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Numero do processo: 10735.901052/2011-25
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/05/2006
COFINS. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO.
A comprovação da certeza e da liquidez do crédito constitui requisito essencial à acolhida de pedidos de compensação.
Numero da decisão: 3403-002.356
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os Conselheiros Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti votaram pelas conclusões. Ausente ocasionalmente o Conselheiro Antonio Carlos Atulim.
Marcos Tranchesi Ortiz Vice-Presidente.
Rosaldo Trevisan - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz (Vice-presidente), Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 15/05/2006 COFINS. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A comprovação da certeza e da liquidez do crédito constitui requisito essencial à acolhida de pedidos de compensação.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1667; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 99 1 98 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10735.901052/201125 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403002.356 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 23 de julho de 2013 Matéria DCOMPCOFINS Recorrente ABOLIÇÃO CAMINHÕES E ÔNIBUS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/05/2006 COFINS. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A comprovação da certeza e da liquidez do crédito constitui requisito essencial à acolhida de pedidos de compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os Conselheiros Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti votaram pelas conclusões. Ausente ocasionalmente o Conselheiro Antonio Carlos Atulim. Marcos Tranchesi Ortiz – VicePresidente. Rosaldo Trevisan Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz (Vicepresidente), Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 90 10 52 /2 01 1- 25 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 2 Versa o presente sobre a DCOMP de fls. 19 a 231, transmitida em 31/08/2007, na qual se busca compensar valor recolhido a maior ou indevidamente (DARF no valor total de R$ 3.345,41, pago em 15/05/2006) a título da Cofins (valor original do crédito a ser utilizado de R$ 2.822,29) com débito de R$ 3.263,13 relativo a IRPJ (período de apuração julho/2007). No Despacho Decisório eletrônico de fl. 17 (emitido em 04/05/2011, com ciência em 16/05/2011, conforme AR de fl. 18), acusase que o pagamento (DARF de R$ 3.345,41) foi localizado, tendo sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação. Em sua manifestação de inconformidade (fls. 2 a 4), alega a empresa que: (a) apurou em auditoria que havia recolhido a maior a contribuição, e procedeu à compensação sem, no entanto, retificar a DCTF e a DACON; e (b) com o despacho decisório eletrônico verificou que o DARF estava vinculado ao originalmente declarado na DCTF de abril de 2006, pelo que passa a juntar na oportunidade DCTF retificadora para o período, confessando o real valor do débito, que é de R$ 523,12. Anexa a DCTF retificadora (fls. 13/14) e a DACON retificadora (fls. 15/16). Em 20/10/2011 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 25 a 27), no qual se acorda unanimemente pela improcedência da manifestação de inconformidade, por não haver comprovação do direito creditório. O julgador afirma que a simples retificação dos documentos “não afasta de nenhum modo o dever de comprovar a origem do crédito alegado na PER/DCOMP, respaldado pela (sic) Dacon/DCTF retificadoras, mas que nas declarações originais inexistia”. Cientificada da decisão de piso em 11/02/2012 (AR à fl. 35), a empresa apresenta recurso voluntário em 05/03/2012 (fls. 36 a 42), no qual reitera a argumentação exposta na manifestação de inconformidade, agregando que a retificação se deve a valores referentes a aluguéis, depreciações, energia elétrica e móveis/utensílios não imobilizados (vida útil inferior a um ano), que deixou de aproveitar. Os valores são detalhados à fl. 39, anexando se cópias do livro razão correspondente (fls. 89 a 96). O aproveitamento foi feito por rateio (conforme tabelas de fls. 40/41), tendo em vista que parte das receitas da empresa não está sob o regime nãocumulativo. Acrescentamse ainda Nota Fiscal referente a energia elétrica (fl. 86) e contrato de locação (fls. 87/88). É o relatório. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10735.901052/201125 Acórdão n.º 3403002.356 S3C4T3 Fl. 100 3 O contencioso em sede de recurso voluntário restringese à comprovação (ou sua falta) da existência e da liquidez do crédito utilizado na compensação pleiteada. A recorrente alega que o crédito se origina de valores referentes a aluguéis, depreciações, energia elétrica e móveis/utensílios não imobilizados (vida útil inferior a um ano), que deixou de aproveitar, e para os quais não corrigiu a DCTF e a DACON com anterioridade ao despacho decisório. O julgador de primeira instância não tem meios de analisar tais elementos, pois a ele são apresentadas tãosomente a DCTF e a DACON retificadoras, não permitindo sequer saber o que ocasionou a retificação efetuada. No presente processo, como em todos nos quais o despacho decisório é eletrônico, a fundamentação não tem como antecedente uma operação individualizada de análise por parte do Fisco, mas sim um tratamento massivo de informações. Esse tratamento massivo é efetivo quando as informações prestadas nas declarações do contribuinte são consistentes. Se há uma declaração do contribuinte (v.g. DCTF) indicando determinado valor, e ele efetivamente recolheu tal valor, o sistema certamente indicará que o pagamento foi localizado, tendo sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Houvesse o contribuinte retificado sua declaração anteriormente ao despacho decisório eletrônico, reduzindo o valor a recolher a título da contribuição, provavelmente não estaríamos diante de um contencioso gerado em tratamento massivo. A detecção da irregularidade na forma massiva, em processos como o presente, começa, assim, com a falha do contribuinte, ao não retificar a DCTF/DACON, corrigindo o valor a recolher, tornandoo diferente do (inferior ao) efetivamente pago. Esse erro (ausência de retificação da DCTF/DACON) provavelmente seria percebido se a análise inicial empreendida no despacho decisório fosse individualizada/manual (humana). Assim, diante dos despachos decisórios eletrônicos, é na manifestação de inconformidade que o contribuinte é chamado a detalhar a origem de seu crédito, reunindo a documentação necessária a provar a sua liquidez e certeza. Enquanto na solicitação eletrônica de compensação bastava um preenchimento de formulário DCOMP (e o sistema informatizado checaria eventuais inconsistências), na manifestação de inconformidade é preciso fazer efetiva prova documental da liquidez e da certeza do crédito. E isso muitas vezes não é assimilado pelo sujeito passivo, que acaba utilizando a manifestação de inconformidade tãosomente para indicar que cometeu um erro, sem especificar a origem de tal erro, em argumentação ao desamparo de documentos justificativos (ou com amparo documental deficiente). O julgador de primeira instância também tem um papel especial diante de despachos decisórios eletrônicos, porque efetuará a primeira análise humana do processo, devendo assegurar a prevalência da verdade material. Não pode o julgador (humano) atuar como a máquina, simplesmente cotejando o valor declarado em DCTF com o pago, pois tem o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Nesse contexto, relevante passa a ser a questão probatória no julgamento da manifestação de inconformidade, pois incumbe ao postulante da compensação a prova da existência e da liquidez do crédito. Configurase, assim, uma das três situações a seguir: (a) efetuada a prova, cabível a compensação (mesmo diante da ausência de DCTF retificadora, como tem reiteradamente decidido este CARF); (b) não havendo na manifestação de Fl. 102DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 4 inconformidade a apresentação de documentos que atestem um mínimo de liquidez e certeza no direito creditório, incabível acatarse o pleito; e, por fim, (c) havendo elementos que apontem para a procedência do alegado, mas que suscitem dúvida do julgador quanto a algum aspecto relativo à existência ou à liquidez do crédito, cabível seria a baixa em diligência para sanála (destacandose que não se presta a diligência a suprir deficiência probatória a cargo do postulante). Em sede de recurso voluntário, igualmente estreito é o leque de opções. E agregase um limitador adicional: a impossibilidade de inovação probatória, fora das hipóteses de que trata o art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972. No presente processo, o julgador de primeira instância defrontase com a ausência de amparo documental para a compensação pleiteada, chegando à situação descrita acima como “b”. E, tendo em conta que o ônus probatório é do postulante do crédito, nega o direito à compensação. É de se endossar que a comprovação da certeza e da liquidez do crédito constitui requisito essencial à acolhida de pedidos de compensação. É o que reza o caput do art. 170 do CTN: “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública”. (grifo nosso) Em sede de recurso voluntário, agregamse documentos que não se fizeram presentes na manifestação de inconformidade, e não se vislumbra nenhuma das situações previstas no art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972. A simples análise de tais documentos (seja para concluir pela procedência ou improcedência, total ou parcial, seja para conversão em diligência) constituiria negação a dito comando legal, ofendendo à Súmula CARF no 2, de observância obrigatória por este colegiado, além de se constituir em supressão de instância administrativa, analisandose matéria que sequer foi objeto de conhecimento do julgador de primeira instância. Da mesma forma que não se permite na autuação, em regra, a inclusão de provas posteriormente à manifestação do autuado, mesmo em sede de diligência (que não se presta a suprir ônus probatório do Fisco), não se pode, em um pedido de compensação, admitir que seja em sede de recurso voluntário suprida a deficiência probatória por parte do contribuinte/postulante. Assim, em face da ausência de comprovação da certeza e da liquidez do crédito informado na DCOMP, não há como prosperar o pleito de compensação da recorrente. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado, mantendo a decisão de primeira instância. Rosaldo Trevisan Fl. 103DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10735.901052/201125 Acórdão n.º 3403002.356 S3C4T3 Fl. 101 5 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ
score : 1.0
Numero do processo: 10865.908864/2009-00
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/05/2004
PIS. COMPENSAÇÃO. RECURSO QUE TRATA DE MATÉRIA ESTRANHA AO PROCESSO. NÃO CONHECIMENTO.
O recurso deve demonstrar de maneira clara e objetiva o equívoco da decisão singular, destacando o desacerto no raciocínio fático, lógico e jurídico desenvolvido por seu prolator. Se o Recorrente apresenta matéria estranha ao processo, sem impugnar os fundamentos postos na decisão, não deve ser conhecido o recurso, por padecer de regularidade formal, um dos pressupostos extrínsecos de admissibilidade recursal, nos termos do art. 514, inc. II, do CPC.
Recurso Voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 3801-002.145
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer o recurso.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, Raquel Motta Brandão Minatel, Paulo Antonio Caliendo Velloso as Silveira, Neudson Cavalcante Albuquerque e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/05/2004 PIS. COMPENSAÇÃO. RECURSO QUE TRATA DE MATÉRIA ESTRANHA AO PROCESSO. NÃO CONHECIMENTO. O recurso deve demonstrar de maneira clara e objetiva o equívoco da decisão singular, destacando o desacerto no raciocínio fático, lógico e jurídico desenvolvido por seu prolator. Se o Recorrente apresenta matéria estranha ao processo, sem impugnar os fundamentos postos na decisão, não deve ser conhecido o recurso, por padecer de regularidade formal, um dos pressupostos extrínsecos de admissibilidade recursal, nos termos do art. 514, inc. II, do CPC. Recurso Voluntário não conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer o recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, Raquel Motta Brandão Minatel, Paulo Antonio Caliendo Velloso as Silveira, Neudson Cavalcante Albuquerque e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel.
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COMPENSAÇÃO. RECURSO QUE TRATA DE MATÉRIA ESTRANHA AO PROCESSO. NÃO CONHECIMENTO. O recurso deve demonstrar de maneira clara e objetiva o equívoco da decisão singular, destacando o desacerto no raciocínio fático, lógico e jurídico desenvolvido por seu prolator. Se o Recorrente apresenta matéria estranha ao processo, sem impugnar os fundamentos postos na decisão, não deve ser conhecido o recurso, por padecer de regularidade formal, um dos pressupostos extrínsecos de admissibilidade recursal, nos termos do art. 514, inc. II, do CPC. Recurso Voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer o recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, Raquel Motta Brandão Minatel, Paulo Antonio AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 88 64 /2 00 9- 00 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 14/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10865.908864/200900 Acórdão n.º 3801002.145 S3TE01 Fl. 12 2 Caliendo Velloso as Silveira, Neudson Cavalcante Albuquerque e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ em Ribeirão Preto: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de PIS/Pasep. Por intermédio do despacho decisório de fls. 6, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls. 10/20, na qual alegou, em síntese: 1. Preliminar de nulidade: a DRF de Limeira simplesmente limitouse a aduzir de forma vaga e genérica que não reconheceu como declaradas ou transmitidas as PER/DCOMPs acima especificadas. A decisão recorrida sequer se deu ao trabalho de detalhar e especificar minuciosamente porque o contribuinte não possuiria o s crédito que alega possuir, eis que haviam nos autos outros fartos documentos que, se analisados, lhe permitiria inferir de modo diverso. Assim sendo é incontroversa a afronta basilar ao principio da ampla defesa do contribuinte: primeiro porque as decisões em um processo administrativo devem obedecer a um mínimo formalismo, tendo que possuir fundamentação legal, exposição de raciocínio lógico e análise detida de toda a documentação; segundo, porque a decisão recorrida é genérica, não apresenta dados específicos sobre suas razões de decidir e não faz alusão a outros documentos que seguem carreados ao processo administrativo. A falta destes elementos concretos Fl. 92DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 14/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10865.908864/200900 Acórdão n.º 3801002.145 S3TE01 Fl. 13 3 implicam na anulação da decisão, que avilta também o principio do devido processo legal; 2. Fez uma longa exposição, citando juristas, ato declaratório normativo e copiosa jurisprudência de diversos Tribunais Regionais Federais e do Superior Tribunal de Justiça defendendo a tese de que o prazo para restituição e compensação de tributos pagos indevidamente ou a maior do que devido é decenal (dez anos) e não qüinqüenal, por se tratar de auto lançamento; 3. No mérito, alegou que o ADIN n° 14170 declarou inconstitucional a expressão contida no art. 17, da Lei n° 9.715, de 1998: "aplicandose aos fatos geradores a partir de 01/10/1995" sendo que, posteriormente o Secretário da Receita Federal reconheceu em parte esta inconstitucionalidade através da Instrução Normativa n.° 6, de 2000, que vedou a constituição de crédito tributário e determinou o cancelamento de lançamento baseado na aplicação do disposto na Medida Provisória n° 1212, de 1995, a fatos geradores ocorridos no período compreendido entre 1 de outubro de 1995 e 29 de fevereiro de 1996; 4. Com a inconstitucionalidade parcial do artigo 18, se estabelece a impossibilidade total de cobrança do tributo, seja pelo estabelecimento do elemento temporal do fato gerador, a partir da publicação da Lei 9.715/98, seja pela impossibilidade da aplicação da Lei Complementar n° 07/70, ao mesmo tempo da vigência da MP n° 1212, de 1995. Assim, durante todo o período em que se sucedem as diversas republicações da MP n° 1212/95, o fisco não possui hipótese de incidência para embasar sua cobrança; 5. Efetivamente temse que a Lei 9.715, de 1998, após a conversão da MP n° 1212, de 1995, somente entrou em vigor em 1998, permanecendo sob vaccatio legis o período compreendido entre 10/1995 a 10/1998; 6. A esfera administrativa equivocouse, de forma acintosa, ao não homologar as supramencionadas compensações de créditos tributários a que efetivamente a recorrente faz jus; 7. 0 poder público não pode descumprir o principio da legalidade dos atos administrativos sonegando ao ora contribuinte fruição de um direito assegurado de suspensão da exigibilidade dos créditos em tela, como Fl. 93DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 14/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10865.908864/200900 Acórdão n.º 3801002.145 S3TE01 Fl. 14 4 prevê também o artigo 151, do Código Tributário Nacional. Assim, deve ficar sobrestada a cobrança das compensações realizadas até o julgamento em definitivo no âmbito administrativo do referido processo. 8. Requer o regular processamento, ulterior apreciação e provimento total à presente manifestação de inconformidade, com homologação de todas as compensações pleiteadas nos autos. Ao analisar a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Recorrente, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto entendeu por bem em não conhecêla, ao argumento de que o contribuinte, em sua defesa, elencou argumentos que não possuíam qualquer ligação nem com o fato, nem com o período de apuração relativo ao crédito pleiteado, nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/05/2004 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase definitiva, na .esfera administrativa, a exigência relativa a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecido Em seu Recurso, o Recorrente rebateu a decisão da DRJ como se esta tivesse não homologado a sua compensação pelo fato de o crédito do contribuinte ter sido atingido pelo instituto da decadência. É o relatório. Voto Conselheiro Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel O Recurso é tempestivo. Porém, não há como conhecêlo. Isso porque o Recurso Voluntário é o meio através do qual o Recorrente devolve ao Conselho a matéria decidida pela Delegacia de Julgamento. Deve, portanto, efetivamente impugnar tal decisão, demonstrando seu inconformismo com as razões apresentadas pelos julgadores. Contudo, a Recorrente não pode utilizarse desse instrumento para alegar matéria totalmente estranha ao processo. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 14/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10865.908864/200900 Acórdão n.º 3801002.145 S3TE01 Fl. 15 5 Ora, o processo foi instaurado em face de uma compensação realizada pela Recorrente de suposto crédito de PIS. A compensação não foi homologada ao argumento de que o Recorrente utilizou integralmente o mesmo saldo do pretenso crédito para compensar Cofins, CSLL, IRPJ e PIS em 8 diferentes processos. A Recorrente, em sua primeira manifestação, em momento algum, rebate tal argumentação. Discorre, sim, sobre o prazo decadencial de 10 anos para pedir restituição, sendo que o despacho decisório aventou tal hipótese de decadência. Argumentou, ainda, que faria jus aos créditos tributários porque a Lei 9.715, de 1998, após a conversão da MP n° 1212, de 1995, somente entrou em vigor em 1998, permanecendo sob vaccatio legis o período compreendido entre 10/1995 a 10/1998, muito embora o pagamento que a Recorrente declarou como indevido no PER/DCOMP é relativo ao período de apuração 30/06/2004, sem nenhuma correlação com o período anterior. Fez também alusão a documentos que não estão nos autos e argumentou que o despacho decisório teria considerado as DCOMPs como não declaradas ou transmitidas. A Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto, embasada no disposto no art. 17 do Decreto n° 70.235, de 1972, com a redação do art. 67 da Lei n° 9.532/97, considerou que o contribuinte não contestou expressamente a matéria objeto do litígio, e que, portanto, a mataria não restou impugnada, não tendo, conseqüentemente, sido iniciada a fase litigiosa do procedimento. Decidiu, desta feita, que o mérito da compensação não poderia ser Trazido à discussão no órgão superior de jurisdição administrativa. E, por fim, em suas razões recursais, a Recorrente contesta a decisão da DRJ ao argumento de não restou configurada a decadência do seu crédito!!! Ora, está claro, para esta conselheira, que padece o recurso de regularidade formal. O Recurso só é possível quando o Recorrente demonstra de maneira clara e objetiva o equívoco da decisão recorrida, destacando o desacerto no raciocínio fático, lógico e jurídico desenvolvido por seu prolator. Na presente hipótese, carece a peça recursal de elementos técnicos de formação, posto que não guarda relação lógica e pertinência temática com aquilo que foi objeto da decisão. Não tendo sido impugnados os alicerces da decisão recorrida, tratando de matéria alheia ao processo, não há como conhecer do presente Recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator Fl. 95DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 14/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10865.908864/200900 Acórdão n.º 3801002.145 S3TE01 Fl. 16 6 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 14/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 11080.005901/2008-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/01/2004
SENTENÇA EM MANDADO DE SEGURANÇA. EFICÁCIA EXECUTIVA. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE.
A partir do trânsito em julgado de sentença proferida em mandado de segurança, o contribuinte terá a faculdade de optar pelo recebimento do crédito por via de precatório ou proceder, administrativamente, à compensação tributária, não sendo possível a restituição administrativa, sob pena de violação ao art. 100 da Constituição Federal.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-002.294
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os conselheiros Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto, que davam provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator.
