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Numero do processo: 15563.000199/2009-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
ASSUNTO: IMPOSTO SOME A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ- Ano-calendario: 2004
DECADÊNCIA, Não pode ser constituído o crédito tributário após cinco anos contados do faro gerador.
MULTA AGRAVADA. MOTIVAÇÃO. A majoração da multa para 225% tem que ser motivada no auto de infração. Se a autoridade lançadora não aponta os fatos que entende caracterizarem a fraude ou falta de esclarecimentos, deve ser afastado o agravamento da multa.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Se o contribuinte não comprova a origem das quantias creditadas em suas conta-corrente, quer durante a ação fiscal quer na defesa, confirma se a presunção legal de omissão de receitas.
CSLL. PIS. COFINS DECORRÊNCIA. Estendem-se aos lançamentos decorrentes as conclusões da decisão prolatada no lançamento principal.
Numero da decisão: 1401-001.160
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício e ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Assinado digitalmente
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente.
Assinado digitalmente
Maurício Pereira Faro - Relator.
Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmin Teixeira, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antônio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos.
Nome do relator: MAURICIO PEREIRA FARO
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MULTA AGRAVADA. MOTIVAÇÃO. A majoração da multa para 225% tem que ser motivada no auto de infração. Se a autoridade lançadora não aponta os fatos que entende caracterizarem a fraude ou falta de esclarecimentos, deve ser afastado o agravamento da multa. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Se o contribuinte não comprova a origem das quantias creditadas em suas contacorrente, quer durante a ação fiscal quer na defesa, confirma se a presunção legal de omissão de receitas. CSLL. PIS. COFINS DECORRÊNCIA. Estendemse aos lançamentos decorrentes as conclusões da decisão prolatada no lançamento principal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício e ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 00 01 99 /2 00 9- 14 Fl. 1236DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 04/03/201 5 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 15563.000199/200914 Acórdão n.º 1401001.160 S1C4T1 Fl. 3 2 Assinado digitalmente Jorge Celso Freire da Silva Presidente. Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro Relator. Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmin Teixeira, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antônio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos. Relatório Tratase de recurso interposto pelo contribuinte contra acórdão que julgou parcialmente procedente o auto de infração. Por bem resumir a questão ora examinada, adoto e transcrevo o relatório do órgão julgador a quo: “Tem origem o presente processo nos autos de infração de fls. 9371969, lavrados pela DRF Nova Iguaçu RJ, contra Cerealista ProLar Ltda, relativos aos anos calendário 2003 e 2004, para exigir o Imposto sobre a Renda da PessoaJurídica IRPJ no valor de R$ 1.150.103,81, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL no valor de R$ 529.269,67, a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins no valor de R$ 1.470.193,54 e a Contribuição para o Programa de Integração Social PIS no valor de R$ 318.541,87, todos acrescidos da multa proporcional de 225%, prevista no O artigo 44, inciso II e parágrafo 2 11 , da Lei n° 9.430196, e de juros de mora. Conforme consta dos autos de infração e do Termo de Constatação Fiscal de fls. 9341936, foram constatados depósitos nas contas bancárias mantidas pelo autuado em quatro bancos, embora, no período, ele só tenha apresentado declaração (DIPJ), de extinção, referente aos três primeiros trimestres de 2003. Intimado a comprovar o registro dos depósitos em sua contabilidade, a informar a origem do numerário e a apresentar os documentos comprobatórios das correspondentes operações, o autuado não respondeu. Também foi intimado a apresentar os livros razão e diário, mas não atendeu. Assim sendo, a fiscalização considerou os valores depositados receita omitida, após abater as transferências interbancárias, empréstimos, resgates de aplicações, devoluções de cheques e outros créditos que não representavam ingresso de receitas. Tendo em vista a falta de apresentação Fl. 1237DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 04/03/201 5 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 15563.000199/200914 Acórdão n.º 1401001.160 S1C4T1 Fl. 4 3 de qualquer livro comercial ou fiscal e correspondente documentação comprobatória, a fiscalização arbitrou o lucro do autuado, com base no artigo 530, inciso Ill, do RIR/99 (REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA, APROVADO PELO DECRETO N ° 3.000199). A fiscalização informou, ainda, que foi aplicada a multa de ofício de 225%, nos termos do artigo 44 da Lei n° 9.430196. Cientificado das autuações em 17.06.2009 (fls. 9701971), o autuado apresentou, em 15.07.2009, a impugnação de fls. 98511006, alegando, em síntese: a) Que a fiscalização fez o lançamento em 12.06.2009, passados mais de cinco anos dos fatos, o que configura prescrição do crédito tributário, conforme artigo 174 do Código Tributário Nacional; b) Após dissertar sobre os requisitos dos atos administrativos e dos lançamentos tributários de abordar preceitos contidos no Código Tributário Nacional (CTN) e de mencionar opiniões de doutrinadores sobre os temas, afirmou que o lançamento em questão foi efetuado mesmo com as prescrições acima; c) Discorreu sobre exigências constantes do PAF (Decreto 70.235172), sobre questões de direito de defesa e sobre a prova, citou doutrina e jurisprudência a respeito, e, em seguida, disse que, nessas condições, cabe à autoridade julgadora declarar a nulidade do presente lançamento; d) Reproduziu artigo publicado em revista, sobre os atos administrativos, seus atributose sua classificação; e) Que a fiscalização não evidenciou a natureza dos valores lançados, nem obedeceu aos princípios contábeis, no que tange ao reconhecimento de receitas; f) Abordou a questão dos indícios, presunções e presunções legais, e, após, argumentou que, mesmo depois do advento do artigo 42 da Lei 9.430196, o Fisco não pode se afastar da verdade material nem do respeito aos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade e publicidade; g) Que a imposição foi unilateralmente efetuada, sem a essencial prova do acréscimo patrimonial ou de sua origem; h) Que contesta essa tributação (sobre os depósitos bancários), pois o Termo de Verificação não foi preenchido com base na legislação aplicável, como determina o PAF e o CTN; e i) Invoca, ainda os princípios da tipicidade e da segurança jurídica e reclama que a fiscalização optou pelo caminho mais curto, imputando O todo o valor creditado em suas contas bancárias, embora nem todo recebimento seja receita;” Em face de tais argumentos, pelo voto de qualidade, os membros da 6ª Turma de Julgamento da DRF/RJ1 Nova Iguaçu julgaram procedente o lançamento em parte, nos termos do voto condutor, para REDUZIR as exigências de IRPJ para R$ 431.537,87, de CSLL para R$ 200.515,00, de PIS para R$ 58.658,78 e de Cofins para R$ 270.732,97, bem como para REDUZIR as multas aplicadas para 75%, nos seguintes termos: Fl. 1238DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 04/03/201 5 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 15563.000199/200914 Acórdão n.º 1401001.160 S1C4T1 Fl. 5 4 ASSUNTO: IMPOSTO SOME A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendario: 2004 DECADÊNCIA, Não pode ser constituído o crédito tributário após cinco anos contados do faro gerador. MULTA AGRAVADA. MOTIVAÇAO. A majoração da multa para 225% tem que ser motivada no auto de infração. Se a autoridade lançadora não aponta os fatos que entende caracterizarem a fraude ou falta de esclarecimentos, deve ser afastado o agravamento da multa. OMISSAO DE RECEITAS. DEPOSITOS BANCARIOS. Se o contribuinte não comprova a origem das quantias creditadas em suas contacorrentes, quer durante a ação fiscal quer na defesa, confirma se a presunção legal de omissão de receitas. CSLL. PIS . COFINS. DECORRENCIA. Es tendemse aos lançamentos decorrentes as conclusões da decisão prolatada no lançamento principal. Impugnação Procedente Crédito Mantido em Parte Em face do referido acórdão de Primeira Instância, foi interposto Recurso de Ofício, bem como Recurso Voluntario pela a CEREALISTA PROLAR LTDA. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Maurício Pereira Faro O presente Recurso Voluntário é tempestivo, motivo pelo qual dele conheço. Conforme descrito no relatório, tratase, na origem, de Auto de Infração para cobrança de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ – no valor de R$ 1.150.103,81, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL no valor de R$ 529.269,67, a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins no valor de R$ 1.470.193,54 e a Contribuição para o Programa de Integração Social PIS no valor de R$ 318.541,87, todos acrescidos da multa proporcional de 225%, prevista no O artigo 44, inciso II e parágrafo 211 , da Lei n° 9.430/96, e de juros de mora. Em decorrência do julgamento parcialmente procedente da Impugnação apresentada pelo contribuinte, este recorre quanto aos valores mantidos, bem como se insurge contra a aplicação do artigo 42 da Lei 9430/96, a impossibilidade da aplicação e da existência da presunção legal ali constante, da inaplicabilidade de multa no patamar de 75%, e a impossibilidade de aplicação de juros sobre a multa. Por outro lado, recorre a DRJ de ofício quanto ao crédito tributário exonerado. Fl. 1239DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 04/03/201 5 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 15563.000199/200914 Acórdão n.º 1401001.160 S1C4T1 Fl. 6 5 Do Recurso de Ofício e do Recurso Voluntário Da Majoração da Multa A multa aplicada sobre os tributos exigidos foi majorada de seu percentual básico, que é de 75%, para 225 %. Segundo o artigo 44 da Lei 9.430196, fundamento dá multa, o percentual é duplicado nos casos previstos nos artigos. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64 (sonegação, fraude ou conluio) e é aumentado de metade nos casos de o contribuinte não atender a Intimação para prestar esclarecimentos. Contudo, para a Fiscalização aplicar a multa qualificada e majorada, há que restar provado, ao menos, a existência da sonegação ou da fraude. Tanto a fraude quanto a sonegação correspondem, segundo os art. 71 e 72, da Lei n° 4.502/64, a atos comissivos ou omissivos que visem impedir ou retardar a constituição do crédito tributário ou a sua satisfação. Depreendese, ainda, da leitura dos dispositivos acima transcritos que, para aplicar a multa qualificada, é necessário observar a existência do elemento subjetivo — dolo — para caracterizar o intuito (dolo direto), ou o risco assumido (dolo indireto), de fraudar ou de sonegar. Ocorre que, para aplicar a multa mais gravosa, é preciso que a autoridade lançadora justifique a majoração, apontando e demonstrando os fatos que, em seu entendimento, caracterizariam as hipóteses estabelecidas pela lei. No entanto, o Termo de Constatação de fls. 934/936 e os autos de infração não trouxeram tal explicação. O único trecho que se refere à multa aplicada diz exatamente: "Foi aplicada a multa de ofício de 225% (duzentos e vinte e cinco por cento), nos termos do art. 44, da Lei n° 9.430 de 27/12/1996, combinado com o art. 14 da Lei n°11488 de 15/06/2007". Tal omissão, que fere o princípio da tipicidade e restringe o direito de defesa, forçame a afastar a elevação da multa, para deixala em seu percentual básico, que é de 75%. Isso porque, para que ocorra a fraude definida pelo artigo 72 da Lei n.º 4.502/64 como “toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento” é necessário demonstrar não que o contribuinte teve a intenção de pagar menos imposto, mas que ele teve a intenção de empregar meios ilícitos, “fraudulentos”, para obter a economia fiscal desejada. É o que se depreende, inclusive, da leitura de dispositivos da Lei n.º 8.137/90, que define os crimes contra a ordem tributária, nos seguintes termos: “Artigo 1° Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: (...) II FRAUDAR a fiscalização tributária, INSERINDO ELEMENTOS INEXATOS, OU OMITINDO OPERAÇÃO DE Fl. 1240DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 04/03/201 5 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 15563.000199/200914 Acórdão n.º 1401001.160 S1C4T1 Fl. 7 6 QUALQUER NATUREZA, EM DOCUMENTO OU LIVRO EXIGIDO PELA LEI FISCAL; (...).” “Artigo 2° Constitui crime da mesma natureza: I FAZER DECLARAÇÃO FALSA OU OMITIR DECLARAÇÃO SOBRE RENDAS, BENS OU FATOS, OU EMPREGAR OUTRA FRAUDE, para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo; (...)” (não destacados no original). Como se percebe pela simples leitura do inciso II do artigo 1º da Lei n.º 8.137/90, fraudar a fiscalização tributária significa inserir elementos inexatos ou omitir operação de qualquer natureza em documento ou livro exigido pela lei fiscal. Da mesma forma, o inciso I do artigo 2º desta lei deixa bem claro que o núcleo do tipo correspondente à fraude fiscal é a falsidade. Ora, se a fraude pressupõe a apresentação pelo sujeito passivo de elementos falsos ou a omissão de ato sobre o qual a administração tributária deveria ter ciência, é certo que a autoridade autuante, para impor a multa qualificada, deve apontar com toda a precisão os elementos que demonstrem a fraude. Nesse sentido, é pacífica a Jurisprudência administrativa, que reserva a aplicação da multa qualificada de apenas para casos em que haja a tentativa de enganar, esconder, iludir, como, por exemplo: emissão de “notas calçadas” (Ac. 1052.984); conta bancária fictícia (Ac. 10312.178); escrituração pública por valor menor do efetivamente praticado (Ac. 1063.408/91); apresentação de documentos falsos (Ac. 10318.019); falsidade ideológica (Ac. CSRF/010.351); utilização de notas emitidas por empresa inexistente (Ac. 107233); reiterado oferecimento à tributação de parcela ínfima dos rendimentos (Ac. 101 94.111); subfaturamento (Ac. 1076.041); efetuação de aplicação financeira em nome de pessoa interposta, praticando omissão de receitas (Ac. 10807539); operações de compra e venda de títulos inexistentes para comprovação de origem de depósitos bancários (Ac. 103 22457); uso reiterado de documentos falsos referentes à empresa inexistente (Ac. 10704255); saída de recursos da empresa para terceiros distintos daqueles indicados na escrituração (Ac. 10515267). Em sentido parecido, este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já editou Súmula quanto à qualificação da multa de ofício, ainda que naquele caso seja referente à omissão de receita, e no presente caso verse sobre glosa de despesas, o que importa é a questão da presunção: Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Assim, entendo que não merece reparo esta parte da decisão que desqualificou a multa, devendo ser negado provimento a esta parte do Recurso de Ofício. Fl. 1241DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 04/03/201 5 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 15563.000199/200914 Acórdão n.º 1401001.160 S1C4T1 Fl. 8 7 Da Decadência Tendo em vista cuidarse de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, e considerando que foi afastada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo para a constituição do crédito tributário é de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, consoante o artigo 150 do Código tributário Nacional, conforme restou acertadamente decidido no acordão recorrido, vejamos o dispositivo: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Como, no presente caso, a ciência dos lançamentos aconteceu em 17 06 2009, devem ser afastadas as exigências de IRPJ e CSLL relativas ao 4º trimestre de 2003 e ao 1º trimestre de 2004 e as de PIS e Cofins, relativas aos meses de outubro de2003 a maio de 2004, conforme acertadamente foi feito na decisão de recorrida. Contudo, no período seguinte, não há que se falar em decadência como quer crer o contribuinte, motivo pelo qual nego provimento ao Recurso de Ofício quanto a este para manter a parte da decadência já reconhecida, como também nego provimento a esta parte do Recurso Voluntário no que tange a alegação de decadência do período subsequente. Do Mérito e da Pericia Contábil Alegada pelo Contribuinte – Não comprovação da Origem dos depósitos bancários. Logo no início de seu recurso, o contribuinte alega que é visível a entrada de recurso, contudo o mesmo afirma que não tem como comprovar se as origens foram somente a titulo de faturamento, ocasião em que alega que a pericia contábil pode evidenciar nos extratos bancários o conteúdo de todo o material para a devida comprovação sobre a determinação correta do faturamento a t´titulo de tributação e do devido tributo. Contudo, tal afirmativa do contribuinte, é totalmente inócua, tendo em vista que nos autos do processo este não logrou êxito em juntar documentação que comprovasse a origem dos credito bancários bem como a documentação fiscal contábil, sendo certo que não há que se falar em pericia, ante a falta de documentação a ser analisada. Vejase o que determina a legislação pertinente à omissão de receita calcada em depósitos bancários, qual seja a lei 9430/96: Fl. 1242DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 04/03/201 5 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 15563.000199/200914 Acórdão n.