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Numero do processo: 13854.000325/2002-63
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/03/1999 a 31/10/2001
EMBARGOS - OMISSÃO
Impõe-se acolher os embargos de declaração quando há vícios de omissão acerca da matéria trazida no Recurso Especial interposto pelo contribuinte, apreciando o Colegiado matéria alheia à lide. Supre-se tal omissão com a apreciação das questões trazidas em Recurso Especial.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/98. RECEITAS DE VARIAÇÃO CAMBIAL. DECLARAÇÃO DE
INCONSTITUCIONALIDADE PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL
A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, ante a redação do art. 195 da Carta Magna anterior à Emenda Constitucional 20/98, consolidou-se no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindo-se à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços.
Nesse sentido, em sede de repercussão geral, o Pleno do STF, de forma reiterada, com reconhecimento de repercussão geral, declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art.3º da Lei 9.718/98, que tratava da ampliação do conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas pelas pessoas jurídicas.
Nos termos do art. 4º, parágrafo único, do Decreto 2.346/97, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, de julgamento administrativo, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal.
Consoante à esse dispositivo, o art. 26-A do Decreto 70.235/2015 esclareceu a obrigatoriedade de os julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais considerarem a decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal.
Ademais, se reconhecida a repercussão geral do RE, cabe observar os termos do art. 62 da Portaria MF 343/2015 - atual RICARF, que diz que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
O que, no caso vertente, impõe-se afastar a tributação das receitas de variação cambial registradas como receitas financeiras em respeito ao art. 62 da Portaria MF 343/2015 - RICARF atual - em face do alargamento da base de cálculo promovido pela inconstitucionalidade declarada pelo STF do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98.
Embargos de Declaração acolhidos
Numero da decisão: 9303-003.420
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento aos embargos de declaração, para sanar a omissão apontada, nos termos do voto da Relatora.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
Tatiana Midori Migiyama Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/03/1999 a 31/10/2001 EMBARGOS - OMISSÃO Impõe-se acolher os embargos de declaração quando há vícios de omissão acerca da matéria trazida no Recurso Especial interposto pelo contribuinte, apreciando o Colegiado matéria alheia à lide. Supre-se tal omissão com a apreciação das questões trazidas em Recurso Especial. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/98. RECEITAS DE VARIAÇÃO CAMBIAL. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, ante a redação do art. 195 da Carta Magna anterior à Emenda Constitucional 20/98, consolidou-se no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindo-se à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. Nesse sentido, em sede de repercussão geral, o Pleno do STF, de forma reiterada, com reconhecimento de repercussão geral, declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art.3º da Lei 9.718/98, que tratava da ampliação do conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas pelas pessoas jurídicas. Nos termos do art. 4º, parágrafo único, do Decreto 2.346/97, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, de julgamento administrativo, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Consoante à esse dispositivo, o art. 26-A do Decreto 70.235/2015 esclareceu a obrigatoriedade de os julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais considerarem a decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal. Ademais, se reconhecida a repercussão geral do RE, cabe observar os termos do art. 62 da Portaria MF 343/2015 - atual RICARF, que diz que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. O que, no caso vertente, impõe-se afastar a tributação das receitas de variação cambial registradas como receitas financeiras em respeito ao art. 62 da Portaria MF 343/2015 - RICARF atual - em face do alargamento da base de cálculo promovido pela inconstitucionalidade declarada pelo STF do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Embargos de Declaração acolhidos
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/1999 a 31/10/2001 EMBARGOS OMISSÃO Impõese acolher os embargos de declaração quando há vícios de omissão acerca da matéria trazida no Recurso Especial interposto pelo contribuinte, apreciando o Colegiado matéria alheia à lide. Suprese tal omissão com a apreciação das questões trazidas em Recurso Especial. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/98. RECEITAS DE VARIAÇÃO CAMBIAL. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, ante a redação do art. 195 da Carta Magna anterior à Emenda Constitucional 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindose à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. Nesse sentido, em sede de repercussão geral, o Pleno do STF, de forma reiterada, com reconhecimento de repercussão geral, declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art.3º da Lei 9.718/98, que tratava da ampliação do conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas pelas pessoas jurídicas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 4. 00 03 25 /2 00 2- 63 Fl. 392DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/02/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 2 Nos termos do art. 4º, parágrafo único, do Decreto 2.346/97, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, de julgamento administrativo, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Consoante à esse dispositivo, o art. 26A do Decreto 70.235/2015 esclareceu a obrigatoriedade de os julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais considerarem a decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal. Ademais, se reconhecida a repercussão geral do RE, cabe observar os termos do art. 62 da Portaria MF 343/2015 atual RICARF, que diz que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. O que, no caso vertente, impõese afastar a tributação das receitas de variação cambial registradas como receitas financeiras em respeito ao art. 62 da Portaria MF 343/2015 RICARF atual em face do alargamento da base de cálculo promovido pela inconstitucionalidade declarada pelo STF do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Embargos de Declaração acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento aos embargos de declaração, para sanar a omissão apontada, nos termos do voto da Relatora. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. Tatiana Midori Migiyama – Relatora Fl. 393DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/02/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 13854.000325/200263 Acórdão n.º 9303003.420 CSRFT3 Fl. 390 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de embargos opostos pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 9303002.768 de fls. 379 a 382, por meio do qual, por unanimidade de votos, se deu provimento parcial ao recurso especial do contribuinte, conforme se verifica da sua ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/1999 a 31/10/2001 PIS. DECADÊNCIA. O prazo decadencial para a Fazenda Pública constituir crédito tributário é de cinco anos, nos termos do § 4º do art. 150 do CTN, no caso de haver antecipação de pagamento por parte do sujeito passivo. Recurso Especial do Contribuinte Provido.” Para melhor compreensão dos pontos destacados pela embargante, considero a manifestação dada em Despacho de fls. 388 a 390 pelo ilustre Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que concluiu que o Colegiado Superior omitiuse em decidir a respeito da matéria que lhe foi submetida, abordando matéria alheia à lide, a qual, peço vênia, para transcrevêla (Grifos meus): “Em sessão de julgamento realizada em 28 de abril de 2010, a 3ª Turma da CSRF julgou o recurso especial interposto por FRUTAX INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA., exarando o Acórdão nº 9303002.768, fls. 379 a 3821, em decisão assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/1999 a 31/10/2001 PIS. DECADÊNCIA. O prazo decadencial para a Fazenda Pública constituir crédito tributário é de cinco anos, nos termos do § 4° do art. 150 do CTN, no caso de haver antecipação de pagamento por parte do sujeito passivo. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Fl. 394DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/02/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 4 A Fazenda Nacional volta aos autos, desta feita para interpor embargos de declaração, fls. 384 a 386, acusando a decisão de conter os vício de omissão acerca da matéria versada no recurso especial impetrado pela contribuinte. Explica que houve equívoco por parte do Colegiado Superior sobre o objeto da lide, decidindo matéria estranha à lide. Conclui requerendo o saneamento dos vícios apontados. Nos termos do art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RICARF, repetidos pelo art. 65 do novel Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 9 de junho de 2015 – RICARF, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a Turma, e I Todas as referências às folhas do processo dizem respeito à numeração atribuída digitalmente poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada, no prazo de 5 (cinco) dias contados da ciência do acórdão. Os autos digitais foram encaminhados à PGFN para ciência da decisão embargada, em 10/07/2015 (fl. 383). Assim sendo, considerandose o prazo estabelecido no § 3º do art. 7º da Portaria MF nº 527, de 9 de novembro de 2010, o recurso, apresentado em 13/07/2015 (fl. 387), é francamente tempestivo. A propósito dos vícios apontados, recorro à doutrina de Moacyr Amaral dos Santos (1998, p. 146 a 148) para lembrar que se dá omissão quando o julgado não se pronuncia sobre ponto, ou questão, suscitado pelas partes, ou que os julgadores deveriam pronunciarse de ofício. Humberto Theodoro Junior3 (2004, p. 560), a seu turno, leciona que os Embargos de Declaração têm como pressuposto de admissibilidade a existência de obscuridade, contradição ou omissão na sentença produzida. E que, em qualquer caso, a substância da sentença será mantida, uma vez que tais embargos não visam a reforma do acórdão ou da sentença. Admitese a hipótese de alguma alteração no conteúdo do julgado, sem, entretanto, ocasionar um novo julgamento da causa, haja vista não ser esta a função desse remédio recursal. A jurisprudência não destoa: Fl. 395DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/02/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 13854.000325/200263 Acórdão n.º 9303003.420 CSRFT3 Fl. 391 5 A omissão e a contradição que autorizam a oposição de embargos de declaração têm conotação precisa: a primeira ocorre quando, devendo se pronunciar sobre determinado ponto, o julgado deixa de fazêlo, e a segunda, quando o acórdão manifesta incoerência interna, prejudicandolhe a racionalidade. Não constitui omissão o modo como, do ponto de vista da parte, o acórdão deveria ter decidido, nem contradição o que, no julgado, lhe contraria os interesses.” [Edcl em REsp 56.201BA, Rel. Min. Ari Pargendler, DJU de 09.09.96, p. 32346] A existência dos vícios de obscuridade, contradição ou omissão, pressupostos dos aclaratórios, deve ser cabalmente demonstrada pela parte quando avia esse remédio recursal, oportunizando ao próprio órgão julgador suprir deficiência no julgamento da causa, sob pena de ofensa ao dever da entrega da prestação jurisdicional a que todo o Juiz está obrigado diante da indeclinável função de dizer o direito. Detectado vício de intelecção no julgado deve a parte lançar mão do remédio apropriado, obtendo do órgão jurisdicional esclarecimento, "(...) tornando claro aquilo que nele é obscuro, certo aquilo que nele se ressente de dúvida, desfaça a contradição nele existente, supra ponto omisso (...)" (SANTOS, p. 151). Manoel Antonio Teixeira Filho4 leciona que: “(...) enquanto a finalidade dos recursos típicos reside na modificação ("reforma") da sentença, do acórdão ou do despacho (agravo de 2 SANTOS, Moacyr Amaral. Primeiras linhas de direito processual civil. São Paulo: Saraiva, 1998. v3: 17ª ed. rev. e atual. por Aricê Moacyr Amaral Santos. 3 THEODORO JUNIOR. Humberto. Curso de Direito Processual Civil. 41ª ed. Rio de Janeiro: Ed.Forense. 2004. p. 560 e ss 4 TEIXEIRA FILHO, Manoel Antônio. A Sentença no Processo do Trabalho. 2ª ed. São Paulo: LTr, 1996. p. 427428. Instrumento), ou, até mesmo, em sua invalidação (em decorrência de nulidade não suprível), a dos embargos declaratórios, em princípio, não vai além da sanação de falhas da dicção jurisdicional, que se apresenta obscura, omissa, contraditória ou anfibológica. Insistamos: nos recursos, o que se visa é impugnar o raciocínio do magistrado, o seu convencimento jurídico, e, em consequência, o Fl. 396DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/02/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 6 resultado do julgamento; em sede de embargos de declaração , entrementes, nada mais se pede ao juízo proferidor da sentença que aclare o que pretendeu dizer (obscuridade); que defina qual, dentre dois ou mais sentidos que a sua dicção comporta, aquele que reflete, enfim, a sua vontade (obscuridade); que diga por qual das proposições, entre si inconciliáveis, optou (contraditoriedade) ou complemente a entrega da prestação jurisdicional (omissão).” Com o norte desses ensinamentos, passo a examinar os vícios apontados: Omissão Analisandose o Despacho nº 3400270, de 23/11/2009, fls. 367 e 368, que admitiu o recurso à CSRF, constato que se devolveu a divergência jurisprudencial a respeito da impossibilidade de a instância administrativa afastar norma legal sob fundamento de sua inconstitucionalidade ainda quando ela já tenha sido pronunciada pelo STF, desde que a ação não tenha efeitos erga omnes e tenha sido proferida em ação de que o contribuinte não seja parte. O Relatório do acórdão embargado, no entanto, reportou o que segue: A matéria devolvida a este Colegiado cingese ao prazo decadencial para se constituir crédito das contribuições sociais, na hipótese de existência de antecipação de pagamento do tributo devido. O julgamento deste recurso tem como paradigma o Recurso n° 230.135, julgado na sessão imediatamente anterior a esta, sendolhe aplicada mesma tese daquele julgado, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009. Em apertada síntese, é o relatório. Constato que, efetivamente, o Colegiado Superior omitiuse em decidir a respeito da matéria que lhe foi submetida, abordando matéria alheia à lide. Conclusão Com essas considerações, acolho os Embargos de Declaração interpostos pela Fazenda Nacional, para que a omissão seja suprida. Fl. 397DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/02/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 13854.000325/200263 Acórdão n.º 9303003.420 CSRFT3 Fl. 392 7 Incluase o presente processo em lote de sorteio a um dos conselheiros da 3ª Turma da CSRF. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais” Para melhor elucidar a apreciação pelo Colegiado de matéria estranha à lide, importante trazer, em síntese, que: · A lide trata da exigência do PIS sobre as variações cambiais ativas obtidas pela empresa no ano de 1999; · O sujeito passivo, após não ter obtido provimento de sua impugnação na DRJ, apresentou recurso voluntário, trazendo, entre suas alegações, que: (i) deveria ser afastada a incidência de PIS sobre a receita de variação cambial, considerando a decisão do STF que declarou inconstitucional dispositivo da Lei 9.718/98 – a qual alargou o conceito de faturamento, indicando; (ii) não seria aplicável os juros Selic por contrariedade às disposições do CTN em virtude do seu caráter remuneratório e de não ser fixada por lei, concluindo pela não menos corrente proposta de interpretação do art. 161 do CTN como definidor de limite máximo para os juros; (iii) a multa tem caráter confiscatório, devendo ser reduzida ao patamar de 20% previsto no art. 61 da Lei n° 9.430/96. · O 2º Conselho de Contribuinte apreciou as matérias, decidindo, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, conforme ementa: “PIS. INCIDÊNCIA SOBRE VARIAÇÕES CAMBIAIS RECONHECIDAS CONTABILMENTE NO ANO DE 1999 SEGUNDO 0 REGIME DE COMPETÊNCIA. PROCEDÊNCIA. No ano de 1999 integram a base de cálculo do PIS, na condição de receitas financeiras, as variações de direitos de crédito e de obrigações em função da variação no valor da moeda estrangeira em que obtidos ou contraídos, as quais devem ser apuradas contabilmente segundo o regime de competência. NORMAS PROCESSSUAIS. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. DESCABIMENTO. Fl. 398DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/02/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 8 Aos órgãos administrativos de julgamento em primeira e em segunda instância é vedado negar aplicação a comando legal regularmente editado e em vigor por considerações de inconstitucionalidade. No que tange aos Conselhos de Contribuintes tratase, hoje, de norma regimental (art. 22A, introduzido pela Portaria MF 103/2002). APLICAÇÃO IMEDIATA DE DECISÃO DO STF EM CONTROLE DIFUSO NÃO ESTENDIDA POR RESOLUÇÃO DO SENADO FEDERAL. IMPOSSIBILIDADE. Até que o Congresso Nacional estenda a todos os contribuintes os efeitos de reiteradas decisões proferidas, incidenter tantun, pelo STF permanecem aplicáveis as disposições ali apontadas por inconstitucionais, em decisões proferidas no controle difuso de constitucionalidade, a teor do que dispõe o Decreto n° 2.396/97. Recurso negado.” · O sujeito passivo apresentou embargos de declaração, mas não foram acolhidos; · Então, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial, trazendo, entre outros, que o acórdão recorrido não admite a apreciação da inconstitucionalidade da lei pelo Conselho de Contribuintes e o acórdão paradigma decide no sentido inverso, bem como sustenta a possibilidade (obrigatoriedade) de se reconhecer a inconstitucionalidade de uma lei, não sendo, portanto, monopólio do Poder Judiciário. O que, pediu a reforma do acórdão recorrido, reconhecendo (i) sua nulidade; (ii) a inaplicabilidade do art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/98, quanto à Cofins. O Recurso Especial do contribuinte foi admitido, conforme Despacho de fls. 367 a 368 apreciado pelo ilustre Conselheiro Gilson – à época – Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF, conforme segue (Grifos meus): “A empresa acima interpõe, tempestivamente, recurso especial contra o acórdão indicado, de fls. 293/298, prolatado em 22 de maio de 2007. Nele, pelo voto de qualidade, negouse provimento ao recurso voluntário que lhe deu causa. Para tanto, reiterou a Câmara a impossibilidade de a instancia administrativa afastar norma legal sob fundamento de sua inconstitucionalidade ainda quando ela já tenha sido Fl. 399DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/02/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 13854.000325/200263 Acórdão n.º 9303003.420 CSRFT3 Fl. 393 9 pronunciada pelo STF, desde que a ação não tenha efeitos erga omnes e tenha sido proferida em ação de que o contribuinte não seja parte. No recurso ora ofertado, pretende a empresa que isso é possível e cita como acórdão paradigma aquele relativo ao julgamento do recurso número 140.629 (acórdão 10195.764) da Primeira Câmara do Primeiro Conselho. 0 acórdão é datado de 21 de setembro de 2006, anteriormente, portanto, A. edição do novo Regimento dos Conselhos e efetivamente aplicou a contribuinte diverso decisão plenária do STF prolatada no julgamento do recurso extraordinário 390840. No corpo do voto condutor reconhecese a impossibilidade de os Conselheiros adentrarem o exame de constitucionalidade de atos legais, mas afirmase que a isso não equivale a extensão de decisão plenária do STF, visto ser esta a última e definitiva decisão que sobre a matéria se poderá produzir. Embora na vigência do Regimento de então (Portaria 55/98 com acréscimo da Portaria 103/2002) não houvesse tal previsão, aquele acórdão paradigma ainda não foi reexaminado pela Colenda Câmara Superior. Demonstrada, desse modo, a divergência exigida pelo Regimento, e sendo, ainda, tempestivo o recurso, deve ele ser admitido para que a Colenda Câmara Superior realize a nobre função que lhe cabe, pacificando a jurisprudência administrativa conflitante. Para que se de cumprimento ao disposto no art. 70 do Regimento Interno do CARF, encaminhese o presente processo para ciência do Procurador, assegurando lhe o prazo de 15 (quinze) dias para oferecer contra razões. Posteriormente, os autos devem ser encaminhados a esta Seção do CARP. Para prosseguimento. Brasília/DF, 23 de novembro de 2009.” É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama Fl. 400DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/02/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 10 Conheço dos embargos interpostos pela Fazenda Nacional em face do acórdão CSRF 9303002.768, pois tempestivos e considerando que, conforme relatado e depreendendose da análise dos autos, constatouse, de fato, a omissão alegada, vez que o Colegiado Superior omitiuse em decidir a respeito da matéria que lhe foi submetida qual seja, “impossibilidade de a instância administrativa afastar norma legal sob fundamento de sua inconstitucionalidade ainda quando ela já tenha sido pronunciada pelo STF, desde que a ação não tenha efeitos erga omnes e tenha sido proferida em ação de que o contribuinte não seja parte”, apreciando matéria alheia à lide – conforme transcrição do acórdão embargado: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/1999 a 31/10/2001 PIS. DECADÊNCIA. O prazo decadencial para a Fazenda Pública constituir crédito tributário é de cinco anos, nos termos do § 4° do art. 150 do CTN, no caso de haver antecipação de pagamento por parte do sujeito passivo. Recurso Especial do Contribuinte Provido.” Impõese, dessa forma, acolher os embargos de declaração por conter vícios de omissão acerca da matéria trazida no Recurso Especial interposto pelo contribuinte. O que passo a apreciar a matéria trazida naquele recurso interposto pelo contribuinte, já que tempestivo e admissível – considerando a divergência refletida no acórdão paradigma. O que concordo com o exame de admissibilidade realizado pelo Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF em exercício à época, por atender os pressupostos regimentais de admissibilidade. Eis que o acórdão paradigma de nº 10195764 traz em sua ementa (Grifos meus): “COFINS E PIS RECEITA FINANCEIRAS – INAPLICABILIDADE DA LEI 9.718/98 – SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL – RE 380840 – MG Conforme decisão transitada em julgado no RE 390840MG, o Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional o § 1º, do artigo 3º, da Lei 9.718. A extensão dos efeitos dessa decisão definitiva beneficia a ambas as partes, estancando custos desnecessários. Por consequência, não compõem a base da contribuição em apreços as receitas financeiras. Recurso provido” Fl. 401DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/02/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 13854.000325/200263 Acórdão n.º 9303003.420 CSRFT3 Fl. 394 11 Vêse que o acórdão paradigma, da Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, com voto da lavra do Conselheiro Mario Junqueira Junior assenta, em patente divergência, que: "[...] esta Câmara vem acolhendo os pedidos referentes inaplicabilidade da Lei 9.718/98 para as receitas financeiras, tendo em vista discussão do plenário do excelso Supremo Tribunal Federal, no RE 390840MG [...]". Complementa ainda em seu voto (Grifos meus): "[...] A este Conselho de Contribuintes não é facultado declarar a inconstitucionalidade de lei regularmente editada, sendo este poder tarefa do Judiciário, e, em grau máximo, ao Supremo Tribunal Federal. No entanto, não se constitui declaração de inconstitucionalidade a extensão de efeitos de decisão do Plenário do excelso Tribunal, por corresponder à última decisão que a matéria pode obter em qualquer instância". Ora, considerando que o acórdão recorrido não admite a extensão dos efeitos da decisão do Supremo Tribunal Federal reconhecendo a inaplicabilidade do art. 3º, § 1 º, da Lei nº. 9.718/98 para o PIS, sob alegação de que tal extensão configuraria apreciação de inconstitucionalidade e o acórdão paradigma, por sua vez, claramente, decide no sentido inverso, sustentando a possibilidade de se estender os efeitos da decisão do STF a fim de acolher a inaplicabilidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº. 9.718/98 para o PIS, em virtude do julgamento em plenário do RE n. 390.840/MG, com trânsito em julgado, resta claro a divergência alegada. Não obstante à divergência constatada, importante lembrar que o acórdão recorrido decorre da sessão de julgamento de 21.9.2006 e o acórdão paradigma é de 22.5.2007 – portanto, ambos foram julgados sob a vigência da Portaria MF 55/98 com alterações da Portaria MF 103/02 – que, por sua vez, trazia o seguinte dispositivo (Grifos meus): “Artigo 22A. No julgamento de recurso voluntário, de ofício ou especial, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação, em virtude de inconstitucionalidade, de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo em vigor. (Artigo acrescido pela Portaria MF nº 103/2002) Fl. 402DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/02/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 12 Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Artigo acrescido pela Portaria MF nº 103/2002) I que já tenha sido declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em ação direta, após a publicação da decisão, ou pela via incidental, após a publicação da Resolução do Senado Federal que suspender a execução do ato; [...]” Importante também considerar que: 1. A Portaria MF 256/09 – RICARF/09, publicada no DOU de 23.6.09 contemplou, entre outros (Grifos meus): “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou [...].” 2. A Portaria MF 343/2015 – RICARF atualmente vigente também contempla em seu art. 62 (Grifos meus): “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; [...]” E o Decreto 70.235/72, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, diz: Fl. 403DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/02/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 13854.000325/200263 Acórdão n.º 9303003.420 CSRFT3 Fl. 395 13 “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) [...]” Em vista do exposto, vêse que o art. 26A do Decreto 70.235/2015, enfim, esclareceu a obrigatoriedade de os julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais considerarem a decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal. Independentemente disso, entendo que tal preceito já estava suportado no art. 22A, inciso I, da Portaria MF 55/98 que dispunha sobre o Regimento Interno do antigo Conselho de Contribuintes – já que interpreto sua aplicação de forma extensiva, e não restritiva. O que, ressurgindo àquela época, concordaria com o entendimento emanado no acórdão paradigma. Frisese meu entendimento pela observância ainda do art. 4º, parágrafo único, do Decreto 2.346/97, o qual estabelece que os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, de julgamento administrativo, devem afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Continuando, no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais instalado pela Lei 11.196/09 que, por sua vez, trouxe também regras a serem observadas nesse Conselho específico – temse que os julgadores desse Conselho devem respeitar as normas atinentes à esse órgão. Ou seja, devem respeitar as mudanças promovidas no Decreto 70.235/72 – especificamente o art. 26A do Decreto acima reproduzido, trazidas pela Lei 11.196/09. Fl. 404DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/02/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 14 O que, para essa Conselheira, independentemente de me direcionar à interpretação extensiva ao art. 22A da Portaria MF 55/98, por evidência disposição do art. 4º, parágrafo único, do Decreto 2.346/97, resta claro, com o art. 26A do Decreto 70.235/72 – norma a ser observada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que se deve respeitar a decisão do STF que declarar inconstitucional dispositivo de lei quando decorrente de decisão definitiva plenária daquele Tribunal. Não obstante à esse entendimento, proveitoso lembrar que o STF quando do julgamento em plenário do RE n. 390.840/MG havia reiterado a seguinte decisão em 2008: “O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008.” Nesse sentido, em sede de repercussão geral, o Pleno do STF, de forma reiterada, declarou a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº Lei nº 9.718/98/98, que tratava da ampliação do conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas pelas pessoas jurídicas. E, tendo sido reconhecida repercussão geral da questão constitucional – é de se também respeitar o constante do art. 62, § 2º, da Portaria MF 343/2015 – Regimento atual desse Conselho (antigo caput do art. 62A do RICARF/09) – verbis: “Art. 62............ [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Fl. 405DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/02/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 13854.000325/200263 Acórdão n.º 9303003.420 CSRFT3 Fl. 396 15 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Eis que fica o julgador desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais condicionado a observar tais decisões. Ademais, cabe esposar também que o contribuinte do acórdão paradigma (Reydrogas Comercial Ltda) também discutiu a mesma matéria em outro processo de nº 10120.003828/200368, tendo recepcionado acórdão de Recurso Voluntário favorável, mas, em face desse acórdão, foi apresentado Recurso Especial da Fazenda Nacional. O que, por conseguinte, a CSRF, então, apreciou esse recurso, emitindo acórdão nº 9101.001209 com a seguinte ementa (Grifos meus): “ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS Anoscalendário: 1998 a 2003 NORMAS PROCESSUAIS DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI – EFEITOS Conforme entendimento fixado pelo Supremo Tribunal Federal, em sua composição plenária, o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 é inconstitucional, eis que a noção de faturamento para efeito de exigência das contribuições PIS/PASEP e COFINS não se confunde com a totalidade das receitas auferidas. Dessa forma, para as empresas comerciais e de prestação de serviços, o faturamento se restringe ao somatório das receitas provenientes da venda de bens ou da prestação de serviços, que corresponde ao resultado das atividades empresariais típicas de tais entidades, não alcançando receitas de natureza financeira. À luz do disposto no inciso I do art. 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, deve ser afastada a exigência de COFINS incidentes sobre receitas financeiras.” Em vista de todo o exposto, retornando ao caso vertente, vez que a lide trata da receita de variação cambial – que devem, nos termos do art. 9º da Lei 9.718/98 – ser considerada Receita Financeira, in verbis (Grifos meus): Fl. 406DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/02/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 16 “Art 9° As variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis por disposição legal ou contratual serão consideradas, para efeitos da legislação do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição PIS/PASEP e da COFINS, como receitas ou despesas financeiras, conforme o caso.” Impõese, assim, afastar a tributação das receitas de variação cambial registradas como receita financeira em respeito ao art. 62 da Portaria MF 343/2015 (RICARF atual) em face do alargamento da base de cálculo promovido pela inconstitucionalidade declarada pelo STF do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Observo, apenas para conhecimento, pois nada altera esse entendimento no caso ora presente, que a Lei 12.973/2014 impulsionou mudança na base de cálculo das contribuições ao PIS e à Cofins sob a sistemática cumulativa e não cumulativa. Por fim, então, concluo o meu voto no sentido de acolher os embargos apresentados pela Fazenda Nacional interposto em face do Acórdão nº 9303002.768, sanando, por economia processual – art. 59 do Decreto 70.235/72, o vício de omissão com a apreciação da lide cingida nos autos do processo e destacada no Recurso Especial apresentado pelo contribuinte, e, por conseguinte, dar provimento ao Recurso Especial. É o meu voto. Tatiana Midori Migiyama Relatora Fl. 407DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/02/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO
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Numero do processo: 13830.722242/2012-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2008
RECURSO DE OFÍCIO. Tendo o recorrente apresentado documentação comprobatória e em acordo com a legislação, entende-se correta a exoneração do crédito tributário decidido pela autoridade a quo.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 2401-004.023
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso de Ofício.
