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Numero do processo: 10425.901387/2009-22
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO - NÃO COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO
A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A justificativa apresentada pela Contribuinte para o surgimento dos alegados créditos nos anos de 2000, 2001 e 2002 está desprovida de fundamento. Nas declarações retificadoras, a Contribuinte passou a apurar o próprio imposto (e não o saldo a pagar) com valores muito menores do que os declarados inicialmente, e isto não pode ser justificado por retenções anteriormente não computadas. Excluída essa justificativa, a Contribuinte não trouxe nenhuma outra, e nem qualquer elemento de prova que pudesse evidenciar outro tipo de erro nos valores inicialmente declarados e pagos, para dar guarida aos alegados direitos creditórios. Para o período em questão, 3º trimestre de 2000, a Contribuinte sequer apresentou cópia da DIPJ retificadora, de modo que também não restou comprovado qualquer erro no valor inicialmente declarado e pago para o referido período. Mantida a não homologação da compensação.
Numero da decisão: 1802-001.430
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins De Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente o conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO - NÃO COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A justificativa apresentada pela Contribuinte para o surgimento dos alegados créditos nos anos de 2000, 2001 e 2002 está desprovida de fundamento. Nas declarações retificadoras, a Contribuinte passou a apurar o próprio imposto (e não o saldo a pagar) com valores muito menores do que os declarados inicialmente, e isto não pode ser justificado por retenções anteriormente não computadas. Excluída essa justificativa, a Contribuinte não trouxe nenhuma outra, e nem qualquer elemento de prova que pudesse evidenciar outro tipo de erro nos valores inicialmente declarados e pagos, para dar guarida aos alegados direitos creditórios. Para o período em questão, 3º trimestre de 2000, a Contribuinte sequer apresentou cópia da DIPJ retificadora, de modo que também não restou comprovado qualquer erro no valor inicialmente declarado e pago para o referido período. Mantida a não homologação da compensação.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO NÃO COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A justificativa apresentada pela Contribuinte para o surgimento dos alegados créditos nos anos de 2000, 2001 e 2002 está desprovida de fundamento. Nas declarações retificadoras, a Contribuinte passou a apurar o próprio imposto (e não o saldo a pagar) com valores muito menores do que os declarados inicialmente, e isto não pode ser justificado por retenções anteriormente não computadas. Excluída essa justificativa, a Contribuinte não trouxe nenhuma outra, e nem qualquer elemento de prova que pudesse evidenciar outro tipo de erro nos valores inicialmente declarados e pagos, para dar guarida aos alegados direitos creditórios. Para o período em questão, 3º trimestre de 2000, a Contribuinte sequer apresentou cópia da DIPJ retificadora, de modo que também não restou comprovado qualquer erro no valor inicialmente declarado e pago para o referido período. Mantida a não homologação da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins De Sousa Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 42 5. 90 13 87 /2 00 9- 22 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10425.901387/200922 Acórdão n.º 1802001.430 S1TE02 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente o conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10425.901387/200922 Acórdão n.º 1802001.430 S1TE02 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE, que manteve a negativa de homologação em relação à Declaração de Compensação apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1134.692, às fls. 23 a 25: A interessada acima qualificada apresentou Declaração de Compensação — DCOMP de fls. 01/05, por meio da qual compensou crédito do Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ com débitos de sua responsabilidade. O crédito informado, no valor de R$ 11.100,97, seria decorrente de pagamento indevido ou a maior do imposto apurado no 3º trimestre do ano calendário 2000. 2. Através do despacho de fl. 07, emitido eletronicamente, a Delegacia da Receita Federal DRF em Campina Grande identificou integral utilização anterior do pagamento para quitação de débito do IRPJ, em face do que não homologou a compensação declarada. 3. A interessada apresentou manifestação de inconformidade (fls. 08/10), alegando, em síntese, que retificou sua Declaração de Informações DIPJ para demonstrar os créditos, porém não retificou a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF ajustando os débitos. Argúi que o erro nesse procedimento não invalida a existência dos créditos, já que houve pagamento a maior, e que não há norma que exija a necessidade de retificação da DCTF para que o Fisco aceite a existência dos créditos. Requereu, ao final, a homologação da compensação. Como mencionado, a DRJ Recife/PE manteve a negativa em relação à referida compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10425.901387/200922 Acórdão n.º 1802001.430 S1TE02 Fl. 5 4 Mantémse o despacho decisório que não homologou a compensação quando constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito foi integralmente utilizado na quitação de débito confessado em DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 20/10/2011, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 31/10/2011, com os argumentos abaixo: DA APRESENTAÇÃO DA CONTRADITA ÀS RAZÕES DE DECIDIR DA DRJ/RECIFE E DOS VALORES DE APURAÇÃO DE CRÉDITOS a DRJ/Recife não mencionou em nenhum momento que as informações apresentadas na manifestação de inconformidade eram incorretas, simplesmente alegou que a empresa não apresentou qualquer documentação para justificar seu direito; contudo, não era necessário a apresentação de nenhum documento pelos seguintes fatos: 1) os valores informados na DIPJ e as razões pelos quais foram informados estão plenamente descritos e detalhados da manifestação de inconformidade; 2) de acordo com as normas da Lei n° 9.784/99, não é necessária a apresentação de qualquer documento quando o órgão administrativo já dispõem das informações necessárias para a análise do processo administrativo; 3) os agentes da administração devem atender ao princípio da Verdade Material quando da análise dos processos administrativos. o que ocorreu, na verdade, foi apenas uma falha de procedimento da empresa em não retificar as DCTFs onde constavam as informações dos débitos cuja compensação era solicitada; tal erro de procedimento não anula a existência dos créditos, vez que estes decorrem da existência de pagamentos a maior de IRPJ decorrentes de revisão das declarações da empresa e das respectivas bases de cálculo dos tributos; tais declarações constam desde há muito tempo da base de dados da Receita Federal e o equívoco poderia ter sido corrigido caso a empresa tivesse sido intimada para esclarecer os fatos; tal falha de procedimento não inviabiliza o direito de crédito da empresa. A apuração dos débitos de IRPJ é realizada e apresentada ao fisco por meio das DIPJ. A DCTF, inobstante ser instrumento de confissão de dívida, apresenta apenas valores simples, sem qualquer valor de apuração; a declaração mais robusta para fins de formação de convicção é a DIPJ, pois nela se demonstram os dados que levaram à apuração dos créditos tributários. Neste ponto é mister salientar que a DIPJ foi corretamente retificada pela empresa; Fl. 70DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10425.901387/200922 Acórdão n.º 1802001.430 S1TE02 Fl. 6 5 tendo sido revistos os valores de apuração de IRPJ, os pagamentos a maior realizados a tal título tornaramse indevidos, na forma do art. 165, I, do CTN, além dos próprios saldos negativos de IRPJ apurados, razão pela qual poderiam ser utilizados pela empresa, como o foram, para a compensação de outros débitos da empresa para com a Receita Federal; a simples falha procedimental da empresa em não ter retificado as DCTF dos mesmos períodos não pode ter o condão de invalidar a existência de créditos que estão plenamente demonstrados; DO DESCUMPRIMENTO DOS PRINCÍPIOS DO PROCESSO ADMINISTRATIVO POR PARTE DA RECEITA FEDERAL em outras compensações, quando o valor da DCTF é menor que o da DIPJ, a Receita Federal intima o contribuinte da divergência entre estas declarações, mandando retificar sob pena de indeferimento; porque nesse caso a Receita Federal não agiu dessa mesma maneira? Se havia divergência entre DIPJ e DCTF, obviamente a empresa cuidaria de retificar a DCTF. Sem a comunicação da Receita, a empresa só soube de sua falha após o indeferimento da compensação; DA DESNECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO DE PROVAS JUNTO COM A MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE, QUANDO ESTAS JÁ ESTÃO DE POSSE DO FISCO a recorrente contesta a informação de que não apresentou qualquer prova a justificar o seu direito; a empresa informou na manifestação de inconformidade os motivos que geraram a formação de seus créditos; a empresa também informou que os valores estavam à disposição da Receita Federal nas declarações que esta possuía; a Receita Federal possui todas as informações de apuração da empresa constantes da DIPJ do respectivo período de apuração. Tais valores constam dos próprios comprovantes de rendimento fornecidos pelos seus clientes; todos os valores de retenção na fonte informados pela empresa constam do banco de dados da Receita Federal mediante as DIRF apresentadas pelas fontes pagadoras; assim, não se fazia necessária a apresentação de nenhum documento, posto que todas as informações necessárias à análise já constavam do banco de dados de informações da Receita Federal; DA NÃO ATENÇÃO AO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL por tal princípio, o julgador, mais do que se atentar às alegações e provas das partes, tem de firmar seu entendimento com base na realidade demonstrada nos autos; Fl. 71DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10425.901387/200922 Acórdão n.º 1802001.430 S1TE02 Fl. 7 6 a DRJ/Recife deixou de atender à informalidade do processo administrativo ao exigir a prévia retificação da DCTF; também agiu incorretamente ao exigir apresentação de provas que já estavam em seu próprio banco de dados; por fim, deixou de atender ao Princípio da Verdade Material como forma de fazer justiça em seu sentido mais puro, qual seja, o de não atentar apenas às formas estabelecidas e sim verificar a real existência dos fatos como forma de obter a verdade que definirá o julgamento do caso. Este é o Relatório. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10425.901387/200922 Acórdão n.º 1802001.430 S1TE02 Fl. 8 7 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a Contribuinte questiona a não homologação da Declaração de Compensação – DCOMP de fls. 01 a 05, na qual o crédito utilizado corresponde a pagamento indevido ou a maior a título do IRPJ apurado no 3º trimestre do anocalendário de 2000. A Delegacia de origem, por meio de despacho eletrônico, não homologou a compensação. A negativa foi motivada pelo fato de o referido pagamento já ter sido utilizado para a quitação de débito declarado em DCTF. Em sua primeira peça de defesa, a Contribuinte procurou demonstrar que o direito creditório decorria de valores de IR retido na fonte que não haviam sido considerados na DIPJ original, posteriormente retificada para a inclusão destes valores: A existência destes pagamentos a maior é constatada pela simples verificação das DIPJs retificadoras apresentadas pela empresa, que seguem em anexo, quando foram realizadas as seguintes alterações de valores: a) Com relação ao IRPJ, as declarações originais apresentadas pela empresa não consideraram os valores relativos ao IRPJ retido na fonte quando dos recebimentos da empresa, assim, ao se incluírem nas DIPJ as deduções relativas ao IRPJ retido na fonte, a conseqüência imediata é a redução dos valores do IRPJ a pagar o que gerou a existência dos pagamentos a maior realizados; Demonstrase, do acima exposto, que os créditos relativos a pagamentos a maior de IRPJ relativos às apurações dos anos de 2000, 2001 e 2002, foram gerados em conseqüência das retificações das declarações originais, conforme demonstraremos com exatidão abaixo. O fato de a empresa não ter realizado as respectivas retificações das DCTFs que poderiam “liberar” os pagamentos para as compensações, constitui mero erro de procedimento que, em nenhum momento, caracteriza a inexistência do crédito apurado pela empresa, posto que inexiste na legislação qualquer norma que exija a necessidade de retificação da DCTF da empresa como regra para aceitação dos créditos relativos a pagamentos indevidos. Por fim, devemos informar que as DIPJ retificadoras foram corretamente apresentadas à Receita Federal antes da entrega das declarações de compensação e, nestas, constam os corretos valores de retenções na fonte e compensações de COFINS que Fl. 73DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10425.901387/200922 Acórdão n.º 1802001.430 S1TE02 Fl. 9 8 poderão ser confirmados pela própria Delegacia em seus sistema informatizados. (...) Assim, para facilitar a análise e apreciação dos recursos informamos que segue em anexo à presente manifestação uma planilha demonstrativa dos valores dos créditos de IRPJ apurados em cada período de apuração onde ocorreu a realização de pagamentos a maior A Delegacia de Julgamento manteve a negativa em relação à pretendida compensação, frisando que a Contribuinte não retificou a DCTF, e que também não trouxe nenhuma prova de seu alegado crédito: 8. Como se sabe, nos termos da legislação de regência (Instrução Normativa SRF n° 014, de 14 de fevereiro de 200), a DIPJ tem caráter apenas informativo, enquanto a DCTF constitui instrumento de confissão de divida quanto aos débitos nela declarados. 9. No caso concreto, verifiquei, no banco de dados da Receita Federal, que a empresa efetivamente apresentou DCTF em que fez constar haver apurado débito do IRPJ no 3º trimestre de 2000 no valor de R$ 33.302,91, com pagamento em 3 quotas de R$ 11.100,97, o exato valor do recolhimento efetuado. 10. Assim, não poderia a autoridade a quo reconhecer crédito algum para a interessada, dado que o valor recolhido já fora, ao tempo do decisório, integralmente alocado a débito regularmente confessado pelo sujeito passivo. E, não sendo liquido e certo o crédito contra a Fazenda Pública, não pode ser postulada sua compensação para extinguir débitos do sujeito passivo (art. 170 do CTN) . 11. Destaquese que, além de não retificar a DCTF, que constituía obrigação sua (Instrução Normativa SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998, e seguintes), não trouxe a interessada prova alguma do tanto alegado, desatendendo ao disposto no art. 16, III, do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. 12. Ante o exposto, voto por julgar improcedente a. manifestação de inconformidade. Ao não retificar a DCTF, a Contribuinte concorreu para a primeira negativa em relação à compensação pleiteada. Contudo, essa questão procedimental não justifica uma negativa em definitivo, eis que o art. 165 do CTN não condiciona o direito à restituição de indébito, fundado em pagamento indevido ou a maior, a requisitos meramente formais. O que realmente interessa é verificar se houve ou não pagamento indevido ou a maior de um determinado tributo em um determinado período de apuração A DCTF, embora seja uma confissão de dívida, não pode ser tomada em caráter absoluto, até porque existe sempre a possibilidade de erro no seu preenchimento. Sua Fl. 74DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10425.901387/200922 Acórdão n.º 1802001.430 S1TE02 Fl. 10 9 retificação, da mesma forma, não teria caráter absoluto, pelo que, mesmo que apresentada a declaração retificadora, esta deveria ser cotejada com outras informações e documentos, como a DIPJ, os Livros Contábeis e Fiscais, Demonstrativos, etc., porque o que interessa é saber se houve ou não recolhimento indevido ou a maior. No que toca à comprovação de um indébito, é importante lembrar que o processo administrativo fiscal não contém uma fase probatória específica, como ocorre, por exemplo, com o processo civil. Especialmente nos processos iniciados pelo Contribuinte, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica na apresentação de elementos de prova, uma vez que a Administração Tributária se manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e decisões com caráter terminativo, e não em decisões interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova ser suprida nas instâncias seguintes. Nesse caso concreto, a Contribuinte apresentou várias DCOMP, dentre elas a aqui examinada, alegando ter retificado as DIPJ dos anoscalendário 2000, 2001 e 2002, para incluir nestas declarações valores de “IR retido na fonte” que não haviam sido computados nas declarações originalmente apresentadas. O presente processo está sendo examinado em conjunto com os de nº 10425.901388/200977, 10425.901395/200979, 10425.902532/200992 e 10425.902875/2009 –57, que tratam de outras DCOMP cujos créditos estão fundados no mesmo argumento. Os valores de IRPJ declarados em DCTF, e que pelos argumentos da Recorrente correspondiam às DIPJ originais, estão indicados no quadro abaixo: PA IRPJ inicialmente apurado e pago 1º Trim. 2000 19.972,44 2º Trim. 2000 21.047,10 3º Trim. 2000 33.302,91 4º Trim. 2000 31.174,72 1º Trim. 2001 30.926,93 2º Trim. 2001 37.784,55 3º Trim. 2001 37.341,06 4º Trim. 2001 36.908,97 1º Trim. 2002 32.209,11 2º Trim. 2002 40.668,12 3º Trim. 2002 22.817,52 4º Trim. 2002 43.834,50 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10425.901387/200922 Acórdão n.º 1802001.430 S1TE02 Fl. 11 10 As DIPJ retificadoras, por sua vez, indicam os seguintes valores para o IRPJ, antes da dedução do IR retido na fonte: PA IRPJ retificado, antes da dedução das retenções 1º Trim. 2000 * 2º Trim. 2000 * 3º Trim. 2000 * 4º Trim. 2000 * 1º Trim. 2001 6.940,24 2º Trim. 2001 7.954,17 3º Trim. 2001 8.155,53 4º Trim. 2001 9.493,95 1º Trim. 2002 8.676,23 2º Trim. 2002 8.705,77 3º Trim. 2002 8.467,15 4º Trim. 2002 9.618,25 * Contribuinte não apresentou cópia da DIPJ retificadora No exame dos outros processos anteriormente mencionados, que abrangem períodos de 2001 e 2002, foi registrado que os valores do “IRPJ retificado, antes da dedução das retenções”, conforme quadro acima, decorriam diretamente da aplicação da alíquota do IRPJ sobre a base de cálculo; que a redução do imposto na declaração retificadora não tinha qualquer relação com o aproveitamento de retenções na fonte; e que não havia qualquer comprovação das alegadas retenções não computadas na declaração original. Sendo assim, a justificativa apresentada pela Contribuinte para o surgimento dos alegados créditos foi considerada desprovida de fundamento. Nas declarações retificadoras, a Contribuinte passou a apurar o próprio imposto (e não o saldo a pagar) com valores muito menores do que os declarados inicialmente, e isto não pode ser justificado por retenções não computadas. As retenções poderiam justificar diferenças na rubrica “imposto de renda a pagar”, mas não diferenças surgidas no cálculo do imposto em si, antes do cômputo das retenções. Excluída essa justificativa, a Contribuinte não trouxe nenhuma outra, e nem qualquer elemento de prova que pudesse evidenciar outro tipo de erro nos valores inicialmente declarados e pagos, para dar guarida aos alegados direitos creditórios, pelo que eles restaram mesmo indeferidos naqueles outros processos. No processo sob exame, que abrange crédito apurado em relação ao 3º trimestre de 2000, fundado no mesmo argumento já mencionado (retenções não computadas), a Fl. 76DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10425.901387/200922 Acórdão n.º 1802001.430 S1TE02 Fl. 12 11 Contribuinte sequer apresentou cópia da DIPJ retificadora, de modo que também não restou comprovado qualquer erro no valor inicialmente declarado e pago para esse período. Deste modo, a decisão recorrida não merece reparo. Nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 77DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10814.000784/2008-11
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Dec 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 31/03/2008
Ementa:
TRIBUTOS ADUANEIROS. AVARIA OU PERECIMENTO DE MERCADORIAS. RESPONSABILIDADE. DEPOSITÁRIO. PIS-IMPORTAÇÃO E COFINS-IMPORTAÇÃO. RESPONSABILIDADE INDEPENDENTE DE CULPA.
A inobservância do procedimento descrito nos artigos 582 e 582, do RA/2002, presume culpa do depositário pela avaria de mercadorias importadas, segundo art. 593, parágrafo único do mesmo RA/2002, o que lhe transfere responsabilidade pelo recolhimento dos respectivos tributos aduaneiros, conforme art. 591 do RA/2002. Em se tratando de Pis-Importação e Cofins-Importação, a responsabilidade do depositário é solidária com o importador e independe de aferição de culpa.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3403-001.861
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Marcos Tranchesi Ortiz Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim.
