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Numero do processo: 10865.900849/2012-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO
A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazê-lo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia.
PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL.
A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-002.319
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Cassio Shappo.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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DCOMP. Recorrente ELO COMERCIO DE COMPONENTES AUTOMOTIVOS LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazêlo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Cassio Shappo. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 08 49 /2 01 2- 19 Fl. 105DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.900849/201219 Acórdão n.º 3201002.319 S3C2T1 Fl. 0 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. Relatório ELO COMERCIO DE COMPONENTES AUTOMOTIVOS LTDA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito de Contribuição para o PIS/Pasep. A DRF LIMEIRA emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade a contribuinte alegou, em síntese, que comercializa alguns produtos sujeitos à tributação monofásica (alíquota zero sobre as suas vendas), que foram indevidamente tributados, o que deu origem aos créditos informados no PER/Dcomp. Procurando demonstrar a existência do direito creditório junta ao processo cópia da DCTF retificadora. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 08026.228. A DRJ fundamentou que a simples retificação da DCTF não é suficiente para comprovar o pagamento indevido ou a maior que o devido, e que a contribuinte não trouxe aos autos elementos comprobatórios do direito creditório utilizado na compensação declarada. Em seu recurso voluntário a Recorrente traz, em resumo, os seguintes argumentos: a) reitera que a origem de seu direito creditório decorre da inclusão indevida, na base de cálculo da contribuição, de receitas oriundas da venda de produtos sujeitos à alíquota 0%, conforme anexo I da Lei nº 10.485/2002 (SILENCIOSO componente do sistema de escapamento NCM 87.08.92.00), que já teriam sofrido tributação obedecendo ao critério monofásico; b) afirma que procurou comprovar o direito creditório com a manifestação de inconformidade acompanhada da DCTF retificadora, mas que, agora, junta aos autos demonstrativo mais detalhado e minucioso (listagem de notas fiscais com indicação dos produtos vendidos com respectivas alíquotas aplicáveis, cópia do Registro de Saídas e da GIA correspondentes), servindo para o reconhecimento de seu direito de crédito ou, pelo menos, para justificar a realização de diligência (cita a Resolução nº 3803000.330 como precedente); c) caso o Colegiado decida pela realização de diligência, informa que todas as notas fiscais relacionadas nos demonstrativos estão sob sua guarda, à disposição do Fisco; Fl. 106DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.900849/201219 Acórdão n.º 3201002.319 S3C2T1 Fl. 0 3 d) sustenta que a decisão recorrida negou seu direito atendose a aspecto meramente formal, sem observar o princípio da verdade material, que norteia o processo administrativo fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.316, de 24/08/2016, proferido no julgamento do processo 10865.904904/201231, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.316): "Observados os pressupostos recursais, a petição de fls. 70 a 78 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/Fortaleza/3ª Turma, nº 0826.232, de 20 de agosto de 2013. No presente caso, a decisão recorrida não acolheu a alegação de erro na apuração da contribuição social, nem a simples retificação da DCTF para efeito de alterar valores originalmente declarados, porque o declarante, em sede de manifestação de inconformidade, não se desincumbiu do ônus probatório que lhe cabia e não juntou nos autos seus registros contábeis e fiscais, acompanhados de documentação hábil, para infirmar o motivo que levou a autoridade fiscal competente a não homologar a compensação ou mesmo para eventualmente comprovar a alegada inclusão indevida de valores na base de cálculo das contribuições, que poderiam levar à reduções de valores dos débitos confessados em DCTF. Agora, já no recurso voluntário, o interessado aporta aos autos novos documentos, que não haviam sido oferecidos à autoridade julgadora de primeira instância. A possibilidade de conhecimento desses novos documentos, não oferecidos à instância a quo, deve ser avaliada à luz dos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal. O PAF, assim dispõe, verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...]Art. 16. A impugnação mencionará: [...]III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 107DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.900849/201219 Acórdão n.º 3201002.319 S3C2T1 Fl. 0 4 [...]§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) [...]Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). O processo administrativo fiscal pode ser considerado como um método de composição dos litígios, empregado pelo Estado ao cumprir sua função jurisdicional, com o objetivo imediato de aplicar a lei ao caso concreto para a resolução da lide. Em razão de vários fatores, a forma como o processo se desenvolve assume feições diferentes. Humberto Theodoro Júnior em "Curso de Direito Processual Civil, vol. I" (ed. Forense, Rio de Janeiro, 2004, p.303) assim diz: “enquanto processo é uma unidade, como relação processual em busca da prestação jurisdicional, o procedimento é a exteriorização dessa relação e, por isso, pode assumir diversas feições ou modos de ser.”. Ensina o renomado autor que “procedimento é, destarte, sinônimo de ‘rito’ do processo, ou seja, o modo e a forma por que se movem os atos do processo”. Neste sentido, o procedimento está estruturado segundo fases lógicas, que tornam efetivos os seus princípios fundamentais, como o da iniciativa da parte, o do contraditório e o do livre convencimento do julgador. Conforme os antes transcritos artigos 14 e 15 do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal (PAF), é a impugnação da exigência, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, que instaura a fase litigiosa do procedimento. (grifei) Por sua vez, o art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972, estabelece que as provas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. O sistema da oficialidade, adotado no processo administrativo, e a necessidade da marcha para frente, a fim de que o mesmo possa atingir seus objetivos de solução de conflitos e pacificação social, impõem que existam prazos e o estabelecimento da preclusão. Contudo, uma fria análise da norma pode vir a chocarse com os princípios da verdade material e da ampla defesa. Vejamos que a Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo em geral, no art. 3º, possibilita a apresentação de alegações e documentos antes da decisão e, no art. 38, permite que documentos probatórios possam ser juntados até a tomada da decisão administrativa. Entretanto, conforme a melhor doutrina, deve ser aplicada ao caso a lei específica existente, Decreto nº 70.235/1972, que determina o rito do processo administrativo fiscal, em detrimento da lei geral. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.900849/201219 Acórdão n.º 3201002.319 S3C2T1 Fl. 0 5 Neste ponto, sobre o momento da apresentação da prova no processo administrativo fiscal, cabe mencionar que de fato existe na jurisprudência uma tendência de atenuar os rigores da norma, afastando a preclusão em alguns casos excepcionais, que indicam trataremse daqueles que se referem a fatos notórios ou incontroversos, no tocante a documentos que permitem o fácil e rápido convencimento do julgador. Logo, o direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa comporta graduação e será determinado a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, bem como à percepção de que efetivamente houve um esforço na busca de comprovar o direito alegado, que é ônus daquele que objetiva a restituição, ressarcimento e/ou compensação de tributos. Como se vê, as alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não sendo praticado no tempo certo, surgem para a parte conseqüências gravosas, dentre elas a perda do direito de fazêlo posteriormente, pois operase, nesta hipótese, o fenômeno da preclusão, isto porque, conforme já dito, o processo é um caminhar para a frente, não se admitindo, em regra, ressuscitar questões já ultrapassadas em fases anteriores. O § 4º do art. 16 do PAF estabelece que só é lícito deduzir novas alegações em supressão de instância quando: relativas a direito superveniente, demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Compete ainda ao julgador administrativo conhecer de ofício de matérias de ordem pública, a exemplo da decadência; ou por expressa autorização legal. Finalmente, o § 5º do mesmo dispositivo legal exige que a juntada dos documentos deve ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. Especificamente no caso desses autos, o recorrente não se preocupou em produzir oportunamente os documentos que comprovariam suas alegações, ônus que lhe competia, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, segundo o disposto na Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.900849/201219 Acórdão n.º 3201002.319 S3C2T1 Fl. 0 6 O recorrente tampouco comprovou a ocorrência de qualquer das hipóteses das alíneas “a” a “c” do § 4º do art. 16 do PAF, que justificasse a apresentação tão tardia dos referidos documentos. No caso, o acórdão da DRJ foi bastante claro ao fundamentar suas conclusões pela insuficiência da comprovação do direito creditório alegado quando afirmou: "a simples retificação da DCTF sem que o contribuinte tenha juntado aos autos documentos hábeis e idôneos que comprovem as alterações efetuadas não pode servir como justificativa de eventual erro no preenchimento da DCTF" (grifei). Ao final, a decisão recorrida novamente destaca: "a manifestação de inconformidade procura justificar o erro na declaração DCTF Original mediante retificação da DCTF, após a ciência do Despacho Decisório, sem apresentação de elementos comprobatórios do direito creditório pleiteado no citado PER/DCOMP. (grifei) A propósito dos documentos que instruem a peça recursal (demonstrativos do faturamento mensal, do cálculo dos créditos de PIS e Cofins e das compensações, bem como cópia do registro de saídas e da apuração do ICMS), verificase que o contribuinte anexou uma relação de Notas Fiscais de 7 (sete) páginas de extensão, fls. 79 a 85, afirmando que tal providência o dispensaria da anexação de todas estas notas emitidas no período, em face de seu "grande volume". Quanto à esta alegação, deve ser contraposto que o presente processo já foi instaurado na forma digital, o que em muito facilitaria a juntada da totalidade das referidas notas fiscais. Embora ressalte que todas estas Notas estariam sob sua guarda e poderiam ser imediatamente disponibilizadas na hipótese de realização de diligência, o interessado sequer procurou juntar algumas Notas como amostragem, o que ao menos denotaria um mínimo esforço no sentido de comprovar o efetivo teor das mesmas. Ainda, também não se preocupou em demonstrar a origem das mercadorias que teria revendido, mediante a apresentação das Notas Ficais de aquisição das mesmas, no sentido de comprovar que de fato o fabricante/fornecedor operava sob o regime da tributação monofásica. No caso, optou por reiterar suas alegações quanto à supremacia da verdade material sobre a verdade formal, quando deveria procurar demonstrar de maneira efetiva suas alegações juntando cópias de pelo menos parte de todas estas notas, para que o julgamento ocorresse com base em elementos concretos, capazes de comprovar a veracidade do alegado direito creditório. O recorrente invoca o princípio processual da verdade material. O que deve ficar assente é que o referido princípio destinase à busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. Em outras palavras, o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.900849/201219 Acórdão n.º 3201002.319 S3C2T1 Fl. 0 7 Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem quaisquer provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento ou por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito, onde se objetiva a restituição de um alegado crédito, seja proposto sem a devida e minuciosa demonstração e comprovação da efetiva existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento, se oportunize tais demonstração e comprovação. Pelo exposto, entendo que deve ser afastada a insinuação recursal, implícita no brado pelo princípio da verdade material, de que esta instância de julgamento estaria obrigada a acolher todos e quaisquer documentos que por ventura acompanhem o recurso, primeiro porque existe um evidente limite temporal para a apresentação de provas no rito instituído pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – PAF que no presente caso é o momento processual da apresentação da manifestação de inconformidade, segundo porque o ônus probatório aqui é do contribuinte, quando este pleiteia um ressarcimento ou uma restituição de indébito, tem a obrigação de comprovar inequivocamente o seu alegado direito creditório no momento que contesta o despacho decisório e instaura o contencioso. Como se vê, a documentação juntada ao recurso voluntário não se revela suficiente para atestar liminarmente a liquidez e a certeza do crédito oposto na compensação declarada e demandaria a reabertura da dilação probatória, o que, de regra, como já visto, não se admite na fase recursal do processo, exceto em casos excepcionais. A comprovação do valor do tributo efetivamente devido (e, por conseqüência, do direito à restituição de eventual parcela recolhida a maior) no caso concreto deveria ter sido efetuada mediante apresentação de documentos contábeis e fiscais que patenteassem que o valor da contribuição do período de apuração de interesse não atingiu o valor informado na DCTF vigente quando da emissão do Despacho Decisório aqui analisado, mas apenas o valor informado na DCTF retificadora (que no presente caso sequer efeitos surte quanto à redução deste débito). Como tal documentação não foi juntada no momento processual oportuno e nem mesmo agora em sede de recurso voluntário foi integralmente apresentada, quedou sem comprovação a certeza e liquidez dos créditos do contribuinte contra a Fazenda Pública, atributos indispensáveis para a homologação da compensação pretendida, nos termos do art. 170 do CTN. Sobre a jurisprudência trazida à colação pelo recorrente, inclusive a citada Resolução nº 3803000.330, devese contrapor que se tratam de decisões isoladas, que não se enquadram ao caso em exame e nem vinculam o presente julgamento, podendo cada instância decidir livremente, de acordo com suas convicções. Além disso, tratamse de precedentes que não constituem normas complementares, não têm força normativa, nem efeito vinculante para a administração tributária, pela inexistência de lei nesse sentido, conforme exige o art. 100, II, do CTN. Alertandose para a estrita vinculação das autoridades administrativas ao texto da lei, no desempenho de suas atribuições, sob pena de responsabilidade, motivo pelo qual tais decisões não podem ser aplicadas fora do âmbito dos processos em que foram proferidas. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.900849/201219 Acórdão n.º 3201002.319 S3C2T1 Fl. 0 8 Com essas considerações, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. Winderley Morais Pereira Fl. 112DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13888.904212/2009-18
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2004
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-004.077
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Incidência sobre receitas de vendas a empresas sediadas na ZFM. Recorrente CRISTINA APARECIDA FREDERICH & CIA LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/06/2004 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 42 12 /2 00 9- 18 Fl. 273DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.904212/200918 Acórdão n.º 9303004.077 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, meio pelo qual busca a reforma do Acórdão nº 3303002.499, que negou provimento ao recurso voluntário. Decidiu o colegiado a quo pela incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Cientificado do mencionado acórdão o sujeito passivo apresentou recurso especial suscitando divergência jurisprudencial quanto à isenção das contribuições sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e serviços para empresas com domicílio na Zona Franca de Manaus. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.934, de 07/06/2016, proferido no julgamento do processo 10650.902444/201141, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303003.934): "A matéria, única, posta ao exame do colegiado não é nova. Com efeito, já tivemos oportunidade de nos pronunciar sobre ela em diversas ocasiões, tendo eu firmado convicção pela inaplicabilidade de qualquer medida desonerativa (seja isenção, imunidade ou alíquota zero) aos fatos geradores anteriores a julho de 2004. No relatório da Dra. Vanessa consta que o contribuinte aduziu em seu recurso: "que: (a) o DecretoLei nº 288/67 equipara os efeitos das operações de venda para a Zona Franca de Manaus às exportações para o estrangeiro, sendolhes aplicáveis as vantagens fiscais estabelecidas pela legislação para as exportações, nos termos do seu art. 4º; (b) o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido da não incidência de PIS sobre as receitas decorrentes das vendas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus; (c) o Supremo Tribunal Fl. 274DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.904212/200918 Acórdão n.º 9303004.077 CSRFT3 Fl. 4 3 Federal, ao proferir liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’, contida no inciso I, do §2º do art. 14 da MP nº 2.03724/00, expressão suprimida do diploma legal pelo Poder Executivo ao editar, na mesma data, a MP nº 2.03725/2000; e, por fim, (d) não incide o PIS para os fatos geradores ocorridos em fevereiro de 2002, tendo em vista a revogação da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ do inciso I, §2º do art. 14 da MP nº 2.03725/2000 e a equiparação dos efeitos fiscais das vendas para a Zona Franca de Manaus às exportações para o exterior". Consideroos todos abarcados no voto que segue, proferido em sessão de 2011, no qual enfrentei ainda outros argumentos. Reconheço haver decisões do STJ em sentido oposto, mas, como nenhuma delas cumpre os requisitos do art. 62 do atual regimento interno desta Casa, peço vênia para continuar teimando. Disseo eu naquela ocasião: Vale iniciálo reenunciando o criativo entendimento da recorrente: a) não há necessidade de previsão legal expressa concessiva da isenção porque o decretolei 288 e o Ato Complementar 35/67 bastam; b) deferida isenção para exportações em geral, a vendas à ZFM está imediata e automaticamente estendida; c) tendo o Ato Complementar à Constituição de 67 a natureza de lei complementar, como pacificado em nossos Tribunais,. nenhuma lei ordinária o poderia revogar; d) a “revogação” pretendida somente vigorou entre ___ e ___, sendo de rigor reconhecer a isenção, ao menos, nos períodos anterior e posterior. Ainda que criativo, o raciocínio desenvolvido na defesa não merece prosperar cabendo a manutenção da decisão recorrida pelos motivos que se expõem em seguida. Em primeiro lugar, a premissa de que o decretolei 288 teria assegurado que todo e qualquer incentivo direcionado a promover as exportações deveria, imediata e automaticamente, ser estendido à Zona Franca de Manaus não resiste sequer ao primeiro dos métodos interpretativos consagradamente admitidos: a literalidade. É que tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.904212/200918 Acórdão n.º 9303004.077 CSRFT3 Fl. 5 4 Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia – pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Aliás, da interpretação dada pela recorrente a este último ato também divergimos. Deveras, pretende ela que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM, como afirma a empresa. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego e renda para a região Norte. Para tanto, definiuse um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.904212/200918 Acórdão n.º 9303004.077 CSRFT3 Fl. 6 5 Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser taxada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal Fl. 277DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.904212/200918 Acórdão n.º 9303004.077 CSRFT3 Fl. 7 6 que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. Com efeito, ouso divergir da conclusão exposta no Parecer PFGN 1789 no sentido de que tal ressalva se destinava apenas aos comandos insertos nos incisos IV, VI, VIII e IX. A razão para tanto é que aí ventilamse hipóteses intrinsecamente ligadas ao objetivo que o ato pretende incentivar: vendas para o exterior que trazem divisas para o país. Refirome aos incisos VIII (vendas com o fim de exportação a trading companies e demais empresas exportadoras) bem como o fornecimento de bordo a embarcações em tráfego internacional (ship’s Chandler). Além disso, a interpretação não apenas retira um incentivo, ela pressupõe um desincentivo: qualquer trading do decretolei 1.248/72, exportadora inscrita na SECEX ou ship’s Chandler instalada em outro ponto do território nacional terá vantagem em relação à que ali se instale. Não faz sentido tal discriminação contra a ZFM. A interpretação dada pela douta PGFN parece buscar um sentido para o comando do parágrafo de modo a não tornálo redundante. Fêlo, todavia, da pior forma, a meu sentir, pois fixouse no método literal esquecendose de considerar o motivo da norma. Realmente, uma cuidadosa leitura do parecer permite ler o artigo, com o respectivo parágrafo segundo, da seguinte forma: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, desde que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) NÃO esteja situada na ZFM. Com a exclusão do parágrafo: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, mesmo que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) esteja situada na ZFM. Ora, o objeto da isenção versada nesses dispositivos nada tem a ver com a localização da compradora mas com o que ela faz. É a atividade (exportação com conseqüente ingresso de divisas) que se quer incentivar. O que se tem de decidir é se a mera venda à ZFM, que não gera divisa nenhuma, deve a isso ser equiparado. Foi isso, em meu entender, que o parágrafo quis dizer: não é o que o Parecer da PGFN consegue nele ler. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.904212/200918 Acórdão n.º 9303004.077 CSRFT3 Fl. 8 7 Em conseqüência desse parecer, surgem decisões como as que ora se examinam: o pedido tinha a ver com venda a ZFM. A decisão abre a possibilidade de que tenha mesmo havido recolhimento indevido, mas por motivo completamente diverso. E mais, atribui ao contribuinte a prova dessa outra circunstância, que não motivara o seu pedido. Nonsense completo. Esse meu reconhecimento implica aceitar que o malsinado parágrafo estava sim se referindo, genericamente, às vendas à ZFM, ou, mais claramente, está ele a dizer que, para efeito do incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na ZFM não se equipara à exportação de que cuida o inciso II do ato legal em discussão. Mas, ao fazêlo, não está revogando dispositivo isentivo anterior: está simplesmente cumprindo o seu papel esclarecedor, ainda que nesse caso melhor fosse nada ter tentado esclarecer... Aliás, idêntico dispositivo esclarecedor poderia ter estado presente na LC 85 e na Lei 7.714 como já estivera no decretolei 491. Com isso, muita discussão travada administrativamente teria sido evitada ou transferida para o Judiciário. É a ausência de tal dispositivo e sua presença na nova lei que cria o imbróglio. Ele não leva, contudo, em minha opinião, à interpretação simplória de que tal ausência implicasse haver isenção. Para isso, primeiro, se tem de admitir que basta o Decretolei 288. Essa interpretação, pareceme, está em maior consonância com o espírito legisferante, pois não faz sentido considerar que uma norma que procura incentivar as exportações tenha instituído uma discriminação contra uma região (região, aliás, que sempre se procurou incentivar) em operações que produzem o mesmo resultado: a geração de divisas internacionais. A minha conclusão é, assim, de que mesmo entre 1º de fevereiro de 1999 e 31 de dezembro de 2000 há, sim, isenção das contribuições naquelas hipóteses, ainda que a empresa esteja situada na ZFM. Em outras palavras, a localização da empresa não é impeditivo à fruição do incentivo à exportação, desde que cumprido o que está previsto naqueles incisos. Mas tampouco há isenção APENAS PORQUE A COMPRADORA LÁ ESTEJA. Nos recursos ora em exame, esse foi o fundamento do pedido e a ele deveria terse restringido a DRJ. Nesses termos, só causa mais imbróglio a afirmação constante no acórdão recorrido de que “haveria direito” no período de 1º de janeiro de 2001 a julho de 2004 mas não estava ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há o direito na forma requerida. E por isso mesmo não cabe a pretensão do contribuinte de que a Administração adapte o seu pedido fazendo as pesquisas internas que permitam apurar se alguma das empresas por ele listadas na planilha referida se enquadra naquelas disposições. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.904212/200918 Acórdão n.º 9303004.077 CSRFT3 Fl. 9 8 O máximo que se poderia admitir, dado o teor da decisão, era que, em grau de recurso, trouxesse a empresa tal prova. Não o fez, porém, limitandose a postular a nulidade da decisão porque não determinou aquelas diligências. Não sendo obrigatória a realização de diligências, como se sabe (art. __ do Decreto 70.235), sua ausência não acarreta nulidade da decisão proferida por quem legalmente competente para tal. Cabe sim manter aquela decisão dado que o contribuinte não comprovou o seu direito como lhe exigem o Decreto 70.235, a Lei 9.784 e o próprio Código Civil (art. 333). Com tais considerações, nego provimento ao recurso do contribuinte. Com essas mesmas considerações, votei, também aqui, pelo não provimento do recurso do contribuinte, sendo esse o acórdão que me coube redigir." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial do contribuinte, em razão da incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas efetuadas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 280DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 11080.734888/2012-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Oct 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA OFICIAL. DEDUÇÃO.
Incabível a dedução de contribuição à previdência oficial correspondente a rendimentos não oferecidos à tributação, bem como não informados pela fonte pagadora em Dirf e em Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção do Imposto de Renda na Fonte.
Numero da decisão: 2301-004.829
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
JOÃO BELLINI JÚNIOR Presidente e Relator.
EDITADO EM: 06/10/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Alice Grecchi, Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza e Gisa Barbosa Gambogi Neves.
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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DEDUÇÃO. Incabível a dedução de contribuição à previdência oficial correspondente a rendimentos não oferecidos à tributação, bem como não informados pela fonte pagadora em Dirf e em Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção do Imposto de Renda na Fonte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. JOÃO BELLINI JÚNIOR – Presidente e Relator. EDITADO EM: 06/10/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Alice Grecchi, Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza e Gisa Barbosa Gambogi Neves. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 48 88 /2 01 2- 01 Fl. 77DF CARF MF Impresso em 07/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 1042.346, exarado pela 4ª Turma da DRJ em Porto Alegre (fls. 49 a 53 – numeração dos autos eletrônicos). Mediante notificação de lançamento (fls. 06 a 13), exigese do contribuinte R$3.768,32, a título de imposto de renda pessoa física suplementar, referente ao anocalendário 2008, decorrente das seguintes infrações: a) omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício, no valor de R$5.737,20, recebidos pela dependente Gabriela Martins Custódio, confrontadas as informações e documentos apresentados pelo contribuinte e as informações constantes do sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil; b) dedução indevida de despesas médicas no valor de R$2.100,24, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal; e c) dedução indevida de previdência oficial no valor de R$6.309,86, por falta de comprovação. Na impugnação parcial (fl. 02), foi alegado que houve dedução de despesas com o plano de saúde e contribuições à previdência oficial. Nada foi mencionado quanto à omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício. A DRJ julgou improcedente a impugnação, e o acórdão recorrido recebeu a seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 (...) OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Mantida a omissão de rendimentos percebidos por dependente informado pela fonte pagadora em Dirf, admitindose a dedução de contribuição à previdência oficial. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. Cabível parcialmente a dedução de despesas referentes às mensalidade com plano de saúde do contribuinte e de seu dependente comprovadas com documentação hábil. CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA OFICIAL. DEDUÇÃO. Incabível a dedução de contribuição à previdência oficial correspondente a rendimentos não oferecidos à tributação, bem como não informados pela fonte pagadora em Dirf e em Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção do Imposto de Renda na Fonte. A ciência dessa decisão ocorreu em 22/02/2013 (aviso de recebimento EBCT, fl. 57). Em 20/03/2013, foi apresentado recurso voluntário (fl. 59), o qual ataca exclusivamente o decidido em relação à glosa da contribuição previdenciária, sendo Fl. 78DF CARF MF Impresso em 07/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 11080.734888/201201 Acórdão n.º 2301004.829 S2C3T1 Fl. 78 3 asseverado, em síntese, que teve descontadas as contribuições previdenciárias, conforme declarações ao FGTS e à Previdência, que junta novamente aos autos. É o relatório. Voto Conselheiro Relator João Bellini Júnior O recurso voluntário é tempestivo e aborda matéria de competência desta Turma. Portanto, dele tomo conhecimento. Primeiramente, registro que o recurso voluntário trata tãosomente da glosa referente à contribuição previdenciária, sendo silente quanto às matérias “omissão de rendimentos percebidos por dependente” e à parcela mantida da “dedução de despesas referentes às mensalidade com plano de saúde do contribuinte e de seu dependente”, pelo que são definitivos, na esfera do contencioso administrativo, os créditos tributário concernentes a tais matérias. Ausente o contraditório, nos termos do art. 15 do Decreto nº 70.235, de 1972, a seguir transcrito, consolidase administrativamente o crédito tributário correspondente. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997 Quanto à glosa de contribuições previdenciárias, a autoridade recorrida decidiu com base na seguinte fundamentação, que assumo como minhas, mutatis mutandis: Quanto à contribuição à previdência oficial, o interessado apresentou "Relação dos Trabalhadores constantes no Arquivo SEFIP Modalidade: 1 Declaração ao FGTS e à Previdência", da empresa Unimed Região da Fronteira RS, CNPJ n° 92.316.124/000107, no qual consta o nome do trabalhador Carlos Renato Walter Custódio, e indicando a "Remuneração sem 13° salário" e a correspondente "Contribuição Segurado Devida", no período de janeiro a dezembro de 2008, totalizando R$ 32.291,54, cujo valor não foi informado na DIRPF/2009, e R$ 6.309,86, respectivamente docs. fls. 15 a 26. (...) Acrescentese, ainda, por oportuno, que em "Declaração", também emitida pela Unimed Região Fronteira RS, à fl. 36, comunicando que o interessado/profissional médico que "teve debitado em sua produção" os já referidos valores de contribuição previdenciária oficial nos meses de janeiro a dezembro de 2008 (R$ 6.309,86), sem, no entanto, referirse aos correspondentes valores produzidos mensalmente. Isto posto, resta mantida integralmente a glosa da referida dedução no valor de R$ 6.309,86, observandose as disposições dos artigos 73 e 74 do RIR/99. (Grifouse.) Fl. 79DF CARF MF Impresso em 07/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 Não há reparos a fazer na decisão recorrida. Por certo, contribuições previdenciárias vinculadas a receitas omitidas não podem ser utilizadas para fins de cálculo do imposto sobre a renda da pessoa física (IRPF) devido. Voto, portanto, por NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Relator Fl. 80DF CARF MF Impresso em 07/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 13888.721139/2014-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Oct 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2011 a 31/12/2012
AÇÃO JUDICIAL CONCOMITANTE. MATÉRIA IDÊNTICA. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula 1 - CARF)
COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA. AUSÊNCIA DE TRÂNSITO EM JULGADO. INOBSERVÂNCIA DO ART. 170-A, CTN.
Os valores referentes a contribuições sociais previdenciárias compensadas indevidamente serão exigidos pelo Fisco com os acréscimos moratórios de que trata o artigo 35, caput, da Lei nº 8.212/1991.
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. CONTRIBUIÇÃO PARA O SAT/RAT ATIVIDADE PREPONDERANTE ENQUADRAMENTO. COMPROVAÇÃO
A atividade econômica principal exercida pelo contribuinte à época dos fatos geradores, conforme a classificação CNAE Classificação Nacional de Atividades Econômicas, deve ser considerada para a correta a apuração das alíquotas de contribuição a cargo da empresa para o financiamento do beneficio concedido em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho GILRAT.
Considera-se preponderante a atividade que ocupa o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos, devidamente comprovado através de folha de pagamento e declarações de GFIP.
EXERCENTE DE MANDATO ELETIVO FEDERAL, ESTADUAL, DISTRITAL OU MUNICIPAL, NESSA QUALIDADE, NÃO AMPARADO POR RPPS. FILIAÇÃO OBRIGATÓRIA AO RGPS.
As pessoas físicas exercentes de mandato eletivo federal, estadual, distrital ou municipal, não amparadas, nessa qualidade, por Regime Próprio de Previdência Social, são qualificadas como segurados obrigatórios do RGPS.
DÉCIMO-TERCEIRO SALÁRIO. FÉRIAS GOZADAS. SALÁRIO MATERNIDADE. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
São verbas integrantes do salário-de-contribuição, por disposição expressa da Lei nº 8.212/91, art. 28, I, §§ 2º e 7º.
COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE NA DECLARAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. MULTA ISOLADA DE 150%.
Na hipótese de compensação indevida, quando se comprova falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada de 150% calculada com base no valor total do débito indevidamente compensado.
RESPONSABILIDADE DO PREFEITO. IMPOSSIBILIDADE.
Resta descaracterizada a conduta de excesso de poder, uma vez que a decisão de contratação dos advogados foi alicerçada em parecer técnico/jurídico emitido pelos respectivos setores responsáveis. Ademais, não se pode atribuir a responsabilidade pessoal do crédito tributário ao prefeito, com base no inciso III, do art. 135, do Código Tributário Nacional, que trata da responsabilidade dos gestores das pessoas jurídicas de direito privado. A analogia não se aplica no direito tributário para resultar em exigência de tributo.
RESPONSABILIDADE PASSIVA TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. ESCRITÓRIO DE ADVOCACIA. INTERESSE COMUM.
A aplicação da responsabilidade passiva solidária, contida no art. 124, I, do CTN, exige a presença de interesse jurídico comum, ou seja, que as pessoas sejam sujeitos da relação jurídica que deu azo à ocorrência do fato gerador. O mero interesse econômico entre tais sujeitos - ou mesmo o interesse jurídico reflexo, oriundo de outra relação jurídica - afasta a aplicação do mencionado dispositivo legal.
Numero da decisão: 2301-004.800
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, (a) por unanimidade de votos, reconhecer a renúncia à instância administrativa acerca da não incidência de contribuições previdenciárias sobre: os valores pagos nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do empregado doente ou acidentado, e sobre os valores pagos a título de horas extras, adicional constitucional de férias de um terço, adicional noturno, adicional de insalubridade, férias indenizadas, abono pecuniário de férias (venda de férias ou férias em pecúnia), adicional de periculosidade, aviso prévio indenizado, auxílio educação (também denominado de salário educação pelos recorrentes), auxílio-creche, auxílio transporte (também denominado de vale transporte pelos Impugnantes), abono assiduidade e abono único anual; quanto à matéria conhecida: (b) pelo voto de qualidade, manter a multa de 150 % - DEBCAD 51.060.072-7; vencidos a relatora e os conselheiros Fabio Piovesan Bozza e Gisa Barbosa Gambogi Neves; designado para redigir o voto vencedor nesta matéria o conselheiro João Bellini Júnior (c) por unanimidade de votos, excluir o Sr. Cyro da Silva Maia da responsabilidade tributária; (d) por maioria de votos, excluir a responsabilidade passiva solidária do escritório Castellucci Figueiredo e Advogados Associados, vencidos a relatora e a conselheira Gisa Barbosa Gambogi Neves; designado para redigir o voto vencedor nesta matéria o conselheiro Fabio Piovesan Bozza.
(Assinado digitalmente)
João Bellini Júnior Presidente e Redator Designado.
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi- Relatora.
