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Numero do processo: 10166.724792/2016-48
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2014
PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO.
Podem ser deduzidas na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente, ou escritura pública a que se refere o art. 1.124-A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 - Código de Processo Civil, desde que comprovadas mediante documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 2001-000.416
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2014 PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO. Podem ser deduzidas na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente, ou escritura pública a que se refere o art. 1.124-A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 - Código de Processo Civil, desde que comprovadas mediante documentação hábil e idônea.
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DEDUÇÃO. Podem ser deduzidas na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente, ou escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, desde que comprovadas mediante documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 47 92 /2 01 6- 48 Fl. 98DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2014, anocalendário de 2013, em que foram glosadas dedução de despesas médicas no valor de R$ 6.438,84. O contribuinte apresentou impugnação, que foi julgada improcedente, mediante Acórdão da DRJ Fortaleza. Cientificado, o interessado apresentou recurso voluntário de f. 79/94. Invoca preliminar de nulidade do lançamento. No mérito, em apertada síntese, alega que está obrigado ao pagamento de despesas médicas e plano de saúde aos alimentandos Igor Monteiro Brazil Nogueira e Yuri Brasil Nogueira, por força de decisão judicial, nos termos do Direito de Família. Aduz que a decisão de primeira instância extrapolou os limites da fundamentação do lançamento, inovando para fundamentar o lançamento em razão diversa do que consta no ato de constituição do crédito tributário. Pugna pelo cancelamento da exigência. É o relatório. Voto O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Preliminar Nulidade Nos termos do art. 59 do Decreto 70235/72, que regula o processo administrativo fiscal, são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente (I) e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição de direito de defesa (II). Analisando os Autos, verificase que a Notificação de Lançamento não incide em nenhuma das hipóteses de nulidade previstas no art. 59, acima citado. Destarte, rejeito a preliminar de nulidade. Passemos à análise do mérito. No mérito, entendo que o recurso voluntário deve ser provido. A fundamentação do lançamento é que "os contribuintes Igor Monteiro Brazil Nogueira e Yuri Brasil Nogueira não são beneficiários de pensão alimentícia, não existindo previsão legal para dedução de suas despesas médicas". Entretanto, o recorrente provou, à f. 12/14, que existe sentença judicial que o obriga ao pagamento de pensão aos citados alimentandos, além de continuar arcando com as despesas médicas dos mesmos. A decisão a quo, ao manter o lançamento, utilizou de fundamentação diversa da constante no lançamento, o que entendo não ser possível. A fundamentação do lançamento determina as razões da autoridade lançadora e tem o condão de conduzir as razões da defesa, delimitando os contornos da lide. Ao inovar na fundamentação, o julgador alarga os limites da lide, em inequívoco prejuízo à defesa. Ademais, é de se frisar que o ato administrativo de lançamento deve conter todos os elementos suficientes e necessários à constituição do crédito Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10166.724792/201648 Acórdão n.º 2001000.416 S2C0T1 Fl. 3 3 tributário. Dentre estes elementos, os fundamentos de fato e de direito que embasam a autuação devem ser tidos como elementares. Não pode uma decisão administrativa, a posteriori, alterar estes fundamentos, incluindo elemento novo, haja vista que tal medida não está no âmbito de sua competência e, também, por trazer prejuízo à defesa. Por estas razões, concluo pela aceitação das deduções com despesas médicas, devidamente comprovadas. CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Fl. 100DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.006988/2009-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 01.
Nos termos da Súmula CARF nº 01, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2202-004.434
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por concomitância com ação judicial.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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SÚMULA CARF Nº 01. Nos termos da Súmula CARF nº 01, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por concomitância com ação judicial. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 69 88 /2 00 9- 48 Fl. 325DF CARF MF Processo nº 10830.006988/200948 Acórdão n.º 2202004.434 S2C2T2 Fl. 326 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10830.006988/200948, em face do acórdão nº 1650.450, julgado pela 15ª Turma da Delegacia Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (DRJ/SP1), em sessão realizada em 17 de setembro de março de 2013, no qual os membros daquele colegiado entenderam por não conhecer da impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: " Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o auto de infração de fls. 03 a 05, acompanhado dos demonstrativos de fls. 06 a 07 e do termo de verificação fiscal de fls. 08 a 11, relativo ao imposto sobre a renda das pessoas físicas do anocalendário de 2007, por meio do qual foi apurado crédito tributário no montante de R$ 7.238,68, composto de O crédito tributário foi lançado com exigibilidade suspensa, por força de ordem judicial, conforme disposto a fl. 03. Conforme descrição dos fatos de fl. 05, a exigência decorreu da seguinte infração à legislação tributária: Ganhos de capital na alienação de bens e direitos – falta de recolhimento do imposto incidente sobre os ganhos de capital, com respaldo em ordem judicial, conforme Termo de Verificação Fiscal anexo. Consta do citado Termo de Verificação Fiscal (fls. 08 a 11) que: foi impetrado mandado de segurança mediante litisconsórcio ativo, em 30/01/2008, visando afastar a incidência de IRPF sobre os valores a título de indenização pela desapropriação de imóvel de propriedade dos impetrantes, processo judicial n.º 2008.61.05.0011546, da 7ª Vara Federal de Campinas, controlado pelo processo administrativo n.º 10830.001102/2008 99; em 06/05/2009, o contribuinte foi intimado a apresentar os documentos referentes às alienações efetuadas em 10/10/2007 e 21/10/2007, conforme informado na DIRPF, oriundas de desapropriação levada a efeito pelo Município de Hortolândia. Referida intimação foi atendida em 27/05/2009; da análise dos documentos apresentados, verificouse a ocorrência de duas desapropriações, uma em 10/10/2007, cuja parcela de cada um dos coproprietários foi inferior a R$ 35.000,00, isenta do imposto de renda, conforme art. 22 da Lei Fl. 326DF CARF MF Processo nº 10830.006988/200948 Acórdão n.º 2202004.434 S2C2T2 Fl. 327 3 n.º 9.250/95, com a redação dada pela Lei n.º 11.196, de 2005 e outra alienação em 21/12/2007, decorrente da desapropriação de parte do imóvel de que o contribuinte é coproprietário pelo Decreto n.º 1.747, de 14/12/2007, do município de Hortolândia; em decorrência da desapropriação dessa área, todos os coproprietários receberam R$ 515.400,00, sendo a participação do contribuinte de 15% (fl. 19). Foi apurado ganho de capital de R$ 38.826,90 e imposto devido de R$ 5.824,03 (fls. 15 e 16); como o contribuinte obteve, nos autos de processo judicial, medida liminar e, posteriormente, sentença concedendo a segurança, que afastaram a incidência de imposto de renda da pessoa física sobre ganhos de capital oriundos da desapropriação realizada em 21/12/2007, fezse necessário o lançamento de ofício do IRPF incidente sobre o ganho de capital para fins de evitar a decadência do direito de constituir o crédito tributário, a rigor do art.63 da Lei n.º 9.430/06; frisese que o crédito tributário constituído está com a exigibilidade suspensa, a rigor do art. 151, inciso IV do CTN. Cientificado do lançamento em 22/06/2009 (fl. 198), o autuado apresentou, em 21/07/2009, a impugnação de fls. 184 a 194, por intermédio de procuradores (procuração a fl. 196), alegando que: a exigibilidade do crédito tributário, objeto da presente autuação, encontrase suspensa, com fulcro no artigo 151, IV do CTN, conforme o próprio Auditor Fiscal reconheceu, sendo o mesmo lavrado tão somente para fins de evitar a decadência de constituir o crédito tributário; quanto ao mérito, o presente lançamento não merece prevalecer; o impugnante, bem como os outros coproprietários, foram desapropriados de parte de seu imóvel, fato este que não pode ser igualado a uma alienação, uma porque não existiu vontade por parte dos mesmos em transmitir o bem imóvel e, a duas porque a indenização paga em decorrência da desapropriação tem como escopo recompor a perda da propriedade única e tão somente; não são quaisquer ingressos de valores que poderão ser alcançados pela incidência do imposto sobre a renda. A incidência do IR está condicionada à existência de acréscimo patrimonial. A verba recebida pela desapropriação possui natureza indenizatória, posto que sua finalidade é de compensar o dano sofrido pela diminuição patrimonial (propriedade), não havendo acréscimo patrimonial, mas sim a reposição do valor do bem atingido pela desapropriação. Cita o artigo 5º, inciso XXIV da CF; os valores recebidos pelo Impugnante, bem como pelos outros coproprietários do imóvel, não são aptos a ensejar qualquer Fl. 327DF CARF MF Processo nº 10830.006988/200948 Acórdão n.º 2202004.434 S2C2T2 Fl. 328 4 acréscimo a seus patrimônios, dai porque não enquadradas ao conceito de “renda” ou “proventos de qualquer natureza”; transcreve julgados do CARF sobre o tema; por fim, requer que seja determinado o sobrestamento do feito, uma vez que o crédito tributário objeto do auto de infração encontrase com sua exigibilidade suspensa e pelo princípio da eventualidade, seja decretada a improcedência do auto de infração lavrado.” A DRJ de origem entendeu por não conhecer da impugnação apresentada, tendo em vista que o contribuinte recorreu ao Judiciário para pleitear a não incidência do imposto de renda sobre o ganho de capital, mesmo objeto da presente autuação. O acórdão recorrido teve como fundamento a Súmula CARF nº 01, a qual dispõe que importa renúncia do contribuinte ao julgamento administrativo quando da propositura de ação judicial, não podendo a autoridade julgadora manifestarse acerca da impugnação. O contribuinte, inconformado com o resultado do julgamento, apresentou recurso voluntário, às fls. 235/245, reiterando, em parte, as alegações expostas em impugnação e refuta que houve renúncia da esfera administrativa. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal e confirmado pelo recorrente, foi impetrado mandado de segurança pelos coproprietários do imóvel desapropriado em parte pela Prefeitura Municipal de Hortolândia em 14/12/2007, pelo Decreto n.º 1.747, visando afastar a incidência do imposto sobre a renda sobre o valor da indenização recebida, processo judicial de n. 2008.61.05.0011546, da 7ª Vara Federal de Campinas SP. Ocorre que a Súmula CARF nº 01, de observância obrigatória aos Conselheiros deste Conselho, consoante previsão regimental, estabelece que importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial, vejamos: SÚMULA CARF nº 01: “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial”. Fl. 328DF CARF MF Processo nº 10830.006988/200948 Acórdão n.º 2202004.434 S2C2T2 Fl. 329 5 Não verifico que a matéria alegada pelo contribuinte em recurso voluntário seja distante do processo judicial. Ademais, o próprio contribuinte assim aduz no recurso voluntário: "A presente autuação envolve, exclusivamente, a constituição do crédito tributário relativo ao Imposto de Renda. A ação judicial, por sua vez, discute a exigibilidade do Imposto de Renda sobre a verba recebida em decorrência da desapropriação". Verificase, contudo, claramente que há identidade da matéria alegada em recurso voluntário com a matéria sub judice. Desde modo, não assiste razão ao contribuinte. Ora, referiu o contribuinte que na ação judicial se discute a exigibilidade do Imposto de Renda sobre a verba recebida em decorrência da desapropriação, o que é totalmente vinculado a constituição do crédito tributário relativo ao Imposto de Renda exigido neste autos administrativos. Portanto, entendo por conhecer do recurso voluntário apresentado, diante da renúncia à instância administrativa. Conclusão. Ante o exposto, voto por não conhecer do recurso, por concomitância com ação judicial. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 329DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13931.000948/2008-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.728
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão no processo nº 12571.000200/2010-57, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, nestes autos.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão no processo nº 12571.000200/201057, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, nestes autos. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP de créditos de PIS/Pasep mercado interno e exportação, apurados no regime de incidência nãocumulativa, com base no art. 3º, §1º da Lei nº 10.637/2002. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 31 .0 00 94 8/ 20 08 -6 1 Fl. 184DF CARF MF Processo nº 13931.000948/200861 Resolução nº 3301000.728 S3C3T1 Fl. 185 2 Cabe ressaltar a existência dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, que tratam dos Autos de Infração de PIS/Pasep e Cofins, respectivamente, lançados em decorrência da análise do direito creditório promovida nos créditos das referidas contribuições dos anos de 2003 a 2007. Além da glosa dos créditos, foi verificado que, em diversos períodos de apuração, ocorreu a não tributação de algumas receitas pelo Contribuinte, motivo pelo qual lhe restou saldo devedor da contribuição a pagar, sendo, então, lavrados os dois Autos de Infração citados. No âmbito dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, proferiuse as Resoluções nº 3301000.520 e 3301000.521, respectivamente. Nestas resoluções decidiuse por converter os julgamentos em diligências para fins de juntada de processos vinculados, processos esses, inclusive o presente, em que se estão sendo analisados os créditos de PIS/Pasep e Cofins (PER/DCOMPs) e que deram ensejo aos autos de infração constantes dos processos referidos. No cumprimento da Resolução nº 3301000.520 assim constou do Despacho de Encaminhamento: DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO Devolvamse os presentes autos ao Conselheiro Valcir Gassen, para prosseguimento, informando que os processos 12571.000024/2010 53, 12571.000025/201006, 12571.000026/201042, 12571.000027/201097, 12571.000028/201031, 12571.000029/201086, 12571.000030/201019, 12571.000031/201055, 12571.000032/201008, 12571.000033/201044, 12571.000034/201099, 12571.000035/201033, 12571.000036/201088, 12571.000037/201022, 12571.000038/201077, 12571.000039/201011, 12571.000040/201046, 12571.000041/201091, 13931.000368/200874, 13931.000948/200861, 13931.000949/200814, 13931.000950/200831, 13931.000951/200885, 13931.000952/200820, 13931.000953/200874, 13931.000954/200819, 13931.000955/200863, 13931.000956/200816 e 13931.000957/200852, que tratam da análise de créditos de PIS (PER/DECOMPs) e que deram ensejo ao auto de que trata este processo foram distribuídos ao referido Conselheiro, em cumprimento à determinação constante da Resolução 3301000.520, de 28/9/2017. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator Quando da análise dos autos para julgamento dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, distribuídos a este relator, constatouse que os dois processos referemse a autos de infração, o primeiro no que tange a contribuição ao PIS e o segundo diz respeito a Cofins, e que existiam outros processos vinculados a estes e que Fl. 185DF CARF MF Processo nº 13931.000948/200861 Resolução nº 3301000.728 S3C3T1 Fl. 186 3 tratam de pedidos de restituição e de compensação (PER/DCOMP) de PIS e Cofins mercado interno e exportação apurados no regime de incidência nãocumulativa. Em pesquisa realizada no eprocesso verificouse que esses processos vinculados aos autos de infração encontravamse distribuídos em fases distintas. Por intermédio das Resoluções nº 3301000.520 e 3301000.521, proferidas nos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, os processos vinculados foram reunidos e distribuídos a este Conselheiro prevento. Assim, entendo que foram atendidas as Resoluções nº 3301000.520 e 3301 000.521. Verificando os processos de PER/Dcomps, constatase que o Auto de Infração alcança todos os períodos de apuração dos PER/Dcomps vinculados, sendo que a solução do litígio no processo do lançamento alcança os processos de ressarcimento/compensação vinculados. Assim, voto pela conversão do julgamento em diligência, para que o presente processo seja encaminhado à repartição de origem, onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão definitiva no processo nº 12571.000200/201057, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, neste processo. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 186DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 36918.000052/2005-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1994 a 31/12/2003
EMBARGOS. CONTRADIÇÃO INSANÁVEL. NULIDADE DO ACÓRDÃO EMBARGADO.
É nulo o acórdão quando eivado de vício insanável. Há vício insanável quando o voto vencido e o voto vencedor alcançam o mesmo resultado, porém ambos divergem do dispositivo do acórdão.
DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. PAGAMENTO ANTECIPADO. OCORRÊNCIA.
"Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração." (Súmula CARF nº 99)
FORNECIMENTO DE COMBUSTÍVEL. TRANSPORTE.
É cabível a inclusão na base de cálculo das rubricas referentes a título de fornecimento de combustível quando a Contribuinte, devidamente intimada, não consegue comprovar de forma apurada o quanto foi gasto como transporte para o trabalho e o quanto foi para uso pessoal do beneficiário.
Numero da decisão: 2202-004.362
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta do relator de converter o julgamento em diligência, vencido o conselheiro Virgílio Cansino Gil (suplente convocado) que acompanhou o relator quanto à proposta de diligência. Acordam ainda, por maioria de votos, em acolher os embargos para decretar a nulidade do acórdão embargado, para dar provimento parcial ao recurso, reconhecendo a decadência até o exercício de 11/1999, inclusive, vencidos os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Waltir de Carvalho e Ronnie Soares Anderson, que rejeitaram a nulidade, e a Conselheira Fernanda Melo Leal (suplente convocada), que dava provimento em maior extensão. Votaram pelas conclusões no que tange mérito os Conselheiros Waltir de Carvalho e Fábia Marcília Ferreira Campelo (suplente convocada). Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias. O relator mudou seu encaminhamento de voto ao propor a realização de diligência. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Martin da Silva Gesto. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio, substituída pela conselheira Fernanda Melo Leal.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (Suplente Convocado), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (Suplente Convocado), Ronnie Soares Anderson e Fernanda Melo Leal (Suplente Convocado).
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1994 a 31/12/2003 EMBARGOS. CONTRADIÇÃO INSANÁVEL. NULIDADE DO ACÓRDÃO EMBARGADO. É nulo o acórdão quando eivado de vício insanável. Há vício insanável quando o voto vencido e o voto vencedor alcançam o mesmo resultado, porém ambos divergem do dispositivo do acórdão. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. PAGAMENTO ANTECIPADO. OCORRÊNCIA. "Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração." (Súmula CARF nº 99) FORNECIMENTO DE COMBUSTÍVEL. TRANSPORTE. É cabível a inclusão na base de cálculo das rubricas referentes a título de fornecimento de combustível quando a Contribuinte, devidamente intimada, não consegue comprovar de forma apurada o quanto foi gasto como transporte para o trabalho e o quanto foi para uso pessoal do beneficiário.