Nome do relator: MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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AVARIA OU PERECIMENTO DE MERCADORIAS. RESPONSABILIDADE. DEPOSITÁRIO. PIS IMPORTAÇÃO E COFINSIMPORTAÇÃO. RESPONSABILIDADE INDEPENDENTE DE CULPA. A inobservância do procedimento descrito nos artigos 582 e 582, do RA/2002, presume culpa do depositário pela avaria de mercadorias importadas, segundo art. 593, parágrafo único do mesmo RA/2002, o que lhe transfere responsabilidade pelo recolhimento dos respectivos tributos aduaneiros, conforme art. 591 do RA/2002. Em se tratando de PisImportação e CofinsImportação, a responsabilidade do depositário é solidária com o importador e independe de aferição de culpa. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 81 4. 00 07 84 /2 00 8- 11 Fl. 118DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 08/12/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 2 (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim. Relatório Em 9 de janeiro de 2008, o Ministério da Agricultura lavrou Termo de Ocorrência (fl. 19/20) para interditar carga de pescados importados do Chile pela empresa First S.A., objeto do conhecimento aéreo AWB nº 0456 5605 7164, localizada no recinto alfandegário do Aeroporto Internacional de Guarulhos, SP. A interdição decorreu da constatação de que o produto não mais se apresentava próprio para consumo. As seguintes datas são, ainda, relevantes e não foram controvertidas, antes, aliás, foram confirmadas pela recorrente (fls. 30 e 32): (a) 27 de dezembro de 2007: data de preparo do produto, informada na embalagem; (b) 30 de dezembro de 2007: data de chegada do produto no recinto alfandegário; e (c) 11 de janeiro de 2008: data de validade do produto, informada na embalagem. Em 25 de janeiro de 2008, a empresa importadora solicitou Vistoria Aduaneira (fl. 1), com fundamento no art. 581 do Regulamento Aduaneiro vigente à época (Decreto nº 4.543/02). Realizada em 5 de março de 2008, a Vistoria Aduaneira concluiu que (fls. 10/18) a culpa pelo perecimento era imputável à recorrente, depositária legal do produto importado. A RFB lançou, então, contra a recorrente, o Imposto de Importação, o Pis Importação e a CofinsImportação incidentes nesta importação (fl. 22). Deixou de lançar o Imposto sobre Produtos Industrializados, cuja alíquota aplicável era zero. A recorrente impugnou o lançamento (fls. 30/34), aduzindo em síntese que: (a) armazenou o produto conforme as orientações da embalagem; (b) a importadora negligenciou na tomada de providências para agilização do despacho aduaneiro, de modo que, quando da vistoria pelo Ministério da Agricultura, em 9 de janeiro de 2008, restavam somente 2 dias para que o produto fosse retirado, transportado, comercializado e consumido. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 08/12/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10814.000784/200811 Acórdão n.º 3403001.861 S3C4T3 Fl. 6 3 A DRJ/São PauloSP (fls. 48/53) manteve a exigência, sustentando inexistir prova que ilidisse a presunção de responsabilidade do depositário. A recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 76/88), reiterando os argumentos da impugnação e afirmando ser do importador a responsabilidade pelo perecimento das mercadorias, havendo portanto excludente de responsabilidade (caso fortuito) em relação à recorrente. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz O recurso é tempestivo e, observadas as demais formalidades aplicáveis, dele tomo conhecimento. Constato que o procedimento de Vistoria Aduaneira está regulamentado pelos arts. 581 e seguintes do Decreto nº 4.543/02, vigente à época dos fatos, segundo o qual é do depositário das mercadorias – ora recorrente – a responsabilidade pela verificação de indícios de avarias quando do recebimento dos produtos, procedimento cuja observância foi negligenciada pela recorrente. Eis o que dispõem os artigo 582 e 583, do Decreto nº 4.543/02: "Art. 582. O volume que, ao ser descarregado, apresentarse quebrado, com diferença de peso, com indícios de violação ou de qualquer modo avariado, deverá ser objeto de conserto e pesagem, fazendose, ato contínuo, a devida anotação no registro de descarga, pelo depositário." "Art. 583. Cabe ao depositário, logo após a descarga de volume avariado, ou a constatação de extravio, registrar a ocorrência em termo próprio, disponibilizado para manifestação do transportador, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal." A recorrente não realizou o procedimento acima descrito. Incide, então, a presunção legal relativa de que o depositário é o responsável pelas avarias constatadas, conforme art. 593, §único, do Decreto nº 4.543/02: "Art. 593. O depositário responde por avaria ou por extravio de mercadoria sob sua custódia, bem assim por danos causados em operação de carga ou de descarga realizada por seus prepostos. Parágrafo único. Presumese a responsabilidade do depositário no caso de volumes recebidos sem ressalva ou sem protesto." Assistia, ainda, à recorrente produzir prova que desmontasse a presunção legal que milita em seu desfavor. Os produtos importados (peixes) eram extremamente perecíveis e a validade indicada pelo exportador expiraria 15 dias após a data da embalagem, ou seja, em 11.01.2008. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 08/12/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 4 Segundo a recorrente, a culpa teria sido do próprio importador, uma vez que este não cuidou de efetuar o rápido desembaraço da mercadoria, a qual foi submetida à fiscalização do Ministério da Agricultura apenas em 08.01.2008, portanto três dias antes da expiração da validade. O dado relevante, contudo, é que, quando da fiscalização do Ministério da Agricultura, três dias antes o término da validade, os produtos já se encontravam impróprios para consumo. A validade dos produtos quando da fiscalização do Ministério da Agricultura, portanto, depõe contra a recorrente. Algo aconteceu para que, naquela data, fosse verificada a impropriedade para o consumo. É bem verdade que muito dificilmente a importadora conseguiria ainda comercializar o produto nos três dias de prazo de validade remanescentes, o que, de certa maneira, tornoulhe mais vantajosa a má atuação da recorrente como depositária. Esse fato, contudo, a meu ver não é decisivo o bastante para encaminhar solução diversa, pois simplesmente não desfaz a presunção relativa de responsabilidade da recorrente. Como também não há nenhum elemento nos autos que indique a responsabilidade da companhia aérea transportadora pela avaria dos produtos, a exigência, me parece, deve ser mantida contra a recorrente. Sendo da recorrente a responsabilidade pela avaria, é ela a responsável pelo recolhimento do Imposto de Importação respectivo, conforme art. 591 do mesmo Decreto nº 4.543/02: "Art. 591. A responsabilidade pelo extravio ou pela avaria de mercadoria será de quem lhe deu causa, cabendo ao responsável, assim reconhecido pela autoridade aduaneira, indenizar a Fazenda Nacional do valor do imposto de importação que, em conseqüência, deixar de ser recolhido, ressalvado o disposto no art. 586 (Decretolei no 37, de 1966, art. 60, parágrafo único)." Há mais, contudo. Tratandose de lançamento para exigência do PIS e da COFINS incidentes sobre a importação de mercadorias, um outro aspecto reforça ainda mais a responsabilidade da recorrente. É que, de acordo com o art. 6º, IV, da Lei nº 10.865/04, a responsabilidade do depositário, para estas contribuições, é solidária com o importador, independentemente da demonstração de culpa, a qual se traduz relevante apenas para imputação da responsabilidade no caso de Imposto de Importação, que não é objeto do presente PAF. Eis o referido art. 6º "Art. 6o São responsáveis solidários: IV – o depositário, assim considerado qualquer pessoa incumbida da custódia de bem sob controle aduaneiro; e" Pelo exposto, nego provimento ao recurso. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 08/12/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10814.000784/200811 Acórdão n.º 3403001.861 S3C4T3 Fl. 7 5 (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz Fl. 122DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 08/12/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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Numero do processo: 36378.004044/2006-71
Turma: Quinta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1999 a 30/04/2004
DECADÊNCIA PARCIAL
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
CONTRIBUIÇOES RELACIONADAS COM OS RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO.
Os adicionais destinados ao financiamento das aposentadorias especiais serão devidos pela empresa sempre que ficar constatada a ocorrência da situação prevista na legislação como necessária para ensejar a concessão do benefício da aposentadoria especial.
Ao se deparar com inconsistência nos documentos relacionados com o gerenciamento dos riscos ambientais do trabalho, ou a sua apresentação deficiente ou em descordo com os normativos legais, a fiscalização deverá arbitrar o débito com fulcro no art. 33, § 3º, da Lei 8.212/91.
ABONOS PREVISTOS EM ACORDO COLETIVO DE TRABALHO.
O abono pago pelo empregador aos segurados empregados não integra o salário-de-contribuição, e, como tal, não está sujeito à incidência de contribuição previdenciária.
MULTA DE MORA. OBSERVÂNCIA DA LEI MAIS BENÉFICA.
As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Crédito Tributário Exonerado em Parte.
Numero da decisão: 2301-002.777
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em analisar e decidir o recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Mauro José Silva e Marcelo Oliveira, que votaram em anular as decisões de primeira instância, devido ao disposto no II, Art. 59, do Decreto 70.235/1972; b) em manter a aplicação da multa, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa; c) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; d) em analisar e decidir o recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Mauro José Silva e Bernadete de Oliveira Barros, que votaram em converter o julgamento em diligência; II) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 11/1999, anteriores a 12/1999, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, pela aplicação da regar expressa no § 4º, Art. 150 do CTN; b) em negar provimento ao recurso, no mérito, nos termos do voto da Redatora. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; Redatores: Bernadete de Oliveira Barros e Adriano Gonzáles Silvério. Declaração de voto: Mauro José Silva.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Damião Cordeiro de Moraes - Relator.
(assinado digitalmente)
Bernadete de Oliveira Barros - Redator designado.
(assinado digitalmente)
Adriano Gonzáles Silvério Declaração de voto
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva - Declaração de voto
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/1999 a 30/04/2004 DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. CONTRIBUIÇOES RELACIONADAS COM OS RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO. Os adicionais destinados ao financiamento das aposentadorias especiais serão devidos pela empresa sempre que ficar constatada a ocorrência da situação prevista na legislação como necessária para ensejar a concessão do benefício da aposentadoria especial. Ao se deparar com inconsistência nos documentos relacionados com o gerenciamento dos riscos ambientais do trabalho, ou a sua apresentação deficiente ou em descordo com os normativos legais, a fiscalização deverá arbitrar o débito com fulcro no art. 33, § 3º, da Lei 8.212/91. ABONOS PREVISTOS EM ACORDO COLETIVO DE TRABALHO. O abono pago pelo empregador aos segurados empregados não integra o salário-de-contribuição, e, como tal, não está sujeito à incidência de contribuição previdenciária. MULTA DE MORA. OBSERVÂNCIA DA LEI MAIS BENÉFICA. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Exonerado em Parte.
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Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. CONTRIBUIÇOES RELACIONADAS COM OS RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO. Os adicionais destinados ao financiamento das aposentadorias especiais serão devidos pela empresa sempre que ficar constatada a ocorrência da situação prevista na legislação como necessária para ensejar a concessão do benefício da aposentadoria especial. Ao se deparar com inconsistência nos documentos relacionados com o gerenciamento dos riscos ambientais do trabalho, ou a sua apresentação deficiente ou em descordo com os normativos legais, a fiscalização deverá arbitrar o débito com fulcro no art. 33, § 3º, da Lei 8.212/91. ABONOS PREVISTOS EM ACORDO COLETIVO DE TRABALHO. O abono pago pelo empregador aos segurados empregados não integra o saláriodecontribuição, e, como tal, não está sujeito à incidência de contribuição previdenciária. MULTA DE MORA. OBSERVÂNCIA DA LEI MAIS BENÉFICA. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 37 8. 00 40 44 /2 00 6- 71 Fl. 41DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 01/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por MAUR O JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Exonerado em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em analisar e decidir o recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Mauro José Silva e Marcelo Oliveira, que votaram em anular as decisões de primeira instância, devido ao disposto no II, Art. 59, do Decreto 70.235/1972; b) em manter a aplicação da multa, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa; c) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; d) em analisar e decidir o recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Mauro José Silva e Bernadete de Oliveira Barros, que votaram em converter o julgamento em diligência; II) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 11/1999, anteriores a 12/1999, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, pela aplicação da regar expressa no § 4º, Art. 150 do CTN; b) em negar provimento ao recurso, no mérito, nos termos do voto da Redatora. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; Redatores: Bernadete de Oliveira Barros e Adriano Gonzáles Silvério. Declaração de voto: Mauro José Silva. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. (assinado digitalmente) Bernadete de Oliveira Barros Redator designado. (assinado digitalmente) Adriano Gonzáles Silvério – Declaração de voto Fl. 42DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 01/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por MAUR O JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 36378.004044/200671 Acórdão n.º 2301002.777 S2C3T1 Fl. 3 3 (assinado digitalmente) Mauro José Silva Declaração de voto Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 43DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 01/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por MAUR O JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 Relatório 1. Tendo em vista que o relatório já foi apresentado por ocasião da Resolução nº 20500.143, transcrevese o seu inteiro teor: “1. Segundo informa o relatório fiscal, tratam os autos de contribuições a cargo da empresa, para financiamento do beneficio previsto nos arts. 57 e 58 da Lei n.°8.213/91, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas pela empresa ao empregado segurado, a título de abono em acordo coletivo de trabalho, gratificação de retorno de férias e abono regime de trabalho, conforme a atividade exercida pelo mesmo permita a concessão do beneficio da aposentadoria especial. 2. Sobre as rubricas, relata a informação fiscal (fl. 48): ‘2. Das rubricas pagas ou creditadas No período fiscalizado a empresa fez pagamentos ou créditos aos seus empregados, a título de ABONO em ACORDO COLETIVO DE TRABALHO, GRATIFICAÇÃO DE RETORNO DE FÉRIAS e ABONO REGIME DE TRABALHO, para as quais não fez o devido recolhimento das contribuições previdenciárias mencionadas no 1.1 e 1.2 supra. Com o fim de lançar os valores devidos, em fiscalização anterior à presente fiscalização, foi feito o lançamento do crédito através da NFLD Decab n.°.35.612.3731, onde foram cobradas as parte patronal (20%),parte do segurado (entre 7,65 a 11%) dependendo do período, SAT (3%) e Terceiros (INCRA, SEBRAE, SENAI e SESI). 2.1. DAS RUBLICAS Elaboramos a seguir, esclarecimentos sobre fatos os geradores que ensejaram o lançamento do presente crédito: 2.2.1. ABONO EM ACORDO COLETIVO DE TRABALHO Concedidos mediante Acordo Coletivo celebrado entre a ACESITA S/A e o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Siderúrgicas, Metalúrgicas, Mecânicas, de Material Elétrico, Material Eletrônico, Desenhos/Projetos e de Informática de Tomóteo/MG e Coronel Fabriciano/MG METASITA, no período de 2000 a 2004. 2.2.2. ABONO REGIME DE TRABALHO O Abono Regime de Trabalho foi concedido mediante Acordo Coletivo de Trabalho, celebrado entre a Acesita S/A e o Sindicato METASITA; A Cláusula 1.9 deste Acordo prevê um abono de R$ 3.642,00, aos empregados, em compensação à implantação do novo regime de trabalho; em efetivo exercício de seus cargos no dia da implantação e que estavam, em 10/11/2000, trabalhando no regime de 6x2, quatro turmas. Este abono foi concedido somente no estabelecimento CNPJ: 001312. 2.2.3. FOLHA DE PAGAMENTO/RETORNO DE FÉRIAS Acordos Coletivos de Trabalho celebrados entre a ACESITA e o Sindicato META SITA, preveem que a ACESITA pagará aos seus empregados, quando Fl. 44DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 01/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por MAUR O JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 36378.004044/200671 Acórdão n.º 2301002.777 S2C3T1 Fl. 4 5 da volta do gozo de férias, o adicional de RETORNO DE FÉRIAS, corresponde à importância equivalente ao máximo de 95% da remuneração de férias, excluída desta o adicional previsto no inciso XVII, do artigo 7º , da Constituição Federal. Os empregados que não fizerem jus ao gozo de 30 dias de férias, terão o valor do Retorno de Férias pago proporcionalmente ao número de dias de direito e não será devido na hipótese de férias não gozadas e/ou indenizadas. Os empregados que vierem a ser admitidos na ACESITA a partir de 01/11/1998, não farão jus RETORNO DE FÉRIAS. ’ 3. A empresa, inconformada com o lançamento, apresentou impugnação tempestiva. Após, os autos foram encaminhados em diligência ao auditor fiscal notificante para que se pronunciasse sobre as informações da empresa acerca do fato gerador "Adicional Retorno de Férias", com vista inclusive a deixar claro o objeto do lançamento delimitado no processo (11.787). 4. O auditor notificante, por sua vez, colacionou aos autos: a) nova Relação de Corresponsáveis (CORESP), em substituição a anterior, tendo em vista a constatação de incorreções no anexo (fls. 789); b) relação de projetos de equipamentos de proteção Coletiva (fls. 790/798); e c) informação fiscal complementar acerca das questões relativas aos riscos ambientais (fls. 799/820). 5. A decisão de primeira instância julgou procedente o lançamento, nos termos da •ementa abaixo transcrita: ‘CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. ADICIONAL PARA CUSTEIO DE APOSENTADORIA ESPECIAL. AFERIÇÃO INDIRETA. DECADÊNCIA. ABONO SALARIAL. ABONO RETORNO DE FÉRIAS.’ 1 A falta do PPRA, PGR, PCMAT, PCMSO, LTCAT ou PPP, quando exigíveis ou a incompatibilidade entre esses documentos, enseja a apuração por arbitramento da Contribuição adicional, com fundamento legal previsto no § 3' do artigo 33 da Lei n° 8.212/91 e artigo 233 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, cabendo à empresa o ônus da prova em Contrário. 2 O direito da Seguridade Social de apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído ou da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, a constituição de crédito anteriormente efetuada, nos termos do art. 45 da Lei n° 8.212/91. 3 A importância paga, devida ou creditada aos segurados empregados a título de abonos não expressamente desvinculados do salário, por força de lei, integra a base de cálculo das contribuições para todos os fins e efeitos, nos termos do artigo 28, I, da Lei no. 8.212/91, com a redação dada pela lei no. 9.528/97. 4 Integra a base de cálculo da contribuição previdenciária o abono de férias com concessão vinculada a fatores como eficiência, assiduidade, pontualidade, tempo de serviço e produção, estabelecido ou não em cláusula contratual ou convenção coletiva de trabalho, conforme art.28, 1 da Lei n° 8.212/91 e alterações posteriores. Fl. 45DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 01/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por MAUR O JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 LANÇAMENTO PROCEDENTE. 6. O contribuinte, inconformado com o decisum interpôs recurso voluntário, aduzindo, em síntese, o seguinte: a) decadência dos créditos exigidos anteriores a março de 2000; b) o indeferimento da prova pericial é causa para anulação do lançamento; c) no mérito, a ausência de natureza remuneratório para os abonos ‘ABONO EM ACORDO COLETIVO DE TRABALHO’ e RETORNO DE FÉRIAS, sendo que a incidência da contribuição sobre este último infringe o art. 144 da CLT; d) os abonos de férias concedidos em janeiro de 2001 e março de 2001 (resíduos) em decorrência da alteração da jornada de trabalho têm natureza indenizatória e não devem sofrer a incidência da contribuição social; e) contesta a desqualificação dos seus documentos ambientais. 7. As contrarazões do fisco pugnam pela manutenção da decisão recorrida. É o relatório.”(ff. 981983) 2. O julgamento foi convertido em diligência, conforme determinado pela Câmara (ff. 980985), nos termos que seguem: “4. No meu entender, não obstante o bom relatório fiscal trazido aos autos pelo auditor, a matéria é complexa e depende de uma análise pericial da realidade fática encontrada no interior de empresa. 5. Vale ressaltar que o lançamento ora realizado somente poderá ser validado quando restar plenamente comprovado que a empresa, pela respectiva atividade desenvolvida expõe seus empregados a riscos que ensejam a aposentadoria especial ou efetua precariamente o controle desses agentes, de tal sorte que efetivamente permaneçam expostas a tais riscos. [...] 7. Desta forma, considero o acima exposto e a natureza eminentemente técnica da controvérsia travada nos presentes autos e a necessidade de avaliação das condições ambientais do trabalho, tenho que o presente julgamento deve ser convertido em diligência. ”(f. 984) 3. Retornam os autos após o encaminhamento para cumprimento da diligência pela fiscalização. Na referida Resolução foram apresentados ao Fisco quesitos a serem respondidos, mediante a realização de visita ao local de trabalho, para nova apreciação do recurso voluntário. 4. Por reposta juntada as fls. 1001 a 1004 destes autos, o Fisco não procedeu a efetiva realização das diligências solicitadas, se limitando a reproduzir alguns argumentos constantes do relatório fiscal e aduzindo que todas as informações requeridas estariam constando dos autos. 5. Em seguida os autos vieram para nova apreciação deste Conselho. É o relatório. Fl. 46DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 01/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por MAUR O JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 36378.004044/200671 Acórdão n.º 2301002.777 S2C3T1 Fl. 5 7 Voto Vencido DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DECADÊNCIA 2. Preliminarmente, tendo em vista o período de apuração da exação objeto do presente recurso, se faz necessária a verificação da matéria relativa aos débitos atingidos pela decadência, nos termos do Código Tributário Nacional. 3. Sobre essa questão, cumpre dizer que o Supremo Tribunal Federal, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08: “Súmula Vinculante n° 08: São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. 4. Os efeitos da Súmula Vinculante estão previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentados pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.” 5. Ainda sobre o assunto, a Lei n° 11.417, de 19 de dezembro de 2006, dispõe o que segue: “Art. 2º O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1º O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais Fl. 47DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 01/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por MAUR O JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão.” 6. Assim, como demonstrado, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Dessa forma, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência, prevista no Código Tributário Nacional – CTN, se aplica ao caso concreto. 7. Acerca das regras de verificação da decadência do crédito tributário, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça está consolidada no seguinte sentido: “[...] 1. Está assentado na jurisprudência desta Corte que, nos casos em que não tiver havido o pagamento antecipado de tributo sujeito a lançamento por homologação, é de se aplicar o art. 173, inc. I, do Código Tributário Nacional (CTN). Isso porque a disciplina do art. 150, § 4º, do CTN estabelece a necessidade de antecipação do pagamento para fins de contagem do prazo decadencial. Precedente em recurso representativo de controvérsia (REsp 973733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 18.9.2009). [...] 