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Numero do processo: 10930.907906/2011-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 20/05/2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO PARA PERÍODO POSTERIOR A LEI 9.718/98. . RESTITUIÇÃO. COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. DESCABIMENTO.
A decisão judicial, proferida pelo Supremo Tribunal Federal sob a sistemática de repercussão geral, que reconhece a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, promovido pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718, de 1998, não possui influência nas solicitações de restituição de PIS ou de Cofins calculados no regime da não-cumulatividade, com base nas Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003.
Numero da decisão: 3402-006.412
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer os Embargos de Declaração interpostos para dar-lhe provimento com efeitos infringentes e, com isso, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Antonio Borges (Suplente convocado),Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO PARA PERÍODO POSTERIOR A LEI 9.718/98. . RESTITUIÇÃO. COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. DESCABIMENTO. A decisão judicial, proferida pelo Supremo Tribunal Federal sob a sistemática de repercussão geral, que reconhece a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, promovido pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718, de 1998, não possui influência nas solicitações de restituição de PIS ou de Cofins calculados no regime da nãocumulatividade, com base nas Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer os Embargos de Declaração interpostos para darlhe provimento com efeitos infringentes e, com isso, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Maysa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 79 06 /2 01 1- 71 Fl. 121DF CARF MF 2 de Sá Pittondo Deligne, Marcos Antonio Borges (Suplente convocado),Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório 1. Por bem retratar o caso, emprego como meu o relatório desenvolvido no acórdão recorrido de n. 0641.511 (fls. 38/42), da lavra da DRJ de Curitiba/PR, o que passo a fazer nos seguintes termos: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade apresentada em face do indeferimento de pedido de restituição (PER), de nº 09915.71783.210705.1.2.049069, nos termos do despacho decisório emitido em 02/12/2011 (rastreamento nº 013473097). No aludido PER, transmitido eletronicamente em 21/07/2005, a contribuinte indicou um crédito de R$ 11.586,17, referente ao pagamento efetuado em 20/05/2004, de Cofins, código de receita 5856, no valor total de R$ 11.586,17. Segundo o despacho decisório recorrido, a restituição foi indeferida porque o Darf indicado como crédito estava totalmente utilizado para extinção de débito de Cofins, 5856, do período de apuração de 30/04/2004, de acordo com a informação da DCTF transmitida pela Interessada. Cientificada em 22/12/2011, a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 19/01/2012. Alega que recolheu valores indevidos de PIS/Pasep e de Cofins que incidiram sobre outras parcelas que não se compreendem no conceito de faturamento, relativamente às competências de 07/2000 a 01/2004, 03/2004 e 07/2004. Diz que nos referidos períodos (anos de 2000 a 2004) informou em DCTF os valores devidos a título de PIS/Pasep e de Cofins levando em conta a legislação vigente à época, que alargava a suas bases de cálculo ao considerar as receitas financeiras como integrantes do conceito de faturamento. Aduz, porém, que o STF considerou inconstitucional tal ampliação da base de cálculo. Anexa jurisprudência do STF e do CARF. Em função disso, entende que as “declarações prestadas à época da vigência plena do §1o do art. 3o da Lei n° 9.718/98, hoje declarada inconstitucional, hão de ser revistas de modo a se adequarem a tal entendimento, em prol da realidade material que passou a existir com a declaração de inconstitucionalidade pelo E. STF”. Anexa planilha demonstrando as diferenças pleiteadas, as quais “correspondem exatamente às receitas não operacionais, não integrantes da base de cálculo do PIS/Cofins após a declaração de inconstitucionalidade do §1o do art. 3o da Lei n° 9.718/98”. Argumenta que para o deferimento do pedido de restituição basta que a autoridade julgadora exclua das DCTF apresentadas as receitas não operacionais (financeiras), tendo Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10930.907906/201171 Acórdão n.º 3402006.412 S3C4T2 Fl. 122 3 por base a planilha anexa, a fim de adaptar à realidade as declarações prestadas. Pede o provimento integral do presente recurso. 2. Devidamente processada, a manifestação de inconformidade do contribuinte foi julgada improcedente, por intermedio do citado acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 20/05/2004 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o pagamento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. CARÁTER INTER PARTES. É perfeitamente aplicável a disposição § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, só atingindo as partes envolvidas. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. 3. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 46/49, oportunidade em que repisou as alegações anteriormente desenvolvidas. Aludido recurso, por seu turno, foi julgado procedente pelo acórdão n. 3802004.188 (fls. 92/99), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 20/05/2004 INCONSTITUCIONALIDADE. LEI Nº 9.718/98. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. O Tribunal Pleno do STF declarou em definitivo a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que promoveu o alargamento da base de cálculo da Cofins em virtude da alteração do conceito de Receita Bruta (REsp nºs 346.084/PR, 358.273/RS, 357.950/RS e 390.840/PR). Considerando o disposto no art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, fica facultado aos membros das Fl. 123DF CARF MF 4 turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação de Lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. Conforme o disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF decisões de mérito em sede de repercussão geral e recurso repetitivo proferidas pelo STJ e STF deverão ser reproduzidas pelos conselheiros nos julgamentos ANÁLISE DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO. JUNTADA DOS EXCERTOS DOS LIVROS DIÁRIO E RAZÃO EM SEDE RECURSAL, APÓS PROVOCAÇÃO PELA DECISÃO RECORRIDA. POSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Nos termos do art. 16, § 4o, c, do Decreto 70.235/72, é possível a apreciação de documentação comprobatória do crédito suscitado, caso esta tenha sido juntada para embasar direito já alegado mediante planilha em sede de Manifestação de Inconformidade. Recurso Voluntário Provido em Parte. 4. Devidamente intimada, a União apresentou os embargos de declaração de fls. 101/103, o qual foi admitido pelo r. despacho de fls. 105/108. 5. Diante do potencial efeito infringente do mencionado recurso, foi dada oportunidade para que o contribuinte se manifestasse a respeito (despacho de fls. 109/111). Devidamente intimado (fl. 114), o contribuinte ficou silente. 6. É o relatório. Voto Conselheiro Diego Diniz Ribeiro 7. Os embargos de declaração interpostos são tempestivos e preenchem os demais pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual deles tomo conhecimento. I. Da omissão 8. A União alega que o acórdão embargado seria omisso uma vez que: (...). Pela análise do acórdão nº 3802004.188, verificase a existência de uma omissão/obscuridade, pois o presente processo envolve pagamentos de COFINS realizados sob código de receita 5856, que se refere ao regime não cumulativo, regido pela Lei nº 10.833/03, já em vigor à época do seu período de apuração (30/04/2004). Assim, mesmo em face da fundamentação adotada pelo acórdão, não devem ser excluídas da base de cálculo as receitas Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10930.907906/201171 Acórdão n.º 3402006.412 S3C4T2 Fl. 123 5 financeiras no período de vigência da Lei nº 10.833/03, vez que esta não foi alcançada pela declaração de inconstitucionalidade pelo STF, sendo compatível com o art. 195, I, “b” da Constituição Federal. (...). 9. Com razão a embargante, já que o período do crédito aqui vindicado referese ao mês de maio de 2004, ou seja, quando já vigente o regime nãocumulativo da COFINS. Aliás, essa questão não é nova para o recorrente, que teve casos análogos julgados por esse tribunal sob o rito de recursos paradigmáticos. Nesse sentido, transcrevo a ementa do acórdão paradigmático n. 3201004.371, in verbis: Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO DE CINCO ANOS PARA APRECIAR. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Diferentemente da compensação, por ausência de compensação legal, não será considerada tacitamente homologada a restituição, objeto de despacho decisório proferido e cientificado o sujeito passivo, após o prazo de cinco anos, contados da data de seu protocolo nos termos dos parágrafos 4º e 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada, respectivamente, pelo artigo 49 da Lei nº 10.637/02 e artigo 17 da Lei nº 10.833/03. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. RESTITUIÇÃO. PIS/PASEP. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. DESCABIMENTO. A decisão judicial, proferida pelo Supremo Tribunal Federal sob a sistemática de repercussão geral, que reconhece a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, promovido pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718, de 1998, não possui influência nas solicitações de restituição de PIS ou de Cofins calculados no regime da não cumulatividade, com base nas Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. 10. Nesta oportunidade o Conselheiro Pedro Rinaldi assim se manifestou em seu voto: (...). Com relação ao mérito, como bem exposto na decisão de primeira instância, a mencionada inconstitucionalidade do denominado "alargamento da base de cálculo do Pis e Cofins" não se aplica ao regime não cumulativo, isto porque a Lei n.º 9718/98, que foi objeto do mencionado julgamento no STF, trata somente do Pis e Cofins no regime cumulativo. Assim, a decisão judicial, proferida pelo Supremo Tribunal Federal sob a sistemática de repercussão geral, que reconhece a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS Fl. 125DF CARF MF 6 e da Cofins, promovido pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718, de 1998, não possui influência nas solicitações de restituição de PIS ou de Cofins calculados no regime da não cumulatividade, com base nas Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. (...). 11. Assim, empregando como meu tais fundamentos acima transcritos, o que faço com fundamento no art. 50, § 1o A da lei n. 9.784/99, encaminho meu voto para reconhecer a omissão ventilada pela embargante. Dispositivo 12. Ante o exposto, voto por conhecer os embargos de declaração interpostos para darlhe provimento com efeitos infringentes e, com isso, negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte. 13. É como voto. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro. Fl. 126DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11829.720004/2017-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.824
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que se faça o confronto entre o estoque existente à época e as importações realizadas no período, para que se verifique, conclusivamente, se havia mercadorias que poderiam ter sido apreendidas.
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Mara Cristina Sifuentes - Relatora.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado).
Relatório
Nome do relator: MARA CRISTINA SIFUENTES
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1709; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2.732 1 2.731 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11829.720004/201747 Recurso nº De Ofício e Voluntário Resolução nº 3401001.824 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 27 de março de 2019 Assunto ADUANA. PERDIMENTO. Recorrentes TENNIS SPORTS COMÉRCIO, EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO DE ARTIGOS ESPORTIVOS LTDA E FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que se faça o confronto entre o estoque existente à época e as importações realizadas no período, para que se verifique, conclusivamente, se havia mercadorias que poderiam ter sido apreendidas. Rosaldo Trevisan Presidente. (Assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes Relatora. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado contra a empresa TENNIS SPORTS COMERCIO, EXPORTACAO E IMPORTACAO DE ARTIGOS ESPORTIVOS LTDA, doravante denominada TENNIS, referente à pena de perdimento por dano ao erário das mercadorias importadas pelas Declarações de Importação listadas nos autos, convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias pela impossibilidade de sua apreensão, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 18 29 .7 20 00 4/ 20 17 -4 7 Fl. 2732DF CARF MF Processo nº 11829.720004/201747 Resolução nº 3401001.824 S3C4T1 Fl. 2.733 2 nos termos do art.23, IV, V e §3º do DecretoLei n° 1.455/1976, com crédito tributário no valor total R$ 17.497.135,44 (dezessete milhões, quatrocentos e noventa e sete mil, cento e trinta e cinco reais e quarenta e quatro centavos). Foram arrolados como responsáveis solidários as empresas SPORTING PRODUCTS DO BRASIL LTDA, CNPJ 02.989.949/000191, aqui denominada SPORTING, RAQUETES COMÉRCIO DE ARTIGOS ESPORTIVOS EIRELI, CNPJ 10.656.208/000117, doravante denominada RAQUETES, e FLORSOF ADMINISTRAÇÃO DE BENS PRÓPRIOS LTDA ME, CNPJ 08.846.874/000176, doravante denominada FLORSOF, e os sócios FABIAN GUSTAVO PALMIERI (sócio administrador da SPORTING e exsócio da TENNIS), doravante Sr. FABIAN, e sua esposa SILVIA MARIA CARMEN TOYAA PALMIERI (sócia administradora da TENNIS e exsócia da SPORTING), doravante Sra. SILVIA. O acórdão DRJ excluiu do pólo da solidariedade tributária a empresa FLORSOF ADMINISTRAÇÃO DE BENS PRÓPRIOS LTDA ME, CNPJ 08.846.874/000176, e por isso recorreu de ofício ao CARF. Existe um Auto de Infração apartado (nº 11829.720003/201701) de aplicação de multa de 10% do valor das importações contra a empresa Sporting Products por cessão de nome. Por bem descrever os fatos reproduzo o relatório que consta no Acórdão DRJ: De acordo com o Termo de Verificação Fiscal e Descrição dos Fatos (folhas 21/95), parte integrante e indissociável do Auto de Infração, destacamos o que se segue: 1. A empresa SPORTING PRODUCTS DO BRASIL LTDA, CNPJ 02.989.949/000191, aqui denominada SPORTING, é pessoa fraudulentamente interposta nas operações em que figurou como importadora e adquirente de produtos esportivos das marcas BABOLAT e ARENA, no período de 2012 a 2016. 2. A real adquirente ocultada do Fisco é a empresa TENNIS SPORT COMÉRCIO, EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO DE ARTIGOS ESPORTIVOS LTDA, única cliente da SPORTING. 3. O esquema fraudulento foi gerenciado por FABIAN GUSTAVO PALMIERI (sócio administrador da SPORTING e exsócio da TENNIS), doravante Sr. FABIAN, e sua esposa SILVIA MARIA CARMEN TOYAA PALMIERI (sócia administradora da TENNIS e ex sócia da SPORTING), doravante Sra. SILVIA, com o objetivo de obter vantagens tributárias relativas ao recolhimento do ICMS e do IPI na importação e comercialização dos produtos esportivos das marcas BABOLAT e ARENA, lesando o erário e gerando concorrência desleal. 4. A SPORTING possui matriz com endereço declarado à Rua Antônio Galizia, 105, Cambui, Campinas/SP, CEP 13024510 (imagens obtidas junto ao Google Street View remetem a um condomínio residencial); E filial localizada à Rua Olegário Maciel, 531, Passo/MG (imagens do Google Street View apontam casa sem qualquer identificação de empresa). A matriz declarou em GFIP no máximo 2 (dois) funcionários por mês, sendo um deles sempre o sócio SR. FABIAN. A filial em Fl. 2733DF CARF MF Processo nº 11829.720004/201747 Resolução nº 3401001.824 S3C4T1 Fl. 2.734 3 Passos/MG, importadora declarada na maioria das DIs, não registrou funcionários no período fiscalizado. 5. A empresa TENNIS tem matriz com endereço declarado à Rua Astolfo Pio, 250, Machado/MG, cujas imagens obtidas junto ao Google Street View remetem a uma pequena loja não compatível com o porte esperado para esse estabelecimento a partir do volume de suas notas fiscais (fl.26), e para esta matriz foram declarados em GFIP no máximo 2 funcionários por mês, sendo um deles sempre a sócia Sra. SILVIA. A filial da TENNIS apresentou endereço declarado à Rua James Clerk Maxwell, 170, Condomínio Techno Park condomínio de empresas com características condizentes com suas operações. A filial em Campinas/SP chegou a declarar mais de 20 (vinte) funcionários por mês no período. 6. Informações obtidas na internet indicam que a TENNIS e a SPORTING constituem um GRUPO que opera de fato em Campinas/SP. Primeiro, o contato BABOLAT no site apresenta o endereço da filial da TENNIS em Campinas e email com domínio @arenababolat. Segundo, entrevista de Sr. FABIAN à revista ISTOÉ Dinheiro, quando se apresenta como sendo da Babolat Arena (imagens às fls. 27/28). 7. Concluiu a fiscalização o seguinte cenário: Só existe uma empresa de fato, localizada no endereço do site da BABOLAT na internet que coincide com o endereço da filial da TENNIS declarado, qual seja, Rua James Clerk Maxwell, 170, Condomínio Techno Park – Galpão 03, Rodovia Anhanguera – KM 105,5, CEP 13069380 – Campinas/SP, local este objeto de diligência. 8. As Notas Fiscais de vendas de mercadorias importadas pela SPORTING para a TENNIS não traduzem a realidade das operações comerciais. Elas seriam apenas instrumentos de simulação de operações. 98% das importações chegaram por Campinas/SP, sendo que 91% (em valor) das mercadorias foram importadas pela filial da SPORTING em Passos/MG, emissora das NFe de Entrada para desembaraço das mercadorias. Estas mercadorias foram vendidas para a TENNIS, principalmente para a matriz em Machado/MG. 64% das vendas da TENNIS são para o Estado de SP e atendidas pela matriz de Machado/MG. Os clientes da TENNIS de MG são atendidas pela filial de Campinas/SP. 9. Indícios apontam que, na realidade, todas as operações ocorreram materialmente no Estado de SP, não circulando mercadorias no estado de Minas Gerais, sendo improvável que as mercadorias tenham sido armazenadas na filial SPORTING em Passos/MG ou na matriz da TENNIS em Machado/MG, dada a estrutura física observada naqueles endereços e a condição logística absurda que a situação exigiria. 10. Os transportadores que constam nas Notas Fiscais de venda da TENNIS de MG são, na maioria, da região de Campinas/SP. Nos Conhecimentos de Transporte Eletrônicos (CTe) vinculados às Notas Fiscais Eletrônicas (NFe) de entrada das importações realizadas pela SPORTING de MG, é possível observar que as mercadorias são transportadas de Campinas/SP (local de desembaraço) para Fl. 2734DF CARF MF Processo nº 11829.720004/201747 Resolução nº 3401001.824 S3C4T1 Fl. 2.735 4 Valinhos/SP (município de residência de SR. FABIAN e SILVA e que já foi endereço da SPORTING/SP). Verificase, ainda, que nas NFe de venda das mercadorias importadas pela SPORTING de Passos/MG para a TENNIS de Machado/MG não há transportador registrado e, portanto, inexistem CTe vinculados. 11. Verificouse a existência do Processo Administrativo Fiscal (PAF) nº 10611.000041/201122 que consiste na autuação em nome da TENNIS/MG em 2011, pela Inspetoria da RFB em Belo Horizonte, por fraude no comércio exterior praticada em conjunto com a SPORTING, ação fiscal iniciada em 02/09/2010. Neste processo observouse que a TENNIS, em função de restrições impostas por sua modalidade de habilitação, registrou importações no regime de entreposto aduaneiro de mercadoria com cobertura cambial (vedada à época), nacionalizadas pela SPORTING. Na ocasião a TENNIS era representante da BABOLAT. 12. Em 2009 foi constituída a empresa RAQUETES, tendo como dirigente/acionista de 99% das cotas a FLORENCIA TOUYAA PALMIERI, filha mais velha do casal Sr. FABIAN e Sra. SILVIA e menor de idade à época. Após autuação fiscal da TENNIS em 2011 a RAQUETES solicitou habilitação para operar no comércio exterior, concedida em 2012 na modalidade limitada a 150 mil dólares por semestre, e realizou importações da marca ARENA. Da coincidência de datas, entendeu a fiscalização que uma possível motivação seria ter uma empresa de backup em caso de complicações junto ao fisco. 13. Em 2013 a RAQUETES foi transformada em Empresa Individual de Responsabilidade Limitada (EIRELI) em nome de FLORÊNCIA. Destaquese que neste tipo de empresa o sócio não responde com seus bens pessoais pelas dívidas da empresa. O patrimônio declarado pela RAQUETES não representa o patrimônio do grupo, mas é esta empresa que se apresenta juridicamente como BABOLAT. 14. A RAQUETES optou pelo regime do SIMPLES em 2015. Em março de 2016 houve demissão de quase todos os funcionários da TENNIS em Campinas, os quais foram readmitidos na empresa RAQUETES. 15. Ainda em março de 2016, a RAQUETES se habilitou na modalidade ilimitada e passou a importar produtos para tênis de mesa da marca CORNILLEAU. A empresa encerrou a filial em MG e manteve o estabelecimento de Campinas (mesmo endereço da TENNIS). 16. Em junho de 2016, a TENNIS igualmente se habilitou na modalidade ilimitada. 17. A FLORSOF foi constituída em 2007 com Sr. FABIAN e Sra. SILVIA com 49% do capital (R$392.000,00) cada, e as filhas FLORENCIA e SOFIA com 1% (R$8.000,00) cada. Menos de 4 meses depois Sr. FABIAN e Sra. SILVIA redistribuem a totalidade do capital para as filhas (à época com 15 e 11 anos, respectivamente) e omitem essa "doação" da Receita Federal. 18. No campo DECLARAÇÃO DE BENS E DIREITOS da declaração de IRPF 2011/2012 da Sra. SILVIA, constatouse que a mesma Fl. 2735DF CARF MF Processo nº 11829.720004/201747 Resolução nº 3401001.824 S3C4T1 Fl. 2.736 5 “empresta” recursos próprios para a FLORSOF e se “credita”, postura que demonstra um vínculo que ultrapassa a simples administração da empresa das filhas (fl.48). O mesmo ocorreu com a RAQUETES na DIRPF 2012/2013. 19. De igual modo, na DECLARAÇÃO DE BENS E DIREITOS da DIRPF 2015/2016, SR. FABIAN "vende" o veículo de sua empresa SPORTING para a FLORSOF no ano de 2015 e se credita do valor de R$74.900. 20. Da análise das DIRPF de SR. FABIAN, observouse que não recebeu nenhum lucro/dividendo da SPORTING em 2015, apenas R$12 mil de prólabore anual. Do patrimônio de R$3.004.364,36 declarado em 2015, R$597.000,00 são referentes às quotas da SPORTING, R$ 2.047.655,05 de créditos da SPORTING e, ainda R$74.900,00 de crédito referente à venda de veículo à FLORSOF. 21. Já SILVA declarou R$2.114.493,23 de lucros/dividendos recebidos da TENNIS para o mesmo ano de 2015, o que comprovaria que a TENNIS era efetivamente a BABOLAT e, portanto, real adquirente das mercadorias importadas pela SPORTING, concentrando o lucro do GRUPO. Outro ponto foi a declaração de um crédito de R$1.137.587,41 referente a um empréstimo feito a RAQUETES e outro crédito de R$30.500,00 com a FLORSOF. Créditos com empresas em nome das filhas, porém controladas pelo casal indicariam tentativa de ocultação de bens por meio de operações simuladas, pelo receio dos bens pessoais do casal serem arrolados para garantia do crédito tributário, em função da responsabilidade pessoal dos sócios resultante de atos praticados com excesso de poder ou infração de lei, prevista no art.135, II do CTN. 22. Parte das receitas da FLORSOF, empresa administradora de bens próprios, são oriundos de aluguéis dos imóveis onde funcionam de fato a SPORTING, TENNIS e a RAQUETES, conforme documento datado de 10/06/2016 de título "SALDO DE CONTAS", rubrica Florsoft Aluguel conta Florsoft (fl. 48). 23. No processo de revisão de habilitação da RAQUETES em 2016, foi apresentado contrato de locação de imóvel já utilizado pelas empresas do grupo. Neste processo a RAQUETES afirmou ser representante das marcas ARENA (produtos de natação) e CORNILLEAU (produtos de tênis de mesa), mas se omitiu em relação à marca BABOLAT, mesmo sendo o seu CNPJ o apresentado no site da marca no Brasil. 