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CONTRADIÇÃO INSANÁVEL. NULIDADE DO ACÓRDÃO EMBARGADO. É nulo o acórdão quando eivado de vício insanável. Há vício insanável quando o voto vencido e o voto vencedor alcançam o mesmo resultado, porém ambos divergem do dispositivo do acórdão. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. PAGAMENTO ANTECIPADO. OCORRÊNCIA. "Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração." (Súmula CARF nº 99) FORNECIMENTO DE COMBUSTÍVEL. TRANSPORTE. É cabível a inclusão na base de cálculo das rubricas referentes a título de fornecimento de combustível quando a Contribuinte, devidamente intimada, não consegue comprovar de forma apurada o quanto foi gasto como transporte para o trabalho e o quanto foi para uso pessoal do beneficiário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta do relator de converter o julgamento em diligência, vencido o conselheiro Virgílio Cansino Gil (suplente convocado) que acompanhou o relator quanto à proposta de diligência. Acordam ainda, por maioria de votos, em acolher os embargos para decretar a nulidade do acórdão embargado, para AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 91 8. 00 00 52 /2 00 5- 11 Fl. 2788DF CARF MF Processo nº 36918.000052/200511 Acórdão n.º 2202004.362 S2C2T2 Fl. 2.789 2 dar provimento parcial ao recurso, reconhecendo a decadência até o exercício de 11/1999, inclusive, vencidos os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Waltir de Carvalho e Ronnie Soares Anderson, que rejeitaram a nulidade, e a Conselheira Fernanda Melo Leal (suplente convocada), que dava provimento em maior extensão. Votaram pelas conclusões no que tange mérito os Conselheiros Waltir de Carvalho e Fábia Marcília Ferreira Campelo (suplente convocada). Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias. O relator mudou seu encaminhamento de voto ao propor a realização de diligência. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Martin da Silva Gesto. Declarouse impedida de participar do julgamento a conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio, substituída pela conselheira Fernanda Melo Leal. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Redator designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (Suplente Convocado), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (Suplente Convocado), Ronnie Soares Anderson e Fernanda Melo Leal (Suplente Convocado). Relatório Tratase, em breves linhas, de Embargos de Declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional visando sanear contradição na decisão proferida no Acórdão CARF nº 2302003.378, de 10/09/2014 (fls. 2.735/2.768). O recurso foi admitido pelo presidente da 2ª Seção (fl. 2.784/2.786), e foi determinada a redistribuição dos autos no âmbito da Seção ante à extinção da 2ª TO da 3ª CÂM, e do fim do mandato do Cons. Relator original. Feito o breve resumo da lide, passo ao relatório pormenorizado dos autos. Tratase de lançamento de ofício do AI DEBCAD Nº 35.524.9235 (fls. 1/68) em função do fornecimento de combustível a gerentes e diretores, configurando remuneração indireta a segurados empregados não declarada em GFIP. O Relatório Fiscal consta às fls. 86/96. Intimada do lançamento, a Contribuinte apresentou impugnação (fls. 394/418). O órgão julgador de primeira instância solicitou diligência (fl. 707). Realizada esta, e apresentado relatório da diligência (fls. 2.508/2.534), a Contribuinte foi intimada e se manifestou (fls. 2.548/2.560). A Delegacia de Julgamento da SRP proferiu então a Decisão Notificação nº 11.401.4/0524/2007 (fls. 2.562/2.575), que manteve parcialmente o crédito tributário. Foram apresentados então recursos voluntário (fls. 2.601/2.623), que foram julgados pelo acórdão CARF nº 240100.100, de 05/03/2009 (fls. 2.630/2.634), que reconheceu a Fl. 2789DF CARF MF Processo nº 36918.000052/200511 Acórdão n.º 2202004.362 S2C2T2 Fl. 2.790 3 nulidade da DecisãoNotificação supra elencada. Retornando os autos à 1ª Instância, foi proferido novo acórdão, de nº 0227.991, de 04/08/2010 (fls. 2.673/2.681), que manteve parcialmente o crédito constituído. Intimada em 26/08/2010 (fl. 2.711), a Contribuinte apresentou novo Recurso Voluntário em 23/09/2010 (fls. 2.712/2.731), argumentando, em síntese: · Que o lançamento é caduco, vez que deveria ser sido aplicada a regra do art. 150, § 4º, do CTN; · Que os valores despendidos a título de fornecimento de combustível pela Recorrente não deve compor a base de cálculo de Contribuições Sociais Previdenciárias vez que não tiveram o condão de remunerar o trabalho e sim de possibilitar o trabalho o combustível era oferecido para o deslocamento ao trabalho; · Que a própria fiscalização excluiu parte dos valores reconhecendo que o combustível havia sido oferecido para possibilitar o deslocamento ao trabalho ou que já havia sido o valor oferecido à tributação; e · Que o ônus da prova cabia à autoridade lançadora, a qual não se desincumbiu de comprovar a natureza remuneratória e que no caso não há presunção aplicável. Os autos retornaram ao CARF, sendo dessa vez julgados no acórdão nº 2302 003.378, de 10/09/2014 (fls. 2.735/2.768), que deu provimento ao recurso e restou assim ementado e acórdado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2005 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 150, §4º DO CTN. ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. SÚMULA Nº 99 DO CARF. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência da norma tributária prevista no art. 150, §4º do CTN. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no §4° do art. 150 do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Fl. 2790DF CARF MF Processo nº 36918.000052/200511 Acórdão n.º 2202004.362 S2C2T2 Fl. 2.791 4 Encontrase finado pela homologação tácita parte do direito do Fisco de constituir o crédito tributário decorrente dos fatos geradores objeto do presente Auto de Infração. UTILIDADES IN NATURA. COMBUSTÍVEIS. SALÁRIO INDIRETO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Os valores despendidos com habitualidade pelo empregador, na forma de utilidades in natura, em benefício dos segurados, integram o conceito de remuneração, na forma de benefícios, compondo assim o Salário de Contribuição dos segurados favorecidos para os específicos fins de incidência de contribuições previdenciárias, eis que não encampadas expressamente nas hipóteses de não incidência tributária elencadas numerus clausus no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário declarando improcedente o lançamento de contribuições previdenciárias sobre a rubrica paga a título de "combustível" para empregados e dirigentes da recorrente, dada a natureza indenizatória da verba. Vencidos o Conselheiro Relator e a Conselheira Liege Lacroix Thomasi, que entenderam pelo provimento parcial do recurso para aplicar a decadência com base no artigo 150, §4º, do Código Nacional, excluindo do lançamento apenas as competências até 11/1999. O Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes fará o voto divergente vencedor. Encaminhados os autos para a PFN em 06/02/2015 (fl. 2.769), esta opôs Embargos de Declaração (fl. 2.770/2.773) em 10/03/2015 (fl. 2.774), buscando sanear contradição no acórdão. Segundo o recurso, a ementa e o voto condutor concluíam pela manutenção do lançamento, enquanto o dispositivo concluiu pela sua exoneração. Os embargos foram admitidos pela presidência da 2ª Seção em 28/087/2017 (fls. 2.784/2.786) nos seguintes termos: Com efeito, pareceme manifesta a contradição no Acórdão nº 2302003.378, o qual contém proposições entre si inconciliáveis. De um lado, a ementa e o voto condutor vencedor sobre a matéria fazem referência expressa à manutenção do lançamento da rubrica "vale transporte combustível", ao passo que o dispositivo do acórdão, por decisão da maioria do colegiado, considerou o mesmo crédito tributário improcedente, dada a natureza indenizatória da verba paga aos trabalhadores da empresa. É o relatório. Voto Vencido Fl. 2791DF CARF MF Processo nº 36918.000052/200511 Acórdão n.º 2202004.362 S2C2T2 Fl. 2.792 5 Os embargos são tempestivos e preenchem os demais requisitos de admissibilidade, portanto deles conheço. Diligência possibilidade de efeitos infringentes e o direito de defesa Compulsando os autos, constatase que a Contribuinte não foi intimada da decisão Embargada nem dos Embargos ora sob análise. Outrossim, observase que a ementa e o voto vencedor da a referida decisão são no sentido de manter o lançamento. De outro lado, o dispositivo do acórdão é no sentido de exonerar a Contribuinte do débito tributário. São duas posições inconciliáveis. Nessa senda, se antevê grande probabilidade de que sejam acolhidos os Embargos. E, acolhidos, o serão ou para alterar o dispositivo do acórdão passando manter o lançamento, ou para alterar o conteúdo do voto condutor passando a afastar o lançamento, ou ainda para anular a decisão embargada caso não seja possível sanear a contradição. Em qualquer hipótese, há grande probabilidade de que sejam atribuídos efeitos infringentes ao acórdão. Nos termos do art. 1.023, § 2º, do CPC/2015, é imperiosa a intimação da parte embargada para se manifestar. Tratase de comando que se coaduna com aqueles contidos nos arts. 9º e 10º do mesmo Codex. Há que se registrar que o CPC tem aplicação subsidiária no processo administrativo, nos termos do art. 15 do mesmo diploma. Não havendo norma especifica proibindo nem regulando a questão no âmbito do processo administrativo, devese aplicar a regra do CPC. Ainda que não houvesse a determinação legal expressa de intimação prévia do Embargado em caso nos quais se vislumbra efeitos infringentes, é de se anotar que os potenciais efeitos infringentes podem ser atribuídos em prejuízo da parte não embargante. Observandose tal hipótese, sem que lhe seja franqueada a oportunidade de se manifestar implicará cerceamento do seu direito de defesa. Cerceamento esse que, nos termos do art. 59, II, do Decreto nº 70.235/1972, implicará nulidade da decisão. Registrase que o RICARF já prevê a intimação da outra parte em caso de Recurso Especial, garantindolhes prazo, conforme arts. 69 e 70 do Anexo II ao RICARF, para oferecer Contrarrazões. Igualmente, determina a abertura de prazo para a Fazenda Nacional apresentar Contrarrazões ao recurso voluntário no art. 48, § 2º. Tais previsões são coerentes com o sistema processual porquanto visam exatamente garantir a paridade de armas e evitar o cerceamento do direito de defesa. Efetivamente, esses recursos têm o objetivo natural de alterar a decisão proferida originalmente. Os Embargos, por sua vez, têm o objetivo de integrar a decisão, mantendoa caso possível, e sendo o efeito infringente apenas eventual. Ainda assim, nestes últimos casos, em que obtêm efeitos infringentes, devese dar aos Embargos os mesmo requisitos de contraditório dado aos demais recursos. É importante observar que este CARF já anulou acórdão que atribuiu efeitos infringentes a Embargos de Declaração opostos pelo Contribuinte por ausência de intimação da Fazenda Nacional antes mesmo da norma do CPC: Fl. 2792DF CARF MF Processo nº 36918.000052/200511 Acórdão n.º 2202004.362 S2C2T2 Fl. 2.793 6 EMBARGOS. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DA FAZENDA NACIONAL. CONTRADITÓRIO. AMPLA DEFESA. NULIDADE. Declarase a nulidade absoluta de Acórdão proferido em sede de embargos de declaração, haja vista que foram conferidos efeitos infringentes ao julgado, sem que a parte interessada Fazenda Nacional tivesse sido intimada para acompanhar o feito: (acórdão CARF nº 1401001.263, de 27/08/2014) O que é mais, a posição do STJ é pacífica no sentido de que, caso os Embargos possam ter efeitos infringentes, devese garantir à outra parte o direito de se manifestar, sob pena de nulidade da decisão. É o que se extrai, por exemplo, dos seguintes julgados: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO PROVIDOS COM EFEITOS INFRINGENTES. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PESSOAL DA UNIÃO. NULIDADE. RETORNO DOS AUTOS. 1. A atribuição de efeitos modificativos aos embargos de declaração requer, necessariamente, a prévia intimação do embargado para apresentar impugnação, em respeito aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa. Precedente: EAg 778.452/SC, Rel. Ministro Ari Pargendler, Corte Especial, DJe de 23/8/2010. 2. Agravo interno não provido. (AgInt no REsp 1372919/PE, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 21/09/2017, DJe 04/10/2017) PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACOLHIDOS COM EFEITOS INFRINGENTES. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DO EMBARGADO PARA APRESENTAR IMPUGNAÇÃO. NULIDADE. 1. O STF, no julgamento do RE 800.989/DF, deu provimento ao recurso extraordinário interposto pelo Ministério Público do Estado do Rio Grande do Norte determinando o rejulgamento dos presentes embargos de declaração, que não haviam sido conhecidos pela Primeira Seção. 2. Nos termos da juriprudência do STJ, a ausência de intimação do embargado para impugnar embargos de declaração que são acolhidos com efeitos infringentes, viola o contraditório, o que impõe a nulidade do julgamento. Precedentes. 3. No caso dos autos, os segundos embargos de declaração da ora embargada foram acolhidos com efeitos infringentes, sem que a prévia intimação do Parquet estadual para apresentar impugnação. 4. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos infringentes, para anular o acórdão dos segundos embargos de declaração. (EDcl nos EDcl nos EDcl nos EREsp 908.790/RN, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 14/06/2017, DJe 27/06/2017) Fl. 2793DF CARF MF Processo nº 36918.000052/200511 Acórdão n.º 2202004.362 S2C2T2 Fl. 2.794 7 Para culminar a questão, o STF já reconhecia a necessidade de intimar a parte Embargada, em caso de efeitos infringentes, mesmo antes da entrada em vigor do CPC: Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXISTÊNCIA DE OMISSÃO. EFEITOS INFRINGENTES EM EMBARGOS. NECESSÁRIO CONTRADITÓRIO. I – A atribuição de efeitos infringentes aos embargos de declaração torna imprescindível a observância do contraditório, oportunizandose à parte contrária impugnar o pedido do embargante. II – Embargos de declaração acolhidos para anular o acórdão proferido nos primeiros embargos de declaração e determinar a abertura de vista ao ora embargante para apresentar contrarrazões ao recurso anteriormente interposto.(AI 813184 AgREDED, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI (Presidente), Tribunal Pleno, julgado em 16/10/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe229 DIVULG 20112014 PUBLIC 2111 2014) Por essas razões, entendo ser necessário converter o julgamento em diligência para que: (1) a Contribuinte seja intimada do resultado do acórdão CARF nº 2302 003.378, de 10/09/2014, abrindolhe prazo para opor interpor os recursos cabíveis, caso queira; (2) a Contribuinte seja intimada, também, dos Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional, abrindolhe o prazo de prazo 5 (cinco) dias para apresentar Contrarrazões, caso queira; e (3) após, retornem os autos para esta relatoria, para continuidade do julgamento. Da contradição no acórdão embargado: Vencido em relação à proposta de diligência, dou continuidade ao julgamento. Registrase que o Despacho de Admissibilidade (fls. 2.784/2.786) admitiu os presentes Embargos de Declaração em função da constatação de contradição no acórdão 2302 003.378, uma vez que a ementa e voto foram no sentido de manter o lançamento e o dispositivo do acórdão foi no sentido de cancelálo. Para a análise da contradição suscitada pela Embargante, convém, em primeiro lugar, a transcrição do dispositivo do acórdão, vez que é ali que se consigna o resultado final do julgamento: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário declarando improcedente o lançamento de contribuições previdenciárias sobre a rubrica paga a título de "combustível" para empregados e dirigentes da recorrente, dada a natureza indenizatória da verba. Vencidos o Conselheiro Relator e a Conselheira Liege Lacroix Thomasi, que entenderam Fl. 2794DF CARF MF Processo nº 36918.000052/200511 Acórdão n.º 2202004.362 S2C2T2 Fl. 2.795 8 pelo provimento parcial do recurso para aplicar a decadência com base no artigo 150, §4º, do Código Nacional, excluindo do lançamento apenas as competências até 11/1999. O Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes fará o voto divergente vencedor. Percebese que o acórdão concluiu, indubitavelmente, por "dar provimento ao Recurso Voluntário" e, nessa senda, afastar o lançamento em relação à "rubrica paga a título de 'combustível' para empregados e dirigentes da recorrente", em função da "natureza indenizatória da verba". Novamente: a decisão proferida foi por dar provimento ao recurso. A decisão, entretanto, foi por maioria. A minoria, vencida, deu "provimento parcial do recurso para aplicar a decadência com base no artigo 150, §4º, do Código Nacional, excluindo do lançamento apenas as competências até 11/1999". Disso é possível extrair que essa minoria negou provimento em relação ao mérito da natureza jurídica da rubrica, reconhecendo a incidência das Contribuições Sociais Previdenciárias. Admitiram, apenas, a decadência parcial do débito. Em outras palavras: dos seis conselheiros que participaram do julgamento, apenas o relator e a presidente teriam votado por manter o lançamento, sendo o voto vencedor no sentido de afastar a autuação. Acontece que a Ementa foi no sentido diametralmente oposto. Efetivamente, da sua transcrição é possível extrair o seguinte excerto: UTILIDADES IN NATURA. COMBUSTÍVEIS. SALÁRIO INDIRETO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Os valores despendidos com habitualidade pelo empregador, na forma de utilidades in natura, em benefício dos segurados, integram o conceito de remuneração, na forma de benefícios, compondo assim o Salário de Contribuição dos segurados favorecidos para os específicos fins de incidência de contribuições previdenciárias, eis que não encampadas expressamente nas hipóteses de não incidência tributária elencadas numerus clausus no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. Desde já se constata o indício de contradição. Da leitura do voto vencedor, entretanto, fica patente a incompatibilidade: "Assim, depreendese do acima exposto, que os valores pago à título de valetransporte aos funcionários da empresa, de forma não eventual, incide, inarredavelmente, a contribuição social. Ademais, ainda que os valores pagos tivessem como base Convenção Coletiva de Trabalho, não é plausível a retirada da sua natureza salarial simplesmente por expressa previsão deste instrumento de que esses valores não integrarão, para qualquer efeito, o salário dos empregados. Isto porque a Convenção Coletiva de Trabalho, ainda que tenha força de lei perante as partes, não pode contrariar o disposto em lei, e está é de clareza solar ao dispor que sobre todas as utilidades fornecidas habitualmente aos empregados incidirão contribuições Fl. 2795DF CARF MF Processo nº 36918.000052/200511 Acórdão n.º 2202004.362 S2C2T2 Fl. 2.796 9 previdenciárias, não podendo a Convenção dispor de modo contrário, sendo esta inoponível aos interesses fiscais. Nesse aspecto, o próprio inciso I, do art. 28 da Lei 8.212/91, dispõe, em sua parte final, que não importa se as parcelas são pagas em razão do contrato ou de convenção coletiva, uma vez que, sempre que concedidas habitualmente, restará caracterizado como salário de contribuição, como no caso em apreço." fl. 2.766. (...) "Nesse diapasão, resta clara a caracterização do salário de contribuição das contribuições sociais lançadas na presente NFLD, pois os valores pagos a título de “vale transporte” não se enquadram nas hipóteses taxativas previstas no §9º do art. 28 da Lei 8.212/91, nem no art. 458, § 2º, da CLT e os mesmos estão em desacordo com a Lei 7.418/85." fl. 2.768. Portanto, é necessário admitir a existência de contradição, contradição essa que não pode perdurar. Há que se observar, entretanto, que a contradição não é passível de saneamento. Isso porque a leitura do voto vencido é também pela manutenção do lançamento. É o que se extrai do seguinte excerto: "Todos esses ganhos auferidos pelos Diretores e Gerentes em utilidades inseremse no conceito jurídico de Salário de Contribuição e, nessa qualidade, deveriam ter sido declarados nas folhas de pagamento e nas GFIP, bem como nos títulos próprios da contabilidade, como assim determina o art. 32 da Lei nº 8.212/91. (...) Diante dos aludidos dispositivos constitucionais e legais, não há como se negar a natureza remuneratória, na forma de utilidades, dos beneficios auferidos pelos diretores e gerentes da autuada." fl. 2.756. Em outras palavras, não houve confronto de posições, naquela análise, em relação à incidência ou não das Contribuições Sociais Previdenciárias sobre a rubrica. Pelo contrário, tanto voto vencido quanto voto vencedor foram no sentido de incidir. Ainda assim, o acórdão foi proferido por maioria. Também, além do voto do relator, ficou consignado um voto vencedor. Não restam dúvidas, portanto, de que houve alguma divergência. Acontece que a leitura do voto vencedor não esclarece a divergência. Pelo contrário, o voto vencedor conclui exatamente no mesmo sentido do voto vencido. Poderia ter divergido em relação à decadência, por exemplo, mas não o fez. O que é mais, a ementa do acórdão foi no sentido de que ocorreu decadência, senão vejamos: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 150, §4º DO CTN. ART. Fl. 2796DF CARF MF Processo nº 36918.000052/200511 Acórdão n.