3. Recurso especial parcialmente provido”. (REsp 1015907/RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe 10/09/2010) “[...] 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Fl. 48DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 01/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por MAUR O JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 36378.004044/200671 Acórdão n.º 2301002.777 S2C3T1 Fl. 6 9 Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008”. (REsp 973733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 18/09/2009). 8. Compulsando os autos, verificase que houve recolhimento parcial sobre os valores devidos em face da totalidade das folhas de salários da empresa, vez que consta no Relatório fiscal (ff. 46 a 72) que a fiscalização examinou a Folha de Pagamento, os Comprovantes de pagamento, e as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações da Previdência Social – GFIP (f. 70). 9. O recolhimento comprovado de parte das contribuições sociais previdenciárias, ainda que a incidência seja sobre as demais parcelas não lançadas, me leva ao convencimento de que deve prevalecer a regra trazida pelo artigo 150, §4º do CTN. 10. Considerando que a recorrente foi cientificada do lançamento fiscal em 18/3/2005 – referente às contribuições do período de 4/1999 a 4/2006 –, ficam alcançados pela decadência quinquenal os créditos tributários até 2/2000. Restando, entretanto, as competências de 3/2000 a 4/2006. 11. Assim, como ainda há débito remanescente, passo a examinar as demais questões recursais. DA CONTRIBUIÇÃO PARA A APOSENTADORIA ESPECIAL 12. Cuidase de autuação de contribuições para financiamento do benefício concedido em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, decorrente dos riscos ambientais do trabalho, e da aposentadoria especial. A decisão de primeira instância julgou procedente o lançamento. O contribuinte interpôs recurso voluntário, entre outros pontos, contestando a desqualificação dos seus documentos ambientais. O julgamento foi convertido em diligência pela Câmara para que houvesse a verificação da realidade fática da recorrente (ff. 980985). 13. No caso sob exame, constatase que a fiscalização deixou de responder adequadamente aos quesitos formulados na Resolução n. 20500.143 (ff. 980985). Fl. 49DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 01/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por MAUR O JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 10 14. Conforme relatado, o julgamento do recurso voluntário foi convertido em diligência, a fim de que a fiscalização avaliasse as condições ambientais de trabalho da recorrente. Em razão da complexidade da matéria, entendeuse que o relatório fiscal trazido aos autos pelo auditor não era suficiente para verificação da incidência do tributo, se fazendo necessária uma análise da realidade fática encontrada no interior da empresa. 15. A verificação in loco do ambiente em que os trabalhadores da recorrida exercem suas atividades é fundamental, uma vez que a exação só se sustenta se o Fisco verificar que, de fato, a atividade exercida pelos empregados da recorrente, diante da efetiva exposição dos empregados a agentes nocivos, enseja a concessão do beneficio da aposentadoria especial. 16. Neste ponto, o lançamento efetuado, qual seja as contribuições a cargo da empresa, para financiamento do beneficio previsto nos arts. 57 e 58 da Lei n.°8.213/91, só é válido se a autoridade fiscal demonstrar o pressuposto fático de incidência da contribuição para financiamento da aposentadoria especial. Somente com esta constatação é que estará configurado o aspecto material da regra de tributação. 17. No Voto da Resolução n. 20500.143, foi consignada a necessidade de averiguar as condições ensejadoras da exigência tributária nas instalações da recorrente: “6. No presente caso, a procedência do lançamento terá o condão, em verdade, de declarar e afirmar o direito à aposentadoria especial de todos os trabalhadores considerados expostos pela auditoria fiscal, de tal sorte que todo esse contingente de pessoas poderá apresentar requerimento junto às Agências da Previdência Social pleiteando o reconhecimento do tempo de contribuição para a aposentadoria especial. Tal consequência não se mostra em consonância com as mudanças feitas na legislação de aposentadoria especial, que, passou a exigir a efetiva exposição aos agentes nocivos para o deferimento dos benefícios. 7. Desta forma, considerando o acima exposto e a natureza eminentemente técnica da controvérsia travada nos presentes autos e a necessidade de avaliação das condições ambientais do trabalho, tenho que o presente julgamento deve ser convertido em diligência.” (f. 984). 18. A validade do lançamento ficou, portanto, condicionada a comprovação de que a empresa, pela atividade desenvolvida, expõe seus empregados a riscos que ensejam a aposentadoria especial ou efetua precariamente o controle de agentes nocivos, de tal forma que os empregados efetivamente permaneçam expostos a tais riscos. 19. Da análise da manifestação do Fisco de ff. 1001 a 1004, resta claro que, de fato, não foi feita a caracterização do fato gerador, as respostas aos quesitos apresentados por este Conselho em nada elucidaram a questão, uma vez que não se comprovou a exposição dos empregados aos riscos que ensejam a aposentadoria especial. 20. Tanto é verdade que, a autoridade reiterou os argumentos consignados no relatório fiscal, já juntado aos autos, e acrescentou que a complementação desse, conforme determinação do Conselho, demandaria grande quantidade de tempo. A fiscalização se recusou a realizar a diligência ordenada, não comparecendo à empresa, apenas se limitando a dizer, por exemplo, que ".... não possuindo mais comentários a acrescentar ao que já foi amplamente debatido anteriormente" (f. 1002). Fl. 50DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 01/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por MAUR O JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 36378.004044/200671 Acórdão n.º 2301002.777 S2C3T1 Fl. 7 11 21. A empresa traz algumas provas para fortalecer a tese de exposição controlada (total ou parcialmente) aos agentes nocivos no ambiente de trabalho, inclusive juntou aos autos declaração firmada por médico do INSS, que atesta que os empregados da recorrente não estavam sujeitos a agentes nocivos (ff. 782783). Em sentido oposto, a fiscalização deixou de cumprir com o dever de comprovação da exposição no meio ambiente de trabalho. A exação dos arts. 57 e 58 da Lei n.°8.213/91 depende da verificação da atividade desenvolvida, se essa expõe seus empregados a riscos ou efetua precariamente o controle dos agentes nocivos, o que dá ensejo a aposentadoria especial 22. A verificação é essencial, visto que a imposição de tributo somente ocorre na forma em que a norma assim o determinar. Urge ressaltar: o lançamento fiscal somente tem validade se o Fisco constatar que, de fato, há a efetiva exposição dos empregados aos agentes nocivos, obrigando, desse modo, a empresa ao pagamento de contribuições para financiamento da aposentadoria especial. 23. Ante a inexistência de provas e a demonstração pormenorizada do fato essencial à caracterização do fato gerador, dou provimento ao recurso para reformar a decisão recorrida e desconstituir o crédito lançado neste ponto. DA CONTRIBUIÇÃO DO SAT SOBRE OS ABONOS PREVISTOS EM ACORDO COLETIVO DE TRABALHO 24. Segundo relatório fiscal, o contribuinte deixou de recolher a contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (artigo 22, inciso II da Lei n° 8.212/91), apurado por arbitramento, nos termos do § 3°, do artigo 33 da Lei n° 8.212/91, incidente sobre as remunerações pagas ou creditadas pela empresa ao empregado segurado a título de “abono em acordo coletivo de trabalho”, “gratificação de retorno de férias” e “abono regime de trabalho”. 25. Não obstante o arrazoado fiscal, no sentido de manutenção da autuação, a legalidade da exação não se sustenta. A controvérsia principal cingese à natureza dos denominados abonos concedidos por força de acordo coletivo de trabalho, como parte não integrante do saláriocontribuição, resultando assim na impossibilidade de incidência da contribuição previdenciária. 26. A regra geral sobre a matéria ora em tela está consagrada na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), em seu artigo 457, §1º que afirma a natureza salarial do abono pago pelo empregador. Eis o teor do dispositivo: “Art. 457 [...] § 1º Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador.” [grifo nosso] 27. Diante da norma celetista, podese afirmar que abono integra o salário decontribuição, salvo disposição expressa em contrário. Isso porque milita a presunção da natureza salarial de todo abono, a menos que as regras que o instituíram estabeleçam de modo Fl. 51DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 01/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por MAUR O JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 12 diverso, como nos casos de abono pecuniário (art. 144 da CLT), abono constitucional de férias (art. 7º, inciso XVII, da CF/88) e o abono salarial (art. 9ª, da Lei 7.998/90). 28. Nesse sentido, vale destacar o ensinamento de Amauri Mascaro Nascimento que fez a seguinte ponderação: "No Brasil, todo abono é salário por força do disposto na Lei (CLT 457, § 1º), salvo disposição expressa em contrário. No silêncio da norma que o institui, aplicase a regra salarial da Consolidação das Leis do Trabalho. Assim, milita a presunção da natureza salarial de todo abono, a menos que as regras que o instituíram estabeleçam de outro modo, o que é possível, como ocorre com o abono de férias (CLT, art. 143) que é a conversão de parte das férias em dinheiro, considerado, pela lei, como não salarial quando não excedente a 1/3 de férias". (Teoria Jurídica do Salário, p. 231). [grifo nosso] 29. A legislação previdenciária, em seu artigo 28, §9º, alínea “e”, item 7, da Lei 8.212/91 traz algumas hipóteses em que se excepciona a natureza salarial do abono, qual seja os abonos expressamente desvinculados do salário, conforme citação a seguir: “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) e) as importâncias: (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 20.11.98)” [grifo nosso] 30. In casu, verificase que os abonos pagos pela recorrente se enquadram perfeitamente na hipótese de exclusão de tributação acima mencionada, visto que não está presente a habitualidade no pagamento dos abonos, uma vez que, além de os Acordos Coletivos terem vigência limitada, tais pagamentos se deram em uma única parcela, sem vinculação de antecipação salarial, ou seja, não houve caráter habitual, enquadrandose, perfeitamente, no art. 28, parágrafo 9 alínea "e", item 7 da Lei 8.212/91. 31. Outrossim, a natureza nãosalarial do “abono regime de trabalho” e o “abono retorno de férias” é evidente, por não corresponderem a contraprestação pelo trabalho do empregado e, da mesma forma, são pagos em única parcela, podendo ser suprimidos dos vencimentos do trabalhador, bastando para tanto que o acordo coletivo não seja renovado pelas partes quando de seu termo. 32. O pagamento foi realizado por força de Convenção Coletiva de Trabalho, cujas cláusulas estabeleceram as condições, critérios e parâmetros a serem obedecidos, sem que a empresa pudesse deixar de pagálo. Convém esclarecer que a Carta Política de 1988 inclui no rol dos direitos dos trabalhadores o reconhecimento do poder normativo das convenções e dos acordos coletivos. (art. 7º, inciso XXVI, da CF/88) 33. Desta forma, podese afirmar que o contrato é imperativo entre as partes, logo, diante da negociação firmada entre a entidade sindical e a empresa, não há se falar em alteração unilateral do contrato de trabalho por parte do Fisco. 34. Convém destacar que o instituto da Convenção Coletiva faz lei entre as partes conforme dispõe o magistério de Délio Maranhão, verbis: Fl. 52DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 01/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por MAUR O JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 36378.004044/200671 Acórdão n.º 2301002.777 S2C3T1 Fl. 8 13 "Convenção coletiva é a solução, por via de acordo, dos conflitos de interesses coletivos de grupo ou categorias, através do estabelecimento de normas e condições de trabalho reguladoras, durante o prazo de vigência das relações individuais entre os integrantes das categorias ou grupos convenentes. (...) As convenções com eficácia geral, isto é, cujas normas obrigam todos os integrantes das categorias representadas pelo sindicatos, sejam eles sindicalizados ou não, são as que, por não se ajustarem aos esquemas clássicos comum, suscitaram e suscitam controvérsias doutrinárias quanto à sua natureza jurídica".(...) (MARANHÃO, Délio. Direito do Trabalho, 17ªed., Ed. Fundação Getúlio Vargas, p. 330). 35. Nesse sentido, dando a interpretação legal do art. 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91, dispôs a ementa de julgado do Ministro Relator Castro Meira no Recurso Especial nº 1125381/SP: “TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ABONO ÚNICO. NÃOINTEGRAÇÃO AO SALÁRIO. 1. Segundo iterativa jurisprudência construída por esta Corte em torno do art. 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91, o abono único previsto em convenção coletiva não integra o saláriodecontribuição. Precedentes. 2. A Primeira Turma deste STJ entendeu que "considerando a disposição contida no art. 28, § 9º, 'e', item 7, da Lei 8.212/91, é possível concluir que o referido abono não integra a base de cálculo do salário de contribuição, já que o seu pagamento não é habitual observese que, na hipótese, a previsão de pagamento é única, o que revela a eventualidade da verba , e não tem vinculação ao salário" (REsp 819.552/BA, Min. Luiz Fux, rel. p. acórdão Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 02.04.2009). 2. Recurso especial não provido.” (REsp 1125381/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 15/04/2010, DJe 29/04/2010) 36. Na mesma linha de raciocínio o Ministro relator Luiz Fux externou seu entendimento no Recurso Especial nº 819.552, ponderando que o abono pago uma única vez conforme acordo realizado com sindicato não tem natureza salarial, visto que não representa contraprestação de serviços. Eis o disposto no informativo 389 do STJ: “ABONO ÚNICO. CONVENÇÃO COLETIVA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. FGTS. O abono em questão referese à convenção coletiva, não é habitual (seu pagamento é único) e não se vincula ao salário (deveria ser pago em valor fixo a todos os empregados, sem representar contraprestação por serviços, pois até os afastados do trabalho receberiam). Concluise, assim, não incidir sobre o referido abono a contribuição previdenciária (art. 28, § 9º, e, item 7, da Lei n. 8.212/1991) ou a contribuição ao FGTS (art. 15, § 6º, da Lei n. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 01/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por MAUR O JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 14 8.036/1990). Com esse entendimento, acolhido por maioria, a Turma, ao prosseguir o julgamento, deu provimento ao especial. REsp 819.552BA, Rel. originário Min. Luiz Fux, Rel. para acórdão Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 2/4/2009.” [grifo nosso] 37. Tomando por bases essas considerações, tenho por certo que o abono único concedido pelo empregador, por força de acordo coletivo, determinado pela própria categoria, não integra à remuneração, não compondo, assim, a base de cálculo do salário. 38. Ante ao exposto, uma vez ausente fato gerador da obrigação tributária, tornase insubsistente o lançamento fiscal em tela. DA MULTA APLICADA 39. Caso seja vencido, entendo pela aplicação da multa mais benéfica, como segue. 40. Cumpre ressaltar que, em respeito ao art. 106 do CTN, inciso II, alínea “c”, deve o Fisco perscrutar, na aplicação da multa, a existência de penalidade menos gravosa ao contribuinte. No caso em apreço, esse cotejo deve ser promovido em virtude das alterações trazidas pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que instituiu mudanças à penalidade cominada pela conduta da Recorrente à época dos fatos geradores. 41. Assim, identificando o Fisco benefício ao contribuinte na penalidade nova, essa deve retroagir em seus efeitos, conforme ocorre com a nova redação dada ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991 que assim dispõe: “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” 42. E o supracitado art. 61, da Lei nº 9.430/96, por sua vez, assevera que: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento.” 43. Confrontando a penalidade retratada na redação original do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a que ora dispõe o referido dispositivo legal, vêse que a primeira permitia que a multa atingisse o patamar de cem por cento, dado o estágio da cobrança do débito, ao passo que a nova limita a multa a vinte por cento. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 01/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por MAUR O JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 36378.004044/200671 Acórdão n.º 2301002.777 S2C3T1 Fl. 9 15 44. Sendo assim, diante da inafastável aplicação da alínea “c”, inciso II, art. 106, do CTN, concluise pela possibilidade de aplicação da multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, se for mais benéfica para o contribuinte. CONCLUSÃO 45. Dado o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, nos termos alinhavados acima. Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 55DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 01/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por MAUR O JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 16 Voto Vencedor Conselheira Bernadete de Oliveira Barros. Permitome divergir do entendimento do Conselheiro Relator, pelas razões a seguir expostas. Em relação à decadência, o Relator vota por aplicar a regra contida no art. 150, § 4o, do CTN. De fato, o STJ pacificou o entendimento de que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Contudo, no caso em tela, entendo que aplicase a regra contida no art. 173, I, do CTN, já que não houve recolhimento antecipado do adicional destinado ao financiamento das aposentadorias especiais previstas nos arts. 57 e 58 da Lei 8.213/91, uma vez que a empresa autuada não reconheceu a exposição dos segurados a seu serviço aos riscos ambientais do trabalho. Dessa forma, considerando que a cientificação do sujeito passivo se deu em 18/03/2005, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos lançados até a competência 11/1999, inclusive, uma vez que, para a 12/1999, o lançamento poderia ter sido lançado em 01/2000, iniciandose a contagem do prazo em 01/01/2001, que é o primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos temos do dispositivo legal citado acima. O Relator vota, no mérito, em dar provimento ao recurso, por entender que a autoridade lançadora não demonstrou a efetiva exposição dos trabalhadores a riscos ambientais de trabalho que ensejam a concessão da aposentadoria especial prevista nos arts. 57 e 58 da Lei 8.213/91. Sustenta que a verificação in loco do ambiente em que os trabalhadores da recorrida exercem suas atividades é fundamental, uma vez que a exação só se sustenta se o Fisco verificar que, de fato, a atividade exercida pelos empregados da recorrente, diante da efetiva exposição dos empregados a agentes nocivos, enseja a concessão do beneficio da aposentadoria especial. Todavia, entendo que a verificação das reais condições de trabalho por meio de vistorias e inspeções para busca da verdade material apenas poderia ajudar na avaliação do ambiente de trabalho na data de sua realização, mas não na avaliação do ambiente que existia em datas anteriores. Para os períodos pretéritos, como é o caso do lançamento em tela, a fiscalização dispõe apenas dos documentos que a empresa era obrigada a elaborar por determinação legal. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 01/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por MAUR O JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 36378.004044/200671 Acórdão n.º 2301002.777 S2C3T1 Fl. 10 17 Como o presente lançamento se refere ao período compreendido de 04/1999 a 04/2004, a auditoria não pode mais, por meio de vistoria e inspeção, verificar o eficaz gerenciamento dos riscos ambientais do trabalho, valendose para isso dos documentos apresentados pela empresa. Assim, o eficaz gerenciamento dos riscos do ambiente de trabalho é demonstrado por meio dos documentos previstos nas normas legais, que devem ser elaborados no período ou antes do período que se pretende gerenciar os riscos e os documentos previstos na legislação previdenciária e trabalhistas são elementos suficientes para o lançamento fiscal. O LTCAT Laudo Técnico de Condições Ambientais do Trabalho , por exemplo, é a declaração pericial emitida para evidenciação técnica das condições ambientais do trabalho e o PPRA visa à preservação da saúde e da integridade dos trabalhadores, por meio da antecipação, do reconhecimento, da avaliação e do conseqüente controle da ocorrência de riscos ambientais. Os documentos que a empresa é obrigada, por lei, a elaborar atestam se houve um gerenciamento adequado dos riscos, ou não. Os resultados dos exames, por exemplo, indicam se os equipamentos de proteção adotados pela empresa são eficazes e se eliminam ou reduzem os riscos existentes no ambiente. Em relação ao entendimento de que caberia ao fiscal provar a exposição dos trabalhadores aos agentes nocivos, cumpre observar que, de acordo com o art. 144, da IN 071/02, vigente à época da ocorrência do fato gerador, cabe à empresa demonstrar que gerencia adequadamente o ambiente de trabalho, eliminando e controlando os agentes nocivos à saúde e à integridade física dos trabalhadores e não à fiscalização. Art. 144. A empresa deverá demonstrar que gerencia adequadamente o ambiente de trabalho, eliminando e controlando os agentes nocivos à saúde e à integridade física dos trabalhadores, por intermédio de Programas de Gerenciamento de Riscos Ocupacionais, com base em documentação comprobatória, devidamente atualizada, conforme definido no Capítulo XXI da Instrução Normativa que dispõe sobre os procedimentos fiscais e o planejamento das atividades de arrecadação relativas às contribuições arrecadadas pelo INSS. Assim, reiterase, cabe à empresa demonstrar, por meio dos laudos técnicos emitidos, que gerencia adequadamente os riscos ambientais do trabalho. Ademais, a empresa é responsável pela eficiência das medidas adotadas para o controle de exposição ao risco de seus trabalhadores, devendo zelar pela sua eficácia, de acordo com os normativos legais. O § 1o, do art. 19, da Lei 8.213/91, dispõe que: Art. 19 (...) § 1º A empresa é responsável pela adoção e uso das medidas coletivas e individuais de proteção e segurança da saúde do trabalhador. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 01/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por MAUR O JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 18 Portanto, concluo que os documentos relacionados a riscos ambientais do trabalho que a empresa está obrigada, por lei, a elaborar, atestam se há exposição ou não de seus trabalhadores a agentes nocivos, ou se há a neutralização desses agentes de forma a afastar a obrigatoriedade do pagamento do adicional insalubridade ou do adicional destinado ao financiamento das aposentadorias especiais previstas nos arts. 57 e 58 da Lei 8.213/91. Nesse sentido, voto por dar provimento parcial ao recurso, para que se exclua, do valor do débito, por decadência, o valor lançado até a competência 11/1999, inclusive. É como voto. Declaração de Voto Conselheiro Adriano Gonzáles Silvério Partilho do entendimento do Relator no sentido de que não houve a produção de provas no sentido de comprovar a exposição dos segurados aos agentes nocivos no ambiente de trabalho, o que implicaria na aposentadoria especial. Caberia ao Fisco, diante da conversão do processo em diligência verificar in loco a efetiva exposição, de modo a atender na plenitude o artigo 142 do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. O mencionado dispositivo legal é enfático ao afirmar que compete à autoridade administrativa verificar a ocorrência do fato gerador, o que, como se vê, não ocorreu no caso concreto, ante o fato de não comparecer à empresa, apenas se limitando a reproduzir os elementos que haviam sido analisados quando da confecção do relatório fiscal. Nessa toada, a ausência da produção da prova conduz, ao meu ver, ao provimento do recurso, na medida em que, ao não demonstrar a ocorrência do fato gerador, o lançamento trilhou o caminho da presunção, cuja aplicação só pode se dar de forma excepcional, nos casos estritamente autorizados em lei, o que não poderia ocorrer no presente caso. Pelo exposto, voto no sentido de conhecer o recurso voluntário para, no mérito, darlhe provimento. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 01/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por MAUR O JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 36378.004044/200671 Acórdão n.º 2301002.777 S2C3T1 Fl. 11 19 Conselheiro Mauro José Silva, Apresento minhas considerações sobre os seguintes itens: nulidade da decisão de primeira instância, necessidade de diligência para analisar a conexão com outro processo e exclusão da multa de mora. Em nossa vista, observamos que foram emitidas duas DNs: uma em 12/2005 e outra em 09/2006, pois havia cerceamento de defesa na primeira, tendo em conta que houve diligência sem ciência ao interessado antes da primeira DN, fls. 914 e 822. Ocorre que o órgão julgador de primeira instância, após a emissão da primeira DN, não tinha mais competência para analisar o caso, pois esta já havia sido transferida para o órgão julgador de segunda instância, caso houvesse apresentação de Recurso Voluntário. E este foi apresentado logo após a emissão da prmeira DN. Assim, a segunda DN é nula por ter sido emitido por órgão incompetente, ao passo que a primeira DN é nula por ter ocorrido cerceamento de defesa. Logo, votamos por anular a primeira DN., fls. 822/837, e todos os atos que se seguiram. Processos conexos. Conceito. Necessidade de distribuição para a mesma Câmara e para o mesmo Relator. Prejuízo para as partes, segurança jurídica e princípio da eficiência. O Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF) determina que seja feita a distribuição dos processos conexos para a mesma Câmara (art. 47, caput) e para o mesmo Relator (art. 49, § 7º). Vejamos o teor dos dispositivos: Art. 47. Os processos serão distribuídos aleatoriamente às Câmaras para sorteio, juntamente com os processos conexos e, preferencialmente, organizados em lotes por matéria ou concentração temática, observandose a competência e a tramitação prevista no art. 46. (...) Art. 49. Os processos recebidos pelas Câmaras serão sorteados aos conselheiros. (...) § 7° Os processos que retornarem de diligência, os com embargos de declaração opostos e os conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos, em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão Fl. 59DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 01/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por MAUR O JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 20 apreciados pela turma de origem, com designação de relator ad hoc. (...) O desafio para a interpretação de tais dispositivos é estabelecer em que situações ocorre a conexão entre processos. Para enfrentálo, buscamos a disciplina existente no Processo Civil. No Código Processual temos os arts. 103 a 106 que tratam da matéria: Art. 103. Reputamse conexas duas ou mais ações, quando lhes for comum o objeto ou a causa de pedir. Art. 104. Dáse a continência entre duas ou mais ações sempre que há identidade quanto às partes e à causa de pedir, mas o objeto de uma, por ser mais amplo, abrange o das outras. Art. 105. Havendo conexão ou continência, o juiz, de ofício ou a requerimento de qualquer das partes, pode ordenar a reunião de ações propostas em separado, a fim de que sejam decididas simultaneamente. Art. 106. Correndo em separado ações conexas perante juízes que têm a mesma competência territorial, considerase prevento aquele que despachou em primeiro lugar. O art. 103 do CPC, acima transcrito, exige, portanto, que haja objeto comum ou causa de pedir comum entre duas ou mais ações para que lhes seja reconhecida a conexidade. Tomando a lição de Cândido Rangel Dinamarco, assumimos que objeto do processo consiste no pedido formulado pelo demandante (Cf. DINAMARCO, Cândido Rangel. Instituições de direito processual civil. Vol. II. 2ª ed. revista e atualizada. São Paulo: Malheiros, 2002, p. 184). A causa de pedir, segundo o mesmo autor, é a descrição dos fatos caracterizadores da crise jurídica lamentada( op. cit., p. 126). Em resumo, portanto, há conexão quando há um pedido comum ou os fatos narrados são comuns a dois processos. Ou, nas palavras de Cândido Rangel Dinamarco: ”ocorre conexidade quando duas ou várias demandas tiverem por objeto o mesmo bem da vida ou forem fundadas no contexto de fatos”(op. cit., p. 149) No caso do processo administrativo fiscal, as situações mais comuns de conexão advirão da identidade de fatos narrados. Em situações nas quais determinados fatos dão ensejo a lançamento para cobrança da obrigação principal e penalidade por descumprimento de obrigação acessória teremos nítida conexão. Outro exemplo comum diz respeito a fatos que estão capturados na hipótese de incidência de mais de um tributo. Caso do IRPJ e da CSLL, por exemplo. A jurisprudência deste Colegiado já acolheu em diversos julgados a existência de conexão em situações similares a essas. Vejamos: Acórdão nº 20401549 do Processo 13364000073200375 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 01/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por MAUR O JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 36378.004044/200671 Acórdão n.º 2301002.777 S2C3T1 Fl. 12 21 Data 27/07/2006 Ementa PIS. COMPETÊNCIA DO 1º CONSELHO DE CONTRIBUINTES. Quando lastreada, no todo ou em parte, em fatos cuja apuração serviu para determinar a prática de infração à legislação pertinente à tributação de pessoa jurídica, a competência para julgamento do recurso do PIS conexo será do Primeiro Conselho de Contribuintes. Acórdão nº 20401655 do Processo 13603002864200370 Data 22/08/2006 Ementa NORMAS PROCESSUAIS. Havendo matéria idêntica a ser decidida em processos conexos de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, a responsabilidade pelo crédito tributário sob exação, mesmo que estes últimos decorram de lançamento isolado, oriundas de mesma base fática e decorrentes de mesma verificação fiscal, a competência para análise e julgamento dos mesmos é de mesmo órgão julgador do Primeiro Conselho de Contribuintes. Recurso não conhecido. Acórdão nº 20212088 do Processo 138080049149630 Data 09/05/2000 Ementa NORMAS PROCESSUAIS CONEXÃO PROCESSUAL DECORRÊNCIA: O exame da exigência principal e da acessória, quando processadas em autos distintos, deve observar os efeitos da prevenção a fim de evitar decisões contraditórias em processos nitidamente conexos, cabendo à exigência acessória o mesmo destino da exigência principal, em face da inquestionável relação de causa e efeito que as entrelaça. Recurso provido. o Acórdão nº 20500720 do Processo 37284007953200410 Data 04/06/2008 Ementa Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias. Período de apuração: 01/09/1999 a 30/09/200. Ementa(...) AUTO DE INFRAÇÃO CONEXO À NFLD. Sendo o descumprimento de obrigação acessória conexo a matéria tratada em Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, deve seguir a decisão emanada para aquela. Processo Anulado Acórdão nº 10708449 do Processo 16327000591200242 Data 22/02/2006 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 01/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por MAUR O JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 22 Ementa MULTA ISOLADA Considerada não cabível a exigência do próprio Imposto de Renda Pessoa Jurídica, formalizada em processo conexo, incabível a aplicação da multa isolada, por falta de recolhimento do IRPJ, sobre base de cálculo estimada, referente ao mesmo períodobase de apuração. Recurso provido. Acórdão nº 10808585 do Processo 10680000555200435 Data 10/11/2005 Ementa IRPJ e CSL DEDUÇÕES DE OFÍCIO PIS E COFINS JUROS DE MORA Deve se admitir a dedução, das bases tributáveis do IRPJ e da CSL, dos valores do PIS e da COFINS lançados de ofício, assim como dos juros de mora sobre eles incidentes até o encerramento do período de apuração dos tributos, de forma a se adequar o lançamento de ofício ao valor que efetivamente influiu na apuração do lucro líquido. ADESÃO AO PAES Não logrando o contribuinte correlacionar os débitos informados no PAES com os valores autuados não há como se exonerar os valores pleiteados. LANÇAMENTOS CONEXOS PIS E COFINS Os efeitos do decidido no lançamento principal do IRPJ, se estendem, por decorrência aos processos conexos. Da leitura dos julgados acima podemos observar que a identidade de causa de pedir, de fatos narrados, não precisa ser completa, podendo ser parcial. Identificada as situações ensejadoras da conexidade, restanos identificar as conseqüências processuais daí advindas . Ocorrendo a conexão, o CPC determina a distribuição por dependência: Art. 253. Distribuirseão por dependência as causas de qualquer natureza: (Redação dada pela Lei nº 10.358, de 2001) I quando se relacionarem, por conexão ou continência, com outra já ajuizada; (Redação dada pela Lei nº 10.358, de 2001) (...) De modo similar, o RICARF, como já ressaltamos, determina a distribuição por dependência para a Câmara e para o Relator. Mas deveria tal distribuição por dependência ocorrer em todos os casos? Ou haveria casos nos quais esta seria dispensável? A doutrina de Cândido Rangel Dinamarco (op. cit., p. 151) aponta a utilidade como critério suficiente para impor a reunião dos processos. Tal utilidade está presente naquelas situações nas quais as providências a tomar (reunião de processos) sejam aptas a proporcionar a harmonia de julgados ou a convicção única do julgador em relação a duas ou mais demandas. Ainda que a identidade dos fatos seja parcial, a utilidade da providência de reunião dos processos se justifica. De modo similar ao que acontece no processo civil, no processo administrativo a reunião dos processos tem por objetivo evitar a contradição de julgados e está sujeita à avaliação do julgador de sua utilidade. Ressaltamos que a utilidade não Fl. 62DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 01/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por MAUR O JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 36378.004044/200671 Acórdão n.º 2301002.777 S2C3T1 Fl. 13 23 se esgota na possibilidade ou não de decisões contraditórias, mas diz respeito também ao interesse das partes. Assim, se nos autos não constam todos os elementos que permitem a compreensão da crise jurídica a ser sanada, permitindo que seja prejudicado o fisco na sua pretensão de cobrança do crédito tributário ou o contribuinte na sua ampla defesa, há utilidade na indicação de reunião dos processos. Nesses casos, diante do eminente prejuízo para uma das partes, a reunião dos processos é obrigatória, sob pena de nulidade do decisum que a desconsiderar. Situação diversa temos quando não há prejuízo possível para quaisquer das partes advindo diretamente do trâmite separado dos processos, mas subsiste a possibilidade de decisões contraditórias. Nesses casos, a reunião dos processos para julgamento simultâneo é providência que tem óbvio apelo para a segurança jurídica, na medida em que assegura que não haverá decisões contraditórias. A mesma situação contribui para a concretização da eficiência que está consagrada no art. 37 como princípio da administração pública, pois evita que as análises sejam totalmente refeitas por relatores distintos. Porém, nessa situação, caso não tenha ocorrido a reunião dos processos não haveria nulidade processual a ser declarada. No caso em análise, observamos que há informação fiscal alegando que o que dói solicitado na diligência foi juntado em outro processo. Ademais, existe relato de ação ordinária relacionada ao outro processo, o que suscita a dúvida se seria somente relacionada ao outro ou a ao presente processo também. Há uma lista de processos que deveriam ser analisados quanto à conexão: 36378.004047/200613, 37172.000235/200633, 37172.000288/200631, 37172.000233/2006 44, 37172.000231/200655 e 37172.000232/200608. Por conta disso, votamos por converter o julgamento de modo a determinar que seja analisada a conexão entre o presente processo e outros relacionados acima, efetuando a redistribuição de ambos para o relator que primeiro foi sorteado. Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. Antes da MP 449, se a fiscalização das contribuições previdenciárias constatasse o não pagamento de contribuições, sejam aquelas já declaradas em GFIP, omitidas da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o inciso II do art. 35 da Lei 8.212/91. Além disso, a fiscalização lançava as multas dos §§4º, 5º e 6º do art. 32 por incorreções ou omissões na GFIP. O §4º tratava da não apresentação da GFIP, o §5º da apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores e o §6º referiase a apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32A da Lei 8.212/91 que trata da falta de apresentação da GFIP, bem como trata da apresentação com omissões ou incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 Fl. 63DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 01/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por MAUR O JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 24 para os casos de lançamento de ofício. Interessanos o inciso I do referido dispositivo no qual temos a multa de 75% sobre a totalidade do imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Tais inovações legislativas associadas ao fato de a fiscalização realizar lançamento que abrangem os últimos cinco anos e de existirem lançamentos pendentes de definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocamnos diante de duas situações: · Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta; · Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Vamos analisar individualmente cada uma das situações. Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta, o procedimento de ofício está previsto no art. 35A da Lei 8.212/91, o que resulta na aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 e na impossibilidade de aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91. Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio tributo, lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225% nas hipóteses de falta de recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. A falta de recolhimento é uma hipótese nova de infração que, portanto, só pode atingir os fatos geradores posteriores a MP 449. Por outro lado, com relação às contribuições previdenciárias, a falta de declaração e a declaração inexata referemse a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões. É certo que, a princípio, podemos vislumbrar duas normas punitivas para a não apresentação e a apresentação inexata da GFIP relacionada a fatos geradores de contribuições: o art. 32A da Lei 8.212/91 e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Tendo em conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar. Numa primeira análise, vislumbramos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 seria aplicável para os casos relacionados à existência de diferença de contribuição ao passo que o art. 32A da Lei 8.212/91 seria aplicável aos casos nos quais não houvesse diferença de contribuição. No entanto, tal conclusão não se sustenta se analisarmos mais detidamente o conteúdo do art. 32A da Lei 8.212/91. No inciso II, temos a previsão da multa de “de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou Fl. 64DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 01/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por MAUR O JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 36378.004044/200671 Acórdão n.º 2301002.777 S2C3T1 Fl. 14 25 entrega após o prazo, (...)”. Claramente, o dispositivo em destaque estipula a multa aplicável quando houver contribuições apuradas, recolhidas ou não, nos casos nos quais a GFIP não for apresentada ou for apresentada fora de prazo. Logo, podemos concluir que tal inciso aplicase também àquelas situações em que há apuração de diferença de contribuição. Confirmando tal conclusão, temos o inciso II do §3º do mesmo artigo que estipula a multa mínima aplicável nos casos de omissão de declaração com ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Portanto, diversamente do que preliminarmente concluímos, tanto o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 quanto o art. 32A da Lei 8.212/91 são aplicáveis aos casos de falta de declaração ou declaração inexata de GFIP quando for apurada diferença de contribuição em procedimento de ofício. Temos, então, configurado um aparente conflito de normas que demanda a aplicação das noções da teoria geral do Direito para sua solução. Três critérios são normalmente levados em conta para a solução de tais antinomias: critério cronológico, critério da especialidade e critério hierárquico. O critério cronológico (norma posterior prevalece sobre norma anterior) não nos ajuda no presente caso, uma vez que a determinação de aplicarmos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e a inclusão do art. 32A da Lei 8.212/91 foram veiculados pela mesma Lei 11.941/2009. O critério hierárquico também não soluciona a antinomia, posto que são normas de igual hierarquia. Restanos o critério da especialidade. Observamos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/86 referese, de maneira genérica, a uma falta de declaração ou declaração inexata, sem especificar qual seria a declaração. Diversamente, o art. 32A faz menção específica em seu caput à GFIP no trecho em que diz “o contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei(...)”. Logo, consideramos que no conflito entre o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e o art. 32A da Lei 8.212/91, este último é norma específica no tocante à GFIP e, seguindo o critério da especialidade, deve ter reconhecida a prevalência de sua força vinculante. Em adição, a aplicação do art. 32A da Lei 8.212/91 pode ser justificada pelo nítido caráter indutor que a penalidade do art. 32A assume, facilitando , no futuro, o cálculo do benefício previdenciário. Pretende a norma do art. 32A estimular a apresentação da GFIP na medida em que a penalidade é reduzida à metade se a declaração for apresentada antes de qualquer procedimento de ofício (§2º, inciso I); ou reduzida a 75% se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação(§2º, inciso II). Esse estímulo pode ser compreendido em benefício do trabalhador na medida em que as informações da GFIP servirão como prova a favor deste no cálculo da benefício previdenciário, tendo em conta que, segundo o §3º do art. 29 da Lei 8.213/91, “serão considerados para cálculo do saláriodebenefício os ganhos habituais do segurado empregado, a qualquer título, sob forma de moeda corrente ou de utilidades, sobre os quais tenha incidido contribuições previdenciárias, exceto o décimo terceiro salário (gratificação natalina).” Se o cálculo do saláriodebenefício considerará a base de cálculo das contribuições, certamente a GFIP é um importante meio de prova dos valores sobre os quais incidiram as contribuições. Se aplicássemos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96, não haveria qualquer mecanismo de estímulo ao empregador para apresentar a GFIP. Iniciado o procedimento de ofício, seria aplicada, no mínimo, a multa de 75% sobre a diferença Fl. 65DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 01/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por MAUR O JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 26 das contribuições sem que a apresentação da GFIP pudesse alterar tal valor. O empregador poderia simplesmente pagar a multa e continuar omisso em relação à GFIP, deixando o empregado sem este importante meio de prova para o cálculo do benefício de aposentadoria. Assim, a hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário reforça a necessidade de prevalência do art. 32A. Portanto, seja pela aplicação do critério da especialidade ou pela hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário, temos justificada a aplicação do art. 32A no caso de omissão na apresentação da GFIP ou apresentação desta com informações inexatas. Acrescentamos que não há no regime jurídico do procedimento de ofício previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de ter ocorrido atraso no recolhimento. Tratase de infração – o atraso no recolhimento que deixou de ser punida por meio de procedimento de ofício. Outra infração similar, mas não idêntica, foi eleita pela lei: a falta de recolhimento. Podemos assim resumir o regime jurídico das multas a partir de 12/2008: · A multa de mora, se aplicada, deve ser afastada; · A multa de ofício de 75% é aplicada pela falta de recolhimento da contribuição, podendo ser majorada para 150% em conformidade com o §1º do art. 44 das Lei 9.430/96, ou seja, nos casos em que existam provas de atuação dolosa de sonegação, fraude ou conluio. A majoração poderá atingir 225% no caso de não atendimento de intimação no prazo marcado, conforme §2º do art. 44 da Lei 9.430/96; · A multa pela falta de apresentação da GFIP ou apresentação deficiente desta é aquela prevista no art. 32A da Lei 8.212/91. Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previsto pela MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP. Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Com base nesse novo regime jurídico vamos determinar a penalidade aplicável à outra situação, ou seja, para os casos de lançamento relacionado aos fatos geradores anteriores à edição da MP porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com o art. : Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os Fl. 66DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 01/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por MAUR O JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 36378.004044/200671 Acórdão n.º 2301002.777 S2C3T1 Fl. 15 27 poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração. Para os lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, de plano devemos afastar a incidência da multa de mora, pois a novo regime jurídico do lançamento de ofício deixou de punir a infração por atraso no recolhimento. O novo regime pune a falta de recolhimento que, apesar de similar, não pode ser tomada como idêntica ao atraso. O atraso é graduado no tempo, ao passo que a falta de recolhimento é infração instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de 12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício. Nossa conclusão de afastar a multa de mora pode também ser amparada no princípio da isonomia. Vejamos um exemplo. Duas empresas, A e B, atuam no mesmo ramo, tem a mesma estrutura de pessoal e de remuneração, bem como utilizam o mesmo escritório contábil para tratar de sua vida fiscal. A empresa A foi fiscalizada em 2007 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, a multa de mora e a multa por incorreções na GFIP prevista no art. 32, §5º da Lei 8.212/91. Quando do julgamento de seu processo, considerando o novo regime de multas segundo nossa interpretação, o órgão julgador manteve Fl. 67DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 01/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por MAUR O JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 28 o lançamento, mas determinou que a multa relacionada à GFIP fosse comparada com a multa do 32A da Lei 8.212/91. A empresa B foi fiscalizada em 2009 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, sem aplicação de multa de mora, e a multa pela declaração inexata da GFIP com base no art. 32A da Lei 8.212/91 ou com base no art. 32, §5º da Lei 8.212/91, o que lhe for mais favorável. Facilmente pode ser notado que a empresa B responde por crédito tributário menor que a empresa A, pois não foi aplicada a multa de mora. Somente com a aplicação do art. 106, inciso II, alínea “a” do CTN para afastar a multa de mora no caso da empresa A é que teremos restaurada a situação de igualdade entre as empresas A e B. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime – aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP – e o regime vigente à data do fato gerador – aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c”. Tal procedimento aplicase, inclusive, para a multa de ofício aplicada com fundamento no art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 motivada por falta de declaração ou declaração inexata. Passamos a resumir nossa posição sobre o regime jurídico de aplicação das multas para fatos geradores até 11/2008: · A multa de mora, se aplicada, deve ser afastada; · As multas por infrações relacionadas a GFIP (falta de apresentação ou apresentação deficiente), previstas nos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, devem ser comparadas com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, devendo prevalecer aquela que for mais benéfica ao contribuinte. Tal posição é aplicável inclusive para situações nas quais a fiscalização tenha feito sua análise de retroatividade benéfica, com a qual não concordamos, e aplicado a multa de 75% do art. 44 da Lei 9.430/96. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Fl. 68DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 01/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por MAUR O JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 10680.014278/2004-48
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2000, 2001
Embargos de Declaração. Omissão do Acórdão Recorrido.
Devem ser conhecidos os embargos de declaração que apontam, no acórdão embargado, omissão de ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma julgadora.
