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Numero do processo: 11522.000912/2010-99
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2005 a 01/01/2008
NULIDADE. INOCORRÊNCIA. RELATÓRIOS, PLANILHAS, TABELAS QUE EXPÕE DE FORMA CLARA, OBJETIVA E PRECISA OS ELEMENTOS DA TRIBUTAÇÃO E DO LANÇAMENTO. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. CLARA. OBJETIVA E ADEQUADA. LANÇAMENTO LASTREADO EM VASTO ROL DOCUMENTAL. RECORRENTE. CERCEAMENTO DE DEFESA E VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS E GARANTIAS LEGAIS RESPEITADAS.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-003.231
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator para excluir do crédito por duplicidade de lançamento, do levantamento TA1 - TRANSPORTADOR AUTÔNOMO, os senhores Fernando Bueno e José Sobrinho Alves de Oliveira, nas competências 05/2006; 09 2006; 01/2007; 03/2007 e 09/2007, pois trabalhadores da categoria de cooperados já lançados no levantamento CO1 - COOPERADOS TRANS AUTÔNOMO.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Paulo Roberto Lara dos Santos, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2005 a 01/01/2008 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. RELATÓRIOS, PLANILHAS, TABELAS QUE EXPÕE DE FORMA CLARA, OBJETIVA E PRECISA OS ELEMENTOS DA TRIBUTAÇÃO E DO LANÇAMENTO. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. CLARA. OBJETIVA E ADEQUADA. LANÇAMENTO LASTREADO EM VASTO ROL DOCUMENTAL. RECORRENTE. CERCEAMENTO DE DEFESA E VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS E GARANTIAS LEGAIS RESPEITADAS. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Recorrente COOPERATIVA DOS PROPRIETÁRIOS DE VEÍCULOS E MÁQUINAS PESADAS EM GERAL DO ESTADO DO ACRE COOPERCAM. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2005 a 01/01/2008 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. RELATÓRIOS, PLANILHAS, TABELAS QUE EXPÕE DE FORMA CLARA, OBJETIVA E PRECISA OS ELEMENTOS DA TRIBUTAÇÃO E DO LANÇAMENTO. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. CLARA. OBJETIVA E ADEQUADA. LANÇAMENTO LASTREADO EM VASTO ROL DOCUMENTAL. RECORRENTE. CERCEAMENTO DE DEFESA E VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS E GARANTIAS LEGAIS RESPEITADAS. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator para excluir do crédito por duplicidade de lançamento, do levantamento TA1 TRANSPORTADOR AUTÔNOMO, os senhores Fernando Bueno e José Sobrinho Alves de Oliveira, nas competências 05/2006; 09 2006; 01/2007; 03/2007 e 09/2007, pois trabalhadores da categoria de cooperados já lançados no levantamento CO1 COOPERADOS TRANS AUTÔNOMO. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 52 2. 00 09 12 /2 01 0- 99 Fl. 183DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11522.000912/201099 Acórdão n.º 2803003.231 S2TE03 Fl. 184 2 Eduardo de Oliveira. – Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Paulo Roberto Lara dos Santos, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11522.000912/201099 Acórdão n.º 2803003.231 S2TE03 Fl. 185 3 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD 37.213.7245, que objetiva o lançamento das contribuições sociais destinadas a outras entidades e fundos terceiros, decorrentes da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da recorrente da categoria de empregados e dos trabalhadores da categoria de contribuintes individuais, transportador autônomo cooperado e não cooperado, conforme Relatório Fiscal do Auto de Infração – REFISC, de fls. 63 a 81, com período de apuração de 05/2005 a 12/2007, conforme Termo e Início de Ação Fiscal TIAF, de fls. 29 e 30. O sujeito passivo foi cientificado da autuação, em 30/06/2010, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP, de fls. 01. O PAF é composto pelos seguintes levantamentos: CO1 – COOPERADOS TRANP AUTÔNOMO; FP1 – FOLHA DE PAGAMENTO EMPREGADO e TA1 – TRANSPORTADOR AUTÔNOMO e TI1 – COOPERADO DECL INCOR GFIP. O contribuinte apresentou sua defesa, em 30/07/2010, as fls. 106 a 115, acompanhada dos documentos, de fls. 116 a 162. Consta, as folhas 163, Termo de Apensação (2), no qual conta que este processo foi juntado por apensação do processo 11522.000909/201075, em 10/02/2012. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 0125.274 5ª, Turma DRJ/BEL, em 29/06/2012, fls. 164 a 172. No qual a impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 30/08/2013, conforme AR, de fls. 173. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição, as fls. 176, recebido, em 30/09/2013, conforme carimbo de recepção, de fls. 176, e razões recursais, as fls. 177 a 182, desacompanhado de qualquer documento. Preliminar. · que o depósito prévio é desnecessário; Mérito. · que o presente lançamento versa sobre contribuições devidas aos terceiros, porém não consta dos autos que são os cooperados, quais os documentos dão suporte ao lançamento e de onde os valores foram extraídos; as competências lançadas, bem como não demonstra o salário de contribuição/base de cálculo e parcelas; Fl. 185DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11522.000912/201099 Acórdão n.º 2803003.231 S2TE03 Fl. 186 4 · que o REFISC não identifica os fatos geradores e nem fornece os demais elementos da tributação, deixando de oportunizar a ampla defesa e o contraditório a impugnante, em razão da ausência da exposição dos fatos de forma clara e objetiva; · que consta dos autos uma “Relação dos Segurados CI – Cooperados”, com diversas informações, mas tal relação na menciona tratarse dos cooperados que não tiveram os valores retidos pela cooperativa, não se sabendo se é a relação citada pelo fisco; · que apenas o vale transporte pagos aos empregados pode ser considerado base da contribuição, não se podendo afirmar se a “Relação dos Segurados CI – Cooperados” é a que fundamenta o lançamento em função da contradições dos valores e competências; · que as competência 05/2005 e 06/2005 estavam fulminadas pela decadência SV Nº 08 STF, devendo ser aplicado o artigo 150, §4º, do CTN, pois temse lançamento na modalidade homologação; · que apesar do REFISC dizer que os elementos de provas citados estão anexados nos autos, estas provas não estão especificadas, mas concluímos tratarse de: documentos contendo os fatos geradores; origem dos créditos, demonstrativos e etc, mas que todavia não estão anexados, salvos os relatórios gerados automaticamente com a emissão do AI; · que além das contradições do REFISC, erros nas bases de cálculo, falta de demonstrativos claros e precisos e dos vícios insanáveis, está a constituição do auto eivada de cerceamento de defesa do início ao fim, o que por si só leva a sua nulidade, pois o REFISC não atende as suas finalidades, não oportunizando a ampla defesa e contraditório, por não atender ao artigo 661, da IN MPS 03/2005 e o artigo 9º, do Decreto 70.235/72, devendo o crédito ser decretado improcedente, pois o fisco não provou sua origem; · Requerimento: a) acolhimento das razões recursais, com a reforma da decisão, para anular o lançamento tributário efetuado; c) ou pela redução dos valores lançados. A autoridade preparadora não se manifestou quanto a tempestividade do recurso. Não há despacho de remessa ao CARF. É o Relatório. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11522.000912/201099 Acórdão n.º 2803003.231 S2TE03 Fl. 187 5 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Preliminar. A única preliminar suscitada referese a desnecessidade do depósito prévio, esta matéria já estava ultrapassada, quando do lançamento do presente crédito, uma vez que tal exigência fora revogada pela MP 413/2008, convertida na Lei 11.727/2008. Mérito. O agente fiscal lançador, no curso do procedimento fiscal na recorrente, ao se deparar com recibos de pagamentos em nome de Thiago Barbosa de Assis, fls. 1.111 a 1.112; 1.114; 1.116 a 1.117; 1.121 a 2, bem como cheques de pagamentos, de fls. 1.113 a 1.115; 1.122, recibos e cheques em um único documento, fls. 1.118 a 1.120, bem assim com estes documentos em nome de Dyeyme Ferreira Moraes da Costa, assim identificados, com recibos de pagamentos fls. 1.124; 1.126 a 1.131; 1.133; 1.135; 1.137, bem como cheques de pagamentos, de fls. 1.125; 1.132; 1.134; 1.136, empreendeu a diligência, de fls. 722 a 776, no Centro de Integração Empresa – Escola – CIEE para verificar em que bases o suposto estágio foi realizado, conforme elementos citados e constantes do processo principal, do qual este é apenso. Além disso o fiscal lançador promoveu outra diligência, desta feita junto à pessoa física do senhor Thiago Barbosa de Assis, fls. 1.093 a 1.109, conforme elementos citados e constantes do processo principal, do qual este é apenso. O agente lançador da conjugação dos elementos documentais fornecidos pela recorrente com o resultado das diligências chegou as conclusões que constam de seu REFISC, de fls. 63 a 78, itens 27 a 49, onde em suma conclui que em razão das averiguações realizadas ficou configurado que os dois supostos estagiários eram na verdade trabalhadores da categoria de empregados, observese as transcrições. 27. Na análise da documentação apresentada, destacamse alguns pagamentos, os quais são realizados para Thiago Barbosa de Assis e Dyeyme Ferreira Moraes da Costa. 28. No caso do Thiago Barbosa de Assis, os pagamentos foram realizados no período de 04/2007 a 12/2007, sendo que as descrições dos serviços realizados foram os seguintes: honorários, estagiário, dias trabalhados, pagamento de secretário, adiantamento de salário e 13° salário (fls. 01 a 13 do Anexo V ao Processo 11522.000909/201075). 29. Já no caso de Dyeyme Ferreira Moraes da Costa, os pagamentos foram realizados no período de 06/2006 a 03/2007, Fl. 187DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11522.000912/201099 Acórdão n.º 2803003.231 S2TE03 Fl. 188 6 sendo que nos recibos constam honorários da estagiária, honorários da secretária e, as vezes, somente honorários (fls. 14 a 28 do Anexo V ao Processo 11522.000909/201075). 30. Verificando o Livro de Registro de Empregados apresentado pela cooperativa, constatouse o registro do empregado Thiago Barbosa de Assis a partir de 02/01/2008, na função de secretário administrativo (fls. 39 a 43 do Anexo VII ao Processo 11522.000909/201075). 31. Tendo em vista que em alguns recibos em nome de Thiago Barbosa de Assis e de Dyeyme Ferreira Moraes da Costa constava nos mesmos que se tratava de pagamento a estagiários, além de outros documentos de pagamentos realizados ao Centro de Integração Empresa Escola CIEE, foi realizada uma diligência fiscal nessa entidade com o objetivo de verificar a regularidade de tais estágios. 32. A diligência fiscal foi realizada conforme MPF n° 0230100.2009.00196, tendo a mesma iniciada em 12/03/2009, conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF (fls. 02 a 04 do Anexo III ao Processo 11522.000909/201075), e encerrada em 09/07/2009, conforme Termo de Encerramento de Procedimento Fiscal TEPF (fls. 06 a 07 do Anexo III ao Processo 11522.000909/201075). 33. Inicialmente, através da resposta à intimação, o representante do CIEE informou que a entidade não havia firmado nenhuma parceria com a COOPERCAM e que a estudante Dyeyme Ferreira M da Costa não havia estagiado na COOPERCAM com intermediação do CIEE (fl. 10 do Anexo III). 34. Posteriormente, em nova resposta à intimação, o representante do CIEE retificou a informação inicial, afirmando que o CIEE firmou convênio com a COOPERCAM, e por erro operacional foi registrado no sistema em nome do presidente Sr. Carlos Agnaldo Timóteo. O representante informou ainda que os recursos recebidos da COOPERCAM referiamse a contribuição institucional referente a contratação do estagiário Thiago Barbosa de Assis. Quanto a estudante Dyeyme Ferreira M da Costa, o representante confirmou que a mesma não estagiou na COOPERCAM com intermediação do CIEE (fl. 9 do Anexo III do Processo 11522.000909/201075). 42. Analisando os fatos, concluiuse que houve uma tentativa de burlar as legislações trabalhista e previdenciária. Inicialmente foram os pagamentos realizados à Dyeyme Ferreira Moraes da Costa como remuneração de estagiário, sendo que não houve qualquer intermediação da instituição de ensino ou similar, conforme o art. 3o , da Lei 6.494, de 07/12/1977, em vigor à época. 43. Assim, considerouse Dyeyme Ferreira Moraes da Costa como segurada empregada, sendo os valores recebidos pela mesma (fls. 89 a 90) foram lançados como base de cálculo de contribuição previdenciária para esse tipo de segurado. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11522.000912/201099 Acórdão n.º 2803003.231 S2TE03 Fl. 189 7 47. De acordo com os recibos de pagamento realizados a Thiago Barbosa de Assis, verificouse que o mesmo recebeu sua primeira remuneração no valor de R$ 280,00, referente a 14 dias trabalhados em abril/2007, e depois um valor de R$ 600,00, referente aos honorários de maio/2007. 48. Em dezembro/2007, houve um pagamento no valor de R$ 1.080,00, sendo que na discriminação do mesmo consta como "Pg do Salário e 13° Thiago B. de Assis". Como o valor mensal dos pagamentos são de R$ 600,00, no valor do pagamento de 12/2007 está incluído o valor de R$ 480,00 referente ao 13° salário proporcional. Tal proporcionalidade corresponde a 9,5 meses trabalhados em 2007, contando assim a partir de meados de 04/2007. 49. Diante dos fatos apresentados, não resta dúvida de que no período de 04/2007 a 12/2007 havia vínculo empregatício entre Thiago Barbosa de Assis e a COOPERCAM, considerandose o mesmo como segurado empregado, sendo os valores recebidos pela mesma (fls. 89 a 90) foram lançados como base de cálculo de contribuição previdenciária para esse tipo de segurado. Assim sendo, não há no REFISC reconhecimento de que o Senhor Thiago Barbosa de Assis tenha sido ou fosse estagiário pelo contrário o agente lançador deixou claro que tal trabalhador se encaixa na categoria de empregados, assim como a Senhora Dyeyme Ferreira Morais. De outro lado não há porque descaracterizar ou desqualificar o dolo entendido como existente pelo agente fiscal lançador, pois além de ter ficando demonstrado acima a questão do vínculo empregatício, tal elemento foi estabelecido em razão de um conjunto de ações como esclarecido pelo agente fiscal e que abaixo transcrevo. OCORRÊNCIA DO DOLO 101. Na análise dos documentos apresentados pelo contribuinte, verificase que o mesmo cometeu várias irregularidades como a contratação de segurados empregados com se fossem estagiários, numa clara tentativa de elidir as contribuições previdenciárias devidas, não declarar e não recolher as contribuições devidas pelos segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviços e mesmo em relação aos cooperados declarou e informou apenas parte dos fatos geradores relativos a tais segurados. 102. O agravante é que as irregularidades foram cometidas de forma sistemática, em todas as competências onde ocorreram fatos geradores de contribuição previdenciária, caracterizamse assim como prática reiterada de omissão dos referidos fatos geradores. 103. Dessa forma, não resta dúvida que houve a intenção do contribuinte em reduzir a contribuição previdenciária devida pelo mesmo, havendo assim a ocorrência de dolo. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11522.000912/201099 Acórdão n.º 2803003.231 S2TE03 Fl. 190 8 104. A ocorrência do dolo será considerada como circunstância agravante da penalidade nas multas aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, elevando a mesma em três vezes o valor mínimo. 105. Outro efeito da ocorrência do dolo é no prazo decadencial, pois no caso da existência do mesmo, a decadência será sempre regida pelo art. 173, do CTN. Verificase do Relatório de Lançamentos – RL, de fls. 22 e 23, que o levantamento FP1 – FOLHA DE PAGAMENTO EMPREGADO, referese, exclusivamente, aos supostos estagiários caracterizados segurados empregados Thiago Barbosa de Assis e Dyeyme Ferreira Morais, basta ler o campo Observação do citado relatório. Por óbvio ululante os documentos utilizados para saber nome do segurado, valores pagos, competências e outros são os recibos e cheques já mencionados e identificados alhures. Aliás, a título de exemplo para espancar as dúvidas da recorrente competência 07/2007 – Thiago – recibo, fls. 1.116, do processo principal – valor R$ 700,00 – alíquota 5,8% contribuição para terceiros R$ 40,60, sendo isso que consta do Discriminativo de Débito – DD, de fls. 08, bem como do Relatório de Lançamentos – RL, de fls. 23, o mesmo se dá com a competência 08/2006– Dyeyme – recibo, fls. 1.131, do processo principal – valor R$ 400,00 – alíquota 5,8% contribuição para terceiros R$ 23,20, sendo isso que consta do Discriminativo de Débito – DD, de fls. 06, bem como do Relatório de Lançamentos – RL, de fls. 22, sendo estas conclusões de fácil verificação e constatação. Os documentos estão todos nos autos não os viu e não os utilizou a recorrente por razões que não cabe aqui inferir, mas que são de sua única e exclusiva responsabilidade e não do fisco, estando todos os elementos do artigo 9º, do Decreto 70.235/72 atendidos em sua plenitude, tendo o fisco provado e comprovado todos os elementos do lançamento. Aliás, quanto a isso o agente lançador é expresso em dizer, o que a seguir transcrevo. COMPOSIÇÃO DOS DÉBITOS 102. Os débitos apurados foram separados de acordo com o tipo (segurados, empresa e outras entidades), tendo como o de maior valor o processo principal e, os outros apensados a esse. Assim, os elementos de prova apresentados pelo contribuinte no presente relatório fiscal serão anexados apenas ao processo principal.(grifo do original). Assim sendo, não há razão para reformar a decisão originária. No que tange ao levantamento denominado pela recorrente de Autônomo Prestador de Serviços, cabe informar, inicialmente, que não existe no crédito lançado levantamento com tal denominação. Os levantamentos constantes deste lançamentos, como já mencionado no relatório deste Acórdão são os que a seguir elenco: CO1 – COOPERADOS TRANP AUTÔNOMO; FP1 – FOLHA DE PAGAMENTO EMPREGADO e TA1 – TRANSPORTADOR AUTÔNOMO e TI1 – COOPERADO DECL INCOR GFIP. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11522.000912/201099 Acórdão n.º 2803003.231 S2TE03 Fl. 191 9 No que tange ao levantamento CO1 – COOPERADOS TRANP AUTÔNOMO podese verificar dos autos duas situações distintas. A primeira se refere aos períodos de 10/2005 a 04/2006 e 06/2006 a 09/2007 nos quais nenhuma Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP foi apresentada, conforme relação, de fls. 105, denominada de Anexo – Cálculo das multas referentes aos fatos geradores omitidos nas GFIP – CFL.68, bem como conforme item 12, do REFISC, que abaixo transcrevo. 12. Em consulta aos sistemas da RFB, verificouse que a empresa havia apresentado duas GFIP sem movimento nas competências 05/2005 e 06/2006. Foram apresentadas ainda GFIP com existência de fato gerador apenas nas competências 10/2007, 11/2007 e 12/2007, todas no código de recolhimento 211 Declaração para a Previdência Social de cooperativa de trabalho relativa aos contribuintes individuais cooperados que prestam serviços a tomadores. A segunda se refere ao período de 10/2007 a 12/2007 onde consta a emissão de GFIP, contudo com omissão de parte dos fatos geradores, conforme item 63; 66 a 68, do REFISC, veja a transcrição abaixo. 63. Ocorre que no período 10/2007 a 12/2007, a cooperativa declarou na GFIP parte da remuneração de alguns cooperados. Como os valores declarados em GFIP não são apurados na ação fiscal, houve a necessidade de verificar quais foram os segurados declarados na GFIP e se houve diferença entre o valor da remuneração informado e o realmente pago. 66. Na análise das informações constantes nas GFIP citadas anteriormente, verificouse que os cooperados foram declarados com informação incorreta no campo Categoria (fl. 99), tendo informado o código 17 (Contribuinte individual Cooperado que presta serviços a empresas contratantes da cooperativa de trabalho), quando o correto seria o código 18 (Contribuinte Individual Transportador cooperado que presta serviços a empresas contratantes da cooperativa de trabalho). 67. A diferença em relação a tais códigos é que quando se informa o código 17 o sistema calcula apenas a contribuição devida pelo segurado, enquanto no caso do código 18, além da citada contribuição, há o cálculo do valor devido pelo segurado às outras entidades (SEST/SENAT). 68. Assim, para efeito de lançamento, considerouse o valor da base de cálculo de cada segurado declarado na GFIP com o campo Categoria informado incorretamente. Desta forma, os fundamentos para o lançamento das contribuições sociais previdenciárias relativas as situações acima descritas estão no artigo 22, inciso III, da Lei 8.212/91 referente a parte patronal e artigo 4ª, da Lei 10.666/2003 referente ao desconto da parte pessoal do trabalhador, tendo em vista que a recorrente não efetuou os descontos, arrecadação e recolhimentos das parcelas. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11522.000912/201099 Acórdão n.º 2803003.231 S2TE03 Fl. 192 10 Quanto as demais informações que a recorrente diz serem inexistentes no lançamento, tais como: nome dos cooperados não informados; para quais a remuneração foi informada a menor; base de cálculo e alíquotas aplicadas, comete novo engano a recorrente, pois estas informações estão todas nos autos, basta observar a planilha de fls. 91 a 93, bem como os documentos, de fls. 1.298 a 1.318, do processo principal, corroborados pelos documentos, de fls. 1.330 a 1.365 e 1.367 a 1.368, do processo principal, todos fornecidos pela recorrente e que foram utilizados como base de informações pelo agente, conforme itens 55 a 68, do REFISC que transcrevo, bem como no Relatório de Lançamentos – RL, de fls. 18 a 22, e itens 71 e 72, do REFISC, abaixo transcritos. 55. Em resposta à intimação, a cooperativa apresentou as cópias das notas emitidas no período solicitado, sendo que na maioria delas estava escrito manualmente o nome dos cooperados que foram os beneficiários das respectivas notas, sem detalhar o valor recebido por cada um deles (fls. 33 a 72 do Anexo VI do Processo 11522.000909/201075). 56. Neste caso, para obter o valor recebido por cada cooperado informado, dividiuse o valor total da nota pelo número de segurados informados. 57. Nas notas fiscais de serviços n° 21, 22, 23 e 24, não foram informados os nomes dos beneficiários, nem o valor recebido. 58. Como não houve o detalhamento da informação, dividiuse o valor total das notas pelo número de cooperados ativos na data de pagamento das respectivas notas. 