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Numero do processo: 15563.720275/2015-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Dec 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Ano-calendário: 2014
BASE DE CÁLCULO DO PIS/PASEP. CONCEITO DE FATURAMENTO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3°, §1° DA LEI N° 9.718/98 PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.
A inconstitucionalidade do art. 3°, §1° da Lei n° 9.718/98, que alargou o conceito de faturamento para a base de cálculo das contribuições para o PIS e para a COFINS, foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento dos RE n° 585.235, na sistemática da repercussão geral, tendo como leading cases os Res n°s 357.950-9/RS, 390.840-5/MG, 358.273-9/RS e 346.084-6/PR.
Portanto, ficou estabelecido o conceito de faturamento como decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços, ou da combinação de ambos, não sendo abrangidas quaisquer outras receitas da pessoa jurídica.
BONIFICAÇÕES. PAGAS PELOS FORNCEDORES. NÃO CONSTANTES DAS NOTAS FISCAIS. CONTRATADAS COMO DESCONTOS. NATUREZA DE RECEITA. NÃO EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO.
Tais verbas têm natureza de receita, posto que: a) é valor que lhe é pago pelo fornecedor; portanto ingresso, recebimento; e não de desconto; b) a base de cálculo, tal como estabelecido pelo legislador é universal: "a totalidade das receitas auferidas pela empresa"; e c) é elemento novo e positivo que aumenta o patrimônio da empresa.
DESCONTOS COMERCIAIS PRE-ACORDADOS CONCEDIDOS PARA CUSTEIO INDIRETO DAS ATIVIDADES DO ADQUIRENTE. RECEITAS TRIBUTÁVEIS.
Compõem a base de cálculo da contribuição, por representarem receitas do adquirente, os descontos, não constantes das Notas Fiscais, pré-acordados em negociações com fornecedores, para custeio indireto da sua atividade operacional, o que se dá mesmo quando se pressupõe uma contraprestação, se não houver a correspondência econômica entre o valor pago e o serviço prestado.
NÃO-CUMULATIVIDADE. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. TAXA DE ADMINISTRAÇÃO DE CARTÕES DE CRÉDITO.
Repetitivo do STJ REsp 1.221.170/PR, em 22/02/2018. Aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, trata-se de insumo.
REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS SOBRE FRETES. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS.
Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep e Cofins não-cumulativos sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Além disso, deve ser considerado tratar-se de frete na operação de venda, atraindo a aplicação do permissivo do art. 3°, inciso IX e art. 15 da Lei n.° 10.833/2003.
Numero da decisão: 3302-007.765
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. Quanto ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reverter às glosas referentes aos fretes na transferência de produtos acabados. Vencidos os conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus e Raphael Madeira Abad que excluíam da base de cálculo das exações os valores referentes às bonificações/descontos.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente
(assinado digitalmente)
Jorge Lima Abud Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Gerson Jose Morgado de Castro, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho.
Nome do relator: JORGE LIMA ABUD
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2014 BASE DE CÁLCULO DO PIS/PASEP. CONCEITO DE FATURAMENTO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3°, §1° DA LEI N° 9.718/98 PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. A inconstitucionalidade do art. 3°, §1° da Lei n° 9.718/98, que alargou o conceito de faturamento para a base de cálculo das contribuições para o PIS e para a COFINS, foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento dos RE n° 585.235, na sistemática da repercussão geral, tendo como leading cases os Res n°s 357.950-9/RS, 390.840-5/MG, 358.273-9/RS e 346.084-6/PR. Portanto, ficou estabelecido o conceito de faturamento como decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços, ou da combinação de ambos, não sendo abrangidas quaisquer outras receitas da pessoa jurídica. BONIFICAÇÕES. PAGAS PELOS FORNCEDORES. NÃO CONSTANTES DAS NOTAS FISCAIS. CONTRATADAS COMO DESCONTOS. NATUREZA DE RECEITA. NÃO EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. Tais verbas têm natureza de receita, posto que: a) é valor que lhe é pago pelo fornecedor; portanto ingresso, recebimento; e não de desconto; b) a base de cálculo, tal como estabelecido pelo legislador é universal: "a totalidade das receitas auferidas pela empresa"; e c) é elemento novo e positivo que aumenta o patrimônio da empresa. DESCONTOS COMERCIAIS PRE-ACORDADOS CONCEDIDOS PARA CUSTEIO INDIRETO DAS ATIVIDADES DO ADQUIRENTE. RECEITAS TRIBUTÁVEIS. Compõem a base de cálculo da contribuição, por representarem receitas do adquirente, os descontos, não constantes das Notas Fiscais, pré-acordados em negociações com fornecedores, para custeio indireto da sua atividade operacional, o que se dá mesmo quando se pressupõe uma contraprestação, se não houver a correspondência econômica entre o valor pago e o serviço prestado. NÃO-CUMULATIVIDADE. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. TAXA DE ADMINISTRAÇÃO DE CARTÕES DE CRÉDITO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 72 02 75 /2 01 5- 50 Fl. 3400DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-007.765 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15563.720275/2015-50 Repetitivo do STJ REsp 1.221.170/PR, em 22/02/2018. Aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, trata-se de insumo. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS SOBRE FRETES. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep e Cofins não-cumulativos sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Além disso, deve ser considerado tratar-se de frete na “operação de venda”, atraindo a aplicação do permissivo do art. 3°, inciso IX e art. 15 da Lei n.° 10.833/2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. Quanto ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reverter às glosas referentes aos fretes na transferência de produtos acabados. Vencidos os conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus e Raphael Madeira Abad que excluíam da base de cálculo das exações os valores referentes às bonificações/descontos. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente’ (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Gerson Jose Morgado de Castro, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho. Relatório Aproveita-se o Relatório do Acórdão de Impugnação. Contra o interessado foram lavrados autos de infração de Cofins no valor total de RS 164.894.148,35 (fls. 987/998) e PIS/Pasep no valor total de RS 35.609.344,83 (fls. 1.000/1.011), em função das irregularidades que se encontram descritas no Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 951/985; A empresa apresentou impugnação de fls. 29.380/29.427, na qual alega, em síntese, que: DIREITO: a) Descontos e abatimentos obtidos junto a fornecedores: Presunção não comprovada de que decorreram de contraprestação de serviços disponibilizados aos fornecedores; Saldo de Créditos de Meses Anteriores: Presunção infundada de que tais créditos teriam natureza de pagamento indevido ou a maior; Desnecessidade de pronunciamento das nulidades apontadas no presente tópico, em caso de decisão favorável no mérito; Fl. 3401DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-007.765 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15563.720275/2015-50 MÉRITO: Inexistência de fundamento legal a sustentar o lançamento tributário; Evidenciação nos registros contábeis como redutor do custo de aquisição das mercadorias adquiridas para revenda - Normas contábeis brasileiras; Descontos e abatimentos concedidos como bonificações pelos fornecedores: Comprovação dos registros contábeis como redutores do custo de aquisição das mercadorias adquiridas para revenda; Descontos e abatimentos concedidos como bonificações pelos fornecedores: Natureza jurídica de receitas e de redutores de custos que não tipificam receitas para fins tributários; Definição jurídica de receita para fins de incidência pelas contribuições ao PIS e à COFINS; Redutores de custos que não tipificam receitas para fins de incidência pelas contribuições ao PIS e à COFINS; - Aplicação de alíquota zero, caso acolhida a linha sustentada pela D- Fiscalização, pois restaria caracterizada "receita" financeira; Da legitimidade dos créditos apropriados sobre taxas administrativas de cartões de crédito e débito; Da legitimidade dos créditos apropriados sobre fretes contratados para transferência de mercadorias entre estabelecimentos comerciais; Caracterização como etapa da operação de venda e insumo; Da legitimidade dos créditos declarados na Linha 21 "Outros Créditos a Descontar" das Fichas 06A e 16A e do procedimento de apropriação extemporânea; Erro na quantificação do valor exigido: duplicidade de glosa procedida em relação ao período de apuração de dezembro/2012; Da impossibilidade de cobrança de juros moratórios sobre a multa de ofício; É o breve relatório. Em 02 de fevereiro de 2017, através do Acórdão de Impugnação n° 09-61.607, a 2ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Juiz de Fora/MG por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação, para reduzir as contribuições lançadas no mês de abril/2012 aos valores relacionados na tabela constante do voto do relator e manter os demais valores lançados nos autos de infração. A empresa foi intimada do Acórdão de Impugnação, por via eletrônica, em 10 de junho de 2019, às e-folhas 3.329. A empresa ingressou com Recurso Voluntário, em 05 de julho de 2019, e- folhas 3.332, de e-folhas 3.333 à 3.389. Foi alegado: Das Nulidades: 0 Ausência de análise das provas produzidas em sede de impugnação; Saldo de Créditos de Meses Anteriores: Presunção infundada de que tais créditos teriam natureza de pagamento indevido ou a maior; Mérito: Fl. 3402DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-007.765 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15563.720275/2015-50 Da improcedência da glosa relativa aos descontos e abatimentos concedidos como bonificações pelos fornecedores; Evidenciação nos registros contábeis como redutor do custo de aquisição das mercadorias adquiridas para revenda - Normas contábeis brasileiras; Natureza jurídica de redutores de custos que não tipificam receitas para fins tributários; Definição jurídica de receita para fins de incidência pelas contribuições ao PIS e à COFINS; Redutores de custos que não tipificam receitas para fins de incidência pelas contribuições ao PIS e à COFINS; Aplicação de alíquota zero, caso acolhida a linha sustentada pela D. DRJ, pois restaria caracterizada "receita" financeira; Da legitimidade dos créditos apropriados sobre taxas administrativas de cartões de crédito e débito; Da legitimidade dos créditos apropriados sobre fretes contratados para transferência de mercadorias entre estabelecimentos comerciais: Caracterização como etapa da operação de venda do insumo. PEDIDO Ante o exposto, pede e espera a ora Recorrente seja recebido e acolhido in totum o presente Recurso Voluntário, para ser reformado parcialmente o V. Acórdão recorrido, reconhecendo-se a nulidade apontada na parte preliminar dessa peça recursal e, no mérito, a total procedência dos pedidos ora deduzidos. Requer-se, outrossim, a apresentação de suas razões recursais em sustentação oral a ser realizada perante esse Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Lima Abud Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3 a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. A empresa foi intimada do Acórdão de Impugnação, por via eletrônica, em 10 de junho de 2019, às e-folhas 3.329. A empresa ingressou com Recurso Voluntário, em 05 de julho de 2019, e- folhas 3.332. O Recurso Voluntário é tempestivo. Fl. 3403DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-007.765 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15563.720275/2015-50 Da Controvérsia. Foi alegado o seguinte ponto no Recurso Voluntário: Das Nulidades: Ausência de análise das provas produzidas em sede de impugnação; Saldo de Créditos de Meses Anteriores: Presunção infundada de que tais créditos teriam natureza de pagamento indevido ou a maior; Mérito: Da improcedência da glosa relativa aos descontos e abatimentos concedidos como bonificações pelos fornecedores; Evidenciação nos registros contábeis como redutor do custo de aquisição das mercadorias adquiridas para revenda - Normas contábeis brasileiras; Natureza jurídica de redutores de custos que não tipificam receitas para fins tributários; Definição jurídica de receita para fins de incidência pelas contribuições ao PIS e à COFINS; Redutores de custos que não tipificam receitas para fins de incidência pelas contribuições ao PIS e à COFINS; Aplicação de alíquota zero, caso acolhida a linha sustentada pela D. DRJ, pois restaria caracterizada "receita" financeira; Da legitimidade dos créditos apropriados sobre taxas administrativas de cartões de crédito e débito; Da legitimidade dos créditos apropriados sobre fretes contratados para transferência de mercadorias entre estabelecimentos comerciais: Caracterização como etapa da operação de venda do insumo. Passa-se à análise. Do Recurso de Ofício Do Acórdão de Impugnação: Acordam os membros da 2a Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a impugnação, para reduzir as contribuições lançadas no mês de abril/2012 aos valores relacionados na tabela constante do voto do relator e manter os demais valores lançados nos autos de infração. (...) Submeta-se à apreciação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de acordo com o art. 34 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de1997, e Portaria MF n° 3, de 3 de janeiro de 2008, por força de recurso necessário. A exoneração do crédito procedida por este acórdão só será definitiva após o julgamento em segunda instância. Tópico constante das folhas 12 do Acórdão de Impugnação: Fl. 3404DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-007.765 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15563.720275/2015-50 DO ALEGADO ERRO NA QUANTIFICAÇÃO DO VALOR EXIGIDO: DUPLICIDADE DE GLOSA PROCEDIDA EM RELAÇÃO AO PERÍODO DE APURAÇÃO DE DEZEMBRO/2012 (ABRIL/2012) Confrontando os dados dos itens 72/73 - “Saldo de Crédito de Meses Anteriores” e 74/76 - “Outros Créditos a Descontar” do TVF com os que compõem a coluna “Descontos DACON” do item 86 do mesmo TVF, constatamos que os valores de R$ 87.100,13 (PIS/Pasep) e R$ 615.191,35 (Cofins) referentes ao no mês de abril/2012 foram indevidamente excluídos da base de cálculo dos créditos, devendo, portanto, serem nela reincluidos com a conseqüente dedução do valor lançado da contribuição. No tocante à alegação de ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa Dispositivo do Acórdão de Impugnação: Considerando a dedução do valor lançado das contribuições no mês de abril/2012 apurada neste voto, de R$ 87.100,13 (PIS/Pasep) e R$ 615.191,35 (Cofins), os valores mantidos no referido mês passam a ser os seguintes: Pelo exposto, voto pela procedência parcial da impugnação, pela redução das contribuições lançadas no mês de abril/2012 aos valores relacionados na tabela acima e pela manutenção dos demais valores lançados nos autos de infração. E-folhas 993: COFINS EXIGIDA R$ 3.285.728,38 E-folhas 1006: PIS EXIGIDO R$ 666.887,65 Cofins Pis Exigido: 3.285.728,38 666.887,78 Mantido: 2.670.537,03 - 579.787,65 - ========== ========= 615.191,35 + 87.100,13 = 702.291,48 Mesmo considerando o reflexo nos juros de mora, o valor não atinge o limite de alçada de R$ 2.500.000,00, estabelecido pela Portaria nº 63, de 9 de fevereiro de 2017. Portanto, deixa-se de apreciar o Recurso de Ofício. - Ausência de análise das provas produzidas em sede de impugnação. Fl. 3405DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3302-007.765 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15563.720275/2015-50 É alegado nos itens 16 a 24 do Recurso Voluntário: Extrai-se da leitura do TVF (fls. 951 a 986) que a D. Fiscalização concluiu que os descontos e abatimentos obtidos pela Recorrente em negociações com os fornecedores, os quais foram registrados a crédito do resultado do exercício, como redutor do custo das mercadorias vendidas, na conta contábil # 321201 "Compras de Mercadorias Nacionais", representaram receitas omitidas das bases de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS nos meses de janeiro de 2011 a dezembro de 2012. Para se chegar a tal conclusão, a D. Fiscalização faz digressão sobre a concentração do mercado varejista alimentício, enfatizando que as grandes redes varejistas do país, tal como a Recorrente, correntemente impõem a concessão de descontos aos fornecedores, sob o pretexto de que seus produtos serão expostos em locais privilegiados do mercado ou terão visibilidade destacada em folhetos e publicidade e propaganda. (...) Pela narrativa da D. Fiscalização, a Recorrente, por fazer parte de um grupo multinacional do varejo alimentício: (a) impõe impiedosamente aos seus fornecedores a obtenção de descontos; e (b) Os fabricantes, fragilizados em função da dura concorrência que enfrentam, não teriam grande poder de negociação frente aos citados conglomerados multinacionais; de modo que (c) a exigência da concessão de bonificações na forma de descontos é prática corrente nesse mercado. A partir dessa premissa (só e somente dessa premissa), que não está lastreada em nenhuma prova documental acostada aos autos, não passando de pura ilação pessoal da D. Fiscalização, é que, então, nos parágrafos 96 e 97 do TVF, reproduzidos a seguir, concluiu-se que os descontos e abatimentos obtidos pela Recorrente em negociações com seus fornecedores teriam natureza de desconto comercial, representado "verdadeira contraprestação por serviços disponibilizados aos fornecedores, como aqueles relativos à exposição e propaganda": (...) Com o devido respeito, Caros Julgadores, a Recorrente não pode se conformar com as alegações fiscais. Em primeiro lugar, porque os ditos fabricantes fragilizados, que respondem pela boa parte dos descontos obtidos pela Recorrente, fazem parte de conglomerados tão grandes ou mesmo maiores que o Grupo Pão de Açúcar. Para ter-se uma noção, vide as informações do quadro abaixo, relativas a fornecedores habituais, extraídas de meios oficiais e públicos: (...) Destacar esse fato é importante porque a D. Fiscalização ignora que a dinâmica comercial do varejo alimentício é complexa, pois envolve, ao contrário do que supõe, forças equivalentes, que não podem ser desprezadas na tentativa de induzir a um pensamento pautado em impressões pessoais, sem qualquer respaldo em evidências concretas. Em segundo, porque a alegação de que descontos e abatimentos obtidos junto a fornecedores teriam natureza de desconto comercial, em decorrência de contraprestação de serviços, é, absurdamente, contraditória. O Acórdão de Impugnação assim se posicionou sobre o assunto: (...) a nulidade de um auto de infração somente se daria em caso de ter sido lavrado por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa. No caso sob exame, os autos de infração foram lavrados por Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, autoridade com competência legal para fazê-lo e não há que se falar em preterição do direito de defesa pelo fato de ter sido dado à contribuinte o direito de apresentar sua impugnação, instaurando a fase litigiosa do procedimento, nos termos do disposto no art. 14 do Decreto n. 2 70.235/72, e não tendo havido qualquer ato que a impedisse de Fl. 3406DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3302-007.765 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15563.720275/2015-50 apresentar na peça, todos os seus argumentos e comprovantes contrários à autuação, verifica-se que não foram feridos os princípios do contraditório e da ampla defesa. Irretocável a posição do Acórdão de Impugnação advertindo que os casos de nulidade previstos no artigo 58 do Decreto 70.235/72: auto de infração lavrado por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa. Quanto à alegação em si, se confunde com o mérito e com ele será analisada. - Saldo de Créditos de Meses Anteriores: Presunção infundada de que tais créditos teriam natureza de pagamento indevido ou a maior. É alegado nos itens 52 a 58 do Recurso Voluntário: Não obstante a rejeição das nulidades apresentadas pela Recorrente em sua Impugnação, fato é que a glosa de créditos informados na Linha 01 "Saldo de Créditos de Meses Anteriores" da Ficha 14 dos DACONs do período de julho a dezembro de 2011, fora realizada com base na presunção de que se tratava de compensação por pagamento indevido ou a maior. De fato, concluiu a D. Fiscalização que "a despeito de haver ou não pagamento indevido e a possibilidade de compensação, a DACON não se presta a tal pretensão. O instrumento legal e hábil para tanto é o Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP), com informação em DCTF, conforme estabelecido na IN RFB 900/2008 e alterações posteriores" (TVF, item 72). Contudo, a decisão proferida pela Segunda Turma da DRJ/JFA merece ser reformada, reconhecendo-se a nulidade da glosa realizada pela D. Fiscalização, conforme se passará a demonstrar. Para melhor compreensão dos fatos, a Recorrente informa que, no processo de atendimento à Fiscalização, apresentou o demonstrativo resumo intitulado "01 - Resumo PIS COFINS S ST GPA.xIxs" (fl. 948) e memória de apuração das bases de cálculo do PIS e COFINS do ano-calendário de 2011, denominada "04. Apuração PIS_COFINS 2011" (fl. 949). A partir da análise da memória denominada "04. Apuração PIS_COFINS 2011" (fl. 949), identificou valores nos meses de julho a dezembro, que estavam ali referidos em linha intitulada "Outras Compensações", do que inferiu, precipitadamente, que essa constatação, somada ao fato de os créditos terem sido lançados na Linha 01 "Saldo de Créditos de Meses Anteriores" da Ficha 14, que a Recorrente havia utilizado meio indevido para compensação dos créditos, pois tal deveria ocorrer mediante entrega de PER/DCOMP. Ocorre que, ao contrário do que sustenta a D. Fiscalização, não se trata de compensação por pagamento indevido ou a maior, mas de apropriação de créditos calculados sobre o valor do ICMS-ST, apropriados tempestivamente nos períodos de apuração (julho a dezembro de 2011) em que efetivamente ocorreu a aquisição dos bens para revenda. Vale observar que, no presente caso, a D. Fiscalização nem sequer adentrou no mérito quanto à origem do crédito, nem quanto ao direito a sua apropriação, mas tão somente a forma como tal dedução foi realizada, presumindo tratar-se de compensação de pagamento indevido ou a maior, o que, comprovadamente, não ocorreu, o que, por si só, já é suficiente para a decretação da improcedência do lançamento. Em conexão com o quanto já foi exaustivamente arguido no capítulo anterior, a autoridade administrativa deve agir sempre de acordo e nos limites estabelecidos pela lei. Portanto, a