º 2202004.362 S2C2T2 Fl. 2.797 10 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. SÚMULA Nº 99 DO CARF. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência da norma tributária prevista no art. 150, §4º do CTN. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no §4° do art. 150 do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Encontrase finado pela homologação tácita parte do direito do Fisco de constituir o crédito tributário decorrente dos fatos geradores objeto do presente Auto de Infração. Novamente se questiona: qual a divergência que justificou a votação por maioria? Eis a questão que não se consegue sanear. Nessa senda, é necessário concluir que não se trata de hipótese do art. 60 do Decreto nº 70.235/1972, o que significa que há nulidade nos termos do art. 59 do mesmo diploma legal. Mérito Uma vez que entendo ser necessário anular o julgamento do acórdão embargado, fazse necessário analisar o recurso ali julgado. Conforme o relatório, o Recurso Voluntário versa especificamente sobre (1) a decadência do lançamento; (2) a natureza da rubrica que compõe o auto de infração. Nesse caminho, impende analisar cada um individualmente. Da decadência Argumenta a Recorrente que o lançamento não pode subsistir porquanto o crédito tributário que objetiva constituir é caduco. Apesar de já ter sido reconhecida a decadência parcial, reitera a Contribuinte pela reforma do decisum de 1º grau uma vez que foi aplicada a regra do art. 173, I, quando deveria ter sido aplicada a norma do art. 150, § 4º, ambos do CTN. Não houve recurso de ofício em relação à decadência já reconhecida, razão pela qual se analisa apenas a divergência quanto ao marco inicial da contagem da decadência. Percebese que o acórdão da DRJ nº 0227.991 (fls. 2.673/2.681), esclareceu que: "A época do lançamento (12/2004) encontravase vigente o artigo 45 da Lei 8.212/91, que determinava que "o direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos". Entretanto, em 12 de junho de 2008, o Fl. 2797DF CARF MF Processo nº 36918.000052/200511 Acórdão n.º 2202004.362 S2C2T2 Fl. 2.798 11 Supremo Tribunal Federal — STF editou a Súmula Vinculante n° 8, DOU de 20/6/2008 (...) Assim, quando ocorrer lançamento de ofício de crédito tributário que o sujeito passivo não tenha antecipado o pagamento, como no presente caso, aplicase o disposto no artigo 173 do Código Tributário Nacional CTN, (...)" fls. 2.677/2.678; Acontece que, compulsando os autos, não restam dúvidas de que a Contribuinte vinha efetuando declarações e recolhimentos em relação às Contribuições Sociais. Em primeiro lugar, pela questão lógica de que o presente lançamento serviu para constituir crédito complementar, especificamente em relação à rubrica "fornecimento de combustível a gerentes e diretores". Não se discutiu a parcela já declarada pelo Contribuinte em relação às suas GFIPs e suas Folhas de Pagamento, que inclusive serviram como base para a apuração do crédito tributário. Em segundo lugar, e principalmente, porque o Contribuinte trouxe aos autos provas de pagamento das GPS's referente aos período de 01/1999 a 12/1999 (fls. 2.658/2.672). Para que não restem dúvidas, o CARF já consolidou sua posição em Súmula, de observância obrigatória pelo Conselheiro, nos termos do art. 45, VI, do Anexo II ao RICARF: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Nessa senda, uma vez que a Recorrente só foi intimada do lançamento em 29/12/2004 (fl. 1), que declarou a pagou antecipadamente créditos referentes a Contribuições Sociais Previdenciárias no período ora sob análise, fazse necessário reconhecer a decadência o lançamento até o exercício de 11/1999. Da natureza jurídica da rubrica Insurgese a Contribuinte, desde a impugnação, contra a inclusão dos valores incorridos a título de fornecimento de combustível para gerentes e diretores como saláriode contribuição. Retornando ao Relatório Fiscal (fls. 86/96), constatase que a fundamentação foi assim exposta: "3.1.1.3. A empresa Fiat Automóveis S/A, beneficia aos seus funcionários ocupantes dos cargos de Gerentes e Diretores com a cessão de um veiculo de passageiros, de sua fabricação e propriedade o qual se destina a uso particular dos mesmos ou de seus dependentes habilitados, inclusive com o fornecimento de uma cota mensal de 400(quatrocentos) litros de combustíveis. (...) Fl. 2798DF CARF MF Processo nº 36918.000052/200511 Acórdão n.º 2202004.362 S2C2T2 Fl. 2.799 12 3.1.1.3.1. Da Norma e Procedimentos GE.20.1 aprovada em 01/07/90 pela Diretoria de Relações Industriais da Fiat Automóveis S/A, da qual transcrevese alguns tópicos para melhor entendimento da sistemática do fornecimento de combustíveis aos citados dirigentes: (...) 1.4— COTA MENSAL DE COMBUSTÍVEL A cada Gerente sera atribuída uma cota mensal de 400 (quatrocentos) litros de combustive! para o atendimento das suas necessidades de serviço. (grifamos) . Caso a cota mensal seja extrapolada, o Gerente deverá justificar o saldo negativo junto a Gestão da Frota Transportes até o dia 10 do mês seguinte. . Não existindo essa justificativa no prazo estipulado, a Gestão da Frota providenciará o respectivo débito na folha de pagamento" 3.1.1.3.1.1 — Em resposta ao Termo de Intimação para Apresentação de Documentos — TIAD, emitido em 04/08/2004 e com prazo para apresentação de esclarecimentos a partir do de 09/08/2004, a Fiat Automóveis S/A, tão somente apresentou à Fiscalização de Nota: 516/99, de 14 de setembro de 1999, na qual informa que, a partir do mês de Setembro/99, a cota mensal de combustível para veículos designados é de 250(duzentos e cinqüenta) litros. 3.1.1.3.2 — Na análise da Norma e Procedimentos GE.20.1 e na resposta de esclarecimentos solicitadas através do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos — TIAD , não restou comprovado a existência de qualquer tipo de controle relacionando os serviços prestados pelos Dirigentes, nos diversos deslocamentos que pudessem caracterizar o uso exclusivo em serviço. (...) Dessa forma, inferese que estando o veiculo conduzido pelo Gerente ou Diretor, não existe nenhum controle explicitando se a entrada e saída do veiculo, se dá em razão de execução de serviços ou uso particular, concluindose, portanto, que por não existir tais controles fica plenamente demonstrado o uso do veiculo com o combustivel fornecido para uso particular, inclusive de seus dependentes habilitados. (...) 3.1.1.3.5 — Pela rotina contábil acima explicitada, demonstrase de forma clara, que não ha. nenhuma participação financeira do Gerente ou Diretor com relação ao fornecimento de combustíveis dentro dos limites estabelecidos na quota mensal, arcando a empresa Fiat Automóveis S/A, com a integralidade das despesas de fornecimento. Fl. 2799DF CARF MF Processo nº 36918.000052/200511 Acórdão n.º 2202004.362 S2C2T2 Fl. 2.800 13 (...) 3.1.1.4. Na teoria econômica qualquer beneficio, seja ela expresso em termos monetários ou não, agregado pelo trabalhador constituise em fator da remuneração de sua atuação no processo produtivo, representado pelo salário. Para a empresa, constitui uma despesa o fornecimento de combustíveis a seus funcionários das categorias Gerentes e Diretores, para os beneficiários de tal graça, representa um ganho, pois houve sacrifício econômico de alguém para que os funcionários pudessem gozar de tal comodidade. No mundo econômico nada é gratuito. Se alguém se beneficia é porque outrem paga. Destarte, qualquer disponibilidade (beneficio) adquirida pelo empregado da empresa, desde que não seja eventual, integra a base de cálculo da contribuição para custeio da Seguridade Social incidente sobre as folhas de salários. Considerando que a despesa do empregador convertese em beneficio econômico não eventual para seus funcionários, porquanto cuida de vantagem auferida em decorrência do trabalho, urge concluir que tal parcela configura salário utilidade e, por conseguinte, integra o salário de contribuição. (...) 3.1.1.4.1 — Foram tomados como base da quantidade de combustível a cota mensal de 400 (quatrocentos) litros de combustive, para o período de 01/1994 a 08/1999 e de 250(duzentos e cinqüenta) litros, para o período de 09/1999 a 12/2003 tendo em vista que a empresa não possui controles, registros contábeis e documentação que pudessem quantificar, mensal e individualmente, as "Requisições de Combustível" para cada Gerente e/ou Diretor. Por sua vez, argumenta a recorrente que o art. 458 da CLT estabelece que apenas os valores pagos em contrapartida à atividade laborativa é que podem ser abarcados pelo conceito de salário. Nesse mesmo caminho, conclui que as verbas pagas para possibilitar o trabalho ou como indenização não compõem no saláriodecontribuição, sendo os casos de certas utilidades, como habitação e veículos. Isso, mesmo quando há utilização concomitante para fins particulares tais como o uso de veículos nos fins de semana uma vez que o benefício não é concedido como contraprestação, mas sim para viabilizar a prestação do trabalho. Enfim, inclusive baseandose na Súmula 367 do TST, conclui que: "Dessa forma, apresentase irrelevante o fato de os dirigentes da Recorrente também utilizarem os veículos durante os finais de semana. Como visto, a utilização residual dos veículos (e, por conseguinte, do combustível) no âmbito particular não converte essa concessão em remuneração indireta do funcionário." fl. 2.722; O que é mais, contesta a "falta de razoabilidade" da fiscalização e da decisão recorrida, uma vez que Fl. 2800DF CARF MF Processo nº 36918.000052/200511 Acórdão n.º 2202004.362 S2C2T2 Fl. 2.801 14 "foi considerado para base de cálculo da contribuição todo o valor envolvido com o consumo de combustível, como se todo ele tenha sido motivado por suas atividades particulares." fl. 2.723; Pelo contrário, afirmou ter demonstrado que "a) as fichas cadastrais que comprovam que quase totalidade dos dirigentes residem em Belo Horizonte, distante cerca de 35 Km do local em que se situa o estabelecimento da Recorrente (localizado em Betim); b) informações técnicas sobre o consumo de cada modelo de veículo utilizado; c) comprovação de que a empresa ocupa uma área total de 2,25 milhões de metros quadrados com dezenas de quilômetros de vias pavimentadas que são diariamente percorridas pelos dirigentes da Recorrente." fl. 2.724; Em suma, demonstrou que apenas no deslocamento entre a residência e o trabalho, os dirigentes consumiriam média de 140 litro/mês. Também, que a partir de 2000 a própria contribuinte passou a incluir na base de cálculo das Contribuições Previdenciárias parcelas dos valores relacionados com o fornecimento de combustível, valores esses já considerados na apuração do lançamento ainda que isso não signifique admissão de que a totalidade do combustível fornecido componha a base de cálculo. Apresentou caso concreto de um de seus diretores: (1) forneceu 254,9 litros em junho/2000; (2) ele reside 70 Km de distância do trabalho; (3) considerando o consumo do veículo utilizado, o deslocamento residênciatrabalho seria de 197,43 litros; (4) os 57,47 litros de excesso, conforme valores da época, custariam R$ 59,15; (5) a empresa ofereceu a tributação, em relação a ele, R$ 126,00, valor esse que foi excluído da base de cálculo. Ainda assim, o restante foi considerado como saláriodecontribuição. Outrossim, que para a manutenção da presunção de que a integralidade dos valor incorrido com essa despesa seria de uso pessoal dos dirigentes e gerentes, seria necessário demonstrar que em nenhuma ocasião foram os veículos utilizados para o deslocamento ao trabalho, ou para atividades fora do estabelecimento, como reuniões em Belo Horizonte ou Nova Lima, onde fica a diretoria, ou ainda para o Aeroporto de Confins, cerca de 60 Km de distância de Betim. Pois bem. Em primeiro lugar, é importante que a autoridade lançadora fundamentou a inclusão da integralidade do combustível oferecido compunha o saláriodecontribuição, uma vez que "qualquer beneficio, seja ela expresso em termos monetários ou não, agregado pelo trabalhador constituise em fator da remuneração de sua atuação no processo produtivo, representado pelo salário". Há que se observar que nem todo valor pago ao trabalhador é considerado salário. É o caso dos auxíliostransporte, que já são reconhecidos nesse e. CARF por meio de Súmula. Nesse sentido, não é suficiente que seja pago ou fornecido determinado valor ou benefício ao trabalhador; é necessário, isso sim, que reste demonstrada a natureza remuneratória e não de reembolso ou mesmo de indenização. Fl. 2801DF CARF MF Processo nº 36918.000052/200511 Acórdão n.º 2202004.362 S2C2T2 Fl. 2.802 15 Nessa trilha, é possível compreender da fundamentação contida no lançamento também que a autoridade fiscalizadora fundamentou o lançamento em indícios de que o combustível não tinha o propósito exclusivo de permitir o trabalho, mas sim que também poderia ser utilizado para fins pessoais. Para tanto, esclareceu que a Contribuinte não foi capaz de demonstrar controle dos gastos e que, conforme as cláusulas administrativas da empresa, os veículos poderiam ser utilizados não apenas pelos gerentes e diretores mas também pelos seus dependentes. A verdade é que o fato de que o veículo poderia ser utilizado por outras pessoas que não o trabalhador é irrelevante para o presente lançamento. Efetivamente, a presente exação não incidiu sobre a disponibilidade do veículo enquanto benefício em utilidade, mas somente sobre o fornecimento do combustível. Nesse sentido, se o trabalhador permitisse que um de seus filhos utilizasse o carro no final de semana, por exemplo, desde que ele abastecesse com recursos próprios o veículo, pouco importa para a empresa e para o lançamento. Diferente é a questão do controle efetivo dos gastos com combustível. Isso porque tal controle serve em favor da Contribuinte, para afastar a tributação, vez que é instrumento de prova útil para se atestar a natureza dos dispêndios. Sua ausência não é elemento suficiente para a imposição da exação sobre tais valores, porém vai em desfavor da Contribuinte, a quem caberia provar que os valores não representaram contraprestação pelo serviço em utilidades. Assim, alcançase a situação concreta dos autos. De um lado, a autoridade lançadora demonstrou que a Contribuinte disponibilizada no período subsistente do lançamento (01/2000 e seguinte) uma cota de até 250 litros/mês para cada diretor e dirigente. Isso não significa que cada um deles efetivamente utilizou o limite, mas apenas que esse era o limite disponível. Caso fosse necessário mais combustível, deveria o trabalhador justificar e demonstrar a necessidade desse excedente para que a empresa os disponibilizasse. Em primeira análise, parece realmente a vultuoso o montante de combustível disponibilizado. Supondo um carro com eficiência média de 8 km/litro, essa cota limite significa 2.000 km / mês. Considerando que o trabalhador labore 22 (vinte e dois) dias por mês, então seriam aproximadamente 91 km/dia. Para uma pessoa que não utiliza o veículo como instrumento de trabalho (taxi, transportes urbanos etc.), mas apenas como meio de locomoção entre sua residência para o trabalho, é realmente uma alta quilometragem. Porém, como registrou a Contribuinte, sua fábrica está localizada em Betim, cidade vizinha a Belo Horizonte, onde reside a maior parte de seus dirigentes. Como provas, apresentou as fichas de cadastro deles, nas quais constam informações pessoais, incluindo os endereços (fls. 1.348/1.444). Por amostragem identificouse que o deslocamento diário residência/trabalho/residência seria de (1) 60 km para um dos trabalhadores que residia no bairro de Sion, em BH (fl. 1.352); (2) 48 km para outro trabalhador que residia no bairro de Castelo, também BH (fl. 1.362); (3) 44 km para outro, que residia no bairro de Lourdes, ainda em BH (fl. 1.391); (4) 54 km para um que residia no bairro de Belvedere, ainda em BH (fl. 1.421). É coerente, portanto, a disponibilidade de um limite diário e geral de 90 km, especialmente quando a empresa não mantém um controle mais próximo do consumo. Com Fl. 2802DF CARF MF Processo nº 36918.000052/200511 Acórdão n.º 2202004.362 S2C2T2 Fl. 2.803 16 esse limite, abarcarseia a maioria dos trabalhadores, sendo que eventuais excedentes deveriam ser justificadas. Relembrase que a disponibilidade de 250 litros era o limite, e não a regra. Acontece que, realmente, não se identificou nos autos um controle efetivo do consumo. É possível encontrar, por exemplo, uma planilhas de "Controle de Combustível" (fls. 1.568/1.639), na qual se observa o nome do trabalhador, o seu endereço, o modelo do veículo (com placa e consumo médio), além da distância entre sua residência e local de trabalho, total de quilômetros percorridos no mês, total de litros consumidos no mês. Essas são, entretanto, bastante sucintas, com apenas um punhado de dirigentes e nem todos residentes em MG, como fundamentou a Contribuinte em suas peças. Diante desses fatos, tem razão em sua argumentação jurídica a Contribuinte, e ainda é plausível e provável a adequação das suas despesas. Contudo, a verdade é que ela não demonstrou, estreme de dúvidas, que os valores incorridos se referiam ao transporte para o trabalho, sendo possível que os dirigentes e diretores utilizassem nesse limite de 250 litros mensais uma proporção inclusive relevante para usos pessoais. No que toca ao argumento de razoabilidade do lançamento, é provável, como bem argumenta a Contribuinte, que boa parte dos benefícios em combustível se destinou ao transporte. Contudo, uma vez que a autoridade lançadora fundamentou e apresentou provas suficientes para lastrear o lançamento, cabia a ela apresentar provas suficientes para contestá lo. Se tivesse apresentado um controle efetivo dos gastos qual a quilometragem percorrida diariamente por cada diretor/gerente , seria possível excluir o montante comprovado. Não o fazendo, deve ser mantido o lançamento tal como feito. Dispositivo Diante de tudo quanto exposto, tendo sido vencido em relação à diligência, acolho os embargos com efeitos infringentes para anular o acórdão embargado e, julgando o recurso, voto por dar provimento parcial para reconhecer a decadência até o exercício de 11/1999, inclusive. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Voto Vencedor Conselheiro Martin da Silva Gesto, Redator designado. Peço vênia ao ilustre Relator a divergir em parte do seu voto, haja vista que meu entendimento é contrário ao seu em relação diligência proposta. Conforme referiu o Conselheiro Relator, a Contribuinte não foi intimada da decisão Embargada nem dos Embargos ora sob análise. Fl. 2803DF CARF MF Processo nº 36918.000052/200511 Acórdão n.º 2202004.362 S2C2T2 Fl. 2.804 17 No entanto, entendo por desnecessária a diligência, pois ocorre que a contribuinte será intimada do acórdão de recurso voluntário tão logo seja encaminhado os autos a DRF de origem, não havendo amparo legal a intimação do contribuinte do acórdão de recurso voluntário previamente a análise de embargos de declaração ou, ainda, os inominados. Esclarecese, por oportuno, que a pauta das sessões do CARF foi publicada no Diário Oficial da União, estando a contribuinte portanto intimada do julgamento. Desde modo, entendo por descabida a diligência, diante da ausência de previsão legal ou regimental, razão pela qual voto pela sua rejeição. (Assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto, Redator designado Declaração de Voto Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias. Como já exposto pelo i. Relator, tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional, a fim de sanear contradição do dispositivo, com a ementa e os votos vencido e vencedor. Apesar da clareza de entendimento do voto do Relator em relação à sua posição pela nulidade do acórdão embargado, vejo a contradição apontada pela embargante de forma diversa. Para entender a contradição, imperioso extrair a essência da divergência desses votos. Nesse sentido, analisando o voto vencido, verifico que o Relator à época do julgamento entendeu que após a implementação da GFIP o lançamento de contribuição previdenciária não mais é por homologação, mas por declaração, o que afastaria a decadência inscrita no art. 150, § 4º do CTN, e que a decadência a ser aplicada seria a do art. 173, inciso I, do CTN. Extraio de seu voto o seguinte trecho: Assim, nos termos do art. 150, caput e parágrafos, do CTN, apenas encontrase extinta pelo pagamento antecipado e correspondente homologação tácita a fração da obrigação tributária correspondente ao pagamento realizado. Dessarte, as obrigações tributárias decorrentes dos fatos geradores cujo crédito tributário correspondente não se houve por contemplado pelo recolhimento antecipado permanecem hígidas, não sofrendo qualquer influência do pagamento realizado pelo Sujeito Passivo, nos termos do §2º do art. 150 do CTN. Nessa vertente, o direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário referente às obrigações tributárias ainda não extintas pelo pagamento extinguese após 5 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento Fl. 2804DF CARF MF Processo nº 36918.000052/200511 Acórdão n.