(Assinado digitalmente)
Fabio Piovesan Bozza Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Gisa Barbosa Gambogi Neves, Julio Cesar Vieira Gomes, Andrea Brose Adolfo, Alice Grecchi e Fabio Piovesan Bozza
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2011 a 31/12/2012 AÇÃO JUDICIAL CONCOMITANTE. MATÉRIA IDÊNTICA. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula 1 - CARF) COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA. AUSÊNCIA DE TRÂNSITO EM JULGADO. INOBSERVÂNCIA DO ART. 170-A, CTN. Os valores referentes a contribuições sociais previdenciárias compensadas indevidamente serão exigidos pelo Fisco com os acréscimos moratórios de que trata o artigo 35, caput, da Lei nº 8.212/1991. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. CONTRIBUIÇÃO PARA O SAT/RAT ATIVIDADE PREPONDERANTE ENQUADRAMENTO. COMPROVAÇÃO A atividade econômica principal exercida pelo contribuinte à época dos fatos geradores, conforme a classificação CNAE Classificação Nacional de Atividades Econômicas, deve ser considerada para a correta a apuração das alíquotas de contribuição a cargo da empresa para o financiamento do beneficio concedido em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho GILRAT. Considera-se preponderante a atividade que ocupa o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos, devidamente comprovado através de folha de pagamento e declarações de GFIP. EXERCENTE DE MANDATO ELETIVO FEDERAL, ESTADUAL, DISTRITAL OU MUNICIPAL, NESSA QUALIDADE, NÃO AMPARADO POR RPPS. FILIAÇÃO OBRIGATÓRIA AO RGPS. As pessoas físicas exercentes de mandato eletivo federal, estadual, distrital ou municipal, não amparadas, nessa qualidade, por Regime Próprio de Previdência Social, são qualificadas como segurados obrigatórios do RGPS. DÉCIMO-TERCEIRO SALÁRIO. FÉRIAS GOZADAS. SALÁRIO MATERNIDADE. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. São verbas integrantes do salário-de-contribuição, por disposição expressa da Lei nº 8.212/91, art. 28, I, §§ 2º e 7º. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE NA DECLARAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. MULTA ISOLADA DE 150%. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprova falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada de 150% calculada com base no valor total do débito indevidamente compensado. RESPONSABILIDADE DO PREFEITO. IMPOSSIBILIDADE. Resta descaracterizada a conduta de excesso de poder, uma vez que a decisão de contratação dos advogados foi alicerçada em parecer técnico/jurídico emitido pelos respectivos setores responsáveis. Ademais, não se pode atribuir a responsabilidade pessoal do crédito tributário ao prefeito, com base no inciso III, do art. 135, do Código Tributário Nacional, que trata da responsabilidade dos gestores das pessoas jurídicas de direito privado. A analogia não se aplica no direito tributário para resultar em exigência de tributo. RESPONSABILIDADE PASSIVA TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. ESCRITÓRIO DE ADVOCACIA. INTERESSE COMUM. A aplicação da responsabilidade passiva solidária, contida no art. 124, I, do CTN, exige a presença de interesse jurídico comum, ou seja, que as pessoas sejam sujeitos da relação jurídica que deu azo à ocorrência do fato gerador. O mero interesse econômico entre tais sujeitos - ou mesmo o interesse jurídico reflexo, oriundo de outra relação jurídica - afasta a aplicação do mencionado dispositivo legal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, (a) por unanimidade de votos, reconhecer a renúncia à instância administrativa acerca da não incidência de contribuições previdenciárias sobre: os valores pagos nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do empregado doente ou acidentado, e sobre os valores pagos a título de horas extras, adicional constitucional de férias de um terço, adicional noturno, adicional de insalubridade, férias indenizadas, abono pecuniário de férias (venda de férias ou férias em pecúnia), adicional de periculosidade, aviso prévio indenizado, auxílio educação (também denominado de salário educação pelos recorrentes), auxílio-creche, auxílio transporte (também denominado de vale transporte pelos Impugnantes), abono assiduidade e abono único anual; quanto à matéria conhecida: (b) pelo voto de qualidade, manter a multa de 150 % - DEBCAD 51.060.072-7; vencidos a relatora e os conselheiros Fabio Piovesan Bozza e Gisa Barbosa Gambogi Neves; designado para redigir o voto vencedor nesta matéria o conselheiro João Bellini Júnior (c) por unanimidade de votos, excluir o Sr. Cyro da Silva Maia da responsabilidade tributária; (d) por maioria de votos, excluir a responsabilidade passiva solidária do escritório Castellucci Figueiredo e Advogados Associados, vencidos a relatora e a conselheira Gisa Barbosa Gambogi Neves; designado para redigir o voto vencedor nesta matéria o conselheiro Fabio Piovesan Bozza. (Assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente e Redator Designado. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi- Relatora. (Assinado digitalmente) Fabio Piovesan Bozza Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Gisa Barbosa Gambogi Neves, Julio Cesar Vieira Gomes, Andrea Brose Adolfo, Alice Grecchi e Fabio Piovesan Bozza
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MATÉRIA IDÊNTICA. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula 1 CARF) COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA. AUSÊNCIA DE TRÂNSITO EM JULGADO. INOBSERVÂNCIA DO ART. 170A, CTN. Os valores referentes a contribuições sociais previdenciárias compensadas indevidamente serão exigidos pelo Fisco com os acréscimos moratórios de que trata o artigo 35, caput, da Lei nº 8.212/1991. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. CONTRIBUIÇÃO PARA O SAT/RAT ATIVIDADE PREPONDERANTE ENQUADRAMENTO. COMPROVAÇÃO A atividade econômica principal exercida pelo contribuinte à época dos fatos geradores, conforme a classificação CNAE Classificação Nacional de Atividades Econômicas, deve ser considerada para a correta a apuração das alíquotas de contribuição a cargo da empresa para o financiamento do beneficio concedido em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho GILRAT. Considerase preponderante a atividade que ocupa o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos, devidamente comprovado através de folha de pagamento e declarações de GFIP. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 72 11 39 /2 01 4- 16 Fl. 12412DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 09/10/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmen te em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 EXERCENTE DE MANDATO ELETIVO FEDERAL, ESTADUAL, DISTRITAL OU MUNICIPAL, NESSA QUALIDADE, NÃO AMPARADO POR RPPS. FILIAÇÃO OBRIGATÓRIA AO RGPS. As pessoas físicas exercentes de mandato eletivo federal, estadual, distrital ou municipal, não amparadas, nessa qualidade, por Regime Próprio de Previdência Social, são qualificadas como segurados obrigatórios do RGPS. DÉCIMOTERCEIRO SALÁRIO. FÉRIAS GOZADAS. SALÁRIO MATERNIDADE. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. São verbas integrantes do saláriodecontribuição, por disposição expressa da Lei nº 8.212/91, art. 28, I, §§ 2º e 7º. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE NA DECLARAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. MULTA ISOLADA DE 150%. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprova falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada de 150% calculada com base no valor total do débito indevidamente compensado. RESPONSABILIDADE DO PREFEITO. IMPOSSIBILIDADE. Resta descaracterizada a conduta de excesso de poder, uma vez que a decisão de contratação dos advogados foi alicerçada em parecer técnico/jurídico emitido pelos respectivos setores responsáveis. Ademais, não se pode atribuir a responsabilidade pessoal do crédito tributário ao prefeito, com base no inciso III, do art. 135, do Código Tributário Nacional, que trata da responsabilidade dos gestores das pessoas jurídicas de direito privado. A analogia não se aplica no direito tributário para resultar em exigência de tributo. RESPONSABILIDADE PASSIVA TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. ESCRITÓRIO DE ADVOCACIA. INTERESSE COMUM. A aplicação da responsabilidade passiva solidária, contida no art. 124, I, do CTN, exige a presença de interesse jurídico comum, ou seja, que as pessoas sejam sujeitos da relação jurídica que deu azo à ocorrência do fato gerador. O mero interesse econômico entre tais sujeitos ou mesmo o interesse jurídico reflexo, oriundo de outra relação jurídica afasta a aplicação do mencionado dispositivo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, (a) por unanimidade de votos, reconhecer a renúncia à instância administrativa acerca da não incidência de contribuições previdenciárias sobre: os valores pagos nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do empregado doente ou acidentado, e sobre os valores pagos a título de horas extras, adicional constitucional de férias de um terço, adicional noturno, adicional de insalubridade, férias indenizadas, abono pecuniário de férias (venda de férias ou férias em pecúnia), adicional de periculosidade, aviso prévio indenizado, auxílio educação (também denominado de salário educação pelos recorrentes), auxíliocreche, auxílio transporte (também denominado de vale transporte pelos Impugnantes), abono assiduidade e abono único anual; quanto à matéria conhecida: (b) pelo voto de qualidade, manter a multa de 150 % DEBCAD 51.060.0727; vencidos a relatora e os conselheiros Fabio Piovesan Bozza e Gisa Barbosa Gambogi Neves; designado para redigir o voto vencedor nesta matéria o conselheiro João Bellini Júnior (c) por unanimidade de votos, excluir o Sr. Cyro da Silva Maia da Fl. 12413DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 09/10/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmen te em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13888.721139/201416 Acórdão n.º 2301004.800 S2C3T1 Fl. 12.413 3 responsabilidade tributária; (d) por maioria de votos, excluir a responsabilidade passiva solidária do escritório Castellucci Figueiredo e Advogados Associados, vencidos a relatora e a conselheira Gisa Barbosa Gambogi Neves; designado para redigir o voto vencedor nesta matéria o conselheiro Fabio Piovesan Bozza. (Assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Presidente e Redator Designado. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora. (Assinado digitalmente) Fabio Piovesan Bozza – Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Gisa Barbosa Gambogi Neves, Julio Cesar Vieira Gomes, Andrea Brose Adolfo, Alice Grecchi e Fabio Piovesan Bozza Relatório Contra o Município de Elias Fausto – Prefeitura Municipal foram lavrados dois Autos de Infração (DEBCAD nº 51.060.0719 e nº 51.060.0727). No auto de infração de DEBCAD nº 51.060.0719 foram lançadas contribuições sociais previdenciárias que, segundo a autoridade fiscal, foram indevidamente compensadas nas GFIP do Autuado referentes às competências 09/2011 a 13/2011, 01/2012 a 03/2012, 05/2012 e 09/2012 a 13/2012. Consta do Relatório Fiscal de fls. 3504 a 3538: De acordo com o item 2 acima e com as GFIP de fls. 3.382 a 3.399, a Prefeitura compensou o montante de RS 3.556.561,07 no período fiscalizado. Os valores de compensação declarados em GFIP estão sendo integralmente glosados, considerados como compensações indevidas, conforme fundamentado nesse relatório. Conforme já relatado acima, a Prefeitura, por meio de documentação apresentada e pelos documentos e informações encaminhadas pelo escritório Castellucci, justifica as compensações em direito conquistado por meio dos mandados de segurança n° 001075317.2011.4036109 (ajuizado perante a 3ª Vara Federal em Piracicaba/SP) e o de n° 001075232.2011.403.6109 (ajuizado perante a 2a Vara Federal em Piracicaba/SP) retro mencionados. Ainda que o Poder Judiciário venha a concluir pela procedência das alegações constantes no Mandado de Segurança n°: 001075317.2011.4036109, e reconheça a não incidência da contribuição previdenciárias sobre todas as verbas apresentadas pela Prefeitura em sua petição inicial, chamamos a atenção para o trecho do acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 3a Região nos autos do referido mandado de segurança, o qual ratificou a aplicação do artigo 170A do Código Tributário Nacional CTN (inserido pela Lei Complementar nº 104/2001): Fl. 12414DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 09/10/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmen te em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 “Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial”. O art. 170 do CTN disciplina que a compensação de créditos tributários só é admitida quando os créditos do sujeito passivo sejam líquidos e certos. Essa condição somente ocorrerá depois do trânsito em julgado da medida judicial, posto que é inviável obter a certeza e liquidez de um crédito pleiteado em uma ação judicial que ainda não foi definitivamente julgada. Pelo exposto, concluise que as compensações realizadas nas GFIP do período de setembro de 2011 a dezembro de 2012 são indevidas, pelo fato de a Prefeitura não ter medida judicial favorável à compensação em sede liminar, nem em sentença e nem tampouco em acórdão do TRF da Terceira Região, o qual apenas permite as compensações após o trânsito em julgado do Mandado de Segurança n°: 001075317.2011.4036109 (conforme o art. 170A do CTN), fato que não ocorreu até a presente data. Quanto ao mandado de segurança n° 001075232.2011.403.6109, ele versa sobre o Seguro de Acidentes do Trabalho SAT (e não versão sobre compensação) e, além disso, houve sentença, extinguindo o processo judicial, sem resolução de mérito, de acordo com o art. 267, inciso VI do Código de Processo Civil. Portanto, as compensações são indevidas, já que o sujeito passivo, em relação aos créditos utilizados, não atende aos pressupostos básicos: a existência de direito creditório líquido e certo contra a Fazenda Pública; a impossibilidade de compensação de tributo objeto de contestação judicial antes do trânsito em julgado da respectiva demanda judicial. Esse comando legal apenas reforça o anterior, que dispõe sobre a necessária existência de crédito líquido e certo. (...) Esta Fiscalização aplicou a multa isolada por meio do AI Debcad n° 51.060.072 7, conforme o § 10 do artigo 89 da Lei n° 8.212/1991, porque se verifica a falsidade das declarações nas GFIP apresentadas à RFB pela Prefeitura, de acordo com os itens a seguir. A Prefeitura, em conluio com o escritório Castellucci, CNPJ: 07.693.267/000150, montou uma farsa para legitimar as compensações, pretendendo validar créditos inexistentes como demonstraremos. A Prefeitura e o escritório Castellucci defendem a legitimidade das compensações pela existência de ações judiciais ajuizadas perante a Justiça Federal. Contudo, as compensações iniciaram para a competência de setembro de 2011. Porém, a liminar parcialmente concedida por meio do mandado de segurança n° 001075317.2011.4.03.6109, foi publicada apenas em 12/01/2012, no Diário Eletrônico da Justiça Federal, evidenciando que não havia a preocupação se existia ou não o crédito pleiteado, mas sim, uma simulação de que haveria o crédito. Foi compensado até dezembro de 2011 o montante de RS 1.460.000.00 antes da publicação da liminar. É indefensável compensar antes de publicação da liminar. É, por demais, atitude irresponsável da Prefeitura, comprovando que os créditos eram fictícios e as declarações de compensações em GFIP no período fiscalizado, falsas. Fl. 12415DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 09/10/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmen te em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13888.721139/201416 Acórdão n.º 2301004.800 S2C3T1 Fl. 12.414 5 Outrossim, é de manifesta irresponsabilidade do ente público municipal, que para os meses de setembro a dezembro de 2011, a Prefeitura pagou honorários advocatícios ao escritório Castellucci no percentual de 20%. O sujeito passivo, por meio da documentação apresentada pelo Escritório Castellucci tenta iludir o Fisco, demonstrando os créditos que teria direito a serem compensados por meio do "Demonstrativo de Compensações Realizadas Competência Valor Atualizado Correção Compensação e Saldo Atualizado a Compensar", conforme as fls. 1.573/1.574, demonstrando: em 30/09/2010, o valor de saldo inicial atualizado a ser compensado de R$ 1.615.419,43 (crédito sobre verbas compensatórias/indenizatórias). Identificaremos com CRÉDITO A. em 28/02/2012, acrescenta ao saldo a compensar o valor de R$ 359.659,62 (crédito sobre alíquota indevida do RAT, segundo a Prefeitura), Identificaremos com CRÉDITO B. em 30/03/2012, acrescenta ao saldo a compensar o valor de R$ 272.354,92 (crédito sobre verbas indenizatórias). Identificaremos com CRÉDITO C. em 30/09/2012, acrescenta ao saldo a compensar: R$ 460.512,34 (crédito sobre cargos eletivos). Identificaremos como CRÉDITO D. em 30/11/2012, acrescenta ao saldo a compensar o montante de R$ 805.811,43 (crédito referente ao 13° salário: dez/2007; dez/2008; dez/2009; dez/2010; dez/2011). Identificaremos como CRÉDITO E. 8.1 CRÉDITO A VERBAS DE NATUREZA INDENIZATÓRIA/COMPENSATÓRIA Período do Crédito (julho/2007 a agosto/2011): Os demonstrativos apresentados, conforme fls. 1.576 a 1.608, discriminam as rubricas das Folhas de Pagamento, as contribuições incidentes sobre essas rubricas, os juros aplicados para atualização e o período do crédito auferido (julho/2007 a agosto de 2011): Férias 1/3: RS 142.826,67; Horas Extras: RS 498.790,06; Gratificação: 17.811,07; Adicional Periculosidade: RS 85.663,44; Adicional Lei 1627: R$ 272.466,26; Adicional Insalubridade: RS 286.903,99; Adicional Noturno: RS 45.049,24; Função Gratificada: RS 265.638,70. O valor total calculado pela Prefeitura é de RS 1.615.149,43, atualizado para setembro de 2011. Foi considerado pelo sujeito passivo como crédito a Fl. 12416DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 09/10/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmen te em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 contribuição calculada pela alíquota de 21% sobre os valores das rubricas (remunerações). Contudo, para as rubricas denominadas: "adicional da lei 1.627", "gratificação" e "função gratificada", o sujeito passivo sequer pleiteou judicialmente a suspensão de sua exigibilidade (conforme petição inicial do mandado de segurança n° 001075317.2011.4036109, de fls. 823/824), o que demonstra a máfé do sujeito passivo e simular um crédito inexistente. Para as rubricas: horas extras, adicional de periculosidade, adicional de insalubridade e adicional noturno, embora pleiteadas na petição inicial, em nenhuma decisão (liminar, sentença, nem tampouco acórdão do TRF da Terceira Região), houve algum êxito quanto a essas remunerações. Isso demonstra, novamente, a simulação relatada quanto aos créditos ditos como indenizatórios/compensatórios. Quanto à rubrica Férias 1/3 (terço constitucional de férias, conforme petição inicial), as decisões, tanto em sede liminar, sentença, quanto acórdão do TRF, conferem à Prefeitura, apenas o direito de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, conforme as fls. 3.405 a 3.427, mas não concedem o direito de se efetuarem compensações. Além disso, segundo fl. 3.427 o acórdão deixa claro que, como a ação foi ajuizada em 28/10/2011 portanto, após a vigência da Lei Complementar n° 104/2001, devese aplicar o art. 170A do Código Tributário Nacional, ou seja, para fins de compensação, esta somente é possível, após o trânsito em julgado da medida judicial. Logo, a Prefeitura, conforme o acórdão, apenas pode compensar o crédito, se existente, após o trânsito em julgado, fato que até a presente data, ainda não ocorreu. 8.2 CRÉDITO B Rateio de Acidente de Trabalho RAT Período de crédito: setembro de 2009 a janeiro de 2012 (fls. 2.279 a 2.284) No documento denominado "Demonstrativo de Compensações Realizadas Verbas Indenizatórias/Compensatórias" de fls. 1.573/1.576, observase que a Prefeitura calcula o crédito de verbas indenizatórias/compensatórias, no período de 07/2007 a 08/2011. É possível verificarmos que em 30/01/2012, a coluna "Saldo Atualizado a Compensar" apresenta saldo zerado e, para compensar as competências de fevereiro e março de 2012, o sujeito passivo acrescenta um "crédito" de R$ 359.659,62, referente ao RAT. Para compor o valor desse crédito, apresenta o demonstrativo de fl. 2.284. Nesse demonstrativo, constatase que a Prefeitura, no cálculo da contribuição considerada por ela como "indevida" ao RAT, extrai das GFIP as bases de cálculo das contribuições previdenciárias e aplica a alíquota de 1%. O sujeito passivo alega que teria declarado a contribuição ao RAT a maior tendo se enquadrado no CNAE fiscal 84116/00, administração pública em geral, alíquota de 2%, quando seu entendimento é de que o correto seria alíquota de 1%. Contudo a alíquota do RAT é definida pelo art. 22, inciso II da Lei n° 8.212/1991 c/c com o art. 202 do Decreto n° 3.048/99. No §4° do art. 202, temos que: “Art. 202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou Fl. 12417DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 09/10/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmen te em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13888.721139/201416 Acórdão n.º 2301004.800 S2C3T1 Fl. 12.415 7 creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: § 4 º A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V”. Para o período considerado como crédito indevido pela Prefeitura para fins de cálculo do RAT (setembro de 2009 a janeiro de 2012), o anexo V do Decreto nº 3.048/99 (Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Risco / Conforme Classificação Nacional de Atividades Econômicas), determina a alíquota de 2% para o CNAE 84.11600 (conforme fl. 3.477), redação dada pelo Decreto n° 6.957 de 09/09/2009, que alterou o referido Decreto 3.048/99. Portanto, administrativamente, a alíquota correta é 2%. Quanto ao mandado de segurança n° 001075232.2011.4036109, de acordo com o item 5 acima, em março de 2012, foi publicada sentença pelo juízo de primeiro grau, julgando extinto o processo, sem resolução de mérito, com fulcro no art. 267, inciso VI do Código de Processo Civil. Logo, nunca houve reconhecimento de direito creditório, de direito à suspensão, nem tampouco de direito à compensação de créditos tributários oriundos de contribuições ao RAT. Não houve crédito relativo às contribuições ao SAT, na legislação atual denominada contribuições ao GILRAT (grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho), conforme o inciso II do art. 22 da Lei n° 8.212/1991. Isso demonstra, novamente, mais uma manobra para tentar justificar um crédito inexistente. Além disso, conforme a tabela abaixo, no período de setembro de 2011 a maio de 2014, apenas para as competências de fevereiro a dezembro de 2012 (período em que a Prefeitura realizou compensações das contribuições previdenciárias), foi utilizada a alíquota de RAT de 1%. A partir de janeiro de 2013 até a presente data, a Prefeitura confessa em GFIP a alíquota de 2%. Portanto, isso confirma que a própria Prefeitura de Elias Fausto aceita a alíquota como correta de 2%, não havendo nenhum crédito de RAT a ser compensado. (...) 8.3 CRÉDITO C Verbas Indenizatórias/Compensatórias (fls. 1.614/1.630) No anexo apresentado pelo escritório Castellucci de fl. 1.573, denominado "Demonstrativo de Compensações Realizadas – Verbas Indenizatórias/Compensatórias", no mês de fevereiro de 2012, o saldo a compensar de R$ 162.321,62 não é suficiente para compensar integralmente o valor devido para o mês de março de 2012. Assim, a Prefeitura acrescente "novo crédito" no valor de RS 272.354,92, referente a verbas indenizatórias/compensatórias. De acordo com as fls. 1.612/1.630, tratase das mesmas verbas nominadas identificadas no crédito A. Os demonstrativos apresentados discriminam as rubricas das Folhas de Pagamento, as contribuições incidentes sobre essas rubricas, os juros aplicados para atualização e o período do "crédito auferido" Fl. 12418DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 09/10/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmen te em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 no período de setembro de 2011 a fevereiro de 2012, resultando nos valores abaixo: Férias 1/3: R$30.157,03; Horas Extras: R$ 79.853,29; Adicional Periculosidade: R$ 11.616,36; Adicional Lei 1627: R$29.518,90; Adicional Insalubridade: R$ 50.624,95; Adicional Noturno: R$ 13.356,56; Função Gratificada: R$ 66.773,40; Abono Gratificação: R$ 454,43 Constatase que o total do crédito do demonstrativo de fl. 1.573 para esse período é de RS 272.354,92. Porém, a soma dessas rubricas resulta no montante de R$ 282.354,92 (conforme fl. 1.614), ou seja, há uma diferença de R$ 10.000,00, que a Prefeitura não considera no cálculo do crédito. Isso também demonstra que a única preocupação é a de "criar" valores para compensar débitos previdenciários. Foi considerado pelo sujeito passivo como crédito a contribuição calculada pela alíquota de 21% sobre os valores das rubricas (remunerações). Da mesma forma que ocorreu para o "Crédito A", discriminado por esta Fiscalização no item 8.1 acima, para as rubricas denominadas: "adicional da lei 1.627", “gratificação” e "função gratificada", o sujeito passivo sequer pleiteou judicialmente a suspensão de sua exigibilidade (conforme petição inicial do mandado de segurança n° 001075317.2011.4036109, de fls. 823/824), o que demonstra, novamente, a máfé do sujeito passivo de simular um crédito inexistente. Para as rubricas: horas extras, adicional de periculosidade, adicional de insalubridade e adicional noturno, embora pleiteadas na petição inicial, em nenhuma decisão (liminar, sentença, nem tampouco acórdão do TRF da Terceira Região), houve algum êxito quanto a essas remunerações. Isso demonstra a simulação relatada quanto aos créditos ditos como indenizatórios/compensatórios. 8.4 CRÉDITO D Cargos Eletivos Prefeito, VicePrefeito e Vereadores (fls. 1.634/1.643) No anexo apresentado pelo escritório Castellucci de fl. 1.573, denominado "Demonstrativo de Compensações Realizadas – Verbas Indenizatórias/Compensatórias", no mês de maio de 2012, o saldo a compensar está zerado. Em junho, julho e agosto de 2012 não houve nenhuma compensação. Já em setembro de 2012, acrescentase um "crédito" de RS 460.512,34, denominado Cargos Eletivos Prefeito, VicePrefeito e Vereadores, conforme fl. 1.634. Fl. 12419DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 09/10/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmen te em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13888.721139/201416 Acórdão n.º 2301004.800 S2C3T1 Fl. 12.416 9 Não existe nenhuma ação judicial transitada em julgado referente às contribuições previdenciárias incidentes sobre subsídios pagos a Cargos Eletivos. No mandado de segurança n° 001075317.2011.4036109, as rubricas referentes a cargos eletivos não foram pleiteadas na petição inicial. Portanto, esse crédito de R$ 460.512,34, também é inexistente. 8.5 CRÉDITO E Contribuição Patronal Décimo Terceiro Salário (fl. 1.644). No anexo apresentado pelo escritório Castellucci de fl. 1.573, denominado "Demonstrativo de Compensações Realizadas – Verbas Indenizatórias/Compensatórias", para o mês de outubro de 2012, o saldo a compensar está zerado. Em novembro de 2012, acrescentase um "crédito" de R$ 805.811,43, denominado "13º Salário". De acordo com a fl. 1.644, o sujeito passivo está calculando créditos de décimo terceiro salário referentes às contribuições previdenciárias patronais nos anos de 2007 a 2011. Conforme já relatado nos itens acima, o sujeito passivo nem ao menos requer na exordial do mandado de segurança n° 001075317.2011.4036109 a inexigibilidade da rubrica referente ao décimo terceiro salário. Logo, utiliza, novamente, de falsidade ao declarar em GFIP compensação baseada em crédito constituído de contribuições incidentes sobre o décimo terceiro salário. No Auto de Infração DEBCAD nº 51.060.0719, além das contribuições previdenciárias lançadas, estão sendo exigidos os acréscimos moratórios de que trata o artigo 35, caput, da Lei nº 8.212/1991. No Auto de Infração DEBCAD nº 51.060.0727 foi lançada multa isolada de 150% sobre os débitos indevidamente compensados nas GFIP referentes às competências 09/2011 a 13/2011, 01/2012 a 03/2012, 05/2012 e 09/2012 a 13/2012. Segundo o fiscal autuante, a multa foi aplicada no percentual de 150%, nos termos do §10 do artigo 89 da Lei nº 8.212/1991, porque, no seu entendimento, restou comprovada a falsidade das declarações de compensação efetuadas pelo Autuado nas GFIP referentes às competências 09/2011 a 13/2011, 01/2012 a 03/2012, 05/2012 e 09/2012 a 13/2012. Ao explanar os motivos pelos quais entendeu que se configurou a falsidade das declarações de compensação prestadas pelo Autuado em suas GFIP, no relatório fiscal de fls. 3504 a 3538 expõe que: de modo algum a Prefeitura poderia ter realizado as compensações sem que antes houvesse o trânsito em julgado do Mandado de Segurança n° 0010753 17.2011.4036109; tendo essa conduta, a Prefeitura de Elias Fausto comprova que inseriu dados falsos nas declarações com o objetivo de não recolher as contribuições previdenciárias do período de setembro de 2011 a dezembro de 2012, gerando o montante de R$ 3.556.561,07; tendo em vista os demonstrativos apresentados nas fls. 1573 a 1722, é possível constatar que a Prefeitura, juntamente com o escritório de Advocacia Castellucci Fl. 12420DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 09/10/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmen te em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 10 Figueiredo e Advogados Associados, compensou créditos calculados sobre verbas de natureza remuneratória listados no art. 28 §9° da Lei 8.212/1991 que não foram incluídas no corpo da liminar, nem da sentença protocolada pelo juiz, tampouco integrantes do acórdão proferido pelo tribunal; as verbas em questão são: horas extras, "gratificação", adicional de periculosidade, "abono lei 1627". adicional de insalubridade e adicional noturno. As rubricas denominadas: "adicional da lei 1.627", "gratificação" e "função gratificada" sequer aparecem na petição inicial, o que demonstra a máfé do sujeito passivo e o notório intuito de falsificar as declarações; no anexo 1, é possível observarmos que sobre as rubricas não abrangidas (por medidas judiciais, o sujeito passivo apurou e compensouse indevidamente de créditos no montante de R$ 3.350.504,04; a atualização de créditos realizada pelo contribuinte contraria também os índices adotados pela Receita Federal, previstos no art. 89 § 4° da Lei n° 8.212/1991; Os valores referentes aos autos de infração de DEBCAD n° 51.060.0719 e n° 51.060.0727 correspondiam, respectivamente, na data da consolidação dos débitos (04/06/2014), aos montantes de R$ 4.900.324,34 e R$ 5.334.841,62. Teoricamente, devido a configuração de crime contra a Ordem Tributária (artigo 1º, inciso I, da Lei nº 8.137/1990) e do crime de sonegação de contribuição previdenciária (artigo 337A do Código Penal), a autoridade fiscal registrou que iria emitir representação fiscal para fins penais. Tendo em vista que a autoridade fiscal entendeu que o escritório de advocacia Castellucci Figueiredo e Advogados Associados e o Sr. Cyro da Silva Maia, por força do disposto no artigo 124, inciso I, do Código Tributário Nacional e 135, inciso III, do Código Tributário nacional, respectivamente, devem responder solidariamente pelos créditos lançados nos autos de infração de DEBCAD nº 51.060.0719 e nº 51.060.0727, tendo sido cientificados do lançamento destas autuações por meio dos Termos de Sujeição Passiva Solidária de fls. 3551 a 3558 e 3.560 a 3.568, respectivamente. Irresignado com os lançamentos, o Autuado apresentou impugnação acompanhada de documentos de fls. 3573 a 3579, 3643 a 3785, 3786 a 3832, 3833, 3969 a 4029, 4062 a 4068, 4069, 4120, 4693, 5455 a 5495, 5496, 5959, 5995 a 6017, 6018, 6030, 6268 a 6309, 6310, 6329, 6385 a 6393 e 6394. Em síntese alega: a contribuição social previdenciária prevista no artigo 22, inciso I, da Lei nº 8.212/1991, por força do disposto no §11 do artigo 201 da Constituição Federal, incide unicamente sobre os valores recebidos a título de remuneração do trabalho que venham a integrar o salário para efeito de repercussão em benefícios previdenciários; cita Amauri Mascaro Nascimento “salário é a totalidade das percepções econômicas dos trabalhadores, qualquer que seja a forma ou meio de pagamento, que retribuam o trabalho efetivo, os períodos de interrupção do contrato e os descansos computáveis na jornada de trabalho”; afirma que os valores recebidos pelos empregados com natureza indenizatória/compensatória, assim como os encargos sociais, não fazem parte do campo de incidência das contribuições sociais previdenciárias, pois não possuem natureza jurídica de salário/remuneração; Fl. 12421DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 09/10/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmen te em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13888.721139/201416 Acórdão n.º 2301004.800 S2C3T1 Fl. 12.417 11 frisa que o item 7 da alínea “e” do §9º do artigo 28 da Lei nº 8.212/1991, assim como a alínea “j”, do inciso V, do §9º, do artigo 214, do Regulamento da Previdência Social, preveem que “os ganhos eventuais e abonos expressamente desvinculados do salário por força de lei” não integram o salário de contribuição para fins de exigência das contribuições sociais previdenciárias; afirma que a exclusão das verbas indenizatórias/compensatórias do campo de incidência das contribuições sociais previdenciárias é abonada pelo §11 do artigo 201 da Constituição Federal, pelo artigo 28, §9º, alínea “e”, item “7”, da Lei nº 8.212/91, pelo artigo 214, §9º, inciso IV e inciso V, letras “i”, “j”, “l” e “m”, do Regulamento da Previdência Social (aprovado pelo Decreto nº 3.048/99), e pelo artigo 58, inciso I, da Instrução Normativa RFB nº 971/2009; ressalta que o STF e o STJ firmaram entendimento no sentido de que somente as parcelas incorporáveis ao salário do servidor sofrem a incidência da contribuição previdenciária. afirma que os valores pagos a título de “abono”, “gratificações” e demais parcelas de “natureza indenizatória/compensatória” não compõem o campo de incidência das contribuições sociais previdenciárias, já que não integram a remuneração dos empregados; frisa que o “sistema previdenciário vigente, a partir da Emenda Constitucional nº 20/98, encontrase fundado em base rigorosamente contributiva e atuarial”; cita que o Ministro Francisco Peçanha Martins asseverou, no julgamento do RMS 14.346/DF (DJ 28.06.2004) que “o que importa saber é se o desconto da contribuição nessas verbas terá sua contrapartida nos proventos da aposentadoria do servidor, tendo em vista a modificação introduzida no sistema previdenciário do servidor público imprimindolhe caráter contributivo e atuarial”; cita julgados do STF onde restou decidido que é descabida a incidência de contribuição social previdenciária sobre parcela/adicional indenizatório/compensatório e sobre parcela/adicional retributivo não habitual e não incorporável à remuneração e aos proventos de aposentadoria do servidor público; alega que não há que se falar na incidência de contribuições sociais previdenciárias sobre os valores pagos a título de horas extras, visto que tal verba, além de ter caráter indenizatório e eventual, não é considerada para o cálculo do benefício previdenciário do servidor público e do empregado de empresas privadas; diz que a Súmula nº 76 do Tribunal Superior do Trabalho (O valor das horas suplementares prestadas habitualmente, por mais de 2 (dois) anos, ou durante todo o contrato, se suprimidas, integrase ao salário para todos os efeitos legais) foi cancelada pela Resolução TST nº 121/2003 (DJU de 19, 20 e 21/11/2003); cita trechos de julgados do STJ onde restou decidido que não é exigível contribuição social previdenciária sobre terço constitucional de férias e sobre horas extras pagos a servidor público; cita a Súmula 125 do STJ (O pagamento de férias não gozadas por necessidade do serviço não está sujeito a incidência do imposto de renda); Fl. 12422DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 09/10/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmen te em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 12 alega que o STJ firmou entendimento de que o valor das férias convertida em pecúnia não sofre a incidência de contribuição social previdenciária, por ter caráter indenizatório e por não reverter em benefício ao trabalhador quando da aposentadoria; cita julgados do STJ onde restou asseverado que as verbas rescisórias especiais recebidas pelo trabalhador a título de indenização por férias transformadas em pecúnia, licençaprêmio não gozada, ausência permitida ao trabalho ou extinção do contrato de trabalho por dispensa incentivada, por possuírem caráter indenizatório, não sofrem a incidência de contribuições sociais previdenciárias; afirma que a legislação é o que STJ diz que é e não o que pensam os auditoresfiscais da Receita Federal do Brasil; diz que o auxílioeducação é um subsídio pago pelo empregador em benefício do empregado, a fim de qualificálo e elevar seu grau de escolaridade. Afirma que o auxílioeducação compreende todos os níveis de educação (fundamental, médio, superior e pósgraduação). frisa que o artigo 458, §2º, inciso II, da CLT, é categórico ao determinar que os pagamentos efetuados para a educação dos empregados não constituem salário. A Turma de Primeira Instância julgou a impugnação improcedente, restando a decisão assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2011 a 31/12/2012 COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA. Os valores referentes a contribuições sociais previdenciárias compensadas indevidamente serão exigidos pelo Fisco com os acréscimos moratórios de que trata o artigo 35, caput, da Lei nº 8.212/1991. PREVIDENCIÁRIO. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE NA DECLARAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. MULTA ISOLADA DE 150%. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada de 150% calculada com base no valor total do débito indevidamente compensado. ÓRGÃOS PÚBLICOS. ATIVIDADE PREPONDERANTE. GRAU DE RISCO E ALÍQUOTA DA CONTRIBUIÇÃO SAT/GILRAT. CÓDIGO CNAE. Para fins de determinação do grau de risco e, por conseguinte, da alíquota a ser utilizada no cálculo da contribuição do SAT/GILRAT, cada órgão da Administração Pública Direta, com inscrição própria no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ), deve verificar a atividade preponderante exercida, assim considerada a que ocupa o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos em seu âmbito. EXERCENTE DE MANDATO ELETIVO NÃO VINCULADO A REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA SOCIAL. SEGURADO Fl. 12423DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 09/10/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmen te em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13888.721139/201416 Acórdão n.º 2301004.800 S2C3T1 Fl. 12.418 13 EMPREGADO. ALÍNEA “J”, DO INCISO I, DO ARTIGO 12 DA LEI Nº 8.212/1991, INCLUÍDA PELA LEI Nº 10.887/2004. O exercente de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, desde que não vinculado a regime próprio de previdência social, deve ser enquadrado, por força do disposto na alínea “j”, do inciso I, do artigo 12, da Lei nº 8.212/1991, como segurado empregado da Previdência Social para fins de exigência de contribuições sociais previdenciárias. DÉCIMOTERCEIRO SALÁRIO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO O décimoterceiro salário (gratificação natalina) integra o salário de contribuição ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2011 a 31/12/2012 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO RECONHECIDO EM DECISÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. IMPOSSIBILIDADE. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. SOLIDARIEDADE. INTERESSE COMUM. As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal são solidariamente responsáveis pela mesma. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ARTIGO 135, INCISO III, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2011 a 31/12/2012 AÇÃO JUDICIAL CONCOMITANTE. MATÉRIA IDÊNTICA. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 12424DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 09/10/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmen te em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 14 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade de atos legais regularmente editados. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. Os órgãos julgadores de primeira instância do processo administrativo fiscal federal (Turmas de Julgamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento) não são competentes para se pronunciar sobre controvérsias referentes a processo administrativo de representação fiscal para fins penais. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Os recorrentes foram notificados do Acórdão 0737.389 5ª Turma da DRJ/FNS em 07/07/2015 (fl. 11907 e fl. 11912) e 06/07/2015 (fl. 11909), mediante Aviso de Recebimento – AR. Em 04/08/2015, sobreveio recurso voluntário (fl. 11.914 e ss). Em suas razões alegam que: os argumentos expostos no Acórdão de Impugnação, lavrado pela DRJ são inaplicáveis ao caso concreto. Cita jurisprudência de caso análogo (Acórdão 0131.798 5ª Turma da DRJ/BEL); “é indevida a aplicação da responsabilidade solidária aos recorridos, pedindo pela exclusão da responsabilidade solidária a eles imposta de forma ilegal”; sobre as verbas indenizatórias, assegura que os créditos utilizados para compensação são legítimos, originados de recolhimentos efetuados e recolhidos nas datas exigidas; os lançamentos das compensações efetuadas constantes das “GFIPs” informadas são autênticos, não constituindo “falsidade de declarações” ou “fraude”; o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF tem se posicionado no sentido de anular os Autos de Infração referentes a “multa isolada de 150%”, aplicada sem a efetiva comprovação da “fraudesonegaçãoconluio” tipificada pela Lei 4502/64 em seus artigos 71, 72 e 73; as compensações podem ser efetuadas administrativamente sem a anuência do judiciário ou da Receita Federal, a teor do art. 66 da Lei 8383/91 – art. 89 da lei 8212/91 e art. 56 da instrução normativa RFB n° 1300/12; complementa este ponto com decisões judiciais listadas no recurso voluntário e impugnação, embasando que as compensações podem ser efetuadas administrativamente; Fl. 12425DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 09/10/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmen te em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13888.721139/201416 Acórdão n.º 2301004.800 S2C3T1 Fl. 12.419 15 as verbas cujos créditos foram utilizados para compensação não incidem a contribuição previdenciária, conforme entendimento pacificado pelo STF, inclusive com Repercussão geral RE n° 593.068; citam jurisprudência Resp. n° 1.230.957/RS (terço constitucional de férias, detém natureza indenizatória/compensatória, excluída do salário contribuição), Resp. 1.322.945/DF (Férias usufruídas, não incidência da contribuição previdenciária) e Resp. n° 1.358.281/SP (Horas extras, gratificações, adicional noturno e insalubridade, não incidência da contribuição previdenciária); as decisões emanadas pelo STF e STJ, tem se posicionado no sentido da inaplicabilidade da multa isolada de 150%, cujas compensações tenham sido informadas regularmente em GFIP, e o fisco não tendo comprovado a fraude ou falsidade cometida pelo município; “da mesma forma, tem acatado a não incidência da contribuição previdenciária sobre a verba Terço Constitucional de Férias, por ostentar a natureza jurídica de indenizatória/compensatória, e estar excluída taxativamente da contribuição, conforme art. 28, § 9°, e art. 7 da Lei 8212/91”; O CARF através de diversos acórdãos, tem se posicionado no sentido de acatar as decisões do STF e STJ, sobre a verba de 1/3 de férias, anulando os autos de infração e reconhecendo a natureza indenizatória da verba cuja tributação está excluída pelos art. 7 e art. 28 § 9°, “E” da Lei 8212/91, “independente da existência de ação judicial transitada em julgado homologando as compensações efetuadas administrativamente”; citam diversas jurisprudências, as separando em pastas anexas ao recurso voluntário. Ao fim, postulam que após provada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, que o débito fiscal reclamado seja cancelado, anulando integralmente os DEBCAD n° 51.060.0719 e 51.060.0727 excluindose os recorrentes da responsabilidade solidária. É o relatório Passo a decidir. Voto Vencido Conselheira Alice Grecchi O presente recurso possui os requisitos de admissibilidade do Decreto 70.235/72, merecendo ser conhecido. PRELIMINAR Fl. 12426DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 09/10/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmen te em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 16 Embora os recorrentes tenham titulado um tópico como preliminar, não vislumbrei nenhuma alegação de prejudicial de mérito, sendo que as argumentações ali expostas referemse ao mérito propriamente dito. MÉRITO Primeiramente, impende observar os limites da controvérsia instaurada no presente processo. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 3.504 a 3.538, foi constatada a compensação indevida em GFIP. As compensações foram efetuados no período de setembro de 2011 de dezembro de 2012. A Prefeitura de Elias Fausto compensou o montante de RS 3.556.561,07 no período fiscalizado. Os valores de compensação declarados em GFIP foram integralmente glosados, considerados como compensações indevidas. De acordo com a documentação apresentada e informações encaminhadas pelo escritório Castellucci Figueiredo e Advogados Associados, a justificativa das compensações é de que houve direito conquistado judicialmente por meio do mandado de segurança nº 001075317.2001.4036109 e o de nº 001075232.201.403.6109. Entretanto, frisase que na época do fato gerador (e até o presente momento) não há trânsito em julgado dos processos acima, inclusive o processo 0010752 32.201.403.6109, este foi extinto sem resolução do mérito. Assim, a contribuinte contrariou o disposto no artigo 170A do Código Tributário Nacional. Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo,objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial”. Finalizando essa exposição fática, concluo que, tendo em vista que está sendo discutida judicialmente a matéria (mandado de segurança nº 001075317.2011.4.03.6109 3ª Vara Federal de Piracicaba), não pode ser objeto de análise, as alegações dos recorrentes acerca da não incidência de contribuições previdenciárias sobre: os valores pagos nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do empregado doente ou acidentado, e sobre os valores pagos a título de horas extras, adicional constitucional de férias de um terço, adicional noturno, adicional de insalubridade, férias indenizadas, abono pecuniário de férias (venda de férias ou férias em pecúnia), adicional de periculosidade, aviso prévio indenizado, auxílio educação (também denominado de salário educação pelos recorrentes), auxíliocreche, auxílio transporte (também denominado de vale transporte pelos Impugnantes), abono assiduidade e abono único anual. Neste sentido, cabe citar a Súmula 01, CARF. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE TRÂNSITO EM JULGADO Fl. 12427DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 09/10/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmen te em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13888.721139/201416 Acórdão n.º 2301004.800 S2C3T1 Fl. 12.420 17 A glosa efetuada teve por fundamento o comando contido no artigo 170A do CTN, que veda a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Sendo assim, o eventual reconhecimento de crédito a compensar ou a dispensa de retificação das GFIP's não tornariam lídima a compensação efetuada. A jurisprudência judicial e administrativa é no sentido de que o artigo 170A deve ser observado para fins de compensação de contribuições recolhidas indevidamente, vejamos: Processo nº 15586.720597/201379 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401004.177 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de fevereiro de 2016 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS: COMPENSAÇÃO. GLOSA E MULTA ISOLADA Recorrente MUNICÍPIO DE VENDA NOVA DO IMIGRANTE PREFEITURA MUNICIPAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2011 a 31/12/2011 COMPENSAÇÃO. TRIBUTO OBJETO DE DISCUSSÃO JUDICIAL. INEXISTÊNCIA DE DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO. VEDAÇÃO. Comprovado nos autos que o sujeito passivo compensou tributo, objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial, impõese a glosa dos valores indevidamente compensados, acrescida de juros e da multa de mora. [...] ____________________________________________________ Processo: 507718316.2015.404.7000 TRT 4ª Região UF: PR Relator: Roberto Fernandes Júnior Julgado em 12/07/2016 TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PAGAMENTO DOS PRIMEIROS QUINZE DIAS DE AFASTAMENTO DO Fl. 12428DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 09/10/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmen te em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 18 TRABALHO POR INCAPACIDADE. AVISOPRÉVIO INDENIZADO E SEUS REFLEXOS. TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. COMPENSAÇÃO. SUCUMBÊNCIA. 1. Não incide contribuição previdenciária sobre o pagamento dos primeiros quinze dias de afastamento do trabalho por incapacidade, avisoprévio indenizado e seus reflexos e terço constitucional de férias gozadas. 2. As contribuições previdenciárias recolhidas indevidamente podem ser objeto de compensação com parcelas vencidas posteriormente ao pagamento, relativas a tributo de mesma espécie e destinação constitucional, conforme previsto nos arts. 66 da Lei nº 8.383/91, 39 da Lei nº 9.250/95, observandose as disposições do art. 170A do CTN. 3. Sem honorários. Custas pela impetrada. Importante ressaltar, ainda, que o Superior Tribunal de Justiça decidiu, no julgamento do REsp 1.230.957, na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil (sobrestado para julgamento do RE 593.068/SC) que não há incidência de contribuição previdenciária sobre os 15 dias anteriores à concessão de auxíliodoença, sobre o terço constitucional de férias indenizadas ou gozadas e sobre o aviso prévio indenizado. Também há pouco tempo e igualmente sob regime dos recursos repetitivos, este já com decisão transitada em julgado, o mesmo Tribunal, assentou a compreensão de que incide contribuição previdenciária sobre horas extras, adicional noturno e adicional de periculosidade (REsp 1.358.281). Ocorre que, independentemente da conclusão a respeito da incidência ou não de contribuição previdenciária sobre as verbas em discussão, a glosa decorre de fato relacionado ao próprio procedimento de compensação, posto que o sujeito passivo optou pela via judicial para ter garantido o pleito compensatório, inviabilizando qualquer possibilidade de proceder à compensação administrativa de forma legítima. Sendo assim, diante da contrariedade ao art. 170A do CTN, razão nenhuma assiste aos recorrentes. DOS CRÉDITOS COMPENSADOS NÃO ABARCADOS PELA AÇÃO JUDICIAL Alíquota SAT/RAT A exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho é prevista no art. 22, II da Lei n ° 8.212/1991, alterada pela Lei n ° 9.732/1998, que fixou as alíquotas distintas, 1%, 2% e 3%, para a incidência da contribuição ao SAT: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos Fl. 12429DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 09/10/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmen te em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13888.721139/201416 Acórdão n.º 2301004.800 S2C3T1 Fl. 12.421 19 segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998). a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. O Regulamento da previdência Social, no art. 202, define a atividade preponderante para o enquadramento legal nos correspondentes graus de riscos das atividades desenvolvidas pelas empresas: (Decreto n°3.048/1999) Art.202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. § 1º As alíquotas constantes do caput serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, respectivamente, se a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa ensejar a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição. § 2º O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física. § 3º Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. Fl. 12430DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 09/10/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmen te em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 20 § 4º A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. § 5º O enquadramento no correspondente grau de risco é de responsabilidade da empresa, observada a sua atividade econômica preponderante e será feito mensalmente, cabendo ao Instituto Nacional do Seguro Social rever o autoenquadramento em qualquer tempo. ... § 10. Será devida contribuição adicional de doze, nove ou seis pontos percentuais, a cargo da cooperativa de produção, incidente sobre a remuneração paga, devida ou creditada ao cooperado filiado, na hipótese de exercício de atividade que autorize a concessão de aposentadoria especial após quinze vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) § 11. Será devida contribuição adicional de nove, sete ou cinco pontos percentuais, a cargo da empresa tomadora de serviços de cooperado filiado a cooperativa de trabalho, incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, conforme a atividade exercida pelo cooperado permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) § 12. Para os fins do § 11, será emitida nota fiscal ou fatura de prestação de serviços específica para a atividade exercida pelo cooperado que permita a concessão de aposentadoria especial. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003). A Solução de Consulta Cosit nº 44 de 19 de fevereiro de 2014, dispõe que o enquadramento automático no CNAE 84.116/00 Administração Pública em Geral não tem o alcance comumente empregado em outras situações. [...] 30. Na prática, o CNAE 84116/00 abrange as atividades claramente enumeradas nas notas, e as demais atividades exercidas pelos órgãos públicos que não estiverem compreendidas em CNAE próprio. 31. Deste modo, resta claro que deve ser consultada a lista de códigos CNAE do Anexo V do RPS relacionada ao universo de atividades desenvolvidas pelo ente público, as notas explicativas relativas aos CNAE para, só então, enquadrar as atividades e apurar a preponderante. 32. Registrese que a interpretação equivocada no sentido de classificar as atividades dos entes públicos e respectivos órgãos em apenas um único CNAE, “Administração Pública em Geral”, já foi objeto de correção quando da alteração da alínea “d”, inciso I, §1º do art.86 da Instrução Normativa MPS/SRP nº 3 de 14 de julho de 2005, pela IN MPS/SRP nº 20 de 11 janeiro de 2007. Apuração da atividade preponderante Fl. 12431DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 09/10/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmen te em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13888.721139/201416 Acórdão n.º 2301004.800 S2C3T1 Fl. 12.422 21 33. O universo de servidores a ser considerado na apuração da atividade preponderante está restrito ao grupo enquadrado na qualidade de segurado empregado do RGPS (servidor efetivo, comissionado, exercente de mandato eletivo, desde que não estejam vinculados a regime próprio de previdência, e o servidor contratado por tempo determinado nos termos do inciso IX, art. 37 da CF/88, para atender necessidade temporária), tudo conforme inciso I do art. 12 e art. 13 da Lei nº 8.212, de 1991, inciso I do art. 9º do RPS e explicitado no art. 6º da Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009. 34. A categoria de “segurado empregado” a que se refere o inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212, de 1991, não se restringe aos trabalhadores com vínculo empregatício definido pela CLT, inclui as demais categorias de trabalhadores enumeradas no dispositivo. Os trabalhadores avulsos apontados no inciso II do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, são os contratados por meio de Órgãos Gestores de Mãodeobra ou Sindicatos, conforme o art. 3º da Lei nº 12.023, de 2009 e art.1º da Lei nº 9.719, de 27 de novembro de 1998, como alguns trabalhadores dos portos. [...] Os recorrentes alegam que a atividade preponderante do Município não se enquadra no código CNAE Fiscal que informou em suas GFIP referentes as competências a que diz se referirem os créditos compensáveis (84.116/00), mas sim no código “8513900 – Ensino Fundamental”. Consequentemente, também dizem que a alíquota RAT/SAT correta não é a que o Autuado informou em suas GFIP referentes as competências a que diz se referirem os créditos compensáveis, mas sim 1%. Embora assista razão aos recorrentes no que tange à impossibilidade de enquadramento automático na administração pública no código CNAE 84.116/00, os documentos acostados, não têm o condão de comprovar de forma inequívoca as alegações de que a atividade preponderante do município se enquadra no código de "Ensino Fundamental" com alíquota de 1%. Neste ponto, adoto como razões de decidir os fundamentos do voto da Turma Julgadora " a quo". Primeiro porque os Impugnantes, em nenhum momento, trouxeram aos autos as folhas de pagamento do Autuado, se limitando a trazerem demonstrativos e meras relações de funcionários, conforme se observa às fls. 5497 a 5958. Segundo, porque se observa que as relações de funcionários trazidas são inconsistentes quando cotejadas com os dados declarados nas GFIP. Prova disso é que o número de funcionários listados nas relações trazidas pelos Impugnantes não bate com o número de segurados declarados nas GFIP. Como exemplo podemos citar a relação referente a competência 09/2009 reproduzida às fls. 5514 a 5524, que enumera 554 funcionários, enquanto que a GFIP da mesma competência traz a declaração de apenas 507 segurados, conforme demonstrado Fl. 12432DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 09/10/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmen te em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 22 pela tela reproduzida abaixo (extraída dos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil – GFIPWEB): [...] Assim, deve ser mantida a glosa referente a compensação indevida de alíquota SAT/RAT, uma vez que não comprovada qual a atividade preponderante da Prefeitura de Elias Fausto, ou seja, qual atividade que possui o maior número de funcionários. Subsídios de Agentes Políticos Exercentes Mandatos Eletivos Os recorrentes alegam que parte dos créditos utilizados nas compensações efetuadas se referem a recolhimentos de contribuições sociais previdenciárias, referentes às competências 08/2007 a 07/2012, que foram indevidamente efetuados sobre a remuneração paga a exercentes de mandatos eletivos. Ocorre que as alegações no sentido de que não incide contribuições sociais previdenciárias sobre a remuneração paga aos exercentes de mandatos eletivos são totalmente improcedentes, visto que a legislação previdenciária prevê expressamente tal incidência: Lei nº 8.212/1991 Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: [...] j) o exercente de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, desde que não vinculado a regime próprio de previdência social; (Incluído pela Lei nº 10.887, de 2004) [...] Assim, a partir das alterações promovidas com a Lei supracitada, os exercentes de mandato eletivo devem ser enquadrados como segurados obrigatórios do RGPS, por expressa previsão legal, desde que não amparados pelo RPPS, por disposição da Lei n ° 10.887/2004 . Tendo em vista que as compensações referemse a período posterior ao advento da referida Lei, indevida a compensação, diante da incidência de contribuição previdência sobre remuneração dos exercentes de mandato eletivo. Saláriomaternidade, Férias Gozadas, 13º Salário Os créditos compensados em GFIP referentes às contribuições previdenciárias incidentes sobre as verbas acima mencionadas são indevidos, uma vez que, por força de legislação previdenciária, são integrantes do salário de contribuição, de acordo com o art. 28, inciso I e § 2º e § 7º, da lei nº 8.212/91, devendo ser mantida a glosa por compensação indevida. Lei nº 8.212/1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: Fl. 12433DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 09/10/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmen te em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13888.721139/201416 Acórdão n.º 2301004.800 S2C3T1 Fl. 12.423 23 I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa;(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) [...] § 2º O saláriomaternidade é considerado saláriode contribuição. [...] § 7º O décimoterceiro salário (gratificação natalina) integra o saláriodecontribuição, exceto para o cálculo de benefício, na forma estabelecida em regulamento. (Redação dada pela Lei n° 8.870, de 15.4.94) [...] Gratificação, Adicional Lei nº 1.627, Função gratificada Com relação a essas verbas, não houve comprovação por parte dos recorrentes de que houve o recolhimento das contribuições previdenciárias e tampouco especificaram os motivos que geram os pagamentos, demonstrandose ilegítimas as compensações, devendo ser mantida a glosa. MULTA ISOLADA DE 150% DEBCAD 51.060.0727 Alegam os recorrentes que não houve fraude ou sonegação que justificasse a multa isolada. No caso em destaque a autoridade fiscal entendeu que estaria configurada a falsidade, pelo fato da recorrente ter declarado nas GFIP´s a compensação de recolhimentos indevidos sem decisão judicial transitada em julgado que a amparasse. Para a incidência da multa isolada prevista no art. 89, § 10, da Lei nº 8.212/91, há a exigência expressa de que se comprove a “falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo”, de sorte que a mera alegação de ilegitimidade da compensação realizada não é suficiente para a subsunção do tipo infracional. Para perfeita compreensão, vejamos as disposições legais que fundamentam as penalidades incidentes na hipótese de compensação indevida: Lei nº 8.212/91: Fl. 12434DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 09/10/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmen te em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 24 Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) §9º. Os valores compensados indevidamente serão exigidos com os acréscimos moratórios de que trata o art. 35 desta Lei. (Incluído pela Medida Provisória nº 449/2008) §10º. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído pela Medida Provisória nº 449/2008) (...) Ainda Lei nº 8.212/91: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009).AR Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. (...) Ainda Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 12435DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 09/10/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmen te em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13888.721139/201416 Acórdão n.º 2301004.800 S2C3T1 Fl. 12.424 25 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) (...) A leitura dos excertos acima transcritos indicam que há a previsão de duas penalidades pecuniárias para a compensação indevida de contribuições previdenciárias: a multa de 20%; e a multa isolada de 150%. Para a aplicação da multa de mora, a legislação exige apenas à apuração de compensação efetuada de forma indevida. Para aplicação da multa isolada, consta que tem cabimento “quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo”. Entendese, pois, que para aplicação da multa isolada, há a condicionante de comprovação da falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. Para que a compensação se configure como indevida, ou a declaração que deu origem era falsa ou se tornou falsa. Assim, sempre haverá falsidade, mas logicamente não haveria razão para o legislador condicionar a sua aplicação à comprovação da falsidade despretensiosa. Portanto, a única maneira de justificar, do ponto de vista jurídico, a existência da condicionante “quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo”, é invocar a intencionalidade da conduta do agente. Ainda, apenas para fins de argumentação, destaco que o art. 112 do CTN, impõe interpretações mais benéfica aos infratores da lei tributária: Código Tributário Nacional – CTN: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Portanto, a exigência do dolo, se impõe para aplicação da penalidade em questão. Em caso de dúvida, deverá ser aplicada a interpretação mais benéfica ou favorável ao sujeito passivo. Neste sentido, colaciono excerto do voto do I. Relator Manoel Coelho Arruda Júnior, Processo 10410.721627/201352, Acórdão 2301004.234, em que expõe entendimento com o qual me coaduno. Fl. 12436DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 09/10/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmen te em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 26 [...] Observase que aplicação da multa isolada é condicionada a comprovação de falsidade na declaração prestada pelo contribuinte. Na situação sob análise, não há como negar que o sujeito passivo declarou valores a compensar que, embora tivessem origem em precatórios adquiridos de terceiros, não poderiam ser objeto de procedimento compensatório até o transito em julgado da decisão do Judiciário. Verificase, assim, que o processo não trata de compensação de créditos inexistentes ou mesmo objeto de fraude, mas de valores que, por ausência de previsão legal, não poderiam ser utilizados para encontro de contas com a Fazenda. Para que restasse caracterizada a falsidade mencionada no § 10 do art. 89, entendo que deveria ser comprovada a fraude, conceituada no art. 72 da Lei n.º 4.502/1964, verbis: Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. O fisco tenta caracterizar a fraude sob a alegação de que a empresa mesmo ciente da impossibilidade legal, utilizou os créditos. Entendemos, todavia, que a apresentação para encontro de contas de créditos obtidos pelo sujeito passivo, mas sem força para operar a compensação tributária, deve ser punida com a imposição dos acréscimos legais, jamais ser tratada como falsificação, com aplicação de multa isolada no patamar de 150%. Entende essa relatora que, para configurar a ocorrência do tipo infracional previsto no § 10 do artigo 89 da Lei nº 8.212/91, é indispensável que esteja demonstrada a presença do elemento subjetivo associado à conduta típica. Ademais, o §10 do dispositivo legal não trata de mera compensação indevida, mas, sim, a ação dolosa e consciente de falsear a forma ou o conteúdo da declaração de compensação visando a iludir o Fisco Federal quanto à efetiva ocorrência dos fatos geradores. Daí a necessidade de efetiva comprovação, pela Fiscalização, da falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. É indispensável que haja comprovação da presença do dolo na conduta, demonstrando a forma ardilosa do agir para lhe imputar a multa do §10, do art. 89, da Lei nº 8.212/91. Abaixo, destaco excerto de ementa ao Acórdão 2402005.347, Processo 10580.721524/201411, Redator do voto vencedor quanto a aplicação da multa isolada no patamar de 150%. [...] COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA FALSIDADE. NÃO CABIMENTO. 1. A multa isolada de 150% prevista no art. 89, § 10, da Lei 8.212/1991, é inaplicável quando a autoridade fiscal não comprova a existência de falsidade. Fl. 12437DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 09/10/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmen te em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13888.721139/201416 Acórdão n.º 2301004.800 S2C3T1 Fl. 12.425 27 2. A falsidade difere do simples erro, pois ela pressupõe a existência de máfé por parte do sujeito passivo. 3. A autoridade administrativa tem o dever de comprovar a existência de máfé, a qual não se presume no Direito brasileiro. [...] A aplicação de penalidade mais severa, mediante a majoração da multa, só tem cabimento em situações específicas, onde fique evidenciado, de maneira inequívoca, o comportamento ardiloso e intencional do sujeito passivo, seja no tocante à falsidade na declaração, conforme remissão expressa do §10, do art. 89, da Lei nº 8.212/91. Em que pese tenha havido inobservância ao art. 170A, do Código Tributário Nacional, tal ato não enseja a constatação das condutas típicas dos arts. 71 a 73, da Lei nº 4.502/64. O não atendimento ao disposto no referido artigo acarretou ao contribuinte a glosa da compensação acrescida de juros e multa DEBCAD 51.060.0719. Ainda, no que tange à compensação de verbas não abrangidas no pleito inicial do mandado de segurança, ainda que indevida, não necessariamente configurase a existência do dolo, mas sim de uma interpretação equivocada a partir de decisões judiciais quanto a não incidência de contribuições previdenciárias. Diante do exposto, entendo que deve ser afastada a multa isolada aplicada, cancelandose o Auto de Infração DEBCAD 51.060.0727. RESPONSABILIDADE PASSIVA SOLIDÁRIA DO SR. CYRO DA SILVA MAIA (Prefeito) E DO ESCRITÓRIO DE ADVOCACIA CASTELLUCCI FIGUEIREIDO E ADVOGADOS ASSOCIADOS No que concerne à responsabilidade do Prefeito, verificase que a própria autoridade autuante, no Relatório Fiscal (fls. 3.531), menciona que o prefeito solicitou Parecer da comissão Municipal de Licitação e Parecer do Departamento Jurídico. Abaixo, excertos do Relatório Fiscal: Fl. 12438DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 09/10/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmen te em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 28 Assim, verificase que o Prefeito, Sr. Cyro, cercouse de precaução ao requerer um Parecer da Comissão Municipal de Licitação e do Departamento Jurídico, antes de formalizar o contrato de prestação de serviços com o escritório Castellucci com a dispensa da licitação. Dessa forma, resta descaracterizada a conduta de excesso de poder, uma vez que a decisão de contratação foi alicerçada em parecer técnico/jurídico e não arbitrária do Prefeito, ocorrendo a anuência de outros departamentos da Prefeitura Municipal de Elias Fausto, o que figura como uma decisão de um órgão em si e não de uma pessoa. Cabe registrar que a responsabilidade pessoal por créditos correspondentes a obrigações tributárias, só ocorrerá quando forem resultantes de atos praticados com excesso de poder ou infração de lei. Nesse sentido, transcrevo, os brilhantes ensinamentos do Desembargador Federal Leandro Paulsen, através dos excertos dos comentários ao art. 135 do Código Tributário Nacional, extraídos do Livro, " Direito Tributário Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência", 13ª edição, 2011, pág. 1.019: O pressuposto de fato ou hipótese de incidência da norma de responsabilidade, no art. 135, III, do CTN, é a prática de atos, por quem esteja na gestão ou representação da sociedade, com excesso de poder ou infração à lei, contrato social e estatutos e que tenham implicado, se não o surgimento, ao menos o inadimplemento das obrigações tributárias. A contrário sensu, extraise o dever formal implícito cujo descumprimento implica a responsabilidade, qual seja o dever de, na direção, gerência ou representação das pessoas jurídicas de direito privado, agir com zelo, cumprindo a lei e atuando sem extrapolação dos poderes contratuais de gestão, de modo a não cometerem ilícito que acarretem o inadimplemento de obrigações tributárias. Ademais, o art. 135, III do Código Tribunal Nacional (fl. 3567), não pode, no presente caso, ser utilizado por analogia, uma vez que não consta o administrador público no rol, sendo taxativo ao dispor que: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: [...] Fl. 12439DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 09/10/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmen te em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13888.721139/201416 Acórdão n.º 2301004.800 S2C3T1 Fl. 12.426 29 III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. (grifei) Assim, entendo que deve ser excluído da imputação de responsabilidade tributária, o Prefeito da época do fato gerador, Sr. Cyro da Silva Maia. Quanto à responsabilidade passiva solidária do escritório Castellucci Figueiredo e Advogados Associados (Termo de Sujeição Passiva fl. 3.551), esta Relatora entende que restou configurada a sujeição passiva solidária, conforme art. 124, I, do Código Tributário Nacional. Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; Reportome ao Relatório Fiscal (fls. 3.504 e 3.538), na parte em que a autoridade fiscal descreve a atuação do escritório de advocacia. Fl. 12440DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 09/10/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmen te em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 30 Ou seja, o escritório apresentou proposta de prestação de serviços para a recuperação de crédito tributário, com pagamento de honorários de 20% incidentes sobre o montante recuperado. Portanto, é lógica a conclusão de que quanto mais créditos a compensar, maior seriam os honorários advocatícios a receber. Ainda consta: [...] Fica evidente a conduta do escritório no sentido de ser o mentor, o articulador de toda a operação de compensação de créditos, uma vez que beneficiavase diretamente, pois os honorários eram pagos em percentuais sobre os valores compensados. Assim, mantenho o escritório Castellucci Figueiredo e Advogados Associados no pólo de sujeição passiva solidária. Diante de todo o exposto, CONHECER em parte e na parte conhecida dar voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO AO RECURSO para excluir o lançamento da multa isolada de 150 % DEBCAD 51.060.0727 e excluir o Sr. Cyro da Silva Maia da responsabilidade tributária. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi – Relatora Voto Vencedor Conselheiro Fábio Piovesan Bozza Não obstante o judicioso voto apresentado pela iminente relatora, a quem congratulo, peçolhe vênia para apresentar minhas razões de divergência especificamente em relação à imputação de responsabilidade solidária do escritório Castellucci Figueiredo e Advogados Associados. De acordo com o relatório fiscal, o mencionado escritório de advocacia teve sua proposta de recuperação de créditos tributários aceita pelo Recorrente. A respectiva remuneração seria calculada mediante a aplicação de determinado percentual sobre o montante dos créditos recuperados. Em função do interesse contratualmente manifestado, a fiscalização entende configurada a sujeição passiva solidária entre o Recorrente e o escritório de advocacia, nos termos do art. 124, inc. I do CTN, o qual possui a seguinte redação: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I – as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; Fl. 12441DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 09/10/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmen te em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13888.721139/201416 Acórdão n.º 2301004.800 S2C3T1 Fl. 12.427 31 Referido dispositivo trata da chamada solidariedade de fato ou solidariedade paritária, a qual exige que as pessoas sejam sujeitos da relação jurídica que deu azo à ocorrência do fato gerador. A expressão “interesse comum”, embora não definida legalmente, diz respeito ao interesse jurídico ostentado pelas partes, e não a qualquer interesse econômico. Tratase de interesse que decorre de uma situação jurídica. Nesse sentido, revelam interesse juridicamente comum as pessoas que participem do mesmo polo da relação jurídica, objeto da hipótese de incidência tributária (ex. coproprietários que alienam certo bem), diferentemente do que ocorre com aquelas que figurem em polos antagônicos (ex. prestador e tomador de serviços). A esse respeito, confirase a lição de Rubens Gomes de Sousa, em sua obra clássica Compêndio de Legislação Tributária (Edições Financeiras, 3ª ed., p. 67): São solidariamente obrigadas pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, segundo prevê o art. 124, I, do CTN. O interesse comum das pessoas não é revelado pelo interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas pelo interesse jurídico, que diz respeito à realização comum ou conjunta da situação que constitui o fato gerador. É solidária a pessoa que realiza conjuntamente com outra, ou outras pessoas, a situação que constitui o fato gerador, ou que, em comum com outras pessoas, esteja em relação econômica com o ato, fato ou negócio que dá origem a tributação por outras palavras (...) pessoa que tira uma vantagem econômica do ato, fato ou negócio tributário. Em vista do exposto, considero que o escritório de advocacia ostenta mero interesse econômico na relação jurídica que constitui fato gerador da obrigação tributária principal. Sequer participa de um dos polos dessa relação jurídica. Quando muito, apresenta interesse jurídico reflexo, oriundo de outra relação jurídica mantida com o Recorrente. Escapa, assim, da aplicação do art. 124, inc. I do CTN. Em conclusão, conduzo meu entendimento para excluir o escritório de advocacia da imputação de responsabilidade solidária da obrigação tributária. É como voto. (Assinado digitalmente) Fabio Piovesan Bozza – Redator Designado para a matéria. Fl. 12442DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 09/10/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmen te em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 32 Conselheiro João Bellini Júnior Não obstante as ponderadas razões da Conselheira Relatora, a qual saúdo, peço vênia para dela divergir quanto à incidência da multa qualificada de 150%, exigida isoladamente no auto de infração debcad nº 51.060.0727, pelas razões expostas a seguir. A Lei 8.212, de 1991, ao tratar da multa aplicável na compensação indevida, quando se comprove falsidade da Gfip de contribuições sociais previdenciárias, dispõe: Lei nº 8.212/91 Art. 89. (...) § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). No caso em apreço, há decisão específica prolatada pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região no julgamento do Agravo no Mandado de Segurança nº 0010753 17.2011.4.03.6109, que impede o recorrente de efetuar a compensação dos créditos tributários antes do trânsito em julgado da decisão judicial, em razão do disposto no art. 170A do Código Tributário Nacional. Convém reproduzir a minuciosa análise do acórdão recorrido respeitante ao Mandado de Segurança nº 001075317.2011.4.03.6109, a qual, lida e conferida, assumo como minha, mutatis mutandis: O Código Tributário Nacional, ao tratar da compensação, preceitua o seguinte: (...) Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (Artigo incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Como se vê, os recolhimentos referentes a tributo objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo só poderão ser compensados, por força de disposição expressa contida no Código Tributário Nacional, após o trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. No presente caso, observase, compulsando os autos, que os Impugnantes não apresentaram nenhuma prova de que o mandado de segurança ajuizado pelo Autuado para obter a declaração de não incidência de contribuições sociais previdenciárias sobre diversas verbas supostamente pagas aos seus segurados (Mandado de Segurança nº 0010753 17.2011.4.03.6109 – 3ª Vara Federal da Piracicaba/SP) já teve desfecho com decisão judicial transitada em julgado. Fl. 12443DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 09/10/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmen te em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13888.721139/201416 Acórdão n.º 2301004.800 S2C3T1 Fl. 12.428 33 Ademais, consultando o site do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (www.trf3.jus.br), verificase que, de fato, ainda não ocorreu o desfecho com decisão judicial transitada em julgado da lide instaurada no Mandado de Segurança nº 0010753 17.2011.4.03.6109 – 3ª Vara Federal da Piracicaba/SP, conforme demonstrado pelas telas reproduzidas abaixo: (...) Diante do exposto, portanto, verificase que é totalmente despropositada a tese apresentada pelos Impugnantes de que o Autuado tinha o direito de efetuar a compensação de recolhimentos de contribuições sociais previdenciárias efetuados sobre as verbas a que se refere o Mandado de Segurança nº 001075317.2011.4.03.6109 – 3ª Vara Federal da Piracicaba/SP, já que o ajuizamento desta ação judicial, até o momento, não resultou em decisão judicial transitada em julgado. Em relação às alegações no sentido de que o artigo 170A do CTN não seria aplicável ao presente caso, por tratar de mandado de segurança que se refere a verbas que segundo os Impugnantes já foram declaradas pelo STJ e pelo STF como não integrantes do campo de incidência das contribuições sociais previdenciárias e por ser dispositivo inconstitucional, cumpre apenas ressaltar que a análise das mesmas é totalmente incabível na esfera administrativa, visto que a aplicação de tal dispositivo, no caso vertente, já foi determinada pela Justiça Federal, conforme exposto na decisão judicial reproduzida às fls. 3416 a 3427 e na ementa do acórdão proferido pela 2ª Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região no julgamento do agravo legal interposto contra a referida decisão judicial, que pode ser consultada no site do mencionado tribunal (www.trf3.jus.br): Decisão judicial reproduzida às fls. 3416 a 3427 (julgamento pelo relator da remessa oficial e das apelações interpostas contra a sentença proferida pelo juízo da 3ª Vara Federal da Piracicaba/SP no julgamento do Mandado de Segurança nº 001075317.2011.4.03.6109) (...) Da aplicação do art. 170A, do CTN O Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial Representativo de Controvérsia n. 1.164.452MG (Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Dje 02.09.2010), acima transcrito, sedimentou entendimento no sentido de que o art. 170A, do CTN, aplicase somente às ações judiciais propostas posteriormente à vigência da Lei Complementar n. 104/2001, que o introduziu. Fl. 12444DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 09/10/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmen te em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 34 A presente ação foi ajuizada em 28.10.2011, após, portanto, a vigência da Lei Complementar n. 104/2001, razão pela qual se aplica o art. 170A, do CTN. (...) Ementa do acórdão proferido pela 2ª Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região no julgamento do agravo legal interposto contra a decisão reproduzida às fls. 3416 a 3427 (Publicado no D.E. em 05/12/2014) PROCESSO CIVIL. AGRAVO LEGAL. ARTIGO 557 DO CPC. APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA. (...) (...) VIII – Em se tratando de compensação de crédito objeto de controvérsia judicial, é vedada a sua realização “antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial”, conforme prevê o art. 170A do CTN, vedação que, todavia, não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse dispositivo, introduzido pela LC 104/2001. Precedentes. (...) Cabe ressaltar, porém, que a alegação de que a regra contida no artigo 170A do Código Tributário Nacional não se aplica nos casos de ajuizamento de mandado de segurança é totalmente improcedente, visto que tal artigo não faz nenhuma distinção entre os tipos de ação judicial. Da mesma forma, a alegação de que a regra contida no artigo 170A do Código Tributário Nacional não se aplica a tributo com inconstitucionalidade ou inexigibilidade já reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal e/ou pelo Superior Tribunal de Justiça é totalmente improcedente, porquanto tal artigo não faz nenhuma restrição neste sentido. Nesse diapasão, cabe citar o seguinte precedente, que se refere a acórdão proferido no julgamento de recurso especial submetido ao rito previsto no artigo 543C do Código de Processo Civil (recursos repetitivos): EMENTA TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. ART. 170A DO CTN. REQUISITO DO TRÂNSITO EM JULGADO. APLICABILIDADE A HIPÓTESES DE INCONSTITUCIONALIDADE DO TRIBUTO RECOLHIDO. 1. Nos termos do art. 170A do CTN, "é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", vedação que se aplica inclusive às hipóteses de reconhecida inconstitucionalidade do tributo indevidamente recolhido. 2. Recurso especial provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. Fl. 12445DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 09/10/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmen te em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13888.721139/201416 Acórdão n.º 2301004.800 S2C3T1 Fl. 12.429 35 VOTO O EXMO. SR. MINISTRO TEORI ALBINO ZAVASCKI (Relator): (...) Ora, essa norma não traz qualquer alusão, nem faz qualquer restrição relacionada com a origem ou com a causa do indébito tributário cujo valor é submetido ao regime de compensação. Nem de seu texto expresso, nem de seu sentido implícito é possível extrair a conclusão a que chegou o acórdão recorrido, de que estaria fora de seu comando normativo a compensação de tributos considerados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Não há, no STJ, qualquer precedente que possa abonar a tese do referido acórdão. Pelo contrário, em precedentes desta Corte que fizeram incidir o art. 170A do CTN, a compensação dizia respeito justamente a tributos declarados inconstitucionais, inclusive em situações semelhantes à aqui discutida (indébito tributário relativo a PIS/COFINS, recolhido nos termos dos DLs 2445/88 e 2449/88). Vejase, a título exemplificativo: AgRg no REsp 1.059.826/SC, 1ª Turma, Min. Benedito Gonçalves, DJe de 03/09/2009; REsp 1.014.994/MS, 2ª Turma, Min. Eliana Calmon, DJe de 19/09/2008; REsp 923.736/SP, 2ª Turma, Min. João Otávio de Noronha, DJ de 08/06/2007. Embora seja certo que a questão aqui colocada não foi objeto de expressa deliberação nos referidos precedentes, também é certo que neles foi adotado entendimento com o qual não se compatibiliza o acórdão recorrido. Afirmase, em suma, que, em se tratando de pretensão à compensação de crédito contra a Fazenda objeto de controvérsia judicial, o requisito trazido pelo art. 170A do CTN (trânsito em julgado da sentença que afirma a existência do crédito em favor do contribuinte) aplicase também a indébitos tributário decorrentes de vício de inconstitucionalidade. (...) (STJ, REsp 1167039/DF, Primeira Seção, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, DJe 02/09/2010) A decisão prolatada pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região no julgamento do Agravo no Mandado de Segurança nº 001075317.2011.4.03.6109 prova que o recorrente, ao inserir em Gfip créditos que sabia não serem passíveis de compensação, possuía o dolo de prestar declaração falsa, reduzindo deliberadamente o valor devido e o subsequente recolhimento de sua obrigação tributária para com a Seguridade Social. Lembro que, de acordo com Pontes de Miranda (Tratado de Direito Privado. Rio de Janeiro; Borsoi, t.2, § 177), dolo é a direção da vontade para contrariar a direito. No suporte fático, estão o ato, positivo ou negativo, a contrariedade a direito, e a direção da vontade que liga aquele a essa: § 177. Conceito de dolo Dolo é a direção da vontade para contrariar a direito. No suporte fático, estão o ato, positivo ou negativo, a contrariedade Fl. 12446DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 09/10/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmen te em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 36 a direito, e a direção da vontade que liga aquele a essa. Não só o agente atua e contraria a direito: quer que o ato contrarie a direito; ou quer contrariar a direito, e atua para isso. Sabe que o ato (ou omissão) contraria a sua promessa, viola o direito, a pretensão, a ação ou exceção do seu credor, e pratica o para contrariar a direito. A lei vedalhe algum ato, ou omissão, e quer violála, praticandoo, ou omitindo. Não é preciso que o agente queira as consequências do ato, ainda que sejam próprias desse. Nem que as preveja. Basta querer o ato contrário a direito Desse modo, entendo que deve ser mantida a exigência de multa isolada de 150% contida no auto de infração de DEBCAD nº 51.060.0727. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Redator designado para a matéria Fl. 12447DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 09/10/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmen te em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 11080.902466/2011-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
RESSARCIMENTO DO SALDO CREDOR DO IPI.
