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Numero do processo: 10880.915957/2008-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/09/2001
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.980
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Incidência sobre receitas de vendas a empresas sediadas na ZFM. Recorrente SPECTRUM BRANDS BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO DE BENS DE CONSUMO LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/09/2001 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 59 57 /2 00 8- 11 Fl. 249DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915957/200811 Acórdão n.º 9303003.980 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, meio pelo qual busca a reforma do Acórdão nº 3801003.863, que negou provimento ao recurso voluntário. Decidiu o colegiado a quo pela incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Cientificado do mencionado acórdão o sujeito passivo apresentou recurso especial suscitando divergência jurisprudencial quanto à isenção das contribuições sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e serviços para empresas com domicílio na Zona Franca de Manaus. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.934, de 07/06/2016, proferido no julgamento do processo 10650.902444/201141, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303003.934): "A matéria, única, posta ao exame do colegiado não é nova. Com efeito, já tivemos oportunidade de nos pronunciar sobre ela em diversas ocasiões, tendo eu firmado convicção pela inaplicabilidade de qualquer medida desonerativa (seja isenção, imunidade ou alíquota zero) aos fatos geradores anteriores a julho de 2004. No relatório da Dra. Vanessa consta que o contribuinte aduziu em seu recurso: "que: (a) o DecretoLei nº 288/67 equipara os efeitos das operações de venda para a Zona Franca de Manaus às exportações para o estrangeiro, sendolhes aplicáveis as vantagens fiscais estabelecidas pela legislação para as exportações, nos termos do seu art. 4º; (b) o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido da não incidência de PIS sobre as receitas decorrentes das vendas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus; (c) o Supremo Tribunal Fl. 250DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915957/200811 Acórdão n.º 9303003.980 CSRFT3 Fl. 4 3 Federal, ao proferir liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’, contida no inciso I, do §2º do art. 14 da MP nº 2.03724/00, expressão suprimida do diploma legal pelo Poder Executivo ao editar, na mesma data, a MP nº 2.03725/2000; e, por fim, (d) não incide o PIS para os fatos geradores ocorridos em fevereiro de 2002, tendo em vista a revogação da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ do inciso I, §2º do art. 14 da MP nº 2.03725/2000 e a equiparação dos efeitos fiscais das vendas para a Zona Franca de Manaus às exportações para o exterior". Consideroos todos abarcados no voto que segue, proferido em sessão de 2011, no qual enfrentei ainda outros argumentos. Reconheço haver decisões do STJ em sentido oposto, mas, como nenhuma delas cumpre os requisitos do art. 62 do atual regimento interno desta Casa, peço vênia para continuar teimando. Disseo eu naquela ocasião: Vale iniciálo reenunciando o criativo entendimento da recorrente: a) não há necessidade de previsão legal expressa concessiva da isenção porque o decretolei 288 e o Ato Complementar 35/67 bastam; b) deferida isenção para exportações em geral, a vendas à ZFM está imediata e automaticamente estendida; c) tendo o Ato Complementar à Constituição de 67 a natureza de lei complementar, como pacificado em nossos Tribunais,. nenhuma lei ordinária o poderia revogar; d) a “revogação” pretendida somente vigorou entre ___ e ___, sendo de rigor reconhecer a isenção, ao menos, nos períodos anterior e posterior. Ainda que criativo, o raciocínio desenvolvido na defesa não merece prosperar cabendo a manutenção da decisão recorrida pelos motivos que se expõem em seguida. Em primeiro lugar, a premissa de que o decretolei 288 teria assegurado que todo e qualquer incentivo direcionado a promover as exportações deveria, imediata e automaticamente, ser estendido à Zona Franca de Manaus não resiste sequer ao primeiro dos métodos interpretativos consagradamente admitidos: a literalidade. É que tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915957/200811 Acórdão n.º 9303003.980 CSRFT3 Fl. 5 4 Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia – pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Aliás, da interpretação dada pela recorrente a este último ato também divergimos. Deveras, pretende ela que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM, como afirma a empresa. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego e renda para a região Norte. Para tanto, definiuse um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915957/200811 Acórdão n.º 9303003.980 CSRFT3 Fl. 6 5 Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser taxada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal Fl. 253DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915957/200811 Acórdão n.º 9303003.980 CSRFT3 Fl. 7 6 que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. Com efeito, ouso divergir da conclusão exposta no Parecer PFGN 1789 no sentido de que tal ressalva se destinava apenas aos comandos insertos nos incisos IV, VI, VIII e IX. A razão para tanto é que aí ventilamse hipóteses intrinsecamente ligadas ao objetivo que o ato pretende incentivar: vendas para o exterior que trazem divisas para o país. Refirome aos incisos VIII (vendas com o fim de exportação a trading companies e demais empresas exportadoras) bem como o fornecimento de bordo a embarcações em tráfego internacional (ship’s Chandler). Além disso, a interpretação não apenas retira um incentivo, ela pressupõe um desincentivo: qualquer trading do decretolei 1.248/72, exportadora inscrita na SECEX ou ship’s Chandler instalada em outro ponto do território nacional terá vantagem em relação à que ali se instale. Não faz sentido tal discriminação contra a ZFM. A interpretação dada pela douta PGFN parece buscar um sentido para o comando do parágrafo de modo a não tornálo redundante. Fêlo, todavia, da pior forma, a meu sentir, pois fixouse no método literal esquecendose de considerar o motivo da norma. Realmente, uma cuidadosa leitura do parecer permite ler o artigo, com o respectivo parágrafo segundo, da seguinte forma: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, desde que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) NÃO esteja situada na ZFM. Com a exclusão do parágrafo: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, mesmo que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) esteja situada na ZFM. Ora, o objeto da isenção versada nesses dispositivos nada tem a ver com a localização da compradora mas com o que ela faz. É a atividade (exportação com conseqüente ingresso de divisas) que se quer incentivar. O que se tem de decidir é se a mera venda à ZFM, que não gera divisa nenhuma, deve a isso ser equiparado. Foi isso, em meu entender, que o parágrafo quis dizer: não é o que o Parecer da PGFN consegue nele ler. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915957/200811 Acórdão n.º 9303003.980 CSRFT3 Fl. 8 7 Em conseqüência desse parecer, surgem decisões como as que ora se examinam: o pedido tinha a ver com venda a ZFM. A decisão abre a possibilidade de que tenha mesmo havido recolhimento indevido, mas por motivo completamente diverso. E mais, atribui ao contribuinte a prova dessa outra circunstância, que não motivara o seu pedido. Nonsense completo. Esse meu reconhecimento implica aceitar que o malsinado parágrafo estava sim se referindo, genericamente, às vendas à ZFM, ou, mais claramente, está ele a dizer que, para efeito do incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na ZFM não se equipara à exportação de que cuida o inciso II do ato legal em discussão. Mas, ao fazêlo, não está revogando dispositivo isentivo anterior: está simplesmente cumprindo o seu papel esclarecedor, ainda que nesse caso melhor fosse nada ter tentado esclarecer... Aliás, idêntico dispositivo esclarecedor poderia ter estado presente na LC 85 e na Lei 7.714 como já estivera no decretolei 491. Com isso, muita discussão travada administrativamente teria sido evitada ou transferida para o Judiciário. É a ausência de tal dispositivo e sua presença na nova lei que cria o imbróglio. Ele não leva, contudo, em minha opinião, à interpretação simplória de que tal ausência implicasse haver isenção. Para isso, primeiro, se tem de admitir que basta o Decretolei 288. Essa interpretação, pareceme, está em maior consonância com o espírito legisferante, pois não faz sentido considerar que uma norma que procura incentivar as exportações tenha instituído uma discriminação contra uma região (região, aliás, que sempre se procurou incentivar) em operações que produzem o mesmo resultado: a geração de divisas internacionais. A minha conclusão é, assim, de que mesmo entre 1º de fevereiro de 1999 e 31 de dezembro de 2000 há, sim, isenção das contribuições naquelas hipóteses, ainda que a empresa esteja situada na ZFM. Em outras palavras, a localização da empresa não é impeditivo à fruição do incentivo à exportação, desde que cumprido o que está previsto naqueles incisos. Mas tampouco há isenção APENAS PORQUE A COMPRADORA LÁ ESTEJA. Nos recursos ora em exame, esse foi o fundamento do pedido e a ele deveria terse restringido a DRJ. Nesses termos, só causa mais imbróglio a afirmação constante no acórdão recorrido de que “haveria direito” no período de 1º de janeiro de 2001 a julho de 2004 mas não estava ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há o direito na forma requerida. E por isso mesmo não cabe a pretensão do contribuinte de que a Administração adapte o seu pedido fazendo as pesquisas internas que permitam apurar se alguma das empresas por ele listadas na planilha referida se enquadra naquelas disposições. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915957/200811 Acórdão n.º 9303003.980 CSRFT3 Fl. 9 8 O máximo que se poderia admitir, dado o teor da decisão, era que, em grau de recurso, trouxesse a empresa tal prova. Não o fez, porém, limitandose a postular a nulidade da decisão porque não determinou aquelas diligências. Não sendo obrigatória a realização de diligências, como se sabe (art. __ do Decreto 70.235), sua ausência não acarreta nulidade da decisão proferida por quem legalmente competente para tal. Cabe sim manter aquela decisão dado que o contribuinte não comprovou o seu direito como lhe exigem o Decreto 70.235, a Lei 9.784 e o próprio Código Civil (art. 333). Com tais considerações, nego provimento ao recurso do contribuinte. Com essas mesmas considerações, votei, também aqui, pelo não provimento do recurso do contribuinte, sendo esse o acórdão que me coube redigir." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial do contribuinte, em razão da incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas efetuadas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 256DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 11516.001192/2007-62
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005
REDUÇÃO DE ALIQUOTA.
A redução em 50% de alíquota incidente sobre os refrigerantes
da posição 2202 da TIPI está condicionada à previa
manifestação da SRFB que se dá através de ato declaratório
concessivo do beneficio fiscal em questão.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-004.143
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito (Relator), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas. A Conselheira Vanessa Marini Cecconello apresentou declaração de voto.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Demes Brito - Relator
Rodrigo da Costa Pôssas - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: DEMES BRITO
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A redução em 50% de alíquota incidente sobre os refrigerantes da posição 2202 da TIPI está condicionada à previa manifestação da SRFB que se dá através de ato declaratório concessivo do beneficio fiscal em questão. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito (Relator), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas. A Conselheira Vanessa Marini Cecconello apresentou declaração de voto. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Demes Brito Relator Rodrigo da Costa Pôssas Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 11 92 /2 00 7- 62 Fl. 1222DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/09/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 20/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO, Assinado digitalmente em 12/10/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por VA NESSA MARINI CECCONELLO 2 Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Contribuinte contra ao acórdão nº 340200.375, proferido pela 4º Câmara / 2ºTurma Ordinária, julgado em 16 de novembro de 2009, que concedeu parcial provimento ao Recurso da Contribuinte, reconhecendo o direito ao creditamento de IPI sobre alguns insumos adquiridos pela Contribuinte, mas mantendo inalterado o restante do crédito tributário referente a obrigatoriedade de existência de Ato Declaratório para fruição de benefício fiscal. Vejamos a ementa do julgado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 INSUMOS. GASTOS GERAIS DE FABRICAÇÃO. Os conceitos de produção, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável ao IPI, não abrangendo as despesas com gastos gerais de fabricação. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. A redução de 50% da aliquota incidente nos refrigerantes da posição 2202 da TI PI está condicionada à emissão prévia de ato declaratório da SRF reconhecendo a utilização do beneficio. Lançamento Procedente Reproduzo trecho do relatório do acórdão a quo, com a descrição inicial do litígio: Tratase de auto de infração objetivando a exigência do WI relativo aos anos calendários de 2002 a 2005 em virtude de a contribuinte ter: 1. Creditadose indevidamente de valores relativos ao IPI incidente na aquisição de bens que não são considerados insumos, materiais intermediários ou materiais de embalagem; 2. Deixado de estornar valores relativos ao IPI apropriado na entrada de insumos que foram aplicados em produtos fabricados pelo estabelecimento e destruidos (baixados); 3. Deixado de recolher o IPI nas saídas de concentrados por erro na escrituração no Livro Registro de Saídas e LRAIPI; 4. Reduzido indevidamente 50% na aliquota de que trata a NC (221) da TIPI, já que o estabelecimento não possuía Ato DeclaratórioConcessivo. A contribuinte reconheceu as infrações apontadas nos itens 2 e 3 acima descritos e, em relação aos itens 1 e 4 apresentou impugnação alegando: Fl. 1223DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/09/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 20/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO, Assinado digitalmente em 12/10/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por VA NESSA MARINI CECCONELLO Processo nº 11516.001192/200762 Acórdão n.º 9303004.143 CSRFT3 Fl. 1.217 3 Os créditos glosados são provenientes de bens necessários para a fabricação dos produtos da empresa e se consomem integralmente no processo de fabricação; Não há na legislação tributaria a condição imposta pela fiscalização para promover o lançamento e o Parecer Normativo utilizado como fundamento do auto não tenha o condão de instituir ou majorar tributos; Embora inexistente o ato declaratório requerido pelo Fisco, a empresa cumpria todos os requisitos exigidos pela legislação para a expedição do referido ato; A expedição do AD, ainda que em momento posterior àquele abarcado pelo lançamento, apenas reflete a situação fática existente anteriormente, razão pela qual possui efeitos extunc". A DRJ em Ribeirão Preto manifestouse no sentido de julgar procedente oA contribuinte apresenta recurso voluntário alegando as mesmas razoes da inicial. Irresignada com tal decisão, a Contribuinte interpõe o presente recurso, sustentando que o lançamento efetuado pela fiscalização referente ao creditamento de bens não considerados como insumos é ilegal, entretanto não houve apresentação de paradigmas quanto a esta matéria (fls. 975 a 1004). Referente a discussão sobre obrigatoriedade ou não de Ato Declaratório para fruição de benefício fiscal foram apresentados os paradigmas, 126.049 e 97.042 ( Recursos Voluntários). Regularmente intimada, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões. É o relatório. Voto Vencido Demes Brito Conselheiro Relator Admissibilidade Fl. 1224DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/09/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 20/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO, Assinado digitalmente em 12/10/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por VA NESSA MARINI CECCONELLO 4 Antes de passar à análise das matérias recursais, fazse necessário revisitar o exame de admissibilidade. Inicialmente, cabe ressaltar que a admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Após essa breve introdução, passemos, então, ao exame de admissibilidade do Recurso Especial apresentado pelo sujeito passivo. Com efeito, para comprovar as divergência, o sujeito passivo apresentou como paradigmas respectivamente, os Acórdãos nº s 126.049 e 97.042 ( Recursos Voluntários). Quanto à primeira divergência suscitada, vejamos a ementa do Acórdão nº 126.049 paradigma, além de fragmentos dos votos em ambos os arestos, para identificar os fatos submetidos a julgamento e os entendimentos adotados pelos colegiados: "Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 INSUMOS. GASTOS GERAIS DE FABRICAÇÃO. Os conceitos de produção, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável ao IPI, não abrangendo as despesas com gastos gerais de fabricação. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. A redução de 50% da aliquota incidente nos refrigerantes da posição 2202 da TI PI está condicionada à emissão prévia de ato declaratório da SRF reconhecendo a utilização do beneficio. Lançamento Procedente" No que se refere a segunda divergência, o sujeito passivo apresentou o seguinte Acórdão nº 97.042 (processo no 10980.002795/9301): "IPI PRODUTOS POSIÇÃO TIPI 2202.90 Redução de alíquota em 50%. Tendo os produtos seus registros atualizados e estando dentro do prazo de concessão estabelecido pelo Ministério da Agricultura, é de se reconhecer o gozo do beneficio de que trata a norma contida no art. 2 do Decreto nº. 97.976/88, suplementada pelas NC 211 e 221 da TIPI/88. A não expedição do Ato Declaratório não fulmina o direito do contribuinte, porquanto os preceitos determinantes de fruição foram atendidos. MANDADO DE SEGURANÇA/MEDIDA LIMINAR Se o sujeito passivo recorre ao Poder Judiciário para discutir a matéria fiscal, por força do disposto no art. 1, parágrafo 2 do Decreto Lei nr. 1.737/79, abdicou do direito de ver o pleito discutido na arena administrativa. Recurso provido em parte." Como se observa, o cotejo das decisões paradigmas comprovam as divergências. Portanto, conheço do Recurso. Entretanto, a matéria posta a esta Câmara de julgamento cingese somente a questão da obrigatoriedade ou não do Ato Declaratório para usufruir da redução da alíquota do IPI no patamar de 50%. Fl. 1225DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/09/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 20/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO, Assinado digitalmente em 12/10/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por VA NESSA MARINI CECCONELLO Processo nº 11516.001192/200762 Acórdão n.º 9303004.143 CSRFT3 Fl. 1.218 5 Objeto/Mérito da Lide Sobe em grau recursal a esta Egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais a matéria quanto a necessidade ou não de apresentação de Ato Declaratório para usufruir da redução do IPI no patamar de 50% sobre refrigerantes que contenham suco de fruta ou extrato de sementes de guaraná. Consoante se constata dos autos o presente lançamento deuse pelo o fato de a contribuinte ter dado saída a produtos classificados no código (NCM) 2202.10.00 com redução de 50% da alíquota do IPI, prevista no art. 65 do Regulamento do IPI aprovado pelo Decreto nº 4.544, de 2002 – RIPI/2002 – e Nota Complementar NC (221) da Tabela de Incidência do IPI (TIPI) aprovada pelo Decreto n° 4.542, de 2002 e alterado pelo decreto 6.006, de 28/12/2006, sem que existisse Ato Declaratório expedido pela RFB e publicado no Diário Oficial da União (DOU) reconhecendo tal benefício para o período fiscalizado. Por seu turno, a Fazenda Nacional entende que a contribuinte deveria ter obtido prévia declaração da Receita Federal, o que a autorizaria a aplicar a redução; enquanto o sujeito passivo alega que tal declaração não é imprescindível para a utilização da redução, uma vez que, preenchidos os requisitos materiais necessários para tanto (registro no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento MAPA e atendimento dos padrões de identidade e qualidade exigidos por esse mesmo órgão), há de ser desconstituído o crédito tributário, pois não constitui seu direito, apenas o declara, reconhecendo como existente. Esta distinção efeito declaratório x efeito constitutivo é o ponto central que utilizo como fundamento para decidir. Conforme verifico nos autos, consta no relatório fiscal anexado ao Auto de Infração que a contribuinte possuía 17 (dezessete) produtos devidamente registrados no Ministério da Agricultura MAPA e com seus certificados em plena vigência ( concedidos por dez anos),e que estariam aptos a receber o benefício de redução de alíquota do IPI previsto no RIPI. Conforme verificase no quadro abaixo: Fl. 1226DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/09/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 20/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO, Assinado digitalmente em 12/10/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por VA NESSA MARINI CECCONELLO 6 Fl. 1227DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/09/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 20/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO, Assinado digitalmente em 12/10/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por VA NESSA MARINI CECCONELLO Processo nº 11516.001192/200762 Acórdão n.º 9303004.143 CSRFT3 Fl. 1.219 7 Além disso, não se pode deixar de se referir que os mesmos produtos também tiveram o beneficio de redução de alíquota reconhecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Porto Alegre e Santo Ângelo. Conforme conta no Ato Declaratório Executivo DRF/POA n.o 111, de 18 de maio de 2007, e o Ato Declaratório Executivo n.o 10, também de 18 de maio de 2007, foi reconhecido em favor de duas filiais da contribuinte o direito à aplicar a redução de alíquota de 50% para produtos idênticos àqueles cujas operações realizadas deram azo ao lançamento em discussão. Para tanto, entendo que para melhor solução da divergência, é importante lembrar que a redução de alíquota sob análise tem como requisito a concessão do registro do produto pelo Ministério da Agricultura. Logo, o que constitui o direito da contribuinte ao benefício fiscal é a constatação dos requisitos pelo MAPA, ressalvando que a expedição de Ato declaratório Executivo a partir da solicitação da contribuinte é formalidade complementar a ser cumprida, contudo, é de se observar que todos os contribuintes devem obedecer os comandos e normas para usufruírem da redução pretendida. Nada obstante, penso de modo isolado, neste caso, que a contribuinte não pode ser punida. Nestes termos, o registro do produto somente é conferido após o órgão atestar que o item submetido à sua análise atendia aos padrões de identidade e qualidade exigidos pelo Ministério para registro do produto como tal (refrigerantes). Ressaltase que estes critérios intrínsecos foram, no caso dos produtos da contribuinte, analisados e atestados pelo Ministério, tendo sido expedidos os respectivos registros dos produtos, conforme .demonstrado no quadro acima. Conforme verifico nos autos, a contribuinte protocolou o pedido junto a Receita Federal pleiteando a redução do imposto. Neste ponto, penso que a declaração da SRF que reconhece o benefício fiscal em razão da constatação do preenchimento dos requisitos pelo Ministério da Agricultura tem efeito declaratório, conforme dispõe o artigo 50 e 336 do Decreto 84.637/80: “Art. 50: 0 artigo 336 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados aprovado pelo Decreto n.° 83.263, de 9 de março de 1979, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 336: As reduções de alíquotas de que tratam as Notas Complementares NC (211) e NC (222) da Tabela serão declaradas, em cada caso, pela Secretaria da Receita Federal,após audiência do órgão competente do Ministério da Agricultura quanto ao cumprimento dos requisitos previstos para a concessão do benefício. Parágrafo único. Os Ministros da Fazenda e da Agricultura poderão expedir normas complementares para execução do disposto neste artigo." Destaco ainda, a similaridade dos dispositivos legais que permanecem irradiar efeitos mesmo com alterações posteriores, sendo que a redação dos Regulamentos do IPI de 1998 e de 2002 – aplicáveis ao período guerreado, são no seguinte sentido, verbis: RIPI/98: “Art 57. Haverá redução: I – das alíquotas de que tratam as Notas Complementares NC (211) e NC (221), da TIPI, que serão declaradas, em cada caso, pela Secretaria da Fl. 1228DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/09/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 20/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO, Assinado digitalmente em 12/10/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por VA NESSA MARINI CECCONELLO 8 Receita Federal, após audiência do órgão competente do Ministério da Agricultura quanto ao cumprimento dos requisitos previstos para a concessão do benefício. RIPI/98: NC 221. Ficam reduzidas de cinqüenta por cento as alíquotas do IPI relativas aos refrigerantes, refrescos e néctares, contendo suco de fruta ou extrato de sementes de guaraná, classificados no código 2202.10.00, que atendam aos padrões de identidade e qualidade exigidos pelo Ministério da Agricultura e Abastecimento e esteja registrado no órgão competente desse Ministério.” RIPI/02: “Art. 65. Haverá redução: I das alíquotas de que tratam as Notas Complementares NC (211) e NC (221) da TIPI, que serão declaradas, em cada caso, pela SRF, após audiência do órgão competente do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento MAPA, quanto ao cumprimento dos requisitos previstos para a concessão do benefício; e (...)” (destaquei) Como bem se observa, tornase clara a natureza declaratória do Pedido de Redução de alíquota objeto da lide, apesar da contribuinte não ter obedecido todos os comandos legais, mesmo assim, esta coerente com as demais disposições normativas, no sentido de que a Secretaria da Receita tem como função validar somente o procedimento, pois a questão técnica de verificar o cumprimento dos requisitos exigidos dos produtos é o MAPA,que irá constatar a presença dos requisitos e a possibilidade de classificação como “refrigerantes/produtos”, com o conseqüente enquadramento dos produtos nas Notas Complementares beneficiadas, o que em via reflexa ocasiona a redução do imposto. E nem poderia ser diferente, considerando a capacidade técnica do MAPA para efetivar as análises referentes às características e os padrões de qualidade e identidade, que são exigíveis para classificação de produtos do gênero. Portanto, entendo que o pedido de Redução de alíquota condicionado ao Ato Declaratório junto a Receita Federal, tratase de natureza declaratória e não constitutiva. Nesta linha, nos autos do processo nº 139.004154/200230, o colegiado decidiu por maioria de votos que não representa perda do direito à redução da alíquota do IPI a inexistência de Ato Declaratório para SRF. Vejamos: "IPI. REFRIGERANTES, REFRESCOS E NÉCTARES DA POSIÇÃO 2202.10.00. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. ARTIGO 57 DO RIPI/98, C/C A NC 221 DA TIP1198. Não representa perda do direito à redução da alíquota a inexistência da declaração da SRF relativa à permissão ao exercício do direito, se este é patente pelo cumprimento dos requisitos mitos na NC 221 da TIPI/98. Recurso provido." Conclusões Diante de tudo que foi exposto, dou provimento ao Recurso Especial interposto pela Contribuinte. Demes Brito Fl. 1229DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/09/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 20/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO, Assinado digitalmente em 12/10/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por VA NESSA MARINI CECCONELLO Processo nº 11516.001192/200762 Acórdão n.º 9303004.143 CSRFT3 Fl. 1.220 9 É como voto é como penso. Fl. 1230DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/09/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 20/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO, Assinado digitalmente em 12/10/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por VA NESSA MARINI CECCONELLO 10 Voto Vencedor Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Redator Designado Discordo, no presente caso do ilustre relator do processo, pois redução em 50% de alíquota incidente sobre os refrigerantes da posição 2202 da TIPI está condicionada à prévia manifestação da SRFB que se dá através de ato declaratório concessivo do beneficio fiscal em questão. Pensar diferente significa não considerar, para fins de benefício fiscal, as normas vigentes que trazem as formalidades necessárias à concessão do benefício. A não manifestação prévia da autoridade fiscal não se caracterizam como mera inobservância de formalidades, mas sim corno descumprimentos de requisitos de ordem material, capazes de invalidar a fruição do beneficio fiscal e requer a negativa de provimento ao recurso especial. O art. 65, I, do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI/2002) Decreto n° 4.544, de 26 de dezembro de 2002 estabelece alguns requisitos para a fruição do beneficio previsto naquela nota complementar: Art. 65. Haverá redução: I ) e NC (221) da TIPI, que serão declaradas, em cada caso, pela SRF, após audiência do Órgão competente do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento MAPA, quanto ao cumprimento dos requisitos previstos para a concessão do beneficia; Não há dúvida que a norma condiciona que o contribuinte precisa do Ato Declaratório para usufruir do benefício, pois o Ato serve para a Receita Federal do Brasil declara o contribuinte apto a utilizar o benefício. O cumprimento das obrigações acessórias é requisito essencial para a fruição do benefício, não cabendo opção ao seu postulante a liberalidade de utilização do benefício sem o seu total cumprimento e, a emissão do Ato declaratório é uma condição necessária, que perfaz a condição de aptidão do postulante à utilização do referido crédito. Assim, não há como dar provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo. Pelo exposto, NEGO provimento ao recurso. Fl. 1231DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/09/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 20/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO, Assinado digitalmente em 12/10/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por VA NESSA MARINI CECCONELLO Processo nº 11516.001192/200762 Acórdão n.