24. Em 06/07/2016, foram diligenciadas a RAQUETES, a TENNIS e a SPORTING. Todas três verificadas no mesmo endereço declarado pela RAQUETES e TENNIS em Campinas. Os três Termos foram assinados pelo funcionário FRANCISCO MEDEIROS ROCHA MATTOS, CPF 402.267.41800, doravante FRANCISCO, designado pelo SR. FABIAN para acompanhar os procedimentos da fiscalização. No momento da diligência ficou claro que quem dava as ordens em todas as empresas era de fato SR. FABIAN, assim como a relação de emprego entre funcionários e as empresas tornouse mera formalidade, pois de fato existia apenas um estabelecimento empresarial atendendo a todas as empresas do GRUPO (fls.55/57). Fl. 2736DF CARF MF Processo nº 11829.720004/201747 Resolução nº 3401001.824 S3C4T1 Fl. 2.737 6 25. Confusão operacional entre as empresas RAQUETES, SPORTING e TENNIS. Mesmos funcionários, mesmo local físico e gastos controlados de forma unificada (fl.48). Na fachada da empresa existem alusões às marcas ARENA e BABOLAT. A funcionária TATIANE DE PAULA SOUZA, Analista Financeira, realiza emissões das notas fiscais da SPORTING para a TENNIS e o pagamento da TENNIS para a empresa SPORTING são realizados pela funcionária THALITA LOPES GUIMARÃES CORREA, igualmente Analista Financeira, ambas funcionárias lotadas formalmente na RAQUETES. 26. Foram tiradas fotos e lavrados termos de constatação e entrevistas. Foram retidos arquivos digitais, correspondências, computadores, entre outros. A Sra. SILVIA e o Sr. FABIAN, como representantes das empresas e em atendimento à intimação fiscal, compareceram à sala da Fiscalização em Viracopos, presenciaram a abertura do material retido e prestaram depoimentos tomados via Termo de Declaração nº03/2016 (fls. 58/63) do qual foram extraídos os seguintes trechos: FABIAN respondeu que a representante da marca Arena é a empresa RAQUETES desde 2009, mas que devido à limitação do RADAR da empresa RAQUETES [...] realizou as importações das mercadorias da marca Arena pela empresa SPORTING[...]a função da empresa RAQUETES é realizar as vendas no varejo utilizando exclusivamente a internet para pessoas físicas [...] que a SPORTING funciona como uma trading, isto é, quando sai da alfândega já é transferida a mercadoria para a empresa TENNIS, no mesmo dia, e são armazenadas no depósito da empresa TENNIS na cidade de Campinas [...]da empresa RAQUETES as mercadorias da marca Cornilleau não são transferidas para nenhuma outra empresa [...]que não há contrato comercial entre a empresa SPORTING e a empresa TENNIS [...] FABIAN respondeu que é a própria funcionária Tatiane de Paula Souza, Analista Financeira, que realiza as emissões das notas fiscais da empresa e que a funcionária Thalita Lopes Guimarães Correa, também Analista Financeira, realiza os pagamentos da empresa TENNIS para a empresa SPORTING [...]FABIAN respondeu que a SPORTING vende para TENNIS com lucro com base de uma trading, isto é, em leis de mercado com margens menores, ressalvou que a TENNIS não teve durante a sua vida habilitação ilimitada no sistema RADAR.[...] Sobre a logística da filial da SPORTING em MG importar por Viracopos em CampinasSP e vender para a matriz da TENNIS em MG SR. FABIAN explana sobre dados de tributação de ICMS (fl. 62) e finaliza: [...] hoje as empresas localizadas em Minas Gerais não existem mais fisicamente, apenas juridicamente, porque a TENNIS e a SPORTING tem processos na Receita Federal e por isso não consegue fechar as respectivas empresas[...]. Sobre o endereço da SPORTING: FABIAN respondeu que por motivos pessoais transferiu as atividades da respectiva empresa para o mesmo lugar em que residia, contudo há mais de um ano retornou as atividades para a Rua James Clerk Maxwell, 170, Techno Park, mesmo endereço da empresa TENNIS; respondeu, também que a empresa TENNIS apresenta endereço um pouco diferente da RAQUETES, porque o cadastro foi realizado utilizando a conta de luz, que é referente ao uso comum da energia elétrica dos três galpões que se Fl. 2737DF CARF MF Processo nº 11829.720004/201747 Resolução nº 3401001.824 S3C4T1 Fl. 2.738 7 encontram neste endereço; Respondeu que toda parte operacional das empresas atualmente funciona no endereço do Techno Park, local da diligência.[...] que os funcionários realizam atividades das 3 (três) empresas e que transferiu os funcionários para a empresa RAQUETES, porque a atividade da RAQUETES tinha uma expectativa de crescimento alto, pelo motivo de comercializar pela internet e também por estar registrada no Simples, existindo um recolhimento mais simplificado. 27. A fiscalização conclui que as empresas de MG nunca existiram de fato, servindo apenas para emitir notas fiscais e perpetuar fraude fiscal. 28. Em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal nº01/2016 da SPORTING, foram apresentados contratos comerciais de uso ou representação de marca, firmados junto a fornecedores de mercadorias no exterior, das marcas ARENA e BABOLAT. No primeiro SR. FABIAN assina pela RAQUETES como representante da marca e no segundo SR. FABIAN assina pela SPORTING. 29. Ainda em atendimento ao citado Termo, foi informado que SR. FABIAN é quem negocia pessoalmente as importações, que Babolat e Arena são os principais fornecedores e a TENNIS a única cliente. Alegouse que não existem contratos formalizados com clientes, tampouco pedidos escritos. Informouse ainda que não se dispõe de contrato de locação dos armazéns/recintos utilizados pela empresa para armazenagem de estoque, pois eram contratos muito antigos e as mercadorias são armazenadas no destino (ou seja, na TENNIS em Campinas/SP). 30. Sobre a solicitação de documentos que comprovem o financiamento das atividades da empresa, respondeuse que pelas receitas próprias, empréstimos bancários e aporte do sócio. Alegouse que a empresa não teria disponíveis os documentos que comprovam a integralização de seu capital social, em função do tempo transcorrido (1999). 31. Para corroborar sua tese, a auditoria fiscal organiza os documentos e conclusões obtidos via diligência da seguinte forma (fls.78/85): 1 autorizações do SR. FABIAN para permitir despachantes aduaneiros debitarem da conta corrente da RAQUETES valores relativos ao despacho de mercadorias importadas. 2 Boletos de pagamentos encontrado juntos, com mesmo endereço da SPORTING, TENNIS e RAQUETES em Campinas. 3 Planilhas para controle contábil conjunto das três empresas. 4 Conhecimentos de transporte emitidos pelo GRUPO ETTORI que confirmam que as empresas de MG são de fachada. A importadora (filial da SPORTING em MG) envia a mercadoria para a destinatária SPORTING Campinas. 5 Contrato comercial firmado entre a RAQUETES e um cliente, onde se observa que a RAQUETES é chamada de BABOLAT e quem assina como representante é o Sr. FABIAN. 6 Envio conjunto da contabilidade do GRUPO para o escritório de contabilidade, comprovando que a administração das empresas é centralizada na mesma estrutura localizada em Campinas SP. 7 CERTIFICADOS DIGITAIS. Embora Florência seja titular do certificado digital da RAQUETES, nomeou sua mãe Fl. 2738DF CARF MF Processo nº 11829.720004/201747 Resolução nº 3401001.824 S3C4T1 Fl. 2.739 8 Sra. SILVIA como responsável pelo uso do mesmo. 8 Instruções realizadas a mão com as regras de faturamento: 1º Minas fatura p/ São Paulo. 2º São Paulo fatura p/ todos os estados, exceto MG. 9 3 (três) termos de autorização para a a funcionária TATIANE movimentar contas bancárias da SPORTING, TENNIS e RAQUETES no Banco do Brasil, todas assinadas pelo Sr. FABIAN. 10 Planilhas com margens diferenciadas em função da alíquota do IPI: margem de 270% para IPI 0%, margem de 50% quando IPI é de 5% e margem de 30% quando IPI é 10% ou 20% (fl.81). 11 Agenda do Sr. Fabian confirmando a administração conjunta das três empresas. 12 Email para uma empresa de logística onde Sr. FABIAN admite que a RAQUETES foi criada por uma questão fiscal, a fim de conseguir a mesma condição comercial das demais empresas do grupo (fl.82). 13 Email do Sr. FABIAN para funcionário do Banco do Brasil, solicitando cadastro de funcionárias para obter saldos e extratos das contas da SPORTING, RAQUETES e TENNIS. 14 Email tratando do fechamento de filial da RAQUETES em MG com a Sra. SILVIA e o Sr. FABIAN, sem ao menos copiar a filha FLORÊNCIA (única sócia formal da empresa). 32. A fiscalização concluiu pela impossibilidade da aplicação da pena de perdimento das mercadorias em estoque no momento da diligência em função da resposta da TENNIS ao Termo de Intimação Fiscal n° 01/2016, segundo a qual foi destacado que “O registro das notas fiscais no controle de estoque permitem conhecer a quantidade e qualidade de mercadorias, todavia não há vínculo com as Declarações de Importação...” 33. Por todo exposto, foi lavrado o presente Auto de Infração para a aplicação da pena de perdimento por dano ao erário das mercadorias importadas pelas Declarações de Importação listadas nos autos, convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias pela impossibilidade de sua apreensão, face às mesmas terem sido revendidas, nos termos do art.23, IV, V e §3º do DecretoLei n° 1.455/1976 Foram responsabilizados solidariamente os sócios, nos termos dos artigos 135, III e 124, I do Código Tributário Nacional (CTN), Lei nº 5.172/66, a empresa SPORTING nos termos do Artigo 95, I e V do DecretoLei nº 37/66, as empresas FLORSOF e RAQUETES, art.124,I do CTN. SPORTING PRODUCTS DO BRASIL LTDA, CNPJ 02.989.949/0001 91. Endereço de cadastro à Rua Antônio Galizia, 105, Cambuí, CampinasSP, CEP 13024510; Endereço constatado à Rua James Clerk Maxwell, 170, AD, Techn Park, CampinasSP, CEP 13069380. Importadora de fachada sob controle de FABIAN. Utilizase da estrutura física e de pessoal da TENNIS e RAQUETES, declarando seu endereço em um condomínio de apartamentos sem ao menos indicar o número do apartamento, em outras palavras a empresa não existe fisicamente, mas é quem sempre possuiu a habilitação para importar de forma ilimitada. Entendemos que a SPORTING era a BABOLAT e que a constituição da TENNIS só ocorreu para sonegar tributos, pois se os clientes do GRUPO são os mesmos, não existe razão para se ter uma empresa entreposta nessa relação. Concorreu para a prática das infrações por ser a ocultante. Fl. 2739DF CARF MF Processo nº 11829.720004/201747 Resolução nº 3401001.824 S3C4T1 Fl. 2.740 9 RAQUETES COMÉRCIO DE ARTIGOS ESPORTIVOS EIRELI, CNPJ 10.656.208/000117. Endereço de cadastro à Rua James Clerk Maxwell, 170, Bloco 1, Techn Park, CampinasSP, CEP 13069380. Conforme já analisado no tópico 2.5 deste termo, constatamos que este CNPJ representa a BABOLAT atualmente. Também verificamos em uma troca de emails copiados já apresentada no tópico 5.9 que a criação desta empresa foi motivada por “uma questão fiscal”. Apresentamos, ao longo deste termo, diversas provas que demonstram que FABIAN e SILVIA gerenciam a empresa, embora a mesma seja uma EIRELI em nome da filha mais velha do casal. Por toda a confusão estrutural e de pessoal constatada, resta claro que a RAQUETES é mais uma criação dos gerentes do GRUPO para perpetuar fraudes e dificultar a fiscalização. Tem interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal. FLORSOF ADMINISTRAÇÃO DE BENS PRÓPRIOS LTDA ME, CNPJ 08.846.874/000176. Endereço de cadastro à Rua José Pinto da Silva, 326, Vale do Itamaracá, ValinhosSP, CEP 13278406. Empresa criada pelo Sr. FABIAN e a Sra. SILVIA para ocultar patrimônio e transferida pouco tempo depois para as filhas do casal (menores de idade a época). Desde sempre foi representada e administrada por SILVIA. Encontramos um contrato de aluguel onde a FLORSOF aluga o imóvel onde o GRUPO realiza suas atividades para a RAQUETES. Analisando as declarações de Imposto de Renda de FABIAN, SILVIA, FLORÊNCIA, SOFIA e FLORSOF, encontramos diversas relações entre os primeiros e a última, demonstrando que este CNPJ, também é utilizado para perpetuar fraudes do grupo e ocultar o patrimônio gerado com o comércio das mercadorias importadas. Tem interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal. FABIAN GUSTAVO PALMIERI, CPF 119.222.51801. Endereço de cadastro Rua Armando Corvini, 130, Vilage V Itamaracá, CEP 13278 364, Recreio dos Cafezai, Valinhos SP. Por arquitetar a simulação empregada e concorrer para sua prática, agindo com excesso de poderes e infração à lei. SILVIA MARIA CARMEN TOUYAA PALMIERI, CPF 119.222.618 66. Endereço de cadastro Rua Armando Corvini, 130, Vilage V Itamaracá, CEP 13278364, Recreio dos Cafezai, Valinhos SP. Tem conhecimento da simulação empregada, concorreu para sua prática e se beneficiou da mesma. Operacionou grande parte da ocultação do patrimônio junto à empresa FLOSORF. Agiu com excesso de poderes e infração à lei. Concluiu a fiscalização que a tentativa de FABIAN e SILVIA de apresentar uma estrutura que visa esconder a realidade de suas operações de importação e comercialização no mercado interno, constituiu um abuso doloso de forma por meio de artifícios simulatórios já comprovados ao longo deste termo e, por essa razão, os mesmos se enquadram tanto no inciso I do artigo 124 do CTN como no inciso III do artigo 135 do referido código, respondendo com seu patrimônio pessoal pelo crédito tributário proveniente das infrações ora autuadas e sem benefício de ordem. Assim sendo, também concluímos que todas as empresas do GRUPO responsabilizadas, Fl. 2740DF CARF MF Processo nº 11829.720004/201747 Resolução nº 3401001.824 S3C4T1 Fl. 2.741 10 possuem papéis bem definidos que viabilizam a simulação orquestrada devendo ser enquadradas no inciso I do artigo 124 do CTN. As empresas SPORTING, TENNIS e RAQUETES tomaram ciência dos autos em 30/01/2014 pela abertura dos arquivos digitais disponibilizados em Caixa Postal, seu Domicílio Tributário Eletrônico, através de seu procurador MACC CONTABILIDADE S/S (fls. 1513, 1519 e 1516, respectivamente). Sr. FABIAN e Sra. SILVIA (fls. 1522 e 1530), ciência postal em 02/02/2017. FLORSOF, ciência pelo eEdital 002001376 em 02/03/2017 (fl.1540), devido ao retorno da correspondência recebida em 02/02/2012 (fl. 1526, 1537 a 1539) com o status "mudouse". Impugnações apresentadas: Todos os responsáveis autuados, devidamente cientificados, apresentaram impunações: Sra. SILVIA, em 24/02/2017 (fls. 1545/ 1575); Sr. FABIAN, em 24/02/2017 (fls. 1581/ 1612); Empresa TENNIS, em 25/02/2017 (fls. 1618/ 1679 e anexos); Empresa FLOSOFT, em 25/02/2017 (fls. 1817/ 1847, 1953/1983 e 2129/2159); Empresa RAQUETES, em 25/02/2017 (fls. 1852/ 1882, 1986/2016 e 2240/2272). Empresa SPORTING, em 25/02/2017 (fls. 1887/1948, 2019/2080 e 2168/2231). As empresas TENNIS SPORTS COMÉRCIO EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO DE ARTIGOS ESPORTIVOS LTDA e SPORTING PRODUCTS DO BRASIL LTDA apresentaram defesas semelhantes. ... Os argumentos de defesa apresentados pelos sócios SILVIA MARIA CARMEN TOUYAA PALMIERI e FABIAN GUSTAVO PALMIERI, e pelas empresas FLORSOF ADMINISTRAÇÃO DE BENS PRÓPRIOS LTDA ME e RAQUETES COMÉRCIO DE ARTIGOS ESPORTIVOS EIRELI versam sobre fatos expostos na defesa da TENNIS e SPORTING, adicionando o que se segue: As impugnações foram julgadas pela DRJ Recife, Acórdão nº 11057.594, em 13/09/2017: Acordam os membros da 8ª Turma de Julgamento, por unanimidade, julgar PROCEDENTE em parte a impugnação apresentada, devido à exclusão da empresa FLORSOF ADMINISTRAÇÃO DE BENS PRÓPRIOS LTDA ME do pólo de solidariedade tributária, com MANUTENÇÃO TOTAL do crédito tributário lançado e da responsabilidade tributária das empresas SPORTING PRODUCTS DO BRASIL LTDA e TENNIS SPORTS COMERCIO EXPORTACAO E IMPORTACAO DE ARTIGOS ESPORTIVOS LTDA, e das pessoas físicas FABIAN GUSTAVO PALMIERI e SILVIA MARIA CARMEN TOUYAA PALMIERI. Acordam ainda, por maioria, pela manutenção da responsabilidade tributária da empresa RAQUETES COMÉRCIO DE ARTIGOS ESPORTIVOS EIRELI. Vencido o julgador Eni Sávio Nunes dos Santos, que apresentou declaração de voto. Intimemse os autuados para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Fl. 2741DF CARF MF Processo nº 11829.720004/201747 Resolução nº 3401001.824 S3C4T1 Fl. 2.742 11 Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em igual prazo, conforme facultado pela legislação vigente. O Presidente de Turma recorre de ofício ao egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em razão da decisão excluir sujeito passivo da lide, conforme preconizado no art.1º, §2º da Portaria MF nº 63/2017. Regularmente cientificadas as interessadas apresentaram Recurso Voluntário em que repetem basicamente as razões da impugnação. Resumidamente podemos afirmar que os recursos se referem a: Recurso Voluntário TENNIS Sports Comércio Exportação e Importação, fls. 2353 e sgs., SPORTING Products do Brasil Ltda., fls. 2432 e sgs.: Cerceamento do direito de defesa. Houve indicação vaga sobre em qual modalidade de importação incorreu na autuação. Nulidade da aplicação da multa substitutiva de 100% do valor das mercadorias relativamente as existentes em estoque. O fiscal poderia fazer a correlação das mercadorias pelo método PEPS (primeiro que entra primeiro que sai) e chegar a conclusão para quais mercadorias poderiam ser aplicada a pena de perdimento. Existência fática e jurídica da empresa Sporting. Discorre sobre a possibilidade de funcionamento da empresa no endereço residencial do sócio. Inexistência de adiantamento de recursos que poderiam caracterizar a importação por conta e ordem de terceiros. Recolhimento do IPI pela importadora na revenda para o mercado interno. A venda das mercadorias no mercado interno ocorreu com margens de lucro compatíveis com o praticado pelo mercado. Não existiu documento falsificado ou adulterado no embarque ou desembaraço das mercadorias. Não existe falsificação de fatura comercial, sendo fato confirmado pela DRJ que cancelou a autuação nesse item. Não há falsidade ideológica na Declaração de Importação. Não responsabilidade solidária na pena de perdimento, só autoria ou coautoria. A pena de perdimento não é tributária e deve ser aplicada ao dono do bem. Em matéria de infrações não existe solidariedade, apenas autoria e coautoria. Solicita o cancelamento do auto de infração. Os Recursos Voluntários da empresa RAQUETES Comércio de Artigos Esportivos Eireli, fls. 2511 e sgs., SILVIA Maira Carmen Touyaa Palmieri, fls. 2567 e sgs., e FABIAN Gustavo Palmieri, fls. 2619 e sgs., restringemse a se defender a respeito da solidariedade imputada, nos mesmos termos apresentado nos outros Recursos Voluntários. É o relatório. Voto Fl. 2742DF CARF MF Processo nº 11829.720004/201747 Resolução nº 3401001.824 S3C4T1 Fl. 2.743 12 Conselheira Mara Cristina Sifuentes, Relatora. Os Recursos Voluntários são tempestivos e preenchem as demais condições de admissibilidade por isso deles tomo conhecimento. Existe Recurso de Ofício da DRJ por ter exonerado da autuação a empresa FLORSOF. Em juízo de admissibilidade da remessa necessária verifico, pelos elementos disponíveis nos autos, nos termos do art. 34, I do Decreto nº 70.235/72 e do art. 70, caput, do Decreto 7.574/2011, que o valor exonerado ultrapassa o limite de alçada estabelecido pela superveniente Portaria MF 63/2017, fixado em R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Conforme Súmula CARF nº 103 deve ser aplicado o valor de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância administrativa: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Sendo assim conheço do recurso de ofício interposto. Preliminarmente entendo que deve ser verificada a alegação da recorrente que existiam mercadorias em estoque que poderiam ter sido apreendidas, ao invés da aplicação da multa de conversão da pena de perdimento. No Relatório fiscal, fls. 86, a fiscalização informa que não foi possível a apreensão das mercadorias por não ser possível fazer o vínculo entre as Declarações de Importação e o estoque: Por ocasião de sua resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 01/2016, a TENNIS informou, ao ser questionada sobre as mercadorias objeto da presente fiscalização, que “grande parte foi revendida e que alguns itens ainda permanecem no estoque”. Quanto as mercadorias que permanecem em estoque a mesma esclareceu que “O registro das notas fiscais no controle de estoque permitem conhecer a quantidade e qualidade de mercadorias, todavia não há vínculo com as Declarações de Importação...” Em razão do exposto no parágrafo anterior, concluímos pela impossibilidade da aplicação da pena de perdimento pelo fato de as mercadorias terem sido revendidas ou, no caso das que permanecem em estoque, não poderem ser localizadas com a precisão necessária a aplicação do perdimento, portanto a referida pena será convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias nos termos da legislação supramencionada. A DRJ enfrentou a argumentação discorrendo sobre o momento de apresentação de provas: Na fase inquisitória da fiscalização, a empresa TENNIS foi intimada através do Termo de Intimação n° 01/2016 a informar se as Fl. 2743DF CARF MF Processo nº 11829.720004/201747 Resolução nº 3401001.824 S3C4T1 Fl. 2.744 13 mercadorias adquiridas junto a SPORTING foram consumidas, revendidas ou encontravamse em estoque. A empresa informou que grande parte da mercadoria foi revendida e que alguns itens permaneciam em estoque, porém esclareceu que, por se tratar de compra realizada no mercado interno o registro das notas fiscais no controle de estoque permitiam conhecer a qualidade e quantidade de mercadorias, mas que não havia vínculo com as declarações de importação. Esse cenário de impossibilidade de identificação das mercadorias no estoque com a precisão requerida motivaram a conversão do perdimento em multa de 100% do valor das mercadorias. A empresa defendese alegando que seria possível a fiscalização fazer a correlação do estoque com as mercadorias importadas, em razão das quantidades e descrições, uma vez que todas as importações foram vendidas da SPORTING para a TENNIS e que nos termos do art.23, §3º do DL nº1455/76, seria nula a aplicação da multa substitutiva de 100% do valor das mercadorias existente no estoque e, por tanto, localizadas e não consumida. Sobre essa questão, observase dos autos, em especial a resposta da TENNIS ao Termo de Intimação n° 01/2016, que a empresa não apresentou os valores em estoque no momento oportunizado, tampouco ofereceu condições para que a fiscalização o fizesse com a precisão requerida. Em virtude do contencioso administrativo, nova oportunidade foi aberta para apresentação de provas que comprovassem que as mesmas mercadorias pelo Fisco consideradas como não localizadas, revendidas ou consumidas ainda permaneceriam em estoque e, portanto, se sujeitariam à pena de perdimento. O momento adequando para apresentação de provas é juntamente com a impugnação, conforme art.16, § 4º do do Decreto nº70.235/1972, com redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532/1997, na falta de uma das três hipóteses ressalvadas no mencionado dispositivo, está precluso o direito de apresentar provas nesta fase processual. Não foram anexados aos autos nenhum documento nesse sentido. Resta, portanto, prejudicado o argumento. Apesar do parecer da DRJ entendo que deve ser verificado o alegado pelas recorrentes. Por isso proponho a conversão do julgamento em diligência para que se faça o confronto entre o estoque existente à época e as importações realizadas no período para se concluir se existiam mercadorias que poderiam ter sido apreendidas. Não entendo que deve ser juntada provas ao processo, momento esse não mais oportuno para tanto, mas sim analisar as provas e documentos que já estão acostadas ao processo. Como a alegação é das recorrentes, as mesmas deverão ser intimadas pela unidade de origem para apresentar a tabela confrontando o estoque com as importações, conforme solicita em seu Recurso Voluntário. Fl. 2744DF CARF MF Processo nº 11829.720004/201747 Resolução nº 3401001.824 S3C4T1 Fl. 2.745 14 Pelo exposto conheço dos Recursos Voluntários e voto pela conversão em diligência, para que se faça o confronto entre o estoque existente à época e as importações realizadas no período, para que se verifique, conclusivamente, se havia mercadorias que poderiam ter sido apreendidas. Mara Cristina Sifuentes Relatora (assinado digitalmente) Fl. 2745DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13227.720619/2011-92
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Exercício: 2011
ISENÇÃO. IPI. DEFICIENTE FÍSICO.
É de se indeferir o pedido de isenção de IPI de que trata a Lei nº 8.989/95 e alterações posteriores quando o laudo médico não atesta a presença de deficiência expressamente prevista em seu art.1º, bem como àquelas previstas no Decreto nº 3298/99, conforme interpretação expressa no art. 2º, §1º, inciso I, da Instrução Normativa SRF nº 607/2006.
As normas isentivas, a teor do art. 111 do CTN, devem ser interpretadas restritivamente.
Recurso do Procurador provido.