Maria Cleci Coti Martins
Presidente Substituta e Relatora
Participaram do presente Julgamento: Os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Arlindo da Costa e Silva, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: MARIA CLECI COTI MARTINS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2008 RECURSO DE OFÍCIO. Tendo o recorrente apresentado documentação comprobatória e em acordo com a legislação, entende-se correta a exoneração do crédito tributário decidido pela autoridade a quo. Recurso de Ofício Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso de Ofício. Maria Cleci Coti Martins Presidente Substituta e Relatora Participaram do presente Julgamento: Os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Arlindo da Costa e Silva, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2008 RECURSO DE OFÍCIO. Tendo o recorrente apresentado documentação comprobatória e em acordo com a legislação, entendese correta a exoneração do crédito tributário decidido pela autoridade a quo. Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso de Ofício. Maria Cleci Coti Martins Presidente Substituta e Relatora Participaram do presente Julgamento: Os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Arlindo da Costa e Silva, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 72 22 42 /2 01 2- 79 Fl. 616DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 23/02/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 2 Relatório Recurso de Ofício em razão da decisão proferida no Acórdão 0430.253 1a. Turma da DRJ/CGE ter exonerado o crédito tributário objeto deste processo, relativamente ao imóvel rural "Fazenda Nova América", com área de 6.050,2ha, NIRF 0.737.2345, localizado no município de Tarumã/SP. Conforme informação à efl. 3, o imóvel está localizado no endereço Água da Aldeia, CEP 19820000. O Acórdão de Impugnação está assim ementado. Áreas de Produtos Vegetais/Pastagens. Comprovadas, mediante documentação hábil e idônea, a produção agrícola e a existência de animais no imóvel em 2007, impõese restabelecer a área efetivamente utilizada para produção vegetal e a área servida de pastagens, glosadas pela fiscalização no procedimento de revisão interna na declaração do ITR daquele exercício. A autoridade a quo entendeu que os documentos apresentados pelo recorrente são suficientes para comprovar a existência de pastagens para animais e também de produção de culturas vegetais no imóvel. Foram apresentadas notas fiscais relativas à produção de cana de açúcar, contrato de parceria e de arrendamento de pastagens, Demonstrativo anual de movimentação de gado bovino, laudo técnico, etc. É o relatório. Fl. 617DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 23/02/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 13830.722242/201279 Acórdão n.º 2401004.023 S2C4T1 Fl. 3 3 Voto Conselheira Maria Cleci Coti Martins Relatora A propriedade possui várias matrículas a seguir descritas em resumo, conforme os documentos acostados aos autos. Registro no livro 2, matrícula 2701 do Registro de Imóveis da Comarca de Assis/SP, distrito de Tarumã, datado de 1978, com área total de 3.332,34ha. A averbação 32 referese à alteração de cadastro da área da propriedade para 5.966,10ha., e localização no bairro Água da Aldeia, Município de Tarumã/SP. Registro no livro 2, matrícula 2702 do Registro de Imóveis da Comarca de Assis/SP, distrito de Tarumã, datado de 1978, com área total de 90,75 ha., denominada Fazenda Nova Aliança. Na averbação 22, o objeto desta matrícula está no cadastro 627.011.004.9365, com área total de 5.966,10ha., cadastro na RFB n. 07372345. Registro no livro 2, matrícula 3679, de 1981,do Registro da Comarca de Cândido Mota/SP, localização Água Limpa do Sapo, com área de 583,22ha. Este imóvel possui averbação 4, na qual informa que está incorporado ao imóvel matrícula SRF 0.737.2345, com área de 5.966,10ha. Registro no livro 2, matrícula 3680, de 1981, do Registro da Comarca de Cândido Mota/SP, localização Fazenda Graciema Água do Sapo, com área aproximada de doze alqueires. A averbação n. 2, de 2008 referese à informação de que o imóvel desta matrícula estaria compreendido pelo de registro na RFB 0.737.2345, com 5.966,10ha. Registro no livro 2, matrícula 3681, de 1981, do Registro da Comarca de Cândido Mota/SP, localização Fazenda Queixada Água do Guaritá, com área de 582,9780ha. A averbação n. 5, de 2008 informa que o imóvel faz parte do cadastro RFB 0.737.2345, com área de 5.966,10ha. Registro no livro 2, matrícula 4963, de 1983, do Registro da Comarca de Cândido Mota/SP, localização Fazenda Graciema Água do Veado, com área de 62,1133ha. A averbação 2 informa que o imóvel é parte integrante do cadastro RFB 0.737.2345, com área de 5.966,10ha. Registro no livro 2, matrícula 4964, de 1983, do Registro da Comarca de Cândido Mota/SP, localização Fazenda Queixada Água do Veado, com área de 62,92ha. A averbação n. 2, de 2008 informa que o imóvel faz parte do cadastro RFB 0.737.2345, com área de 5.966,10ha. Registro no livro 2, matrícula 4965, de 1983, do Registro da Comarca de Cândido Mota/SP, localização Fazenda Graciema Água do Queixada, com área de 131,89ha. A averbação 2 informa que o imóvel é parte integrante do cadastro RFB 0.737.2345, com área de 5.966,10ha. Fl. 618DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 23/02/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 4 Registro no livro 2, matrícula 4966, de 1983, do Registro da Comarca de Cândido Mota/SP, localização Fazenda Queixada Água do Veado, com área de 129,7120ha. A averbação n. 2, de 2008 informa que o imóvel faz parte do cadastro RFB 0.737.2345, com área de 5.966,10ha. Registro no livro 2, matrícula 5931 do Registro de Imóveis da Comarca de Assis/SP, distrito de Tarumã, datado de 1981, com área total de 121,00ha. A averbação 04 referese à alteração de cadastro, que informa que o imóvel está incluído na NIRF 07372345 da RFB alterou a área da propriedade para 5.966,10ha. Registro no livro 2, matrícula 5932 do Registro de Imóveis da Comarca de Assis/SP, distrito de Tarumã, datado de 1981, com área total de 242,00ha. A averbação 04 referese à alteração de cadastro, que informa que o imóvel está incluído na NIRF 07372345 da RFB alterou a área da propriedade para 5.966,10ha. Registro no livro 2, matrícula 5933 do Registro de Imóveis da Comarca de Assis/SP, distrito de Tarumã, datado de 1981, com área total de 29,04ha. A averbação 02 referese à alteração de cadastro, que informa que o imóvel está incluído na NIRF 07372345 da RFB alterou a área da propriedade para 5.966,10ha. Registro no livro 2, matrícula 5934 do Registro de Imóveis da Comarca de Assis/SP, distrito de Tarumã Fazenda Dourado, datado de 1981, com área total de 13,31ha. A averbação 02 referese à alteração de cadastro, que informa que o imóvel está incluído na NIRF 07372345 da RFB alterou a área da propriedade para 5.966,10ha. Registro no livro 2, matrícula 5935 do Registro de Imóveis da Comarca de Assis/SP, distrito de Tarumã, datado de 1981, com área total aproximada de 26m x 40m. A averbação 02 referese à alteração de cadastro, que informa que o imóvel está incluído na NIRF 07372345 da RFB alterou a área da propriedade para 5.966,10ha. Registro no livro 2, matrícula 5936 do Registro de Imóveis da Comarca de Assis/SP, distrito de Tarumã Fazenda Dourado, datado de 1981, com área total aproximada de 33,88ha. A averbação 02 referese à alteração de cadastro, que informa que o imóvel está incluído na NIRF 07372345 da RFB alterou a área da propriedade para 5.966,10ha. Registro no livro 2, matrícula 7020, de 1987, do Registro da Comarca de Cândido Mota/SP, localização Fazenda Queixada Água do Sapo Sítio Lima, com área de 24,20ha. A averbação n. 3, de 2008 informa que o imóvel faz parte do cadastro RFB 0.737.2345, com área de 5.966,10ha. Registro no livro 2, matrícula 10947 do Registro de Imóveis da Comarca de Assis/SP, distrito de Tarumã Fazenda Tarumã Fazenda Nova América, datado de 1983, com área total aproximada de 248,8542ha. A averbação 05 referese à alteração de cadastro, que informa que o imóvel está incluído na NIRF 07372345 da RFB alterou a área da propriedade para 5.966,10ha. Registro no livro 2, matrícula 10948 do Registro de Imóveis da Comarca de Assis/SP, distrito de Tarumã Fazenda Dourado Fazenda Nova América, datado de 1983, com área total aproximada de 34,9688ha. A averbação 04 referese à alteração de cadastro, que informa que o imóvel está incluído na NIRF 07372345 da RFB alterou a área da propriedade para 5.966,10ha. Registro no livro 2, matrícula 10949 do Registro de Imóveis da Comarca de Assis/SP, distrito de Tarumã Fazenda Dourado Fazenda Nova América, datado de 1983, Fl. 619DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 23/02/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 13830.722242/201279 Acórdão n.º 2401004.023 S2C4T1 Fl. 4 5 com área total aproximada de 257,2318ha. A averbação 04 referese à alteração de cadastro, que informa que o imóvel está incluído na NIRF 07372345 da RFB alterou a área da propriedade para 5.966,10ha. O documento à efl.154, emitida pelo INCRA 2003/2004/2005, vencimento em 23/01/2006, classifica a propriedade de 5.966,10ha como Grande Propriedade Produtiva. O documento à efl. 158, emitida pelo INCRA Certificação 080805000021 36 contém informações sobre todas as matrículas que fazem parte do imóvel e cuja área é de 6.050,21ha, que teria sido atualizado por georreferenciamento e abrange os municípios de Tarumã, Forínia e Cândido Mota, todos no estado de São Paulo. Matrículas que fazem parte do imóvel sob análise: 3679, 4963, 4966, 4965, 3680, 3681, 2701, 2702, 5931, 5932, 5933, 5934, 5935, 5936, 10947, 10948, 10949. O contrato de parceria rural de 7.417,75ha (efl. 573), relaciona as propriedades acima além de outras, com a finalidade de preparo e plantio de cana de açúcar em sua totalidade. O recorrente apresentou notas fiscais de aquisição de insumos e também de comercialização de canadeaçúcar da propriedade. Como exemplo de nota fiscal de comercialização de cana de açúcar, cito a nota fiscal 12009, efl. 246, através da qual a empresa Nova América S/A. Alimentos adquire 26.436,067 toneladas de cana de açúcar da empresa Nova América S/A. Terras, em 30/06/2007. Muitas outras notas fiscais de venda de produção e de aquisição de insumos estão anexadas ao processo. O instrumento de parceria agrícola, de 2007, à efl. 242 referese à parceria entre a empresa Nova América S/A Terras e a empresa Nova América S/A. Agrícola, para que esta faça o preparo do solo e plantio de cana de açúcar nas terras de propriedade daquela. O documento, com data de registro oficial em 13/06/2002, à efl.388 referese a arrendamento de pasto para Cia Agrícola e Pastoril Campanário de 718 ha. para a utilização de pastagem para rebanho bovino de 700 cabeças, por 3 anos, com aditamento registrado em cartório em 2006, à efl. 405, para o prazo de 74 meses, até 01/07/2008 e novo aditamento para estender o prazo até 01/07/2010, em 2007. Documento Demonstrativos do Movimento de Gado bovino está anexo na efl. 410, aonde o estoque em 01/01/2007 é de 718 cabeças, com saldo em dezembro/2007, de 1808 cabeças. Da mesma forma, o demonstrativo relativo ao ano 2008 (efl. 416) relata a existência de 1808 cabeças em janeiro/2008 e 1161 cabeças em dezembro/2008(saldo). Similarmente em 2009 (efl. 420) estoque inicial em janeiro/2009 1161 cabeças e saldo final em dezembro 2009 de 576 cabeças. A Turma a quo exonerou o crédito tributário decorrente da área de pastagens e de plantação glosadas pela autoridade tributária. O contribuinte comprovou a existência de pastagens e de produtos vegetais apresentando notas fiscais de venda dos produtos e também com Demonstrativos de Movimentação de Gado. Tendo em vista analisar a quantidade de terra necessária para as atividades do contribuinte foram utilizadas cálculos definidos pela Receita Federal, quais sejam a IN 256/2002 e o Decreto 4382/2002, conforme a seguir. IN/SRF 256/2002 Art. 24. Área servida de pastagem é aquela ocupada por pastos naturais, melhorados ou plantados e por forrageiras de corte que tenha, efetivamente, sido utilizada para alimentação de Fl. 620DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 23/02/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 6 animais de grande e médio porte, observados os índices de lotação por zona de pecuária, estabelecidos em ato da SRF, ouvido o Conselho Nacional de Política Agrícola. § 1º Para fins do disposto no caput, é considerada área servida de pastagem a área ocupada por forrageira de corte efetivamente utilizada para alimentação de animais do mesmo imóvel rural. § 2º Aplicamse, até ulterior ato em contrário, os índices constantes da Tabela nº 5, Índices de Rendimentos Mínimos para Pecuária, aprovada pela Instrução Especial do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) nº 19, de 28 de maio de 1980, aprovada pela Portaria nº 145, de 28 de maio de 1980, do Ministro de Estado da Agricultura, constantes no Anexo I a esta Instrução Normativa. Art. 25 . Para fins de cálculo do grau de utilização do imóvel rural, considerase área servida de pastagem a menor entre a efetivamente utilizada pelo contribuinte e a obtida pelo quociente entre a quantidade de cabeças do rebanho ajustada e o índice de lotação por zona de pecuária, observandose que: I a quantidade de cabeças do rebanho ajustada é obtida pela soma da quantidade média de cabeças de animais de grande porte e da quarta parte da quantidade média de cabeças de animais de médio porte existentes no imóvel; II a quantidade média de cabeças de animais é o somatório da quantidade de cabeças existente a cada mês dividido por doze, independentemente do número de meses em que tenham existido animais no imóvel. § 1º Consideramse, dentre outros, animais de médio porte os ovinos e caprinos e animais de grande porte os bovinos, bufalinos, eqüinos, asininos e muares, independentemente de idade ou sexo. Decreto 4382/2002 “Art. 24. Para fins do disposto no inciso II do art. 18, área servida de pastagem é aquela ocupada por pastos naturais, melhorados ou plantados e por forrageiras de corte que tenha, efetivamente, sido utilizada para alimentação de animais de grande e médio porte, observados os índices de lotação por zona de pecuária, estabelecidos em ato da Secretaria da Receita Federal, ouvido o Conselho Nacional de Política Agrícola.” ... “Art. 25. Para fins de cálculo do grau de utilização do imóvel rural, considerase área servida de pastagem a menor entre a declarada pelo contribuinte e a obtida pelo quociente entre a quantidade de cabeças do rebanho ajustada e o índice de lotação por zona de pecuária. O contribuinte informou que 718ha estariam sendo utilizadas para pecuária(área de pastagem). O quociente entre a quantidade de cabeças do rebanho ajustada (aproximadamente 1258 cabeças) e o índice de lotação por zona de pecuária conforme definido Fl. 621DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 23/02/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 13830.722242/201279 Acórdão n.º 2401004.023 S2C4T1 Fl. 5 7 no anexo I da IN 256/2002 para a localidade de Tarumã/SP (0,7) resulta em uma quantidade de hectares muito superior ao declarado pelo contribuinte. Conforme o art. 25 Decreto 4382/2002, a área de pastagem declarada pelo contribuinte na DIAT é a menor do que o valor calculado e, portanto, deve ser considerada. No caso de produtos vegetais, o contribuinte apresentou notas fiscais de comercialização de cana de açúcar e também notas de aquisição de insumos. Considerando que a legislação não define índices de produtividade para a validação do número de hectares utilizados com produtos vegetais, há que se aceitar os documentos probatórios trazidos aos autos pelo recorrente e também a área informada. Dado o exposto, voto por negar provimento ao Recurso de Ofício. Maria Cleci Coti Martins. Fl. 622DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 23/02/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS
score : 1.0
Numero do processo: 13896.721144/2012-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Jan 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/01/2008
Ementa:MANDADO DE SEGURANÇA. COMPENSAÇÃO. RECONHECIMENTO JUDICIAL. EFEITOS PRETÉRITOS. POSSIBILIDADE.
O fundamento do não reconhecimento do direito creditório e da decisão recorrida, unicamente, foi o Parecer PGFN/CRJ 19/2011, que foi superado pelo Parecer PGFN/CRJ 1177/2013.
Numero da decisão: 3201-001.951
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Fez sustentação oral, pela Recorrente,a advogada Naíla Hinz dos Santos, OAB/SP nº 285763.
, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mercia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi De Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/01/2008 Ementa:MANDADO DE SEGURANÇA. COMPENSAÇÃO. RECONHECIMENTO JUDICIAL. EFEITOS PRETÉRITOS. POSSIBILIDADE. O fundamento do não reconhecimento do direito creditório e da decisão recorrida, unicamente, foi o Parecer PGFN/CRJ 19/2011, que foi superado pelo Parecer PGFN/CRJ 1177/2013.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Fez sustentação oral, pela Recorrente,a advogada Naíla Hinz dos Santos, OAB/SP nº 285763. , nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mercia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi De Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2015-12-21T20:09:16Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2015-12-21T20:09:16Z; Last-Modified: 2015-12-21T20:09:16Z; dcterms:modified: 2015-12-21T20:09:16Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:bb3593b2-7a83-4c61-bab9-651701c8cb4a; Last-Save-Date: 2015-12-21T20:09:16Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2015-12-21T20:09:16Z; meta:save-date: 2015-12-21T20:09:16Z; pdf:encrypted: true; modified: 2015-12-21T20:09:16Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2015-12-21T20:09:16Z; created: 2015-12-21T20:09:16Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; Creation-Date: 2015-12-21T20:09:16Z; pdf:charsPerPage: 1788; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2015-12-21T20:09:16Z | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 93 1 92 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13896.721144/201250 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201001.951 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de dezembro de 2015 Matéria PIS e Cofins Recorrente HEWLETT PACKARD BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/2008 Ementa:MANDADO DE SEGURANÇA. COMPENSAÇÃO. RECONHECIMENTO JUDICIAL. EFEITOS PRETÉRITOS. POSSIBILIDADE. O fundamento do não reconhecimento do direito creditório e da decisão recorrida, unicamente, foi o Parecer PGFN/CRJ 19/2011, que foi superado pelo Parecer PGFN/CRJ 1177/2013. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Fez sustentação oral, pela Recorrente,a advogada Naíla Hinz dos Santos, OAB/SP nº 285763. , nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza– Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mercia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 11 44 /2 01 2- 50 Fl. 1526DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 21/12/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 2 Araujo, Pedro Rinaldi De Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório Referese o presente processo administrativo de pedido de habilitação de crédito, fundado em ação judicial transitada em julgado. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Tratase de Despacho Decisório, fls. eletrônicas nº 1123/1126, que,baseado nas razões expostas no Parecer SEORT/DRF/BRE nº 250/2012, reconheceu em parte o direito creditório utilizado pela contribuinte e, conseqüentemente, homologou parte das Declarações de Compensação apresentadas. Os fundamentos da decisão foram expostos da seguinte forma no mencionado Parecer: 1.Introdução Em 31/01/2008 o interessado teve deferido o Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado (3 a 5). Optou por utilizar os créditos de Cofins através de compensação (fls. 6 a 29). O presente relatório visa aferir a suficiência do crédito para compensação dos débitos declarados. ... 3.Do Período de Abrangência da Ação Conforme Parecer PGFN/CRJ 19/2011, o Mandado de Segurança, embora seja meio hábil para a declaração do direito à compensação tributária, não produz efeitos patrimoniais em relação a período pretérito, já que não é substitutivo de ação de cobrança. Em relação a períodos posteriores à impetração permite medidas executórias do julgado. Orienta o parecer, em suas conclusões, que “a sentença proferida em sede de Mandado de Segurança se sujeita a dois regramentos: b) como o writ alcança somente as prestações atuais e futuras, gozam os consectários entre a data da impetração e do efetivo cumprimento da ordem de força mandamental e de eficácia executiva (no caso de não cumprimento da ordem – art. 461 do CPC), podendo tais valores, em consequência, ser objeto de compensação tributária (Súmula 213 do STJ) e, b) inviabilidade da cobrança, por meio de mandado de segurança, dos valores referentes às parcelas pretéritas ao ajuizamento do writ e, portanto, impossibilidade de compensação de tais créditos, devendo ser ajuizada nova ação (repetição de indébito) à satisfação dos créditos pretéritos (Súmulas 269 e 271 do STF)”. Fl. 1527DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 21/12/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13896.721144/201250 Acórdão n.º 3201001.951 S3C2T1 Fl. 94 3 A ação que deu origem ao presente processo abrange então os pagamentos efetuados a partir de 13/11/2000, data de impetração da ação inicial (fl. 55). ... 7.Da Homologação Parcial dos Débitos Conforme § 7º do art. 26 da IN SRF n° 600/2005, os débitos do sujeito passivo foram compensados na ordem indicada nas declarações de compensação. O crédito reconhecido foi suficiente para compensação parcial dos débitos declarados (fl. 1113 a 1114), mantido saldo devedor remanescente (fls. 1115 e 1121). 8.Conclusão Diante de todo o exposto proponho que: a) SEJAM HOMOLOGADAS INTEGRALMENTE as compensações declaradas nas DComp nº 09510.77080.300508.1.3.546827, 30535.25815.200608.1.3.54 5903 e do débito de Cofins código de receita 585601, vencido em 18/ 07/ 2008, no valor de R$ 9.904.565,07 constante da DComp nº 31026.61143.180708.1.3.542478; b) SEJA HOMOLOGADA PARCIALMENTE a compensação do débito de PIS/Pasep (código de receita 691201) vencido em 18/ 07/ 2008, constante na DComp nº 31026.61143.180708.1.3.54 2478, até o limite do saldo de crédito disponível conforme fl. 1114. c) NÃO SEJAM HOMOLOGADAS as compensações dos débitos declarados nas Dcomp nº 35872.42791.060808.1.3.543232, 07068.37998.200808.1.3.545477 e 39262.08154.190908.1.3.54 4580; Como já dito, as propostas do Parecer foram acatadas pela autoridade competente, resultando na homologação de parte das declarações. Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade na qual alega: Da possibilidade de a decisão transitada em julgado no Mandado de Segurança nº 2000.71.00.0375218 alcançar recolhimentos de tributos anteriores à impetração De acordo com as d. Autoridades Fiscais, parte das compensações realizadas pela Manifestante não poderia ser homologada por insuficiência de crédito, uma vez que todos os pagamentos de COFINS realizados anteriormente ao ajuizamento do Mandado de Segurança n° 2000.71.00.0375218 deveriam ser desconsiderados, porque o writ não poderia produzir efeitos pretéritos. Fl. 1528DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 21/12/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 4 Contudo, tal entendimento não reúne condições de prosperar e merece reforma. A Manifestante, na qualidade de associada ao Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e Material Elétrico e Eletrônico do Estado do Rio Grande Sul (SINMETAL), foi beneficiada pela decisão proferida nos autos do Mandado de Segurança Coletivo n° 2000.71.00.0375218, em que foi concedida a "segurança exclusivamente na parte concernente à ampliação da base de incidência promovida pelo art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/98" nos termos do Acórdão do Superior Tribunal Federal proferido no âmbito do Recurso Extraordinário n. 394.1143/RS, publicado no Diário de Justiça de 12/12/2005 (Doc.04) e que transitou em julgado em 09/02/2006 (Doc. 05). Em referido Mandado de Segurança pleiteouse a concessão da segurança para que "os filiados da Impetrante voltem a recolher a Cofins nos moldes originários da Lei Complementar 70/91 (...) afastando as alterações introduzidas pela Lei 9718/98 (...),declarandose, em caráter incidental, a inconstitucionalidade dos artigos 3º e 8ºda Lei n° 9.718/98 (...)". Como se vê, foi declarada a inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei n° 9.718/98 em controle difuso de constitucionalidade, o que implica reconhecer o vício da norma desde sua origem (efeitos ex tunc), motivo pelo qual é inegável que todos os pagamentos indevidamente efetuados pela Manifestante com fundamento no artigo 3º, §1º, da Lei n° 9.718/98 devem ser considerados pela Receita Federal do Brasil para a compensação com quaisquer tributos por ela administrados. Concluise, por conseguinte, que a glosa perpetrada pelas d. Autoridades Fiscais dos créditos pagos de fevereiro de 1999 a setembro de 2000 é totalmente indevida. ... Ademais, cabe ressaltar que não há que se falar em aplicação das Súmulas 269 e 271 do Egrégio STF. Isso porque o Mandado de Segurança Coletivo n° 2000.71.00.0375218 tinha por objetivo a declaração do direito líquido e certo das associadas do SINMETAL de não se sujeitarem ao recolhimento indevido do PIS e da COFINS nos moldes preconizados pelo artigo 3º, §1º, da Lei n° 9.718/98, de maneira a não ter havido discussão de valores, motivo pelo qual o provimento judicial não produziu efeitos pretéritos, mas sim efeitos patrimoniais futuros quanto aos débitos que foram e serão quitados com os créditos de COFINS habilitados por meio do processo administrativo n° 13896.001540/200619. ... Ora, ilustres Julgadores, não fosse dessa maneira, não seria possível admitir a impetração de Mandado de Segurança para o fim de declarar direito à compensação tributária, tal qual autorizado pela Súmula n° 213 do Egrégio STJ, hipótese em que a imensa maioria das ações versam sobre recolhimentos indevidos realizados anteriormente ao seu ajuizamento. Fl. 1529DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 21/12/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13896.721144/201250 Acórdão n.