59. Ressaltase que em alguns casos, foram informados nomes de trabalhadores que não eram cooperados filiados a COOPERCAM. Esses trabalhadores foram considerados como segurados contribuintes individuais na condição de transportadores autônomos, que serão tratados posteriormente no presente relatório. 60. Dessa forma, foi elaborado um relatório, no qual consta a relação dos trabalhadores beneficiados em cada nota fiscal, contendo o nome do segurado, se é cooperado ou não, a placa do veículo, o valor atribuído ao segurado, o valor total da nota, número da nota fiscal, data da emissão, data do pagamento e competência considerada para o cálculo (fls. 86 a 90). 61. Com base nas informações constantes no relatório descrito no item anterior, foi elaborado um outro relatório (fls. 91 a 93), no qual é agrupado por competência, o valor atribuído a cada cooperado, bem como a base de cálculo da contribuição previdenciário (20% do valor atribuído) e o valor da contribuição devida pelo segurado (11% sobre a base de cálculo). 62. No período de 10/2007 a 12/2007, houve a discriminação do pagamento realizado diretamente aos trabalhadores que prestaram serviços à COOPERCAM. Nesses casos, foram tabulados todos os recibos emitidos (fls. 88 a 187 do Anexo V do Processo 11522.000909/201075), de forma a se obter um Fl. 192DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11522.000912/201099 Acórdão n.º 2803003.231 S2TE03 Fl. 193 11 relatório com a relação contendo a data do recibo, o nome do segurado, se é filiado a cooperativa, a placa do veículo, o valor da produção, a taxa de administração, o valor do combustível pago pela cooperativa, a base de cálculo, o valor dos impostos e outras despesas, e o valor líquido recebido pelo transportador (fls. 94 a 96). 63. Ocorre que no período 10/2007 a 12/2007, a cooperativa declarou na GFIP parte da remuneração d e alguns cooperados. Como os valores declarados em GFIP não são apurados na ação fiscal, houve a necessidade de verificar quais foram os segurados declarados na GFIP e se houve diferença entre o valor da remuneração informado e o realmente pago. 64. Dessa forma, elaborouse um relatório (fl. 97) no qual consta a competência do pagamento, o nome do segurado, o valor total pago, a base de cálculo (20% do valor total), o desconto da contribuição previdenciária devida pelo segurado (11% sobre a base d e cálculo até o limite máximo do salário d e contribuição), os valores da base de cálculo e do desconto do segurado declarados na GFIP e a diferença entre as informações apuradas e declaradas na GFIP dos respectivos valores. 65. Dessa forma, para efeito de lançamento, consideraramse apenas os valores constantes nas colunas relativas às diferenças apuradas. 66. Na análise das informações constantes nas GFIP citadas anteriormente, verificouse que os cooperados foram declarados com informação incorreta no campo Categoria (fl. 99), tendo informado o código 17 (Contribuinte individual Cooperado que presta serviços a empresas contratantes da cooperativa de trabalho), quando o correto seria o código 18 (Contribuinte Individual Transportador cooperado que presta serviços a empresas contratantes da cooperativa de trabalho). 67. A diferença em relação a tais códigos é que quando se informa o código 17 O sistema calcula apenas a contribuição devida pelo segurado, enquanto no caso do código 18, além da citada contribuição, há o cálculo do valor devido pelo segurado às outras entidades (SEST/SENAT). 68. Assim, para efeito de lançamento, considerouse o valor da base de cálculo de cada segurado declarado na GFIP com o campo Categoria informado incorretamente. 71 . No período de 10/2007 a 12/2007, houve o pagamento direto aos transportadores, sendo que alguns deles não eram filiados à COOPERCAM. Tal situação pode ser verificada no relatório já descrito no item 61. 72. Em confronto com as informações prestadas nas GFIP declaradas nas competências 10/2007 a 12/2007, constatouse que não foram informados nenhum dos transportadores autônomos que não eram filiados à COOPERACAM. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11522.000912/201099 Acórdão n.º 2803003.231 S2TE03 Fl. 194 12 Assim sendo, todos as origens e elementos necessários estão devidamente comprovados e demonstrados. Relativamente ao levantamento TA1 – TRANSPORTADOR AUTÔNOMO, esse se encontra fundado na relação de segurados, planilha, de fls. 98, estando nessa relacionados todos os trabalhadores considerados, a remuneração recebida, a base de cálculo da contribuição e os descontos dos segurados que deveriam ter sido realizados, o que novamente afasta as alegações da recorrente. Todavia, assiste razão a recorrente ao dizer que no levantamento TA1 – TRANSPORTADOR AUTÔNOMO estão incluídos, nas competências 05/2006; 09/2006; 01/2007; 03/2007 e 09/2007, trabalhadores da categoria dos cooperados, sendo eles os senhores Fernando Bueno e José Sobrinho Alves de Oliveira como consta do Relatório de Lançamentos – RL, de fls. 24, e da planilha, de fls. 91 a 93, bem como no RL, fls. 16A; 17 a 20, para o levantamento CO1 – COOPERADOS TRANS AUTÔNOMO, havendo uma duplicidade de lançamento. Desta forma, esses trabalhadores devem ser excluídos do levantamento TA1 – TRANSPORTADOR AUTÔNOMO, pois estão inseridos pelo agente lançador como cooperados e constam do levantamento CO1 – COOPERADOS TRANS AUTÔNOMO, coincidindo os valores das contribuições para as competências 05/2006/; 09/2006 e 09/2007, mas divergindo para as competências 01/2007 e 03/2007. Passando a cuidar do levantamento TI1 – COOPERADO DECL INCOR GFIP este é uma derivação do levantamento CO1 – COOPERADOS TRANS AUTÔNOMO, no que tange as competências 10/2007 a 12/2007, uma vez que a cooperativa nestas competências declarou a GFIP, mas o fez com erro de informação entre os valores declarados, conforme trechos do REFISC, abaixo transcritos, e que esclarecem a questão. 63. Ocorre que no período 10/2007 a 12/2007, a cooperativa declarou na GFIP parte da remuneração de alguns cooperados. Como os valores declarados em GFIP não são apurados na ação fiscal, houve a necessidade de verificar quais foram os segurados declarados na GFIP e se houve diferença entre o valor da remuneração informado e o realmente pago. 64. Dessa forma, elaborouse um relatório (fl. 97) no qual consta a competência do pagamento, o nome do segurado, o valor total pago, a base de cálculo (20% do valor total), o desconto da contribuição previdenciária devida pelo segurado (11% sobre a base de cálculo até o limite máximo do salário de contribuição), os valores da base de cálculo e do desconto do segurado declarados na GFIP e a diferença entre as informações apuradas e declaradas na GFIP dos respectivos valores. 66. Na análise das informações constantes nas GFIP citadas anteriormente, verificouse que os cooperados foram declarados com informação incorreta no campo Categoria (fl. 99), tendo informado o código 17 (Contribuinte individual Cooperado que presta serviços a empresas contratantes da cooperativa de trabalho), quando o correto seria o código 18 (Contribuinte Individual Transportador cooperado que presta serviços a empresas contratantes da cooperativa de trabalho). Fl. 194DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11522.000912/201099 Acórdão n.º 2803003.231 S2TE03 Fl. 195 13 67. A diferença em relação a tais códigos é que quando se informa o código 17 o sistema cálcula apenas a contribuição devida pelo segurado, enquanto no caso do código 18, além da citada contribuição, há o cálculo do valor devido pelo segurado às outras entidades (SEST/SENAT). Nos relatórios, de fls. 99, estão discriminados os trabalhadores, os valores pagos remuneração, as bases de cálculo, o desconto do segurado, já no Relatório de Lançamentos – RL, de fls. 26 e 27, estão informados os segurados, as base de cálculo, as alíquotas e a origem da informação. Desta forma, todos os elementos, informações e dados necessários ao lançamento estão presentes nos autos, sendo irrelevantes e impertinentes as alegações da recorrente referente a “Relação dos Segurados CI – Cooperados”, uma vez que os elementos estão discriminados por levantamento um a um. 68. Assim, para efeito de lançamento, considerouse o valor da base de cálculo de cada segurado declarado na GFIP com o campo Categoria informado incorretamente. No presente crédito não ocorre a decadência suscitada pelo contribuinte recorrente e dois fatores demonstram a não ocorrência da decadência, inicialmente, e como asseverado pelo agente lançador no item 105, de seu REFISC que abaixo transcrevo, a decadência para esse crédito deve observar a regra do artigo 173, I, da Lei 5.172/66. 105. Outro efeito da ocorrência do dolo é no prazo decadencial, pois no caso da existência do mesmo, a decadência será sempre regida pelo art. 173, do CTN. Ainda, que o agente lançador não tivesse caracterizado o dolo a regra de decadência continuaria a ser a do artigo 173, I, da Lei 5.172/66 para as competências 05/2005 e 06/2005, e a razão é bem simples, no caso de tributo lançado por homologação, o que distingue e diferencia a aplicação da regra de decadência é a existência de antecipação de pagamento ou não, veja o que diz o Superior Tribunal de Justiça – STJ. RECURSO ESPECIAL Nº 970.947 SC (2007/01732916) Esta Corte tem firmado o entendimento de que o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário pode ser estabelecido da seguinte maneira: a) em regra, seguese o disposto no art. 173, I, do CTN, ou seja, o prazo é de cinco anos, contado "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado"; b) nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, cujo pagamento ocorreu antecipadamente, o prazo é de cinco anos, contado do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º do CTN O agente lançador, conforme trecho abaixo transcrito informa as competências para as quais foram identificados pagamentos e as competências 05/2005 e 06/2005, para as quais se alega a ocorrência de decadência não estão entre as com pagamentos realizados. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11522.000912/201099 Acórdão n.º 2803003.231 S2TE03 Fl. 196 14 13. Foram realizados recolhimentos à Previdência Social, através de GPS, no período de 10/2007, 11/2007 e 12/2007, todas no código de pagamento 2127 Cooperativa de trabalho (Recolhimento de contribuições com vencimento dia 15, relativas a seus cooperados) 14. Verificouse o recolhimento de duas GPS nas competências 10/2005 e 02/2006, no código de pagamento 2640 Contribuição retida sobre NF/Fatura da Empresa Prestadora de Serviço CNPJ7MF (Uso exclusivo do Órgão do Poder Público Administração direta, Autarquia e Fundação Federal, Estadual, do Distrito Federal ou Municipal, contratante do serviço). Assim sendo, a de cadência deve ser contada pela aplicação da regra do artigo 173, I, da Lei 5.172/66 seja pela ocorrência de dolo ou pela não realização da antecipação do pagamento, não se verifica a ocorrência de decadência para as competências 05/2005 e 06/2005, ficando mais esta alegação afastada. As provas utilizadas pelo agente lançador e fornecidas estão todas inclusas nos autos e fazendo parte do presente lançamento e nos tópicos específicos de seu REFISC o agente lançador fez a devida correlação entre os fatos e as provas de forma clara, objetiva e precisa cita todos os elementos utilizados, o que se inicia no item 7, do REFISC e prossegue nos itens 12 a 14 e 26, sendo que neste último identifica os anexos elaborados relacionadoos com as folhas do processo, por sua vez nos item 28 a 30, cita os anexos e as respectivas folhas do processo, onde neste última cita especificamente o LRE – Livro Registro de Empregados. Retoma a respectiva correlação das provas nos itens 32 a 35, novamente, relacionando os anexos com as folhas do processo, o mesmo se passa com os itens 37; 39; 43; 49; 51; 55; 60 a 62; 64; 74; 85; 89; 91; 94. Além de citar textualmente em várias passagem do REFISC os elementos de provas pelo nome, tais como notas fiscais, GFIP, livros e etc. Novamente, a alegação é desprovida de fundamentos e deve ser afastada. Inexistem nos autos contradição, erros de bases de cálculo, falta de demonstrativos ou quaisquer vícios e as descrições e citações acima espancam quaisquer dúvidas a respeito. O contribuinte no curso do procedimentos fiscal teve as oportunidades de apresentar as provas da regularidade de sua atuação fiscal, bem como foi cientificado do lançamento e pode desde o início refutar as considerações, conclusões e provas apresentadas pelo fisco, não havendo eiva de cerceamento de defesa, pois todo o processo está decorrendo nos termos da lei e respeitando o devido processo legal e seus consectários, como a ampla defesa e o contraditório. A simples leitura do REFISC da a exata noção da existências de todos os elementos exigidos pelo artigo 142, da Lei 5.172/66 c/c o artigo 9º, do Decreto 70.235/72 e do atendimentos o artigo 661, da IN/SRP Nº 03/2005 apesar de que este artigo não estava mais em vigor quando do lançamento do crédito. Seção II Relatório Fiscal Fl. 196DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11522.000912/201099 Acórdão n.º 2803003.231 S2TE03 Fl. 197 15 Art. 661. O relatório fiscal objetiva a exposição clara e precisa dos fatos geradores da obrigação previdenciária, de forma a permitir o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo, a propiciar a adequada análise do crédito e a ensejar ao crédito o atributo de certeza e liquidez para garantia da futura execução fiscal.(Revogado pela IN RFB nº 851, de 28 de maio de 2008) Destarte, inexiste quaisquer motivos para que se decrete a improcedência do presente lançamento. Verifico que todos os princípios informadores do procedimento e do processo administrativo fiscal estão contemplados e respeitados no presente PAF não havendo violação a qualquer um deles. Assim com esses esclarecimentos rejeito todas as alegações de mérito, suscitadas pela recorrente, salvo quando a inclusão de segurados cooperados no levantamento TA1 – TRANSPORTADOR AUTÔNOMO, os quais deveram ser excluídos por duplicidade de lançamento com o levantamento CO1 – COOPERADOS TRANS AUTÔNOMO. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por conhecer do recurso, para no mérito darlhe provimento parcial para excluir do crédito por duplicidade de lançamento, do levantamento TA1 – TRANSPORTADOR AUTÔNOMO, os senhores Fernando Bueno e José Sobrinho Alves de Oliveira, nas competências 05/2006; 09 2006; 01/2007; 03/2007 e 09/2007, pois trabalhadores da categoria de cooperados já lançados no levantamento CO1 – COOPERADOS TRANS AUTÔNOMO. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10680.912777/2009-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Sun Mar 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3402-000.650
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converteu-se o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Redator.
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente Substituto
FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator
EDITADO EM 24/04/2013
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Silvia de Brito Oliveira, Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente, justificadamente a Conselheira Nayra Bastos Manatta.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converteu-se o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Redator. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente Substituto FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator EDITADO EM 24/04/2013 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Silvia de Brito Oliveira, Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente, justificadamente a Conselheira Nayra Bastos Manatta.
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GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Presidente Substituto FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA – Relator EDITADO EM 24/04/2013 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Silvia de Brito Oliveira, Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente, justificadamente a Conselheira Nayra Bastos Manatta. Relatório. Tratase de Recurso Voluntário (fls. 62/84) contra o v. Acórdão DRJ/BHE nº 0238.040 de 20/03/12 constante de fls. 51/55 exarado pela 2ª Turma da DRJ do Belo Horizonte MG que, por unanimidade de votos, houve por bem “indeferir a manifestação de inconformidade” de fls. 01/03, mantendo o Despacho Decisório Eletrônico da DRF de Belo Horizonte MG (fls. 05/06), que indeferiu e deixou de homologar a PER/DCOMP nº 11794.09941.200905.1.3.041950, através da qual a ora Recorrente pretendia ver reconhecido RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 12 77 7/ 20 09 -1 5 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10680.912777/200915 Resolução nº 3402000.650 S3C4T2 Fl. 3 2 o direito creditório relativo ao PIS – Folha de Salários no valor original na data de transmissão de R$ 1.690,20, representado por Darf recolhido em 15/05/2003 e de compensar o o valor restituendo com o débito discriminado no referido PER/DCOMP. Por seu turno a r. decisão de fls. 51/55 da 2ª Turma da DRJ do Belo Horizonte MG, houve por bem “indeferir a manifestação de inconformidade” de fls. 01/03, mantendo o Despacho Decisório Eletrônico da DRF de Belo Horizonte MG (fls. 05/06), aos fundamentos sintetizados em sua ementa exarada nos seguintes termos: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/04/2003 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Nas razões de Recurso Voluntário (fls. 62/84) oportunamente apresentadas, a ora Recorrente sustenta que a reforma da r. decisão recorrida e a legitimidade do crédito compensando, tendo em vista: a) o afastamento da exigência do PIS incidente sobre a folha pela Receita Federal e o efeito vinculante da solução de consulta nº 412/2004 nos termos do art. 100, inc. II do CTN ; b) a ilegalidade da exigência concomitante do PIS folha/faturamento e a ausência de dedução das rubricas previstas no Decreto nº 4524/02 pela Recorrente em violação à legalidade e à tipicidade cerrada. Nas razões de Recurso Voluntário (fls. 62/84) oportunamente apresentadas, a ora Recorrente sustenta que a reforma da r. decisão recorrida e a legitimidade do crédito compensando, tendo em vista: a) o afastamento da exigência do PIS incidente sobre a folha pela Receita Federal e o efeito vinculante da solução de consulta nº 412/2004 nos termos do art. 100, inc. II do CTN ; b) a ilegalidade da exigência concomitante do PIS folha/faturamento e a ausência de dedução das rubricas previstas no Decreto nº 4524/02 pela Recorrente em violação à legalidade e à tipicidade cerrada. É o Relatório. Voto. Como se verifica dos autos, a Recorrente afirma que recolhia a contribuição ao PIS/Pasep com base na folha de pagamento e, com base na Solução de Consulta nº 412, de 15 de dezembro de 2004, a própria Receita Federal manifestouse no sentido de que o contribuinte em questão se insere no rol daqueles para os quais a Contribuição em questão incide sobre o faturamento. Assim sendo, uma vez que houve recolhimento de PIS sobre a folha de pagamento e não sobre o faturamento, mostrase viável que possa ter ocorrido efetivamente, ao menos em tese, algum recolhimento indevido a título da referida contribuição, do que redundaria haver crédito em favor da contribuinte, razão pela qual se faz necessária uma verificação mais detalhada para aferimento de valores devidos sobre o faturamento, comparando com aqueles que seriam devidos sobre a folha, para então, aquilatar a existência ou não de créditos. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10680.912777/200915 Resolução nº 3402000.650 S3C4T2 Fl. 4 3 Desta forma, entendo que o processo não se encontra em condições de receber um julgamento justo, pelo que proponho a conversão do julgamento em diligência, pois há que se verificar se a contribuinte teria, efetivamente, algum valor a recolher, o que depende de cálculo para aferimento do montante devido, o que não está afeto a esta esfera de julgamento. Assim sendo, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a autoridade preparadora adote as seguintes providências: Recomponha a(s) apuração(ões) da contribuição para o PIS/Pasep do contribuinte para o(s) período(s) de apuração(ões) objeto(s) destes autos, mediante a aplicação dos comandos da Solução de Consulta n° 412/2004, de que é titular a Recorrente; Contraponha o valor aferido conforme alínea “a”, acima, com o valor que foi recolhido pelo contribuinte a título da contribuição ao PIS/Pasep, manifestandose sobre a existência, legitimidade e suficiência de créditos decorrentes de eventual pagamento indevido ou a maior para a restituição e/ou compensação levada a efeito nestes autos; Ao final, emitir Relatório Conclusivo da diligência, intimando a Recorrente para que sobre ele se manifeste, querendo, em prazo não inferior a 30 (trinta) dias, e após, com ou sem manifestação, seja o feito remetido a este Conselho para reinclusão em pauta e prosseguimento do julgamento. É como voto. Sala das Sessões, em 23 de março de 2014 FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Fl. 163DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10680.721854/2010-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
MULTA POR ERRO NA ESCRITURAÇÃO DOS FATOS GERADORES EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE. NULIDADE DO LANÇAMENTO. DESCRIÇÃO IMPRECISA DA INFRAÇÃO CAPITULADA NA PEÇA ACUSATÓRIA.
A descrição imprecisa e obscura da infração implica na nulidade material do Auto de Infração. Do mesmo modo, a não apresentação dos Anexos mencionados no Relatório Fiscal nem a indicação do processo conexo em que eventualmente se encontrem tais demonstrativos retira da contribuinte a oportunidade da ampla defesa.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-003.444
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que declarava a nulidade por vício formal.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Carolina Wanderley Landim Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Kleber Ferreira de Araújo.
Nome do relator: CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 MULTA POR ERRO NA ESCRITURAÇÃO DOS FATOS GERADORES EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE. NULIDADE DO LANÇAMENTO. DESCRIÇÃO IMPRECISA DA INFRAÇÃO CAPITULADA NA PEÇA ACUSATÓRIA. A descrição imprecisa e obscura da infração implica na nulidade material do Auto de Infração. Do mesmo modo, a não apresentação dos Anexos mencionados no Relatório Fiscal nem a indicação do processo conexo em que eventualmente se encontrem tais demonstrativos retira da contribuinte a oportunidade da ampla defesa. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que declarava a nulidade por vício formal. Elias Sampaio Freire - Presidente Carolina Wanderley Landim Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Kleber Ferreira de Araújo.