º 2202004.362 S2C2T2 Fl. 2.805 18 poderia ter sido efetuado, em atenção ao preceito inscrito no art. 173,1, do CTN. Apesar de entender que ao caso se aplicaria a decadência inscrita no art. 173, inciso I, do CTN, ele se curvou à Súmula Carf nº 99, e aplicou a decadência disposta no § 4º do art. 150 do CTN, senão, vejamos: No caso presente, o Recorrente trouxe aos autos comprovantes de recolhimento de contribuições previdenciárias referentes ao período de jan/99 a dez/99. Nessa prumada, de acordo com o entendimento da Suprema Corte de Justiça vertido no Acórdão do Recurso Especial nº 973.733 SC, o qual transitou em julgado em 29/10/2009, assessorado pela Súmula nº 99 do CARF, tendo havido recolhimento antecipado do tributo, mesmo em montante inferior ao efetivamente devido, inexistindo demonstração de que o Sujeito Passivo tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, a decadência do direito do Fisco de constituir o crédito tributário deve obedecer à regra prevista na primeira parte do §4º do artigo 150 do CTN. Nessa perspectiva, diante das razões até então esplanadas, malgrado não esposar tal entendimento, este Subscritor não pode postarse ao largo do comando imperativo inscrito no art. 62A do Regimento Interno do CARF, que impõe aos Conselheiros desta Corte Administrativa a reprodução das decisões definitivas proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista no art. 543C do Código de Processo Civil. [...] Assim delimitadas as nuances materiais do lançamento, nesse especifico particular, tendo sido o Sujeito Passivo cientificado do lançamento aviado no Auto de Infração em debate aos 29 dias do mês de dezembro de 2004, os efeitos o lançamento em questão alcançam com a mesma eficácia constitutiva todas as obrigações tributárias exigíveis a contar da competência dezembro/1999, inclusive, nos termos do § 4º do art. 150 do Codex tributário. Há que se reconhecer que, à luz da Súmula Vinculante nº 8 do STF e do Recurso Especial nº 973.733 SC, na data da lavratura da NFLD em debate, já se encontravam caducas todas as obrigações tributárias decorrentes dos fatos geradores ocorridos até a competência dezembro/1998, nos termos do art. 173, I do CTN, da mesma forma que já se encontrava tacitamente homologado o crédito tributário decorrente dos fatos geradores ocorridos nas competências de janeiro a novembro/1999, na expressão do §4º do art. 150 do CTN, circunstância que se configura óbice intransponível ao Fisco para o exercício do seu direito de constituir o crédito tributário em relação a essas competências, dada a sua extinção legal, nos termos do art. 156, V, in fine, do Código Tributário Nacional, consoante Fl. 2805DF CARF MF Processo nº 36918.000052/200511 Acórdão n.º 2202004.362 S2C2T2 Fl. 2.806 19 entendimento do STJ aviado na sistemática dos recursos repetitivos. (Grifei). Em sequência, aquele Relator faz uma extensa fundamentação sobre a procedência do lançamento fiscal relativo à rubrica "combustível", considerando que o conceito de remuneração para o Direito Previdenciário é mais abrangente que para o Direito Trabalhista, e por isso, todas as verbas que o segurado recebe em decorrência de seu trabalho são passíveis de incidência de contribuição previdenciária. Peço licença para transcrever os trechos que resumem seu fundamento, para entendermos em que aspecto se delineou a divergência do voto vencedor do acórdão embargado: Voto Vencido [...] Grassa no seio dos que operam no mètier do Direito do Trabalho a serôdia ideia de que a remuneração do empregado é constituída, tão somente, por verbas representativas de contraprestação de serviços efetivamente prestados pelos empregados. A retidão de tal concepção poderia até ter sua primazia aferida ao tempo da promulgação do DecretoLei n° 5.452/43 (nos idos de 1943), que aprovou a Consolidação das Leis do Trabalho. [...] Registrese, por relevante, que o entendimento a respeito do alcance do termo "remuneração" esposado pelos diplomas jurídicos mais atuais se divorciou de forma substancial daquele conceito antiquado presente na CLT. O baluarte desse novo entendimento tem sua pedra fundamental fincada na própria Constituição Federal, cujo art. 195,1, alínea "a", estabelece: [...] Do marco primitivo constitucional deflui que a base de incidência das contribuições em realce não é mais o salário, mas, sim, a "folha de salários", propositadamente no plural, a qual é composta, segundo a mais autorizada doutrina, por todos os lançamentos efetuados em favor do trabalhador em contraprestação direta pelo trabalho efetivo prestado à empresa, acrescido dos "demais rendimentos do trabalho, pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício", parcela esta que abraça todas as demais rubricas devidas ao trabalhador em decorrência do contrato de trabalho, de molde que, toda e qualquer espécie de contraprestação paga pela empresa, a qualquer título, aos segurados obrigatórios do RGPS encontram se abraçadas, em gênero, pelo conceito de Salário de Contribuição. [...] Como visto, o próprio Legislador Constituinte honrou deixar consignado no Texto Constitucional a real amplitude da base de incidência da contribuição social em destaque: as contribuições Fl. 2806DF CARF MF Processo nº 36918.000052/200511 Acórdão n.º 2202004.362 S2C2T2 Fl. 2.807 20 previdenciárias incidem não somente a "folha de salários", como também, sobre os "demais rendimentos do trabalho, pagos ou creditados, a qualquer titulo, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício". Tal compreensão caminha em harmonia com as disposições expressas no § 11 do artigo 201 da Constituição Federal, que estendeu a abrangência da base de incidência das contribuições previdenciárias aos ganhos habituais do empregado, recebidos a qualquer título. [...] Portanto, a contar da EC n° 20/98, todas as verbas recebidas com habitualidade pelo empregado, qualquer que seja a sua origem e título, passam a integrar, por força de norma constitucional, o conceito jurídico de SALÁRIO (Instituto de Direito do Trabalho) e, nessa condição, passam a compor obrigatoriamente o SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (Instituto de Direito Previdenciário) do segurado, se sujeitando compulsoriamente à incidência de contribuição previdenciária e repercutindo no benefício previdenciário do empregado. [...] A norma constitucional acima citada nao exclui da tributação as rubricas recebidas em espécie de forma eventual. A todo ver, a norma constitucional em questão fez incorporar ao SALÁRIO (instituto de direito do trabalho) todos os ganhos habituais do empregado, a qualquer título. Ocorre, contudo, que o conceito de SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (instituto de direito previdenciário) é muito mais amplo que o conceito trabalhista mencionado, compreendendo não somente o SALÁRIO (instituto de direito do trabalho), mas, também, os INCENTIVOS SALARIAIS, assim como os BENEFÍCIOS. Assim, as verbas auferidas de forma eventual podem se classificar, conforme o caso, ou como incentivos salariais ou como benefícios. Em ambos os casos, porém, integram o conceito de Salário de Contribuição, nos termos e na abrangência do art. 28 da Lei n° 8.212/91, observadas as excepcionalidades contidas em seu §9°. [...] Notese que o conceito jurídico de Salário de contribuição, base de incidência das contribuições previdenciárias, foi estruturado de molde a abraçar toda e qualquer verba recebida pelo obreiro, a qualquer título, em decorrência não somente dos serviços efetivamente prestados, mas também, no interstício em que o trabalhador estiver à disposição do empregador, nos termos do contrato de trabalho. Advirtase que o termo "remunerações" encontrase empregado no capul do transcrito art. 28 em seu sentido amplo, abarcando todos os componentes atomizados que integram a Fl. 2807DF CARF MF Processo nº 36918.000052/200511 Acórdão n.º 2202004.362 S2C2T2 Fl. 2.808 21 contraprestação da empresa aos segurados obrigatórios que lhe prestam serviços. Em verdade, até mesmo a remuneração referente ao tempo ocioso em que o empregado permanecer à disposição do empregador não escapa da amplitude do conceito de salário de contribuição. Tais conclusões decorrem de esforços hermenêuticos que não ultrapassam a literalidade dos enunciados normativos supratranscritos, eis que o texto legal revelase cristalino ao estabelecer, como base de incidência, o "total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título". [...] Não se deslembre que as despesas de transporte do trabalhador de casa para o trabalho e viceversa são custeadas pelo salário do obreiro, mesmo o saláriomínimo, e não pela empresa, consoante inciso da CF/88. Aditese que o ganho do Beneficiário é ainda maior, na medida em que deixa de despender importâncias para cobrir despesas de manutenção, seguro, tributos, etc. Todos esses ganhos auferidos pelos Diretores e Gerentes em utilidades inseremse no conceito jurídico de Salário de Contribuição e, nessa qualidade, deveriam ter sido declarados nas folhas de pagamento e nas GFIP, bem como nos títulos próprios da contabilidade, como assim determina o art. 32 da Lei n° 8.212/91. Merece ser destacado que os benefícios auferidos pelos citados segurados eram obtidos com habitualidade mensal, na forma de utilidades, passando a incorporar o salário do trabalhador, conforme previsto no §11 do art. 201 da CF/1988. Diante dos trechos transcritos, verificase que aquele Relator entendeu ser devida a contribuição previdenciária sobre a rubrica "combustíveis", porque distante esta da condição que a incluiria na isenção listada no § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, não restando demonstrado ou provado que os valores recebidos seriam provenientes de reembolso de despesas pelos gastos com combustíveis utilizados para a execução de atividades da empresa. Voltandome à análise do voto vencedor do acórdão embargado, entendo que, o redator designado, à época do julgamento, divergiu daquele Relator apenas na questão da abrangência do conceito remuneração, e discordou em relação à existência de um conceito de remuneração para o Direito Previdenciário e outro para o Direito Trabalhista, delineado por aquele Relator em seu voto vencido, conforme se extrai dos seguintes trechos: Voto Vencedor [...] Pois bem. Ao conceituar saláriodecontribuição, em seu artigo 28, a Lei nº 8.212/91, é cristalina ao incluir totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados, a qualquer título, aos empregados, bem como os ganhos habituais em forma de utilidade, in verbis: Fl. 2808DF CARF MF Processo nº 36918.000052/200511 Acórdão n.º 2202004.362 S2C2T2 Fl. 2.809 22 [...] Desta feita, de acordo a legislação previdenciária vigente, não será considerada como base de cálculo das contribuições previdenciárias as parcelas recebidas a título de vale transporte, conforme disposto na alínea "f, §9º do art. 28 da Lei 8.212/91, in verbis: [...] Corroborando o acima exposto é válido trazer a baila o disposto no art. 5o da Lei n° 7.418/85, regulamentada pelo Decreto nº 95.247/87: "Art. 5o. É vedado ao empregador substituir o ValeTransporte por antecipação em dinheiro ou qualquer outra forma de pagamento, ressalvado o disposto no parágrafo único deste artigo. Parágrafo Único No caso de falta ou insuficiência de estoque de ValeTransporte, necessário ao atendimento da demanda e ao funcionamento do sistema, o beneficiário será ressarcido pelo empregador, na folha de pagamento imediato, da parcela correspondente, quanto tiver efetuado, por conta própria, as despesas para seu deslocamento". [...] Nesse diapasão, verificase que para a não integração de tais prestações ao salário de contribuição, estas deverão ser feitas através da entrega dos respectivos valestransportes. Assim, apenas é justificável o pagamento em dinheiro, caso ocorra a falta de estoque para o necessário atendimento da demanda, o que não está caracterizado no presente caso, eis que o benefício em dinheiro foi feito de forma contínua durante todo o período de 04/02 a 03/04, contrariando frontalmente o disposto alhures. A ora Recorrente ainda argumenta, com base a alínea "m"e "s" do §9º do art. 28 da Lei 8.212/91, que não integrarão o salário de contribuição os valores correspondentes a transporte, caso o empregado contratado para trabalhar resida em localidade distante do seu trabalho, que exija o deslocamento e estada, bem como o ressarcimento de despesas pelo veículo do empregado. O raciocínio disposto acima está correto. Ocorre que, no caso em apreço, não há qualquer prova de que os valores pagos a título de "vale transporte combustível", verificados em folhas de pagamento, referiamse ao ressarcimento de despesas. Assim, de acordo com a parte final da citada alínea "s", as despesas deverão ser devidamente comprovadas, caso contrário, integrarão o salário de contribuição. Atendendo aos ditames do Princípio do Contraditório e da Ampla Defesa, fora dada oportunidade da ora Recorrente de carrear aos autos os documentos que comprovassem o alegado, contudo, os documentos trazidos a baila em nada se referem ao Fl. 2809DF CARF MF Processo nº 36918.000052/200511 Acórdão n.º 2202004.362 S2C2T2 Fl. 2.810 23 ressarcimento de despesas. Pelo contrário, houve sim a juntada de milhares de fls. De documentos que não guardam qualquer pertinência com o presente lançamento. Assim, resta inconteste que as despesas pagas não incluemse nas exceções previstas nas alíneas "m"e "s" do §9º do art. 28 da Lei 8.212/91. Por outro lado, com todo o respeito daqueles que divergem do meu posicionamento, apesar de o art. 28, da Lei nº 8.212/91 conceituar a remuneração de uma forma abrangente, a norma Celetista o faz de forma diferente em seu o § 2o do art. 458, da CLT, no entanto, mesmo levandose em consideração o disposto na Legislação Trabalhista, in casu, esta não socorre no presente caso a Recorrente. Alicerço o meu entendimento, no fato de que admitir um conceito de remuneração para o direito previdenciário e outro para o direito trabalhista deve ser evitado, pois o próprio Supremo Tribunal Federal STF, no julgamento do RE 166.772/RS, firmou entendimento no sentido de que as definições postas no art. 195, I, da Constituição Federal devem ser interpretadas em conformidade com a dimensão que lhes confere o Direito do Trabalho, mesmo para fins previdenciários. [...] Assim, mesmo utilizandose dos conceitos da legislação trabalhista, deve ser mantido o lançamento, vez que o pagamento de vale transporte combustível em dinheiro tem natureza salarial, não se enquadrando em nenhuma das hipóteses de exceção previstas no art. 458, § 2o, da CLT, sendo pacífico o entendimento dos Tribunais Superiores Pátrios acerca da matéria: [...] Nesse diapasão, resta clara a caracterização do salário de contribuição das contribuições sociais lançadas na presente NFLD, pois os valores pagos a título de "vale transporte" não se enquadram nas hipóteses taxativas previstas no §9º do art. 28 da Lei 8.212/91, nem no art. 458, § 2o, da CLT e os mesmos estão em desacordo com a Lei 7.418/85.(Grifei). Como se verifica, a divergência do voto vencedor do acórdão embargado se limitou ao aspecto do conceito de remuneração, uma vez que aquele Relator fez um extenso arrazoado para demonstrar a amplitude do conceito remuneração para fins previdenciários. Situação com a qual o Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes não concordava, divergindo para, a meu ver, deixar clara a sua opinião a respeito da questão posta e justificar votos já proferidos ou a serem proferidos que tratem da matéria e confrontem com as conclusões do voto vencido do acórdão embargado, que acatou no caso sob análise. Em resumo, as decisões estampadas nos votos foram as seguintes: Voto Vencido Voto vencedor 1) considerou procedente o lançamento, por entender que o conceito de remuneração para o Direito Previdenciário é mais abrangente que o delineado 2) considerou procedente o lançamento, por entender que a rubrica "combustível" não se enquadrava na isenção do art. § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, nem Fl. 2810DF CARF MF Processo nº 36918.000052/200511 Acórdão n.º 2202004.362 S2C2T2 Fl. 2.811 24 pelo Direito Trabalhista, e pela rubrica "combustível" não se incluir na regra isentiva do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, sendo que o recorrente não comprovou que os valores pagos aos dirigentes eram decorrentes de reembolso por despesas com transporte. no conceito de remuneração pela Legislação Trabalhista (que deve prevalecer, inclusive para fins previdenciários), e por estar em desacordo com a Lei nº 7.418/85. 2) excluiu do crédito tributário os lançamentos até 11/1999, por aplicar a decadência inscrita no art. 173, inciso I, aos lançamentos até 11/1998 (que já tinham sido excluídos pela DRJ) e aplicar a decadência inscrita no art. 150, inciso I, por mandamento da Súmula Carf nº 99 aos lançamentos do período de 12/1998 a 11/1999. 2) Não divergiu nessa questão. Diante do exposto, e considerando os fundamentos dos votos vencido e vencedor do acórdão embargado, entendo que o resultado do julgamento foi pela procedência do lançamento, por ser a rubrica "combustível" remuneração, e excluir do crédito tributário os lançamentos até novembro/1999, por estarem alcançados pela decadência. Portanto, o dispositivo que melhor resume os fundamentos do voto vencido, vencedor e da ementa seria o seguinte: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para declarar procedente o lançamento de contribuições previdenciárias sobre a rubrica paga a título de "combustível" para empregados e dirigentes da recorrente, nos termos do voto vencedor, e excluir do crédito tributário os lançamentos até a competência novembro/1999, em função da aplicação da decadência, conforme art. 173, I, do CTN, e da homologação tácita do crédito tributário, nos termos do § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Vencidos o Conselheiro Relator e a Conselheira Liege Lacroix Thomasi, apenas em relação à fundamentação da procedência do lançamento de contribuições previdenciárias sobre a rubrica paga a título de "combustível". O Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes fará o voto divergente vencedor, na parte relativa à fundamentação da procedência do lançamento sobre a rubrica paga a título de "combustível". Concluí por esse dispositivo, analisando os resultados das atas das sessões de julgamento do período de 09/09/2014 a 11/09/2014, da 2ªTO/3ªCÂMARA/2ªSEJUL (mesma reunião em que foi exarado o acórdão embargado), é possível ver o posicionamento de cada um dos conselheiros quanto às matérias que foram discutidas no presente processo. Por exemplo, no Acórdão 2302003.364, verificase que o Conselheiro Arlindo da Costa e Silva aplica a decadência baseada no art. 173, I, mesmo nos casos em que há recolhimento; e os conselheiros Fábio Pallaretti Calcini, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, aplicam o artigo 150 § 4º, do Código Tributário Nacional, em função da homologação tácita (existência de recolhimento). Já no acórdão embargado, vêse que aquele Relator entendeu que ao caso teria ocorrido a decadência tanto pelo 173, I, do CTN (para as competências até 12/1998), quanto nos termos do § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (para as competências até 11/1999), pela homologação tácita do crédito Fl. 2811DF CARF MF Processo nº 36918.000052/200511 Acórdão n.º 2202004.362 S2C2T2 Fl. 2.812 25 tributário, o que fez o Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes acompanhar o voto daquele Relator nessa parte, razão pela qual não discorreu sobre a decadência em seu voto vencedor. A certeza de que a Conselheira Liege Lacroix Thomasi acompanhou aquele Relator quanto à fundamentação para a manutenção do lançamento, pode ser percebida por sua posição no acórdão nº 2302003.376, exarado na sessão de 10/09/2014, na qual entende ser amplo o conceito de folha de salários (mesma linha seguida pelo Relator do acórdão embargado): A "folha de salários" é composta por lançamentos onde constam o nome dos trabalhadores e todas as parcelas devidas a estes em decorrência do serviço executado. Assim, qualquer tipo de contraprestação paga pela empresa, a qualquer título, aos segurados empregados e contribuintes individuais faz parte da "folha de salários", que, nos termos da Carta Política de 1988, é a base de incidência da contribuição social devida pelos empregadores. Diante disso, entendo não haver razão para nulidade do acórdão embargado, entretanto, proponho apenas alteração no dispositivo, conforme acima escrito. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer os embargos, acolhêlos com efeitos infringentes para corrigir o dispositivo do acórdão embargado nos termos dos fundamentos dos votos proferidos naquela sessão de julgamento, devendo ter a seguinte redação: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para declarar procedente o lançamento de contribuições previdenciárias sobre a rubrica paga a título de "combustível" para empregados e dirigentes da recorrente, nos termos do voto vencedor, e excluir do crédito tributário os lançamentos até a competência novembro/1999, em função da aplicação da decadência, conforme art. 173, I, do CTN, e da homologação tácita do crédito tributário, nos termos do § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Vencidos o Conselheiro Relator e a Conselheira Liege Lacroix Thomasi, apenas em relação à fundamentação da procedência do lançamento de contribuições previdenciárias sobre a rubrica paga a título de "combustível". O Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes fará o voto divergente vencedor, na parte relativa à fundamentação da procedência do lançamento sobre a rubrica paga a título de "combustível". (Assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Fl. 2812DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16095.000711/2008-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2005
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS
A análise de inconstitucionalidade de leis não pode ser apreciada em sede administrativa, por expressa disposição legal.
