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Numero do processo: 10865.001126/2005-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Simples Ano-calendário: 2002- SIMPLES PESSOA JURÍDICA EXCLUÍDAS DA OPÇÃO — Não poderá optar pelo SIMPLES, nos termos do inciso IX do artigo 9 °., da Lei 9317/96, a pessoa jurídica cujo sócio ou titular participa de outra empresa com mais de 10% do capital social e a receita bruta global no ano-calendário de 2001 ultrapassou o limite legal. Correta a exclusão do contribuinte de tal regime simplificado a partir de 01/01/2002,nos termos do artigo 15,IV, do mesmo dispositivo legal, vez que se encontra expressamente consignado na legislação esses eventos COMO impedimentos à opção do(a) relator(a).
Numero da decisão: 1102-000.483
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Simples Ano-calendário: 2002- SIMPLES PESSOA JURÍDICA EXCLUÍDAS DA OPÇÃO — Não poderá optar pelo SIMPLES, nos termos do inciso IX do artigo 9 °., da Lei 9317/96, a pessoa jurídica cujo sócio ou titular participa de outra empresa com mais de 10% do capital social e a receita bruta global no ano-calendário de 2001 ultrapassou o limite legal. Correta a exclusão do contribuinte de tal regime simplificado a partir de 01/01/2002,nos termos do artigo 15,IV, do mesmo dispositivo legal, vez que se encontra expressamente consignado na legislação esses eventos COMO impedimentos á. opção. do(a) relator(a). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. / EDITADO EM: 2 5 JJi Luaa Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente da Turma), João Otavio Oppennan Thoiné, Silvana Rescigno Guerra Banetto, Leonardo de Andrade Couto , Ana Clarissa Masuko dos Santos Aranjo(Suplente Convocada) e João Carlos Lima Junior(Vice-Presidente). Relatório Recorre a Contribuinte da contra decisão que .manteve o Ato Declaratório Executivo DRF/LIM N.467.506 de 07/08/2003, fls.03 que a excluiu do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), ao qual havia anteriormente optado, na forma da Lei no 9.317, de 05 de dezembro de 1996 e alterações posteriores, a partir de 01/01/2002. A exclusão se fundou na existência de um dos sócios com participação superior a 10% do capital de outra pessoa jurídica, tendo a receita bruta global no ano- calendário 2001 superado o limite do art. 2°, II, da Lei n° 9.317, de 1996, incidindo na hipótese excludente prevista no art.9°, IX, da referida lei. A contribuinte oferece o SRS de fls.01,a manifestação de inconformidade de fls.18/22 e o recurso de fls.37/41,como os mesmos argumentos, ou seja: O sócio ern questão é EDSON SEBASTIÃO RAVAZI, CPF 050.440.798-80, cuja participação no capital da impugnante uni 31/12/2001 era de 3,34%. Em 23/09/2003 foi apresentada a Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples, a qual .foi Indeferida por Despacho Decisório do Sr. Chefe da SACAT/DRF/Limeira, de 16/09/2005. • requerente apresentou manifestação de inconformidade em 08/11/2005, a qual foi indeferida pela instancia a quo. Entende de forma diversa do que decidiu a Sra. Relatora da 1 a . instância, e do Chefe da SACAT/DRF/LIMEIRA, vindo desta firma apresentar seu Recurs(' Voluntario em .face da manutenção da exclusão, pelos motivos adiante descritos. POSSIBILIDADE DE MANTER-SE NO SIMPLES DESDE A OPÇÃO A empresa entende que possui todas os requisitos para manter-se no Simples, pois: I. 0 .faturamento bruto anual da empresa não ultrapassa OS limites estabelecidos pela Lei ii° 9.317/96, art. 9, II; 2. Não opôs embaraço ou resistência à fiscalização; 1) Na data apurada pelo ADE 467.506, o sócio Edson Sebastião Ravazi participava coin apenas 3,34% do capital,. 2) Os denials so cios não possuíam qualquer outra incompatibilidade coin a opção do Simples; 3) Através do Ato Declaratório Executivo n° 467506 fbi comunicada que . fora exchdda do SIMPLES com evento 311 "Sócio ou titular participa de outra empresa coin mais de 10% e a receita bruta global no ano-calendário 2001 ultrapassou o limite legal — CPF 050.440.798-80. CNPJ 00.025.994/0001-09 66.833.401/0001-30. 2 Processo t1 0 0565.001126 72005-06 Acórciiio rt.' 1102-00.483 SI-Cl T2 Fl. 2 Data da ocorrência: 31/12/2001"; 4) A atividade exercida não está elencoda entre as atividades impeditivas aos optantes do Sistema SIMPLES; 5) Não possui de;,bitos inscritos em divida ativa sem a suspensão da exigibilidade, e nem os seus referidos sócios; 6) 0 sócio Edson Sebastião Ravazi desligou-se da empresa Rovazi & CNPJ 66.833.401/0001-30 em 17/11/2003, conforme comprova contratual juntada anteriormente; 7) Lembramos também que o Congresso Nacional ampliou o limite do enquadramento do Simples para o montante de R$ 2.400.000,00, motivo pelo qual também deve ser mantida no Simples ininterruptamente, eis que mesmo que fosse válida a exclusão por outro motivo, o novo limite enquadra-se no intervalo c/c .faturcunento das empresas que o sócio Edson S. Ravazi participa/ Por todos estes motivos, entendemos que improcede a exclusão realizada, cabendo aos nobres julgadores decidirem pela permanência da requerente entre os °mantes do sistema SIMPLES.2 O processo teve seu julgamento convertido em diligência através do acórdão 3808-00009, de 18/05/2009,de fls.44/46, onde o Relator assim concluiu: Como o Ato Declaratório de exclusão do SIMPLES fundamentou-se na hipótese de extrapolação do limite legal de faturamento e existência de sócio comum das empresas coin participação superior a 10%, a apreciação da regularidade da exclusão deve se limitar apenas a este ponto. E nesse ponto, não se vê dos autos qualquer elemento que demonstre o valor somado do faturamento das empresas com sócio comum no ano de 2001, muito mows a informação acerca de qual regime de tributação era adotado pelas outras empresas das quais o sócio comum participaria. Notadamente esta Ultim a informação e fundamental, para se verificar se hã, de .fato e sob a nova legislação do Simples, incompatibilidade a justificar a exclusão do sistema. Assim, proponho a conversão do feito em diligencia, para que baixem os autos, a fim de que sejam informados (i) o valor do faturamento do Recorrente e das empresas Re& Construtora Ltda. e Ravazi S/C Ltda. no ano de 2001, 60 bem coma o regime de tributação das referidas empresas naquele MeS1110 at 70. 0 resultado encontra-se às fls.51. Recebo, por sorteio, o processo para relato. Este o Relatório. 3 Voto Conselheira IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, 0 recurso preenche os pressupostos de admissibilidade e dele conheço. Trata-se de exclusão do SIMPLES, conforme anteriormente relatado, cuja fundamentação do ato de exclusão centra-se na violação do art. 9°, inciso IX, da Lei n. 9317/96, que impede a condição de beneficiaria do Simples as pessoas jurídicas cujo titular ou sócio participe com mais de 10% do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do art. 2°. 0 ato declaratório e a decisão recorrida apontam que restara comprovado que, no ano de 2001, somadas as receitas brutas da Recorrente e das empresas Rafra Construtora Ltda. e Ravazi S/C Ltda. (todas com sócio comum com participação superior a 10%), houve superação do limite legal para manutenção da empresa no SIMPLES. Bem como os documentos juntados demonstrariam a participação do sócio Edson Sebastião Ravazi na empresa Recorrente e nas outras empresas, as quais, em conjunto, tiveram receita bruta superior ao limite legal do SIMPLES no ano de 2001. A tabela de fls.51 realizada pela autoridade diligenciante aponta que o faturamento geral das empresas das quais o Sr.Edson Sebastião Ravazi participa somaram no ano de 2001, R$1.407.546,03 A legislação que rege a matéria proibe expressamente a opção do SIMPLES de pessoas jurídicas cujo titular ou sócio participe corn mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, quando a receita bruta global, no caso, o somatório do faturamento de ambas as empresas, ultrapasse o limite previsto na legislação no SIMPLES, ou seja R$1.200.000,00 época (atualmente é de R$2.400.000,00, redação dada pela Lei n° 11.196 de 22/11/2005). Fundamentos no inciso IX do artigo 90 da Lei 9.317196, combinado com artigo 2° do mesmo diploma legal. 0 que prova o acerto do ato declaratório pois o antes referido sócio da empresa optante pelo SIMPLES, participa de outra empresa com, mais de 10% e a receita bruta global no ano-calendário de 2001 ultrapassou o limite em 31/12/2000, conforme os seguintes dispositivos:Lei na 9.317, de 05/12/1996: art. 9 ° ., IX; art.12; art.14, I; art,15, II. Medida Provisória n°. 2.158-34, de 27/07/2001: art:73. Instrução Normativa SRF 355; de 29/08/2003: art.20, IX; art.21; art.23, I; art. 24, II, c/c parágrafo único. São reproduzidos os textos que interessam ao caso: Lei 9317/1996: Art. 9 0 No poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: IX - cut() titular ou sOcio participe com mais de 10% (de:: por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso 11 (10 art. 2°: Art. 12. A exclusão do SIMPLES será feita mediante comunica cão pela pessoa jurídica ou de oficio. Art. 14. A exclusão dar-se-á de oficio quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: Processo n° 10865.001126/2005-06 SI-CIT2 Acórao n.° 1102-00.483 Fl. 3 I - exclusão obrigatória, nas formas do inciso II e § 2" do artigo anterior, quando não realizada por comunicação da pessoa jurídica; Art. 15. Alterado pelo art. 3" da Lei n" 9.732/98 A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: (..); IV - a partir do ano-calendário subseqüente àquele cm que for ultrapassado o limite estabelecido, nas hipóteses dos incisos I e II do art. 9". Assim, diferente das afirmações contidas nas razões oferecidas, a comparação se faz a partir da empresa optante pelo SIMPLES e não o contrário, como pretende a Recorrente. Porque, para efeito de enquadramento neste sistema simplificado, quando o titular ou sócio da empresa possui participação superior a 10% no capital social da outra empresa, deve ser considerada a soma das receitas brutas até o limite legal estabelecido na norma. No caso dos autos se comprova que o sócio Edson Sebastião Ravazi, no ano- calendário de 2001, participava com 50% do capital social do CNPJ 00.025.994/0001-09, Rafa Construtora Ltda; igualmente participa com 50% do CNPJ 66.833.401.798-80 RAVAZI S/C LTDA.capital social da empresa Construa Construções Civis Ltda, CNPJ 77.433.720/0001-75 (f1.12). Invoca a Recorrente que referido sócio participa,apenas, com 3,34 °A do capital social da empresa. Todavia é irrelevante o percentual de participação deste sócio na empresa optante pelo SIMPLES o que conta é sua participação superior a 10°A no capital de outra empresa cuja a soma da suas receitas brutas excedem o limite estabelecido para aquele exercício, nos termos da redação dada através da Lei n° 9.732 de 11.12.1998 para o inciso II do artigo 2 ° . da Lei 9317/1996. Nesta ordem de juizos nego provimento ao recurso. IVE'TE MALAtQUIAS PESSOA MONTEIRO I 5
score : 1.0
Numero do processo: 10670.001411/2007-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003, 01/12/2004 a 31/12/2004, 01/12/2005 a 31/12/2005
Ementa:
É OBRIGATÓRIO O RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO RETIDA DA REMUNERAÇÃO DO SEGURADO.. APROPRIAÇÃO INDÉBITA.
As empresas são obrigadas a arrecadar e recolher as contribuições dos segurados empregados a seu serviço, descontando-as
da respectiva remuneração.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-000.958
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003, 01/12/2004 a 31/12/2004, 01/12/2005 a 31/12/2005 Ementa: É OBRIGATÓRIO O RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO RETIDA DA REMUNERAÇÃO DO SEGURADO.. APROPRIAÇÃO INDÉBITA. As empresas são obrigadas a arrecadar e recolher as contribuições dos segurados empregados a seu serviço, descontando-as da respectiva remuneração. Recurso Voluntário Negado
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1543; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 80 1 79 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10670.001411/200768 Recurso nº 258.384 Voluntário Acórdão nº 230200.958 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de abril de 2011 Matéria Remuneração de Segurados: Parcelas Descontadas dos Segurados Recorrente PREFEITURA MUNICIPAL DE FRANCISCO SÁ Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003, 01/12/2004 a 31/12/2004, 01/12/2005 a 31/12/2005 Ementa: É OBRIGATÓRIO O RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO RETIDA DA REMUNERAÇÃO DO SEGURADO.. APROPRIAÇAO INDÉBITA. As empresas são obrigadas a arrecadar e recolher as contribuições dos segurados empregados a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo Da Costa e Silva, Thiago D Avila Melo Fernandes, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriana Sato Fl. 80DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 11/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 2 Ausência momentânea : Thiago D’ Avila Melo Fernandes Fl. 81DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 11/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 10670.001411/200768 Acórdão n.º 230200.958 S2C3T2 Fl. 81 3 Relatório Trata a presente notificação lavrada em 19/09/2006, com ciência pelo sujeito passivo em 26/09/2006, de contribuições previdenciárias arrecadadas dos segurados empregados, incidentes sobre as suas remunerações, nas competências de 02/2003, 13/2004 e 13/2005, estas últimas relativas ao décimo terceiro salário. O relatório fiscal de fls. 27/28, diz que o contribuinte arrecadou a contribuição dos segurados empregados e não recolheu à Previdência Social. Após a apresentação de defesa, Acórdão de fls. 59/62, julgou o lançamento procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega em síntese: a) a nulidade do MPF por não conter assinatura; b) que o DAD não traz os valores originários, nem os valores já recolhidos; c) que não foram indicados os documentos utilizados para o lançamento; d) que não existem contribuições não declaradas porque as pessoas relacionadas não prestavam serviços ao município; e) que os fretes não existem; f) que é inadmissível que os agentes políticos façam parte do lançamento; g) que o crédito lançado no período de 1999 a 2000, está decadente. Requer que seja declarada a nulidade do MPF, as contribuições cobradas e a notificação. O fisco não ofereceu as contrarazões. É o relatório. Fl. 82DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 11/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 4 Voto Conselheiro Liege Lacroix Thomasi Da Preliminar Quanto a argüição da recorrente acerca da nulidade do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, no que se refere à assinatura do documento, a decisão recorrida já explanou o assunto de forma completa, esclarecendo ao contribuinte que consta dos MPF’s, no campo “Observações”, a informação de que o mesmo é assinado eletronicamente, conforme previsto no parágrafo 1º do artigo 601, da Instrução Normativa n.º100/2001 e artigo 586 da Instrução Normativa n.º 03/2005, e a autenticidade do documento poderá ser verificada pela internet, em qualquer Unidade de Atendimento da Secretaria da Receita Previdenciária, ou por telefone. Esta argumentação já seria mais do que suficiente para afastar a preliminar suscitada, contudo, vale registrar em caráter subsidiário que a nulidade do lançamento é causada pela falta de precedência do MPF, conforme expressamente consignado no artigo 32, Inciso III da Portaria MPS n° 520/2004. A finalidade do MPF é conferir ciência ao contribuinte do procedimento fiscal. Ora, no presente caso, resta induvidosa a ciência prévia do procedimento e a ciência dos MPF’s Complementares, fls.20/23, que sustentaram o lançamento. Ainda, em preliminar, não há que se falar em decadência do período de 1999 a 2000, eis que não faz parte da presente notificação, lavrada em 19/06/2006, e que se refere às competências de 02/2003, 13/2004 e 13/2005. Do Mérito O relatório fiscal traz explicitamente que a notificação se refere às contribuições previdenciárias que foram descontadas dos segurados empregados cujos recolhimentos totais não foram comprovados, referente às folhas de pagamento elaboradas pela recorrente, sendo assim, tais valores incontroversos e, conseqüentemente, inafastável é sua cobrança, repisando que as informações foram repassadas ao Fisco pelo próprio contribuinte através de GFIP. Por todo o exposto não merece reparo o lançamento do débito, já que por expressa determinação legal, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração e recolher o produto arrecadado no dia 2 do mês seguinte ao da competência (art. 30, inciso I, letras “a” e “b” da Lei n.º 8.212/91), sendo que o crédito também tem suporte no artigo 20 da Lei n.º 8.212/91, que trata da contribuição dos segurados empregados. Não assiste razão à recorrente quando diz que o DAD – Discriminativo Analítico do Débito não traz valores originários, nem os recolhimentos havidos, pois o simples exame do documento à fl. 04, mostra o valor originário lançado e o valor relativo ao recolhimento, quando existente. Ainda , no Relatório de Lançamentos, fl.06, consta discriminado o valor retido dos segurados, conforme apurado nos documentos apresentados pelo recorrente. Fl. 83DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 11/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 10670.001411/200768 Acórdão n.º 230200.958 S2C3T2 Fl. 82 5 É inócua também a assertiva de que os agentes políticos fazem parte do levantamento e que não foram indicados os documentos que embasaram a notificação, posto que no Relatório Fiscal de fls. 27/28, está expresso que o crédito lançado referese aos segurados contratados e comissionados e estão listados os documentos examinados como as folhas de pagamento, notas de empenho, recibos de pagamento e GFIP’s. Os demais argumentos expendidos pela recorrente quanto a fretes e pessoas que não prestavam serviço ao município, não serão analisados por não guardarem qualquer relação com o assunto específico desta notificação que se refere apenas a contribuições descontadas dos segurados empregados pela própria recorrente, informadas em suas folhas de pagamento e GFIP’s. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 84DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 11/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA
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Numero do processo: 15374.904340/2008-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue May 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2004
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO APÓS DECISÃO QUE NEGOU O PEDIDO. DESCABIMENTO.
