça se o endereço da empresa registrado nos controles internos da SRF, na data em que a EBCT tentou fazer a entrega do AR, era o mesmo aposto no documento; (b) caso afirmativo, aponte o motivo pelo qual deixou ele de ser entregue pela prestadora do serviço; (c) aponte, por fim, quais as providências tomadas por ela, unidade preparadora, para corrigir o motivo indicado pela EBCT; d) indique, por fim, a data em que, em conseqüência dessas providências, foi efetivamente intimada a empresa da decisão proferida pelo Conselho de Contribuintes". Novamente os autos retornaram ao CARF com informação elaborada pela SEORT/DRF/Cuiabá, da qual o que considero relevante para o deslindo do caso, vai adiante reproduzido (fls. 285/287): "Inicialmente, cabe informar que foi enviada Intimação anterior ao contribuinte, na data de 16/07/2008. O endereço para o qual foi enviada a Intimação foi o endereço da empresa registrado nos controles internos da SRF. Sendo que, na data em que a EBCT tentou fazer a primeira entrega do AR, em julho de 2008, era o mesmo endereço aposto no documento (fls. 151, 243 e 260), e, a despeito da certidão da Vara Especializada de Falência e Concordata e Carta Precatória (fls. 191/201), a empresa apresenta, até a presente data, a situação "ativa" e o mesmo endereço utilizado. O AR referente à Intimação retornou dos correios informando que a entrega não foi efetuada pelo seguinte motivo: "Mudouse" (fl. 243)". Foi efetuada, então, uma segunda tentativa de contato, em agosto de 2008 (tentativa essa em relação à qual o CARF solicitou maiores esclarecimentos). Nessa segunda tentativa, foi utilizado o endereço do sindico responsável pela massa falida (fl. 201), o qual , também corresponde aos registros de nossos sistemas (fls. 242 e 244). Assim, o processo foi distribuído para anpalise, quando o Relator decidiu que como antes, também não se indica a previsão legal para o procedimento. Face a tudo o quanto relatado, o Colegiado viuse obrigado a examinar os embargos, nos termos do art. 57 do Regimento (RICARF) vigente quando ele teria sido apresentado. Fl. 393DF CARF MF Processo nº 10183.001622/200105 Acórdão n.º 3402004.197 S3C4T2 Fl. 392 5 Nos referidos Embargos, a defesa aduz ter havido contradição entre a decisão e sua ementa ou erro material nesta, em vista de que, aparentemente, restou mantida a que teria sido elaborada pelo relator vencido, favorável ao sujeito passivo. Aproveita a defesa para postular a aplicação de feitos infringentes de modo a reconhecer o direito pleiteado, na exata forma deferida pelo relator. Designado o Conselheiro para análise, em seu Despacho de exame de embargos às fls. 291/297, dessa forma conclui o Relator em seu voto (fl. 295): "(...) Onde, pois, qualquer contradição? Segundo os embargos, entre a decisão e sua ementa. Ocorre que não há tal previsão no já citado artigo 57 do Regimento. A contradição ali prevista é entre a decisão e os seus fundamentos. Pelo mesmo motivo, porém, forçoso reconhecer a presença do erro material aduzido, e previsto no art. 58 do mesmo regimento, dado que, na ementa, efetivamente foi mantido o texto originalmente elaborado pelo Conselheiro relator. Sua supressão, porém, a teor do § 1º do mesmo art. 58, pode ser feito por despacho do Presidente da Câmara, pelo que, proponho a seguinte correção: Na ementa da decisão, onde se lê: (....). (...) Leiase (...). Essa substituição elimina o erro material e saneia integralmente o processo. Com essas considerações, proponho o não seguimento dos embargos nos termos do art. 57 mas sua apreciação como embargos por erro material, previsto no art. 58, e saneado na forma ali autorizada". Na conclusão, conforme proposto, dessa forma decide o Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção do CARF (fl. 297): "(...) De acordo com a manifestação supra, que aprovo, nego seguimento aos embargos de que trata o art. 57 do Regimento dos Conselhos de Contribuintes e suprimo, na forma proposta, nos termos do § 1º do art. 58 do mesmo regimento, o erro material reconhecido". No documento de fls. 300, a DRF/Cuiabá (MT), intimou a empresa do Despacho acima (Exame de Admissibilidade de Embargos), conforme ARCorreios (fl. 301), que foi devolvido ao remetente (sem a ciência). Sem sucesso, proferiu o Edital Eletrônico nº 001944290, com Data de Publicação: 26/11/2015 e Data de Ciência: 11/12/2015 (fls. 303/304). Consta do despacho de fl. 312, datado de 04/04/2016, que o processo foi arquivado. Vejase despacho: "(...) Após a ciência ao interessado do resultado dos seus embargos apresentados, através do edital desafixado em 11 de dezembro de 2015, e tendo o prazo para entrada do recurso especial decorrido, encaminhese estes autos ao Arquivo". Da decisão Judicial Fl. 394DF CARF MF 6 Consta dos autos que em 09/05/2016, o Presidente do CARF, subscreve o Memorando nº 090/ASTEJ/PRESI/CARF/MF, endereçado à DRF em Cuiabá (MT), notificando àquela autoridade de decisão judicial no processo, com o seguinte teor (fl. 313): "(...) Cumprimentoa e encaminho em anexo cópia do Mandado de Notificação e Intimação, bem como da decisão que deferiu o pedido liminar do contribuinte, "para declarando a nulidade do Despacho de Exame de Embargos, dos autos do PAF em referência, determinar à autoridade impetrada que promova novo julgamento, com manifestação expressa sobre a aplicação ao caso do disposto no art. 62 do RICARF" (grifei). Considerando a necessidade do imediato cumprimento da r. decisão do juiz federal da 14ª Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal, foi solicitado junto à DRF Cuiabá MT o encaminhamento para esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, do PAF nº 10183.001622/200105 que, conforme consulta ao Sistema eProceso, foi enviado para arquivamento no Arquivo Único". Em entendimento ao expediente acima, os autos foram devolvidos à este CARF e distribuídos para este Conselheiro para reanálise dos Embargos declaratórios, a fim de dar cumprimento à decisão judicial acima notificada (fl. 329). É o relatório. Voto Da admissibilidade Os embargos são tempestivos e, também em face do Mandado de Intimação (decisão Judicial SENTENÇA) no sentido de sua admissibilidade, deles conheço (fl. 330). Contexto Cuida esses autos referente aos Embargos de Declaração protocolado pela interessada na DRF em Cascavel (PR) em 12/09/2008 (fl. 264), cujo pedido foi resumido nos seguintes termos (fls. 264/269): "Diante do exposto, requerse dessa Egrégia Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, sejam conhecidos e providos os presentes embargos para o fim de retificar o erro material do julgado ou a contradição nos fundamentos do acórdão, para que não subsistam dúvidas por ocasião da aplicação do aresto. Por oportuno, requer sejam atribuídos excepcionalmente, os efeitos infringentes aos presentes Embargos, conhecendose e provendose o Recurso Voluntário nos termos do voto do Ilmo. Conselheiro Rodrigo Bernardes de Carvalho, pois o mesmo está em consonância com o entendimento da matéria que restou assentado no âmbito da Egrégia CSRF" (grifei). Tendo sido analisado os embargos, em sintonia com a manifestação do Relator, o Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção do CARF negou seguimento aos Embargos de declaração de que trata o art. 57 do RICARF, suprimindo, na forma proposta, nos termos do § 1º do art. 58 do mesmo regimento, o erro material reconhecido. Fl. 395DF CARF MF Processo nº 10183.001622/200105 Acórdão n.º 3402004.197 S3C4T2 Fl. 393 7 Do Mandado de Segurança Tomado conhecimento da referida decisão, a Recorrente não concordando, impetrou Mandado de Segurança, conforme Processo nº 100237430.2016.4.01.3400, da 14ª Vara Federal da Seção Judiciária do DF, com pedido de liminar, contra ato do Presidente da 4ª Câmara da 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e do Presidente do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para "declarar a nulidade do Despacho de exame de embargos, constante às fls. 291297", nos seguintes termos: Cuidase de mandado de segurança, com pedido de liminar, impetrado por Massa Falida de Olvepar S/A Indústria e Comércio contra ato do Presidente da 4ª Câmara da 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e do Presidente do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para "declarando a nulidade do Despacho de exame de embargos, constante às fls. 291297, do documento eletrônico (numerado nos autos físico sob as rubricas S3C471, fl. 1 a fl. 7), dos autos de PAF nº 10183.001622/200105 (vide cópia no Anexo lI), determinando às autoridades coatoras para que promovam a retificação do ato impugnado, nos termos do art. 62 do RICARF, reproduzindo o conteúdo do RECURSO REPETITIVO (TEMA 432), julgado pela l' Seção do STJ, no REsp nº 993164, viabilizando o imediato ressarcimento do crédito presumido de IPI, relativo às matérias primas e insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas no anobase de 1998, em valor original equivalente a R$ 3.236.023,63, devidamente corrigido pela SELIC, desde a data do protocolo do pedido, em 23/04/2001, até o mês anterior ao recebimento e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuado, nos termos do art. 39, ~ 4°, da Lei nº 9.250/95, advertindolhes que as mesmas estarão sujeitas às penas do art. 77, 2º do NCPC, em caso de descumprimento da ordem judicial" (...). "(...) Informa que há mais de 15 anos postula o ressarcimento do crédito presumido de IPI incidente sobre a aquisição de matérias primas e insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas, relativo ao ano.base de 1998, estabelecido no art. 10 da Lei n. 9.363/96, que restou indeferido nos autos do PAF nº 10183.001622/200105". Na conclusão do julgamento, assim decidiu o Magistrado: Como consignado pelo impetrante, em cumprimento ao art. 62 do Regimento Interno do CARF3, as turmas julgadoras daquele Tribunal Administrativo também passaram a reconhecer o direito ao crédito presumido de IPI referente às matérias primas e insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas (fl. 17). A ser assim, não importa se a decisão impugnada é anterior ao entendimento decidido no REsp nº 993.164, devendo, pois, a ele ser adaptado, se for exatamente o caso de sua aplicação. Todavia, de rigor conceder a segurança apenas em parte, pois o Judiciário não pode determinar à Administração Pública que decida desta ou daquela forma. Em outras palavras, não pode determinar que haja reprodução do conteúdo do que fora decidido pelo Superior Tribunal de Justiça, mas que promova novo julgamento com manifestação expressa sobre a aplicação ao caso do disposto no art. 62 do RICARF e aplicação do precedente se for o caso. Ante o exposto, confirmo a liminar e concedo em parte a segurança para, declarando a nulidade do Despacho de exame de embargos, dos autos de PAF nº 10183.001622/2001 05, determinar que as autoridades impetradas promovam novo julgamento, com manifestação expressa sobre a aplicação ao caso do disposto no art. 62 do RICARF (grifei). Pois bem. Como se vê, foi declarada pela Justiça Federal a nulidade do Despacho de exame de embargos prolatada às fls. 291/297, sendo determinado que se promova Fl. 396DF CARF MF 8 novo julgamento dos Embargos, com manifestação expressa sobre a aplicação ao caso do disposto no art. 62 do RICARF (em referência ao disposto no REsp nº 993.164/MG). De forma muito objetiva, o que se discute neste autos é se a Embargante possui ou não direito a crédito presumido do IPI na hipótese de aquisições de pessoas físicas/e ou cooperativas, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no seu processo produtivo. Diante destas circunstâncias, para evitar qualquer prejuízo ao contraditório e à ampla defesa e em conformidade com o art. 1.023 do Código de Processo Civil aprovado pela Lei n.º 13.105/20151, aplicado de forma supletiva ao presente processo na forma do art. 15 daquela mesma lei, decidiuse abrir prazo de 5 (cinco) dias para que a Fazenda Nacional se manifeste sobre os aclaratórios a serem julgados, caso tenha interesse (fls. 382/383). A FAZENDA NACIONAL, por intermédio de seu Procurador signatário, informa que "(...) vem dizer a V. Exa. que está ciente do despacho que admitiu os embargos declaratórios do contribuinte" (fl. 387). Pois bem. A referida discussão decorre do disposto no §2º do art. 2º da Instrução Normativa nº 23/97, em confronto do que prevê o art. 1º da lei nº 9.363/96. Isso porque a referida Instrução Normativa, ao pretexto de regulamentar a sobredita lei, criou uma restrição ao crédito em comento, o qual estaria limitado à hipótese de aquisição de insumos de pessoas jurídicas sujeitas à incidência de PIS e COFINS. Posto isto, no que concerne à possibilidade de se incluir as aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas, no cálculo do crédito presumido apurado em conformidade com a Lei nº 9.363/96, é consabido (e expressamente citado pela decisão judicial), que o tema foi objeto de decisão judicial recurso repetitivo do STJ (REsp nº 993.164/MG), que consolidou jurisprudência em prol do pleito dos contribuintes, como se verifica da ementa abaixo: A Primeira Seção do STJ, ao julgar o Recurso Especial nº 993.164/MG, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 17.12.10, submetido à sistemática do art. 543C do CPC e da Resolução STJ nº 08/2008, decidiu que o crédito presumido de IPI, criado pela Lei nº 9.363/96, abrange as aquisições de insumos realizadas a pessoas físicas, não contribuintes do PIS/PASEP e da COFINS. (REsp 1241856/PR, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 02/04/2013, DJe 09/04/2013) Esta orientação foi consolidada na Súmula nº 494 do STJ, de seguinte teor: "O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matériasprimas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP". É cediço que o REsp nº 993.164/MG, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC), que é, portanto, vinculante nos julgamentos deste CARF por força do seu Regimento Interno, tem a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. (...) Fl. 397DF CARF MF Processo nº 10183.001622/200105 Acórdão n.º 3402004.197 S3C4T2 Fl. 394 9 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei nº 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (...) 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: (...) § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS ." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciarseão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: (...). 8. Consequentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: (...). (...) 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008” (REsp 993164/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, unânime, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010). O referido julgado (REsp nº 993.164/MG) tido como precedente, é análogo ao caso aqui tratado, uma vez que lá também se discutiu a possibilidade de empresa exportadora se valer de crédito presumido de IPI (art. 1º da lei n. 9.363/96) na hipótese de Fl. 398DF CARF MF 10 adquirir insumos de pessoas físicas e/ou cooperativas, afastando, por conseguinte, a restrição indevidamente imposta pelo §2º do art. 2º da Instrução Normativa nº 23/97, exatamente como ocorre no caso em tela. Nesse diapasão, o referido precedente tem força vinculativa para este julgador, nos exatos termos do que prevê o art. 62, §2º do Regimento Interno do CARF, razão pela qual o Acórdão embargado deve ser reformada para a inclusão no cálculo do crédito presumido de IPI as aquisições de insumos de pessoas físicas ou cooperativas, nos termos do que foi objeto do pedido pela Embargante em seu recurso. Quanto as demais matérias controvertidas no Recurso Voluntário, apontadas no trecho abaixo, e que foram apreciadas no Acórdão embargado, o resultado deve permanecer inalterado conforme no aresto decidido, uma vez que a divergência suscitada (Voto Vencedor) foi sobre às aquisições de pessoas físicas e cooperativas. Vejase trechos abaixo reproduzidos: "No que se refere à inclusão na base de cálculo do crédito presumido do IPI, das aquisições de lenha, entendo que nessa parte o recurso não pode ser conhecido. Isto porque a interessada não suscitou esta matéria em sede impugnatória". "Por derradeiro, entendo ser devida a incidência da denominada taxa Selic (correção monetária dos créditos) a partir da efetivação do pedido de ressarcimento". Conclusão Em face do acima exposto, acolho os embargos de declaração opostos e concedo efeitos modificativos para o fim de retificar o erro material do julgado e o vício de contradição na ementa do acórdão e nos fundamentos do voto condutor, para que não subsistam dúvidas por ocasião da execução do aresto e, aplicar o REsp nº 993.164/MG ao caso presente, revertendose a glosa das aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas, na base de cálculo do crédito presumido do IPI apurado em conformidade com a Lei nº 9.363/96, nos exatos termos do que prevê o art. 62, §2º do Regimento Interno do CARF, atendendose desta forma, na integra, a decisão Judicial prolatada no processo nº 1002374 30.2016.4.01.3400, da 14ª Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal (fls. 334/342). É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 399DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10970.000124/2010-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2007 a 28/02/2007
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE.