EDITADO EM: 28/09/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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EFICÁCIA EXECUTIVA. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. A partir do trânsito em julgado de sentença proferida em mandado de segurança, o contribuinte terá a faculdade de optar pelo recebimento do crédito por via de precatório ou proceder, administrativamente, à compensação tributária, não sendo possível a restituição administrativa, sob pena de violação ao art. 100 da Constituição Federal. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os conselheiros Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto, que davam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente e Relator. EDITADO EM: 28/09/2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 59 01 /2 00 8- 27 Fl. 1042DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11080.005901/200827 Acórdão n.º 3302002.294 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição de Cofins, referente aos períodos de apuração de fevereiro de 1999 a janeiro de 2004, tendo em vista o trânsito em julgado de decisão proferida em mandado de segurança que reconheceu a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da Cofins pela Lei nº 9.718/98. A empresa apresentou Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Ação Judicial Transitada em Julgado, o qual foi deferido pela autoridade competente. O Pedido de Restituição foi indeferido pela DRF sob a fundamentação de que “A ação de mandado de segurança não tem natureza condenatória e não é o meio adequado próprio para satisfazer pretensão à repetição de indébito”. Ciente da decisão, a empresa interessada ingressou com Manifestação de Inconformidade, cujas razões, e os fatos sucessivos, estão sintetizadas no Relatório do acórdão recorrido, abaixo transcritos. A interessada apresentou tempestivamente manifestação de inconformidade contra o indeferimento do seu pleito. Nessa defende a restituição dos valores recolhidos, alegando que “o rito judicial escolhido não afasta a obrigatoriedade do ressarcimento pelo Fisco e nem transforma em “nada” o direito judicialmente reconhecido”. Argumenta que a decisão judicial afasta a exigibilidade do tributo considerando a base de cálculo outra que não o faturamento mensal da empresa. E, em tendo sido exigido e pago valor maior, entende que faz o contribuinte jus ao crédito apurado. Afirma não estar diante de procedimento judicial, tampouco defendendo a natureza condenatória da decisão judicial. Alega que inexiste qualquer vedação legal ou normativa a sua pretensão. Por outro lado, indica existir expressa previsão na IN SRF nº 600/2005, art. 51, de que o crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado terá o pedido eletrônico de restituição recepcionado, após prévia habilitação do crédito. Aponta que seu pedido de habilitação do crédito foi reconhecido, nos termos do exigido pela referida instrução normativa. Entende que a norma exige apenas o reconhecimento do direito crédito ainda que não quantificado e o trânsito em julgado da ação. Entende que caberia à empresa escolher a forma como gostaria de reaver os valores recolhidos indevidamente, se por meio de pedido de restituição ou pela via da Declaração de Compensação. Faz vários questionamentos a respeito do tratamento dado às declarações de compensação enviadas com respaldo em mandados de segurança. Entende que o tratamento dado ao pedido de restituição deveria ser o mesmo aplicado às compensações. Fl. 1043DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11080.005901/200827 Acórdão n.º 3302002.294 S3C3T2 Fl. 4 3 Afirma que há muito tempo a jurisprudência reconhece ser prescindível a valoração judicial do crédito tributário quando se tratar de mandado de segurança, posto que em tal ação existe o reconhecimento do direito ao crédito, cabendo ao sujeito ativo acompanhar e fiscalizar a apuração realizada pelo contribuinte com vistas ao exato cumprimento da decisão judicial. Requer a reconsideração da decisão proferida e o deferimento do pedido de restituição. Essa Turma de Julgamento encaminhou o processo em diligência, nos termos dos art. 18 (com redação dada pela Lei 8.748/93) e art. 29 do decreto 70.235/1972, para que fosse apurado o montante creditório passível de restituição, entendendo que o Supremo Tribunal Federal ao declarar inconstitucionais as majorações da base de cálculo do PIS e da Cofins no mandado de segurança impetrado pela empresa, tornou indevidos todos os recolhimentos efetuados com escopo na majoração da base cálculo declarada inconstitucional. Em cumprimento à diligência solicitada, a DRF em Porto Alegre elaborou a Informação DRF/POA nº 366/2010 (fls. 705/715 processo papel e fls.805/815 processo digital), de 05 de outubro de 2010, apurando um montante creditório de R$ 131.412,22 , atualizado até 10/05/2007. O fundamento para a diferença encontrada tem origem no fato da interessada tratarse de uma “holding” e parte das receitas classificadas como financeiras, na verdade, são receitas operacionais, uma vez que advém das empresas por ela controladas em nítida remuneração pela prestação de serviços efetuada. A interessada (fls. 720/728 do processo papel e fls. 821/829 do processo digital) discorda do valor apurado na diligência. Contesta a afirmação de que receitas originárias de serviços prestados junto às empresas controladas seriam receitas operacionais da holding. Alega exagero e equívoco nesta “construção” fiscal, a qual seria desprovida de previsão legal específica. Considera que o esforço interpretativo e a generalização dos conceitos demonstra a fragilidade jurídica da assertiva Fiscal. Afirma que as holdings, como qualquer outra empresa, podem, sim, não contribuir em nada para a seguridade social, caso não exerçam atividades e não aufiram receitas legalmente previstas como base de cálculo da contribuição. Não constaria de seu objeto social a atividade de conceder empréstimos com cobrança de juros, objeto social exclusivo de instituições financeiras. Argumenta que a própria normatização estatal conceitua juros sobre capital próprio como uma remuneração de caráter financeiro paga em contrapartida ao capital próprio investido na empresa. Assim, em analogia com as atividades de mútuo deveriam sempre ser contabilizados como receita financeira para a empresa que os recebe. Cita a IN SRF nº 11/1996 que tratou da questão dos juros sobre o capital próprio sob a ótica do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica. Ratifica seu entendimento de que para qualquer empresa , holding ou não, receitas financeiras oriundas de juros pagos e/ou remunerados em empréstimos formalizados e/ou capitais disponibilizados serão sempre receitas de natureza não operacional, pois somente bancos ou financeiras em geral podem regularmente adotar e formalizar como atividade operacional essa concessão de crédito e/ou de capitais e a decorrente cobrança de encargos financeiros. Assim solicita a restituição integral do crédito pleiteado. A 2a Turma de Julgamento da DRJ em Porto Alegre RS indeferiu a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão no 1036.181, de 15/12/2011, cuja conclusão do voto condutor está redigido nos seguintes termos: Fl. 1044DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11080.005901/200827 Acórdão n.º 3302002.294 S3C3T2 Fl. 5 4 Portanto, ao concluir que a sentença mandamental tem eficácia executiva, vedada está a restituição administrativa dos valores recolhidos indevidamente, sob pena de afronta ao art. 100 da CF/1988. Sendo possível apenas, na via administrativa, a compensação dos indébitos, uma vez que o reconhecimento do indébito se deu na via judicial. Após tais considerações resta prejudicada a análise das demais questões trazidas à discussão pelo contribuinte, especificamente aquelas que dizem respeito ao montante creditório apurado pela DRF em Porto Alegre, uma vez que não é cabível a restituição administrativa desses valores por afronta ao art. 100 da CF/1988. Entretanto, necessário ratificar o entendimento expresso pela DRF de origem de que no caso específico das empresas Holdings apenas podem ser excluídas da base de cálculo da contribuição as receitas financeiras que não sejam provenientes das atividades típicas da empresa, ou seja, aquelas que não decorrem de atividades de controle do grupo. Independentemente da inconstitucionalidade do disposto no Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, a base de cálculo da contribuição da Empresa Controladora (Holding) é composta pelas receitas decorrentes das atividades empresariais típicas da empresa, dos rendimentos e variações patrimoniais positivas das participações societárias e demais contas contábeis representativas das receitas inerentes ao controle e administração do grupo empresarial. Isso posto, VOTO por julgar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 23/03/2012 (conforme AR) e, discordando da mesma, ingressou, no dia 23/04/2012, com Recurso Voluntário, no qual reprisa os argumentos da manifestação de inconformidade e da contestação do resultado da diligência. Na forma regimental, o recurso voluntário foi distribuído para relatar. É o Relatório. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais preceitos legais. Dele se conhece. Fl. 1045DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11080.005901/200827 Acórdão n.º 3302002.294 S3C3T2 Fl. 6 5 Como relatado, a empresa recorrente impetrou Mandado de Segurança “para o fim de reconhecer a inconstitucionalidade da Lei n. 9.718/98 e, via de conseqüência, reconhecer o direito de recolherem as contribuições referidas com base nos diplomas leis vigentes antes de sua edição”. A Sentença determinou “à autoridade coatora que se abstivesse de exigir o parcela atinente à alteração na base de cálculo da Cofins operada pelos artigos 2º e 3º da Lei n. 9718/98”. Julgados os Recursos, o STF manteve a exclusão da majoração da base de cálculo promovida pela Lei 9718/98, declarada inconstitucional, conforme Certidão acostada aos autos (efl. 37). Com base nessa sentença, a empresa ingressou com pedido de habilitação de crédito e com pedido de restituição. Este foi indeferido pela DRF porque a “ação de mandado de segurança não tem natureza condenatória e não é o meio adequado próprio para satisfazer pretensão à repetição de indébito”. Apresentado Manifestação de Inconformidade, a DRJ baixou o processo em diligência para, dentre outras providencia, a DRF apurar o valor do pagamento realizado a maior pela Recorrente, sem considerar a majoração da base de cálculo da Cofins, a que se refere o Mandado de Segurança. A DRF apurou um valor de pagamento a maior ou indevido inferior ao pleiteado pela Recorrente. Do resultado da diligência a empresa teve ciência e se manifestou para discordar da base de cálculo da Cofins apurada pela DRF no curso da diligência. No julgamento da Manifestação de Inconformidade, a Turma de Julgamento ratificou a decisão da DRF e entendeu prejudicada as demais questões trazidas à discussão pelo contribuinte, especialmente às relativas ao valor do crédito pleiteado. No Recurso Voluntário a empresa interessada renova os argumentos relativos às razões do indeferimento do pedido de restituição pela DRF, bem como os relativos ao valor do crédito pleiteado. Preliminarmente, não conheço dos argumentos relativos ao valor do crédito pleiteado, posto que tal matéria não foi objeto de decisão pela Autoridade da RFB, não integrando a lide. Quanto ao mérito, não há reparos a fazer na decisão recorrida. O Mandado de Segurança será concedido para proteger direito líquido e certo sempre que alguém sofrer violação (ou houver justo receio de sofrêla) por parte de autoridade, nos termos do art. 1º, da Lei nº 1.533/51. A sentença proferida em mandado de segurança tem caráter executivo e, conforme entendimento da Nota Técnica COSIT nº 18/2010, do Parecer PGFN/CRJ/Nº 19/2011 e do Parecer PGFN/CAT Nº 2093/2011, que concordo, transcritos parcialmente pela decisão recorrida, o artigo 100 da CF/88 não oferece outra alternativa para o pagamento de indébito tributário fundamentado em decisão judicial transitada em julgado que não seja o precatório, não cabendo a restituição administrativa do mesmo. Fl. 1046DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11080.005901/200827 Acórdão n.º 3302002.294 S3C3T2 Fl. 7 6 Também ficou claro na decisão recorrida a possibilidade da compensação administrativa do crédito reconhecido em decisão judicial com débito do próprio contribuinte junta a Fazenda Pública. Não há, nesta decisão, nenhuma restrição ao exercício do direito ao crédito reconhecido judicialmente, que deve obedecer às normas constitucionais e infraconstitucionais vigentes. Também não afasta a obrigação da Fazenda Nacional de cumprir a decisão judicial, inclusive a de exigir o pagamento da exação fora das balizes fixadas na sentença. As disposições do art. 51 da IN SRF nº 600/2005 está em perfeita harmonia com o decido pela DRF de origem na medida em que a Declaração de Compensação e o Pedido Eletrônico de Restituição somente são recepcionados após a habilitação do crédito. Isto não significa que o crédito reconhecido em decisão judicial, e habilitado pela RFB, será restituído em espécie. Trata este dispositivo apenas da habilitação do crédito e não da ordem de pagamento do crédito habilitado. Também não há questionamento que o crédito pleiteado pela Recorrente é passível de restituição e, por isto mesmo, pode ser utilizado na compensação de débitos próprios, conforme autoriza o art. 26 da IN SRF nº 600/2005. A restituição, no entanto, deve ser feita na forma do art. 100 da CF/88 e a compensação na forma da IN SRF nº 600/2005 (atual IN RFB nº 1.300/2012). Por fim, ratifico e, supletivamente, adoto os fundamentos da decisão recorrida, que tenho por boa e conforme a lei (art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991). Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 1047DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11080.005901/200827 Acórdão n.º 3302002.294 S3C3T2 Fl. 8 7 Fl. 1048DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10830.912682/2009-22
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA.
A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-001.930
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Paulo Sérgio Celani e Solon Sehn.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Paulo Sérgio Celani e Solon Sehn. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 26 82 /2 00 9- 22 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 9a Turma da DRJ Campinas (fls. 44/50 da cópia digitalizada do processo), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pela recorrente, nos termos do acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001 DCOMP. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. O reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. PEDIDO DE DILAÇÃO DE PRAZO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. INDEFERIMENTO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. O pedido de juntada de documentos após a impugnação deve ser indeferido quando não demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O crédito reclamado no presente litígio diz respeito a suposto pagamento indevido da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, no montante de R$ 245,44. A recorrente apresentou manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório que não homologou Declaração de Compensação eletrônica diante da não confirmação do crédito informado, “[...] tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação do débito do contribuinte”. Em sua manifestação de inconformidade, alegou a interessada que deixou de retificar a DCTF do período em que havia realizado o pagamento indevido, ato que caracteriza como mero erro de forma, o qual, segundo entende, seria incapaz de invalidar ou inutilizar o crédito da empresa. Alicerçase em doutrina e jurisprudência e proclama não ter sido evidenciado nenhum prejuízo para o Erário. Requer, finalmente, o cancelamento da exigência e a dilação de prazo (em até dez dias) para a juntada de documentos (cópia da DIPJ, da DCTF original e das memórias de apuração dos créditos aduzidos pela empresa). A ciência da decisão que manteve a exigência formalizada contra a recorrente ocorreu em 11/05/2012 (fls. 54). Inconformada, a mesma apresentou, em 11/06/2012, o recurso voluntário de fls. 57/68, onde reitera os argumentos aduzidos na primeira instância, e que, ao Fl. 72DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10830.912682/200922 Acórdão n.º 3802001.930 S3TE02 Fl. 72 3 contrário do que restou consignado no acórdão recorrido, juntara aos autos “documentação que demonstra de forma patente a existência e a suficiência do crédito utilizado pela empresa na DCOMP indevidamente nãohomologada”. Protesta pela juntada posterior de documentos e requer seja dado provimento ao seu recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios A ciência da decisão recorrida se deu em 11/05/2012 (fls. 54). Por sua vez, o recurso voluntário foi apresentado em 11/06/2012, tempestivamente, portanto. Ademais, o recurso preenche aos demais requisitos formais e materiais de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. A reclamante alega haver incorrido em erro quando do pagamento da contribuição devida no período, e que o débito declarado na DCTF não corresponderia à realidade fática. Aduz, ainda, que incorrera em mero erro de forma, o qual seria incapaz de invalidar o crédito da empresa. Informa haver juntado aos autos documentação comprobatória do direito e que, mesmo diante da ausência de retificação da DCTF, não houve qualquer prejuízo para o Erário, não podendo, pois, a pessoa jurídica ser compelida a responder por créditos tributários já devidamente adimplidos junto ao fisco federal. Não há como acolher as razões apresentadas pela recorrente. Nos pedidos de compensação como o presente a apresentação de DCTF retificadora pode até ser dispensada, mas desde que comprovado o erro, ou, em outras palavras o indébito declarado na DCOMP. Com efeito, os dados declarados em DCTF podem ser retificados de ofício pela autoridade administrativa, mas somente se aludida retificação estiver alicerçada em documentos que comprovem a materialidade da modificação intentada pelo contribuinte, o que não ocorreu no caso presente, como destacado na primeira instância. De fato, muito embora o sujeito passivo tenha requerido dilação de prazo para a juntada de documentos, nenhuma comprovação do reclamado direito creditório foi acostada aos autos. É do contribuinte o ônus da prova do direito creditório que aduz em seu favor. E é este que detém em seu poder toda a documentação capaz de comprovar o crédito alegado, qual seja, a escrita e os documentos inerentes à sua atividade empresarial. Sem a prova do direito impossível homologar a compensação. A Lei é clara quando ressalta que a compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. É desarrazoada a pretensão do sujeito passivo de buscar seja novamente perquirido para apresentar o que já tem em seu poder e sabe ser necessário para a comprovação do crédito e conseqüente liquidação do débito por compensação, principalmente diante da decisão de primeira instância. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 4 Portanto, uma vez não comprovada a certeza e a liquidez do crédito, não é possível autorizar a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Finalmente, quanto à citada inexistência de prejuízo para o Erário, tal argumento, para ser considerado correto, exigiria fosse demonstrado o pagamento indevido, este, sim, o foco central em que se examinam pedidos como o presente, cujo indébito não foi minimamente demonstrado, como já ressaltado. Da Conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada. Sala de Sessões, em 20 de agosto de 2013. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 74DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004279/2007-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003
AUTO DE INFRAÇÃO. COMPETÊNCIA. NULIDADE. INCABÍVEL.
O auto de infração deve ser lavrado por Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil a quem cabe a atribuição privativa de constituir o crédito tributário mediante lançamento.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PRORROGAÇÃO.
A prorrogação do MPF é feita mediante registro eletrônico ao qual o sujeito passivo tem acesso a qualquer momento, no sítio da Receita Federal do Brasil, na internet, e sua validade não está subordinada à intimação pessoal.
Numero da decisão: 3402-002.192
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente Substituto.
SÍLVIA DE BRITO OLIVEIRA - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Sílvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Sílvia de Brito Oliveira, Winderley Morais Pereira (Suplente), João Carlos Cassuli Junior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto).
Nome do relator: SILVIA DE BRITO OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 AUTO DE INFRAÇÃO. COMPETÊNCIA. NULIDADE. INCABÍVEL. O auto de infração deve ser lavrado por Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil a quem cabe a atribuição privativa de constituir o crédito tributário mediante lançamento. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PRORROGAÇÃO. A prorrogação do MPF é feita mediante registro eletrônico ao qual o sujeito passivo tem acesso a qualquer momento, no sítio da Receita Federal do Brasil, na internet, e sua validade não está subordinada à intimação pessoal.
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Recorrida DRJ em SÃO PAULOSP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 BASE DE CÁLCULO. Mera alegação de erro na apuração da base de cálculo pela fiscalização, sem a apresentação de demonstrativos e documentos que comprovem essa alegação, não é suficiente para afetar formal ou materialmente o lançamento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 AUTO DE INFRAÇÃO. COMPETÊNCIA. NULIDADE. INCABÍVEL. O auto de infração deve ser lavrado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil a quem cabe a atribuição privativa de constituir o crédito tributário mediante lançamento. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PRORROGAÇÃO. A prorrogação do MPF é feita mediante registro eletrônico ao qual o sujeito passivo tem acesso a qualquer momento, no sítio da Receita Federal do Brasil, na internet, e sua validade não está subordinada à intimação pessoal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Presidente Substituto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 42 79 /2 00 7- 11 Fl. 164DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO 2 SÍLVIA DE BRITO OLIVEIRA Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Sílvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, Sílvia de Brito Oliveira, Winderley Morais Pereira (Suplente), João Carlos Cassuli Junior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto). Relatório Contra a pessoa jurídica qualificada neste processo foi lavrado auto de infração para constituição de crédito tributário relativo à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) decorrente da constatação, em procedimento de verificações obrigatórias, de diferença entre os valores declarados nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) e os apurados com base na escrituração contábil, no período de janeiro a dezembro de 2003. A exigência tributária foi impugnada e a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São PauloSP (DRJ/SPO) julgou improcedente a impugnação, ensejando a interposição de recurso voluntário para alegar, em preliminar, a nulidade do lançamento por: I – contrariedade ao art. 11 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, tendo em vista que o auto de infração foi assinado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, quando deveria ter sido assinado pelo Delegado da Receita Federal, configurandose, pois, a nulidade prevista no art. 59, inc. I, do referido Decreto; II – ter sido intimada da prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) após o seu vencimento; III – terse caracterizado bis in idem, visto que, para o mesmo período de apuração, foi efetuado outro lançamento no processo nº 19515.004277/200714; e IV – cerceamento do direito de defesa pois, por muitas vezes, solicitara vista do processo e ela só foi concedida quatro dias antes do término do prazo para a apresentação da impugnação. No mérito, a recorrente alegou que: 1 – houve ofensa ao princípio da verdade material, pois o Fisco agiu precipitadamente, ao solicitar a lavratura do auto de infração dois dias depois de intimar a autuada para esclarecer as diferenças encontradas; e 2 – as bases de cálculo estão incorretas, pois não foram consideradas muitas operações praticadas pela recorrente. Ao final da peça recursal solicitouse que o recurso voluntário seja provido para cancelar o auto de infração. É o relatório. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO Processo nº 19515.004279/200711 Acórdão n.º 3402002.192 S3C4T2 Fl. 165 3 Voto Conselheira Sílvia de Brito Oliveira O recurso é tempestivo, foi proposto por parte legítima e seu julgamento está inserto na esfera de competências 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), por isso deve ser conhecido. Preliminarmente, sobre a acusada nulidade do lançamento por se ter configurado a hipótese prevista no art. 59, inc. I, do Decreto nº 70.235, de 1972, cumpre observar que esse mesmo Decreto, em seu art. 9º, impõe a formalização da exigência tributária em auto de infração ou em notificação de lançamento para, em seus arts. 10 e 11, estabelecer as distinções entre esses dois meios de constituição do crédito tributário, prescrevendo, ipsis litteris: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 (trinta) dias VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente:; I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. (Grifouse) Ora, nestes autos, verificase que o crédito tributário foi formalizado em auto de infração, devendose observar, portanto, o disposto no art. 10 supratranscrito, que atribui a competência para a lavratura do auto de infração a servidor competente. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO 4 Cumpre então lembrar que o art. 6º da Lei nº 10.593, de 06 de dezembro de 2002, com a redação dada pela Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007, em consonância com o art. 1421 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), estabelece que a constituição de crédito tributário é atribuição privativa do dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil. Notese que o art. 10 do precitado Decreto, ao tratar do auto de infração, prescreve sua lavratura por servidor competente, enquanto o art. 11 desse mesmo Decreto, para a notificação de lançamento, estabelece sua expedição pelo órgão que administra o tributo, sem, contudo, excluir a possibilidade de assinatura da notificação de lançamento por servidor autorizado, que pode ser, inclusive, o servidor competente referido no art. 10. Concluise, portanto, que não existe o vício de nulidade argüido pela recorrente, visto que é a competência para o lançamento que definirá a formalização da exigência tributária em auto de infração ou em notificação de lançamento. Ressaltese que o Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, tendo por base legal os arts. 10 e 11 do Decreto nº 70.235, de 1972, trouxe maior clareza ao tema, dispondo, em seu art. 31, que: Art.31. O lançamento de ofício do crédito tributário compete: I a AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, quando a exigência do crédito tributário for formalizada em auto de infração; ou II ao chefe da unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil encarregado da formalização da exigência ou ao Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil por ele designado, mediante delegação de competência, quando a exigência do crédito tributário for formalizada em notificação de lançamento. Parágrafo único. O servidor que verificar a ocorrência de infração à legislação tributária federal e não for competente para formalizar a exigência decorrente comunicará o fato, em representação circunstanciada, a seu chefe imediato para adoção das providências necessárias. Quanto à nulidade do procedimento fiscal em virtude de a recorrente ter sido intimada da prorrogação do MPF em 30 de janeiro de 2007 e, portanto, após o seu vencimento em 02 de janeiro de 2007, verificase que as normas de regência em vigor na ocasião do vencimento e renovação do MPF, autorizavam a prorrogação do prazo por mero registro eletrônico, que poderia ser consultado a qualquer momento pelo sujeito passivo, no sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e obrigava o AuditorFiscal responsável pelo procedimento a apresentar o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação do MPF somente por ocasião do primeiro ato de ofício praticado em relação àquele sujeito passivo. À época da prorrogação questionada, vigia a Portaria SRF nº 6.087, de 21 de novembro de 2005, cujo art. 13 estabelecia, ipsis litteris: 1 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. (...) Fl. 167DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO Processo nº 19515.004279/200711 Acórdão n.º 3402002.192 S3C4T2 Fl. 166 5 Art. 13. A prorrogação do prazo de que trata o artigo anterior poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, o prazo máximo de sessenta dias, para procedimentos de fiscalização, e de trinta dias, para procedimentos de diligência. § 1º A prorrogação de que trata o caput poderá ser feita por intermédio de registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, cuja informação estará disponível na Internet, nos termos do art. 7º, inciso VIII. § 2º Na hipótese do parágrafo anterior, o AFRF responsável pelo procedimento fiscal fornecerá ao sujeito passivo, quando do primeiro ato de ofício praticado junto ao mesmo após cada prorrogação, o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação, contendo o MPF emitido e as prorrogações efetuadas, reproduzido a partir das informações apresentadas na Internet, conforme modelo constante do Anexo VI. Observese, pois, que a prorrogação do MPF independe de ciência pessoal do sujeito passivo, bastando que seja feito o registro eletrônico ao qual se tem acesso a qualquer momento, bastando, para isso, acessar o sítio da RFB, na internet, e informar o número do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) e o código fornecido no próprio MPF. Destarte, uma vez que o Demonstrativo constante da fl. 04 destes autos estampa a prorrogação do prazo em 02 de janeiro de 2007 e não sendo relevante a data da ciência pessoal da prorrogação, não se vislumbra a configuração do vício de nulidade argüido pela recorrente. Outra argüição de nulidade do auto de infração da recorrente diz respeito a suposta ocorrência de bis in idem por haver outro processo, o de nº 19515.004277/200714, em que, para o mesmo período de apuração, fora efetuado lançamento de Cofins. Também não prospera essa argüição, pois cópia do auto de infração da Cofins de que trata o referido processo foi anexada a estes autos e podese constatar que a exigência lá formalizada decorre da constatação, no procedimento de fiscalização do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), de omissão de receita, enquanto que, neste processo, estáse tratando apenas da diferença entre o valor da Cofins declarada e a apurada com base na escrituração contábil. Tratase, portanto, de bases de cálculo diferentes, o que afasta a ocorrência alegada. Quanto à nulidade por cerceamento do direito de defesa, ademais de a não se ter nestes autos prova dos alegados pedidos de vista do processo que não foram atendidos, a contribuinte fora intimada de todos os atos praticados nestes autos, especialmente do auto de infração e do termo de verificação fiscal, por meio dos quais é possível saber do que se defender, possibilitando o pleno exercício do direito de defesa, no prazo legal. A alegação de que a solicitação da formalização do processo para lavratura do auto de infração no dia seguinte ao da intimação para justificar as diferenças apuradas pela fiscalização foi apresentada como razão de mérito e não merece prosperar. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO 6 Isso porque, não havendo nas normas de regência do processo de determinação e exigência do crédito tributário disposição sobre o prazo em questão e não tendo sido demonstrado que esses procedimentos internos da administração tributária, tendentes a conferir celeridade ao processo, tenham afetado formal ou materialmente o lançamento, não se cogita de sua nulidade ou de sua improcedência pelo motivo suscitado. Sobre a apuração de bases de cálculo incorretas, em virtude da desconsideração de contratos com órgãos públicos, a recorrente não logrou trazer aos autos demonstrativos das bases de cálculo que considera corretas, acompanhados de documentos capazes de conferirlhes legitimidade. Vale dizer, tratase de mera alegação desprovida de prova, razão pela qual não pode ser acolhida. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Sílvia de Brito Oliveira Relatora Fl. 169DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO
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Numero do processo: 15889.000251/2008-89
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2006
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8 - PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL - APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN.