É inadmissível a retificação de PER/DCOMP para alterar o exercício de apuração do saldo negativo do IRPJ, quando solicitada pela interessada posteriormente à ciência da decisão administrativa que não reconheceu o crédito pleiteado e não homologou as compensações originalmente declaradas.
Numero da decisão: 1202-000.526
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do pedido de diligência e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Carlos Alberto Donassolo
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO APÓS DECISÃO QUE NEGOU O PEDIDO. DESCABIMENTO. É inadmissível a retificação de PER/DCOMP para alterar o exercício de apuração do saldo negativo do IRPJ, quando solicitada pela interessada posteriormente à ciência da decisão administrativa que não reconheceu o crédito pleiteado e não homologou as compensações originalmente declaradas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do pedido de diligência e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Orlando José Gonçalves Bueno, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Eduardo Martins Neiva Monteiro e Jorge Celso Freire da Silva. Relatório Fl. 267DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 15374.904340/200804 Acórdão n.º 120200.526 S1C2T2 Fl. 268 2 A interessada transmitiu, em 14/01//2004, o PERD/COMP eletrônico de número final 7904 (fls. 02 a 07) visando utilizar o crédito contra a Fazenda Pública de R$ 7.734,64, de um total de R$ 27.568,98, decorrente do saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2000, para compensação de débitos, ali informados, no valor de R$ 7.811,99, fls. 07. Na sequência, em 20/05/2008, a DERAT/Rio de Janeiro emitiu Despacho Decisório Eletrônico, de fls. 08, não homologando a compensação pleiteada, sob o fundamento de que na DIPJ, correspondente ao período de 01/01/2000 a 31/12/2000, não havia apuração de crédito do IRPJ, de acordo com os seguintes termos: “Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, constatouse que não houve apuração de crédito na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) correspondente ao período de apuração do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 27.568,98 Valor do crédito na DIPJ: R$ 0,00” Cientificada da Decisão, em 29/05/2008, fls. 105, a interessada apresentou, em 27/06/2008, manifestação de inconformidade, de fls. 09 a 15, na qual alega, em síntese: a) quando do preenchimento dos PER/DCOMP de números final 7904; 4940 e 5395 constou, equivocadamente, a utilização de saldo negativo de IRPJ apurado no exercício de 2001 (anocalendário de 2000), ao invés do exercício de 2002, como seria correto; b) informa, também, que se equivocou no preenchimento do valor do IRRF na DIPJ do exercício de 2002, o que influiu no resultado do saldo negativo do IRPJ, tendo providenciado na retificação da DIPJ mencionada; c) requer seja deferida diligência para a verificação correta dos valores do crédito alegado no pedido de compensação; Após a análise da manifestação, foi emitido o Acórdão DRJ/Rio de Janeiro 1, fls. 108 a 115, com o seguinte ementário: PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. Tornase prescindível a diligência solicitada pelo contribuinte, quando inexiste qualquer elemento que possa trazer dúvida quanto à matéria objeto de julgamento. A prova da liquidez e certeza do crédito descrito no PERDCOMP é ônus que incumbe ao próprio contribuinte. ALEGAÇÃO DE ERRO NO PREENCHIMENTO DE DCOMP. VEDAÇÃO DE RETIFICAÇÃO. Na hipótese de inexatidão material verificada no preenchimento da DCOMP apresentada em formulário ou em meio eletrônico, a retificação somente é admitida para as declarações pendentes de decisão administrativa. Incabível a retificação de DCOMP através de manifestação de inconformidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Os principais fundamentos utilizados no voto condutor do Acórdão recorrido, são a seguir transcritos: Fl. 268DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 15374.904340/200804 Acórdão n.º 120200.526 S1C2T2 Fl. 269 3 “A diligência passa a ser necessária quando diante de uma argumentação com a anexação de algum elemento probante (mesmo por amostragem) que tivesse o condão de demonstrar o valor do saldo credor apurado e o ano a que ele corresponde, para que seja deferida então a respectiva verificação. Na verdade, como a própria interessada protestou pela ulterior juntada de provas, ela mesma poderia ter trazido a colação as origens dos saldos relativos aos anos de 2000 e 2001, para a verificação nesta esfera de julgamento. Entretanto, nada disso foi feito. E, portanto, entendendo que a diligência seria prescindível, INDEFIRO o pedido formulado na manifestação de inconformidade. (...) Como se vê, a retificação da DCOMP apresentada em formulário ou eletrônica somente é possível na hipótese de inexatidões materiais verificadas no seu preenchimento. Contudo, não pode ser realizada indiscriminadamente, pois o procedimento retificador é efetuado formalmente, quer seja através da apresentação de formulário ou de PER/DCOMP eletrônica, e somente para as declarações ainda pendentes de decisão administrativa. (...) Repisada a disciplina legal e normativa aplicável à DCOMP, resta evidente que os alegados erros formais no preenchimento desta declaração somente poderiam ser sanados até a ciência da decisão administrativa prolatada pela DIORT/DERAT/RJ, ou seja, até 29/05/2008 (fls. 105). Contudo, consta dos autos apenas a retificação da DIPJ do anocalendário de 2001 datada de 25/06/2008, sem que tenha havido a retificação do PER/DCOMP de número final 7904 antes da ciência da decisão administrativa (Despacho Decisório de fls. 08).” Irresignada com a decisão, a contribuinte apresentou seu recurso voluntário, de fls. 118 a 125, repetindo praticamente os mesmos argumentos trazidos em sua manifestação de inconformidade. Reforça a tese de erro de preenchimento do PER/DCOMP, salientando que, quanto aos pedidos de compensação formulados, os mesmos apontavam erro tipicamente material, qual seja, a informação de período de apuração diferente do correto. Além disso, em nenhum momento foi dito/constatada a inexistência de crédito tributário em favor da requerente. A respeito da comprovação do erro material, menciona que a autoridade julgadora deixou de solicitar complementação documental a fim de comprovar as alegações apresentadas, bem como indeferiu o pedido diligência. Alega que encontrase suficientemente provado nos autos a existência do direito creditório, requerendo, ao final, o seu regular reconhecimento e a homologação das compensações pleiteadas. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, assim dele tomo conhecimento. A questão principal a ser discutida diz respeito à possibilidade de retificação do período de apuração a que se refere o crédito contra a Fazenda, informado no Fl. 269DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 15374.904340/200804 Acórdão n.º 120200.526 S1C2T2 Fl. 270 4 PER/DCOMP, após a ciência do Despacho Decisório que não reconheceu dito crédito e, por conseqüência, não homologou as compensações pleiteadas. Alega a interessada que incorreu em erro de preenchimento do PER/DCOMP. Ao invés de informar que o crédito seria originário do saldo negativo do IRPJ apurado na DIPJ/2002, anocalendário 2001, indicou um crédito do IRPJ apurado na declaração DIPJ/2001, anocalendário de 2000, esta última sem crédito passível de restituição. Menciona, ainda, que o crédito efetivamente existe, porém, por força de mero erro material, o direito creditório não foi reconhecido. Creio não assistir razão à recorrente. Primeiramente, é incontroverso nos autos a inexistência de crédito contra a Fazenda, relativo ao saldo negativo do IRPJ apurado na DIPJ/2001, anocalendário de 2000, informado pela própria interessada em sua PER/DCOMP, fls. 03. Por seu turno, o Despacho Decisório combatido fundamentou sua decisão exatamente nesse fato, ou seja, não ter constatado a apuração de crédito na declaração DIPJ/2001. Nos termos do que foi descrito no item anterior, a primeira conclusão a que se chega é que o Despacho Decisório encontrase correto, uma vez que o crédito, da forma como informado no PER/DCOMP, não existia, e a compensação, no âmbito tributário, somente pode ocorrer com crédito líquido e certo. O fato concreto é que, na data da transmissão do PER/ DCOMP, a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há que se falar em direito à compensação (art. 170 do CTN). Por outro lado, alega a recorrente a existência de mero erro material no preenchimento do PER/DCOMP em exame. Com efeito, o art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, abaixo transcrito, dispõe que as inexatidões materiais devidas a “lapso manifesto” e os “erros de cálculo ou de escrita” podem ser corrigidas de ofício ou a requerimento do sujeito passivo: Art. 32. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo.(grifei) O significado do termo “lapso manifesto”, exposto na obra “Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado”, de Marcos Vinícius Neder e Maria Teresa Martínez López, Ed. Dialética, São Paulo, 2002, p. 324/325, tem a seguinte descrição: “O legislador, ao se referir, no art. 32, a lapso manifesto, procurar evitar tal discussão, já que não se refere ao simples erro, mas ao erro notório que pode ser detectado em análise sumária assim como o erro de cálculo e os de escrita. Exemplos: erro de grafia de palavra que lhe desfigure o texto; omissão do nome de algum interessado; erro ou modificação involuntária do nome de algum interessado; resultado de operação aritmética em desacordo com as parcelas indicadas na decisão, etc.” Na mesma obra, p. 324, é citada decisão proferida pela Suprema Corte a respeito do assunto: “Corroborando este entendimento, reportamonos ao julgado da Suprema Corte, da lavra do Ministro Leitão de Abreu (RE nº 79.400/GB), que conceituou lapso manifesto como “o erro, engano ou equívoco de caráter notório, patente, irrecusável, que se verifique ictu oculi, à primeira vista. Esse caráter de evidência ou de irrecusabilidade tanto pode se verificar nas inexatidões materiais ou nos erros de escrita ou de cálculo.” Fl. 270DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 15374.904340/200804 Acórdão n.º 120200.526 S1C2T2 Fl. 271 5 Como se percebe, o alegado equívoco no preenchimento do exercício de apuração do saldo negativo do IRPJ não encontra amparo, na doutrina e na jurisprudência, para que se proceda na sua correção, seja ela de ofício, ou a requerimento de sujeito passivo. Isso porque não se trata de divergência facilmente perceptível entre o que foi escrito e aquilo que se queria ter escrito, nem se trata do simples erro de cálculo ou de escrita, revelado no próprio contexto da declaração ou através das circunstâncias em que a declaração é feita No presente caso, não havia como identificar de pronto, à primeira vista, que o contribuinte pretendia compensar tributos com crédito originado do anocalendário 2001, ao invés do anocalendário 2000, conforme consta do seu PER/DCOMP. A indicação do período a que se refere o crédito é informação substancial, porque manifesta a própria vontade do declarante, a qual tem suprema importância para o direito. No caso do preenchimento dos dados do PER/DCOMP, cuja finalidade é a comunicação à administração tributária de um crédito e de um débito, os quais se extinguirão mutuamente, o erro na discriminação de qualquer um dos dois é claramente substancial, não podendo ser considerado simples erro material, detectável de pronto, como quer fazer crer a recorrente. Como já mencionado, não resta dúvida de que no momento da transmissão, e da análise, do PER/DCOMP em tela, o crédito do IRPJ, referente ao exercício de 2001, efetivamente não existia, de modo que está correta a decisão proferida no Despacho Decisório da fl.08 e a retificação pretendida somente pode ocorrer antes de qualquer procedimento de ofício. Isso ocorre, antes de tudo, em decorrência da forma como o rito processual se desenvolve. Uma vez efetuado o pedido de restituição, com a informação da origem do crédito e, comprovado que esse crédito não existe, não se poderia agora, após o exame da autoridade administrativa, querer modificar o pedido original, já que as informações contidas no PER/DCOMP foram corretamente analisadas pelo Despacho Decisório. Em outras palavras, não se pode querer alterar uma situação fática que existiu no momento da transmissão do PER/DCOMP após o exame dessa situação pela autoridade administrativa, que foi efetuado de forma correta com os fatos que se apresentavam no momento desse exame. Cabe aqui mencionar parte do Acórdão nº 10323.167 do antigo Conselho de Contribuintes, proferido na sessão de 09/08/2007 pelo ilustre Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho, sobre a possibilidade de alteração do pedido após o Despacho Decisório: “Não pode ser considerado erro material, (reiterese: susceptível de retificação), o fato de a Recorrente ter pleiteado a compensação de débito com crédito de um determinado período (ao invés de outro desejado) quando ela anexa à declaração vários documentos relativos ao período indesejado Em verdade, sob a alcunha de "retificação de erro material" pretende a Recorrente formular novo pedido de compensação (do mesmo débito, mas com outro crédito) aproveitandose da data do pleito originário para afastar a incidência dos encargos de mora. (...) Trata de restrição de ordem lógica que sequer necessitaria ter sido positivada pelos órgãos da SRF. É preceito indispensável à organização e estabilização das relações jurídicas de que cuidam os procedimentos julgados pela Administração. É fácil intuir que os procedimentos administrativos jamais chegariam ao seu final caso fosse permitido às partes alterar os fundamentos ou o conteúdo do pedido após a análise de seu mérito pelo julgador.” Fl. 271DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 15374.904340/200804 Acórdão n.º 120200.526 S1C2T2 Fl. 272 6 A alteração do exercício financeiro preenchido no PER/DCOMP significa trazer um outro crédito, de período distinto daquele originalmente oposto, cuja retificação também não pode ser feita de ofício, sob pena de se alterar a própria essência do crédito, cuja origem só pode ser informada pelo contribuinte. Esclareçase que não se trata aqui de negar um direito do contribuinte em solicitar o crédito que julga ter direito. Entretanto, esse pedido deverá ser formulado e enviado à Receita Federal do Brasil em novo PER/DCOMP (caso não prescrito), que terá um período distinto e será novamente processado e examinado pela autoridade competente em processo diverso do aqui discutido. Essa também é a orientação da Receita Federal do Brasil, no uso da atribuição que lhe foi outorgada pelo § 14 do artigo 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e alterações, ao disciplinar a apreciação dos processos de restituição/compensação por meio da IN SRF n° 600, de 28 de dezembro de 2005, vigente à época da emissão do Despacho Decisório, informando nos seus artigos 56 e seguintes que a retificação de Dcomp só poderá ocorrer antes de decisão administrativa e na hipótese de inexatidão material no preenchimento do documento sustentador do pedido. "Instrução Normativa SRF n° 600, de 28 de dezembro de 2005 Retificação de Pedido de Restituição, de Pedido de Ressarcimento e de Declaração de Compensação Art. 56. A retificação do Pedido de Restituição, do Pedido de Ressarcimento e da Declaração de Compensação gerados a partir do Programa PER/DCOMP, nas hipóteses em que admitida, deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à SRF de documento retificador gerado a partir do referido Programa. Parágrafo único. A retificação do Pedido de Restituição, do Pedido de Ressarcimento e da Declaração de Compensação apresentados em formulário (papel), nas hipóteses em que admitida, deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à SRF de formulário retificador, o qual será juntado ao processo administrativo de restituição, de ressarcimento ou de compensação para posterior exame pela autoridade competente da SRF. Art. 57. O Pedido de Restituição, o Pedido de Ressarcimento e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, no que se refere à Declaração de Compensação, que seja observado o disposto nos arts. 58 e 59." (grifei) Registrese que essa matéria encontravase pacificada no antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, de acordo com os Acórdãos números 10809.604, sessão de 17/04/2008 e nº 10517.130, sessão de 13/08/2008, cuja ementa abaixo se transcreve, dentre outros: DCOMP RETIFICAÇÃO APÓS DECISÃO QUE NEGOU HOMOLOGAÇÃO À COMPENSAÇÃO DESCABIMENTO – É inadmissível a retificação de DCOMP para alterar o exercício de apuração do saldo negativo de IRPJ informado, quando a declaração retificadora é apresentada posteriormente à ciência Fl. 272DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 15374.904340/200804 Acórdão n.º 120200.526 S1C2T2 Fl. 273 7 da decisão administrativa que negou homologação à compensação originalmente declarada. É de se concluir, portanto, que está correto o Despacho Decisório Eletrônico, que não reconheceu o direito creditório e não homologou as compensações pleiteadas, pautado nos termos do artigo 74 da Lei n° 9.430, de 1996 e legislação complementar, porquanto incabível ao contribuinte incluir neste processo novo crédito do IRPJ constante da DIPJ do anocalendário de 2001, quando já prolatada decisão administrativa que analisou PER/DCOMP anteriormente formulado, referente a saldo negativo do IRPJ apurado na DIPJ do ano calendário de 2000. Pelos motivos expostos, também fica prejudicado o exame do pedido de diligência, posto que não teria nenhum sentido o seu possível deferimento. Em face do exposto, voto para que não se conheça do pedido de diligência e, no mérito, que seja negado provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 273DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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Numero do processo: 11128.000861/2006-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II
Data do fato gerador: 07/02/2006
VISTORIA ADUANEIRA. ROUBO DE MERCADORIA. RESPONSABILIDADE DO DEPOSITÁRIO.
Constatada a responsabilidade do depositário, em procedimento de vistoria aduaneira, deve ele arcar com o recolhimento de multa e dos impostos devidos na importação de mercadorias extraviadas, que se encontravam sob sua custódia, não caracterizando o roubo, pelas suas características no caso concreto apresentado, caso fortuito ou força maior.
