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Numero do processo: 10480.900025/2012-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 06 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3401-000.998
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
1.0 = *:*
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1706; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.900025/201255 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3401000.998 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 25 de janeiro de 2017 Assunto PIS E COFINS. COMPENSAÇÃO. ALARGAMENTO. Recorrente RODOBENS CAMINHÕES PERNAMBUCO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER que pretende obter reconhecimento de direito creditório das contribuições por suposto pagamento a maior. O sistema informatizado da Receita Federal emitiu o Despacho Decisório em processamento automatizado indeferindo o pedido, afirmando que o valor do DARF de onde viria o crédito já estava totalmente comprometido em quitação de débito constante de declaração prestada pelo contribuinte ao Fisco. A contribuinte manifestou inconformidade, explicando que: 1. A autoridade de administração e a autoridade fiscal não tomaram conhecimento das razões da contribuinte para seu direito, nem se aprofundaram em sua análise, nem buscaram investigar os fatos; a contribuinte não foi intimada a explicar os fundamento do seu pedido antes do despacho decisório; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .9 00 02 5/ 20 12 -5 5 Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10480.900025/201255 Resolução nº 3401000.998 S3C4T1 Fl. 3 2 2. seu direito repousa no fato de que ela indevidamente tinha incluído na base de cálculo do tributo receitas (tais como receitas financeiras, e outras), face a declaração de inconstitucionalidade pelo STF para o § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/1998; pois a base de tributação deve se cingir às receitas de faturamento pela venda de mercadorias e da prestação de serviços. 3. Pede a reunião dos vários processos administrativos que tratam da mesma matéria/tributo, mudando apenas os períodos de apuração, para serem julgados na mesma ocasião. Os Julgadores de 1º piso não acolheram o pedido de reunião dos vários processos. Eles também consideraram improcedente o recurso da contribuinte, entendendo pela insuficiência de provas pelo alegado. Seria da contribuinte o ônus de provar o direito objeto do seu pedido, no momento da interposição da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legalmente previstas, nos termos do art. 16, caput, III e §4°, do Decreto 70.235/72, conforme consta do voto da decisão recorrida. Concluíram, os Julgadores a quo, pelo não reconhecimento do direito creditório, nos termos do Acórdão 11041.022. Inconformada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual repisou as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade, e acrescentou as seguintes: ● não é verdade que houve insuficiência de provas, pois apresentou planilha, balancete e livro obrigatório da contabilidade da contribuinte; ● a autoridade fiscal não questionou a efetividade dos pagamentos em discussão; ● não pode prevalecer o entendimento esposados pelos julgadores de 1º piso de que houve preclusão para a juntada de provas; isso fere o disposto na letra "c" do § 4º do artigo 16 do Decreto n. 70.235, de 1972 (apresentar provas que se destine a contrapor fatos e razões posteriormente trazidas aos autos). Cita doutrina, acórdãos e jurisprudências; ● a falta de retificação da DCTF não deve servir de justificativa para não se analisar e se deferir o direito da contribuinte; ● Não procede o entendimento dos Julgadores a quo de que a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998 proferida pelo STF não seja de observação obrigatória no processo administrativo fiscal; ● a Verdade Material deve prevalecer, e a autoridade deve realizar um exame completo dos fatos. É o relatório Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10480.900025/201255 Resolução nº 3401000.998 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401000.984, de 25 de janeiro de 2017, proferida no julgamento do processo 10480.900040/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3401000.984): "Tempestivo o Recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Temos diante de nós mais um caso de despacho decisório processado automaticamente, sem que haja qualquer intervenção humana para rever o seu teor e a eventual existência de razões para questionar sua conclusão. É freqüente, nessas situações, que a contribuinte somente compreenda totalmente a situação quando recebe a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento mantendo o indeferimento eletrônico inicial, geralmente por falta de provas ou de contra argumentações por parte da contribuinte. Nessa toada, há os que se escudam no instituto da preclusão probatória para justificar a impossibilidade de reverter as negativas até então impostas à contribuinte. Coerente com minhas propostas de votação anteriores em situações semelhantes, baseado no argumento de que o princípio da verdade material deve prevalecer, relativizando as formalidades e os institutos preclusivos e assemelhados, e no argumento de que não é do interesse público maior praticar a injustiça fiscal qual seja, a manutenção no Tesouro do pagamento indevido , é que proponho que se tome providências para garantir substantivamente o contraditório (e não apenas formalmente) e para se verificar a verdade do alegado pelas partes. As teses que esposo divergem das postas no acórdão de 1º piso: (a) para uma visão absoluta do ônus probatório e do instituto da preclusão probatória, argumento em favor de que prevaleça a Verdade Material, e que os julgadores do processo administrativo possam agir e determinar providências nessa direção, aliás como expus em outros votos quando fiz alusão aos modelos trazidos pelo novo CPC; (b) que a negativa em pedidos de restituição e/ou compensações motivada pela inexistência de créditos líquidos e certos passe a considerar que a liquidez e certeza possam ser demonstradas ao longo do processo administrativo, não se limitando ao que o instruiu antes de sua chegada à instância de julgamento. Ressalto que a contribuinte, segundo que foi relatado, em sua primeira contestação havia juntado balancetes e planilhas, o que poderia ser no mínimo considerado princípio de prova. Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10480.900025/201255 Resolução nº 3401000.998 S3C4T1 Fl. 5 4 Por isso, tendo em vista que a administração tributária de jurisdição não apreciou as razões do suposto direito creditório, proponho a este Colegiado a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. Que se dê ciência à contribuinte desta decisão e também do relatório conclusivo e da informação fiscal resultantes da diligência, e prazo de 30 dias para ela se manifestar em cada uma dessas intimações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento deste processo em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 212DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.722730/2012-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2008
OBTENÇÃO DE DADOS BANCÁRIOS DE SUJEITO PASSIVO SOB PROCEDIMENTO FISCAL. CONSTITUCIONALIDADE.
O Supremo Tribunal Federal fixou o entendimento de que a obtenção pelo fisco de dados de contribuintes submetidos a procedimento fiscal não representa inconstitucionalidade.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em consonância com os artigos 113, 139 e 161, do CTN, e 61, § 3º, da Lei 9.430/96.
PAGAMENTO SEM CAUSA. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE.
Constatando o fisco a existência de pagamentos sem que seja justificada a causa destes, cabível o lançamento contra a fonte pagadora na alíquota de 35%, nos termos do § 1.º do art. 61 da Lei n.º 8.981/1995.
LANÇAMENTO. PESSOA JURÍDICA BAIXADA DE OFÍCIO PELA RFB POR INEXISTÊNCIA DE FATO. POSSIBILIDADE.
A pessoa jurídica subsiste até o final de sua liquidação, de modo que é perfeitamente possível promover lançamento (formalização da relação jurídico tributária) contra uma pessoa que se encontra com baixa de ofício no CNPJ por inexistência de fato, posto que esta providência administrativa não extingue a empresa, que pode inclusive readquirir a regularidade frente aos órgãos tributários.
INOCORRÊNCIA DE DESCONSIDERAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA QUE EFETUOU OS PAGAMENTOS SEM CAUSA. LANÇAMENTO CONTRA ESTA. POSSIBILIDADE.
Uma vez que o fisco considerou que os pagamentos sem causa foram efetuados pela empresa autuada, para a qual não houve a desconsideração da personalidade jurídica, cabível que figure no polo passivo da autuação.
COEXISTÊNCIA DE LANÇAMENTO DE IRPJ E REFLEXOS COM DE IRRF. POSSIBILIDADE.
São compatíveis os lançamentos formalizados na ação fiscal sob apreciação, posto que o IRPJ e reflexos alcança fenômeno tributário ocorrido em momento distinto daquele que enseja o lançamento para o IRRF.
INTIMAÇÃO DAS SOLIDÁRIAS SOBRE A ORIGEM DE VALORES DEPOSITADOS EM CONTAS CORRENTES DA AUTUADA. MATÉRIA ESTRANHA À DISCUSSÃO.
Considerando que o lançamento sob apreciação não contempla incidência sobre entrada de recursos em contas correntes da autuada, não é cabível na presente lide a discussão acerca da necessidade de se intimar as devedoras com ela solidárias acerca da origem dos citados recursos.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA.
Tendo os devedores arrolados na condição de solidários tomado ciência do Termo de Sujeição Passiva Solidária e do Termo de Verificação Fiscal, onde puderam visualizar os fundamentos fáticos e jurídicos do lançamento e da responsabilização que lhes foi imputada, incabível a alegação de cerceamento ao direito de defesa por desconhecimento de detalhes da acusação fiscal.
IRREGULARIDADE NO MPF. NULIDADE. INOCORRÊNCIA
A falha apontada no recurso quanto ao MPF não se configurou, posto que a autoridade emissora detinha a competência para prática do ato, conforme delegação de competência prevista em ato normativo da RFB.
INCOMPETÊNCIA DO AGENTE PARA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. NÃO CONFIGURAÇÃO.
A autoridade tributária responsável pela lavratura estava vinculada à Delegacia circunscricionante do estabelecimento matriz da empresa na data do lançamento, portanto, não há o que se falar de sua incompetência para prática do referido ato administrativo.
Recursos Voluntários Providos em Parte.
Numero da decisão: 2402-005.619
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade dos votos em conhecer dos recursos e, por maioria, dar-lhes provimento parcial para excluir do polo passivo a empresa Santa Izabel Administração e Participações Ltda, vencidos os Conselheiros Túlio Teotônio de Melo Pereira e Mário Pereira de Pinho Filho que negavam provimento. Votaram pelas conclusões em relação à responsabilidade de Humberto Verre, Ronnie Soares Anderson e Mário Pereira de Pinho Filho, por entenderem cabível a responsabilização com base também no inciso I do art. 124 do CTN.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Relator e Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: Relator
1.0 = *:*
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2008 OBTENÇÃO DE DADOS BANCÁRIOS DE SUJEITO PASSIVO SOB PROCEDIMENTO FISCAL. CONSTITUCIONALIDADE. O Supremo Tribunal Federal fixou o entendimento de que a obtenção pelo fisco de dados de contribuintes submetidos a procedimento fiscal não representa inconstitucionalidade. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em consonância com os artigos 113, 139 e 161, do CTN, e 61, § 3º, da Lei 9.430/96. PAGAMENTO SEM CAUSA. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. Constatando o fisco a existência de pagamentos sem que seja justificada a causa destes, cabível o lançamento contra a fonte pagadora na alíquota de 35%, nos termos do § 1.º do art. 61 da Lei n.º 8.981/1995. LANÇAMENTO. PESSOA JURÍDICA BAIXADA DE OFÍCIO PELA RFB POR INEXISTÊNCIA DE FATO. POSSIBILIDADE. A pessoa jurídica subsiste até o final de sua liquidação, de modo que é perfeitamente possível promover lançamento (formalização da relação jurídico tributária) contra uma pessoa que se encontra com baixa de ofício no CNPJ por inexistência de fato, posto que esta providência administrativa não extingue a empresa, que pode inclusive readquirir a regularidade frente aos órgãos tributários. INOCORRÊNCIA DE DESCONSIDERAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA QUE EFETUOU OS PAGAMENTOS SEM CAUSA. LANÇAMENTO CONTRA ESTA. POSSIBILIDADE. Uma vez que o fisco considerou que os pagamentos sem causa foram efetuados pela empresa autuada, para a qual não houve a desconsideração da personalidade jurídica, cabível que figure no polo passivo da autuação. COEXISTÊNCIA DE LANÇAMENTO DE IRPJ E REFLEXOS COM DE IRRF. POSSIBILIDADE. São compatíveis os lançamentos formalizados na ação fiscal sob apreciação, posto que o IRPJ e reflexos alcança fenômeno tributário ocorrido em momento distinto daquele que enseja o lançamento para o IRRF. INTIMAÇÃO DAS SOLIDÁRIAS SOBRE A ORIGEM DE VALORES DEPOSITADOS EM CONTAS CORRENTES DA AUTUADA. MATÉRIA ESTRANHA À DISCUSSÃO. Considerando que o lançamento sob apreciação não contempla incidência sobre entrada de recursos em contas correntes da autuada, não é cabível na presente lide a discussão acerca da necessidade de se intimar as devedoras com ela solidárias acerca da origem dos citados recursos. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2008 CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Tendo os devedores arrolados na condição de solidários tomado ciência do Termo de Sujeição Passiva Solidária e do Termo de Verificação Fiscal, onde puderam visualizar os fundamentos fáticos e jurídicos do lançamento e da responsabilização que lhes foi imputada, incabível a alegação de cerceamento ao direito de defesa por desconhecimento de detalhes da acusação fiscal. IRREGULARIDADE NO MPF. NULIDADE. INOCORRÊNCIA A falha apontada no recurso quanto ao MPF não se configurou, posto que a autoridade emissora detinha a competência para prática do ato, conforme delegação de competência prevista em ato normativo da RFB. INCOMPETÊNCIA DO AGENTE PARA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. NÃO CONFIGURAÇÃO. A autoridade tributária responsável pela lavratura estava vinculada à Delegacia circunscricionante do estabelecimento matriz da empresa na data do lançamento, portanto, não há o que se falar de sua incompetência para prática do referido ato administrativo. Recursos Voluntários Providos em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade dos votos em conhecer dos recursos e, por maioria, dar-lhes provimento parcial para excluir do polo passivo a empresa Santa Izabel Administração e Participações Ltda, vencidos os Conselheiros Túlio Teotônio de Melo Pereira e Mário Pereira de Pinho Filho que negavam provimento. Votaram pelas conclusões em relação à responsabilidade de Humberto Verre, Ronnie Soares Anderson e Mário Pereira de Pinho Filho, por entenderem cabível a responsabilização com base também no inciso I do art. 124 do CTN. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo - Relator e Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 31; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1907; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.722730/201235 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402005.619 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 7 de fevereiro de 2017 Matéria IRRF. PAGAMENTOS SEM CAUSA Recorrente CORDEIRO LOPES & CIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2008 OBTENÇÃO DE DADOS BANCÁRIOS DE SUJEITO PASSIVO SOB PROCEDIMENTO FISCAL. CONSTITUCIONALIDADE. O Supremo Tribunal Federal fixou o entendimento de que a obtenção pelo fisco de dados de contribuintes submetidos a procedimento fiscal não representa inconstitucionalidade. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em consonância com os artigos 113, 139 e 161, do CTN, e 61, § 3º, da Lei 9.430/96. PAGAMENTO SEM CAUSA. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. Constatando o fisco a existência de pagamentos sem que seja justificada a causa destes, cabível o lançamento contra a fonte pagadora na alíquota de 35%, nos termos do § 1.º do art. 61 da Lei n.º 8.981/1995. LANÇAMENTO. PESSOA JURÍDICA BAIXADA DE OFÍCIO PELA RFB POR INEXISTÊNCIA DE FATO. POSSIBILIDADE. A pessoa jurídica subsiste até o final de sua liquidação, de modo que é perfeitamente possível promover lançamento (formalização da relação jurídico tributária) contra uma pessoa que se encontra com baixa de ofício no CNPJ por inexistência de fato, posto que esta providência administrativa não extingue a empresa, que pode inclusive readquirir a regularidade frente aos órgãos tributários. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 27 30 /2 01 2- 35 Fl. 4050DF CARF MF 2 INOCORRÊNCIA DE DESCONSIDERAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA QUE EFETUOU OS PAGAMENTOS SEM CAUSA. LANÇAMENTO CONTRA ESTA. POSSIBILIDADE. Uma vez que o fisco considerou que os pagamentos sem causa foram efetuados pela empresa autuada, para a qual não houve a desconsideração da personalidade jurídica, cabível que figure no polo passivo da autuação. COEXISTÊNCIA DE LANÇAMENTO DE IRPJ E REFLEXOS COM DE IRRF. POSSIBILIDADE. São compatíveis os lançamentos formalizados na ação fiscal sob apreciação, posto que o IRPJ e reflexos alcança fenômeno tributário ocorrido em momento distinto daquele que enseja o lançamento para o IRRF. INTIMAÇÃO DAS SOLIDÁRIAS SOBRE A ORIGEM DE VALORES DEPOSITADOS EM CONTAS CORRENTES DA AUTUADA. MATÉRIA ESTRANHA À DISCUSSÃO. Considerando que o lançamento sob apreciação não contempla incidência sobre entrada de recursos em contas correntes da autuada, não é cabível na presente lide a discussão acerca da necessidade de se intimar as devedoras com ela solidárias acerca da origem dos citados recursos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Tendo os devedores arrolados na condição de solidários tomado ciência do Termo de Sujeição Passiva Solidária e do Termo de Verificação Fiscal, onde puderam visualizar os fundamentos fáticos e jurídicos do lançamento e da responsabilização que lhes foi imputada, incabível a alegação de cerceamento ao direito de defesa por desconhecimento de detalhes da acusação fiscal. IRREGULARIDADE NO MPF. NULIDADE. INOCORRÊNCIA A falha apontada no recurso quanto ao MPF não se configurou, posto que a autoridade emissora detinha a competência para prática do ato, conforme delegação de competência prevista em ato normativo da RFB. INCOMPETÊNCIA DO AGENTE PARA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. NÃO CONFIGURAÇÃO. A autoridade tributária responsável pela lavratura estava vinculada à Delegacia circunscricionante do estabelecimento matriz da empresa na data do lançamento, portanto, não há o que se falar de sua incompetência para prática do referido ato administrativo. Recursos Voluntários Providos em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 4051DF CARF MF Processo nº 19515.722730/201235 Acórdão n.º 2402005.619 S2C4T2 Fl. 3 3 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade dos votos em conhecer dos recursos e, por maioria, darlhes provimento parcial para excluir do polo passivo a empresa Santa Izabel Administração e Participações Ltda, vencidos os Conselheiros Túlio Teotônio de Melo Pereira e Mário Pereira de Pinho Filho que negavam provimento. Votaram pelas conclusões em relação à responsabilidade de Humberto Verre, Ronnie Soares Anderson e Mário Pereira de Pinho Filho, por entenderem cabível a responsabilização com base também no inciso I do art. 124 do CTN. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Relator e Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 4052DF CARF MF 4 Relatório Tratamse de recursos apresentados pelos codevedores Humberto Verre (fls. 3.671/3.708) Casa Verre Indústria e Comércio EIRELI (fls. 3.790/3.826) e Santa Izabel Administração e Participações Ltda (3.912/3.948) contra decisão que declarou improcedentes as defesas apresentadas para desconstituir o Auto de Infração AI que integra o processo sob cuidado. Nos termos da descrição constante no AI (fls. 3.421/3.426), o lançamento de ofício de Imposto Sobre a Renda Retido na Fonte IRRF se deu em decorrência da infração à legislação tributária consistente em pagamentos sem causa ou de operação não comprovada. Conforme consta do Termo de Verificação Fiscal TVF de fls.3.282/3.308, o contribuinte é uma sociedade empresária limitada, constituída em 1996 e, no período fiscalizado, tinha a matriz localizada no Município de São José/SC, chegando a possuir sete filiais na capital e no interior do Estado de São Paulo. No momento da fiscalização, o domicílio da empresa se encontrava alterado para São Paulo/SP, todavia, esta não mais funcionava de fato, motivo pelo qual o seu CNPJ foi baixado de ofício. No anocalendário fiscalizado os sócios da empresa eram Lúcia Aparecida Lopes da Silva e Rodrigo Rodrigues da Silva, ambos sócios administradores, todavia, em 05/05/2009, Rodrigo foi substituído no quadro social por Vilma Pereira de Araújo. Em visita ao suposto domicílio tributário do sujeito passivo, constatouse que o imóvel encontravase fechado. O fisco então intimou as sócias a apresentarem a documentação necessária à verificação da regularidade fiscal do contribuinte. Como não houve atendimento das intimações, a autoridade lançadora formalizou o Termo de Embaraço à Fiscalização e encaminhou Requisições de Movimentação FinanceiraRMF para as instituições bancárias onde o sujeito passivo era titular de contas corrente. As sócias foram intimadas a comprovar a origem dos depósitos que o fisco não conseguiu vincular a alguma causa justificável. Ambas apresentaram respostas por escrito, conforme se segue. Lúcia Aparecida afirmou que: a) é domiciliada na cidade catarinense de São José, onde estava sediada a pessoa jurídica até a 16.