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal
Na hipótese dos autos, aplica-se o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62-A, Anexo II, Regimento Interno do CARF - RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NO LANÇAMENTO- OCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante não demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram a autuação, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, há que se falar em nulidade da autuação.
Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2403-002.053
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício e dar provimento ao Recurso Voluntário Fez sustentação oral o Dr. Julio César Soares OAB/DF nº 29.266.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Jhonatas Ribeiro da Silva, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Marcelo Freitas. Souza Costa. Ausente justificadamente o Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2006 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8 - PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL - APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal Na hipótese dos autos, aplica-se o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62-A, Anexo II, Regimento Interno do CARF - RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NO LANÇAMENTO- OCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante não demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram a autuação, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, há que se falar em nulidade da autuação. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido
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O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal Na hipótese dos autos, aplicase o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 88 9. 00 02 51 /2 00 8- 89 Fl. 498DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO IRREGULARIDADE NO LANÇAMENTO OCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante não demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram a autuação, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, há que se falar em nulidade da autuação. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício e dar provimento ao Recurso Voluntário Fez sustentação oral o Dr. Julio César Soares OAB/DF nº 29.266. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Jhonatas Ribeiro da Silva, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Marcelo Freitas. Souza Costa. Ausente justificadamente o Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 499DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15889.000251/200889 Acórdão n.º 2403002.053 S2C4T3 Fl. 499 3 Relatório Tratase de Recurso de Ofício apresentado contra Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto SP, Acórdão nº 1432.398 7ª Turma, que julgou improcedente a autuação por descumprimento de obrigação principal, AIOP – Auto de Infração de Obrigação Principal nº. 37.163.2005, às fls. 01, com valor consolidado de R$ 6.057.875,21. Tratase também de Recurso Voluntário impetrado pelo sujeito passivo AÇUCAREIRA QUATA S/A, fls. 471 a 472, que requereu o desarquivamento dos autos para que o mesmo fosse remetido ao CARF para julgamento do Recurso de Ofício. A partir do Relatório da decisão de primeira instância: Tratase do Auto de Infração AIOP—DEBCAD n o 37.163.200 5, no valor total de R$ 6.057.875,21 (seis milhões, cinqüenta e sete mil, oitocentos e setenta e cinco reais e vinte e um centavos), referente a contribuições incidentes sobre a remuneração de segurados empregados, destinadas à Seguridade Social (parte da empresa e SAT/RAT), e que abrange o período de 01/1998 a 12/2006. A lavratura se deu em 28/05/2008 e a ciência do contribuinte em 06/06/2008. Os solidários foram cientificados em 15/05/2009 (fls. 184 a 186). O lançamento compõese dos seguintes levantamentos: RA8 — REM RATEIO ÁLCOOL 98 — 01 a 12/1998 RAS — REM RATEIO ÁLCOOL SEM GFIP — 01/1999 a 12/2006 RR8 — REM RATEIO AÇÚCAR 98 — 01 a 12/1998 RRS — REM RATEIO AÇÚCAR SEM GFIP — 01/1999 a 12/2006 Segundo o RELATÓRIO FISCAL: 1) Durante a fiscalização do sujeito passivo em epígrafe, verificouse que as contas contábeis 30006012 (05/1998 a 12/2006) e 30002312 (01/1998 a 04/1998), denominadas "TRANSPORTE DE CANA/CARREGAMENTO", com o histórico de "RATEIO DE MÃODEOBRA DE MOTORISTAS, TRATORISTAS E OUTRAS FUNÇÕES", foram apropriados custos da mãodeobra empregada no transporte da canadeaçúcar do campo para a Usina e em outras tarefas. 2) Estes custos foram transferidos da Companhia Agrícola Quatá, empresa que produz e fornece matéria prima (canade açúcar) para a Açucareira Quatá, como se pode ver pela contrapartida dos lançamentos contábeis, conta 10500006, denominada "COMPANHIA AGRÍCOLA QUATA" e, também, pela cópia das demonstrações dos resultados dos exercícios extraída do Livro Diário da Companhia Agrícola Quatd. As duas empresas, usina e produtor rural, fazem parte Fl. 500DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 do grupo econômico (de fato) Zillo Lorenzetti e desenvolvem suas atividades em QuatáSP. 3) 0 rateio tem origem no fato de haver empregados registrados no produtor que trabalham, ao menos em parte, para a usina e, por decorrência, esta repõe ao produtor rural os gastos como salário e encargos correspondentes aos serviços que lhe foram prestados, fato que justifica os lançamentos contábeis referidos. 4) Pelo que indica o nome da conta e o histórico do lançamento, a principal tarefa desenvolvida por esses empregados é o transporte de canadeaçúcar do campo para a indústria, sendo que o carregamento é uma subtarefa do transporte. 0 produtor produz canadeaçúcar, a usina a transporta (ao menos em parte) e industrializa. A quantidade de canadeaçúcar adquirida pela usina de outros produtores não pertencentes ao grupo, no período sob exame, é bem pequena e não altera esta questão. 5) Por uma opção administrativa, pessoas empregadas no transporte, bem como em outros setores (administrativo, por exemplo), são registrados no produtor rural e recebem seus rendimentos por meio deste. Entretanto, como também trabalham para a usina, têm parte dos rendimentos pagos por esta, como provam os lançamentos contábeis de transferência (créditos em conta de resultado do produtor rural e débito em conta de resultado da usina, como demonstram o anexo I e cópias dos resultados dos exercícios da usina e do produtor rural). 6) Pela CLT e Lei 8.212/91 esta situação só pode ser aceita como a de empregados com dois empregadores: a pessoa trabalha para duas empresas. Ocorre, no entanto, que nem o produtor rural nem a usina recolheram a quota patronal da contribuição previdenciária (23%) e a contribuição destinada ao mera especial (2,5%), ou contribuições destinadas ao SESI (1%), SENAI (1,5%), e SEBRAE (0,6%), correspondentes à parcela da remuneração paga como contraprestação pelo serviço prestado para a usina. Não consta na conta corrente do produtor rural o recolhimento destas contribuições , nem da usina, tendo esta deixado também de declarar os dados relativos a esses fatos geradores de contribuição previdenciária em GFIP, desde 1999. 7) 0 produtor rural, em sua folha de pagamento, tratou toda a remuneração paga aos empregados como tendo sido destinada a retribuir o trabalho para si, esqueceu que parte (ao menos) do trabalho dos empregados era para a usina. Equivoco que a escrituração contábil deste, bem como da usina, corrige. 8) Partindo deste equivoco, do salário dos segurados empregados o produtor rural fez o desconto da contribuição previdenciária devida por aqueles. A contribuição dos empregados foi recolhida juntamente com a contribuição para o FNDE e 0,2% para o INCRA, visto que o produtor rural tem a quota patronal da contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração dos empregados substituída pela contribuição incidente sobre o valor da comercialização do produto rural. Resta à usina, portanto, recolher as contribuições sociais (não recolhidas pelo produtor rural) incidentes sobre a parte da Fl. 501DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15889.000251/200889 Acórdão n.º 2403002.053 S2C4T3 Fl. 500 5 remuneração dos empregados que pagou em retribuição ao trabalho que lhe foi prestado. 9) 0 saláriodecontribuição correspondente ao trabalho prestado à usina por esses empregados não foi declarado, não se apresentou folha de pagamento nem GFIP relativa à remuneração paga pela usina, pelo que foi emitido o Auto de Infração DEBCAD 37.163.1963. 10) Assim, com fundamento no art. 33, parágrafo 3 0 da Lei 8.212/91, tomouse como base de cálculo das contribuições sociais 63,51% do valor rateado assumido pela Açucareira Quatá S.A., conforme informado pela Usina Barra Grande de Lençóis Paulista S.A., também empresa do Grupo Zillo Lorenzetti, em situação análoga, quando sob ação fiscal, em 2006 (f1.88). 11) Em relação aos Terceiros, explica a fiscalização que apesar do DecretoLei n ° 1.146/1970 dispensar as indústrias de cana deaçúcar do recolhimento das contribuições ao SESI, SENAI e, por conseqüência, ao SEBRAE, prevendo a incidência, no lugar, da contribuição ao INCRA, pela interpretação combinada deste dispositivo com a Ordem de Serviço n° 108/1986, devese concluir que a dispensa acontece apenas na fabricação de açúcar e álcool para bebidas e ndo tia de, álcool carburante, que é o caso do sujeito passivo. 12) Ou seja, o que importa na definição do FPAS não é a matéria prima utilizada (canadeaçúcar) e sim os produtos fabricados. Deste modo, relativamente fabricação de álcool carburante são devidas as contribuições ao SESI . SENAI e SEBRAE (FPAS 507) e, no que concerne à fabricação de açúcar, é devida a contribuição ao INCRA (FPAS 531). 13) Tomando a base de cálculo apurada conforme o procedimento do item 10 acima e os artigos 577 (que vincula o FPAS à atividade econômica do empregador) e 581 (que trata do recolhimento da contribuição sindical dos empregadores) da CLT, foram aferidos indiretamente os valores devidos a cada FPAS (fls. 63 e 64). 14) A Fiscalização vinculou ao crédito, por solidariedade, as empresas: Açucareira Zillo Lorenzetti S.A, CNPJ 51.422.921/000118, Usina Barra Grande de Lençóis S.A., CNPJ 51.422.921/000183, Companhia Agricola Quatd, CNPJ 45.631.926/000113, Companhia Agricola Zillo Lorenzetti, CNPJ 45.036.639/000165 e Companhia Agricola Luiz Zillo e Sobrinhos, CNPJ 45.036.647/000101, todas elas integrantes do grupo Zillo Lorenzetti, grupo econômico de fato, conforme registro às fls. 22/23 e 29/30 do livro de registro de ações nominativas da Usina Barra Grande de Lençóis S/A, registrado na JUCESP sob n ° 54.534. Fl. 502DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 O Relatório da decisão de primeira instância, apresenta a Impugnação do sujeito passivo: A Açucareira Quatá S/A apresentou IMPUGNAÇÃO (fls. 126 a 144) alegando, em síntese, que: A) Decadência 0 artigo 45 da Lei 8.212/91 é inconstitucional, conforme já declarou o STF por meio da Súmula Vinculante no 08, devendo ser aplicado, portanto, o artigo 150 § 40 do Código Tributário Nacional, já que houve antecipação do pagamento. Como a constituição do crédito tributário ocorreu em 06/06/2008, deve ser reconhecida a extinção do mesmo relativamente ao período de janeiro/98 a maio/2003. B) Nulidade do lançamento O lançamento fundouse apenas em presunções, insuficientemente comprovadas e, por isso, não encontra fundamento de validade. A fiscalização presumiu que os valores pagos a titulo de transporte de cana/carregamento" corresponderiam a urna suposta remuneração de pessoas que prestariam serviços a impugnante, muito embora regularmente registradas na produtora rural fornecedora de cana (Cia Agricola Quatd). A fiscalização presumiu ainda que os lançamentos contábeis de transferência para pagamento de custos de transportes/carregamento de cana equivaleriam ao pagamento de rendimentos diretamente as pessoas fisicas envolvidas, corno contraprestação pelo serviço prestado à usina. Tratandose de desconsideração da natureza jurídica dos valores pagos pela impugnante à Cia Agricola Quatd, não há como se legitimar a exigência sem a devida comprovação de que as pessoas fisicas em questão efetivamente prestaram serviços diretamente a Impugnante, de modo que os montantes pagos não equivaleriam ao custo da cana adquirida. Ressaltese não ser suficiente para tal finalidade a mera alegação de que os referidos valores foram lançados em contas 'específicas do, Livro Diário da Impugnante, fato que pode se dar por inúmeras razões, mas não se presta a comprovar que os referidos montantes não compuseram o custo da canadeaçúcar adquirida da Cia Agricola. A própria Secretaria da Receita Federal possui entendimento nesse sentido. É o que prevê, por exemplo PNCST n o 347/70. A fiscalização não poderia concluir pela existência de ilícito à legislação previdenciária apenas corn base nos apontamentos contábeis da Impugnante e do produtor rural Além disso, não há qualquer prova no sentido de que o transporte e carregamento da cana, ainda que fosse possível considerálo de forma autônoma, não teria sido prestado efetivamente pela Cia Agricola. Ou seja, não há um único elemento comprobatório que seja apto a sustentar a conclusão da fiscalização no sentido de que as pessoas que prestaram o referido serviço eram, também, empregadas da impugnante, desconsiderandose por completo o Fl. 503DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15889.000251/200889 Acórdão n.º 2403002.053 S2C4T3 Fl. 501 7 vinculo empregatício existente entre estas pessoas e a Cia Agricola. Tratandose o lançamento de um procedimento administrativo, sujeitase a princípios inarredáveis que devem ser atendidos como condição de validade dos atos praticados, dentre os quais ressalta o principio da verdade material, segundo o qual cabe aos fisco apurar a essência dos fatos ocorridos para, só depois, concluir pela tributação ou não. Por essa razão, a adoção de presunção como fundamento do lançamento tributário, com base unicamente em indícios, não se compatibiliza como artigo 142 do CTN, na medida em que não confere ao ato administrativo a liquidez e certeza necessárias sua validade. Ademais, tendo em vista que o lançamento é o procedimento tendente a verificar a ocorrência do fato gerador e considerando, por outro lado, que nos termos do artigo 113, § 1 ° do CTN, a obrigação tributária surge com a ocorrência do fato gerador e o direto de exigir a prestação pecuniária decorre desta ocorrência, podese concluir que o fato gerador corresponde ao fato constitutivo do direito do fisco. Sendo assim, ao fisco cabe a sua prova. No caso em exame, a presunção feita pela fiscalização tem por fundamento um único suposto indicio: os valores pagos pela impugnante à Cia Agricola foram lançados em conta contábil especifica (transporte de cana/carregamento), o que demonstraria que tais montantes configurariam remuneração de pessoas físicas que teriam prestado serviços diretamente à impugnante. Não há na peça fiscal um único elemento de prova que fundamente a desconsideração da natureza jurídica dos pagamentos realizados pela impugnante. Não existem, igualmente, elementos hábeis a amparar a caracterização do vinculo empregatício supostamente existente entre as pessoas físicas e a ora impugnante. Não há qualquer dispositivo legal que dê fundamento à desconsideração da natureza jurídica dos pagamentos realizados pela impugnante à Cia Agricola, sendo que as justificativas presentes na peça fiscal não passam de presunções destituídas de elementos probatórios. A exigência afigurase também manifestamente ilegítima. Como reconhece a própria fiscalização, os valores pagos pela impugnante Cia Agricola referemse aos custos de transporte de cana/carregamento, relativamente à canadeaçúcar adquirida pela impugnante para industrialização. Tais valores, muito embora contabilizados em separado em relação ao preço da canadeaçúcar, foram pagos pela impugnante em favor da Cia Agricola como contraprestação Fl. 504DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 decorrente da aquisição da cana utilizada na produção de açúcar e álcool. A fiscalização reconhece que os valores pagos pela usina constam das demonstrações dos resultados dos exercícios extraída do Livro Diário da Cia Agricola Quatá Tratase, portanto, de pagamentos realizados por uma pessoa jurídica em favor de outra, em decorrência do negócio de fornecimento de canadeaçúcar para industrialização. Os pagamentos não têm natureza de remuneração de pessoas físicas em decorrência da prestação de serviços. Para corroborar tal fato, basta ressaltar que as pessoas fisicas utilizadas no desempenho das tarefas em questão são empregadas da Cia Agricola, pessoa jurídica responsável pelo pagamento integral da remuneração a elas devida. Os Fiscais não contestam o fato de que as referidas pessoas físicas são funcionários regulares da Cia Agricola e que recebem a integralidade de sua remuneração paga por esta empresa, que procedeu à efetiva venda e entrega da canade açúcar. Mais ainda, a fiscalização reconhece a legitimidade dos recolhimentos, pela Cia Agricola, da contribuição previdenciária retida dos pagamentos feitos aos trabalhadores, bem como da contribuição adicional ao INCRA. Não há nenhum elemento de prova que demonstre a existência de pagamentos efetuados diretamente da impugnante em favor das pessoas físicas em questão, o que seria essencial para demonstrar o vinculo empregatício supostamente existente. Os pagamentos efetuados pela impugnante não têm natureza jurídica de remuneração de pessoas físicas empregadas na execução de tarefas de transporte e carregamento de canade açúcar, sendo manifestamente improcedente a exigência objeto da notificação fiscal ora impugnada. O Relatório Fiscal concluiu que a atividade de produção de álcool carburante estaria sujeita à classificação no código 507 (indústria), não lhe sendo aplicável o código FPAS 531 (indústria de canadeaçúcar). Por esta razão, a referida atividade estaria sujeita ao pagamento das contribuições para o SESI, SENAI e SEBRAE, ao passo que a industrialização de açúcar e álcool para a produção de bebidas alcoólicas estaria abrangida pela "indústria de canadeaçúcar", que é sujeita à contribuição ao INCRA. A fiscalização fundamentou tal entendimento no fato de que o quadro anexo ao artigo 577 da CLT levaria em consideração o produto e não a matériaprima, contudo equivocouse, já que tal artigo estabelece o plano básico de enquadramento sindical, matéria que não tem qualquer relação com a exigência da contribuição ao INCRA. A legislação que deve ser analisada para o deslinde da controvérsia é aquela que disciplina a exigência da contribuição destinada ao INCRA, ou seja, o DecretoLei 1.146/70. Nele se verifica que o legislador apontou determinadas atividades industriais que, por serem intimamente relacionadas com a atividade rural, passaram a ficar sujeitas à contribuição destinada ao INCRA, restando liberadas do pagamento das Fl. 505DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15889.000251/200889 Acórdão n.º 2403002.053 S2C4T3 Fl. 502 9 contribuições destinadas ao SESI/SENAI e, por conseguinte, ao SEBRAE. 0 legislador não distinguiu entre as diversas atividades realizadas pelas usinas do setor sucroalcooleiro, limitandose a indicar como sujeita à contribuição ao INCRA a indústria da cana de açúcar. Se o legislador não impôs nenhuma distinção, não poderia o intérprete fazêlo, ainda mais com o apoio de legislação absolutamente inaplicável ao caso. Também não poderia a fiscalização alegar que todas as exceções previstas no DecretoLei 1.146/70 estariam relacionadas à produção de gêneros alimentícios, já que a não é o caso. Pugna pelo cancelamento integral do Auto de Infração. Conforme o relatório da decisão de primeira instância, os autos foram baixados em Diligência para se verificar a existência de grupo econômico e de solidariedade: Os autos foram baixados em DILIGÊNCIA (fls. 158 e 159) para que a fiscalização comprovasse a alegada existência de grupo econômico, incluísse a fundamentação legal que anima a constituição de crédito tributário por solidariedade e para que todas as empresas incluídas no pólo passivo fossem cientificadas do lançamento. 0 Auditor elaborou Relatório Fiscal Complementar (fl. 184), trazendo aos autos cópias das folhas do livro de registro de ações nominativas da Usina Barra Grande de Lençóis S/A (fls. 161 a 170) e a fundamentação legal para a sujeição passiva, por solidariedade, de empresas integrantes de grupos econômicos. Além disso, foram cientificadas a Companhia Agricola Quatd, a Usina Barra Grande de Lenviis S/A e a Açucareira Zillo Lorenzetti, com a abertura do prazo de 30 dias para que se manifestassem. Mister destacar que tanto a Companhia Agricola Zillo Lorenzetti quanto a Companhia Agricola Luiz Zillo e Sobrinhos, inicialmente arroladas como participantes do grupo, nesta ocasião haviam sido incorporadas pela Companhia Agricola Quatá (fls. 171 a 177), razão pela qual deixaram de ser cientificadas. Houve a Manifestação dos interessados, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: Apresentaram Impugnação Açucareira Zillo Lorenzetti (fls. 189 a 196), Companhia Agricola Quata (fls 206 a 213) e Usina Barra Grande de Lençóis S/A (fis 221 a 228), alegando todas elas, em síntese, que: a) 0 Código Tributário Nacional — CTN — estabelece em seu artigo 124 que a solidariedade poderá ser atribuida às "pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua fato Fl. 506DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 gerador da obrigação principal" (inciso I) ou As "pessoas expressamente designadas por lei" (inciso II). b) Na hipótese de interesse comum existe comunhão de interesse jurídico entre duas ou mais pessoas, de modo que todas tenham relação pessoal e direta com o fato gerador. JA na hipótese de responsabilidade solidária legal, a lei pode atribuir a terceiro a responsabilidade pelo crédito tributário, todavia, isso não significa que o legislador ordinário tenha total liberdade para atribuir essa responsabilidade a qualquer terceiro, na medida em que o dispositivo deve ser interpretado de forma sistemática e teleológica, observandose as demais regras do próprio CTN. c) Ou seja, a solidariedade somente pode ser atribuída por lei a terceiro com fundamento nas demais regras de sujeição passiva indireta previstas no CTN, já que, não fosse assim, estarseia dando ao ldgislador ordinário competência para legislar sobre matéria reservada exclusivamente a Lei Complementar, nos termos do artigo 146, II, "a" da Constituição Federal. d) Nesse sentido, o simples fato de duas empresas pertencerem ao mesmo grupo econômico não pode ensejar, por si só, a responsabilidade solidária para a pessoa jurídica que não teve qualquer participação, direta ou indireta, no fato que deu origem ao crédito tributário. e) Desse modo, quando o artigo 30, inciso IX, da Lei 8.212/91 estabelece que "as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei", afronta diretamente o CTN, já que tal previsão não encontra fundamento em nenhuma hipótese de sujeição passiva indireta contida nesse diploma normativo. O No caso concreto, a impugnante não teve qualquer .participação, ainda que remotamente, nos supostos fatos que deram origem ao crédito tributário sob discussão, sendo, portanto, ilegítima a tentativa de imputarlhe responsabilidade solidária em razão, exclusivamente, de supostamente pertencer ao mesmo conglomerado econômico. g) Afora isso, apesar do artigo 30, inciso IX, da Lei 8.212/91, assim como o artigo 222 do Decreto 3.048/99 estabelecerem que empresas que compõem o mesmo grupo econômico serão consideradas responsáveis solidárias, não há na legislação previdenciária uma definição legal do que se considera grupo econômico para esse efeito. h) Sendo assim, o interprete deve utilizar de empréstimo o conceito estabelecido no artigo 2° da CLT, que dispõe que a caracterização de grupo econômico somente poderia ocorrer, em tese, entre empresas que possuem vinculo de subordinação entre si, como, por exemplo, as pessoas jurídicas controladoras e controladas. I) No caso sob análise, entretanto, a Impugname não detêm qualquer participação societária na empresa autuada Açucareira Quaid S/A, assim como esta não detêm qualquer participação na composição societária da Impugnante. Desse Fl. 507DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15889.000251/200889 Acórdão n.