MULTA POR FALTA DE PAGAMENTO.
Não aplicada por falta de enquadramento no tipo legal.
O Fato gerador presumido ocorre na data do lançamento.
Não se pode falar que houve falta de pagamento nesta data que
ocasionasse a aplicação da sanção pecuniária.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3202-000.310
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, vencidos os Conselheiros Gilberto de Castro Moreira Junior e Antonio Spolador Junior, que davam provimento integral.
O Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda declarou-se impedido.
Nome do relator: MARA CRISTINA SIFUENTES
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ROUBO DE MERCADORIA. RESPONSABILIDADE DO DEPOSITÁRIO. Constatada a responsabilidade do depositário, em procedimento de vistoria aduaneira, deve ele arcar com o recolhimento de multa e dos impostos devidos na importação de mercadorias extraviadas, que se encontravam sob sua custódia, não caracterizando o roubo, pelas suas características no caso concreto apresentado, caso fortuito ou força maior. MULTA POR FALTA DE PAGAMENTO. Não aplicada por falta de enquadramento no tipo legal. O Fato gerador presumido ocorre na data do lançamento. Não se pode falar que houve falta de pagamento nesta data que ocasionasse a aplicação da sanção pecuniária. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, vencidos os Conselheiros Gilberto de Castro Moreira Junior e Antonio Spolador Junior, que davam provimento integral. O Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda declarouse impedido. Jose Luiz Novo Rossari Presidente. Mara Cristina Sifuentes – Relatora. Fl. 167DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES Assinado digitalmente em 20/07/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, 18/07/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jose Luiz Novo Rossari, Mara Cristina Sifuentes, Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilberto de Castro Moreira Junior, e Antônio Spolador Júnior. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2ª Turma da DRJ/SP2, a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, nos termos do Acórdão nº 1734.929, proferido em 10 de setembro de 2009. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito nas partes que interessam a este recurso voluntário: O presente procedimento teve início em face da comunicação de roubo do Contêiner GSTU 6906512, amparado pelo conhecimento marítimo n° POLHKG40179091 (P&O NEDLLOYD) Navio 00CL HAMBURG, procedente do Porto de Shekou transbordado para o navio P&O NEDLLOYD SUZANA no porto de HAMBURGO/ALEMANHA, entrado no porto em 12/11/2005, onde constava que o supramencionado contêiner, após ser descarregado no cais do operador portuário LIBRA T 37, foi destinado ao Pátio do TERMINAL LOCALFRIO S/A, através da GMCI n° 2417515/2005, sendo que o mesmo foi roubado durante o trajeto, conforme descrito no Boletim de Ocorrência n° 1899/05P/2005, lavrado em 13/11/2005, emitido pelo 1o Distrito Policial de Cubatão. Posteriormente a unidade de carga foi encontrada contendo parte das mercadorias conforme Boletim de Ocorrência e Auto de Exibição e Apreensão ambos n°1900/05, do Distrito Policial de Cubatão. Depois de comprovado que as mercadorias faziam parte do lote amparado pelo conhecimento marítimo n° POLHKG40179091, foi elaborado um auto de entrega das mercadorias, recebidas pelo representante do TERMINAL LOCALFRIO S/A. De acordo com o termo de constatação de ocorrência n° 001/2006 (fls.49/51), a comissão de vistoria concluiu pela responsabilização da depositária pelo extravio de 218 unidades de DVD RECEIVER, das 340 unidades inicialmente importadas. Em conseqüência, foi lavrado auto de infração, (fls. 1 a 10). Regularmente cientificada, em 02/03/2006, a interessada apresentou, em 13/03/2006, impugnação de fls. 82 e ss, onde, alega em síntese: • Diferença semântica entre roubo e extravio, não subsistindo a aplicação do artigo 628, II, "d" do RA/02. • Igualmente não há que se falar em incidência das demais multas e impostos, uma vez ocorrido o roubo, pois não há ocorrência do fato gerador, ou seja, o desembaraço da mercadoria. • No caso em questão não foi o contribuinte que deu causa, pois em caso de roubo caracterizase força maior. Afirma que ninguém deve responder por um dano para o qual não concorreu. • Junta jurisprudência. • Ao final requer o cancelamento do auto de infração. No voto condutor do acórdão recorrido a DRJ afirma que: Fl. 168DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES Assinado digitalmente em 20/07/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, 18/07/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES Processo nº 11128.000861/200671 Acórdão n.º 320200.310 S3C2T2 Fl. 162 3 Inicialmente impende tecer algumas considerações respeito do procedimento de vistoria, que está regulamentado nos artigos 581 a 588 do RA/02, in verbis:[...] Assim, a vistoria aduaneira é o instrumento legal para verificar a ocorrência de avaria ou de extravio de mercadoria estrangeira entrada no território aduaneiro, a identificar o responsável e a apurar o crédito tributário dele exigível, o que foi regularmente feito nos autos do PAF n ° 11128.008035/200590. A ocorrência do extravio das mercadorias, sob a custódia do impugnante é fato incontroverso. Descabe a alegação da impugnante da diferença semântica entre roubo e extravio, para descaracterizar o fato, uma vez que o Regulamento Aduaneiro (decreto 4543/02) estabelece: Art. 580. Para os fins deste Decreto, considerase (Decretolei 37, de 1966, art. 60): II extravio, toda e qualquer falta de mercadoria; e Desta forma, caracterizada a falta de parte dos bens configurase a ocorrência do extravio. [...] No caso em tela, foi apurado o extravio de bens contidos no Contêiner GSTU 6906512, processado nos autos do PAF n.° 11128.008070/200517, que concluiu pela responsabilização do depositário da carga extraviada, em conformidade com o termo de constatação de ocorrência n° 001/2006 (fls. 49/51). O auto de infração foi lavrado em 07/02/2006, data legal estabelecida como da ocorrência do fato gerador, para efeito do cálculo dos impostos, descabendo a alegação da contribuinte de inocorrência do desembaraço dos bens. [...] Depreendese que no caso em comento, nos mesmos moldes do II e IPI, a legislação prevê para o PIS e COFINS a ocorrência de entrada putativa, com efeitos de entrada real. [...] Em relação às alegações de que o suposto furto de parte das mercadorias nele contidas configurariam a excludente de responsabilidade arrimada na ocorrência de caso fortuito ou de força maior melhor sorte não cabe à impugnante, eis que, nos termos do Ato Declaratório Interpretativo SRF n.° 12, de 31 de março de 2004, o roubo ou o furto de mercadoria importada não se caracteriza como evento de caso fortuito ou de força maior, para efeito de exclusão de responsabilidade, nos termos do art. 595 do Decreto n° 4.543, de 26 de dezembro de 2002 Regulamento Aduaneiro, com as alterações do Decreto n° 4.765, de 24 de junho de 2003. [...] Pelas mesmas razões, portanto, considero que deve ser mantida, além da exigência relativa aos tributos e contribuições, também a multa regulamentar equivalente a 50% do imposto de importação, com fulcro no art. 106, inciso II, alínea "d" do Decretolei n.°37, de 1966, que, regulamentado na forma do art. 628, inciso III, alínea "d", do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n.° 4.543, de 2002. A empresa apresentou Recurso Voluntário, onde, em síntese, traz as seguintes alegações e pedidos: 1. Que o julgador não está vinculado ao Ato Declaratório Interpretativo nº 12/04 para afastar o roubo a mão armada das hipóteses de excludente de responsabilidade do depositário. 2. Que a interpretação dada pela DRJ quanto a não configuração do roubo peca pela superficialidade, não sendo aplicável em casos como dos autos. Para tanto traz a colação um acórdão do Conselho de Contribuintes, Fl. 169DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES Assinado digitalmente em 20/07/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, 18/07/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES 4 Processo nº 10314.000446/9887, em sessão realizada no dia 25/01/2006 em que o relator assim se pronunciou: "(...) Acredito que não paire nenhuma dúvida quanto ao fato de que as circunstâncias que envolvem um 'assalto á mão armada' caracterizem, efetivamente, uma situação fortuita. Tal como descrita pelo Comandante do navio, impossível de ser evitada tal ação por pessoas que não estão familiarizadas com atividades policiais, treinadas para o combate ao crime organizado. A prova que cabia ao Comandante, fazer foi feita. A apuração dos fatos, prisão e punição dos responsáveis, providências da competência da Policia Federal acionada, se foram ou não executadas não se pode concluir neste caso. Mas nem por isso deve o Comandante da embarcação ser desacreditado, nem tampouco descaracterizada à prova produzida". 3. Afirma que o roubo realizado a mão armada não havia como ser evitado ou impedido o seu evento danoso. Socorrese do entendimento do Min. Sálvio de Figueiredo, Resp 258.707SP, STJ 4ª Turma, JU 22.09.2000, para quem o roubo constitui evento inevitável, cuja ocorrência não depende de qualquer precaução que possa adotar a vítima. 4. Entende que a responsabilidade da recorrente é passível de exclusão pela ocorrência de caso fortuito nos moldes do art. 595 do RA/02. 5. Também apresenta trechos do Rec. 127.970, de Sérgio de Castro Neves, sem citar precisamente a fonte de tal recurso. O entendimento propalado neste excerto é que o roubo a mão armada não configura desídia do sujeito, e que é obrigação do Estado a segurança pública e que neste caso o Estado não poderia auferir ganho financeiro em resultado de sua negligência. 6. Em contraponto, esclarece que se prevalecer a tese contrária à excludente de responsabilidade afirma que é incabível a aplicação da multa de ofício quanto ao IPI, PIS/PASEP e COFINS diante do princípio universal que uma mesma conduta inflacionária não pode ser penalizada mediante a aplicação sucessiva de multas diversas. Eis, portanto o entendimento firmado em voto da Relatora Elizabeth Maria Violatto, nos autos do processo n° 11128.005874/200556: "Incabível a exigência das multas de oficio aplicadas, posto que o responsável tributário somente pode cumprir sua obrigação de pagar os tributos incidentes sobre o extravio de mercadoria depois dos procedimentos de ofício afetos à atividade fiscal, tendentes a apurar a falta, calcular o montante dos tributos devidos e designar o sujeito passivo da obrigação em causa. Tratase de situação em que o responsável jamais poderá efetuar referido pagamento automaticamente, sem a intervenção de oficio do agente fiscal. Sua obrigação de pagar nasce com o lançamento de oficio, sem o qual nada por ele seria devido.” É o relatório. Fl. 170DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES Assinado digitalmente em 20/07/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, 18/07/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES Processo nº 11128.000861/200671 Acórdão n.º 320200.310 S3C2T2 Fl. 163 5 Voto Conselheira Mara Cristina Sifuentes, Relatora. O recurso merece ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Do mérito O cerne da questão conforme exposto no relatório acima está em se decidir se o roubo, no caso concreto, caracterizase como caso fortuito ou força maior, excluindo assim a responsabilidade do depositário pelo evento danoso. Conforme exposto pela recorrente em seu recurso voluntário divergentes são as posições doutrinárias e jurisprudenciais, inclusive neste próprio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, sobre a definição do roubo como sendo caso fortuito ou de força maior ou não configurativo de tais hipóteses. Há que se analisar o caso concreto e verificar quais fatos podemos extrair dos autos para se chegar a uma conclusão definitiva. Para tanto reproduzo parte das considerações expostas no Auto de Infração, fls. 3 e 4, com as quais concordo e acolho como minhas fossem: Considerando que o depositário é responsável, perante a autoridade aduaneira, pelas mercadorias sujeitas a controle, no período em que essas lhe estejam confiadas e que devem zelar pela integridade das mesmas;... Considerando que existem inúmeros meios de proteger as mercadorias sob sua responsabilidade, pois quem não tem competência não se habilita e, a se considerar roubo, assalto, caso fortuito e força maior, os Bancos, telefônicas não terão que reembolsar os consumidores e usuários e o Estado não teria mais a obrigação Constitucional de garantir a segurança e proteção;” No caso em análise não posso concordar com a recorrente quando afirma que adotou as cautelas necessárias. Transportar mercadoria de alto valor agregado durante a madrugada, em um percurso de sabido e reconhecido alto índice de assaltos, para mim não configura precaução, pelo contrário, configura desídia para com a coisa alheia. Não vejo presente a fortuidade no evento ocorrido. Outro ponto que merece destaque é que configurado ficou o extravio de carga, agora quanto ao roubo apenas temos indícios que ocorreu. Não existe a conclusão da apuração policial, apenas temos presente um Boletim de Ocorrência que “nada mais é que a formalização de uma noticia criminis, ou seja, a redução a termo da comunicação de um suposto crime.” Concluo, portanto que restou caracterizado o extravio das mercadorias, conforme apurado em vistoria aduaneira e que a responsabilidade da depositária pelo pagamento dos tributos devidos ficou configurada. Quanto a alegação da recorrente que é incabível a aplicação da multa de ofício quanto ao IPI, PIS/PASEP e COFINS diante do princípio universal que uma mesma conduta Fl. 171DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES Assinado digitalmente em 20/07/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, 18/07/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES 6 inflacionária não pode ser penalizada mediante a aplicação sucessiva de multas diversas, temos que o crédito tributário constante do Auto de Infração compõese de: Crédito Valor Fundamento Auto de Infração Imposto Importação 17.199,18 Entrada presumida pelo extravio 001 Multa de ofício 12.899,38 Pela falta de pagamento(Lei 9430/96) 002 Multa Regulamentar 0,00 Pela falta da guia de importação 003 Multa proporcional 8.599,59 Pelo extravio da mercadoria (RA) 004 IPI 20.639,01 Vinculado a importação 005 Multa de ofício 15.479,26 Pela falta de pagamento(Lei 9430/96) 006 PIS/PASEP 2.057,80 Entrada presumida pelo extravio 007 Multa de ofício 1.543,35 Pela falta de pagamento(Lei 9430/96) 008 COFINS 9.478,35 Entrada presumida pelo extravio 009 Multa de ofício 7.108,76 Pela falta de pagamento(Lei 9430/96) 010 Tenho que as multas de ofício aplicadas pela falta de pagamento dos tributos, itens 002, 006, 008 e 010 do Auto de Infração, foram incorretamente aplicadas, conforme começo a expor em relação ao imposto de importação e entendo que raciocínio idêntico pode ser aplicado para as multas por não pagamento do IPI, PIS/PASEP e COFINS. A tipificação da sanção aplicada foi o artigo 44, inciso I da Lei nº 9430/96 que assim dispunha: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Pois bem, está explícito: nos casos de falta de pagamento, falta de declaração e declaração inexata. Não vejo como ocorrido nenhuma das hipóteses. O fato gerador do imposto de importação é a entrada da mercadoria no território aduaneiro, e considerase entrada no território aduaneiro a mercadoria cuja falta for apurada pela autoridade fiscal. É um fato gerador presumido, e mais, para efeitos de cálculo do imposto considerase o fato gerador ocorrido na data do lançamento, de acordo com arts. 1o. e 23 do DecretoLei nº 37/66. Se o fato gerador ocorreu na data do lançamento não há que se falar que naquela mesma data está configurada a falta de pagamento. Se assim fosse todo lançamento efetuado pela autoridade fiscal deveria ser realizado nas instalações bancárias, com a presença do importador, para concomitantemente com a assinatura da autoridade fiscal viesse a ocorrer o pagamento do imposto. Isto foge completamente a lógica e a razão. Concordo, portanto com o entendimento em voto da Relatora Elizabeth Maria Violatto, nos autos do processo n° 11128.005874/200556: "Incabível a exigência das multas de oficio aplicadas, posto que o responsável tributário somente pode cumprir sua obrigação de pagar os tributos incidentes sobre o extravio de mercadoria Fl. 172DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES Assinado digitalmente em 20/07/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, 18/07/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES Processo nº 11128.000861/200671 Acórdão n.º 320200.310 S3C2T2 Fl. 164 7 depois dos procedimentos de ofício afetos à atividade fiscal, tendentes a apurar a falta, calcular o montante dos tributos devidos e designar o sujeito passivo da obrigação em causa. Tratase de situação em que o responsável jamais poderá efetuar referido pagamento automaticamente, sem a intervenção de oficio do agente fiscal. Sua obrigação de pagar nasce com o lançamento de oficio, sem o qual nada por ele seria devido.” Agora, quanto a multa pelo extravio da mercadoria, item 004 do Auto de Infração, entendo perfeitamente aplicada. Contra ela não há como se rebelar. Está perfeitamente tipificado no DecretoLei nº 37/66 art. 106, inciso II, alínea “d”: Art.106 Aplicamse as seguintes multas, proporcionais ao valor do imposto incidente sobre a importação da mercadoria ou o que incidiria se não houvesse isenção ou redução:... II de 50% (cinqüenta por cento)... d) pelo extravio ou falta de mercadoria, inclusive apurado em ato de vistoria aduaneira; Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário para não aplicar a multa do artigo 44, inciso I da Lei nº 9430/96 quanto ao Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, PIS/PASEP e COFINS, mantendo as demais exações. Mara Cristina Sifuentes Fl. 173DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES Assinado digitalmente em 20/07/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, 18/07/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES
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Numero do processo: 12045.000339/2007-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 15/09/2006
COMPENSAÇÃO. OBRIGAÇÕES AO PORTADOR EMITIDAS PELA ELETROBRÁS. FALTA DE PREVISÃO LEGAL.