º 3201001.951 S3C2T1 Fl. 95 5 Dessa maneira, por qualquer ângulo que se analise a questão, verificase que a Manifestante tem o inabalável direito à utilização dos créditos indevidamente recolhidos desde março de 1999 (período de apuração de fevereiro de 1999) e não desde novembro de 2000 (período base de outubro de 2000), tal qual constou no r. despacho decisório decorrente do Parecer SEORT/DRF/BRE n. 250/2012 ora impugnado, motivo pelo qual a presente Manifestação de Inconformidade deve ser integralmente acolhida, homologandose, por conseguinte, as compensações realizadas nos PER/DCOMPs n°s 39262.08154.190908.1.3.544580, 35872.42791.060808.1.3.54 3232 e 07068.37998.200808.1.3.545477, e a parcela não homologada do PER/DCOMP n° 31026.61143.180708.1.3.54 2478. Da inaplicabilidade do Parecer PGFN/CRJ n. 19/2011 no presente caso e da conseqüente nulidade do ato administrativo por ausência de motivação. Não obstante os argumentos anteriormente apontados, que já desqualificam o Parecer SEORT/DRF/BRE n. 250/2012, cumpre destacar que o fundamento exclusivo no Parecer PGFN/CRJ n. 19/2011 (vide fls. 1123 e 1124) para sua fundamentação jurídica, torna o primeiro Parecer absolutamente nulo, por falta de motivação. Vejamos: (1º) o Parecer PGFN/CRJ n. 19/2011 não foi publicado; (2º) o Parecer PGFN/CRJ n. 19/2011 não é instrumento hábil para restringir direitos e muito menos alterar decisões judiciais transitadas em julgado; (3º) o Parecer PGFN/CRJ n. 19/2011 não se aplica retroativamente; e (4º) o Parecer PGFN/CRJ n. 19/2011 não tem competência para direcionar a atuação dos agentes da Receita Federal do Brasil. ... Conclusão do tópico; ausência de motivação do Parecer SEORT/DRF/BRE n. 250/2012 em razão da fundamentação com base no Parecer PGFN/CRJ n. 19/2011 não aplicável ao caso Conforme visto, as d. Autoridades Fiscais embasaram a não aceitação dos créditos decorrentes dos recolhimentos a maior ocorridos antes do ajuizamento do Mandado de Segurança Coletivo n° 2000.71.00.0375218 no entendimento exarado no Parecer PGFN/CRJ n. 19/2011, que, pelas razões acima expostas, não é aplicável ao caso. Por conseqüência, isso implica constatar que o Parecer SEORT/DRF/BRE n. 250/2012 se consubstanciou em um ato administrativo sem motivação, o qual é absolutamente nulo e deve, por conseguinte, ser integralmente cancelado por essa c. Delegacia de Julgamento. Fl. 1530DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 21/12/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 6 ... Reiterase que a ausência de motivação aplicável/válida no Parecer SEORT/DRF/BRE n. 250/2012 tornao absolutamente nulo, não devendo produzir nenhum efeito, de forma que o seu cancelamento integral por essa c. Delegacia de Julgamento mostrase como a medida apropriada para homologar as compensações efetuadas pela Manifestante e baixar, por completo, as cobranças exigidas no processo desmembrado n. 13896.721215/201214. Da nulidade da decisão exarada com base no Parecer SEORT/DRF/BRE n. 250/2012 por força das incorreções nos cálculos realizados pelas d. Autoridades Fiscais Afora os equívocos jurídicos acima expostos, consistentes na indevida utilização do Parecer PGFN/CRJ n. 19/2011 e na não aceitação dos recolhimentos a maior de COFINS ocorridos antes de 13/11/2000, data de impetração do Mandado de Segurança Coletivo (fl.55), o presente processo administrativo também apresenta alguns erros materiais que culminaram num crédito menor da Manifestante para o período aceito pelas d. Autoridades Fiscais, ou seja, para os recolhimentos a maior ocorridos após aquela data. Conforme levantamento feito pela Manifestante, considerando somente o período posterior a 13/11/200, as d. Autoridades Fiscais cometeram dois erros materiais na análise das compensações: (1º) calcularem um crédito menor do que a Manifestante realmente teria, pois o valor de débito de COFINS apurado em 01/2003 constou como sendo de R$ 6.039.469,62, quando o correto seria R$ 5.361.955,13; e (2º) calcularem um débito nãocompensado maior do que o devido pela Manifestante, pois o valor de saldo de PIS não homologado na PER/DCOMP n. 31026.61143.180708.1.3.54 2478 constou como sendo de R$ 949.389,80, quando, pelos próprios cálculos das Autoridades Fiscais, o saldo seria de R$ 261.446,44. Isso mesmo sem considerar a correção do 1º erro apontado acima. ... Logo, é imperiosa a constatação final no sentido da total improcedência do Parecer SEORT/DRF/BRE n° 250/2012 (...) razão pela qual a Manifestante (...) requer e espera: a declaração de nulidade do presente processo administrativo em razão do reconhecimento das conclusões (a), (b) e/ou (c) apontadas acima; a confirmação da liquidez e certeza da totalidade do direito creditório originalmente declarado pela Manifestante, no valor histórico de R$ 60.114.244,58 (...); a homologação integral das compensações declaradas pela Manifestante (...), dandose baixa do processo administrativo n° Fl. 1531DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 21/12/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13896.721144/201250 Acórdão n.º 3201001.951 S3C2T1 Fl. 96 7 13896.721144/201250; e, por conseqüência, o cancelamento de todas as cobranças que compõem o processo administrativo n° 13896.72125/201214 decorrente/derivado/desmembrado deste. Examinados os autos, esta Turma de Julgamento converteu o julgamento em diligência por meio do Despacho nº 3474, de 18/03/2013, fls. 1229/1231, no qual, diante dos argumentos apresentados pela interessada, foi solicitado da autoridade jurisdicionante que: esclareça as razões da diferença entre os valores exigíveis do débito de PIS registrado na Declaração de Compensação nº 31026.61143.180708.1.3.542478; e demonstre o saldo efetivamente exigível naquela DCOMP; A autoridade jurisdicionante adotou os procedimentos que entendeu necessários para o atendimento da diligência e relatou os seus resultados na Informação Fiscal juntada às fls. 1245/1246. A contribuinte foi intimada da diligência e apresentou complemento à Manifestação de Inconformidade na qual reclama de inconsistências nos cálculos apresentado sna diligência e aponta novo erro material neles presente. A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a impugnação, em decisão assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/01/2008 DIREITO CREDITÓRIO. RECONHECIMENTO JUDICIAL. COMPENSAÇÃO. Os créditos reconhecidos judicialmente em sentença transitada em julgado poderão ser utilizados para extinção de débitos por meio de compensação administrativa, até seu limite e obedecidos os requisitos próprios dessa modalidade extintiva. DIREITO CREDITÓRIO. RECONHECIMENTO JUDICIAL. COMPENSAÇÃO ADMINISTRATIVA. CONDIÇÕES. Ao optar pela via administrativa para a compensação de crédito tributário reconhecido pelo Poder Judiciário, a contribuinte se sujeita às regras próprias desse regime. A aplicação de entendimento da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional que reconhece como aproveitáveis na compensação administrativa apenas os créditos decorrentes de pagamentos efetuados após a impetração de Mandado de Segurança não representa desrespeito ao determinado na via judicial, mas apenas define os meios apropriados para o aproveitamento daquele crédito. DIREITO CREDITÓRIO. CÁLCULO. ERRO DE FATO. CORREÇÃO. NULIDADE INEXISTENTE. Fl. 1532DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 21/12/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 8 A constatação de erro no cálculo do montante do direito creditório não implica nulidade do despacho decisório mas tão somente erro material passível de correção. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Na decisão recorrida afirmouse que É o relatório. Fez sustentação oral, pela Recorrente, a advogada Naíla Hinz Santos, OAB/SP nº 285763. É o relatório. Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Conforme relatado, tratase o presente processo de Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado, cujo objeto foi a declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei n° 9.718/98, em controle difuso de constitucionalidade para utilização de créditos de Cofins, através de compensação. O cerne da questão, em apertada síntese, decorre do entendimento veiculado no Parecer PGFN/CRJ 19/2011, segundo o qual o mandado de segurança não produz efeitos patrimoniais em relação a período pretérito, já que não seria substitutivo de ação de cobrança. É dizer, os pagamentos indevidos, alcançados pela sentença concessiva da segurança, apenas seriam aqueles ocorridos em data posterior à impetração do mandado, ao passo que os anteriores, deveria ser ajuizada ação de repetição de indébito, que possibilitaria os efeitos patrimoniais requeridos. A ação judicial atrelada ao pedido de habilitação referese a mandado de segurança coletivo, impetrado pelo sindicato ao qual é filiada, conforme se verifica às fls. 109 e ss. Entendese, que, a tutela jurisdicional originada da ação de mandado de segurança é hábil a respaldar pedidos de compensação, inclusive para períodos anteriores à impetração, caso seja esse o pedido formulado pelo impetrante. O mandado de segurança possui um rito procedimental diferenciado, posto que se suprime a fase processual instrutória, devendo o autor trazer a prova de seu direito, de plano, dispensandose a dilação probatória, isto é, o direito líquido e certo. Fl. 1533DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 21/12/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13896.721144/201250 Acórdão n.º 3201001.951 S3C2T1 Fl. 97 9 A tutela jurisdicional pleiteada, em matéria tributária, será a mesma eficácia de uma ação de rito ordinário, a depender do pedido formulado pelo impetrante, que delimitará os limites da lide. Por conseguinte, não há óbice no direito positivo em vigor, para que se a tutela pretendida em mandado de segurança tenha os assim denominados "efeitos patrimoniais" , isto é, alcance fatos anteriores à sua impetração. Nesse sentido, a própria Procuradoria da Fazenda Nacional alterou o seu entendimento, revogando o Parecer PGFN/CRJ 19/2011, ao editar o Parecer PGFN/CRJ 1177/2013. No referido parecer afirmase que: [...] 20.Logo, declarada judicialmente a inexistência da relação jurídicotributária e identificados todos os elementos da obrigação devida, sob o viés literal da legislação que rege o instituto da compensação (Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 20081, e CTN), deixa de existir óbice para o deferimento da compensação pela Administração Pública Tributária, já que o contribuinte estará amparado por decisão judicial transitada em julgado que reconheceu a inexigibilidade do tributo. 21. Ainda que assim não fosse, não se pode olvidar que entende o STJ que o ajuizamento da ação mandamental interrompe a fluência do prazo prescricional para a ação de repetição do indébito tributário. 22. Citado juízo desponta como entendimento consagrado nos REsp nº 1.181.834/RS2 e AgRg no REsp nº 1.181.970/SP3. 1 Disciplina a restituição e a compensação de quantias recolhidas a título de tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, a restituição e a compensação de outras receitas da União arrecadadas mediante Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf) ou Guia da Previdência Social (GPS), o ressarcimento e a compensação de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), o reembolso de saláriofamília e salário maternidade e dá outras providências. 2 EMENTA: PROCESSUAL CIVIL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PRAZO PRESCRICIONAL DA AÇÃO ORDINÁRIA DE COBRANÇA. IMPETRAÇÃO ANTERIOR DE MANDADO DE SEGURANÇA. INTERRUPÇÃO. VIOLAÇÃO AO ART. 168 DO CTN. INEXISTÊNCIA. 1. A impetração de mandado de segurança interrompe o prazo prescricional em relação à ação de repetição do indébito tributário, de modo que somente a partir do trânsito em julgado do mandamus inicia a contagem do prazo em relação à ação ordinária para a cobrança dos créditos recolhidos indevidamente. Precedentes. 2. Recurso especial não provido. (STJ, 2ª Turma, Rel. Min. Mauro Campbell, julgado em 17/08/2010) 3 EMENTA: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO – MANDADO DE SEGURANÇA – INTERRUPÇÃO DA PRESCRIÇÃO – TERMO A QUO DA PRESCRIÇÃO – AJUIZAMENTO DA AÇÃO MANDAMENTAL. A impetração do mandado de segurança interrompe a fluência do prazo prescricional de modo que somente após o trânsito em julgado da decisão nele proferida é que voltará a fluir a prescrição da ação ordinária para a cobrança dos créditos recolhidos indevidamente referentes ao quinquênio que antecedeu a propositura do writ. Fl. 1534DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 21/12/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 10 23. Então, se a impetração do mandado de segurança possui o condão de interromper a fluência do prazo prescricional para a propositura da ação de repetição do indébito tributário, parece inócuo negar à parte o direito imediato à compensação das parcelas pretéritas ao ajuizamento do mandamus. 24. Ademais, como é sabido, ajuizada a ação de repetição do indébito, não poderá o Poder Judiciário decidir de modo diverso ao julgado anterior, que declarou a inexistência da relação jurídicotributária, à época, em litígio. 25. Portanto, submeter a matéria a um novo juízo de certificação antes de sua efetiva satisfatoriedade não apresenta muita utilidade prática, na medida em que o novo julgado apenas registrará o que já fora declarado na primeira ação, revestindoo da pretensão condenatória. 26. Contudo, em que pese as considerações acima exaradas, a técnica impõe, devido às particularidades da ação mandamental, que se onere o impetrante com a obrigatoriedade de ajuizar nova demanda para a satisfação exclusiva dos créditos recolhidos anteriormente à propositura do writ. 27. Tal lógica, embora seja fruto da natureza da sentença de mandado de segurança, tem se mostrado inútil, pois o STJ4 já se posicionou, embora haja decisões em sentido contrário, pela viabilidade da aludida compensação. 28. Destarte, parece estar dissociado da realidade o enunciado da Súmula nº 271 do STF, o qual dispõe que a concessão de mandado de segurança não produz quaisquer efeitos patrimoniais em relação a período pretérito. 29. Assim, embora não se ignore a natureza da sentença de mandado de segurança e todos os corolários dela decorrentes, o apreço aos rigores da técnica, no presente caso, gera, de fato, real benefício jurídico à Fazenda Nacional? 30. Esta ProcuradoriaGeral inclinase em responder, hoje, negativamente à indagação, pois a realidade parece superar a tese contida na Súmula nº 271 do STF. Agravo regimental improvido. (STJ, 2ª Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 15/04/2010) 4 STJ, REsp 1.111.164/BA, Primeira Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJe 25/05/2009. STJ, REsp 982.514/PE, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, DJe 18/11/2008. Fl. 1535DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 21/12/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13896.721144/201250 Acórdão n.º 3201001.951 S3C2T1 Fl. 98 11 31. Outrossim, a viabilidade da compensação imediata das parcelas vencidas ao ajuizamento do mandado de segurança, além de não causar prejuízo processual à União, prestigia ainda diversas balizas constitucionais, dentre as quais, destacamse, dada a relevância que se aplica ao caso, a eficiência, a celeridade e a economia processual. Ademais, desonera não somente o contribuinte, mas a própria PGFN e o Poder Judiciário, que se veem desobrigados de atuarem em questões em que já antevisto o derradeiro resultado. 32. Portanto, considerando a existência de decisões judiciais que reconhecem o direito à compensação de prestações anteriores ao ajuizamento do mandado de segurança e a ausência de dano relevante à Fazenda Nacional – já que o prazo prescricional para o ingresso de eventual ação de repetição do indébito tributário não flui com o ajuizamento da ação mandamental e, uma vez interposta tal ação de repetição, será o juízo inábil a reverter a coisa julgada declaratória desfavorável à Fazenda Nacional – é de se reconhecer o direito dos contribuintes de que, nas ações mandamentais transitadas em julgado, em que fora obtido o reconhecimento da inexistência de relação jurídicotributária e que contenha todos os elementos identificadores da obrigação devida, os créditos pretéritos ao ajuizamento da ação podem ser compensados de imediato, sem a necessidade do ajuizamento de ação condenatória para tal finalidade. 33. Todavia, destacase que a satisfação dos créditos vencidos sempre deve encontrar limite no prazo prescricional a que se refere o art. 168 do CTN ou em outro prazo específico da relação substancial deduzida em juízo. É dizer, a eficácia condenatória do mandado de segurança, dependerá do pedido formulado – no caso, além da declaração incidental de inconstitucionalidade da lei que fundamentou os pagamentos indevidos, deve haver o expresso pedido de compensação ou restituição dos valores, dentro dos prazos permitidos em lei. No caso em tela, o fundamento do não reconhecimento do direito creditório e da decisão recorrida unicamente foi o Parecer PGFN/CRJ 19/2011, que foi superado pelo o Parecer PGFN/CRJ 1177/2013, cujo entendimento é favorável à tese da Recorrente. Em face do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, para que, ultrapassada a matéria julgada, o processo retorne à autoridade preparadora, para o cálculo do direito creditório. (assinado digitalmente) Fl. 1536DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 21/12/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 12 Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 1537DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 21/12/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Numero do processo: 10855.910448/2009-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Dec 24 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3402-000.727
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
RESOLVEM os membros da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em Diligência, para que os autos retornem à DRF de Sorocaba SP (domicílio tributário da Recorrente), para que com base nos documentos e informações anexados aos autos, como o arquivo não paginável e considerando as disposições contidas no artigo 3º das Leis nº 10.833/03 e 10.637/02, elaborar parecer e demonstrativo dos valores, após analisado se os dispêndios com os itens indicados são passíveis de apropriação de créditos da COFINS, conforme consta no voto.
Após, retornem-se os autos a este CARF, para prosseguimento do julgamento.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Ausente ocasionalmente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro.
Relatório
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Após, retornemse os autos a este CARF, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Ausente ocasionalmente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 55 .9 10 44 8/ 20 09 -8 2 Fl. 200DF CARF MF Impresso em 24/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10855.910448/200982 Resolução nº 3402000.727 S3C4T2 Fl. 201 2 Relatório Tratase o presente processo, que a Recorrente transmitiu em 30/06/2009, o PER/DCOMP n° 05228.91046.300609.1.3.041532, através da qual compensou crédito de COFINS no valor de R$ 161.084,96, proveniente do DARF no mesmo valor (PA de 29/02/2008), com a COFINS (código 3746) no valor principal de R$ 125,16, referente a 1ª quinzena de abril de 2008, considerando o credito indicado acima, em virtude do alegado recolhimento indevido. A DRF de Sorocaba (SP), conforme o Despacho Decisório, com número de rastreamento 848720520 (fl. 4), emitido eletronicamente em 07/10/2009, concluiu que a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada não foi homologada. Inconformada, a Recorrente em 13/11/2009, protocolou sua Manifestação de Inconformidade às fls. 7/8. A DRJ de Belo Horizonte (MG), conforme Acórdão de fls. 36/39, julgou IMPROCEDENTE, para não reconhecer o direito creditório postulado e não homologar as compensações em litígio. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: DESPACHO DECISÓRIO O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório com número de rastreamento 848720520, emitido eletronicamente em 07/10/2009, referente ao PER/DCOMP nº 05228.91046.300609.1.3.041532. O Per/Dcomp foi transmitido com o objetivo de compensar o(s) débito(s)nele discriminado(s) com crédito de COFINS, Código de Receita 5856, no valor de R$ 88.284,14, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 20/03/2008. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no Per/Dcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no Per/Dcomp. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN),art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 24/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10855.910448/200982 Resolução nº 3402000.727 S3C4T2 Fl. 202 3 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE O interessado apresentou manifestação de inconformidade, alegando que alegando que apurou saldo credor de COFINS, conforme DACON retificador apresentado em 10/11/2009. Argumenta, também, que a DCTF retificadora apresentada em 11/11/2009 justifica o crédito utilizado. É o relatório. Em 10/04/2014, a Recorrente foi cientificada da decisão da primeira instância (ciência eletrônica – fl. 44). Inconformada com a decisão da DRJ, em 09/05/2014, apresentou recurso voluntário ao CARF (fls. 46/60), no qual argumenta em suas razões, em resumo: a) que a Recorrente sempre diligenciou no sentido de bem cumprir suas obrigações perante a Fazenda Pública, notadamente no tocante ao adimplemento das obrigações tributárias às quais está sujeita no regular desenvolvimento de suas atividades; b) que no anocalendário 2009, contratou a PricewaterhouseCoopers (PwC Brasil) para realizar um trabalho de auditoria, cujo resultado encontrase no relatório sintético que acompanha o presente recurso e, também, todo seu detalhamento (notas fiscais analisadas, natureza do dispêndio, conta contábil, etc) encontrase no arquivo anexo. Nesse trabalho apuraramse créditos extemporâneos de PIS e COFINS referentes a determinados períodos, dentre eles, de janeiro a abril de 2008. Tais créditos extemporâneos, resumidamente, são oriundos de (i) bens utilizados como insumos; (ii) serviços utilizados como insumos; (iii) despesas de aluguéis de prédios locados de pessoa jurídica; (iv) despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados; e (v) bens do ativo imobilizado; portanto, dispêndios passíveis de apropriação de crédito para essas contribuições conforme previsão expressa contida no artigo 3o das Leis n° 10.833/03 e 10.637/02; c) ante a identificação dos referidos créditos, recompôs sua apuração de PIS e da COFINS a partir de janeiro de 2008, de modo que, ao invés dos originais saldos devedores de PIS e COFINS calculados em janeiro de 2008, apurou saldo credor em janeiro de 2008, o qual repercutiu nos meses seguintes, até abril de 2008, conforme registros de apuração, resumidos no escopo deste recurso; d) que a nova apuração evidenciou os recolhimentos a maior, viabilizou a compensação e ensejou a retificação das obrigações acessórias Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais "DCTF" e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais "DACON", de modo a ratificar o recolhimento a maior passível de restituição e compensação; e) no que se refere ao presente PAF, a Recorrente, na competência de fevereiro de 2008, apurou originalmente a COFINS a recolher no montante de R$ 161.084,96. Tal valor foi recolhido por meio de DARF, cuja arrecadação se deu em 20.03.2008. Esse mesmo valor foi informado no DACON e na DCTF originais, apresentado neste processo em momento anterior. Consequentemente, para o mês de fevereiro de 2008, ocorreu um pagamento indevido de COFINS no montante de R$ 161.084,96, gerando desta forma um crédito a ser utilizado. Por esta razão, transmitiu o PER/DCOMP em questão, o qual utilizou somente parte do crédito acima, no valor de R$ 167,51, apurado na primeira quinzena do mês de abril de 2009, conforme demonstrativos dos valores e dos PAF´s respectivos, representado no corpo do recurso voluntário (fl. 51); Fl. 202DF CARF MF Impresso em 24/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10855.910448/200982 Resolução nº 3402000.727 S3C4T2 Fl. 203 4 f) desta forma, a Recorrente verificou que, por mero erro de procedimento, não havia retificado o DACON e a DCTF do mês de fevereiro de 2008. Assim, em 10/11/2009, e 11/11/2009, os referidos DACON e DCTF foram retificados (docs. anexados), respectivamente, o que confirmou o crédito pleiteado no PER/DCOMP ora em discussão, mesmo que as retificações tenham sido efetivada posteriormente ao despacho decisório; g) que, apesar da Recorrente ter apresentado o DACON e a DCTF retificadores do mês de fevereiro de 2008 posteriormente à prolação do Despacho Decisório, é evidente a existência de seu direito creditório, o qual restou devidamente comprovado quando da apresentação dos referidos DACON e DCTF retificadores e que os julgadores administrativos originários sequer analisaram a documentação apresentada, a qual comprovava de forma idônea a veracidade dos créditos alegados; h) Assim, argumenta que ao contrário do alegado no Acórdão recorrido, a autoridade administrativa possuía meios suficientes para confirmar a existência dos créditos por meio da DCTF e do DACON retificadores, mesmo que apresentado fora do prazo, alegando violação do Princípio da Verdade Material. Cita diversos julgados administrativos do CARF nesse sentido; i) solicita, ainda, a conversão do Julgamento em Diligência, caso se entenda que as obrigações acessórias retificadoras não sejam suficientes para evidenciar o equívoco das informações prestadas originalmente e que a apuração do crédito compensando se encontra lastreado em documento elaborado de maneira detalhada no estudo desenvolvido pela idônea empresa de auditoria PwC. Por fim, ante todo o exposto, e considerando o Princípio da Verdade Material, visto que o direito da Recorrente à compensação resta devidamente comprovado nos autos, o Acórdão recorrido deve ser reformado, homologandose, por conseguinte, a compensação pretendida no PER/DCOMP referenciado. Solicita ainda que o presente processo seja julgado em conjunto com outros 05 (cinco) PAF,s que relaciona, por possuírem PER/DECOMPs vinculados ao mesmo crédito apurado no mês de fevereiro de 2008. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. No caso sob análise, temos que a controvérsia trata de questão de fato, atinente à ausência de prova reputada indispensável pela Fazenda Nacional, para fim de análise dos requisitos da certeza e liquidez do crédito informado na PER/DCOMP colacionada aos autos. Observase ainda que, que na fase de instrução probatória, portanto, antes da prolação do Despacho Decisório, a Recorrente não trouxe aos autos a documentação – cópia da DCTF retificadora e também cópia do DACON retificado, uma vez que os mesmos foram entregue ao fisco, após a ciência do Despacho Decisório. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 24/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10855.910448/200982 Resolução nº 3402000.727 S3C4T2 Fl. 204 5 Quanto a estes ocorridos, a decisão a quo, analisando os autos a luz dos fatos constantes na manifestação de inconformidade, concluiu da seguinte maneira: (...) É condição indispensável para a homologação da compensação pretendida, que o crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Pública seja líquido e certo (art. 170 do CTN). Em um processo de restituição, ressarcimento ou compensação, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, quer por pedido de restituição ou ressarcimento, quer por compensação, em ambos os casos mediante a apresentação do PER/DCOMP, de tal sorte que incumbirá a ele – o contribuinte – demonstrar seu direito. Levandose em conta que o crédito oferecido à compensação deve ser líquido e certo, cabe à RFB não homologar a compensação, quando não há certeza e liquidez, como ocorre nos casos de contradição do próprio contribuinte em suas declarações. A apuração do PIS e da Cofins é consolidada no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). O valor apurado no demonstrativo apresentado antes da ciência do Despacho Decisório não evidencia a existência de pagamento indevido ou a maior. A retificação do DACON não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal (inciso II do art. 10 da IN n.º 1.015, de 2010). Da mesma forma, a retificação da DCTF não produz efeitos quando reduz débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (Instrução Normativa RFB n.º 1.110, de 2010, art. 9º, § 2º, I, c). A DCTF retificadora apresentada após a ciência do despacho decisório, em razão da não homologação da compensação ou do indeferimento da restituição, não tem nenhuma força de convencimento. Os novos dados só podem ser considerados como argumento de impugnação. Repisese que a controvérsia trata de questão de fato, uma vez que, ficou consignado no Despacho Decisório que “a partir das características do DARF descrito no PER/DECOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DECOMP”. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada não foi homologada. Tal decisão, que foi integralmente mantida pelo Acórdão recorrido, fica reforçada quando foi constatado que: (...) A declaração presumese verdadeira em relação ao declarante (CC, art.219 e CPC, art. 368). A DCTF válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra o sujeito passivo e em favor do fisco. Essa presunção é relativa, admitindose prova em contrário. No caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração anteriormente entregue. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 24/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10855.910448/200982 Resolução nº 3402000.727 S3C4T2 Fl. 205 6 Por outro lado a Recorrente, aduz em seu recurso que por mero erro de procedimento, não havia retificado o DACON e a DCTF do mês de fevereiro de 2008 no momento oportuno. Assim, em 10/11/2009 e 11/11/2009, os referidos DACON e DCTF foram retificados (docs. anexados), respectivamente, o que confirmou o crédito pleiteado no PER/DCOMP ora em discussão, mesmo que as retificações tenham sido efetivada posteriormente ao despacho decisório. Ademais, como justificativa, aduz em seu recurso, que no anocalendário 2009, contratou a empresa PricewaterhouseCoopers (PwC Brasil) para realizar um trabalho de auditoria, cujo resultado encontrase no relatório sintético que acompanha o presente recurso (fls. 86/91) e, também, todo seu detalhamento (notas fiscais analisadas, natureza do dispêndio, conta contábil, etc.), que encontrase no arquivo anexado aos autos (arquivo não paginável). Alega que nesse trabalho apuraramse créditos extemporâneos de PIS e COFINS referentes a determinados períodos, dentre eles, de janeiro a abril de 2008. Tais créditos extemporâneos, resumidamente, são oriundos de dispêndios com insumos, conforme relacionados e passíveis de apropriação de crédito para essas contribuições, conforme previsão expressa contida no artigo 3º das Leis n° 10.833/03 e 10.637/02. Do exame dos autos, constatase, que a DCTF retificadora referente ao período examinado, foi transmitida em 11/11/2009 (fl. 11), ou seja, posteriormente à ciência do despacho decisório que não homologou a compensação, ciência esta que se deu em 19/10/2009 (fl. 6). Ressaltamos que à época dos fatos vigorava a IN SRF no 903, de 30/12/2008, cujo artigo 11, § 1º, embora ressaltasse, quanto à DCTF retificadora, sua condição de: “[...] mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente [...]”, prescrevia que a apresentação de retificação, dentre outras hipóteses, depois de iniciado procedimento fiscal, não produziria qualquer efeito (item III, § 2º, do art. 11). Ainda, a mesma Instrução Normativa exigia também que a retificação da DCTF viesse acompanhada de retificação da DIPJ e do DACON do período (conforme art. 11, § 8º). Como visto, detectado qualquer erro no preenchimento da referida declaração, o sujeito passivo tem a possibilidade de retificar sua DCTF antes que seja iniciado qualquer procedimento fiscal ou que decorra o prazo para a homologação do “lançamento” por ela praticado. No entanto, sendo a correção destinada a reduzir ou excluir tributo, a retificação somente será admitida se houver comprovação do erro e realizada antes da notificação do lançamento, conforme preceituado no art. 147, §1º, do Código Tributário Nacional – CTN: Art. 147 O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. §1º A retificação da declaração por iniciativa da própria declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento (grifo nosso). Fl. 205DF CARF MF Impresso em 24/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10855.910448/200982 Resolução nº 3402000.727 S3C4T2 Fl. 206 7 Em que pese a referência do dispositivo legal citado à declaração de prestação de informações indispensáveis ao lançamento, admitese, por analogia, sua aplicação quanto à retificação de débitos apurados pelo sujeito passivo e confessados em DCTF, como assevera LEANDRO PAULSEN, que assim leciona: “Aplicação por analogia aos tributos sujeitos a lançamento por homologação”. Tendose em conta que a quase totalidade dos tributos, atualmente, sujeitamse a lançamento por homologação vinculada a obrigações acessórias de prestar declarações ao Fisco e que não há dispositivo no CTN cuidando especificamente da retificação de tais declarações, o §1º do art. 147, tem sido bastante invocado e aplicado para definir o marco até quando pode o contribuinte retificar suas declarações livremente, com eficácia imediata e. a contrario sensu, a partir de quando o contribuinte não pode exigir do Fisco que, independentemente de apreciação dos erros e equívocos da declaração originariamente prestada, considere as retificações” (...) (PAULSEN, Leandro, Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência, 12ª edição, Livraria do Advogado, ESMARFE, Porto Alegre, 2010, p. 1026) Portanto, acarretando a redução de tributo, a admissão da retificação é condicionada à comprovação do erro cometido, cujo ônus incumbe ao interessado na aludida redução (o contribuinte que promove a retificação), sendo, no entanto, excepcionalmente admitida sua retificação após o início do procedimento revisional em privilégio ao princípio da verdade material, conforme decidido já reiteradamente por esta Turma Especial, em consonância com todo o CARF. Nesse sentido, é imprescindível analisar se a Recorrente recompôs nos autos o crédito alegado, a fim de se confirmar a materialidade do crédito que ele alega ser habilitado para compensação. A DRJ ao apreciar o material probante juntado à época de sua manifestação de inconformidade, dispôs que o recorrente não apresentou documentação hábil a comprovar a legitimidade dos dados declarados na DCTF retificadora, conforme trecho abaixo transcrito: (...) A declaração presumese verdadeira em relação ao declarante (CC, art.219 e CPC, art. 368). A DCTF válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra o sujeito passivo e em favor do fisco. Essa presunção é relativa, admitindose prova em contrário. No caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração anteriormente entregue (grifouse). Todavia, neste recurso, foi juntado ao processo, vários documentos citados, quais sejam: cópia da DCTF e DACON originais e retificadores, trabalho de auditoria realizado pela empresa PricewaterhouseCoopers (PwC Brasil), cujo resultado encontrase no relatório sintético (fls. 86/91) e, também, todo seu detalhamento (notas fiscais analisadas, natureza do dispêndio, conta contábil, etc.), encontrase no arquivo anexado aos autos (arquivo não paginável). Fl. 206DF CARF MF Impresso em 24/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10855.910448/200982 Resolução nº 3402000.727 S3C4T2 Fl. 207 8 Informa que nesse trabalho apuraramse créditos extemporâneos de PIS e COFINS referentes a determinados períodos, dentre eles, de janeiro a abril de 2008. Alega que tais créditos extemporâneos, resumidamente, são oriundos de dispêndios com insumos, conforme relacionados e passíveis de apropriação de crédito para essas contribuições, conforme previsão expressa contida no artigo 3º das Leis n° 10.833/03 e 10.637/02. Ou seja, a recorrente apresentou uma explicação a respeito do suposto erro incorrido para justificar a recomposição de seu faturamento. O processo administrativo de revisão da compensação não faz – como não o poderia – as vezes de mero retificador de DCTF após o prazo ordinário. A retificação da DCTF pode até ser acatada pelo revisor; todavia, para que tal aconteça, é cabal que o contribuinte demonstre que faz jus a essa excepcionalidade. Vale frisar, sem embargo, que no que tange ao instituto da compensação é ônus do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza, na forma do art. 170 do CTN. Neste espeque, repisese que a Recorrente alega que acostou aos autos documentação suficiente para comprovação de que houve erro na composição da base de cálculo do PIS e da COFINS declarada na DCTF originária. Por consequência, aduz que restou comprovado o direito creditório pleiteado, posto que foi decorrente do erro cometido na apuração do tributo, que reduziu sua base de cálculo, nos termos da DCTF retificadora. Neste passo, considerando os dados e informações registrados nos documentos anexo aos autos (arquivo não paginável e cópias de documentos), visto que os mesmos foram trazidos extemporaneamente pelo contribuinte e, portanto, não foram analisados pelo agente fazendário na origem, não resta dúvida de que a adoção do princípio da verdade material no processo administrativo fiscal, consiste em uma providência que resulta na melhor aplicação do Direito e da Justiça e por isso deve sempre ser perseguida. Com base nessas considerações, devido às particularidades do caso concreto e antes do julgamento do mérito, com fundamento no art. 29 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), voto pela conversão do julgamento em diligência, devendo os autos retornarem à DRF de Sorocaba – SP (domicílio tributário da Recorrente), para com base nos documentos de fls. 86 a 178 e das planilhas (formato Excel) e informações anexados aos autos como “arquivo não paginável”, e considerando as disposições contidas no artigo 3º das Leis nº 10.833/03 e 10.637/02, elaborar parecer, demonstrando os valores, após analisado se os dispêndios com os itens abaixo indicados são passíveis de apropriação de créditos da COFINS e do PIS, levandose em conta o conteúdo das informações constantes do relatório da empresa PwC Brasil PriceWaterhouseCoopers (fls. 86/91), fatos estes que se encontram resumidos em seu recurso voluntário à fl. 49, onde a Recorrente alega que tais dispêndios são oriundos de: i) bens utilizados como insumos; ii) serviços utilizados como insumo; iii) despesas de aluguéis de prédios alugados de pessoa jurídica; iv) despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados; e Fl. 207DF CARF MF Impresso em 24/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10855.910448/200982 Resolução nº 3402000.727 S3C4T2 Fl. 208 9 v) bens do ativo imobilizado. Após a conclusão da diligência, deve ser intimada a Recorrente, para, querendo, dentro do prazo fixado, manifestar sobre as conclusões exaradas no citado parecer. Em seguida, retornemse os autos a esta 2ª Turma Ordinária/4ª Câmara da 3ª Seção, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 208DF CARF MF Impresso em 24/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 16327.001231/2001-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
Ementa:
INCENTIVOS FISCAIS - PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS - conforme Súmula CARF nº 37, Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 1401-001.480
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, RICARDO MAROZZI GREGORIO e AURORA TOMAZINI DE CARVALHO.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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Arrendamento Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 Ementa: INCENTIVOS FISCAIS PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS conforme Súmula CARF nº 37, “Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 12 31 /2 00 1- 87 Fl. 538DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, RICARDO MAROZZI GREGORIO e AURORA TOMAZINI DE CARVALHO. Relatório DO PEDIDO INICIAL, DO INDEFERIMENTO E DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE O presente processo referese a pedido de revisão de ordem de emissão de incentivos fiscais, que foi indeferido pela autoridade local conforme despacho decisório de fls. 115 a 118. A manifestação de inconformidade foi apresentada às fls. 121 a 141. Abaixo tomo de empréstimo o relatório elaborado pela autoridade julgadora de primeiro grau acerca das referidas peças: Trata o presente processo de Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais – PERC, relativo ao ano calendário de 1997, IRPJ/1998, formulado em 22/06/2001, pela empresa acima identificada (fls. 1/2). O pedido de revisão foi assim motivado: “Ordem de emissão com divergência de valor: FINAM”. (fls. 1) Conforme dados constantes da ficha 10 – Aplicações em Incentivos Fiscais, da DIPJ/1998, a contribuinte destinou parcela do imposto de renda recolhido equivalente a R$ 435.663,89 (valor declarado – fls. 26 e 69), para aplicação no FINAM. Em despacho decisório de 21/02/2006 (fls. 115/118), foi indeferido o pedido de revisão de ordem de emissão de incentivos fiscais relativo ao IRPJ/1998, nos seguintes termos: “9 A aludida consulta indica que o interessado está: com a CND expedida pelo INSS vencida desde 03/11/2005 (fl. 113); inscrito no CADIN (fl. 114); com a CND expedida pela SRF vencida desde 09/09/2005 (fl.74) e no momento, sua situação junto a este órgão é irregular (fls. 75; 77/78;91/92); em situação irregular junto à PGFN (fls. 78/84;89;94/95;97;100;103;106;108/109); impedindoo de apresentar a comprovação atualizada da quitação de tributos e contribuições federais, com o que ficam materializadas as vedações previstas na legislação transcrita: (...) Diante do exposto, ... DECIDO INDEFERIR o pedido de revisão de ordem de emissão adicional de incentivos fiscais relativo ao IRPJ/98, formulado pelo interessado, em decorrência da vedação legal estabelecida: pelo art. 60 da Lei nº 9.069/95; pelo inciso II, Fl. 539DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 16327.001231/200187 Acórdão n.º 1401001.480 S1C4T1 Fl. 532 3 art. 6º da Lei nº 10.522/2002; e pela alínea a, inc.I, art. 47 da Lei nº 8.212/91”. A empresa apresentou manifestação de inconformidade, protocolizada em 19/04/2006 (fls. 121/141), alegando em síntese o seguinte: a) Para fins de cumprimento da ampla defesa e do contraditório, era dever do órgão julgador ouvir a Manifestante antes de indeferir seu pedido, o que não ocorreu no presente caso. b) A Manifestante à época da manifestação de sua opção pelo investimento de parcela do IR em fundos regionais possuía ampla e total regularidade fiscal. Tanto isso é verdade, que tal fato foi expressamente reconhecido no r. despacho recorrido ao se afirmar que o contribuinte teria deixado de possuir tal condição de regularidade anos depois da opção. c) O que pretende na verdade a autoridade administrativa é exigir no presente situação de regularidade fiscal que somente seria exigível quando da realização da opção. d) Exigirse a condição de regularidade da Recorrente anos depois da realização de sua opção, significa aplicar lei atual à situação pretérita, em verdadeira afronta ao princípio da irretroatividade da lei tributária. e) A decisão recorrida limitouse a tomar como fundamento para a solução adotada a existência de débitos fiscais cadastrados em nome da Manifestante, sem fazer qualquer esforço investigativo no sentido de aferir a sua real existência. f) Em vista dos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório, preliminarmente denotase que o despacho decisório padece de nulidade insanável. g) Ao constatar as supostas irregularidades fiscais, a autoridade administrativa deveria ter intimado o contribuinte a comprovar a quitação dos tributos supostamente inadimplentes, sendo vedado o indeferimento liminar, ainda mais quando se trata de processo iniciado há mais de 5 anos. h) Não se pode admitir que seja proferido despacho de cunho decisório genérico, sem descrever os fatos adequadamente, e mais, sem permitir a manifestação da Recorrente quanto ao seu conteúdo. É o que ocorre com o indeferimento da ordem de emissão de incentivos fiscais que deu origem ao presente processo administrativo, o qual não permitiu a correta identificação da suposta inadimplência fiscal que foi imputada à contribuinte. i) Não é razoável, nem muito menos se pode identificar com a finalidade da norma, pretender que o contribuinte possua CND quando da apreciação do PERC, sem, no entanto, exigirlhe a sua comprovação. j) Uma simples consulta aos sistemas informativos da Receita Federal facilmente comprovam que o registro do suposto débito no CADIN Fl. 540DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 4 deveria estar sustado haja vista que se encontra com sua exigibilidade suspensa na forma da lei. k) A autoridade administrativa além de estar denegando o benefício exclusivamente com base em dados ocorridos muitos anos após a manifestação da opção, isto é, em total desacordo com a segurança jurídica, pretende exigir comportamento da Recorrente que não está previsto nas normas específicas que regem a matéria. l) Requer a emissão da Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais. DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU A decisão recorrida (fls. 226 a 237) negou provimento à defesa pelos motivos expostos no voto do relator, cujos principais trechos abaixo transcrevo. Em relação à alegação de cerceamento ao direito de defesa a autoridade julgadora de primeiro grau assim se manifestou: Consoante o art. 59, II, do Decreto nº 70.235/1972, “são nulos os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa”. Por conseguinte, a matéria controvertida neste item deve ser circunscrita à existência ou não do cerceamento ao direito de defesa da Manifestante, visto que, o despacho decisório foi lavrado por autoridade competente. Isto posto, ressaltamos que o principal argumento da Impugnante relativo a eventual cerceamento do seu direito de defesa é falta de intimação do contribuinte para comprovar a regularidade de sua situação fiscal. Primeiramente, cumpre observar que a autoridade administrativa, por meio dos documentos de fls. 73 a 114 comprovou a irregularidade da situação fiscal da contribuinte. Por sua vez, a manifestação de inconformidade é uma oportunidade para o contribuinte demonstrar e comprovar eventuais equívocos e falhas ocorridas no despacho decisório, estando plenamente garantido o exercício de seu direito de defesa. Notese que no presente caso a contribuinte não contestou nenhuma das pendências apontadas pela autoridade administrativa. No tocante à possibilidade de regularização do débito antes do indeferimento do benefício, deve ser novamente repisada a conclusão tecida no tópico anterior: não há previsão legal expressa que possibilite à autoridade administrativa a concessão de prazo para regularização, na hipótese de existência de irregularidade fiscal. Por outro lado, o despacho decisório encontrase devidamente motivado, estando nele relatados todos os elementos relevantes em que se baseou a decisão. Foram anexados todos os elementos de prova que a autoridade tomou por base para negar a solicitação, o que permite ao contribuinte exercer plenamente o seu direito de defesa. Quanto ao mais: Fl. 541DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 16327.001231/200187 Acórdão n.º 1401001.480 S1C4T1 Fl. 533 5 Como já demonstrado anteriormente, a autoridade administrativa está obrigada a verificar a regularidade fiscal dos contribuintes no momento em que for conceder ou reconhecer um benefício fiscal, em face dos dispositivos legais retro citados. Mais uma vez, repisamos a idéia de que o dinamismo da situação fiscal do contribuinte é inerente às atividades de administração tributária (fiscalização, lançamento, cobrança, arrecadação, recolhimento e controle dos tributos e contribuições sob a administração da Secretaria da Receita Federal), estando longe de configurar uma ofensa à segurança jurídica dos contribuintes. II.3. Da exigência de CND A exigência de CND no momento da concessão de benefícios fiscais decorre de expressa disposição legal. Tal documento só é dispensado na hipótese prevista no art. 18 da NE SRF/COSAR nº 6, de 30/04/1998, que assim dispõe: “Art. 18. Nas hipóteses de concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, descabe a emissão de certidão, devendo a unidade da SRF encarregada da análise do pedido, após consulta aos sistemas eletrônicos de cadastro e de emissão de certidões, exarar despacho no processo, atestando a regularidade fiscal do contribuinte. Parágrafo único. O despacho a que se refere o caput não alcança os débitos inscritos em dívida ativa da União, cuja quitação só será comprovada mediante certidão negativa emitida pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional ou consulta ao Cadastro Informativo dos Créditos não Quitados de Órgãos e Entidades Federais – CADIN, onde não constem inscrições pela PGFN.” A autoridade administrativa seguiu rigorosamente toda a legislação pertinente à matéria, sendo que a contribuinte não anexou um documento sequer capaz de comprovar a sua regularidade fiscal. III. Conclusão Em face do disposto no artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/1972, que determina que a prova documental seja apresentada com a impugnação, não há como deferir a solicitação da Manifestante, sob pena de descumprimento do art. 60 da Lei nº 9.069/1995, do inciso II, do art. 6º da Lei nº 10.522/2002 e da alínea “a”, inc. I, art. 47 da Lei nº 8.212/1991, não estando comprovada pela documentação constante nos presentes autos a regularidade fiscal da empresa na data do despacho decisório. Por todo o exposto, voto no sentido de INDEFERIR a solicitação da contribuinte. Fl. 542DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 6 DO RECURSO VOLUNTÁRIO O sujeito passivo apresentou recurso voluntário tempestivo às fls. 241 a 261, no qual, em síntese, aduz os argumentos que se seguem. Afirma que, na época da opção, possuía regularidade fiscal, o que é reconhecido pelo próprio despacho decisório que indeferiu o pleito. A autoridade, ao indeferir o pleito tomando por base sua regularidade na data do despacho, aplicou lei atual à situação pretérita, o que afronta a irretroatividade da Lei Tributária. Requer a nulidade da decisão de primeiro grau por cerceamento ao direito de defesa, uma vez que negou provimento à manifestação de inconformidade em razão da existência de débitos “sem fazer qualquer esforço investigativo no sentido de aferir a sua real existência”. Ainda que se admita que a autoridade possa aferir a regularidade do interessado na data da análise, tal prova é realizada por meio de certidão negativa e não é razoável exigir que esteja continuamente com certidões válidas. Assim, não poderia a autoridade ter indeferido o pleito com o fundamento de a recorrente não possuir certidões válidas, sem promover intimação para que o interessado providencie o documento. Rejeita o fundamento pelo indeferimento, segundo o qual estaria inscrito no CADIN. Afirma que “uma simples consulta aos sistemas informativos da Receita Federal facilmente comprovam que o registro do suposto débito no CADIN deveria estar sustado haja vista que se encontra com sua exigibilidade suspensa”. No mais, alega, em síntese, violação aos princípios da segurança jurídica e da legalidade. Da diligência Por meio da Resolução 1201000.013 (fls. 358364), na qual fui relator, a Primeira Turma da Segunda Câmara resolveu converter o julgamento em diligência nos seguintes termos: Segundo o entendimento deste Colegiado, a comprovação da regularidade fiscal em qualquer dos momentos processuais (desde a entrega da declaração até o julgamento final administrativo) possibilita o deferimento do pleito. Nada obstante, não há elementos probatórios da sua regularidade fiscal em nenhuma das etapas processuais. A razão da não emissão automática foi a existência de débitos de tributos e contribuições federais (fl. 04). Se por um lado há certidão positiva com efeitos de negativa (fl. 61) emitida pela Secretaria da Receita Federal, por outro esse não é o único documento que deveria ter sido apresentado. O outro é a certidão da dívida ativa e cumpre destacar que a própria autoridade levantou diversos débitos inscritos em dívida ativa. Fl. 543DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 16327.001231/200187 Acórdão n.º 1401001.480 S1C4T1 Fl. 534 7 Assim, não há, com os elementos carreados aos autos, como autorizar a concessão dos incentivos. Nada obstante, diante do princípio da verdade material que dá amplos poderes à autoridade julgadora de buscar as provas que considerar necessárias para formar sua convicção, entendo que os autos devem ser baixados em diligência para regressar à autoridade preparadora com o fito de franquear ao recorrente a oportunidade de comprovar a sua regularidade fiscal em qualquer data desde a apresentação da declaração relativa aos incentivos fiscais pleiteados. Para tal, o recorrente deve apresentar duas declarações negativas (ou com efeitos de negativas): uma da dívida ativa, outra de tributos e contribuições sob administração da Receita Federal; e ambas devem ser contemporâneas entre si. Em atenção ao solicitado, a autoridade fiscal promoveu intimou o interessado (fl. 492) para a presentar a documentação. Em resposta, o recorrente apresentou declaração conjunta positiva com efeitos de negativa (fls. 516) datada de 30/11/2009. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes A diligência se esteou na posição de que a regularidade fiscal deve ser aferida na data da entrega da declaração. Nada obstante, apesar de, em diversos dispositivos legais e constitucionais, haver prescrições que exigem a regularidade fiscal para a obtenção do benefício, não encontramos na legislação pátria o momento de tal comprovação. Tornase evidente que tal instante não pode ficar ao talante da Administração Tributária, pois se poderia levar a conduta administrativa ao arbítrio, além de ferir de morte o primado da Segurança Jurídica. O interessado que fez a opção e permaneceu por anos como devedor do Fisco, mas num curto período de tempo esteve com sua situação fiscal regularizada, poderia ter seu pedido deferido. Já aquele que sempre cumpriu rigorosamente suas obrigações desde o pleito, mas num pequeno lapso temporal esteve irregular, poderia ter seu pedido indeferido. Em razão dessas possibilidades de absoluta e flagrante mácula ao Princípio da Isonomia, parte dos órgãos colegiados deste Conselho fixou o entendimento de que a data em que se deve aferir a regularidade fiscal deve ser única e certa, nesse caso, a da entrega da declaração. Tal data, portanto, é fixada pela jurisprudência e não por ato normativo contemporâneo à opção. Desse modo, não se poderia impor ao pleiteante a apresentação de documentos para a comprovação de regularidade, pois não há no ordenamento qualquer dever Fl. 544DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 8 de manter de forma perene e contínua documentos de comprovação de regularidade fiscal. O ônus deveria ser, pois, da Fazenda, ou seja, caberia à Administração Tributária comprovar que o pleiteante não estava regular na data da entrega da declaração. Apesar da aparente razoabilidade da solução, consideroa equivocada. Em primeiro lugar, também não há na legislação previsão que imponha à Fazenda Pública o dever de manter tal controle. Assim, sem esse controle, como podemos verificar no resultado da diligência, o benefício seria concedido a todos, mesmo a devedores eternos. Em segundo lugar e, principalmente, caso a Fazenda Pública mantivesse tal controle, como poderia o particular fazer prova em contrário se não sabia previamente dessa estipulação? Desse modo, para dar efetividade à exigência sem violação de preceitos fundamentais do nosso sistema jurídico, entendo que a única solução plausível é impor tal dever ao interessado, mas sem fixar qualquer data, ou melhor, conceder o benefício caso ele comprove sua regularidade em qualquer momento no curso do procedimento administrativo. Nesse caso, equilibrase a relação entre o Fisco e o particular. Se, por um lado, a Administração Tributária não tem prazo para deferir o pedido – pode ser em um dia ou em uma década – por outro, se franqueia ao particular a oportunidade de comprovar sua regularidade fiscal em qualquer data deste mesmo período. Entendimento ainda mais favorável ao sujeito passivo foi fixado pela Súmula CARF nº 37 de cumprimento obrigatório por este Colegiado, in verbis: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. Destarte, em face do resultado da diligência, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator Fl. 545DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 10730.003290/2005-75
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Apr 25 00:00:00 UTC 2008
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2004
DCTF - MULTA POR ATRASO NA ENTREGA - NÃO CABIMENTO DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
cabível a aplicação da multa pelo atraso na entrega da DCTF vista do disposto na legislação de regência (Inteligência da Medida Provisória n° 16 de 27.12.2001, convertida na Lei n° 10.426, de 24.04.2002 c/c Instrução Normativa SRF n° 583, de 20.12.2005).