º 1401001.160 S1C4T1 Fl. 9 8 Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § Io O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. (...) I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; Sobre a presunção legal de omissão de receitas, é oportuno um rápido histórico da legislação vigente sobre a tributação de depósitos bancários, a fim de aclarar a evolução do ordenamento jurídico que regeu, e rege, a matéria tributária objeto do presente lançamento. A Lei n° 8.021, de 14 de abril de 1990, determinou o seguinte: "Art. 6.°. O lançamento de oficio, além dos casos já especificados em lei, farseá arbitrandose os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. (•••) §5.°. O arbitramento poderá ainda ser efetuado com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. (Grifouse.) " À vista de tais regras, temse que os rendimentos omitidos poderiam ser arbitrados com base nos sinais exteriores de riqueza, caracterizados por gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte; a omissão poderia, ainda, ser presumida no valor dos depósitos bancários injustificados, desde que apurados os citados dispêndios e que este fosse o critério de arbitramento mais benéfico ao contribuinte. A partir de 1997, entretanto, o assunto em tela passou a ser disciplinado de forma diferente do previsto na Lei n.° 8.021, del990: foi promulgada a já transcrita Lei n.° 9.430, de 1996, que no art. 42, e 88, XVIII, com a alteração do art. 4 o da Lei n° 9.481, de 13 de agosto de 1997, que, conforme art. 150, III da Constituição Federal de 05 de outubro de 1988 CF, de 1988 c/c o art. 105 do CTN, aplicase aos fatos geradores futuros ou pendentes ocorridos a partir de 01/01/1997, e que revogou a o §5.° do art. 6.° da Lei n.° 8.021, de 12 de abril de 1990. Dessa forma, o legislador estabeleceu, a partir da referida data, uma presunção legal de omissão de rendimentos; não logrando o titular comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, temse a autorização para considerar ocorrido o fato gerador, ou seja, para presumir que os recursos depositados traduzem rendimentos do Fl. 1243DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 04/03/201 5 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 15563.000199/200914 Acórdão n.º 1401001.160 S1C4T1 Fl. 10 9 contribuinte; há a inversão do ônus da prova, característica das presunções legais o contribuinte é quem deve demonstrar que o numerário creditado não é renda tributável. Assim, o legislador substituiu uma presunção por outra, as duas relativas ao lançamento do rendimento omitido com base nos depósitos bancários, porém diversas nas condições para sua aplicação: a da Lei n° 8.021, de 1990, condicionavase à falta de comprovação da origem dos recursos à demonstração dos sinais exteriores de riqueza e que fosse este o critério mais benéfico ao contribuinte; já a presunção da Lei n° 9.430, de 1996, está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos depositados em nome do fiscalizado, em instituições financeiras. Via de regra, a autoridade deve estar munida de provas para alegar a ocorrência do fato gerador; contudo, nas situações em que a lei presume a ocorrência do fato gerador as chamadas presunções legais – como no caso em tela, a produção de tais provas é dispensada, e cabe ao contribuinte apresentar provas que elidam a presunção de omissão resultante. Nessa linha, as presunções legais são as estabelecidas por lei, que determina o princípio em virtude do qual se tem como provado o fato, pela dedução tirada de outro fato, ou de um direito, por outro direito. As presunções legais dividemse em absolutas ou presunções júris et jure e em relativas, condicionais ou presunções júris tantum. As presunções absolutas são as que, por expressa determinação da lei, não admitem prova em contrário nem impugnação; os fatos ou atos que por elas se deduzem, são tidos como provados, consequentemente como verdadeiros, ainda que se tente demonstrar o contrário. As presunções relativas são estabelecidas em lei, não em caráter absoluto ou como verdade indestrutível, mas em caráter relativo, que podem ser destruídas por uma prova em contrário, ou seja, valem enquanto prova em contrário não vem desfazêlas ou mostrar sua falsidade. Tal como as absolutas, as presunções relativas não se confundem com os indícios, porquanto estes podem, em certas circunstâncias, merecer fé, desde que acompanhados de elementos subsidiários que os tornem de valor indiscutível, enquanto aquelas são geradas do preceito ou da regra legalmente estabelecida. No caso em análise, verificase não se tratar de simples indício de omissão de receitas, porquanto havendo uma presunção legal relativa, fica invertido o ônus da prova, cabendo à contribuinte a produção da prova de que não teria ocorrido a omissão de receitas. Logo, tratandose de presunção júris tantum, ou seja, está prevista em lei, mas admite prova em contrário, caberia à interessada comprovar a sua improcedência, mediante provas que apresentasse. Assim, tratando o caso em tela de presunção legal relativa, fica invertido o ônus da prova, pois a autoridade administrativa fica dispensada de provar que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico sujeito à incidência do imposto de renda; nesse caso, cabe à contribuinte a produção da prova de que o fato presumido não existe, ou seja, de que não teria ocorrido a omissão de receitas apontada pela fiscalização com base nos depósitos bancários de origem não comprovada. Fl. 1244DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 04/03/201 5 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 15563.000199/200914 Acórdão n.º 1401001.160 S1C4T1 Fl. 11 10 Dessa forma, com o Recorrente não trouxe nenhuma forma nova que comprovase a origens dos depósitos bancários, não merecer reforma a decisão de primeira instancia, ainda menos o pedido de pericia requerido em segunda instancia tendo em vista que este não possuem fundamentos suficientes, e que a mesma não seria de auxilio nenhum ao presente caso. Da aplicação da Multa de Ofício no Patamar de 75% Insurgese também o contribuinte no que tange a aplicação da multa de ofício no patamar de 75%, por ser esta, supostamente, exorbitante confiscatória. Contudo, tal irresignação não merece acolhimento tendo em vista que o artigo 44 da Lei 9430/6 é expresso ao prever a aplicação da multa de 75%, vejamos: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: 1 de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; A multa de ofício calculada sobre o valor do imposto cuja falta de recolhimento se apurou, está em consonância com a legislação de regência, sendo o percentual de 75% o legalmente previsto para o lançamento de ofício, não se podendo, em âmbito administrativo, reduzilo ou alterálo por critérios meramente subjetivos, contrários ao princípio da legalidade. Considerações sobre a graduação da penalidade, no caso, não se encontram sob adiscricionariedade da autoridade administrativa, uma vez definida objetivamente pela lei, não dando margem a conjecturas atinentes à ocorrência dc efeito confiscatório ou de ofensa ao princípio da proporcionalidade. Nesse sentido, qualquer pedido ou alegação que ultrapasse a análise de conformidade do ato administrativo de lançamento com as normas legais vigentes, em franca ofensa à vinculação a que se encontra submetida a instância administrativa (art. 142, parágrafo único, do CTN), como a contraposição a princípios constitucionais, somente podem ser reconhecidos pela via competente, o Poder Judiciário. Desse modo, devese considerar correta a aplicação da multa de lançamento de ofício ao percentual de 75%, definido em lei, sobre o valor de impostos não recolhidos, sendo que no presente caso a referida multa foi reduzida conforme constou da decisão de primeira instancia. Dos Juros de Mora Alega o Recorrente pela impossibilidade da aplicação da TAXA SELIC no presente, contudo a presente divergência já foi afastada há tempos por este Egrégio Conselho, sendo certo e correta a aplicação da taxa Selic para aplicação dos juros. Fl. 1245DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 04/03/201 5 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 15563.000199/200914 Acórdão n.º 1401001.160 S1C4T1 Fl. 12 11 Ante o exposto, voto para negar provimento ao Recurso de Ofício, bem como para negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendose, por conseguinte, parte do lançamento no que tange a não comprovação dos depósitos bancários. É como voto. Maurício Pereira Faro Relator Fl. 1246DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 04/03/201 5 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO
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Numero do processo: 10831.720001/2011-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 28 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1302-000.370
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(documento assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Júnior Presidente
(documento assinado digitalmente)
Hélio Eduardo de Paiva Araújo Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Júnior. Ausente o Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
Nome do relator: Não se aplica
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COM. LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (documento assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Júnior – Presidente (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Júnior. Ausente o Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 31 .7 20 00 1/ 20 11 -1 4 Fl. 602DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 10831.720001/201114 Resolução nº 1302000.370 S1C3T2 Fl. 603 2 MAGNETI MARELLI SISTEMAS AUTOMOTIVOS IND. COM. LTDA., já qualificada nos autos, recorre da decisão proferida pela 2a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (SP) DRJ/SP2, que, por unanimidade de votos, considerou improcedente a manifestação de inconformidade mantendo o crédito tributário exigido. Consta da decisão recorrida o seguinte relato, do qual, apesar de sucinto, ora me valho: Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário referente às multas por apresentação de arquivos digitais com inobservância do prazo e da forma estabelecidos pela legislação de regência. Segundo relato da fiscalização, a interessada foi devidamente intimada, em 22/10/2010, a apresentar os arquivos digitais de que trata a IN SRF 86/2001, especificados no Termo de Intimação Fiscal nº 01 (fls 10 e 11), na forma estabelecida pelo Ato Declaratório Executivo COFIS nº 15/2001, no prazo de 20 (vinte) dias, com vencimento em 15/11/2010. Em 12/11/2010, a empresa requereu prorrogação do prazo por mais 30 (trinta) dias (fls 14 a 19), aceita tacitamente pelo fisco, cujo novo vencimento se deu em 13/12/2010. Em 14/12/2010, a contribuinte apresentou parcialmente os arquivos requeridos, sendo outros entregues, em 11/01/2011. Em 21/01/2011, foi solicitada nova prorrogação de prazo ate o dia 28/01/2011, a qual foi indeferida e cientificada à empresa em 27/01/2011, por via postal. Na mesa data, a interessada apresentou os arquivos digitais faltantes. A fiscalização concluiu, assim, que a contribuinte incorreu num atraso de 45 (quarenta e cinco) dias para a entrega dos arquivos solicitados, contados a partir de 13/12/2010 (data prorrogada do vencimento) ate 27/01/2011 (data da entrega final). Em conseqüência, aplicou a multa prevista no art. 12, inciso III, da Lei 8.218/91, equivalente a dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica, no período de 2007 a 2010, perfazendo um total de R$ 13.437.281,08. De outro lado, a análise dos arquivos digitais entregues em 27/01/2011 revelou que os mesmo não predicavam observância à forma prescrita pelo ADE COFIS nº 15/2001. Por esse motivo, foi aplicada a multa prevista no art. 12, inciso I da Lei 8.218/91, equivalente a meio por cento do valor da receita bruta, no período de 2007 a 2010, perfazendo um total de R$ 7.465.156,16. Cientificada do lançamento em 08/04/2011 (fl. 430), a contribuinte apresentou impugnação em 05/05/2011, juntada às fls. 453 e seguintes, alegando em síntese que: (a) em 22.10.2010, foi notificada do "Termo de Intimação Fiscal nº 01" para apresentar, em 20 (vinte) dias, documentos digitais relativos ao período de 2007 a 2010. Em 12.11.2010, requereu, por meio de petição escrita, a prorrogação da vintena inicialmente concedida, (...) por mais 30 (trinta) dias, tendo em vista a necessidade de (...) gerar e processar grande volume de dados a partir do seu sistema e o período solicitado 2007 a 2010". Ou seja, pugnou pela extensão do prazo até o dia 15.12.2010 (trinta dias contados do termo ad quem do primeiro prazo, qual seja, 5.11.2010). Em Fl. 603DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 10831.720001/201114 Resolução nº 1302000.370 S1C3T2 Fl. 604 3 14.12.2010 antes, portanto, do término do prazo estendido entregou mídia em DVD contendo os documentos solicitados pela Fiscalização. Em 05.01.2011, a autoridade fiscal autuante entra em contato com a Impugnante, via telefone, a fim de lhe comunicar que os arquivos 4.5.1 ("Arquivos de Controle de Estoques"), 4.5.2 ("Arquivo de Registro de Inventário") e 4.6.1 ("Arquivo de Insumos Relacionados") não se encontravam presentes na mídia anteriormente entregue. A impugnante admite o equívoco e solicita nova dilação de prazo para corrigilo. O AFRFB diz que aguardará os documentos faltantes até o dia 11.01.2011. Na data aprazada, protocola petição para (i) registrar os contatos telefônicos antecedentes, (ii) admitir o lapso ao gerar os arquivos magnéticos entregues no dia 14.12.2010 e, finalmente, (iii) apresentar os documentos digitais faltantes. Nessa ocasião, a Impugnante acaba por se equivocar, deixando de entregar, com a nova mídia, o arquivo 4.6.1. ("Arquivo de Insumos Relacionados"). Em 17.01.2011, o AFRFB contata a Impugnante, novamente por telefone, para lhe noticiar o engano cometido. Esta, por seu turno, informa àquele que os arquivos já estavam sendo gerados e, como tal processo ainda tomaria certo tempo, questionao sobre a necessidade de pleitear nova extensão de prazo. Mais uma vez, o agente fiscal reputa desnecessária a formalidade e observa que aguardará até o dia 21.01.2011. Nesta data, desta vez por petição escrita, a impugnante relata que tem se deparado com várias dificuldades operacionais para confeccionar o arquivo restante, carecendo de prazo até o dia 28.01.2011. Informa, ainda, que os outros arquivos foram enviados com omissões, e pede permissão para corrigilas até o mesmo dia 28.01.2011. Em 27.01.2011, a Impugnante entrega, em mídia DVD, todos os documentos digitais faltantes, que são aceitos pelo AFRFB. Nessa mesma data, entretanto, é cientificada, ao final do dia, do "Termo de Intimação Fiscal nº 02", pelo qual é comunicada do indeferimento da prorrogação de prazo requerida no dia 21.01.2011. Finalmente, em 06.04.2011, é notificada da lavratura do presente Auto de Infração; (b) preliminarmente, requer a nulidade do auto de infração por descumprimento do dever de moralidade da atuação estatal administrativa, vez que a autoridade fiscal, em que pese tenha se mostrado serena e compreensiva, durante boa parte do procedimento fiscalizatório, ao final, menos de uma semana para o dia em que a impugnante prometeu entregar o restante dos arquivos digitais, optou por indeferir o pedido de prorrogação realizado em 21/01/2011. Além disso, recebeu normalmente os arquivos entregues em 27/01/2011, sem sequer comunicar verbalmente à impugnante sobre o indeferimento do pedido de prorrogação do prazo. E, mesmo diante do inegável desejo da impugnante de atender às exigências fiscais, optou por não lhe permitir a retificação dos erros de mera forma, procedendo à autuação combatida; (c) cita jurisprudência administrativa com o intuito de caracterizar a falta de lealdade e transparência do comportamento