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Numero do processo: 16682.901635/2013-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/2010 a 30/09/2010
PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA.
A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Caracteriza-se a concomitância quando o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais guardam irrefutável identidade.
Numero da decisão: 3302-006.856
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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CONCOMITÂNCIA. A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Caracterizase a concomitância quando o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais guardam irrefutável identidade. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. Relatório Trata o presente processo do Pedido de Restituição (PER), transmitido pelo contribuinte acima identificado, no qual solicita a restituição de PIS. Consta no processo Despacho Decisório Eletrônico proferido pela unidade de origem, o qual concluiu pela improcedência do crédito original informado no PER, sob o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 16 35 /2 01 3- 67 Fl. 345DF CARF MF Processo nº 16682.901635/201367 Acórdão n.º 3302006.856 S3C3T2 Fl. 3 2 fundamento de que o pagamento relacionado havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Cientificado desta decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, julgada improcedente pela DRJ, nos termos do Acórdão nº 12089.002. Inconformado com a decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta que: a) A ausência de retificação de DCTF ou de qualquer outra obrigação acessória jamais poderia ser impeditivo do reconhecimento do seu direito ao crédito, na medida em que o Fisco possui outros meios de apurar a existência de eventual indébito tributário. Assim, não restam dúvidas de que a falta de retificação da DCTF não deve implicar na perda do direito ao crédito; b) Não há concomitância entre o presente processo e o Mandado de Segurança n° 002418579.2013.4.02.5101. A lide proposta foi no sentido de que fosse reconhecido o direito líquido e certo da recorrente não se sujeitar à incidência do PIS/Cofins sobre as receitas de interconexão, bem como para reconhecer o crédito referente a eventuais valores pagos indevidamente, relativamente a contribuições apuradas e recolhidas após a impetração do writ. O objeto da ação judicial se destina apenas às contribuições de PIS e Cofins apuradas e recolhidas após a distribuição do referido MS; c) No caso concreto, há uma divisão muito clara. Os pagamentos indevidos de PIS/COFINS sobre receitas de interconexão de redes, apuradas antes de 23.9.2013, foram objeto de pedido administrativo de restituição. Apenas os pagamentos realizados com base em apurações de PIS/COFINS feitas partir de 23.9.2013, foram objeto do pedido judicial formulado no Mandado de Segurança n° 002418579.2013.4.02.5101. Bem verdade que há certa semelhança entre as causas de pedir dos processos administrativos e judicial. Ambos estão fundados na “não incidência do PIS/COFINS sobre receitas de interconexão”. Todavia, os pedidos efetuados para se afastar o PIS e a COFINS sobre as receitas de interconexão, bem como para se reconhecer o crédito sobre pagamentos indevidos realizados envolvem a mesma discussão para períodos de apuração distintos. Frisese: os pedidos administrativos se voltam às contribuições apuradas e pagas antes da impetração do mandado de segurança. Já aquelas apuradas e pagas após o ajuizamento da ação judicial são objeto do mandado de segurança. Diante desse cenário, verificase que não há concomitância entre o mandado de segurança em curso perante o Poder Judiciário e o presente processo administrativo, tendo em vista que os períodos de apuração relativos ao crédito referente ao indébito tributário são distintos; d) Os valores recebidos pela Recorrente e repassados a outras operadoras a título de interconexão de redes não configuram receita tributável pelo PIS e COFINS, pois não se trata de “receita” auferida pela Recorrente, quer do ponto de vista jurídico, quer mesmo do ponto de vista contábil. No caso dos valores recebidos pela Recorrente e repassados a terceiros a título de interconexão de redes, o que se verifica é um mero e transitório ingresso de recursos que devem ser repassados ao terceiro que cedeu seus meios de rede à Recorrente. Não há, portanto, qualquer efetivo acréscimo patrimonial da Recorrente, porque já há um imediato e compulsório destino para aquele valor recebido, que é repassado para as outras operadoras de telecomunicação; e) A tributação nos moldes pretendidos pelo Fisco implica a tributação pelo PIS/COFINS da receita total auferida pela Recorrente pela prestação do serviço de Fl. 346DF CARF MF Processo nº 16682.901635/201367 Acórdão n.º 3302006.856 S3C3T2 Fl. 4 3 telecomunicação, incluindo a parcela que será repassada a terceiros pela interconexão de redes. E, além dessa tributação, nos termos da pretensão fiscal, haveria uma nova incidência do PIS/COFINS pelo terceiro que realiza a interconexão, no momento em que ele apropriar a receita que lhe é repassada, caracterizando o bis in idem tributário; f) A base de cálculo do PIS/COFINS não deve ser integrada por elementos estranhos à receita auferida, notadamente pelos valores que devem ser repassados a terceiros a título de interconexão de redes. Na prática, isso faz com que todo o valor pago pela Recorrente a título de PIS/COFINS sobre esses valores de interconexão de redes seja qualificado como indébito tributário, que lhe deve ser restituído. Termina o recurso requerendo o provimento para que seja reformado o acórdão recorrido, a fim de que seja deferido o pedido de restituição formulado. É o breve relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Acórdão nº 3302006.815, de 25 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 16682.900008/201490, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3302006.815): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise. O cerne da questão está em decidir se há concomitância entre esse processo administrativo e o Mandado de Segurança n° 002418579.2013.4.02.5101. Para tanto, é necessário analisar os objetos dos respectivos processos. Conforme já mencionado na decisão a quo, o indébito pleiteado no Pedido de Restituição decorre, nas palavras do contribuinte, “da indevida inclusão na base de cálculo do PIS de valores referentes a ingressos de numerário em razão de contratos de interconexão, os quais não constituem "receita" da Manifestante”. Portanto, defende em processo administrativo a não incidência do PIS/COFINS sobre tarifas de interconexão. Vejamos o objeto do MS nº 002418579.2013.4.02.5101: Pela petição inicial, temos os seguintes pedidos: a) concessão de medida liminar para assegurar o direito liquido e certo da impetrante à suspensão da exigibilidade dos créditos tributários, nos termos do art. 151, IV, do CTN, das Fl. 347DF CARF MF Processo nº 16682.901635/201367 Acórdão n.º 3302006.856 S3C3T2 Fl. 5 4 contribuições ao PIS e a Cofins, sobre os meros ingressos apurados mensalmente pelo regime de competência pela impetrante decorrentes tão somente das tarifas de interconexão recebidas dos usuários pela coprestação dos serviços de telecomunicações prestados pelas demais operadoras e a elas integralmente repassadas (serviços de transmissão, emissão ou recepção de símbolos, caracteres, sinais, escritos, imagens, sons ou informações de qualquer natureza); b) determinação à Autoridade Coatora sobre o contudo da decisão liminar, bem como acerca do conteúdo do presente mandamus, para que no prazo legal, preste as informações que entender necessárias, com a posterior oitiva do representante do Ministério Público; c) Ciência à União Federal, nos termos do art. 7º, II, da Lei nº 12.016/2009; d) ao final, a concessão da segurança para confirmar a liminar requerida e assegurar o direito liquido e certo de a impetrante não se sujeitar à incidência das contribuições ao PIS e à Cofins, sobre meros ingressos apurados mensalmente pelo regime da competência pela impetrante decorrentes tão somente das tarifas de interconexão recebidas dos usuários pela coprestação dos serviços de telecomunicações prestados pelas demais operadoras e a elas integralmente repassadas (serviços de transmissão, emissão ou recepção de símbolos, caracteres, sinais, escritos, imagens, sons ou informações de qualquer natureza), sob pena de violação ao art. 2º da Lei nº 9,718/99 e aos arts. 5º, II; 145 § 1º; 150, I e IV e 195, I, "b" da Constituição Republicana de 1988, com a consequente compensação do indébito dessas contribuições, apurados desde a distribuição do presente writ, devidamente atualizado pela Taxa Selic, após o trânsito em julgado, nos termos dos artigos 165, 170 e 170A do CTN. A sentença de primeiro grau do Mandado de Segurança nº 002418579.2013.4.02.5101, assim decidiu: Tratase de mandado de segurança com pedido de liminar impetrado por INTELIG COMUNICAÇÕES LTDA contra ato atribuído ao DELEGADO DA DELEGACIA ESPECIAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE MAIORES CONTRIBUINTES NO RIO DE JANEIRO DEMAC, objetivando a declaração de não incidência das contribuições ao PIS e à COFINS, sobre os ingressos apurados mensalmente pelo regime de competência pela Impetrante, decorrentes de tarifas de interconexão serviços prestados pelas demais operadoras, que são posteriormente repassados àquelas congêneres, bem como a declaração do direito de compensar o indébito referente a estas contribuições, apurado desde a distribuição do writ. Sustenta, em apertada síntese, que as chamadas "tarifas de interconexão" não constituem receita, e sim meros ingressos econômicos ou financeiros, tendo cm vista que são recebidas, cm um primeiro momento, pela Impetrante, porem repassadas cm seguida às operadoras que efetivamente prestaram os serviços ao cliente usuário da Impetrante. (...) Fl. 348DF CARF MF Processo nº 16682.901635/201367 Acórdão n.º 3302006.856 S3C3T2 Fl. 6 5 Pelo exposto, com fulcro no art. 269. I, do CPC. JULGO PROCEDENTE O PEDIDO e CONCEDO A SEGURANÇA, para determinar ao Impetrado que se abstenha de exigir da Impetrante que recolha o PIS e a Cofins, incluindo na base de cálculo o valor recebido pela Impetrante e posteriormente repassado a operadora congênere, que prestou efetivamente o serviço, a título de "tarifa de interconexão", bem como para declarar o direito da Impetrante à compensação do indébito, apurado desde a distribuição do presente, na forma da lei de regência, de acordo com a modalidade escolhida pelas Impetrantes, aplicandose a SELIC como critério de atualização do indébito, vedada a cumulação com qualquer outro índice, nos termos da fundamentação supra. Analisando as razões jurídicas apresentadas na peça recursal, fico convencido da identidade das demandas administrativa e judicial, pois nas duas esferas o que se discute é a inexistência de relação jurídica tributária do PIS e da Cofins em relação as receitas de interconexão. O próprio recorrente reconhece essa congruência entre os processos administrativo e judicial. Sua alegação para afastar a concomitância se ampara no fato de que os pagamentos indevidos de PIS/COFINS sobre receitas de interconexão de redes, apuradas antes de 23.9.2013, foram objeto de pedido administrativo de restituição, e que apenas os pagamentos realizados com base em apurações de PIS/COFINS feitas partir de 23.9.2013, foram objeto do pedido judicial formulado no Mandado de Segurança n° 0024185 79.2013.4.02.5101. Não comungo do entendimento no qual a concomitância é afastada pela falta de identidade entre os períodos de apuração apontados nos processos judicial e administrativo. O diferencial entre os períodos de apuração, aqueles contemplados pelo mandamus e os não contemplados, na minha visão, referese somente à possibilidade de o recorrente utilizálos para pedido de compensação antes do trânsito em julgado, por ordem judicial, conforme sua solicitação na exordial. Os demais períodos de apuração, os que foram apurados antes da distribuições do writ, deverão esperar o trânsito em julgado da ação para poderem se credenciar a objeto de um pedido de restituição, com possíveis compensações. Digo isso, pois a decisão do Poder Judiciário sobre a incidência do PIS e da Cofins nas receitas oriundas das tarifas de interconexão, terá reflexos para todos os períodos de apuração, independentemente se foi contemplado no pedido do MS nº 002418579.2013.4.02.5101 ou não Isso se deve ao fato de que na existência de processos paralelos, com objeto e finalidade idênticos, não é salutar que haja decisões com efeitos redundantes ou antagônicos. Em qualquer das hipóteses, prevalecerá a decisão judicial, motivo pelo qual a concomitância de processos ofende o princípio da economia processual. Em face disso, a opção do contribuinte pela via judicial encerra o processo administrativo fiscal em definitivo, em qualquer das fases em que ele se encontre. Fl. 349DF CARF MF Processo nº 16682.901635/201367 Acórdão n.º 3302006.856 S3C3T2 Fl. 7 6 Registrese que a coisa julgada a ser proferida no âmbito do Poder Judiciário jamais poderia ser alterada no processo administrativo, pois tal procedimento feriria a Constituição Federal, que adota o modelo de jurisdição una, onde são soberanas as decisões judiciais. Sendo assim, nos casos em que o sujeito passivo opta pela via judicial para a discussão de matéria tributária implica na renúncia ao poder de recorrer nesta instância, nos termos do parágrafo único do art. 38 da Lei nº 6.830/80 e do § 2º, art. 1º do Decretolei nº 1.737, de 1979. Ratificando este entendimento, foi aprovado o enunciado de Súmula CARF nº 01, in verbis: Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Na linha do entendimento fixado, não conheço do recurso quanto à matéria submetida ao crivo do Poder Judiciário e na parte conhecida, nego provimento ao recurso por enxergar identidade entre os pedidos e as causas de pedir apresentados no MS nº 2007.70.00.0222765 e neste recurso administrativo." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 350DF CARF MF
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Numero do processo: 10768.720398/2007-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/12/1991 a 31/03/1996
COMPENSAÇÃO. DECORRÊNCIA DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO.
A homologação de compensação declarada está condicionada ao prévio exame pela autoridade fiscal da liquidez e certeza do crédito reclamado. Verificada a existência do crédito, deve ser efetuada a compensação solicitada.