Devida a multa ainda que a apresentação da declaração tenha se efetivado antes de qualquer procedimento de oficio.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO
Numero da decisão: 303-35.288
Decisão: ACORDAM os membros da terceira câmara do terceiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: Nilton Luiz Bartoli
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DRJ-RIO DE JANEIRO/RJ CC03/CO3 Rs. 31 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2004 DCTF - MULTA POR ATRASO NA ENTREGA - NÃO CABIMENTO DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. cabível a aplicação da multa pelo atraso na entrega da DCTF vista do disposto na legislação de regência (Inteligência da Medida Provisória n° 16 de 27.12.2001, convertida na Lei n° 10.426, de 24.04.2002 c/c Instrução Normativa SRF n° 583, de 20.12.2005). Devida a multa ainda que a apresentação da declaração tenha se efetivado antes de qualquer procedimento de oficio. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da terceira câmara do terceiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. ANELISE DA T PR 0 - Presidente )1,2TON BART 9U - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Nanci Gama, Luis Marcelo Guerra de Castro, Vanessa Albuquerque Valente, Celso Lopes Pereira Neto e Tarásio Campelo Borges. Ausente o Conselheiro Heroldes Bahr Neto. Processo n° 10730.00329012005-75 Acórdão n.° 303-35.288 CCONC03 Fls. 32 Relatório Trata-se de Auto de Infração (fls. 06), referente à multa por entrega de Declaração de Débitos e Créditos Federais — DCTF fora do prazo, referente ao ano - calendário de 2004, fundamentadas no art. 113, § 3' e 160, Lei 5172/66 do CTN, art. 4° e 2° da IN SRF 126/98, combinado com o item I da Portaria MF 118/84, art, 5° do DL n° 2124/84 e art. 7° da MP 16/2001 convertida na Lei 10.426/02. Inconformado, o contribuinte apresentou Impugnação de fls. 01/05, na qual alega, em suma, que: apresentou a DCTF referente ao 3" trimestre de 2004 no dia seguinte ao prazo estipulado, por motivo de grande congestionamento da internet junta a Secretaria da Receita Federal; contudo, cumpriu espontaneamente com sua obrigagiio, não sendo cobrada pela Receita Federal, nem por qualquer procedimento administrativo, assim, conforme art. 138 do CTN não pode ser punida pelo atraso; conforme art. 7 0 da Lei 10426/2002, amparada pelo C1N em seu art. 172, o contribuinte que deixar de entregar declaração no prazo fixado, será intimado para que apresente e, se não apresentar, após intimação, sujeitar-se-á as multas previstas; a ,fundamenta cão legal disposta no referido auto, não condiz com a falta e penalidade, conforme art. 88 da Lei 8981/95, pois a Lei 9531/97, apenas regulamenta a Lei 8981/95, que não pode ser aplicada ao caso; da mesma forma trata a IN SRF n°166/99, ou seja, apenas para casos de retificadora, o que não se aplica a este caso. Requer, ante o exposto, o cancelamento do Auto de Infração. Instruem os autos os documentos às fls. 06/10. Encaminhados os autos à Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro I (RJ), esta indeferiu a solicitação As fls. 16/22, nos termos da seguinte ementa: "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário. 2004 DCTF.DENCINCIA ESPONTÂNEA.PENALIDADE As obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vinculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN. DCTF.MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. REMISSÃO. Processo n° 10730.003290/2005-75 Acórdão n.° 303-35.288 CC03/CO3 Fls. 33 Inexiste lei prevendo remissiio de multas aplicadas em decorrência de atraso na entrega de declarações. Lançamento Procedente" Ciente da decisão proferida (AR de fl. 25), o contribuinte apresentou tempestivamente Recurso Voluntário (fls. 26/29), no qual reitera os argumentos apresentados na impugnação. No mais cita doutrina, para corroborar seus argumentos. Ante o alegado, requer reforma da decisão, cancelando o Auto de Infração. Os autos foram distribuídos a este Conselheiro em 27/02/2008, em único volume, constando numeração até as fls. 30, penúltima. Desnecessário o encaminhamento do processo à Procuradoria da Fazenda Nacional para ciência quanto ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, nos termos da Portaria MF n°. 314, de 25/08/99. o relatório. Processo n° 10730.003290/2005-75 Adv.& n.° 303-35.288 CC03/CO3 Fls. 34 Voto Conselheiro NILTON LUIZ BARTOLI, Relator Por conter matéria deste E. Conselho, conheço do Recurso Voluntário, tempestivamente, interposto pelo contribuinte. Ultrapassadas as análises dos requisitos de admissibilidade, passemos ao mérito. Em inúmeras oportunidades já externei meu entendimento acerca da inaplicabilidade de multa minima por atraso na entrega da DCTF, com respaldo na Instrução Normativa n° 129, de 19.11.1986, posteriormente alterada pela Instrução Normativa no 73, de 19.12.1996. Senão, vejamos: Todo ato realizado segundo um determinado sistema de direito positivo, com o fim de nele se integrar, deve, obrigatoriamente, encontrar fundamento de validade em norma hierarquicamente superior a esta, que, por sua vez, também deve encontrar fundamento de validade em norma hierarquicamente superior, e assim por diante, até que se encontre o fundamento de validade na Constituição Federal. Nestes termos, qualquer que seja a norma deve-se confrontá-la com a Constituição Federal, pois não estando com ela compatível, não estará compatível com o sistema. Segundo se verifica, a fonte formal da Instrução Normativa n° 129, de 19.11.1986, posteriormente alterada pela Instrução Normativa n° 73, de 19.12.1996, é a Portaria do Ministério da Fazenda n° 118, de 28.06.84, que delegou ao Secretário da Receita Federal a competência para eliminar ou instituir obrigações acessórias. Já o Ministro da Fazenda foi autorizado a eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais, por força do Decreto-lei n°2.124, de 13.06.84. 0 Decreto-Lei n° 2.124, de 13.06.1984, encontra fundamento de validade na Constituição Federal de 1967, alterada pela Emenda Constitucional n° 01/69, que em seu art. 55, cria a competência para o Presidente da República editar Decretos-Leis, em casos de urgência ou de interesse público relevante, em relação As matérias que disciplina, inclusive a tributária, mas não se refere A delegação de competência ao Ministério da Fazenda para criar obrigações, sejam tributárias ou, não. Afora isto, a antiga Constituição também privilegiava o principio da legalidade e da vinculação dos atos administrativos A lei, o que de plano criaria um conflito entre a norma editada no Decreto-Lei n° 2.124, de 13.06.1984 e a Lei Maior de 1967 (art. 153, §2°). Da análise do artigo 97, inciso V, do Código Tributário Nacional, também não resta dúvida que somente A lei é dada autorização para criar deveres e direitos, não escapando A regra as obrigações acessórias. Por outro lado, incabível dar ao artigo 100, do mesmo diploma, Processo n° 10730.003290/2005-75 Acórdão n.° 303-35.288 CC03/CO3 Fls. 35 a conotação de que está aberta a possibilidade de um ato non -nativo vir a substituir a função da lei, ou por falha da lei cobrir sua lacuna ou vicio. No mais, atos normativos de caráter normativo são assim caracterizados por introduzirem normas atinentes ao "modus operandi" do exercício da função administrativa tributária, tendo força para norrnatizar a conduta da própria administração em face do contribuinte, e em relação As condutas do contribuinte, servem, tão somente, para explicitar o que fora estabelecido em lei. E nesse contexto que os atos normativos cumprem sua função de complementaridade das leis. Ressalte-se que todo ato administrativo tem por requisito de validade cinco elementos: objeto licito, motivação, finalidade, agente competente e forma prescrita em lei. Ocorre que, a Instrução Normativa n° 129, de 19.11.1986 cumpriu os desígnios orientadores da validade do ato administrativo no concernente aos três primeiros elementos, vez que a exigência de entrega de Declaração de Contribuições e Tributos Federais — DCTF, corn o fim de informar it Secretaria da Fazenda Nacional o montante de tributos devidos e suas respectivas bases de cálculo, é de materialidade licita, motivada pela necessidade de a Fazenda ter o controle dos fatos geradores que fazem surgir cada relação jurídica tributária entre o contribuinte e o Fisco, tendo por finalidade o controle do recolhimento dos respectivos tributos. Porém, no que tange ao agente competente, o mesmo não se verifica, uma vez que o Secretário da Receita Federal não tem a competência legiferante, privativa do Poder Legislativo, para criar normas constituidoras de obrigações de miter pessoal ao contribuinte, cuja cogência é imposta pela cominação de penalidade. Ainda que se admitisse que o Decreto-lei n° 2.124, de 13.06.1984, fosse o veiculo introdutório para outorgar competência ao Ministério da Fazenda para que criasse deveres instrumentais, o Decreto-lei não poderia autorizar ao Ministério da Fazenda a delegar tal competência, como na realidade não o fez, tendo em vista o principio da indelegabilidade da competência tributária (art. 7 0 do Código Tributário Nacional) e até mesmo o principio da indelegabilidade dos poderes (art. 2° da CF/88). Assim, se o Ministério da Fazenda não tinha a competência para delegar a competência que recebera com exclusividade do Decreto-lei n° 2.124, de 13.06.1984, a Portaria MF n° 118, de 28/06/1984, extravasou os limites do poder outorgados pelo Decreto- Lei. Quanto à forma prescrita em lei, a instituição da obrigação de entrega da DCTF, por instrução normativa, também não cumpre o requisito de validade do ato administrativo, uma vez que tal instituição é reservada à Lei. Somente a Lei pode criar um vinculo relacional entre o Fisco e o contribuinte e a penalidade pelo descumprimento da obrigação fuleral desse vinculo. E tal poder é indelegivel, com o fim de que sejam garantidos o Estado de Direito Democrático e a Segurança Jurídica. Ademais, a delegação de competência legiferante introduzida pelo Decreto-Lei n° 2.124, de 13.06.1984, não encontra supedâneo jurídico na nova ordem constitucional instaurada pela Constituição Federal de 1988, uma vez que o art. 25 estabelece o seguinte: Processo n° 10730.003290/2005-75 Acórdão n.° 303-35.288 CC03/CO3 Rs. 36 "Art. 25 — Ficam revogados a partir de cento e oitenta dias da promulgação da Constituição, sujeito este prazo a prorrogação por lei, todos os dispositivos legais que atribuam ou deleguem a órgão do Poder Executivo competência assinalada pela Constituição ao Congresso Nacional, especialmente no que tange a: I — ação normativa; II — alocação ou transferência de recursos de qualquer espécie" (Grifei) Assim, a competência de legislar sobre a matéria pertinente ao sistema tributário é do Congresso Nacional, como determina o art. 48 da Constituição Federal, sendo que a delegação outorgada pelo Decreto-Lei n° 2.124, de 13.06.1984, ato do Poder Executivo auto disciplinado, que ainda que pudesse ter validade na vigência da constituição anterior, perdeu sua vigência 180 dias após a promulgação da Constituição Federal de 1988. Tendo a norma que dispõe sobre a delegação de competência perdido sua vigência, a Instrução Normativa n° 129, de 19.11.1986, ficou sem fonte material que a sustente e, consequentemente, também perdeu sua vigência em abril de 1989. Quanto à cominação da penalidade estabelecida no próprio texto da Instrução Normativa n° 129, de 19.11.1986, Anexo II — 1.1 (e, posteriormente, na Instrução Normativa n° 73, de 19.12.1996, que a alterou), entendo que os argumentos retro mencionados são plenamente aplicáveis, isto 6, a imposição de qualquer tipo de multa só poderá ser prevista em Lei. Desta feita, a ausência de perfeita tipicidade na lei de conduta do contribuinte, implica a carência da ação fiscal e, como tais elementos estão ausentes no presente caso, dai também não ser punível a conduta do agente. Tudo isto para dizer que a Instrução Normativa n° 129, de 19.11.1986 não constitui o veiculo próprio a criar, alterar ou extinguir direitos, seja porque não encontra em lei seu fundamento de validade material, seja porque inova o ordenamento jurídico extrapolando sua própria competência. Tal assertiva veio a ser confirmada com a edição da Lei n° 10.426, de 25.04.2002 (conversão da Medida Provisória n° 16 de 27.12.2001) que assim dispõe: "Art. 7° 0 sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica e Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (Din), nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não-apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal, e sujeitar -se-á its seguintes multas: — de dois por cento ao Ines calendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na 6 Processo no 10730.003290/2005-75 Acórdão n.° 303-35.288 CC03/CO3 Fls. 37 Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na DiIf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no §3°. Com efeito, a adoção da Medida Provisória n° 16, posteriormente convertida na Lei n° 10.426/02, determinando sanções para a não apresentação, pelo sujeito passivo, da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), atesta cabalmente a inexistência de legislação válida até a sua edição, uma vez que não haveria lógica em se editar norma, de caráter extraordinário, que simplesmente repetisse a legislação anterior. Ao adotar Medida Provisória, o Poder Executivo Federal reconheceu a necessidade de disciplinar a instituição de deveres instrumentais e penalidades para seu descumprimento, que até então não se encontrava (validamente) regulada pelo direito pátrio. Assim, após a entrada em vigor da Medida Provisória n° 16/2001, convertida na Lei n° 10.426, de 24.04.2002, surgiu a disciplina válida ou vigente no sistema tributário nacional para o cumprimento do dever acessório de entrega da DCTF, e, conseqüentemente, para a cominação de sanções para sua não apresentação, vindo a confirmar todo o entendimento exposto com relação a Instrução Normativa n° 129, de 19.11.1986. Assim, consubstanciada na Lei n° 10.426, de 24.04.2002 (conversão da Medida Provisória n° 16 de 27.12.2001), a Instrução Normativa SRF n° 583, de 20.12.2005 (a qual revogou a IN SRF n° 532, de 30.03.2005, que alterou a IN SRF n° 482, de 21.12.2004), validamente, estabelece quanto à multa a ser aplicada, que: "Art. 10. A pessoa jurídica que deixar de apresentar a DCTF no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimada a apresentar declaração original, no caso de não- apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela SRF, e sujeitar-se-4 ás seguintes multas: I — de dois por cento ao mês-calendário ou fração, incidente sobre o montante dos impostos e contribuições informados na DCTF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega dessa declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no §3°; (.) §3° A multa minima a ser aplicada será de: I — R$200,00 (duzentos reais) tratando-se de pessoa jurídica inativa; II — R$500, 00 (quinhentos reais), nos demais casos. Desta forma, como mencionado anteriormente, atos normativos, tal como a vigente Instrução Normativa SRF n° 583, de 20.12.2005, são para explicitar o que fora estabelecido em Lei (Lei n° 10.426, de 24.04.2002, conversão da Medida Provisória n° 16 de 27.12.2001), cumprindo, nesse contexto, sua função de complementaridade da Lei. Processo n° 10730.003290/2005-75 Acórdão n.° 303-35.288 CC03/CO3 Fls. 38 Quanto a alegação do contribuinte de que não realizou a entrega da DCTF em razão de congestionamento no trafego de dados não há nenhuma prova, evidência, nem Ato Declaratório da Secretaria da Receita Federal que declare que houve o alegado congestionamento, sendo que em caso semelhante houve o Ato Declaratório Executivo SRF n° 24, de 08/04/2005, que reconheceu o problema no envio da DCTF via internet no período de 15/02/2005 a 18/02/2005, de forma que os contribuintes não fossem penalizados. Quanto ao aspecto da denúncia espontânea, adoto entendimento que é pacifico no Superior Tribunal de Justiça, no sentido de que não é cabível tal beneficio quando se trata de DCTF, conforme se depreende dos julgamentos dos seguintes recursos, entre outros: RESP 357.001-RS, julgado em 07/02/2002; AGRESP 258.141-PR, DJ de 16/10/2000 e RESP 246.963-PR, DJ de 05/06/2000. Descabe a alegação de denúncia espontânea quando a multa decorre tão somente da impontualidade do contribuinte quanto a uma obrigação de fazer, cuja sanção da norma jurídico-tributária é precisamente a multa. Destaco decisão proferida pela Egrégia 1 Turma do STJ, através do Recurso Especial 11'195161/GO (98/0084905-0), relator Ministro José Delgado (DJ de 26.04.99): "TRIBUTÁRIO. DE N ÚNCIA ESPONTÂNEA. ENTREGA COM ATRASO DA DECLARAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. MULTA. INCIDÊNCIA ART. 88 DA LEI 8.981/95. A entidade 'denúncia espontânea' não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração do imposto de renda. (grifo nosso). As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vinculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art.138, do CTN. Há de se acolher a incidência do art. 88 da Lei 8.981/95, por não entrar em conflito coin o art.138 do CTN. Os referidos dispositivos tratam de entidades jurídicas diferentes. Recurso provido" Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, tendo em vista que a DCTF do presente caso, refere-se ao ano-calendário 2004, isto e, após o surgimento da disciplina válida ou vigente para o cumprimento do dever acessório de sua entrega. Sala das Sessões, em 25 de abril de 2008 TON L BARTO - Relator
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Numero do processo: 10920.008019/2007-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Jan 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2001 a 31/10/2006
DECADÊNCIA. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. PRAZO DO ART. 150, § 4º, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN).
Caracterizado o pagamento antecipado, e ausente a comprovação da ocorrência de dolo, fraude ou simulação pela fiscalização, a contagem do prazo decadencial em relação às contribuições previdenciárias dá-se pela regra do § 4º do art. 150 do CTN.
PESSOA JURÍDICA INTERPOSTA. TRABALHADORES. DESCONSIDERAÇÃO DO VÍNCULO FORMAL. RELAÇÃO TRIBUTÁRIA COM A EMPRESA AUTUADA. INSUFICIÊNCIA DAS PROVAS NO LANÇAMENTO.
Cabe ao Fisco lançar de ofício o crédito correspondente à relação tributária efetivamente existente, desconsiderando o vínculo formal pactuado com pessoa jurídica interposta, optante pelo Simples Federal, desde que demonstrado, por meio da linguagem de provas, que os trabalhadores prestavam serviços diretamente à empresa autuada. A insuficiência das provas no lançamento acarreta a impossibilidade da manutenção do crédito tributário constituído pela fiscalização.
Recurso de ofício negado
Numero da decisão: 2401-003.976
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, por conhecer do recurso de ofício e, no mérito, negar-lhe provimento. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva divergiu, votando pelo provimento do recurso de ofício. Fez sustentação oral: Dr. Leonardo Werner. OAB; 13025.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
André Luís Mársico Lombardi - Presidente
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2001 a 31/10/2006 DECADÊNCIA. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. PRAZO DO ART. 150, § 4º, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN). Caracterizado o pagamento antecipado, e ausente a comprovação da ocorrência de dolo, fraude ou simulação pela fiscalização, a contagem do prazo decadencial em relação às contribuições previdenciárias dáse pela regra do § 4º do art. 150 do CTN. PESSOA JURÍDICA INTERPOSTA. TRABALHADORES. DESCONSIDERAÇÃO DO VÍNCULO FORMAL. RELAÇÃO TRIBUTÁRIA COM A EMPRESA AUTUADA. INSUFICIÊNCIA DAS PROVAS NO LANÇAMENTO. Cabe ao Fisco lançar de ofício o crédito correspondente à relação tributária efetivamente existente, desconsiderando o vínculo formal pactuado com pessoa jurídica interposta, optante pelo Simples Federal, desde que demonstrado, por meio da linguagem de provas, que os trabalhadores prestavam serviços diretamente à empresa autuada. A insuficiência das provas no lançamento acarreta a impossibilidade da manutenção do crédito tributário constituído pela fiscalização. Recurso de ofício negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 80 19 /2 00 7- 51 Fl. 712DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10920.008019/200751 Acórdão n.º 2401003.976 S2C4T1 Fl. 713 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, por conhecer do recurso de ofício e, no mérito, negarlhe provimento. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva divergiu, votando pelo provimento do recurso de ofício. Fez sustentação oral: Dr. Leonardo Werner. OAB; 13025. (ASSINADO DIGITALMENTE) André Luís Mársico Lombardi Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira e Rayd Santana Ferreira. Fl. 713DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10920.008019/200751 Acórdão n.º 2401003.976 S2C4T1 Fl. 714 3 Relatório Cuidase de recurso de ofício interposto pelo Presidente da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (DRJ/FNS), em face da decisão administrativa consubstanciada no Acórdão nº 0717.098, cujo dispositivo reconheceu a decadência no período de 08/2001 a 12/2002 e, quanto ao restante do crédito tributário, considerou nulo o lançamento, cancelando o crédito tributário exigido. Transcrevo a ementa desse Acórdão (fls. 694/701): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2001 a 31/10/2006 NFLD DEBCAD n°. 37.126.1597, de 20/12/2007. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. Para qualificar trabalhadores como segurados empregados de uma empresa, deve a fiscalização demonstrar estarem presentes os pressupostos necessários à caracterização da relação de emprego ou de que tenha havido simulação na sua contratação por interposta pessoa jurídica. Lançamento Nulo 2. Extraise do relatório fiscal que o processo administrativo é composto pela Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) nº 37.126.1597, relativa ao período de 08/2001 a 10/2006, abrangendo as contribuições previdenciárias patronais a que se referem os incisos I a III do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, incidentes sobre remunerações de segurados empregados e contribuintes individuais, bem como as contribuições devidas a terceiros FPAS 507/Código 0079 (fls. 58/62). 2.1 Os fatos geradores e as bases de cálculo foram apurados em folhas de pagamento e Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) em nome de terceiro, pessoa jurídica optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples Federal), denominado doravante de "SM". 2.2 A despeito da vinculação formal dos segurados empregados e dos sócios com a empresa "SM", a fiscalização concluiu que a prestação dos serviços ocorria para a pessoa jurídica autuada, de forma que constituiu de ofício o crédito tributário em nome da Ferramentaria JN Ltda. Fl. 714DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10920.008019/200751 Acórdão n.º 2401003.976 S2C4T1 Fl. 715 4 2.3 Em síntese, o Fisco aponta os seguintes motivos de convencimento para a autuação: i) ambas as pessoas jurídicas foram constituídas com objetos sociais semelhantes e situavamse no mesmo endereço comercial; ii) a constituição da empresa "SM" deuse no mês seguinte à exclusão da autuada do Simples Federal; iii) o quadro societário da "SM" é composto pelas esposas dos sócios da autuada, sendo que um dos sócios desta última também fora sócio, ainda que não concomitantemente, da empresa "SM"; iv) houve transferência de empregados da "SM" para a autuada, em 06/2006, sem alteração nas suas rotinas de trabalho; v) inexistência de registros na contabilidade da "SM" de aquisição de insumos e matériasprimas, máquinas e equipamentos e de despesas com veículos, energia elétrica, água, aluguel, telefone, dentre outras; vi) o valor das despesas com pessoal da "SM" era muito próximo ao seu faturamento, chegando, nos anos de 2005 e 2006, a superálo, em enorme contraste com a situação da pessoa jurídica autuada; e vii) o endereço da sede da empresa "SM", quando da ação fiscal, era na residência de lazer pertencente a sócio da autuada. 3. Intimada da autuação por via postal em 3/1/2008, às fls. 3, 690 e 692, o sujeito passivo impugnou a exigência fiscal, em preliminar e mérito, contrapondo um por um os argumentos trazidos pela autoridade lançadora. Além disso, reclamou pela decadência parcial quanto aos lançamentos anteriores ao ano de 2003 (fls. 114/176). 4. Ao apreciar o litígio, o colegiado de primeira instância, por intermédio do Acórdão nº 0717.098, julgou improcedente o crédito tributário até a competência 12/2002, inclusive, porquanto alcançado pela decadência e, quanto ao restante, considerou nula a autuação, com a ressalva da possibilidade de procederse ao lançamento substitutivo, porventura identificada situação fática a darlhe suporte. 4.1 Segundo o votocondutor do acórdão recorrido, a autoridade fiscal não comprovou estarem presentes os pressupostos que caracterizam o vínculo empregatício diretamente com a autuada ou, alternativamente, demonstrou haver simulação na criação de terceira pessoa jurídica, optante pelo Simples Federal, com a finalidade ilícita de expressar uma realidade inexistente para encobrir o verdadeiro tomador dos serviços dos segurados, responsável pela efetiva gestão do empreendimento empresarial. Assim, concluiu pela nulidade da autuação, por ausência de prova da ocorrência do fato gerador. Fl. 715DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10920.008019/200751 Acórdão n.º 2401003.976 S2C4T1 Fl. 716 5 5. Em razão do valor exonerado ultrapassar o limite de alçada de que trata o art. 1º da Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, a autoridade competente de primeira instância interpôs o recurso de ofício. 6. Cientificada do Acórdão nº 0717.098, não consta manifestação por parte da autuada (fls. 704). É o relatório. Fl. 716DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10920.008019/200751 Acórdão n.º 2401003.976 S2C4T1 Fl. 717 6 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess, Relator Juízo de admissibilidade 7. Formalizado na própria decisão, o recurso de ofício foi interposto pela autoridade de primeira instância em harmonia com as normas aplicáveis à matéria, dada que a decisão recorrida exonerou o sujeito passivo do pagamento de crédito tributário em valor superior ao limite estabelecido pela Portaria MF nº 3, de 2008. 8. Entendo, desse modo, satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso de ofício e dele tomo conhecimento. Decadência 9. Dos autos, verifico que o Termo de Encerramento da Ação Fiscal (TEAF), juntados às fls. 57, registra o exame de comprovantes de recolhimento, ao passo que o voto do relator, em primeira instância, declara que "em consulta ao contacorrente do estabelecimento no sistema de arrecadação da Previdência Social, houve recolhimentos nas competências abrangidas pelo lançamento." (fls. 698) 10. Por sua vez, a ciência do lançamento fiscal, assim como a apresentação de defesa, ocorreram no mês de jan/2008, anteriormente, portanto, ao decidido no Recurso Extraordinário (RE) nº 550.8829/RS, entre outros, e da edição da Súmula Vinculante nº 8, em que a Corte Suprema declarou a inconstitucionalidade do prazo decadencial de 10 (dez) anos estabelecido no art. 45 da Lei nº 8.212, de 1991. 10.1 O entendimento jurisprudencial remeteu o intérprete às normas jurídicas de decadência contidas na Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN). 11. Apenas com a publicação do Parecer PGFN/CAT nº 1.617/2008, aprovado pelo Ministro da Fazenda em ago/2008, foram uniformizadas as orientações administrativas quanto à disciplina para a contagem do prazo decadencial e aplicação das regras do § 4º do art. 150 e inciso I do art. 173, ambos do CTN. 12. Nesse passo, no tocante às contribuições exigidas na notificação fiscal, e tendo em vista a ausência de comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação pela fiscalização, acredito suficientemente caracterizado o pagamento antecipado parcial para fins de aplicação da regra de decadência de cinco anos prevista no § 4º no art. 150 do CTN. 13. Dessa feita, como consignado na decisão de piso, aperfeiçoado o lançamento em 3/1/2008, estão fulminadas pela decadência as competências 08/2001 a 12/2002, devendo ser mantida a decisão "a quo". Fl. 717DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10920.008019/200751 Acórdão n.º 2401003.976 S2C4T1 Fl. 718 7 Mérito 14. A ocorrência do fato previamente descrito na lei, no antecedente da norma de incidência, basta para o nascimento da obrigação tributária. Nem mais, nem menos. Além de o liame obrigacional prescindir da manifestação de vontade das partes, também os elementos da relação tributária, no consequente da regramatriz de incidência, não se alteram pela vontade de quem ocupa os pólos ativo e passivo do vínculo jurídico. 15. De tal sorte que no procedimento de verificar o cumprimento das obrigações tributárias, estritamente conforme as prerrogativas e competências estabelecidas em lei, não está a fiscalização refém da forma jurídica adotada pelo particular, nem daquilo que consta em documentos, acordos e instrumentos de controle. 16. Mais que um ônus, é dever do Fisco, em face da legalidade, tipicidade e indisponibilidade do interesse público, investigar e verificar a ocorrência do fato jurídico tributário segundo se sucede no mundo fático. Prevalecerá a realidade dos fatos em detrimento da formalidade dos atos, cabendo à fiscalização demonstrar em qualquer caso, apoiado na linguagem de provas, a ocorrência dos fatos jurídicos que servem de suporte à exigência fiscal. 17. Em visto disso, ao verificar o desvirtuamento dos elementos constitutivos da obrigação tributária, no critério pessoal ou quantitativo, a fiscalização pode desconsiderar o vínculo pactuado e lançar o crédito tributário correspondente à relação jurídica efetivamente existente. 18. Pois bem. Se de um lado, como bem afirma o votocondutor do acórdão recorrido, a fiscalização não chegou a detalhar a presença dos requisitos inerentes à relação de trabalho necessários à caracterização do vínculo tributário diretamente com a pessoa jurídica notificada, tais como pessoalidade e subordinação, de outro, entendo que a autoridade lançadora procurou demonstrar a existência de interposição da empresa "SM", com vistas a concentrar a mão de obra do processo produtivo das empresas e viabilizar à autuada, não optante pelo Simples Federal, deixar de recolher as contribuições patronais. 19. Em consequência, com suporte no conjuntoprobatório carreado aos autos, pretendeu o Fisco vincular diretamente os segurados da "SM" à empresa fiscalizada, atestando a sua condição de verdadeiro tomador dos serviços prestados pelos trabalhadores e, portanto, responsável pelos recolhimentos das contribuições previdenciárias. 20. Segundo depreendese da acusação fiscal, a realidade dos fatos, em que pese o aspecto formal dos vínculos, relevaria o efetivo labor no período para a pessoa jurídica notificada, o que dispensaria a comprovação do atendimento dos requisitos do vínculo de emprego para cada um dos trabalhadores envolvidos. 21. Com esse olhar sobre os autos, minha impressão é a ausência de vícios no lançamento, em contraposição ao consignado na decisão de piso. 21.1 Ainda que possa ser insuficiente as provas para prevalecer a acusação fiscal, o ato administrativo de lançamento foi motivado. Por isso, longe de conduzir à nulidade material, passível de novo lançamento em tese, mediante edição de ato com conteúdo alterado, a insuficiência das provas colhidas pela fiscalização, como ora se apresenta, levaria à improcedência do feito. Fl. 718DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10920.008019/200751 Acórdão n.º 2401003.976 S2C4T1 Fl. 719 8 21.2 Reconheço que é questão controvertida, todavia o vício material para mim demanda a falta da prova no lançamento, consistente na violação frontal quanto a um dos elementos intrínsecos à norma individual e concreta (motivação), uma deficiência prévia ao exame do mérito, enfrentada preliminarmente e cognoscível de ofício pelo julgador. A insuficiência na construção probatória apreciada pelo julgador em conjunto com as razões de fato e direito oferecidas pela outra parte é matéria de mérito. 22. Nada obstante, a despeito da inexistência de vícios, há que se aderir à decisão recorrida quando conclui pela impossibilidade de manter o crédito tributário exigido no processo administrativo. 22.1 De fato, ao adentrar no mérito da autuação fiscal, tenho que concordar que o conjunto probatório juntado pelo Fisco é insuficiente para vincular os segurados da "SM" diretamente à autuada. 23. Conquanto mereceriam investigação e aprofundamento sob a ótica da verdade material, os indícios apontados pela fiscalização, mesmo que analisados conjuntamente, não permitem estabelecer uma conexão em grau bastante para aferir concretamente o vínculo laboral dos segurados com a empresa autuada. Por tal razão, têm a sua força axiológica como prova reduzida quando confrontados com as razões de defesa da impugnante. 24. A impugnante colaciona aos autos indícios da autonomia das empresas, inclusive apresentando cópias de alvarás de funcionamento (fls. 570/608). Enquanto sua atividade principal era direcionada à fabricação de moldes, a "SM" atuava na prestação de serviços de usinagem, por encomenda de terceiros. Apoiada em notas fiscais, a impugnante sustenta ainda que tomava serviços de usinagem de outras empresas que não a "SM" (fls. 520/568), assim como a "SM" usinava peças igualmente para distintas empresas (fls. 295/519). 25. Alega também o sujeito passivo que a empresa "SM", no período de 2005 a 2006, enfrentou dificuldades financeiras e socorreuse de empréstimos, o que culminou com a alienação do fundo de comércio no ano de 2006 (fls. 610/.623) Ainda que concedidos os empréstimos pela própria autuada, mediante contrato particular, é necessário infirmálos no que toca à existência e/ou finalidade. 26. É que a presunção de legitimidade dos atos administrativos não exime a apropriada construção probatória por parte do agente fiscal. Por isso, a falta de registros contábeis de aquisição de insumos e matériasprimas, máquinas e equipamentos, além de despesas com veículos, energia elétrica, água, aluguel e telefone na empresa "SM" não implica, como supõe a fiscalização, inferir uma correlação lógica com o pagamento dessas despesas e custos por parte da autuada. 26.1 Exigemse pelos menos indícios concretos de confusão financeira, patrimonial ou administrativa entre as empresas envolvidas, que afastem a dúvida de meras irregularidades formais nos registros contábeis da empresa "SM". 26.2 Só exposto desse maneira pela autoridade lançadora, sem informações adicionais e/ou documentos conclusivos, tornamse frágeis os elos de conexão com a notificada, na condição de efetivo tomador dos serviços dos segurados. Fl. 719DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10920.008019/200751 Acórdão n.º 2401003.976 S2C4T1 Fl. 720 9 27. De mais a mais, atento à linguagem de provas utilizada pela autoridade lançadora, nem mesmo a estreita ligação entre os sócios das pessoas jurídicas, a localização física dos estabelecimentos industriais e a relação entre faturamento e mão de obra são indícios fortes, convergentes e, principalmente, suficientes para conduzir à sujeição passiva da fiscalizada. 28. O mesmo se diga ao endereço da empresa "SM" e da transferência de empregados para a autuada em período posterior à fiscalização, os quais exigiriam um melhor detalhamento da ligação com a sujeição passiva imposta pela fiscalização, a exemplo da juntada de depoimentos dos trabalhadores sobre as condições e o gerenciamento das atividades laborais no período fiscalizado, porquanto as aludidas circunstâncias apontadas pela fiscalização não dizem respeito à época dos fatos geradores. 29. Em suma, em que pese relevantes os elementos trazidos pela fiscalização, estou convencido pautado no conjunto fáticoprobatório articulado pelas partes de que não restou caracterizada a sujeição passiva em nome da fiscalizada, com relação à prestação de serviços pelos segurados vinculados à empresa "SM", descabendo ao julgador suprir eventual deficiência probatória. 29.1 A toda a evidência, tratase de procedimento excepcional de constituição do crédito tributário e caberia à fiscalização o aprofundamento na fase inquisitória da investigação, para colher elementos de prova adicionais e demonstrar univocamente a prestação dos serviços diretamente à empresa fiscalizada. 30. A despeito do entendimento pessoal pela improcedência da notificação, em exame de mérito, penso que não cabe agravar o resultado do julgamento imposto à Fazenda Nacional em recurso de ofício, em analogia ao enunciado da Súmula nº 45 do Superior Tribunal de Justiça. 1 31. É bem verdade que a intimação do Acórdão nº 0717.098, às fls. 704, não ofereceu à fiscalizada explicitamente a possibilidade de prazo recursal para contestálo, tendo em vista o colegiado de primeira instância não julgar improcedente à autuação, conforme requerido na impugnação. 32. Entretanto, dado o transcurso do prazo decadencial para lançamento dos fatos geradores anteriores a 2007, a manutenção da decisão recorrida, nos termos em que foi proferida, possui os mesmos efeitos práticos e não fere direito das partes. 33. Dessa feita, as conclusões do colegiado de primeira instância, quanto à decadência e vício material, devem ser confirmadas em grau de revisão recursal. 1 Súmula 45: No reexame necessário, é defeso, ao tribunal, agravar a condenção imposta a Fazenda Pública. Fl. 720DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10920.008019/200751 Acórdão n.º 2401003.976 S2C4T1 Fl. 721 10 Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso de ofício e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Cleberson Alex Friess Relator Fl. 721DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS
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Numero do processo: 11051.000457/2010-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Jan 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2010
ADMISSÃO TEMPORÁRIA. RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO DA DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. NECESSIDADE DE LICENCIAMENTO DE IMPORTAÇÃO.