O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal não são causa de nulidade do auto de infração.
LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. INFORMAÇÕES INEXATAS.
Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de apresentar GFIP com os dados correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias.
MULTA. RELEVAÇÃO.
Não há previsão legal para atenuação ou relevação da multa.
Numero da decisão: 2401-004.957
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade em conhecer do recurso, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar-lhe provimento parcial para que a multa seja recalculada excluindo o valor apurado relativo ao pagamento de alimentação in natura.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2007 a 28/02/2007 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal não são causa de nulidade do auto de infração. LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. INFORMAÇÕES INEXATAS. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de apresentar GFIP com os dados correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. MULTA. RELEVAÇÃO. Não há previsão legal para atenuação ou relevação da multa.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2007 a 28/02/2007 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal não são causa de nulidade do auto de infração. LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. INFORMAÇÕES INEXATAS. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de apresentar GFIP com os dados correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. MULTA. RELEVAÇÃO. Não há previsão legal para atenuação ou relevação da multa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 00 01 24 /2 01 0- 51 Fl. 212DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade em conhecer do recurso, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, darlhe provimento parcial para que a multa seja recalculada excluindo o valor apurado relativo ao pagamento de alimentação in natura. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10970.000124/201051 Acórdão n.º 2401004.957 S2C4T1 Fl. 213 3 Relatório Tratase de Auto de Infração AI (Código de Fundamentação Legal – CFL 68) – na competência 02/07, por infração à Lei 8.212/91, artigo 32, inciso IV e §5o, c/c Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, artigo 225, inciso IV, por ter a empresa apresentado Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A multa cabível está prevista na Lei 8.212/91, artigo 32, §5º c/c o Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, artigo 284, inciso II, e o valor da multa é calculado em 100% (cem por cento) do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada, por competência, aos valores previstos na Lei 8.212/91, artigo 32, §4º. De acordo com o relatório fiscal (fl. 17) a empresa deixou de declarar em GFIP os valores referentes aos pagamentos feitos a contribuintes individuais e a remuneração paga a empregados a título de alimentação, em forma de tíquetes e cestas básicas. Foi efetuado o comparativo da multa, restando na presente autuação apenas a competência 02/07, conforme relatório fiscal de aplicação da multa, fls. 18/19. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação, na qual alega nulidade do MPF, que os valores dos tíquetes alimentação e das cestas básicas (alimentação in natura) não têm natureza salarial e reconhece que não informou alguns contribuintes individuais em GFIP, mas que isso aconteceu por erro do funcionário responsável pelo departamento pessoal à época, devendo a multa ser relevada. Foi proferido o Acórdão 0930.559 5ª Turma da DRJ/JFA, fls. 157/174, com a seguinte ementa e resultado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 23/02/2010 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇAO ACESSORIA. INFRAÇAO A LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. APRESENTAR GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. ALIMENTAÇÃO. FORNECIDA EM DESACORDO COM O PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR _ PAT. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. RELEVAÇÃO. NÃO CABIMENTO. Não há como declarar nulidade, quer material quer formal, do lançamento tributário que atende aos requisitos do artigo 142 do Código Tributário Nacional CTN, formalizado por autoridade legalmente competente e nos termos do Decreto n° 70.23 5/72. Fl. 214DF CARF MF 4 Constitui infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória, apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, devendo o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil lavrar o respectivo auto de infração. A alimentação fornecida pela empresa a seus empregados em desacordo com o Programa de Alimentação do Trabalhador PAT integra o saláriodecontribuição para os fins da Lei n° 8.212/91. Cabia a relevação da multa aplicada quando cumpridos cumulativamente, pelo infrator, todos os requisitos exigidos na legislação previdenciária, no então vigente art. 291, § 1° do Regulamento Previdenciário aprovado pelo Decreto n° 3.048/99 na redação dada pelo Decreto n° 6.032/07, que a partir de 13/01/2009, data da publicação do Decreto n° 6.727/2009, foi revogado. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. A Administração Pública está sujeita ao princípio da legalidade, à obrigação de cumprir e respeitar as leis em vigor. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado do Acórdão em 9/11/10 (Aviso de Recebimento AR de fl. 177), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 7/12/10, fls. 181/206, que contém, basicamente, os mesmos argumentos da impugnação, em síntese: Preliminarmente, alega nulidade do Mandado de Procedimento Fiscal MPF e diz demonstrar as irregularidades. Disserta sobre a matéria. No mérito, diz que o fato de não ter feito o recadastramento no PAT, em nada influencia a natureza da alimentação fornecida, pois a inscrição ou não no PAT, não retira a natureza “in natura” dos alimentos fornecidos, seja através de cestas básicas ou tíquetes alimentação. Quanto aos valores pagos a contribuintes individuais, confirma que não os informou em folha de pagamento e GFIP, mas que contabilizou os valores pagos e recolheu as importâncias retidas dos segurados. Diz que isso aconteceu por erro do funcionário responsável pelo departamento pessoal à época, devendo a multa ser relevada. Requer seja dado provimento ao recurso. É o relatório. Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10970.000124/201051 Acórdão n.º 2401004.957 S2C4T1 Fl. 214 5 Voto Conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini, Relatora. ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. PRELIMINAR NULIDADE DO MPF O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte, o que implica dizer que eventuais irregularidades no texto, prorrogações ou seu vencimento não constituem, por si só, causa de nulidade do lançamento e nem provoca a reaquisição de espontaneidade por parte do sujeito passivo. Estando o contribuinte regulamente intimado do procedimento fiscal e com a espontaneidade suspensa, não há que se falar em vício de forma se foram seguidas as disposições legais pertinentes ao lançamento e à lavratura do auto de infração, contidas no art. 142 da Lei 5.172/66 – Código Tributário Nacional – e no art. 10 do Decreto 70.235/72. Assim, tendo o auditor fiscal competência outorgada por lei para fiscalizar e constituir o crédito tributário pelo lançamento, eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal não são causa de nulidade do auto de infração. Decisão recente da Câmara Superior de Recursos Fiscais demonstra o entendimento do CARF, conforme se vê no Acórdão 9202003.956 – 2ª Turma, de 22/4/16, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000, 2001 VÍCIOS DO MPF NÃO GERAM NULIDADE DO LANÇAMENTO. As normas que regulamentam a emissão de mandado de procedimento fiscal MPF, dizem respeito ao controle interno das atividades da Secretaria da Receita Federal, portanto, eventuais vícios na sua emissão e execução não afetam a validade do lançamento. Recurso Especial negado. Logo, irrelevantes os argumentos sobre irregularidades ou vencimento do MPF. Fl. 216DF CARF MF 6 MÉRITO O sujeito passivo foi autuado por ter infringido o disposto na Lei 8.212/91, artigo 32, inciso IV, §5o, na redação vigente à época do fato gerador, que dispõe: Art.32. A empresa é também obrigada a: [...] IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. [...] §5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. Tendo em vista a infração cometida, o sujeito passivo sujeitouse, pelo descumprimento de obrigação acessória, à multa punitiva, conforme disposto na Lei 8.212/91 artigo 32, §5o e RPS, artigo 284, inciso II, na redação vigente à época do fato gerador, que determina: Art.284. A infração ao disposto no inciso IV do 'caput' do art. 225 sujeitará o responsável às seguintes penalidades administrativas: I valor equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no caput do art. 283, em função do número de segurados, pela não apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, independentemente do recolhimento da contribuição, conforme quadro abaixo: [...] 501 a 1.000 segurados 20 x valor mínimo [...] II cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores, seja em relação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção ou substituição, quando se tratar de infração cometida por pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social em gozo de isenção das contribuições previdenciárias ou por empresa cujas contribuições incidentes sobre os respectivos fatos geradores tenham sido substituídas por outras; (Redação alterada pelo Decreto nº 4.729, de 09/06/03) Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10970.000124/201051 Acórdão n.º 2401004.957 S2C4T1 Fl. 215 7 A obrigação acessória aqui apurada possui relação com os autos de infração contendo obrigação principal conexos a este. O mérito do lançamento foi apreciado nos respectivos autos de infração contendo obrigações principais. Para o fato gerador alimentação in natura, apurado nos processos 10970.000094/201083, 10970000096/201072 e 10970.000097/201017, o crédito tributário foi exonerado, conforme trecho do voto proferido em referidos processos. Desta forma, os valores relativos a alimentação in natura fornecidos aos empregados na forma de cestas básicas ou tíquete alimentação/refeição não integram o conceito de remuneração e, por conseguinte, não devem compor o salário de contribuição dos segurados favorecidos para os específicos fins de incidência de contribuições previdenciárias. Assim, uma vez que o fato gerador de que trata o presente lançamento é relativo a contribuições que incidiriam sobre alimentação in natura (cestas básicas e tíquetes) fornecida pela empresa e tendo em vista que conforme atos normativos citados tais contribuições não são mais exigíveis, deve ser excluído o lançamento. Quanto aos valores pagos a contribuintes individuais, o crédito tributário foi apurado no processo 10970.000102/201091, sendo mantido o lançamento. Inclusive o próprio recorrente reconhece o cometimento da infração. Portanto, nos termos da Lei nº 8.212/91, artigo 32, inciso IV, §5º, está demonstrado o cometimento da infração com relação aos valores pagos a contribuintes individuais, e sendo devida a obrigação principal, existe a obrigação acessória. Desta forma, o valor da multa aplicada deverá ser retificado, excluindose o valor relativo à alimentação. RELEVAÇÃO O pedido para relevação da multa, nos termos do RPS, art. 291, §1o, não pode ser acatado, pois tal procedimento não é mais possível, já que o presente Auto de Infração foi lavrado em 24/2/10, quando o citado dispositivo do RPS já havia sido expressamente revogado pelo Decreto 6.727, de 12/1/09, não existindo mais qualquer previsão para atenuação ou relevação da multa. CONCLUSÃO Voto por conhecer do recurso, rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito darlhe provimento parcial, para que a multa seja recalculada excluindo o valor apurado relativo ao pagamento de alimentação in natura. Por ocasião do pagamento ou execução do crédito tributário remanescente, deverá ser calculada a multa mais benéfica, considerando os autos de infração conexos, em Fl. 218DF CARF MF 8 razão da alteração na legislação previdenciária promovida pela Lei 11.941/09, nos termos da Portaria conjunta PGFN/RFB nº 14, de 4/12/09. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Fl. 219DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.908899/2012-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2009
ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN.
Em processos que decorrem da não-homologação de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN).
MOMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972.
Seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão.
Numero da decisão: 3401-003.554
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. O Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira votou pelas conclusões, por entender que o pedido não era certo e determinado, e lhe faltava fundamento.
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl , Augusto Fiel Jorge dOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2009 ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN. Em processos que decorrem da não-homologação de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN). MOMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão.
