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Numero do processo: 10805.003553/2007-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2006
NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. FALTA DE VINCULAÇÃO DOS PROCESSOS. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO AO DIREITO DE DEFESA.
Embora a vinculação dos processos principais e acessórios seja a medida mais acertada para propiciar segurança jurídica e para trazer celeridade processual, fato é que o julgamento em apartado não trouxe qualquer prejuízo ao direito de defesa da recorrente.
OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART. 173, INC. I, DO CTN.
1. A presente autuação decorre de uma multa num valor pré-fixado, independentemente do montante do tributo devido, de forma que a decadência de parte das obrigações principais nela não repercute.
2. O prazo decadencial para constituição de obrigações tributárias acessórias é de cinco anos e deve ser contado nos termos do art. 173, inciso I, do CTN, vez que, nesta hipótese, não há pagamento a ser homologado pela Fazenda Pública.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESULTADO DO JULGAMENTO DO PROCESSO RELATIVO À OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. APLICAÇÃO. RICARF.
1. A fim de evitar decisões conflitantes e de propiciar a celeridade dos julgamentos, o Regimento Interno deste Conselho (RICARF) preleciona que os processos podem ser vinculados por conexão, decorrência ou reflexo.
2. Dentro desse espírito condutor, deve ser replicado ao presente julgamento, relativo ao descumprimento de obrigação acessória, o resultado do julgamento dos processo atinente ao descumprimento da obrigação tributária principal, que se constituem em questão antecedente ao dever instrumental.
Numero da decisão: 2402-006.520
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2006 NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. FALTA DE VINCULAÇÃO DOS PROCESSOS. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO AO DIREITO DE DEFESA. Embora a vinculação dos processos principais e acessórios seja a medida mais acertada para propiciar segurança jurídica e para trazer celeridade processual, fato é que o julgamento em apartado não trouxe qualquer prejuízo ao direito de defesa da recorrente. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART. 173, INC. I, DO CTN. 1. A presente autuação decorre de uma multa num valor pré-fixado, independentemente do montante do tributo devido, de forma que a decadência de parte das obrigações principais nela não repercute. 2. O prazo decadencial para constituição de obrigações tributárias acessórias é de cinco anos e deve ser contado nos termos do art. 173, inciso I, do CTN, vez que, nesta hipótese, não há pagamento a ser homologado pela Fazenda Pública. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESULTADO DO JULGAMENTO DO PROCESSO RELATIVO À OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. APLICAÇÃO. RICARF. 1. A fim de evitar decisões conflitantes e de propiciar a celeridade dos julgamentos, o Regimento Interno deste Conselho (RICARF) preleciona que os processos podem ser vinculados por conexão, decorrência ou reflexo. 2. Dentro desse espírito condutor, deve ser replicado ao presente julgamento, relativo ao descumprimento de obrigação acessória, o resultado do julgamento dos processo atinente ao descumprimento da obrigação tributária principal, que se constituem em questão antecedente ao dever instrumental.
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FALTA DE VINCULAÇÃO DOS PROCESSOS. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO AO DIREITO DE DEFESA. Embora a vinculação dos processos principais e acessórios seja a medida mais acertada para propiciar segurança jurídica e para trazer celeridade processual, fato é que o julgamento em apartado não trouxe qualquer prejuízo ao direito de defesa da recorrente. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART. 173, INC. I, DO CTN. 1. A presente autuação decorre de uma multa num valor préfixado, independentemente do montante do tributo devido, de forma que a decadência de parte das obrigações principais nela não repercute. 2. O prazo decadencial para constituição de obrigações tributárias acessórias é de cinco anos e deve ser contado nos termos do art. 173, inciso I, do CTN, vez que, nesta hipótese, não há pagamento a ser homologado pela Fazenda Pública. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESULTADO DO JULGAMENTO DO PROCESSO RELATIVO À OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. APLICAÇÃO. RICARF. 1. A fim de evitar decisões conflitantes e de propiciar a celeridade dos julgamentos, o Regimento Interno deste Conselho (RICARF) preleciona que os processos podem ser vinculados por conexão, decorrência ou reflexo. 2. Dentro desse espírito condutor, deve ser replicado ao presente julgamento, relativo ao descumprimento de obrigação acessória, o resultado do julgamento dos processo atinente ao descumprimento da obrigação tributária principal, que se constituem em questão antecedente ao dever instrumental. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 00 35 53 /2 00 7- 97 Fl. 2280DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório A DRJ/CPS fez um relato preciso do lançamento, da impugnação e dos demais incidentes ocorridos neste processo, o qual passa a integrar, em parte, o presente relatório: Tratase de Auto de Infração lavrado em razão da constatação de que o contribuinte deixou de contabilizar, de forma discriminada e em títulos próprios, fatos geradores de contribuições previdenciárias. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fls. 17/39): • Os pagamentos, considerados fatos geradores de contribuições previdenciárias, não contabilizados de forma discriminada, em títulos próprios, foram os pagamentos realizados a segurados, contribuinte individuais (sem vinculo empregatício, portanto). • Foram examinados os seguintes documentos: [...] • Enumera diversas campanhas de incentivo: "falou ganhou", "cliente misterioso Vectra", "Campanha vida", etc. [...] Fl. 2281DF CARF MF Processo nº 10805.003553/200797 Acórdão n.º 2402006.520 S2C4T2 Fl. 3 3 • A contratação do programa de incentivo tinha como objetivo "o incremento de vendas de veículos e peças comercializadas pela GMB". • Os pagamentos, na forma de "cartões de incentivo" (cartões de crédito com carga/valores préestabelecidos) eram realizados aos empregados das empresas concessionárias, por meio de prestadora de serviços de marketing, que realizava o faturamento e repasse, indicando os nomes dos ganhadores, nas respectivas campanhas de vendas. • Em face da inexistência de vinculo empregatício entre os beneficiários dos prêmios e o contribuinte, os prestadores de serviços foram considerados como "contribuintes individuais" ("autônomos", em relação ao contribuinte, para o qual considerouse que foram prestados serviços de "divulgação e promoção"). • Consta que "A empresa foi autuada pelo mesmo motivo com relação ao período de 05/1996 a 05/2004, Auto de Infração DEBCAD n° 35.753.178 7, lavrado em 12/07/2005, baixado em 18/01/2006 em virtude do pagamento e conseqüente extinção do crédito". • Na mesma auditoria fiscal foram, ainda, lavrados os seguintes Autos de Infrações e Notificações Fiscais de Lançamento de Débito: i) AI 37.017.1985 — Falta de preparo de folhas de pagamento de acordos com padrões e normas estabelecidas pela Previdência Social. ii) AI 37.017.2000 — Falta de declaração em GFIP de todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. iii) NFLD 37.017.2019 — Cobrança de contribuições previdenciárias sobre pagamentos realizados a contribuintes individuais. [...] 0 contribuinte apresenta, então, sua impugnação [...], alegando, em síntese, que: • Os programas de "marketing de incentivo" foram "todos efetivados pela empresa Salles Adan & Associados Marketing de Incentivo S/C Ltda, subcontratada pelas três agências acima referidas — (programas estes que) consistiram na concessão de prêmios a empregados das concessionárias Chevrolet ao redor do Brasil, com o fim de motiválos a exercer o mais perfeitamente possível as suas próprias funções (para as quais foram contratados pelas concessionárias), de forma a aumentar a venda de produtos estratégicos para a Impugnante". • Os prêmios a que faziam jus os empregados das concessionárias eram "apontados" pela empresa de marketing Fl. 2282DF CARF MF 4 de incentivo, prêmios estes pagos pela impugnante, com base nas notas fiscais emitidas pelas prestadoras de serviços. • Sustenta, então, que não realizava pagamentos diretos a seus próprios empregados, e que "o equivoco da fiscalização está em supor que tais pessoas, no âmbito das campanhas de marketing de incentivo, prestavam serviços a Impugnante, quando a verdade é que esta — com o objetivo de incrementar suas vendas — premiouos pelo bom desempenho das suas funções próprias, para as quais foram contratados e pelas quais são remunerados pelas concessionárias". E, conclui, assim que, "o desacerto dessa premissa leva à total improcedência da NFLD, bem como, por conseqüência, da multa decorrente do descumprimento de obrigação acessória consubstanciado no presente Auto de Infração". • Requer que "A bem da celeridade e da economia processuais ... que o presente Auto de Infração seja reunido, para julgamento único, a Notificação Fiscal de Lançamentos de Débitos e ao Auto de Infração ...". • Argumenta que parte do crédito lançado (competências entre janeiro e outubro de 2002) teria sido atingida pela decadência, em face da aplicação da regras do § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional CTN (Lei 5.172, de 25/10/66). • Retoma os argumentos relativos à suposta inocorrência de fatos geradores de contribuições previdenciárias, em relação ao pagamento pela impugnante de prêmios aos empregados das concessionárias e declara que "é certo que a boa performance dos funcionários de suas concessionárias interessa ao Impugnante, tanto assim que esta premia. Isso não autoriza, todavia, a conclusão de que é ela a contratante, a destinatária, da atuação daqueles". • E mais, que "a Impugnante não pode demitir e sequer repreender os empregados pouco produtivos de suas concessionárias e que tampouco seleciona, com poderes para eleger ou recusar, aqueles a quem farei os pagamentos, faculdades que seriam inafastáveis se a prestação de serviço se tratasse, ainda que de cunho eventual". Não seria possível, então, considerar que tenha ocorrido o fato gerador previsto no inciso III do art. 22 da Lei n°. 8.212, de 24/07/1991, ao qual "acresce um argumento de índole legal, ancorado no 5S' 20 do art. 22 da Lei n°. 8.212, de 24/07/1991". • Acentua o caráter de eventualidade e também o caráter da condicionalidade dos prêmios, por exclusiva iniciativa da impugnante e de seus interesses. • Passa, então, a destacar os requisitos legais que autorizariam que "prêmioprodução", "prêmioassiduidade", "prêmio produtividade" integrem a remuneração dos segurados empregados, para o que transcreve julgados diversos. [...] A DRJ/CPS julgou a impugnação improcedente, conforme decisão assim ementada: Fl. 2283DF CARF MF Processo nº 10805.003553/200797 Acórdão n.º 2402006.520 S2C4T2 Fl. 4 5 AUTO DE INFRAÇÃO. CONTABILIZAÇÃO DE FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS, DE FORMA DISCRIMINADA. MARKETING DE INCENTIVO. DECADÊNCIA. JUÍZO DE ILEGALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DA INSTANCIA ADMINISTRATIVA. REUNIÃO DE PROCESSOS. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Marketing de incentivo. Empregados de concessionárias de veículos automotores que prestam serviços A montadora, na divulgação de campanhas publicitárias. Caracterização de prestação de serviços por "autônomos". Incidência de contribuições previdenciárias. Contabilização. Fatos geradores de contribuições previdenciárias devem ser contabilizados em títulos próprios. Decadência. Falta de competência do juízo administrativo para apreciar a legalidade/constitucionalidade na norma. Reunião de processos. Processos relativos a lançamentos de contribuições previdenciárias têm natureza e peculiaridades próprias, além de possibilidades de trâmites e desfechos distintos, o que recomenda lavraturas em separado. Falta de previsão legal para a junção. A contribuinte foi intimada da decisão em 04 de abril de 2008, através de aviso de recebimento, e interpôs seu recurso voluntário em 06 de maio daquele mesmo ano, no qual reiterou os mesmos fundamentos de sua impugnação e acrescentou que a decisão recorrida seria nula, pois ela não poderia ter sido exarada antes do julgamento do processo principal. Em 19 de setembro de 2012, o CARF resolveu converter o julgamento do recurso em diligência, para reconhecer a conexão e determinar o apensamento dos processos. Intimada, a contribuinte não apresentou manifestação. Sem contrarrazões ou manifestação pela PGFN. É o relatório. Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 Da nulidade da decisão recorrida Preliminarmente, o sujeito passivo assevera que a decisão recorrida seria nula, pois ela não poderia ter sido exarada antes do julgamento do processo principal. Fl. 2284DF CARF MF 6 A preliminar deve ser rejeitada, pois embora a reunião dos processos principais e acessórios seja a medida mais acertada para propiciar segurança jurídica e para trazer celeridade processual, fato é que o julgamento em apartado não trouxe qualquer prejuízo ao direito de defesa da recorrente. A recorrente, ademais, sequer indicou, tampouco demonstrou, como o seu direito teria sido cerceado ou obstaculizado. Somente há nulidade quando o descumprimento de uma regra legal ou infra legal cause prejuízo ao direito de defesa do administrado. O sujeito passivo tem todo o direito de saber os fatos contra si imputados e as provas nos quais ele se alicerçam. Todos os atos e termos devem ser lavrados por pessoa competente, e os despachos e as decisões devem ser devidamente fundamentados, e de forma alguma pode, por qualquer via, ser preterido o direito de defesa da parte autuada. Expressandose de outra forma, e apoiandose na inexcedível doutrina do professor Leandro Paulsen, "a nulidade não decorre propriamente do descumprimento do requisito formal, mas dos seus efeitos comprometedores do direito de defesa assegurado constitucionalmente"1, já que as formalidades "não são um fim, em si mesmas, mas um instrumento para assegurar o exercício da ampla defesa"2. Neste caso concreto, a recorrente não indicou e nem demonstrou ter sofrido prejuízo ao seu direito de defesa, devendo ser rejeitada a preliminar. Ademais, os julgamentos não foram conflitantes e não houve qualquer ofensa ao princípio da segurança jurídica. Quanto ao pedido sucessivo de vinculação dos processos para julgamento em conjunto, ele já foi atendido através da Resolução mencionada no relatório desta decisão, inclusive a decisão a ser exarada, no entender deste relator, deve ser a mesma proferida no PAF principal, como adiante se verá. Apenas a matéria distinta deste PAF será julgada de forma apartada, mais precisamente a decadência. 3 Da decadência Neste tocante, a recorrente reafirma a decadência de parte do lançamento, tendo em vista a decadência de parte dos créditos exigidos na NFLD 37.017.2019, que integram o PAF principal. Em primeiro lugar, contudo, a presente autuação decorre de uma multa num valor préfixado, independentemente do montante do tributo devido, de forma que a decadência de parte das obrigações principais nela não repercute. Por outro lado, o prazo decadencial para constituir obrigações acessórias é contado na forma do inc. I do art. 173 do CTN (do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado). Nesta hipótese, não há pagamento a ser homologado pelo Fisco, sendo inaplicável o disposto no § 4º do art. 150. Eis o entendimento deste Colegiado a respeito da matéria: DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE 08 DO STF. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. APLICAÇÃO ART. 173, I, CTN. De acordo com a Súmula Vinculante 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as 1 PAULSEN, Leandro. Direito tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 10. ed. rev. atual. Porto Alegre: Livraria do Advogado; ESMAFE, 2008, p. 133. 