Devida a multa por falta de Licenciamento de Importação, estabelecida na alínea b, do inciso I, do art. 169 do Decreto- Lei nº 37/1966, quando houver a necessidade de retificação de ofício da Declaração de Importação por inércia do importador em realizar a nacionalização dos bens objeto de Admissão Temporária, após o prazo final do regime.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-002.718
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente
Luiz Augusto do Couto Chagas - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2010 ADMISSÃO TEMPORÁRIA. RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO DA DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. NECESSIDADE DE LICENCIAMENTO DE IMPORTAÇÃO. Devida a multa por falta de Licenciamento de Importação, estabelecida na alínea b, do inciso I, do art. 169 do Decreto- Lei nº 37/1966, quando houver a necessidade de retificação de ofício da Declaração de Importação por inércia do importador em realizar a nacionalização dos bens objeto de Admissão Temporária, após o prazo final do regime. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente Luiz Augusto do Couto Chagas - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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Recorrente FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE DO RIO GRANDE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2010 ADMISSÃO TEMPORÁRIA. RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO DA DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. NECESSIDADE DE LICENCIAMENTO DE IMPORTAÇÃO. Devida a multa por falta de Licenciamento de Importação, estabelecida na alínea “b”, do inciso I, do art. 169 do Decreto Lei nº 37/1966, quando houver a necessidade de retificação de ofício da Declaração de Importação por inércia do importador em realizar a nacionalização dos bens objeto de Admissão Temporária, após o prazo final do regime. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Andrada Márcio Canuto Natal Presidente Luiz Augusto do Couto Chagas Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 1. 00 04 57 /2 01 0- 15 Fl. 223DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 11051.000457/201015 Acórdão n.º 3301002.718 S3C3T1 Fl. 224 2 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza CE: Cuidam os autos da exigência de crédito da União, relativo à aplicação da multa por importação de mercadoria sem Licença de Importação ou documento equivalente (R$ 9.531,14), às fls. 182186, em desfavor de FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE, doravante tratada apenas como FURG, em decorrência de procedimento de retificação de ofício da declaração de admissão temporária para declaração de importação de consumo, estabelecida no inciso I, do §1º, do art. 19 da IN SRF nº 285, de 14 de janeiro de 2003. A FURG promoveu, em 21/03/2000, o registro da declaração nº 00/02444032 (fls. 14/15), a fim de admitir temporariamente duas máquinas provenientes do Uruguai e que fariam parte de projeto de pesquisa em andamento naquela universidade para reabilitação da atividade pesqueira da região, cujo termo final autorizado foi de um ano, prorrogável por igual período (fls. 20/21), limitado ao prazo máximo regulamentar de cinco anos. A FURG fez pedidos sucessivos de prorrogação do prazo da admissão temporária (fls. 22, 25, 30 e 42), até que em 21 de março de 2005 findou o último prazo disponível para extinção do regime, conforme disposto no § 1º, do art. 71, do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, em uma das modalidades previstas no art. 319, do Decreto nº 4.543, de 26 de dezembro de 2002, o Regulamento Aduaneiro vigente à época do fato, conforme cientificada a impugnante por meio de despacho fundamentado do chefe da fiscalização aduaneira (fls. 48). Em 04/04/2005, já vencido, portanto, o prazo regulamentar para a extinção do regime de admissão temporária, foi a FURG intimada a comprovar qual providência teria adotado para extinguir o regime (fls.49), para a qual apresentou resposta, em 15/04/2005 (fls. 51), informando que havia desejo de permanecer com as máquinas no país e que o proprietário estaria providenciando a documentação para realizar a doação das mercadorias e permitir a nacionalização dos bens. A fiscalização emitiu nova intimação, em 03 de junho de 2005 (fls. 52), a fim de determinar à FURG que adotasse, no prazo de 30 dias, uma das providências estabelecidas na legislação para extinção do regime de admissão temporária, com o pagamento da multa pelo descumprimento de condições, requisitos ou prazos estabelecidos para aplicação do regime, estabelecida no art. 72, inciso I, da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, sob pena de retificação de ofício da declaração de admissão. Apenas em 08 de julho de 2005 a FURG se manifestou por meio da Advocacia Geral da União (fls. 54/55), a fim de pedir “compreensão” da fiscalização para a tramitação burocrática que envolvia a questão da doação, pois as tratativas com a proprietária das máquinas estavam sendo realizadas e não havia nada que pudesse ser feito pela Universidade naquele momento, apresentando diversas mensagens eletrônicas trocadas a fim de comprovar suas alegações (fls. 58/65). A unidade aduaneira responsável pelo despacho manifestouse brevemente em 07/10/2005 (fls. 69), apenas para informar que a cobrança da multa seria cabível e Fl. 224DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 11051.000457/201015 Acórdão n.º 3301002.718 S3C3T1 Fl. 225 3 que ainda não havia iniciado o processo de execução do termo de responsabilidade. O processo só voltou a ser movimentado mais de três anos depois, quando em 22 de junho de 2009 foi distribuído para “adoção de providências cabíveis” (fls. 70). A autoridade aduaneira responsável pelo processo encaminhou à impugnante, em 30/06/2009, termo de solicitação de esclarecimentos (fls. 77), a fim de que fosse apresentada informação sobre a conclusão da aquisição das máquinas, determinando o recolhimento da multa da Lei 10.833/03, e providenciar a reexportação ou nacionalização dos bens no prazo de 30 dias, sob pena de retificação de ofício da declaração de admissão. A FURG respondeu, em 20/07/2009, à solicitação da Receita Federal, manifestando inconformidade com a cobrança da multa por descumprimento dos prazos e dizendo que já estaria de posse do termo de doação das mercadorias, mas que ainda não teria registrado a declaração de importação por não ter sido provocada pela fiscalização, uma vez que estaria, segundo suas palavras, “no aguardo de manifestação desta Delegacia da Receita Federal” (fls. 80/81). A fiscalização concluiu o trabalho em 15/12/2009 com a lavratura do auto de infração (fls. 88/99) para cobrança dos tributos e das multas administrativas que entendeu pertinentes ao caso. A FURG, por sua vez, solicitou à Advocacia Geral da União a marcação de reunião na Câmara de Conciliação daquele órgão, a fim de dirimir controvérsia existente entre o Ministério da Fazenda e aquela instituição de ensino, não sendo possível a conciliação pretendida por aquela via (fls. 102/108). Em 17/08/2010, foi aberto mandado de procedimento fiscal (fls. 109) para diligência de fiscalização que pretendia saber a localização dos bens admitidos temporariamente pela FURG e a finalidade da sua utilização, conforme termo de solicitação de esclarecimentos (fls. 11/111), no que foi respondido pela impugnante (fls. 114) que estariam na sede da empresa Furtado S/A Indústria e Comércio de Pescados e sendo utilizados para projetos de pesquisa daquela instituição de ensino. Uma vez mais a fiscalização questionou a FURG (fls. 115/116) acerca dos termos da cessão dos bens admitidos temporariamente à empresa Furtado S/A, mormente em relação ao fomento entre as duas pessoas jurídicas, a data de cessão dos bens, a destinação dos recursos obtidos a partir da utilização do maquinário em uma empresa particular e a apresentação de documentos que comprovassem a legalidade dos atos praticados pela FURG em relação a esta operação. Simultaneamente, foram intimadas a própria Furtado S/A (fls. 118/119) e a empresa Daniel de Miranda Furtado Gomes, nome fantasia M. G. Pescados, (fls. 122/123), a fim de que prestassem esclarecimentos acerca da cessão realizada pela FURG a estas empresas do maquinário admitido temporariamente e supostamente utilizado em projeto de pesquisa, além da contabilização da produção realizada com a utilização destes equipamentos. Em resposta (fls. 129/132), a FURG alegou, em síntese apertada, que as exigências da fiscalização violariam o princípio da autonomia universitária, dizendo ainda que os limites da pesquisa são de interesse da universidade e que não caberia à fiscalização da Receita Federal questionar sobre a utilização destes bens. Informa também que as máquinas estariam na sede de terceira empresa desde o seu recebimento, em função da falta de espaço adequado, que estaria providenciando as licenças e importação e que a fiscalização dos recursos disponíveis nas universidades compete exclusivamente ao Tribunal de Contas da União. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 11051.000457/201015 Acórdão n.º 3301002.718 S3C3T1 Fl. 226 4 As empresas Furtado S/A (fls. 141) e Daniel de Miranda Furtado Gomes (fls. 146) não apresentaram resposta às intimações enviadas, razão pela qual foram lavrados autos de infração de embaraço à fiscalização, conforme documentos acostados aos autos às fls. 142 a 145, em relação à Furtado S/A, e fls. 147 a 150, em relação à empresa Daniel de Miranda Furtado Gomes. Os extratos das licenças de importação (LI) nº 10/23212263 e nº 10/2321227 1, cujo registro se deu em 01/09/2010, solicitadas pela FURG para nacionalização das máquinas admitidas no regime aduaneiro de admissão temporária, foram apresentados com a situação “em exigência” (fls. 156/159), com data de 10/09/2010, constando ao final de cada licença o rol das exigências formuladas pela Secretaria de Comércio Exterior (SECEX), como a carta de doação e outros documentos que aquele órgão entendeu pertinentes para emitir a LI de material usado. Em 28/10/2010 a FURG apresentou petição (fls. 161) para cumprir as exigências da fiscalização e entregar as LI nº 10/29002805 e 10/29002813, conforme extratos de fls. 162 a 165. As LI entregues se referiam a LI substitutivas das apresentadas anteriormente e que se encontravam em exigência, com alteração do órgão anuente para o CNPq, o regime de tributação para isenção e a condição da mercadoria de usada para nova. Finalmente, em 08 de dezembro de 2010, a autoridade aduaneira encerrou a fiscalização em curso, conforme Relatório de Fiscalização, às fls. 178182, contendo as informações acerca do procedimento realizado e já parcialmente considerado neste relatório, além de outras informações, conforme síntese a seguir: Em 18/08/2010 foi realizada diligência no endereço constante do cadastro CNPJ da FURG para verificação das máquinas, que, no entanto, se encontravam em estabelecimento de uma indústria pesqueira. No dia 26/08/2010, em diligência no estabelecimento da MG Pescados Daniel de Miranda Furtado Gomes ME CNPJ n° 08.902.035/000128, cujo espaço físico é tido como locado da empresa Furtado S/A Comércio e Indústria CNPJ n° 94.848.272/000190, foram localizados os equipamentos. Que ambas as empresas privadas acima identificadas foram intimadas a esclarecer e comprovar documentalmente suas relações jurídicas com a FURG decorrentes dos bens em questão, sem que o fizessem satisfatoriamente. A despeito deste fato, a FURG assevera que a finalidade atual em que estas máquinas estão sendo utilizadas está relacionada com vários projetos de pesquisa em andamento, para processamento de alimentos à base de anchoita. Que a FURG deixou de atender à solicitação de apresentar o relatório final do projeto desenvolvido no curso da admissão temporária e deixou ainda de apresentar a declaração de importaçãonacionalização dos bens, tornandose necessário realizar a retificação de ofício da declaração de admissão. A exigência da nova LI para o despacho para consumo está prevista no § 10 do art. 15 da IN SRF n° 285/2003, não sendo permitido à fiscalização deixar de fazer tal exigência por se tratar de anuência de outro órgão. A fiscalização entende que a anuência do CNPq, constante das LI substitutivas de nº 10/29002805 e 10/29002813, torna aplicável a imunidade tributária dos bens e improcedente a execução dos créditos tributários constituídos em Termo de Responsabilidade, objeto do lançamento em auto de infração processo n° 11051.000649/200998, de 14/12/2009. Torna ainda inaplicável o lançamento da multa prevista no art. 370, §1°, inciso II, do RA, que incidiria sobre a Fl. 226DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 11051.000457/201015 Acórdão n.º 3301002.718 S3C3T1 Fl. 227 5 totalidade dos impostos devidos, cabível pela não apresentação da declaração de importação. Entretanto, no campo Informações Complementares de cada uma das mencionadas LI a entidade alega que o motivo da LI substitutiva teria sido o pedido do DECEX para alterar a condição da mercadoria de usado para novo, mas não se apresentou qualquer motivação para esta alteração. Pelo contrário, a legislação do próprio Decex1 determina que a importação de bens usados fazse após a anuência daquele órgão, através da LI. A alegada declaração/alteração tampouco competiria ao DECEX, uma vez que este órgão não tem acesso direto à verificação física da mercadoria, sendo esta uma competência exclusiva da Receita Federal do Brasil, que é o órgão federal competente para distinguir entre bens novos ou usados, baseado em laudo pericial, se necessário. Considerar como novo um bem que foi admitido em regime de admissão temporária em março de 2000, pelo prazo de 05 (cinco) anos, para desenvolvimento de projeto de pesquisa, poderia em tese caracterizar que tal projeto de pesquisa não foi efetivamente realizado com aqueles bens. Argumenta a autoridade aduaneira que não se está meramente importando um bem sem LI, pois a alteração da condição do bem de usado para novo caracterizaria uma declaração falsa para eximirse da devida anuência. A inexistência de qualquer das anuências necessárias, em particular a anuência do DECEX, configuraria a importação de mercadoria sem LI e acarreta a multa prevista no art. 706 do Regulamento Aduaneiro, ressaltando que a aplicação da multa não exclui a apresentação da anuência do Decex, que continuaria necessária. DA IMPUGNAÇÃO A Fundação Universidade de Rio Grande, ora autuada, foi cientificada do lançamento em 13/12/2010 (fls. 187) e, irresignada com a penalidade que lhe foi infligida, apresentou Peça Impugnativa, às fls. 192/193, protocolada nos Correios em 12/01/2011 (fls. 190) e recebida em 18/01/2011, contendo, em síntese, as alegações a seguir: Que no documento citado está registrado que esta Universidade deixou de atender anterior solicitação não apresentando o Relatório Final do Projeto de pesquisa em desenvolvimento. Para tal solicitação houve manifestação desta Universidade, no ofício n° 850/10, de 06.09.10. " Portaria Decex n° 8, de 13 de maio de 1991. No tocante a alteração da condição da mercadoria de usada para nova, como mencionado anteriormente, foi decorrência de pedido ou recomendação da própria DECEX, como pode ser visto pelo conteúdo do email anexado aos autos. Que resta absolutamente certo que a FURG não prestou informação falsa para eximirse da devida anuência, como afirmado, mas que entendeu que os bens ingressaram no país como novos e em que pese passados vários anos e a atual situação de usados, para efeitos de LI deveriam ser considerados novos, haja vista que esta foi a realidade da época do ingresso em solo nacional. Sendo certo que a FURG não prestou informação falsa para eximirse da devida anuência, seguese que a multa que lhe foi aplicada resta sem amparo legal, de vez que a anuência da DECEX nesse caso é entendida pela própria DECEX como desnecessária. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 11051.000457/201015 Acórdão n.º 3301002.718 S3C3T1 Fl. 228 6 Não existe o crime de falsidade ideológica sem o dolo específico, como já decidido pelos nossos tribunais, em especial pelo Supremo Tribunal Federal, sendo inepta a denúncia que, fundada em meras conjecturas dissociadas da prova indiciária até então apurada, imputam ao paciente o crime definido no art. 304 do CP, independentemente de qualquer elemento de convicção quanto ao dolo, direto ou eventual, indispensável à tipificação penal do fato. Requer, pois, a impugnação da multa que lhe foi imposta e o fornecimento de cópias integrais das mencionadas representações para que possa diligenciar na defesa de seus interesses, além da juntada do Relatório Final do Projeto de Pesquisa vinculado às máquinas importadas. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza CE considerou válido o auto de infração com a seguinte ementa: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Anocalendário: 2010 ADMISSÃO TEMPORÁRIA. DESCUMPRIMENTO DE CONDIÇÃO DO REGIME. RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO DA DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. NECESSIDADE DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. Devida a multa por falta de Licença de Importação ou documento equivalente, estabelecida na alínea “b”, do inciso I, do art. 169 do Decreto Lei nº 37/1966, quando há necessidade de retificação de ofício da Declaração de Importação por inércia do importador em realizar a nacionalização dos bens objeto de Admissão Temporária, após o prazo final do regime. O contribuinte encaminhou um ofício para a Delegacia da Receita Federal de sua circunscrição onde tece algumas considerações sobre o acórdão da Delegacia da Receita de Julgamento em Fortaleza CE. Portanto, o ofício foi recebido como recurso voluntário ao CARF. É o relatório. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 11051.000457/201015 Acórdão n.º 3301002.718 S3C3T1 Fl. 229 7 Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas Relator O recurso voluntário é tempestivo, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminarmente, cumpre esclarecer que os argumentos acerca da configuração ou não de crime referemse a matéria que não é objeto do presente processo, sendo impertinente ao julgamento administrativo. Portanto, não comporta apreciação. Dispõe a Súmula nº 28 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), dotada de efeito vinculante em relação à administração tributária federal, por força da Portaria MF nº 383/2010 (DOU 14/07/2010): O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. No mérito, constatase que, neste processo tratamos apenas da multa aplicada em decorrência de importação em desamparo da Licença de Importação LI, capitulada na alínea “b”, do inciso I, do art. 169 do Decreto Lei nº 37/1966. Tal multa é decorrência de procedimento de retificação de ofício da declaração de admissão temporária para declaração de importação para consumo de bens usados, estabelecida no inciso I, do §1º, do art. 19 da IN SRF nº 285, de 14 de janeiro de 2003. Para entendermos a controvérsia, é preciso separarmos a multa em tela das demais infrações previstas pela não extinção do regime concedido. No recurso voluntário, o contribuinte alega que os bens adquiridos no exterior pela Universidade Federal do Rio Grande estão acobertados pela Lei 8.010/1990, que dispõe sobre as importações de bens destinados à pesquisa científica. Alega também que, caso a "Procuradoria Federal" tivesse sido questionada no momento da audiência para conciliação sobre a natureza dos produtos, não hesitaria em informar que os produtos seriam "novos". Enfim, a recorrente não questiona os motivos que ensejaram a multa prevista no auto de infração. Inicialmente, os bens adentraram o território nacional sob o regime de admissão temporária. A admissão temporária de mercadorias é um regime aduaneiro suspensivo, com previsão na legislação nacional, que se presta essencialmente à entrada de mercadorias no país com o compromisso de retorno ao proprietário quando do término do contrato efetivado entre as partes. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 11051.000457/201015 Acórdão n.º 3301002.718 S3C3T1 Fl. 230 8 Ao término do prazo de concessão deverá a pessoa que promoveu a admissão temporária adotar umas das providências existentes para a extinção do regime, conforme estabelecido na IN SRF nº 285, de 14 de janeiro de 2003, vigente à época do final do prazo estabelecido: Art. 15. O regime de admissão temporária se extingue com a adoção de uma das seguintes providências, pelo beneficiário, dentro do prazo fixado para a permanência do bem no País: I reexportação; II entrega à Fazenda Nacional, livre de quaisquer despesas, desde que a autoridade aduaneira concorde em recebêlo; III destruição, às expensas do beneficiário; IV transferência para outro regime aduaneiro, nos termos da Instrução Normativa SRF nº 121, de 11 de janeiro de 2002; ou V despacho para consumo. (...) § 9º O despacho para consumo, como modalidade de extinção do regime, farseá com observância das exigências legais e regulamentares que regem as importações, vigentes à data do registro da correspondente declaração de importação. § 10. No caso de despacho para consumo, temse por tempestiva a providência para extinção do regime, na data do pedido da licença de importação, desde que este seja formalizado dentro do prazo de vigência do regime, e a licença seja deferida. A extinção do regime deve ser providenciada dentro do prazo de permanência dos bens no país e o pedido de licença de importação (LI) é condição para que o pedido de extinção seja tido como tempestivo. No caso em tela, a recorrente ignorou os prazos existentes para a extinção do regime aduaneiro a que estava vinculada e não adotou qualquer medida que fosse capaz de revelar sua intenção de regularizar a situação dos bens em seu poder. Os equipamentos, que deveriam permanecer sob regime suspensivo pelo prazo máximo de cinco anos, findo em 21/03/2005, ficaram no Brasil sem que a recorrente tomasse qualquer atitude de maneira espontânea. Pelo contrário, toda e qualquer providência adotada partiu sempre da Secretaria da Receita Federal e a FURG agiu apenas quando provocada pela autoridade aduaneira. A situação descrita perdurou por quase cinco anos após o vencimento do prazo para extinção do regime, levando a fiscalização a promover a retificação de ofício da declaração de admissão e fazendo a nacionalização das mercadorias de ofício. Esta medida está prevista no art. 19 da IN SRF nº 285/2003 e deve ser adotada justamente quando há inércia do contribuinte na nacionalização das mercadorias admitidas temporariamente. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 11051.000457/201015 Acórdão n.º 3301002.718 S3C3T1 Fl. 231 9 A medida adotada para nacionalização das mercadorias se deu após inúmeras tentativas frustradas da fiscalização para que a FURG providenciasse a documentação necessária e ela mesma providenciasse a nacionalização dos bens admitidos temporariamente. A solução encontrada pela recorrente, com a emissão de LI substitutiva, exclusão do DECEX como órgão anuente e alteração da condição das mercadorias de usadas para novas, deve ser tratada em outra esfera do direito público, como bem observado pela fiscalização ao informar a lavratura de representação fiscal para fins penais em face dos responsáveis pela manobra. Não é possível concordar com tal solução para cancelar a multa em tela. A Fundação Universidade de Rio Grande possui natureza jurídica que lhe confere tratamento tributário diferenciado, mas não lhe isenta do cumprimento das demais obrigações tributárias decorrentes da admissão temporária, que requer controle rigoroso para evitar que bens importados sob regime suspensivo de tributos possam permanecer no território aduaneiro sem o cumprimento das regras pertinentes. Assim, está demonstrado nos autos a não extinção do regime, razão pela qual as mercadorias passaram a ter tratamento próprio daquelas importadas mediante despacho para consumo, isto é, importação comum, o que torna exigível a obtenção da Licença de Importação (LI) por se tratar, quando exigível, de documento obrigatório de instrução do despacho aduaneiro de importação, nos termos do art. 359, do Decreto 6.759, de 05 de fevereiro de 2009. Art. 359. Quando se tratar de bens cuja importação esteja sujeita à prévia manifestação de outros órgãos da administração pública, a concessão do regime dependerá da satisfação desse requisito. § 1º A concessão do regime poderá ser condicionada à obtenção de licença de importação; § 2º A licença de importação exigida para a concessão do regime não prevalecerá para efeito de nacionalização e despacho para consumo dos bens. Já a exigência de LI para material usado está explicitada na Portaria SECEX nº 10, de 24 de maio de 2010, conforme pode ser observado a seguir: Art. 10. Estão sujeitas a Licenciamento Não Automático as importações: (...) II – as efetuadas nas situações abaixo relacionadas: a) sujeitas à obtenção de cotas tarifária e não tarifária; b) ao amparo dos benefícios da Zona Franca de Manaus e das Áreas de Livre Comércio;. c) sujeitas à anuência do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico CNPq; d) sujeitas ao exame de similaridade; e) de material usado, salvo as exceções estabelecidas no § 2º e no § 3º do art. 37 desta Portaria; Fl. 231DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 11051.000457/201015 Acórdão n.º 3301002.718 S3C3T1 Fl. 232 10 Em adendo, não é possível aplicar ao caso a dispensa de LI com base no disposto em norma emitida pela SECEX, uma vez que não se trata de nacionalização de bens admitidos temporariamente para utilização econômica, mas regularização de mercadorias que se encontram em território nacional, ingressadas sob regime aduaneiro de admissão temporária para aplicação em projeto de pesquisa acadêmica e cujas providências necessárias para sua extinção jamais foram adotadas pelo importador. Conclusão: A aplicação da multa pela falta de guia de importação está correta, nos termos do art. 169, I, alínea “b”, do DecretoLei nº 37/66, regulamentada pelo art. 706, I, alínea “a”, do Decreto nº 6.759, de 05 de fevereiro de 2009. Bens usados estão sujeitos a licenciamento não automático, nos termos da Portaria Secex nº 10/2010, art. 10, inciso II, alínea “e”, e tal licenciamento para nacionalizar os bens não foi realizado. Assim, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas Relator (ASSINADO DIGITALMENTE) LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Fl. 232DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL
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Numero do processo: 10950.004054/2009-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. REGIME ALTERNATIVO. ATIVIDADE AGRÍCOLA.
O valor das aquisições de matérias primas, produtos intermediários, materiais de embalagem, combustíveis e lubrificantes empregados na fase agrícola do processo produtivo (cultivo da cana-de-açúcar) devem ser excluídos da base de cálculo do crédito presumido.
CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS.
Somente geram direito ao crédito presumido os materiais intermediários, assim definidos na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados, que sejam consumidos no processo produtivo mediante contato físico direto com o produto em fabricação, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente. (Súmula CARF n° 19; Pareceres Normativos nº 65, de 1979 e 181, de 1979).
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT.
O direito ao crédito presumido do IPI, instituído pela Lei nº 9.363, de 1996, condiciona-se a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, abrangendo o campo de incidência, todos os produtos com alíquota, ainda que zero, .não estando, por conseguinte, alcançados pelo benefício, os produtos não tributados (NT), conforme entendimento pacífico consubstanciado na Súmula CARF n° 20.
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. TRANSFERÊNCIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA PRÓPRIA PESSOA JURÍDICA. INSUMOS.
As transferências de insumos entre estabelecimentos da própria pessoa jurídica não geram direito ao crédito presumido de IPI, por não se enquadrarem como aquisições efetivas de insumos, nos termos do artigo 1º, da Lei nº 9.363, de 1996.
Numero da decisão: 3302-003.005
Decisão: Recurso Voluntário Provido em Parte
Direito Creditório Reconhecido em Parte
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito de crédito nas aquisições realizadas de pessoas físicas e cooperativas e negar o direito de crédito em relação aos gastos com (i) aquisição de insumos empregados no cultivo da Cana de Açúcar, (ii) aquisição de lubrificantes de uso não industrial, (iii) insumos e lubrificantes de uso agrícola, (iv) peças e materiais de manutenção industrial, (v) produtos químicos e equipamentos de proteção individual e (vi) insumos empregados na fabricação de produtos NT, nos termos do voto do Relator. Por maioria votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para admitir o direito à correção monetária da fração do crédito não reconhecido no Despacho Decisório, a contar da data em que foi proferido o Despacho. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá e Ricardo Paulo Rosa que reconheciam o direito à correção da fração do crédito não reconhecido no Despacho Decisório desde o protocolo do pedido correspondente.
Fez sustentação oral: Dra. Denise da Silveira Peres de Aquino Costa - OAB 10.264 - SC.
[assinado digitalmente]
RICARDO PAULO ROSA - Presidente.
[assinado digitalmente]
MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR - Relatora.