presunção somente pode ser aplicada pelo agente fiscal quando houver previsão legal autorizando sua aplicação, ou, ainda, quando presente elementos indiciários concretos (não presumidos). Adequado o posicionamento da fiscalização de que a matéria aventada deve ter como instrumento legal e hábil o Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Fl. 3407DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 3302-007.765 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15563.720275/2015-50 Declaração de Compensação (PER/DCOMP), com informação em DCTF, conforme estabelecido na IN RFB 900/2008 e alterações posteriores. - No mérito Como ponto de partida, colaciono a ementa de julgado do leading case RE n° 357.950/RS, refletindo a posição predominante na Corte Suprema confirmada em sede de repercussão geral: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE - ARTIGO 3°, § 1°, DA LEI N° 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 - EMENDA CONSTITUCIONAL N° 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO - INSTITUTOS - EXPRESSÕES E VOCÁBULOS - SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõe-se ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL - PIS - RECEITA BRUTA - NOÇÃO - INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1° DO ARTIGO 3°DA LEI N° 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional n° 20/98, consolidou-se no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindo-as à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1° do artigo 3° da Lei n° 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (Grifo e negrito nossos) (RE 390840, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005, DJ 15-08-2006 PP-00025 EMENT VOL-02242-03 PP-00372 RDDT n. 133, 2006, p. 214-215) Nessa linha relacional, as decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal que tenham sido afetadas à sistemática da repercussão geral são de observância obrigatória por este órgão administrativo de julgamento, conforme redação do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343/2015, atualmente em vigor e que obriga os Conselheiros à sua aplicação: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543-B e 543-C da Lei n° 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n° 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF n° 152, de 2016) (...) Fl. 3408DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 3302-007.765 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15563.720275/2015-50 § 2° As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543-B e 543-C da Lei n° 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n° 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF n° 152, de 2016) Por oportuno, confiram-se parágrafos do TVF: A concentração do mercado varejista de alimentos ocorrida já de algum tempo fragilizou a situação dos fornecedores em suas negociações ante aos grandes grupos que dominam o varejo. Estes últimos, em vista do poder que a concentração lhes concede, impõem àqueles crescentes exigências. A concessão de bonificações, mormente na forma de descontos, é exigência corrente imposta pelas grandes redes varejistas, como é o caso da fiscalizada, que se originou justamente da associação de duas grandes redes, a Sendas S/A e o Grupo Pão de Açúcar - GPA, concentrando ainda mais o varejo de alimentos no Estado do Rio de Janeiro e amplificando o poder de negociação junto a seus fornecedores. A imposição dos descontos decorre, mais das vezes, tão-somente do fato da rede de supermercados comercializar produto de determinada marca. Também, a exposição de produtos em locais privilegiados do mercado, a visibilidade em folhetos e propagandas diversas, dentre outras práticas, dão ensejo à negociação de descontos. Consta no Termo de Verificação Fiscal que "a concessão de bonificações, mormente na forma de descontos, é exigência corrente imposta pelas grandes redes varejistas, como é o caso da fiscalizada, que se originou justamente da associação de duas grandes redes, a Sendas S/A e o Grupo Pão de Açúcar GPA, concentrando ainda mais o varejo de alimentos no Estado do Rio de Janeiro e amplificando o poder de negociação junto a seus fornecedores". Às e-folhas 47, o Termo de Verificação Fiscal conclui assim o assunto: Como o desconto em comento não é dado na nota fiscal, sendo contabilizado em momento posterior a sua emissão e, portanto, à venda em si, o mesmo não constitui desconto incondicional. Este, na verdade, integra o preço da mercadoria e por isso mesmo consta do documento fiscal. Também não é desconto condicional, visto que não depende de evento futuro e incerto, a exemplo do desconto por pagamento antecipado, de natureza financeira, uma vez que obtido a partir de uma disponibilidade financeira e da decisão de utilizá-la em uma aplicação de mesma natureza. Trata-se, pois, de desconto de natureza comercial negociado antecipadamente a sua efetivação e que, em muitos casos, representa verdadeira contraprestação por serviços disponibilizados aos fornecedores, como aqueles relativos à exposição e propaganda, já citados. Conclui-se. assim, que os alegados descontos têm a natureza de receita e, como tal, estão sujeitos à tributação do PIS e da COFINS. (Grifo e negrito nossos) Transcrevo excertos do Voto Condutor da DRJ/Recife, em um Processo do BOMPREÇO (n° 10480.722794/2015-59, decisão mantida no CARF - Acórdão n° 3401- 004.011, de 28/09/2017) e reproduzido no Acórdão n° 9303-008.247 da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que adoto como razões de decidir: 19. Discute-se aqui se seria ou não receita da adquirente a concessão de bonificações na forma de descontos pelos fornecedores da tradicional rede de supermercados BOMPREÇO, com um poder de compra indiscutível, ainda mais depois de ter sido adquirida pela gigante WAL-MART, uma das maiores empresas do mundo. Fl. 3409DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 3302-007.765 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15563.720275/2015-50 20. A exigência da concessão destas bonificações, notadamente dadas na forma de descontos ..., é prática cada vez mais corrente adotada pelas grandes redes varejistas, conhecida como cobrança de “pedágio” / “rapel”. 20.1. Isto é de conhecimento geral (não se inova com fatos de domínio público). Com uma rápida pesquisa na Internet encontram-se vários artigos a respeito, como os que obtive através do GOOGLE, um deles publicado na revista EXAME, na Edição n° 0768 - que inclusive foi matéria de capa e outro publicado no jornal O Estado de São Paulo, em 18/01/2004 ..., ambos intitulados “A Ditadura do Varejo” O simples fato de o supermercado passar a adquirir os produtos de determinada marca pode ensejar (e, em regra, enseja) a exigência deste desconto, caracterizando-se aí o verdadeiro “pedágio”. Os exemplos talvez mais conhecidos de “parcerias” são a exposição dos produtos em locais privilegiados, as promoções e as propagandas, a realização de eventos (até, há poucos anos atrás, desfiles de blocos carnavalescos), a presença de funcionários dos fornecedores repondo e organizando as mercadorias, mas há outros que não são visíveis, como o chamado “enxoval de novas lojas”, que consiste em bonificações para o custeio da abertura de novos pontos de venda, todos eles figurando, de uma ou de outra forma, nos "Acordos Comerciais" que são a nossa melhor fonte de análise da natureza dos mesmos ... Não é arriscado dizer que hoje o setor de compras é mais importante para os grandes varejistas que o setor de vendas. O preço de venda é pautado pela concorrência. As vantagens obtidas nas compras é que fazem a grande diferença. Colocado este panorama, vamos à discussão sobre a inclusão ou não destas bonificações, via descontos, na base de cálculo das contribuições. A Constituição Federal de 1988 previa, em seu art. 195, I, a competência tributária da União para instituir uma contribuição para a seguridade social sobre o faturamento, competência esta que foi alargada pela Emenda Constitucional n° 20/98, para englobar “a receita ou o faturamento” - tudo combinado, no caso da Contribuição para o PIS, com o art. 239. Certamente não foi por um motivo sem maior importância que esta mudança foi implementada, já que demandou uma Emenda à Constituição Federal. Quis o constituinte derivado que as contribuições em tela - as quais, em conjunto, têm enorme peso na arrecadação federal e são de importância capital para a saúde, previdência e assistência social - tivessem o maior campo de incidência possível (obviamente respeitados outros princípios constitucionais, dentro de uma interpretação sistemática), abrangendo todos os ingressos na pessoa jurídica que se subsumissem ao conceito de receita, e não só o faturamento, definido, basicamente, como venda de bens e serviços. Mesmo não sendo a doutrina fonte do Direito, são bastante razoáveis alguns dos argumentos vazados nas citações trazidas na Impugnação. Receitas são, efetivamente, acréscimos ao patrimônio. Mas o patrimônio pode ser tanto acrescido pelo aumento do ativo, sem contrapartida no passivo, como pela redução do passivo, sem contrapartida no ativo. Francisco Velter e Luiz Roberto Missagia (in Manual de Contabilidade, Editora Impetus, Rio de Janeiro, 2003) ensinam que receitas: São os ingressos de elementos para o ativo, sejam de disponibilidades ou de direitos, geralmente correspondentes a um esforço produtivo da empresa, ou ainda de redução de obrigações com terceiros. Provocam o aumento da situação líquida. Exemplo 1: A empresa vende mercadorias à vista para um cliente. Com isso, haverá uma entrada de dinheiro no caixa da empresa, que corresponde a um bem (dinheiro). Há, então, um aumento no ativo que teve como origem uma receita gerada pela venda de um produto ou mercadoria. É o que chamamos de receita de vendas. Fl. 3410DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 3302-007.765 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15563.720275/2015-50 Exemplo 2: A empresa recebe um perdão de uma dívida com um fornecedor. Neste caso, haverá uma redução do passivo exigível (obrigações com terceiros), oriunda do perdão da dívida. Também é considerada uma receita. 23.2. Então, pouco importa se a receita é auferida em decorrência de um pagamento feito por um cliente ou de um desconto dado por um fornecedor. Ainda sobre o conceito de receita, não vejo que exista um “conceitofiscal”, apartado do econômico, pois a lei não diz que este conceito abrange todos os ingressos classificados como tal na contabilidade, independentemente da sua natureza. O avesso é que é verdadeiro: o que impera, para a identificação da matéria tributável, é a natureza do ingresso, independentemente da denominação utilizada na sua contabilização. E os Auditores-Fiscais em nenhum momento dizem que incluíram lançamentos na base de cálculo somente porque eles estão contabilizados no grupo das receitas; fizeram-no porque entenderam que têm natureza de receitas. (...) De todo modo, desprezando a forma, o que interessa à solução da lide é se as rubricas incluídas na base de cálculo pelos autuantes têm ou não natureza de receita. A discussão versa muito sobre a dicotomia desconto “incondicional” x desconto “condicional”. O desconto incondicional deve constar da Nota Fiscal e o desconto condicional depende da implementação de uma condição futura e incerta. In casu, nenhuma destas condições se verifica. Que natureza, então, teriam estes descontos ?? Pelos contratos, acompanhados da forma de contabilização e pagamento (que, repito, são nossa fonte primeira e mais rica de análise), vê-se que não se trata, na realidade, de um só desconto, ou seja, de um só “tipo”. Mas uma coisa é absolutamente inconteste (ainda que não tivéssemos os contratos): condicional, nenhum deles é. O contribuinte repisa por diversas vezes que já sabe exatamente quanto vai ter de desconto se comprar da Empresa X, pois isto já está acertado previamemte: em contrato. Se o período de vigência do contrato, por exemplo, é o ano de 20YZ e a soma dos descontos nele previstos é de 10 %, o BOMPREÇO sabe que qualquer compra que fizer àquele fornecedor naquele ano (seja uma, seja dez, seja mil, não há número de pedidos estabelecido) terá este desconto, tanto é que, de imediato, assim que a mercadoria entra, já registra o valor líquido como o efetivo custo, lançando parcelas do desconto, por “tipo”, em rubricas próprias. Perfeitamente caracterizado, então, está que a concessão do desconto independe de qualquer evento, futuro e incerto. Afasta-se desde logo também a alegação, ainda que a título de eventualidade, de que seriam descontos financeiros, ou seja, admitindo-se que fossem receitas, seriam receitas financeiras (sujeitas, à época, à alíquota zero). Sendo elas decorrentes de um desconto, a existência de um condicionante lhe é intrínseca, como ocorre no tradicionalíssimo desconto pelo pagamento antecipado - é posterior à venda e não há certeza de que ele ocorra. Ao contrário do que muitos pensam, o desconto puramente comercial obtido não é receita financeira. Receita financeira é aquela decorrente de algum investimento financeiro. Pode ser uma aplicação em um fundo de investimentos, um empréstimo (mútuo) ou um pagamento antecipado. Tudo é decorrente da disponibilidade financeira e da decisão de utilizá-la em uma aplicação (lato sensu) financeira. Nos restaria, então, somente uma opção: os descontos seriam incondicionais. Assim, deveriam constar da Nota Fiscal. O desconto incondicional é expressamente excluído da base de cálculo das contribuições (devidas pelo fornecedor), mas nem precisaria o legislador fazê-lo, pois Fl. 3411DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 3302-007.765 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15563.720275/2015-50 desconto concedido incondicionalmente, na realidade, não é desconto: é preço e, como tal, tem que constar da Nota Fiscal e não pode depender de evento posterior à emissão do documento. A IN/SRF n° 51/78, efetivamente, definiu descontos incondicionais da seguinte forma: 4.2 - Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de venda, quando constarem da nota.fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. E, conjecturando, não consigo ver razão plausível para a existência desta figura nas relações comerciais, a não ser na época dos .famigerados congelamentos de preços, em que alguns vendedores colocavam na Nota Fiscal um preço bem superior ao realmente praticado, com um desconto - muitas vezes absurdo -, para poder depois, disfarçadamente, promover um reajuste (esta inclusive foi uma das razões que levou à combatida inclusão na base de cálculo do IPI dos descontos incondicionais, pela Lei n° 7.798/89). O argumento utilizado pela Impugnante de que não figura, ainda que incondicional, o desconto na Nota Fiscal, para que os outros fornecedores não tomem conhecimento das condições dadas aos seu concorrentes, para fins comerciais, não deixa de ser plausível (ainda que esta prática não garanta que estas informações não “vazem”, pois muita gente que hoje trabalha - amanhã não trabalha mais - no BOMPREÇO e no seu fornecedor têm acesso a estas informações, inclusive por outros meios, como os próprios Contratos). Mas, para fins tributários, a mercadoria está sendo vendida pelo valor líquido, e, “maquiado” na forma de desconto, está o ganho previamente obtido em contratos comerciais, nos percentuais que o fornecedor aceita “contribuir”. Não há sentido em se falar em redução do custo de aquisição se o desconto não estiver na Nota Fiscal. Uma coisa está umbilicalmente ligada à outra. É o que diz a Solução de Consulta Cosit n° 34, de 21/11/2013, que tem por uma das bases a já citada IN/SRF n° 51/78: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ BASE DE CÁLCULO. DESCONTOS CONDICIONAIS E INCONDICIONAIS. Os descontos incondicionais consideram-se parcelas redatoras do preço de vendas, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos: esses descontos não se incluem na receita bruta da pessoa jurídica vendedora e, do ponto de vista da pessoa jurídica adquirente dos bens ou serviços, constituem redutor do custo de aquisição, não configurando receita. Os descontos condicionais são aqueles que dependem de evento posterior à emissão da nota fiscal, usualmente, do pagamento da compra dentro de certo prazo, e configuram despesa financeira para o vendedor e receita financeira para o comprador. Dispositivos Legais: Lei n° 8.981, de 1995, art. 31; Decreto n° 3.000, de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR/1999), arts. 373 e 374; Instrução Normativa SRF n° 51, de 1978, item 4.2. Como são operacionalizados os descontos em discussão? Exemplificando (creio que, já à exaustão), a Nota Fiscal do fornecedor é emitida pelo valor “cheio”, de RS 10.000,00, mas o BOMPREÇO já sabe que pagará somente RS 8.000,00, pois teria pactuado previamente, em contrato, a concessão, pelo vendedor, de uma bonificação, a um ou demais títulos, na forma de um desconto total de 20 %. A diferença, de RS 2.000,00, é contabilizada, de imediato (assim que a mercadoria é recebida) em uma ou mais contas do grupo das receitas. Fl. 3412DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 3302-007.765 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15563.720275/2015-50 O desconto então não é dado na Nota Fiscal. Não preenche, portanto, um dos requisitos básicos para que seja considerado incondicional. Para o fornecedor seria mais vantajoso emitir a Nota Fiscal pelo valor líquido, pois aí o desconto de RS 2.000,00 não comporia a base de cálculo das contribuições (por ele devidas). Por outro lado, o custo resulta menor para o adquirente quando o desconto não consta da Nota Fiscal e o creditamento PIS/Cofins, quando cabível, se dá pelo valor “cheio” (RS 10.000,00), prática confirmada pela Fiscalização e demonstrada e comprovada pelo próprio contribuinte, no conjunto documental que trouxe extemporaneamente. Quer então o BOMPREÇO “o melhor dos mundos”: que os valores recebidos através de descontos não sejam tributados (no adquirente, pois no fornecedor o são), mas que os mesmos gerem créditos - repiso, quando cabível, em função da mercadoria adquirida - das mesmas contribuições. E como são contabilizados estes descontos ?? Se fosse mera redução do custo de aquisição, qual a razão de distribuir este desconto em diversas contas, a grande maioria de receitas ?? A resposta está nos Contratos. Lá vemos que, na realidade, o desconto é composto de diversas parcelas, com características bastante específicas. Tratemos aqui das que interessam ao caso concreto. (Grifo e negrito nossos) Assim, as verbas em pauta são indubitavelmente receitas da recorrente, posto que: é valor que lhe é pago pelo fornecedor; portanto ingresso, recebimento, como estabelece o citado doutrinador; e não de desconto, como quer fazer crer a recorrente; a base de cálculo, tal como estabelecido pelo legislador é universal: "a totalidade das receitas auferidas pela empresa"; e é elemento novo e positivo que aumenta o patrimônio da empresa. Não se trata de presunção.Os valores em pauta estão relacionados a custos, a despesas; o que é também característica de receita: para se gerar receita a empresa há de incorrer em custos de aquisição, produção, etc. E tal natureza lhe cabe, "independentemente de sua denominação ou classificação contábil", como determina o art. 1° das Lei n°s 10.637/2002 e 10.833/2003. - Aplicação de alíquota zero, caso acolhida a linha sustentada pela D. DRJ, pois restaria caracterizada "receita" financeira. É alegado nos itens 108 e 110 do Recurso Voluntário: Se, por hipótese, for aceita a premissa firmada pela D. Fiscalização, de que os descontos e abatimentos obtidos em negociações com os fornecedores têm a natureza de receitas, o fato é que, mesmo nesse cenário (aceito apenas para fins de argumentação), a exigência fiscal também não se sustenta. Isto porque, se a contrapartida do lançamento contábil de redução do passivo não fosse a crédito de estoque em face de sua natureza de ajuste de preços (como prescreve, repita-se, o CPC n e 16), então ela necessariamente deveria ser lançada a título de receita financeira. Em outras palavras, registrando-se uma redução no passivo, especificamente no saldo da dívida com fornecedores, ter-se-ia, pela natureza de desconto, uma receita financeira. Fl. 3413DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 3302-007.765 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15563.720275/2015-50 Os descontos financeiros, por definição (“Introdução à Contabilidade”, São Paulo: Ed. Atlas, 2003, p. 159), decorrem do pagamento antecipado de um título ou em função do cumprimento de prazo estipulado pelo fornecedor. Ou seja, os descontos condicionais (também ditos descontos financeiros) são aqueles que dependem de evento posterior à emissão da nota fiscal, usualmente, do pagamento da compra dentro de certo prazo. Esses descontos configuram receita financeira para o comprador e despesa financeira para o vendedor, em consonância com os arts. 373 e 374 do Regulamento do Imposto de Renda - RIR/1999 (Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999). Já os descontos analisados neste processo nada têm de financeiros; estes são decorrentes dos mais diversos motivos, como o crescimento de vendas, facilidades de logística, atividades de marketing, comemoração de aniversários de lojas, inauguração de lojas, etc. Nada relacionado a uma antecipação do pagamento. O raciocínio "por exclusão" da recorrente, mostra-se raso. Na verdade, o que se demonstra é que, se as verbas em questão não se enquadram em qualquer das únicas duas categorias de desconto, classificação trazida pela recorrente, é porque não são descontos. Por fim, arrolo decisões recentes do CARF, as quais vão no mesmo sentido do presente voto, trazendo além das emendas, trechos da fundamentação do voto vencedor da decisão da Câmara Superior: CONTAS CREDORAS. BONIFICAÇÕES. DESCONTOS. CARÁTER CONTRAPRESTACIONAL. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTO. As contas credoras que indicam ingresso de valores relacionados a bonificações e descontos, que não figuram em notas fiscais, e revelam caráter contraprestacional, não encontram guarida legal para exclusão da base de cálculo da COFINS. (CARF, 3° Seção, 4° Câmara, 1° Turma Ordinária, Ac. 3401-003.443, de 28/03/2017, redator designado Conselheiro Rosaldo Trevisan). COFINS. BONIFICAÇÕES. BASE DE CÁLCULO. COMPOSIÇÃO. As bonificações de caráter contraprestacional (reposição de mercadorias, publicidade, posicionamento de produtos em lojas, reembolso por distribuição, etc.) ou de cunho comercial (garantia de margens de lucros, abertura de novas lojas, reformas, etc.) recebidas dos fornecedores, ainda que descritas em contrato como descontos, sujeitam-se à incidência das contribuições ao PIS/Pasep e COFINS. (CARF, 3° Seção, 4° Câmara, 1° Turma Ordinária, Ac. 3401-003.419, de 28/03/2017, redator designado Conselheiro André Henrique Lemos). PIS E COFINS NÃO CUMULATIVOS. VALORES RECEBIDOS EM CONTRAPRESTAÇÃO REGISTRADOS CONTABILMENTE COMO DESCONTOS. INCIDÊNCIA. Comprovado que os ingressos registrados em contas contábeis intituladas de descontos são, em verdade, provenientes de serviços prestados pelo autuado incidem as contribuições ao PIS e COFINS não cumulativos. PIS E COFINS NÃO-CUMULATIVOS. DOAÇÕES. Fl. 3414DF CARF MF Fl. 16 do Acórdão n.