º 9303004.143 CSRFT3 Fl. 1.221 11 Declaração de Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello Pediuse vista destes autos para análise mais detalhada do aspecto jurídico envolvido no litígio e para esclarecimento de fatos pertinentes ao deslinde do feito. A controvérsia posta no recurso especial interposto pela Contribuinte delimitase à averiguarse a obrigatoriedade da apresentação do ato declaratório previsto no art. 65, inciso I do Decreto nº 4.544/2002 (Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados RIPI/2002), vigente à época dos fatos, para usufruir da redução de 50% (cinquenta por cento) das alíquotas do IPI relativas aos produtos classificados no código 2202.10.00 que atendam a requisitos específicos previstos na NC 221 da TIPI/2002. O auto de infração abrange o período de janeiro de 2002 a dezembro de 2005. Os dispositivos legais pertinentes à análise da matéria, à época dos fatos geradores, possuíam a seguinte redação: Decreto nº 4.544/2002 (RIPI/2002) Art. 65. Haverá redução: I das alíquotas de que tratam as Notas Complementares NC (211) e NC (221) da TIPI, que serão declaradas, em cada caso, pela SRF, após audiência do órgão competente do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento MAPA, quanto ao cumprimento dos requisitos previstos para a concessão do benefício; e [...] Decreto nº 4.542/2002 (TIPI/2002) Nota Complementar (NC) da TIPI NC (221) Ficam reduzidas de cinqüenta por cento as alíquotas do IPI relativas aos refrigerantes e refrescos, contendo suco de fruta ou extrato de sementes de guaraná, classificados no código 2202.10.00, que atendam aos padrões de identidade e qualidade exigidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e estejam registrados no órgão competente desse Ministério. Inferese das normas constituíremse em requisitos para a obtenção da redução de alíquotas que os produtos classificados no código 2202.10.00 atendam aos padrões de Fl. 1232DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/09/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 20/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO, Assinado digitalmente em 12/10/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por VA NESSA MARINI CECCONELLO 12 identidade e qualidade exigidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento MAPA e estejam registrados no referido órgão. A declaração a ser expedida pela Secretaria da Receita Federal não é requisito indispensável para a fruição do benefício da redução das alíquotas, sendo obrigatório tão somente o atendimento aos requisitos exigidos pelo MAPA. Tanto é assim que, como condição de validade do ato declaratório a ser expedido pela SRF, a Autoridade Administrativa deverá observar se foram atendidos pelos produtos os citados padrões do MAPA. Na definição da possibilidade de redução das alíquotas no caso em exame não há espaço para discricionariedade da Secretaria da Receita Federal, pois uma vez atestado pelo MAPA estarem preenchidos os padrões de qualidade e identidade por ele exigidos, ficará a SRF obrigada à expedição do ato declaratório. Os produtos fabricados pela Contribuinte, que foram objeto de autuação, encontravamse registrados no MAPA, com os respectivos certificados emitidos pelo órgão atestando o atendimento às exigências por ele impostas para fruição do benefício da redução das alíquotas do IPI em 50% (cinquenta por cento). Portanto, no período compreendido pela autuação, todos os produtos da Contribuinte e objeto de operações de saída com redução da alíquota do IPI em 50% (cinquenta por cento) preenchiam as condições previstas na NC 221 da TIPI/2002 para fazer jus à benesse. Nessa linha relacional, consignese ter sido dispensado pelo Regulamento do Imposto sobre Produto Industrializado em vigor (Decreto nº 7.212/2010) o ato declaratório expedido pela SRF para fruição do benefício da redução de alíquota, bastando a conferência junto ao site do MAPA para verificação do atendimento das condições previstas na NC 221 da TIPI. Além disso, ainda que permanecesse o entendimento de ser imprescindível ato declaratório da SRF, há de ser considerado que, conforme afirmado no recurso especial, a Recorrente obteve o direito à fruição do benefício da redução de alíquotas de IPI em 50% (cinquenta por cento) para os produtos por ela fabricados e que foram objeto da autuação, por meio do Ato Declaratório Executivo nº 70, de 18 de novembro de 2008, expedido pela Delegacia da Receita Federal em Florianópolis: DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL EM FLORIANÓPOLIS ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO Nº 70, DE 18 DE NOVEMBRO DE 2008 Declara redução de alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI incidente nos produtos que menciona O DELEGADO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL EM FLORIANÓPOLIS, no uso das atribuições que lhe são conferidas pelo art. 243, inciso II, do Regimento Interno aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda MF nº 95, de 30 de abril de 2007, e tendo em vista o que consta do processo nº 11516.001251/200611, declara: Artigo 1º Na forma do artigo 65, inciso I, do Regulamento do IPI aprovado pelo Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002, que VONPAR REFRESCOS S/A, inscrita no CNPJ sob o nº 91.235.549/001192, estabelecida à Avenida João Frederico Martendal, nº 999 Centro, Antônio Carlos SC, faz jus, conforme a Nota Complementar NC 221 da Tabela de Fl. 1233DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/09/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 20/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO, Assinado digitalmente em 12/10/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por VA NESSA MARINI CECCONELLO Processo nº 11516.001192/200762 Acórdão n.º 9303004.143 CSRFT3 Fl. 1.222 13 Incidência do IPI TIPI de que trata o Decreto nº 4.542, de 26 de dezembro de 2002, à redução de cinqüenta por cento da alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, incidente nos produtos de sua fabricação, com respectivo número de registro no órgão competente do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento: 1. Refrigerante de uva, marca "FANTA" SC08010 00251 2. Refrigerante de guaraná de baixa caloria, marca "KUAT LIGHT" SC 08010 00285 3. Refrigerante de guaraná dietético marca "DIET TAI" SC08010 00218 4. Refrigerante de guaraná, marca "TAI" SC08010 00089 5. Refrigerante de laranja, marca "FANTA" SC08010 00071 6. Refrigerante de limão e lima ácida, marca "SPRITE" SC08010 00054 7. Refrigerante de limão e lima ácida dietética marca "DIET SPRITE" SC 08010 00020 8. Refrigerante de uva, marca "FANTA" SC08010 00062 9. Refrigerante de uva de baixa caloria, marca "FANTA LIGHT" SC08010 00315 10. Refrigerante de maçã, marca "FANTA MAÇÃ" SC08010 00307 11. Refrigerante de laranja misto maçã, marca "FANTA CITRUS" SC08010 00293 12. Refrigerante de morango, marca "FANTA" SC08010 00323 13. Refrigerante de cola de baixa caloria, marca "COCA COLA LIGHT LEMON" SC08010 00331 14. Refrigerante misto de laranja e tangerina, marca "FANTA" SC08010 00358 15. Refrigerante de guaraná dietético, marca "DIET CHARRUA" SC08010 00269 16. Refrigerante misto de guaraná e laranja, marca "KUAT LARANJA" SC 08010 00340 Artigo 2º Este Ato Declaratório Executivo entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União DOU. PAULO RENATO SILVA DA PAZ A expedição do ato declaratório pela Secretaria da Receita Federal em 18 de novembro de 2008 evidencia a preexistência dos requisitos estabelecidos na NC 221 da Fl. 1234DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/09/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 20/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO, Assinado digitalmente em 12/10/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por VA NESSA MARINI CECCONELLO 14 TIPI/2002 para concessão do benefício da redução da alíquota do IPI em 50% (cinquenta por cento), desde a data em que concedidos os registros dos produtos junto ao MAPA a partir do ano de 1998, momento anterior à lavratura do auto de infração. Conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça exarado no julgamento do recurso especial nº 1525653, o ato administrativo de natureza declaratória apenas declara um direito preexistente e tem efeitos "ex tunc", com eficácia desde a data em que se encontravam preenchidos os requisitos para a fruição do benefício fiscal. Essa é a lição extraída da decisão monocrática proferida pelo STJ no recurso especial referido, in verbis: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA EM QUE SE DISCUTE SOBRE OS EFEITOS DA CONCESSÃO DE ISENÇÃO DO IPVA (SE DEVE SER CONCEDIDA A ISENÇÃO COM EFEITOS EX NUNC OU SE COM EFEITOS RETROATIVOS À DATA EM QUE A PESSOA REUNIU OS PRESSUPOSTOS LEGAIS PARA O RECONHECIMENTO DO BENEFÍCIO). PREMISSAS FÁTICAS INCONTROVERSAS NOS AUTOS E DELINEADAS NO ACÓRDÃO DO TRIBUNAL DE ORIGEM. INAPLICABILIDADE DA SÚMULA 7 DO STJ. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO. I. Hipótese em que o Tribunal de origem denegou a segurança, em que se requer a isenção do IPVA de veículos da impetrante, relativo ao ano de 2011, porquanto, de acordo com a autoridade impetrada, fora o pedido indeferido, visto que a requerente postulara o benefício fora do prazo legal. Provido o Recurso Especial, monocraticamente, interpõe a Fazenda do Estado de São Paulo Agravo Regimental. II. Embora a Súmula 7 do STJ impeça o reexame de matéria fática, a referida Súmula não impede a intervenção desta Corte, quando há errônea valoração jurídica de fatos incontroversos nos autos e delineados no acórdão do Tribunal de origem. III. Na decisão agravada, com simples revaloração jurídica das circunstâncias fáticas da causa, o Recurso Especial foi conhecido e provido, para reformar o acórdão do Tribunal de origem que entendera pela impossibilidade de retroação dos efeitos da isenção à data de inicio da vigência do contrato de prestação de serviço público de transporte coletivo , porquanto o referido acórdão divergiu da orientação jurisprudencial predominante no STJ, no sentido de que o ato declaratório da concessão de isenção tem efeito retroativo à data em que a pessoa reuniu os pressupostos legais para o reconhecimento do benefício. Precedentes do STJ: AgRg no REsp 1.170.008/SP, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, DJe de 30/03/2010; AgRg no AREsp 145.916/SP, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, DJe de 21/05/2012. IV. Agravo Regimental improvido. (AgRg no REsp 1525653/SP, Rel. Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, SEGUNDA TURMA, julgado em 09/06/2015, DJe 22/06/2015) (grifouse) Fl. 1235DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/09/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 20/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO, Assinado digitalmente em 12/10/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por VA NESSA MARINI CECCONELLO Processo nº 11516.001192/200762 Acórdão n.º 9303004.143 CSRFT3 Fl. 1.223 15 No mesmo sentido, é o julgado proferido no AgRg no REsp 1.170.008/SP, de relatoria do Ministro Humberto Martins, in verbis: TRIBUTÁRIO – IPVA – ISENÇÃO CONDICIONADA – ATO ADMINISTRATIVO – NATUREZA DECLARATÓRIA – EFEITOS EX TUNC – INEXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO – RECURSO ESPECIAL IMPROVIDO. DECISÃO [...] Não merece prosperar o presente recurso especial. A recorrente aduz em seu apelo que a concessão de isenção de IPVA só se aplica para exercícios futuros, não contemplando o ano em que referido benefício foi deferido (2004), pois protelouse o contribuinte em solicitar a referida benesse (26.10.2004), requerendo após a ocorrência do fato gerador, impossibilitando sua outorga. É incontroverso na lide que a parte recorrida preenche os requisitos para a concessão da isenção. A questão cingese, no entanto, quanto aos efeitos da concessão isentiva: a) refletemse nos exercícios futuros para concedêla tão somente a partir do deferimento do pedido de isenção; ou b) retroage abarcando momento anterior ao requerimento. Como bem mencionou a sentença (fl. 75e) – plenamente confirmada pelo acórdão recorrido –, o despacho que concede a isenção tem caráter meramente declaratório, "... não sendo constitutivo de direito, e não gera direito adquirido, pois, caso venha a ser comprovado que a pessoa isenta não cumpriu ou deixou de cumpri as condições legais, perde ela a desoneração legal...". Nesse sentido, Hugo de Brito Machado assim leciona: "Na verdade, o direito à isenção decorre do atendimento das condições ou requisitos legalmente exigidos para esse fim. O ato administrativo é simplesmente declaratório desse direito. O ato administrativo que defere o pedido de isenção tributária apenas reconhece que a norma isentiva incidiu, ou que as condições de fato, anunciadas para futura ocorrência, configuram sua hipótese de incidência, e que, portanto, uma vez concretizadas, ela incidirá. Esse ato administrativo tem, assim, natureza simplesmente declaratória, tal como ocorre com o lançamento tributário. Por isto, se uma norma isentiva incidiu, fez nascer o direito à isenção, de sorte que haverá de ser aplicada aos fatos contemporâneos à sua vigência, ainda que posteriormente modificada ou revogada. (...) Fl. 1236DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/09/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 20/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO, Assinado digitalmente em 12/10/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por VA NESSA MARINI CECCONELLO 16 Anulado, ou cancelado, o despacho que reconhece o direito à isenção, a Fazenda Pública providenciará a constituição do crédito tributário respectivo, que será acrescido dos juros de mora (...). (...) Sendo meramente declaratório o ato administrativo que defere isenção, ou reconhece existentes as condições que a lei estabelece para o gozo desta, os seus efeitos retroagem à data dos fatos sobre os quais incidiu a norma isentiva" (In Curso de Direito Tributário, Malheiros Editores, 20ª Edição). Com efeito, não há o que infirmar no acórdão recorrido, pois que o ato administrativo da concessão de isenção tributária apenas proclamou situação preexistente capaz de conceder ao contribuinte o benefício fiscal. Mutatis mutandis, verificase semelhança com a jurisprudência firmada nesta Corte que concede isenções previdenciárias anteriores à expedição do certificado que reconhece a entidade como filantrópica, de utilidade pública, porquanto este certificado possui efeitos ex tunc, por se tratar de um ato declaratório. [...] Dessa forma, tenho que, efetivamente, são inexigíveis os supostos créditos discutidos nos autos. Ante o exposto, com base no art. 557, caput, do CPC, nego provimento ao recurso especial. [...] (grifouse) Ainda, os argumentos aqui expendidos vêm reforçados pelo fato de que produtos idênticos fabricados pela Contribuinte classificados no código 2202.10.00, e sujeitos às mesmas operações que foram objeto do presente auto de infração, obtiveram o reconhecimento pela Secretaria da Receita Federal do benefício da redução de alíquotas, por meio de atos declaratórios expedidos pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Porto Alegre e Santo Ângelo, conforme consta do Ato Declaratório Executivo DRF/POA nº 111 e do Ato Declaratório Executivo nº 10, ambos de 18 de maio de 2007. Portanto, estando preenchidos os requisitos estabelecidos pelo MAPA, há de ser reconhecido o direito da Recorrente à fruição do benefício da redução de alíquota de 50% do IPI para os produtos classificados no código 2202.10.00, nos termos da NC 221 da TIPI. Diante do exposto, dáse provimento ao recurso especial da Contribuinte. É o Voto. Vanessa Marini Cecconello Fl. 1237DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/09/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 20/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO, Assinado digitalmente em 12/10/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por VA NESSA MARINI CECCONELLO
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Numero do processo: 13888.724255/2012-17
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 14 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 9101-000.019
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para devolver os autos à câmara a quo para complementação da análise de admissibilidade.
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para devolver os autos à câmara a quo para complementação da análise de admissibilidade. (assinatura digital) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente. (assinatura digital) LUÍS FLÁVIO NETO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente), HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAÚJO (Suplente convocado em substituição à conselheira Maria Teresa Martinez Lopez), ANDRE MENDES DE MOURA, ADRIANA GOMES REGO, RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), MARCOS AURELIO PEREIRA VALADÃO, LUIS FLAVIO NETO, RONALDO APELBAUM (suplente convocado em substituição à conselheira Cristiane Silva Costa), NATHALIA CORREIA POMPEU. Fl. 1324DF CARF MF Erro! Fonte de referência não encontrada. Fls. 2 ___________ Trata-se de recursos especiais interpostos por INDÚSTRIAS ROMI S.A. e pela Procuradoria da Fazenda Nacional (doravante “PFN”), em face do acórdão nº 1301-001.561, proferido pela 1 a Turma Ordinária da 3 a Câmara desta 1 a Seção. No processo administrativo em questão, discute-se o lançamento de débitos de IRPJ e CSLL (além de juros de mora, multa de ofício e multa isolada), referentes ao ano- calendário de 2007, lavrados em decorrência da contribuinte ter efetuado a dedução do pagamento de Juros sobre Capital Próprio (doravante, “JCP”) que, no entender da autoridade administrativa, se encontravam em desacordo com a legislação vigente à época. A Turma a quo, por maioria dos votos, deu provimento ao recurso de ofício, para restabelecer a exigência a título de glosa de despesas com JCP, que havia sido parcialmente exonerada pela DRJ. Por maioria de votos, a Turma a quo deu parcial provimento ao recurso voluntário, para exonerar a multa isolada exigida sobre estimativas mensais de IRPJ e de CSLL não recolhidas em função da glosa de despesas, em razão de sua aplicação em concomitância com a multa de ofício sobre o ajuste anual. Após ter ciência da decisão, a PFN tempestivamente interpôs recurso especial (fls. 1.078 e seg. do e-processo). Foi, então, proferido despacho de admissibilidade, pelo qual foi dado seguimento ao recurso especial da PFN (fls. 1.097 e seg. do e-processo). Ato contínuo, o contribuinte apresentou contrarrazões e também interpôs recurso especial, arguindo a divergência em relação a outras decisões proferidas por diferentes Turmas do CARF em diferentes pontos. Em 13/10/2015, foi proferido despacho de admissibilidade (fls. 1.293 e seg. do e-processo), no qual foi dado seguimento ao recurso especial do contribuinte, em face das seguintes matérias: - natureza jurídica do JCP. Verificou-se que o contribuinte colacionou o acórdão nº 107-09.570, da 7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes que, diversamente do acórdão a quo, consignaria expressamente que “os juros sobre o capital próprio, a rigor, não são despesas, mas distribuição de resultados, conforme a própria Deliberação CVM 207/96, e que, portanto, seriam objeto de exclusão do lucro líquido, apesar do emprego do termo dedução”; - possibilidade de distribuição de JCP cumulativamente. Verificou-se que o contribuinte colacionou os acórdãos de 1202-000.766, da 2ª Turma da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF, e nº 107-08.941, da 7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes. Tais acórdãos teriam adotado, respectivamente, o entendimento de que “inexiste qualquer norma que determine a apuração e distribuição dos JCPs exclusivamente com base nos lucros apurados imediatamente anterior a esse evento, nem limitando a dedução ao primeiro ano em que poderiam ser pagos/creditados” e de que “o art. 9º da Lei nº 9249/95 exige única e exclusivamente que a dedução fiscal se dê no ano em que ocorrer o pagamento ou crédito, observados os limites quantitativos (e não temporais) ali previstos”. Fl. 1325DF CARF MF Processo nº 13888.724255/2012-17 Resolução nº 9101-000.019 CSRF-T1 Fl. 3 3 - renúncia tácita do contribuinte ao pagamento de JCP em anos anteriores. Verificou-se que o contribuinte colacionou os acórdãos nº 1401-000.902 e nº 1401-000.901, ambos da 1ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF. Tais acórdãos teriam adotado o entendimento no sentido de que “não há previsão legal sobre a configuração de renúncia de direito no caso de ausência da deliberação do pagamento dos JCP”. Nesse seguir, a PFN apresentou contrarrazões (fls. 1.302 e seg. do e-processo) e os autos, distribuídos a este relator, foram pautado para julgamento. Em sessão de julgamento, foi suscitado pelo patrono do contribuinte e o Colegiado verificou que uma das matérias arguidas, nos itens "12" e seguintes de seu recurso especial (fl. 1263 e seg. do e-processo), não foi objeto de prévio exame para fins de seu conhecimento, não tendo sido essa matéria mencionada no despacho de admissibilidade (fls. 1.293 e seg. do e-processo). A referida matéria diz respeito à nulidade no lançamento por erro na apuração da base de cálculo do tributo, atinente à apuração da JCP pro rata dia prevista em lei. Em face disso, a fim de que se respeite o devido processo legal e o contraditório, com vistas às normas regimentais, resolveram os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para devolver os autos à câmara a quo para complementação da análise de admissibilidade quanto à referida matéria. (assinatura digital) LUÍS FLÁVIO NETO - Relator. Fl. 1326DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 36630.006603/2006-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Nov 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2002, 01/03/2004 a 28/02/2006
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DÉBITO DO CONTRIBUINTE. CONCEITO.
Nos pedidos de restituição ou nas compensações, não se considera como débito para fins de cumprimento dos requisitos um suposto inadimplemento de contribuições previdenciárias sobre parcelas não reconhecidas como integrantes da base de cálculo e identificada pela fiscalização no mesmo procedimento de exame do direito pleiteado pelo contribuinte. Somente créditos tributários previamente constituídos e devidamente conhecidos do contribuinte podem ser considerados débitos a obstar a restituição ou compensação.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2301-004.838
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral o Dr. Alexandre Poletti, OAB/DF 13.657.
João Bellini Junior - Presidente
Julio Cesar Vieira Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, ANDREA BROSE ADOLFO, FABIO PIOVESAN BOZZA e GISA BARBOSA GAMBOGI NEVES.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2002, 01/03/2004 a 28/02/2006 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DÉBITO DO CONTRIBUINTE. CONCEITO. Nos pedidos de restituição ou nas compensações, não se considera como débito para fins de cumprimento dos requisitos um suposto inadimplemento de contribuições previdenciárias sobre parcelas não reconhecidas como integrantes da base de cálculo e identificada pela fiscalização no mesmo procedimento de exame do direito pleiteado pelo contribuinte. Somente créditos tributários previamente constituídos e devidamente conhecidos do contribuinte podem ser considerados débitos a obstar a restituição ou compensação. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral o Dr. Alexandre Poletti, OAB/DF 13.657. João Bellini Junior - Presidente Julio Cesar Vieira Gomes - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, ANDREA BROSE ADOLFO, FABIO PIOVESAN BOZZA e GISA BARBOSA GAMBOGI NEVES.
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DÉBITO DO CONTRIBUINTE. CONCEITO. Nos pedidos de restituição ou nas compensações, não se considera como débito para fins de cumprimento dos requisitos um suposto inadimplemento de contribuições previdenciárias sobre parcelas não reconhecidas como integrantes da base de cálculo e identificada pela fiscalização no mesmo procedimento de exame do direito pleiteado pelo contribuinte. Somente créditos tributários previamente constituídos e devidamente conhecidos do contribuinte podem ser considerados débitos a obstar a restituição ou compensação. Recurso Voluntário Provido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 63 0. 00 66 03 /2 00 6- 40 Fl. 3287DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral o Dr. Alexandre Poletti, OAB/DF 13.657. João Bellini Junior Presidente Julio Cesar Vieira Gomes Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, ANDREA BROSE ADOLFO, FABIO PIOVESAN BOZZA e GISA BARBOSA GAMBOGI NEVES. Fl. 3288DF CARF MF Processo nº 36630.006603/200640 Acórdão n.º 2301004.838 S2C3T1 Fl. 3.281 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a manifestação de inconformidade referente a requerimento de restituição dos excedentes retidos sobre notas fiscais de serviços para o período de 03/2002 a 02/2006, protocolado em 17/05/2006. Contra a decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário, em síntese: a) A existência de diferenças de contribuições não recolhidas não podem obstar o deferimento da restituição, mas tão somente a redução do crédito. Tal situação equivale a cobrar contribuição através de pedido de restituição; b) Quanto a suposta prescrição para o mês 03/2002, alega que as notas fiscais não continham o destaque da retenção e que essa informação somente foi contabilizada em 04/2004; c) Não procede a redução de seus créditos por compensações que decorrem de saldos acumulados relativos a créditos de meses anteriores, sem qualquer relação com os valores a serem restituídos pelo presente processo. Para demonstrar o alegado, junta planilha; d) Quanto aos valores considerados pela fiscalização como devidos, sustenta que: a) valetransporte, não há incidência de contribuição ainda que pago em dinheiro; b) salárioadicional, não procede impedir a restituição pelos motivos apontados; c) DIPJ/2004, tratase de erro de preenchimento; d) não existem diferenças a serem recolhidos na período de 03/2004 a 12/2004; e e) Por fim, requer diligência para que se constate que de fato as compensações se referem a créditos de outro período. Na sessão de 11/03/2015, a então Segunda Turma da Quarta Câmara desta Segunda Seção converteu o julgamento em diligência para que fosse esclarecido, nos termos em que solicitado pelo recorrente, um fato relevante para a apuração do crédito a restituir: a possibilidade de existência de retenções acumuladas sofridas em competências anteriores e que já seriam suficientes para a compensação de todas as contribuições devidas sobre as folhas de pagamento no período objeto do pedido de restituição. E dessa forma, as contribuições sobre as folhas de pagamento relativas ao período em questão não integrariam o cálculo do crédito a restituir no presente processo. Como conseqüência, entende o recorrente que todas as retenções sofridas no período deveriam ser restituídas integralmente. Em resposta, dentre outras informações e explicações através de planilha, trouxe a fiscalização o seguinte esclarecimento: Fl. 3289DF CARF MF 4 5. Fundamental informar que, para as competências 04/2004 a 02/2006, de acordo com as GFIPs entregues, não há qualquer valor efetivamente compensado com valores de competências anteriores (Campo Compensação). Como exemplo, trouxe informações sobre o mês 04/2004: 7. As compensações a que se referem o Despacho de Deferimento Parcial estão vinculadas, tão somente, aos abatimentos da própria competência (parte devida pela empresa e parte dos segurados calculada pelo AuditorFiscal) em relação aos Valores das Notas Fiscais (campo Retenção sobre Nota Fiscal/Fatura). Tomandose, por exemplo, a competência 04/2004, o valor considerado abatido/compensado (em relação à retenção) é de R$ 14.549,12. O campo referente ao valor efetivamente compensado de outras competências está zerado. (grifo nosso) E indica que o recorrente informou nas GFIP apenas de três competências as compensações com créditos existentes, não havendo registros sobre as demais: 10. Notase que somente há valores efetivamente compensados (Campo Compensação), nas competências 01/2007, R$ 7.365,90; 07/2007, R$ 26.469,24; 08/2007, R$ 25.158,87, sendo que as competências iniciais e finais declaradas de tais períodos não fazem qualquer menção às oriundas do pedido de restituição. Ao final, reitera que as GFIP não informaram compensações no período objeto do pedido de restituição: 13. Sendo assim, os valores constantes no campo Valor compensado Compensação, para o estabelecimento e o período objeto do pedido, estão zerados, fazendo com que a planilha apresentada pelo contribuinte não se aplique ao presente e não influencie nos valores deferidos parcialmente no pedido de restituição e demonstrados na planilha elaborada à época pelo AuditorFiscal. (grifo nosso) O recorrente, após, manifestase no sentido de que a diligência não foi conclusiva quanto a existência de créditos anteriores a serem considerados para a compensação. É o Relatório. Fl. 3290DF CARF MF Processo nº 36630.006603/200640 Acórdão n.º 2301004.838 S2C3T1 Fl. 3.282 5 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Verifico o cumprimento dos pressupostos processuais, passo a examinar o recurso. Quanto à prescrição referente ao mês 03/2002, a fiscalização entendeu que a retificação em 18/09/2008 ocorrida no pedido inicial equivaleria a um novo pedido e, assim, teriam transcorridos mais de 5 anos. Contudo, assiste razão ao recorrente quanto ao alegado e demonstrado às fls. 2.496 e s. A divergência entre datas de emissão e notas fiscais de serviço e a data de escrituração contábil se justifica pela preocupação do recorrente em registrar as retenções somente após a confirmação pelo contratante, o que ocorrera em 04/2004. A retificação foi realizada pela orientação da administração tributária. Basta verificar o documento às fls. 15 para confirmar que esses meses em questão já constavam do pedido inicial. Assim, afasta a prescrição. Quanto à impossibilidade de restituição em razão da existência de débitos, assim dispunha à época o artigo 216, §2º da IN SRP nº 03/2005, fls. 2440 e s.: Art. 216. Compete à chefia da UARP decidir sobre requerimento de reembolso e de restituição. § 2º Após o reconhecimento do direito creditório e antes de proceder à restituição de crédito decorrente de valores recolhidos indevidamente, a autoridade competente para promovêla deverá verificar, mediante consulta aos sistemas de informação da SRP, se existe débito em nome do sujeito passivo, no âmbito da SRP, ainda que parcelado sob qualquer modalidade, inscrito ou não em Dívida Ativa. Como se vê, somente existe débito quando a fiscalização constitui o crédito tributário por algumas das espécies de lançamento: por homologação, declaração ou de ofício. O que temos no caso é a fiscalização, examinando a escrituração contábil, ter considerado que o recorrente não recolheu contribuições previdenciárias sobre algumas parcelas não reconhecidas pela recorrente como base de cálculo. As parcelas consideradas pela fiscalização foram: a) pagamento a estagiários; b) bolsa auxíliocomplementar e c) valetransporte. Pretendeu a administração tributária, antes da constituição do crédito, considerar que havia débito para fins de rejeitar o pedido de restituição, o que se distancia do conceito legal de débito, conforme artigo 633 da IN SRP nº 03/2005: Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário relativo às contribuições de que trata esta Instrução Normativa: (Nova redação dada pela IN RFB nº 851, de 28/05/2008) Fl. 3291DF CARF MF 6 I GFIP, que é o documento declaratório da obrigação, caracterizado como instrumento de confissão de dívida tributária; II Lançamento do Débito Confessado (LDC), que é o documento por meio do qual o sujeito passivo confessa os débitos que verifica; (Nova redação dada pela IN RFB nº 851, de 28/05/2008) IV Auto de Infração (AI), que é o documento constitutivo de crédito, inclusive relativo à multa aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, lavrado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB) e apurado mediante procedimento de fiscalização; e (Nova redação dada pela IN RFB nº 851, de 28/05/2008) V Notificação de Lançamento, que é o documento constitutivo de crédito expedido pelo órgão da Administração Tributária. (Nova redação dada pela IN RFB nº 851, de 28/05/2008) E considerando a improcedência dos fundamentos para se negar o pedido do recorrente, deixo de examinar a incidência da contribuição previdenciária sobre as parcelas trazidas pela fiscalização. Em razão do exposto, voto pelo provimento ao recurso voluntário. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 3292DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10970.720300/2012-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Dec 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 30/12/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Quando em manifesto equívoco não foi incluído o voto vencedor relativo à quaisquer das questões examinadas e julgadas pela turma, cabem embargos de declaração para correção do acórdão.
MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. CRITÉRIO. FATOS GERADORES NÃO DECLARADOS EM GFIP.
Aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores corridos antes da vigência da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, e não declarados em GFIP, aplica-se a multa mais benéfica, a ser calculada no momento do pagamento, obtida pela comparação do resultado da soma da multa vigente à época da ocorrência dos fatos geradores e a multa por falta de declaração em GFIP, vigente à época da materialização da infração, com o resultado da incidência de multa de 75%.
Embargos Acolhidos em Parte
Numero da decisão: 2301-004.746
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher em parte os embargos opostos para que o acórdão seja rerratificado com a inclusão de ementa e do voto vencedor relativo à multa aplicada.
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior
Presidente e redator designado ad hoc
(assinado digitalmente)
Julio Cesar Vieira Gomes
Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, ALICE GRECCHI, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, FABIO PIOVESAN BOZZA, ANDREA BROSE ADOLFO, GISA BARBOSA GAMBOGI NEVES, JULIO CESAR VIEIRA GOMES e MARCELA BRASIL DE ARAUJO NOGUEIRA.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 30/12/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Quando em manifesto equívoco não foi incluído o voto vencedor relativo à quaisquer das questões examinadas e julgadas pela turma, cabem embargos de declaração para correção do acórdão. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. CRITÉRIO. FATOS GERADORES NÃO DECLARADOS EM GFIP. Aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores corridos antes da vigência da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, e não declarados em GFIP, aplica-se a multa mais benéfica, a ser calculada no momento do pagamento, obtida pela comparação do resultado da soma da multa vigente à época da ocorrência dos fatos geradores e a multa por falta de declaração em GFIP, vigente à época da materialização da infração, com o resultado da incidência de multa de 75%. Embargos Acolhidos em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher em parte os embargos opostos para que o acórdão seja rerratificado com a inclusão de ementa e do voto vencedor relativo à multa aplicada. (assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente e redator designado ad hoc (assinado digitalmente) Julio Cesar Vieira Gomes Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, ALICE GRECCHI, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, FABIO PIOVESAN BOZZA, ANDREA BROSE ADOLFO, GISA BARBOSA GAMBOGI NEVES, JULIO CESAR VIEIRA GOMES e MARCELA BRASIL DE ARAUJO NOGUEIRA.
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Quando em manifesto equívoco não foi incluído o voto vencedor relativo à quaisquer das questões examinadas e julgadas pela turma, cabem embargos de declaração para correção do acórdão. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. CRITÉRIO. FATOS GERADORES NÃO DECLARADOS EM GFIP. Aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores corridos antes da vigência da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, e não declarados em GFIP, aplicase a multa mais benéfica, a ser calculada no momento do pagamento, obtida pela comparação do resultado da soma da multa vigente à época da ocorrência dos fatos geradores e a multa por falta de declaração em GFIP, vigente à época da materialização da infração, com o resultado da incidência de multa de 75%. Embargos Acolhidos em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 72 03 00 /2 01 2- 37 Fl. 382DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher em parte os embargos opostos para que o acórdão seja rerratificado com a inclusão de ementa e do voto vencedor relativo à multa aplicada. (assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente e redator designado ad hoc (assinado digitalmente) Julio Cesar Vieira Gomes Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, ALICE GRECCHI, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, FABIO PIOVESAN BOZZA, ANDREA BROSE ADOLFO, GISA BARBOSA GAMBOGI NEVES, JULIO CESAR VIEIRA GOMES e MARCELA BRASIL DE ARAUJO NOGUEIRA. Fl. 383DF CARF MF Processo nº 10970.720300/201237 Acórdão n.º 2301004.746 S2C3T1 Fl. 379 3 Relatório Tratamse de embargos opostos com fundamento no artigo 65 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015. A decisão embargada traz em sua parte dispositiva: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: (a) não conhecer as questões que implicam em controle repressivo de constitucionalidade, (b) rejeitar as preliminares e, (c) no mérito negar provimento ao recurso voluntário. Quanto às multas, submetida a questão ao rito do art. 60 do Regimento Interno do CARF, foram apreciadas as seguintes teses: a) aplicação da regra do artigo 35 da Lei 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei 11.941, de 2009; b) aplicação das regras estabelecidas pela Portaria Conjunta PGFN/RFB 14, de 2009; c) aplicação da regra do artigo 35 da Lei 8.212, de 1991 vigente à época dos fatos geradores, limitada ao percentual de 75% previsto no artigo 44, inciso I da Lei 9.430, de 1996. Em primeira votação, se manifestaram pela tese "a" os conselheiros Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Nathália Correia Pompeu e Marcelo Malagoli da Silva; pela tese "b" Luciana de Souza Espíndola Reis e João Bellini Júnior e pela tese "c" Julio Cesar Vieira Gomes e Amílcar Barca Texeira Júnior; excluída a tese "c" por força do disposto no art. 60, parágrafo único, do Regimento Interno do CARF, em segunda votação, pelo voto de qualidade, restou vencedora a tese "b", vencidos os conselheiros Ivacir Julio de Souza, Alice Grecchi, Nathália Correia Pompeu e Marcelo Malagoli da Silva. Com isto, as multas restaram mantidas, como consta no lançamento. Redigirá o voto vencedor a Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis. Acompanhou o julgamento a Dra. Thabitta Rocha, OAB/GO 42.035. Entende o embargante que teria havido omissão, contradição, obscuridade e lapso manifesto no acórdão que julgou seu recurso voluntário. Nesta última, não constou no acórdão embargado o voto vencedor quanto à multa aplicada: No caso em apreço, pretende a Embargante demonstrar que estão configurados todos os pressupostos para o processamento e admissibilidade dos Embargos, uma vez que o Acórdão nº 2301004442 apresenta notória contradição e obscuridade entre a decisão e seus fundamentos, omissão em relação a matéria sobre a qual deveria ter se pronunciado e lapso manifesto na medida em que não foi acostado aos autos o voto vencedor da Conselheira Relatora sobre matéria relativa à multas que restaram mantidas como consta no lançamento. Requer também que em nova apreciação de seu recurso voluntário lhe seja dado provimento. Fl. 384DF CARF MF 4 Através do despacho às fls. 376 os embargos foram conhecidos e indicados para pauta de julgamento. É o Relatório. Fl. 385DF CARF MF Processo nº 10970.720300/201237 Acórdão n.º 2301004.746 S2C3T1 Fl. 380 5 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator De fato, assiste razão ao embargante. Tratase de erro material que prejudica a posterior apreciação das questões discutidas no processo relativamente à multa aplicada pela fiscalização. Por essa razão também não é possível se examinarem as demais alegações trazidas nos embargos opostos sem antes se completar a formação do acórdão. Somente a partir de então o processo deverá seguir seu curso normal. Assim, propõese a correção do erro material com a inclusão da ementa e voto vencedor, que passa a fazer parte integrante do acórdão nº 2301004.442, fls. 312/327. Ressaltase que à época de formalização do presente acórdão a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, redatora designada para o voto vencedor, não mais fazia parte deste colegiado. Conseqüentemente, no termos do artigo 17, inciso III do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, fezse necessária a designação de um redator ad hoc. Coube então ao conselheiro João Bellini Junior apresentar o seguinte voto vencedor, mantendose os meus fundamentos adotados no julgamento do acórdão embargado. "Voto vencedor Multa "Conselheiro João Bellini Junior, Redator designado ad hoc O instituto das multas em matéria previdenciária foi profundamente alterado pela Medida Provisória nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei 11.941/2009. A lei nova revogou o art 35 da Lei 8.212/911, que previa os percentuais de multa aplicáveis sobre as contribuições sociais em atraso para pagamento espontâneo, que é o 1 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) quatro por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) sete por cento, no mês seguinte; c) dez por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) doze por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) quinze por cento, após o 15º dia do recebimento da notificação; c) vinte por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) vinte e cinco por cento, após o 15º dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 386DF CARF MF 6 realizado após a data de vencimento do tributo, mas antes do início de qualquer procedimento de fiscalização (inciso I), para pagamento de créditos incluídos em lançamento tributário de notificação fiscal de lançamento de débito (inciso II) e para pagamento de créditos incluídos em dívida ativa (inciso III) e definiu novos percentuais aplicáveis, correspondentes ao teto de 20% para pagamento espontâneo em atraso (art. 35 da Lei 8.212/91 com a redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/20092) e 75% no caso de exigência de tributo em lançamento de ofício, passível de agravamento (art 35A da Lei 8.212/91, com a redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/20093). Em relação aos fatos geradores ocorridos antes da mencionada alteração legislativa existe o dever de observância, pela autoridade administrativa, da aplicação da multa mais benéfica, em obediência ao art. 106 inciso II do Código Tributário Nacional. Para tanto, é necessário identificar a natureza do instituto objeto de comparação e os dados quantitativos a serem comparados. A lei nova definiu claramente dois institutos: 1) multa de mora para pagamento espontâneo em atraso (art. 35) e 2) multa para pagamento não espontâneo incluído em lançamento tributário chamada de multa de ofício (art. 35A), que, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/96, é única para três condutas: i) falta de pagamento ou recolhimento; ii) falta de declaração e iii) declaração inexata. A lei nova também definiu claramente os dados quantitativos de cada uma delas: no primeiro caso, até 20%, nos termos do art. 61 da Lei 9.430/964; no segundo caso, de 75%, passível de agravamento, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/965. b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) trinta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; b) trinta e cinco por cento, se houve parcelamento; c) quarenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; d) cinqüenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). 2 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). 3 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). 4 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) Fl. 387DF CARF MF Processo nº 10970.720300/201237 Acórdão n.º 2301004.746 S2C3T1 Fl. 381 7 O presente processo trata de multa sobre contribuições incluídas em lançamento tributário, portanto, não é aplicável a sistemática da multa para falta de pagamento espontâneo. A multa para pagamento de contribuições incluídas em lançamento tributário que é o caso conforme já mencionado aqui, na nova sistemática do art. 35A da Lei 8.212/91, é única para os casos de falta de pagamento ou recolhimento quando há falta de declaração e/ou declaração inexata. Já o revogado art. 35, inciso II, da Lei 8.212/91, dizia respeito apenas à multa por falta de pagamento ou recolhimento de contribuições incluídas em lançamento tributário. Era o revogado art. 32, inciso IV, §§4o e 5o, da Lei 8.212/91, com a redação da Lei 9.528/97, § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) 5 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) V (revogado pela Lei no 9.716, de 26 de novembro de 1998). (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) § 3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. § 5o Aplicase também, no caso de que seja comprovadamente constatado dolo ou máfé do contribuinte, a multa de que trata o inciso I do caput sobre: (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) I a parcela do imposto a restituir informado pelo contribuinte pessoa física, na Declaração de Ajuste Anual, que deixar de ser restituída por infração à legislação tributária; e (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) II – (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) Fl. 388DF CARF MF 8 que regulava a aplicação de penalidade ao contribuinte que apresentasse declaração inexata ou deixasse de apresentála, fazendo incidir multa isolada. Portanto, na norma anterior, o dado quantitativo da multa para dívidas incluídas em lançamento tributário, para os casos de falta de pagamento ou recolhimento de contribuições não declaradas e/ou com declaração inexata, deve ser apurado pela soma da multa do revogado art. 35, inciso II, com a multa do revogado art. 32, inciso IV, §§ 4o e 5o.. A multa mais benéfica deve ser apurada mediante comparação do dado quantitativo resultante do cálculo conforme descrito no parágrafo anterior (vigente à época dos fatos geradores) com o dado quantitativo resultante da multa calculada com base no art. 35A da Lei 8.212/91, com a redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. Este entendimento está explicitado no art. 476A da Instrução Normativa RFB nº 971/2009: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei n º 8.212, de 1991 , em sua redação anterior à Lei n º 11.941, de 2009 , e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei n º 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei n º 8.212, de 1991 , acrescido pela Lei n º 11.941, de 2009 . (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei n º 9.430, de 1996 . (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) ... Portanto, entendo que a multa mais benéfica deve ser calculada de acordo com o disposto no art. 476A da IN RFB 971/2009, acima transcrito, e deverá ser apurada no momento do pagamento, nos termos do art. 2o da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/2009. Em relação às demais matérias do recurso, ratifico os fundamentos do voto do relator. Fl. 389DF CARF MF Processo nº 10970.720300/201237 Acórdão n.º 2301004.746 S2C3T1 Fl. 382 9 Conclusão Com base no exposto, voto por não conhecer as questões que implicam em controle repressivo de constitucionalidade, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, devendo ser calculada a multa mais benéfica no momento do pagamento, nos termos do art. 2o da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/2009. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior" Com a proposta acima, voto por acolher em parte os embargos opostos para que o acórdão seja rerratificado com a inclusão de ementa e do voto vencedor relativo à multa aplicada. É como voto. (assinado digitalmente) Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 390DF CARF MF 10 Fl. 391DF CARF MF
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Numero do processo: 10820.720007/2006-45
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
LEGITIMIDADE PASSIVA. PROPRIEDADE RURAL INVADIDA POR TERCEIROS.
O proprietário de imóvel rural invadido por trabalhadores sem-terra possui legitimidade passiva em face do ITR, até que a propriedade seja declarada de interesse social para fins de reforma agrária, com imissão prévia do Poder Público na posse:
Numero da decisão: 9202-004.586
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado a quo para análise das demais questões postas no recurso voluntário, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2005 LEGITIMIDADE PASSIVA. PROPRIEDADE RURAL INVADIDA POR TERCEIROS. O proprietário de imóvel rural invadido por trabalhadores sem-terra possui legitimidade passiva em face do ITR, até que a propriedade seja declarada de interesse social para fins de reforma agrária, com imissão prévia do Poder Público na posse:
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado a quo para análise das demais questões postas no recurso voluntário, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
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PROPRIEDADE RURAL INVADIDA POR TERCEIROS. O proprietário de imóvel rural invadido por trabalhadores semterra possui legitimidade passiva em face do ITR, até que a propriedade seja declarada de interesse social para fins de reforma agrária, com imissão prévia do Poder Público na posse: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado a quo para análise das demais questões postas no recurso voluntário, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 72 00 07 /2 00 6- 45 Fl. 858DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo, de exigência de Imposto Territorial Rural ITR, relativo ao exercício de 2005, acrescido de juros moratórios e multa de ofício, incidente sobre o imóvel rural denominado "Fazenda Nossa Senhora da Medalha Milagrosa" (NIRF 0.752.990 2), localizado no Município de Aripuanã/MT. A motivação da exigência foi a glosa das Áreas de Preservação Permanente, de Utilização Limitada e de Exploração Extrativa, bem como arbitramento do VTN Valor da Terra Nua. Em sessão plenária de 22/01/2014, foi dado provimento ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão 210201.635 (fls. 428 a 440), assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA A alegação de cerceamento do direito de defesa na fase do lançamento do crédito tributário é incabível, pois somente quando da impugnação da autuação se instaura a fase litigiosa do processo. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). INSTRUMENTO DE CONTROLE. O MPF constituise em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância da norma infralegal não pode gerar nulidades no âmbito do processo administrativo. ITR. ILEGITIMIDADE PASSIVA. ÁREA COMPROVADAMENTE INVADIDA POR INTEGRANTES DO MOVIMENTO SEMTERRA. Estando devidamente comprovado nos autos que o Recorrente não detinha, quando da ocorrência do fato gerador do ITR objeto deste lançamento, quer a posse, a propriedade ou o domínio útil do imóvel, não se pode exigir dele o pagamento do imposto. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Provido" O processo foi enviado à PGFN em 26/03/2014 (Despacho de Encaminhamento de fls. 767) e, em 1º/04/2014, foi interposto o Recurso Especial de fls. 768 a 778 (Despacho de Encaminhamento de fls. 779). O apelo visa rever a questão da sujeição passiva, no caso de imóvel invadido por terceiros. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 08/08/2014 (fls. 781 a 782). No Recurso Especial, a Fazenda Nacional alega, em síntese: Fl. 859DF CARF MF Processo nº 10820.720007/200645 Acórdão n.º 9202004.586 CSRFT2 Fl. 855 3 a questão nuclear versa sobre a condição do proprietário de imóvel rural como contribuinte do Imposto sobre a Propriedade Rural, diante da invasão do imóvel por terceiros, ensejando a perda da posse do imóvel; transcrevese a seguir as hipóteses de incidência constantes os dispositivos legais que se subsumem ao fato concreto, para melhor elucidação do tema: CTN “Art. 29. O imposto, de competência da União, sobre a propriedade territorial rural tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localizado fora da zona urbana do Município.” “Art. 31. Contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, titular de seu domínio útil, ou seu possuidor a qualquer título.” “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente.” “Art. 114. Fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência.” “Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; II tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável.” “Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei.” Lei n° 9.393/96 “Art. 1º O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o Fl. 860DF CARF MF 4 domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano. § 1º O ITR incide inclusive sobre o imóvel declarado de interesse social para fins de reforma agrária, enquanto não transferida a propriedade, exceto se houver imissão prévia na posse.” “Art. 4º Contribuinte do ITR é o proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título.” no caso em comento, verificase a ocorrência dos aspectos de incidência tributária, referentes à relação jurídicotributária do ITR, quais sejam, aspectos material (o que fato gerador), espacial (onde território em que ocorrendo o fato terá repercussão tributária), temporal (quando momento em que se deve considerar ocorrido o fato gerador), pessoal (quem sujeito ativo e passivo da relação tributária) e quantitativo (quanto critérios para cálculo da prestação devida: base de cálculo e alíquota); o ITR possui fato gerador continuado, que não se consubstancia num ato ou negócio jurídico, mas numa situação jurídica: a propriedade, o domínio útil ou a posse do imóvel situado fora da zona urbana do Município; assim, verificase o fato gerador do imposto sobre a propriedade territorial rural, diante da concretização da situação jurídica, referente à aquisição de propriedade, posse ou domínio útil, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável, segundo preceitua o art. 116 do CTN; quanto ao aspecto temporal, temos que o fato gerador do ITR é do tipo continuado, ou seja, situação que se perdura no tempo; o aspecto temporal da hipótese de incidência do ITR consta, ainda, no art. 1° da Lei 9.393/96, que estabelece como fato gerador a “propriedade, o domínio útil ou a posse (...) em 1º de janeiro de cada ano”, sendo o imposto, por força desta disposição, exigido anualmente (periodicidade); assim, verificada a propriedade em 1° de janeiro, situação necessária e suficiente para o surgimento da obrigação tributária, o fato de, posteriormente, durante o ano, vir a ocorrer descontinuidade na titularidade, não tem qualquer implicação sobre a obrigação tributária, não ensejando repetição parcial do tributo (TRF4, 1° Turma, maioria, AI 2000.04.01.1028580/pr, rel. Des. FEd. Wellington M. de Almeida, ago/02). quanto ao aspecto territorial consiste no território nacional, eis que se trata de tributo de competência da União, logo, verificada a propriedade de imóvel situado em zona rural no território nacional, em 1° de janeiro de cada ano, surge a obrigação de pagar o ITR; no que concerne ao aspecto quantitativo, o art. 30 do CTN estabelece seu arquétipo, dispondo acerca da perspectiva dimensível do fato gerador; nos termos do art. 11 da Lei 9.393/96, a base de cálculo do ITR consiste no valor da terra nua tributável (VTNt); as alíquotas, por sua vez, constam na tabela de alíquotas anexa à Lei 9.393/96, variando conforme o tamanho o imóvel, em hectares, e o grau de utilização; o aspecto pessoal consiste no sujeito ativo e passivo da relação obrigacional; sujeito ativo é a União, segundo, inclusive, o art. 15 da Lei 9.393/96; Fl. 861DF CARF MF Processo nº 10820.720007/200645 Acórdão n.º 9202004.586 CSRFT2 Fl. 856 5 quanto aos sujeitos passivos, questão nuclear dos presentes autos, dispõem os arts. 4° e 5° da Lei 9.393/96, em que o contribuinte do ITR é o proprietário do imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor qualquer título; pois bem, alega a interessada não ser sujeito passivo da relação tributária por ter perdido a posse do imóvel pela invasão de trabalhadores sem terra; ocorre que, ainda que detentor de apenas um dos aspectos da propriedade, caberá ao contribuinte o recolhimento do Imposto Territorial Rural, nos termos do artigo 29 e do artigo 31 do Código Tributário Nacional, que determina que o “contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título”; a propriedade, o domínio útil e a posse são conceitos que o Direito Tributário vai buscar no Direito Civil, segundo art. 110 do CTN, para o fim de definir precisamente os fatos geradores do ITR; de acordo com a legislação civil, o proprietário do bem é aquele que pode dele fazer uso, pode perceberlhe os frutos, e pode dele desfazerse como bem desejar, salvo cláusula específica de inalienabilidade, de origem legal ou contratual; nestes termos, o conceito de propriedade não está expresso na legislação, defluindo de preceito do Código Civil, que consagra o direito de propriedade, ao dispor que “o proprietário tem a faculdade de usar, gozar e dispor da coisa, e o direito de reavêla de quem quer que injustamente a possua ou detenha”; portanto, ainda que o contribuinte, proprietário do imóvel rural, tenha sofrido turbação de sua posse por terceiros, pelo fato de o registro do imóvel ter como titular da propriedade seu nome, nos termos do Registro do Imóvel, legítima e legal é a exação tributária do ITR, mormente quando a declaração para fins de reforma agrária se deu somente em 2003, bem como o Mandado de Imissão na posse expedido em 2004; ademais, teria a interessada salvaguarda na legislação de regência, para propor medida judicial com fito de proteger seu direito de propriedade, do qual se infere o direito de reavêlo de quem quer que injustamente a possua ou detenha; ressaltese que a lei dispôs que o ITR incide inclusive sobre o imóvel declarado de interesse social para fins de reforma agrária, enquanto não transferida a propriedade, exceto se houver imissão prévia na posse; a mens legis é de que o ITR incide sobre propriedade até a perda da posse pela imissão do prévia ou provisória do Poder Público ou até a data a perda do direito da propriedade pela transferência ou pela incorporação do imóvel ao patrimônio do Poder Público; ora, segundo interpretação do bom direito, podese afirmar que no ano calendário de 2000, exercício de 2001, a interessada era proprietária do imóvel rural do qual decorreu o auto de infração, não tendo havido, ainda, desapropriação propriamente dita, nem a imissão prévia na posse em favor da expropriantes, bem como não havia sido declarado de utilidade ou necessidade pública ou interesse social, para fins de reforma agrária; assim, configurada como contribuinte do ITR, já que proprietária do imóvel; Fl. 862DF CARF MF 6 finalmente, no sentido do exposto no que concerne ao sujeito passivo do ITR, citase entendimento também da antiga Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, que afastou a preliminar de ilegitimidade passiva, para o contribuinte que argumentou, como preliminar, não ser o sujeito passivo da obrigação tributária, alegando que, apesar de ter adquirido o imóvel, nunca obteve a posse do mesmo, posto que este sempre esteve na posse de terceiros de boafé, além de invadida por integrantes do Movimento dos Sem Terra MST: Processo nº 13116.000247/200593 Matéria: IMPOSTO TERRITORIAL RURAL Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, afastouse a preliminar de ilegitimidade passiva. Por voto de qualidade, deu se provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a exigência relativa à área de reserva legal, vencidos os Conselheiros Silvio Marcos Barcelos Fiúza, Nanci Gama e Nilton Luiz Bartoli, relator, que afastavam também a exigência da área de preservação permanente, e o Conselheiro Tarásio Campelo Borges, que negava provimento. Designado para redigir o voto o Conselheiro Sérgio de Castro Neves. Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR Exercício: 2002 Ementa: ITR/2002. SUJEITO PASSIVO. Rejeitada a preliminar quanto à argüição de ilegitimidade da parte passiva, posto que o contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título, nos termos dos artigos 29 e 31 do Código Tributário Nacional. ÁREAS DE PASTAGEM, VALOR TOTAL DO IMÓVEL E VALOR DA TERRA NUA. (...)ÁREA DE RESERVA LEGAL (ARL). (...)ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. (...).” desse modo, há que ser reformado o acórdão vergastado para afastar a preliminar de ilegitimidade passiva. Ao final, a Fazenda Nacional pede que seja admitido e provido o Recurso Especial, reconhecendose a legitimidade passiva do autuado mesmo diante da turbação da posse. Cientificado do acórdão, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do despacho que lhe deu seguimento em 03/10/2014 (AR Aviso de Recebimento de fls. 831), o Contribuinte ofereceu, em 06/10/2014, as Contrarrazões de fls. 833 a 838, contendo os seguintes argumentos, em resumo: o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional não deve merecer provimento, a despeito de atender ao requisito de sua admissibilidade quanto a haver a decisão recorrida dado interpretação à lei tributária divergente da que lhe fora dada por outra câmara; não se compadece com a melhor forma de distribuir justiça a decisão que, de forma incondicional, só pelo fato de existir decisão conflitante, decidir no mesmo sentido do julgado paradigma; Fl. 863DF CARF MF Processo nº 10820.720007/200645 Acórdão n.