EDITADO EM: 22/02/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE NÃO CONTRIBUINTES. POSSIBILIDADE. ENTENDIMENTO FIRMADO EM RECURSO REPETITIVO PELO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. ART. 62, § 2º DO ANEXO II DO RICARF. O Superior Tribunal de Justiça decidiu, na sistemática de recursos repetitivos, que devem ser incluídos, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, o valor das aquisições de insumos que não sofreram a incidência do PIS e Cofins, de modo que devem ser computadas as aquisições de pessoas físicas e cooperativas. Esse entendimento por força regimental deve ser reproduzido no julgamento dos recursos. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE FORNECEDORES NÃO CONTRIBUINTES DE PIS E COFINS. REGIME ALTERNATIVO.CABIMENTO. O art. 2º, § 2º, da Instrução Normativa n. 23/97, impôs limitação ilegal ao art. 1º da Lei n. 9.363/96, quando condicionou gozo do benefício do crédito presumido do IPI, para ressarcimento de PIS/PASEP e COFINS, somente às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições para o PIS/PASEP e COFINS. Tema já julgado pelo recurso representativo da controvérsia REsp. n. 993.164/MG, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 13.12.2010. Lógica que também se aplica ao art. 5º, §2º, da IN/SRF n. 420/2004, especifica para o crédito presumido alternativo previsto na Lei n. 10.276/2001, por possuir idêntica redação. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da não cumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 40 54 /2 00 9- 13 Fl. 1310DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 2 considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. Ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco. (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. REGIME ALTERNATIVO. ATIVIDADE AGRÍCOLA. O valor das aquisições de matérias primas, produtos intermediários, materiais de embalagem, combustíveis e lubrificantes empregados na fase agrícola do processo produtivo (cultivo da canadeaçúcar) devem ser excluídos da base de cálculo do crédito presumido. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. Somente geram direito ao crédito presumido os materiais intermediários, assim definidos na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados, que sejam consumidos no processo produtivo mediante contato físico direto com o produto em fabricação, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente. (Súmula CARF n° 19; Pareceres Normativos nº 65, de 1979 e 181, de 1979). CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. O direito ao crédito presumido do IPI, instituído pela Lei nº 9.363, de 1996, condicionase a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, abrangendo o campo de incidência, todos os produtos com alíquota, ainda que zero, .não estando, por conseguinte, alcançados pelo benefício, os produtos não tributados (NT), conforme entendimento pacífico consubstanciado na Súmula CARF n° 20. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. TRANSFERÊNCIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA PRÓPRIA PESSOA JURÍDICA. INSUMOS. As transferências de insumos entre estabelecimentos da própria pessoa jurídica não geram direito ao crédito presumido de IPI, por não se enquadrarem como aquisições efetivas de insumos, nos termos do artigo 1º, da Lei nº 9.363, de 1996. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Fl. 1311DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 10950.004054/200913 Acórdão n.º 3302003.005 S3C3T2 Fl. 1.311 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito de crédito nas aquisições realizadas de pessoas físicas e cooperativas e negar o direito de crédito em relação aos gastos com (i) aquisição de insumos empregados no cultivo da Cana de Açúcar, (ii) aquisição de lubrificantes de uso não industrial, (iii) insumos e lubrificantes de uso agrícola, (iv) peças e materiais de manutenção industrial, (v) produtos químicos e equipamentos de proteção individual e (vi) insumos empregados na fabricação de produtos NT, nos termos do voto do Relator. Por maioria votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para admitir o direito à correção monetária da fração do crédito não reconhecido no Despacho Decisório, a contar da data em que foi proferido o Despacho. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá e Ricardo Paulo Rosa que reconheciam o direito à correção da fração do crédito não reconhecido no Despacho Decisório desde o protocolo do pedido correspondente. Fez sustentação oral: Dra. Denise da Silveira Peres de Aquino Costa OAB 10.264 SC. [assinado digitalmente] RICARDO PAULO ROSA Presidente. [assinado digitalmente] MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR Relatora. EDITADO EM: 22/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado por USINA DE AÇÚCAR SANTA TEREZINHA LTDA, com CNPJ 75.717.355/000103, em face do Acórdão nº. 34.051, de 08/06/2011, proferido pela 2ª Turma da DRJ/RPO, que, à unanimidade, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Em face da minudência da situação fática retratada, adoto o relatório da r. decisão de primeira instância, conforme a seguir transcrito: Trata o presente de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório que deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento do crédito presumido apurado no período em destaque e homologou apenas parte das compensações declaradas, em razão dos seguintes fundamentos: 1)Os recursos aplicados na formação da lavoura de cana de açúcar devem ser contabilizados no ativo permanente, pois esta não se extingue com um único corte, conforme posicionamento Fl. 1312DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 4 do Conselho de Contribuintes, com gastos concernentes a máquinas e equipamentos de instalações industriais (inclusive manutenção dos mesmos), veículos rurais, veículos de transportes, pás e, principalmente, às lavouras formadas de cana. 2) No cálculo original do benefício, foram aproveitados pela requerente todos os gastos na formação da lavoura canavieira: mudas, defensivos, corretivos de solos, fertilizantes, peças para máquinas, lubrificantes, energia elétrica, combustíveis para maquinados e materiais diversos, inclusive aqueles aplicados na produção de produtos classificados como NT (Não tributados) na TIPI, o que significa que não são considerados como produtos industrializados. 3) Somente foram aceitas as aquisições de cana de açúcar de pessoas jurídicas com entradas correspondentes ao CFOP 1101. As aquisições de produção própria ou de filiais, não foram acolhidas, pois se trata de mera transferência de matéria prima, sem a incidência das contribuições do Pis e da Cofins; outrossim, as aquisições de pessoas físicas também não foram aceitas. Insubmissa à decisão administrativa, a contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade em que, resumidamente, contesta o cômputo de saldo negativo período anterior; outrossim, sendo a manifestante empresa agroindustrial e que exerce atividade rural (extração e exploração vegetal e animal) os gastos com insumos na formação da lavoura, notadamente as fases de cultivo e tratos culturais (fertilizantes e defensivos agrícolas), corte e transporte, conforme laudo técnico; concorda que os gastos com insumos na fase de adequação de preparo do solo devem ser classificados no ativo imobilizado e reconhece que insumos usados na fase de plantio de cana de açúcar foram equivocadamente incluídos e devem ser excluídos oportunamente; quanto a insumos adquiridos de pessoas físicas, especificamente a cana de açúcar, o Conselho de Contribuintes reconhece o cabimento da inclusão na base de cálculo do benefício, pois a legislação não impôs restrições às aquisições de produtores rurais; créditos de produtos intermediários (insumos de uso industrial, lubrificantes para uso industrial e agrícola, materiais diversos, itens para manutenção geral, combustíveis, peças e materiais para manutenção de máquinas agrícolas) não foram considerados, apesar de autorização na Lei n° 10.276/2001 e do laudo descritivo da atividade, juntado: os lubrificantes de uso agrícola, combustível, peças e materiais utilizados na manutenção de máquinas agrícolas e caminhões são materiais intermediários, pois não se integram ao produto final, mas são consumidos no processo industrial, especialmente na fase de corte e transporte da cana de açúcar; é ilegal a exclusão de créditos relativos a transferências de matéria prima; inclusive nos aplicados na produção dos produtos classificados na TIPI como NT, por sofrerem processo de industrialização, ademais, deve ser deferido o ressarcimento com o acréscimo de juros calculados pela taxa Selic para que seja mantido o valor do pleito no tempo, sob pena de enriquecimento sem causa da Administração, devendo ser utilizada a analogia com o instituto da restituição, nos termos de jurisprudência apontada; por fim, Fl. 1313DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 10950.004054/200913 Acórdão n.º 3302003.005 S3C3T2 Fl. 1.312 5 requer o reconhecimento dos créditos apurados e a homologação das compensações, com exceção dos débitos relacionados às fls. 1075/1076, os quais teriam sido incluídos no programa REFIS. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento decidiu a lide conforme demonstra a ementa da decisão proferida. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 CRÉDITO PRESUMIDO. REGIME ALTERNATIVO. CUSTOS DE AQUISIÇÃO ADMITIDOS.Para fins de cálculo do crédito presumido no regime alternativo, somente é admitida a inclusão na respectiva base de cálculo de custos de aquisição de energia elétrica e de combustíveis utilizados no processo industrial; devem ser observadas, outrossim, as restrições preconizadas na Lei n° 9.363, de 13 de dezembro de 1996, aplicada subsidiariamente, notadamente quanto às aquisições de insumos de pessoas físicas ou transferidos de estabelecimentos filiais, de insumos sem comprovação documental e de bens não correspondentes à verdadeira acepção de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS OU TRANSFERIDOS DE ESTABELECIMENTOS FILIAIS. São glosados os valores referentes a aquisições de insumos de pessoas físicas, nãocontribuintes do PIS e da Cofins, ou a transferências de insumos de filiais, pois, conforme a legislação de regência, os insumos adquiridos devem sofrer o gravame das referidas contribuições. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÕES DE INSUMOS. ADMISSIBILIDADE. AÇÃO DIRETA SOBRE O PRODUTO. Somente os insumos que exerçam ação direta sobre o produto em fabricação, ainda que sem integrar o produto final (produtos intermediários), mas com desgaste no processo industrial, representam aquisições passíveis de integrar a base de cálculo do benefício fiscal. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. Operação que resulta em produto nãotributável, não é considerada operação industrial, sendo que, nem mesmo o estabelecimento é considerado industrial, não fazendo jus ao crédito presumido de IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Fl. 1314DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 6 É incabível a concessão do estímulo fiscal acrescido de juros de mora pela taxa Selic, por ausência de autorização legal. Cientificada da decisão de primeira instância em 18/07/2011, conforme tela de consulta ao sistema dos Correios de fl. 1.163, a interessada apresentou Recurso Voluntário de fls.1.164 a 1203 em 11/08/2011, fl.1.164, reitera os mesmos argumentos já aduzidos na Manifestação de Inconformidade. O despacho de fls.1.307/1.308 informa a seguinte situação processual: Tendo em vista o requerimento de fls. 1223 a 1224, o contribuinte acima identificado informa que em 12/12/2013 aderiu ao parcelamento de débitos da Reabertura da Lei 11.941/2009, na modalidade RFB – Demais Débitos – Parcelamento de Dívidas não parceladas anteriormente (Art.1º, da Lei nº11.941/2009) e, ao mesmo tempo requereu a desistência parcial das compensações afeitas ao presente processo, atendendo ao disposto nos artigos 14 e seguintes da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 07/2013 ( que regulamentou a Lei nº 12.865/2013), sobre os débitos abaixo discriminados: Para viabilizar a consolidação do débito no valor de R$ 370.300,00 o contribuinte indicou a parcela correspondente ao crédito presumido de IPI, apurado com as seguintes aquisições: • Material de Proteção e Segurança – R$4.431,09; • Matéria Prima (adubos e fertilizantes) utilizada na fase de formação da lavoura –R$72.539,38; • Material de Expediente – R$ 62,33; • Material de Laboratório – R$4.359,11; • Material de Limpeza – R$534,17; • Material de Obras – R$1.915,65; • Outros Materiais – R$4.047,64 • Produtos Químicos utilizados na fase de formação da lavoura – R$282.410,63; • Total – R$ 370.300,00 ( Desistência parcial da discussão relativa ao Crédito ) Assim, • O crédito pleiteado de R$ 4.128.839,55 com a desistência parcial de R$ 370.300,00 relativo ao crédito correspondente à desistência da compensação requerida, permanece o valor pleiteado de R$ 3.758.539,55; Fl. 1315DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 10950.004054/200913 Acórdão n.º 3302003.005 S3C3T2 Fl. 1.313 7 • O débito referente à desistência da compensação no valor de R$ 370.300,00 está controlado no processo nº 10950.720572/201194 e será encaminhado à SACAT/DRF/MGAPR para inclusão na consolidação dos débitos no parcelamento da Lei nº 11.941/2009. • Permanece no processo para compensação os seguintes débitos: É o relatório. Voto Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: PRELIMINARMENTE Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Aquisições de Insumos de Pessoas Físicas Quanto à matéria em debate, o Superior Tribunal de Justiça já se posicionou na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados recursos representativos da controvérsia. Considerando que as referidas decisões do Egrégio Superior Tribunal de Justiça devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, colacionase, nos termos em que ementado o REsp 993164 MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010: Fl. 1316DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 8 EMENTA 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade Fl. 1317DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 10950.004054/200913 Acórdão n.º 3302003.005 S3C3T2 Fl. 1.314 9 rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar seão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade. [...] 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS. Ressalvese que embora o presente processo trate de crédito presumido apurado pelo regime alternativo instituído pela Lei nº 10.276, de 2001 e não da hipótese prevista na Lei nº 9.363, de 1996, percebese que é plausível o mesmo entendimento do STJ exarado no Recurso Especial nº 993.164/MG uma vez que não há impedimento ao crédito decorrente de aquisições de pessoas físicas na referida Lei nº 10.276, de 2001. Nesse sentido já decidiu o STJ, REsp 1313043 / RS, Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES , SEGUNDA TURMA, julgado em 02/10/2012, DJe 08/10/2012: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PRESUMIDO ALTERNATIVO DE IPI. RESSARCIMENTO DE PIS/COFINS. ARTS 1º E 6º, DA LEI N. 9.363/96 E LEI N. 10.276/2001. ILEGALIDADE DO ART. 5º, §2º, DA IN/SRF N. 420/2004. CORREÇÃO MONETÁRIA. SÚMULA N. 411/STJ. 1. O art. 2º, § 2º, da Instrução Normativa n. 23/97, impôs limitação ilegal ao art. 1º da Lei n. 9.363/96, quando condicionou gozo do benefício do crédito presumido do IPI, para ressarcimento de PIS/PASEP e COFINS, somente às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições para o PIS/PASEP e COFINS. Tema já julgado pelo recurso representativo da controvérsia REsp. n. 993.164/MG, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 13.12.2010. Lógica que também se aplica ao art. 5º, §2º, da IN/SRF n. 420/2004, especifica para o crédito presumido alternativo previsto na Lei n. 10.276/2001, por possuir idêntica redação.(grifei). 2. O tema da correção monetária dos créditos escriturais de IPI é matéria sumulada neste STJ (Súmula 411/STJ: "É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco") e já foi objeto de julgamento pela sistemática para recursos repetitivos prevista no artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008, no REsp. Nº 1.035.847 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 24.6.2009. Fl. 1318DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 10 3. Consoante precedente julgado em sede de Recurso Representativo da Controvérsia (REsp. n. 1.138.206/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 9.8.2010), o art. 24 da Lei 11.457/2007 se aplica também para os pedidos protocolados antes de sua vigência. Sendo assim, o Fisco deve ser considerado em mora somente a partir do término do prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias contado da data do protocolo dos pedidos de ressarcimento. 4. Recurso especial da Fazenda Nacional parcialmente provido. Portanto, quanto a essa matéria considerase provido o recurso voluntário. Atualização Monetária. Taxa Selic Com relação à matéria também o Superior Tribunal de Justiça já se posicionou na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados recursos representativos da controvérsia, de modo que a situação ora em análise se amolda ao entendimento firmado pelo colendo Superior Tribunal de Justiça, visto que em regra, a correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal, ocorrendo tãosomente quando [“...postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco], conforme se infere dos seguintes julgados: RECURSO ESPECIAL Nº 1.035.847 RS (2008/00448972), a seguir ementado: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal.(gn) 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; Fl. 1319DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 10950.004054/200913 Acórdão n.º 3302003.005 S3C3T2 Fl. 1.315 11 EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008).(gn). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. REsp 1035847 RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009: EMENTA 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da não cumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco. Com base no exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário interposto pela Recorrente, reconhecendo o direito ao crédito de IPI em relação aos valores referentes às aquisições de insumos de não contribuintes de PIS e COFINS, bem como a aplicação da Taxa Selic quanto aos valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI, desde a oposição do ato estatal. MÉRITO Do Crédito Presumido de IPI Sendo a Recorrente pessoa jurídica de direito privado, produtora de Açúcar e Álcool, analisarseá a seguir as demais matérias aduzidas na peça recursal quanto ao Crédito Presumido do IPI, conforme as disposições legais a seguir mencionadas. Determina a Lei nº 9.363, de 1996: Fl. 1320DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 12 Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. (...) Art. 3o Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1o, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem.(gn) Determinam ainda os §§ 4º e 5º do artigo 1º, da Lei nº 10.276, de 2001: § 4o A opção pela alternativa constante deste artigo será exercida de conformidade com normas estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal e abrangerá, obrigatoriamente: § 5o Aplicamse ao crédito presumido determinado na forma deste artigo todas as demais normas estabelecidas na Lei no 9.363, de 1996. A regulamentação à época adotada, a exemplo do art. 5º da IN/SRF nº 420, de 2004, dispôs que fará jus ao crédito presumido, a pessoa jurídica produtora e exportadora de produtos industrializados nacionais, inclusive sujeito a alíquota zero. Por sua vez o § 5º, acima transcrito, determinou que se aplicam ao regime alternativo de aproveitamento do crédito presumido de IPI todas as demais normas estabelecidas na Lei nº 9.363, de 1996. É importante ressalvar como premissa para a fundamentação a seguir que o pleito da Recorrente quanto ao Crédito Presumido do IPI, consiste no ressarcimento, ao produtor/exportador, das contribuições PIS/PASEP e COFINS incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias primas (MP), produtos intermediários (PI) e materiais de embalagem (ME), utilizados no processo produtivo de bens destinados à exportação. Fl. 1321DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 10950.004054/200913 Acórdão n.º 3302003.005 S3C3T2 Fl. 1.316 13 Em outro aspecto, observase pela legislação de regência do IPI, que referido imposto incide sobre produtos industrializados, abrangendo o campo de incidência, todos os produtos com alíquota, ainda que zero. Do Cultivo da Cana de Açúcar A matéria nuclear trazida na peça recursal no tocante a esse aspecto, prende se à glosa dos materiais aplicados no cultivo de canadeaçúcar, uma vez que já na Manifestação de Inconformidade a Recorrente aceitou a glosa das aquisições de insumos aplicados na formação da lavoura, assim, discorda veementemente quanto à exclusão do processo produtivo das fases de Cultivo e Tratos Culturais na canadeaçúcar, Corte e Transporte e, por conseguinte, quanto à exclusão dos insumos utilizados e consumidos nestas fases, arguindo que devem ser considerados os créditos decorrentes de defensivos, adubos químico, inseticidas, dentre outros, conforme laudo técnico, juntado ao processo, por se tratar de atividade agroindustrial. Ocorre que a Lei nº 9.363, de 1996 ao prevê o direito ao crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das Contribuições PIS/PASEP e COFINS, estabeleceu como premissas: a incidência das referidas contribuições nas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo, bem como a utilização da legislação do IPI para o estabelecimento, dos conceitos de matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. Por sua vez a legislação do IPI dispõe apropriadamente sobre os conceitos mencionados, conforme prescrevem os 1artigos 3º, 4º e 2164 do Regulamento do IPI, vigente à época dos fatos em lide (RIPI/2002, Decreto nº 4544, de 26/12/2002), de modo que em face 1 Art. 3o Produto industrializado é o resultante de qualquer operação definida neste Regulamento como industrialização, mesmo incompleta, parcial ou intermediária (Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 46, parágrafo único, e Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º) Seção II Da Industrialização Características e Modalidades Art. 4o Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei nº 5.172, de 1966, art. 46, parágrafo único, e Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único): I a que, exercida sobre matériasprimas ou produtos intermediários, importe na obtenção de espécie nova (transformação); II a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); III a que consista na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte um novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal (montagem); IV a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento); ou V a que, exercida sobre produto usado ou parte remanescente de produto deteriorado ou inutilizado, renove ou restaure o produto para utilização (renovação ou recondicionamento). Parágrafo único. São irrelevantes, para caracterizar a operação como industrialização, o processo utilizado para obtenção do produto e a localização e condições das instalações ou equipamentos empregados. 2 Art. 164. Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a MP, PI e ME, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; Fl. 1322DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 14 dos conceitos legais colacionados para a compreensão da matéria, inferese que o cultivo da canadeaçúcar não se enquadra como uma operação de industrialização, assim, por ausência de base legal que suporte o pleito da Recorrente não pode ser acolhido o crédito presumido sobre as aquisições de produtos aplicados no cultivo da canadeaçúcar. Produtos Intermediários Insumos não Admitidos Destaca a Recorrente que conforme Laudo Técnico do processo produtivo o emprego de todos os insumos arrolados, quais sejam, insumos e lubrificantes de uso industrial, insumos e lubrificantes de uso agrícola, combustível de uso industrial, peças e materiais de manutenção industrial, produtos químicos, equipamentos de proteção individual, fazem parte do processo produtivo, sendo, portanto, passíveis de crédito por meio do presente benefício fiscal. Com relação aos combustíveis destaca o Despacho Decisório de fls. 909/959, item 232 : 232. Os valores então acatados para fins de composição da base de cálculo do crédito presumido são apenas aqueles relativos às aquisições com destinação informada "INDUSTRIA", no CFOP 1653, grupo de estoque informado "APLICAÇÃO DIRETA", e agrupados no Anexo IND1653J como "somente diesel alto valor". Quanto aos demais materiais destacados, cabe enfatizar que a legislação de regência do IPI, não se refere a insumos genericamente utilizados no processo produtivo, mas especificamente à matéria prima, ao produto intermediário e ao material de embalagem. Assim, para se considerar que tais custos ensejem o direito ao crédito, eles terão que se enquadrar em algum daqueles insumos citados. Com efeito, a matéria sub examine teve sua conceituação interpretativa através do Parecer Normativo CST nº 65, de 1979, o qual, estabelece que: “Em estudo o inciso I do artigo 66 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovado pelo Decreto nº 83.263, de 9 de março de 1979 (RIPI/79). 2 O artigo 25 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, com a redação que lhe foi dada pela alteração 8ª do artigo 2º do Decretolei nº 34, de 18 de novembro de 1966, repetida “ipsis verbis” pelo artigo 1º do Decretolei nº 1.136, de 7 de setembro de 1970, dispõe: ‘Art. 25 A importância a recolher será o montante do imposto relativo aos produtos saídos do estabelecimento, em cada mês, diminuindo do montante do imposto relativo aos produtos nele entrados no mesmo período, obedecidas as especificações e normas que o regulamento estabelecer’. Como se vê, tratase de norma não autoaplicável, de vez que ficou atribuído ao regulamento especificar os produtos entrados que geram o direito à subtração do montante de IPI a recolher. 3 Diante disto, ressaltese serem ‘ex nunc’ os efeitos decorrentes da entrada em vigência do inciso I do artigo 66 do RIPI/79, ou seja, usando da atribuição que lhe foi conferida em lei, o novo Regulamento estabeleceu as normas e especificações que a Fl. 1323DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 10950.004054/200913 Acórdão n.º 3302003.005 S3C3T2 Fl. 1.317 15 partir daquela data passaram a reger a matéria, não se tratando, como há quem entenda, de disposição interpretativa e, por via de conseqüência, retroativa, somente sendo, portanto, aplicável a norma em análise, a seguir transcrita, aos fatos ocorridos a partir da vigência do RIPI/79: ‘Art. 66 Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502/64 arts. 25 a 30 e Decretolei nº 3.466, art. 2º, alt. 8ª): I do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo se, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente.’ (gn). 4 Notese que o dispositivo está subdividido em duas partes, a primeira referindose às matériasprimas, aos produtos intermediários e ao material de embalagem; a segunda relacionada às matériasprimas e aos produtos intermediários que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos no processo de industrialização. 4.1 Observese, ainda, que enquanto na primeira parte da norma ‘matériasprimas’ e ‘produtos intermediários’ são empregados ‘stricto sensu’, a segunda usa tais expressões em seu sentido lato: quaisquer bens que, embora não se integrando ao produto em fabricação se consumam na operação de industrialização. 4.2 Assim, somente geram direito ao crédito os produtos que se integrem ao novo produto fabricado e os que, embora não se integrando, sejam consumidos no processo de fabricação, ficando definitivamente excluídos aqueles que não se integrem nem sejam consumidos na operação de industrialização. 5 No que diz respeito à primeira parte da norma, que se refere a matériasprimas e produtos intermediários ‘stricto sensu’, ou seja, bem dos quais, através de quaisquer das operações de industrialização enumeradas no Regulamento, resulta diretamente um novo produto, tais como, exemplificadamente, a madeira com relação a um móvel ou o papel com referência a um livro, nada há que se comentar de vez que o direito ao crédito, diferentemente do que ocorre com os referidos na segunda parte, além de não se vincular a qualquer requisito, não sofreu alteração com relação aos dispositivos constantes dos regulamentos anteriores. 6 Todavia, relativamente aos produtos referidos na segunda parte, matériasprimas e produtos intermediários entendidos em sentido amplo, ou seja, aqueles que embora não sofram as referidas operações são nelas utilizados, se consumindo em virtude do contato físico com o produto em fabricação, tais como lixas, lâminas de serra e catalisadores, além da ressalva de não Fl. 1324DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 16 gerarem o direito se compreendidos no ativo permanente, exige se uma série de considerações. 6.1 Há quem entenda, tendo em vista tal ressalva (não gerarem direito ao crédito os produtos compreendidos entre os bens do ativo permanente), que automaticamente gerariam o direito ao crédito os produtos não inseridos naquele grupo de contas, ou seja, que a norma em questão teria adotado como critério distintivo, para efeito de admitir ou não o crédito, o tratamento contábil emprestado ao bem. 6.2 Entretanto, uma simples exegese lógica do dispositivo já demonstra a improcedência do argumento, uma vez que, consoante regra fundamental de lógica formal, de uma premissa negativa (os produtos ativados permanentemente não geram o direito) somente concluise por uma negativa, não podendo, portanto, em função de tal premissa, ser afirmativa a conclusão, ou seja, no caso, a de que os bens não ativados permanentemente geram o direito de crédito. 7 Outrossim, aceita, em que pese a contradição lógicoformal, a tese de que para os produtos que não sejam matérias nem produtos intermediários ‘stricto sensu’, vigente o RIPI/79, o direito ou não ao crédito deve ser deduzido exclusivamente em função do critério contábil ali estatuído, estarseia considerando inócuas diversas palavras constantes do texto legal, de vez que bastaria que o referido comando, em sua segunda parte, rezasse “...e os demais produtos que forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens ao ativo permanente”, para o mesmo resultado. 7.1 Tal opção, todavia, eqüivaleria a pôr de lado o princípio geral de direito consoante o qual ‘a lei não deve conter palavras inúteis’, o que só é lícito fazer na hipótese de não se encontrar explicação para as expressões inúteis. 8 No caso, entretanto, a própria exegese histórica da norma desmente esta acepção, de vez que a expressão ‘incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando no novo produto forem consumidos no processo de industrialização’ é justamente a única que consta de todos os dispositivos anteriores (inciso I do artigo 27 de Decreto 56.791/65, inciso I do artigo 30 do Decreto nº 61.514/67 e inciso I do artigo 32 do Decreto nº 70.162/72), o que equivale a dizer que foi sempre em função dela que se fez a distinção entre os bens que, não sendo matériasprimas nem produtos intermediários ‘stricto sensu’, geram ou não direito ao crédito, isto é, segundo todos estes dispositivos, geravam o direito os produtos que embora não se integrando no novo produto, fossem consumidos no processo de industrialização. 8.1 A norma constante do direito anterior (inciso I do artigo 32 do Decreto nº 70.162/72), todavia restringia o alcance do dispositivo, dispondo que o consumo do produto, para que se aperfeiçoasse o direito do crédito, deveria se dar imediata e integralmente. Fl. 1325DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 10950.004054/200913 Acórdão n.º 3302003.005 S3C3T2 Fl. 1.318 17 8.2 O dispositivo vigente inciso I do artigo 66 do RIPI/79 por sua vez, deixou de registrar tal restrição, acrescentando, a título de inovação, a parte final referente à contabilização no ativo permanente. 9 Como se vê, o que mudou não foi o critério, que continua sendo o do consumo do bem no processo industrial, mas a restrição a este. 10 Resumese, portanto, o problema na determinação do que se deve entender como produtos ‘que embora não se integrando no novo produto, forem consumidos, no processo de industrialização’, para efeito de reconhecimento ou não do direito ao crédito. 10.1 Como o texto fala em ‘incluindose entre as matérias primas e os produtos intermediários’, é evidente que tais bens hão de guardar semelhança com as matériasprimas e os produtos intermediários ‘stricto sensu’, semelhança esta que reside no fato de exercerem na operação de industrialização função análoga a destes, ou seja, se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto de fabricação, ou por este diretamente sofrida. 10.2 A expressão ‘consumidos’ sobretudo levandose em conta que as restrições ‘imediata e integralmente’, constantes do dispositivo correspondente do Regulamento anterior, foram omitidas, há de ser entendida em sentido amplo, abrangendo, exemplificativamente, o desgaste, o desbaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou químicas, desde que decorrentes de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre o insumo. 11 Em resumo, geram o direito ao crédito, além dos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários, “stricto senso”, material de embalagens), quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação; ou viceversa, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, desde que não devam, em face dos princípios contábeis geralmente aceitos, ser incluídos no ativo permanente.” Da interpretação emanada do referido parecer inferese que a melhor exegese não aponta para leitura de que, desde que não façam parte do ativo permanente, todos os itens consumidos na industrialização poderiam ser considerados matériasprimas e produtos intermediários com fins de gerar o respectivo direito ao crédito, já que de forma oposta, dos itens consumidos ou utilizados na produção, nem todos são matériasprimas ou produtos intermediários, de acordo com a legislação do IPI. No mesmo sentido, já dispunha o Parecer Normativo nº 181, de 1974, em seu item 13: Fl. 1326DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 18 “13 Por outro lado, ressalvados os casos de incentivos expressamente previstos em lei, não geram direito ao crédito do imposto os produtos incorporados às instalações industriais, as partes, peças e acessórios de máquinas equipamentos e ferramentas, mesmo que se desgastem ou se consumam no decorrer do processo de industrialização, bem como os produtos empregados na manutenção das instalações, das máquinas e equipamentos, inclusive lubrificantes e combustíveis necessários ao seu acionamento. Entre outros, são produtos dessa natureza: limas, rebolos, lâmina de serra, mandris, brocas, tijolos refratários usados em fornos de fusão de metais, tintas e lubrificantes empregados na manutenção de máquinas e equipamentos etc.” (grifouse) Frizese que, nos termos do Parecer Normativo CST nº 65, de 1979, e do Parecer Normativo nº 181, de 1974, e em consonância com o art. 164 do RIPI/2002, geram direito ao crédito, além das matériasprimas, produtos intermediários “stricto sensu” e material de embalagem que se integram ao produto final, quaisquer outros bens – desde que não contabilizados pela contribuinte em seu ativo permanente – que se consumam por decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, que sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, ou viceversa, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, ficando excluídos os produtos: a) que não se integrem nem sejam consumidos na operação de industrialização; b) incorporados às instalações industriais, as partes, peças e acessórios de máquinas equipamentos e ferramentas, mesmo que se desgastem ou se consumam no decorrer do processo de industrialização; c) empregados na manutenção das instalações, das máquinas e equipamentos, inclusive lubrificantes e combustíveis necessários ao seu acionamento. Restou assim evidente que a legislação de regência veda o crédito de IPI, não apenas na aquisição de bens que se integram ao ativo imobilizado, mas também nas aquisições de produtos utilizados indiretamente na industrialização, ou seja, aqueles que não se agregam ao produto final e nem se desgastam por sofrerem ação direta sobre os produtos fabricados. Dessa forma, não se admite o crédito dos produtos arguidos na peça recursal, pois não se enquadram no conceito de MP, PI, ou ME, de acordo com a legislação do IPI. Também não pode ser acolhido o pleito da interessada quanto às entradas escrituradas no CFOP 1.151 (transferência para industrialização: entradas de mercadorias recebidas em transferência de outro estabelecimento da mesma empresa, para serem utilizadas em processo de industrialização), por não se enquadrarem como aquisições efetivas de insumos, inexistindo portanto amparo na legislação de regência que respalde tais entradas na apuração de crédito presumido, haja vista que na operações em destaque não há a incidência das contribuições que se visa ressarcir. Produtos Classificados na TIPI como NT Já foi destacado no presente voto que o IPI incide sobre produtos industrializados, abrangendo o campo de incidência, todos os produtos com alíquota, ainda que zero. Essa é portanto a disposição do art. 8º do RIPI/2002: Art. 8o Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no art. 4o, de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento (Lei no 4.502, de 1964, art. 3o).(gn). Fl. 1327DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 10950.004054/200913 Acórdão n.º 3302003.005 S3C3T2 Fl. 1.319 19 Estando o campo de incidência do imposto precisamente delimitado, infere se que os produtos classificados na TIPI como "NT" não estão incluídos no campo de incidência deste, assim, não é estabelecimento industrial para fins de IPI aquele que elabora produtos classificados na TIPI como nãotributados (NT), bem como quem realiza operação excluída do conceito de industrialização pela legislação do IPI. Os fundamentos acima têm como matriz normativa as disposições do art. 3º da Lei nº 4.502, de 1964, base legal da legislação sobre o IPI: Art . 3º Considerase estabelecimento produtor todo aquêle que industrializar produtos sujeitos ao impôsto. No mesmo sentido dispõe a Súmula CARF n° 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Inferese portanto que a exportação de produtos não tributados não confere direito ao crédito presumido de IPI, como o produto álcool carburante, destacado nos itens 34/49 do Despacho Decisório. Com base no exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário interposto pela Recorrente, reconhecendo o direito ao crédito de IPI em relação aos valores referentes às aquisições de insumos de não contribuintes de PIS e COFINS, bem como a aplicação da Taxa Selic quanto aos valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI, desde a oposição do ato estatal. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relator Fl. 1328DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR
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Numero do processo: 10680.013909/2006-73
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 03 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Sat Feb 27 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO.