fiscal; (d) no mérito, pleiteia o cancelamento da multa por atraso, em virtude da ausência de entrega intempestiva, posto que a autuação da Inspetoria Paulista, durante todo o processo fiscalizatório, deuse como se o prazo para a apresentação dos arquivos digitais estivesse em aberto. E a prova maior disso é ter recebido os últimos arquivos sem nada se manifestar ou dizer. Logo, sob pena de uma ilegítima frustração da confiança da Impugnante, ofensa à regra da moralidade e à norma maior da segurança jurídica, a entrega final dos documentos, levada a efeito em 27/01/2011, há de ser considerada tempestiva; (e) caso não se entenda desta forma, o que é admissível apenas em caráter argumentativo, ainda assim a "multa por atraso" haverá de ser anulada parcialmente. É que, na eventualidade de se considerar válida a decisão indeferindo o segundo pedido de prorrogação, esta não poderá estender seus efeitos para período anterior ao dia 21/01/2011, data em que tal pedido foi apresentado. Isto porque o fisco nada disse sobre Fl. 604DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 10831.720001/201114 Resolução nº 1302000.370 S1C3T2 Fl. 605 4 o interregno antecedente até o dia do indeferimento, devendo se considerar que o prazo para apresentação dos arquivos digitais transcorreu, em aberto, até o mencionado dia 21. Terseà, destarte, atraso de apenas 06 (seis) dias, devendo ser a penalidade em apreço, por esse motivo, calculada em 0,12% (0,02% x 6) da receita bruta da Impugnante nos exercícios autuados; (f) ad argumentandum tantum, deveria o auditor fiscal, por se tratar de fiscalização aduaneira, ter aplicado a multa de R$ 5.000,00 prevista no artigo 728, alínea "c" do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 6.759/09), já que capitula a infração de não atendimento no prazo estipulado em intimação, inobstante a inexistência de qualquer conduta da Impugnante no sentido de embaraçar, dificultar, ou impedir a fiscalização; (g) o "Termo de Intimação Fiscal nº 02", por não trazer quaisquer justificativas para o indeferimento do segundo pedido formal de dilação de prazo, não preenche um dos requisitos de validade do ato de motivação, pelo que deve ser considerado nulo, com o consequente cancelamento da multa por atraso; (h) devese observar necessariamente a jurisprudência administrativa, segunda a qual a multa relativa ao erro na forma de apresentação dos arquivos digitais, somente se legitima se os equívocos impossibilitarem o acesso às informações prestadas, inexistindo justificativa para a imposição da penalidade, salvo se, antes do sancionamente, houver sido oportunizada ao contribuinte a possibilidade de correção das eventuais e supostas falhas. Como referidas hipóteses não estão presentes no caso sob análise, impõese o cancelamento da multa aplicada; (i) a jurisprudência do antigo CCMF fixou ainda outra condição para esse sancionamento. Por esse terceiro requisito, as três penalidade do art. 12 da Lei nº 8.218/91 devem, em sua imposição concreta, situações absurdas, nas quais for claramente perceptível a desproporção entre a conduta delituosa e a pena aplicada, esta haverá de ser afastada, como é o caso dos autos; (j) esse cancelamento, como muito bem observado pelo tribunal administrativo, não significa reputar inconstitucionais os incisos do citado art. 12, o que lhe seria vedado fazer. Quando essas penalidades são anuladas, com arrimo na regra da proporcionalidade, o que se anula é a sua incidência concreta, não a sua forma abstrata, que permanece passível de materialização (subsunção); (k) considerando que as informações requestadas pela ALF de Viracopos foram todas prestadas tornando possível, assim, a fiscalização da regularidade do "benefício fiscal do regime automotivo" um suposto atraso (inexistente, como se viu) e alguns poucos erros de forma (que, conforme também demonstrado, não legitimam a aplicação da multa do inciso I), não justificam a imposição desproporcional de multa total de quase R$ 21.000.000,00, punindo infrações meramente formais que sequer geraram prejuízos ao Erário; (l) requer, assim, a nulidade do auto de infração em preliminar e, no mérito, o cancelamento das penalidades aplicadas. Caso os pedidos anteriores não sejam acatados, requer o recálculo da multa por atraso para considerar apenas 06 (seis) dias de atraso ou sua substituição pela multa de R$ 5.000,00, prevista no art. 728 do Regulamento Aduaneiro. A ora Recorrente, devidamente cientificada do acórdão recorrido, apresenta recurso voluntário tempestivo, onde repisa os argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade, para ao final requerer o que se segue: Fl. 605DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 10831.720001/201114 Resolução nº 1302000.370 S1C3T2 Fl. 606 5 (a) preliminarmente, declarar a nulidade do Auto de Infração; (b) no mérito, cancelar as penalidades que foram aplicadas com base nos arts. 11 e 12, I e III, da Lei n° 8.218/91; (c) em caráter argumentativo, caso os pedidos anteriores não sejam acatados, o recalculo da "multa por atraso" (art. 12, III da Lei 8.218/91), para considerar somente 06 (seis) dias de atraso ou sua substituição pela multa de R$ 5.000,00, prevista no art. 72 do Regulamento Aduaneiro. Em se tratando de recurso voluntário tempestivo, o mesmo fora devidamente distribuído à 3ª Seção de Julgamento deste Colegiado. Em sessão de julgamento de 25/02/2014, a 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara, (Acórdão n° 3101001.571), não conheceu o presente recurso por entender que aquela Seção não era competente para apreciar tal matéria. Tendo sido declinado a competência para esta 1ª Seção, o processo foi a mim distribuído. É o relatório. Fl. 606DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 10831.720001/201114 Resolução nº 1302000.370 S1C3T2 Fl. 607 6 Voto Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo (fls. 190) e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Contudo, entendo que o processo não preenche todos os requisitos para que possa ser efetivamente julgado nesta sessão. Tratase de procedimento fiscal que teve como objetivo efetuar a coleta de informações para subsidiar pesquisa fiscal aduaneira e efetuar levantamentos preliminares sobre o benefício fiscal do regime automotivo. O “regime automotivo” consiste, basicamente, no benefício fiscal de redução de imposto de importação (40%) na importação de partes, peças, componentes, conjuntos e subconjuntos, acabados e semiacabados, e pneumáticos destinadas aos processos produtivos das empresas montadoras e dos fabricantes de: I – veículos leves: automóveis e comerciais leves; II – ônibus; III – caminhões; IV – reboques e semireboques; V – chassis com motor; VI – carrocerias; VII – tratores rodoviários para semireboques; VIII – tratores agrícolas e colheitadeiras; IX – máquinas rodoviárias; e X – autopeças, componentes, conjuntos e subconjuntos necessários à produção dos veículos listados nos incisos I a IX, incluídos os destinados ao mercado de reposição. A legislação aplicável ao regime automotivo é a MP. nº 1.93933/ 2000 (inicial), MP nº 206837/ 2001 (convertida em Lei), Lei nº 10.182, de 12 de fevereiro de 2001 e a MP n.º 497/2010. A recorrente realizou diversas importações ao amparo do “regime automotivo” nos anos de 2007 a 2010. Assim sendo, a análise fiscal da boa aplicabilidade deste regime e a respectiva renúncia fiscal depende fundamentalmente do exame dos processos produtivos da empresa e da destinação das mercadorias importadas. Neste contexto, é de vital importância a obtenção das informações relativas às operações de entrada, saída, estoques, produção, inventário, relação insumo/produto, etc., dados estes que estão sob a guarda e responsabilidade da beneficiária. Fl. 607DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 10831.720001/201114 Resolução nº 1302000.370 S1C3T2 Fl. 608 7 Visto isto, questão que se coloca é se é legítima a imposição de uma multa, em valor exorbitante, digase de passagem, em processo que almejava aferir a regularidade de gozo do benefício fiscal instituído para a indústria automotiva quando o referido benefício se quer fora questionado. É de se observar que a multa relativa ao erro na forma de apresentação dos arquivos digitais, prevista no inciso I do artigo 12 da Lei nº 8.218/91, somente se legitima se os equívocos impossibilitarem o acesso às informações prestadas, inexistindo justificativa para a imposição da penalidade, salvo se, antes do sancionamento, houver sido oportunizada ao contribuinte a possibilidade de correção das eventuais e supostas falhas. Ainda que assim não fosse, entendo que seria de extrema importância avaliar se houve a autuação do objeto principal da fiscalização, qual seja, devese observar se houve o lançamento de ofício do imposto de importação. Assim, com base no acima exposto proponho que seja o julgamento convertido em diligência a fim de que se manifeste sobre a fiscalização em questão, ou seja, se houve o lançamento de ofício do Imposto de Importação. Em caso afirmativo, que seja juntado a estes autos cópia do referido Auto de Infração bem como do Termo de Verificação Fiscal. Por fim, que se manifesta a autoridade preparadora sobre qualquer outra informação que julgue relevante para o adequado deslinde deste processo administrativo. Sala de Sessões, 25 de março de 2015. (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo Relator Fl. 608DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO
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Numero do processo: 10283.902811/2009-18
Data da sessão: Wed Aug 31 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 3302-000.165
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Vencido o Conselheiro Gileno Gurjão Barreto, relator. Designado o Conselheiro Alexandre Gomes para redigir o voto
vencedor.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Vencido o Conselheiro Gileno Gurjão Barreto, relator. Designado o Conselheiro Alexandre Gomes para redigir o voto vencedor. WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente (assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO – Relator (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES – Redator Designado (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. RELATÓRIO Tratase de declaração de compensação transmitida em 31/03/2006 pela contribuinte acima identificada, na qual indicou o crédito de R$ 14.961,08, resultante de Fl. 151DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digita lmente em 14/06/2012 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10283.902811/200918 Resolução n.º 330200.165 S3C3T2 Fl. 152 2 pagamento indevido ou a maior originário de DARF relativo à receita de código 6912, do período de apuração de 04/2005, no valor originário de R$ 41.004,74. A Delegacia de origem, em análise datada de 25.03.2009 (fl. 06), constatou que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP (...) foram localizados um ou mais pagamentos (...), mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Assim, não homologou a compensação declarada. Cientificada em 02/04/2009, a interessada apresentou, em 04.05.2009, manifestação de inconformidade na qual alega (fls. 10/17): "A ora peticionária apurou (...) equivocadamente, um débito de PIS (...) conforme DCTF transmitida à Receita Federal do Brasil (...). Com base no referido equívoco, a peticionária promoveu o recolhimento do montante supostamente devido, conforme se verifica do DARF ora apresentado (...). (...) Desta forma, verificase que a peticionária agiu devidamente, conforme determina a legislação, uma vez que, após ter reconhecido o pagamento indevido, retificou a DCTF e promoveu a devida compensação de um crédito seu, com um débito próprio. Entretanto, a peticionária recebeu, com surpresa, o despacho decisório o qual não reconheceu a compensação dos valores devidos (...). (...) Nesse sentido, é forçoso que a Receita Federal do Brasil reconheça o direito creditório da peticionária e homologue a compensação efetuada, tendo em vista que a apuração do débito de PIS originouse de um equívoco, o qual não pode perpetuar em nome da verdade material que deve prevalecer no processo administrativo. É o que se vê, aliás, da jurisprudência pacifica do antigo Conselho de Contribuintes (...). (...) Negarlhe o direito a compensação ou impedir a restituição de pagamento indevido efetuado constituiria apropriação indébita por parte do Fisco Federal. Diante do exposto, requer a ora peticionária (...) seja conhecida e provida a presente manifestação de inconformidade (...)." Vistos, relatados e discutidos os autos, acordaram os membros da Terceira Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em BelémPA, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade em decisão que assim ficou ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 152DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digita lmente em 14/06/2012 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10283.902811/200918 Resolução n.º 330200.165 S3C3T2 Fl. 153 3 Anocalendário: 2006 CREDITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. 0 crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de divida previstas pela legislação tributária, como 6 o caso da DCTF. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ONUS DA PROVA. Considerase não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Nas declarações de compensação referentes a pagamentos indevidos ou a maior o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimada em 11/08/2010, inconformada a Recorrente interpôs recurso voluntário em 10/09/2010. É o relatório. VOTO Conselheiro ALEXANDRE GOMES, Redator Designado. O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. Tratase de indeferimento de pedido de compensação de crédito de COFINS com débito de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica em razão do suposto pagamento indevido do primeiro tributo. A Receita Federal indeferiu a compensação por entender que os alegados créditos encontravam totalmente alocados a débitos declarados pelo próprio recorrente. O acórdão exarado pela DRJ assim consignou: “a desconstituição do credito tributário formalizado pelo pagamento e anteriormente confessado em DCTF não depende apenas de DCTF Retificadora, mas igualmente da comprovação inequívoca, por meio de documentos hábeis e idôneos, de eu houve o pagamento indevido ou a maior”. Ou seja, alegou que a Recorrente não fez prova suficiente do seu direito uma vez que não trouxe aos autos a sua contabilidade. A Recorrente, por sua vez, afirma que é possuidora de pagamento a maior decorrente de cálculo equivocado do quantum devido a titulo de COFINS tento inclusive promovido à retificação de sua DCTF. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digita lmente em 14/06/2012 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10283.902811/200918 Resolução n.º 330200.165 S3C3T2 Fl. 154 4 Muito embora a DCTF retificadora tenha sido apresentada após a emissão do despacho decisório por parte da Receita Federal, isto não pode afastar o direito do contribuinte ao credito que este pode fazer jus, caso reste devidamente comprovado que de fato houve um pagamento indevido. Em se tratando de alegação de pagamento a maior, entendo que devem ser exauridas por parte das autoridades administrativas, todas as possibilidades a seu alcance para determinar a efetiva existência deste pagamento indevido. Nunca se deve esquecer que é assente na jurisprudência administrativa e judicial que o processo administrativo possui, entre seus princípios norteadores, o principio da verdade material, que impõe à autoridade administrativa a busca incansável dos fatos que envolvam o recolhimento dos tributos, garantidose que não haja o enriquecimento ilícito do Estado. Por este motivo, tendo por norte o principio da verdade material, entendo por bem converter o presente julgamento em diligencia, para que a autoridade fiscal verifique a veracidade das informações prestadas e dos créditos alegados pelo Recorrente em suas DCTF e DACON retificadoras, verificando: a) a existência dos créditos alegados, informando se o “quantum” apurado é suficiente para fazer frente às compensações efetuadas; b) se existem outras informações que julgue serem importantes para o deslinde do presente processo. Por fim, a Recorrente deverá ser instada a se manifestar sobre o resultado da diligência. ALEXANDRE GOMES – Redator Designado. (assinado digitalmente) Fl. 154DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digita lmente em 14/06/2012 por ALEXANDRE GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10235.720189/2014-64
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jun 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/01/2004
PEREMPÇÃO. INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO.