Somente se reconhece o direito ao aproveitamento de créditos básicos de IPI a que se refere o art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, quando tratar-se de aquisições de insumos empregados em produtos industrializados pelo requerente, e desde que estas não tenham sido feitas a empresas optantes do SIMPLES.
OPERAÇÃO DE REMESSA E RETORNO. IPI.
Comprovado através da escrituração regular o Livro de Registro do IPI a entrada e saída das mesmas mercadorias, a título de devolução, não há irregularidade na compensação dos créditos e débitos de IPI dessas operações.
Numero da decisão: 3402-003.704
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reverter todas glosas, mantendo-se apenas a glosa de crédito no valor de R$ 99,00 relativo às aquisições de pessoa jurídica optante do SIMPLES. O Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Jorge Freire, que se declarou impedido.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra e Paulo Roberto Duarte Moreira.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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Somente se reconhece o direito ao aproveitamento de créditos básicos de IPI a que se refere o art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, quando tratarse de aquisições de insumos empregados em produtos industrializados pelo requerente, e desde que estas não tenham sido feitas a empresas optantes do SIMPLES. OPERAÇÃO DE REMESSA E RETORNO. IPI. Comprovado através da escrituração regular o Livro de Registro do IPI a entrada e saída das mesmas mercadorias, a título de devolução, não há irregularidade na compensação dos créditos e débitos de IPI dessas operações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reverter todas glosas, mantendose apenas a glosa de crédito no valor de R$ 99,00 relativo às aquisições de pessoa jurídica optante do SIMPLES. O Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Jorge Freire, que se declarou impedido. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 24 66 /2 01 1- 86 Fl. 289DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra e Paulo Roberto Duarte Moreira. Relatório Por razões de economia, aproveitome do relatório do acórdão lavrado pela DRJ/POA: Tratase de manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório (Eletrônico) DDE de fl. 05, do Delegado da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre, emitido em 01 de abril de 2011, que deferiu parcialmente o ressarcimento de saldo credor de IPI relativo ao 2º trimestre de 2006, pleiteado através do PER/DCOMP nº 17824.73806.180509.1.5.011210 e homologou parcialmente as compensações a ele vinculadas. O montante solicitado corresponde a RS 127.314,52 e foi reconhecido o crédito de R$ 124.849,53. Os motivos para o deferimento parcial foram a ocorrência de glosas de créditos considerados indevidos e a constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. Foi apresentada manifestação de inconformidade parcial, tempestiva, de fls. 2 a 4, acompanhada de documentos, subscrita por representante legal da empresa, na qual o interessado concorda expressamente com a glosa de R$ 778,57, referente às Notas Fiscais nº 45194 e 46606 e contesta as demais glosas, conforme abaixo. R$ 99,00, pelo motivo 7 Empresa Emitente da Nota Fiscal Optante do SIMPLES referente às Notas Fiscais nº 4778 e 4836, emitidas pela empresa inscrita no CNPJ sob nº 02.966.293/000191: alega que pesquisa realizada no site da RFB demonstra que não haveria opção pelo Simples Nacional pela referida empresa; R$ 1.587,42, também pelo motivo 7: tratase de remessa de produtos em garantia e teste, com destaque do IPI na saída do estabelecimento da interessada, bem como no retorno destas dos estabelecimentos de empresas optantes do Simples, anulandose a operação, sem prejuízo fiscal. A impugnação foi julga improcedente em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 RESSARCIMENTO DO SALDO CREDOR DO IPI. Somente se reconhece o direito ao aproveitamento de créditos básicos de IPI a que se refere o art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, quando tratarse de aquisições de insumos Fl. 290DF CARF MF Processo nº 11080.902466/201186 Acórdão n.º 3402003.704 S3C4T2 Fl. 3 3 empregados em produtos industrializados pelo requerente, e desde que estas não tenham sido feitas a empresas optantes do SIMPLES. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, apresentou o Contribuinte Recurso Voluntário, repisando as razões de sua Impugnação. Para melhor instruir o processo, entendeu o Colegiado a quo por converter o julgamento em diligência, nos termos da Resolução nº 3403000.588, na qual solicitouse o seguinte: 1. informar e apresentar os documentos que comprovam em qual período a empresa Advance e Goldtek Ltda encontravase submetida aos efeitos do Simples Nacional, indicando o momento em que tal empresa manifestou por não optar por este regime e esclarecendo a partir de qual momento começa a surtir os efeitos da saída do Simples Nacional, concluindo se na data da emissão das referidas Notas Fiscais o emissor estava sujeito ao IPI, ou ainda permanecia sob os efeitos do Simples Nacional. 2. verificar e confirmar a vinculação apresentada pelo contribuinte na planilha de fl. 191, confirmando a confrontação de mesmo valor de IPI na entrada e saída de mesma mercadoria, bem como conferindo e confirmando se tanto os créditos na entrada como os débitos da saída foram escriturados no Livro de Apuração do IPI. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Alvissareira a diligência fiscal sugerida pelo ilustre Conselheiro Ivan Allegretti, cujo relatório traz subsídios para que o feito seja seguramente decidido. Com efeito, a primeira parte da autuação se refere à vedação prevista no art. 166 do Decreto nº 4.544, de 26/12/2002 (RIPI/2002), cuja base legal é o § 5º do art. 5º, da Lei nº 9.317, de 1996, a seguir transcrito para maior clareza: “Art. 166. As aquisições de produtos de estabelecimentos optantes pelo SIMPLES, de que trata o art. 117, não ensejarão Fl. 291DF CARF MF 4 aos adquirentes direito a fruição de crédito de MP, PI e ME (Lei nº 9.317, de 1996, art. 5º, § 5º).”. A respeito disto, a diligência verificou o seguinte: 1) Em consulta ao sistema CNPJ, verificouse que a empresa Advance e Goldtek Produtos Eletrônicos Ltda foi optante do Simples Federal, instituído pela Lei nº 9.317 de 1996, no período de 01/01/2000 a 30/06/2007. 1.1) Portanto, as notas fiscais nº 4778 de 19/04/2006 e nº 4836 de 28/04/2006 foram emitidas no período que a referenciada empresa era optante do Simples Federal, o que veda a transferência de créditos relativos ao IPI, de acordo com o disposto no art.5º, § 5º, da Lei 9.317 de 1996. 1.2) A pesquisa apresentada pelo contribuinte no recurso voluntário, às fls. 44, referese ao regime do Simples Nacional, estabelecido pela Lei Complementar nº 123 de 2006, com vigência a partir de 01/07/2007. Portanto, correta a glosa do crédito relativo às aquisições de empresa optante do SIMPLES. Quanto à remessa e retorno de produtos, a diligência demonstrou que os valores de entrada e saída, bem como o bem referido são idênticos, deixando claro tratarse efetivamente da operação descrita pelo Recorrente: 2) Em análise às notas fiscais relacionadas na planilha de fls. 191, anexadas às fls.45 a 107, é possível verificar que a descrição dos produtos entrados e saídos é idêntica, com exceção do produto “BOBINA DEFLETORA PHILIPS MV1000\2002” discriminado na nota de saída n.º 43461 de 01/02/2006 (fls. 81), para o qual não foi apresentado documento fiscal atestando o retorno. 2.1) Verificase, ainda, que a quantidade dos produtos saídos e entrados é a mesma nas notas fiscais relacionadas na planilha de fls. 191, com exceção de 1 (uma) unidade do produto “BOBINA DEFLETORA PHILIPS MV1000\2002”, descrito na nota de saída n.º 43461 de 01/02/2006 (fls. 81), posto que não foi comprovado o seu retorno ao estabelecimento do contribuinte. 2.2) Ademais, o montante do IPI destacado nas notas fiscais relacionadas na planilha de fls. 191 perfaz R$ 1.587,44 nas operações de saída e R$ 1.593,12, nas entradas. A diferença, no valor de R$ 5,68, diz respeito ao já mencionado produto “BOBINA DEFLETORA PHILIPS MV1000\2002”, descrito na nota de saída n.º 43461 de 01/02/2006 (fls. 81). Desse modo, resta claro não ter havido qualquer crédito aproveitado indevidamente pelo contribuinte, visto que todo ele foi compensado pelo destaque do IPI nas saídas para devolução dos produtos. Frisese, inclusive, que todos os créditos de entrada e débitos de saída estão escriturados no Livro de Registro do IPI, como verificado pelo relatório de diligência. Assim, deve ser revertida a glosa do crédito no valor de R$ 1.587,42, relativo à remessa de produtos em garantia e teste, com destaque do IPI na saída do estabelecimento da Fl. 292DF CARF MF Processo nº 11080.902466/201186 Acórdão n.º 3402003.704 S3C4T2 Fl. 4 5 interessada, bem como no retorno destas dos estabelecimentos de empresas optantes do Simples, anulandose a operação, sem prejuízo fiscal. Em conclusão, dou provimento parcial ao Recurso Voluntário, mantendose apenas a glosa de crédito no valor de R$ 99,00 relativo às aquisições de pessoa jurídica optante do SIMPLES. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 293DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.908647/2012-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos que não possuam os atributos da liquidez e certeza.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL.
A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-002.269
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2007 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos que não possuam os atributos da liquidez e certeza. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
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DCOMP. Recorrente MAUES LOBATO COMERCIO E REPRESENTACOES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos que não possuam os atributos da liquidez e certeza. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 86 47 /2 01 2- 21 Fl. 69DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908647/201221 Acórdão n.º 3201002.269 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório MAUES LOBATO COMERCIO E REPRESENTACOES LTDA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. A DRF/Recife emitiu o Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade a contribuinte alegou que os créditos em questão seriam "relativos a pagamentos a maior ou indevidos de PIS ou COFINS", originados "da retificação dos DACON da empresa, após a realização de auditoria interna", onde teria sido constatado que diversos créditos, oriundos das contribuições PIS e COFINS não cumulativas, não teriam sido contabilizados. Afirmou que realizou a retificação de suas DACON para, posteriormente, apresentar as respectivas PER/DComp. Assim, sustenta que os créditos oriundos dos alegados indébitos estariam plenamente demonstrados nos DACON retificadores entregues eletronicamente à SRF, o que dispensaria a juntada desta demonstração ao processo, conforme determinaria o Art. 37 da Lei 9.784/99. Ao final, alegou que o erro de não ter retificado tempestivamente suas DCTF´s não implica na inexistência de seus créditos. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 03059.541, cuja ementa segue transcrita, na parte essencial: APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 70DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908647/201221 Acórdão n.º 3201002.269 S3C2T1 Fl. 4 3 Direito Creditório Não Reconhecido Em seu recurso voluntário a contribuinte traz, em resumo, os seguintes argumentos: a) reitera que a origem de seu direito creditório estaria demonstrada no DACON, e que os valores que originaram os pagamentos a maior e retenções já estariam na base de dados da SRF. Neste ponto, aduz que não lhe foi dada oportunidade de conversão do julgamento em diligência, nem teria sido intimada a juntar novas provas, o que teria prejudicado seu direito ao contraditório e à ampla defesa. Por tudo isto, alega, preliminarmente, que teria havido cerceamento de seu direito de defesa, solicitando a anulação da decisão da DRJ; b) reclama que bastaria uma simples comparação dos DACON com os valores recolhidos pela empresa para verificar a procedência do direito pleiteado, alegando que o parágrafo único do Art. 26 do Decreto 7.574/2011 determina que a prova da inveracidade dos fatos registrados caberia à autoridade fiscal. Desta forma, estaria se impondo um ônus injustificado ao contribuinte; c) reclama, ainda, que não teria havido uma recusa fundamentada acerca do pedido de produção de prova posterior, conforme determinaria o Art. 39, par. único, da Lei 9.784/99, que regula o processo administrativo. Portanto, a decisão recorrida deveria ser anulada, conforme determinaria o Art. 53 do mesmo diploma legal. Neste sentido, sustenta que as diretrizes da verdade material devem ser observadas pelos agentes da administração e transcreve ementas de julgados que ilustram seus argumentos; d) solicita, ao final, a anulação da decisão recorrida por violações aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade, informalidade e verdade material. Pede, ainda, que após a anulação da decisão da DRJ seja reconhecido seu direito creditório com a conseqüente homologação das compensações declaradas, ou seja o julgamento convertido em diligência. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.265, de 24/08/2016, proferido no julgamento do processo 10480.908649/201211, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.265): Fl. 71DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908647/201221 Acórdão n.º 3201002.269 S3C2T1 Fl. 5 4 "Observados os pressupostos recursais, a petição de fls. 43 a 52 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/Brasília/4ª Turma, nº 0359.543, de 27 de fevereiro de 2014. O recorrente invoca, preliminarmente, o princípio processual da verdade material. O que deve ficar assente é que o referido princípio destinase à busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. Em outras palavras, o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento ou por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito, onde se objetiva a restituição de um alegado crédito, seja proposto sem a devida e minuciosa demonstração e comprovação da efetiva existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento, se oportunize tais demonstração e comprovação. Com essa introdução, entendo que deve ser afastada a insinuação recursal, implícita no brado pelo princípio da verdade material, de que esta instância de julgamento estaria obrigada a acolher todos e quaisquer documentos que por ventura acompanhem o recurso, primeiro porque existe um evidente limite temporal para a apresentação de provas no rito instituído pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – PAF que no presente caso é o momento processual da apresentação da manifestação de inconformidade, segundo porque o ônus probatório aqui é do contribuinte, quando este pleiteia um ressarcimento ou uma restituição de indébito, tem a obrigação de comprovar inequivocamente o seu alegado direito creditório no momento que contesta o despacho decisório e instaura o contencioso. No caso, a decisão recorrida não acolheu a alegação de erro na apuração da contribuição social, nem a simples retificação do DACON para efeito de alterar valores originalmente declarados, porque o declarante, em sede de manifestação de inconformidade, não se desincumbiu do ônus probatório que lhe cabia e não juntou nos autos seus registros contábeis e fiscais, acompanhados de documentação hábil, para infirmar a motivo que levou a autoridade fiscal competente a não homologar a compensação ou mesmo para eventualmente comprovar a alegada inclusão indevida de valores na base de cálculo das contribuições, que poderiam levar à reduções de valores dos débitos confessados em DCTF. Novamente, agora já em sede de recurso voluntário, o interessado não aportou aos autos qualquer documentação probatória, limitandose a bradar contra alegadas violações à princípios constitucionais e também a afirmar que todas as informações já constariam na base de dados da SRF, Fl. 72DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908647/201221 Acórdão n.º 3201002.269 S3C2T1 Fl. 6 5 que portanto não haveria necessidade da juntada de quaisquer outros documentos e ainda, que caso tais informações se revelassem insuficientes, deveria ter sido solicitada a realização de diligência. Conforme bem apontou a decisão da DRJ, a declaração do contribuinte em DCTF constituise em confissão de dívida, o que confere liquidez e certeza à obrigação tributária. No atual momento processual, para se comprovar a liquidez e certeza do crédito informado na Declaração de Compensação seria imprescindível uma cabal demonstração na escrituração contábilfiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, da alegada diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. As alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, uma vez que a juntada das provas aos autos dever ser praticada no tempo certo, sob pena de preclusão, isto porque o processo é um caminhar para a frente, não se admitindo, em regra, ressuscitar questões já ultrapassadas em fases anteriores. Conforme o § 4º do art. 16 do PAF, só é lícito deduzir novas alegações em supressão de instância quando: relativas a direito superveniente, demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Compete ainda ao julgador administrativo conhecer de ofício de matérias de ordem pública, a exemplo da decadência; ou por expressa autorização legal. Finalmente, o § 5º do mesmo dispositivo legal exige que a juntada dos documentos deve ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior.(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 73DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908647/201221 Acórdão n.º 3201002.269 S3C2T1 Fl. 7 6 (...) Contudo, no caso desses autos, o recorrente sequer se preocupou em trazer oportunamente os documentos que comprovariam suas alegações, ônus que lhe competia, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, segundo o disposto na Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36. Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC). Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A comprovação do valor do tributo efetivamente devido (e, por conseqüência, do direito à restituição de eventual parcela recolhida a maior) no caso concreto deveria ter sido efetuada mediante apresentação oportuna de documentos contábeis e/ou fiscais capazes de efetivamente demonstrar que o valor da contribuição do período de apuração de interesse não teria atingido o valor informado na DCTF vigente quando da emissão do Despacho Decisório aqui analisado, mas apenas o valor informado na DCTF retificadora (que no presente caso sequer efeitos surte quanto à redução deste débito) e no DACON retificador, de caráter meramente informativo. Como o contribuinte sequer procurou juntar aos autos qualquer tipo de documentação na intenção de demonstrar que efetivamente seria titular do alegado direito creditório, eventuais créditos do contribuinte contra a Fazenda Pública ficam sem a devida comprovação de sua certeza e liquidez, atributos indispensáveis para a homologação da compensação pretendida, nos termos do art. 170 do CTN. Restam, portanto, descabidas as demais alegações quanto às supostas violações à ampla defesa, bem como aos demais princípios constitucionais da razoabilidade, proporcionalidade e informalidade. Sobre a jurisprudência trazida à colação pelo recorrente, devese contrapor que se tratam de decisões isoladas, que não se enquadram ao caso em exame e nem vinculam o presente julgamento, podendo cada instância decidir livremente, de acordo com suas convicções. Além disso, tratamse de precedentes que não constituem normas complementares, não têm força normativa, nem efeito vinculante para a administração tributária, pela inexistência de lei nesse sentido, conforme exige o art. 100, II, do CTN. Alertandose para a estrita vinculação das autoridades administrativas ao texto da lei, no desempenho de suas atribuições, sob pena de responsabilidade, motivo pelo qual tais decisões não podem ser aplicadas fora do âmbito dos processos em que foram proferidas. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908647/201221 Acórdão n.º 3201002.269 S3C2T1 Fl. 8 7 Com essas considerações, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. Winderley Morais Pereira Fl. 75DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Numero do processo: 16561.720041/2014-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1302-000.442
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, para sobrestar o julgamento deste até o julgamento final dos PAs. 16561.000125/2007-07 e 19515.722489/2012-44, nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
ROGÉRIO APARECIDO GIL - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Marcelo Calheiros Soriano, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, para sobrestar o julgamento deste até o julgamento final dos PAs. 16561.000125/2007-07 e 19515.722489/2012-44, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente. (documento assinado digitalmente) ROGÉRIO APARECIDO GIL - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Marcelo Calheiros Soriano, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 25; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1736; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16561.720041/201412 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1302000.442 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 13 de setembro de 2016 Assunto IRPJ. Compensação Recorrente ABRIL COMUNICAÇÕES S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, para sobrestar o julgamento deste até o julgamento final dos PAs. 16561.000125/200707 e 19515.722489/201244, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Presidente. (documento assinado digitalmente) ROGÉRIO APARECIDO GIL Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Marcelo Calheiros Soriano, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório O Procedimento Fiscal iniciado em 19/12/2013 constatou inconsistências no sistema SAPLI (Sistema de Acompanhamento de Prejuízos Fiscais e Base de Cálculo Negativa da CSLL) – Ano Calendário 2010, com suposta compensação indevida de prejuízos fiscais de IRPJ e CSLL, respectivamente, nos valores de R$15.064.458,59 e R$74.494.459,31, relativas à empresa incorporada “Editora Abril S/A”, CNPJ: 02.183.757/000193. O Auto de Infração (MPF n. 0818500.2013.00337), às fls. 420/428, verificou que o sujeito passivo compensou prejuízos operacionais em montante superior ao saldo desse RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 65 61 .7 20 04 1/ 20 14 -1 2 Fl. 1187DF CARF MF Processo nº 16561.720041/201412 Resolução nº 1302000.442 S1C3T2 Fl. 3 2 prejuízo, com fatos geradores ocorridos entre 01/01/2010 e 31/12/2010, apurado valor de R$15.064.458,59 e multa de 75%. Em 24/05/2014, a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 439/482), expondo razões que em síntese tratavamse, preliminarmente, da economia processual para julgamento em conjunto com o Processo Administrativo nº 1656.720042/2014 59, oriundo do mesmo procedimento fiscalizatório, em razão de a presente autuação se referir a mesmos fatos e mesmo período em um único processo. Sustentou a necessidade de suspensão da exigibilidade do lançamento que originou o presente (processos administrativos nº 16561.000125/200707 e nº 19515.722489/201244) ante a ausência de decisão definitiva quanto aos “ajustes” de prejuízo fiscal e bases de cálculo negativa; e questionou a decadência no sentido de que não poderia a fiscalização ter procedido à glosa dos valores de prejuízo fiscal contabilizados pela impugnante no ano de 2003, indevidamente apontados pelo relatório fiscal como tendo ocorrido em 2004, sem procedimento administrativo de lançamento e após o decurso do prazo decadencial de cinco anos. Pontuou a ausência de motivação que deu causa ao cerceamento do direito de defesa, e o erro de motivação ante a inexistência de adição de base negativa no LALUR no anocalendário 2004. No mérito, a Manifestação de Inconformidade alegou erro de motivação sob informação equivocada utilizada como fundamento do lançamento no processo administrativo nº 19515.001392/200494, com relação a decisão final favorável à Impugnante e do ajuste de ofício no ano calendário 1999, reforçou a ausência de decisão final definitiva no processo administrativo nº 16562.000125/200707, o que impossibilitaria alteração de ofício do prejuízo fiscal/base negativa lançados no período, além de erro no montante apresentado. Pugnou pelo cancelamento do Auto de Infração neste ultimo processo administrativo mencionado por trata se de tema já decidido pelo STF. Relata a recomposição de base negativa acumulada no ano calendário 2003 e a adesão ao PAES. Questionou a multa, os juros e sua aplicabilidade sobre a multa de ofício. E, ao final, requereu imediato cancelamento do auto de infração ora combatido e o afastamento definitivo do crédito tributário constituído e das penalidades cominadas. Não obstante as alegações da recorrente, o Acórdão nº 0953.832, lavrado pela 2ª Turma da DRJ em Juiz de Fora, de 20 de agosto de 2014, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação mantendo o crédito tributário exigido, no seguinte sentido: DA TEMPESTIVIDADE DA PRESENTE IMPUGNAÇÃO A impugnação é tempestiva, estando reunidos todos os demais requisitos para a sua admissibilidade, devendo ser conhecida. DA ECONOMIA PROCESSUAL – JULGAMENTO EM CONJUNTO A hipótese não se enquadra na determinação contida no artigo 1º, inciso I, “a”, da Portaria RFB nº 666/08, visto que a exigência de CSLL ora contestada não é decorrente do IRPJ exigido naqueles autos. Sendo distintas as matérias tributáveis, devem ser julgados em conjunto os processos em comento, porém, em autos independentes. DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO LANÇAMENTO QUE ORIGINOU O PRESENTE (PROCESSOS ADMINISTRATIVOS NºS 19515.722.489/201244 E Nº 19515.722490/201279) – AUSÊNCIA DE DECISÃO DEFINITIVA QUANTO AOS “AJUSTES” DE PREJUÍZO FISCAL E BASES DE CÁLCULO NEGATIVA. Fl. 1188DF CARF MF Processo nº 16561.720041/201412 Resolução nº 1302000.442 S1C3T2 Fl. 4 3 O lançamento aqui em análise não é decorrente daquele realizado em 2012, através do processo administrativo nº 19515.722490/201279. A contribuinte utilizou base de cálculo negativa acumulada para compensar a CSLL devida de períodos posteriores, mesmo depois de alterações realizadas de ofício, ou seja: sabedora da inexistência de saldo suficiente, em função das alterações procedidas pelo Fisco, a contribuinte persistiu em utilizar a base negativa antes de alterada, sem proceder os ajustes no LALUR e realizando ainda acréscimos sem qualquer lastro em suas declarações. A utilização pela contribuinte de forma forçada e equivocada de base negativa levou ao lançamento em 2012. Em 2014, a contribuinte foi lançada por continuar a utilizar base negativa que não mais existia. A utilização indevida de base negativa em períodos de apuração distintos não gera lançamentos decorrentes. Fica configurada, de forma cristalina, que não há decorrência nos lançamentos em questão, quando se verifica que o cancelamento parcial do lançamento efetivado em 2012, ainda em primeira instância administrativa, não alterou o lançamento em análise no presente processo. A impugnação apresentada referente a determinado processo administrativo suspende a exigibilidade do crédito tributário em discussão naquele processo. Por falta de previsão legal, a discussão em processo administrativo referente a determinado período de apuração não gera suspensão da exigibilidade de crédito tributário discutido em processo administrativo distinto que trata de outro período de apuração, mostrandose escorreita a aplicação tanto da multa de ofício como dos juros de mora sobre contribuição apurada. Se houver posterior alteração da base de negativa, em função do recurso apresentado ao CARF no processo administrativo nº 19515.722490/201279, e esta influenciar o crédito tributário aqui em discussão, a contribuinte será exonerada, se for o caso, no todo ou em parte da contribuição assim como dos juros e da multa correspondentes. DA DECADÊNCIA – INDEVIDO AJUSTE DE PREJUÍZOS/BASES NEGATIVAS NOS ANOS DE 2001 A 2004. A impugnante sustenta a tese de que a Fiscalização não poderia ter buscado fatos já atingidos pela decadência para neles basear o lançamento tributário. E isso teria acontecido por ter a Fiscalização alterado valores de bases negativas de CSLL remanescentes de 2001 a 2004. Como o lançamento tributário foi efetuado em 29/04/2014, este só poderia ter alcançado os fatos ocorridos até 5 anos antes, ou seja, a partir de 29/04/2009, por força do que dispõe o artigo 150, parágrafo 4º do CTN. À contribuinte incumbe a prova das bases negativas utilizadas em compensação nos períodos fiscalizados, e a autoridade tem o direito de deles discordar enquanto não transcorrido o prazo previsto na legislação para exigência do crédito tributário correspondente, cinco anos do fato gerador que contempla sua utilização. A contagem do prazo decadencial referente à utilização de base negativa de CSLL não é influenciada pelas alterações produzidas de ofício controladas no SAPLI, pelo pagamento de crédito tributário onde houve aproveitamento de base negativa então existente ou por ajustes feitos no LALUR que não foram questionados no prazo de cinco anos. Repisese que a contagem do prazo decadencial referente à utilização de base negativa da CSLL tem início com a ocorrência do fato gerador que contempla sua utilização. Fl. 1189DF CARF MF Processo nº 16561.720041/201412 Resolução nº 1302000.442 S1C3T2 Fl. 5 4 Assim, o prazo decadencial para verificação da base negativa utilizada na apuração da CSLL do anocalendário 2010, iniciase em 31/12/2010 e se encerra em 31/12/2015. A Súmula CARF nº 10, abaixo transcrita, trata de situação análoga, definindo a contagem do prazo decadencial para o lucro inflacionário diferido somente a partir de sua realização. No mesmo sentido, o prejuízo fiscal acumulado de períodos anteriores só tem a contagem do prazo decadencial iniciada quando de sua efetiva utilização. Só para esclarecer, a necessidade de lançamento de ofício para redução de prejuízo fiscal (art. 9º do Decreto 70.235/72) tinha por mote tãosomente permitir o controle das alterações produzidas pelo Fisco em sistema próprio (SAPLI), evitando a necessidade de a Fiscalização examinar toda a escrituração e documentação da contribuinte sempre que utilizado prejuízo fiscal ou base negativa. A Lei 11.941/09 não alterou esse entendimento. Estabeleceu apenas, de forma genérica, a formalização de auto de infração sem exigência de crédito tributário, quando constatada infração à legislação tributária, da qual não resulte exigência de crédito tributário, ou seja: deu maior amplitude ao dispositivo anterior. Portanto, não assiste razão à contribuinte, no tocante ao prazo decadencial. DA AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO – CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA – NULIDADE – AJUSTE DE OFÍCIO RELATIVO AO ANO CALENDÁRIO 2002. Essa matéria já foi amplamente discutida no processo administrativo nº 19525.722490/201279, não cabendo novamente sua análise no presente processo. Formalizado processo administrativo, referente a auto de infração motivado pela inexistência da base negativa de períodos anteriores utilizada pela contribuinte, não cabe apreciação de matéria já impugnada em processo referente a lançamento de período anterior trazida novamente à baila pela defesa. Consta daquele processo, no item da Fundamentação AJUSTE DA BASE NEGATIVA DO ANOCALENDÁRIO 2002 que “Com efeito, a diferença encontrada no confronto da base negativa apurada na DIPJ 2003 e a base negativa mantida pela DRJ nos autos do 16561.000125/200707 é de R$ 36.159.944,61”. Assim, não haveria porque constar informação no lançamento em questão da diferença abordada. ERRO DE MOTIVAÇÃO – NULIDADE – INEXISTÊNCIA DE ADIÇÃO DE BASE NEGATIVA NO LALUR NO ANOCALENDÁRIO 2004. Essa matéria já foi amplamente discutida no processo administrativo nº 19515.722490/201279, no tópico da Fundamentação RECOMPOSIÇÃO DE BASES NEGATIVAS NO LALUR, de onde extraímos os excertos a seguir, não cabendo novamente sua análise no presente processo. DO MÉRITO ERRO DE MOTIVAÇÃO – INFORMAÇÃO EQUIVOCADA UTILIZADA COMO FUNDAMENTO DO LANÇAMENTO – PROCESSO ADMINISTRATIVO Nº 19515.001392/200494 – AJUSTE DE OFÍCIO NO ANO CALENDÁRIO 1999 – DECISÃO FINAL FAVORÁVEL À IMPUGNANTE. Ocorre que, ainda na fundamentação do referido acórdão, no tópico “CONCLUSÃO”, está demonstrado que, acolhida a pretensão correspondente aos ajustes determinados no processo fiscal 19515.001392/200494, os quais restaram integralmente afastados por conta de decisão proferida pelo Conselho de Contribuintes (Ac. 10196.155), e revista a matéria tributável apurada no lançamento, foi mantida CSLL à alíquota 9% no Fl. 1190DF CARF MF Processo nº 16561.720041/201412 Resolução nº 1302000.442 S1C3T2 Fl. 6 5 montante de R$ 602.282,57 sobre o qual incidem juros de mora e multa de ofício, ou seja: toda a base negativa de períodos anteriores foi absorvida na apuração da CSLL do anocalendário 2009, restando ainda contribuição devida. Assim, o lançamento aqui em discussão, que versa sobre aproveitamento indevido de base negativa no anocalendário 2010, permanece incólume com a alteração acima detalhada, uma vez que continuou sem existir base negativa disponível para aproveitamento no anocalendário 2010. Esse fato é importante inclusive para caracterizar que os lançamentos realizados em 2012, referentes ao anocalendário 2009, e em 2014, relativos ao anocalendário 2010, não são reflexos ou decorrentes, como argumentado pela defesa. ANOCALENDÁRIO 2002 – PROCESSO ADMINISTRATIVO Nº 16561.000125/200707 – AUSÊNCIA DE DECISÃO FINAL DEFINITIVA – IMPOSSIBILIDADE DE ALTERAÇÃO DE OFÍCIO DO PREJUÍZO FISCAL/BASE NEGATIVA LANÇADOS NO PERÍODO, ALÉM DE ERRO NO MONTANTE APRESENTADO. Apurada infração caracterizada por omissão de receita em fiscalização relativa ao IRPJ, por reflexo, caberá o lançamento referente à CSLL, ao PIS e a Cofins, porque o fato