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Numero do processo: 13706.003609/2002-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF
Ano-calendário: 1997
JUROS PAGOS A MENOR OU NÃO PAGOS. MULTA ISOLADA. FALTA DE PAGAMENTO DE MULTA DE MORA. PROCEDIMENTO ELETRÔNICO. AUDITORIA INTERNA NA DCTF. A divergência existente entre as informações constantes da DCTF e do sistema que registra os pagamentos deve ser investigada em procedimento de auditoria interna, para haver certeza da ocorrência da infração, requisito essencial do lançamento.
Não comprovada a ocorrência de infração, deve-se cancelar a autuação.
Numero da decisão: 2202-001.843
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício.
Nome do relator: ODMIR FERNANDES
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Ano-calendário: 1997 JUROS PAGOS A MENOR OU NÃO PAGOS. MULTA ISOLADA. FALTA DE PAGAMENTO DE MULTA DE MORA. PROCEDIMENTO ELETRÔNICO. AUDITORIA INTERNA NA DCTF. A divergência existente entre as informações constantes da DCTF e do sistema que registra os pagamentos deve ser investigada em procedimento de auditoria interna, para haver certeza da ocorrência da infração, requisito essencial do lançamento. Não comprovada a ocorrência de infração, deve-se cancelar a autuação.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1714; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 2 1 1 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13706.003609/200213 Recurso nº 999.999 De Ofício Acórdão nº 2202 01.843 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 19 de junho de 2012 Matéria IRRF Recorrente GLOBO COMUNICAÇOES E PARTICIPAÇÕES S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1997 JUROS PAGOS A MENOR OU NÃO PAGOS. MULTA ISOLADA. FALTA DE PAGAMENTO DE MULTA DE MORA. PROCEDIMENTO ELETRÔNICO. AUDITORIA INTERNA NA DCTF. A divergência existente entre as informações constantes da DCTF e do sistema que registra os pagamentos deve ser investigada em procedimento de auditoria interna, para haver certeza da ocorrência da infração, requisito essencial do lançamento. Não comprovada a ocorrência de infração, devese cancelar a autuação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Nelson Mallmann – Presidente. Odmir Fernandes – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Nelson Mallmann (Presidente), Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Rafael Pandolfo. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES 2 Relatório Tratase de Recurso de Ofício da decisão da DRJ do Rio de Janeiro/RJ de fls. 166/170 que julgou procedente a impugnação e cancelou a autuação do Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF, com crédito tributário de IRRF de R$158.371,27, multa de 75% e juros de mora de R$1.350,85 e de multa isolada de R$7.785.230,45, cujo Acórdão possui seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1997 JUROS PAGOS A MENOR OU NÃO PAGOS. MULTA ISOLADA. FALTA DE PAGAMENTO DE MULTA DE MORA. PROCEDIMENTO ELETRÔNICO. AUDITORIA INTERNA NA DCTF. A divergência existente entre as informações constantes da DCTF e do sistema que registra os pagamentos deve ser investigada em procedimento de auditoria interna, para haver certeza da ocorrência da infração, requisito essencial do lançamento. Não comprovada a ocorrência de infração, devese cancelar a autuação. O Auto de Infração (fls. 27/29) apurou: falta de recolhimento do IRRF, declaração inexata; falta ou insuficiência de pagamento de acréscimos legais, e; falta de pagamento de multa de mora. A decisão recorrida a fls. 166/170, cancelou a autuação dos juros isolados de R$1.350,85, e de multa isolada de 75% no valor de R$7.785.230,45, pelos supostos pagamentos em atraso do IRRF, sob o fundamento de que o lançamento foi efetuado eletronicamente, sem qualquer verificação dos fatos ou pedido de esclarecimentos do contribuinte. As infrações consistiram na divergência entre as informações prestadas na DCTF e as constantes do sistema eletrônico da Receita. Pela fragilidade da autuação eletrônica, sem procedimento preparatório para comprovar a efetiva ocorrência da infração, cancelouse a exigência. Entendeu ainda a decisão recorrida incabível a exigência da multa isolada após a edição da Medida Provisória n° 351, de 2007, convertida na Lei n° 11.488, de 2007, com nova redação ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, cuja multa isolada passou a incidir no percentual reduzido de 50%, e “apenas na falta de recolhimento de antecipações/estimativas do imposto de renda devido por pessoas físicas e jurídicas”. Face ao princípio da retroatividade benigna (art. 106, II, c, do CTN), afastou a penalidade e cancelou a autuação. É o breve relatório. Voto. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 13706.003609/200213 Acórdão n.º 2202 01.843 S2C2T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Odmir Fernandes, Relator. O recurso preenche os requisitos de admissibilidade e deve e ser conhecido. Cuidase de lançamento realizado eletronicamente por divergência do confronto entre as informações prestadas pelo contribuinte e a constante no banco de dados da Receita Federal, sem qualquer exame do contraditório com o autuado. A decisão recorrida foi acertada e não merece reparos. Pelo que consta dos autos, não foi constatada a infração, não foram verificados os fatos objeto da autuação. Por essa razão foi cancelada a autuação. Ora, não constatada a infração a autuação jamais pode prevalecer, dai o acerto da decisão recorrida. Entendeu ainda a decisão recorrida que a conduta – falta de retenção/pagamento do IR Fonte não tipifica a acusação pela revogação da lei com exigência da multa isolada e da interpretação benigna do art. 112, do CTN, assim: “Ainda que não prevalecesse o entendimento acima, não poderia subsistir o lançamento de multa isolada, em face de falta de pagamento de multa de mora. Senão vejamos: O art. 44, § 1°, II, da Lei n° 9.430/1996, previa que a multa de lançamento de ofício deveria ser exigida, isoladamente, quando o contribuinte pagasse o tributo ou a contribuição após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora. Tinhase, portanto, previsão legal expressa determinando o lançamento de multa isolada no caso de recolhimento em atraso sem o acréscimo de multa de mora. Em 22 de janeiro de 2007 foi editada a Medida Provisória de n° 351, convertida na Lei n° 11.488, publicada na edição extra do Diário Oficial da União de 15 de junho 2007, cujo art. 14 deu nova redação ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, nos seguintes termos: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: I de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de tributo, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Fl. 183DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES 4 II de cinqüenta por cento, exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8° da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2° desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1 º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 2 º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1°, serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38. Como se vê, a multa isolada, além de ter seu percentual reduzido para 50%, passou a incidir, apenas, na falta de recolhimento de antecipações/estimativas do imposto de renda devido por pessoas físicas e jurídicas. Deixou de existir, portanto, a hipótese que fundamentaria a exigência no caso de recolhimento integral do principal, desacompanhado do acréscimo da multa de mora. Em face do princípio da retroatividade benigna (art. 106, inciso II, alínea "c" do Código Tributário Nacional), a penalidade passou a ser afastada de oficio. A partir da nova redação da Lei n° 9.430, de 1996, constatado o pagamento ou recolhimento de tributo em atraso, sem o acréscimo da multa moratória prevista no art. 61 desta mesma Lei, só pode ser exigido do contribuinte o pagamento da multa de mora, isoladamente, conforme previsto no art. 43 desta mesma Lei (exigência que independe de lançamento). Observase que, no presente caso, em razão da prescrição, não seria mais possível se exigir a multa de mora.” Vemos que a decisão recorrida agiu com acerto, deve ser mantida e prestigiada. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 13706.003609/200213 Acórdão n.º 2202 01.843 S2C2T2 Fl. 4 5 Ante o exposto, pelo meu voto, conheço de nego provimento ao recurso de oficio para manter a decisão recorrida que cancelou autuação, pelos seus próprios fundamentos. (Assinado digitalmente) Odmir Fernandes – Relator Fl. 185DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 11845.000036/2010-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2006 LUCRO ARBITRADO. ESCRITURAÇÃO. IMPRESTABILIDADE. Correto o arbitramento do lucro, uma vez comprovada a imprestabilidade d a escrituração para a apuração do lucro real e/ou identificação da movimentação financeira. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em quebra de sigilo bancário quando a própria contribuinte fornece os extratos à Fiscalização. MULTA. JUROS. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E/OU ILEGALIDADE. A instância administrativa não é competente para se pronunciar quanto à alegações de inconstitucionalidade e/ou ilegalidade de normas. MULTA E JUROS. CONCOMITÂNCIA Não há impedimento legal para a exigência concomitante da multa de ofício e dos juros de mora à Taxa Selic. MULTA E JUROS. CONCOMITÂNCIA Não há impedimento legal para a exigência concomitante da multa de ofício e dos juros de mora à Taxa Selic. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2006 LANÇAMENTO DECORRENTE. Aplica-se ao lançamento da CSLL o mesmo exposto para o IRPJ, haja vista decorrerem de mesmas matérias tributáveis e mesmos elementos de prova.
Numero da decisão: 1401-000.694
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR o pedido de perícia / diligência e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2006 LUCRO ARBITRADO. ESCRITURAÇÃO. IMPRESTABILIDADE. Correto o arbitramento do lucro, uma vez comprovada a imprestabilidade d a escrituração para a apuração do lucro real e/ou identificação da movimentação financeira. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em quebra de sigilo bancário quando a própria contribuinte fornece os extratos à Fiscalização. MULTA. JUROS. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E/OU ILEGALIDADE. A instância administrativa não é competente para se pronunciar quanto à alegações de inconstitucionalidade e/ou ilegalidade de normas. MULTA E JUROS. CONCOMITÂNCIA Não há impedimento legal para a exigência concomitante da multa de ofício e dos juros de mora à Taxa Selic. MULTA E JUROS. CONCOMITÂNCIA Não há impedimento legal para a exigência concomitante da multa de ofício e dos juros de mora à Taxa Selic. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2006 LANÇAMENTO DECORRENTE. Aplica-se ao lançamento da CSLL o mesmo exposto para o IRPJ, haja vista decorrerem de mesmas matérias tributáveis e mesmos elementos de prova.
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Recorrida Fazena Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 LUCRO ARBITRADO. ESCRITURAÇÃO. IMPRESTABILIDADE. Correto o arbitramento do lucro, uma vez comprovada a imprestabilidade d a escrituração para a apuração do lucro real e/ou identificação da movimentação financeira. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em quebra de sigilo bancário quando a própria contribuinte fornece os extratos à Fiscalização. MULTA. JUROS. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E/OU ILEGALIDADE. A instância administrativa não é competente para se pronunciar quanto à alegações de inconstitucionalidade e/ou ilegalidade de normas. MULTA E JUROS. CONCOMITÂNCIA Não há impedimento legal para a exigência concomitante da multa de ofício e dos juros de mora à Taxa Selic. MULTA E JUROS. CONCOMITÂNCIA Não há impedimento legal para a exigência concomitante da multa de ofício e dos juros de mora à Taxa Selic. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006 LANÇAMENTO DECORRENTE. Aplicase ao lançamento da CSLL o mesmo exposto para o IRPJ, haja vista decorrerem de mesmas matérias tributáveis e mesmos elementos de prova. Fl. 1271DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 0/03/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR o pedido de perícia / diligência e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Karen Jureidini Dias e Maurício Pereira Faro. Fl. 1272DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 0/03/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA Processo nº 11845.000036/201058 Acórdão n.º 140100.694 S1C4T1 Fl. 275 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto parcialmente o relatório que integra o Acórdão recorrido (fls. 232234): Tratam os autos de lançamentos de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), consubstanciados nos autos de infração às fl. 131/146, referentes ao anocalendário 2006, com os seguintes créditos tributários: • IRPJR$266.101,82; • CSLLR$ 1.838.215,40. Consoante Relatório Fiscal anexo ao auto de infração, fl. 147/191, os lançamentos decorreram de arbitramento do lucro em virtude da imprestabilidade da contabilidade para a apuração do lucro real, decorrente das irregularidades e deficiências abaixo listadas. O enquadramento legal que amparou o lançamento foi o art. 259, §2°, e o art. 530, II do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99). • Todos os cheques compensados (crédito conta banco movimento), referentes a pagamentos, foram debitados nas contas CaixaMatriz e CaixaFilial, (fl. 2/235 do Anexo III ao processo e fi. 2/279 do Anexo IV ao processo). Os cheques compensados (pagamentos) não poderiam servir para aumentar recursos disponíveis de caixa, devendo ser registrados a débito de conta de obrigação ou conta de despesa ou em conta do ativo permanentes. Não foram encontrados lançamentos posteriores a crédito na conta Caixa que poderiam ter sido utilizados para anular os respectivos débitos realizados, que autorizaria considerar a conta Caixa como transitória. Logo não há como se verificar se os valores destinavamse a pagamentos de despesas/custos, baixas do passivo, ou outros; • Os lançamentos contidos nas contas Caixa do livro Razão retificador não estão individualizados e também não foram apresentados livros auxiliares de escrituração, não sendo possível verificar se os valores oriundos das contas Banco apenas transitaram pela conta Caixa, tendo em vista a falta de individualização e clareza dos lançamentos. O arbitramento foi realizado com base na receita bruta conhecida, nos termos do art. 532 do RIR/99, obtida a partir dos quadros de resumos de saídas mensais nos livros fiscais de Registro e Apuração do ICMS da matriz e da filial (fl. 2 a 65 do Fl. 1273DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 0/03/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA 4 Anexo I ao processo), que condensam as saídas registradas no Livro de Registro de Saídas (fl. 66/210 do Anexo I ao processo). A receita está consolidada no Anexo I ao Relatório Fiscal. Foram deduzidos do imposto e da contribuição apurados os valores do IRPJ e da CSLL confessados em DCTF. Cientificado dos lançamentos em 01/04/2010, conforme o Aviso de Recebimento (AR) à fl. 196, o sujeito passivo apresentou a impugnação às fl. 202/219 em 04/05/2010, onde argumentou, em síntese, que: • Teve seu lucro arbitrado porque a fiscalização considerou que os lançamentos contidos nas novas contas incluídas pela impugnante (CaixaMatriz e CaixaFilial) não estariam individualizados e porque não teriam sido apresentados livros auxiliares, o que impediria verificar se os valores oriundos das contas Banco Movimento (incluídas) teriam apenas transitado pelo Caixa. Ou seja, a autuação foi em virtude de não ter apresentado de forma individualizada todas as operações realizadas através de movimentação bancária, embora as referidas operações estejam devidamente escrituradas no Diário e Razão. Não restou evidenciada a contudo imputada pelo agente fiscal, sendo o lançamento baseado em presunção de culpa, o que fere o art. 5º , LVI da Constituição Federal (CF) (princípio da inocência). Baseado nos extratos bancários que indicam créditos de R$ 135.180.955,59 e na receita bruta escriturada que aponta R$ 90.323.852,85, a autoridade fiscal presumiu tratarse de omissão de receitas, ou, no mínimo, máfé do contribuinte. No próprio auto de infração está evidenciado que não houve omissão ou acréscimo patrimonial em desacordo com a DIPJ ou com a escrituração; • O arbitramento é ilegal e incabível. Em momento algum restou demonstrado cabalmente a deficiência que tornasse imprestável a escrituração. O arbitramento é medida extrema e excepcional, entendimento pacífico entre as Delegacias de Julgamento. Segundo entendimento do 1º Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Carf), somente deficiências que levam à imprestabilidade de todo o conjunto da escrituração é que permitem a desclassificação da escrita. Dúvidas em relação às contas por si só não ensejam a desclassificação; • Ao presumir que todos os depósitos eram receita, a fiscalização ignorou a disponibilidade financeira no Caixa, bem assim outras operações realizadas: adiantamento de frete, cartafrete, autorização para abastecimento e outros. Segundo Súmula TFR n°182, ilegítimo o lançamento de imposto arbitrado com base apenas em depósitos bancários. Nesse sentido jurisprudência judicial e do Conselho de Contribuintes; • A multa é confiscatória. Não cabe sua cobrança cumulativa com a taxa de juros Selic. A multa é improcedente pois houve quebra ilegal e inconstitucional de sigilo bancário. Não houve comprovação de evidente intuito de fraude ou mesmo máfé. A aplicação da multa deve seguir os princípios da razoabilidade e proporcionalidades; Fl. 1274DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 0/03/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA Processo nº 11845.000036/201058 Acórdão n.º 140100.694 S1C4T1 Fl. 276 5 • A taxa Selic não se presta para fixar juros em relação a penalidades pecuniárias. Seu uso é ilegal e inconstitucional; • Requer seja realizada perícia/diligência no sentido de reconhecimento e validação de sua escrituração, vez que não houve aprofundamento da investigação por parte da autoridade fiscal. A 2ª Turma da DRJ Brasília, por unanimidade, julgou procedente o lançamento, por meio de Acórdão assim ementado (fls. 231): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 ARBITRAMENTO. IMPRESTABILIDADE DA ESCRITURAÇÃO Comprovado nos autos que a escrituração é imprestável para a apuração do lucro real e/ou identificação da movimentação financeira, é devido o arbitramento do lucro. ACESSO A INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em quebra de sigilo bancário quando a instituição financeira transfere à Receita Federal informações sobre movimentação financeira de cliente em atendimento à RMF expedida por autoridade competente. ARGUMENTOS DE INCONSTITUCIONALIDADE E/OU ILEGALIDADE DA MULTA E DOS JUROS APLICADOS. A instância administrativa não é competente para se pronunciar quanto à alegações de inconstitucionalidade e/ou ilegalidade de normas. DOLO. CONDIÇÃO PARA QUALIFICAÇÃO DA MULTA. A demonstração do dolo somente é condição para a qualificação da multa. MULTA E JUROS À TAXA SELIC. EXIGÊNCIA CONCOMITANTE. Não há impedimento legal para a exigência concomitante da multa de ofício e dos juros de mora à Taxa Selic. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006 LANÇAMENTO DECORRENTE. Aplicase ao lançamento da CSLL o mesmo exposto para o IRPJ, haja vista decorrerem de mesmas matérias tributáveis e mesmos elementos de prova. Fl. 1275DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 0/03/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA 6 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada do Acórdão em 06/12/200 (fls. 244), a contribuinte interpôs em 04/12/2011 o recurso voluntário de fls. 251 e seguintes, reiterando os argumentos apresentados na fase impugnatória. É o relatório. Fl. 1276DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 0/03/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA Processo nº 11845.000036/201058 Acórdão n.º 140100.694 S1C4T1 Fl. 277 7 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos O recurso atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. Solicitação de perícia/diligência A recorrente solicitou a realização de perícia/diligência, com o intuito de demonstrar que sua escrituração contábil era, sim, regular e que a mesma permitia a apuração do seu lucro real e a perfeita identificação da sua movimentação financeira. A referida solicitação merece ser indeferida, por se mostrar completamente dispensável para a apreciação do presente processo. O fato que ensejou a desclassificação da escrita foi a inexistência de contrapartidas a débito em conta Caixa de lançamentos a crédito de conta Banco Movimento, sem o consequente lançamento a crédito da conta Caixa e débito em conta de obrigação, de despesa ou de ativo permanente, que indicaria que a conta Caixa foi usada como conta de transição. Em seu recurso, a contribuinte não procurou demonstrar, nem mesmo por amostragem, o acerto dos lançamentos na conta Caixa. Conforme resultará demonstrado no item a seguir, os elementos constantes dos autos são amplamente suficientes para o julgamento do presente feito. Diante do exposto, com fundamento no art. 18 do Decreto nº 70.235/72, indefiro o pedido de perícia / diligência. Regularidade da escrituração contábil Retindo o que fizera na fase impugnatória, a reorrente contestou a desclassificação de seus registros contábeis, que motivou o arbitramento do lucro. Entendeu que não restou demonstrada a No entender da recorrente, o presente lançamento baseiase em presunção de culpa, ferindo o princípio da inocência insculpido no art. 5º,o LVI da CF. Não assiste razão à recorrente. O art. 530 do RIR/99 dispõe que o IRPJ deve ser determnado segundo os critérios do lucro arbitrado, quando a escrituração apresentar deficiências que a tornem imprestável para determinar o lucro real e/ou identificar a movimentação financeira. No caso em análise, a contribuinte efetuou diversos lançamentos contábeis a crédito das contas Banco Movimento, cujas contrapartidas foram lançamentos a débito da Fl. 1277DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 0/03/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA 8 conta Caixa, conforme planilhas de fls. 153/191. As referidas planilhas, por sua vez, foram elaboradas com base nas cópias do Razão (retificado), Anexos III e IV deste processo. Por sua vez, os histórico dos extratos bancários, bem assim dos lançamentos contábeis, indicam que tais movimentações referiamse a pagamentos via cheque. Conforme bem identificado pelo acórdão recorrido, fls. 235, tal procedimento contábil somente se justificaria se a conta Caixa tivesse sido usada como conta de transição para posterior baixa em conta de obrigação, ou débito em conta de ativo permanente ou de despesa, por exemplo. Neste caso, porém, a conta Caixa deveria ter registros a crédito nos mesmos valores dos débitos (ou seja, as contas Caixa deveriam ser creditadas, tendo como contrapartida débitos nas contas do passivo, despesas ou ativo permanente). Vale dizer que estes lançamentos a crédito da conta Caixa não foram localizados nos registros contábeis constantes das cópias do Razão apresentadas pelo contribuinte. Dinte do exposto, o Fiso e o acórdão recorrido entenderam que a contribuinte procedeu registros não compatíveis com as normas contábeis recomendadas, exigência contida no art. 259 do RIR/99, conduta que implica o arbitramento do lucro da pessoa jurídica, consoante art. 259, §2° do RIR/99. Tais lançamentos, no entender do Fisco, prejudicam a confiabilidade da escrituração para fins de apuração do lucro real, justificando o arbitramento do lucro. Sobre o tema, assim se manifestou o acórdão recorrido, fls. 234235: Frisese que em momento algum o sujeito passivo fez referência em sua impugnação a esta constatação fiscal. Não argumentou nada no sentido de que os lançamentos a crédito na conta Banco Movimento e à débito na conta Caixa estavam corretos, e que tinham sido feitos na mesma data ou posteriormente os respectivos lançamentos a crédito da conta Caixa, visando demonstrar que a mesma foi usada como conta de transição. Enfim, não questionou diretamente esta irregularidade apontada pela autoridade fiscal. Limitouse a sugerir que sua escrituração estava perfeita. Não bastasse isso, percebese, das cópias do Razão antes mencionadas, que os registros efetuados nas contas Caixa e nas conta Banco Movimento não estão individualizados em sua grande maioria. Exemplos (por amostragem): a) fl. 06 e 1007 "vendas de mercadorias retidas", "vendas tributadas", "pagto conf. Recibo de férias em arquivo", "recebimento redecard conf extrato HSBC", "recebimentos em extrato conf docto 37600", "saldo anterior conta banco bradesco s/a 32417"; b) fl. 88 "recebimentos em extrato conf. Docto lib. Dep/trf.on line/dep. Ch.lib/doc/cobranças"; etc. Uma vez que não há livros auxiliares que permitam proceder o detalhamento contábil destes registros e, por conseguinte, verificar a correção dos lançamentos efetuados e da apuração do lucro real, resta considerar mais uma vez que a escrituração não está em boa forma. Fl. 1278DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 0/03/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA Processo nº 11845.000036/201058 Acórdão n.