º 3302-007.765 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15563.720275/2015-50 Mercadorias entregues sem vinculação a operação de compra e venda configuram doação, e não bonificações em mercadorias, sendo regmlarmente tributadas pelas contribuições não-cumulativas. (CARF, Câmara Superior de Recursos Fiscais, 3° Turma, Ac. 9303-003.515, de 15/03/2017, redator designado Conselheiro Júlio César Alves Ramos). Portanto, nesse ponto, nego provimento ao recurso voluntário. - Das taxas administrativas de cartões. O Acórdão de Impugnação assim tratou o assunto, às folhas 09 daquele documento: Entendo que mesmo com a nova definição do conceito de insumos estabelecida pelo STJ, as taxas administrativas de cartões de crédito e débito não se configuram como insumos. Como já se disse, a análise deve se feita considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item para o desenvolvimento da atividade produtiva, consistente na produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços. Como a própria empresa esclarece em sua peça de defesa, ela "é pessoa jurídica de direito privado e, na data da ocorrência dos supostos fatos geradores objeto do presente processo, possuía como principal objeto social a comercialização de produtos manufaturados, semimanufaturados ou 'in natura', nacionais ou estrangeiros, de todo e qualquer gênero e espécie, natureza ou qualidade". Ora, o uso de cartão de crédito e/ou débito nas operações de venda da manifestante não é imprescindível para que essas vendas se efetuem. Ou seja, a empresa pode efetuar suas vendas sem a utilização desses cartões. O objetivo de utilizá-los é tão somente o interesse da empresa em aumentar o volume de suas vendas. Assim, entendo que as taxas pagas pela empresa para usar cartões de crédito/débito não podem gerar o crédito pretendido. O fato é que o setor varejista não produz bem e também não presta serviços. Logo, a atividade exercida é incompatível com o conceito de insumo para as Contribuições referentes ao PIS e da COFINS. SOLUÇÃO DE CONSULTA DISIT/SRRF04 Nº 4006, DE 20 DE FEVEREIRO DE 2019 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS ATIVIDADE COMERCIAL. INSUMO. INEXISTÊNCIA. Para fins de apuração de créditos da Cofins, não há insumos na atividade de venda a varejo. SOLUÇÃO DE CONSULTA VINCULADA À SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 100, DE 9 DE ABRIL DE 2015. Dispositivos Legais: Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, II; e Parecer Normativo Cosit nº 5, de 2018. - Créditos sobre fretes. transferência de produtos acabados. Fl. 3415DF CARF MF https://www.contabeis.com.br/termos-contabeis/cofins/ Fl. 17 do Acórdão n.º 3302-007.765 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15563.720275/2015-50 Prevalece na Câmara Superior de Recursos Fiscais o o entendimento pela possibilidade de aproveitamento do crédito de PIS não- cumulativos decorrentes das despesas com frete de produtos acabados entre estabelecimentos. A Câmara Superior de Recursos Fiscais manifestou-se sobre o tema, firmando entendimento no sentido da possibilidade de creditamento das despesas com frete de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa por se constituir como parte da "operação de venda". Nesse sentido, é o Acórdão n.° 9303008.099, de relatoria da Nobre Conselheira Tatiana Midori Migiyama, cujos fundamentos passam a integrar o presente voto como razões de decidir, com fulcro no art. 50, §1° da Lei n.° 9.784/1999, in verbis: Quanto à primeira discussão, vê-se que essa turma já enfrentou a matéria, tendo sido firmado o posicionamento de que os custos de frete de mercadorias entre estabelecimentos gerariam o direito à constituição de crédito das contribuições. Frise- se a ementa do acórdão 9303005.156: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008 CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3°, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3°, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na “operação ” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo “frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. Nesse ínterim, proveitoso citar ainda os acórdãos 9303005.155, 9303005.154, 9303005.153, 9303005.152, 9303005.151, 9303005.150, 9303005.116, 9303006.136, 9303006.135, 9303006.134, 9303006.133, 9303006.132, 9303006.131, 9303006.130,9303006.128, 9303006.127, 9303006.126, 9303006.125, 9303006.124, 9303006.122, 9303006.121, 9303006.120, 9303006.119, 9303006.118, 9303006.117, 9303006.116, 9303006.115, 9303006.114, 9303006.113, 9303006.112, 9303006.111, 9303005.135, 9303005.134, 9303005.133, 9303005.132, 9303005.131, 9303005.129, 9303005.128, 9303005.127, 9303005.126, 9303005.125, 9303005.123, 9303005.122, 9303005.121, 9303005.127, 9303005.126, 9303005.124, 9303005.123, 9303005.122, 9303005.121, 9303005.120, 9303005.119, 9303005.118, 9303005.117, 9303006.110, 9303004.311, etc. É de se entender que, em verdade, se trata de frete para a venda, passível de constituição de crédito das contribuições, nos termos do art. 3°, inciso IX e art. 15 da Lei 10.833/03 - pois a inteligência desse dispositivo considera o frete na “operação” de venda. A venda de per si para ser efetuada envolve vários eventos. Por isso, que a norma traz o termo “operação” de venda, e não frete de venda. Inclui, portanto, nesse dispositivo os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda, dentre as quais o frete ora em discussão. Sendo assim, não compartilho com o entendimento do acórdão recorrido ao restringir a interpretação dada a esse dispositivo. Fl. 3416DF CARF MF Fl. 18 do Acórdão n.º 3302-007.765 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15563.720275/2015-50 Reverto aqui meu entendimento para se adequar ao esposado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. Revertida a glosa. Sendo assim, conheço do Recurso Voluntário e dou provimento parcial ao recurso do contribuinte para reverter a seguinte glosa: sobre fretes na transferência de produtos acabados. É como voto. Jorge Lima Abud - Relator. Fl. 3417DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.914870/2009-84
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2004
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARFNº11.
O artigo 40 da LEF tem aplicação restrita ao processo de execução fiscal, sendo incabível a prescrição intercorrente no âmbito do processo administrativo fiscal, e é o que expressa a sumula 11 deste conselho.
INOVAÇÃO DE ARGUMENTOS. INSTÂNCIA RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE
Não se admite a inovação de argumentos em sede de Recurso Voluntário. A vertente defensiva deve guardar consonância com o exposto na exordial, sob pena de inviabilizar o conhecimento da matéria exposada.
Numero da decisão: 1002-000.893
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, exclusivamente em relação à matéria discutida no julgamento de primeiro grau, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar-lhe provimento.
Ailton Neves da Silva- Presidente.
Rafael Zedral- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Rafael Zedral, Marcelo José Luz de Macedo e Thiago Dayan da Luz Barros.
Nome do relator: RAFAEL ZEDRAL
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2004 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARFNº11. O artigo 40 da LEF tem aplicação restrita ao processo de execução fiscal, sendo incabível a prescrição intercorrente no âmbito do processo administrativo fiscal, e é o que expressa a sumula 11 deste conselho. INOVAÇÃO DE ARGUMENTOS. INSTÂNCIA RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE Não se admite a inovação de argumentos em sede de Recurso Voluntário. A vertente defensiva deve guardar consonância com o exposto na exordial, sob pena de inviabilizar o conhecimento da matéria exposada.
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INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARFNº11. O artigo 40 da LEF tem aplicação restrita ao processo de execução fiscal, sendo incabível a prescrição intercorrente no âmbito do processo administrativo fiscal, e é o que expressa a sumula 11 deste conselho. INOVAÇÃO DE ARGUMENTOS. INSTÂNCIA RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE Não se admite a inovação de argumentos em sede de Recurso Voluntário. A vertente defensiva deve guardar consonância com o exposto na exordial, sob pena de inviabilizar o conhecimento da matéria exposada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, exclusivamente em relação à matéria discutida no julgamento de primeiro grau, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar-lhe provimento. Ailton Neves da Silva- Presidente. Rafael Zedral- Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Rafael Zedral, Marcelo José Luz de Macedo e Thiago Dayan da Luz Barros. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 91 48 70 /2 00 9- 84 Fl. 121DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1002-000.893 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10580.914870/2009-84 Relatório Por bem sintetizar os fatos até o momento processual anterior ao do julgamento do recurso administrativo na primeira instância administrativa, transcrevo e adoto o relatório produzido pela DRJ: A interessada acima qualificada apresentou Declarações de Compensação -DCOMPs, por meio das quais compensou crédito do Imposto de Renda Pessoa Jurídica - IRPJ com débitos de sua responsabilidade. O crédito postulado, no valor de R$ 26.437,53, corresponderia ao saldo negativo do imposto apurado em 31/12/2004. 2. Através do Despacho Decisório de fls. 30/32, a Delegacia da Receita Federal -DRF em Salvador reconheceu parcialmente o direito creditório, no valor de R$ 13.467,05, e homologou as compensações até o limite do crédito reconhecido. 3. A interessada apresentou manifestação de inconformidade (fls. 38/40), alegando, em síntese, que sofreu retenções na fonte no valor de R$ 43.092,90, conforme comprovantes que anexa, pelo que requer o aproveitamento desses créditos. Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ, conforme acórdão n. 11-48.932 (e-fl. 65), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2004 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. Nos termos do art. 170 do CTN, somente são compensáveis os créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Ano-calendário: 2004 RETENÇÃO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado se o contribuinte possuir comprovante hábil de retenção em seu nome. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2004 ALEGAÇÃO. COMPROVAÇÃO. A impugnação deve estar instruída com todos os documentos e provas que possam fundamentar as contestações de defesa. Não têm valor as alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios, quando for este o meio pelo qual devam ser provados os fatos alegados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 122DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1002-000.893 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10580.914870/2009-84 Entenderam os julgadores de primeiro grau que a recorrente teria informado como parcela de crédito as retenções na fonte no montante de R$ 43.659,15, tendo sido glosado pela fiscalização apenas o valor de R$ 352,42: Como se verifica nos autos, a interessada indicou nas DCOMPs, como parcela integrante do saldo negativo, retenções na fonte no valor de R$ 43.659,15. A DRF/Salvador confirmou parcialmente as retenções na fonte, no valor de R$ 43.306,73, glosando o valor de R$ 352,42. Como o imposto devido fora de R$ 29.839,68, resultou apurado um saldo negativo no importe de R$ 13.467,05. 6. Em sua manifestação de inconformidade, alega o sujeito passivo que sofreu retenções na fonte no valor de R$ 43.092,90, requerendo então seu aproveitamento. Irresignado, o ora Recorrente apresenta Recurso Voluntário (e-fls. 78), no qual expõe os fundamentos de fato e de direito a seguir sintetizados. Alega descumprimento do disposto no artigo 24 da lei 1.457/2007, o qual prevê o prazo de 360 dias para que a autoridade profira decisão sobre petições, defesas ou recursos administrativos: 4.2.5 Destarte, não apresentada a solução ao pedido no prazo legal, nem sendo ele prorrogado justificadamente, deve ser reputado o Fisco em mora, legitimando-se assim, a não imposição de correção dos valores supostamente sem reconhecimento ou juros moratórios após o período de 365 dias do protocolo do manifesto de inconformidade, como meio de repartir o ônus do tempo no processo administrativo Alega também a ocorrência da prescrição intercorrente: O não reconhecimento dos pedidos de compensação do contribuinte, através do processo ora debatido, e da falta de celeridade no julgamento do manifesto de inconformidade, ultrapassando o prazo de 365 dias e o prazo de mais de 3 (três) anos, demonstram claramente a inércia da administração pública violando claramente o princípio da eficiência previsto na Constituição Federal. Quanto ao mérito, apresenta uma tabela (e-fls. 84) com uma relação de pagamentos de estimativa que afirma ter realizado no período, afirmando que a RFB não teria considerado estes valores supostamente pagos de estimativa. Ao final, requer o reconhecimento da preliminar de prescrição intercorrente, e no mérito, o provimento do Recurso Voluntário com base nos documentos juntados (guias de recolhimento de estimativas) É o relatório do necessário. Fl. 123DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1002-000.893 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10580.914870/2009-84 Voto Conselheiro Rafael Zedral, Relator. Admissibilidade Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do art. 23-B da Portaria MF nº 343/2015 (Regimento Interno do CARF), com redação dada pela Portaria MF nº 329/2017. Demais disso, observo que o recurso é tempestivo pois: 1. A ciência do Acórdão ocorreu em 23/01/2015 conforme e-fls. 70/71; 2. Seu Recurso Voluntário foi protocolado no dia 24/02/2015 conforme e- fls. 78 Ademais, atende os outros requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço parcialmente. Da Preliminar de Prescrição Intercorrente Em que pese o fato de que a alegação de prescrição intercorrente ter sido suscitada apenas em sede de Recurso Voluntário, o que caracterizaria a sua preclusão, há que se lembrar que o tema da prescrição pode ser alegada em qualquer grau de jurisdição, nos termo do artigo 193 do Código Civil. Portanto, conheço do recurso quanto a este ponto e passo à sua análise. Com relação à pretensão de anular o lançamento por ter havido prescrição intercorrente, não há de se lograr êxito. A Súmula CARF nº 11 ("Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.") é clara em negar a existência desse instituto no âmbito administrativo. Aliás, tal instituto está previsto na Lei de Execução Fiscal (LEF, Lei Federal 6.830/1980), em seu artigo 40, tendo aplicação somente em âmbito judicial e para os créditos tributários já constituídos na via administrativa, não podendo subsistir a tese de aproveitar subsidiariamente sua aplicação ao processo administrativo fiscal. Nesse sentido, não merecendo prosperar a tese levantada pelo Recorrente, nego provimento à preliminar de prescrição suscitada. Fl. 124DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1002-000.893 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10580.914870/2009-84 Da inovação de argumentos em segunda instância Compulsando os autos, percebe-se de imediato que foi abordado no Recurso Voluntário os temas: 1. Prescrição intercorrente; 2. Descumprimento do artigo 24 da lei 11.457/2007; 3. Pagamentos de estimativas que não teriam sido considerados pela fiscalização e, 4. Retenções na fonte de IRRF de código 1708 (R$ 43.092,90) A alegação de prescrição intercorrente foi conhecida e analisada no tópico anterior em respeito ao artigo 193 do CC. O tema da retenção na fonte de IRRF de código de receita 1708 foi objeto de impugnação da recorrente na sua Manifestação de inconformidade, tendo sido conhecido e julgado pela DRJ. Deste modo, considero natural que este ponto seja conhecido e apreciado por este Conselho, pois foi objeto de análise no julgamento de primeiro grau. No entanto, mesma sorte não deve ter as alegações 3 e 4 acima, pois verificamos que a recorrente não suscitou, nem indiretamente, as questões relacionadas ao suposto descumprimento do artigo 24 da lei 11.457/2007 e nem aos agora alegados recolhimentos de estimativas. Na sua Manifestação de inconformidade, de e-fls. 38/39, a recorrente alega exclusivamente que seu crédito decorre de retenções na fonte no valor de R$ 43.092,90, como se pode verificar no excerto abaixo: “II. PRELIMINAR O NÚCLEO DE PATOLOGIA CLINICA LTDA, prestou serviços caracterizadamente de natureza profissional, devido a esse fato sofreu retenção do Imposto de Renda Retido na Fonte no valor de R$ 43.092,90 (quarenta e três mil noventa e dois reais e noventa centavos),cujo valor a referida empresa fez a compensação através da PERD/COMP n° 38673.26061.061005.1.3.02-8832, uma vez que o Núcleo de Patologia era beneficiado desses créditos, e a responsabilidade pela informação na DIRF e recolhimento do imposto era da fonte pagadora dos serviços. II. 2 - MÉRITO (inciso III e IV do art. 16 do Dec.70.235/72) Em virtude dos fatos e da prova material apresentada em anexo, com a prestação do presente esclarecimento, baseado no direito que a empresa possuía os créditos tributários a compensar, concernente às retenções sofridas, conforme se evidencia no Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte - Pessoa Jurídica ano-calendário 2004, vem solicitar o Fl. 125DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1002-000.893 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10580.914870/2009-84 aproveitamento dos referidos créditos na PERD/COMP em epígrafe, validando desta forma os créditos utilizados e desconsiderando qualquer passivo tributário, concernente a esta Declaração de Compensação.” Ademais, verifica-se que a recorrente foi intimada no dia 15/03/2007, conforme se vê às e-fls. 28/29, pois a fiscalização da RFB constatou que “A soma das parcelas de crédito demonstradas no PER/DCOMP é inferior ao demonstrativo de crédito informado nas linhas correspondentes da DIPJ”. Tendo sido solicitado na mesma intimação que a recorrente retifique a DIPJ ou a PER/DCOMP, inclusive quanto às informações referentes às estimativas: “Em relação ao crédito demonstrado, solicita-se retificar a DIPJ correspondente ou apresentar PER/DCOMP retificador detalhando corretamente o crédito utilizado para compor o saldo negativo do período. Quanto aos débitos por estimativa, solicita-se retificar a DIPJ e/ou DCTF tornando coerentes as informações prestadas nestas declarações. Outras divergências entre as informações do PER/DCOMP, da DIPJ e da DCTF do período deverão ser sanadas pela apresentação de declarações retificadoras no prazo estabelecido nesta intimação.” (grifei) Verifica-se que as estimativas não constam declaradas na DIPJ, que é a declaração de apuração do IRPJ. Portanto, não conheço do Recurso Voluntário quanto as alegações de descumprimento do artigo 24 da lei 11.457/2007 e nem aos agora alegados recolhimentos de estimativas, deixando de apreciar as referidas matérias inovadas, inclusive, para evitar supressão de instância. Portanto, só será passível de avaliação da arguição referente à retenção na fonte de código 1708 (R$ 43.092,90). Ressalto, pois, que a possibilidade de conhecimento e apreciação de novas alegações e novos documentos deve ser avaliada à luz das normas que regem o Processo Administrativo Fiscal, instituído pelo Decreto n.º 70.235, de 1972, o qual dispõe: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Fl. 126DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1002-000.893 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10580.914870/2009-84 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei n.º 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refira-se a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997); c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997) (...) Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei n.º 9.532, de 1997). Desta forma, nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto n.º 70.235/72, acima transcritos, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada o recurso administrativo, contendo as matérias que delimitam a lide administrativa, sendo elas submetidas à primeira instância para apreciação e decisão, tornando possível a veiculação de recurso voluntário em caso de inconformismo, não se admitindo conhecer de inovação recursal. A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) circunscreve-se ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial", de forma que não se aprecia a matéria não impugnada ou não recorrida. Se não foi impugnada ocorreu a preclusão consumativa, tornando inviável aventá-la em sede de recurso voluntário como uma inovação. Nesse sentido, o Egrégio CARF tem decidido por não conhecer de matéria que não tenha sido objeto de litígio no julgamento de primeira instância, a teor dos Acórdãos ns.º 9303-004.566 (3.ª Turma/CSRF), 3301-002.475 (3.ª Seção/3.ª Câmara/1.ª Turma Ordinária) e 3402-004.013 (4.ª Câmara/2.ª Turma Ordinária). DAS RETENÇÕES NA FONTE – 1708 O crédito de saldo de negativo de IRPJ do ano-calendário está informado no PER/DCOMP 38673.26061.061005.1.3.02-8832, exclusivamente composto pelas retenções na fonte de IRRF de código de receita 1708 (e-fls. 4) no valor total de R$ 43.659,15 (R$ 43.445,32 + R$ 213,83): Fl. 127DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 1002-000.893 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10580.914870/2009-84 A fiscalização da RFB reconheceu o montante retido no valor de R$ 43.306,73 (e- fls. 30). A retenção 2 acima foi plenamente reconhecida, enquanto que a retenção 1 foi reconhecido o valor de R$ 43.092,90 (e-fls. 31): A recorrente, desde a sua manifestação e inconformidade, confirma que a retenção realizada pelo CNPJ 15.166.416/0001-51 foi feita no valor de R$ 43.092,90, exatamente o mesmo valor reconhecido pela Fiscalização da RFB. O extrato da DIRF de e-fls. 47 demonstra, na sua segunda linha que a recorrente (Núcleo de Patologia Clinica Ltda) teve retido o valor de R$ 43.092,90. Portanto, nada há o que corrigir na acórdão recorrido se tese de defesa da recorrente apresenta valores exatamente idênticos aos reconhecidos no despacho decisório combatido. DISPOSITIVO Diante de todo o exposto, voto para, rejeitando a preliminar suscitada, por dar conhecimento parcial ao Recurso Voluntário, conhecendo exclusivamente a matéria discutida no julgamento de primeiro grau, na parte conhecida, negar-lhe provimento. É como voto Rafael Zedral - relator Fl. 128DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 1002-000.893 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10580.914870/2009-84 Fl. 129DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.908755/2012-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 31/12/2005
DESPACHO DECISÓRIO. NÃO APRECIAÇÃO DA DCTF. RETIFICADORA.