Multa Isolada. Estimativas Mensais. Falta de Declaração em DCTF/Pagamento
Nos casos de lançamento de ofício, deve ser aplicada a multa de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor da estimativa mensal de IRPJ e de CSLL que deixou de ser declarada (DCTF)/paga, nos termos do que dispõe a Lei n º 9.430, de 1996, art. 44, II b
Numero da decisão: 1801-001.237
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos declaratórios interpostos pela recorrente, para pronunciar-se sobre omissão no Acórdão nº1801-00.047, de 28/07/2009, retificando-o no concernente à multa isolada concomitante com a multa de ofício e reduzir a alíquota cominada à multa isolada (75%) para 50%, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
______________________________________
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
______________________________________
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2000, 2001 Embargos de Declaração. Omissão do Acórdão Recorrido. Devem ser conhecidos os embargos de declaração que apontam, no acórdão embargado, omissão de ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma julgadora. Multa Isolada. Estimativas Mensais. Falta de Declaração em DCTF/Pagamento Nos casos de lançamento de ofício, deve ser aplicada a multa de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor da estimativa mensal de IRPJ e de CSLL que deixou de ser declarada (DCTF)/paga, nos termos do que dispõe a Lei n º 9.430, de 1996, art. 44, II b
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000, 2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. Devem ser conhecidos os embargos de declaração que apontam, no acórdão embargado, omissão de ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma julgadora. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS MENSAIS. FALTA DE DECLARAÇÃO EM DCTF/PAGAMENTO Nos casos de lançamento de ofício, deve ser aplicada a multa de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor da estimativa mensal de IRPJ e de CSLL que deixou de ser declarada (DCTF)/paga, nos termos do que dispõe a Lei n º 9.430, de 1996, art. 44, II “b” Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos declaratórios interpostos pela recorrente, para pronunciarse sobre omissão no Acórdão nº180100.047, de 28/07/2009, retificandoo no concernente à multa isolada concomitante com a multa de ofício e reduzir a alíquota cominada à multa isolada (75%) para 50%, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) ______________________________________ AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 42 78 /2 00 4- 48 Fl. 273DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/11/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.014278/200448 Acórdão n.º 1801001.237 S1TE01 Fl. 3 2 Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto e Ana de Barros Fernandes. Relatório Cuidase de embargos de declaração interpostos contra acórdão n º 1801 00.047, de 28/07/2009, da 1a. Turma Especial da 3a. Câmara da 1a. Seção do CARF que, por maioria de votos, negou provimento ao recurso voluntário apresentado pela interessada. Relatório, conforme extraído do acórdão embargado: Com a finalidade de privilegiar o principio da celeridade processual adoto o relatório proferido pela 3" Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belo Horizonte MG: “O auto de infração a folhas 3 a 6 exige isoladamente o recolhimento de multa no valor de R$ 47.525,07. A DESCRIÇÃO DAS INFRAÇÕES IMPUTADAS A autuante atribui à autuada uma só infração, sintetizada adiante segundo o que consta no lançamento e no termo de verificação fiscal a folhas 7 a 8. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE BASE DE CALCULO ESTIMADA A autuada, nos anoscalendários de 2000 a 2001, adotou como base de cálculo do IRPJ o lucro real anual. Conseqüentemente estava obrigada ao recolhimento mensal do IRPJ apurado com base de cálculo estimada. Houve levantamento de balanço ou balancete de suspensão ou redução cm todos os meses daqueles anoscalendários, nos quais não foram computadas as omissões de receitas apuradas em ação fiscal, embora tais valores demonstrados nos quadros demonstrativos anexos ao termo de verificação fiscal integrem a receita bruta na apuração mensal das antecipações obrigatórias. A fiscalização os adicionou e apurou que não foram recolhidos nem declarados em DCTF, a titulo de antecipação obrigatória de IRPJ, diferenças relativas aos meses de novembro e dezembro de 2000, e de janeiro e fevereiro de 2001. Nos demais meses, ainda que adicionadas as omissões de receita, não .foi apurado importância a recolher. Sobre as diferenças não recolhidas de antecipações obrigatórias, calculouse a multa isolada de 75%, nos termos dos artigos 43 e 44, inciso I, § 1o., da Lei n º 9.430, de 1996. Enquadramento legal: artigos 222, 843 e 957 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n°3.000, de 26 de março de 1999 (RIR 1999). B IMPUGNAÇÃO DO LANÇAMENTO Fl. 274DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/11/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.014278/200448 Acórdão n.º 1801001.237 S1TE01 Fl. 4 3 Notificada do lançamento em 25 de novembro de 2004, em 23 de dezembro de 2004 a autuada apresentou a impugnação juntada a folhas 44 a 49. Resumem o seu conteúdo os enunciados seguintes. • Na mesma ocasião em que foi lavrado o lançamento presente, lavrouse outro, em que se imputa omissão do registro de compras e cujo crédito tributário montou a R$ 138.781,42, valor no qual se inclui a multa proporcional de R$ 43.756,99. Portanto, em conseqüência duma mesma infração foram aplicadas duas multas, uma isolada e outra proporcional, esta última calculada sobre a diferença de imposto apurada ao final do período. Tal procedimento não tem base legal. • Ao interpretar sistematicamente os diversos incisos do parágrafo 1o. do artigo 44 da Lei n º 9.430, de 1996, concluise que a multa isolada somente se aplica aos casos em que não há a cobrança, em lançamento de oficio, do imposto devido na declaração anual. • Logo, no caso em discussão, só é cabível a multa prevista no inciso I, § 1o., do artigo 44 da Lei n º 9.430, de 1996. O lançamento concomitante da multa isolada constitui evidente bis in idem. • Transcrevemse os artigos 70 e 71 do Código Penal, para concluir que o direito positivo brasileiro não aceita a aplicação de mais de uma pena para uma só infração. • A jurisprudência do Conselho de Contribuintes também já repudiou esse procedimento. Em abono da afirmação citase a ementa de três acórdãos atribuídos àquele órgão. • Não havendo base legal para a aplicação d a multa isolada juntamente com a multa proporcional, deve ser cancelado o auto de infração, que é o que se pede”. Ao analisar a Impugnação do Recorrente, a 3a. Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belo Horizonte MG, decidiu por manter integralmente as exigências fiscais. Inconformada com a decisão acima, o Recorrente, interpôs recurso voluntário (fls. 67 a 72), alegando que a exação fiscal decorre de omissão de receitas calculadas com base na não contabilização de pagamento a fornecedores, sendo que o fato gerador do imposto é a receita de venda e não compras. O ônus da prova nesse caso, no tocante a omissão de receitas, é da fiscalização. No acórdão embargado consignouse que a autuação se deu em virtude da falta de contabilização de pagamentos efetuados a fornecedores. Nessas condições, o pagamento não contabilizado levaria à supor que a recorrente teria quitado suas dividas com recursos não contabilizados, presumindose a omissão de receitas, tudo apurado em notas fiscais de compras quitadas, mas cujos pagamentos não teriam sido contabilizados. A recorrente não teria apresentado documentos para descaracterizar a omissão de receitas, razão pela qual, neste ponto o lançamento foi mantido por unanimidade de votos. De outro giro, a maioria da turma julgadora negou provimento ao recurso voluntário, pois não houve unanimidade em relação à manutenção da multa isolada. Notificada da decisão, em 09/05/2012, apresentou a interessada, em 14/05/2012 os presentes embargos de declaração ao fundamento de que teria havido omissão no acórdão embargado sobre ponto a respeito do qual deveria terse pronunciado a turma. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/11/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.014278/200448 Acórdão n.º 1801001.237 S1TE01 Fl. 5 4 Nesse contexto alegou que argüira, no recurso voluntário, que "descabem as exigências das multas isoladas por falta de recolhimento das antecipações (estimativas). Ademais, a mesma infração foi apenada duas vezes...". Apesar disso, o acórdão embargado não enfrentou a questão. Com isso, são cabíveis os presentes embargos de declaração”. Alegou, ainda, que a CSRF do CARF já decidira pela inadmissibilidade de aplicação concomitante de multa isolada e multa por lançamento de ofício sobre um mesmo fato por caracterizar bis in idem. Pugnou pelo acolhimento dos embargos, provimento do recurso voluntário e cancelamento da multa isolada exigida. Fez sustentação oral em plenário, pela recorrente, o Dr. Daniel Barros Guazzelli, OAB/MG nº. 73.478. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. PRELIMINARMENTE 1 Cabimento dos Embargos Os embargos são procedentes. A Portaria MF no. 256, de 2009, que aprovou o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, com as alterações introduzidas pela Portaria MF no. 586, de 2010, assim dispõe nos artigos 64 e 65: Art. 64. Contra as decisões proferidas pelos colegiados do CARF são cabíveis os seguintes recursos: I Embargos de Declaração; e [...] Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. (destaques acrescidos) Com efeito, numa primeira leitura das razões de defesa expostas no recurso voluntário apresentado em 31/05/2006, contra a decisão da Turma Julgadora de 1a. instância da DRJ em Belo Horizonte/MG, temse a impressão de que a recorrente se defendeu apenas Fl. 276DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/11/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.014278/200448 Acórdão n.º 1801001.237 S1TE01 Fl. 6 5 contra a caracterização de omissão de receitas. Entretanto, no final da peça, a recorrente discordou, também, da aplicação de dupla penalidade. Vejamos: Ora, se improcedente a matéria tributada no lançamento principal, porque houve insuficiência de investigação e afronta ao principio da estrita legalidade, da mesma forma descabem as exigências das multas isoladas por falta de recolhimento das antecipações (estimativas). Ademais, a mesma infração foi apenada duas vezes (na falta de recolhimento mensal e na apuração final quando do encerramento do exercício). Em face das razões expostas, suplicamos que este Ilustre Conselho de Contribuintes declare a ilegalidade da exação, cancelando a exigência e mandando arquivar o processo. (destaques acrescidos) No aditamento às razões recursais, protocolizado em 01/09/2009, a recorrente pleiteou pela juntada de cópia do acórdão 10516.564 que analisou e julgou improcedente a exigência concomitante, sobre uma mesma base, de multa no lançamento do tributo mais multa isolada por falta de recolhimento de antecipação, após o encerramento do período de apuração. Na parte dispositiva do acórdão n º 180100.047, de 28/07/2009, da 1a. Turma Especial da 3a. Câmara da 1a. Seção do CARF, que apreciou o recurso voluntário constou, constou que ACORDAM os membros da 1a. Câmara/1a. Turma Especial da primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO: I) Por unanimidade de votos, manter a exigência fiscal devida pela omissão de receitas; II) Por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Marcos Vinícius de Barros Ottoni, que dava provimento parcial para adequar o lançamento da multa isolada até o montante devido anual do tributo/cancelar, no caso de saldo negativo anual, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Em que pese terse pronunciado sobre a questão na parte dispositiva o acórdão embargado não apreciou a questão no corpo do voto. Verificase, assim, a omissão de ponto sobre o qual deveria terse pronunciado a turma, razão pela qual os embargos interpostos devem ser acolhidos. MÉRITO No mérito cumpre validar todos os fundamentos de decidir adotados pelo relator do voto proferido no Acórdão n º 180100.047 e acolhido em sessão de julgamento realizada em 28/07/2009 no tocante à caracterização de omissão de receitas e a procedência da imposição da multa isolada. Necessário, entretanto, esclarecer a omissão da justificativa da penalidade e sua concomitância com a imposição da multa no lançamento do tributo. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/11/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.014278/200448 Acórdão n.º 1801001.237 S1TE01 Fl. 7 6 A exigência de multa isolada pela falta ou insuficiência de recolhimentos estimados visa punir a conduta do contribuinte que abandona a regra geral de tributação, que é o lucro real trimestral, sem cumprir o requisito para o ingresso na sistemática das estimativas mensais antecipatórias dever instrumental. Tal penalidade não se confunde com a multa aplicável sobre o montante devido de imposto ou contribuição apurado ao final do período de apuração, pois esta última visa punir a absoluta falta de pagamento de tributo, obrigação principal. Como se verifica as hipóteses de incidência são distintas, o que torna os ilícitos distintos e inconfundíveis. Ambas as penalidades a multa exigível no caso de falta de pagamento sobre a CSLL ou IRPJ apurados e devidos ao final do período de apuração e a multa isolada por falta ou insuficiência de recolhimento de estimativas são aplicáveis por se tratarem, ambas as situações, de infrações diversas, com hipóteses de incidência distintas: (i) no caso da multa de ofício exigida juntamente com o tributo ou a contribuição não pagos, o fato ilícito que sustenta a imputação é a falta de pagamento e a falta de declaração ou declaração inexata do tributo ou contribuição devidos ao final do período de apuração anual; (ii) no que diz respeito à multa isolada, a ilicitude decorre da falta de recolhimento das estimativas mensalmente devidas no curso do anocalendário. Extraio tal entendimento da própria Lei 9.430/96, cujo artigo 44, base legal do artigo 957 do RIR/99 transcrevo, em sua redação original: Lei nº. 9.430, de 26 de dezembro de 1996: Redação Original Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição. I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; ... "§ 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: ... IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; A Lei nº. 11.488, de 15 de junho de 2007 deu nova redação ao artigo 44 acima transcrito: Redação Modificada Fl. 278DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/11/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.014278/200448 Acórdão n.º 1801001.237 S1TE01 Fl. 8 7 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: ... b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. No que importa à presente análise a nova redação dada ao dispositivo legal promoveu sutil alteração apartando as infrações distintas em incisos distintos e alterando, apenas, o valor da multa isolada, originariamente exigida na alíquota de 75%, reduzindoa para 50%. Mas o conteúdo jurídico, propriamente dito, do dispositivo legal não foi alterado. Nesse contexto o conteúdo jurídico, a dicção do dispositivo não deixa margem de dúvida acerca do seu alcance. A aplicação da multa isolada independe da apuração de resultado positivo, ou seja, é aplicável em qualquer situação, com ou sem base de imposto final, bastando apenas que se constate o dever – não observado de recolher antecipações, mediante estimativas, pouco importando se estas possuem apenas um caráter provisório, pois o que se busca é punir a conduta do contribuinte que, espontaneamente, abandonou a regra geral de tributação lucro real trimestral, sem respeitar o requisito para o ingresso na sistemática do lucro real anual, cujas estimativas mensais antecipatórias são de recolhimento imprescindível. O contribuinte que deixa de recolher a estimativa está descumprindo norma específica quanto ao regime de antecipação, prevendo a lei punição para tal ato – multa isolada. Aquele que deixa de pagar o imposto devido ao final do período de apuração também descumpre norma específica, o dever de recolher a obrigação principal, para o qual a Lei prevê a multa de ofício (75%) que será exigida juntamente com o valor do imposto não recolhido. Entretanto, pode ocorrer de um mesmo contribuinte incidir nos dois tipos. Deixar de recolher as antecipações obrigatórias, sujeitandose à penalidade da multa isolada, e, conjuntamente, deixar de recolher o imposto apurado ao final do anocalendário, sujeitandose ao recolhimento deste imposto acrescido da multa de ofício de 75%. É o que se observa no presente caso. Há, inclusive, jurisprudência administrativa a referendar o entendimento aqui adotado: RECURSOS DE OFÍCIO IRPJ – ESTIMATIVAS – Cabível o lançamento de multa de ofício isolada na falta de recolhimento de estimativas, quando o lançamento se dá depois de encerrado o anocalendário correspondente [Acórdão 10196176 PRIMEIRA CÂMARA Data da Sessão: 24/05/2007 Relator: Caio Marcos Cândido]. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/11/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.014278/200448 Acórdão n.º 1801001.237 S1TE01 Fl. 9 8 CSLL – MULTA ISOLADA – EXIGIDAS, CONCOMITANTEMENTE, NO LANÇAMENTO – Por se tratar de hipóteses legais distintas, são cabíveis, no lançamento de ofício, a aplicação de multa exigida isoladamente, por falta de recolhimento dos valores devidos por estimativa, bem como as que se exigem juntamente com o imposto ou contribuição que forem apurados no procedimento fiscal. (Inciso II parágrafo 1º,do artigo 44 da Lei 9430).Contudo, nos termos da alínea c, do inciso II do artigo 106 do CTN deverá ser aplicado o coeficiente de 50%, veiculado no artigo 18 da MP303/2006 [Acórdão 108 08962 OITAVA CÂMARA Data da Sessão: 17/08/2006 Relator: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro]. MULTA DE OFÍCIO – MESMA BASE DE CÁLCULO – APLICAÇÃO EM DUPLICIDADE – O lançamento de duas multas de ofício, sobre a mesma base de cálculo, é possível, visto tratarse de duas infrações à lei tributária, tendo por conseqüência a aplicação de duas penalidades distintas [Acórdão 10196049 PRIMEIRA CÂMARA Data da Sessão: 28/03/2007 Relator: Caio Marcos Cândido]. Procedente, assim, a aplicação da multa isolada por falta/insuficiência de recolhimento de estimativas mensais. Entretanto, a alteração promovida no artigo 44 da Lei n º 9.430, de 1996, não foi percebida pelo relator e respectiva turma julgadora no voto proferido no acórdão embargado. Dessa forma, em respeito ao princípio da retroatividade benigna consagrado no artigo 106 do CTN, deve ser exonerada a diferença do crédito tributário exigido com base na alíquota anterior, calculada em 75% , adequandose a exigência da multa isolada em 50% sobre as bases estimadas. É o meu voto. (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 280DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/11/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10120.003405/2008-52
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Dec 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
GLOSA. DEDUÇÃO. IRRF.
Mantém-se a glosa de dedução de IRRF quando o contribuinte não provar que realizou tais pagamentos, ou que a fonte pagadora reteve os valores referentes.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-002.674
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Antônio de Pádua Athayde Magalhães - Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Tânia Mara Paschoalin, Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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DEDUÇÃO. IRRF. Mantémse a glosa de dedução de IRRF quando o contribuinte não provar que realizou tais pagamentos, ou que a fonte pagadora reteve os valores referentes. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antônio de Pádua Athayde Magalhães Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Tânia Mara Paschoalin, Luiz Cláudio Farina Ventrilho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 34 05 /2 00 8- 52 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10120.003405/200852 Acórdão n.º 2801002.674 S2TE01 Fl. 110 2 Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 3ª Turma da DRJ/BSB (Fls. 81), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Para a contribuinte identificada no preâmbulo foi lavrada, por Auditor Fiscal da DRF Goiânia GO, a Notificação de Lançamento de fls. 48/51, referente ao imposto de renda pessoa física do exercício de 2004. Foi apurado imposto complementar de R$ 22.698,07, mais multa e juros de mora. A Notificação de Lançamento originouse da revisão da Declaração de Ajuste Anual, entregue em 29/04/2004, quando foram alterados os dados nela informados em decorrência da seguinte irregularidade: • Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte, no valor de R$ 25.173,00. Fonte pagadora: Frigorífico Centro Oeste SP Ltda. A descrição dos fatos e o enquadramento legal estão anotados às fls. 49. Consta, na descrição dos fatos, que foram intimadas a contribuinte e a fonte pagadora. Contudo o imposto retido não foi comprovado e a fonte pagadora "não confirmou a retenção na fonte". Regularmente cientificada do lançamento, a contribuinte apresenta impugnação às fls. 1/12. A impugnante alega que, em razão de condomínio entre irmãos, recebeu, no anocalendário autuado, 1/3 do valor oriundo de aluguéis pagos pelo Frigorífico Centro Oeste SP Ltda, conforme contrato de locação para o período de 17/10/2002 a 17/10/2003, prorrogado tacitamente até 30/12/2003. Ressalta que, embora não confirmados e não informados em Dirf pela fonte pagadora, os aluguéis foram recebidos, sobre os quais foi retido imposto de renda. Anexa um demonstrativo à peça contestatória para mostrar que somadas todas as retenções, ao longo do anobase em apreço, chegase ao valor de R$ 25.173,00 para cada um dos três irmãos locatários, justamente o IRRF glosado. Destaca que o contrato de locação reza “um valor menor do que o efetivamente recebido”, todavia, o declarante agiu de boafé e informou na declaração de ajuste anual a importância efetivamente recebida. Alega que os recibos comprobatórios já foram apresentados e, para corroborar as afirmações, apresenta extratos bancários Fl. 110DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10120.003405/200852 Acórdão n.º 2801002.674 S2TE01 Fl. 111 3 com todos os depósitos efetuados em cheque pelo Frigorífico Centro Oeste, já descontado do imposto de renda retido. Sobre a responsabilidade da fonte pagadora em relação ao imposto retido, o impugnante menciona o art. 722 do RIR/1999 e o Parecer Normativo nº 1/2002. Às fls. 55/56, o sujeito passivo informa que não obteve êxito na tentativa de demonstrar o recebimento dos aluguéis por meio dos cheques pagos pelo Frigorífico Centro Oeste, tendo em vista que o Banco, onde foram efetuados os depósitos, informou não ser possível fornecer microfilme dos referidos cheques. Acrescenta que ingressou com ação judicial por meio da 2ª Vara Civil da Comarca de Goiânia, “no afã de admoestar a fonte pagadora a entregar os comprovantes da locação e retenção na fonte”, juntando aos presentes autos “decisão liminar que reconhece grupo econômico e determina entrega da documentação mencionada na impugnação”, fls. 74/76. Aos autos foram juntados os documentos de fls. 15/36, 57/71 e 74/76. Requer a juntada posterior de provas, diligências para solicitar à fonte pagadora os mesmos documentos requeridos na ação judicial e a improcedência do lançamento. Passo adiante, a 3ª Turma da DRJ/BSB entendeu por bem julgar a Impugnação Improcedente, em decisão que restou assim ementada: DEDUÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO. Se o contribuinte não comprovar, com documentação hábil e idônea, que foi feita, pela fonte pagadora, a retenção do Imposto no valor informado na Declaração de Ajuste Anual, deve ser mantida a glosa. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. Admitese a juntada de documentos em data posterior apenas quando verificada a ocorrência de situações expressamente especificadas pela legislação de regência. Cientificada em 20/10/2011 (Fls. 92), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 21/11/2011 (fls. 49 a 105), reforçando os argumentos apresentados quando da impugnação. É o Relatório. Voto Fl. 111DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10120.003405/200852 Acórdão n.º 2801002.674 S2TE01 Fl. 112 4 Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Primeiramente, cabe esclarecer que o lançamento trata de glosa de aproveitamento de IRRF, por falta de comprovação de sua retenção ou pagamento, e não de exigência de IRPF sobre rendimentos de aluguéis. A recorrente alega que, em razão de condomínio entre irmãos, recebeu, no ano calendário autuado, 1/3 do valor oriundo de aluguéis pagos pelo Frigorífico Centro Oeste SP Ltda, conforme contrato de locação para o período de 17/10/2002 a 17/10/2003, prorrogado tacitamente até 30/12/2003. Ressalta que, embora não confirmados e não informados em Dirf pela fonte pagadora, os aluguéis foram recebidos, sobre os quais foi retido imposto de renda. Para fazer prova do alegado a recorrente anexou cópia do contrato de locação, extrato bancário do seu irmão, no qual consta depósitos de cheques mensais, no valor de R$21.206,73 cada, que, segundo a recorrente, se referem aos pagamentos do aluguel mencionado. Junta ainda a recorrente cópia de notificações extra judiciais, e cópia de ação judicial, todas dirigidas contra a empresa Frigorífico Centro Oeste Ltda e sua controladora Frigorífico Margen Ltda. Contudo, até o presente momento, passados mais de quatro anos, a recorrente não anexou qualquer resultado da ação judicial. Entendo que não há dúvidas sobre o fato da celebração do contrato de locação. Contudo, não há prova nos autos de que tenha havido a retenção do IRRF aproveitado. Também não há como deduzir que o depósito dos cheques mensais, no valor de R$21.206,73 cada, se referem ao pagamento do aluguel mencionado. A despeito das firmes tentativas da recorrente, o fato é que, passados mais de quatro anos do lançamento, a recorrente não conseguiu provar a retenção alegada. Ainda mais quando, como do conhecimento da recorrente, bastava que esta juntasse a cópia dos cheques depositados, fazendo prova de que se referiam aos pagamentos do aluguel. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 112DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10120.003405/200852 Acórdão n.º 2801002.674 S2TE01 Fl. 113 5 Fl. 113DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
score : 1.0
Numero do processo: 11020.002190/2006-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/1990 a 28/02/1996
RESTITUIÇÃO. DECISÃO JUDICIAL. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO.