º 140100.694 S1C4T1 Fl. 278 9 Então, a meu ver, diferentemente do que entendeu o sujeito passivo, houve demonstração clara da deficiência em sua escrituração, tornandoa não confiável para fins de apuração do lucro real. Ressaltese que essas deficiências foram encontradas nos livros já retificados após prazo concedido pela autoridade fiscal para que o contribuinte ajustasse seus registros contábeis. A análise constante do acórdão recorrido é inteiramente correta, do ponto de vista fático e jurídico. Consequentemente, em relação a este tema, considero que o acórdão de piso merece ser confirmado. Utilização de depósitos bancários como receitas A recorrente também alegou que os depósitos bancários não podem ser considerados como receitas sem a verificação da existência de acréscimo patrimonial. Alegação desprovida de sentido. Afinal, no presente caso a receita bruta da contribuinte foi apurada exclusivamente com base nos valores constantes no Livro de Registro e Apuração do ICMS. Este valor de receita bruta, constante do aludido livro, é que foi utilizado como base de cálculo do lucro arbitrado, bem como da CSLL. Tal fato está claramente indicado no Relatório Fiscal e correspondente planilha (fls. 152). Em síntese: no presente caso, não houve lançamento com base em depósitos bancários, ou seja, não foi empregada a presunção legal prevsita no art. 42 da Lei n° 9.430/96. Diante do exposto, não merece prosperar a alegação da recorrente. Quebra de sigilo bancário A recorrente questionou a legalidade da quebra do seu sigilo bancário. Alegação desprovida de sentido, conforme bem evidenciado pelo acórdão recorrido, fls. 238 (grifado): Na espécie, o que a autoridade fiscal possuía inicialmente eram as informações mensais da movimentação bancária, para cujo acesso há previsão em lei complementar conforme visto acima. A partir destes dados, em procedimento fiscal devidamente instaurado, a autoridade fiscal aprofundou as investigações, tendo acesso aos extratos bancários do contribuinte a partir de resposta deste a Termo de Constatação e Intimação Fiscal, conforme faz prova o documento à fl. 31. Ou seja, o sujeito passivo é que abriu ao Fisco o acesso ao detalhamento de seus registros bancários. Logo, não há que se falar em quebra de sigilo bancário. Nestes termos, considero que em relação a este tema não merecem rosperar os argumentos da recorrente. Fl. 1279DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 0/03/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA 10 Multa de ofício e juros de mora A recorrente apresentou arguições de inconstitucionalidade da multa de oficio e de inconstitucionalidade / ilegalidade dos juros calculados com base na Taxa Selic. Não compete à autoridade administrativa analisar a legalidade ou constitucionalidade de normas legais. A análise de teses contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida constitucionalmente. Nesse sentido, foi editada a Súmula CARF n° 2, verbis: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No mesmo sentido, dispõe o art. 26A do Decreto nº 70.235/72, incluído pela Lei n ° 11.941/2009: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Especificamente no que tange aos juros à Taxa Selic, convém mencionar ainda a Súmula n° 4 do CARF, verbis: A partir de 1º de abril de 11995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. A lei prevê claramente a aplicação da multa de ofício em caso de falta de recolhimento de tributo devido. Da mesma forma, a lei também prevê a cobrança de juros à taxa Selic quando não pago o tributo no vencimento. Diante da inexistência de qualquer norma que restrinja a exigência cumulativa destes consectáros legais, as referidas exigências devem ser mantidas. Por fim, a recorrente quetionou a exigência da multa de ofício, sob a alegação de que não restou comprovada seu evidente intuito de fraude ou máfé. Alegação desprovida de sentido, uma vez que no presente caso foi aplicada apenas a multa no percentual de 75%. A demonstração do dolo somente é condição para a qualificação da multa, ou seja, elevação do seu percentual para 150%. Diante do exposto, considero que em relação a estas matérias o acórdão recorrido também não merece quaisquer reparos. Conclusão Diante de todo o exposto, voto no sentido de REJEITAR o pedido de perícia / diligência e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Fl. 1280DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 0/03/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA Processo nº 11845.000036/201058 Acórdão n.º 140100.694 S1C4T1 Fl. 279 11 Fl. 1281DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 0/03/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA
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Numero do processo: 15521.000183/2008-17
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano calendário: 2004, 2005 e 2006 ARBITRAMENTO DO LUCRO. AUSÊNCIA DE LIVROS E DOCUMENTOS FISCAIS E COMERCIAIS. O arbitramento é modalidade ou regime de apuração do lucro. A não apresentação dos livros e documentos necessários à apuração do lucro real ou presumido, implica no arbitramento do lucro. MULTA DE OFÍCIO – Constatado o descumprimento da obrigação tributária e procedido o lançamento de ofício, impõe-se a aplicação da multa de 75% nos termos do inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/96. LANÇAMENTOS REFLEXOS – CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS – CSLL, PIS e COFINS. Decorrendo as exigências da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa.
Numero da decisão: 1802-001.254
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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AUSÊNCIA DE LIVROS E DOCUMENTOS FISCAIS E COMERCIAIS. O arbitramento é modalidade ou regime de apuração do lucro. A não apresentação dos livros e documentos necessários à apuração do lucro real ou presumido, implica no arbitramento do lucro. MULTA DE OFÍCIO – Constatado o descumprimento da obrigação tributária e procedido o lançamento de ofício, impõese a aplicação da multa de 75% nos termos do inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/96. LANÇAMENTOS REFLEXOS – CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS – CSLL, PIS e COFINS. Decorrendo as exigências da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José De Oliveira Ferraz Corrêa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Nelso Kichel, Marco Antonio Nunes Castilho e Gilberto Baptista. Fl. 372DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Relatório Por economia processual e bem resumir a lide adoto o Relatório da decisão recorrida (fls.305/306) que transcrevo a seguir: Tratase do Auto de Infração (fls.01/43), lavrado em 28/10/2008, no âmbito da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Campos dos Goitacazes/RJ, em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização n° 07.1.04.002008002610, referente ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica — IRPJ, tendo como reflexo o lançamento da Contribuição para o PIS/PASEP PIS, Contribuição para Financiamento da Seguridade Social— COFINS e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, referente aos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006, cujo crédito tributário monta em R5426.981,88. 2 O crédito tributário constituído tem sua composição no presente Auto de Infração, conforme quadro abaixo: Quadro Composição do Auto de Infração TRIBUTO CODIGO PRINCIPAL JUROS DE MORA MULTA 75% TOTAL FLS IRPJ 2917 37.400,37 14.999,19 28.050,23 80.449,79 02/09 PIS 2986 13.473,60 5.823,05 10.105,12 29.401,77 10/21 CSLL 2973 84.329,29 33.853,20 63.246,94 181.429,43 21/31 COFINS 2960 62.185,67 26.876,04 46.639,18 135.700,89 32/43 TOTAL 197.388,93 81.551,48 148.041,47 426.981,88 01 * Juros de Mora calculados até 30/09/2008 A Autoridade Autuante, no Relatório de Fiscalização, às fls.44/49, descreve os fatos que alicerçaram a lavratura do Auto de Infração, alegando que: 3.1 Em 25/07/2008, o interessado foi cientificado do Termo de Início de Fiscalização (fls.61/63), com prazo para atendimento em 20(vinte) dias; (fls. 45) 3.2 Findo o prazo do Termo de Início de Fiscalização o interessado não apresentou a totalidade dos documentos requisitados, sendolhe concedida, em 25/08/2009, nova data para apresentação do restante da documentação, com termo improrrogável em 09/09/2008, conforme Termo de Comunicação, às fls.65; (fls. 45) 3.3 Restaram pendentes de entrega: Livro Caixa, Notas Fiscais emitidas pelo interessado (ano de 2004), extratos bancários e documentos que embasaram a escrituração do Livro Caixa; (fls.45/46) 3.4 Com o decurso da prorrogação de prazo do Termo de Início de Fiscalização sem que houvesse atendimento por parte do Fl. 373DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15521.000183/200817 Acórdão n.º 1802001.254 S1TE02 Fl. 2 3 interessado, procedeu às diligências junto aos seus clientes para obtenção das informações omitidas; (fls.45/46); 3.5 De posse das Notas Fiscais representativas do faturamento procedeu ao levantamento da receita bruta do interessado, conforme planilha "Apuração da Receita Bruta da Empresa AnosBase 2004, 2005 e 2006", às fls. 50/52; (fls.46) 3.6 Constatou divergência entre as receitas apuradas e as declaradas para os anos calendário de 2004, 2005 e 2006; (fls.46); 3.7 Em razão do interessado não ter apresentado a totalidade da documentação requisitada, com destaque para o Livro Caixa, nos prazos estipulados pela fiscalização, procedeu ao arbitramento do Lucro, com base nos art.45 e inc. III do art. 47, da Lei n° 8.981 de 20 de janeiro de 1995. (fls.46/47) 4 Inconformado, o interessado apresentou impugnação (fls.297/298), na qual se insurge contra os lançamentos do IRPJ, PIS, COFINS e CSLL e respectivos acréscimos legais, mediante argumentação apresentada a seguir: 4.1 Considera exíguo o prazo de 45 dias concedido pela Autoridade Autuante para apresentação da documentação requisitada, por se tratar de uma sociedade empresária relativamente pequena; (fls.297) 4.2 Aduz que procedeu à entrega de toda documentação que dispunha, incluindo livros, talões de notas fiscais, juntamente com as Declarações de Imposto de Renda, que serviram de base para o arbitramento do lucro e lavratura do Auto de Infração, mesmo assim não lhe foi dado chance de colocar em dia sua contabilidade para que pudesse fazer prova a seu favor, contrariando o que dispõe o art. 38 da Lei n° 9.784/99 (fls.297); 4.3 Acusa falha dos serviços de contabilidade que apresentou, erroneamente, sua Declaração de Rendimentos no regime do Lucro Presumido, quando sua intenção era a apuração do lucro pelo regime do Lucro Real; (fls.298); 4.4 Acreditava não ser necessária a contabilização das notas fiscais emitidas, levantadas pela Autoridade Autuante, em virtude de 94% de sua receita bruta advir de prestação • de serviços, as quais já sofrem retenção na fonte dos tributos federais, pelo contratante. (fls.298); 5 Por fim, o interessado vem pedir que seja dado provimento integral à presente impugnação, com vistas ao cancelamento do Auto de Infração com observância às seguintes considerações: "impugnação da Multa Proporcional, ficando a empresa no compromisso de atualizar os impostos que não foram retidos, e sim apurados pelo fisco utilizando a tabela Selic." (fls.298) 6 Foi acostada aos autos relação de declarações emitida pelos sistemas da Receita Federal do Brasil, às fls.302. Fl. 374DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 A decisão de primeira instância julgou improcedente a impugnação, mantendo os lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, mediante o Acórdão nº 1227.531, de 07/12/2009, da 3ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro/RJI (fls.303/313), assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005 e 2006. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇAO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direto de o impugnante fazêlo em outro momento processual. As alegações desprovidas de prova não produzem efeito em sede de processo administrativo fiscal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005 e 2006. MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS. LUCRO ARBITRADO. BASE DE CÁLCULO. JUROS DE MORA. O lançamento consolidase administrativamente no que se refere à matéria não impugnada. ARBITRAMENTO DO LUCRO. NÃO APRESENTAÇÃO DO LIVRO CAIXA. A não apresentação do Livro Caixa à autoridade tributária dá ensejo ao arbitramento do lucro presumido. MULTA PROPORCIONAL. Mantémse a multa de oficio quando não ilididos os fatos que lhe deram causa. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS/PASEP. COFINS. CSLL. Aplicase ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da causa e do efeito que os vincula. O sujeito passivo foi cientificado da mencionada decisão em 05/01/2010 e, protocolizou o recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em 03/02/2010, fls.318/319, no qual resumidamente apresenta os mesmos argumentos expendidos na impugnação acima relatados. Por fim, o recorrente requer seja dado total provimento ao recurso e cancelados os autos de infração. É o relatório. Fl. 375DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15521.000183/200817 Acórdão n.º 1802001.254 S1TE02 Fl. 3 5 Voto Conselheira ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72 e suas alterações posteriores. Dele tomo conhecimento. Conforme relatado, em 25/07/2008, o interessado foi cientificado do Termo de Início de Fiscalização (fls.61/63), com prazo para atendimento em 20(vinte) dias(fls. 45). Findo o prazo o contribuinte não apresentou a totalidade dos documentos requisitados, sendolhe concedida, em 25/08/2009, nova data para apresentação do restante da documentação, com termo improrrogável em 09/09/2008, conforme Termo de Comunicação, à fl.65. Restaram pendentes de entrega: Livro Caixa, Notas Fiscais emitidas pelo interessado (ano de 2004), extratos bancários e demais documentos, conforme relacionados no Relatório de Fiscalização (fls.45/46). Findo os prazos acima sem que houvesse atendimento por parte do interessado, a fiscalização procedeu às diligências junto aos seus clientes para obtenção das informações omitidas. De posse das Notas Fiscais representativas do faturamento a fiscalização procedeu ao levantamento da receita bruta da autuada, conforme planilha "Apuração da Receita Bruta da Empresa AnosBase 2004, 2005 e 2006", às fls. 50/52, e, conforme a planilha (fl.53) demonstrou divergência entre as receitas apuradas e as declaradas para os anos calendário de 2004, 2005 e 2006. Consta do Relatório Fiscal (fl.46) a seguinte observação: Os valores declarados entretanto, são expressivamente inferiores ao apurado pelas notas fiscais emitidas, conforme pode ser observado pela planilha anexa "Comparativo Receita Bruta Apurada X Receita Bruta Declarada Anos Base 2004, 2005 e 2006". O contribuinte, naqueles anos, declarou à Receita Federal do Brasil, somente 35% do que faturou. Foi acostado aos autos extrato de consulta de declarações emitido pelos sistemas da Receita Federal do Brasil, às fls.302, em que se verifica que a autuada apresentou as Declarações de Pessoa Jurídica (DIPJ) nos anos calendário de 2004,2005, e 2006 com base no lucro presumido. Sabese que, a opção da pessoa jurídica pelo regime de tributação com base no lucro presumido deve atender aos requisitos previstos no artigo 45 da Lei nº 8.981, de 1995, consolidado no artigo 527 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99 (Decreto nº 3000, de 1999) que assim prescreve: Fl. 376DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Art.527.A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45): Iescrituração contábil nos termos da legislação comercial; IILivro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término do anocalendário; IIIem boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Parágrafoúnico.O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do anocalendário, mantiver Livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45, parágrafo único). Assim, em razão do interessado não ter apresentado sequer o Livro Caixa nem tampouco os documentos para sua escrituração, a fiscalização procedeu ao arbitramento do Lucro, com base no artigo 45 e inciso III do artigo 47, da Lei n° 8.981 de 20 de janeiro de 1995 consolidados no artigo 530 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3000, de 1999) que assim dispõe: Art.530.O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): Io contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; IIa escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a)identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b)determinar o lucro real; IIIo contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; IVo contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; Vo comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de escriturar e apurar o lucro da sua atividade separadamente do lucro do comitente residente ou domiciliado no exterior (art. 398); Fl. 377DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15521.000183/200817 Acórdão n.º 1802001.254 S1TE02 Fl. 4 7 VIo contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. Em sede recursal o Recorrente alega que os julgadores de primeira instância não entenderam a realidade dos fatos expostos pelo contribuinte tendo em vista que foram enviados os livros, os talões de Notas Fiscais, afinal todos os documentos que a empresa dispunha e que conseguiu juntar foram entregues para o melhor andamento da fiscalização. Esses documentos foram base junto com as Declarações de Imposto de Renda da Empresa, para que os auditores fiscais apurasse o lucro e lavrasse os autos mencionados, porém no que estabelece o artigo 38 da Lei 9.784199, conforme a seguir: "O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada de decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo", gerando com isso a oportunidade da empresa colocar em dia toda sua contabilidade, e juntando a mesma para que possa fazer prova a seu favor podendo com isso deixar claro pra o fisco que as coisas muitas vezes não são o que se apresenta. O Recorrente alega haver enviados os livros, os talões de Notas Fiscais, afinal todos os documentos que a empresa dispunha e que conseguiu juntar foram entregues para o melhor andamento da fiscalização. No entanto, não comprova haver entregue os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527 do RIR/99. Ainda que houvesse o contribuinte encaminhado a documentação faltante após a lavratura dos autos de infração, em nada modificaria a autuação em que se adotou o regime de tributação com base no lucro arbitrado, conforme se depreende da súmula desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, verbis: Súmula CARF nº 59: A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal. A Recorrente alega que por ser uma empresa em que, 94% (noventa e quatro por cento) de seu faturamento são de prestação de serviços, e por ocasião da emissão das notas fiscais, normalmente é feita a retenção na fonte dos Impostos Federais (IR, CSLL, COFINS e PIS), ficando a cargo da contratante fazer o recolhimento, a fiscalizada e autuada, acreditava que as empresas inclusas no Relatório da Fiscalização, ou seja, as empresas contratantes estariam retendo os valores dos Impostos Federais citados anteriormente, e com isso não se preocupando em prestar informações sobre estas notas fiscais emitidas para o escritório responsável pela contabilidade da empresa, pois como já foi dito imperava a tranqüilidade dos impostos pagos por antecipação. Da planilha APURAÇÃO DOS TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES ANOSBASE: 2004, 2005 e 2006 (fl.54), constam as seguintes observações conforme notas abaixo: 1A base de cálculo do IRPJ corresponde ao percentual de 9,6% aplicado sobre a Receita Bruta; Fl. 378DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 2 A base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido corresponde ao percentual de 32% aplicado sobre a Receita de Prestação de Serviços e 12 % sobre a Receita de Revenda de Mercadorias, 3 A base de cálculo da COFINS corresponde ao total da Receita Bruta Apurada 4 A base de cálculo do PIS corresponde ao total da Receita Bruta Apurada Quanto aos tributos retidos por antecipação a que alude o Recorrente os mesmos constam da planilha (fl.55) na composição da apuração dos tributos e contribuições a recolher, de sorte que, se exige nos autos de infração apenas as diferenças após dedução do tributo retido. A Recorrente narra o seu equívoco e o seu desdobramento em omissão de receitas. Como se vê, não há contestação sobre os aspectos materiais e quantitativos do fato gerador da obrigação tributária, consignadas nos autos de infração. Afirma a Recorrente que, estando a empresa atravessando por dificuldade financeira não resta outra opção a não ser reivindicar impugnação do LUCRO ARBITRADO base de cálculos dos juros de mora, bem como a MULTA PROPORCIONAL, ficando a empresa no compromisso de atualizar os impostos que não foram retidos, e sim apurados pelo fisco utilizando a tabela Selic. Como se vê, o interessado não contesta expressamente os valores lançados pela Autoridade Fiscal, referentes ao principal e aos juros de mora, pelo que se considera matéria não impugnada nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972. Sobre o arbitramento, conforme acima explicitado a não apresentação do Livro Caixa conduziu a Autoridade fiscal à única alternativa de apuração do IRPJ e CSLL pelo arbitramento do lucro, conforme estabelece a legislação de regência. Sobre a multa de ofício, o artigo 44 da Lei nº 9.430/96, não deixa margem a qualquer discricionariedade da autoridade administrativa ao assim determinar: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) ... Desse modo, constatado o descumprimento da obrigação tributária e procedido o lançamento de ofício, impõese a aplicação da multa de 75% nos termos do inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, acima transcrita. LANÇAMENTOS REFLEXOS – CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS – CSLL, PIS e Cofins. Decorrendo as exigências da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Fl. 379DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15521.000183/200817 Acórdão n.º 1802001.254 S1TE02 Fl. 5 9 Ester Marques Lins de Sousa Fl. 380DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 13975.000185/2005-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/2005 a 31103/2005
PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. COMBUSTÍVEIS. PROVA. INSUMO.