ª Alteração Contratual, a qual foi transferida para São Paulo em 04/12/2009; b) segundo tal alteração, a administração e representação da sociedade caberia unicamente à outra sócia Vilma Araújo, por esse motivo as notificações a ela endereçadas seriam nulas; c) o gerenciamento e administração das filiais do Estado de São Paulo, cujo objetivo era a execução de um contrato firmado com o DETRAN/SP, competia a Humberto Fl. 4053DF CARF MF Processo nº 19515.722730/201235 Acórdão n.º 2402005.619 S2C4T2 Fl. 4 5 Verre, que era o beneficiário dos recursos financeiros provenientes deste negócio, sendo Vilma Araújo a procuradora legalmente constituída para representar a empresa e Sônia Regina Perez Sandoval a administradora de fato; d) Seu marido, Valdemir Rodrigues da Silva, e o filho, Rodrigo Rodrigues da Silva, outrora sócios da empresa, não teriam qualquer ingerência sobre as filiais de São Paulo e tampouco eram beneficiários dos recursos movimentados por aqueles estabelecimentos; e) requer que toda a documentação relativa às filiais de São Paulo, da qual não tem posse, seja solicitada diretamente a Humberto Verre, Sônia Regina Sandoval ou Vilma Araújo; f) juntou cópia de documento denominado "Termo e Instrumento de Declarações e Compromisso", assinado pela própria e por Valdemir Rodrigues, Rodrigo Rodrigues, Humberto Verre e Vilma Araújo, onde em linhas gerais, acordaram que a empresa Cordeiro Lopes e Cia Ltda seria dividida em duas partes: a primeira, compreendida pelo estabelecimento matriz, localizado em Santa Catarina, ficaria sob a responsabilidade de Valdemir Rodrigues e a segunda, integrada pelas demais filiais, todas localizadas em São Paulo, estariam sob o controle de Humberto Verre. De acordo com a avença (cláusulas 6 e 8), cada uma dessas pessoas ficaria responsável por todos os compromissos de natureza social, comercial, financeira e bancária dos negócios referentes aos respectivos estabelecimentos a eles atribuídos. g) de acordo com a cláusula 8.1, Humberto Verre ficaria responsável por todos os compromissos sociais assumidos pela empresa fiscalizada destinados a atender ao contrato com o DETRAN/SP edital n.º 20/2005, cujas obrigações e resultados a ele pertencem, desde a assinatura do instrumento, sejam eles de natureza comercial, tributária, fornecedores, bancos, agentes financeiros e seguradoras; h) há ainda uma disposição na qual os subscritores declaram e assumem total responsabilidade pela não divulgação do conteúdo acordado a terceiros, sob pena de perdas e danos; i) foi juntada cópia de declaração prestada, por ela e pelo marido, a Agente do Fisco do Estado de São Paulo, onde é feito um histórico da empresa, relatandose inclusive o acordo realizado com Humberto Verre, acima mencionado; j) foi trazida ainda procuração concedida pelos então sócios da empresa fiscalizada para Vilma Araújo, outorgandolhe amplos poderes para administrar a Cordeiro Lopes Ltda; k) foram juntadas ações trabalhistas de exfuncionários da empresa em questão, as quais incluíram no polo passivo a empresa Casa Verre Indústria e Comércio Ltda de propriedade de Humberto Verre; l) ao final, nega que tenha qualquer responsabilidade sobre a movimentação bancária apresentada pelo fisco, alegando que todos os depósitos seriam oriundos dos contratos firmados com o DETRAN/SP e, portanto, gerenciados exclusivamente por Humberto Verre, Sônia Regina Sandoval e Vilma Araújo. Fl. 4054DF CARF MF 6 Em 31/10/2011, a agora sócia da empresa autuada, Vilma Araújo, foi intimada a justificar a movimentação financeira verificada pelo fisco, tendo respondido com as seguintes alegações: a) não poderia responder por atos realizados no ano de 2008, posto que somente ingressou no quadro social da empresa Cordeiro Lopes em 17/04/2009; b) que em virtude de desentendimentos com a sócia minoritária, que estaria se recusando a fornecer informações e documentos sobre a empresa, resolveu transferir a sede da empresa em questão para São Paulo; c) a sócia Lúcia Aparecida Silva, em razão dessa providência, ajuizou Ação Anulatória de Contrato Social, tentando reverter a última alteração contratual; d) mesmo sendo representante legal da empresa, não tem como apresentar documentos relativos ao período fiscalizado, posto que a sócia minoritária não lhe forneceu estes elementos, devendo, assim, o procedimento fiscal se voltar contra esta; e) menciona que na ação fiscal relativa ao anocalendário de 2007, a autoridade tributária teria aceitado os seus argumentos e direcionado a auditoria para Lúcia Aparecida. As alegações de Vilma Araújo não foram acatadas pelo fisco, sob a justificativa de que esta detinha procuração com amplos poderes para administrar a empresa desde 2006, além de que assinou diversos cheques no decorrer do ano de 2008. Nesse sentido, nova intimação dirigida para Vilma Araújo para apresentação de documentos necessários ao desenvolvimento dos trabalhos fiscais. Em resposta a esta intimação, foi afirmado que não teria sido possível reunir a documentação, pelos motivos já expostos. Atendendo a intimação do fisco, o Departamento de Trânsito do Estado de São Paulo DETRAN/SP apresentou discriminativo contendo as datas e os valores pago à empresa fiscalizada no anocalendário de 2008, em decorrência de contratos de fornecimento de produtos e prestação de serviços firmados com o órgão. As informações obtidas das instituições bancárias, levaram o fisco a diligenciar juntos às empresas beneficiárias dos recursos provenientes de contas bancárias da empresa Cordeiro Lopes. Verificouse que as empresas Casa Verre Indústria e Comércio Ltda e Santa Izabel Administração e Participações Ltda, ambas controladas por Humberto Verre, eram as principais destinatárias dos recursos pagos pelo DETRAN/SP. Essas empresas foram instadas a comprovar a causa dos depósitos e apresentaram resposta única, na qual, segundo o fisco, os valores das notas fiscais não foram correlacionados aos repasses recebidos, sendo que a totalização das notas fiscais foi de R$ 2.518.225,75, enquanto que o total dos repasses para a Casa Verre foi de R$ 23.286.110,18 e para a Santa Izabel de R$ 11.805.000,00. Afirmase ainda que as notas fiscais apresentadas para justificar o repasse para ambas as empresas eram de emissão da Casa Verre, sem nenhuma referência à Santa Izabel, e sem qualquer observação sobre tal fato. Novos esclarecimentos foram solicitados pelo fisco, não tendo havido resposta das empresas. Fl. 4055DF CARF MF Processo nº 19515.722730/201235 Acórdão n.º 2402005.619 S2C4T2 Fl. 5 7 As demais empresas envolvidas também foram intimadas e se limitaram a afirmar que não haviam localizados nos seus arquivos e na escrituração contábil os registros dos depósitos provenientes da Cordeiro Lopes. Concluiu o fisco que a empresa autuada teria sido utilizada para encobrir a identidade dos reais beneficiários dos recursos financeiros oriundos dos contratos firmados com o DETRAN/SP, os quais seriam Humberto Verre e suas empresas Casa Verre e Santa Izabel. A autoridade lançadora mencionou ainda a ocorrência de dissolução irregular da autuada, constatada mediante diligência no local indicado como sua sede, onde se verificou a inexistência de atividade empresarial. Ressalta que a empresa se encontra baixada de ofício na RFB em razão de "inexistência de fato". Foi então lavrado o AI pela infração consistente em pagamento sem causa às seguintes empresas Casa Verre Indústria e Comércio Ltda, Santa Izabel Administração e Participações Ltda, Ecosena Oficina de Equipamentos Ltda, Tecnocom Negócios e Participações Ltda EPP e Inversora Moonlight Ltda, posto que não foram justificados os motivos das transações financeiras verificadas mediantes as informações dos bancos. Encontrase discriminada nos respectivos Termos de Sujeição Passiva Solidária de n.ºs 01 a 07, conforme conduta atribuída a cada um, a responsabilização tributária das seguintes pessoas físicas e jurídicas Humberto Verre, Casa Verre Indústria e Comércio Ltda, Santa Izabel Administração e Participações Ltda, Vilma Pereira de Araújo, Lúcia Aparecida Lopes da Silva, Valdemir Rodrigues da Silva e Rodrigo Rodrigues da Silva. Apresentadas impugnações por Humberto Verre, Casa Verre e Santa Izabel, a DRJ declarouas improcedentes, mantendo integralmente o AI. Contra essa decisão os mesmos codevedores interpuseram recursos voluntários, cujas razões serão expostas a seguir. Cientificado da decisão da DRJ em 20/05/2013, Humberto Verre protocolizou sua peça recursal, fls. 3.671/3.708, em 18/06/2013, com as razões abaixo mencionadas. PRELIMINARES Nulidade por incompatibilidade entre o lançamento e sua fundamentação Segundo o recorrente, a fundamentação do AI é incompatível com os fatos narrados no TVF. Sustenta que se o fisco considerou que houve interposição de empresa para encobrir repasses financeiros oriundos de contratos com o DETRAN/SP para os reais beneficiários, o lançamento não poderia ter como sujeito passivo a pessoa jurídica interposta, mas os próprios beneficiários. Neste caso, jamais se poderia imputar ao recorrente e as suas empresas a responsabilidade solidária, posto que se estes, como afirmou o fisco, foram os beneficiários dos pagamentos, deveriam, por decorrência lógica, terem o lançamento direcionado contra si e não serem arrolados como responsáveis por solidariedade. Fl. 4056DF CARF MF 8 Alega que não faz sentido que os supostos pagamentos sejam a causa do lançamento e ao mesmo tempo o fundamento para responsabilização do recorrente. Defende que, ou o fisco acusa a empresa autuada de efetuar pagamentos a beneficiários sem causa e procede ao lançamento de IRRF; ou, então a toma como interposta pessoa e efetua o lançamento contra os reais beneficiários. Afirma que, se houve interposição de pessoa, a base de cálculo do lançamento deveria considerar os pagamentos individuais a cada um dos beneficiários, com base na contabilidade destes e não imputar a determinado sujeito passivo operações efetuadas com outras pessoas. Cita decisões do CARF em que se firmou o entendimento de que, no caso de interposição de pessoa, o lançamento de ofício deve ser efetuado diretamente em face daquele contribuinte considerado titular dos rendimentos. Menciona ainda caso em que a fiscalização teve início contra determinada empresa, a qual depois veio a ser considerada dissolvida irregularmente, hipótese em que o fisco redirecionou a ação fiscal para alcançar apenas a pessoa do sócio. No caso em tela, o equívoco é gritante, pois o próprio fisco apontou a empresa autuada como inexistente e com cadastro baixado na Receita Federal. Assevera que é contraditório o fisco efetuar o lançamento contra uma empresa que foi irregularmente dissolvida e considerada pessoa jurídica interposta. Tal procedimento, no seu entender, representa erro na identificação do sujeito passivo, o que leva à nulidade do lançamento, conforme pacífica jurisprudência do CARF Nulidade por erro na metodologia do lançamento A partir da premissa adotada pelo fisco, o lançamento encontrase viciado por violação ao art. 142 do CTN e ao art. 10 do Decreto n.º 70.235/1972, posto que é absolutamente contraditória a fundamentação do ato administrativo e a metodologia aplicada para constituição do crédito tributário. Chama atenção para o fato de que o fisco efetuou o lançamento do IRPJ e reflexos sobre receitas que teriam sido omitidas, assim, não poderia lançar o IRRF, haja vista que aí é exigida a retenção na fonte de valores que seriam do próprio recorrente e das empresas das quais era sócio. Pergunta: como pode existir para um mesmo "sujeito passivo" a obrigação de pagar por solidariedade o IRPJ e reflexos, porque teria recebido tais valores a título de desenvolvimento de suas atividades e, ao mesmo tempo, ser solidário pelo crédito tributário constituído em relação aos mesmos valores por pagamento a beneficiário não identificado e sem causa? Afirma que o próprio CARF tem cancelado os lançamentos em que se constata erro de metodologia na sua confecção. Cita precedente. Nulidade por impossibilidade de exigência de IRRF concomitantemente à tributação de omissão de receitas O lançamento de IRRF seria incompatível com a própria fundamentação constante no Termo de Verificação Fiscal, que também serviu para o lançamento de IRPJ e Fl. 4057DF CARF MF Processo nº 19515.722730/201235 Acórdão n.º 2402005.619 S2C4T2 Fl. 6 9 reflexos. Não há como compatibilizar o lançamento que exige IRPJ e CSLL sobre a omissão de receitas e o lançamento de IRRF. O fisco concluiu no TVF que o recorrente e suas empresas foram os efetivos beneficiários dos recursos movimentados pela Cordeiro Lopes, então, se essa premissa estava correta, não se poderia exigir a obrigação de que os próprios favorecidos efetuassem a retenção dos valores que recebiam, havendo aí um evidente erro de sujeição passiva. Repete que não tem plausibilidade jurídica considerar que o recorrente, por intermédio de suas empresas, eram os beneficiários dos pagamentos efetuados pelo DETRAN/SP e efetuar o lançamento de IRRF decorrente de pagamento a beneficiário desconhecido ou sem causa. Se o fisco atribuiu um determinado tratamento aos fatos, os efeitos dele advindos devem valer para os lançamentos de todos os tributos fiscalizados. Cita decisão do CARF em que se afasta a exigência de IRRF quando o próprio lançamento tributário deuse em razão da desconsideração de planejamento tributário e já atribuiu às respectivas saídas de valores a causa e seus beneficiários. Apresenta outro precedente deste Tribunal que firma o entendimento de que a exigência do IRRF por pagamentos a beneficiário desconhecido ou sem causa somente tem lugar quando os pagamentos não tenha sidos considerados na apuração de outro tributo, onde se identifique os beneficiários e/ou a causa do pagamento. Aliado a isso, também não se poderia tributar o IRRF sobre receita presumida. Nulidade por irregularidade da presunção legal de omissão de receitas com base em depósitos bancários Assegura que no presente caso não houve a intimação do recorrente, tampouco das empresas de que era sócio, para demonstrar a origem dos recursos que foram a ela atribuídos pelo presente AI, mediante a presunção do art. 42 da Lei n.º 9.430/1996, o que vicia todos os lançamentos efetuados na ação fiscal em destaque. O CARF tem entendido que a intimação é requisito prévio para a aplicação da referida presunção legal. Cita precedentes. Nulidade por incompetência da autoridade para lavratura do Mandado de Procedimento Fiscal MPF e do lançamento O MPF foi emitido pelo Chefe de Divisão de Fiscalização, o qual não detinha competência legal para prática do ato, nos termos do art. 6.º da Portaria RFB n.º 3.014/2011. Por outro lado, a Delegacia da Receita Federal do Brasil RFB responsável pela fiscalização e, principalmente, pela lavratura do auto de infração, deveria ser aquela da circunscrição em que estava localizada a sede do contribuinte, in casu, São José/SC. É isso que prevê a legislação aplicável. Fl. 4058DF CARF MF 10 A lavratura do AI por agente vinculado à Delegacia da RFB em São Paulo, torna nulo o lançamento. Nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa Até o dia em que efetuou o protocolo da impugnação, o recorrente não teve acesso integral aos diversos relatórios e documentos juntados no processo administrativo e a que fazem referência o TVF e o Termo de Sujeição Passiva Solidária. Nesse sentido, é inquestionável a ocorrência de cerceamento ao seu direito de defesa. MÉRITO Impossibilidade de imputação de responsabilidade solidária ao recorrente e indevida desconsideração de pessoa jurídica O recorrente não é sócio da empresa Cordeiro Lopes, participando do quadro societário tão somente das empresas Casa Verre e Santa Izabel, as quais foram equivocadamente apontadas como responsáveis solidárias pelo débito fiscal. As empresas das quais o recorrente era sócio foram contratadas pela autuada para prestação de assessoria técnica, fornecimento de mercadorias e locação de imóveis, por possuírem experiência e credibilidade nos seus ramos de atuação. Tratase de mera relação comercial estabelecida entre as organizações, não se podendo inferir dela que o recorrente ou suas empresas possuíssem o poder de gerir contábil e financeiramente a contratante ou mesmo interferir no contrato firmado por esta com o DETRAN/SP. Principalmente a empresa Santa Izabel, que atua em área totalmente distinta (administração de imóveis). O fisco não poderia fundamentar a responsabilidade solidária imputada ao recorrente e suas empresas no art. 124, I, do CTN, posto que esse dispositivo visa alcançar as pessoas que guardam interesse comum com o fato gerador, não se prestando para responsabilizar terceiros, como é o caso do recorrente e de suas empresas. Quanto ao inciso III do art. 135 do CTN, este visa a responsabilizar os "diretores, gerentes ou representantes das pessoas jurídicas", portanto, não pode alcançar o recorrente, haja vista que a única relação que tinha com a Cordeiro Lopes era a prestação de serviços que as empresas de que era sócio realizava para aquela. Assim, a desconsideração de personalidade jurídica, por dissolução irregular, não implicaria responsabilização de quem não é sócio ou administrador da empresa irregularmente dissolvida. Por outro lado, a doutrina e a jurisprudência majoritária consideram ser necessária prévia decisão judicial para desconsideração da personalidade jurídica, para posterior imputação de responsabilidade tributária. O argumento do fisco quanto à proximidade da sede da Cordeiro Lopes da localização das empresas Casa Verre e Santa Luzia de modo a justificar a suposta interferência destas na gestão daquela não se sustenta. Tal fato somente demonstra que estas empresas tinham sedes distintas e que precisavam funcionar em locais próximos, tendo em conta a sua parceria comercial. Tributação de valores em triplicidade Fl. 4059DF CARF MF Processo nº 19515.722730/201235 Acórdão n.º 2402005.619 S2C4T2 Fl. 7 11 A tributação ocorreu em triplicidade, primeiro incidiram tributos sobre a receita recebida do DETRAN e sobre os mesmos valores repassados aos demais responsáveis (PAF n.º 19515.722729/201219) e, em segundo lugar, a mesma renda é tributada pelo IRPJ e pelo IRRF, exigindose o cumprimento dessa obrigação dos acusados de serem os beneficiários dos valores. Tratase de gritante equívoco. Ilicitude da prova por quebra do sigilo bancário e sobrestamento do recurso A quebra do sigilo bancário da empresa autuada, mediante requisição de movimentação financeira, não encontra amparo da jurisprudência do STF, que nos autos do RE n.º 389.808/PR, decidiu pela inconstitucionalidade da quebra de sigilo sem autorização judicial. Essa matéria teve também a sua repercussão geral analisada e reconhecida pelo Pretório Excelso no RE n.º 601.314/SP, assim, caso não se reconheça a sua inconstitucionalidade, pelo menos que se determine o sobrestamento do processo administrativo até a definição desta questão pelo STF. Impossibilidade da exigência da multa de ofício Descabendo o lançamento ora guerreado, inexiste, por conseguinte, fundamento para imposição de qualquer multa de ofício, uma vez que esta penalidade pecuniária constitui acessório da exação principal. Inaplicabilidade de juros sobre a multa de ofício Os juros moratórios não podem ser aplicados sobre a multa de ofício lançada, seja por falta de previsão legal, seja porque o enquadramento legal apontado no AI não autoriza a imposição de juros sobre a multa, mas apenas sobre os tributos não pagos no prazo legal. Ao final, pediu o provimento do recurso com declaração de nulidade ou improcedência do AI. A Casa Verre tendo tomado ciência da decisão de primeira instância em 24/05/2014 (fl. 3.467), interpôs recurso voluntário (fls. 3.790/3.826) em 18/06/2013, trazendo as mesmas alegações mencionadas no recurso acima narrado. A empresa Santa Izabel foi cientificada da decisão da DRJ em 20/05/2013 (fl. 3.645), tendo apresentado seu recurso (fls. 3.912/3.948) em 18/06/2013, onde também repetiu os argumentos apresentados na peça do seu sócio Humberto Verre. É o relatório. Fl. 4060DF CARF MF 12 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Relator Admissibilidade Os recursos foram apresentados no prazo legal e atendem aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecidos. PRELIMINARES Nulidade por cerceamento ao direito de defesa. Os recorrentes justificam a existência de cerceamento ao direito defesa no fato de não terem tido acesso aos documentos que compões o AI, mesmo tendo comparecido à repartição da RFB, posto que o AI não houvera sido lavrado em seus nomes, mas em nome da empresa Cordeiro Lopes. A decisão recorrida afasta essa tese, sob o argumento que houve a cientificação dos Termos de Verificação Fiscal e de Sujeição Passiva Solidária, os quais, fazendo referência o número do processo, permitiria facilmente a obtenção de cópia desta na RFB. De fato, observase as fls. 3.485/86/87 que os três recorrentes tomaram ciência do Termo de Sujeição Passiva Solidária, onde foram relatados todos os fatos que levaram o fisco a concluir pela responsabilização destas pessoas, além de que foram juntados a esta remessa os principais Termos lavrados durante a ação fiscal, mormente o TVF. De posse desses documentos foram fornecidos aos recorrentes as informações necessárias ao perfeito entendimento da imputação, além de que de posse destes haveria a total facilidade de se obter cópia integral do processo, não havendo espaço para se falar em cerceamento ao direito de defesa, uma vez que essa garantia poderia ser exercida com amplitude mediante os documentos que lhes foram enviados ou, caso se achasse necessário, mediante obtenção de cópia integral do processo. Além disso, os termos da defesa/recurso, onde se debate amplamente os diversos aspectos da autuação, permite concluir que houve o perfeito entendimento da imputação, não se vislumbrando o mínimo prejuízo ao direito de defesa dos devedores. Afasto, portanto esse preliminar. Nulidade por incompetência da autoridade para lavratura do Mandado de Procedimento Fiscal MPF e do lançamento Essa preliminar teve como argumentos a suposta incompetência do servidor que assinou os MPF de diligência fiscal que resultaram na responsabilização dos recorrentes, além da impossibilidade de servidor da Delegacia da RFB em São Paulo lavrar auto de infração contra empresa situada em outra unidade federativa. Fl. 4061DF CARF MF Processo nº 19515.722730/201235 Acórdão n.