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PAGAMENTO INDEVIDO OUA MAIOR COFINS Recorrente GRG COMERCIO IMPORTADORA E EXPORTADORA DE EQUIPAMENTOS REPROGRAFICOS LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2009 ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN. Em processos que decorrem da nãohomologação de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN). MOMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 88 99 /2 01 2- 33 Fl. 81DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. O Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira votou pelas conclusões, por entender que o pedido não era certo e determinado, e lhe faltava fundamento. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl , Augusto Fiel Jorge d’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco. Relatório O processo administrativo ora em análise trata de PER/DCOMP, cujo crédito teria origem em recolhimento da Cofins efetuado a maior. Conforme despacho decisório, a compensação declarada não foi homologada, pelos seguintes motivos: “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Ou seja, como a contribuinte declarou dever o exato montante do valor do DARF pago, o despacho decisório não identificou qualquer pagamento a maior ou indevido a justificar o direito de crédito alegado, indeferindo o pedido. Após ser intimada, a ora Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte ("DRJ"), por decisão que possui a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. Anocalendário: 2009 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo”. Intimada dessa decisão, a ora Recorrente apresentou tempestivamente seu Recurso Voluntário, pelo qual requereu a reforma do acórdão recorrido, com base nos seguintes argumentos: (i) nulidade da decisão recorrida, pois estaria impondo condições ao direito de compensar da Recorrente e por utilizar fundamento para nãohomologação que não encontraria amparo na Lei; (ii) haveria falta de amparo legal e regulamentar no fundamento utilizado para a nãohomologação da compensação, pois não haveria obrigação de retificar a DCTF do período em que se verificou o crédito; (iii) não haveria como se reconhecer válida a emissão de despacho decisório eletrônico; (iv) o crédito seria legítimo; e (v) não teria ocorrido preclusão na produção de provas. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10830.908899/201233 Acórdão n.º 3401003.554 S3C4T1 Fl. 3 3 Em seguida, os autos foram remetidos à Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.542, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.902391/201311, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, (Acórdão 3401003.542): "O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. A questão a ser decidida pelo Colegiado no processo ora em julgamento diz respeito ao direito probatório em pedido de restituição com declaração de compensação. Como regra, o artigo 373 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015) estabelece que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A respeito, comenta a doutrina: "compete, em regra, a cada uma das partes o ônus de fornecer os elementos de prova das alegações de fato que fizer. A parte que alega deve buscar os meios necessários para convencer o juiz da veracidade do fato deduzido como base da sua pretensão/exceção, afinal é a maior interessada no seu reconhecimento e acolhimento".1 Nessa linha, a Lei nº 9.784/1999, que regula os processos administrativos federais, determina: "Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei". (grifos nossos) Assim, como esse Colegiado já teve a oportunidade de decidir, "o ônus da prova atua de forma diversa em processos decorrentes de lançamento tributário, no qual cabe ao Fisco provar a ocorrência do fato gerador, e em processos relativos a pedidos de ressarcimento e compensação, em que cabe ao contribuinte provar o seu direito de crédito". (Acórdão nº 3401 003.204; Data da Sessão: 23/08/2016: Relator: Augusto Fiel Jorge d'Oliveira) 1 Curso de Direito Processual Civil. Vol. 02. Fredie Didier Jr., Paula Braga, Rafael de Oliveira. Edição 2013. Editora Juspodivm. p. 8185. Fl. 83DF CARF MF 4 Quanto ao momento de produção de prova, seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão. Dessa maneira, no presente processo, que trata de declaração de compensação, o ônus da prova cabe à Recorrente, sendo que o momento adequado para a apresentação das razões de fato e de direito, com amparo em toda prova necessária para tanto, se dá por ocasião do protocolo de sua Manifestação de Inconformidade ao despacho eletrônico que não homologou a compensação. O fundamento para a negativa do pedido foi a não retificação da DCTF pela Recorrente, o que implicou uma coincidência entre valores devidos e pagos a título de COFINS. Assim, não identificou a Administração Tributária qualquer pagamento a maior ou indébito a ser restituído ou compensado. Na linha do que vem decidindo o CARF, a retificação de DCTF não é condição para a homologação de compensação, sendo, na realidade, necessário que o indébito esteja devidamente provado. Assim, uma vez não homologada a compensação da Recorrente, caberia a ela, na apresentação de sua Manifestação de Inconformidade, demonstrar o indébito, o que poderia ser feito, inicialmente, com a exposição do valor que foi pago e do que, a seu entender deveria ter sido pago, a gerar a diferença. Segundo, as razões de fato ou de direito que levam a conclusão de que os valores efetivamente pagos o foram de forma indevida. Terceiro, a juntada da documentação comprovando a ocorrência do indébito, o que, a depender do caso, exigiria documentos contábeis, notas fiscais etc. Porém, em sua Manifestação de Inconformidade, para sustentar o seu direito de crédito, a Recorrente alega apenas o seguinte: A Impugnante, ao calcular o quantum debeatur da exação, utilizouse de base de cálculo com valores que indevidamente a integravam, ou seja, de base de cálculo ampliada. Incluiu nesta base de cálculo, não só a receita decorrente de seu faturamento, ou seja, de suas vendas, mas sim as demais receitas que não devem compôlo. Para tanto, utilizouse de algumas teses tributárias já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal de forma favorável Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10830.908899/201233 Acórdão n.º 3401003.554 S3C4T1 Fl. 4 5 aos contribuintes, a exemplo a ampliação da base de cálculo por alterar o conceito de faturamento, a exclusão da base de cálculo de determinadas despesas, etc. Por esta razão é que postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior desta exação. Como se verifica, a Recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o seu direito de crédito. Muito embora não tenha citado qualquer fundamento legal ou os precedentes nos quais teriam sido apreciadas a tese jurídica que ampararia o seu direito de crédito, a Recorrente parece estar se referindo à declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, §1º, da Lei nº 9.718/1998, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235, pelo Supremo Tribunal Federal (“STF”), que depois reconheceu a repercussão geral da questão constitucional nos RE nº 346.084/PR, 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG. Sem adentrar na ausência de exposição pela Recorrente do fundamento legal e regulamentar que autorizaria a aplicação de tal entendimento ao seu caso concreto, a possibilitar a apresentação de sua declaração de compensação, haja vista que nem toda declaração de inconstitucionalidade pelo STF permitirá a compensação tributária (artigo 43, parágrafo 3º, alínea f, da Instrução Normativa nº 900/2008), percebese que a Recorrente não se preocupa em conferir liquidez e certeza ao direito de crédito alegado. Ainda que se admita que o fundamento do direito de crédito seja a inconstitucionalidade do artigo 3º, §1º, da Lei nº 9.718/1998 e que tal fundamento seja aplicável à Recorrente, essa alegação, por si só, não justifica o direito de crédito. A Recorrente deveria demonstrar que efetivamente realizou o recolhimento de COFINS a maior, sobre uma receita que não poderia se sujeitar à tributação, pela apresentação de demonstrativo das receitas apuradas naquele mês, identificação das receitas que foram incluídas indevidamente, com o suporte contábil e documentação fiscal correspondente. Contudo, nada disso foi apresentado, nem o valor que foi pago a maior e outros elementos, ainda que incompletos, que pudessem servir de princípio de prova. Em seu Recurso Voluntário, a Recorrente procura desenvolver aquilo que havia afirmado na Manifestação de Inconformidade, dessa vez, citando o dispositivo declarado inconstitucional e identificando os precedentes, e inova, em contrariedade ao que antes havia informado sobre a origem do crédito. O direito de crédito não mais seria em razão da inconstitucionalidade de dispositivo da Lei nº 9.718/1998, mas também em razão da exclusão do ICMS da base de cálculo da COFINS, argumento que já nem poderia ser conhecido, em razão dos efeitos da preclusão (artigo 17 do Decreto nº 70.235/1972). Fl. 85DF CARF MF 6 De qualquer maneira, novamente, a Recorrente se limita a indicar a tese jurídica de forma geral, sem expor, no seu caso concreto, a origem do crédito, que operações realizou, em que valor, o que foi indevidamente incluído na base de cálculo, e também não apresenta qualquer documentação que pudesse dar suporte ao direito de crédito alegado. Portanto, a declaração de compensação apresentada pela Recorrente, sem qualquer prova da origem do crédito, não pode prosperar, estando correta a decisão recorrida na manutenção da nãohomologação, em perfeita harmonia com o disposto nos artigos 170 do CTN, e 74 da Lei nº 9.430/1996, que prevêem como requisito para a compensação tributária a existência de crédito líquido e certo. Por fim, quanto à questão prejudicial levantada pela Recorrente, de nulidade do despacho decisório, penso que deve ser rejeitada. A Recorrente alega que sua fundamentação não seria adequada e não permitiria conhecer os motivos da não homologação. Porém, apesar de o despacho ser objetivo, o mesmo permite a compreensão dos motivos para a não homologação, não se verificando qualquer prejuízo à defesa da Recorrente. Assim, considerando válido o despacho decisório que gerou o presente processo, devidamente enfrentada a questão essencial para o julgamento da lide, quanto à prova do direito de crédito, e não sendo as demais alegações levantadas pela Recorrente capazes de superar a ausência de prova do direito de crédito e a afastar a decisão que manteve a nãohomologação da compensação, proponho ao Colegiado negar provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente. Rosaldo Trevisan Relator Fl. 86DF CARF MF
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Numero do processo: 18088.000051/2009-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008
FALTA DE RECOLHIMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO. RESULTADO DE DILIGÊNCIA.
Uma vez comprovado pelo resultado da realização de diligência fiscal, que inexistem valores remanescentes devidos, deve ser cancelado o crédito tributário de COFINS constituído nos autos em relação aos períodos de apuração de 08/2006 a 06/2008.
RECURSO. DESISTÊNCIA PARCIAL. EFEITOS.
A desistência parcial do recurso administrativo encerra o litígio na via administrativa, em relação à parte da exação objeto da desistência, e implica o não conhecimento parcial do recurso.
Numero da decisão: 3201-002.849
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Decidiram os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte o recurso voluntário e na parte conhecida, dar provimento ao recurso.
Winderley Morais Pereira - Presidente.
José Luiz Feistauer de Oliveira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim, Winderley Morais Pereira, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Marcelo Giovani Vieira.
Nome do relator: JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 FALTA DE RECOLHIMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO. RESULTADO DE DILIGÊNCIA. Uma vez comprovado pelo resultado da realização de diligência fiscal, que inexistem valores remanescentes devidos, deve ser cancelado o crédito tributário de COFINS constituído nos autos em relação aos períodos de apuração de 08/2006 a 06/2008. RECURSO. DESISTÊNCIA PARCIAL. EFEITOS. A desistência parcial do recurso administrativo encerra o litígio na via administrativa, em relação à parte da exação objeto da desistência, e implica o não conhecimento parcial do recurso.