Não havendo prova da sua aplicação direta no processo produtivo, de venda, de serviço ou qualquer combinação destes; ou a essencialidade deste para processo produtivo, de venda, de serviço ou qualquer combinação destes, não merece provimento o pedido formulado no recurso voluntário.
PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. JUROS. CONTRATO DE CÂMBIO.
É possível descontar créditos calculados em relação a despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos de pessoa jurídica, contudo, o Contrato de Câmbio não tem natureza jurídica de empréstimo, nem de financiamento, não sendo possível tal aproveitamento.
Numero da decisão: 3201-000.674
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1827; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 760 1 759 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13975.000185/200508 Recurso nº 000000 Voluntário Acórdão nº 3201000.674 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 04 de maio de 2011 Matéria PIS Ressarcimento Recorrente ROHDEN ARTEFATOS DE MADEIRA LTDA Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31103/2005 PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. COMBUSTÍVEIS. PROVA. INSUMO. Não havendo prova da sua aplicação direta no processo produtivo, de venda, de serviço ou qualquer combinação destes; ou a essencialidade deste para processo produtivo, de venda, de serviço ou qualquer combinação destes, não merece provimento o pedido formulado no recurso voluntário. PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. JUROS. CONTRATO DE CÂMBIO. É possível descontar créditos calculados em relação a despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos de pessoa jurídica, contudo, o Contrato de Câmbio não tem natureza jurídica de empréstimo, nem de financiamento, não sendo possível tal aproveitamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes. JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO Presidente MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA Relator Relator Fl. 0DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDE S ARMAN Processo nº 13975.000185/200508 Acórdão n.º 3201000.674 S3C2T1 Fl. 761 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Mércia Helena Trajano D'Amorim, Luis Eduardo Garrossino Barbieri e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausente justificadamente o Conselheiro Daniel Mariz Gudino. Esteve presente a Procuradora da Fazenda Nacional. Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância por entender que o mesmo resume bem os fatos dos autos até aquele momento processual: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de créditos da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS de que trata o art. 5° da Lei 10.637/2002, relativo ao primeiro trimestre de 2005. A DRF/BLUMENAU exarou o Despacho Decisório de fls. 553 a 586 deferindo parcialmente o pedido da interessada para reconhecer o direito creditório no valor de R$37.288,95, referente ao saldo remanescente da apuração nãocumulativa da contribuição para o PIS a título de mercado externo. No relatório e na fundamentação que embasaram a decisão proferida consta consignado, em resumo, que: a) A análise do direito creditório pleiteado no processo foi suscitada em sede do Mandado • de Segurança n° 2006.72.05.0047320/SC; b) A análise teve como base as informações prestada nos documentos apresentados pela interessada e acostados ao processo, bem como as informações obtidas por meio de consultas aos sistemas informatizados da RFB; c) A interessada incluiu, indevidamente, as receitas de variações cambiais entre as receitas de exportação e contabilizou notas fiscais relacionadas a despacho de exportação cancelado pela aduana. Assim, efetuaramse ajustes nos valores das receitas de exportação declaradas; d) Considerandose a proporção dás receitas de exportação em relação à receita operacional bruta, observouse uma discrepância entre os percentuais de exportação das receitas declaradas no DACON. Foram efetuados ajustes nos percentuais de exportação para efeito de cálculo dos créditos de mercado interno e mercado externo, com base nos valores das receitas totalizadas a partir dos lançamentos efetuados no LRS e os ajustes descritos; Fl. 1DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDE S ARMAN Processo nº 13975.000185/200508 Acórdão n.º 3201000.674 S3C2T1 Fl. 762 3 e) Quanto ao CFOP 1.101, no mês de março observaramse divergências entre os valores obtidos do arquivo digital e os informados na memória de cálculo em fl. 59. A mesma discrepância se repetiu em relação ao CFOP 5.201 (devolução de compra para industrialização) no mês de fevereiro. Foram efetuados ajustes em consonância com o arquivo digital; f) Foram glosados os valores pagos à'pessoa física na aquisição de insumos; g) A descrição dos produtos da nota fiscal de fl. 214 não corresponde ao valor total indicado na mesma. A ocorrência de declarações inexatas caracteriza um caso de documento inidôneo, razão pela qual foi efetuada a glosa; h) A interessada incluiu valores de mercadorias adquiridas da empresa de CNPJ 92.639.954/000167 que, em verdade, saíram do estabelecimento do fornecedor com o fim específico de exportação, uma vez que as notas foram emitidas com CFOP 6.501; i) Verificouse um equívoco na planilha de fl. 59, com a inclusão indevida do CFOP 1.949 (outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificada) na rubrica Serviços Utilizados como Insumos; j) O preenchimento de parcela relevante dos Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas (CTRC) não fora efetuado em conformidade com o exigido pela legislação do ICMS. Principais irregularidades: não indicação do número da nota fiscal transportada, emissão do CTRC posteriormente à prestação do serviço. Os valores das notas fiscais que apresentaram vícios formais relevantes foram glosados. O Anexo II detalha as notas fiscais cujos valores foram deferidos; k) Foram glosados os valores de despesas de doação incluídos incorretamente nas despesas de energia elétrica; 1) A requerente foi intimada a apresentar memória de cálculo com os valores informados na DACON como despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos, bem como cópia dos contratos de locação e comprovantes de pagamentos. Em resposta, apresentou cópia do registro no Livro Razão e de um contrato particular de locação entre empresas do mesmo grupo. Os comprovantes de pagamento não foram apresentados. A comprovação insuficiente ensejou a glosa integral dos valores declarados; m) A planilha de fls. 449 a 451, as notas fiscais de fls. 452 a 551 e os registros digitais foram os elementos básicos de análise dos valores informados no DACON a título de despesas de armazenagem de mercadorias e frete na operação de venda. Parcela relevante dos CTRC não fora preenchido em conformidade com o exigido pela legislação do ICMS. Verificou se ainda, a apuração de créditos sobre serviços não relacionados na legislação tributária, tais como serviços de Fl. 2DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDE S ARMAN Processo nº 13975.000185/200508 Acórdão n.º 3201000.674 S3C2T1 Fl. 763 4 remoção, handling, seguro, entre outros. Os valores das notas fiscais com vícios formais ou serviços não previstos na legislação foram glosados. O Anexo III detalha as notas fiscais deferidas; n) Com relação ao crédito a descontar referente ao ativo imobilizado, constatouse que a requerente fez a opção prevista no § 14 do art. 30 da Lei 10.833/2003, incluído pela Lei 10.865/2004. Entretanto, efetuou o cálculo sobre valores de diversos tipos de bens do ativo imobilizado em inobservância à legislação que limita a opção em tela à aquisição de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado, como também o inciso I do § 2° do art. 10 da IN SRF 457/2004; o) Quanto aos bens constantes das notas fiscais de fls. 389/390, apurouse que o contribuinte não descontou os valores de ICMS da base de cálculo do crédito. Os valores deferidos estão relacionados na tabela do Anexo IV. Procedeuse ao ajuste das diferenças entre os valores utilizados na memória de cálculo de fls. 334 a 337 e os valores deferidos; p) Intimada a demonstrar a memória de cálculo referente á linha 13 da ficha 6 do DACON (outras operações com direito a crédito), a requerente apresentou um relatório de fretes relativos ao ano de 2003. Independentemente à análise de mérito, os valores demonstrados são extemporâneos, o que contraria a previsão do inciso I do § 3° do art. 22 da IN SRF 600/05; q) Considerandose as glosas e os ajustes efetuados, houve a necessidade de reescrita da utilização dos créditos do trimestre, especialmente quanto à desconsideração do saldo inicial de crédito de mercado externo, à luz da IN SRF 600/05, conforme demonstrado no Anexo V. Cientificada da decisão em 14/12/2007 (fl. 589), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 28/12/2007 (fls. 611 a 621), alegando, em síntese que a) A constatação pela autoridade fazendária de que a descrição dos produtos da nota fiscal de fl. 214 não corresponde ao valor indicado na mesma devese ao fato de que referida nota tem duas páginas e somente uma delas foi submetida ou considerada pela fiscalização, sendo que, nesta oportunidade, o contribuinte faz a devida comprovação de toda a extensão da nota fiscal. A comprovação é feita somente nesta fase em função de o contribuinte não ter sido intimado para esclarecimentos; b) As notas fiscais que comprovam as aquisições do fornecedor Vidroforte Indústria e Comércio de Vidros Ltda foram emitidas com CFOP 6.501, destinado a vendas com fim específico de exportação. Contudo, foram utilizadas pela requerente como matéria prima em seu processo de industrialização; c) O CFOP foi utilizado de forma equivocada pelo fornecedor, sem qualquer responsabilidade da recorrente; Fl. 3DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDE S ARMAN Processo nº 13975.000185/200508 Acórdão n.º 3201000.674 S3C2T1 Fl. 764 5 d) Notese que a empresa Vidroforte destacou o ICMS nas operações, contudo, a venda com fim específico de exportação não tem destaque de ICMS. Assim, a recorrente pagou o ICMS, o PIS e a COFINS à empresa fornecedora, os dois últimos embutidos preço dos produtos; e) Caso o fornecedor não tenha recolhido o PIS ea COFINS, a empresa recorrente não pode ser prejudicada, vez que referido recolhimento é de responsabilidade de terceiro, cabendo ao fisco a cobrança da empresa responsável pelo pagamento; f) Na época das aquisições mesmo .havendo lei autorizando a suspensão do PIS e da COFINS, a recorrente passou a estar autorizada a efetuar a compra com suspensão do PIS e da COFINS somente após a publicação do Ato Declaratório Executivo n° 1, de 06/01/2006. A partir dessa data, a Vidroforte passou a vender para a recorrente com suspensão das contribuições, passando a conceder desconto relativo à suspensão; g) Não existem os supostos "vícios formais" a ensejar a glosa referente aos fretes das aquisições de insumos mas, quando muito, meras irregularidades. O transporte utilizado para levar a madeira bruta das florestas até o estabelecimento da recorrente é efetuado por pessoas humildes que, ao invés de emitirem uma nota fiscal (conhecimento de frete) para cada operação de transporte, emitiam uma nota fiscal conjunta com a totalidade dos serviços prestados em determinado período; h) Referida falha não prejudicou o fisco pois não houve omissão dos valores referentes aos fretes. O fato de ter havido irregularidades não impediu que a empresa transportadora recolhesse PIS e COFINS sobre esses valores; i) Caso se entenda que não tem como auferir os valores a serem ressarcidos, que se determine o retorno dos autos à DRF em Blumenau para análise do crédito; j) Os valores incluídos nos CFOP 1.949 e 2.949 não apresentam qualquer incorreção, vez que se tratam de importâncias relativas a serviços de pessoa jurídica utilizados na extração de madeira e manutenção de máquinas, cujo direito ao crédito está previsto no art. 30, II, da Lei 10.637/02; k) De fato, no mesmo CFOP existem entradas com direito ao crédito e outras sem; Contudo, a autoridade administrativa deveria ter intimado a recorrente para prestar as informações necessárias. Anexa aos autos as notas fiscais que comprovam o direito pleiteado; 1) A legislação prevê o direito ao creditamento das despesas de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda; m) Não existem os supostos "vícios formais" a ensejar a glosa referente aos fretes nas operações de venda mas, quando muito, meras irregularidades. As empresas contratadas para efetuar o Fl. 4DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDE S ARMAN Processo nº 13975.000185/200508 Acórdão n.º 3201000.674 S3C2T1 Fl. 765 6 transporte da mercadoria, ao invés de emitirem uma nota fiscal (conhecimento de frete) para cada operação de transporte, emitiam uma nota fiscal conjunta com a totalidade dos serviços prestados em determinado período; n) Referida falha não prejudicou o fisco pois não houve omissão dos valores referentes aos fretes. O fato de ter havido irregularidades não impediu que a empresa transportadora recolhesse PIS e COFINS sobre esses valores; o) A autoridade fazendária indeferiu o crédito relativo à aquisição de determinados bens destinados ao ativo permanente, assim como a aquisição de bens destinados a substituir peças do ativo desgastadas ou consumidas no processo produtivo. Os bens adquiridos (trator carregador, trator de esteira, semireboque graneleiro, pneus e caminhão) são efetivamente integrados ao ativo imobilizado, não havendo razão para a distinção. Ainda que se queira dar uma interpretação restritiva à lei de regência, não há como negar que os bens em questão são máquinas ou equipamentos; p) Não há como concordar com a exclusão do ICMS da base de cálculo do crédito se este integra a base econômica de incidência do PIS; q) Requer o recebimento e a apreciação da manifestação de inconformidade e a reforma da decisão proferida. O processo foi encaminhado a esta DRJ/RJ02 tendo em vista o disposto na Portaria RFB n° 535, de 28/03/2008. A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31103/2005 VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. A aquisição de bens utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda gera direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativo, quando não comprovado que a aquisição tenha sido efetuada com o fim específico de exportação. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. Os serviços caracterizados como insumos são aqueles diretamente aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Despesas e custos indiretos embora Fl. 5DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDE S ARMAN Processo nº 13975.000185/200508 Acórdão n.º 3201000.674 S3C2T1 Fl. 766 7 necessários à realização das atividades da empresa, não podem ser considerados insumos para fins de apuração dos créditos no regime da não cumulatividade. PIS NÃOCUMULATIVO. GLOSA DE CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. As despesas com frete na aquisição de insumos compõem a base de cálculo do crédito a ser descontado da contribuição ao PIS no regime não cumulativo quando o serviço for prestado por pessoa jurídica domiciliada no país e quando devidamente escrituradas e amparadas por documentos hábeis que lhe dêem suporte. PIS/PASEP. CRÉDITOS REFERENTES AO ATIVO IMOBILIZADO. O crédito de PIS relativo a bens incorporados ao ativo imobilizado pode, à opção do contribuinte, ser calculado no prazo de quatro anos, mediante aplicação da alíquota de 1,65% sobre a parcela correspondente a 1/48 do valor de aquisição do bem, restringindose tal opção às máquinas e aos equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços. PIS/PASEP. CRÉDITOS. BENS INCORPORADOS AO ATIVO IMOBILIZADO. CUSTO DE AQUISIÇÃO. ICMS. Integram a base de cálculo dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep os valores do ICMS suportados na compra de máquinas e equipamentos incorporados ao ativo imobilizado, desde que tais valores não sejam recuperados pelo contribuinte. DECISÃO ADMINISTRATIVA. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Consideramse definitivos os ajustes efetuados na base de cálculo dos créditos a descontar relativamente aos itens que não foram expressamente contestados. Solicitação Deferida em Parte O contribuinte, restando inconformado com a decisão de primeira instância, apresentou recurso voluntário no qual ratifica e reforça os argumentos trazidos em sua peça de impugnação. Os autos foram enviados a este Conselho e fui designado como relator do presente recurso voluntário, na forma regimental, tendo requisitado a sua inclusão em pauta para julgamento. É o Relatório. Voto Fl. 6DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDE S ARMAN Processo nº 13975.000185/200508 Acórdão n.º 3201000.674 S3C2T1 Fl. 767 8 Entendo que o recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos legais, portanto, dele tomo conhecimento. A contribuição ao PIS e a COFINS não incidem unicamente sobre produtos industrializados, nem só sobre a venda de mercadorias, também não incide sobre todos os ingressos de recursos no patrimônio da empresa, estas contribuições incidem sobre somente sobre os ingressos que devam ser qualificados como integrantes da receita bruta, ou melhor, da receita bruta oriunda da venda de mercadorias, de serviços e da combinação destes. Assim, é da lógica do sistema tributário nacional que a não cumulatividade destas contribuições esteja intimamente ligada aos custos e despesas incorridos pelo contribuinte para o desenvolvimento regular de sua empresa, ou seja, se relacione diretamente com as necessidades existentes para a geração desta mesma receita bruta. Ademais, é importante frisar que a não cumulatividade pensada para a contribuição ao PIS e a COFINS não está fundada no Princípio da Neutralidade Tributária, que estabelece que a tributação deve ser otimizada de forma a interferir o mínimo possível na economia, permitindo assim a livre concorrência, e que é fundamentalmente o Princípio Constitucional que justifica a adoção da não cumulatividade no IPI e no ICMS. Este afastamento do Princípio da Neutralidade, que está presente também no presente caso, mas de forma subsidiária, se nota com clareza quando se verifica a possibilidade de creditamento mesmo quando as operações anteriores não estavam sujeitas à não cumulatividade e, portanto, geraram um recolhimento aos cofres públicos em alíquotas inferiores às praticadas por aquele que aproveita o crédito. Esta realidade da não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS gera uma consequência imediata de perda de arrecadação setorial, criando uma distorção na livre concorrência e permitindo que certos setores tenham uma vantagem competitiva (com a redução de seus custos fiscais). Estes são os motivos pelos quais os conceitos de insumos do IPI e do ICMS são insuficientes para uma aplicação direta e imediata no caso em exame, já que a incidência destas contribuições não se limita à receitas de vendas de mercadorias ou produtos industrializados e aqueles conceito buscam atender ao princípio da neutralidade da tributação. Logo, devese aplicar a analogia para buscar a melhor forma de integrar este novo conceito abstrato e hipotético. A analogia surge, na esfera tributária, como regra de integração, prevista no artigo 108 do CTN: Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: I a analogia; II os princípios gerais de direito tributário; III os princípios gerais de direito público; IV a eqüidade Fl. 7DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDE S ARMAN Processo nº 13975.000185/200508 Acórdão n.º 3201000.674 S3C2T1 Fl. 768 9 É a regra preferencial e, portanto, aplicase ao fato jurídico, por meio da analogia, uma norma legal que regula uma situação semelhante, sempre que não exista uma norma imediata e expressamente aplicável ao fato em questão. Alguns buscam a aproximação do conceito de crédito para o PIS/COFINS com os conceitos de custo e despesa dedutível para o Imposto de Renda e a contribuição social sobre o lucro. O argumento é sedutor, pois o lucro é parcela da receita bruta, portanto, a proximidade dos conceitos parece tornar esta analogia mais consistente. Contudo, não estou convencido disto, seja porque o Imposto de Renda onera a todas as pessoas jurídicas sem considerar suas especificidades e/ou as diferenças setoriais, seja porque não há como, para interpretar novas normas jurídicas, se buscar igualar tributos que têm naturezas claramente distintas, e por fim, seja porque tanto o "custo", quanto a "despesa dedutível" são elementos essenciais para a definição e distinção de renda e lucro, mas não o são para faturamento ou receita bruta. Não estou afastando esta possibilidade de aplicação analógica dos conceitos neste caso, por entender que estes são demasiadamente elastecidos ou por qualquer justificativa econômica, mas simplesmente por entender que a analogia é descabida neste caso. Aponto ainda, para melhor esclarecer meus pares sobre minha posição pessoal sobre a matéria, que entendo que o conteúdo dos parágrafos 7º e 8º do artigo 3º das Lei nº 10.637/02 e 10.833/03 (cujos textos são idênticos), não me conduz à conclusão de que houve uma opção legislativa para ampliar a base de cálculo dos créditos àqueles "custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas". É o seguinte o texto legal: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: § 7º Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência não cumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. § 8º Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7º e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. (grifos acrescidos por este relator) Fl. 8DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDE S ARMAN Processo nº 13975.000185/200508 Acórdão n.