º 2403002.053 S2C4T3 Fl. 503 11 modo. se configura inviável a caracterização do suposto grupo econômico, ao contrario do alegado pela Fiscalização. Pugna por sua exclusão do pólo passivo e, no mérito, ad cautelam reitera integralmente os termos da impugnação da empresa originalmente autuada. Além disso. no que tange especificamente à decadência. ratifica o pleito de que seja aplicada a Súmula Vinculante n° 8, reconhecendose a extinção dos créditos tributários anteriores a junho de 2003. A seguir os autos foram novamente baixados em Diligência para que a Fiscalização apresentasse Relatório Fiscal Complementar. No entanto, a Fiscalização revendo o seu entendimento anterior, conclui não estar configurado no caso presente o grupo econômico: Os Autos foram baixados mais uma vez em Diligência (lis. 238 e 239) para que a Fiscalização elaborasse novo Relatório Fiscal Complementar, trazendo elementos fáticos, além das copias das folhas do livro de registro de ações nominativas da Usina Barra Grande de Lençóis S/A já anexadas, que pudessem efetivamente comprovar a existência de um grupo econômico de fato. Solicitouse , além disso. que todas as empresas indicadas pela Fiscalização como pertencentes ao grupo tomassem ciência do novo Relatório Complementar e a Açucareira Quatá S/A, especificamente, tomasse ciência tanto do novo Relatório quanto do elaborado na primeira Diligência, já que deixou de ser cientificada naquela oportunidade. A Fiscalização elaborou Relatório Fiscal as lis. 292 a 296, trazendo como anexos os documentos societários e a demonstração da composição acionária das empresas indicadas como integrantes do grupo econômico. Arrimandose neles e em decisão do STJ também acostada, revê o entendimento anteriormente exarado. concluindo que não estão presentes no caso concreto os elementos necessários para a configuração de um grupo econômico. Para isso, estribouse, essencialmente, no argumento de que o simples controle acionário de várias empresas por uma ou mais pessoas físicas não é suficiente para essa caracterização, pois seria necessária a existência de uma empresa principal e outras subordinadas, o que não ocorre no caso em tela. Desse novo Relatório Fiscal foram devidamente cientificadas todas as empresas arroladas no Auto de Infração como integrantes do grupo econômico (fls. 303 a 306), as quais, dentro do prazo de 30 dias que lhes foi concedido, vieram aos autos para reiterar o que anteriormente já haviam aduzido. em especial o entendimento de que inexiste grupo econômico. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto SP, emitiu o Acórdão nº 1432.398 7ª Turma, julgou improcedente a autuação e exonerou o crédito tributário, conforme a Ementa a seguir: Fl. 508DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2006 DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA PARCIAL. 0 prazo para a constituição do crédito previdenciário no caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação é de cinco anos, conforme previsto no Código Tributário Nacional, começando a fluir da ocorrência do fato gerador, se tiver havido antecipação de pagamento. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. SOLIDARIEDADE. FALTA DE CONFIGURAÇÃO. Para a configuração de grupo econômico de fato, há necessidade de convergência de vários elementos. A mera participação societária de uma empresa em outra ou a coincidência de acionistas não é capaz, por si só, de ensejar a constituição do grupo. INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. ARGÜIÇÃO. A instancia administrativa é incompetente para se manifestar sobre inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo. FATO GERADOR DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. LANÇAMENTO. ATO ADMINISTRATIVO VINCULADO. O lançamento é ato administrativo plenamente vinculado, inteiramente pautado pela Lei, sendo inadmissível a constituição de crédito tributário sem a demonstração da ocorrência do fato gerador da correspondente obrigação. PRESUNÇÕES "HOMINIS". IMPRESCINDÍVEL A EXISTÊNCIA DE INDÍCIOS GRAVES, PRECISOS E CONCORDANTES. Assiste ao Fisco a possibilidade de utilizar presunções não previstas em lei como meio indireto de prova quando há indícios graves, precisos e concordantes. Sem esses requisitos as presunções não passam de meras suposições, e lido podem ser aceitas. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Acórdão Acordam os membros da 7a Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar a impugnação procedente, cancelando o crédito tributário exigido. Submetase à apreciação do Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. A exoneração do crédito procedida por este Fl. 509DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15889.000251/200889 Acórdão n.º 2403002.053 S2C4T3 Fl. 504 13 acórdão só será definitiva após o julgamento em segunda instância. Posteriormente, o Recurso de Ofício e o Recurso Voluntário foram encaminhados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 510DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O Recurso de Ofício foi interposto atendendo o limite de alçada conforme art. 1º, Portaria MF 03/2008: Art. 1ºO Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Parágrafo único. O valor da exoneração de que trata o caput deverá ser verificado por processo DAS QUESTÕES PRELIMINARES (i) Da inconstitucionalidade Analisemos. O previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 511DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15889.000251/200889 Acórdão n.º 2403002.053 S2C4T3 Fl. 505 15 § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). Ainda, o art. 59, caput, Decreto 7.574/2011; Art.59. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade (Decreto no 70.235, de 1972, art. 26A, com a redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, art. 25). Parágrafoúnico.O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo (Decreto no 70.235, de 1972, art. 26A, § 6o, incluído pela Lei no 11.941, de 2009, art. 25): Ique já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou IIque fundamente crédito tributário objeto de: a)dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de junho de 2002; b)súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c)pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 1993. Fl. 512DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 16 Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto, não prospera o Recurso de Ofício. (ii) Da Decadência Analisemos. Devese verificar a ocorrência, ou não, da decadência. O Supremo Tribunal Federal STF, conforme o Informativo STF nº 510 de 19 de junho de 2008, por entender que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, b, da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nºs 556664/RS, 559882/RS, 559.943 e 560626/RS, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8.212/91, atribuindose, à decisão, eficácia ex nunc apenas em relação aos recolhimentos efetuados antes de 11.6.2008 e não impugnados até a mesma data, seja pela via judicial, seja pela administrativa. Após, o STF aprovou o Enunciado da Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nestes termos: Súmula Vinculante nº 8 São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Publicada no DOU de 20/6/2008, Seção 1, p.1. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser Fl. 513DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15889.000251/200889 Acórdão n.º 2403002.053 S2C4T3 Fl. 506 17 provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Portanto, da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, deve adequar a decisão administrativa ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Cumpre ressaltar que o art. 62, caput do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 256 de 22.06.2009, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, ressalva que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: Fl. 514DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 18 a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. (g.n.)” Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional CTN. Dessa forma, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, nos termos dos artigos 150, § 4o, e 173, I do Código Tributário Nacional. O meu posicionamento se identifica com o direcionamento do Superior Tribunal de Justiça – STJ e com a primeira corrente doutrinária exposta no sentido de no caso de tributo lançado por homologação, desde que haja a antecipação de pagamento e não se configure os casos de dolo, fraude ou simulação, se aplica a regra especial disposta no art. 150, § 4º, CTN, conforme se depreende do REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF. Na hipótese presente, verificase que há a presença de recolhimentos antecipados a homologar pela AuditoriaFiscal pois a própria decisão da primeira instância confirmou tais recolhimentos a partir de uma consulta realizada ao sistema PLENUS: Tratandose de tributo sujeito a lançamento por homologação e tendo havido antecipação do pagamento pelo sujeito passivo (conforme consulta feita ao Sistema PLENUS), o prazo de 5 anos deve ser contado a partir do fato gerador, conforme prevê o artigo 150 § 4' do Código Tributário Nacional. Seguindo este raciocínio e, tendo a constituição do crédito (ciência) ocorrido em 06/2008 em relação à Açucareira Quatá S/A e em 05/2009 em relação As empresas indicadas pela Fiscalização como solidárias (fls. 184 a . 186). deve ser considerado extinto o crédito tributário ate a competência 05/2003 para a primeira e até 04/2004 para as demais, com base no artigo 156, V do CTN, sem prejuízo das considerações a seguir. Então, aplicandose o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF, exsurge a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar pelo contribuinte. Verificase da análise dos autos que a cientificação do auto de infração pela Açucareira Quatá S/A se deu em 06.2008, a cientificação das demais empresas ocorreu em 05/2009 e o período objeto do auto de infração se refere a 01/1998 a 12/2006. Dessa forma, nos termos do artigo 150, § 4o, CTN, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos lançados até a competência 05/2003, inclusive, para a Açucareira Quatá S/A, enquanto que para as demais empresas a decadência ocorreu até a competência 04/2004, inclusive. Fl. 515DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15889.000251/200889 Acórdão n.º 2403002.053 S2C4T3 Fl. 507 19 Diante do exposto, correta a decisão de primeira instância e não prospera o Recurso de Ofício. DO MÉRITO (iii) Da caracterização da solidariedade e do grupo econômico. Analisemos. Conforme se depreende do Relatório Fiscal Complementar, a Fiscalização considerou não ter sido configurado o grupo econômico pela falta de seus pressupostos: Os Autos foram baixados mais uma vez em Diligência (lis. 238 e 239) para que a Fiscalização elaborasse novo Relatório Fiscal Complementar, trazendo elementos fáticos, além das copias das folhas do livro de registro de ações nominativas da Usina Barra Grande de Lençóis S/A já anexadas, que pudessem efetivamente comprovar a existência de um grupo econômico de fato. Solicitouse , além disso. que todas as empresas indicadas pela Fiscalização como pertencentes ao grupo tomassem ciência do novo Relatório Complementar e a Açucareira Quatá S/A, especificamente, tomasse ciência tanto do novo Relatório quanto do elaborado na primeira Diligência, já que deixou de ser cientificada naquela oportunidade. A Fiscalização elaborou Relatório Fiscal as lis. 292 a 296, trazendo como anexos os documentos societários e a demonstração da composição acionária das empresas indicadas como integrantes do grupo econômico. Arrimandose neles e em decisão do STJ também acostada, revê o entendimento anteriormente exarado. concluindo que não estão presentes no caso concreto os elementos necessários para a configuração de um grupo econômico. Para isso, estribouse, essencialmente, no argumento de que o simples controle acionário de várias empresas por uma ou mais pessoas físicas não é suficiente para essa caracterização, pois seria necessária a existência de uma empresa principal e outras subordinadas, o que não ocorre no caso em tela. Desse novo Relatório Fiscal foram devidamente cientificadas todas as empresas arroladas no Auto de Infração como integrantes do grupo econômico (fls. 303 a 306), as quais, dentro do prazo de 30 dias que lhes foi concedido, vieram aos autos para reiterar o que anteriormente já haviam aduzido. em especial o entendimento de que inexiste grupo econômico. Neste mesmo sentido, a decisão de primeira instância concordando com o exposto no Relatório Fiscal Complementar também considerou não configurado o grupo econômico. Fl. 516DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 20 Ora, logicamente, não há que se questionar esta decisão de primeira instância a partir do momento em que a própria autoridade fiscal responsável pelo lançamento fiscal expressamente afastou a possibilidade de configuração do grupo econômico para a presente hipótese. Diante do exposto, correta a decisão de primeira instância e não prospera o Recurso de Ofício. (iv) Do fato gerador e lançamento Analisemos. A decisão de primeira instância, em seu voto, mostra que a Fiscalização ao analisar a contabilidade da Açucareira Quaid S/A, a partir do histórico "Rateio de mão de obra de motoristas, tratoristas e outras funções", encontrado nos lançamentos das contas contábeis 30002312 e 30006012 —"TRANSPORTE DE CANA/CARREGAMENTO", com o lançamento de contrapartida feito na conta 10500006, denominada "COMPANHIA AGRÍCOLA QUATA", concluiu que pelo menos parte dos valores ali registrados corresponderia à remuneração de segurados que, apesar de registrados na Cia Agricola Quatá, estariam a serviço da Açucareira Quatá. A seguir, a decisão de primeira instância afirma que não vislumbra nos documentos apresentados, nos lançamentos e nos argumentos utilizados pela Auditoria Fiscal nada que pudesse conduzir a tais conclusões: Com todo o respeito ao Auditor Fiscal, não vislumbramos nos documentos, lançamentos e argumentos que carreou aos autos nada que pudesse leválo a tais conclusões. Primeiramente, o fato do histórico dos lançamentos feitos nas contas 30002312 e 30006012, denominadas ''TRANSPORTE DE CANA/CARREGAMENTO". falar em rateio (até 2004, "RATEIO DE MÃODEOBRA DE MOTORISTAS. TRATOR1STAS E OUTRAS FUNÇÕES" e„ a partir de 2005, "RATE10 TRANSPORTE 1)1 CANA/CARREGAMENTO") não significa, absolutamente, que este rateio esteja sendo feito com a Companhia Agricola Quatá, fornecedora da matériaprima canadeaçúcar e encarregada de transporte desta até a usina. Significa, isso sim, como indicam os próprios extratos do Livro Razão apresentados pela Fiscalização (lis. 53 a 62), que há um rateio dos gastos com o transporte da canadeaçúcar entre os vários centros de custos da própria Açucareira Quaid (discriminados na penúltima coluna dos mesmos extratos). Esse é o procedimento usualmente utilizado por empresas que possuem gastos indiretos alocáveis, por exemplo, a mais de um produto (com vários centros de custo). O fato da contrapartida do lançamento ser feita na conta 10500006, denominada "CIA AGRÍCOLA QUATA" (código que indica tratarse de uma conta de ativo da usina) , não revela "com quem" é feito o rateio, como singelamente pretende o Auditor, apenas indica, a nosso ver, qual a origem dos gastos incorridos (o fornecedor). Fl. 517DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15889.000251/200889 Acórdão n.º 2403002.053 S2C4T3 Fl. 508 21 Referese ainda o Auditor a lançamentos contábeis de "transferência (créditos em conta de resultado do produtor — Cia Agricola Quaid e débitos em contas de resultado da usina — Açucareira Quaid). que apareceriam nas DU, Demonstrações de Resultados dos Exercícios da usina e do produtor rural (11s. 65 a 87) e comprovariam que pessoas empregadas no transporte (e em outros setores), por uma opção administrativa. são registradas no produtor rural e recebem seus rendimentos por meio deste, mas que. como também trabalham para a usina, têm parte desses rendimentos pagos por esta (o que seria feito por meio dessas "transferências"). Ora, os valores destacados pela Fiscalização nas Demonstrações de Resultados da Companhia Agricola e da Açucareira e que revelariam as cogitadas "transferências", indicam apenas a contabilização, como RECEITA pela primeira, e como GASTO pela segunda, dos transportes de cana realizados no período entre as duas, procedimento contábil utilizado por empresas envolvidas em qualquer relação de prestação de serviços. Nada há nessas Demonstrações que sequer sugira que os empregados do produtor rural estejam subordinados à Açucareira Quaid ou sejam remunerados por esta. Por outro lado, a Fiscalização reconhece que as pessoas fisicas prestadoras dos serviços de transportes estão registradas como empregados da Cia Agricola Quaid e que recebem a remuneração diretamente desta empresa, que procedeu à efetiva venda e entrega da canadeaçúcar, reconhecendo ainda a existência de recolhimentos, por parte da Cia Agricola da contribuição previdenciária retida dos pagamentos feitos aos trabalhadores. bem como da contribuição adicional ao INCRA. Assim, a noss6 ver, não passam de conjecturas, desprovidas de qualquer prova, ou mesmo indicio, as afirmações feitas no Relatório Fiscal sobre a existência de vinculo empregaticio desses trabalhadores com a Açucareira Quaid, já que, como explicitado alhures, os elementos contábeis trazidos pelo Auditor, não dão nenhum respaldo às conclusões que deles extraiu. Devemos lembrar que o Fisco tem sim a possibilidade de utilizar presunções como meio indireto de prova, mas 6. certo que isto só 6. cabível quando há indícios graves, precisos e concordantes, o que certamente não é o caso. Sem tais requisitos as presunções não passam de meras suposições. e não podem ser aceitas. Ou seja, nada há nos autos que minimamente indique que a Açucareira Quaid. subordina e remunera os trabalhadores registrados na Cia Agricola Quaid encarregados do transporte e carregamento de cana desta para aquela e, assim, nada há nos autos que sugira a ocorrência dos fatos geradores que ensejaram o lançamento das contribuições previdenciárias em questão. (...) Fl. 518DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 22 Da leitura dos dispositivos acima transcritos exsurge a conclusão inarredável de que, se nos autos não ficou comprovada a ocorrência dos fatos geradores. como efetivamente não ficou, não se pode falar em obrigação tributária do sujeito passivo e. portanto há que ser reconhecida a improcedência do lançamento sob análise. Ora, em concordância com a decisão de primeira instância, evidentemente, o lançamento fiscal deve ser elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Outrossim, como o lançamento fiscal está motivado na hipótese de que a Açucareira Quatá. Possui vínculo empregatício (subordinação e remuneração) com os trabalhadores registrados na Cia Agricola Quatá encarregados do transporte e carregamento de cana desta para aquela, neste sentido, correta a afirmação da decisão de primeira instância na qual, ante a constatação de não há elementos de convicção nos autos para se configurar a hipótese de vínculo empregatício para com a empresa Açucareira Quatá entre os trabalhados já registrados na Cia Agrícola Quatá, não se comprova a ocorrência dos fatos geradores. Acrescentese ainda que, conforme se observa e também se depreende da decisão de primeira instância, além dos documentos acostados aos autos pela Fiscalização, o Relatório Fiscal não demonstrou expressamente a configuração dos elementos ensejadores da materialização do vínculo de segurados empregados, dos trabalhadores em questão, para com a Açucareira Quatá. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Daí, como motivação e fundamentação são requisitos de validade do Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP, por ser um ato administrativo plenamente vinculado, Fl. 519DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15889.000251/200889 Acórdão n.º 2403002.053 S2C4T3 Fl. 509 23 isto enseja a que no presente AIOP se evidencie que a autuação não cumpriu integralmente os limites legais dispostos no art. 142, CTN posto que a motivação da configuração do vínculo empregatício não se materializou conforme o exposto acima. Diante do exposto, não prospera o Recurso de Ofício. (v) Do Recurso Voluntário Analisemos. O Recurso Voluntário foi impetrado pelo sujeito passivo AÇUCAREIRA QUATA S/A, fls. 471 a 472, para tão somente requerer o desarquivamento dos autos para que o mesmo fosse remetido ao CARF para julgamento do Recurso de Ofício. Ou seja, apenas se requer o trâmite procedimental adequado. Diante do exposto, concordo com o Recurso Voluntário. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do Recurso de Ofício e NEGAR PROVIMENTO. Voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário e DARLHE PROVIMENTO. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 520DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10140.000173/2001-76
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 20 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício:1995
ITR/1995 - VTN - VALOR DA TERRA NUA - LAUDO TÉCNICO E DISCREPÂNCIA VALORES TRIBUTADOS - IN DUBIO PRO REU.