2 PAULSEN, Leandro. Obra citada, p. 133. Fl. 2285DF CARF MF Processo nº 10805.003553/200797 Acórdão n.º 2402006.520 S2C4T2 Fl. 5 7 disposições do Código Tributário Nacional (CTN). Sujeitamse ao regime referido no art. 173 do CTN os procedimentos administrativos de constituição de créditos tributários decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias, uma vez que tais créditos tributários decorrem sempre de lançamento de ofício, jamais de lançamento por homologação, circunstância que afasta, peremptoriamente, a incidência do preceito estampado no § 4º do art. 150 do CTN. O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias, relativas às contribuições previdenciárias, é de cinco anos e deve ser contado nos termos do art. 173, inciso I, do CTN. [...] (PAF 10803.720155/201216, Recurso Voluntário, Data da Sessão: 09/12/2015, Relator: Ronaldo de Lima Macedo; Nº Acórdão: 2402004.781) Na dicção do § 2º do art. 113 do Código, a obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações positivas (fazer) ou negativas (não fazer), que não necessariamente decorrem da existência da obrigação principal, mas sim existem no interesse de eventual arrecadação ou fiscalização. A inexcedível doutrina do professor Luciano Amaro3 assim pontua: A acessoriedade da obrigação dita "acessória" não significa (como se poderia supor, à vista do princípio geral de que o acessório segue o principal) que a obrigação tributária assim qualificada dependa da existência de uma obrigação principal à qual necessariamente se subordine. Logo, a contagem do prazo da obrigação instrumental segue uma regra distinta da obrigação principal, podendose afirmar que o prazo decadencial para constituir obrigações acessórias é contado na forma do inc. I do art. 173 do CTN. Quando o lançamento foi realizado, em 19/10/2007, sequer havia decaído a competência mais pretérita (janeiro de 2002), cujo prazo decadencial somente se iniciou no primeiro dia útil do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (janeiro de 2003), rejeitandose, pois, a preliminar. 4 No mérito do resultado do PAF principal Conforme relatado, este lançamento decorre do descumprimento de obrigação acessória vinculada ao descumprimento de obrigação tributária principal (o pagamento de contribuintes individuais através de cartões de premiação). Caso fossem insubsistentes as contribuições lançadas, seria igualmente insubsistente a multa aplicada neste Auto de Infração, porque não haveria fatos geradores de contribuições previdenciárias a serem contabilizados de forma discriminada em títulos próprios. A fim de evitar decisões conflitantes e de propiciar a celeridade dos julgamentos, o RICARF preleciona que os processos podem ser vinculados por conexão, decorrência ou reflexo. Entre os processos reflexos incluemse os lançamentos de contribuições 3 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 14. ed. rev. São Paulo: Saraiva, 2008, p. 249. Fl. 2286DF CARF MF 8 previdenciárias realizados em um mesmo procedimento fiscal, com incidências tributárias de diferentes espécies (vide § 8º do art. 6º do Regimento), como é o caso sob apreço. Dentro desse espírito condutor, deve ser replicado ao presente julgamento, relativo ao descumprimento de obrigação acessória, o resultado do PAF principal, no qual houve o lançamento das contribuições. No PAF principal, e no mérito, este conselheiro votou por negar provimento ao recurso voluntário, de tal maneira que se nega provimento ao recurso interposto neste PAF. 5 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de conhecer do recurso voluntário, para rejeitar a preliminar de nulidade e de decadência e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 2287DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13931.000944/2008-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.703
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão no processo nº 12571.000201/2010-00, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, nestes autos.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão no processo nº 12571.000201/201000, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, nestes autos. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP de créditos de COFINS mercado interno e exportação, apurados no regime de incidência nãocumulativa, com base no art. 3º, §1º da Lei nº 10.833/2003. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 31 .0 00 94 4/ 20 08 -8 3 Fl. 454DF CARF MF Processo nº 13931.000944/200883 Resolução nº 3301000.703 S3C3T1 Fl. 455 2 Cabe ressaltar a existência dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, que tratam dos Autos de Infração de PIS/Pasep e Cofins, respectivamente, lançados em decorrência da análise do direito creditório promovida nos créditos das referidas contribuições dos anos de 2003 a 2007. Além da glosa dos créditos, foi verificado que, em diversos períodos de apuração, ocorreu a não tributação de algumas receitas pelo Contribuinte, motivo pelo qual lhe restou saldo devedor da contribuição a pagar, sendo, então, lavrados os dois Autos de Infração citados. No âmbito dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, proferiuse as Resoluções nº 3301000.520 e 3301000.521, respectivamente. Nestas resoluções decidiuse por converter os julgamentos em diligências para fins de juntada de processos vinculados, processos esses, inclusive o presente, em que se estão sendo analisados os créditos de PIS/Pasep e Cofins (PER/DCOMPs) e que deram ensejo aos autos de infração constantes dos processos referidos. No cumprimento da Resolução nº 3301000.521 assim constou do Despacho de Encaminhamento: DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO Devolvamse os presentes autos ao Conselheiro Valcir Gassen, para prosseguimento, informando que os processos 12571.000006/2010 71, 12571.000007/201016, 12571.000008/201061, 12571.000009/201013, 12571.000010/201030, 12571.000011/201084, 12571.000012/201029, 12571.000013/201073, 12571.000014/201018, 12571.000015/201062, 12571.000016/201015, 12571.000017/201051, 12571.000018/201004, 12571.000019/201041, 12571.000020/201075, 12571.000021/201010, 12571.000022/201064, 12571.000023/201017, 13931.000367/200820, 13931.000936/200837, 13931.000938/200826, 13931.000941/200840, 13931.000943/200839, 13931.000944/200883, 13931.000945/200828, e 13931.000947/200817, que tratam da análise de créditos de Cofins (PER/DECOMPs) e que deram ensejo ao auto de que trata este processo foram distribuídos ao referido Conselheiro, em cumprimento à determinação constante da Resolução 3301000.521, de 28/9/2017. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator Quando da análise dos autos para julgamento dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, distribuídos a este relator, constatouse que os dois processos referemse a autos de infração, o primeiro no que tange a contribuição ao PIS e o segundo diz respeito a Cofins, e que existiam outros processos vinculados a estes e que tratam de pedidos de restituição e de compensação (PER/DCOMP) de PIS e Cofins Exportação apurados no regime de incidência nãocumulativa. Fl. 455DF CARF MF Processo nº 13931.000944/200883 Resolução nº 3301000.703 S3C3T1 Fl. 456 3 Em pesquisa realizada no eprocesso verificouse que esses processos vinculados aos autos de infração encontravamse distribuídos em fases distintas. Por intermédio das Resoluções nº 3301000.520 e 3301000.521, proferidas nos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, os processos vinculados foram reunidos e distribuídos a este Conselheiro prevento. Assim entendo que foram atendidas as Resoluções nº 3301000.520 e 3301 000.521. Verificando os processos de PER/Dcomps, constatase que o Auto de Infração alcança todos os períodos de apuração dos PER/Dcomps vinculados, sendo que a solução do litígio no processo do lançamento alcança os processos de ressarcimento/compensação vinculados. Assim, voto pela conversão do julgamento em diligência, para que o presente processo seja encaminhado à repartição de origem, onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão definitiva no processo nº 12571.000201/201000, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, neste processo. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 456DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10111.001143/2007-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.460
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, demandando perícia para esclarecer as dúvidas do julgador, eventualmente complementadas por quesitos a serem acrescidos pelo fisco e pela recorrente, vencida a relatora, Cons. Mara Cristina Sifuentes, que votava pela negativa de provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: MARA CRISTINA SIFUENTES
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, demandando perícia para esclarecer as dúvidas do julgador, eventualmente complementadas por quesitos a serem acrescidos pelo fisco e pela recorrente, vencida a relatora, Cons. Mara Cristina Sifuentes, que votava pela negativa de provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Tiago Guerra Machado. Rosaldo Trevisan Presidente (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes Relatora (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Redator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente), André Henrique Lemos. Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 11 .0 01 14 3/ 20 07 -1 0 Fl. 272DF CARF MF Processo nº 10111.001143/200710 Resolução nº 3401001.460 S3C4T1 Fl. 272 2 Por bem descrever os fatos reproduzo o relatório que consta do Acórdão DRJ, que julgou improcedente a impugnação, por unanimidade de votos: Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 26/12/2007, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de Imposto de Importação acrescido de multa de ofício, Imposto sobre Produtos Industrializados na importação e Contribuições PIS/COFINS Importação além de multa proporcional ao valor aduaneiro, no valor de R$ 549.475,31 em virtude dos fatos a seguir escritos. O contribuinte, por meio da Declaração de Importação (Dl) n° 07/16540325, registrada em 28/11/2007, submeteu a despacho aduaneiro 1 (um) acelerador linear radioterápico, modelo Clinac 6EX, fabricado e exportado pela empresa norteamericana Varian Medicai Systems, tendoo classificado na Tarifa Externa Comum sob o código NCM 9022.21.90, o que resultou no não recolhimento do imposto de importação (II), uma vez que a alíquota do II aplicada foi de 0 % (zero por cento), conforme estabelecido pela Resolução Camex n° 43/2006. A fiscalização entendeu que a mercadoria submetida a despacho deve ser classificada no código NCM 9022.90.19, estando sujeito ao pagamento do imposto de importação à aliquota de 14 % (catorze por cento), conforme estabelecido pela Resolução Camex n° 43/2006. O presente Auto de Infração exige a diferença de tributos e demais acréscimos legais. Cientificado do auto de infração, pessoalmente, em 27/12/2007 (fls.2), o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente em 28/01/2008, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574/2011, de fls. 83 à 94, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. O impugnante alegou que: ⊙ DO EQUIPAMENTO IMPORTADO O REQUERENTE importou um equipamento e seus componentes denominado ACELERADOR LINEAR RADIOTERÁPICO CLINAC 6EX, conforme descrição contida na Dl 07/165403325 (fls. 29 do Processo Administrativo), fabricado pela exportadora norteamericana VARIAN MEDICAL SYSTEMS, de acordo com a COMMERCIAL INVOICE n° 06010001788673, e seus componentes, conforme se comprova pelo documento de fls. 31 do Processo Administrativo. ⊙ PARECER TÉCNICO Junta parecer do Dr. HOMERO LAVIERI MARTINS, FÍSICO ESPECIALISTA EM FÍSICA MÉDICA DA RADIOTERAPIA, da ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE FÍSICA MEDICA. ⊙ ESPECIFICAÇÃO DO EQUIPAMENTO O ACELERADOR LENEAR CLINAC 6EX importado pelo REQUERENTE é um equipamento especialmente construído para produzir RAIO X, e ele não tem nenhuma outra função, conforme se comprova pelo Manual de Especificação da Exportadora Norte Americana, VARIAN MEDICAL SYSTEMS (doc. anexo). Fl. 273DF CARF MF Processo nº 10111.001143/200710 Resolução nº 3401001.460 S3C4T1 Fl. 273 3 O ACELERADOR LINEAR importado pelo REQUERENTE é um “Acelerador de Partículas”, usado “na radioterapia do câncer”, conforme se comprova pela publicação da WlKIPÉDIA. (doc. anexo). O ACELERADOR LINEAR importado pelo REQUERENTE é destinado exclusivamente a RADIOTERAPIA, conforme se comprova pela publicação da WIKIPÉDIA, a ENCICLOPÉDIA LIVRE (doc. anexo). O ACELERADOR LINEAR importado pelo REQUERENTE, é destinado: “A RADIOTERAPIA é um método capaz de destruir células tumorais empregando feixe de radiações ionizantes”, conforme se comprova pela publicação do INCA INSTITUTO NACIONAL DO CÂNCER, do MINISTÉRIO DA SAÚDE (doc. anexo). O ACELERADOR LINEAR importado pelo REQUERENTE, tem o seu uso estabelecido pelo REGULAMENTO TÉCNICO: FUNCIONAMENTO DE SERVIÇOS DE RADIOTERAPIA, que estabelece no item 2.DEFINIÇÕES 2.1 Acelerador Linear Clinico: equipamento emissor de radiação X, com ou sem emissão de elétrons, conforme publicação da ANVISA AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA, do MINISTÉRIO DA SAÚDE (doc. anexo). O ACELERADOR LINEAR importado pelo REQUERENTE tem o uso seguinte: 4. DEFINIÇÕES E SIGLÁRIO 4.1 Acelerador Linear Clínico: equipamento com finalidade médica que produz fótons com energia maior que IMeV a partir da aceleração elétrons por radiofrequência. Pode, opcionalmente, produzir feixe de elétrons, conforme RESOLUÇÃO DA DIRETORIA COLEGIADA RDC N° 20 de 02/02/2006, da AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA ANVISA do MINISTÉRIO DA SAÚDE (doc.anexo). ⊙ LAUDO TÉCNICO DA ALFÂNDEGA DO PORTO DE SUAPE SEDAD, SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL, SUPERINTENDÊCIA REGIONAL DA 4a REGIÃO FISCAL. A VARIAN MEDICAL SYSTEMS, empresa norteamericana exportadora do equipamento denominado ACELERADOR LINEAR, por nós importado, efetuou a venda de um equipamento idêntico ao CEOC CENTRO DE ONCOLOGIA DE CARUARU LTDA.,da cidade de CARUARU PERNAMBUCO. A SUPERINTENDÊNCIA REGIONAL DA 4a REGIÃO FISCAL DA RECEITA FEDERAL, da ALFSPE ALFÂNDEGA DO PORTO DE SUAPE, PERNAMBUCO, para efetuar a classificação na TEC, para o pagamento dos tributos federais, e preenchimento da Declaração de Importação n° 07/01490297, efetuou uma SOLICITAÇÃO DE LAUDO TÉCNICO (doc. anexo). Reproduz respostas dos quesitos do laudo de assistência técnica fornecidas pelo Dr. JOSÉ AUGUSTO CORRÊA DO PRADO Engenheiro Mecânico, em 02/04/2007. Fl. 274DF CARF MF Processo nº 10111.001143/200710 Resolução nº 3401001.460 S3C4T1 Fl. 274 4 Ficou comprovado pela documentação acostada ao presente Recurso Administrativo e acima analisada que o ACELERADOR LINEAR CLINAC 6EX, importado pelo REQUERENTE é um equipamento de "Acelerador de Partículas" usado exclusivamente para RADIOTERAPIA. ⊙ DO DEPÓSITO ADMINISTRATIVO Pelo AUTO DE INFRAÇÃO N° 0117600/00422/07, do Auditor Fiscal, HAROLDO BARROS GOMES, o qual entendeu que houve DECLARAÇÃO INEXATA DE MERCADORIA, desclassificando a Declaração de Importação (DI) n° 0716540325 com o código NCM 9022.21.90, para a classificação no código NCM 9022.90.19, autuou o REQUERENTE no VALOR DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO APURADO DE R$ 549.475,31. Ao REQUERENTE, não restou outra alternativa, para discussão doentendimento do Auditor Fiscal no Auto de Infração, e então em 28/12/2007, efetuou DEPÓSITOS ADMINISTRATIVOS na CAIXA ECONÔMICA FEDERAL, a favor da SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL (does. anexos). ⊙ DA NESH NOTAS EXPLICATIVAS DO SISTEMA HARMONIZADO DE DESIGNAÇÃO E DE CODIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. Transcreve textos da NESH, relativa a posição 9022. O Auditor conclui: “finalmente, considerando que o Acelerador Linear Clinac 6EX é um aparelho distinto geradores de tensão e de telas radiológicas, temos que ele se classifica sob o código NCM 9022.90.19, destaque NCM 001 (destinados a teleterapia, radiografia, indltec, analíticas e medidor