º 9202004.586 CSRFT2 Fl. 857 7 isso uniformizaria as decisões por um de dois caminhos igualmente possíveis, sem se preocupar com as peculiaridades de cada caso; é perfeitamente possível que na decisão paradigma, diante da situação fática específica, o melhor entendimento tenha sido o de considerar a legitimidade passiva do recorrente, e que, no caso dos autos, tendo em vista igualmente a especial situação de fato, o melhor entendimento seja considerar a ilegitimidade da parte passiva. no caso aqui tratado, a decisão divergente trazida pelo combativo Procurador da Fazenda é de 20/06/2006 e reportase a fato gerador do ITR do ano de 1998, época em que o entendimento sobre a matéria, especialmente na esfera administrativa de julgamento, poderia ser outro; nem mesmo se pode dizer que a especificidade do caso versado no acórdão paradigma é a mesma do versado nestes autos, tanto assim que no Acórdão nº 30333.269, de 20/06/2006 (paradigma), o Relator fala em ilícito civil diverso do ocorrido no caso deste Contribuinte; No acórdão paradigma o Relator fala em turbação sofrida pelo sujeito passivo da relação tributária, e o que este recorrido sofreu foi esbulho, figura expressa de modo exemplarmente claro pelo julgador administrativo na passagem transcrita às fLs. 770 dos autos do processo, abaixo reproduzida: "A meu ver, porém, razão assiste ao Recorrente, pois o simples fato de o mesmo ser formalmente o proprietário do imóvel em questão não (mais) o legitima como sujeito passivo para fins de recolhimento do ITR, já que foram retirados dele todos os atributos que a propriedade do referido imóvel lhe traria. Com efeito, o art. 1.228, caput, do NCC, define o conceito de proprietário da seguinte forma: Art. 1.228. O proprietário tem a faculdade de usar, gozar e dispor da coisa, e o direito de reavêlo do poder de quem quer que injustamente a possua ou detenha. (...) Trazendo o conceito de proprietário ao caso concreto, é lícito concluir que o Recorrente não detém, sobre o imóvel em questão nenhuma das faculdades previstas na lei para que pudesse realmente ser considerado como tal. Ele não pode usar, gozar ou mesmo dispor do mesmo, pelo fato de os invasores lá terem se instalado nada menos do que 5 anos antes da ocorrência do fato gerador do ITR cuja exigência aqui se discute. Ademais, tampouco o Recorrente logrou êxito em reaver o imóvel dos invasores (o que lhe seria facultado pela norma acima transcrita), sendo que, ao invés disso, o imóvel foi declarado como de interesse social para fins de reforma agrária, conforme Decreto Presidencial de 24 de Novembro de 2005 Assim, resta claro que o Recorrente à época da ocorrência do fato gerador do ITR no caso em tela não gozava de nenhum dos Fl. 864DF CARF MF 8 atributos da propriedade para que pudesse ser considerado como sujeito passivo do ITR. (trecho do voto condutor)" o deferimento da pretensão da Fazenda acarretaria desprestígio para esse conceituado Tribunal Administrativo, já que, além deste crédito tributário, existem outros três, sobre o mesmo imóvel e constituídos os quatro com base em idênticos fundamentos fáticos e legais (processos administrativos nºs 10183.003873/200621, do exercício de 2002; 10820.720005/200656, do exercício de 2003; 10820.720006/200609, do exercício de 2004; e 10820.720007/200645, do exercício de 2005. no CARF foram providos os quatro recursos que este contribuinte apresentou, em razão do que a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial nos quatro processos; o Recurso Especial referente ao exercício de 2004 (processo nº 10820.720006/200609) não foi admitido (doc. j.), tendo assim a decisão favorável ao contribuinte passado em julgado; com isso, se o Recurso Especial que a Fazenda Nacional interpôs nestes autos for admitido e deferido, haverá decisões divergentes em casos absolutamente análogos, o que, reconhecidamente, é tido como causa de desprestígio para o órgão julgador; temse ainda que o entendimento hoje, firmado já há alguns anos, na esfera administrativa e especialmente na judicial, é de que não é cabível exigência do Imposto Territorial Rural sobre imóvel invadido; para demonstrar que a questão está definitivamente resolvida no E. Superior Tribunal de Justiça, temos a decisão monocrática a seguir referida, exarada com base no que dispõe o artigo 557 do Código de Processo Civil, que prevê que o relator negará seguimento a recurso manifestamente inadmissível, improcedente, prejudicado ou em confronto com súmula ou com jurisprudência dominante do respectivo tribunal, do Supremo Tribunal Federal, ou de Tribunal Superior; tratase da decisão proferida no Recurso Especial n° 1.346.328 PR (2012/02024768), Relator o Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, recorrente a Fazenda Nacional (DJe de 14/11/2013, páginas 1 a 8), que na parte do mérito assenta: "(...) 3. O Fato Gerador do ITR é a propriedade, o domínio útil, ou a posse, consoante disposição do art. 29 do Código Tributário Nacional. 4. Sem a presença dos elementos objetivos e subjetivos que a lei, expressa ou implicitamente, exige ao qualificar a hipótese de incidência, não se constitui a relação jurídicotributária. 5. A questão jurídica de fundo cingese à legitimidade passiva do proprietário de imóvel rural, invadido por 80 famílias de sem terra, para responder pelo ITR. 6. Com a invasão, sobre cuja legitimidade não se faz qualquer juízo de valor, o direito de propriedade ficou desprovido de praticamente todos os elementos a ele inerentes: não há mais posse, nem possibilidade de uso ou fruição do bem. Fl. 865DF CARF MF Processo nº 10820.720007/200645 Acórdão n.º 9202004.586 CSRFT2 Fl. 858 9 7. Direito de propriedade sem posse, uso, fruição e incapaz de gerar qualquer tipo de renda ao seu titular deixa de ser, na essência, direito de propriedade, pois não passa de uma casca vazia à procura de seu conteúdo e sentido, uma formalidade legal negada pela realidade dos fatos. 8. Por mais legítimas e humanitárias que sejam as razões do Poder Público para não cumprir, por 14 anos, decisão judicial que determinou a reintegração do imóvel ao legítimo proprietário, inclusive com pedido de Intervenção Federal deferido pelo TJPR, há de se convir que o mínimo que do Estado se espera é que reconheça que aquele que diante da omissão estatal e da dramaticidade dos conflitos agrários deste Brasil de grandes desigualdades sociais não tem mais direito algum não pode ser tributado por algo que só por ficção ainda é de seu domínio. 9. Ofende o Princípio da Razoabilidade, o Princípio da BoaFé Objetiva e o bom senso que o próprio Estado, omisso na salvaguarda de direito dos cidadãos, venha a utilizar a aparência desse mesmo direito, ou o resquício que dele restou, para cobrar tributos que pressupõem a sua incolumidade e existência nos planos jurídico (formal) e fático (material). 10. Irrelevante que a cobrança do tributo e a omissão estatal se encaixem em esferas diferentes da Administração Pública. União, Estados e Municípios, não obstante o perfil e personalidade próprios que lhes conferiu a Constituição de 1988, são parte de um todo maior, que é o Estado brasileiro. Ao final das contas, é este que responde pela garantia dos direitos individuais e sociais, bem como pela razoabilidade da conduta dos vários entes públicos em que se divide e organiza, aí se incluindo a autoridade tributária. 11. Na peculiar situação dos autos, considerando a privação antecipada da posse e o esvaziamento dos elementos da propriedade sem o devido processo de Desapropriação, é inexigível o ITR ante o desaparecimento da base material do fato gerador e a violação dos Princípios da Razoabilidade e da Boa Fé Objetiva." (....) 14. Ante o exposto, com fundamento no art. 557, caput do CPC, negase seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. estando assim demonstrado que não existe fundamente fático nem legal para a manutenção do crédito tributário, e que a continuidade do procedimento serviria apenas para resultar em execução fiscal que apenas sobrecarregaria ainda mais o Poder Judiciário e provocaria despesas e trabalho inúteis, acatar o pedido da Fazenda Nacional seria desafiar o princípio constitucional da eficiência, previsto no artigo 37 da Constituição Federal. Ao final, o Contribuinte pede que seja negado provimento ao recurso. Fl. 866DF CARF MF 10 Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Trata o presente processo, de exigência de Imposto Territorial Rural ITR, relativo ao exercício de 2005, acrescido de juros moratórios e multa de ofício, incidente sobre o imóvel rural denominado "Fazenda Nossa Senhora da Medalha Milagrosa" (NIRF 0.752.990 2), localizado no Município de Aripuanã/MT. A motivação da exigência foi a glosa das Áreas de Preservação Permanente, de Utilização Limitada e de Exploração Extrativa, bem como arbitramento do VTN Valor da Terra Nua. O tributo foi exigido do proprietário do imóvel, que alegou ilegitimidade passiva, tendo em vista a área encontrarse invadida por trabalhadores semterra. A Fazenda Nacional, por sua vez, alega a legitimidade passiva da proprietária. A Lei nº 5.172, de 1966 CTN, assim dispõe, relativamente ao ITR: Art. 29. O imposto, de competência da União, sobre a propriedade territorial rural tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localização fora da zona urbana do Município. (...) Art. 31. Contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título. (grifei) A Lei nº 9.393, de 1996, que regulamentou o ITR, assim estabeleceu: "Art. 1º O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano. § 1º O ITR incide inclusive sobre o imóvel declarado de interesse social para fins de reforma agrária, enquanto não transferida a propriedade, exceto se houver imissão prévia na posse. (...) Art. 4º Contribuinte do ITR é o proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título." De plano, cabe destacar que a lei não estabelece qualquer benefício de ordem, no que tange ao contribuinte do ITR. Nesse passo, ressaltase que o próprio Contribuinte qualificouse como tal, ao apresentar a DITR/2005 em seu nome, apurando inclusive o tributo que considerou devido (fls. 04). Com efeito, a irresignação acerca da sujeição passiva somente ocorreu quando dele foi exigida a diferença de imposto. Fl. 867DF CARF MF Processo nº 10820.720007/200645 Acórdão n.º 9202004.586 CSRFT2 Fl. 859 11 Assim, não há que se falar em ilegitimidade passiva, já que o Contribuinte detinha a propriedade do imóvel, o que já é suficiente para, no presente caso, caracterizar a sujeição passiva. Quanto ao acórdão recorrido, o fundamento para a declaração de ilegitimidade passiva foi o fato de, à época do fato gerador, a Fazenda encontrarse na posse de trabalhadores semterra, sendo que, por força de decreto de 24/11/2005, o imóvel foi declarado de interesse social, para fins de reforma agrária. Entretanto, a Lei nº 9.393, de 1996, assim determina: "Art. 1º O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano. § 1º O ITR incide inclusive sobre o imóvel declarado de interesse social para fins de reforma agrária, enquanto não transferida a propriedade, exceto se houver imissão prévia na posse. (...) Art. 4º Contribuinte do ITR é o proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título." Regulamentando a lei, o Decreto nº 4.382, de 19/09/2002, foi claríssimo: Art. 2º O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1o de janeiro de cada § 1º O ITR incide sobre a propriedade rural declarada de utilidade ou necessidade pública, ou interesse social, inclusive para fins de reforma agrária: I até a data da perda da posse pela imissão prévia do Poder Público na posse; II até a data da perda do direito de propriedade pela transferência ou pela incorporação do imóvel ao patrimônio do Poder Público." (grifei) No caso em apreço, tratase do ITR/2005, sendo que o imóvel somente foi declarado de interesse social para fins de reforma agrária em 24/11/2005, portanto após a ocorrência do fato gerador. Assim, conforme o dispositivo legal acima destacado, somente a partir dessa data poderia se cogitar de não exigência do tributo em face do autuado, e mesmo assim caso restasse comprovada a imissão prévia na posse, o que somente ocorreu em 07/11/2007 (fls. 01). Destarte, a sujeição passiva, no caso do ITR, não comporta benefício de ordem, sendo que a regra geral é a exigência do ITR em face do proprietário, enquanto não transferida a propriedade, o que no presente caso legitima o Contribuinte como sujeito passivo do ITR/2005. Com efeito, ao tempo de ocorrência do fato gerador, o imóvel em questão não se Fl. 868DF CARF MF 12 enquadrava na excepcionalidade que eximiria o proprietário da exigência do tributo: imóvel declarado de interesse social para fins de reforma agrária com imissão prévia do Poder Público na posse. Em sede de Contrarrazões, o Contribuinte apresenta uma série de argumentos que, a despeito de sua legitimidade, não possuem o condão de afastar a lei, cujo cumprimento vincula o julgamento administrativo. Quanto às decisões exaradas pelo STJ, trazidas em Contrarrazões e juntadas após a interposição do Recurso Especial da Fazenda Nacional, estas não se revestem da característica de efeito repetitivo, que vincularia os Conselheiros do CARF (art. 62 do RICARF). No que tange aos princípios da moralidade, da boafé, do bomsenso, e outros que se entenda aplicáveis ao presente caso, ressaltese que ao Julgador Administrativo é vedado afastar a lei, e esta é clara no sentido de que o autuado possui legitimidade passiva, relativamente ao ITR/2005. Sobre o princípio da eficiência, evitandose custos com eventual ação judicial, argumento também oferecido em sede de Contrarrazões, esclareçase que tal juízo de oportunidade e conveniência não cabe ao Julgador Administrativo, adstrito à lei, e sim à parte envolvida, Fazenda Nacional, que até o momento não exarou qualquer ato nesse sentido. Com efeito, ao Julgador Administrativo cabe aplicar a legislação que rege a matéria, e esta não autoriza posicionamento diverso do adotado no presente voto. Finalmente, no que tange e eventuais decisões divergentes acerca da mesma matéria, tratase de situação inerente aos tribunais, cabendo à Instância Especial dirimir eventual divergência. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento, afastando a ilegitimidade passiva e determinando o retorno dos autos ao Colegiado de origem, para julgamento das demais questões objeto do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 869DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.722027/2014-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012, 2013, 2014
DESPESAS. NECESSIDADE.
São admissíveis as como operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora e que sejam usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividade da empresa.
DESPESAS DE DEBÊNTURES. INDEDUTIBILIDADE.
A falta de comprovação de que os atos formalmente praticados, analisados pelo seu todo, demonstrarem não terem as partes outro objetivo que não se livrar de uma tributação específica, e seus substratos estão alheios às finalidades dos institutos utilizados (emissão de debêntures) tais atos não são oponíveis ao fisco. Nesse contexto se insere a indedutibilidade das despesas decorrentes das obrigações relativas a debêntures entre partes ligadas sem captação alguma de novos recursos, demonstrando apenas a artificialidade da operação.
MULTA QUALIFICADA
Aspecto relevante que deve ser considerado na aplicação da multa qualificada aos planejamentos diz respeito aos atos que constituem a conduta evasiva. Se nenhum desses atos foi falso, se tudo estava às claras para a fiscalização e não exigiu qualquer esforço para a aplicação dos efeitos tributários, não há razão para se qualificar a multa.
Numero da decisão: 1401-001.718
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos seguintes termos: I) Por unanimidade de votos, NEGAR provimento mantendo os lançamentos. A conselheira Lívia votou pelas conclusões; e II) Por maioria de votos, DAR provimento para desqualificar a multa de 150% (cento e cinqüenta por cento) para 75% (setenta e cinco por cento). Vencidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto(Relator) e Julio Lima Souza Martins. Designado o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes para redigir o voto vencedor..
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Relator e Presidente
(assinado digitalmente)
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregório, Luciana Yoshihara Argangelo Zani, Júlio Lima Souza Martins, Aurora Tomazini de Carvalho, Lívia de Carli Germano e Antonio Bezerra Neto
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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NECESSIDADE. São admissíveis as como operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora e que sejam usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividade da empresa. DESPESAS DE DEBÊNTURES. INDEDUTIBILIDADE. A falta de comprovação de que os atos formalmente praticados, analisados pelo seu todo, demonstrarem não terem as partes outro objetivo que não se livrar de uma tributação específica, e seus substratos estão alheios às finalidades dos institutos utilizados (emissão de debêntures) tais atos não são oponíveis ao fisco. Nesse contexto se insere a indedutibilidade das despesas decorrentes das obrigações relativas a debêntures entre partes ligadas sem captação alguma de novos recursos, demonstrando apenas a artificialidade da operação. MULTA QUALIFICADA Aspecto relevante que deve ser considerado na aplicação da multa qualificada aos planejamentos diz respeito aos atos que constituem a conduta evasiva. Se nenhum desses atos foi falso, se tudo estava às claras para a fiscalização e não exigiu qualquer esforço para a aplicação dos efeitos tributários, não há razão para se qualificar a multa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos seguintes termos: I) Por unanimidade de votos, NEGAR provimento mantendo os lançamentos. A conselheira Lívia votou pelas conclusões; e II) Por AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 20 27 /2 01 4- 77 Fl. 974DF CARF MF Processo nº 11516.722027/201477 Acórdão n.º 1401001.718 S1C4T1 Fl. 68 2 maioria de votos, DAR provimento para desqualificar a multa de 150% (cento e cinqüenta por cento) para 75% (setenta e cinco por cento). Vencidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto(Relator) e Julio Lima Souza Martins. Designado o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes para redigir o voto vencedor.. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator e Presidente (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregório, Luciana Yoshihara Argangelo Zani, Júlio Lima Souza Martins, Aurora Tomazini de Carvalho, Lívia de Carli Germano e Antonio Bezerra Neto Fl. 975DF CARF MF Processo nº 11516.722027/201477 Acórdão n.º 1401001.718 S1C4T1 Fl. 69 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 02053.779, da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo HorizonteMG. Adoto o relatório constante na decisão de primeira instância para compor em parte este relatório: Demonstrativo I valores lançados Imposto ou contribuição Valor Juros Multa Total IRPJ 17.409.539,13 2.035.741,10 26.114.308,71 45.559.588,94 CSLL 6.267.434,09 732.866,80 9.401.151,14 16.401.452,03 Soma 23.676.973,22 2.768.607,9 35.515.459,85 61.961.040,97 Tais lançamentos foram explanados pelo autor do feito pelo Relatório da Atividade Fiscal (RAF) de fls. 30 a 59, que principia esclarecendo que a interessada, até 19 de junho de 2011, era constituída sob a forma de sociedade empresária limitada, achandose suas quotas divididas entre os sócios Alexis Suren Tcholakian Morales, com 95% do capital, e Anair de Fátima Cândido, com o restante. Em 20 de junho de 2011, por meio de sua 10a alteração contração, adquiriu ela a natureza de sociedade por ações, mantido o mesmo quadro societário, o mesmo objeto social e achandose as ações distribuídas na mesma proporção das quotas (95 % e 5%), ocupando a presidência o sócio majoritário e a vicepresidência a minoritária. Adverte que a interessada apurou IRPJ e CSLL pelo lucro real nos anoscalendário de 2011 a 2013. Em 1° de julho de 2011, reunidos em assembleia geral extraordinária (AGE), os dois sócios deliberaram realizar a emissão de debêntures participativas no valor de R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). A ata desta assembleia assim registra: [...] Colocação: A emissão das debêntures, por série única, será efetivada por subscrição particular, fechada [...]. 2 — Data da Emissão: Para todos os efeitos legais, a data de emissão será 04 de julho de 2011 e sua integralização poderá ser feita num prazo de 6 (seis) meses a contar da data de emissão. 3 — Data de Vencimento: A respectiva data de vencimento das debêntures será o dia 04 de julho de 2016, prorrogável por igual período através de deliberação dos acionistas e aceite expresso dos debenturistas. [...] 8 — Subscrição e Integralização: Todas as debêntures deverão ser subscritas pelo seu valor nominal e serão integralizadas em moeda corrente nacional, no prazo de até 6 (seis) meses a contar do ato da subscrição. 9 — Remuneração: Nos termos do artigo 56, da Lei n° 6.404/76, as debêntures terão direito a participação nos lucros da Emissora, à razão de 85 % (oitenta e cinco) por cento do Lucro, antes da apuração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, pela totalidade da série [... ] Constam ainda da mencionada ata as seguintes "Justificativas para Emissão dos Títulos": [...] Após uma análise aprofundada da conjuntura, descartandose a tomada de créditos no exterior, que [...] traz consigo o chamado "risco cambial", mas definida a posição pelos sócios da necessária capitalização da companhia [... ] com o compartilhamento de riscos com eventuais investidores, [... ] optouse por uma emissão de debêntures participativas em série única, porém, com a característica de conversibilidade, possibilitando a alavancagem financeira, o controle dos custos deste capital tomado, a expansão de sua atividade e também o compartilhamento dos riscos e resultados com os investidores interessados [...]. Fl. 976DF CARF MF Processo nº 11516.722027/201477 Acórdão n.º 1401001.718 S1C4T1 Fl. 70 4 O Autor do feito ressalta que, nos termos do item 11 da mesma ata da AGE, os dois únicos sócios gozaram do direito de preferência à aquisição das debêntures, transcrevendo os artigos 52 a 74 da Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Afirma ainda: [... ] 5.4 Em uma visão inicial poderia ser dito que se trata de uma operação revestida de todas as formalidades legais, o que há de se concordar, mas ao analisarmos a forma como se deu referida operação, contatase que se tratou de um "planejamento tributário" passível de contestação visto o mesmo ter sido montado com o objetivo único de sonegar tributos, pelas razões que apontaremos neste Termo. A seguir, destaca alguns aspectos desta operação, a partir da mencionada ata : [...] a) "Análise dos Demonstrativos Financeiros e Contábeis da empresa, assim como as perspectivas para os próximos 5 (cinco) anos dentro do plano estratégico definido". Em síntese os acionistas concluem que a empresa encontrase "numa situação de consolidado crescimento" no segmento que atuam, necessitando concentrar esforços na inovação, o que demanda investimentos relevantes de recursos. Afirmam da necessidade de ampliar seu parque fabril e/ou adquirir outras empresas e apesar das linhas de crédito externas serem atrativas haveria o risco cambial, o que os acionistas preferiram não assumir, sendo imperioso a ampliação do parque fabril e a aquisição de outras empresas do mesmo segmento. Após discorrerem sobre diversas alternativas estratégicas para os anos vindouros concluem: "Ponto fundamental para os dois caminhos é que a companhia esteja numa situação financeira equilibrada, com um fluxo de caixa saudável, baixo nível de endividamento especialmente com instituições financeiras e mantenha ao longo do período os níveis de crescimento que vem apurando nos últimos exercícios". b) "Análise da viabilidade de ampliação das atividades da companhia". Nesse item da pauta os acionistas discorrem sobre o excelente nível de produtividade e qualidade dos produtos da companhia, além da eficiência de seu quadro administrativo e para ser mantido tais performances seria necessário a "ampliação da capacidade de produção com ganho de escala, investimento em inovação, testagem, e criação de novos produtos e na consequente diluição de custos". Acabam por deliberar que "a companhia necessita envidar todos os esforços neste sentido, seja através da ampliação de sua unidade fabril, criação de uma nova unidade ou aquisição de empresas similares". c) "Análise do mercado consumidor nacional e internacional e suas tendências". Discorrem sobre os números da empresa e as perspectivas boas do mercado, concluindo que "daí novamente a necessidade de ampliação da capacidade de produção e criação de novos produtos e segmentos, de forma a não desperdiçar o momento vivido pela economia". d) "Considerações e viabilidade de emissão de novos títulos privados para capitalização da companhia, inclusive debêntures participativas conversíveis e suas características". Nesse item da pauta reafirmam que descartaram a tomada de recursos externos, pelo risco cambial, mas que é necessário à capitalização da empresa "para sua expansão e/ou aquisição de empresas do mesmo segmento ou similares". Concluem que "dentre os diversos mecanismos de créditos analisados, optouse por uma emissão de debêntures participativas em série única, porém, com a característica de conversibilidade, possibilitando a alavancagem financeira, o controle dos Fl. 977DF CARF MF Processo nº 11516.722027/201477 Acórdão n.º 1401001.718 S1C4T1 Fl. 71 5 custos deste capital tomado, a expansão de sua atividade e também o compartilhamento dos riscos e resultados com os investidores interessados...". Aqui o Autor do feito observa que o objetivo da emissão ora em exame não seria a capitalização da emitente, mas sim a realização de indevido "planejamento tributário". Assinala que o "compartilhamento dos riscos e resultados com os investidores interessados" envolveria apenas os dois únicos acionistas, os mesmos que autorizaram a emissão das debêntures e as adquiriram e que, ademais, administram a pessoa jurídica. Destaca que a emissão das debêntures visaria, alegadamente, à "expansão do parque fabril e/ou a aquisição de empresas do mesmo segmento", e que, na contabilidade da interessada, existiria a conta "1.2.3.01.009 Obras em Andamento", iniciada em 2010 e que recebeu lançamentos ao longo de 2011 a 2013, no total de R$ 5.043.485,70. Indagada, a contribuinte esclareceu tratarse de "construções de galpões para armazenamento de estoque e ampliação do parque fabril". Foi também verificado que, a partir de 2013, a interessada passou a integralizar o capital da empresa controlada Ventisol Amazônia. O Autor do feito assinala: c.3) Foram apresentados os recibos fornecidos pela VENTISOL aos acionistas da empresa (Doc. 05c) quando da aquisição dos títulos, bem como o extrato da conta corrente mantida pela empresa junto ao Banco do Brasil (Doc 05d), comprovando a entrada dos recursos para a VENTISOL, bem como a origem dos recursos (Doc. 15 e 16). O Autor do feito também registra: c.5) Os dois acionistas adquirentes da debêntures pelo valor de R$ 1.000.000,00, entre os dias 09 e 12 de dezembro de 2011, foram agraciados com um rendimento total de R$ 69.638.156,47 (2011, 2012 e 2013), importância esta que foi considerada como despesa financeira, lançada na conta contábil 3.3.2.2.008 Prêmio de resgate de Títulos e Debêntures e a contra partida na conta contábil 2.1.5.007 Debêntures a Pagar (para 2011 e 2012) e conta contábil 2.2.3.002 Juros Debêntures a Pagar para 2013. E a seguir destaca que, segundo a ata da AGE [...] efeito da emissão das debêntures passaria a valer a partir daquela data, ou seja, 01/07/2011, entretanto, os aportes financeiros ocorreram entre os dias 09 e 12 de dezembro. Mais adiante, relata que este aporte de um milhão de reais realizado no princípio de dezembro de 2001 gerou, no fim deste mesmo mês, rendimento igual a R$ 7.044.706,50. Considerando que o tempo de maturação de investimento corresponderia a 73% de um mês e valendose de calculadora disponibilizada no sítio do Banco Central do Brasil, o Autor do feito estimou que os debenturistas teriam auferido ganho da ordem de 1.350% (vide fl. 30). Resumiu ele no quadro abaixo as taxas correspondentes aos ganhos auferidos pelos debenturistas: QUADRO XII CALCULO DA TAXA D E JUROS NO PERIODO Data O pe ração Total Q u a n t. Meses Taxa Juros Mensal 0 9/1 2/1 1 Aplicação 980.000,00 12/12/11 Aplicação 2 0.0 0 0,0 0 Valor aplicado compra 1 .000.000,00 3 1/12/2011 Juros 7.044.706,00 0,7 3 1 3 4 5,0 0 % Fl. 978DF CARF MF Processo nº 11516.722027/201477 Acórdão n.º 1401001.718 S1C4T1 Fl. 72 6 3 0 / 0 6 / 2 0 1 2 Juros 9.338.095,21 6 4 5,11% 3 1/12/2012 Juros 1 7.763.740,97 6 6 1 ,53% 3 0 / 0 6 / 2 0 1 3 Juros 5.789.659,60 6 3 4,0 0 % 3 1/12/2013 Juros 29.701.954,19 6 7 5,9 8 % Adverte que tais ganhos superam de muito as taxas praticadas no mercado brasileiro de debêntures: [...] Estudo publicado na ISSN/IBICT [...] concluiu cientificamente que a maior taxa de juros (prefixados) oferecida pelo mercado brasileiro de debêntures, entre janeiro de 2008 a setembro de 2009, JAMAIS CHEGOU À CASA DOS 15% AO ANO [...]