Deve ser prolatado novo despacho decisório com observância das informações prestadas em DCTF retificadora apresentada anteriormente à ciência do despacho decisório original, sem prejuízo da realização de diligências que se mostrarem necessárias à apuração da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3201-005.915
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, determinando que outro Despacho Decisório seja proferido, para o qual deverá ser considerada a DCTF retificadora. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 10983.907292/2012-92, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafeta Reis, Tatiana Josefovicz Belisario, Laércio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/2005 DESPACHO DECISÓRIO. NÃO APRECIAÇÃO DA DCTF. RETIFICADORA. Deve ser prolatado novo despacho decisório com observância das informações prestadas em DCTF retificadora apresentada anteriormente à ciência do despacho decisório original, sem prejuízo da realização de diligências que se mostrarem necessárias à apuração da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, determinando que outro Despacho Decisório seja proferido, para o qual deverá ser considerada a DCTF retificadora. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 10983.907292/2012-92, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafeta Reis, Tatiana Josefovicz Belisario, Laércio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2019, e, dessa forma, adoto neste relatório excertos do relatado no Acórdão nº 3201-005.898, de 22 de outubro de 2019, que lhe serve de paradigma. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 87 55 /2 01 2- 33 Fl. 164DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-005.915 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10983.908755/2012-33 O interessado transmitiu Per/Dcomp visando a compensar o(s) débito(s) nele declarado(s) com crédito oriundo de pagamento a maior de PIS não-cumulativo, relativo ao fato gerador tratado nos autos. A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório eletrônico no qual não homologa a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi localizado, mas não houve saldo reconhecido para compensação dos débitos informados no Per/Dcomp. Nas “Informações Complementares da Análise de Crédito” foi apresentada a justificativa para o não reconhecimento do crédito: “Ausência de documentação comprobatória”. Irresignado com o indeferimento do seu pedido, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que a DCTF e o Dacon coincidem nos centavos nos valores do crédito, que foi quitado por Darfs, estando extinto pelo pagamento (art. 156, I, do CTN). Por fim, requer a produção de todos os meios de prova em direito admitidas, sobretudo a documental inclusa, a documental superveniente e a pericial, e seja julgada procedente a sua defesa, com a nulidade da incidência e a anulação do lançamento, com fundamento no art. 145, I, do CTN. Seguindo a marcha processual normal, o feito foi assim julgado, conforme ementa: INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. CERTEZA E LIQUIDEZ. NÃO COMPROVAÇÃO. Não comprovadas a certeza e a liquidez do direito creditório, não se homologa a compensação declarada. ELEMENTOS DE PROVA. PRECLUSÃO. A prova deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, por força do artigo 16, §4º, do Decreto nº 70.235/72, Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário pedindo reforma, a em síntese, conforme consta da resolução: 1. é agente gerador de energia participante do Sistema Interligado Nacional SIN, que funciona com mecanismo de rateio de custos de geração de energia com fins à segurança ao sistema; 2. a Conta de Consumo de Combustíveis CCC e a Conta de Desenvolvimento Energético CDE são fundos geridos pela Eletrobrás que viabiliza economicamente a geração de energia com base em matrizes elétricas, por intermédio da utilização de combustíveis fósseis; 3. os valores recebidos são utilizados nas aquisições de combustíveis fósseis carvão mineral e consumidos na geração de energia termoelétrica; 4. os agentes geradores procedem ao registro contábil para controle dos custos adquiridos com recursos da CCC e CDE; Fl. 165DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-005.915 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10983.908755/2012-33 5. os combustíveis fósseis não integram seus ativos e não se constituem custos em decorrência da aquisição de terceiros pela Eletrobrás; 6. Os custos dos combustíveis são cobrados dos consumidores finais da energia, através das distribuidoras e permissionárias; 7. a sistemática de contabilização dos custos com combustíveis como receita se alterou exsurgindo um crédito da recorrente com o Fisco em razão dos valores oferecidos à tributação pelo PIS e Cofins não se constituírem receitas, mas sim simples ingressos; 8. Procedeu à retificação de suas DCTFs para excluir dos débitos as parcelas da CCC e CDE e transmitiu DCOMPs visando a compensação; 9. as compensações foram indeferidas, vez que o Fisco entende erroneamente tratar se de receitas passíveis de tributação; 10. o despacho decisório acusou falta de documentação comprobatória; 11. o procedimento deveria ser precedido de retificação de ofício das declarações DCTF e DACON. O feito foi vinculado como recurso repetitivo, sendo julgado nos termos da resolução 3201-001.095 que assim restou consignado: - a autoridade de origem verifique e comprove se houve ou não intimação anterior que solicitasse o esclarecimento e motivo da retificação; - a autoridade de origem verifique se há ou não Despacho Decisório que considerou a DCTF retificadora e, se houver, identificar e juntar nos autos; - cumprida a diligência, o contribuinte deve ser intimado para se manifestar, em 30 dias da intimação, a respeito do relatório apresentado pela autoridade fiscal. Após conclusão e retorno da diligência, a contribuinte foi intimada a se manifestar, deixando transcorrer in albis. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Das razões recursais Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF. Ressalvo que a decisão consagrada no paradigma foi contrária ao meu entendimento pessoal, pelo que adoto o entendimento que prevaleceu no colegiado, consignado no Acórdão nº 3201-005.898, de 22 de outubro de 2019, paradigma desta decisão, que passo a reproduzir: O Recurso é tempestivo e merece ser conhecido. A unidade preparadora ao analisar os quesitos apresentados por essa Turma Julgadora, se manifestou nos seguintes termos: Fl. 166DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-005.915 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10983.908755/2012-33 Assim, conforme o apontamento realizado, no contencioso administrativo não há despacho decisório considerando as DCTF´s retificadoras. Ainda que se considere que, nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição/ressarcimento e de declarações de compensação, deva prevalecer o princípio do dispositivo, no sentido de que a atividade probatória é ônus do pleiteante, não se pode ignorar que, no presente caso, as informações adicionais fornecidas por meio de DCTF retificadora não foram consideradas pela Administração tributária na prolação do despacho decisório sobre o qual se controverte nos autos. Tendo a DCTF sido retificada antes da emissão do despacho decisório, no momento da decisão da repartição de origem, a base de dados da Receita Federal já refletia a nova situação fática declarada pelo sujeito passivo, ou seja, quando cientificado do despacho decisório, o Recorrente já havia retificado as informações anteriormente prestadas e que foram ignoradas pela autoridade administrativa de origem. Valendo-se do disposto no art. 147 e §§ do Código Tributário Nacional (CTN), que disciplinam o lançamento por declaração, aplicáveis, a meu ver, subsidiariamente, ao lançamento por homologação (já que no disciplinamento deste último tipo de lançamento não se faz referência à retificação da declaração), é possível concluir que, em momento anterior à notificação do sujeito passivo, a este é assegurado o direito de retificar as informações até então prestadas à autoridade administrativa, o que, por outro lado, não exclui o ônus de comprovação das alterações promovidas. Fl. 167DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3201-005.915 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10983.908755/2012-33 Note-se que, tendo sido a DCTF retificadora transmitida anteriormente à ciência de qualquer ato da Administração tributária tendente a confirmar ou não os dados anteriormente declarados, não se vislumbra fundamento normativo à sua desconsideração Diante do exposto, em respeito aos princípios da ampla defesa e do contraditório, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso, para determinar a prolação de novo despacho decisório, observando-se as informações prestadas em DCTF retificadora apresentada anteriormente à ciência do despacho decisório original, sem prejuízo da realização de diligências que se mostrarem necessárias à apuração da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado CONCLUSÃO Diante do exposto, voto em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, determinando que outro Despacho Decisório seja proferido, para o qual deverá ser considerada a DCTF retificadora Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, determinando que outro Despacho Decisório seja proferido, para o qual deverá ser considerada a DCTF retificadora. (documento assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 168DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.006016/2005-00
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR
Exercício: 2001
Ementa: ITR ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Incabível a incidência do ITR quando houver a comprovação da referida área,
independentemente da apresentação tempestiva do ADA.
ITR ÁREA DE RESERVA LEGAL NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO
NA MATRÍCULA DO IMÓVEL PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 10 DA LEI N° 9.393/96.
Para que a área de reserva legal possa ser excluída da base de cálculo do ITR ela deve estar averbada à margem da matrícula do imóvel. Esta obrigação decorre de imposição legal, mais precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393/96 e 4.771/65 (Código Florestal).
VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO.
O VTN médio extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados nas DITR de outros contribuintes, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra. Nos termos da legislação aplicável o arbitramento deve ser efetuado com base nos valores fornecidos pelas Secretarias Estaduais ou
Municipais e nas informações disponíveis nos autos em relação aos tipos de terra que compõem o imóvel.
Numero da decisão: 2201-001.306
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR
PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer as áreas de proteção permanente equivalente a 3.958,6ha, de reserva legal equivalente a 17.387,0ha e o VTN declarado pela Recorrente. Vencido o conselheiro Eduardo Tadeu Farah que dava provimento em menor extensão. Fez sustentação oral o Dr. Eulo Corradi Junior OAB SP – 221611.
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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Incabível a incidência do ITR quando houver a comprovação da referida área, independentemente da apresentação tempestiva do ADA. ITR ÁREA DE RESERVA LEGAL NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 10 DA LEI N° 9.393/96. Para que a área de reserva legal possa ser excluída da base de cálculo do ITR ela deve estar averbada à margem da matrícula do imóvel. Esta obrigação decorre de imposição legal, mais precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393/96 e 4.771/65 (Código Florestal). VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. O VTN médio extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados nas DITR de outros contribuintes, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra. Nos termos da legislação aplicável o arbitramento deve ser efetuado com base nos valores fornecidos pelas Secretarias Estaduais ou Municipais e nas informações disponíveis nos autos em relação aos tipos de terra que compõem o imóvel. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer as áreas de proteção permanente equivalente a 3.958,6ha, de reserva legal equivalente a 17.387,0ha e o VTN declarado pela Recorrente. Vencido o conselheiro Eduardo Tadeu Farah que dava provimento em menor extensão. Fez sustentação oral o Dr. Eulo Corradi Junior OAB SP – 221611. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 2 FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JÚNIOR Presidente. (assinado digitalmente) GUSTAVO LIAN HADDAD Relator. (assinado digitalmente) NOME DO REDATOR Redator designado. EDITADO EM: 07/10/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Relatório Contra a contribuinte acima qualificada foi lavrado, em 28/11/2005, o Auto de Infração de fls. 04/07, relativo ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, exercício 2001, por intermédio do qual lhe é exigido crédito tributário no montante de R$1.215.097,13, dos quais R$489.998,04 correspondem a imposto, R$367.498,53 a multa de ofício, e R$357.600,56, a juros de mora calculados até 31/10/2005. Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramentos Legais (fls. 06/07), a autoridade fiscal apurou a seguinte infração: “001 IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL Falta de recolhimento do Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural exercício de 2001, apurado após a alteração da declaração do contribuinte, conforme art. 14 da Lei 9393/96, por não terem sido comprovadas as informações nela contida, com respeito aos itens abaixo: 1. Área de preservação permanente: Não comprovação da solicitação de emissão do Ato Declaratorio Ambiental junto ao IBAMA, conforme Lei n° 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17 0, 9 5°, com a redação dada pelo art. 10 da Lei 10165, de 27 de dezembro de 2000, protocolizado em data anterior a 31 de março de 2002, conforme art. 17, inciso II da Instrução Normativa SRF No 60/2001 (No 73/2000) (10, §4º, inciso II da Instrução Normativa SRF No 43/1997, com redação dada pela Instrução Normativa SRF No 67/1997), sendo desconsiderado o valor declarado; Fl. 2DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 10183.006016/200500 Acórdão n.º 220101.306 S2C2T1 Fl. 2 3 2. Área de utilização limitada: Não comprovação da solicitação de emissão do Ato Declaratorio Ambiental junto ao IBAMA, conforme Lei n° 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 170, 5 5°, com a redação dada pelo art. 1° da Lei 10165, de 21 de dezembro de 2000, protocolizado em data anterior à 31 de março de 2002, conforme art. 17, inciso II da Instrução Normativa SRF No 60/2001 (No 73/2000) (10, §4o, inciso II da Instrução Normativa SRF No 43/1997, com redação dada pela Instrução Normativa SPE No 67/1997), sendo desconsiderado o valor declarado; 3. Valoração da Terra Nua: O contribuinte não apresentou Laudo de avaliação exigido pela intimação, conforme requisitos da NBR 146533 da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT, com grau de fundamentação de no mínimo 2. Assim, o Valor da Terra Nua por Hectare Declarado está sendo, conforme art. 14 § lº da Lei 9393/96, substituído pelo Valor da Terra Nua por Hectare constante no SIPT (Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal).” Cientificada do Auto de Infração em 09/12/2005 (fls. 82), a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 15/81, cujas alegações foram assim sintetizadas pela autoridade julgadora de primeira instância: “1. A IMPUGNANTE é proprietária rural do imóvel com área total registrada de 34.774,00 ha, localizado no Município de Aripuanã, MT, denominado ‘Fazenda Muiraquiti’, conforme Certidão de Matricula 1.386. 2. Nessa condição, como contribuinte do Imposto Territorial Rural, recebeu Termo de Intimação para comprovação das áreas informadas na Declaração do ITR (DITR) referente aos exercícios 2001 e 2002, intimação esta que foi atendida, comprovando, mediante apresentação de laudo técnico e outros documentos, todas as áreas declaradas na DITR. 3. Todavia, não obstante tenha recebido a documentação solicitada com as comprovações necessárias, o d. auditor fiscal, houve por desconsiderar todos os documentos recebidos e lavrar contra a IMPUGNANTE o Auto de Infração objeto da presente impugnação [...] 4. Diante destes fatos, e para melhor entendimento das questões, dividiremos esta peça em tópicos correspondentes a cada uma das matérias objeto de autuação, e os fundamentos que devem ser considerados para a anulação do lançamento efetuado pela d. autoridade fiscal. 5. O ITR Imposto Territorial Rural, previsto no artigo 153, .§ 4° da Constituição Federal, é disciplinado pela Lei 9.393/96, tendo como função predominantemente a extrafiscalidade, funcionando como instrumento auxiliar de disciplinamento estatal da propriedade rural, sendo considerado um importante instrumento de política agrária. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 4 6. Dentre outras obrigações, deve o contribuinte do imposto entregar anualmente o Documento de Informação e apuração do ITR DIAT , onde deverá constar o valor da terra nua VTN correspondente ao imóvel, o qual deve refletir o preço de mercado de terras. 7. A lei supra, reguladora da matéria, dispõe da seguinte forma, in verbis: (transcreve parte do art. 10 da Lei n°9.393/96) 8. Tal dispositivo visa regular a incidência do ITR, dispondo sobre o aspecto material do imposto e definindo sua correta base de cálculo, de modo a proporcionar a devida aferição do quantum debeatur do mesmo. DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL 9. De acordo com o que dispõe o art. 2° do Código Florestal (Lei n° 4.771, de 1965), são consideradas área de preservação permanente 'pelo só efeito desta lei', isto é, sem necessidade de qualquer ato por parte do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água. 10. Também de acordo com o Código Florestal (art. 16) é considerada reserva legal no mínimo oitenta por cento da propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal, que compreende também o Estado do Mato Grosso, onde se situa a Fazenda Mairaquitã. 11. Outrossim, depreendese pelo Mapa de localização do imóvel em questão [...] que a área de reserva legal corresponde à 27.819,20 ha (80% do total do imóvel), fato esse comprobatório que a Impugnante apenas cumpre a legislação, e que está sendo completamente desconsiderado pela fiscalização, que reduziu a zero estas áreas para fins de cálculo do ITR, somente pelo fato de que fora apresentado o Ato Declaratório Ambiental ('ADA’) aoIBAMA fora do prazo fixado pelas normas da Secretaria da Receita Federal, exigência essa, frisese, que não tem supedâneo legal algum. 12. A exigência do d. auditor fiscal de que a ADA tivesse sido apresentada ao IBAMA dentro do prazo de 6 (seis) meses da data da entrega da DITR está contida em Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal, sem fundamento de validade algum, pois pretendem determinar o modo pelo qual seriam comprovadas as informações prestadas pelos contribuintes, fato esse violador do 'PRINCIPIO DA RESERVA LEGAL TRIBUTÁRIA', pelo qual o vinculo obrigacional que corresponde ao conceito definidor do valor do tributo deve nascer POR FORÇA DE LEI, único meio hábil a regular a ocorrência do fato imponivel, conforme preceitua o art. 150, inciso I, da Constituição Federal de 1988. 13.Com efeito, na data de agosto de 2001, com o fito de dar interpretação à matéria, entrou em vigor a MP 2.16667, que introduziu o §7º no artigo 10 da Lei 9.393/96, in verbis: Fl. 4DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 10183.006016/200500 Acórdão n.º 220101.306 S2C2T1 Fl. 3 5 (transcreve o dispositivo mencionado) 14.Mesmo que se trate, no caso, de falo gerador ocorrido em 01/01/2001, devese atribuir ao art. 10, § 7.°, da Lei 9.393/96, instituído pela MP 1.95650/00 o caráter interpretativo, e a aplicação retroativa, nos termos do art. 106,1 e II do CTN: (transcreve o dispositivo mencionado) 15.A exclusão da base de cálculo do ITR das áreas de preservação permanente e da reserva legal foi patrocinada pela redação originária do art. 10 da Lei 9.393/94 a qual se encontrava vigente quando do fato gerador do referido imposto. 16 Melhor explicando: o art. 10, §7°, da Lei 9.393/96, apenas afastou a interpretação contida na IN 43/97, a qual, por ostentar natureza regulamentar, não pode criar direito novo, limitandose a facilitar a execução de norma legal, mediante enunciado interpretativo. 17.Sendo assim, não pode a Administração Tributária exigir, para a exclusão do ITR das áreas declaradas como de preservação permanente e reserva legal, ato declaratório do IBAMA, pois tal comprovação é de ser feita mediante declaração do contribuinte. Caso não aceite o que declara o contribuinte, cabe à autoridade fiscal comprovar a falta de veracidade do declarado. 18.Com efeito, a Medida Provisória 2.76667/01 que dispôs sobre a exclusão do ITR incidente sobre as áreas de preservação permanente e de reserva legal, prevê a dispensa de prévia apresentação pelo contribuinte do ato declaratório expedido pelo IBAMA, nos termos da IN 33/97. 19 Vale ressaltar, neste ponto, que embora se possa admitir o descumprimento tempestivo da obrigação acessória, que é a solicitação do ADA ao IBAMA, tal descumprimento não pode ser considerado fato gerador do ITR de modo que a mera desconsideração da área, reduzindoa a zero, simplesmente pela intempestividade da data de solicitação do ADA apresentado, fere o princípio da reserva legal em matéria tributária, pois tema obrigar ao recolhimento de imposto indevido, pelo simples fato do suposto descumprimento de obrigação acessória. 20.Além do mais, ao agir dessa maneira, o d. auditor fiscal desrespeitou o 'PRINCIPIO DA VERDADE MATERIAL' no processo administrativo, pelo qual a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, carreando para o expediente todos os dados, informações e documentos a respeito da matéria tratada, ou seja, deve ser considerado a releváncia dos fatos em detrimento de quaisquer formalidades. 