Numero da decisão: 3301-005.877
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D' Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Júnior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D' Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Júnior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
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DECORRÊNCIA DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. A homologação de compensação declarada está condicionada ao prévio exame pela autoridade fiscal da liquidez e certeza do crédito reclamado. Verificada a existência do crédito, deve ser efetuada a compensação solicitada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D' Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Júnior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 72 03 98 /2 00 7- 61 Fl. 649DF CARF MF Processo nº 10768.720398/200761 Acórdão n.º 3301005.877 S3C3T1 Fl. 650 2 Por bem descrever os fatos, adoto o relatório do Acórdão no. 1261.68417ª Turma da DRJ/RJ1 (fls. 186/190): Tratase no presente processo de declaração de compensação (Dcomp) anexada às fls. 04/07, envolvendo crédito de pagamento indevido ou a maior relativo ao PIS e débitos de Cofins e de PIS do período de apuração outubro de 2003. A autoridade fiscal, com base no Parecer Conclusivo nº 434/2008 (fls. 27/29), exarou o despacho decisório de fl. 30, decidindo não homologar compensação declarada. No Parecer Conclusivo consta consignado, resumidamente, que: a) A interessada declara na DCOMP que o crédito utilizado foi informado em processo administrativo anterior de nº 13706.000557/200304. O crédito objeto do processo citado foi originalmente analisado no processo nº 10070.002227/200117, cujo direito creditório não foi reconhecido pela Derat e a decisão foi mantida pela Delegacia de Julgamento no Acórdão DRJ/RJOII nº 1.777/2003. Por conseguinte, também não foram consideradas as compensações no processo nº 13706.000557/200304; b) A IN SRF 210/2002 dispunha no 4º do art. 21que o sujeito passivo poderá utilizar na compensação de débitos próprios, créditos que já tenham sido objeto de pedido de restituição ou ressarcimento encaminhado à SRF desde que referido pedido se encontre pendente de decisão administrativa à data do encaminhamento da DCOMP; c) A IN SRF 600/2005 dispõe de forma semelhante; d) Não tendo sido o crédito em questão reconhecido como passível de restituição para aproveitamento em compensação pela interessada no processo nº 10070.002227/200117, não se homologa a compensação na presente Dcomp. Cientificada do Parecer Conclusivo e do despacho decisório em 24/10/2008 (fls. 36), a contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade em 17/11/2008 (fls. 43 a 49), alegando, em síntese, que: a) O pedido de restituição original e parte dos pedidos e das declarações de compensação protocolados pela interessada formaram o processo nº 10070.002227/200117, o qual se encontra pendente de julgamento definitivo na esfera administrativa por força da interposição de recursos especiais pela interessada e pela Fazenda Nacional contra a decisão do Conselho de Contribuintes; b) À época em que protocolizada a DCOMP (13/11/2003), a redação do art. 74 da Lei 9.430/96, alterado pela Lei 10.637/2002 não vedava a utilização na compensação de créditos que já tenham sido objeto de pedido de restituição pendente de decisão administrativa na data do encaminhamento da DCOMP; Fl. 650DF CARF MF Processo nº 10768.720398/200761 Acórdão n.º 3301005.877 S3C3T1 Fl. 651 3 c) A IN SRF 210/2002 extrapola sua competência ao criar óbice à compensação não previsto no CTN nem no art. 74 da Lei 9.430/96; d) Apenas com a edição da Lei 11.051/2004 é que foi incluído o § 12 do art.74 da Lei 9.430/96 que passou a vedar a compensação de valor objeto de pedido de restituição já indeferido pela autoridade competente, ainda que pendente de decisão final administrativa; e) Essa vedação não é aplicável ao caso, porque somente passou a produzir efeitos a partir de sua vigência, em 30/12/2004, conforme art. 34 da Lei 11.051/04; f) Em relação ao mérito, o direito de a interessada utilizar o referido crédito de PIS não está prescrito, porque utilizado dentro do decêndio legal, conforme jurisprudência do STJ e do Conselho de Contribuintes; g) Ainda no mérito, a interessada tem direito ao crédito do PIS pago a maior, pois nos termos da LC 07/70 sua base de cálculo é o faturamento do 6º mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem a incidência de correção monetária e o crédito a ser utilizado na compensação deve ser corrigido pela taxa SELIC. Analisada a manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/1991 a 31/03/1996 COMPENSAÇÃO. DECORRÊNCIA DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. A homologação de compensação declarada está condicionada ao prévio exame pela autoridade fiscal da liquidez e certeza do crédito reclamado. Constatada a inexistência do crédito, não há que se falar em compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente reitera suas razões. É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira O Acórdão 1336.286 5ª Turma da DRJ/RJ2 é de 21 de julho de 2011. Não consta dos autos a data de ciência pela contribuinte da decisão a quo. A Recorrente informou que a ciência ocorreu em 03.07.2012 e que, consequentemente, o Recurso Voluntário apresentado em 27 .07.2012 é tempestivo. Diante da ausência de informações nos Autos, aceitamos a afirmação da Recorrente de que o Recurso Voluntário é tempestivo. Fl. 651DF CARF MF Processo nº 10768.720398/200761 Acórdão n.º 3301005.877 S3C3T1 Fl. 652 4 Em sua petição, juntadas às fls. 506/509, informou a Recorrente que: 1. Em 13.11.2003, a PETICIONARIA transmitiu eletronicamente Declaração de Compensação (DCOMP) Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRF), pleiteando a compensação de parte do crédito relativo ao PIS recolhido a maior no período de janeiro de 1992 a abril de 1996 (vinculado ao processo administrativo n° 10070.002227/200117 Processo "Matriz"), no valor de R$ R$ 92.640,57, com Indébitos de PIS e COFINS relativos ao periodo base de outubro de 2003, nos valores de R$ 15.933,33 e R$ 91.205,49, respectivamente. 2. Em 21.10.2008, a Divisão de Orientação e Análise Tributária (DIORT/EQPEJ) da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária (DERAT/RJ) não homologou a DCOMP, por entender que o crédito objeto de pedido de restituição teria sido indeferido pela autoridade competente, razão por que não poderia ser aproveitado para compensação. 3. Contra a referida decisão a PETICIONARIA apresentou manifestação de inconformidade. 4. A decisão de 1a instância manteve o Despacho Decisório e não homologou a DCOMP sob o fundamento de que, como o crédito do processo em epigrafe estava sendo analisado e discutido no citado processo n° 10070.002227/200117, ainda pendente de decisão administrativa definitiva, não haveria liquidez e certeza no crédito reclamado 5. A PETICIONARIA interpôs recurso voluntário contra a referida decisão, que ainda se encontra pendente de julgamento no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). 6. Ocorre que, em 28.08.2012, no julgamento do referido processo administrativo no 10070.002227/200117, a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) reconheceu a integralidade do crédito relativo ao PIS recolhido a maior no período de janeiro de 1992 a abril de 1996, conforme certidão de julgamento anexa (DOC. 01). Diante do exposto, proponho que seja homologada a compensação solicitada pela Recorrente com os créditos reconhecidos no Processo no. 10070.002227/200117 (Acórdão nº 9900000.305 – Pleno), conforme pleiteado no Recurso Voluntário. Dessarte, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Fl. 652DF CARF MF Processo nº 10768.720398/200761 Acórdão n.º 3301005.877 S3C3T1 Fl. 653 5 Fl. 653DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.726115/2016-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
O instituto da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN não pode ser aplicado aos casos de compensação tributária, que depende de posterior homologação, pois não equivalente a um pagamento. Em consequência, mantém-se a multa moratória imposta pela fiscalização
Numero da decisão: 3302-006.592
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad e Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado).
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. O instituto da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN não pode ser aplicado aos casos de compensação tributária, que depende de posterior homologação, pois não equivalente a um pagamento. Em consequência, mantémse a multa moratória imposta pela fiscalização Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad e Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado). (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 61 15 /2 01 6- 64 Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10166.726115/201664 Acórdão n.º 3302006.592 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratam os autos de análise da Declaração de Compensação (Dcomp), por intermédio da qual o contribuinte compensou débito(s) próprios, com suposto crédito de pagamento indevido ou a maior. Como resultado da análise foi proferido o Despacho Decisório, que reconheceu integralmente o direito creditório, porém homologou parcialmente a compensação declarada, vez que o crédito indicado revelouse insuficiente para quitar o(s) débito(s) confessado(s), tendo em vista que o contribuinte não considerou a multa de mora incidente em decorrência do atraso na quitação deste(s). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, onde argumentou, em síntese, o que segue: Não foi observada a denúncia espontânea estabelecida no art. 138 do Código Tributário Nacional (CTN). Com a transmissão da Dcomp, antecipouse a qualquer procedimento fiscal, declarando e quitando débito não questionado pela Receita Federal, com acréscimo de juros moratórios. Transmitiu a DCTF retificadora onde declara o débito e o pagamento feito via Dcomp; Apresenta sentenças judiciais favoráveis aos Correios em casos análogos. Indica também jurisprudência dos tribunais onde não foi parte. Lista acórdãos das DRJs à época da transmissão da Dcomp, onde é aplicada a Nota Técnica (NT) Cosit nº 01, de 18/01/2012, vez que os Correios se enquadram na situação nela tratada. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo colegiado a quo, nos termos do Acórdão nº 11057.636. Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o recorrente interpôs recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta que: a) Em que pese a controvérsia acerca da possibilidade ou não de restar configurada a denúncia espontânea quando a extinção do crédito tributário se dá por compensação, a Receita Federal do Brasil, através da Nota Técnica nº 1 COSIT de 18/01/2012, com fundamento no Ato Declaratório PGFN nº 4 de 2011 e Ato Declaratório PGFN nº 8 de 2011, reconheceu que a declaração de compensação, se atendidos os demais requisitos, poderia caracterizála. E isto porque a compensação ou quaisquer outras formas de adimplemento de obrigação são formas de pagamento que acarretam a extinção da obrigação. Sendo forma de pagamento, a compensação atende às exigências do artigo 138 do CTN; b) A denúncia espontânea exclui a responsabilidade pela infração tributária cometida pelo contribuinte, pressupondo a comunicação pertinente a fato desconhecido por parte do Fisco antes de qualquer iniciativa da Administração Tributária, devendo ser acompanhado do pagamento do tributo e dos juros de mora, se for o caso. A intenção do Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10166.726115/201664 Acórdão n.º 3302006.592 S3C3T2 Fl. 4 3 legislador ao editar a norma não fora outra senão estimular o contribuinte a regularizar a sua situação, recebendo em seu benefício o afastamento da responsabilidade pela infração à legislação tributária. Dessa forma, se o contribuinte antecipase a qualquer procedimento fiscalizatório da administração, efetuando o pagamento dos tributos em atraso e dos juros de mora, não lhe pode ser imposta multa de mora, seja ela punitiva ou moratória. Como os Correios anteciparamse à qualquer procedimento administrativo, fazem jus ao benefício da denúncia espontânea com os consectários do artigo 138, do CTN. Termina o recurso requerendo a vigência e a validade da Nota Técnica Cosit nº 01 ao período em que foi entregue a Dcomp, para fins de reconhecer a configuração da denúncia espontânea de forma que os valores indicados na Dcomp sejam considerados quitados. É o breve relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Acórdão nº 3302006.586, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10166.726132/201600, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3302006.586): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise do mérito. O cerne da questão está em definir se a compensação se equipara ao pagamento para fins de fruição do benefício da denúncia espontânea. Essa questão foi tratada de forma didática e precisa no Acórdão nº 1402003.600, da lavra do conselheiro Marco Rogério Borges, de forma que peço vênia para utilizar a ratio decidendi daquele acórdão para fundamentar esse, in verbis: Como de costume, o voto da ilustre Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio está muito bem fundamentado. Contudo, este colegiado, após ampla discussão, divergiu do seu entendimento, no tocante à equiparação de compensação à pagamento para fins de constatação de denúncia espontânea, e por consequência da não aplicação do alegado artigo 100 do CTN. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10166.726115/201664 Acórdão n.º 3302006.592 S3C3T2 Fl. 5 4 O art. 138 do CTN é taxativo na sua disposição que a denúncia espontânea deve ser acompanhada do pagamento do tributo. Não há condições de considerar a compensação como forma de pagamento por se tratar de uma extinção do crédito tributário, pois há outras modalidades de extinção elencados no art. 156 do CTN. Igualmente, não há, até o momento, nenhuma norma no âmbito do Ministério da Fazenda e nem precedente que vincule este Conselho para tal entendimento de se aceitar tal situação. Inclusive, há decisão do E. STJ do tema em sentido contrário ao pleiteado pela recorrente: "AgInt no REsp 1568857/PR AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL 2015/02977680 Relator: Ministro OG FERNANDES Órgão Julgador: SEGUNDA TURMA Data do Julgamento: 16/05/2017 Data da Publicação: DJe 19/05/2017 EMENTA: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. DEFICIÊNCIA NA ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE AO ART. 535 DO CPC/73. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 284/STF. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. ART. 138 DO CTN. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CARACTERIZADA. 1. É deficiente a fundamentação do recurso especial em que a alegação de ofensa ao art. 535 do CPC/73 se faz de forma genérica, sem a demonstração exata dos pontos pelos quais o acórdão incorreu em omissão, contradição ou obscuridade. Aplicase, na hipótese, o óbice da Súmula 284 do STF. 2. A compensação tributária não se equipara a pagamento de tributo para fins de aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea regido pelo art. 138 do CTN. Precedentes: EDcl nos EDcl no AgRg no REsp 1.375.380/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe30/11/2016; AgRg no REsp 1.461.757/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 17/9/2015; AgRg no AREsp 174.514/CE, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, Dje 10/9/2012. 3. Agravo interno a que se nega provimento. (grifamos) ACÓRDÃO Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10166.726115/201664 Acórdão n.º 3302006.592 S3C3T2 Fl. 6 5 Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao agravo interno, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Mauro Campbell Marques, Assusete Magalhães (Presidente), Francisco Falcão e Herman Benjamin votaram com o Sr. Ministro Relator. REsp 1657437/RS RECURSO ESPECIAL 2017/00461010 Relator: Ministro HERMAN BENJAMIN Órgão Julgador: SEGUNDA TURMA Data do Julgamento: 04/04/2017 Data da Publicação: DJe 25/04/2017 EMENTA: TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. ART. 138 DO CTN. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CONFIGURADA. 1. Hipótese em que o Tribunal local consignou: "o instituto da denúncia espontânea é perfeitamente aplicável aos casos em que o pagamento do tributo é realizado através da compensação" (fl. 665, eSTJ). 2. A Segunda Turma do STJ no julgamento do REsp 1.461.757/RS, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, firmou o entendimento de que "a extinção do crédito tributário por meio de compensação está sujeita à condição resolutória da sua homologação. Caso a homologação, por qualquer razão, não se efetive, temse por não pago o crédito tributário declarado, havendo incidência, de consequência, dos encargos moratórios. Nessa linha, sendo que a compensação ainda depende de homologação, não se chega à conclusão de que o contribuinte ou responsável tenha, espontaneamente, denunciado o não pagamento de tributo e realizado seu pagamento com os acréscimos legais, por isso que não se observa a hipótese do art. 138 do CTN". 3. Recurso Especial provido.(grifamos) Ou seja, tal decisão segue a linha que difere a situação de pagamento e compensação para fins de reconhecimento da denúncia espontânea. Neste sentido, deve haver a aplicação de multa de mora no caso concreto, o que acarretaria um crédito menor do que o débito declarado/confessado em PER/Dcomp. Seria um caso de imputação proporcional, que está perfeitamente legal, como já emanado no voto vencido do nobre relator. No que tange à eventual aplicação do artigo 100 do CTN ao caso, o caso in concretu apresentado não se configura como denúncia espontânea nos termos do artigo 138 do Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10166.726115/201664 Acórdão n.º 3302006.592 S3C3T2 Fl. 7 6 mesmo CTN, as evocadas Notas Técnicas (NTs), de caráter meramente interpretativo, como bem analisados na decisão a quo, não são aplicáveis. Quando da emissão da NT Cosit nº 01, de 18/01/2012, a qual a recorrente se baseia para ter adotado a postura pleiteada no presente processo, a mesma foi criada com objetivo de orientação internamente a Receita Federal do Brasil, e identificado a sua impropriedade, foi cancelara por meio da NT Cosit nº 19, de 12/06/2012, corrigindoa. Ao transmitir sua Per/Dcomp em 30/05/2012, entre a data de expedição de ambas NTs. não criou uma vinculação nos termos do artigo 100 do CTN, pois as NTs não são atos normativos, e, por consequência, nem houve a prática reiterada pela autoridade administrativa pois não foram direcionadas aos contribuintes, muito menos nem pessoalmente à recorrente. Como salienta a decisão a quo, as NTs não são publicadas no DOU, seja no site da Receita Federal, não tendo alcance para o público externo (no caso, contribuintes). Assim, não podem ser evocadas para a postura adotada pela recorrente. Com base no que fora exposto, entendo que não ocorreu a denúncia espontânea em relação aos débitos julho de 2008 e agosto de 2008, por não terem sido pagos e sim compensados." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Fl. 165DF CARF MF
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Numero do processo: 13982.000754/2005-18
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
CUSTOS/DESPESAS. LUBRIFICANTES, PEÇAS, SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO, PNEUS, CÂMARAS DE AR, PEDÁGIOS. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE.
Os custos/despesas incorridos com: lubrificantes, peças, serviços de manutenção, pneus, câmaras de ar e pedágios, vinculados à prestação de serviços de transporte de cargas, à aquisição de insumos e à venda dos produtos finais, geram créditos passíveis de desconto do valor da contribuição calculada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral.
Numero da decisão: 9303-008.401
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencido o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe deu provimento parcial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 CUSTOS/DESPESAS. LUBRIFICANTES, PEÇAS, SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO, PNEUS, CÂMARAS DE AR, PEDÁGIOS. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas incorridos com: lubrificantes, peças, serviços de manutenção, pneus, câmaras de ar e pedágios, vinculados à prestação de serviços de transporte de cargas, à aquisição de insumos e à venda dos produtos finais, geram créditos passíveis de desconto do valor da contribuição calculada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral.
