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Numero do processo: 36378.002817/2006-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 03 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Jun 03 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/10/1997 a :31/12/1997
PREVIDENCIÁRIO, CUSTEIO. NFLD. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS, HOMOLOGAÇÃO E DECADÊNCIA. OBSERVÂNCIA DAS REGRAS
FIXADAS NO CTN.
I - Segundo a súmula n° 8 do Supremo Tribunal Federal, as regras relativas a homologação e decadência das contribuições sociais, diante da sua reconhecida natureza tributária, seguem aquelas fixadas pelo Código Tributário Nacional; II - Seja pela regra do art. 173 do CTN, seja pela do art. 150, § 4°, as contribuições ora lançadas estariam decadentes, tendo em vista o transcurso de ambos os prazos.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 2401-000.335
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em declarar a decadência das contribuições apuradas.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ROGERIO DE LELLIS PINTO
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Processo n°, , Recurso n° ," li Acórdão nO Sessão de Matéria Recorrente Recorrida S2-C4Tl FI 147 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS , SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO 36.378.002817/2006-85 142.680 Voluntário 2401-00.335 - 41\Câmara /11\Turma Ordinária .3de junho de 2009 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA GARRA TELECOMUNICAÇÕES E ELETRICIDADE LTDA SRP-SECRET ARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA ASSUNTO: CONTIUBUIÇÕESSOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Penado de apuração: 01110/1997 a 31/12/1997 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NFLD. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS, HOMOLOGAÇÃO E DECADÊNCIA.. OBSERVÂNCIA DAS REGRAS FIXADAS NO CTN. I - Segundo a súmula nO8 do Supremo Tribunal Federal, as regras relativas a homologação e decadência das contribuições sociais, diante da sua reconhecida natureza tributária, seguem aquelas fixadas pelo Código Tributário Nacional; II - Seja pela regra do art. 173 do CTN, seja pela do art. 150, ~ 4°, as contribuições ora lançadas estariam decadentes, tendo em vista o I transcurso de ambos os prazos. , I RECURSO VOLUNTARIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4" Câmara / 1:1 Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, p . una: imidade de votos, em declarar a decadência das contribuições apuradas. ELIA~SS:fJjO FREIRE- Plesidellte I w---, J J ( l RlÍ' DE LELLIS PINTO - Relator 1< t Processo n° 36378002817/2006-85 Acórdão 0.° 2401-00.335 S2-C4Tl FI. 148 ! Participaram, ainda, do presente julgamento, .os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Bernadete de Oliveira Barros, Cleusa Vieira de Souza, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2 i "t I, I I \'r,, i I; Processo n° 36378.002817/2006-85 Acórdão n.o 2401-00.335, Relatório S2-C4T1 FI. 149 ",'> Trata-se de recurso voluntário interposto pela empresa GARRA TELECOMUNICAÇÕES E ELETRICIDADE LTDA, contra decisão-notificação de fls. retro, exarada pela extinta Secretaria da Receita Previdenciária em Belo Horizonte-MG, a qual julgou procedente a' presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, no valor originário de R$ 10.982,95 (dez mil novecentos e oitenta e dois mil e noventa e cinco centavos). A empresa solidária sustentou em recurso apenas que o crédito lançado teria sido fulminado pela decadência, em vista das disposições contidas no CTN. Processado o recurso, este colegiado entendeu pertinente a realização de diligência, visando ,~sclarecer a existência efetiva de débito. A fiscalização deixa de responder as indagações do colegiado, consignando que o débito já estaria decadente, em vista da Súmula vinculante n° 8 do STF~ É o relatório. l' h J I, I, " I 3 Processo n• .36378 002817/2006-85 Acórdão n,. 2401-00.335 Voto Conselheiro Rogério de Lellis Pinto, RelatoI, S2-C4T1 FI 150 i Presentes os pressupostos de admissibilidade conheço do recurso interposto. 'í I Alega o contribuinte, em 'sede de preliminar, que o crédito tributário em questão teria sido alcançado pela decadência, haja vista a extrapolação do qüinqüídio fixado pelo CTN, o que faz com razão. ' Sem embargos, é sabido que a questão do prazo decadencial das contribuições sociais, foi objeto de constantes e ácidas discussões tanto no âmbito doutrinário, quanto jurisprudencial. Analisando a matéria, o E. ST.J, por meio de seu plenário, fixou seu entendimento e em decisão unânime, reconhecendo a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212/91, que fixa o prazo de 10 anos para a decadência das contribuições sociais, reconhecendo a prevalência do prazo quinquenal previsto no CTN. Na esteira do entendimento exarado pelo SD, o Egrégio Supremo Tribunal Federal, em decisão plenária, e também de forma unânime, reconheceu o mesmo vício de constitucionalidade que pairava sobre as diretrizes insertas no art 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, entendendo que os prazos decadências das contribuições sociais, onde se incluem as previdenciárias, devem respeitar os limites temporais do CTN, norma geral a quem a Constituição ahibui a prerrogativa de tratar o,tema. , Eliminando as divergências interpretativas que impediam a aplicação prática dos prazos decadenciais fixados na norma Codificada em relação às contribuições previdenciárias, o STF acabou por editar a s-6mula vinculante n° 8, impondo a sua observância pelas demais instâncias judiciárias e administrativas. A referida súmula restou vazada nos seguintes termos: "SÃO INCONSTITUCIONAIS O PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 5" DO DECRETO-LEI N" 1.569/1977 E OS ARTIGOS ,45 E 46 DA LEI NU 8.212/1991, QUE TRATAM DE PRESCRIÇÃO E DECADÉNÇlA DE CRÉDITO TRIBUTARIO ", , Assim é que, hoje resta inequívoca que a decadência das contlibuições previdenciárias, encontram-se reguladas pelas nonnas e prazos fixados pelo Código Tributário Nacional, não devendo, portanto, qualquer observância às inconstitucionais previsões do ali 45 e 46 da Lei n° 8.212/91. Se encontra-se resolvida a' aplicação do CTN no que tange a decadência das contribuições previdenciárias, o 'mesmo não se pode dizer em relação a qual regra deve ser aplicada, ou seja, em todas as situações a :do ~ 40 do art 150, c~ja contagem (para fins de homologação) se dá a partir da ocorrência do fato gerador, ou se o art. 173, r, que diz que o referido cálculo se inicia a partir do 1° dia do exercício seguinte aquele em que o débito poderia ser constituídojJ 4 .1, Processo n° 36.378.002817/2006-85 Acórdão n,o 2401-00.335 S2-C4T1 FI 15\ Em verdade, as contribuições previdenciárias são inegavelmente tributos sujeitos a homologação por parte do Fisco, na medida em que a legislação previdenciária confere ao próprio contribuinte o dever de antecipar o recolhimento dos valores que lhe são reputados, justamente a situação definida no caput do art 150 do CTN. Como efeito, mesmo em se tratando de tributos ditos homologáveis, parte da doutrina vem reconhecendo, na esteira da jurisprudência do próprio STJ (Resp 757922/SC), que a regra prevista no S 4° do art 150 do CTN, somente se aplicaria naquelas situações onde o contribuinte efetivamente tenha efetuado algum recolhimento, sobre o qual caberia então ao Fisco pronunciar-se em 05 anos, sob pena de, transcorrido esse prazo, não mais poder constituir o débito remanescente. Para os defensores dessa tese, portanto, a contagem do prazo para que a Fazenda Pública efetue a referida homologação a partir da ocorrência do fato gerador, somente ocorre naquelas hipóteses em que o contribuinte tenha efetuado algum recolhimento. Do contrário, não havendo antecipação alguma por parte do contribuinte, não haveliam valores a serem homologados, e por conseqüência, incidindo a partir de então regra geral de decadência fixada no art. 173 do Códex. Não obstante esse raCiOCll1l0, filio-me aqueles que acreditam que o fator preponderante para a aplicação da regra contida no mensurado S 4° do art. 150, diz respeito ao próprio regime jurídico do tributo, de fon1fa que o fa~o da legislação conferir o dever de antecipação do recolhimento do tributo ao contribuinte, sem qualquer prévia verificação do Fisco, nos é suficiente para a incidência do ;nencionado dispositivo legal, sendo, em verdade,. , regra a regular a situação telada. Desta feita, temos que a nosso ver, e na linha do que diz o abalizado professor Alben;o Xavier, in Do Lançamentono Direito Tributário Brasileiro, 3('Ed. Pág. 100, "o que é relevante, pois, é saber se. em face da legislação. o contribuinte tem ou não o dever de antecipai' o pagamento, .. (...) "a linha divisória que separa o art. 150 ~'i4" do 173 do CTN está. pois. 110 regimejuridico do tributo ( ...)~'- De qualquer forma, e alheios à discussão acima citada, os débitos constantes da presente NFLD encontram-se decadentes, mesmo que consideremos a regra do art. 173 do CTN, haja vista que as competências envolvidas nesta NFLD são até 12/97, tendo o lançamento sido concluído em 17/08/04, estando, portanto, decadentes mesmo se considerarmos o exerCÍcio seguinte como marco inicial para contagem da decadência. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso interposto, para acatar a preliminar aventada pelo Contribuinte, e reconhecer a decadência das contribuições ora lançadas. Sala das Sessões, em 3 de junho de 2009 Rl~LIS pnHO - Relator 5 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005
score : 1.0
Numero do processo: 10120.009978/2009-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
CIDE- COMBUSTÍVEL. RESTITUIÇÃO.LEGITIMIDADE
O consumidor final não tem legitimidade ativa para invocar restituição da CIDE- incidente sobre operações com combustíveis, mas sim o contribuinte (produtor, formulador e importador, pessoa física ou jurídica) que tenha relação jurídica pessoal e direta com o fato gerador dessa contribuição.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 3201-001.274
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Pedro Guilherme Lunardelli. Ausência justificada de Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 CIDE- COMBUSTÍVEL. RESTITUIÇÃO.LEGITIMIDADE O consumidor final não tem legitimidade ativa para invocar restituição da CIDE- incidente sobre operações com combustíveis, mas sim o contribuinte (produtor, formulador e importador, pessoa física ou jurídica) que tenha relação jurídica pessoal e direta com o fato gerador dessa contribuição. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Pedro Guilherme Lunardelli. Ausência justificada de Luciano Lopes de Almeida Moraes.
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RESTITUIÇÃO.LEGITIMIDADE O consumidor final não tem legitimidade ativa para invocar restituição da CIDE incidente sobre operações com combustíveis, mas sim o contribuinte (produtor, formulador e importador, pessoa física ou jurídica) que tenha relação jurídica pessoal e direta com o fato gerador dessa contribuição. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Pedro Guilherme Lunardelli. Ausência justificada de Luciano Lopes de Almeida Moraes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 99 78 /2 00 9- 71 Fl. 167DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 0/05/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília/DF. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: “Trata o presente processo de pedido de restituição, formalizado em formulário, no qual a contribuinte acima identificada pretende recuperar valores pagos a título de Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE Combustível, na aquisição de combustíveis efetuada no período de agosto a dezembro de 2004, no total de R$ 325.596,72, sob o argumento de desvio de finalidade de aplicação dos recursos da referida contribuição. Ao examinar a questão, a autoridade fiscal competente no despacho decisório (fls. 87 a 93), resolveu indeferir o pedido de restituição, por ausência do pagamento indevido ou a maior; crédito líquido e certo, e falta de legitimidade para pleitear a restituição. A contribuinte tomou ciência do despacho decisório em 23/12/2009 (AR – fl. 96). Inconformada apresentou em 22/01/2010, a manifestação de inconformidade (fls. 97 a 110), na qual transcreve os fatos, discorre sobre o recolhido indevido da CIDECombustível incidente sobre a importação e a comercialização de petróleo e seus derivados, gás natural e seus derivados, e álcool etílico, instituída pelo artigo 1° da Lei n° 10.336, de 2001, em função dos arts. 149 e 177 da Constituição Federal, com a redação dada pela Emenda nº 33, de 2001, e, em resumo, apresenta os seguintes argumentos: 1.1 DA LEGITIMIDADE. embora não sendo contribuinte da CIDE, a possibilidade jurídica do pedido, caracterizase pela sua atividade, consumidora final do produto que sofreu a incidência dessa contribuição, quando da compra de combustíveis, assumindo inteiramente o ônus e/ou suportando o encargo financeiro respectivo; o direito ao crédito da CIDE não se restringe ao contribuinte de direito, mas da condição prevista no artigo 166 do CTN, ou seja, contribuinte de fato, tendo em vista que adquiriu os produtos inerentes à sua atividade na qualidade de sujeito final da operação tributável da CIDE–Combustível; ao adquirir os produtos do contribuinte de direito suportou a incidência e repercussão final da referida contribuição lançada em toda a cadeia tributária. Assim, embasada no artigo 166 do CTN, é a parte ativa, afastandose a afirmação de que somente seria possível ao Produtor, Formulador e Importador dos combustíveis, ingressar contra o Fisco para pleitear a restituição de valores recolhidos indevidamente a título de CIDE – Combustível; 1.2 INEXISTÊNCIA DE DARF. a ausência de DARF justificase, por ser contribuinte de fato, não estando seu ônus representado em guia DARF, mas pelas notas fiscais Fl. 168DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 0/05/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10120.009978/200971 Acórdão n.º 3201001.274 S3C2T1 Fl. 153 3 comprobatórias de aquisição dos combustíveis. A emissão de DARF para recolhimento é ato acessório, cuja obrigação é atribuída ao contribuinte de direito da contribuição; a planilha acostada aos autos demonstra que seu crédito não se baseou nos DARF, mas, nas Notas Fiscais de aquisição de combustível junto ao Produtor, no período de agosto a dezembro de 2004, que resultou crédito no montante de R$ 325.596,72; 1.3 DO DIREITO a Constituição Federal, nos artigos 149 e 177, visou garantir a atuação da União quanto à instituição das contribuições sociais e intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, especialmente as incidentes nas atividades de importação ou comercialização de petróleo e seus derivados, gás natural e seus derivados e álcool combustível; a CIDECombustível será revertida ao pagamento de subsídios a preços ou transporte de álcool combustível, gás natural e seus derivados e derivados de petróleo; ao financiamento de projetos ambientais relacionados com a indústria do petróleo e do gás; e ao financiamento de programas de infra estrutura de transportes; a contribuição nasceu com a Emenda Constitucional n° 33, de 2001, que inseriu o parágrafo 4º ao art. 177 da Carta Magna, e instituída pela Lei n° 10.336/2001, alterada pela Lei 10.363/2002, que estabeleceu novas alíquotas e a destinação e objetivos essenciais; 1.4 DESVIO DE FINALIDADE com arrimo na doutrina, o traço marcante e distintivo da contribuição de intervenção no domínio econômico é a obediência às finalidades que justificam a sua criação. Assim também está a jurisprudência do STF (RE n° 209.3653/SP); o desvio de finalidade dos recursos da CideCombustível foi reconhecido por decisão do TCU. Assim, constado desvio de finalidade, ocorre o indevido pagamento da CIDE e, por conseqüência, o direito líquido e certo de pleitear a sua restituição; 1.5 DA INEXIGIBILIDADE DA CONTRIBUIÇÃO. a Constituição Federal determinou ser obrigatória a vinculação entre os valores arrecadados com a CIDE e a sua aplicação, o que em nenhum momento diverge do texto legal. A CIDECombustível passou a ser devida a partir de janeiro de 2002 para garantir investimentos na infraestrutura de transportes e recuperar o meio ambiente danificado pelo uso do petróleo, gás e álcool; Fl. 169DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 0/05/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 o produto da arrecadação da Cidecombustível seria destinado, na forma da lei orçamentária, ao pagamento de subsídios a preços ou transporte de álcool combustível, de gás natural e seus derivados e de derivados de petróleo; ao financiamento de projetos ambientais relacionados com a indústria do petróleo e do gás e financiamento de programas de infra estrutura de transportes; para Cretella Júnior (Tratado de Direito Administrativo. RJ. Forense, 1966. V. 2.) desvio de finalidade consiste no afastamento do espírito da lei, ou seja, "desvirtuando o fim, desvirtuase o ato, eivase de vício irreparável, configurase denominado desvio do fim, desvio de finalidade ou desvio de poder"; o Conselho de Contribuintes, em análise de aplicação e interpretação de legislação, firmou entendimento quanto à necessária observância e convergência entre lei e finalidade, posicionandose no sentido de que "não atender ao fim legal é desatender à própria lei"; não restam dúvidas quanto à possibilidade de restituição dos valores por ela recolhidos da CIDECobustíveis, nos moldes da legislação vigente, que comprovadamente sofreram desvinculação entre lei e sua finalidade, não atendendo, assim, ao preceito constitucional; demonstrada regularidade de sua pretensão, resta incontestável seu direito de pleitear/repetir a restituição dos valores da CIDE–Combustível, relacionados na planilha anexada ao pedido inicial, recolhidos indevidamente no período R$ 325.596,72, com as atualizações monetárias correspondentes. No pedido, requer seja acolhida a sua manifestação de inconformidade para reformar o despacho decisório; deferir o pedido de restituição; reconhecer o seu direito à restituição dos valores pagos a título de CIDECombustível, corrigidos por índices que reflitam a real variação inflacionária do período ou sejam ainda homologadas compensações porventura realizadas com créditos objeto do Pedido de Restituição e finalmente a suspensão de quaisquer cobranças de débitos tributários, por ser da mais colimada ordem de direito e lídima Justiça.” O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/BSB n° 0337.392, de 09/06/2010, proferida pelos membros da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília/DF, cuja ementa dispõe, verbis: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 LEGITIMIDADE RESTITUIÇÃO CIDECOMBUSTÍVEL . COMPETÊNCIA PARA AFASTAR NORMA LEGAL. A legitimidade para pleitear a restituição de valores da CIDECombustível pagos indevidamente somente cabe ao contribuinte (produtor, formulador e importador, pessoa física ou jurídica) que tenha relação jurídica pessoal e direta com o fato gerador dessa contribuição, estabelecida pela norma tributária. A contribuinte de fato (consumidora final) não ocupa o pólo passivo da relação jurídicotributária pessoal e direta com o fato gerador da CIDECombustível. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 170DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 0/05/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10120.009978/200971 Acórdão n.º 3201001.274 S3C2T1 Fl. 154 5 Direito Creditório Não Reconhecido.” O julgamento foi no sentido de considerar improcedente a manifestação de inconformidade, tendo em vista que a empresa não tem legitimidade para pleitear a restituição de valores da CIDECombustível pagos indevidamente, pois somente cabe ao contribuinte (produtor, formulador e importador, pessoa física ou jurídica) que tenha relação jurídica pessoal e direta com o fato gerador dessa contribuição, estabelecida pela norma tributária. A contribuinte de fato (consumidora final) não ocupa o pólo passivo da relação jurídicotributária pessoal e direta com o fato gerador da CIDECombustível. O Contribuinte protocolizou o Recurso Voluntário. Ressalto que foi convertido o julgamento em diligência, através da Resolução de n° 3201000.297, sessão de janeiro de 2012 para verificação da tempestividade do recurso voluntário. Confirmouse a tempestividade do recurso voluntário. O processo digitalizado foi redistribuído e encaminhado a esta Conselheira. É o Relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Versa o presente processo de pedido de restituição dos supostos pagamentos indevidos (CIDECombustível). A questão de mérito restringese ao direito de a recorrente interpor pedido de restituição da parcela da CIDE embutida no preço dos combustíveis adquiridos e consumidos por ela. A CIDECombustível incide sobre a importação e a comercialização de petróleo e seus derivados, gás natural e seus derivados, e álcool etílico combustível; a mesma foi instituída pelo artigo 1° da Lei n.