. [... ] c.12) A mesma publicação também nos prova estatisticamente que utilizandose uma outra amostragem, desta vez para as debêntures pósfixadas: as taxas de juros oferecidas pelo mercado, para o mesmo período, JAMAIS ULTRAPASSARAM A CASA DOS 11% AO ANO !!! (Doc fl. 491), uma vez que o SPRED privado (taxa acima do indexador escolhido) situouse por volta de NO MÁXIMO 1,9% ao ANO (Doc. 18 fl. 10). [... ] Constatou também que, novembro de 2011, a interessada contraiu empréstimo junto ao Banco do Brasil, no valor de R$ 9.000.000,00, a uma taxa de 12% ao ano, assinalando que: c.17) Ao considerarmos o estudo da rentabilidade média do mercado de debêntures, perto de 15% a.a. (15% ao ano), a taxa de juros aplicada no empréstimo obtido em novembro/2011 de 12% a.a. (12% ao ano) e as compararmos com o custo financeiro pela emissão das debêntures QUADRO XII , onde a taxa variou de 34% a 1.345% ao mês é de se crer que não houve qualquer preocupação dos acionistas quanto ao controle dos custos, haja vista que o propósito na operação realizada foi sonegar tributos. [... ] 8.3 Em junho de 2011 os acionistas receberam recursos financeiros da VENTISOL oriundos de "antecipação de lucros", no montante de R$ 1.000.000,00, cujos valores são coincidentes com os que posteriormente foram utilizados na aquisição das debêntures. Ressalta que, em 30 de dezembro de 2011, [... ] a VENTISOL (mesmo mês da integralização das debêntures) a VENTISOL reconheceu como despesas a quantia bruta de R$ 2.559.063,04, a título de "Juros sobre o Capital Próprio" [...]. Esclarece que foram pagos a este título, entre janeiro e abril de 2012, o valor de R$ 2.107.206,22, sendo R$ 1.400.000,00 já no início de 2012. Resume o fluxo de caixa salientando que houve: (a) uma saída de recursos de R$ 1.000.000,00 em junho de 2011, a título de adiantamento sobre lucros; (b) um aporte de R$ 1.000.000,00 no princípio de dezembro de 2011, dado pela integralização das debêntures; (c) a remuneração destes papéis no final de dezembro de 2011, no valor de R$ 7.044.706,50; e (d) pagamento de juros sobre o capital próprio no montante de R$ 2.107.206,22 entre janeiro e abril de 2012, sendo R$ 1.400.000,00 já no início de 2012. E conclui: Fl. 979DF CARF MF Processo nº 11516.722027/201477 Acórdão n.º 1401001.718 S1C4T1 Fl. 73 7 8.6 O total do desembolso financeiro (considerando antecipação de lucros, juros do capital próprio e participação das debêntures) destinados aos sócios entre 2011 e 2013 atingiu a importância de R$ 13.079.463,88 o que é surpreendente se a intenção fosse realmente capitalizar a empresa. Analisa os índices de liquidez e outros parâmetros de endividamento da interessada e conclui: 8.16 As retiradas de numerários realizadas pelos sócios de R$ 13.079.463,88, o aumento do Passivo a título das obrigações reconhecidas como remuneração das debêntures devidas de R$ 59.665.898,81 (R$ 69.638.156,47 () R$ 9.972.257,66) e o empréstimo de R$ 9.000.000,00, foram determinantes para a descapitalização, medida pela queda da liquidez geral em 33% e o endividamento da empresa em 48% medido pelo índice do endividamento total. Isto posto, em face do artigo 299 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999) e da dicção do Parecer Normativo n° 32, de 19 de agosto de 1981, o Autor do feito entendeu que [...] o gasto é necessário quando essencial a qualquer transação ou operação exigida pela exploração das atividades, principais ou acessórias, que estejam vinculadas com as fontes produtoras de rendimentos. Por outro lado, despesa normal é aquela que se verifica comumente no tipo de operação ou transação efetuada e que, na realização do negócio, se apresenta de forma usual, costumeira ou ordinária. O requisito de usualidade deve ser interpretado na acepção de habitual na espécie de negócio. Isso definitivamente não é o caso das despesas com debêntures da VENTISOL, ocorridas nos anos calendário de 2011 a 2013, a serem glosadas e Adicionadas ao Lucro Líquido nos termo do artigo 249 do Regulamento do Imposto de Renda [...]. 10.1 Não ocorreu uma operação de debêntures visando capitalizar a empresa e sim, um perverso planejamento tributário com vistas a reduzir a base da tributação, para efeito do Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, considerando todos os fatos expostos ocorridos entre a AGE de 01/07/2011 e o real desdobramento financeiro e contábil, notadamente a desproporcionalidade nas taxas de juros pagas e nas retiradas de recursos da VENTISOL seja a título de juros sobre o capital próprio e prêmio pela remuneração das debêntures. 10.2 Pelo exposto, consideramos as despesas financeiras a título de "prêmio de resgate de título de debêntures" como despesas indedutíveis e as adicionamos no lucro líquido, visto os acionistas da VENTISOL terem tido a clara intenção de reduzir indevidamente o lucro líquido, utilizandose de despesas anormais e desnecessárias, relativo a remuneração de debêntures emitidas única e exclusivamente em favor dos dois únicos acionistas e diretores da empresa, com o único intuito de eximirse do pagamento de tributos. A seguir, com supedâneo no artigo 167 do Código Civil, ressalta seu entendimento de que teria ocorrido, no caso vertente, operação financeira simulada, [...] através de emissão de debêntures, com vistas a reduzir a base de cálculo do IR e da CSLL. No caso sob exame, tratase de simulação relativa [...]. Esposa o entendimento de que a simulação relativa compõese de dois negócios, um "simulado, aparente, destinado a enganar; o outro é o dissimulado, oculto, mas verdadeiramente desejado", subsistindo "o negócio dissimulado, se válido for na substância e na forma". Menciona também os artigos 116, parágrafo único, e 149, inciso VII, ambos da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, denominada Código Tributário Nacional (CTN). Tendo em vista a legislação acima mencionada, glosaramse as despesas operacionais relacionadas a esta emissão de debêntures, como segue: Fl. 980DF CARF MF Processo nº 11516.722027/201477 Acórdão n.º 1401001.718 S1C4T1 Fl. 74 8 QUADRO XXIII TOTAL DESPESAS GLOSADAS Conta Contábil Data Histórico Valor da Despesa Glosada 3.3.2.2.008 31/12/2011 Premio de Resgate de Título e Debentures 7.044.706,50 3.3.2.2.008 30/06/2012 Premio de Resgate de Título e Debentures 9.338.095,21 3.3.2.2.008 31/12/2012 Premio de Resgate de Título e Debentures 17.763.740,97 3.3.2.2.008 30/06/2013 Premio de Resgate de Título e Debentures 5.789.659,60 3.3.2.2.008 31/12/2013 Premio de Resgate de Título e Debentures 29.701.954,19 TOTAL 69.638.156,47 Em face do acima exposto, o Autor do feito entendeu ser seu poderdever qualificar a multa de ofício, com base no § 1° do artigo 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, em sua redação vigente na época do lançamento. Ademais, considerou solidariamente responsáveis pelo crédito tributário ora exigido os dois únicos acionistas da companhia, tendo em vista seu papel de gestores da interessada e o fato de serem diretamente beneficiados pela emissão de debêntures em exame, resultante de deliberação dos mesmos acionistas. Ciente em 5 de setembro de 2014 (fl. 596), a interessada apresentou, em 3 de outubro de 2014, a impugnação de fls. 612 a 683, a seguir resumida. Em seu preâmbulo, a impugnação afirma que a autuação encontrase lastreada "apenas e tão somente na mais completa, absurda e discricionária subjetividade". Entende que [...] todas as digressões, comparações, gráficos e estatísticas trazidas pelo Agente Fiscal referem se ao pagamento DE JUROS, quando a realidade fática, legal e documental deixa claro que a remuneração aos debenturistas, no presente caso, pautouse pela remuneração BASEADA NA PARTICIPAÇÃO NO LUCRO DA COMPANHIA. Tratamse [sic] de espécies distintas de remuneração aos debenturistas, estampada de forma inegável no artigo 56 da Lei n° 6.404/75. Salienta o que Autor do feito escreveu no item 5.4 do RAF, acima transcrito (q.v.), e enfatiza: [... ] Ou seja, pela simples leitura inicial do Auto de Infração, constatamse inúmeros absurdos de ordem técnica e conceitual: a) O caso em tela não compreende a remuneração ao debenturista baseada em juros, mas sim de participação no resultado da companhia, institutos esses absolutamente diferentes, o que lança por terra toda a argumentação trazida no Auto de Infração, especialmente em termos de comparação gráfica com outras aplicações financeiras; b) O próprio Agente Fiscal atesta expressamente que a operação é revestida de legalidade e que, inclusive, esta operação é passível de contestação; c) Porém, logo em seguida e de forma completamente contraditória, afirma que o contribuinte, ora Impugnante, teria praticado crime de sonegação fiscal (?). Questiona a possibilidade de ocorrência de crime de sonegação fiscal numa operação revestida de legalidade e escreve: Fl. 981DF CARF MF Processo nº 11516.722027/201477 Acórdão n.º 1401001.718 S1C4T1 Fl. 75 9 A bem da verdade o Sr. Agente lança no ar toda sorte de argumentos, sem qualquer coerência ou fundamento legal, com o exclusivo intuito de fazer valer sua vontade subjetiva, especialmente sua tese da "simulação relativa". Em resumo, assevera expressamente que o Contribuinte utilizouse de meio legal para reduzir sua carga tributária. E o Agente Fiscal, não concordando com tal prática, entendeu por bem lavrar o auto de infração, impor o arrolamento de bens, enquadrar os atos praticados na condição de simulação relativa, portanto supostamente fraudulentos, e sugerir o enquadramento e tipificação criminal específica dos sócios administradores. Entende que o Autor do feito não haveria concordado com sua transformação em sociedade anônima nem com a emissão de debêntures, muito embora se tratasse de uma "operação legal", porque tudo isto teria o "intuito exclusivo reduzir a base de cálculo do IRPJ e da CSLL". Acrescenta: Ainda, a empresa poderia (aqui no tom impositivo de DEVER) ter utilizado outra operação ao invés de emitir as debêntures, já que a intenção era a capitalização. Ou seja, não poderia ter utilizado OUTRA FORMA LEGAL E VIGENTE para reforçar o seu caixa, mas apenas e exclusivamente a forma que a Fiscalização ACHA mais adequada (e possivelmente mais conveniente para os cofres públicos). [... ] Dito isso, passa a Impugnante a oferecer suas razões de mérito, objetivando demonstrar o excesso de exação, a discricionariedade e a arbitrariedade dos atos praticados pelo Sr. Agente Fiscal, para ao final ver anulado por completo o lançamento tributário indevido. Reafirma que, segundo o auto de infração, "a deliberação e emissão das debêntures se deu de forma correta" e que "o Agente Fiscal atestou o ingresso de recursos novos no caixa da Impugnante". Destaca que as debêntures foram integralizadas no prazo previsto pela respectiva escritura pública de emissão. Recorda que apenas as companhias podem emitir debêntures e que esta circunstância haveria motivado sua transformação, de sociedade limitada para sociedade anônima, discorrendo sobre as formas como este tipo de pessoa jurídica pode se organizar. Relembra que, dentro do princípio da livre iniciativa, nada obstaria a que promovesse a emissão de debêntures da forma como o fez. Acrescenta: [... ] Observado o arcabouço legal pela Impugnante, não pode o Agente Fiscal impor sua vontade ou suas impressões, a ponto de descaracterizar um negócio jurídico perfeito realizado, sob a frágil justificativa de que o contribuinte deveria ter agido de outra forma que mais agradasse aos interesses da União. [... ] Portanto, de nada valem os diversos gráficos comparativos trazidos pelo Sr. Agente Fiscal contemplando outras aplicações financeiras existentes no mercado, bem como contratos particulares celebrados pela Impugnante com instituições financeiras que apontam operações de crédito celebradas a seu exclusivo critério, sustentando que a Impugnante deveria seguir outro caminho que, em verdade, se adequasse mais aos interesses do Fisco. [... ] Fl. 982DF CARF MF Processo nº 11516.722027/201477 Acórdão n.º 1401001.718 S1C4T1 Fl. 76 10 No caso específico, a Escritura de Emissão das Debêntures se deu precisamente nos ditames definidos pela lei. O Sr. Agente Fiscal não conseguiu apontar uma mínima irregularidade ou ilegalidade nesta emissão de debêntures. Todos os elementos estão revestidos da mais completa legalidade, inclusive a motivação para sua emissão, a forma de remuneração (participação nos lucros), a observância do direito de preferência aos acionistas, a forma de resgate, conversibilidade e a sua contabilização. O fato do Fiscal "querer" ou "achar" que as despesas decorrentes da remuneração aos debenturistas não são usuais, portanto, supostamente indedutíveis, não pode levar à conclusão de uma ação fraudulenta pela Impugnante. ISSO PORQUE A EMISSÃO DE DEBENTURES EM TELA ESTÁ totalmente REVESTIDA DE LEGALIDADE, E ONDE HÁ LEGALIDADE, NÃO HÁ FRAUDE! Repisa o fato de que tais debêntures foram remuneradas com base nos lucros da interessada e não sob a forma de juros e completa: [... ] Mais ainda e como se verá adiante, a remuneração ao debenturista através da participação nos resultados é tão usual e comum que a própria Receita Federal criou uma força tarefa para investigar mais de 20.000 (vinte mil) contribuintes que teriam feito emissões com estas características [...]. Justifica o fato de todas as debêntures haverem sido subscritas por seus dois únicos acionistas por se tratar de papéis convertíveis em ações, indagando: Portanto, [... ] onde reside a ilegalidade dos "dois acionistas" adquirirem preferencialmente a integralidade das debêntures emitidas pela companhia? E mais: haveria alguma imposição legal determinando outra forma de agir? Existe alguma previsão legal que obrigue a sociedade anônima fechada a emitir debêntures no mercado livre ou aberto e forçála a subscrição por terceiros? Por fim: existe alguma vedação legal para a companhia estabelecer direito de preferência em favor de seus acionistas, quando da emissão de títulos que possam ocasionar alterações futuras em seu quadro societário? [...]. E explica o descompasso entre a remuneração paga aos debenturistas e os parâmetros do mercado relembrando que "o fator preponderante e que caracteriza a modalidade de remuneração participativa de resultado às debêntures" seria o risco, afirmando que seus únicos acionistas e debenturistas não teriam "plena convicção dos resultados que seriam alcançados pela Impugnante nos anos subsequentes à emissão das debêntures". Recorda as obras de ampliação de seu ativo imobilizado e se gaba: A esse respeito, vale mencionar que no ano de 2010 a capacidade produtiva da empresa era de 575.394 unidades/ano e ao final de 2013 esta capacidade já atingia 1.744.970, representando um crescimento de 203,27%. As previsões para 2014 apontam para a produção de 2.350.000 unidades, representativas de um crescimento projetado de 34% (lembrando que neste mesmo ano o crescimento do PIB Brasileiro será de praticamente ZERO!). Igualmente, a venda de itens importados, que em 2010 era de 73.169 unidades, saltou para 611.487 unidades ao final de 2013, implicando num espetacular incremento de 735,72%. Fl. 983DF CARF MF Processo nº 11516.722027/201477 Acórdão n.º 1401001.718 S1C4T1 Fl. 77 11 [... ] Ou seja, a motivação econômica projetada na Assembléia Geral Extraordinária, realizada em 01/07/2014 efetivamente se concretizou ao longo desses últimos anos e a emissão e captação de novos recursos através das debêntures se justificou plenamente. Diz mostrarse surpresa com a constatação, por parte do Autor do feito, de que ela contabilizou em 2011 — e pagou em 2012 — a título de juros sobre o capital próprio, quantia muito superior à obtida com a subscrição de debêntures: A surpresa reside justamente no fato do Sr. Fiscal trazer tal informação como se os acionistas tivessem praticado algum tipo de ilícito em promover a retirada a título de Juros sobre Capital Próprio, instituto esse supostamente conhecido pela Receita Federal, eis que previsto expressamente na legislação do Imposto de Renda. Argumenta que sua situação seria pior sem os recursos provindos da emissão de debêntures. No que tange aos índices desfavoráveis de liquidez apontados pelo Autor do feito, aduz: [... ] Ainda dentro da linha da suposta "Descapitalização da Empresa", arguida pela fiscalização, primeiramente ela pode ser rebatida pelo números acima mencionados, que demonstram os enormes volumes de investimento que estão sendo feitos na ampliação das estruturas físicas, na geração de empregos e, obviamente, dos tributos pagos direta e indiretamente. Não bastasse isso, o Sr. Fiscal aponta também que foram promovidas retiradas em 2012 e 2013, a título de remuneração aos debenturistas, do valor de R$ 9.972.257,66, porém, maliciosamente, esquecese de apontar qual foi o montante retirado pelo sócios a título de distribuição de resultados a que também fazem jus. Este montante foi praticamente nulo, rechaçando mais uma vez o argumento falacioso da inexistente "descapitalização" da empresa. O argumento é tão incoerente que o próprio fiscal parece perder sua linha de raciocínio, tanto que afirma expressamente que a empresa devia aos debenturistas o equivalente a R$ 69.638.156,47 e que até o momento pagou aproximadamente 15% dessa remuneração (R$ 9.972.257,66). Fosse a intenção da Impugnante, seus acionistas ou seus debenturistas promover uma descapitalização da empresa, o que a impediria de efetuar a remuneração integral aos debenturistas? Qual impeditivo para repassar os R$ 59.665.898,81 faltantes aos debenturistas? Evidentemente que nenhum, e que só não o faz justamente porque o objetivo é manter a empresa capitalizada ao máximo para poder fazer frente aos futuros e muitas das vezes incertos desafios. Ressalta mais uma vez que os parâmetros de mercado em que se baseou o Autor do feito retratam o pagamento de juros, pré ou pósfixados, enquanto, em suas palavras, "no caso presente estamos diante de uma remuneração baseada LEGALMENTE no RESULTADO DA COMPANHIA". E ainda: [... ] Assim, ultrapassada a questão da possibilidade de se estabelecer a participação no resultado da empresa aos debenturistas, onde está a fundamentação legal que definiria o percentual limite dessa remuneração? Assevera que o Autor do feito trataria o resultado da companhia como "VERDADEIRO PECADO" e a excelente remuneração aos debenturistas "que apostaram e correram o risco do investimento, como um Fl. 984DF CARF MF Processo nº 11516.722027/201477 Acórdão n.º 1401001.718 S1C4T1 Fl. 78 12 SACRILÉGIO". Entende que "o Sr. Fiscal alega que a remuneração aos debenturistas não poderia ser fixada nos 85% sobre o resultado da companhia", nega validade aos parâmetros de remuneração de mercado e discorre sobre as partes beneficiárias e completa: Quanto ao argumento de que a fixação de remuneração ao debenturista sobre o resultado da companhia não seria algo usual ou normal (porém legal, nas próprias palavras do Agente Fiscal), além de tratarse de argumentação desprovida de mínima fundamentação, não condiz com a realidade. De igual sorte, entende que o Autor do feito haveria construído a teoria de que "os próprios acionistas não poderiam adquirir as debêntures participativas" e também afirmado que, "MESMO O PLANEJAMENTO SENDO LEGAL, ele não é usual e tais despesas assim não podem ser consideradas como dedutíveis". A impugnante alega reiteradamente que existe previsão legal para a dedução das despesas relativas a debêntures, e enfatiza: [... ] não se pode pretender trazer à discussão conceitos subjetivos como os da "normalidade" ou "usualidade", no intuito de segmentar esta dedutibilidade. Ou as despesas são dedutíveis ou não são! Menciona o artigo 31 da Lei n° 12.973, de 13 de maio de 2014, acrescentando que, segundo este dispositivo, deixam de ser dedutíveis, a partir 1° de janeiro de 2015, "as despesas decorrentes de remuneração aos debenturistas [...] caso a figura do debenturista confundase com a figura do sócio ou titular da sociedade". Nega que haja indícios de "fraude ou simulação, tampouco abuso de direito" e que "todos os atos foram pautados pela mais absoluta legalidade e publicidade". Acrescenta: [... ] A Impugnante não praticou simulação alguma, nem absoluta, tampouco relativa! Apenas analisou a norma legal vigente, fez os devidos ajustes societários e tributários, e promoveu a aplicação ao caso concreto, fato este que evidentemente ocasionou uma redução de carga tributária. MAS UMA REDUÇÃO ABSOLUTAMENTE LEGAL, lastreada em norma específica e em observâncias aos ditames legais e constitucionais, inclusive e especialmente ao princípio da estrita legalidade. Além disso, o parágrafo único do art. 116 do CTN, que talvez pudesse ser alegado em favor da tese do abuso de direito, ainda não foi regulado por lei. Portanto, não estaria aí o fundamento para o Fisco pretender afastar a Lei alegando que houve abuso de direito. [... ] se o próprio Agente Fiscal concorda tratarse de uma operação revestida de todas as formalidades LEGAIS e, mais ainda, em tratandose de "planejamento tributário", este é PASSÍVEL DE CONTESTAÇÃO, COMO PODE AFIRMAR QUE HOUVE A PRÁTICA DO CRIME DE SONEGAÇÃO? [... ] o Agente Fiscal lança mão de artifícios impressionistas e inclusive coação moral, para tentar atingir seu desiderato, tentando impor de maneira irresponsável e lastreado em suas impressões pessoais, a pecha de prática de crime fiscal à Impugnante, com exclusivo intuito arrecadatório, com conseqüências seríssimas nas pessoas de seus representantes legais (sócios administradores). No momento oportuno tal modus operandi do Agente Fiscal ensejará a apuração específica e apropriada, inclusive no que tange à responsabilização pessoal pelos atos praticados, face o dano moral já causado aos sócios administradores da Impugnante. [... ] Fl. 985DF CARF MF Processo nº 11516.722027/201477 Acórdão n.º 1401001.718 S1C4T1 Fl. 79 13 Recorda o teor do artigo 150, inciso IV, da Constituição da República, alongandose em considerações a respeito. Acrescenta que "o Sr. Agente Fiscal [...] impôs à Impugnante a multa de ofício ordinária de 75%". Finda pedindo: a) seja o Auto de Infração julgado insubsistente, dandose CONHECIMENTO e TOTAL PROVIMENTO à presente Impugnação Administrativa, forte nas razões de direito trazidas pela Impugnante, especialmente em observância aos princípios constitucionais da estrita legalidade, da livre iniciativa e demais argumentos de direito que norteiam os atos praticados; b) como conseqüência, evidenciada a legalidade dos atos, impõese o afastamento da prática do crime de fraude fiscal imposta à Impugnante e seus representantes, afastandose, por seu turno, a manutenção da multa qualificada e incabível de 150%; c) declarada a inocorrência do crime de fraude fiscal e afastada a multa qualificada, imperioso o imediato arquivamento definitivo do Processo instaurado para fins de Representação Penal, sem prejuízo da posterior apuração das responsabilidades dos atos praticados pelo Agente Fiscal, inclusive no que pertine à reparação pelos danos materiais e morais sofridos pelos ofendidos; d) ainda quanto à multa ordinária aplicada de 75% (setenta e cinco por cento) sobre o valor do principal, tratase de imposição abusiva, desproporcional e com evidente caráter confiscatório. Neste sentido, em se mantendo a exigibilidade do crédito tributário, o que apenas se cogita, requer se a sua redução a patamares mínimos e razoáveis, uma vez que todos os atos da Impugnante estão revestidos de boafé, legalidade e publicidade, assim como em observância à recente e correta orientação do Supremo Tribunal Federal. Apresenta excertos de cunho doutrinário e jurisprudencial. A DRJ manteve o lançamento, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ EXERCÍCIO: 2012, 2013, 2014 DESPESAS SÃO ADMISSÍVEIS AS OPERACIONAIS AS DESPESAS NÃO COMPUTADAS NOS CUSTOS, NECESSÁRIAS À ATIVIDADE DA EMPRESA E À MANUTENÇÃO DA RESPECTIVA FONTE PRODUTORA E QUE SEJAM USUAIS OU NORMAIS NO TIPO DE TRANSAÇÕES, OPERAÇÕES OU ATIVIDADES DA EMPRESA. SIMULAÇÃO A AUTORIDADE ADMINISTRATIVA PODERÁ DESCONSIDERAR ATOS OU NEGÓCIOS JURÍDICOS PRATICADOS COM A FINALIDADE DE DISSIMULAR A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DO TRIBUTO OU A NATUREZA DOS ELEMENTOS CONSTITUTIVOS DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. DISCRICIONARIEDADE A ATIVIDADE ADMINISTRATIVA DE LANÇAMENTO É VINCULADA E OBRIGATÓRIA, SOB PENA DE RESPONSABILIDADE FUNCIONAL. MULTA I Fl. 986DF CARF MF Processo nº 11516.722027/201477 Acórdão n.º 1401001.718 S1C4T1 Fl. 80 14 NOS LANÇAMENTOS DE OFÍCIO SERÁ APLICADA MULTA DE 150% QUANDO A INFRAÇÃO FOR DOLOSA. MULTA II A VEDAÇÃO DO ARTIGO 150, INCISO IV, DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA, DIRIGESE AO LEGISLADOR E NÃO À AUTORIDADE ADMINISTRATIVA, CUJA ATUAÇÃO É, CONFORME PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 142 DO CTN, ESTRITAMENTE VINCULADA. Irresignada com a decisão de primeira instância, a Recorrente interpôs recurso voluntário a este CARF, repisando os tópicos aduzidos anteriormente na respectiva impugnação. Contrarrazões da PFN às fls. 926/951, defendendo a artificialidade das operações e manutenção dos lançamentos, nos termos que abaixo de destaca: Com efeito, os sócios que adquiriram as debêntures figuravam como controladores da VENTISOL S.A. Implica dizer que o resultado da operação seria que os debenturistas se beneficiariam da remuneração com participação nos lucros da sua controlada, enquanto a emitente dos títulos gozaria da vantagem fiscal de deduzir, do seu lucro líquido, a parcela dos seus lucros entregue a título de remuneração das debêntures. Essas circunstâncias confirmam alguns pontos fundamentais já salientados anteriormente: a) não houve operação entre partes independentes, visto que tudo aconteceu no ambiente restrito da emitente das debêntures e seus sócios (debenturistas); e b) não houve aporte de recursos por parte de um investidor externo, justamente em decorrência de a operação ter sido entre partes ligadas. É o relatório. Fl. 987DF CARF MF Processo nº 11516.722027/201477 Acórdão n.º 1401001.718 S1C4T1 Fl. 81 15 Voto Vencido Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator O recurso voluntário da empresa preenche os requisitos legais para admissibilidade. Delimitação da Lide Conforme foi colocado na decisão de piso, desde a fase impugnatória que os acionistas solidários não se defenderam, sendo tal matéria considerada preclusa. Mérito Conforme relatado, foi glosada as despesas derivadas da emissão de debêntures isso por não se enquadrarem nos requisitos estabelecidos pelo artigo 299 RIR/99. Como se sabe, a norma é a dedutibilidade das despesas necessárias, e não as meramente volitivas, conforme regra encartada no RIR/99: “Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º.)” (Grifei). O primeiro ponto a ser analisado é a questão da necessidade, usualidade ou normalidade da referida despesa. Na verdade, o que a legislação tenta perseguir através desses conceitos é uma referência à idéia do que seja “mera liberalidade”, em que não haveria a correlação correspondente, direta ou indiretamente, entre gastos despendidos/receita correlata auferida. Como se vê, não obstante ser a existência real da despesa, condição necessária para a sua dedutibilidade, ela não é suficiente. Há que se comprovar também a sua necessidade diante da atividade desenvolvida pela empresa. É que despesas assumidas, pagas ou incorridas por mera liberalidade não são aceitas pela legislação fiscal ou são aceitas dentro de determinados limites. Conforme foi bem demonstrado pelo fiscal e pela DRJ a operação em causa não passou de uma série de atos sucessivos e concatenados, que tinha como único fito inflar artificialmente as despesas operacionais e reduzir indevidamente os tributos a pagar. Tudo se iniciou com a transformação de uma sociedade limitada em sociedade por ações já para Fl. 988DF CARF MF Processo nº 11516.722027/201477 Acórdão n.º 1401001.718 S1C4T1 Fl. 82 16 possibilitar a emissão dessas debêntures, isso porque somente as companhias tem essa prerrogativa. Procedeuse em seguida ao repasse prévio de verba aos acionistas para que eles pudessem realizar a subscrição que planejavam, a reunião destes últimos em assembléia geral extraordinária para formalizar esta emissão, o estabelecimento de uma remuneração intencionalmente exagerada e fantasiosa e, por fim, no fechamento do anocalendário, a integralização do valor subscrito. As debêntures, cujo disciplinamento jurídico encontrase nos artigos 52 a 74 da Lei n° 6.404, de 15/12/1976 (Lei das S.A.), foram concebidas como instrumento de captação de recursos financeiros para a companhia, mediante o atendimento de diversas formalidades. Os recursos externos captados através de debêntures são equiparáveis ao obtido através de um contrato de mútuo, pois, as companhias que emitem debêntures estão, na verdade, em busca de um empréstimo. A debênture, portanto, não possui caráter de incerteza, pois ela é remunerada normalmente através de juros . Quando em sua remuneração há algo relativo à participação no resultado, tratase de um adicional que tem por finalidade tornar mais atrativo o investimento. Na lição de Modesto Carvalhosa, em Comentários à Lei das Sociedades Anônimas (Vol. 1, da Editora Saraiva, Edição de 2002 pág. 647), embora a lei não diga expressamente, o juro é a remuneração natural da debênture: O caráter facultativo da norma permite a atribuição de outras vantagens remuneratórias complementar es, que façam as debêntures atrativas e com melhor colocação no mercado. Fica então reafirmado o princípio da onerosidade e comercialidade da debênture, que não poderá deixar de oferecer vantagem pecuniária, compativelmente remuneratória do capital mutuado. Faculta a lei de 1976 que, além dos juros, poderá a escritura de emissão estabelecer outras vantagens, como a participação nos lucros e prêmios, notadamente de reembolso. A alusão a juros variáveis constitui acessório do juro fixo estabelecido, consubstanciados aqueles na aceitação, pela comunhão de debenturistas, de vantagens adicionais aos juros prefixados, quando da colocação de novas séries, ou de debêntures em tesouraria. Assim os juros fixos constituem a remuneração básica e indeclinável das debêntures, sendo as demais modalidades acessórias daqueles, como a participação nos lucros da companhia e/ou o prêmio de reembolso. E dentre essas vantagens adicionais aos juros fixos, poderá a companhia emissora oferecer preferência aos tomadores na aquisição de bens, na prestação de serviços ou na aquisição de direito, sempre visando tornar mais atrativa e competitiva a colocação das debêntures no mercado. No caso concreto, essa remuneração foi acordada exclusivamente por meio de participação nos lucros da contribuinte e no valor exorbitante de 85%. Ora,o que se pretende na prática é fazer com que a distribuição de dividendos se transforme em uma verdadeira participação nos lucros, que, também, tornarseia dedutível da base de cálculo do imposto de renda. Fl. 989DF CARF MF Processo nº 11516.722027/201477 Acórdão n.