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 CUSTOS/DESPESAS. LUBRIFICANTES, PEÇAS, SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO, PNEUS, CÂMARAS DE AR, PEDÁGIOS. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas incorridos com: lubrificantes, peças, serviços de manutenção, pneus, câmaras de ar e pedágios, vinculados à prestação de serviços de transporte de cargas, à aquisição de insumos e à venda dos produtos finais, geram créditos passíveis de desconto do valor da contribuição calculada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencido o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe deu provimento parcial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 00 07 54 /2 00 5- 18 Fl. 867DF CARF MF Processo nº 13982.000754/200518 Acórdão n.º 9303008.401 CSRFT3 Fl. 868 2 Relatório Tratase de recurso especial interposto tempestivamente pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3402002.700, de 18/03/2015, proferido pela Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). O Colegiado da Câmara Baixa, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte, nos termos da ementa, transcritas na parte que interessa ao litígio, nesta fase recursal: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. INSUMOS. Na não cumulatividade das contribuições sociais, o elemento de valoração é o total das receitas auferidas, o que engloba todo o resultado das atividades que constituem o objeto social da pessoa jurídica, e o direito ao creditamento alcança todos os bens e serviços, úteis ou necessários, utilizados como insumos diretamente na produção, e desde que efetivamente absorvidos no processo produtivo que constitui o objeto da sociedade empresária. GASTOS COM LUBRIFICANTES, PEÇAS, SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO, PNEUS, CÂMARAS E PEDÁGIOS. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS E NAS VENDAS DA PRODUÇÃO. DIREITO AO CREDITAMENTO. A lei assegura o direito ao creditamento relativamente a bens e serviços adquiridos para utilização como insumos na prestação de serviços e no processo produtivo da pessoa jurídica, englobando os dispêndios com lubrificantes, peças, serviços de manutenção, pneus, câmaras e pedágios, realizados para a consecução dos serviços de transporte de carga, assim como para o transporte de insumos adquiridos e de produtos vendidos, desde que os referidos insumos não tenham sido imobilizados e não representem acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem em que forem aplicados e desde que atendidos os demais requisitos da lei.." Intimada do acórdão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial, suscitando divergência, quanto à reversão das glosas determinadas pelo Colegiado da Câmara, em relação ao aproveitamento de créditos sobre as despesas/custos com: 1) itens considerados como insumos; e 2) serviços de transporte em frota própria na atividade industrial. O Colegiado da Câmara Baixa reconheceu o direito de o contribuinte apurar créditos sobre os custos/despesas incorridos com: lubrificantes, peças, serviços de manutenção, pneus, câmaras de ar e pedágios, vinculados à prestação de serviços de transporte de cargas, à Fl. 868DF CARF MF Processo nº 13982.000754/200518 Acórdão n.º 9303008.401 CSRFT3 Fl. 869 3 aquisição de insumos e à venda dos produtos finais, conforme consta expressamente do acórdão às fls. 762e, bem como da conclusão do voto às fls. 782e. No recurso especial, a Fazenda Nacional defende a manutenção das glosas dos créditos sobre os referidos custos/despesas, sob o fundamento de que tais custos não podem ser considerados insumos das atividades econômicas exercidas pelo contribuinte, por não serem diretamente aplicados ou consumidos no processo de fabricação ou produção dos produtos fabricados/vendidos, bem como na prestação dos serviços vendidos. Por meio do Despacho de Admissibilidade às fls. 854e/857e, o Presidente da Quarta Câmara deu seguimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, Intimado do acórdão recorrido, do recurso especial da Fazenda Nacional e do despacho da sua admissibilidade, o contribuinte não se manifestou. Em síntese é o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator. O recurso interposto pela Fazenda Nacional deve ser conhecido, por atender aos requisitos essenciais de admissibilidade, nos termos do art. 67 do Anexo II do RICARF. O Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF) assim dispõe, quanto ao recurso especial: "Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) (...). § 6º Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência arguida indicando até 2 (duas) decisões divergentes por matéria. (...). § 8º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. (...)." A divergência suscitada pela Fazenda Nacional, em seu recurso especial, foi em relação ao conceito de insumo, de fato, o direito de se aproveitar créditos da Cofins sobre Fl. 869DF CARF MF Processo nº 13982.000754/200518 Acórdão n.º 9303008.401 CSRFT3 Fl. 870 4 os custos/despesas incorridos com: lubrificantes, peças, serviços de manutenção, pneus, câmaras de ar e pedágios, vinculados à prestação de serviços de transporte de cargas, à aquisição de insumos e à venda dos produtos finais. Os créditos aproveitados pelo contribuinte sobre esses custos/despesas foram glosados pela Fiscalização e as glosas revertidas no acórdão recorrido. Para comprovar a divergência, a Fazenda Nacional apresentou os acórdãos paradigmas nº 3804002.037 e nº 380200.467, cujas ementas, transcritas na parte que interessa às matérias em discussão, assim dispõem: Acórdão nº 3804002.037: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005 PIS/COFINS. CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. Não geram direito a créditos a serem descontados da contribuição os gastos de produção que não aplicados ou consumidos diretamente no processo fabril, vez que não se enquadram no conceito de insumos. Recurso Voluntário Provido em Parte." Acórdão nº 380200.467: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 DESPESAS COM SERVIÇOS DE TRANSPORTE EM FROTA PRÓPRIA NÃO ATENDIMENTO DO CONCEITO DE INSUMO. DIREITO AO CRÉDITO DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. Por não serem aplicados no processo de fabricação do produto final, não se enquadram no conceito de insumo nem geram direito a crédito da Cofins nãocumulativa as despesas com os serviços de transporte realizados em frota da própria pessoa jurídica. Recurso Voluntário Provido em Parte." Assim, os acórdãos comprovam a suscitada divergência entre a decisão recorrida e a dos paradigmas. Consoante o disposto no § 8º do art. 67 do RICARF. Portanto, demonstrado e provado que os paradigmas apresentados comprovam a divergência, em relação ao acórdão recorrido, o recurso especial deve ser conhecido. Fl. 870DF CARF MF Processo nº 13982.000754/200518 Acórdão n.º 9303008.401 CSRFT3 Fl. 871 5 A matéria em litígio, nesta fase recursal, se restringe ao direito do contribuinte aproveitar créditos sobre os custos/despesas incorridos com: lubrificantes, peças, serviços de manutenção, pneus, câmaras de ar e pedágios, vinculados à prestação de serviços de transporte de cargas, à aquisição de insumos e à venda dos produtos finais, cujas glosas, efetuadas pela Fiscalização, foram revertidas no acórdão recorrido, conforme consta expressamente às fls. 762e, e às fls. 782e. A Lei nº 10.833/2003 que instituiu o regime não cumulativo para a Cofins, assim dispunha, quanto aos insumos e aproveitamento de créditos, no período dos fatos geradores dos créditos, objeto do ressarcimento/compensação em discussão: "Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 1º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...). II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi. (...). IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. (...)." De acordo com a interpretação literal desses dispositivos legais, apenas os custos incorridos com os insumos (matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem) utilizados diretamente no processo de produção/fabricação dos bens ou produtos vendidos (inciso II) e as despesas de armazenagem de mercadorias e de fretes na operação de venda geram créditos passíveis de desconto do valor da contribuição calculada sobre o faturamento mensal. No entanto, no julgamento do REsp 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) ampliou o conceito de insumos, para efeito de aproveitamento de créditos do PIS e da Cofins, reconhecendo como tal, os custos e despesas empregados direta ou indiretamente no processo de produção/fabricação de bens destinados a venda e/ ou da prestação de serviços vendidos pelo contribuinte. Consoante a decisão do STJ, o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a impossibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. Em face da decisão do STJ, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional expediu a Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF que autoriza seus procuradores a dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, Fl. 871DF CARF MF Processo nº 13982.000754/200518 Acórdão n.º 9303008.401 CSRFT3 Fl. 872 6 V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016, contra decisão desfavorável à União Federal, quanto ao conceito de insumos e respectivo direito de se aproveitar créditos sobre tais insumos, nos termos definidos no julgamento do referido REsp pelo STJ, observada a particularidade do processo produtivo de cada contribuinte. No presente caso, o contribuinte tem como objetivo econômico e social, dentre outros, a produção, importação, exportação, locação e venda, inclusive com organização própria, de veículos a motor, de carga e de passageiros; motores; outros grupos e subgrupos; componentes, peças de reposição e acessórios; a fabricação, instalação, compra, venda, importação, exportação e locação de bens e serviços necessários à execução das atividades compreendidas no seu objeto, de toda espécie de implementos, de maquinaria e equipamentos agrícolas, industriais, rodoviários, de terraplanagem, de escavação, de movimentação de materiais e de cargas e afins conexos, de peças sobressalentes, assim como de peças, componentes e partes para veículos automotores e de aparelhos em geral, bem como qualquer transação comercial ou industrial correlata. Dessa forma, a reversão das glosas dos créditos sobre os custos/despesas incorridos com: lubrificantes, peças, serviços de manutenção, pneus, câmaras de ar e pedágios, vinculados à prestação de serviços de transporte de cargas, à aquisição de insumos e à venda dos produtos finais, determinada no acórdão recorrido, deve ser mantida, reconhecendose o direito de o contribuinte aproveitar créditos sobre tais custos/despesas. Em face do exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 872DF CARF MF Processo nº 13982.000754/200518 Acórdão n.º 9303008.401 CSRFT3 Fl. 873 7 Fl. 873DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.926848/2009-59
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/04/2005
COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE.
Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação.
COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PROVA INSUFICIENTE.
A retificação da DCTF após despacho decisório que nega a homologação da compensação não é suficiente, por si só, para comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário que se pretende compensar. É indispensável a comprovação da ocorrência de erro na DCTF original por meio de documentação hábil e idônea.
PRODUÇÃO DE PROVA. SEGUNDA INSTÂNCIA. PRECLUSÃO.
A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972 e, excepcionalmente, quando visem à complementar instrução probatória já iniciada quando da interposição da manifestação de inconformidade.
Numero da decisão: 3002-000.735
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de diligência suscitada pela conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencida a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, que lhe deu provimento parcial para fins de reconhecer o direito pleiteado, condicionado à confirmação do montante pela unidade de origem no momento da execução do julgado.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Larissa Nunes Girard (Presidente).
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/04/2005 COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PROVA INSUFICIENTE. A retificação da DCTF após despacho decisório que nega a homologação da compensação não é suficiente, por si só, para comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário que se pretende compensar. É indispensável a comprovação da ocorrência de erro na DCTF original por meio de documentação hábil e idônea. PRODUÇÃO DE PROVA. SEGUNDA INSTÂNCIA. PRECLUSÃO. A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972 e, excepcionalmente, quando visem à complementar instrução probatória já iniciada quando da interposição da manifestação de inconformidade.
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COMPENSAÇÃO. Recorrente CONSÓRCIO OPERACIONAL DO TRANSPORTE COLETIVO DE PASSAGEIRO POR ÔNIBUS DO MUNICÍPIO DE BELO HORIZONTE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/04/2005 COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PROVA INSUFICIENTE. A retificação da DCTF após despacho decisório que nega a homologação da compensação não é suficiente, por si só, para comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário que se pretende compensar. É indispensável a comprovação da ocorrência de erro na DCTF original por meio de documentação hábil e idônea. PRODUÇÃO DE PROVA. SEGUNDA INSTÂNCIA. PRECLUSÃO. A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972 e, excepcionalmente, quando visem à complementar instrução probatória já iniciada quando da interposição da manifestação de inconformidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de diligência suscitada pela conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencida a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, que lhe deu provimento parcial para fins de reconhecer o direito pleiteado, condicionado à confirmação do montante pela unidade de origem no momento da execução do julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 92 68 48 /2 00 9- 59 Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10680.926848/200959 Acórdão n.º 3002000.735 S3C0T2 Fl. 110 2 (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Larissa Nunes Girard (Presidente). Relatório Trata este processo de declaração de compensação de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de COFINS no valor de R$ 6.346,99, relativo ao período de apuração abril/2005 (fls. 75 a 79). Por meio de Despacho Decisório às fl. 4 e 5, a Delegacia de Administração Tributária em Belo Horizonte decidiu pela não homologação da compensação porque concluiu que o pagamento relativo ao Darf informado na declaração havia sido utilizado integralmente na quitação de outros débitos, não restando crédito para compensar. A recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade na qual reafirmou a existência do crédito, o que teria sido demonstrado pela retificação da DCTF após o despacho decisório (fls. 2 e 3). Juntou, a título de prova, o Despacho Decisório, a DCTF retificadora e o contrato social (fls. 4 a 74). A Delegacia de Julgamento em Belo Horizonte proferiu o Acórdão nº 02 42.495 (fls. 84 a 86), por meio do qual decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade, tendo em vista que a mera retificação da DCTF após o despacho decisório, desacompanhada de documentação hábil para amparar a redução do débito, não constituía prova. Além disso, o Dacon, que nunca foi retificado, confirma débito superior ao alegado na PER/Dcomp. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. O contribuinte tomou ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 18.03.2013, conforme AR constante à fl. 90, e protocolizou seu recurso voluntário em 15.04.2013, conforme carimbo do protocolo na capa do recurso fl. 91. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte alega que o direito ao crédito decorreu de erro na emissão do Darf e, para comprovar, junta cópia do Livro Diário registrado na Junta Comercial e com os respectivos termos de abertura e encerramento, cópia do Balancete extraído do Livro Diário e cópia do Livro Razão (fls. 91 a 106). É o relatório. Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10680.926848/200959 Acórdão n.º 3002000.735 S3C0T2 Fl. 111 3 Voto Conselheira Larissa Nunes Girard Relatora O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. Tendo em vista as alegações da recorrente, o cerne desta discussão será a prova no processo administrativo fiscal e o momento para sua produção. No que concerne aos argumentos contidos no Recurso, é de se dizer que não fazem frente ao que foi apontado no julgamento de primeira instância. O contribuinte resume se a alegar erro na emissão do Darf e reafirma que o débito de Cofins limitase a R$ 24.177,86, o que seria demonstrado por seus registros contábeis, que junta pela primeira vez aos autos nesta fase processual. O relator do acórdão da DRJ inseriu no voto uma tabelaresumo da situação do contribuinte, produzida a partir das informações prestadas por ele à Receita Federal, que copio a seguir. Por ela se constata que, no momento da emissão do Despacho Decisório, tanto o Dacon como a DCTF indicavam o mesmo débito de Cofins, no montante de R$ 42.267,78, o que invalida o argumento de que o erro se limitava à emissão do Darf. Se na contabilidade do contribuinte realmente constava um débito de apenas R$ 24.177,86, é de se estranhar que em todas as declarações prestadas à Receita Federal o valor fosse superior e idêntico. Assim, vemos que, em relação aos argumentos constantes do Recurso, a recorrente não foi capaz de trazer qualquer informação que pudesse alterar a decisão anterior. Quanto aos documentos trazidos nesta fase, é de se esclarecer que precluiu o direito de produção de provas, motivo pelo qual não conheço da documentação juntada aos autos neste momento. A compensação somente pode ser concedida para créditos líquidos e certos, conforme estabelece o art. 170 do Código Tributário Nacional. Assim, para que a Receita Federal autorize a compensação, deve a recorrente demonstrar de forma inequívoca seu crédito, por meio de alegações e provas, e o momento de fazêlo é quando da apresentação da Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10680.926848/200959 Acórdão n.º 3002000.735 S3C0T2 Fl. 112 4 manifestação de inconformidade, em obediência ao Decreto nº 70.235/1972, que assim instituiu: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (grifado) Do exposto, extraímos que a recorrente deveria ter juntado a documentação necessária para comprovar o seu direito quando decidiu recorrer do despacho decisório. Foi aí que se iniciou o contencioso e foram definidos os limites desta lide. A apresentação da manifestação de inconformidade é momento crucial no processo administrativo fiscal. O que é trazido pelo sujeito passivo a título de razões e provas define a natureza e a extensão da controvérsia que, regra geral, só deveria alcançar este Conselho após a apreciação da matéria pela primeira instância. Ao admitir o início da produção de provas em fase de recurso voluntário, suprimimos o exame da matéria pelo colegiado a quo, de fato, uma supressão de instância, em desfavor do contraditório e do rito processual estabelecido no referido Decreto. Consoante o § 4º do art. 16, acima transcrito, preclui o direito da recorrente de fazer prova em momento posterior à apresentação da manifestação de inconformidade, exceto se demonstrada a impossibilidade de fazêlo tempestivamente por motivo de força maior ou a existência de novos fatos ou razões, ocorridos ou trazidos aos autos após a juntada da manifestação. Ainda sobre a entrega extemporânea de documentos, dita o comando que tal solicitação deve ocorrer mediante petição fundamentada, na qual fique demonstrada a ocorrência de alguma das exceções. Entretanto, a única providência adotada pelo contribuinte para se contrapor ao Despacho Decisório foi juntar a DCTF retificada após a decisão. Incontestável que a situação não se enquadra em nenhuma das alíneas do § 4º do art. 16 do Decreto e está configurada, por consequência, a preclusão temporal. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10680.926848/200959 Acórdão n.º 3002000.735 S3C0T2 Fl. 113 5 Ressalto que o entendimento exposto não constitui posição isolada, mas recorrente no Carf. A ver, por exemplo, julgamento recente (fevereiro/2019) na 3ª Seção da CSRF – Acórdão 9303008.093, do qual transcrevo a ementa: Ementa ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2007 a 30/06/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72, além de suspenderem a exigibilidade do crédito tributário, conforme dispõem os §§ 4º e 5º da Instrução Normativa da RFB nº 1.300/ 2012. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazêlo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. A retificação da DCTF após o Despacho Decisório que nega a homologação da compensação não é suficiente, por si só, para comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário que se pretende compensar. É indispensável a comprovação da ocorrência de erro na DCTF original por meio de documentação hábil e idônea, apresentada no momento oportuno. Sem a demonstração da certeza e liquidez do crédito alegado, que nos casos de compensação é ônus que recai sobre o requerente, não é possível o reconhecimento do direito. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Fl. 113DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.901996/2011-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 14/02/2007
IRRF. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. AUSÊNCIA.