Não há previsão legal para a compensação de créditos tributários com obrigações ao portador emitidas pela ELETROBRÁS. Pelo Princípio da Legalidade a Administração Pública só pode agir de acordo com o que a lei determina, sendo-lhe vedado afastar, sob fundamento de inconstitucionalidade, normas legais vigentes.
SÚMULA CARF Nº 24. Incompetência da SRF para promover compensação
entre créditos derivados de obrigações da Eletrobrás e débitos tributários como as contribuições previdenciárias. vinculação dos membros do CARF à jurisprudência consubstanciada em súmula.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-000.880
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 15/09/2006 COMPENSAÇÃO. OBRIGAÇÕES AO PORTADOR EMITIDAS PELA ELETROBRÁS. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Não há previsão legal para a compensação de créditos tributários com obrigações ao portador emitidas pela ELETROBRÁS. Pelo Princípio da Legalidade a Administração Pública só pode agir de acordo com o que a lei determina, sendo-lhe vedado afastar, sob fundamento de inconstitucionalidade, normas legais vigentes. SÚMULA CARF Nº 24. Incompetência da SRF para promover compensação entre créditos derivados de obrigações da Eletrobrás e débitos tributários como as contribuições previdenciárias. vinculação dos membros do CARF à jurisprudência consubstanciada em súmula. Recurso Voluntário Negado
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OBRIGAÇÕES AO PORTADOR EMITIDAS PELA ELETROBRÁS. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Não há previsão legal para a compensação de créditos tributários com obrigações ao portador emitidas pela ELETROBRÁS. Pelo Princípio da Legalidade a Administração Pública só pode agir de acordo com o que a lei determina, sendolhe vedado afastar, sob fundamento de inconstitucionalidade, normas legais vigentes. SÚMULA CARF Nº 24. Incompetência da SRF para promover compensação entre créditos derivados de obrigações da Eletrobrás e débitos tributários como as contribuições previdenciárias. vinculação dos membros do CARF à jurisprudência consubstanciada em súmula. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relator. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 01/04/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Edgar Vidal,Manoel Coelho Arruda Junior, Adriana Sato Fl. 2DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 01/04/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 12045.000339/200753 Acórdão n.º 230200.880 S2C3T2 Fl. 34 3 Relatório Trata o presente, de recurso contra a decisão administrativa proferida em 30/11/2006, que indeferiu pedido de compensação efetuado pela empresa, de débitos previdenciários com créditos da Eletrobrás. Nas razões o contribuinte alega que não existe dispositivo legal que proíba a compensação de créditos do INSS com títulos da Eletrobrás; que não foi considerada a solidariedade passiva da união, discorre sobre o instituto da compensação e, por fim requer a homologação da compensação e a declaração de extinção dos créditos previdenciários. Protesta pela produção de provas. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 01/04/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 4 Voto Conselheiro Liege Lacroix Thomasi Sendo tempestivo, conheço do recurso e passo ao seu exame. De acordo com os elementos constantes do processo, a requerente protocolou pedido de informação de compensação, referente ao encontro de contas entre débitos fiscais devidos à Previdência Social com o crédito consubstanciado nas Obrigações da Eletrobrás, oriundos da materialização do empréstimo compulsório sobre as contas de energia elétrica. Diante da resposta que dizia da impossibilidade jurídica do pedido administrativo de compensação de débitos na forma requerida, a empresa interpôs o presente recurso. Todavia, não há reparos a fazer na decisão recorrida. A compensação das contribuições previdenciárias com títulos da Eletrobrás, não pode ser aceita administrativamente pelo INSS. As hipóteses de compensação estão elencadas na Lei n.º 8.212/91, em seu artigo 89, dispondo que a possibilidade restringese aos casos de pagamento ou recolhimento indevidos. Não ocorreu recolhimento ou pagamento indevidos de contribuições previdenciárias, no presente caso. A Lei n ° 8.212/1991 está em perfeita consonância com o ordenamento jurídico, haja vista o próprio CTN dispor em seu artigo 97, VI, que as hipóteses de extinção do crédito tributário, entre essas a compensação e a dação em pagamento, são de estrita reserva legal. Assim, para verificar a possibilidade de compensação e de dação em pagamento há que ser remetido para os permissivos legais. Conforme prevê o art. 89, § 2º da Lei n ° 8.212/1991, somente pode ser compensado nas contribuições previdenciárias os valores referentes a contribuições previdenciárias. Não há previsão legal para que sejam aceitos outros créditos; não importa, portanto, o argumento de que a União e o INSS possuem relação estrita, devendo o INSS aceitar e compensar seus créditos com débitos da União. Ademais, este órgão colegiado já firmou entendimento sobre a matéria em questão, a partir da edição da Súmula CARF nº 24, senão vejamos: Súmula CARF nº 24: “Não compete à Secretaria da Receita Federal promover a restituição de obrigações da Eletrobrás, nem sua compensação com débitos tributários”. De acordo com a determinação contida no caput do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do CARF Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria nº 446, de 27 de agosto de 2009, as súmulas vinculam os membros do Conselho, devendo ser aplicado o entendimento exarado na orientação supramencionada. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 01/04/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 12045.000339/200753 Acórdão n.º 230200.880 S2C3T2 Fl. 35 5 Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 5DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 01/04/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA
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Numero do processo: 10882.000969/2005-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.Período de apuração: 01/12/1999 a 31/01/2004COFINS. DECADÊNCIA.Existindo pagamentos antecipados, o prazo de decadência da Cofins é de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador.JUROS DE MORA. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE.Os juros de mora devem ser lançados, ainda que haja suspensão da exigibilidade do crédito tributário.JUROS DE MORA. SELIC.A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.Período de apuração: 30/04/2000 a 31/01/2004MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCALMPF. NULIDADE.O Mandado de Procedimento Fiscal foi concebido com o objetivo de disciplinar a execução dos procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições sociais administrados pela Secretaria da Receita Federal, não atingindo a competência impositiva dos seus auditores fiscais.COFINS. LEI N° 9.718, DE 1998. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS.Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.Recurso Voluntário Provido em ParteVistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Numero da decisão: 3302-000.847
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral pela Recorrente o Dr. Rodolfo Tsunetaka Tamanaha, OAB/SP no 224.328.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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DECADÊNCIA. Existindo pagamentos antecipados, o prazo de decadência da Cofins é de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador. JUROS DE MORA. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os juros de mora devem ser lançados, ainda que haja suspensão da exigibilidade do crédito tributário. JUROS DE MORA. SELIC. A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 30/04/2000 a 31/01/2004 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. NULIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal foi concebido com o objetivo de disciplinar a execução dos procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições sociais administrados pela Secretaria da Receita Federal, não atingindo a competência impositiva dos seus auditores fiscais. COFINS. LEI No 9.718, DE 1998. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, Fl. 606DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10882.000969/200579 Acórdão n.º 330200.847 S3C3T2 Fl. 584 2 sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral pela Recorrente o Dr. Rodolfo Tsunetaka Tamanaha, OAB/SP no 224.328. (ASSINADO DIGITALMENTE) Walber José da Silva Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 446 a 487) apresentado em 10 de outubro de 2008 contra o Acórdão no 0522.922, de 18 de agosto de 2008, da 3a Turma da DRJ/CPS (fls. 431 a 439), cientificado em 10 de setembro de 2008, que, relativamente a auto de infração de Cofins dos períodos de abril de 1999 a janeiro de 2004, considerou procedente em parte o lançamento, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/1999 a 31/01/2004 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal, sob a égide da Portaria que o criou, é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da auditoria fiscal, não implicando nulidade do procedimento fiscal mesmo que haja eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento. AUTO DE INFRAÇÃO. INADEQUAÇÃO DE MEIO UTILIZADO. INOCORRÊNCIA. Fl. 607DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10882.000969/200579 Acórdão n.º 330200.847 S3C3T2 Fl. 585 3 A formalização do crédito tributário podese dar por meio de auto de infração ou notificação de lançamento, sem que isto importe em nulidade do ato. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Afastado, por inconstitucional, o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições destinadas à Seguridade Social, a contagem do prazo decadencial regese pelo disposto no Código Tributário. Na hipótese em que o recolhimento não ocorre ou ocorre em desconformidade com a legislação aplicável e, por conseguinte, procedese ao lançamento de ofício, o prazo decadencial de cinco anos tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que esse lançamento de ofício poderia haver sido realizado. NORMAS PROCESSUAIS. DISCUSSÃO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RENÚNCIA À DISCUSSÃO PELA VIA ADMINISTRATIVA. A busca da tutela jurisdicional do Poder Judiciário, não obstrui a constituição do crédito tributário pelo lançamento e acarreta a renúncia à discussão administrativa sobre a mesma matéria impedindo a apreciação das razões de mérito por parte da autoridade a quem caberia o julgamento. INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do Fisco. JUROS DE MORA. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. INCIDÊNCIA. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral JUROS DE MORA. SELIC. A aplicação de juros com base na taxa Selic decorre de lei, não tendo a autoridade administrativa competência para afastála. Lançamento Procedente em Parte O auto de infração foi lavrado em 29 de abril de 2005, de acordo com o termo de fls. 36 a 139. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Fl. 608DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10882.000969/200579 Acórdão n.º 330200.847 S3C3T2 Fl. 586 4 "Tratase de impugnação a exigência fiscal da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, formalizada no auto de infração de fls. 144/159. O feito, relativo ao período de abril de 1999 a janeiro de 2004, constituiu crédito tributário no montante de R$ 9.373.971,28, incluídos principal e juros de mora. Não houve imposição de multa de ofício. No TERMO DE VERIFICAÇÃO de fls. 136/139 a autoridade autuante contextualiza os motivos do lançamento: ................................... Foram apuradas por esta auditoria fiscal diferenças informadas nas planilhas geradas pelo sistema ""Papéis de Fiscalização"". Tais diferenças referemse a valores devidos pela contribuinte e não declarados em DCTF. A título exemplificativo da situação podemos citar o mês de maio de 2001, cuja base de cálculo apurada pela auditoria confere com aquela informada pela empresa contribuinte. No entanto, há diferença nos valores declarados em DCTF. Todas essas divergências encontramse discriminadas nas planilhas anexas ao presente Termo de Verificação denominadas ""Demonstrativo da Situação Fiscal Apurada"" [...] A empresa contribuinte, em atendimento à solicitação desta auditoria fiscal apresentou cópias das peças da Ação Declaratória nº 1999.61.00.0185471 com pedido de antecipação de tutela com o objetivo de impedir a União de lhe exigir a COFINS e a contribuição ao PIS nos moldes estabelecidos pela Lei nº 9.718/98, as quais deveriam continuar a ser recolhidas conforme estabelecido na Lei Complementar nº 70/91 – COFINS – 2% sobre o faturamento – e a Lei nº 9.715/98 – PIS – 0,65% sobre o faturamento, cujo pedido, ao final deveria ser julgado procedente declarando a inexistência de relação jurídicotributária entre a empresa e a União Federal no que tange às contribuições ao PIS e a COFINS nos termos estipulados pela Lei nº 9.718/98. Em maio de 1999 o exmo. Juízo ""a quo"" concedeu a antecipação dos efeitos da tutela pretendida no pedido inicial, para autorizar o recolhimento da COFINS e PIS nos termos da Lei Complementar nº 70/91 e Lei nº 9.715/98. Ocorre que em 11/02/2004, em julgamento das Razões de Apelação oferecidas pela União Federal para reforma da sentença, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região, por unanimidade de votos, deu provimento à apelação da União. Consta da Certidão de Objeto de Pé emitida em 25/05/2004 a interposição pela autora de Embargos de Declaração. No entanto, em recente decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal foi deferida medida liminar para conceder efeito suspensivo ao recurso extraordinário apresentado pela empresa contribuinte. Fl. 609DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10882.000969/200579 Acórdão n.º 330200.847 S3C3T2 Fl. 587 5 Tal situação, portanto, obriga a exigência, através de auto de infração com exigibilidade suspensa, dos valores não recolhidos com base na tutela antecipada, posteriormente cassada pelo Egrégio Tribunal da 3ª Região, inclusive tendose em vista resguardar a União Federal contra os efeitos da decadência tributária. Os valores devidos e que serão objeto de auto de infração, constam da tabela anexa [...] VARIAÇÕES CAMBIAIS A empresa contribuinte adotou, no reconhecimento das receitas decorrentes de seus direitos de crédito, o procedimento previsto na Medida Provisória 2.15835/2001, que permite o reconhecimento dessas receitas financeiras de acordo com o regime de caixa, ou seja, somente quando do fechamento do câmbio. De fato, ao analisarmos a planilha apresentada pela contribuinte – "Composição Contábil das bases de cálculo – PIS/COFINS"" verificase que o valor da variação cambial ativa é adicionado ao valor da base de cálculo do mês e, posteriormente, excluído dessa mesma base, permanecendo como somatória apenas o valor referente às receitas de variação cambial das receitas liquidadas dentro do mês/referência. Tal procedimento encontra amparo legal a partir do ano calendário de 2000. Ocorre que a empresa contribuinte adotou tal procedimento no reconhecimento de suas receitas para o anocalendário de 1999, o que não é permitido pela legislação em vigor. Com efeito, a Medida Provisória nº 2.15835 de 2001 – Não Convertida em Lei até 11/2004 – previa, no artigo 30 que: “Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 2000, as variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio, serão consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, bem assim da determinação do lucro da exploração, quando da liquidação da correspondente operação. “§1º À opção da pessoa jurídica, as variações monetárias poderão ser consideradas na determinação da base de cálculo de todos os tributos e contribuições referidos no caput deste artigo, segundo o regime de competência. “§2º A opção prevista no § 1o aplicarseá a todo o ano calendário. “§3º No caso de alteração do critério de reconhecimento das variações monetárias, em anoscalendário subsequentes, para efeito de determinação da base de cálculo dos tributos e das contribuições, serão observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal.” (grifos do autuante) Fl. 610DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10882.000969/200579 Acórdão n.º 330200.847 S3C3T2 Fl. 588 6 Diante da absoluta falta de amparo legal por parte da empresa contribuinte na adoção do procedimento acima descrito para o anocalendário de 1999 deverão ser exigidos de ofício os valores indevidamente excluídos das bases de cálculo do PIS e da COFINS desse período. Tais valores, no entanto, serão exigidos em auto de infração com exigibilidade suspensa por força da ação judicial anteriormente mencionada. ...................................... Cientificada da exigência em 29/04/2005, em 25/05/2005 a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 249/285 alegando em apertada síntese o que segue: 1. é nulo o auto de infração porque a agente fiscal extrapolou a competência que lhe foi atribuída pelo Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização MPFF nº 08.1.13.002004 001060 que lhe autorizava auditar apenas fatos referentes ao Imposto sobre Produtos Industrializados; a inclusão do período de abril de 1999 bem como a da fiscalização do PIS e da Cofins no MPFComplementar nº 08.1.13.002004001062 ainda assim não valida o procedimento fiscal: Isso porque, ainda que fosse possível a inclusão da contribuição ao PIS e da COFINS por intermédio do MPFComplementar em apreço, dado que o MPF originário é nulo, não haveria possibilidade da Sra. Agente Fiscal ter fiscalizado a COFINS nos demais meses contemplados nessa autuação (maio de 1999 a janeiro de 2004), porquanto a autorização conferida pelo MPF Complementar era restrita ao mês de abril de 1999. 2. as Portarias nº 3000, de 2001 e as seguintes, que tratam do MPF devem não só ser observadas pelos agentes fiscais, como também devem orientar todo o processo de fiscalização nos termos do art. 196, do Código Tributário Nacional, combinado com os arts. 96 e 100 do mesmo diploma, já que ditas Portarias compõem a legislação tributária; 3. o auto de infração é instrumento inadequado para constituição do crédito tributário em tela uma vez que a contribuinte discute judicialmente a matéria objeto do lançamento, estando o crédito tributário com sua exigibilidade suspensa, não cometendo, por isso, nenhuma irregularidade passível de ser apenada e apurada por meio de auto de infração; a formalização da pretensão estatal deveria se dar obrigatoriamente por meio de notificação de lançamento, sendo, no caso em tela, nula a exigência constituída por meio de auto de infração; 4. sendo a Cofins tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial regese pelo §4º do art. 150 do CTN e, portanto, quando da ciência do auto de infração pela contribuinte, ocorrida em 25/04/2005, já havia transcorrido o prazo de cinco anos contados dos fatos geradores, ocorridos entre abril de 1999 a março de 2000, não podendo, portanto, prevalecer a exigência com relação aos citados períodos; Fl. 611DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10882.000969/200579 Acórdão n.