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AUTO DE INFRAÇÃO. RESULTADO DE DILIGÊNCIA. Uma vez comprovado pelo resultado da realização de diligência fiscal, que inexistem valores remanescentes devidos, deve ser cancelado o crédito tributário de COFINS constituído nos autos em relação aos períodos de apuração de 08/2006 a 06/2008. RECURSO. DESISTÊNCIA PARCIAL. EFEITOS. A desistência parcial do recurso administrativo encerra o litígio na via administrativa, em relação à parte da exação objeto da desistência, e implica o não conhecimento parcial do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Decidiram os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte o recurso voluntário e na parte conhecida, dar provimento ao recurso. Winderley Morais Pereira Presidente. José Luiz Feistauer de Oliveira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim, Winderley Morais Pereira, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Marcelo Giovani Vieira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 00 00 51 /2 00 9- 21 Fl. 5972DF CARF MF 2 Relatório Por se tratar de processo com retorno de diligência, transcrevo o Relatório constante da Resolução nº 3201000.460, redigida por esta 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara do CARF (efls. 5827 a 5832): Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. Contra a empresa acima identificada foi lavrado auto de infração exigindolhe a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins), anoscalendário de 2004 a 2008, no valor de R$ 1.951.957,78 (fls. 11), acrescidos de multa de oficio (qualificada) e juros de mora, totalizando credito tributário no valor de R$ 5.280.579,94. Em Relatório de Descrição dos Fatos as fls. 18/71, a autoridade fiscal informa ter executado, em procedimento fiscal, verificações obrigatórias visando aferir a correspondência entre os valores da COFINS declarados à RFB e os valores apurados pelo sujeito passivo em sua escrituração contábil e fiscal, nos anoscalendário de 2004 a 2008. Como resultado, constatouse que os valores constantes em livros de registro de prestação de serviços, denominados Registro de Saídas, e em livros de registro de notas fiscais de serviços prestados, são divergentes em relação aos valores informados à RFB por meio de declarações obrigatórias (DIPJ, DCTF e DACON). As omissões apuradas foram sintetizadas em planilhas de fls. 35, 44, 53, 60 e 64, e os respectivos valores da COFINS devidos objeto do auto de infração em exame. Ciente em 13/02/2009 (fls.1591), a interessada apresentou, em 13/03/2009, impugnação ao lançamento (fls. 1594/1633), alegando, em síntese, de acordo com suas próprias razões: que seria nulo o lançamento, por fundado em presunções ou indícios de omissão de receitas, que não (refletiriam a real situação da contribuinte (capacidade contributiva), e pela não apreciação de provas; que seria, nulo o lançamento por indevida inclusão na base de calculo da Cofins de valores devidos a titulo de ICMS e ISS, que seriam estranhos aos conceitos de faturamento e receita, com afronta a preceitos legais e constitucionais; que a autoridade fiscal teria desconsiderado, no lançamento, retenções efetuadas em notas fiscais de prestação de serviços, a titulo de IRPJ, CSLL, Pis e Cofins, nos termos dos artigos 30 a 32 da Lei n.° 10.833. de 2003, implicando indevida majoração dos valores devidos. Caracterizadas tais antecipações como retenções, nos termos do artigo 34 da Lei n.° 10.833, de 2003, as respectivas empresas estariam autorizadas a compensar os valores retidos com tributos devidos a partir do mês da retenção; que teria em seu favor provimento judicial, exarado, em ação em Mandado de Segurança, com trâmite perante a 4a Vara Fl. 5973DF CARF MF Processo nº 18088.000051/200921 Acórdão n.º 3201002.849 S3C2T1 Fl. 3 3 Federal de Ribeirão Preto (processo n.° 2004.61.02.0030193), concedendolhe o direito a não ser compelida ao recolhimento da Cofins em razão da isenção prevista no art. 6°, II, da Lei Complementar n.° 70, de 1991, pelo que seria nulo/improcedente o auto de infração. O disposto no art. 63 da Lei n.° 9.430, de 1996, por seu turno, afastaria a possibilidade de imposição da multa de oficio; que requer seja determinada a realização de diligência para nova apuração dos valores devidos a titulo de Cofins, considerandose as retenções na fonte e excluídos da base de cálculo os valores de ISS devidos; que a alegação de que a empresa não teria respondido intimação e reintimação não daria respaldo ao agravamento da multa; que seria ilegal e/ou inconstitucional a exigência de juros de mora com base na taxa Selic; que a aplicação de multa de oficio ao percentual de 75% caracterizaria confisco, contrariando dispositivos da Constituição Federal; que caberia redução da sanção pecuniária, por ausente qualquer intenção de fraude ou dolo por parte da impugnante; que seria dever da Administração apreciar e deixar de aplicar conteúdo de lei com indicativos de inconstitucionalidade; que caberia anulação do Termo de Arrolamento de Bens, por constituir forma ilegal de vedação de disposição de bens, e por encontrarse suspensa a exigibilidade do crédito tributário; que inexistiriam razões para prosseguimento da representação fiscal para fins penais, pelo que caberia a suspensão de seus efeitos. Ao final, requer o reconhecimento da nulidade e improcedência do auto de infração, ou. alternativamente, a realização de diligencia para que seja efetuada nova apuração dos valores lançados no auto de infração, exclusão dos juros de mora e redução das multas aplicadas, e conseqüente reconhecimento da improcedência do lançamento. Cumpre informar ainda que a recorrente desistiu parcialmente de sua impugnação em relação aos fatos geradores correspondentes aos períodos de apuração de 02/2004 a 07/2006, mantendo sua irresignação apenas em relação aos períodos de apuração de 08/2006 a 06/2008. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP encaminhou o processo em diligência para a verificação das alegações referentes à inclusão dos valores correspondentes às notas fiscais no cálculo dos totais de receitas apuradas para exigência das contribuições ao Pis e Cofins. A autoridade fiscal responsável pelo lançamento, procedendo com a diligência requerida, informou que: Fl. 5974DF CARF MF 4 [...]Da análise da documentação entregue pelo fiscalizado (fls. 5246 a 5387), apurei que o valor das notas fiscais (fls: 1713 a 5225) apresentadas quando da impugnação encontrase incluído nos totais mensais de receitas apuradas segundo as planilhas representativas dos demonstrativos contábeis dos anos calendário 2004, 2005, 2006, 2007 e 2008 as fls. 35, 41; 53, 60 e 64, respectivamente. Analisei, ainda, o Relatório das Notas Fiscais Emitidas (fls. 5246 a 5387) elaborado pelo diligenciado, o qual verifiquei conter a composição dos totais mensais informados nos "Balancetes de Verificação", constantes do processo. Apurei; contudo, que a diligenciada não fez acompanhar de sita impugnação a totalidade das notas fiscais a que se refere o Relatório de Notas Fiscais Emitidas (fls. 5246 a 5387). Atesto, também, que o valor das notas fiscais (fls. 1743 a 5225) apresentadas quando da impugnação encontrase incluído nos totais mensais de receitas apuradas segundo as planilhas representativas dos demonstrativos contábeis dos anos calendário 2004, 2005, 2006, 2007 e 2008 as fls. 35; 41, 53, 60 e 64, respectivamente: Assim, fica atendido o item "a" do despacho fl. 5232. Para atendimento ao item "b" do despacho a fl. 5232 elaborei, à luz das informações apresentadas pelo contribuinte, relatório; mês a mês (fls. 5388 a 5507), destacando em uma coluna própria, com base nas notas fiscais apresentadas na impugnação, (fls. 1743 a 5225) a COFINS retida na fonte, concluindo que há Notas Fiscais (l1s. 1743 a 5225) apresentadas na impugnação cujos valores estão incluídos no cômputo das receitas apuradas nas planilhas representativas dos demonstrativos contábeis dos anoscalendário 2004, 2005, 2006, 2007 e 2008 as fls. 35, 44, 53, 60 e 64, respectivamente, base para exigência das contribuições COFINS. [...]Sobreveio decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que julgou, por unanimidade de votos, procedente em parte a impugnação, mantendo parcialmente o crédito tributário exigido. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontramse consubstanciados na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ANOCALENDÁRIO: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 IMPUGNAÇÃO. DESISTÊNCIA PARCIAL. EFEITOS. A desistência parcial do recurso administrativo encerra o litígio na via administrativa, em relação à parte da exação objeto da desistência, e implica o não conhecimento parcial da impugnação. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Improcedentes as argüições, de nulidade quando não se vislumbra nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art'. 59 do Decreto n° 70.235/72. Fl. 5975DF CARF MF Processo nº 18088.000051/200921 Acórdão n.º 3201002.849 S3C2T1 Fl. 4 5 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas, incluídas as que julgam litígios fiscais, no detém competência para decidir sobre arguição de inconstitucionalidade de leis; já que tal competência está adstrita à esfera judicial. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS ANOCALENDÁRIO: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. EFEITOS. Constatadas as irregularidades descritas nos autos de infração , tendo sido observada na autuação a legislação de regência das matérias, e não havendo contestação expressa de fatos apontados na autuação, pressupõese a concordância da impugnante em relação à parte não impugnada, o que torna definitiva a exigência na esfera administrativa, no que concerne a esse tema. FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento de valores devidos a titulo da contribuição, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de oficio com os devidos acréscimos legais. BASE DE CALCULO. EXCLUSÕES. As exclusões da base de calculo da contribuição limitamse aos casos expressamente previstos em Lei. MULTA DE OFICIO QUALIFICADA. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, § 1°, da Lei n° 9.430/96, restando demonstrado que o procedimento adotado , pelo sujeito passivo enquadrase, em tese, nas hipóteses tipificadas no art. 71, inciso I, da Lei n° 4.502/64. Nesta decisão, a DRJ Ribeirão Preto considerou dedutíveis, para efeitos de cálculo da COFINS apurada mensalmente, as retenções na fonte comprovadas pela recorrente, excluindo do lançamento os valores correspondentes. Inconformada com a decisão, apresentou a recorrente, tempestivamente, o presente recurso voluntário. Na oportunidade, sustenta que: que seria nulo o lançamento, por fundado em presunções ou indícios de omissão de receitas, que não (refletiriam a real situação da contribuinte (capacidade contributiva), e pela não apreciação de provas; que seria nulo o lançamento por indevida inclusão na base de calculo da Cofins de valores devidos a titulo de ICMS e ISS, que Fl. 5976DF CARF MF 6 seriam estranhos aos conceitos de faturamento e receita, com afronta a preceitos legais e constitucionais; que a alegação de que a empresa não teria respondido intimação e reintimação não daria respaldo ao agravamento da multa; que seria ilegal e/ou inconstitucional a exigência de juros de mora com base na taxa Selic; que a aplicação de multa de oficio ao percentual de 75% caracterizaria confisco, contrariando dispositivos da Constituição Federal; que caberia redução da sanção pecuniária, por ausente qualquer intenção de fraude ou dolo por parte da impugnante; que seria dever da Administração apreciar e deixar de aplicar conteúdo de lei com indicativos de inconstitucionalidade; Posteriormente a apresentação de seu recurso voluntário, a recorrente carreou aos autos documento no qual apresenta razões aditivas, afirmando, em síntese, que todos os valores declarados no Dacon à titulo de Cofins retido na fonte deveria ser excluído do lançamento. Em sede de memoriais, a recorrente anexa planilha informando que notas fiscais que demonstrariam que todos os valores exigidos foram objeto de retenção na fonte encontramse anexadas a outros processos do mesmo contribuinte, referentes ao mesmo período de apuração, quais sejam os processos nº 18088.000050/200986 e 18088.000063/200955. É o relatório. Em primeira análise, essa 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção, em decisão unânime, houve por bem converter o processo em diligência, nos seguintes termos: Do relatório, extraise que a autoridade fiscal, em procedimento de diligência, confirmou o equívoco do lançamento em relação às notas fiscais anexadas ao presente processo, tendo o acórdão recorrido cancelado a exigência em relação a estes recolhimentos considerados comprovados. Verificase ainda que a recorrente, em sede de memoriais, informa a localização de cada uma das notas fiscais que demonstrariam o recolhimento dos tributos ora exigidos, que teriam sido anexados a outros dois processos da recorrente, referentes aos mesmos períodos de apuração. Desta forma, tendo em vista os fatos trazidos em sede de julgamento de recurso voluntário, mostrase necessário que o presente processo seja encaminhado em diligência a unidade de origem para que sejam adotadas as seguintes providências: elaboração de relatório conclusivo acerca da inclusão (ou não) dos valores correspondentes às Notas Fiscais anexadas junto aos Processos nº 18088.000050/200986 e 18088.000063/200955, no Fl. 5977DF CARF MF Processo nº 18088.000051/200921 Acórdão n.º 3201002.849 S3C2T1 Fl. 5 7 cômputo dos totais de receitas apuradas que ensejaram na presente autuação. manifestação acerca da necessidade de retificação dos valores lançados, informando o valor que entende devido, tendo em vista as notas fiscais anexadas junto aos Processos nº 18088.000050/200986 e 18088.000063/200955. Após prestadas as informações acima, abrase vistas a recorrente para que se manifeste no prazo de 10 (dez) dias, se entender necessário, bem como intimese a douta Procuradoria da Fazenda Nacional para que se manifeste no prazo de 10 (dez) dias, sobre o resultado desta diligência. Por fim, devem os autos retornar a este Conselheiro para prosseguimento no julgamento. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator Em diligência realizada, a Autoridade Fiscal concluiu (efls. 5953 a 5961, grifei): Em atendimento ao contido no encaminhamento do CARF – Conselho Administrativo de recursos Fiscais a fl. 5834 do processo de lançamento de crédito tributário da COFINS – Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social nº 18088.000051/200921, efetuo a presente informação fiscal. Junto ao presente o TDPF – D – Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal nº 08122002015 000965. Esta informação fiscal é elaborada ante a solicitação de diligência exarada na Resolução nº 3201 000.460 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (fls. 5827 a 5832), para que sejam adotadas as seguintes providências: 1) elaboração de relatório conclusivo acerca da inclusão (ou não) dos valores correspondentes às Notas Fiscais anexadas nos Processos nº 18088.000050/200986 e 18088.000063/200955, no cômputo dos totais de receitas apuradas que ensejaram na presente autuação. 2) manifestação acerca da necessidade de retificação dos valores lançados, informando o valor que o AuditorFiscal autuante entende devido, tendo em vista as notas fiscais anexadas nos Processos nº 18088.000050/200986 e 18088.000063/200955. Quanto ao item 1 supra, as Notas Fiscais anexadas pelo contribuinte nos eProcessos nº 18088.000050/200986 (PIS) e 18088.000063/200955 (IRPJ), quando da impugnação apresentada, localizamse as fls. 1807 a 4959 e as fls. 1178 a 4528, respectivamente em cada processo, e o valor de cada uma das notas fiscais encontrase incluído nos totais mensais de receitas apuradas segundo as planilhas representativas dos Fl. 5978DF CARF MF 8 demonstrativos contábeis do período de apuração de 08/2006 até 12/2006 (fl. 55), de 01/2007 até 12/2007 (fl. 62), e de 01/2008 até 06/2008 (fl. 66). Considero nessa informação fiscal que a recorrente, em sede de memoriais, informou a localização de cada uma das notas fiscais que, segundo afirmou a fiscalizada, demonstrariam o recolhimento dos tributos ora exigidos do período de apuração de 08/2006 até 12/2006, de 01/2007 até 12/2007, e de 01/2008 até 06/2008; são as notas fiscais as fls. 2948 a 4959 do processo nº 18088.000050/200986 (PIS) e as fls. 2352 a 4528 do processo 18088.000063/200955 (IRPJ). Contudo, conforme apurei do exame das planilhas de 181 fls. de minha elaboração que junto a esse relatório, nem toda nota fiscal emitida pela fiscalizada informou o valor da retenção da Cofins, inferindo eu que a retenção da Cofins não foi feita nas notas fiscais que não apontam que houve retenção dessa contribuição. Mediante essa prova material de não retenção da Cofins, consubstanciada em várias notas fiscais sem retenção dessa contribuição, apontadas nas planilhas anexas, não concedi ao contribuinte valor algum de Cofins retida na fonte nas notas fiscais em que não há expressamente apontamento de retenção na fonte da Cofins. Quanto ao item 2 supra, segue minha manifestação acerca da necessidade de retificação dos valores lançados, informando desde já que inexiste valor remanescente devido, tendo em vista as notas fiscais anexadas junto aos Processos nº 18088.000050/200986 e 18088.000063/200955 e as fls. 4945, 5836, 5837, 5838 e 5839. (...) Entendo, portanto, atendendo ao item nº 2 da Resolução nº 3201 000.460 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária do CARF, que não restou nenhum valor devido de COFINS no anocalendário 2008. Concedida vista à Recorrente, essa informou que nada tem a acrescentar, efl. 5963. A PGFN também se manifestou, efl. 5970, onde ratificou sua ciência do resultado da diligência e requereu o seguimento do julgamento. Após, os autos foram remetidos a este CARF e, considerando que o Relator original do feito não mais integra este órgão, foram a mim redistribuídos por sorteio. É o relatório. Voto Conselheiro Relator José Luiz Feistauer de Oliveira O Recurso Voluntário do contribuinte (efls. 5723 a 5752) é tempestivo e portanto dele conheço. Fl. 5979DF CARF MF Processo nº 18088.000051/200921 Acórdão n.º 3201002.849 S3C2T1 Fl. 6 9 Diante de todo o exposto, entendo que o resultado da diligência efetuada, vide efls. 5953 a 5961, é suficientemente claro ao declarar, após exaustiva análise da documentação apresentada pelo interessado em sede de memoriais, que inexistem valores remanescentes devidos, em relação aos valores lançados relativos aos períodos de apuração de 08/2006 a 06/2008. Desta forma, resta desnecessária à análise das demais matérias recorridas em relação a estes períodos de 08/2006 a 06/2008. Quanto à parcela do lançamento relativa aos débitos da COFINS apurados em relação aos fatos geradores correspondentes aos períodos de apuração de 02/2004 a 07/2006, a decisão recorrida já destacou que, de acordo com o documento de fl. 5234, o contribuinte teria formalizado pedido de desistência parcial do recurso administrativo interposto no presente processo. Nestes termos, consignou a ausência de litígio em relação à esta parte do lançamento, objeto de desistência do recurso administrativo, nos termos do art. 14 do Decreto n.° 70.235, de 1972 (PAF), o que acarretou no não conhecimento parcial da impugnação, no que concerne aos débitos da COFINS apurados nos períodos de 02/2004 a 07/2006. Portanto, o Recurso Voluntário também não será conhecido em relação à esta parcela, pelos mesmos fundamentos. Assim, voto por conhecer parcialmente do recurso, para, na parte conhecida DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, devendose excluir os valores relativos aos períodos de apuração de 08/2006 a 06/2008, conforme apontou o resultado da diligência efetuada, vide relatório de efls. 5953 a 5961; bem como devese manter os valores lançados relativos aos fatos geradores correspondentes aos períodos de apuração de 02/2004 a 07/2006, em relação aos quais o interessado desistiu de sua impugnação. Assinado Digitalmente José Luiz Feistauer de Oliveira Relator Fl. 5980DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13062.000032/98-46
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2001
Ementa: Vistos,relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por:KEPLER WEBER INDUSTRIAL S/A.