Numero da decisão: 9303-008.137
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(Assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luis Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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IPI. DEFICIENTE FÍSICO. É de se indeferir o pedido de isenção de IPI de que trata a Lei nº 8.989/95 e alterações posteriores quando o laudo médico não atesta a presença de deficiência expressamente prevista em seu art.1º, bem como àquelas previstas no Decreto nº 3298/99, conforme interpretação expressa no art. 2º, §1º, inciso I, da Instrução Normativa SRF nº 607/2006. As normas isentivas, a teor do art. 111 do CTN, devem ser interpretadas restritivamente. Recurso do Procurador provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 72 06 19 /2 01 1- 92 Fl. 120DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luis Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional (fls. 83/95), admitido pelo Despacho de fls. 104/106, contra o Acórdão nº 3802002.150, de 23/10/2013, o qual, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário, e cuja ementa dispõe: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2011 IPI. ISENÇÃO. DEFICIENTE FÍSICO. Laudo oficial emitido por entidade integrante do SUS, que atesta ser a interessada portadora de “fibromialgia, síndrome de túnel carpo, cervicobraquialgia, tendinite ombros, epicondilite cotovelos [...] dores poliarticulares com déficit motor e impotência funcional”, é suficiente para comprovar a condição de deficiente físico necessária ao reconhecimento do direito à aquisição de veículo com isenção do IPI, nos termos do artigo 1º, § 1º, da Lei nº 8.989/95, c/c o artigo 4º, inciso I, do Decreto nº 3.298/99. Recurso ao qual se dá provimento. Alega a Fazenda Nacional, em resumo, que só fazem jus à isenção do IPI na aquisição de veículos automotores nacional as pessoas que possuem as doenças arroladas no art. 1º, IV, da Lei 8.989/95, devendo a norma ser interpretada restritivamente nos termos do art. 111 do CTN. Assevera que no caso a requerente é portadora de “Fibromialgia, síndrome do túnel do corpo, cervicobraquialgia, tendinite ombros e epicondilite cotovelos”, doença que não consta daquelas elencadas na norma isentiva. Acresce que não se pode perder de vista que as doenças se manifestam em graus diferentes, que abarcam desde o estágio inicial até o avançado e, conseqüentemente, acarretam menor ou maior grau de comprometimento das funções motoras. Assim sendo, em regra não é possível apenas pelo nome da doença aferir de que forma ela se manifesta em determinada pessoa, isto é, qual seu estágio, bem como o grau de déficit motor e impotência funcional que causa em seu portador. Daí a necessidade de um exame acurado por peritos médicos, sem o que se torna inviável decidir se o interessado cumpre ou não os requisitos para gozo da isenção do IPI na compra de veículo automotor. Alfim, pede o provimento do especial para restabelecer o despacho decisório que indeferiu o pleito da requerente. Cientificada (fl. 112), a requerente não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 13227.720619/201192 Acórdão n.º 9303008.137 CSRFT3 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire Conheço do recurso nos termos em que processado. Preliminarmente de ressaltar, determina o art. 111 do CTN, que a norma isentiva deve ser interpretada restritivamente, eis que o Estado está abrindo mão de uma receita com um fim econômico, ou social, como in casu, como bem lembrou o relator do aresto recorrido. Assim, entendo que o rol de doenças que a norma isentiva arrolou são numerus clausus. Não faz o menor sentido o legislador ordinário veicular norma isentiva apenas a título de exemplificação, deixando em aberta sua tipificação pelo intérprete. Portanto, meu voto parte do pressuposto que só pode ser considerada "pessoa portadora de deficiência física" aquela cuja deficiência enquadrese nos estritos termos veiculados pelo art. 1º da Lei 8.989/1995 (e suas alterações posteriores Leis 10.690/2003 e 10.754/2003. Ademais, o art. 3º1 daquela norma delegou à então SRF o reconhecimento da referida isenção, "mediante prévia verificação de que o adquirente preenche os requisitos previstos" na lei. Para tanto, a RFB editou a IN RFB 988/2009, posteriormente alterada pela IN RFB 1.639/2013. Vejase o teor das normas que importam ao deslinde da quaestio: Lei 8.989/95: Art. 1oFicam isentos do Imposto Sobre Produtos Industrializados IPI os automóveis de passageiros de fabricação nacional, equipados com motor de cilindrada não superior a dois mil centímetros cúbicos, de no mínimo quatro portas inclusive a de acesso ao bagageiro, movidos a combustíveis de origem renovável ou sistema reversível de combustão, quando adquiridos por: ... IV – pessoas portadoras de deficiência física, visual, mental severa ou profunda, ou autistas, diretamente ou por intermédio de seu representante legal; § 1º Para a concessão do benefício previsto no art. 1º é considerada também pessoa portadora de deficiência física aquela que apresenta alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, apresentandose sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e 1 Art. 3º A isenção será reconhecida pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda, mediante prévia verificação de que o adquirente preenche os requisitos previstos nesta lei. Fl. 122DF CARF MF 4 as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções. (grifei) Decreto 3.298/99 Art. 4º É considerada pessoa portadora de deficiência a que se enquadra nas seguintes categorias: I deficiência físicaalteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, apresentandose sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, ostomia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, nanismo, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções; (Redação dada pelo Decreto nº 5.296, de 2004) A Instrução Normativa nº 988/2009 assim dispõe: Art. 3º Para habilitarse à fruição da isenção, a pessoa portadora de deficiência física, visual, mental severa ou profunda ou o autista deverá apresentar, diretamente ou por intermédio de seu representante legal, formulário de requerimento, conforme modelo constante do Anexo I, acompanhado dos documentos a seguir relacionados, à unidade da RFB de sua jurisdição, dirigido ao Delegado da Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) ou ao Delegado da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária (Derat): I – Laudo de Avaliação, na forma dos Anexos IX, X ou XI, emitido por prestador de: a) serviço público de saúde; ou b) serviço privado de saúde, contratado ou conveniado, que integre o Sistema Único de Saúde (SUS); II – Declaração de Disponibilidade Financeira ou Patrimonial da pessoa portadora de deficiência ou do autista, apresentada diretamente ou por intermédio de seu representante legal, na forma do Anexo II, disponibilidade esta compatível com o valor do veículo a ser adquirido; ... § 6º Para efeito do disposto no inciso I do caput, poderá ser considerado, para fins de comprovação da deficiência, laudo de avaliação obtido: I – no Departamento de Trânsito (Detran) ou em suas clínicas credenciadas, desde que contenha todas as informações constantes dos Anexos IX, X ou XI; e II– por intermédio de Serviço Social Autônomo, sem fins lucrativos, criado por lei, fiscalizado por órgão dos Poderes Executivo Fl. 123DF CARF MF Processo nº 13227.720619/201192 Acórdão n.º 9303008.137 CSRFT3 Fl. 4 5 ou Legislativo da União, observados os modelos de laudo constantes dos Anexos IX, X ou XI. De acordo com o regime, dentre todas as deficiências físicas que fustigam os seres humanos, somente possibilitam a outorga da isenção – e desde que acarretem permanente comprometimento da função física paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, amputação ou ausência de membro, ostomia, paralisia cerebral, nanismo e membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções As expressões plegia e paresia formam os vocábulos (a) paraplegia e paraparesia, (b) monoplegia e monoparesia, (c) tetraplegia e tetraparesia, (d) triplegia e triparesia e (e) hemiplegia e hemiparesia, segundo acometam, respectivamente, (a) ambos os membros inferiores, (b) todos os músculos em um membro, seja inferior ou superior, (c) de todas as quatro extremidades (d) três dos quatro membros e (e) um membro superior, inferior e, por vezes, face, em um lado do corpo. No caso concreto, a requerente é portadora de “Fibromialgia, síndrome do túnel do corpo, cervicobraquialgia, tendinite ombros e epicondilite cotovelos”, enquadrando nos seguintes CID: M51.9, M65.8, M77.1, M79.7 e G56.1., conforme laudo à fl. 32. Assim, descartase a subsunção do caso às plegias, posto que de paralisia não se trata. Tampouco às deficiências relacionadas a membros (ausência, amputação, deformidade congênita ou adquirida), haja vista que a espondilite anquilosante manifestase na coluna cervical (vértebras C1, C2 e C3). Igualmente, afastase, evidentemente, a ostomia, o nanismo, a paralisia cerebral e as deficiências visual e mental ou o autismo. Sem embargo, a referida doença não se enquadra em nenhuma das hipótese elencadas na Lei 8.989/95 e Decreto 3.298/99. Igualmente, como bem colocado pela recorrente o laudo médico apresentado não relata as conseqüências da doença que permitam identificar o enquadramento como deficiência física constante no art. 4º, acima transcrito. De fato, não há especificação de que os problemas físicos dos quais sofre o contribuinte se caracterizem como uma das formas de deficiência física previstas na normatização como autorizadores do gozo do benefício fiscal. E, por fim, quando da análise do pleito da requerente, sua CNH estava vencida, outro item a ensejar o indeferimento de seu pleito. Portanto, entendo correto o despacho decisório local que indeferiu o pleito de isenção. CONCLUSÃO Ante o exposto, conheço do recurso especial de divergência do Procurador e doulhe provimento, desta forma revigorando o despacho decisório de fls. 39/42, que indeferiu o pleito isentivo. (Assinado digitalmente) Fl. 124DF CARF MF 6 Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 125DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.653318/2016-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2012 a 31/12/2012
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. HIPÓTESES DE CABIMENTO.
Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma.
Numero da decisão: 3201-005.127
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos Declaratórios interpostos, sem efeitos infringentes, para adequar a fundamentação do voto transcrito no acórdão embargado ao que restou decidido em sede de Embargos no processo nº 19311.720238/2016-45.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
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HIPÓTESES DE CABIMENTO. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos Declaratórios interpostos, sem efeitos infringentes, para adequar a fundamentação do voto transcrito no acórdão embargado ao que restou decidido em sede de Embargos no processo nº 19311.720238/201645. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 65 33 18 /2 01 6- 59 Fl. 656DF CARF MF 2 Tratase de Embargos de Declaração interpostos tempestivamente pelo conselheiro relator, contra o Acórdão nº 3201004.216, de 25/09/2018, proferido pela 1ª Turma da 2ª Câmara desta 3ª Seção. Conforme suscitado, houve uma contradição entre os fundamentos do voto condutor do acórdão embargado e a sua parte dispositiva, especificamente quanto à matéria relativa à glosa de créditos presumidos oriundos de aquisição de cana de açúcar de pessoa jurídica "não agroindustrial". É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Com efeito, o acórdão embargado incorreu numa inequívoca contradição, uma vez que, na decisão nele transcrita, proferida nos autos do processo administrativo nº 19311.720238/201645, não obstante negado provimento, na integralidade, ao Recurso de Ofício, conforme parte dispositiva do acórdão, mantevese a redação original do voto levado à sessão de julgamento que lhe dava provimento quanto ao direito aos créditos presumidos oriundos de aquisição de cana de açúcar de pessoa jurídica "não agroindustrial". Eis o excerto em que a matéria é apreciada: Discordamos, no entanto, quanto ao entendimento em relação aos créditos presumidos oriundos de aquisição de cana de açúcar de pessoa jurídica ͞"não agroindustrial". Não obstante admitidos no acórdão recorrido, ao fundamento de que o fato de a empresa vendedora não desenvolver atividade agropecuária não impediria o creditamento, uma vez não haver qualquer exigência legal no sentido de qualificar o vendedor dos bens que ensejariam o crédito presumido em tela, a verdade é que somente a aquisição da canadeaçúcar efetuada junto a pessoa jurídica ou cooperativa de produção que exerça atividade agropecuária dá direito à apuração e à dedução do crédito presumido de que trata o art. 8º da lei nº 10.925, de 2004. É o que se extrai da própria lei (inciso III do § 1º, supra), daí que, ao menos quanto a esta matéria, divergimos do voto acima reproduzido, para manter a glosa efetuada pela fiscalização, de sorte que ao recurso de ofício deve ser dado parcial provimento. Todavia, durante o julgamento do processo nº 19311.720238/201645, modificamos o nosso entendimento e passamos a adotar a decisão proferida pela DRJ com relação à matéria, cujos fundamentos ora reproduzimos, uma vez que, Conforme amostragem realizada pela IMPUGNANTE as fls. 1054 e 1055 desse processo, as pessoas jurídicas, de cujas compras os créditos apurados foram glosados, são produtores de canade açúcar, conforme critério adotado AUTORIDADE FISCAL da DRF/Jundiaí: possuem pelo menos um CNAE em que consta tal atividade. Pesquisas feitas por amostragem nos sistemas internos da RFB a partir da relação das pessoas jurídicas, de cujas compras os créditos apurados foram glosados, também apontam possuir, além do CNAE relacionado pela AUTORIDADE FISCAL da Fl. 657DF CARF MF Processo nº 10880.653318/201659 Acórdão n.º 3201005.127 S3C2T1 Fl. 657 3 DRF/Jundiaí, CNAE relacionado à atividade agroindustrial ou agropecuária. Além disso a informação que consta no CNAE não é por si só suficiente para caracterizar que a empresa não exerça atividade agropecuária. Errada, portanto, a acusação fiscal nessa questão, devendo ser cancelada essa glosa. Ante o exposto, voto por ACOLHER os Embargos Declaratórios interpostos, sem efeitos infringentes, sem efeitos infringentes, para adequar a fundamentação do voto transcrito no acórdão embargado ao que restou decidido em sede de Embargos no processo nº 19311.720238/201645. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 658DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10469.720740/2010-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
ESTIMATIVAS RECOLHIDAS A MENOR. MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO. MESMA MATERIALIDADE. PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. POSSIBILIDADE.
Nos casos de lançamento com aplicação de multa de ofício, cumulado com lançamento de multa isolada por não recolhimento das estimativas, cabível a aplicação do princípio da consunção em razão de, decorrendo da aplicação do princípio, a multa aplicada em razão da infração maior (de ofício) absorver a multa relativa à menor infração (isolada) até o limite do valor da multa de ofício lançada.
Numero da decisão: 1401-003.287
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para afastar a aplicação da multa isolada, vencidos os Conselheiros Cláudio de Andrade Camerano, Carlos André Soares Nogueira e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Daniel Ribeiro Silva e Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Soares Nogueira - Relator.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (president
Nome do relator: CARLOS ANDRE SOARES NOGUEIRA
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Recorrente JOSE BIAPINO DE SENA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006, 2007, 2008 ESTIMATIVAS RECOLHIDAS A MENOR. MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO. MESMA MATERIALIDADE. PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. POSSIBILIDADE. Nos casos de lançamento com aplicação de multa de ofício, cumulado com lançamento de multa isolada por não recolhimento das estimativas, cabível a aplicação do princípio da consunção em razão de, decorrendo da aplicação do princípio, a multa aplicada em razão da infração maior (de ofício) absorver a multa relativa à menor infração (isolada) até o limite do valor da multa de ofício lançada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para afastar a aplicação da multa isolada, vencidos os Conselheiros Cláudio de Andrade Camerano, Carlos André Soares Nogueira e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Daniel Ribeiro Silva e Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Soares Nogueira Relator. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 07 40 /2 01 0- 01 Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10469.720740/201001 Acórdão n.º 1401003.287 S1C4T1 Fl. 105 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (president Relatório Trata o presente feito de lançamento de ofício de multa isolada em função do não recolhimento das estimativas de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL devidas nos anos de 2006 a 2008. Ao final do procedimento fiscal levado a efeito junto ao contribuinte, a autoridade lançadora formalizou dois processos administrativos tributários. No processo nº 10469.720738/201023, foram lançados de ofício os créditos tributários de IRPJ e dos tributos reflexos CSLL, PIS e COFINS. No presente processo, foi lançada a multa isolada relativa aos débitos mensais de CSLL, uma vez que o contribuinte apurava o IRPJ e a CSLL com base no lucro real anual. Inconformado, o contribuinte apresentou impugnação na qual, em resumo, alegou que, uma vez que já havia sido constituído o crédito tributário de CSLL no processo nº 10469.720738/201023, o lançamento da multa isolada configuraria bis in idem, ou seja, "a cobrança de multa sobre a mesma contribuição em dois processos administrativos". A DRJ julgou improcedente a impugnação. A ementa do acórdão restou consignada nos seguintes termos: MATÉRIA NÃO CONTESTADA MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela impugnante. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Irresignado, o contribuinte manejou o recurso voluntário no qual alegou, em síntese, que havia levado toda a sua receita à contabilidade e, portanto, "não houve o fato gerador da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido e, por conseqüência, inexiste no caso multa isolada cobrada, bem com a multa de ofício". Ao final o recorrente pede o acolhimento do recurso e a improcedência do auto de infração. Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10469.720740/201001 Acórdão n.º 1401003.287 S1C4T1 Fl. 106 3 Voto Vencido Conselheiro Carlos André Soares Nogueira, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos legais. Dele, tomo conhecimento. É oportuno destacar que, embora haja um Termo de Perempção lavrado em 12/05/2011 (fls. 93), verifico que o recurso voluntário tem carimbo de recepção da DRF/Natal aposto em 06/04/2011. Considerando que a decisão de primeira instância foi recebida em 08/03/2011, conforme Aviso de Recebimento (fls. 91), o recurso foi apresentado dentro do prazo legal. Neste sentido, inclusive, é o despacho de fls. 103. À partida, é de se destacar que a autoridade julgadora a quo equivocouse na compreensão das alegações do contribuinte. Aparentemente, a DRJ entendeu que o contribuinte alegou que a multa isolada havia sido lançada duas vezes. Vejamos o que asseverou a DRJ na fundamentação da decisão: Acontece que a multa isolada referente a falta de recolhimento da CSLL sobre a base de cálculo estimada, decorrente da apuração da omissão de receita mensal, não foi objeto de lançamento no processo nº 10469.720738/201023, pois consta o auto de infração da CSLL, porém com a tributação da omissão de receita na apuração anual, não constando a exigência da multa isolada, que foi objeto de tributação em auto de infração separado e constante do presente processo. Portanto, está equivocada a alegação da contribuinte de que foi autuada duplamente da infração de falta de recolhimento da CSLL sobre a base de cálculo estimada. De fato, o que quer dizer o contribuinte em sua impugnação é que configura bis in idem a concomitância entre o lançamento de ofício da CSLL devida conforme a apuração anual, com multa de ofício, e a multa isolada. Tratase do princípio da consunção, como se pode ver no precedente abaixo, cuja ementa está reproduzida apenas na parte que interessa: FALTA DE DECLARAÇÃO/PAGAMENTO. ESTIMATIVAS MENSAIS. CONSUNÇÃO. IMPROCEDÊNCIA Nos casos de lançamento com aplicação de multa de ofício, cumulado com lançamento de multa isolada por não recolhimento das estimativas, cabível a aplicação do princípio da consunção em razão de, decorrendo da aplicação do princípio, a multa aplicada em razão da infração maior (de ofício) absorver a multa relativa à menor infração (isolada) até o limite do valor da multa de ofício lançada. (Acórdão nº 1401 003.045, de 11/12/2018, relatoria do conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto). Diante desse quadro, tenho que o recurso voluntário deve ser parcialmente acolhido, nos termos que passo a expor. Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10469.720740/201001 Acórdão n.º 1401003.287 S1C4T1 Fl. 107 4 O período abarcado pela autuação engloba os anos calendários 2006 a 2008. Em relação aos créditos tributários decorrentes de fatos geradores ocorridos ao longo do anocalendário 2006, é de se aplicar a Súmula CARF nº 105, verbis: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Entretanto, houve substancial alteração no contexto jurídico com a Lei nº 11.488/2007. Para fundamentar o presente voto, adotamos como razão de decidir a bem construída fundamentação do conselheiro Flávio Franco Corrêa no voto vencedor do Acórdão nº 9101003.912 da 1ª Turma da CSRF, de 04/12/2018: De início, é preciso assinalar que o pagamento do tributo por estimativa, instituído pela Lei nº 9.430/1996, é uma alternativa à apuração trimestral, prevista na mesma lei. Feita a opção pelo recolhimento do tributo por estimativa, o Estado aguarda a entrada desses recursos. O contribuinte, por outro lado, pode ser autuado com a imposição de uma multa isolada, caso deixe de efetuar o recolhimento das estimativa sem o amparo de balanço de suspensão ou redução previsto no artigo 35 da Lei nº 8.981/1995. Entretanto, para o julgamento da questão aqui articulada, mostrase indispensável retornar à redação original da Lei nº 9.430/1996 para confronto com o texto atual, daí entrecortando com a jurisprudência antiga até a exegese que ressai da disposição normativa hoje em vigor. Reparese a redação original do inciso IV, § 1º, do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, verbis: "Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; [...] § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: [...] IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; " Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10469.720740/201001 Acórdão n.º 1401003.287 S1C4T1 Fl. 108 5 Uma posição majoritária defendia que tal disposição prescritiva era compatível com a interpretação de que, sendo o recolhimento por estimativas antecipação do tributo apurado na declaração de ajustes, não poderia ser aplicada a multa isolada em exame depois de encerrado o períodobase de apuração, porque, desde então, já teria ocorrido o fato gerador do IRPJ e da CSLL, sendo conhecido o tributo definitivo a ser recolhido. Para essa corrente, o disposto no inciso IV, § 1º, do artigo 44, da Lei 9.430/1996 tinha como propósito obrigar o sujeito passivo da obrigação tributária ao recolhimento mensal de antecipações de um provável IRPJ e CSLL devidos ao final do anocalendário, a denotar o inerente dever de antecipar o cumprimento de uma obrigação futura. De acordo com essa linha, a partir do encerramento do anocalendário, desaparecia o dever de efetuar a antecipação e, com isso, a penalidade perdia sua razão de ser, pela ausência da necessária ofensa a um bem juridicamente tutelado. A posição então dominante consagrouse neste Conselho, nos termos da Súmula CARF nº 105: "A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício." A posição doutrinária e jurisprudencial então prevalecente desprezava que o inciso IV, § 1º, do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996 estabelecia, em sua redação original, que a multa isolada decorrente da falta ou insuficiência do recolhimento de estimativas também deveria ser aplicada, ainda que a pessoa jurídica viesse a apurar prejuízo fiscal ou base negativa de CSLL. Isso, por si só, já revelava que a multa isolada em apreço poderia ser aplicada mesmo depois de levantado o balanço de encerramento do anocalendário, pois sua incidência não dependia do resultado fiscal apurado nesse mesmo balanço. Acontece que, em 2007, foi editada a Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007 (MP nº 351/2007), que alterou o texto do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, o qual passou a ter a seguinte redação: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10469.720740/201001 Acórdão n.º 1401003.287 S1C4T1 Fl. 109 6 a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica." Já em primeiro plano se verifica que a multa isolada, antes incidente sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição estimada, conforme a prescrição original do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, passou a incidir sobre o valor do pagamento mensal que, na forma do artigo 2º da mesma lei, deixar de ser efetuado, caso a falta de pagamento não esteja justificada em balanços de suspensão ou redução, estabelecidos pelo artigo 35 da Lei nº 8.981/95. A alteração legislativa decorreu do claro propósito de contornar a jurisprudência dominante, ao trazer ao mundo jurídico que a multa isolada não mais incidirá sobre um tributo antecipado, como o próprio caput do artigo 44 sugeria, em sua redação original, ao estabelecer que, “nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição”. Com a Lei nº 11.488/2007, a multa isolada é aplicada sempre que o contribuinte não efetuar o pagamento integral da estimativa que compõe o esperado fluxo de caixa da União, embora não mais incidente sobre a totalidade ou diferença da antecipação de tributo não recolhida, mas incidente sobre o valor do pagamento mensal que deixar de ser efetuado, ainda que o contribuinte apure prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa de CSLL, ao final do anocalendário, caso lhe falte o devido suporte em balanço de suspensão ou redução. Isso, por si só, já traduz que a multa isolada em lume pode ser aplicada mesmo depois de levantado o balanço de encerramento do anocalendário, pois sua incidência não depende do resultado fiscal apurado nesse mesmo balanço. A nova disposição do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007, não deixa dúvida a respeito de duas multas distintas: a primeira, no inciso I, de 75%, sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição (multa de ofício), aplicável nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, falta de declaração e declaração inexata; a segunda, no inciso II, de 50% (multa isolada), calculada sobre o valor do pagamento de estimativa que deixar de ser efetuado, devida sempre que o contribuinte não efetuar o pagamento da totalidade da estimativa apurada na forma do artigo 2º, sem o apoio de balanço de suspensão ou redução. A ressalva constante da redação atual do inciso II do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, no sentido de que a multa é exigida isoladamente do tributo devido ao final do anocalendário, já traduz, por outro lado, que a multa do inciso I sempre é exigida em conjunto com o tributo devido. Tanto é assim que a multa do Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10469.720740/201001 Acórdão n.