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NULIDADE DO LANÇAMENTO. DESCRIÇÃO IMPRECISA DA INFRAÇÃO CAPITULADA NA PEÇA ACUSATÓRIA. A descrição imprecisa e obscura da infração implica na nulidade material do Auto de Infração. Do mesmo modo, a não apresentação dos Anexos mencionados no Relatório Fiscal nem a indicação do processo conexo em que eventualmente se encontrem tais demonstrativos retira da contribuinte a oportunidade da ampla defesa. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que declarava a nulidade por vício formal. Elias Sampaio Freire Presidente Carolina Wanderley Landim – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 18 54 /2 01 0- 55 Fl. 157DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 10680.721854/201055 Acórdão n.º 2401003.444 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Auto de Infraçãode Obrigação Acessória nº 37.267.3651, do qual a Autuada foi cientificada em 13.07.2010, que objetiva a cobrança de multa sob a acusação de que a empresa não registrou em títulos próprios da contabilidade os valores pagos e/ou creditados a contribuintes individuais, sócios administradores Gilson de Carvalho Queiroz Filho e Luiza Maria de Carvalho, identificados na conta “Outras Despesas 3.1.1.006.00276” no período 01/2006 a 12/2006, nem as despesa com aquisição de cestas básicas. Complementou que, os anexos I e II discriminam, por competência, os valores pagos bem como o histórico dos lançamentos contábeis. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fls. 24/25), a empresa infringiu ao art. 32, II da Lei 8.212/91, combinado com o art. 225, II e § 13 a 17 do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, sendolhe aplicada a multa prevista nos artigos 92 e 102 da Lei 8.212/91 e art. 283, inciso II, “a” e art. 373 do RPS, no valor de R$ 14.317,78. Em13/07/2010, o Recorrente tomou ciência da Ação Fiscal (fl.3) e, em seguida, apresentou impugnação (fls. 30/33) alegando, em síntese: · A preliminar de nulidade do Auto de Infração em virtude de tratarse de obrigação acessória dos Autos de Infração DEBCADs nº 37.267.3686, 37.291.6783, 37.291.6791 e 37.291.3805 que requereram a decretação da nulidade em virtude da não apreciação pela fiscalização dos documentos juntados; · Que a não apreciação dos documentos juntados concorreu de forma efetiva para a penalização da impugnante, pois os valores descontados dos segurados não foram recolhidos porque foram compensados na forma da lei e as parcelas não tributadas não o foram por determinação nas convenções coletivas de trabalho. · Que conforme se verifica do PER/DCOMP, bem como das notas fiscais e planilha de retenções/compensações juntados, há um considerável crédito da recorrente com a Previdência Social, que nos termos da legislação vigente pode ser utilizado para compensação de valores devidos. Sendo assim, se após o julgamento da demanda restar apurado algum crédito em desfavor da recorrente, requereu a sua compensação com tais créditos. Instada a manifestarse acerca da matéria, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonteàs fls. 49/61julgou procedente em parte a impugnação para excluir a autuação em relação às cestas básicas pagas in natura, porém mantendo a multa aplicada em virtude de ser única, nos termos do acórdão abaixo ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 A 31/12/2008 LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DEIXAR DE CONTABILIZAR DE FORMA DISCRIMINADA. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 4 Constitui infração à legislação previdenciária, deixar de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, por obra, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. Não há incidência de contribuição previdenciária sobre despesas com alimentação in natura em favor dos empregados tendo em vista o PARECER PGFN/CRJ/Nº 2117 de 10/11/2011, aprovado pelo Ministro da Fazenda e o Ato Declaratório PGFN nº 3 de 20/12/2011. Impugnação procedente em parte. Crédito Tributário Mantido. Devidamente intimada em 19/12/2012 (conforme AR de fl.65), a Recorrente interpôs recurso voluntário em 09/01/2013(fls.69/83), rebatendo a decisão proferida pela DRJ com base nos seguintes argumentos: · Que o código de Lançamento “CN” que corresponde ao evento, Cesta Básica in natura e “AL” Alimentação, possuem a mesma natureza jurídica, razão pela qual esse último também merece ser excluído do referido Auto de Infração, pelos mesmos fundamentos que motivaram o afastamento da cobrança sobre as quantias despendidas pela empresa para fornecimento in natura dos alimentos; · Que a ajuda de custo e o prêmio líder de turma possuem natureza jurídica indenizatória, não podendo ser considerado como salário em sentido estrito; · Reconhece que não foram tributados alguns valores enquadrados como remuneração indireta dos sócios, devendo ser considerados créditos da Fazenda e pagos ou compensados com os créditos existentes em seu favor; É o relatório. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 10680.721854/201055 Acórdão n.º 2401003.444 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheira Carolina Wanderley Landim, Relatora Recurso voluntário tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. Conforme acima exposto, a recorrente não escriturou em títulos próprios os valores pagos e/ou creditados em favor de contribuintes individuais (sócios administradores Gilson Queiroz Filho e Luiza Maria de Carvalho) e as despesas com aquisição de cestas básicas que foram considerados salário de contribuição pelo fato de a empresa não ter comprovado a inscrição no PAT. Por tal razão, foilhe aplicada à penalidade prevista nos artigos 92 e 102 da Lei 8.212/91 e art. 283, inciso II, “a” e art. 373 do RPS, no valor de 14.317,78, ajustado segundo a Portaria Interministerial MPS/MF nº 333, de 29 de junho de 2010. O órgão de julgamento a quo, ao apreciar a matéria, reconheceu que não mais caberia a autuação relativamente à concessão de cesta básica (alimentação in natura), fato que, na hipótese dos autos, não teria o condão de alterar a multa aplicada pela fiscalização, haja vista que a multa é única e independe do número de infrações ocorridas no período fiscalizado. A despeito de as alegações recursais serem estranhas àparcela da autuação que remanesceu após o julgamento de primeira instância, já que a cobrança sobre as rubricasdebatidas no recurso não influenciaram na imposição da penalidade de que trata o presente Auto de Infração, não se pode ignorar o fato de que o presente Auto de Infração é nulo por não conter descrição clara e precisa sobre a acusação fiscal realizada e, também, pelo fato de não ter sido disponibilizada à Recorrente os anexos mencionados no relatório fiscal, nem ter sido indicado o processo conexo em que se encontram. Inferese do relato da infração que, a partir da análise da contabilidade da Autuada, a autoridade lançadora considerou que a empresa não escriturou em títulos próprios da contabilidade as despesas pessoais de sócios incorridas de janeiro a dezembro de 2006, tidas pela fiscalização como prólabore indireto dos sócios. Tais valores, como informado na peça acusatória, foram registrados na conta “Outras Despesas”. Ora, o que aqui se discute não é se sobre tais valores deve incidir as exações exigidas nos lançamentos das obrigações principais, até porque a Recorrente reconheceu a procedência da cobrança nesse quesito; discutese, em verdade, se ao considerar como equivocado o registro dessas despesas na referida conta, a Autuante não deveria ter ao menos indicado em quais rubricas tais quantias deveriam ter sido registrados. A meu ver, o fato de serem consideradas parcelas indiretamente integrantes do salário de contribuição não justifica que tais rubricas não possam ser contabilizadas na conta “Outras Despesas”, daí porque, se assim não entende, a Auditora Fiscal deveria ter esclarecido precisamente as razões pelas quais considerou incorreto o lançamento contábil em análise, bem como a conta tida como adequada para o registro dessas despesas. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 6 De outro lado, verificase que a Autuante aduziu que os anexos I e II discriminam, por competência, os valores pagos, bem como o histórico dos lançamentos contábeis. Ocorre que ao compulsar os presentes autos não foram localizados tais anexos nem foi informado em qual dos processos conexos se localizam os demonstrativos. Dessa forma, é evidente o vício que acomete a peça acusatória, tanto pela descrição imprecisa da infração, como pelo fato de não constarem dos autos os anexos apontados no relatório fiscal, o que pode ter cerceado o pleno exercício do direito de defesa da Recorrente, razão pela qual, com fundamento no art. 10, I c/c art. 59, II do Decreto n. 70.235/72. Por todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO, para julgar improcedente o Auto de Infração DEBCAD n° 37.267.3651. É como voto. Carolina Wanderley Landim. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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Numero do processo: 10283.900175/2009-90
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2006
PEDIDO DE DILIGÊNCIA.
Prescinde a realização de diligência ou perícia quando constam dos autos os elementos necessários à resolução da controvérsia e o Recorrente busca, com tal providência, apenas carrear provas que já poderiam ter sido apresentadas quando da manifestação de inconformidade ou do recurso voluntário. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar a realização de diligências e perícias caso entenda necessárias ao deslinde da controvérsia.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da compensação pleiteada restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
Numero da decisão: 1803-001.947
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade jurisdição, para análise do mérito do litígio, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva
Presidente
(Assinado Digitalmente)
Sérgio Luiz Bezerra Presta
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, que presidiu a Turma, Meigan Sack Rodrigues,Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sergio Rodrigues Mendes, Raimundo Parente de Albuquerque Júnior.
Nome do relator: SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA
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Prescinde a realização de diligência ou perícia quando constam dos autos os elementos necessários à resolução da controvérsia e o Recorrente busca, com tal providência, apenas carrear provas que já poderiam ter sido apresentadas quando da manifestação de inconformidade ou do recurso voluntário. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar a realização de diligências e perícias caso entenda necessárias ao deslinde da controvérsia. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da compensação pleiteada restringese a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade jurisdição, para análise do mérito do litígio, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (Assinado Digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 01 75 /2 00 9- 90 Fl. 120DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 05/0 6/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAI VA Processo nº 10283.900175/200990 Acórdão n.º 1803001.947 S1TE03 Fl. 121 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, que presidiu a Turma, Meigan Sack Rodrigues,Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sergio Rodrigues Mendes, Raimundo Parente de Albuquerque Júnior. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao presente contencioso administrativo, adoto parte do relato do contido no Acórdão nº 0120.501 proferido pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém PA, constante das fls. 83 e seguintes dos autos, a seguir transcrito: “A Delegacia de origem, em análise datada de 18/02/2009 (fl. 06), asseverou que "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Assim, não homologou a compensação declarada. Cientificada em 05/03/2009, a interessada apresentou, em 03/04/2009, manifestação de inconformidade na qual alega (fls. 11/17): a) O equívoco decorre do fato de que a Manifestante apurou erroneamente o valor do tributo a pagar, o que será corrigido através desta manifestação com a disponibilidade dos documentos comprobatórios do crédito. b) Após têlo apurado e efetuado o pagamento, foi detectado pelo setor de contabilidade do contribuinte o pagamento a maior, bem como saldo credor decorrente de saldo negativo da CSLL, que resultara no pedido de compensação, na forma prevista na legislação que trata do assunto. c) Inadvertidamente não houve a retificação da DCTF na qual deveria constar o valor do crédito a ser compensado e o efetivo valor do imposto apurado pela Manifestante. (Demonstrativo Anexo). Pelo demonstrativo que segue anexo a manifestação de inconformidade constatase o valor do tributo pago a maior, conforme DARF, sendo o crédito objeto de compensação decorrente de saldo negativo da contribuição social sobre o lucro líquido. d) Além do saldo credor da CSLL, a manifestante possui ainda crédito originário de benefício fiscal amparado no Ato Declaratório n° 58, de 04 de abril de 2005 e no DecretoLei n° 756/69, o primeiro expedido pelo Sr. Delegado da Receita Federal, com efeito retroativo ao ano de 2004. e) Enquanto aguardava a expedição do ato declaratório, a requerente apurou e efetuou o pagamento do imposto, o que gerou crédito passível de compensação após a publicação do documento. f) Para aferição do crédito e até mesmo do débito, é indispensável que a autoridade administrativa autorize a realização de diligência nos livros fiscais e contábeis do contribuinte. Todos os valores objeto do pedido de ressarcimento/restituição e compensação dizem respeito ao exercício de 2005 ano calendário de 2004, Fl. 121DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 05/0 6/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAI VA Processo nº 10283.900175/200990 Acórdão n.º 1803001.947 S1TE03 Fl. 122 3 abrangendo todo o ano de 2004 e, por esse motivo, fica inviável anexar a esta manifestação todos os livros e documentos que comprovam a apuração do crédito. Diante do exposto, requer: a) seja dado efeito suspensivo à presente Manifestação de Inconformidade, na forma do artigo 151, inciso II, do CTN, possibilitando a obtenção da Certidão Conjunta Positiva de Débito com Efeito de Negativa, prevista no artigo 206 do Código Tributário Nacional; b) a reforma total do despacho decisório a fim de determinar a realização da diligência para comprovação efetiva do crédito alegado pelo contribuinte; c) o reconhecimento do crédito, amparado nos documentos anexos a esta Manifestação de Inconformidade e naqueles examinados por ocasião da diligência, autorizando a compensação do crédito reconhecido com o débito informado pelo contribuinte; d) pedese finalmente a Vossa Senhoria autorização para juntada de documentos, antes da decisão dessa augusta Câmara”. A 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém PA, na sessão de 25/01/2011, ao analisar a peça impugnatória apresentada, proferiu o Acórdão nº 0120.501 entendendo por unanimidade de votos, “julgar improcedente a manifestação de inconformidade”, em decisão assim ementada: “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. OBJETO. CRÉDITO. LIMITE. A análise da Declaração de Compensação efetuase em relação à data de sua transmissão, encontrandose vinculada também aos exatos limites do crédito originalmente identificado pelo contribuinte como compensável. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Cientificado da decisão de primeira instância em 23/02/2011 (quartafeira) (AR constante das fls. 88), a SHOWA DO BRASIL LTDA, qualificada nos autos em epígrafe, inconformada com a decisão contida no Acórdão nº 0120.501, recorre em 24/03/2011 (fls. 89 e segs dos autos) a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais objetivando a reforma do julgado, atacando os argumentos do acórdão recorrido, com os seguintes pedidos: “ISTO POSTO, amparada nos argumentos de fato e de direito aduzidos neste RECURSO VOLUNTÁRIO, a Recorrente pede aos Senhores Conselheiros que: a) modifiquem o ACÓRDÃO N° 0120.5013ª Turma da DRJ/BEL, ora atacado, determinando sejam analisados os livros fiscais e contábeis da Recorrente com objetivo de detectarse a existência do crédito reclamado; b) no mérito, seja reconhecido o crédito e homologado o pedido de compensação formulado, extinguindose o débito informado para compensação, objeto do presente processo”. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 05/0 6/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAI VA Processo nº 10283.900175/200990 Acórdão n.º 1803001.947 S1TE03 Fl. 123 4 Na referência às folhas dos autos considerei a numeração do processo eletrônico (eprocesso). É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta Observando o que determina os arts. 5º e 33 ambos do Decreto nº. 70.235/1972 conheço a tempestividade do recurso voluntário apresentado, preenchendo os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele, portanto tomo conhecimento. Antes de entrar no mérito, passo a analisar a preliminar de nulidade em decorrência do indeferimento do pedido de diligência levantada pela Recorrente no pedido do recurso voluntário, fls. 91e segs dos autos. Relativamente à diligência/perícia requerida não pode o pleito ser acolhido, pois a Recorrente busca o esclarecimento de fatos que já deveria ter sido providenciado desde a manifestação de inconformidade, conforme arts.15 e 16 do Decreto nº 70.235/72. Nos termos deste mesmo Decreto, a realização de diligências ou perícias justificase somente quando necessárias, a juízo da autoridade julgadora: “Art.18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências, ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art.28, in fine. (...) Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias”. No caso dos autos a perícia não se faz necessária, eis que as provas que foram (ou deixaram de ser) acostadas ao longo do procedimento fiscal são suficientes para a formação da convicção do julgador. Desse modo, não se faz necessária a dilação probatória por meio de diligências ou perícia. E, não tendo a Recorrente anexado qualquer elemento que pudesse servir para justificar a utilidade de uma diligência ou perícia, fazse imperioso indeferir o pedido. Ultrapassado esse ponto, passo agora à questão de mérito, que foi bem sintetizada pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém – PA, quando afirmou às fls. 87 dos autos: Fl. 123DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 05/0 6/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAI VA Processo nº 10283.900175/200990 Acórdão n.º 1803001.947 S1TE03 Fl. 124 5 “(...)No caso presente, embora a manifestante afirme que se trata de saldo negativo da contribuição social sobre o lucro líquido, verificase que ao efetivar sua compensação a interessada indicou como crédito pagamentos correspondentes a estimativas mensais. Impõese assinalar que, nos termos da legislação relativa à apuração do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ), aplicável à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) por força do art. 30 da Lei n° 9.430/19961. os recolhimentos efetuados pelas pessoas jurídicas optantes pelo lucro real, no decorrer dos meses do ano civil, caracterizam, em princípio, antecipações do tributo devido no final do período anual de apuração. Ou seja, o sujeito passivo, ao exercer a opção prevista no artigo 2º da Lei n° 9.430/1996, fica obrigado aos recolhimentos mensais por estimativa, com base na receita bruta, devendo, ao final do ano calendário, proceder à apuração do tributo devido, oportunidade em que poderá, então, deduzir os valores anteriormente recolhidos por estimativa.”. Porém, o único ponto levantado pela Recorrente é que é detentora do Ato Declaratório n° 58, de 04 de abril de 2005, fls. 44 dos autos, e por isso afirma o seguinte: “Ato Declaratório n° 58, de 04 de abril de 2005 está respaldado por lei e ratificado pelo Decreto n° 756/69, de 11 de agosto de 1969, que trata das deduções tributárias para fins de investimentos, cujo artigo 1º , assim prescreve: ‘Art 1º . Todas as pessoas jurídicas registradas no Pais poderão deduzir do Imposto de Renda e seus adicionais não restituíveis: a) Até 75% (setenta e cinco por cento) do valor das obrigações, que adquirirem, emitidas pelo Banco da Amazônia S.A., com o fim específico de ampliar os recursos do Fundo para Investimentos Privados no Desenvolvimento da Amazônia (FIDAM);’ Do mesmo modo, o Ato Declaratório n° 58, foi expedido por autoridade competente, ou seja, Sr. Delegado da Receita Federal, amparado por Resolução da SUFRAMA que autorizou a realização da atividade industrial da Recorrente, retroativamente ao ano de 2004, nos seguintes termos: ‘Art. 1° Fica reconhecido o direito da empresa SHOWA DO BRASIL LTDA, CNPJn° 04.012.043/000148, à redução de 75% do imposto de renda das pessoas jurídicas e adicionais nãorestituíveis, incidente sobre o lucro da exploração, relativo ao projeto de modernização de empreendimento da empresa, na área da atuação da extinta SUDAM, pelo prazo de 9 (nove) anos a partir do anocalendário de 2004’” A decisão proferida pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém PA, consubstanciada através do Acórdão nº 0120.501 asseverou, em síntese, que não haveria direito à compensação, pois a Recorrente, enquanto pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual, que efetue pagamento de estimativas mensais (IRPJ ou CSLL), só poderia utilizar esses valores ao final do período de apuração, já que a lei determina que o indébito seja apurado apenas no dia 31 de dezembro. A 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém PA, em um voto bem fundamentado, mas sob uma premissa falsa, não se pronunciou sobre o mérito do direito Fl. 124DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 05/0 6/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAI VA Processo nº 10283.900175/200990 Acórdão n.º 1803001.947 S1TE03 Fl. 125 6 creditório da Recorrente, que efetivamente recolheu aos cofres públicos R$ 33.378,13 (trinta e três mil, trezentos e setenta e oito reais e treze centavos), porém, manifestouse no sentido de que a Recorrente apenas deveria utilizar tal pagamento quando da apuração da CSLL anual, seja para dedução do CSLL devida ou na composição do respectivo saldo negativo. Esse tema já possui direcionamento reiterado no CARF que fixou o entendimento segundo o qual à Administração Tributária não é permitido definir qual momento é possível pleitear a restituição ou compensar um recolhimento indevido decorrente de erro na determinação ou recolhimento de estimativas. Além do mais, a matéria é objeto da Súmula nº 84 desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que assim determina: “Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação”. Este tema já foi enfrentado diversas vezes por essa 3ª Turma Especial, com vários julgados dos ilustres Conselheiros Sergio Rodrigues Mendes e Walter Adolfo Maresch, aos quais rendo as minhas homenagens. E, para exemplificar, trago a colação parte da decisão proferida no julgamento do processo nº. 10240.900338/201074 na sessão de abril de 2013, consubstanciado pelo Acórdão nº. 1803001.654 da lavra do ilustre Conselheiro Walter Adolfo Maresch, a quem peço vênia para transcrever a ementa, “verbis”: “IRPJ ESTIMADO. RECOLHIMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO. O art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit nº 19, de 2011)”. De outro giro, a recorrente afirma categoricamente que o valor indevidamente recolhido compõe o saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2004, devendo sobre este ponto de vista ser apreciado pela Administração Tributária, juntamente com outras PER/DCOMP que indiquem o mesmo direito creditório. Com relação a redução de imposto de renda de 75% decorrente de projeto em área de atuação da extinta SUDAM é matéria estranha à lide não devendo ser apreciada por esta turma julgadora. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 05/0 6/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAI VA Processo nº 10283.900175/200990 Acórdão n.º 1803001.947 S1TE03 Fl. 126 7 Diante de tudo isso e em face do exposto, uma vez que a Recorrente não teve apreciado o mérito de seu direito creditório, pois a instância administrativa preparadora estabeleceu como prejudicial ao exame, a impossibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, deve ser o retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para apreciação do aspecto meritório do crédito em tela. Ainda, deve se ressaltar, conforme a linha de entendimento adotada, que enquanto a Recorrente não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos, abrindose inclusive, novos prazos para o exercício do contraditório e ampla defesa, sobre o entendimento meritório acerca do direito de crédito. Desta forma voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o consequente retorno dos autos à unidade de jurisdição, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. (Assinado digitalmente) Sergio Luiz Bezerra Presta – Relator Fl. 126DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 05/0 6/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAI VA
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Numero do processo: 10494.000374/2009-11
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 01/09/2004 a 31/07/2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADES.
Não restando comprovado nos autos prejuízo ao direito de defesa, rejeita-se a preliminar de nulidade.