° 10.336, de 2001, em cumprimento ao disposto nos arts. 149 e 177 da Constituição Federal, com a redação dada pela EC n° 33, de 11/12/2001. Por sua vez, a Lei nº 10.336, de 19/12/2001, que instituiu a CIDE Combustíveis assim dispõe: “Art. 2º. São contribuintes da Cide o produtor, o formulador e o importador, pessoa física ou jurídica, dos combustíveis líquidos relacionados no art. 3º. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 0/05/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 Parágrafo único. Para efeitos deste artigo, considerase formulador de combustível líquido, derivados de petróleo e derivados de gás natural, a pessoa jurídica, conforme definido pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) autorizada a exercer, em Plantas de Formulação de Combustíveis, as seguintes atividades: I aquisição de correntes de hidrocarbonetos líquidos; II mistura mecânica de correntes de hidrocarbonetos líquidos, com o objetivo de obter gasolinas e diesel; III armazenamento de matériasprimas,de correntes intermediárias e de combustíveis formulados; IV comercialização de gasolinas e de diesel; e V comercialização de sobras de correntes.” Logo, a recorrente não é contribuinte da Cidecombustível, por não se enquadrar no dispositivo legal transcrito acima. A atividade desenvolvida pela recorrente é a exploração de serviços de transporte coletivo rodoviário urbano e metropolitano de passageiros, não se enquadrando na condição de contribuinte de direito da CIDECombustível instituída pela Lei n° 10.336, de 2001, ou seja, não ocupa o polo passivo da relação jurídicotributária (sujeito passivo da obrigação tributária), ainda que, na condição de consumidora final, ocorra a incidência econômica da referida contribuição nas aquisições de combustíveis. Inclusive, a mesma reconhece não ser contribuinte de direito da referida contribuição; mas por ter assumido encargos financeiros, quando da compra de combustíveis, nos termos do art. 166 do CTN Código Tributário Nacional, pleiteou a restituição de valores recolhidos pela contribuinte de direito, alegando pagamentos indevidos, por desvio de finalidade dos recursos da CIDE Combustível. Portanto, segundo o artigo 2º da Lei n° 10.336, de 2001, a recorrente não ocupa o pólo passivo da relação jurídicotributária (sujeito passivo da obrigação tributária), logo, não possui legitimidade para pleitear a restituição de eventual crédito relativo a pagamento indevido da CIDECombutível. Este também é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ), de acordo com a ementa do julgamento do RESP 1.160.826/PR, in verbis: “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CIDE SOBRE COMBUSTÍVEIS. INDÉBITO. CONSUMIDOR FINAL. RESTITUIÇÃO. ILEGITIMIDADE ATIVA AD CAUSAM. 1. A legislação da Cide sobre combustíveis não prevê, como regra,repasse de ônus tributário ao adquirente do produto, diferentemente do ICMS e do IPI, por exemplo. Por essa ótica estritamente jurídica, é discutível sua classificação como tributo indireto, o que inviabiliza o pleito de restituição formuladopelo suposto contribuinte de fato (consumidor final do combustível). Fl. 172DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 0/05/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10120.009978/200971 Acórdão n.º 3201001.274 S3C2T1 Fl. 155 7 2. Ainda que se admita que a Cide sobre combustível seja tributo indireto, a jurisprudência da Segunda Turma inclinouse no sentido de que o consumidor final não tem legitimidade ativa ad causam para o pedido de restituição da Parcela de Preço Específica (considerada espécie de Cide), mas sim o distribuidor do combustível, entendimento que se aplica ao caso. 3. Ademais, a Primeira Seção, ao julgar o Resp 903.394/AL sob o regime dos repetitivos (j. 24.3.2010), relativo ao IPI sobre bebidas, passou a adotar o entendimento de que somente o contribuinte de direito tem legitimidade ativa para restituição do indébito relativo a tributo indireto. 4. In casu, é incontroverso que os contribuintes de direito da Cide sobre combustível são o produtor, o formulador e o importador do produto (art. 2º da Lei 10.336/2001), o que ratifica a inexistência de legitimidade ativa do consumidor final. 5. Agravo Regimental não provido. Decisão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça: "A Turma, por unanimidade, negou provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do(a) Sr(a). Ministro(a)Relator(a)." Os Srs.Ministros Mauro Campbell Marques, Eliana Calmon, Castro Meira e Humberto Martins (Presidente) votaram com o Sr.Ministro Relator.” Da mesma forma, no julgamento do Resp nº 903.394, sob o regime 543 C, do CPC, a Primeira Seção do STJ afastou a legitimidade ativa de contribuintes de fato pleitearem restituição de tributo indireto, como no presente caso, sob o argumento de que somente o contribuinte de direito tem essa prerrogativa. Em regra, nos tributos indiretos, ocorre o fenômeno da repercussão, ou seja, quem suporta o encargo fiscal, é o contribuinte de fato; mas, na condição do artigo 166 do CTN, somente o contribuinte de direito pode pleitear a restituição de eventual pagamento indevido, caso comprove não haver transferido o ônus a terceiro ou se transferido está autorizado por esse, que sofreu os ônus e/ou suportou o encargo tributário, a repetir o eventual indébito fiscal. Quanto a outros argumentos trazidos pela recorrente, restam prejudicadas, haja vista não ser ela parte legítima para pleitear a restituição de eventual indébito tributário relativo à CIDECombustível, incidente sobre a comercialização de combustíveis, não havendo, assim, qualquer reparo a ser feito na decisão a quo. Outros julgados no âmbito do Carf seguem o mesmo entendimento, como os acórdãos n° 3301001.402 e 3301001.403, ambos de relatoria de Adão Vitorino de Morais, no sentido que o consumidor final não tem legitimidade ativa para interpor pedido de restituição da contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE) incidente sobre operações com combustíveis, mas sim o distribuidor destes. Assim sendo, tendo em vista a falta de legitimidade do contribuinte de fato, nos termos do CTNCódigo Tributário Nacional, art. 121, parágrafo único, inciso I, somente considera contribuinte aquele que tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária principal. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 0/05/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 8 Por todo o exposto, nego provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 174DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 0/05/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 36222.001629/2001-07
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jul 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Jul 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. ADMISSIBILIDADE.
O Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, fazia previsão de interposição de recurso especial na hipótese de “decisão não unânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova”.
Quanto a admissibilidade do recurso especial de contrariedade à lei e à evidência da prova interposto pela Fazenda Nacional saliento que a decisão do colegiado a quo foi unânime ao concluir pela nulidade do lançamento.
A conclusão encaminhado no voto vencido, no sentido de anular a decisão de primeira instância para que seja possibilitada a complementação do relatório fiscal não descaracteriza a decisão unânime que foi no sentido da existência de nulidade no lançamento.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-001.654
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso. Vencido o Conselheiro Francisco Assis de Oliveira Junior (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: Francisco Assis de Oliveira Junior
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ADMISSIBILIDADE. O Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, fazia previsão de interposição de recurso especial na hipótese de “decisão nãounânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova”. Quanto a admissibilidade do recurso especial de contrariedade à lei e à evidência da prova interposto pela Fazenda Nacional saliento que a decisão do colegiado a quo foi unânime ao concluir pela nulidade do lançamento. A conclusão encaminhado no voto vencido, no sentido de anular a decisão de primeira instância para que seja possibilitada a complementação do relatório fiscal não descaracteriza a decisão unânime que foi no sentido da existência de nulidade no lançamento. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso. Vencido o Conselheiro Francisco Assis de Oliveira Junior (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Elias Sampaio Freire. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Francisco Assis de Oliveira Júnior – Relator Fl. 1137DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU NI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – RedatorDesignado Fl. 1138DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU NI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 36222.001629/200107 Acórdão n.º 920201.654 CSRFT2 Fl. 1.074 3 EDITADO EM: 08/08/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Oliveira. Fl. 1139DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU NI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Relatório Tratase de recurso especial de divergência e contrariedade interposto pela Fazenda Nacional com fundamento no art. 7º, incisos I e II, do Regimento Interno da Câmara Superior c/c artigo 4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Importante registrar que o presente feito referese a pedido de revisão acolhido pelo Conselho de Recursos da Previdência Social em relação a recurso interposto pela Secretaria da Receita Previdenciária contra acórdão que, anteriormente, havia dado provimento ao recurso do contribuinte. Não obstante a decisão anterior ter dado provimento ao recurso do contribuinte, o acórdão objeto do presente recurso especial anulou o lançamento por ter entendido que houve cerceamento de defesa, Acórdão 230100.230, de 05/05/2009, consta a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/1991 a 31/12/1998 DISCRIMINAÇÃO DOS FATOS GERADORES. INSUFICIÊNCIA.NULIDADE DO LANÇAMENTO. O lançamento deve discriminar os fatos geradores das contribuições previdenciárias de forma clara e precisa, bem como o período a que se referem, sob pena de cerceamento de defesa e conseqüente nulidade. Processo Anulado A inconformidade da Fazenda Nacional referese à nulidade do lançamento. O órgão fazendário recorre sob o fundamento de que houve, em decisão não unânime, violação à legislação tributária, especificamente os artigos 10, 11, 59 e 60 do Decreto lei nº 70.235, de 1972, tendo em vista a declaração de nulidade no acórdão recorrido ter extrapolado as causas previstas na legislação regente. Também manifesta o órgão fazendário a existência de divergência com decisões proferidas por outros colegiados no tocante a nulidade declarada, inexistindo possibilidade de declarar tal nulidade com argumento de insuficiência na descrição do fato gerador. Ademais, sustenta a Fazenda Nacional também a ocorrência de contrariedade à evidência das provas dos autos, tendo em vista as causas consideradas omissas pela autoridade julgadora estarem presentes no Relatório Fiscal Aditivo às fls. 471/484, condição que afastaria a referida nulidade. O recurso especial interposto pela Fazenda Nacional foi admitido por meio de despacho às fls. 1015/1017. Tendo tomado ciência do Acórdão e do Recurso Especial interposto, o contribuinte, em contrarazões, sustenta, que a decisão de nulidade deve ser mantida tendo em vista a falta de discriminação clara e precisa dos fatos geradores da notificação. Acrescenta que Fl. 1140DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU NI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 36222.001629/200107 Acórdão n.º 920201.654 CSRFT2 Fl. 1.075 5 os princípios da legalidade, devido processo legal e segurança jurídica deixaram de ser observados pela autoridade fiscal ensejando a declaração de nulidade por vício formal. É o relatório. Fl. 1141DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU NI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Voto Vencido Conselheiro Francisco Assis de Oliveira Júnior, Relator O recurso especial é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, conforme consta do despacho às fls.1015/1017. Efetuado o exame de admissibilidade, entendo que o recurso especial preenche os requisitos formais tanto de divergência quanto de contrariedade e, portanto, dele tomo conhecimento. A questão controvertida posta à apreciação deste colegiado diz respeito à declaração de nulidade do lançamento em decorrência da insuficiência da descrição dos motivos que formaram a convicção da autoridade fiscal no que atine a existência ou não dos fatos geradores representativos da notificação. Afirma o voto condutor do acórdão recorrido, que no relatório fiscal original houve omissão quanto aos dados necessários que motivaram o reenquadramento do Seguro de Acidente de Trabalhos, tendo em vista que o lançamento referese justamente a cobrança da diferença de alíquotas haja vista a notificada ter se auto enquadrado em um grau de risco mais leve. A Fazenda Nacional afirma conforme relatado alhures, que não houve cerceamento de defesa. Além disso, sustenta que o prejuízo deveria ter sido demonstrado pelo voto condutor do acórdão recorrido o que de fato não ocorreu. Faço coro aos que no passado, por diversas vezes, manifestaram o entendimento de que a nulidade dos lançamentos fiscais deveria ser declarada sempre que fosse identificada situação de erro no procedimento fiscal ou na atuação da autoridade e que não fosse possível o saneamento. Ora dúvidas não há que no momento em que o lançamento é efetuado está a autoridade fiscal fixando quais foram as razões que determinaram sua convicção de que o fato gerador da obrigação tributária efetivamente ocorreu. Todo o procedimento administrativo fiscal nasce desta premissa: o fato gerador ocorreu ou não. A obrigação tributária existe e pode ser cobrada ou não. Dessa forma, a determinação da matéria tributável, entre outros elementos, é essencial para a própria existência do lançamento e, por conseguinte, o crédito tributário; além de ser essencial ao pleno exercício da defesa do contribuinte, razão pela qual sua omissão ou a insuficiência dos motivos que formaram a convicção da autoridade fiscal fragiliza o lançamento de tal forma que impede a sua continuidade no mundo jurídico, o que implica em sua nulidade por vício material. Contudo, no campo da teoria das nulidades, especificamente no âmbito processual, há muito a doutrina e a jurisprudência estão calcadas no binômio finalidade do ato e demonstração do prejuízo. Nesse sentido, dentre os diversos princípios que permeiam a teoria das nulidades há de ser destacado o da instrumentalidade das formas. Por tal princípio a existência Fl. 1142DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU NI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 36222.001629/200107 Acórdão n.º 920201.654 CSRFT2 Fl. 1.076 7 do ato processual não é um fim em si mesmo, mas instrumento utilizado para se atingir determinada finalidade. Assim, ainda que com vício, se o ato atinge sua finalidade sem causar prejuízo às partes não se declara sua nulidade. Pois bem, em nenhum momento o contribuinte teve o seu entendimento obscurecido em relação aos fatos que lhe foram imputados, a saber o reenquadramento das alíquotas do Seguro Acidente de Trabalho. Em todos os atos que praticou sempre manifestou juízo de valor capaz de discernir o que estava acontecendo em relação à notificação. Outro fato que chama a atenção, inclusive reconhecido pela própria relatora do voto vencedor ora recorrido, referese à circunstância de que foi elaborado um relatório fiscal aditivo, fls. 471/484, individualizando os segurados e as atividades que os mesmos exerciam, demonstrando, de maneira cabal, quais as razões que motivaram o reenquadramento no grau de risco mais grave, sendo certo que o contribuinte teve acesso a este documento dele tendo sido cientificado bem como apresentado seus argumentos. Ora, o relatório fiscal aditivo foi elaborado justamente para permitir que o contribuinte tivesse conhecimento das razões pelas quais a autoridade lançadora entendeu necessário o reenquadramento. Após esse relatório aditivo foi dada oportunidade para o contribuinte se manifestar, contudo, os argumentos desenvolvidos não foram suficientes para afastar a alíquota majorada decorrente do grau de risco mais grave. Contudo, o acórdão proferido pela Câmara do Conselho de Recursos da Previdência Social manifestou que o relatório aditivo não seria instrumento hábil para discriminar os segurados para efeito de verificação do enquadramento do SAT do contribuinte. De igual modo, o voto ora recorrido manifestou que o relatório fiscal original foi omisso, novamente ignorando o relatório aditivo, as diligências e as informações prestadas posteriormente ao contribuinte com o objetivo de, efetivamente, permitir sua defesa, bem como ignorar o relatório aditivo com a descrição pormenorizada das atividades que os segurados exerciam. Em verdade, a análise acurada de todos os elementos que compõem os autos (relatórios fiscais, anexos e demais termos), permite a constatação de que todas as formalidades estabelecidas tanto pelo Decreto nº 70.235, de 1972, quanto pela Lei nº 8.212, de 1991, foram atendidas, razão pela qual a decisão recorrida merece ser reformada, tendo em vista não ter ocorrido em nenhum momento cerceamento de defesa e, portanto, prejuízo aos direitos constitucionais do contribuinte. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO AO RECURSO DA FAZENDA NACIONAL para anular o Acórdão 230100.230, devendo os autos retornar à Câmara a quo para análise das demais preliminares e do mérito. (Assinado digitalmente) Francisco Assis de Oliveira Júnior Fl. 1143DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU NI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Voto Vencedor Conselheiro Elias Sampaio Freire, Designado Salientese que, não obstante o aludido recurso não encontrar previsão no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a Portaria Ministerial MF nº. 256, de 22 de junho de 2009, em suas disposições transitórias, prevê que os recursos com base no inciso I do art. 7° e do art. 9° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, interpostos em face de acórdãos proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em data anterior à 1° de julho de 2009, serão processados de acordo com o rito previsto nos arts. 15 e 16 e nos arts. 43 e 44 daquele Regimento. Por seu turno o inciso I do art. 7° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, fazia previsão de interposição de recurso especial na hipótese de “decisão nãounânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova”. Quanto a admissibilidade do recurso especial de contrariedade à lei e à evidência da prova interposto pela Fazenda Nacional saliento que a decisão do colegiado a quo foi unânime ao concluir pela nulidade do lançamento. A conclusão encaminhado no voto vencido, no sentido de anular a decisão de primeira instância para que seja possibilitada a complementação do relatório fiscal não descaracteriza a decisão unânime que foi no sentido da existência de nulidade no lançamento. Isto posto, voto por não conhecer do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 1144DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU NI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 16045.000305/2009-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/09/2004 a 31/12/2004
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL NULIDADE INOCORRÊNCIA
De acordo com o art. 60 do Decreto 70.235/72 as omissões ou irregularidades que não gerem prejuízo ao sujeito
passivo não importam em nulidade do ato administrativo.