º 1401001.718 S1C4T1 Fl. 83 17 A intenção foi tão clara privilegiando a forma em detrimento da essência que deixou isso transparecer em sua defesa na fase impugnatória, conforme bem colocou a DRJ: "A Impugnante não praticou simulação alguma, nem absoluta, tampouco relativa! Apenas analisou a norma legal vigente, fez os devidos ajustes societários e tributários, e promoveu a aplicação ao caso concreto, fato este que evidentemente ocasionou uma redução de carga tributária." Ou seja, não se trata de erro ou de algo assemelhado, mas de uma clara intenção dolosa visando um fim ilícito de apropriarse indevidamente de despesas desnecessárias infladas artificialmente, por meio apenas de uma forma lícita: emissão de debêntures. Em sua defesa, a interessada limitouse a repisar que tal emissão foi realizada dentro das normas de regência da matéria. Ora, não se presta a desqualificar a autuação a mera alegação de que a Recorrente observou as orientações legais pertinentes, a forma pela forma. Os institutos do direito civil não se prestam para amparar tal pretensão de fazer com que as meras formalidades legais da operação se sobreponham a essência da operação quando essa é vazia, sem causa, a não ser a mera economia tributária. Outrossim, o fato de uma despesa não ser proibida por lei não determina sua dedutibilidade no cômputo do lucro real, como já se viu através da análise da norma do art. 299 do RIR/99, isso porque o conceito de liberalidade comporta mesmo certo subjetivismo. Porém, os fatos do caso concreto não deixam margem para dúvidas de que houve mera liberalidade. A Recorrente se agarra por diversas vezes em sua defesa defendendo que tais debêntures teriam sido remuneradas contra os lucros da companhia e que, portanto, os parâmetros de mercado trazidos à baila pelo Autor do feito não seriam aplicáveis a seu caso. Porém, como muito bem asseverou a DRJ: Ora, tal circunstância apenas ressalta ainda mais o artificialismo desta operação, pois é óbvio não ser usual que as companhias, num arroubo de incontida generosidade, se disponham a distribuir 85% de seu lucro a credores, pessoas supostamente estranhas a elas. Isto se torna ainda mais flagrante ao se atentar ao fato de que o valor da emissão é igual ao do capital da sociedade emitente, como se pode ver dos dados abaixo, extraídos da ficha 37E da DIPJ Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica numerada 1262959, apresentada pela interessada: Último Balanço do Ano Discriminação Imediatamente Anterior Da Declaração Patrimônio Líquido Capital Social 33.Capital Subscrito de Domiciliados e Residentes no País 400.200,00 1.000.000,00 34.()Capital a Integralizar de Domiciliados e Residentes no País 0,00 0,00 35.Capital Subscrito de Domiciliados e Residentes no Exterior 0,00 0,00 36.()Capital a Integralizar de Domiciliados e Residentes no Exterior 0,00 0,00 37.Total do Capital Social Realizado 400.200,00 1.000.000,00 Fl. 990DF CARF MF Processo nº 11516.722027/201477 Acórdão n.º 1401001.718 S1C4T1 Fl. 84 18 Outrossim, as emissões das debêntures da forma como se deu em momento algum cumpriu o seu objetivo principal de captação de novos recursos externos para financiar a expansão da empresa. Na realidade, os papéis são integralmente comprados pelos próprios acionistas e pagos com recursos da própria empresa. É como se os mesmos recursos mudassem de classificação na contabilidade apenas para gerar despesas dedutíveis. O fiscal fez um estudo comparativo de rentabilidade do caso concreto confrontado com a média do mercado e que demonstra o descaso dos acionistas quanto ao controle dos custos, afinal como sublinhou o fiscal "o propósito na operação realizada foi sonegar tributos.": Ao considerarmos o estudo da rentabilidade média do mercado de debêntures, perto de 15% a.a. (15% ao ano), a taxa de juros aplicada no empréstimo obtido em novembro/2011 de 12% a.a. (12% ao ano) e as compararmos com o custo financeiro pela emissão das debêntures – QUADRO XII , onde a taxa variou de 34% a 1.345% ao mês é de se crer que não houve qualquer preocupação dos acionistas quanto ao controle dos custos, haja vista que o propósito na operação realizada foi sonegar tributos. Também a esse respeito as cotntrarrazões da PFN foram precisas: Com efeito, os sócios que adquiriram as debêntures figuravam como controladores da VENTISOL S.A. Implica dizer que o resultado da operação seria que os debenturistas se beneficiariam da remuneração com participação nos lucros da sua controlada, enquanto a emitente dos títulos gozaria da vantagem fiscal de deduzir, do seu lucro líquido, a parcela dos seus lucros entregue a título de remuneração das debêntures. Essas circunstâncias confirmam alguns pontos fundamentais já salientados anteriormente: a) não houve operação entre partes independentes, visto que tudo aconteceu no ambiente restrito da emitente das debêntures e seus sócios (debenturistas); e b) não houve aporte de recursos por parte de um investidor externo, justamente em decorrência de a operação ter sido entre partes ligadas. Esse foi o contexto fático analisado pela autoridade fiscal, que permitiu a constatação de que todo o propósito almejado pelos sócios da VENTISOL S.A. o Sr. ALEXIS SUREN TCHOLAKIAN MORALES e a Sra. ANAIR DE FÁTIMA CÂNDIDO era utilizar a estrutura montada, em 2011, com a emissão das debêntures, para reduzir em 85% o lucro líquido da VENTISOL .S.A. Diante disso, fica patente que a capitalização por meio de debêntures foi uma operação meramente formal, sem substância, visando transformar o aporte de capital dos sócios da VENTISOL S.A. em benefícios tributários é bom frisar, ganhos tributários tanto para a emitente das debêntures quanto para os debenturistas. Portanto, não há motivos para reformar a decisão recorrida, devendo ser mantida integralmente a glosa realizada pela Fiscalização. Fl. 991DF CARF MF Processo nº 11516.722027/201477 Acórdão n.º 1401001.718 S1C4T1 Fl. 85 19 Este também é o posicionamento da jurisprudência administrativa, já de longa data: DESPESAS COM REMUNERAÇÃO DE DEBÊNTURES. Restando caracterizado o caráter de liberalidade dos pagamentos aos sócios, decorrentes de operações formalizadas apenas "no papel" e que transformaram lucros distribuídos em remuneração de debêntures, consideramse indedutíveis as despesas contabilizadas (Ac. 10194986 = Primeira Turma; Relatora: Sandra Maria Faroni); DESPESAS DE DEBÊNTURES. DEDUTIBILIDADE. A dedução das despesas decorrentes das obrigações relativas a debêntures está condicionada, entre outras, à efetiva captação de novos recursos financeiros inerente à emissão desses títulos. (Ac. 103 21543; Terceira Câmara; Relator: Aloysio José Percínio da Silva), (grifos da Relatora) Por fim, cabe salientar que se o propósito original da operação era capitalizar a empresa, da forma que aconteceu, houve na verdade sua descapitalização, demonstrando mais uma vez o artificialismo dessa operação. A esse respeito o autuante fez um trabalho muito meticuloso: VII – A DESCAPITALIZAÇÃO DA EMPRESA 8.1 – A conduta dos acionistas da empresa não se coaduna com a decisão tomada na AGE de 01/07/2011 que tinha por finalidade a “ampliação da capacidade de produção” e notadamente uma “situação financeira equilibrada” e “alavancagem financeira” (Item 6.1) pelas razões a seguir: 8.2 – A decisão dos acionistas foi “capitalizar” a empresa com a emissão de debêntures no total de R$ 1.000.000,00, entretanto, esses mesmos acionistas, promoveram a “descapitalização” da empresa ao longo do período. 8.3 – Em junho de 2011 os acionistas receberam recursos financeiros da VENTISOL oriundos de “antecipação de lucros”, no montante de R$ 1.000.000,00, cujos valores são coincidentes com os que posteriormente foram utilizados na aquisição das debêntures. Em 30/12/2011 a VENTISOL (mesmo mês da integralização das debêntures) a VENTISOL reconheceu como despesas a quantia bruta de R$ 2.559.063,04, a título de “Juros sobre o Capital Próprio”, conforme demonstrado no QUADRO abaixo. Fl. 992DF CARF MF Processo nº 11516.722027/201477 Acórdão n.º 1401001.718 S1C4T1 Fl. 86 20 8.4 – Entre janeiro e abril de 2012 os acionistas Aléxis e Anair retiram da VENTISOL o montante de R$ 2.107.206,22 a título de Juros sobre o Capital Próprio da VENTISOL. Resumindo, no inicio de dezembro/2011 há um aporte de R$ 1.000.000,00 pelos acionistas e estes mesmos promovem um desencaixe financeiro entre janeiro e abril de 2012 de R$ 2.107.206,22 (sendo R$ 1.400.000,00 no inicio de 2012). (...) 8.5 – A retirada de recursos financeiros da VENTISOL, já a título de remuneração das debêntures emitidas, ocorreu em 2012 e 2013 conforme pode ser constatado no Razão Contábil – Debêntures a Pagar (Doc. 19 e 20), totalizando nesses dois exercícios o montante de R$ 9.972.257,66. (...) 8.6 – O total do desembolso financeiro (considerando antecipação de lucros, juros do capital próprio e participação das debêntures) destinados aos sócios entre 2011 e 2013 atingiu a importância de R$ 13.079.463,88 o que é surpreendente se a intenção fosse realmente capitalizar a empresa. 8.7 – A descapitalização da VENTISOL pode ser constatada através dos índices de liquidez e/ou endividamento, onde caracterizaremos que, ao contrário das premissas constantes da AGE de julho/2011, a companhia se endividou de forma surpreendente. 8.8 – Os índices de liquidez e endividamento que foram considerados na presente análise foram os seguintes: (...) Por todo o exposto, nego provimento a este item. Multa Qualificada de 150% Conforme foi detalhadamente exposto neste voto, não se pode apenas cogitar que os inúmeras eventos em comento tratarseia de mera negligência no trato da operação e que tanta “ingenuidade” seja factível. Na verdade a Recorrente não conseguiu justificar a contento sua participação lícita em toda essa operação. O que se viu às escâncaras não foi erro ou de algo assemelhado, mas de uma clara intenção dolosa visando um fim ilícito de apropriar se indevidamente de despesas desnecessárias infladas artificialmente, por meio apenas de uma forma lícita: emissão de debêntures. E de tudo quanto se disse o que demonstrou claramente o caráter doloso da operação foi o fato de as emissões das debêntures da forma como se deu não ter cumprido, em momento algum, o seu objetivo principal de captação de novos recursos externos para financiar a expansão da empresa. O fato de os papéis serem integralmente comprados pelos próprios acionistas e pagos com recursos da própria empresa demonstra claramente o caráter artificial e, portanto, doloso da operação feita apenas com o fim de gerar despesas dedutíveis. Diante desse contexto, deve ser mantida a multa qualificada de 150%. Fl. 993DF CARF MF Processo nº 11516.722027/201477 Acórdão n.º 1401001.718 S1C4T1 Fl. 87 21 Multa confiscatória Sobre a argüição de ser confiscatória a multa aplicada, cumpre gizar que ao julgador administrativo, que se encontra totalmente vinculado aos ditames legais, mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN), não é dado apreciar questões – como a de que a multa fiscal seria confiscatória – que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal válido e vigente. Tal prática encontra óbice, inclusive na Súmulas nº 2 deste CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (PORTARIA MF N.° 383 – DOU de 14/07/2010). Como se vê, a aplicação da multa de 75% prevista em norma legal e vigente não pode ser afastada, muito menos substituída pela multa de mora de 20%, aplicável apenas em situações pagamento em atraso mas de forma espontânea. INCONSTITUCIONALIDADE Quanto às alegações de ofensa a princípios constitucionais, cabe esclarecer que a autoridade administrativa é vinculada a lei válida e vigente, não cabendo a este órgão do Poder Executivo deixar de aplicálas, encontrando óbice, inclusive na Súmula nº 2 deste CARF (atual Primeira Sessão do CARF): Súmula 1ºCC nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (PORTARIA MF N.° 383 – DOU de 14/07/2010). Por todo o exposto, Nego provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator Fl. 994DF CARF MF Processo nº 11516.722027/201477 Acórdão n.º 1401001.718 S1C4T1 Fl. 88 22 Voto Vencedor Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Com a devida vênia à posição adotada pelo Relator que se debruçou com louvável empenho analítico sobre os fatos descritos no presente feito, ouso discordar das suas conclusões acerca da qualificação da multa de ofício. Nos casos de planejamento tributário, a qualificação da multa é tema dos mais controvertidos e algumas sutilezas tem decidido a contenda. Um dos aspectos a se analisar diz respeito à controvérsia em si do planejamento realizado. Afinal, se há ou houve na época da realização da conduta, jurisprudência, mesmo não pacífica, no sentido de a conduta evasiva ser oponível ao Fisco, não se pode afirmar que o particular agiu com dolo específico de fraudar. Não é o caso do presente feito, afinal, o fato gerador mais antigo é de 2012, época em que as decisões do CARF foram no sentido oposto à pretensão do contribuinte. Outro aspecto que tem merecido atenção na aplicação da multa qualificada aplicada aos planejamentos diz respeito aos atos que constituem a conduta. Se nenhum desses atos foi falso, se tudo estava às claras para a fiscalização e não exigiu qualquer esforço para a aplicação dos efeitos tributários, não há razão para se qualificar a multa. Um exemplo de ato que permite a qualificação da multa se dá no desmembramento apenas no papel da atividade da empresa para fins de enquadramento de uma nova empresa no lucro presumido. Ao se registrar um novo domicílio, sem que nenhuma atividade seja efetivamente desenvolvida neste novo endereço, praticase uma fraude apta a legitimar a qualificação da sanção pecuniária. No presente feito, não ficou caracterizado, contudo, qualquer ato com esta natureza. Aliás, em julgamento recente (AC 9101002.189, de 21 de janeiro de 2016), a Câmara Superior de Recursos Fiscais, numa situação similar mas ainda mais estrema, pois se distribuíam, via debêntures, 100% dos lucros, enquanto aqui foram 85%, afastou a qualificação da multa. Isso posto, voto pela desqualificação da multa de ofício para o seu patamar de 75%. No mais sigo o voto do ilustre relator. (assinado digitalmente) Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Fl. 995DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13609.000727/2005-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Feb 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2003
AÇÃO JUDICIAL. PROPOSITURA. EFEITOS. SÚMULA CARF Nº 01.
A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto deste importa em renúncia à instância administrativa na parte sub judice, sendo cabível, a teor da Súmula CARF nº 01, a apreciação apenas da matéria não suscitada no processo judicial.
CRÉDITOS ESCRITURAIS. TRANSFERÊNCIA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. AUTONOMIA DOS ESTABELECIMENTOS.
Para fins de incidência do IPI rege o princípio da autonomia dos estabelecimentos, nos termos do art. 51, parágrafo único do CTN. Nessa esteira, também determina a legislação tributária que a utilização dos créditos do IPI deve ser feita por estabelecimento. Assim, salvo em alguns casos indicados expressamente na legislação, é incabível a transferência de créditos escriturais do estabelecimento filial para a matriz.
Recurso Voluntário negado
Numero da decisão: 3402-003.796
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não se tomar conhecimento do recurso na parte em que existe concomitância com o processo judicial (correção do saldo credor pela taxa Selic) e, na parte conhecida, pelo voto de qualidade, negar provimento. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto, quanto à questão do aproveitamento do saldo credor da escrita da filial extinta pela matriz. A Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz apresentou declaração de voto. Esteve presente ao julgamento o Dr. Ravi Caiê de Medeiros Nolasco, OAB/DF 46.025.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2003 AÇÃO JUDICIAL. PROPOSITURA. EFEITOS. SÚMULA CARF Nº 01. A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto deste importa em renúncia à instância administrativa na parte sub judice, sendo cabível, a teor da Súmula CARF nº 01, a apreciação apenas da matéria não suscitada no processo judicial. CRÉDITOS ESCRITURAIS. TRANSFERÊNCIA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. AUTONOMIA DOS ESTABELECIMENTOS. Para fins de incidência do IPI rege o princípio da autonomia dos estabelecimentos, nos termos do art. 51, parágrafo único do CTN. Nessa esteira, também determina a legislação tributária que a utilização dos créditos do IPI deve ser feita por estabelecimento. Assim, salvo em alguns casos indicados expressamente na legislação, é incabível a transferência de créditos escriturais do estabelecimento filial para a matriz. Recurso Voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não se tomar conhecimento do recurso na parte em que existe concomitância com o processo judicial (correção do saldo credor pela taxa Selic) e, na parte conhecida, pelo voto de qualidade, negar provimento. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto, quanto à questão do aproveitamento do saldo credor da escrita da filial extinta pela matriz. A Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz apresentou declaração de voto. Esteve presente ao julgamento o Dr. Ravi Caiê de Medeiros Nolasco, OAB/DF 46.025. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 00 07 27 /2 00 5- 11 Fl. 258DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento Juiz de Fora que julgou procedente o lançamento, conforme ementa abaixo: IPI — Imposto sobre Produtos Industrializados Anocalendário: 2003 TRANSFERÊNCIA. SALDO CREDOR DE IPI. AUTONOMIA DOS ESTABELECIMENTOS Em decorrência do princípio da autonomia dos estabelecimentos, que rege o IPI, não é permitida a utilização de créditos básicos de um estabelecimento para compensação com débitos de outro, ainda que pertencentes à mesma firma. TAXA SELIC. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL Não se toma conhecimento da impugnação, no tocante as matérias questionadas junto ao poder judiciário, seja o auto de infração lavrado antes ou após a interessada ter ingressado em juizo com ação, da parte que tenha o mesmo objeto do processo administrativo. Lançamento Procedente Trata o processo de auto de infração para a exigência de IPI, multa de 75% e juros de mora, no valor total de R$ 962.897,10, em face da utilização de créditos considerados indevidos pela fiscalização e reconstituição da escrita fiscal, nesses termos: O crédito de R$ 36.856,79 do período de 21/05/2003 a 31/05/2003, referente ao saldo credor da filial (CNPJ 02.095.593/000495), baixada em 25/04/2003, transferido para a Matriz, foi glosado por esta fiscalização por não haver base legal para tal transferência. Esta fiscalização refez a escrita do contribuinte, em planilha anexa a este relatório a fls. 53 a 55, gerando assim o Auto de Infragao em anexo; O crédito de R$ 1.599.626,11 do período de 21/06/2003 a 30/06/2003, referente à atualizaçao do credito de IPI referente ao saldo credor do período de jan/99 a set/03, também foi glosado por esta fiscalização, por o contribuinte ter impetrado Mandado de Segurança para a questão, tendo sido indeferido na petiçao inicial e estando sub judice na data atual. Assim, esta Fl. 259DF CARF MF Processo nº 13609.000727/200511 Acórdão n.º 3402003.796 S3C4T2 Fl. 112 3 fiscalizagao refez a escrita, em planilha anexa a este relatório a fl. 53 a 55, gerando assim o Auto de Infragao em anexo. Inconformada, a contribuinte apresentou impugnação, mediante a qual alega, em síntese: a) A atualização do saldo credor do IPI pela taxa SELIC é devida, tendo em vista que se está diante de verdadeiro indébito, nos termos do art. 39, § 4º da Lei n° 9.250/95 e art. 11 da Lei n° 9.779/99; e b) É possível a transferência de saldo credor de IPI da filial para a matriz como meio de dar efetividade ao que dispõe o art. 5°, § 2° da Lei n° 9.826/99, tendo em vista o acúmulo de créditos na filial depois extinta, sendo que o princípio da autonomia dos estabelecimentos ao IPI pode sofrer temperamentos em determinadas hipóteses, como no presente caso, ainda mais, considerando que se está diante de crédito incentivado (suspensão do IPI). Os argumentos da impugnante não foram acolhidos pela Delegacia de Julgamento, sob os seguintes fundamentos: Com relação à questão da atualização do saldo credor de IPI, a sua análise resta prejudicada administrativamente em face da impetração do Mandado de Segurança n° 2003.38.00.0284137, contra ato do Delegado da Receita Federal em Sete Lagoas/MG, objetivando o direito de aplicar a variação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC na restituição/compensação de seus saldos credores de IPI, em virtude dos critérios estabelecidos pelo art. 39, § 4°, da Lei n° 9.250/95. Não é legitima a utilização, pelo estabelecimento matriz de créditos básicos provenientes da filial, ainda que extinta. Isso porque a legislação do IPI consagra o principio da autonomia dos estabelecimentos, segundo o qual são considerados autônomos, para efeito de cumprimento da obrigação tributária, os estabelecimentos, ainda que pertencentes a uma mesma pessoa fisica ou jurídica (art. 483, inc. IV do RIPI/1998). O art. 5°, § 2° da Lei n° 9.826/99, aventado pela recorrente, referese a casos relativos a saída de bens do estabelecimento com suspensão do IPI e lhe garante apenas a manutenção e a utilização dos créditos para aproveitamento futuro, se for o caso, com débitos do próprio estabelecimento. A contribuinte foi regularmente cientificada do Acórdão de primeira instância, pela via postal, em 06/10/2008. Em 04/11/2008, a contribuinte apresentou recurso voluntário, mediante o qual alega, em síntese: DA INEXISTÊNCIA DE RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA Se a ação administrativa (que poderia sempre ser revista e/ou modificada pelo Judiciário) começou após a existência da pendência judicial, é mais do que razoável admitirse que o contribuinte, não obstante a litigância em juizo, possa defender se também administrativamente quanto ao mérito da autuação. (...) Não admitir a discussão administrativa do Auto de Infração seria obstruir o direito de defesa do contribuinte. Ora, se não cabe a análise do ato pelo órgão administrativo, não lhe pode ser exigido o crédito tributário antes da decisão judicial. Logo, Fl. 260DF CARF MF 4 sem efeito o auto de infração enquanto não dirimida a lide pelo Judiciário. Ressaltese ainda que, no caso dos autos, o que se questionou em Juízo foi a própria imposição tributária, antes mesmo da realização do lançamento. O ato administrativo ora objurgado é o ato de lançamento que foi realizado quando, não obstante o conhecimento da prévia discussão da imposição tributária, a autoridade fiscal decidiuse por proceder A constituição do crédito tributário. A autuação resultou de uma decisão do fiscal, o qual, desconsiderando a vinculação da questão à prévia ação judicial, fez uma análise da questão de mérito envolvida, e glosou os procedimentos do contribuinte. DO FUNDAMENTO LEGAL PARA APLICAÇÃO DA TAXA SELIC AO SALDO CREDOR DO IPI Quanto à aplicação da variação da Taxa Selic ao saldo credor do IPI realizada pela ora Recorrente no período de janeiro de 1999 a setembro de 2003, cumpre esclarecer que é devida, vez que se está diante de verdadeiro indébito, o que acarreta a aplicação do art. 39, § 4º, da Lei n° 9.250/95, nos moldes do art. 11 da Lei n.° 9.779/1999. (...) se a Fazenda Pública, por expressa determinação legal (art. 11 da Lei n° 9.779/99), fica obrigada a permitir a compensação ou restituição dos créditos de IPI, de maneira idêntica aos tributos pagos a maior ou indevidamente (art. 73 e 74 da Lei n.° 9.430/96), deverá, do mesmo modo, permitir a atualização pela Taxa Selic dos referidos créditos, concedida nos pedidos de indébito, conforme determina expressamente a Lei 9.250/95, em seu artigo 39, § 4º. POSSIBILIDADE DE TRANSFERÊNCIA DE SALDO CREDOR DO IPI DA FILIAL PARA A MATRIZ (...) por causa do regime especial de suspensão, estabelecido inicialmente pela MP n° 1.916/99, nas operações ocorridas entre a matriz e a filial e a filial e o mercado consumidor o IPI deixava de ser tributado, circunstância que fez com que a empresa passasse a apurar pouquíssimos débitos ao final de cada período de apuração. Devido a esse acúmulo de créditos de IPI (decorrente das operações de saída de produtos com suspensão de IPI, quando a filial do Recorrente foi extinta, deuse a transferência do saldo remanescente, no valor de R$ 36.856,79, para a matriz. Nesse sentido, estavase diante de crédito decorrente de estímulos fiscais na área do IPI (saída com suspensão), para o qual foi expressamente garantida a manutenção e a utilização do crédito do imposto, a transferência do referido crédito da filial (que foi extinta) para a matriz foi o meio adotado para dar efetividade às referidas garantias dadas pelo art. 5°, § 2°, da Lei n° 9.826/1999. Além disso, cumpre salientar que, não obstante seja aplicável o principio da autonomia dos estabelecimentos ao IPI, tal princípio não deve ser visto de forma absoluta, podendo sofrer temperamentos em determinadas hipóteses, como no presente caso, ainda mais, considerando que se está diante de crédito incentivado (suspensão do IPI). É o relatório. Fl. 261DF CARF MF Processo nº 13609.000727/200511 Acórdão n.º 3402003.796 S3C4T2 Fl. 113 5 Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula O recurso é tempestivo e foi apresentado por legítimo representante da contribuinte, pelo que dele tomo conhecimento. Conforme determina o § 2º do art. 1º do Decretolei nº 1.737/1979, a "propositura, pelo contribuinte, de ação anulatória ou declaratória da nulidade do crédito da Fazenda Nacional importa em renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto". Também o art. 38 da Lei nº 6.830/80 traz a mesma determinação em relação às ações judiciais de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida. Nessa linha, o CARF aprovou o enunciado de Súmula CARF nº 01, publicada no DOU de 22/12/2009, no sentido de que "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial". O art. 87 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, no mesmo sentido, assim regulamentou a matéria: Art. 87. A existência ou propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial com o mesmo objeto do lançamento importa em renúncia ou em desistência ao litígio nas instâncias administrativas (Lei no 6.830, de 1980, art. 38, parágrafo único). Parágrafo único. O curso do processo administrativo, quando houver matéria distinta da constante do processo judicial, terá prosseguimento em relação à matéria diferenciada. No caso, a contribuinte impetrou Mandado de Segurança n° 2003.38.00.0284137 objetivando o direito de aplicar a variação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC na restituição/compensação de seus saldos credores de IPI, em virtude dos critérios estabelecidos pelo art. 39, § 4°, da Lei n° 9.250/95. Assim, nada há a reparar da decisão recorrida que não conheceu das alegações da então impugnante relativamente à pretensão de atualização do saldo credor do IPI pela taxa SELIC. Pelos mesmos fundamentos acima expostos, em especial, a Súmula CARF nº 01, de aplicação obrigatória pelos membros do CARF, não se deve conhecer da matéria referente à possibilidade de aplicação da SELIC ao saldo credor de IPI. No que concerne à transferência do saldo credor do IPI da filial, ainda que extinta, para a matriz, a pretensão da recorrente não encontra amparo na legislação. Como se sabe, para o IPI rege o princípio da autonomia dos estabelecimentos, em conformidade com o disposto no art. 51, parágrafo único do CTN, que dispõe que "Para os efeitos deste imposto, considerase contribuinte autônomo qualquer Fl. 262DF CARF MF 6 estabelecimento de importador, industrial, comerciante ou arrematante". Nessa linha também estão as normas abaixo do RIPI/98, vigente à época: Art. 291. Cada estabelecimento, seja matriz, sucursal, filial, agencia, depósito ou qualquer outro, manterá o seu próprio documentário, vedada, sob qualquer pretexto, a sua centralização, ainda que no estabelecimento matriz (Lei n.