nuclear, estando sujeito a anuência dos mesmos órgãos anuentes dos produtos classificados sob o código NCM erroneamente utilizado pelo contribuinte (9022.21.90) a saber Ministério da Saúde e CNEN”. ⊙ IMPUGNAÇÃO DO AUTO DE INFRAÇÃO O equipamento importado ACELERADOR NUCLEAR pode perfeitamente ser enquadrado em outro código, como assim o fez o REQUERENTE na Dl n° 07/16540325, com a classificação na Subposição, código NCM 9022.21.90 outros, corretamente, vez que a TEC na posição 9022.2 se refere expressamente; “Aparelhos que utilizam radiações alfa, beta ou gama, mesmo para uso médicos, odontológicos ou veterinários, incluído os aparelhos de radiofotografía ou de radioterapia (grifo nosso), e na Subposição 9022.21, expressamente destaca: “Para usos médicos, cirúrgicos, odontológicos ou veterinários” (grifo nosso), cuja alíquota tributária é de I.I. 0% e IPI 5%, recolhidas pelo REQUERENTE. Ad argumentandum, o equipamento importado ACELERADOR, LINEAR, também poderia ser classificado na posição, código NCM 9022.14.90 outros, na Subposição 9022.14.90, que expressamente consigna: “Destaque das NCM 01. Apar. raio X. inc. apar, radiofotog. / radioterap. Destinados a teleterapia, cuja alíquota tributária de II. é 0% e IPI é 5%, iguais as que foram recolhidas pelo REQUERENTE. Fl. 275DF CARF MF Processo nº 10111.001143/200710 Resolução nº 3401001.460 S3C4T1 Fl. 275 5 ⊙ IMPORTAÇÃO EFETUADA POR OUTROS HOSPITAIS O HOSPITAL DE CLÍNICAS DE PORTO ALEGRE/RS importou também o ACELERADOR LENEAR 6EX da VARIAN, tendo efetuado a Declaração de Importação, junto a Alfândega de Porto Alegre, com a classificação no Código NCM 9022.21.90, aceita pela Receita Federal, declaração essa que corresponde a mesma efetuada pelo REQUERENTE (doc. anexo). ⊙ CONCLUSÃO O REQUERENTE analisou profundamente a fundamentação do Auditor Fiscal, colocada no Auto de Infração, concordou com a descrição do equipamento importado, ACELERADOR LINEAR, e impugnou a classificação pretendida pelo agente fiscal, de classificar a mercadoria no código NCM 9022.90.19, a qual é totalmente errada e improcedente. O REQUERENTE, ao final, comprova e demonstra, pelas abundantes provas juntadas ao presente RECURSO ADMINISTRATIVO, que a sua classificação, no código NCM 9022.21.90 é correta, e, podería também ter efetuado a classificação no código NCM 9022.14.90, cujas alíquotas tributárias desses dois códigos é de I.I. 0% e IPI 5%, não tendo então concorrido para qualquer prejuízo à Receita Federal. ⊙ DO PEDIDO O REQUERENTE, diante das abundantes provas juntadas ao presente RECURSO ADMINISTRATIVO e demonstradas nas especificações técnicas e jurídicas acima mencionadas, requer que seja julgado improcedente o Auto de Infração n° 0117600/00422/07, por absoluta falta de amparo fático e legal, considerando a classificação, no código NCM 9022.21.90 efetuada na DI n° 07/16540325 como a correta. Se assim não entender, que seja efetuada a reclassificação para o código NCM 9022.14.90 por tratarse o equipamento importado ACELERADOR LINEAR CLINAC 6EX, de equipamento destinado exclusivamente a uso em RADIOTERAPIA para tratamento de tumores malignos. Regularmente intimada em 26/11/2015 a empresa apresentou Recurso Voluntário em 23/12/2015, datas do processo eletrônico, em que alega ser correta a classificação da mercadoria utilizada, apresentando laudo técnico de engenheiro e parecer da Anvisa; requer alternativamente a utilização da NCM 9922.14.90. É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Mara Cristina Sifuentes, Relatora. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade por isso dele tomo conhecimento. A questão central do contencioso é relativo a correta classificação fiscal da mercadoria. Fl. 276DF CARF MF Processo nº 10111.001143/200710 Resolução nº 3401001.460 S3C4T1 Fl. 276 6 A empresa importou 1 (um) acelerador linear radioterápico, modelo Clinac 6EX, fabricado e exportado pela empresa norteamericana Varian Medicai Systems, classificandoa na NCM 9022.21.90, assim descrita na Declaração de Importação: A fiscalização entendeu ser aplicável a NCM 9022.90.19. As duas classificações estavam assim descritas na TEC, vigente à época do fato: 90.22 Aparelhos de raios x e aparelhos que utilizem radiações alfa, beta ou gama, mesmo para usos medicos, cirúrgicos, odontológicos ou veterinários, incluídos os aparelhos de radiofotografia ou de radioterapia, os tubos de raios x e outros dispositivos geradores de raios x, os geradores de tensão, as mesas de comando, as telas de visualização, as mesas, poltronas e suportes semelhantes para exame ou tratamento. 9022.1 Aparelhos de raios X, mesmo para usos médicos, cirúrgicos, odontológicos ou veterinários, incluídos os aparelhos de radiofotografia ou de radioterapia. 9022.14 Outros, para usos médicos, cirúrgicos ou veterinários 9022.14.1 De diagnóstico 9022.14.11 Para mamografia 9022.14.12 Para angiografia 9022.14.13 Para densitometria óssea, computadorizados 9022.14.19 Outros 9022.14.90 Outros 9022.19 Para outros usos 9022.19.10 Espectrômetros ou espectrógrafos de raios X Fl. 277DF CARF MF Processo nº 10111.001143/200710 Resolução nº 3401001.460 S3C4T1 Fl. 277 7 9022.19.90 Outros 9022.2 Aparelhos que utilizem radiações alfa, beta ou gama, mesmo para usos médicos, cirúrgicos, odontológicos ou veterinários, incluídos os aparelhos de radiofotografia ou de radioterapia 9022.21 Para usos médicos, cirúrgicos, odontológicos ou veterinários 9022.21.10 Aparelhos de radiocobalto (bombas de cobalto) 9022.21.20 Outros, para gamaterapia 9022.21.90 Outros 9022.29.00 Para outros usos 9022.30.00 Tubos de raios X 9022.90 Outros, incluídos as partes e acessórios 9022.90.1 Aparelhos 9022.90.11 Geradores de tensão 9022.90.12 Telas radiológicas 9022.90.19 Outros 9022.90.80 Outros 9022.90.90 Partes e acessórios de aparelhos de raios X Faço um parênteses para prestar alguns esclarecimentos básicos a respeito da Classificação de Mercadorias no Brasil e no mundo, e que servirão para criar a base normativa aplicável. O Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, ou simplesmente Sistema Harmonizado (SH), é um método internacional de classificação de mercadorias, baseado em uma estrutura de códigos e respectivas descrições. Este Sistema foi criado para promover o desenvolvimento do comércio internacional, assim como aprimorar a coleta, a comparação e a análise das estatísticas, particularmente as do comércio exterior. Além disso, o SH facilita as negociações comerciais internacionais, a elaboração das tarifas de fretes e das estatísticas relativas aos diferentes meios de transporte de mercadorias e de outras informações utilizadas pelos diversos intervenientes no comércio internacional. A composição dos códigos do SH, formado por seis dígitos, permite que sejam atendidas as especificidades dos produtos, tais como origem, matéria constitutiva e aplicação, em um ordenamento numérico lógico, crescente e de acordo com o nível de sofisticação das mercadorias. O Sistema Harmonizado (SH) abrange uma Nomenclatura de mercadorias, composta por 96 capítulos, além das Notas de Seção, de Capítulo e de Subposição, Regras Gerais para a Interpretação do Sistema Harmonizado e as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH). O Sistema Harmonizado (SH) tem 6 regras gerais que regem a classificação de mercadorias. As cinco primeiras são utilizadas para determinar a posição. A 6a Regra Fl. 278DF CARF MF Processo nº 10111.001143/200710 Resolução nº 3401001.460 S3C4T1 Fl. 278 8 determina que as 5 Regras anteriores devem ser utilizadas para a classificação nas subposições de 1º e 2º nível sucessivamente. A classificação das mercadorias na Nomenclatura Comum do Mercosul, tem por base a Nomenclatura do SH Sistema Harmonizado. As Regras Gerais para interpretação do SH Sistema Harmonizado, aprovadas pelo Decreto Legislativo no 71/88, promulgadas pelo Decreto no 97.409/88, é regida por determinadas regras a serem seguidas. A nomenclatura do Sistema Harmonizado foi incorporada pelo Brasil e a partir dela criada a NCM Nomenclatura Comum do Mercosul, com o acréscimo de mais dois dígitos. A NCM também é a base da criação da TEC Tabela externa comum e da TIPI tabela do IPI, ambas tabelas com a determinação das alíquotas dos impostos aplicáveis. Após essas digressões voltemos ao caso concreto. Não existe dúvidas quanto à posição aplicável, já que contribuinte e fiscalização utilizaram a NCM 9022. 90.22 Aparelhos de raios x e aparelhos que utilizem radiações alfa, beta ou gama, mesmo para usos médicos, cirúrgicos, odontológicos ou veterinários, incluídos os aparelhos de radiofotografia ou de radioterapia, os tubos de raios x e outros dispositivos geradores de raios x, os geradores de tensão, as mesas de comando, as telas de visualização, as mesas, poltronas e suportes semelhantes para exame ou tratamento. Definida a posição, e utilização as RGI do SH devemos partir para a definição da subposição. Estamos diante de duas subposições possíveis: 9022.2 Aparelhos que utilizem radiações alfa, beta ou gama, mesmo para usos médicos, cirúrgicos, odontológicos ou veterinários, incluídos os aparelhos de radiofotografia ou de radioterapia 9022.21 Para usos médicos, cirúrgicos, odontológicos ou veterinários 9022.90 Outros, incluídos as partes e acessórios Para correto enquadramento da mercadoria devemos primeiro verificar se estamos diante de um aparelho que utilize radiações alfa, beta ou gama, se estamos diante de outro tipo de aparelho ou mesmo se estamos diante de aparelhos de raio X. Podemos buscar auxílio nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH). Elas foram introduzidas no ordenamento jurídico nacional pelo Decreto n.º 435, de 27 de janeiro de 1992. Tratase de material extenso e pormenorizado, que estabelece, detalhadamente, o alcance e conteúdo da Nomenclatura abrangida pelo SH. A base legal para isso foi o Decreto nº 97.409, de 23/12/1988 (DOU de 28/12/1988), que promulgou a Convenção Internacional sobre o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, bem como alterações posteriores. As NESH constituem elemento subsidiário de caráter fundamental para a correta interpretação do conteúdo das posições e subposições, bem como das Notas de Seção, Capítulo, posições e subposições da Nomenclatura do Sistema Harmonizado, anexas à Convenção Internacional de mesmo nome. Fl. 279DF CARF MF Processo nº 10111.001143/200710 Resolução nº 3401001.460 S3C4T1 Fl. 279 9 Consultando a NESH relativa à posição 9022, páginas 1.817 a 1.821 da versão lusobrasileira aprovada pelo Decreto n° 435/1992 e com texto consolidado pela IN SRF n° 157/2002, encontramos: I. APARELHOS DE RAIOS X : O elemento fundamental destes aparelhos é o bloco radiógeno, onde se encontram os tubos geradores de raios X. Este bloco, geralmente suspenso ou montado sobre uma coluna ou outro suporte com mecanismo de orientação e de elevação, é equipado com um dispositivo especial de alimentação que consiste num conjunto de transformadores, retificadores, etc., os quais, captando a energia de uma fonte qualquer, geralmente da rede geral, levam a corrente à voltagem apropriada. APARELHOS QUE UTILIZAM AS RADIAÇÕES ALFA, BETA OU GAMA As radiações alfa, beta ou gama provêm uma de substância radioativa com a propriedade de emitir radiações por transformação espontânea dos seus átomos. Esta substância radioativa é colocada em um recipiente, geralmente de aço, guarnecido de chumbo (bomba) que comporta uma abertura disposta de forma a deixar passar as radiações apenas em uma determinada direção. As radiações gama são susceptíveis de usos muito semelhantes aos dos raios X. Conforme as radiações que utilizem e o uso a que se destinem, podem citarse, especialmente: 1) Os aparelhos de terapia, em que a fonte radioativa consiste em uma carga, quer de rádio (curieterapia), quer de radiocobalto ou de um outro isótopo (gamaterapia). TUBOS DE RAIOS X E OUTROS DISPOSITIVOS GERADORES DE RAIOS X, GERADORES DE TENSÃO,MESAS DE COMANDO, TELAS (ÉCRANS) DE VISUALIZAÇÃO, MESAS, POLTRONAS E SUPORTES SEMELHANTES PARA EXAME OU TRATAMENTO. Este grupo compreende: A) Os tubos de raios X . B) _Os outros dispositivos geradores de raios X. Tratase de dispositivos especiais, tais como os que comportam um betatron para acelerar fortemente o feixe de elétrons, o que permite produzir raios X muito mais penetrantes. Mas os betatrons e outros aceleradores de elétrons, não especialmente adequados para produzir raios X, classificamse na posição 85.43. (...) D) Os geradores de tensão, ... Com a finalidade de esclarecer detalhes sobre o equipamento a fiscalização intimou a empresa Varian Medicai Systems Brasil LTDA, que representada por seu Responsável Técnico Eng. Antônio Carlos Vieira Swerts, respondeu que o Acelerador Linear Fl. 280DF CARF MF Processo nº 10111.001143/200710 Resolução nº 3401001.460 S3C4T1 Fl. 280 10 Clinac, destinase ao uso médico, conforme descrito no manual de utilização, e que como resultado final o mesmo efeito biológico dos equipamentos de Gamaterapia, porém não utiliza fonte radioativa, e estão sendo substituídos por aceleradores lineares, por não apresentarem risco de contaminação radioativa. A empresa envia juntamente com os esclarecimentos o catálogo do Clinac 6EX e Manual de Segurança. No manual consta que o equipamento não possui fonte radioativa, ele produz radiação do tipo "*RaioX"com potência de “GMeV” somente quando for acionado o mecanismo eletroeletrônico. Conforme a carta do representante no Brasil do fabricante do aparelho e o catálogo contendo especificações técnicas do equipamento, o acelerador linear radioterápico, modelo Clinac 6EX não utiliza radiações alfa, beta ou gama, mesmo para usos médicos, cirúrgicos, odontológicos ou veterinários, incluídos os aparelhos de radiofotografia ou de radioterapia. Também foi anexado aos autos junto com a impugnação o parecer do Dr. Homero Lavieri Martins, físico especialista em física médica da radioterapia, da associação brasileira de física médica, em que o especialista afirma que o tubo acelerador usa ondas eletromagnéticas para que o feixe de elétrons a ser acelerado atinja a energia máxima de 6 MeV, o que produz um feixe de raios X com espectro amplo e altamente penetrante no tecido humano. A interação dos raios X com o tecido irradiado produzirá os efeitos terapêuticos hoje largamente usados na área oncológica e ao final afirma que o equipamento não possui fonte radioativa. Algumas questões técnicas restaram não esclarecidas, segundo alegado pela maioria dos julgadores, o que culminou na conversão do julgamento em diligência, por maioria de votos, conforme voto do Conselheiro Tiago Guerra Machado abaixo transcrito. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes Relatora Voto Vencedor Conselheiro Tiago Guerra Machado, Redator Verificar se o aparelho em análise Acelerador Linear Radioterápico Varian Clinac 6EX possui: (i) bloco radiógeno, onde se encontram os tubos geradores de raios X; (ii) Caso positivo para o item (i), o bloco é suspenso ou montado sobre uma coluna ou outro suporte com mecanismo de orientação e de elevação; (iii) Caso positivo para o item (i), o bloco recebe alimentação externa? (iv) Caso positivo para o itens (i) e (iii), o aparelho possui conjunto de transformadores, inversores, retificadores, etc., para adequar a energia recebida externamente para a voltagem adequada para o funcionamento do bloco radiógeno? Fl. 281DF CARF MF Processo nº 10111.001143/200710 Resolução nº 3401001.460 S3C4T1 Fl. 281 11 Voto pela conversão do julgamento em diligência demandando perícia, a cargo da recorrente, para esclarecer as dúvidas acima expostas, e que eventualmente possam ser complementadas por quesitos acrescidos pelo fisco e/ou pela recorrente. Após a conclusão da perícia deverá ser cientificada a recorrente sobre seu inteiro teor e apresentado prazo para manifestação a respeito da perícia. Ao final que os autos retornem a esse colegiado para prosseguimento do feito. (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado, Redator designado. Fl. 282DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10725.903032/2009-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2001
PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. NÃO RECONHECIDO.