º 1401003.287 S1C4T1 Fl. 110 7 inciso I não é aplicada em caso de apuração, no balanço do encerramento do anocalendário, de prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa de CSLL, ao passo que a multa do inciso II independe da apuração de lucro ou prejuízo fiscal, ou de base de cálculo positiva ou negativa de CSLL. Esta última deve ser exigida se o contribuinte deixar de efetuar o pagamento integral da estimativa sem a cobertura de um balanço de suspensão ou redução, ainda que, ao final do anocalendário, seja apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa de CSLL. Podese ver que os fatos geradores dessas multas são distintos: para o inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, falta de pagamento ou recolhimento do tributo apurado em declaração de ajuste, falta de declaração e declaração inexata; para o inciso II, falta de pagamento, ou pagamento insuficiente, das estimativas apuradas, desprovida de lastro em balanço de suspensão ou redução. Portanto, são infrações distintas, com graduações distintas e decorrentes de fatos geradores distintos. Não há, por conseguinte, bis in idem. Se o contribuinte opta pela apuração anual, o que implica submissão às normas determinantes do recolhimento por estimativa, não poderá alegar que, sem o amparo de balanço de suspensão ou redução, não estará sujeito à multa isolada após o encerramento do anocalendário, tendo em conta que dessa proposição resultaria inegável desestímulo à realização de recolhimentos mensais apurados sobre bases de cálculo estimadas, colocando em risco o fluxo de caixa da União, que é dependente tanto da efetivação da antecipação de tributos como da efetivação de recolhimentos definitivos de tributos federais. Complementese o exposto com a orientação extraída do acórdão nº 9101002.438 da CSRF, 1ª Turma, relatora Conselheira Adriana Gomes Rego, sessão de 20/09/2016, no sentido de que, “sob essa ótica, o recolhimento de estimativas melhor se alinha ao conceito de obrigação acessória que à definição de obrigação principal, até porque a antecipação do recolhimento é, em verdade, um ônus imposto aos que voluntariamente optam pela apuração anual do lucro tributável, e a obrigação acessória, nos termos do art. 113, § 2º do CTN, é medida prevista não só no interesse da fiscalização, mas também da arrecadação dos tributos.” A tese de que a infração que motiva a multa isolada é absorvida, por consunção, pela infração que dá causa à multa de ofício, não pode prosperar, por sua própria fraqueza. Consoante o magistério de Luiz Regis Prado1, na consunção, “determinado crime (norma consumida) é fase de realização de outro (norma consuntiva) ou em uma forma regular de transição para o último – delito progressivo”. Destaquemse, pois, as infrações do caput do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996 que dizem respeito à lide, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007, para a devida análise: Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10469.720740/201001 Acórdão n.º 1401003.287 S1C4T1 Fl. 111 8 a) no inciso I, falta de pagamento do tributo, falta de recolhimento do tributo, falta de declaração ou apresentação de declaração inexata; b) no inciso II, alínea “b”, deixar de efetuar o pagamento de estimativas. De modo algum é possível asselar que deixar de efetuar o pagamento de estimativa constitui fase de realização da falta de pagamento de tributo apurado na declaração de ajuste. Em outras palavras, não se pode dizer que, aquele não pagou o tributo apurado na declaração de ajuste, anteriormente deixou de efetuar o pagamento de estimativas. Em outro sentido, deixar de efetuar o pagamento de estimativas também não constitui regular transição para a falta de pagamento do tributo apurado na declaração de ajuste. Deixar de efetuar o pagamento de estimativa não é uma etapa antecedente necessária pela qual o agente antes atravessa para deixar de realizar o pagamento do tributo apurado na declaração. De igual modo, é impossível afirmar que deixar de efetuar o pagamento de estimativas é fase de realização da entrega de declaração inexata ou da omissão da entrega da declaração de ajuste, tanto quanto é impossível sustentar que deixar de efetuar o pagamento de estimativas é uma forma regular de transição para a apresentação de declaração inexata ou para a omissão de declaração de ajuste. Inequivocamente, não há interligação por necessariedade entre quaisquer das modalidades de infração do inciso I do caput do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, na redação atual, e a infração do inciso II, alínea “b”, do mesmo artigo. A pessoa jurídica pode ser omissa em relação à entrega de declaração de ajuste, ou pode ter apresentado declaração de ajuste inexata, e ter efetuado corretamente os pagamentos de estimativas. Também não há necessariedade entre deixar de pagar o tributo apurado na declaração de ajuste e deixar de pagar a estimativa, ou seja, uma pessoa jurídica pode ser omissa em relação ao pagamento do tributo apurado na declaração de ajuste sem ter deixado de efetuar os pagamentos devidos de estimativa. À vista do exposto, repelese o argumento que pretende escorar se na tese da consunção para afastar a aplicação simultânea das multas comentadas. Não há como se reduzir o campo de aplicação da multa isolada com lastro no suposto concurso de normas sobre o mesmo fato, seja porque os fatos ora descritos não são os mesmos, seja porque quaisquer fatos relacionados no inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007, não absorvem o fato relacionado no inciso II do mesmo artigo. Não há, pois, dúvida alguma sobre a possibilidade de aplicação concomitante da multa de ofício e da multa isolada. Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10469.720740/201001 Acórdão n.º 1401003.287 S1C4T1 Fl. 112 9 Na Câmara Superior de Recursos Fiscais, no mesmo sentido, ver também os acórdãos nº 9101003.913, 9101003.914 e 9101003.915. Conclusão. Tendo em vista o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte para afastar o lançamento de ofício da multa isolada devida em função das estimativas do anocalendário 2006, mantendose incólumes os lançamentos de 2007 e 2008. (assinado digitalmente) Carlos André Soares Nogueira Relator Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10469.720740/201001 Acórdão n.º 1401003.287 S1C4T1 Fl. 113 10 Voto Vencedor Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto Inicio parabenizando o Conselheiro Relator pelo brilhante voto. Fui designado para a redação do voto vencedor em função de divergir da interpretação apresentada pelo Relator e a turma assim acolher a divergência. Contesta a aplicação da cumulação das multas isolada e de ofício conjuntamente. Entende que tal incidência provoca uma dupla penalização da empresa em relação à ocorrência de um único fato. Para tanto apresenta jurisprudência do CARF e do Poder judiciário no sentido de aplicar o princípio da consunção em relação a estas multas, pelo qual a de maior gravidade absorve à de menor gravidade. Com relação ao auto de infração relativo a aplicação de multa isolada pela falta de recolhimento por estimativa, por diversas vezes este tema foi objeto de discussão nesta Câmara, existindo três diferentes vertentes de opinião: 1) A primeira segue no sentido de que a aplicação de multa de ofício relativo ao período de apuração anual do imposto impede a aplicação da multa isolada pela falta de recolhimento por estimativa em função de tratarse, em essência do mesmo tributo exigido no exercício e, assim, o contribuinte estaria sendo penalizado em duplicidade. 2) A segunda corrente advoga no sentido de que as multas de ofício e isolada punem condutas distintas e assim, podem subsistir concomitantemente sem qualquer empecilho, visto que os fatos geradores são distintos e também distintas as bases de cálculo. 3) A terceira posição interpretativa segue no sentido de que os fatos geradores sendo complementares as sanções, visto que uma pune a falta de antecipação durante o exercício e a outra pune a falta do pagamento no ajuste anual, a maior penalidade deve prevalecer até o montante em que consuma integralmente a punição pela falta de antecipação, somente subsistindo esta se comportar montante maior do que a multa de ofício. Pessoalmente sou adepto da terceira corrente e da adoção do princípio da consunção, conforme abaixo demonstrado e extraído do acórdão deste mesmo relator de nº 1401003.058, de 13 de dezembro de 2018. Por isso, transcrevo os valiosos fundamentos do Conselheiro Guilherme Adolfo Mendes no Acórdão 1201000.235: "As regras sancionatórias são em múltiplos aspectos totalmente diferentes das normas de imposição tributária, a começar pela circunstância essencial de que o antecedente das primeiras é composto por uma conduta antijurídica, ao passo que das segundas se trata de conduta lícita. Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10469.720740/201001 Acórdão n.º 1401003.287 S1C4T1 Fl. 114 11 Dessarte, em múltiplas facetas o regime das sanções pelo descumprimento de obrigações tributárias mais se aproxima do penal que do tributário. Pois bem, a Doutrina do Direito Penal afirma que, dentre as funções da pena, há a PREVENÇÃO GERAL e a PREVENÇÃO ESPECIAL. A primeira é dirigida à sociedade como um todo. Diante da prescrição da norma punitiva, inibese o comportamento da coletividade de cometer o ato infracional. Já a segunda é dirigida especificamente ao infrator para que ele não mais cometa o delito. É, por isso, que a revogação de penas implica a sua retroatividade, ao contrário do que ocorre com tributos. Uma vez que uma conduta não mais é tipificada como delitiva, não faz mais sentido aplicar pena se ela deixa de cumprir as funções preventivas. Essa discussão se torna mais complexa no caso de descumprimento de deveres provisórios ou excepcionais. Hector Villegas, (em Direito Penal Tributário. São Paulo, Resenha Tributária, EDUC, 1994), por exemplo, nos noticia o intenso debate da Doutrina Argentina acerca da aplicação da retroatividade benigna às leis temporárias e excepcionais. No direito brasileiro, porém, essa discussão passa ao largo há muitas décadas, em razão de expressa disposição em nosso Código Penal, no caso, o art. 3°: Art. 3" A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplicase ao fato praticado durante sua vigência. O legislador penal impediu expressamente a retroatividade benigna nesses casos, pois, do contrário, estariam comprometidas as funções de prevenção. Explico e exemplifico. Como é previsível a cessação da vigência de leis extraordinárias e certo, em relação às temporárias, a exclusão da punição implicaria a perda de eficácia de suas determinações, uma vez que todos teriam a garantia prévia de, em breve, deixarem de ser punidos. É o caso de uma lei que impõe a punição pelo descumprimento de tabelamento temporário de preços. Se após o período de tabelamento, aqueles que o descumpriram não fossem punidos e eles tivessem a garantia prévia disso, por que então cumprir a lei no período em que estava vigente? Ora, essa situação já regrada pela nossa codificação penal é absolutamente análoga à questão ora sob exame, pois, apesar de a regra que estabelece o dever de antecipar não ser temporária, cada dever individualmente considerado é provisório e diverso do dever de recolhimento definitivo que se caracterizará no ano seguinte. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10469.720740/201001 Acórdão n.º 1401003.287 S1C4T1 Fl. 115 12 Nada obstante, também entendo que as duas sanções (a decorrente do descumprimento do dever de antecipar e a do dever de pagar em definitivo) não devam ser aplicadas conjuntamente pelas mesmas razões de me valer, por terem a mesma função, dos institutos do Direito Penal. Nesta seara mais desenvolvida da Dogmática Jurídica, aplicase o Princípio da Consunção. Na lição de Oscar Stevenson, "pelo princípio da consunção ou absorção, a norma definidora de um crime, cuja execução atravessa fases em si representativas desta, bem como de outras que incriminem fatos anteriores e posteriores do agente, efetuados pelo mesmo fim prático". Para Delmanto, "a norma incriminadora de fato que é meio necessário, fase normal de preparação ou execução, ou conduta anterior ou posterior de outro crime, é excluída pela norma deste". Como exemplo, os crimes de dano, absorvem os de perigo. De igual sorte, o crime de estelionato absorve o de falso. Nada obstante, se o crime de estelionato não chega a ser executado, punese o falso. É o que ocorre em relação às sanções decorrentes do descumprimento de antecipação e de pagamento definitivo. Uma omissão de receita, que enseja o descumprimento de pagar definitivamente, também acarreta a violação do dever de antecipar. Assim, punese com multa proporcional. Todavia, se há uma mera omissão do dever de antecipar, mas não do de pagar, punese a não antecipação com multa isolada." No presente caso, em razão do elevado valor da autuação levada à efeito contra o contribuinte entendo que devo tecer outras considerações a respeito, até mesmo porque tenho conhecimento de que a Câmara Superior de Recursos Fiscais proferiu julgamento em sentido contrário ao deste entendimento. No julgamento que tomei conhecimento a aplicação do Princípio da Consunção foi negada na seara do direito tributário em razão do entendimento de que os princípios de direito penal não poderiam ser utilizados na seara do direito tributário. Data venia o devido respeito e consideração que tenho com as decisões proferidas pela Câmara Superior deste CARF, até mesmo porque sigo alguns de seus ensinamentos em diversos pontos, não concordo com esse posicionamento. Desde os tempos dos bancos escolares na Faculdade de Direito sempre recebi e acolhi o ensinamento de que é menos grave infringir uma norma do que um princípio. Este ensinamento decorre do fato de que os princípios do direito são normas não escritas que vigoram acima das normas positivadas e servem de guia para a sua produção e de guia para os intérpretes. Por isso os princípios são tão importantes na vida dos operadores do direito. Apresentamos a lição de renomados juristas acerca dos princípios no direito. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10469.720740/201001 Acórdão n.º 1401003.287 S1C4T1 Fl. 116 13 Conforme Celso Antônio Bandeira de Mello: Princípio é, pois, por definição, mandamento nuclear de um sistema, verdadeiro alicerce dele, disposição fundamental que se irradia sobre diferentes normas, compondolhes o espírito e servindo de critério para exata compreensão e inteligência delas, exatamente porque define a lógica e a racionalidade do sistema normativo, conferindolhe a tônica que lhe dá sentido harmônico. É o conhecimento dos princípios que preside a intelecção das diferentes partes componentes do todo unitário que há por nome sistema jurídico. (MELLO, 2009, p. 53) Segundo Miguel Reale Júnior: Princípios são, pois, verdades ou juízos fundamentais, que servem de alicerce ou de garantia de certeza a um conjunto de juízos ordenados em um sistema de conceitos relativos a dada porção da realidade. Às vezes, também se denominam princípios certas proposições que, apesar de não serem evidentes ou resultantes de evidências, são assumidas como fundamentos da validez de um sistema particular de conhecimento com seus pressupostos necessários. (REALE, 1991, p. 59) Vejase que o nosso código tributário adota, ele próprio, diversos princípios do direito penal, como se pode observar pela leitura dos seguintes dispositivos. Princípio da Legalidade no direito penal: nullum crimen, nulla poena sine lege Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. ...... Art. 9º É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I instituir ou majorar tributos sem que a lei o estabeleça, ressalvado, quanto à majoração, o disposto nos artigos 21, 26 e 65; ........... Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: .......... V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10469.720740/201001 Acórdão n.º 1401003.287 S1C4T1 Fl. 117 14 Princípio da Anterioridade: Nullum crimen, nulla poena sine lege praevia; Art. 104. Entram em vigor no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorra a sua publicação os dispositivos de lei, referentes a impostos sobre o patrimônio ou a renda: I que instituem ou majoram tais impostos; II que definem novas hipóteses de incidência; III que extinguem ou reduzem isenções, salvo se a lei dispuser de maneira mais favorável ao contribuinte, e observado o disposto no artigo 178. Princípio da Retroatividade Benigna Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Princípio da Intervenção Mínima e da Gradação da Pena Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10469.720740/201001 Acórdão n.º 1401003.287 S1C4T1 Fl. 118 15 IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Especificamente, em relação ao Princípio de Intervenção Mínima apresentamos a lição de César Roberto Bittencourt. O princípio da intervenção mínima, também conhecido como ultima ratio, orienta e limita o poder incriminador do Estado, preconizando que a criminalização de uma conduta só se legitima se constituir meio necessário para a proteção de determinado bem jurídico. Se outras formas de sanção ou outros meios de controle social revelaremse suficientes para a tutela desse bem, a sua criminalização é inadequada e não recomendável. Se para o restabelecimento da ordem jurídica violada forem suficientes medidas civis ou administrativas, são estas que devem ser empregadas e não as penais. Por isso, o Direito Penal deve ser a ultima ratio, isto é, deve atuar somente quando os demais ramos do Direito revelaremse incapazes de dar a tutela devida a bens relevantes na vida do indivíduo e da própria sociedade. (BITENCOURT, 2009, p. 13, grifo no original) O Princípio da Consunção, nasce então da necessidade de aplicação da gradação das penas e de intervenção mínima. Por isso, novamente nos utilizamos na lição de César Roberto Bittencourt para demonstrar a construção jurídica do Princípio da Consunção. Pelo princípio da consunção, ou absorção, a norma definidora de um crime constitui meio necessário ou fase normal de preparação ou execução de outro crime. Em termos bem esquemáticos, há consunção quando o fato previsto em determinada norma é compreendido em outra, mais abrangente, aplicandose somente esta. Na relação consuntiva, os fatos não se apresentam em relação de gênero e espécie, mas de minus e plus, de continente e conteúdo, de todo e parte, de inteiro e fração9. Por isso, o crime consumado absorve o crime tentado, o crime de perigo é absorvido pelo crime de dano. A norma consuntiva constitui fase mais avançada na realização da ofensa a um bem jurídico, aplicandose o princípio major absorbet minorem10. Assim, as lesões corporais que determinam a morte são absorvidas pela tipificação do homicídio, ou o furto com arrombamento em casa habitada absorve os crimes de dano e de violação de domicílio etc. A norma consuntiva exclui a aplicação da norma consunta, por abranger o delito definido por esta11. Há consunção quando o crimemeio é realizado como uma fase ou etapa do crimefim, onde vai esgotar seu potencial ofensivo, sendo, por isso, a punição somente da conduta criminosa final do agente. Não convence o argumento de que é impossível a absorção quando se tratar de bens jurídicos distintos. A prosperar tal argumento, jamais se poderia, por exemplo, falar em absorção nos crimes contra o sistema financeiro (Lei Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10469.720740/201001 Acórdão n.º 1401003.287 S1C4T1 Fl. 119 16 n. 7.492/86), na medida em que todos eles possuem uma objetividade jurídica específica. É conhecido, entretanto, o entendimento do TRF da 4ª Região, no sentido de que o art. 22 absorve o art. 6º da Lei n. 7.492/8612. Na verdade, a diversidade de bens jurídicos tutelados não é obstáculo para a configuração da consunção. Inegavelmente – exemplificando – são diferentes os bens jurídicos tutelados na invasão de domicílio para a prática de furto, e, no entanto, somente o crimefim (furto) é punido, como ocorre também na falsificação de documento para a prática de estelionato, não se punindo aquele, mas somente este (Súmula 17 do STJ). No conhecido enunciado da Súmula 17 do STJ, convém que se destaque, reconheceuse que o estelionato pode absorver a falsificação de documento. Registrese, por sua pertinência, que a pena do art.297é de dois a seis anos de reclusão, ao passo que a pena do art. 171 é de um a cinco anos. Não se questionou, contudo, que tal circunstância impediria a absorção, mantendose em plena vigência a referida súmula. Não é, por conseguinte, a diferença dos bens jurídicos tutelados, e tampouco a disparidade de sanções cominadas, mas a razoável inserção na linha causal do crime final, com o esgotamento do dano social no último e desejado crime, que faz as condutas serem tidas como únicas (consunção) e punindose somente o crime último da cadeia causal, que efetivamente orientou a conduta do agente.(BITTENCOURT, in http://www.cezarbitencourt.adv.br/index.php/artigos/36conflitoaparente entrealein866693eodecretolein20167) Além dessa positivação de alguns princípios existem outros, como o da presunção de inocência que são utilizados pela administração tributária e pela fiscalização sem que ao menos se perceba. Vejase, ao iniciar a fiscalização o agente, mesmo que plenamente convicto da existência de irregularidades cometidas pelo contribuinte não pode, simplesmente, lavrar uma autuação sem qualquer prova material. Justamente pela aplicação do princípio da presunção da inocência é que se exige e, neste ponto, este CARF é sempre rigoroso, a demonstração da infração cometida, do seu enquadramento legal e a juntada de provas de todo o alegado. Mesmo assim, ainda que muito bem constituída a autuação, o processo administrativo de constituição do crédito tributário apenas se inicia com a ciência do lançamento. O contribuinte não é nem pode ser cobrado neste momento pois, em atenção ao princípio da presunção de inocência ele só poderá ser cobrado após o esgotamento de todas as instâncias de julgamento administrativo. Demonstrase, neste caso, que em nenhum lugar está escrito que o contribuinte não é cobrado em face da presunção de inocência, no entanto a norma que determina a suspensão da exigibilidade do crédito tributário baseouse neste princípio para sua formação. Por isso talvez, não sendo norma escrita em nenhum lugar, às vezes princípios jurídicos que não são tão comuns, podem causar estranheza e a refração de alguns intérpretes. Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10469.720740/201001 Acórdão n.º 1401003.287 S1C4T1 Fl. 120 17 Com relação ao princípio da Consunção que, reconheço, não é se sabença geral em sua completude, a estranheza decorre do fato de se afastar a aplicação de uma norma legal (a de aplicação de multa isolada por falta de recolhimento por estimativa) em razão de um princípio não escrito. Mas o princípio da Consunção funciona exatamente desta forma. Quando existem condutas praticadas pelos particulares que se amoldem a mais de uma infração, há de se aplicar a pena relativa à maior infração capitulada e deixar de aplicar a pena da menor infração até o limite daquela. Vejamos um exemplo prático do direito penal. O sujeito que pratica lesões corporais graves em outrem que é levado para o hospital e depois vem a óbito. Neste agir o sujeito está agindo da forma capitulada em dois tipos penais: o de lesão corporal grave e o de homicídio. O de lesão tem uma pena menor e o de homicídio tem uma penar maior, mas veja que a mesma ação deu azo à tipificação de dois crimes. Pela aplicação do princípio da Consunção o sujeito, sendo provada sua culpa, cumprirá a pena exclusivamente pelo crime de homicídio (que é o mais amplo e absorve o menos amplo) e não receberá a pena cumulada de lesão corporal e homicídio. É aplicação direta do princípio. No direito tributário, havendo a mesma ratio, há de haver a mesma conclusão. Não é o fato de o princípio ser afeito ao direito penal que o torna inaplicável ao direito tributário. Vejase que o próprio Superior Tribunal de Justiça, em sede de análise de Recurso Especial já se manifestou pela possibilidade de aplicação do princípio ao direito tributário em relação ao mesmo problema. 1.1.1.1 Processo AgRg no REsp 1576289 / RS AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2015/03259378 1.1.1.2 Relator(a) Ministro HERMAN BENJAMIN (1132) 1.1.1.3 Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA 1.1.1.4 Data do Julgamento 19/04/2016 1.1.1.5 Data da Publicação/Fonte DJe 27/05/2016 Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10469.720740/201001 Acórdão n.º 1401003.287 S1C4T1 Fl. 121 18 1.1.1.6 Ementa TRIBUTÁRIO. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. ART. 44, I E II, DA LEI 9.430/1996 (REDAÇÃO DADA PELA LEI 11.488/2007). EXIGÊNCIA CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE NO CASO. PRECEDENTES. 1. A Segunda Turma do STJ tem posição firmada pela impossibilidade de aplicação concomitante das multas isolada e de ofício previstas nos incisos I e II do art. 44 da Lei 9.430/1996 (AgRg no REsp 1.499.389/PB, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 28/9/2015; REsp 1.496.354/PR, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 24/3/2015). 2. Agravo Regimental não provido. 1.1.1.7 Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA Turma do Superior Tribunal de Justiça: "A Turma, por unanimidade, negou provimento ao agravo interno, nos termos do voto do(a) Sr(a). Ministro(a)Relator(a)." 1.1.1.8 Processo REsp 1496354 / PR RECURSO ESPECIAL 2014/02967297 1.1.1.9 Relator(a) Ministro HUMBERTO MARTINS (1130) 1.1.1.10 Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA 1.1.1.11 Data do Julgamento 17/03/2015 1.1.1.12 Data da Publicação/Fonte DJe 24/03/2015 1.1.1.13 Ementa PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. DEFICIÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO. ART. 44 DA LEI N. 9.430/96 (REDAÇÃO DADA Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10469.720740/201001 Acórdão n.º 1401003.287 S1C4T1 Fl. 122 19 PELA LEI N. 11.488/07). EXIGÊNCIA CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE NO CASO. 1. Recurso especial em que se discute a possibilidade de cumulação das multas dos incisos I e II do art. 44 da Lei n. 9.430/96 no caso de ausência do recolhimento do tributo. 2. Alegação genérica de violação do art. 535 do CPC. Incidência da Súmula 284 do Supremo Tribunal Federal. 3. A multa de ofício do inciso I do art. 44 da Lei n. 9.430/96 aplicase aos casos de "totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata". 4. A multa na forma do inciso II é cobrada isoladamente sobre o valor do pagamento mensal: "a) na forma do art. 8° da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) e b) na forma do art. 2° desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei n. 11.488, de 2007)". 5. As multas isoladas limitamse aos casos em que não possam ser exigidas concomitantemente com o valor total do tributo devido. 6. No caso, a exigência isolada da multa (inciso II) é absorvida pela multa de ofício (inciso I). A infração mais grave absorve aquelas de menor gravidade. Princípio da consunção. Recurso especial improvido. 1.1.1.14 Acórdão "A Turma, por unanimidade, negou provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Sr(a). Ministro(a)Relator(a)." Os Srs. Ministros Herman Benjamin, Og Fernandes, Mauro Campbell Marques (Presidente) e Assusete Magalhães votaram com o Sr. Ministro Relator. Os princípios não são de um direito ou de outro, são princípios de direito como um todo. Por questões de usualidade estudase mais em um determinado ramo, mas estes não deixam de poder ser aplicados a qualquer ramo do direito, senão, repisemos, cometeríamos a heresia de quebrar um princípio de direito ao negarlhe aplicação. Quanto à isto existe norma posta? Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10469.720740/201001 Acórdão n.º 1401003.287 S1C4T1 Fl. 123 20 por óbvio que não, no entanto, é norma implícita que deve ser atendida pelos operadores do direito. Assim, com relação à aplicação do Princípio da Consunção na análise da aplicação cumulativa das multas isolada e de ofício entendo da seguinte forma: 1. O sujeito passivo deixou de cumprir uma norma jurídica que determinava o recolhimento mensal da CSLL devida por estimativa, como forma de antecipação da CSLL devida ao final do anocalendário; 2. Em seguida, encerrado o exercício, o contribuinte não apura nem recolhe a CSLL devida na sistemática adotada de apuração anual da contribuição. 