Laudo Técnico juntado aos autos se mostra suficiente para demonstrar o Valor da Terra Nua, em que pese referir-se a exercício diverso, haja vista a discrepância entre o valor apontado pela fiscalização e o valor demonstrado pelo laudo, bem como tributados em outros anos.
Na impossibilidade do contribuinte juntar novo laudo, "in dúbio pro réu", devendo ser mantido o VTN consoante declarado.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO
Numero da decisão: 303-35.329
Decisão: ACORDAM os membros da terceira câmara do terceiro conselho de
contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - valor terra nua
Nome do relator: Nilton Luiz Bartoli
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Laudo Técnico juntado aos autos se mostra suficiente para demonstrar o Valor da Terra Nua, em que pese referir-se a exercício diverso, haja vista a discrepância entre o valor apontado pela fiscalização e o valor demonstrado pelo laudo, bem como tributados em outros anos. Na impossibilidade do contribuinte juntar novo laudo, "in dúbio pro réu", devendo ser mantido o VTN consoante declarado. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO 0 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da terceira câmara do terceiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. ANELISE 71.41(ARIETO - Presidente ON LUI ARTOLI R.elator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Nanci Gama, Luis Marcelo Guerra de Castro, Vanessa Albuquerque Valente, Heroldes Bahr Neto, Celso Lopes Pereira Neto e Tarisio Campelo Borges. 1 i Processo n° 10140.000173/2001-76 Acórdão n.° 303-35.329 CC03/CO3 Fls. 144 Relatório Tornam os autos a julgamento por esta Eg. Camara, tendo em vista cumprimento da diligencia formulada na Resolução n° 303-01.311, juntada As fls. 95/102. Com o intuito de ilustrar o presente e recordar aos pares a matéria, adoto o relatório de fls. 96/99, o qual passo a ler em sessão. Comprova o cumprimento da referida diligência os documentos juntados As fls. 112/141. É o Relatório. o o 2' Processo n° 10140.000173/2001-76 Acórdão n.° 303-35.329 CC03/CO3 Fls. 145 Voto Conselheiro NILTON LUIZ BARTOLI, Relator Tendo em vista o retomo da diligência solicitada em 23/05/2007, retornam os autos a esse relator para julgamento. Consoante consignado na Resolução n° 303-01.311, pelo que se verifica dos autos, cuida o presente processo de Notificação de Lançamento (fls. 18), pela qual se exige do contribuinte o pagamento de crédito tributário relativo a Imposto Territorial Rural —ITR, Contribuição Sindical à Confederação Nacional da Agricultura — CNA e Contribuição ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural — SENAR, referente ao exercício de 1995, quanto ao imóvel rural denominado Fazenda Marupa. Consoante consignado no decorrer da mencionada Resolução, de fato, hi indícios de que o vrN atribuído pela fiscalização não condiz com a realidade do imóvel, tendo em vista que as Notificações de Lançamento referentes aos anos de 1994 (fls. 07) e 1996 (fls. 82) tiveram valores muito próximos daquele registrado no Laudo de Avaliação de fls. 14 para o ano de 1997, bem como, em comparação com o VTN atribuído pela própria SRF ern anos próximos. Ocorre que, como também ali ressaltado, o Laudo de Avaliação juntado aos autos, em que pese ter sido elaborado por profissional habilitado, reporta-se ao ano de 1997, quando se está discutindo lançamento pertinente a 1995. Assim, em respeito ao principio da verdade material, o julgamento restou convertido por esta Eg. Câmara em diligência, de modo que o contribuinte providenciasse a juntada de novo Laudo Técnico de Avaliação, também elaborado por profissional devidamente habilitado, acompanhado de ART, no qual restasse demonstrado de forma conclusiva e fundamentada, com a indicação das fontes pesquisadas, o real Valor da Terra Nua à ser atribuído ao imóvel à época do fato gerador, isto 6, no ano de 1994, já que a discussão se refere ao ITR/1995. No entanto, conforme manifestação do contribuinte is fls. 111/115, este alega o seguinte: uma das dificuldades é que haveria de se localizar quem dispusesse de arquivo com dados locais da época; uma das possibilidades seria o levantamento das transcrições contemporâneas, junto ao Registro de Imóveis; tal fonte de pesquisa restou obstada, haja vista que, em decorrência do numero de fraudes na localidade, houve o bloqueio de todas as matriculas de imóveis rurais, em decorrência do Provimento n°013/2006-CJCI, da Desembargadora Osmarina Onadir Sampaio Nery (fls. 131); Processo no 10140.000173/2001-76 Acórdão n.° 303-35.329 CC03/CO3 Fls. 146 portanto, fica comprovada a impossibilidade de apresentar um novo e consistente laudo; conclui-se que o valor da terra nua em 31/12/94 deveria ser menor que o de 17/11/97; deve ser aceito o laudo elaborado em 1997. Posto isto, tendo em conta as provas já constantes dos autos, entendo deve ser mantido o VTN consoante declarado pelo contribuinte. Explico as razões: Nota-se da analise dos autos que o VTN atribuído pela fiscalização não condiz com a realidade do imóvel, tendo em vista que as Notificações de Lançamento referentes aos anos de 1994 (fls. 07) e 1996 (fls. 82), tiveram valores tributados muito próximos daquele registrado no Laudo de Avaliação de fls. 14 para o ano de 1997. Vejamos: NOTIFICAÇÃO VTN DECLARADO VTN TRIBUTADO 1994 — (fls.07) R$ 125.837,20 R$ 63. 844,30 1995 — (fls. 18) ' R$ 83.279,05 R$ 120.093,48 1996 — (fls. 82) R$83.279,05 72.136,22 1997 — LAUDO: R$ 72.004,68 Assim, como se vê, ha uma grande discrepância entre os valores tributados nos anos de 1994 e 1996, bem como apontado no Laudo em questão para o ano de 1997 e o valor indicado pela fiscalização para o ano de 1995, objeto da Notificação de Lançamento ora em discussão. Recordo aqui o que a Súmula 3°CC n° 3 dispõe: 'A autoridade administrativa pode rever o Valor da Terra Nua minima (Y71Vm) que vier a ser questionado pelo contribuinte do imposto sobre a propriedade rural (ITR) relativo aos exercícios de 1994 a 1996, mediante a apresentação de laudo técnico de avaliação do imóvel, emitido por entidade de reconhecida capacidade técnica ou por profissional devidamente habilitado, que se reporte a época do fato gerador e demonstre, de forma inequívoca, a legitimidade da alteração pretendida, inclusive com a indicação das fontes pesquisadas." Processo n° 10140.000173/2001-76 Acórdão n.° 303-35.329 CC031CO3 Fls. 147 No entanto, pronuncio aqui o meu entendimento que, em casos como o presente, constatada a impossibilidade de apresentação de novo laudo técnico, deve o julgador atender A imposição que lhe é dirigida pelo principio do "in dúbio pro reu". Portanto, uma vez que as provas juntadas aos autos demonstram haver indícios de que o valor defendido pela Fiscalização é incorreto, face aos valores tributados em outros anos, bem como diante de Laudo juntado aos autos, mesmo que para exercício distinto, passa a ser responsabilidade do julgador se pronunciar de maneira mais favorável ao contribuinte, haja vista não haver certeza dos fatos apontados pela parte autora do processo. Ante o exposto, e o que mais dos autos consta, voto no sentido de dar provimento ao presente Recurso. como voto. o Sala das Sessões, em 20 de maio de 2008 NI ON LUI ARTOLI'Relator o 5
score : 1.0
Numero do processo: 13749.720209/2011-52
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2011
NULIDADE.
Não há que se falar em nulidade em relação aos atos administrativos que instruem os autos, no case em foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumpri-los ou impugná-los no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INTIMAÇÃO PRÉVIA NÃO NECESSÁRIA.
O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF.
O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1801-001.677
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2011 NULIDADE. Não há que se falar em nulidade em relação aos atos administrativos que instruem os autos, no case em foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumpri-los ou impugná-los no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INTIMAÇÃO PRÉVIA NÃO NECESSÁRIA. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2113; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 39 1 38 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13749.720209/201152 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1801001.677 – 1ª Turma Especial Sessão de 12 de setembro de 2013 Matéria MULTA DE OFÍCIO ISOLADA DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIO FEDERAIS (DCTF) Recorrente INDÚSTRIA NACIONAL DE COLCHÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2011 NULIDADE. Não há que se falar em nulidade em relação aos atos administrativos que instruem os autos, no case em foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilos ou impugnálos no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INTIMAÇÃO PRÉVIA NÃO NECESSÁRIA. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 9. 72 02 09 /2 01 1- 52 Fl. 39DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13749.720209/201152 Acórdão n.º 1801001.677 S1TE01 Fl. 40 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrada a Notificação de Lançamento à fl. 05, com a exigência do crédito tributário no valor de R$656,59 a título de multa de ofício isolada por atraso na entrega em 17.08.2011 da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do mês de maio do anocalendário de 2010, cujo prazo final era 21.05.2010. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 113 e art. 160 do Código Tributário Nacional, art. 11 do DecretoLei º 1.968, de 23 de novembro de 1982, art. 10 do DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983, art. 30 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1996, art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002 e art. 19 da Lei nº n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004. Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação, fls. 0204, com as alegações a seguir transcritas. O contribuinte em 2009 era empresa optante pelo [Simples Nacional] e mudou seu regime de tributação pata o lucro presumido em janeiro de 2010, e passou a ser obrigado à apresentação de DCTF, haja vista que a partir desta data as empresas com tributação neste regimes [passaram] a ser obrigadas a apresentação mensal. Cumpridora de suas obrigações acessórias tributárias a empresa apresentou a DCTF espontaneamente, para simples regularização de sua situação cadastral na [RFB], uma vez que seus impostos todos foram quitados no período. Referente a multa ora cobrada, vale ressaltar que corre, entretanto, hodiernamente, grande debate em torno do tema, prevalecendo, dentro dos tribunais a tese da inaplicabilidade da multa tributária no caso da confissão espontânea de Fl. 40DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13749.720209/201152 Acórdão n.º 1801001.677 S1TE01 Fl. 41 3 débito tributário, sendo, " in casu", totalmente defesa à imposição, sob qualquer forma de denominação empregada renegando, inclusive, ponto de vista já sedimentado na jurisprudência pátria, até mesmo em tribunais superiores. Ressaltase também que os Estados Federativos não estão aplicando penalidades multas aos contribuinte quando apresentam suas obrigações acessórias fora do prazo espontaneamente. [...] A DCTF foi criada através de instrução normativa baixada pela Secretaria da Receita Federal, que sob p fundamento do art. 5º do Decretolei 2.124/84, foi delegado ao Ministro da Fazenda baixar normas para regulamentar a exigência de declarações de impostos e fixar multas por descumprimento dessas obrigações acessórias. Ocorre que, com o advento da Constituição Federal de 1988, somente por lei podese ser criado o tributo, e suas obrigações acessórias, tal qual o cumprimento da obrigação principal (pagar o tributo) e das obrigações acessórias (fazer ou deixar de fazer uma obrigação. Significa que a somente por lei pode ser instituído o tributo (obrigação de dar) è as obrigações acessórias (obrigação de fazer ou não fazer), criando os instrumentos de controles (declarações) e impondo as penalidades de multa caso|seja descumprida as obrigações acessórias. Assim, somente a lei (poder legislativo) pode instituir as obrigações acessórias, não podendo, ser delegada competência ao poder executivo para baixar normas obrigacionais de caráter tributário que não tenham origem em lei. A instrução normativa (124/86) e suas demais atualizações sobre a DCTF e imposição de multas não jtêm fundamento em lei para sua exigência. Fere, portanto, o princípio da legalidade (art. 5o, II da CF/88) ao qual determina que "ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer algo senão em virtude de lei". A DCTF não foi criada por lei A instrução normativa que cria o DCTF não é lei. A multa aplicada por atraso na entrega da DCTF não tem fundamento na lei. Portanto são ilegais. Além disso a instrução normativa que cria a DCTF fere normas da Constituição Federal de 1988, o que é considerada inconstitucional. [...]O argumento expendido na presente verte de modo direto do Código Tributário Nacional, legislação infraconstitucional elevada, portanto, à condição de verdadeira lei complementar] Especificamente no art. 138 da referida legislação é que vamos confrontar a normatização básica para o perfeito entendimento do caso "ore sub examen" [...]. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que o lançamento é nulo, nos seguintes termos: À vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência total ou parcial do lançamento, requer que seja acolhida a presente Impugnação. Está registrado como resultado do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/BHE/MG nº 0242.928, de 27.02.2013, fls. 1820: Impugnação Improcedente. Consta no Voto Condutor Fl. 41DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13749.720209/201152 Acórdão n.º 1801001.677 S1TE01 Fl. 42 4 No Direito Tributário, devese observar o princípio da responsabilidade objetiva do sujeito passivo em relação às suas obrigações tributárias e ao cometimento de infrações, ou seja, a responsabilidade no campo tributário independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme estabelece expressamente o art. 136 do Código Tributário Nacional (CTN). De acordo com o art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002, na redação dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051, de 2004, o sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, estará sujeito à multa. Esse é o fundamento legal para a aplicação da multa. Os princípios constitucionais invocados norteiam o legislador e não o aplicador da lei. As hipóteses de aplicação da punição, as variações de intensidade em razão do tempo de atraso e de outros critérios, bem como as reduções e dispensas são fixadas de forma categórica na própria legislação, não havendo oportunidade para discricionariedade da autoridade fiscal. Portanto, o lançamento efetuado conforme manda a legislação e com base em fatos e dados cuja veracidade a impugnante não logra abalar, atende, no âmbito de atuação do agente do fisco, os princípios invocados. O argumento denúncia espontânea utilizado para o pedido de cancelamento não pode ser acolhido no âmbito administrativo, pois a matéria se encontra sumulada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais nos seguintes termos: Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Portaria CARF nº 49, de 1/12/2010, publicada no DOU de 7/12/2010, p. 42) A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art. 142 do CTN, parágrafo único). Assim, constatado o atraso ou a falta na entrega da declaração/demonstrativo, a autoridade fiscal não só está autorizada como, por dever funcional, está obrigada a proceder ao lançamento de ofício da multa pertinente. Restou ementado ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário:2010 DCTF. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. Notificada em 11.03.2013, fl. 27, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 10.04.2013, fls. 2931, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera os argumentos apresentados na impugnação. Fl. 42DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13749.720209/201152 Acórdão n.º 1801001.677 S1TE01 Fl. 43 5 Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Os atos administrativos que instruem os autos foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilos ou impugnálos no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional1. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas. Ademais os atos administrativos estão motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos decidam recursos administrativos de modo explícito, claro e congruente. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício, que foi regularmente analisado pela autoridade de primeira instância. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente diz que o lançamento não poderia ter ido realizado sem prévia intimação. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Cabe ressaltar que o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação à pessoa jurídica, nos casos em que a autoridade dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Também pode ser efetivado por autoridade de jurisdição diversa do domicílio tributário da pessoa jurídica e fora do estabelecimento, não lhe 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 do Código Tributário Nacional, art 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2001, art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Fl. 43DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13749.720209/201152 Acórdão n.º 1801001.677 S1TE01 Fl. 44 6 sendo exigida a habilitação profissional de contador2. O Auto de Infração foi lavrado com a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinação da matéria tributável, cálculo do montante da multa de ofício isolada devida e identificação do sujeito passivo e validamente cientificada a Recorrente, o que lhe conferem existência, validade e eficácia. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, em conformidade com o enunciado da Súmula CARF nº 46, que é de observância obrigatória, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente suscita que está amparada pela denúncia espontânea. A denúncia espontânea da infração acompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora exclui a responsabilidade do sujeito passivo pela penalidade pecuniária em função da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A exteriorização de vontade não tem forma prevista em lei e alcança tãosomente a obrigação principal em que o tributo sujeito ao lançamento por homologação que não esteja declarado à época e o recolhimento seja efetuado antes de qualquer procedimento fiscal. O instituto da denúncia espontânea não abrange a obrigação acessória.3. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Recurso Especial Repetitivo nº 1149022/SP 4, cujo trânsito em julgado ocorreu em 01.09.2010 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF5. Restou demonstrado que o presente caso tratase de descumprimento de obrigação acessória que não está amparada pelo instituto da denúncia espontânea. Assim, denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração, em conformidade com o enunciado da Súmula CARF nº 49, que é de observância obrigatória, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente discorda do procedimento de ofício. No que se refere à possibilidade jurídica de aplicação de penalidade pecuniária por falta de cumprimento de obrigação acessória, temse que essa obrigação é um dever de fazer ou não fazer que decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, e pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal 2 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 8, 27 e 46. 3 Fundamentação legal: art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 138 do Código Tributário Nacional. 4 BRASIL.Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1149022/SP. Ministro Relator:Luiz Fux, Primeira Seção, Brasília, DF, 9 de junho de 2010. Disponível em: <https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sLink=ATC&sSeq=10649420&sReg=2009013414 24&sData=20100624&sTipo=5&formato=PDF>. Acesso em: 31 ago.2011. 5 Fundamentação legal: art. 138 do Código Tributário Nacional, art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Fl. 44DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13749.720209/201152 Acórdão n.º 1801001.677 S1TE01 Fl. 45 7 relativamente à penalidade pecuniária. Essas obrigações formais de emissão de documentos contábeis e fiscais decorrem do dever de colaboração do sujeito passivo para com a fiscalização tributária no controle da arrecadação dos tributos (art. 113 do Código Tributário Nacional). Ademais, a imunidade tributária não afasta a obrigação do ente imune de cumprir as obrigações acessórias previstas na legislação tributária (art. 150 da Constituição Federal e art. 9º do Código Tributário Nacional). O Ministro da Fazenda pode instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais, cuja competência foi delegada à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) (art. 5º da DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984 e art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999). No exercício de sua competência regulamentar a RFB pode instituir obrigações acessórias, inclusive, forma, tempo, local e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. Assim, os atos do processo administrativo dependem de forma determinada quando a lei expressamente a exigir (art. 22 da Lei nº 9.784, de 29 de dezembro de 1999). O documento que formalizála, comunicando a existência de crédito tributário, constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Ademais, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (art. 136 do Código Tributário Nacional). O sujeito passivo que deixar de apresentar a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), nos prazos fixados pelas normas sujeitase às seguintes multas: (a) de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento; (b) de R$20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. Para efeito de aplicação dessas multas, reputase como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. As multas serão reduzidas: (a) em 50% (cinqüenta por cento), quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; (b) em 25% (vinte e cinco por cento), se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. A multa mínima a ser aplicada deve ser: (a) R$200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa jurídica inativa; (b) R$500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos6. 6 Fundamentação legal: art. 113 e 138 do Código Tributário Nacional, art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984, art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999,e art. Fl. 45DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13749.720209/201152 Acórdão n.º 1801001.677 S1TE01 Fl. 46 8 Em relação à DCTF, cabe esclarecer que todas as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, devem apresentála centralizada pela matriz, via internet: (a) para os anoscalendário de 1999 e 2004, trimestralmente, até o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre de ocorrência dos fatos geradores. (b) para os anoscalendário de 2005 a 2009: (b.1) semestralmente, sendo apresentada até o quinto dia útil do mês de outubro de cada anocalendário, no caso daquela relativa ao primeiro semestre e até o quinto dia útil do mês de abril de cada anocalendário, no caso daquela atinente ao segundo semestre do anocalendário anterior; (b.2) mensalmente, de acordo com o valor da receita bruta auferida pela pessoa jurídica, sendo apresentada até o quinto dia útil do segundo mês subseqüente ao mês de ocorrência dos fatos geradores; (c) a partir do anocalendário de 2010, mensalmente, com apresentação até o décimo quinto dia útil do segundo mês subsequente ao mês de ocorrência dos fatos geradores7. No presente caso, restou comprovado que houve atraso na entrega em 17.08.2011 da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do mês de maio do anocalendário de 2010, cujo prazo final era 21.05.2010. A proposição mencionada pela defendente, por conseguinte, não tem validade. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso8. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade9. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, alterada pela Lei nº 11.051, 29 de dezembro de 2004 e Súmulas CARF nºs 33 e 49. 7 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998, Instrução Normativa SRF nº 255, de 11 de dezembro de 2002, Instrução Normativa SRF nº 583, de 20 de dezembro de 2005, Instrução Normativa SRF nº 695, de 14 de dezembro de 2006, Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007, Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008, Instrução Normativa RFB nº 974, de 27 de novembro de 2009 e Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010. 8 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 9 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 46DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13749.720209/201152 Acórdão n.º 1801001.677 S1TE01 Fl. 47 9 Carmen Ferreira Saraiva Fl. 47DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 13805.004924/95-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/03/1991 a 31/03/1991
FINSOCIAL APURADO À ALÍQUOTA SUPERIOR À 0,5%. APLICAÇÃO DA REGRA DO ART. 17 DA MP 1.110, DE 30 DE AGOSTO DE 1995. ATUAL ART.18 DA LEI Nº 10.522, DE 19 DE JULHO DE 2002. DESCONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇADO.