A falta de certeza e liquidez do direito creditório indicado no PER/DCOMP impossibilita a homologação da compensação declarada.
Numero da decisão: 1402-003.317
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias e Paulo Mateus Ciccone. Ausente, o conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. NÃO RECONHECIDO. A falta de certeza e liquidez do direito creditório indicado no PER/DCOMP impossibilita a homologação da compensação declarada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias e Paulo Mateus Ciccone. Ausente, o conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 90 30 32 /2 00 9- 93 Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10725.903032/200993 Acórdão n.º 1402003.317 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I RJ, em primeira instância administrativa, que julgou IMPROCEDENTE, a manifestação de inconformidade do contribuinte em epígrafe, agora recorrente. Do Despacho Decisório: Trata o presente processo da Declaração de Compensação, na qual a recorrente alega possuir crédito contra a Fazenda Pública, decorrente de pagamento a maior ou indevido, buscando extinguir por compensação de débito próprio, conforme detalhamento que consta no Despacho Decisório acostado aos autos. Transmitida, a DCOMP recebeu da DRF de origem o Despacho Decisório de não homologação da compensação, cujas razões da negativa se fundam no fato de que o DARF informado no PER como pago a maior ou indevido já ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação com os débitos informados na DCOMP. Da Manifestação de Inconformidade: Inconformada com o despacho decisório, a recorrente interpôs a manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que o crédito pleiteado de pagamento a maior ou indevido existe e foi informado ao fisco através de DCTF retificadora, que zerou o valor de débito anteriormente declarado. Da decisão da DRJ: A DRJ, em seu julgamento, considerou improcedente a manifestação de inconformidade, e não reconheceu o direito creditório pleiteado, e consequente não homologação da compensação da PER/DCOMP objeto do presente processo. Na decisão ora recorrida, informa que além da DCTF original, já houve outra retificadora anterior a ultima, em que confirmou o valor anteriormente declarado de débito, que está alocado ao DARF agora pleiteado como indevido. Anos depois, no limiar da decadência da repetição do indébito, retifica novamente a DCTF, zerando o débito, sem juntar qualquer documentação comprobatória da veracidade das informações nela contidas. Não houve DIPJ retificadora para o período em foco, e esta está em consonância com o valor declarado originalmente. A restituição/compensação de tributos no âmbito da Receita Federal do Brasil é regido pelos artigos 165 e 170 do CTN. E quanto à retificação de DCTF, para diminuir ou excluir tributo, é regido pelo artigo 147, §1º, que estipula que só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10725.903032/200993 Acórdão n.º 1402003.317 S1C4T2 Fl. 4 3 Assim, além de não haver coerência nas declarações prestadas pelo contribuinte, deveria ele provar, com a apresentação de sua escrituração contábil e fiscal, as razões da mudança do seu entendimento quanto ao valor devido. Por conseguinte, entendeu não haver certeza e liquidez do crédito alegado pelo contribuinte em seu favor. Do Recurso Voluntário: Irresignada com o a decisão, apresentou recurso voluntário em que, em síntese, alega vícios de nulidade do despacho decisório, por conta da inexistência de fundamentação e cerceamento de sua defesa, pois no seu entender, não recebera oportunidade de comprovar o seu direito creditório. Igualmente, suscita e alega apenas na sua peça recursal, que o direito creditório pleiteado decorre de alteração no seu coeficiente de apuração do lucro presumido, pois tinha aplicado o de 32%, mas o correto seria de 8%, pois exerce prestação de serviços hospitalares. É o relatório. Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10725.903032/200993 Acórdão n.º 1402003.317 S1C4T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.291, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10725.903030/2009 02, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.291): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, podese dele conhecer. Antes de adentrar no mérito, cabe informar que o julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, sendo o paradigma. Síntese dos fatos O presente processo versa sobre um PER/DCOMP, em que a recorrente pleiteou um direito creditório baseado em um pagamento indevido ou a maior, de IRPJ referente ao 3º ou 4º trimestre de 2001, ou 1º trimestre de 2002. O Despacho Decisório atacado denegou tal pleito, pois verificou que o DARF objeto do pedido estava integralmente utilizado para quitação de débitos da recorrente, não havendo crédito disponível. A recorrente na sua manifestação de inconformidade alega que o pagamento a maior ou indevido existe e foi informado ao fisco, através de DCTF retificadora apresentada em 14/08/2009, após ter verificado que não apurou tributo a pagar de IRPJ no período referente ao crédito ora pleiteado. A decisão da DRJ considerou improcedente sua manifestação de inconformidade, pois, em linhas gerais, a DCTF retificadora veio desacompanhada de comprovação do erro em que se funde, nos termos do art. 147, §1º do CTN. Além do mais, a DIPJ não foi retificada, havendo incoerência entre as declarações prestadas. Por conseguinte, não haveria certeza e liquidez do direito creditório alegado pela recorrente. Em sede recursal, alega vícios de nulidade do despacho decisório, por conta da inexistência de fundamentação, Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10725.903032/200993 Acórdão n.º 1402003.317 S1C4T2 Fl. 6 5 e por conseguinte, acarretaria cerceamento de defesa. Igualmente, suscita e alega apenas neste momento, sem nada comprovar, que utilizou indevidamente o coeficiente de 32% no lucro presumido para apurar o seu IRPJ, quando o devido seria 8%, já que exerce a atividade de prestação de serviços hospitalares. Da preliminar suscitada Como já exposto anteriormente, a recorrente alega nulidade do Despacho Decisório, ao fundamento que este sofreria de inafastáveis vícios, quais sejam: a) inexistência de fundamentação; b) cerceamento de defesa, por não ter sido oportunizado a possibilidade de comprovar o seu direito creditório. Compulsando os autos, não verifico o alegado. Vejo nesta preliminar suscitado mais uma discordância com os fatos e sua respectiva capitulação legal, o que não é causa de pedir nulidade. O Despacho Decisório está devidamente fundamentado pelo motivo que denegou o pedido de compensação pleiteado, pois se baseou em informações prestadas pela própria recorrente então, quais sejam, o confronto do seu pleito via PER/DCOMP cotejado com o DARF , DCTF e DIPJ. Além do mais, a comprovação do seu crédito já surge oportunizada para a recorrente quando apresentou sua peça impugnatória, mas nada ali agregou comprovando, e pior, então, nem alegou por qual motivo entendia ter direito a repetição do indébito pleiteado como pagamento indevido ou maior. Igualmente, na sua peça recursal nada apresentou comprovando o alegado apenas se limitou a alegar neste momento. Por conseguinte, REJEITO A PRELIMINAR suscitada pela recorrente. Do mérito Em sua peça recursal, a recorrente alega que o direito creditório pleiteado é decorrente da apuração do imposto pelo regime do lucro presumido, com a aplicação do percentual, no seu entender equivocado, de 32% sobre a receita bruta, para efeitos de identificação da base de cálculo do IRPJ, enquanto o correto seria o percentual de 8%, pois se dedicaria à prestação de serviços hospitalares. Tal assunto foi suscitado apenas em sede da segunda instância administrativa, e de forma um tanto sucinta, sem nada agregar comprovando o alegado. Se resumiu a dizer que retificou sua DCTF relacionada ao presente feito pois apurou e recolheu valores maiores a título de IRPJ, pois o correto seria 8%, conforme previa o art. 15, §1º, inciso III, alínea a, da Lei nº Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10725.903032/200993 Acórdão n.º 1402003.317 S1C4T2 Fl. 7 6 9.249/95 (com redação sem as modificações introduzidas pela Lei nº 11.727/2008) combinado com o art. 25, da Lei nº 9.430/1996. Reitero não houve nenhuma comprovação desta alegação, e esta apenas agora apresentada na discussão do presente litígio. A recorrente pretende que se reforme a decisão a quo sob o mero argumento de que sua confissão de dívida prestada em DCTF foi efetuada com erro, o que lhe permitiria obter o direito creditório ora pleiteado. Todavia, inexiste nos autos qualquer prova do alegado erro, ônus que caberia à recorrente, para dar a liquidez e certeza do seu direito creditório, nos termos do art. 170 do CTN1. A mera apresentação de DCTF retificadora (24/08/2009), diminuindo um débito já considerado extinto, quando já se perfez os 5 anos estabelecidos para se pleitear eventual restituição, nos termos do art. 168 do CTN2, não tem o condão de, por si só, comprovar a certeza e liquidez do direito creditório. Entendo que no caso, é necessário, na primeira oportunidade, alegar e tentar rechaçar o despacho decisório da forma mais completa possível, já trazendo aos autos comprovações destas alegações. A recorrente não fez isso, pelo contrário omitiu detalhes importantes a serem considerados no julgamento de piso, o que suscitou agora, mas ainda assim, sem nenhuma comprovação, por mais precária que seja. A Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, no seu art. 36, estabelece que cabe a carga probatória nestas situações: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 373 desta Lei. Logo, no processo administrativo fiscal, regido e permeado pelo princípio da busca da verdade material, um vetor válido tanto para a Fazenda Nacional quanto para os 1 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. 2 Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. 3 Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10725.903032/200993 Acórdão n.º 1402003.317 S1C4T2 Fl. 8 7 contribuintes, não basta apenas alegar, quando deveria também provar o alegado. Alegar sem provar equivale a nada alegar. Repetindo o que já dito anteriormente, o direito creditório deve se revestir das características de liquidez e certeza, para que a compensação possa ser efetivada. Quem pleiteia este direito é que cabe demonstrar esta liquidez e certeza. Não cabe agora ao colegiado procurar fazer prova da mera alegação da recorrente, tomandolhe partido, quando esta se mostrou inerte. Eventuais diligências seriam cabíveis para esclarecer algum ponto porventura obscuro, sobre o qual restassem dúvidas, mas não para restabelecer a certeza e liquidez dos créditos pretendidos, o que já deveria estar demonstrado desde a primeira oportunidade ofertada à recorrente. Destarte, pelo todo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 69DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.727690/2010-06
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício: 2006, 2007
INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA SOBRE JUROS DE MORA.
Como a verba principal não é isenta ou fora do campo de incidência do IR, bem como não é oriunda de rescisão do contrato de trabalho, há incidência do imposto de renda sobre os juros.
Numero da decisão: 9202-007.113
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora) e Ana Paula Fernandes, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Redatora designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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Como a verba principal não é isenta ou fora do campo de incidência do IR, bem como não é oriunda de rescisão do contrato de trabalho, há incidência do imposto de renda sobre os juros. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora) e Ana Paula Fernandes, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 76 90 /2 01 0- 06 Fl. 550DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional contra decisão proferida pela turma a quo que concluiu: IRPF. JUROS MORATÓRIOS VINCULADOS A VERBAS TRABALHISTAS RECONHECIDAS JUDICIALMENTE. INCIDÊNCIA. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal STF e pelo Superior Tribunal de Justiça STJ em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, devem ser reproduzidas pelas turmas nos julgamentos dos recursos no âmbito do CARF. É o caso do Acórdão Resp. nº 1227133/RS, proferido pelo STJ sob o rito do art. 543C do CPC, segundo o qual não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. Na peça recursal a Fazenda Nacional argui que "basta uma mera leitura deste julgado, e não teremos qualquer dúvida que esta decisão do STJ, em sede de recurso repetitivo, que excluiu a exigência do imposto de renda sobre juros de mora, se restringiu aos pagamentos efetuados em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, por força da norma isentiva prevista no inciso V do art. 6º da Lei nº 7.713/1988". Contrarrazões o Contribuinte pugna pela manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Patrícia da Silva Relatora O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade e portanto deve ser conhecido. Com parto deste pressuposto, ou seja, não incidência de juros, trago à colação por irrepreensíveis os argumentos do Ilustre Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa: Sobre o pedido de exclusão da multa de ofício e dos juros, sob a alegação de que o Contribuinte teria agido de boafé... (...) Finalmente, sobre os juros incidentes sobre as verbas recebidas, ressalvando minha posição em sentido contrário, penso ser aplicável ao caso, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, o entendimento do Superior Tribunal de Justiça segundo o qual os juros calculados sobre verbas, recebidas em decorrência de decisões judiciais em ações Fl. 551DF CARF MF Processo nº 10580.727690/201006 Acórdão n.º 9202007.113 CSRFT2 Fl. 551 3 trabalhistas, têm natureza indenizatórias, não estando sujeitos à incidência do imposto, nos termos do Acórdão Resp. nº 1227133/RS, julgado em 28/09/2011, com a seguinte ementa: RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA OU ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. – Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. Recurso especial, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, improvido. Deve ser excluída da base de cálculo, portanto, a parcela dos rendimentos correspondentes aos juros recebidos pelo beneficiário Segundo o entendimento desta Relatora, invariavelmente, os juros de mora possuem natureza indenizatória, pois sua função é a de recompor dano ao patrimônio do beneficiário que deixou de receber no tempo certo valor que lhe seria devido. Tratase de entendimento compartilhado pelos mais renomados juristas, valendo citar parte do artigo publicado pelo Professor Hugo de Brito Machado, na Revista Dialética de Direito Tributário nº 215 (p. 115/116): Não há dúvida quanto à natureza indenizatória dos juros de mora. A expressão juros moratórios, que é própria do Direito Civil, designa a indenização pelo atraso no pagamento da divida. O Código Civil de 1916 estabelecia que as perdas e danos, nas obrigações de pagamento em dinheiro, consistem nos juros de mora e custas, sem prejuízo das pena convencional. E o Código Civil vigente estabelece: "Art. 404. As perdas e danos, nas obrigações de pagamento em dinheiro, serão pagas com atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, abrangendo juros, custas e honorários de advogados, sem prejuízo da penas convencional. Parágrafo único: Provado que os juros de mora não cobrem o prejuízo, e não havendo pena convencional, pode o juiz concede ao credor indenização complementar." Com se vê, o legislador previu que o não recebimento nas datas correspondentes dos valores me dinheiro aos quais se tem direito implica prejuízo. (...) Não se trata de lucro cessante, nem de dano simplesmente moral, que evidentemente também podem ocorrer. Tratase de perda patrimonial efetiva, decorrente do não recebimento, nas datas correspondentes, dos valores aos quais tinha direito. Perda que Fl. 552DF CARF MF 4 o legislador presumiu e tratou como presunção absoluta que não admite prova em contrário, e cuja indenização com juros de mora independe de pedido do interessado. Ora, os valores recebidos a título de juros moratórios não estariam sujeitos ao imposto, afinal o conceito de renda e proventos propostos pela Constituição Federal exigem a ocorrência de um acréscimo patrimonial experimentado ao longo de um determinado período de tempo, o que conforme anteriormente exposto não ocorre no presente caso concreto. Diante do exposto, NEGO provimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Voto Vencedor Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Redatora designada 1. Dos juros de mora No que se referem aos juros de mora, aplico o posicionamento da Primeira Seção do STJ, no Recurso Repetitivo n.º 1.227.133/RS, no sentido da incidência do imposto de renda sobre tais juros, em regra, não incidindo, excepcionalmente, quando decorrentes da rescisão do contrato de trabalho ou quando a verba principal for isenta ou fora do campo de incidência do IR. Portanto, como a verba principal não é isenta ou fora do campo de incidência do IR, bem como não é oriunda de rescisão do contrato de trabalho, há incidência do imposto de renda sobre os juros. Reafirmando o exposto, temos que as verbas pagas a título de juros de mora seguem a mesma natureza das verbas principais a que se referem. Tal situação está expressamente prevista no art. 55, inciso XIV, do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n.º 3.000/99): “Art. 55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, § 2º, inciso IV, e 70, § 3º, inciso I): (...) XIV os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis;” (Grifamos) Convém lembrar que os juros de mora relativos ao recebimento em atraso de verbas de natureza salarial são tributáveis, nos termos do art. 43, §3º do Decreto 3.000/99 (RIR) e do art. 16, parágrafo único, da Lei n.º 4.506/64: “Art. 43. São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no Fl. 553DF CARF MF Processo nº 10580.727690/201006 Acórdão n.º 9202007.113 CSRFT2 Fl. 552 5 exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos, tais como (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, e Lei nº 9.317, de 1996, art. 25, e Medida Provisória nº 1.76955, de 11 de março de 1999, arts. 1º e 2º): (...) § 3º Serão também considerados rendimentos tributáveis a atualização monetária, os juros de mora e quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento das remunerações previstas neste artigo (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, parágrafo único).” “Art. 16. serão classificados como rendimentos do trabalho assalariado tôdas as espécies de remuneração por trabalho ou serviços prestados no exercício dos empregos, cargos ou funções referidos no artigo 5º do Decretolei número 5.844, de 27 de setembro de 1943, e no art. 16 da Lei número 4.357, de 16 de julho de 1964, tais como: (...) Parágrafo único. Serão também classificados como rendimentos de trabalho assalariado os juros de mora e quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento das remunerações previstas neste artigo.” (Grifamos) No presente caso os juros moratórios em questão são acessórios de verbas de natureza salarial. Assim, por óbvio, também têm natureza salarial, e, sendo assim, configuram acréscimo patrimonial sujeito à tributação por parte do Imposto de Renda. 3. Da conclusão Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do Recurso Especial e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz. Fl. 554DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10640.003285/2010-39
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS. DECLARAÇÕES. PROVA.