º 3201000.674 S3C2T1 Fl. 769 10 Isto porque entendo que há presunção legal de que o parágrafo não deve ampliar o conceito descrito no caput, mas somente complementálo ou definir exceções, na forma do disposto na alínea "c" do inciso III do artigo 11 da Lei Complementar nº 95/98. Admitir que os mencionados parágrafos 7º e 8º ampliam, e verdadeiramente generalizam, a base de cálculo para os créditos, quando o artigo no qual estes comandos estão inseridos cuida exclusivamente da especificação dos dispêndios sobre os quais deverão ser calculados tais créditos, seria admitir uma contradição dentro do próprio dispositivo normativo, o que não me parece aceitável. Portanto, opto por me filiar à corrente daqueles que entendem que o conceito autorizativo do crédito do PIS e da COFINS está na "inerência do dispêndio pago". Acresço, logo, o adjetivo "pago" ao clássico conceito do Prof. Marco Aurélio Grego, pois entendo que assim como a receita tributável deve ser somente aquela efetivamente recebida pelo contribuinte, o crédito, para efeito de cálculo do tributo devido, também somente deve surgir após o devido pagamento do dispêndio. No que se refere à inerência do dispêndio, entendo que devamos seguir a orientação da Suprema Corte, que em repetidos julgados, tem decidido que: a Constituição de 1988 não assegurou direito à adoção do modelo de crédito financeiro para fazer valer a não cumulatividade do ICMS, em toda e qualquer hipótese. (...) Assim, a adoção de modelo semelhante ao do crédito financeiro depende de expressa previsão Constitucional ou legal, existente para algumas hipóteses e com limitações na legislação brasileira.” (RE 447.470AgR, Rel. Min. Joaquim Barbosa, julgamento em 1492010, Segunda Turma, DJE de 8102010.) Vide: RE 313.019AgR, Rel. Min. Ayres Britto, julgamento em 1782010, Segunda Turma, DJE de 1792010; RE 598.460 AgR, Rel. Min. Eros Grau, julgamento em 2362009, Segunda Turma, DJE de 782009; AI 445.278AgR, Rel. Min. Celso de Mello, julgamento em 1842006, Primeira Turma, DJ de 306 2006. Ou melhor, a inerência do dispêndio está limitada ao crédito físico, logo, somente dará direito a crédito o dispêndio pago que se refira a bem ou serviço que integre a venda de mercadorias, a prestação de serviços ou a combinação destes, sendo também possível, desde expressamente autorizado por lei, o crédito financeiro. Dentre aquelas hipóteses previstas nas Lei nº 10.637/02 e 10.833/03, nos seus artigos terceiro, entendo que os incisos I e II cuidam de créditos físicos, contudo, os demais incisos tratam de créditos claramente financeiros. São eles: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) Fl. 9DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDE S ARMAN Processo nº 13975.000185/200508 Acórdão n.º 3201000.674 S3C2T1 Fl. 770 11 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)(Vide Medida Provisória nº 413, de 2008) (Vide Lei nº 11.727, de 2008). b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) Fl. 10DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDE S ARMAN Processo nº 13975.000185/200508 Acórdão n.º 3201000.674 S3C2T1 Fl. 771 12 Por fim, para encerrar a contextualização dos conceitos sobre os créditos de PIS e COFINS, aponto que entendo que a inerência do dispêndio permite, que para o enquadramento de determinado bem ou serviço, no disposto nos incisos I e II do artigo 3º das leis que regem a matéria, seja considerada a essencialidade destes. Os críticos contestam esta possibilidade de aceitação da prova da essencialidade para a caracterização do insumo por entenderem que tal conceito de essencialidade é subjetivo e, portanto, sujeito a variações que afetam a segurança jurídica do sistema tributário. Aprecio este risco, entretanto, creio que a aplicação da regra do artigo 333, I do CPC ao Procedimento Administrativo Tributário, que exige que o fato constitutivo do direito deva ser provado pela parte interessada, mitiga tal risco. Acrescentese a isto que negar validade mínima a um princípio, mesmo um princípio subsidiário, como é o caso do Princípio da Neutralidade na não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS é negar o direito. Logo, a eventual insegurança gerada pela subjetividade momentânea do conceito de essencialidade não me parece justificar sua negação. Destarte, são dois os elementos de prova suficientes, no entende deste relator, para o enquadramento do bem ou serviço como insumo, (i) sua aplicação direta no processo produtivo, de venda, de serviço ou qualquer combinação destes; ou (ii) a essencialidade deste para processo produtivo, de venda, de serviço ou qualquer combinação destes. Ainda neste mérito, consigno que entendo ser válida a limitação infraconstitucional ao direito de crédito na sistemática da não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, porque não há na Carta Magna uma garantia plena à não cumulatividade ou sequer um determinado e fixo modelo conceitual hipotético de não cumulatividade, portanto o legislador infraconstitucional tem autonomia para moldar este modelo, além disso o § 12 do artigo 195 da Constituição Federal permite à lei a exclusão de setores inteiros da sistemática da não cumulatividade, o que demonstra que a Carta Magna optou por não erigir a não cumulatividade ao patamar de direito universalmente garantido. Postas estas breves considerações iniciais, passo ao exame dos fatos específicos do recurso voluntário em análise. O recurso voluntário cuida somente de dois pontos da decisão recorrida, a saber: (1) combustíveis utilizados no transporte da madeira das plantações mantidas pela recorrente para seus estabelecimentos e (2) as despesas financeiras decorrentes de Contratos de Câmbio de Compra. Não há previsão legal para o aproveitamento de crédito dos combustíveis no transporte feito da madeira para o estabelecimento da recorrente, nem houve prova nos autos da sua aplicação direta no processo produtivo, de venda, de serviço ou qualquer combinação destes; nem da essencialidade deste para processo produtivo, de venda, de serviço ou qualquer combinação destes, portanto, não há possibilidade de dar provimento ao recurso voluntário neste ponto. No que se refere à despesa financeira, verificase que se trata de juros pagos ACC/ACE, ou seja, juros relativos a Contrato de Câmbio, que um contrato firmado entre uma Fl. 11DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDE S ARMAN Processo nº 13975.000185/200508 Acórdão n.º 3201000.674 S3C2T1 Fl. 772 13 instituição financeira autorizada a operar no mercado de câmbio e a recorrente, constituindo uma operação de compra e venda de moeda estrangeira. Originalmente, a Lei n° 10.637, de 2002 (oriunda da Medida Provisória n° 66, de 29 de agosto de 2002), em seu art. 3°, inciso V, assim dispunha: Art. 3° Do valor apurado na forma do art. 2° a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: V despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples); E, em 30 de maio de 2003, a Lei n° 10.684, alterou o texto normativo acima transcrito: V — despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoas jurídicas, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES Tendo, a Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004, novamente alterado o inciso V do artigo 3° da Lei 10.637/2002, que somente passou a vigorar, a partir de 1° de agosto de 2004, verbis: V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples). Assim, também não como prover o recurso neste particular, logo, VOTO por conhecer do recurso para negarlhe provimento. MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA relator Fl. 12DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDE S ARMAN Processo nº 13975.000185/200508 Acórdão n.º 3201000.674 S3C2T1 Fl. 773 14 Fl. 13DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDE S ARMAN
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Numero do processo: 10469.901670/2010-81
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.187
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 69 .9 01 67 0/ 20 10 -8 1 Fl. 1541DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.901670/201081 Resolução nº 1802000.187 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE, que manteve a negativa de homologação em relação a declaração de compensação – DCOMP apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1136.368, às fls. 43 a 46: A interessada acima qualificada formalizou a declaração de compensação PER/Dcomp nº 34969.80386.130710.1.7.041989, fls. 04 a 07, retificadora da PER/DCOMP inicial nº 15394.96347.240608.1.3.040094, informando suposto crédito, que seria oriundo do DARF no valor de R$ 208.000,00, código de receita 2430 – IRPJ – Demais Obrigados pelo Lucro Real na Declaração de Ajuste, período de apuração de 31/12/2006, data de arrecadação 31/01/2007, sendo informado como crédito original na data da transmissão do PER/Dcomp o valor de R$ 86.235,61, para compensar débitos de IPI, código de receita 512301, dos períodos de apuração de out/2007 e nov/2007, e acréscimos, num total de R$ 8.332,32. 2. Por meio do Despacho Decisório Eletrônico de fl. 02, a Autoridade Competente resolveu NÃO HOMOLOGAR a compensação, tendo em vista a inexistência do crédito, uma vez que o DARF informado para origem do crédito fora integralmente utilizado para quitação de débitos. 3. Cientificada do Despacho Decisório em 23/09/2010, conforme fl. 03, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 09/10/2010, fl. 36, alegando que (fls. 24 a 27): 3.1. a decisão é totalmente improcedente porque a DIPJ transmitida em 13/07/2010 acusou débito de apenas R$ 121.764,39 em dezembro/2006, restando como crédito a diferença de R$ 86.235,61, informada como crédito original na data de transmissão e utilizada para quitar débitos através desta PER/Dcomp nº 34969.80386.130710.1.7.041989, tendo o citado crédito sido informado na PER/Dcomp inicial nº 15394.96347.240608.1.3.040094. Como mencionado, a DRJ Recife/PE manteve a negativa em relação à declaração de compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006 VALORES INFORMADOS EM DCTF E/OU DIPJ. Sendo o valor do tributo pago idêntico ao informado na última DCTF ativa e anterior ao Despacho Decisório, temse por pago valor idêntico Fl. 1542DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.901670/201081 Resolução nº 1802000.187 S1TE02 Fl. 4 3 ao confessado, de sorte que o valor desse mesmo tributo informado a menor em DIPJ não afasta o valor devido, confessado, muito menos quando o interessado não apresenta nem livros nem documentos contábeis e fiscais, hábeis e idôneos à comprovação fundamentada de erro na DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 04/04/2012, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 30/04/2012, com os argumentos descritos abaixo: a Recorrente apurou na DIPJ retificadora, transmitida em 13/7/2010, na Ficha 12A, um saldo de IRPJ a pagar no valor de R$ 121.764,39; como foram pagos R$ 208.000,00, restou um crédito de R$ 86.235,61, utilizados para quitar os débitos relacionados no presente processo; para comprovar a correção dos valores consignados na DIPJ, bem como a sua coincidência com os registros contábeis no Livro Diário, estamos juntando o Livro Diário n° 81, autenticado na Jucern, sob n° 07/0043124, em 19/11/2007; há perfeita coincidência entre a Demonstração do Resultado do Exercício, registrada à fl. 424, e os valores consignados na DIPJ (quadro comparativo constante do recurso); o IRPJ totalizou R$ 1.705.960,03, e foi quitado pelas seguintes parcelas: 1) R$ 46.835,82 IRFONTE (Linha 12 Ficha 12A): consignadas analiticamente na Ficha 54 da DIPJ; 2) R$ 16.499,46 IRFONTE ENT. ADM. PÚBL. FED (Linha 14 Ficha 12A): consignadas analiticamente na Ficha 54 da DIPJ; 3) R$ 1.520.860,36 Estimativas do IRPJ de Jan a Dez/2006 (Linha 16 Ficha 12A): consignadas analiticamente na Ficha 11 da DIPJ, bem como nas DCTFs; 4) R$ 121.764,39 Saldo de IRPJ a pagar: valor pago em 31/01/2007, no código 2430, através do DARF de R$ 208.000,00 (R$ 121.764,39 utilizados para quitar o débito e R$ 86.235,61 utilizados como crédito para compensar débitos deste e de outros processos). comprovase, portanto, que os dados da DCTF, apontando como saldo do IRPJ a pagar, de 31/12/2006, a quantia de R$ 208.000,00, estão equivocados, porquanto inexiste débito desse montante; a falta de retificação da DCTF em lide, de R$ 208.000,00 para R$ 121.764,39, não justifica a manutenção da cobrança do presente processo, vez que inexiste débito de R$ 208.000,00, mas, tão somente, de R$ 121.764,39; Fl. 1543DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.901670/201081 Resolução nº 1802000.187 S1TE02 Fl. 5 4 houve recolhimento a maior de R$ 86.235,61, a ser compensado com débitos, como ocorreu neste e em diversos outros processos; apesar de termos juntado toda a documentação comprobatória dos fatos, a Recorrente solicita seja deferida a realização de diligência, com vistas à averiguação, se julgada necessária e imprescindível; tratase de providência, até a presente data, não realizada, porém imprescindível à convicção do julgador; a Recorrente anexa a seguinte documentação: a) Livro Diário n° 81, com 426 folhas, arquivado na Junta Comercial do Estado do Rio Grande do Norte, sob n° 07/0043124, de 19/11/2007, contendo as operações do 4º trimestre/2006 (outubro a dezembro/2006); b) Livro Razão, com 683 folhas, contendo os registros das operações do 4º trimestre/2006 (outubro a dezembro/2006); c) Cópias das DCTFs relativas aos fatos geradores de janeiro a dezembro/2006, com 333 folhas; d) Cópia da DIPJ do anocalendário de 2006, período de 01/01/2006 a 31/12/2006, emitida com certificação digital, com 32 folhas. Este é o Relatório. Fl. 1544DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.901670/201081 Resolução nº 1802000.187 S1TE02 Fl. 6 5 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a Contribuinte questiona a não homologação de declaração de compensação – DCOMP, em que utiliza um alegado crédito decorrente de pagamento a maior de IRPJ, relativamente à quitação do ajuste anual do anocalendário de 2006. A Delegacia de origem, por meio de despacho eletrônico, não homologou a compensação. A negativa foi motivada pelo fato de o referido pagamento já ter sido utilizado para a quitação de débito declarado em DCTF. Em suas peças de defesa, a Contribuinte vem informando que o valor total do IRPJ no período é de R$ 1.705.960,03; que após a dedução das retenções e das estimativas, o saldo de IRPJ a pagar no ajuste é de R$ 121.764,39; e que ela recolheu R$ 208.000,00, o que teria gerado o crédito no valor de R$ 86.235,61. A decisão da Delegacia de Julgamento, mantendo a negativa em relação à pretendida compensação, está assim fundamentada: [...] 10. Percebese, portanto, que os valores informados em DIPJ possuem mero caráter informativo, enquanto que os valores a pagar informados em DCTF vão ser encaminhados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União, constituindo verdadeira confissão de dívida. 11. Se a contribuinte verificar a ocorrência de erro na apuração de tributo informado em DCTF, deve providenciar a entrega da correspondente DCTF retificadora antes de qualquer procedimento de ofício. 12. Em consulta ao sistema DCTF, realizada por este relator, verifica se que a última DCTF apresentada pela contribuinte em que informa o IRPJ do ajuste anual do anocalendário de 2006 (período de apuração de 31/12/2006), código de receita 2430, é aquela DCTF retificadora/ativa de março de 2007, apresentada em 13/06/2008, conforme fls. 40 a 42, em que o valor ali confessado é justamente de R$ 208.000,00 e não os R$ 121.764,39 informados na sua DIPJ transmitida em 13/07/2010. Além disso, a interessada não acostou aos autos qualquer documentação, a exemplo de livros e documentos fiscais e contábeis, que viesse evidenciar erro na DCTF retificadora/ativa em que o valor de R$ 208.000,00 está confessado. Conclusão 13. Diante da análise procedida, VOTO pela IMPROCEDÊNCIA da Manifestação de Inconformidade, para manter o Despacho Decisório que NÃO HOMOLOGOU a compensação pleiteada na PER/Dcomp objeto do presente processo. Fl. 1545DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.901670/201081 Resolução nº 1802000.187 S1TE02 Fl. 7 6 Ao não retificar a DCTF antes de enviar a DCOMP, de fato, a Contribuinte concorreu para a primeira negativa da compensação pleiteada. Contudo, essa questão procedimental não justifica uma negativa em definitivo, eis que o art. 165 do CTN não condiciona o direito à restituição de indébito, fundado em pagamento indevido ou a maior, a requisitos meramente formais. O que realmente interessa é verificar se houve ou não pagamento indevido ou a maior de um determinado tributo em um determinado período de apuração. A DCTF, embora seja uma confissão de dívida, não pode ser tomada em caráter absoluto, até porque existe sempre a possibilidade de erro no seu preenchimento. Sua retificação, da mesma forma, não teria caráter absoluto, pelo que, mesmo que apresentada a declaração retificadora antes do envio da DCOMP, ela deveria ser cotejada com outras informações e documentos, como a DIPJ, os Livros Contábeis e Fiscais, Demonstrativos, etc., porque o que interessa é saber se houve ou não recolhimento indevido ou a maior. Não se trata aqui de simplesmente aceitar ou não uma declaração retificadora com a produção de efeitos automáticos, para fins de reduzir/excluir tributo, conforme a regra prevista no art. 147, § 1º, do Código Tributário Nacional – CTN, porque o exame de um PER/DCOMP é sempre realizado de ofício, aproximandose muito mais da regra contida no § 2º deste mesmo dispositivo, segundo o qual “os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela”. No caso, a Contribuinte apresentou em tempo hábil uma declaração de compensação – DCOMP (13/07/2010), que deu origem ao presente processo, pleiteando perante a Administração Tributária a devolução (na forma de compensação) de um pagamento que entendia ter realizado em valor maior que o devido, procedimento que se não implicava em uma alteração/desconstituição automática de parte do débito declarado em DCTF, implicava ao menos na suspensão de sua constituição definitiva, em razão da relação direta existente entre o pagamento e o débito a que ele corresponde. Não há, portanto, que se falar em homologação de lançamento e constituição definitiva do débito se a Contribuinte, em tempo hábil, informou a Administração Tributária que o pagamento relativo a este débito havia sido feito indevidamente ou a maior. Além de ter enviado a DCOMP, a Contribuinte, desde a manifestação de inconformidade, vem informando que o saldo a pagar de IRPJajuste (apurado na DIPJ retificadora) era de R$ 121.764,39 (e não R$ 208.000,00, como declarado em DCTF). Não considero que a divergência entre as informações deve ser solucionada graduando a importância destas declarações, como fez a Delegacia de Julgamento. Se uma é confissão de dívida (DCTF), a outra traz informações e detalhes sobre a apuração dos tributos (DIPJ). No que toca à comprovação de um indébito, é importante lembrar que o processo administrativo fiscal não contém uma fase probatória específica, como ocorre, por exemplo, com o processo civil. Especialmente nos processos iniciados pelo Contribuinte, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica na apresentação de elementos de prova, uma vez que a Fl. 1546DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.901670/201081 Resolução nº 1802000.187 S1TE02 Fl. 8 7 Administração Tributária se manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e decisões com caráter terminativo, e não em decisões interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova ser suprida nas instâncias seguintes. Além disso, não há uma regra a respeito dos elementos de prova que devem instruir um pedido de restituição ou uma declaração de compensação. Pelas normas atuais, aplicáveis ao caso, nem mesmo há como anexar cópias de livros, de DARF, de Declarações, etc., porque os procedimentos são realizados por meio de declaração eletrônica PER/DCOMP. Na sistemática anterior, dos pedidos em papel, de acordo com o § 2º do art. 6º da IN SRF 21/1997, a instrução dos pedidos de restituição de imposto de renda de pessoa jurídica se dava apenas com a juntada da cópia da respectiva declaração de rendimentos, e a apresentação de livros e outros documentos poderia ocorrer no atendimento de intimações fiscais, se fosse o caso. Este contexto permite notar que a instrução prévia, ainda na fase de Auditoria Fiscal, evita uma seqüência de negativas por falta de apresentação de documentos em relação aos quais a Contribuinte, em alguns casos, nem mesmo foi intimada a apresentar, o que poderia implicar em cerceamento de defesa. No caso concreto, ancorada também no fato de a Contribuinte não ter retificado a DCTF antes do despacho decisório, a Delegacia de Julgamento mencionou que ela não acostou aos autos qualquer documentação, a exemplo de livros e documentos fiscais e contábeis, que viesse evidenciar erro na DCTF retificadora/ativa em que o valor de R$ 208.000,00 está confessado. Ocorre que a Contribuinte não foi em nenhum momento intimada a apresentar quaisquer esclarecimentos, ou documentos relativos ao seu PER/DCOMP. Vale registrar que a prova tem sempre um aspecto de verossimilhança, que é medida em cada caso pelo aplicador do direito. Além disso, em razão da dinâmica do PAF quanto à apresentação de elementos de prova, como já mencionado acima, é a Autoridade Fiscal que, em cada caso, por meio de intimações fiscais, acaba fixando os critérios para a composição do ônus que incumbe à Contribuinte. Na linha, então, do que apontou a Delegacia de Julgamento, a Contribuinte juntou ao seu recurso voluntário cópias do Livro Diário (contendo a Demonstração do Resultado do Exercício), do Livro Razão, da DIPJ e das DCTF do período, fazendo também uma série de considerações sobre as rubricas que interferem na apuração do IRPJ. Por tudo que foi exposto, a decisão do presente processo demanda uma instrução complementar. Para verificar se houve ou não o alegado pagamento a maior, é preciso averiguar qual é efetivamente o valor do saldo a pagar a título de IRPJ no ajuste anual de 2006. Para tanto, é necessário que a Delegacia de origem, analisando a documentação contábil e fiscal da empresa, as informações constantes dos sistemas eletrônicos da própria Receita Federal (SINAL, DIRF, etc.), as DIPJ (original e retificadora), as DCTF, e ainda outros elementos que entender relevantes: Fl. 1547DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.901670/201081 Resolução nº 1802000.187 S1TE02 Fl. 9 8 1) verifique e informe: o valor total do IRPJ devido no ano de 2006; o valor das retenções na fonte para este período; o valor das estimativas recolhidas para este período; o saldo de IRPJ a pagar no ajuste anual; 2) apresente relatório circunstanciado esclarecendo se houve pagamento a maior em relação ao saldo a pagar no ajuste anual, e qual o seu valor; 3) cientifique a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar. Deste modo, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a DRF Natal/RN atenda ao acima solicitado. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 1548DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10680.723172/2008-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2006
ITR. ÁREAS ALAGADAS. Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas. (Súmula CARF n.° 45). Recurso provido.