Improcedente o pedido de restituição de crédito cujo valor foi indevidamente incluído em pedido de habilitação em que se funda, quando o mesmo não foi reconhecido em decisão judicial transitada em julgado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.789
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 01/10/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Fábia Regina Freitas.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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DECISÃO JUDICIAL. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. Improcedente o pedido de restituição de crédito cujo valor foi indevidamente incluído em pedido de habilitação em que se funda, quando o mesmo não foi reconhecido em decisão judicial transitada em julgado. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 01/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Fábia Regina Freitas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 21 90 /2 00 6- 81 Fl. 502DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Relatório No dia 23/11/2005 a ASSOCIAÇÃO EDUCADORA SÃO CARLOS AESC, já qualificada nos autos, apresentou o PER/DCOMP nº 22628.72595.231105.1.3.57 5561 na qual está pleiteando a restituição de PIS, reconhecido como indevido em decisão judicial transitada em julgado e informada no referido PER/DCOMP (fls. 01/06). O crédito pleiteado foi habilitado no Processo nº 11020.002042/200586. O Delegado da DRF em Caxias do Sul RS não homologou a compensação de parte dos débitos declarados porque o crédito reconhecido na decisão judicial foi insuficiente para extinguir os débitos compensados pela interessada, posto que a decisão judicial excluiu, expressamente, do pedido de restituição os pagamentos realizados por estabelecimentos da Recorrente situados fora da jurisdição da DRF em Caxias do Sul RS, nos termos do Despacho Decisório DRF/CXL nº 420, de 26/10/2006. Ciente desta decisão, a recorrente ingressou com manifestação de inconformidade que restou indeferida pela DRJ em Porto Alegre RS, nos termos do Acórdão no 1032347, de 29/06/2011 (fls. 444/447). A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 11/08/2011, conforme AR de fl. 452, e no dia 03/09/2011 impetrou o recurso voluntário de fls. 465/471, no qual alega, em apertada síntese, que: 1 a decisão da DRF em Caxias do Sul vai de encontro a ato administrativo anterior que reconheceu o direito de crédito da Recorrente na sua totalidade. A decisão judicial reconheceu o direito à restituição da totalidade dos valores pagos pela Recorrente; 2 não foi fundamentada a decisão da DRF/CXL de excluir os valores recolhidos indevidamente pelas filiais situadas fora da jurisdição fiscal da DRF de Caxias do Sul; 3 o pedido de habilitação de crédito foi deferido sem ressalvas. Esta decisão é oposta à decisão objeto da manifestação de inconformidade. Pelo disposto no art. 61 da IN RFB nº 600, concluise que, uma vez habilitado o crédito, o requerente da habilitação do crédito tinha direito ao crédito pleiteado. O crédito pleiteado foi habilitado através do Processo nº 11020.002042/200586; 4 a glosa das compensações só poderiam ter ocorrido se o ato administrativo de habilitação de crédito de PIS tivesse sido revisto e a Recorrente notificada; 5 não procede a multa de mora cobrada dos débitos cuja compensação não foi homologada porque as compensações foram feitas com base em ato administrativo anterior que autorizava (habilitação do crédito). Na forma regimental, o processo foi distribuído a este Conselheiro. É o Relatório do essencial. Voto Fl. 503DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11020.002190/200681 Acórdão n.º 3302001.789 S3C3T2 Fl. 3 3 Conselheiro Walber José da Silva, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais e, por isto, deve ser conhecido. Como relatado, a empresa Recorrente ingressou com ação judicial pleiteando a restituição dos pagamentos do PIS feitos por todos seus estabelecimentos com base nos DecretosLeis nº 2.445 e 2.449, ambos de 1988. O mandado de segurança teve como impetrado o Delegado da DRF em Caxias do Sul e, por esta razão, em 23/08/2001, a sentença concedeu parcialmente a segurança para julgar extinto o processo, sem julgamento do mérito, em relação aos recolhimentos de PIS relativos a domicílios fiscais não abrangidos pela circunscrição territorial sujeita à autoridade do Delegado da Receita Federal de Caxias do Sul (fls. 194 a 207). A parte extinta do processo pela sentença de mérito do mandado de segurança não foi objeto de reforma pelo TRF. A empresa Recorrente solicitou a habilitação do crédito, no que foi atendido pela DRF/CXL. A Recorrente incluiu, no valor do crédito informado na habilitação, os indébitos dos estabelecimentos situação fora da jurisdição territorial da DRF/CXL. Na apuração do valor do crédito a restituir, a DRF/CXL excluiu o valor dos pagamentos feitos por estabelecimentos da Recorrente situados fora de sua jurisdição territorial, resultando um crédito menor que o pleiteado pela Recorrente. No recurso voluntário a empresa Recorrente alega, basicamente, que a decisão judicial reconheceu o direito à restituição da totalidade dos valores pagos pela Recorrente; que a decisão atacada se opõe à decisão que habilitou o crédito usado nas compensações efetuadas e declaradas; e que não incido multa nos débitos declarados com base na decisão que habilitou o crédito usado na compensação. Sem razão a Recorrente. Não resta nenhuma dúvida de que no Pedido de Restituição eletrônico nº 22628.72595.231105.1.3.575561 (fls. 01/06) a empresa Recorrente está pleiteando a restituição de crédito reconhecido no Mandado de Segurança e Apelação ao TRF4ª/R nº 2000.71.07.0074116/RS. Também não há nenhuma dúvida de que do referido mandamus foi excluído os créditos decorrentes de pagamentos realizados por estabelecimentos da Recorrente situados fora da jurisdição territorial da DRF/CXL. Também é fato que não houve reforma, pelo TRF4ª/R, da decisão de primeiro grau, na parte que julgou extinto o processo, sem julgamento do mérito, em relação aos recolhimentos de PIS relativos a domicílios fiscais não abrangidos pela circunscrição territorial sujeita à autoridade do Delegado da Receita Federal de Caxias do Sul (fls. 194 a 207). Portanto, não vejo reformas a fazer na decisão recorrida que obedeceu, fielmente, à legislação de regência e à decisão judicial. Fl. 504DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 4 Além dos fundamentos da decisão recorrida, que adoto integralmente, devo acrescentar que falece de suporte o argumento da Recorrente de que a decisão judicial reconheceu o direito à restituição da totalidade dos valores pagos pela Recorrente. Quando fala em “totalidade”, a Recorrente está se referindo aos pagamentos realizados por todos os seus estabelecimentos e quando o TRF4ª/R fala em “totalidade” está se referindo a todos os estabelecimentos da Recorrente integrante da apelação a ele oposta. Matéria estranha à apelação não pode e não foi ser objeto de decisão pelo TRF4ª/R. Também não merece prosperar o argumento da recorrente de que a decisão da DRF/CXL, que não reconheceu indébito de pagamentos feitos pelas filiais da Recorrente situadas fora de sua jurisdição territorial, se opõe à decisão proferida no processo de habilitação do crédito usado nas compensações declaradas, cujo valor informado pela Recorrente incluía créditos de estabelecimentos situados fora da jurisdição da DRF/CXL. Isto porque: (i) a habilitação do crédito é feita à luz da confirmação dos requisitos previstos nos incisos I a V, do § 2º, do art. 51, da IN RFB nº 600/2005; (ii) o valor do crédito informado no Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado não foi objeto de apreciação e decisão; (iii) o § 6º, do art. 51 da IN RFB nº 600/2005 é taxativo ao afirmar que “o deferimento do pedido de habilitação do crédito não implica homologação da compensação ou o deferimento do pedido de restituição ou de ressarcimento”. Quanto à multa de mora, embora não faça parte da lide, a mesma é devida por força do que dispõe os art. 61 e 74, §§ 6º e 7º, da Lei nº 9.430/96, com as alterações das Lei nº 10.637/02 e 10.833/03. No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walber José da Silva 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 505DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10680.723626/2010-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2006 a 31/07/2010
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO - OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL - DECADÊNCIA. -NECESSÁRIA COMPROVAÇÃO DA CONSTRUÇÃO EM PERÍODO DECADENTE - EXISTÊNCIA DE LAUDO
Havendo laudo demonstrando que parte da área já se encontrava construída, a decadência deve ser declarada.
Os documentos constantes dos autos demonstram a existência de toldo, cuja compra e instalação encontra-se comprovada, inclusive, tendo a instalação do mesmo ocorrido em período decadente.
CONTRIBUIÇÃO DESTINADA A TERCEIROS
A fiscalização previdenciária possui competência para arrecadar e fiscalizar as contribuições destinadas a terceiros, conforme art. 94 da Lei 8.212/91.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2401-002.756
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial para que se desconsidere da base de cálculo o valor de reforma em relação aos 370,19m2 e do toldo de 56,25m2, mantendo o restante do lançamento.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2006 a 31/07/2010 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO - OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL - DECADÊNCIA. -NECESSÁRIA COMPROVAÇÃO DA CONSTRUÇÃO EM PERÍODO DECADENTE - EXISTÊNCIA DE LAUDO Havendo laudo demonstrando que parte da área já se encontrava construída, a decadência deve ser declarada. Os documentos constantes dos autos demonstram a existência de toldo, cuja compra e instalação encontra-se comprovada, inclusive, tendo a instalação do mesmo ocorrido em período decadente. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA A TERCEIROS A fiscalização previdenciária possui competência para arrecadar e fiscalizar as contribuições destinadas a terceiros, conforme art. 94 da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial para que se desconsidere da base de cálculo o valor de reforma em relação aos 370,19m2 e do toldo de 56,25m2, mantendo o restante do lançamento. Elias Sampaio Freire - Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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NECESSÁRIA COMPROVAÇÃO DA CONSTRUÇÃO EM PERÍODO DECADENTE EXISTÊNCIA DE LAUDO Havendo laudo demonstrando que parte da área já se encontrava construída, a decadência deve ser declarada. Os documentos constantes dos autos demonstram a existência de toldo, cuja compra e instalação encontrase comprovada, inclusive, tendo a instalação do mesmo ocorrido em período decadente. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA A TERCEIROS A fiscalização previdenciária possui competência para arrecadar e fiscalizar as contribuições destinadas a terceiros, conforme art. 94 da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 36 26 /2 01 0- 10 Fl. 128DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial para que se desconsidere da base de cálculo o valor de reforma em relação aos 370,19m2 e do toldo de 56,25m2, mantendo o restante do lançamento. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10680.723626/201010 Acórdão n.º 2401002.756 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório A presente NFLD, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela destinada a terceiros obtida por aferição, em virtude da utilização de mãodeobra assalariada, na edificação de obra de construção civil de responsabilidade do notificado, fls. 16 e 17. Conforme descrito no relatório o lançamento originouse nos seguintes fatos: Em 17/02/2006, o contribuinte em epígrafe, através de sua procuradora Rosilene Maria dos Santos, Carteira de Identidade nº M3.262.099 emitida pela SSPMG, entregou na unidade da Receita Federal do Brasil – RFB, situada na rua Levindo Lopes, 357, em Belo Horizonte MG, a Declaração e Informação Sobre Obra de Construção Civil – DISO, visando a regularização da obra com matrícula CEI nº 40.990.04353/60, situada na av. Raja Gabaglia 361 – lote 004 – Quart.12 – Cidade Jardim em Belo Horizonte – MG. 2 Com base no parágrafo quarto do artigo 33 da Lei nº 8.212/91, combinado com o Título IV, Capítulo IV da Instrução Normativa RFB nº 971, de 13/11/2009 – DOU 17/11/2009, a RFB, em 20/02/2006, emitiu o Aviso para Regularização de Obra –ARO, aferindo R$ 27.535,73 como o valor da remuneração da mão de obra não decadente e R$ 10.133,15 como a contribuição a ser recolhida, referentes aos valores da contribuição patronal, dos segurados e à devida a Outras Entidades e Fundos – Terceiros, tendo sido o mesmo assinado pela procuradora da contribuinte, naquela data. 3 Tendo o contribuinte recolhido apenas parte do valor apontado pelo ARO, como devido, para a regularização da obra em questão, atendendo à determinação da IN/971/2009, art.340, §6º e art. 383, §4º, inciso I, foi o mesmo, encaminhado para esta fiscalização. 4 Foi emitido Termo de Início de Ação Fiscal e recebido pelo contribuinte em 15/09/2010. Nesta data, foramnos mostradas as guias de recolhimento da contribuição previdenciária, cópias em anexo, pagas em 23/02/2006 nos valores de R$1.909,49 e R$272,32 para a matrícula da obra, CEI nº 40.990.04353/60, as quais foram descontadas do valor do débito, conforme Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados RADA. 5 Os valores apurados no ARO foram emitidos com base na Certidão de Baixa e Habitese de nº 00025/2006, em anexo, considerando que em 1981 a construção no citado endereço, já existia com 370,19 m2, conforme ali citado e que em 03/01/2006 foram concedidos o Habitese e a Baixa de construção (Processo 014100/0195), para modificações da área existente e Fl. 130DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 acréscimos de 85,58 m2, de acordo com Alvará de Construção, em anexo e projeto visado pela prefeitura em 05102005. Foi tomada como data de início da obra a competência outubro de 2005(data em que o projeto foi visado pela prefeitura) e término da obra a competência fevereiro de 2006 (data da Certidão de Baixa e Habitese da reforma e acréscimo da construção). Importante observar que o lançamento deuse em 30/09/2010, tendo a cientificação ocorrido em 07/10/2010. Não conformado com a notificação, foi apresentada defesa, fls. 29 a 38, tendo o recorrente alegado que a obra encontrase decadente em sua totalidade, mesmo considerando a realização do acréscimo. Foi emitida Decisão de Primeira Instancia, confirmando a procedência integral do lançamento, fls. 62 a 66. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2005 a 28/02/2006 REFORMA E DECADÊNCIA EM CONSTRUÇÃO CIVIL. Para provar a inexistência de reforma declarada em DISO, é necessária a juntada de Laudo Técnico emitido por profissional habilitado. A decadência deve ser comprovada por outros documentos oficiais, em que conste a área construída, quando a DISO e a Certidão de Baixa e Habitese constam áreas a regularizar em período não alcançado por aquele instituto. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não concordando com a decisão da autarquia previdenciária, foi interposto recurso, conforme fls. 70 a 85 . Em síntese, o recorrente em seu recurso alega o seguinte: a) O reconhecimento da decadência, tendo em vista que a obra inicial, com área construída de 370,19 m2, está regularizada desde 1981, e a área de acréscimo de 85,58 m2 (29,33 m2 canil, escritório e churrasqueira + 56,25 m2 toldo) concluída em 2003; b) Alternativamente, que sejam acolhidos os recolhimentos através das GPS constantes do anexo nº 11 para o fim de se declarar extinto todo e qualquer valor relativo à regularização da obra matrícula CEI n° 40.990.04353/60. Alega que o laudo técnico demonstra que a área de 56,25 é verdadeiramente de um toldo, podendo o fato ser constatado por meio de fotos e diligências por parte da fiscalização. Requer alternativamente sejam considerados os recolhimentos realizados, bem como sejam apreciados os documentos constantes do recurso. É o Relatório. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10680.723626/201010 Acórdão n.º 2401002.756 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 69. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DO MÉRITO QUANTO A APROPRIAÇÃO DE GUIAS Quanto a apropriação de recolhimentos entendo que razão não assiste ao considerando que no relatório fiscal o auditor destacou o aproveitamento das Guias recolhidas pelo recorrentes, senão vejamos: Foi emitido Termo de Início de Ação Fiscal e recebido pelo contribuinte em 15/09/2010. Nesta data, foramnos mostradas as guias de recolhimento da contribuição previdenciária, cópias em anexo, pagas em 23/02/2006 nos valores de R$1.909,49 e R$272,32 para a matrícula da obra, CEI nº 40.990.04353/60, as quais foram descontadas do valor do débito, conforme Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados RADA. QUANTO A DECADÊNCIA Quanto a alegação da pretensa decadência do direito de lançar, entendo que primeiro deva ser analisado as alegações quanto a apresentação de documentos que comprovam a área construída para só então determinar o alcance da decadência. A base das alegações do recorrente são no sentido de que não realizou nenhuma reforma na área de 370,19 m2, tendo a mesma sido concluída em período decadente. Neste ponto, assiste razão ao mesmo, na medida que os documentos colacionados aos autos demonstram que já existia a referida construção, fl. 86 e 87 dos autos. O lançamento deve consubstanciarse em documentos e constatações. Discordo do entendimento descrito pela autoridade julgadora de que a de se presumir que um imóvel com 20 anos deve ter sofrido inúmeras reformas seja elétricas ou mesmo hidráulicas. Não vislumbro essas indicações nos autos, pelo contrário apesar de informar no DISO área a regularizar de 370m2, o contribuinte insurgiuse quanto a este fato e apresentou diversos documentos que demonstram suas alegações. Porém quanto a alegações de inexistência de acréscimo de 85,58 m2, argumentando que 56,25m2 correspondem a um toldo, razão confiro em parte ao recorrente. Observamos que a base para o lançamento foi documento emitido pela prefeitura, contudo demonstra o recorrente que o toldo existente no local (instalado em período alcançado pela decadência qüinqüenal), corresponde exatamente a metragem de 56, 25, sendo que o laudo e as provas acostados aos autos constatam a existência do mesmo. Assim, considerando que o lançamento deuse em 30/09/2010, tendo a cientificação ocorrido em 07/10/2010, e restando Fl. 132DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 comprovado a conclusão da obra ainda em 2003, independente do dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173, I ou art. 150, §4 do CTN, a decadência deve ser declarada. Contudo, não identifiquei pelos documentos a comprovação de que toda a área já se encontrava construída, razão porque deve ser excluído apenas a área referente ao toldo, bem como a parcela já efetivamente construída, conforme constante do autos (370 m2). A fiscalização previdenciária no exercício de atividade vinculada aferiu de forma indireta, na forma dos ditames legais, a mãodeobra utilizada na edificação da obra. A competência para realizar tal enquadramento advém de dispositivo legal, art. 33, § 4º da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras: Art. 33 – omissis (...) § 4º Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mãodeobra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa coresponsável o ônus da prova em contrário. Pelo exposto, entendo que não consegui o recorrente, em sua totalidade, afastar a exigência de contribuições, devendo ser excluída a parcela de reforma, referente aos 370, 19 m2, bem como os 56,25 m2 referente ao toldo. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso para no mérito DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para que se desconsidere da base de cálculo o valor de reforma em relação aos 370,19m2 e do toldo de 56,25m2, mantendo o restante do lançamento. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 133DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004678/2009-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2301-000.291
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que votou em analisar e decidir o recurso. Declaração de voto: Damião Cordeiro de Moraes.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva - Relator.
(assinado digitalmente)
Declaração de voto: Damião Cordeiro de Moraes.
Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério, Damião Cordeiro de Moraes , Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que votou em analisar e decidir o recurso. Declaração de voto: Damião Cordeiro de Moraes. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva - Relator. (assinado digitalmente) Declaração de voto: Damião Cordeiro de Moraes. Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério, Damião Cordeiro de Moraes , Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
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Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que votou em analisar e decidir o recurso. Declaração de voto: Damião Cordeiro de Moraes. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. (assinado digitalmente) Declaração de voto: Damião Cordeiro de Moraes. Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério, Damião Cordeiro de Moraes , Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. RE SO LU Çà O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 04 67 8/ 20 09 -3 6 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 15/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 10/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 19515.004678/200936 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301 000.291 S2C3T1 Fl. 91 2 Relatório e Voto: O presente processo trata do descumprimento da obrigação acessória de prestar a Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários a fiscalização. O processo que cuida da obrigação principal não foi distribuído para este Relator. Observamos que os fatos que ensejaram o presente lançamento ensejam a conexão do presente com o processo que cuida da obrigação principal pelos motivos que abaixo serão expostos. O Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF) determina que seja feita a distribuição dos processos conexos para a mesma Câmara (art. 47, caput) e para o mesmo Relator (art. 49, § 7º). Vejamos o teor dos dispositivos: Art. 47. Os processos serão distribuídos aleatoriamente às Câmaras para sorteio, juntamente com os processos conexos e, preferencialmente, organizados em lotes por matéria ou concentração temática, observandose a competência e a tramitação prevista no art. 46. (...) Art. 49. Os processos recebidos pelas Câmaras serão sorteados aos conselheiros. (...) § 7° Os processos que retornarem de diligência, os com embargos de declaração opostos e os conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos, em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, com designação de relator ad hoc. (...) O desafio para a interpretação de tais dispositivos é estabelecer em que situações ocorre a conexão entre processos. Para enfrentálo, buscamos a disciplina existente no Processo Civil. No Código Processual temos os arts. 103 a 106 que tratam da matéria: Art.103. Reputamse conexas duas ou mais ações, quando lhes for comum o objeto ou a causa de pedir. Art.104. Dáse a continência entre duas ou mais ações sempre que há identidade quanto às partes e à causa de pedir, mas o objeto de uma, por ser mais amplo, abrange o das outras. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 15/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 10/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 19515.004678/200936 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301 000.291 S2C3T1 Fl. 92 3 Art.105. Havendo conexão ou continência, o juiz, de ofício ou a requerimento de qualquer das partes, pode ordenar a reunião de ações propostas em separado, a fim de que sejam decididas simultaneamente. Art.106. Correndo em separado ações conexas perante juízes que têm a mesma competência territorial, considerase prevento aquele que despachou em primeiro lugar. O art. 103 do CPC, acima transcrito, exige, portanto, que haja objeto comum ou causa de pedir comum entre duas ou mais ações para que lhes seja reconhecida a conexidade. Tomando a lição de Cândido Rangel Dinamarco, assumimos que objeto do processo consiste no pedido formulado pelo demandante (Cf. DINAMARCO, Cândido Rangel. Instituições de direito processual civil. Vol. II. 2ª ed. revista e atualizada. São Paulo: Malheiros, 2002, p. 184). A causa de pedir, segundo o mesmo autor, é a descrição dos fatos caracterizadores da crise jurídica lamentada( op. cit., p. 126). Em resumo, portanto, há conexão quando há um pedido comum ou os fatos narrados são comuns a dois processos. Ou, nas palavras de Cândido Rangel Dinamarco: ”ocorre conexidade quando duas ou várias demandas tiverem por objeto o mesmo bem da vida ou forem fundadas no contexto de fatos”(op. cit., p. 149) No caso do processo administrativo fiscal, as situações mais comuns de conexão advirão da identidade de fatos narrados. Em situações nas quais determinados fatos dão ensejo a lançamento para cobrança da obrigação principal e penalidade por descumprimento de obrigação acessória teremos nítida conexão. Outro exemplo comum diz respeito a fatos que estão capturados na hipótese de incidência de mais de um tributo. Caso do IRPJ e da CSLL, por exemplo. A jurisprudência deste Colegiado já acolheu em diversos julgados a existência de conexão em situações similares a essas. Vejamos: Acórdão nº 20401549 do Processo 13364000073200375 Data 27/07/2006 Ementa PIS. COMPETÊNCIA DO 1º CONSELHO DE CONTRIBUINTES. Quando lastreada, no todo ou em parte, em fatos cuja apuração serviu para determinar a prática de infração à legislação pertinente à tributação de pessoa jurídica, a competência para julgamento do recurso do PIS conexo será do Primeiro Conselho de Contribuintes. Acórdão nº 20401655 do Processo 13603002864200370 Data 22/08/2006 Ementa NORMAS PROCESSUAIS. Havendo matéria idêntica a ser decidida em processos conexos de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, a responsabilidade pelo crédito tributário sob exação, mesmo que estes últimos decorram de lançamento isolado, oriundas de mesma base fática e decorrentes de mesma verificação fiscal, a competência para análise e julgamento dos mesmos é de mesmo órgão julgador do Primeiro Conselho de Contribuintes. Recurso não conhecido. Acórdão nº 20212088 do Processo 138080049149630 Data 09/05/2000 Ementa NORMAS PROCESSUAIS CONEXÃO PROCESSUAL DECORRÊNCIA: O exame da exigência principal e da acessória, Fl. 92DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 15/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 10/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 19515.004678/200936 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301 000.291 S2C3T1 Fl. 93 4 quando processadas em autos distintos, deve observar os efeitos da prevenção a fim de evitar decisões contraditórias em processos nitidamente conexos, cabendo à exigência acessória o mesmo destino da exigência principal, em face da inquestionável relação de causa e efeito que as entrelaça. Recurso provido. o Acórdão nº 20500720 do Processo 37284007953200410 Data 04/06/2008 Ementa Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias. Período de apuração: 01/09/1999 a 30/09/200. Ementa(...) AUTO DE INFRAÇÃO CONEXO À NFLD. Sendo o descumprimento de obrigação acessória conexo a matéria tratada em Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, deve seguir a decisão emanada para aquela. Processo Anulado Acórdão nº 10708449 do Processo 16327000591200242 Data 22/02/2006 Ementa MULTA ISOLADA Considerada não cabível a exigência do próprio Imposto de Renda Pessoa Jurídica, formalizada em processo conexo, incabível a aplicação da multa isolada, por falta de recolhimento do IRPJ, sobre base de cálculo estimada, referente ao mesmo períodobase de apuração. Recurso provido. Acórdão nº 10808585 do Processo 10680000555200435 Data 10/11/2005 Ementa IRPJ e CSL DEDUÇÕES DE OFÍCIO PIS E COFINS JUROS DE MORA Deve se admitir a dedução, das bases tributáveis do IRPJ e da CSL, dos valores do PIS e da COFINS lançados de ofício, assim como dos juros de mora sobre eles incidentes até o encerramento do período de apuração dos tributos, de forma a se adequar o lançamento de ofício ao valor que efetivamente influiu na apuração do lucro líquido. ADESÃO AO PAES Não logrando o contribuinte correlacionar os débitos informados no PAES com os valores autuados não há como se exonerar os valores pleiteados. LANÇAMENTOS CONEXOS PIS E COFINS Os efeitos do decidido no lançamento principal do IRPJ, se estendem, por decorrência aos processos conexos. Da leitura dos julgados acima podemos observar que a identidade de causa de pedir, de fatos narrados, não precisa ser completa, podendo ser parcial. Identificada as situações ensejadoras da conexidade, restanos identificar as conseqüências processuais daí advindas . Ocorrendo a conexão, o CPC determina a distribuição por dependência: Art. 253. Distribuirseão por dependência as causas de qualquer natureza: (Redação dada pela Lei nº 10.358, de 2001) I quando se relacionarem, por conexão ou continência, com outra já ajuizada; (Redação dada pela Lei nº 10.358, de 2001) (...) De modo similar, o RICARF, como já ressaltamos, determina a distribuição por dependência para a Câmara e para o Relator. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 15/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 10/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 19515.004678/200936 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301 000.291 S2C3T1 Fl. 94 5 Mas deveria tal distribuição por dependência ocorrer em todos os casos? Ou haveria casos nos quais esta seria dispensável? A doutrina de Cândido Rangel Dinamarco (op. cit., p. 151) aponta a utilidade como critério suficiente para impor a reunião dos processos. Tal utilidade está presente naquelas situações nas quais as providências a tomar (reunião de processos) sejam aptas a proporcionar a harmonia de julgados ou a convicção única do julgador em relação a duas ou mais demandas. Ainda que a identidade dos fatos seja parcial, a utilidade da providência de reunião dos processos se justifica. De modo similar ao que acontece no processo civil, no processo administrativo a reunião dos processos tem por objetivo evitar a contradição de julgados e está sujeita à avaliação do julgador de sua utilidade. Ressaltamos que a utilidade não se esgota na possibilidade ou não de decisões contraditórias, mas diz respeito também ao interesse das partes. Assim, se nos autos não constam todos os elementos que permitem a compreensão da crise jurídica a ser sanada, permitindo que seja prejudicado o fisco na sua pretensão de cobrança do crédito tributário ou o contribuinte na sua ampla defesa, há utilidade na indicação de reunião dos processos. Nesses casos, diante do eminente prejuízo para uma das partes, a reunião dos processos é obrigatória, sob pena de nulidade do decisum que a desconsiderar. Situação diversa temos quando não há prejuízo possível para quaisquer das partes advindo diretamente do trâmite separado dos processos, mas subsiste a possibilidade de decisões contraditórias. Nesses casos, a reunião dos processos para julgamento simultâneo é providência que tem óbvio apelo para a segurança jurídica, na medida em que assegura que não haverá decisões contraditórias. A mesma situação contribui para a concretização da eficiência que está consagrada no art. 37 como princípio da administração pública, pois evita que as análises sejam totalmente refeitas por relatores distintos. Porém, nessa situação, caso não tenha ocorrido a reunião dos processos não haveria nulidade processual a ser declarada. No caso em análise, continuarmos com o julgamento isolado do presente poderá resultar em prejuízo para a defesa, ou para o fisco, se optássemos pela nulidade ou provimento por falta de provas nos autos, uma vez que, em geral, o processo que cuida da obrigação principal traz a totalidade dos documentos citados pela fiscalização. Como cuidamos de julgamento de penalidade por deixar de de prestar a Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários a fiscalização, a identidade com o contexto dos fatos que envolvem a obrigação principal é óbvia de modo a restar evidenciada a conexão. Em adição, o documento que deu ensejo ao descumprimento da obrigação acessória (TI 06/2009) não foi encontrado nos autos. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER o RECURSO VOLUNTÁRIO e CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA de modo que sejam cumpridos os arts. 47, caput e 49, §7º do RICARF. (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Relator Fl. 94DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 15/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 10/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 19515.004678/200936 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301 000.291 S2C3T1 Fl. 95 6 Declaração de Voto: Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes 1. O nobre Conselheiro relator votou no sentido de converter o presente julgamento em diligência para realização de conexão, por considerar que existe conexão entre os processos, e, por essa razão, seria necessária a reunião do presente processo aos demais, no intuito de serem julgados simultaneamente. 2. No entanto, em que pese o bom arrazoado trazido pelo douto Conselheiro, peço vênia para nesse ponto divergir do seu posicionamento. Isso por que o Decreto 70.235, que rege o Processo Administrativo Fiscal (PAF), em seu artigo 9º, é categórico ao determinar que “a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito”. 3. Além desse diploma, o recente Decreto 7.574, de 29 de setembro de 2011, manteve a necessidade de que cada processo (autos de infração ou notificações) seja instruído de maneira que possa ser analisado separadamente: “Art. 38. A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 9º, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, art. 25). §1º Os autos de infração ou as notificações de lançamento, em observância ao disposto no art. 25, deverão ser instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do fato motivador da exigência.” 4. Assim, tendo em vista que a norma enveredou pelo lançamento individualizado para cada tributo ou penalidade, é certo que o processo instaurado, que ocorre quando o contribuinte apresenta impugnação, deve corresponder aos fatos geradores individualizados, garantindose a ampla defesa e o contraditório na esfera administrativa. 5. Dessa sorte, muito embora a conexão no processo civil reunir duas ou mais ações para julgamento em conjunto a fim de evitar sentenças conflitantes, o efeito jurídico é a limitação do direito de defesa, como demonstrado anteriormente. 6. É certo que o cerceamento de defesa não ocorreria nos casos que o julgador verificar como necessária a conexão, como no momento em que esse se depara com fato importante para o deslinde da controvérsia presente em outro processo. 7. Porém, conforme venho me posicionando, os dados constantes nos processos devem ser suficientes para o deslinde da controvérsia, o que afasta a necessidade de apreciação conjunta com outros autos lavrados contra o mesmo sujeito passivo. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 15/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 10/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 19515.004678/200936 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301 000.291 S2C3T1 Fl. 96 7 8. Tornase necessário, ainda, que seja observado o princípio da celeridade processual trazido pelo inciso LXXVIII, do artigo 5º, da Constituição Federal, de 1998, o qual dispõe que “a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação”. 9. Logo, com base também no referido princípio, devese buscar a solução dos conflitos suscitados no processo da forma mais breve possível, evitandose as dilações indevidas, concretizando, assim, a eficiência da Administração (art. 2º da Lei 9.784/99). E, como os processos já se encontram distribuídos à relatoria de diferentes Conselheiros, a pausa em seus julgamentos para a redistribuição dos autos poderia acarretar em um atraso desnecessário. 10. Dessa forma, in casu, voto por JULGAR o presente processo, uma vez que os autos contêm as informações necessárias para o julgamento do feito, sendo despicienda a realização da diligência. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Fl. 96DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 15/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 10/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 10480.729916/2011-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
VÍCIO MATERIAL - AUTUAÇÃO COM BASE EM LEGISLAÇÃO DIVERSA - IMPOSSIBILIDADE
Trata-se de contribuinte sujeita ao sistema cumulativo de PIS e Cofins por expressa determinação legal (Lei nº 10.833/03, art. 10, VI e Lei, art. 8º, X). A autuação com base no sistema não cumulativo constitui lançamento com vícios insanáveis. Aplicação de tributo diverso, alteração dos aspectos da regra matriz de incidência tributária. Nulidade decorrente de vício material.