gerador desses tributos fica automaticamente alterado pelo faturamento (omissão de receita). A mesma infração apurada no IRPJ pode gerar autuação no IPI, desde que caracterizada a saída do produto do estabelecimento (fato gerador do IPI). Esse motivo (fato gerador distinto) é suficiente para que a autuação do IPI não seja reflexiva daquela do IRPJ, existindo somente conexão entre elas. No caso especificado pela defendente, temse autuações realizadas em ações fiscais distintas, uma realizada em 2007 e outra em 2014, correspondentes a infrações díspares, formalizadas corretamente em processos separados, até pelo tempo transcorrido entre essas ações, portanto não podem ser consideradas reflexas nos termos da Portaria RFB 666/2008. Quanto ao pleito de sobrestamento não é possível de ser atendido por absoluta falta de previsão legal. O Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal PAF, não autoriza a pretendida suspensão do trâmite processual. A impugnação apresentada referente a determinado processo administrativo suspende a exigibilidade do crédito tributário em discussão naquele processo. Por falta de previsão legal, a discussão em processo administrativo referente a determinado período de apuração não gera suspensão da exigibilidade de crédito tributário discutido em processo administrativo distinto que trata de outro período de apuração e motivado por outra infração, mostrandose escorreita a aplicação tanto da multa de ofício como dos juros de mora sobre contribuição apurada. Se houver posterior alteração da base de negativa, em função da decisão final do processo administrativo nº 16561.000125/200707, e esta influenciar o crédito tributário aqui em discussão, a contribuinte será exonerada, se for o caso, no todo ou em parte da contribuição assim como dos juros e da multa correspondentes. ANOCALENDÁRIO 2002 – DO NECESSÁRIO CANCELAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO CONSUBSTANCIADO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO Nº 16561.000125/200707 – TEMA JÁ DECIDIDO PELO STF. Fl. 1191DF CARF MF Processo nº 16561.720041/201412 Resolução nº 1302000.442 S1C3T2 Fl. 7 6 O cancelamento do auto de infração consubstanciado no processo administrativo nº 16561.000125/200707 só pode ser abordado em impugnação ou recurso atinente àquele processo ou ainda, se for o caso, reconhecido de ofício pela autoridade julgadora que o analisa. RECOMPOSIÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL ACUMULADO – ANOCALENDÁRIO 2003 (INDEVIDAMENTE APONTADO EM RELAÇÃO AO ANO DE 2004) – ADESÃO AO PAES. Essa matéria já foi amplamente discutida no processo administrativo nº 19515.722490/201279, não cabendo novamente sua análise no presente processo. Resta claro que a matéria foi (DRJ) e ainda está (CARF) sendo discutida no processo administrativo nº 19515.722490/201279, portanto se a motivação foi feita pela DRJ, cabe ao CARF examinar e se pronunciar sobre o tema. Assim, julgado em primeira instância o processo administrativo nº 19515.722490/201279, foi considerado procedente em parte o lançamento nele existente, sem que produzisse alteração no lançamento constante deste processo. Isso porque, as alterações produzidas naquele não afetaram a base de cálculo deste, ou seja: como registrado no Termo de Verificação Fiscal, item 2.1 acima reproduzido, para o AC 2010, não haveria mais nada a ser compensado, e, após julgamento em 1ª instância administrativa daquele processo, continuou não havendo saldo de base negativa a compensar. Desse modo, a motivação para o presente lançamento está correta, não cabendo se reportar à matéria que tem que ser discutida em outro processo. Quanto à decadência, a abordagem realizada no item II.4 deste voto é suficiente para esclarecer a matéria, bastando reforçar que a contagem do prazo decadencial referente à utilização de base negativa da CSLL tem início com a ocorrência do fato gerador que contempla sua utilização. Assim, o prazo decadencial para verificação da base negativa utilizada na apuração da CSLL do anocalendário 2010, iniciase em 31/12/2010 e se encerra em 31/12/2015. DA MULTA Quanto à exclusão da supracitada multa sobre a parcela decorrente do processo fiscal 19515.722490/201279, pleiteada pela impugnante com base no artigo 63 da Lei nº 9.430/96 (que, com a redação dada pela MP nº 2.15835/2001, dispõe que “Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício”), há que se destacar a impossibilidade de se atender à impugnante. Isso porque o artigo 63 da Lei nº 9.430/96 não prevê a exclusão da multa para o caso em tela (mas apenas para os casos em que tenha havido a concessão de “medida liminar em mandado de segurança” ou de “medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial” incisos IV e V do artigo 151 do CTN) e, nos termos do artigo 111, inciso I, do CTN, “Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: suspensão ou exclusão do crédito tributário”. DOS JUROS E SUA INAPLICABILIDADE SOBRE A MULTA DE OFÍCIO, CASO VENHA A SER MANTIDO O LANÇAMENTO. Fl. 1192DF CARF MF Processo nº 16561.720041/201412 Resolução nº 1302000.442 S1C3T2 Fl. 8 7 Com relação à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, embora não esteja consignada no lançamento, há previsão legal para sua cobrança. Isso porque a penalidade pecuniária compõe o crédito tributário. PROTESTO POR PRODUÇÃO DE PROVAS Há que se registrar, no que tange à produção de prova documental, que esta deve ser realizada na fase de impugnação. Com efeito, a aceitação posterior de documentos só pode ocorrer se verificada uma das hipóteses previstas no art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/1972, o que, até o presente momento, não ocorreu ou, ao menos, não restou comprovado no caso em exame. Registrese que não encontra embasamento legal, na esfera administrativa, a produção de prova testemunhal, pelo que fica aqui negado o seu pedido. O Contribuinte tomou conhecimento do teor do julgamento, na data 14/10/2014 15:03h, pela abertura dos arquivos correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC) através da opção Consulta Comunicados/Intimações (fls. 1046). Já às fls. 1047, o Termo de Ciência por decurso de prazo deuse em 28/10/2014. Desta forma, em 13.11.2014, a contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 1049/1093), cujas razões sinteticamente são: II. PRELIMINARMENTE II.1 DA TEMPESTIVIDADE DO PRESENTE RECURSO VOLUNTÁRIO Tendo em vista que a Recorrente foi notificada da lavratura do Auto de Infração em 14/10/2014, o início do prazo para apresentação do Recurso Voluntário se deu em 15/10/2014, de acordo com o que dispõe o artigo 66 da Lei nº 9.784/99 e o art. 5º do Decreto nº 70.235/72. Assim sendo, o prazo de 30 dias, por findar no final de semana, implica no prazo fatal para apresentação do presente Recurso Voluntário no dia 13/11/2014, sendo, pois, tempestivo o presente recurso. II.2 – DA DECADÊNCIA – INDEVIDO AJUSTE DE PREJUÍZO ACUMULADO NOS ANOS DE 2001 A 2004 – QUADRO FISCAL DE CONCILIAÇÃO LALUR X SAPLI – PA 19515.003041/200507 – E INDEVIDO AJUSTE DE PREJUÍZO FISCAL NO ANOCALENDÁRIO DE 2003, NO VALOR DE R417.616.992,47. Verificase, inicialmente, que a autoridade fiscal remete ao quadro elaborado pela fiscalização do anocalendário de 2009, limitandose a adicionar que o processo nº 19525.003041/200507 encontrase arquivado, com decisão da DRJ que manteve a alteração das bases negativas de 2001, 2003 e 2004. De acordo com o entendimento da autoridade fiscal, nos anos de 2001 a 2004, os valores de das bases negativas acumuladas da Recorrente deveriam ter sido ajustados em decorrência da utilização de parte das bases negativas acumuladas então existente para redução da base de cálculo da CSLL devida, promovida nos autos do Processo Administrativo n° 19515.003041/200507. Da análise do Auto de Infração de CSLL que é objeto do Processo Administrativo n° 19515.003041/200507 (vide Doe. 09 da Impugnação) constatase que no lançamento relativo aos anos de 2001 a 2004, a autoridade fiscal reduziu o Lucro Real tributável, no lançamento com valores de bases negativas acumuladas que a Recorrente possuía naqueles períodos. Ao optar por pagar o auto de infração e não discutir o lançamento efetuado no ano de 2005, referente a parte das bases negativas acumuladas até 2004, temse a decadência, contada a partir do ano de 2005, do direito da autoridade fiscal de questionar a Fl. 1193DF CARF MF Processo nº 16561.720041/201412 Resolução nº 1302000.442 S1C3T2 Fl. 9 8 adequação ou não dos ajustes feitos pela Recorrente em seu LALUR e no saldo acumulado remanescente declarado. Isto porque, conforme se depreende da análise dos documentos do Processo Administrativo nº 19515.003041/200507, a ciência do lançamento foi dada em 01.11.2005, e a concordância e pagamento do crédito tributário ocorreu em 30.11.2005 (dentro do prazo então concedido pela autoridade fiscal para pagamento do auto de infração, com as reduções cabíveis). Desta data (30.11.2005) o Fisco teria, portanto, cinco anos para fazer a verificação dos controles da Recorrente – em especial seu LALUR – para constatar se os saldos de bases negativas estavam adequadamente ajustados/contabilizados, e/ou realizar quaisquer questionamentos ou alterações de ofício que entendesse devidas. Assim, a autoridade fiscal somente poderia questionar a realização ou não dos ajustes, e/ou quaisquer outros procedimentos em relação ao lançamento em questão, até 30.11.2010, sob pena de decair em seu direito de fazêlo. Este é o prazo que a legislação tributária confere à Fazenda para promover as verificações relativas ao adequado lançamento do crédito tributário, mormente porque, em existindo parcial pagamento, de se contar o prazo em referência de acordo com o artigo 150, parágrafo 4º do Código Tributário Nacional. Mesmo que não reconhecida a decadência relativa ao ajuste da correção de ofício efetuada no SAPLI, por meio do Processo Administrativo nº 19515.003041/200507, é de rigor que se reconheça ao menos a decadência para a glosa das bases negativas no realizado no anocalendário de 2003, porquanto as bases negativas apresentadas no LALUR não foi alterado de ofício no SAPLI, tampouco foi efetivada qualquer lançamento sendo ausente controle de processo administrativo, conforme se depreende do próprio quadro de conciliação LALUR x SAPLI, apresentado pela d. fiscalização no auto de infração. Fato é que a recomposição das bases negativas ocorreu no anocalendário de 2003 e desde então nunca foi contestada, senão apenas por meio dos lançamentos ocorridos em 2012 e 2013, relativos aos anoscalendário de 2009 e 2010. II.3 – AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO – CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA – NULIDADE – AJUSTE DE OFÍCIO RELATIVO AO ANO CALENDÁRIO 2002. Sobre este ponto, o acórdão limitase a mencionar que a matéria já foi discutida no processo administrativo n° 19515.722490/201279, "não cabendo novamente sua análise no presente processo". Ao se negar a apreciar a alegação da Recorrente, torna ainda mais patente o cerceamento de direito de defesa, especialmente porque a própria DRJ entendeu que não há decorrência entre os lançamentos. Ora, se assim é, deveria o acórdão recorrido ter analisado as alegações, especialmente porque, conforme seu próprio entendimento, não se trata de processos decorrentes. Neste passo, reiterase que o ajuste relativo ao anocalendário de 2002 não possui motivação clara no lançamento, o que culmina em sua nulidade. Vejamos. Em relação ao anocalendário de 2002, consta no Termo de Verificação Fiscal, e em especial no quadro demonstrativo nele apresentado (supra transcrito) e na planilha que acompanha o lançamento que o valor questionado se fundamenta em: "Base negativa declarada, alterada de ofício pela DR] Processo 16561.000125/200707". Fl. 1194DF CARF MF Processo nº 16561.720041/201412 Resolução nº 1302000.442 S1C3T2 Fl. 10 9 Ocorre que, na decisão proferida pela DRJ no referido processo administrativo, o valor de base negativa que foi objeto de "glosa/não reconhecimento" é de R$ 31.660.515,43 (vide Doe. 11 da Impugnação), enquanto o valor da glosa/ não reconhecimento das bases negativas, nestes autos, é de R$ 36.159.944,61. Da leitura do Termo de Verificação Fiscal e da análise do quadro demonstrativo, que traz os fundamentos das glosas/não reconhecimento das bases negativas, bem como da planilha de Conciliação das informações (LALUR x SAPLI), constatase que não há registro ou informação a respeito da diferença dos valores. Portanto, não resta dúvida, da análise dos autos, que neste ponto tanto o lançamento quanto o acórdão recorrido carecem de motivação. Verificase que nos autos do processo administrativo n° 19515.722490/201279, a DRJ reconheceu o erro do agente fiscal, porém entendeu que "esse equívoco, contudo, não configura erro na motivação hábil a prejudicar o exercício da defesa da autuada.". Tal fato não foi nem ao menos avaliado pelo acórdão recorrido nos presentes autos. Por isso, a Recorrente reitera que qualquer erro de motivação prejudica não apenas a defesa do contribuinte, mas ofende princípios do processo administrativo e, em especial, ofende a legislação vigente que exige motivação explícita, clara e congruente, sendo sua observância obrigatória por todos os agentes fiscais, em todos os lançamentos que realizarem! II.4 – ERRO DE MOTIVAÇÃO – NULIDADE – INEXISTÊNCIA DE ADIÇÃO DE BASES NEGATIVAS NO ANOCALENDÁRIO 2004. Outra irregularidade cometida pelo agente fiscal na elaboração do lançamento sob análise também se refere a erro na motivação, em relação ao valor adicionado no quadro de conciliação LALUR x SAPLI, no anocalendário de 2004. De acordo com o quadro demonstrativo constante do Termo de Verificação Fiscal e na planilha de Conciliação anexa ao auto de infração, o agente fiscal questiona a recomposição de base de cálculo efetuada pela Recorrente, sob o seguinte argumento: "Adição unilateral consta nota que seria recomposição base negativa.". Nada mais consta no Termo de Verificação Fiscal a respeito deste valor, nem qualquer outro esclarecimento quanto à razão do lançamento, tampouco qualquer questionamento objetivo quanto ao valor em questão. Portanto, além de rasa a motivação do lançamento, a mesma está equivocada. E, conforme esclarecido no item acima, a legislação estabelece de modo cristalino que a motivação do lançamento deve ser explícita, clara e congruente de modo a permitir não só o adequado entendimento das razões que levaram a autoridade fiscal a autuar o contribuinte, como também não dificultar sua defesa. Vejase, ainda, a DRJ no processo administrativo nº 19515.722490/201279 reconheceu o erro do agente fiscal, porém entendeu que este erro “em nada prejudicou a defesa da impugnante (...) mostrandose descabida qualquer alegação de nulidade fundada no lapso apontado pela defesa.” Ora, a própria decisão constata o erro na motivação e, só por isso, no entender da Recorrente, já deveria aplicar o princípio da estrita legalidade e cancelar o lançamento. E o mesmo caminho deveria ser seguido pelo acórdão recorrido no presente processo, o qual nem mesmo pretendeu afastar as alegações da Recorrente. Fl. 1195DF CARF MF Processo nº 16561.720041/201412 Resolução nº 1302000.442 S1C3T2 Fl. 11 10 DESTA FEITA, DE SE RECONHECER A NULIDADE DO LANÇAMENTO TAMBÉM EM RELAÇÃO A ESTE PONTO, SEJA PORQUE A MOTIVAÇÃO EM TELA É SUPERFICIAL, INSUFICIENTE E EQUIVOCADA, O QUE IMPLICA EM EVIDENTE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA DA RECORRENTE, E EM OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA MOTIVAÇÃO E DA ESTRITA LEGALIDADE, SEJA PORQUE NÃO EXISTE QUALQUER ADIÇÃO NO ANO CALENDÁRIO DE 2004, MUITO MENOS NO VALOR APRESENTADO. A DRJ, no processo administrativo n° 19515.722490/201279, confirma que tais valores se tratam da adição efetuada em 2003, mas afirma que a autoridade fiscal errou na indicação do período da recomposição das bases negativas porque a Recorrente teria induzido a fiscalização a erro, na medida em que anotou em seu LALUR que tal recomposição se referia a recomposição de bases negativas do ano de 1994. ORA, O ERRO DA AUTORIDADE FISCAL NÃO SE JUSTIFICA. A INDICAÇÃO EFETUADA PELA RECORRENTE EM SEU LALUR, EXATAMENTE NO ANO ADICIONADO, CORRESPONDE À NECESSÁRIA JUSTIFICATIVA DA RECOMPOSIÇÃO. CASO NÃO A TIVESSE INDICADO, A AUTORIDADE CERTAMENTE QUESTIONARIA A FALTA DE INDICAÇÃO DA ORIGEM DA RECOMPOSIÇÃO. NÃO PODE O FISCO, OU A DRJ, JUSTIFICAR SEU ERRO EM PROCEDIMENTO CORRETO ADOTADO PELA RECORRENTE! Incabível a alegação de que o Fisco não teria de apresentar qualquer motivação para o não reconhecimento das bases negativas, conforme apontou a DRJ no lançamento do anocalendário de 2009, reproduzido no acórdão recorrido. Portanto, seja por ofensa aos princípios da motivação e da estrita legalidade, seja por ofensa ao direito de ampla defesa da Recorrente, claro está que o lançamento deve ser cancelado nesta parte, pois não respeitou as disposições contidas na Lei nº 9.784/99 na Constituição Federal e no Decreto nº 70.235/72. Isto é claro, se por absurdo não acolhida a insubsistência da glosa por ausência de lançamento prévio e específico, relativo a tal montante e período, como determinado na legislação de regência e exaustivamente tratado no item II.2 deste Recurso. III – DO MÉRITO III.1 – ERRO DE MOTIVAÇÃO – INFORMAÇÃO EQUIVOCADA UTILIZADA COMO FUNDAMENTO DO LANÇAMENTO – PROCESSO ADMINISTRATIVO Nº 19515.001392/200494 – AJUSTE DE OFÍCIO NO ANOCALENDÁRIO 1999 – DECISÃO FINAL FAVORÁVEL À RECORRENTE Da leitura do Termo de Verificação Fiscal constatase que a glosa (ou não admissão) de bases negativas declaradas pela Recorrente em seu LALUR, relativamente ao ano de 1999 (o ajuste positivo de ofício efetuado no ano de 2000 é apenas o reflexo do saldo "carregado" de 1999), foi fundamentada pelo agente fiscal no fato de que a Recorrente teria obtido decisão desfavorável nos autos do Processo Administrativo n° 19515.001392/200494. No entanto, esta informação não procede, pois nos autos do referido processo a decisão final e definitiva foi favorável à Recorrente. Esse elemento foi reconhecido nos autos do lançamento do anocalendário de 2009. Mesmo após constatado o equívoco pela DRJ, os equívocos se repetiram no presente lançamento. Reiterase, assim, que a motivação do lançamento encontrase viciada. O acórdão recorrido nos presentes autos reconheceu mais uma vez que houve equívoco da fiscalização neste ponto, mencionando o trecho em que a DRJ afirma o erro fiscal nos autos do processo administrativo n° 19515.722490/201279. Fl. 1196DF CARF MF Processo nº 16561.720041/201412 Resolução nº 1302000.442 S1C3T2 Fl. 12 11 No entanto, afirma que a correção e a recomposição já teria sido absorvido na apuração da CSLL do anocalendário de 2009 e, portanto, não impactaria na CSLL relativa ao anocalendário de 2010. Ocorre que, como ainda não há decisão definitiva no tocante às demais alegações e, portanto, no tocante a outras recomposições de bases negativas, não há que se falar que o equívoco fiscal não tem efeitos nos presentes autos! Ao contrário do que afirmar o acórdão recorrido, tratase de mais um elemento que demonstra que os lançamentos estão intrinsecamente relacionados, não podendo se concluir pela inexistência de impacto até que se decida definitivamente sobre os demais ajustes efetuados. Como reconhecidamente a decisão no âmbito do Processo Administrativo n° 19515.001392/200494 foi favorável a ora Recorrente, ao contrário do que consta no TVF, logo, o fundamento indicado pela autoridade fiscal para promover a glosa lançado pela Recorrente em seu LALUR no ano de 1999, bem como para inadmitir a compensação realizada em 2000, não procede. Afinal, embora em decisão proferida pela DRJ a Recorrente tenha sido vencida, a decisão final nos autos do Processo Administrativo n° 19515.001392/200494, inclusive proferida antes do lançamento ora impugnado, reconheceu que aquele lançamento não procedia, determinando seu cancelamento integral, decisão esta que transitou em julgado não havendo, assim, nenhum ajuste de ofício que pudesse ser realizado pela autoridade tributária. Portanto, o procedimento adotado pelo agente fiscal nos autos sob análise (repetindo equívoco do lançamento do anocalendário de 2009), relativamente à glosa das bases negativas declarados pela Recorrente em seu LALUR, no ano de 1999, no valor de R$ 32.224.591,95, bem como a inadmissão da compensação efetuada em 2000, não possui fundamento válido. Os efeitos desse equívoco no presente lançamento apenas podem ser averiguados depois de findo o julgamento nos autos do lançamento de 2009, caso contrário, não há como se concluir pela inexistência de efeitos no anocalendário de 2010, como pretende o acórdão recorrido. III.2 – ANOCALENDÁRIO 2002 – PROCESSO ADMINISTRATIVO Nº 16561.000125/20077 – AUSÊNCIA DE DECISÃO FINAL DEFINITIVA – IMPOSSIBILIDADE DE ALTERAÇÃO DE OFÍCIO DAS BASES NEGATIVAS LANÇADO NO PERÍODO, ALÉM DE ERRO NO MONTANTE APRESENTADO. Em relação ao anocalendário de 2002, além da ausência de motivação de parte do valor ajustado de ofício pela fiscalização (acima tratado), e glosado pela autoridade fazendária, está em discussão o valor de R$ 31.660.515,43, tratado no Processo Administrativo n° 16561.000125/200707 e não o valor de R$ 36.549.944,61, equivocadamente indicado pela fiscalização. Sobre este aspecto, o acórdão recorrido entendeu que como se trata de glosa originária do processo administrativo n° 19515.722490/201279, então deve ser naquele processo discutido. Ora, se assim é, deverseia, portanto, aguardar decisão definitiva daquele processo, para fins de apuração do crédito tributário no presente processo. Do contrário, não é possível a manutenção da glosa e do lançamento com base em apuração que não é definitiva! Se o acórdão recorrido está acolhendo a glosa efetuada no processo administrativo n° 19515.722490/201279, deveria então aguardar decisão definitiva naquele processo, sob Fl. 1197DF CARF MF Processo nº 16561.720041/201412 Resolução nº 1302000.442 S1C3T2 Fl. 13 12 pena de lesão ao direito do direito de defesa e de prejuízo ao devido processo legal. Se, ao contrário, entende o acórdão que não precisa aguardar decisão definitiva, então deveria ter analisado as razões do Recorrente de forma independente, o que não o fez, também ferindo o direito de defesa da Recorrente. Esclarece, ainda, que não haveria previsão legal para o sobrestamento do presente processo. No entanto, o necessário sobrestamento decorre da própria ausência de constituição definitiva do crédito tributário de 2009, do qual decorre o presente, inclusive porque há suspensão da exigibilidade do crédito tributário de 2009. Enquanto o processo originário discute a existência do crédito tributário de 2009 não th jr decisão definitiva e enquanto houver suspensão de exigibilidade, não pode as bases negativas utilizadas pela fiscalização, na apuração de tributo, que sequer é líquido e certo, serem glosadas para o fim de já impactar em outra exigência fiscal. Se uma exigência está sob discussão administrativa, com exigibilidade suspensa, no mínimo a outra também está suspensa, por conta e em decorrência daquele. De outra parte, se entende o acórdão recorrido que os processos administrativos são independentes, então deveria ter analisado as demais razões da Recorrente e não simplesmente fazer referência ao julgamento (não definitivo) do anocalendário de 2009. Por essa razão, deve ser reformado o acórdão recorrido, de modo a cancelar o lançamento também nesta parte. Na hipótese de ser acolhida apenas parcialmente (ou de, absurdamente, não ser acolhida) a preliminar de nulidade do lançamento em relação a este período, ou ao menos em relação ao montante que não corresponde à glosa efetuada no citado processo administrativo, de se analisar o argumento de mérito que leva, também, à impossibilidade de manutenção do lançamento, relativo ao montante de bases negativas ajustadas em relação ao processo acima indicado. REITERASE, TAL ALEGAÇÃO NÃO FOI APRECIADA PELO ACÓRDÃO RECORRIDO! Segundo motivação contida no Termo de Verificação Fiscal, que faz referência ao lançamento do ano de 2009, foi promovida a glosa de parte das bases negativas lançadas pela Recorrente em seu LALUR, relativamente ao ano de 2002, porque o valor em questão foi utilizado para redução da base de cálculo do lançamento objeto do Processo Administrativo n° 16561.000125/200707 (no montante de R$ 31.660.515,43). O agente fiscal entendeu que, embora o processo administrativo ainda esteja em andamento e, portanto, ainda não tenha decisão definitiva constituindo o crédito tributário nele discutido já seria possível proceder à alteração de ofício nos controles de bases negativas em discussão naqueles autos. Ainda segundo o agente fiscal autuante o ajuste, ora imposto à Recorrente, seria uma mera obrigação acessória, cujo cumprimento não estaria suspenso por força da interposição do recurso administrativo, nos termos do artigo 151, inciso III e parágrafo único do Código Tributário Nacional, que determinam a suspensão da exigibilidade do crédito em discussão administrativa, mas não dispensam o cumprimento das obrigações acessórias relacionadas ao tributo em discussão. O entendimento e as conclusões manifestadas pela fiscalização, contudo, não possuem suporte legal e, por isso, não podem prosperar. Vejamos. As bases negativas de CSLL não têm relação com obrigação acessória, mas faz parte da base de incidência da CSLL, ou seja, é forma de apuração da própria obrigação Fl. 1198DF CARF MF Processo nº 16561.720041/201412 Resolução nº 1302000.442 S1C3T2 Fl. 14 13 principal. Alterar o valor das bases negativas contabilizado no LALUR não é, portanto, uma mera obrigação acessória, mas sim a própria obrigação principal! Esta, contudo, por força dos recursos administrativos (seja em relação ao lançamento, seja em relação à decisão da DRJ) está com sua exigibilidade suspensa, conforme o artigo 151, inciso III do Código Tributário Nacional. LOGO, O VALOR DECLARADO EM 2002 PELA RECORRENTE EM SEU LALUR, NO MONTANTE R$ 31.660.515,433, ORA QUESTIONADO PELA FISCALIZAÇÃO, NÃO PODE SER GLOSADO, POIS NÃO SE TRATA DE MERA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA, MAS SIM DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL, AINDA NÃO CONSTITUÍDA DEFINITIVAMENTE E SOB DISCUSSÃO EM PROCESSO ADMINISTRATIVO, O QUE LHE GARANTE A SUSPENSÃO DE SUA EXIGIBILIDADE. O Processo Administrativo nº 16561.000125/200707 tem por objeto auto de infração que constituiu crédito tributário de IRPJ e CSLL relativo a lucros supostamente auferidos no exterior, pela Recorrente. Na elaboração daquele lançamento, o Fisco utilizou bases negativas acumuladas da Recorrente para reduzir a base de cálculo da CSLL que estava sendo constituído por meio do auto de infração. E justamente o valor das bases negativas utilizadas pelo agente fiscal, na elaboração do auto de infração objeto do Processo Administrativo n° 16561.000125/200707, que está sendo glosado/ não admitido pela fiscalização, nos autos do processo relativo ao anocalendário de 2009 e refletido no anocalendário de 2010(no montante de R$ 31.660.515,43). No entanto, considerando que ainda não existe decisão definitiva nos autos do mencionado processo administrativo, é evidente que não se pode ajustar o valor das bases negativas da Recorrente, geradas no ano de 2002, pois sequer há certeza quanto à existência do crédito tributário em questão, que inclusive encontrase suspenso por determinação legal! Assim como o próprio lançamento pode ser efetuado posteriormente à utilização das bases negativas, como tão comumente ocorre nos casos das compensações deve o mesmo tratamento ser aplicado! Vale dizer, se ainda não há julgamento definitivo no processo que trata do crédito tributário, há ainda a forte possibilidade de que ele não venha a ser mantido e que, portanto, as bases negativas foi "utilizadas" para redução da base daquele lançamento, jamais venha a ser de fato, e em definitivo, absorvido. Enquanto o processo que discute a existência do crédito tributário não tiver decisão definitiva, ao menos no âmbito administrativo, e enquanto houver suspensão de exigibilidade do crédito como há, e a própria autoridade fiscal reconhece (por força do artigo 151, inciso III do Código Tributário Nacional) , não podem as bases negativas que utilizadas pela fiscalização, na apuração de tributo que sequer é líquido e certo (e está suspenso ainda na fase administrativa!), ser glosado para o fim de já impactar em outra exigência fiscal. Se uma exigência está sob discussão administrativa, com exigibilidade suspensa, no mínimo a outra também está suspensa decorrência. Vejase que prosseguimento do presente processo, sem observância do processo relativo ao lançamento do anocalendário de 2009 e do Processo Administrativo n° 16561.000125/200707, pode afetar irreversivelmente a Recorrente, especialmente na hipótese de vir a obter uma decisão favorável, como reconhecidamente já aconteceu nos autos do Processo Administrativo n° 19515.001392/200494, que também foi objeto de glosa nestes autos, e já cancelada pela própria DRJ. E, se não houvesse decisão, cobrar seia os valores duas vezes, indevidamente? É o que se pretende fazer com a glosa relativa ao Processo Administrativo n° 16561.000125/200707, ainda pendente de julgamento administrativo! Fl. 1199DF CARF MF Processo nº 16561.720041/201412 Resolução nº 1302000.442 S1C3T2 Fl. 15 14 Nesta hipótese, as bases negativas cujas glosas a autoridade fiscal realizou nestes autos, poderá ser revertido em favor da Recorrente. No entanto, os juros e multa que estão sendo cobrados no presente processo, em virtude da glosa, impactando o valor de CSLL devida pela Recorrente no ano de 2009 e no ano de 2010, não serão devolvidos. Os encargos cobrados sobre o valor do tributo objeto do lançamento (juros e multa), eventualmente consolidados em decisão final nestes autos, possivelmente anterior à decisão definitiva a ser proferida nos autos do Processo Administrativo n° 16561.000125/200707 não poderão ser compensados (por falta de previsão normativa). Assim, a Recorrente se encontrará em situação de irreversibilidade do pagamento de juros e multa que não eram devidos, e que não podem ser restituídos. O prejuízo irreversível é, portanto, evidente. Por esta razão, também, resta evidente que não pode ser exigida a redução da base negativa declarada pela Recorrente em 2002, com base em sua utilização no auto de infração objeto do Processo Administrativo n° 16561.000125/200707, pois o crédito tributário objeto daqueles autos encontrase suspenso! A SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE É EFEITO GARANTIDO PELA LEI JUSTAMENTE PARA EVITAR QUE OS REFLEXOS ANTECIPADOS DO LANÇAMENTO QUE AINDA NÃO FOI DEFINITIVAMENTE CONSTITUÍDO NÃO PREJUDIQUEM AS PARTES EM LITÍGIO ADMINISTRATIVO. Tanto assim que, para evitar consequências ilegais há previsão específica na Portaria RFB nº 666/08, para que a autuação reflexa de outra com aquela seja julgada ou, se não for possível, como sempre procede o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, deve, no mínimo, esse processo ser sobrestado, até que decisão final seja proferida nos processos administrativos que lhe serviram de fundamento, em especial o Processo Administrativo nº16561.000125/200707 (tratado no presente tópico), além dos processos administrativos n°s. 19515.722489/201244 e n° 19515.722490/201279 (anocalendário de 2009, no qual foram imputados os primeiros efeitos da glosa de prejuízo fiscal e bases negativas), todos aguardando julgamento. De mais a mais, importa verificar que, se o montante está sob litígio no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e, nessa medida, encontrase suspenso por força de Lei, o lançamento que lhe é nesta parte decorrente somente poderia ter sido feito para prevenir a decadência, não havendo, portanto, que se lançar qualquer multa e deve, nesta parte, aguardar o julgamento daqueles autos a que se refere. No tocante a este ponto, a impossibilidade de imputação de penalidade relativamente a tal ajuste, e respectivo reflexo, no anocalendário em questão, tem previsão no artigo 63 da Lei n° 9.430/964, assim como a necessidade de se aguardar o deslinde daquele feito é consequência lógica da necessidade de comprovação do fundamento do lançamento que ainda permanece em discussão nos autos do Processo Administrativo n° 16561.000125/200707. DIANTE DO EXPOSTO SE CONSTATA QUE IGNORAR OS EFEITOS DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO, EM ESPECIAL NO PROCESSO QUE ENCONTRASE AINDA EM TRÂMITE NA FASE ADMINISTRATIVA, PROVOCARÁ PREJUÍZO IRREVERSÍVEL À RECORRENTE, QUE É JUSTAMENTE O QUE A LEI TEM POR FINALIDADE EVITAR! LOGO, INADMISSÍVEL MANTER O ENTENDIMENTO DA AUTORIDADE FISCAL, INCLUSIVE EM RELAÇÃO À IMPUTAÇÃO DE PENALIDADE, SOB PENA DE OFENSA À LEI E À RAZOABILIDADE, QUE DEVEM SER OBSERVADAS NECESSARIAMENTE PELA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. Fl. 1200DF CARF MF Processo nº 16561.720041/201412 Resolução nº 1302000.442 S1C3T2 Fl. 16 15 A autoridade fiscal afirma que a Recorrente deveria ter promovido o ajuste das bases negativas declaradas em 2002 em seu LALUR porque este ajuste se configuraria uma obrigação acessória ao pagamento da CSLL que está suspensa por força da existência de recurso administrativo pendente de decisão, nos autos do Processo Administrativo n° 16561.000125/200707. No entanto, o ajuste exigido pela fiscalização não se configura em uma obrigação acessória, mas parte da própria obrigação principal que se encontra suspensa. Ocorre que, as bases negativas não têm relação com obrigação acessória, mas faz parte da base de incidência da CSLL, ou seja, é forma de apuração da própria obrigação principal. Alterar o valor das bases negativas contabilizadas no LALUR não é, portanto, uma mera obrigação acessória, mas sim a própria obrigação principal! Esta, contudo, por força dos recursos administrativos (seja em relação ao lançamento, seja em relação à decisão da DRJ) está com sua exigibilidade suspensa, conforme o artigo 151, inciso III do Código Tributário Nacional. Exigir que seja feita qualquer movimentação nas bases negativas em questão e, pior, imputar multa em relação aos atos reflexos, é exigir que se cristalize a obrigação principal que ainda está em discussão e encontrase suspensa. O ajuste pretendido pela autoridade fiscal no presente processo não se