Compete à contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a esta demonstrar, mediante documentos, a liquidez e a certeza do crédito. Uma vez não comprovada a sua pretensão, não se homologam as compensações requeridas.
IRRF. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO PLEITEADO. DÉBITO VINCULADO. DCTF RETIFICADORA. ELEMENTOS COMPROBATÓRIOS. NÃO APRESENTADOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
A apresentação de DCTF retificadora desacompanhada da comprovação inequívoca, por meio de documentos hábeis e idôneos, não se mostra suficiente para demonstrar que houve recolhimento indevido.
DECISÕES ADMINISTRATIVAS. REITERADAS. SEM AMPARO LEGAL. NÃO VINCULAM JULGAMENTO.
As decisões administrativas trazidas aos autos que não estão amparadas por lei para se tornar normas complementares, mesmo que reiteradas, não têm efeito vinculante.
Numero da decisão: 2202-005.206
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson. - Presidente
(assinado digitalmente)
Rorildo Barbosa Correia - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: RORILDO BARBOSA CORREIA
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DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. AUSÊNCIA. Compete à contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a esta demonstrar, mediante documentos, a liquidez e a certeza do crédito. Uma vez não comprovada a sua pretensão, não se homologam as compensações requeridas. IRRF. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO PLEITEADO. DÉBITO VINCULADO. DCTF RETIFICADORA. ELEMENTOS COMPROBATÓRIOS. NÃO APRESENTADOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A apresentação de DCTF retificadora desacompanhada da comprovação inequívoca, por meio de documentos hábeis e idôneos, não se mostra suficiente para demonstrar que houve recolhimento indevido. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. REITERADAS. SEM AMPARO LEGAL. NÃO VINCULAM JULGAMENTO. As decisões administrativas trazidas aos autos que não estão amparadas por lei para se tornar normas complementares, mesmo que reiteradas, não têm efeito vinculante. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 19 96 /2 01 1- 91 Fl. 120DF CARF MF Processo nº 16327.901996/201191 Acórdão n.º 2202005.206 S2C2T2 Fl. 121 2 Ronnie Soares Anderson. Presidente (assinado digitalmente) Rorildo Barbosa Correia Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão nº 1662.857 proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP DRJ/SPO, a qual julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, não reconhecendo o direito creditório. (fls. 98/104 e 111/117). Do Pedido de Compensação No tocante ao pedido de compensação, o relatório que acompanha a decisão da DRJ/SPO (fl. 99) mencionou o seguinte: Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório de fl. 46 que não homologou o PER/DCOMP n° 13988.61115.240707.1.3.047700. transmitido com o objetivo de compensai débito(s) próprio(s) com crédito de IRRF, Código de Receita 0473, no valor original na data de transmissão de R$ 845,60, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 14/02/2007. Da Análise do PER/DCOMP A DCOMP transmitida pela contribuinte, foi analisada de forma eletrônica com a emissão do Despacho Decisório (fl. 46), no qual consta que o direito creditório pleiteado não foi reconhecido, pois os valores referentes ao recolhimento efetuado por meio do DARF informado foram integralmente utilizados para quitação de débitos declarados pela contribuinte, não restando crédito disponível para efetuar a compensação requerida no PER/DCOMP. Por consequência, a compensação declarada não foi homologada. Regularmente intimada do Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada na DCOMP, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 02/07), como bem sintetizado pela DRJ/SPO (fls. 99/101), alegando que: Nesse pedido de compensação essa contribuinte esperava ter demonstrado o crédito no valor de RS 845,60 (oitocentos e quarenta e cinco reais e sessenta centavos), o qual fora recolhido, indevidamente, através do DARF anexo, no código 0473 (IRRF Rendimentos do Trabalho e de Qualquer Natureza) (DOC. 06). Fl. 121DF CARF MF Processo nº 16327.901996/201191 Acórdão n.º 2202005.206 S2C2T2 Fl. 122 3 A SRFB posicionouse no sentido de não haver crédito disponível para compensação, conforme se verifica do incluso Despacho Decisório (DOC. 07). In casu, o valor de R$ 845,60 (oitocentos e quarenta e cinco reais e sessenta centavos) foi gerado indevidamente como também erroneamente ocorreu o seu recolhimento. Com efeito, acreditase que o desencontro de informações tenha ocorrido em razão do erro material constante da DCTF a qual já fora retificada e enviada à SRFB. Desta forma, tendo em vista o pagamento recolhimento indevido e a retificação na respectiva DCTF, justo é o pedido de compensação do valor recolhido a maior. Ex positis e do que restou provado, requer essa contribuinte, ora impugnante, dignese essa D. Autoridade em reconhecer o direito creditório, reconsiderando o r. despacho decisório, determinando, consequentemente, o arquivamento do processo administrativo. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo DRJ/SPO (fls. 98/104). Da Decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento Quando da análise do presente caso, a DRJ/SPO apreciou a Manifestação de Inconformidade, proferindo o acórdão (fls. 98) em que: "Acordam os membros da 5ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade." Conforme ementa a seguir transcrita (fls. 98): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 14/02/2007 Ementa: DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado na quitação de débitos confessados. O reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 122DF CARF MF Processo nº 16327.901996/201191 Acórdão n.º 2202005.206 S2C2T2 Fl. 123 4 A DRJ/SPO observou que a compensação pleiteada está condicionada à comprovação da liquidez e certeza do direito de crédito e que a DCTF retificadora que pretendeu demonstrar a existência do crédito por si só, não tem o condão de fazer nascer o direito de crédito para desconstituir a decisão que não homologou a declaração de compensação e que a contribuinte não trouxe qualquer elemento de prova que demonstre suas alegações (fls. 102/103). Do Recurso Voluntário A Corretora Souza Barros Câmbio e Títulos S/A, devidamente intimada da decisão da DRJ/SPO, em 05/12/2014, conforme aviso de recebimento AR (fls. 109), apresentou, recurso voluntário, em 05/01/2015 (fls. 111/117). Em sede de recurso voluntário, a recorrente se insurgiu contra a decisão da DRJ/SPO, alegando que: Com a devida vénia, o aludido acórdão não pode permanecer, pois ao contrário do afirmado pelos Nobres Julgadores, essa contribuinte comprovou a existência do crédito no valor de 845,60 (oitocentos e quarenta e cinco reais e sessenta centavos) o qual fora recolhido, indevidamente, através do DARF anexo, no código 0473 (IRRF Rendimentos do Trabalho e de Qualquer Natureza), inclusive demonstrou suas razões para tanto, conforme se observa a seguir. Por fim, requer seja homologado o pedido de compensação em questão, sob pena de haver enriquecimento sem causa por parte do Fisco Federal.(fl.112). Alegou ainda que o valor de R$ 845,60 foi gerado e recolhido indevidamente, acreditando que o desencontro de informações tenha ocorrido em razão de erro material constante da DCTF, a qual foi retificada e encaminhada a Receita Federal do Brasil (fls. 113/114). A Recorrente continuou alegando que o recolhimento foi realizado indevidamente advindo de erro material (fl. 115). Ad argumentandum tantum, o respectivo recolhimento do 1RRF efetuado, erroneamente, por essa contribuinte, adveio por erro material constante da DCTF, a qual fora retificada e enviada à SRFB, logo, primeiro, tratase de obrigação acessória, cujo documento o Fisco possui acesso, em sendo assim, por força do princípio da busca pela verdade material caberia ao Fisco confirmar as informações prestadas por essa contribuinte, segundo, o recolhimento ocorreu de forma indevida, logo, trata se de prova negativa, de modo que no presente caso, o recolhimento do DARF por si só é prova cabal para demonstrar o recolhimento indevido, consequentemente, seu crédito. A empresa apresentou, ao longo do seu recurso, além da legislação correlata, acórdãos de decisões proferidas pelo CARF (fls. 114/117). Do Pedido Fl. 123DF CARF MF Processo nº 16327.901996/201191 Acórdão n.º 2202005.206 S2C2T2 Fl. 124 5 Ao final, a Recorrente requer que (fls. 117): Ex positis e do que restou provado, requer essa contribuinte, ora recorrente, dignese esse D. Conselho em reconhecer o direito creditório, reconsiderando o r. despacho decisório, determinando, consequentemente, o arquivamento do processo administrativo. É o relatório. Voto Conselheiro Rorildo Barbosa Correia Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Da Controvérsia De acordo com os autos, percebese que o ponto central da controvérsia reside no fato de que a Recorrente entendeu que houve recolhimento indevido no valor de R$ 845,60, por meio de DARF, relativo ao IRRF, código 0473, referente ao período de apuração de 14/02/2007 e por isso utilizou o valor para compensar outros débitos de IRRF, mediante apresentação de PER/DCOMP eletrônico. Contudo, o direito creditório pleiteado pela interessada não foi reconhecido. Da Não Comprovação do Direito Creditório Quando da análise do PER/DCOMP eletrônico, verificouse que o direito creditório não poderia ser reconhecido, pois o crédito requerido para compensação já havia sido utilizado para quitar outro débito relativo ao IRRF declarado, não havendo saldo disponível, conforme consta no campo Fundamentação, Decisão e Enquadramento legal do Despacho Decisório (fl. 46). Da mesma forma, a DRJ/SPO quando apreciou a Manifestação de Inconformidade também constatou, com base no exame das declarações prestadas pela Recorrente, que o crédito utilizado na compensação declarada não estava disponível, considerando correta a decisão do Despacho Decisório que não efetuou a homologação da DCOMP. Neste caso, observase que não foi constatada a existência do direito creditório pleiteado na DCOMP pelo contribuinte tanto no Despacho Decisório eletrônico quanto na decisão proferida pela DRJ/SPO, razão pela qual não houve homologação da compensação declarada. Da Ausência de Comprovação da Liquidez e Certeza do Crédito O despacho decisório, que não homologou a compensação declarada na DCOMP, é resultado de uma análise automática do crédito decorrente de pagamento indevido Fl. 124DF CARF MF Processo nº 16327.901996/201191 Acórdão n.º 2202005.206 S2C2T2 Fl. 125 6 ou a maior considerando o saldo disponível do pagamento nos sistemas de cobrança. Notase que, no referido despacho, não foi verificado efetivamente o mérito da questão, o que seria possível a partir da Manifestação de Inconformidade apresentada pela contribuinte, na qual se esperava que fosse descrita e comprovada a origem do direito creditório pleiteado de forma a demonstrar a sua disponibilidade. Todavia, a Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou prova da disponibilidade do seu direito creditório, em especial, a documentação fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito. Apenas continuou afirmando que se tratava de recolhimento indevido, pois houve desencontro de informações em razão de erro material constante na DCTF, a qual foi retificada. Neste caso, a desconstituição do crédito confessado não depende apenas da apresentação de DCTF retificadora, mas igualmente da comprovação inequívoca, por meio de documentos hábeis e idôneos, de que houve recolhimento indevido ou a maior, não se mostrando suficiente que o contribuinte promova a redução ou supressão do débito confessado, fazendose necessário, que demonstre a extinção do crédito tributário ou de que a parcela dele foi efetivamente indevida. Assim, entendo que a apresentação de DCTF retificadora não tem o condão de comprovar a ocorrência do referido erro, em vista de sua natureza declaratória e informativa, refletindo de forma sintética a sua escrituração, que poderia fazer prova em favor da contribuinte, em relação aos fatos nela registrados, caso fosse apresentada acompanhada por documentos hábeis, conforme previsto do art. 923 do Decreto nº 3.000 de 26 de março de 1999 (RIR vigente a época): Art. 923. A escrituração mantida em observância às disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, de acordo com a sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º) . Porquanto, não se está questionando o pleito pelo fato de a DCTF ter sido retificada após o despacho decisório, pelo contrário, entendo, conforme se observa em decisões proferidas pelo CARF, que o reconhecimento de direito creditório pode ser realizado mesmo nos casos em que a retificação se deu posteriormente ao despacho, ou mesmo em casos em que não houve a retificação, desde que o contribuinte faça prova do erro alegado e da origem do direito creditório pretendido, o que não ocorreu no presente caso. Neste contexto, cabe esclarecer que por se tratar de compensação competia ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, e por isso deveria apresentar junto com os motivos de fato e de direito que fundamentaram sua pretensão, os documentos que respaldassem suas afirmações, a fim de comprovar a certeza e a liquidez do seu crédito, conforme o disposto no inciso I, do art. 373 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015) aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; (...) Fl. 125DF CARF MF Processo nº 16327.901996/201191 Acórdão n.º 2202005.206 S2C2T2 Fl. 126 7 Dessa forma, entendo que caberia à contribuinte demonstrar a existência da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, para um análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido, o montante e comparálo ao pagamento efetuado, nos termos do art. 1701 do CTN, que estabelece as condições para o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional. Isto posto, observo que não é aceitável que um pleito, onde se objetiva a compensação para extinção de crédito tributário, seja proposto sem a devida e minuciosa demonstração e comprovação da efetiva existência do indébito. Desse modo, entendo que a Recorrente não logrou êxito em demonstrar que o recolhimento pleiteado para compensação estava disponível, não comprovando a liquidez e certeza do crédito. Acórdãos de Decisões Administrativas Em relação as decisões administrativas, cabe esclarecer que, de acordo com o art. 100, inciso II, do Código Tributário Nacional, tais decisões para se tornarem normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos, necessitam de lei que lhe atribua essa eficácia. No presente caso, as decisões administrativas trazidos aos autos não estão amparadas por lei para se tornar normas complementares, portanto, mesmo que reiteradas, as referidas decisões não têm efeito vinculante. Diante do exposto, percebo que as decisões administrativas e a jurisprudência trazidos aos autos pela recorrente não vinculam este julgamento na esfera administrativa. Por fim, entendo como correta a decisão da DRJ que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e manteve o Despacho Decisório que não homologou a compensação pretendida. Portanto, observo não há espaço para reanálise do Despacho Decisório e tampouco qualquer reforma na decisão recorrida. Decisão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rorildo Barbosa Correia 1 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 16327.901996/201191 Acórdão n.º 2202005.206 S2C2T2 Fl. 127 8 . Fl. 127DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.011006/2007-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
FINOR. APLICAÇÃO. INCENTIVO FISCAL. REGULARIDADE FISCAL. COMPROVAÇÃO POSTERIOR. ADMISSIBILIDADE.
Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), admite-se a prova da regularidade em qualquer momento do processo administrativo, independentemente da época em que tenha ocorrido a regularização, e inclusive mediante apresentação de certidão de regularidade posterior à data da opção (Súmula CARF nº 37).
Numero da decisão: 1302-003.480
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
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APLICAÇÃO. INCENTIVO FISCAL. REGULARIDADE FISCAL. COMPROVAÇÃO POSTERIOR. ADMISSIBILIDADE. Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), admitese a prova da regularidade em qualquer momento do processo administrativo, independentemente da época em que tenha ocorrido a regularização, e inclusive mediante apresentação de certidão de regularidade posterior à data da opção (Súmula CARF nº 37). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 01 10 06 /2 00 7- 84 Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10120.011006/200784 Acórdão n.º 1302003.480 S1C3T2 Fl. 191 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário em relação ao Acórdão nº 0338.114, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF (fls. 114 a 116), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo, e cuja ementa é a seguinte: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC Condição de Reconhecimento Regularidade Fiscal. A concessão ou reconhecimento de incentivo ou beneficio fiscal, está condicionada à comprovação pelo contribuinte da quitação dos tributos devidos e da sua regularidade fiscal." A decisão recorrida, assim, resumiu os autos: " Versa o presente processo sobre Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC, referente à opção por investimento no FINOR, exercida na DIPJ do anobase de 2002. Cientificada do indeferimento do pedido que não reconheceu o direito ao incentivo fiscal pleiteado (RS 146.162,48), a contribuinte manifesta sua inconformidade nos seguintes termos: O fundamento do indeferimento do pedido não se sustenta tendo em vista que os débitos estão com a exigibilidade suspensa, comprovado pela Certidão Negativa expedida pela Receita e Procuradoria; Além disso, a situação do contribuinte oscila entre regular e irregular, devido a problemas na comprovação de seus pagamentos (falhas no cadastro do sistema do Fisco), assim, se o julgador tivesse analisado este processo na fase de situação cadastral regular teria deferido o incentivo, no entanto, poucos dias depois, em face de mudança da situação cadastral para irregular, indeferiuo; Ante o exposto, requer a reforma da decisão denegatória proferida no presente processo. Os julgadores a quo entenderam que, a despeito de os débitos do sujeito passivo junto à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) estarem com a exigibilidade suspensa, restaram dois impedimentos para o reconhecimento do direito ao incentivo fiscal: "ausência de Declaração ITR e Débito em Cobrança SIEF". Após a ciência, o sujeito passivo apresentou o Recurso Voluntário de fls. 120 a 125, por meio do qual sustenta que o art. 60 da Lei nº 9.069, de 1995, exige, para a concessão Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10120.011006/200784 Acórdão n.º 1302003.480 S1C3T2 Fl. 192 3 de benefício fiscal, apenas a comprovação de quitação de tributos e contribuições sociais, sem estipular o momento que esta quitação deve ser comprovada. Assim, o contribuinte não poderia ficar sujeito à oscilação na sua situação cadastral decorrente de problemas na comprovação de seus pagamentos, em razão de falhas nos sistemas do Fisco. Aponta a jurisprudência do CARF, no sentido que "o contribuinte pode regularizar sua situação enquanto não esgotada a discussão administrativa. Assim, o incentivo fiscal deve ser deferido quando apresentada a certidão negativa ou a positiva com efeitos de negativa, em qualquer momento do processo", e apresenta certidões que comprovariam a sua regularidade. É o Relatório. Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator 1. Do conhecimento do Recurso O sujeito passivo foi cientificado, por via postal, em 25 de agosto de 2010 (fl. 119), tendo apresentado Recurso Voluntário em 24 de setembro de 2010 (fl. 120), dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. O Recurso é assinado por procuradora, devidamente constituída à fl. 126. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Art. 126, §3º, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2001, e Art. 2º, inciso I, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015,. Isto posto, o Recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. 2. Do Mérito O cerne da discussão se centra na comprovação das exigências para o gozo do benefício fiscal relativo a aplicações no Fundo de Investimento do Nordeste (Finor), de que trata o DecretoLei nº 1.376, de 12 de dezembro de 1974 (vigente até dezembro de 2017, conforme art. 2º da Lei nº 12.995, de 2014). O referido gozo se submete, inapelavelmente, à comprovação da regularidade fiscal, na forma determinada pelo art. 60 da Lei nº 9.069, de 1995: "Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais." Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10120.011006/200784 Acórdão n.º 1302003.480 S1C3T2 Fl. 193 4 Pois bem, o Recorrente, por meio do extrato de fl. 51, foi cientificado de que nenhum valor de benefício havia sido reconhecido, em relação ao anocalendário de 2002, tendo em vista a existência de "débitos de tributos e contribuições federais", de modo que apresentou o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC) de fl. 2 (posteriormente, substituído pelo de fl. 53). Junto ao PERC, apresentou demonstrativo da quitação de todos os valores devidos a título de IRPJ com referência ao citado anocalendário (fl. 7). A Unidade preparadora juntou ao processo o Certificado de Regularidade do FGTS de fl. 57, datado de 13/06/2008; e o extrato de Informações de apoio para emissão de certidão de fls. 58 a 71. O referido extrato aponta a existência de pendências ("Ausência de Declaração ITR; Débito em Cobrança SIEF e Irregularidade na PGFN"), sendo este o fundamento para o indeferimento do PERC, por meio do Despacho Decisório de fls. 82 a 87. Ocorre que, no mesmo extrato, constatase a informação de que o sujeito passivo teve, em seu favor, emitida Certidão Positiva com Efeitos de Negativa, em 28/04/2008, com validade até 25/10/2008 (fl. 59). Por ocasião da manifestação de inconformidade, o sujeito passivo apresentou Certidão Conjunta Positiva com Efeitos de Negativa de Débitos Relativos aos Tributos Federais e à Dívida Ativa da União (fl. 110) emitida em 27/05/2008; Certificado de Regularidade do FGTS (fl. 111), datado de 03/10/2008; e Certidão Positiva com Efeitos de Negativa de Débitos Relativos às Contribuições Previdenciárias e às de Terceiros (fl. 112), emitida em 09/05/2008. Ou seja, não há dúvidas de que, à data da apresentação da Manifestação de Inconformidade, o Recorrente comprovou a regularidade referente aos tributos e contribuições federais. A decisão recorrida, porém, equivocase ao entender que o Certificado e Certidões apresentados não atestariam a regularização de todas as pendências do sujeito passivo apontadas no extrato de fls. 58 a 71. Tal conclusão não é correta, uma vez que o contribuinte somente conseguiria a emissão da Certidão de fl. 110, se não possuísse pendências como omissões de declarações e débitos sem exigibilidade suspensa. Registrese que, por ocasião do Recurso Voluntário, o Recorrente, novamente, comprova a sua regularidade, conforme Certificado e Certidões de fls. 143 a 145. Comprovada a regularidade pelo sujeito passivo, portanto, ainda que em fase processual posterior, incide a Súmula CARF nº 37: "Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater aos débitos existentes até a data de entrega da declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da regularidade em qualquer momento do processo administrativo, independentemente da época em que tenha ocorrido a Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10120.011006/200784 Acórdão n.º 1302003.480 S1C3T2 Fl. 194 5 regularização, e inclusive mediante apresentação de certidão de regularidade posterior à data da opção." Isto posto, deve ser dado provimento ao Recurso Voluntário, deferindose o Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC) relativo ao anocalendário de 2002. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 194DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.727733/2016-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
O instituto da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN não pode ser aplicado aos casos de compensação tributária, que depende de posterior homologação, pois não equivalente a um pagamento. Em consequência, mantém-se a multa moratória imposta pela fiscalização
Numero da decisão: 3302-006.623
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad e Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado).
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1475; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.727733/201621 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3302006.623 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de março de 2019 Matéria Normas Gerais de Direito Tributário Recorrente EMPRESA BRASILEIRA DE CORREIOS E TELEGRAFOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. O instituto da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN não pode ser aplicado aos casos de compensação tributária, que depende de posterior homologação, pois não equivalente a um pagamento. Em consequência, mantémse a multa moratória imposta pela fiscalização Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad e Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado). (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 77 33 /2 01 6- 21 Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10166.727733/201621 Acórdão n.º 3302006.623 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratam os autos de análise da Declaração de Compensação (Dcomp), por intermédio da qual o contribuinte compensou débito(s) próprios, com suposto crédito de pagamento indevido ou a maior. Como resultado da análise foi proferido o Despacho Decisório, que reconheceu integralmente o direito creditório, porém homologou parcialmente a compensação declarada, vez que o crédito indicado revelouse insuficiente para quitar o(s) débito(s) confessado(s), tendo em vista que o contribuinte não considerou a multa de mora incidente em decorrência do atraso na quitação deste(s). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, onde argumentou, em síntese, o que segue: Não foi observada a denúncia espontânea estabelecida no art. 138 do Código Tributário Nacional (CTN). Com a transmissão da Dcomp, antecipouse a qualquer procedimento fiscal, declarando e quitando débito não questionado pela Receita Federal, com acréscimo de juros moratórios. Transmitiu a DCTF retificadora onde declara o débito e o pagamento feito via Dcomp; Apresenta sentenças judiciais favoráveis aos Correios em casos análogos. Indica também jurisprudência dos tribunais onde não foi parte. Lista acórdãos das DRJs à época da transmissão da Dcomp, onde é aplicada a Nota Técnica (NT) Cosit nº 01, de 18/01/2012, vez que os Correios se enquadram na situação nela tratada. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo colegiado a quo, nos termos do Acórdão nº 11057.668. Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o recorrente interpôs recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta que: a) Em que pese a controvérsia acerca da possibilidade ou não de restar configurada a denúncia espontânea quando a extinção do crédito tributário se dá por compensação, a Receita Federal do Brasil, através da Nota Técnica nº 1 COSIT de 18/01/2012, com fundamento no Ato Declaratório PGFN nº 4 de 2011 e Ato Declaratório PGFN nº 8 de 2011, reconheceu que a declaração de compensação, se atendidos os demais requisitos, poderia caracterizála. E isto porque a compensação ou quaisquer outras formas de adimplemento de obrigação são formas de pagamento que acarretam a extinção da obrigação. Sendo forma de pagamento, a compensação atende às exigências do artigo 138 do CTN; b) A denúncia espontânea exclui a responsabilidade pela infração tributária cometida pelo contribuinte, pressupondo a comunicação pertinente a fato desconhecido por parte do Fisco antes de qualquer iniciativa da Administração Tributária, devendo ser acompanhado do pagamento do tributo e dos juros de mora, se for o caso. A intenção do Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10166.727733/201621 Acórdão n.º 3302006.623 S3C3T2 Fl. 4 3 legislador ao editar a norma não fora outra senão estimular o contribuinte a regularizar a sua situação, recebendo em seu benefício o afastamento da responsabilidade pela infração à legislação tributária. Dessa forma, se o contribuinte antecipase a qualquer procedimento fiscalizatório da administração, efetuando o pagamento dos tributos em atraso e dos juros de mora, não lhe pode ser imposta multa de mora, seja ela punitiva ou moratória. Como os Correios anteciparamse à qualquer procedimento administrativo, fazem jus ao benefício da denúncia espontânea com os consectários do artigo 138, do CTN. Termina o recurso requerendo a vigência e a validade da Nota Técnica Cosit nº 01 ao período em que foi entregue a Dcomp, para fins de reconhecer a configuração da denúncia espontânea de forma que os valores indicados na Dcomp sejam considerados quitados. É o breve relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Acórdão nº 3302006.586, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10166.726132/201600, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3302006.586): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise do mérito. O cerne da questão está em definir se a compensação se equipara ao pagamento para fins de fruição do benefício da denúncia espontânea. Essa questão foi tratada de forma didática e precisa no Acórdão nº 1402003.600, da lavra do conselheiro Marco Rogério Borges, de forma que peço vênia para utilizar a ratio decidendi daquele acórdão para fundamentar esse, in verbis: Como de costume, o voto da ilustre Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio está muito bem fundamentado. Contudo, este colegiado, após ampla discussão, divergiu do seu entendimento, no tocante à equiparação de compensação à pagamento para fins de constatação de denúncia espontânea, e por consequência da não aplicação do alegado artigo 100 do CTN. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10166.727733/201621 Acórdão n.º 3302006.623 S3C3T2 Fl. 5 4 O art. 138 do CTN é taxativo na sua disposição que a denúncia espontânea deve ser acompanhada do pagamento do tributo. Não há condições de considerar a compensação como forma de pagamento por se tratar de uma extinção do crédito tributário, pois há outras modalidades de extinção elencados no art. 156 do CTN. Igualmente, não há, até o momento, nenhuma norma no âmbito do Ministério da Fazenda e nem precedente que vincule este Conselho para tal entendimento de se aceitar tal situação. Inclusive, há decisão do E. STJ do tema em sentido contrário ao pleiteado pela recorrente: "AgInt no REsp 1568857/PR AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL 2015/02977680 Relator: Ministro OG FERNANDES Órgão Julgador: SEGUNDA TURMA Data do Julgamento: 16/05/2017 Data da Publicação: DJe 19/05/2017 EMENTA: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. DEFICIÊNCIA NA ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE AO ART. 535 DO CPC/73. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 284/STF. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. ART. 138 DO CTN. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CARACTERIZADA. 1. É deficiente a fundamentação do recurso especial em que a alegação de ofensa ao art. 535 do CPC/73 se faz de forma genérica, sem a demonstração exata dos pontos pelos quais o acórdão incorreu em omissão, contradição ou obscuridade. Aplicase, na hipótese, o óbice da Súmula 284 do STF. 2. A compensação tributária não se equipara a pagamento de tributo para fins de aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea regido pelo art. 138 do CTN. Precedentes: EDcl nos EDcl no AgRg no REsp 1.375.380/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe30/11/2016; AgRg no REsp 1.461.757/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 17/9/2015; AgRg no AREsp 174.514/CE, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, Dje 10/9/2012. 3. Agravo interno a que se nega provimento. (grifamos) ACÓRDÃO Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10166.727733/201621 Acórdão n.º 3302006.623 S3C3T2 Fl. 6 5 Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao agravo interno, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Mauro Campbell Marques, Assusete Magalhães (Presidente), Francisco Falcão e Herman Benjamin votaram com o Sr. Ministro Relator. REsp 1657437/RS RECURSO ESPECIAL 2017/00461010 Relator: Ministro HERMAN BENJAMIN Órgão Julgador: SEGUNDA TURMA Data do Julgamento: 04/04/2017 Data da Publicação: DJe 25/04/2017 EMENTA: TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. ART. 138 DO CTN. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CONFIGURADA. 1. Hipótese em que o Tribunal local consignou: "o instituto da denúncia espontânea é perfeitamente aplicável aos casos em que o pagamento do tributo é realizado através da compensação" (fl. 665, eSTJ). 2. A Segunda Turma do STJ no julgamento do REsp 1.461.757/RS, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, firmou o entendimento de que "a extinção do crédito tributário por meio de compensação está sujeita à condição resolutória da sua homologação. Caso a homologação, por qualquer razão, não se efetive, temse por não pago o crédito tributário declarado, havendo incidência, de consequência, dos encargos moratórios. Nessa linha, sendo que a compensação ainda depende de homologação, não se chega à conclusão de que o contribuinte ou responsável tenha, espontaneamente, denunciado o não pagamento de tributo e realizado seu pagamento com os acréscimos legais, por isso que não se observa a hipótese do art. 138 do CTN". 3. Recurso Especial provido.(grifamos) Ou seja, tal decisão segue a linha que difere a situação de pagamento e compensação para fins de reconhecimento da denúncia espontânea. Neste sentido, deve haver a aplicação de multa de mora no caso concreto, o que acarretaria um crédito menor do que o débito declarado/confessado em PER/Dcomp. Seria um caso de imputação proporcional, que está perfeitamente legal, como já emanado no voto vencido do nobre relator. No que tange à eventual aplicação do artigo 100 do CTN ao caso, o caso in concretu apresentado não se configura como denúncia espontânea nos termos do artigo 138 do Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10166.727733/201621 Acórdão n.º 3302006.623 S3C3T2 Fl. 7 6 mesmo CTN, as evocadas Notas Técnicas (NTs), de caráter meramente interpretativo, como bem analisados na decisão a quo, não são aplicáveis. Quando da emissão da NT Cosit nº 01, de 18/01/2012, a qual a recorrente se baseia para ter adotado a postura pleiteada no presente processo, a mesma foi criada com objetivo de orientação internamente a Receita Federal do Brasil, e identificado a sua impropriedade, foi cancelara por meio da NT Cosit nº 19, de 12/06/2012, corrigindoa. Ao transmitir sua Per/Dcomp em 30/05/2012, entre a data de expedição de ambas NTs. não criou uma vinculação nos termos do artigo 100 do CTN, pois as NTs não são atos normativos, e, por consequência, nem houve a prática reiterada pela autoridade administrativa pois não foram direcionadas aos contribuintes, muito menos nem pessoalmente à recorrente. Como salienta a decisão a quo, as NTs não são publicadas no DOU, seja no site da Receita Federal, não tendo alcance para o público externo (no caso, contribuintes). Assim, não podem ser evocadas para a postura adotada pela recorrente. Com base no que fora exposto, entendo que não ocorreu a denúncia espontânea em relação aos débitos julho de 2008 e agosto de 2008, por não terem sido pagos e sim compensados." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Fl. 160DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.925091/2009-20
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 13/08/2004
DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DE PIS/COFINS.