º 2402005.619 S2C4T2 Fl. 8 13 Começo pelo segundo argumento, que me parece mais simplório. Conforme noticiado nos autos a empresa Cordeiro Lopes teve sua sede transferida para o Município de São Paulo em 04/12/2009, conforme a 16.ª Alteração Contratual. A ação fiscal teve como marco inicial o dia 07/04/2011, conforme consignado no Termo de Início de Ação Fiscal, fl. 187, lavrado no âmbito da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Fiscalização em São Paulo. Portanto, não há o que se falar que tenha havido fiscalização por agente lotado em repartição, cuja circunscrição não abrangesse a sede da empresa, posto que quando do início da fiscalização o domicílio fiscal da empresa já era na capital paulista. Quanto à autoridade que emitiu o MPF, vejo que também não assiste razão aos recorrentes. Vejamos. Pois bem, cumpre esclarecer que os procedimentos fiscais em tela foram autorizados por meio de emissão de Mandados de Procedimento Fiscal Diligência (MPFD), nos termos da Portaria RFB nº 3.014, de 29/06/2011 (a mencionada Portaria RFB n.° 11.371/2007 foi revogada pela Portaria RFB nº 3.014/2011), que consigna, em seu artigo 6º, § 3º, as normas para delegação de competência para sua emissão, conforme transcrito a seguir: Art. 6º O MPF será emitido, observadas as respectivas atribuições regimentais, pelas seguintes autoridades: (...); § 3º Somente será admitida delegação de competência para emissão e alteração de MPF nas seguintes hipóteses: I de Superintendente da Receita Federal do Brasil para Chefe de Divisão de Fiscalização, de Administração Aduaneira ou de Repressão ao Contrabando e Descaminho, da Superintendência; II do CoordenadorGeral de Pesquisa e Investigação para Chefe de Escritório e Núcleo de Pesquisa e Investigação; III do CorregedorGeral para Chefe de Escritório e Núcleo da Corregedoria; IV do Delegado da Receita Federal do Brasil de Delegacias Especiais e de Delegacias Classe "A" ou "B", para Chefe de Divisão/Serviço de Fiscalização da Delegacia; (...) (grifei) No caso concreto os Mandados de Procedimento Fiscal (fl. 3.026 e 3.052) foram emitidos pela Delegacia da Receita Federal de Fiscalização em São Paulo (DEFIS) e assinados pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil Luiz Carlos Modesto dos Santos, então chefe da Divisão de Fiscalização, amparado pela Portaria de Delegação de Competência nº 171, de 12/07/2011. Logo, restam cumpridas as normas infralegais a respeito da emissão dos Mandados de Procedimento Fiscal. Além do mais, a jurisprudência do CARF é pacífica no entendimento de que o MPF, hoje extinto, representava apenas um instrumento de controle administrativo e alguma irregularidade verificada não levava à nulidade dos atos que lhe sucediam, mormente os lançamentos fiscais. É o que se pode ver do recentíssimo Acórdão n.º 3402003.310, de 28/09/2016: Fl. 4062DF CARF MF 14 " Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 18/09/2009 a 13/10/2009 NULIDADES. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. IRREGULARIDADE. INEXISTÊNCIA DE MPF ESPECÍFICO PARA A REVISÃO ADUANEIRA. Eventuais irregularidades verificadas no MPF ou mesmo a sua própria inexistência não acarretam a nulidade do auto de infração, pois a competência do AuditorFiscal da Receita Federal decorre de disposição expressa do art. 6º da Lei nº 10.593/2002, não podendo ser restringida por atos administrativos. MULTA REGULAMENTAR. INFORMAÇÃO INEXATA NAS DI. AUSÊNCIA DE IDENTIFICAÇÃO DO ENCOMEDANTE. Restando comprovado que o importador por encomenda não informou o número do CNPJ do encomendante no campo destinado à identificação do adquirente por conta e ordem, como determina o art. 3º, parágrafo único, da IN SRF nº 634/2006, é cabível a inflição da multa estabelecida no art. 69, § 1º, I, da Lei nº 10.833/2003. Recurso voluntário negado." Afastase, portanto, mais essa preliminar. As demais questões trazida pelos recorrentes como preliminares, por se confundirem com o próprio mérito da contenda, serão tratadas adiante. Ilicitude da prova por quebra do sigilo bancário e sobrestamento do recurso Asseverouse no recurso que a exação decorreu da quebra do seu sigilo bancário, conforme se constata de toda a narrativa expressa no TVF. No seu entender a quebra do sigilo bancário dos contribuintes é medida extrema que afeta a sua intimidade e que somente pode ser efetuada mediante autorização judicial. Nesse sentido, o Supremo Tribunal Federal STF declarou inconstitucional os dispositivos da Lei Complementar n.º 105/2001, que no bojo do RE 389.808/PR manifestou o entendimento que apenas o Judiciário detém o poder de autorizar a quebra do sigilo bancário e, mesmo assim, somente nos casos de investigação criminal ou instrução processual penal, o que não é o caso dos autos. Menciona que o próprio STF já se manifestou sobre o tema ao apreciar o RE n.º 389.808, reconhecendo a inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário dos contribuintes em que o fisco detenha autorização judicial. Vejamos. A celeuma acerca da inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário estava contida no Tema de Repercussão Geral nº 225, da Corte Constitucional. Ocorre que a matéria já foi decidida no bojo do RE nº 601.314, citado pelos recorrentes para requerer o sobrestamento do feito, no qual se definiu que: Fl. 4063DF CARF MF Processo nº 19515.722730/201235 Acórdão n.º 2402005.619 S2C4T2 Fl. 9 15 “Decisão: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto do Relator, apreciando o tema 225 da repercussão geral, conheceu do recurso e a este negou provimento, vencidos os Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Por maioria, o Tribunal fixou, quanto ao item “a” do tema em questão, a seguinte tese: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”; ...” Em suma, o STF já se pronunciou em sede de Repercussão Geral (no RE nº 601.314) sobre a constitucionalidade da referida norma. Nesse sentido é obrigatória a aplicação deste entendimento pelos membros do CARF, a contrário senso do que determina o inciso I do art. 62 do Regimento Interno do CARF, inserto no Anexo do II da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015 e alterações posteriores, assim redigido: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; (...)" Diante dessas considerações, não é possível dar provimento ao pleito do contribuinte no sentido de cancelar o auto de infração em razão de suposta ilegalidade na utilização de seus dados bancários pelo fisco. Por outro lado, o pedido de sobrestamento do feito em razão da pendência de julgamento no STF perdeu o objeto, posto que o RE n.º 601.314, processo judicial em que o contribuinte se baseou para requerer a suspensão do julgamento, já foi decidido pela Corte Máxima, conforme visto acima. Incidência de juros sobre a multa de ofício Essa questão já se encontra pacificada no âmbito dessa turma, como se pode ver do Acórdão n.º 2002005.339, 14/06/2016, assim ementado: "Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 2008, 2009, 2010 OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART. 173, INC. I, DO CTN. O prazo decadencial para constituição de obrigações tributárias acessórias é de cinco anos e deve ser contado nos termos do art. 173, inc. I, do CTN, vez que, nesta hipótese, não há pagamento a ser homologado pela Fazenda Pública. Fl. 4064DF CARF MF 16 FALTA DE RETENÇÃO E DE RECOLHIMENTO. MULTA. OBRIGAÇÃO DA FONTE PAGADORA. Encerrado o prazo para entrega da declaração de pessoa física, a responsabilidade pelo pagamento do respectivo imposto passa a ser do beneficiário dos rendimentos, cabível a aplicação, à fonte pagadora, da multa pela falta de retenção ou de recolhimento, prevista no art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007, tendo ou não os rendimentos sido submetidos à tributação no ajuste. JUROS ISOLADOS. IRRF. INEXISTÊNCIA DE RETENÇÃO. APURAÇÃO APÓS O PRAZO LEGAL PARA A ENTREGA DE DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL PELO CONTRIBUINTE. CABIMENTO. 1. No período compreendido entre a data em que a retenção deveria ter sido recolhida, pela fonte, e a data final prevista para a entrega da declaração de ajuste anual, pelo beneficiário, a mora é da própria fonte, e não do beneficiário.2. Nesse período, a fonte responde pelos juros moratórios.3. O sujeito passivo indireto somente não responde pela mora a qual não der causa, que é a mora contada a partir da data final da entrega da declaração pelo contribuinte, ocasião em que o rendimento deve ser oferecido à tributação no ajuste. IRRF. PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. MULTA QUALIFICADA. IDENTIFICAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. EQUÍVOCO. 1. O art. 674 do RIR/99 e seu § 1º estabelecem, para o sujeito passivo, o ônus de comprovar, mediante documentação hábil e idônea, os beneficiários dos pagamentos realizados, assim como as suas causas subjacentes.2. Em não havendo comprovação, tais pagamentos são tributados exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%.3. A inexistência de razões recursais quanto ao lançamento do IRRF, torna definitivo o lançamento, na dicção do parágrafo único do art. 42 do Decreto nº 70.235/1972.4. Diante do evidente equívoco na qualificação da multa e, consequentemente, na identificação da matéria tributável (art. 142 do CTN), deve ser cancelada a sua qualificação.5. Não pode a DRJ, enquanto órgão julgador, corrigir o lançamento, para corrigir os fundamentos da qualificação, sob pena de ofensa ao princípio do devido processo legal (due process of law). JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. 1. Os juros de mora são aplicáveis sobre a multa de ofício, na medida em que ela é integrante do crédito tributário não integralmente pago no vencimento.2. O tributo e a multa têm datas de vencimentos distintas.3. Diferentemente do tributo, que decorre exclusivamente do seu respectivo fato gerador, a multa de ofício decorre do lançamento.4. O vencimento da multa por lançamento de oficio se dá no prazo de 30 dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Recurso Voluntário Provido em Parte." (grifei) Fl. 4065DF CARF MF Processo nº 19515.722730/201235 Acórdão n.º 2402005.619 S2C4T2 Fl. 10 17 Esse mesmo entendimento tem prevalecido na Câmara Superior de Recursos Fiscais, de pude extrair o voto integrante do Acórdão n.º 9101002.446, o qual adoto como fundamento para meu encaminhamento: "Vale transcrever, inicialmente, o artigo 113, do CTN, que predica que o objeto da obrigação tributária principal é o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. (grifei) § 2º (...) Por sua vez, o crédito tributário decorre da obrigação principal, conforme o artigo 139 do CTN: Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. A penalidade pecuniária tem base no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, materializada na multa de ofício aplicada sobre o tributo. E, como se pode observar a penalidade pecuniária, decorrente da infração, compõe a obrigação tributária principal e, por conseguinte, integra o crédito tributário. Doutrina de Ives Gandra Martins ratifica o entendimento: 'A obrigação tributária abrange tanto o tributo quanto a penalidade pecuniária. O pagamento, seja do tributo, seja da penalidade pecuniária que são duas espécies do gênero obrigação tributária , extingue o crédito tributário. A obrigação principal é efetivamente uma obrigação tributária. A obrigação acessória é uma obrigação administrativa, porque, quando ela passa a ser tributária, deixa de ser acessória e passa a ser principal. Há que se observar que não é toda penalidade tributária que se constitui em sanção com conformação de obrigação tributária. A penalidade que implica a perda de liberdade, que é ínsita ao campo do Direito Tributário, essa, evidentemente, não é uma obrigação tributária. A obrigação tributária é, como vimos, gênero do qual são espécies o tributo e a penalidade. Entretanto, esta só compreende a penalidade pecuniária. Se a penalidade for de outra natureza, tributária não é. As obrigações acessórias, aquelas que os contribuintes são obrigados a fazer em nome do fisco e para o fisco, como a escrituração dos seus livros, a manutenção dos seus documentos, a emissão de notas fiscais, essas obrigações acessórias, na verdade, não são obrigações tributárias, são obrigações administrativas. O contribuinte se transforma numa longa manus da Administração, e é evidente que essas obrigações acessórias, quando descumpridas, merecem uma penalidade, e sempre que Fl. 4066DF CARF MF 18 merecerem uma penalidade pecuniária passam a ser obrigações principais e entram naquela conformação do art. 113 (Curso de direito tributário, Col. AudioJuris,, fita n. 6, lado A).' (grifei) Por sua vez, o CTN, ao discorrer sobre o pagamento, informa que devem incidir juros sobre o crédito tributário não integralmente adimplido no vencimento, verbis: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (grifei) § 1º (...) E a correção estipulada pelo mencionado art. 161, a partir da Lei nº 9.065, de 1995, segue a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, questão já pacificada pela Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Verificase, assim que tanto tributo quanto penalidade estão sujeitos à atualização prevista no art. 161 do CTN, mediante aplicação da taxa SELIC." Erro na identificação do sujeito passivo Alegam os recorrentes que o fisco adotou como um dos pressupostos do lançamento a interposição da pessoa jurídica autuada para dissimular os reais beneficiários dos pagamentos feitos pelo DETRAN/SP. Nesse sentido, defendem que a lavratura teria que ser efetuada em nome das pessoas que efetivamente foram favorecidas com os depósitos e não naquela que apenas "emprestou" suas contas bancárias para trânsito dos recursos. Advogam que não faz sentido que os supostos pagamentos sejam a causa do lançamento e ao mesmo tempo sirvam para fundamentar responsabilização das recorrentes. O lançamento, conforme já sabemos, tem por objeto a exigência do IRRF nos termos do art. 61 da Lei n.º 8.981/1995, o qual carrega a seguinte redação: "Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. (...)" O fisco, em consonância com o dispositivo acima, elegeu como sujeito passivo do lançamento a empresa Cordeiro Lopes, posto que esta foi a responsável pelos Fl. 4067DF CARF MF Processo nº 19515.722730/201235 Acórdão n.º 2402005.619 S2C4T2 Fl. 11 19 pagamentos efetuados a pessoas jurídicas, os quais não tiveram sua causa justificada. Não custa frisar que inexistiu neste caso a desconsideração desta pessoa jurídica, como se quis insinuar nos recursos. Observese que o TVF é enfático ao afirmar que as empresas Casa Verre e Santa Izabel, principais beneficiárias dos repasses efetuados pela autuada, apresentaram resposta única para justificar as transações financeiras, indicando notas fiscais que dariam cobertura aos depósitos efetuados, todavia, as notas exibidas não mantinham correlação com os repasses recebidos, sendo que a totalização dos documentos fiscais assumiu o montante de R$ 2.518.225,75, ao passo que foram depositados R$ 23.286.110,18 para a Casa Verre e 11.805.000,00 para a Santa Izabel. As demais empresas intimadas não reconheceram os depósitos verificados mediante RMF. Nesse sentido, plenamente cabível a aplicação do art. 61 da Lei n.º 8.981/1995 à situação narrada, não se verificando qualquer dissonância entre os fatos (falta de identificação da causa do pagamento) e a fundamentação do lançamento (§ 1.º do art. 61 da Lei n.º 8.981/1995. Os sujeitos passivos do lançamento foram a empresa que efetuou os pagamentos sem causa e as recorrentes. A primeira na condição de contribuinte (inciso I do art. 121 do CTN), e as demais sendo chamadas para responder solidariamente pelo crédito tributário (inciso II do mesmo artigo). Dúvida não há de que foi a empresa autuada quem praticou a conduta que deu ensejo ao lançamento, ou seja, aquela que efetuou os pagamentos sem causa, portanto, natural que figure na condição de contribuinte do imposto. Por outro lado, não há qualquer incompatibilidade em se atribuir ao beneficiário do pagamento sem causa a condição de responsável solidário pelo crédito, desde que presentes os requisitos impostos pela lei, o que será apreciado neste voto na parte que tratar especificamente da responsabilidade tributária de cada uma das pessoas arroladas como codevedoras. Não há portanto o que falar em incompatibilidade entre a situação narrada e a fundamentação do lançamento. Quanto à jurisprudência colacionada para demonstrar a ocorrência de erro na identificação do sujeito passivo, verifico que os precedentes não guardam identidade com a situação sob testilha, uma vez que se referem à infração concernente a depósitos bancários de origem não comprovada prevista no § 5.º do art. 42 da Lei n.º 9.430/1996 (Acórdãos n.º 1401 00.257; 30100.350 e 0105.543); erro na identificação do sujeito passivo por autonomia de estabelecimentos na apuração do IPI (Acórdão n.º 3101001.361) ou erro no lançamento contra pessoa jurídica extinta por liquidação voluntária (Acórdão n.º 140100.377). Acerca da impossibilidade de lançamento contra pessoa jurídica extinta, que seria outra causa de nulidade da autuação, vejo que também não assiste razão aos recorrentes. Pelo que se extrai dos autos, em ação fiscal anterior, levada a efeito pela DRF/Florianópolis, foi emitida representação para baixa de ofício por inexistência de fato da empresa, cujo desfecho foi a alteração cadastral na RFB da autuada para "baixada de ofício", conforme PAF n.º 11516.003546/201017. Fl. 4068DF CARF MF 20 Ocorre que a baixa de ofício não representa a extinção da pessoa jurídica, como afirmam os recorrentes, posto que o encerramento definitivo se dá somente com a averbação no registro onde houver a inscrição. É essa a conclusão a que se chega da leitura dos seguintes dispositivos do Código Civil (Lei n.º 10.406/2002): "Art. 51. Nos casos de dissolução da pessoa jurídica ou cassada a autorização para seu funcionamento, ela subsistirá para os fins de liquidação, até que esta se conclua. § 1o Farseá, no registro onde a pessoa jurídica estiver inscrita, a averbação de sua dissolução. § 2o As disposições para a liquidação das sociedades aplicamse, no que couber, às demais pessoas jurídicas de direito privado. § 3o Encerrada a liquidação, promoverseá o cancelamento da inscrição da pessoa jurídica." Verificase assim que somente após a liquidação sua liquidação é que ocorre o cancelamento da pessoa jurídica. Nos casos de baixa de ofício do CNPJ não ocorre a dissolução, até porque ainda pode haver, no caso de inexistência de fato, o restabelecimento da atividade da empresa perante a RFB, mediante requerimento, conforme se verifica da hoje vigente Instrução Normativa RFB n.º 1634/2016: "Da Baixa de Ofício da Pessoa Jurídica Inexistente de Fato Art. 31. No caso de pessoa jurídica inexistente de fato, o procedimento administrativo de baixa deve ser iniciado por representação consubstanciada com elementos que evidenciem qualquer das pendências ou situações descritas no inciso II do caput do art. 29. § 1º A unidade cadastradora da RFB que jurisdiciona a pessoa jurídica ou da unidade de exercício do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil responsável pelo procedimento fiscal, acatando a representação citada no caput, deve intimar a pessoa jurídica, por meio de edital, publicado no sítio da RFB na Internet, no endereço citado no caput do art. 14, ou alternativamente no DOU, a regularizar, no prazo de 30 (trinta) dias, sua situação ou contrapor as razões da representação, suspendendo sua inscrição no CNPJ a partir da publicação do edital. § 2º Quando não houver atendimento à intimação ou quando não forem acatadas as contraposições apresentadas, a inscrição no CNPJ deve ser baixada por meio de ADE, publicado no sítio da RFB na Internet, no endereço citado no caput do art. 14, ou alternativamente no DOU, no qual devem ser indicados o nome empresarial e o número de inscrição da pessoa jurídica no CNPJ. § 3º A pessoa jurídica que teve a inscrição baixada conforme o § 2º pode solicitar o seu restabelecimento, por meio de processo administrativo, mediante prova: I de que dispõe de patrimônio e capacidade operacional necessários à realização de seu objeto, no caso previsto na alínea “a” do inciso II do art. 29; Fl. 4069DF CARF MF Processo nº 19515.722730/201235 Acórdão n.