Numero da decisão: 202-00.235
Decisão: RESOLVEM os membros da segunda câmara do segundo conselho de contribuintes,por unanimidade de votos,converter o julgamento do recurso em diligência,nos termos do voto do relator.
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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Numero do processo: 10715.002190/2010-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 03/10/2006 a 31/10/2006
REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR.
A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea e, do Decreto-Lei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias , destinadas à exportação no Siscomex é cabível quando o atraso é superior a sete dias, nos termos da IN SRF nº 1096/2010.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.165
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 03/10/2006 a 31/10/2006 REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR. A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea e, do Decreto-Lei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias , destinadas à exportação no Siscomex é cabível quando o atraso é superior a sete dias, nos termos da IN SRF nº 1096/2010. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR. A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias , destinadas à exportação no Siscomex é cabível quando o atraso é superior a sete dias, nos termos da IN SRF nº 1096/2010. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 21 90 /2 01 0- 87 Fl. 310DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Auto de Infração que exige do contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei nº 37/1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Inconformada com a autuação, o Contribuinte apresentou Impugnação, que foi julgada parcialmente procedente pela DRJ, com a aplicação retroativa da IN SRF nº 1096/2010, que ampliou o prazo de apresentação de informações para 7 (sete) dias, para afastar a multa em todos os casos em que a informação se deu dentro deste prazo. Em seguida, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, expondo que: 1 Erro material da decisão de primeira instância, tendo em vista que colocou como sendo a condenação remanescente o valor referente ao que deveria ser excluído; 2 Não houve prejuízo ao fisco ou dificuldade na fiscalização da carga; 3 Solicita a aplicação da denúncia espontânea, tendo em vista que a obrigação seria devida após o desembaraço aduaneiro, que não houve abertura de procedimento fiscalizatório senão graças às informações prestadas anteriormente ao seu inicio pelo recorrente; 4 Aponta como ausente de fundamento legal o prazo previsto no Decreto Lei infringindo o principio da legalidade; 5 Pede pela imposição de multa singular, evocando a espécie jurídica extraída do Código Penal, “Crime Continuado”; Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa acima citada. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350/2010. Ao julgar o caso, a 3ª Câmara Superior de Recursos Fiscais deste CARF deu provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, afastando a possibilidade de aplicação do instituto da denúncia espontânea às penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela SRF para a prestação de informações à administração aduaneira. Na mesma decisão, determinou que os autos fossem remetidos novamente às Câmaras Baixas para apreciação e deliberação dos demais argumentos apresentados pelo Contribuinte. O contribuinte opôs Embargos de Declaração cuja a admissibilidade foi negada por despacho do Presidente do CARF. Por fim, os autos foram distribuídos à turma 3402, para relatoria do feito. É o relatório. Fl. 311DF CARF MF Processo nº 10715.002190/201087 Acórdão n.º 3402004.165 S3C4T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. Como se verifica no relatório, apenas o argumento relativo à aplicação da denúncia espontânea em relação a penalidades decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias foi enfrentado no acórdão proferido pela 3ª CSRF, justamente por ter sido o fio condutor do acórdão proferido na Câmara Baixa, que deixou de deliberar sobre os demais pontos, a despeito do I. Relator têlos enfrentado em seu acórdão. Desse modo, cabe a este Colegiado discutir, a despeito de concordância ou não com o mérito da decisão da CSRF, apenas os demais argumentos. Tampouco cabe deliberar aqui a respeito da preliminar apreciada no acórdão recorrido, a respeito da existência de erro material na decisão da DRJ, no momento de cálculo do crédito tributário remanescente. Isso se dá em razão de tanto a preliminar quanto ao mérito terem sido apreciados, a despeito de apenas em relação a este último ter versado o Recurso Especial da Fazenda Nacional, o que implica na definitividade do provimento em relação ao erro material apontado pelo Contribuinte. Nessa mesma linha, o provimento da decisão da 3ª CSRF foi exatamente no sentido de que se apreciasse os demais argumentos relativos ao mérito, que deixaram de ser deliberados em razão do provimento meritório. Apenas por razão de cautela, visando evitar omissões ou dificuldades de execução do acórdão, frisase esse ponto para esclarecer o motivo pelo qual tal preliminar não será enfrentada aqui, visto que não é possível nos manifestarmos sobre matéria que já foi julgada e, inclusive, transitou em julgado administrativo por ausência de manifestação. 1) Da Ofensa à Reserva Legal Tal matéria foi devidamente enfrentada pelo Conselheiro Paulo Caliendo no Acórdão CARF nº 3801004.879, pelo que adiro às suas conclusões, reproduzindo seu entendimento: A infração em tese cometida pela recorrente se encontra caracterizada pela apresentação de declaração de informações sobre o vôo e as declarações fora do prazo estabelecido, por força do art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei 37/66, com redação dada pela Lei nº 10.833/03, c/c art. 44 da Instrução Normativa 28/94, com redação dada pela Instrução Normativa 510/05 e art. 22 da Instrução Normativa 800/07. No que tange a tipificação da conduta do recorrente, a sua descrição consta igualmente e inicialmente tipificada no art. 107 do DecretoLei 31/66, que Fl. 312DF CARF MF 4 estabelece a aplicação de multa para quem deixar de prestar a declaração sobre veículo e carga transportada, bem como quem de forma omissiva ou comissiva embaraçar ação de fiscalização. Ademais, as instruções normativas tem como finalidade de preencher lacunas que por vezes se encontram dentro dos procedimentos fiscais, no caso específico de normas que estabelecem prazo para a apresentação ou recolhimento de obrigações acessórias, não estão sujeitas a reserva legal do art. 97 do CTN, por não compreendem o rol de matérias lá estabelecido, cabendo, portanto, o estabelecimento dos prazos por norma de hierarquia inferior, como as Portarias e Instruções Normativas, conforme tem se posicionado o CARF. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/12/1998 OBRIGAÇÃO ACESSORIA. PRAZO. INSERÇÃO SISCOMEX DE DECLARAÇÃO DE EMBARQUE DE MERCADORIAS. O prazo de inserção das informações do embarque de mercadoria no SISCOMEX é de sete dias, contados do dia do efetivo embarque. Não se aplica a norma processual do artigo 210 do Código Tributário Nacional, neste caso prevalece o prazo fixado em Portarias e Instruções Normativas em razão de que não contemplam aspectos da hipótese de incidência, estão fora da reserva legal prevista no artigo 97 do CTN. Constado inserção além do prazo fixado, impõe negar provimento ao recurso. Recurso Negado. Mais ainda, é preciso distinguir entre a legalidade veiculada no artigo 5º, II e no artigo 150, I, ambos da Constituição Federal: Art. 5º. (...) II ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei; Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça; Apenas o artigo 150, I veicula comando de reserva de lei, restringindo a exigência ou o aumento de tributo ao manejo deste instrumento legislativo, ao determinar expressamente que a lei deverá estabelecer tais matérias. Diferentemente, o art. 5º, II fala apenas que as obrigações de ação ou omissão deverão ser constituídas em virtude de lei, é dizer, podem sêlo diretamente por ela, mas sem prejuízo da lei remeter, por exemplo, à RFB a determinação de certos aspectos relativos a essas obrigações. É exatamente o caso, como se depreende da tipificação da infração administrativa incorrida, prevista no DecretoLei nº 37/66, art. 107, IV, "e": por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e Há uma remissão expressa a ato da RFB que determinará a forma e prazo da prestação de informações, atribuindo competência expressa a esta para regulamentar tal matéria no âmbito infralegal. Frisese, naturalmente, que tal se dá por se tratar de matéria referente a Fl. 313DF CARF MF Processo nº 10715.002190/201087 Acórdão n.º 3402004.165 S3C4T2 Fl. 4 5 obrigações acessórias, visto que se de tributo se tratasse, somente por lei se poderia criálo ou modificálo. Desse modo, não procede o argumento do Contribuinte. 2) Da Ausência de Dano ao Erário Novamente sobre este tópico, adiro às razões do Acórdão CARF nº 3801 004.879, às quais reproduzo: Em que pese não tenha ocorrido dano pecuniário do ente público, o entendimento no caso é por embaraçar a fiscalização do fisco. As declarações a que as empresas de transporte são obrigadas a apresentar são obrigações acessórias com finalidade exclusiva de auxiliar a fiscalização das importações e exportações, possibilitando a ciência do que cada empresa que utiliza a transportadora tem transportado, para onde vai e se foi recolhido o tributo a que esta operação está sujeita. Logo, a responsabilidade de declarar a mercadoria transportada pela empresa, conforme art. 107, IV, alínea “e” do Decreto lei 37/66, é uma obrigação acessória de declaração ao fisco e cujo descumprimento implica na aplicação de multa por embaraço à fiscalização. Nestes termos, entendo que há o embaraço da fiscalização, quando as transportadoras não cumprem o prazo de emissão da declaração, não obstante entenda que não deve incidir a multa regulamentar neste caso, apenas nos casos de omissão. Com razão, é preciso observar, no esteio da jurisprudência deste CARF, que o bem jurídico tutelado pelas obrigações acessórias em matéria aduaneira não é a liquidez do Erário, mas sim o controle das fronteiras, especialmente em relação aos produtos que entram e que saem no transporte internacional. Desse modo, a ausência de prejuízo pecuniário à arrecadação tributária não afeta, de maneira alguma, a aplicação das sanções relativas ao descumprimento de obrigações acessórias com finalidade fiscalização e controle do comércio exterior. Assim, tampouco deve proceder o argumento do contribuinte neste ponto. 3) Da aplicação de multa singular A infração capitulada no art. 107, IV, "e" do DL 37/66 tem o seguinte texto: por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; Não procede a tese de contribuinte de aplicação da regra de "crime continuado" prevista no artigo 71 do Código Penal, por inexistir no contexto fático relação de continuidade entre as omissões quanto à prestação de informações a despeito de concordamos com sua assunção no sentido de tal regra ser relativa à infrações administrativas. Isso se dá Fl. 314DF CARF MF 6 pelo fato do artigo 71 do CP exigir algum grau de conexão entre as infrações, para a construção do liame de continuidade, o que não há no caso. Tampouco caberia se falar na aplicação da multa por embarque, é dizer, por embarcação ou por vôo, com base em possível dúvida interpretativa do tipo infracional, com fundamento no artigo 112 do Código Tributário Nacional, visto que a metodologia aplicada pelo fiscal foi exatamente a de aplicar a multa por embarque e não por carga. Ante o exposto, entendo que não deve prosperar o argumento do contributinte neste ponto. 4) Conclusão Em face do que foi analisado acima, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 315DF CARF MF
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Numero do processo: 19991.000528/2009-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
ÔNUS DA PROVA. ELEMENTO MODIFICATIVO OU EXTINTIVO. DECISÃO RECORRIDA.
Cabe à recorrente, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99, comprovar a eventual existência de elemento modificativo ou extintivo da decisão recorrida, a qual analisou a documentação apresentada pela contribuinte por ocasião da manifestação de inconformidade para comprovação do direito creditório alegado.
DILIGÊNCIA. PERÍCIA. ÔNUS DA PROVA.
As diligências e perícias não existem para suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim para elucidar questões pontuais mantidas controversas pelo confronto de elementos de provas já trazidos pelas partes.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3402-004.183
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em indeferir o pedido de diligência e negar provimento ao recurso.