3. Chegada a fiscalização verifica as duas ações diversas que são, em síntese, o não pagamento de tributo. O primeiro de forma antecipada e o segundo de forma integral ao final do exercício. Assim, verificando duas ações, aplica duas sanções, uma de 50% pelo não recolhimento da estimativa e outra de 75% pelo não recolhimento da contribuição anual apurada. Ora a aplicação do Princípio da Consunção decorre do fato de que a primeira conduta é parte integrante da segunda conduta. Não existe um tributo denominado CSLL por estimativa e outro tributo denominado CSLL da apuração anual. O que se recolhe por estimativa são pedaços da CSLL que, por conveniência da administração tributária tem de ser recolhidas de forma antecipada, mesmo sem haver o conhecimento do lucro tributável. Vejase, se a fiscalização chega ao contribuinte durante o exercício e aí aplica a multa isolada pelo não recolhimento da estimativa devida é um fato. Se a fiscalização chega ao contribuinte após o encerramento do exercício não pode nem mesmo lançar a estimativa devida, mas apenas o tributo devido ao final do exercício, como poderia então lançar a multa isolada pelo não recolhimento de partes deste tributo, quando a empresa já está sendo penalizada com a multa de 75% incidente sobre todo o imposto devido. O ato que está sendo punido pela fiscalização é um só. O de não recolher o tributo devido. Por isso, nos casos em que o valor lançado relativamente à multa de ofício excede o valor lançado em relação à multa isolada pela falta de recolhimento das estimativas a multa mais grave absorve a multa menos grave a, assim, aplicase a consunção. Por isso, na aplicação da consunção não há de se falar simplesmente em exoneração da multa isolada. Em verdade o que se diz e como demonstram os diversos julgados desta mesma turma, a consunção da exclusão da multa isolada só ocorre integralmente nos casos em que a multa de ofício aplicada lhe é superior. Assim, nos casos em que a multa isolada é superior ao valor da multa de ofício, a exoneração é parcial e limitada ao montante da multa de ofício, devendo nestas hipóteses ser mantida a punição isolada em relação ao montante que superou a multa de ofício. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10469.720740/201001 Acórdão n.º 1401003.287 S1C4T1 Fl. 124 21 Parece estranho, mas não é. Como a estimativa é uma antecipação do imposto, ocorrem casos em que, na apuração anual a empresa verifica a existência de exclusões do lucro real que não são utilizadas no cálculo das estimativas e, assim, o tributo apurado ao final do exercício termina por ser inferior à soma dos tributos devidos por estimativas. Nestes casos a consunção se aplica parcialmente e mantémse a parcela da multa de 50% que superou o montante da multa de ofício. Acrescentese a tudo isso que a novel interpretação instituída por meio do Parecer Normativo nº 02, de 03 de dezembro de 2018, analisando o tema relativo às estimativas e o valor do tributo devido, conclui que: Síntese conclusiva 13.De todo o exposto, concluise: a) os valores apurados mensalmente por estimativa podiam ser quitados por Dcomp até 30 de maio de 2018, data que entrou em vigor a Lei nº 13.670, de 2018, que passou a vedar a compensação de débitos tributários concernentes a estimativas; b) os valores apurados por estimativa constituem mera antecipação do IRPJ e da CSLL, cujos fatos jurídicos tributários se efetivam em 31 de dezembro do respectivo ano calendário; não é passível de cobrança a estimativa tampouco sua inscrição em DAU antes desta data; c) no caso de Dcomp não declarada, devese efetuar o lançamento da multa por estimativa não paga; os valores dessas estimativas devem ser glosados; não há como cobrar o valor correspondente a essas estimativas, e este tampouco pode compor o saldo negativo de IRPJ ou a base de cálculo negativa da CSLL. d) no caso de Dcomp não homologada, se o despacho decisório que não homologou a compensação for prolatado antes de 31 de dezembro, e não foi objeto de manifestação de inconformidade, não há formação do crédito tributário nem a sua extinção; não há como cobrar o valor não homologado na Dcomp, e este tampouco pode compor o saldo negativo de IRPJ ou a base de cálculo negativa da CSLL; e) no caso de Dcomp não homologada, se o despacho decisório for prolatado após 31 de dezembro do anocalendário, ou até esta data e for objeto de manifestação de inconformidade pendente de julgamento, então o crédito tributário continua extinto e está com a exigibilidade suspensa (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996), pois ocorrem três situações jurídicas concomitantes quando da ocorrência do fato jurídico tributário: (i) o valor confessado a título de estimativas deixa de ser mera antecipação e passa a ser crédito tributário constituído pela apuração em 31/12; (ii) a confissão em DCTF/Dcomp constitui o crédito tributário; (iii) o crédito tributário está extinto via compensação; não é necessário glosar o valor confessado, caso o tributo devido seja maior que os valores das estimativas, devendo ser as então estimativas cobradas como tributo devido; f) se o valor objeto de Dcomp não homologada integrar saldo negativo de IRPJ ou a base negativa da CSLL, o direito creditório destes decorrentes deve ser deferido, pois em 31 de dezembro o débito tributário referente à estimativa restou constituído pela confissão e será objeto de cobrança; Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10469.720740/201001 Acórdão n.º 1401003.287 S1C4T1 Fl. 125 22 g) a SCI Cosit nº 18, de 2006, deve ser lida de acordo com o Parecer PGFN/CAT/Nº 88/2014, motivo pelo qual ratificase o disposto nos seus itens 12, 12.1, 12.1.1, 12.1.3 e 12.1.4 e 13 a 13.3, revogandose o seu item 12.1.2. A interpretação, assim estabelecida, reforça o entendimento deste relator de que o recolhimento por estimativa é parte constante do débito apurado de IRPJ ou CSLL anual, assim o tratamento relativo à falta de pagamento das estimativas e do tributo devido ao final do exercício deve ser analisado em conjunto e não como se tratando de normas independentes e que tem de ter aplicação indistinta sem qualquer moderação. Assim, reforçado com o parecer acima, e com base na utilização dos princípios do direito penal já tratados acima, entendo perfeitamente aplicável o princípio da consunção aos casos de aplicação concomitante de multa isolada com multa de ofício pela falta de recolhimento do tributo. No presente caso, percebese que a multa isolada resta integralmente absorvida pelo lançamento da multa de ofício sobre os mesmos períodos. Assim, voto por dar provimento ao recurso voluntário no sentido de que se exonere integralmente as multas isoladas lançadas. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Redator Designado Fl. 125DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.955643/2008-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/08/1999
ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972.
Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização integral do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicando-se o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3402-006.168
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/08/1999 ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização integral do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicando-se o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz.
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DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização integral do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicandose o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 56 43 /2 00 8- 43 Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10880.955643/200843 Acórdão n.º 3402006.168 S3C4T2 Fl. 0 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 1629.938, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP, que por unanimidade de votos julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo a decisão administrativa pela não homologação da compensação pretendida. Cientificada desta decisão, a Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário ora em apreço, através do qual pede a reforma da decisão de primeira instância, o que fez com os seguintes argumentos: i) Com fulcro na Lei 9.430/96 e alterações posteriores, apresentou diversos pedidos de compensação de créditos tributários oriundos de pagamento indevidos de tributos, os quais foram utilizados para compensação de débitos tributários decorrentes de suas atividades empresariais; ii) O agente administrativo limitouse a lançar um despacho padronizado indeferindo as compensações sob o argumento de que não existia o crédito perseguido pelo contribuinte; iii) Em nenhum momento foi propiciado à Recorrente a oportunidade de demonstrar o seu crédito, se limitando a Autoridade Administrativa a consultar os sistemas informatizados do próprio Fisco; iv) O julgado foi precipitado e invocou como fundamento o fato (verdadeiro) que para homologar as compensações é imprescindível a demonstração pelo contribuinte da "liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas."; v) O objeto do presente processo administrativo é justamente garantir ao contribuinte a oportunidade de demonstrar a liquidez e certeza de seus créditos. Todavia, da maneira em que conduzido o processo não está sendo permitido ao contribuinte demonstrar o seu crédito e usase a falta dessa prova para indeferir o pedido. É o relatório. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10880.955643/200843 Acórdão n.º 3402006.168 S3C4T2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.148, de 25 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.686726/200968, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402006.148): "Pressupostos legais de admissibilidade Nos termos do relatório o recurso é tempestivo, bem como o preenche os demais requisitos de admissibilidade, resultando em seu conhecimento. Mérito Da análise dos autos, constatase que o objeto principal deste litígio se resume ao ônus da prova sobre o direito creditório perseguido pela Contribuinte. Cabe observar que a origem da base de cálculo do crédito e inconstitucionalidade do artigo 3°, § 2°, inciso III da Lei 9.718/98 não é ponto controvertido a ser analisado, uma vez que não foi a razão do indeferimento e tampouco matéria enfrentada em razões recursais. Em síntese, o argumento principal da parte em Manifestação de Inconformidade e Recurso Voluntário versa sobre a conclusão da Autoridade Administrativa pela inexistência do crédito "sem sequer solicitar ao contribuinte qualquer documento capaz de comprovar ou não a existência e suficiência do crédito utilizado na compensação". A Contribuinte havia requerido em Manifestação de Inconformidade a anulação do despacho decisório e a determinação para que a Autoridade Fiscal efetuasse as diligências necessárias para comprovar a origem e a existência do crédito utilizado nas compensações ou, alternativamente, a homologação da compensação efetuada. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10880.955643/200843 Acórdão n.º 3402006.168 S3C4T2 Fl. 0 4 Por sua vez, a Autoridade Julgadora de Primeira Instância salientou que a compensação que se pretende é a proveniente de lançamento por homologação, em que o contribuinte apura por sua conta e risco o valor a ser restituído e efetua a compensação, incumbindo ao Fisco verificar se o encontro de contas foi realizado corretamente ou não, consoante o artigo 66 da Lei n° 8.383/1991. Com efeito, em razão da busca pela verdade material, sempre deverá prevalecer a possibilidade de apresentação de todos os meios de provas necessários para comprovação do direito pleiteado. Constatase que a Recorrente instruiu tanto a manifestação de Inconformidade quanto o Recurso Voluntário apenas com o instrumento de procuração, identificação da procuradora, cópias das decisões recorridas, identificação dos sócios proprietários e atos constitutivos da empresa. No entanto, é da Contribuinte o ônus da prova passível de contrapor a constatação de utilização dos créditos declarados para compensação, o que não ocorreu no presente caso, pois a Recorrente em nenhum momento anexou aos autos quaisquer documentos e/ou planilhas de apuração, tampouco apresentou retificação da DCTF para demonstrar o crédito perseguido. Ou seja, não há nos autos sequer um indício da existência de tal crédito. Aplicase o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil, que atribui o ônus da prova ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, bem como a incidência do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Neste sentido, citase o Acórdão nº 9303007.218, proferido pela 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais1. Com isso, está correta a decisão de primeira instância. Dispositivo Ante o exposto, conheço e nego provimento ao Recurso Voluntário. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. 1 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 20/04/2007 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.955643/200843 Acórdão n.º 3402006.168 S3C4T2 Fl. 0 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 76DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10935.001060/2007-37
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
OMISSÃO DE RENDIMENTOS
Os rendimentos tributáveis sujeitos à tabela progressiva recebidos pelos contribuintes e seus dependentes indicados na declaração de ajuste devem ser espontaneamente oferecidos à tributação na declaração de ajuste anual.
Na hipótese de apuração pelo Fisco de omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, cabe a adição do valor omitido à base de cálculo do imposto, com a multa de ofício ou ajuste do valor do IRPF a Restituir declarado.
Numero da decisão: 2002-000.874
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para cancelar a omissão de rendimentos no valor de R$35.623,23, devendo ser cancelada a inclusão do IRRF a ela correspondente, de R$22,54 (fl.4), bem como para considerar no cálculo do imposto devido a dedução com previdência oficial no montante de R$647,92.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS Os rendimentos tributáveis sujeitos à tabela progressiva recebidos pelos contribuintes e seus dependentes indicados na declaração de ajuste devem ser espontaneamente oferecidos à tributação na declaração de ajuste anual. Na hipótese de apuração pelo Fisco de omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, cabe a adição do valor omitido à base de cálculo do imposto, com a multa de ofício ou ajuste do valor do IRPF a Restituir declarado.
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RENDIMENTOS. TRANSPORTE AUTÔNOMO DE CARGA. Recorrente JORGE LUIZ BARBOSA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS Os rendimentos tributáveis sujeitos à tabela progressiva recebidos pelos contribuintes e seus dependentes indicados na declaração de ajuste devem ser espontaneamente oferecidos à tributação na declaração de ajuste anual. Na hipótese de apuração pelo Fisco de omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, cabe a adição do valor omitido à base de cálculo do imposto, com a multa de ofício ou ajuste do valor do IRPF a Restituir declarado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para cancelar a omissão de rendimentos no valor de R$35.623,23, devendo ser cancelada a inclusão do IRRF a ela correspondente, de R$22,54 (fl.4), bem como para considerar no cálculo do imposto devido a dedução com previdência oficial no montante de R$647,92. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 10 60 /2 00 7- 37 Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10935.001060/200737 Acórdão n.º 2002000.874 S2C0T2 Fl. 113 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 7ª Turma da DRJ/CTA, que considerou procedente o lançamento, em decisão assim ementada (fls.72/75): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. VALORES APURADOS EM DIRF. AUSÊNCIA DE PROVA EM CONTRÁRIO. A Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) é documento hábil para comprovar a omissão de rendimentos e sua desconsideração somente pode ocorrer quando o contribuinte demonstrar a inexistência ou inexatidão dos valores informados pela fonte pagadora. Em face do sujeito passivo foi emitida a Notificação de Lançamento de fls. 2/6, relativa ao anocalendário 2004, decorrente de procedimento de revisão de Declaração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF), em que a fiscalização apurou omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, no montante de R$44.125,61 (fl.4). A Notificação de Lançamento alterou o resultado apurado de saldo de imposto a restituir declarado de R$2,82, para saldo de imposto a pagar de R$10.493,32. Cientificado da notificação (fl.71), o contribuinte impugnou a exigência fiscal em 30/3/2007 (fls. 2/64). Intimado da decisão do colegiado de primeira instância em 14/4/2009 (fl. 78), o recorrente apresentou recurso voluntário em 13/5/2009 (fls. 79/92), em que alega os seguintes argumentos de defesa: teria prestado serviços para a empresa TSA Transportadora Senhora como motorista autônomo e recebido o montante bruto de R$6.893,02, sendo tributável o montante de R$2.757,20. teria informado os rendimentos recebidos da empresa Transli Transportadora Liberdade Ltda no campo relativo aos rendimentos recebidos de pessoas físicas nos meses de abril, novembro e dezembro. faria jus a deduzir a previdência oficial (R$186,17 e R$461,75) e compensar IR (R$68,35 e R$102,22), vinculados às fontes pagadoras TSA e Transli. Em 28/8/2018, o julgamento foi convertido em diligência, por meio da Resolução nº2002000.033, nos seguintes termos: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10935.001060/200737 Acórdão n.º 2002000.874 S2C0T2 Fl. 114 3 Origem, para que junte aos autos todas as Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF ativas tendo como beneficiário o ora recorrente no anocalendário 2004, bem como cientifique o contribuinte da diligência realizada e dos documentos juntados aos autos, com reabertura de prazo de 30 dias para seu pronunciamento sobre os novos elementos juntados, se assim desejar. Após o cumprimento dessas etapas, o processo deve retornar ao CARF, para prosseguimento do julgamento. Em atendimento, a Unidade de origem anexou extratos do sistema DIRF às fls.99/105. Cientificado da diligência realizada e do seu resultado, o recorrente não voltou a se manifestar. Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Delimitação da lide A autuação aponta omissão de rendimentos de cinco fontes pagadoras. Em seu recurso, o recorrente contesta apenas a omissão a ele atribuída quanto a duas das fontes pagadoras, TSA e Transli. Dessa feita, não cabe manifestação deste colegiado no tocante às demais omissões atribuídas ao recorrente. Mérito O litígio recai sobre os rendimentos tidos por omitidos pelo recorrente recebidos das empresas TSA e Transli. Em seu recurso, além de contestar essas omissões, o recorrente requer a consideração do IRRF e da previdência oficial vinculados às mencionadas fontes pagadoras. Em relação à empresa TSA, a autuação noticiava rendimentos pagos ao contribuinte no montante de R$38.379,64. Como o contribuinte oferecera à tributação o montante de R$2.756,41, foi lançada a omissão de rendimentos de R$35.623,23 (fl.4). Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10935.001060/200737 Acórdão n.º 2002000.874 S2C0T2 Fl. 115 4 Desde sua impugnação, o contribuinte rechaçara essa infração e, em seu recurso, juntou o comprovante de rendimento de fl.92, bem como recibo de entrega de DIRF retificadora pela referida fonte pagadora (fl.88). Na diligência realizada, confirmase a entrega da DIRF retificadora pela empresa TSA (fl.105), sendo de se cancelar a omissão apontada, bem como a inclusão do IRRF correspondente, de R$22,54 (fl.4). O IRRF vinculado a esta fonte pagadora é de R$68,35, valor declarado pelo recorrente. No tocante à previdência oficial vinculada aos rendimentos da TSA, vêse que está consignada em DIRF e no comprovante e não foi aproveitada pelo contribuinte (fl.12). Dessa feita, o contribuinte faz jus a deduzir o valor de R$186,17. No que concerne à empresa Transli, o recorrente alega que teria informado parte dos valores como tendo sido recebidos de pessoas físicas. A DIRF entregue pela empresa Transli noticia o pagamento ao contribuinte de R$6.441,78, com IRRF de R$102,22 e previdência oficial de R$461,75 (fl.104). Em sua defesa, o recorrente junta comprovante de rendimento de fl.91 (juntado também à fl.47), o qual ratifica as informações prestadas pela fonte pagadora. Em sua Declaração de Ajuste, o recorrente não informou qualquer rendimento dessa pessoa jurídica (fl.12). Sua alegação é de que teria informado parte desses rendimentos como tendo sido recebido de pessoa física (fl.13), da seguinte forma: abril R$599,94 novembro R$611,30 dezembro R$1.148,03 Esses rendimentos totalizam R$2.359,27. Assim, a teor da defesa apresentada, registro que resta confirmada e não contestada a omissão de R$4.082,51 dessa fonte pagadora. O contribuinte juntou a sua impugnação documentos de fls. 48/52, referentes a serviços prestados por ele à empresa Transli. Entretanto, como consignado na decisão recorrida, os documentos contém valores anotados manualmente em sobreposição aos dados originais, não podendo ser acatados como hábeis a confirmar as alegações do recorrente. Registro ainda que não se verifica, exceto para o mês de abril (valor próximo), alguma compatibilidade entre suas alegações e as informações da DIRF (fl.104). Dessa forma, considerando que o recorrente junta comprovante de rendimento que confirma as informações prestadas pela fonte pagadora à RFB e que não logrou apresentar provas hábeis a relacionar os valores declarados como recebidos de pessoa física a esses rendimentos, a omissão apontada deve ser mantida. Quanto ao pleito para inclusão do IRRF, constatase que, na autuação, já se procedeu à inclusão do IRRF correspondente, de R$102,22. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10935.001060/200737 Acórdão n.º 2002000.874 S2C0T2 Fl. 116 5 No tocante à previdência oficial, é de se acatar o pleito do recorrente, com base no comprovante de rendimento e na DIRF, que apontam o recolhimento de R$461,75 a esse título. Conclusão Pelo exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, para cancelar a omissão de rendimentos no valor de R$35.623,23, devendo ser cancelada a inclusão do IRRF a ela correspondente, de R$22,54 (fl.4), bem como para considerar no cálculo do imposto devido a dedução com previdência oficial no montante de R$647,92 (186,17+461,75). (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 116DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19311.720073/2015-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011, 2012
PETIÇÃO. CONHECIMENTO. REQUISITO.
Não se conhece de petição quando o interessado, mesmo após ser intimado, não apresenta documento que comprove a sua autoria.
Numero da decisão: 1201-002.718
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em não conhecer do recurso nos termos do voto do relator, por unanimidade de votos
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Jose Roberto Adelino da Silva (Suplente convocado), Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2011, 2012 PETIÇÃO. CONHECIMENTO. REQUISITO. Não se conhece de petição quando o interessado, mesmo após ser intimado, não apresenta documento que comprove a sua autoria.
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CONHECIMENTO. REQUISITO. Não se conhece de petição quando o interessado, mesmo após ser intimado, não apresenta documento que comprove a sua autoria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em não conhecer do recurso nos termos do voto do relator, por unanimidade de votos (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Jose Roberto Adelino da Silva (Suplente convocado), Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) Relatório ERJ ADMINISTRAÇÃO E RESTAURANTES DE EMPRESAS LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida no Acórdão nº 1674.827 (fls. 298), pela DRJ São Paulo, interpôs recurso voluntário (fls. 337) dirigido a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma daquela decisão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 00 73 /2 01 5- 21 Fl. 372DF CARF MF Processo nº 19311.720073/201521 Acórdão n.º 1201002.718 S1C2T1 Fl. 369 2 O processo trata de exigência de IRPJ (fls. 246) e CSLL (fls. 257) pelo recolhimento a menor dos tributos nos anos 2011 e 2012, multa de ofício isolada pelo não recolhimento de estimativas no ano 2011, bem como juros de mora e multa de ofício qualificada (150%). Na ocasião, foi imputada responsabilidade tributária a SIMON BOLIVAR DA SILVEIRA BUENO. Contra essa decisão, o interessado apresentou a impugnação de fls. 280. Ao apreciar aquele feito, a DRJ constatou que não havia sido contestada a exigência dos tributos, a exigência da multa isolada e a imputação de responsabilidade, delimitando a lide ao questionamento da qualificação da multa de ofício. A impugnação foi julgada improcedente, em decisão que recebeu a seguinte ementa (fls. 298): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do faro gerador: 31/12/2011, 30/06/2012 MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Considerase não contestada a matéria que não Tenha sido expressamente questionada, não integrando, assim, o objeto da lide. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA. MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. Cabe a aplicação de multa de ofício qualificada no percentual de 150% sobre o tributo devido quando o sujeito passivo praticar condutas que indicam dolo da prática de sonegação. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. As multas de ofício pecuniárias vinculadas aos tributos administrados pela Receita Federal do Brasil têm sede em lei ordinária federal, sendo de aplicação obrigatória por parte da autoridade lançadora e observância pelas autoridades julgadoras que compõem o contencioso administrativo. CSLL. LANÇAMENTOS REFLEXOS. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fatos geradores de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, o decidido em relação ao IRPJ aplicase à CSLL. Cientificado dessa última decisão em 17/10/2016 (fls. 321), o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fl. 337, em 16/11/2016. Na primeira vez em que este colegiado se reuniu para apreciar este feito, a turma julgadora constatou que o signatário físico do recurso voluntário não foi devidamente identificado e que a correspondente assinatura digital foi feita por pessoa estranha ao processo. Com isso, o julgamento foi convertido em diligência, nos termos da Resolução nº 1201 000.321 (fls. 351), para que a RFB intimasse o contribuinte a comprovar a identidade do subscritor do recurso voluntário e os poderes deste para representálo. A DRF Jundiaí realizou a intimação determinada (fls. 361 e 362), mas o contribuinte não apresentou resposta, nos termos do despacho de fls. 364. É o relatório Fl. 373DF CARF MF Processo nº 19311.720073/201521 Acórdão n.º 1201002.718 S1C2T1 Fl. 370 3 Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Relator. O recurso voluntário foi apresentado tempestivamente, mas não há segurança sobre quem o apresentou, conforme relatado acima. O artigo 311 da Lei nº 4.862, de 1965, determina a intimação do requerente para este apresentar prova de identidade quando houver dúvida sobre a autenticidade da assinatura ou quando a providência servir ao resguardo do sigilo. A intimação foi realizada, mas não houve resposta do requerente, persistindo a dúvida de autenticidade. Diante da presente situação fática, entendo que o requerente não está apto a comparecer ao processo e voto por não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque Relator 1 Art 31. Salvo em casos excepcionais ou naqueles em que a lei imponha, explìcitamente, esta condição, não será exigido o reconhecimento de firmas em petições dirigidas à administração pública, podendo, todavia, a repartição requerida, quando tiver dúvida sôbre a autenticidade da assinatura do requerente ou quando a providência servir ao resguardo do sigilo, exigir antes da decisão final a apresentação de prova de identidade do requerente. Fl. 374DF CARF MF
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Numero do processo: 10783.900015/2012-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009
DECADÊNCIA. DIREITO DE EFETUAR A GLOSA DE CRÉDITOS.