º 2402005.619 S2C4T2 Fl. 12 21 II de sua localização, nos casos previstos na alínea “b” do inciso II do caput do art. 29; III da localização do seu procurador, no caso previsto na alínea “c” do inciso II do caput do art. 29; IV do reinício de suas atividades, no caso previsto na alínea “d” do inciso II do caput do art. 29; V da efetividade das operações descritas nos documentos emitidos, no caso previsto no item 1 da alínea “e” do inciso II do caput do art. 29; VI de que é a real beneficiária das operações realizadas, no caso previsto no item 2 da alínea “e” do inciso II do caput do art. 29. § 4º O restabelecimento da inscrição da pessoa jurídica baixada na forma prevista no § 2º deve ser realizado por meio de ADE, publicado no sítio da RFB na Internet, no endereço citado no caput do art. 14, ou alternativamente no DOU, no qual devem ser indicados o nome empresarial e o número de inscrição da pessoa jurídica no CNPJ. § 5º A análise da contraposição de que trata o § 1º e do pedido de restabelecimento deve ser precedida, sempre que possível, de manifestação do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil que emitiu a representação propondo a declaração da baixa de ofício." (grifei) Como se percebe não há impedimento de que se lance o crédito tributário em nome de pessoa jurídica com o CNPJ baixado de ofício, de forma que não há de acolher a tese da nulidade decorrente de erro na identificação do sujeito passivo. Nulidade por erro na metodologia do lançamento Para os recorrentes, o fisco, tendo considerado que a empresa autuada funcionou no período do lançamento como interposta empresa para ocultar os pagamentos que o DETRAN/SP fez para as empresas Casa Verre e Santa Izabel, não poderia lançar o IRRF, posto que aí se exige a retenção na fonte de valores que pertenciam aos próprios recorrentes, uma vez que, segundo o raciocínio fiscal, estes eram os verdadeiros proprietários dos recursos. Não é essa a melhor interpretação. Embora o fisco mencione a existência de suposta interposição de pessoa jurídica, no caso a Cordeiro Lopes, tais fatos foram narrados não para dar fundamento ao lançamento diretamente nas pessoas das beneficiárias, mas tão somente para dar robustez à responsabilização de Humberto Verre e de suas empresas na condição de solidárias pelo débito, o que será analisado em tópico específico. Não está aqui tratando de inexistência da empresa interposta, posto que não se desconsiderou a personalidade jurídica da autuada, mas de artifício ilícito engendrado entre pessoas jurídicas para reduzir o valor dos tributos devidos. A partir dessa conclusão é fácil se notar que a metodologia utilizada está em perfeita sintonia com a legislação de regência. Não tendo sido comprovadas as causas dos pagamentos feitos pela empresa sob ação fiscal às pessoas jurídicas beneficiárias das Fl. 4070DF CARF MF 22 transferências monetárias, cabível o lançamento do IRRF à alíquota de 35%, conforme determina o art. 61 da Lei n.º 8.981/1995. Impossibilidade de lançamento do IRRF com o IRPJ e reflexos A tese da impossibilidade jurídica da coexistência de lançamentos para exigência do IRRF e do IRPJ e reflexos também não merece sucesso. É equivocada a tese de que o lançamento de IRRF seria incompatível com a própria fundamentação constante no Termo de Verificação Fiscal, que também serviu para o lançamento de IRPJ e reflexos. Vejamos. Inicialmente cabe ponderar que a apuração do IRPJ e reflexos foi objeto de AI que compõe o PAF n.º 19515.722729/201219. Ali a matéria tributável, correspondente ao lucro arbitrado, foi obtida com base na receita bruta de vendas, esta correspondente a soma das notas fiscais de prestação de serviço e vendas de mercadoria, adicionandose à omissão de receitas decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada. No processo sobre o qual agora nos debruçamos, a base de cálculo corresponde às saídas de recursos da empresa em que não houve a comprovação da causa do pagamento, pela falta de correlação entre as notas fiscais apresentadas e os depósitos, ou simplesmente pela falta de apresentação de algum documento que embasasse o desembolso. Ora, se tais recursos decorreram de contratos da autuada com o DETRAN/SP, devem ser devidamente justificadas as saídas monetárias quando utilizados em pagamentos a terceiros, sem causa comprovada, a teor do inciso I do art. 674 do RIR/99, verbis: "Art. 674. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais (Lei n° 8.981, de 1995, art. 61). § 1° A incidência prevista neste artigo aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa (Lei n° 8.981, de 1995, art. 61,§1 (...) § 3 ° O rendimento será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 3°)”. Nesse sentido, os recorrentes precisam compreender que a tributação para o IRPJ alcança fenômeno ocorrido em momento distinto daquele que enseja o lançamento para o IRRF. O primeiro, quando a Cordeiro Lopes aufere as receitas e os recursos ingressam na conta bancária. O segundo ocorre quando ela, pessoa jurídica, transfere os recursos para empresas outras, sem que estas operações tenham decorrido de causa conhecida. A toda evidência, não estão sendo feitos dois lançamentos sobre a mesma base imponível. Os lançamentos versam sobre rendimentos auferidos por pessoas distintas. Por outro lado há de se ter em conta que a jurisprudência mencionada não se aplica ao presente caso, posto que aqui, conforme já reiteramos, a motivação do lançamento de Fl. 4071DF CARF MF Processo nº 19515.722730/201235 Acórdão n.º 2402005.619 S2C4T2 Fl. 13 23 IRRF não foi a falta de identificação dos beneficiários, mas a falta de causa para o pagamento, nos termos do § 1.º do art. 61 da Lei n.º 8.981/1995, já transcrito. Acerca impossibilidade dos beneficiários das receitas (os recorrentes) de efetuarem retenções sobre pagamentos que lhe pertenciam, já me manifestei acima no sentido de que a suposta interposição foi citada no TVF apenas no sentido robustecer a imputação da responsabilidade solidária, posto que no lançamento considerouse que os recursos derivados dos contratos com o DETRAN/SP pertenciam a autuada e foram repassados à terceiros sem comprovação da causa do pagamento. Fica, assim, afastada a tese da impossibilidade de tributação para o IRPJ e reflexos e aquela relativa ao IRRF. Outra alegação dos recorrentes é que não se poderia tributar o IRRF sobre receita presumida. Essa é outra tese que deriva de equívoco no entendimento dos recorrentes. O presente lançamento não foi edificado com base em presunção de receitas, mas tem como fundamento a existência de depósitos, identificados mediante RMF´s, os quais, após diligências nas empresas beneficiárias, não tiveram a causa justificada. Mais adiante os recorrentes tentam afastar o lançamento alegando uma tributação em triplicidade sobre os mesmos recursos. Advogam que houve a tributação sobre os pagamentos efetuados pelo DETRAN/SP à autuada, concomitantemente tributouse às saídas de recursos e, por fim, ainda se atribuiu a responsabilidade pelos créditos constituídos a terceiras pessoas. Quanto à compatibilidade entre os lançamentos de IRPJ e IRPF contra a autuada é tema que já foi discutido neste voto, concluindose que por serem fenômenos tributários ocorridos em momentos distintos, inexiste incompatibilidade entre os lançamentos. Acerca da imputação de responsabilidade solidária às recorrentes, é tema que será tratado em tópico específico deste voto. Nulidade por irregularidade da presunção legal de omissão de receitas com base em depósitos bancários Asseguram os recorrentes que no presente caso não houve a sua intimação, para demonstrar a origem dos recursos que foram a ela atribuídos pelo presente AI, mediante a presunção do art. 42 da Lei n.º 9.430/1996, o que vicia todos os lançamentos efetuados na ação fiscal em destaque. Uma primeira observação a ser feita é que a falta de intimação a que se referem os recorrentes diz respeito aos créditos efetuados em contas correntes da Cordeiro Lopes e que não tiveram sua origem identificada. Nesse sentido, verificase de plano que é circunstância que não se comunica com o presente lançamento relativo a IRRF. É que este, conforme assinalado acima, decorreu de tributação de saídas de recursos da autuada sem causa justificada. Portanto, a alegação sob enfoque é estranha à discussão do AI sob apreciação, somente tendo cabimento no bojo do processo relativo à exigência de IRPJ e reflexos. Fl. 4072DF CARF MF 24 Da responsabilidade solidária imputada aos recorrentes I) Humberto Verre TSPS de fls. 3.428/3.434 Para o fisco, Humberto Verre era o administrador de fato e principal beneficiário dos negócios desenvolvidos pela empresa autuada, conforme comprovariam os fatos narrados que resumidamente apresento agora: a) declaração prestada ao fisco paulista pela sócia da Cordeiro Lopes, Lúcia Aparecida, a qual foi anexada a respostas a intimações do fisco federal, dá conta de que o administrador de fato da empresa, Valdemir Rodrigues da Silva, celebrou acordo com Humberto Verre cedendo o nome da empresa autuada para participação em licitação promovida pela DETRAN/SP; b) firmado o acordo, a Cordeiro Lopes outorgou poderes ilimitados a Vilma Araújo (exfuncionária da Casa Verre) para administrála. Segundo Lúcia Aparecida, a partir deste momento, o relacionamento da autuada com o DETRAN/SP passou a ser exercido por intermédio de Vilma Araújo e Sônia Regina Sandoval (funcionária da Casa Verre), tudo sob o comando de Humberto Verre; c) ainda segundo Lúcia Aparecida, para atender ao contrato com o DETRAN/SP foram abertas filiais da Cordeiro Lopes em São Paulo, as quais eram de fato administradas por Humberto Verre, que firmou vários contratos para prover a empresa de estrutura necessária ao funcionamento. Todos esse contratos foram assinados pela mandatária Vilma Araújo; d) mencionouse ainda que os talonários de notas fiscais da autuada eram enviados para São Paulo, de modo que os documentos fiscais fossem emitidos por funcionários da Casa Verre; e) foi juntado às respostas de Lúcia Aparecida às intimações fiscais documento denominado "Termo e Instrumento de Declaração e Compromisso" no qual os representantes da Cordeiro Lopes, juntamente com Humberto Verre e Vilma Araújo, acordaram que aquela empresa seria cindida em duas partes, com o estabelecimento matriz, localizado em Santa Catarina, ficando sob a responsabilidade de Valdemir Rodrigues e as demais filiais, todas localizadas em São Paulo, ficariam sob o comando de Humberto Verre; f) a cláusula 8.1 deste documento estabelecia que Humberto Verre ficaria responsável por todos os compromissos assumidos pela empresa para com o DETRAN/SP, respondendo pelas obrigações e sendo beneficiários dos resultados do negócio; g) foi apresentada pelo Ministério Público de São Paulo denúncia contra as pessoas envolvidas no contrato com o DETRAN/SP, sócios, administradores e empregados da Cordeiro Lopes e da Casa Verre, pelos delitos de "fraude em licitação" e "formação de quadrilha"; i) desta denúncia consta que a empresa Cordeiro Lopes após sagrarse vencedora da licitação com o órgão de trânsito, cedeu, mediante pacto secreto, o objeto licitado a Humberto Verre e sua esposa Heloísa Verre; j) o fisco relata também que cerca de 80% de todos os créditos recebidos pela Cordeiro Lopes no anocalendário de 2008 eram repassados às empresas Casa Verre e Santa Izabel, sendo que, dos valores recebidos do DETRAN/SP, mais de 70% eram repassados na mesma data em que eram creditadas para a autuada; Fl. 4073DF CARF MF Processo nº 19515.722730/201235 Acórdão n.º 2402005.619 S2C4T2 Fl. 14 25 k) em diligências nas principais recebedoras dos recursos, dos R$ 35.091.110,18 repassados, foram justificados apenas R$ 2.518.225,75, que seriam oriundos de vendas de mercadorias pela Casa Verre, em relação aos restantes R$ 32.572.884,43, nada foi esclarecido; l) constatouse ainda que ambas as empresas, Casa Verre e Santa Izabel, eram controladas por Humberto Verre e sua família; m) apontase ainda o fato da sede da autuada ficar na mesma rua onde funcionam a Casa Verre e a Santa Izabel; n) foram juntadas reclamatórias trabalhistas movidas por funcionários da Cordeiro Lopes, onde está também posta no polo passivo a Casa Verre, havendo inclusive acordos em que esta assume os débitos trabalhistas da primeira; o) o cadastro bancário da Cordeiro Lopes, tinha como nome de contato Maria Demori, funcionária da Casa Verre; r) Vilma Araújo (procuradora da Cordeiro Lopes) e Sônia Sandoval, esta responsável por gerir o contrato com o DETRAN/SP, eram também funcionárias da Casa Verre; Concluise assim que Humberto Verre e suas empresas eram os principais gestores e beneficiários dos negócios realizados pela autuada no ano de 2008, tal fato inclusive levou a 5.ª Vara Federal de Execuções Fiscais da Seção Judiciária de São Paulo a acolher pedido da Procuradoria da Fazenda Nacional no sentido de redirecionar a cobrança do crédito sob enfoque para a Casa Verre, sendo incluídos ainda no polo passivo Humberto Verre e todas as outras pessoas arroladas pelo fisco como devedoras solidárias neste lançamento. Para o fisco restou caracterizada a sujeição passiva solidária de Humberto Verre com base no inciso I do art. 124 e inciso III do art. 135, ambos do CTN. Para afastar a responsabilidade imputada, Humberto Verre alegou que não é sócio da empresa Cordeiro Lopes, participando do quadro societário tão somente das empresas Casa Verre e Santa Izabel, as quais foram equivocadamente apontadas como responsáveis solidárias pelo débito fiscal. Afirma que as empresas das quais é sócio foram contratadas pela autuada para prestação de assessoria técnica, fornecimento de mercadorias e locação de imóveis por possuírem experiência e credibilidade nos seus ramos de atuação. Tratase de mera relação comercial estabelecida entre as organizações, não se podendo inferir dela que o recorrente ou suas empresas possuíssem o poder de gerir contábil e financeiramente a contratante ou mesmo interferir no contrato firmado por esta com o DETRAN/SP. Principalmente a empresa Santa Izabel, que atua em área totalmente distinta (administração de imóveis). Defende que o fisco não poderia fundamentar a responsabilidade solidária imputada ao recorrente e suas empresas no art. 124, I, do CTN, posto que esse dispositivo objetiva alcançar as pessoas que guardam interesse comum com o fato gerador, não se prestando para responsabilizar terceiros, como é o caso do recorrente e de suas empresas. Fl. 4074DF CARF MF 26 Quanto ao inciso III do art. 135 do CTN, sustenta que este visa a responsabilizar os "diretores, gerentes ou representantes das pessoas jurídicas", portanto, não pode alcançar o recorrente, haja vista que a única relação que tinha com a Cordeiro Lopes era a prestação de serviços que as empresas de que era sócio realizava para aquela. Assim, no seu entender, a desconsideração de personalidade jurídica, por dissolução irregular, não implicaria responsabilização de quem não é sócio ou administrador da empresa irregularmente dissolvida. Acrescenta que a doutrina e a jurisprudência majoritária consideram ser necessária prévia decisão judicial para desconsideração da personalidade jurídica, para posterior imputação de responsabilidade tributária. Para o recorrente, o argumento do fisco quanto à proximidade da sede da Cordeiro Lopes da localização das empresas Casa Verre e Santa Luzia de modo a justificar à suposta interferência destas na gestão daquela não se sustenta. Tal fato somente demonstra que estas empresas tinham sedes distintas e que precisavam funcionar em locais próximos, tendo em conta a sua parceria comercial. Passo as minhas considerações, iniciando pelo último argumento. De fato, tem razão o recorrente quando afirma que não há como correlacionar a localização das empresas com a sua gestão. Fosse esse o único argumento utilizado para dar sustentação ao termo de sujeição passiva, fatalmente a responsabilidade solidária não subsistiria. Todavia, este foi apenas um dos pontos trazidos ao TSPS para ilustrar a suposta ingerência do recorrente e de suas empresas na gestão da Cordeiro Lopes. Os demais passarei a apreciar neste momento. Vejo que as declarações prestadas pela sócia da autuada, Lúcia Aparecida até poderiam ser tratadas como retaliação pelas divergências ocorridas entre ela e o recorrente, como este insinuou. Ocorre que a documentação juntada aos autos é robusta o suficiente para levar à conclusão de que houve entre as empresas envolvidas acordo "às escondidas" mediante o qual estas se associaram para aparentarem situações jurídicas que de fato não se configuraram no plano da realidade. Os acordos firmados para que parte da empresa fosse gerida por Humberto Verre, a procuração dando poderes de gestão a uma exempregada deste, a movimentação bancária e a emissão de documentos fiscais por funcionários da Casa Verre, as transferências financeiras e outras questões apontadas no TVF e no TSPS não deixam margem para que se interprete que ali inexistia uma associação de pessoas e de empresas visando ocultar do fisco a ocorrência situação que configura fato gerador dos tributos lançados. As meras alegações apresentadas nos recursos não são suficientes para infirmar robustas provas documentais carreadas aos autos pelo fisco mediante diligências e requisições de informações a bancos e órgãos públicos. Superada a apreciação dos fatos, passemos agora a analisar a faceta jurídica desta discussão, ou seja, se houve a correta subsunção dos fatos às normas mencionadas pelo fisco em suas peças de acusação. A primeira fundamentação jurídica para incluir no polo passivo Humberto Verri foi o inciso I do art. 124, o qual transcrevo: Art. 124. São solidariamente obrigadas: Fl. 4075DF CARF MF Processo nº 19515.722730/201235 Acórdão n.º 2402005.619 S2C4T2 Fl. 15 27 I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; (...) A luz da doutrina e da jurisprudência não vejo como se possa atribuir a responsabilidade solidária a um sócio ou administrador meramente com base no inciso I do art. 124 do CTN, o qual exige interesse comum na situação que constitua o fato gerador. A apreciação dessa questão envolve a pesquisa do que o legislador quis atribuir ao que chamou "interesse comum". Pareceme que para a doutrina majoritária o significado do termo vinculase ao interesse jurídico, não ao mero interesse econômico. Nesse sentido os interessados devem ser partícipes da mesma relação jurídica, a qual no caso do Direito Tributário referese à formação do ato que dá ensejo à obrigação tributária. Explicando melhor, uma sociedade quando pratica o fato gerador faz nascer uma relação jurídica entre ela e a Fazenda, passando a ser sujeito passivo da obrigação de pagar o tributo. O mesmo não se pode dizer do sócio, posto que este não faz parte da relação tributária, portanto, não é correto afirmar que a pessoa física integrante do quadro social da empresa possua "interesse comum" na situação que configure o fato gerador. Percebese assim que, embora o sócio possua interesse econômico na consecução dos fins empresariais, não há de sua parte o interesse jurídico exigido para caracterizar a solidariedade tratada no inciso I do art. 124 do CTN. O mestre Rubens Gomes de Souza não me deixa falando sozinho, quando leciona sobre o tema: "São solidariamente obrigadas pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, segundo prevê o art. 124, I, do CTN. O interesse comum das pessoas não é revelado pelo interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas pelo interesse jurídico, que diz respeito à realização comum ou conjunta da situação que constitui o fato gerador." (SOUSA, Rubens Gomes de. Compêndio de Legislação Tributária, Edições Financeiras, 3ª ed. 1960, p 67) A jurisprudência também caminha nesse sentido, como se pode observar de decisão do Egrégio STJ onde fica patente o entendimento de que o interesse econômico de uma pessoa quanto à ocorrência do fato gerador é insuficiente para caracterizar a solidariedade prevista no inciso I do art. 124 do CTN. Vejamos: "Forçoso concluir, portanto, que o interesse qualificado pela lei não há de ser o interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas o interesse jurídico, vinculado à atuação comum ou conjunta da situação que constitui o fato imponível." Fl. 4076DF CARF MF 28 STJ REsp 884845/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIM EIRA TURMA, julgado em 05/02/2009, DJe 18/02/2009 Feitas essas considerações, entendo que deva ser afastada a responsabilidade solidária de Humberto Verre com base no inciso I do art. 124 do CTN. Passo agora a apreciar a outra fundamentação legal lançada no Termo de Sujeição Passiva, o inciso III do art. 135 do CTN: "Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado." O inciso III do art. 135 do CTN, que trata de responsabilidades de terceiros, vincula como responsáveis pelo crédito os diretores, gerentes ou representantes das empresas, quando a obrigação de pagar o tributo decorrer de atos praticados com excesso de poderes ou mediante infração à lei ou aos atos constitutivos da sociedade. No presente lançamento observase claramente que houve burla à lei comercial e à lei tributária no repasse ao recorrente da gestão de parte da empresa autuada. Embora esse fato seja negado com veemência, as provas indicam que Humberto Verre, no ano calendário de 2008, administrava a empresa Cordeiro Lopes nos negócios realizados no Estado de São Paulo, conforme fartamente demonstrado pelo fisco. Nesse sentido é evidente que a administração da empresa autuada era feita em evidente afronta ao seu contrato social da autuada, posto que Humberto Verre, que efetivamente geria o contrato com o DETRAN/SP e outros, era estranho ao seu quadro social. Observese que o acordo de cessão do nome da empresa autuada para participar de licitação em São Paulo foi subscrito por pessoa que sequer era sócio desta, em total afronta ao estatuto empresarial. Assim, de acordo com a jurisprudência do CARF, é certo que nesses casos cabe a aplicação do inciso III do art. 135 do CTN: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2006 TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. ART. 135, DO CTN. O artigo 135 só encontra aplicação quando o ato de infração à lei societária, contrato social ou estatuto cometido pelo administrador for realizado à revelia da sociedade. Caso não o seja, a responsabilidade tributária será da pessoa jurídica. Isto porque, se o ato do administrador não contrariar as normas societárias, contrato social ou estatuto, quem está praticando o ato será a sociedade, e não o sócio, devendo a pessoa jurídica responder pelo pagamento do tributo. Fl. 4077DF CARF MF Processo nº 19515.722730/201235 Acórdão n.