JULGAMENTO EM CONJUNTO POSSIBILIDADE Em se tratando de
processos conexos e com o mesmo fato gerador pode o julgador proferir uma única decisão para todos.
MUTUO ENTRE EMPRESAS Ainda que possível a realização de mútuo
de empregados entre duas empresas, o mutuário assume os riscos do contrato, recaindo sobre ele as obrigações sociais incidentes sobre a remuneração dos segurados.
FALTA DE COMPROVAÇÃO DE RECOLHIMENTOS A falta de comprovação de recolhimentos dos empregados enseja a lavratura de autuação sobre o responsável pelo recolhimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.321
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar as preliminares suscitadas; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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JULGAMENTO EM CONJUNTO POSSIBILIDADE Em se tratando de processos conexos e com o mesmo fato gerador pode o julgador proferir uma única decisão para todos. MUTUO ENTRE EMPRESAS Ainda que possível a realização de mútuo de empregados entre duas empresas, o mutuário assume os riscos do contrato, recaindo sobre ele as obrigações sociais incidentes sobre a remuneração dos segurados. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE RECOLHIMENTOS A falta de comprovação de recolhimentos dos empregados enseja a lavratura de autuação sobre o responsável pelo recolhimento. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar as preliminares suscitadas; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Marcelo Freitas de Souza Costa Relator Fl. 54DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 27/06/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire; Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira; Kleber Ferreira de Araújo; Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Marcelo Freitas de Souza Costa. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 27/06/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Processo nº 16045.000305/200981 Acórdão n.º 2401002.321 S2C4T1 Fl. 51 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte acima identificado por descumprimento de obrigação principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte destinada a terceiros, incidentes sobre a remuneração dos empregados e não declarados em GFIP. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 34 a 42, ficou comprovado através das Notas Fiscais e Livros Diário e Razão que a empresa prestou serviços de zeladoria patrimonial no período de setembro a dezembro de 2004, sem que houvesse nenhum empregado registrado ou lançamento de mão de obra contratada. Em face da não apresentação de esclarecimentos acerca da origem da mão de obra utilizada pela empresa, a fiscalização concluiu que empresa não registrou e não contabilizou o movimento real da remuneração da mão de obra utilizada para a prestação dos serviços executados, procedendo à apuração da mãodeobra por arbitramento com base no faturamento, sendo considerado para fins de remuneração, o percentual de 40% (quarenta por cento) incidente sobre o valor dos serviços constantes das notas fiscais emitidas pela empresa. Inconformada com a decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento, a empresa recorre a este conselho alegando em síntese: a) Preliminarmente argumenta que teria ocorrido vício no lançamento uma vez que no termo de Encerramento do Procedimento Fiscal TEPF ; há afirmação de terem sido lavrados 14 autos de infração e no relatório fiscal também consta o mesmo número de autuações, porém neste último não estão relacionados os AIs 37.230.9399 e 37.230.9402. b) No mérito argumenta que no período fiscalizado a recorrente não possuía mão de obra própria, utilizandose de funcionários da empresa SECULUM SERVIÇOS OPERACIONAIS LTDA – EPP, que foram cedidos temporariamente através de um Contrato de Mútuo. c) Afirma que não poderia ter sido proferido um único acórdão com validade para três autuações; d) Defende que o acórdão guerreado está baseado em suposições e interrogações sem qualquer embasamento legal e ignorando fatos relevantes que “acalmariam a estupefação fiscal”; o primeiro ser LUIS ANTÔNIO CARNEIRO VIEIRA quem representa as empresas contratantes, ora representante legal da doadora e ora procurador da donatária (aliás o que o próprio acórdão confessa saber (fls.6), o quê, por si só, já detona a exclamação do mútuo não trazer qualquer encargo para a donatária; o segundo que ambas as empresas contratantes tem a mesma atividade social, em dependência fundamental de Fl. 56DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 27/06/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA 4 pessoal especializado, o quê viria favorecer a aceitação dos tomadores de serviços da mão de obra já conhecida/usufruída da doadora, cuja tem lastro de credibilidade e moralidade. o terceiro que se tratava duma situação precária, de curtíssima duração, tão só pelo rápido tempo de treinamento de novel pessoal, o quê vinha a benefício da desnecessidade de qualquer maior formalização documental. e) Continua, assim refutando a decisão de primeira instância: Consignese ainda que, (1)a admirarse da falta de registro no cartório, esquecese que inexiste forma e figura de juízo para tal registro cartorário. (2)ao exigir que fosse feito registro contábil de tal celebração inusitada, não usual, atípica, olvidase que o próprio instrumento contratual era a própria prova formal (inaceita tão somente pelo Fisco) da transação de mútuo realizada dispensando a contabilização do mesmo, exatamente porque não traria qualquer nexo de causa efeito. (3)ao negálo por falta de reconhecimento de firma, nega inteligência aos celebrantes, não só porque entre eles não havia qualquer necessidade de fazêlo, e também porque, ainda que tivesse tal reconhecimento de firma, duvidosamente o Fisco o daria por perfeito, em sempre tentando usar d'outra alegativa para desconstituílo. f) Alega que a negativa de produção de provas pela recorrente caracteriza cerceamento de defesa inoportunando a fase probatória na esfera administrativa g) Requer que sejam acatadas as Preliminares argüidas e sejam anulados os autos de infração e cassado o julgamento proferido, ou então, desde logo, seja acatada a defesa meritória da própria Impugnação, reconhecendose a improcedência dos autos de infração, extinguindoos definitivamente para os fins e efeitos de direito.. É o relatório. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 27/06/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Processo nº 16045.000305/200981 Acórdão n.º 2401002.321 S2C4T1 Fl. 52 5 Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. Tendo em vista que o julgamento de primeira instância optou por efetuar um único julgamento para as três autuações correlatas, processos 16045.000303/200992 (contribuições a cargo da empresa); 16045.000304/200937 (contribuições de empregados) e 16045.000305/200981 (contribuições de terceiros/outras entidades), foi apresentado um único recurso que também será acolhido como sendo extensivo a todos os processos acima mencionados. DAS PRELIMINARES A preliminar de nulidade do lançamento em face de não constarem no TEPF, os lançamentos dos AIs 37.230.9399 e 37.230.9402 não merece ser acolhida tendo em vista que a falta de tal informação não trouxe qualquer prejuízo ao recorrente. Conforme já esclarecido na decisão de primeira instância, tal fato se deu em decorrência de erro de digitação onde se repetiu os números dos DEBCADs 37.230.9267 e 37.230.9283 ao invés dos acima mencionados. Com efeito, este equívoco não é capaz de macular o lançamento já que a recorrente foi formalmente notificado de todos os lançamentos fiscais e apresentou impugnações próprias e específicas para cada um deles. No presente caso, independente de haver uma listagem relacionando todos aos AIs levantados contra a empresa, foi possível saber quais foram os fatos geradores lançados, o período do lançamento e as razões que levaram a fiscalização a efetuar a autuação, não se devendo acatar a nulidade pretendida. Com relação ao julgamento ter se utilizado de um único acórdão para as três autuações por descumprimento de obrigação principal, temos que não houve qualquer irregularidade neste procedimento uma vez que, os três Autos tratam do mesmo fato gerador com uma única diferença que é o tipo das contribuições devidas, um referente a contribuição da empresa, outro dos segurados e o último às destinadas a terceiros. DO MÉRITO No mérito defende a recorrente não possuía mão de obra própria, utilizando se de funcionários da empresa SECULUM SERVIÇOS OPERACIONAIS LTDA – EPP, que foram cedidos temporariamente através de um Contrato de Mútuo, sendo esta a responsável pelos recolhimentos das contribuições ora lançadas. Em que pese o contrato de mútuo anexado pela recorrente para tentar justificar a inexistência de funcionários seus, bem como a falta de recolhimento das contribuições, o documento por si só não comprova a veracidade das alegações recursais. A Fl. 58DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 27/06/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA 6 própria característica deste tipo de contrato diverge do entendimento da recorrente quantos a seus aspectos. Vejamos o que diz o art. 586 do Novo Código Civil Brasileiro: Art. 586. O mútuo é o empréstimo de coisas fungíveis. O mutuário é obrigado a restituir ao mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade. Já o Art. 85 do Código Civil/2002 determina que são fungíveis os bens móveis que podem ser substituídos por outros da mesma espécie, qualidade e quantidade. Na operação de mútuo celebrado entre pessoas jurídicas e/ou pessoas físicas, é recomendável que se faça prova perante terceiros, principalmente perante uma fiscalização. Diante desta questão, fazse necessário elaborar um contrato expresso, no qual sejam fixadas as condições gerais da operação, prazo e forma de pagamento, juros e atualização monetária e outras condições e garantias inerentes ao contrato. O então1º Conselho de Contribuintes decidiu que existente os contratos de mútuo firmados com empresas controladas ou coligadas, a falta do registro no Cartório de títulos e Documentos, bem como irregularidade em sua contabilização, não são suficientes para determinar a indedutibilidade dos encargos contabilizados, este entendimento pode ser confirmado nos seguintes acórdãos nº 10319.917/99 DOU de 08.10.99, 10189.432/96 DOU de 13.05.96 e 1055.815/91 DOU de 30.10.91. O mútuo é na realidade um empréstimo para consumo e considerando ainda que o mutuário não é obrigado a devolver a própria coisa, e sim coisa equivalente, uma vez concluído o contrato de mútuo, passa de fato a ser o proprietário da coisa. No contrato de mútuo o mutuante transfere ao mutuário o domínio do bem emprestado. A partir da tradição o mutuário passa a responder pelos riscos da coisa recebida Logo, ainda que verídico o contrato realizado, a recorrente ao utilizarse da mão de obra de terceiros para realização de sua atividade fim, assume os riscos e encargos incidentes sobre a remuneração dos segurados utilizados nos serviços prestados. Se a empresa mutuante houvesse efetuado os recolhimentos relativos aos funcionários que cedeu à recorrente, com certeza a autuada não teria dificuldades em conseguir os comprovantes dos recolhimentos e apresentálos para a fiscalização ou até mesmo em sede de defesa. Sobre a produção de provas, não foi indicado em nenhum momento quais seriam e com qual finalidade. Ademais o momento processual para se produzir todos os tipos de provas que entender serem necessárias é quando da apresentação da defesa, o que não ocorreu. Assim dispõe o art. 16, § 4º e alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do Decreto 70235/72: Art. 16. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; Fl. 59DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 27/06/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Processo nº 16045.000305/200981 Acórdão n.º 2401002.321 S2C4T1 Fl. 53 7 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Não logrando êxito na comprovação dos recolhimentos lançados pela autoridade fiscalizadora, a recorrente não se elidiu das obrigações a ela imputadas. Ante ao exposto, Voto no sentido de Conhecer do Recurso, rejeitar as preliminares e no mérito negarlhe provimento. Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 60DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 27/06/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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Numero do processo: 10530.902729/2009-24
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 01 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.231
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência.