REQUISITOS DO AUTO DE INFRAÇÃO.
Os requisitos formais relativos aos autos de infração estão previstos no artigo 10 do decreto 70.235/72.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Devidamente comprovado nos autos que a impugnante tinha pleno conhecimento dos fatos constantes do lançamento de ofício, impede qualquer alegação de cerceamento do direito de defesa sob alegação de que o processo não estivesse disponível na repartição de jurisdição do contribuinte.
SIGILO BANCÁRIO. DIREITO A INTIMIDADE E À PRIVACIDADE. INOPONIBILIDADE A PESSOAS JURÍDICAS. MATÉRIA NÃO SUJEITA À RESERVA DE JURISDICAO
É improcedente o pedido de insubsistência do auto de infração dos tributos do Simples, por violação do sigilo bancário da empresa, eis que o acesso às informações bancárias diretamente pelo fisco é legítimo, não configurando afronta ao direito de intimidade e privacidade.
Numero da decisão: 1302-002.976
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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REQUISITOS DO AUTO DE INFRAÇÃO. Os requisitos formais relativos aos autos de infração estão previstos no artigo 10 do decreto 70.235/72. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Devidamente comprovado nos autos que a impugnante tinha pleno conhecimento dos fatos constantes do lançamento de ofício, impede qualquer alegação de cerceamento do direito de defesa sob alegação de que o processo não estivesse disponível na repartição de jurisdição do contribuinte. SIGILO BANCÁRIO. DIREITO A INTIMIDADE E À PRIVACIDADE. INOPONIBILIDADE A PESSOAS JURÍDICAS. MATÉRIA NÃO SUJEITA À RESERVA DE JURISDICAO É improcedente o pedido de insubsistência do auto de infração dos tributos do Simples, por violação do sigilo bancário da empresa, eis que o acesso às informações bancárias diretamente pelo fisco é legítimo, não configurando afronta ao direito de intimidade e privacidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 00 07 11 /2 00 8- 78 Fl. 474DF CARF MF Processo nº 16095.000711/200878 Acórdão n.º 1302002.976 S1C3T2 Fl. 475 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Para a devida síntese do processo, transcrevo o relatório da DRJ/CGE, complementandoo ao final: “Foram lavrados contra o contribuinte acima identificado, autos de infração do SIMPLES do ano calendário de 2005, no valor total de R$ 107.792,51, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 305 a 366. A autoridade fiscal efetuou o lançamento de ofício em face de omissão de receitas no ano calendário de 2005 identificado através das receitas através de repasses de Administradoras de cartões de crédito, em relação ao declarado na DIPJ, conforme termo de verificação e constatação de irregularidades de fls. 305 a 307. O contribuinte apresentou sua impugnação alegando em síntese que: a) Preliminarmente a nulidade do lançamento por contrariar o artigo 11 do decreto 70.235/72 entendendo que quem deveria assinar o auto de infração seria o “delegado da receita federal de fiscalização” ou autorizado o fiscal que efetuou o lançamento; b) Alega ainda, em sede preliminar, cerceamento do direito de defesa, pois, quando compareceu à DRF GuarulhosSP em 03.12.2008, dizendo que, por indicação das instruções recebidas juntamente com o auto de infração dirigiuse a essa DRF e recebeu a informação que o processo tinha sido encaminhado à ARF – Suzano – SP em 02.12.2008 e que o processo estaria em trânsito não tendo chegado ao destino e até aquele momento não teve vistas ao processo; Fl. 475DF CARF MF Processo nº 16095.000711/200878 Acórdão n.º 1302002.976 S1C3T2 Fl. 476 3 c) O fisco calcou o seu trabalho em cima de suposições e presunções enquanto que não caracterizam fato gerador, mas deveria ter efetuado um levantamento específico e essas presunções não caracterizam o fato gerador e que os repasses de cartão de crédito por si só não configuram sinais exteriores de riqueza, afirmando que a legislação vigente determina que a existência dos sinais exteriores de riqueza é necessária para que a administração possa atuar na forma dos dispositivos legais; d) Em razão do artigo 142 do CTN que atribui expressamente a competência da autoridade administrativa para constituir o crédito tributário pelo lançamento, deve a autoridade administrativa verificar se os elementos que dão causa ao nascimento através do levantamento fiscal para somente depois constituir o crédito tributário e não através de presunção; e) Cita a existência de jurisprudência judicial embora não a indique e decisões do Conselho de Contribuintes anteriores à lei 9.430/96; f) As multas aplicadas são indevidas em decorrência da lei 9.289/96 que fixou a multa de 2%, transcrevendo decisão judicial sobre a aplicação de multas de ICMS com o objetivo de trazer para o seu caso específico o entendimento ali esposado, além do fato de que a multa nos patamares aplicados atribui fins confiscatórios, procedimento vedado pela Constituição Federal, inciso IV do artigo 150; g) Os juros da taxa SELIC contrariam a Constituição Federal discorrendo sobre a aplicação da referida taxa que não tem caráter indenizatório própria de juros moratórios, tratandose de juros remuneratórios e que nessa condição contrariam a Constituição e a cobrança acima de 12% ao ano caracteriza crime de usura, devendo ser excluídos os juros moratórios superiores a 1% ao mês;” Analisadas as razões de impugnação, a Turma Julgadora a quo rejeitou as preliminares arguidas e no mérito julgou improcedente a impugnação, como denota a ementa do Acórdão nº 0428.584 – 2ª Turma da DRJ/CGE abaixo transcrito: “INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. A análise de inconstitucionalidade de leis não pode ser apreciada em sede administrativa, por expressa disposição legal. REQUISITOS DO AUTO DE INFRAÇÃO. Os requisitos formais relativos aos autos de infração estão previstos no artigo 10 do decreto 70.235/72. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Fl. 476DF CARF MF Processo nº 16095.000711/200878 Acórdão n.º 1302002.976 S1C3T2 Fl. 477 4 Devidamente comprovado nos autos que a impugnante tinha pleno conhecimento dos fatos constantes do lançamento de ofício, impede qualquer alegação de cerceamento do direito de defesa sob alegação de que o processo não estivesse disponível na repartição de jurisdição do contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Inconformada com a decisão retro, a interessada interpôs Recurso Voluntário para apreciação por este Conselho, alegando, em síntese: (i) nulidade do auto de infração por contrariar o artigo 11 do Decreto nº 70.235/72; (ii) nulidade do auto de infração por contrariar garantias e princípios constitucionais e entendimento do STJ e STF; (iii) ausência de comprovação da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária imposta. Finalizou seu recurso requerendo: (i) o acolhimento das preliminares, ou (ii) que fosse decretada a total improcedência da autuação fiscal; ou, ainda, (iii) caso não se entendesse pela improcedência do lançamento, que o julgamento fosse convertido em diligência para verificação da ocorrência do fato gerador. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa – Relator. A recorrente teve ciência da decisão de 1ª instância no dia 24/10/2014, conforme Extrato do Processo (fls. 467), e protocolou Recurso Voluntário no dia 19/11/2014; tempestivamente, portanto. Assim, preenchidos os pressupostos de admissibilidade recursal, conheço do presente recurso. Com relação às preliminares, a recorrente inovou no pedido de nulidade em decorrência de suposto desrespeito à disposição do art. 4º, da Lei n.º 9.481/97. No entanto, da análise deste dispositivo, verificase que o mesmo é aplicável apenas às pessoas físicas, não havendo motivo para aplicação no presente caso, haja vista de a recorrente possuir personalidade jurídica. Constatase também, a inovação quanto ao pedido de nulidade fundamentado na inconstitucionalidade do exame das informações bancárias sem a prévia autorização judicial. Não obstante, nesse sentido, observase que a partir do julgamento em sede de repercussão geral do RE nº 601.314, o Supremo Tribunal Federal fixou a tese de que “o art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. Fl. 477DF CARF MF Processo nº 16095.000711/200878 Acórdão n.º 1302002.976 S1C3T2 Fl. 478 5 Deste modo, o STF, Guardião da Constituição Federal, estabeleceu a possibilidade de o Fisco proceder ao exame das informações bancárias do contribuinte sem prévia autorização judicial. Portanto, rejeito as preliminares suscitadas. No mérito, também não merecem provimento as alegações da recorrente tendo em vista que a inversão do ônus da prova a partir de indícios de omissão de receitas, encontra fundamento em lei (art. 42, da Lei nº 9.430/96), podendo o Fisco proceder o lançamento dos valores a que o contribuinte, regularmente intimado, não consiga comprovar por meio de documentos hábeis e idôneos, a origem dos referidos depósitos. Destarte, com espeques no § 3º, do art. 57, do RICARF, adoto as razões de decidir do Acórdão nº 0428.584 – 2ª Turma da DRJ/CGE, abaixo transcritas: “Não assiste razão ao contribuinte pelos motivos abaixo na ordem da impugnação relatada: a) Em sede preliminar argüida pelo contribuinte equivocase ao afirmar que o auto de infração é nulo por descumprir o artigo 11 do decreto 70.235/72, pois, não se trata de notificação de lançamento e sim de auto de infração cujos requisitos estão expressos no artigo 10 do mesmo decreto e o servidor competente para sua lavratura é o Auditor fiscal conforme o disposto no artigo 6º da lei 11.457/2007; b) O cerceamento do direito de defesa alegado pelo fato de que o processo estaria à disposição do contribuinte na DRF GuarulhosSP enquanto esta teria encaminhado à ARF de SuzanoSP não encontra guarida na situação fática, pois, a chefia de equipe encaminhou o processo para numeração e registro, na DRF – Guarulhos – SP, retornando para a autoridade fiscal para ciência do contribuinte com posterior encaminhamento para a ARF Suzano, órgão de jurisdição do contribuinte, fls. 367 e 368, e, certamente se o defendente não teve vistas ao processo não foi por falta da Administração tributária. Não obstante ainda, verificase que a impugnante tem pleno conhecimento dos fatos constantes do lançamento de ofício, pois, os aborda integralmente; c) O fisco efetuou seu trabalho baseado em fatos concretos que caracterizam a omissão de receitas e não em suposições ou presunções, pois, os repasses das Administradoras de cartões de crédito são oriundos de vendas da empresa, e, consequentemente, fato gerador do imposto de renda da pessoa jurídica quando esses repasses representam o objeto da empresa que é do comércio de mercadorias cujas vendas estão perfeitamente comprovadas com os referidos repasses; d) A alegada competência privativa prevista no artigo 142 do CTN não invalida o procedimento, considerando que o § 4º do artigo 150 do mesmo diploma legal transfere a para o contribuinte a responsabilidade da apuração e pagamento do tributo do lançamento por homologação, e, com isso, é de responsabilidade do contribuinte Fl. 478DF CARF MF Processo nº 16095.000711/200878 Acórdão n.º 1302002.976 S1C3T2 Fl. 479 6 a apuração do tributo de conformidade com as normas contábeis e fiscais e não atribuir indevidamente à autoridade fiscal a obrigatoriedade de levantar receitas, custos e despesas da empresa como sugere a impugnante; e) Mesmo que existissem decisões judiciais no sentido pretendido pelo contribuinte elas se aplicam tão somente aos casos em que são proferidas e as decisões do Conselho de Contribuintes de fatos anteriores à lei 9.430/96 não podem ser levadas em conta considerando que este dispositivo trouxe a presunção legal de omissão de receitas oriunda de créditos em conta bancária, e, ainda, que essas situações são diferentes da apresentada pela impugnante, considerando que repasses de Administradoras de cartões de crédito caracterizam efetivas vendas e independem até de qualquer possibilidade de justificativa em relação a outra hipótese; f) Quanto à aplicação da multa de ofício aplicado ser indevida em vista da lei 9.289/96 que estabeleceu a multa de 2%, essa multa tem aplicação específica para os casos que menciona, enquanto que a multa de ofício aplicada tem previsão também específica para lançamentos de ofício no artigo 44 da lei 9.430/96, e, consequentemente devida. Quanto à inconstitucionalidade da lei em razão do caráter confiscatório de sua aplicação, não cabe a discussão em sede administrativa na forma do artigo 26A do decreto 70.237/72 com a redação dada pelo artigo 25 da lei 11.941/2009; g) Da mesma forma que o item anterior, a discussão acerca da inconstitucionalidade da aplicação da Taxa SELIC não pode ser analisada em sede administrativa, porquanto, sua aplicação está prevista em lei e a inconstitucionalidade de leis somente pode ser analisada em sede judicial”. Conclusão Em vista do exposto, rejeito as preliminares de nulidade e, no mérito, NEGO provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Fl. 479DF CARF MF Processo nº 16095.000711/200878 Acórdão n.º 1302002.976 S1C3T2 Fl. 480 7 Fl. 480DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.910733/2008-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/06/2000
DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. AUSÊNCIA DE PROVA.
O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.
DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE
Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, em especial, quando o contribuinte não colaciona aos autos nenhuma prova ou indício do seu direito.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-004.104
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/06/2000 DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, em especial, quando o contribuinte não colaciona aos autos nenhuma prova ou indício do seu direito. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 07 33 /2 00 8- 13 Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.910733/200813 Acórdão n.º 3201004.104 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório FARGON ENGENHARIA E INDÚSTRIA LTDA. apresentou Declaração de Compensação (DCOMP) relativa a pagamento a maior da contribuição (Cofins/PIS), declaração essa que restou não homologada pela repartição de origem. Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a anulação do despacho decisório, ou sua reforma, bem como a realização de diligência para se comprovar o direito creditório, alegando que recolhera aos cofres públicos valores superiores aos efetivamente devidos, pois desconsiderara os termos do art. 3º, inciso III, § 2º da Lei nº 9.718/1998. Arguiu, também, que o Fisco concluíra pela inexistência do crédito sem ao menos solicitar qualquer documento capaz de comprovar ou não a existência e suficiência do valor compensado. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 16 031.881, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, em razão da não comprovação da liquidez e certeza do crédito pleiteado, afastandose o pedido de realização de diligência por falta de apresentação de qualquer documento indicativo do direito alegado. Cientificado da decisão da DRJ, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário de forma hábil e tempestiva, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacandose os seguintes argumentos: (i) a Delegacia de Julgamento invocou a ausência da prova de liquidez e certeza dos créditos para rejeitar a manifestação de inconformidade, sendo que, se tivesse ocorrido a intimação para se demonstrar o crédito, o Fisco teria tido acesso às planilhas de apuração e poderia ter verificado a regularidade do encontro de contas efetuado; (ii) enquanto não for realizada a efetiva mensuração dos créditos utilizados é precipitada qualquer consideração a respeito da existência ou não de créditos passíveis de compensação; (iii) se a autoridade responsável pelo exame da declaração de compensação tivesse cumprido o dever de fiscalizar a existência do crédito declarado e não simplesmente glosado mecanicamente o encontro de contas teria verificado que o Requerente é legitimo credor da União Federal; e (iv) não se permitiu a produção de provas necessárias e, com base nessa decisão, julgouse pela improcedência por falta de provas. É o relatório. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.910733/200813 Acórdão n.º 3201004.104 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201004.096, de 25/07/2018, proferido no julgamento do processo 10880.910725/200869, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.096): No caso em apreço há a imperiosa necessidade de se comprovar a existência do direito creditório de modo inconteste, o que, pela análise dos elementos probatórios não ocorreu. Da decisão recorrida temse: "No caso em apreço, o Contribuinte declarou em débito de COFINS e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que não foi localizado o pagamento indicado no PER/DCOMP como origem do crédito. De fato, tal constatação decorre da não localização do DARF indicado pelo Contribuinte no PER/DCOMP nos sistemas da Secretaria da Receita Federal. Observase que antes do Despacho Decisório, de 12/08/2008, o Contribuinte foi informado da não localização do DARF e intimado, em 15/12/2006 conforme A.R., às fls. 07, a verificar e conferir os dados da ficha DARF informados no PER/DCOMP com os dados do DARF original, bem como a sanar as irregularidades apontadas, tendolhe sido informado na mesma oportunidade que a consequência da falta de saneamento no prazo poderia acarretar o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP em análise. Portanto, ao contrário do alega a Manifestante, foi lhe dado a oportunidade para comprovar ou não a existência e suficiência do crédito compensado. No entanto, antes da ciência do despacho decisório, o interessado conservouse silente e inerte no tocante à integralidade das informações declaradas perante a RFB, as quais acabaram servindo de parâmetro para a continuidade da análise da matéria e respaldando a referida decisão administrativa. Pelo exposto, resta devidamente demonstrado que não procede o argumento da requerente de que recolheu aos cofres públicos tributos superiores aos efetivamente devidos por não ter considerado os termos do § 2º, do inciso III, do artigo 3º, da lei 9.718/98, quando apurou a base de Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10880.910733/200813 Acórdão n.º 3201004.104 S3C2T1 Fl. 5 4 cálculo das contribuições do PIS/COFINS, para o período de apuração constante neste PER/DCOMP, pois o contribuinte não conseguiu comprovar a existência do alegado indébito neste período, ou seja, o DARF supra mencionado que poderia demonstrar que de fato teria ocorrido "o pagamento indevido ou a maior" gerandolhe crédito, não foi localizado, e a empresa quando intimada a sanar tal irregularidade não se manifestou, e consequentemente, a compensação declarada não foi homologada. Cabe observar ainda que, mesmo se o referido DARF tivesse sido localizado, o art. 170 do CTN fixa como pressuposto para que possa ser feito o encontro de contas com a Fazenda Nacional: que os créditos estejam revestidos de liquidez e certeza comprovada pela demonstração do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal do contribuinte, a comprovar a efetiva natureza da operação, a ocorrência do fato gerador do tributo, a base de cálculo e a alíquota aplicável, para o fim de se conferir a existência e o valor do indébito tributário. No entanto, a interessada não trouxe aos autos documentos que pudessem vir a comprovar a apuração incorreta nas bases de cálculo do COFINS, para o período em que alega o direito creditório, motivo pelo qual não se operaria, mesmo nesta hipótese, a liquidez e certeza desses pretensos créditos." Temse, então, que a decisão recorrida julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório em face de a recorrente, não ter comprovado a existência e liquidez do crédito apontado, mesmo tendo sido oportunizada a produção de prova. Não logrou êxito a recorrente em desconstituir o fundamento decisório através de prova apta para tanto. Mesmo em sede recursal não trouxe a recorrente qualquer elemento de prova válido a confirmar suas alegações. Devese levar em consideração que a necessidade de liquidez e certeza dos créditos é condição imperiosa, para que se proceda a compensação de valores. Não é devida a autorização de compensação quando os créditos estão pendentes de certeza e liquidez. Nos processos administrativos que tratam de restituição/compensação ou ressarcimento de créditos tributários, é atribuição do sujeito passivo a demonstração da efetiva existência do indébito. Nesses casos, quando a DRF nega o pedido de compensação/restituição/ressarcimento que aponta para a inexistência ou insuficiência de crédito, cabe ao manifestante, caso queira contestar a decisão a ele desfavorável, cumprir o ônus que a legislação lhe atribui, trazendo ao contraditório os elementos de prova que demonstrem a existência do crédito. Documentos comprobatórios são os que possibilitam aferir, de forma inequívoca, a origem e a quantificação do crédito, visto que, sem tal comprovação, o pedido de repetição fica prejudicado. Humberto Teodoro Júnior sobre a prova ensine que: "Não há um dever de provar, nem à parte contrária assiste o direito de exigir a prova do adversário. Há um simples ônus, de modo que o litigante assume o risco de perder a causa se não provar os fatos alegados Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10880.910733/200813 Acórdão n.º 3201004.104 S3C2T1 Fl. 6 5 dos quais depende a existência de um direito subjetivo que pretende resguardar através da tutela jurisdicional. Isto porque, segundo máxima antiga, fato alegado e não provado é o mesmo que fato inexistente.” (Humberto Teodoro Junior, in Curso de Direito Processual Civil, 41ª ed., v. I, p. 387) A própria recorrente confessa que não trouxe elementos probatórios aos autos para confirmar sua pretensão, tanto que, solicita a realização de diligências. Ocorre que, conforme já referido, sequer indícios do seu direito foram colacionados ao processo administrativo, razão pela qual não há como se converter o julgamento em diligência. Sobre a necessidade de se provar o direito creditório em pedidos de restituição ou compensação, é uníssona a jurisprudência deste Colegiado, conforme precedentes a seguir elencados: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 20/06/2006 COFINS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas. COFINS IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Recurso Voluntário Negado." (Processo 10930.903684/201206; Acórdão 3402003.651; Relator Conselheiro Antônio Carlos Atulim; Sessão de 13/12/2016) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/01/2008 CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O pagamento indevido, assim como a certeza e liquidez do crédito, precisam ser comprovados pelo contribuinte nos casos de solicitações de restituições e/ou compensações. Fundamento: Art. 170 do Código Tributário Nacional e Art. 16 do Decreto 70.235/72." (Processo 10865.905444/201269; Acórdão 3201002.880; Relator Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima; sessão de 27/06/2017) "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/06/2011 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10880.910733/200813 Acórdão n.º 3201004.104 S3C2T1 Fl. 7 6 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.Recurvo Voluntário Negado." (Processo 10805.900727/201318; Acórdão 3201003.103; Relator Conselheiro Marcelo Giovani Vieira; sessão de 30/08/2017) "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2005 DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. Correta decisão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integral e validamente alocado para a quitação de outro débito está integral e validamente alocado para a quitação de outro débito." (Processo nº 11080.930940/201160; Acórdão 3201003.499; Relator Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade; Sessão de 01/03/2018) Ademais, a Recorrente, em casos análogos, teve seus recursos julgados improcedentes conforme decisões a seguir transcritas: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/10/2005 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte à apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado, em momento processual previsto em lei. DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis." (Processo Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10880.910733/200813 Acórdão n.º 3201004.104 S3C2T1 Fl. 8 7 nº 10880.950624/200821; Acórdão 3803003.786; Relator Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira; sessão de 29/11/2012) "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/10/2005 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte à apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado, em momento processual previsto em lei. DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis." (Processo nº 10880.950622/200831; Acórdão 3803003.785; Relator Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira; sessão de 29/11/2012) Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 85DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.003692/2009-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTUAÇÃO DECORRENTE DO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL DECLARADA IMPROCEDENTE. EXCLUSÃO DA MULTA PELA FALTA DE DECLARAÇÃO DOS MESMOS FATOS GERADORES.