IMPORTAÇÕES. SUBFATURAMENTO. COMPROVAÇÃO DOS PAGAMENTOS "POR FORA". DESNECESSIDADE.
A comprovação dos pagamentos "por fora" é apenas um dos modos de o fisco comprovar o subfaturamento, mas não o único. Comprovam o subfaturamento a existência de faturas comerciais, faturas proforma e declarações de importação, onde se encontram preços divergentes para a mesma mercadoria, assim como a indicação dos percentuais e dos valores dos pagamentos "por fora" registrados em planilhas de controle paralelo encontradas nos computadores do contribuinte.
VALORAÇÃO ADUANEIRA.
Cabe à defesa o ônus de impugnar especificamente as matérias e de indicar as provas que dão lastro às suas alegações. Não tendo o contribuinte especificado no que consiste a ilegalidade cometida pela fiscalização na valoração aduaneira, mantém-se os valores apurados pelo fisco.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA PROPORCIONAL AO VALOR DO IMPOSTO.
A fraude e a sonegação engendradas, que culminaram em importações declaradas por valores inferiores aos praticados, rendem ensejo ao lançamento de ofício dos tributos não recolhidos com a multa de ofício agravada no percentual de 150%.
MULTA ADMINISTRATIVA. EMBARQUE DA MERCADORIA ANTES DA EMISSÃO DA LICENÇA DE IMPORTAÇÃO.
O embarque da mercadoria antes de emitidas as licenças de importação, configura infração à legislação aduaneira e rende ensejo à inflição da multa prevista no art. 169 do DL nº 37/66 e alterações posteriores.
MULTA ADMINISTRATIVA. INEXATIDÃO NO NOME DO EXPORTADOR/FABRICANTE.
A inexatidão na declaração do nome do importador ou fabricante, configura efetivo prejuízo ao controle aduaneiro das importações e rende ensejo à multa prevista no art. 69 da Lei nº 10.833/03.
MULTA EM RAZÃO DO SUBFATURAMENTO. MULTA REGULAMENTAR. CUMULAÇÃO. NORMA INTERPRETATIVA POSTERIOR. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÍGNA.
Nos casos de aplicação conjunta das penalidades estabelecidas nos arts. 631 e 633, I do RA/2002 cabe a aplicação retroativa do disposto no art. 703, § 1º-A do Decreto nº 6.759/2009, para o fim de excluir a multa do art. 633, I do RA/2002.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3403-002.864
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento a multa infligida com base no art. 633, I do RA/2002 por aplicação do art. 106, I, do CTN ao art. 703, § 1º-A do RA/2009.
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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NULIDADES. Não restando comprovado nos autos prejuízo ao direito de defesa, rejeitase a preliminar de nulidade. IMPORTAÇÕES. SUBFATURAMENTO. COMPROVAÇÃO DOS PAGAMENTOS "POR FORA". DESNECESSIDADE. A comprovação dos pagamentos "por fora" é apenas um dos modos de o fisco comprovar o subfaturamento, mas não o único. Comprovam o subfaturamento a existência de faturas comerciais, faturas proforma e declarações de importação, onde se encontram preços divergentes para a mesma mercadoria, assim como a indicação dos percentuais e dos valores dos pagamentos "por fora" registrados em planilhas de controle paralelo encontradas nos computadores do contribuinte. VALORAÇÃO ADUANEIRA. Cabe à defesa o ônus de impugnar especificamente as matérias e de indicar as provas que dão lastro às suas alegações. Não tendo o contribuinte especificado no que consiste a ilegalidade cometida pela fiscalização na valoração aduaneira, mantémse os valores apurados pelo fisco. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA PROPORCIONAL AO VALOR DO IMPOSTO. A fraude e a sonegação engendradas, que culminaram em importações declaradas por valores inferiores aos praticados, rendem ensejo ao lançamento de ofício dos tributos não recolhidos com a multa de ofício agravada no percentual de 150%. MULTA ADMINISTRATIVA. EMBARQUE DA MERCADORIA ANTES DA EMISSÃO DA LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 49 4. 00 03 74 /2 00 9- 11 Fl. 4680DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 O embarque da mercadoria antes de emitidas as licenças de importação, configura infração à legislação aduaneira e rende ensejo à inflição da multa prevista no art. 169 do DL nº 37/66 e alterações posteriores. MULTA ADMINISTRATIVA. INEXATIDÃO NO NOME DO EXPORTADOR/FABRICANTE. A inexatidão na declaração do nome do importador ou fabricante, configura efetivo prejuízo ao controle aduaneiro das importações e rende ensejo à multa prevista no art. 69 da Lei nº 10.833/03. MULTA EM RAZÃO DO SUBFATURAMENTO. MULTA REGULAMENTAR. CUMULAÇÃO. NORMA INTERPRETATIVA POSTERIOR. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÍGNA. Nos casos de aplicação conjunta das penalidades estabelecidas nos arts. 631 e 633, I do RA/2002 cabe a aplicação retroativa do disposto no art. 703, § 1ºA do Decreto nº 6.759/2009, para o fim de excluir a multa do art. 633, I do RA/2002. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento a multa infligida com base no art. 633, I do RA/2002 por aplicação do art. 106, I, do CTN ao art. 703, § 1ºA do RA/2009. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Tratase de autos de infração para exigir o imposto de importação, o imposto sobre produtos industrializados, a Cofins importação e o Pis/Pasep importação, assim como a multa de ofício qualificada (150%), a multa regulamentar de 1%, a multa administrativa por embarque da mercadoria antes da obtenção da licença de importação, a multa por subfaturamento (100% da diferença entre preço declarado e o praticado) e a multa substitutiva da pena de perdimento (100% do valor da mercadoria), referentes aos fatos geradores correspondentes às DI registradas no período compreendido entre setembro de 2004 e julho de 2008. O contribuinte teve ciência pessoal dos autos de infração em 21/08/2009. Segundo o relatório de fiscalização (fls. 109 a 203), os lançamentos decorreram de ação fiscal iniciada a partir de informações repassadas pela DRF Novo Hamburgo — RS, que constatou que o contribuinte havia apresentado faturas comerciais com Fl. 4681DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10494.000374/200911 Acórdão n.º 3403002.864 S3C4T3 Fl. 7 3 valores distintos para uma mesma operação de importação. A fatura apresentada para fins de instrução da DI 08/08504643, apresentava valores diferentes dos consignados na fatura apresentada para fins de instrução da Declaração de Trânsito Aduaneiro da mesma mercadoria. A fim de esclarecer os fatos, a IRFPorto Alegre, realizou diligência em dois estabelecimentos da interessada (fls. 640 e 641), ocasião em que foram retidos diversos documentos comerciais da empresa, bem como foram copiados arquivos magnéticos de interesse fiscal, que foram lacrados e posteriormente deslacrados na presença de representantes da interessada. No período abrangido pela fiscalização, a interessada registrou 182 declarações de importação de mercadorias (tecidos e acessórios destinados a artigos de tapeçaria, persianas e cortinas, artefatos têxteis), sendo que em 133 declarações de importação a fiscalização constatou o subfaturamento do valor aduaneiro declarado. A título de comprovação do subfaturamento, foram juntadas cópias das declarações de importação, documentos instrutivos das respectivas declarações, cópia dos documentos apreendidos nas diligências (faturas, conhecimentos de embarque, correspondência comercial, anotações manuscritas, etc) e, também, cópia impressa das planilhas de controle interno encontradas nos arquivos magnéticos copiados nestas mesmas diligências. Tais documentos encontramse acostados aos autos entre as folhas 671 a 3.081. Com base nos documentos coligidos e considerando presente o evidente intuito de sonegação e fraude (com falsidade ideológica e, por vezes, material dos documentos instrutivos dos despachos de importação), com plena caracterização do dolo, a fiscalização informa que adotou como critério, para fins de determinação do valor aduaneiro das mercadorias importadas, sempre que possível, o preço efetivamente praticado na importação (método do Valor de Transação, previsto no artigo 1 do Acordo Sobre a Implementação do Artigo VII do Acordo Geral Sobre Tarifas e Comércio 1994 — AVAGATT), lastreado em faturas comerciais, proformas e controles paralelos (planilhas internas da interessada) que traduziam o valor real de transação daquelas operações. Nos demais casos foi levado a efeito o método de arbitramento previsto no artigo 88 da Medida Provisória n° 2.15835/2001, utilizando como parâmetro outras importações de mercadorias idênticas ou similares ou ainda na ausência destas, com base em critérios razoáveis, conforme previsto na previsto na alínea "b", do inciso "II", do citado artigo (a lista das DI's e critérios utilizados encontrase descrita à folhas 707 e 708). Às folhas 119 a 197, a fiscalização descreveu detalhadamente, por declaração de importação relacionada a cada exportador, quais provas e qual o método aplicado para obter o valor aduaneiro utilizado para fins de cálculo dos tributos e penalidades. Informou a fiscalização que aplicou a multa de 100% sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o prego arbitrado. Em virtude das informações citadas e considerando estar caracterizado o dolo, a fiscalização aplicou as multas de oficio em 150%, em face do evidente intuito de fraude e sonegação. Considerando que em algumas declarações de importação as mercadorias foram embarcadas antes de emitida a licença de importação, conforme comprovam os conhecimentos de embarque encontrados nas diligências, a fiscalização aplicou a multa prevista na alínea "b", do inciso II, do artigo 633, do Decreto n° 4.543/02. Para uma parcela de declarações de importação (fl. 201) restou comprovado que a interessada informou incorretamente os dados do exportador/fabricante das mercadorias importadas, o que contraria o disposto no inciso I, do § 2°, do artigo 69, da Lei n° 10.833/03. Finalmente, considerando que as mercadorias importadas foram consumidas no processo produtivo da própria empresa fiscalizada, na fabricação de persianas, a fiscalização aplicou a multa prevista no artigo 631 do Decreto n° 4.543/02, dado que as mesmas foram importadas irregular ou fraudulentamente. Às folhas 203, a autoridade fiscal, ponderando que foram constatadas inúmeras práticas que configuram, em tese, crimes de falsificação de documento particular, falsidade ideológica, uso de documento falso e de descaminho, contra a ordem tributária e contra o sistema financeiro, afirma que elaborou Representação Fiscal para Fins Penais, processo administrativo n° 10494.000375/200965. Fl. 4682DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Em sede de impugnação o contribuinte alegou, em síntese, o seguinte: 1) cerceamento de defesa, pois após a notificação, sucedeuse uma série de irregularidades que maculam a validade dos procedimentos adotados. Não foram fornecidas cópias do auto de infração lavrado e da documentação examinada no momento da notificação, acarretando na perda de uma semana para a confecção da presente defesa; 2) existem citações de folhas equivocadas por parte da fiscalização no auto de infração; 3) faltam elementos para a caracterização do subfaturamento, não há comprovação do efetivo pagamento por fora. Tratamse de meras suspeitas não comprovadas, os documentos utilizados/apreendidos pela fiscalização em nada comprovam a prática do crime tributário. Os preços declarados foram os preços efetivamente praticados; 4) a Inspetoria da Receita Federal somente tomou por base a planilha encontrada em disco rígido da empresa, planilha de controle interno. Há interpretação equivocada, mera suspeita, notese que "PF" de forma alguma quer dizer "pagamento por fora", mas sim "PREÇO FINAL"; 5) deveria a fiscalização ter consultado seus sistemas internos para averiguar os preços dos produtos, certamente iria constatar que os preços não são divergentes dos declarados por empresas diversas. O método comparativo empregado pela autoridade aduaneira é falho, pois em momento algum fez pesquisas no mercado interno e externo, apenas se baseou em faturas e tabelas de preços apreendidas na empresa, estas com valores brutos, anterior a qualquer tipo de negociação; f) as DI registradas em 2009 possuem valores muito próximos dos presentes, e todas passaram pelo crivo da fiscalização; 6) apresentou, a titulo exemplificativo, 4 DI que aos olhos da imparcialidade nada atestam em relação ao aventado subfaturamento, evidenciando erro de cálculo no lançamento; 7) a Receita Federal ignorou o fato de a empresa TJ obter descontos perante seus fornecedores de até 50%, junta declaração de um exportador. Quanto aos comercial invoice encontrados na empresa com valores divergentes, estes se tratam de "orçamentos" e não faturas; 8) na fl. 168 do auto de infração, importações da Empresa Mingcheng, há que se registrar que não foram alteradas as quantidades, o que foi alterado é a unidade de medida do produto utilizada (metro linear e metro quadrado). A alteração na unidade de medida foi o que implicou o dobro na quantidade de produtos, mas na realidade a quantidade é a mesma, o que mostra a máfé, ou, no mínimo o desconhecimento de como são os procedimentos na compra de produtos dessa linha; 9) quanto às importações da Chen Pang Blind., esclarece que a empresa comercializa alumínio e não tecidos. Em relação à DI 05/04791367, o valor faturado se deu em decorrência de um crédito que a TJ possuía para com a exportadora em comento. Para a DI 07/12237717, há que se esclarecer que a mera disparidade entre os valores contidos na PROFORMA e na COMMERCIAL não é suficiente para embasar um suposto subfaturamento, a planilha de controle interno contem comentário relacionado ao percentual economizado em função dos descontos fornecidos. Na DI 07/15389542 há o mesmo problema; 10) é inaplicável a multa relacionada à licença de importação. As importações brasileiras estão dispensadas de controle administrativo, não há indicação de que as mercadorias objeto de tal multa necessitassem dessa autorização. Ademais tal multa deve ser reduzida ao montante de R$ 5.000,00, conforme prescreve o § 2°, do artigo 77, da Lei n° 10.833/03; 11) há incoerência na aplicação da multa prevista no artigo 631, do Decreto n° 4.543/02, não houve importação irregular ou fraudulenta, e incidiu sobre a mercadoria adicionada de todos os impostos decorrentes da transação, tratandose de critério previsto no Decreto 6.759/09, artigo 704, e que não pode ser aplicado retroativamente; 12) a multa por informação inexata quanto à identificação do exportador/fabricante não pode prosperar, há que restar provado na autuação que tal informação é necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado; 13) há "bis in idem" entre as multas previstas no artigo 631 e 633 do Decreto n° 4.543/02, o que é vedado ao Fisco; 14) Requereu fosse acolhida a preliminar, bem como as demais alegações apresentadas na peça de defesa, sendo decretada a total improcedência da autuação. Requereu ainda a baixa dos autos em diligência para comprovar, nos bancos de dados do comércio exterior, o preço mínimo e médio praticado por empresas brasileiras que importam produtos como a interessada. Fl. 4683DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10494.000374/200911 Acórdão n.º 3403002.864 S3C4T3 Fl. 8 5 Em 03/05/2010 o contribuinte solicitou cópia (fls. 3.175 e 3.176) das folhas 01 a 452 (autos de infração e relatório fiscal) e 3.092 a 3.126 (impugnação) do presente processo, as quais foram devidamente entregues. Em 11/05/2010, o contribuinte aditou a impugnação, juntando novas provas que consubstanciam seu "modus operandi". Argumentou, em síntese, que o caso requer perícia contábil em toda sua documentação e escrituração. Juntou documentos de fls. 3.200 a 4.253 e apresentou quesitos. Em 05/08/2010 peticionou às fls. 4.255 a 4256, formulando quesitos suplementares. Por meio do Acórdão 20.754, de 20 de agosto de 2010, a 1ª Turma da DRJ Florianópolis deu provimento parcial à impugnação para acolher o argumento de que houve equívoco da fiscalização em relação à DI 08/10502369, pois realmente houve alteração da unidade de medida de metro para metro quadrado e aumento da quantidade de produtos efetivamente importados. Foi vencido na votação o julgador Cícero Pereira Peres Martins, que votou também pela exclusão da multa regulamentar por consumo de mercadoria importada irregular ou fraudulentamente. A decisão de primeira instância recebeu a seguinte ementa: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/09/2004 a 31/07/2008 MERCADORIA ESTRANGEIRA. OBJETO DE IMPORTAÇÃO IRREGULAR OU FRAUDULENTA. CONSUMO. MULTA REGULAMENTAR. Constatada a entrega a consumo de produto de procedência estrangeira cuja importação tenha sido irregular ou fraudulenta, de se aplicar a multa prevista para a hipótese. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 01/09/2004 a 31/07/2008 BASE DE CALCULO. PREÇO EFETIVAMENTE PRATICADO. SUBFATURAMENTO. Constatado que os preços das mercadorias consignados nas declarações de importação e correspondentes faturas não correspondem à realidade das transações e são inferiores aos preços efetivamente praticados fica caracterizado o subfaturamento. Portanto, exigíveis os tributos aduaneiros devidos decorrentes deste fato. MULTA DE OFICIO AGRAVADA. Cabível a multa de oficio agravada, de 150% sobre o tributos apurados. Constatada a fraude na importação é aplicável a multa agravada de lançamento de oficio dos tributos. MULTA ADMINISTRATIVA. Constatada diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado nas importações é correta a exigência da multa administrativa. Fl. 4684DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 Impugnação Procedente em Parte" Regularmente notificado do acórdão de primeira instância em 13/09/2010 (fl. 4276), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 07/10/2010 (fls. 4309 a 4361), no qual, basicamente, reeditou as alegações de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. PPRREELLIIMMIINNAARR DDEE NNUULLIIDDAADDEE Alegou o contribuinte que houve cerceamento de defesa, em face de não ter recebido cópia dos autos de infração e respectivos documentos no momento da notificação. Examinandose as fls. 04, 48, 66, 88 e 3082, verificase que o sócio diretor da empresa, Sr. João Inácio Burille, atestou ter recebido o auto de infração e seus anexos. A alegação em sede de recurso voluntário no sentido de que o Sr. João é pessoa leiga e que não tinha preparo para saber quais documentos eram relevantes para a confecção da defesa, não pode ser acolhida porque ele responde pela empresa e a lei não exige que a pessoa a ser cientificada do lançamento tenha formação jurídica ou contábil para saber qual documento é ou não necessário para elaborar a impugnação. Portanto, além da defesa não ter comprovado a alegada supressão de documentos, o sócio da empresa consignou que recebeu o auto de infração e os documentos que lhe deram lastro, o que significa que não houve redução do prazo de 30 dias para a apresentação de defesa. Por outro lado, examinandose a impugnação e o recurso, verificase que o contribuinte demonstrou pleno conhecimento dos fatos que lhe foram imputados e que discorda da interpretação dada pela fiscalização aos documentos acostados, o que por si só afasta a alegação de cerceamento de defesa. Relativamente à exigência de requerimento escrito para solicitação de cópias do processo, não existe nenhuma ilegalidade nessa exigência. Na verdade, tal exigência visa salvaguardar o direito do contribuinte ao sigilo fiscal e ao mesmo tempo resguardar a autoridade administrativa, pois existindo requerimento e recibos por escrito, é possível comprovar a qualquer momento quem requereu e a quem foram entregues os documentos. O documento de fl. 3130, comprova que a recorrente obteve todos os documentos solicitados. Da mesma forma, o erro nas remissões das folhas nenhum prejuízo acarretou ao direito de defesa, pois os documentos foram nomeados pela fiscalização, o que tornou possível à defendente identificálos, inclusive declinando os números corretos das folhas em que estão localizados na impugnação e no recurso. O contribuinte insurgiuse contra a rejeição do pedido de diligência, sob o argumento de que não teria sido fundamentado. Fl. 4685DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10494.000374/200911 Acórdão n.