Recurso de Ofício Improvido.
Numero da decisão: 3302-001.813
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA
Presidente
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas (relatora); José Antonio Francisco; Maria da Conceição Arnaldo Jacó; Alexandre Gomes e Fabia Regina Freitas.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 VÍCIO MATERIAL - AUTUAÇÃO COM BASE EM LEGISLAÇÃO DIVERSA - IMPOSSIBILIDADE Trata-se de contribuinte sujeita ao sistema cumulativo de PIS e Cofins por expressa determinação legal (Lei nº 10.833/03, art. 10, VI e Lei, art. 8º, X). A autuação com base no sistema não cumulativo constitui lançamento com vícios insanáveis. Aplicação de tributo diverso, alteração dos aspectos da regra matriz de incidência tributária. Nulidade decorrente de vício material. Recurso de Ofício Improvido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas (relatora); José Antonio Francisco; Maria da Conceição Arnaldo Jacó; Alexandre Gomes e Fabia Regina Freitas.
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A autuação com base no sistema não cumulativo constitui lançamento com vícios insanáveis. Aplicação de tributo diverso, alteração dos aspectos da regra matriz de incidência tributária. Nulidade decorrente de vício material. Recurso de Ofício Improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 99 16 /2 01 1- 12 Fl. 334DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 16/1 2/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 2 (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas (relatora); José Antonio Francisco; Maria da Conceição Arnaldo Jacó; Alexandre Gomes e Fabia Regina Freitas. Relatório Tratase de autos de infração (fls. 02/11 e 12/20) lavrados para fim de constituir débitos de PIS e COFINS – contribuição ao Programa de Integração Social e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – na sistemática nãocumulativa. Os períodos autuados referemse ao ano de 2008, especificamente aos meses de janeiro/2008 a dezembro/2008. Por retratar a realidade dos fatos, peço vênia a meus pares para transcrever trecho do relatório da decisão de primeira instância administrativa, verbis: “2. Do auto de infração de fls. 02/11, consta como enquadramento legal os arts. 1º, 3º e 5º, da Lei nº 10.833, de 29/12/2003, e do auto de infração de fls. 12/20 figura como enquadramento legal os arts. 1º, 3º e 4º, da Lei nº 10.637/2002. 3. Além disto, consta do Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal de fls. 103/106, parte integrante do auto de infração (fl. 105, último parágrafo) e de que a contribuinte também tomou ciência aos 27/10/2011, que, no curso de procedimento fiscal instaurado contra o sujeito passivo, foi solicitada a documentação necessária à fiscalização, que foi devidamente por ele entregue. 4. Explica o termo de fls. 106/106 que na DIPJ do ano calendário de 2008 apresentada pela cooperativa pelo lucro real consta receita de prestação de serviços no montante de R$57.652.876,13, mas nas DCTF apresentadas pela contribuinte apenas há pequenos pagamentos a título da contribuição para o PIS, que também figuram na escrita fiscal/contábil do sujeito passivo. 5. Comenta que a cooperativa fiscalizada já havia sido autuada anteriormente no tangente à contribuição para o PIS e à COFINS de anos pretéritos, estando o processo sobrestado perante o STJ. 6. Menciona o Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal de fls. 103/106 que foram elaborados “DEMONSTRATIVOS para o PIS para a COFINS onde demonstramos a Receita Tributável. As contribuições apuradas a base de 7,60% para a COFINS e a 1,65% para o PIS, Verificamos os valores declarados em DCTF, confrontando com a DACON, e os valores devidos a tributar”. Fl. 335DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 16/1 2/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10480.729916/201112 Acórdão n.º 3302001.813 S3C3T2 Fl. 11 3 7. Expõe, outrossim que: 7.1. em relação à COFINS: observouse que “a cooperativa para uma receita tributável da ordem de 57.652.878,13 Reais, teria uma COFINS devida de 4.381.618,74 Reais. Este foi o valor que serviu de base para o lançamento tributário”; 7.2. em relação à contribuição para o PIS: verificou que “a cooperativa, declarou um pequeno valor pela folha de pagamento. Tinha um PIS apurado da ordem de 951.272,49 Reais, declarou em DCTF o valor de 5.927,93 Reais, tendo restado uma diferença de 945.344,56 Reais, valor este que serviu de base para o lançamento tributário”. 8. Devidamente cientificada, a autuada interpôs as impugnações acima referenciadas, cujos fundamentos são bastante assemelhados e, por tal razão, serão relatadas conjuntamente. 9. Nos recursos protocolizados, a contribuinte aduz, ab initio, que no Termo de Intimação lavrado pelo autuante consta como endereço da cooperativa “Av. Dr. Gonsaga Maranhão nº 4529, Bairro dos Prazeres, Jaboatão dos Guararapes, CEP: 54335 090”, enquanto que nos autos de infração contrariados figura o correto endereço da autuada, qual seja: “Rua Benfica nº 326, Madalena, RecifePE, CEP: 50720001”. 10. Afirma que, em virtude da irregularidade apontada, não poderia o Termo de Intimação desaguar nos autos de infração, pois, pelos divergentes endereços, concluirseia pela existência de duas unidades distintas, razão porque, segundo a recorrente, seria necessário retificar o Termo de Intimação para que nele conste “o verdadeiro endereço da unidade fiscalizada, e sua repercussão, posto que o Auto de Infração deixou de ser uma correta conseqüência daquele início da ação fiscal”. 11. Ultrapassada a questão acima, adentra a contribuinte “no mérito da questão e em seguida quanto ao seu aspecto legal da Autuação, onde demonstrará a sua injustiça, inclusive contrária a (sic) última determinação do SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, que por acórdão unânime, deliberou pela não incidência da COFINS e PIS da COOPERATIVA/AUTUADA, tendo por Relator o Ministro Luiz Fux, atual Ministro do Supremo Tribunal Federal, tudo consoante dá conta o acórdão anexo, (Doc. nº 04), publicado no Diário da Justiça da União, edição 02.10.2007, e que até hoje permanece em vigor, por não ter sido revogada (sic), aguardandose, entretanto, Decisão do Supremo Tribunal Federal, por considerar a matéria de repercussão Geral, o que ensejará em (sic) Súmula vinculante a respeito”. 12. Diz que, para se chegar ao quantum exigido, o autuante aplicou, para a contribuição para o PIS e a COFINS, as respectivas alíquotas de 1,65% e de 7,6%, sem, contudo, proceder a qualquer enquadramento legal neste sentido, apenas o fazendo no tocante à aplicação da multa e dos juros de mora. Fl. 336DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 16/1 2/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 4 13. Fala, porém, que, examinando a “atual legislação pertinente, precisamente as evocadas no próprio Auto de Infração, chegase à conclusão que a alíquota que deveria ser aplicada quanto ao PIS, seria de 0,65% sobre o faturamento da COOPERATIVA/AUTUADA, que especificamente teve por base de cálculo o rateio de seus cooperados, sendo esta última alíquota estabelecida pelas sociedades cooperativas pelo art. 8º da Lei nº 10.637”. 14. Já quanto à COFINS, articula que: 14.1. examinando “a atual legislação pertinente, precisamente a Lei nº 10.833, de 29.12.2003, verificase ter a autuação aplicado o art. 2º desse mesmo diploma legal, que determina aquela alíquota de 7,6%, reportandose por sua vez ao art. 1º daquela mesma lei”, no qual é textualmente empregada a palavra “receita”; 14.2. o aspecto legal aventado pela Fiscalização “não condiz com a verdade, posto que a sociedade autuada é uma cooperativa de prestação de serviços cujo enquadramento estaria subordinado ao art. 10, VI, que assim determina: ‘Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: (...) VI sociedades cooperativas, exceto as de produção agropecuária, sem prejuízo das deduções de que trata o art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, e o art. 17 da Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003, não lhes aplicando as disposições do § 7º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e as de consumo; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)’” 14.3. “Diante da exceção aqui apontada relativamente as (sic) sociedades cooperativas, vêse, pois, a não aplicação daquela alíquota de 7,6%, mas sim a de 3% que deveria ter sido aplicada no caso vertente, reduzindo em mais de 50% o valor da autuação, mas, no entanto, considerando inexistir RECEITA por parte da COOPERATIVA/AUTUADA e sendo esta condição essencial da incidência da COFINS, conforme determina o art. 1º e seu §1º da Lei nº 10.833”; 14.4. “o valor bruto apurado na Autuação, compreendendo os meses de janeiro a dezembro de 2008, se deu pelo RATEIO DOS COOPERADOS fazendo ali incidir a base de cálculo à alíquota de 7,6%”. 15. Em seguida, passa a recorrente a afirmar, em relação a ambas as contribuições, que o rateio não representaria receita, por se tratar da produção dos cooperados que a eles em seguida é repassada na proporção dos serviços por eles próprios executados, isto sem falar na indevida aplicação das alíquotas de 1,65% para o PIS e de 7,6% para a COFINS, “haja vista a Fl. 337DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 16/1 2/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10480.729916/201112 Acórdão n.º 3302001.813 S3C3T2 Fl. 12 5 conotação de um valor maior que é a própria não incidência” destas contribuições “sobre esta arrecadação acima aludida”. 16. Empós, defende que “os valores arrecadados a título de rateio não constituem RECEITAS como já dito, como também não se incluem no âmbito do faturamento, haja vista tratarse de meros ingressos temporários em seu patrimônio sem acréscimo nos ativos e decréscimos nos passivos, de conformidade com os princípios de contabilidade universalmente aceitos e que possam alterar o patrimônio líquido”. 17. Apresenta a recorrente o conceito de faturamento dado por Eduardo Domingos Bottalo em sua obra “Princípios Contábeis, 2ª edição, Editora Atlas, pág. 112: “O conceito de receita refere se a uma espécie de entrada. Entrada é todo dinheiro que ingressa nos cofres de determinada entidade. Nem toda entrada é receita. Receita é a entrada que passa a pertencer à entidade. Assim, só se considera receita o ingresso de dinheiro que venha a integrar o patrimônio da entidade que recebe”. 18. Logo em seguida, expõe excerto de trabalho de José Eduardo Soares de Melo, segundo o qual: (i) as cooperativas, na medida em que as atividades por ela desempenhadas não configuram autênticas prestações de serviços aos cooperados ou operações mercantis, não auferem receitas, pois os valores por elas recebidos pertencem aos cooperados, até mesmo porque as cooperativas não têm objetivo de lucro, mas intentam apenas prestar serviços aos cooperados; (ii) as cooperativas, “quando da prática de atos cooperados (meio ou fim), não estão agindo em nome próprio, ou na busca de resultados para si, mas sim, para aqueles que representam, afastando resultados financeiros que venham a obter, a natureza de ‘faturamento’, ‘receita bruta’ ou mesmo de ‘receita’, na acepção da Lei nº 9.718/98”, tratandose, portanto, de hipótese de não incidência tributária; e (iii) “As exigências centradas no argumento de que atende a ‘usuários não cooperados’, não tem o condão de descaracterizá las como Cooperativa, pois a sua própria razão de existir é para atender as atividades desenvolvidas pelos médicos (cooperados)”. 19. Adiante, menciona que, na esteira dos art. 3º e 4º, da Lei nº 5.764/71, as cooperativas não têm objetivo de lucro, sendo sociedades de pessoas, com forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, não sujeita à falência, constituídas para prestar serviços aos associados, no que se distinguem das demais sociedades. 20. Sustenta que “no instante em que a COOPERATIVA/AUTUADA arrecada a produção de seus cooperados pelas anestesias realizadas junto a terceiros, conseqüentemente está no exercício do ato cooperativo, estabelecido no art. 79 da Lei 5.764/71, não implicando em operação de mercado nem em contrato de compra e venda”. Fl. 338DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 16/1 2/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 6 21. E prossegue: “Em outras palavras o ato cooperativo é aquele que atinge os seus fins, daí porque o serviço prestado pela cooperativa em nome e em favor dos seus cooperados, relativos à arrecadação de sua produção em dinheiro e em seguida a eles repassados, É ATO COOPERATIVO na acepção da palavra” 22. Retoma que os serviços prestados pelas cooperativas a seus associados não têm interesse negocial ou propósito lucrativo, e, assim, caracterizado estaria a não incidência da contribuição para o PIS e da COFINS. 23. Repisa que “a arrecadação da produção dos cooperados pela COOPERATIVA/ AUTUADA não representa receita daquela, daí porque deve ser excluída da tributação, posto que decorre de conversão dos serviços dos associados em dinheiro”. 24. Em seguida, apresenta a recorrente jurisprudência judicial quanto ao temário emoldurado, transcrevendo ementa do acórdão proferido pelo STJ no Ag. 980.095/SP, no qual foi Relator o Exmo. Sr. Ministro Luiz Fux, bem como votovista do Exmo. Sr. Ministro Castro Meira no RESP nº 819.424/PR que fez a Exma. Ministra Eliana Calmon, Relatora naquela ação, retificar seu voto que reconhecia a incidência do ISS sobre valores recebidos das cooperativas em razão dos serviços prestados por seus associados e a ele repassados, na forma dos atos cooperativos atípicos. 25. Ademais, vazou a impugnante decisão monocrática proferida pelo Exmo. Sr. Ministro Francisco Falcão no RESP 641.878/PE e ementa e acórdão de julgado proferido pelo STJ no RESP nº 476.510/SC. 26. Reproduziu ensinamento doutrinário de José Eduardo Soares de Melo, que, dentre outras questões, afirma que “Os atos cooperativos acessórios são absolutamente indispensáveis para a realização dos atos principais (serviços médicos) constituindo um elemento meio (de natureza instrumental) para atender os objetivos precípuos da cooperativa. Nas relações com terceiros, a cooperativa representa seus associados, de modo que os contratos que realizam correspondem a negócios pactuados diretamente entre associados e aqueles terceiros. Não se pode admitir a desconsideração desses atos, cuja razão de ser é viabilizar o serviço do cooperado”. 27. Transcreveu, ainda, posição doutrinária de Renato Lopes Becho, tendo destacado o teor de sua página 147: “7.2. A primeira delas consiste em que as sociedades cooperativas, como já dissemos retro, ao praticarem atos cooperativos não prestam quaisquer serviços a quem quer que não seja seu cooperado. É de se entender que a atividade da cooperativa, vis àvis dos seus associados, não é de assistência médica, nem de plano de saúde, é sim, a de angariar clientes e dar suporte administrativo aos cooperados médicos, os quais, estes sim, prestam serviços médicos aos pacientes, que não são terceiros, são usuários, pagando eles, médicos, como tais, seu próprio ISS na condição de autônomo” (grifo no original). Fl. 339DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 16/1 2/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10480.729916/201112 Acórdão n.º 3302001.813 S3C3T2 Fl. 13 7 28. No recurso de fls. 108/138, remetese a recorrente ao julgamento proferido pelo TRF da 5ª Região em apelação interposta pela própria autuada (AC 411.351/PE), cuja ementa, que foi reproduzida pela contribuinte, está assim redigida: “TRIBUTÁRIO. SOCIEDADES COOPERATIVAS. COFINS. NÃOINCIDÊNCIA. ATOS COOPERATIVOS TÍPICOS. ART. 79 DA LEI 5.764/71. PRECEDENTES DO STJ. 1. Os atos cooperativos típicos não se sujeitam às incidências das contribuições do PIS e da COFINS, eis que, por expressa dicção da norma contida no art. 79 da Lei nº 5.764/71, as sociedades cooperativas quando praticam atos que lhe são próprios, não geram faturamento ou receita, nem auferem lucro, já que, nestes casos, tanto as despesas como os resultados positivos do exercício são partilhados, proporcionalmente, entre os associados. 2. No caso das cooperativas médicas, a figura do terceiro não associado deve ser compreendida como sendo aquele médico não pertencente aos quadros daquelas entidades, sendo a contraprestação pelos serviços por este prestado entendida como receita da cooperativa, advinda de ato negocial, devendo, assim, haver a incidência das referidas exações. O resultado econômico da prestação de serviço a usuário (cliente), através de médico cooperado, deve ser entendido como ato cooperativo típico, portanto, fora do campo de incidência das exações em comento. In casu, não logrou êxito a apelada em provar a prática de atos com médicos não associados a ensejar a caracterização de ato nãocooperado. 3. Precedentes do STJ (RESP Nº 645.459MG, Rel. Min. LUIZ FUX, DJ 29.11.2004; RESP Nº 543.828MG, Rel. Min. CASTRO MEIRA, DJ 25.02.2004; RESP Nº 815258MG, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, DJ 28.03.2006) 4. Apelação provida.” “ACÓRDÃO. Vistos, etc.Decide a Segunda Turma do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, por unanimidade, dar provimento à apelação, nos termos do Relatório, Voto e notas taquigráficas constantes dos autos, que ficam fazendo parte integrante do presente julgado.Recife, 24 de agosto de 2010” 29. Já no recurso de fls. 193/217, depois de transcrever o ensinamento doutrinário constante do item 27 deste Relatório, diz que: “Como se tudo isto não bastasse, é preciso deixar inexoravelmente sublinhado que o SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, de há muito, já se definiu sobre o assunto, e assim reiteradamente vem mantendo esse entendimento jurisprudencial, vazado nos seguintes termos: “ISS. Cooperativa – Não incidência sobre suas atividades, bem analisada a atuação que desenvolve, não exercendo Fl. 340DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 16/1 2/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 8 recrutamento, colocação ou fornecimento de mão de obra. ‘In’ acórdão proferido no RE nº 97.0592 e inúmeros outros”. 30. Adiante, ressalta a defendente, ainda, que os seus cerca de 400 médicos cooperados prestam, ainda que via cooperativa, serviços de forma autônoma, sendo que a recorrente apenas intermedeia os seus negócios na prestação de serviços daqueles, como se deles fosse mandatária ou procuradora e “na oportunidade em que repassa a produção dos mesmos retém mensalmente o Imposto de Renda na Fonte à alíquota de 27,5%, o que representa quantia superior a R$ 1.000.000,00 (hum milhão reais) em favor da Fazenda Nacional”. 31. E, continuando, diz que no momento em que se exige a contribuição para o PIS e a COFINS “sobre os atos cooperativos, precisamente sobre a arrecadação da produção dos cooperados, olvidase a Receita Federal que assim agindo está conseqüentemente aderindo ao odioso princípio tributário do BIS IN IDEM, uma vez que os cooperados, na qualidade de profissionais autônomo de médicos anestesiologistas, são responsáveis diretamente pelos seus clientes assim como pelos recolhimentos de seus tributos, de uma maneira geral, razão pela qual sobre o mesmo fato gerador dos serviços por eles prestados estaria incidindo em excesso estes tributos já satisfeitos pelos próprios prestadores dos serviços, não se podendo, portanto, exigirse novamente estes tributos da cooperativa da qual pertencem, haja vista caracterizar aquele alegado BIS IN IDEM ou, segundo alguns outros, uma BITRIBUTAÇÃO”. 32. Exibiu a recorrente a definição de “bis in idem” e de “bitributação” constante da obra “Vocabulário Jurídico”, de Plácido e Silva. 33. Colacionou, em relação à matéria enfocada, posição doutrinária de Hugo de Brito Machado e estudo de diversos autores, coordenado por Renato Lopes Becho, segundo os quais as receitas e as despesas são dos cooperados não ensejando a prática de atos cooperativos incidência de IRPJ, CSLL, contribuição para o PIS e COFINS. 34. Em razão de todo o exposto, requereu que “seja ao final julgada (sic) improcedente o Auto de Infração aqui impugnado, por inobservância da correta interpretação dos textos legais pertinente (sic), dada pelos doutrinadores aqui evocados e pela farta jurisprudência carreada aos Autos, pois diante de alicerces tão firmes não há como possa preservarse incólume a Autuação, que apenas surgiu pelo excesso de zelo do Fiscal Autuante, que não se ateve das particularidades aqui trazidas à colação, tanto que esta matéria COFINS e PIS das cooperativas foi considerado (sic) pelo Supremo Tribunal Federal de Repercussão Geral, o que deverá ensejar em breve Súmula Vinculante a respeito, tão logo aquele Tribunal proceda ao julgamento da matéria como um todo”. Após analisar as razões trazidas pela contribuinte, a 2ª Turma da DRJ/REC, proferiu o acórdão nº 1136.430 (fls. 302/321); entendeu por bem cancelar parcialmente os autos de infração em decisão da seguinte forma ementada: Fl. 341DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 16/1 2/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10480.729916/201112 Acórdão n.º 3302001.813 S3C3T2 Fl. 14 9 “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 IRREGULARIDADES E INCORREÇÕES. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. DESNECESSIDADE DE SANEAMENTO. Apenas são nulos os atos, termos, despachos e decisões elaborados por pessoa incompetente, bem como os despachos e decisões proferidos com cerceamento do direito de defesa, sendo que as demais irregularidades e incorreções não importarão em nulidade e somente devem ser sanadas quando resultarem em prejuízo ao sujeito passivo. COOPERATIVA. VALORES RECEBIDOS DE TERCEIROS. INCIDÊNCIA DA COFINS. Os valores recebidos de terceiros diretamente pela cooperativa, que nela ingressam para somente depois serem distribuídos a seus cooperados, são receitas da cooperativa e sobre eles deve incidir a COFINS. COFINS. CONTRIBUINTE SUJEITO À APURAÇÃO CUMULATIVA. LANÇAMENTO PELA SISTEMÁTICA NÃO CUMULATIVA. IMPROCEDÊNCIA. É improcedente o lançamento da COFINS realizado pela sistemática não cumulativa disciplinada pela Lei nº 10.833/2003 em relação a contribuinte que, no período autuado, permaneceu na sistemática cumulativa regida pela Lei nº 9.718/98. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 IRREGULARIDADES E INCORREÇÕES. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. DESNECESSIDADE DE SANEAMENTO. Apenas são nulos os atos, termos, despachos e decisões elaborados por pessoa incompetente, bem como os despachos e decisões proferidos com cerceamento do direito de defesa, sendo que as demais irregularidades e incorreções não importarão em nulidade e somente devem ser sanadas quando resultarem em prejuízo ao sujeito passivo.” A conclusão da turma de julgamento foi pelo provimento parcial dos argumentos apresentados nas impugnações, mas a desoneração foi total, tendo os julgadores administrativos recorrido de ofício da decisão1. Não houve apresentação de recurso voluntário. 1 Trecho final da decisão recorrida: Fl. 342DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 16/1 2/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 10 É o relatório. "Conclusão: 114. Pelas razões acima, voto no sentido de não acatar a preliminar invocada pela recorrente e, no mérito, de julgar parcialmente procedente as impugnações no que se refere à alegação de que a contribuinte não está submetida à apuração nãocumulativa da contribuição para o PIS e da COFINS para, com isto, sem prejuízo de eventuais futuros lançamentos que observem a legislação aplicável, julgar totalmente improcedentes as autuações de ambas as contribuições, realizadas pela sistemática nãocumulativa, objeto do presente processo administrativo. Do recurso de ofício 115. Este processo deve ser submetido à apreciação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 1972 e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 1997 e art. 1º da Portaria MF nº 3, de 2008, por força de recurso necessário. A exoneração do crédito prevista neste acórdão só será definitiva após o julgamento em segunda instância." Voto O recurso de ofício atende os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Conforme relatado, tratase de RECURSO DE OFÍCIO apresentado pelos julgadores administrativos de primeira instância, em virtude do cancelamento dos autos de infração. A matéria em discussão referese a autuações que constituíram valores supostamente devidos a título de PIS e COFINS pela Cooperativa dos Médicos Anestesiologistas/PE –COOPANEST/PE. De acordo com a decisão recorrida, as autoridades administrativas de primeira instância entenderam por bem cancelar as autuações posto que o lançamento pretendeu constituir as contribuições ao PIS e COFINS como se fossem devidas pelo sistema não cumulativo, sem se atentar para o fato das cooperativas figurarem em regime excepcional. Para tanto, a fiscalização aplicou as Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, calculando os tributos sobre a base da totalidade de receitas e conforme as alíquotas de 0,65% e 7,6% respectivamente, verbis: Fl. 343DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 16/1 2/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10480.729916/201112 Acórdão n.º 3302001.813 S3C3T2 Fl. 15 11 Trecho do acórdão recorrido fls. 319: “107. É que, nos termos do art. 142, do CTN, o lançamento constitui “o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível” (g.n.) e deverá obrigatoriamente conter os elementos descritos no art. 10, do Decreto nº 70.235/72, que assim preceitua: ‘Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula’ (g.n.) 108. Ora, apesar de preencherem os requisitos acima, os autos de infração, com fundamento nos arts. 1º, 3º e 5º, da Lei nº 10.833/2003 e nos arts. 1º, 3º e 4º, da Lei nº 10.637/2002, exigiram da recorrente a contribuição para o PIS e a COFINS pelo regime não cumulativo, quando o art. 10, VI, da primeira Lei, e o art. 8º, X, da segunda Lei, determinam a permanência de cooperativas como a autuada no regime cumulativo disciplinado pela Lei nº 9.718/98.” Registro que é apenas esta a matéria trazida pelo Recurso de Ofício, vez que a decisão favorável à contribuinte pautase exatamente neste argumento, sendo que os demais argumentos apenas tornarseão relevantes se este vício inicial, que fulminaria de morte os autos de infração, for superado. Passo à análise da questão em discussão. Com razão a decisão recorrida. De fato, as leis instituidoras dos regimes não cumulativos definiram exceções à nova sistemática então criada, estando as sociedades cooperativas entre estas exceções, a saber: Lei nº 10.637/02 “Art. 8º Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 6º: (...) X as sociedades cooperativas; (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003).” Fl. 344DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 16/1 2/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 12 Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: (...) VI sociedades cooperativas, exceto as de produção agropecuária, sem prejuízo das deduções de que trata o art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, e o art. 17 da Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003, não lhes aplicando as disposições do § 7º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e as de consumo; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004).” Neste sentido, a simples leitura dos dispositivos mencionados já é suficiente para se constatar que as cooperativas não estão, por expressa determinação legal, sujeitas às regras da não cumulatividade do PIS e Cofins, acertada portanto a decisão recorrida uma vez que os autos de infração em comento são nulos. Resta saber se o vício constatado no lançamento é formal ou material. Adoto o entendimento de que a diferença entre o aspecto formal ou material está no fato de o vício de ser procedimento (ou seja, que não fulmina o âmago do crédito tributário, mas apenas aspectos formais que podem ser validados) ou de substância (no caso de o vício atingir de morte o crédito constituído, a ponto de ser necessário novo ato administrativo). Para clarear os conceitos, empresto as palavras do Ilustre Jusrista, então Conselheiro, Marcos Vinícius Neder de Lima que, ao julgar o processo nº 10380.005080/2006 10, acórdão nº 110300.015, esclareceu a questão de forma bastante didática, verbis: “Na verdade, o vocábulo lançamento é utilizado em diversas passagens no Código Tributário Nacional, não apresentando uniformidade de sentido. No art. 142, referese ao lançamento como procedimento; no art. 150, diz que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de efetuar o recolhimento do tributo, sem atuação prévia da autoridade administrativa, e o lançamento ocorre pelo ato em que esta, expressamente o homologa; o art. 149 do CTN, por sua vez, disciplina a revisão do ato de lançamento. Diante de tal ambigüidade, a doutrina, embasada nos parâmetros da Teoria Geral do Direito e do Direito Administrativo, tem procurado estudar o ato do lançamento sob diferentes visões: uma dinâmica, como parte da cadeia de produção normativa; outra estática, como produto de que resulta um procedimento administrativo. Nesse sentido, o lançamento tributário pode ser visto como ato administrativo, cujo conteúdo expressa uma norma individual e concreta. De fato, ao lavrar o auto de infração, o agente fiscal realiza um ato que tem como conteúdo normativo, vinculando os sujeitos por meio de uma obrigação jurídica. E essa relação jurídica que impõe o dever de o sujeito passivo pagar uma determinada quantia nas bases que o próprio ato administrativo de lançamento especifica. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 16/1 2/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10480.729916/201112 Acórdão n.º 3302001.813 S3C3T2 Fl. 16 13 A produção desse ato pressupõe um procedimento formal regido pela legislação tributária. Assim, a disciplina do lançamento compõese de normas substanciais (que descrevem o fato jurídico tributário e estabelecem o vinculo obrigacional) e outras formais (que tratam do procedimento para produção da norma substancial). São perspectivas distintas da mesma ação: uma estática e outra dinâmica. Para o direito tributário, todas essas visões do mesmo fenômeno constituem instrumentos úteis de análise. Optando pela análise estática da norma individual e concreta introduzida, a abordagem teórica privilegiará sua natureza substancial, permitindo revelar todos os elementos do fato e da relação jurídica, indicando os termos da obrigação tributária que há de ser satisfeita pelo sujeito passivo. Já como procedimento, a atenção se volta para sua natureza formal, possibilitando examinar os vícios porventura existentes na realização da sucessão de atos tendentes a identificar a ocorrência de fatos jurídicos tributários. No corpo do documento que expressa o lançamento, por exemplo, além da descrição do fato gerador (subsumida a hipótese da regramatriz de incidência tributária) e da prescrição de um comando dirigido ao sujeito passivo da obrigação tributária, também se encontra a descrição do modo como o ato foi construído (momento, procedimento, autoridade competente). Estas informações sobre o procedimento que precede a lavratura do ato de lançamento permitem evidenciar qualquer desatendimento aos procedimentos obrigatórios para realização do ato. Os vícios formais atingem o procedimento e, muitas vezes, podem ser sanados sem que seja necessário anular o ato de lançamento original, enquanto os materiais prejudicam a validade da própria obrigação tributária e exigem a realização de um novo ato. Para diferenciálos, devese identificar a norma individual e concreta que expressa o conteúdo do ato destinado à formalização do crédito tributário. Essa norma tem projetada em sua estrutura normativa a regramatriz de incidência. O atendimento aos requisitos do ato de lançamento deve ser comprovado pelo confronto de seu enunciado com os critérios que integram o antecedente e o conseqüente da estrutura da regramatriz de incidência (critérios material, temporal, espacial, quantitativo e pessoal). O exame de tais critérios permite entender as causas de invalidade dos lançamentos tributários por vícios na aplicação da regra de direito material. Por conseguinte, qualquer violação de um dos critérios que compõe a estrutura da regramatriz de incidência constituirá razão necessária e suficiente para que o julgador administrativo invoque defeito substancial do lançamento tributário, para decretar a sua nulidade. No caso objeto de análise, o lançamento original errou na quantificação do tributo, dimensão que expressa o critério Fl. 346DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 16/1 2/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 14 quantitativo da regra matriz de incidência. Logo, não se trata de desrespeito a uma regra procedimental necessária a realização do lançamento, mas do próprio conteúdo da obrigação tributária que 6, em sua essência, substancial.” – destaquei. É cediço que o mero erro na indicação de legislação constitui vício formal, sanável inclusive se a motivação do auto de infração permitir ao contribuinte que se defenda das acusações que lhe foram feitas, conforme jurisprudência pacífica desta Corte. Todavia, este precedente não se aplica. In casu, não se está tratando de vício formal. Não houve apenas a indicação de lei não aplicável, mas a imputação de regra matriz de incidência tributária totalmente diversa daquela à que a contribuinte está sujeita. Todo o critério quantitativo é diverso, base de cálculo, alíquota e inclusive a possibilidade de créditos que existe apenas no sistema não cumulativo. Evidente, a meu sentir, que o vício em análise alcança a própria substância do crédito tributário, conforme, inclusive, foi reconhecido na decisão de primeira instância administrativa, a saber: Trecho do acórdão recorrido fls. 319: “109. O comentado equívoco na fundamentação legal dos lançamentos acarretaram equívoco na definição do regime de tributação e, assim, acabaram por provocar distorções nos lançamentos, não apenas em razão da distinção das alíquotas dos regimes cumulativo e não cumulativo, mas também em função da cumulatividade, que, diferentemente ao que ocorre neste primeiro regime, no segundo deve ser observada. E este equívoco constante dos lançamentos não pode ser corrigido por esta instância julgadora. 110. É que, se assim o fizesse, estaria a autoridade julgadora alterando, substancialmente, as exigências inicialmente formalizadas, o que, sem dúvidas, não mais tem cabimento, porquanto revogada, pelo art. 79, da Lei nº 11.941, de 27/05/2009, a possibilidade de agravamento, por esta autoridade, do lançamento antes prevista no parágrafo único, do art. 15, do Decreto nº 70.235/721 e que era bastante censurada pelos estudiosos do direito tributário, que nela enxergavam contrariedade ao art. 18, §3º, deste Decreto.” destaquei Ante o exposto e, em vista do vício insanável constatado nos autos de infração, NEGO PROVIMENTO ao recurso de ofício, mantendo incólume a decisão recorrida. É como voto. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Fl. 347DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 16/1 2/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10480.729916/201112 Acórdão n.º 3302001.813 S3C3T2 Fl. 17 15 Fl. 348DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 16/1 2/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Numero do processo: 10640.001814/2003-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 1997
NORMAS PROCESSUAIS. PROVA NOVA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. NÃO OCORRÊNCIA.
A apreciação de provas apresentadas por acasião do recurso ao CARF, sem a inovação de matéria, não caracteriza supressão de instância a demandar a a declaração de nulidade do julgado nem o retorno dos autos à primeira instância. Precedentes.
Numero da decisão: 3201-001.184
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
DANIEL MARIZ GUDIÑO - Relator.
EDITADO EM: 02/03/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Paulo Sérgio Celani, Adriene Maria de Miranda Veras e Luciano Lopes de Almeida Morais. Ausente justificadamente o Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. (ASSINADO DIGITALMENTE) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) DANIEL MARIZ GUDIÑO - Relator. EDITADO EM: 02/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Paulo Sérgio Celani, Adriene Maria de Miranda Veras e Luciano Lopes de Almeida Morais. Ausente justificadamente o Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira.
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ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 1997 NORMAS PROCESSUAIS. PROVA NOVA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. A apreciação de provas apresentadas por acasião do recurso ao CARF, sem a inovação de matéria, não caracteriza supressão de instância a demandar a a declaração de nulidade do julgado nem o retorno dos autos à primeira instância. Precedentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. (ASSINADO DIGITALMENTE) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) DANIEL MARIZ GUDIÑO Relator. EDITADO EM: 02/03/2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 18 14 /2 00 3- 31 Fl. 182DF CARF MF Impresso em 08/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 02/03/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Paulo Sérgio Celani, Adriene Maria de Miranda Veras e Luciano Lopes de Almeida Morais. Ausente justificadamente o Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira. Relatório Tratamse de embargos declaratórios interpostos pela Fazenda Nacional contra o Acórdão 3201000.975 por haver suposta omissão no decisum. Em suas razões recursais, a Embargante sustenta que, ao admitir provas novas por parte da Interessada, o colegiado do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) deveria ter submetido a questão à nova apreciação da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ). Como não o fez, a sua omissão caracterizou supressão de instância. Em seguida, defende que o saneamento do processo exigiria a devolução do mesmo à Delegacia da Receita Federal de Fiscalização (DRF) para avaliar a nova documentação apresentada pela Interessada em sede de recurso voluntário. Por fim, a Embargante requer seja dado provimento aos embargos com efeitos infringentes para que o acórdão recorrido seja anulado e o processo seja reapreciado com as novas provas juntadas pela Interessada. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade previstos no art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e alterações posteriores. Inicialmente, cabe ressaltar que o recurso da Embargante merece ser embargado, pois há uma obscuridade. Não está claro se a Embargante pretende ver o processo submetido à DRJ ou à DRF. A par disso, admitindo que seja a intenção da Embargante anular o acórdão recorrido para que não haja supressão de instância, fazse mister analisar a necessidade de suprir a omissão alegada. Impende registrar que a omissão de que trata o art. 65 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF diz respeito à decisão em si ou a ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma julgadora. Não houve qualquer omissão no acórdão recorrido quanto às razões apresentadas pela Interessada. Por outro lado, o colegiado realmente não tratou da supressão de instância. E não o fez, pois a Interessada não invocou matéria nova. Tal como mencionado na Fl. 183DF CARF MF Impresso em 08/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 02/03/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10640.001814/200331 Acórdão n.º 3201001.184 S3C2T1 Fl. 183 3 impugnação, o recurso voluntário apenas confirma que os créditos tributários estavam com a exigibilidade suspensa. A supressão de instância configurarseia apenas se a Recorrente houvesse invocado matéria nova em sede recursal. Nesse sentido, confirase abaixo ementas de julgados deste CARF: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/06/2006, 31/08/2006, 15/09/2006, 18/09/2006, 26/09/2006, 27/09/2006, 28/09/2006, 29/09/2006 NORMAS PROCESSUAIS. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. A apreciação da matéria em segunda instância, sem que tenha sido apreciada em primeira instância, caracteriza supressão de instância, o que não se admite no direito processual administrativo tributário. Processo anulado a partir da decisão de primeira instância, inclusive. (Acórdão nº 20313.080, Rel. Cons. Eric Moraes de Castro e Silva, Sessão de 03.07.2008) ......................................................................................................... PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — NULIDADE — São nulas as decisões que possam resultar em preterição de direito de defesa, mediante supressão de instância. (Acórdão nº CSRF/0400.660, Rel. Cons. Eric Moraes de Castro e Silva, Sessão de 03.07.2008) Como não houve inovação nas razões de recorrer, não é possível afirmar que houve supressão de instância no caso concreto, embora a Recorrente tenha juntado provas novas. Quando muito podese afirmar que a Recorrente esclareceu as razões da suspensão de exigibilidade dos créditos tributários que compõem o lançamento, pois a impugnação foi assaz sucinta. Disso, contudo, não resulta supressão de instância a exigir a declaração de nulidade do julgado nem o retorno dos autos à primeira instância. Nesse sentido, convém trazer à baila a ementa de um importante julgado da Câmara Superior de Recursos Fiscais: PROVA NOVA NULIDADE DE ACÓRDÃO RETORNO DOS AUTOS À PRIMEIRA INSTÂNCIA Não há violação dos princípios do duplo grau de jurisdição e do devido processo legal quando a nova prova juntada ao Recurso Voluntário foi devidamente analisada no Acórdão recorrido, não havendo justificativa para a declaração de nulidade do julgado nem o retorno dos autos à primeira instância. Recurso especial negado. (Acórdão nº CSRF/0105.156, Rel. Cons. Remis Almeida Estol, Sessão de 29/11/2004) Diante do exposto, ACOLHO os embargos declaratórios e os REJEITO, mantendo o acórdão recorrido integralmente. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 08/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 02/03/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 (ASSINADO DIGITALMENTE) Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 185DF CARF MF Impresso em 08/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 02/03/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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