º 2402005.619 S2C4T2 Fl. 16 29 ART. 132 DO CTN. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA NA CISÃO PARCIAL. Embora não conste expressamente do rol do art. 132 do CTN, a cisão da sociedade é modalidade de mutação empresarial sujeita, para efeito de responsabilidade tributária, ao mesmo tratamento jurídico conferido às demais espécies de sucessão (REsp 970.585/RS, 1ª Turma, Min. José Delgado, DJe de 07/04/2008). MULTA DE OFÍCIO. SUCESSÃO. EMPRESAS SOB CONTROLE COMUM. Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. (Súmula CARF nº 47) MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. INOCORRÊNCIA DE FRAUDE. Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos e não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. A qualificação da multa para o percentual de 150% depende não só da intenção do agente, como também da prova fiscal da ocorrência da fraude ou do evidente intuito desta, caracterizada pela prática de ação ou omissão dolosa com esse fim. Na situação versada nos autos não houve dolo por parte do contribuinte, logo incabível a aplicação da multa qualificada. Acórdão n.º 1402001.601, de 11/03/2014 ......................................................................................................... Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2006 Ementa: NULIDADE CERCEAMENTO DE DEFESA INOCORRÊNCIA. A possibilidade de se defender da imputação de responsabilidade na fase administrativa concretiza, ao responsabilizado, a ampla defesa, impedindo que ela fique restrita à defesa judicial, via embargos à execução, numa eventual execução do título representado pela CDA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS. Pessoa física que não consta do contrato social mas que era seu administrador de fato, conforme demonstrado mediante prova indireta, responde pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. A não Fl. 4078DF CARF MF 30 observância da norma que impõe que todas as obrigações da sociedade devem ser cumpridas antes da sua extinção enquadra o ato como sendo uma dissolução irregular, constituindo infração de lei, a legitimar a atribuição da responsabilidade nos termos do art. 135, III, do CTN. Acórdão n.º 1301001.536, de 03/06/2014 A luz do entendimento de que os terceiros podem ser chamados a responder pelo crédito tributário na hipótese do inciso III do art. 135 do CTN e que a situação sob análise pede a aplicação deste dispositivo, o que me leva a concluir pela procedência da responsabilidade solidária atribuída a Humberto Verre. II) Casa Verre Indústria e Comércio Ltda TSPS de fls. 3.435/3.442 Pelos mesmos fatos narrados no TSPS lavrado contra seu sócio, a Casa Verre foi arrolada como devedora solidária, porém, com fundamento apenas no inciso I do art. 124 do CTN, em razão da existência de interesse comum na situação que configura o fato gerador. As razões do recurso desta solidária são idênticas a daquelas constantes no recurso do seu sócio, donde se conclui que não têm força para afastar as provas substanciosas trazidas pelo fisco. A colocação da pessoa jurídica na condição de devedora solidária me parece bastante plausível. Aí se nota um esforço conjunto na realização das condutas que deram ensejo à ocorrência do fato gerador. Observe que a Casa Verre é que mantinha relação com o DETRAN/SP, mediante seus funcionários, além de que estes representavam a autuada perante instituições bancárias, além de emitir as notas fiscais de prestação de serviços e venda de mercadorias. Não há dúvida que a Casa Verre funcionava não como prestadora de serviço da Cordeiro Lopes, mas representava uma verdadeira extensão dos negócios da autuada no Estado de São Paulo. Assim fico seguro para afirmar que neste caso o interesse comum na situação constitutiva do fato gerador ocorreu, posto que Cordeiro Lopes e Casa Verre atuaram conjuntamente na consecução das atividades que geraram as receitas sobre as quais incidiram as autuações fiscais. Concluo que deve ser mantida no polo passivo a empresa Casa Verre. III) Santa Izabel Administração e Participações TSPS de fls. 3.443/3.449 Este TSPS tem os mesmo fundamentos fáticos e jurídicos daquele lavrado em nome da Casa Verre. Neste caso, todavia, tenho entendimento divergente do fisco. É que a única forma de participação da Santa Izabel demonstrada nos autos é o recebimento dos recursos repassados pela autuada. Assim, identificase apenas um interesse econômico, não se apresentando o interesse jurídico exigido pela norma, o inciso I do art. 124 do CTN. Nesse sentido, entendo que não deva subsistir a imputação da solidariedade à empresa Santa Izabel. Fl. 4079DF CARF MF Processo nº 19515.722730/201235 Acórdão n.º 2402005.619 S2C4T2 Fl. 17 31 Conclusão Voto por afastar as preliminares de nulidade do lançamento e, no mérito, por dar provimento parcial aos recursos para excluir do polo passivo a empresa Santa Izabel Administração e Participações Ltda. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 4080DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 44000.000891/2006-73
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/1996 a 31/12/1998
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO.
Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
SÚMULA CARF nº 101.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-005.147
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/1996 a 31/12/1998 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO. Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. SÚMULA CARF nº 101. Recurso especial provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
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SÚMULA CARF N° 101 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COOPERATIVA DOS PROFISSIONAIS DA SAÚDE DE NÍVEL SUPERIOR COOPERAS/SUP4 LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/1996 a 31/12/1998 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO. Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. SÚMULA CARF nº 101. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 44 00 0. 00 08 91 /2 00 6- 73 Fl. 707DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão n° 230101.973, proferido em 14/04/2011 pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF, cuja ementa e decisum encontramse a seguir reproduzidos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PR EVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/1996 a 31/12/1998 IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO DE ARGUMENTO FUNDADO EM INCONSTITUCIONALIDADE DE TRATADO, ACORDO INTERNACIONAL, LEI OU DECRETO. Por força do art. 26A do Decreto 70.235/72, no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO. De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4° do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação. Constatandose dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. No caso dos autos, não foram encontrados pagamentos referentes aos fatos geradores que interessam para a discussão da decadência, logo impõese a aplicação da regra do art. 173, inciso I. COOPERATIVAS. VIGÊNCIA DA LC 84/96. A contribuição social prevista no art. 1°, II, da LC 84/96 é devida a pelas cooperativas de trabalho, no valor de quinze por cento do total das importâncias pagas, distribuídas ou creditadas a seus cooperados, a título de remuneração ou retribuição pelos serviços que prestem a pessoas jurídicas por Fl. 708DF CARF MF Processo nº 44000.000891/200673 Acórdão n.º 9202005.147 CSRFT2 Fl. 244 3 intermédio delas no período de vigência da referida lei complementar. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado. I) por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir — devido à regra decadencial expressa no inciso I, Art. 173 do CTN — as contribuições apuradas até 12/1996, anteriores a 01/1997, a partir da data da ciência do lançamento retificado, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou pela aplicação da decadência a partir da primeira ciência do lançamento; II) por unanimidade de votos: a) em negar provimento às demais alegações apresentadas pela Recorrente, nos termos do voto do Relator. Nos termos do acórdão acima referido, o colegiado que deu provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer a decadência de alguns dos períodos lançados, pelos motivos a seguir apresentados. (a) determinou a aplicação da regra decadencial do art. 173, I, da Lei n° 7.152, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), por entender não ter havido, no caso, recolhimento antecipado da contribuição, nos seguintes termos: Feitas tais considerações jurídicas gerais sobre a decadência, passamos a analisar o caso concreto. In casu, temos que a cooperativa não realizou qualquer pagamento relativo à incidência prevista na LC 84/96.Portanto, é de ser aplicada a regra decadencial do art. 173, I do CTN. Assim, considerando a ciência do lançamento retificado em 09/05/2002, estão atingidos pela caducidade os fatos geradores até 31/12/1996, o que inclui tanto a competência 12 como a competência 13 do respectivo ano, em razão do conteúdo do Resp 973.933SC e do art. 62A do Regimento deste CARF. (b) realizou a contagem do prazo do art. 173, I, do CTN, a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, por entender ser essa a regra vinculante do Recurso Especial n° 973.733/SC, com efeito repetitivo, nos seguintes termos: Não obstante nossa posição sobre os fatos geradores ocorridos em dezembro de cada ano, deixamos de aplicála a partir de janeiro de 2011 em virtude do conteúdo do art. 62A do Regimento deste CARF que obriga a todos os Conselheiros a reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STJ julgados na sistemática do art. 543C. Assim, mesmo para fatos geradores ocorridos em dezembro de cada ano, consideraremos o dies a quo em primeiro de janeiro do ano subseqüente, no caso de aplicação do art. 173, inciso I. Fl. 709DF CARF MF 4 Cientificada da decisão, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, requerendo a reforma do acórdão, no tocante ao critério de contagem do prazo previsto pelo art. 173, I, do CTN. Alega que o prazo deveria ser contado a partir do primeiro dia do exercício subsequente àquele em que o tributo poderia ter sido lançado, em detrimento do critério utilizado pela decisão recorrida, de contagem a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao do fato gerador. Pede, assim, que seja afastada a decadência do direito de lançar o crédito tributário referente à competência de 12/1996. Foi dado seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional pelo Presidente da Câmara. Cientificado, o contribuinte não se manifestou. É o relatório. Fl. 710DF CARF MF Processo nº 44000.000891/200673 Acórdão n.º 9202005.147 CSRFT2 Fl. 245 5 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. A discussão cingese à determinação do critério jurídico de aplicação da regra decadencial veiculada pelo art. 173, I, do CTN, se: (a) a partir do primeiro dia do exercício subsequente ao do fato gerador, conforme entendido pela decisão recorrida ou (b) a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ter sido lançado, conforme defendido pela recorrente. Antes de analisar a questão, porém, é importante esclarecer que não cabe mais aqui perquirir a existência ou não de pagamento antecipado, independentemente do entendimento do colegiado a quo, do que seria pagamento antecipado, porque foi peremptoriamente afirmada sua inexistência, sem qualquer oposição do sujeito passivo em sede de contrarrazões. Ora, fato afirmado por uma parte e não contradito pela outra deve ser considerado como verdadeiro pelo julgador. Feito o esclarecimento acima, volto à análise da questão, cujo deslinde é simples, por se tratar de matéria sumulada a que os conselheiros do CARF estão vinculados. Tratase da Súmula CARF n° 101, cujo enunciado é reproduzido abaixo: Súmula CARF nº 101 : Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Portanto, de fato, conforme defendido pela recorrente, na hipótese de aplicação do art. 173, I, do CTN, que é o caso em questão, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 711DF CARF MF 6 Fl. 712DF CARF MF
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Numero do processo: 10976.000029/2010-06
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, por falta de similitude fática entre o acórdão recorrido e os paradigmas
Numero da decisão: 9202-005.262
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, por falta de similitude fática entre o acórdão recorrido e os paradigmas Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 6. 00 00 29 /2 01 0- 06 Fl. 610DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Auto de Infração (DEBCAD 37.238.4595) por meio do qual, entre vários levantamentos, cobrase contribuições devidas à Previdência Social, destinadas à Seguridade Social, correspondendo à parte da empresa e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho — GILRAT, incidente sobre a parcela in natura de alimentação fornecida aos segurados empregados e incidente sobre a contratação de serviços cooperados intermediados por cooperativa de trabalho. Segundo relatório fiscal de fls. 173, no ponto que nos interessa, a autuação referese à parcela in natura, alimentação, fornecida habitualmente pela empresa aos segurados, tendo em vista que a autuada não apresentou a inscrição no Programa de Alimentação ao Trabalhador PAT, integrando desta forma a remuneração para os efeitos da legislação previdenciária. Em sua impugnação o Contribuinte reconhece como devido parte do lançamento afirmando que apresentará pedido de parcelamento. A parte impugnada se restringiu as exigências de contribuição previdenciária sobre a alimentação fornecida, taxada como salário indireto, e sobre as faturas pagas à cooperativa de trabalho. A Delegacia da Receita Federal julgou o lançamento procedente sob o argumento de que as parcelas in natura pagas em desacordo com o Programa de Alimentação do Trabalhador PAT integram o salário de contribuição, e que a empresa é obrigada a contribuir com quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Quanto a parte não impugnada determinou aplicação do art. 21, §1º do Decreto nº 70.235/72. Recuso Voluntário juntado às fls. 425, por meio do qual o Contribuinte reitera seu entendimento de que valor correspondente a alimentação in natura fornecida aos segurados não integram o conceito de saláriodecontribuição e ainda defende como indevida a tributação dos serviços prestados pela cooperativa. A 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por meio do acórdão nº 2403001.408, deu provimento em parte ao recurso voluntário para com base no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011 e no Ato Declaratório 03/2011 excluir do lançamento a parcela in natura paga a título de alimentação mesmo na ausência de adesão ao PAT. O acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 MÉRITO. VALORES PAGOS A TÍTULO DE CESTA BÁSICA. SALÁRIO IN NATURA. INSCRIÇÃO NO PAT. FORMALIDADE EXACERBADA. NÃO IMPEDIMENTO.EXCLUSÃO.VERBA NÃO REMUNERATÓRIA. Fl. 611DF CARF MF Processo nº 10976.000029/201006 Acórdão n.º 9202005.262 CSRFT2 Fl. 611 3 O fornecimento de alimentação pelo empregador, por ser espécie de salário in natura, impede que a contribuição previdenciária venha a incidir sobre tal parcela, mesmo que a empresa fornecedora não esteja inscrita no PAT, tendo em vista que o descumprimento dessa exigência constitui mera irregularidade que não desvirtua o caráter não remuneratório da verba. COOPERATIVAS DE TRABALHO. CONTRATANTE. CONTRIBUINTE. Incidem contribuições previdenciárias na prestação de serviços por intermédio de cooperativas de trabalho. Recurso Voluntário Provido em Parte. Em 11 de outubro de 2012, a Fazenda Nacional, citando paradigmas, apresentou recurso especial sob o argumento de ser devida a incidência da contribuição previdenciária sobre a verba paga a título de auxílioalimentação sempre que não for observada a legislação previdenciária, sobretudo quando tal verba for paga em desacordo com o Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). Quanto ao PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 foram feitas a seguintes considerações: Quanto ao Ato Declaratório nº 03/2011 publicado no DOU de 24/11/2011, Seção 1, pág. 72 em razão da aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011, cabem aqui algumas considerações. O Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 entendeu pela dispensa de apresentação de contestação e da interposição de recursos, assim como pela desistência dos recursos já interpostos, desde que inexistente outro fundamento relevante, nas ações judiciais que visassem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílio‑ alimentação não há incidência de contribuição previdenciária. A razão que justificou a aprovação do parecer foi a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Como se vê, a dispensa está endereçada às ações judiciais e as razões que levaram à aprovação do referido parecer estão centradas em questões processuais e não de mérito, havendo possibilidade da reversão do entendimento nele cristalizado. Intimado o Contribuinte apresentou contrarrazões. Citando jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça no sentido que alimentação fornecida in natura não compor o saláriodecontribuição, requer o não provimento ao recurso. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Fl. 612DF CARF MF 4 Do conhecimento: Antes de analisarmos o mérito, julgo necessário tecer comentários quanto ao conhecimento do recurso. O Recorrente afirma existir divergência jurisprudencial na medida em que, ao contrário do acórdão recorrido, os paradigmas 2403000.926 e 20501.284 entenderam pela incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação in natura sempre que não for observada a legislação previdenciária, sobretudo quando tal fornecimento ocorrer em desacordo com o Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). Inicialmente, nos termos do art. 67 do RICARF vigente na época da interposição do recurso (11/2012), devemos descartar como exemplo de paradigma o acórdão nº 2403000.926, pois tratase de decisão proferida pelo mesmo Colegiado do acórdão recorrido, qual seja a 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária. Quanto ao acórdão 20501.284, embora a Recorrente tenha feito a correta digressão acerca da divergência jurisprudencial alegada, entendo que o fato de o Colegiado a quo ter baseado sua decisão no Parecer PGFN/CRJ nº 2.117/11, no Ato Declaratório nº 03/2011 da Procuradora Geral da Fazenda Nacional aprovado pelo Ministro da Fazenda e ainda defender a aplicação obrigatória desses por força do art. 62, parágrafo único, II, alínea 'b' do RICARF vigente (Portaria nº 256/09), caracteriza condição que distancia as situações analisadas. O acórdão nº 20501.284 foi proferido em 04 de novembro de 2008, data em que ainda não existia os atos normativos citados acima e portanto, logicamente, não foram considerados quando da realização do respectivo julgamento. No entender desta Relatora, considerando a fundamentação do acórdão recorrido, somente poderia ser aceito como paradigma acórdão proferido após a data da aprovação pelo Ministro da Fazenda do Ato Declaratório da PGFN e ainda que, neste caso, o colegiado tenha afastado a aplicação do art. 62 do RICARF. Diante desta questão, entendo haver uma discrepância entre as situações fáticas dos acórdãos que impede o estabelecimento da divergência pretendida pela Recorrente e portanto, deixo de conhecer do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 613DF CARF MF Processo nº 10976.000029/201006 Acórdão n.º 9202005.262 CSRFT2 Fl. 612 5 Fl. 614DF CARF MF
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Numero do processo: 10840.001756/00-11
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 1996, 1997, 1998, 1999
REFIS. MULTA DE OFÍCIO. EFICÁCIA DO TERMO DE OPÇÃO.