A dispensa de constituição do crédito tributário ou a autorização para a sua desconstituição, se já constituído, previstas no art. 18 da Medida Provisória nº 2.176-79/2002, convertida na Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, somente alcançam a situação de créditos tributários ainda não extintos pelo pagamento.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-002.217
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente); Gileno Gurjão Barreto (vice presidente); Alexandre Gomes; Fabíola Cassiano Keramidas; Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó
Nome do relator: MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
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APLICAÇÃO DA REGRA DO ART. 17 DA MP 1.110, DE 30 DE AGOSTO DE 1995. ATUAL ART.18 DA LEI Nº 10.522, DE 19 DE JULHO DE 2002. DESCONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇADO. A dispensa de constituição do crédito tributário ou a autorização para a sua desconstituição, se já constituído, previstas no art. 18 da Medida Provisória nº 2.17679/2002, convertida na Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, somente alcançam a situação de créditos tributários ainda não extintos pelo pagamento. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 5. 00 49 24 /9 5- 88 Fl. 131DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente); Gileno Gurjão Barreto (vice presidente); Alexandre Gomes; Fabíola Cassiano Keramidas; Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 6ª Turma da DRJ/SP1 a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, nos termos do Acórdão nº 1622.529, proferido em 20 de agosto de 2009, consoante se demonstra pela ementa a seguir transcrita: “ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 1991 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. Não se toma conhecimento da impugnação no tocante à matéria objeto de ação judicial. MULTA DE OFÍCIO. Somente o depósito judicial integral do montante discutido em juízo faria com que o lançamento da multa de oficio fosse indevido. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Em 26 de julho de 1995 foi lavrado, contra a NESTLE BRASIL LTDA ATUAL DENOMINAÇÃO DE NESTLE INDUSTRIAL E COMERCIAL LTDA, empresa acima identificada, o Auto de infração por processo eletrônico, para exigência da diferença da Contribuição, devida e não recolhida aos cofres público, no qual o autuante aplicou a alíquota de 2% sobre o faturamento apurado no mês de março de 1991, mas deduziu do valor apurado o valor recolhido sob a alíquota de 1,2% e aplicou sobre a diferença assim apurada a multa de oficio e juros de mora, calculados até 26/07/95. No termo de Verificação de efl. 24, o autuante esclarece que: “1.No decorrer dos trabalhos da auditoria fiscal iniciada na empresa supra identificada em 28.06.94 e reiniciada em 11.07.94, verificamos que a mesma recolhera através de DARF, em 15.04.91, a Contribuição para o Fundo de Investimento Social FINSOCIAL, referente ao período de apuração de março de 1.991, dividindoa em duas alíquotas, ou seja, fazendo incidir a alíquota de 1,27. sobre o faturamento de 01 a 13 de março (Cr$12.011.663.913,75), e a alíquota de 27. sobre o faturamento de 14 a 31 de março (Cr$19.760.550.606,56), sob a alegação de que, sendo o seu faturamento "diário", a alíquota de 2%., majorada pela MP. 279/90, publicada em 13.12.90, não podia ser aplicada até 13.03.91 uma vez que no havia se Fl. 132DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13805.004924/9588 Acórdão n.º 3302002.217 S3C3T2 Fl. 132 3 esgotado ainda, o prazo constitucional de noventa dias, exigido para sua vigência. Assim, deixou de recolher 0,008% sobre Cr$12.011.663.913,75. 2. Verificamos ainda, que em data de 14.05.91, a mesma empresa impetrara, através do Processo 91.0065377 2, mandado de segurança com pedido de liminar, a fim de assegurar respaldo judicial ao seu procedimento. Entretanto, o M. Juízo da 5g Vara Federal em São Paulo, que liminarmente concedera a segurança e autorizara o depósito da quantia em litígio, julgou improcedente a segurança e cassou a medida liminar, em sentença de 21.02.92. A impetrante apelou, encontrandose o processo em grau de recurso junto ao Tribunal Regional Federal da Terceira Região . 3. Verificamos mais, que em data de 04.10.91 a fiscalizada depositara à ordem da Justiça Federal, a importância de Cr$183.587.325,28 correspondente a 0,008% sobre Cr$12.011.663.913,75 ou seja, Cr$96.093.311,31, acrescidos da TRD acumulada relativa ao período de 16/abril a 04/outubro/91; deixou de depositar, entretanto, a multa de mora de 20%. (vinte por cento) devida sobre o valor do tributo, desde o dia seguinte ao do seu vencimento (Instrução Normativa SRF/PGFN 1/80 e Ato Declaratório CSAr 23/89) no total de Cr$19.218.662,26. Tal fato torna o depósito efetuado, inepto para suspender a exigibilidade do crédito tributário, porque feito em desacordo com o disposto no item II do artigo 151 do Código Tributário Nacional, que o exige integral. 4. Por outro lado, cassada a liminar, e tendo a apelação no mandado de segurança apenas efeito devolutivo, tornase, por mais essa razão, exigível o crédito tributário, agora ao desabrigo do artigo 151, Item IV, do C.T.N. 5. Assim, considerando que o procedimento adotado pela fiscalizada e descrito no item "1" deste termo, não encontra amparo legal nem é reconhecido como correto, tanto na esfera administrativa como na judicial ,conforme já decidiu o Juízo singular; que o depósito efetuado foi insuficiente e no integral; que a medida liminar foi cassada, e que a apelação interposta tem apenas efeito devolutivo, não se tendo noticia, na certidão exibida, de que tenha sido recebida com efeito suspensivo, fatos esses que colocam a fiscalizada ao desamparo do disposto nos Itens I e IV do artigo 151 do C.T.N. e tornam exigível o crédito tributário, será emitido auto de infração por processo eletrônico, para exigência da diferença da Contribuição devida e não recolhida aos cofres públicos, conforme acima descrito.” 0 contribuinte apresentou impugnação de efls. 33/38, em 24/08/94, alegando em síntese, conforme se extrai do relatório do Acórdão nº 1622.529 da 6ª Turma da DRJ/SP1: “4.1.aplicou a alíquota de 1,2% sobre o faturamento apurado entre 01/03/91 a 13/03/91, pois neste período encontravase sobre a vacatio legis constitucional, e a partir de 14/03/91 até Fl. 133DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 4 31/03/91 passou a aplicar a alíquota de 2%, pois este foi o termo inicial da majoração da alíquota do FINSOCIAL; 4.2.a Lei n° 8.147/90 seria inconstitucional; 4.3.segundo determinação do STF o FINSOCIAL deveria ser calculado à alíquota de 0,5%; 4.4.nos termos da Constituição Federal a instituição das contribuições sociais deve obedecer a vacatio legis nonagesimal; que majorou a alíquota do FINSOCIAL de somente poderia ser aplicada a partir de 14/03/91; 4.6.em 04/10/91 depositou em juízo a diferença de alíquota entre 1,2% e 2%, assim não deveria ser aplicada a multa de oficio; 4.7.requer seja julgado improcedente o auto de infração”. Por ser pertinente, transcrevese abaixo trechos do voto proferido pela autoridade julgadora de 1ª instância administrativa: “(...); 14. Como se vê, a mesma matéria discutida nos autos foi levada à ap Poder Judiciário, ou seja, a exigência do FINSOCIAL à alíquota de 1,2% ao invés da alíquota de 2% no período de 01/03/91 a 13/03/91. 15. Segundo dispõem o artigo 1°, § 2°, do DecretoLei n° 1.737/79, e o artigo 38, parágrafo único da Lei 6.830/80, a propositura, pelo contribuinte, de ação judicial, importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. 16. Nesse sentido, foi expedido o ADN n° 3/96, da Coordenação Geral do Sistema de Tributação da Secretaria da Receita Federal, esclarecendo que: ‘a) a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual antes ou posteriormente a autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto’ 17. Com efeito, a coisa julgada proferida no âmbito do Poder Judiciário jamais poderia ser alterada no processo administrativo, pois tal procedimento feriria a Constituição Federal brasileira, que adota o modelo de jurisdição una, na qual são soberanas as decisões judiciais. 18. Em consequência, o órgão de origem deverá proceder conforme disposto na letra • "d" do ADNCOSIT n° 3/96: ‘o processo será encaminhado para a cobrança do débito, ressalvada a eventual aplicação do disposto no artigo 149 do CT1V; e estando a exigibilidade suspensa por liminar em Mandado de Segurança ou depósito do montante integral, deverá aguardar o pronunciamento judicial.’ Fl. 134DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13805.004924/9588 Acórdão n.º 3302002.217 S3C3T2 Fl. 133 5 19. Portanto, nos termos do texto normativo acima reproduzido, eventual revisão de oficio com adaptação da coisa julgada, deverá ser efetuada pelo órgão preparador. 20. Ocorre que o contribuinte também discute em sua impugnação outras matérias que não foram levadas à apreciação do Poder Judiciário e deverão ser enfrentadas. 21. 0 contribuinte entende que deveria ser aplicada no cálculo do FINSOCIAL à alíquota de 0,5% conforme posição exarada pelo STF. 22. De fato, atualmente é pacifico o entendimento de que no período em tela a alíquota para fins de cálculo do FINSOCIAL deveria ser de 0,5%. 23. Ocorre que o contribuinte ao levar ao conhecimento do Poder Judiciário a discussão acerca da alíquota a ser empregada para fins de cálculo do FINSOCIAL, no período de 01/03/91 a 13/03/91, abriu mão de discutila na esfera administrativa, que conforme anteriormente relatado deverá simplesmente obedecer a decisão judicial final. 24. 0 art. 63 da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação que lhe foi dada pela Medida Provisória n° 2.15835, de 24/08/2001, dispensa a aplicação da penalidade nas hipóteses em que a exigibilidade estiver suspensa por medida liminar concedida em mandado de segurança ou em outras espécies de ação judicial (art. 151, incisos IV e V do CTN). 25. No caso em estudo a liminar que favorecia o contribuinte foi cassada pelo juízo "a quo" ao negar a segurança em 21/02/92. Portanto, ao tempo do inicio do procedimento fiscal que ocorreu em 28/06/94 o contribuinte não possuía liminar que o favorecesse. 26. A Administração esclareceu que a existência de depósito judicial integral também afastaria a aplicação da penalidade de oficio, nos termos do Parecer n° 02, de 05/01/99 da Coordenação de Tributação da SRF: ‘SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. INAPLICÁVEL MULTA DE OFÍCIO. É incabível o lançamento de multa de oficio na constituição, para prevenir a decadência, de crédito tributário cuja exigibilidade esteja suspensa, inclusive na hipótese de depósito do seu montante integral.’ 27. 0 impugnante afirma que em 04/10/91 depositou em juízo a diferença de alíquota entre 1,2% e 2%, assim não deveria ser aplicada a multa de oficio. 28. Segundo consta do Termo de Verificação de fl. 17 o depósito efetuado foi insuficiente, pois não foi acrescido da multa de mora, apesar de o depósito ter sido efetuado em atraso à data de Fl. 135DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 6 4/10/91 (fl. 13) e o vencimento do tributo ter ocorrido em 15/04/91. 29. De fato, sobre recolhimentos em atraso há que se acrescer a multa que não foi observado pelo interessado. Assim, há que se preservar o lançamento da multa de oficio. 30. Em face do exposto, voto no sentido de julgar improcedente a impugnação apresentada, mantendo integralmente o crédito tributário lançado de oficio.” Por meio da Intimação n° 1345/2010 a contribuinte foi cientificada em 21/07/2010 (AR efl. 93) do Acórdão da DRJ e, inconformada, interpõe Recurso Voluntário (e fls. 96/100) em 20/08/2010, na qual insiste em seus argumentos de defesa, no sentido de que o STF reconheceu a incidência do FINSOCIAL à alíquota de 0,5% até a edição da Lei Complementar 70/91.E aduz que, “recolheu, no período em comento, o FINSOCIAL à alíquota de 1,2% tendo depositado a diferença entre a referida alíquota, e aquela instituída pelo Fisco 2,0%, e considerando que o STF reconheceu que o FINSOCIAL era devido à alíquota de 0,5%, resta claro que a Recorrente nada ficou devendo União Federal, tendo, inclusive, recolhido um valor a maior da contribuição ao FINSOCIAL no período em questão. Menciona e transcreve o disposto no art. 18 da Lei nº 10.522 de 19/07/2002”. Requer que sejam acolhidas totalmente as razões expostas no presente Recurso Voluntário, para o fim de julgar improcedente o Auto de Infração em referência, determinando seu imediato arquivamento. Na forma regimental, o processo foi a mim distribuído. É o relatório. Voto Conselheira MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade. Por isso, acolhoo. Verificase que a decisão da DRJ/SP1 ora recorrida declarou a concomitância e respectiva renúncia na esfera administrativa sobre a questão atinente à suposta aplicação indevida da alíquota de 2%., majorada pela MP. 279/90, publicada em 13.12.90, sob o fundamento de esta não poder ser aplicada até 13.03.91, sobre o faturamento “diário” da empresa, uma vez que não havia se esgotado ainda, o prazo constitucional de noventa dias, exigido na CF para sua vigência. Desta forma, o cerne da lide reside na possibilidade de se aplicar, ou não, no caso concreto, o entendimento de que, no período questionado (março de 1991), o FINSOCIAL era devido à alíquota de 0,5%, consoante reconhecido pelo o STF no RE n° 150.7641/PE, de 16/12/92, e, ainda, a aplicação do disposto no art. 18 da Lei nº 10.522 de 19/07/2002. DO HISTÓRICO LEGISLATIVO Sabese que o Finsocial foi criado em 1982, a partir da cobrança de 0,5% sobre o faturamento bruto das empresas. De 1982 a 1991, a alíquota sofreu majorações (Leis Fl. 136DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13805.004924/9588 Acórdão n.º 3302002.217 S3C3T2 Fl. 134 7 nºs 7738/89, 7787/89, 7894/89 e 8147/90), alcançando um percentual de 2% a partir do período de apuração de março de 1991. Diversos contribuintes contestaram os aumentos de alíquotas em âmbito judicial e, em 16 de dezembro de 1992, o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE nº 150.764/PE, em sede de controle difuso, declarou a inconstitucionalidade da norma que majorou a alíquota da Contribuição para o FINSOCIAL, afastando a exigência do adicional para as empresas exclusivamente vendedoras de mercadorias e mistas, mantendo a alíquota de 0,5%. É sabido que no Brasil, as decisões judiciais, tomadas em casos concretos, sobre questões constitucionais, inclusive as que dizem respeito à legitimidade dos preceitos normativos, limitam sua força vinculante às partes envolvidas no litígio (Teori Albino Zavascki (Eficácia das Sentenças na Jurisdição Constitucional, São Paulo: Ed. RT, 2001, p. 30). Como também se sabe que, de acordo com o art. 52, X, da CF/88, compete privativamente ao Senado Federal "Suspender a execução, no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal”. Conforme registrado no Parecer PGFN nº 3401, de 31/10/2002, no que atine à declaração de inconstitucionalidade da norma que majorou a alíquota da Contribuição para o FINSOCIAL, acima mencionada, o Senado não conferiu eficácia erga omnes à decisão do Supremo, proferida no RE 150.764/PE, tendo o relator, Senador Amir Lando, justificado a posição contrária à suspensão dos dispositivos invalidados, afirmando que: "É incontestável, pois, que a suspensão da eficácia desses artigos de leis pelo Senado Federal, operando erga omnes, trará profunda repercussão na vida econômica do País, notadamente em momento de acentuada crise do Tesouro Nacional e de conjugação de esforços no sentido da recuperação da economia nacional. Ademais, a decisão declaratória de inconstitucionalidade do STF, no presente caso, embora configurada em maioria absoluta nos precisos termos do art. 97 da Lei Maior, ocorreu pelo voto de seis de seus membros contra cinco, demonstrando, com isso, que o entendimento sobre a questão não é pacífico”. Por sua vez, o art. 77 da Lei nº 9.430/96 dispôs, in verbis: “"Art. 77. Fica o Poder Executivo autorizado a disciplinar hipóteses em que a administração tributária federal, relativamente aos créditos tributários baseados em dispositivo declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, possa: I absterse de constituílos; II retificar o seu valor ou declarálos extintos, de oficio, quando houverem sido constituídos anteriormente, ainda que inscritos em dívida ativa; III formular desistência de ações de execução fiscal já ajuizadas, bem como deixar de interpor recursos de decisões judiciais.” Fl. 137DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 8 Com base nessa autorização, o Poder Executivo editou o Decreto n° 2.346/97, estabelecendo os procedimentos a serem observados pela Administração Pública Federal em relação a decisões judiciais, e assim determinando em seu art. 1°: "Art. I° As decisões do Supremo Tribunal Federal que fixem, de forma inequívoca e definitiva, interpretação do texto constitucional deverão ser uniformemente observadas pela Administração Pública Federal direta e indireta, obedecidos os procedimentos estabelecidos neste Decreto. §1° Transitada em julgado decisão do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, em ação direta, a decisão, dotada de eficácia ex tunc, produzirá efeitos desde a entrada em vigor da norma declarada inconstitucional, salvo se o ato praticado com base na lei ou ato normativo inconstitucional não mais for suscetível de revisão administrativa ou judicial. § 2º O disposto no parágrafo anterior aplicase, igualmente, à lei ou ao ato normativo que tenha sua inconstitucionalidade proferida, incidentalmente, pelo Supremo Tribunal Federal, após a suspensão de sua execução pelo Senado Federal. §3º O Presidente da República, mediante proposta de Ministro de Estado, dirigente de órgão integrante da Presidência da República ou do AdvogadoGeral da União, poderá autorizar a extensão dos efeitos jurídicos de decisão proferida em caso concreto.’ (grifei) Neste sentido, foi editada a Medida Provisória nº 1.110, de 30/8/95, reeditada pelas Medidas Provisórias nº 1.973/99 e nº 2.17679/2001, hoje, Lei nº 10.522/2002, implementadose a hipótese prevista no §3º do art. 1º do Decreto n° 2.346/97, acima transcrito e destacado, concernente à autorização do Presidente da República para a extensão dos efeitos jurídicos da decisão proferida em caso concreto, cuja redação final do art 18 dispõe, in verbis: "Art. 18. Ficam dispensados a constituição de créditos da Fazenda Nacional, a inscrição como Dívida Ativa da União, o ajuizamento da respectiva execução fiscal, bem assim cancelados o lançamento e a inscrição, relativamente: (...) III à contribuição ao Fundo de Investimento Social FINSOCIAL, exigida das empresas exclusivamente vendedoras de mercadorias e mistas, com fundamento no art. 9º da Lei nº 7.689, de 1988, na alíquota superior a zero vírgula cinco por cento, conforme Leis nºs 7.787, de 30 de junho de 1989, 7.894, de 24 de novembro de 1989, e 8.147, de 28 de dezembro de 1990, acrescida do adicional de zero vírgula um por cento sobre os fatos geradores relativos ao exercício de 1988, nos termos do art. 22 do DecretoLei nº 2.397, de 21 de dezembro de 1987; (...) § 3º O disposto neste artigo não implicará restituição ex officio de quantia paga.” Fl. 138DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13805.004924/9588 Acórdão n.º 3302002.217 S3C3T2 Fl. 135 9 Em face de consulta feita pela Delegacia da Receita Federal em Joaçaba/SC, na qual se indaga acerca da possibilidade de restituição, aos contribuintes, ou compensação dos valores por eles recolhidos (a maior), em decorrência de majoração da alíquota do FINSOCIAL, quando assim tenham procedido em decorrência de sentenças transitadas em julgado, proferidas em controle difuso de constitucionalidade, favoráveis à União (Fazenda Nacional), e a eles desfavoráveis, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional PGFN emitiu o Parecer PGFN nº 3401, de 31/10/2002, publicado no DOU na pg.005, em 02/01/2003, devidamente aprovado pelo o Ministro de Estado da Fazenda, pelo qual ficou esclarecido que: “1) os pagamentos efetuados relativos a créditos tributários, e os depósitos convertidos em renda da União, em razão de decisões judiciais favoráveis à Fazenda Nacional transitadas em julgado, não são suscetíveis de restituição ou de compensação em decorrência de a norma aplicada vir a ser declarada inconstitucional em eventual julgamento, no controle difuso, em outras ações distintas de interesse de outros contribuintes; 2) a dispensa de constituição do crédito tributário ou a autorização para a sua desconstituição, se já constituído, previstas no art. 18 da Medida Provisória nº 2.17679/2002, convertida na Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, somente alcançam a situação de créditos tributários ainda não extintos pelo pagamento.”(Grifei). DO CASO CONCRETO Diante do histórico legislativo acima posto e tendo em vista que a contribuinte, ora recorrente, anteriormente à autuação, havia acionado o poder judiciário acerca da alíquota do Finsocial a ser utilizado no período de 01 a 13 de março de 1991, mister se faz efetuar análise do que ali foi peticionado e decidido e as conseqüências desse julgado, com o objetivo de se chegar à conclusão acerca da questão aqui sob litígio. Conforme Certidão de efl. 14, a contribuinte impetrou Mandado de Segurança nº 91.0065377 2, ajuizado com o escopo de ser reconhecido o direito de recolher o FINSOCIAL relativa ao período compreendido entre 1° e 13 de março de 1.991, à alíquota de 1,2% (um virgula dois por cento) sobre o faturamento da empresa, afastando, portanto, a cobrança na alíquota de 2% (dois por cento), posto entender que a MP. 279, publicada em 13.12.90, que majorou tal alíquota, não podia ser aplicada àquele período, em virtude de não ter decorrido o prazo constitucional de noventa dias necessários a sua exigência, e, portanto, só teria eficácia a partir do faturamento de 14 de março de 1991. Exatamente em face deste pedido judicial e da causa de pedir é que a DRJ/SP1, por meio do Acórdão ora recorrido, declarou a concomitância sobre esta matéria, deixandoa de analisar e de se pronunciar administrativamente. A decisão de primeira instância judicial (doc. efls. 15 a 17), em 21/02/1992, no mérito, denegou a segurança e cassou a liminar, sob o fundamento de que, nos termos do artigo 14 do Regulamento aprovado pelo Decreto 92.698/86, o períodobase de incidência da contribuição, devida com base na receita bruta, é o do mês em que haja sido auferida, devendo se aplicar a legislação vigente à data da apuração. O FINSOCIAL não é um tributo de incidência diária, mas mensalmente apurado. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 10 A contribuinte apelou da decisão do juízo de 1ª instância por meio dos os autos da Apelação em Mandado de Segurança nº 93.03.15209 –3. A decisão do TRF3 (efls. 75 a 78), julgada em 15/12/1999, manteve a decisão de 1ª instância e, atento ao pedido e causa de pedir, consoante destacou, não declarou a inconstitucionalidade, segundo precedente do STF, para não incorrer em julgamento extra petita, cuja ementa se transcreve a seguir: “EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. FINSOCIAL. MAJORAÇÃO DE ALÍQUOTA PARA 2%. MP 297/90. LIMITE DO PEDIDO E DA CAUSA DE PEDIR. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA DECISÃO DO STF PARA NÃO INCORRER EM JULGAMENTO 'EXTRA PETITA'. FATURAMENTO QUE SE APURA MENSALMENTE. I. A vedação ao julgamento "extra petita" também se aplica quanto a fundamentação do "decisum". II. Pretendendo a impetrante recolher a contribuição denominada FINSOCIAL A alíquota de 1,2% no período de 1 a 13 de março de 1991, sob o fundamento de que a apuração do faturamento é diário e não mensal, não há como se aplicar a decisão do STF., quanto a majoração das alíquotas, posto que há de se ficar adstrito a "causa petendi" e ao próprio pedido. III. Em sendo a apuração do faturamento mensal, a teor dos Artigos 105, 114 e 116 do CTN, inocorre desrespeito ao principio da anterioridade mitigada a incidência da alíquota de 2%, prevista na MP 297/90, a partir de março de 1991. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas. Decide a 3' Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª região, à unanimidade, negar provimento à apelação, nos termos do relatório e voto, que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. São Paulo, 15 de dezembro de 1999. (data do julgamento).” O Desembargador Federal BAPTISTA PEREIRA no julgamento da Apelação n° 93.03.0152093 do referido Mandado de Segurança registra em seu relatório (efl 76) que: “Inconformada, recorre a impetrante, sustentando que não questiona a constitucionalidade da exação ou qualquer legislação concernente ao FINSOCIAL, mas, tãosomente, a majoração da alíquota para 2%, nos treze primeiros dias do mês de março de 1991, posto que sua exigibilidade somente terá eficácia após decorrido o período nonagésimal previsto no Art. 195, §6°, pelo que requer a reforma integral da r. sentença recorrida.”(grifei) O STF, em julgamento do RE 332480, contra o Acórdão proferido pelo o TRF3, negou seguimento ao recurso, fundamentando que a pretensão recursal não merece acolhida, posto que o acórdão recorrido decidiu a questão com base na legislação ordinária (doc. efls.89). Fl. 140DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13805.004924/9588 Acórdão n.º 3302002.217 S3C3T2 Fl. 136 11 Ocorreu o Trânsito em Julgado em 30/11/2009, conforme consta do documento de acompanhamento do processo judicial à efl. 88. Constatase, pois, que para a contribuinte, ora recorrente, não há coisa julgada acerca de controle difuso de constitucionalidade das leis majoradoras de alíquotas de Finsocial, posto que esta matéria não foi por ela submetida, no Mandado de Segurança nº 91.0065377 –2 acima citado, haja vista que o “pedido” e a “causa petendi” são de outra natureza. Tanto é assim, que o desembargador, relator do Acórdão do TRF3, mencionouse impedido de aplicar ao mesmo a decisão de inconstitucionalidade declarada pelo o STF para não incorrer em julgamento “extra petita”, mesmo que fosse quanto à fundamentação do "decisum". Esta constatação afasta a aplicação da conclusão do Parecer PGFN nº 3401, de 31/10/2002 na parte que se refere aos efeitos da Declaração de Inconstitucionalidade do STF, em sede de controle difuso, para os casos em que haja sentença transitada em julgado, favorável à União, proferida em controle difuso de constitucionalidade das leis que majoraram as alíquotas do FINSOCIAL. A DRJ/SP1 reconhece que a impugnação da contribuinte sobre esta matéria é distinta da levada à apreciação do poder judiciário quando assim se manifesta: “20. Ocorre que o contribuinte também discute em sua impugnação outras matérias que não foram levadas à apreciação do Poder Judiciário e deverão ser enfrentadas. 21. 0 contribuinte entende que deveria ser aplicada no cálculo do FINSOCIAL a alíquota de 0,5% conforme posição exarada pelo STF. 22. De fato, atualmente é pacifico o entendimento de que no período em tela a alíquota para fins de cálculo do FINSOCIAL deveria ser de 0,5%”. Não obstante o reconhecimento de tratarse a questão trazida na impugnação de matéria não abordada no Mandado de Segurança citado, a autoridade julgadora de 1ª instância administrativa enuncia uma vinculação àquela levada ao crivo do Poder Judiciário, deixando de efetuar uma análise efetiva dessa matéria sob litígio administrativo, quando assim se manifesta: “23. Ocorre que o contribuinte ao levar ao conhecimento do Poder Judiciário a discussão acerca da alíquota a ser empregada para fins de cálculo do FINSOCIAL, no período de 01/03/91 a 13/03/91, abriu mão de discutila na esfera administrativa, que conforme anteriormente relatado deverá simplesmente obedecer a decisão judicial final”. Constatado, então, que não ocorreu coisa julgada desfavorável à contribuinte no Mandado de Segurança nº 91.0065377 –2 acerca da constitucionalidade das leis que majoraram as alíquotas do FINSOCIAL, haja vista que seu pedido e causa de pedir referese à distinta matéria, cabe verificar a hipótese de aplicação ao caso concreto da regra disposta no Fl. 141DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 12 art. 18, III da Lei nº 10.522/20021, tendo em conta os esclarecimentos prestados pela Procuradoria da Fazenda Nacional mediante o Parecer PGFN nº 3401, de 31/10/2002, devidamente aprovado pelo o Ministro da Fazenda que vincula os Órgãos do Ministério da Fazenda. 2 Em face de o juízo “a quo” ter, em 21/02/1992, no mérito, denegado a segurança e cassado a liminar anteriormente concedido nos autos do Mandado de Segurança nº 91.0065377 2, em 26 de julho de 1995, foi lavrado, contra a NESTLE BRASIL LTDA ATUAL DENOMINAÇÃO DE NESTLE INDUSTRIAL E COMERCIAL LTDA, empresa acima identificada, o Auto de Infração por processo eletrônico, para exigência da diferença da Contribuição, apurada pela alíquota de 2%, devida e não totalmente recolhida aos cofres público, relativa ao Período de Apuração de março de 1991, com a aplicação da multa de oficio e juros de mora, calculados até aquela data. Na época da lavratura do Auto de Infração, em 26 de julho de 1995, não se podia estender os efeitos da declaração de inconstitucionalidade das normas, proferida pelo o STF no RE n° 150.7641/PE, de 16/12/92, no âmbito do controle difuso, posto que não havia sido suspensa a execução da norma inquinada do vício de inconstitucionalidade pelo Senado Federal, e, sendo assim, aquele julgado alcançava apenas as partes litigantes. Portanto, o lançamento foi efetuado com base em legislação vigente, continuando para os demais casos válida e, portanto, obrigatória, e com toda sua capacidade de produzir efeitos no mundo jurídico. Somente com a edição e a publicação da Medida Provisória nº 1.110, de 30/8/95 (D.O.U. de 31.8.1995), reeditada diversas vezes e hoje, Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002 (DOU de 22.7.2002. Conversão da Medida Provisória nº 2.17679, de 2011), é que houve a autorização do Presidente da República do Brasil para dispensar a constituição de créditos da Fazenda Nacional, a inscrição como Dívida Ativa da União, o ajuizamento da respectiva execução fiscal, bem assim cancelar o lançamento e a inscrição, relativamente, entre outros, à contribuição ao Fundo de Investimento Social FINSOCIAL, exigida das empresas exclusivamente vendedoras de mercadorias e mistas, com fundamento no art. 9º da Lei nº 7.689, de 1988, na alíquota superior a zero vírgula cinco por cento, conforme Leis nºs 7.787, de 30 de junho de 1989, 7.894, de 24 de novembro de 1989, e 8.147, de 28 de dezembro de 1990, 1 "Art. 18. Ficam dispensados a constituição de créditos da Fazenda Nacional, a inscrição como Dívida Ativa da União, o ajuizamento da respectiva execução fiscal, bem assim cancelados o lançamento e a inscrição, relativamente: (...) III à contribuição ao Fundo de Investimento SocialFINSOCIAL, exigida das empresas exclusivamente vendedoras de mercadorias e mistas, com fundamento no art. 9º da Lei nº 7.689, de 1988, na alíquota superior a zero vírgula cinco por cento, conforme Leis nºs 7.787, de 30 de junho de 1989, 7.894, de 24 de novembro de 1989, e 8.147, de 28 de dezembro de 1990, acrescida do adicional de zero vírgula um por cento sobre os fatos geradores relativos ao exercício de 1988, nos termos do art. 22 do DecretoLei nº 2.397, de 21 de dezembro de 1987; (...) § 3º O disposto neste artigo não implicará restituição ex officio de quantia paga.” 2 Parecer PGFN nº 3401, de 31/10/2002, publicado no DOU na pg.005, em 02/01/2003, devidamente aprovado pelo o Ministro de Estado da Fazenda 1) os pagamentos efetuados relativos a créditos tributários, e os depósitos convertidos em renda da União, em razão de decisões judiciais favoráveis à Fazenda Nacional transitadas em julgado, não são suscetíveis de restituição ou de compensação em decorrência de a norma aplicada vir a ser declarada inconstitucional em eventual julgamento, no controle difuso, em outras ações distintas de interesse de outros contribuintes; 2) a dispensa de constituição do crédito tributário ou a autorização para a sua desconstituição, se já constituído, previstas no art. 18 da Medida Provisória nº 2.17679/2002, convertida na Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, somente alcançam a situação de créditos tributários ainda não extintos pelo pagamento. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13805.004924/9588 Acórdão n.º 3302002.217 S3C3T2 Fl. 137 13 acrescida do adicional de zero vírgula um por cento sobre os fatos geradores relativos ao exercício de 1988, nos termos do art. 22 do DecretoLei nº 2.397, de 21 de dezembro de 1987. De acordo com os esclarecimentos postos no Parecer PGFN nº 3401, de 31/10/2002, devidamente aprovado pelo o Ministro da Fazenda, esta regra só alcança a situação de créditos tributários ainda não extintos pelo pagamento. Verificase, então, que à época da publicação da Medida Provisória nº 1.110, de 30/8/95 (D.O.U. de 31.8.1995), o valor da diferença do FINSOCIAL objeto de lançamento nos presentes autos, havia tão somente sido parcialmente objeto de depósito judicial. Mas, naquele período, a contribuinte havia efetuado apelação e o seu recurso de apelação encontravase aguardando julgamento no TRF3, que só se deu em 15/12/1999. O trânsito em julgado, como visto, só se deu em 30/11/2009. Não se tem, nos autos, informações sobre a conversão do depósito em renda da união. Portanto, não havia, na data da publicação da mencionada Medida Provisória, pagamento da diferença do FINSOCIAL lançado por meio de Auto de Infração constante desses autos. E, encontrandose ainda o ato administrativo de lançamento destes autos suscetível de revisão administrativa, exatamente em função de litígio acerca da aplicação dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade pelo STF das leis majoradoras de alíquotas do FINSOCIAL, a regra constante do então art. 173 da referida Medida provisória, hoje art. 18 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002 pode e deve ser aplicada ao caso concreto, devendose, em função da aplicação de referida norma, cancelar o lançamento ora sob litígio, posto que efetuado com a utilização de alíquota superior à 0,5%. Neste sentido, por ser oportuno, cabe mencionar que o Desembargador Federal BAPTISTA PEREIRA no julgamento da Apelação n° 93.03.0152093 do referido Mandado de Segurança assim registra em seu voto: “Por sua vez, não se pode olvidar que à atualidade ocorreu a perda de objeto da ação, posto a existência de legislação que desobrigou a Fazenda Pública da cobrança da contribuição denominada FINSOCIAL majorada. Contudo, a solução a ser dada à. demanda, frente aos limites da "causa petendi" e do próprio pedido é a manutenção da r.sentença recorrida Posto isto, a conclusão é no sentido de negar provimento ao apelo. É o voto”.(grifei). 3 Art. 17. Ficam dispensados a constituição de créditos da Fazenda Nacional, a inscrição como Dívida Ativa da União, o ajuizamento da respectiva execução fiscal, bem assim cancelados o lançamento e a inscrição, relativamente: (...) III à contribuição ao Fundo de Investimento Social FINSOCIAL, exigida das empresas comerciais e mistas, com fulcro no artigo 9º da Lei nº 7.689, de 1988, na alíquota superior a 0,5% (meio por cento), conforme Leis nºs 7.787, de 30 de junho de 1989, 7.894, de 24 de novembro de 1989, e 8.147, de 28 de dezembro de 1990; (...). Fl. 143DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 14 A contribuinte, em seu recurso voluntário, ainda se manifesta no sentido de alegar direito à restituição de um crédito suplementar correspondente a 0,7% relativo ao faturamento de 1º a 13 de março de 1991 (diferença entre a alíquota legal de 0,5 e a alíquota efetivamente aplicada de 1,2%); e 1,5% relativo ao faturamento de 14 a 31 de março de 19991 (diferença entre a alíquota legal de 0,5% e a alíquota efetivamente aplicada de 2%). Em face de tal manifestação, cabe registrar que o pedido de restituição tem procedimento próprio, não devendo ser reconhecido nos presentes autos. Entretanto, por ser pertinente, registrese que, em consulta ao sítio do CARF, verificouse que tal pedido de restituição de valores recolhidos à alíquota excedente a 0,5% de FINSOCIAL já foi formulado para o período de set/89 a nov/91, abrangendo, portanto, o período de apuração objeto desse lançamento (março de 1991 ), e reconhecido pela então 1ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes, por meio do Acórdão nº 0131.762 , proferido nos autos do Processo nº 3804.008966/200251, na sessão de 14 de abril de 2005, cuja ementa e dispositivo abaixo se transcreve: “FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. O direito de se pleitear o reconhecimento de .crédito tributário com o conseqüente pedido de restituição/compensação, perante a autoridade administrativa, de tributo pago em virtude de lei que tenha sido declarada inconstitucional, somente surge com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, em ação direta, ou com suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta. Por esta via, o termo a quo para pedido de restituição começa a contar da data da publicação da MP n° 1.110 em 31/10/95 — p.013397, posto que foi o primeiro ato emanado do Poder Executivo a reconhecer o caráter indevido do recolhimento do Finsocial à alíquota superior a 0,5%. PRECEDENTES: AC. CSRF/0304.227, 30131.406, 30131.404 e 30131.321. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, com retorno do processo à DRJ para exame do pedido, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. BrasíliaDF, em 14 de abril de 2005 OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente e Relator” CONCLUSÃO Em face dos fundamentos acima posto, conduzo o meu voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para cancelar o Auto de Infração em sua totalidade, em função da aplicação da regra contida no art. 18, III da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, Fl. 144DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13805.004924/9588 Acórdão n.º 3302002.217 S3C3T2 Fl. 138 15 haja vista tratarse de lançamento de diferença de FINSOCIAL apurada com a utilização de alíquota superior à 0,5%. (assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora Fl. 145DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10735.904437/2009-20
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 21 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.342
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Relatório
Cuidam os autos do Recurso Voluntário (fls. 74/88) contra decisão da 1ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I de fls. 63/66 que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado.
Quanto aos fatos, consta que em 26/07/2007 a contribuinte transmitiu eletronicamente via internet, por meio do Programa PER/DCOMP, a declaração de compensação tributária retificadora nº 18373.26039.260707.1.7.04-6966 (fls. 02/05), onde consta:
a) débito informado (confessado): IRPJ estimativa mensal, código de receita 2362, do PA fevereiro/2006, data de vencimento 31/03/2006, assim especificado na DCOMP:
- principal: R$ 19.200,69;
-multa moratória: R$ 3.840,13;
- juros de mora: R$ 1.096,35 ;
Total: R$ 24.137,17.
b) crédito utilizado: aproveitamento de crédito de R$ 23.069,07 (valor original), referente suposto pagamento indevido ou a maior de IRPJ estimativa mensal, código de receita 2362, do PA março/2006, DARF no valor total de R$ 249.713,63 (valor original), data do recolhimento 28/04/2006 (fl.32). Saldo de suposto crédito (valor original) na data de transmissão da DCOMP R$ 56.278,38.
O despacho decisório da DRF/Nova Iguaçu, de 20/04/2009, não reconheceu o direito creditório pleiteado, não homologando a compensação tributária informada (fls. 06 e 21).
A propósito, transcrevo a fundamentação constante do referido Despacho Decisório eletrônico , in verbis:
(...)
3-FUNDAMENTAÇAO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL
Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 56.278,38. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima Identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP..
(...)
Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada.
(...)
Enquadramento legal: Arts. 165 e 170 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN) e art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005. Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996.
(...)
Inconformada com essa decisão monocrática da qual tomou ciência em 30/04/2009 (fls. 59/60 e 62), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade de fls. 07/17 em 29/05/2009, aduzindo, em suas razões, em síntese:
1) - Preliminar de nulidade do despacho decisório:
- que referido ato administrativo foi proferido em desacordo com o comando previsto no artigo 10, inciso III, do Decreto nº 70.235/72, quanto à narrativa, descrição dos fatos, e fundamentação legal;
- que a motivação é vaga para o não deferimento do direito creditório requerido;
- que, em momento algum, o fisco evidenciou a existência de violação à legislação tributária para a negação do crédito tributário pleiteado;
- que, no caso, o despacho decisório deve ser declarado nulo, uma vez que está eivado de vício formal/cerceamento do direito defesa.
2) No mérito:
- que a DCTF do PA março/2006 foi preenchida incorretamente, quando consigna débito apurado do IRPJ estimativa mensal de R$ 390.877,15 (fls. 27/28); que, diversamente, o débito apurado do IRPJ estimativa mensal desse PA perfaz apenas a quantia de R$ 326.840,18, conforme Ficha 11 Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa com base na receita bruta, DIPJ 2007 (fl. 31);
- que o valor do IRPJ estimativa do PA março/2006 (confessado na DCTF) foi, em parte, quitado por compensação tributária e, outra parte, por pagamento em DARF;
- que, por conseguinte, houve pagamento indevido ou a maior do IRPJ estimativa mensal do PA março/2006, no valor de R$ 64.036,97;
- que parte desse direito creditório utilizou na DCOMP objeto dos autos;
- da plena existência do crédito pleiteado/compensado na DCOMP;
- que juntou cópia do DARF de recolhimento do IRPJ estimativa mensal do PA março/2006, no valor de R$ 249.713,63, data do recolhimento 28/04/2006 (fl.32);
- que, como já dito, houve erro material no preenchimento da DCTF;
- que, com base no princípio da verdade material, faz jus ao direito creditório pleiteado e à homologação da compensação objeto dos autos.
Por fim, a contribuinte protestou genericametne pela produção de todas as provas admitidas em direito para apuração da veracidade dos fatos, mormente provas documentais e diligência fiscal, caso necessário.
Diversamente do entendimento da contribuinte, a DRJ/Rio de Janeiro I, à luz dos fatos e elementos de prova constantes dos autos, julgou a manifestação de inconformidade improcedente, cuja ementa do Acórdão, de 11/08/2011 (fls. 63/66), transcrevo, in verbis:
(...)
ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Ano-calendário: 2006
RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO.
Mantém-se o despacho decisório, se não elididos os fatos que lhe deram causa.
Manifestação de Inconformidade Improcedente
Direito Creditório Não Reconhecido
(...)
Ciente desse decisum em 27/09/2011 (fl. 73), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 27/10/2011 (fls. 74/88) e juntou documentos (fls. 89/117), reiterando:
a) a preliminar de nulidade do despacho decisório;
as razões de mérito já aduzidas na instância a quo;
a existência de erro material no preenchimento da DCTF do PA março/2006;
d) a efetiva existência do direito creditório pleiteado do PA março/2006, mediante juntada de cópia da DCTF, cópia da DIPJ e cópia do DARF;
e) que a retificação da DCTF pode ser efetuada de ofício, nesta instância recursal.