º 3403002.864 S3C4T3 Fl. 9 7 A decisão recorrida fundamentou a rejeição dos pedidos de diligência e de perícia nos seguintes termos: "(...) Também se rejeita o pedido de diligência formulado pela interessada e relacionado à perícia técnica contábil dos documentos fiscais e contábeis "oficiais" da interessada. Primeiro porque formulado fora dos limites da própria impugnação, contrariando o disposto no inciso IV, do artigo 16, do Decreto n° 70.235/72; segundo porque não se encontrou no aditamento da impugnação, protocolado após o prazo legal, qualquer prova documental que não pudesse ter sido apresentada na impugnação inicial por motivo de força maior, também não se vislumbra a existência de fato ou direito superveniente, não havendo registro de que tenham sido trazidos fatos ou razões posteriormente à ciência da autuação, é o que se depreende das alíneas "a", "h" e "c", do § 4º, do artigo 16, do Decreto n° 70.235/72: (....) Como se percebe, as provas e razões devem ser apresentadas no prazo legal destinado à impugnação (inciso III, anteriormente citado), precluindo o direito de o impugnante fazêlo posteriormente em outro momento processual. Por outro lado, apresentação de prova documental não se confunde com pedido de diligência. Ademais, a matéria que a interessada pretende ver periciada não possui relação com a matéria objeto dos lançamentos, isto é, eventual perícia nos documentos fiscais e contábeis formalizados oficialmente pela interessada evidentemente não alcançaria os valores subfaturados, na medida em que estes foram levados a efeito à margem da contabilidade oficial, como demonstram inequivocamente os controles paralelos aos oficiais desenvolvidos pela interessada por meio de planilhas eletrônicas juntadas aos autos. Igualmente se indefere o pedido formulado no âmbito da impugnação inicial, para a baixa dos autos em diligência para comprovar, nos bancos de dados do comércio exterior, o preço mínimo e médio praticado por empresas brasileiras que importam produtos como os da interessada. A legislação de regência indica que para fins de tributação, nos casos de fraude e sonegação (presente caso), o valor da base de cálculo a ser considerado será efetuado com base no preço efetivamente praticado ou, quando do seu desconhecimento, mediante um dos métodos de arbitramento, conforme preconizado no artigo 84, do Decreto n° 4.543/02. (...)" Portanto, não tem razão a defesa quanto à alegação de que não houve motivação quanto à rejeição dos pedidos de diligência e perícia. Com esses fundamentos, voto no sentido de rejeitar a preliminar de cerceamento de defesa. DDOO MMÉÉRRIITTOO SSUUBBFFAATTUURRAAMMEENNTTOO Relativamente ao subfaturamento, alegou o contribuinte que a fiscalização interpretou incorretamente os documentos apreendidos, que tais documentos não comprovam o subfaturamento e que o auto de infração está calcado em meras presunções. Analisando a documentação juntada aos autos é possível constatar claramente a prática do subfaturamento, restando fartamente demonstrado que os fornecedores emitiam faturas, para fins de instrução dos despachos aduaneiros de importação, com valores divergentes dos efetivamente praticados, para o fim de reduzir valor dos tributos incidentes na importação. Fl. 4686DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 Ao contrário do alegado, a fiscalização não fez interpretação arbitrária dos documentos. Foram apresentadas informações obtidas em documentos distintos, de distintos emissores, que demonstram de forma cabal o modus operandi do contribuinte. A justificativa apresentada pelo contribuinte quanto ao significado da sigla "PF", consignada em suas planilhas de controle interno, no sentido de que se trataria de "PREÇO FINAL", não encontra respaldo na documentação juntada ao processo. A uma porque os demais campos dessas planilhas demonstram incoerência com a significação pretendida. E a duas porque em certas ocasiões o contribuinte utilizou a descrição completa, por extenso, sem qualquer simbologia como se pode conferir nas fls. 783 e 1.847. A significação da sigla "PF" é "POR FORA". Reforça essa constatação o fato de que o contribuinte controlava, em campo próprio de cada planilha, as taxas de câmbio ($$ Tx. PF.; $ Tx. PF.) dos valores transacionados às margens do sistema oficial (fls. 673, 678). Há inclusive diferenciação e controle entre as diversas taxas de câmbio relacionadas com determinada operação de importação, por exemplo no caso da DI 06/04409863, a taxa oficial de câmbio (Contrato de câmbio citado 06/027650) foi de 2,158, já a taxa oficial (registro da DI — dados complementares fl. 1984) foi 2,1426, sendo que para o valor subfaturado (USD 14.576,15) foi utilizado a taxa de 2,37 (informações da planilha à folha 678), havendo registro manuscrito (fl. 1996, canto direito superior) com uma seta apontada para este mesmo valor (2,37) com as palavras "Tx." "paralelo". A planilha confeccionada pela interessada para controle da citada operação, à folha 1998, traz em diversos campos clara separação, indicando textualmente quando se trata de referência a valor "oficial" ou "por fora". Não há como acolher as justificativas da recorrente quanto ao conteúdo das planilhas de controle interno, pois as explicações apresentadas contrariam as informações contidas nesses documentos. Alegou a recorrente que os documentos acostados aos autos não provam que houve subfaturamento, quando muito constituiriam indícios de irregularidade, todavia, não são provas cabais do cometimento da infração apontada. A alegação de defesa é improcedente, pois os documentos anexados pela fiscalização provam a emissão de documentos em desacordo com a realidade dos negócios efetivamente praticados, constituindo, portanto, elementos probatórios de fraude e sonegação com vistas a reduzir o recolhimento de tributos sobre operações com produtos importados de certos fornecedores, que emitiam documentos comerciais com valores abaixo dos efetivamente praticados. Diante da diversidade de documentos encontrados tratando do mesmo tipo de conduta, fica evidente que o procedimento não era exceção, tratandose de um verdadeiro modus operandi, que macula as importações da interessada originadas daqueles fornecedores. Relativamente ao uso de presunções, a fiscalização não partiu de um fato conhecido para presumir a ocorrência de um fato desconhecido. A documentação acostada comprova diretamente o subfaturamento, pois os valores declarados nas DI são inferiores aos efetivamente praticados, encontrados em faturas comerciais e nos controles paralelos do contribuinte. Ainda no que tange à comprovação do subfaturamento, é desnecessária a demonstração da circulação monetária sem comprovação de origem para caracterizálo. A comprovação do pagamento "POR FORA" é apenas uma das formas de se comprovar o Fl. 4687DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10494.000374/200911 Acórdão n.º 3403002.864 S3C4T3 Fl. 10 9 subfaturamento, mas não é a única. No caso dos autos, a conduta reiterada de declarar as mercadorias por valores reduzidos em aproximadamente 50%, a existência de fatura em duplicidade com valores distintos, listas de preços com valores distintos dos registrados nas declarações de importação, planilhas de controle interno com as anotações dos valores reais e dos praticados comprovam de forma incontestável a prática de subfaturamento. Alegou a recorrente que a redução de 50% do valor das mercadorias é resultado de negociações que culminaram em descontos comerciais obtidos perante os fornecedores e que os documentos acostados aos autos pela fiscalização como prova, tratamse de "orçamentos". A documentação juntada aos autos desmente essa alegação. A uma porque não é crível que o contribuinte recebeu o mesmo percentual de desconto ( em torno de 50%) de mais 30 fornecedores distintos. A duas porque se realmente fossem descontos, haveria menção desse fato nas correspondências comerciais com os fornecedores, o que não aconteceu. A três porque os documentos foram emitidos com os nomes "invoice" e "proforma invoice", cuja tradução para o português é fatura e fatura proforma e não "orçamento". A quatro porque as planilhas de controle do contribuinte registram a informação do acerto de pagamento "por fora", chegando ao requinte de informar a taxa de câmbio do pagamento "por fora", a qual jamais seria utilizada se realmente se tratassem de descontos. Por fim, cabe registrar que os descontos, quando concedidos pelo exportador ao importador, devem ser identificados na fatura comercial, a teor do que determina o artigo 497, XI, do Decreto n° 4.543/02. Portanto, está mais do que comprovada nos autos a prática de subfaturamento. O contribuinte solicitou que este colegiado dispensasse atenção especial às DI 05/05091423 (fls. 1950 a 1957); DI 07/8410361 (fls. 2052 a 2056); DI 07/10774383 (fls. 2124 a 2130) e DI 08/05177935 (fls. 2379 a 2388), solicitando que fossem buscadas as comprovações do subfaturamento dessas importações, pois no seu entender o subfaturamento não teria restado comprovado. Em relação à DI 05/05091423, a fiscalização narrou na fl. 160 que não foram encontrados documentos onde pudessem ser encontrados os preços reais das operações, mas o subfaturamento foi comprovado comparandose o preço das mercadorias importadas por meio dessa DI com o preço praticado em importações de mercadorias idênticas em outras declarações de importação. Foi utilizado como parâmetro para o arbitramento do preço a operação TJ nº 068/07. Em relação à DI 07/8410361, a fiscalização citou nas fls. 180/181 quais os documentos, motivos e métodos para o arbitramento dos preços adotados e apontou não só os documentos (operação TJ 008/07, faturas TJ028, fl. 2.591 e TJ032 fls. 2.650 e 2.651), mas também dados extraídos das planilhas de controle interno (fl. 2.653). Em relação à DI 07/10774383 (operação TJ 014/07), a fiscalização narrou na folha 164 que os dados em questão decorrem da planilha "importações 2007", arquivo "controle de importações.xls" (fls. 683, 686, 689 e 692) e das faturas comercial e proforma encontradas (fl. 2130 e 2.132) e planilha de custos (fl. 2.134). Fl. 4688DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 Em relação à DI 08/05177935, na fl. 178 a fiscalização narrou que utilizou o método de valoração estabelecido no art. 88, I, da MP nº 2.15836/01 e que utilizou como parâmetros do arbitramento a proforma invoice nº 00120070909 (fl. 2374) U$ 11.950,50 e a proforma invoice referente ao "order Persilux 2006003" (fl. 3.081) U$ 21.954,00. Portanto, ao contrário do alegado, o subfaturamento encontrase devidamente comprovado diretamente por documentos apreendidos na empresa. DDAA VVAALLOORRAAÇÇÃÃOO AADDUUAANNEEIIRRAA A defesa entende que a Receita Federal deveria ter verificado nos bancos de dados do comércio exterior, o preço mínimo e médio praticado por empresas brasileiras que importam produtos semelhantes aos do contribuinte. O pleito não tem fundamento, pois a legislação determina que para fins de tributação, nos casos de fraude e sonegação, o valor da base de cálculo a ser considerado é o preço efetivamente praticado e quando o preço praticado não for conhecido, deverá ser fixado mediante um dos métodos de arbitramento, conforme preconizado no artigo 84, do Decreto n° 4.543/02 (cuja matriz legal é o art. 88 da MP nº 2.15835/01). Considerando que em relação à maior parte das mercadorias a fiscalização encontrou o preço efetivamente praticado pelo contribuinte é absolutamente desnecessário que se efetue qualquer consulta ao "banco de dados do comércio exterior", isto porque independentemente do valor que lá possa estar consignado, para efeitos legais vale o valor efetivamente praticado pelo contribuinte. Pela mesma razão, não se pode considerar os valores de outras importações realizadas posteriormente, em 2009, pois conforme já explanado, devem prevalecer os preços efetivamente praticados e não o preço médio do mercado ou o preço declarado posteriormente (futuro), até porque as operações posteriores estão igualmente sujeitas a procedimento de revisão aduaneira para aferição das informações declaradas. Quanto às mercadorias em relação às quais não foi possível à fiscalização encontrar o preço praticado, foi aplicado o artigo 84 do Decreto nº 4.543/02. No que toca à aplicação do art. 84 do Decreto nº 4.543/02, o contribuinte alegou de forma genérica que a fiscalização não respeitou a legislação de regência, mas não diz especificamente no que consistiu a suposta violação da lei cometida pela fiscalização. O relatório fiscal, a partir da fl. 112, descreve minuciosamente a forma e os critérios utilizados pela fiscalização e a leitura do que ali se contém não revela nenhuma ilegalidade. O art. 16, III, do Decreto nº 70.235/72 estabelece que as matérias devem ser impugnadas especificamente, ou seja, a defesa deve indicar qual ou quais são os pontos específicos de discordância e apresentar as provas das alegações. Não tendo o contribuinte indicado qual foi a ilegalidade cometida pela fiscalização na aplicação do art. 84 do Decreto nº 4.543/02, a alegação deve ser tomada como improcedente. IIMMPPOORRTTAAÇÇÕÕEESS DDAA EEMMPPRREESSAA CCHHEENN PPAANNGG BBLLIINNDD.. A recorrente alegou que fiscalização errou ao mencionar que ocorreram importações de tecidos desta empresa, pois ela só trabalha com alumínio e não com tecidos. Fl. 4689DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10494.000374/200911 Acórdão n.º 3403002.864 S3C4T3 Fl. 11 11 Esse equívoco da fiscalização deve ser debitado à grande quantidade de documentos analisados, mas por si em nada macula o lançamento. Pouco importa se essa empresa trabalha com alumínio ou com tecidos, o que importa é que as mercadorias transacionadas foram importadas com subfaturamento. No caso da DI 05/047991367, a defesa alegou que a diferença de preço encontrada entre o valor da fatura (U$ 36.248,26) e o valor do contrato de venda (U$ 91.081,80) decorreu de um crédito que a TJ possuía para com a exportadora Chen Pang. Tal alegação apenas confirma que houve o subfaturamento e que o pagamento "por fora", neste caso, foi feito mediante encontro de contas com o fornecedor. Relativamente à DI 07/12237717, o contribuinte insiste na alegação de que a diferença encontrada se deve a desconto obtido. Na fl. 143 a fiscalização indicou não só o documento base para sua conclusão, qual seja, a proforma invoice 7070201 (fl. 1503) e o percentual que deveria ser declarado, existente na planilha de controle interno com o seguinte comentário: "evelyn: 60% do valor de 95.304,00". Verificandose o valor declarado na DI (fl. 1492) constatase que ele corresponde a 60% do valor efetivamente transacionado (U$ 60.589,68). Conforme já ficou dito antes, descontos devem ser indicados na fatura comercial, a teor do art. 497, XI, do Decreto n° 4.543/02 e não em controles paralelos do contribuinte. Pelas mesmas razões acima declinadas quanto à DI 07/12237717, rejeitase a alegação relativa à DI 07/15389542. DDAA MMUULLTTAA AADDMMIINNIISSTTRRAATTIIVVAA EEMMBBAARRQQUUEE DDAA MMEERRCCAADDOORRIIAA AANNTTEESS DDAA EEMMIISSSSÃÃOO DDAA LLIICCEENNÇÇAA DDEE IIMMPPOORRTTAAÇÇÃÃOO A fiscalização narrou na fl. 200 o seguinte: "(...) Verificamos, no transcorrer do presente Relatório, que a TJ, por diversas vezes, alterou a data de embarque de suas mercadorias nos Bill of Ladings que as ampararam, falsificando, conseqüentemente, referidos documentos, com vistas a evitar a incidência de penalidade pelo embarque de mercadoria no exterior antes da emissão da Licença de Importação a que estiver sujeita. O inciso III, alínea "b", do artigo 169 do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, com redação dada pela Lei nº 6.562, de 18 de setembro de 1978, determina que importar mercadorias do exterior cujo embarque se dê antes de emitida licença de importação ou documento equivalente constitui infração administrativa ao controle das importações, sujeita à pena de 30% sobre o valor aduaneiro da mercadoria. (...)" O contribuinte alegou que essa multa é indevida porque suas mercadorias não estão sujeitas à expedição prévia de licença de importação; a multa tem caráter confiscatório; o GATT proíbe multas relativas à licença de importação com caráter abusivo; e se não for exonerada por inteiro, deverá a referida multa ser reduzida ao patamar mínimo de R$ 500,00, por força do art. 77 da Lei nº 10.833/03. Fl. 4690DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 12 As alegações do contribuinte são improcedentes, pois no demonstrativo de apuração da multa encontramse especificados o número da DI, o número da adição e os números das respectivas licenças. Se as mercadorias não estivessem sujeitas ao licenciamento prévio, a fiscalização não teria relacionado os números das licenças e nem a recorrente teria razão para adulterar os conhecimentos de embarque a fim de evitar a incidência desta multa. Estando a multa em questão expressamente prevista em dispositivo legal, devem ser rejeitados todos os demais argumentos, mesmo porque, a teor da Súmula CARF nº 1, este colegiado não pode negar vigência a dispositivo legal em plena vigência, sob o argumento de que contrasta com princípios ou normas constitucionais. Observase, ainda, que a fiscalização já adequou o lançamento da multa aos limites máximo e mínimo previstos no art. 169, inciso III, alínea "b", do DecretoLei nº 37/66 com a redação que lhe foi dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833/03. Ao contrário do que pleiteia o contribuinte, a multa ora lançada não pode ser reduzida ao percentual mínimo de R$ 500,00 porque esse percentual deve ser aplicado na hipótese da multa apurada ser inferior àquele patamar. No caso dos autos, a apuração de 30% do valor da mercadoria superou o limite de R$ 5.000,00 por declaração, razão pela qual a fiscalização aplicou o valor máximo permitido pela lei. A multa é de 30% do valor da mercadoria não podendo ser inferior a R$ 500,00 e nem superior a R$ 5.000,00 por declaração. DDAA MMUULLTTAA PPOORR IINNFFOORRMMAAÇÇÃÃOO IINNEEXXAATTAA QQUUAANNTTOO ÀÀ IIDDEENNTTIIFFIICCAAÇÇÃÃOO DDOO EEXXPPOORRTTAADDOORR//FFAABBRRIICCAANNTTEE A fiscalização narrou na fl. 201 que o contribuinte informou de forma inexata nas DI 05/03055578 05/06468830 05/09936371 05/12749927 06/06234505 06/07122360 06/10681545 06/13747431 07/08410361, o nome do exportador/fabricante das mercadorias importadas incorrendo na multa prevista no art. 69, § 2º da Lei nº 10.833/2003. O contribuinte alegou, em síntese, que esta multa deve ser cancelada porque o dispositivo legal exige não só a declaração inexata, mas também que tal inexatidão influencie efetivamente na determinação do controle aduaneiro apropriado. No caso concreto não ficou comprovado que a inexatidão apontada pela fiscalização influiu no controle aduaneiro apropriado. Entretanto, no caso dos autos, está plenamente comprovado que a inexatidão apontada pelo fisco na indicação do nome do exportador/fabricante causou prejuízo ao controle aduaneiro das importações. Isto porque os dados relacionados com a valoração aduaneira tem correspondência direta com os documentos comerciais emitidos por determinado exportador ou fabricante. Nesse sentido, a própria natureza das autuações em litígio demonstram o quão danoso pode ser, para o controle aduaneiro, a indicação incorreta do nome do exportador, basta apenas verificar que tal prestação de informação colaborou para que fosse possível a declaração "oficial" de valores inferiores aos efetivamente praticados. Apenas a titulo ilustrativo, trazse o caso já citado da DI n° 07/08410361, onde a fiscalização aponta à folhas 186 que foram incluídos com os produtos da UNISOLEIL produtos das fabricantes TAIMAX e BAO SONG, resultando referida operação em efetivo dano ao controle aduaneiro apropriado, fartamente descrito, a exemplo de outros casos descritos nas folhas 182 a 186. Fl. 4691DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10494.000374/200911 Acórdão n.º 3403002.864 S3C4T3 Fl. 12 13 Desse modo, restando plenamente comprovado nos autos o dano ao controle aduaneiro, deve ser mantida a multa ora infligida. DDAA CCOOEEXXIISSTTÊÊNNCCIIAA DDAA MMUULLTTAA PPEELLOO SSUUBBFFAATTUURRAAMMEENNTTOO CCOOMM AA MMUULLTTAA SSUUBBSSTTIITTUUTTIIVVAA DDAA PPEENNAA DDEE PPEERRDDIIMMEENNTTOO A fiscalização infligiu a multa prevista no art. 631 do Decreto nº 4.543/02 (matriz legal no art. 83 da Lei nº 4.502/64) valendose da seguinte motivação: "(...) O Regulamento Aduaneiro em vigor no período abrangido por esta fiscalização, aprovado pelo Decreto n° 4.543/2002, estabelecia, em seu artigo 631, com base no artigo 83 da Lei n° 4.502/64, que estará sujeita a uma penalidade especifica qualquer pessoa que entregue a consumo ou consuma mercadoria estrangeira que tenha sido importada de forma irregular ou fraudulenta. E o texto: "Art. 631. Sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis, incorrerão na multa igual ao valor da mercadoria os que entregarem a consumo, ou consumirem mercadoria de procedência estrangeira introduzida clandestinamente no Pais ou importada irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem que tenha havido registro da declração da importação no Siscomex, ou desacompanhada de Guia de Licitação ou nota fiscal, conforme o caso (Lei nº 4.502, de 1964, art. 83, inciso I, e Decretolei e 400, de 30 de dezembro de 1968, art. 12, alteração 2a)" (grifos nossos). Diferentemente das penalidades tratadas até aqui, o fato punível neste caso especifico ocorre em momento posterior à importação, na saída das mercadorias, ou seja, quando as mesmas são consumidas ou entregues a consumo, embora seja elemento determinante para a aplicação desta penalidade as irregularidades ou as fraudes praticadas nas importações. De tudo o que se verificou ao longo deste relatório, não resta a menor dúvida de que as mercadorias objeto desta fiscalização foram importadas de forma irregular e fraudulenta. A documentação apresentada a despacho de importação não representa a realidade das operações de comércio exterior. (...)" O contribuinte alegou que a aplicação desta multa é incompatível com o lançamento e a exigência das diferenças dos tributos devidos sobre o comércio exterior, pois no seu entender a cobrança dessas diferenças com a multa de ofício e juros de mora configura uma admissão tácita, por parte da administração, da regularização dos produtos internados na economia do país. Acrescentou que o § 4º do art. 633 não foi utilizado pela fiscalização na fundamentação do lançamento e esse parágrafo foi acrescentado pela DRJ. A questão da coexistência das multas previstas nos arts. 631 e 633, I do RA/2002 nos casos em que se constata subfaturamento das mercadorias importadas sempre foi controversa no âmbito da fiscalização aduaneira porque a irregularidade mencionada no art. 631 é o subfaturamento previsto no art. 633, I. Entendem alguns que o mesmo fato estaria sendo punido duas vezes. O conflito foi solucionado por meio de norma interpretativa veiculada por meio do Decreto nº 8.010, de 16/05/2013, que introduziu o § 1ºA no art. 703 do Decreto nº 6.759/2009 (RA/2009), in verbis: "Art. 703 . Nas hipóteses em que o preço declarado for diferente do arbitrado na forma do art. 86 ou do efetivamente praticado, aplicase a multa de cem por cento Fl. 4692DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 14 sobre a diferença, sem prejuízo da exigência dos tributos, da multa de ofício referida no art. 725 e dos acréscimos legais cabíveis (Medida Provisória n º 2.15835, de 2001, art. 88, parágrafo único). (Redação dada pelo Decreto nº 7.213, de 15 de junho de 2010 ) § 1º Omissis... § 1ºA Verificandose que a conduta praticada enseja a aplicação tanto de multa referida neste artigo quanto da pena de perdimento da mercadoria, aplicase somente a pena de perdimento. (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 16 de maio de 2013) (...)" Tratandose de norma nitidamente interpretativa, deve ser aplicada retroativamente "em qualquer caso", a teor do art. 106, I do CTN. Considerando que no caso concreto foram aplicadas as duas penalidades e que a norma interpretativa posterior estabeleceu que só cabe a inflição de uma delas, é de rigor a incidência do princípio da retroatividade benígna, que deverá ser aplicado ao art. 703, § 1ºA do RA/2009. Sendo incontroverso nos autos que as mercadorias importadas irregularmente (subfaturadas) foram consumidas na fabricação das persianas, deve ser excluída a multa pelo subfaturamento (art. 633, I do Decreto nº 4543/02) e mantida a multa substitutiva da pena de perdimento (art. 631 do mesmo Decreto), em obediência ao art. 703, § 1ºA do RA/2009, acima reproduzido. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para excluir a multa de 100% sobre o valor do subfaturamento (art. 633, I do RA/2002). Antonio Carlos Atulim Fl. 4693DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10183.904263/2012-94
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2006
CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Em processos constituídos por declaração de compensação compete ao contribuinte o ônus da prova quanto ao fato constitutivo do seu direito ao crédito utilizado, que deve revestir-se dos atributos de liquidez e certeza para que logre a sua homologação.