Quando o Fisco questionar os recibos e declarações de despesas médicas, o contribuinte deve apresentar outros elementos de prova que satisfaçam tais questionamentos.
Numero da decisão: 2002-000.239
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni (relator) que lhe deu provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator
(Assinado digitalmente)
Fábia Marcília Ferreira Campêlo - Redatora designada
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS. DECLARAÇÕES. PROVA. Quando o Fisco questionar os recibos e declarações de despesas médicas, o contribuinte deve apresentar outros elementos de prova que satisfaçam tais questionamentos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni (relator) que lhe deu provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator (Assinado digitalmente) Fábia Marcília Ferreira Campêlo - Redatora designada Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
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DESPESA MÉDICA. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL Recorrente PILAR TENORIO DE ALBUQUERQUE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS. DECLARAÇÕES. PROVA. Quando o Fisco questionar os recibos e declarações de despesas médicas, o contribuinte deve apresentar outros elementos de prova que satisfaçam tais questionamentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni (relator) que lhe deu provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator (Assinado digitalmente) Fábia Marcília Ferreira Campêlo Redatora designada Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 32 85 /2 01 0- 39 Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10640.003285/201039 Acórdão n.º 2002000.239 S2C0T2 Fl. 142 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 32 a 37), relativa a imposto de renda da pessoa física pela qual se procedeu a glosa de despesas médicas indevidamente deduzidas. Tal autuação gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 5.540,19, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efl. 02 a 31 dos autos, sob os seguintes fundamentos, conforme relatório da DRJ: 1) “O Fisco simplesmente ignorou os documentos apresentados pelo contribuinte, violando claramente os princípios da legalidade,proporcionalidade e razoabilidade” porque “o Fisco não pode utilizarse de meios, nem exigências, que não estejam previstas em lei e, mais, mesmo que estejam previstas, essas exigências devem ser razoáveis, adequadas, necessárias e proporcionais”; 2) Conforme determinações contidas no artigo 80 do Regulamento do Imposto de Renda, “a exigência da caracterização do direito à dedução de despesas com saúde se faz com a simples apresentação de recibo, constando os dados determinados pelo inciso III e, somente na falta de documentação, é que deve ser feita por cheque nominal”; 3) Mediante a apresentação dos recibos, o contribuinte cumpriu as determinações previstas por lei, não cabendo a Receita Federal exigir que comprove tais despesas de outra maneira, “até porque nenhuma pessoa é obrigada a manter, bem como a pagar suas despesas necessariamente através de conta em banco”; 4) Conforme resta comprovado em sua DIRPF/2008, o notificado “possui numerário em mãos, o que seria perfeitamente plausível para justificar gastos que não se encontram explícitos nos extratos de sua conta/corrente” A impugnação foi apreciada na 4ª Turma da DRJ/JFA que por unanimidade, em 22/12/2011, no acórdão 0938.455, às efls. 117 a 125, julgou a impugnação improcedente. Recurso voluntário Ainda inconformado, o contribuinte, apresentou recurso voluntário, às efls. 131 a 138, no qual alega, em resumo: · que os recibos são documentos hábeis a comprovar as despesas médicas; Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10640.003285/201039 Acórdão n.º 2002000.239 S2C0T2 Fl. 143 3 · que deve prevalecer a boa fé do contribuinte; · que não há nada na legislação que impeça o pagamento em espécie. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 31/08/2012, efls. 129, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 04/08/2012, efls. 131, tendo comparecido espontaneamente ao processo, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Apresentada impugnação, a DRJ manteve a autuação, sem, contudo, impugnar a autuação pela glosa por dedução indevida com a UNIMED/Juiz de Fora, conforme se vê: Vale registrar, primeiramente, que o impugnante não contesta, em sua defesa, a glosa da parcela de R$ 12.225,52, relativa ao valor pleiteado a titulo de pagamentos efetuados à UNIMED/Juiz de Fora, passando a ser matéria não impugnada, devendo ser mantida a fração do lançamento correspondente, tal qual formalizado pela Notificação, e, conseqüentemente, o crédito tributário respectivo ser objeto de cobrança imediata, nos termos do artigo 21, § 1º, do Decreto 70.235/72, com a redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 8.748/93. Logo, por tratarse de matéria não impugnada, aplicase o artigo 14 do Decreto nº 70.235/72: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Assim, perduram as glosas das seguintes despesas médicas: · Kelva Maria Barbosa de Alvarenga, no valor de R$7.700,00; · Carla Barros Torres Alves, no valor de R$7.680,00. As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99): Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10640.003285/201039 Acórdão n.º 2002000.239 S2C0T2 Fl. 144 4 I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; : Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). §1ºO disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento (grifos nossos) O trecho em destaque é claro quanto a idoneidade de recibos e notas fiscais, desde que preenchidos os requisitos legais, como meios de comprovação da prestação de serviço de saúde tomado pelo contribuinte e capaz de ensejar a dedução da despesa do montante de IRPF devido, quando da apresentação de sua DAA. O dispositivo em comento vai além, permitindo ainda que, caso o contribuinte tomador do serviço, por qualquer motivo, não possua o recibo emitido pelo profissional, a comprovação do pagamento seja feita por cheque nominativo ou extratos de conta vinculados a alguma instituição financeira. Assim, como fonte primária da comprovação da despesa temos o recibo e a nota fiscal emitidos pelo prestador de serviço, desde que atendidos os requisitos legais. Na falta destes, pode, o contribuinte, valerse de outros meios de prova. Ademais, o Fisco tem a sua Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10640.003285/201039 Acórdão n.º 2002000.239 S2C0T2 Fl. 145 5 disposição outros instrumentos para realizar o cruzamento de dados das partes contratantes, devendo prevalecer a boafé do contribuinte. Nesta linha, no acórdão 2001000.388, de relatoria do Conselheiro deste CARF José Alfredo Duarte Filho, temos: (...) No que se refere às despesas médicas a divergência é de natureza interpretativa da legislação quanto à observância maior ou menor da exigência de formalidade da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia com facilidade de visualização é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro, a busca do direito, pela contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à validade cabal do documento comprobatório, quando se trata tão somente da apresentação da nota fiscal ou do recibo da prestação de serviço. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. (...) É clara a disposição de que a exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (dedução tributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10640.003285/201039 Acórdão n.º 2002000.239 S2C0T2 Fl. 146 6 Ocorre, neste caso, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagador recebedor do valor da prestação de serviço. O dispositivo legal (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99) vai além no sentido de dar conforto ao pagador dos serviços prestados ao prever que no caso da falta da documentação, assim entendido como sendo o recibo ou nota fiscal de prestação de serviço, poderá a comprovação ser feita pela indicação de cheque nominativo pelo qual poderia ter sido efetuado o pagamento, seja por recusa da disponibilização do documento, seja por extravio, ou qualquer outro motivo, visto que pelas informações contidas no cheque pode o órgão fiscalizador confrontar o pagamento com o recebimento do valor correspondente. Além disso, é de conhecimento geral que o órgão tributante dispõe de meios e instrumentos para realizar o cruzamento de informações, controlar e fiscalizar o relacionamento financeiro entre contribuintes. O termo “podendo” do texto legal consiste numa facilitação de comprovação dada ao pagador e não uma obrigação de fazêlo daquela forma." Ainda, há várias outras jurisprudências deste Conselho que corroboram com os fundamentos até então apresentados: Processo nº 16370.000399/200816 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.387 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 18 de abril de 2018 Matéria IRPF DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS Recorrente FLÁVIO JUN KAZUMA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10640.003285/201039 Acórdão n.º 2002000.239 S2C0T2 Fl. 147 7 Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECONHECIMENTO DO DÉBITO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Processo nº 13830.000508/200923 Recurso nº 908.440 Voluntário Acórdão nº 220201.901 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de julho de 2012 Matéria Despesas Médicas Recorrente MARLY CANTO DE GODOY PEREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. COMPROVAÇÃO. Recibos que contenham a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem prestou os serviços são documentos hábeis, até prova em contrário, para justificar a dedução a título de despesas médicas autorizada pela legislação. Os recibos que não contemplem os requisitos previstos na legislação poderão ser aceitos para fins de dedução, desde que seja apresenta declaração complementando as informações neles ausentes. Feitas estas considerações, às efls. 53 a 56 dos autos, o contribuinte junta recibos que atestam a contratação de serviços, no valor de R$7.700,00 realizado com a profissional KELVA MARIA BARBOSA DE ALVARENGA, motivo pelo qual afasto a glosa da despesa médica. Quanto as despesas com a profissional CARLA BARROS TORRES ALVES, totalizando o valor de R$7.680,00, às efls. 57 e 62, há recibos que comprovam a prestação de serviço. Diante do exposto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, darlhe provimento, afastando a glosa das despesas médicas. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10640.003285/201039 Acórdão n.º 2002000.239 S2C0T2 Fl. 148 8 Voto Vencedor Conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo Redatora designada. Com a devida vênia, divirjo do Conselheiro Relator quanto às despesas médicas. São dedutíveis da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física as despesas com saúde que se subsumam à previsão legal1, comumente conhecidas como despesas médicas. Em princípio, recibos e declarações que preencham os requisitos legais2 podem ser aceitos para comprovar o pagamento dessas despesas. Contudo, caso não fique convencida da efetividade da prestação dos serviços ou do respectivo pagamento, a autoridade fiscal pode exigir, a seu critério, elementos de prova adicionais, por força do disposto no art. 73 do Decreto 3.000/99 que estabelece que: Art.73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. §1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. §2º As deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tornar irrecorrível na esfera administrativa. Dessa forma, quando a fiscalização fizer uso do preceito supracitado, cabe ao contribuinte apresentar outros documentos que confiram maior sustentação probatória aos recibos e declarações inicialmente apresentados. Assim, o ônus da prova das deduções tributárias é do contribuinte e não do Fisco. Este posicionamento é corroborado pelas decisões emanadas da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) e da 1ª Turma, da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, conforme se vê a seguir: IRPF. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvida razoável quanto à sua efetividade. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para suprir a não comprovação dos correspondentes pagamentos. (Acórdão 9202005.323, de 30/3/2017) DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados ou dos 1 Art. 8º, II, a c/c § 2º da Lei 9.250/95 e art. 80 do Decreto 3.000/99. 2 Art. 8º, § 2º, III da Lei 9.250/95 e art. 80, § 1º, III do Decreto 3.000/99. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10640.003285/201039 Acórdão n.º 2002000.239 S2C0T2 Fl. 149 9 correspondentes pagamentos. Em havendo tal solicitação, é de se exigir do contribuinte prova da referida efetividade. (Acórdão 9202005.461, de 24/5/2017) IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS E DO CORRESPONDENTE PAGAMENTO. A Lei nº 9.250/95 exige não só a efetiva prestação de serviços como também seu dispêndio como condição para a dedução da despesa médica, isto é, necessário que o contribuinte tenha usufruído de serviços médicos onerosos e os tenha suportado. Tal fato é que subtrai renda do sujeito passivo que, em face do permissivo legal, tem o direito de abater o valor correspondente da base de cálculo do imposto sobre a renda devido no ano calendário em que suportou tal custo. Havendo solicitação pela autoridade fiscal da comprovação da prestação dos serviços e do efetivo pagamento, cabe ao contribuinte a comprovação da dedução realizada, ou seja, nos termos da Lei nº 9.250/95, a efetiva prestação de serviços e o correspondente pagamento. (Acórdão 2401004.122, de 16/2/2016) Para atender a requisição da autoridade fiscal o contribuinte pode apresentar, por exemplo, prontuários, receituários, exames, orçamentos, comprovantes de transferências bancárias, cópias de cheques e as respectivas compensações, extratos bancários com saques compatíveis com o pagamento em dinheiro, registro dos pagamentos em faturas de cartão de crédito, dentre outros documentos, a depender do caso concreto, não sendo possível descrever aqui todas as possibilidades. Vale destacar que não há uma hierarquia préestabelecida entre os meios de prova e na busca da verdade material, o julgador forma seu convencimento, por vezes, a partir do conjunto probatório que evidencia uma dada situação de fato e não a partir de provas que isoladamente podem nada atestar. Destarte, é importante que o contribuinte, ao declarar deduções de despesas médicas, guarde, além dos recibos, outros elementos de prova da efetividade dos pagamentos e dos serviços prestados a fim de apresentálos ao Fisco em situações como esta. No mais, o contribuinte é livre para escolher efetuar os pagamentos em dinheiro, no entanto, ao fazêlo, abre mão da força probatória dos documentos bancários, restringindo sobremaneira o leque documental de que poderia fazer uso para comprovar o efetivo pagamento das despesas médicas que declarou perante o Fisco. Desse modo, deve arcar com as conseqüências de suas escolhas, resguardandose com outras provas dos valores pagos e dos serviços prestados, além dos recibos e declarações, que como visto podem ser questionados pela autoridade fiscal. No caso em tela, a fiscalização considerou os recibos e declarações insuficiente para comprovar as despesas médicas (fl. 121). Diante disso, cabia à contribuinte apresentar outros documentos que conferissem maior substrato fático aos recibos e declarações já apresentadas. Quanto os extratos bancários a DRJ registra que (fl. 121): Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10640.003285/201039 Acórdão n.º 2002000.239 S2C0T2 Fl. 150 10 Os extratos bancários em questão foram analisados pela Fiscalização, para fins de comprovação da efetividade dos pagamentos expressos nos recibos apresentados pelo interessado, tendo a autoridade fiscal considerado comprovado somente as importâncias de R$ 1.860,00 e R$ 1.960,00, referentes respectivamente a pagamentos efetuados à fisioterapeuta e à psicóloga acima mencionadas. Os exames acostados aos autos (fls. 89 a 91) atestam prestação de serviços médicos, contudo, não comprovam os valores pagos aos profissionais especificados. Logo, para o caso em tela, os exames são insuficientes para elidir os questionamentos da fiscalização. Conclusão Ante o exposto, voto por conhecer o recurso voluntário para, no mérito, negarlhe provimento. (ASSINADO DIGITALMENTE) Fábia Marcília Ferreira Campêlo Fl. 150DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10630.000028/2004-16
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.722