Encontra-se perempta (intempestiva) a peça recursal interposta após decorrido o prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência da decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 3803-006.896
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestivo.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Paulo Renato Mothes de Moraes e Demes Brito.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/1999 a 31/01/2004 PEREMPÇÃO. INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Encontrase perempta (intempestiva) a peça recursal interposta após decorrido o prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência da decisão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestivo. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Paulo Renato Mothes de Moraes e Demes Brito. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ Belém/PA que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte em decorrência do indeferimento do pedido de restituição formulado, este AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 23 5. 72 01 89 /2 01 4- 64 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/06/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10235.720189/201464 Acórdão n.º 3803006.896 S3TE03 Fl. 88 2 amparado em ação judicial transitada em julgado, pelo fato de que a decisão obtida no âmbito do Poder Judiciário apenas autorizava a compensação dos valores das contribuições PIS e Cofins pagos a maior e não a sua restituição. Em sua Manifestação de Inconformidade o contribuinte requereu a conversão de ofício de seu pedido de restituição em declaração de compensação. A DRJ Belém/PA não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2014 DECISÃO JUDICIAL. COMPENSAÇÃO. Descabe à autoridade administrativa pronunciarse sobre o mérito de questão objeto de apreciação pelo Poder Judiciário, pois, ao final, prevalece a decisão da Justiça. No caso, a decisão judicial que impôs a compensação como a forma de utilização do crédito concedido deverá ser cumprida. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. LIMITE. A competência do órgão de julgamento restringese à apreciação do litígio instaurado com a apresentação da manifestação de inconformidade por parte da interessada. Assim, não caberá qualquer análise acerca do pedido de autorização para registro de nova declaração de compensação ou ainda para a compensação de ofício do valor a restituir com débitos da empresa, uma vez que tais matérias não fazem parte da lide. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado da decisão da Delegacia de Julgamento em 27/09/2014 (fl. 47), o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 05/11/2014 (fl. 48) e reiterou seu pedido, alegando, em preliminar, nulidade da decisão de piso, por cerceamento do direito de defesa e, no mérito, repisando os mesmos argumentos. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é intempestivo e dele, portanto, não conheço. De acordo com o art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, da decisão de primeira instância caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/06/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10235.720189/201464 Acórdão n.º 3803006.896 S3TE03 Fl. 89 3 O Recorrente recebeu cópia da decisão da DRJ Belém/PA em 27/09/2014, um sábado – conforme Ávido de Recebimento (AR) de fl. 47 –, considerandose cientificado, portanto, em 29/09/2014, segundafeira, tendo por iniciado o prazo para interposição do recurso em 30/09/2014 (terçafeira) e finalizado em 29/10/2014 (quartafeira). Contudo, o Recurso Voluntário somente veio a ser protocolizado na repartição de origem em 05/11/2014, conforme se constata do carimbo e da autenticação à fl. 48. Não se identificou nenhum feriado, ponto facultativo ou expediente anormal no órgão que alterasse o início ou o vencimento do prazo para interposição do recurso. Diante do exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso em razão da intempestividade de sua interposição. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 89DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/06/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10580.726165/2009-21
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue May 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
NULIDADE. LANÇAMENTO. ACÓRDÃO DRJ. INOCORRÊNCIA.
Não procedem as alegações de nulidade quando não se vislumbra nos autos nenhuma uma das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972.
COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL.
A repartição da receita tributária pertencente à União com outros entes federados não afeta a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. Portanto, não implica transferência da condição de sujeito ativo.
ILEGITIMIDADE PASSIVA. SÚMULA CARF Nº 12
Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.
RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃO-INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA.
As verbas recebidas por membros do Ministério Público do Estado da Bahia não têm natureza indenizatória do abono variável previsto pelas Leis nºs 10.474 e 10.477, de 2002, sendo incabível excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. JUROS MORATÓRIOS. AÇÃO TRABALHISTA.
Os juros moratórios recebidos acumuladamente em decorrência de sentença judicial, não se sujeitam à incidência do Imposto de Renda.
MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL.
Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos.
Preliminares Rejeitadas.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-002.150
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo lançada a parcela referente aos juros moratórios e, sobre a parte mantida, excluir a multa de ofício de 75%. Vencidos os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre e Luiz Cláudio Farina Ventrilho que davam provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Antonio de Pádua Athayde Magalhães - Presidente
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Walter Reinaldo Falcão Lima, Luiz Claudio Farina Ventrilho, Tânia Mara Paschoalin e Carlos César Quadros Pierre. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis.
Nome do relator: Tânia Mara Pachoalim
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 NULIDADE. LANÇAMENTO. ACÓRDÃO DRJ. INOCORRÊNCIA. Não procedem as alegações de nulidade quando não se vislumbra nos autos nenhuma uma das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL. A repartição da receita tributária pertencente à União com outros entes federados não afeta a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. Portanto, não implica transferência da condição de sujeito ativo. ILEGITIMIDADE PASSIVA. SÚMULA CARF Nº 12 Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃO-INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. As verbas recebidas por membros do Ministério Público do Estado da Bahia não têm natureza indenizatória do abono variável previsto pelas Leis nºs 10.474 e 10.477, de 2002, sendo incabível excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. JUROS MORATÓRIOS. AÇÃO TRABALHISTA. Os juros moratórios recebidos acumuladamente em decorrência de sentença judicial, não se sujeitam à incidência do Imposto de Renda. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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LANÇAMENTO. ACÓRDÃO DRJ. INOCORRÊNCIA. Não procedem as alegações de nulidade quando não se vislumbra nos autos nenhuma uma das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL. A repartição da receita tributária pertencente à União com outros entes federados não afeta a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. Portanto, não implica transferência da condição de sujeito ativo. ILEGITIMIDADE PASSIVA. SÚMULA CARF Nº 12 Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃOINCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. As verbas recebidas por membros do Ministério Público do Estado da Bahia não têm natureza indenizatória do abono variável previsto pelas Leis nºs 10.474 e 10.477, de 2002, sendo incabível excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. JUROS MORATÓRIOS. AÇÃO TRABALHISTA. Os juros moratórios recebidos acumuladamente em decorrência de sentença judicial, não se sujeitam à incidência do Imposto de Renda. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 61 65 /2 00 9- 21 Fl. 244DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 15/05/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10580.726165/200921 Acórdão n.º 2801002.150 S2TE01 Fl. 230 2 Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo lançada a parcela referente aos juros moratórios e, sobre a parte mantida, excluir a multa de ofício de 75%. Vencidos os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre e Luiz Cláudio Farina Ventrilho que davam provimento ao recurso. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Walter Reinaldo Falcão Lima, Luiz Claudio Farina Ventrilho, Tânia Mara Paschoalin e Carlos César Quadros Pierre. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Relatório Trata o presente processo de auto de infração que diz respeito a Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio do qual se exige do sujeito passivo acima identificado o montante de R$ 152.876,56, referente ao exercício de 2005, 2006 e 2007, a título de imposto (R$ 70.805,70), acrescido da multa de ofício equivalente a 75% do valor do tributo apurado (R$ 53.104,26), além dos juros de mora (R$ 28.966,60). A autuação decorreu de apuração de omissão de rendimentos recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”. Em sua impugnação, a contribuinte apresentou as razões de defesa abaixo, extraídas do acórdão recorrido: a) o lançamento fiscal é improcedente, pois teve como objeto valores recebidos pelo impugnante a título de diferenças de URV, que não estão sujeitos à incidência do imposto de renda, em razão do seu caráter indenizatório, não se enquadrando nos conceitos de renda ou proventos de qualquer natureza, previstos no art. 43 do CTN; Fl. 245DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 15/05/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10580.726165/200921 Acórdão n.º 2801002.150 S2TE01 Fl. 231 3 b) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, reconheceu a atureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais, e que por esse motivo estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Este tratamento seria extensível aos valores a mesmo título recebidos pelos membro do magistrados estaduais; c) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do IRRF que lhe caberia ao estabelecer no art. 3º da Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga, sendo a União parte ilegítima para exigência de tal tributo. Além disso, se a fonte pagadora não fez a retenção que estaria obrigada, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta em sua declaração de rendimentos, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; d) caso os rendimentos apontados como omitidos de fato fossem tributáveis, deveriam ter sido submetidos ao ajuste anual, e não tributados isoladamente como no lançamento fiscal; e) nos anos de 1994 e 1998, a alíquota do imposto de renda que vigorava era de 25%, e não as alíquotas de 26,6% e 27,5% aplicadas no lançamento fiscal; f) parcelas dos valores recebidos a título de diferenças de URV se referiam à correção incidente sobre 13º salários e a férias indenizadas (abono férias), que respectivamente estão sujeitas à tributação exclusiva e isenta, portanto, não deveriam compor a base de cálculo do imposto lançado; g) ainda que as diferenças de URV recebidas em atraso fossem consideradas como tributáveis, não caberia tributar os juros e correção monetária incidentes sobre elas, tendo em vista sua natureza indenizatória; h) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boa fé, seguindo orientações da fonte pagadora, que por sua vez estava fundamentada na Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV. A 3ª Turma da DRJ/SDR/BA julgou improcedente a impugnação, conforme Acórdão de fls. 125/131, que restou assim ementado: DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, em decorrência do art. 2º da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 15/05/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10580.726165/200921 Acórdão n.º 2801002.150 S2TE01 Fl. 232 4 A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte Regularmente cientificada daquele Acórdão em 26/07/2011 (fl. 134), a interessada, representada por seu advogado (fls. 108/109), interpôs recurso voluntário de fls. 135/225, em 17/08/2011. Em sua defesa, discorre sobre a a Edição da Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, que reconhece a natureza indenizatória das diferenças recebidas a título de URV. Sustenta que não foi a causadora do erro de classificação dos valores recebidos. Aduz que a fonte pagadora também não errou ao considerar tais diferenças indenizatórias, eis que o STF, ao pagar idêntica parcela, editou a Resolução 245, que trata tais rendimentos como não sujeitos ao Imposto de Renda. Entende que o acórdão recorrido não enfrentou o argumento da ilegitimidade da União para cobrar Imposto de Renda que, por determinação judicial, pertence ao Estado Membro. Igualmente deixou de apreciar a alegação de quebra da capacidade contributiva da recorrente. Por tais motivos, protesta pela nulidade do acórdão recorrido. Renova os argumentos quanto à natureza indenizatória das diferenças recebidas de URV, trazendo entendimentos doutrinários para elucidar o raciocínio adotado. Protesta pela observância do disposto na Resolução STF nº 245, de 2002, para fins de apreciação do caso em discussão, sob pena de quebra do princípio da isonomia. Questiona os cálculos efetuados, reclamando que foram desconsideradas as deduções cabíveis, ainda que em tese, no cálculo do imposto devido. Pondera que não se pode invocar o art. 845 do RIR/1999, que trata da perda do benefícioo das deduções, pois declarara os rendimentos objeto do lançamento conforme informação recebida da fonte pagadora. Discorda da exigência de multa de ofício e juros de mora. Entende, ainda, que pode ser beneficiado pela redução da alíquota para os RRA recebidos, haja vista que, por meio da Instrução Normativa nº 1.127/2011, publicada no Diário Oficial da União em 08/02/2011, a Receita Federal reduziu a carga tributária sobre os rendimentos recebidos acumuladamente. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. A recorrente alega que o acórdão recorrido seria nulo por não ter enfrentado todos os argumentos da impugnação em especial a ilegitimidade ativa da União e a perda da capacidade contributiva. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 15/05/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10580.726165/200921 Acórdão n.º 2801002.150 S2TE01 Fl. 233 5 Entretanto, não verifico razão nas alegações trazidas pela recorrente, mormente considerando que a decisão recorrida possui todos os requisitos exigidos em lei para sua validade em termos formais, ou seja, está em consonância ao que preceitua o artigo 31 do Decreto 70.235/72, in verbis: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. Ademais, especificamente quanto à questão de analise de ilegalidade de normas, não é de competência dos órgãos administrativos de julgamento, haja vista a competência privativa do Poder Judiciário, e, portanto, fora do alcance da competência administrativa, não podendo o contribuinte invocar nulidade por esta razão. Aliás, no tocante à análise das demais alegações de inconstitucionalidade de normas que respaldam o procedimento fiscal, importante esclarecer que não pode ser objeto de verificação inclusive por parte deste Conselho de Contribuintes, pois é questão pacificada na Súmula CARF nº 2, a saber: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Além disso, não se verifica em qualquer hipótese o cerceamento ao direito de defesa da contribuinte em relação à decisão recorrida, notase que todos os pontos foram abordados e fundamentados, permitindo inclusive à contribuinte a interposição do Recurso Voluntário, ora em análise, rebatendo todas as argumentações trazidas tanto no auto de infração, quanto na decisão atacada. Examinando os autos, observase que foram utilizadas as alíquotas corretas na apuração do imposto devido pela contribuinte, como também foram excluídas da base de cálculo do tributo a parcela que incidiu sobre férias indenizadas e 13° salário. Como bem esclareceu a decisão recorrida, o imposto de renda devido foi apurado com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referiam os rendimentos em questão, conforme disposto no Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, em razão das diferenças terem sido recebidas acumuladamente, sendo que as bases de cálculo declaradas já se sujeitavam à incidência do imposto de renda em sua alíquota máxima, bem como já tinham sido aproveitadas as parcelas a deduzir previstas legalmente. Nesta situação, o imposto apurado mediante aplicação direta da alíquota máxima sobre os rendimentos omitidos coincide com o imposto apurado com base na tabela progressiva sobre a base de cálculo ajustada em razão da omissão. No que tange à ilegitimidade da União para atuar como pólo ativo no presente procedimento administrativo fiscal, uma vez que competiria aos Estados reclamar o imposto indevidamente não recolhido, nos termos do que dispõe o art. 157, I, da Constituição Federal de 1988, importa ressaltar que o objetivo do disposto no mencionado artigo é a de promover a repartição da receita tributária pertencente à União com outros entes federados, sem afetar a competência tributária do ente eleito pela Constituição como titular do poder de tributar relativo a determinado tributo. No caso do Imposto de Renda, a competência para instituir, arrecadar e fiscalizar o imposto sobre a renda é da União, a teor do que estabelece o art. 153, III., da Constituição Federal. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 15/05/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10580.726165/200921 Acórdão n.º 2801002.150 S2TE01 Fl. 234 6 O art. 6º, parágrafo único, do Código Tributário Nacional CTN didaticamente explicita: "Art. 6° A atribuição constitucional de competência tributária compreende a competência legislativa plena, ressalvadas as limitações contidas na Constituição Federal, nas Constituições dos Estados e nas Leis Orgânicas do Distrito Federal e dos Municípios, e observado o disposto nesta Lei. Parágrafo único . Os tributos cuja receita seja distribuída, no todo ou em parte, a outras pessoas jurídicas de direito público pertencem à competência legislativa daquela a que tenham sido atribuídos." (grifos acrescidos) Assim, não implicando a repartição de receitas transferência da condição de sujeito ativo, rejeitase a ilegitimidade ativa da União reclamada pela autuada. Ainda importa observar que nos autos deste procedimento administrativo fiscal não se está discutindo o destino do imposto de renda retido na fonte mas, sim, o fato de a recorrente ter omitido na declaração de ajuste anual os rendimentos auferidos nos anos calendário de 2004, 2005 e 2006. Neste caso, cabe à contribuinte, como titular da disponibilidade econômica desses rendimentos, a responsabilidade pela correspondente tributação. Esse entendimento já é posição sumulada neste Conselho: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.( Súmula CARF nº 12) Rejeito, portanto, as preliminares suscitadas. Quanto ao mérito, a interessada discute, essencialmente, o caráter indenizatório dos valores recebidos. Insta frisar que o imposto em questão incide sempre que houver aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda e de proventos de qualquer natureza. O termo “proventos de qualquer natureza” é fórmula ampla da qual lançou mão o legislador para evitar controvérsias sobre o conceito de renda. Nele se inclui todo o acréscimo do patrimônio contábil do contribuinte, mensurável monetariamente. No presente caso, a contribuinte enquadrou no campo de rendimentos isentos e não tributáveis de suas declarações de ajuste anual, exercícios 2005 a 2007, valores recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia, por entendêlas isentas de imposto de renda à luz do disposto na Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, e por analogia à Resolução nº 245, de 2002, do Supremo Tribunal Federal (STF), que teria deixado claro que o abono conferido aos magistrados federais em razão das diferenças de URV possui natureza indenizatória. Ora, de acordo com a Resolução do Supremo Tribunal Federal (STF) nº 245, de 2002, o abono, tratado no artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002 e no artigo 6º da Lei nº 9.655, Fl. 249DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 15/05/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10580.726165/200921 Acórdão n.º 2801002.150 S2TE01 Fl. 235 7 de 2 de junho de 1998, foi considerado de natureza indenizatória. Entretanto, o referido ato do STF atribuiu natureza jurídica indenizatória ao abono variável devido apenas aos Magistrados do Poder Judiciário Federal, tratado pela Lei nº 9.655, de 1998 e pela Lei nº 10.474, de 2002. Registrese ainda que somente com o advento da Lei nº 10.477, de 2002, os membros do Ministério Público da União passaram a fazer jus ao abono variável criado pela Lei nº 9.655, de 1998, nos termos do art. 2º, abaixo transcrito: Art. 2o O valor do abono variável concedido pelo art. 6º da Lei nº 9.655, de 2 de junho de 1998, é aplicável aos membros do Ministério Público da União, com efeitos financeiros a partir da data nele mencionada, passa a corresponder à diferença entre a remuneração mensal percebida pelo membro do Ministério Público da União, vigente à data daquela Lei, e a decorrente desta Lei. §1o Serão abatidos do valor da diferença referida neste artigo todos e quaisquer reajustes remuneratórios percebidos ou incorporados pelos membros do Ministério Público da União, a qualquer título, por decisão administrativa ou judicial, após a publicação da Lei nº 9.655, de 2 de junho de 1998. §2o Os efeitos financeiros decorrentes deste artigo serão satisfeitos em 24 (vinte e quatro) parcelas mensais e sucessivas, a partir do mês de janeiro de 2003. §3o O valor do abono variável da Lei nº 9.655, de 2 de junho de 1998, é inteiramente satisfeito na forma fixada neste artigo. Destaquese que referido abono variável, nos moldes da Lei nº 10.477, de 2002, se restringia ao Ministério Público da União. Todavia, neste caso, a contribuinte não faz parte dos quadros da Magistratura Federal nem do Ministério Público da União, pertencendo ao Ministério Público do Estado da Bahia, não podendo tal Resolução do STF ser estendida às verbas pagas ao recorrente, pois isto resultaria na concessão de isenção sem lei federal especifica. Salientese que, em momento algum, houve pronunciamento do STF ou do Ministro da Fazenda acerca das naturezas jurídica e tributária dos rendimentos recebidos com base na Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003. Atribuir aos rendimentos em exame a mesma natureza do abono variável destacado nas Leis nºs 10.474 e 10.477, de 2002, seria estender os limites da não incidência tributária sem previsão de lei federal para tal. Não se pode olvidar que é defeso ao aplicador do direito valerse da analogia para excluir rendimentos do campo de incidência tributária. As exceções fiscais devem constar expressamente do texto legal, em conformidade com o disposto no art. 111, do CTN. Assim, incabível atribuir aos rendimentos recebidos pela recorrente idêntica natureza do abono variável pago aos Magistrados Federais e aos membros do Ministério Público da União, não havendo nisso nenhuma ofensa ao Princípio Constitucional da Isonomia (art. 150, II, da Constituição Federal), posto que não existe lei federal conferindo identidade de tratamento tributário entre essas verbas. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 15/05/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10580.726165/200921 Acórdão n.º 2801002.150 S2TE01 Fl. 236 8 Por outro lado, há que se observar que a Primeira Seção do STJ, ao julgar, em 28/09/2011, o Resp nº 1.227.133/RS, submetido à sistemática do art. 543C do CPC e Res. Nº 8, de 2008STJ, que tratam dos recursos repetitivos, negou provimento ao recurso interposto pela Fazenda Nacional e manteve o acórdão da 4ª Região, o qual havia decidido que não cabe a tributação pelo Imposto de Renda Pessoa Física sobre os juros moratórios incidentes sobre valores recebidos acumuladamente em decorrência de sentença judicial, por se tratarem de verbas indenizatórias. Sendo assim, considerando o disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com alterações da Portaria MF nº 596, de 21 de dezembro de 2010, devem ser refeitos os cálculos de fls. 12, que embasam o lançamento, de modo a contemplar a exclusão dos valores recebidos a título de juros, identificados nos documentos de fls. 20 a 22 (considerados no demonstrativo de fls. 12). No tocante à multa de ofício, consoante vem sendo decidido por este Colegiado (confiramse os julgados 280101.675, 280101.676 e 280101.677, todos de 27/07/2011, relatados pelo Conselheiro Antonio de Pádua Athayde Magalhães é incabível a exigência de tal penalidade quando a contribuinte demonstra ter sido induzida pelas informações prestadas pela fonte pagadora quanto à não tributação dos rendimentos recebidos, incorrendo, deste modo, em erro escusável. Diante do exposto, voto por rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo lançada a parcela referente aos juros moratórios e, sobre a parte mantida, excluir a multa de ofício de 75%. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 251DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 15/05/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 11686.000126/2008-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO DIFERENCIADA DA LEI Nº 10.485, DE 2002. AQUISIÇÃO DE CRÉDITOS PELO ATACADISTA OU VAREJISTA. IMPOSSIBILIDADE.
Por força de determinação legal expressa, que não foi alvo de revogação, a aquisição, para revenda, de produtos sujeitos à tributação diferenciada da Lei nº 10.485, de 2002, não gera créditos nem do Pis, nem da Cofins não-cumulativos.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-001.159
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Álvaro Almeida Filho e Nanci Gama. O Conselheiro Luciano Pontes de Maya Gomes declarou-se impedido.
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra de Castro
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO DIFERENCIADA DA LEI Nº 10.485, DE 2002. AQUISIÇÃO DE CRÉDITOS PELO ATACADISTA OU VAREJISTA. IMPOSSIBILIDADE. Por força de determinação legal expressa, que não foi alvo de revogação, a aquisição, para revenda, de produtos sujeitos à tributação diferenciada da Lei nº 10.485, de 2002, não gera créditos nem do Pis, nem da Cofins não cumulativos. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Álvaro Almeida Filho e Nanci Gama. O Conselheiro Luciano Pontes de Maya Gomes declarouse impedido. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Álvaro Almeida Filho, Paulo Sergio Celani, Luciano Pontes de Maya Gomes, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 5/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11686.000126/200802 Acórdão n.º 310201.159 S3C1T2 Fl. 132 2 Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto parcialmente o relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: Tratase de manifestação de inconformidade contra indeferimento de pedido de ressarcimento (PER/DECOMP), relativo ao saldo credor de PIS/Pasep não cumulativo apurado no período de 01/01/2005 a 31/03/2005, onde o interessado sustenta que teria direito ao creditamento de PIS e Cofins na revenda de veículos importados, em cujas operações incidiu alíquota zero destas contribuições, por estarem compreendidas no regime de tributação concentrada, também chamado de incidência monofásica, conforme regulado na Lei 10.485, de 3 de julho de 2002. No intuito de demonstrar a pertinência da sua inconformidade, aduziu o sujeito passivo, em síntese que: a) está sujeito ao regime do Lucro Real e, consequentemente, ao pagamento das Contribuições para o PIS e para o Financiamento da Seguridade Social no regime não cumulativo, instituído, respectivamente, pelas leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003; b) a vedação imposta no art. 3º, I, “b”, de ambos os diplomas foi alvo de revogação pelo art. 16 da Medida Provisória nº 206, de 2004, posteriormente convertido no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004. Expõe os fundamentos que levariam, por meio do critério lógico sistemático, à tal conclusão. Sustenta, que o dispositivo novel veio justamente para autorizar o creditamento nas hipóteses em que o mesmo estaria proibido, pois, se assim não fosse, não haveria justificativa para sua edição. Cita precedente do Tribunal Regional Federal da 4ª Região; c) a fixação de alíquota zero quando da saída dos produtos que revende não significaria atribuirlhe o regime monofásico, que se caracterizaria exclusivamente na hipótese em que o tributo só incidisse uma única vez na cadeia produtiva. No caso dos autos, haveria incidência em toda a cadeia, só que com alíquota zero; d) quando a legislação pretende manter o produto no campo da incidência e apenas desonerálo, atribui alíquota zero e quando intenta retirálo, por meio da subsunção tributária, taxativamente o diz não incidente; e) a Constituição empregou linguagem técnica, exigindo lei que a lei especificasse as hipóteses em que a tributação incidirá uma única vez. Transcreve o art. 155, XII, “h”e o art.149, § 4º da Carta Política de 1988; f) no intuito de exemplificar uma hipótese em que tal preceito foi aplicado, transcreve o art. 22 da Lei nº 10.560, de 2002, que trata da incidência sobre a venda de querosene de aviação; Fl. 2DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 5/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11686.000126/200802 Acórdão n.º 310201.159 S3C1T2 Fl. 133 3 g) na hipótese dos autos, portanto, estarseia diante de uma hipótese de “substituição tributária informal” e desprovida de amparo legal; h) por opção do legislador, o que a lei previra teria sido a incidência com alíquota positiva no produtor e com alíquota zero, para o atacadista ou varejista; i) tal circunstância seria passível de alteração a qualquer tempo, por meio da elevação da alíquota das operações realizadas por este último; j) dado que a Administração teria o poder de alterar as alíquotas a qualquer tempo, teria igualmente que suportar o ônus da plurifasia; k) ademais, dada a “grande folga de arrecadação”, o Estado teria almejado devolver a parte do creditamento suprimido que estava descaracterizando a nãocumulatividade do PIS/COFINS. Este seria o contexto em que teria sido editado o art. 16 da MP nº 206, 2004; l) a MP nº 206, 2004 seria norma multitemática, sendo descabida a alegação no sentido de que a mesma só se aplicaria ao regime do Reporto. Transcreve trecho da exposição de motivos que demonstraria o elenco dos artigos dedicados a esse regime; m) o artigo. 16 da Lei nº 11.116/05 reforçaria a tese no sentido de que as pessoas jurídicas tributadas à alíquota zero teriam pleno direito de se creditar. Transcreve o dispositivo. n) em duas oportunidades, por meio das medidas provisórias 413 e 451, pretendera o Poder Executivo retomar a proibição original e, nas duas, tal limitação foi suprimida do texto da lei de conversão; o) o legislador elegera o método "indireto subtrativo" para disciplinar a não cumulatividade do PIS/COFINS, por meio do qual o crédito é calculado por meio da incidência da alíquota base sobre as aquisições, sem outras perquirições acerca da etapa anterior; p) a Constituição previra a aplicação de ambos os regimes e que, por determinação legal, estaria inserido no regime da nãocumulatividade. Se o Estado “se arrependera”, que passasse a aplicar o regime cumulativo para a atividade exercida. Inadmissível seria a “brincadeira” com os comandos constitucionais, “forjando uma meianão cumulatividade, restringindo direitos por atos que violam à LEGALIDADE”. Ponderando as razões aduzidas pela recorrente, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão de piso pelo indeferimento do pedido de ressarcimento, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 Ementa: NÃOCUMULATIVIDADE. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. COMERCIALIZAÇÃO DE VEÍCULOS IMPORTADOS. TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA. Existe expressa vedação legal para o creditamento referente à comercialização/revenda de veículos importados, incluídos no escopo da Lei 10.485, de 2002. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 5/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11686.000126/200802 Acórdão n.