O prazo decadencial do direito de lançar tributo não rege os institutos da compensação e do ressarcimento e não é apto a obstaculizar o direito de averiguar a liquidez e a certeza do crédito do sujeito passivo e a obstruir a glosa de créditos indevidos tomados pela contribuinte.
NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS QUE GERAM DIREITO A CRÉDITO.
Na legislação do Pis e da Cofins não cumulativos, os insumos, cf. art. 3º incisos I e II, que geram direito a crédito são aqueles vinculados ao processo produtivo ou à prestação dos serviços. As despesas gerenciais, administrativas e gerais, ainda que essenciais à atividade da empresa, não geram crédito de Pis e Cofins no regime não cumulativo.
CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO RICARF.
O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, conforme decidido no REsp 1.221.170/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos, cuja decisão deve ser reproduzida no âmbito deste conselho.
COFINS NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS SUJEITAS A ALÍQUOTA ZERO. DIREITO A CRÉDITO SOBRE GASTOS INCORRIDOS COM FRETE NA REVENDA.
As revendas, distribuidoras e atacadistas de produtos sujeitas a tributação concentrada pelo regime não cumulativo, ainda que, as receitas sejam tributadas à alíquota zero, podem descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por elas suportadas na condição de vendedor, conforme dispõe o art. 3, IX das Leis n°s 10.637/2002 para o PIS/Pasep e 10.833/2003 para a Cofins.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. DESPESAS DE ARMAZENAGEM.
Concede-se direito a crédito na apuração não-cumulativa da contribuição as despesas referentes à despesa com armazenagem, de acordo com o art. 3, IV da Lei n. 10.637/2002.
CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. DESESTIVA
A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com transporte, armazenagem e logística dentro da zona primária, decorrentes de importação de mercadorias.
CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. DESPACHANTES.
A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com despachantes, decorrentes de importação de mercadorias.
CRÉDITOS. CUSTOS COM ARMAZENAGEM.
As despesas com armazenagem geram créditos não cumulativos se estiverem vinculadas às operações de venda.
FRETES SOBRE COMPRAS. CRÉDITOS BÁSICOS.
Os fretes sobre compras de bens passíveis de creditamento na sistemática da não cumulatividade do PIS e da Cofins geram direito ao crédito básico.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA.
As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO.
Indefere-se o pedido de diligência por ser absolutamente desnecessário para a solução do litígio.
Numero da decisão: 3201-004.809
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em indeferir a preliminar de decadência por tratar-se de pedido de restituição. No mérito, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário a) Por unanimidade de votos para (i) reverter as glosas do frete sobre a aquisição de insumos, mesmo quando a aquisição sujeita-se à alíquota zero; (ii) reverter as glosas do frete sobre a revenda de produtos; (iii) reverter as glosas relativas aos serviços de armazenagem alfandegada, descarga, movimentação e a própria desestiva, todos relacionados ao transporte/ armazenagem/ logística; (iv) reverter as glosas das despesas com os serviços de armazenagem, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte; (v) indeferir a produção de prova pericial/diligência por entender desnecessária a solução da lide; b) Por maioria de votos, para manter a glosa sobre os serviços administrativos de despachantes aduaneiros. Vencidos, no ponto, os conselheiros Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que concederam os créditos correspondentes.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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INSUMOS DIVERSOS. Recorrente FERTILIZANTES HERINGER S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 DECADÊNCIA. DIREITO DE EFETUAR A GLOSA DE CRÉDITOS. O prazo decadencial do direito de lançar tributo não rege os institutos da compensação e do ressarcimento e não é apto a obstaculizar o direito de averiguar a liquidez e a certeza do crédito do sujeito passivo e a obstruir a glosa de créditos indevidos tomados pela contribuinte. NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS QUE GERAM DIREITO A CRÉDITO. Na legislação do Pis e da Cofins não cumulativos, os insumos, cf. art. 3º incisos I e II, que geram direito a crédito são aqueles vinculados ao processo produtivo ou à prestação dos serviços. As despesas gerenciais, administrativas e gerais, ainda que essenciais à atividade da empresa, não geram crédito de Pis e Cofins no regime não cumulativo. CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO RICARF. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, conforme decidido no REsp 1.221.170/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos, cuja decisão deve ser reproduzida no âmbito deste conselho. COFINS NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS SUJEITAS A ALÍQUOTA ZERO. DIREITO A CRÉDITO SOBRE GASTOS INCORRIDOS COM FRETE NA REVENDA. As revendas, distribuidoras e atacadistas de produtos sujeitas a tributação concentrada pelo regime não cumulativo, ainda que, as receitas sejam tributadas à alíquota zero, podem descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por elas suportadas na condição de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 00 15 /2 01 2- 13 Fl. 529DF CARF MF Processo nº 10783.900015/201213 Acórdão n.º 3201004.809 S3C2T1 Fl. 3 2 vendedor, conforme dispõe o art. 3, IX das Leis n°s 10.637/2002 para o PIS/Pasep e 10.833/2003 para a Cofins. REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. DESPESAS DE ARMAZENAGEM. Concedese direito a crédito na apuração nãocumulativa da contribuição as despesas referentes à despesa com armazenagem, de acordo com o art. 3, IV da Lei n. 10.637/2002. CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. DESESTIVA A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com transporte, armazenagem e logística dentro da zona primária, decorrentes de importação de mercadorias. CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. DESPACHANTES. A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com despachantes, decorrentes de importação de mercadorias. CRÉDITOS. CUSTOS COM ARMAZENAGEM. As despesas com armazenagem geram créditos não cumulativos se estiverem vinculadas às operações de venda. FRETES SOBRE COMPRAS. CRÉDITOS BÁSICOS. Os fretes sobre compras de bens passíveis de creditamento na sistemática da não cumulatividade do PIS e da Cofins geram direito ao crédito básico. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de diligência por ser absolutamente desnecessário para a solução do litígio. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em indeferir a preliminar de decadência por tratarse de pedido de restituição. No mérito, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário a) Por unanimidade de votos para (i) reverter as glosas do frete sobre a aquisição de insumos, mesmo quando a aquisição sujeitase à alíquota zero; (ii) reverter as glosas do frete sobre a revenda de produtos; (iii) reverter as glosas relativas aos serviços de armazenagem alfandegada, descarga, movimentação e a própria desestiva, todos relacionados ao transporte/ armazenagem/ logística; (iv) reverter as glosas das despesas com os serviços de armazenagem, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte; (v) indeferir a produção de prova pericial/diligência por entender desnecessária a solução da lide; b) Por maioria de votos, para manter a glosa sobre os serviços administrativos de despachantes aduaneiros. Vencidos, no ponto, os conselheiros Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que concederam os créditos correspondentes. Fl. 530DF CARF MF Processo nº 10783.900015/201213 Acórdão n.º 3201004.809 S3C2T1 Fl. 4 3 (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância administrativa, Acórdão n.º 06047.504 3ª Turma da DRJ/CTA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. O relatório da decisão de primeira instância descreve os fatos dos autos. Nesse sentido, transcrevese trechos do relatório da referida decisão: (...) O Auditor Fiscal informa que a fiscalização se iniciou com a ciência do termo de início de fiscalização em 17/01/2012. Tal termo especifica como período fiscalizado o transcorrido entre 01/2007 e 12/2009. Comunica que a contribuinte exerce atividade de industrialização e comercialização de fertilizantes contemplados no capítulo 31 da TIPI, bens cujas receitas de vendas estão sujeitas à alíquota zero do PIS/Pasep e da Cofins. O processo produtivo da empresa está descrito às fls. 983/985 do processo de n° 10783.900001/201291, apensado ao processo de n° 10783.921005/201122. Na sequência, no tópico “FUNDAMENTAÇÃO” disserta sobre a legislação de regência da contribuição em análise, explica a sistemática de creditamento do PIS/Pasep e da Cofins e define o conceito de insumo fornecido pelas Instruções Normativas n°s 247/2002 e 404/2004. Ao fim, informa que, com base na análise da escrituração do sujeito passivo e planilhas de apuração das contribuições e de outros elementos apresentados pela contribuinte, apurou inconsistências nos valores dos créditos pleiteados. Diz que, consequentemente, foram realizados ajustes nos dados do Dacon, adequando o PER ao disciplinado na legislação tributária. No tópico “I – DOS CRÉDITOS PLEITEADOS”, explica que não foram realizadas glosas nas despesas de energia elétrica, serviços de industrialização, depreciação, fretes em operações de venda e locação de prédios, bem como, nas aquisições de embalagens, enxofre e bens para revenda. Em relação à base de cálculo, não foram realizados ajustes. No item “I.1 – DESESTIVA/DESPACHANTE”, relata que o serviço ou o bem adquirido, para ser utilizado no cálculo dos créditos a descontar, deve, necessariamente, ser aplicado ou consumido na Fl. 531DF CARF MF Processo nº 10783.900015/201213 Acórdão n.º 3201004.809 S3C2T1 Fl. 5 4 fabricação do produto. Aduz que o conceito de insumo não abrange os serviços de qualquer natureza, de modo que os serviços administrativos, de auditoria, aqueles decorrentes de atividades meio não configuram serviços sujeitos à apuração de créditos de PIS/Pasep e de Cofins. Informa que foram desconsideradas as despesas de despachante e desestiva, visto que estes serviços não se enquadram na definição de insumo, uma vez que não são destinados à área de comercialização dos produtos e não de sua produção. Explica que os valores foram glosados em sua totalidade, nos montantes indicados nas planilhas de fls.974/976 do processo de n° 10783.900001/201291, apensado ao processo de n°10783.921005/201122. No item “I.2 SERVIÇOS E BENS NÃO ADMITIDOS”, explana que a empresa fiscalizada se apropriou de créditos decorrentes de serviços de pintura, de cópia de chaves, de gráficas, serviços gerais, médicos, de confecção de andaimes, de tratamento de efluentes, dentre outros. Narra que a interessada se apropriou também de créditos nas aquisições e no transporte de ferramentas, fusíveis, plugs, materiais para almoxarifado, vestuário dos funcionários, materiais de escritório, utensílios de elevadores, cartuchos de impressora, armários, cadeados, celulares, materiais elétricos, radiadores e baterias para carros, graxas, vale transportes de funcionários, dentro outros. Explica que em outras situações não foi discriminado o serviço ou o produto adquirido. Todos esses bens e serviços foram glosados por não serem considerados insumos do processo produtivo da empresa. Os ajustes foram compilados na “planilha 2” (fls.1.133/1.278 do processo de n° 10783.900001/201291, apensado ao processo de n°10783.921005/2011 22), a qual, conforme explica a autoridade fiscal, “engloba também as despesas de frete incorridas para o transporte desses bens, que, por ausência de previsão legal, não podem ser utilizados para fins de desconto de créditos”. No item “I.3 FRETES SOBRE COMPRAS”, explica que quando o seguro e o frete para a entrega de bens correrem por conta do comprador, por integrarem os custos de aquisição (art. 289, § 1o do RIR/99), eles compõem a base de cálculo do crédito da contribuição. Aduz, porém, que a Lei n° 10.865/2004 redefiniu as condições para o direito ao crédito do PIS/Pasep e da Cofins, ao alterar a redação dos arts. 3º das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003, ao incluir a seguinte vedação ao direito do crédito no inc. II, do §2º dos citados artigos: “não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição”. A autoridade fiscal explica que, com base nessa disposição, os contribuintes não podem descontar créditos de PIS e Cofins decorrentes de aquisições de insumos com alíquota zero e utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. O Auditor Fiscal relata que o inciso I do art. 1º da Lei n° 10.925/2004 reduziu a zero as alíquotas de PIS/Pasep e de Cofins incidentes na importação e sobre a receita bruta de venda no mercado Fl. 532DF CARF MF Processo nº 10783.900015/201213 Acórdão n.º 3201004.809 S3C2T1 Fl. 6 5 interno de adubos ou fertilizantes classificados no Capítulo 31, exceto os produtos de uso veterinário e suas matériasprimas. Informa que a contribuinte apresentou a relação das notas fiscais referente às despesas com transportes de insumos, discriminando os produtos transportados. Diz que, em quase sua totalidade, os insumos adquiridos estão sujeitos à alíquota zero, pois são matérias primas para a produção de fertilizantes. Entende que se não há previsão legal para apuração de crédito na aquisição de adubos, fertilizantes e suas matériasprimas e se as despesas de frete incorridas para o seu transporte integram o custo de aquisição, logicamente, não poderia ter sido apurado crédito sobre as despesas de frete. Informa que na “planilha 3” discriminou todas as despesas de frete que foram glosadas, na qual também foram incluídas as despesas de fretes sem descrição do produto transportado (fls. 1.279/5.002 do processo de n° 10783.900001/201291, apensado ao processo de n° 10783.921005/201122). Explica, por fim, que foi garantido o aproveitamento de créditos no transporte de ureia, quando adquirida para fins veterinários, visto haver tributação sobre esse insumo. No item “I.4 ARMAZENAGEM”, explica que, intimada a comprovar as despesas realizadas nesta rubrica, a contribuinte informou que se tratavam de armazenagem de insumos adquiridos que, por razões de logística e capacidade de armazenagem interna, eram guardados em armazéns externos. Afirma, todavia, nos termos do inciso IX do art. 3º da Lei n° 10.833/2003, extensiva ao PIS/Pasep em função do inciso II do art. 15 da mesma lei, que tal crédito é restrito às despesas efetuadas nas operações de vendas e se o ônus for suportado pelo vendedor. Entende que as despesas com armazenagem de insumo ou mercadorias adquiridas para industrialização ou revenda não geram direito ao crédito das contribuições. Diz que tal entendimento é corroborado pelas Soluções de Consulta n° 151/2006 (8a RF), n° 25/2009 (8aRF) e n° 403/2007 (Cosit). Informa que está discriminado na “planilha 4” todas as despesas de armazenagem que foram glosadas (fls. 5.003/5.040 do processo de n° 10783.900001/201291, apensado ao processo de n° 10783.921005/201122). No item “I.5 – ENTRADA BENS P/ REVENDA – URÉIA PECUÁRIA EEMBALAGENS”, relata que no processo administrativo de n° 15586.001201/201048 foi lavrado o Parecer n° 83/2010 e seu respectivo Despacho Decisório, com ciência da contribuinte em 26/11/2010, no qual foi feita a análise do PER de n° 29114.33033.090409.1.1.111732,referente a créditos da Cofins não cumulativa (mercado interno) do 3º trimestre de 2008. Diz que, neste processo, ficou provado que a contribuinte se apropriou indevidamente, neste trimestre, de créditos relativos às aquisições de ureia pecuária e de embalagens correspondentes a períodos anteriores (janeiro de 2005 a Fl. 533DF CARF MF Processo nº 10783.900015/201213 Acórdão n.º 3201004.809 S3C2T1 Fl. 7 6 junho de 2008), nos montantes de R$160.094.943,96 e R$ 17.854.396,54, respectivamente. Informa que a contribuinte justificou o procedimento adotado, invocando o art. 16 da Lei n° 11.116/2005, o qual autorizou a compensação e o ressarcimento de créditos de PIS/Pasep e Cofins vinculados a operações de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência. Relata que o Acórdão de n° 1335.523, proferido pela DRJ/RJ2 em 16/06/2011, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendose integralmente o Despacho Decisório proferido. Narra que o entendimento da DRJ foi no sentido de considerar indevida a inclusão na base de cálculo dos créditos os valores de custos, encargos e aquisições que ensejariam a apropriação dos créditos correspondentes, mas que dizem respeito, todavia, não ao 3º trimestre de 2008, mas a trimestres anteriores de apuração. Explica que o procedimento adotado não se restringiu à inclusão em um mesmo PER de créditos originados de períodos anteriores àquele a que se refere, mas cometeu o mesmo erro no Dacon, ao incluir no mês de setembro de 2008 os custos de aquisições de insumos e embalagens originados em meses anteriores (desde janeiro de 2005). Entende que a contribuinte, assim agindo, não promoveu o necessário e regular confronto dos créditos decorrentes de tais operações de meses anteriores de apuração, utilizandoos na dedução da contribuição devida no próprio mês de apuração, em desrespeito ao regime de competência de apuração da contribuição. Por tal razão, as mesmas glosas efetuadas na apuração do saldo de créditos da Cofins foram mantidas na apuração do saldo de créditos de PIS. No tópico “III – RESSARCIMENTO”, explica que os ajustes de créditos realizados, bem como o percentual de rateio utilizado para separar os diferentes tipos de créditos, foram discriminados no “Demonstrativo de Apuração do PIS”, constante às fls.5.041/5.043, bem como no “Demonstrativo de Apuração da Cofins”, constante às fls.5.044/5.046 do processo de n° 10783.900001/201291, apensado ao processo de n°10783.921005/201122. Informa que os créditos vinculados a receitas tributadas no mercado interno foram consumidos antes dos créditos vinculados a receitas não tributadas no mercado interno e antes dos créditos vinculados a receitas de exportação. (...) A autoridade fiscal propôs, ainda, a homologação das Dcomp vinculadas ao PER até o limite do crédito reconhecido por trimestre calendário, por tributo e por tipo de crédito. Com base no Parecer de n° 74/2012, foi emitido Despacho Decisório pelo Delegado da RFB em Vitória/ES, reconhecendo o direito creditório proposto e homologando as compensações vinculadas até o limite do crédito reconhecido. Fl. 534DF CARF MF Processo nº 10783.900015/201213 Acórdão n.º 3201004.809 S3C2T1 Fl. 8 7 (...) Cientificada (...), a contribuinte apresentou (...) a manifestação de inconformidade, a seguir sintetizada. No tópico “I DOS FATOS”, explica que com a edição do artigo 17 da Lei n° 11.033, de 21 de dezembro de 2004, passou a ser possível a manutenção dos créditos relativos às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência. Aduz que, posteriormente, foi editada a Lei n° 11.116/05, cujo artigo 16 autorizou a compensação destes créditos com outros tributos federais ou, ainda, seu ressarcimento. Diz que, por isso, apurou o saldo credor solicitado no PER. Resume, ao fim, as glosas realizadas e diz que os fundamentos utilizados pela autoridade fiscal não podem prosperar. No tópico “II DO DIREITO”, aduz, preliminarmente, que a manifestação de inconformidade apresentada engloba todos os processos apensados. A seguir, no item “DA NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIOANTE A AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO DA GLOSA DE CRÉDITOS DE PIS ORIUNDOSDA AQUISIÇÃO DE UREIA E EMBALAGEM PERÍODO DE JAN/05 A SET/08”, aduz que a autoridade fiscal, ao tratar dos créditos extemporâneos de PIS/Pasep e Cofins oriundos da aquisição de ureia e embalagem no período de jan/05 a set/08, se pautou tão somente na análise dos créditos de Cofins, sem, contudo, fundamentar a decisão com relação ao PIS/Pasep. Explica que não há uma ausência absoluta de motivação das glosas realizadas. Diz, todavia, que há latente insuficiência da motivação, decorrente da precariedade da análise realizada, que, em última instância, acabou por inviabilizar o entendimento acerca do trabalho fiscal realizado, prejudicando o direito ao contraditório. Entende ser inquestionável a necessidade de reconhecimento da nulidade do despacho decisório por cerceamento do direito de defesa e do contraditório, haja vista a inexistência de elementos sólidos para definir os motivos específicos das glosas perpetradas em relação aos créditos de PIS/Pasep oriundos da aquisição de ureia e embalagem. Argumenta que a indicação específica dos fatos que ensejaram a glosa dos créditos tributários é um dos requisitos de validade das decisões administrativas, conforme se depreende do art. 50, I, da Lei 9.784/99. Diz ainda que são nulos os despachos proferidos com preterição do direito de defesa, nos termos do artigo 59 do Decreto 70.235/72. Traz decisão do CARF sobre o assunto. Requer a nulidade do despacho decisório. A seguir, no item “DA DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO DE INDEFERIR O DIREITO AO CRÉDITO DE PIS E DE COFINS APROPRIADO ATÉ MAIO DE 2007”, assevera que a autoridade fazendária glosou os créditos oriundos da aquisição de serviços de desestiva, frete sobre compra, armazenagem e de bens e serviços empregados na da produção, referentes ao período transcorrido entre o 1º trimestre de 2007 e o 4º trimestre de2009 e, ainda, créditos Fl. 535DF CARF MF Processo nº 10783.900015/201213 Acórdão n.º 3201004.809 S3C2T1 Fl. 9 8 extemporâneos de PIS/Pasep oriundos da aquisição de uréia e embalagem do período de janeiro de 2005 a setembro de 2008. Alega, todavia, que já estava decaído o direito de o Fisco glosar os créditos apurados até 05/2007. Diz que o reconhecimento do direito creditório se deu entre 01/2007 e12/2009, ocasião em que apropriou os créditos em sua escrita fiscal e os declarou em Dacon. Explana que a contribuição em análise está sujeita ao lançamento por homologação, de modo que lhe compete apurar mensalmente o montante de tributo devido, declarálo ao Fisco e efetuar o recolhimento. Informa que a homologação pode ocorrer expressa ou tacitamente, a qual se dá pelo transcurso do prazo de 5 (cinco) anos sem a manifestação do fisco, tornando extinto o crédito tributário, nos termos do §4° do art. 150 do CTN. Argumenta que uma vez pago o tributo devido começou a fluir o prazo decadencial de 05 (cinco) anos para o Fisco averiguar se estava correto o procedimento adotado, bem como lançar eventual diferença. Preconiza que, em relação aos créditos apurados entre 01/2005 e 05/2007, o prazo para o Fisco indeferilos findouse em 31/05/2012. Informa que a notificação sobre o indeferimento dos créditos ocorreu no dia 13/06/2012, ou seja, quando já decorrido o prazo decadencial para que o Fisco pudesse rever os valores creditados para apuração do tributo. Requer que seja reconhecido como homologado tacitamente os créditos apropriados entre 01/2005 e 05/2007. No item “DA IMPOSSIBILIDADE DE RESTRIÇÃO INFRALEGAL AO CONCEITO DE INSUMO”, explica que as Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03 determinam que a pessoa jurídica poderá fazer algumas deduções da sua base de cálculo, prevendo que podem ser descontados os bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na fabricação de bens destinados à venda. Diz que ao regulamentar as leis, a RFB externou, por meio das Instruções Normativas n° 247/02 e 404/04, o seu entendimento do que consiste o termo “insumo” parafins de PIS/Pasep e Cofins, equiparando o ao conceito estabelecido para o IPI, o que não merece prosperar, uma vez que a lei assim não o fez. Explica que tais Instruções Normativas não oferecem a melhor interpretação ao art. 3o, inciso II, das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03, pois a concepção estrita de insumo não se coaduna com a base econômica da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, cujo ciclo de formação não se limita à fabricação de um produto ou à execução de um serviço, abrangendo outros elementos necessários à obtenção de receita. Explana que a base de cálculo do IPI é o valor da mercadoria industrializada, de modo que insumo, neste caso, está relacionado apenas aos elementos que entram na composição do valor da mercadoria, tais como matériaprima, produto intermediário e material de embalagem. Por sua vez, o PIS/Pasep e a Cofins têm como base de cálculo a receita, que é composta por todos os ingressos que integram o patrimônio da pessoa jurídica, razão pela qual o insumo se relaciona com a totalidade das receitas auferidas pelo contribuinte, as quais, para serem obtidas, exigem que os contribuintes incorram em despesas e custos. Fl. 536DF CARF MF Processo nº 10783.900015/201213 Acórdão n.