A eficácia da confissão de dívida, irretratável e irrevogável, no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal (Refis) se dá a partir da entrega do Termo de Opção, abrangendo todos os tributos que vierem a ser declarados em declaração especial referente ao programa.
Numero da decisão: 1803-000.996
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, para excluir as exigências de multa de ofício aplicadas ao IRPJ, à CSLL, ao Pis e à Cofins, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Sérgio Rodrigues Mendes
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1996, 1997, 1998, 1999 REFIS. MULTA DE OFÍCIO. EFICÁCIA DO TERMO DE OPÇÃO. A eficácia da confissão de dívida, irretratável e irrevogável, no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal (Refis) se dá a partir da entrega do Termo de Opção, abrangendo todos os tributos que vierem a ser declarados em declaração especial referente ao programa.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1996, 1997, 1998, 1999 REFIS. MULTA DE OFÍCIO. EFICÁCIA DO TERMO DE OPÇÃO. A eficácia da confissão de dívida, irretratável e irrevogável, no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal (Refis) se dá a partir da entrega do Termo de Opção, abrangendo todos os tributos que vierem a ser declarados em declaração especial referente ao programa. Fl. 562DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 05/08/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 08/08/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 10840.001756/0011 Acórdão n.º 180300.996 S1TE03 Fl. 565 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para excluir as exigências de multa de ofício aplicadas ao IRPJ, à CSLL, ao Pis e à Cofins, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 563DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 05/08/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 08/08/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 10840.001756/0011 Acórdão n.º 180300.996 S1TE03 Fl. 566 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido, na parte ainda objeto de litígio (fls. 357 e 358): Trata o presente processo de auto de infração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, lavrado em decorrência da constatação de omissão de receitas nos anos calendário de 1994, 1995, 1996, 1997 e 1998. Conforme relatório fiscal de fls. 5/12, foi constatado que a empresa realizou prestação de serviços, recebeu numerário pelos serviços prestados, mas não emitiu as competentes notas fiscais, não registrou as operações no Livro Registro de Prestação de Serviços e também não ofereceu as receitas à tributação do Imposto de Renda, valores esses considerados pela fiscalização como omissão de receitas da atividade. Foi constatado, também, que a empresa prestou serviços, emitiu as respectivas notas ficais de prestação de serviços e as registrou no Livro Registro de Prestação de Serviços, sem, contudo, oferecer referidas receitas à tributação do Imposto de Renda, valores esses considerados pela fiscalização como omissão de receitas de prestação de serviços. Em decorrência das infrações constatadas, foram lavrados os seguintes autos de infração, principal e reflexos, para lançamento e exigência do crédito tributário devido: [...]. Cientificada das autuações em 27/06/2000, a empresa, representado pelo sóciogerente Sebastião Eleutério Filho, apresentou impugnação aos lançamentos efetuados. [...]. Quanto aos demais períodos [1995 a 1998], nada alegou em relação aos valores dos tributos apurados. Contudo, contestou a aplicação das multas vinculadas, por entender que, tendo optado pelo Refis em 28 de abril de 2000, e o início do procedimento fiscal se iniciado em 16 de maio de 2000, não caberia a multa de oficio, posto que lhe estava garantido o benefício da denúncia espontânea concedido pela lei do Refis. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada, na parte ainda objeto de litígio (fls. 356): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ ANOCALENDÁRIO: 1994, 1995, 1996, 1997, 1998 FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS. Constatada pela fiscalização a falta ou insuficiência de recolhimentos de Cofins, deve a exigência tributária ser constituída de ofício. Fl. 564DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 05/08/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 08/08/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 10840.001756/0011 Acórdão n.º 180300.996 S1TE03 Fl. 567 4 OPÇÃO PELO REFIS. A opção pelo Refis após o início do procedimento fiscal não sustenta a alegação de denúncia espontânea. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. A cobrança de multa de ofício e juros de mora decorre de observância da legislação de regência e está ligada ao preceito do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN) acerca da atividade vinculada do lançamento. [...]. Lançamento Procedente em Parte. 3. Cientificada da referida decisão em 10/09/2008 (fls. 406verso), a tempo, em 09/10/2008, apresenta a interessada Recurso de fls. 409 a 423, instruído com os documentos até fls. 561, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos e aduzindo mais os seguintes: a) que a decisão recorrida reconhece expressamente que o início do procedimento fiscal e o lançamento tributário se deram após a adesão do contribuinte ao Refis; b) que resta óbvio que referido trabalho fiscal é nulo de pleno direito, uma vez que descumpridor de ordem emanada do Código Tributário Nacional, o qual determinou que, uma vez confessado o débito pelo contribuinte, considerase denúncia espontânea; c) que, ademais, referido débito tributário fica suspenso quando da adesão do contribuinte ao parcelamento, conforme artigo 151, V, do CTN, como no caso, adesão ao Refis; d) que, neste caso, não se trata de reaquisição de espontaneidade, uma vez que a opção ao Refis não se deu durante o processo de fiscalização, conforme tenta demonstrar a decisão de primeira instância, mas, sim, muito tempo antes, tal qual evidentemente demonstrado documentalmente; e) que se vê, ainda, do Demonstrativo dos Débitos Consolidados, que a data da consolidação é anterior, isto é, de 01/03/2000, conforme documento anexado; f) que os períodos e tributos constantes dos autos de infração e os valores das obrigações principais e das multas já haviam sido objeto de parcelamento; e g) que, na confissão de dívida pelo Refis, considerase a espontaneidade do contribuinte desde a data de protocolização do Termo de Opção pelo Refis. Em mesa para julgamento. Fl. 565DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 05/08/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 08/08/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 10840.001756/0011 Acórdão n.º 180300.996 S1TE03 Fl. 568 5 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. Limitase a presente lide às exigências de multa de ofício sobre os valores objeto de autuação fiscal, tendo sido os valores dos débitos de impostos e contribuições lançados, do exercício de 1996 em diante (exceto o IRRF, não impugnado nem incluído no Refis) transferidos para outros processos (fls. 258 a 276 e 349). Preliminar de nulidade do lançamento 5. Argui a Recorrente, preliminarmente, a nulidade do lançamento, ao fundamento de que teria aderido ao Refis anteriormente ao início do procedimento fiscal e de que o débito tributário estaria suspenso com essa adesão. 6. Contudo, essa questão não foi aventada na impugnação apresentada, não podendo, pois, ser conhecida nesta instância. O que não se questionou na fase impugnatória constitui matéria passada em julgado, não suscetível de apreciação na fase recursal. 7. Além do mais, como dito anteriormente, limitase a presente lide às exigências de multa de ofício sobre os valores objeto de autuação fiscal, não alcançando os valores dos débitos de impostos e contribuições lançados, já apartados destes autos. 8. De todo modo, sendo o mérito favorável à ora Recorrente, como se verá na sequência, não faria sentido o acolhimento daquela preliminar. Mérito 9. Conforme se observa do presente processo, a Recorrente ingressou no Refis em data de 27/04/2000 (fls. 253), tendo sido iniciado o procedimento fiscal em 17/05/2000 (fls. 111 e 112), com a lavratura de autos de infração em 27/06/2000 (fls. 4, 32, 55, 70 e 98). 10. Constam, de fls. 252, Confirmação do Recebimento do Termo de Opção, com a informação do número da Conta Refis, e de fls. 255 e 256, Recibo de Entrega da Declaração de Recuperação Fiscal Refis, datado de 30/06/2000. 11. Entendo que, a partir do instante em que a Recorrente efetua a opção pelo Refis (27/04/2000 fls. 253) e até o momento em que entrega, ela, a Declaração Refis (30/06/2000 fls. 255 e 256), não tem aplicação o disposto no art. 7º, § 1º, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – Processo Administrativo Fiscal (PAF), no sentido de que “O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas”. Fl. 566DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 05/08/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 08/08/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 10840.001756/0011 Acórdão n.º 180300.996 S1TE03 Fl. 569 6 12. É que, no caso específico, encontrase a Recorrente albergada, naquele período, pelo instituto da denúncia espontânea, permitindoselhe, nesse interregno, apontar quais débitos, constituídos ou não, serão objeto de parcelamento. 13. Não pode, a meu ver, a fiscalização, ciente daquela opção pelo Refis feita anteriormente à sua presença, pretender desconsiderar um prazo concedido pela lei, para fins de indicação de débitos a serem parcelados naquele programa. 14. Ao fazer a opção pelo Refis, a Recorrente confessou ou, ao menos, indicou que teria questões a confessar, não podendo o Fisco se valer desse aspecto para, atropelando o prazo legal para os procedimentos pertinentes, buscar se antecipar a estes. 15. Era dever da fiscalização, portanto, ter aguardado o escoamento do prazo legal para apresentação de Declaração do Refis para, só então, efetuar o competente lançamento das parcelas que ali não fossem confessadas. 16. Assim, não deve prosperar a multa de ofício aplicada, em razão da espontaneidade que a Recorrente logrou resguardar com sua opção pelo Refis, em momento anterior ao início da fiscalização. 17. A respeito dessa questão, o então Primeiro Conselho de Contribuintes, por sua Sétima Câmara, teve ensejo de decidir, adotando os seguintes fundamentos (Acórdão nº 10707.552, de 17 de março de 2004): Não sem razão prescrever o art. 2º, § 2º, da Lei 9.964/2000, que a consolidação de débitos no Refis tem por base a data da formalização da opção. Senão vejamos: “Art. 2º (...) § 2º Os débitos existentes em nome da optante serão consolidados tendo por base a data da formalização do pedido de ingresso no Refis.” Observese que o dispositivo legal retro diz que a consolidação tem por base a data da formalização do pedido, a qual, por sua vez, ocorre quando do protocolo perante a Secretaria da Receita Federal do Termo de Opção. Ou seja, tão logo o contribuinte opte pelo Programa de Parcelamento, recolhendo, inclusive, a primeira das respectivas parcelas, já se aperfeiçoa a confissão de suas dívidas para com os órgãos administrativos federais, não obstante, naquele momento, ainda não tenha sido entregue a Declaração em que todos os débitos seriam, como de fato posteriormente o foram, discriminados. A Declaração de Débitos do Refis, portanto, configurase documento cuja função exaurese na mera informação dos débitos incluídos no programa de parcelamento, de forma que a pretensão do contribuinte de cumprir com suas obrigações tributárias vencidas deuse em momento anterior, qual seja, o da Fl. 567DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 05/08/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 08/08/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 10840.001756/0011 Acórdão n.º 180300.996 S1TE03 Fl. 570 7 entrega do Termo de Opção. Tal assertiva corroborase pelo fato de que apenas aqueles contribuintes que protocolaram, a tempo e hora, o referido Termo de Opção, deveriam entregar a Declaração de Débitos, vez que somente eles confessaram a suas dívidas perante a União e optaram pelo seu pagamento nos termos do denominado Programa Refis. Diante disso, resta evidente que a confissão dos débitos deuse no momento da entrega do Termo de Opção, anteriormente, pois, ao início da Ação Fiscal realizada pelos Auditores da Receita Federal. Aliás, tanto a opção representa ato de indiscutível confissão irrevogável e irretratável de débitos que, caso a recorrente viesse a se tornar inadimplente e, consequentemente, fosse excluída do programa, os débitos incluídos no Refis deveriam ser encaminhados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, para que fosse efetuada a cobrança dos valores devidos. [...]. A Declaração Refis, portanto, foi mero elemento formalizador da confissão anteriormente feita pela recorrente, que, como visto, se dera em momento anterior ao do termo de início da ação fiscal. [...]. Nessa toada, tratandose de débitos confessados em momento anterior ao da ação fiscal, não são cabíveis os lançamentos em questão, visto versarem sobre débitos já declarados e incorporados ao Refis. O fato de a declaração ao Refis ter se dado em momento posterior ao do início da ação fiscal, embora à primeira vista impressione, não é razão para que se defenda a manutenção dos autos do infração, pois, dada a relevância da questão, repitase, nos termos da Lei instituidora do Programa, a confissão de irrevogável e irretratável dos débitos se deu no momento da opção, vale dizer, em abril de 2000, antes, portanto, do termo de início da fiscalização. 18. Também a Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes assim já ementou (Acórdão nº 10195.154, de 12 de setembro de 2005): IRPJDÉBITO INCLUÍDO NO REFIS Em se tratando de tributo já oferecido mediante opção pelo Programa de Recuperação Fiscal (Refis), não é mais cabível o lançamento de ofício, na medida em que a confissão irrevogável e irretratável do débito fiscal é feita no momento da formalização da opção. A “Declaração Refis”, feita em momento posterior, simplesmente formaliza a confissão anteriormente feita quando da opção. Recurso provido. 19. Chamada a dirimir a questão, a Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) assentou a respeito o seguinte (Acórdão nº CSRF/0105.537, de 19 de setembro de 2006): Fl. 568DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 05/08/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 08/08/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 10840.001756/0011 Acórdão n.º 180300.996 S1TE03 Fl. 571 8 REFIS — MULTA DE OFÍCIO — EFICÁCIA DO TERMO DE OPÇÃO — A eficácia da confissão de dívida, irretratável e irrevogável, no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal — Refis — se dá a partir da entrega do Termo de Opção, abrangendo todos os tributos que vieram a ser declarados em declaração especial referente ao programa. Recurso especial provido. [...]. A sistemática adotada no Programa de Recuperação Fiscal era de permitir ao contribuinte aderir a tal parcelamento especial, para posteriormente indicar especificamente os débitos incluídos. Assim, a declaração do Refis era entregue em momento posterior ao do Termo de Opção, e sua eficácia, por certo, deve retroagir à data da opção. [...]. Durante o período entre a entrega do Termo de Opção e a apresentação da declaração, não podia o fisco considerar, como não incluídos, quaisquer dos valores passíveis de lançamento, pois a eficácia da confissão, irrevogável e irretratável, iniciase com a opção realizada pela inclusão da pessoa jurídica no programa de recuperação fiscal. Desta forma, não poderia incidir qualquer penalidade de ofício sobre os valores que vieram a ser incluídos na declaração. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO AO RECURSO, para excluir as exigências de multa de ofício aplicadas ao IRPJ, à CSLL, ao Pis e à Cofins. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 569DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 05/08/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 08/08/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 10840.001756/0011 Acórdão n.º 180300.996 S1TE03 Fl. 572 9 Fl. 570DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 05/08/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 08/08/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES
score : 1.0
Numero do processo: 13873.000809/2008-70
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Data do fato gerador: 28/06/2008
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA ATRASO DSPJ.