º 310201.159 S3C1T2 Fl. 134 4 Manifestação de Inconformidade Improcedente Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece o Contribuinte ao processo para, em sede de recurso voluntário, sinteticamente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa: É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Tomo conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta à competência desta Terceira Seção Não foi apresentada preliminar. 1. Preliminarmente Demarcação da Matéria Litigiosa Não está em discussão que a recorrente dedicase à comercialização de veículos cuja classificação fiscal estaria enumerada nos anexos I e II da Lei nº 10.485, de 2002, adquire tais produtos de estabelecimento importador e, em razão de estar sujeita à tributação com base no Lucro Real, recolhe as contribuições para o PIS/Pasep e para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) segundo o regime nãocumulativo. Consequentemente, respeitados os limites inerentes à competência deste Colegiado, impedido de promover controle de constitucionalidade em razão do comando insculpido no art. 26A do Decreto nº 70.235, de 19721, inserido pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, toda a discussão acerca do presente litígio passa necessariamente pela análise da vigência do inciso I, “b”, do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. Transcrevo, por economia, exclusivamente o art. 3º, I, “b”, da Lei nº 10.833, de 2003, na versão que vigia à época dos fatos, já que ambos tinham redação idêntica. "Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (...) b) no § 1º do art. 2° desta Lei; A seu turno, o art. 2º, caput e parágrafo 1º, III, têm a seguinte redação: 1 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 5/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11686.000126/200802 Acórdão n.º 310201.159 S3C1T2 Fl. 135 5 Art. 2º Para determinação do valor da Cofins aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º, a alíquota de 7,6%% (sete inteiros e seis décimos por cento). § 1º Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (...) III no art. I° da Lei n° 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei n° 10.865, de 2004) Os dispositivos, a meu ver, são suficientemente claros: o valor da aquisição de bem para revenda, regra geral, pode ser considerado para efeito do cálculo dos créditos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, salvo se, dentre outras hipóteses, estiver sujeito ao regime da Lei nº 10.485, de 2002. Ocorre que, recordese, segundo defende o sujeito passivo, tal proibição fora tacitamente revogada pelo art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, fruto da conversão da Medida Provisória nº 206, de 2004. Diz o dispositivo: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Segundo aduzido em sede de manifestação de inconformidade e de recurso voluntário, o propósito do dispositivo seria revogar a restrição das leis 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003 e, por lapso, não foi consignada tal revogação no texto da medida provisória que o introduziu, nem no projeto de lei de conversão. Todos os argumentos manejados, em suma, convergem na busca pela demonstração da coerência dessa tese ou dependem da sua confirmação. 2. Mérito 2.1. Revogação Tácita 2.1.1 Demonstração Antes de enfrentar tais argumentos, julgo importante registrar a minha opinião no sentido de que a revogação tácita não é fenômeno que se presuma. Tomo emprestada, a fim de melhor expor meu ponto de vista, a lição de Carlos Maximiliano2, que, analisando as hipóteses revogação, concluiu (original não destacado): 2 Hermenêutica e Aplicação do Direito. Rio de Janeiro. Forense, 2009, 19ª ed., p. 292. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 5/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11686.000126/200802 Acórdão n.º 310201.159 S3C1T2 Fl. 136 6 “442 — Pode ser promulgada nova lei, sobre o mesmo assunto, sem ficar tacitamente abrogada a anterior: ou a última restringe apenas o campo de aplicação da antiga; ou, ao contrário, dilatao, estendeo a casos novos; é possível até transformar a determinação especial em regra geral. Em suma: a incompatibilidade implícita entre duas expressões de direito não se presume; na dúvida, se considerará uma norma conciliável com a outra. O jurisconsulto Paulo ensinara que — as leis posteriores se ligam às anteriores, se lhes não são contrárias; e esta última circunstância precisa ser provada com argumentos sólidos...” Com efeito, assumindose o pressuposto de que o ponto de partida para uma interpretação sistemática é a presunção de coerência do Ordenamento Jurídico, somente se afasta a aplicação da norma anterior após a demonstração inequívoca de tal incoerência, conforme sintetizou o renomado hermeneuta3: Em resumo: sempre se começará pelo Processo Sistemático; e só depois de verificar a inaplicabilidade ocasional deste, se proclamará abrogada, ou derrogada, a norma, o ato, ou a cláusula. Não é outra a linha fixada na Lei de Introdução ao Código Civil (original não destacado): Art. 2º Não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a modifique ou revogue. § 1º A lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior. § 2º A lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior. Não se pode esquecer ademais, que, como é cediço, o art. 9º da Lei Complementar nº 95, de 1998, alterado pela Lei Complementar nº 107, de 20014, orienta o legislador no sentido de que a revogação sempre se dê de forma expressa. Tal e qual não se pode presumir a incoerência do ordenamento, sem elementos robustos, não se poderia igualmente presumir a omissão. 2.1.2. Emprego dos Critérios Finalístico e Lógico Segundo sustenta a Recorrente, embora tal argumento não tenha sido manejado pelo Fisco, diferentemente do que poderia ser invocado, o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004 não estaria restrito ao regime do Reporto. Por outro lado, a aplicação do critério lógico, diferentemente do sustentado pelo acórdão recorrido, levaria à conclusão de que a única interpretação possível para o dispositivo novel seria a revogação das restrições impostas no já transcrito art. 3º das Leis nº 3 op. cit. p. 291. 4 Art. 9o A cláusula de revogação deverá enumerar, expressamente, as leis ou disposições legais revogadas. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 5/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11686.000126/200802 Acórdão n.º 310201.159 S3C1T2 Fl. 137 7 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003: se o mesmo não tivesse o objetivo de revogar a proibição de creditamento, não haveria sentido na edição da norma. Penso, com a devida licença, que tais argumentos não dão amparo ao pleito de reconhecimento dos créditos, pois, apesar de não conseguir divisar a restrição da aplicação do dispositivo ao Reporto, não vejo como atribuirlhe a amplitude defendida. Com efeito, sua leitura em conjunto com os incisos IV a IX do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2007 e III a IX do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, permite delimitar com clareza seu universo de aplicação. Transcrevo, para demonstrar, o art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado; VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) Como é possível concluir, o Contribuinte sujeito ao regime nãocumulativo, qualquer que seja o ramo de atividade, tem direito a acumular créditos relativos a dispêndios diversos da aquisição de mercadorias. Diferentemente do alegado, portanto, as medidas provisórias 413 e 451, de 2008, não teriam o condão de reinstituir eventual proibição, mas agregar novas, passando a restringir até mesmo o crédito decorrente daqueles dispêndios não alcançados pela proibição que sempre vigeu. Confirase, a título ilustrativo, o texto do § 14 do art. 3º da Lei nº 10.637, incluído pela MP 413, não convertida em lei: Fl. 7DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 5/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11686.000126/200802 Acórdão n.º 310201.159 S3C1T2 Fl. 138 8 § 14. Excetuamse do disposto neste artigo os distribuidores e os comerciantes atacadistas e varejistas das mercadorias e produtos referidos no § 1º do art. 2º desta Lei, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas, não se aplicando a manutenção de créditos de que trata o art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004.” (NR)p Aliás, ainda que se trate de produto sujeito a tributação diferenciada, há que se recordar que a restrição só alcançaria as aquisições para revenda. Se os mesmos se destinam à incorporação ao processo produtivo, não haveria que se falar em vedação ao crédito. Nessa mesma linha de raciocínio, não vejo como extrair do art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005, a alegada ratificação do direito de utilizar créditos anteriormente vedados. Com efeito, o dispositivo só tratou da utilização dos créditos mantidos a partir da edição do dispositivo novel. Confirase: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Em resumo, a partir do início da vigência do art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, restou definido que o sujeito passivo manteria os créditos decorrentes dos dispêndios excluídos da proibição e, após a edição do art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005, que poderia utilizálos em uma das modalidades elencadas nos incisos I e II. Não custa registrar, finalmente, que o texto do artigo 17, de fato, é suficientemente claro quando trata da manutenção dos créditos apurados: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Embora sempre insuficiente, o critério gramatical é o ponto de partida para qualquer processo de interpretação. Nesse contexto, seria incabível pretender atribuir à expressão “manter” o mesmo sentido de “apurar”. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 5/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11686.000126/200802 Acórdão n.º 310201.159 S3C1T2 Fl. 139 9 Assim, estou convicto de que, efetivamente, o dispositivo novel em nada impactou a proibição de se apurar crédito a partir da aquisição de veículos novos para revenda. 2.2 Regime Monofásico Sustenta a Recorrente que, na ausência de dispositivo legal que identifique a incidência monofásica, o regime de tributação dos veículos que adquiriria para revenda seria o de incidência polifásica, com aplicação da alíquota zero. Traz à colação, como forma de respaldar suas alegações, o § 4º do art. 149 da CF de 19885. Afastandose a préfalada monofasia, cairia por terra um dos fundamentos que embasaram a denegação do reconhecimento dos créditos. Reforçaria tal convicção o fato de que, a qualquer tempo, poderia o legislador alterar a alíquota vigente para a saída dos produtos que revende. Demonstrada a vedação legal para apuração de crédito quando da aquisição de produtos sujeitos ao regime da Lei nº 10.485, de 2002, pouca margem sobra ao intérprete: se a lei expressamente proíbe, não há processo exegético capaz de afastar tal proibição. De qualquer forma, entendo prudente esclarecer que, qualquer que seja o conceito doutrinário empregado, regime monofásico, de tributação concentrada, etc., o relevante é que, a meu ver, não haveria como deduzir os créditos litigiosos, salvo se houvesse lei que, a título de benefício fiscal, concedesse tal direito, como ocorre, por exemplo, com as exportações. Com efeito, mais do que consolidado na doutrina e na jurisprudência, o conceito de nãocumulatividade encontrase assentado na Constituição Federal de 1988, mais especificamente, no § 3º, II, do art. 1536: compensase o devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores. Se nada for devido na operação, salvo expressa disposição de lei (que não há), não haveria o que compensar. Não custa registrar que, em homenagem fenômeno conceituado por Alfredo Augusto Becker como “cânone hermenêutico da totalidade do sistema jurídico”7, na ausência de outro conceito legal de nãocumulatividade ou de restrição legal a seu emprego, deve ser aplicado o vigente para o Imposto sobre Produtos Industrializados, gizado no dispositivo constitucional acima citado. Por outro lado, tanto no caso do PIS, como na Cofins, segundo o próprio recorrente, o legislador elegeu o método "indireto subtrativo" para disciplinar a não cumulatividade das contribuições, fato que se confirma na leitura da exposição de motivos da MP 135, de 2003. 5 § 4º A lei definirá as hipóteses em que as contribuições incidirão uma única vez. 6 § 3º O imposto previsto no inciso IV: (...) II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; 7 Os vários ramos do direito não constituem compartimentos estanques, mas são partes de um único sistema jurídico, de modo que qualquer regra jurídica exprimirá sempre uma única regra (conceito ou categoria ou instituto jurídico) válida para a totalidade daquele único sistema jurídico. Esta interessante fenomenologia jurídica recebeu a denominação de cânone hermenêutico da totalidade do sistema jurídico. (Teoria Geral do Direito Tributário. São Paulo Lejus, 3ª ed. p.p. 116/123) Fl. 9DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 5/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11686.000126/200802 Acórdão n.º 310201.159 S3C1T2 Fl. 140 10 Pois bem, como é conhecimento geral, pela aplicação desse método, o crédito fiscal concedido sobre os custos e despesas é calculado na mesma proporção da alíquota que grava as receitas8. Ora, se o tributo incidente sobre o resultado obtido com venda dos bens sujeitos ao regime diferenciado da Lei nº 10485, de 2002 é “calculado” com a alíquota zero, os créditos decorrentes de tais aquisições, se tomado tal conceito à risca, seriam igualmente zero. Finalmente, acho relevante deixar claro que, a meu ver, a tributação dos veículos comercializados, com a devida vênia, se amolda ao conceito de monofasia ou de tributação concentrada, na medida em que o que caracteriza tal fenômeno é a concentração da tributação no produtor ou importador. Pouco importaria, assim, se tal concentração da tributação decorre da exclusão da operação do campo de incidência, hipótese do querosene de aviação, ou por meio da fixação da alíquota zero, hipótese dos veículos albergados pela Lei nº 10.485, de 2002, pois, em ambos, a tributação somente alcançará um dos elos da cadeia. Assim, com o devido respeito às ponderações do impugnante, a instituição de alíquota zero, para fins de conceituação do mecanismo de tributação da cadeia, produz o mesmo efeito da exclusão do bem ou da operação do campo de incidência. Até porque, como é cediço, depende igualmente de lei. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro 8 Vide Martins, Ives Gandra da Silva. Nãocumulatividade do PIS e da COFINS, Quartier Latin, 2007. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 5/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 15563.000705/2009-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jun 01 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
SALÁRIO-FAMÍLIA - INFORMAÇÃO INCORRETA EM GFIP - MULTA.
Constitui infração à legislação previdenciária o fato de o contribuinte apresentar GFIP com valores de dedução de salário-família superiores àqueles efetivamente pagos. Caracterizada a infração, deve ser aplicada a multa prevista na legislação em razão do descumprimento de obrigação acessória.
MULTA POR OMISSÃO DE FATO GERADOR EM GFIP. ART. 32-A DA LEI N.º 8.212/1991. CÁLCULO DO VALOR MÍNIMO.
No cálculo da multa correspondente a R$ 20,00 por cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas, o valor mínimo de R$ 500,00 deve ser lançado por competência, e não por auto de infração, uma vez que a obrigação de apresentação de GFIP é mensal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.879
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente em Exercício
Carolina Wanderley Landim - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carlos Henrique de Oliveira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 SALÁRIO-FAMÍLIA - INFORMAÇÃO INCORRETA EM GFIP - MULTA. Constitui infração à legislação previdenciária o fato de o contribuinte apresentar GFIP com valores de dedução de salário-família superiores àqueles efetivamente pagos. Caracterizada a infração, deve ser aplicada a multa prevista na legislação em razão do descumprimento de obrigação acessória. MULTA POR OMISSÃO DE FATO GERADOR EM GFIP. ART. 32-A DA LEI N.º 8.212/1991. CÁLCULO DO VALOR MÍNIMO. No cálculo da multa correspondente a R$ 20,00 por cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas, o valor mínimo de R$ 500,00 deve ser lançado por competência, e não por auto de infração, uma vez que a obrigação de apresentação de GFIP é mensal. Recurso Voluntário Negado.