Assinatura Digital
Antonio Carlos Atulim - Presidente
Assinatura Digital
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 ÔNUS DA PROVA. ELEMENTO MODIFICATIVO OU EXTINTIVO. DECISÃO RECORRIDA. Cabe à recorrente, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99, comprovar a eventual existência de elemento modificativo ou extintivo da decisão recorrida, a qual analisou a documentação apresentada pela contribuinte por ocasião da manifestação de inconformidade para comprovação do direito creditório alegado. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. ÔNUS DA PROVA. As diligências e perícias não existem para suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim para elucidar questões pontuais mantidas controversas pelo confronto de elementos de provas já trazidos pelas partes. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em indeferir o pedido de diligência e negar provimento ao recurso. Assinatura Digital Antonio Carlos Atulim Presidente Assinatura Digital Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 99 1. 00 05 28 /2 00 9- 38 Fl. 349DF CARF MF 2 Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Juiz de Fora que julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade da contribuinte, mediante o Acórdão nº 0939.300 2ª Turma da DRJ/JFA, de 29 de fevereiro de 2012, cuja ementa segue abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO AO CRÉDITO. AQUISIÇÕES DE EMPRESAS CONSIDERADAS INAPTAS. A adquirente faz jus aos créditos em relação às compras para revenda somente quando apresentadas as notas fiscais referentes às operações e quando comprovado o pagamento e a efetiva entrega das mercadorias comercializadas, independentemente de haver contra os fornecedores declaração de inaptidão. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Versa o processo sobre o PER nº 30416.59428.030809.1.1.093792, mediante o qual a contribuinte pleiteou ressarcimento de crédito referente à Cofins não cumulativa– Exportação relativo ao 4º trimestre de 2007, no valor total de R$ 97.103,43, com fundamento no §1º do art. 6º da Lei nº 10.833/2003. Mediante a DECISÃO SARAC/DRF/PCS nº 055/2010, a autoridade administrativa não reconheceu o direito creditório pleiteado de Cofins não cumulativa mercado externo referente ao 4º trimestre de 2007, sob os seguintes fundamentos: (...) 5. Da verificação do DACON 4o Trimestre/2007, ficha 16A de fls. 05, 12 e 19, o contribuinte pleiteou valores dos seguintes itens que compuseram a base de cálculo dos créditos: 01 Bens para revenda, 03 Serviços utilizados como insumo (novembro e dezembro) e 07 Despesas de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda. 6. Demonstrou na linha 26, a apuração do crédito presumido agroindústria que vem sendo utilizado na dedução da COFINS apurada nos trimestres. III Análise do crédito ordinário 7. Cabe ressaltar, inicialmente, que toda a documentação apresentada para comprovação do direito aos créditos de PIS/COFINS não cumulativos exportação está acostada ao processo n° 19991.000525/200902. Portanto ao se remeter o número das folhas, estas se referem ao citado processo. Fl. 350DF CARF MF Processo nº 19991.000528/200938 Acórdão n.º 3402004.183 S3C4T2 Fl. 350 3 8. Da relação das mercadorias adquiridas para revenda e despesas de armazenagem e frete nas operações de venda, de outubro a dezembro/2007 fls. 58 a 64, o contribuinte foi intimado (fl. 237) a apresentar todas as notas fiscais cujos valores compuseram a base de cálculo dos créditos pleiteados, inclusive conhecimentos de transportes do período. Foi solicitado também a apresentar comprovantes de pagamento das notas fiscais cujo valor seja superior a R$ 10.000,00. 9. As notas fiscais solicitadas bem como os comprovantes de pagamento foram conferidos e acostados nos autos às fls. 462 a 517 e 837 a 864. 10. As aquisições para revenda das empresas abaixo citadas serão glosadas por existirem contra elas Processos de Representação Fiscal para inaptidão dos seus CNPJ. As irregularidades detectadas com relação a estas empresas são tais que deverão ser considerados inidôneos, nos termos do art. 48 da IN RFB n° 748/2007, e não produzam efeitos tributários em favor de terceiros interessados, os documentos por elas emitidos, ou seja, que tais documentos, conforme § 1o do art. 48 da IN RFB n° 748/2007, não possam ser utilizados por terceiros para gerar créditos das contribuições para o PIS/PASEP e para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) não cumulativos: Timbu Comércio de Café Ltda (processo n° 19.991.000.523/200913) Caixeta e Scalco (processo n° 19.991.000.511/200981) Alexandre Alves de Brito (processo n° 19.991.000.428/200910) 11. Após verificações da regularidade fiscal dos demais fornecedores (CNPJ,DIPJ e pagamentos no SINAL) concluise que o contribuinte faz jus aos demais créditos ordinários pleiteados. IIII Considerações sobre o credito presumido agroindústria 12. Embora o contribuinte não tenha pleiteado o crédito presumido agroindústria, com relação a este crédito (linha 26, ficha 16A), temse no art. 8o da Lei n° 10.925, de 23 de julho de 2004: Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, (...) (...) § 6º Para os efeitos do caput deste artigo, considerase produção, em relação aos produtos classificados no código 09.01 da NCM, o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial. (Incluído peia Lei n° 11.051, de 2004) 13. Da descrição do seu processo de produção de fl. 13 depreendese que a atividade do contribuinte não contempla o exercício cumulativo descrito no § 6o acima, especificamente no que se refere à compra de café cru definido como já beneficiado segundo Resolução CNNPA n° 12, de 1978. Se o contribuinte Fl. 351DF CARF MF 4 adquire café beneficiado, não cumpre (não beneficia) um dos requisitos exigidos para que se enquadre nas condições de agroindústria. Adicionalmente, da verificação das notas fiscais de compra de produtores rurais de fls. 1141 a 1461, observase que, em todas as notas, o produto adquirido foi de café beneficiado e a mercadoria ou foi entregue ou continua armazenada, preponderantemente, no Armazéns Gerais Carapina, CNPJ 27.980.960/000464. Esse fato demonstra que os produtos adquiridos não transitaram pelo estabelecimento do contribuinte em epígrafe, descaracterizandoo como produtor de mercadorias de origem animal definido no art. 8o da Lei n° 10.925. Portanto o contribuinte não faz jus ao crédito presumido referente às mercadorias adquiridas cujos valores compuseram as bases de cálculo das linhas 26, ficha 16A, para ser deduzido da COFINS apurada em cada trimestre. 14. A informação de fl. 236 demonstra que nos meses de outubro a dezembro/2007 houve exportações pelo contribuinte em epígrafe. 15. Em vista de todo o acima exposto, o crédito reconhecido de COFINS exportação 4°T/2007 é no valor de R$ 10.676,82. Esse valor será utilizado na dedução da COFINS apurada do período, resultando em COFINS a pagar remanescente no valor R$ 21.856,33 como abaixo demonstrado. (...) Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: a) Deve ser declarada a nulidade parcial da decisão recorrida, haja vista que a mesma não se demonstrou suficientemente fundamentada, nem motivada. b) Em relação às aquisições das empresas inidôneas, houve a efetiva comprovação de que a empresa adquirente, ora Impugnante, promoveu o pagamento do valor acordado para aquisição das mercadorias, bem como efetivamente recebeu as mercadorias adquiridas, o que, consequentemente, ensejava o crédito, conforme demonstra a farta documentação apresentada na presente peça de defesa. Ressaltese, ainda, que as notas fiscais relativas às compras de empresas consideradas inaptas, se encontram acostadas nos volumes I a VIII, do Processo Administrativo n° 19991.000525/200902. c) Tanto as empresas que efetuam o rebeneficiamento do café, que corresponde à classificação do café cru (limpo) por tipo peneiras, como as empresas que realizam o próprio beneficiamento do café, previsto no código 1081301, da Classificação Nacional de Atividades Econômicas — CNAE, incontestavelmente, se qualificam como sociedades agroindustriais, para fins de usufruir do crédito presumido previsto na legislação de regência. d) Inclusive, se necessário for, requer a Impugnante que seja realizada a diligência fiscal pertinente, no sentido de verificar não apenas o caráter agroindustrial da atividade exercida por ela exercida, como também a correção do direito creditório constante do documentário já anexado aos presentes autos, face à necessária busca pela verdade material no caso em tela. O julgador de primeira instância acatou parcialmente as razões de defesa da manifestante, sob os seguintes fundamentos: A decisão foi devidamente fundamentada e motivada. Nela é possível identificar com clareza tanto as operações como as notas ficais desconsideradas e que foram objeto de glosa bem como as demais notas fiscais que compuseram as outras rubricas constantes da DACON relativa ao período em exame, inclusive com indicação das folhas onde os referidos documentos se encontram. A tabela de efl. 47 indica com clareza qual o quantum considerado e, ainda, os valores pleiteados em Fl. 352DF CARF MF Processo nº 19991.000528/200938 Acórdão n.º 3402004.183 S3C4T2 Fl. 351 5 ressarcimento, estes últimos retirados da DACON ou do PER preenchidos pela própria empresa. E mais, do arrazoado apresentado em sua defesa, verificase que houve compreensão por parte da reclamante sobre fatos e atos que originaram a glosa, bem como da legislação aplicada, pois, a contribuinte a eles se contrapôs demonstrando perfeito entendimento. Quanto às glosas dos créditos oriundos de aquisições de empresas consideradas inaptas, para parte delas, a manifestante obteve êxito em demonstrar o pagamento e a efetiva entrega das mercadorias, o que não se efetivou relativamente aos documentos das efls. 856 e 857 do processo administrativo nº 19991.000525/200902, para os quais não foram encontrados quaisquer documentos capazes de demonstrar o pagamento e a efetiva entrega das mercadorias e, relativamente às notas fiscais de fls. 863, 868 e 877 desse processo, para as quais a entrega não restou comprovada. Nas notas fiscais acostadas ao processo em resposta à intimação (fls. 1.141/1461 numeração em papel) e verificadas por amostragem, consta que o café adquirido pela empresa é beneficiado, fato em relação ao qual a reclamante não se contrapôs. Dessa forma, a discussão se restringe a definir se o rebeneficiamento, por encomenda, do café adquirido já beneficiado se enquadra nos requisitos exigidos pelo art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, que determina as condições para fruição do direito ao crédito presumido de PIS, sobre produtos adquiridos de pessoa física e de cooperativas. Da leitura da norma legal acima, inferese que para fazer jus ao crédito presumido a pessoa jurídica tem que produzir, ela mesma, a mercadoria que revende, considerandose produção no caso concreto, o exercício cumulativo das atividades discriminadas no §6º, que inclui o beneficiamento, mas não o rebeneficiamento por encomenda. A manifestante compra café já beneficiado entregue em outras empresas, o que mostra claramente que ela não exerce cumulativamente as atividades que caracterizam a produção de café para fins de utilização do benefício legal, não se enquadrando na condição de pessoa jurídica produtora de mercadoria de origem animal ou vegetal. Assim, forçoso concluir que a requerente não realizou o beneficiamento do café conforme exigência do art. 8º, não podendo usufruir do crédito presumido em questão. A reclamante solicita a realização de diligência para verificar não apenas o caráter agroindustrial da atividade exercida por ela exercida, como também a correção do direito creditório. Contudo, o direito em discussão foi analisado e formada a convicção à vista dos elementos trazidos ao presente processo e ao de nº 19991.000525/200902 e do contido na legislação de regência e, da mesma forma restou definido que a empresa não é agroindústria para fins de utilização do crédito presumido tornandose prescindível o procedimento requerido. E que, em relação às parcelas do crédito não legitimados, a reclamante não logrou trazer ao processo quaisquer documentos capazes de comprovar a sua existência. Assim sendo, concluise pelo indeferimento do pedido de diligência. Cientificada em 13/03/2012, a contribuinte apresentou seu recurso voluntário em 12/04/2012, mediante o qual alega: (...) II DA EFETIVA COMPROVAÇÃO DO REBENEFICIAMENTO DAS MERCADORIAS ADQUIRIDAS PELA RECORRENTE. DO LEGÍTIMO DIREITO AO CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDÚSTRIA. Destarte, alega a autoridade fiscal que a Contribuinte não apresentou a comprovação do pagamento e da entrega das mercadorias nas notas fiscais de fls. 856, 857, 863, 868 e 877, pelo que, então, não cumpriria um dos requisitos contidos no §5° do art. 48 IN RFB n° 748, de 2007. Porém, tal assertiva não deve prosseguir, tendo em vista o Princípio da Verdade Material, já que apresentados os documentos pertinentes, necessários à comprovação do Fl. 353DF CARF MF 6 pagamento das mercadorias, bem como da efetiva entrega das mesmas, com relação às operações objeto de glosa, a saber: Alexandre Alves de Brito CPF n° 06347129/000157 (fls. 