Numero da decisão: 2202-001.897
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral, o seu representante legal, Dra. Maria Leonor Leite Veira, inscrito na OAB/DF sob o nº 30.208.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2006 ITR. ÁREAS ALAGADAS. Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas. (Súmula CARF n.° 45). Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral, o seu representante legal, Dra. Maria Leonor Leite Veira, inscrito na OAB/DF sob o nº 30.208. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez, Julianna Bandeira Toscano, Rafael Pandolfo e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Pedro Anan Junior, Odmir Fernandes e Helenilson Cunha Pontes. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Relatório Em desfavor do contribuinte, COMPANHIA ENERGÉTICA DE MINAS GERAIS – CEMIG, foi lavrado o auto de infração/anexos onde a contribuinte em referência foi intimada a recolher o crédito tributário de R$21.304,86, referente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), exercício de 2007, acrescido de multa lançada (75%) e juros de mora, tendo como objeto o imóvel denominado “Usina Peti”, cadastrado na RFB sob o nº 6.641.2552, com área declarada de 1.120,3 ha, localizado no Município de São Gonçalo do Rio Abaixo/MG. No procedimento de análise e verificação das informações declaradas na DITR/2007 e da documentação apresentada em resposta à intimação, a fiscalização resolveu resolveu alterar o VTN declarado de R$547.598,22 (R$488,80/ha), que considerou subavaliado, arbitrando o valor de R$672.180,00 (R$600,00/ha), com base Laudo de Avaliação apresentado pela contribuinte, em resposta à intimação, com consequente aumento do VTN tributável, e disto resultando o imposto suplementar de R$10.714,04, conforme demonstrado às fls. 03. Cientificada do lançamento, em 17.10.2008, às fls. 73, ingressou a contribuinte, em 04.11.2008, às fls. 72, com sua impugnação de fls. 25/54, instruída com os documentos de fls. 55/71, alegando e solicitando o seguinte, em síntese: de início, discorre brevemente sobre o objeto social da empresa e sobre o procedimento fiscal, do qual discorda e que deveria ser revisto de oficio; as empresas constituídas sob a forma de sociedade de economia mista, como a impugnante, podem ser divididas em duas espécies: as que exploram atividade econômica e as que prestam serviço público; nesse último caso, as suas atividades recebem forte influência das regras de direito público; a produção, a transmissão e a distribuição de energia elétrica são serviços essencialmente públicos, sejam eles prestados diretamente pelo Poder Público, por órgãos da administração indireta ou por particulares, nos moldes do que dispõe a Constituição Federal, em seu art. 21, inciso XII, alínea "b" (transcrito); o texto constitucional qualifica tais serviços como públicos, privativos da União; portanto, a sua exploração por entes privados, ou até por outros entes públicos, somente é possível por "autorização, concessão ou permissão "; de tão restrita a competência para o exercício dessa atividade, cita o disposto no § 1° do art. 20 da Constituição; as empresas prestadoras de serviço tão qualificado não podem receber o mesmo tratamento jurídico dispensado às sociedades anônimas em geral, pois sobre aquelas incide particular controle estatal, justificado pelo interesse do Estado em sua atividade, que provoca a imposição de deveres legais específicos; apesar de sujeitas ao pagamento de tributos, nos termos do ,§ Y do art. 150 da Constituição, essas empresas podem gozar de beneficios fiscais outorgados pelo poder Público; Fl. 148DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10680.723172/200862 Acórdão n.º 220201.897 S2C2T2 Fl. 2 3 ainda que a isenção que vigorava para o setor não tenha sido convalidada pela Constituição vigente, ficando expressamente rejeitada por. força do § 1° do art. 41 do ADCT, cabe questionar se as empresas geradoras de energia elétrica estão sujeitas à incidência do 1TR; analisa, nesse sentido, aspectos jurídicos e doutrinários da hipótese de incidência tributária, a partir do exame da regra matriz dos tributos, previsto no inciso VI do art. 153 da Constituição Federal de 1988, e a aplicação de seu esquema lÔgico ao iTR,; transcreve magistério de Geraldo Ataliba, que afirma situarse o ITR na subclasse dos "reais"; os imóveis da empresa impugnante estão, íem grande parte, cobertos de água, prestandose apenas para reservar água, potencializando a força hidráulica para a geração de energia. As margens dos reservatórios também não se prestam a qualgúèr outro oüjetiVo, funcionando apenas como faixas de segurança para as variáÇões sazonais dõ 'Mvel d' áoá,, 1 para fins de aplicação do disposto rio art. 20 da Constituição Federal, (transcrito), os reservatórios de água encaixamse em qualquer um dos conceitos nele previstos. Seriam "lagos", na sua definição mais simples, se entendidos como uma grande extensão de água cercada de terra, inserindose nessa classe os lagos de barragem, formados em áreas represadas por aluviões pluviais, restingas, detritos de origem vulcânica e morainas; esses reservatórios poderão, também, integrar o conceito de "rio", se considerados como resultantes do represamento de curso de água pluvial; enfatiza que esse mesmo art. 20, em seu inciso VIII, inclui também no patrimônio da União "os potenciais de energia hidráulica", de tal modo que, escapando os reservatórios dos subdomínios dos "rios" ou dos "lagos", ficaria muito difícil deixar de reconhecêlos no âmbito dos "potenciais de energia"; esse entendimento está em consonância com a Lei n° 9.433/1997, editada para instituir a Política Nacional de Recursos Hídricos, com fundamento de validade no inciso XIX do art. 21 da Constituição Federal, ficando estabelecido no art. 1° , inciso I, que: "a água é um bem de domínio público. "; esse texto legal também convive harmonicamente com o Código Florestal (transcrito em parte), com destaque para o disposto no § 6° do seu art. 1° e para o art. 2% a conclusão , é singela: argumentar que os reservatórios são lagos situados em "propriedade" privada e por ela cercados, é desconsiderar comandos legais de relevante interesse para a própria preservação do bem público e de sua fonte produtora; ademais, esses reservatórios são lagos alimentados por correntes públicas (rios), o que reforça sua qualidade de bem público (§ Y do art. 2° do Código de Águas); portanto, as áreas destinadas aos reservatórios de água não podem sofrer a incidência do ITR, por serem unidades Fl. 149DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 integrantes do patrimônio público da União ; assim como as áreas destinadas às suas margens também estarão livres do impacto do tributo, na condição de áreas de preservação permanente, que devem ser excluídas da base de cálculo do imposto, nos termos do art. 10, § 1% inciso II, alínea "a'.', dá Lei n° 9.393/1996, além do Código Florestal, reafirma que a prestação do serviço público de fornecimento ~ de energia é incumbência privativa da União, ao mesmo tempo em que os rios, lagos (naturais e artificiais) os terrenos marginais e as praias fluviais e os potenciais ; de energia integram, também, o patrimônio dessa pessoa política. de direito interno; as águas sãò.de domínio público, possuindo as prerrogativas de inalienabilidade, impenhorabilidade e imprescritibilidade; a porção de terra coberta pelo lago artificial das usinas hidroelétricas e a área situada a seu redor, mesmo que de propriedade da empresa, mantendose a distinção com referência à propriedade do bem público, ainda assim encontra se com absoluta restrição de uso por seus "proprietários". A área está afetada ao uso especial da União, o que impede a seus titulares o exercício de quaisquer direitos inerentes ao seu domínio; a União detém o verdadeiro domínio útil das áreas, necessárias _ à , geração, distribuição e transmissão de energia elétrica, nos termos da Leme da C onstituição ;portanto, fica afastada, também por esse .prisma, a possibilidade jurídica de onerar ~essas áreas pelo ITR, pois e sujeito passivo da "obrigação quem tiver o domínio útil sobre o imóvel; por outro lado, conclui se pela não incidência do imposto, no caso presente, porque: (i) as áreas estão, em sua maioria, cobertas de água e (li) afetadas ao uso especial tendo em vista a prestação de serviços públicos, pelo que se caracterizam como comprovadamente imprestáveis a qualquer tipo de exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal. Isso já basta para não serem consideradas áreas tributáveis para fins do ITR, nos termos da alínea "c", do inciso II, §1°, do art. 10 da Lei n° 9.393/1996; a legislação ordinária está sintonizada com os ditames constitucionais, afastando qualquer possibilidade de cobrança de imposto sobre as áreas destinadas aos reservatórios de água das empresas representadas pela impugnante, em sentido inverso ao que pretende a autoridade fiscal; a apuração da base de cálculo do imposto valor fundiário, nos termos do art.30 do CTN e Valor da Terra Nua tributável — VTNt, nos termos da legislação específica — oferece algumas dificuldades, como exclusão de valores (art. 10, § P, I e IV), subtração de áreas (art. 10, § P, II) e multiplicação (art. 10, § 1 0, III); no entanto, a regramatriz, como metodologia, é instrumento redutor de complexidades; . no caso presente nenhuma dessas operações se torna possível ao aplicados da lei, porque não há valor de mercado para a apuração do VTN, por onde começam os cálculos, pois se trata de um bem do domínio público, afetado ao patrimônio da pessoa política União, fora do comércio, impedindo qualquer pretensão Fl. 150DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10680.723172/200862 Acórdão n.º 220201.897 S2C2T2 Fl. 3 5 impositiva sobre as áreas desapropriadas para a construção das obras necessárias ao represamento dos rios e lagos, para a manutenção dos reservatórios destinados à produção de energia elétrica; para corroborar a improcedência do auto de infração, reporta se à Constituição Federal, ao CTN e à Lei. ri' 9.193/1996, dessa transcrevendo, parcialmente, os dispositivos que tratam da apuração e do valor do ITR, artigos 10 e 11, respectivamente; destaca que a autoridade fiscal, abandonando esses comandos legais, não poderia adotar área "produtiva de energia elétrica" como não produtiva e apontar GU "0" quando a utilização é integral, presumiu que o valor fundiário está subavaliado, arbitrando um VTN de R$ 12,956.572,50 (sic) e aplicando a alíquota máxima de20 % equiparando o imóvel aos latifúndios improdutivos; não é crível que a "terra". submersa por , represa para a geração de energia elétrica possa ter o mesmo valor da terra destinado ao cultivo da primeira, visto, que aquela está, no mínimo, fora do âmbito de incidência do imposto; considerar como improdutiva á produção, geração e transmissão de energia elétrica, na imensa área abrangida pela CEMIG, é uma falácia incompatível com o sistema jurídico e a lógica que deve preceder os julgamentos válidos e produtores de resultados; é flagrante a ofensa aos princípios da legalidade e da igualdade que norteiam rigidamente a atividade impositiva do Estado, nó que concerne à cobrança do imposto; para a Usina Hidrelétrica mencionada, tomouse o valor da terra apontado no SIPT, considerandoo para as terras submersas e aplicandose nele o GU, sem qualquer exclusão, mesmo as constitucionalmente asseguradas; a legislação que cuida do ITR sempre lèva em conta o grau de utilização (OU) na exploração rural, seja agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, nos termos da Lei 9.393/1996, em consonância com o Estatuto da Terra, o que permite concluir ser relevante para fins do ITR não a produtividade em geral, mas na exploração daquele setor, enquanto as atividades desenvolvidas pelas usinas hidrelétricas estão fora de tal campo de abrangência; em momento algum a lei do ITR se refere à exploração energética, talvez impulsionada pelo DecretoLei n° 2.281/1940, que concedia isenção a tal atividade e perdeu sua eficácia em outubro de 1990 com o advento do novo texto constitucional, deixando. Ao aplicados da lei e aos operadores do direito a interpretação sistemática, que não permite incluir na hipótese de incidência do ITR aquela que não estiver ali explícita, por força do princípio da tipicidade da tributação, além dos outros já mencionados; por tudo isso, indaga: há meios jurídicos hábeis para manter se a exigência apontada no auto de infração? como aceitar a incidência do ITR sobre as áreas de reservatórios das usinas hidrelétricas, suas margens e construções, se não há compatibilidade com a hipótese de incidência normativa? Como Fl. 151DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 admitir que empresa produtora, transmissora e distribuidora de energia elétrica — industrial, portanto — possa ser alcançada pelo ITR como se de área "rural" se tratasse? Como manter auto de infração que indica base de cálculo em total descompasso com a legislação vigente? Como atribuir "valor de mercado" se à porção de terra encontrase alagada, imprestável para uso comum, ou em condições de utilização reduzidas, enquanto "valor de mercado" pode ser entendido como o preço médio que o imóvel alcançaria em condições normais de mercado, para a compra e venda à vista? ainda, como fugir da proibição constitucional de se cobrar tributos com efeito de confisco (inciso IV do art.150 da CF)? Enfim, como manter auto de infração em que o imposto foi apurado em total desconformidade com os comandos dados como infringidos pela fiscalização (arts. 10 e 14 da Lei n° 9.393/1996 e Parecer COSIT n° 15/2000)? ainda, como manter a pretensão fazendária sem qualquer diligência? Registrese que o valor do imóvel indicado pela requerente e o valor escriturado como "patrimônio líquido"; transcreve ensinamentos de Celso Antonio Bandeira de Mello sobre "justa indenização"; portanto, não pode prevalecer a exigência de pagamento do ITR ; cónr amparo no Parecer COSIT n° 15/2000, visto que esse dispositivo não ; alarga a hipótese de incidência estatuída em lei; transcreve ementa da CWt e cita entendimento do Conselho de Contribuintes, para referendar suas teses; no caso presente, a Lei n° 9.393/1996 não ampara a pretensão fazendária, pois não há fato jurídico que enseje a obrigação tributária, além de a base de cálculo adotada descaracterizar a hipótese de incidência prevista na legislação pertinente; transcreve entendimento de Sacha Calmon Navarro Coelho e Misabel Abreu Machado Derzi, para apoiar seus argumentos; o art. 20 da Constituição Federal estabelece como propriedade da União "os lagos, rios e quaisquer correntes de água em terreno de seu domínio"; assim, os reservatórios de água podem integrar o conceito de "rio", se considerados como resultantes do represamento de curso de água pluvial; o inciso VIII desse artigo inclui também no patrimônio da União "os potenciais de energia hidráulica% de tal modo que, escapando os reservatórios dos subdomínios dos "rios" ou dos "lagos", é impossível deixar de reconhecêlos no âmbito dos "potenciais de energia"; apresenta as seguintes conclusões: a) a autoridade fiscal presumiu a ocorrência do fato jurídico tributário, sem mensurar a verdadeira base de cálculo nem efetuar os cálculos ditados pela Lei 9.393/1996 (com exclusão de valores, subtração de áreas e as multiplicações necessárias ao cálculo do imposto), apurando, por "média aritmética" e por amostragem, o valor da terra nua do imóvel onde está construída a Usina Hidrelétrica de São Simão, no Estado de Minas Gerais; b) foi aplicada a multa de 75,0 % sobre base de cálculo incompatível inexistente, como já demonstrado; Fl. 152DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10680.723172/200862 Acórdão n.º 220201.897 S2C2T2 Fl. 4 7 c) a fiscalização desconsiderou as áreas de exclusão indiscutível: margens, áreas de preservação permanente pela só determinação legal; d) as áreas de reservatórios das usinas hidrelétricas e suas margens são bens de domínio público dá União, não podendo ser abrangidas pelo critério material da hipótese de incidência de qualquer tributo, quanto mais do ITR, de sua competência privativa e exclusiva; e) a base de cálculo simplesmente inexiste, a partir do exame da regramatriz e das funções mensuradora, objetiva e comparativa; ademais, a legislação não previu a exclusão de qualquer valor de instalações, benfeitorias e construções do valor total do imóvel, por parte das hidrelétricas. Por fim, requer a impugnante seja decretada a improcedência do auto de infração e arquivado o feito fiscal ou, então, seja determinada diligência nos termos legais, o para apuração dos quesitos relacionados. A DRJ Brasília ao apreciar as razões do contribuinte, julgou o lançamento procedente, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2006 DA INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. TERRA ALAGADA AUSÊNCIA DE LEI PARA EXCLUSÃO DA TRIBUTAÇÃO Para efeitos do ITR, afora as áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público, com previsão legal de 23 de junho de 2008, não há base legal para excluir da tributação terra submersa, seja pelo transborde do leito de rio, seja lago, ou outros tipos de reservatório de água. Reservatórios de água de barragem não se confundem com potenciais de energia hidráulica, bens da União previstos na Constituição da República. ISENÇÃO HERMENÊUTICA A legislação tributária para concessão de benefício fiscal deve ser interpretada literalmente, assim, se não atendidos os requisitos legais para a isenção, a mesma não deve ser concedida. DA ÁREA DE RESERVA PARTICULAR DO PATRIMÔNIO NATURAL (RPPN A área de reserva particular do patrimônio natural (RPPN), para fins de exclusão do ITR, cabe ser reconhecida como de interesse ambiental pelo IBAMA, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente Ato Declaratório Ambiental (ADA), além da averbação tempestiva dessa área à margem da matrícula do imóvel. DO VALOR DA TERRA NUA (VTN) SUBAVALIAÇÃO Fl. 153DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 Deve ser mantido o VTN arbitrado pela fiscalização, com base no SIPT, por falta de documentação hábil (Laudo Técnico de Avaliação, elaborado por profissional habilitado, com ART devidamente anotada no CREA, em consonância com as normas da ABNT NBR 14.6533), demonstrando, de maneira inequívoca, o valor fundiário do imóvel, a preço de mercado, à época do fato gerador do imposto, observadas as suas características particulares. DA PROVA PERICIAL A perícia técnica destina se a subsidiar a formação da convicção do julgador, limitando se ao aprofundamento de questões sobre provas e elementos incluídos nos autos, não podendo ser utilizada para suprir o descumprimento de uma obrigação prevista na legislação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada da decisão, insatisfeito, o contribuinte interpõe recurso voluntário ao Conselho onde reitera as mesmas razões da impugnação. Enfatizando a Súmula do CARF no. 45. É o relatório. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10680.723172/200862 Acórdão n.º 220201.897 S2C2T2 Fl. 5 9 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Muito embora o lançamento trate de arbitramento do Valor da Terra Nua (VTN), verificase que a lide instalada desde o início do procedimento fiscal gira em torno da possibilidade de se exigir, ou não, ITR sobre terras alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas. No recurso, assim como na impugnação, a contribuinte afirma que o imóvel em questão está em grande parte coberta de água, não se prestando a nenhum outro fim, que o de reservar água, potencializando a força hidráulica para a geração de energia e que as margens dos reservatórios também não se prestam a qualquer outro objetivo, funcionando apenas como faixas de segurança para a variações normais do nível d'água. E, em assim sendo,defende a tese de que áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas não se sujeitam à incidência do ITR. Por sua vez a autoridade recorrida defende o entendimento de que Áreas rurais desapropriadas em favor de empresa concessionária de serviços públicos de eletricidade, destinadas a reservatórios de usina hidrelétrica, integram o patrimônio dessa empresa, submetendose às regras tributárias aplicadas aos demais imóveis rurais. Ocorre que tal matéria já se encontra pacificada neste Conselho, conforme Súmula CARF n° 45, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009, que a seguir se transcreve: Súmula CARF nº 45: O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas. No presente caso, com os elementos presentes nos autos, e na inexistência de prova em contrário, concluise que o imóvel é utilizado como reservatório de usina hidrelétrica, estando suas áreas, portanto, submersas, de sorte que a exigência consubstanciada no lançamento não pode prosperar. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 155DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 19647.003842/2003-05
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Exercício: 2002, 2003 EXCLUSÃO DE OFÍCIO. LANÇAMENTO. DEDUÇÃO DE RECOLHIMENTOS EFETUADOS NA SISTEMÁTICA DO SIMPLES. Na hipótese de exclusão de ofício do Simples, deve-se deduzir, do valor de cada tributo ou contribuição lançado, a parcela de recolhimento correspondente, efetuada naquela sistemática de tributação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2002, 2003 TAXA SELIC. INCIDÊNCIA PARA ATUALIZAÇÃO DE DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. LEGITIMIDADE. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DA LEGALIDADE E DA ANTERIORIDADE. NECESSIDADE DE ADOÇÃO DE CRITÉRIO ISONÔMICO. No julgamento da ADI 2.214, Rel. Min. Maurício Corrêa, Tribunal Pleno, DJ 19.4.2002, ao apreciar o tema, esta Corte assentou que a medida traduz rigorosa igualdade de tratamento entre contribuinte e fisco e que não se trata de imposição tributária (STF - Repercussão Geral).