Impõe se a penalidade por descumprimento de obrigação acessória entrega de DSPJ, não comprovado qualquer fato que implique dispensa do cumprimento tempestivo da prescrição normativa.
Numero da decisão: 1803-000.901
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Walter Adolfo Maresch
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 28/06/2008 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA ATRASO DSPJ. Impõe se a penalidade por descumprimento de obrigação acessória entrega de DSPJ, não comprovado qualquer fato que implique dispensa do cumprimento tempestivo da prescrição normativa.
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MULTA ATRASO DSPJ. Impõese a penalidade por descumprimento de obrigação acessória entrega de DSPJ, não comprovado qualquer fato que implique dispensa do cumprimento tempestivo da prescrição normativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira De Moraes Presidente. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (Presidente), Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Meigan Sack Rodrigues e Victor Humberto da Silva Maizman. Relatório Fl. 30DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 07/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 03/06/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 13873.000809/200870 Acórdão n.º 180300.901 S1TE03 Fl. 26 2 CAFE SOME RESTAURANTE LTDAME, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ RIBEIRÃO PRETO (SP), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. A empresa acima qualificada apresentou manifestação de inconformidade contra o Auto de Infração, (fl. 02), solicita o cancelamento das multas pecuniárias aplicadas pelo atraso na entrega da declaração relativa ao exercício de 2008. Em seu pedido inicial, a contribuinte alegou, em síntese, que: com a implantação do Super Simples, houve dados confusos causando transtornos e dúvidas; falta de orientação mais precisa por orientação da Receita; a requerente entende que ambos os lados cometeram erros, como a empresa pelo atraso da entrega da DSPJ e os órgãos governamentais pela falta de orientação mais precisa. Requer o contribuinte por ser de Justiça o cancelamento do auto de infração. A DRJ RIBEIRÃO PRETO/SP, através do acórdão 1423.431, de 27 de abril de 2009 (fls. 09/11), julgou procedente o lançamento, ementando assim a decisão: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES ANOCALENDÁRIO: 2007 DECLARAÇÃO SIMPLIFICADA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. É legalmente prevista a cobrança de multa por atraso na entrega de declaração, mesmo que a entrega desta declaração se dê antes de qualquer procedimento de oficio. Ciente da decisão em 20/07/2009, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 14.v), apresentou o recurso voluntário em 10/08/2009 fls. 17/18, onde reitera os argumentos da inicial de que não deve ser penalizado com a multa por atraso na entrega, considerando as diversas questões técnicas envolvendo o SIMPLES NACIONAL. É o relatório. Fl. 31DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 07/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 03/06/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 13873.000809/200870 Acórdão n.º 180300.901 S1TE03 Fl. 27 3 Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de auto de infração em virtude do atraso na entrega na Declaração Simplificada de Pessoa Jurídica – DSPJ SIMPLES, relativa ao ano calendário 2007, entregue em 28/06/2008 e cujo prazo final para entrega ocorreu em 30/05/2008. Alega a recorrente que tendo em vista diversos problemas relativos à migração do SIMPLES FEDERAL para o “SUPER SIMPLES” ou SIMPLES NACIONAL (Lei Complementar 123/2006), ocorreram diferenças de interpretação e dificuldades técnicas, gerando notícias e informações controvertidas para os contribuintes. Que se houve equívocos por parte dos contribuintes também a Administração Tributária gerou dúvidas e interpretações divergentes quanto à correta satisfação de obrigações acessórias o que não pode redundar em penalidades para as empresas optantes. Cita adicionalmente resposta de consulta efetuada por meio eletrônico relativa à declaração do ano calendário 2009 em que houve problemas de transmissão da DSPJ. Conclui, afirmando que se houve culpa recíproca o lançamento deve ser cancelado. Não assiste razão à interessada. Com efeito, a DSPJ relativa aos fatos geradores do SIMPLES FEDERAL (Lei nº 9.317/96) – 01 de Janeiro a 30 de junho de 2007, teve a sua entrega disciplinada pela Instrução Normativa RFB nº 775, de 14 de setembro de 2007, que dispôs: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 224 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 95, de 30 de abril de 2007, e tendo em vista o disposto no art. 7º da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, e no art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, RESOLVE: Art. 1º Fica aprovado o programa gerador e as instruções de preenchimento da Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica Simples 2008 (DSPJ Simples 2008), a ser apresentada, obrigatoriamente, pelas pessoas jurídicas optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), instituído pela Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, relativa ao anocalendário de 2007, exercício de 2008. Fl. 32DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 07/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 03/06/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 13873.000809/200870 Acórdão n.º 180300.901 S1TE03 Fl. 28 4 § 1º O programa deve ser utilizado para declarar os fatos geradores ocorridos no período de 1º de janeiro a 30 de junho de 2007, independentemente das pessoas jurídicas referidas no caput terem: I migrado para o Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), de que trata a Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006; ou II efetuado o pedido de opção pelo Simples Nacional. § 2º (...); § 3º (...); § 4º (...). Art. 2º A DSPJ Simples 2008 deverá ser entregue no período de 17 de setembro de 2007 a 30 de maio de 2008. Parágrafo único. O serviço de recepção de declarações será encerrado às 20 (vinte) horas (horário de Brasília) do dia 30 de maio de 2008. Art. 3º Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação. Grifo nosso Assim, não há qualquer dúvida de que a DSPJ relativa ao SIMPLES FEDERAL (fatos geradores de Janeiro a Junho/2007), deveria ser entregue no prazo de 17 de setembro de 2007 a 30 de maio de 2008. Tendo mencionada regulamentação permitido um longo prazo para atendimento da obrigação acessória (entrega da DSPJ), revelamse inadequadas e despidas de razoabilidade as alegações da recorrente. Quanto as supostas dificuldades de transmissão e entrega da DSPJ do ano calendário 2009, não tem qualquer relação com os fatos objeto do presente processo. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator Fl. 33DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 07/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 03/06/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 13873.000809/200870 Acórdão n.º 180300.901 S1TE03 Fl. 29 5 Fl. 34DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 07/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 03/06/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH
score : 1.0
Numero do processo: 10835.002289/2005-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
EMBAROS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL.
Os embargos de declaração são cabíveis quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos. No caso concreto, comprovado a existência de contradição na decisão, cabe a admissibilidade dos embargos para a correção acórdão.
Embargos Providos
Numero da decisão: 3201-002.744
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os embargos.
Winderley Morais Pereira - Presidente substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario e Cassio Shappo.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ERRO MATERIAL. Os embargos de declaração são cabíveis quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos. No caso concreto, comprovado a existência de contradição na decisão, cabe a admissibilidade dos embargos para a correção acórdão. Embargos Providos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os embargos. Winderley Morais Pereira Presidente substituto e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario e Cassio Shappo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 00 22 89 /2 00 5- 55 Fl. 3017DF CARF MF 2 Relatório Tratase de embargos opostos pelo Sujeito Passivo, ao amparo do art. 65 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº343/2015, em face do Acórdão nº 380303.331, que foi assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. NOTAS FISCAIS. PESSOAS JURÍDICAS INEXISTENTES DE FATO OU NÃO AUTORIZADAS A EMITIREM DOCUMENTAÇÃO FISCAL. GLOSAS. INÍCIO DE EFEITO. DATA DA DECLARAÇÃO DE INAPTIDÃO. Os créditos devem ser escriturados pelo beneficiário à vista do documento que lhes confira legitimidade, sendo imprestáveis para tal fim as notas fiscais emitidas por pessoas jurídicas na condição de inaptas no cadastro do CNPJ ou não autorizadas a emitilas. Como decorrências destas circunstâncias, os créditos apurados com base em documentação fiscal inidônea devem ser glosados, na ausência de prova do pagamento do preço ao fornecedor e do efetivo recebimento das mercadorias e serviços, com início de efeitos a partir do registro da situação de que resulta a inaptidão. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS NÃO CUMULATIVAS. CORREÇÃO. VEDAÇÃO. O aproveitamento de créditos de COFINS. não enseja atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores, por expressa disposição legal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PERÍCIA TÉCNICA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. As perícias destinamse à elucidação de questões para as quais se exige conhecimento técnico especializado, matérias impassíveis de deslinde a partir do conhecimento das partes e do julgador, e não para suprir a produção de prova que, segundo a distribuição do onus probandi, toca ao interessado produzir. RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA RECORRIDA. INTERESSE RECURSAL. CARÊNCIA. Não se conhece de discussão sobre matéria de defesa impertinente ao caso concreto, por carência de interesse recursal. DECISÕES DO STJ. SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. APLICAÇÃO NOS JULGAMENTO DO CARF. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo artigo 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser Fl. 3018DF CARF MF Processo nº 10835.002289/200555 Acórdão n.º 3201002.744 S3C2T1 Fl. 3.017 3 reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (Resp 1.148.444 Alega a recorrente, a existência de contradição no acórdão, que decidiu pela possibilidade da apuração de créditos de Cofins de empresas consideradas inexistentes de fato, desde que as operações tenham ocorrido antes da data de declaração da inexistência. Insurge a embargante contra a decisão que não acatou os créditos referentes a empresa Evair A. Ferrarense EPP, afirmando que a data da declaração de inexistência de fato ocorreu em data posterior as operações realizadas com a Recorrente. Os embargos foram admitidos, sendo concluído pelo Conselheiro Relator pela procedência das alegações da Embargante. A conclusão dos embargos foram assim detalhadas no despacho de admissibilidade. Compulsando os autos, é possível verificar que, tendo o fornecedor Evair A Ferrarese – EPP sido considerado inexistente de fato – conforme se verifica do Termo de Verificação Fiscal à fl. 1583 –, a princípio, a ele deveria ter sido estendido, também, o efeito definido no voto vencedor do acórdão embargado, mas desde que se tenha por comprovada a ocorrência das operações anteriormente à data de publicação de eventual ato declaratório executivo. Nesse contexto, concluise pela verossimilhança da contradição apontada pelo Embargante, em razão do quê, com base no § 2º do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, pronunciome pela admissibilidade como Embargos de Declaração da petição apresentada por Vitapelli Ltda. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Consultando os autos e o acórdão embargado é possível comprovar a existência da contradição alegada pela Embargante. Nos termos bem detalhados pelo Conselheiro Relator do processo, os efeitos aplicados no voto vencedor referente as operações com empresas declaradas inaptas que ocorreram antes da data da declaração de inaptidão. Assim, a decisão da turma julgadora no acórdão embargado também devem alcançar as operações referentes a empresa Evair A Ferrarese – EPP. Fl. 3019DF CARF MF 4 Diante do exposto voto no sentido de conhecer e acolher os embargos, com efeitos infringentes, para alterar o acórdão embargado, permitindo a utilização na apuração de créditos de Cofins da Recorrente, as operações com a empresa Evair A. Ferrarense EPP realizadas em data anterior a sua declaração de inaptidão. Winderley Morais Pereira Fl. 3020DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 36624.002452/2007-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Feb 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2005
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO IN NATURA. SEM ADESÃO AO PAT. AUSÊNCIA DE NATUREZA SALARIAL. NÃO INCIDÊNCIA.
O fornecimento de alimentação aos empregados não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT.
Numero da decisão: 9202-005.190
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial do Contribuinte, apenas quanto à tributação da alimentação in natura fornecida aos empregados no período de 01/01/2004 a 31/12/2005 e, no mérito, na parte conhecida, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO IN NATURA. SEM ADESÃO AO PAT. AUSÊNCIA DE NATUREZA SALARIAL. NÃO INCIDÊNCIA. O fornecimento de alimentação aos empregados não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial do Contribuinte, apenas quanto à tributação da alimentação in natura fornecida aos empregados no período de 01/01/2004 a 31/12/2005 e, no mérito, na parte conhecida, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
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ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO IN NATURA. SEM ADESÃO AO PAT. AUSÊNCIA DE NATUREZA SALARIAL. NÃO INCIDÊNCIA. O fornecimento de alimentação aos empregados não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial do Contribuinte, apenas quanto à tributação da alimentação in natura fornecida aos empregados no período de 01/01/2004 a 31/12/2005 e, no mérito, na parte conhecida, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 62 4. 00 24 52 /2 00 7- 11 Fl. 2360DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Adotando o relatório do acórdão nº 240101.994, proferido em julgamento de embargos de declaração interpostos pela unidade preparadora, esclareço que o crédito em questão diz respeito à NFLD n.° 37.077.1427, por meio da qual cobrase contribuição previdenciária sobre valores pagos com o fornecimento de alimentação sem inscrição no PAT. Na NFLD, originalmente, foram incluídas as contribuições dos empregados e da empresa, inclusive a destinada a outras entidades e fundos. Destaquese que o crédito foi constituído para prevenir a decadência, tendo se em conta decisão liminar proferida pela 22ª Vara Federal de São Paulo nos autos no MS n.º 2006.61.00.0170826, a qual suspende a exigibilidade dos créditos apurados com base no Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais n.° 04/2006, emitido em 24/07/2006, contra a recorrente. Ao julgar o recurso voluntário acórdão de nº 240100.781, a Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção entendeu que as refeições fornecidas pelo Contribuinte aos seus empregados em suas dependências, integra o conceito de saláriode contribuição quando inexiste o devido registro no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. O colegiado determinou ainda, para as competências não declaradas decadentes, a aplicação retroativa de norma superveniente para declarar improcedente a aplicação da multa ao presente lançamento, posto que, passandose a aplicar a multa da Lei n. ° 9.430/1996, também deverseia observar o comando do seu art. 63, que veda a aplicação da multa de oficio aos créditos lançados para prevenir a decadência. Ocorre que o órgão responsável por dar cumprimento ao acórdão, verificou que havendo no lançamento também a contribuição dos segurados, a qual não estaria abrangida pelas decisões judiciais vinculadas ao Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais n° 04/2006, de 24/07/2006, não haveria de se aplicar a exclusão da multa para essa contribuição. Sanando a omissão apontada os embargos foram acolhidos com efeitos infringentes nos termos do já citado acórdão nº 240101.994. Assim, como decisão final, excluiuse a multa moratória do lançamento 'preventivo de decadência' apenas em relação as contribuições patronais, mantendose incólume o lançamento no que diz respeito a multa aplicada à contribuição dos segurados. A EQREC/ Grupo Contencioso, em 06/12/2011 (fls. 1900) esclareceu: 1. Através do Acórdão n° 240100.781, de 03/12/2009, o Presidente da 4a Câmara da 2a Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais decidiu dar PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO interposto pelo contribuinte para reconhecer a decadência para as Fl. 2361DF CARF MF Processo nº 36624.002452/200711 Acórdão n.º 9202005.190 CSRFT2 Fl. 2.361 3 competências 01/2001 a 11/2001 e determinar a exclusão da multa de oficio. 2. Ressaltase que a decisão foi reratificada através do Acórdão n° 240101.994 de 23/08/2011 (fls. 1.857/1.860) que determinou que a multa moratória seja excluída apenas em relação ás contribuições patronais, mantendose incólume o lançamento no que diz respeito à multa aplicada à contribuição dos segurados. 3. Para possibilitar o cadastramento do Acórdão foi realizado o desmembramento do presente débito, mantendose no DEBCAD n° 37.077.1427 a parte patronal e enviando para o DEBCAD n° 37.365.6866 a parte dos segurados que seguirá normalmente em cobrança. 4. Efetuado o cadastramento do Acórdão no Sistema Informatizado (SISCOL), excluindose da presente NFLD, com ciência pessoal em 22/02/2007, as competências 01/2001 a 11/2001 em função da decadência. Por meio da intimação nº 1.556 (fls. 1909), o contribuinte foi notificado acerca do desmembramento do processo 36624.002452/200711 tendo em vista existência de ação judicial, sendo comunicado que em função disso foi gerado o processo de número 18184.000687/201107 contemplando a parte dos segurados que seguiria em cobrança. Em sede de embargos de declaração (fls. 1905) o Contribuinte destaca que a Contribuição Previdenciária lançada foi calculada, exclusivamente, sobre valores referentes a alimentação fornecida aos empregados em seu próprio estabelecimento. Afirma que o acórdão contraria o Parecer da PGFN/CRJ nº 2.177/2011, o qual adota a jurisprudência do STJ que reconhece que a refeição, quando recebida in natura, não integra o salário, independentemente de o empregador estar vinculado ao PAT. O despacho de fls. 1960 não conheceu dos embargos do Contribuinte, sob a alegação de que quando do julgamento do acórdão embargado o ato da PGFN ainda não existia o que afasta a suposta alegação de omissão/contradição. O Contribuinte apresentou recurso especial reiterando os argumentos dos Embargos e o qual foi recebido para discussão da seguinte matéria: incidência de contribuição social sobre alimentação concedida in natura. Destaque para petição de fls. 2.326, por meio da qual o contribuinte esclarece que em razão do transito em julgado de decisão proferida no MS nº 2004.61.00.0302199 a qual reconheceu ser a entidade imune nos período de 01/1999 a 12/2003, fato reconhecido e que trouxe implicações no MS 2006.61.00.0170826/SP (vinculado a este processo administrativo) deve ser declara a perda parcial do objeto do presente processo, devendo a lide se limitar aos períodos de 2004 e 2005. Intimada, a Fazenda Nacional não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 2362DF CARF MF 4 Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Do conhecimento: O recurso preenche os requisitos de admissibilidade tendo havido a correta comprovação da divergência jurisprudencial, porém haja vista petição de fls. 2.326 e respectivos documentos juntados se faz necessário realizar a delimitação da lide. Conforme narrado há em favor do contribuinte decisão judicial transitada em julgado e a qual reconhece sua condição de entidade imune no período de 1º/01/1999 a 31/12/2003, tendo tornado sem efeitos o Ato Declaratório nº 97/2004 que originalmente lhe retirou essa condição. A decisão delimita: Alega a impetrante que é uma fundação de direito privado, sem fins lucrativos, desenvolvendo atividade de ensino e trabalho de assistência na área educacional. Em razão da sua natureza assistencial, não distribui lucros, aplica o resultado de suas atividades exclusivamente no Brasil e de acordo com os seus objetivos estatutários. Mantém, também, sua contabilidade em ordem legal. É beneficiária, pois, de imunidade de impostos, com fundamento no artigo 150, inciso VI, letra c, da Constituição Federal e artigo 14, do Código Tributário Nacional, e de isenção de contribuições sociais, consoante o disposto no artigo 195, §7°, da Carta Magna. Contudo, por força do Ato Declaratório n.° 97, de 20/09/2004, retificado pela publicação de 30/09/2004, foi suspensa a imunidade tributária, no período de 1o de janeiro de 1999 a 31 de dezembro de 2003, por infração ao disposto na Lei n.° 9.532/98, Decreto n.0 3.000/99 e por não ter atendido aos requisitos estabelecidos nas Leis n°s 8.742/93 e Decreto n.