Correspondendo o comportamento do contribuinte aos tipos descritos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/1964, conforme descrito no TVF e não contraditados de forma convincente pela defesa do contribuinte, há que se manter a qualificação da multa.
Numero da decisão: 9101-002.217
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em conhecer do Recurso Especial da Fazenda; e, no mérito, dar-lhe provimento, por unanimidade, votando pelas conclusões os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rêgo, Luís Flávio Neto, Lívia de Carli Germano (Suplente Convocada), Rafael Vidal de Araújo, Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), Maria Teresa Martinez Lopez e Carlos Alberto Freitas Barreto, que entendem qualificar a multa o comportamento descrito no TVF que resulta no enquadramento nos Arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Relator.
EDITADO EM: 22/02/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martínez López (Vice-Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rego, Luís Flávio Neto, André Mendes de Moura, Lívia de Carli Germano (Suplente Convocada), Rafael Vidal de Araújo e Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado).
Nome do relator: MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Correspondendo o comportamento do contribuinte aos tipos descritos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/1964, conforme descrito no TVF e não contraditados de forma convincente pela defesa do contribuinte, há que se manter a qualificação da multa.
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CONTRARIEDADE À LEI OU À EVIDÊNCIA DA PROVA. CABIMENTO. Os recursos com base no inciso I do art. 7º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, interpostos contra os acórdãos proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em data anterior à vigência do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, serão processados de acordo com o rito previsto nos arts. 15 e 16 daquele Regimento. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Correspondendo o comportamento do contribuinte aos tipos descritos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/1964, conforme descrito no TVF e não contraditados de forma convincente pela defesa do contribuinte, há que se manter a qualificação da multa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em conhecer do Recurso Especial da Fazenda; e, no mérito, darlhe provimento, por unanimidade, votando pelas conclusões os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rêgo, Luís Flávio Neto, Lívia de Carli Germano (Suplente Convocada), Rafael Vidal de Araújo, Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), Maria Teresa Martinez Lopez e Carlos Alberto Freitas Barreto, que entendem qualificar a multa o comportamento descrito no TVF que resulta no enquadramento nos Arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 39 09 /2 00 6- 73 Fl. 2026DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.013909/200673 Acórdão n.º 9101002.217 CSRFT1 Fl. 2.027 2 (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Relator. EDITADO EM: 22/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martínez López (VicePresidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rego, Luís Flávio Neto, André Mendes de Moura, Lívia de Carli Germano (Suplente Convocada), Rafael Vidal de Araújo e Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado). Relatório Por bem descrever os fatos, repito o trecho do relatório da decisão recorrida que interessa a este julgamento: DA AUTUAÇÃO E DA IMPUGNAÇÃO Em ação fiscal direta em face do contribuinte em epígrafe, foram lavrados autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, PIS e COFINS, acrescidos de juros e de multa qualificada ao patamar de 150%. A fiscalização alcançou os anoscalendário de 2000 e 2002. Em relação ao primeiro, tributou omissão de receita caracterizada de forma presumida com base em falta de escrituração de pagamentos. Já, no que se refere a 2002, a autuação promovida se esteou em dois pontos: (i) receita de prestação de serviço informada em DIPJ retificadora sem a entrega das correspondentes DCTF, e (ii) omissão de receitas financeiras. Ademais, foram lavrados termos de responsabilidade solidária contra quatro sócios da autuada. A contribuinte, bem como os sócios responsabilizados, apresentaram suas respectivas impugnações ao lançamento. Para mais minúcias, tomo de empréstimo o relatório elaborado pela autoridade julgadora de primeiro grau acerca das referidas peças de acusação e defesa: AUTO DE INFRAÇÃO Os autos de infração de folhas 07/81 e 382 exigem o recolhimento de crédito tributário no montante de R$ 7.233.658,61 (sete milhões, duzentos e trinta e três mil, seiscentos e cinquenta e oito reais e sessenta e um centavos), de Imposto de Renda Pessoa Jurídica — 1RPJ; R$ 1.073.481,74 Fl. 2027DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.013909/200673 Acórdão n.º 9101002.217 CSRFT1 Fl. 2.028 3 (um milhão, setenta e três mil, quatrocentos e oitenta e um reais e setenta e quatro centavos), de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL; R$ 585.497,29 (quinhentos e oitenta e cinco mil, quatrocentos e noventa e sete reais e vinte e nove centavos) de Contribuição Programa de Integração Social — PIS e R$ 2.753.668,11 (dois milhões, setecentos e cinquenta e três mil, seiscentos e sessenta e oito mil reais e onze centavos) de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins referentes aos anoscalendário de 2000 e 2002, assim discriminados: (...) Depreendese dos Autos de Infração Descrição dos Fatos e do Termo de Verificação Fiscal TVF, fls. 09, 19, 29, 39 e 47/81, que: a) a empresa, no anocalendário de 2000, deixou de contabilizar remessas de numerários ao exterior, por intermédio de operações realizadas à revelia do Sistema Financeiro Nacional, omitindo receitas e agindo com dolo e fraude, nos termos do art. 72 da Lei nº 4.502, de 1964, tudo descrito no TFV, parte integrante dos autos de infração. b) a empresa, no anocalendário de 2002, omitiu receita da prestação de serviços de propaganda e publicidade auferida neste período, que vieram a ser contabilizadas e declaradas em DIPJ retificadora pela empresa, após o conhecimento público dos fatos conhecidos como “caso mensalão”, cujos tributos não foram declarados em DCTF antes do início da ação fiscal, conforme descrito no TVF, e, c) a empresa, no anocalendário de 2002, não incluiu na base de cálculo dos tributos a totalidade dos rendimentos de aplicação financeira apurados segundo descrito no TVF. Os autos consignam que a empresa, três dias antes de iniciado o procedimento fiscal, apresentou declarações retificadoras para incluir as receitas omitidas (prática usual da empresa) e, no decorrer do procedimento, escriturou e apresentou novos livros contábeis e fiscais com o mesmo objetivo, deixando de elaborar nova DCTF e deixando de efetuar o recolhimento da diferença entre os tributos informados nas DIPJ retificadoras e a original correspondente. Os créditos tributários foram constituídos por meio dos autos de infração, com base nas receitas escrituradas no livro Diário nº 13, registrado na JUCEMG em 28/09/2005 (data em que já havia sido iniciada a auditoria), para formalização de instrumento apto a sua cobrança. Para a apuração dos tributos devidos, foram compensados, levandose em conta os respectivos períodos de apuração, os valores declarados em DCTF (já recolhidos) de IR, CSLL, PIS e COFINS, e retenções e sobras de pagamentos em relação às Fl. 2028DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.013909/200673 Acórdão n.º 9101002.217 CSRFT1 Fl. 2.029 4 DCTF efetuadas, conforme fls. 15, 25, 33/34, 43/44 e discriminadas no quadro de fl. 76. Devido às irregularidades apontadas foram lavrados, neste processo, os autos de infração referentes aos anoscalendário de 2000 e 2002, acima quantificados e fundamentados a seguir. (...). As multas de ofício aplicadas, no percentual de 150%, foram capituladas nos artigos 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, fls 16, 26, 36 e 46. Os autos consignam também que, durante a ação fiscal, foram constatados evidente intuito de fraude comprovado pela prática de omissão de receitas por parte da empresa: remessas ao exterior à margem da escrituração contábil, por caminhos fora do controle do Sistema Financeiro Nacional; dupla escrituração de livros comerciais e fiscais, e ainda com comprovada utilização de notas fiscais falsas, entre outros. Todos os cálculos dos tributos e contribuições, multas e juros encontramse demonstrados, nos respectivos autos de infração. Foi constatado, ainda, que o contribuinte, nos anos de 2001, 2002 e 2003 (período em que deveria ter recolhido os tributos relativos ao ano de 2000 e 2002), contabilizou nos novos livros fiscais e comerciais, constantes e volumosas saídas de numerários, a título de distribuições de lucros aos sócios gerentes, em detrimento do recolhimento dos tributos devidos, fato que ensejou a lavratura de Termo de Sujeição Passiva Solidária contra os sócios que detinham poder de administração da Pessoa Jurídica, desde o anocalendário de 2000, com fundamento nos artigos 124 e 135, III, do Código Tributário Nacional, fls. 383 a 398, a saber: Cristiano de Mello Paz, CPF 129.449.47672; Ramon Hollerbach Cardoso, CPF 143.322.21672; Renilda Maria Santiago Fernandes de Souza, CPF 492.881.806 72. Marcos Valério Fernandes de Souza, CPF 403.760.95687 Todas as informações acima estão detalhadas no Termo de Verificação Fiscal TVF (parte integrante destes autos de infração), fls. 47/81. Em 14/12/2006, a empresa tomou ciência dos autos de infração, fls. 08, 18, 28 e 38. Além da sujeição passiva da pessoa jurídica, também foram intimados para o adimplemento ou impugnação dos créditos tributários formalizados nestes autos, os sócios/gerentes da empresa, na qualidade de responsáveis solidários, fls. 383/398. Fl. 2029DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.013909/200673 Acórdão n.º 9101002.217 CSRFT1 Fl. 2.030 5 IMPUGNAÇÃO Inconformada, a empresa apresentou impugnação em uma única peça aos Autos de Infração IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, [fls.] 414/427, em 09/01/2007. [...]. Argumenta que o lançamento contém duas nulidades flagrantes: A primeira, relativa ao fato de que houve, na realidade, dois lançamentos do mesmo tributo, e a segunda, no fato de que a fiscalização aplicou sobre os valores e receitas declarados espontaneamente multa majorada de 150%, considerando, sem maiores explicações, o procedimento como máfé e dolo. Assevera que a máfé e o dolo estão afastados quando existe um procedimento espontâneo do contribuinte ao declarar, antes do início da fiscalização, receitas anteriormente não declaradas. Alega que o aresto transcrito pela fiscalização, fls. 32/33 do TVF, tem pouco ou nada a ver com a situação dos autos, eis que, na situação transcrita, exposta na sentença judicial, o fiscalizado teria promovido a retificação de seus erros após o início da fiscalização (com a consequente perda de espontaneidade), enquanto, na situação da impugnante, a retificação da declaração da DIPJ, e a consequente correção dos erros, com o oferecimento da receita à tributação, ocorreu três dias antes do início da ação fiscal. Assevera que o fato de a SMP&B Comunicação Ltda. não ter recolhido o IRPJ devido na declaração retificadora não a invalida em nada, uma vez que a declaração retificadora foi entregue regularmente, tendo, a autoridade tomado ciência da receita omitida e do imposto devido. Alegando que a fiscalização não considerou espontâneo o procedimento da Impugnante, pondera que a lei não delimita prazos nos quais existe a espontaneidade, limitandose a dizer quais as iniciativas do contribuinte, adotadas antes do início da fiscalização, estão ao seu abrigo. Afirma que, em nenhum momento, mencionou o art. 138 do CTN, que prevê o pagamento do tributo relativo à infração fiscal espontaneamente denunciada. Com a retificação da DIPJ, quis, apenas, levar ao conhecimento da autoridade fiscal receitas anteriormente não declaradas. Considerando que a receita total da impugnante, no ano calendário de 2002, foi regularmente declarada (retificadora entregue em tempo hábil, portanto com espontaneidade), não vê como prosperar o entendimento segundo o qual não pode a declaração ser aceita. Ao contrário, com a entrega e recebimento da declaração retificadora, foi feito o lançamento do tributo, uma vez que o débito declarado pela Impugnante pode e deve ser encaminhado ao Setor de Arrecadação ou Fl. 2030DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.013909/200673 Acórdão n.º 9101002.217 CSRFT1 Fl. 2.031 6 Procuradoria da Fazenda Nacional para cobrança administrativa ou judicial. Em suma, não houve o pagamento do tributo, mas houve o seu lançamento, eis que a Impugnante calculou o quantum devido e o ofereceu, atendendo à legislação vigente, à autoridade fiscal. Neste sentido, afirma não ser possível realizar um novo lançamento de ofício do mesmo imposto, conforme consta no auto de infração, apoiandose nos dados declarados espontaneamente pela Impugnante, o que caracteriza o “bis in idem” — o fisco lançou o que já estava lançado. Indaga o destino que a autoridade fiscal pretende dar à DIPJ retificadora: não serve para nada? Ou alimentará o “conta corrente” da Impugnante, imputando a ela o mesmo débito imputado pelo auto de infração? Requer seja cancelado o lançamento constante no auto de infração, por indevido, absurdo e redundante, e tenha prosseguimento o lançamento constante na DIPJ retificadora, uma vez que os dois documentos fiscais tratam de uma coisa só ou de um único débito. Havendo dois lançamentos sobre a mesma matéria fática, há de prevalecer o primeiro lançamento, que é, no caso, o lançamento constante na DIPJ retificadora regularmente entregue. [...]. Do Pedido A impugnante requer: [...]; a redução da multa agravada, pelo fato de a fiscalização ter utilizado a sua escrituração contábil e fiscal ao realizar o lançamento. [...]. DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU A decisão recorrida (fls. 497 a 518) negou provimento à defesa de todos os interessados, pelas razões que se seguem. Preliminares [...]. O lançamento não é nulo em razão da entrega de DIPJ, porque esta declaração não constitui crédito tributário, para tal é necessária a apresentação de DCTF, o que não foi promovido pelo sujeito passivo. Não há nulidade em razão da aplicação de multa no patamar de 150% sobre receitas espontaneamente declaradas, uma vez que “dos fatos descritos, restou caracterizada a prática de omissão Fl. 2031DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.013909/200673 Acórdão n.º 9101002.217 CSRFT1 Fl. 2.032 7 de receita, de modo fraudulento, com dupla escrituração de livros comercias e fiscais, falsificação de documento público (AIDE), e ainda com a utilização comprovada de notas fiscais falsas, tudo com o intuito para que a empresa deliberadamente deixasse de recolher os tributos devidos no ano de 2002, e não simplesmente uma falta de pagamento de tributos como quer fazer crer a impugnante”. Ademais, a entrega de DIPJ retificadora não caracteriza a denúncia espontânea, cuja compleição exige o pagamento do tributo devido. [...]. DOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS A pessoa jurídica autuada apresentou recurso voluntário tempestivo às fls. 536 a 559; a Senhora Renilda Marilda Santiago Fernandes de Souza, às fls. 560 a 571; o Senhor Marcos Valério Fernandes de Souza, às fls. 572 a 583. Os demais responsáveis não apresentaram recurso em peça própria. [...]. No mérito, contesta a aplicação do percentual punitivo de 150%. Aduz que os dados de sua declaração para ao anocalendário de 2002 estão corretos e que a fiscalização não caracterizou, para esse período, qualquer omissão. Transcreve acórdão desta Câmara, da lavra do ilustríssimo conselheiro Márcio Machado Caldeira, que considera improcedente a aplicação de multa qualificada no caso de entrega de declaração antes do início da fiscalização. Ademais, não ficou comprovada a máfé da autuada, e devese ressaltar que a base da autuação foi a própria receita declarada pela recorrente, o que comprovaria que a que a recorrente “não falsificou ou forjou nenhum número relacionado com a sua receita”. Devemse cancelar os valores constante do lançamento de ofício para permanecer o contido na DIPJ retificadora. [...]. O Colegiado proferiu acórdão cuja ementa transcrevo, na parte ainda em discussão: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Exercício: [...], 2003 [...]. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ARREPENDIMENTO EFICAZ. O pagamento ou o depósito de quantia arbitrada pela autoridade não são essenciais, em todas as hipóteses, para a exclusão da responsabilidade por infrações. Se assim fosse, pedido de Fl. 2032DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.013909/200673 Acórdão n.º 9101002.217 CSRFT1 Fl. 2.033 8 parcelamento e apresentação de declarações constitutivas de crédito tributário, como a DCTF, não impediriam a Fazenda de exigir a sanção punitiva. A disciplina da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN, deve ser interpretada com gradações de causa e efeito; a causa é o arrependimento, o efeito é a exclusão da responsabilidade. Quão mais eficaz for o arrependimento, mais ampla será a exclusão. A apresentação de declarações constitutivas, antes do início do procedimento fiscal, impede a constituição pelo Fisco de sanções punitivas; já a entrega de declarações meramente informativas, apesar de não excluir a responsabilidade por multa de ofício, impede a sua qualificação, uma vez que se caracteriza o arrependimento relativo ao aspecto volitivo da conduta delitiva. A Fazenda Nacional apresentou recurso especial, alegando contrariedade à evidência das provas relativamente à desqualificação da multa de ofício aplicada no ano calendário de 2002. O recurso foi admitido pela presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF. Devidamente cientificados, o sujeito passivo e dois dos responsáveis solidários apresentaram contrarrazões, nas quais alegam, preliminarmente, o não cabimento do recurso especial, por suposta ofensa ao art. 37, § 2º, do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, fundamentandose no Código de Processo Civil CPC (Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973). No mérito, requerem seja negado provimento ao recurso especial interposto em favor da União. É o Relatório. Voto Conselheiro MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO O recurso é tempestivo e preenche os requisitos para seu conhecimento. Não obstante as disposições contidas no Código de Processo Civil CPC (Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973) — aplicáveis apenas subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal —, prevalece, no caso, a norma contida no art. 4º da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com a alteração introduzida pela Portaria MF nº 446, de 27 de agosto de 2009 (grifei): Art. 4º Os recursos com base no inciso I do art. 7º, no art. 8º e no art. 9º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, interpostos contra os acórdãos proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em data anterior à vigência do Anexo II desta Portaria, serão processados de acordo com o rito previsto nos arts. 15 e 16, no art. 18 e nos arts. 43 e 44 daquele Regimento. Fl. 2033DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.013909/200673 Acórdão n.º 9101002.217 CSRFT1 Fl. 2.034 9 A matéria posta à apreciação desta Câmara Superior referese à possibilidade de desqualificação da multa de ofício aplicada, em face da apresentação, pelo sujeito passivo, de DIPJ retificadora anteriormente ao início do procedimento fiscal. O raciocínio que norteou a decisão recorrida está fundamentado nas seguintes premissas (efls. 611 e 612): A autoridade fiscal e a julgadora de primeiro grau se apegaram a uma interpretação isolada do art. 138 do CTN. Pela literalidade do dispositivo, a denúncia espontânea só se caracterizaria e, assim, ficaria excluída a imposição de penalidades no caso de pagamento. Se nos apegássemos a “ferro e fogo” à questão do pagamento, a própria apresentação extemporânea da DCTF não seria apta a afastar a imposição da sanção punitiva. A denúncia espontânea deve ser considerada como um instituto legal cuja finalidade é a de estimular infratores a se arrepender, a fim de se recuperar o tributo imediatamente, ou de se instrumentalizar o Fisco com elementos tais que lhe seriam de obtenção mais árdua e custosa. Tratase de uma espécie de arrependimento, cuja eficácia está sujeita a gradações, assim como os seus efeitos. A primeira conclusão a que chegou a decisão recorrida, a partir dessas premissas, foi a seguinte (efls. 612): Entendo que a apresentação de declarações constitutivas (como uma DCTF), antes do início da ação fiscal, é plenamente eficaz para se usufruir do favor legal da espontaneidade; nenhuma sanção punitiva pode ser exigida, mesmo sem pagamento. [...]. Verificase que a decisão recorrida, inadvertidamente, olvidouse do fato de que, em relação à entrega de DCTF, o fundamento legal para a exclusão da correspondente multa punitiva não é o da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do CTN, supostamente aplicado por “gradação”. Vejase que o art. 138 do CTN remete à não imposição de multa punitiva, nada diz de sua gradação. Assim, se reconhecida a espontaneidade não há multa punitiva (a incidência ou não de multa de mora, se reconhecida a espontaneidade, depende de apresentação ou não de declaração prévia, conforme jurisprudência do STJ). Relativamente à DCTF incide a figura da confissão espontânea, estatuído no art. 5º, §§ 1º e 2º, do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984 (destaquei): Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. § 2º Não pago no prazo estabelecido pela legislação o crédito, corrigido monetariamente e acrescido da multa de vinte por Fl. 2034DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.013909/200673 Acórdão n.º 9101002.217 CSRFT1 Fl. 2.035 10 cento e dos juros de mora devidos, poderá ser imediatamente inscrito em dívida ativa, para efeito de cobrança executiva, observado o disposto no § 2º do artigo 7º do Decretolei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. Dessa forma, incabível a pretendida interpretação “com gradações de causa e efeito” (efls. 596) da “disciplina da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN” (efls. 596), a fim de se permitir “usufruir do favor legal da espontaneidade” (efls 612). É que essa última espontaneidade (apresentação de declarações constitutivas, como uma DCTF), como visto, decorre de lei, e não de simples “entendimento” (efls. 612): Entendo que a apresentação de declarações constitutivas (como uma DCTF), antes do início da ação fiscal, é plenamente eficaz para se usufruir do favor legal da espontaneidade; nenhuma sanção punitiva pode ser exigida, mesmo sem pagamento. [...]. Também por força da incorreção das premissas adotadas, não procede a segunda conclusão a que chegou a decisão recorrida: [...]. Já a apresentação de declarações meramente informativas, só é eficaz em relação ao elemento subjetivo da conduta, o que afasta a imposição da sanção qualificada, mas a sanção punitiva de caráter objetivo deve ser exigida. Como já exposto anteriormente, a eficácia do art. 138 do CTN não está submetida a “gradações”, não expressamente previstas em lei, a permitir albergar tal conclusão. Por conseguinte, deve ser restabelecida a multa de ofício qualificada, de 150% (cento e cinquenta por cento), por inexistir base legal para sua redução pela singela apresentação de declaração meramente informativa (DIPJ). Destaquese que a mera entrega da DIPJ sem a escrituração contábil e fiscal que lhe dê suporte nada significa (a não ser prova contra o contribuinte). Como a escrituração referida foi produzida após o início da ação fiscal, nenhum benefício a favor do contribuinte dela pode ser extraído, ademais considerando as circunstâncias em que ocorreram os fatos que ensejaram o lançamento, remanescendo transparente o evidente intuito de fraude, o que enseja a qualificação da multa de ofício. Por outro lado, não é correto dizer — como o sujeito passivo em sua impugnação — que: “houve, na realidade, dois lançamentos do mesmo tributo”; que, “com a entrega e recebimento da declaração retificadora, foi feito o lançamento do tributo”; que “não houve o pagamento do tributo, mas houve o seu lançamento”; que não é possível “realizar um novo lançamento de ofício do mesmo imposto, conforme consta do auto de infração”; que deve ser “cancelado o lançamento constante no auto de infração, por indevido, absurdo e redundante”, tendo prosseguimento “o lançamento constante na DIPJ retificadora regularmente entregue”; e que “havendo dois lançamentos sobre a mesma matéria fática, há de prevalecer o primeiro lançamento, que é, no caso, o lançamento constante na DIPJ retificadora regularmente entregue”. É que esse entendimento afronta o contido na Súmula CARF nº 92, de seguinte teor: Fl. 2035DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.013909/200673 Acórdão n.º 9101002.217 CSRFT1 Fl. 2.036 11 A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. Por fim, e respondendo aos questionamentos do sujeito passivo, feitos em sua impugnação: a DIPJ retificadora, cujo destino é ser meramente informativa, não alimentará o conta corrente, e não imputará a ela o mesmo débito imputado pelo auto de infração. Do exposto, voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Do fundamento de decidir da maioria do Colegiado. Na conclusão do julgamento, votaram pelas conclusões, mantendo a multa qualificada os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rêgo, Luís Flávio Neto, Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada), Rafael Vidal de Araujo, Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), Maria Teresa Martinez Lopez e Carlos Alberto Freitas Barreto. Assim, há que se observar o art. 63. § 8º do RICARfAnexo II, abaixo transcrito: Art. 63. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes e dos ausentes, especificandose, se houver, os conselheiros vencidos e a matéria em que o foram, e os impedidos. ... § 8º Na hipótese em que a decisão por maioria dos conselheiros ou por voto de qualidade acolher apenas a conclusão do relator, caberá ao relator reproduzir, no voto e na ementa do acórdão, os fundamentos adotados pela maioria dos conselheiros. Os Conselheiros que votaram pelas conclusões expressaram em sessão o entendimento que o comportamento do contribuinte e demais corresponsáveis, a teor do que é relatado no TVF e que não restou afastado por provas supervenientes, impõe qualificar a multa nos termos nos Arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64. Isto porque “Os autos consignam também que, durante a ação fiscal, foram constatados evidente intuito de fraude comprovado pela prática de omissão de receitas por parte da empresa: remessas ao exterior à margem da escrituração contábil, por caminhos fora do controle do Sistema Financeiro Nacional; dupla escrituração de livros comerciais e fiscais, e ainda com comprovada utilização de notas fiscais falsas, entre outros.’ E que: “Foi constatado, ainda, que o contribuinte, nos anos de 2001, 2002 e 2003 (período em que deveria ter recolhido os tributos relativos ao ano de 2000 e 2002), contabilizou nos novos livros fiscais e comerciais, constantes e volumosas saídas de numerários, a título de distribuições de lucros aos sócios gerentes, em detrimento do recolhimento dos tributos devidos, fato que ensejou a lavratura de Termo de Sujeição Passiva Solidária...”. em vista de tais fatos e atos que não restaram afastados de forma convincente no decorrer do processo, há que se manter a qualificação da multa, tendo sido esta a posição consignada da maioria. – no sentido de dar provimento ao recurso especial da Fazenda Fl. 2036DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.013909/200673 Acórdão n.º 9101002.217 CSRFT1 Fl. 2.037 12 (Assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Relator Fl. 2037DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO
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