º 330200.847 S3C3T2 Fl. 589 7 5. é inaplicável ao caso a interpretação dada pelo ADN/COSIT nº 03 de 1996 ao art. 38 da Lei nº 6.830, de 22 de setembro de 1980, ou seja, o entendimento de que a interessada teria renunciado à discussão na esfera administrativa pela propositura anterior de ação judicial pelo sujeito passivo; esse posicionamento somente seria possível se o ajuizamento de medida judicial fosse posterior à lavratura do auto de infração, conforme, inclusive, já teria entendido o Conselho de Contribuintes; não obstante, o art. 51 da Lei nº 9.784, de 1999 teria revogado a disposição constante do parágrafo único do art. 38 da Lei nº 6.830, de 1980, não mais sendo possível presumir a renúncia à discussão administrativa, devendo esta, nos termos do citado art. 51 da Lei nº 9.784, de 1999, ser formalizada por escrito; a impugnação, ademais, tem objetos diversos daqueles tratados no âmbito do judicial, pois se dirige contra o título material da obrigação tributária, enquanto o processo judicial versa sobre o direito em tese; 6. é inconstitucional o alargamento da base de cálculo da Cofins prevista na Lei nº 9.718, de 1998, por ofensa ao princípio da hierarquia das leis, inconstitucionalidade esta que não pode ser saneada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998; 7. ainda que se admita a constitucionalidade da Lei nº 9.718, de 1998, nos termos do art. 31 da Medida Provisória nº 1.85810, de 1999, posteriormente convertida na Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, durante o período de 1999 era possível excluir da base de cálculo da COFINS a parcela da receita financeira decorrente da variação cambial, registrada pelo período de competência, que excedesse o valor da variação cambial referente às operações efetivamente realizadas no mês; contudo, a autoridade fiscal não observou o disposto na MP nº 1.85810, de 1999, quando da lavratura do aludido auto de infração, tendo adicionado à base de cálculo dos meses de abril, junho, setembro, outubro e novembro de 1999, a referida parcela de receita financeira decorrente de variação cambial; nesse contexto, cabe à Turma Julgadora anular a presente autuação, em respeito ao princípio da tipicidade cerrada e ao princípio da legalidade; 8. admitindose como correto o procedimento da auditoria fiscal quanto a variação cambial, este deveria ser uniforme para todos os meses contemplados no anocalendário de 1999 (ou seja, deveria considerar a diferença entre competência e caixa e, após, adicionála à base de cálculo). No entanto, verificase que apenas no mês de setembro de 1999, conforme planilha anexa, a Sra. Agente Fiscal não considerou a diferença entre as receitas oriundas da variação cambial apuradas pelo regime de competência e aquelas liquidadas em cada mês (regime de caixa). Ao contrário, apenas adicionou à base de cálculo do PIS e da COFINS os valores decorrentes da variação cambial ativa apurados pelo regime de competência. Ainda, notase pela planilha anexa que a Sra. Agente Fiscal considerou para o mês de outubro valores referentes à variação Fl. 612DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10882.000969/200579 Acórdão n.º 330200.847 S3C3T2 Fl. 590 8 cambial ativa relativas ao mês de novembro, alterando, dessa forma, os valores entre esses meses. Face à incoerência do trabalho fiscal (adoção de critério distinto para apuração da base de cálculo em setembro e alteração dos valores da variação cambial entre os meses de outubro e novembro) deve esta E. Turma Julgadora cancelar o auto de infração, em razão da precariedade do critério jurídico adotado, o que torna o valor lançado ilíquido e incerto. 9. admitida a procedência da exigência principal, seria indevida a fluência de juros moratórios em razão da suspensão da exigibilidade do crédito tributário por medida judicial; isto porque não estariam configuradas a existência de uma dívida exigível e nem a mora do pagamento dessa dívida; 10. embora seja tarefa precípua ao Poder Judiciário a declaração de inconstitucionalidade de lei, cabe à esfera administrativa reconhecer que os dispositivos em questão trazidos pela Lei nº 9.718, de 1998, não se coadunam com a Constituição Federal e, por conseqüência, deixar de aplicálos ao caso concreto; 11. é ilegal e inconstitucional a utilização da taxa Selic como parâmetro para o cálculo dos juros de mora." No recurso, a Interessada alegou, preliminarmente, nulidade da autuação por vícios no mandado de procedimento fiscal MPF e na identificação do tributo fiscalizado. Segundo a Recorrente, o MPF não autorizaria a fiscalização da Cofins de todo o período do auto de infração e não teriam sido observadas as regras relativas à emissão do mandado. Acrescentou que o lançamento seria ilíquido e incerto, uma vez que “a Fiscalização adicionou, à base de cálculo da COFINS, a diferença entre as receitas oriundas da variação cambial apuradas pelo regime de competência e aquelas liquidas em cada mês (regime de caixa) e consequentemente, constituiu o crédito tributário de COFINS sobre essa base de cálculo apurada.” A iliquidez decorreria da “incoerência do trabalho fiscal”, pela “adoção de critério distinto para a apuração da base de cálculo em setembro e alteração dos valores da variação cambial entre os meses de outubro e novembro”. Contestou a conclusão da primeira instância de que o reconhecimento da incoerência “ensejaria somente seu cancelamento parcial, o que já acontecera em face do reconhecimento da decadência para o período de 1999, e não sua nulidade, conforme requerido”, uma vez que, segunda alegou, “a constatação das incongruências aqui apontadas com relação aos cálculos elaborados pela Fiscalização leva à decretação da nulidade integral da autuação originária do presente processo.” Tratou ainda da decadência, alegando aplicarse ao caso o art. 150, § 4º, do CTN e o fato gerador ocorrer no final de cada período mensal de apuração. Fl. 613DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10882.000969/200579 Acórdão n.º 330200.847 S3C3T2 Fl. 591 9 A seguir, alegou que não haveria renúncia às instâncias administrativas, que somente ocorreria nas ações apresentadas posteriormente à lavratura de auto de infração. Ademais, as alegações que várias matérias apresentadas na impugnação seriam discutidas unicamente no processo administrativo [“(i) os vícios no MPF; (ii) inadequação do meio utilizado; (iii) a decadência do direito de lançar; (iv) a correta exclusão, da base de cálculo da COFINS, dos valores referentes às receitas financeiras de variação cambial no anocalendário de 1999, nos termos da Medida Provisória n° 185810/99; (v) iliquidez e incerteza do auto de infração em razão da ausência de critério uniforme quando da apuração das bases de cálculo da COFINS; e (viii) a não incidência dos juros de mora, notadamente pela Taxa Selic, em razão do crédito tributário estar com a exigibilidade suspensa”]. No mérito, alegou a inconstitucionalidade da Lei no 9.718, de 1998; a inaplicabilidade dos juros de mora, em razão da suspensão da exigibilidade do crédito e da ilegalidade da Selic. Na fl. 570, alegou que “entendeu por bem aderir ao parcelamento instituído pela Lei no 11.941/09, conforme comprova o documento anexo, com relação aos valores correspondentes à discussão concernente à legalidade/constitucionalidade da majoração da alíquota da COFINS pela Lei 9718/98.” Dessa forma, não está em discussão nos presentes autos tal matéria. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Em relação ao MPF, o entendimento que tem prevalecido no Carf é o de que o MPF é antes um instrumento de controle interno e não um elemento formal imprescindível para a ação fiscal, a ponto de alguma irregularidade representar nulidade do procedimento fiscal. A rigor, não se trata de instrumento previsto em lei como requisito necessário à competência do agente fiscal para investigar infrações de natureza tributária, de forma que a ausência de prorrogação não infringe a lei. É importante ressaltar que, em decisões recentes, a Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdãos CSRF/0105.189, de 2005, 0105.558, de 2006, 0202.187, de 2006) afastou a configuração da nulidade do lançamento em função de irregularidade e falta de MPF. Portanto, inexiste nulidade no procedimento em questão. Quanto à decadência, como se trata de diferenças entre os valores apurados e os recolhidos, a regra de decadência a ser aplicada é a do art. 150, § 4º, do CTN, à vista da Fl. 614DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10882.000969/200579 Acórdão n.º 330200.847 S3C3T2 Fl. 592 10 inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n. 8.212, de 1991, declarada pelo Supremo Tribunal Federal e objeto da Súmula Vinculante n. 81. A respeito da matéria, o Superior Tribunal de Justiça pacificou seu entendimento, como demonstra a ementa abaixo reproduzida (REsp 512840 / SP; Relatora: Ministra Eliana Calmon; DJ 23.05.2005 p. 194): TRIBUTÁRIO DECADÊNCIA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO (ART. 150 § 4º E 173 DO CTN). 1. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CNT). 2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. 3. Em normais circunstâncias, não se conjugam os dispositivos legais. 4. Precedentes das Turmas de Direito Público e da Primeira Seção. 5. Recurso especial provido. Como o lançamento ocorreu em 29 de abril de 2005, restaram decaídos os períodos até março de 2000, restando, para análise do mérito, os períodos de abril de 2000 a janeiro de 2004. A questão da incoerência na apuração das variações cambiais do ano de 1999, diante do exposto acima, resta prejudicada, muito embora devase enfatizar que caberia total razão à primeira instância em relação à não anulação do lançamento por tal suposto fato. Na verdade, sendo possível excluir os valores indevidamente lançados ou corrigir a base de cálculo, sem aumentar o valor lançado por período de apuração, caberia apenas o cancelamento parcial do auto de infração e não sua nulidade, pois não existiria iliquidez, ao contrário do afirmado pela Interessada. De fato, a justificativa dada pela Interessada em seu recurso para sustentar a nulidade é apenas uma assertiva sem fundamento legal. Quanto à renúncia às instâncias administrativas, aplicase a Súmula Carf no 1: Súmula CARF no 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas 1 Súmula Vinculante nº 8: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Fl. 615DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10882.000969/200579 Acórdão n.º 330200.847 S3C3T2 Fl. 593 11 a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Esclareçase que a renúncia ocorre somente em relação às matérias discutidas em ambos os processos e que a autoridade julgadora de primeira instância não deixou de analisar a matéria diferenciada. Portanto, aplicouse corretamente o Ato Declaratório Normativo Cosit no 3, de 1996. Assim, em relação à aplicação da Lei no 9.718, de 1998, embora haja decisão definitiva do STF em relação à sua inconstitucionalidade, descabe a apreciação da matéria na via administrativa. Entretanto, obviamente a Interessada não será prejudicada em relação ao caso, à vista da suspensão da exigibilidade do crédito e da uniformização da jurisprudência, cabendo à autoridade fiscal de origem a aplicação, de ofício, do que for decidido na ação judicial, nos termos do ADN Cosit anteriormente citado. Quanto à alíquota, conforme esclarecido no relatório, houve desistência do contraditório à vista do parcelamento solicitado em função da Lei no 11.941, de 2009. Quanto aos juros de mora, descabe razão à Interessada, uma vez que o caput do art. 161 do CTN claramente não admite exceção à sua exigência, estabelecendo como termo inicial a data do vencimento do tributo devido. Quanto à Selic, aplicase a Súmula Carf no 4: Súmula CARF no 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. À vista do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a decadência até o período de março de 2000. (ASSINADO DIGITALMENTE) José Antonio Francisco Fl. 616DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO
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Numero do processo: 10245.900303/2009-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004
PIS E COFINS. ALEGAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. OMISSÃO DA DECISÃO
RECORRIDA. NECESSIDADE DE COMPLEMENTAÇÃO.
Nos termos do art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72, caracteriza cerceamento do direito de defesa, a demandar anulação do acórdão recorrido para que outro seja produzido com apreciação de todas as razões de inconformidade, a omissão relativa à alegação de retificação da DIPJ antes da entrega de Declaração de Compensação.
Decisão Anulada.
Numero da decisão: 3401-001.296
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para anular a decisão da primeira instância, nos termos do voto do(a) relator(a).
Nome do relator: EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS
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Recorrente VIMEZER FORNC DE SERV LTDA Recorrida DRJ BELÉMPA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004 PIS E COFINS. ALEGAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. OMISSÃO DA DECISÃO RECORRIDA. NECESSIDADE DE COMPLEMENTAÇÃO. Nos termos do art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72, caracteriza cerceamento do direito de defesa, a demandar anulação do acórdão recorrido para que outro seja produzido com apreciação de todas as razões de inconformidade, a omissão relativa à alegação de retificação da DIPJ antes da entrega de Declaração de Compensação. Decisão Anulada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para anular a decisão da primeira instância, nos termos do voto do(a) relator(a). (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente (assinado digitalmente) Emanuel Carlos Dantas de Assis Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Odassi Gerzoni Filho e Fernando Marques Cleto Fl. 1DF CARF MF Emitido em 04/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Assinado digitalmente em 24/03/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, 04/04/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10245.900303/200951 Acórdão n.º 340101.296 S3C4T1 Fl. 71 2 Duarte e Gilson Macedo Rosenburg Filho. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Dalton César Cordeiro de Miranda. Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão da DRJ que manteve despacho decisório eletrônico indeferindo Declaração de Compensação (DCOMP) cujo crédito tem origem em pagamento realizado a maior de Cofins, segundo a contribuinte. Na Manifestação de Inconformidade a contribuinte alega, em síntese, ter retificado a DIPJ do período em questão e, posteriormente, transmitido PER/DCOMP solicitando restituição e compensação. Afirma também que não se creditou de valores retidos na fonte pelas fontes pagadoras. A 3ª Turma da DRJ julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, levando em conta tãosomente a DCTF. Após verificar que o valor do recolhimento coincide com o informado na DCTF, considerou que, “...como permanece validade a confissão de dívida originalmente efetuada pela contribuinte, haja vista a não apresentação, ao que consta dos autos, de DCTFRetificadora, resulta notória a impossibilidade de ser acolhida sua pretensão.” Não há menção, no voto do acórdão recorrido, nem à retificação da DIPJ nem à alegação de que os valores retidos teriam sido desprezados pela contribuinte. No Recurso Voluntário, tempestivo, a contribuinte volta a tratar da DIPJ retificadora, argüindo que a DRJ, de forma precipitada, não levou em conta a retificação. Afirma o seguinte: Será que o Julgador de primeira instância, vendo que existia tanto uma declaração retificadora e uma declaração de compensação e a glosa, não viu que deveria analisar os fundamentos argüidos e proceder uma diligência?Pelo jeito optaram pela omissão... Mais adiante considera que o acórdão recorrido não contém a devida motivação e que houve negligência na análise das provas carreadas aos autos, com desrespeito a regras do Decreto nº 70.235/72 e da Lei nº 8.784/99 (menciona, dentre outros dispositivos, o art. 31 do primeiro diploma legal e o art. 2º do segundo). Afirma, ainda, o seguinte: ... no caso de existência de duas declarações conflitantes, DIPJ retificada e declaração de compensação conflitante com uma DCTF não retificada, onde o contribuinte apresenta aqueleas como prova, devem ser ambas analisadas, e dependendo do caso, apontados os motivos e provas que levaram o agente fiscal a não reconhecer o direito pretendido. É o relatório, elaborado a partir do processo digitalizado. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 04/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Assinado digitalmente em 24/03/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, 04/04/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10245.900303/200951 Acórdão n.º 340101.296 S3C4T1 Fl. 72 3 Voto O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos do Processo Administrativo Fiscal, pelo que dele conheço. Apesar de a Manifestação de Inconformidade estar centrada na existência de DIPJ retificadora, o acórdão recorrido tratou apenas da DCTF. Considerando que esta não foi retificada e seu valor coincide com o do recolhimento, julgou improcedente a inconformidade sem ao menos fazer menção à retificação da DIPJ. O voto nem ao menos cita a retificação da DIPJ, que para mim é tema crucial para o deslinde do litígio. Seria irrelevante a retificação? A DIPJ retificada deve ser confrontada com a DCTF ou, sem a retificação desta, deve ser simplesmente desprezada? A circunstância de a retificação ter sido anterior à DCOMP tem alguma importância? São indagações a serem respondidas, de modo a completar a fundamentação do acórdão recorrido. Houve, então, omissão do acórdão recorrido, no que desprezou por completo a retificação da DIPJ. E como essa omissão caracteriza preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72, necessita ser sanada, sob pena de supressão de instância. Diante da possibilidade deste Colegiado decidir em desfavor da Recorrente, se considerar que a DCTF (não retificada) deve prevalecer sobre a DIPJ retificadora, apresentase inaplicável o § 3º do art. 59 do Decreto nº 70.235/725.1 Para a correição do feito fazse necessário que a DRJ trate da retificação da DIPJ, podendo, se julgar pertinente, determinar diligência visando investigar os valores informados pela Recorrente. Afinal, a confissão em DCTF é relativa e admite provas em contrário, cabendo ainda admitir sua retificação se demonstrado, pelo contribuinte, que os valores nela consignados são superiores aos realmente devidos. Para verificação desses valores, pode ser conveniente análise da contabilidade, da escrita fiscal e de documentos fiscais dos perídos em questão. De todo modo, a retificação da DIPJ há de analisada pela DRJ – com ou sem realização de diligência, ao seu juízo , que deve produzir novo acórdão em substituição ao ora anulado. Pelo exposto, voto por anular o acórdão recorrido para que a primeira instância o complemente, pronunciandose, também, sobre a DIPJ retificadora. Em seguida ao 1 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993) Fl. 3DF CARF MF Emitido em 04/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Assinado digitalmente em 24/03/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, 04/04/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10245.900303/200951 Acórdão n.º 340101.296 S3C4T1 Fl. 73 4 novo acórdão a ser prolatado deve ser reaberto o prazo para eventual recurso voluntário, tudo conforme o rito do Decreto nº 70.235/72. (assinado digitalmente) Emanuel Carlos Dantas de Assis Fl. 4DF CARF MF Emitido em 04/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Assinado digitalmente em 24/03/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, 04/04/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 35011.002533/2005-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/12/1998 a 31/03/2004
Ementa:
SERVIDOR TEMPORÁRIO REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL
Ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, aplica-se o regime geral de previdência social.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-001.074
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1998 a 31/03/2004 Ementa: SERVIDOR TEMPORÁRIO REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL Ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, aplica-se o regime geral de previdência social. Recurso Voluntário Negado
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Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriana Sato e Adriano Gonzales Silvério. Ausência momentânea: Wilson Antonio de Souza Correa Fl. 1DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/05/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 25/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Fl. 2DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/05/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 25/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 35011.002533/200502 Acórdão n.º 230201.074 S2C3T2 Fl. 169 3 Relatório A presente notificação, lavrada em 25/10/2005, é substitutiva da de n.º 35.709.4247, datada de 30/04/2004 e tornada nula por Acórdão do CRPS n.º 669/2005, em 20/04/2005, por falha na identificação do sujeito passivo. A NFLD referese a falta de recolhimento das contribuições devidas à Previdência Social incidentes sobre a remuneração dos segurados contratados sob a égide do regime jurídico dos servidores admitidos em caráter temporário, de acordo com o relatório fiscal de fls.58/63, no período de 12/1998 a 03/2004. Após a apresentação de defesa os autos baixaram em diligência, para cotejamento do caso com o Parecer CJ n° 3.333, de 29 de outubro de 2004, e a juntada ao processo das Leis Estaduais n°2.624, de 2000, 2.607, de 29 de junho de 2000, 1.762, de 1986, 1.674, de 1984. Da informação fiscal de fls.119/120 e relatório complementar, fl. 121, a notificada tomou conhecimento, mas não se manifestou no prazo concedido. Acórdão de fls. 131/141, julgou o lançamento procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso tempestivo alegando em síntese: a) que as funções não eram temporárias em razão do tempo transcorrido e do tipo de atividade desempenhada; b) que os temporários foram contratados antes da Constituição Federal de 1988, mas não se enquadraram no regime estabelecido pelo artigo 19 da ADCT; c) que o enquadramento depende das funções; d) que os servidores temporários não são regulados pela CLT, mas pela Lei n.º 1674/84; e) que quando da EC n.º 20/98, muitos servidores já tinham mais de dez anos de tempo de serviço e continuaram nas funções porque os cargos não foram criados; f) que as contribuições das competências de 12/1998 a 02/1999 não podem ser cobradas por conta da anterioridade nonagesimal; g) que a autoridade maior da procuradoria não pode figurar como coresponsável dos débitos de gestão de outros. Requer o provimento do recurso para extinguir o crédito tributário, ou ,alternativamente, a exclusão das competências 12/1999 a 02/1999 e o nome dos procuradores da relação de vínculos e de coresponsáveis. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/05/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 25/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Fl. 4DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/05/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 25/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 35011.002533/200502 Acórdão n.º 230201.074 S2C3T2 Fl. 170 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi Cumprido o requisito de admissibilidade conheço do recurso e passo ao seu exame. Da Preliminar Argüi a recorrente a exclusão do nome do Procurador Geral do Estado da relação de coresponsáveis e da relação de vínculos, haja vista que o quadro de coobrigados será repetido na eventual e futura Certidão da Dívida Ativa. Cumpre esclarecer que os anexos CORESP e relação de vínculos foram claros em afirmar que o relatório trazido é apenas uma lista dos representantes legais do sujeito passivo, indicando a qualificação e o período de atuação, não estabelecendo nenhuma responsabilidade às pessoas nele relacionadas. Ademais, os relatórios de CoResponsáveis e de Vínculos fazem parte de todos processos como instrumento de informação, em conformidade com disposto pelo art. 660 da Instrução Normativa SRP n° 03 de 14/07/2005, que determina a inclusão dos referidos relatórios nos processos administrativofiscais e esclarece: Art. 660. Constituem peças de instrução do processo administrativofiscal previdenciário, os seguintes relatórios e documentos: (...) X Relação de CoResponsáveis CORESP, que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação; XI Relação de Vínculos VÍNCULOS, que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente; No Mérito Referese a notificação às contribuições previdenciárias relativas aos servidores contratados sob a égide do regime temporário que, obrigatoriamente, são enquadrados no RGPS, por força do disposto no artigo 40, § 13, da Constituição Federal de 1988, na redação dada pela Emenda Constitucional n°20, de 15 de dezembro de 1998: Constituição da República, de 5 de outubro de 1988 Art. 40. Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas Fl. 5DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/05/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 25/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo e solidário, mediante contribuição do respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos e dos pensionistas, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo. (Redação dada pela Emenda Constitucional n°41, 19.12.2003) § 13 Ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, aplica se o regime geral de previdência social. (Incluído pela Emenda Constitucional n°20, de 15/12/98) De acordo com os elementos descritos no processo, em especial com o disposto na Lei Estadual n.º 1.674/84, a natureza das atribuições dos cargos ou funções ocupados é temporária, aplicandose a estes servidores o Regime Geral de Previdência Social. A alegação do contribuinte de que a Lei Estadual n.º 2.624/2000, transformou em cargos as funções exercidas pelos temporários não tem o condão de excluir os servidores do RGPS, pois está explicito na mesma que a contratação deles se dará por prazo determinado e para atender necessidade temporária de excepcional interesse público. A natureza das funções é temporária e embora os servidores estejam por muito tempo exercendo alguma função, isto não os transforma em servidores públicos efetivos abrangidos por Regime Próprio de Previdência. Do exame das leis estaduais juntadas aos autos, se verifica que a Lei Estadual n° 2.607, de 2000, fls. 91 a 93, em seu art.15, revoga expressamente a Lei Estadual n° 1.674, de 1984, e "dispõe sobre a contratação de pessoal por tempo determinado para atender a necessidade temporária de excepcional interesse público, sob regime de Direito Administrativo, nos termos do art. 37, IX, da Constituição Federal e do art. 108, § 1° da Constituição do Estado". Por outro lado, a Lei Estadual n° 2.624, de 2000, assim dispõe: Art. 1° Ficam transformados em cargos as funções que atualmente desempenham os servidores que pertenciam ao regime especial instituído pela Lei n° 1.674, de 10 de dezembro de 1984, ou admitidos na forma do § P do art. 108 da Constituição do Estado. Como bem se refere a decisão recorrida a qual me reporto: “...a transformação de funções em cargos não descaracteriza a natureza temporária das atribuições dos servidores, que, por esta razão, continuam vinculados ao RGPS. Ademais, a própria Constituição da República, em seu art. 40, § 13, acima transcrito,referese a "ocupante de cargo temporário", estabelecendo que a este se aplica o regime geral de previdência. Quanto à argüição da recorrente de que as competências de 12/1998 a 02/1999, deveriam ser excluídas do levantamento por não obedecerem ao prazo nonagesimal, previsto na Constituição Federal, tenho que também não merece guarida, posto nestas competências não se configurou o regime próprio de previdência para os ocupantes das funções temporárias Antes da promulgação da Emenda Constitucional n.º 20/98, a Medida Provisória n° 1.723, de 29 de outubro de 1998, posteriormente convertida na Lei n°9.717, de 27 de novembro de 1998, dispunha que: Fl. 6DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/05/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 25/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 35011.002533/200502 Acórdão n.º 230201.074 S2C3T2 Fl. 171 7 Art.1 Os regimes próprios de previdência social dos servidores públicos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos militares dos Estados e do Distrito Federal deverão ser organizados, baseados em normas gerais de contabilidade e atuária, de modo a garantir o seu equilíbrio financeiro e atuarial, observados os seguintes critérios: Vcobertura exclusiva a servidores públicos titulares de cargos efetivo e a militares, e a seus respectivos dependentes, de cada ente estatal,vedado o pagamento de benefícios, mediante convênios ou consórcio entre Estados, entre Estados e Municípios e entre Municípios; Portanto, antes da vigência da Emenda Constitucional n° 20/98, o regime próprio de previdência social instituído pelos entes da federação não poderia abranger os servidores ocupantes de cargos temporários. Ainda, anteriormente à vigência da Medida Provisória n.º 1723/98 os servidores ocupantes de cargo público temporário estariam excluídos do RGPS apenas se participassem de regime próprio de previdência social, entendido como tal aquele que, na forma do art. 12, §2°,do Regulamento da Organização e do Custeio da Seguridade Social — ROCSS, aprovado pelo Decreto n°2.173, de 05 de março de 1997, assegurasse pelo menos as aposentadorias e pensão por morte previstas no art. 40 da Constituição Federal. De acordo com o disposto no art. 21 da Lei Estadual n° 1.674/84, os servidores admitidos em caráter temporário, farão jus a idênticos benefícios concedidos aos funcionários públicos civis do Estado através da legislação previdenciária. Mas não ficou provado nos autos que a legislação estadual incluía os benefícios de aposentadoria e pensão para ser considerado Regime Próprio de Previdência Social. Desta forma, e por todo o exposto no processo, bem como do exame da legislação estadual juntada, se pode concluir que os servidores estaduais contratados enquanto vigente a Lei Estadual n.º 1674/84, são segurados obrigatórios do Regime Geral da Previdência Social, não havendo que se falar em exclusão das competências de 12/1998 a 02/1999. E, por derradeiro, como já explicitado neste voto, posteriormente a este período os servidores ocupantes de funções de caráter temporário, obrigatoriamente, estarão sujeitos ao RGPS, na forma como disposto pela EC n.º20/98. Por todo o exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 7DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/05/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 25/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 Fl. 8DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/05/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 25/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 19515.000038/2004-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA
Exercício: 2001 e 2002.
LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS - Para os fatos
geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n°. 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo.
A titularidade dos depósitos bancários pertence As pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros.
AUTUAÇÃO COM BASE EM DADOS DA CPMF. APLICAÇÃO
RETROATIVA DA LEI N°. 10.174, DE 2001. Ê legitimo o lançamento em
que se aplica retroativamente a Lei n°. 10.174, de 2001, que estabelece novos critérios de apuração e processos de fiscalização que ampliam os poderes de investigação das autoridades administrativas, visto que tem natureza
instrumental e pode ser aplicada para fins de prova de omissão de
rendimentos correspondentes a períodos anteriores a sua vigência.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS - ORIGEM NÃO JUSTIFICADA - INEXISTÊNCIA DE DEPOSITO INDIVIDUAL INFERIOR A DOZE MIL REAIS - SOMA DOS DEPÓSITOS NÃO JUSTIFICADOS INFERIOR A OITENTA MIL REAIS DURANTE 0 ANO-CALENDÁRIO — Ê incabível a exigência de crédito tributário lançado com base na movimentação financeira do contribuinte somente quando a soma dos recursos de origem não comprovada não ultrapasse, no decorrer do ano-calendário, o valor de
R$80.000,00 e nenhum deles for superior a R$ 12.000,00.
SELIC - A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial
de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF n° 4)
MULTA CONFISCATOR1A. 0 principio da vedação ao confisco aplica-se
exclusivamente a tributos.
INCONSTITUCIONALIDADE - 0 Conselho Administrativo de Recursos
Fiscais - CARF não é competente para se pronunciar sobre a
inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n° 2).
Recurso negado.
Numero da decisão: 2102-001.065
Decisão: Acordam os membros da segunda turma ordinaria da primeira câmara da segunda seção de julgamento do conselho administrativo de recursos fiscais, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: VANESSA PEREIRA RODRIGUES DOMENE
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Turma/DRJ - Sao Paulo/SPO II ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA Exercício: 2001 e 2002. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS - Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n°. 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos corn base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. A titularidade dos depósitos bancários pertence As pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. AUTUAÇÃO COM BASE EM DADOS DA CPMF. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI N°. 10.174, DE 2001. Ê legitimo o lançamento em que se aplica retroativamente a Lei n°. 10.174, de 2001, que estabelece novos critérios de apuração e processos de fiscalização que ampliam os poderes de investigação das autoridades administrativas, visto que tem natureza instrumental e pode ser aplicada para fins de prova de omissão de rendimentos correspondentes a períodos anteriores a sua vigência. DEPÓSITOS BANCÁRIOS - ORIGEM NÃO JUSTIFICADA - INEXISTÊNCIA DE DEPOSITO INDIVIDUAL INFERIOR A DOZE MIL REAIS - SOMA DOS DEPÓSITOS NÃO JUSTIFICADOS INFERIOR A OITENTA MIL REAIS DURANTE 0 ANO-CALENDÁRIO — Ê incabível a exigência de crédito tributário lançado com base na movimentação financeira do contribuinte somente quando a soma dos recursos de origem não comprovada não ultrapasse, no decorrer do ano-calendário, o valor de R$80.000,00 e nenhum deles for superior a R$ 12.000,00. SELIC - A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF n° 4). Processo n° 19515.000038/2004-42 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102 -01.065 FE. 2 MULTA CONFISCATOR1A. 0 principio da vedação ao confisco aplica-se exclusivamente a tributos. INCONSTITUCIONALIDADE - 0 Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARP não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARP n° 2). Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDA is da Segunda Turm Ordinária da Primeira Camara da Segunda Seção de Jul ento do onselho Admini ativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, e reliminares e, mérito, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do v - Presidente —) ues Domene – Relatora Formalizado em: 26.10.2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos, Vanessa Pereira Rodrigues Domene, Núbia Matos Moura, Rubens Mauricio Carvalho, Acácia Sayuri Wakasugi e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatorio Em 15/01/2004 o contribuinte foi autuado no valor total de R$ 206.586,86, sendo R$ 93.436,86 de imposto, R$ 44.823,66 de juros de mora, R$ 69.327,08 de multa proporcional. De acordo com o Auto de Infração de fls. 95/98, contra o contribuinte foi imputada a seguinte infração: 001- Depósitos bancários de origem não comprovada. Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta (s) de depósito ou de investimento, mantida (s) em instituição (des) financeira (s), em relação Processo n° 19515.000038/2004-42 S2-C I T2 Acórdão n.° 2102-01.065 Fl. 3 aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Inconformado com o lançamento de oficio levado a efeito pelo Fisco, o contribuinte apresentou sua defesa (Impugnação ao Auto de Infração) as fls. 81/90, sendo que em análise à referida defesa sobreveio decisão de primeira instância administrativa (fls. 107/126), que considerou o lançamento procedente, aduzido em suma que: • Preliminares: Da irretroatividade da Lei n° 10.164/01: A partir de 10/01/2001, era facultada a utilização das informações prestadas, relativas à movimentação financeira, para constituição de outros impostos e contribuições. Esse foi o caso em questão. 0 procedimento fiscal que resultou na obtenção dos dados da CPMF e dos respectivos extratos bancários de fls. 33 a 50 iniciou-se em outubro de 2.003 (fls. 4 a 15), ou seja, todos os procedimentos adotados para a constituição do crédito tributário relativo ao imposto de renda pessoa fisica, com base nos dados da base CPMF, ocorreram dentro da vigência da Lei Complementar n° 105/2.001 e da Lei no 10.174/2.001. Ainda, para reforçar a pertinência da lavratura do Auto de Infração, mister se faz salientar que, em nenhuma hipótese, a Lei Complementar n° 105/2.001 violou a segurança jurídica ou o direito adquirido, representados pela irretroatividade. Frise-se que o § 1 0 do art 144 do CTN introduz norma de direito adjetivo, não se cogitando de retroatividade, porquanto sua aplicação é efetuada somente se estiver em vigência quando da atividade do lançamento. Destarte, encontrava pleno respaldo legal a aplicação da Lei Complementar n° 105/2.001 e da Lei no 10.174/2.001. que estabeleceram novos critérios de apuração e processos de fiscalização, que ampliaram o poder de investigação das Autoridades Administrativas e que culminaram com a constituição do crédito tributário, ora contestado. • Quebra de sigilo bancário: lid que se observar que, no presente caso, em função de procedimento criminal movido contra Jurema Alves dos Santos (autos n°2002.61.81.002433-9), o MM. Juiz da 7' Vara Criminal Federal de São Paulo, mediante Oficio (fls. 25 e 26), requisitou ao Banco hail S/A que encaminhasse à Delegacia de Fiscalização da Receita Federal em São Paulo os extratos bancários de fls. 33 a 50, de titularidade de Jurema Alves dos Santos e co-titularidade de Antonio Sérgio Cardoso e João Orivaldo Buoro (fls. 27 a 32), visando a constatar possível prática de crime contra a Ordem Tributária, ou seja, foi a própria Justiça Federal, que autorizou e promoveu a quebra do sigilo bancário do recorrente. Consoante a Lei Complementar n° 105/2001, o acesso as informações bancárias independe de autorização, não constituindo quebra de sigilo. As informações obtidas permanecem protegidas. A Lei 5.172, de 1.966 (CTN), em seu artigo 198, veda sua divulgação para qualquer fim, por parte da Fazenda Pública Nacional ou de seus funcionários, sem prejuízo do disposto na legislação criminal. • Mérito: Depósitos bancários de origem não comprovada: A partir de 01/01/1997, com o advento da Lei n° 9.430/96, a existência de depósitos 3 Processo no 19515.000038/2004-42 S2-CI 12 AcOrdao n.