Numero da decisão: 3803-006.120
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2006 CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Em processos constituídos por declaração de compensação compete ao contribuinte o ônus da prova quanto ao fato constitutivo do seu direito ao crédito utilizado, que deve revestirse dos atributos de liquidez e certeza para que logre a sua homologação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 90 42 63 /2 01 2- 94 Fl. 65DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Esta Contribuinte transmitiu Declaração de Compensação servindose de crédito de PIS/Cofins Não Cumulativa, decorrente de alegado pagamento a maior. Despacho Decisório do DRF/Cuiabá indeferiu a DComp, tendo em vista que, a partir das características do DARF discriminado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível a compensar Em manifestação de inconformidade apresentada, a Contribuinte alegou que: a) a alegação de que não restou crédito disponível não pode ser entendida como fundamento para o despacho decisório; b) a autoridade administrativa quedouse inerte na análise de qualquer situação que legitima o crédito postulado; c) a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, porque o crédito propriamente dito sequer foi apreciado. Pelo que, concluiu que se trata do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido e o crédito declarado em DCTF; d) há diversas situações que acarretam a restituição de valor recolhido: a inclusão indevida de valores na base de cálculo; erro de fato na apuração do imposto; situações que autorizam o contribuinte a reduzir valores da base de cálculo e que são regulamentadas pela IN 900/2008; e) a autoridade administrativa furtouse em analisar qualquer das possibilidades que ensejaria a restituição postulada. Não homologar a compensação sem explicar os motivos da suposta indisponibilidade do crédito, torna a decisão totalmente nula, por não oferecer os elementos necessários para que a empresa possa promover sua defesa e a prova da existência deste crédito; f) calculou a contribuição utilizandose de base de cálculo com valores que incluiu não só a receita decorrente de seu faturamento, ou seja, de suas vendas, mas também as demais receitas que não devem compôla; g) utilizouse de algumas teses tributárias já julgadas pelo STF de forma favorável ao contribuinte; h) “o pedido formulado tem como base a declaração de inconstitucionalidade, em total consonância com o disposto na Lei 9.430/96”; i) postulou o reconhecimento do crédito somente pela via administrativa, já que a inconstitucionalidade desta ampliação já foi declarada e cuja ação já transitou em julgado; j) é legítima a sua pretensão em verse restituída do que foi pago sobre base de cálculo indevidamente ampliada. Em julgamento da lide a DRJ/Campo Grande apresentou a justificação contida no despacho decisório de não homologação e rejeitou a preliminar de nulidade da decisão administrativa, tendo declarado não haver nenhuma das suas hipóteses. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10183.904263/201294 Acórdão n.º 3803006.120 S3TE03 Fl. 66 3 Rejeitou, ainda, o pedido de diligência para apresentação das provas que, a teor do art. 16, § 4º, a, b, c, e § 5º, do Decreto nº 70.235, de 1972, deveria ter acompanhado a manifestação de inconformidade No mérito, a improcedência da manifestação de inconformidade foi assentada sobre a falta de certeza e liquidez do crédito utilizado na DComp, comprovação de que deveria terse desincumbido a Manifestante, porquanto seu este ônus. Cientificada da decisão em 31 de outubro de 2013, irresignada, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 25 de novembro de 2013, em que levanta como argumento de defesa apenas a nulidade do despacho decisório, por ferir o princípio da motivação dos atos administrativos por não ter fundamentado a decisão e o princípio da ampla defesa – por não dispor a Manifestante das razões de decidir do ato administrativo, de sorte a poder aparelhar a sua manifestação de inconformidade. Ao final, requereu a reforma da decisão recorrida, por manter o despacho decisório exarado nas circunstâncias que descreve. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A Recorrente maneja em seu recurso apenas o argumento de nulidade do despacho decisório e clama pela reforma da decisão recorrida. Com efeito, o Colegiado a quo bem explicou os fatos subjacentes no despacho decisório, deixando claro o motivo que deu suporte à decisão de não reconhecimento do direito creditório e não homologação da compensação: o DARF do qual foi destacado o suposto crédito estava inteiramente alocado ao débito por ela mesma confessado em DCTF. Eis os seus termos: Se o Darf indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, conforme demonstra o quadro do despacho decisório “Fundamentação, Decisão e Enquadramento Legal – Utilização dos pagamentos encontrados para o Darf discriminado no PerDcomp” e o quadro resumo das declarações do contribuinte a seguir, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta.[grifei] A decisão mencionou a falta de demonstração, pela Manifestante (i) do erro em que se fundara a sua original apuração do débito, (ii) do fundamento em que se baseara a redução da base de cálculo, e (iii) dos elementos de prova, em especial a escrita contábil/fiscal, das alegações. Eis os termos em que se pode identificar este roteiro na decisão: Assim, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Se não o fizer, o motivo do Fl. 67DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 indeferimento permanece. Entretanto, o contribuinte não trouxe aos autos nenhum documento contábil ou fiscal que demonstrasse suas afirmações genéricas de que o seu crédito provêm de receitas contabilizadas de maneira equivocada. Informa que se utilizou de algumas teses tributárias já julgadas pelo STF de forma favorável ao contribuinte, mas não relata quais são essas ações e se faz parte delas.[grifei] Somente calcada nos requisitos acima destacados, a defesa teria a aptidão de infirmar o encontro de contas processado pela RFB, em que foram considerados os dados informados pela própria Contribuinte. Em contraposição, a Manifestante fora, de fato, genérica na justificativa da origem do seu crédito, como afirmado no acórdão. O delineamento desenhado pelas razões de decidir constituise numa luz que deveria se projetar sobre os argumentos da Recorrente na composição do recurso voluntário. Ainda que não tivesse trazido os citados elementos de prova das bases de cálculo anexados à manifestação de inconformidade, poderia têlo feito no recurso. Somente com o suprimento desta lacuna da defesa, se poderia ter como legítimo o reclamo da Recorrente pelo exercício da ampla defesa, pelo afastamento da preclusão, com base no fato de o despacho decisório não tê la conclamado, expressamente, a apresentar provas, juntamente com a manifestação de inconformidade. A menção na intimação que compõe o despacho decisório, da necessidade de o contribuinte anexar provas na manifestação de conformidade, teria a função de mera lembrança, não é defeito do ato administrativo, porquanto o comando para cumprir este requisito de defesa é legal, segundo regência do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. É ônus do contribuinte. O lançamento por homologação é atividade cometida por lei ao contribuinte, a quem compete apurar o quanto devido do tributo e antecipar o pagamento sem prévia apreciação de autoridade administrativa. Por meio dessa atividade o próprio contribuinte abastece os sistemas de controle da Fazenda, que, assim, já dispõe dos dados para efetuar eventual compensação por ele declarada. A par dessa atividade do contribuinte, a declaração de compensação consubstancia o exercício de direito potestativo de contribuinte que apure crédito perante a Receita Federal do Brasil, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/96. A consequência dessa sistemática é que débito informado na DComp é extinto pelo contribuinte independentemente de apreciação prévia da Administração Tributária. Esta, dispõe de cinco anos para homologá la. Sob esse rito legal, tornase do contribuinte o ônus de comprovar o direito que ele mesmo constitui por meio da DComp qual seja, a extinção do débito. Com fulcro nos fundamentos acima, mostrase improcedente o argumento da Recorrente de falta de motivação do despacho decisório, e fica configurado o pouco caso em substanciar a recurso com os elementos faltantes na manifestação de inconformidade, já possuindo orientação suficiente da decisão recorrida para tanto. Assim, não merece prosperar o seu pedido de reforma do acórdão guerreado. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 24 de abril de 2014 (assinado digitalmente) Fl. 68DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10183.904263/201294 Acórdão n.º 3803006.120 S3TE03 Fl. 67 5 Belchior Melo de Sousa Fl. 69DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10660.905888/2011-10
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-006.050
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 58 88 /2 01 1- 10 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905888/201110 Acórdão n.º 3803006.050 S3TE03 Fl. 162 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ Juiz de Fora/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência do indeferimento do Pedido de Restituição. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição (PER) referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da Cofins, no valor de R$ 76.151,72. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem indeferiu a restituição pleiteada, pelo fato de que o pagamento declarado no PER já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos da titularidade do sujeito passivo. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o reconhecimento do direito creditório, bem como o deferimento da restituição pleiteada, alegando que o indébito reclamado decorria do reconhecimento pelo Supremo Tribunal Federal (STF) da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Reportandose aos princípios da verdade material e da moralidade administrativa, requereu a realização de diligências e perícias, para fins de se confirmar o crédito pleiteado. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários e de representação, assim como cópias do despacho decisório, do DARF e de planilha por ele elaborada. A DRJ Juiz de Fora/MG não reconheceu o direito creditório, fundamentando sua decisão (i) na inaplicabilidade, no presente caso, da decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em sede de recurso extraordinário, (ii) na incompetência da Administração tributária para se manifestar sobre ofensa a princípios constitucionais, (iii) na ausência de eficácia normativa da doutrina e da jurisprudência administrativa e judicial colacionadas na peça recursal, (iv) na ausência de nulidade no despacho decisório e (v) na desnecessidade de realização de diligências e perícias. Constou, ainda, do voto condutor da decisão recorrida que, “no presente caso, não foram trazidos ao processo, quaisquer elementos que viessem a comprovar o direito alegado e mais, a legislação tributária, determina que juntamente com a manifestação de inconformidade devem ser apresentadas as provas que fundamentem de modo concreto e veemente a discordância da contribuinte do entendimento adotado pela administração, precluindo seu direito de fazêlo em outro momento processual”. Cientificado do acórdão da DRJ Juiz de Fora/MG em 7 de novembro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 5 de dezembro do mesmo ano, e reiterou seu pedido de reconhecimento do direito creditório e de deferimento integral da restituição, repisando os mesmos argumentos de defesa. Aduziu, ainda, o ora Recorrente, que a Delegacia de Julgamento deveria ter avançado na matéria fática e convertido o julgamento em diligência para que fossem prestados esclarecimentos e apresentada a documentação comprobatória do crédito pleiteado, sem o que tevese por configurado cerceamento do seu direito de defesa. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905888/201110 Acórdão n.º 3803006.050 S3TE03 Fl. 163 3 Ressaltou, também, que a inobservância da inconstitucionalidade declarada pelo STF acerca do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pela Lei nº 9.718, de 1998, “representa inegável afronta à Constituição Federal e negativa de prestação administrativa”. Junto ao Recurso Voluntário, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários e de representação. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme se verifica do relatório supra, o pedido de restituição foi indeferido pela repartição de origem pelo fato de que o pagamento informado já se encontrava vinculado a outro débito da titularidade do contribuinte, decisão essa mantida pela DRJ Juiz de Fora/MG. De início, registrese que, para se apreciarem pleitos da espécie, não basta que se alegue, em tese, o direito assegurado pela ordem jurídica, havendo necessidade de que os argumentos fáticos trazidos aos autos sejam demonstrados e comprovados, sob pena de total inviabilidade da apreciação do pedido. Não há dúvidas que este Colegiado, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, encontrase obrigado a reproduzir decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal (STF) submetidas à sistemática da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC), mas desde que comprovada, com documentação hábil e idônea, a ocorrência de pagamento indevido relativo à parcela do tributo apurada sobre a base de cálculo prevista em dispositivo legal declarado inconstitucional. No que tange ao material probatório do seu direito, o contribuinte trouxe aos autos apenas cópias de documentos societários, do DARF e de uma planilha por ele elaborada, documentos esses insuficientes à comprovação do indébito, dado que desacompanhados de qualquer elemento da escrituração contábilfiscal e da documentação que a lastreia, estes, sim, consistentes em prova hábil e idônea. Destaquese que, na planilha trazida aos autos pelo contribuinte na primeira instância administrativa, não são identificadas as outras receitas, além do faturamento, que teriam ensejado a tributação indevida decorrente da inconstitucionalidade do preceptivo legal. Para decidir acerca do pedido de reconhecimento do direito creditório decorrente do pagamento da contribuição apurada sobre outras receitas que não o faturamento, em razão da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1988, este Colegiado necessita, além de conhecer os valores envolvidos nas operações mercantis, como o faturamento, o total das outras receitas, a contribuição devida etc., confirmar sua ocorrência na contabilidade da pessoa jurídica. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905888/201110 Acórdão n.º 3803006.050 S3TE03 Fl. 164 4 Em processos da espécie ao ora analisado, a falta da devida instrução dos autos por parte da pessoa obrigada não pode ser suprida por diligência à repartição de origem, dada a inexistência de um início de prova que convença o julgador quanto à probabilidade de efetiva existência do direito creditório pleiteado, isso em conformidade com os princípios constitucionais da celeridade processual e da eficiência, princípios esses que regem a atuação da Administração Pública, previstos, respectivamente, no art. 5º, inciso LXXVIII, e no art. 37, caput, da Constituição Federal de 1988. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão a uma possível inversão do ônus da prova. Mesmo depois de ter sido alertado pelo julgador administrativo de primeira instância acerca da necessidade de apresentação de documentos comprobatórios do crédito pleiteado o Recorrente não se predispôs a instruir o processo nesta segunda instância. Bastaria que o interessado tivesse trazido aos autos cópias da escrituração contábilfiscal abrangendo o período sob análise, observandose as formalidades exigidas pela legislação tributária, para que se tivesse por configurado o início de prova requerido para justificar a realização de diligência ou perícia destinada à confirmação do crédito pleiteado. Uma simples planilha elaborada pelo próprio interessado não supre a necessidade de apresentação da documentação fiscal apta a comprovar os fatos alegados. A não apresentação de provas dos fatos apontados encontrase em total desacordo com a disciplina do art. 16, inciso III, e § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 164DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905888/201110 Acórdão n.º 3803006.050 S3TE03 Fl. 165 5 Em conformidade com o excerto supra, temse que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, amparada em informações declaradas pelo próprio sujeito passivo, presentes nos sistemas da Receita Federal, informações essas não infirmadas com documentação hábil e idônea. Nesse contexto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, em razão da ausência de prova hábil e idônea do direito creditório reclamado. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 165DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 10320.002354/2009-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2005,2006
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE
Tendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições à interessada de contestar o lançamento, descabe a alegação de nulidade
PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO.
A perícia não se presta à realização de exames que prescindem de conhecimento técnico específico.
EXCLUSÃO DO SIMPLES. LUCRO ARBITRADO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS.
Uma vez excluído do Simples, a pessoa jurídica sujeitar-se-á, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. A falta de escrituração contábil e fiscal suficiente à apuração do Lucro Real implica no arbitramento do lucro.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA.
A Lei n° 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta corrente ou de investimento.
Numero da decisão: 1401-001.119
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini e Jorge Celso Freire da Silva.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2005,2006 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE Tendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições à interessada de contestar o lançamento, descabe a alegação de nulidade PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A perícia não se presta à realização de exames que prescindem de conhecimento técnico específico. EXCLUSÃO DO SIMPLES. LUCRO ARBITRADO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. Uma vez excluído do Simples, a pessoa jurídica sujeitar-se-á, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. A falta de escrituração contábil e fiscal suficiente à apuração do Lucro Real implica no arbitramento do lucro. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA. A Lei n° 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta corrente ou de investimento.