Por fim, em face do exposto, a recorrente pediu a reforma da decisão recorrida.
É o relatório.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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Quanto aos fatos, consta que em 26/07/2007 a contribuinte transmitiu eletronicamente via internet, por meio do Programa PER/DCOMP, a declaração de compensação tributária retificadora nº 18373.26039.260707.1.7.04-6966 (fls. 02/05), onde consta: a) débito informado (confessado): IRPJ estimativa mensal, código de receita 2362, do PA fevereiro/2006, data de vencimento 31/03/2006, assim especificado na DCOMP: - principal: R$ 19.200,69; -multa moratória: R$ 3.840,13; - juros de mora: R$ 1.096,35 ; Total: R$ 24.137,17. b) crédito utilizado: aproveitamento de crédito de R$ 23.069,07 (valor original), referente suposto pagamento indevido ou a maior de IRPJ estimativa mensal, código de receita 2362, do PA março/2006, DARF no valor total de R$ 249.713,63 (valor original), data do recolhimento 28/04/2006 (fl.32). Saldo de suposto crédito (valor original) na data de transmissão da DCOMP R$ 56.278,38. O despacho decisório da DRF/Nova Iguaçu, de 20/04/2009, não reconheceu o direito creditório pleiteado, não homologando a compensação tributária informada (fls. 06 e 21). A propósito, transcrevo a fundamentação constante do referido Despacho Decisório eletrônico , in verbis: (...) 3-FUNDAMENTAÇAO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 56.278,38. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima Identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. (...) Enquadramento legal: Arts. 165 e 170 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN) e art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005. Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (...) Inconformada com essa decisão monocrática da qual tomou ciência em 30/04/2009 (fls. 59/60 e 62), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade de fls. 07/17 em 29/05/2009, aduzindo, em suas razões, em síntese: 1) - Preliminar de nulidade do despacho decisório: - que referido ato administrativo foi proferido em desacordo com o comando previsto no artigo 10, inciso III, do Decreto nº 70.235/72, quanto à narrativa, descrição dos fatos, e fundamentação legal; - que a motivação é vaga para o não deferimento do direito creditório requerido; - que, em momento algum, o fisco evidenciou a existência de violação à legislação tributária para a negação do crédito tributário pleiteado; - que, no caso, o despacho decisório deve ser declarado nulo, uma vez que está eivado de vício formal/cerceamento do direito defesa. 2) No mérito: - que a DCTF do PA março/2006 foi preenchida incorretamente, quando consigna débito apurado do IRPJ estimativa mensal de R$ 390.877,15 (fls. 27/28); que, diversamente, o débito apurado do IRPJ estimativa mensal desse PA perfaz apenas a quantia de R$ 326.840,18, conforme Ficha 11 Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa com base na receita bruta, DIPJ 2007 (fl. 31); - que o valor do IRPJ estimativa do PA março/2006 (confessado na DCTF) foi, em parte, quitado por compensação tributária e, outra parte, por pagamento em DARF; - que, por conseguinte, houve pagamento indevido ou a maior do IRPJ estimativa mensal do PA março/2006, no valor de R$ 64.036,97; - que parte desse direito creditório utilizou na DCOMP objeto dos autos; - da plena existência do crédito pleiteado/compensado na DCOMP; - que juntou cópia do DARF de recolhimento do IRPJ estimativa mensal do PA março/2006, no valor de R$ 249.713,63, data do recolhimento 28/04/2006 (fl.32); - que, como já dito, houve erro material no preenchimento da DCTF; - que, com base no princípio da verdade material, faz jus ao direito creditório pleiteado e à homologação da compensação objeto dos autos. Por fim, a contribuinte protestou genericametne pela produção de todas as provas admitidas em direito para apuração da veracidade dos fatos, mormente provas documentais e diligência fiscal, caso necessário. Diversamente do entendimento da contribuinte, a DRJ/Rio de Janeiro I, à luz dos fatos e elementos de prova constantes dos autos, julgou a manifestação de inconformidade improcedente, cuja ementa do Acórdão, de 11/08/2011 (fls. 63/66), transcrevo, in verbis: (...) ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Ano-calendário: 2006 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. Mantém-se o despacho decisório, se não elididos os fatos que lhe deram causa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Ciente desse decisum em 27/09/2011 (fl. 73), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 27/10/2011 (fls. 74/88) e juntou documentos (fls. 89/117), reiterando: a) a preliminar de nulidade do despacho decisório; as razões de mérito já aduzidas na instância a quo; a existência de erro material no preenchimento da DCTF do PA março/2006; d) a efetiva existência do direito creditório pleiteado do PA março/2006, mediante juntada de cópia da DCTF, cópia da DIPJ e cópia do DARF; e) que a retificação da DCTF pode ser efetuada de ofício, nesta instância recursal. Por fim, em face do exposto, a recorrente pediu a reforma da decisão recorrida. É o relatório.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 35 .9 04 43 7/ 20 09 -2 0 Fl. 120DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10735.904437/200920 Resolução nº 1802000.342 S1TE02 Fl. 121 2 Relatório Cuidam os autos do Recurso Voluntário (fls. 74/88) contra decisão da 1ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I de fls. 63/66 que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Quanto aos fatos, consta que em 26/07/2007 a contribuinte transmitiu eletronicamente via internet, por meio do Programa PER/DCOMP, a declaração de compensação tributária retificadora nº 18373.26039.260707.1.7.046966 (fls. 02/05), onde consta: a) débito informado (confessado): IRPJ estimativa mensal, código de receita 2362, do PA fevereiro/2006, data de vencimento 31/03/2006, assim especificado na DCOMP: principal: R$ 19.200,69; multa moratória: R$ 3.840,13; juros de mora: R$ 1.096,35 ; Total: R$ 24.137,17. b) crédito utilizado: aproveitamento de crédito de R$ 23.069,07 (valor original), referente suposto pagamento indevido ou a maior de IRPJ estimativa mensal, código de receita 2362, do PA março/2006, DARF no valor total de R$ 249.713,63 (valor original), data do recolhimento 28/04/2006 (fl.32). Saldo de suposto crédito (valor original) na data de transmissão da DCOMP R$ 56.278,38. O despacho decisório da DRF/Nova Iguaçu, de 20/04/2009, não reconheceu o direito creditório pleiteado, não homologando a compensação tributária informada (fls. 06 e 21). A propósito, transcrevo a fundamentação constante do referido Despacho Decisório eletrônico , in verbis: (...) 3FUNDAMENTAÇAO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 56.278,38. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima Identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10735.904437/200920 Resolução nº 1802000.342 S1TE02 Fl. 122 3 (...) Enquadramento legal: Arts. 165 e 170 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN) e art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005. Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (...) Inconformada com essa decisão monocrática da qual tomou ciência em 30/04/2009 (fls. 59/60 e 62), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade de fls. 07/17 em 29/05/2009, aduzindo, em suas razões, em síntese: 1) Preliminar de nulidade do despacho decisório: que referido ato administrativo foi proferido em desacordo com o comando previsto no artigo 10, inciso III, do Decreto nº 70.235/72, quanto à narrativa, descrição dos fatos, e fundamentação legal; que a motivação é vaga para o não deferimento do direito creditório requerido; que, em momento algum, o fisco evidenciou a existência de violação à legislação tributária para a negação do crédito tributário pleiteado; que, no caso, o despacho decisório deve ser declarado nulo, uma vez que está eivado de vício formal/cerceamento do direito defesa. 2) – No mérito: que a DCTF do PA março/2006 foi preenchida incorretamente, quando consigna débito apurado do IRPJ estimativa mensal de R$ 390.877,15 (fls. 27/28); que, diversamente, o débito apurado do IRPJ estimativa mensal desse PA perfaz apenas a quantia de R$ 326.840,18, conforme Ficha 11 – Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa – com base na receita bruta, DIPJ 2007 (fl. 31); que o valor do IRPJ estimativa do PA março/2006 (confessado na DCTF) foi, em parte, quitado por compensação tributária e, outra parte, por pagamento em DARF; que, por conseguinte, houve pagamento indevido ou a maior do IRPJ estimativa mensal do PA março/2006, no valor de R$ 64.036,97; que parte desse direito creditório utilizou na DCOMP objeto dos autos; da plena existência do crédito pleiteado/compensado na DCOMP; que juntou cópia do DARF de recolhimento do IRPJ estimativa mensal do PA março/2006, no valor de R$ 249.713,63, data do recolhimento 28/04/2006 (fl.32); que, como já dito, houve erro material no preenchimento da DCTF; que, com base no princípio da verdade material, faz jus ao direito creditório pleiteado e à homologação da compensação objeto dos autos. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10735.904437/200920 Resolução nº 1802000.342 S1TE02 Fl. 123 4 Por fim, a contribuinte protestou genericametne pela produção de todas as provas admitidas em direito para apuração da veracidade dos fatos, mormente provas documentais e diligência fiscal, caso necessário. Diversamente do entendimento da contribuinte, a DRJ/Rio de Janeiro I, à luz dos fatos e elementos de prova constantes dos autos, julgou a manifestação de inconformidade improcedente, cuja ementa do Acórdão, de 11/08/2011 (fls. 63/66), transcrevo, in verbis: (...) ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2006 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. Mantémse o despacho decisório, se não elididos os fatos que lhe deram causa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Ciente desse decisum em 27/09/2011 (fl. 73), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 27/10/2011 (fls. 74/88) e juntou documentos (fls. 89/117), reiterando: a) a preliminar de nulidade do despacho decisório; b) as razões de mérito já aduzidas na instância a quo; c) a existência de erro material no preenchimento da DCTF do PA março/2006; d) a efetiva existência do direito creditório pleiteado do PA março/2006, mediante juntada de cópia da DCTF, cópia da DIPJ e cópia do DARF; e) que a retificação da DCTF pode ser efetuada de ofício, nesta instância recursal. Por fim, em face do exposto, a recorrente pediu a reforma da decisão recorrida. É o relatório. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10735.904437/200920 Resolução nº 1802000.342 S1TE02 Fl. 124 5 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Portanto, conheço do recurso. Conforme relatado, os autos tratam de compensação tribtutária. No caso, a recorrente efetuou compensação tributária, sob condição resolutória, do débito informado na DCOMP, com utilização de pretenso crédito do IRPJ estimativa mensal do P.A março/2006, conforme DCOMP retificadora transmitida eletronicamente em 26/07/2007, mediante programa gerador PER/DCOMP (fls.02/05). Entretanto, a decisão recorrida, na mesma esteira do despacho decisório, não reconheceu o direito creditório utilizado/pleiteado, deixando de homologar a compensação tributária, ante a inexistência de pagamento indevido ou maior do IRPJ estimativa mensal do P.A. março/2006. Nesta instância recursal, a recorrente rebelase contra a decisão recorrida, argumentando que o crédito pleiteado existe, aduzindo: que o valor principal do débito do IRPJ estimativa mensal do P.A março/2006, confessado na respectiva DCTF, está equivocado; que houve erro material no preenchimento da DCTF; que o débito correto é o informado na DIPJ respectiva, e não o valor constante da DCTF; que não houve retificação da DCTF para ajustar o valor débito, para coincidir com o valor informado na DIPJ, pois o erro material foi constatado após ciência do despacho decisório, o qual impede transmissão eletrônica de DCTF retificadora, pela perda de espontaneidade. Compulsando os autos, consta que atinente ao P.A março/2006, houve os seguintes desdobramentos: a) a contribuinte confessou débito do IRPJ estimativa mensal no valor de R$ 390.877,15, conforme DCTF transmitida eletronicamente em 30/07/2008, cuja cópia consta das fls.27/28; b) que esse débito confessado na DCTF teria sido adimplido do seguinte modo: b1) pagamento por DARF no valor de R$ 249.713,63, data de recolhimento 28/04/2006, cópia do DARF (fl. 32); b2) – outras compensações no valor de R$ 141.163,52, mediante utilização de crédito do IPI (DComp: 09231.74003.270406.1.3.018112 e DComp: 07398.18112.270406.1.3.015150) – informação constante da cópia da DCTF (fls. 28/29); Fl. 124DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10735.904437/200920 Resolução nº 1802000.342 S1TE02 Fl. 125 6 c) que, entretanto, o débito apurado e informado na DIPJ, quanto ao PA março/2006, seria menor, em relação débito informado na DCTF, quanto ao mesmo PA. Vale dizer, a contribuinte informou débito do IRPJ estimativa mensal, P.A. março 2006, no valor de R$ 326.840,18, na DIPJ 2007, anocalendário 2006, Ficha 11 – Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa, com base na receita bruta e acréscimos (fl. 31), transmitida eletronicamente em 29/06/2007, conforme recibo de entrega (fl. 29); d) que, quanto ao PA março/2006, teria adimplido IRPJ estimativa mensal a maior, ou indevidamente, no valor de R$ 64.036,97 (original) e que, desse valor, utilizou parcela de crédito original de R$ 23.069,07 para compensar débito informado na compensação objeto destes autos. Ainda, constato pela cópia da DIPJ que, em princípio, a contribuinte não alterou critério de apuração do IRPJ estimativa mensal de receita bruta e acréscimos para balancete de suspenção/redução. Então, em tese é plausível a alegação de erro material quanto ao débito informado na DCTF. Além do mais, a DCTF foi transmitida eletronicamente, praticamente, 01 (um) ano após a entrega da DIPJ, o que reforça a tese do erro material, quanto ao real valor do débito. No âmbito da DRF/Nova Iguaçu, não houve intimação da contribuinte para comprovação, à luz da escrituração contábil e respectivos documentos de suporte idôneos dos registros contábeis, a apuração do IRPJ do PA março/2006 e dos demais meses desse ano calendário, para que houvesse esclarecimento cabal, se houve, ou não, erro material no preenchimento da DCTF. Simplemente a unidade de origem da RFB emitiu despacho decisório do qual consta que o direito creditório demandado é inexistente, pois os valores adimplidos foram consumidos pelo respectivo débito confessado na DCTF, não restando crédito disponível. Na decisão recorrida, consta que a DRJ/Rio de Janeiro I, embora a contribuinte tivesse pleiteada a realização de diligência, entendeu não ser cabível, conforme fundamentação constante do voto condutor (fls. fls. 64/65), in verbis: (...) Quanto ao protesto final pela produção de prova, cabe observar que o inciso III, do artigo 16, do Decreto 70.235/1972, com redação do artigo 1°, da Lei 8.748/1993, determina que a defesa apresentada deve necessariamente mencionar "os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir”. O artigo aduz, ainda, em seu § 4°, acrescentado pela Lei 9.532/1997, que a prova documental deve ser apresentada juntamente com a peça de defesa, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrado motivo de força maior, se refira a fato ou a direito superveniente, ou se contraponha a razões ou a fatos trazidos aos autos posteriormente. Desta forma, é ônus do interessado juntar aos autos os elementos de prova que possui, não podendo dele se eximir mediante protesto final pela produção de prova. A teor do art. 170 do Código Tributário NacionalCTN (Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966), na compensação tributária, o direito Fl. 125DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10735.904437/200920 Resolução nº 1802000.342 S1TE02 Fl. 126 7 creditório alegado deve preencher dois requisitos: o da liquidez, concernente ao aspecto do montante do crédito; e o da certeza, que diz respeito à prova incontestável do direito alegado. (...) O legislador foi inequívoco: a compensação é efetuada mediante a entrega de declaração de compensação, na qual cabe ao declarante prestar as informações do crédito de que, comprovadamente, declara ser titular, e, também, as informações do débito que, lastreado em documentos e registros contábeis idôneos, apurou. As informações prestadas em Dcomp devem corresponder àquelas que o declarante/fonte já havia prestado a esta Secretaria em outros documentos (darf, DCTF, DIPJ, DIRF, etc). A DRF, ao confrontar as informações prestadas no PER/DCOMP com as existentes nos sistemas da RFB, verificou que o DARF discriminado no PER/DCOMP foi integralmente utilizado para quitação de débitos do interessado, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Na manifestação de inconformidade, o interessado alega que a real situação foi demonstrada na DIPJ (doc. 4), efetivando assim seu direito creditório. A DIPJ, desde o anocalendário de 1999, tem caráter meramente informativo, isto é, as informações nela prestadas não configuram confissão de divida a Instrução Normativa n° 127, de 30 de outubro de 1998, que extinguiu, em seu art. 6º, inciso I, a DIRPJ — Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica e instituiu, em seu art. 1º, a DIPJ —Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica, deixou de fazer referência confissão de tributos ou contribuições a pagar. Por sua vez, a DCTF — Declaração de Contribuições e Tributos Federais, instituída pela Instrução Normativa SRF n° 129/1986, sempre foi destinada a tal fim.. A DCTF, sendo confissão de dívida, tem o condão de constituir, formalmente, o crédito tributário, materializandoo. O darf foi alocado conforme DCTF. A DCTF juntada pelo próprio interessado, às fls. 27/28, confirma a alocação apontada no Despacho Decisório. Eventual retificação da DCTF, após o Despacho Decisório, não produz efeito. O Despacho Decisório recorrido deve, então, ser mantido, por não terem sido elididos os fatos que lhe deram causa. (...) Fl. 126DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10735.904437/200920 Resolução nº 1802000.342 S1TE02 Fl. 127 8 Pelo entendimento exarado na decisão recorrida, existindo divergência entre DCTF e DIPJ quanto ao débito apurado e informado, prevalece aquela e não está, pois somente a DCTF tem caratér de confissão de dívida. Esse entendimento não merece prosperar Embora a DCTF seja o instrumento por excelência para confissão de débito tributário (mas, não sendo o único!), não tem caráter absoluto essa confissão, se houver prova irrefutável de erro material e antes de prescrito o direito de repetição do indébito tributário. A decisão recorrida refutou o protesto de produção de todas as provas admitidas em direito, fundamentada no entendimento de que as provas deveriam ter sido juntadas aos autos junto com a impugnação e não o foram; que a faculdade processual restou preclusa; que a contribuinte é autora do pedido de direito creditório contra o fisco; que no processo de compensação tributária, o ônus probatório do fato constitutivo do direito de crédito contra o fisco é do autor do pedido do crédito. Mas, tanto o despacho decisório, quanto a decisão recorrida, pecam por falta de indicação à contribuinte acerca do elemento de prova necessário para a comprovação do crédito pleiteado, ante o alegado erro material de preenchimento da DCTF. Em momento algum nos autos o fisco solicitou à contribuinte a verificação da escrituração contábil, ou seja, a juntada de prova da escrituração contábil, para dirimir a dúvida sem houve, ou não, erro material no preenchimento da DCTF. As cópias da DCTF, da DIPJ e do DARF, sem a apresentação, juntada, da respectiva escrituração contábil, não têm o condão de comprovar o direito creditório pleiteado, pois é necessário cotejar, confrontar, a escrituração contábil e a escrituração fiscal, para demonstração do alegado erro material. Embora no processo de compensação tributária o ônus probatório do fato constitutivo do direito (da liquidez e certeza do crédito demandado) seja da contribuinte, pois é a autora da demanda nos termos do art. 333, I, do Código de Processo Civil Brasileiro e do art. 170 do Código Tributário Nacional, entendo que esse rigor probatório deve ser mitigado, com base no princípio da verdade material, pois a unidade de origem da Receita Federal (DRF/Nova Iguaçu), bem como a DRF/Rio de Janeiro I, deixaram de intimar a contribuinte para apresentação da escrituração contábil e respectivos documentos idôneos de suporte dos registros contábeis. Como visto, a instrução processual dos autos está incompleta, não permitindo a formação de convicção do julgador quanto ao direito creditório demandado. Além disso, se restar comprovado o alegado erro material na DCTF, é cabível a restituição ou devolução/aproveitamento do excesso do pagamento mensal por antecipação do referido período de apuração (não relacionado com a receita bruta ou com balancete de suspensão ou redução) sem necessidade de leválo para o ajuste anual ou para compor o saldo negativo, em face da revogação do art. 10, 2ª parte, da IN SRF 600/2005 pelo art. 11 da IN RFB 900/2008. Esse ato normativo tem efeito ou aplicação retroativa. Nesse sentido, é o entendimento do CARF, conforme Súmula CARF nº 84, in verbis: Fl. 127DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10735.904437/200920 Resolução nº 1802000.342 S1TE02 Fl. 128 9 Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Em face disso, justamente para afastar eventual prejuízo à defesa (aos princípios do contraditório e da ampla defesa), propugno pela conversão do julgamento em diligência, para que a unidade de origem da RFB, no caso a DRF/Nova Iguaçu, à luz da escrituração contábil da contribuinte, apure: a) se houve erro material no preenchimento da DCTF quanto ao valor do débito do IRPJ estimativa mensal do PA março/2006; b) se as DCOMP nºs 09231.74003.270406.1.3.018112 e 07398.18112.270406.1.3.015150) foram homologadas, ou não ( fls. 28/29); c) se houve adimplemento a maior ou indevido do IRPJ estimativa mensal do PA março/2006 e se o valor foi levado, ou não, para a declaração de ajuste desse ano calendário (se foi computado em eventual apuração de saldo de imposto a pagar ou a restituir); d) se o crédito pleiteado está disponível para efetuar a compensação objeto dos autos. No término da diligência fiscal, a unidade de origem da RFB (DRF/Nova Iguaçu) deverá elaborar relatório circunstânciado com resultado conclusivo, devidamente fundamentado e demonstrado, quanto ao crédito demandado. Do resultado da diligência, a contribuinte deverá ser intimada para apresentação de manifestação nos autos, se quiser, no prazo de trinta dias da sua ciência. Transcorrido o lapso temporal, retornem aos autos ao CARF, para julgamento da lide. Por tudo que foi exposto, voto para converter o julgamento em diligência, conforme proposto. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 128DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por NELSO KICHEL
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