configura, portanto, mera obrigação acessória, mas a obrigação principal em si, na medida em que, a realização do ajuste parte da premissa de que o crédito tributário é devido. O reflexo, portanto, ensejaria, no máximo, o lançamento sem imputação de multa, bem como este julgamento depende daquele. Salta aos olhos, no presente caso, que o agente fiscal confundiu o que significaria o ajuste no LALUR, por ele exigido da Recorrente. Embora ajustes no LALUR tenham, a princípio, roupagem de meras obrigações acessórias, no presente caso não se trata de obrigação desta natureza, na medida em que estarseia, ao procederse referido ajuste, reconhecendo a existência do crédito tributário cristalizando a apuração de sua base de cálculo o que, configura, então, cumprimento da própria obrigação principal, atualmente suspensa. LOGO, O VALOR DAS BASES NEGATIVAS DECLARADAS EM 2002 PELA RECORRENTE EM SEU LALUR, NO MONTANTE R$ 31.660.515,435, ORA QUESTIONADO PELA FISCALIZAÇÃO, NÃO PODE SER GLOSADO, POIS NÃO SE TRATA DE MERA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA, MAS SIM DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL, AINDA NÃO CONSTITUÍDA DEFINITIVAMENTE E SOB DISCUSSÃO EM PROCESSO ADMINISTRATIVO, O QUE LHE GARANTE A SUSPENSÃO DE SUA EXIGIBILIDADE. O VALOR EM QUESTÃO DEVE, PORTANTO, SER IMEDIATA E INTEGRALMENTE EXPURGADO DO LANÇAMENTO. III.3 – ANOCALENDÁRIO 2002 – DO NECESSÁRIO CANCELAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO CONSUBSTANCIADO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO Nº 16561.000125/200707 – TEMA JÁ DECIDIDO PELO STF Além de estar com sua exigibilidade suspensa, em razão de aguardar julgamento do Recurso Voluntário, o que impediria o lançamento de glosa de bases negativas dos anoscalendário de 2009 e 2010, fato é que o auto de infração consubstanciado no processo administrativo n° 16561.000125/200707 deverá necessariamente ser cancelado, em decorrência do quanto decidido pelo STF na ADI 2.588, cujo resultado é definitivo e vinculante a todos os contribuintes e à Administração Tributária. Assim, o resultado do julgamento da ADI 2.588 é definitivo e vinculante a todos os contribuintes e à Administração Tributária, conforme determinou a Emenda Fl. 1201DF CARF MF Processo nº 16561.720041/201412 Resolução nº 1302000.442 S1C3T2 Fl. 17 16 Constitucional nº 45, promulgada em 30 de dezembro de 2004, que, no que diz respeito à ação direta de inconstitucionalidade, consagra que "as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, nas ações diretas de inconstitucionalidade e nas ações declaratórias de constitucionalidade produzirão eficácia contra todos e efeito vinculante, relativamente aos demais órgãos do Poder Judiciário e á administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal" (art. 102, § 2°, CF). Deste modo, se se trata de norma declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal com efeitos ex tunc e, assim, retirada do ordenamento jurídico, não há motivos para subsistência da autuação lavrada, devendo ser aplicado o julgamento proferido nos autos da Ação Direta de Inconstitucionalidade n° 2.588, resultando, assim, no cancelamento integral da mencionada autuação. Uma vez que a presente autuação é posterior ao julgamento do Supremo Tribunal Federal, bem como que está diretamente relacionada ao lançamento fulcrado em norma declarada inconstitucional pelo STF, deveria a fiscalização ter considerado o mencionado julgamento para fins da análise do prejuízo fiscal e bases negativas da Recorrente. Ora, como exigir que a Recorrente efetue ajustes no Lalur, a partir de um lançamento fundamentado em norma declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal? In casu, especialmente em relação aos reflexos do processo administrativo n° 16561.000125/200707, é a fiscalização quem deveria ter observado a decisão definitiva do STF para fins do presente lançamento, sob pena de inobservância de decisão judicial vinculante. Assim, tendo em vista que, após a decisão do Supremo Tribunal Federal na ADIn n° 2.588, não subsiste o lançamento no processo administrativo n° 16561.000125/200707, razão pela qual haverá a confirmação do prejuízo fiscal e bases negativas informada pela Recorrente para os anoscalendário de 2009 e 2010, como já se demonstrou. III.4 – RECOMPOSIÇÃO DE BASES NEGATIVAS ACUMULADAS – ANO CALEBDÁRIO 2003 (INDEVIDAMENTE APONTADO EM RELAÇÃO AO ANO DE 2004) – ADESÃO AO PAES No que se refere ao valor de R$ 49.592.639,13, que embora indicado pela autoridade fiscal como recomposição de bases negativas realizada unilateralmente em 2004, foi, na realidade (se é que disso que se trata!), realizada em 2003, também não merece prosperar a glosa/desconsideração do valor, efetuada nestes autos. A uma porque há erro na motivação do lançamento, vez que, como já demonstrado, não houve qualquer adição ou recomposição de bases negativas no ano de 2004, sendo reconhecido n o erro cometido pela fiscalização, em afronta ao princípio a legalidade. A duas e, principalmente, porque, em se tratando de recomposição efetuada no ano de 2003 e, inexistindo qualquer procedimento administrativo mormente de lançamento para retificar as bases negativas contabilizadas pela Recorrente, não há possibilidade mais de contestálo, em razão do decurso do prazo decadencial. Neste ponto, o acórdão recorrido novamente faz referência ao processo administrativo n° 19515.722490/201279. Aduziu também que caberia ao CARF se pronunciar sobre o tema naquele processo. Ocorre que, a despeito de reconhecer que a matéria ainda está pendente de julgamento, todos os efeitos da glosa ora questionada está provocando efeitos no presente lançamento, o que, mais uma vez, não é objeto de análise no presente processo. Pelo princípio da eventualidade, a ora Recorrente reitera os motivos de mérito apresentados em face do lançamento de 2009 (em sede de Impugnação e Recurso Voluntário), sem deixar de destacar para a nulidade quanto à motivação do lançamento. Fl. 1202DF CARF MF Processo nº 16561.720041/201412 Resolução nº 1302000.442 S1C3T2 Fl. 18 17 A Recorrente ajuizou medida judicial em 1995 visando garantir o direito ao aproveitamento integral das bases negativas até o ano de 1994, sem as restrições impostas pela Lei n° 8.981/956 (Ação Declaratória n° 95.00480859 Doe. 21 da Impugnação). Referida norma estabeleceu, dentre outras disposições, que a partir de 01.01.1995, na apuração do Lucro Real a base negativa só poderia reduzir a base de cálculo da CSLL em até 30% de seu valor. Em relação às bases negativas acumuladas nos anos anteriores (até 1994), o saldo poderia ser aproveitado pelo contribuinte nos anos subsequentes, desde que respeitada a mesma regra/limite de 30% da medida judicial a Recorrente continuou aproveitando bases negativas até o curso então acumuladas sem o limite dos 30%, contra o qual se insurgiu. Entretanto, em 2004, a Recorrente optou pela desistência da medida judicial e adesão ao PAES Parcelamento Especial estabelecidos pela Lei n° 10.684/03 (Does. 22 e 23 da Impugnação), visando a inclusão no PAES de, dentre outros, débitos que haviam sido quitados/parcialmente quitados com a parcela de das bases negativas fiscais acumuladas que a Recorrente não poderia ter aproveitado conforme as disposições da Lei n° 8.981/95 qual seja, os 70% que não poderia aproveitar, diante da limitação de 30% imposta pela referida norma. Ora, se a Recorrente aderiu ao PAES justamente para quitar, via pagamento, o tributo cujo valor devido havia sido É reduzido por meio de aproveitamento de das bases negativas acumuladas, o aproveitamento indevido representado pelo percentual de 70% foi justamente o débito tributário confessado e incluído no PAES. Uma vez que o débito tributário é confessado e incluído no PAES, tais das bases negativas, obviamente, porquanto cancelada sua utilização com efeitos ex nunc retorna à Recorrente. Inclusive, a Recorrente tem o poderdever de declarar tal valor justamente quando da adesão e confirmação no PAES, para não prescrever seu direito de contabilização para posterior utilização das bases negativas. Uma vez comprovado que o montante adicionado o foi exatamente no montante que correspondeu à utilização indevida apontada ela fiscalização pela constituição do crédito tributário, e demonstrado que referido valor foi incluído no PAES pela Recorrente, de rigor a aceitação de sua recomposição. Inadmitir a recomposição das bases negativas implicaria em tributar em duplicidade a Recorrente, via (i) redução do saldo que foi utilizado no passado para redução da base de cálculo do imposto; e (ii) via constituição do débito do CSLL (correspondente à redução de base anterior), para pagamento no âmbito do PAES. Logo, no momento em que houve a constituição definitiva e irretratável do IRPJ em questão no PAES (de acordo com as regras do parcelamento), as bases negativas que no passado haviam sido (erroneamente) utilizadas deveria ser imediatamente restituídas à Recorrente. Afinal, tais bases negativas deixaram de ser utilizadas para redução da base de cálculo do tributo ora parcelado e, portanto, pôde ser recuperado pela Recorrente. Esta recuperação, por sua vez, se dá através da recomposição do valor da base negativa (anteriormente utilizada), em seu LALUR ou seja, exatamente como procedeu a Recorrente. A recomposição em questão não ofende nenhuma norma do sistema tributário, mas constituise como verdadeiro poderdever da Recorrente, razão pela qual não pode ser contestada pelo agente fiscal. Aliás, não foi realmente indicada nenhuma norma, no lançamento, que tivesse sido desrespeitada. O agente fiscal sequer motivou o lançamento, só indicou que o valor em questão era derivado de recomposição das bases negativas, mas não esclareceu sequer porque não concordou com ela. Fl. 1203DF CARF MF Processo nº 16561.720041/201412 Resolução nº 1302000.442 S1C3T2 Fl. 19 18 No presente caso a recomposição do das bases negativas se deu com vistas a evitar a dupla incidência de tributo que, por sua vez, é vedada pela legislação tributária. A Recorrente agiu dentro da total legalidade e não podem ser contestados os procedimentos por ela adotados em relação a este ponto do lançamento! Neste sentido, de se reiterar que a comprovação da natureza do da base negativa adicionada no ano de 2003 aproveitamento indevido no passado conforme se verifica da Ação Declaratória anexada aos autos e do LALUR do período, além a planilha de inclusão de débitos no PAES. Diante do exposto, de se concluir que o procedimento adotado pela Recorrente para recomposição das bases negativas em questão está de acordo com as normas vigentes e possui fundamento. Deriva da constituição do valor de tributo que havia sido reduzido por meio de utilização das bases negativas que ultrapassavam o limite de 30% imposto pela legislação e que, portanto, uma vez declarado para pagamento no âmbito do PAES justifica a recuperação daquele valor que deixou de estar comprometido com a apuração da CSLL incluído no parcelamento. III.4.1 – DO DIREITO AO APROVEITAMENTO DE BASE NEGATIVA DE CSLL DE INCORPORADAS – VEDAÇÕES EM 29/06/1999 – INCORPORAÇÃO EM 30/01/1999 Quanto ao ajuste em questão, o acórdão da DRJ faz mais uma vez mera referência ao processo administrativo n° 19515.722490/201279, dizendo que a matéria já fora discutida naqueles autos, a despeito de não haver qualquer decisão transitada naquele processo. Para que não seja violado seu direito de defesa, a Recorrente contesta os fundamentos apresentados naquele processo, que nem mesmo foram reproduzidos no acórdão recorrido. Da decisão proferida pela DRJ no processo administrativo n° 19515.722490/201279, foi trazido aos autos motivação para o lançamento que, contudo, não existia no Termo de Verificação Fiscal ou no Auto de Infração do anocalendário de 2009, tampouco no lançamento deste processo. Naqueles autos, a DRJ alegou, em síntese, que os valores que foram adicionados no LALUR da Recorrente, como recomposição derivada da adesão da empresa ao PAES, e que não poderiam ter sido adicionados porque gerados em empresas incorporadas pela Recorrente. Segundo a DRJ, a Recorrente, como sucessora, não poderia aproveitar as base negativas acumuladas por empresa sucedida. Reiterase que o argumento é contestado já que o acórdão recorrido nos presentes autos meramente fez referência ao acórdão do lançamento de 2009 para manter o auto de infração de 2010. Vejase. De fato o valor recomposto no anocalendário de 2003 foi gerado em empresas que foram incorporadas pela Recorrente Da análise da documentação anexa (Does. 04 a 10 Atos Societários), verificase que foram promovidas diversas reorganizações societárias no grupo econômico do qual a Recorrente faz parte, ao longo dos anos. A empresa originalmente autuada no lançamento de 2009 a EDITORA ABRIL S/A (CNPJ 02.183.757/000193), foi a nova denominação social conferida à antiga LISTEL S/A (mesmo CNPJ 02.183.757/000193), em razão da alteração de denominação social pela qual passou esta última em janeiro de 1999. Fl. 1204DF CARF MF Processo nº 16561.720041/201412 Resolução nº 1302000.442 S1C3T2 Fl. 20 19 A EDITORA ABRIL S/A, ainda com sua antiga denominação social LISTEL S/A (CNPJ 02.183.757/000193) incorporou, em 30/01/1999, a parte cindida da empresa ABRIL S/A (CNPJ 44.597.052/000162 Vide Doe. 04). A ABRIL S/ A., por sua vez, nos anos anteriores à cisão (com posterior incorporação da parte cindida pela LISTEL/EDITORA ABRIL S/A CNPJ 44.597.052/000162), incorporou diversas empresas, quais sejam: (i)em 19.08.1996 incorporou a empresa ABRILCAP (CNPJ em 19.08.1996 incorporou a empresa ABRILCAP (CNPJ 00.156.494/000106), que deixou de existir (vide Doc. 05); (ii)em 30.07.1997, incorporou a empresa IRMÃOS REIS (CNPJ 57.143.034/000152), que também deixou de existir (vide Doc. 06); (iii)em 29.08.1997, incorporou a empresa ABRILPAR (CNPJ 01.348.791/000108), que deixou de existir (vide Doc. 08); (iv)em 30/06/1998 incorporou a ABRILPAR (CNPJ 02.192.666.00114 vide Doe. 09), que, por sua vez, havia incorporado a EDITORA AZUL S/A (CNPJ 55.901.979/0001 60), em 29/06/1998 (vide Doc. 10). As operações podem ser assim sintetizadas: Quadro de Operações de Reorganização Societária Incorporações Origem de Bases Negativas 1996 1997 1998 1999 Abril S/A (44.597.052/000162) incorpora AbrilCap (00.156.494/000106) Doc. 06 Abril S/A (44.597.052/000162) incorpora Irmãos Reis (57.143.034/000152) Doe. 07 e a AbrilPar (01.348.791/000108) Doc. 08 AbrilPar (02.192.666.00114) incorpora Editora Azul (55.901.979/000160) Doe. 10 e, em seguida, Abril S/A (44.597.052/000162) incorpora AbrilPar Doc. 09 Em 30/01/1999, Abril S/A (44.597.052/000162) sofre uma cisão e a parcela cindida é incorporada por Editora Abril S/A (02.183.757/000193) Doe. 05, que é a nova denominação social da antiga Listei S/A (02.183.757/000193) Doc. 04 Todas as operações foram devidamente comprovadas nos autos do processo administrativo nº19515.722490/201279 e nos presentes autos a ora Recorrente traz novamente a documentação. De se notar, ainda, que a empresa que efetuou a recomposição da base negativa, no anocalendário de 2003, foi a EDITORA ABRIL S/A (CNPJ N° 02.183.757/000162), que é a mesma que sofreu a autuação fiscal objeto deste processo. Posteriormente, no ano de 2012, a autuada foi incorporada pela Recorrente ABRIL COMUNICAÇÕES S/A; De todo modo, o que importa ressaltar é que a EDITORA ABRIL S/A poderia aproveitar as bases negativas das empresas incorporadas. Isto porque a vedação ao aproveitamento de bases negativas de CSLL de incorporadas só entrou em vigor em 29/06/1999, por meio do artigo 20 da Medida Provisória n° 1.8586. Fl. 1205DF CARF MF Processo nº 16561.720041/201412 Resolução nº 1302000.442 S1C3T2 Fl. 21 20 Constatase, portanto, que em relação à base negativa de CSLL, a vedação ao aproveitamento de bases negativas de empresas incorporadas (inclusive em razão de cisão), somente passou a ser aplicável a partir de 29/06/1999. No entanto, a incorporação da parte cindida da ABRIL S/A, pela EDITORA ABRIL S/A, se deu ANTES da entrada em vigor da proibição de aproveitamento de base negativa de incorporadas, pois ocorreu em 30/01/1999. Assim, no momento em que ocorreu a incorporação em tela, a EDITORA ABRIL S/A possuía direito à contabilização da base negativa de CSLL anteriormente detida pela empresa incorporada (ABRIL S/A esta, por sua vez, também tinha direito a "carregar" as bases negativas das empresas que incorporou antes de ser cindida e, em seguida, incorporada pela EDITORA ABRIL S/ A). Logo, a alegação da DRJ de que a EDITORA ABRIL S/ A não poderia contabilizar a base negativa de CSLL de empresa por ela incorporada não procede, pois, à época dos fatos (janeiro/1999), tal vedação não era aplicável. Não bastasse a inexistência de vedação à contabilização da base negativa em questão, nos autos do Processo Administrativo n° 19515.722490/201279 questionouse o fato de que a ação judicial que foi apresentada por empresas incorporadas (EDITORA AZUL S/A e ABRIL S/A), e não pela autuada (EDITORA ABRIL S/A), não poderia gerar "reflexos na compensação de seus prejuízos (sic), muito menos na pretensa recomposição do saldo acumulado em 2003". Do acórdão recorrido verificase que a D. Delegacia, naqueles autos, não compreendeu adequadamente os fatos noticiados, que deram origem à recomposição do saldo de base negativa de CSLL, em 2003, assim como não compreendeu quais débitos foram incluídos no PAES. Assim, sendo, cumpre esclarecêlos. Conforme apontado acima, a parcela cindida da ABRIL S/A que foi incorporada pela EDITORA ABRIL S/A (sucedida pela ora Recorrente), possuía um valor de base negativa de CSLL que, de acordo com a legislação vigente no momento das incorporações realizadas podia ser "carregado" pelas incorporadora neste caso, a EDITORA ABRIL S/A. Parcela desta base negativa que pode ser incorporada pela EDITORA ABRIL S/A, foi gerada pela própria ABRIL S/A, e outra parcela foi absorvida por esta empresa em razão de incorporações realizadas em anos anteriores (1996, 1997 e 1998), conforme acima noticiado (e demonstrado na documentação ora apresentada). Portanto, quanto ao direito de aproveitamento da base negativa em questão, não há discussão, na medida em que até 30/01/1999, quando aconteceu a última operação de incorporação sob análise (EDITORA ABRIL S/ A incorporando parcela cindida da ABRIL S/A), a legislação permitia que as bases negativas fossem "carregadas" ao longo dos anos, nas incorporações realizadas (1996 a 1999). Além da questão da origem destas bases negativas e do direito de "carregalas" , importa salientar que as empresas ABRIL S/A e EDITORA AZUL S/A possuíam medida judicial visando afastar a aplicação da trava de 30% no aproveitamento da base negativa, imposta pela Lei n° 8.981/958, com vigência a partir de 01.01.1995 (Ação Declaratória n° 95.00480859 já anexada aos autos). Ação judicial de mesmo conteúdo havia sido ajuizada, também, pela empresa ABRILCAP (Mandado de Segurança n° 95.00321149 Doe. 11) Fl. 1206DF CARF MF Processo nº 16561.720041/201412 Resolução nº 1302000.442 S1C3T2 Fl. 22 21 Em relação à base negativa acumulada nos anos anteriores (até 1994), o saldo poderia ser aproveitado pelo contribuinte nos anos subsequentes, desde que respeitada a mesma regra/limite de 30%, o que também foi questionado na medida judicial visando o aproveitamento de 100% da base até então gerada (1994). Assim, em virtude da existência da ação judicial em comento, as empresas autoras ABRIL S/A e EDITORA AZUL S/A aproveitaram suas bases negativas de CSLL, sem a limitação dos 30%. Posteriormente, no ano de 2003, quando tais empresas já haviam sido incorporadas pela EDITORA ABRIL S/A, com o advento do Parcelamento Especial PAES a sucessora optou por desistir da medida judicial, e incluir os débitos de CSLL que haviam sido "quitados" com os 70% de base negativa sob discussão, no parcelamento. A recomposição deste valor encontrase declarada não apenas em seu LALUR, como também em sua D1PJ/04 Anocalendário 2003 (Doc. 12), na linha relativa ao total da base negativa existente em 31/12/2003 (esta linha comporta diversos outros valores, conforme esclarece a planilha demonstrativa elaborada pela Recorrente Doc. 13 e seus Anexos). O efeito imediato da confissão (irretratável) e inclusão dos débitos no PAES foi o seguinte: a base negativa que havia sido utilizada anteriormente, para reduzir a base da CSLL devida pelas empresas ABRIL S/A e EDITORA AZUL S/A, poderia ser recomposta, na medida em que, com a inclusão dos débitos da CSLL no PAES tais bases tiveram sua utilização revertida. De fato, como afirma a DRJ, não foram incluídos no PAES débitos da Editora Abril S/ A (sucessora), mas sim das próprias empresas ABRIL S/A e EDITORA AZUL S/A, pois estas é que utilizaram, no passado, 100% de suas respectivas bases negativas, para redução da base de cálculo da CSLL. Ademais, todos os valores de base de cálculo de CSLL da ABRIL S/Ae EDITORA AZUL S/A, que foram reduzidos com os 70% de base negativa sob discussão na medida judicial, foram objeto de lançamento por parte da autoridade fiscal, para prevenção da decadência. Assim, cada um dos 05 (cinco) débitos que foram incluídos no PAES, das referidas empresas, possuem seus respectivos processo administrativos, que foram incluídos na Declaração PAES da EDITORA ABRIL S/A (sucessora e optante do parcelamento), conforme se depreende do quadro abaixo, bem como dos extratos do COMPROT (Doc. 14/18) e da Declaração PAES (anexada à impugnação e novamente trazida aos autos Doc. 19) Tal fato se constata da análise da Declaração PAES e do Extrato do PAES que foram anexados à impugnação. No entanto, para melhor identificação dos débitos das empresas ABRIL S/A e EDITORA AZUL S/A, que foram incluídos no PAES, apresentamos novamente estes documentos. Os processos administrativos a que se referem os débitos em questão encontramse enumerados na Página 09 da Declaração PAES. Em relação ao Extrato PAES, a Recorrente anexa presente apenas as páginas do Extrato que se referem à ABRIL S/A e à EDITORA AZUL S/A pois os débitos incluídos no parcelamento, ora sob análise, foram gerados por tais empresas, conforme já esclarecido acima. A Recorrente incluiu, também, uma numeração de páginas sequencial, para facilitar a identificação das informações relacionadas aos débitos Extrato PAES (Doe. 20) os débitos em questão encontramse relacionados nas páginas 01 e 07 da parte do Extrato PAES que se encontra anexo. Fl. 1207DF CARF MF Processo nº 16561.720041/201412 Resolução nº 1302000.442 S1C3T2 Fl. 23 22 A Recorrente apresenta, ainda, o seguinte quadro demonstrativo, para facilitar a identificação dos débitos de CSLL gerados pela ABRIL S/Ae EDITORA AZUL S/A e incluídos por sua sucessora (EDITORA ABRIL S/A) no PAES, relacionados à contribuição cuja base foi reduzida com os 70% então sub judice. Da documentação acostada, bem como dos esclarecimentos acima apresentados,, é de fácil constatação os seguintes fatos: os débitos incluídos no PAES referemse àqueles gerados pelas empresas do Grupo Abril que possuíam medida judicial para afastar a aplicação da trava de 30% quais sejam, a ABRIL S/A e a EDITORA AZUL S/ A. Estas empresas utilizaram mais base negativa do que a Lei lhes autorizava, razão pela qual, com a adesão ao PAES, por sua sucessora (EDITORA ABRIL S/A) os respectivos débitos de CSLL (correspondente à parcela de base de cálculo que havia sido reduzida com 70% de base negativa, não autorizada), foram incluídos no parcelamento. Com a inclusão de tais débitos no PAES surgiu o direito de recomposição destes valores de base negativa, cuja utilização foi revertida com a confissão da dívida a ela correspondente (CSLL sobre os 70% de base reduzida). Assim, de fato, não se trata de débitos da EDITORA ABRIL S/A. Afinal, não foi esta a empresa que utilizou 100% de suas bases negativas para redução da CSLL devida, mas sim as empresas que possuíam ação judicial que lhes autorizava ABRIL S/A e a EDITORA AZUL S/A. No entanto, em razão da sucessão ocorrida, apenas a EDITORA ABRIL S/ A, poderia fazer a inclusão de tais débitos no PAES, assim como, apenas ela poderia recompor a base negativa em questão. Logo, é evidente que os argumentos da DRJ no processo administrativo n° 19515.722490/201279, no sentido de que não haveria qualquer relação com a inclusão de débitos do PAES, com a recomposição da base negativa realizada em 2003 pela Recorrente, não procedem. PORTANTO, O LANÇAMENTO NÃO MERECE PROSPERAR TAMBÉM NESTE PONTO, SEJA PELAS RAZÕES PRELIMINARES ACIMA APONTADAS (MORMENTE QUANTO À DECADÊNCIA DO DIREITO DE GLOSA DE BASES NEGATIVAS, SEM O CORRESPONDENTE LANÇAMENTO DE OFÍCIO), SEJA PORQUE A DRJ NÃO PODERIA INOVAR O LANÇAMENTO, APRESENTANDO LHE NOVA FUNDAMENTAÇÃO, SEJA PORQUE MESMO AS NOVAS FUNDAMENTAÇÕES TRAZIDAS PELA DRJ NOS AUTOS DO PROCESSO ADMINISTRATIVO N° 19515.722490/201279 NÃO PROCEDEM, NA MEDIDA EM QUE O DIREITO AO "CARREGAMENTO" DAS BASES NEGATIVAS NÃO ERA VEDADO PELA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DA INCORPORAÇÃO EFETUADA PELA EDITORA ABRIL S/A (30/01/1999). III.5 – DA MULTA Pelas razões apresentadas ao longo desta exposição, descabe o lançamento de ofício efetuado contra a Recorrente, referente à CSLL, inexistindo fundamento para a imposição de qualquer multa de ofício, uma vez que a aludida penalidade pecuniária constitui acessório da exação principal. Demonstrativo dos Débitos Consolidados no PAES CSLL Abril S/A e Editora Azul S/A Empresa geradora do débito Processo Relacionado Decl. PAES (Pág) Cod. Rec. Período Apuração Extrato PAES (Pág) Principal (R$) Multa Reduzida (R$) Juros ate 07/2003 (R$) Valor Consolidado (R$) Ed. Azul 13808.003801/ 0066 09 2973 dez/95 07 156.746,71 58.780,01 235.872,44 451.399,16 sV 13808.002151/ 0087 09 2973 dez/95 02 1.643.804,72 164.380,47 2.473.597,34 4.281.782,53 Abril S/A 13808.002152/ 0040 09 2973 dez/95 02 314.063,25 0,00 472.602,37 786.665,62 Ed. Azul 13808.003801/ 0066 09 2973 dez/97 07 222.927,71 83.597,89 279.545,76 586.071,36 Abril S/A 13808.006363/ 200102 09 2973 dez/96 02 2.597.814,82 974.189,56 3.328.320,34 6.900.315,72 Fl. 1208DF CARF MF Processo nº 16561.720041/201412 Resolução nº 1302000.442 S1C3T2 Fl. 24 23 A multa, em si mesma, segue a sorte do tributo principal que, uma vez inexigível, acarreta inexigibilidade daquela. Como se não bastasse, uma vez que o presente lançamento depende do resultado dos processos administrativos n°s. 19515.722489/201244 e n° 19515.722490/201279 (ajustes e glosa para o anocalendário de 2009), o presente lançamento configurase, no máximo, como lançamento efetuado para prevenção da decadência, razão pela qual impossível a manutenção da imposição de penalidade por força do disposto no artigo 63 da Lei n° 9.430/96. III.6 – DOS JUROS E SUA INAPLICABILIDADE SOBRE A MULTA DE OFÍCIO, CASO VENHA A SER MANTIDO O LANÇAMENTO. Por fim, é de se ressaltar que, na absurda hipótese de vir a ser mantida a autuação, será indevida a imposição de juros de mora sobre a multa de ofício lançada, e não paga no vencimento, por ausência de previsão legal. Com efeito, dispõe o §1º do artigo 161 do Código Tributário Nacional que o crédito tributário eventualmente existente, não integralmente pago no vencimento, será acrescido de juros de mora. No caso da multa decorrente de lançamento de ofício, a incidência dos juros, se devidos, deveria ocorrer a partir do trigésimo dia após a ciência do lançamento, quando restaria configurada a mora. Todavia, ao referirse ao "crédito tributário" o diploma legal não se refere à multa de ofício, mas apenas ao principal cobrado. Isso porque, se assim não fosse, não haveria necessidade do mesmo dispositivo ressalvar, logo em seguida, que a aplicação dos juros não causa prejuízo à imposição das penalidades cabíveis. Ademais, no presente caso, os juros moratórios cuja aplicação foi autorizada pelo lançamento limitamse àqueles aplicados sobre o tributo. E o que determinam os artigos 6º, §2º e 28 da Lei nº 9.430/96, únicos dispositivos legais constantes da capitulação legal do lançamento que tratam da aplicação dos juros de mora. E, ainda que assim não fosse, tendo sido aplicada a Taxa SELIC, depreendese da leitura do artigo 61 da Lei n° 9.430/96 que estabeleceu sua aplicação como juros moratórios que a referida taxa se aplica apenas sobre os tributos não pagos no vencimento. Logo, não há sequer como pretender aplicar a norma constante do artigo 161, §1° do Código Tributário Nacional, para que incidam juros de 1% sobre a multa de ofLio lançada, pois ao aplicar a Taxa SELIC ao lançamento o agente fiscal optou por esta sistemática de aplicação de juros de mora, a qual além de estabelecer um percentual diferenciado para apuração desses juros (distinto do citado artigo do Código Tributário Nacional) estabeleceu, expressamente, a incidência apenas sobre os tributos. Logo, independentemente do enfoque atribuído ao litígio, os juros moratórios não podem ser aplicadas sobre a multa de ofício lançada, caso mantido o lançamento, seja por falta de previsão legal, seja porque o enquadramento legal apontado no auto de infração não autoriza a imposição de juros sobre a multa de ofício, mas apenas sobre os tributos não pagos no prazo legal. IV – DAS PROVAS Outrossim, a Recorrente apresentou uma série de documentos, comprobatório do direito alegado, em sede de Impugnação. Solicitou, ainda, que eventuais provas que pudessem ser produzidas, e cuja apresentação viesse a ser necessária, em razão especialmente do entendimento da DRJ a respeito dos fatos e direito em discussão, fossem aceitas no curso do processo. Fl. 1209DF CARF MF Processo nº 16561.720041/201412 Resolução nº 1302000.442 S1C3T2 Fl. 25 24 A DRJ, contudo, manifestouse pela impossibilidade de produção de provas após a fase impugnatória. Tal entendimento, contudo, ofende flagrantemente o princípio da verdade material. De se destacar, também, que o próprio Decreto n° 70.235/72 permite a apresentação de provas após a fase impugnatória, se tais provas se referirem, especialmente, a fatos ou razões trazidas aos autos posteriormente. Logo, no caso da necessidade de comprovação de questões que foram trazidas aos autos apenas por força, por exemplo, da decisão da DRJ ou do próprio Conselho (no caso do cabimento de eventuais recursos cabíveis), não há que se questionar quanto ao direito de o contribuinte trazer novos documentos ao processo, os quais deverão ser necessariamente considerados pela Turma Julgadora. Assim, reiterase o pedido para produção de todas as provas em Direito admitidas, especialmente a posterior juntada de documentos, caso seja necessário, inclusive em razão dos andamentos dos processos administrativos que ensejaram o presente lançamento serão atualizados e o conhecimento. V – DO PEDIDO Assim, requer a Recorrente seja dado integral provimento ao presente Recurso Voluntário, com a reforma integral do v. Acórdão recorrido, determinandose, por conseguinte, O IMEDIATO E INTEGRAL CANCELAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO ORA COMBATIDO, SEJA EM RAZÃO DAS PRELIMINARES OU DO MÉRITO, COM O AFASTAMENTO DEFINITIVO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO CONSTITUÍDO E DAS PENALIDADES NELE COMINADAS. É o relatório Voto Conselheiro ROGÉRIO APARECIDO GIL Na forma acima, verifico que o recorrente está regularmente representado (fl. 1085) e que o recurso voluntário foi interposto em 15/11/2014 (fl. 1028/1082). Assim, preenchidos os requisitos de admissibilidade quanto à representação processual e a tempestividade, conheço do recurso voluntário. Verificase no procedimento fiscal iniciado, em 19/12/2013, o referido registro de constatação de inconsistências no sistema SAPLI (Sistema de Acompanhamento de Prejuízos Fiscais e Base de Cálculo Negativa da CSLL) Ano Calendário 2010, com compensação indevida de prejuízos fiscais de IRPJ e CSLL, respectivamente, nos valores de R$15.064.458,59 e R$74.494.459,31, relativas à empresa incorporada “Editora Abril S/A”, CNPJ: 02.183.757/000193. De outro lado, o Auto de Infração (MPF n. 0818500.2013.00337), às fls. 420/428, indicou que o sujeito passivo teria compensado prejuízos operacionais em montante superior ao saldo desse prejuízo, com fatos geradores ocorridos entre 01/01/2010 e 31/12/2010, apurado valor de R$15.064.458,59 e multa de 75%. Todavia, a recorrente demonstrou em Manifestação de Inconformidade (fls. 439/482), preliminares quanto à economia processual para julgamento em conjunto com o Processo Administrativo nº 1656.720042/201459, oriundo do mesmo procedimento fiscalizatório, em razão de a presente autuação se referir a mesmos fatos e mesmo período em um único processo. Fl. 1210DF CARF MF Processo nº 16561.720041/201412 Resolução nº 1302000.442 S1C3T2 Fl. 26 25 Ainda assim, sustentou a necessidade de suspensão da exigibilidade do lançamento que originou o presente (processos administrativos nº 16561.000125/200707 e nº 19515.722489/201244) ante a ausência de decisão definitiva quanto aos “ajustes” de prejuízo fiscal e bases de cálculo negativa; e questionou a decadência no sentido de que não poderia a fiscalização ter procedido à glosa dos valores de prejuízo fiscal contabilizados pela impugnante no ano de 2003, indevidamente apontados pelo relatório fiscal como tendo ocorrido em 2004, sem procedimento administrativo de lançamento e após o decurso do prazo decadencial de cinco anos. Pontuou a ausência de motivação que deu causa ao cerceamento do direito de defesa, e o erro de motivação ante a inexistência de adição de base negativa no LALUR no anocalendário 2004. Analisadas as informações, documentos e fundamentos apresentados pela recorrente, verificase que razão lhe assiste, quanto à suspensão deste feito. Assim, diante de todo o exposto, voto no sentido de CONVERTER o julgamento em diligência, para sobrestar o julgamento deste até o julgamento final dos Processos Administrativos nº 16561.000125/200707 e 19515.722489/201244. Encaminhese à unidade de origem para controle e acompanhamento até o julgamento final dos processos acima referidos, após o que, deverão ser juntadas aos presentes autos as decisões definitivas neles proferidas e devolvido a este CARF para prosseguimento do julgamento. ROGÉRIO APARECIDO GIL Relator Fl. 1211DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13054.720607/2015-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Sep 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
ISENÇÃO. CONDIÇÃO DE PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO.