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Constitui infração à legislação previdenciária o fato de o contribuinte apresentar GFIP com valores de dedução de saláriofamília superiores àqueles efetivamente pagos. Caracterizada a infração, deve ser aplicada a multa prevista na legislação em razão do descumprimento de obrigação acessória. MULTA POR OMISSÃO DE FATO GERADOR EM GFIP. ART. 32A DA LEI N.º 8.212/1991. CÁLCULO DO VALOR MÍNIMO. No cálculo da multa correspondente a R$ 20,00 por cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas, o valor mínimo de R$ 500,00 deve ser lançado por competência, e não por auto de infração, uma vez que a obrigação de apresentação de GFIP é mensal. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 00 07 05 /2 00 9- 75 Fl. 135DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/05/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Presidente em Exercício Carolina Wanderley Landim Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carlos Henrique de Oliveira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/05/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 15563.000705/200975 Acórdão n.º 2401003.879 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado contra a Recorrente em 15/12/2009 por meio do qual se exige multa no valor de R$ 797,40 pelo fato de ter sido apresentada GFIP com informações incorretas nas competências 01/2004 a 12/2004 consistente na informação de valores de saláriofamília em montantes superiores àqueles registrados em folha de pagamento. Apontouse, assim, a violação ao art. 32, § 6º, da Lei n.º 8.212/91, acrescentado pela Lei n.º 9.525/97, combinado com os artigos 284, III e 373 do Regulamento da Previdência Social. A Recorrente apresentou Impugnação (fls. 71/74) em face do Auto de Infração, na qual sustentou, em síntese que: · Com o advento da Lei n.º 11.941/09, o fundamento legal da multa em tela foi revogado; · A nova legislação deve ser aplicada retroativamente, em obediência ao art. 106 do CTN. Apreciando a Impugnação apresentada pela Recorrente, a 10ª Turma da DRJ/RJ1 II na Sessão de 25/05/2010, mediante o Acórdão n.º 12.30.668, decidiu julgar o lançamento procedente, em suma, sob o seguintes fundamentos: · Na Impugnação em nenhum momento o contribuinte contesta os fatos narrados pela fiscalização, qual seja, o preenchimento incorreto da GFIP no campo concernente ao saláriofamília, pelo que há que se concluir pela procedência da autuação; · Com o advento da Lei n.º 11.941/09, a infração cometida pela Recorrente passou a ser punida com multa de R$ 20,00 para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas, na forma do art. 32A, II, da Lei n. º 8.212/91, sendo que a multa mínima aplicável é de R$ 500,00 por competência, de acordo com o § 3º, II, do mesmo artigo; · No caso concreto, apesar de não ter sido esclarecido no Auto de Infração, a multa prevista na legislação anterior é mais benéfica, porquanto corresponde a R$ 66,45 por competência, enquanto que a nova legislação prevê multa mínima de R$ 500,00 por competência, o que, entretanto, não traz prejuízo ao contribuinte, sendo o auto passível de convalidação, nos termos do art. 55, da Lei n.º 9.784/99. Intimada dos termos do referido acórdão em 16/07/2010 (fls. 124), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 11/08/2010 (fls. 126/132), no qual sustenta, em apertada síntese que: Fl. 137DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/05/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 4 · A multa a ser aplicada, de acordo com a nova legislação, é de R$ 20,00 para cada grupo de 10 informações incorretas ou omitidas, na forma do art. 32A da Lei n.º 8.212/91; · No caso em tela, foram apresentadas 12 GFIP com informações incorretas, razão pela qual, a multa máxima que deveria ser aplicada seria de R$ 40,00. Requereu, ao final, fosse conhecido e provido o Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/05/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 15563.000705/200975 Acórdão n.º 2401003.879 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheira Carolina Wanderley Landim Relatora O recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Como visto no relatório acima, a multa aplicada decorre da falta de declaração de fato gerador em GFIP, fato gerador este apurado e lançado no bojo do processo administrativo de n.º 15563.000704/200921 (obrigação principal). Considerando que, no referido processo administrativo, a infração restou caracterizada, subsiste também a multa por descumprimento de obrigação acessória relativa à falta de declaração desses fatos geradores em GFIP, objeto do presente processo. De fato, analisandose o Recurso Voluntário do contribuinte, verificase que o mesmo não se insurge contra o cometimento da infração propriamente dito, apenas discorrendo acerca do cálculo da multa aplicável ao caso concreto, tendo em vista as alterações sofridas pela legislação e a aplicação do princípio da retroatividade benigna. A infração concernente na apresentação de GFIP com incorreções, como é o caso ora tratado, era punida, na legislação vigente à época dos fatos geradores, com multa correspondente a 5% do valor mínimo disposto em regulamento, conforme previsto no art. 32, § 6º, da Lei n.º 8.212/91, o que, à época, resultou em multa de R$ 66,45 por competência, na forma da Tabela de fls. 37. Com a introdução do art. 32A na Lei n.º 8.212/91 pela Lei n.º 11.941/09, a multa em tela passou a corresponder a R$ 20,00 para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas, sendo que o valor mínimo corresponde a R$ 500,00, nos termos abaixo expostos: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (Vide Lei nº 13.097, de 2015) (Vide Lei nº 13.097, de 2015) I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por Fl. 139DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/05/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 6 cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2º Observado o disposto no § 3º deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Conforme previsto no art. 106 do CTN, a lei nova aplicase a ato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa do que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. Comparandose o regime da lei anterior com o da nova, verificase que a multa prevista naquela é mais benéfica ao contribuinte, tendo em vista que fora aplicada no montante de R$ 64,65, enquanto que a aplicação do novo regramento levaria à cobrança de multa no valor mínimo de R$ 500,00, por competência, tendo em vista a disposição do art. 32 A, § 3º, II, da Lei n.º 8.212/91. Quanto ao cálculo de tal multa, o Recorrente considera o valor mínimo de R$ 500,00 globalmente, para todo o auto de infração, enquanto que a melhor interpretação a ser adotada é a de considerar o valor mínimo por competência, já que a obrigação de entregar a GFIP sem erros ou omissões é mensal. Neste contexto, à míngua de elementos capazes de afastar a infração cometida, deve ser mantido o lançamento em sua integralidade. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/05/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 15563.000705/200975 Acórdão n.º 2401003.879 S2C4T1 Fl. 5 7 CONCLUSÃO De todo o exposto, conheço do recurso voluntário, e, no mérito, negolhe provimento, mantendose a multa aplicada na sua integralidade. É como voto. Carolina Wanderley Landim. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/05/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10882.901927/2008-08
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jun 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003
RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO
Configura-se a intempestividade do recurso voluntário apresentado após o prazo de trinta dias da ciência da decisão de primeira instância, impedindo o seu conhecimento.
Numero da decisão: 3803-006.967
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestivo.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Paulo Renato Mothes de Moraes.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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PRAZO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO Configurase a intempestividade do recurso voluntário apresentado após o prazo de trinta dias da ciência da decisão de primeira instância, impedindo o seu conhecimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestivo. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Paulo Renato Mothes de Moraes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 19 27 /2 00 8- 08 Fl. 162DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/03/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 O Contribuinte transmitiu a DComp nº 01369.30924.090304.1.3.048892, por meio da qual compensou a importância de R$ 1.655,33, correspondente a pagamento a maior de referente ao período de apuração março de 2003. Despacho Decisório eletrônico da DRF/OsascoSPe não homologou a compensação, sob o fundamento de que "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP'. Em Manifestação de Inconformidade apresentada, a Interessada alegou, em síntese, que: a) seria titular de um crédito, relativo ao recolhimento de PIS, em razão de ter calculado o tributo com alíquota maior que a realmente devida; b) utilizou esse crédito para compensar a CSLL relativa ao quarto trimestre de 2003; c) o Demonstrativo de Cálculo do PIS do período em referência por si só atesta a legitimidade do PER/DCOMP. Em julgamento da lide, a DRJ/Campinas considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade, tendo observado que: a) a DCTF transmitida pela Contribuinte estava vigente b) a DComp indicou um DARF integralmente aproveitado no pagamento de tributo confessado em DCTF, sendo, portanto, inteiramente válidos os fundamentos e a conclusão do Despacho Decisório. c) o procedimento instituído pelo programa PER/DCOMP é um mecanismo eletrônico, a verificação dos dados informados pelo Contribuinte também é realizada eletronicamente, resultando o Despacho Decisório em discussão, que concluiu pela não homologação da compensação, sob o fundamento de que embora localizado o pagamento que constituiria o crédito declarado, este não foi reconhecido pela Administração porque o respectivo valor havia sido utilizado para a extinção de outros débitos tributários incluídos pelo próprio Contribuinte em DCTF. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/03/2003 a 31/03/2003 COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS FEDERAIS. INSTRUMENTO E EFEITOS DO PER/DCOMP. A compensação de tributos federais é materializada, desde a edição da Lei n° 10.637/02, que introduziu o parágrafo primeiro ao artigo 74 da Lei 9.430/96, pela entrega do competente PER/DCOMP, ou seja: a compensação se realiza nos termos e nos limites do que foi declarado pelo contribuinte. A própria DCTF que constituiu fundamento do Despacho Decisório Fl. 163DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/03/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10882.901927/200808 Acórdão n.º 3803006.967 S3TE03 Fl. 163 3 informava a existência de crédito tributário vinculado ao recolhimento declarado indevido ou a maior no PER/DCOMP. OBRIGAÇÃO DE PROVAR ALEGAÇÕES DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. A simples apresentação de declarações, formuladas pelo Contribuinte, mesmo acompanhadas de simples demonstrativos de cálculo, não constituem prova hábil e suficiente para demonstrar a existência do crédito, formalmente declarado pelo próprio Contribuinte. Cientificada da decisão em 24 de outubro de 2012, quartafeira, conforme AR de fl. 31, apresentou recurso voluntário em 14 de dezembro de 2012, conforme Solicitação de Juntada de Documentos, segundo documentos de fls. 32/33. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator Conforme registro destacado ao final do Relatório neste acórdão, o recurso mostrase intempestivo. A data final para apresentação do recurso foi 23 de novembro de 2012, sextafeira. Em seu recurso voluntário, datado de 3 de dezembro de 2012, a Recorrente não apresenta preliminar de tempestividade, a justificar o extravasamento do seu prazo de defesa. Pelo exporto, voto por não conhecer do recurso, por intempestividade. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 164DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/03/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 13005.001398/2008-69
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 21 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3403-000.439
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (Para aguardar o desfecho do processo 13052.000281/00-38).
Antonio Carlos Atulim Presidente.
Domingos de Sá Filho Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Domingos de Sá Filho, Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti.
Nome do relator: Não se aplica
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (Para aguardar o desfecho do processo 13052.000281/0038). Antonio Carlos Atulim – Presidente. Domingos de Sá Filho – Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Domingos de Sá Filho, Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti. Relatório Cuida o presente Recurso Voluntário modificar a decisão de piso que manteve o indeferimento do aproveitamento de CréditoPrêmio à exportação solicitado pela empresa COMPANHIA MINUANDO DE ALIMENTOS relativo ao período de apuração de 01/10/1982 a 31/10/2003. A controvérsia reside se o direito ao benefício restou definitivamente reconhecido sem restrição por decisão judicial transitada em julgado ou ficou a critério da Autoridade Administrativa dispondo do seu poder de verificar a existência de crédito, concluir a inexistência em razão de fato não mencionado na lide judicial. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 30 05 .0 01 39 8/ 20 08 -6 9 Fl. 194DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 13005.001398/200869 Resolução nº 3403000.439 S3C4T3 Fl. 4 2 Vêse da motivação do indeferimento do pleito que o crédito prêmio à exportação beneficia somente aos exportadores de produtos manufaturados cujos produtos exportados, à época de sua exportação, não encontravam classificados na tabela de incidência do IPI (TIPI) como não tributados (NT) em razão da inexistência de alíquotas a ser aplicada sobre o valor FOB, como se extraí da ementa da decisão recorrida: “CRÉDITOPRÊMIO À EXPORTAÇÃO – QUANTIFICAÇÃO. Se os produtos exportados, à época de sua exportação, eram classificados na tabela de incidência do IPI (TIPI) como NT, não havendo disposição contrária do Poder Executivo, não há alíquota a ser aplicada sobre o valor FOB da exportação, ou o que o equivalha nos termos da lei, pelo que não há qualquer crédito com base na lei concessiva desse beneficio fiscal”. O direito do contribuinte foi reconhecido por decisão judicial nos termos abaixo: "(...) julgo procedente a presente ação, para o fim de declarar a existência do direito da autora em gozar dos estímulos fiscais previstos no Decretolei nº. 491, de 1969, e condenar a UNIÃO FEDERAL a aceitar o registro dos referidos créditos em sua escrita fiscal para efeito de compensação ou de pagamento em espécie, com juros de mora de 12% ao ano, a contar do trânsito em julgado da sentença (Cf, arts. 161, § 1º, e 167, parágrafo único), e correção monetária nos termos da Súmula 46 do TRF até ajuizamento da ação e, partir daí pela Lei nº 6.899 de 1981,mais reembolso das custas antecipadas, devidamente corrigidas e, mais o reembolso dos honorários de advogado, que fixo em 15% do total da condenação. Registrese. Intimemse”. Em embargos declaratórios interpostos pela Recorrente, restou assentado que o procedimento seria administrativo, isto é, solicitado diretamente à autoridade Fiscal em observância a sistemática proposta pelos Decretos leis nº 491/69 e 1.724/79. Sustenta a Recorrente que a decisão de piso ofende a coisa julgada, “pois é definitivo trânsito em julgado da decisão judicial, não há porque se questionar acerca do direito da Recorrente de realizar as compensações. Isto porque não há como pretender estabelecer limitações outras sem macular a "lei" estabelecida para o caso concreto, nos limites da lide, vale dizer, sem ferir o que o Judiciário já determinou: o direito da Recorrente aproveitar os créditos na forma prevista na legislação de regência do benefício fiscal em tela”. De modo que, Administração deixando de cumprir o que restou decido judicialmente, Ação Ordinária, violam frontalmente os efeitos da coisa julgada imanente h decisão condenatória implicando em verdadeira ofensa ao art. 5a, XXXV três da Constituição Federal posto que se furtasse em cumprir o decidido pelo Poder Judiciário. Ao decidir o julgador de piso afirma a inexistência do crédito prêmio de IPI à exportação, mesmo que o legislador ordinário atribuiu essa tarefa ao Poder Executivo editar normatização a fixar alíquota para os produtos não tributados e isentos no mercado interno, não ocorreu para os produtos classificados no Capítulo 2 – TIPI – relativo à carne de suíno e carne de aves classificados na posição 02.01 e 02.07. Inconformado com o fundamento da decisão, rebate afirmando que o Decreto nº 78.986/76 assegurou alíquota aplicável no mercado interno para tais produtos (regra geral) fixa Fl. 195DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 13005.001398/200869 Resolução nº 3403000.439 S3C4T3 Fl. 5 3 em 15% a alíquota do créditoprêmio quando os produtos constantes nos capítulos 82 a 89 da Tabela do IPI. É o relatório. Voto Embora a matéria tratada neste caderno não demanda complexidade, no entanto, encontra umbilicalmente atrelado ao processo 13052.000281/0038 onde se discute o crédito, motivo pelo qual impõe em converter o julgamento em diligência para aguardar o desfecho nos autos do processado aqui mencionado. Em sendo assim, voto no sentido de converter o julgamento em diligência sobrestandoo para aguardar o desfecho definitivo no processo nº 13052.000281/0038. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 196DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO
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Numero do processo: 10711.007201/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Sat Aug 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 04/06/2008
MULTA. CONTROLE ADUANEIRO. Não informou sobre a carga transportada antes da atracação do navio no porto. Não foi demonstrada a contingência. O prejuízo ao erário não pode ser mesurado apenas pela falta de informação, já que o controle aduaneiro é um procedimento complexo envolvendo vários órgãos e etapas. Não cabe denúncia espontânea pela exceção prevista no art. 683 do RA. Não há divergência na interpretação da lei tributária, o art. 112 do CTN não pode ser aplicado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-01.221
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Mara Cristina Sifuentes
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LOGISTICS DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 04/06/2008 MULTA. CONTROLE ADUANEIRO. Não informou sobre a carga transportada antes da atracação do navio no porto. Não foi demonstrada a contingência. O prejuízo ao erário não pode ser mesurado apenas pela falta de informação, já que o controle aduaneiro é um procedimento complexo envolvendo vários órgãos e etapas. Não cabe denúncia espontânea pela exceção prevista no art. 683 do RA. Não há divergência na interpretação da lei tributária, o art. 112 do CTN não pode ser aplicado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Luis Marcelo Guerra Castro Presidente. Mara Cristina Sifuentes Relatora. EDITADO EM: 28/11/2011 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Mara Cristina Sifuentes, Ricardo Paulo Rosa, Nanci Gama, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho. Ausente justificadamente o Conselheiro Luciano Pontes de Maya Gomes. Relatório Fl. 85DF CARF MF Emitido em 20/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 19/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/11/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES 2 Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2ª Turma da DRJ Florianópolis SC, a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, nos termos do Acórdão nº 0719.429, proferido em 09 de abril de 2010. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: Versa o presente processo sobre aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória, no valor de RS 5.000,00 (cinco mil reais) em face de o interessado em epígrafe ter deixado de prestar, no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal, informação sobre a carga manifestada no Conhecimento Eletrônico Genérico (MBL) n.° 130805109141038 e que chegou ao porto do Rio de Janeiro, transportada pelo navio HS CHOPIN, procedente do porto de Valência (Espanha), no dia 01/06/2008, às 10:34:00 h. Segundo descreve a autoridade autuante, à fl. 10 do processo, a informação sobre a carga em relevo deveria ter sido prestada pelo agente de carga (desconsolidador) antes da atracação do navio, ao passo que a desconsolidação da carga, incluindo o Conhecimento Eletrônico Agregado (HBL) n.° 130805112462443, ocorreu somente no dia 04/06/2008, às 16:29:31 h. Em conseqüência, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 01 a 13, com fulcro no disposto pela alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei n.° 37, de 1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei n.° 10.833, de 2003. Regularmente cientificado da exação em 26/10/2009 (fl. 27 verso), o contribuinte irresignado apresentou, em 25/11/2009, os documentos colacionados às fls. 39 a 49 e a impugnação de fls. 28 a 38, onde, em síntese: Alega ter prestado, em tempo hábil, as informações sobre a escala do navio e a respeito das cargas transportadas, inclusive aquelas acobertadas pelo conhecimento eletrônico máster (MBL) CE 130805109141038 e conhecimento eletrônico agregado (HBL) CE n.° 1308055112462443, sem causar qualquer dificuldade para que a fiscalização aduaneira apurasse os créditos destinados ao Erário; Não obstante isso, argumenta que, por força do art. 50 da IN RFB n.° 800, de 2007, alterada pela IN RFB n.° 899, de 2009, os prazos de antecedência previstos no art. 22 da citada instrução normativa somente tornaramse obrigatórios a partir de 1° de abril de 2009, em razão de que entende não ser possível a aplicação de qualquer penalidade; Aduz que, por ter prestado todas as informações sobre a carga em relevo no prazo estipulado, a aplicação da penalidade ora combatida tampouco pode sustentar se no disposto pelo inciso II do parágrafo único do art. 50 da mencionada instrução normativa; Reclama que não há como constituir embaraço à atividade fiscal através de mera ficção legal e mediante simples instrução normativa, além do que a correção realizada ocorreu antes de qualquer intimação ser expedida por parte do Fisco, pelo que alega que os registros efetuados no Siscomex devem ser tidos como denúncia espontânea, não podendo subsistir a infração apontada ante o disposto pelo art. 138 do CTN; Aduz que, à época da ocorrência da suposta infração, o novo programa Siscomex Carga encontravase dentro do plano de contingência que veio a encerrar se após o dia de atracação do navio sob apreço, qual seja, em 30/06/2008, pelo que presume ter havido um período experimental para o novo sistema e argumenta que Fl. 86DF CARF MF Emitido em 20/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 19/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/11/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES Processo nº 10711.007201/200911 Acórdão n.º 310201.221 S3C1T2 Fl. 72 3 referida infração estava abrangida pelo citado plano, não sendo passível de penalização; Ademais disso, alega que a multa pela retificação do conhecimento eletrônico agregado colide com o principio de vedação ao bis in idem, já que foi autuado pelos mesmos fato e fundamento no processo administrativo n.° 10711.007202/200966, qual seja foilhe aplicada a mesma multa por atraso na desconsolidação de conhecimentos eletrônicos agregados que estavam vinculados ao mesmo manifesto eletrônico de n.° 1308500965161, mesma escala sob o n.° 08000068425, e mesmos navio, viagem e data em que ocorreu o bloqueio automático do sistema; Para melhor sustentar suas alegações transcreve ementa do Acórdão n.° 07 16.580, exarado pela 2a. Turma de Julgamento desta DRJ/FNS, de onde destaca o raciocínio segundo o qual deve ser aplicada ao transportador uma única multa de cinco mil reais, por descumprimento da obrigação de informar os dados de embarque, no Siscomex, não sendo determinante a quantidade de dados informados; Ademais disso, cita ainda decisão prolatada pela DRJ/SPO II no PAF n.° 11128.005826/200487, segundo a qual o atraso nas informações prestadas pelos exportadores não configura hipótese de embaraço à fiscalização; Finalmente, em face do que foi exposto, requer o cancelamento do auto de infração impugnado. A DRJ traz a seguinte motivação e esclarecimento no seu voto: A multa foi aplicada pela não inclusão do conhecimento eletrônico de carga (HBL), no sistema MERCANTE antes da atracação do navio no Porto do Rio de Janeiro, conforme determinava o inciso II, parágrafo único, art. 50 da IN RFB nº 800/2007. O navio atracou no porto no dia 01062008 e a informação foi prestada em 04062008, caracterizada a intempestividade foi aplicada a multa prevista na alínea “e”, inciso IV, art. 107 do DecretoLei nº 37/66. A infração tem natureza objetiva e independe da intenção do agente e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato praticado, consoante parágrafo único do art. 602 do RA (Decreto nº 4543/2002) c/c art. 94 do DecretoLei nº 37/66. Quanto a espontaneidade aludida, não cabe a aplicação do art. 138 do CTN (Lei nº 5172/66), por este dispositivo não alcançar as penalidades exigidas pelo descumprimento de obrigações acessórias autônomas. Quanto a duplicidade de lançamento, alegada pelo impugnante que foi autuado pelos mesmos fatos e fundamentos no processo administrativo nº 10711.007202/200966, mesmo que em tese se confirme a duplicidade, deve ser mantido o presente auto já que lançado antes. A recorrente apresenta recurso voluntário, fls. 59 e sgs, onde em síntese solicita: 1. Que o sistema Siscomex Carga encontravase no plano de contingência à época dos fatos, não sendo passível de aplicação de qualquer penalidade conforme IN RFB nº 835/2008; 2. Que não houve prejuízo ao erário já que o conhecimento eletrônico Máster (MHBL) foi informado dentro do prazo estipulado; Fl. 87DF CARF MF Emitido em 20/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 19/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/11/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES 4 3. Também o art. 50 da IN RFB nº 800/2007 prevê que os prazos de antecedência serão obrigatórios somente a partir de 01/04/2009; 4. A multa prevista no RA é autônoma e não possui natureza jurídica de tributo, não cabendo o enquadramento como responsabilidade objetiva a teor do art. 136 do CTN. Mesmo que tivesse natureza tributária deveria ser aplicado o art. 112 do CTN que prevê a aplicação mais favorável ao contribuinte; 5. Cabe a utilização da denúncia espontânea quanto aos registros efetuados pela recorrente, aplicando a analogia conforme art. 108 do CTN. É o relatório. Voto Conselheira Mara Cristina Sifuentes, Relatora. O recurso é tempestivo, conforme disposto no art. 33 do Decreto nº 70.235/72. O Auto de Infração lavrado em 21/10/2009, pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar. Fato gerador ocorrido em 04/06/2008. A fundamentação legal foram os arts. 37 e 107, inciso IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66 com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833/03: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos,as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 1o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador,contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 2o Não poderá ser efetuada qualquer operação de carga ou descarga, em embarcações, enquanto não forem prestadas as informações referidas neste artigo. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003)[...] Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas:[...] IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais):[...] e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e[...] Fl. 88DF CARF MF Emitido em 20/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 19/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/11/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES Processo nº 10711.007201/200911 Acórdão n.º 310201.221 S3C1T2 Fl. 73 5 A norma legal citada outorgou competência a RFB para estipular a maneira e o prazo em que deverão ser prestadas as informações sobre as cargas. Para tanto a RFB editou a IN RFB nº 800/2007 que definiu: Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: [...] III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. § 1º Os prazos estabelecidos neste artigo poderão ser reduzidos para rotas e prazos de exceção. [...] Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009.(Redação dada pela IN RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção;e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. O art. 50 da IN RFB nº 800/2007 determinou um prazo de início de validade da norma legal, ou seja, a partir de 01/01/2009, posteriormente alterado pela IN RFB nº 899/2008 para 01/04/2009. Ou seja, antes deste prazo fatal o transportador estaria obrigado a seguir o disposto no inciso II, parágrafo único do art. 50 da IN RFB nº 800/2007, quer dizer, informar as cargas transportadas antes da atracação ou desatracação em porto no país, um prazo mais favorável aos intervenientes que começavam a utilizar o Siscomex Carga. A IN RFB nº 800/2007, logo no seu início, art. 1o, estipula o modo como as informações sobre as cargas transportadas serão prestadas, e ela entrou em vigor na data da sua publicação, 27/12/2007, produzindo efeitos a partir de 31/03/2008, conforme art. 52. Art. 1º O controle de entrada e saída de embarcações e de movimentação de cargas e unidades de carga em portos alfandegados obedecerá ao disposto nesta Instrução Normativa e será processado mediante o módulo de controle de carga aquaviária do Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), denominado Siscomex Carga. Parágrafo único. As informações necessárias aos controles referidos no caput serão prestadas à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) pelos intervenientes, conforme estabelecido nesta Instrução Normativa, mediante o uso de certificação digital: I no Sistema de Controle da Arrecadação do Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante (Mercante), gerenciado pelo Departamento do Fundo da Marinha Mercante Fl. 89DF CARF MF Emitido em 20/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 19/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/11/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES 6 (DEFMM), pelos transportadores, agentes marítimos e agentes de carga; e II diretamente no Siscomex Carga, pelos demais intervenientes. (grifos meus) Portanto claro está que a informação sobre as cargas chegadas ao Brasil deveriam ter sido prestadas no Siscomex anteriormente a atracação do navio no porto. Não prospera também a alegação de falta de prejuízo ao erário, por as informações sobre a carga consolidada terem sido prestadas dentro do prazo. O controle aduaneiro no Brasil envolve várias etapas e procedimentos; e existem vários órgãos trabalhando conjuntamente para propiciar segurança ao país, celeridade nos trâmites, diminuição dos custos, maior competitividade para as empresas, dentre outros objetivos. Dizer que o não cumprimento de uma obrigação pelo contribuinte não causará prejuízo ao erário é reduzir o alcance da atuação aduaneira. Graças a esta atuação e aos procedimentos implantados, como o gerenciamento de risco, que permite a análise antecipada das importações e exportações de mercadorias, que é possível evitar a ocorrência de contrabando, descaminho, tráfico de drogas e armas e efetuar o combate à pirataria. A respeito da possibilidade de aplicação mais favorável ao contribuinte e sobre a recorrente ter se valido do instituto da denúncia espontânea, temos que o direito tributário regese pelo princípio da legalidade estrita, cabendo ao aplicador da lei seguila literalmente, não havendo margem para discricionariedade pelo agente público. O art. 112 do CTN prevê a interpretação mais favorável ao acusado em caso de dúvidas, o que não ocorreu na situação apresentada. Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I. à capitulação legal do fato; II. à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III. à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV. à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. A multa deve ser aplicada por descumprimento de um prazo, o prazo foi descumprido, configurado ficou a infração a norma legal. O posicionamento do STJ sobre a questão é que se não há divergência na interpretação da lei tributária, o art. 112 do CTN não pode ser aplicado. “Ementa: .... ‘Não havendo divergência acerca da interpretação da lei tributária, o art. 112 do CTN não pode ser aplicado. Precedentes do STJ: REsp 9.571/RJ e Resp 41.928/SP.’ ....” (STJ. REsp 236728/CE. Rel.: Min. Franciulli Netto. 2ª Turma. Decisão: 06/06/00. DJ de 1º/08/00, p. 242.) Também não é o caso de uso da analogia, a teor dos art. 108 e art. 136 do CTN, já que a responsabilidade pela infração a legislação tributária restou comprovada. Fl. 90DF CARF MF Emitido em 20/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 19/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/11/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES Processo nº 10711.007201/200911 Acórdão n.º 310201.221 S3C1T2 Fl. 74 7 Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará, sucessivamente, na ordem indicada: I. a analogia; [...] Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Finalmente, quanto a alegada denúncia espontânea, por a recorrente ter prestado as informações antes da autuação fiscal, não merece prosperar. O instituto da denúncia espontânea previsto no art. 683 do RA (art. 102 do DecretoLei nº 37/66) não permite a sua utilização após formalizada a entrada do veículo de carga. Art. 683. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento dos tributos dos acréscimos legais, excluirá a imposição da correspondente penalidade (DecretoLei no 37, de 1966, art. 102, caput, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 1o; e Lei no 5.172, de 1966, art. 138, caput). § 1o Não se considera espontânea a denúncia apresentada (DecretoLei no 37, de 1966, art. 102, § 1o, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 1o): I no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; ou II após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2o A denúncia espontânea exclui somente as penalidades de natureza tributária (DecretoLei no 37, de 1966, art. 102, § 2o, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 1o). § 3o Depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador. (grifos meus). Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Mara Cristina Sifuentes Relatora Fl. 91DF CARF MF Emitido em 20/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 19/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/11/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES 8 Fl. 92DF CARF MF Emitido em 20/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 19/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/11/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES
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