Sendo declarada a improcedência do crédito relativo à exigência da obrigação principal, deve seguir o mesmo destino a lavratura decorrente da falta de declaração dos fatos geradores correspondentes na GFIP.
Numero da decisão: 2401-005.722
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTUAÇÃO DECORRENTE DO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL DECLARADA IMPROCEDENTE. EXCLUSÃO DA MULTA PELA FALTA DE DECLARAÇÃO DOS MESMOS FATOS GERADORES. Sendo declarada a improcedência do crédito relativo à exigência da obrigação principal, deve seguir o mesmo destino a lavratura decorrente da falta de declaração dos fatos geradores correspondentes na GFIP.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier.
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AUTUAÇÃO DECORRENTE DO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL DECLARADA IMPROCEDENTE. EXCLUSÃO DA MULTA PELA FALTA DE DECLARAÇÃO DOS MESMOS FATOS GERADORES. Sendo declarada a improcedência do crédito relativo à exigência da obrigação principal, deve seguir o mesmo destino a lavratura decorrente da falta de declaração dos fatos geradores correspondentes na GFIP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 36 92 /2 00 9- 12 Fl. 396DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier. Relatório HERBALIFE INTERNATIONAL DO BRASIL LTDA, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da Decisão da 14° Turma da DRJ em São Paulo/SP, Acórdão n° 1624.730/2010, às efls. 248/258, que julgou procedente o lançamento fiscal, decorrente do descumprimento da obrigação acessória por ter apresentado as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social GFIP, com os dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto na Lei 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV,§ 5°, em relação ao período de janeiro a dezembro de 2004. Conforme depreende do Relatório Fiscal, as omissões referemse às contribuições previdenciárias lançadas através dos AI 37.160.5148 (contribuição a cargo da empresa e a destinada ao SAT/RAT, incidentes sobre pagamentos efetuados, a título de previdência privada, a segurado empregado), 37.160.5121 (contribuição a cargo da empresa incidente sobre pagamentos realizados a contribuintes individuais, denominados pela empresa de “supervisores”) e 37.160.5130 (contribuições dos contribuintes individuais “supervisores”). A multa aplicada foi a prevista no artigo 32, § 5°, da Lei 8.212/91, combinado com o artigo 284, inciso 11, do RPSRegulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, no valor de R$ 692.236,94 (seiscentos e noventa e dois mil, duzentos e trinta e seis reais e noventa e quatro centavos), correspondente a 100% (cem por cento) de contribuição previdenciária devida não declarada, limitada, por competência, a um multiplicador, obtido em função do número de segurados da empresa, sobre o valor mínimo atualizado, conforme artigos 284, II e 373, do Decreto 3.048/99. O cálculo detalhado da multa encontrase no Relatório Fiscal da Aplicação da Multa e anexos. Informa que em decorrência das alterações nos artigos 32 e 35 e revogação do artigo 34, todos da Lei 8.212/91, promovidas pela MP 449/08, realizouse a comparação da multa mais benéfica ao contribuinte (Anexos 1 e 11), de modo a atender o disposto no inciso, 11, do artigo 106, do CTN. Regularmente intimada e inconformada com a Decisão recorrida, a autuada, apresentou Recurso Voluntário, às efls. 265/283, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, inova das alegações da impugnação, preliminarmente alegando cerceamento do direito de defesa, uma vez que tenha sido intimada exclusivamente do acórdão ora recorrido, sem contudo ser intimada do resultado de julgamento nos AIOP´s correlatos. Fl. 397DF CARF MF Processo nº 19515.003692/200912 Acórdão n.º 2401005.722 S2C4T1 Fl. 3 3 Afirma que estão cobertos pela decadência todos os tributos cujos fatos geradores antecederam mais de cinco anos contados retroativamente a 23/09/2009, a saber, as contribuições previdenciárias referentes aos meses de janeiro a agosto de 2004, conseqüentemente, qualquer obrigação acessória devida nesse período, também está fulminada pela decadência; Explicita que não se aplica a regra constante do art. 173, I, do CTN, tendo em vista que a recorrente: (a) apurou e calculou em seus livros contábeis, (b) recolheu em GPS e (c) declarou em GFIP todas as contribuições consideradas devidas, mês a mês. Afirma não se está diante, portanto, de falta de autolançamento, ausência de recolhimento, ou ainda de falta de declaração, ficando afastada a regra do art. 173, I, do CTN.Sendo a regra aplicável ao presente lançamento é a do 150, §4°, do CTN; No mérito, a contribuinte insurgese quanto as contribuições previdenciárias lançadas dos Autos de Infração de Obrigação Principal, em nada se manifestando acerca da multa acessória. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para decretar a decadência do Autos de Infração, tornandoos sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. PRELIMINARES JULGAMENTO EM CONJUNTO Aduz sobre a necessidade do julgamento em conjunto da presente demanda com os PAF´s relacionados referentes a Obrigação Principal. Entendo superada tal alegação, posto que os processos encontramse apensados e serão julgados na mesma sessão. DA DECADÊNCIA Afirma que estão cobertos pela decadência todos os tributos cujos fatos geradores antecederam mais de cinco anos contados retroativamente a 23/09/2009, a saber, as contribuições previdenciárias referentes aos meses de janeiro a agosto de 2004, Fl. 398DF CARF MF 4 conseqüentemente, qualquer obrigação acessória devida nesse período, também está fulminada pela decadência; Explicita que não se aplica a regra constante do art. 173, I, do CTN, tendo em vista que a recorrente: (a) apurou e calculou em seus livros contábeis, (b) recolheu em GPS e (c) declarou em GFIP todas as contribuições consideradas devidas, mês a mês. Afirma não se está diante, portanto, de falta de autolançamento, ausência de recolhimento, ou ainda de falta de declaração, ficando afastada a regra do art. 173, I, do CTN.Sendo a regra aplicável ao presente lançamento é a do 150, §4°, do CTN; O exame dessa matéria impõe sejam levadas a efeito algumas considerações, senão vejamos. O artigo 45, inciso I, da Lei nº 8.212/91, estabelece prazo decadencial de 10 (dez) anos para a apuração e constituição das contribuições previdenciárias, como segue: Art. 45 – O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; [...] Por outro lado, o Código Tributário Nacional em seu artigo 173, caput, determina que o prazo para se constituir crédito tributário é de 05 (cinco) anos, contados do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado, in verbis: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; [...] Com mais especificidade, o artigo 150, § 4º, do CTN, contempla a decadência para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, nos seguintes termos: Art. 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Fl. 399DF CARF MF Processo nº 19515.003692/200912 Acórdão n.º 2401005.722 S2C4T1 Fl. 4 5 O núcleo da questão reside exatamente nesses três artigos, ou seja, qual deles deve prevalecer para as contribuições previdenciárias, tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Ocorre que, após muitas discussões a respeito do tema, o Supremo Tribunal Federal, em 11/06/2008, ao julgar os RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, por unanimidade de votos, declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, oportunidade em que aprovou a Súmula Vinculante nº 08, abaixo transcrita, rechaçando de uma vez por todas a pretensão do Fisco: Súmula nº 08: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Registrese, ainda, que na mesma Sessão Plenária, o STF achou por bem modular os efeitos da declaração de inconstitucionalidade em comento, estabelecendo, em suma, que somente não retroagem à data da edição da Lei em relação a pedido de restituição judicial ou administrativo formulado posteriormente à 11/06/2008, concedendo, por conseguinte, efeito ex tunc para os créditos pendentes de julgamentos e/ou que não tenham sido objeto de execução fiscal. Consoante se positiva da análise dos autos, a controvérsia a respeito do prazo decadencial para as contribuições previdenciárias, após a aprovação/edição da Súmula Vinculante nº 08, passou a se limitar a aplicação dos artigos 150, § 4º, ou 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Indispensável ao deslinde da controvérsia, mister se faz elucidar, resumidamente, as espécies de lançamento tributário que nosso ordenamento jurídico contempla, como segue. Primeiramente destacase o lançamento de ofício ou direto, previsto no artigo 149 do CTN, onde o fisco toma a iniciativa de sua prática, por razões inerentes a natureza do tributo ou quando o contribuinte deixa de cumprir suas obrigações legais. Já o lançamento por declaração ou misto, contemplado no artigo 147 do mesmo Diploma Legal, é aquele em que o contribuinte toma a iniciativa do procedimento, ofertando sua declaração tributária, colaborando ativamente. Alfim, o lançamento por homologação, inscrito no artigo 150 do Códex Tributário, em que o contribuinte presta as informações, calcula o tributo devido e promove o pagamento, ficando sujeito a eventual homologação por parte das autoridades fazendárias. Dessa forma, estando às contribuições previdenciárias sujeitas ao lançamento por homologação, defende parte dos julgadores e doutrinadores que a decadência a ser aplicada seria aquela constante do artigo 150, § 4º, do CTN, levandose em consideração a natureza do tributo atribuída por lei, independentemente da ocorrência de pagamento, entendimento compartilhado por este conselheiro. Ou seja, a regra para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o artigo 150, § 4º, do Código Tributário, o qual somente não prevalecerá nas hipóteses de ocorrência de dolo, fraude ou conluio, o que ensejaria o deslocamento do prazo decadencial para o artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal. Fl. 400DF CARF MF 6 Não é demais lembrar que o lançamento por homologação não se caracteriza tão somente pelo pagamento. Ao contrário, tratase, em verdade, de um procedimento complexo, constituído de vários atos independentes, culminando com o pagamento ou não. Observese, pois, que a ausência de pagamento não desnatura o lançamento por homologação, especialmente quando a sujeição dos tributos àquele lançamento é conferida por lei. E, esta, em momento algum afirma que assim o é tão somente quando houver pagamento. Não fosse assim, o que se diria quando o contribuinte apura prejuízos e não tem nada a recolher, ou mesmo quando encontrase beneficiado por isenções e/ou imunidades, onde, em que pese haver o dever de elaborar declarações pertinentes, informando os fatos geradores dos tributos dentre outras obrigações tributárias, deixa de promover o pagamento do tributo em razão de uma benesse fiscal? Cabe ao Fisco, porém, no decorrer do prazo de 05 (cinco) anos, contados do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN, proceder à análise das informações prestadas pelo contribuinte homologandoas ou não, quando inexistir concordância. Neste último caso, promover o lançamento de ofício da importância que imputar devida. Aliás, como afirmado alhures, a regra nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, o qual dispôs expressamente os casos em que referido prazo deslocarseá para o artigo 173, inciso I, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação comprovados. Somente nessas hipóteses a legislação específica contempla a aplicação de outro prazo decadencial, afastandose a regra do artigo 150, § 4º. Como se constata, a toda evidência, a contagem do lapso temporal em comento independe de pagamento. Ou seja, comprovandose que o contribuinte deixou efetuar o recolhimento dos tributos devidos e/ou promover o autolançamento com dolo, utilizandose de instrumentos ardilosos (fraude e/ou simulação), o prazo decadencial será aquele inscrito no artigo 173, inciso I, do CTN. Afora essa situação, não se cogita na aplicação daquele dispositivo legal. É o que se extrai da perfunctória leitura das normas legais que regulamentam o tema. Por outro lado, alguns julgadores e doutrinadores entendem que somente aplicarseia o artigo 150, § 4º, do CTN quando comprovada a ocorrência de recolhimentos relativamente ao fato gerador lançado, seja qual for o valor. Em outras palavras, a homologação dependeria de antecipação de pagamento para se caracterizar, e a sua ausência daria ensejo ao lançamento de ofício, com observância do prazo decadencial do artigo 173, inciso I. Ressaltase, ainda, o entendimento de outra parte dos juristas, suscitando que o artigo 150, 4º, do Código Tributário Nacional, prevalecerá quando o contribuinte promover qualquer ato tendente a apuração da base de cálculo do tributo devido, seja pelo pagamento, escrituração contábil, declaração do imposto em documento próprio, etc. Melhor elucidando, o contribuinte deverá adotar algum procedimento com o fito de apurar o tributo para que pudesse se cogitar em “homologação”. Afora posicionamento pessoal a propósito da matéria, por entender que as contribuições previdenciárias devem observância ao prazo decadencial do artigo 150, § 4°, do Códex Tributário, independentemente de antecipação de pagamento, salvo quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o certo é que a partir da alteração do Regimento Fl. 401DF CARF MF Processo nº 19515.003692/200912 Acórdão n.º 2401005.722 S2C4T1 Fl. 5 7 Interno do CARF (artigo 62A), introduzida pela Portaria MF nº 586/2010, os julgadores deste Colegiado estão obrigados a “reproduzir” as decisões do STJ tomadas por recurso repetitivo, razão pela qual deixaremos de abordar aludida discussão, mantendo o entendimento que a aplicação do dispositivo legal retro depende da existência de recolhimentos do mesmo tributo no período objeto do lançamento, na forma decidida por aquele Tribunal Superior nos autos do Resp n° 973.733/SC, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. Fl. 402DF CARF MF 8 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Na esteira desse raciocínio, uma vez delimitado pelo STJ e, bem assim, pelo Regimento Interno do CARF que nos lançamentos por homologação a antecipação de pagamento é indispensável à aplicação do instituto da decadência, nos cabe tão somente nos quedar a aludida conclusão e constatar ou não a sua ocorrência. Entrementes, a controvérsia em relação a referido tema encontrase distante de remansoso desfecho, se fixando agora em determinar o que pode ser considerado como antecipação de pagamento no Imposto de Renda Pessoa Física, sobretudo em face das diversas modalidades e/ou procedimentos adotados por ocasião do lançamento fiscal. Na hipótese dos autos, o que torna digno de realce é que a presente autuação decorre do descumprimento de obrigações acessórias, caracterizando, portanto, lançamento de ofício, não se cogitando em antecipação de pagamentos, o que faz florescer, via de regra, a adoção do prazo decadencial inscrito no artigo 173, inciso I, do CTN, na linha inclusive que a jurisprudência dominante no Judiciário e neste Colegiado vem firmando entendimento. Ou seja, o simples fato de se tratar de auto de infração por descumprimento de obrigações acessórias, na maioria absoluta dos casos, impede a aplicação do prazo decadencial contemplado no artigo 150, § 4°, do Códex Tributário, uma vez não haver se falar em lançamento por homologação, inexistindo, em verdade, qualquer atividade do contribuinte a ser homologada, razão do próprio lançamento. Corroborando o acima exposto, a Nota Técnica da PGFN/CAT n° 856/2008, que, no tocante às obrigações acessórias, complementa o disposto no Parecer PGFN/CAT n° 1.617/2008, entende: 1) o prazo de decadência para constituir os créditos referentes às obrigações tributárias acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cinco anos; e 2) o prazo deve ser contado nos termos do art. 173, I, dado que o descumprimento de obrigação acessória não é instância procedimental que se equipare à antecipação do pagamento. Assim, tendo a fiscalização constituído o crédito previdenciário em 23/09/2009 com a devida ciência da contribuinte, verificase que as multas relativas às competências 01/2004 a 08/2004 não se encontram extintas pela decadência, pois poderiam ter sido lançadas até 31/12/2009, nos termos do art. 173,1, do CTN. Pelo exposto, afasto a decadência pleiteada. Fl. 403DF CARF MF Processo nº 19515.003692/200912 Acórdão n.º 2401005.722 S2C4T1 Fl. 6 9 MÉRITO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Inicialmente saliento que em nenhum momento a contribuinte insurgese quanto ao "mérito", propriamente dito da obrigação acessória, apenas mencionando alguns princípios norteadores do direito. A recorrente manifestase apenas quanto ao mérito das contribuições previdenciárias (obrigação principal). Os autos de infração principal (PAF n° 19515.003693/200967 e 19515.003694/200910), foram julgado concomitantemente ao AIOA em questão. O entendimento deste Relator é que o julgamento dos AI decorrentes de aplicação de multa por omissão de fatos geradores na GFIP deve levar em consideração o que ficou decidido nos AI para exigência da obrigação principal. Assim, os resultados dos julgamentos das lavraturas para cobrança das contribuições tem sido aplicados automaticamente nas demandas em que é discutida a exigência de declaração dos fatos geradores correspondentes na GFIP. Vejam esse julgado da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROCESSOS CONEXOS. O presente auto de infração diz respeito à infringência ao art. 32, inciso IV, § 5° da Lei n° 8.212/91, por ter o contribuinte apresentado Guia de Recolhimento de Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e informações à Previdência Social em GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Provido o recurso especial da Fazenda Nacional, no sentido de se afastar a nulidade por vício formal apontada no processo nº 35554.005633/200626. Em virtude da existência de conexão entre os processos, igual sorte merece o presente auto de infração. Foi declarado nulo em virtude da declaração da nulidade, por vício formal, da NFLD (processo nº 35554.005633/200626) que continha os lançamentos referentes aos fatos geradores tidos como não declarados, em decorrência da conexão existente entre o presente auto de infração e a referida NFLD. Provido o recurso especial da Fazenda Nacional, no sentido de se afastar a nulidade por vício formal apontada no processo nº 35554.005633/200626. Em virtude da existência de conexão entre os processos, igual sorte merece o presente auto de infração. Nos termos em que disciplina o art. 49, § 7º do anexo II da Portaria MF nº 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF, os processos conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio. (Acórdão 9202001.244, Rel Conselheiro Elias Sampaio Freire, 08/02/2011) Entrementes, como circunstanciadamente demonstrado nos PAF n° 19515.003693/200967 e 19515.003694/200910, no entendimento deste Colegiado, às Fl. 404DF CARF MF 10 contribuições previdenciárias incidentes sobre as verbas em comento não se sustentam, o que, ensejou a improcedência dos autos de infrações pertinentes à obrigação principal. Dessa forma, no julgamento do presente Auto de Infração impõese à observância à decisão levada a efeito nas autuações retromencionadas, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Na esteira desse entendimento, uma vez rechaçada parte da exigência fiscal consubstanciada nos Autos de Infração retro, aludida decisão deve, igualmente, ser adotada nesta autuação, afastando, por conseguinte, a penalidade aplicada, na linha do decidido no processo principal. Por todo o exposto, estando os Autos de Infração sub examine parcialmente em dissonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO VOLUNTÁRIO e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, para afastar a multa acerca dos fatos geradores julgados improcedentes nos respectivos Autos, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 405DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10469.721032/2016-74
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2014
RENDIMENTOS. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE.