21.Em sendo assim, havendo documentos oficiais que comprovam a existéncia das áreas de preservação permanente e reserva legal, consoante declaradas na DITR, a fiscalização só Fl. 5DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 6 poderia desconsiderar tais áreas caso comprovasse que essa declaração é inveridica, o que não ocorreu. 22.Ora, não pode ser desconsiderado o valor declarado quando os fatos comprovam o contrário. Se existe documento hábil a comprovar o alegado pela Impugnante [..], e, sendo que nessa área, como dispõe a própria lei, não pode ser feito qualquer tipo de exploração, não pode o d. auditor fiscal, por simples arbitrariedade, desconsiderar a mesma. Não é esse o primado da verdade material que a administração deve seguir. 23.Corroborando o entendimento aqui exposto, reproduzimos a seguir as decisões preferidas pelo E. Conselho de Contribuintes, segundo as quais a ausência da ADA não é obstáculo para o reconhecimento da isenção das áreas de reserva legal e preservação permanente. (transcreve ementas de acórdãos) 24.Do mesmo modo, a jurisprudência do STJ se posicionou no sentido de não haver necessidade de comprovação das áreas de preservação pelo contribuinte, como abaixo colacionado: (transcreve ementas de acórdãos) DO VALOR DA TERRA NUA 25.Primeiramente, convém esclarecer que o d. auditor fiscal arbitrou o valor da terra nua com base no Sistema de Preço de Terras da Receita Federal por não ter sido apresentado o Laudo de Avaliação de Imóveis Rurais. 26. De acordo com esse Sistema, o valor da terra nua, por hectare, corresponde a R$70,54 (setenta reais e chicotada e quatro centavos); ocorre que esse valor de terra nua não corresponde à realidade do valor das terras na região. 27. Ao elaborar um estudo sobre 'Preços Referenciais de Terras e Imóveis Rurais', o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) no período correspondente a novembro de 2000, atribuiu à terra nua no município de Aripuatui o valor de RS14,60 [..], fato que, se não comprova cabalmente o valor utilizado pela IMPUGNANTE, dá a dimensão da discrepância existente entre o valor pretendido pela fiscalização e o valor real da terra nua. 28.De fato, a IMPUGNANTE utilizase de um critério continuo e consistente para determinação do valor da terra nua da Fazenda Muiraquitã. 29.Esse critério remonta ao anocalendário de 1996, quando as próprias autoridades fiscais reconheceram no processo administrativo n° 10183.004882/9614 [...] que o valor da terra nua por hectare correspondia a R$11,02 (onze reais e dois centavos). Veja que apesar do mesmo referirse à 'Fazenda Bom Futuro', esta encontrase na mesma localidade geográfica, no Município de Aripuanci devendo ser observado o Principio Constitucional da Igualdade disposto no artigo 150, R da Carta Maior. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 10183.006016/200500 Acórdão n.º 220101.306 S2C2T1 Fl. 4 7 30.Esse é o valor médio da terra nua naquele ano calendário de 1996, que vem sendo atualizado pela IMPUGNANTE desde aquela época por critérios que adequam o preço do hectare na região à situação do imóvel, levando em conta os aspectos relativos à distância da sede do município, a inexistência de estradas, e o acesso a serviços públicos e outras benfeitorias, que são, convém destacar, totalmente inexistentes. 31.Por nenhum critério é possível que se obtenha para aquela área especifica o valor atribuído pela Receita Federal pelo seu sistema de preços, que por ser padronizado, foge completamente à realidade da situação do imóvel. 32.Desse modo, pela completa ausência de fundamentação e correspondência com a realidade não deve prosperar o valor da terra nua atribuído pela fiscalização. CONCLUSÃO 33.Finalmente, em vista de tudo que fim apresentado nesta Impugnação, resta comprovado que a IMPUGNANTE tem o direito de apurar o ITR, deduzindo da área total do imóvel rural, as áreas comprovadamente caracterizadas como de preservação permanente e reserva legal, independentemente da existência da ADA, bem como deve ser considerado o valor da terra nua adequado as características do imóvel e da região."• 5. Por fim, requer: "PEDIDO 32. Ante todo o exposto, propugna a Impugnante: a) seja acolhida a presente impugnação, pelo reconhecimento da insubsistência e improcedência do Auto de Infração ora impugnado, declarandose a sua anulação, cancelandose o débito fiscal reclamado, sendo acolhidos os jatos demonstrados, com a Conseqüente anulação do crédito tributário relativo ao ITR — Imposto Territorial Rural; b) seja recebida a documentação em anexo, comprovadora do aqui alegado, como meio de prova, em total observância ao principio da verdade material; c) seja deferida produção de todos os meios de prova em direito admitidos que se fizerem necessários posteriormente à apresentação da presente defesa, na forma prevista no artigo 16 do Decreto 70.235/72. d) protesta, finalmente, pela realização de diligencias e perícias necessárias à 1 comprovação de todo o aqui alegado, nos termos do art. 16, IV, do Decreto 70.235, de 1972." 6.1 Foram juntados os documentos de fls. 27 a 81.” A 1ª Turma da DRJ em Campo Grande, por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento, em decisão assim ementada: Fl. 7DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 8 “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001 NULIDADE. Improcedente a argüição de nulidade quando cumpridos os requisitos contidos no art. 10 do Decreto n ° 70235/72 e ausentes as hipóteses de seu art. 59. Matérias alheias às contidas nesses dispositivos comportam decisão de mérito. PRINCIPIOS CONSTITUCIONAIS E PRINCIPIOS GERAIS DO DIREITO. Não cabe ao órgão administrativo apreciar argüição de legalidade ou constitucionalidade de Leis ou Atos Normativos da Secretaria da Receita Federal, nem da violação de princípios constitucionais e de princípios gerais do Direito, matéria reservada ao Judiciário. ATO DECLARATORIO AMBIENTAL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LI MITADA. A exclusão das áreas declaradas como de preservação permanente e de utilização limitada, da área tributável do imóvel rural, para efeito de apuração do ITR, está condicionada à protocolização tempestiva do Ato Declaratório Ambiental ADA, perante o IBAMA ou órgão conveniado. VALOR DA TERRA NUA. Deve ser mantido o valor da terra nua VTN adotado para fins de lançamento, com base no Sistema de Preços de Terras SIPT, quando não apresentado laudo técnico de avaliação que atenda satisfatoriamente aos requisitos técnicos estabelecidos, demonstrando, de maneira inequívoca, o valor da terra nua do imóvel, na data de ocorrência do fato gerador. PRODUÇÃO DE PROVAS. Não há previsão, no rito do Processo Administrativo Fiscal, para urna fase instrutória, para produção de provas. As provas devem ser apresentadas com a impugnação, salvo na comprovada ocorrência de motivo de força maior; ou se referisse a fato ou a direito superveniente; ou, ainda, se visasse contraporse a fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. PERÍCIA. A perícia técnica destinase a subsidiar a formação da convicção do julgador, limitandose ao aprofundamento de questões sobre provas já incluídas nos autos. Deve ser indeferida quando, em subversão à lei processual, vise produzir prova que deveria ter sido apresentada com a impugnação. Lançamento Procedente” Fl. 8DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 10183.006016/200500 Acórdão n.º 220101.306 S2C2T1 Fl. 5 9 Cientificada da decisão de primeira instância em 24/11/2006, conforme AR de fls. 110, e com ela não se conformando, a recorrente interpôs, em 22/12/2006, o recurso voluntário de fls. 112/209, por meio do qual reitera suas razões apresentadas na impugnação. A 2ª Câmara do antigo 3º Conselho de Contribuintes, em sessão de 24/04/2008, houve por bem converter o julgamento em diligência (Resolução nº 3021.462) para que autoridade preparadora apresentasse o SIPT e os documentos que informaram o valor dos imóveis da região e que os foram fornecidos pelo Município (ou pelo Estado, conforme seja o caso) em que se encontra o imóvel e para intimar o contribuinte a se manifestar sobre estes documentos e a apresentar, no prazo de 20 (vinte) dias, novo laudo técnico para comprovação das áreas isentas e do Valor da Terra Nua para o período base de 2001. Em cumprimento a tal determinação foi exarada a Informação Fiscal SEFIS DRFCUIABÁ nº 14/09, por meio da qual restou consignado que foi utilizado para arbitramento o “preço médio do hectare obtido a partir dos valores informados nas declarações do imposto sobre a propriedade territorial rural (DITR) apresentadas para os imóveis localizados no município de Aripuanã/MT no exercício de 2000, uma vez que a Secretaria de Desenvolvimento Rural do Estado de Mato Grosso, através do OF/SEDER/GS/441/2005, de 21/07/2005, às fls. 226 e 227, informou que não teria condições de fornecer os valores de terra nua, sugerindo que a então SRF utilizasse valores históricos constantes de seus acervos, até que fosse viabilizada, naquele órgão, a realização de trabalho de coleta de informações em cada município de Mato Grosso.” Regularmente intimada (fls. 330), a Recorrente apresentou sua manifestação de fls. 332 por meio da qual trouxe aos autos o laudo técnico de avaliação do valor da terra nua e de constatação de áreas de reserva legal e de preservação permanente de fls. 336/365. É o relatório. Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad O recurso preenche os requisitos de admissibilidade. Dele conheço. No mérito, a autuação decorre da glosa pela autoridade fiscal das áreas declaradas pela Recorrente a título de área de proteção permanente (10.092,4ha) e reserva legal (17.387,0ha), bem como do arbitramento do valor da terra nua. O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR tem como hipótese de incidência tributável a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano (art. 1º da Lei nº 9.393/96). A base de cálculo dessa exação, por sua vez, é resultado de operação por meio da qual se aplica sobre o Valor da Terra Nua Tributável – VTNt determinada alíquota prevista no anexo da Lei nº 9.393/96, que varia em função da área total do imóvel e do seu Grau de Utilização – GU (art. 11º, da Lei nº 9.393/96). O VTNt é obtido por meio da multiplicação do Valor da Terra Nua – VTN pelo quociente entre a área tributável e a área total do imóvel (art. 10º, §1º, III, da Lei nº Fl. 9DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 10 9.393/96), sendo que o VTN corresponde ao valor do imóvel, devidamente declarado pelo contribuinte, deduzido dos valores correspondentes a: a) construções, instalações e benfeitoras; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; e d) florestas plantadas. A área tributável do imóvel, por sua vez, corresponde à área total do imóvel com exclusão das seguintes: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) sob regime de servidão florestal ou ambiental; (Redação dada à alínea pela Lei nº 11.428, de 22.12.2006, DOU 26.12.2006) e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Alínea acrescentada pela Lei nº 11.428, de 22.12.2006, DOU 26.12.2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (NR) (Redação dada à alínea pela Lei nº 11.727, de 23.06.2008, DOU 24.06.2008). Tratase, nos termos da legislação em vigor, de tributo sujeito ao lançamento por homologação, sendo sua apuração e recolhimento de responsabilidade do contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, sujeitandose a posterior homologação como explicitado no art. 10º, parágrafo 7º da Lei nº 9.393/96. Área de Preservação Permanente No tocante ao APP o critério que levou a autoridade fiscal a efetuar a glosa da área declarada a título de APP foi a ausência de ADA tempestivamente protocolado junto ao Ibama (houve protocolização em atraso). Tenho para mim que o ADA não é documento indispensável à prova da área de preservação permanente, cuja preservação é obrigatória por lei independentemente de qualquer iniciativa do sujeito passivo (por exemplo averbação). Se a área existir e for provada por qualquer meio entendo comprovada sua existência. Referido entendimento decorre do disposto no artigo 10º, parágrafo 7º, da Lei nº 9.393/96, modificado originalmente pela Medida Provisória nº 1.95650, de Maio de 2000 e Fl. 10DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 10183.006016/200500 Acórdão n.º 220101.306 S2C2T1 Fl. 6 11 convalidado pela Medida Provisória nº 2.16667/2001, segundo o qual basta a declaração do contribuinte quanto à existência de área de exclusão, para fins de isenção do ITR, respondendo o mesmo pelo pagamento do imposto e consectários legais em caso de falsidade, in verbis: “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. (...) § 7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis.” A Recorrente trouxe aos autos o laudo técnico de fls. 336/365 por meio do qual se verifica a existência de fato de uma APP de 3.958,6ha (fls 349/350). Dessa forma, no tocante às áreas de preservação permanente. Como sustenta o Recorrente em suas razões de recurso, entendo que a mera existência dessas áreas na propriedade rural é suficiente de per se para ensejar a exclusão de tais valores da área total tributável do imóvel. Tal existência foi comprovada pelo laudo apresentado, não existindo outros documentos em sentido contrário nos autos. Nada obstante, verifico que na DITR foi informada APP de 10.092,4ha, embora o laudo apresentado demonstre a existência de APP de 3.958,6ha. Dessa forma, entendo que deve ser dado parcial provimento ao recurso para restabelecer a APP de 3.958,6ha. Reserva Legal Por outro lado, entendo que o lançamento também deve ser revisto em relação à área de reserva legal glosada, restabelecendose o valor da reserva legal efetivamente averbado na matrícula do imóvel no montante de 17.387,0ha. De fato, ao examinar a documentação trazida aos autos, especialmente a cópia da matrícula do imóvel (fls. 163vº), verifico a existência de averbação de reserva legal de 17.387,0ha, efetuada em 28/11/1996. Importante destacar, como se verifica da fundamentação do Auto de Infração (fls. 06), que a glosa da área em questão decorreu da ausência de apresentação tempestiva de ADA. Tenho para mim, no entanto, que a comprovação das áreas de reserva legal, para efeito de sua exclusão na base de cálculo de ITR, não depende da apresentação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA). Referido entendimento decorre do disposto no artigo 10º, parágrafo 7º, da Lei nº 9.393/96, modificado originalmente pela Medida Provisória nº 1.95650, de Maio de 2000 e Fl. 11DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 12 convalidado pela Medida Provisória nº 2.16667/2001, segundo o qual basta a declaração do contribuinte quanto à existência de área de exclusão, para fins de isenção do ITR, respondendo o mesmo pelo pagamento do imposto e consectários legais em caso de falsidade, in verbis: “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. (...) § 7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis.” No presente caso, tendo havido a contestação da existência dessa área pela autoridade fiscal a averbação na matrícula (fls. 163vº) comprova a existência da reserva legal declarada de 17.387,0ha. Arbitramento do VTN A Recorrente questiona, ainda, o arbitramento do VTN pela autoridade fiscal trazendo aos autos laudo técnico com o valor do VTN utilizado. Restou comprovado nos autos, no entanto, que a RFB não obteve junto aos órgãos competentes as informações previstas em lei como necessárias sobre preços de terras para alimentar o SIPT. De fato, em conseqüência da diligência determinada pelo Conselho de Contribuintes, a Informação Fiscal SEFIS DRFCUIABÁ nº 12/09, consignou que foi utilizado para arbitramento o “preço médio do hectare obtido a partir dos valores informados nas declarações do imposto sobre a propriedade territorial rural (DITR) apresentadas para os imóveis localizados no município de Aripuanã/MT no exercício de 2000, uma vez que a Secretaria de Desenvolvimento Rural do Estado de Mato Grosso, através do OF/SEDER/GS/441/2005, de 21/07/2005, às fls. 226 e 227, informou que não teria condições de fornecer os valores de terra nua, sugerindo que a então SRF utilizasse valores históricos constantes de seus acervos, até que fosse viabilizada, naquele órgão, a realização de trabalho de coleta de informações em cada município de Mato Grosso.” Ocorre que o art. 14, caput e §1o, da Lei no 9.393, de 19 de dezembro de 1996, que autoriza, no caso de subavaliação, o arbitramento do VTN, assim estabelece: “Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 10183.006016/200500 Acórdão n.º 220101.306 S2C2T1 Fl. 7 13 §1o As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios.” Referido dispositivo faz expressa menção aos critérios do art. 12, §1º, inciso II , da Lei no 8.629/93, cuja redação vigente à época da edição da Lei no 9.393/96 dispunha: “Art. 12. Considerase justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. §1o A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: I valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: a) localização do imóvel; b) capacidade potencial da terra; c) dimensão do imóvel. § 2º Os dados referentes ao preço das benfeitorias e do hectare da terra nua a serem indenizados serão levantados junto às Prefeituras Municipais, órgãos estaduais encarregados de avaliação imobiliária, quando houver, Tabelionatos e Cartórios de Registro de Imóveis, e através de pesquisa de mercado.” O arbitramento do valor da terra nua, expediente legítimo, nos art. 148 do CTN, para as situações em que não mereçam fé as informações prestadas pelo sujeito passivo, deve observar os parâmetros previstos pelo legislador e acima referidos, inclusive capacidade potencial da terra, informados pelas Secretarias de Agricultura dos Estados e Municípios. No caso em exame, entretanto, o arbitramento se baseou única e exclusivamente na média de VTN declarados por outros contribuintes, cuja utilização não atende às exigências legais, como se verifica do extrato da tela do sistema da Receita Federal do Brasil de fls. 316 e dos documentos de fls. 321/325. Transcrevo abaixo trecho do voto proferido pela Ilustre Conselheira Maria Lucia Moniz de Aragao Calomino Astorga, no acórdão 220200.722, para situação em tudo assemelhada à presente e cujos fundamentos adoto, in verbis: “Conjugando os dispositivos acima transcritos, inferese que o sistema a ser criado pela Receita Federal para fins de arbitramento do valor da terra nua deveria observar os critérios estabelecidos no art. 12, 1o, inciso II, da Lei no 8.629, de 1993, quais sejam, a localização, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel, assim como considerar os levantamentos Fl. 13DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 14 realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Nesse contexto, foi aprovado o Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal – SIPT, pela Portaria SRF no 447, de 28 de março de 2002, alimentado com os valores de terras e demais dados recebidos das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas, e com os valores da terra nua da base de declarações do ITR (art. 3o da Portaria SRF no 447, de 2002). Para se contrapor ao valor arbitrado com base no SIPT, deve o contribuinte apresentar Laudo Técnico, com suficientes elementos de convicção, elaborado por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado de ART, e que atenda às prescrições contidas na NBR 146533, que disciplina a atividade de avaliação de imóveis rurais. (...) Entretanto, embora presentes os elementos que autorizam o arbitramento, o valor do VTN atribuído pela fiscalização deve ser revisto, pois houve um erro na sua apuração. A fiscalização utilizou para arbitrar o VTN do imóvel da recorrente o valor do VTN médio/ha declarado pelos contribuintes do mesmo município (R$495,76/ha), extraído das informações contidas no SIPT (fl. 79), multiplicado pela área total do imóvel (9.846,7ha), obtendo o valor final de R$ 4.881.599,99. Ressaltese, entretanto, que o VTN médio declarado por município, obtido com base nos valores informados na DITR, constitui um parâmetro inicial, mas não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra. Isso porque esta informação não é contemplada na declaração, que contém apenas o valor global atribuído a propriedade, sem levar em conta as características intrínsecas e extrínsecas da terra que determinam o seu potencial de uso. Assim, o valor arbitrado deve ser obtido com base nos valores fornecidos pelas Secretarias Estaduais ou Municipais e nas informações disponíveis nos autos em relação aos tipos de terra que compõem o imóvel.” No presente caso, em atendimento à diligência determinada pelo Conselho de Contribuintes, a autoridade preparadora trouxe aos autos os ofícios de fls. 321/325 que demonstram que a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Rural do Estado de Mato Grosso não prestou as informações solicitadas pela Receita Federal. Assim entendo que não foram atendidos os requisitos previstos em lei para a realização do arbitramento, razão pela qual deve ser desconsiderado o VTN arbitrado e restabelecido o VTN declarado pela Recorrente. Ante o exposto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para restabelecer a área de proteção permanente de 3.958,6ha, a área de reserva legal de 17.387,0ha e o VTN declarado pela Recorrente. Fl. 14DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 10183.006016/200500 Acórdão n.º 220101.306 S2C2T1 Fl. 8 15 Gustavo Lian Haddad Relator (assinado digitalmente) Fl. 15DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU
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Numero do processo: 10882.002500/2009-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Nov 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI)
Ano-calendário: 2005
LANÇAMENTOS REFLEXOS. APLICAÇÃO DO DECIDIDO NOS AUTOS PRINCIPAIS DE IRPJ.