Numero da decisão: 1803-001.301
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para que seja deduzida, da exigência da Cofins, a parcela de recolhimento correspondente, efetuada na sistemática de tributação do Simples, nos mesmos períodos de apuração. Ausente o Conselheiro Victor Humberto da Silva Maizman.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2002, 2003 EXCLUSÃO DE OFÍCIO. LANÇAMENTO. DEDUÇÃO DE RECOLHIMENTOS EFETUADOS NA SISTEMÁTICA DO SIMPLES. Na hipótese de exclusão de ofício do Simples, devese deduzir, do valor de cada tributo ou contribuição lançado, a parcela de recolhimento correspondente, efetuada naquela sistemática de tributação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2002, 2003 TAXA SELIC. INCIDÊNCIA PARA ATUALIZAÇÃO DE DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. LEGITIMIDADE. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DA LEGALIDADE E DA ANTERIORIDADE. NECESSIDADE DE ADOÇÃO DE CRITÉRIO ISONÔMICO. No julgamento da ADI 2.214, Rel. Min. Maurício Corrêa, Tribunal Pleno, DJ 19.4.2002, ao apreciar o tema, esta Corte assentou que a medida traduz rigorosa igualdade de tratamento entre contribuinte e fisco e que não se trata de imposição tributária (STF Repercussão Geral). Fl. 440DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19647.003842/200305 Acórdão n.º 180301.301 S1TE03 Fl. 374 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para que seja deduzida, da exigência da Cofins, a parcela de recolhimento correspondente, efetuada na sistemática de tributação do Simples, nos mesmos períodos de apuração. Ausente o Conselheiro Victor Humberto da Silva Maizman. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Sérgio Rodrigues Mendes e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 441DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19647.003842/200305 Acórdão n.º 180301.301 S1TE03 Fl. 375 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 310 a 314): Contra a contribuinte acima qualificada foi lavrado o Auto de Infração, às fls. 220 a 223, para exigência do crédito tributário, referente aos anoscalendário de 2001 e 2002, adiante especificado: CRÉDITO TRIBUTÁRIO EM REAL NATUREZA VALOR EM REAL COFINS 162.586,90 Juros de Mora (até 31/10/2003) 53.825,70 Multa Proporcional 121.940,06 TOTAL 338.352,66 O referido auto de infração é decorrente do procedimento de fiscalização efetuado junto à contribuinte, no qual a fiscalização constatou infrações à legislação do SIMPLES, do IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal dos respectivos autos de infração e Termo de Encerramento, o autuante descreve detalhadamente todas as informações concernentes ao procedimento fiscal e relata as apurações efetuadas nesta auditoria, que passamos a resumir abaixo: 1) A empresa optou, com efeitos a partir de 01/01/2000, pela tributação através do sistema integrado – SIMPLES, como Empresa de Pequeno Porte. 2) Com base no Livro de Apuração do ICMS, às fls. 57 a 69, a fiscalização apurou as receitas brutas mensais do anocalendário de 2000. Ficou constatado que a empresa ultrapassou, no citado anocalendário, o limite de receita bruta para permanência no SIMPLES, pois obteve receita bruta total de R$ 1.597.399,68, quando o limite do sistema integrado é R$ 1.200.000,00, consoante demonstrativo de fls. 06. A fiscalização também confirmou os valores contidos no Livro de Apuração do ICMS com os dados informados pela empresa à Secretaria da Fazenda do Estado de Pernambuco, conforme relatório anexo às fls. 124/156. 3) Verificouse que a contribuinte informou na Declaração Anual Simplificada do anocalendário de 2000, às fls. 250/253, valores de receita bruta inferiores aos constantes do Livro de Apuração do ICMS, às fls. 57/69, consolidadas no demonstrativo de composição de base de cálculo às fls. 06 e 208. Consoante “Relatório de Fiscalização”, fls. 05/12, a contribuinte foi intimada, através do Termo de Solicitação de Esclarecimentos nº RPF/MPF0410100/00568/2003, a justificar tais diferenças, declarou que estava de acordo, não tendo nada a reclamar. Assim, a fiscalização procedeu à autuação, apontando as seguintes irregularidades, formalizadas no PROCESSO Nº 19647.003839/200383: Fl. 442DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19647.003842/200305 Acórdão n.º 180301.301 S1TE03 Fl. 376 4 3.1) INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO, dos meses de maio a dezembro de 2000, dos impostos e contribuições do SIMPLES (IRPJ, CSLL, PIS, COFINS E INSS), decorrente da diferença apurada relativa à utilização de percentual inferior ao efetivamente aplicável sobre a receita bruta declarada na DIRPJ/2001. 3.2) DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO, dos meses de março e maio a dezembro de 2000, dos impostos e contribuições do SIMPLES (IRPJ, CSLL, PIS, COFINS E INSS), decorrente da diferença entre as bases de cálculo informadas na DIRPJ/2001 e as bases de cálculo apuradas através do Livro de Apuração de ICMS, aplicandose a alíquota apropriada a cada período de apuração. 4) Como a pessoa jurídica não efetuou a exclusão do SIMPLES, foi expedido pelo Sr. Delegado da Receita Federal em Recife o Ato Declaratório Executivo nº 94 de 17/10/2003 (DOU edição nº 202/2003), efetuando a exclusão da empresa do sistema integrado, com efeitos a partir de 01/01/2001, fls. 212/214, constante do processo nº 19647.002712/200347 (fls. 17 a 21). 5) De acordo com o art. 16 da Lei nº 9.317/1996, a pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. No presente caso, como a contribuinte não efetuou os pagamentos, nos anoscalendário de 2001 e 2002, pelo lucro estimado ou pelo lucro presumido, não optando por estas formas de tributação, ficou sujeita à tributação pelo lucro real trimestral. A contribuinte foi intimada a apresentar sua escrita contábil e fiscal que possibilitaria a apuração do lucro real nos anoscalendário de 2001 a 2002, através do Termo de Início de Fiscalização, fls. 13/15, apresentando o livro fiscal de Apuração de ICMS nºs 01 (relativo à filial 000275); 06 e 07 (relativo à matriz). Após reintimação, apresentou o livro caixa referente ao anocalendário de 1999, e deixou de apresentar os livros Diário, Razão e LALUR referentes aos anoscalendário de 2001 e 2002. A fiscalização procedeu, para os anoscalendário de 2001 a 2002 à tributação do IRPJ e CSLL utilizando as regras do Lucro Arbitrado. Autos de infração constantes dos PROCESSOS Nº 19647.003838/200339 (IRPJ) e Nº 19647.003840/200316 (CSLL) 6) Também decorrente da exclusão da empresa a partir de 01/01/2001, a contribuinte ficou sujeita aos recolhimentos da COFINS e da Contribuição para o PIS como as demais pessoas jurídicas. A fiscalização constatou a falta de recolhimento destas contribuições e constituiu os autos de infração da COFINS – PROCESSO Nº 19647.003842/200305 e da CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS – PROCESSO Nº 19647.003841/200352. 7) Na apuração do IRPJ/CSLL/COFINS/PIS, dos anoscalendário de 2001 a 2002, não foram considerados os recolhimentos efetuados pela sistemática do SIMPLES, por ausência de previsão legal, restando à contribuinte a opção de formalizar o pedido de restituição/compensação à DRF jurisdicionante. 8) O fiscal autuante efetuou Representação Fiscal para Fins Penais no PROCESSO Nº 19647.003837/200394. I Do lançamento. No presente processo, consta o lançamento da infração relatada no item 6 FALTA DE RECOLHIMENTO DA COFINS. DIFERENÇAS APURADAS Fl. 443DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19647.003842/200305 Acórdão n.º 180301.301 S1TE03 Fl. 377 5 ENTRE O VALOR ESCRITURADO E DECLARADO/PAGO. Relativa aos anos calendário de 2001 e 2002, consoante demonstrativo a seguir: [...]. As diferenças detectadas são devidas a arredondamentos, em nada influenciando no montante da contribuição lançada. II – Da Impugnação. Devidamente notificada, e não se conformando com o procedimento fiscal, a contribuinte apresentou, tempestivamente, as suas razões de defesa, às fls. 265/272, na qual questiona integralmente o auto de infração, alegando em síntese o seguinte: II.1 Da Preliminar de nulidade. A impugnante se insurge contra os efeitos da exclusão, alegando que só deveriam surtir efeito a partir do mês seguinte à publicação do ato declaratório, de acordo com o disposto no art. 3º da Lei nº 9.732/98, que alterou o art. 15 da Lei nº 9.317/96. Alega ainda a impugnante que, apesar de o dispositivo acima citado ter sido alterado pela MP nº 2.15835, de 28/08/2001, não se aplicaria ao presente caso, pelo fato de que o motivo gerador da exclusão do simples, sendo em 2000, estaria em vigor o art. 3º da Lei n.º 9.732/98. Assevera a impugnante que a aplicação retroativa da lei tributária só poderá ocorrer quando beneficiar o contribuinte, nos mesmos princípios prevalentes do Direito Penal. Diante das razões apontadas, a impugnante requer a nulidade da denúncia fiscal, por ter sido fundamentada pela MP nº 2.15835 de 24/05/2001, por não estar em vigor à época do fato gerador. A impugnante também alega que o Ato Declaratório nº 94 padece de nulidade, face à contribuinte ter tomado ciência a partir do Diário Oficial, ensejando cerceamento do direito de defesa. O Decreto nº 70.235/72 prevê a forma de comunicação dos atos processuais por intimação (artigo 23, §§ 1º e 2º), portanto, a correta intimação possibilita o pleno direito de defesa, e a intimação inválida enseja o cerceamento do direito de defesa e, consequentemente, a nulidade dos atos processuais. Alega a impugnante que a autoridade teria de garantir o amplo direito de defesa e o contraditório, antes de excluir o contribuinte do SIMPLES, sob pena de nulidade do ato de exclusão. Sobre o assunto, aponta a jurisprudência do STF e STJ às fls. 267 e 268, argumentando ser indevida a exclusão, por não ter sido comunicada pessoalmente, atropelando “o princípio da motivação do ato administrativo, conforme o art. 93, X, da CF, da legalidade e dos objetivos traçados pela lei que rege o Processo Administrativo Tributário, que assegura ao interessado o direito de ter ciência da tramitação dos atos do processo de forma pessoal, artigos 3º, 26, §§ 3º e 4º, da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, e a garantia de que, no prazo de 15 (quinze) dias, se manifeste a respeito do ato da possível exclusão”(sic). Em face de a imposição de devedora à contribuinte acarretar sérios prejuízos à sua pessoa, requer o direito à manutenção no SIMPLES. Fl. 444DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19647.003842/200305 Acórdão n.º 180301.301 S1TE03 Fl. 378 6 Discorre acerca do princípio da ampla defesa citando, às fls. 268, Alexandre Moraes, in Direito Constitucional. São Paulo, Atlas, 8. Edição, p. 117. II.2 Do Mérito. A impugnante alega que a fiscalização, ao efetuar o lançamento, não considerou os pagamentos efetuados pela sistemática do SIMPLES, relativamente aos anoscalendário de 2001 e 2002, sem ter procedido qualquer compensação. Sobre o assunto, cita jurisprudência do Conselho de Contribuintes, através do Acórdão nº 10513.153/00 DO 29/05/00, às fls. 269. Diante do acima exposto, a impugnante requer a improcedência da denúncia fiscal e lide. Também se insurge contra a multa lançada de 75% alegando ter o efeito de confisco, apresentando um arrazoado às fls. 269 a 270, onde cita o entendimento dos tributaristas José Carlos Graça Wagner e Sacha Calmon Navarro Coelho. Também discorre, às fls. 271/272, acerca da inaplicabilidade dos juros SELIC, alegando ser uma afronta, entre outros, ao limite determinado pelo artigo 192, § 3º da Constituição Federal. Sobre o assunto traz o entendimento do STJ proferido na Ação Civil Pública nº 97.08003522, às fls. 271 a 272. Do Pedido. Diante das razões apontadas, a impugnante requer seja declarada nula a denúncia fiscal, em face de ter sido excluída da sistemática do SIMPLES antes da publicação do ato declaratório e sem o devido comunicado pessoal. Requer, caso não acatada a preliminar de nulidade, seja julgada improcedente a denúncia fiscal, visto que não foram abatidos os valores pagos pela contribuinte pela sistemática do SIMPLES. A impugnante também requer que, em caso de dúvida, seja a norma interpretada favoravelmente à impugnante, por força do disposto no artigo 112 do CTN. Finaliza a impugnante, protestando por todos os meios de prova permitidos em direito, bem como por juntada de provas em momento posterior, perícias e diligências. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 308 e 309): Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2001, 2002 Ementa: PRELIMINAR DE NULIDADE – CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Estando o lançamento revestido das formalidades previstas no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, sem preterição do direito de defesa, não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal. EXCLUSÃO DO SIMPLES DE OFÍCIO. Fl. 445DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19647.003842/200305 Acórdão n.º 180301.301 S1TE03 Fl. 379 7 A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. FALTA DE RECOLHIMENTO DA COFINS. Apurados, através de procedimento de ofício, valores devidos da Contribuição para a COFINS, que não haviam sido declarados ou confessados pela contribuinte, é procedente a autuação, com a aplicação da multa de ofício. COMPENSAÇÃO – PAGAMENTOS INDEVIDOS. Os pagamentos efetuados pela sistemática do SIMPLES, quando a empresa foi excluída de ofício retroativamente, são indevidos e, para sua restituição/compensação, devem seguir os tramites da IN SRF nº 210, de 2002, c/c a IN SRF nº 322, de 24/04/2003. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA (TAXA SELIC) – INCONSTITUCIONALIDADE. A cobrança, em auto de infração, da multa de ofício e dos juros de mora (calculados pela TAXA SELIC) decorre da aplicação de dispositivos legais vigentes e eficazes na época de sua lavratura, que, em decorrência dos princípios da legalidade e da indisponibilidade, são de aplicação compulsória pelos agentes públicos, até a sua retirada do mundo jurídico, mediante revogação ou resolução do Senado Federal, que declare sua inconstitucionalidade. Não está compreendida, no espectro de competência das Autoridades Administrativas de Julgamento, a apreciação de alegação de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal. Lançamento Procedente. 3. Cientificada da referida decisão em 14/10/2004 (fls. 325), a tempo, em 11/11/2004, apresenta a interessada Recurso de fls. 326 a 333, instruído com o documento de fls. 334, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos, à exceção do relativo ao pretenso caráter confiscatório da multa de ofício aplicada. 4. É o que importa relatar. Em mesa para julgamento. Fl. 446DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19647.003842/200305 Acórdão n.º 180301.301 S1TE03 Fl. 380 8 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. Exclusão do Simples 5. Originouse o presente processo de autuação relativa à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), nos anoscalendário de 2001 e 2002, decorrente de exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), procedida de ofício em 17/10/2003, e com efeitos a partir de 01/01/2001 (fls. 213, 214 e 348 a 352). 6. Essa exclusão teve origem em excesso de receita bruta apurado no processo nº 19647.003839/200383, cuja decisão definitiva, na instância administrativa, foi no seguinte sentido (Acórdão nº 30334.466, da Terceira Câmara do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes, sessão de 14 de junho de 2007, unânime): Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples Anocalendário: 2000 Ementa: INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Cobrase, através de lançamento de ofício, as diferenças apuradas relativas a recolhimentos ou valores declarados a menor, em face de utilização de alíquota inferior à efetivamente aplicável. DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO. Tendo a contribuinte declarado valores de receita bruta inferiores aos constantes do livro de apuração do ICMS, procede a cobrança dos impostos e contribuições componentes do SIMPLES, calculados sobre a diferença não declarada. BASE DE CÁLCULO APURADA. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA (TAXA SELIC). INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. Não se encontra abrangida pela competência da autoridade tributária administrativa a apreciação da inconstitucionalidade Fl. 447DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19647.003842/200305 Acórdão n.º 180301.301 S1TE03 Fl. 381 9 das leis, uma vez que, neste juízo, os dispositivos legais se presumem revestidos do caráter de validade e eficácia, não cabendo, pois, na hipótese, negarlhe execução. Recurso voluntário negado. 7. Já contraditório acerca da matéria da exclusão do Simples ocorreu no bojo do processo nº 19647.002712/200347, desfavoravelmente à Recorrente, e, segundo consulta informal ao sistema Comprot, findou administrativamente: Dados do Processo Número : 19647.002712/200347 Data de Protocolo : 15/10/2003 Documento de Origem : RQO15102003 Procedência : Assunto : EXCLUSAO IMPOSTO UNICO SIMPLES Nome do Interessado : DIMEPE DISTRIBUIDORA MEDS DE PE LTDA CNPJ : 10.523.777/000194 Localização Atual Órgão Origem : ARQUIVO GERAL DA SAMFPE Órgão Destino : ARQUIVO GERAL DA SAMFPE Movimentado em : 02/07/2008 Sequencia : 0016 RM : 02603 Situação : ARQUIVADO POR 10 ANOS UF : PE Retornar Este documento não indica a existência de qualquer direito creditório 8. Por conseguinte, todas as alegações da Recorrente, relativas, especificamente, à exclusão do Simples como, por exemplo, os seus efeitos ou a suposta nulidade do respectivo Ato Declaratório ou, ainda, pretenso cerceamento de defesa quando do procedimento respectivo são impertinentes a este processo. Mérito 9. No mérito, procede a alegação da Recorrente de que deveriam ter sido considerados, no lançamento, os pagamentos efetuados pela sistemática do Simples, relativamente aos anoscalendário de 2001 e 2002. 10. Nesse mesmo sentido, aliás, teve este Relator ensejo de apresentar Proposta de Enunciado de Súmula, em 16/03/2012, nos seguintes termos: Fl. 448DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19647.003842/200305 Acórdão n.