A isenção de imposto de renda afeta aos rendimentos recebidos em razão de aposentadoria ou pensão inicia-se na data de diagnóstico da doença, indicada em laudo médico oficial.
Numero da decisão: 2002-000.344
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Recorrente JANDETE LEMOS DOS PRAZERES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2014 RENDIMENTOS. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. A isenção de imposto de renda afeta aos rendimentos recebidos em razão de aposentadoria ou pensão iniciase na data de diagnóstico da doença, indicada em laudo médico oficial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 10 32 /2 01 6- 74 Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10469.721032/201674 Acórdão n.º 2002000.344 S2C0T2 Fl. 51 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 15/18), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual da contribuinte acima identificada, relativa ao exercício de 2014. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a restituir declarado de R$13.710,10 para saldo de imposto a restituir de R$2.621,62. A notificação consigna que o laudo médico apresentado pela contribuinte aponta que a moléstia grave foi diagnosticada a partir de 14/5/2015, não alcançando os rendimentos recebidos em 2014, resultando na apuração de rendimentos indevidamente considerados isentos por moléstia grave, no valor de R$92.252,94 (fl.16). Impugnação Cientificada à contribuinte em 18/2/2016, a NL foi objeto de impugnação, em 14/3/2016, à fl. 2/13 dos autos, na qual a contribuinte afirmou que os rendimentos eram provenientes de aposentadoria de portador de moléstia grave e que naquela ocasião juntava laudo pericial que o comprovaria. A impugnação foi apreciada na 4ª Turma da DRJ/JFA que, por unanimidade, julgou a impugnação improcedente, em decisão assim ementada (fls. 27/29): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2015 RENDIMENTOS ISENTOS. DOENÇA GRAVE. DATA DE INÍCIO DA ISENÇÃO. A isenção de imposto de renda afeta aos rendimentos recebidos em razão de aposentadoria ou pensão iniciase na data de diagnóstico da doença que a enseja constante em laudo médico oficial. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 16/6/2016 (fl. 33), a contribuinte, em 11/7/2016 (fl. 37), apresentou recurso voluntário, às fls. 37/42, no qual alega, em síntese: requer a anulação do débito lançado tendo em vista ter sido acometida de moléstia grave. tendo em vista que o imposto exigido já foi recolhido, solicita que o débito seja tornado sem efeito. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10469.721032/201674 Acórdão n.º 2002000.344 S2C0T2 Fl. 52 3 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. O litígio recai sobre os rendimentos recebidos pela recorrente das fontes pagadoras Ministério da Fazenda e Comando da Marinha, os quais ela alega serem isentos por ter sido ela acometida por doença grave. A autuação consigna que o laudo médico apresentado aponta o diagnóstico da doença em 14/5/2015, não alcançando os rendimentos recebidos no anocalendário 2014. Analisando a impugnação apresentada, o colegiado de primeira instância manteve a exigência consignando: No propósito de ilustrar o tema debatido pela interessada, cita se que o artigo 39, inciso XXXIII, do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999) vigente, consubstanciado no Decreto nº 3.000 de 26.03.1999, e que tem como matriz legal o artigo 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713/88 (com a redação dada pela Lei n. 11.052/2004), o artigo 47 da Lei nº 8.541/92 e o artigo 30, § 2º, da Lei n. 9.250/95, dispõe que “não entrarão no cômputo do rendimento bruto os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, fibrose cística e hepatopatia grave, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão ou depois da aposentadoria ou reforma”. Este mesmo artigo 39, em seus parágrafos 4º e 5º, determina que: "§ 4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei n. 9.250, de 1995, art. 30 e § 1º). § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10469.721032/201674 Acórdão n.º 2002000.344 S2C0T2 Fl. 53 4 I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III – da data em que a doença for contraída, quando identificada no laudo pericial." (negritos realizados pelo relator) Não constam dos autos informações acerca se a interessada é aposentada ou beneficiária de pensão, mas isso não fora abordado pela autoridade lançadora, bem como o laudo médico pericial de fl. 12 faz presumir que houve a avaliação para fins de isenção de imposto de renda sobre os rendimentos de aposentadoria. Ultrapassada essa condição, confirmase, tal qual se expôs no lançamento, que o mencionado laudo oficial, firmado pelo Subsistema Integrado de Atenção à Saúde do Servidor SIASS UFRN, emitido em 08/10/2015, revelou que o diagnóstico da doença (cardiopatia grave) de que a contribuinte é portadora data de 14/05/2015. Em assim sendo, somente a partir do mês de maio/2015 os seus proventos de aposentadoria ou de pensão são considerados isentos nos termos da indigitada legislação; logo, não se aplica a isenção para o anocalendário 2014. Em sede de recurso, a recorrente junta o laudo já apresentado (fl.42), que aponta o início da doença em 14/5/2015. Dessa feita, não há reparos a se fazer à decisão de piso, visto que o laudo apresentado não alcança os rendimentos auferidos em 2014 e a recorrente não apresentou nenhum outro documento. Quanto ao aproveitamento de eventuais recolhimentos efetuados, a recorrente deve buscar esclarecimentos junto a uma Unidade da RFB ou no site da RFB. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 53DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14120.000001/2007-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
DEPÓSITO BANCÁRIO A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA. MATÉRIA SUMULADA. SUJEITO PASSIVO É O TITULAR DA CONTA BANCÁRIA.
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Não comprovada a origem dos depósitos em conta corrente bancária, deve ser mantido o lançamento tributário. De acordo com a Súmula CARF nº 26, a presunção estabelecida pelo citado dispositivo legal dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
Nestes casos, o lançamento em razão da omissão de receita deve ser lavrado em desfavor do titular da conta bancária.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA. NEXO DE CAUSALIDADE.
O recurso deverá ser instruído com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. É, portanto, ônus do contribuinte a perfeita instrução probatória.
A comprovação da origem dos recursos depositados na conta bancária de titularidade do contribuinte deve ser feita de forma individualizada, apontando a correspondência de datas e valores constantes da movimentação bancária com os documentos apresentados, e de forma a atestar o nexo de causalidade entre os depósitos e os dispêndios que alega ser de terceiros.
Ao acostar diversos documentos aos autos sem minimamente fazer qualquer cotejo dos valores de entradas de terceiros e saídas para pagamento de despesas destes mesmos terceiros, o contribuinte não comprova nada e apenas transfere para a fiscalização o seu dever de comprovar suas alegações.
Numero da decisão: 2201-004.660
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 DEPÓSITO BANCÁRIO A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA. MATÉRIA SUMULADA. SUJEITO PASSIVO É O TITULAR DA CONTA BANCÁRIA. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Não comprovada a origem dos depósitos em conta corrente bancária, deve ser mantido o lançamento tributário. De acordo com a Súmula CARF nº 26, a presunção estabelecida pelo citado dispositivo legal dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Nestes casos, o lançamento em razão da omissão de receita deve ser lavrado em desfavor do titular da conta bancária. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA. NEXO DE CAUSALIDADE. O recurso deverá ser instruído com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. É, portanto, ônus do contribuinte a perfeita instrução probatória. A comprovação da origem dos recursos depositados na conta bancária de titularidade do contribuinte deve ser feita de forma individualizada, apontando a correspondência de datas e valores constantes da movimentação bancária com os documentos apresentados, e de forma a atestar o nexo de causalidade entre os depósitos e os dispêndios que alega ser de terceiros. Ao acostar diversos documentos aos autos sem minimamente fazer qualquer cotejo dos valores de entradas de terceiros e saídas para pagamento de despesas destes mesmos terceiros, o contribuinte não comprova nada e apenas transfere para a fiscalização o seu dever de comprovar suas alegações.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Recorrente RUBENS IZIDORIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002, 2003, 2004 DEPÓSITO BANCÁRIO A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA. MATÉRIA SUMULADA. SUJEITO PASSIVO É O TITULAR DA CONTA BANCÁRIA. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Não comprovada a origem dos depósitos em conta corrente bancária, deve ser mantido o lançamento tributário. De acordo com a Súmula CARF nº 26, a presunção estabelecida pelo citado dispositivo legal dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Nestes casos, o lançamento em razão da omissão de receita deve ser lavrado em desfavor do titular da conta bancária. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA. NEXO DE CAUSALIDADE. O recurso deverá ser instruído com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. É, portanto, ônus do contribuinte a perfeita instrução probatória. A comprovação da origem dos recursos depositados na conta bancária de titularidade do contribuinte deve ser feita de forma individualizada, apontando a correspondência de datas e valores constantes da movimentação bancária com os documentos apresentados, e de forma a atestar o nexo de causalidade entre os depósitos e os dispêndios que alega ser de terceiros. Ao acostar diversos documentos aos autos sem minimamente fazer qualquer cotejo dos valores de entradas de terceiros e saídas para pagamento de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 12 0. 00 00 01 /2 00 7- 87 Fl. 13483DF CARF MF Processo nº 14120.000001/200787 Acórdão n.º 2201004.660 S2C2T1 Fl. 13.484 2 despesas destes mesmos terceiros, o contribuinte não comprova nada e apenas transfere para a fiscalização o seu dever de comprovar suas alegações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de efls. 5694/5708 interposto contra decisão da DRJ em Campo Grande/MS, de fls. 5664/5682 a qual julgou procedente o lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física – IRPF de fls. 5008/5026, lavrado em 8/1/2007, relativo aos anoscalendário 2002, 2003 e 2004, com ciência do RECORRENTE em 12/01/2007, conforme AR de fls. 5042. O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado: por omissão de rendimentos decorrente de depósito bancários de origem não comprovada, no valor total de R$ 1.209.212,26, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de ofício de 75% Conforme o Relatório de Auditoria de fls. 4986/5006, “ a auditoria examinou as contas bancárias mantidas pelo contribuinte em duas instituições bancárias: Banco do Brasil e HSBS. As contas movimentadas e de interesse dos trabalhos foram as seguintes: Banco do Brasil –AG 2089, Conta 1.6365 e Conta 41.0284 e Banco HSBC – AG 0860, conta 3.04456.”, Durante o procedimento fiscal o contribuinte alegou que os depósitos tratam se, na verdade, de movimentação financeira do escritório contábil Anacleto, cuja direção teve que assumir em função do falecimento de sua esposa. Apresentou uma série de documentos para comprovar suas alegações, em especial comprovantes de pagamento. Após a verificação dos documentos, a fiscalização entendeu, conforme demonstrado pela planilha DEMONSTRATIVO DE VALORES – CRÉDITOS EM Fl. 13484DF CARF MF Processo nº 14120.000001/200787 Acórdão n.º 2201004.660 S2C2T1 Fl. 13.485 3 EXTRATOS BANCÁRIOS – VALORES A SEREM TRIBUTADOS, anexa ao auto de infração, que o contribuinte não logrou em comprovar especificamente a origem de todas as movimentações, o que levou a fiscalização a consideralos rendimentos omitidos. Da Impugnação O RECORRENTE apresentou sua Impugnação de efls. 5050/5069 em 13/02/2007. Ante a clareza e precisão didática do resumo da Impugnação elaborada pela DRJ em Campo Grande/MS, adotase, ipsis litteris, tal trecho para compor parte do presente relatório: Regularmente cientificado do lançamento em 12 de janeiro de 2007 (AR à f. 2.593), o interessado, por meio de procurador, protocolou a impugnação acostada às f. 2.596 a 2.606 em 13 de fevereiro de 2007 (anexos às f. 2.607 a 2.901), argumentando, em apertada síntese, que: a) sua esposa era proprietária de um escritório de contabilidade, tendo falecido em 27 de junho de 2002, momento em que passou a administrar precariamente o escritório, determinando que o funcionário Wagner Giani de Oliveira atendesse clientes residentes fora do município de Três Lagoas; b) os atos praticados foram simplesmente de repassador de recursos do produtor para os cofres públicos estaduais para pagamentos de tributos e emolumentos; c) é funcionário público estadual, impedido de exercer representação de terceiros em negócios privados; d) conforme consta no relatório de auditoria, o AuditorFiscal tinha ciência de que os valores depositados não tinham origem em rendimentos omitidos, mas que provinham de movimentação em nome de terceiros, clientes do escritório de contabilidade. Assim, há ilegitimidade passiva do autuado, porque não há rendimentos omitidos, nem por presunção, mas meros repasses de recursos de clientes do escritório de contabilidade que transitaram pela contacorrente; e) há a necessidade de comprovação da ocorrência dos fatos geradores do imposto, não se aplicando a presunção de omissão de receitas do art. 42 da Lei n. 9.430/1996, uma vez que está claro que os recursos depositados pertenciam aos clientes do escritório de contabilidade para posterior pagamento de tributos estaduais e emolumentos, conforme comprovam os documentos anexados aos autos; f) todos os fatos alegados estão cabalmente comprovados pelos documentos juntados, havendo ainda depósitos que foram tributados em duplicidade (doc. 01 junto com a impugnação). Os documentos não se referem a todos os depósitos, ainda porque são recebidos salários na contacorrente, mas são suficientes para afastar a presunção de omissão de rendimentos. Fl. 13485DF CARF MF Processo nº 14120.000001/200787 Acórdão n.º 2201004.660 S2C2T1 Fl. 13.486 4 Ao final é requerida a anulação do lançamento por ilegitimidade passiva ou a exclusão do impugnante da relação processual. Não ocorrendo isso, que seja declarado improcedente o Auto de Infração em face da comprovação de que os depósitos eram efetuados pelos pecuaristas para pagamentos posteriores de responsabilidade destes, considerandose as provas apresentadas suficientes para o afastamento da presunção de omissão de rendimentos prevista no art. 42 da Lei n. 9.430/1996. Há o protesto por novas provas, se isso for julgado necessário Da Decisão da DRJ Quando da apreciação do caso, a DRJ em Campo Grande/MS julgou procedente o lançamento, conforme ementa abaixo (fls. 5664/5682): “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002, 2003, 2004 PRODUÇÃO DE PROVAS. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas junto com a impugnação. NULIDADE. ILEGITIMIDADE PASSIVA. Havendo a exclusão, para fins de lançamento, dos depósitos relativos a recursos comprovadamente pertencentes a terceiros, não há que se falar em ilegitimidade passiva quanto ao lançamento por presunção de omissão de rendimentos. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42 da Lei n. 9.430/1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada. LANÇAMENTO EM DUPLICIDADE. Constando no demonstrativo anexo à intimação para que o contribuinte justificasse a origem dos depósitos bancários somente o valor do crédito quando efetivamente disponível e ausente o do depósito quando bloqueado, não há lançamento em duplicidade. .Lançamento Procedente” No mérito, entendeu que em razão da presunção legal de omissão de receitas por depósito bancário sem origem comprovado, era dever do contribuinte demonstrar individualizadamente, através de documentação hábil e idônea, a origem de cada um dos depósitos. No presente caso, o contribuinte não logrou em fazêlo, razão pela qual manteve o lançamento tributário. Fl. 13486DF CARF MF Processo nº 14120.000001/200787 Acórdão n.º 2201004.660 S2C2T1 Fl. 13.487 5 Do Recurso Voluntário O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão da DRJ em 22/10/2008, conforme termo de vista em processo de fl. 5686, apresentou o recurso voluntário de fls. 5694/5708 em 12/11/2008. Em suas razões, reiterou os argumentos da Impugnação Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. 1. Depósitos Bancários Sem Origem Comprovada Foi lançado o imposto de renda relativo a depósitos efetuados em contas bancárias de titularidade do RECORRENTE, ao longo dos anos de 2002, 2003 e 2004, cuja relação de depósitos encontrase acostada às fls. 4938/4984. Durante a ação fiscal, o RECORRENTE foi intimado para a comprovar, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos créditos/depósitos ocorridos em suas contas bancárias (efls 7/10). Em resposta, o RECORRENTE juntou os documentos comprobatórios de efls 763/4758. Em que pese a autoridade fiscal ter reconhecido a procedência de alguns dos depósitos, o fisco procedeu com a lavratura do auto de infração dos depósitos não comprovados. Em princípio, devese esclarecer que o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 prevê expressamente que os valores creditados em conta de depósito que não tenham sua origem comprovada caracterizamse como omissão de rendimento para efeitos de tributação do imposto de renda, nos seguintes termos: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 13487DF CARF MF Processo nº 14120.000001/200787 Acórdão n.º 2201004.660 S2C2T1 Fl. 13.488 6 A presunção de omissão de receita estabelecida pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96 autoriza o lançamento quando a autoridade fiscal verificar a ocorrência do fato previsto, não sendo necessária a comprovação do consumo dos valores. A referida matéria já foi, inclusive, sumulada por este CARF, razão pela qual é dever invocar a Súmula nº 26 transcrita a seguir: “SÚMULA CARF Nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei Nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.” Portanto é legal a presunção de omissão de rendimentos por depósitos bancários de origem não comprovada, a qual pode ser elidida por prova em contrário, o que não aconteceu no presente caso. A única forma de elidir a tributação é a comprovação, pelo contribuinte, da origem dos recursos depositados nas contas correntes mediante documentação hábil e idônea. Para afastar a autuação, o RECORRENTE deve apresentar comprovação documental referente a cada um dos depósitos individualizadamente, nos termos do §3º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: O art. 15 do Decreto nº 70.235/72 determina que a defesa do contribuinte deve estar acompanhada de toda a documentação em que se fundamentar: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Deveria, então, a RECORRENTE ter comprovado a origem dos recursos depositados na sua conta bancária durante a ação fiscal, ou quando da apresentação de sua impugnação/recurso, pois o crédito em seu favor é incontestável. Deveria também têlo feita de forma individualizada, apontando a correspondência de datas e valores constantes da movimentação bancária com os documentos apresentados, o que não foi feito. No presente caso o contribuinte se limita a alegar que se tratam de movimentações financeiras provenientes do escritório contábil Anacleto e faz juntada de uma série de documentos, tanto durante o procedimento fiscal, quanto em sede de impugnação e até mesmo no recurso voluntário. Pois bem, analisando por amostragem os documentos juntados em sede de impugnação e do Recurso Voluntário, percebo que eles não comprovam com a exatidão necessária a origem dos depósitos, em especial em decorrência da ausência de indicação individualizada de qual depósito cada documento pretende comprovar a origem, o que inviabiliza o trabalho da autoridade fiscalizadora. Perceba que era dever do contribuinte, por Fl. 13488DF CARF MF Processo nº 14120.000001/200787 Acórdão n.º 2201004.660 S2C2T1 Fl. 13.489 7 força dos artigos supramencionados, fazer este cotejo analítico indicativo, sobretudo para comprovar que seriam valores pertencentes a terceiros, como alega em sua defesa. Para comprovar a origem dos depósitos creditados em contas bancárias de sua titularidade, o contribuinte deveria não somente comprovar uma efetiva movimentação financeira consistente na transferência de numerário entre remetente e destinatário, mostrando sua procedência inequívoca de quem e de onde veio o dinheiro, como também, demonstrar, por meio de documentação hábil e idônea, a que título veio este recurso, ou seja, o porquê, o motivo pelo qual este recurso ingressou em seu patrimônio. Dada a sua alegação de que a entrada do recurso se deu para fazer frente a despesas de terceiros, deveria comprovar e indicar a quais despesas de terceiros os créditos efetuados em sua conta estavam vinculados. Ou seja, deveria demonstrar que o valor de "X" Reais creditado por fulano (cliente do escritório Anacleto) no dia "Y" através do cheque "Z" serviu para fazer o pagamento da despesa do próprio fulano espelhada pelo documento "W". Essa vinculação deveria ser inequívoca, com uma razoável compatibilização de datas e valores, pois não adiantaria também afirmar que um valor creditado em janeiro serviu para fazer um pagamento datado de outubro, por exemplo. Repiso, esta atividade é dever do contribuinte e não da autoridade julgadora. Ao acostar diversos documentos aos autos sem minimamente fazer qualquer cotejo dos valores de entradas de terceiros e saídas para pagamento de despesas destes mesmos terceiros, o contribuinte não está comprovando nada e apenas transfere para a fiscalização o seu dever de comprovar suas alegações a fim de atestar o nexo de causalidade entre os depósitos e os dispêndios que alega ser de terceiros. Sobre o mesmo tema, importante transcrever acórdão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 1998 (...) IMPOSTO DE RENDA TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS REGIME DA LEI Nº 9.430/96 POSSIBILIDADE A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que estes são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva. (...) Fl. 13489DF CARF MF Processo nº 14120.000001/200787 Acórdão n.º 2201004.660 S2C2T1 Fl. 13.490 8 Recurso voluntário provido em parte. (1ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; julgamento em 04/02/2009)” Esclareçase, também, que a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, devendo a autoridade fiscal agir conforme estabelece a lei, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Portanto, não merece reparo o lançamento, na medida que caberia ao RECORRENTE ter demonstrado, de forma elucidativa, o nexo de causalidade entre os depósitos efetuados em sua conta bancária e os dispêndios que alega ser de terceiros. 2. Da Ilegitimidade Passiva O lançamento tributário é fruto de presunção legal constante no art. 42 da Lei nº 9.430/1996, de forma que, uma vez comprovado que os recursos são de terceiros a solução cabível é o afastamento da presunção legal e do lançamento tributário, e não a declaração de ilegitimidade passiva. Conforme abordado no tópico anterior, o contribuinte não logrou em demonstrar que se tratavam de recursos de terceiros, mantido a omissão e o lançamento tributário. Portanto, incabível qualquer alegação de ilegitimidade passiva. Esclareçase, também, que a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, devendo a autoridade fiscal agir conforme estabelece a lei, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do já citado art. 142 do CTN. CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO do Recurso Voluntário, nos termos do voto em epígrafe. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim – Relator Fl. 13490DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10630.900688/2011-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RETENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA INCIDENTE SOBRE RENDIMENTOS AUFERIDOS NAS APLICAÇÕES EM FUNDOS DE INVESTIMENTO. IMUNIDADE RECÍPROCA. EXTENSÃO ÀS AUTARQUIAS. POSSIBILIDADE.