(documento assinado digitalmente)
Ester Manques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Relatório
Nome do relator: NELSO KICHEL
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência. (documento assinado digitalmente) Ester Manques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 30 .9 02 72 9/ 20 09 -2 4 Fl. 317DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.902729/200924 Resolução nº 1802000.231 S1TE02 Fl. 318 2 Relatório Cuidam os autos do Recurso Voluntário de fls.297/305 contra decisão da 2ª Turma da DRJ/Salvador (fls. 287/292) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. Quanto aos fatos, consta que em 01/09/2005 a contribuinte transmitiu eletronicamente via internet, por meio do Programa PER/DCOMP, a declaração de compensação tributária nº 36508.33637.010905.1.3.045819 (fls.34/38), onde consta: a) débito informado (confessado): Cofins, código de receita 5856, do PA julho/2005, data de vencimento 15/08/2005, assim especificado na DCOMP e na DCTF – (fls. 38 e 170): principal: R$ 12.249,87; multa moratória: R$ 727,64; juros de mora: R$ 0,00; Total: R$ 12.977,51 . b) crédito utilizado: aproveitamento de suposto direito creditório de R$ 11.396,00 (valor original), referente pagamento indevido ou a maior de IRPJ estimativa mensal, código de receita 5993, do PA 30/09/2004, DARF valor de R$ 20.732,08 (valor original), data do recolhimento 29/10/2004. Entretanto, na DIPJ 2005, anocalendário 2004 (Ficha 11), consta, quanto ao PA 30/09/2004, débito informado do IRPJ estimativa mensal o valor de R$ 20.732,08, com base na receita bruta e acréscimos (fl. 184). Da mesma forma, na DCTF desse PA consta débito confessado do IRPJ = R$ 20.732,08 (fl. 62). Por isso, o despacho decisório da DRF/Feira de Santana, de 25/05/2009, não reconheceu o direito creditório pleiteado, não homologando a compensação tributária informada, pois o recolhimento citado está vinculado ao débito do respectivo PA informado na respectiva DIPJ e DCTF. A propósito, transcrevo o disposto no Despacho Decisório eletrônico (fl. 33), in verbis: (...) 3FUNDAMENTAÇAO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: R$ 20.732,08. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.902729/200924 Resolução nº 1802000.231 S1TE02 Fl. 319 3 (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. (...) Inconformada com essa decisão da qual tomou ciência em 26/06/2009 (fl. 285), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade de fls. 04/19 em 07/07/2009, conforme protocolo (fls. 263/264) e despacho de fl. 286. Em sua Manifestação de Inconformidade, a contribuinte, em síntese, aduziu: que a compensação, transmitida pelo sistema eletrônico, denominado PER/DCOMP, foi julgada não homologada, pela inexistência do crédito (prejuízo fiscal e base de cálculo negativa) a autorizála; que, em seguida, faz longo arrazoado acerca da impossibilidade de se evitar a compensação integral dos prejuízos, sob pena de se criar tributação sobre o patrimônio, e não sobre o lucro e renda. Transcreve o art. 42 da Lei n° 8.981, de 1995, e o art. 15 da Lei n° 9.065, de 1995, que tratam do limite para a compensação de prejuízos fiscais de períodos de apuração anteriores até o limite de 30% do lucro líquido ajustado, por entender que foram esses dispositivos legais que motivaram a negativa de homologação da compensação em litígio; que, ainda, cita trechos doutrinários, assim como jurisprudência administrativa e judicial acerca da trava de 30% e, por último, requer a procedência da sua defesa, para se declarar a homologação da compensação; A Manifestação de Inconformidade veio acompanhada dos documentos de fls. 20 a 275, dentre os quais se destacam cópias: das DCTF originais relativas aos anoscalendário de 2004 e 2005; dos Darf correspondentes aos recolhimentos de estimativas mensais de IRPJ e de CSLL dos períodos de apuração ocorridos em 2004; da DIPJ 2005, anocalendário 2004; do Balanço Patrimonial; Demonstração dos Custos dos Serviços; Demonstração do Custo das Mercadorias e Demonstração do Resultado dos Exercícios de 2004 e 2005. Posteriormente, por meio do requerimento de fl. 266, datado de 14/07/2009, e com o intuito de comprovar a existência do crédito utilizado na compensação em análise, a Contribuinte solicitou a juntada das DCTF retificadoras, relativas aos quatro trimestres do ano calendário de 2004, "zerando" todos os débitos relativos às estimativas mensais de IRPJ e de CSLL anteriormente confessados para os períodos de apuração ocorridos no anocalendário de 2004, que se encontram às fls. 267/284. Por sua vez, a DRJ/Salvador, apreciando a lide, julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, conforme Acórdão de 18/01/2012 (fls. 287/292), cuja ementa transcrevo a seguir, in verbis: (...) As s u n t o : Imposto sobre a Renda de Pessoa Ju r í d i c a IRPJ Anocalendário: 2004 RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.902729/200924 Resolução nº 1802000.231 S1TE02 Fl. 320 4 O reconhecimento do indébito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Ciente desse decisum em 06/03/2012, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 09/03/2012 (fls. 297/305), conforme Despacho de Encaminhamento (fl. 315). Nas razões do Recurso Voluntário consta, in verbis: (...) O crédito foi originário do DARF 5993 IRPJ de setembro/2004 para pagamento de debito (COFINS) referente a julho de 2005. A compensação, transmitida pelo sistema eletrônico, denominado PER/DCOMP, foi julgada não homologada, por entender inexistir o crédito (prejuízo fiscal e base de cálculo negativa) a autorizála. Apresentada manifestação de inconformidade fora a mesma julgada improcedente não sendo reconhecido o crédito e consequentemente negando a compensação efetuada no sentido de que: ...os recolhimentos obrigatórios de estimativas mensais, efetuados de acordo com as determinações legais, somente serão passíveis de configurar pagamento indevido ou a maior, ao final do ano calendário, caso o contribuinte apure saldo negativo do tributo, este sim passível de restituição ou compensação. Examinando a Ficha 09A Demonstração do Lucro Real da DIPJ/2005 (fl.186), vêse que a pessoa jurídica apurou prejuízo fiscal, referente ao ano calendário de 2004, no montante de R$ 675.524,73. Entretanto, todos os campos de preenchimento de valores da Ficha 12 A Calculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real encontramse zerados. ... o contribuinte não apresentou prova documental de que o valor do recolhimento da estimativa de IRPJ, relativa ao mês de setembro de 2004, não foi apurado em consonância com as determinações legais... Dessa forma, o recolhimento da estimativa de IRPJ do mês de setembro 2004, efetuado pela Contribuinte, no valor constante do DARF utilizado para a compensação em analise, não constitui pagamento indevido ou a maior, (...) Considerando que as estimativas devidas na forma da Lei n. 9.430, de 1996, são necessariamente computadas como dedução na apuração Fl. 320DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.902729/200924 Resolução nº 1802000.231 S1TE02 Fl. 321 5 anual do IRPJ e/ou da CSLL, o procedimento correto, a luz da legislação fiscal supra mencionada, seria a retificação da D1PJ/2005, a fim de proceder ao calculo do saldo negativo do IRPJ, na Ficha 12 A e, posteriormente, proceder a compensação de débitos próprios, a partir de janeiro de 2005. Contudo tal decisão não merece prosperar pelos motivos que passaremos a expor. (...) I IMPOSSIBILIDADE DE SE EVITAR A COMPENSAÇÃO DOS PREJUÍZOS POR MERO ERRO DE PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. = DESARRAZOABILIDADE E DESPROPORCIONALIDADE. Entendeu o Nobre Julgador por desconsiderar o crédito objeto da compensação pleiteada tendo em vista o erro no preenchimento da DIPJ/2005 e DCTF. (...),tal erro se deu devido ao fato de estar zerado na DIPJ/2005 a FICHA 12 A e, a medida a ser adotada seria a retificação da DIPJ/2005, a fim de proceder ao calculo do saldo negativo do IRPJ, na Ficha 12 A. Contudo, tal retificação não pode ser feita neste momento face o tempo já decorrido desde a sua obrigatoriedade quanto a apresentação. Diante disto não pode ser prejudicada a ora recorrente pelo mero erro formal apontado. O crédito existe! Tal prova encontrase nos autos através da juntada do balanço patrimonial (em anexo), o qual comprova que houve o prejuízo declarado no valor de R$ 675.524,73. (...) Por fim, a recorrente pediu provimento ao recurso. É o relatório. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.902729/200924 Resolução nº 1802000.231 S1TE02 Fl. 322 6 VOTO Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, os autos tratam de processo de compensação tributária. Vale dizer, em 01/09/2005 a contribuinte transmitiu eletronicamente via internet, por meio do Programa PER/DCOMP, a declaração de compensação tributária nº 36508.33637.010905.1.3.045819 (fls.34/38), informando que compensara débito da Cofins, código de receita 5856 do PA julho/2005, data de vencimento 15/08/2005, utilizando direito creditório – pagamento indevido ou a maior de IRPJ estimativa mensal, código de receita 5993, do PA setembro/2004, data do recolhimento 29/10/2004. A decisão a quo, na mesma esteira do despacho decisório, não reconheceu o direito creditório pleiteado, pois o valor integral do referido recolhimento de 29/10/2004 já fora, integralmente, consumido ou utilizado para quitação do débito do IRPJ estimativa mensal do PA setembro/2004, declarado na respectiva DIPJ/DCTF. Nas razões do recurso, a recorrente rebelase contra a decisão recorrida, alegando: a) que tem direito à restituição do que pagara indevidamente a título de IRPJ estimativa mensal do PA setembro/2004, pois apurara prejuízo no encerramento do ano calendário, conforme declaração de ajuste anual – DIPJ 2005, anocalendário 2004 (fls. 178/259); b) que, diversamente do entendimento da decisão recorrida, não tem como apresentar DIPJ retificadora para corrigir a declaração original, em face do prazo decadencial; que, não obstante, não pode ser prejudicada, pois apresentou a DCOMP tempestivamente; Compulsando os autos, observase que nos anoscalendário 2004 e 2005 a contribuinte estava submetida ao regime de apuração do IRPJ e da CSLL, com base no Lucro Real anual, com obrigação de antecipação de pagamento dessas exações por estimativa mensal. À luz da legislação tributária federal, sempre que há, comprovadamente, pagamento indevido ou maior, é cabível a repetição do indébito tributário. No caso de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal do IRPJ, cabe observar o seguinte: a) os contribuintes que fizeram opção, para determinado anocalendário, pelo lucro real anual têm obrigação de antecipar pagamento do IRPJ e da CSLL por estimativa mensal com base na receita bruta mensal ou com base em balancete mensal de suspensão/redução, independentemente de eventual apuração de prejuízo no final de ano, na declaração de ajuste. Sendo assim, não há que se falar ou objetar recolhimentos mensais, pagamentos por antecipação, indevidos ou a maior dessas exações fiscais, quando efetuados em Fl. 322DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.902729/200924 Resolução nº 1802000.231 S1TE02 Fl. 323 7 estrita observância da legislação de regência e em estrita observância da base de cálculo (receita bruta mensal ou com base em balancete de suspensão/redução). O simples fato de apuração no final do ano de eventual prejuízo ou o imposto apurado no ajuste anual ter sido superado pelas antecipações pagas, isso não torna os recolhimentos, pagamentos por antecipação, indevidos, pois foram antecipados na forma da legislação de regência. Ainda, na hipótese de apuração de imposto no ajuste anual que restou superado pelas pagamentos antecipados ou no caso de prejuízo fiscal, os pagamentos assim antecipados de estimativa mensal serão devolvidos como saldo negativo; b) entretanto, considerase pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal quando, de plano, observase que ele extrapola o valor, ou seja, não tem relação com a receita bruta ou com o balanço de suspensão/redução. Nessa situação, é cabível a restituição ou devolução/aproveitamento do excesso do pagamento mensal por antecipação do referido período de apuração (não relacionado com a receita bruta ou com balancete de suspensão ou redução), sem necessidade de leválo para o saldo negativo, em face da revogação do art. 10, 2ª parte, da IN SRF 600/2005 pelo art. 11 da IN RFB 900/2008. Nesse sentido, também é o entendimento do CARF, conforme Súmula CARF nº 84, in verbis: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Mas, no caso há falhas na instrução do processo; salta aos olhos a falta de elementos de prova para formação de convicção do julgador quanto ao mérito da lide, pois: 1) Quanto ao pretenso direito creditório do IRPJ do PA setembro/2004: a) embora a recorrente alegue apuração de prejuízos no encerramento do ano calendário 2004 (Ficha 09) e que a Ficha 12A da DIPJ 2005 teria sido preenchida incorretamente, ou, seja, de forma incompleta, sem indicação do IRPJ pago por antecipação desse anocalendário e sem apuração do saldo negativo, não consta dos autos cópia da escrituração contábil, ou seja, há necessidade de análise da escrituração contábil se o imposto estimativa mensal e o prejuízo foram apurados nos termos da legislação de regência; b) em tese, se houver, de fato, o alegado erro de preenchimento da citada Ficha 12A, a contribuinte não pode ser prejudicada quanto ao seu direito creditório, devendo prevalecer o princípio da verdade mterial; c) entretanto, não há cópia da escrituração contábil (livros razão, Diário e Lalur), para comprovação se os pagamentos antecipados mensalmente foram efetuados correntamente com base na receita bruta e acréscimos e se os alegados prejuízos estão calcados ou formados, rigorosamente, na escrituração contábil. Diante do exposto, e em observância ao princípio da verdade material, propugno pela conversão do julgamento em diligência, para retorno dos autos à DRF/Feira de Santana para: a) apurar, à luz da escrituração contábil e fiscal, se houve realmente equívoco no preenchimento da Ficha 12A da DIPJ 2005, anocalendário 2004; Fl. 323DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.902729/200924 Resolução nº 1802000.231 S1TE02 Fl. 324 8 b) à luz da escrituração contábil e fiscal da contribuinte, apurar se existe, ou não, o direito creditório pleiteado. Na hipótese de existir o direito creditório pleiteado, apurar se ele decorreu de excesso de pagamento por antecipação no referido mês (recolhimento sem relação com a receita bruta mensal ou sem relação com o balancete mensal de suspensão/redução) ou se, simplesmente, é hipótese de restituição de saldo negativo, em face do pagamento, por antecipação, ter sido realizado exatamente nos termos da legislação de regência, mas, superou o valor apurado no ajuste anual (no encerramento do anocalendário respectivo), ou se houve apuração de prejuízo; c) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo, embasado na escrituração contábil e fiscal, apresentando as conclusões e resultados da diligência fiscal quanto ao direito creditório pleiteado; d) intimar a contribuinte do relatório da diligência, contendo as conclusões/resultado da diligência, abrindo prazo de 30 (trinta) dias a partir da ciência para, se quiser, apresentar contrarrazões. Transcorrido o prazo com ou sem manifestação da contribuinte, retornem os autos a este CARF, para prosseguimento do julgamento. Por todas essas razões, voto para converter o julgamento em diligência, conforme proposto. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 324DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL
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Numero do processo: 13866.000156/2009-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008, 2009
ISENÇÃO. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE.
Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.
PROVA. APRECIAÇÃO PELO JULGADOR.
Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2201-002.187
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado digitalmente
Walter Reinaldo Falcão Lima - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Walter Reinaldo Falcão Lima, Odmir Fernandes e Nathália Mesquita Ceia. Ausente o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe.