Aplica-se ao processo decorrente de IPI a mesma solução dada por esta Turma de Julgamento aos lançamentos de omissão de receitas relativos ao IRPJ presentes no Processo nº 10882.002501/2009-42, do mesmo sujeito passivo.
Numero da decisão: 1402-004.075
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário tendo em vista tratar-se de lançamentos reflexos de IRPJ constantes do Processo nº 10882.002501/2009-42, mantidos integralmente em julgamento realizado por esta Turma Ordinária em 18/09/2019.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Sérgio Abelson (Suplente Convocado), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paula Santos de Abreu e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Ausente o conselheiro Murillo Lo Visco, substituído pelo Conselheiro Sergio Abelson.
Nome do relator: Paulo Mateus Ciccone
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Ano-calendário: 2005 LANÇAMENTOS REFLEXOS. APLICAÇÃO DO DECIDIDO NOS AUTOS PRINCIPAIS DE IRPJ. Aplica-se ao processo decorrente de IPI a mesma solução dada por esta Turma de Julgamento aos lançamentos de omissão de receitas relativos ao IRPJ presentes no Processo nº 10882.002501/2009-42, do mesmo sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário tendo em vista tratar-se de lançamentos reflexos de IRPJ constantes do Processo nº 10882.002501/2009-42, mantidos integralmente em julgamento realizado por esta Turma Ordinária em 18/09/2019. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Sérgio Abelson (Suplente Convocado), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paula Santos de Abreu e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Ausente o conselheiro Murillo Lo Visco, substituído pelo Conselheiro Sergio Abelson. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 25 00 /2 00 9- 06 Fl. 926DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1402-004.075 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10882.002500/2009-06 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima qualificada em face de decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ/RPO em sessão de 21 de janeiro de 2010 (fls. 840/842)1, que julgou improcedente a impugnação apresentada perante aquele Colegiado de 1º Piso e manteve integralmente os lançamentos de IPI, reflexos de IRPJ, infração identificada como Omissão de Receitas – Depósitos Bancários de Origem não Comprovada, ano- calendário/2005, conforme cópia do AI (fls. 683/692), abaixo reproduzido: DA ACUSAÇÃO FISCAL 1 A numeração referida das fls., quando não houver indicação contrária, é sempre a digital Fl. 927DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1402-004.075 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10882.002500/2009-06 Segundo o TVF (fls. 667/668), a contribuinte foi excluída do regime do SIMPLES FEDERAL a partir de 01/01/2005, nos termos do Ato Declaratório Executivo n° 31, de 23 de setembro de 2009, do Delegado da Receita Federal em Osasco, publicado no Diário Oficial da União em 28/09/2009 e deixou de apresentar ao Fisco os livros exigidos para que pudesse optar pelo Lucro Real ou Lucro Presumido, o que acabou por levar ao arbitramento ex- officio do seu lucro. Além disso, pesquisas nos dados internos da RFB, especialmente os constantes do dossiê da autuada revelaram movimentação financeira completamente incompatível com as receitas informadas no ano-calendário de 2005 na PJSI – Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – Simples (fls. 650/667). No demonstrativo do TVF (fls.675), reproduzido no que interessa aos presentes autos, a Autoridade Fiscal apontou as divergências que apurou: Durante os procedimentos de auditoria foram excluídos os valores cujas origens restaram comprovadas, tais como montantes em duplicidade, transferências entre contas de mesma titularidade, empréstimos, etc., apontando, após tais expurgos, para o quadro seguinte (fls. 676): Valores que, como visto antes, correspondem aos constantes no AI. Prosseguindo, qualificou a multa, duplicando seu percentual para 150%, por entender estar-se diante de “fraude fiscal” (TVF – fls. 678). DA IMPUGNAÇÃO Inconformada, a contribuinte acostou impugnação (fls. 698/714), alegando: Fl. 928DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1402-004.075 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10882.002500/2009-06 i) que a este julgamento “seja dispensado o mesmo tratamento decorrente do julgamento do Processo Administrativo Fiscal nº 10882.002501/2009-42, por se tratar de tributação reflexa” (fls. 712/713); ii) no mérito, “considerando que a exigência fiscal na autuação que ora se contesta decorre de tributação reflexa, a Impugnante requer que os fundamentos de fato e de direito expendidos em sede preliminar e no mérito da impugnação interposta junto aos autos do Procedimento Administrativo Fiscal nº 10882.002501/2009-42 (Anexo IV) sejam considerados como parte integrante desta Impugnação, como se dela fizesse parte” (fls. 713); DA DECISÃO RECORRIDA Apreciando a lide (fls. 840/842), a 3ª Turma da DRJ/RPO assentou: “Trata-se de analisar lançamento referente ao IPI, períodos de apuração ocorridos no ano-calendário de 2005, decorrente de lançamento referente ao IRPJ e reflexos, em que se apurou omissão de receitas, caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Inicialmente, é curial transcrever o dispositivo do RIPI/2002 que já tratava da omissão de receitas, ou seja, o art. 448, principalmente no que pertine ao § 2°, já que não é o caso da pesquisa de elementos subsidiários (caput e § 1°) como insumos (auditoria de produção ou de estoque), mas sim da apuração de receitas com origem inexistente ou não comprovada, com a aplicação da alíquota mais elevada, para a cobrança do imposto devido, tendo em vista a impossibilidade de separação pelos elementos da escrita fiscal. Art. 448. Constituem elementos subsidiários, para o cálculo da produção, e correspondente pagamento do imposto, dos estabelecimentos industriais, o valor e quantidade das matérias- primas, produtos intermediários e embalagens adquiridos e empregados na industrialização e acondicionamento dos produtos, o valor das despesas gerais efetivamente feitas, o da mão-de-obra empregada e o dos demais componentes do custo de produção, assim como as variações dos estoques de matérias-primas, produtos intermediários e embalagens (Lei n° 4.502, de 1964, art. 108). § 1°. Apurada qualquer falta no confronto da produção resultante do cálculo dos elementos constantes deste artigo com a registrada pelo estabelecimento, exigir-se-á o imposto correspondente, o qual, no caso de fabricante de produtos sujeitos a alíquotas e preços diversos, será calculado com base nas alíquotas e preços mais elevados, quando não for possível fazer a separação pelos elementos da escrita do estabelecimento (Lei n°4.502, de 1964, art. 108, § 1°). § 2º Apuradas, também, receitas cuja origem não seja comprovada, considerar-se-ão provenientes de vendas não registradas e sobre elas será exigido o imposto, mediante adoção do critério estabelecido no parágrafo anterior (Lei n° 4.502, de 1964, art. 108, § 2°) (grifei). Fl. 929DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1402-004.075 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10882.002500/2009-06 Destarte, em ação fiscal de IRPJ foram verificadas receitas cuja origem não foi comprovada (§ 2°). Assim sendo, deve ser empregado, quanto à exigência decorrente (IPI), o critério estabelecido no § 1° da norma regulamentar em comentário. No processo relativo ao IRPJ, conforme acórdão de fls. 817/833, considerou-se improcedente a impugnação. Portanto, do total da receita omitida indicada pelo exator, restou mantida a totalidade da exação com reflexo no campo do IPI. Nesse passo, caracterizada a omissão de receitas pelas razões aduzidas, causa eficiente da imposição fiscal na esfera do IRPJ, é inafastável a autuação decorrente, por falta de lançamento do imposto, dada a presunção legal de vendas sem emissão de nota fiscal, já que o julgamento do processo decorrente deve seguir o do principal. Dessa forma voto por julgar IMPROCEDENTE A IMPUGNAÇÃO, mantendo o crédito tributário exigido”. A decisão recorrida está assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Ano-calendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. SAÍDA DE PRODUTOS SEM A EMISSÃO DE NOTAS FISCAIS. Apuradas receitas cuja origem não seja comprovada, estas serão consideradas provenientes de vendas não registradas. IPI. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DECORRENTE. OMISSÃO DE RECEITAS. Comprovada a omissão de receitas em lançamento de oficio respeitante ao IRPJ, cobra-se, por decorrência, em virtude da irrefutável relação de causa e efeito, o IPI correspondente, com os consectários legais. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido DO RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificada da decisão a quo em 04/03/2010 (fls. 848), a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 849/856) basicamente repisando, ipsis litteris, o quanto aduzido na impugnação e reforçou a defesa assentando que, como a “a digna Julgadora-Relatora do Acórdão recorrido, em seu relatório e voto, reconhece que a autuação fiscal de que trata o presente procedimento administrativo fiscal é reflexo do lançamento do imposto sobre a renda de pessoa jurídica (IRPJ), objeto do processo n.° 10882.002501/2009-42, a Recorrente requer a essa Excelsa Corte de Julgamento que acolha os fundamentos de fato e de direito expendidos em sede preliminar e no mérito do recurso interposto, contestando Acórdão 14-27.253, datado de 21 de janeiro de 2009, da 3ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto, que julgou improcedente a impugnação interposta no citado processo” (RV – fls. 854/855). É o relatório do essencial, em apertada síntese. Fl. 930DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1402-004.075 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10882.002500/2009-06 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone O Recurso Voluntário é tempestivo (ciência do acórdão recorrido em 04/03/2010 – fls. 848 – protocolização do RV em 31/03/2010 – fls. 849), a representação da recorrente está corretamente formalizada (fls. 716/719) e os demais pressupostos para sua admissibilidade foram atendidos, pelo que o recebo e dele conheço. Como visto no relato precedente, trata-se de apreciar lançamentos de IPI reflexos de lançamentos de IRPJ posto que baseados nas mesmas premissas fáticas e resultante da mesma infração, no caso, “omissão de receitas – depósitos bancários de origem não comprovada”, artigo 42, da Lei nº 9.430/1996, situação confirmada pela leitura da peça acusatória (TVF – fls. 668/680) e manifestações da contribuinte (impugnação – fls. 698/714 e recurso voluntário – fls. 849/856), além da decisão a quo (fls. 840/842). Com isso, inexistindo outros questionamentos específicos em relação ao IPI (por exemplo, classificação fiscal, alíquota, etc), a decisão prolatada no processo principal, no caso o de IRPJ (PA nº 10882.002501/2009-42), deve ser aplicada, por reflexo, a este PA (nº 10882.002500/2009-06), consoante assente e pacificada jurisprudência deste Tribunal Administrativo Tributário Federal: IPI. LANÇAMENTO REFLEXO. Aplica-se ao processo decorrente de IPI a mesma solução dada pela 1ª Turma da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF ao processo principal de IRPJ. (Ac. 1201-002.350 – Sessão de 15/08/2018 – Rel. Luis Fabiano Alves Penteado) Desse modo, considerando que o Processo de IRPJ (nº 10882.002501/2009- 42), também de relatoria deste Conselheiro, foi apreciado por este Colegiado na sessão de 18/09/2019, com improvimento do RV da recorrente em relação à matéria de mérito (infração – omissão de receitas – depósitos bancários de origem não comprovada – artigo 42, da Lei nº 9.430/1996), há que se aplicar a decisão lá prolatada a este PA (relativo aos lançamentos de IPI), na forma abaixo transcrita (reprodução do voto exarado no PA de IRPJ, naquilo que é pertinente ao presente julgamento): “Há duas preliminares a analisar. A primeira delas dizendo respeito ao entendimento da recorrente de que enquanto não julgada sua impugnação ao ADE DRF/Osasco nº 31, de 23 de setembro de 2009, que a excluiu do Simples Federal a partir de 1º de janeiro de 2005, nos termos do artigo 15, IV, da Lei nº 9.317/1996 (artigo 24, IV, da IN (SRF) nº 355/2003), os lançamentos presentes neste PA não poderiam ir a julgamento. Nas suas literais palavras (RV – fls. 1015), “entende a Recorrente que, até que seja julgada a impugnação e agora o recurso interposto nos Autos do Processo Administrativo Fiscal n.° 10882.002151/2009-14, há que ser suspensa a eficácia do Ato Declaratório n.° 31, de 23 de setembro de 2009, expedido pelo Senhor Delegado da Receita Federal do Fl. 931DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1402-004.075 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10882.002500/2009-06 Brasil e, por consequência, o julgamento de todas as demais exigências dele decorridas, inclusive a autuação fiscal objeto deste recurso”. Antes de tudo, imperioso alertar que o Processo de exclusão da recorrente do Simples Federal (nº 10882.002203/2009-52) foi juntado ao PA que contém os lançamentos do ano-calendário no referido regime (nº 10882.002151/2009-14) para julgamento uno, o que acabou por ocorrer em 29/03/2011 pela então 2ª Turma Especial, sendo prolatado o Acórdão nº 1802-000.835: “Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros André Almeida Blanco e Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior que reduziam a multa para 75% e, por conseqüência, reconheciam a decadência em relação aos fatos geradores de janeiro a agosto de 2004. Ausente momentaneamente o Conselheiro Gilberto Baptista”. E ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano-calendário:2004 DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Configura omissão de receita, por presunção legal, a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem desses recursos. SIGILO BANCÁRIO. ACESSO AOS DADOS DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA DAS CONTAS CORRENTES. TRANSFERÊNCIA DIRETA DE DADOS AO FISCO. DESNECESSIDADE DE ORDEM JUDICIAL. As autoridades fiscais somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo tributário instaurado ou procedimento fiscal em curso contra o contribuinte e os dados de movimentação financeira bancária sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente, cujo acesso será mediante Requisição de Movimentação Financeira dirigida ao dirigente da instituição financeira, na forma da legislação de regência. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação em que o sujeito passivo tenha se utilizado de dolo, fraude ou simulação, extingue-se no prazo de 5 (cinco) anos, contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Fl. 932DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 1402-004.075 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10882.002500/2009-06 OMISSÃO DE RECEITAS. FRAUDE. DOLO. MULTA QUALIFICADA. Restando comprovada o dolo de fraude contra o fisco pela falta reiterada de escrituração contábil e fiscal da movimentação financeira bancária, é cabível a exigência dos tributos e contribuições com aplicação da multa qualificada. JUROS DE MORA.FLUÊNCIA. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 04). São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (Súmula CARF nº 05). DILIGÊNCIA FISCAL E PROTESTO GENÉRICO PELA PRODUÇÃO DE PROVAS. DESNECESSIDADE PARA RESOLUÇÃO DA LIDE. PEDIDOS MERAMENTE PROTELATÓRIOS. Indefere-se os pedidos de diligência e protesto genérico pela produção de provas quando desnecessários à resolução da lide. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. SIGILO BANCÁRIO. ACESSO DIRETO SEM ORDEM JUDICIAL. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE/ ILEGALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). LANÇAMENTOS REFLEXOS: CSLL, PIS, COFINS, IPI E INSS. Os lançamentos decorrentes seguem a sorte do lançamento principal (IRPJ), em face da conexão dos fatos e das provas. Recurso Voluntário Negado Na sequência a esta decisão, a recorrente acostou Recurso Especial perante a E. CSRF deste CARF que, admitido em exame preliminar, acabou por não ser conhecido pelo Colegiado (Ac. 9101-002.328 – sessão de 04/05/2016 – Relatora Conselheira Adriana Gomes Rego): RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. MATÉRIA DE PROVA. INADMISSIBILIDADE. O dissídio jurisprudencial necessário à admissibilidade do recurso especial de divergência de que trata o art. 67 do Anexo II do RICARF não se estabelece em matéria de prova e sim na interpretação das normas. Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido. Nesse momento (setembro/2019) referido Processo encontra-se encerrado e os autos apontam para o seguinte estágio (consulta ao e- processo): Fl. 933DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 1402-004.075 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10882.002500/2009-06 “Equipe – SERAP – DIDAU – DÍVIDA ATIVA – PSFN/OSASCO” Assim, mais não fosse até pelo quanto já expendido pela decisão a quo 2 (e aqui subsidiariamente adotada), fato é que, em face da decisão definitiva em âmbito administrativo do PA de exclusão do SIMPLES FEDERAL avocado pela recorrente, com seu arquivamento e os valores objeto de procedimento de execução pela Procuradoria da Fazenda Nacional, os argumentos da contribuinte levantados nesta preliminar se esfacelaram e devem ser, por isso, afastados. Por fim, atente-se, há Súmula vinculante tratando do tema: Súmula CARF nº 77 A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Preliminar rejeitada. Já o segundo ponto combativo pela recorrente introdutoriamente diz respeito ao que qualifica como “quebra de sigilo bancário” e “inviolabilidade do direito à intimidade”. A respeito, desnecessárias quaisquer conceituações teóricas acerca do tema, tendo em vista a decisão prolatada pela Corte Suprema no RE nº 601.314 – SP, de 24/02/2016, assim ementada: Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, sob a Presidência do Ministro RICARDO LEWANDOWSKI, na conformidade da ata de julgamento e das notas taquigráficas, por maioria e nos termos do voto do Relator, apreciando o tema 225 da repercussão geral, em conhecer do recurso e a este negar provimento, vencidos os Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. 2 Tributação reflexiva - exclusão do Simples Federal - suspensão da eficácia do ato declaratório A impugnante aduziu que ato declaratório executivo impugnado é decorrente do processo n° l0882.00215l/2009-14, dependendo do resultado do julgamento da impugnação nele interposta. Portanto, ate' que ela seja julgada, deve ser suspensa a eficácia do referido ato e o julgamento do presente feito. Nos ternos da Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996, art. 15, § 3°, o ato declaratório de exclusão do Simples pode ser objeto de recurso, processado segundo a legislação relativa ao processo tributário administrativo. Entretanto, o fato de poder interpor recurso administrativo questionando a validade do ato declaratório de exclusão do Simples não impede que seja lavrado auto de infração. Ademais, 0 Código Tributário Nacional (CTN), art.l51, III, não se aplica à exclusão do Simples, já que trata de suspensão da exigibilidade do crédito tributário e não da suspensão do ato declaratório de exclusão do Simples. No entanto, a exigibilidade do crédito tributário de que trata o presente processo se encontra suspensa em virtude da impugnação apresentada contra o lançamento. (Acórdão DRJ/RPO - fls. 976). Fl. 934DF CARF MF http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf Fl. 10 do Acórdão n.º 1402-004.075 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10882.002500/2009-06 Por maioria, o Tribunal fixou, quanto ao item “a” do tema em questão, a seguinte tese: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”; e, quanto ao item “b”, a tese: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, § 1º, do CTN”, vencidos os Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Brasília, 24 de fevereiro de 2016. Ministro EDSON FACHIN Relator. Com isso, se dúvidas ainda pairavam em relação à possibilidade do acesso do Fisco à movimentação bancária dos contribuintes, deixaram de existir com esta decisão. Segunda preliminar afastada. Ao mérito. Neste ponto, cabe rememorar as infrações: (...) Referidos valores encontram-se resumidos no quadro estampado no TVF (fls. 675): Em contraparte, as receitas informadas na Declaração do “Simples” (PJSI – fls. 649/666) somam R$ 1.289.110,95, conforme informa a Fiscalização no TVF (fls. 669): Fl. 935DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 1402-004.075 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10882.002500/2009-06 Sabidamente a presunção legal prevista no artigo 42, da Lei nº 9.430/1996 3 , reverte o ônus da prova que, regra geral é de quem acusa, para o acusado. Também é certo que tal presunção, por relativa, pode ser elidida mediante comprovação da origem dos recursos que permitiram a existência dos valores carreados às contas bancárias da recorrente, destruindo a acusação. Instada a justificar a dissonância entre as receitas declaradas (R$ 1.289.110,95) e a movimentação financeira havida a crédito de suas contas mantidas em instituições financeiras, já expurgadas pelo Fisco em relação a valores duplicados, devoluções, estornos, etc (R$ 4.482.827,78), a recorrente aduziu: 1. ser descabido o arbitramento do lucro pelo entendimento do Fisco de que estaria sujeita a tributação pelo regime do lucro real e não possuía escrituração comercial e fiscal na forma da legislação pertinente, isto porque, na verdade, sempre esteve submetida ao Simples Federal, de forma que não estaria obrigada a manter escrita contábil a fim de registrar suas operações; 2. que a Fiscalização deixou de considerar que, dentro das movimentações bancárias submetidas a exame pela fiscalização, indubitavelmente constavam as receitas já declaradas pela impugnante e oferecidas à tributação em sua declaração; 3. não ser crível que a impugnante tenha declarado somente receitas advindas de vendas à vista no montante de R$ 1.289.110,95 e em moeda corrente, sem que o valor dessas receitas tenha transitado por suas contas bancárias. Admitir-se tal hipótese é deparar-se com autêntico bis in idem, o que poderia ter sido perfeitamente identificado 3 Art. 42.Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 936DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 1402-004.075 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10882.002500/2009-06 pela Autoridade Fiscal autuante, confrontando a movimentação bancária e os documentos fiscais que lhe foram ofertados para exame; 4. que injustificada e incompreensivelmente, o autuante não aceitou os esclarecimentos e provas carreados aos autos por meio dos expedientes encaminhados em 17 e 21 de agosto de 2009, em que ficou comprovado de forma inconteste as operações realizadas entre a impugnante e a empresa Thor Industrial Ltda; 5. estar juntando à impugnação o Termo de Declarações que o atual sócio-gerente prestou à Delegacia de Polícia de Cotia, de onde se extraíram os pontos relevantes relatando as operações havidas entre as citadas empresas; 6. ter encaminhado ao Fisco Termo de Declarações do sócio gerente da Thor, Sr. Gabriel Ganme Elias, atestando que» aquela empresa efetivamente promoveu diversos empréstimos à impugnante, no curso dos anos-calendário de 2004 a 2007, e está buscando reaver, junto aos órgãos competentes, parcelas dos empréstimos efetuados e que ainda não foram honrados; 7. restar claro ter havido empréstimos entre a Thor e a impugnante, conforme provado e comprovado, e o fato de eles não terem sido objeto de registro contábil não invalida a comprovação da origem dos depósitos efetuados nas contas bancárias da autuada; 8. havendo dúvidas quanto à legitimidade dos esclarecimentos prestados pela impugnante e pelas declarações prestadas pelo sócio- gerente da Thor, deveria a Fiscalização ter realizado diligência junto à citada empresa a fim de atestar a veracidade dos fatos relatados; 9. que o valor de R$ 437.875,00, oriundo dos mútuos realizados entre a impugnante e a Thor, conforme consta do Anexo I acostado aos esclarecimentos prestados em 17/08/2009, deve ser excluído; 10. ser inaceitável a decisão tomada pelo autuante em não aceitar que o sócio Rodrigo Lopes Almeida, embora afastado de toda e qualquer função gerencial na empresa, tenha feito aporte de recursos financeiros a título de suprimentos de caixa no curso do ano-calendário de 2005 no valor de R$ 17.096,01; Pois bem, a respeito da alegação da recorrente de que “dentro” dos 4,4 milhões da movimentação financeira estaria “incluída” a parcela de 1,2 milhão de receitas já declaradas, embora bastante razoável, diga-se, é mesmo possível que parte desta movimentação incompatível tenha tido origem efetivamente na parcela escriturada, ainda assim – por se estar diante de presunção legal – caberia à parte interessada, no caso a autuada, trazer esta conformação, emparelhando as notas fiscais de vendas/prestação de serviços com os créditos bancários nas respectivas datas e valores, o que, em momento algum, ocorreu. Desse modo, repito, ainda que a este Relator o argumento trazido seja bastante plausível, faltou à recorrente apontar e mostrar o necessário cruzamento das receitas já informadas com os respectivos montantes que Fl. 937DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 1402-004.075 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10882.002500/2009-06 correspondessem a tais operações. Não feita esta comprovação, há que se dar razão ao trabalho fiscal. Quanto aos outros dois argumentos (empréstimos de mútuo com a empresa Thor e aporte feito por sócio, nos valores respectivos de R$ 437.875,00 e R$ 17.096,01) melhor sorte não colhe a contribuinte. Sobre o possível mútuo, não tem sentido aceitar-se como prova de tais operações de empréstimos o “Termo de Declarações” trazido aos autos e referente a depoimento feito pelo sócio-gerente daquela empresa (Thor) à Delegacia de Polícia de Cotia, no qual ele afirma que efetivamente teria promovido diversos empréstimos à AVP, no curso dos anos- calendário de 2004 a 2007, já não fosse pela fragilidade que esta prova estampa, a indesmentível realidade de que não há registro na contabilidade da recorrente de tais operações, o que é reconhecido pela própria defesa; mais, o fato de que as “notas promissórias” referenciadas só foram emitidas em 2007 e, ainda mais, o próprio responsável pela autuada (Rodrigo Lopes de Almeida) contesta a existência dos referidos empréstimos, em declaração prestada à mesma Delegacia de Policia (fls. 828/840). A propósito, veja-se: “Aos 04 dias do mês de julho de dois mil e nove, nesta cidade COTIA, Estado de São Paulo, na sede da Delegacia de Policia (...) compareceu RODRIGO LOPES ALMEIDA, (...). Sabendo ler e escrever e declarou: (...) 23) Para nossa surpresa então, na data de 16/12/2008, tomamos conhecimento por intermédio de consulta processual extraída do site do egrégio Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, da existência de Ação de Execução proposta perante o Juízo de Itapevi na exata quantia de R$ 362.721,77 (trezentos e sessenta e dois mil, setecentos e vinte e um reais e setenta e sete centavos), de autoria da THOR por dívida consubstanciada em 2 (duas) Notas Promissórias, com valores de RS 182.156,00 (cento e oitenta e dois mil, cento e cinqüenta e seis reais) e R$ 149.500,00 (cento e quarenta e nove mil e quinhentos reais), respectivamente com vencimento em 05/05/2008 e 05/06/2008, assinadas exclusivamente pelo sócio ANDRE, quando este já nem mais detinha poderes para assumir qualquer obrigação em nome da AVP de forma isolada. Coincidência ou não, o valor aproxima-se exatamente do valor da antiga casa do ANDRE que foi conferida como bem ao patrimônio da empresa, para fazer face aos reais credores da AVP. 24) Em vários contatos havidos então com o ANDRE buscando saber do que se tratava e qual a razão que justificaria tal execução, ele tomou-se absolutamente evasivo, não apresentando qualquer razão convincente ou lógica para o fato e apresentando verbalmente várias versões, nenhuma verossímil ou crível. 25).Assim, por aconselhamento legal e para proteger os direitos da AVP e de ou efetivos credores, tomei a decisão de entrar com a representação legal contra André, sob a capitulação de apropriação indébita, visto tratar-se de valor jamais registrado na contabilidade da AVP e não ter Fl. 938DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 1402-004.075 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10882.002500/2009-06 esta qualquer relacionamento comercial com a THOR, na qualidade de fornecedora de mercadorias ou serviços à AVP. 26) Novamente para nossa surpresa, quando da intimação para prestar depoimento e comparecimento dos representantes da THOR, oficialmente Sr. GABRIE GANME ELIAS, estes apresentaram diversos comprovantes de créditos feitos AVP, mais precisamente elencados numa lista de 27 (vinte e sete) créditos. 27) Mais espanto me causou ainda o fato de o ANDRE ter alegado quando de seu depoimento em 26/02/2009, nesta Delegacia de Polícia de Cotia, que eu sempre soube dos “empréstimos” feitos regularmente pela THOR à AVP e que eles foram “sem juros”. Impressionante que um “mero primo de sua esposa”, empreste sem qualquer contrato formal, 'generosamente “sem juros', um montante acumulado de quase 363 mil reais, e só venha cobrar depois de passados mais de um ano e meio da ocorrência do último valor emprestado. Ainda mais em se evidenciando que o relacionamento próximo existente era entre ANDRE com o Sr. FELIPE GANME ELIAS, que alega não ter nenhuma vinculação formal com a THOR e quem emprestou, provavelmente a seu pedido, foi o seu irmão, o SR. GABRIEL GANME ELIAS, representante da THOR. (...) 29) A partir de então, eu e minha esposa iniciamos uma empreitada no sentido de descobrir o que havia se passado na AVP durante todos aqueles anos em que o ANDRE esteve gerindo a empresa de forma absolutamente livre e sob sua exclusiva responsabilidade. 30) De início, já verificamos que dois dos valores que aparecem listados na Planilha apresentada pela THOR como créditos feitos pela THOR para a AV demonstram fatos absolutamente diferentes dos alegados. (...) 36) Qual não foi a nossa surpresa ao verificar o enorme montante de cheques emitidos para a THOR de várias formas dissimuladas, o que indica que o ANDRE emitia os cheques para pagamento dos créditos da THOR sem obviamente colocar o beneficiário (cheques não nominais), entregava-os para a THOR e esta os usava para pagamentos a terceiros, os mais diversos possível, sendo estes terceiros pessoas físicas ou jurídicas. Com um detalhe absolutamente interessante, alguém grafava no verso de muitos dos cheques, o nome THOR na grande maioria dos cheques) ou FELIPE, o que nos ajudou a identificar muitos dos cheques. 37) Encontramos vários cheques emitidos a várias indústrias metalúrgicas ou eletro- eletrônicas, entre outras, inegavelmente fornecedores da THOR já que a AVP, como uma empresa da área de balões plásticos, não tinha qualquer fornecedor que envolvesse metalurgia, fiação elétrica ou eletrônicos. Já a THOR, fabricante de bicicletas e motos, e respectivas peças de reposição para esses equipamentos, certamente têm essas empresas entre seus fornecedores. Listo abaixo alguns dos nomes e alguns respectivos cheques para exemplificar. A totalidade dos cheques, por beneficiário, e valor total Fl. 939DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 1402-004.075 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10882.002500/2009-06 emitido pela AVP em favor de terceiros por conta e ordem da THOR, que remonta a um valor total efetivamente significativo, serão apresentados em momento oportuno, listados todos os beneficiários que não tem qualquer relação com a AVP. Dentre os cheques estão alguns a seguir, meramente para efeito exemplificativo, destacando que todos estes cheques são da conta da AVP mantida junto ao Bradesco”: Para concluir: “39) Diante dessa constatação, solicitamos agora os extratos bancários de todas as contas bancárias mantidas pela AVP em outros bancos (respectivamente docs. 42 a 46), acreditando que já que essa movimentação ocorria junto ao Bradesco, é provável que também ocorresse nos outros bancos. 40) Assim, a conclusão a que se chega é que a THOR estava usando a AVP como “caixa 2” para “esquentar dinheiro”, sob a concordância total do ANDRE”. (destaque deste Relator). Em suma, parece-me claro que o depoimento acima reproduzido parcialmente não tem substrato que possa dar sustento à recorrente e nem a tentativa de se utilizar das notas promissórias acostadas aos autos e que seriam relativas a mútuos com a Tohr muda o quadro, isso porque, AINDA QUE tais empréstimos possam ter sido firmados, como aduzido pela contribuinte, a fragilidade probatória é flagrante. Demais disso, na verdade, a leitura do depoimento aponta para um quadro oposto ao pretendido pela defesa, ou seja, uma situação mostrando indícios de que a recorrente “poderia” ter sido utilizada pela suposta mutuante (Thor) para efetuar pagamentos para seus [dela] fornecedores, figurando a AVP como “caixa 2” para “esquentar dinheiro” (conforme item 40 do depoimento, acima transcrito). Em síntese, de uma forma ou outra, ainda que depoimento com esse traço já seja de natureza probante extremamente limitada (até por ser manifestação de uma só pessoa, sem contraparte da outra), ainda assim poderia servir de prova indiciária se viesse acompanhado de outras provas, como contrato de mútuo firmado entre as partes, demonstrativo de que o valor “saiu” da conta bancária da Thor e “entrou” na conta da AVP, etc. Nada disso veio aos autos. Desse modo, a tentativa de utilizar tal depoimento como meio de prova para buscar “comprovar” a origem de recursos a que alude o artigo 42, da Lei nº 9.430/1996 e com isso afastar a presunção de omissão de receitas mostrou-se vã. A propósito: OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO NÃO COMPROVADO. MÚTUO. Tratando-se de empréstimo de dinheiro, indispensável que se reúnam as evidências de um requisito fundamental sem o qual não se consuma tal modalidade negocial: a transferência do domínio da coisa emprestada ao mutuário, em consonância Fl. 940DF CARF MF Fl. 16 do Acórdão n.º 1402-004.075 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10882.002500/2009-06 com o disposto no artigo 587 do vigente Código Civil. Sem a prova da entrega de numerário registrado em conta de obrigação, no balanço patrimonial da Recorrente, irretocável se mostra a subsunção ao tipo legal do denominado passivo não comprovado. (Ac. 1301-002.100 – Rel. Flávio Franco Correa – Sessão de 09/08/2016) COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL Para que o lançamento originado destas informações seja alterado, deverá o contribuinte comprovar inequivocamente o alegado. (Ac. 3302- 005.803 – Rel. Jorge Lima Abud – Sessão de 30/08/2018) Já em relação ao aduzido “suprimento de caixa” feito pelo sócio Rodrigo Lopes Almeida no valor de R$ 17.096,01, embora a recorrente argumente ter havido mencionado aporte, mais uma vez faltou a comprovação da operação, limitando-se o material probante a uma “planilha” elaborada pela recorrente (fls. 582): Convenhamos, tal demonstrativo por si só nada comprova e para servir de prova deveria estar acompanhado de comprovantes de transferência bancária da conta do sócio para a empresa, de registro na contabilidade desta última, de microfilme do cheque eventualmente emitido a favor da pessoa jurídica e por esta descontado, etc. Do mesmo modo que em relação ao item precedente, novamente nem sobra disso veio aos autos, o que fragiliza a prova e robustece o trabalho fiscal. A propósito, a jurisprudência pacificada no CARF: OMISSÃO DE RECEITA. SUPRIMENTO DE CAIXA. ORIGEM. SÚMULA CARF É indispensável a demonstração de origem dos recursos, de fonte estranha à sociedade, além da efetiva entrega destes recursos, para elidir a presunção de omissão de receita. (Ac. CSRF nº 9101-004.091 – Sessão de 09/04/2019 – Rel. Cristiane Silva Costa) Matéria já sumulada: Súmula CARF nº 95 A presunção de omissão de receitas caracterizada pelo fornecimento de recursos de caixa à sociedade por administradores, sócios de sociedades de pessoas, ou pelo Fl. 941DF CARF MF Fl. 17 do Acórdão n.º 1402-004.075 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10882.002500/2009-06 administrador da companhia, somente é elidida com a demonstração cumulativa da origem e da efetividade da entrega dos recursos. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Por tudo o que se expôs, mantenho os lançamentos e nego provimento ao recurso voluntário nesta parte. DA MULTA QUALIFICADA Segundo o TVF (fls. 676/677), a multa foi duplicada “tendo em vista os elementos acima alinhados, demonstrando a inequívoca intenção de fraudar o recolhimento de tributos por parte do contribuinte, ao optar indevidamente pelo enquadramento no SIMPLES, o presente lançamento tributário está sendo feito com qualificação da multa de oficio, com agravamento de percentual de 75% para 150%, em virtude de caracterização de fraude fiscal, conforme artigo abaixo transcrito”: Lei 4.502/64 Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido- a evitar ou diferir o seu pagamento. Lei n° 9.430/96, com a nova redação que foi dada pela Lei 11.488/2007' Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: l - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Dai ng 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Irresignada a recorrente fundamentou: “Ora, Senhores Conselheiros, a conduta dolosa não pode estar tipificada no fato de a Recorrente ter optado indevidamente pelo enquadramento do SIMPLES. Muito menos, na constatação de que a movimentação bancária não guarda proporcionalidade entre os valores declarados e os movimentados em contas bancárias. O que deve ser considerado pelas Autoridades Fazendárias, preparadoras e responsáveis pela constituição do crédito tributário e pelos seus órgãos de julgamento (...) é saber se a omissão de rendimentos decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada é infração simples ou grave. Fl. 942DF CARF MF http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf Fl. 18 do Acórdão n.º 1402-004.075 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10882.002500/2009-06 Neste sentido a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto em diversos julgados manifestou-se anteriormente no sentido de reconhecer que, havendo a constituição de crédito tributário decorrente de suposta omissão de receitas decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada, apurado em procedimento de fiscalização/auditoria, a- infração deve ser considerada simples, não havendo porque qualificar a penalidade. (...) Ademais, a conduta dolosa deve estar perfeitamente identificada e tipificada nos autos e, este, também é o entendimento da DRJ/Ribeirão Preto, conforme se extrai do Acórdão a seguir transcrito: (...) Ora Senhores Conselheiros, a Recorrente não alegou que o Autuante deixou de provar a sua manifesta intenção dolosa nos fatos apurados pela fiscalização, antes pelo contrário, provou que o Autuante simplesmente sustentou a imputação da multa qualificada sobre a singela afirmação de ter havido suposta omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada – presunção legal e que, em decorrência deste fato, optou indevidamente pelo enquadramento no SIMPLES. (...) A simples omissão de receita, como já relatado, não é falta suficientemente bastante para a imputação da multa qualificada e a promoção da representação para fins fiscais. Para que a acusação tenha plena eficácia jurídica é necessário que a autoridade fiscal, como sustentado na fase impugnatória e neste recurso, prove a manifesta intenção dolosa do agente. E, isto, não está provado e comprovado na autuação ora guerreada. Não por outro motivo e a fim de evitar abusos por parte da autoridade fiscal essa Egrégia Corte de Julgamento editou a Súmula n.° 14, a seguir transcrita, “in verbis”. Pois bem, que se está diante de lançamentos baseados em presunção de omissão de receitas (artigo 42, da Lei nº 9.430/1966) é induvidoso, como induvidosa é a existência da Súmula CARF nº 14, avocada pela recorrente que define “a simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo”. Nessa linha, primeira vista, razão caberia à contribuinte, como acontece recorrentemente em diversos julgamentos administrativos, na forma alertada pela defesa. Todavia, a própria Súmula bem aponta que “a simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do Fl. 943DF CARF MF Fl. 19 do Acórdão n.º 1402-004.075 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10882.002500/2009-06 evidente intuito de fraude do sujeito passivo”, ou seja, cada situação fática deve ser analisada individualmente e de acordo com o que consta dos autos. Concretamente, a fotografia é a seguinte: 1. a contribuinte foi fiscalizada e autuada em relação aos fatos geradores do ano-calendário/2004 (autuados no PA nº 10882.002151/2009-14) em razão de omissão de receitas por “movimentação financeira incompatível” (art. 42, da Lei nº 9.430/1996); 2. no mesmo período (PA nº 10882.002203/2009-52) foi excluída do regime do SIMPLES FEDERAL (Lei nº 9.317/1996), justamente em razão da omissão de receitas que levou ao extrapolamento do limite do faturamento que permitiria a permanência no sistema simplificado; 3. estes dois processos já foram encerrados com decisões desfavoráveis à recorrente; 4. no ano de 2004, como aconteceu em 2005, a receita constante na Declaração Simplificada (PJSI) mostra valores bem abaixo do efetivamente apurado pelo Fisco, denotando o animus da recorrente de informar montantes inferiores; 5. a comparação entre a receita declarada e a apurada pela auditoria da RFB aponta divergências substanciais, a saber: Período Rec. Decl. - PJSI Omissão Receitas MFI Ano-calendário/2004 R$ 765.363,00 R$ 2.417.477,61l Ano-calendário/205 R$ 1.289.110,95 R$ 4.482.827,78 6. esses números mostram que no AC/2004 a omissão de receitas detectada atingiu o percentual de 215,8% quando contraposta à receita oferecida à tributação. Já em 2005, objeto do presente processo, a defasagem não diminuiu, aliás, aumentou para 247,7%; 7. tudo isso concorrendo para que, de cada R$ 1,00 declarado e tributado, R$ 2,50 ficassem ao largo de qualquer tributação. Posto o cenário, parece-me absolutamente claro que a imputação feita pelo Fisco não se restringiu em considerar, para fins de exasperação da multa, uma “mera omissão de receitas”, mas, muito mais que isso, levou em conta os vultosos valores sonegados em detrimento ao Erário Público e a notória prática reiterada da contribuinte de tentar impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento, levando à tipificação do artigo 72, da Lei nº 4.502/1964. Nesse ponto, relembre-se, a autuada, optante e enquadrada no regime do SIMPLES FEDERAL criado pela Lei nº 9.317/1996, sistematicamente Fl. 944DF CARF MF Fl. 20 do Acórdão n.