Basta a comprovação, mediante prova normativa, de que a entidade é autarquia municipal criada, para instituir regime de previdência próprio dos servidores públicos municipais, nos termos do art. 40 da CF e da Lei nº 9.717, de 1998, para que sejam restituídas as retenções de fonte efetuadas sobre as aplicações financeiras.
Numero da decisão: 1201-002.412
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Ester Marques Lins de Sousa (Presidente).
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RETENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA INCIDENTE SOBRE RENDIMENTOS AUFERIDOS NAS APLICAÇÕES EM FUNDOS DE INVESTIMENTO. IMUNIDADE RECÍPROCA. EXTENSÃO ÀS AUTARQUIAS. POSSIBILIDADE. Basta a comprovação, mediante prova normativa, de que a entidade é autarquia municipal criada, para instituir regime de previdência próprio dos servidores públicos municipais, nos termos do art. 40 da CF e da Lei nº 9.717, de 1998, para que sejam restituídas as retenções de fonte efetuadas sobre as aplicações financeiras.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Ester Marques Lins de Sousa (Presidente).
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RETENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA INCIDENTE SOBRE RENDIMENTOS AUFERIDOS NAS APLICAÇÕES EM FUNDOS DE INVESTIMENTO. IMUNIDADE RECÍPROCA. EXTENSÃO ÀS AUTARQUIAS. POSSIBILIDADE. Basta a comprovação, mediante prova normativa, de que a entidade é autarquia municipal criada, para instituir regime de previdência próprio dos servidores públicos municipais, nos termos do art. 40 da CF e da Lei nº 9.717, de 1998, para que sejam restituídas as retenções de fonte efetuadas sobre as aplicações financeiras. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 90 06 88 /2 01 1- 28 Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10630.900688/201128 Acórdão n.º 1201002.412 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP que julgou improcedente a manifestação de inconformidade para indeferir o pedido de restituição. O crédito trazido no PER/DCOMP teria origem em pagamento indevido a título de imposto de renda incidente sobre rendimentos auferidos sobre aplicação em fundos de investimento. Pelo Despacho Decisório, o crédito não foi reconhecido e a restituição foi indeferida em face de que "não foi confirmada a existência do crédito pleiteado, pois o DARF a seguir, discriminado no PER/DCOMP, não foi localizado nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil." Protocolada a Manifestação de Inconformidade, foi julgada improcedente tendo como principal fundamento: "apenas mediante a condução de robusto conjunto probatório tendente à demonstração ampla e transparente do cumprimento dos preceitos estipulados nos §§2º e 3º do art. 150 da nossa Carta Política se revelaria verossímil corroborar com a incidência, de plano, da imunidade recíproca em favor da entidade autárquica, o que não é o caso dos presentes autos." Foi manejado o Recurso Voluntário em que é alegado: o recorrente mesmo sendo uma autarquia municipal instituto de previdência dos servidores públicos municipais de Águas Formosas (Lei nº 1.204/2007), tendo feito aplicações em fundos de investimento através da conta de investimentos nº 9.000x, mantida no Banco do Brasil, suportou descontos em virtude de retenções a título de imposto de renda no biênio 2003/2004; o entendimento que resultou na decisão de improcedência da manifestação de inconformidade apresentando como esteio a sustentação de ausência dos diplomas legais alusivos à criação do INPREMAF, contemplando a pormenorização de seus objetivos e finalidades, não deve permanecer carecendo ser reformada a aludida decisão; com efeito, a respeitável decisão está estribada na necessidade de comprovação da existência de lei municipal, hipótese em que deverá ser aplicado, supletivamente, os preceitos expressos no CPC, onde o artigo 337, dispondo sobre as normas gerais das provas, preceitua que o teor e a vigência de norma municipal será exigida como prova quando o julgador assim o determinar; temse ainda que no artigo 399 do mesmo diploma legal, está consignado que o julgador "requisitará às repartições públicas em qualquer tempo ou grau de jurisdição as certidões necessárias à prova das alegações das partes"; Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10630.900688/201128 Acórdão n.º 1201002.412 S1C2T1 Fl. 4 3 ademais, nos dados inseridos no CNPJ, consta que a recorrente tem como atividade econômica principal a arrecadação proveniente da "seguridade social obrigatória"; destarte, no que pertine ao entendimento da necessidade da comprovação de tais diplomas legais, deveria ter sido solicitado ao recorrente, à Câmara Municipal ou ao Executivo Municipal, antes do julgamento final, os diplomas legais ausentes nos autos e entendidos como imprescindíveis para o deferimento da pretensão do recorrente. Portanto, a apresentação dos documentos ora acostados não é intempestiva; de outro lado, não deverá ser mantido o entendimento quanto à necessidade de comprovação da existência de elementos comprobatórios no sentido de que os recursos financeiros aplicados no fundo de investimento "vinculamse efetivamente as atividades ou serviços de prestação obrigatória e exclusiva do Estado"; não é prudente indeferir o pedido da restituição das retenções efetivadas ao arrepio da Constituição Federal exigindo prova da inexistência do desvio de finalidade na atuação do recorrente, quando esta, como bem salientou a relatora Maria Lucia Aguilera, compete à fiscalização tributária, conforme legislação vigente. com o fito de sanar a prova documental entendida como necessária, anexa aos autos cópia da legislação pertinente à Recorrente e dos balancetes resumidos das receitas relativas aos exercícios financeiros de 2003/2004. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.399, de 17/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10630.900675/2011 59, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.399): "O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade. Assim, dele conheço. O crédito pleiteado pela Contribuinte se refere às retenções de fonte efetuadas sobre as aplicações financeiras em virtude de ser uma autarquia municipal criada para instituir regime de previdência próprio dos servidores públicos municipais, nos termos do art. 40 da CF e da Lei nº 9.717, de 1998. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10630.900688/201128 Acórdão n.º 1201002.412 S1C2T1 Fl. 5 4 A declaração de voto da ilustre julgadora Maria Lucia Aguilera na decisão de primeira instância, a meu ver, irretocável, cujos trechos trago a colação, contém todos os elementos necessários para se proferir a decisão: (...) A imunidade recíproca tem previsão no art.150, VI, “a”, §§2ºe 3º da Constituição Federal – CF, verbis: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) VI instituir impostos sobre: a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; (...) § 2º A vedação do inciso VI, “a”, é extensiva às autarquias e às fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços, vinculados a suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes. § 3º As vedações do inciso VI, “a”, e do parágrafo anterior não se aplicam ao patrimônio, à renda e aos serviços, relacionados com exploração de atividades econômicas regidas pelas normas aplicáveis a empreendimentos privados, ou em que haja contraprestação ou pagamento de preços ou tarifas pelo usuário, nem exonera o promitente comprador da obrigação de pagar imposto relativamente ao bem imóvel (...) Quanto às pessoas alcançadas pela imunidade recíproca, a própria Constituição Federal – CF expressamente consignou a proteção ao entes que compõem a Federação – União, Estados, Distrito Federal e Municípios, os quais gozam de autonomia uns em relação aos outros, nos termos dos arts. 1ºe 18 da CF. Aos entes políticos, formadores da Federação, a Constituição Federal – CF atribuiu patrimônio e competências executivas, que não podem ser afetados pela tributação. Assim, o patrimônio, os serviços prestados e a renda auferida pelos entes da Federação estão protegidos pela imunidade recíproca. Além dos entes da Federação, a imunidade recíproca alcança as autarquias e fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público (art. 150, §2º da CF). A definição de autarquia se encontra no art. 5º, inciso I, DecretoLei nº 200, de 25 de fevereiro de 1967, in verbis: Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10630.900688/201128 Acórdão n.º 1201002.412 S1C2T1 Fl. 6 5 Art. 5º Para os fins desta lei, considerase: I Autarquia o serviço autônomo, criado por lei, com personalidade jurídica, patrimônio e receita próprios, para executar atividades típicas da Administração Pública, que requeiram, para seu melhor funcionamento, gestão administrativa e financeira descentralizada. (...) A característica mais marcante, que determina a natureza jurídica autárquica, é a atividade ser típica da Administração Pública e exercida pela entidade, por atribuição legal. Nos termos do art. 6º da Constituição Federal – CF, com a redação dada pela Emenda Constitucional nº 64, de 2010, a previdência social se inclui entre os direitos sociais. (...) No presente caso, invoca a defesa ser a requerente uma autarquia criada por Lei editada pelo Município de Águas Formosas/MG, para instituir Regime Próprio de Previdência Social, de acordo com os preceitos do art. 40 da CF: Art. 40. Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo e solidário, mediante contribuição do respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos e dos pensionistas, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003). Para a implementação deste regime de previdência próprio do funcionalismo público, a competência exclusiva da União, para a instituição da contribuição previdenciária, no caso dos servidores públicos, foi transferida aos Estados, Distrito Federal e Municípios, instituidores do regime previdenciário em favor de seus servidores. É o que dispõe, verbis: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. § 1º Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão contribuição, cobrada de seus servidores, para Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10630.900688/201128 Acórdão n.º 1201002.412 S1C2T1 Fl. 7 6 o custeio, em benefício destes, do regime previdenciário de que trata o art. 40, cuja alíquota não será inferior à da contribuição dos servidores titulares de cargos efetivos da União (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003). De fato, a regulamentação da instituição e funcionamento dos regimes próprios veio a ocorrer somente após dez anos da sua promulgação, com a edição da Lei Federal nº 9.717/98 de 28 de novembro de 1998, seguida da Emenda Constitucional nº 20, de 15 de dezembro de 1998, e da Emenda Constitucional nº 41, de 19 de dezembro de 2003. (...) Por sua vez, art. 40, caput, da CF, assegurou aos servidores públicos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, um regime de previdência próprio, de caráter contributivo e solidário, mediante contribuição do respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos e dos pensionistas. Assim, foi criada a possibilidade de o ente público deixar de verter as contribuições previdenciárias ao RGPS e adotar sistema próprio de previdência social para os seus servidores, que em decorrência do chamado pacto federativo, representado pela autonomia política e administrativa de cada ente federativo, a eles foi facultado legislar concorrentemente sobre a organização e funcionamento, princípio aplicado também sobre os seus sistemas de previdência, desde que obedecidos os limites constitucionais e regras gerais. (...) E nos termos do art. 5º da Lei nº 9.717, de 1998, os regimes próprios de previdência social dos servidores públicos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos militares dos Estados e do Distrito Federal não poderão conceder benefícios distintos dos previstos no Regime Geral de Previdência Social, de que trata a Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, salvo disposição em contrário da Constituição Federal. Diante desse quadro jurídico, em se tratando de autarquia, instituída por Lei Municipal, para gerir regime de previdência próprio dos servidores públicos municipais, de filiação compulsória, em substituição ao regime geral de previdência social, e por isso de caráter público, e não privado, a imunidade recíproca, prevista no art. 150, VI, “a”, §§2º e 3º da CF, deve se estender aos seus rendimentos de aplicações financeiras, vinculados a suas finalidades essenciais. (...) Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10630.900688/201128 Acórdão n.º 1201002.412 S1C2T1 Fl. 8 7 Comprovado o status de autarquia municipal criada, para instituir regime de previdência próprio dos servidores públicos municipais, nos termos do art. 40 da CF e da Lei nº 9.717, de 1998, não há que se falar também em exploração de atividade econômica, porque se trata de entidade dedicada a regime público de previdência, conforme acima já explicado. Com relação à impossibilidade de contraprestação pelo usuário, registrese, por oportuno, que, nos termos do art. 40 da CF, as fontes de “receita” da autarquia são as contribuições do respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos e dos pensionistas, vinculadas ao custeio, em benefício destes, do regime previdenciário próprio, o que configura “contribuição”, mas não “contraprestação” do usuário. Apesar de tudo, cumpre aquiescer com o Relator que, no caso dos presentes autos, não é possível deferir os pedidos de restituição, porque o Instituto de Previdência do Município de Águas Formosas/MG – INPREMAF não trouxe aos autos a legislação municipal (leis, decretos e outros instrumentos) comprobatória de que a Requerente é autarquia municipal criada, para instituir regime de previdência próprio dos servidores públicos municipais, nos termos do art. 40 da CF e da Lei nº 9.717, de 1998. Cumpre deixar claro a divergência em relação ao voto proferido pelo Exmo. Relator, no que diz respeito à extensão da prova requerida, para o deferimento do pedidos de restituição. Para esta Relatora, basta a comprovação, mediante prova normativa, de que a entidade é autarquia municipal criada, para instituir regime de previdência próprio dos servidores públicos municipais, nos termos do art. 40 da CF e da Lei nº 9.717, de 1998, para que sejam restituídas as retenções de fonte efetuadas sobre as aplicações financeiras. A prova aqui requerida é de que a Lei Municipal e os atos normativos dela decorrentes, que instituíram e regulamentaram o regime próprio de previdência social dos servidores públicos municipais, observaram os requisitos constitucionais e os previstos na Lei nº 9.717, de 1998. No âmbito do presente processo, descabe imputar à entidade o ônus da prova de regularidade de atuação ou de observância das normas instituidoras do referido regime previdenciário, mediante a apresentação da competente escrituração. O ônus da prova de qualquer desvio de finalidade compete à fiscalização tributária, mediante os procedimentos de suspensão da imunidade, previstos no art. 32 da Lei nº 9.430, de 1996. Para comprovar que se trata de uma autarquia municipal criada para instituir regime de previdência próprio dos Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10630.900688/201128 Acórdão n.º 1201002.412 S1C2T1 Fl. 9 8 servidores públicos municipais, nos termos do art. 40 da CF e da Lei nº 9.717, de 1998 a recorrente trouxe aos autos, na fase recursal, a cópia dos atos normativos abaixo relacionados: 1) Lei nº 1.095/2002 dispõe sobre a criação do Regime próprio Previdenciário dos Servidores Públicos do Município de Águas Formosas, cria o instituto de Previdência do Município de Águas Formosas INPREMAF, e regulamenta o Fundo Municipal d Previdência dos Servidores Públicos de Águas Formosas PREVAF, e dá outras providências (doc. de fls. 67/100) e Certidão de Publicação expedida pela Prefeitura Municipal de Águas Formosas (doc. de fls. 101); 2) Lei Complementar nº 1.204, de 23 de abril de 2007 dispõe sobre a reestruturação do Plano de Benefícios do Instituto de Previdência do Município de Águas Formosas INPREMAF e dá outras providências correlatas, visando a adequação às emendas constitucionais 41/2003 e 47/2005 (doc. de fls. 102/147); 3) Lei nº 1.239, de 14 de fevereiro de 2008 altera dispositivos da Lei nº 1.204, de 23 de abril de 2007 que "Dispõe sobre a reestruturação do Plano de Benefícios do Instituto de Previdência do Município de Águas Formosas INPREMAF e dá outras providências correlatas, visando a adequação às emendas constitucionais 41/2003 e 47/2005." (doc. de fls. 148/149); 4) Lei nº 1.240, de 14 de fevereiro de 2008 altera dispositivos da Lei nº 1.204, de 23 de abril de 2007 que "Dispõe sobre a reestruturação do Plano de Benefícios do Instituto de Previdência do Município de Águas Formosas INPREMAF e dá outras providências correlatas, visando a adequação às emendas constitucionais 41/2003 e 47/2005." (doc. de fls. 150/151); 5) Lei nº 1.418, de 27 de maio de 2013 altera dispositivos da Lei nº 1.204, de 23 de abril de 2007 que "Dispõe sobre a reestruturação do Plano de Benefícios do Instituto de Previdência do Município de Águas Formosas INPREMAF e dá outras providências correlatas, visando a adequação às emendas constitucionais 41/2003 e 47/2005", alterada pela Lei nº 1.240/2008. (doc. de fls. 152/153). Também anexou os balancetes resumidos das receitas relativas aos exercícios financeiros de 2003/2004 (doc. de fls. 65/66). Assim, entendo, na esteira da declaração de voto proferido pela eminente relatora, que a recorrente apresentou prova normativa de que a Lei Municipal e os atos normativos dela decorrentes, que instituíram e regulamentaram o regime próprio de previdência social dos servidores públicos municipais, observaram os requisitos constitucionais e os previstos na Lei nº 9.717, de 1998. Ademais, descabe imputar à entidade o ônus da prova de regularidade de atuação ou de observância das normas Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10630.900688/201128 Acórdão n.º 1201002.412 S1C2T1 Fl. 10 9 instituidoras do referido regime previdenciário, mediante a apresentação da competente escrituração. O ônus da prova de qualquer desvio de finalidade compete à fiscalização tributária, mediante os procedimentos de suspensão da imunidade, previstos no art. 32 da Lei nº 9.430, de 1996. Diante de todo o exposto, a recorrente faz jus a imunidade recíproca e teria direito a restituição das retenções de fonte efetuadas sobre as suas aplicações financeiras. Assim, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário no sentido de deferir o pedido de restituição." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 171DF CARF MF
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