Nome do relator: WALTER REINALDO FALCAO LIMA
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PROVENTOS DE APOSENTADORIA. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. PROVA. APRECIAÇÃO PELO JULGADOR. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 6. 00 01 56 /2 00 9- 07 Fl. 134DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/ 07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Walter Reinaldo Falcão Lima, Odmir Fernandes e Nathália Mesquita Ceia. Ausente o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe. Relatório Por descrever bem os fatos, adoto o relatório do acórdão de primeira instância (fls. 103 e 104), que reproduzo a seguir: “Cuidam os autos de pedido de restituição do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) incidente sobre o 13º salário dos anos calendário de 2007 e 2008. O contribuinte alega ter direito à isenção prevista no art. 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713, de 22/12/1988, por ser portador de cardiopatia grave, apresentando como comprovação o laudo pericial de fls. 05/13. Intimado a apresentar o protocolo/concessão do pedido de isenção junto à fonte pagadora (fl. 36), o interessado anexou os documentos de fls. 39/41. O pedido de restituição foi apreciado pela autoridade administrativa da Delegacia da Receita Federal em São José do Rio Preto (fls. 49/51) e indeferido com base no parecer da fonte pagadora Instituto Nacional do Seguro Social – INSS (fl. 41), que não reconhece que a patologia se enquadra entre aquelas concessivas da isenção pleiteada. Cientificado da decisão em 30/08/2010 (fl. 52), o contribuinte apresentou em 21/09/2010, por meio de procurador qualificado à fl. 88, a manifestação de inconformidade de fls. 59/68 alegando, em síntese, o que segue: reitera seu direito à isenção pleiteada em face do laudo emitido por profissional vinculada à Secretaria Municipal de Saúde de Mirassol que atesta ser portador de Cardiopatia Grave CID I 25.1. Junta às fls. 73/86 novo laudo e documentos médicos. Reproduz a legislação pertinente; contesta a conclusão do médico perito do INSS que, sem examinar a farta documentação apresentada e após um simples aperto de mão, declarou arbitrariamente que sua patologia não se enquadrava na lista de doenças graves previstas no art. 39, inciso XXXIII do Decreto n° 3000, de 26/03/1999; descreve que entre 23/04/2004 e 05/02/2009 submeteuse a cinco procedimentos para implante de stent, o que não deixa nenhuma dúvida quanto à patologia que acomete o requerente, qual seja, Cardiopatia grave do tipo CID. 125.1 + I 25.5; não cabe ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez. Também não cabe ao intérprete dar conotação diferente o enunciado do mandamento legal e, por fim, não cabe distinguir onde a lei não distingue; sustenta que, se mantida a decisão recorrida, estaria caracterizada manifesta injustiça e enriquecimento sem causa do Estado. Reproduz doutrina e jurisprudência; Fl. 135DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/ 07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13866.000156/200907 Acórdão n.º 2201002.187 S2C2T1 Fl. 135 3 requer a realização de diligência e perícia para não só confirmar a patologia de que é portador o requerente, como também e especialmente para se apurar o embasamento clinico que se valeu o perito do INSS para indeferir o pedido; formula os seguintes quesitos: Diligencia: 1)Trazer documentos, notadamente, prontuário médico, que possam comprovar a veracidade do laudo pericial ou descaracterizar a condição da patologia apresentada pelo requerente. 2)Trazer documentos ou esclarecer a procedência do documento de fls.39, por forma a comprovar que a patologia apresentada pelo requerente não se enquadra no rol de doenças graves. Perícia: 3)Determinar a realização de nova perícia para comprovar a veracidade da patologia apresentada pelo requerente corroborando ou não com o laudo de fls. 3/11 anexados aos autos, para o fim de responder as seguintes indagações: a)o requerente é comprovadamente portador de moléstia grave —cardiopatia grave CID 125.1? b)Referida moléstia grave contempla o requerente com o beneficio da isenção do Imposto de Renda? requer que lhe seja assegurada a produção de todos os meios de prova em direito admitidos, sem exceção de nenhuma, inclusive, a juntada de novos documentos.” A 18a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I julgou a manifestação de inconformidade improcedente (fls. 102 a 109), por entender que o Parecer emitido pelo INSS, que não reconheceu a patologia como cardiopatia grave, deve prevalecer sobre os demais laudos apresentados. Confirase a ementa do respectivo acórdão: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007, 2008 ISENÇÃO. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. Para fazer jus à isenção prevista no art. 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713, de 1988, o beneficiário do rendimento deverá comprovar ser portador de uma das patologias ali elencadas mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/ 07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 A legislação tributária enumera de forma taxativa as patologias que dão ensejo à isenção pleiteada, sendo incabível estender esse benefício a situações diversas daquelas ali estabelecidas. PEDIDO DE DILIGÊNCIA / PERÍCIA Indeferese o pedido de diligência/perícia por prescindíveis em face dos elementos constantes dos autos. O direito de realização de nova perícia já lhe havia sido assegurado pela fonte pagadora dos rendimentos. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Cientificado do acórdão de primeira instância em 05/06/2012 (Aviso de Recebimento de fls. 111), o Interessado interpôs, em 26/06/2012, o Recurso de fls. 113 a 121, juntamente com a documentação de fls. 122 a 130, no qual reitera as alegações expostas na impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Walter Reinaldo Falcão Lima, Relator O recurso é tempestivo e atende as demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Nos termos do disposto no art. 6°, incisos XIV e XXI, da Lei n° 7.713, de 1988, com a redação que lhe foi dada pela Lei n° 11.052, de 2004, c/c o art. 30 da Lei n° 9.250, de 1995, abaixo reproduzidos, a isenção dos rendimentos de aposentadoria recebidos por portador de moléstia grave, a partir de 01/01/1996, depende da comprovação dos seguintes requisitos, cumulativamente; comprovação da doença por intermédio de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, e que os rendimentos estejam relacionados à aposentadoria, reforma ou pensão, sendo que o benefício em questão retroage à data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial oficial. Lei n° 7.713, de 1988 “Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: [...] Fl. 137DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/ 07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13866.000156/200907 Acórdão n.º 2201002.187 S2C2T1 Fl. 136 5 XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004) [...] XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. (Incluído pela Lei nº 8.541, de 1992) (Vide Lei 9.250, de 1995)” Lei nº 9.250, de 1995 “Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. [...]” Embora o Contribuinte tenha apresentado laudo pericial emitido pela Prefeitura Municipal de Mirassol (fls. 03 a 11) reconhecendo sua condição de portador de cardiopatia grave desde 23/04/2004, seu pedido foi indeferido com base em Parecer Médico do INSS (fls. 41), o qual informou que a patologia apresentada pelo Contribuinte não se enquadra na lista de doenças isentas do Imposto de Renda, nos termos do Decreto 3000, artigo 39, inciso XXXIII, de 26 de março de 1999. O acórdão recorrido adotou o mesmo entendimento. A solução da lide envolve a valoração de provas. De um lado existem dois laudos periciais emitidos pelo Serviço Médico Oficial Municipal que atestam ser o Contribuinte portador de cardiopatia grave, um deles apresentado juntamente com o pedido de restituição (fls. 03 a 11), emitido em 23/03/2009, que reconhece a existência da enfermidade desde 23/04/2004, e que o paciente encontrase em tratamento por tempo indeterminado. O referido laudo foi elaborado com base em vários exames laboratoriais e em exame físico. O segundo laudo (fls. 73), emitido em 16/09/2010, também reconhece que o Contribuinte é portador de cardiopatia grave desde abril de 2004, e que a partir de então encontrase em Fl. 138DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/ 07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 tratamento cardiológico. De outro lado há o Parecer Médico do INSS (fls. 41), emitido em 25/06/2009, nos seguintes termos: “Em relação à solicitação de Isenção de Imposto de Renda feito por Vossa Sa. em 12/06/2009, tenho a informar que a patologia apresentada não se enquadra na lista de doenças que isentam imposto de Renda, nos termos do Decreto 3000, artigo 39, inciso XXXIII, de 26 de março de I 999. Entretanto, Vossa Sa. Poderá recorrer à Junta de Recursos da Previdencia Social JRPS no prazo de 30 (trinta) dias a contar do recebimento desta.” Não consta no Parecer quais documentos foram analisados ou quais procedimentos foram realizados para a sua elaboração. Em seu Recurso o Contribuinte informa que recorreu da decisão proferida no Parecer à Junta de Recursos da Previdência Social, mas não obteve êxito, face à matéria tributada não ser de competência daquela Junta, conforme documentos de fls. 122 a 130. O art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972 estabelece que, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção. Diante da existência de dois laudos periciais emitidos pelo Serviço Médico Oficial Municipal, um deles elaborado com base em vários exames e documentos apresentados, entendo que tais documentos devem prevalecer sobre o Parecer Médico do INSS, que não informa quais procedimentos ou documentos foram apreciados para fins de sua elaboração. Ademais, os laudos apresentados pelo Contribuinte estão em conformidade com a exigência contida no art. 30 da Lei nº 9.250/95, transcrita neste voto, e com o disposto na Súmula CARF nº 63, que assim dispõe. Súmula CARF nº 63: “Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.” Por fim, cumpre assinalar que os rendimentos sobre os quais o Contribuinte requer isenção tratamse de proventos de aposentadoria recebidos do INSS (fls. 30 e 33), haja vista que, conforme documento de fls. 42, o Contribuinte é aposentado por aquele Órgão desde 09/09/2005. Diante do exposto voto por DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima Fl. 139DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/ 07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13866.000156/200907 Acórdão n.º 2201002.187 S2C2T1 Fl. 137 7 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/ 07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 13433.001277/2007-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Nov 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Nov 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/05/1997 a 31/03/1999
RESTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. PRESCRIÇÃO.
Para pedidos protocolados a partir de 09/06/2005, o prazo prescricional para
a repetição de pagamentos indevidos ou a maior é de cinco anos a contar do
recolhimento. Nos termos da decisão do Supremo Tribunal Federal a Lei
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Numero da decisão: 3302-001.364
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário , nos termos do voto do relator.
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Matéria RESTITUIÇÃO PIS Recorrente PREFEITURA DE MOSSORO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/1997 a 31/03/1999 RESTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. PRESCRIÇÃO. Para pedidos protocolados a partir de 09/06/2005, o prazo prescricional para a repetição de pagamentos indevidos ou a maior é de cinco anos a contar do recolhimento. Nos termos da decisão do Supremo Tribunal Federal a Lei Complementar 118/2005 possui natureza interpretativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário , nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÈ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator. EDITADO EM: 18/04/2012 Fl. 115DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/04/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por ALEXANDRE GOMES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Por bem retratar a matéria tratada no presente processo, transcrevese o relatório produzido pela DRJ de Recife: Trata o presente processo de pedido de restituição do PASEP, (fls.03) relacionado aos períodos de 01/05/1997 a 31/03/1999 cumulado com pedido de compensação Declaração de Compensação —DCOMP de f1.02 dos créditos pleiteados com débito da mesma contribuição referente ao período de apuração de 01/06/2007 a 30/06/2007, fundamentando o seu pleito com as seguintes argumentações, em síntese: 1 Que os créditos declarados têm origem na ocorrência de 'um vácuo legislativo no período compreendido entre as datas da edição da MP n° 1.212, de 28/11/1995 e da Lei n° 9.715, de 26/11/1998, o que redundou em recolhimentos indevidos da contribuição para o PIS/PASEP. 2. Instrui o processo a planilha de fls.05/06. 3. Após análise da DCOMP referenciada, o Delegado da Receita Federal do Brasil em João Pessoa, acatando o PARECER SORAT N° 232/2007, de fls.18 a 23 emitiu o Despacho Decisório de fl.24, rio qual foi negada a homologação da compensaçã6 pretendida com a determinação da ciência à contribuinte, esclarecendolhe sobre o direito à apresentação de • manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, dentro do prazo de 30 (trinta dias), nos termos dos arts. 29 e 48 da IN SRF n° 600, de 28/12/2005 ou, na falta desta, o prosseguimento da cobrança do débito confessado na referida declaração, na forma prevista no artigo 29, da mesma IN SRF n° 600, de 2005. 4. O Parecer DRF/JPA/SAORT n° 544/2007 supracitado, assim conclui, em síntese: O crédito tributário pleiteado já estaria extinto por pagamento e já alcançado, I pela decadência; fica evidente que o débito de PASEP informado pelo i contribuinte na PER/Dcomp em análise é plenamente exigível porque constitui confissão de dívida e todo o débito confessado deve ser cobrado na forma prevista nos arts.29 e 48 da IN 600/05, haja vista a inexistência do direito de crédito. 1 . 5. Cientificada de tal negativa em 28/02/2008 conforme 'AR" de fl. 27, a contribuinte, por meio do seu representante legal, apresentou manifestação de inconformidade, fls. 29/5, 5,1, na data de 27/03/2008, em que contesta o indeferimento , sob os seguintes argumentos, em síntese: Fl. 116DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/04/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 13433.001277/200796 Acórdão n.º 330201.364 S3C3T2 Fl. 82 3 , . I entende que o prazo para solicitar a compensação de indébitos é de dez anos, 'a partir do fato gerador, tendo a Egrégia Corte Especial do STJ, por unanimidade, acolhido a argüição de inconstitucionalidade do art.4°, segunda parte, da Lei Complementar n° 118/05; II insiste na tese da ocorrência ' de um vácuo legislativo entre a edição da Medida Provisória 1.212/95 e da Lei 9.715/98, na série de 38 medidas provisórias, que se su, cederam com 16 soluções de continuidade provocadas por publicações fora do prazo, ditado pela norma constitucional de trinta dias, estando tal tese respaldada por decisões do STJ, e, sendo assim, a conseqüência jurídica relevante decorrente desses acontecimentos está no fato de que a exação Pasep não teve exigibilidade legal eficaz no período anterior à vigência da Lei n° 9.715/98 e quem a recolheu laborou em pagamento indevido, podendo repetir ou compensar; III cita e transcreve jurisprudência sobre o assunto; IV tece considerações sobre a distinção entre os conceitos de validade, vigência e eficácia da norma jurídica, para concluir que se a reedição de uma Medida Provisória ocorrer após o decurso de trinta dias de validade da MP, pelo fato da previsão constitucional da perda da eficácia anterior, pela não conversão em lei, não terá a edição de nova medida provisória, ainda que versando matéria idêntica, o condão de recuperar a eficácia da medida anterior, pelo exaurimento da sua validade, devendo, ipso facto, o prazo de anterioridade nonagesimal ser reiniciado; V requer e espera o deferimento dos pedidos formulados, referentes à contribuição ao PASEP, mediante esta manifestação de inconformidade, nos termos da Lei n° 9.430/96 e da IN SRF 600/05, a reforma do Despacho Decisório em questão, reconhecendo o crédito tributário declarado e a aplicação dos arts.29, §1° e 48, da IN SRF 600/05 precitada, e ainda: (i) a livre movimentação do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) junto à União, sem bloqueios; (ii) não inclusão no Cádin; (iii) não inscrição em dívida ativa da União e a notificação prévia de toda e qualquer sanção a ser aplicada, decorrente do procedimento administrativo ora intentado. A par dos argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada, a DRJ entendeu por bem indeferir a solicitação em decisão que assim ficou ementada: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01105/1997 a 31/03/1999 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRELIMINARES. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/04/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por ALEXANDRE GOMES 4 RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA DISCUSSÃO DE MÉRITO. INADMISSIBILIDADE. Constatando a decadência do direito do contribuinte para , pleitear restituição de alegado indébito fiscal, a autoridade administrativa não apreciará a matéria, quanto ao mérito e às questões de fato argüidas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/1997 a 31/03/1999 Ementa:PIS/PASEP.RESTITUIÇÃO. , O prazo para pleitear a restituição de tributos relativos a valores pagos a Maior ou indevidamente, inclusive em relação aos tributos lançados por homologação, é de 5 anos contados da data do pagamento. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA A compensação, nos termos em que está definida em lei (art. 170 do CTN), só poderá ser homologada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos estejam revestidos dos atributos de liquidez e certeza. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. A extensão dos efeitos das decisões judiciais, no âmbito da Secretaria da /Receita Federal, possui como pressuposto a existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal acerca da inconstitucionalidade da lei que esteja em litígio e, ainda assim, desde que seja editado ato específico do Sr. Secretário da Receita Federal nesse sentido. Não estando enquadradas nesta hipótese, as sentenças judiciais só produzem efeitos para as partes entre as quais são dadas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Contra esta decisão foi apresentado Recurso onde são reprisados os argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada. É o relatório. Voto Conselheiro Relator ALEXANDRE GOMES O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/04/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 13433.001277/200796 Acórdão n.º 330201.364 S3C3T2 Fl. 83 5 Conforme se depreende do relatório acima transcrito, tratase de pedido de restituição protocolado em 17/11/2007 relacionado a supostos pagamentos indevidos de PIS nos períodos de 01/05/1997 a 31/03/1999, alegando que os créditos declarados têm origem na ocorrência de um vácuo legislativo no período compreendido entre as datas da edição da MP n° 1.212, de 28/11/1995 e da Lei n° 9.715, de 26/11/1998, o que redundou em recolhimentos indevidos da contribuição para o PIS/PASEP. Tanto a DRF quanto a DRJ indeferiram o pedido de restituição, e por conseqüência os pedidos de compensação anexados, por entenderem que o prazo para a restituição de tributos pagos a maior era de 5 anos, a contar do recolhimento indevido ou a maior. Não houve análise por parte das autoridades administrativas em relação ao mérito do pedido de restituição, ou seja, em relação a existência ou não de pagamentos a maior ou indevidos. Como já me manifestei em outras oportunidades, coaduno com o entendimento de que o prazo de restituição dos tributos recolhidos indevidamente iniciase decorridos cinco anos, contados a partir do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio, computados a partir do termo final do prazo atribuído à Fazenda Pública para aferir o valor devido referente à exação. Ou seja, considero que somente após a homologação é que se inicia o curso do prazo prescricional qüinqüenal, de modo que, na prática, o prazo total fixado para restituição é de dez anos após o recolhimento indevido. Neste sentido, o E. STJ, após inúmeras reviravoltas pacificou seu entendimento, senão vejamos: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. DECRETOS LEIS 2.445/88 E 2.449/88. PRESCRIÇÃO. CINCO ANOS DO FATO GERADOR MAIS CINCO ANOS DA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INAPLICABILIDADE DO ART. 3º DA LC N. 118/2005. INÍCIO DA VIGÊNCIA SOMENTE APÓS 120 DIAS CONTADOS DA PUBLICAÇÃO. INTELIGÊNCIA DO ART. 4º DA MESMA LEI. Está uniforme na 1ª Seção do STJ que, no caso de lançamento tributário por homologação e havendo silêncio do Fisco, o prazo decadencial só se inicia após decorridos 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio, a partir da homologação tácita do lançamento. Estando o tributo em tela sujeito a lançamento por homologação, aplicamse a decadência e a prescrição nos moldes acima delineados. O disposto no artigo 3º da Lei Complementar n. 118, de 09 de fevereiro de 2005 é inaplicável, uma vez que ainda não iniciada a sua vigência, a qual somente terá início após 120 dias contados da publicação, a teor do artigo 4º da mesma lei. Agravo regimental não conhecido.1 1 AgRg no AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 653.771 SP (2005/00095396). RELATOR : MINISTRO Francisco Peçanha Martins. Segunda Turma. 05/05/2005. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/04/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por ALEXANDRE GOMES 6 Ocorre que, com o advento da Lei Complementar 118/05, a questão da prescrição do direito a repetição do indébito ganhou nova conotação, senão vejamos: Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Art. 4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional Não obstante afastar a interpretação que vinha sendo consagrada pela doutrina e pelo judiciário, a nova lei ainda determinou sua aplicação retroativa, uma vez que determinou a observância do disposto do art. 106, inciso I do CTN, que assim prescreve: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; É bom destacar que a respeito da legalidade do disposto no art. 4º da Lei Complementar 118/05, o STJ já manifestou sua posição, entendendo pela manifesta inconstitucionalidade dos dispositivos, conforme se depreende da decisão proferida no Resp nº 644.736/PE, cuja ementa segue abaixo transcrita: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. LC 118/2005. INCONSTITUCIONALIDADE DA APLICAÇÃO RETROATIVA. 1. Sobre a prescrição da ação de repetição de indébito tributário de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a jurisprudência do STJ (1ª Seção) assentou o entendimento de que, no regime anterior ao do art. 3º da LC 118/05, o prazo de cinco anos, previsto no art. 168 do CTN, tem início, não na data do recolhimento do tributo indevido, e sim na data da homologação – expressa ou tácita do lançamento. Assim, não havendo homologação expressa, o prazo para a repetição do indébito acaba sendo de dez anos a contar do fato gerador. 2. A norma do art. 3º da LC 118/05, que estabelece como termo inicial do prazo prescricional, nesses casos, a data do pagamento indevido, não tem eficácia retroativa. É que a Corte Especial, em sessão de 06/06/2007, DJ 27.08.2007, declarou inconstitucional a expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional", constante do art. 4º, segunda parte, da referida Lei Complementar. 3. Embargos de divergência a que se nega provimento. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/04/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 13433.001277/200796 Acórdão n.º 330201.364 S3C3T2 Fl. 84 7 Como é de conhecimento geral ao julgador administrativo é vedado declarar a inconstitucionalidade de norma tributária vigente, como é o caso do art. 4º da Lei Complementar 118/05, até que haja manifestação plenária do Supremo Tribunal Federal. É o que se extrai do disposto no art. 62 do Regimento Interno do CARF: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Contudo, o Pleno do Supremo Tribunal Federal, nos autos do RE 566.621 de relatoria da Ministra Ellen Greice, analisou a natureza e as determinações contidas na Lei Complementar 118/2005 e decidiu que esta possui natureza interpretativa, o que implicou no reconhecimento da legalidade da redução do prazo para a restituição dos tributos (10 anos para 5 anos) recolhidos a maior ou indevidamente, para os pedidos protocolados a partir de 09/06/2005, como vemos de sua ementa que segue transcrita: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação Fl. 121DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/04/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por ALEXANDRE GOMES 8 normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Ou seja, para pedidos de restituição protocolados até 09/06/2005 teremos o prazo de 10 anos, e para os pedidos protocolados em datas posteriores teremos o prazo de 5 anos. No presente caso o pedido foi protocolado em 17/11/2007, estando assim submetido ao prazo de 5 anos conforme interpretação conferida pela Lei Complementar 118/2005. Como o período relacionado aos alegados pagamentos indevidos compreende as competências 05/1997 a 03/1999, estão todas atingidas pela prescrição. Por fim, vale registrar que o Regimento Interno do CARF determina a obrigatoriedade da aplicação das decisões proferidas pelo Supremo Tribunal, com aplicação do rito estabelecido no art. 543 B do CPC, senão vejamos: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/04/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 13433.001277/200796 Acórdão n.º 330201.364 S3C3T2 Fl. 85 9 Em relação aos argumentos de omissão da decisão recorrida em relação ao mérito e por conseqüência a validade dos créditos pleiteados, entendo que, tendo em vista o reconhecimento da prescrição da totalidade dos créditos pleiteados, esta não se faz necessária pois a prescrição é matéria preliminar que prejudica o pedido e a analise de seu mérito. Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator Fl. 123DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/04/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por ALEXANDRE GOMES
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Numero do processo: 10530.723465/2011-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007, 2008, 2009, 2010
Ementa:
DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA.
No caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, na hipótese de não haver antecipação do pagamento, utiliza-se a sistemática prevista no inciso I, do art. 173, do CTN. A constituição do crédito tributário se deu por meio da lavratura do auto de infração e não respeitou o prazo quinquenal legal. Como se trata de matéria de ordem pública a decadência deve ser reconhecida de oficio.
IRPF. GANHO DE CAPITAL ALIENAÇÃO DE IMÓVEL A PRAZO. FATO GERADOR. DATA DA OCORRÊNCIA.
O fato gerador do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital auferido na venda a prazo de bens imóveis ocorre no dia da alienação. A data do fato gerador deve ser a mesma tanto para efeitos de contagem do prazo decadencial como para apuração do imposto devido.
Numero da decisão: 2201-002.131
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Relator.
EDITADO EM: 05/06/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Marcio de Lacerda Martins, Odmir Fernandes, Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Ricardo Anderle (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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OCORRÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. No caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, na hipótese de não haver antecipação do pagamento, utilizase a sistemática prevista no inciso I, do art. 173, do CTN. A constituição do crédito tributário se deu por meio da lavratura do auto de infração e não respeitou o prazo quinquenal legal. Como se trata de matéria de ordem pública a decadência deve ser reconhecida de oficio. IRPF. GANHO DE CAPITAL ALIENAÇÃO DE IMÓVEL A PRAZO. FATO GERADOR. DATA DA OCORRÊNCIA. O fato gerador do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital auferido na venda a prazo de bens imóveis ocorre no dia da alienação. A data do fato gerador deve ser a mesma tanto para efeitos de contagem do prazo decadencial como para apuração do imposto devido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 34 65 /2 01 1- 69 Fl. 372DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 2 EDITADO EM: 05/06/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Marcio de Lacerda Martins, Odmir Fernandes, Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Ricardo Anderle (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anoscalendário 2006, 2007, 2008 e 2009, consubstanciado no Auto de Infração, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor R$ 3.258.581,79, incluída a multa de ofício agravada e qualificada no percentual de 225%. A fiscalização apurou omissão de rendimentos decorrentes de ganho de capital auferido na alienação do imóvel rural denominado “Fazenda Sete Belo”. Cientificado do lançamento, o interessado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, que: a) o lançamento fiscal é nulo em razão da ação fiscal ter sido deflagrada a partir informações bancárias obtidas sem autorização judicial (processo administrativo nº 10530.721433/201048), tratandose, portanto, de prova obtida ilegalmente, o que contamina todo o procedimento fiscal; b) houve erro na identificação do sujeito passivo, pois não fora intimado a exercer ou não a opção prevista no art. 8º do RIR/1999, que trata da tributação em conjunto das rendas provenientes de bens comuns do casal. A tributação em separado sem prévia consulta deveria ocorrer somente na hipótese de dissolução conjugal; c) na apuração da base de cálculo do imposto sobre a renda incidente sobre o ganho de capital é cabível a aplicação do fator de correção previsto no art. 37 da Medida Provisória nº 252, sem prejuízo da redução assegurada no art. 18 da Lei nº 7.713, de 1988; d) parte do preço acordado foi recebido mediante a assunção de dívida com garantia real dos vendedores por parte dos compradores junto a instituições financeiras. Portanto, tal parcela não poderia compor a base de cálculo do tributo, por não se saber se a referida dívida foi toda paga, e, também, por tal parcela fugir ao conceito de renda; e) na apuração da base de cálculo é cabível a dedução das benfeitorias incorporadas ao imóvel, nos termos do art. 19, inciso VI, a, da Instrução Normativa nº 84, de 2001. As referidas benfeitorias foram comprovadas mediante apresentação de notas fiscais e documentação constante no processo nº 10530.721433/201048, devendo estas serem incorporadas ao presente processo; f) na escritura pública apresentada consta o valor da venda do imóvel, portanto, o ganho de capital não poderia ser apurado Fl. 373DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10530.723465/201169 Acórdão n.º 2201002.131 S2C2T1 Fl. 3 3 com base em valor extraído de qualquer outro documento particular; g) a multa de ofício e sua majoração devem ser afastadas em razão da inexistência da ocorrência de conduta dolosa por parte do contribuinte. A 3ª Turma da DRJ em Salvador/BA julgou parcialmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. É cabível o lançamento fiscal para constituir crédito tributário decorrente de omissão de rendimentos vinculada a ganho de capital na venda de imóvel rural. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. A falta de apresentação do demonstrativo de apuração do ganho de capital na declaração de rendimento, quando desacompanhada de outros indícios que demonstrem a intenção do contribuinte em retardar/dificultar o conhecimento do fato gerador pelo Fisco, não autoriza a qualificação da multa de ofício. Intimado da decisão de primeira instância em 30/12/2011 (fl. 342), Maurílio Comparin apresenta Recurso Voluntário em 31/01/2012 (fls. 599/610), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Cuida o presente lançamento de omissão de rendimentos decorrentes de ganho de capital auferido na alienação do imóvel rural denominado “Fazenda Sete Belo”, conforme Contrato Particular de Compra e Venda datado de 18 de maio de 2002 (fls. 304/313). De acordo com Relatório de Ação Fiscal, fls. 22/43, “... o valor efetivo da operação de alienação em questão, tendo em vista que no Contrato de Compra e Venda assinado pelas partes, em maio de 2002, o preço foi estipulado 1.391.467 (um milhão, trezentos e noventa um mil e quatrocentos e sessenta e sete) sacas de soja de 60 kg”. Assevera, ainda, a autoridade fiscal que “... Sobre o montante dos valores efetivamente desembolsados pelos compradores para fins de pagamento pela aquisição do imóvel em comento, foram coligidas informações tanto da parte dos adquirentes em relação aos pagamentos efetuados durante os anos de 2003 a 2009, quanto informações prestadas pelos próprios vendedores em relação aos pagamentos recebidos entre 2006 e 2009”. Fl. 374DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 4 De início, devese anotar que independentemente das questões levantadas pelo contribuinte, incumbe a este Colegiado verificar o controle interno da legalidade do lançamento, bem como apreciar as matérias de ordem pública. No caso destes autos urge reconhecer de oficio a decadência do crédito tributário, matéria de ordem pública que deve ser apreciada em qualquer grau de jurisdição. A decadência em matéria tributária consiste na inércia das autoridades fiscais, pelo decurso de prazo, para efetivar a constituição do crédito tributário. As alterações legislativas do imposto de renda ao atribuir à pessoa física e jurídica a incumbência de apurar o imposto, sem prévio exame da autoridade administrativa, classificase na modalidade de lançamento por homologação. E o § 4º, do art. 150, do Código Tributário Nacional (CTN) fixa prazo de homologação de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, no caso em que a lei não fixar outro limite temporal. Transcrevese o § 4º, do art. 150, do CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifei) Assim, o prazo decadencial para Fazenda Pública constituir crédito tributário no lançamento por homologação é de 5 (cinco) anos a contar da ocorrência do fato gerador, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. No caso dos autos, a autoridade recorrida já havia afastada a conduta dolosa do contribuinte e, consequentemente, a multa qualificada imposta. Transcrevese parte do voto condutor onde a matéria é tratada: Quanto à qualificação da multa, nos termos do art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996, a falta de apresentação do demonstrativo de apuração do ganho de capital na declaração de rendimento, quando desacompanhada de outros indícios que demonstrem a intenção do contribuinte em retardar/dificultar o conhecimento do fato gerador pelo Fisco, não comprova sua conduta dolosa. Portanto, descabida a qualificação da multa de ofício. Com efeito, como não consta no anocalendário de 2006 pagamento do imposto de renda sobre ganho de capital (Código 4600), devese aplicar o Recurso Especial nº 973.733/SC c/c art. 543C do CPC c/c art. 62A do RICARF, contando o dies a quo a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme prevê o inciso I, do art. 173, do CTN: Art. 173 — O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: Fl. 375DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10530.723465/201169 Acórdão n.º 2201002.131 S2C2T1 Fl. 4 5 1 — do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Ressaltese que no caso venda a prazo de bens imóveis, o fato gerador do imposto de renda é apurado como se a venda fosse efetuada à vista, consoante determina o art. 31 da Instrução Normativa nº 84/2001: Art. 31. Nas alienações a prazo, o ganho de capital é apurado como se a venda fosse efetuada à vista e o imposto é pago periodicamente, na proporção da parcela do preço recebida, até o último dia útil do mês subseqüente ao do recebimento. Parágrafo único. O imposto devido relativo a cada parcela recebida, é apurado aplicandose: 1 o percentual resultante da relação entre o ganho de capital total e valor total da alienação sobre o valor da parcela recebida; II a alíquota de quinze por cento sobre o valor apurado na forma do inciso I. Este também é o entendimento deste Órgão Administrativo, conforme ementas destacadas: IRPF. GANHO DE CAPITAL AUFERIDO NA ALIENAÇÃO DE BEM IMÓVEL A PRAZO. FATO GERADOR. DATA DA OCORRÊNCIA. Para efeitos do imposto de renda, o conceito de alienação abrange o contrato de promessa de venda e compra. A legislação considera que o fato gerador do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital auferido na venda a prazo de bens imóveis ocorre no dia da alienação, diferindose o pagamento do tributo para o momento do recebimento de cada uma das parcelas do contrato. A data do fato gerador deve ser a mesma tanto para efeitos de contagem do prazo decadencial como para apuração do imposto devido. Preliminar de decadência acolhida. (Processo: 16707.005398/200495 Acórdão 10249406, sessão 06/11/2008) ... IRPF. GANHO DE CAPITAL AUFERIDO NA ALIENAÇÃO DE BEM IMÓVEL A PRAZO. FATO GERADOR. DATA DA OCORRÊNCIA. A legislação considera que o fato gerador do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital auferido na venda a prazo de bens imóveis ocorre no dia da alienação, diferindose o pagamento do tributo para o momento do recebimento de cada uma das parcelas do contrato. Fl. 376DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 6 A data do fato gerador deve ser a mesma tanto para efeitos de contagem do prazo decadencial como para apuração do imposto devido. Preliminar de decadência acolhida. (Processo: 10850.002613/200113 Acórdão 10249.427, sessão 16/12/2008) ... GANHO DE CAPITAL – Nas alienações a prazo, o ganho de capital é apurado como se a venda fosse efetuada à vista e o imposto deve ser pago periodicamente, na proporção da parcela do preço recebido. (Acórdão 10247217, Data da Sessão 10/11/2005) (grifei) Assim, o fato gerador relativo ao ganho de capital ocorreu em 18 de maio de 2002, e o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o imposto poderia ter sido lançado corresponde a 01/01/2003 e o término do prazo decadencial de 5 anos ocorre em 31/12/2007. Deste modo, como a ciência do Auto de Infração ocorreu em 19/07/2011 (Edital 36/2011– fl. 549), o crédito tributário já havia sido atingido pela decadência. Ante ao exposto, voto por dar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 377DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10530.723465/201169 Acórdão n.º 2201002.131 S2C2T1 Fl. 5 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 10530.723465/201169 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201002.131. Brasília/DF, 15 de maio de 2013 Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 378DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 8 Fl. 379DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 10314.720412/2011-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 05/01/2007
IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO - II. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI. REFLEXOS NA BASE DE CÁLCULO DE PIS E COFINS IMPORTAÇÃO. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. REVISÃO ADUANEIRA. MICROCONTROLADORES OU CIRCUITOS INTEGRADOS ELETRÔNICOS PARA USO EM CARTÕES INTELIGENTES (SMART CARDS).