O direito à compensação existe na medida exata da certeza e liquidez do crédito em favor do sujeito passivo. Assim, a comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário mostra-se fundamental para a efetivação da compensação.
DO ÔNUS DA PROVA DO CRÉDITO.
Para a demonstração da certeza e liquidez do direito creditório invocado, não basta que a recorrente apresente declarações retificadoras, mas a escrituração contábil e apontar em cada conta/subconta o recolhimento indevido, apresentar demonstrativo de apuração das contribuições sociais contrastando o cálculo original com o retificado, identificando as rubricas de despesas que foram alteradas para reduzir o tributo devido.
Numero da decisão: 3003-000.231
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário.
Marcos Antônio Borges - Presidente.
(assinado digitalmente)
Müller Nonato Cavalcanti Silva - Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MULLER NONATO CAVALCANTI SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 13/08/2004 DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DE PIS/COFINS. O direito à compensação existe na medida exata da certeza e liquidez do crédito em favor do sujeito passivo. Assim, a comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário mostra-se fundamental para a efetivação da compensação. DO ÔNUS DA PROVA DO CRÉDITO. Para a demonstração da certeza e liquidez do direito creditório invocado, não basta que a recorrente apresente declarações retificadoras, mas a escrituração contábil e apontar em cada conta/subconta o recolhimento indevido, apresentar demonstrativo de apuração das contribuições sociais contrastando o cálculo original com o retificado, identificando as rubricas de despesas que foram alteradas para reduzir o tributo devido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. Marcos Antônio Borges - Presidente. (assinado digitalmente) Müller Nonato Cavalcanti Silva - Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
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O direito à compensação existe na medida exata da certeza e liquidez do crédito em favor do sujeito passivo. Assim, a comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário mostrase fundamental para a efetivação da compensação. DO ÔNUS DA PROVA DO CRÉDITO. Para a demonstração da certeza e liquidez do direito creditório invocado, não basta que a recorrente apresente declarações retificadoras, mas a escrituração contábil e apontar em cada conta/subconta o recolhimento indevido, apresentar demonstrativo de apuração das contribuições sociais contrastando o cálculo original com o retificado, identificando as rubricas de despesas que foram alteradas para reduzir o tributo devido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. Marcos Antônio Borges Presidente. (assinado digitalmente) Müller Nonato Cavalcanti Silva Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 50 91 /2 00 9- 20 Fl. 432DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Müller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra Acórdão de Manifestação de Inconformidade prolatado pela 14ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo DRJ/SP1. A controvérsia gravita sobre a discussão da existência de crédito da contribuição COFINS a ser compensado por erro de preenchimento na DCTF no período de julho/2004. A Recorrente transmitiu DCOMP, porém ser a retificação da DCTF. O Despacho Homologatório negou a compensação, oportunidade em que a Recorrente deu início ao contencioso administrativo por meio do protocolo de sua Manifestação de Inconformidade. Juntou como documentação: DARF, DCTF, DIPJ, , notas fiscais de entrada do período apurado e Livro Diário. Por bem retratar os fatos, adoto o relatório do Acórdão de Manifestação de Inconformidade: 1. O interessado transmitiu em 26/07/2006 o PER/DCOMP 24582.94812.260706.1.7.048066,visando compensar o valor declarado ali e, informado o Tipo de crédito: Pagamento Indevido ou a Maior; o período de apuração: 31/07/2004; data de arrecadação: 3/08/2004, código de receita: 5856, com débitos do Grupo de Tributo: IRPJ código de receita: 236201; período de apuração Abril/2005; data do vencimento: 31/05//2005 e, com débitos do Grupo de Tributo: CSLL código de receita: 248401; período de apuração Jan/2005; data do vencimento: 31/05/2005. 1.1. A DCOMP foi analisada de forma eletrônica pelo sistema de processamento da Receita Federal do Brasil RFB que emitiu Despacho Decisório, Número de Rastreamento: 825120235, assinado pelo titular da unidade de jurisdição da requerente, que não homologou a compensação declarada. 1.2. O Despacho Decisório atesta que: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP foram localizados pagamentos relacionados 4601406128 mas, integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE 2. No prazo regulamentar, o sujeito passivo apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 12/25, apresenta breve relato acerca da não homologação pleiteada, fazendo anexar os Fl. 433DF CARF MF Processo nº 10880.925091/200920 Acórdão n.º 3003000.231 S3C0T3 Fl. 3 3 documentos de fls. 26/198, alegando, preliminarmente, em decorrência da identidade da matéria envolvida nos feitos, requer o julgamento conjunto dos Processos Administrativos, com as manifestações de inconformidade oferecidas nos Processos nº 10880.919.382/200989, 10880.920.663/200984 e 10880.925.664/200929. 3. Sob o título da Decisão Recorrida, alega em síntese que: 3.1. Apresenta MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE, em tempo hábil, contra o Despacho Decisório em face da não homologação da compensação efetuada. 3.2. O Despacho Decisório deve ser reformado, o seu fundamento: inexistência de crédito não encontra suporte na realidade fática e que o crédito da Recorrente atingia no momento da transmissão do PER/DCOMP o valor original de R$ 30.396,03, que se refere, exclusivamente, ao montante recolhido a maior/indevidamente a titulo da COFINS, atinente ao período de apuração de 31.07.2004, com vencimento em 13.08.2004 (doc. 9 e 10). 3.3. Não pode prevalecer a suposta inexistência de crédito passível de compensação, apontada na apreciação do PER/DCOMP, sendo suficiente o valor do crédito de COFINS para liquidar, nos termos do inciso II, do a rtigo 156, do Código Tributário Nacional, o débito compensado via PER/DCOMP, no montante de R$ 16.285,23. 3.4. A Recorrente informou em sua DCTF original do 3° Trimestre de 2004, como devido a titulo da COFINS Não Cumulativa, Código de Receita 58561, do período de apuração 31/07/2004), o montante de R$ R$ 30.396,03, em detrimento da declaração correta no sentido de que inexistia valor devido no aludido período base, uma vez que era zero a alíquota da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS incidente na importação e sobre a receita bruta de venda no mercado interno de Produtos Hortícolas Conservados Transitoriamente, mas impróprios para alimentação neste estado, no caso em análise, azeitonas classificadas nos códigos 0711.20 (Azeitonas), 0711.20.10 (Com Agua salgada), 0711.20.20 (Com Água sulfurada ou adicionada de outras substâncias) e 0711.20.90 (Outras) da TIPI. 3.5. O referido equivoco, foi sanado pela DCTF retificadora do 3º Trimestre 2004, transmitida em 17/02/2009, sendo facilmente visualizado pela análise da DIPJ 2005, ano calendário de 2004 (doc. 12), dos Termos de Abertura e Encerramento e folha 00039 do Livro Diário Geral (docs. 13 a 15) e dos Termos de Abertura e Encerramento e folha 00147 do Livro Razão Analítico (docs. 16 a 18), nos quais são reconhecidas a ausência de valor devido a titulo de COFINS – Código de Receita 5856, no período de apuração maio/2004, e a natureza de indébito tributário do recolhimento no valor de R$ 30.396,03 (doc. 9 e 10). Fl. 434DF CARF MF 4 3.6. Acrescenta a Impugnante que a regularidade e a correção da apuração do crédito envolvido na compensação é comprovada pela DIPJ 2005 Ano Calendário 2004, pela DIPJ 2006 – Ano Calendário 2005, pelo e Livro Diário Geral, pelo Livro Razão Analítico, e pelas Notas Fiscais de Entrada e Declarações de Importação do período em questão. 3.7. Diante da ausência de contribuição devida no período, o valor indevidamente declarado e recolhido pela Recorrente (R$ 30.396,03) tornouse passível de compensação, gerando o crédito original informado no PER/DCOMP n° 24582.94812.260706.1.7.048066 (R$ 30.396,03). 3.8. Os documentos que instruem a manifestação de inconformidade atestam que a compensação objeto do PER/DCOMP n° 24582.94812.260706.1.7.048066 deve ser homologada, e o débito tributário tido por indevidamente compensado deve ser extinto. 3.9. O Despacho Decisório atesta a inexistência do crédito objeto do PER/DCOMP e afirma que este foi integralmente utilizado no pagamento do débito da contribuição, no valor de R$ 30.396,03, o qual corresponde àquele que foi indevidamente informado devido na DCTF original do 3º Trimestre de 2004. 3.10. A não homologação da compensação deveuse, exclusivamente, ao fato do contribuinte ter informado em sua DCTF valor indevido e não promovido a imediata retificação do aludido documento, o que impossibilitou à Receita Federal identificar o Crédito no valor original de R$ 30.396,03, que tem sua origem no recolhimento do montante de R$ 30.396,03. 3.11. A existência do crédito compensado deverá, quer por força do dever de busca da verdade material, quer sob pena de cerceamento do direito de defesa da Recorrente, ser reavaliada, em especial mediante a análise de documentos ou de eventuais diligencias administrativas, quando do julgamento da manifestação de inconformidade. 3.12. .A Impugnante baseandose no Principio da Verdade Material; no Direito Tributário; a vista da documentação que junta à Impugnação; ao caráter vinculante da atividade administrativa; em lições do Professor Celso Antônio Bandeira de Melo; sobre moralidade publica e, em artigos como “in Processo Administrativo Fiscal — Manual", Ed. Resenha Tributária, jan/93, pág. 06) e; em considerações do Professor Hugo de Brito Machado, acerca dos efeitos da declaração do contribuinte e da necessidade de se buscar a verdade material, requer seja reavaliada, em especial mediante a análise de documentos ou de eventuais diligências administrativas, a existência do crédito compensado, sob pena de cerceamento do direito de defesa da Recorrente. 3.13. O equivoco da Recorrente, materializado no preenchimento de sua DCTF do 3° Trimestre de 2004, não pode impedir a reforma do Despacho Decisório DERAT SÃO PAULO, prejudicar sua defesa ou mesmo provocar o não reconhecimento de crédito por decorrência de compensação que, de fato e de direito, foi regularmente promovida. Fl. 435DF CARF MF Processo nº 10880.925091/200920 Acórdão n.º 3003000.231 S3C0T3 Fl. 4 5 3.14. A afirmação da Autoridade Administrativa de que o pagamento no valor de R$ 30.396,03 "foi integralmente utilizado para quitação" de débito da Recorrente no mesmo montante de R$ 30.396,03 não pode ser considerada definitiva e correta. Os documentos anexados aos autos devem ser levados em consideração, para que fiquem comprovados: (i) a ausência de valor devido a titulo da COFINS no período de apuração de 31/07/2004; (ii) a existência do exato valor do crédito apurado pela Recorrente; (iii) a regularidade formal da compensação; (iv) a necessidade de reforma do Despacho Decisório n° 825120235, a homologação do PER/DCOMP n° 4582.94812.260706.1.7.048066; e (v) a inexistência de débito indevidamente compensado. Do Pedido 4. Requer: (i) o julgamento conjunto com as manifestações de inconformidade protocolizadas nos autos dos 10880.925.090/200985; (ii) o provimento da Manifestação de Inconformidade, para que seja revisto e reformado, com base na verdade material dos fatos, o Despacho Decisório recorrido, reconhecendose a integralidade do crédito indicado, homologandose a compensação objeto do PER/DCOMP n° 24582.94812.260706.1.7.048066, afastandose a exigência de qualquer valor supostamente devido (original de R$ 16.285,23).A DRJ/SP1 não homologou o crédito argumentando, em suma, que a não retificação da DCTF é confissão apta a constituir crédito tributário e o DARF acostado aos autos foi usado para o pagamento do débito constituído justamente por este equívoco. Não satisfeita a Recorrente socorrese a este Conselho, e reitera suas razões com a firme alegação de que é detentora do crédito. Para tanto, traz documentos novos aos autos laudo de perícia contábil, e pugna para que seja reconhecido seu direito creditório e a homologação do pedido de compensação no valor de R$ 30.396,03, com apelo pela Verdade Material e apropriada análise do conjunto probatório acostado nos autos. Em síntese, são os fatos. Voto Conselheiro Müller Nonato Cavalcanti Silva Relator. O Presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos formais de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA NULIDADE Fl. 436DF CARF MF 6 A Recorrente alega que o acórdão recorrido está maculado e pugna por sua anulação. Em suma alega que a ausência de pronunciamento da instância de piso sobre a todos os documentos acostados aos autos seria capaz de nulificar todo o procedimento administrativo. Entendo que a decretação de nulidade é medida extrema que somente deve ser considerada em efetivo e prejuízo ao contribuinte ou à legislação fiscal. No caso em tela não vislumbro prejuízo que justifique a decretação de nulidade do acórdão recorrido, vez que respeita a forma legal e expressa o convencimento jurídico dos julgadores. Portanto, divergências de entendimento não são causas de nulidade, razão pela qual rejeito a preliminar arguida. SOBRE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS A compensação tributária uma das modalidades de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156, II, do Código Tributário Nacional pressupõe a existência de créditos e débitos tributários de titularidade do contribuinte. Conforme o art. 170 do CTN, a lei poderá atribuir, em certas condições e sob garantias determinadas, à autoridade administrativa autorizar a compensação de débitos tributários com créditos líquidos e certos do sujeito passivo. Nesse contexto, o direito à compensação existe na medida exata da certeza e liquidez do crédito em favor do sujeito passivo. Assim, a comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário mostrase fundamental para a efetivação da compensação. A compensação pode ser declarada pelo contribuinte por meio do preenchimento e transmissão de Declaração de Compensação (DCOMP), na qual se indicará, de forma detalhada, o crédito existente e o débito a ser compensado, sujeitandose tal procedimento a ulterior homologação por parte da autoridade tributária. A Recorrente transmitiu eletronicamente a DCOMP descrita no relatório, tendo indicado a existência de crédito decorrente de pagamento a maior. Em verificação fiscal da DCOMP transmitida, apurouse que não existia crédito disponível para se realizar a compensação pretendida, vez que o pagamento indicado na DCOMP já havia sido utilizado para quitação de outro débito. A Recorrente sustenta que houve erro no preenchimento da DCTF, o que a levou ao pagamento do DARF do valor correspondente. Após prolação do Despacho Decisório, a Autoridade Fiscal sustentou que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e documento hábil a constituir crédito tributário, razão pela qual o DARF foi usado para a quitação do valor declarado. Como prova do seu crédito a Recorrente apresentou o DARF, DCTF, DIPJ, notas fiscais de entrada e Livro Diário. Apesar do conjunto probatório, a Unidade de Origem não homologou o crédito pleiteado sob o argumento de que a quantia que fora recolhida a maior já havia sido usada para a quitação de outros débitos. Por meio da análise do da documentação apresentada pela Recorrente, não é possível concluir pela existência de crédito a compensar, tampouco que o erro de preenchimento da DCTF tenha permitido a compensação equivocada de débito declarados a maior. Fl. 437DF CARF MF Processo nº 10880.925091/200920 Acórdão n.