° 2.536/98. Entendo assistir razão a impetrante. ... Referido julgado fundamentou decisão (fls. 2.349) proferida pelo Desembargador do Tribunal Regional Federal da 3ª Região no MS 2006.61.00.0170826/SP (que motivou a realização deste lançamento com finalidade de evitar a decadência) no intuito de extinguir, por falte de interesse processual, a discussão em relação aos período de 01/2001 a 12/2003: DECISÃO Tratase de reexame necessário e recurso de apelação em interposto pela União Federal em face da r. sentença de procedência proferida em sede de mandado de segurança impetrado pela Fundação Visconde de Porto Seguro com a finalidade de declarar a sua imunidade, nos termos do artigo 195,§7º, da Constituição Federal, em relação às contribuições Fl. 2363DF CARF MF Processo nº 36624.002452/200711 Acórdão n.º 9202005.190 CSRFT2 Fl. 2.362 5 previdenciárias do período de janeiro de 2001 a dezembro de 2006, anulando o Ato Declaratório no 04/2006. A Fundação comunica, às fls. 737/752, que foi proferida sentença concessiva da segurança, já transitada em julgado, nos autos do Mandado de Segurança no 2004.61.00.0302199, onde se discutiu a validade do Ato Declaratório no 97/2004, que cancelou a isenção de contribuições previdenciárias no período de janeiro de 1999 a dezembro de 2003. Assim, afirma a apelada que o pedido referente ao período de janeiro de 2001 a dezembro de 2003, abarcado pela referida sentença, está prejudicado nestes autos. Diante deste contexto, requer a decretação da perda parcial superveniente do objeto no presente mandamus, relativamente ao período janeiro de 2001 a dezembro de 2003. Nestes termos, julgo extinto o processo, sem resolução do mérito, nos termos do art. 267, VI, do Código de Processo Civil, em relação ao período de janeiro de 2001 a dezembro de 2003, ante a ausência de interesse processual. Prossigase a ação em relação ao período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Publiquese e intimese. Decorrido o prazo recursal, retomem os autos conclusos para a apreciação do reexame necessário e do recurso de apelação. Considerando i) que houve o desmembramento do débito, exatamente em razão do ajuizamento do citado mandado de segurança (MS 2006.61.00.0170826/SP), ii) que o presente processo administrativo nº 36624.002452/200711 referese exclusivamente aos débitos do DEBCAD 37.077.1427, o qual atualmente abrange a cobrança da contribuição parte patronal incidente sobre valores pagos para o fornecimento de refeição ao seus empregados, e iii) os impactos direitos das decisões judiciais sobre o objeto do DEBCAD 37.077.1247, entendo que para o período apreciado pelo Poder Judiciário (1o de janeiro de 2001 a 31 de dezembro de 2003) deve ser reconhecida a concomitância o que nos leva a aplicação da Súmula CARF nº 01: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Assim, conheço em parte do recuso especial do contribuinte, nos restando a apreciação do fato gerador relativo a incidência da contribuição previdenciária parte patronal sobre o custo pago no fornecimento de refeições in natura aos empregados no período de 01/01/2004 a 31/12/2005. Do mérito: Fl. 2364DF CARF MF 6 No que tange ao mérito, a discussão engloba o debate sobre se o valor despendido pela Contribuinte com terceiro para o fornecimento de refeições aos seus empregados dentro do seu estabelecimento, ainda que não tenha promovido o respectivo registro no PAT Programa de Alimentação do Trabalhados, comporiam o conceito de salário decontribuição para fins de incidência da Contribuição Previdenciária. Usando as palavras do Recorrente, pelo lançamento foram acrescidas à sua folha de salários os valores creditados por ela em favor dos restaurantes mantidos dentro de suas instalações, para custear a alimentação fornecida a seus funcionários. Tratase, portanto, de auxílio alimentação in natura, que não caracteriza hipótese de incidência de contribuição previdenciária, sendo de todo irrelevante, para desfecho desta causa, a circunstância de se tratar de parcela de contribuição devida pelo empregador ou pelo empregado. No entender desta Relatora a situação narrada se ajusta exatamente no caso tratado pelo parecer da PGFN/CRJ nº 2.117/11 o qual reproduz o entendimento consolidado do Superior Tribunal Justiça. Vale citar partes do parecer: O presente Parecer tem como escopo analisar a viabilidade de edição de ato declaratório, com base no art. 19, inciso II, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 20021 , e no art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 19972 , que dispensa a apresentação de contestação, a interposição de recursos e a desistência dos já interpostos em relação às demandas/decisões judiciais que fixam o entendimento de que o pagamento in natura do auxílio alimentação não sofre a incidência da contribuição previdenciária. ... A análise em comento decorre da existência de decisões reiteradas de ambas as Turmas de Direito Público do Superior Tribunal de Justiça ─ STJ no sentido de que o auxílio alimentação in natura, por não possuir natureza salarial, não é passível de incidência de contribuição previdenciária. ... Ocorre que o Poder Judiciário tem entendido diversamente, restando assente no âmbito do STJ o posicionamento segundo o qual o pagamento in natura do auxílioalimentação, ou seja, quando o próprio empregador fornece a alimentação aos seus empregados, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir verba de natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT ou decorra o pagamento de acordo ou convenção coletiva de trabalho. Entende o Colendo Superior Tribunal que tal atitude do empregador visa tão somente proporcionar um incremento a produtividade e eficiência funcionais. Em virtude do parecer foi editado o Ato Declaratório nº 03/2011 da Procuradora Geral da Fazenda Nacional o qual autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária.” Fl. 2365DF CARF MF Processo nº 36624.002452/200711 Acórdão n.º 9202005.190 CSRFT2 Fl. 2.363 7 Por meio de despacho, publicado em 24.11.2011, o Ministro da Fazenda aprovou o citado Ato Declaratório nº 03/2011, fato de grande importância para desfecho da lide na medida em que nestas circunstâncias tratase de entendimento que vincula os integrantes deste Colegiado por força do art. 62, §1º, II, c da Portaria MF nº 343/15, que aprovou o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: ... II que fundamente crédito tributário objeto de: ... c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; Diante do exposto, dou provimento ao recurso do Contribuinte para, aplicando o Ato Declaratório da PGFN nº 03/2001 excluir da base de cálculo da contribuição previdenciária devida pelo Contribuinte os valores despendidos com o fornecimento de refeições dentro do seu estabelecimento, mesmo na ausência de adesão ao PAT. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 2366DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13047.720119/2012-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
RENDIMENTOS ACUMULADOS. RECLAMATÓRIA
TRABALHISTA.
A parcela dos rendimentos recebidos acumuladamente em virtude de ação judicial trabalhista relacionadas com o FGTS, cuja natureza puder ser comprovada, é isenta do IRPF nos termos do artigo 6º, V, da Lei n.º 7.713/88.
Numero da decisão: 2301-004.903
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do Recurso Voluntário e dar-lhe provimento, nos termos do voto do relator.
Andrea Brose Adolfo - Presidente.
Alexandre Evaristo Pinto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Fabio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes e Alexandre Evaristo Pinto.
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
1.0 = *:*
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RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. A parcela dos rendimentos recebidos acumuladamente em virtude de ação judicial trabalhista relacionadas com o FGTS, cuja natureza puder ser comprovada, é isenta do IRPF nos termos do artigo 6º, V, da Lei n.º 7.713/88. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do Recurso Voluntário e darlhe provimento, nos termos do voto do relator. Andrea Brose Adolfo Presidente. Alexandre Evaristo Pinto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Fabio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes e Alexandre Evaristo Pinto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 04 7. 72 01 19 /2 01 2- 50 Fl. 119DF CARF MF 2 Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 1039.946, de 31/07/2012, (fls. 71 a 73). O contribuinte supraidentificado foi notificado de que o seu Imposto a Restituir na Declaração de Ajuste Anual do IRPF do exercício de 2009, anocalendário 2008 informado de R$45.273,05 seria reduzido para R$24.244,09 decorrente da omissão de rendimentos recebidos acumuladamente em virtude de ação judicial trabalhista no valor de R$45.661,06 e por compensar indevidamente IRRF no valor de R$8.472,17. O notificado apresentou impugnação em 16/05/2012 alegando que os valores tidos pela fiscalização como omitidos referemse a parcelas de FGTS. No tocante à compensação indevida de IRRF questiona o valor de R$3.975,26 sob alegação de que o valor a ser considerado é o constante no alvará. A DRJ julgou a impugnação improcedente, e o acórdão recorrido recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 RENDIMENTOS ACUMULADOS. RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. Constituem rendimentos tributáveis os valores recebidos acumuladamente em virtude de ação judicial trabalhista, excetuadas as verbas expressamente declaradas como isentas ou não tributáveis pela legislação e admitidas as deduções das despesas com honorários advocatícios e periciais, suportadas pelo contribuinte. Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário trazendo elementos relativos ao Cálculo de Liquidação da Sentença que identificam que parte dos rendimentos recebidos são relacionados ao FGTS. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto O recurso voluntário é tempestivo e aborda matéria de competência desta Turma. Portanto, dele tomo conhecimento. No tocante à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente em virtude de ação judicial, o recorrente trouxe no recurso voluntário cópias do Cálculo de Liquidação de Sentença do Processo n. 00412.721/9967 (fls 85 a 109) comprovando a natureza de rendimentos isentos para as verbas relacionadas ao FGTS, assim como já era possível observar os rendimentos isentos no montante de R$ 55.381,43 (fl. 8) no próprio Informe de Rendimentos emitido pelo Banco do Brasil. Fl. 120DF CARF MF Processo nº 13047.720119/201250 Acórdão n.º 2301004.903 S2C3T1 Fl. 120 3 A isenção do imposto de renda da pessoa física sobre os rendimentos relacionados com o FGTS está prevista expressamente no artigo 6º, V, da Lei n.º 7.713/88: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: ... V a indenização e o aviso prévio pagos por despedida ou rescisão de contrato de trabalho, até o limite garantido por lei, bem como o montante recebido pelos empregados e diretores, ou respectivos beneficiários, referente aos depósitos, juros e correção monetária creditados em contas vinculadas, nos termos da legislação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço; Por tudo, voto por dar provimento ao recurso voluntário reconhecendo a inexistência de omissão de rendimentos tributáveis por se tratarem de rendimentos isentos. É como voto. Alexandre Evaristo Pinto Relator Fl. 121DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.723365/2014-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
Ementa:
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MOLÉSTIA GRAVE..TERMO INICIAL. LAUDO MÉDICO
A isenção a que fazem jus os portadores de moléstia grave aplicam-se aos rendimentos recebidos a partir do mês da emissão do laudo pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão ou da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial.
Numero da decisão: 2202-003.791
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo o valor de R$ 103.797,60, referente a proventos de aposentadoria.
(Assinado digitalmente)
MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 Ementa: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MOLÉSTIA GRAVE..TERMO INICIAL. LAUDO MÉDICO A isenção a que fazem jus os portadores de moléstia grave aplicam-se aos rendimentos recebidos a partir do mês da emissão do laudo pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão ou da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo o valor de R$ 103.797,60, referente a proventos de aposentadoria. (Assinado digitalmente) MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Presidente. (Assinado digitalmente) JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada.
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MOLÉSTIA GRAVE..TERMO INICIAL. LAUDO MÉDICO A isenção a que fazem jus os portadores de moléstia grave aplicamse aos rendimentos recebidos a partir do mês da emissão do laudo pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão ou da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo o valor de R$ 103.797,60, referente a proventos de aposentadoria. (Assinado digitalmente) MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Presidente. (Assinado digitalmente) JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 72 33 65 /2 01 4- 70 Fl. 93DF CARF MF 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ): Contra o contribuinte foi lavrada notificação relativa ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (fls.17 a 21), anocalendário 2009, para apurar imposto suplementar de R$730,00 com aplicação de multa de ofício e juros de mora. De acordo com a descrição dos fatos de fl.18 foi apurado que o montante de R$120.977,81 foi indevidamente considerado isento por moléstia grave uma vez que o laudo apresentado datado de 13/08/2014 foi assinado por médico que não é servidor público municipal. O interessado em 17/12/2014 impugna o lançamento alegando ser portador de moléstia grave e anexa diversos documentos para comprovação e solicita a inclusão de despesa relativa à contribuição patronal que não foi considerada na apuração do imposto devido. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ), negou provimento à Impugnação em decisão cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MOLÉSTIA GRAVE. A isenção para portadores de moléstia grave só poderá ser concedida quando o contribuinte preenche os dois requisitos cumulativos indispensáveis à concessão da isenção: a natureza dos valores recebidos, que devem ser proventos de aposentadoria/reforma ou pensão, e o outro que se relaciona à existência da moléstia tipificada no texto legal. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. RECONHECIMENTO. A comprovação da moléstia grave deverá ser realizada mediante laudo pericial, assim entendido como documento emitido por médico legalmente habilitado ao exercício da profissão de medicina, integrante de serviço médico oficial da União, dos estados, do Distrito Federal ou dos municípios, independentemente de ser emitido por médico investido ou não na função de perito, observadas a legislação e as normas internas especificas de cada ente. O laudo pericial deve conter, no mínimo, as seguintes informações: a) o órgão emissor; b) a qualificação do Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10825.723365/201470 Acórdão n.º 2202003.791 S2C2T2 Fl. 94 3 portador da moléstia; c) o diagnóstico da moléstia (descrição; CID10; elementos que o fundamentaram; a data em que a pessoa física é considerada portadora da moléstia grave, nos casos de constatação da existência da doença em período anterior à emissão do laudo); d) caso a moléstia seja passível de controle, o prazo de validade do laudo pericial ao fim do qual o portador de moléstia grave provavelmente esteja assintomático; e e) o nome completo, a assinatura, o nº de inscrição no Conselho Regional de Medicina (CRM), o nº de registro no órgão público e a qualificação do(s) profissional(is) do serviço médico oficial responsável(is) pela emissão do laudo pericial. Cientificado da decisão acima transcrita (AR fls. 59), o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 62/65 no qual requer a juntada, em fase recursal, dos seguintes documentos: a) comprovante de rendimentos do anocalendário 2009 (fls. 67); b) ato concessivo da sua aposentadoria junto ao Poder Judiciário do Estado de São Paulo (cópia da publicação no Diário Oficial de São Paulo de 28 de abril de 1994 (fls. 86); c) Laudo médico emitido pelo Serviço Público Oficial de Saúde da Prefeitura Municipal de Piratininga (fls. 77); É o relatório Voto Conselheira Relatora JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, dele conheço. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) negou provimento à impugnação apresentada pelo contribuinte, em razão das seguintes deficiências documentais: a) o laudo apresentado não contém a matrícula do médico que o assinou e tampouco identifica o nome do serviço médico oficial b) o laudo foi assinado por Marco Antonio C Bergamo em 13 de agosto de 2014 que não faz parte do quadro de servidores da prefeitura, conforme Ofício nº76/2014 de fl.41. Fl. 95DF CARF MF 4 c) No que se refere aos rendimentos recebidos de São Paulo Previdência o interessado não apresentou a publicação da sua aposentadoria, portanto não restou demonstrado que se tratam de proventos de aposentadoria ou pensão. Antes de analisarmos o Recurso Voluntário, é imprescindível que seja analisada a possibilidade de juntada de provas em fase recursal. Isso porque, conforme mencionado na decisão recorrida, a glosa dos valores recebidos como omissão de receitas foi mantida em virtude da ausência de documento idôneo à comprovação da moléstia grave. O Recurso Voluntário do contribuinte teve como objetivo, fundamentalmente, a trazer aos autos a mencionada documentação. O artigo 16 § 4º do Decreto 70.235/72 determina que "a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Todavia, esse Conselho, em razão do princípio do formalismo moderado que se aplica aos processos administrativos, têm admitido a juntada de provas em fase recursal como se verifica pelas ementas abaixo transcritas: "IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AUTUAÇÃO POR DEDUÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO IDÔNEA EM FASE RECURSAL. ADMITIDA EM HOMENAGEM AO PRINCÍPIO DO FORMALISMO MODERADO. Comprovada idoneamente, por demonstrativos de pagamentos de rendimentos, a retenção de imposto na fonte, ainda que em fase recursal, são de se admitir os comprovantes apresentados a destempo, com fundamento no princípio do formalismo moderado, não subsistindo o lançamento quanto aeste aspecto. Recurso provido" (Ac 2802001.637, 2ª Turma Especial, 2ª Seção, Sessão 18/04/2012) "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O art. 16 do Decreto n. 70.235/72 deve ser interpretado com temperamento em decorrência dos demais princípios que informam o processo administrativo fiscal, especialmente instrumentalidade das formas e formalismo moderado. O controle da legalidade do ato de lançamento e busca da “verdade material” alçada como princípio pela jurisprudência dessa Corte impõem flexibilidade na interpretação de regras relativas à instrução da causa, tanto no tocante à iniciativa quanto ao momento da produção da prova. Recurso voluntário provido para anular decisão de primeira instância." (Ac 1102 000.859, 1ª Câmara/2ª Turma Ordinária, 1ª Seção, Sessão 09/04/2013) "PEDIDO DE RESTITUIÇÃO / DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO. APRESENTAÇÃO DE NOVAS PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE. O art. 16 do Decreto n. 70.235/72, que determina que a prova documental deva ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de se fazêlo em outro momento processual, deve ser Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10825.723365/201470 Acórdão n.º 2202003.791 S2C2T2 Fl. 95 5 interpretado com temperamento em decorrência dos demais princípios que informam o processo administrativo fiscal, tais como o formalismo moderado e a busca da “verdade material”. A apresentação de provas após a decisão de primeira instância, no caso, é resultado da marcha natural do processo, pois, não tendo a decisão de piso considerado suficientes os documentos apresentados pelo contribuinte para a comprovação do seu direito creditório, trouxe ele novas provas, em sede de recurso, para reforçar o seu direito". (Ac 1102001.148, 1ª Câmara/2ª Turma Ordinária, 1ª Seção, Sessão 29/04/2014) Sendo assim, aceito os documentos juntados em fase recursal. O comprovante de rendimentos do anocalendário 2009 (fls. 67) e a cópia do Diário Oficial do Estado de São Paulo demonstram que os valores recebidos se referem a aposentadoria. O Laudo médico emitido pelo Serviço Público Oficial de Saúde da Prefeitura Municipal de Piratininga em 28 de novembro de 2014 (fls. 77), menciona que a moléstia foi contraída em Julho de 2008. A respeito do termo inicial da isenção, a Instrução Normativa SRF nº 15, de 06/02/2001, dispõe em seu artigo 5º, § 2º: Art. 5º Estão isentos ou não se sujeitam ao imposto de renda os seguintes rendimentos: (...) § 2º A isenção a que se referem os incisos XII e XXXV aplicam se aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão, quando a doença for preexistente; II do mês da emissão do laudo pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial.(grifamos) De acordo com a norma acima transcrita, havendo no laudo a identificação da data em que a doença foi contraída este deve ser o termo inicial para o gozo da isenção. Como já mencionado, o laudo pericial atesta que a doença foi contraída em julho de 2008. Sendo assim, a isenção contempla o anocalendário de 2009 cuja glosa se discute no presente processo. Todavia, em relação ao valor de R$ 17.180,21 (fls. 69), recebido em decorrência da ação judicial, não consta dos autos prova de que se trata de verba decorrente de aposentadoria. Fl. 97DF CARF MF 6 Em face do exposto, dou parcial provimento ao recurso para excluir da base de cálculo o valor de R$ 103.797,60 referente aos proventos de aposentadoria. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Fl. 98DF CARF MF
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