856, 857, 863; Comércio e Corret. Café Monte CNPJ n° 7.508.067/000180 (fls. 868); e c) Coop. R. Caf. Guaxupé CNPJ n° 1.893.896/000148 (fls. 877) Isto porque, com relação às operações com os fornecedores acima discriminados, a documentação apresentada pela Contribuinte efetivamente se reveste de todos os requisitos que legitimam o direito ao crédito, em nada se justificando as glosas efetuadas sobre as mesmas, bastando, inclusive, um simples cotejo destes com os demais documentos aceitos pela própria autoridade fazendária. Ademais, ainda de acordo com o Princípio da Verdade Material, se dúvidas ainda persistirem, deverão ser consideradas todas as provas e fatos novos, ainda que desfavoráveis contra a Fazenda Pública, desde que sejam provas lícitas. Interessa à Administração que seja apurada a verdade real dos fatos ocorridos (verdade material). (...) Desta forma, a fim de alcançar a verdade material exigida e necessária no presente procedimento, há que se consignar a possibilidade da realização de diligência, na forma como previsto no artigo 65, da Instrução Normativa RFB n° 900/2008, verbis. (...) Isto porque, eventual diligência a ser realizada poderá não apenas atestar a correção dos procedimentos adotados pela Recorrente, como também tornará evidente a legitimidade do crédito tributário em exame. Isto posto, a Recorrente, uma vez comprovados os pagamentos e a entrega das mercadorias nas notas fiscais acostadas nos autos de de fls. 856, 857, 863, 868 e 877, assim como pela possível apuração realizada através da diligência requerida, requer que seja reformada a decisão, de modo que seja reconhecido o seu direito ao crédito presumido a ser deduzido quando da apuração trimestral da Cofins, e, por decorrência, homologado o pedido integral de ressarcimento formulado, já que todo o direito está comprovado nestes autos. IV CONCLUSÃO Por todo o exposto, espera a Recorrente ter demonstrado através de todo o seu arrazoado, a legitimidade do direito creditório informado no Pedido de Ressarcimento em exame, pelo que deve ser dado provimento ao recurso, para a reforma da decisão recorrida, com o conseqüente deferimento da totalidade do ressarcimento pleiteado. (...) Mediante a Resolução nº 3403000.572 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária, de 16 de setembro de 2014, o julgamento foi convertido em diligência, nos seguintes termos: (...) Fl. 354DF CARF MF Processo nº 19991.000528/200938 Acórdão n.º 3402004.183 S3C4T2 Fl. 352 7 O recurso voluntário foi protocolado em 12/04/2012 (fl. 121), dentro do prazo de 30 dias contados da notificação do acórdão da DRJ, ocorrida em 13/03/2012 (fl. 121). Por ser tempestivo e por conter fundamentos para a reforma do acórdão da DRJ, conheço do recurso. No mérito, o recorrente se limita a sustentar que houve a comprovação do pagamento e Por ser tempestivo e por conter fundamentos para a reforma do acórdão da DRJ, conheço do recurso. No mérito, a discussão gira em torno de saber se houve a comprovação do pagamento dos valores e do recebimento das mercadorias a que se referem as notas fiscais apresentadas pelo recorrente, que se referem a aquisições que realizou de pessoas jurídicas que vieram a ser declaradas inaptas. Mais especificamente, tratase das notas fiscais que se encontram as fls. 856, 857, 863, 868 e 877 do Processo Administrativo nº 19991.000525/200902. Ocorre que nem o referido Processo Administrativo foi apensado ao presente processo, nem as referidas notas fiscais encontram se juntadas aos autos do presente processo, tanto menos a documentação que serviria de prova do pagamento dos valores e do recebimento das mercadorias referentes a estas mesmas notas. Destarte a necessidade de converter o presente julgamento em diligência. Voto pela conversão do julgamento em diligência para que a Delegacia de origem promova as seguintes providências: 1. promova a apensamento ou anexação aos presentes autos de cópia integral do PA nº 19991.000525/200902; 2. intime o contribuinte a demonstrar, por meio de sua escrituração contábil ou outros documentos (cheques, conhecimento de transporte etc) o efetivo pagamento do valor de cada nota fiscal e o efetivo recebimento da mercadoria; 3. lavre termo final de diligência; 4. intime o contribuinte a, querendo, apresentar manifestação quanto ao termo final de diligência e 5. devolva os autos a este Conselho para julgamento. Em 29/12/2014, os autos foram encaminhados à Unidade de Origem para a execução das providências requeridas na diligência. A Unidade de Origem juntou os documentos das efls. 134/143 e solicitou esclarecimentos no despacho de encaminhamento ao CARF, nos seguintes termos: Fl. 355DF CARF MF 8 Os documentos de folhas 856, 857, 863, 868 e 877 do PAF nº 19991.000.525/200902 não são notas fiscais como consta em vosso pedido de diligência, assim sendo solicito esclarecer se o pedido de diligência se refere as notas fiscais das empresas Timbu Comércio de Café Ltda, Caixeta e Scalco, Alexandre Alves de Brito e Armazéns Gerais Carapina constante nas planilhas de folhas 134, 135, 136, 137 e 140 e após retornar a esta SAORT para realizar a requerida diligência. O processo foi sorteado a esta Conselheira e distribuído em 29/01/2017. É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Por ocasião da conversão do julgamento em diligência foi efetuado o juízo de admissibilidade do recurso voluntário, tendo sido ele conhecido por aquele Colegiado. Como se observa na decisão recorrida, foi acatado parcialmente o pleito da manifestante no sentido de reverter as glosas relativas às aquisições dos fornecedores irregulares para as quais foi comprovado o pagamento ao fornecedor e a efetiva entrega/recebimento das mercadorias, com o carimbo do armazém que recebeu as mercadorias, sendo que, em relação às notas fiscais das efls. 856 e 857 do processo nº 19991.000525/2009 02, não foram encontrados quaisquer documentos capazes de demonstrar o pagamento e a efetiva entrega das mercadorias e, relativamente às notas fiscais das efls. 863, 868 e 877, a entrega não restou comprovada, nesses termos: (...) Quanto a linha de defesa apresentada em relação à glosa das aquisições para revenda das empresas “por existirem contra elas Processos de Representação Fiscal para inaptidão dos seus CNPJ”, temse que a Delegacia de origem se baseou em irregularidades detectadas capazes, segundo ela, de enquadrar os documentos emitidos no §1º do art. 48 da IN RFB nº 748, de 2007, in verbis: Art. 48. Será considerado inidôneo, não produzindo efeitos tributários em favor de terceiro interessado, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ haja sido declarada inapta. § 1º Os valores constantes do documento de que trata o caput não poderão ser: III utilizados como crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e das Contribuições para o PIS/Pasep e para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) não cumulativos ... Porém, pelas notas fiscais trazidas ao processo pela reclamante, mais especificamente as de fls. 854, 859, 861, 866, 869, 870 e 875 (volume V) do processo administrativo nº 19991.000525/200902, temse que houve a comprovação do pagamento das aquisições objeto da glosa em comento e da efetiva entrega das mercadorias adquiridas caracterizada pelo carimbo da empresa responsável pelo recebimento das mesmas. Fl. 356DF CARF MF Processo nº 19991.000528/200938 Acórdão n.º 3402004.183 S3C4T2 Fl. 353 9 Além disto, a existência das operações, em alguns casos, foi corroborada pelo carimbo da fiscalização estadual que é encontrado em algumas das notas fiscais. Em assim sendo, aplicase às notas fiscais de fls. 854, 859, 861, 866, 869, 870 e 875 (volume V), o disposto no §5º do mesmo art. 48 da IN RFB nº 748, de 2007, abaixo transcrito: § 5º O disposto no § 1º não se aplica aos casos em que o terceiro interessado, adquirente de bens, direitos e mercadorias, ou o tomador de serviços, comprovar o pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos ou mercadorias ou a utilização dos serviços. Ressaltese que os dispositivos citados da IN SRF nº 748, de 2007 tem como base o art. 82 da Lei nº 9.430, de 1996. No entanto, algumas notas fiscais devem ser excluídas por falta de apresentação de documentos hábeis a evidenciar “o pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos ou mercadorias ou a utilização dos serviços”. No que se refere às notas fiscais de fls. 856 e 857 não foram encontrados quaisquer documentos capazes de demonstrar o pagamento e a efetiva entrega das mercadorias e, relativamente às notas fiscais de fls. 863, 868 e 877 a entrega não restou comprovada. A demonstração de apenas um dos requisitos contidos no §5º acima transcrito é necessária, mas não é suficiente para afastar a aplicação do caput do artigo 82 já mencionado, pois da leitura da norma ressalta que é imprescindível o cumprimento de ambas as exigências. Portanto, concluise que há de ser legitimado o crédito originário das notas fiscais consideradas inidôneas pela autoridade a quo, conforme abaixo demonstrado: Os documentos juntados na diligência não correspondem aos documentos mencionados na decisão recorrida, a qual se refere à numeração do processo digital nº 19991.000525/200902 (efls). Foram ora juntados ao presente processo as cópias do Volume V do processo nº 19991.000525/200902 nas efls. 147/348. Os documentos mencionados pela decisão recorrida (efls. 854/8771 do processo nº 19991.000525/200902) constam especificamente nas efls. 185/208 do presente processo. 1 Numeração original em papel: fls. 838/861 do processo nº 19991.000525/200902. Fl. 357DF CARF MF 10 Em seu recurso voluntário, a recorrente nada trouxe de elemento modificativo ou extintivo da decisão recorrida para comprovação do crédito alegado e solicita diligência, o que não encontra respaldo na legislação. Em conformidade com o art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e art. 36 da Lei nº 9.784/99, abaixo transcritos, caberia à recorrente se contrapor adequadamente à decisão recorrida no sentido de reformála, no caso, apresentando os elementos de prova do efetivo recebimento das mercadorias e do pagamento objeto das notas fiscais constantes nas efls. 856 e 857 do processo nº 19991.000525/200902 (efls. 213/214 do presente processo), bem como comprovando o efetivo recebimento das mercadorias referentes às notas fiscais das efls. 863, 868 e 877 (efls. 220, 225 e 234 do presente processo): Art. 16. [Decreto nº 70.235/72]A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) (...) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) (...) Art. 36. [Lei nº 9.784/99]Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. A autoridade julgadora administrativa, a teor do art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, pode determinar, de ofício ou a requerimento do interessado, a realização de diligências ou perícias, mas somente quando entendêlas necessárias ao seu convencimento, devendo indeferir motivadamente as prescindíveis ao julgamento, nos termos do art. 28 desse Decreto. Há que se ter em conta, entretanto, que as diligências e perícias não existem com o propósito de suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim para elucidar questões pontuais mantidas controversas mesmo em face dos documentos trazidos pela impugnante/manifestante ou recorrente. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação às partes componentes da relação jurídica. Já as perícias existem para fins de que sejam dirimidas questões para as quais se exige conhecimento técnico especializado, ou seja, matéria impossível de ser resolvida a partir do conhecimento das partes e do julgador. Assim, não cabe à autoridade julgadora diligenciar ou determinar a realização de perícia para fins de, de ofício, promover a produção de prova da legitimidade do crédito alegado pela contribuinte, que deixou de produzir a prova adequada para se contrapor à decisão recorrida. Fl. 358DF CARF MF Processo nº 19991.000528/200938 Acórdão n.º 3402004.183 S3C4T2 Fl. 354 11 Ademais, o fato de o processo administrativo ser informado pelo princípio da verdade material, em nada altera o acima exposto, eis que a busca da verdade material não desincumbe as partes de seus encargos probatórios. Conforme já decidido no Acórdão nº 3201 002.316 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 24 de agosto de 2016, Relator: José Luiz Feistauer de Oliveira, "A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados". Com relação ao mencionado art. 65 da Instrução Normativa SRF nº 900/2008, ele nada diz sobre a obrigatoriedade de diligência ou de intimação para analisar pleitos de reconhecimento de direito creditório, pelo contrário, dispõe que, em determinados casos, em que, pela análise do pedido remanesça dúvidas sobre o crédito alegado, o seu reconhecimento poderá ser feito somente após a apresentação dos documentos pela requerente que o comprovem cabalmente. Assim, entendo que deve ser indeferido o pedido de diligência e voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinatura digital) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Fl. 359DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.907519/2010-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 1999
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações.