º 3201004.809 S3C2T1 Fl. 10 9 Em função disso, entende que para as contribuições ao PIS e à Cofins o significado de insumo é muito mais abrangente do que o do IPI, devendo integrar todas as despesas e custos necessários utilizados na produção de bens e serviços que abarão gerando receita, relacionados nos artigos 290 e 299 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n°3.000/1999), e que definem, respectivamente, custos e despesas operacionais. Aduz que o CARF proferiu decisão na qual reconhece a validade do conceito de insumo oferecido pela legislação do IRPJ, afastando a possibilidade de utilização dos conceitos de insumo trazidos pela legislação do IPI. Assevera que a Justiça Federal está adotando o entendimento do CARF. Anexa decisão da 1a Turma do TRF da 4a Região. Alega que as Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03 não conceituam e nem limitam o conceito de insumos, assim como não remetem à utilização subsidiária da legislação do IPI para o alcance de seu conceito, razão pela qual entende que a restrição ao conceito de insumo trazida nas referidas Instruções Normativas são ilegais, ferindo o princípio constitucional da legalidade. Por fim, ressalta, “apenas por amor à argumentação”, que mesmo em caso de atendimento ao disposto nas IN SRF n°s 247/02 e 404/04, que faz jus aos créditos em discussão, pois consoante se verifica do seu objeto social, é produtora de fertilizantes, sendo imprescindível a observância de todas as etapas relativas ao processo produtivo, o qual abrange desde a chegada dos insumos importados, o carregamento, o transporte, a pesagem, a produção dos fertilizantes, a distribuição e a venda destes produtos. Requer o cancelamento das glosas realizadas relativamente aos dispêndios com insumos. No item “DO DIREITO AO CRÉDITO DE DESESTIVA”, argumenta que, à época, todos os desembolsos efetuados com operações portuárias eram classificados como desestiva, de modo que dentro desta conta foram contabilizados os custos de armazenagem alfandegada (acondicionamento da matériaprima em armazéns dentro do porto até a sua transferência para a fábrica), descarga (ato de retirar a matéria prima do navio),movimentação (movimentação dos produtos dentro do porto) e a própria desestiva (serviços de organização da matériaprima dentro do navio para que a mesma possa ser descarregada). Relata que tais atividades são realizadas por pessoas jurídicas especializadas que atuam apenas para este fim, sem os quais seria impossível a retirada da mercadoria dos porões dos navios e o seu acondicionamento nos caminhões de transporte. Diz que a Lei n° 8.630/93 regulamenta a atividade portuária e determina que todas as movimentações de cargas destinadas ou provenientes de transporte aquaviário devem ser realizadas por pessoas jurídicas préqualificadas para operar no porto. Alega que, assim, pode, com base no artigo 3o, inc. II, das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/2003, descontar créditos de PIS/Pasep ou Cofins sobre aquisições de insumos, bens e serviços empregados na fabricação Fl. 537DF CARF MF Processo nº 10783.900015/201213 Acórdão n.º 3201004.809 S3C2T1 Fl. 11 10 de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Argumenta que a questão que gera inúmeras discussões doutrinárias e jurisprudenciais é o real significado de insumo, uma vez que não existe uma definição legal, mas apenas instruções normativas publicadas pela RFB na tentativa de conceituálo. Diz que após diversas decisões conflitantes, a Receita Federal publicou a Solução de Divergência n° 15/2008, a qual define insumo como “aqueles bens ou serviços adquiridos de pessoa jurídica, intrínsecos à atividade, aplicados ou consumidos na fabricação do produto ou no serviço prestado”. Afirma que tal entendimento lhe possibilita apropriar créditos sobre o valor de aquisição de insumos que não necessariamente se consumam ou desgastem em razão do contato com o produto em fabricação, mas também sobre insumos que são aplicados direta ou indiretamente no processo produtivo de determinada mercadoria, sem que tenham sido desgastados ou consumidos. Cita o art. 110 do CTN, segundo o qual a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance dos conceitos de direito privado. Delimita o conceito de insumo com base na NPC n° 02 do IBRACON (Instituto dos Auditores Independentes do Brasil), que define custo como todos os gastos incorridos para a aquisição e/ou produção de um bem. Traz, também, o conceito de custo fornecido pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC n° 1.170/2009). Entende que é este o conteúdo que deve ser dado ao conceito de insumo pela RFB. Conclui que se enquadram no conceito de custo de produção os incorridos, intrínsecos e necessários na aquisição e na prestação de determinado bem até a etapa em que ele estiver em condições de ser comercializado. Alega, ainda, que a atividade portuária é essencial à sua atividade, o que está cabalmente demonstrado por fotos constantes em documentos anexos. Afirma que tais custos são intrínsecos ao seu processo produtivo, pois, caso algum deles não seja efetuado, a matéria prima não terá continuidade no processo produtivo. Entende, pelo exposto, que os serviços mencionados são, efetivamente, utilizados como insumo no processo produtivo da indústria, haja vista que, após a liberação do Ministério da Agricultura ou da Receita Federal, iniciase todo o serviço de desestiva e descarga do navio, a fim de acomodar as mercadorias dentro do caminhão que as transportará para o processo produtivo da indústria. Traz aos autos fluxograma para demonstrar o procedimento realizado. Afirma que os serviços realizados não podem jamais serem tratados como uma mera atividade meio ou uma despesa administrativa, como entendeu a autoridade fazendária, haja vista que são atividades essenciais e que estão intrinsecamente ligadas à produção de fertilizantes. Requer que se considere os serviços de desestiva, descarregamento, armazenagem alfandegada e movimentação como insumo do processo produtivo e, consequentemente, se reconheça os descontos dos créditos efetuados. Argumenta, com base na citada decisão do CARF, que o conceito de insumo para o PIS/Cofins é o mesmo utilizado na legislação do IRPJ, Fl. 538DF CARF MF Processo nº 10783.900015/201213 Acórdão n.º 3201004.809 S3C2T1 Fl. 12 11 ou seja, insumos não apenas as matériasprimas, mas todos os custos diretos ou indiretos da cadeia produtiva. Argumenta que mesmo que não fossem consideradas as despesas com desestiva, descarregamento, movimentação e armazenagem como prestação de serviços aplicados na produção, devese considerálas como englobadas no custo de transporte, o qual integra o conceito de frete. Diz que não é por não estar amparada por um documento fiscal, apresentado por uma transportadora, que não pode ter direito ao crédito de PIS/Cofins, pois a caracterização do serviço está relacionado ao transporte que faz parte de seu processo produtivo. Aduz que a RFB reconhece o crédito sobre o frete pago no transporte das matérias primas até o estabelecimento fabril. Traz soluções de consultas da RFB sobre o assunto. Requer, por fim, uma vez que a fiscalização não efetuou qualquer questionamento sobre a composição dos lançamentos classificados nas rubricas DESESTIVAS/DESPACHANTES, que seja efetuada diligência para responder qual é o valor dos créditos que deverão ser aceitos nos pedidos de ressarcimento. No item “SERVIÇOS DE TRANSPORTE FRETE NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS”, relata que o Fisco glosou crédito de despesas com fretes na aquisição de insumos, não obstante a existência dos devidos comprovantes (CTRC e notas fiscais). Argumenta que, de forma equivocada, concluiu a autoridade fiscal que como os insumos adquiridos (exceto a ureia) são tributados à alíquota zero não poderia haver crédito sobre o respectivo frete. Alega, entretanto, que a alíquota zero aplicada às aquisições de matérias primas não se estende ao frete, que sofre a tributação normal do PIS/Pasep e da Cofins. Afirma que este esse é o entendimento adotado pela melhor jurisprudência do CARF e das DRJ. Traz algumas ementas de decisões desses órgãos, assim como as Soluções de Consulta nº 17/2010 e n° 234/2007. Requer o reconhecimento da totalidade dos créditos oriundos dos fretes sobre compra de insumos. No item, “DOS CRÉDITOS DAS DESPESAS DE ARMAZENAGEM”, aduz que adquire seus insumos básicos em grandes quantidades e, assim, necessita armazenálos, o que nem sempre ocorre nas dependências da empresa. Diz que duas das Soluções de Consulta utilizadas pelo Auditor Fiscal para efetuar as glosas lhe é favorável. Afirma que a Solução de Consulta n° 403/2007 esclarece que os créditos das despesas de armazenagem são devidos desde que seu respectivo ônus seja suportado pela tomadora de créditos, que é o caso em análise. Explica que a Solução de Consulta n° 25/2009, a seu turno, elucida que os créditos de armazenagem não são devidos quando a despesa se refere a produtos que não foram aplicados diretamente na produção, o que não é o caso dos autos. Requer o reconhecimento dos créditos glosados. No item “DOS SERVIÇOS E BENS NÃO ADMITIDOS”, explica que a fiscalização glosou diversos créditos relacionados a bens e serviços adquiridos, inclusive atinentes às despesas incorridas para o transporte desses bens. Diz, todavia, que tais bens e serviços são utilizados como insumos, pois se tratam de ferramentas operacionais, materiais de manutenção, etc, os quais estão diretamente ligados ao Fl. 539DF CARF MF Processo nº 10783.900015/201213 Acórdão n.º 3201004.809 S3C2T1 Fl. 13 12 processo produtivo. Aduz que o conceito de “insumo” não pode ficar restrito ao conceito legalmente estatuído para o IPI. Requer a reversão das glosas efetuadas. No tópico “DA GLOSA DE CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS DE PIS ORIUNDOS DA AQUISIÇÃO DE URÉIA PECUÁRIA E EMBALAGEM – PERÍODO DE JAN/05 A SET/08”, relata que, conforme exposto em preliminar, a autoridade fiscal glosou créditos de PIS oriundos da aquisição de ureia pecuária e de embalagem, no período de 01/2005 a 09/2008, sem qualquer motivação específica e sem indicação das normas jurídicas eventualmente infringidas, em patente ofensa ao princípio da ampla defesa e do contraditório. Diz que tal indeferimento se deu unicamente sob o argumento de que estavam sendo mantidas em relação ao PIS as glosas realizadas em relação à Cofins no PAF de n° 15586.001201/201048. Afirma que, se não for acatada a preliminar de nulidade, há argumentos, expostos a seguir, que rebatem a glosa perpetrada. No item “DOS CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS DE PIS”, explica que transmitiu PER em virtude da aquisição de ureia pecuária e embalagens aplicadas em seu processo produtivo, referentes ao período de 01/2005 a 09/2008. Diz que tal direito creditório foi glosado sob o possível entendimento de que deveria ter feito o pedido para cada trimestre calendário, nos termos dos artigos 21 e 22 da IN n° 600/2005. Diz que tal entendimento não merece prosperar pelos seguintes motivos. No item “DA IMPOSSIBILIDADE DA REVOGAÇÃO DE LEI POR MEIO DE INSTRUÇÃO NORMATIVA”, expõe que o artigo 16 da Lei n° 11.116/2005 não obrigou que os sujeitos passivos fizessem um PER para cada trimestre como condição para utilizar créditos extemporâneos. Afirma que a lei apenas criou o direito ao crédito e que a única obrigação trazida era de que o saldo credor fosse acumulado em cada trimestre. Aduz que se a lei não restringiu o direito do contribuinte, uma mera instrução normativa não tem o condão de fazêlo, devendo ser observado o princípio da legalidade. Traz à baila o art. 100 do CTN. Argumenta que não há dúvidas sobre o caráter regulatório das Instruções Normativas, que, como normas secundárias, não podem ir além daquilo que foi determinado em lei. Conclui que não merece prosperar a decisão da autoridade fiscal. No tópico “DA OBSERVÂNCIA PELA MANIFESTANTE DO PROCEDIMENTO NECESSÁRIO PARA COMPENSAÇÃO”, assevera que o art. 16 da Lei n° 11.116/05 determina que os contribuintes somente podem utilizar seu crédito acumulado de PIS/Cofins para compensálo com outros tributos após o encerramento do trimestre. Entende que o legislador não proibiu os contribuintes de fazer um único pedido, reunindo saldos acumulados de trimestres anteriores já encerrados. Diz que a obrigatoriedade trazida é apenas que a apuração do saldo credor seja feita a cada trimestre. Informa que quando lançou, deforma extemporânea, em seu Dacon do mês 09/2008 todas as suas operações com direito a crédito do período compreendido entre 01/2005 e 09/2008 e, consequentemente, entregou PER e Dcomp, já estavam encerrados todos os trimestres cujo crédito se pleiteava. Fl. 540DF CARF MF Processo nº 10783.900015/201213 Acórdão n.º 3201004.809 S3C2T1 Fl. 14 13 No tópico “DA COMPOSIÇÃO DO SALDO CREDOR REFERENTE AO 3º TRIMESTRE DE 2008”, diz que o saldo credor deste período é composto pelos créditos apurados dentro do próprio trimestre e pelos créditos extemporâneos reconhecidos no trimestre. Diz ter agido de acordo com as normas jurídicas aplicáveis ao caso e ter feito um único PER. Alega que incorporar crédito extemporâneo aos créditos do 3o trimestre de 2008 apenas lhe prejudicou, em virtude do atraso na devolução do saldo credor a que tem direito. No tópico “DA APLICAÇÃO AO CASO DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL” diz, novamente, ser possível a utilização de créditos extemporâneos. Aduz que a autoridade fiscal não pode deixar de reconhecêlos apenas por entender que o procedimento para sua utilização ter sido feita da forma inadequada. Diz que no processo administrativo tributário deve prevalecer sempre a verdade material. Traz decisões do antigo Conselho de Contribuintes sobre a aplicação do princípio. Postula por sua aplicação, reformando a decisão prolatada. No tópico “DA JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTAÇÃO”, explica que no exíguo prazo de 30 dias para apresentação da Manifestação de Inconformidade não foi possível apresentar toda a documentação que respalda os argumentos expostos. Pede, em homenagem ao princípio da ampla defesa, pela entrega dos documentos, a fim de provar a verdade dos fatos até antes do julgamento. No tópico “DA PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL”, requer, com base no artigo 16 do Decreto 70.235/72, a realização de diligência para responder a seguinte questão: “qual é o valor do crédito de PIS/Cofins oriundos dos lançamentos classificados como “desestiva/despachantes”, frete sobre compras, armazenagem e serviços e bens não admitidos que, de acordo com o conceito de insumo, já consagrado pelo CARF, deverá ser aceito no PER?” Protesta pela formulação de quesitos complementares. Nomeia como assistentes técnicos o Sr. Rubens Leite de Mattos, contador, inscrito no CRC 1SP163.568/06, e o Sr. Fabiano de Oliveira Bernarde, engenheiro, inscrito no CREA 5061932479, ambos com endereço na Avenida Irene Karcher, 620, Betel, Paulínia/SP, CEP 13148906, fone: (019) 33222289. Por fim, no tópico “DO PEDIDO”, requer: 1) a nulidade do Despacho Decisório em face da insuficiência da motivação das glosas dos créditos extemporâneos de PIS, por ofensa aos princípios da ampla defesa e do contraditório; 2) a homologação tácita dos créditos apropriados até 05/2007; 3) quanto ao mérito, o reconhecimento integral dos créditos; 4) a realização de diligência/prova pericial a fim de comprovar o todo alegado; 5) protesta pela posterior juntada de documentos até antes do julgamento; Fl. 541DF CARF MF Processo nº 10783.900015/201213 Acórdão n.º 3201004.809 S3C2T1 Fl. 15 14 6) requer que as futuras intimações sejam enviadas não só para o domicílio do contribuinte, como também para seus advogados, cujo domicílio encontrase na rua Paulo Lobo, n° 33, Cambuí, Cidade de Campinas/SP, CEP 13.025210. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade. O Acórdão n.º 06047.504 3ª Turma da DRJ/CTA, está assim ementado: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 DECADÊNCIA. DIREITO DE EFETUAR A GLOSA DE CRÉDITOS. O prazo decadencial do direito de lançar tributo não rege os institutos da compensação e do ressarcimento e não é apto a obstaculizar o direito de averiguar a liquidez e a certeza do crédito do sujeito passivo e a obstruir a glosa de créditos indevidos tomados pela contribuinte. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMO. Somente podem ser considerados insumos, os bens ou serviços intrinsecamente vinculados à produção de bens, não podendo ser interpretados como todo e qualquer bem ou serviço que gere despesas. CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. DESESTIVA. DESPACHANTES. A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com desestiva e despachantes, decorrentes de importação de mercadorias. CRÉDITOS. CUSTOS COM ARMAZENAGEM. As despesas com armazenagem somente geram créditos não cumulativos se estiverem vinculadas às operações de venda. FRETES SOBRE COMPRAS. CRÉDITOS BÁSICOS. Somente os fretes sobre compras de bens passíveis de creditamento na sistemática da não cumulatividade do PIS e da Cofins geram direito ao crédito básico. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Não há previsão legal na legislação de regência do PIS/Pasep e da Cofins para o aproveitamento extemporâneo de créditos da não cumulatividade. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA. Fl. 542DF CARF MF Processo nº 10783.900015/201213 Acórdão n.º 3201004.809 S3C2T1 Fl. 16 15 As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de diligência por ser absolutamente desnecessário para a solução do litígio. Inconformada, a ora Recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário por meio do qual requer que a decisão da DRJ seja reformada, alegando, em síntese: I. Dos Fatos A Recorrente reproduz os argumentos da impugnação explicando que com a edição do artigo 17 da Lei n° 11.033, de 21 de dezembro de 2004, passou a ser possível a manutenção dos créditos relativos às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência. Aduz que, posteriormente, foi editada a Lei n° 11.116/05, cujo artigo 16 autorizou a compensação destes créditos com outros tributos federais ou, ainda, seu ressarcimento. Diz que, por isso, apurou o saldo credor solicitado no PER. Resume, ao fim, as glosas realizadas e diz que os fundamentos utilizados pela autoridade fiscal não podem prosperar. II. Do Direito II.1 – Da Decadência – Desestiva e Outros A Recorrente alega a decadência do direito de lançar o créditos oriundos da glosa de serviços de desestiva, frete sobre a compra, armazenagem e bens e serviços empregados na produção, referentes ao período transcorrido entre o 1o trimestre de 2007 e o 4o trimestre de 2009 e, ainda, créditos extemporâneos de PIS/Pasep oriundos da aquisição de uréia e embalagem do período de janeiro de 2005 a setembro de 2008. Nessa linha, repete os argumentos da impugnação, sustentando dentre outros a) que já estava decaído o direito de o Fisco glosar os créditos apurados até 05/2007; b) que o tributo era sujeito a lançamento por homologação com a contagem do prazo decadencial nos termos do §4° do art. 150 do CTN; c) que o prazo para o Fisco indeferilos findouse em 31/05/2012; d) que a notificação sobre o indeferimento dos créditos ocorreu no dia 13/06/2012, portando posterior a data de 31/05/2012. II.2 – Da Direito ao Crédito da Contribuição ao PIS e da Cofins Não Cumulativas Oriundas da Aquisição de Insumos e Serviços e da Impossibilidade de Ressarcimento/Compensação. A Recorrente argumenta que com a edição das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03 a contribuição ao PIS e a Cofins tornaramse, via de regra, nãocumulativas. Complementa afirmando que teria direito ao crédito na aquisição de bens e serviços, bem como Fl. 543DF CARF MF Processo nº 10783.900015/201213 Acórdão n.º 3201004.809 S3C2T1 Fl. 17 16 das despesas incorridas para a fabricação de seu produto. Embasa sua afirmativa no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21/12/2004. O referido artigo assim dispõe: "Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota O (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações." (DOU 22/12/04) Reforça esse argumento, fazendo referência ao art. 16, da Lei nº 11.116/05 que trata dentre outros da compensação com débitos próprios do crédito acumulado a cada trimestre de PIS/Pasep e Cofins. II.3 – Da Impossibilidade de Restrição Infralegal ao Conceito de Insumo A Recorrente argumenta que a RFB por meio das Instruções Normativas n° 247/02 e 404/04 da RFB fez uma interpretação equivocada do conceito de insumo para fins de PIS/Pasep e Confins constante das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03. O equívoco ocorre pois as referidas INs equipararam o conceito de insumo para fins de PIS/Pasep e Confins ao conceito de insumo para a legislação do IPI. Dessa forma, explica que os tributos em cena têm uma estrutura jurídica completamente diversa, sendo o IPI um imposto sobre a produção e o PIS/Pasep e Cofins contrições sobre a receita. Cita doutrina e jurisprudência tratando do conceito de insumo. Pede que seja reconhecido o direito creditório. II.4 – Do Direito ao Crédito de Desestiva A Recorrente defende o direito ao crédito com as atividades de desestiva. Tratase de desembolsos efetuados com operações portuárias, a saber: custos de armazenagem alfandegada (acondicionamento da matériaprima em armazéns dentro do porto até a sua transferência para a fábrica), descarga (ato de retirar a matériaprima do navio), movimentação (movimentação dos produtos dentro do porto) e a própria desestiva (serviços de organização da matériaprima dentro do navio para que a mesma possa ser descarregada). Alega que as atividades portuárias são realizadas por pessoas jurídicas domiciliadas no país e transcreve trechos da Lei nº 8.630/93. Diz que a Lei n° 8.630/93 regulamenta a atividade portuária e determina que todas as movimentações de cargas destinadas ou provenientes de transporte aquaviário devem ser realizadas por pessoas jurídicas préqualificadas para operar no porto. Alega que as despesas com o serviço de desestiva enquadramse no conceito de insumos. Cita doutrina e jurisprudência para pedir o reconhecimento do direito creditório de PIS/Pasep e Cofins. Argumenta que mesmo que não fossem consideradas as despesas com desestiva, descarregamento, movimentação e armazenagem como prestação de serviços aplicados na produção, devese considerálas como englobadas no custo de transporte, o qual Fl. 544DF CARF MF Processo nº 10783.900015/201213 Acórdão n.º 3201004.809 S3C2T1 Fl. 18 17 integra o conceito de frete. Cita jurisprudência reconhecendo o direito ao crédito nos serviços de frete na aquisição. II.5 – Serviços de Transporte – Frete na Aquisição de Insumos A Recorrente relata que o Fisco glosou o crédito de despesas com fretes na aquisição de insumos, não obstante a existência dos devidos comprovantes (CTRC e notas fiscais). Argumenta que, de forma equivocada, concluiu a autoridade fiscal que como os insumos adquiridos (exceto a ureia) são tributados à alíquota zero não poderia haver crédito sobre o respectivo frete. Argumenta que os custos relativos ao frete são tributados pelo PIS/COFINS e que faria jus ao crédito. A seu favor, cita trecho de parecer, de legislação do IR (RIR/2011 art. 289) e jurisprudência administrativa. II.6 – Dos Créditos Decorrentes das Despesas de Armazenagem A Recorrente aduz que adquire seus insumos básicos em grandes quantidades e, assim, necessita armazenálos, o que nem sempre ocorre nas dependências da empresa. Afirma que a armazenagem é um serviço indispensável ao seu processo produtivo. Dessa forma, alega que não se pode restringir o direito ao crédito de PIS/COFINS provenientes das despesas de armazenagem. II.7 – Dos Serviços e Bens Não Admitidos A Recorrente relata explica que a fiscalização glosou diversos créditos relacionados a bens e serviços adquiridos, inclusive atinentes às despesas incorridas para o transporte desses bens. Diz, todavia, que tais bens e serviços são utilizados como insumos, pois se tratam de ferramentas operacionais, materiais de manutenção, etc, os quais estão diretamente ligados ao processo produtivo. Aduz que o conceito de “insumo” não pode ficar restrito ao conceito legalmente estatuído para o IPI. Requer a reversão das glosas efetuadas. II.8 – Da Glosa dos Créditos Extemporâneos de PIS Oriundos da Aquisição de Uréia Pecuária e Embalagem – Período de Jan/05 a Jun/08 A Recorrente relata que, conforme exposto em preliminar, a autoridade fiscal glosou créditos de PIS oriundos da aquisição de ureia pecuária e de embalagem, no período de 01/2005 a 09/2008, sem qualquer motivação específica e sem indicação das normas jurídicas eventualmente infringidas, em patente ofensa ao princípio da ampla defesa e do contraditório. Diz que a questão relacionada aos créditos extemporâneos de PIS/Pasep oriundos da aquisição de ureia e embalagem no período de jan/05 a set/08 será tratada especificamente no PA de n° 15586.720015/201273, uma vez que tais créditos foram solicitados no PER de setembro de 2008 de n° 09266.04610.101008.1.1.100006. Pede que os autos sejam julgados em conjunto com outros processos que estavam inicialmente apensados no Processo Administrativo nº 10783.900001/201291, uma vez que são conexos por tratarem das mesmas matérias. III.8 – Da Produção de Prova Pericial/Diligência Fl. 545DF CARF MF Processo nº 10783.900015/201213 Acórdão n.º 3201004.809 S3C2T1 Fl. 19 18 A Recorrente reforça que foi requerida quando da interposição da Manifestação de Inconformidade a realização de prova pericial/diligência, para responder ao seguinte questionamento: Qual é o valor do crédito de PIS/COFINS oriundo dos lançamentos classificados como DESESTIVAS/DESPACHANTES, FRETE SOBRE COMPRA, ARMAZENAGEM e SERVIÇOS E BENS NÃO ADMITIDOS que, de acordo com o conceito de insumo, já consagrado pelo CARF, deverá ser aceito no pedido de ressarcimento? Protesta pela formulação de quesitos complementares e indica assistentes técnicos. IV – Do Pedido A Recorrente ao final pede que: 1) inicialmente, requer a Recorrente que o presente processo seja analisado em conjunto com todos os outros processos que estavam inicialmente apensados no Processo Administrativo n.o 10783.900001/201291, uma vez que são conexos por tratarem das mesmas matérias; 2) requer que seja reconhecida a homologação tácita dos créditos apurados pela Defendente até maio de 2.007, eis que quando da notificação da Defendente em 13/06/2012, já estava decaído o direito do Fisco de indeferir e glosar o direito creditório do contribuinte em decorrência do transcurso do prazo de 05 (cinco) anos, nos termos do artigo 150, g 40 do CTN; 3) requer que o presente recurso seja integralmente provido para reformar o v. acórdão recorrido e reconhecer integralmente o crédito pleiteado, eis que o conceito de insumo engloba todos os custos e despesas incorridos para a obtenção de receita advinda da venda de fertilizantes, nos termos articulados no presente recurso, e que sejam homologadas as compensações realizadas pela Recorrente, extinguindose, assim, o respectivo crédito tributário, nos termos do artigo 156, II, do CTN. 4) requer a realização de diligência/prova pericial a fim de comprovar todo o alegado. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.805, de 31/01/2019, proferido no julgamento do processo 10783.900005/201270, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 546DF CARF MF Processo nº 10783.900015/201213 Acórdão n.º 3201004.809 S3C2T1 Fl. 20 19 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.805): "O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A seguir passo a análise do Recurso Voluntário. Inicialmente a Recorrente pede que estes autos sejam julgados em conjunto com outros processos que estavam inicialmente apensados no Processo Administrativo nº 10783.900001/201291. Ocorre que os processos foram desapensados pela DRJ por entender ser melhor a análise de julgamento individualizada. Os processos apensados, digase, envolvem créditos de natureza diferentes (mercado interno não tributado e exportação) e períodos de apuração distintos. Além disso, há pontos controversos que não dizem respeito a todos os processos. Por isso, cada qual deve seguir seu próprio caminho, independentemente dos demais. (efl. 463) Assim negase o pedido, sendo que este acordão diz respeito unicamente ao PER de n° 24645.20425.080409.1.1.105572, relativo ao 4º trimestre de 2008, resultantes da não incidência de PIS/Pasep sobre as receitas de vendas não tributadas no mercado interno. Do Direito II.1 – Da Preliminar de Decadência A Recorrente alega a preliminar de decadência do direito de lançar parte dos créditos. Não lhe assiste razão. A lide trata de PER Pedido Eletrônico de Restituição, sendo que não há previsão legal acerca da ocorrência de “homologação” ou de “decadência” para que o fisco examine o direito creditório de restituição. O prazo de 5 anos para a homologação é válido para os casos de compensação, isto é, da extinção do débito (crédito tributário) por um alegado crédito. Tratase de aplicar o disposto no art. 74 da Lei n° 9.430/1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. ... § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. Fl. 547DF CARF MF Processo nº 10783.900015/201213 Acórdão n.º 3201004.809 S3C2T1 Fl. 21 20 § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Assim, de forma conclusiva, afasto a preliminar de decadência. II.2 – Da Direito ao Crédito da Contribuição ao PIS e da Cofins Não Cumulativas Oriundas da Aquisição de Insumos e Serviços e da Impossibilidade de Ressarcimento/Compensação. A Recorrente argumenta que com a edição das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03 a contribuição ao PIS e a Cofins tornaramse, via de regra, nãocumulativas. Assiste razão a Recorrente. O art. 3º de ambas as leis utiliza o termo “insumos” para caracterizar o direito ao crédito. Tratase de assunto exaustivamente discutido neste CARF, cabendo ao intérprete da lei definir a amplitude ou abrangência do termo “insumos” para cada caso em concreto. O direito ao crédito dos insumos também está assegurado mesmo nos casos das vendas de produtos finais tributadas a alíquota zero. Nesse sentido, citase jurisprudência da CSRF deste CARF: CARF CSRF Acórdão 9303007.500 – 3ª Turma ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2008 PIS/PASEP. AQUISIÇÃO E REVENDA. ALÍQUOTA ZERO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. CRÉDITO SOBRE ARMAZENAGEM E FRETES NA VENDA. POSSIBILIDADE. As revendas, por distribuidoras, de produtos sujeitos à tributação concentrada, ainda que as receitas sejam tributadas à alíquota zero, possibilitam desconto de créditos relativos a despesas com armazenagem e frete nas operações de venda, conforme artigo 3º, IX da Lei nºs 10.637/2002 e 10.833/03. Assim, mesmo que o produto final esteja sujeito a alíquota zero, existe o direito ao crédito na aquisição de bens e serviços que tenham sido efetivamente tributados pelas contribuições na etapa anterior. Os dispositivos legais que embasam tal conclusão são a Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, §§ 7º e 8º; e a Lei 11.033, de 2004, art. 17. Assim, dáse provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito ao crédito dos insumos sujeitos ao pagamento das contribuições, particularmente o frete, de produtos cuja revenda esteja sujeita a alíquota zero. II.3 – Da Impossibilidade de Restrição Infralegal ao Conceito de Insumo Fl. 548DF CARF MF Processo nº 10783.900015/201213 Acórdão n.º 3201004.809 S3C2T1 Fl. 22 21 A Recorrente argumenta que a RFB por meio das Instruções Normativas n° 247/02 e 404/04 da RFB fez uma interpretação equivocada do conceito de insumo para fins de PIS/Pasep e Confins constante das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03. Assiste razão a Recorrente. O conceito de insumo é distinto do conceito de matériasprimas e produtos intermediários constante da legislação do IPI. Para o PIS/COFINS o conceito de insumo é mais amplo, ultrapassando as limitações de contato direto com o produto fabricado. Ao julgar a questão sob o prisma dos recursos repetitivos (Recurso Especial nº 1.221.170 – PR), o acórdão do STJ destacou que ao interpretar o termo insumos de forma restritiva, a Fazenda por meio das INs 247/02 e 404/04 desnaturou o sistema não cumulativo e limitou indevidamente o conceito, que está relacionado àquilo que é intrínseco à atividade econômica da empresa. A atuais redações dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 (PIS) e nº 10.833/2003 (COFINS), seguem abaixo: Lei nº 10.637/2002 (PIS) Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 549DF CARF MF Processo nº 10783.900015/201213 Acórdão n.º 3201004.809 S3C2T1 Fl. 23 22 VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Lei nº 10.833/2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 550DF CARF MF Processo nº 10783.900015/201213 Acórdão n.º 3201004.809 S3C2T1 Fl. 24 23 VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) As INs 247/02 e 404/04 da RFB equipararam o conceito de insumo para fins de PIS/COFINS ao conceito de insumo para a legislação do IPI e, por isso, foram consideradas restritivas. Cabe esclarecer que o julgado na sistemática de recursos repetitivos, implica na aplicação do art. 62 do anexo II do RICARF, aprovado por meio da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Assim, nos termos do julgado do STJ, o conceito de insumo deve ser avaliado considerando a essencialidade ou relevância do bem ou serviço, ou seja, considerandose a sua necessidade ou a sua importância para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada. II.4 – Do Direito ao Crédito de Desestiva A Recorrente defende o direito ao crédito com as atividades de desestiva. Assiste razão parcial a Recorrente. Por um lado os gastos com armazenagem alfandegada (acondicionamento da matériaprima em armazéns dentro do porto até a sua transferência para a fábrica), descarga (ato de retirar a matériaprima do navio), movimentação (movimentação dos produtos dentro do porto) e a própria desestiva (serviços de organização da matériaprima dentro do navio para que a mesma possa ser descarregada) geram direito ao crédito. Tratase de questão previamente abordada por esta turma que aceita o frete na aquisição do insumo como componente de seu custo. Ora, aqui, as despesas relacionadas à Fl. 551DF CARF MF Processo nº 10783.900015/201213 Acórdão n.º 3201004.809 S3C2T1 Fl. 25 24 operação física de importação – desestiva, descarregamento, movimentação – têm a mesma natureza contábil do frete, como custo do insumo. Por outro lado, os gastos com despachantes aduaneiros e outros serviços administrativos para o cumprimento dos trâmites burocráticos de importação não geram direito a crédito. Tais despesas enquadramse no conceito de despesa administrativa. Sobre o assunto notese que a função do despachante é praticar atos administrativos como representante das empresas ou clientes pessoa física. No Brasil, ao contrário de alguns países, inexiste a obrigatoriedade de contratação de despachante aduaneiro. A empresa pode realizar de forma própria tais atividades. Tratase de disposição expressa no art. 5º do Decreto lei nº 2.472/88: Decretolei nº 2.472, de 01.09.88: Art. 5º A designação do representante do importador e do exportador poderá recair em despachante aduaneiro, relativamente ao despacho aduaneiro de mercadorias importadas e exportadas e em toda e qualquer outra operação de comércio exterior, realizada por qualquer via, inclusive no despacho de bagagem de viajante. § 1º Nas operações a que se refere este artigo, o processamento em todos os trâmites, junto aos órgãos competentes, poderá ser feito: a) se pessoa jurídica de direito privado, somente por intermédio de dirigente, ou empregado com vínculo empregatício exclusivo com o interessado, munido de mandato que lhe outorgue plenos poderes para o mister, sem cláusulas excludentes de responsabilidades do outorgante mediante ato ou omissão do outorgado, ou por despachante aduaneiro; b) se pessoa física, somente por ela, ou por despachante aduaneiro; c) se órgão da administração pública direta ou autárquica, federal, estadual ou municipal, missão diplomática ou repartição consular de país estrangeiro ou representação de órgãos internacionais, por intermédio de funcionário ou servidor, especialmente designado ou por despachante aduaneiro. Diante do exposto, reafirmase que a atividade de despachante aduaneiro é de natureza administrativa sem relação com o frete/armazenagem/logística da atividade econômica da empresa. Caberá a unidade de origem, em conjunto com a Recorrente, determinar as rubricas relativas ao pagamento de despachantes aduaneiros para a exclusão dos créditos. Assim, dáse razão parcial a Recorrente apenas para reconhecer o direito ao crédito quando do pagamento dos serviços com armazenagem alfandegada, descarga, movimentação e a própria desestiva, todos relacionados ao transporte/armazenagem/logística. II.5 – Serviços de Transporte – Frete na Aquisição de Insumos A Recorrente relata que o Fisco glosou o crédito de despesas com fretes na aquisição de insumos, não obstante a existência dos devidos comprovantes (CTRC e notas fiscais). Assiste razão a Recorrente. Sobre o assunto existe jurisprudência do CARF CSRF. Fl. 552DF CARF MF Processo nº 10783.900015/201213 Acórdão n.º 3201004.809 S3C2T1 Fl. 26 25 CARF CSRF Acórdão (9303007.562) PIS/PASEP. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO. Afinandose ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicandose o “Teste de Subtração”, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. É de se atentar ainda, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Dessa forma, dáse provimento ao Recurso Voluntário para reverter as glosas dos serviços de transporte, frete, de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. II.6 – Dos Créditos Decorrentes das Despesas de Armazenagem A Recorrente aduz que adquire seus insumos básicos em grandes quantidades e, assim, necessita armazenálos, o que nem sempre ocorre nas dependências da empresa. Afirma que a armazenagem é um serviço indispensável ao seu processo produtivo. Assiste razão a Recorrente. Conforme consta da leitura dos autos, entendo que os serviços de armazenagem são essenciais para a atividade da empresa que opera com carga a granel. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo. Tal conceito ensina que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. Afinandose ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicandose o teste de subtração para a armazenagem dos produtos é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre a armazenagem do insumo a granel. Dessa forma, dáse provimento ao Recurso Voluntário para reverter as glosas das despesas com os serviços de armazenagem, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. II.7 – Dos Serviços e Bens Não Admitidos A Recorrente relata explica que a fiscalização glosou diversos créditos relacionados a bens e serviços adquiridos, inclusive atinentes às despesas incorridas para o transporte desses Fl. 553DF CARF MF Processo nº 10783.900015/201213 Acórdão n.º 3201004.809 S3C2T1 Fl. 27 26 bens. Diz, todavia, que tais bens e serviços são utilizados como insumos, pois se tratam de ferramentas operacionais, materiais de manutenção, etc, os quais estão diretamente ligados ao processo produtivo. Da leitura dos autos depreendese que tais créditos serão analisados no processo de n° 10783.900001/201291, apensado ao processo de n° 10783.921005/201122, a qual engloba também as despesas de frete incorridas para o transporte desses bens. II.8 – Da Glosa dos Créditos Extemporâneos de PIS Oriundos da Aquisição de Uréia Pecuária e Embalagem – Período de Jan/05 a Jun/08 A Recorrente relata que, conforme exposto em preliminar, a autoridade fiscal glosou créditos de PIS oriundos da aquisição de ureia pecuária e de embalagem, no período de 01/2005 a 09/2008, sem qualquer motivação específica e sem indicação das normas jurídicas eventualmente infringidas, em patente ofensa ao princípio da ampla defesa e do contraditório. Diz que a questão relacionada aos créditos extemporâneos de PIS/Pasep oriundos da aquisição de ureia e embalagem no período de jan/05 a set/08 será tratada especificamente no PA de n° 15586.720015/201273, uma vez que tais créditos foram solicitados no PER de setembro de 2008 de n° 09266.04610.101008.1.1.100006. Em vista do exposto entendese que o assunto será objeto de julgamento no processo n° 15586.720015/201273. III.8 – Da Produção de Prova Pericial/Diligência A Recorrente reforça que foi requerida quando da interposição da Manifestação de Inconformidade a realização de prova pericial/diligência. Entendo que desnecessária a realização de perícia/diligência para solução da lida. A questão dos lançamentos realizados para o pagamento dos serviços administrativos de despachantes aduaneiros pode perfeitamente ser sanada pela unidade de origem, em conjunto com a Recorrente, ou de maneira isolada. Assim, negase provimento. Conclusão Por todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, conforme abaixo. 1) Negar a análise conjunta com outros processos tendo em vista a exposição de motivos realizada pela DRJ; 2) Indeferir a preliminar de decadência por tratarse de pedido de restituição; 3) No mérito, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para: (a) por unanimidade de votos: (i) reverter as glosas do frete de insumos, mesmo quando a revenda dos produtos sujeitase a alíquota zero; (ii) reverter as glosas do frete sobre a revenda de produtos; (iii) reverter as glosas relativas aos serviços de armazenagem alfandegada, descarga, movimentação e a própria desestiva, todos relacionados ao transporte/ armazenagem/ logística; Fl. 554DF CARF MF Processo nº 10783.900015/201213 Acórdão n.º 3201004.809 S3C2T1 Fl. 28 27 (iv) reverter as glosas das despesas com os serviços de armazenagem, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte; (v) indeferir a produção de prova pericial/diligência por entender desnecessária a solução da lide; (b) por maioria de votos: manter a glosa sobre os serviços administrativos de despachantes aduaneiros. Não julgar a questão dos serviços e bens não admitidos que serão objeto de julgamento em outro processo. Não julgar a questão dos créditos extemporâneos que serão objeto de julgamento em outro processo. Negar provimento a produção de prova pericial/diligência por entender desnecessária a solução da lide." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado indeferiu a preliminar de decadência por tratarse de pedido de restituição. No mérito, o colegiado deu parcial provimento ao Recurso Voluntário para: (i) reverter as glosas do frete sobre a aquisição de insumos, mesmo quando a aquisição sujeitase à alíquota zero; (ii) reverter as glosas do frete sobre a revenda de produtos; (iii) reverter as glosas relativas aos serviços de armazenagem alfandegada, descarga, movimentação e a própria desestiva, todos relacionados ao transporte/ armazenagem/ logística; (iv) reverter as glosas das despesas com os serviços de armazenagem, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte; (v) indeferir a produção de prova pericial/diligência por entender desnecessária a solução da lide e, por último, para manter a glosa sobre os serviços administrativos de despachantes aduaneiros. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 555DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.903839/2009-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2201-000.346
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade responsável pela administração do tributo manifeste-se, nos aspectos material e formal, sobre a documentação contábil juntada pela recorrente, mais especificamente as de fl. 74/112, bem assim para que diligencie no sentido de identificar as Atas de Reunião de Cotistas registradas na Junta Comercial no período.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Douglas Kakazu Kushiyama - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fófano dos Santos, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Ausente o conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra.
Nome do relator: DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade responsável pela administração do tributo manifestese, nos aspectos material e formal, sobre a documentação contábil juntada pela recorrente, mais especificamente as de fl. 74/112, bem assim para que diligencie no sentido de identificar as Atas de Reunião de Cotistas registradas na Junta Comercial no período. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fófano dos Santos, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Ausente o conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário de fls. 66/68 apresentado em face da decisão em sede de manifestação de inconformidade (fls. 57/60) que não reconheceu o direito de crédito da ora Recorrente. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 88 .9 03 83 9/ 20 09 -5 1 Fl. 129DF CARF MF Processo nº 13888.903839/200951 Resolução nº 2201000.346 S2C2T1 Fl. 130 2 Dado o didatismo do relatório elaborado na decisão recorrida, transcrevo: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de n.º 18301.52542.090306.1.3.046008, por intermédio da qual o contribuinte pretende compensar débito de Cofins (código de receita: 5856) com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRRF, código de arrecadação: 5706), concernente ao período de apuração: 31/12/2005. Por intermédio do despacho decisório de fl. 15, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls. 02/03, na qual alega, em síntese, que: a) o presente despacho apresenta a não homologação do crédito pleiteado pela Agroceres, acusando que este já tenha sido utilizado no pagamento de número 2255925091; b) por um equívoco no momento do preenchimento da DCTF do mês de dezembro de 2005, informou um débito no valor de R$ 225.000,00, código receita: 5706, PA 5ª semana/Dezembro, o qual não ocorreu, gerando, portanto, valor pago indevidamente, representado pelo DARF no valor de R$ 75.000,00 (parte de R$ 225.000,00), cujo pagamento ocorreu em 04/01/2006 (doc.1); c) para comprovar que não houve o pagamento de Juros sobre remuneração de capital próprio, o qual geraria a obrigatoriedade de recolhimento do IRRF, apresenta cópia da DIPJ 2006 (doc. 2), anocalendário de 2005, onde verificase na Ficha 06A, página 05, linha 35, que tal valor apresentase zerado; d) ainda, com o intuito de corrigir o engano, estamos apresentando cópia da DCTF originalmente enviada (doc.3), e de sua retificação (doc.4). Ao final, requer o acolhimento da presente manifestação de inconformidade, de forma que seja reconhecido o crédito no valor de R$ 75.000,00, e homologada integralmente a compensação declarada no PER/DCOMP 18301.52542.090306.1.3.04 6008. A decisão recorrida não reconheceu o direito ao crédito que a Recorrente alega ter, conforme ementa de fl. 57: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 04/01/2006 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 13888.903839/200951 Resolução nº 2201000.346 S2C2T1 Fl. 131 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado desta decisão (fl. 64), apresentou Recurso Voluntário. Do Recurso Voluntário Apresentou Recurso Voluntário de fls. 66/68 praticamente repetindo os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade, mas complementando as provas com documentos contábeis, conforme mencionado na decisão recorrida. Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Relator Douglas Kakazu Kushiyama No presente caso, o Despacho Decisório não homologou a compensação em razão de o crédito a ser compensado estar alocado como pagamento de débito confessado na DCTF original. Após a emissão do Despacho Decisório, a DCTF foi retificada para se excluir tal débito e se caracterizar o recolhimento em questão como indevido/a maior. A apresentação de DCTF constituise em obrigação acessória. Entretanto, uma vez apresentada, o contribuinte comunica a existência de crédito tributário, confessando a dívida (DecretoLei n° 2.124, de 1984, art. 5°, § 1°). Destarte, o Despacho Decisório foi validamente emitido, eis que havia débito confessado correspondente ao valor recolhido em DARF. Resta perquirir se sua eficácia permanece, em face da posterior retificação da DCTF. A simples apresentação das DCTFs original e retificadora, ainda que acompanhadas de DARF, não se constitui em prova do alegado erro de fato. A retificação da DCTF é ineficaz, pois cabe ao contribuinte o ônus de comprovar o erro não apurável pelo mero exame das DCTFs (CTN, art. 147; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, II; Lei n° 13.105, de 2015, arts. 15 e 373, II2; e IN RFB n° 903, de 2008, art. 11, §2°, III). Este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais determinou que a análise de mérito referente ao direito creditório deve ser feito pela decisão recorrida. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2003 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO PAGAMENTOS EFETUADOS NOS TERMOS DO ART. 5º DA MP n° 2.222/ 2001. O contribuinte que efetuou pagamento de tributos e contribuições com base no art. 50 da Medida Provisória n° 2.222, de 04 de setembro de 2001, e na Lei n° 10.431, de 24 de abril de 2002, em valor superior ao efetivamente devido, tem direito à restituição ou compensação da parcela comprovadamente paga a maior, de acordo com os procedimentos previstos na legislação tributária federal para os tributos e contribuições federais (ADI SRF nº 17/2007). DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE DO MÉRITO. Fl. 131DF CARF MF Processo nº 13888.903839/200951 Resolução nº 2201000.346 S2C2T1 Fl. 132 4 Se a autoridade administrativa competente para apreciar o pedido, levantando questão prejudicial, sequer se manifestou sobre a existência do direito creditório, demonstrado o descabimento da prejudicial deve o processo retornar à autoridade competente para apreciálo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para anular a decisão recorrida e determinar o retorno dos autos à DEINF/RJ para, observando o disposto no Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 17, de 28 de dezembro de 2005, decidir o pleito. Ocorre que, no presente caso, a Recorrente trouxe aos autos, diversos documentos , conforme se verifica do arrazoado abaixo transcrito: Retornando ao presente acórdão, o mesmo cita que a DIPJ/2006 e a DCTF retificadora, apresentadas, somente indiciam que teríamos efetuado pagamento a maior que o devido, e que as mesmas desacompanhadas da escrita contábil, não produzem o efeito desejado. Sendo assim, os registros contábeis e demais documentos fiscais acerca da base de cálculo do IRRF são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório pleiteado. E, em se tratando de Juros sobre o Capital Próprio, em que há vínculos entre as partes (transferidor e destinatário da transferência), a prova de que não ocorreu o pagamento, conforme alegado por nós, dáse mediante cópia dos extratos bancários do contribuinte, lastreados em lançamentos contábeis (Livros Diário e Razão). Iniciamos nosso recurso com a comprovação de que o referido imposto fora devidamente lançado e estornado, na empresa Agroceres Multimix Nutrição Animal Ltda., conforme demonstrado no Razão da conta contábil 02920 — Juros sobre o Capital a Pagar, em anexo (doc. 5), cujos lançamentos podem ser confrontados com os respectivos livros Diário (doc. 6 a 11): A mesma conta contábil do período de dezembro/2005 registra saldo "zero" (doc. 12), de valor de juros sobre o capital a pagar: Com o intuito de comprovarmos que não houve "pagamento" de Juros de Capital Próprio durante o ano de 2.006, cujo fato gerador seria dezembro/2005, estamos disponibilizando a conta contábil 10237— Banco Bradesco S/A. (docs. 13 a 25) pertencente à empresa Montebel Fl. 132DF CARF MF Processo nº 13888.903839/200951 Resolução nº 2201000.346 S2C2T1 Fl. 133 5 Empreendimentos e Participações S/A, e a cópia do extrato da instituição bancária (docs. 26 a 38), onde não consta tal recebimento. Acrescentamos o Balanço do ano de 2.005 (doc. 39) onde não consta valor de juros sobre o capital a receber, e o balancete do mesmo período (docs. 40 a 43), com as contas sintéticas e analíticas para facilitar a análise e a comprovação de que não houve o já mencionado direito a receber na empresa Montebel. Conforme se verifica da análise dos autos, há indícios de que a Recorrente está com a razão Conclusão Diante do exposto, converto o julgamento em diligência para que a unidade responsável pela administração do tributo manifestese, nos aspectos material e formal, sobre a documentação contábil juntada pela recorrente, mais especificamente as de fl. 74/112, bem assim para que diligencie no sentido de identificar as Atas de Reunião de Cotistas registradas na Junta Comercial no período. (assinado digitalmente) Relator Douglas Kakazu Kushiyama Fl. 133DF CARF MF
score : 1.0