º 3003000.231 S3C0T3 Fl. 5 7 Como se pacificou a jurisprudência neste Tribunal Administrativo, o ônus da prova é devido àquele que pleiteia seu direito. Portanto, para fato constitutivo do direito de crédito o contribuinte deve demonstrar de forma robusta ser detentor do crédito ou, em situações extremas, demonstrar indícios convergentes que levem ao entendimento de que as alegações são verossímeis. Sobre ônus da prova em compensação de créditos transcrevo entendimento da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), em decisão consubstanciada no acórdão de nº 9303005.226, a qual me curvo para adotála neste voto: "...o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Não pode o julgador administrativo atuar na produção de provas no processo, quando o interessado, no caso, a Contribuinte não demonstra sequer indícios de prova documental, mas somente alegações." No caso concreto, já em sua impugnação perante o órgão a quo, a Recorrente deveria ter reunido todos os documentos suficientes e necessários para a demonstração da certeza e liquidez do crédito pretendido. Pela avaliação probatória que faço dos autos somente a DCTF e as notas fiscais de entrada não aclaram a existência de crédito a ser compensado. A Recorrente não apresentou, na fase de impugnação (manifestação de inconformidade), documentos que pudessem demonstrar a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Para a demonstração da certeza e liquidez do direito creditório invocado, não basta que a recorrente apresente declarações retificadoras, mas a escrituração contábil e apontar em cada conta/subconta o recolhimento indevido, apresentar demonstrativo de apuração das contribuições sociais contrastando o cálculo original com o retificado, identificando as rubricas de despesas que foram alteradas para reduzir o tributo devido, apontando na escrituração contábilfiscal as evidências da existência do crédito para formar o convencimento da Autoridade Julgadora. Em fase recursal a Recorrente trouxe aos autos documentos novos, que poderiam ser apresentados na Manifestação de Inconformidade. Deste modo, há de se observar o que leciona o art. 16, §4º do Decreto 70.235/1972 e declarar a preclusão para produção de provas neste momento processual, razão pela qual delas não conheço. Concluo nesta análise que não há nos autos provas que demonstrem a natureza e extensão de eventuais créditos que possam ser objeto de Declaração de Compensação. DA VERDADE MATERIAL A Recorrente suplica pela aplicação do princípio da Verdade Material, pois seus argumentos conduzem ao entendimento que a decisão recorrida não aplicou o melhor Direito. Não assiste razão a Recorrente, contudo há de se destacar que o princípio da Verdade Fl. 438DF CARF MF 8 Material não é um caminho autorizador para dar provimento aos recursos sem o mínimo de verossimilhança. Enxergo que os autos, instruídos da forma que estão, não inferem dúvida razoável, e a Verdade Material não nos autoriza a prolatar decisões sem as devidas provas que formam o mínimo de convencimento do julgador. Sendo pelo argumentado, pelo princípio da Verdade Material e pela ausência de indícios que comprovem a existência do crédito, deve prevalecer o que consta nos autos pelo império da segurança jurídica. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito negarlhe provimento. Müller Nonato Cavalcanti Silva Relator. (assinado digitalmente) Fl. 439DF CARF MF
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Numero do processo: 10660.900506/2006-02
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
A falta de comprovação de divergência inviabiliza o processamento do recurso especial. Na ótica da decisão de primeira instância proferida nestes autos, o PER/DCOMP estaria invariavelmente comprometido, independentemente de ter havido erro na DCTF originalmente apresentada, e foi esse o motivo pelo qual o acórdão recorrido, após tecer várias considerações sobre a dinâmica probatória nos processos de restituição/ compensação, entendeu que a questão em torno do momento em que foi apresentada a DCTF-retificadora não poderia ser suficiente para fundamentar a negativa em relação à compensação. Os dois paradigmas apresentados admitem a possibilidade de comprovação de erro, ainda que a DCTF-retificadora tenha sido apresentada depois do despacho decisório da Delegacia de origem, e nesse aspecto, inclusive, eles apresentam convergência (e não divergência) em relação ao acórdão recorrido. O que motivou a negativa da compensação naqueles casos foi que a contribuinte não apresentou nenhuma comprovação do alegado erro, para que se pudesse aceitar a declaração retificadora, situação bem distinta da destes autos, eis que aqui o esforço probatório da contribuinte foi simplesmente ignorado na fase inicial do processo. Não há paralelo entre as decisões para que se possa caracterizar divergência jurisprudencial a ser sanada mediante processamento de recurso especial. Os contextos distintos justificam perfeitamente as diferentes decisões.
Numero da decisão: 9101-004.143
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano, Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO. A falta de comprovação de divergência inviabiliza o processamento do recurso especial. Na ótica da decisão de primeira instância proferida nestes autos, o PER/DCOMP estaria invariavelmente comprometido, independentemente de ter havido erro na DCTF originalmente apresentada, e foi esse o motivo pelo qual o acórdão recorrido, após tecer várias considerações sobre a dinâmica probatória nos processos de restituição/ compensação, entendeu que a questão em torno do momento em que foi apresentada a DCTFretificadora não poderia ser suficiente para fundamentar a negativa em relação à compensação. Os dois paradigmas apresentados admitem a possibilidade de comprovação de erro, ainda que a DCTF retificadora tenha sido apresentada depois do despacho decisório da Delegacia de origem, e nesse aspecto, inclusive, eles apresentam convergência (e não divergência) em relação ao acórdão recorrido. O que motivou a negativa da compensação naqueles casos foi que a contribuinte não apresentou nenhuma comprovação do alegado erro, para que se pudesse aceitar a declaração retificadora, situação bem distinta da destes autos, eis que aqui o esforço probatório da contribuinte foi simplesmente ignorado na fase inicial do processo. Não há paralelo entre as decisões para que se possa caracterizar divergência jurisprudencial a ser sanada mediante processamento de recurso especial. Os contextos distintos justificam perfeitamente as diferentes decisões. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 05 06 /2 00 6- 02 Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10660.900506/200602 Acórdão n.º 9101004.143 CSRFT1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano, Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial quanto ao que se decidiu sobre declaração de compensação apresentada pela contribuinte acima identificada. A PGFN insurgese contra o Acórdão nº 180201.145, de 15/13/2012, por meio do qual a 2a Turma Especial da 1a Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, deu provimento parcial a recurso voluntário da contribuinte, para fins de afastar o fundamento que levou à negativa do crédito utilizado na compensação, determinando o retorno dos autos à Delegacia de origem, para que ela reexaminasse o PER/DCOMP. O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva descritas abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO QUE A CONTRIBUINTE ENTENDE TER REALIZADO EM MONTANTE MAIOR QUE O DEVIDO. Restando afastado o fundamento que levou à negativa do crédito, devem os autos retornar à Delegacia de origem, para que seja reexaminada a Declaração de Compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à legislação tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, relativamente à matéria acima mencionada. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10660.900506/200602 Acórdão n.º 9101004.143 CSRFT1 Fl. 4 3 Para o processamento de seu recurso, a PGFN desenvolve os argumentos a seguir: DO CABIMENTO DO RECURSO ESPECIAL DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL o colegiado a quo entendeu ser possível deferir a compensação, em que pese o contribuinte não tenha observado as prescrições legais, isto é, não tenha retificado a DCTF tempestivamente as informações indispensáveis à homologação da compensação pretendida, conferindolhe direito ao crédito; diversamente, a Segunda Turma da Segunda Câmara da Segunda Seção do CARF entendeu que, para fazer jus à compensação, o interessado deve observar todas as exigências previstas na legislação de regência, qual seja retificar a DCTF antes do despacho decisório, sob pena de não se operar o almejado encontro de contas e, conseqüentemente, não ocorrer a extinção do crédito tributário; confirase, por oportuno, a ementa integral do acórdão paradigma nº 1202 00.532: Anocalendário: 2003 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. NÃO HOMOLOGAÇÃO COMPENSAÇÃO. Não elidido o fato de que o pagamento foi alocado a débito confessado, mantémse o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. PER/DCOMP. ALTERAÇÃO DO PEDIDO. Após a ciência do despacho decisório que não homologou a compensação informada no pedido/declaração PER/DCOMP, tornase inviável a alteração das informações contidas no pedido já formulado. DÉBITO CONFESSADO. DCTF. REDUÇÃO. A redução do débito confessado em DCTF, após o procedimento de ofício, somente pode ser desconstituído com base em elementos e documentos hábeis e suficientes que comprovem a incorreção apontada. a fim de configurar plenamente a divergência de entendimentos entre as turmas cumpre transcrever o entendimento do douto relator do acórdão paradigma: [...]; é preciso registrar que o acórdão paradigma firmou o entendimento de que, após o despacho decisório que não homologou a compensação, não pode o contribuinte efetuar a retificação da DCTF, enquanto o acórdão recorrido, não obstante ter constatado o descumprimento deste requisito legal, autorizou a compensação pleiteada; o acórdão ora recorrido também deu ao caso em análise interpretação divergente da que lhe deu o Acórdão nº 280300.109, proferido pela 3ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento do CARF, que entendeu ser ônus do contribuinte provar o erro de preenchimento da DCTF. Eis a ementa reproduzida em sua integralidade: Acórdão nº 280300.109 Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10660.900506/200602 Acórdão n.º 9101004.143 CSRFT1 Fl. 5 4 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001 ÔNUS DA PROVA. FATO MODIFICATIVO OU EXTINTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA O DESPACHO DECISÓRIO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao recorrente a prova do erro no preenchimento da DCTF, segundo o sistema de distribuição do ônus probatório adotado no processo administrativo federal. Recurso negado.” nesse sentido, transcrevese o voto condutor do paradigma no seguinte trecho: [...]; de um lado, o colegiado a quo homologou a compensação, sem a prova do erro no preenchimento da DCTF. De outro lado, a 3ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento, em decisão consubstanciada no acórdão nº 280300.109, firmou o entendimento de que caberia ao contribuinte comprovar o erro no preenchimento da DCTF, do qual resultaria seu indébito; ressaltese que o objeto central do processo é o pedido de homologação da compensação pleiteada com DCTF retificadora apresentada após a não homologação da compensação, e, neste quesito, tanto o acórdão guerreado quanto os dois paradigma versam sobre o mesmo assunto; patente, portanto, a divergência jurisprudencial; DOS FUNDAMENTOS PARA A REFORMA DO R. ACÓRDÃO RECORRIDO a compensação instrumentada por PER/DCOMP de fato não poderia ter sido homologada por restar ausente requisito essencial à sua validade, qual seja, equivalência entre as informações prestadas em DCTF e na DCOMP apresentada; o contribuinte alega que a informação prestada em DCTF não corresponde a verdade, fazendo a retificação da DCTF após o despacho decisório; primeiramente, imperioso reconhecer que para fazer jus à compensação o contribuinte deve observar todos os ditames legais, sob pena de, a bem do princípio da legalidade e da indisponibilidade do interesse público, não ser possível o almejado encontro de contas; o artigo 170 do Código Tributário Nacional estabeleceu as diretrizes acerca do instituto da compensação: [...]; é óbvio que no caso presente verificase que o requisito indispensável de correlação entre o disposto na DCTF e na DCOMP para fins de verificação da existência de crédito não foi cumprido, pois a contribuinte não retificou a tempo a DCTF que continha o suposto erro de fato no preenchimento; Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10660.900506/200602 Acórdão n.º 9101004.143 CSRFT1 Fl. 6 5 temse claro que é por meio da DCTF que o sujeito passivo declara ao fisco a contribuição devida apurada, e assim sendo, somente pode ser considerado incorreto ou indevido o valor recolhido via DARF, conforme lá declarado, quando o sujeito passivo retifica em tempo hábil a declaração; deveria a contribuinte ter trazido aos autos documentação contábil que pudesse lastrear as informações contidas na DCTF retificadora; não se trata de mero erro formal, mas sim de descumprimento de condições para a validade da compensação como exige a legislação, e, neste ponto, como exige a lei, todos os procedimentos devem ser respeitados; ressaltese que o principal argumento aqui tratado não é a comprovação ou não do erro formal pelo contribuinte, mas sim o cumprimento de todos os requisitos para homologação da compensação pretendida e ora objeto de análise nos autos; cumpre dizer que a DCTF retificadora não produz efeito quando a contribuinte não mais goza de espontaneidade, conforme dispõe o art. § 1º do art. 7º do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e alterações, combinado com o inciso III do § 2º do art. 11 da IN RFB nº786, de 19 de novembro de 2007, abaixo transcrito: [...]; nestes termos, imperioso colacionar a decisão de 1ª instância: Notase, então, que o crédito da contribuinte decorre de apuração de valor devido a menor (posteriormente) do apurado à época da entrega da DCTF. Isto implica que, para ter validade, a DCTF original deveria ter sido retificada em tempo hábil, ou seja, anteriormente a qualquer procedimento de oficio em relação ao fato gerador da obrigação tributária. Ora, embora afirme que tenha entregue DCTF retificadora, nos autos não consta que houve transmissão daquele documento, o qual não pode ser alterada de ofício, tendo em vista que não se trata de erro de fato cometido pela contribuinte no preenchimento da declaração, mas sim de redução do valor do débito, resultante de apuração “a posteriori” à entrega da DCTF inicial. De qualquer forma, esclareçase que mesmo que a empresa tivesse entregue DCTF retificadora no prazo legal, para efeito de comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. por outro lado impende informar que o contribuinte alegou que seu indébito decorre de erro no preenchimento da DCTF, contudo não juntou documentos hábeis, amparados em sua escrita contábil, que demonstrassem o alegado erro; ora, a regra acerca da distribuição do ônus da prova no ordenamento jurídico pátrio previsto no art. 333 do Código de Processo Civil determina que o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito incumbe ao autor. Aplicada ao contexto da compensação Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10660.900506/200602 Acórdão n.