Numero da decisão: 1301-002.395
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
[assinado digitalmente]
Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 75 19 /2 01 0- 58 Fl. 157DF CARF MF Processo nº 16327.907519/201058 Acórdão n.º 1301002.395 S1C3T1 Fl. 3 2 BANCO VOLKSWAGEN S.A., já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP, que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da DEINF/SP. Trata a lide de Pedido de Restituição (PER/DCOMP), no qual o alegado direito creditório é decorrente de pagamento indevido ou a maior da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Posteriormente, o contribuinte usou esse alegado direito creditório para a compensação com débito de sua titularidade, mediante a Declaração Eletrônica de Compensação (PER/DCOMP), transmitida em 2008. Consta dos autos intimação, informando ao contribuinte que o DARF por ele especificado não teria sido localizado nos sistemas da RFB e instandoo à regularização. Não consta do processo qualquer resposta ou providência do contribuinte. A unidade administrativa que primeiro analisou os pedidos formulados pela empresa (DEINF/SP) negou homologação à compensação. O motivo foi a não localização do DARF nos sistemas da RFB, mesmo após a intimação acima referida. Em sua manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório, a interessada, inicialmente, junta comprovante de arrecadação obtido no sítio eletrônico da Receita Federal. Na sequência, esclarece: Esse recolhimento foi indevidamente efetuado pelo Recorrente, uma vez que ele dispunha de decisão judicial definitiva, proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 89.00112058, que o exonerava do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no período de 1988 a 09/1997 (data do trânsito em julgado da decisão judicial). Nem se alegue que o pagamento foi efetuado após o trânsito em julgado da decisão judicial exoneratória e com os benefícios previstos na Lei n° 9779/99, tendo em vista que, além desses fatos não servirem de fundamento para a negativa do pedido de restituição, o recolhimento se deu porque a própria Secretaria da Receita Federal, mesmo em face da decisão judicial favorável ao Recorrente, insistia na cobrança de tais valores, ao argumento de que os efeitos da decisão judicial alcançavam apenas a CSLL relativa ao exercício de 1989. Apenas com a decisão do 1º Conselho de Contribuintes (acórdão n° 101 93.610), proferida em 19/09/01, com acórdão formalizado em 11/12/01, que reconheceu expressamente o direito de um dos litisconsortes do ora Recorrente, no Mandado de Segurança n° 89.00112058, de não recolher a CSLL, no período de 1990 a 1997, ou seja, desde a propositura da medida judicial até o trânsito em julgado da decisão favorável, o que se deu em 02/09/97, é que o Recorrente obteve a comprovação de que também estava desobrigado do recolhimento da CSLL nesse período e que, portanto, tinha direito de reaver os montantes indevidamente recolhidos: "Ementa: IRPJ Normas Gerais. Lançamento Tributário. Sentença Judicial. Trânsito em Julgado. Efeitos. A sentença judicial reconhecendo a inconstitucionalidade dos artigos 1º, 2º, 3º e 8º, da Lei n° 7689, de 1988, e, de consequência, desobrigando a pessoa jurídica do recolhimento da CSLL, irradia seus efeitos jurídicos até o período no qual tenha ocorrido seu trânsito em julgado. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 16327.907519/201058 Acórdão n.º 1301002.395 S1C3T1 Fl. 4 3 Recurso conhecido e provido. Trecho do Voto do Conselheiro Sebastião Rodrigues Cabral — Relator: Nesta linha de raciocínio, e considerando que no presente caso: i) A sentença judicial que acolheu a pretensão da Recorrente, no sentido de desobrigála do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido instituída pela Lei n° 7689, de 1988, transitou em julgado em 02 de setembro de 1997, tal qual atestado na Certidão fornecida pela 10ª Vara Federal, anexa aos autos às fls.; ii) O Mandado de Segurança interposto pela Recorrente, em 1989, objetivou a dispensa do recolhimento da referida Contribuição sob alegação de inconstitucionalidade da lei que a instituiu (n° 7689, de 1988), o que foi integralmente reconhecido pela referida sentença transitada em julgado; iii) O auto de infração guerreado no presente processo pretende exigir da Recorrente a Contribuição Social relativa aos períodosbase de 1990 a 1994, portanto, anteriores ao trânsito em julgado da sentença judicial; só nos resta concluir que referidos períodos estão albergados pela 'coisa julgada', sendo defeso ao Fisco exigir a Contribuição em causa relativamente àqueles períodosbase." Assim, deve ser prontamente revisto o despachodecisório, ora recorrido, ante a comprovação do recolhimento indevido, a ensejar o direito à restituição, nos termos do artigo 165, I, do Código Tributário Nacional. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e indeferiu a solicitação. Ciente da decisão de primeira instância e com ela inconformada, a interessada apresentou recurso voluntário, mediante o qual oferece, em apertada síntese, os seguintes argumentos: Acerca do prazo para pleitear o indébito, a recorrente se reporta ao Pedido Eletrônico de Restituição, ao Pedido de Restituição protocolado na Deinf e sustenta que estaria plenamente respeitado, no caso, o prazo prescricional de cinco anos, previsto no art. 168, I, do CTN. A recorrente afirma ter anexado aos autos cópia do Mandado de Segurança nº 89.00112058, em que foi proferida a decisão transitada em julgado que a exonerava do recolhimento da CSLL de 1988 até 09/1997 (data do trânsito em julgado). Da mesma forma, anexa documentos que comprovam ser a recorrente a sucessora de Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial. A interessada reitera, ainda, os argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade, acerca da decisão proferida pelo 1º Conselho de Contribuintes em 2001. Conclui com o pedido de provimento de seu recurso e homologação da compensação declarada. É o Relatório. Voto Fl. 159DF CARF MF Processo nº 16327.907519/201058 Acórdão n.º 1301002.395 S1C3T1 Fl. 5 4 Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 1301002.287, de 12/04/2017, proferido no julgamento do processo 16327.900370/201248, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 1301002.287): O recurso voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Gira a lide em torno de pedido de restituição, posteriormente cumulado com declaração de compensação. No atual estágio da discussão administrativa, o alegado direito creditório não foi reconhecido por dois fundamentos autônomos, ou seja, cada um deles é suficiente, por si só, para o não reconhecimento do direito creditório. O primeiro fundamento adotado pelo julgador de primeira instância, de caráter preliminar, foi o transcurso do prazo para pleitear o indébito. Alega a recorrente que deveria ter sido considerado o período transcorrido entre a data do recolhimento, em 1999, e a data do protocolo do pedido de restituição, em 2004. Com isso, restaria atendido o prazo de cinco anos de que trata o art. 168, I, do CTN. Examinando a decisão recorrida, constatase que, efetivamente, houve um equívoco do julgador ao não considerar o pedido de restituição originalmente formulado em 2004. Isso fica evidenciado na afirmação de que “... observase que somente em 2008 veio pleitear compensação do referido crédito, ou seja, cerca de sete anos após ‘obter a comprovação’, e nove após a extinção do débito, pelo pagamento”. Ora, a declaração de compensação é datada de 2008, mas reportase ao anterior pedido de restituição, e é esse pedido que deve ser considerado, para fins da contagem do prazo para a repetição de indébito. No entanto, como se verá a seguir, a correção desse equívoco não trará modificação na conclusão. Esse prazo, se de cinco ou dez anos, bem assim a determinação dos termos inicial e final para a contagem, já foram objeto de acirrados debates, tanto no âmbito administrativo quanto no judicial. A inovação legislativa (arts. 3º e 4º da Lei Complementar nº 118/2005) tentou pacificar a questão, mas somente aumentou as divergências, tanto doutrinárias quanto jurisprudenciais. Finalmente, a questão foi pacificada pelo Poder Judiciário. De especial interesse, o Recurso Especial nº 1.002.932, de 25/11/2009, prolatado pelo STJ no regime do art. 543C do CPC então vigente, e o Recurso Extraordinário nº 566.321, de 04/08/2011, proferido pelo STF no regime do art. 543B do mesmo diploma legal. A reiterada aplicação administrativa dessas decisões conduziu à aprovação, em 09/12/2013, pelo Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, da súmula CARF nº 91, a seguir reproduzida. Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 16327.907519/201058 Acórdão n.º 1301002.395 S1C3T1 Fl. 6 5 As súmulas CARF são de observância obrigatória pelos membros deste órgão administrativo, a teor do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e alterações supervenientes. No caso concreto, o pedido de restituição foi protocolado em 2004, antes da data limite prevista na súmula, aplicandose, portanto, o prazo prescricional de dez anos. O termo inicial da contagem é, também nos termos da súmula, a data do fato gerador. O fato gerador foi fixado pela própria interessada no pedido de restituição. Desta forma, para fatos geradores completados anteriormente a 12/02/1994 o prazo prescricional já se encontrava encerrado no momento do pedido de restituição. Observese que a data do recolhimento não é considerada para este fim, muito menos a circunstância alegada pela interessada acerca do julgamento administrativo de um auto de infração no qual o sujeito passivo seria um dos litisconsortes na ação judicial. Não se vislumbra qual a relação entre aquele julgamento administrativo e o prazo para a formulação do pedido de restituição aqui discutido. A constatação que se impõe é de que o decurso do prazo prescricional impede que seja atendido o pleito da interessada, independentemente de quaisquer considerações de mérito, negandose provimento ao recurso voluntário. O segundo fundamento adotado pelo julgador de primeira instância para o indeferimento do pleito foi a falta de comprovação do direito. O seguinte excerto do voto condutor do acórdão recorrido é elucidativo: Observese que a empresa não trouxe a petição inicial e nenhuma peça do processo judicial que afirma amparala, de forma a se poder verificar a correção de sua alegação central de mérito, o que, como demonstrado acima, seria ônus da empresa. E, em consulta ao sítio do TRF da 3ª Região, utilizandose do número de processo judicial fornecido pela Interessada, na opção “Consulta Processual – Visualizar Processo” a empresa não aparece como parte, mas sim as seguintes empresas: Consórcio Nacional Ford Ltda., Autolatina S/A, Autolatina Financiadora S/A Crédito Financiamento e Investimentos e Ford Brasil S/A. Junto com o recurso voluntário, a interessada faz acostar aos autos peças do processo judicial, e documentos que, segundo ela, comprovariam ser a recorrente sucessora da Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial. Compulsando os autos, especialmente as peças processuais do Mandado de Segurança nº 89.112058, constato que a impetrante foi Consórcio Nacional Ford Ltda., e que posteriormente foram admitidos como litisconsortes: (i) Autolatina S/A; (ii) Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e Investimentos; e (iii) Ford Brasil S/A. Prosseguindo na análise, encontro Ata da AGE de 31/05/1996 de Banco Autolatina S.A., na qual se registra a cisão parcial dessa pessoa jurídica, com a versão de parcela de seu patrimônio para o Banco Ford S/A e a mudança do nome da parcela remanescente da cisão do Banco Autolatina S/A para Banco Volkswagen S/A (a interessada). Na sequência, encontro também o Protocolo da cisão e versão do patrimônio. No entanto, não encontro prova de que Banco Autolatina S/A fosse parte da ação judicial. No documento datado de 17/02/2004, dirigido à DEINF/SP, a interessada se identifica como “BANCO VOLKSWAGEN S/A., atual denominação de BANCO AUTOLATINA S.A., anteriormente denominado AUTOLATINA Fl. 161DF CARF MF Processo nº 16327.907519/201058 Acórdão n.º 1301002.395 S1C3T1 Fl. 7 6 FINANCIADORA S.A., ...”. Mas tratase de mera afirmação, da qual não encontro prova documental nos autos. Apesar de saber que esse ponto foi um dos fundamentos adotado pelo julgador de primeira instância para negar seu pedido, a interessada apresentou apenas o documento da cisão parcial de Banco Autolatina S/A e posterior mudança de nome da parcela remanescente para Banco Volkswagen S/A, não se preocupando em rastrear e comprovar os eventos societários desde a litisconsorte na ação judicial (Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e Investimentos) até a atual pessoa jurídica, nem os direitos que teriam sido transmitidos em cada um desses eventos. Em se tratando de pedido de restituição, é ônus de quem alega o direito creditório comprovar o que alega, especialmente, no caso sob análise, que a pessoa jurídica que efetuou o recolhimento seria a sucessora em todos os direitos e obrigações da pessoa jurídica que foi parte na ação judicial. Ao não se encontrar nos autos essa comprovação, também por esse motivo o recurso voluntário há que ser negado. Os dois fundamentos autônomos anteriormente discutidos já seriam (e são) suficientes para que o recurso voluntário seja desprovido. Penso, entretanto, que uma consideração adicional há de ser feita. É que o pagamento em questão foi feito em 1999, ao amparo do art. 17 da Lei nº 9.779/1999. Confirase seu teor (grifos não constam do original): Art.17.Fica concedido ao contribuinte ou responsável exonerado do pagamento de tributo ou contribuição por decisão judicial proferida, em qualquer grau de jurisdição, com fundamento em inconstitucionalidade de lei, que houver sido declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em ação direta de constitucionalidade ou inconstitucionalidade, o prazo até o último dia útil do mês de janeiro de 1999 para o pagamento, isento de multa e juros de mora, da exação alcançada pela decisão declaratória, cujo fato gerador tenha ocorrido posteriormente à data de publicação do pertinente acórdão do Supremo Tribunal Federal.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) §1oO disposto neste artigo estendese:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 2158 35, de 2001) Iaos casos em que a declaração de constitucionalidade tenha sido proferida pelo Supremo Tribunal Federal, em recurso extraordinário;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIa contribuinte ou responsável favorecido por decisão judicial definitiva em matéria tributária, proferida sob qualquer fundamento, em qualquer grau de jurisdição;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIaos processos judiciais ajuizados até 31 de dezembro de 1998, exceto os relativos à execução da Dívida Ativa da União.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 162DF CARF MF Processo nº 16327.907519/201058 Acórdão n.º 1301002.395 S1C3T1 Fl. 8 7 §2oO pagamento na forma do caput deste artigo aplicase à exação relativa a fato gerador:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Iocorrido a partir da data da publicação do primeiro Acórdão do Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, na hipótese do inciso I do § 1o;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIocorrido a partir da data da publicação da decisão judicial, na hipótese do inciso II do § 1o;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIalcançado pelo pedido, na hipótese do inciso III do § 1o.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) §3oO pagamento referido neste artigo:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Iimporta em confissão irretratável da dívida;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIconstitui confissão extrajudicial, nos termos dos arts. 348, 353 e 354 do Código de Processo Civil;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) [...] Insisto: os pagamentos nesses termos são confissão irretratável da dívida e confissão extrajudicial. Ou seja, ainda que pudessem ser superados os dois fundamentos anteriormente expostos, o pedido de restituição encontraria obstáculo inarredável na disposição expressa da lei acima transcrita. Supondose, como hipótese argumentativa, que a interessada fosse, como afirma, sucessora da litisconsorte na ação judicial, o fato é que espontaneamente decidiu abrir mão do direito conquistado na ação judicial (possivelmente por vêlo ameaçado por reiteradas manifestações do STF no sentido da inconstitucionalidade da CSLL apenas para o primeiro ano de sua vigência) e parcelar o valor da contribuição para os anos subsequentes. A recorrente afirma que somente fez os pagamentos porque a Receita Federal insistia na cobrança, mesmo em face da decisão judicial que havia obtido. Ora, esse era o entendimento administrativo à época, atualmente ainda mais reforçado, tanto pelo sucesso obtido em ações rescisórias diversas propostas perante o Poder Judiciário, quanto por Pareceres da douta PGFN. Se a interessada tivesse plena convicção de seu direito, seu procedimento teria sido o de aguardar o lançamento e discutilo administrativa e judicialmente, nunca o de se antecipar, confessando a dívida de forma irretratável e recolhendo o tributo. A recorrente reclama, ainda, que esse aspecto não teria sido fundamento para a negativa do pedido de restituição, pelo que não poderia, agora, ser abordado. Observese que a DEINF/SP originalmente negou o pedido porque o pagamento (DARF) não foi identificado nos sistemas da RFB. Apesar de intimada, a interessada não se preocupou em trazer aos autos os esclarecimentos que Fl. 163DF CARF MF Processo nº 16327.907519/201058 Acórdão n.º 1301002.395 S1C3T1 Fl. 9 8 permitissem essa correta identificação. Essa questão foi plenamente superada em primeira instância. Somente então foi possível avançar e questionar outros aspectos, a saber, o prazo para pleitear o indébito e a comprovação do direito alegado. Quanto a este último aspecto, o julgador a quo se deteve na falta das peças do processo judicial e na falta de comprovação de que a interessada no processo administrativo fosse também uma das partes do processo judicial. Penso que as considerações aqui tecidas sobre esse ponto nada mais são do que um aprofundamento acerca da análise de mérito do pedido. Seriam, talvez, dispensáveis, como dito anteriormente, mas em nada prejudicam, antes reforçam a conclusão. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha Fl. 164DF CARF MF
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