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NULIDADE Tendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições à interessada de contestar o lançamento, descabe a alegação de nulidade PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A perícia não se presta à realização de exames que prescindem de conhecimento técnico específico. EXCLUSÃO DO SIMPLES. LUCRO ARBITRADO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. Uma vez excluído do Simples, a pessoa jurídica sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. A falta de escrituração contábil e fiscal suficiente à apuração do Lucro Real implica no arbitramento do lucro. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA. A Lei n° 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta corrente ou de investimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 00 23 54 /2 00 9- 76 Fl. 1922DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10320.002354/200976 Acórdão n.º 1401001.119 S1C4T1 Fl. 1.922 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini e Jorge Celso Freire da Silva. Fl. 1923DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10320.002354/200976 Acórdão n.º 1401001.119 S1C4T1 Fl. 1.923 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra Acórdão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de julgamento em FortalezaCE. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância, compondo em parte este relatório: Tratase de impugnação a lançamentos tributários do Imposto sobre a Renda da Pessoa JurídicaIRPJ (fls 3/22), da Contribuição para o PIS/Pasep (fls 23/40), da Contribuição para Financiamento da Seguridade SocialCofins (fls 41/59) e da Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoCSLL (fls 60/76), todos com fatos geradores nos anos de 2005 e 2006, totalizando o montante de R$ 819.708,96, já acrescidos dos juros moratórios e da multa de ofício, simples (75%) ou qualificada (150%). 2. Conforme descrição dos fatos contida nos autos de infração, o contribuinte cometeu três infrações fiscais nos anos de 2005 e 2006, consolidadas no demonstrativo de fls 166/173: a) omissão de receita de revenda de mercadoria e de prestação de serviço decorrente de emissão de notas fiscais calçadas (infrações 1 e 2), apurada mediante confrontação entre as notas fiscais existentes na contabilidade do autuado (3 a via) e as notas fiscais correspondentes fornecidas pelos seus clientes (1a via), conforme demonstrativo de fls 79/80 e documentos fiscais às fls 82/165, com base nos quais foram verificadas divergências de valores, datas, discriminação e quantidade dos produtos vendidos; b) omissão de receita presumida a partir da existência de depósitos bancários de origem não comprovada (infração 3), mantidos nas instituições financeiras Bradesco, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Sudameris e Unibanco, conforme demonstrativo de fls 431/488; c) omissão de receita de revenda de mercadoria e de prestação de serviço (infrações 4 e 5), apurada com base nas notas fiscais fornecidas pelos seus clientes (1a via), cujas vias contábeis correspondentes (3a via) não foram entregues à fiscalização, conforme demonstrativo de fls 166/173 e documentos fiscais às fls 174/430. 3. Às primeira e terceira infrações foi infligida a multa qualificada (150%). 4. Antes de realizados os presentes lançamentos, o contribuinte foi excluído do sistema simplificado de pagamento dos tributos e contribuições federais (Simples), mediante Ato Declaratório Executivo DRFB/SLS n° 53 de novembro de 2008 (fl 1277), cujos efeitos se deram a partir de 1° de janeiro de 2005. 5. Uma vez submetido ao regime de tributação com base no lucro real, o contribuinte deixou de apresentar à fiscalização a sua escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, razão pela qual teve seu lucro tributável arbitrado, por força do art. 530, inc. I, do RIR/99. Fl. 1924DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10320.002354/200976 Acórdão n.º 1401001.119 S1C4T1 Fl. 1.924 4 6. Cientificado da pretensão fiscal em 30.06.2009 (fl 1336), o contribuinte, por seu procurador habilitado, apresentou impugnatória em 30.07.2009 (fls 1825/1827), com a qual procura convencer o julgador da insubsistência do feito, invocando diversas questões preliminares e de mérito contrários à exigência fiscal, que se acham a seguir expostas em síntese: PRELIMINARES DO LANÇAMENTO i. Após lavrar o termo de encerramento, às 10:17h do dia 23.06.2009, concluindo pela exigência de débitos de Simples e de multas regulamentares, a autoridade fiscal, no dia seguinte, lavrou um outro termo de encerramento dentro do mesmo procedimento, agora concluindo pela formalização de débitos de IRPJ, CSLL, Cofins e PIS/Pasep; como se verifica, o autuante, por iniciativa própria, realizou a revisão dos lançamentos que realizara, lavrando novos autos de infração. Tal procedimento, independentemente da sua motivação, é irregular, já que a revisão de lançamentos sem a prévia e necessária autorização da autoridade competente acarreta a nulidade dos lançamentos constantes do termo de encerramento lavrado em 24.06.2009; PRELIMINARES DO MÉRITO DO LANÇAMENTO ii. O presente lançamento é inepto, tendo em vista não conter elementos necessários e suficientes ao pleno exercício do direito de defesa. De fato, um único processo reúne 10 (dez) diferentes exigências fiscais, sem referência a número do processo administrativo, sem identificação do número de cada auto lavrado, sem numeração das folhas dos autos; iii. Deve ser lavrado um auto para cada tributo (art. 9° do Decreto n° 70.235/72); iv. Tratandose de exigência decorrente de suposta omissão de receitas oriundas de créditos não comprovados registrados nas contas correntes do contribuinte, nos autos ora impugnados não foram anexados os extratos das contas correntes do impugnante; sem dúvida elemento de prova indispensável à comprovação do ilícito alegado. No caso concreto, a ausência dos extratos bancários impediu a prestação de esclarecimentos sobre os créditos investigados, da mesma forma que prejudicou a elaboração da presente impugnação; ARBITRAMENTO DO LUCRO TRIBUTÁVEL v. Como se encontra pendente de julgamento a representação para exclusão do Simples, não poderia ser exigida do contribuinte a apresentação de sua escrita contábil pela sistemática do Lucro Real, de modo que descabido é o arbitramento do lucro tributável. Por lhe ser deferido tratamento jurídico diferenciado, na condição de empresa submetida ao Simples, está dispensado da escrituração contábil, de modo que a prestação das informações solicitadas se tornou extremamente difícil, tendo em vista a precariedade dos registros contábeis da empresa. De qualquer forma, é de se registrar que todos os esclarecimentos solicitados foram prestados com base nas informações disponíveis, sendo certo que para o completo esclarecimento da origem de cada crédito da movimentação financeira seria necessária a realização de prova pericial, com a análise de cada operação realizada; vi. Não se aplica às micro e pequenas empresas optantes do Simples a regra do art. 26 da Lei n° 8.981, de 1995, segundo a qual as pessoas jurídicas Fl. 1925DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10320.002354/200976 Acórdão n.º 1401001.119 S1C4T1 Fl. 1.925 5 determinarão o imposto sobre a renda segundo as regras aplicáveis ao regime de tributação com base no lucro real, presumido ou arbitrado; vii. Ademais, o arbitramento, quando cabível, deve ser realizado com as garantias do contraditório e da ampla defesa, sendo totalmente inválido quando realizado de forma unilateral e clandestina, sem a mínima participação do contribuinte; viii. No caso do arbitramento, inexiste uma prova direta preconstituída, motivo por que se justifica a adoção de meios indiciários de prova, não podendo o fisco, porém, enquanto não esgotados todos os demais meios facultados à OMISSÃO DE RECEITA NOTAS FISCAIS CALÇADAS ix. Apurada omissão de receita de pessoa jurídica, qualquer que seja o regime de tributação, o lançamento será realizado por arbitramento, aplicandose sobre a receita bruta quando conhecida o percentual de 8% (oito por cento), conforme arts. 26 e 47 da Lei n° 8.981, de 1995; x. A omissão de receitas mediante utilização de "notas calçadas" se baseia em alegações manifestamente inverídicas, pois não houve cotejamento entre as vias contábeis e as vias fornecidas pelos clientes, pela simples razão da não existência de vias contabilizadas. É que, sendo dispensado da escrituração contábil regular, o impugnante não realizou registros contábeis das Notas Fiscais das vendas realizadas; OMISSÃO DE RECEITA PRESUNÇÃO COM BASE EM DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA xi. A maioria dos lançamentos questionados não pôde ser esclarecida, seja pela inexistência de escrituração contábil regular, seja pela dificuldade de obtenção de cópias dos lançamentos bancários e, finalmente, porque os pedidos de esclarecimentos exigiam a apresentação da escrita contábil pelo sistema do Lucro Real, regime ao qual não deveria se submeter, dado que não se consumou a sua exclusão do Simples, que ainda se encontra pendente de julgamento; xii. Os indícios utilizados para lastrear a omissão de receita são inconsistentes e insuficientes, pois a esmagadora maioria dos registros das contas correntes bancárias tivera origem em operações de empréstimos bancários e de descontos de títulos emitidos por terceiros, sem qualquer vinculação com as receitas decorrentes de vendas realizadas pelo impugnante. Tais valores, totalmente distintos das receitas operacionais, transitaram pelas contas e pelos cofres de diversas pessoas, físicas e jurídicas, que agiam como integrantes de uma cooperativa informal de crédito, solução inegavelmente engenhosa que adotaram para garantir a sobrevivência de suas empresas; xiii.Ao enunciar apenas dois "exemplos" de depósitos que "salvo engano" teriam sido realizados com valores originados de operações efetuadas com a utilização de notas fiscais calçadas, o autuante construiu seu castelo de areia, arbitrando como receitas omitidas valores que transitaram, de forma promíscua, como entradas e saídas autoexcludentes, pois que as contas bancárias do impugnante foram utilizadas não somente por ele, mas também por terceiros, perfeitamente individualizados e identificados; xiv. Foi preterida a verdade material ao não se examinar os registros efetuados na movimentação bancária, constantes dos extratos bancários, mediante diligências, pedidos de esclarecimentos, de modo que não se poderá deslocar para o contribuinte Fl. 1926DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10320.002354/200976 Acórdão n.º 1401001.119 S1C4T1 Fl. 1.926 6 os ônus da comprovação dos fatos equivocadamente presumidos. Em se tratando de lançamento de imposto sobre a renda decorrente de presumida omissão de receita, para se tornar viável a presunção de ocorrência do fato gerador, haveriam de ser identificados abundantes sinais de omissão de receita, e não apenas dois sinais no e situações analisadas. Em suma, adotar presunção apoiada em indícios insuficientes e inconsistentes para verificar a ocorrência do fato gerador equivale à criação de nova hipótese de incidência, tarefa reservada ao legislador (princípios da reserva legal, princípio da tipicidade); xv. Em virtude do princípio da reserva legal, não é válido o lançamento de mposto sobre a renda que não incida sobre a aquisição de disponibilidade, jurídica ou econômica, de acréscimo patrimonial. O simples auferimento de receitas ainda que estivesse comprovado por si só não é suficiente para a configuração do fato gerador do imposto sobre a renda (art. 21 da Lei n° 9.249, de 1995); REQUERIMENTOS FINAIS xvi. O impugnante requer a juntada de novos documentos e a realização de perícia para comprovar a origem dos depósitos bancários, afastando a descabida presunção de omissão de receitas; xvii. Por fim, pleiteia a nulidade dos lançamentos. 7. Em despacho proferido em 14 de outubro de 2011 (fls 1816/1817), o processo foi baixado em diligência para que fosse juntada aos autos a impugnação aos lançamentos tributários, que, por um equívoco, se encontrava em outro processo (10320.002353/200921), bem como para que o contribuinte tivesse conhecimento dos extratos bancários de fls 1345/1810 e sobre eles pudesse se manifestar. 8. Cumprida a diligência, retornaram os autos para julgamento, sem reposta do impugnante. É o relatório. A DRJ MANTEVE os lançamentos, nos termos das ementas abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006 PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destine se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas os autos. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A perícia não se presta à realização de exames que prescindem de conhecimento técnico específico. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO LEGAL. Fl. 1927DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10320.002354/200976 Acórdão n.º 1401001.119 S1C4T1 Fl. 1.927 7 Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Uma vez formalizada a omissão de receita com base na presunção legal, resta ao contribuinte, na pretensão de descaracterizála, demonstrar especificadamente que o valor depositado não se sujeita à tributação ou não decorreu da empresa; ou, tendo dela decorrido, já passou pelo crivo da tributação. EXCLUSÃO DO SIMPLES. LUCRO ARBITRADO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. Uma vez excluído do Simples, a pessoa jurídica sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2004 CSLL. PIS/PASEP. COFINS. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Tratandose da mesma matéria fática, e não havendo aspectos específicos a serem apreciados, aos lançamentos decorrentes aplicase a mesma decisão do principal. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este CARF, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação. É o relatório. Fl. 1928DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10320.002354/200976 Acórdão n.º 1401001.119 S1C4T1 Fl. 1.928 8 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator Os recursos preenchem os requisitos de admissibilidade. Preliminares de nulidade A Recorrente alega cerceamento do direito de defesa, mas na essência a sua insurgência é contra o mérito, vejamos suas alegações: Ao formular a impugnação aos lançamentos, a ora Recorrente sustentou que os lançamentos efetuados seriam ineptos, tendo em vista não conterem os elementos necessários e suficientes ao pleno exercício do direito de defesa. (...) Na verdade, várias foram as irregularidades apontadas na impugnação, todas infundadamente rejeitadas pela decisão ora recorrida, tornando por tal motivo indispensável sua reapresentação nesta instância revisional. Outra gritante irregularidade decorreu da realização de arbitramento do lucro tributável sem obediência às expressas disposições da lei e do regulamento do imposto de renda vigente. A teor do art. 59 do Decreto 70235/72, considerase nulo o ato, se praticado por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa, não tendo se caracterizado quaisquer das situações, pois não se põe em dúvida a competência do autor, auditor fiscal, bastando para tanto a assinatura do mesmo, nem há que se falar em preterição do direito de defesa, vez que os fatos apurados foram descritos com o respectivo enquadramento legal, e levados ao conhecimento, da autuada, levando a mesma a defenderse plenamente através da peça impugnatória e recurso acostados aos autos, como efetivamente o fez. Outrossim, foram observados dois requisitos fundamentais à validade do ato administrativo. Os requisitos apontados estão previstos em lei, são os incisos III e IV do art. 10 do Decreto 70.235/72 e têm a seguinte redação: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: (...) III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; (....) A Recorrente ainda pretende a nulidade do feito por cerceamento do direito de defesa em função do fato de que os extratos entregues por ela mesma só foram anexados aos autos depois da ciência do auto de infração. Ora, a teor do art. 60 do Decreto nº 70.235/72, é Fl. 1929DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10320.002354/200976 Acórdão n.º 1401001.119 S1C4T1 Fl. 1.929 9 cediço que a presença de omissões sanáveis no curso do processo e que não obstem a plena defesa do contribuinte podem ser sanadas pela autoridade julgadora, em respeito ao princípio maior que rege o processo administrativo, isto é, a verdade material. E foi o que foi feito. O processo foi baixado em diligência para que fosse dado ciência ao contribuinte dos extratos entregues por ele próprio e abrindo prazo para ampliar sua defesa, tudo para que não se corresse o menor risco de cercear do direito de defesa. Nesse sentido, penso que tal situação foi sanada sem qualquer tipo de prejuízo ao contribuinte. Por conseguinte, as razões de mérito suscitadas em sede preliminar serão enfrentadas como se mérito fossem. Por todo o exposto, rejeito as preliminares. Perícia A Recorrente requer a realização de diligência bem assim se insurge contra a decisão de primeira instância que a considerou prescindível. Nesse ponto reproduzo as bem colocadas razões de decidir da DRJ que para justificaram bem a negativa de se baixar o feito em diligência: (...) 19. Entretanto, fenece o pedido no tocante a sua substância. O impugnante pretende que os peritos, consultando documentos arquivados na empresa ou em poder de terceiros, informem a origem de todos os créditos registrados em suas contas bancárias nos anos de 2005 e 2006; esclareçam se os lançamentos a crédito ou a débito nessas contas advêm de operações de empréstimos concedidos ou amortizados, por bancos ou terceiros; e informem se constam nessas contas registros de créditos comprovadamente decorrentes de receitas da atividade econômica do contribuinte. 20. Entretanto, o pedido deve ser indeferido em suas razões de mérito. Em primeiro lugar, verifico que os exames pretendidos podem ser aferidos mediante prova documental ou escritural, cuja produção está a cargo do próprio impugnante, nos termos do § 4° do art. 16 do referido Decreto, incluído pela Lei n° 9.532/97, verbis: § 4° A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5° A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. 21. Se o contribuinte não poderia observar o momento processual previsto para a produção de prova documental, incumbiria ao impugnante enunciar e demonstrar as razões pelas quais não teria trazido, já com a impugnação, todos os Fl. 1930DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10320.002354/200976 Acórdão n.º 1401001.119 S1C4T1 Fl. 1.930 10 documentos necessários ao exercício do seu direito de defesa. Sucede que esse requisito não foi atendido. Ademais, o deferimento de diligência e perícia é uma decisão do âmbito de discricionariedade do julgador, cabendo a ele fazêla ou não a depender da formação de sua convicção (diligência) ou mesmo que se lhe exigirá conhecimentos técnicos específicos que somente um perito especializado poderia ter (perícia), o que não é o caso dos autos em que se requer apenas análise de meros dados contábeis, fiscais e legais., perfeitamente dentro da alçada de competência do Auditor Fiscal Portanto, indefiro o pedido de perícia e diligência. Exclusão do Simples Conforme relatado, a Recorrente foi excluída do Simples e teve seus lucros arbitrados pela falta de apresentação dos Livros Caixa e/ou Diário e Razão. Nesse ponto é preciso delimitar a lide. É que não está em causa o motivo que levou efetivamente à sua exclusão do simples, limitandose a contesta os seus efeitos. Mesmo porque, tal matéria, a causa da exclusão do Simples está fora do litígio, constituindose em matéria constante de outro processo sendo julgado na esfera administrativa (processo nº 10320.002353/200921), já julgado pelo CARF desfavoravelmente ao contribuinte, através do Acórdão nº 0821.967. Nesse prisma, a manifestação de inconformidade contra o ato executivo que exclui o contribuinte do SIMPLES não tem efeito suspensivo nem impeditivo de lançamento, ou seja, apenas devolve o objeto de litígio para ser apreciado em outra instância do contencioso administrativo. Sendo assim, portanto, perfeitamente válidos os lançamentos que nascem em momento que o processo conexo da exclusão do simples ainda não tenha sido julgado. Ainda nesse mesmo passo, o Pleno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) já sumulou essa matéria através da Súmula nº 77: A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão A recorrente contesta ainda a apuração com base no lucro arbitrado, vez que afirma que não existe possibilidade de se estar no SIMPLES, sendo desobrigado da escrituração contábil e fiscal e ao mesmo tempo lhe exigir tal escrituração sob pena de ter seu lucro arbitrado. Art. 16 da Lei n° 9.317, de 1996: A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Como se vê, reza o mandamento legal acima que uma vez excluído do Simples, a pessoa jurídica sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. E quais são as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas? São as regras de tributação do lucro real ou presumido. Fl. 1931DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10320.002354/200976 Acórdão n.º 1401001.119 S1C4T1 Fl. 1.931 11 A falta de escrituração contábil e fiscal suficiente à apuração do Lucro Real ou a falta da escrituração do livro caixa por uma ou outra via, implica necessariamente no arbitramento do lucro. E não adianta querer trazer argumentos que indiquem qualquer ilegalidade ou inconstitucionalidade dessas leis, pois no âmbito administrativo não se pode afastar norma legal e vigente. Ademais, como é sabido o “Direito cria sua própria realidade”, podendo o legislador em determinadas situações pretender que o lucro a partir do qual se tributa o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro seja aferido a partir do faturamento através do arbitramento de um percentual sobre o mesmo para se alcançar um lucro fictício, o que a lei chama de lucro arbitrado.. No caso, o intérprete quando estiver diante de uma tal construção na figura de um dispositivo válido e vigente, não cabe a ele desprezálo. Salientese ainda que estando previstos em disposição legal em vigor, não cabe a este órgão do Poder Executivo deixar de aplicálos, encontrando óbice, inclusive na Súmula nº 2 deste CARF: A DRJ também abordou muito bem essa questão, razão pelo qual transcrevo parte do seu voto como razão também de decidir: 33. A respeito do tratamento jurídico diferenciado dispensado às microempresas (ME) e empresas de pequeno porte (EPP) optantes do Simples, cabe lembrar, em primeiro lugar, que tal prerrogativa não exime esses empresários de cumprir obrigações acessórias mínimas ou simplificadas, como a de manter escrituração contábil ou de escriturar o livro caixa, o que é determinado pelos arts. 258, 259 ou 527 do RIR/99. Em segundo lugar, se a ME ou a EPP não reunir condições para estar no Simples, deverá se submeter à sistemática de apuração dos tributos aplicável às demais pessoas jurídicas (lucro real, presumido ou arbitrado), ex vi do art. 16 da Lei n° 9.317, de 1996 Por todo o exposto, mantenho a exclusão do Simples constante do processo n° 10215720.058/200613, juntado por apensação a este. Portanto, excluída do Simples, não se desencumbiu de apresentar os livros obrigatórios seja por um regime de tributação ou pelo outro (Livros Caixa e/ou Diário e Razão). A não apresentação dos livros obrigatórios exigidos pela legislação de regência (Livros Caixa e/ou Diário e Razão.) ocasionou o arbitramento, consoante art. 530, cuja matriz legal é o art. 47 da Lei nº 8.981/95: “Art. 47. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando: (...) III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro Caixa, na hipótese de que trata o art. 45, parágrafo único; Fl. 1932DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10320.002354/200976 Acórdão n.º 1401001.119 S1C4T1 Fl. 1.932 12 (...)” Conforme consta dos autos, resulta patente que a documentação efetivamente não foi entregue à fiscalização, mormente livros obrigatórios e indispensáveis, como é o caso do Livro Diário e Razão. Também não apresentou o Livro Caixa em substituição àqueles, no caso da opção pelo lucro presumido. Portanto, foi adotado o regime jurídico de tributação consistente com a legislação de regência da matéria. Não tem cabimento, assim, falar em ilegalidade na adoção do regime de tributação com base no lucro arbitrado. PRESUNÇÃO LEGAL Depósitos Bancários Sem Comprovação da Origem dos Recursos O art. 42, da Lei nº 9.430/1996 é cristalino ao determinar que a omissão de receitas pode ser caracterizada por meio de valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Ora, como se vê da descrição dos fatos, a empresa não apresentou documentação alguma que comprovasse a origem dos recursos daqueles diversos depósitos. A recorrente não logrou comprovar, através de documentação hábil e idônea, coincidentes em datas e valores, a origem dos recursos recebidos em conta bancária. Em sede impugnatória e recursal, a interessada ao invés de tentar provar os fatos alegados, se limita a tecer considerações de direito, no sentido de enfraquecer o lançamento por ter sido lastreado apenas em presunções, bem assim com considerações genéricas sem trazer aos autos quaisquer provas de suas alegações. Com relação a essas considerações genéricas, aduz de forma vaga que os valores depositados em suas contas "transitaram pelas contas e pelos cofres de diversas pessoas, físicas e jurídicas, que agiam como integrantes de uma cooperativa informal de crédito, solução inegavelmente engenhosa que adotaram para garantir a sobrevivência de suas empresas". Para comprovar tal afirmação, diz haver juntado aos autos "a relação das pessoas físicas e jurídicas participantes dessa modalidade inusitada de crédito coletivo". Porém, não há quaisquer provas nos autos nesse sentido. Em relação às presunções, a argumentação da recorrente denota um total desconhecimento da existência do art. 42 da Lei nº 9.43096 que representa um verdadeiro marco em termos de presunção legal de omissão de receitas, verbis: LEI n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 DOU de 30.12.96 “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tratandose de uma presunção legal de omissão de rendimentos, o ônus da prova fica invertido, a autoridade lançadora eximese de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova à contribuinte. O contribuinte, por sua vez, não Fl. 1933DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10320.002354/200976 Acórdão n.º 1401001.119 S1C4T1 Fl. 1.933 13 logrando êxito nessa tarefa que se lhe impunha, como ocorre no caso presente, temse a autorização para considerar ocorrido o fato gerador, ou seja, por presunção legal se toma como verdadeiro que os recursos depositados representam rendimentos do contribuinte. Por se tratar de uma presunção relativa juris tantum, somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. Insurgese ainda quanto ao procedimento de amostragem adotado pelo fiscal para deixar de fora da autuação certos depósitos bancários. Nesse mister, fazse importante e suficiente os esclarecimentos já prestados em primeira instância e não infirmados pela Recorrente em sede recursal: (...) a fim de evitar que os depósitos bancários já computados na base de cálculo dos tributos fossem também tributados como omissão de receita, seja porque oferecido pelo contribuinte à tributação, seja porque objeto dos lançamentos de ofício, a autoridade fiscal conseguiu associar alguns depósitos em conta a valores constantes da escrituração do contribuinte, nas 1a ou 3a vias das notas fiscais utilizadas, conforme descrição dos fatos contida nos autos de infração 51. Pois bem, o impugnante insurgiuse contra esse procedimento, por entender que "não se pode considerar base consistente para nenhuma dedução presuntiva uma 'amostragem' limitada ao exame de dois eventos em um universo de centenas de eventos". 52. No entender do impugnante, competiria à fiscalização realizar um exame da origem de todos os depósitos existentes nas contas do contribuinte, e não somente de alguns e por amostragem. 53. Estáse aqui mais uma vez diante da questão relativa ao ônus da prova dos fatos articulados no raciocínio presuntivo, já anteriormente debuxada e resolvida. 54. Vale, todavia, ressaltar a correção do procedimento da autoridade fiscal de expungir da base de cálculo atinente a essa infração valores em depósito levados à tributação por um outro caminho (fls 1040/1264). É lógico que essa operação haveria de recair sobre depósitos que, em função da correspondência de datas e valores, fossem facilmente correlacionados com as receitas da atividade. Outros que porventura houvessem escapado a essa depuração poderiam ter sido apontados pelo impugnante, que, no entanto, preferiu quedarse indiferente diante da situação. Feitas tais considerações e, evidenciada a absoluta licitude do estabelecimento das presunções legais, cumpre dizer que, em relação aos anoscalendários autuados, as alegações trazidas pelo contribuinte mostramse despropositadas, visto que, o simples fato da existência de depósitos bancários com origem não comprovada é, por si só, hipótese presuntiva de omissão de receitas, cabendo ao sujeito passivo a prova em contrário que, conforme dito, não as apresentou. Ao fisco cabe provar o fato constitutivo do seu direito, no caso em questão, a existência de depósito bancário sem origem comprovada. À recorrente, comprovar a origem desses depósitos, o que não foi feito. Por todo o exposto, mantenho o lançamento nesse aspecto. Omissão de receitas notas fiscais calçadas Fl. 1934DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10320.002354/200976 Acórdão n.º 1401001.119 S1C4T1 Fl. 1.934 14 Por não ter nada reparar, transcrevo abaixo os fundamentos da DRJ que não foram infirmados pela Recorrente em sede recursal: 37. O impugnante aduz que a suposta omissão de receitas por uso de "notas calçadas" se baseia em alegações manifestamente inverídicas, pois não houve cotejamento — conforme alegado — entre as vias contábeis e as vias fornecidas pelos clientes, pela simples razão da não existência de vias contabilizadas, já que o contribuinte está legalmente dispensado da escrituração contábil. 38. A questão posta é irrelevante para descaracterizar a omissão de receita decorrente da utilização do odioso artifício da nota calçada. A esse respeito, sobreleva observar que a confrontação realizada pela autoridade fiscal com o objetivo de demonstrar a fraude empregada se deu entre documentos fiscais, e não entre documento fiscal, de um lado, e registro contábil, de outro. Os documentos fiscais são as notas fiscais em posse do autuado (3 a via) e as notas fiscais correspondentes fornecidas pelos seus clientes (1a via), em procedimento de circularização. Confrontadas as informações contidas nessas duas vias (fls 79/80), as quais deveriam documentar a mesma operação de venda, constataramse divergências de valores, datas, discriminação e quantidade dos produtos vendidos, revelandose, assim, patente o evidente intuito de fraude ensejador da qualificação da multa de ofício. 39. Em vista disso, revelase manifestamente descabida a objeção do impugnante. Lançamentos Reflexos Por estarem sustentados na mesma matéria fática, os mesmos fundamentos devem nortear a manutenção e o cancelamento (parcial) das exigências lançadas por via reflexa, Por todo o exposto, rejeito as preliminares e, no mérito, nego provimento ao recurso (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 1935DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10183.904237/2012-66
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2006
CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Em processos constituídos por declaração de compensação compete ao contribuinte o ônus da prova quanto ao fato constitutivo do seu direito ao crédito utilizado, que deve revestir-se dos atributos de liquidez e certeza para que logre a sua homologação.