º 9101004.143 CSRFT1 Fl. 7 6 tributária, temse que compete ao contribuinte produzir a prova da certeza e liquidez do crédito que alega ter perante o Fisco; o ônus da prova que incumbe ao ente tributante consiste em, uma vez provado o fato constitutivo (crédito) pelo contribuinte, provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo daquele; na compensação, cabe ao contribuinte provar a existência do crédito líquido e certo declarado. Se não se desincumbiu do ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, não há que se exigir da autoridade fiscal a demonstração de qualquer elemento contrário à alegação do crédito; independentemente da causa, o fato é que o contribuinte não apresentou, sequer, o mínimo probatório exigido para a comprovação da certeza e liquidez do suposto direito, o que impede a homologação da compensação, sobretudo em face do princípio da indisponibilidade do interesse público; em suma, diante da absoluta ausência de prova do crédito alegado, não há espaço para a homologação da compensação. Logo, revelase inviável a compensação pretendida pelo contribuinte; DO PEDIDO por todo o exposto, requer a União (FAZENDA NACIONAL) seja conhecido e provido o presente Recurso Especial, para reformar o acórdão recorrido, restaurandose o entendimento firmado na decisão de 1ª instância. Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, o Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do despacho exarado em 08/09/2016, deu seguimento ao recurso, fundamentando sua decisão na seguinte análise sobre a divergência suscitada: [...] Verificase que recorrido e paradigmas trataram de pedido de homologação de compensação pleiteada com DCTF retificadora apresentada após a ciência do despacho decisório que não homologou a solicitação inicial do contribuinte. Entretanto, no recorrido consignouse que a comprovação do alegado indébito não se limita ao conteúdo da DCTF, devendo o Fisco avaliar todos os meios de prova disponíveis, inclusive aqueles obtidos de ofício. Por sua vez, o primeiro paradigma entendeu que, no momento da transmissão da DCTF retificadora, não se goza mais de espontaneidade para efetuar a alteração pretendida, enquanto o segundo paradigma avaliou ser ônus do contribuinte provar o erro de preenchimento da DCTF, do qual resultaria seu indébito. Ante o exposto, neste juízo de cognição sumária, concluise que restou caracterizada a divergência de interpretação suscitada e que foram atendidos os pressupostos de admissibilidade pelo presente recurso especial. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10660.900506/200602 Acórdão n.º 9101004.143 CSRFT1 Fl. 8 7 Em 20/09/2016, a contribuinte foi cientificada do Acórdão nº 180201.145, do recurso especial da PGFN, e do despacho que deu seguimento a esse recurso, e ela não apresentou contrarrazões. Também não apresentou recurso especial contra o provimento apenas parcial de seu recurso voluntário na fase anterior. É o relatório. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10660.900506/200602 Acórdão n.º 9101004.143 CSRFT1 Fl. 9 8 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Tratase de processo que tem por objeto declaração de compensação – DCOMP apresentada pela contribuinte, em que ela utiliza um alegado crédito decorrente de pagamento a maior de estimativa do Imposto sobre a Renda da Pessoa da Jurídica – IRPJ (código 2362), referente ao mês de maio de 2003, no valor de R$ 12.343,53. A Delegacia de origem, por meio de despacho eletrônico, não reconheceu a existência do crédito e, por consequência, também não homologou a compensação. A negativa foi motivada pelo fato de o referido pagamento já ter sido integralmente utilizado para a quitação de débito declarado em DCTF. Desde a fase inicial do processo, o litígio se estabeleceu em torno da alegação da contribuinte de que teria havido erro na DCTF, que o valor correto do débito do mês de maio/2003 era de R$ 1.628,43, conforme constava de sua DIPJ, e dos demonstrativos que apresentava. A decisão de primeira instância manteve a negativa em relação à compensação. Já a decisão de segunda instância (acórdão ora recorrido) entendeu que a negativa em relação à compensação não poderia ficar amparada apenas na informação constante inicialmente na DCTF, e deu parcial provimento ao recurso voluntário para afastar o problema relativo à DCTF, devolvendo os autos à Delegacia de origem, para que ela reexaminasse a Declaração de Compensação. Em seu recurso especial, a PGFN pretende restabelecer o que foi decido em primeira instância administrativa, defendendo a não homologação da compensação. Todavia, não há condições para se conhecer do recurso especial da PGFN. Primeiramente, cabe deixar claro que o acórdão recorrido não homologou a compensação, diferentemente do que afirma a PGFN em seu recurso especial. O que o acórdão recorrido fez foi dar provimento "parcial" ao recurso voluntário, para afastar o fundamento que levou à negativa do direito creditório, e devolver os autos à Delegacia de origem, para o reexame da compensação. O relatório do acórdão recorrido explicita bem a controvérsia que foi por ele examinada: Instaurada a fase litigiosa, com a manifestação de inconformidade de fls. 1 e 2, a Contribuinte apresentou os seguintes argumentos: 1 A Gaplan Minas Caminhões Ltda., apresentou em 15/08/2003 a DCTF original do 2.° trimestre de 2003 (DOC. 06), onde foi declarado INCORRETAMENTE na página 04 (DOC. 07), o debito de IRPJ Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10660.900506/200602 Acórdão n.º 9101004.143 CSRFT1 Fl. 10 9 correspondente ao PA 05/2003 no valor de R$ 12.102,70 (doze mil, cento e dois reais e setenta centavos), que foi integralmente amortizado com o DARF recolhido com multa e juros em 03/07/2003 no valor de R$ 12.343,53 (doze mil, trezentos e quarenta e três reais e cinqüenta e três centavos) DOC. 08. 2 Conforme já mencionado o valor declarado na época foi incorreto, ou seja, o valor correto do débito é R$ 1.628,43 (um mil, seiscentos e vinte e oito reais e quarenta e três centavos), para comprovar, seguem os seguintes documentos : 2.1 Cópia do recibo de entrega da DIPJ/2004, ano calendário 2003, original, entregue em 29/06/2004 DOC. 09. 2.2 Cópia da página 08 da referida DIPJ, onde consta o valor correto declarado do débito da estimativa mensal do IRPJ do PA 05/2003 (R$ 1.628,43) DOC. 10. 2.3 Cópia da memória de cálculo da “DEMONSTRAÇÃO DO CALCULO do IRPJ REAL a PAGAR”, calculado através de balancete de suspensão/redução correspondente ao PA 05/2003 DOCs. 11, 12 e 13. 2.4 Cópia da memória de cálculo da “DEMONSTRAÇÃO da SUSPENSÃO ou REDUÇÃO do IRPJ/CSLL” DOC. 14. 3 Entretanto, por um equívoco a empresa não apresentou na época a DCTF retificadora, ficando assim, o DARF (DOC. 08) sem saldo disponível para compensação de outros débitos. Sendo assim, após notificada (DOC. 15), e constato o equívoco, a empresa apresentou a DCTF retificadora do 2º trimestre de 2003 em 17/03/2008, conforme recibo de entrega DOC. 16, declarando corretamente em sua página 04 (DOC. 17), o valor correto da estimativa de IRPJ PA 05/2003, no valor de R$ 1.628,43, sendo amortizado com parte do DARF acima citado (DOC. 08), sobrando assim, saldo disponível para ser compensado com outros débitos. 4 Segue também o controle (DOC. 18) do saldo disponível e compensado do referido DARF. (DOC. 8). O voto que orientou a decisão de primeira instância está fundamentado nos seguintes termos: A empresa declarou em DCTF apresentada em 15/08/2003, débito relativo ao IRPJ do período de apuração 05/2003 no valor de R$ 874,41. Essa DCTF só foi retificada em 17/03/2008. Com fulcro no parágrafo 14°, do artigo 74 da Lei 9.430/1996, que prevê que "a Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação”, foi emitida a Instrução Normativa SRF n° 210/2002, cujo artigo 28 estabelece que “na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 38 e 39 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10660.900506/200602 Acórdão n.º 9101004.143 CSRFT1 Fl. 11 10 Compensação” (grifei). Tal Instrução Normativa foi revogada pela de n° 460/2004, que por sua vez foi revogada pela de n° 600/2005, que mantêm a mesma determinação também no artigo 28. Portanto não resta dúvidas de que a compensação se dá na data da entrega (apresentação) da apresentação. Assim, temos que quando da apresentação do PERDCOMP em análise o crédito não existia, já que o pagamento estava locado ao débito declarado pelo contribuinte. Portanto a compensação foi corretamente não homologada. Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 28/10/2008 (fls. 66), a Contribuinte apresentou em 25/11/2008 o recurso voluntário de fls. 70 a 76, onde reitera os mesmos argumentos de sua manifestação de inconformidade, conforme descrito nos parágrafos anteriores, e ainda acrescenta os seguintes: a decisão recorrida não pode prevalecer porque: 1 parte do pressuposto de que a DCTF teria força probatória superior à própria DIPJ, desconsiderando a existência de divergência entre essas duas declarações, a qual, ainda que comprovada posteriormente pela Requerente para justificar o seu crédito, foi simplesmente ignorada; 2 parte do pressuposto de que a indicação de valor do tributo em DCTF constituiu confissão irretratável de dívida, o que é incompatível com o princípio da legalidade e com a natureza ex lege da obrigação tributária; 3 ignora o esforço probatório da Requerente, para restringir o seu direito de ressarcirse, ainda que mediante compensação do IRPJ pago a maior, em ato que configura verdadeiro confisco; o simples fato de existir divergência entre o valor de IRPJ do período de apuração 05/2003 indicado na DCTF correspondente, e aquele informado na DIPJ 2004, já seria suficiente para refutar o posicionamento consignado na decisão recorrida, de que o pagamento a maior do IRPJ foi integralmente alocado; havendo inconsistência, o mínimo que se espera é que haja margem para a aferição de qual é efetivamente o valor devido. É o que ocorreria, por exemplo, se o valor informado fosse superior ao valor recolhido. Nesta hipótese, a Receita Federal simplesmente notifica o contribuinte para que pague a diferença, ainda que o valor correto conste da DIPJ; não se pode aceitar dois pesos e duas medidas, em detrimento do Contribuinte. Não se pode conceber que a relação jurídica tributária sempre deve ser favorável ao Fisco, especialmente quando o Contribuinte procura corrigir erro no preenchimento da DCTF, dentro do prazo prescricional aplicável; a perdurar o entendimento constante da decisão ora atacada, seria possível concluir que a DIPJ não tem qualquer finalidade no bojo da apuração e fiscalização tributária, já que, no caso em tela, fora ela completamente desconsiderada para fins de verificação do crédito de IRPJ detido pela Requerente e objeto de compensação informada em DCOMP; Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10660.900506/200602 Acórdão n.º 9101004.143 CSRFT1 Fl. 12 11 ao analisar uma situação em que houve divergência entre DCTF e DIPJ, a Receita Federal concluiu pela prevalência dos dados informados nesta última declaração, conforme Acórdão n° 1412906, de 02 de junho de 2006, da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto – 5ª Turma; [...] Vêse que a contribuinte, desde a sua manifestação de inconformidade, informou que o valor correto do débito de maio/2003 era o que tinha sido declarado em DIPJ, e apresentou vários demonstrativos (memórias de cálculo) para comprovar isso. No entanto, a decisão de primeira instância administrativa, invocando norma que trata da definição de critérios temporais para a incidência de acréscimos legais sobre os créditos e os débitos que são objetos de compensação (momento do encontro de contas), simplesmente ignorou esse esforço probatório da contribuinte. A análise do indébito, pela Delegacia de Julgamento, ficou resumida ao momento em que foi apresentada a DCTFretificadora: [...] A empresa declarou em DCTF apresentada em 15/08/2003, débito relativo ao IRPJ do período de apuração 05/2003 no valor de R$ 874,41. Essa DCTF só foi retificada em 17/03/2008. Com fulcro no parágrafo 14°, do artigo 74 da Lei 9.430/1996, que prevê que "a Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação", foi emitida a Instrução Normativa SRF n° 210/2002, cujo artigo 28 estabelece que "na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 38 e 39 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação" (grifei). Tal Instrução Normativa foi revogada pela de n° 460/2004, que por sua vez foi revogada pela de n° 600/2005, que mantêm a mesma determinação também no artigo 28. Portanto não resta duvidas de que a compensação se dá na data da entrega (apresentação) da apresentação. Assim, temos que quando da apresentação da apresentação do PERDCOMP em análise o crédito não existia, já que o pagamento estava locado ao débito declarado pelo contribuinte. Portanto a compensação foi corretamente não homologada. Pelo exposto, voto pela improcedência da Manifestação de Inconformidade e pelo não reconhecimento do direito creditório. Na ótica da referida decisão, o PER/DCOMP sob exame estaria invariavelmente comprometido, independentemente de ter havido erro na DCTF originalmente apresentada, e foi esse o motivo pelo qual o acórdão recorrido, após tecer várias considerações sobre a dinâmica probatória nos processos de restituição/compensação, entendeu que a questão em torno do momento em que foi apresentada a DCTFretificadora não poderia ser suficiente para fundamentar a negativa em relação à compensação. Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10660.900506/200602 Acórdão n.º 9101004.143 CSRFT1 Fl. 13 12 Cabe registrar que a decisão de primeira instância que a PGFN transcreve em seu recurso especial não corresponde à destes autos. Cabe registrar também que os dois paradigmas apresentados, como indicam suas próprias ementas transcritas acima (e também os votos que orientaram essas decisões), admitem perfeitamente a possibilidade de comprovação de erro, ainda que a DCTFretificadora tenha sido apresentada depois do despacho decisório da Delegacia de origem, e nesse aspecto, inclusive, eles apresentam convergência (e não divergência) em relação ao acórdão recorrido. O que motivou a negativa da compensação naqueles casos foi que a contribuinte não apresentou nenhuma comprovação do alegado erro, para que se pudesse aceitar a declaração retificadora, situação bem distinta da destes autos, eis que aqui o esforço probatório da contribuinte foi simplesmente ignorado na fase inicial do processo, conforme já esclarecido acima. E quando o primeiro paradigma (Acórdão nº 120200.532) teceu comentários mais restritivos sobre a questão da aceitação de declaração retificadora, ele o fez num contexto bem diferente do tratado aqui. É que naquele caso havia um problema de alteração indireta do próprio direito creditório (inovação no PER/DCOMP), o que não poderia ser admitido. Mas no caso dos presentes autos, a controvérsia se dá apenas em torno de valores. Em nenhum momento se pretendeu modificar o crédito informado no PER/DCOMP (tributo, período de apuração, sujeito passivo, etc.). A contribuinte reivindicou direito creditório por pagamento a maior de IRPJ/Estimativa referente ao mês de maio/2003, e o acórdão recorrido se circunscreve exatamente a esse direito creditório. Não há paralelo entre as decisões para que se possa caracterizar a alegada divergência jurisprudencial. Os contextos distintos justificam perfeitamente as diferentes decisões. A falta de comprovação de divergência inviabiliza o processamento do recurso especial. Desse modo, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial da PGFN. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 152DF CARF MF
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