Reconhece-se a condição de portador de moléstia grave nos termos da legislação, mediante a apresentação de laudo médico oficial que assim o comprove.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.480
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, conhecer do recurso e, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencido o Conselheiro Túlio Teotônio de Melo Pereira (Relator), que negava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ronnie Soares Anderson.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo Presidente
(assinado digitalmente)
Túlio Teotônio de Melo Pereira - Relator
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA
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CONDIÇÃO DE PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO. Reconhecese a condição de portador de moléstia grave nos termos da legislação, mediante a apresentação de laudo médico oficial que assim o comprove. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 4. 72 06 07 /2 01 5- 11 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 01/09/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIR A, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, conhecer do recurso e, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencido o Conselheiro Túlio Teotônio de Melo Pereira (Relator), que negava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ronnie Soares Anderson. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo – Presidente (assinado digitalmente) Túlio Teotônio de Melo Pereira Relator (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 01/09/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIR A, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13054.720607/201511 Acórdão n.º 2402005.480 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Inicialmente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (fls. 60/65), por bem retratar os fatos ocorridos até então: Tratase o presente processo de notificação de lançamento relativa ao anocalendário 2011, para cobrança de crédito tributário no montante de R$ 4.857,85. De acordo com a descrição dos fatos de fl.19 foi apurado que os rendimentos foram indevidamente considerados como isentos por moléstia grave das seguintes fontes pagadoras:INSS (R$ 28.465,76) e Fundação CEEE de Seguridade Social ELETROCEEE no valor de R$ 90.045,84. O contribuinte em 06 de julho de 2015 apresenta impugnação ao lançamento alegando ser portador de moléstia grave e que os valores recebidos são isentos.Apresenta os documentos de fls. 6 a 16. Em 17 de setembro de 2015, o processo foi baixado em diligência para que o interessado apresentasse um laudo médico oficial de acordo com o estabelecido na Solução de Consulta Interna n°11 (fl. 36). Em resposta , o contribuinte apresentou a petição de fl. 41 e os documentos de fls. 42 a 57. A impugnação foi julgada improcedente pelo acórdão no 1279.859 18a Turma da DRJ/RJO (fls. 61/66), fundamentado nos seguintes termos: (...) Os laudos apresentados além de não conter a matrícula do médico na unidade de saúde do serviço médico oficial, não contém o CNPJ da unidade. Cabe ressaltar que o Termo de Adesão anexado em sua cláusula 4a menciona que os serviços prestados são de caráter gratuito, não havendo vínculo trabalhista. Além disso, o próprio termo menciona que as atividades estipuladas na cláusula 2° para serem ressarcidas há que ser apresentada a nota fiscal da prestação do serviço. A Solução de Consulta é bem clara ao exigir "V o nome completo, a assinatura, o n° de inscrição no Conselho Regional de Medicina (CRM), o n° de registro no órgão público e a qualificação do(s) profissional(is) do serviço médico oficial responsável(is) pela emissão do laudo pericial." Fl. 84DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 01/09/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIR A, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 Ressaltese ainda que o Termo anexado menciona que o médico voluntário exercerá sua função no Centro de Especialidades Médicas durante as segundasfeiras das 11 as 12h. O laudo foi assinado em 16 de abril de 2015, quintafeira, dia diverso do mencionado no Termo. Ademais os laudos apresentados não contém a unidade Centro de Especialidades Medicas. Portanto, é necessário que o os laudos apresentados contenham a matrícula funcional do médico na unidade de saúde de serviço médico oficial Dessa forma, concluise que os documentos apresentados são inábeis para a comprovação do estado clínico do paciente, e, em conseqüência, para formar a convicção do seu destinatário, no caso, a Receita Federal do Brasil, de que o contribuinte é portador de moléstia grave no ano em questão. Não há como interpretar de modo diferente o presente assunto. É que a isenção deve ser tida como regra de direito excepcional, sendo vedado ao intérprete a utilização de interpretação extensiva ou de integração analógica, em se tratando de favorecimento tributário. Por conseguinte, diante das exposições supra, o contribuinte não logrou comprovar que os rendimentos recebidos são isentos com base no inciso XIV do artigo 6°, da Lei n° 7.713/1988 com a redação dada pelo artigo 47 da Lei n° 8.541/1992 e alterações introduzidas pelo artigo 30 e §§ da Lei n° 9.250/1995. Diante do exposto voto pela improcedência da impugnação. Cientificado da decisão em 28/03/2016 (f. 67), o sujeito passivo apresentou recurso voluntário (f. 69), em 26/04/2016, aduzindo, em síntese, as seguintes razões: 1. a 18a Turma/DRJ argumenta que do laudo pericial não constam a matrícula do médico na unidade de saúde nem o CNPJ da unidade. Tal argumento tornase infundado visto que o MD Alexandre Rubio Roso tem seu registro como cirurgião geral CREMERS matrícula 18.278; 2. o laudo pericial timbrado pela Prefeitura Muncipal de São Leopoldo, descreve todos os CIDs, início das enfermidades e com prazo indeterminado de tratamento. Requer anulação do acórdão da DRJ. Juntou documentos (fls. 70/77). E o relatório. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 01/09/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIR A, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13054.720607/201511 Acórdão n.º 2402005.480 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Vencido Conselheiro Túlio Teotônio de Melo Pereira Relator O recurso, apresentado no trintídio assinalado pelo art. 33 do Decreto no 70.235/72, é tempestivo. Presentes os demais requisitos, deve ser conhecido. Isenção decorrente de doença grave Temse em pauta recurso voluntário no qual o Interessado pretende que seja reconhecido seu direito à isenção do imposto de renda pessoa física, alegando que é portador de doença grave e que os valores recebidos são provenientes de aposentadoria e complementação. Para o gozo da isenção pleiteada, a Lei no 7.713/1988 estabelece os seguintes requisitos: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente sem serviços, e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerosemúltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei nº 8.541, de 1992) (Vide Lei 9.250, de 1995) (...) XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. (Incluído pela Lei nº 8.541, de 1992) (grifouse) Dos dispositivos transcritos, verificase que são dois os requisitos para o exercício do direito à isenção pleiteada: Fl. 86DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 01/09/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIR A, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 6 a) que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, reforma ou pensão; b) que o contribuinte seja portador de uma das doenças enumeradas no inciso XIV, do art. 6o, da Lei no 7.713/1988. A isenção em questão também se aplica à complementação de aposentadoria, reforma ou pensão (§ 6° do art. 39 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento de Imposto sobre a Renda RIR/1999). Ademais, partir do anocalendário 1996, a Lei no 9.250/1995 qualificou a comprovação do segundo requisito nos seguintes termos: Art. 30 A partir de 1° de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6° da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. (grifouse) Com a impugnação, o contribuinte trouxe, além de outros documentos, cópia de comprovante de rendimentos pagos e retenção de imposto de renda na fonte (f. 7), ano calendário 2011, emitido pela Fundação CEEE de Seguridade Social ELETROCEEE, informando que os rendimentos correspondem a complementação de aposentadoria. Apresentou, também, carta de concessão de benefício (fls. 10/11) e comprovante de rendimentos pagos e retenção de imposto de renda na fonte (f. 9), emitido pelo INSS, registrando que a natureza do rendimento é de aposentadoria por tempo de contribuição. Restou, assim, comprovado que os rendimentos pagos por essas duas fontes correspondem a aposentadoria e complementação. Para comprovar a enfermidade, o sujeito passivo juntou laudo pericial (f. 12) e laudo médico (f. 14), ambos emitidos pelo mesmo profissional, com diagnóstico de cardiopatia isquêmica (CID I25.5), desde 06/2003, e concomitantemente, quadro de polimiosite (CID M32.2). Com o recurso, o contribuinte traz novo laudo (f. 71), assinado pelo mesmo médico, e com idêntico diagnóstico, desta feita acrescentando, no cabeçalho, a identificação do centro médico com o respectivo CNPJ. No entanto, referidas doenças não constam expressamente da relação do inciso XIV, do art. 6o, da Lei no 9.713/1988. Nestes termos, não restando comprovado que o contribuinte é portador de doença grave, prevista no artigo 6°, inciso XIV, da Lei n° 7.713/1988, é impossível reconhecer o seu direito à isenção do imposto de renda, pelo que não se pode dar provimento ao recurso voluntário. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Túlio Teotônio de Melo Pereira Fl. 87DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 01/09/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIR A, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13054.720607/201511 Acórdão n.º 2402005.480 S2C4T2 Fl. 5 7 Voto Vencedor Conselheiro Ronnie Soares Anderson – Redator Designado Não obstante as razões aduzidas pelo D. Relator, divirjo do seu entendimento no tocante ao valor probatório dos laudos periciais carreados pelo contribuinte. Primeiramente, há que se mencionar que vários dos requisitos constantes na Solução de Consulta Interna Cosit nº 11/2012, referida pela DRJ/RJO, não encontram guarida, ao menos em sua completude, na legislação especializada, conforme pode ser aferido compulsandose os termos da Resolução do Conselho Federal de Medicina nº 1.851/2008, que trata do tema e está disponível na internet. Ademais, este Colegiado não está adstrito aos ditames das Soluções de Consulta emanadas pela administração fazendária para a formação das suas ponderações nos litígios que examina, em que pese a inquestionável qualidade de tais orientações. Nessa esteira, a mera falta do número de matrícula funcional do médico junto à unidade de saúde oficial, no caso o Centro Médico Capilé, da Prefeitura de São Leopoldo/RS, não se configura suficiente para obstar a validade das informações constantes nos laudos acostados ao processo às fls. 11, 13 e 69. Da leitura conjunta desses documentos, depreendese que o contribuinte é portador, desde 26/06/2003, de cardiopatia isquêmica severa/grave, conforme atestado pelo clínico cirúrgico Alexandre Rubio Roso, Cremers nº 18.278, ao que tudo indica vinculado àquela unidade de saúde. Anotese que o predicado "severa/grave", constante do laudo, referese à cardiopatia isquêmica da qual padece o notificado, do que se conclui estar tal enfermidade abrangida no rol das moléstias graves ensejadoras do benefício isentivo previsto no inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713/88. Ante o exposto, voto no sentido de conhecer e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 01/09/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIR A, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 11962.000198/2004-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 24 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3401-000.958
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por maioria de votos, os Conselheiros afastaram a preliminar de cerceamento de defesa, na reunião de agosto de 2016, vencidos o relator e o Conselheiro Rodolfo Tsuboi.
RESOLVEM os membros do colegiado, por maioria, na reunião de setembro de 2016, converter o julgamento em diligência, vencidos os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Fenelon Moscoso de Almeida e Cléber Magalhães. Designado para redigir o voto vencedor em relação à preliminar relativa a cerceamento de defesa o Conselheiro Rosaldo Trevisan. Declarou-se impedido de participar do julgamento o Conselheiro Robson José Bayerl. Esteve presente ao julgamento o Dr. Afonso Celso Mattos Lourenço, OAB RJ n.º 27.406.
Rosaldo Trevisan - Presidente e redator designado.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente Substituto), Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice Presidente), Cléber Magalhães.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por maioria de votos, os Conselheiros afastaram a preliminar de cerceamento de defesa, na reunião de agosto de 2016, vencidos o relator e o Conselheiro Rodolfo Tsuboi. RESOLVEM os membros do colegiado, por maioria, na reunião de setembro de 2016, converter o julgamento em diligência, vencidos os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Fenelon Moscoso de Almeida e Cléber Magalhães. Designado para redigir o voto vencedor em relação à preliminar relativa a cerceamento de defesa o Conselheiro Rosaldo Trevisan. Declarou-se impedido de participar do julgamento o Conselheiro Robson José Bayerl. Esteve presente ao julgamento o Dr. Afonso Celso Mattos Lourenço, OAB RJ n.º 27.406. Rosaldo Trevisan - Presidente e redator designado. Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente Substituto), Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice Presidente), Cléber Magalhães.
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Por maioria de votos, os Conselheiros afastaram a preliminar de cerceamento de defesa, na reunião de agosto de 2016, vencidos o relator e o Conselheiro Rodolfo Tsuboi. RESOLVEM os membros do colegiado, por maioria, na reunião de setembro de 2016, converter o julgamento em diligência, vencidos os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Fenelon Moscoso de Almeida e Cléber Magalhães. Designado para redigir o voto vencedor em relação à preliminar relativa a cerceamento de defesa o Conselheiro Rosaldo Trevisan. Declarouse impedido de participar do julgamento o Conselheiro Robson José Bayerl. Esteve presente ao julgamento o Dr. Afonso Celso Mattos Lourenço, OAB RJ n.º 27.406. Rosaldo Trevisan Presidente e redator designado. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente Substituto), Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice Presidente), Cléber Magalhães. Relatório Trata o presente de pedidos de ressarcimento para os períodos de apuração em epígrafe por meio dos quais pede créditos de COFINS (período de apuração de 01/02/2004 a 30/06/2004) em regime de não cumulatividade, aos quais estão vinculados Declarações de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 19 62 .0 00 19 8/ 20 04 -1 0 Fl. 1777DF CARF MF Processo nº 11962.000198/200410 Resolução nº 3401000.958 S3C4T1 Fl. 3 2 Compensação para aproveitar esses créditos para compensar com débitos de diversos tributos federais. Em 2010 a autoridade tributária da jurisdição acolheu o teor de Informação obtida a partir de fiscalização realizada junto à contribuinte e concluiu por glosar parte dos créditos pleiteados e homologar as Declarações de Compensação até o valor do crédito reconhecido. Reproduzo a seguir o resumo dos fundamentos dessa decisão, conforme elaborado pelo relator da instância a quo, pela sua objetividade e suficiência: 1. Realcafé foi objeto de procedimento de auditoria amparado pelo Mandado de Procedimento Fiscal n° 2010.2413, que teve como escopo a verificação de pretensos créditos, oriundos da aquisição de café utilizados como insumos, deduzidos contabilmente pela Realcafé com os valores devidos das contribuições nãocumulativas para o PIS/Cofins, bem como utilizálos na compensação de tributos/contribuições mediante pedido de ressarcimento/compensação por meio de processo administrativo ou PER/Dcomp; 2. A auditoria fiscal examinou a escrituração contábil com enfoque na conta representativa de fornecedores e restou comprovado à saciedade que a Realcafé apropriouse de créditos integrais fictos decorrentes da compra de café; 3. Realcafé lançou mão de um ardil disseminado por todo o Estado do espírito Santo, que consiste na interposição fraudulenta de pseudoatacadistas "empresas de fachada" para dissimular vendas de café de pessoa física (produtor/maquinista) para empresas exportadoras e torrefadoras, gerando dessa forma, ilicitamente, créditos integrais de PIS/Cofins (9,25% sobre o valor da nota) na sistemática da nãocumulatividade, que, de outra forma, segundo a legislação vigente, não seriam cabíveis; 4. Os créditos integrais, apropriados indevidamente nos livros contábeis da Realcafé, foram glosados e reconhecido o direito ao crédito presumido sobre tais operações, na forma da legislação aplicável, sendo que, após a recomposição dos saldos, as diferenças do PIS e da Cofins devidos foram lançados de ofício, além da multa isolada a ser aplicada sobre as compensações indevidas, nãohomologadas, vinculadas a pedidos de ressarcimento de créditos do PIS e da Cofins que não foram reconhecidos na sua integralidade; 5. Importante frisar que a fiscalização decorre das investigações originadas na operação fiscal "Tempo de Colheita", deflagrada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória/ES, em outubro de 2007, que resultou na comunicação dos fatos apurados ao Ministério Público Federal em agosto de 2009; 6. Em 01/06/2010, deflagrouse a "Operação Broca", fruto de parceria entre o Ministério Público Federal, Polícia Federal e Receita Federal, na qual foram cumpridos mandados de busca e apreensão em 74 locais, sendo a Realcafé um dos alvos; a "Operação" teve repercussão nos meios de comunicação; 7. As provas e documentos produzidos durante os trabalhos fiscais que constam do processo administrativo de auto de infração n° 15586.000956/201025, bem como a Informação Fiscal e Despacho Decisório acima mencionados, serão cientificados simultaneamente à Realcafé, por se tratarem do mesmo objeto, qual seja: análise, glosa e recomposição dos créditos a descontar; Fl. 1778DF CARF MF Processo nº 11962.000198/200410 Resolução nº 3401000.958 S3C4T1 Fl. 4 3 8. A fiscalização limitou o valor do "Pedido de Ressarcimento" ao valor do saldo do crédito a descontar referente à parcela do "Mercado Externo" (passível de ressarcimento); 9. Em síntese, revendo os detalhamentos de apuração do crédito vindicado, a contabilidade e os documentos fiscais disponibilizados pelo contribuinte, bem como cotejando com os elementos e documentos acostados aos autos do processo administrativo (de auto de infração) n° 15586.000956/201025, não foi possível reconhecer integralmente o direito creditório pleiteado pelo contribuinte, bem como homologar integralmente as compensações requerida. A contribuinte contesta a decisão administrativa, argüindo as razões por entende ela não deve prevalecer, que no resumo elaborado pelo relator de 1ª instância, que reproduzo pela sua qualidade, seriam: 1. tendo em vista a obediência ao sigilo fiscal, o acervo de dados colhidos pela fiscalização se encontra indisponível a terceiros, razão pela qual a ausência de indicação das empresas consideradas como "laranjas", com as quais o impugnante realizou operações de compra e venda de café, viola os princípios constitucionais do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, elencados no artigo 5o, incisos LIV e LV, da Constituição Federal de 1988 (CF/88); 2. nestes termos, vêse que a afirmação da fiscalização de que as notas fiscais emitidas em nome de empresas consideradas "de fachada" ou "laranjas", sem que tenham sido fornecidos os dados das mesmas para fins de verificação e elaboração de resposta, fere fatalmente os princípios do contraditório e da ampla defesa, em flagrante cerceamento do direito de defesa do impugnante, o que, na forma do artigo 59, inciso II, do Decreto n° 70.235/72, inquina a decisão administrativa de nulidade; 3. no mérito, merece atenção, inicialmente, e de forma exemplificativa, o fato de que o impugnante já adquiria o café das empresas ACÁDIA Comércio e Exportação Ltda. e Cafeeira São José Ltda., consideradas pela fiscalização como criadas apenas para "gerar" créditos de PIS e Cofins, muito antes da edição das normas que instituíram o regime da nãocumulatividade para tais contribuições, o que se comprova através das notas fiscais em anexo (DOC. 02, fls. 154/183), o que afasta ainda mais a plausibilidade da tese aventada pelo agente fiscalizador para fins de sustentar a arbitrária glosa efetivada; 4. é imperioso ainda consignar que os fatos apurados na intitulada operação "Tempo de Colheita" não podem atingir operações de compra realizadas com legitimidade de apuração de créditos de PIS/Cofins, pois, em verdade, correspondem tãosomente ao esforço da fiscalização para desqualificar as operações de compras efetuadas pelo impugnante, uma vez que este jamais contribuiu para a concretização dos atos praticados pelos representantes das empresas fornecedoras; 5. não se pode atribuir pseudocomportamentos ao impugnante em face da exclusiva ineficácia da fiscalização, traduzida na falta de efetividade de sua atuação em evitar as supostas práticas lesivas das empresas; 6. importante frisar que houve uma efetiva preocupação do impugnante em buscar informações a respeito da regularidade fiscal das empresas fornecedoras, Fl. 1779DF CARF MF Processo nº 11962.000198/200410 Resolução nº 3401000.958 S3C4T1 Fl. 5 4 as quais, na ocasião de cada compra, apresentavamse devidamente ativas perante o Fisco; 7. não é possível concluir que o impugnante tinha conhecimento das práticas ilícitas adotadas pelas empresas fornecedoras, razão pela qual, por óbvio, que os valores de Cofins nãocumulativo foram apropriados na forma do artigo 3o, das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003; 8. não obstante a fiscalização mencione a deflagração da denominada "Operação Broca", fruto da parceria entre o Ministério Público Federal, Polícia Federal e Receita Federal, a glosa em razão da suposta existência de fraude na obtenção dos créditos do PIS e da Cofins não poderá subsistir, uma vez que cabe somente aos órgãos de jurisdição, devidamente estabelecidos na Constituição Federal, reconhecer se houve ou não a tipificação de que as operações de compra e venda perpetradas pelo impugnante seriam consideradas fraudulentas; 9. nesse sentido, não é cabível a extensão ao presente processo administrativo dos efeitos de quaisquer dos atos praticados no âmbito criminal relativamente à "Operação Broca", pelas razões a seguir aduzidas; 10. primeiramente, porque nenhum dos diretores ou componentes do quadro societário do impugnante foram denunciados pelo Ministério Público Federal nos autos da ação criminal decorrente da "Operação Broca" processo n° 2008.50.05.0005383 , conforme certidão que integra o Doe. 03 (fls. 184/187); 11. assim, todos os elementos trazidos pela fiscalização caem por terra, já que nem o Ministério Público Federal, autoridade competente para promover a ação criminal em questão, vislumbrou a tipificação penal que a fiscalização entende existir; 12. ademais, os próprios inquéritos policiais instaurados, tanto em razão da operação "Tempo de Colheita", quanto da denominada "Operação Broca", não podem ser utilizados como prova da suposta realização de atos fraudulentos, já que trata o inquérito policial de procedimento inquisitivo, no qual não há contraditório ou ampla defesa, correspondendo, na realidade, à mera peça informativa no âmbito da qual se produzem atos de investigação, que têm por objetivo único a formação do convencimento do responsável da acusação de que há justa causa para o ajuizamento de ação penal; 13. portanto, trechos extraídos de inquéritos policiais, ou mesmo a existência de referidos procedimentos, não representam prova de suposta obtenção fraudulenta de créditos, pois, ainda que o impugnante viesse a ser alcançado pela denúncia, o que apenas se cogita e não é o caso, ainda assim o princípio da inocência implica em que o réu, em nenhum momento do iter persecutório, poderá sofrer restrições fundadas exclusivamente na eventual possibilidade de condenação; 14. nesse contexto, somente após a formação da coisa julgada é possível considerar existente a situação fática declarada na sentença penal condenatória, e, destarte, elidido o estado de inocência; 15. ainda que houvesse sentença penal condenatória decorrente dos fatos apurados nos autos da ação criminal decorrente da "Operação Broca" (processo n° 2008.50.05.0005383), ainda assim não se poderia cogitar de extensão ao presente caso de eficácia natural da sentença, uma vez que o terceiro (in casu, o Fl. 1780DF CARF MF Processo nº 11962.000198/200410 Resolução nº 3401000.958 S3C4T1 Fl. 6 5 impugnante), mesmo que titular de relação jurídica conexa, não fica vinculado ao conteúdo de provimento alheio, exarado em processo do qual não participou, sob pena de verdadeira inve inversão do ônus da prova sem qualquer previsão legal; 16. é inaceitável, considerado o que dispõe o parágrafo único, do artigo 82, da Lei n° 9.430/96 (reproduzido no artigo 217 do Decreto n° 3.000/99 RIR), que sejam impostas ao impugnante glosas de seus créditos de PIS e Cofins não cumulativos, advindos de operações nas quais houve a entrega das mercadorias e o pagamento do preço acordado, em virtude de eventuais decisões, absurdamente, com efeitos ex tunc; 17. a análise do caso concreto demonstra que há a comprovação e o reconhecimento por parte da própria fiscalização de que a empresa impugnante promoveu o pagamento do valor acordado para a aquisição das mercadorias e recebeu o produto em um dos seus estabelecimentos, tanto que através do "Termo de Encerramento da Ação Fiscal n° 08241/2010", constante do Auto de Infração que deu origem ao processo administrativo fiscal n° 15586.000956/201025, houve toda a recomposição dos créditos de PIS, para que estes fossem apurados sob a sistemática do crédito presumido; 18. a boafé do impugnante é ainda demonstrada pelo fato de que este teve o zelo de fazer consultas ao SINTEGRA e ao próprio banco de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil, através de seu sítio na internet, com o objetivo de comprovar a regularidade jurídica das empresas com as quais realizou operações de compra e venda; 19. logo, ainda que as empresas fornecedoras estivessem inativas no momento da realização das operações de fornecimento de mercadorias no período, o que não é verdade, mesmo assim o impugnante não poderia jamais ser prejudicado por fatos que não causou, na medida em que adotou todas as medidas de cautela que exige a legislação de regência; 20. portanto, concluise que a verificação de idoneidade incumbe ao Fisco, e não ao contribuinte, razão pela qual este não pode ter seu crédito indeferido se, à época da comercialização, os fornecedores encontravamse em situação regular perante os controles da própria Secretaria da Receita Federal do Brasil; 21. com o intuito de demonstrar de forma definitiva a sua absoluta boafé, o impugnante, ao verificar irregularidades com a empresa WG Azevedo Brasil Coffee, cessou a operação de compra e venda de café em grão que vinha sendo realizada enquanto a fornecedora não comprovasse a aptidão de seu cadastro e o recolhimento do PIS e da Cofins, tendo sido proposta pela referida fornecedora (Brasil Coffee), em razão disto, ação de cobrança n° 024.100027903 (cf. DOC. 04, fls. 188/214). 22. Ao final, o impugnante requereu a declaração de nulidade do Despacho Decisório, proferido com base na Informação Fiscal SEFIS/DRF/VIT/ES n° 19/2010, por cerceamento ao seu direito de defesa, e, no mérito, que fosse reconhecida a idoneidade dos créditos apurados no ano de 2005 de PIS não cumulativo, tornandose insubsistente a cobrança do crédito tributário decorrente das glosas de tais créditos, sendo procedido, inclusive, ao ressarcimento de eventuais diferenças positivas favoráveis ao contribuinte, tendo se protestado, ainda, pela juntada posterior de quaisquer documentos que se fizerem necessários para demonstrar o direito ao crédito postulado. Fl. 1781DF CARF MF Processo nº 11962.000198/200410 Resolução nº 3401000.958 S3C4T1 Fl. 7 6 Os Julgadores de 1º piso, após apreciarem a contestação da contribuinte, as informações prestadas pelas autoridades fiscais, as decisões proferidas e demais documentos que instruem o processo, concluíram por não acolher as alegações da contribuinte e pela manutenção da decisão administrativa. Os julgadores de 1º piso orientaram que este processo deveria permanecer apensado ao processo n. 15586.000956/201025, que trata do auto de infração que possui relação com a motivação do despacho decisório proferido neste processo, para prosseguimento em conjunto. A contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual trouxe seus argumentos, em resumo: · Nulidade por cerceamento do direito de defesa: "Antes mesmo de adentrar as razões de mérito, a Recorrente entende como primordial apontar as falhas/omissões constantes da decisão ora recorrida, tendo em vista que tais vícios maculam o julgado administrativo tornandoo nulo e sem efeitos. Isto porque, conforme a própria autoridade julgadora de primeira^instância administrativa bem fez questão de frisar, a decisão ora recorrida é toda fundamentada no Acórdão n° 33.347/2011, o qual se vincula a um auto de infração lavrado em face da Recorrente (processo administrativo n° 15586.000956/201025), cuja íntegra somente foi fornecida à contribuinte em 10.05.2001, ou seja, 03 (três) dias antes do término do prazo para a apresentação do presente recurso voluntário. Significa, dizer, então, que antes mesmo da sua ciência quanto ao resultado do julgamento da peça de defesa apresentada naqueles autos, a Recorrente não apenas tomou conhecimento, através da decisão ora recorrida, de que o lançamento fiscal ali consubstanciado fora objeto de manutenção através do Acórdão n° 33.347/2011, como também se vê surpreendida com a utilização integral dos fundamentos daquele julgado como base para a não homologação de seu direito creditório, em que pese não ter sido ainda cientificada do mesmo. Ora, tal procedimento adotado pela autoridade julgadora de primeira instância se demonstra alheio aos princípios que norteiam o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa, verdadeiras garantias constitucionais, pois o fato da mesma ter um acesso privilegiado a tais informações, não legitima a sua utilização contribuinte que efetivamente faz parte do pólo passivo daquela autuação fiscal, no caso a ora Recorrente." Cita jurisprudencia em favor da sua tese de que houve falha na motivação e fundamentação dos atos: "PRELIMINAR DE NULIDADE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA INEXATIDÃO MATERIAL A decisão proferida pelo órgão julgador de primeira instância, deverá contemplar, além de relatório resumido do processo, a motivação e a fundamentação, para dar ou negar provimento aos itens discutidos, demonstrando com perfeição, as conclusões e resultados obtidas. PUBLICADO NO DOU N° 54 DE 20/03/06, FLS. 37 A 41." (Acórdão 10708148, Sessão de 06/07/2005) grifos nossos "NORMAS DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MOTIVAÇÃO E FUNDAMENTAÇÃO DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRINCÍPIOS DO DEVIDO PROCESSO LEGAL E AMPLA DEFESA. NULIDADE. É nula a decisão de primeira instância que, em detrimento ao disposto no artigo 50 da Lei n° 9.784/99, c/c artigo 31 do Decreto n° 70.235/72 e, bem assim, aos princípios do devido processo legal e da ampla defesa, é Fl. 1782DF CARF MF Processo nº 11962.000198/200410 Resolução nº 3401000.958 S3C4T1 Fl. 8 7 proferida sem a devida motivação e fundamentação legal clara e precisa, requisitos essenciais à sua validade. Processo Anulado." (ACÓRDÃO 206 01162, Sessão de 07/08/2008) grifos nossos · Ademais, se faz necessário destacar que das 30 (trinta) empresas relacionadas originariamente pela decisão recorrida às fls. 10/11, posteriormente apenas 10 (dez) foram citadas como vinculadas à Recorrente em operações consideradas como realizadas em caráter discutível, em que pese a glosa dos créditos ter sido integral, como bem se verifica através do Quadro Demonstrativo abaixo, no qual a ora Recorrente indica tais empresas e as fls. nas quais seus nomes constam da decisão recorrida, vejase: EMPRESA ATACADISTA/FORNECEDORA CITADA AS FLS: 1 Colúmbia Comércio de Café Ltda. 14/16/17/18/19/20/21 2 Acádia Comércio e Exportação Ltda. 14/15/16/17/19/20/21 3 Do Grão Comércio e Exportação e Importação Ltda. 14/15/16/17/19/20/21 4 L & L Comércio Exportação de Café Ltda. 14/16/17/19/20/21/22 5 J C BINS Cafeeira Colatina 14/16 6 V Munaldi ME 14/16 7 WR da Silva WD Café 17/20/21/23 8 R Araújo Cafecol 20 9 Nova Brasília Comércio Café Ltda 20 10 Ypiranga Comércio Café Ltda. 17/18 · "Isto é, quanto às outras 20 (vinte) empresas indicadas como fornecedoras da Recorrente, não conseguiu a autoridade prolatora da decisão recorrida efetuar qualquer imputação delituosa. Desta forma, demonstrase como ao menos incorreta a glosa dos créditos relativos às aguisições de mercadorias destas 20 (vinte) en presas não especificadas na decisão recorrida." · não se deu a preclusão processual declarada pelos julgadores de 1º piso, pois não é verdade que a contribuinte não contestou as formas de cálculo e a sistemática do crédito presumido da visão da autoridade lançadora, pois ela contestou o critério utilizado pela fiscalização para a glosa de seus créditos, o que abrange as formas de cálculo e o crédito presumido. · a autoridade julgadora a quo seguiu a diretriz traçada em outro procedimento de investigação (Operação Broca) e deixou de apreciar elementos de prova e esclarecimentos trazidos pela contribuintes nestes autos. A operação broca não indiciou a contribuinte e não abrangeu suas operações. Não há relação de causalidade entre as operações "Tempo de Colheita" e "Broca" para com as operações realizadas pela contribuinte. · Os fatos apurados na operação "Tempo de Colheita" e na "Broca" não podem atingir as compras realizadas com legitimidade de apuração de créditos das contribuições sociais. Até por que essas operações foram inquéritos policiais, Fl. 1783DF CARF MF Processo nº 11962.000198/200410 Resolução nº 3401000.958 S3C4T1 Fl. 9 8 meras peças informativas, que não geraram decisões judiciais contra a contribuinte e seus sócios e administradores. · As compras e vendas da commodity café em grão são, em sua quase totalidade, mediadas por corretores, onde as negociações se apóiam em amostras e se discutem preços, tipos e condições de entrega. · Mas a contribuinte buscava informações sobre a regularidade fiscal das fornecedoras, as quais, na ocasião de cada compra, apresentavamse ativas perante o Fisco. · Não há como se concluir