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva Relatório Tratase Recurso Voluntário contra o acórdão, número 0320.966, da 4ª Turma da DRJ/BSA, o qual indeferiu a Manifestação de Inconformidade contra Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, face ao art. 3° da Lei 9.317/96. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 00 00 28 /2 00 4- 16 Fl. 224DF CARF MF 2 A ora recorrente apresentou uma impugnação ao referido termo. cuja decisão da DRJ foi contrária à manifestação de inconformidade, a qual reproduzo o relatório: Relatório A exclusão da interessada da sistemática de pagamento dos tributos e contribuições de que trata o art. 3° da Lei 9.317/96, denominada Simples, foi efetuada por seenquadrar na condição impeditiva prevista no inciso XVII do art. 9° da referida lei. A manifestante contesta, em síntese, sua exclusão sob o argumento de que não é cindida, nem desmembrada, pois as outras decorrem dela. Assim, requer que seja reconsiderada a decisão que determinou sua exclusão e que se determine sua permanência no Simples. Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade e, portanto, dele eu conheço. A recorrente, basicamente , argumenta que: · a partir do texto dos citados dispositivos legais, podese verificar que a IN/SRF n° 355/2003 possui uma inovação em relação à Lei n° 9.317/96. Enquanto a lei proíbe apenas a opção da pessoa jurídica resultante da cisão, a instrução normativa também impõe a vedação às empresas remanescentes da cisão. · Com efeito, o Dicionário Houaiss da Lingua Portuguesa” define o vocábulo "remanescente" como sendo aquilo "que remanesce, que sobeja". Já a palavra “resultante” significa o “consequente, derivada. · Como se pode ver, a diferença entre os termos “resultante” e "remanescente" é sutil, mas importante. Enquanto a palavra "resultante" autoriza a exclusão do SIMPLES da(s) pessoa(s) jurídica(s) que foram criadas a partir da cisão, o cisão. De fato, a Recorrente não pode ser resultante (conseqüente/derivada) dela mesma, mas ela é remanescente (o que remanesce) da sua própria cisão. Mais adiante, argumenta que, face aos art.99 e 100, do Código Tributário Nacional, uma instrução normativa deve restringirse ao alcance da lei e cita os seguintes acórdãos do extinto 2° Conselho de Contribuintes: “No sistema jurídico brasileiro, as normas complementares devem estar sempre subordinadas à lei à qual se referem, não lhes sendo permitido criar direito novo, mas apenas estabelecer normas que permitam explicitar a forma da execução da ler; devendo ser exclusivamente intra legem e secundum legem” (Acórdão 20173110) Fl. 225DF CARF MF Processo nº 10630.000028/200416 Acórdão n.º 1001000.722 S1C0T1 Fl. 3 3 "As Instruções Normativas são normas complementares das leis (art. 100 do CTN) e não podem transpor, inovar ou modificar o texto da norma que complementam. '' (Acórdão 201 72.754) “Instrução Normativa não é ato próprio para ampliar o campo de incidência de tributo, nem pode extrapolar os limites da lei' (Acórdão 20172441) De fato, "O ato administrativo que determina a exclusão da opção pelo SIMPLES deve observar o prescrito na Lei (Acórdão n° 30331881) e estabelecer “nexo entre o motivo do ato e a norma jurídica, sob pena de sua nulidade" (Acórdão n° 301 33841). E assim, entende que: · assim, demonstrado que: (i) a Recorrente foi excluída do SIMPLES não por ser resultante de cisão, mas por ser remanescente dela; (ii) a IN/SRF n° 355/2003 inovou em relação à vedação ao SIMPLES contida no art. 9°, XVII, da Lei n° 9.317/96; (iii) a fiscalização se ateve apenas ao texto da IN/SRF n° 355/2003 e não à norma da lei; fica claro que deve ser reformada a decisão recorrida, para o fim de se reconhecer z a nulidade do Ato Declaratório Executivo n° 10, de 16/01/2004. Requer, portanto, provimento ao recurso voluntário para autorizar a sua permanência no simples. Em seu voto, a DRJ concluiu: O argumento trazido à baila pela empresa não a socorre para o fim de mantêla na sistemática do Simples, visto que se encontrava em condição não permitida para permanecer no Sistema, nos termos do inciso XVII do art. 9° da Lei 9.317/1996 (que seja resultante de cisão ou qualquer outra forma de desmembramento da pessoa jurídica, salvo em relação aos eventos ocorridos antes da vigência desta Lei). Por oportuno, observase que o disposto no inciso XVII também se aplica a pessoa jurídica remanescente da cisão (IN SRF 355/2003, XVI, parágrafo 7°). Ex posítis, voto no sentido de indeferir a manifestação de inconformidade para manter o Ato Declaratório Executivo de exclusão. Entendo não assistir razão à recorrente. Não me parece ter havido uma ampliação do conceito da lei, trazido pela IN 355 (como acima transcrito). Na verdade, ela apenas "traduziu" o alcance do diploma legal, cujo claro objetivo era o de beneficiar pessoas jurídicas de pequeno porte. Para tanto, estabeleceu uma limitação para as empresas, que dividissem o seu patrimônio para que pudessem enquadrarse, individualmente, nos limites do simples, Fl. 226DF CARF MF 4 efetuassem a opção o que seria claramente contrário aos objetivos da lei. Ou seja, a limitação, obviamente, deve aplicarse a todas as envolvidas na operação. No caso da recorrente, a pessoa jurídica foi dividida em quatro sociedades com os mesmos sócios, domiciliadas no mesmo endereço, mesmos administradores, ou seja, o que já seria suficiente para enquadrála em várias situações impeditivas previstas no mesmo artigo 9° da Lei 9.317/1996. Assim, entendo que a IN 355/2003 é uma norma complementar da lei 9.317/96, nos termos do art. 100, do Código Tributário Nacional (CTN), não tendo extrapolado o conceito nela estabelecido. Recurso voluntário negado, sem crédito em litígio. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 227DF CARF MF
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Numero do processo: 16095.720130/2014-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.761
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS DA COSTA CAVALCANTI FILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 60 95 .7 20 13 0/ 20 14 -0 2 Fl. 16436DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 16.437 ___________ Relatório O presente processo cuida de lançamento de IPI, acrescido de juros de mora e da multa de 75%. Conforme relato do acórdão de recurso voluntário: O estabelecimento industrial inscrito no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) sob nº 07.526.557/001262 foi autuado por AuditorFiscal da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Guarulhos (SP), conforme Auto de Infração das fls. 3267 a 3273, para exigência do IPI, no valor de [...], acrescido de juros de mora e da multa de 75%, totalizando [...], na data da autuação. O lançamento de ofício se deveu à falta de lançamento do IPI, por suspensão indevida desse imposto nas saídas de produtos tributados, nos períodos de apuração de janeiro a dezembro de 2010. [...] [...] A fiscalização relata que, em resposta ao Termo de Início de Procedimento Fiscal, o estabelecimento apresentou a documentação solicitada, em especial, a relação dos produtos fabricados e um relatório extraído do Sistema de Controle de Produção de Bebidas (Sicobe), especificando o seguinte: a quantidade, em unidades, relativa à produção do estabelecimento; a produção não comercializada; a produção informada pelo estabelecimento; e a produção final. [...] Verificouse que o contribuinte é optante do Regime Especial de Tributação de Bebidas Frias (Refri), de que tratam os arts. 58A e 58J a 58T da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, incluídos pelo art. 32 da Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008, dispositivos que foram regulamentados pelo Decreto nº 6.707, de 23 de dezembro de 2008, com data de opção pelo Refri em 29 de dezembro de 2008 e início de vigência da opção em 1º de janeiro de 2009. No citado regime especial, o IPI é apurado em função de um valor base, expresso em reais ou em reais por litro, discriminado por tipo de produto e por marca comercial e definido a partir de um preço de referência. [...] Foi constatado, em especial, que, do total de NFEs emitidas, as operações relativas a 1.103.384,87 hl se referem às transferências de produção do estabelecimento fabril, para outros estabelecimentos filiais da mesma pessoa jurídica. Todas as saídas de produção de cervejas de malte e chope, efetuadas a título de transferência, foram feitas mediante utilização dos Códigos Fiscais de Operações e Prestações (CFOPs) 5.151 e 6.151, relativos à transferência de produção do estabelecimento, com suspensão do IPI, e 6.408, relativo à transferência de produção do estabelecimento em operação com produto sujeito ao regime de substituição tributária, com invocação do art. 42, X, do Decreto no 4.544, de 26 de dezembro de 2002, Regulamento do IPI (RIPI), de 2002, ou do art. 43, X, do Decreto no 7.212, Fl. 16437DF CARF MF Processo nº 16095.720130/201402 Resolução nº 3301000.761 S3C3T1 Fl. 16.438 3 de 15 de junho de 2010, Regulamento do IPI (RIPI), de 2010, transferências que tiveram como destinatários os estabelecimentos filiais de CNPJs 02.808.708/000360, 000603, 001090, 004005, 006482, 006644, 007373, 007888 e 013420, com Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) 4635402, alusivo a comércio atacadista de cerveja, chope e refrigerante, e também como destinatários os estabelecimentos filiais de CNPJ 02.808.708/001685, 001766, 004277, 005753 e 005834, com CNAE 1113502, alusivo a fabricação de cervejas e chopes. Na sequência, a fiscalização ressalta que, sendo o remetente dos produtos nas aludidas transferências optante pelo Refri, como referido anteriormente, ficava obrigado a lançar o IPI nas respectivas NFEs, porquanto o art. 58N da Lei nº 10.833, de 2003, e o art. 32 do Decreto nº 6.707, de 2008, estabelecem que, no regime especial, o IPI incide uma única vez sobre os produtos nacionais na saída do estabelecimento industrial. A fiscalização acrescenta que, segundo o art. 42 do Decreto nº 6.707, de 2008, as demais disposições da legislação do IPI aplicamse aos regimes previstos no referido decreto, naquilo que não forem contrárias, circunstância que exclui, no caso, o regime de suspensão previsto no art. 42, X, do RIPI de 2002, e no art. 43, X, do RIPI de 2010. À vista disso, considerando que as saídas de produção do estabelecimento, nas operações de transferência, foram feitas com suspensão indevida do IPI, os valores desse imposto devidos e não lançados nas NFEs foram calculados com base nas tabelas IX a XII do Anexo do Decreto nº 6.904, de 20 de julho de 2009, aplicável às cervejas de malte, código 2203.00.00 da Tabela de Incidência do IPI (TIPI), conforme discriminado a seguir: Este acórdão deu provimento parcial ao recurso voluntário, "para que seja mantido o lançamento, mas afastados os montantes efetivamente recolhidos pelos estabelecimentos da mesma empresa em relação aos produtos constantes da autuação, a fim de evitar a dupla incidência do imposto, em respeito ao art. 58N da Lei no 10.833/2003", assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 31/01/2010 a 31/12/2010 IPI. REGIME TRIBUTÁRIO ESPECIAL. REFRI. No regime tributário especial de que tratam os arts. 58 J e seguintes da Lei nº 10.833/2003 REFRI, a disposição do art. 43, X é incompatível com a disciplina restritiva do art. 58N da Lei no 10.833/2003, devendo o IPI ser recolhido na saída do estabelecimento industrial. INCIDÊNCIA ÚNICA. RECOLHIMENTOS. ESTABELECIMENTOS. O IPI incidirá uma única vez sobre os produtos nacionais na saída do estabelecimento industrial. Como o REFRI alcança, por disposição legal expressa do próprio art. 58 J, todos os estabelecimentos da empresa e todos Fl. 16438DF CARF MF Processo nº 16095.720130/201402 Resolução nº 3301000.761 S3C3T1 Fl. 16.439 4 os produtos fabricados, não se pode exigir o IPI se houver prova de que ele já tenha sido recolhido, para os mesmos produtos, e sobre a mesma base, ainda que por outro estabelecimento da mesma empresa. O que está em julgamento, no entanto, são embargos de declaração contra o acórdão em foco, da parte do titular da DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL EM ARACAJU/SE, Autoridade Administrativa incumbida da execução. Transcrevo parte do despacho de admissibilidade respectivo: No arrazoado de fls. 16.426 a 16.430, o titular da DRF Aracaju/SE (DRF/AJU) solicita o acolhimento de seu recurso como embargos de declaração ou, alternativamente, como embargos inominados, tendo em vista que o acórdão apresentaria lapso manifesto quanto aos elementos necessários e imprescindíveis à sua liquidação. Segundo o embargante, embora o voto condutor afirme "ser desnecessária a prova pericial ou a baixa em diligência diante da decisão proposta", o acórdão não prescinde de uma diligência, posto que seria preciso efetuar uma nova apuração para aferir qual o montante de IPI já recolhido por outra unidade, tempestivamente ou não, bem como para verificar se há ou não crédito tributário a ser mantido no processo. Por essa razão, pretende que seja modificado o provimento do acórdão e que o julgamento seja convertido em diligência a ser executada pela DRF Guarulhos/SP (DRF/GUA), unidade onde foi lavrado o auto de infração. Foime distribuído o presente processo para relatar e pautar. É o relatório. Fl. 16439DF CARF MF Processo nº 16095.720130/201402 Resolução nº 3301000.761 S3C3T1 Fl. 16.440 5 Voto Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Relator. Analisados os pressupostos de admissibilidade, os embargos foram admitidos, como inominados, nos termos do art. 66 do Regimento Interno do CARF. A questão central é se deve ou não haver diligência a verificar se houve recolhimento de IPI, para os mesmos produtos, e sobre a mesma base, por outro estabelecimento da mesma empresa. Observese que o acórdão de recurso voluntário afasta os montantes efetivamente recolhidos pelos estabelecimentos da mesma empresa em relação aos produtos constantes da autuação, a fim de evitar a dupla incidência do IPI. O Despacho de Admissibilidade dos embargos assim deduz: Depois de analisar internamente o acórdão nº 3301002.927, a Sacat da DRF/AJU decidiu remeter os autos ao Sefis da DRF/GUA em 03/05/2017, por entender necessária a realização de diligência para aferir qual o montante de IPI já recolhido por outra unidade, tempestivamente ou não, bem como para confirmar se haveria ou não crédito tributário a ser mantido (fl. 16.422). Entretanto, o Sefis da DRF/GUA restituiu o processo à DRF/AJU em 21/06/2017 com o seguinte despacho (fl. 16.423): No acórdão o CARF entendeu ser desnecessária a baixa em diligência, portanto, não se aplica o disposto no §4º do art. 2º da Portaria SUFIS nº 1800, de 30/12/2016. Cabe a unidade de preparo implementar a decisão. O contribuinte alega que pagou e incumbe a ele comprovar os pagamentos, conforme a legislação vigente. Se a unidade entender que seja necessária a realização de diligência, cabe a ela realizar. [...] De acordo com a autoridade embargante, embora o voto condutor afirme "ser desnecessária a prova pericial ou a baixa em diligência diante da decisão proposta", o acórdão não prescinde de uma diligência, posto que seria preciso efetuar uma nova apuração para aferir qual o montante de IPI já recolhido por outra unidade, tempestivamente ou não, bem como para verificar se há ou não crédito tributário a ser mantido no processo. Aduz que o caso não consiste em simples verificação de valores de IPI recolhidos e consequente apuração do valor a ser mantido. Segundo o peticionário, ainda que se tentasse concretizar o que foi decidido no acórdão, sem uma diligência, o esforço a ser empreendido se assemelharia mais a uma nova e abrangente fiscalização, além de proporcionar um resultado ineficiente. Ainda assim, acrescenta, não seria possível determinar o valor Fl. 16440DF CARF MF Processo nº 16095.720130/201402 Resolução nº 3301000.761 S3C3T1 Fl. 16.441 6 principal a ser mantido no auto de infração, uma vez que restariam as seguintes incertezas: 1. produtos que possuem nas filiais saídas no mês superiores às entradas – mesmo que aparentemente, essa situação sugira que todos os produtos que entraram na filial foram tributados na saída no mesmo mês, qual garantia que não fossem saídas de produtos de estoques anteriores? 2. produtos com as saídas nas filiais menores que as respectivas entradas – nestes casos, a tributação foi diferida e terá que ser cobrado os juros da mudança de mês? Até qual mês? Até o mês em que as saídas sejam superiores às entradas? Ou nestes casos restaria comprovado falta de recolhimento do principal e deveria ser mantido a cobrança do principal com multa de ofício? Considerando ainda que lançamento semelhante ao objeto do presente processo também foi efetuado para outros estabelecimentos industriais do mesmo contribuinte, e considerando também que uma filial certamente recebe produtos de mais de um estabelecimento industrial, como poderemos ter certeza que o IPI recolhido pela filial já não foi considerado, nos termos do Acórdão, como sendo referente a produtos fabricados por outro estabelecimento industrial, cujo lançamento também tenha tido decisão semelhante? [...] Nessa toada, vale observar que o acórdão desta Turma repudiou a diligência/ perícia em momento processual distinto, de pleito da contribuinte, que não de execução do julgado administrativo, como objeto dos embargos. No referido acórdão foi dito: O interessado requer a realização de diligência e/ou perícia técnica, com o objetivo de, a partir da documentação fiscal juntada por amostragem ao presente feito, demonstrar o quanto alegado na impugnação, especialmente o efetivo recolhimento do imposto exigido, para o que elaborou quesitos e indicou e qualificou seus peritos. A embargante cita três processos, diz, "com tema idêntico e concernentes a outros estabelecimentos do mesmo contribuinte, nos quais os julgamentos foram convertidos em diligência". Tomo trecho do último deles: Durante o curso da Fiscalização, foi identificado que a Recorrente promoveu a saída de mercadorias destinadas a outros estabelecimentos da mesma empresa, utilizandose da suspensão do IPI, fundamentando tal prática no art. 42, X do RIPI/02 ou art. 43, X do RIPI/10. A Fiscalização entendeu indevida a suspensão aplicada, efetuando a cobrança da totalidade do imposto lançado como suspenso, independentemente do fato de ter ocorrido ou não o seu recolhimento pelos estabelecimentos recebedores das mercadorias. Fl. 16441DF CARF MF Processo nº 16095.720130/201402 Resolução nº 3301000.761 S3C3T1 Fl. 16.442 7 Diante de tal fato, entendeuse relevante, a estes julgadores, verificar se houve ou não o recolhimento do IPI nas etapas subsequentes e, em caso positivo, de que forma tal recolhimento poderia ser abatido no crédito tributário lançado. É preciso esclarecer que tal diligência não tem por escopo alterar o valor do crédito tributário apontado como devido, mas, sim, verificar a possibilidade de abatimento financeiro do IPI recolhido nas etapas subsequentes sobre os mesmos produtos lançados com a suspensão do IPI. Assim, por todo o exposto e concordando com entendo as razões da embargante, voto por converter o julgamento em diligência, para que a unidade lançadora: 1) intime o contribuinte para comprovar os valores de IPI apurados/ lançados nas etapas subsequentes, relativamente aos produtos cuja saída do estabelecimento autuado se deu com a suspensão do IPI; 2) efetue o abatimento dos valores comprovadamente apurados / lançados pela Recorrente relativamente àqueles lançados no presente Auto de Infração; e 3) conceda prazo de trinta dias para a contribuinte se manifestar, finda a diligência, sobre o relatório dela decorrente, retornando os autos, em seguida, ao CARF para retomada do julgamento. Tal levantamento (itens 1 e 2) deverá considerar os valores lançados na presente autuação e os valores efetivamente apurados / lançados pelos estabelecimentos recebedores das mercadorias saídas com suspensão, considerando, ainda, eventual ajuste de correção monetária em face das datas de apuração e efetivo recolhimento. (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator Fl. 16442DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.720754/2011-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. ERRO.