º 180301.301 S1TE03 Fl. 382 10 ENUNCIADO PROPOSTO Na hipótese de exclusão de ofício do Simples, devese deduzir, do valor de cada tributo ou contribuição lançado, a parcela de recolhimento correspondente, efetuada naquela sistemática de tributação. ACÓRDÃOS QUE SUSTENTAM PROPOSTA DE ENUNCIADO Nº DO ACÓRDÃO DATA DA SESSÃO COLEGIADO 180301.000 2/8/2011 3ª TE da 1ª SJ 910101.037 27/6/2011 1ª Turma da CSRF 910100.949 29/3/2011 1ª Turma da CSRF 1402 00.017 28/7/2009 2ª Turma da 4ª Câm. da 1ª SJ 10517.110 26/6/2008 5ª Câm. do 1º CC JUSTIFICATIVA APRESENTADA PELO PROPONENTE Tratase de matéria recorrente nos julgamentos do CARF, e que já mereceu entendimento uniforme deste Tribunal no sentido da súmula proposta. Decisões da CSRF unânimes. Ressaltase que o entendimento da RFB é no mesmo sentido do aqui proposto, conforme Solução de Consulta Interna Cosit nº 21, de 2006, de seguinte teor: “A autoridade fiscal deve considerar os valores de IRPJ e CSLL referentes ao período de apuração fiscalizado, apurados pelo sujeito passivo, mediante adoção de forma de tributação diversa daquela aplicada pela autoridade fiscal no curso da fiscalização, lançando apenas a diferença de imposto ou contribuição apurado.” PROPONENTE Sérgio Rodrigues Mendes Conselheiro 3ª Turma Especial 4ª Câmara 1ª Seção Repercussão geral (STF) 11. Dispõe o art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010 (grifouse): Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Taxa de juros Selic 12. Relativamente à questão da incidência da taxa Selic para atualização de débitos tributários, é o seguinte o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), na sistemática de Repercussão Geral (art. 543B do CPC): 1. Recurso extraordinário. Repercussão geral. 2. Taxa Selic. Incidência para atualização de débitos tributários. Legitimidade. Inexistência de violação aos princípios da legalidade e da anterioridade. Necessidade de adoção de critério isonômico. No julgamento da ADI 2.214, Rel. Min. Maurício Fl. 449DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19647.003842/200305 Acórdão n.º 180301.301 S1TE03 Fl. 383 11 Corrêa, Tribunal Pleno, DJ 19.4.2002, ao apreciar o tema, esta Corte assentou que a medida traduz rigorosa igualdade de tratamento entre contribuinte e fisco e que não se trata de imposição tributária. [...]. 5. Recurso extraordinário a que se nega provimento. (RE 582461, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, Tribunal Pleno, julgado em 18/05/2011, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe158 DIVULG 17082011 PUBLIC 18082011 EMENT VOL0256802 PP00177) Outros processos 13. Destaco, por fim, que, nos processos nºs 19647.003838/200339 e 19647.003840/200316, relativos, respectivamente, ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) dos mesmos anoscalendário de 2001 e 2002, os julgamentos ali procedidos foram na mesma linha deste (Acórdãos nºs 105 16.512, da Quinta Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, sessão de 24 de maio de 2007, e 19800.036, da Oitava Turma Especial do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, sessão de 20 de outubro de 2008, unânimes): IRPJ PRELIMINAR DE NULIDADE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA O comparecimento do contribuinte ao processo administrativo supre a falta da intimação. Restando comprovado o restabelecimento do prazo para nova impugnação, e tendo o contribuinte trazido aos autos as suas alegações de defesa não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. Estando o lançamento revestido das formalidades previstas no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, sem preterição do direito de defesa, não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal. EFEITOS DA EXCLUSÃO DO SIMPLES DE OFÍCIO A empresa que, na condição de empresa de pequeno porte, tenha auferido, no anocalendário, receita bruta superior a RS 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais) será excluída do SIMPLES a partir do ano calendário subsequente. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. ARBITRAMENTO DO LUCRO FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS Comprovada a falta de apresentação de documentação contábilfiscal que ampararia a tributação pelo Lucro Real, cabível é o arbitramento do lucro. RECEITA BRUTA CONHECIDA O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante aplicação dos percentuais fixados no art. 519, e seus parágrafos, do RIR/1999, acrescidos de vinte por cento. Fl. 450DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19647.003842/200305 Acórdão n.º 180301.301 S1TE03 Fl. 384 12 IRPJ E OUTROS PAGAMENTOS EFETUADOS A TÍTULO DE SIMPLES Quando há exigência de ofício do IRPJ, devem ser considerados os recolhimentos proporcionais relativos ao imposto e contribuições efetuados para os mesmos períodos de apuração, pela sistemática unificada do Simples. TAXA SELIC JUROS DE MORA A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula nº 4, do 1º CC). [...]. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL ANOCALENDÁRIO: 2001, 2002 PRELIMINAR DE NULIDADE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA O comparecimento do contribuinte ao processo administrativo supre a falta da intimação. Restando comprovado o restabelecimento do prazo para nova impugnação, e tendo o contribuinte trazido aos autos as suas alegações de defesa não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. EFEITOS DA EXCLUSÃO DO SIMPLES DE OFÍCIO A empresa que, na condição de empresa de pequeno porte, tenha auferido, no anocalendário, receita bruta superior a R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais) será excluída do SIMPLES a partir do ano calendário subsequente. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. ARBITRAMENTO DO LUCRO FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS Comprovada a falta de apresentação de documentação contábilfiscal que ampararia a tributação pelo Lucro Real, cabível é o arbitramento do lucro. RECEITA BRUTA CONHECIDA O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 do RIR/1999, acrescidos de vinte por cento. PAGAMENTOS EFETUADOS NO REGIME DE TRIBUTAÇÃO SIMPLIFICADA SIMPLES Havendo pagamentos realizados na sistemática simplificada, devem ser consideradas as parcelas relativas à CSLL, para efeito de dedução no presente auto de infração, uma vez que dizem respeito aos próprios períodos autuados. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS TAXA SELIC Perfeitamente cabível a exigência dos juros de mora calculados à taxa referencial do sistema Especial de Liquidação e Custódia Fl. 451DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19647.003842/200305 Acórdão n.º 180301.301 S1TE03 Fl. 385 13 SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, conforme os ditames dos art. 61, § 3º, e 5º, § 3º, ambos da Lei nº 9.430/96, uma vez que se coadunam com a norma hierarquicamente superior e reguladora da matéria Código Tributário Nacional, art. 161, § 1º. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE TAXA SELIC O controle de constitucionalidade dos atos legais é matéria afeta ao Poder Judiciário. Descabe às autoridades administrativas de qualquer instância examinar a constitucionalidade das normas inseridas no ordenamento jurídico nacional. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Provido em Parte. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para que seja deduzida, da exigência da Cofins, a parcela de recolhimento correspondente, efetuada na sistemática de tributação do Simples, nos mesmos períodos de apuração. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 452DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 11610.002251/2002-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano calendário:1997
Ementa: Em matéria tributária, a verdade material deve prevalecer sobre a formal. Comprovado que o erro no preenchimento da declaração provocou o lançamento, deve ser reconhecida a sua invalidade, impondo-se o cancelamento da exigência fiscal.
Lançamento Improcedente.
Numero da decisão: 1401-000.738
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso de ofício.
Matéria: DCTF_IRPJ - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (IRPJ)
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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Comprovado que o erro no preenchimento da declaração provocou o lançamento, deve ser reconhecida a sua invalidade, impondose o cancelamento da exigência fiscal. Lançamento Improcedente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes De Mattos e João Carlos de Figueiredo Neto. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR 2 Relatório Tratase de recurso de ofício contra o acórdão nº 1619.076, proferido pela 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I/SP, que, por unanimidade de votos, decidiu julgar improcedente o lançamento do crédito tributário, pelas razões que serão adiante expostas. Por descrever os fatos com a riqueza de detalhes necessária para a compreensão da controvérsia, adoto e transcrevo o relatório elaborado pela DRJ: O presente processo versa acerca de Auto de Infração eletrônico n° 8.952 (26 e 27), emitido em 11/11/2001, atinente ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ do mês de março do anocalendário de 1997, com o crédito tributário total de R$ 1.922.097,24, composto de principal, multa de ofício de 75% e de juros de mora vinculados, calculados até 30/11/2001. O referido Auto de Infração decorreu de procedimento de auditoria interna executada em Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF na qual foi constatada falta e/ou insuficiência de pagamento do principal, cuja descrição dos fatos e enquadramento legal encontramse detalhados no corpo do mencionado auto. Regularmente notificado do lançamento, por via postal (fls. 33), o contribuinte apresentou impugnação em 08/01/2002 (fls. 1/2), segundo a qual requer a anulação do auto de infração, em síntese, sob a alegação de que o lançamento decorre de lapso no preenchimento da DCTF do 1º trimestre de 1997, na qual se incluiu indevidamente o montante do ajuste anual do imposto atinente ao Exercício 1997 AnoCalendário 1996, gerando duplicidade de débitos perante a Receita Federal. Assevera que o débito encontrase devidamente pago no prazo legal, conforme demonstra por intermédio de cópia do DARF recolhido sob o código de receita 2430, no valor de R$ 712.574,05 (fls. 18). Neste contexto, a autoridade preparadora procedeu à revisão preliminar do lançamento, conforme despacho de 29/07/2008 (fls. 38/39), segundo o qual apresenta esclarecimentos subsidiários para análise da impugnação pela autoridade julgadora. Ato contínuo, encaminhou os autos à DRJ/SPOI para julgamento da impugnação. Submetida a Impugnação à apreciação da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I/SP, esta houve por bem acolher os fundamentos de defesa apresentados pela contribuinte, cancelando o lançamento consubstanciado no Auto de Infração impugnado. O acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1997 IRPJ. DCTF. ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR Processo nº 11610.002251/200237 Acórdão n.º 1401000.738 S1‐C4T1 Fl. 68 3 Apresentadas na impugnação as provas suficientes para comprovação e formação de convicção da ocorrência de erro de fato no preenchimento da DCTF, impõese o cancelamento da exigência fiscal decorrente do procedimento de auditoria interna de declarações. Lançamento Improcedente. Diante da decisão que, em benefício da contribuinte, determinou o cancelamento da exigência tributária, os presentes autos foram encaminhados para este Conselho para apreciação do recurso de ofício, consoante certidão de fl. 64. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Alexandre Antônio Alkmim Teixeira Tratase de crédito tributário de IRPJ, no valor de R$712.574,05, acrescido da multa de ofício de R$534.430,54, e dos juros moratórios de R$675.092,65, vinculados ao 1º trimestre de 1997, cujo lançamento decorre do fato desses valores terem sido confessados em DCTF e não pagos pelo contribuinte. Entretanto, essa premissa foi alterada quando em sede de impugnação o contribuinte comprovou que o citado IRPJ corresponde, na verdade, ao tributo devido no anocalendário de 1996, devidamente apurado em DIPJ (exercício de 1997) e quitado pelo contribuinte, tendo sido equivocadamente informado em duplicidade na DCTF do 1º trimestre de 1997. Em sua defesa o contribuinte esclareceu que a cobrança em análise decorreu de erro no preenchimento da DCTF, ao fundamentar que “embora tal pagamento diga respeito ao imposto de renda devido no exercício de 1996, conforme consta da Declaração de Ajuste Anual — imposto de Renda Pessoa Jurídica — 96/97 (docs. 04/05), por um lapso foi indevidamente informado na Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) do 1º trimestre de 1997 (docs. 06/07), gerando duplicidade de débito pela receita. Para sanar a divergência, a Requerente está providenciando na via administrativa a retificação da aludida DCTF.” Com base em informações prestadas em DCTF pelo próprio contribuinte, embora a Fiscalização tenha encontrado fundamentos para o lançamento realizado, a DRJ constatou que, do confronto entre os fundamentos da exigência fiscal e as argüições/provas apresentadas pelo contribuinte, bem como da análise das informações extraídas dos sistemas de interesse da Administração Tributária Federal (fls. 40/55), a exigência tributária não deveria prosperar. Como bem mencionou a DRJ, restou comprovado que o crédito tributário originário da DCTF do 1° trimestre do anocalendário de 1997, relacionado ao período de apuração de março do anocalendário de 1997 (objeto do auto de infração), foi computado Fl. 69DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR 4 indevidamente no importe pertinente ao IRPJ apurado no ajuste anual do anocalendário de 1996. O crédito tributário de IRPJ, no valor principal de R$712.574,05, é, na verdade, relativo ao IRPJ devido apurado na Declaração de Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (DIRPJ) do Exercício 1997 (AnoCalendário 1996) e foi devidamente extinto pelo pagamento, conforme informado e comprovado pelo contribuinte em sua impugnação, evidenciando, desse modo, a duplicidade na cobrança consubstanciada no lançamento analisado. Assim, comprovandose que o recolhimento foi devidamente efetuado e que na realidade houve erro no preenchimento da DCTF do 1º trimestre do anocalendário de 1997, é imprescindível que a verdade material prevaleça sobre a formal, fazendo com que seja acatada a tese do contribuinte de modo a cancelar a exigência fiscal, evitandose o enriquecimento ilícito por parte da Administração Pública. Ora, o simples fato de o contribuinte não ter retificado a sua declaração antes da lavratura do auto de infração não é suficiente para a manutenção de uma cobrança tributária, quando todas as provas por ele apresentadas, ainda que em fase de impugnação ao auto de infração, evidenciam o contrário. Nesse mesmo sentido predomina o entendimento jurisprudencial deste Conselho: Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/01/1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PREENCHIMENTO DE DCTF. ERRO MATERIAL. Devidamente comprovada a ocorrência de erro material no preenchimento da DCTF, há que se cancelar o lançamento, em nome do princípio da verdade material. Recurso voluntário provido. (Acórdão nº 20181496 do Processo 10920002509200310. Segundo Conselho de Contribuintes. 1ª Câmara. Turma Ordinária. Data: 10/10/2008) Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO DE OFÍCIO. Não é passível de reexame obrigatório a decisão que exonerar o sujeito passivo de pagamento do tributo e encargos em valor superior ao limite de alçada, quando decorrente de revisão de ofício. COFINS. LANÇAMENTO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. Deve a verdade material prevalecer sobre a formal, pelo que, se demonstrado que o erro pelo preenchimento da declaração provocou o lançamento, deve ser reconhecida a sua invalidade. Recurso provido. (Acórdão nº 20217521 do Processo 10166008474200231. Segundo Conselho de Contribuintes. 2ª Câmara. Turma Ordinária. 08/11/2006) Atenta a isso, agiu corretamente a DRJ, que, depois de se cercar de todos os documentos necessários para esclarecer a situação em exame, decidiu que a cobrança não deveria prosperar diante da evidência do erro cometido pelo contribuinte, consignando que, “assim, inferese pela concordância com as alegações aduzidas, impondose o cancelamento dos efeitos do aludido auto de infração, tendo em vista a caracterização de erro de fato no preenchimento da DCTF do 1° trimestre do anocalendário de 1997.” Do exposto, mantenho integralmente os fundamentos da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I/SP, e voto no Fl. 70DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR Processo nº 11610.002251/200237 Acórdão n.º 1401000.738 S1‐C4T1 Fl. 69 5 sentido de negar provimento ao Recurso de Ofício, julgando improcedente o lançamento do crédito tributário em discussão. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR
score : 1.0
Numero do processo: 11020.002690/2009-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Previdenciárias Período de Apuração: 08/2004 a 12/2007 EXPORTAÇÕES. INTERPRETAÇÃO DO TEXTO CONSTICUCIONAL.
NATUREZA JURÍDICA DE CONTRIBUIÇÃO DE INTERESSE DAS
CATEGORIAS PROFISSIONAIS OU ECONÔMICAS. ENTIDADE DO
CHAMADO SISTEMA "S". NÃO ABRANGÊNCIA DA IMUNIDADE
PREVISTA NO ARTIGO 149, PARÁGRAFO 2º, INCISO I, DA CF/88.
A imunidade prevista no parágrafo 2º, inciso I, do artigo 149 da CF/88
relativamente às receitas decorrentes da exportação, destinase
exclusivamente às contribuições sociais e às de intervenção no domínio
econômico, não podendo ser estendida a todas as contribuições elencadas no
"caput" do referido dispositivo. Na hipótese, a contribuição para o SENAR,
que tem natureza jurídica de contribuição de interesse das categorias
profissionais ou econômicas, incide sobre as receitas de exportação.
MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA.
O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento
da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação acessória punida com a
multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991.
Revogado o dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009,
deve ser comparada à penalidade nesta prevista (art. 35 da Lei nº 8.212/1991
c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), para que retroaja, caso seja mais benéfica
ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN).
Não há que se falar na aplicação do art. 35A
da Lei nº 8.212/1991
combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a
multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP
449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma
natureza. Assim, deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e
da atual do art. 35 da Lei nº 8.212/1991.