° 2102-01.065 Fl. 4 não escriturados ou de origens não comprovadas tornou-se uma hipótese legal de presunção de omissão de receitas, que veio a se juntar ao elenco já existente; com isso atenuou-se a carga probatória atribuida ao fisco, que precisa apenas demonstrar a existência de depósitos bancários não escriturados ou de origem não comprovada, para satisfazer o onus probandi a seu cargo. Portanto, a legislação do imposto de renda, autoriza o fisco presumir a omissão de receitas diante da existência de depósitos bancários sem comprovação de origem, nos termos do artigo 42 da Lei n° 9.430/97. • A autoridade fiscal, constatando depósitos bancários efetuados nas contas correntes de titularidade do contribuinte, procedeu A intimação para a apresentação de comprovação das origens de tais depósitos. Entretanto, muito embora tenha sido devidamente intimado, o contribuinte não apresentou documentação hábil e idônea capaz de afastar a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada, não havendo, com isso, qualquer motivo para reparar o lançamento. • E função do Fisco, entre outras, comprovar os créditos dos valores em contas de depósito ou de investimento (fls. 27 a 50), analisar as respectivas declarações de ajuste anuais (fls. 51 a 57) e intimar o beneficiário desses créditos a apresentar os documentos/informações/esclarecimentos (fls. 4 a 15, 20 e 22), com vistas A verificação da ocorrência de omissão de rendimentos de que trata o art. 42 da Lei n° 9.430/1.996. Todavia, a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações é obrigação do contribuinte. • Verifica-se do exame das peças constituintes dos autos que o interessado, não obstante tivesse ampla oportunidade de faze-1o, não logrou comprovar, nem na fase de autuação, nem na fase impugnatória, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados na conta-corrente n° 11444-5, mantida no Banco hall, agência 0002, em conjunto com Jurema Alves dos Santos, CPF n° 697.475.718-20 (titular) e Antonio Sérgio Cardoso, CPF n° 702.602.738-72 (co-titular), valores esses que foram objetos de consolidação nos Demonstrativos de fls. 61 e 62, elaborados com base nos extratos bancários constantes dos autos. • Multa de oficio com caráter confiscatório: A multa de oficio aplicada, no percentual de 75% (setenta e cinco por cento), tem caráter punitivo, ficando claro esse caráter pela simples leitura do art. 44, inciso I, da Lei no 9.430/1.996, dispositivo legal que forneceu supedâneo A aplicação da referida multa. Por força do principio da hierarquia, a Autoridade Julgadora de primeira instância no processo administrativo fiscal tem sua liberdade de convicção restrita aos entendimentos expedidos em leis em pleno vigor, atos normativos do Sr. Ministro de Estado da Fazenda e do Sr. Secretário da Receita Federal, ressalvado, nos precisos termos do Parecer, o dever de afastar a aplicação de lei, tratado ou ato normativo federal eventualmente declarados inconstitucionais pela Suprema Corte, não cabendo manifestar-se sobre eventual ferimento, por parte de 4 Processo n" 19515.000038/2004-42 S2-C1T2 AcórclAo n." 2102-01.065 Fl. 5 dispositivos da legislação, a princípios insculpidos na Constituição Federal. • Da alegação de ilegalidade na aplicação da Taxa Selic no cálculo dos juros de mora: Lei n° 9.065/1.995, que deu nova redação a dispositivos da Lei n° 8.981/1.995, dispôs, em seu art. 13, que, a partir de I° de abril de 1.995, os juros de mora de que trata a Lei n° 8.981/1.995, art. 84, T e §§ 1°, 2° e 30, incidentes sobre tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, relativamente a fatos geradores ocorridos a partir de 10 de janeiro de 1.995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária, serão equivalentes à taxa referencial do SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o mês anterior ao do pagamento e a I% no mês em que o pagamento estiver sendo efetuado. Diante da decisão de primeira instância administrativa que manteve integralmente o lançamento, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário as fls. 133/167, aduzindo em suma que: • Preliminares: Da irretroatividade da Lei n° 10.174/01: Nos termos do que dispõe o artigo 5°, inciso II, da CF/88, não é possível a aplicação retroativa da Lei n° 10.174/01. Portanto, resta claro que não pode a autoridade administrativa calcular valores considerados por ela omitidos com base em lei posterior ao fato gerador, pois estará descumprindo um preceito constitucional garantido a todos os indivíduos. • Quebra de sigilo bancário: 0 sigilo de dados, cláusula na qual se insere o sigilo bancário não pode e não deve ser absoluto. Segundo a nossa Carta Magna, lei complementar deve estabelecer as hipóteses de exceções. Todavia, tal como posto na Constituição Federal, a norma que garante o sigilo bancário é de eficácia contida e aplicabilidade imediata. Portanto, enquanto a lei não regular os casos de exceção ao direito da inviolabilidade dos dados, somente o Estado-Juiz poderá autorizar a quebra do sigilo bancário. Essa proposição, figura como um direito individual do cidadão contribuinte, que deve ser respeitado pelo administrador tributário, quando da fiscalização e cobrança dos tributos. • Dai que, a Lei Complementar n°. 105/01, por regulamentar um direito individual do cidadão, por disciplinar uma limitação ao poder de tributar, não tem aplicação retroativa, tendo em vista que até a edição da Lei Complementar n°. 105/01, tinha o contribuinte direito liquido e certo ao sigilo amplo e irrestrito. • Mérito: Dos depósitos bancários: O lançamento com base em depósitos bancários é nulo de pleno direito. E nulo o lançamento fiscal, posto que, o agente público levou em conta apenas os extratos bancários da recorrente para a constituição do crédito tributário arbitrado de IRPF. Somente a demonstração do acréscimo patrimonial é capaz de autorizar o fisco a tributar o contribuinte. 5 Processo n° 19515.000038/2004-42 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-01.065 Fl. 6 • Da aplicação do § 3°, inciso II, do artigo 42, da Lei n° 9.430/96: Em análise ao Demonstrativo dos Valores Efetivamente Recebidos - Conta 11444-5, Banco 341, Agênciav0002, pudemos constatar que no Ano Calendário 2000, grande parte dos créditos considerados pela autoridade administrativa fiscal são inferiores a R$ 12.000,00, os quais, apesar disso, foram submetidos à tributação do Imposto de Renda em desatenção ao previsto no § 3°, inciso II, do artigo 42 da Lei n° 9.430/96, o que acarretou um acréscimo no montante do Imposto de Renda apurado no período ern comento, conforme planilha anexada ao presente recurso (Doc. 01). Necessário se faz a revisão do presente lançamento, com o fito de excluir valores individuais iguais ou inferiores a R$ 12.000,00, respeitado o limite anual de R$ 80.000,00, bem como aplicar corretamente a Tabela Progressiva Anual do Imposto de Renda Pessoa Física. • Da aplicação da multa qualificada agravada: A multa aplicada no importe de 75% (setenta e cinco por cento) afronta a capacidade contributiva da recorrente, uma vez que supera até mesmo o valor do seu ativo. • Da inaplicabilidade da Taxa Se lic como juros de mora: A aplicação da Taxa Selic como juros de mora não tem respaldo legal, além de ser inconstitucional, por ter caráter remuneratório, aplicável ao sistema financeiro. o relatório. Voto Conselheiro Vanessa Pereira Rodrigues Domene, Relatora 0 recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, foi interposto por parte legitima e está devidamente fundamentado. Sendo assim, conheço-o e passo ao exame. Mérito: Ressalto inicialmente que muito embora o contribuinte tenha trazido algumas questões em sede preliminar, esclareço que tais pontos se confundem com o mérito da demanda, de forma que passo a analisa-las juntamente com as demais argumentações, conforme segue: (a) Da omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada por meio de documentação háb il e idônea: 0 lançamento efetuado pelo Fisco com base em informações obtidas a partir de extratos bancários está totalmente amparado pela legislação tributária aplicável ao caso. 6 Processo n° 19515.000038/2004-42 52-C 1T2 Acórclfto n.° 2102-01.065 Fl. 7 Isto porque, a legislação tributária permite a presunção de omissão de rendimentos nos casos em que se verificam depósitos bancários sem que a respectiva comprovação da origem dos recursos por parte do contribuinte, que deverá fazê-lo sempre por meio de documentação hábil e idônea. Nesse sentido, assim já dispunha o artigo 889, inciso II, do RIR/94 (Decreto n° 1.042/94), determinando que o contribuinte devesse atender a contento As solicitações de esclarecimentos por parte do Fisco, do contrário, ensejando ao Fisco a possibilidade de efetuar o lançamento de oficio, conforme segue: "Art. 889 - O lançamento será efetuado de oficio quando o sujeito passivo: II - deixar de atender ao pedido de esclarecimentos que lhe for dirigido, recusar-se a prestá-los ou não os prestar satisfatoriamente;" Nesta mesma esteira, o atual Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99 — Decreto n° 3.000/99) concede igualmente ao Fisco a possibilidade de efetuar o lançamento de oficio em casos de não atendimento As solicitações fiscais a contento, de acordo com a redação do artigo 841 deste diploma normativo, a seguir reproduzido: Art. 841. 0 lançamento será efetuado de oficio quando o sujeito passivo: I - não apresentar declaração de rendimentos; II - deixar de atender ao pedido de esclarecimentos que lhe for dirigido, recusar-se a prestá-los ou não os prestar satisfatoriamente; III - fizer declaração inexata, considerando-se como tal a que contiver ou omitir, inclusive em relação a incentivos fiscais, qualquer elemento que implique redução do imposto a pagar ou restituição indevida; IV - não efetuar ou efetuar com inexatidão o pagamento ou recolhimento do imposto devido, inclusive na fonte; V - estiver sujeito, por ação ou omissão, a aplicação de penalidade pecuniária; VI- omitir receitas ou rendimentos. Parágrafo Aplicar-se-á o lançamento de oficio, além dos caws enumerados neste artigo, aqueles em que o sujeito passivo, beneficiado com isenções ou reduções do imposto, deixar de cumprir os requisitos a que se subordinar o favor fiscal. Não obstante, as disposições normativas acima mencionadas encontram seu fundamento de validade no artigo 149, III, do Código Tributário Nacional, que assim dispõe: "Art. 149. 0 lançamento é efetuado e revisto de oficio pela autoridade administrativa nos seguintes casos: 7 Processo n° 19515.000038/2004-42 52-CIT2 Acórao n.° 2102-01.065 Fl. 8 III - quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recuse-se a prestá-lo ou não o preste satisfatoriamente, a juizo daquela autoridade;" Portanto, conforme se depreende da leitura dos dispositivos legais anteriormente mencionados, somente o atendimento, a contento„ do pedido de esclarecimentos, tem o condão de eximir o sujeito passivo (contribuinte) do lançamento de oficio. Sendo assim, não basta a apresentação de vasta documentação se esta não demonstrar ou comprovar a situação fática alegada pelo contribuinte, infirmando, por conseguinte, as constatações apontadas pelo Fisco. Ademais, a autuação fiscal com base na presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no artigo 42, da Lei n° 9.430, de 24 de dezembro de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Assim dispõe o referido comando normativo: Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1° 0 valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no Ines do crédito efetuado pela instituiçã'o financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-do às normas de tributação especificas, previstas na legislação vigente época em que auferidos ou recebidos. § 3° Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I - os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa fisica ou jurídica; II - no caso de pessoa fisica, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano- calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). §4° Tratando-se de pessoa fisica, os rendimentos omitidos serão tributados no Ines em que considerados recebidos, com base na 8 Processo n° 19515.000038/2004-42 52-C1T2 Acórdão n." 2102-01.065 Fl. 9 tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição .financeira. §5° Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. §6° Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Com efeito, as presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tio-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. Isto porque, o ônus da prova, neste caso, cabe ao interessado, no caso o contribuinte. Inclusive, nesse sentido, a fim de pacificar a matéria, este egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF editou a Súmula CARF n° 26, que traz a seguinte redação: Súmula CARF n° 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Assim, importa destacar também que o ônus de provar implica trazer elementos que não deixem nenhuma dúvida quanto a determinado fato questionado. Logo, de acordo com os normativos retro mencionados, em casos de omissão de rendimentos, cabe apenas ao sujeito passivo, e não ao Fisco, trazer os elementos de prova de forma a comprovar a origem dos recursos que ingressaram em sua conta corrente ao longo dos períodos base analisados. Observe-se que o artigo 332 da Lei n°. 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil Brasileiro, estabelece que "todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, são hábeis para provar a verdade dos fatos em que se funda a ação ou defesa". Ademais, o mesmo Diploma Legal indica em seu artigo 334, inciso IV que "não dependem de prova os fatos em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade" Desse modo, não havendo hierarquia do valor probante dos meios de prova, excetuado o uso de provas ilícitas (art. 5°, inciso LVI da Constituição Federal de 1988), pode- se provar qualquer situação de fato por qualquer via, o que confere ao contribuinte ampla liberdade na produção de provas para a comprovação dos fatos alegados em sua defesa. 9 Processo n° 19515.000038/2004-42 52-CIT2 Acórclfto n.° 2102-01.065 Fl. 10 Com efeito, diante do exposto, verifica-se que para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, a Lei n°. 9.430, de 1996, ern seu artigo 42, já mencionado, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Ou sei a, o fato gerador do imposto de renda não se da pela mera constatação de depósitos bancários creditados em conta corrente do contribuinte. A presunção de omissão de rendimentos se caracteriza, sobretudo, ante a falta de esclarecimentos da origem dos valores creditados junto ao sistema financeiro. Portanto, o fato gerador decorre da circunstancia de tratar-se de dinheiro novo no patrimônio do contribuinte sem que este, regularmente intimado para prestar esclarecimentos, não prove sua origem por meio de documentação hábil e idônea. Não obstante, conforme já devidamente demonstrado, as constatações acima afastam a necessidade de comprovação, por parte do Fisco, de acréscimo patrimonial a descoberto ou mesmo de sinais exteriores de riqueza nos casos de omissão de rendimentos. 0 auto de infração lavrado no caso concreto é resultado da verificação de omissão de rendimentos apurada com base em valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte, devidamente intimado, não comprovou a origem. Deste modo, com tais considerações em foco, nota-se que as alegações do contribuinte são infundadas, pois inexiste comprovação da origem dos depósitos bancários, bastando para o Fisco demonstrar a ocorrência dos depósitos de origem não comprovada. Aliás, compulsando os autos, não verifico nenhum documento que tenha o condão de afastar a presunção de omissão de rendimentos, nem tampouco em suas alegações o contribuinte procura esclarecer a origem dos depósitos questionados. Deste modo, diante da total ausência da comprovação das origens dos recursos questionados pelo Fisco, é de rigor a manutenção dos valores que embasaram o lançamento nos termos em que efetuado, já que o contribuinte não logrou êxito em afastar as acusações apresentadas pela fiscalização. (b) Da ilegalidade do lançamento pela aplicação retroativa da Lei n° 10.174/01 e da quebra do sigilo bancário: No que tange à alegação de irretroatividade legal, o entendimento mais correto é no sentido de que a Lei Complementar n° 105, de 2001 e a Lei no 10.174, de 2001, ao contrário do alegado pelo recorrente, têm natureza instrumental e pode ser aplicada para fins de prova de omissão de rendimentos correspondentes a períodos anteriores a sua vigência. Inclusive a teor do que dispõe o art. 144, § 1 0, do Código Tributário Nacional, as leis tributárias procedimentais ou formais têm aplicação imediata, ao passo que as leis de natureza material só alcançam fatos geradores ocorridos durante a sua vigência. Sendo assim, a norma contida na Lei Complementar 105/01, que permite a utilização de informações bancárias para fins de apuração e constituição de credito tributário, por envergar natureza procedimental, tem aplicação imediata, podendo assim alcançar fatos geradores pretéritos. 10 Processo n° 19515.000038/2004-42 Acórdão n.° 2102-01.065 S2-C I T2 FT I I Aliás, a exegese do art. 144, § 1°, do Código Tributário Nacional, considera a natureza formal da norma que permite o cruzamento de dados referentes à arrecadação da CPMF para fins de constituição de crédito tributário, relativo a outros tributos, conduz à conclusão da possibilidade da aplicação dos artigos 6° da Lei Complementar 105/01 e da Lei 10.174/01 ao ato de lançamento de tributos que a constituição do crédito em si não esteja alcançada pela decadência, o que ocorre no caso, posto que, conforme disposto no item seguinte, afastada a decadência alegada pelo contribuinte para o ano-calendário de 1998, por ter sido o crédito tributário constituído no prazo de 5 anos contados do fato gerador, nos termos do artigo 150, § 40, do CTN. Portanto, concluímos que a alteração do §3° do artigo 11, da Lei 9.311/96 pelo artigo 1° da Lei 10.174/2001, permitindo a utilização de dados relativos A CPMF, retroage aos fatos pretéritos A. sua vigência, por caracterizar mera ampliação dos instrumentos de fiscalização, estando em consonância com a regra do §1° do art. 144 do CTN, bem como com as reiteradas decisões proferidas por este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme segue: PRELIMINAR. UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF. INSTRUMENTO DE FISCALIZAÇÃO. RETROATIVIDADE DA LEI 10.174/2001. A alteração do §3° do art. 11 da Lei 9.311/96 pelo art. 1° da Lei 10.174/2001, permitindo a utilização de dados relativos à CPMF, retroage aos fatos pretéritos à sua vigência, por caracterizar mera ampliação dos instrumentos de fiscalização, estando em consonância com a regra do §1° do art. 144 do CTN. NORMAS PROCESSUAIS — UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF - EFICÁCIA DA LEGISLAÇÃO. A Lei n° 10.174, de 2001, ao facultar a utilização das informações da CPMF em procedimentos administrativos para fins de verificação da existência de crédito tributário relativo a outras contribuições ou impostos, apenas ampliou os poderes de investigação das autoridades fiscais. Inclusive tal questão já restou pacificada por este CARF mediante a edição da Súmula CARF no 35, com efeito vinculante aos órgãos da administração tributária federal, conforme segue: Súmula CARF n° 35: O art. 11, § 3°, da Lei n°9.311/96, com a redact -10 dada pela Lei n° 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativarnente. Com efeito vinculante aos órgãos da administração tributária federal, conforme Portaria-MF ng 383, de 12.07.2010 — DOU de, 14.07.2010 - Seção 1- Página 843. Deste modo, não assiste razão ao contribuinte no tocante à argumentação de que a autoridade fiscal teria aplicado de forma irretroativa a legislação tributária, de forma que no caso verifica-se apenas a ampliação dos poderes de investigação das autoridades fiscais. Não obstante, cumpre esclarecer que no tocante A alegação de quebra de sigilo bancário trazida pelo contribuinte, o interesse coletivo deve sempre prevalecer sobre o 11 Process() n° 19515.000038/2004-42 S2-CIT2 AcOrdito n.