A classificação fiscal adequada para os microcontroladores do tipo circuitos integrados eletrônicos monolíticos, contendo circuito processador, memórias e outros circuitos, montado ou encapsulado, é na Posição NCM 8542.31.90. Não se mostra adequada a classificação na Posição NCM 8523.52.00 (Cartões Inteligentes - Smart Cards), quando os microcontroladores prescindirem de etapas de fabricação para serem acabados, já que são com isso excluídos da definição de cartões inteligentes pela Nota 4, do Capítulo 85, das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Classificação de Mercadorias - NESH.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-002.066
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente), Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Luiz Caros Shimoyama, Silvia de Brito Oliveira, João Carlos Cassuli Junior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 05/01/2007 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO II. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. REFLEXOS NA BASE DE CÁLCULO DE PIS E COFINS IMPORTAÇÃO. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. REVISÃO ADUANEIRA. MICROCONTROLADORES OU CIRCUITOS INTEGRADOS ELETRÔNICOS PARA USO EM CARTÕES INTELIGENTES (“SMART CARDS”). A classificação fiscal adequada para os microcontroladores do tipo circuitos integrados eletrônicos monolíticos, contendo circuito processador, memórias e outros circuitos, montado ou encapsulado, é na Posição NCM 8542.31.90. Não se mostra adequada a classificação na Posição NCM 8523.52.00 (Cartões Inteligentes “Smart Cards”), quando os microcontroladores prescindirem de etapas de fabricação para serem acabados, já que são com isso excluídos da definição de cartões inteligentes pela Nota 4, do Capítulo 85, das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Classificação de Mercadorias NESH. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 04 12 /2 01 1- 41 Fl. 2436DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 7/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 2 (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente), Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, Luiz Caros Shimoyama, Silvia de Brito Oliveira, João Carlos Cassuli Junior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque. Fl. 2437DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 7/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10314.720412/201141 Acórdão n.º 3402002.066 S3C4T2 Fl. 1.335 3 Relatório Tratase de auto de infração lavrado em 01/07/2011, a título de Imposto de Importação II e Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, PIS Importação e COFINS Importação, no valor total de R$12.129.301,65 (doze milhões, cento e vinte e nove mil, trezentos e um reais e sessenta e cinco centavos). A descrição dos fatos que motivaram o lançamento e a fiscalização que antecedeu a autuação merece ser reproduzida, por muito bem sintetizada pela DRJ ora recorrida (DRJ/SP2): “Mediante a abertura do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) nº 08155002011002301, foi iniciado procedimento de diligência, em 23/03/11, com o objetivo de coletar mais informações para a revisão aduaneira. Em 10/05/11, o MPF Diligência foi convertido no MPF Fiscalização nº 08155002011004401. A presente ação fiscal foi motivada por seleção do Serviço de Pesquisa e Seleção Aduaneira – Sepel da Inspetoria da Receita Federal de São Paulo após o recebimento de informação da Alfândega de Guarulhos relatando que, no curso do despacho da Declaração de Importação 10/01920459 foi solicitado, em 24/02/2010, laudo técnico para dirimir dúvidas quanto à natureza das mercadorias constantes da adição 002, uma vez que as mercadorias declaradas como dispositivos de armazenamento já possuíam, de fato, características de smart cards (Solicitação de Assistência Técnica Oficial ALF/GRU nº 062/10). Corroborando as suspeitas da fiscalização, o resultado da assistência técnica realizada por perito credenciado na Receita Federal do Brasil atestou que as mercadorias importadas são “cartões inteligentes desenvolvidos e projetados especificamente para utilização em tecnologias celulares GSM e CDMA, já apresentando as funções e características essenciais para serem identificados como tal”. Diante disso, a fiscalização entendeu que as mercadorias em análise deveriam ser classificadas na NCM 8523.52.00 (cartões inteligentes – “smart cards”) por ser mais específica que a NCM 8542.31.90. A mudança na NCM acarreta consequências tributárias. Enquanto a NCM 8542.31.90 estabelece as alíquotas de 0% (zero) para o Imposto de Importação e de 2% (dois por cento) para o Imposto sobre Produtos Industrializados, a NCM 8523.52.00 é mais gravosa, indicando as alíquotas de 6% (seis por cento) e 5% (cinco por cento) para o II e o IPI, respectivamente. As alíquotas ad valorem das Contribuições para a Seguridade Social (PIS/PASEP e COFINS) não são afetadas, porém há diferença entre o valor devido e o recolhido pelo importador, pois o II e o IPI fazem parte da base de cálculo do ICMS, que, por sua vez, integra a base de cálculo do PIS/PASEP e da COFINS. Constatouse ainda que o importador INCARD DO BRASIL vem classificando corretamente os smart cards na NCM 8523.52.00, sobretudo quando registra DI na Alfândega de Guarulhos, contudo continua classificando incorretamente as mercadorias quando realiza despachos em Sorocaba e na Inspetoria de São Paulo. Analisandose as importações realizadas pela INCARD nos últimos 5 (cinco) anos, verificase que a primeira importação envolvendo microcontroladores e smart cards foi registrada em 05/01/2007. De lá pra cá, a Incard utilizou Fl. 2438DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 7/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 4 diferentes termos para se referir às mercadorias enquadradas nas NCM 8542.31.90 e 8523.52.00. Para tanto, o importador se valeu das seguintes descrições: “microcontroladores para uso em telefonia celular", "módulos microprocessados para fabricação de cartões inteligentes do tipo smart card, próprio e exclusivo para utilização em telefonia celular", "circuito integrado eletrônico monolítico com função de microcontrolador", "circuito integrado eletrônico monolítico com função de microcontrolador, especificamente desenvolvido para fabricação de cartões plásticos”. Conforme a Resolução Camex nº 43/2006, atualizada até a Resolução Camex nº 47/2010, o capítulo 85 da Tarifa Externa Comum (TEC), do qual fazem parte as duas NCM citadas, referese a “máquinas, aparelhos e materiais elétricos, e suas partes; aparelhos de gravação ou de reprodução de som, aparelhos de gravação ou de reprodução de imagens e de som em televisão, e suas partes e acessórios”. Analisando a NCM 8542.31.90, veremos que a posição 8542 designa os “circuitos integrados eletrônicos”. A NCM completa (8542.31.90) representa “outros processadores e controladores, mesmo combinados com memórias, conversores, circuitos lógicos, amplificadores, circuitos temporizadores e de sincronização, ou outros circuitos”. Já a posição 8523 é referente a “discos, fitas, dispositivos de armazenamento não volátil de dados à base de semicondutores, cartões inteligentes (smart cards) e outros suportes para gravação de som ou para gravações semelhantes, mesmo gravados, incluídos as matrizes e moldes galvânicos para fabricação de discos, exceto os produtos do capítulo 37”. Como o objetivo da fiscalização foi verificar se a INCARD havia importado “Smart Cards” utilizando a NCM 8542.31.90 em vez da NCM 8523.52.00, foram tomadas algumas providências. Primeiro, foram selecionadas as Declarações de Importação nas quais a empresa utilizou a NCM 8543.31.90. O Extrator DW forneceu uma lista de mais de 300 (trezentas) Adições, registradas entre fevereiro de 2007 e março de 2011. Essas Adições foram analisadas uma a uma e divididas em grupos conforme a descrição do produto dada pela empresa quando registrou a respectiva Declaração de Importação. De acordo com as características descritas, foram realizadas pesquisas mais aprofundadas, verificando as amostras e informações fornecidas pela empresa durante a fiscalização e os catálogos dos fabricantes. As mercadorias classificadas pela empresa na NCM 8542.31.90 também foram comparadas com as mercadorias que a INCARD classificou na NCM 8523.52.00. Cabe dizer que na maior parte das Declarações de Importação a empresa omitiu o número do modelo utilizado pelo fabricante dificultando o trabalho da fiscalização.” A autuação restou ainda lavrada com a imposição de multa de 75% pela falta de pagamento, falta de declaração ou declaração inexata relativa às diferenças apuradas e multa proporcional ao valor aduaneiro (1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria classificada incorretamente). DA IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento em 08/07/2011, conforme AR de fl. 1963 (numeração eletrônica) o contribuinte protocolou sua Impugnação Administrativa de fls. 2013 a 2036 (numeração eletrônica) em 05/08/2011, alegando em resumo que: A classificação correta da NCM dos produtos discutidos no processos é a de nº 8542.31.90 – Outros; Os elementos que compõem os microcontroladores por ela importados são únicos e destinamse à utilização e transformação dos mesmos em “smart card”, não compondo o produto final em si; Fl. 2439DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 7/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10314.720412/201141 Acórdão n.º 3402002.066 S3C4T2 Fl. 1.336 5 É nulo o auto de infração pela caracterização de bis in idem pois que há a existência de mais de uma autuação aplicando a mesma penalidade sobre o mesmo período e mesmos fatos, sendo que a Declaração de Importação objeto desta autuação já foi objeto de lançamento em 29/09/2010, qual seja a de nº 10/12601252; Foi violado o art. 146 do CTN, tendo havido modificação dos critérios jurídicos adotados pela Autoridade Administrativa com relação à importação dos mesmos produtos ora reclassificados, sendo ainda, inaplicável a reclassificação; Há somente uma posição de classificação que possa ser considerada para a mercadoria por ele importada, sendo esta a que o contribuinte utiliza; A impugnante pede ao fim a procedência da defesa apresentada, ou sucessivamente, o desconto dos valores já exigidos na autuação nº 0817700/00295/10, vez que têm como objeto a mesma declaração de importação ora fiscalizada. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Em análise aos argumentos sustentados pelo sujeito passivo em sua defesa, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (SP) (DRJ/SP2), houve por bem em considerar improcedente a Impugnação do contribuinte, proferido Acórdão nº. 17056.876, ementado nos seguintes termos: “ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 05/01/2007 Importação dos Microcontroladores ST21Y144, S3CI9E0X01 e S3CC9AW com classificação fiscal no Código NCM 8542.31.90 atribuído pelo importador. Fiscalização entendeu como correta a classificação fiscal no código NCM 8523.52.00. As etapas de produção descritas pelo importador em nada alteram as características essenciais do produto. Por força das Regras 2 e 3 das Regras Gerais do Sistema Harmonizado combinadas com a nota 8 do capítulo 85 das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado NESH assiste razão à fiscalização em promover a classificação fiscal dos componentes importados no código NCM 8523.52.00. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” Em apertada síntese a DRJ acima entendeu como correta a classificação apontada na fiscalização, pois que a posição NCM 8523.52.00 prevalece sobre a NCM 8542.31.90, sendo mais específica, além de destacar que as etapas de “transformação” dos componentes importados nos ditos “smart cards” não alterariam as características essenciais e natureza do produto, referindose apenas à etapas de acoplagem dos mesmos. Entendeu ainda que os critérios jurídicos para análise da importação deste produto não foram modificados, sendo a autuação decorrente tão somente de verificação de erro de fato atribuído ao importador, que elegeu uma classificação fiscal indevida. Por fim, quanto ao bis in idem alegado pelo contribuinte, também a DRJ entendeu não assistir razão ao contribuinte, pois que na autuação em comento a DI de nº 10/12601252 diz respeito apenas à aplicação de multa proporcional ao valor aduaneiro. Fl. 2440DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 7/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 6 DO RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificado da Decisão da DRJ/SP2 por meio de AR em 07/02/2012 (Fls. 2387 – numeração eletrônica), o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário juntado em 28/02/2012, repisando os argumentos trazidos em sua Impugnação, que por brevidade deixase de novamente reproduzir. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, numerado eletronicamente até a folha 2435 (dois mil, quatrocentos e trinta e cinco), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Fl. 2441DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 7/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10314.720412/201141 Acórdão n.º 3402002.066 S3C4T2 Fl. 1.337 7 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. O recurso é tempestivo, atendendo os pressupostos de admissibilidade, devendose dele, portando, tomar conhecimento. A análise acurada dos autos dá conta de que a questão central da controvérsia reside em aquilatar se a Classificação Fiscal adequada para os Microcontroladores ST21Y144, S3CI9E0X01 e S3CC9AW importados pelo sujeito passivo por meio das DI´s listadas nos Autos de Infração, no período de 2007 a 2011, sendo que o sujeito passivo vinha classificando os na Posição NCM 8542.31.90 (Circuito Integrado Eletrônico), enquanto que a Autoridade Fiscal atribuiu a Posição NCM 8523.52.00 (Cartões Inteligentes – “Smart Cards”). Sustenta a Recorrente que os Microcontroladores são circuitos integrados eletrônicos, e, portanto, diversos do produtos “Smart Card”, que são suportes ou mídias que por sua vez são uma das aplicabilidades dos Microcontroladores, nos quais estes podem ser acoplados, juntando Laudo Técnico visando comprovar suas alegações, assim como afirmando que o fato de importar, por diversas vezes numa mesma DI, tanto Microcontroladores quanto Smart Cards, destas vezes classificando estes últimos na posição desejada pela Autoridade Fiscal (NCM 8523.52.00), demonstra que se tratam de produtos diversos. Afirma ainda que os Microcontroladores por si só não são “Cartões Inteligentes”, prescindindo de processo industrial dotado de diversas etapas, até que sejam habilitados para que, técnica e efetivamente, possam vir a ser compreendidos como “Smart Cards”. Entende os “Smart Cards” como sendo meros suportes ou mídias, “receptáclos” dos Microcontroladores, mas estes sem aquelas mídias, têm aplicabilidade própria, não necessariamente exclusiva para “Smart Cards”. Por sua vez, a Decisão Recorrida, proferida pela 1ª Turma de Julgamento da DRJ/SPOI, fundamentase nas seguintes premissas: a. Segundo Notas Explicativas do Sistema Harmonizado – NESH, referente ao item 85, item 8, “a posição 85.42, adotada pela INCARD, não tem prioridade sobre a posição 85.23, indicada pela fiscalização”; b. Segundo as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado, se um artigo mesmo incompleto ou inacabado no estado em que se encontre, apresentar as características essenciais do artigo completo ou acabado, abrangerá essa posição. Ou seja, por considerar que os Microcontroladores já reúnem as características dos Cartões Inteligentes, mesmo sem passar pelas etapas do processo (acoplagem, “plugin”, personalização, etiquetagem, embalagem, conferência e transporte), entende que a classificação deve ser a do produto acabado, por reunir as características essenciais deste; c. Diante de duas posições aparentemente possíveis, deve prevalecer aquela posição mais específica, entendendo que a Posição NCM 85.23.52.00 Fl. 2442DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 7/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 8 (Cartões Inteligentes) é mais específica que a Posição NCM 8542.31.90 (Circuito Integrado Eletrônico). Resumindo as premissas acima, colhese da decisão recorrida que a mesma pautou suas conclusões por entender que “(...), os componentes importados, ainda que destacados dos cartões tipo SIM, já possuem a condição de Cartões Inteligentes ´Smart Cards´ por força das Regras 2 e 3 das Regras Gerais do Sistema Harmonizado combinadas com a nota 8 do capítulo 85 das NESH, já que a posição assinalada vem abranger o artigo ainda que incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, suas características essenciais.” (fls. 2339, ne) A solução da controvérsia passa, portanto e necessariamente, pela verificação do produto em si, a partir do que se deve avaliar também as premissas adotadas pela decisão recorrida, em cotejo com tudo o que dos autos consta, como passo a proceder. Inicialmente, cumpre transcrever, para melhor visualização, inclusive comparativa, as Classificações controvertidas: Capítulo 85: Máquinas, aparelhos e materiais elétricos, e suas partes; aparelhos de gravação ou de reprodução de som, aparelhos de gravação ou de reprodução de imagens e de som em televisão, e suas partes e acessórios. Capítulo 85: Máquinas, aparelhos e materiais elétricos, e suas partes; aparelhos de gravação ou de reprodução de som, aparelhos de gravação ou de reprodução de imagens e de som em televisão, e suas partes e acessórios. SubPosição 8523: Discos, fitas, dispositivos de armazenamento nãovolátil de dados à base de semicondutores, “cartões inteligentes” (“smart cards”) e outros suportes para gravação de som ou para gravações semelhantes, mesmo gravados, incluídos as matrizes e moldes galvânicos para fabricação de discos, exceto os produtos do Capítulo 37. SubPosição 8542: Circuitos integrados eletrônicos Posição Final 8523.52.00: Cartões inteligentes ("smart cards") Posição Final 8542.31.90: 8542.3 Circuitos integrados eletrônicos: 8542.31 Processadores e controladores, mesmo combinados com memórias, conversores, circuitos lógicos, amplificadores, circuitos temporizadores e de sincronização, ou outros circuitos 8542.31.10 Não montados (Ex 01 Obtidos por tecnologia bipolar) 8542.31.20 Montados, próprios para montagem em superfície (SMD "Surface Mounted Device") 8542.31.90 Outros Por sua vez, especificamente no que diz respeito ao Capítulo 85, mostrase relevante o critério interpretativo emanado das Notas abaixo transcritas: “4. Na acepção da posição 85.23: a) ...; b) entendese por cartões inteligentes (“smart cards”) os cartões que comportem, embebidos na massa, um ou mais circuitos integrados eletrônicos (um microprocessador, Fl. 2443DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 7/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10314.720412/201141 Acórdão n.º 3402002.066 S3C4T2 Fl. 1.338 9 uma memória de acesso aleatório (RAM) ou uma memória somente de leitura (ROM)), em forma de chips. Estes cartões podem apresentarse munidos de contatos, de uma tarja (pista) magnética ou de uma antena embebida, mas não contêm outros elementos de circuito ativos ou passivos. (...) 