Numero da decisão: 3803-006.095
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2006 CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Em processos constituídos por declaração de compensação compete ao contribuinte o ônus da prova quanto ao fato constitutivo do seu direito ao crédito utilizado, que deve revestirse dos atributos de liquidez e certeza para que logre a sua homologação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 90 42 37 /2 01 2- 66 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Esta Contribuinte transmitiu Declaração de Compensação servindose de crédito de PIS/Cofins Não Cumulativa, decorrente de alegado pagamento a maior. Despacho Decisório do DRF/Cuiabá indeferiu a DComp, tendo em vista que, a partir das características do DARF discriminado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível a compensar Em manifestação de inconformidade apresentada, a Contribuinte alegou que: a) a alegação de que não restou crédito disponível não pode ser entendida como fundamento para o despacho decisório; b) a autoridade administrativa quedouse inerte na análise de qualquer situação que legitima o crédito postulado; c) a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, porque o crédito propriamente dito sequer foi apreciado. Pelo que, concluiu que se trata do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido e o crédito declarado em DCTF; d) há diversas situações que acarretam a restituição de valor recolhido: a inclusão indevida de valores na base de cálculo; erro de fato na apuração do imposto; situações que autorizam o contribuinte a reduzir valores da base de cálculo e que são regulamentadas pela IN 900/2008; e) a autoridade administrativa furtouse em analisar qualquer das possibilidades que ensejaria a restituição postulada. Não homologar a compensação sem explicar os motivos da suposta indisponibilidade do crédito, torna a decisão totalmente nula, por não oferecer os elementos necessários para que a empresa possa promover sua defesa e a prova da existência deste crédito; f) calculou a contribuição utilizandose de base de cálculo com valores que incluiu não só a receita decorrente de seu faturamento, ou seja, de suas vendas, mas também as demais receitas que não devem compôla; g) utilizouse de algumas teses tributárias já julgadas pelo STF de forma favorável ao contribuinte; h) “o pedido formulado tem como base a declaração de inconstitucionalidade, em total consonância com o disposto na Lei 9.430/96”; i) postulou o reconhecimento do crédito somente pela via administrativa, já que a inconstitucionalidade desta ampliação já foi declarada e cuja ação já transitou em julgado; j) é legítima a sua pretensão em verse restituída do que foi pago sobre base de cálculo indevidamente ampliada. Em julgamento da lide a DRJ/Campo Grande apresentou a justificação contida no despacho decisório de não homologação e rejeitou a preliminar de nulidade da decisão administrativa, tendo declarado não haver nenhuma das suas hipóteses. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10183.904237/201266 Acórdão n.º 3803006.095 S3TE03 Fl. 68 3 Rejeitou, ainda, o pedido de diligência para apresentação das provas que, a teor do art. 16, § 4º, a, b, c, e § 5º, do Decreto nº 70.235, de 1972, deveria ter acompanhado a manifestação de inconformidade No mérito, a improcedência da manifestação de inconformidade foi assentada sobre a falta de certeza e liquidez do crédito utilizado na DComp, comprovação de que deveria terse desincumbido a Manifestante, porquanto seu este ônus. Cientificada da decisão em 25 de outubro de 2013, irresignada, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 25 de novembro de 2013, em que levanta como argumento de defesa apenas a nulidade do despacho decisório, por ferir o princípio da motivação dos atos administrativos por não ter fundamentado a decisão e o princípio da ampla defesa – por não dispor a Manifestante das razões de decidir do ato administrativo, de sorte a poder aparelhar a sua manifestação de inconformidade. Ao final, requereu a reforma da decisão recorrida, por manter o despacho decisório exarado nas circunstâncias que descreve. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A Recorrente maneja em seu recurso apenas o argumento de nulidade do despacho decisório e clama pela reforma da decisão recorrida. Com efeito, o Colegiado a quo bem explicou os fatos subjacentes no despacho decisório, deixando claro o motivo que deu suporte à decisão de não reconhecimento do direito creditório e não homologação da compensação: o DARF do qual foi destacado o suposto crédito estava inteiramente alocado ao débito por ela mesma confessado em DCTF. Eis os seus termos: Se o Darf indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, conforme demonstra o quadro do despacho decisório “Fundamentação, Decisão e Enquadramento Legal – Utilização dos pagamentos encontrados para o Darf discriminado no PerDcomp” e o quadro resumo das declarações do contribuinte a seguir, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta.[grifei] A decisão mencionou a falta de demonstração, pela Manifestante (i) do erro em que se fundara a sua original apuração do débito, (ii) do fundamento em que se baseara a redução da base de cálculo, e (iii) dos elementos de prova, em especial a escrita contábil/fiscal, das alegações. Eis os termos em que se pode identificar este roteiro na decisão: Assim, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Se não o fizer, o motivo do Fl. 69DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 indeferimento permanece. Entretanto, o contribuinte não trouxe aos autos nenhum documento contábil ou fiscal que demonstrasse suas afirmações genéricas de que o seu crédito provêm de receitas contabilizadas de maneira equivocada. Informa que se utilizou de algumas teses tributárias já julgadas pelo STF de forma favorável ao contribuinte, mas não relata quais são essas ações e se faz parte delas.[grifei] Somente calcada nos requisitos acima destacados, a defesa teria a aptidão de infirmar o encontro de contas processado pela RFB, em que foram considerados os dados informados pela própria Contribuinte. Em contraposição, a Manifestante fora, de fato, genérica na justificativa da origem do seu crédito, como afirmado no acórdão. O delineamento desenhado pelas razões de decidir constituise numa luz que deveria se projetar sobre os argumentos da Recorrente na composição do recurso voluntário. Ainda que não tivesse trazido os citados elementos de prova das bases de cálculo anexados à manifestação de inconformidade, poderia têlo feito no recurso. Somente com o suprimento desta lacuna da defesa, se poderia ter como legítimo o reclamo da Recorrente pelo exercício da ampla defesa, pelo afastamento da preclusão, com base no fato de o despacho decisório não tê la conclamado, expressamente, a apresentar provas, juntamente com a manifestação de inconformidade. A menção na intimação que compõe o despacho decisório, da necessidade de o contribuinte anexar provas na manifestação de conformidade, teria a função de mera lembrança, não é defeito do ato administrativo, porquanto o comando para cumprir este requisito de defesa é legal, segundo regência do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. É ônus do contribuinte. O lançamento por homologação é atividade cometida por lei ao contribuinte, a quem compete apurar o quanto devido do tributo e antecipar o pagamento sem prévia apreciação de autoridade administrativa. Por meio dessa atividade o próprio contribuinte abastece os sistemas de controle da Fazenda, que, assim, já dispõe dos dados para efetuar eventual compensação por ele declarada. A par dessa atividade do contribuinte, a declaração de compensação consubstancia o exercício de direito potestativo de contribuinte que apure crédito perante a Receita Federal do Brasil, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/96. A consequência dessa sistemática é que débito informado na DComp é extinto pelo contribuinte independentemente de apreciação prévia da Administração Tributária. Esta, dispõe de cinco anos para homologá la. Sob esse rito legal, tornase do contribuinte o ônus de comprovar o direito que ele mesmo constitui por meio da DComp qual seja, a extinção do débito. Com fulcro nos fundamentos acima, mostrase improcedente o argumento da Recorrente de falta de motivação do despacho decisório, ficando configurado que não se desincumbiu do seu ônus de substanciar a recurso com os elementos faltantes na manifestação de inconformidade, já possuindo orientação suficiente da decisão recorrida para tanto. Assim, não merece prosperar o seu pedido de reforma do acórdão guerreado. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 24 de abril de 2014 (assinado digitalmente) Fl. 70DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10183.904237/201266 Acórdão n.º 3803006.095 S3TE03 Fl. 69 5 Belchior Melo de Sousa Fl. 71DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10580.725872/2009-09
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DIFERENÇAS DE URV. MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NATUREZA TRIBUTÁVEL
Sujeitam-se à incidência do Imposto de Renda, conforme o regime de competência, as verbas recebidas acumuladamente pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, denominadas "diferenças de URV", inclusive os juros remuneratórios sobre elas incidentes, por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação.
Recurso Especial do Contribuinte conhecido e provido parcialmente.
Numero da decisão: 9202-004.160
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida, inclusive juros, de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator
EDITADO EM: 18/08/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DIFERENÇAS DE URV. MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NATUREZA TRIBUTÁVEL Sujeitam-se à incidência do Imposto de Renda, conforme o regime de competência, as verbas recebidas acumuladamente pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, denominadas "diferenças de URV", inclusive os juros remuneratórios sobre elas incidentes, por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação. Recurso Especial do Contribuinte conhecido e provido parcialmente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida, inclusive juros, de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator EDITADO EM: 18/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
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DIFERENÇAS DE URV. MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NATUREZA TRIBUTÁVEL Sujeitamse à incidência do Imposto de Renda, conforme o regime de competência, as verbas recebidas acumuladamente pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, denominadas "diferenças de URV", inclusive os juros remuneratórios sobre elas incidentes, por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação. Recurso Especial do Contribuinte conhecido e provido parcialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida, inclusive juros, de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 58 72 /2 00 9- 09 Fl. 573DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente e Relator EDITADO EM: 18/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10580.720843/200942. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto vencedor proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.124): Tratase de Auto de infração lavrado contra o contribuinte em epígrafe para cobrança de IRPF sobre rendimentos auferidos do Ministério Público da Bahia, a título de valores indenizatórios de URV. Tais rendimentos decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor (URV) em 1994, reconhecidas e pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Complementar nº 20/2003, do Estado da Bahia. Importante destacar, ainda que referida Lei dispôs serem de natureza indenizatória as verbas em questão. No entendimento da autoridade fiscal, as diferenças recebidas pelo contribuinte têm natureza salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994 e, portanto, são tributáveis pelo IRPF, sendo irrelevante a denominação dada pela Lei do Estado da Bahia. Para a apuração do imposto devido foi considerado os valores das diferenças salariais, incluindo atualização e juros. Inconformado, o contribuinte apresentou impugnação, que fora julgada procedente em parte, para excluir da base de cálculo do imposto valores recebidos a título de URV sobre férias indenizadas e 13º salário. Ato seguinte, tempestivamente foi apresentado Recurso Voluntário, onde, por unanimidade de votos, foi dado provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício. Fl. 574DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.725872/200909 Acórdão n.º 9202004.160 CSRFT2 Fl. 416 3 Inconformado com essa decisão o contribuinte, tempestivamente, apresentou Recurso Especial de divergência, alegando, em resumo: a) Os rendimentos previstos na Lei Complementar 20/2003 tem a mesma natureza daqueles mencionados pela Lei Federal nº 10.477/2002, que trata do pagamento de diferenças de URV a membros do Ministério Público Federal; b) É nítida a natureza remuneratória das diferenças de URV, na medida em que representam ressarcimento pelo erro de cálculo da remuneração; c) É aplicável ao caso a mesma interpretação dada pelo STF através da Resolução 245/2002, que reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV pagas aos membros da magistratura federal; d) Quebra da isonomia quando se dispensa tratamento tributário diverso em relação às diferenças de URV pagas aos membros da magistratura Federal e aos membros do MPF em relação aos membros do Ministério Público Estadual; e) Vicio material na formação da base de cálculo do IRPF, na medida em que não foi observado o regime de competência em relação aos rendimentos recebidos acumuladamente; f) Não incidência do IRPF sobre juros moratórios Na análise de admissibilidade, foi dado parcial seguimento ao Recurso Especial interposto pelo Contribuinte para que fosse reapreciada a questão da não incidência do Imposto de Renda sobre diferenças de URV, que teriam natureza indenizatória e para que fosse rediscutida a não incidência de Imposto de Renda sobre rendimentos correspondentes a juros de mora. Regularmente intimada o a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 575DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.124, de 21/06/2016, proferido no julgamento do processo 10580.720843/200942, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e visa rediscutir as seguintes matérias: não incidência do Imposto de Renda sobre diferenças de URV, que teriam natureza indenizatória e, caso assim não se entenda, não incidência de Imposto de Renda sobre a rubrica correspondente a juros de mora. A matéria não é nova neste Colegiado. Tratase de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física dos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006, acrescido de multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora, tendo em vista a reclassificação, como tributáveis, de rendimentos declarados como isentos, recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em trinta e seis parcelas, no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08/09/2003, editada em virtude do objeto da Ação Ordinária de nº 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nºs 613 e 614. As verbas ora analisadas constituem diferenças salariais verificadas na conversão da remuneração do servidor público, quando da implantação do Plano Real, portanto tais valores referemse a salários (vencimentos) não recebidos ao longo dos anos. Nesse passo, o objetivo da ação judicial e/ou da lei do estado da Bahia foi simplesmente pagar à Contribuinte aquilo que antes deixou de ser pago, que nada mais é que salário, portanto de natureza tributável. Assim, o recebimento da verba ora tratada configura acréscimo patrimonial e, consequentemente, sujeitase à incidência do Imposto de Renda, consoante dispõe o art. 43 do CTN: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: Fl. 576DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.725872/200909 Acórdão n.º 9202004.160 CSRFT2 Fl. 417 5 I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1º A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. O dispositivo legal acima não deixa dúvidas acerca da abrangência da tributação do Imposto de Renda, abarcando qualquer evento que se traduza em aumento patrimonial, independentemente da denominação que seja dada ao ganho. Seguindo esta linha, a Lei nº 7.713, de 1988, assim dispõe: Art. 1º Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1º de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliados no Brasil, serão tributados pelo imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. (...) § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. (...) § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. (...)” (grifei) Quanto à alegação de violação ao princípio da isonomia, a Contribuinte traz à baila o fato de que o Supremo Tribunal Federal, em sessão administrativa, atribuiu natureza indenizatória ao Abono Variável concedido aos membros da Magistratura da União pela Lei nº 10.474, de 2002. Ademais, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, por meio do Parecer PGFN nº 529, de 2003, manifestou entendimento no sentido de que a verba em tela não estaria sujeita à tributação. Fl. 577DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 Entretanto, a Resolução nº 245, do STF, bem como o Parecer da PGFN, se referem especificamente ao abono concedido aos Magistrados da União pela Lei nº 10.474, de 2002; e o que se discute no presente processo é se tal entendimento deve ser aplicado à verba recebida pelos membros da Ministério Público do Estado da Bahia. Primeiramente, verificase que a posição do Supremo Tribunal Federal – STF sobre a natureza do Abono Variável atribuído aos Magistrados da União foi definida em sessão administrativa e expedida por meio de Resolução, e não em sessão de julgamento daquela Corte e, assim, não se trata de uma decisão judicial, cujos efeitos são bem distintos dos de uma resolução administrativa. Destarte, obviamente que a Resolução do STF nunca vinculou a Administração Tributária da União. Com o advento do Parecer PGFN/Nº 529, de 2003, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro da Fazenda, portanto com força vinculante em relação aos Órgãos da Administração Tributária, concluiuse que o Abono Variável de que trata o art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002, teria natureza indenizatória. Entretanto, dito parecer é claro quanto aos limites desse entendimento, conforme será demonstrado na seqüência. O parecer destaca que o Superior Tribunal de Justiça – STJ consolidou entendimento no sentido de que abonos recebidos em substituição a aumentos salariais sofrem a incidência do Imposto de Renda. Após, faz a ressalva de que, segundo entendimento dessa mesma Corte, nos casos de abono concedido como reparação pela supressão ou perda de direito, ele tem natureza indenizatória. Ainda segundo o parecer da PGFN, seria este o entendimento do STF, manifestado por meio da Resolução nº 245, de 2002, relativamente ao abono variável e provisório previsto no art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002. Assim, claro está que o Parecer da PGFN somente reconheceu a natureza indenizatória do Abono Variável, previsto nas Leis nºs 9.655, de 1998, e 10.474, de 2002, acolhendo entendimento do STF, no sentido de que tal verba destinarseia a reparar direito. Destarte, a Resolução nº 245, do STF, não possui efeitos de decisão judicial, e o Parecer PGFN/Nº 529, de 2003, apenas reconhece a natureza indenizatória do abono concedido aos Magistrados da União, acatando interpretação do STF quanto à natureza reparatória, especificamente para esse abono. Portanto, ambos os atos alcançam apenas o abono previsto no art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002. Ademais, a Resolução nº 245, do STF, excluiu do abono a verba referente à diferença de URV, o que evidencia que esta não tem natureza indenizatória, mas sim de recomposição salarial. Confirase a manifestação Superior Tribunal de Justiça, por meio de voto da Ministra Eliana Calmon, reconhecendo a falta e identidade entre o abono salarial tratado na Resolução e as diferenças de URV: Fl. 578DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.725872/200909 Acórdão n.º 9202004.160 CSRFT2 Fl. 418 7 “Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)” (STJ, Recurso Especial n.º 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010) E também o Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão no Recurso Extraordinário n.º 471.115: “Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução no. 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)” (STF, Recurso Extraordinário n.º 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010) Assim, não há como estenderse o alcance dos atos legais acima referidos para verbas distintas, concedidas para outro grupo de servidores, por meio de ato específico, diverso daqueles referidos na Resolução do STF e no Parecer da PGFN. Com efeito, a norma que concede isenção deve ser interpretada sempre literalmente, conforme inciso II, do art. 111, do CTN. Ademais, o mesmo código veda o emprego da analogia ou de interpretações extensivas para alcançar sujeitos passivos em situação supostamente semelhante, o que implicaria concessão de isenção sem lei federal própria, o que ofenderia o § 6º, do art. 150, da Constituição Federal, e o art. 176, do CTN. Destarte, a verba em exame deve ser efetivamente tributada. Quanto à alegada inexigibilidade de Imposto de Renda incidente sobre a verba recebida pela contribuinte a título de juros de mora, a decisão do STJ, no julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C, do CPC, é no sentido de que estaria restrita aos casos de pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial, por força da norma isentiva prevista no inciso V, do art. 6º, da Lei nº 7.713, de 1988. Confirase: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA. JUROS DE MORA. CARÁTER REMUNERATÓRIO. TEMA JULGADO PELO STJ SOB A SISTEMÁTICA DO ART. 543 C DO CPC. Fl. 579DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 1. Por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, pelo regime do art. 543C do CPC (recursos repetitivos), consolidouse o entendimento no sentido de que 'não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla.' Todavia, após o julgamento dos embargos de declaração da Fazenda Nacional, esse entendimento sofreu profunda alteração, e passou a prevalecer entendimento menos abrangente. Concluiuse neste julgamento que 'os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda, por força do art. 6º, V, da Lei 7.713/88, até o limite da lei'. 2. Na hipótese, não sendo as verbas trabalhistas decorrentes de despedida ou rescisão contratual de trabalho, assim como por terem referidas verbas (horas extras) natureza remuneratória, deve incidir o imposto de renda sobre os juros de mora. Agravo regimental improvido.(AgRg no REsp 1235772 RS – julgado em 26/06/2012) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA. JUROS DE MORA DECORRENTES DO PAGAMENTO EM ATRASO DE VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA. MATÉRIA JÁ PACIFICADA PELA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO ESPECIAL REPETITIVO 1.227.133/RS. 1. A Primeira Seção, por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, fixou orientação no sentido de que é inexigível o imposto de renda sobre os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial. 2. Agravo regimental não provido.” (AgRg nos REsp 1163490 SC – julgado em 14/03/2012) Da análise do julgamento do Recurso Repetitivo 1.227.133/RS, verificase que são isentos do imposto de renda os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial, conforme a regra do “accessorium sequitur suum principale”. Assim, não sendo as verbas trabalhistas de natureza indenizatória, o imposto de renda deve incidir também sobre os juros de mora. Ressaltese que as verbas ora analisadas já foram objeto de julgamento pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, oportunidade em que se deu provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, por meio do Acórdão nº 9202003.585, de 03/03/2015, assim ementado: Fl. 580DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.725872/200909 Acórdão n.º 9202004.160 CSRFT2 Fl. 419 9 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores indenizatórios de URV, em virtude de sua natureza remuneratória. Precedentes do STF e do STJ. Recurso especial provido." A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda, determinando o retorno dos autos à turma a quo, para analisar as demais questões trazidas no recurso voluntário do contribuinte. Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou por negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral o Dr. Marcio Pinto Teixeira, OAB/BA nº 23.911, patrono da recorrida. Defendeu a Fazenda Nacional a Procuradora Dra. Patrícia de Amorim Gomes Macedo." Assentada a natureza tributável dos rendimentos objeto da autuação, resta esclarecer que o tributo devido deve ser calculado de acordo com as tabelas vigentes à época em que os rendimentos deveriam ter sido pagos ao Contribuinte. Saliente se que a questão já foi decidida pelo STF, no RE 614.406/RS, com trânsito em julgado em 11/12/2014, e repercussão geral previamente reconhecida, em 20/10/2010, na sistemática do art. 543B, do Código de Processo Civil. Destarte, os Conselheiros do CARF devem reproduzir o entendimento do citado julgado, prolatado pelo STF em 23/10/2014, conforme determina o art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015. Nesse passo, a decisão vinculante é no sentido de aplicarse o regime de competência, vedada a aplicação do regime de caixa. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte e, no mérito, doulhe provimento parcial, para que o cálculo do Imposto de Renda seja efetuado com base no regime de competência. Em face do acima exposto, voto no sentido de conhecer o Recurso Especial do Contribuinte para, no mérito, darlhe provimento parcial, para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida, inclusive juros, de acordo com o regime de competência. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 581DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 10 Fl. 582DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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