Constatada a existência de contradição e erro na formalização do acórdão, acolhe-se os embargos de declaração, para que seja sanado o vicio apontado.
RECURSO DE OFICIO. VALOR EXONERADO SUPERIOR AO LIMITE DE ALÇADA. CONHECIMENTO.
O reexame necessário se impõe obrigatório quando o valor exonerado é superior ao limite de dispensa vigente na data do julgamento. No presente caso tal valor supera o previsto no artigo 1º da PORTARIA MF Nº 63, DE 09 DE FEVEREIRO DE 2017, razão pela qual deve ser conhecido.
DECADÊNCIA.
Na análise da decadência de créditos tributários previdenciários, em havendo o recolhimento antecipado de contribuições para a Seguridade Social e não tendo sido caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, é de se aplicar, na contagem do prazo decadencial, o disposto no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 2402-006.446
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para sanar a contradição por meio do ajuste da fundamentação que deu ensejo à decisão, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Junior, Mario Pereira de Pinho Filho.
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. ERRO. Constatada a existência de contradição e erro na formalização do acórdão, acolhe-se os embargos de declaração, para que seja sanado o vicio apontado. RECURSO DE OFICIO. VALOR EXONERADO SUPERIOR AO LIMITE DE ALÇADA. CONHECIMENTO. O reexame necessário se impõe obrigatório quando o valor exonerado é superior ao limite de dispensa vigente na data do julgamento. No presente caso tal valor supera o previsto no artigo 1º da PORTARIA MF Nº 63, DE 09 DE FEVEREIRO DE 2017, razão pela qual deve ser conhecido. DECADÊNCIA. Na análise da decadência de créditos tributários previdenciários, em havendo o recolhimento antecipado de contribuições para a Seguridade Social e não tendo sido caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, é de se aplicar, na contagem do prazo decadencial, o disposto no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para sanar a contradição por meio do ajuste da fundamentação que deu ensejo à decisão, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Junior, Mario Pereira de Pinho Filho.
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CONTRADIÇÃO. ERRO. Constatada a existência de contradição e erro na formalização do acórdão, acolhese os embargos de declaração, para que seja sanado o vicio apontado. RECURSO DE OFICIO. VALOR EXONERADO SUPERIOR AO LIMITE DE ALÇADA. CONHECIMENTO. O reexame necessário se impõe obrigatório quando o valor exonerado é superior ao limite de dispensa vigente na data do julgamento. No presente caso tal valor supera o previsto no artigo 1º da PORTARIA MF Nº 63, DE 09 DE FEVEREIRO DE 2017, razão pela qual deve ser conhecido. DECADÊNCIA. Na análise da decadência de créditos tributários previdenciários, em havendo o recolhimento antecipado de contribuições para a Seguridade Social e não tendo sido caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, é de se aplicar, na contagem do prazo decadencial, o disposto no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 07 54 /2 01 1- 79 Fl. 653DF CARF MF Processo nº 19515.720754/201179 Acórdão n.º 2402006.446 S2C4T2 Fl. 654 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para sanar a contradição por meio do ajuste da fundamentação que deu ensejo à decisão, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho Presidente. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Junior, Mario Pereira de Pinho Filho. Fl. 654DF CARF MF Processo nº 19515.720754/201179 Acórdão n.º 2402006.446 S2C4T2 Fl. 655 3 Relatório Tratamse de embargos de declaração interpostos pela PGFN às fls. 640/643 indicando a existência de contradição nos termos do Acórdão 01.28.886 4ª Turma da DRJ/BEL, de lavra deste relator. O mesmo foi adequadamente admitido nos seguintes termos: "A 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção exarou o Acórdão nº 2402005.924, em 6/7/17, fls. 633 a 638, não conhecendo do Recurso de Ofício, conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2010 a 31/08/2011 RECURSO DE OFICIO NÃO CONHECIDO. VALOR INFERIOR AO LIMITE DE ALÇADA. Considerando que o valor do crédito exonerado é inferior ao disposto no artigo 1º da PORTARIA MF Nº 63, DE 09 DE FEVEREIRO DE 2017. o Recurso de Oficio não deve ser conhecido. (sic) Dos Embargos de Declaração O presente processo foi encaminhado à PGFN em 15/8/17, segundo o despacho de fl. 639. Dessa forma, de acordo com o disposto Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9/6/15, Anexo II, art. 79, § 2º, a intimação presumida da Fazenda Nacional ocorreu em 14/9/17. Em 18/9/17, a PGFN apresentou os Embargos de Declaração de fls. 640 a 643, com fundamento no RICARF, Anexo II, art. 65, §1º, inciso III, alegando contradições no Acórdão nº 2402 005.924, conforme razões a seguir transcritas: Os presentes Embargos de Declaração têm o intuito de suscitar a existência de contradição no julgado: enquanto a ata do julgamento, o dispositivo do acórdão e a respectiva ementa apontam pelo não conhecimento do Recurso de Ofício – supostamente por ser o valor exonerado pela DRJ inferior ao atual limite de alçada –, o voto condutor do acórdão entende por conhecer do recurso e negarlhe provimento. [...] Não obstante a conclusão do voto esteja em consonância com o dispositivo/ementa (Ante ao exposto voto por não conhecer do recurso de oficio.), observese que todos os parágrafos anteriores do voto condutor apontam pelo conhecimento e apreciação do recurso, [...]. Fl. 655DF CARF MF Processo nº 19515.720754/201179 Acórdão n.º 2402006.446 S2C4T2 Fl. 656 4 Ora, há nítida contradição que deve ser saneada pelo colegiado. Inclusive, acerca do suposto não conhecimento, cumpre tecer alguns comentários. O atual limite de alçada, a que se submete o colegiado, é de R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), nos termos da Portaria MF nº 63/2017, cuja aplicação se dá em consonância com a Súmula 103 do CARF. [...] Salvo engano, analisando o valor do lançamento e o valor mantido, podese concluir que o valor exonerado totalizou R$ 2.859.397,29 (dois milhões, oitocentos e cinquenta e nove mil, trezentos e noventa e sete reais e vinte e nove centavos), montante que ultrapassa o valor de alçada atual. Considerando todas as questões ora apontadas: contradição existente no acórdão, bem como ponderações quanto ao valor exonerado superar o limite de alçada, resta caracterizada a necessidade de saneamento do feito. (Grifos no original) Da admissibilidade dos Embargos de Declaração Da tempestividade Considerando que a ciência presumida da PGFN ocorreu em 14/9/17, temse pela tempestividade dos embargos, nos termos do RICARF, Anexo II, art. 65, § 1º, haja vista terem sido apresentados em 18/9/17. Da alegada contradição quanto ao conhecimento do recurso Segundo a Embargante, o acórdão embargado apresenta contradição, pois, enquanto a ementa e o dispositivo apontam para o não conhecimento do recurso, o voto condutor aponta para o seu conhecimento. Vejamos, então, o que dispõe o tópico do voto condutor que trata da admissibilidade do recurso (in litteris): O recurso é tempestivo e interposto por parte legitima, entretanto, foi motivado, exclusivamente, pelo valor exonerado a época da decisão de primeira instância. O presidente da turma julgadora em atendimento ao mandamento contido no artigo 1º da Portaria MF nº 3, de 03/01/2008 interpôs o presente recurso de oficio tendo em vista que o valor objeto de provimento pela decisão recorrida foi superior ao limite definido neste dispositivo. E mesmo considerando o atual valor de alçada previsto no Artigo 1º, da Portaria MF nº 63, de 09 de Fevereiro de 2017, estaria o caso dentro do âmbito de situações em que se impõem a necessidade de reexame da Fl. 656DF CARF MF Processo nº 19515.720754/201179 Acórdão n.º 2402006.446 S2C4T2 Fl. 657 5 matéria, por ter sido a exoneração superior ao valor previsto no citado normativo.: PORTARIA MF Nº 63, DE 09 DE FEVEREIRO DE 2017 Multivigente Vigente Original Relacional (Publicado(a) no DOU de 10/02/2017, seção 1, pág. 12) Estabelece limite para interposição de recurso de ofício pelas Turmas de Julgamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ). (...Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Isto posto, o recurso de oficio preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, voto por dele conhecer. Como se vê na transcrição acima, o voto condutor, de fato, conheceu do recurso, e, após o conhecimento, finalizou a apreciação do mérito nos seguintes termos: Deste modo, a decisão recorrida não merece qualquer reparo, devendo ser mantida em sua integralidade. Sendo assim, o voto condutor não só conheceu do recurso, mas também apreciou o mérito e manteve a decisão de primeira instância. Porém, tanto a ementa, quanto o dispositivo do acórdão e a conclusão do voto condutor apontam para o não conhecimento do recurso, conforme se observa nas transcrições a seguir: Ementa: RECURSO DE OFICIO NÃO CONHECIDO. VALOR INFERIOR AO LIMITE DE ALÇADA. Considerando que o valor do crédito exonerado é inferior ao disposto no artigo 1º da PORTARIA MF Nº 63, DE 09 DE FEVEREIRO DE 2017. o Recurso de Oficio não deve ser conhecido. (sic) Dispositivo: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. Conclusão do voto condutor: Ante ao exposto voto por não conhecer do recurso de oficio. Fl. 657DF CARF MF Processo nº 19515.720754/201179 Acórdão n.º 2402006.446 S2C4T2 Fl. 658 6 Dessa forma, resta clara a contradição existente no acórdão embargado quanto ao conhecimento do recurso, devendo, pois, ser apreciada e sanada pela Turma. Das ponderações quanto ao valor exonerado em face ao limite de alçada Conforme se observa nos aclaratórios, sem apontar alguma das situações passíveis de justificar os embargos (omissão, contradição ou obscuridade), a Embargante faz algumas ponderações quanto ao não conhecimento do recurso por não atingimento do limite de alçada, mostrando que o valor exonerado teria ultrapassado tal limite. Pois bem, compulsando o acórdão embargado, percebese que nem a conclusão do voto condutor e nem o dispositivo do acórdão tratam do limite de alçada, porém, a ementa é expressa a esse respeito ao informar que o crédito exonerado não teria atingido o limite de alçada: Considerando que o valor do crédito exonerado é inferior ao disposto no artigo 1º da PORTARIA MF Nº 63, DE 09 DE FEVEREIRO DE 2017. o Recurso de Oficio não deve ser conhecido. (sic) Portanto, considerando que o limite de alçada é de R$ 2.500.000,00, segundo previsto na Portaria MF nº 63, de 9/2/17, resta evidente uma contradição entre a ementa constante do acórdão o montante do crédito exonerado. De qualquer forma, entendemos que o saneamento da contradição anterior deverá solver esta contradição quanto ao limite de alçada. Conclusão Diante do exposto, admitemse os embargos, para que sejam incluídos em pauta de julgamento e apreciadas as contradições apontadas. Ressaltese, todavia, que a presente análise se restringe à admissibilidade dos embargos, sem uma apreciação exauriente das questões apresentadas, a qual será procedida quando do julgamento pelo colegiado. É o Relatório. Fl. 658DF CARF MF Processo nº 19515.720754/201179 Acórdão n.º 2402006.446 S2C4T2 Fl. 659 7 Voto Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator Presentes os pressupostos intrínsecos (legitimidade, interesse, cabimento e inexistência de fato impeditivo ou extintivo) e extrínsecos (tempestividade e regularidade formal) de admissibilidade dos Embargos de Declaração, restando evidentes as contradições apontadas o mesmo merece ser acolhido. Entretanto, não pelas razões contidas nos Embargos, ou mesmo tendo em conta os relevantes apontamentos constantes do Despacho de Admissibilidade. O Acórdão Embargado apresentava conclusão, dispositivo do colegiado e ementa adequadas a realidade do caso, porém, a fundamentação registrava equivoco cometido na formalização, gerando grave contradição. Os fundamentos do voto indicavam sentido diametralmente oposto a sua conclusão, indicando o conhecimento do Recurso de Oficio. Entretanto, o mesmo não merecia conhecimento eis que o valor exonerado era inferior ao limite de alçada legalmente previsto. Assim, acolhendo os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, voto por ajustar a fundamentação nos seguintes termos: O Recurso de Oficio é tempestivo e interposto por parte legitima, entretanto, foi motivado, exclusivamente, pelo valor exonerado a época da decisão de primeira instância. O presidente da turma julgadora em atendimento ao mandamento contido no artigo 1º da Portaria MF nº 3, de 03/01/2008 interpôs o presente recurso de oficio tendo em vista que o valor objeto de provimento pela decisão recorrida foi superior ao limite definido neste dispositivo. Pra fins de verificação de admissibilidade, aplicase o limite de alçada vigente no momento do julgamento, atualmente fixado em dois milhões e quinhentos mil reais nos termos do Artigo 1º, da Portaria MF nº 63, de 09 de Fevereiro de 2017. Para fins de verificação do referido limite, são considerados apenas o principal e multas objeto de exoneração. Neste caso, excluindo os valores relativos aos juros, o valor exonerado [principal e encargos de multa], é inferior ao limite de alçada, não merecendo conhecimento. Fl. 659DF CARF MF Processo nº 19515.720754/201179 Acórdão n.º 2402006.446 S2C4T2 Fl. 660 8 Conclusão. Ante ao exposto voto por acolher os Embargos de Declaração para, sem efeitos infringentes, sanar as contradições identificadas nos fundamentos, nos termos expostos no presente voto. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza. Fl. 660DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.720008/2006-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
IPI. CRÉDITO BÁSICO. PERIODICIDADE TRIMESTRAL. TRIMESTRES ANTERIORES. PEDIDO PRÓPRIO.