Numero da decisão: 2301-002.506
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em manter a aplicação da multa. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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ementa_s : Contribuições Previdenciárias Período de Apuração: 08/2004 a 12/2007 EXPORTAÇÕES. INTERPRETAÇÃO DO TEXTO CONSTICUCIONAL. NATUREZA JURÍDICA DE CONTRIBUIÇÃO DE INTERESSE DAS CATEGORIAS PROFISSIONAIS OU ECONÔMICAS. ENTIDADE DO CHAMADO SISTEMA "S". NÃO ABRANGÊNCIA DA IMUNIDADE PREVISTA NO ARTIGO 149, PARÁGRAFO 2º, INCISO I, DA CF/88. A imunidade prevista no parágrafo 2º, inciso I, do artigo 149 da CF/88 relativamente às receitas decorrentes da exportação, destinase exclusivamente às contribuições sociais e às de intervenção no domínio econômico, não podendo ser estendida a todas as contribuições elencadas no "caput" do referido dispositivo. Na hipótese, a contribuição para o SENAR, que tem natureza jurídica de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas, incide sobre as receitas de exportação. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação acessória punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, deve ser comparada à penalidade nesta prevista (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), para que retroaja, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. Assim, deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e da atual do art. 35 da Lei nº 8.212/1991.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2497; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 1 1 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11020.002690/200966 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301002.506 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de janeiro de 2012 Matéria Agroindústria Recorrente REFLORESTADORES UNIDOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Previdenciárias Período de Apuração: 08/2004 a 12/2007 EXPORTAÇÕES. INTERPRETAÇÃO DO TEXTO CONSTICUCIONAL. NATUREZA JURÍDICA DE CONTRIBUIÇÃO DE INTERESSE DAS CATEGORIAS PROFISSIONAIS OU ECONÔMICAS. ENTIDADE DO CHAMADO SISTEMA "S". NÃO ABRANGÊNCIA DA IMUNIDADE PREVISTA NO ARTIGO 149, PARÁGRAFO 2º, INCISO I, DA CF/88. A imunidade prevista no parágrafo 2º, inciso I, do artigo 149 da CF/88 relativamente às receitas decorrentes da exportação, destinase exclusivamente às contribuições sociais e às de intervenção no domínio econômico, não podendo ser estendida a todas as contribuições elencadas no "caput" do referido dispositivo. Na hipótese, a contribuição para o SENAR, que tem natureza jurídica de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas, incide sobre as receitas de exportação. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação acessória punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, deve ser comparada à penalidade nesta prevista (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), para que retroaja, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. Assim, deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e da atual do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11020.002690/200966 Acórdão n.º 2301002.506 S2C3T1 Fl. 2 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em manter a aplicação da multa. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Damiao Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva e Leonardo Henrique Pires Lopes. . Relatório Tratase de Auto de Infração nº 372406823 lavrado em face de REFLORESTADORES UNIDOS S/A, do qual foi notificada em 07/08/2009, em virtude do não recolhimento das contribuições destinadas ao SENAR incidentes sobre a receita bruta de exportação proveniente da comercialização direta da produção com adquirentes domiciliados no exterior. Em virtude de tal conduta, conforme se depreende do Relatório Fiscal (fls. 52 e seguintes), foi imputada à Recorrente o pagamento de multa no montante de R$ 225.546,92 (duzentos e vinte cinco mil, quinhentos e quarenta e seis reais e noventa e seis centavos), de acordo com a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores. Descontente com a atuação do fisco, apresentou a Recorrente impugnação, insurgindose contra a exação em comento, não tendo, todavia, obtido julgamento procedente do seu pedido, conforme se depreende da ementa abaixo transcrita: SENAR. RECEITA DECORRENTE DE EXPORTAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO NÃO IMUNE. A contribuição destinada ao SENAR, tanto a incidente sobre a receita decorrente da comercialização da produção quanto a incidente sobre a folha de salários classificase como contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas. A imunidade prevista no inciso I do §2º do art. 149 da Constituição Federal se refere expressamente às contribuições sociais e às de intervenção no domínio econômico, o que impõe concluir que não alcança a contribuição destinada ao SENAR. Impugnação Improcedente. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11020.002690/200966 Acórdão n.º 2301002.506 S2C3T1 Fl. 3 3 Crédito Tributário Mantido Não satisfeita com a decisão proferida, apresentou a Recorrente Recurso Voluntário, alegando em suma, a não incidência da contribuição referente ao SENAR sobre as receitas decorrentes de exportação, razão pela qual deve ser cancelado o lançamento pelo fisco efetuado. Assim, vieram os autos a este Conselho de Contribuintes por meio de Recurso Voluntário. Sem Contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso e passo ao seu exame. Do mérito Em seu Recurso, afirma a Recorrente que o parágrafo 2º do artigo 149 da Constituição Federal deve ser interpretado ampliativamente de forma a possibilitar a não incidência da contribuição previdenciária nas verbas relativas ao SENAR. Todavia, nas questões referentes à imunidade tributária, conforme se depreende do artigo 111, inciso I do Código Tributário Nacional, a interpretação dos dispositivos legais deve ser feita de maneira restritiva, pois o fundamento das imunidades é a preservação dos valores que a Constituição julgou por relevantes, não sendo permitida, portanto, a presunção de palavras ou expressões outras que não aquelas contidas no texto constitucional, pois ubi lex non distinguit nec nos distinguere debemus (onde o legislador não distingue, não cabe ao intérprete distinguir). Destarte, a partir desta premissa hermenêutica, a qual deve ser seguida por este Conselho de Contribuintes, a imunidade ora em comento não pode ser ampliada de forma a abarcar as verbas destinadas ao SENAR, pois o referido favor constitucional destinase, exclusivamente, às contribuições sociais e às de intervenção no domínio econômico, conforme se depreende do §2.º, inciso I, do artigo 149 da Constituição Federal a seguir transcrito: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11020.002690/200966 Acórdão n.º 2301002.506 S2C3T1 Fl. 4 4 § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação; (Grifo meu) Destarte, não pode o referido favor constitucional ser interpretado ampliativamente de forma a abranger as contribuições relativas ao SENAR, em razão destas possuírem natureza jurídica de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas, as quais não constituem objeto de incidência da imunidade prevista no §2º, inciso primeiro do artigo 149 do Diploma Maior. É este, inclusive, o entendimento do Tribunal Regional Federal da Terceira Região, conforme se depreende do julgado abaixo colacionado: CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO MANDADO DE SEGURANÇA AGRAVO RETIDO NÃO REITERADO NA APELAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. CONTRIBUIÇÃO IMUNIDADE, ARTIGO 149 § 2º, I DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS E DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. IMUNIDADE NÃO RECONHECIDA. CONTRIBUIÇÃO DE INTERESSE DAS CATEGORIAS PROFISSIONAIS. CPMF IMUNIDADE NÃO ALCANÇA AS OPERAÇÕES DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. CONTRIBUIÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 22 A DA LEI 8.212/91 APLICAÇÃO DA REGRA IMUNIZANTE [...] III E clara a norma constitucional ao prever que sobre receitas decorrentes da exportação não incidirão as contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o"caput"do artigo149. IV Quanto à contribuição ao SENAR, tratase de contribuição de interesse das categorias profissionais, que foi prevista no artigo 62, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ADCT, da Constituição Federal de 1988, sem prejuízo das atribuições dos demais órgãos públicos que atuam na área, sendo a contribuição que lhe é destinada instituída pela Lei nº. 8.315, de 23 de dezembro de 1991, com o objetivo de executar as políticas de ensino da formação profissional rural e à promoção social do trabalhador rural, não possuindo, pois, natureza previdenciária, custeando entidades, de direito público ou privado, que fiscalizam e regulam o exercício de certas atividades profissionais ou econômicas, não fazendo parte, pois, das"contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico"a que se refere o dispositivo da imunidade. Portanto, não está abrangida pela imunidade. [...] (TRF 3ª Região, AMS 303879, Relator Juiz Federal Convocado Souza Ribeiro, DJF3 em 23/09/08) Da mesma maneira, também decidiu, recentemente, o Tribunal Regional Federal da Quinta Região: ADMINISTRATIVO. CONTRIBUIÇÃO PARA O SENAR. EMPRESA AGRO INDUSTRIAL. EXPORTAÇÕES. INTERPRETAÇÃO LITERAL DA NORMA. NATUREZA JURÍDICA DE CONTRIBUIÇÃO PARA ENTIDADE DO CHAMADO SISTEMA "S". NÃO ABRANGÊNCIA DA IMUNIDADE PREVISTA NO ARTIGO 149, PARÁGRAFO 2º, INCISO I, DA CF/88. I A imunidade prevista no parágrafo 2º, inciso I, do artigo 149 da CF/88 relativamente as receitas decorrentes da exportação, destinase exclusivamente às contribuições sociais e às de intervenção no domínio econômico, não podendo ser estendida a todas as contribuições Fl. 165DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11020.002690/200966 Acórdão n.º 2301002.506 S2C3T1 Fl. 5 5 elencadas no "caput" do referido dispositivo (artigo 149). Na hipótese, a contribuição para o SENAR, que tem natureza jurídica de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas, incide sobre as receitas de exportação. II "O simples cotejo do texto da cabeça do art. 149 da CF/88 com o de seu parágrafo 2.º, inciso I, deixa evidente que a imunidade conferida por este às receitas decorrentes da exportação não atinge as contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como é o caso daquela destinada ao financiamento do SENAR, pois este último dispositivo apenas faz referência as contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico, ao contrário daquele, que se refere, além de a estas, também, às contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômica."(AC 467921 PE, DJe 18/11/2010, relator Des. Federal Emiliano Zapata Leitão (convocado)) III Apelação improvida. (TRF 5, AC 516045, Rel.: Desembargadora MARGARIDA CANTARELLI, Órgão Julgador: QUARTA TURMA, Julgado em:19/04/2011, DJe: 28/04/2011) Assim, conforme depreende claramente do texto constitucional, a imunidade prevista no artigo 149 do Diploma Maior é restrita às contribuições sociais e às de intervenção no domínio econômico, não sendo possível interpretálo extensivamente de forma abranger as receitas decorrentes de exportação, razão pela qual não deve ser julgado procedente o pleito formulado pela Recorrente. Da multa aplicada A autuação em comento referese ao descumprimento pelo contribuinte da sua obrigação tributária principal, consistente no dever de recolher a contribuição previdenciária dentro do prazo previsto em lei. Além do pagamento do tributo não recolhido, a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores previa a imposição ao contribuinte da penalidade correspondente ao atraso no pagamento, conforme art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que escalonava a multa (I) de 4% a 20%, quando o valor devido não tivesse sido incluído em notificação fiscal de lançamento, (II) de 12% a 50% para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal, e (III) de 30% a 100% nos casos em que o débito já tivesse sido inscrito em dívida ativa. Como se depreende do caput do art. 35 referido (sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos...) a penalidade decorria do atraso no pagamento, independentemente de o lançamento ter sido efetuado de ofício ou não. Em outras palavras, não existia na legislação anterior a multa de ofício, aplicada em decorrência do lançamento de ofício pela auditoria fiscal, mas apenas a multa de mora, oriunda do atraso no recolhimento da contribuição. A punição do art. 35 da referida lei dirigiase à demora no pagamento, sendo mais agravada/escalonada de acordo com o momento em que fosse recolhida. Ocorre que, com o advento da MP nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 foi revogado, tendo sido incluída nova redação àquele art. 35. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11020.002690/200966 Acórdão n.º 2301002.506 S2C3T1 Fl. 6 6 A análise dessa nova disciplina sobre a matéria, introduzida em dezembro/2008, adquire importância em face da retroatividade benigna da legislação posterior que culmine penalidade mais benéfica ao contribuinte, nos termos do art. 106, II do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Cabe, portanto, analisar as disposições introduzidas com a referida MP nº 449/2008 e mantidas com a sua conversão na Lei nº 11.941/2009: Art. 35 da Lei nº 8.212/1991 Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 61 da Lei nº 9.430/1996 Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. À primeira vista, a indagação de qual seria a norma mais favorável ao contribuinte seria facilmente resolvida, com a aplicação retroativa da nova redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo esta última a utilizada nos casos em que a multa de mora excedesse o percentual de 20% previsto como limite máximo pela novel legislação. Contudo, o art. 35A, também introduzido pela mesma Lei nº 11.941/2009, passou a punir o contribuinte pelo lançamento de ofício, conduta esta não tipificada na legislação anterior, calculado da seguinte forma: Fl. 167DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11020.002690/200966 Acórdão n.º 2301002.506 S2C3T1 Fl. 7 7 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Pela nova sistemática aplicada às contribuições previdenciárias, o atraso no seu recolhimento será punido com multa de 0,33% por dia, limitado a 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/1996). Sendo o caso de lançamento de ofício, a multa será de 75% (art. 44 da Lei nº 9.430/1996). Não existe qualquer dúvida quanto à aplicação da penalidade em relação aos fatos geradores ocorridos após o advento da MP nº 449/2008. Contudo, diante da inovação em se aplicar também a multa de ofício às contribuições previdenciárias, surge a dúvida de com que norma será cotejada a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 para se verificar a existência da penalidade mais benéfica nos moldes do art. 106, II, “c” do CTN. Isto porque, caso seja acolhido o entendimento de que a multa de mora aferida em ação fiscal está disciplinada pelo novo art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei 9.430/1996, terá que ser limitada ao percentual de 20%. Ocorre que alguns doutrinadores defendem que a multa de mora teria sido substituída pela multa de ofício, ou ainda que esta seria sim prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, na sua redação anterior, na medida em que os incisos II e III previam a aplicação da penalidade nos casos em que o débito tivesse sido lançado ou em fase de dívida ativa, ou seja, quando tivesse decorrido de lançamento de ofício. Contudo, nenhum destes dois entendimentos pode prevalecer. Consoante já afirmado acima, a multa prevista na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 destinavase a punir a demora no pagamento do tributo, e não o pagamento em razão de ação fiscal. O escalonamento existente era feito de acordo com a fase do pagamento, isto é, quanto mais distante do vencimento do pagamento, maior o valor a ser pago, não sendo punido, portanto, a não espontaneidade do lançamento. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11020.002690/200966 Acórdão n.º 2301002.506 S2C3T1 Fl. 8 8 Também não seria possível se falar em substituição de multa de mora por multa de ofício, pois as condutas tipificadas e punidas são diversas. Enquanto a primeira relacionase com o atraso no pagamento, independentemente se este decorreu ou não de autuação do Fisco, a outra vinculase à ação fiscal. Por outro lado, não me parece correta a comparação da nova multa calculada conforme o art. 35A da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício prevista em 75% do valor da contribuição devida) com o somatório das multas previstas no art. 32, §4º e 5º e no revogado art. 35 ambos da Lei nº 8.212/1991. Em primeiro lugar, esse entendimento somente teria coerência, o que não significa legitimidade, caso se entendesse que a multa de ofício substituiu as penalidades tanto pelo descumprimento da obrigação principal quanto pelo da acessória, unificandoas. Nesses casos, concluindose pela aplicação da multa de ofício, por ser supostamente a mais benéfica, os autos de infração lavrados pela omissão de fatos geradores em GFIP teriam que ser anulados, já que a penalidade do art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício) estaria substituindo aquelas aplicadas em razão do descumprimento da obrigação acessória, o que não vem sendo determinado pelo Fisco. Em segundo lugar, não se podem comparar multas de naturezas distintas e aplicadas em razão de condutas diversas. Conforme determinação do próprio art. 106, II do CTN, a nova norma somente retroage quando deixar de definir o ato como infração ou quando cominarlhe penalidade menos severa. Tanto em um quanto no outro caso verificase a edição de duas normas em momentos temporais distintos prescrevendo a mesma conduta, porém com sanções diversas. Assim, somente caberia a aplicação do art. 44, I da Lei nº 8.212/1996 se a legislação anterior também previsse a multa de ofício, o que não ocorria até a edição da MP nº 449/2008. A anterior multa de mora somente pode ser comparada com penalidades que tenha a mesma ratio, qual seja, o atraso no pagamento das contribuições. Revogado o art. 35 da Lei nº 8.212/1991, cabe então a comparação da penalidade aplicada anteriormente com aquela da nova redação do mesmo art. 35, já transcrita acima, que remete ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Não só a natureza das penalidades leva a esta conclusão, como também a própria alteração sofrida pelo dispositivo. No lugar da redação anterior do art. 35, que dispunha sobre a multa de mora, foi introduzida nova redação que também disciplina a multa de mora, agora remetendo ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Estes dois dispositivos é que devem ser comparados. Diante de todo o exposto, não é correto comparar a multa de mora com a multa de ofício. Esta terá aplicação apenas aos fatos geradores ocorridos após o seu advento. Para fins de verificação de qual será a multa aplicada no caso em comento, deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e da atual do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11020.002690/200966 Acórdão n.º 2301002.506 S2C3T1 Fl. 9 9 Da Conclusão Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário para LHE DAR PARCIAL PROVIMENTO, apenas para que seja aplicada a penalidade prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, caso seja mais benéfica para o contribuinte. É como voto. Sala das Sessões, em 18 de janeiro de 2012. Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 170DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A
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Numero do processo: 12045.000565/2007-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2402-000.264
Decisão: RESOLVEM os membros da Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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Júlio César Vieira Gomes Presidente. Ana Maria Bandeira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Igor Araújo Soares, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues Fl. 463DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 07/08/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 RELATÓRIO Tratase de Auto de Infração lavrado com fundamento na inobservância da obrigação tributária acessória prevista na Lei nº 8.212/1991, no art. 32, inciso IV e § 5º, acrescentados pela Lei nº 9.528/1997 c/c o art. 225, inciso IV e § 4º do Decreto nº 3.048/1999, que consiste em a empresa apresentar a GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A autuada deixou de incluir em GFIP valores pagos a contribuintes individuais, o valor da comercialização da produção rural própria e o valor de sementes adquiridas de pessoas físicas. A ciência do lançamento ocorreu em 01/05/2002 e a autuada apresentou defesa (fls. 16/24). Na sequência, foi realizada diligência que resultou na emissão de Despacho Decisório 10.401.4/007/005 (fls. 335/338) o qual retificou o lançamento, a fim de excluir da multa os valores relativos à aquisição de sementes de pessoas físicas, bem como relevar a multa em algumas competências. A autuada teve ciência do despacho decisório e apresentou aditamento à impugnação (fls. 343/353). Pela Decisão Notificação nº 10.401.4/00327 /005 (fls. 356/358), o lançamento retificado pelo despacho decisório foi considerado procedente. Contra tal decisão a autuada apresentou recurso tempestivo (fls. 361/372), o qual, após ser analisado, resultou no Acórdão nº 240201.010 (fls. 378/381) da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara desta 2ª Seção que entendeu por anular a decisão recorrida em face de cerceamento de defesa evidenciado pelo fato de a autuada não ter tomado conhecimento da diligência efetuada antes da emissão do despacho decisório. Os autos retornaram à origem para que fosse dada ciência à autuada do resultado da diligência, no entanto, após findo o prazo estabelecido, esta não se manifestou. Foi então emitido o Acórdão nº 0425.598 (fls. 391/401) da 3ª a Turma da DRJ/Campo Grande que manteve em parte o lançamento para, igualmente, retirar os valores relativos à aquisição de sementes de pessoa física, bem como para relevar parcialmente a multa na parte em que restou corrigida a falta nos termos do art. 291, § 1º do Decreto nº 3.048/1999, vigente à época da apresentação da impugnação. Contra tal decisão, a autuada apresentou recurso tempestivo (fls. 444/456), onde alega que os valores das contribuições dos fatos geradores não informados em GFIP, foram objeto de lançamento por meio das NFLDs 35.473.2390 e 35.473.2404. Em razão da existência do lançamento da obrigação principal, considera que estaria sendo duplamente penalizada, na medida em que o valor pelo qual estaria sendo penalizada pelo descumprimento da obrigação acessória seria o mesmo valor do tributo lançado. Argumenta que houve violação ao princípio da equivalência, segundo o qual a penalidade tem que ser equivalente ao fato delituoso. Fl. 464DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 07/08/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12045.000565/200734 Resolução n.º 2402000.264 S2C4T2 Fl. 464 3 Em face da revogação do art. 32, inciso IV, § 5º da Lei nº 8.212/1991 pela Lei nº 11.941/2009, solicita a aplicação da retroatividade benigna da lei para que a multa seja calculada de acordo com o art. 32A, inciso I, que foram acrescentados à Lei nº 8.212/1991 pela Lei nº 11.941/2009. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação do recurso interposto. É o relatório. Fl. 465DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 07/08/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 VOTO Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. O presente processo tem origem em autuação pelo descumprimento da obrigação acessória que consiste em deixar de declarar na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP os fatos geradores das contribuições previdenciárias. Da análise dos elementos que compõem os autos, verificase que os créditos correspondentes aos fatos geradores omitidos foram constituídos através de documentos próprios que resultaram em processos separados. Entretanto, há conexão entre os documentos de constituição de crédito que se referem aos mesmos fatos. Assim, o auto de infração lavrado pelo descumprimento da obrigação acessória deve ser julgado junto ou após o julgamento dos processos relativos à obrigação principal. Assim, reconheço a prejudicialidade para o presente julgamento e solicito as seguintes providências: a) Caso ainda pendentes de julgamento os processos principais, este presente processo fique sobrestado no órgão onde aqueles tramitam; b) Em já havendo decisão definitiva, informese sobre o resultado do julgamento. Diante do exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para as providências solicitadas e seja oportunizado ao recorrente o direito de manifestação sobre esta decisão no prazo de 30 dias. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 466DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 07/08/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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