° 4.502, de 1964, art. 57). Art. 487. Na interpretação e aplicação deste Regulamento, são adotados os seguintes conceitos e definições: (...) IV são considerados autônomos, para efeito de cumprimento da obrigação tributária, os estabelecimentos, ainda que pertencentes a uma mesma pessoa fisica ou jurídica; (...) Conforme já esclarecido na decisão recorrida, o art. 5°, §2° da Lei n° 9.826/991, aventado pela recorrente, referese a casos relativos a saída de bens do estabelecimento com suspensão do IPI e, lhe garante, apenas a manutenção e a utilização dos créditos para aproveitamento futuro, mas somente com débitos do próprio estabelecimento. De outra parte, como exceção ao princípio da autonomia dos estabelecimentos, a tranferência de créditos escriturais entre filiais e matriz somente é permitida nas hipóteses expressamente previstas na legislação, dentre as quais não se incluem a situação da recorrente, conforme esclarecimentos no sítio da Receita Federal2 (...) Os créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), escriturados na forma da legislação específica, poderão ser utilizados pelo estabelecimento que os escriturou na dedução, 1 Art. 5o Os componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes e peças dos produtos autopropulsados classificados nas posições 84.29, 84.32, 84.33, 87.01 a 87.06 e 87.11, da TIPI, sairão com suspensão do IPI do estabelecimento industrial. (Redação dada pela Lei nº 10.485, de 2002) 1º O fabricante dos veículos referidos no caput ficará sujeito ao recolhimento do IPI suspenso, caso destine os produtos recebidos com suspensão do imposto a fim diverso do ali estabelecido. § 1o Os componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes e peças, referidos no caput, de origem estrangeira, serão desembaraçados com suspensão do IPI quando importados diretamente por estabelecimento industrial. (Redação dada pela Lei nº 10.485, de 2002) § 2º O disposto neste artigo não impede a manutenção e a utilização do crédito do imposto pelo estabelecimento que houver dado saída com suspensão do imposto. § 2o A suspensão de que trata este artigo é condicionada a que o produto, inclusive importado, seja destinado a emprego, pelo estabelecimento industrial adquirente: (Redação dada pela Lei nº 10.485, de 2002) I na produção de componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes ou peças dos produtos autopropulsados; (Incluído pela Lei nº 10.485, de 2002) II na montagem dos produtos autopropulsados classificados nas posições 84.29, 84.32, 84.33, 87.01, 87.02, 87.03, 87.05, 87.06 e 87.11, e nos códigos 8704.10.00, 8704.2 e 8704.3, da TIPI. (Incluído pela Lei nº 10.485, de 2002) § 3º Nas notas fiscais relativas às saídas referidas no caput, deverá constar a expressão "Saído com suspensão do IPI", com a especificação do dispositivo legal correspondente, vedado o registro do imposto nas referidas notas. § 3o A suspensão do imposto não impede a manutenção e a utilização dos créditos do IPI pelo respectivo estabelecimento industrial. (Redação dada pela Lei nº 10.485, de 2002) (...) 2 http://idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/tributaria/restituicaoressarcimentoreembolsoe compensacao/ressarcimento/ipi Fl. 263DF CARF MF Processo nº 13609.000727/200511 Acórdão n.º 3402003.796 S3C4T2 Fl. 114 7 em sua escrita fiscal, dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos tributados. Os créditos do IPI que, ao final de um período de apuração, remanescerem da dedução, poderão ser mantidos na escrita fiscal do estabelecimento, para posterior dedução de débitos do IPI relativos a períodos subsequentes de apuração, ou serem transferidos a outro estabelecimento da pessoa jurídica, somente para dedução de débitos do IPI, caso se refiram a: 1. Créditos presumidos do IPI, como ressarcimento das contribuições para o Programa de Integração Social e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/Pasep) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), previstos naLei nº9.363/1996, e naLei nº10.276/2001; 2. Créditos decorrentes de estímulos fiscais na área do IPI a que se refere o art. 1ºda Portaria MF nº134/1992; e 3. Créditos do IPI passíveis de transferência a filial atacadista nos termos do item 6 daIN SRF nº87/1989. Remanescendo, ao final de cada trimestrecalendário, créditos do IPI passíveis de ressarcimento após efetuadas as deduções, o estabelecimento matriz da pessoa jurídica poderá requerer à RFB o ressarcimento de referidos créditos em nome do estabelecimento que os apurou, mediante a utilização doPrograma PER/DCOMP, bem como utilizálos na compensação de débitos, relativos aos tributos ou contribuições administrados pela RFB. (...) Assim, pelo exposto, voto no sentido de não conhecer as alegações relativas à possibilidade de correção monetária do saldo credor objeto de ressarcimento, em face de concomitância com o processo judicial, e, na parte conhecida no recurso voluntário, negarlhe provimento. (Assinatura Digital) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Declaração de Voto Com a devida vênia, ouso divergir da Ilustre relatora no que tange à impossibilidade de "transferência" de saldo credor de IPI da filial extinta para a matriz. Isto porque, na realidade, tal situação não caracteriza transferência, o que explica as aspas postas na expressão. Explicome. Fl. 264DF CARF MF 8 Sob a ótica do direito privado, não é possível falarmos em transferência de saldo credor entre matriz e filial porque só poderia existir transferência entre sociedades empresárias ("pessoas jurídicas distintas"). Ocorre que matriz e filial não constituem pessoas jurídicas separadas, mas sim uma só, que se organizou dividindo seu estabelecimento (artigo 1.142 do Código Civil) 3 em mais de um núcleo, sempre no intuito de viabilizar seu objeto social. Com efeito, Fábio Ulhoa Coelho, depois de lecionar que "o estabelecimento empresarial não pode ser confundido com a sociedade empresária (sujeito de direitos), nem com a empresa (atividade econômica)", precisamente lembra que "a sociedade empresária pode ser titular de mais de um estabelecimento. Nesse caso, aquele que ela considerar mais importante será a sede, e o outro ou outros, as filiais ou sucursais." 4 Apesar desses conceitos e formas de direito civil, a legislação de determinados tributos, como é o caso do IPI, criaram o paradigma da autonomia dos estabelecimentos para fins de apuração e recolhimento do imposto. A literalidade do artigo 487, inciso IV do RIPI, à época dos fatos vigente, ratifica esse entendimento: Art. 487. Na interpretação e aplicação deste Regulamento, são adotados os seguintes conceitos e definições: (...) IV são considerados autônomos, para efeito de cumprimento da obrigação tributária, os estabelecimentos, ainda que pertencentes a uma mesma pessoa fisica ou jurídica; (grifei) Assim, essas duas realidades jurídicas (matriz e filial integram a mesma sociedade empresária direito privado e a autonomia dos estabelecimentos para fins de apuração do IPI direito tributário) coexistem, merecendo análise cuidadosa e sempre tendo em vista a relação específica que se instaura entre matriz e filial. O Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso repetitivo, abordou com acuidade a questão, separando o tratamento no direito civil/processual do tratamento do direito tributário sobre esses institutos, no julgamento do REsp 1.355.812/RS, de relatoria do Ministro Mauro Campbel Marques. Destaco a seguir a ementa atribuída ao caso: “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. DÍVIDAS TRIBUTÁRIAS DA MATRIZ. PENHORA, PELO SISTEMA BACENJUD, DE VALORES DEPOSITADOS EM NOME DAS FILIAIS. POSSIBILIDADE. ESTABELECIMENTO EMPRESARIAL COMO OBJETO DE DIREITOS E NÃO COMO SUJEITO DE DIREITOS. CNPJ PRÓPRIO DAS FILIAIS. IRRELEVÂNCIA NO QUE DIZ RESPEITO À UNIDADE PATRIMONIAL DA DEVEDORA. 1. No âmbito do direito privado, cujos princípios gerais, à luz do art. 109 do CTN, são informadores para a definição dos institutos de direito tributário, a filial é uma espécie de estabelecimento empresarial, fazendo parte do acervo patrimonial de uma única pessoa jurídica, partilhando dos mesmos sócios, contrato social e firma ou denominação da matriz. Nessa condição, consiste, conforme doutrina majoritária, em uma universalidade de fato, não ostentando personalidade 3 Art. 1.142. Considerase estabelecimento todo complexo de bens organizado, para exercício da empresa, por empresário, ou por sociedade empresária. 4 Curso de Direito Comercial direito de empresa. São Paulo: Saraiva, 2011, 15ª ed., pp. 114 e 115. Fl. 265DF CARF MF Processo nº 13609.000727/200511 Acórdão n.º 3402003.796 S3C4T2 Fl. 115 9 jurídica própria, não sendo sujeito de direitos, tampouco uma pessoa distinta da sociedade empresária. Cuidase de um instrumento de que se utiliza o empresário ou sócio para exercer suas atividades. 2. A discriminação do patrimônio da empresa, mediante a criação de filiais, não afasta a unidade patrimonial da pessoa jurídica, que, na condição de devedora, deve responder com todo o ativo do patrimônio social por suas dívidas, à luz de regra de direito processual prevista no art. 591 do Código de Processo Civil, segundo a qual "o devedor responde, para o cumprimento de suas obrigações, com todos os seus bens presentes e futuros, salvo as restrições estabelecidas em lei". 3. O princípio tributário da autonomia dos estabelecimentos, cujo conteúdo normativo preceitua que estes devem ser considerados, na forma da legislação específica de cada tributo, unidades autônomas e independentes nas relações jurídico tributárias travadas com a Administração Fiscal, é um instituto de direito material, ligado à questão do nascimento da obrigação tributária de cada imposto especificamente considerado e não tem relação com a responsabilidade patrimonial dos devedores prevista em um regramento de direito processual, ou com os limites da responsabilidade dos bens da empresa e dos sócios definidos no direito empresarial. 4. A obrigação de que cada estabelecimento se inscreva com número próprio no CNPJ tem especial relevância para a atividade fiscalizatória da administração tributária, não afastando a unidade patrimonial da empresa, cabendo ressaltar que a inscrição da filial no CNPJ é derivada do CNPJ da matriz. 5. Nessa toada, limitar a satisfação do crédito público, notadamente do crédito tributário, a somente o patrimônio do estabelecimento que participou da situação caracterizada como fato gerador é adotar interpretação absurda e odiosa. Absurda porque não se concilia, por exemplo, com a cobrança dos créditos em uma situação de falência, onde todos os bens da pessoa jurídica (todos os estabelecimentos) são arrecadados para pagamento de todos os credores, ou com a possibilidade de responsabilidade contratual subsidiária dos sócios pelas obrigações da sociedade como um todo (v.g. arts. 1.023, 1.024, 1.039, 1.045, 1.052, 1.088 do CC/2002), ou com a administração de todos os estabelecimentos da sociedade pelos mesmos órgãos de deliberação, direção, gerência e fiscalização. Odiosa porque, por princípio, o credor privado não pode ter mais privilégios que o credor público, salvo exceções legalmente expressas e justificáveis. 6. Recurso especial conhecido e provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ n. 8/08.” Pois bem. Não há dúvidas de que a legislação do IPI traz regra expressa de que as filiais são consideradas como "pessoas jurídicas autônomas", para efeito de cumprimento da obrigação tributária (artigo 291 e 478, inciso IV do RIPI/98). Ou seja, a Fl. 266DF CARF MF 10 legislação fiscal criou uma ficção jurídica, na contramão do que dispõe a legislação civil e comercial. Tal criação, contudo, deve ser respeitada, como determina o artigo 109 do Código Tributário Nacional (CTN)5 ao estabelecer que o direito tributário poderá criar efeitos próprios para os institutos, conceitos e formas do direito privado. Todavia, a questão não se esgota nesse ponto. Afinal, o ponto determinante no presente caso não é simplesmente uma sociedade ("A" ou filial) tentou, de forma contrária à lei, transferir seu saldo credor a outra sociedade ("B" ou matriz), mas sim o fato de a primeira sociedade ("A") ter sido extinta ou "incorporada" pela matriz, por conseguinte, seu saldo credor ter sido abarcado pela segunda ("B"). Ora, como visto acima, para o direito privado matriz e filial fazem parte de uma só sociedade empresária. Contudo, o direito tributário estabelece que, enquanto ativas, ambas possuem CNPJs diferentes e devem ser consideradas como autônomas para fins de apuração e tributação do IPI; estabelece ainda que não é possível a transferência de créditos entre esses estabelecimentos, que, enquanto existirem, são considerados como terceiros para fins tributários, um em relação ao outro. Essa mesma legislação tributária, contudo, silencia sobre a situação desses autos, ou seja, não disciplina sobre a possibilidade ou impossibilidade da matriz incorporar o saldo credor de IPI da filial extinta. Na falta de norma específica que vede tal incorporação de saldo credor, pareceme claro ser necessário permitir tal direito ao aproveitamento de crédito de IPI. Isto porque, a partir do momento em que a filial deixa de existir, todo seu patrimônio (universalidade de bens e direitos) passa a ser da matriz. Ou seja, a sociedade empresária, que antes era dividida em estabelecimentos distintos (matriz e filial), agora passa a ser una. Dessarte, não há mais que se falar em "terceiros" ou "transferência" de créditos, pois estamos diante de uma única sociedade empresária. Matriz e filial são uma só, no que se refere inclusive aos débitos e aos créditos tributários. Nesse sentido, pela falta de norma jurídica que vede o aproveitamento do saldo credor de IPI em tal situação, cumpre fazer valer os institutos e formas de direito privado, dando mais uma vez aplicação ao artigo 109 do CTN, mas dessa vez para reconhecer que não há regra tributária específica disciplinando diferentemente o que determinam as normas de direito privado. Portanto, com a extinção da filial, encontramonos diante de uma única sociedade, que tem direito de aproveitar o saldo credor de IPI, como lhe garante a legislação federal. Não é demais realçar que entendimento em sentido contrário culminaria no enriquecimento indevido do Erário e afronta à própria nãocumulatividade do IPI, uma vez que a não realização do saldo credor faz desaparecer o direito ao crédito e onera, sem fundamentação constitucional ou infraconstitucional, a cadeia de produção e circulação de mercadorias No âmbito do CARF o reconhecimento de que a regra da autonomia dos estabelecimentos merece mitigação para determinadas situações, sob pena de ferir os direitos do contribuinte (sociedade empresária como um todo), já ocorreu. Destaco nesse sentido o quanto decidido no Processo 10855.000560/200661, Acórdão 3402002.043, de relatoria do Conselheiro João Carlos Cassuli Junior: 5 Art. 109. Os princípios gerais de direito privado utilizamse para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários. Fl. 267DF CARF MF Processo nº 13609.000727/200511 Acórdão n.º 3402003.796 S3C4T2 Fl. 116 11 Tenho que a discussão se cinge no fato de ser a pessoa jurídica envolvida no primeiro e segundo pedido de ressarcimento, rigorosamente a mesma, representado juridicamente por uma unicidade, embora possa, em termos de apuração tributária, estar organizada em estabelecimentos, sem que, no entanto, tal fato acarrete concluir ter ela tantas personalidades jurídicas distintas quantas forem os seus estabelecimentos. Explicando: embora haja a autonomia dos estabelecimentos para fins de definição da responsabilidade tributária para o IPI, apurando se o tributo por cada uma das unidades, na verdade estamos diante de uma única pessoa jurídica, com uma única personalidade jurídica, e não de tantas personalidades jurídicas quantas sejam os seus estabelecimentos matriz e filiais. Consequentemente, se ficar assente dentro do Direito que as pessoas jurídicas, mesmo divididas em estabelecimentos – que são seus órgãos operacionais, no todo compõem uma unicidade com personalidade jurídica única, caracterizada estará a hipótese de que os atos praticados pela matriz, que importem em suspensão/interrupção do prazo prescricional, favorecerá a pessoa jurídica como unicidade que é, inclusive em benefício de seu órgão filial. E isso não quer significar que os estabelecimentos não sejam autônomos para fins de se apurar os tributos e as responsabilidades para cada estabelecimentos. Apenas que os atos da pessoa jurídica favorecem todos os seus órgãos. Nesse sentido, os precedentes que abaixo colaciono, assim nos lecionam: “ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 06/03/1997 a 15/10/1998 DRAWBACK ISENÇÃO IRREGULARIDADE FORMA NA CONCESSÃO ATO ADMINISTRATIVO COMPETÊNCIA PARA ANULAÇÃO. A análise do cumprimento dos requisitos necessários à obtenção e o respectivo deferimento de Regime Especial de Drawback Isenção dáse de forma antecipada pela apresentação da demonstração da exportação de produtos fabricados com mercadorias importadas com pagamento de impostos, é de competência exclusiva da SECEX. Não cabe à Receita Federal declarar a nulidade do ato administrativo vigente daquele órgão ou negarlhe vigência, por entender que ocorreu vicio formal ou material na concessão e, com base nisso, considerar inadimplido o Regime Aduaneiro Especial de Drawback, uma vez que deve prevalecer a presunção de legitimidade do ato e do principio da moralidade administrativa. Recurso Voluntário Provido.” DESTAQUE DO VOTO “Desta forma, em que pese o fato da não aposição do CNPJ da matriz informado no Ato Concessório nos documentos nos registros de exportação, e sim da filial, real exportadora, esta atitude não fere nem desnatura o objetivo do Ato Concessório em seu intuito políticoeconômico. De fato, houve a exportação por estabelecimento diverso ao informado no Ato Concessório, mas o estabelecimento cujo CNPJ foi informado é diretamente ligado à matriz, sendo desproporcional desconsiderar a fruição do beneficio por descumprimento de obrigação acessória, a verdade material, desta forma, surge como evidência.” (CARF. Terceira Seção de Julgamento. 1ª Fl. 268DF CARF MF 12 Câmara. 1ª Turma Ordinária. Acórdão 310100.323. Sessão de 04 de dezembro de 2009.) “DRAWBACK — EXPORTAÇÃO FEITA POR OUTRO ESTABELECIMENTO — Com fulcro no princípio da unicidade da personalidade jurídica, devem ser reconhecidas como válidas as exportações realizadas por outro estabelecimento (filial) — que não aquele que firmou o compromisso do Regime Especial (matriz) — para fins de verificação de cumprimento do Ato Concessório. • FUNGIBILIDADE — Havendo clara e inequívoca descrição e distinção dos produtos a serem exportados para adimplemento do compromisso assumido no Ato Concessório do regime especial de Drawback, não pode ser aplicado o princípio da fungibilidade. DESCUMPRIMENTO PARCIAL DE ATO CONCESSÓRIO — A exigência dos tributos incidentes na importação de mercadorias beneficiaras pelo regime especial de Drawback está limitada à parte da obrigação descumprida nos termos do compromissado no Ato Concessório, devendo ser consideradas como cumprimento a parte das exportações efetivamente realizadas. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE DESTAQUE DO VOTO “Aliás, como já tive oportunidade de manifestar meu entendimento, a unicidade da personalidade jurídica deve ser concebida pela Administração em todos os momentos das relações jurídicas, ressalvadas as condições especiais (exceções), na medida em que há o efetivo reconhecimento de tal unicidade no momento em que a Administração exige o cumprimento de obrigações tributárias; aí não há diferença nem distinção entre estabelecimentos, qualquer um é responsável pelo todo. Assim, se o estabelecimento filial tem a mesma capacidade de industrializar e/ou exportar, entendo deva ser reconhecida a exportação como da contribuinte, independentemente do "sufixo" de seu CNPJ.” (3º Conselho de Contribuintes . 1ª Câmara. Acórdão n. 301 32.676. Sessão de 25 de abril de 2006.) Seguindo a linha de entendimento dos julgados supra citados, penso que deve ser aplicada a unicidade da personalidade jurídica ao caso dos autos, de forma a colocar alguns limites a regra da "autonomia dos estabelecimentos", que por força de Lei vincula realmente o dever de se apurar e recolher descentralizadamente o IPI. Porém, elevar tal regra excepcional, que é aplicável ao IPI, para conferir status de personalidade jurídica distinta para cada um dos estabelecimentos, penso que seria extrapolar as normas gerais de direito, pois que as filiais são ligadas à matriz, e todas elas são órgãos da empresa, que no todo estão realizando os objetivos sociais contidos nos estatutos sociais, esses sim, registrados no Registro Público correspondentes, conferem a personalidade jurídica ao ente sujeito de direitos e obrigações. Por esses fundamentos, concluo pela necessidade de provimento do recurso voluntário no que tange à utilização do saldo credor do IPI da filial extinta pela matriz. Porém, não é demais realçar que mesmo que se entendesse que matriz e filial continuam possuindo personalidades jurídicas distintas para fins tributários durante o Fl. 269DF CARF MF Processo nº 13609.000727/200511 Acórdão n.º 3402003.796 S3C4T2 Fl. 117 13 fenômeno de extinção dessa última (levando a regra da autonomia dos estabelecimentos ao seu limite), permanece hígido o direito da Recorrente. Afinal, por essa interpretação, estaríamos diante de duas sociedades distintas (dois CNPJs), e a extinção da filial representaria o fenômeno jurídico da incorporação de sociedades. Vejamos. A incorporação constitui operação societária que pressupõe a extinção do estabelecimento, sendo a sociedade incorporada é plenamente absorvida pela sociedade incorporadora. É o que dispõe artigo 219 da Lei n. 6.404/1976 (Lei das S.A.): Art. 219. Extinguese a companhia: I pelo encerramento da liquidação; II pela incorporação ou fusão, e pela cisão com versão de todo o patrimônio em outras sociedades. A decorrência da extinção da sociedade incorporada é que a incorporadora lhe sucede em relação à totalidade de seus direitos e obrigações (sucessora a título universal), conforme determinam os artigos 1.116 do Código Civil e 227 da Lei das S.A, in verbis: Art. 1.116. Na incorporação, uma ou várias sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações, devendo todas aprovála, na forma estabelecida para os respectivos tipos. Art. 227. A incorporação é a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações Pois bem. A legislação tributária (do IPI) não só estabeleceu que as filiais são consideradas como "pessoas jurídicas autônomas", como também dispôs que as pessoas jurídicas resultantes de operações de fusão, transformação ou incorporação são sucessoras tributárias da sociedade subtraída. É esse o teor do artigo 132 do Código Tributário Nacional: Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até à data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase aos casos de extinção de pessoas jurídicas de direito privado, quando a exploração da respectiva atividade seja continuada por qualquer sócio remanescente, ou seu espólio, sob a mesma ou outra razão social, ou sob firma individual. Ocorre que o CTN não tratou da sucessão dos créditos tributários, restringindose aos débitos. Diante dessa falta de regulamentação, pronunciouse o STJ, decidindo que prevalece a sucessão também em relação aos créditos, por uma questão de decorrência lógica do próprio CTN, haja vista que responsabilidade pelos débitos (obrigações) tem como Fl. 270DF CARF MF 14 contrapartida a legitimidade dos créditos (direitos). Destaco abaixo a ementa do julgado em questão, bem como trecho do voto do Ministro Relator José Delgado que elucida o ponto no REsp n. 653.171/PE, cuja ratio decidendi sobre artigo 133 do CTN, é plenamente aplicável para a hipótese do artigo 132 do mesmo Codex: EMENTA RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. IPI. RECONHECIMENTO DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO E DA OCORRÊNCIA DA SUCESSAO. TRANSFERÊNCIA ENTRE EMPRESA SUCEDIDA E EMPRESA SUCESSORA. POSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE OFENSA AO ART. 133 DO CTN. FUNDAMENTOS DO ACÓRDAO RECORRIDO NAO ILIDIDOS. 1. Tratase de recurso especial fundado na alínea “a” do permissivo constitucional, interposto pela Fazenda Nacional em autos de mandado de segurança impetrado por DISTRIBUIDORA GUARARAPES DE BEBIDAS LTDA. em razão de ato praticado pelo Sr. Delegado da Receita Federal em Recife. A impetração do mandamus teve como finalidade assegurar o direito de a empresa sucessora utilizar créditos de IPI da empresa sucedida. Reconhecida a existência do crédito e da sucessão empresarial, o acórdão recorrido deu provimento ao pedido. 2. Reconhecida a efetiva existência do crédito e a sucessão entre as empresas, mostrase legal a utilização, pela sucessora, dos créditos de IPI que eram da sucedida. 3. A decisão quanto à controvérsia tributária que não está expressamente prevista no artigo 133 do CTN, por si só, não resulta em ilegalidade da tutela oferecida, ou em ofensa a esse dispositivo legal. Na espécie, buscouse no Judiciário a autorização para a compensação de créditos de IPI entre sucedida e sucessora. 4. A fundamentação do aresto recorrido, fulcrada no CTN, em Instrução Normativa da SRF e na jurisprudência, não restou ilidida pelas razões de recurso especial. 5. Recurso especial conhecido em parte, e, nessa, desprovido. VOTO O SR. MINISTRO JOSÉ DELGADO (RELATOR): Trata a espécie da legalidade de transferência de crédito de IPI de empresa sucedida para a empresa sucessora, sob a ótica, em particular, do artigo 133 do Código Tributário Nacional. Constato, todavia, que a matéria inscrita nos artigos 73 e 74 da Lei 9.430/96 não foi debatida pelo acórdão recorrido, não estando suprido, assim, o necessário prequestionamento do tema trazido a exame. Anoto, também, que a via utilizada não prevê ofensa à Instrução Normativa, mesmo as que são emanadas da Secretaria da Receita Federal, razão pela qual o inconformismo, nesse aspecto, não é suscetível de apreciação. Em conseqüência, Fl. 271DF CARF MF Processo nº 13609.000727/200511 Acórdão n.º 3402003.796 S3C4T2 Fl. 118 15 no particular, deixo de conhecer do recurso. Passo ao exame da matéria remanescente. Inquinase de omissão o aresto impugnado, pelo que estaria violado o art. 535 do Código de Processo Civil, em razão de não haver sido analisado o prescrito no artigo 1.069 do Código Civil. Contudo, não identifico esse defeito processual, na medida em que a solução adotada pelo colegiado a quo está adequadamente fundamentada, embora em sentido diverso do esposado pela Fazenda Nacional. Na espécie, destarte, não se impunha a necessidade de exame de todos os aspectos jurídicos cogitados pela recorrente, vez que já depositados os argumentos suficientes ao efetivo deslinde da controvérsia. Impõese, assim, o desate do principal tema controverso: Há ou não legalidade no reconhecimento do direito à compensação de crédito de empresa sucedida pela empresa sucessora ? Antes de tal análise, cumpre assinalar duas premissas fáticas e de direito pontualmente consignadas no acórdão recorrido, quais sejam: houve reconhecimento da sucessão da DISTRIBUIDORA GUARARAPES DE BEBIDAS LTDA. pela FREVO BRASIL IND. DE BEBIDAS LTDA. e, foi reconhecida judicialmente a existência do IPI em favor da DISTRIBUIDORA GUARARAPES DE BEBIDAS LTDA. Estando patenteados esses fatos, tal como verificado na Corte a quo , insta verificar se houve, ou não, violação do artigo 133 do CTN, e, para tanto, cumpre atentar para o que nele consta expressamente disposto, litteris : “CTN “Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato:” Como se verifica, o artigo 133 determina a responsabilidade da sucessora pelos débitos tributários da sucedida de forma expressa e, nesse aspecto, não se cogita nos autos de comando judiciário em sentido contrário. A infração a esse dispositivo, então, teria se concretizado mediante a autorização para a transferência de créditos de IPI entre as empresas recorridas. Contudo, também não se caracteriza a apontada infração legal. Realmente, a fundamentação empregada pelo acórdão recorrido se pautou não apenas em disposição do Código Tributário Nacional, mas também empregou a conduta administrativa apresentada pela própria Secretaria da Receita Federal, por via da Instrução Normativa 21/97. Fl. 272DF CARF MF 16 De outro vértice, mostrase adequada a interpretação concedida à espécie, vez que a disciplina inscrita no artigo 133 do Código Tributário Nacional, conquanto não autorize expressamente o direito específico buscado pelas contribuintes impetrantes do mandamus , não veda, em absoluto, o direito que se busca. É certo, sob essa ótica, que o fato de o acórdão recorrido, como parte de sua fundamentação, fazer referência ao mencionado dispositivo, em nada caracteriza a infração legal que se pretende demonstrar. Constitui, ao reverso, hipótese em que o Poder Judiciário desempenha a sua função precípua, entregando a tutela vindicada de maneira adequada e estritamente legal, na medida em que aplica os imperativos constitucionais da isonomia, da igualdade e da razoabilidade. Acrescentese, ainda, que não pode a Receita Federal, mesmo no exercício de tutela do Estado, e buscando o atingimento da finalidade pública e do interesse coletivo, enquanto poder tributante, contrariar esse mesmo interesse, fragmentando pilares fundamentais do direito. Em fato, não se pode chegar, na aplicação da norma, a resultantes incoerentes e desproporcionada, tal como a que, por exemplo, estabeleça que a sucessora seja responsável pelos débitos da sucedida, em razão da alteração administrativa ocorrida sucessão entre pessoas jurídicas mas que não possa se utilizar dos eventuais créditos pertencentes àquela empresa. Certo é que não se pode extrair regra de impossibilidade de solução da controvérsia, ou mesmo dar causa à imposição de prejuízo e injustiça ao jurisdicionado, em razão de a norma não prever, explicitamente, a questão de direito trazida a deslinde. É por tal razão que não se vislumbra no aresto atacado o defeito a ele atribuído nas razões articuladas pela recorrente. Ao revés, percebese que a fundamentação aplicada se amolda aos contornos da lei e do direito, como se constata, litteris : “De início, é preciso observar que já houve o reconhecimento da sucessão da DISTRIBUIDORA GUARARAPES DE BEBIDAS pela FREVO BRASIL IND. DE BEBIDAS LTDA mediante sentença proferida na cautelar fiscal movida perante a 11ª vara da Seção Judiciária de Pernambuco, onde foi autorizada a transferência de bens e direitos da empresa sucedida para a sucessora (Ação Cautelar nº 2001.83.00.10812 DOU 30/05/2001) na forma do art. 133 CTN. Da mesma forma, também foi reconhecida judicialmente a existência do crédito de IPI em favor da DISTRIBUIDORA GUARARAPES DE BEBIDAS (MS nº 2001.83.00.0016462). Em conclusão, nada obsta a utilização dos créditos pela empresa sucessora, uma vez que ela respaldada por sentença na cautelar acima citada. Ademais, não se trata aqui de se transferir créditos para terceiros aleatoriamente, mas, em decorrência da sucessão entre as empresas (art. 133, CTN), criando para a empresa sucessora direitos e deveres em nome da empresa sucedida. Fl. 273DF CARF MF Processo nº 13609.000727/200511 Acórdão n.º 3402003.796 S3C4T2 Fl. 119 17 (...) Por todo o exposto, conheço em parte do recurso, e, nessa, nego lhe provimento. É o voto. Tal entendimento também já foi aventado neste Conselho, quando do julgamento do Processo n. 10650.000277/200392, Acórdão 340200.659, 6 no qual a Turma somente deixou de reconhecer o direito de utilização do crédito de IPI da sociedade incorporada pela incorporadora pois, no caso concreto, não houve de fato a incorporação das sociedades civis. Finalmente, reforça a conclusão alcançada pelo STJ no REsp n. 653.171/PE a previsão do artigo 353 do RIPI/98 (atual artigo 452 do Decreto nº 7.212/10 Regulamento do IPI), determinando que a empresa incorporadora deve transferir para o seu nome, por intermédio da repartição competente do Fisco Estadual, no prazo de trinta dias da data da ocorrência do evento, os livros fiscais em uso, assumindo a responsabilidade pela sua guarda, conservação e exibição ao Fisco. Consequentemente, concluise que o saldo credor eventualmente constante desses livros pode ser utilizado pela sociedade incorporadora. Assim, também por este ponto de vista, voto pelo provimento do recurso voluntário no que tange à utilização do saldo credor do IPI da filial extinta pela matriz. Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz 6 Decisão Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Ementa(s) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2001 INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADES CIVIS. CREDITOS DE IPI Não havendo extinção da sociedade vendida, que continua a operar no mesmo ramo de negócios, não pode se considerar que houve incorporação de sociedades civis. Assim pertencem à sociedade civil que os gerou os créditos de IPI. Recurso negado Fl. 274DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13805.005229/93-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Sep 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/12/1992, 31/01/1993, 28/02/1993