que a recorrente tinha conhecimento das práticas ilícitas adotadas pelas suas fornecedoras; · ocorreu a decadência (§ 4º do art. 150 do CTN) com relação aos fatos geradores ocorridos antes de maio de 2005, uma vez que a contribuinte tomou ciência da decisão fiscal em 04/10/2010. · é impossível a aplicação concomitante de 2 penalidades, no caso a contribuinte pugna pela exclusão da multa isolada; · a necessidade de afastar a multa isolada (art. 18 da Lei n. 10.833/2003) por que: (a) não comprovação de fraude ou sonegação por parte da contribuinte; (b) não tipificação do fato imputado pela autoridade lançadora na hipótese de falsidade da declaração prevista na redação atual desse artigo 18 (a contribuinte alega que a falsidade da declaração foi afastada pela autoridade fiscal quando aceitou as declarações prestadas pela contribuinte para reconhecer o direito creditório presumido); (c) a boa fé da contribuinte e a falta de provas para justificar a majoração da multa para a alíquota de 150%; · "a recorrente na qualidade de adquirente de boa fé era exclusivamente a destinatária das mercadorias, não sendo provada em nenhuma oportunidade a sua participação na prática de introdução de pseudo pessoas jurídicas na cadeia de comercialização". · Aplicase à contribuinte o disposto no art. 82 da Lei n. 9.430/1996, segundo à qual as empresas que comprovam a efetivação do pagamento do preço e o recebimento das mercadorias não poderão ter seus créditos glosados. Que adotou as medidas de cautela em suas negociações. Defendeu a validade e legitimidade de suas notas fiscais e comprovantes de pagamento na aquisição do café cru. Cita jurisprudências e decisões judiciais e administrativas. · A tese da autoridade fiscal não pode prosperar; por exemplo, para demonstrar essa afirmativa, a contribuinte aponta que adquiria café das empresas Acadia e Cafeeira São José muito antes da edição das normas que instituíram o regime de não cumulatividade do PIS e da COFINS; ou seja, não teria cabimento a 'tese' da autoridade fiscal que elas foram criadas para apenas "gerar" créditos. Outro exemplo seria a iniciativa da contribuinte em cessar a compra junto à fornecedora WG Azevedo enquanto ela não comprovar a aptidão de seu cadastro e dos recolhimentos do PIS e da COFINS. · A autoridade de lançamento relaciona 30 empresas fornecedoras "de fachada", mas cita apenas 8 delas como tendo caráter discutível, mas para as outras 22 empresas não há qualquer menção por parte da decisão recorrida; Fl. 1784DF CARF MF Processo nº 11962.000198/200410 Resolução nº 3401000.958 S3C4T1 Fl. 10 9 Este processo chegou ao CARF e foi submetido a sessão regular, quando foi convertido o julgamento em diligência com a seguinte motivação e demanda: VOTO O Recurso Voluntário preenche os requisitos de admissibilidade razão pela qual dele conheço. Desde logo constato que o mérito da controvérsia gira em torno da desconsideração das Notas Fiscais de aquisições feitas a empresas comerciais atacadistas elencadas na r. decisão recorrida que geraram o crédito ressarciendo glosado. A legislação de regência (art. 82 da Lei n° 9430/96) fixa critérios objetivos para aferição da inidoneidade de documentos fiscais para fins de desconsideração dos atos e negócios jurídicos que lhes são subjacentes, dentre os quais se contam a efetivação do pagamento do preço respectivo e do recebimento dos bens pelo adquirente, cuja constatação reputo imprescindível para dirimir a controvérsia sobre possibilidade (ou não) de desconsideração das Notas Fiscais e sobre a existência e legitimidade (ou não) do crédito ressarciendo. Isto posto voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que: a) a ora Recorrente seja intimada no prazo de 10 dias a fornecer e fazer juntar aos autos dos comprovantes de pagamentos do preço das mercadorias retratadas nas Notas Fiscais de aquisições feitas às comerciais atacadistas elencadas na r. decisão recorrida, bem como dos comprovantes de efetiva entrada das mercadorias em seu estabelecimento, devidamente instruídos com planilha resumo; b) que a d. Fiscalização informe conclusivamente (com xerocópias) quais as data de publicação no DOU e a fundamentação dos atos que declararam a inaptidão do CNPJ das comerciais atacadistas elencadas na r. decisão recorrida, cujas Notas Fiscais de aquisição supostamente geradoras dos créditos ressarciendos foram glosadas; c) seja a Recorrente intimada das informações fiscais para manifestação no prazo de 10 dias, retornando os autos a julgamento. Em resposta à solicitação feita na Resolução, a autoridade fiscal preliminarmente retomou as origens da autuação, que seriam: 1. a glosa dos créditos se deu pela interposição fraudulenta de empresas de fachada empresas laranjas utilizadas como intermediárias fictícias na compra de café de pessoas físicas (produtores/ maquinistas) e não pela falta de comprovação da efetiva entrega da mercadoria e ao seu pagamento; 2. que a interposição de pessoas, como instrumento que permitiria a criação de créditos a serem compensados, era de pleno conhecimento da ora recorrente, empresa adquirente final do produto (REALCAFÉ), que, por conseguinte, sabia que as notas fiscais dessas empresas laranjas eram ideologicamente falsas, como se encontra farta e definitivamente comprovado nos autos; 3. Modus operandi: interposição fraudulenta de empresas de fachada empresas laranjas utilizadas como intermediárias fictícias na compra de café de pessoas físicas (produtores/ maquinistas). Fl. 1785DF CARF MF Processo nº 11962.000198/200410 Resolução nº 3401000.958 S3C4T1 Fl. 11 10 4. Que, em seu entendimento, a declaração de inaptidão é irrelevante ao caso, pois a inidoneidade dos documentos era do conhecimento da contribuinte; 5. Acrescentou que o artigo 82 da Lei n. 9.430, de 1996 alcança apenas o comprador de boa fé, que não é o caso da contribuinte autuada por que, nos autos, há provas que afastam a boa fé; 6. Em seguida passa a repisar a demonstração de que a contribuinte tinha conhecimento de que o café era adquirido de pessoa física em operação mediada por pseudo atacadistas (empresas de fachada), e que esse modo de funcionamento visava a lhe proporcionar vantagem de criar créditos de PIS e de COFINS. 7. Concorrentemente demonstra que as provas abrangem declarações de corretores, documentos de negociação apresentados pelos interessados, cópia de emails, documentos em papel, notas fiscais, comprovantes de pagamentos, programação e controle de pagamentos, etc. Cientificada dessa Informação Fiscal, a contribuinte apresenta sua manifestação por meio da qual argüi: · A autoridade fiscal não atendeu à diligência demandada pelo CARF; que ela “utilizouse do expediente com o único e exclusivo intuito de pretensamente afastar a boa fé da Recorrente, furtandose em apurar os fatos objetivamente solicitados”; que ela inovou em suas razões; “através da indicação de documentos internos da Recorrente (mídias, e mail’s e demais arquivos magnéticos), de todo esparsos e imprecisos, se analisados fora do contexto da rotina operacional da empresa, almeja tornar definitivas suas acusações”; que as aventadas provas trazidas pela fiscalização no bojo da INFORMAÇÃO FISCAL (email’s e demais documentos extraídos da rotina operacional interna da Recorrente), se referem às aquisições de pessoas jurídicas que sequer tratam das operações relativas ao período examinado nos presentes autos · Que a autoridade fiscal pretendeu desqualificar as operações feitas pela contribuinte e que esse procedimento seria o de desconsideração dos negócios jurídicos, mas faltou a ele base legal e a comprovação de que a contribuinte praticou atos ilícitos ou abuso do direito. Ele violou o princípio da tipicidade cerrada. Deve, portanto, ser · A autoridade fiscal impôs uma glosa genérica, deixou de indicar cada uma das pessoas físicas (produtores rurais) que seriam as verdadeiras fornecedoras, mediadas pelas supostas empresas de fachada. Que esses fatos prejudicaram o direito de defesa. · Se tivesse sido efetuada a quebra do sigilo fiscal/bancário das empresas fornecedoras das quais a Recorrente adquiriu o café, na medida em que os pagamentos (não questionados como de fato ocorridos) foram realizados por CHEQUE/DOC/TED, por evidente que a fiscalização poderia individualizar a destinação dos valores para cada uma das compras, elemento concreto que poderia amparar a imputação fiscal, ao contrário dos dados subjetivos (testemunhais e meramente indiciários) constantes deste processo. Fl. 1786DF CARF MF Processo nº 11962.000198/200410 Resolução nº 3401000.958 S3C4T1 Fl. 12 11 ... · Se tivesse sido efetuada a quebra do sigilo fiscal/bancário das empresas fornecedoras das quais a Recorrente adquiriu o café, consideradas como “de fachada", teria a autoridade fazendária, ao menos, realizado o devido trabalho fiscal, com a INDIVIDUALIZAÇÃO DAS ILICITUDES. e não com a GLOSA GERAL das compras referentes a cada trimestre, como arbitrariamente ocorreu nestes autos. · Que a autoridade fiscal não aprofundou a fiscalização (por exemplo: quebrando o sigilo bancário dos fornecedores, o que comprovaria a efetivação dos pagamentos feitos pela contribuinte), o que prejudicou a ampla defesa e o contraditório: · Se tivesse sido efetuada a quebra do sigilo fiscal/bancário das empresas fornecedoras das quais a Recorrente adquiriu o café, na medida em que os pagamentos (não questionados como de fato ocorridos) foram realizados por CHEQUE/DOC/TED, por evidente que a fiscalização poderia individualizar a destinação dos valores para cada uma das compras, elemento concreto que poderia amparar a imputação fiscal, ao contrário dos dados subjetivos (testemunhais e meramente indiciários) constantes deste processo. · Afirma a contribuinte que “apresenta os competentes comprovantes de pagamentos do preço das mercadorias retratadas nas Notas Fiscais de aquisições feitas às comerciais atacadistas elencadas na r. decisão recorrida, bem como, também, apresenta os comprovantes de efetiva entrada das mercadorias em seu estabelecimento, devidamente instruídos com planilha resumo (DOCUMENTOS EM ANEXO), elementos de prova estes que corroboram sua qualidade de adquirente de boa fé, sendo a mesma exclusivamente a destinatária das mercadorias. Invoca, mais uma vez, o disposto no art. 82 da Lei n. 9430/1996.” A REALCAFÉ SOLÚVEL DO BRASIL S/A, no início de 2016, trouxe expediente ao processo por meio do qual alega fatos novos e relevantes a serem apreciados quando do julgamento do processo administrativo, subdivididos nos seguintes temas: a) Da possibilidade do creditamento integral do PIS e da COFINS nas aquisições de cooperativas; b) Da revogação da multa isolada aplicada em face dos pedidos de ressarcimento (multa sobre pedido de ressarcimento indeferido ou indevido §§ 15 e 16 do artigo 74 da Lei n. 9.430/1996), através do artigo 4º da MP n.º 668/2015; e c) Da aplicação das regras contidas na Lei N° 12.995/2014, sobre o direito creditório incontroverso (crédito presumido). Sobre este último item (c), a contribuinte argumenta, in verbis: · Por fim, importante esclarecer que, após instaurada a discussão destes autos, sobreveio a instituição de direito constitutivo em que os contribuintes passaram a ter o direito de utilizar créditos presumidos. para compensar tributos administrados pela SRFB, ou mesmo ser ressarcido em dinheiro, com o advento da Lei n.º 12.995, de 20 de junho de 2014, especificamente seu artigo 23, in verbis: "Art. 23. A Lei n.º 12.599, de 23 de março de 2012, passa a :vigorar acrescida do seguinte art. 7°A: Fl. 1787DF CARF MF Processo nº 11962.000198/200410 Resolução nº 3401000.958 S3C4T1 Fl. 13 12 Art. 7°A. O saldo do crédito presumido de que trata o art. 8° da Lei n.º 10.925, de 23 de julho de 2004, apurado até 1° de janeiro de 2012 em relação à aquisição de café in natura poderá ser utilizado pela pessoa jurídica para: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria, inclusive quanto a prazos extintivos; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria, inclusive quanto a prazos extintivos. (grifos nossos) [....] · Neste sentido, restou constituído o direito da Recorrente quanto ao aproveitamento do crédito presumido já reconhecido pela fiscalização no presente processo administrativo, estando garantido o seu direito ao aproveitamento do crédito mediante compensação de tributos administrados pela SRFB ou ao ressarcimento em dinheiro. · Destacase que o referido art. 7°A não estabelece qualquer limitação quanto aos créditos presumidos passíveis de aproveitamento mediante compensação com outros tributos ou ressarcimento em dinheiro: Pelo contrário, o referido dispositivo legal é claro ao afirmar se tratar do "saldo do crédito presumido de que trata o art. 8.º da Lei no 10.925. de 23 de julho de 2004. apurado até 10 de janeiro de 2012"; ou seja, refere se ao saldo de crédito presumido existente em 01.01.2012, o que abrange o período apreciado pelos despachos decisórios proferidos nos processos administrativos ora em exame autos. · Assim, com o advento da Lei n.º 12.995/2014, a Recorrente pede e espera que a referida norma venha a ser considerada por ocasião do julgamento dos seus recursos voluntários, caso essa Colenda Turma decida manter a glosa dos créditos integrais do PIS e da COFINS por ela apropriados (o que cogita apenas para fins de argumentação), lhe sendo assegurado o direito de utilizar o crédito presumido apurado pela DRF/ES, em sua integridade, através de compensação com outros tributos e/ou ressarcimento no âmbito dos processos ora examinados. · Neste particular, destaquese que esta Terceira Seção, quando do julgamento dos processos n.ºs 15586.720246/201368; 15578.000273/200933; 15578.000139/2010 76; 15578.000143/201034; e 15586.720228/201114, realizado em 27.01.2015, da contribuinte UNICAFÉ COMPANHIA DE COMÉRCIO EXTERIOR, também reconheceu a aplicação das regras contidas na Lei N° 12.995/2014, sobre o direito creditório incontroverso (crédito presumido). É o relatório. VOTO VENCIDO Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Requisitos: Tempestividade e demais requisitos de admissibilidade manifestamente reconhecidos por este Colegiado na sessão em que proferiu a Resolução acima citada. Fl. 1788DF CARF MF Processo nº 11962.000198/200410 Resolução nº 3401000.958 S3C4T1 Fl. 14 13 Primeira preliminar: cerceamento de direito de defesa por inexatidão do ato administrativo A recorrente alega que foi prejudicada em seu direito de defesa e que há insuficiência de motivação e fundamentação no Despacho Decisório. Explica que esse ato se apóia na informação fiscal, decisão e documentos constantes do processo 15586.000956/2010 25 auto de infração), mas que dele só tomou conhecimento quando faltavam 3 dias para o limite para recorrer do Despacho Decisório neste. Fui ao Despacho Decisório citado e percorri este processo e sou obrigado a chegar à conclusão de que esse despacho se reporta a provas que não constam deste processo. Entendo que os atos decisórios devem ser acompanhados, ou apontar, no próprio processo, os elementos sobre o qual constrói sua justificativa e fundamentação. Os Julgadores de 1º piso afastaram essa preliminar por entenderem que a contribuinte havia sido cientificada simultaneamente (em 04/10/2010) deste processo e daquele (15586.000956/201025). Pareceme que a simultaneidade entre processos é uma ocorrência externa ao processo. Data vênia dos ilustres Julgadores, a meu ver, no caso, faltou a esta decisão estar acompanhada do que demonstraria o que traz como justificativa para o indeferimento. Creio se tratar de inexatidão e falha na motivação, o que traz prejuízo à defesa. Por isso, propus a este Colegiado fosse acolhida a preliminar para declarar a nulidade da decisão de indeferimento do Despacho Decisório. Mas tendo esse Colegiado por maioria não acolher esta preliminar, devo prosseguir na apresentação de meus outros argumentos analíticos. O Voto Vencedor dessa matéria se encontra ao final do voto deste relator. Meu próximo ponto trata de uma outra preliminar, mas já lhes antecipo que, em função de seu teor, proporei a conversão do julgamento em diligência, pelas razões que irei expor. PROPOSTA DE DILIGÊNCIA: Preliminar do decurso do prazo máximo de cinco anos para se glosar créditos ou para exigir débitos: Proposta de diligência para retirar dos cálculos neste processo as glosas aproveitadas de 2003 com reflexo sobre 2004 e 2005, por estarem além dos cinco anos e não fazerem parte dos períodos de apuração dos pedidos objeto do processo administrativo: Nessas próximas linhas exponho minha compreensão aos Senhores Conselheiros sobre esta matéria. Fl. 1789DF CARF MF Processo nº 11962.000198/200410 Resolução nº 3401000.958 S3C4T1 Fl. 15 14 Pelo que posso apreender e concluir, em minha leitura da Súmula STF 8 e do Parecer PGFN CAT 1650/2013 (registro PGFN 2780/2013), e Súmula CARF 72, entendo que há o limite de cinco anos a contar da data do fato gerador ou do primeiro dia do exercício seguinte (no caso de fraude) para a Fazenda Nacional agir para compor exigência fiscal. Esse Parecer PGFN conclui: Em conclusão, ratificamos o Parecer PRFN 3ª Região DICAJ n. 10, de 2013, no sentido de que os tributos declarados com dolo, fraude ou simulação, caso não constituídos, devem ser lançados de ofício pela administração e que, nesses casos, o prazo de decadência deve ser contado nos termos do artigo 173, I, do CTN, em virtude mesmo do que dispõe a parte final do § 4º do art. 150 do CTN, com termo inicial de contagem coincidindo com o exercício seguinte ao da ocorrência dos fatos tributáveis. Este Parecer faz remissão a Parecer PGFN CAT n. 968/2011, para esclarecer que está no artigo 90 da MP 2.15835/2001 a base em Lei para a necessidade de lançamento. Eles também apreciam o prazo prescricional, e combatem a ideia de que haveria uma suspensão desses prazos aguardando que a administração analise, audite ou decida sobre petições da contribuinte, ou informações por ela prestadas. Esse parecer deixa claro que os prazos de cinco anos não são ordinariamente prorrogáveis. Ele expõe a respeito: É dizer, o prazo legal de cinco anos para a constituição do crédito tributário existe para que a administração pratique todos os atos necessários à constituição do crédito. nesse prazo, a Administração deve auditar as informações declaradas, apurando, inclusive, eventual fraude ou simulação. Atrelar o início da contagem desse prazo à iniciativa da Administração resultaria no desprezo ao limite temporal legalmente imposto por norma tributária (ver RE 560.626/RS). Neste processo a autoridade fiscal havia indeferido o pedido de reconhecimento de direito creditório e não homologou as compensações em setembro de 2010. No caso deste processo, a meu ver, a base originária da decisão de não homologação reside na apuração feita pela autoridade fiscal no procedimento próprio objeto do PAF n. 15586.000956/201025. A administração tributária decidiu não homologar valores devidos que estavam submetidos à tratamento por declaração de compensação. Na realidade, a autoridade fiscal retroagiu a 2003 para recompor os valores das operações econômicas da contribuinte de modo a conseguir chegar a recalcular os devido e os direitos a crédito da contribuição social em questão, nos anos de 2004 a 2009. Esta descrição do procedimento adotado é confirmada pela autoridade fiscal nas informações que prestou em resposta à diligência requerida anteriormente. Ela também esclarece que "refez a escrita fiscal da contribuinte desde 2003..". A autoridade fiscal, em setembro de 2010, retornou ao ano de 2003, e trouxe aos anos de 2004 os efeitos de sua apuração de débitos em 2003. Já haviam se passados seis anos desde o período de apuração dos fatos geradores. Isso significa, a meu ver, desrespeito ao prazo fatal de cinco anos para a administração rever e compor exigência tributária. Este é o sentido do que dispõe o Parecer PGFN CAT 1650/2013. Fl. 1790DF CARF MF Processo nº 11962.000198/200410 Resolução nº 3401000.958 S3C4T1 Fl. 16 15 O procedimento da administração para recompor as bases da contribuição social implica, não só em negar direito a crédito, mas também em exigir tributo. Este processo trata de pedido que se refere aos fatos geradores ocorridos entre janeiro de 2004 e dezembro de 2004. Caso o Colegiado adote a razão da contribuinte, de que não teria havido dolo, fraude ou simulação, como se trata de tributo de lançamento por homologação, o prazo fatal de cinco anos seria a do § 4º do artigo 150 do CTN. Como a decisão da administração tributária foi em agosto de 2010, teríamos que aceitar que a apuração do direito creditório dos fatos geradores ocorridos entre 01/2004 e 12/2004 não poderiam computar valores devidos anteriores a 01/2004, pois estariam alcançados pelo decurso do prazo de cinco anos aqui discutido. E isso seria efetivo também na hipótese de que teria havido fraude, pois o prazo de cinco anos para alcançar fatos geradores anteriores a janeiro de 2004 já teria se passado em agosto de 2010. Por isso, proponho seja reconhecido por este Colegiado que a administração não pode retroagir a períodos de apuração anteriores aos objeto do pedido de reconhecimento de direito creditório combinado com pedido/declaração de compensação, para apurar valores devidos e efetuar glosas, e que esses períodos estejam além do prazo de cinco anos determinado pela lei como fatal para a ação da administração tributária (Parecer PGFN CAT n. 1650/2013). Por isso, proponho que este julgamento seja convertido em diligência para retornar à unidade de jurisdição local para excluir os valores provenientes de glosas do ano de 2003 e recalcular o direito creditório deste processo, desde que esse cálculo não signifique agravamento ou prejuízo do que já foi reconhecido no Despacho Decisório aqui em discussão. A unidade deverá apresentar Informação instruída com demonstração comparativa, e dar ciência à contribuinte, com prazo (30 dias) para se manifestar, antes de retornar ao CARF. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Voto Vencedor Conselheiro Rosaldo Trevisan, redator designado Manifestei, nas sessões de julgamento de agosto e setembro de 2016, divergência tanto em relação ao posicionamento externado pelo relator no que se refere à preliminar de cerceamento do direito de defesa quanto no que tange à necessidade de nova diligência. No entanto, nesse segundo item decidiu o colegiado, majoritariamente, ser necessária a conversão do julgamento em diligência, pelo que o presente voto vencedor tratará somente da questão relativa à preliminar de nulidade, afastada pela maioria do colegiado. Houvesse o colegiado acatado a preliminar de nulidade, sequer seria necessária a discussão da conversão em diligência. A recorrente argumenta, em sua peça recursal (fl. 404, na numeração eletrônica), que a decisão da DRJ seria nula pelos seguintes motivos: Fl. 1791DF CARF MF Processo nº 11962.000198/200410 Resolução nº 3401000.958 S3C4T1 Fl. 17 16 Está, então, a recorrente, a afirmar que a ciência ao resultado do julgamento do processo administrativo no 15586.000956/201025, obstaculizou sua defesa no presente processo. Tal afirmação, no entanto, demanda apara. No presente processo, a ciência ao despacho decisório, e à informação fiscal que o ampara, deuse em 04/10/2010, conforme se percebe, à fl. 197 da numeração eletrônica: Na citada Informação Fiscal no 41/2010 (fl. 173 da numeração eletrônica), a fiscalização menciona que: Para checar a procedência da menção, tornase necessário, em nome da verdade material, verificar os autos do processo administrativo no 15586.000956/201025. Em consulta ao sistema "eprocessos", com tal propósito, percebi que a ciência à autuação lavrada no processo administrativo no 15586.000956/201025, e a seus anexos, efetivamente ocorreu simultaneamente (em 04/10/2010), como mencionado na Informação Fiscal: Fl. 1792DF CARF MF Processo nº 11962.000198/200410 Resolução nº 3401000.958 S3C4T1 Fl. 18 17 A empresa apresentou defesa tanto em relação à autuação (em 29/10/2010), no processo administrativo no 15586.000956/201025, quanto em relação ao indeferimento do direito de crédito (também em 29/10/2010), no presente processo. Não procede, assim, a afirmação de que não tinha a empresa ciência das condutas que lhe eram imputadas, ou dos detalhamentos existentes em processo de autuação do qual, efetivamente, tinha ciência. E o fato de haver menção de um julgamento de piso ao outro não traz obstáculo à defesa, amplamente assegurada desde o início da fase contenciosa, em ambos os processos. Também não obstaculiza a defesa o fato de terem sido apartados os processos de indeferimento do direito de crédito e de lavratura de auto de infração, se a empresa tem ciência do conteúdo de ambos. Tanto fisco quanto empresa são inequivocamente cientes do teor de ambos os processos. E o julgador, desejando verificar o conteúdo de processo do mesmo sujeito passivo, mencionado naquele que está a julgar, poderia verificar seu conteúdo no sistema "eprocessos", como aqui se fez, ou simplesmente pedir a juntada dos autos, ou mesmo a reunião dos processos, por conexão. Entendese particularmente lamentável, e avesso à celeridade (princípio que chegou a ser positivado no corpo constitucional, e plasmado na missão deste tribunal administrativo), que processos que tenham "certidões de nascimento" em uma mesma operação de fiscalização acabem por seguir a turmas julgadoras distintas, em datas distintas, como os 23 processos administrativos mencionados na Informação Fiscal que instrui o processo administrativo no 15586.000956/201025. Mas tal situação somente ocasionaria cerceamento do direito de defesa se, de fato, a empresa sequer tivesse acesso à imputação que lhe é feita, à fundamentação adotada ou a seus detalhamentos, o que não ocorre nos presentes autos, nos quais a empresa tinha inequívoca ciência detalhada da motivação e da fundamentação do indeferimento de seu direito de crédito. Não se vislumbra, então, no caso, vestígios de cerceamento de defesa que poderiam ensejar a nulidade do despacho decisório ou mesmo da decisão de piso. Pelo exposto, propus ao colegiado, no que houve acolhida majoritária, afastar a preliminar de cerceamento do direito de defesa. Conselheiro Rosaldo Trevisan redator designado. Fl. 1793DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.020599/2007-24
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/08/2001 a 31/05/2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO. PEDIDO DE
PARCELAMENTO. RENÚNCIA.
No caso de pedido de parcelamento nos moldes da Lei no. 11.941, de 2009, configura-se a desistência e a renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, devendo-se declarar a definitividade do crédito tributário em litígio, na forma em que lançado.
Numero da decisão: 9202-005.053
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento, para declarar a definitividade do lançamento, em face do pedido de parcelamento por parte do sujeito passivo.
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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conteudo_txt : Metadados => date: 2017-01-09T00:31:53Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: Processo n. 10680.020599_2007-24 - INDÚSTRIA FARMACÊUTICA VITALFARMA LTDA - DESISTÊNCIA.pdf; xmp:CreatorTool: PDFCreator Version 1.4.2; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CARF; dcterms:created: 2017-01-09T00:31:53Z; Last-Modified: 2017-01-09T00:31:53Z; dcterms:modified: 2017-01-09T00:31:53Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: Processo n. 10680.020599_2007-24 - INDÚSTRIA FARMACÊUTICA VITALFARMA LTDA - DESISTÊNCIA.pdf; xmpMM:DocumentID: uuid:859ed7b3-d85e-11e6-0000-9817d336ae66; Last-Save-Date: 2017-01-09T00:31:53Z; pdf:docinfo:creator_tool: PDFCreator Version 1.4.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2017-01-09T00:31:53Z; meta:save-date: 2017-01-09T00:31:53Z; pdf:encrypted: true; dc:title: Processo n. 10680.020599_2007-24 - INDÚSTRIA FARMACÊUTICA VITALFARMA LTDA - DESISTÊNCIA.pdf; modified: 2017-01-09T00:31:53Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CARF; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CARF; meta:author: CARF; dc:subject: ; meta:creation-date: 2017-01-09T00:31:53Z; created: 2017-01-09T00:31:53Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2017-01-09T00:31:53Z; pdf:charsPerPage: 2203; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CARF; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2017-01-09T00:31:53Z | Conteúdo => CSRF-T2 Fl. 150 1 149 CSRF-T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10680.020599/2007-24 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202-005.053 – 2ª Turma Sessão de 12 de dezembro de 2016 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS - DESISTÊNCIA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado INDÚSTRIA FARMACÊUTICA VITALFARMA LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2001 a 31/05/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO. PEDIDO DE PARCELAMENTO. RENÚNCIA. No caso de pedido de parcelamento nos moldes da Lei no. 11.941, de 2009, configura-se a desistência e a renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, devendo-se declarar a definitividade do crédito tributário em litígio, na forma em que lançado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento, para declarar a definitividade do lançamento, em face do pedido de parcelamento por parte do sujeito passivo. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). A C Ó R D Ã O G E R A D O N O P G D -C A R F PR O C E SS O 1 06 80 .0 20 59 9/ 20 07 -2 4 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Especial do Procurador Especial do Procurador 2ª Turma 2ª Turma zembro de 2016 zembro de 2016 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS - DESISTÊNCIA CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS - DESISTÊNCIA FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL INDÚSTRIA FARMACÊUTICA VITALFARMA LTDA INDÚSTRIA FARMACÊUTICA VITALFARMA LTDA AA Fl. 149DF CARF MF 2 Relatório Trata-se de Recurso Especial, de e-fls. 126/133, interposto pela Fazenda Nacional em face do acórdão nº 2403-001.392, julgado na sessão do dia 19 de junho de 2012, pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção, o qual deu parcial provimento ao Recurso Voluntário. A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2001 a 31/05/2006 PREVIDENCIÁRIO. RECÁLCULO DA MULTA COM OBSERVÂNCIA DO ART. 32-A DA LEI N. 8.212/91. APLICAÇÃO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. Constitui infração, punível na forma da Lei, a apresentação de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), preenchidas com informações inexatas, incompletas ou omissas. Aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN, para aplicar a multa do art. 32-A da Lei n. 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte Na origem, trata o presente processo de Auto de Infração, de e-fls. 02 (DEBCAD nº 35.845.699-1), em razão da Contribuinte ter deixado de informar na GFIP os valores relativos ao pró-labore dos dois administradores e aos serviços prestados por pessoa física (autônomos). De acordo com a fiscalização o relatório fiscal de e-fls. 10, o lançamento apresenta como fundamento a multa por apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em relação à base de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, equivale a 100% do valor devido relativo à contribuição não declarada, respeitado o limite. Diante de tal lançamento, a Contribuinte apresentou impugnação de e-fls. 24/26, alegando a insubsistência do Auto de Infração e o arquivamento do feito. A 6ª Turma da DRJ de Juiz de Fora/MG, conforme acórdão nº 09-20.430, de e-fls. 63/70, julgou procedente em parte o lançamento, para alterar o valor da multa em razão da exclusão das competências 08/2000 a 07/2001 atingidas pela decadência. Intimado de tal decisão, houve a interposição de Recurso Voluntário, e-fls. 79/86, que foi julgado pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção, na sessão do dia 19 de junho de 2012, sendo dado parcial provimento ao recurso, para determinar o recálculo da multa, de acordo com o determinado no art. 32-A, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10680.020599/2007-24 Acórdão n.º 9202-005.053 CSRF-T2 Fl. 151 3 Após a decisão que deu parcial provimento ao Recurso Voluntário, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de e-fls. 126/133, requerendo a reforma do acórdão recorrido, no ponto que determinou a aplicação do art. 32-A, da Lei 8.212/91, em detrimento do art. 35-A, do mesmo diploma legal, requerendo que seja verificado, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou a do art. 35-A da MP 449/2008. Acórdão nº 2401-00.127, utilizado como paradigma, apresenta a seguinte ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, 4º, do Códex Tributário, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, no caso de dolo, fraude ou simulação comprovados, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, trata-se de auto de infração por descumprimento de obrigação acessória decorrente de Notificação Fiscal, onde fora reconhecida a decadência do artigo 150, 4º, do CTN, impondo seja levada a efeito a mesma decisão nestes autos em face da relação de causa e efeito que os vincula. Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - DESCUMPRIMENTO - INFRAÇÃO Consiste em descumprimento de obrigação acessória, a empresa apresentar a GFIP - Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE MAIS FAVORÁVEL - PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA - APLICAÇÃO Na superveniência de legislação que se revele mais favorável ao contribuinte no caso da aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, aplica-se o princípio da retroatividade benigna da lei aos casos não definitivamente julgados, conforme estabelece o CTN. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. (Acórdão referente ao processo nº 35415.001129/2006-41) Conforme despacho de e-fls. 136/137, o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional foi admitido, sendo o processo encaminhado à origem para intimação do Contribuinte. Fl. 151DF CARF MF 4 O Contribuinte intimado, conforme AR de e-fls. 141, não apresentou contrarrazões. De acordo com despacho de e-fls. 145/146 o Contribuinte aderiu ao parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/2009. É o relatório. Voto Conselheira Patrícia da Silva - Relatora O Recurso Especial interposto pela PGFN é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade, assim dele conheço. Conforme despacho de e-fls. 145/146, houve a adesão do Contribuinte no parcelamento da Lei nº 11.941/2009, o que importa em desistência ao processo de acordo com o art. 26 da Portaria MF nº 341/2011 e com o art. 13, §3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 2/2011. Consoante disposto no art. 78, §3º do RICARF – Portaria MF nº 343/2015 – está caracterizada a desistência do sujeito passivo da presente discussão: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para declarar a definitividade dos débitos lançados. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10680.020599/2007-24 Acórdão n.º 9202-005.053 CSRF-T2 Fl. 152 5 Fl. 153DF CARF MF
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