O ressarcimento de IPI e/ou sua compensação com débitos de tributos e contribuições, efetuado por meio de PER/DCOMP, devem se referir somente aos créditos escriturados no trimestre de apuração.
Se, no saldo credor apurado ao final do trimestre de referência, houver valores acumulados relativos a trimestres anteriores, tais quantias serão excluídas do pedido/declaração e deverão ser solicitadas em PER/DCOMP próprio.
Numero da decisão: 3401-005.347
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mara Cristina Sifuentes - Relatora.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Marcos Roberto da Silva, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: MARA CRISTINA SIFUENTES
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 IPI. CRÉDITO BÁSICO. PERIODICIDADE TRIMESTRAL. TRIMESTRES ANTERIORES. PEDIDO PRÓPRIO. O ressarcimento de IPI e/ou sua compensação com débitos de tributos e contribuições, efetuado por meio de PER/DCOMP, devem se referir somente aos créditos escriturados no trimestre de apuração. Se, no saldo credor apurado ao final do trimestre de referência, houver valores acumulados relativos a trimestres anteriores, tais quantias serão excluídas do pedido/declaração e deverão ser solicitadas em PER/DCOMP próprio.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes - Relatora. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Marcos Roberto da Silva, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
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CRÉDITO BÁSICO. PERIODICIDADE TRIMESTRAL. TRIMESTRES ANTERIORES. PEDIDO PRÓPRIO. O ressarcimento de IPI e/ou sua compensação com débitos de tributos e contribuições, efetuado por meio de PER/DCOMP, devem se referir somente aos créditos escriturados no trimestre de apuração. Se, no saldo credor apurado ao final do trimestre de referência, houver valores acumulados relativos a trimestres anteriores, tais quantias serão excluídas do pedido/declaração e deverão ser solicitadas em PER/DCOMP próprio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes Relatora. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Marcos Roberto da Silva, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 72 00 08 /2 00 6- 54 Fl. 895DF CARF MF Processo nº 10875.720008/200654 Acórdão n.º 3401005.347 S3C4T1 Fl. 896 2 Relatório Por bem descrever os fatos reproduzo o relatório constante do acórdão recorrido: Tratase de processo no qual a interessada pleiteia o ressarcimento de crédito de IPI apurado ao final do 3º trimestre de 2003, no montante de R$ 11.050.926,40, cujo estabelecimento detentor do crédito é a filial 0005, conforme indicado no PER/DCOMP nº 07159.71981.251203.1.1.011090 (fls. 02/123). Cumulativamente, referido crédito foi utilizado em diversas compensações vinculadas ao presente processo. De acordo com o Despacho Decisório de fl. 522, com base no Relatório da Ação Fiscal de fls. 517/519 e Parecer SEORT nº 13884.692/2008 de fls. 520/521, foi reconhecido à interessada o direito creditório contra a Fazenda Nacional no valor de R$ 1.120.443,38 e, conseqüentemente, homologadas as compensações declaradas até o limite do crédito ora fixado. Conforme exposto no Relatório da Ação Fiscal, verificouse que o valor glosado de R$ 9.930.483,02 referese a períodos anteriores ao ano calendário de 2003. De acordo com o artigo 11 da lei 9.779/99, o inciso II do parágrafo 2º do artigo 2º da Instrução Normativa SRF 33/99 e o parágrafo 3°do artigo 14 da Instrução Normativa SRF 210/2002, os pedidos de ressarcimento devem ser relativos aos créditos acumulados em cada trimestre calendário, o que não ocorreu. Inconformada com a decisão, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 529/541, instruída com os documentos de fls. 542/599, alegando em síntese que: 1. Preliminarmente, requer a anulação do presente auto de infração, haja vista que existe um outro idêntico, e referente ao mesmo processo, o qual recebe o n° 10580.009258/200726, e que foi lavrado pela Delegacia da Receita Federal em Salvador/BA. Alternativamente, seja determinado o cancelamento do auto de infração de n° 10580.009258/200726, que tramita perante a Delegacia Regional de Julgamento de Salvador/SP, uma vez que lavrado por servidor incompetente e com objeto idêntico a este processo, e em fiscalização realizada ao mesmo Processo de Ressarcimento, aqui tratado; 2. Apresenta fundamentos referentes à prescrição e decadência do direito da Administração Pública, concluindo que é passível de pedido de restituição os créditos que haviam sido gerados até os 10 anos anteriores ao pedido administrativo; 3. Não há impedimento por força da Constituição Federal, e inclusive, da Lei n° 9779/99, que a requerente pleiteasse créditos, que se referissem a períodos anteriores a 2003, e que Fl. 896DF CARF MF Processo nº 10875.720008/200654 Acórdão n.º 3401005.347 S3C4T1 Fl. 897 3 foram transportados para o aludido, neste ano, afim de serem aproveitados no Pedido de Ressarcimento em evidência; 4. Temse que o princípio da legalidade como princípio de administração, determina que o administrador público está subordinado aos ditames da lei vigente, e essa obrigatoriedade se estende a toda sua atividade funcional. É evidente que o despacho decisório prolatado pela Administração deve ser totalmente anulado, pois eivado do vício da ilegalidade. Ao final, requer a produção de todos os meios de prova admitidos em direito, principalmente, documental e pericial, bem como, a apresentação de novos documentos e que sejam abertos novos prazos para que a Impugnante se manifeste sobre documentos juntados pela Impugnada. A impugnação foi julgada pela DRJ Ribeirão Preto improcedente por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário exigido, Acórdão 1436.919, de 13 de março de 2006, restando assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 IPI. CRÉDITO BÁSICO. PERIODICIDADE TRIMESTRAL. TRIMESTRES ANTERIORES. PEDIDO PRÓPRIO. O ressarcimento de IPI e/ou sua compensação com débitos de tributos e contribuições, efetuado por meio de PER/DCOMP, devem se referir somente aos créditos escriturados no trimestre de apuração. Se, no saldo credor apurado ao final do trimestre de referência, houver valores acumulados relativos a trimestres anteriores, tais quantias serão excluídas do pedido/declaração e deverão ser solicitadas em PER/DCOMP próprio. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. APRESENTAÇÃO DE PROVAS FORA DE PRAZO. Sob pena de preclusão temporal, o momento processual para o oferecimento da impugnação, ou da manifestação de inconformidade, é o marco para apresentação de provas e alegações com o condão de modificar, impedir ou extinguir a pretensão fiscal, consideradas as exceções previstas no estatuto processual tributário. Regularmente cientificada a empresa apresentou recurso voluntário nos seguintes termos: Fl. 897DF CARF MF Processo nº 10875.720008/200654 Acórdão n.º 3401005.347 S3C4T1 Fl. 898 4 requer a anulação do presente auto de infração por existir um outro auto idêntico no Processo nº 10580.009258/200726, lavrado pela DRF Salvador, ou alternativamente a anulação do outro auto; requer seja considerado todo o crédito constante do pedido inicial de ressarcimento, incluído o crédito relativo a anos anteriores. É o relatório. Voto Conselheira Mara Cristina Sifuentes, relatora. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade por isso dele tomo conhecimento. Preliminarmente cumpre destacar que Processo nº 10580.009258/200726, lavrado pela DRF Salvador, foi julgado pelo CARF, acórdão nº 3102001.504, em 23/05/2012, por unanimidade de votos, negando provimento ao recurso de ofício, mantendo assim a decisão da DRJ que julgou pela improcedência do lançamento: Acórdão nº 1524.570 da DRJ Salvador Assunto: Imposto Sobre Produtos Industrializados Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 PRINCÍPIO DA AUTONOMIA DOS ESTABELECIMENTOS. MATRIZ E FILIAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. FORMALIZAÇÃO INDEPENDENTE. A luz do princípio da autonomia dos estabelecimentos, previsto no regulamento do imposto, cada um dos estabelecimentos de uma mesma firma deve cumprir separadamente as obrigações tributárias principais e acessórias, devendo o lançamento tributário ser formalizado isoladamente para cada estabelecimento. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. Erro na eleição do sujeito passivo acarreta a nulidade do lançamento. Impugnação Procedente. Crédito Tributário Exonerado Pela leitura do teor da ementa do acórdão podese verificar que a exoneração deuse pelo erro na identificação do sujeito passivo. Por consequência nada impede que o auto de infração constante do presente processo prossiga no seu julgamento. Fl. 898DF CARF MF Processo nº 10875.720008/200654 Acórdão n.º 3401005.347 S3C4T1 Fl. 899 5 O presente processo trata de PER/DCOMP solicitando o ressarcimento de crédito de IPI apurado no 3º trimestre de 2003. A DRF procedeu ação fiscal para verificar a regularidade dos créditos pleiteados e concluiu que o saldo credor passível de ressarcimento do 3º trimestre de 2003 era de R$ 1.120.443,38 e não de R$ 11.050.926,02, conforme informado pela contribuinte em PER/DCOMP nº 07159.71981.251203.1.1.011090. A fiscalização desconsiderou parte dos créditos identificados no pedido de ressarcimento por se referirem a períodos anteriores, conforme consta do Relatório de Fiscalização fls. 494 e sgs: II— DOS FATOS Em relação ao processo 10875720.008/200654 supracitado, foram realizadas as verificações citadas na introdução, bem como verificado o livro de apuração do IPI do ano calendário de 2003 (fl.450 a 456).Verificouse neste livro, que no 3º trimestre de 2003, a fiscalizada escriturou créditos de períodos anteriores no valor de R$ 9.930.483,02(fl.452 e 453). Além disso, verificouse também que a maior parte destes créditos anteriores referemse a períodos anteriores ao ano calendário de 2003(fl. 451). De acordo com o artigo 11 da lei 9.779/99, o inciso II do parágrafo 2° do artigo 2° da Instrução Normativa 33/99 e o parágrafo 3º do artigo 14 da Instrução Normativa SRF 210/2002, os pedidos de ressarcimento devem ser relativos aos créditos acumulados em cada trimestre calendário, o que não ocorreu. De fato a Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999 estipula que o saldo credor do IPI acumulado em cada trimestrecalendário poderá ser utilizado em conformidade com o disposto nos art. 73 e 74 da Lei nº 9.430/96, observadas normas expedidas pela RFB. Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei n2 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. (grifos nossos) Considerando a autorização legal a RFB publicou as Instruções Normativas 33/99 e 210/2002 para disciplinar o procedimento de solicitação de ressarcimento: Instrução Normativa SRF n° 033, de 04 de março de 1999. Art. 10 A apuração e a utilização de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, inclusive em relação ao saldo credor a que se refere o art. 11 da Lei n.° 9.779, de 1999, darse6 de conformidade com esta Instrução Normativa. Fl. 899DF CARF MF Processo nº 10875.720008/200654 Acórdão n.º 3401005.347 S3C4T1 Fl. 900 6 Do registro e do aproveitamento dos créditos Art. 20 Os créditos do IPI relativos à matéria prima (MP), produto intermediário (PI) e material de embalagem (ME), adquiridos para emprego nos produtos industrializados, serão registrados na escrita fiscal, respeitado o prazo do art. 347 do RIPI: § 20 No caso de remanescer saldo credor, após efetuada a compensação referida no parágrafo anterior, será adotado o seguinte procedimento: (grifos nossos) I o saldo credor remanescente de cada período de apuração será transferido para o período de apuração subseqüente; II ao final de cada trimestrecalendário, permanecendo saldo credor, esse poderá ser utilizado para ressarcimento ou compensação, na forma da Instrução Normativa SRF n.o 21, de 10 de março de 1997. (grifos nossos) Instrução Normativa SRF n° 210, de 30 de setembro de 2002 RESSARCIMENTO Art. 14. Os créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), escriturados na forma da legislação especifica, poderão ser utilizados pelo estabelecimento que os escriturou na dedução, em sua escrita fiscal, dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos tributados. § 3° São passíveis de ressarcimento apenas os créditos presumidos do IPI a que se refere o inciso I do § 1.2, apurados no trimestrecalendário, excluídos os valores recebidos por transferência da matriz, e os créditos relativos a entradas de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem para industrialização, escriturados no trimestrecalendário. (grifos nossos) A título de acompanhamento das mudanças nas normas administrativas ocorridas temos que posteriormente, a IN SRF nº 210/2002 foi revogada pela IN SRF nº 460, de 2004, que manteve, em seu art. 16 e parágrafos, as mesmas regras anteriores. Sucedendo a IN SRF nº 460, sobrevieram as Instruções Normativas nº 600, de 2005, e 900, de 2008, todas elas dispondo que, dos créditos relativos a entradas de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem para industrialização, somente são passíveis de ressarcimento aqueles escriturados no trimestre calendário. Portanto, após a entrada em vigor da IN nº 210/2002, somente é passível de ressarcimento o saldo credor composto pelos créditos escriturados no trimestre em referência. Ou seja, para cada trimestre calendário, o saldo credor acumulado de trimestres anteriores não pode ser utilizado para ressarcimento relativamente àquele trimestre. Assim, cada PER/DCOMP deve ter como saldo credor passível de ressarcimento apenas aquele do trimestre indicado como trimestre de apuração. Pelo exposto voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negar lhe provimento. Mara Cristina Sifuentes Relatora (assinado digitalmente) Fl. 900DF CARF MF Processo nº 10875.720008/200654 Acórdão n.º 3401005.347 S3C4T1 Fl. 901 7 Fl. 901DF CARF MF
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