° 2102-01.065 Fl. 12 interesse do particular, sendo certo que o sigilo trazido pela Constituição Federal diz respeito "comunicação de dados", não se tratando de modo algum de sigilo absoluto. Aliás, importante frisar que, na quase totalidade dos países ocidentais existe a possibilidade de acesso as movimentações bancárias quando tal seja importante para apuração de crimes e fraudes tributárias em geral. Além do exposto, nos termos já mencionados o entendimento mais correto é no sentido de que a Lei Complementar e 105, de 2001 e a Lei no 10.174, de 2001 têm natureza instrumental e aumentou com isso as hipóteses legais para que a Receita Federal tenha acesso a dados, ainda que bancários, dos contribuintes para a fiscalização de supostos ilícitos fiscais. Assim, a autorização contida na Lei Complementar n° 105/2001 é válida para os fatos havidos após a sua publicação, mas alcança também os pendentes, nas situações em que a investigação tenha inicio depois da sua publicação, mas que não tenham sido fulminados pela decadência, como ocorre no presente caso. Nesta situação, o acesso aos dados bancários ocorreu para um fato pendente, porque ainda em período passível de homologação ou lançamento de oficio da Administração Tributária Federal, e em momento posterior A. publicação desse ato legal, desta forma, improcedente também a alegação do contribuinte no sentido de que houve quebra de sigilo bancário neste caso. Cumpre esclarecer ainda que nos termos já mencionados pela decisão recorrida, no presente caso, em função de procedimento criminal movido contra Jurema Alves dos Santos (autos n° 2002.61.81.002433-9), o MM. Juiz da 7' Vara Criminal Federal de São Paulo, mediante Oficio (fls. 25 e 26), requisitou ao Banco Dail S/A que encaminhasse Delegacia de Fiscalização da Receita Federal em São Paulo, os extratos bancários de fls. 33 a 50, de titularidade de Jurema Alves dos Santos e co-titularidade de Antonio Sérgio Cardoso e Joao Orivaldo Buoro (fls. 27 a 32), visando a constatar possível pi-Mica de crime contra a Ordem Tributária, ou seja, foi a própria Justiça Federal, que autorizou e promoveu a quebra do sigilo bancário do recorrente. (c) Ilegalidade do lançamento por abranger informações de valor mensal inferior ao admitido pelo §3°, inciso II, do artigo 42, da Lei n°9.430/96: Neste aspecto o contribuinte equivoca-se ao argumentar que a autoridade fiscal não teria observado o dispositivo legal em referência. Isto porque, apenas os depósitos bancários de valores iguais ou inferiores a R$12.000,00, desde que seu somatório ago ultrapasse o valor de R$80.000,00 dentro do ano-calendário, serão desconsiderados para fins de determinação da "receita omitida". Aliás, conforme já mencionado, tal regra decorre da norma extraída do artigo 42, § 30, inciso II, da Lei n°. 9.430/96, alterado pelo artigo 4° da Lei n° 9.481/97, que é cristalina ao dispor que somente os depósitos de valor igual ou inferior a R$ 12.000,00 serão desconsiderados para fins de determinação da receita omitida, desde que seu somatório não ultrapasse R$ 80 000,00, conforme segue: 12 Processo IV 19515.000038/2004-42 52-C1T2 AcárclAo n.° 2102-01.065 Fl. 13 "Art. 42 — Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. sf 3 0 - Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I - os decorrentes de transferencias de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II - no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano- calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais,). " Assim, o limite para a fiscalização é dado com base no disposto no comando normativo supra mencionado e depende, assim, de dois momentos: 0 primeiro, a análise quanto aos valores individualizadamente considerados, ou seja, se os depósitos respeitam o "teto" de R$12.000,00. 0 segundo, se tais depósitos não ultrapassam o valor global de R$ 80.000,00 dentro do ano-calendário. Desta forma, o limite global de R$ 80.000,00 nada mais significa que um requisito A desconsideração dos depósitos inferiores a R$ 12.000,00, pois, uma vez não preenchido este requisito, resta prejudicada a possibilidade de desconsideração destes depósitos de "menor valor". Nada obstante, insta esclarecer que as hipóteses previstas na norma contida no artigo 42, § 3 0, inciso II, da Lei n°. 9.430/96, não ocorrem no caso em tela, até porque, conforme se verifica nos demonstrativos de fls. 65 (Termo de Verificação Fiscal), nota-se que os valores dos depósitos relativos ao Demonstrativo do ano de 2000 são superiores a R$ 12.000,00 mesmo que considerados individualizadamente, sendo que o montante total é de R$ 922.121,42. Já para os depósitos relativos ao Demonstrativo do ano de 2001 o montante total para o período é de R$ 89.000,00. Tanto assim que a autoridade fiscal justifica claramente tal hipótese, mais precisamente As fls. 65, conforme destaque abaixo: No ano-calendário de 2001, o crédito total na conta-corrente foi de R$ 145.108,88, dos quais R$ 34.000,00 em JANEIRO e R$ 55.000,00 em FEVEREIRO decorrem de depósitos de valores individuais superiores a R$ 12.000,00 e, portanto, tributáveis. Assim sendo o somatório dos créditos decorrentes de depósitos de valores individuais iguais ou inferiores a RS 12.000,00 totaliza R$ 56.108,88, que individualizado por titular da conta corresponde a R$ 18.702,96, que não atingem o limite mínimo de R$ 80.000,00, corn base no sç 6' c/c o inciso H do § 30 do art. 42 da Lei 9.430/96. 13 Processo no 19515.000038/2004-42 S2-C1T2 AcórdAo n.° 2102-01.065 Fl. 14 Sendo assim, não há que se falar em exclusão de valores da tributação em virtude de serem inferiores ao limite legal. Ademais, também não merece qualquer consideração a argumentação de que a autoridade fiscal não teria levado em consideração o valor de R$4.320,00, no cálculo do imposto lançado de oficio. Isto porque, fica evidente no Demonstrativo de Apuração, mais precisamente As fls. 71, que a autoridade fiscal efetuou o cálculo deduzindo do montante total o valor de R$ 4.320,00, ao contrário do que aduziu o contribuinte. Assim, não merece qualquer reparo o lançamento sob tal aspecto. (d) Das contas conjuntas (falta de intimação do co-titular): Conforme consta dos autos, a conta corrente n° 11444-5, agência 0002, junto ao Banco hall, era de titularidade da Sra. Jurema Alves dos Santos — CPF: 697.475.718-20, mantida em co-titularidade com o Sr. João Orivaldo Buoro — CPF: 559.994.338-00 e com o contribuinte (recorrente). No entanto, todos os co-titulares foram intimados a prestar esclarecimentos a respeito da origem dos depósitos ocorridos na referida conta bancária, conforme demonstra o documento de fls. 20, sendo que para cada um dos co-titulares foi instaurado um processo administrativo distinto, mas cujas investigações ocorreram em conjunto, inclusive no âmbito criminal, nos termos do que demonstram os documentos de fls. 23/26. Nesta esteira, nos termos do expõe a autoridade fiscal e tendo em vista a total ausência de esclarecimentos a respeito dos depósitos por parte do contribuinte, foi atribuído a cada um dos co-titulares o percentual de 33,33%, com base no disposto no §6°, do artigo 42, da Lei n° 9.430/96, in verbis: §* 6° Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Deste modo, tendo em vista que todos os co-titulares das contas bancárias foram devidamente intimados a esclarecer a origem dos depósitos bancários, tendo inclusive sido instaurado um processo administrativo para cada um dos co-titulares, mas sem que os co- titulares tenham efetivamente apresentado qualquer documento hábil e idôneo no sentido de esclarecer a origem dos depósitos bancários, é correta a imputação proporcional dos valores tidos como omissos depositados em conta bancária no presente caso, com base no disposto no § 6°, do artigo 42, da Lei n° 9.430/96. (e) Da multa e Principio do não-confisco: Ao contrario do que aduz o contribuinte, a multa aplicada pela autoridade fiscal está correta, posto que no percentual de 75%, ou seja, aplicação da multa de oficio. No presente caso não foi aplicada a multa agravada pela autoridade fiscal. 14 Processo n° 19515.000038/2004-42 82-C I T2 Acórdão n.° 2102-01.065 Fl. 15 Alias, nos termos do que determina a Súmula CARF n° 14, a multa qualificada somente tem aplicação quando plenamente caracterizada a fraude, dolo ou simulação por parte do contribuinte, de forma que a simples omissão de rendimentos não caracteriza nenhuma destas condições. Portanto, andou bem a autoridade fiscal quando aplicou a multa de oficio em 75%, nos termos do que determina a legislação pertinente. Entretanto, a recorrente também aduz que a multa, ainda que na base de 75%, teria o caráter confiscatório. Mas, sob este prisma, rechaço a argumentação trazida, visto que é evidente que a multa não é tributo, mas sim penalidade, sendo que não existe vedação ao confisco do produto de atividade contrária à lei. Desta forma, a aplicação da multa ao autor do ilícito fiscal, ainda que possa, por hipótese, reduzi-lo à insolvência, é licita, pois a lei destina-se a proteger a sociedade, não o patrimônio do autor do ilícito. Assim, nos casos de lançamento de oficio, onde resultou comprovada a insuficiência do recolhimento de imposto é exigível a multa de oficio no percentual de 75% por expressa determinação legal e nos termos já aduzidos. No mais cumpre esclarecer que o principio constitucional da vedação ao confisco é destinado ao legislador, que deve, no momento de elaborar a lei, estar adstrito aos ditames constitucionais. Com efeito, uma vez inserida a norma no sistema positivo, e estando vigente, é obrigação do administrador público aplicá-la, não sendo da competência da administração pública discutir a constitucionalidade de qualquer norma, competência esta reservada de forma exclusiva ao Poder Judiciário por expressa determinação constitucional, conforme já salientado. Aliás, nesse sentido a impossibilidade de análise de matéria constitucional por órgãos administrativos de julgamento já restou pacificada pelo E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais nos termos da Súmula CARF n° 2, in verbis: Súmula CARF le. 2: 0 CARF Mo é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante disso, neste ponto também não merece qualquer reparo o trabalho da autoridade fiscal, tendo em vista que houve a aplicação da multa de oficio de 75%, nos limites do que determina a legislação aplicável ao caso. (f) Dos juros de mora com base na taxa Selic: Adiante, o contribuinte procura argumentar no sentido de afastar a aplicação da Taxa Selic como base dos juros moratórios, sob a argumentação de sua ilegalidade de inconstitucionalidade. Porém, não cabe razão ao contribuinte, cumprindo-nos mencionar inicialmente que analisando o Demonstrativo de Multa e Juros de Mora não se vislumbra qualquer ilegalidade quanto aos indices utilizados pela autoridade fiscal, inclusive, está claramente expresso no referido demonstrativo que a partir de janeiro de 1997 (p/ fatos geradores a partir de 01/01/1997), é utilizado o percentual equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC para tributos federais. 15 Processo n° 19515.000038/2004-42 S2-CIT2 AcOrcIdo n.° 2102-01.065 Fl. 16 Ademais, em relação a aplicação da Taxa Selic ha de se verificar que a partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Nessa toada, verificamos que o Código Tributário Nacional preceitua que a aplicação da Taxa Selic, para fins tributários, reclama lei que a determine. Eis que a Lei n° 9.065/95, que deu nova redação a dispositivos da Lei n° 8.981/95, dispôs, ern seu artigo 13, que, a partir de 10 de abril de 1995, os juros de mora incidentes sobre os tributos e contribuições sócias arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, relativamente a fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária, serão equivalentes a Taxa Selic, para títulos federais, acumulada mensalmente até o mês anterior ao do pagamento e a 1% ao mês em que o pagamento estiver sendo efetuado. Juros decorrem da mora do devedor e serão calculados de acordo com a lei vigente a cada período em que fluem. Na espécie, assim se fez, os juros de mora com base no art. 84, § 5 0, da Lei n° 8.981/95, se aplicam a partir de abril de 1995. Alias, em relação a esta matéria já restou pacificado tal entendimento perante este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, inclusive com a edição da Súmula CARF 4, "in verbis": "Stimula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratários incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimpléncia, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais." No mais, a recorrente, como já salientado anteriormente, alega a inconstitucionalidade da Taxa Selic. Porém, a análise da constitucionalidade de lei em matéria tributária não pode ser objeto de analise por parte deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, questão inclusive pacificada na já mencionada Súmula CARF n° 2. Assim, não merece qualquer reparo neste aspecto o lançamento de oficio levado a efeito pelo Fisco, haja vista a correta aplicação dos juros por parte da autoridade fiscal. Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso do contribuinte. Sala das Sessões, em 0 e- fevereiro de 2011. ji — Van ssa Pereira Ru' rigues Domene 16
score : 1.0
Numero do processo: 14479.000147/2007-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/04/1999 a 30/10/2005
Ementa:
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN.
AUTO-DE-INFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES.
Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91.
RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA.
As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32-A
à Lei n º 8.212.
Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2302-000.977
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade em conceder
provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32-A, inciso II, que na conversão pela Lei
n º 11.941 foi renumerado para o art. 32-A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/04/1999 a 30/10/2005 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. AUTODEINFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte Fl. 1DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 12/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo Da Costa e Silva, Thiago D Avila Melo Fernandes, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriana Sato Ausência momentânea : Thiago D’ Avila Melo Fernandes Fl. 2DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 12/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 14479.000147/200772 Acórdão n.º 230200.977 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório Trata o presente de autodeinfração, lavrado em desfavor do sujeito passivo acima identificado, em virtude do descumprimento do artigo 32, inciso IV, §5º, da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, com multa punitiva aplicada conforme dispõe o artigo 32, § 5º da Lei n.º 8.212/91 e artigo 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, por não ter informado nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP’s das competências de 04/1999 a 10/2005, os valores relativos ao fornecimento de alimentação sem a devida inscrição no PAT, a remuneração dos condutores autônomos e a remuneração de contribuintes individuais, relativa a honorários advocatícios. Os valores não declarados constam das planilhas de fls. 32/230. Após a apresentação da defesa, Acórdão de fls. 257/264, julgou a autuação procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso tempestivo arguindo a decadência qüinqüenal para anular o lançamento, requerendo também a insubsistência do auto de infração e demonstrando o interesse na sustentação oral. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 12/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 4 Voto Conselheiro Liege Lacroix Thomasi Cumprido o requisito de admissibilidade, conheço do recurso e passo ao seu exame. Da Preliminar O auto de infração referese ao período descontínuo de 04/1999 a 10/2005 e foi lavrado em 09/08/2007, com ciência pelo sujeito passivo em 10/08/2007. A recorrente argúi a decadência qüinqüenal e, com efeito, nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Fl. 4DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 12/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 14479.000147/200772 Acórdão n.º 230200.977 S2C3T2 Fl. 3 5 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem observar a regra prevista no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Entretanto, somente se homologa pagamento, caso esse não exista, não há o que ser homologado, devendo ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. No caso presente, por se tratar de auto de infração por descumprimento de obrigação acessória que vem definida na legislação, não há que se falar em recolhimento antecipado, devendo ser aplicado o artigo 173, inciso,I do CTN, devendo ser excluídas da autuação as competências até 11/2001, inclusive: Fl. 5DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 12/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 6 Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, Fl. 6DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 12/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 14479.000147/200772 Acórdão n.º 230200.977 S2C3T2 Fl. 4 7 no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Do Mérito Não houve contestação, por parte da recorrente, quanto ao mérito da autuação, que seu pela falta de informação em GFIP das remunerações pagas aos contribuintes Fl. 7DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 12/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 8 individuais relativas aos fretes e honorários advocatícios, bem como da remuneração paga aos segurados empregados título de alimentação sem a devida inscrição no PAT. Ao não informar os valores relativos à remuneração de todos os segurados que lhe prestaram serviço, a recorrente infringiu o artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, pois é obrigada a informar, mensalmente, ao INSS, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações do interesse do Instituto, sendo que a apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada. A multa referente ao descumprimento da obrigação acessória, que originou este auto de infração, está contida no artigo 32, § 5º da Lei n.º 8.212/91 e artigo 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. Todavia, há que se observar a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II do CTN. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, convertida na Lei n.º 11.941/2009, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, nestas palavras: "Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 12/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 14479.000147/200772 Acórdão n.º 230200.977 S2C3T2 Fl. 5 9 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos." Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Assim, no caso presente, há cabimento do art. 106, inciso II, alínea “c” do Código Tributário Nacional. Pelo exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, para acatar a decadência parcial e excluir do lançamento as competências até 11/2001, devendo a multa ser calculada considerando as disposições do artigo 32A , inciso I, da Lei n.º 11.941/2009. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 9DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 12/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA
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