8. Na acepção das posições 85.41 e 85.42 consideramse: a) Diodos, transistores e dispositivos semicondutores semelhantes, os dispositivos semicondutores cujo funcionamento se baseia na variação da resistividade sob a influência de um campo elétrico; b) Circuitos integrados: 1º) os circuitos integrados monolíticos em que os elementos do circuito (diodos, transístores, resistências, condensadores, indutâncias, etc.) são criados essencialmente na massa e à superfície de um material semicondutor (por exemplo, silício impurificado (“dopé”), arsenieto de gálio, silíciogermânio, fosfeto de índio), formando um todo indissociável; (...) Para fins de classificação dos artefatos definidos na presente Nota, as posições 85.41 e 85.42 têm prioridade sobre qualquer outra posição da Nomenclatura, exceto a posição 85.23, suscetível de os incluir devido, em especial, à sua função.” (destaquei) Pela leitura que se faz da Nota 4, acima, que é específica em definir o que vem a ser Cartão Inteligente (“Smart Card”), resta claro que este produto, na linha dos artigos constantes da Posição 8523, consiste em mídia sobre a qual será acoplado os microprocessadores, os quais “...podem apresentarse munidos de contatos, de uma tarja (pista) magnética ou de uma antena embebida, mas não contêm outros elementos de circuito ativos ou passivos”. É certo também que a Nota 8, igualmente transcrita, é expressa em determinar que a Posição 8542 não prevalecerá à Posição 8523, já que esta última poderá incluir àquela devido à função que exercer. Assim, devese aquilatar quando que a Posição 8523 prevalecerá sobre a Posição 8542 (Nota 8), bem como, se é necessário para que essa prevalência ocorra, que o artigo preencha a definição do que venha a ser “Smart Card”, ou seja, que o artigo esteja embebido em massa e não contenha elementos de circuitos ativos e passivos (Nota 4). Nesse sentido, tenho que essa prevalência apenas se dará na hipótese de não haver uma classificação fiscal específica para o artigo, ou então, para a hipótese em que for possível se atribuir a um mesmo artigo duas ou mais classificações. Nessa hipótese, prevalecerá a Posição NCM 8523 sobre a NCM 8542. Havendo, no entanto, uma posição definida ou uma única classificação possível para o produto, de pronto se deve descartar a hipótese da “regra da prevalência”, prevista na Nota 8. E segundo colho do estudo do produto, a partir dos elementos constantes dos autos (Laudos Técnicos, especialmente), a resposta quanto à correta classificação fiscal é fornecida pela funcionalidade que os Microcontroladores, considerados individualmente, exercem, os quais podem ser aplicados em outras espécies de mídias, que não apenas e unicamente para fabricação de “Smart Cards”, da telefonia celular, conforme se extrai do Fl. 2444DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 7/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 10 Laudo de Avaliação trazido pela Impugnante às fls. 2242 – numeração eletrônica, pois que podem ser aplicados, como dito acima, para controle de máquinas diversas, como esteiras transportadoras, sistemas de segurança etc. Assim, se é acertada a premissa de que de fato a Posição 8523 prevalecer sobre a Posição 8542, é apenas quando não houver posição específica, bem como, especialmente, quando o artigo em questão puder exercer a funcionalidade contida no “Smart Card”, no sentido do artigo referido ser munido de contatos, ou de tarja (pista) magnética ou de antena embebida. É dizer, se um artigo for munido de contatos para receber a acoplagem posterior de circuitos microprocessadores, ou então, ser munido de antena ou de tarja, e estiver classificado na Posição 8542, deverá ser modificada sua classificação para a Posição NCM 8523. Porém, em sentido inverso, quando o artigo for dotado de circuitos ativos ou passivos, não será um “Smart Card”, por expressa exclusão da Nota 4 ao Capítulo 85, e, consequentemente, não há como prevalecer a Nota 8 ao mesmo Capítulo. Por esta razão, embora a DRJ tenha entendido que a posição “8523” prevalece sobre a “8542”, no que estava certa, no caso em particular, analizando o produto e considerando que a Nota 4 expressamente afasta da definição do que seja Cartão Inteligente aqueles artigos que possuam “circuitos ativos ou passivos”, tenho que a conclusão atingida não é aplicável ao caso em concreto em si. Partindo para a premissa “c” do voto da DRJ, sintetizada neste voto (e deixando a premissa “b”, por pertinência para o momento seguinte), tenho que a norma da classificação pela Posição mais específica, até por consequência do que restou abordado até aqui, igualmente foi atendida pelo sujeito passivo, pois que a Nota 4, ao afastar do conceito do que venha a ser “Smart Card” os artigos dotados de “circuitos ativos ou passivos”, para contemplar apenas aqueles que tenham contatos, antenas ou tarjas (faixas), como receptáclos de microprocessadores e microcontroladores, deixa claro que a classificação deve ser a que mais se coadune com o produto em questão. Nesse sentido, no cotejo entre as Notas 4 e 8, do Capítulo 85, entendo que no caso em concreto deverá prevalecer a Nota 8, alínea b, item 1º, que reproduzo, pois que mais específica ao produto em questão: “8. Na acepção das posições 85.41 e 85.42 consideramse: (...) Circuitos integrados: 1º) os circuitos integrados monolíticos em que os elementos do circuito (diodos, transístores, resistências, condensadores, indutâncias, etc.) são criados essencialmente na massa e à superfície de um material semicondutor (por exemplo, silício impurificado (“dopé”), arsenieto de gálio, silíciogermânio, fosfeto de índio), formando um todo indissociável;” Havendo posição específica na qual deva ser enquadrado o artigo, não vejo como aplicar a regra da posição mais específica, pois que aquela que está sendo apontada como sendo a mais adequada, está sendo excluída pela Nota 4, do Capítulo 85, da NESH. Entendo, portanto, que essa premissa “c”, segundo acima elencado, é perfeitamente correta em termos de Normas de Interpretação, mas no caso, mesmo que a Posição 8523 devesse prevalecer em face da Posição 8542, seria somente para o caso de o artigo em questão pudesse realizar as funcionalidades próprias do Cartão Inteligente, sem Fl. 2445DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 7/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10314.720412/201141 Acórdão n.º 3402002.066 S3C4T2 Fl. 1.339 11 outras providências quaisquer, enquadrandose no seu conceito legal, o que pelo que da Nota 4 consta expressamente, não se mostra ser o caso. Assim, não vejo seja o caso de haver possibilidade de duas Posições possíveis para o mesmo artigo, a exigir a aplicabilidade da regra do produto “mais específico”, e, mesmo que assim o seja, tenho minha convicção no sentido de que a Posição 8542 é mais específica que a Posição 8523.52.00, pelo fato da Nota 4 excluir os artigos dotados de “circuitos ativos ou passivos” do conceito de Cartões Inteligentes, de modo que os microcontroladores por si só não têm “um todo indissociável” que reunisse em um só produto todas as funcionalidade essenciais dos “Smart Cards”, como passa a abordar, à quisa da verificação da premissa “b”. Finalmente, com relação à premissa “b” da decisão recorrida, que considerou que os Microcontroladores já reúnem as características dos Cartões Inteligentes mesmo inacabados ou incompletos, por reunir as suas características essenciais, e que, por tal motivo, devem ser classificados na Posição dos produtos como se acabados ou completos fossem, passo a tecer algumas considerações. A questão relevante diz respeito em aquilatar se as etapas pelas quais os Microcontroladores são submetidos para se converterem em “Smart Cards” (ou outro produto no qual suas funcionalidades são exigidas), permitem concluir que esses Microcontroladores já ostentam, isoladamente, antes de tais etapas, os elementos essenciais do produto acabado ou completo, para que receba a classificação fiscal deste artigo final. Colhese da decisão da DRJ as etapas do processo fabril pelas quais passam os Microcontroladores: “O módulo passa pelo processo de laminação (aplicação de fita termosensível); Após esta etapa, o módulo segue para o processo de milling and embedding (processo onde a superfície do cartão plástico é “escavada” e o chip é inserido automaticamente (sem contato manual). Neste instante, o chip é aquecido à uma temperatura média de 150 graus o que provoca a ativação do adesivo "termosensível" gerando a fusão entre "módulo" e cartão plástico; Cartão segue para etapa de "PLUGIN" (processo de corte que define o formato do "chip" para que o mesmo possa ser "encaixado" no aparelho celular) ocorrem também alguns cortes especiais de acordo com a necessidade e exigência das operadoras. O cartão segue então para etapa de personalização (nesta etapa o "chip" passa a ser gravado com todas as informações "perfil elétrico" + INPUT file da operadora e passa ainda pela etapa de testes de funcionalidade, também é feita a personalização "gráfica" do cartão processo este que marca com laser o verso do cartão com informações de "PIN" ; "PUK" e "ICCID" código de barra). O cartão segue então para o processo de aplicação de uma etiqueta especial (scratch label) para cobrir os códigos de segurança do cartão (PIN e PUK). Ao final da aplicação do "label" o cartão segue para etapa de embalagem que consiste de um processo de "matching" onde o cartão é inserido em uma embalagem (blister; envelope papel; embalagem plástica BOPP) e durante esta atividade temos um SW para garantir que o cartão seja colocado na embalagem correspondente através da conferencia da identidade do cartão x identidade da embalagem ("processo de matching") ao final do maching os cartões são inseridos em caixas "berço"; "Box" e de transporte que por sua vez são Fl. 2446DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 7/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 12 paletizadas e ou ensacadas e entregues aos CDL's de acordo com a região de cada um deles (região é definida no inicio do processo ao recebermos o arquivo "INPUT file" do cliente). Somente após todo esse procedimento, é que os controladores são programados de acordo com as solicitações dos clientes e estarão prontos para o uso.” Embora, aparentemente, as etapas de “PLUGIN” (Corte segundo especificações do encomendante), de aplicação de etiquetas especiais (para cobrir os códigos de segurança do cartão), embalagem, conferência e transportes especializados conforme o caso), efetivamente em nada alteram as características essenciais do artigo final, tenho que a etapa de milling and embedding, na qual há a acoplagem à uma temperatura determinada (150º C), gerando a ativação do adesivo “termosensível” e gerando a fusão entre o “módulo” e cartão plástico [01]; e, também, a etapa de personalização, na qual o “chip” passa a ser gravado com todas as informações da operadora e submetese a etapa de testes de funcionalidade, com a personalização “gráfica” do cartão etc. [02]; são efetivamente “transformadoras” dos Microcontroladores, alterando significativamente o estado do artigo antes e depois de a elas submeteremse. Assim, antes de tais etapas, os Microcontroladores, segundo minha convicção, não reúnem isoladamente as características essenciais do artigo completo ou acabado. Sem tais etapas, não se poderia extrair daqueles artigos as mesmas funcionalidades do artigo acabado ou completo, sendo elas determinantes para inserirem as características essenciais que o artigo adquirirá ao final, para que seja, aí sim, considerado completo ou acabado. Por tal razão, entendo que a premissa adotada pela decisão recorrida, igualmente é válida, mas para parte das etapas do processo produtivo pelo qual são submetidos os Microcontroladores, mas não pode ser aplicada para todas as etapas, pois que antes destas duas etapas, tenho que as características essenciais ainda não estão reunidas no artigo inacabado ou incompleto, que seriam os Microcontroladores. Tais etapas que efetivamente agregarão tais atributos, tornando, aí sim, completos e acabados, e, com isso, serão convertidos em “Smart Cards”. Cabe aqui, finalmente, mais um reporte à Nota 8, ao Capítulo 85 da NESH, no sentido de que a Posição 8523, no caso em concreto não poderá prevalecer sobre a Posição 8542, pois que sem tais etapas de industrialização, as funções para as quais o Smart Cards foram concebidos, não estão ainda reunidas nos Microcontroladores da Posição NCM 8542. E a prevalência apenas ocorrerá se os artigos puderem ter, ambos, as mesmas funções, o que não ocorre sem que os Microcontroladores submetamse aos processos acima descritos. Nesta linha de entendimento, cumpre citar as Soluções de Consulta nº 127, de 09 de setembro de 2010, a qual, muito embora não tenha sido emitida para o contribuinte em si (pois que se assim fosse a questão teria outro enfoque), vem em reforço ao entendimento aqui declinado: “SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 127 DE 09 DE SETEMBOR DE 2010 ASSUNTO: Classificação de Mercadorias EMENTA: Código TEC: 8542.31.90 Mercadoria: Circuito integrado eletrônico monolítico, contendo circuito processador, memórias e outros circuitos, montado (isto é, encapsulado no seu invólucro de plástico e provido de suas conexões elétricas com aparência de um circuito impresso), do tipo utilizado em cartão inteligente, apresentado numa tira com duas fileiras contendo milhares de circuitos e acondicionada em carretel, comercialmente denominado de Chip para Cartão Inteligente´.” Fl. 2447DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 7/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10314.720412/201141 Acórdão n.º 3402002.066 S3C4T2 Fl. 1.340 13 Consequentemente, tenho que a classificação adequada para os Microcontroladores em análise é aquela mais específica e que se coaduna com o produto em questão, qual seja, na Posição NCM 8542.31.90. Por fim, cumpre frisar que prejudicada a análise do pedido sucessivo para desconto dos valores já exigidos na autuação nº 0817700/00295/10. Ante todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Fl. 2448DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 7/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 15504.004415/2010-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jul 19 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2402-000.370
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 04 .0 04 41 5/ 20 10 -3 9 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 15504.004415/201039 Resolução nº 2402000.370 S2C4T2 Fl. 72 2 Relatório Tratase de auto de infração constituído em 23/03/2010 (fl. 1), para exigência de multa decorrente de apresentação de GFIP com informações incorretas ou omitidas, referente as remunerações pagas a empregados, contribuintes individuais e transportador autônomo, no período de 01/2005 a 04/2005, conforme descrito no Relatório Fiscal (fls. 06/07). Este processo foi apensado ao principal de nº 15504.004417/201028, que também tem por apenso os processos nº 15504.004416/201083 e 15504.004418/201072, decorrentes da mesma ação fiscal (fls. 20 e 47). A Recorrente interpôs Impugnação (fls. 21/30), requerendo o cancelamento do Auto de Infração com o afastamento da imposição da multa e, alternativamente, a fixação da multa no valor mínimo ou sua redução, sem incidência de juros. A DRJ/BHE julgou a impugnação improcedente e manteve o crédito tributário (fls. 48/52), em decisão assim ementada: “ASSUNTO: Obrigações Acessórias AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. INFORMAÇÕES INEXATAS. Apresentar GFIP com informações incorretas ou omissas constitui infração à legislação previdenciária.” Intimada da referida decisão em 21/05/2012 (fls. 55/57), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 20/06/2012 (fls. 59/69), no qual essencialmente repisa os argumentos já apresentados na Impugnação, sustentando, em síntese: (i) a decadência parcial da multa decorrente do período de 01/2005 a 03/2005; (ii) ilegalidade, falta de tipicidade e de finalidade da multa; (iii) redução da penalidade lançada em atenção à retroatividade benigna decorrente de nova norma punitiva; (iv) aplicação da multa no valor mínimo por não haver circunstância agravante; (v) a não incidência de juros sobre multa; requerendo, ao final, a reforma do acórdão recorrido, o cancelamento do auto de infração com o afastamento da imposição da multa e, alternativamente, a fixação da multa no valor mínimo ou sua redução, sem incidência de juros. Os autos foram encaminhados a este Conselho para julgamento (fls. 70). É o relatório. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 15504.004415/201039 Resolução nº 2402000.370 S2C4T2 Fl. 73 3 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. De início, passo a analisar a alegação de decadência apresentada pela Recorrente. Nesse tocante, destaco que a colenda Câmara Superior de Recursos Fiscais deste egrégio Conselho vem firmando o entendimento de que o prazo decadencial aplicável à exigência de multa pelo descumprimento de obrigação acessória é aquele previsto no artigo 173, I, do CTN, ou seja, tem inicio no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Nesse sentido: Acórdão nº 920200.472, sessão de 09/03/2010; Acórdão nº 920200.901, sessão de 12/05/2010; Acórdão nº 920200.973, sessão de 17/08/2010; Acórdão 920202.086, sessão de 22/03/2012. Fosse essa tão somente a análise a ser efetuada, poderseia concluir que a multa ora exigida não se encontra atingida pela decadência, posto que no presente caso o contribuinte foi intimado do lançamento dentro do prazo de cinco anos previsto no art. 173, I, do CTN. Não obstante, há que se atentar também para o fato de que, no cálculo da multa exigida neste processo foram considerados valores relativos a fato geradores ocorridos no período de 01/2005 a 03/2005 (quadro de fls. 18/19), sobre os quais pende, no processo principal antes mencionado, e colocado em pauta nesta mesma sessão, a análise da alegação de decadência do referido período, tendo o julgamento dos autos principais sido convertido em diligência para esclarecimento deste ponto. Diante disso, e havendo a possibilidade de, no processo principal, ser reconhecida a decadência das exigências pertinentes ao período de 01/2005 a 03/2005, tais valores poderão vir a ser excluídos do cálculo da multa ora exigida, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula, análise esta que, contudo, não pode ser efetuada no presente momento processual, em razão da conversão em diligência dos autos principais acima referida. Por oportuno, observo que mais recentemente, no julgamento de situação bastante semelhante à ora em análise, envolvendo multa decorrente de omissão de informações em GFIP e fatos geradores lançados em Auto de Infração principal declarado parcialmente improcedente, a colenda Câmara Superior de Recursos Fiscais deste egrégio Conselho assim se pronunciou (Acórdão nº 9202002.193, publicado em 06/12/2012): “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/05/2004 AUTO DE INFRAÇÃO. PENALIDADE DECORRENTE DO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. O prazo decadencial aplicável à exigência de multa decorrente de omissão de informações em GFIP é aquele previsto no artigo 173, inciso I, do CTN, ou seja, tem inicio no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 15504.004415/201039 Resolução nº 2402000.370 S2C4T2 Fl. 74 4 AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE DE LANÇAMENTO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL JULGADO IMPROCEDENTE EM PARTE. AUTUAÇÃO REFLEXA. OBSERVÂNCIA DECISÃO. Impõese a exclusão da multa aplicada decorrente da ausência de informação em GFIP de fatos geradores lançados em Auto de Infração, pertinente ao descumprimento da obrigação principal, declarado parcialmente improcedente, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula, devendo ser excluído da penalidade os valores concernentes à Previdência Complementar Privada e Reembolso Escolar. (...) Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em afastar de oficio a multa aplicada em relação aos fatos geradores "Previdência Privada" e "Bolsa Escola", os quais foram excluídos do processo nº 35434.000858/200571 (Notificação Fiscal), em face da intimada relação de causa e efeito que os vincula. (...)”Ante o exposto, reconheço a prejudicialidade para o presente julgamento e determino que este processo fique suspenso até que os julgamentos dos processos nº 15504.004417/201028, 15504.004416/201083 e 15504.004418/201072 tenham a diligência concluída e retornem para julgamento neste Conselho. Diante do exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que este processo acompanhe os demais até que a providência acima seja realizada. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES
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