Ementa:
CONCOMITÂNCIA DE MATÉRIA DISCUTIDA NA ESFERA JUDICIAL. RENÚNCIA TÁCITA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA CARF Nº 1
A propositura pela recorrente de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal, implica renuncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso de qualquer espécie interposto.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3302-003.354
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por concomitância.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
EDITADO EM: 05/09/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente da turma), Paulo Guilherme Deroulede, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/1992, 31/01/1993, 28/02/1993 Ementa: CONCOMITÂNCIA DE MATÉRIA DISCUTIDA NA ESFERA JUDICIAL. RENÚNCIA TÁCITA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA CARF Nº 1 A propositura pela recorrente de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal, implica renuncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso de qualquer espécie interposto. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por concomitância. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. EDITADO EM: 05/09/2016 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 5. 00 52 29 /9 3- 53 Fl. 388DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 19/09/2016 por WALKER ARAUJO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente da turma), Paulo Guilherme Deroulede, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo. Relatório Tratase de Auto de Infração objetivando a cobrança da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, relativo aos períodos de 31 de dezembro de 1992, 31 de janeiro de 1993 e 28 de fevereiro de 1993. Inconformada com a autuação, a Recorrente apresentou impugnação (fls.15 20), alegando e requente o quanto segue: i) que impetrou Mandado de Segurança, distribuído sob o nº 93.00127454, buscando o reconhecimento de seu direito de compensar o FINSOCIAL pago a maior com valores devidos de COFINS a partir de dezembro de 1992; ii) que é inquestionável o crédito que a impugnante possui e o direito à compensação com tributos da mesma espécie; ii) que seja arquivado o Auto de Infração em face de a matéria se encontrar sub judice, ou no mérito, seja julgado totalmente insubsistente. A DRJ/SP, por unanimidade, houve por bem julgar procedente em parte o lançamento nos termos da ementa abaixo reproduzida: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/12/1992; 31/01/1993; 28/02/1993 Ementa: AUTOCOMPENSAÇÃO PROVA AÇÃO JUDICIAL A simples alegação de que débitos foram compensados, ainda que seja comprovada a realização de pagamento indevido apto a ser utilizado em compensação, não basta para atestar a extinção do crédito tributário. A compensação deve restar consignada na escrituração contábil. MULTA DE OFÍCIO RETROATIVIDADE BENÉFICA Multa de ofício aplicada utilizandose percentual superior a 75% deve ser reduzida para adequarse àquele. Retroatividade benéfica do art. 44 da Lei nº 9.430/96 (ADN nº 1/1997) Lançamento Procedente em Parte. Ciente da decisão de piso em 22.08.2006, a Recorrente interpôs recurso voluntário em 19.09.2006 (fls.95106) alegando: (i) em preliminar, nulidade do auto de infração por inobservância ao inciso IV do, artigo 10, do Decreto nº 70.235/72; e (ii) no mérito, reafirma os termos da impugnação quanto ao processo judicial impetrado com a finalidade de ver reconhecido seu direito de compensar os indébitos do Finsocial com parcelas vincendas da Cofins. Fl. 389DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 19/09/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 13805.005229/9353 Acórdão n.º 3302003.354 S3C3T2 Fl. 3 3 Em 02.07.2008 (fls. 205207), foi determinada a conversão do julgamento em diligência para apurar se foram apresentadas DCTF´s retificadoras para sanar a inexatidão e a efetividade da compensação alegada na escrita fiscal da Recorrente. No decorrer da diligência, a Recorrente apresentou manifestação (fls.282 284) informando a existência de outra ação judicial distribuída sob o nº 2000.61.00.0509268, em trâmite perante a 14ª Vara da Justiça Federal de São Paulo, onde foi proferida sentença anulando o processo administrativo em questão, por força da compensação efetuada com os créditos de FINSOCIAL; e ao final, requereu a imediata anulação ou suspensão do presente processo (documentos de fls. 285337) Encerrada a diligência, a autoridade fiscal prestou informações da seguinte forma (fls.340341): " Não foram apresentadas DCTF retificadoras declarando o valor da COFINS devida dos períodos de apuração de dezembro/1992, janeiro/1993 e fevereiro/1993, assim como não foi apresentada a escrituração das compensações alegadas; O contribuinte discute nos autos da Ação Declaratória nº 2000.61.00.050926 os Débitos da Cofins objeto do presente Processo Administrativo (fls.285334): a) De acordo com o DecretoLei nº 1.737/1979 Art. 1º., parágrafo 2º "A propositura, pelo contribuinte, de ação anulatória ou declaratória da nulidade do crédito da Fazenda Nacional importa em renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto"; b) Deixamos de elaborar o relatório conclusivo acerca da suficiência do indébito reconhecido judicialmente, pois está sendo objeto de perícia contábil nesta ação judicial. Em vista do exposto, propomos o encaminhamento ao Eqaju GAB/DRF/SBC para ciência e providências cabíveis e posterior encaminhamento ao Secat/DRF/SBC para demais procedimentos e encaminhamento ao Segundo Conselho de Contribuintes para atendimento à Resolução 20201.240. Posteriormente, o processo foi remetido à este Colegiado para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Adoto a Súmula CARF nº 1: Fl. 390DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 19/09/2016 por WALKER ARAUJO 4 Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Isto porque, a Recorrente ajuizou ação judicial distribuída sob o nº 2000.61.00.0509268, em trâmite perante a 14ª Vara da Justiça Federal de São Paulo, onde foi proferida sentença anulando o processo administrativo em questão nos seguintes termos (decisão carreada às fls.331334): "Em face de todo o exposto, JULGO PROCEDENTE O PEDIDO formulado nesta ação, para ANULAR as exigência de COFINS (períodos de apuração de janeiro/1993 a setembro/1993) e do processo administrativo 13805.005.229/9353, de CSLL no ano base de 1922 e de IRPJ dos meses de outubro/1999 a março/2000, indicados no documento de fls.35 em nome da parteautora. Em consulta ao sítio do TRF3, verificase que referida decisão foi mantida pelo Egrégio Tribunal Regional da Terceira Região, através de decisão monocrática proferida pelo Desembargador Federal Nery Júnior em 25.09.2014, transitada em julgado em 09.10.2014, conforme denotase abaixo: DECISÃO Cuidase de ação ordinária ajuizada em 21 de dezembro de 2000 em face da União Federal, com pedido de antecipação dos efeitos da tutela, objetivando seja determinada a baixa definitiva, no Sistema de Informações da receita Federal, de supostos créditos tributários elencados na Certidão Positiva de Débitos Fiscais e no documento denominado Informações de Apoio para Emissão de Certidões, com a consequente expedição de Certidão Negativa de Débitos Fiscais (arts. 205 e 206 do CTN), bem como a suspensão da inscrição de débitos apontados a título de CSLL, referente ao ano/exercício de 1992 (processo administrativo nº 13805.005.229/9353), na Dívida Ativa da União, e da inscrição da requerente no CADIN, sendo ao final julgada procedente a demanda para declarar a inexistência de relação jurídica que ampare a cobrança, pela requerida, dos tributos relativos à COFINS (janeiro a setembro/93), CSLL (ano/exercício de 1992) e IRPJ (outubro de 1999 a março de 2000), ao fundamento da existência de compensação, bem como da ocorrência da prescrição e decadência. Atribuído à causa o valor de R$ 100.000,00 quando da propositura da ação. Protesto da autora pela produção de provas, especialmente da pericial. Aditamento da inicial de fls. 168/170 e 172/173. A apreciação do pedido de liminar foi postergada para após a vinda da contestação. Contestação da ré de fls. 181/200. O pedido de liminar restou indeferido (fls. 202/203). Fl. 391DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 19/09/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 13805.005229/9353 Acórdão n.º 3302003.354 S3C3T2 Fl. 4 5 Da aludida decisão, a autora interpôs agravo de instrumento com pedido de antecipação dos efeitos da tutela, tendo sido negado provimento ao recurso. Réplica da autora de fls. 212/215. Deferida a produção de prova pericial requerida pela autora (fl. 239), que apresentou seus quesitos (fls. 242/244), a União manifestou nos autos o desinteresse na apresentação de quesitos, protestando por vista posterior, para apresentação de críticas (sic) ao laudo pericial (fl. 252). Apresentado laudo pericial de fls. 257/278 e documentos anexos (fls. 279/299). Instadas as partes a se manifestarem acerca do laudo apresentado (fl. 300), a autora declarou concordância, bem como o assistente técnico nomeado pela requerente corroborou a conclusão apresentada no laudo oficial (fls. 306/310). Aberta vista dos autos à União (Fazenda Nacional), que restou silente (fl. 316/316vº). Conclusos os autos, o MM. Juiz de primeiro grau (fls. 331/334) julgou procedente o pedido formulado pela autora para reconhecer a nulidade das exigências dos créditos tributários apontados pela ré a título de COFINS (períodos de apuração janeiro/1993 a setembro/1993) e do processo administrativo nº 13805.005.229/9353, relativo a CSLL no ano/base de 1992, e de IRPJ dos meses de outubro/1999 a março/2000, indicados no documento de fl. 35 em nome da parteautora. Condenada a União ao pagamento de honorários advocatícios em 10% do valor da causa. Custas na forma da lei. Sentença sujeita ao reexame necessário. A União interpôs recurso de apelação (fls. 341/354), alegando, preliminarmente, a falta de interesse de agir da autora ante a ausência de requerimento administrativo para a satisfação de sua pretensão, a ensejar a extinção do feito nos termos do art. 267, inc. VI do CPC e, no mérito, sustentou a presunção de legitimidade dos atos administrativos, a impossibilidade de compensação de crédito tributário indevidamente pago sem que seja apurada, previamente, por via administrativa ou judicial, a liquidez e certeza, a decadência do direito do autor de pleitear a restituição/compensação (art. 168 do Código Tributário Nacional) no caso da hipótese do art. 165 do CTN, bem como a prescrição quinquenal. Impugnou, ainda, quanto à condenação da União ao pagamento de honorários advocatícios em 10% sobre o valor dado à causa, sustentando maior moderação na fixação, requerendo o estabelecimento em percentual inferior, a teor do art. 20, § 4º do CPC. Regularmente processado o recurso, e com contrarrazões da autora (fls. 360/375), vieram os autos a esta Corte. Dispensada a revisão, na forma regimental. Fl. 392DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 19/09/2016 por WALKER ARAUJO 6 É o relatório. Decido. O feito comporta julgamento nos termos do art. 557 do Código de Processo Civil. A demanda trazida em Juízo tem por escopo o reconhecimento da nulidade de supostos créditos tributários apontados pela ré em face da empresa autora, a título de COFINS, CLSS e IRPJ. Preliminarmente, não merece acolhida a alegação da apelante no que tange à ausência de interesse de agir da autora, haja vista a garantia constitucional de acesso ao Judiciário, nos termos do disposto no art. 5º, inciso XXXV, da Constituição Federal, mormente considerando a resistência da ré, já em sede judiciária, no sentido de impugnar a pretensão da autora. Outrossim, vale salientar que a presente demanda não trata de ação de repetição de indébito/compensação, conforme aduziu a recorrente em suas razões de apelação (fls. 350/352), não havendo que se falar em decadência ou prescrição do direito da requerente, ora apelada, haja vista que o objeto do pedido tem por fim o reconhecimento da nulidade de débitos fiscais apontados pela ré e, por conseguinte, a expedição de Certidão Negativa de Débito. Ademais, também não merece prosperar a alegação da recorrente quanto à impossibilidade de compensação, porquanto a Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, a teor do disposto no art. 66 e §§ do mesmo diploma legal, bem como do art. 74 da Lei nº 9430, de 27 de dezembro de 1996, já assegurava ao contribuinte, nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos e contribuições federais, a possibilidade de pedido de restituição ou de compensação desse valor no recolhimento de importância a ser paga em período subsequente, podendo ser efetuada com tributos, contribuições e receitas da mesma espécie, conforme realizado pela autora. Compulsando os autos, à vista dos documentos juntados e, precipuamente, considerando as informações trazidas aos autos pelo perito judicial, por meio do laudo pericial de fls. 257/278, restou demonstrada a inexistência dos débitos fiscais apontados pela União (Fazenda Nacional) conforme bem fundamentado pelo magistrado de primeiro grau, podendo se observar, inclusive, a existência, à época, de saldos credores a título de FINSOCIAL/COFINS, CSLL e IRPJ a favor da autora, a teor do documento de fls. 298/299 (anexo 9), valendo ressaltar que a ré, instada a se manifestar acerca do referido laudo, quedouse inerte, além de não ter demonstrado interesse na apresentação de quesitos ou de assistente técnico para acompanhar a perícia judicial (fls. 251/252). Com efeito, restou comprovado nos autos no que alude à COFINS (concernente ao período de janeiro a setembro/93), bem como à CSLL (ano/exercício de 1992) processo administrativo nº 13805.005.229/9353, e IRPJ (outubro de 1999 a março/2000), que os débitos apontados pela União (Fazenda Nacional) não são devidos, devendo ser reconhecida a Fl. 393DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 19/09/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 13805.005229/9353 Acórdão n.º 3302003.354 S3C3T2 Fl. 5 7 inexistência de relação jurídica que ampare a cobrança pela ré, ora recorrente, havendo a autora, a quem incumbia o ônus da prova no tocante à desconstituição do crédito notificado, logrado êxito em sua pretensão, haja vista a presunção de legitimidade e veracidade de que goza o ato administrativo, ressaltando que tal presunção é relativa (juris tantum), admitindo prova em contrário, conforme restou demonstrado nos autos (STJ, EDcl no REsp n. 894.571/PE, Relator Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 01/07/2009). Na esteira desse entendimento, trago à colação julgado desta Corte: "DIREITO TRIBUTÁRIO. AÇÃO ANULATÓRIA. IMPOSTO DE RENDA. DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. ANOBASE DE 1992. ERRO NO PREENCHIMENTO DOS VALORES DE RENDIMENTOS. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. POSSIBILIDADE. PROVA DOCUMENTAL ROBUSTA. CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. 1. Incumbe ao contribuinte o ônus da prova no tocante à desconstituição do crédito tributário já notificado, em face da presunção de legitimidade e veracidade do ato administrativo de lançamento. 2. No caso dos autos, a declaração retificadora teve por objetivo regularizar a situação do contribuinte, para que fosse considerada a renda efetivamente percebida no anobase de 1992, sendo certo que as provas juntadas são robustas e suficientes para demonstrar a veracidade das informações a respeito de sua vida econômica e atestar a improcedência da cobrança pretendida. 3. Apelação e remessa oficial a que se nega provimento".(APELREEX 539536/SP, Relator Juiz Convocado VALDECI DOS SANTOS; Turma Suplementar da Segunda Seção; v.u.; DJ: 18/9/2008; DJF3 Data: 02/10/2008). Por derradeiro, tendo em vista o ônus da sucumbência, e considerando a natureza da demanda, a qual envolveu relativa complexidade, o valor da causa, e à luz dos demais critérios estabelecidos no § 4º, do art. 20, do Código de Processo Civil, entendo afigurarse razoável a condenação da União Federal ao pagamento de honorários advocatícios fixados em 10% do valor da causa, consoante apreciação equitativa do magistrado, o qual está legitimado a utilizar tanto de percentuais sobre o valor da causa ou da condenação, bem como fixar os honorários em valor determinado, a teor do disposto no aludido dispositivo processual. Ante o exposto, com fulcro no artigo 557, caput, do Código de Processo Civil, nego seguimento à apelação e à remessa oficial, porquanto manifestamente improcedentes, devendo ser mantida a sentença recorrida em todos os seus termos. Como se vê, há elementos denotativos que caracterizam a concomitância da discussão administrativa à discussão judicial, posto que em ambos os processos a Recorrente se insurge contra a cobrança da COFINS, fato este, inclusive, reconhecido pelas partes litigantes. Fl. 394DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 19/09/2016 por WALKER ARAUJO 8 Desta forma, a submissão de matéria à tutela do Poder Judiciário importa em renúncia ou desistência da via administrativa, obstando a instância julgadora administrativa pronunciarse sobre matéria levada pelo contribuinte ao Poder Judiciário. Ante o exposto, voto por não conhecer do Recurso Voluntário, por concomitância com a discussão judicial da matéria. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. Fl. 395DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 19/09/2016 por WALKER ARAUJO
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Numero do processo: 11030.000411/2002-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998, 1999
EMBARGOS. ERRO DE ESCRITA. ACOLHIMENTO NECESSÁRIO.
Constatado erro de escrita na decisão, devem ser acolhidos os embargos propostos como inominados, para correção e prolação de novo acórdão.
Numero da decisão: 2201-003.355
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos propostos para, sanando o erro apontado, retificar o Acórdão 2101-003.272, de 13/07/16, que passa a ter o seguinte dispositivo: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário para manter o imposto sobre a renda devido pela pessoa física, nos anos-calendário de 1998 e 1999, nos valores de R$ 22.702,73 e R$ 3.568,45 - respectivamente - incidindo sobre esses valores multa de ofício de 75% e demais acréscimos legais, nos termos da decisão recorrida.
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente.
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Maria Anselma Coscrato Dos Santos (Suplente convocada), Denny Medeiros Da Silveira (Suplente convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos César Quadros Pierre, Ana Cecilia Lustosa Da Cruz.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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ERRO DE ESCRITA. ACOLHIMENTO NECESSÁRIO. Constatado erro de escrita na decisão, devem ser acolhidos os embargos propostos como inominados, para correção e prolação de novo acórdão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos propostos para, sanando o erro apontado, retificar o Acórdão 2101 003.272, de 13/07/16, que passa a ter o seguinte dispositivo: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário para manter o imposto sobre a renda devido pela pessoa física, nos anoscalendário de 1998 e 1999, nos valores de R$ 22.702,73 e R$ 3.568,45 respectivamente incidindo sobre esses valores multa de ofício de 75% e demais acréscimos legais, nos termos da decisão recorrida. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Maria Anselma Coscrato Dos Santos (Suplente convocada), Denny Medeiros Da Silveira (Suplente convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos César Quadros Pierre, Ana Cecilia Lustosa Da Cruz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 00 04 11 /2 00 2- 34 Fl. 828DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 2 Relatório Tratamse de embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional contra a decisão consubstanciada no Acórdão 2201003.272 de 13 de junho de 2016, prolatada por esta 1ª Turma Ordinária. Tal decisão restou assim ementada (fls. 809): "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998, 1999 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. MÚLTIPLAS ATIVIDADES. APURAÇÃO MENSAL. Havendo comprovação nos autos da atividade urbana, preponderante ou exclusiva, a apuração do imposto sobre a renda decorrente de acréscimo patrimonial a descoberto deve ser mensal. CONTRATO DE MÚTUO DE DINHEIRO. COMPROVAÇÃO DO FLUXO DE NUMERÁRIO.VALIDADE. É requisito de existência do contrato de mútuo, além da comprovação documental, o fluxo financeiro da moeda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para manter o imposto sobre a renda devido pela pessoa física, nos anos calendário de 1998 e 1999, nos valores de R$ 22.702,73 e R$ 3.568,45 respectivamente incidindo sobre esses valores multa de ofício de 75% e demais acréscimos legais." Segundo a Procuradoria da Fazenda Nacional a decisão vergastada padece de obscuridade. São seus argumentos (fls 821): "Desse modo, o acórdão embargado deu provimento parcial mantendo o imposto sobre a renda devido pela pessoa física, nos anoscalendário de 1998 e 1999, nos valores de R$ 22.702,73 e R$ 3.568,45 respectivamente incidindo sobre esses valores multa de ofício de 75% e demais acréscimos legais. A obscuridade baseiase fundamentalmente no fato de terse dado provimento parcial ao recurso voluntário, apesar de, aparentemente, ter sido mantida a decisão da DRJ. Assim, fazse necessário esclarecer qual pleito do contribuinte foi acolhido no presente acórdão." Do despacho de admissibilidade consta: Observo o vício apontado. Fl. 829DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 11030.000411/200234 Acórdão n.º 2201003.355 S2C2T1 Fl. 829 3 O embargos propostos foram admitidos como embargos inominados em razão de erro de escrita, com fulcro no artigo 66 do RICARF e determinado que retornassem à pauta de julgamento. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Concordo com a admissibilidade dos embargos interpostos pela Fazenda Nacional e portanto, passo a apreciálo. A decisão atacada é clara em demonstrar que, embora o Recorrente reiterasse em sua apelação os argumentos da impugnação, parte deles, havia sido atacada pela decisão de piso. Vejamos (fls 812): "Com ressalva, explicitando uma vez mais que o regime de apuração do IRPF transitou em julgado, passemos a analisar o recurso voluntário interposto na ordem de suas alegações. AS INCLUSÕES/ALTERAÇÕES DE VALORES NO QUADRO A DOS ANOSCALENDÁRIO 1998 E 1999 Antes de mais nada, recordemos o conteúdo do denominado Quadro A. Consta do TVF (fls 19), que às folhas 456 do processo numerado manualmente (fls. 487 do processo digitalizado),anexouse uma planilha que verifica a origem, os recursos da variação patrimonial no anocalendário 1998. (...) Sobre tal tema, a decisão de piso já se pronunciou (fls 691), atendendo ao pleito do contribuinte: "Quanto aos rendimentos da esposa, assiste razão ao autuado, devendo ser computados como origem de recursos os valores constantes dos comprovantes de rendimentos pagos e de retenção de imposto de renda na fonte, de fls. 480 e 481, nos anoscalendários 1998 e 1999, respectivamente." (destacamos) (...) Novamente, parte de seu pleito já foi concedido, vejamos como se pronunciou a DRJ: (...) Nesse sentido, mantenho a decisão da DRJ também neste ponto A EXCLUSÕES/ALTERAÇÕES DE VALORES NO QUADRO B DOS ANOSCALENDÁRIO 1998 E 1999. Fl. 830DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 4 A menção ao quadro B, acostado às mesmas folhas 487, deve ser entendida como a planilha dos dispêndios, das aplicações da variação patrimonial verificada. (...) Novamente, me filio ao entendimento da decisão recorrida, que com minúcia e esmero, decidiu com base nas provas acostadas ao autos pelo impugnante. Por todo o comprovado nos autos, e como dito e agora repetido, por concordar com as razões de decidir da 2ª Turma da DRJ Santa Maria, dou parcial provimento ao recurso, para recalcular o imposto de renda da pessoa física nos termos da decisão de piso, em especial quanto à base de cálculo do imposto demonstrada nos quadros de folhas 695 e 696 relativos aos anoscalendários 1998 e 1999." (sublinhados não constam da decisão recorrida) Observase da transcrição acima, ainda mais da parte sublinhada, que o voto condutor da decisão vergastada mantém, em face da concordância com as razões de decidir e com a decisão proferida, a decisão de piso em sua inteireza. Muito embora o Recorrente tivesse reiterado os mesmos pedidos constantes de sua impugnação, não houve por parte de turma recorrida o acolhimento de nenhum de seus pedido, exceto aqueles que já tinham sido concedidos pela decisão consubstanciada no acórdão de impugnação. Nesse sentido não houve nenhum proveito do Recorrente com seu recurso. Segundo as lições de Ada Pellegrini Grinover, Cândido Rangel Dinamarco e Antonio Carlos de Araújo Cintra (Teoria Geral do Processo, 31ª ed. Ed. Malheiros, pg. 442): "Mérito do recurso é a pretensão de uma decisão mais favorável, endereçada ao órgão competente" (destaquei) Diante do exposto, observo um erro de escrita na decisão atacada, em razão da inexistência de provimento parcial ao recurso, que não teve nenhum ponto de seus argumentos acolhidos pela Turma "ad quem". Conclusão Diante do exposto e pelos fundamentos adotados, conheço e acolho os embargos inominados propostos para, sanando o erro apontado, retificar o Acórdão 2101 003.272, de 13/07/16, que passa a ter o seguinte dispositivo: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário para manter o imposto sobre a renda devido pela pessoa física, nos anoscalendário de 1998 e 1999, nos valores de R$ 22.702,73 e R$ 3.568,45 respectivamente incidindo sobre esses valores multa de ofício de 75% e demais acréscimos legais, nos termos da decisão recorrida. assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Relator Fl. 831DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 11030.000411/200234 Acórdão n.º 2201003.355 S2C2T1 Fl. 830 5 Fl. 832DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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