º 1402-004.075 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10882.002500/2009-06 informou/declarou na PJSI (a declaração de rendimentos afeta a esta categoria de contribuintes) valores infinitamente inferiores aos reais, tudo levando à ação do Fisco de não só perpetrar os lançamentos como qualificar a penalidade justamente pelo procedimento doloso verificado. Muito a propósito, a lição de Marco Aurélio Greco in Planejamento Tributário, Dialética, 2004, p. 231: “Na segunda hipótese, o Fisco, em razão dos fatos ocorridos, tem um interesse a ser protegido (um crédito a haver) que é impedido ou frustrado pela conduta do contribuinte. É o que se poderia chamar de fraude em sentido estrito ou de feição penal. É nítido que o inciso II do artigo 44 está se referindo a este segundo tipo de fraude e não ao primeiro. Tanto é assim que a parte final do dispositivo é explícita ao prever que a incidência da multa de 150% dar-se-á independente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Ora, se a lei em questão estabelece que tal multa tributária incidirá independentemente de outras penalidades, inclusive criminais, isto significa que o pressuposto de fato captado pelo dispositivo tributário é um pressuposto de fato que também se enquadra em norma penal.” (o inciso II citado pelo autor corresponde, atualmente, ao § 1 o , do mesmo artigo 44). Verifica-se, assim, que a sonegação conceituada no artigo 71, refere-se à conduta (comissiva ou omissiva) para impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador ou das condições pessoais do contribuinte. Já a fraude do artigo 72, que não se trata de fraude à lei, mas ao Fisco, atua na formação do fato gerador da obrigação tributária principal, impedindo ou retardando sua ocorrência, como, também, depois de formado, modificando-o para reduzir imposto ou diferir seu pagamento. Repita-se, para melhor fixação, a afirmação do autor sobre o pressuposto de fato captado pelo dispositivo tributário: trata-se de um pressuposto de fato que também se enquadra em norma penal. Pois bem, nesse contexto, restou cristalina a atividade ilícita do autuado, observada a partir da: a) conduta reiterada; b) omissão de receitas em valor vultoso; c) não fornecimento dos extratos bancários quando exigidos; e d) declarações prestadas ao Fisco em valores notoriamente inferiores aos reais. Com isso, exsurge o intuito fraudulento que permite a incidência da multa qualificada, como provado pelos documentos juntados aos autos. Por tudo o que se exprimiu e não perdendo o foco, bom lembrar que, segundo a teoria finalista da ação, adotada pelo nosso Código Penal (Parte Geral), art. 18-I, com a redação dada pela Lei 7.209/1984, e de acordo com a melhor doutrina pátria de direito penal, o dolo faz parte da tipicidade (do tipo penal), e pode ser dolo direto (ocorre quando o agente quis o resultado e praticou ação nesse sentido) ou dolo indireto Fl. 945DF CARF MF Fl. 21 do Acórdão n.º 1402-004.075 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10882.002500/2009-06 ou eventual (quando o agente, com sua ação, assumiu o risco de produzir o resultado). No caso, não se trata de presunção de dolo, mas, sim, da existência de dolo direto, pois a conduta do sujeito passivo está subsumida na conduta típica de fraude (artigo. 72, da Lei 4.502/64 e art. 44, § 1º, da Lei 9.430/96, com redação dada pela Lei 11.488/2007) que implicou, ainda, redução ou supressão de tributos e contribuições (o sujeito passivo quis e praticou a conduta de sonegação de tributos e contribuições federais, ou seja, reduziu ou suprimiu tributo ou contribuição social, indevidamente, mediante a realização das condutas descritas nos incisos I e II do art. 1º da Lei 8.137/90 4 ). A jurisprudência administrativa é nesta linha: MULTA QUALIFICADA — são as circunstâncias da conduta que caracterizam o aspecto subjetivo da prática ilícita. Além dos valores omitidos serem de elevada monta em relação aos valores escriturados, o número de operações omitidas, na casa de centenas, leva à convicção de que a conduta missiva da autuada não decorreu de um mero desleixo na condução de seus negócios, mas sim de prática intencional para deixar de levar ao conhecimento da Fazenda a maior parte de suas operações. (Acórdão 1201-00205 - Relator(a) Guilherme Adolfo dos S. Mendes) Dito isto, volto agora aos dizeres da Súmula CARF nº 14 citado no preâmbulo deste tópico e avocado pela defesa. Relembrando diz citada Súmula que “a simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo”. Ocorre que restou comprovado nos autos não se estar diante de simples apuração de omissão de receita, mas de prática reiterada e dolosa de tentar impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Com isso, a submissão ao artigo 72, da Lei nº 4.502/1964 mostra-se absolutamente inevitável. 4 Art. 1° Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: (Vide Lei nº 9.964, de 10.4.2000) I - omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias; II - fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal; Fl. 946DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9964.htm#art15 Fl. 22 do Acórdão n.º 1402-004.075 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10882.002500/2009-06 Por esses fatos – incontestes – entendo que a exasperação da multa, elevando-a ao patamar de 150%, mostra-se irrepreensível, por isso deve ser mantida. DOS JUROS DE MORA PELA TAXA SELIC Contesta a recorrente a incidência de juros moratórios, sustentando ser “inaceitável a imputação de juros moratórios que supera, e muito, os índices inflacionários calculados por qualquer um de seus indexadores” (RV – fls. 1039). Sem maiores digressões, trata-se de matéria sumulada e, por isso, superada neste Colegiado: Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). DOS JUROS MORATÓRIOS - SUSPENSÃO DE SUA INCIDÊNCIA E EXIGIBILIDADE NO CURSO DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL Posiciona-se a recorrente no sentido de que, enquanto não decidida a refrega administrativa em que se discutem lançamentos e crédito tributário constituído, suscitando possível “falta de regulamentação do disposto no art. 27 do Decreto n.° 70.235, de 06 de março de 1972, com a redação que lhe foi dada pelo artigo 67 da Lei n.° 9.532, de 10 de dezembro de 1997” (RV – fls. 1040). Prevê citado dispositivo: Art. 27. Os processos remetidos para apreciação da autoridade julgadora de primeira instância deverão ser qualificados e identificados, tendo prioridade no julgamento aqueles em que estiverem presentes as circunstâncias de crime contra a ordem tributária ou de elevado valor, este definido em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Parágrafo único. Os processos serão julgados na ordem e nos prazos estabelecidos em ato do Secretário da Receita Federal, observada a prioridade de que trata o caput deste artigo. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Diz mais a contribuinte, que “a fixação dos prazos para o julgamento dos processos não é uma faculdade atribuída pela legislação ao Administrador Público mas, sim, um imperativo de ordem legal que a Autoridade Fazendária deixou de dar cumprimento, constituindo-se em verdadeiro abuso de poder. Registre-se, transcorreram-se 12 (doze) anos contados da data a sanção da Lei n.° 9.532, de 1997, sem que a Administração Fazendária se ocupasse de dar cumprimento ao dispositivo legal retro-mencionado” (RV – fls. 1040/1041). s Fl. 947DF CARF MF http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art67 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art67 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art27 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii Fl. 23 do Acórdão n.º 1402-004.075 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10882.002500/2009-06 De preâmbulo, evidente que os julgadores administrativos e este Conselho não têm competência legal ou regimental para acolher e resolver o reclamo da recorrente, matéria que, se assim entende a recorrente, deveria ser levada ao crivo do Judiciário. Aos Conselheiros deste Tribunal Administrativo Tributário Federal competem julgar os processos de acordo com a distribuição a eles feitas e a pauta publicada, independentemente do prazo em que estejam “sub judice”. É o que agora ocorre nesta sessão de setembro/2019. Com relação à matéria de direito invocada, nenhuma razão assiste à recorrente. Na verdade, diferentemente das multas, que têm caráter de penalidade, os juros revestem-se de remuneração do capital da parte que tem a receber da outra que lhe deve. No âmbito do Direito Civil esta relação ocorre via de regra mediante contrato em que são fixados – livremente - os percentuais dos juros exigíveis, não sendo poucas as vezes em que sequer há fixação desta exigência, ou seja, não há taxa percentual para cálculo de juros. Todavia, quando se adentra ao Direito Público e uma das partes é o Estado, por qualquer de seus entes, o livre arbítrio de fixar qualquer ou nenhuma taxa de juros cai por terra posto que há regramento legal que define e parametriza a avença. Inclusive nos casos em que o crédito tributário esteja sub judice administrativo, como aqui ocorre. A respeito, prevê o artigo 5º, do Decreto-lei nº 1.736/1979: Art 5º - A correção monetária e os juros de mora serão devidos inclusive durante o período em que a respectiva cobrança houver sido suspensa por decisão administrativa ou judicial. Desse modo, ainda que a recorrente pontue que tal dispositivo restaria afetado após a vigência da nova redação do artigo 27, do PAF 5 , a verdade é que ele se encontra em plena vigência, não foi revogado nem derrogado e seus efeitos se irradiam aos processos e julgamentos em curso. Linha assumida pela doutrina de Bernardo Ribeiro de Moraes, citado pela decisão a quo, na sua obra “Compêndio de Direito Tributário, 3ª ed., v. 2, p. 583”: 5 Ademais, à época de edição do Decreto-lei n.° 1.736, de 20 de dezembro de 1979, citado pela ilustre Julgadora-Relatora do Acórdão recorrido a fim de sustentar seu entendimento, não havia a determinação para que os processos administrativos fossem julgados em prazo certo, como ocorre atualmente por força do disposto no art. 27 do Decreto n.° 70.232, de 1972, com a redação que lhe foi dada pela Lei n.° 9.532, de 10 de dezembro de 1997. (RV – fls. 1041). Fl. 948DF CARF MF Fl. 24 do Acórdão n.º 1402-004.075 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10882.002500/2009-06 “Na aplicação dos juros de mora mister se faz lembrar a distinção entre vencimento da dívida e exigibilidade da mesma. O vencimento do crédito tributário tem seu momento certo e dele se deve os juros de mora. Há hipótese em que o crédito tributário, mesmo vencido, apresenta-se ainda inexigível (v.g., casos de suspensão da exigibilidade do crédito tributário), que não tem o condão de suprimir o pagamento do credito tributário com os seus acréscimos legais, inclusive com o valor dos juros de mora. Em outras palavras, os juros de mora são devidos inclusive durante o período em que a respectiva cobrança (exigibilidade) esteja suspensa”. (destacou-se) Ademais, há Súmula vinculante em plena vigência: Súmula CARF nº 5 São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). E a jurisprudência desta Corte: JUROS DE MORA - Conforme determina o art. 5º do Decreto- lei 1.736/79, os juros de mora são devidos inclusive no período em que a respectiva cobrança estiver suspensa por decisão administrativa ou judicial. (Ac. 101-93.102 – Sessão de 12/07/2000 – Rel Sandra Maria Faroni) JUROS DE MORA. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral (Súmula CARF nº 5). – (Ac. 1802-000.931 – Sessão de 29/06/2011 – Rel Nelso Kichel) Desse modo, a irresignação da recorrente não encontra eco perante este Tribunal e não pode ser acolhida. DA DILIGÊNCIA REQUERIDA Sabidamente, diligências prestam-se a munir os julgadores de informações e conhecimentos técnicos especializados e específicos que lhes permitam formar convicção para prolatar decisões, não implicando, porém, eventual negativa em deferir o pedido da contribuinte para sua realização, em qualquer nulidade. Nessa linha: DILIGÊNCIA - LIVRE CONVENCIMENTO DO JULGADOR - O simples fato de ter o contribuinte, com alegações de mérito Fl. 949DF CARF MF http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf Fl. 25 do Acórdão n.º 1402-004.075 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10882.002500/2009-06 estranhas ao lançamento, solicitado o cancelamento do auto não é suficiente para que se promova diligência. A diligência pode ser promovida para o melhor convencimento do julgador, se remanescer dúvida diante dos fatos presentes nos autos. (1º Conselho de Contribuintes / 8ª. Câmara / ACÓRDÃO n.º 108- 06.561 de 19/06/2001, publicado no D.O.U de 28/08/001) Doutrinariamente, a posição de Antonio Airton Ferreira (disponível no site www.fiscosoft.com.br) citado por Gilson Wessler Michels, in “PAF – Processo Administrativo Fiscal – litigância tributária no contencioso administrativo – Cenofisco – São Paulo – 1ª reimpressão – 2018 – pg. 275”: “PERÍCIA – DEFERIMENTO COMO PRERROGATIVA DO JULGADOR: A perícia não integra o rol dos direitos subjetivos do autuado. A perícia é prova de caráter especial, cabível nos casos em que a interpretação dos fatos demanda juízo técnico. Todavia, ela não integra o rol dos direitos subjetivos do autuado, podendo o julgador, se justificadamente entendê-la prescindível, não acolher o pedido”. Concretamente, a Turma Julgadora de 1º Grau entendeu desnecessário tal procedimento, posição que este Relator avaliza e mantém por considerar que os autos contemplam todas as informações exigidas para que seu julgamento prossiga, de modo que rejeita-se o pedido de diligência requerido pela contribuinte”. CONCLUSÃO Por tudo o que se expôs e relatou, encaminho meu voto no sentido de, i) afastar as preliminares suscitadas; ii) manter o arbitramento efetuado pelo Fisco; e, iii) no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendo integralmente os lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS (autos de infração – fls. 680/706)”. Diante de todo o exposto, restando caracterizada a omissão de receitas pela não comprovação das origens dos recursos que permitiram os créditos havidos em contas mantidas pela contribuinte junto a instituições financeiras e em função das demais razões aduzidas neste processo e no PA principal (nº 10882.002501-2009-42) e considerando, ainda, o nexo causal entre os fatos descritos nos lançamentos de IRPJ com os de IPI, reflexos daqueles, imperioso seja dado ao presente julgamento a mesma decisão firmada naquele, já que o julgamento do processo decorrente deve seguir o do principal. Assim, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendo a decisão recorrida e os lançamentos de IPI do ano-calendário/2005, formalizados nos AI (fls. 683/692). É como voto. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Relator Fl. 950DF CARF MF http://www.fiscosoft.com.br/ Fl. 26 do Acórdão n.º 1402-004.075 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10882.002500/2009-06 Fl. 951DF CARF MF
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Numero do processo: 10768.005391/2007-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Dec 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO
Exercício: 2008
EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO. DEVOLUÇÃO. COMPETÊNCIA.
Não compete à Secretaria da Receita Federal restituir as quantias pagas como empréstimo compulsório instituído para reaparelhamento econômico.
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.
Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
CONCOMITÂNCIA.
Nos termos da Súmula CARF nº 1, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Numero da decisão: 1201-003.324
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Júnior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Melo Carneiro e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO Exercício: 2008 EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO. DEVOLUÇÃO. COMPETÊNCIA. Não compete à Secretaria da Receita Federal restituir as quantias pagas como empréstimo compulsório instituído para reaparelhamento econômico. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CONCOMITÂNCIA. Nos termos da Súmula CARF nº 1, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 00 53 91 /2 00 7- 15 Fl. 408DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1201-003.324 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10768.005391/2007-15 Bossa, Efigênio de Freitas Júnior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Melo Carneiro e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Relatório Para melhor descrição da controvérsia, adoto relatório da DRJ, complementando- o ao final com o necessário: Trata-se de manifestação de inconformidade apresentada contra decisão que indeferiu pedido de restituição da quantia de R$ 1.829.537,42, relativa ao empréstimo compulsório instituído pela Lei n° 1.474/1951, destinado ao reaparelhamento econômico. Entendeu o Delegado da Receita Federal de Campo Grande/MS, baseando-se no Parecer n° 38/2008, da Seção de Orientação e Análise Tributária (fls. 124 a 134), que a devolução dos valores recolhidos havia de ser feita mediante emissão de títulos da dívida pública, não existindo previsão em lei para que a Receita Federal restituísse em dinheiro tais valores ou fizesse o regaste dos títulos. Além disso, afirmou a autoridade a quo que os créditos não tinham origem tributária, nem foram recolhidos por meio de DARF. Invocou ainda a Súmula n° 6 do 3° Conselho de Contribuintes. A requerente, não se conformando com o indeferimento, alegou que os valores recolhidos tinham natureza tributária e foram arrecadados como adicional ao imposto de renda, administrado à época pela Direção-Geral da Fazenda Nacional, que mais tarde passou a denominar-se Secretaria da Receita Federal. Sustentou não ter havido a decadência prevista no art. 168 do Código Tributário Nacional - CTN, porquanto não se trata de pagamento indevido; e tampouco a prescrição que alcançou os títulos da dívida pública emitidos no início do século passado, já que, diferentemente daqueles, não decorrem estes de ato negocial com fulcro na autonomia da vontade. Portanto, não admitem analogia com os títulos vinculados a obrigações da Eletrobrás. Não obstante, mesmo que houvesse prescrição, esta não poderia ser alegada no âmbito do processo administrativo. Com esses fundamentos, pediu que fosse reconsiderada a decisão denegatória. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente e o acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO Ano-calendário: 2007 EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO. DEVOLUÇÃO. COMPETÊNCIA. Não compete à Secretaria da Receita Federal restituir as quantias pagas como empréstimo compulsório instituído para reaparelhamento econômico. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 409DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1201-003.324 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10768.005391/2007-15 A Recorrente apresentou Recurso Voluntário em que alega inicialmente que a controvérsia cinge-se a créditos submetidos a compensação decorrem do pagamento, em títulos da dívida pública, do empréstimo compulsório instituído pela Lei n°. 1.474/51, como adicional ao Imposto de Renda, cuja devolução foi disciplinada o pelas Leis n°s. 1.628/52 e 2.973/56. Sendo, na relação obrigacional, tributo, na modalidade de empréstimo compulsório, é também tributo no vínculo consequente da restituição, conforme entendimento jurisprudencial do colendo STJ (ERESP n° 692.708/RS), preliminarmente, a nulidade do despacho decisório por ausência de fundamentação. Afirma a existência de crédito, acentuando a necessidade de aplicação da verdade material. Ao final, clama provar os fatos por todos os meios de prova possíveis. Assevera ainda que a Lei n° 9.430/96 não excluiu do âmbito da compensação os créditos passivos que sejam passíveis de ter sua prescrição decretada. Pontua que a Fazenda reconhece que restituiu o empréstimo compulsório em títulos (Obrigações do Reaparelhamento Econômico) e que não houve o resgate, deles, mas, ao mesmo tempo, não lhes confere aptidão sequer para o pagamento dos tributos por ela cobrados. Indica existência de precedentes judiciários em que foi reconhecida a natureza tributária dos referidos empréstimos tributários. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto, Relator. Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, razão por que dele conheço. Mérito É incontroverso nos autos que a controvérsia se cinge a créditos submetidos a compensação decorrem do pagamento, em títulos da dívida pública, do empréstimo compulsório instituído pela Lei n°. 1.474/51, como adicional ao Imposto de Renda, cuja devolução foi disciplinada pelas Leis n°s. 1.628/52 e 2.973/56. O próprio art. 3 daquela Lei assim dispõe: Art. 3º O impôsto de que trata a Lei nº 154, de 25 de novembro de 1947, e regulamentada pelo Decreto nº 24.239, de 22 de dezembro de 1947, nos exercícios de 1952 a 1956, inclusive, será acrescido de um adicional que será calculado sôbre as importâncias devidas pelos contribuintes, a partir, quanto às pessoas físicas, de Cr$ 10.000,00 (dez mil cruzeiros) assim discriminado: (Vide Decreto nº 1.628, de 1952) (Vide RSF nº 38, de 1965). a) 15% (quinze por cento) sôbre o montante do impôsto a pagar; b) 3% (três por cento) sôbre as reservas e lucros em suspenso ou não distribuídos, em poder de pessoas jurídicas, formados ou escriturados a Fl. 410DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L0154.htm https://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/viwTodos/B4200191EC9B6A57032569FA0046EB68?OpenDocument&HIGHLIGHT=1, http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/1950-1969/L1628.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Congresso/ResSF38-65.htm Fl. 4 do Acórdão n.º 1201-003.324 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10768.005391/2007-15 partir do ano base de 1951, inclusive, salvo o fundo de reserva legal e as reservas técnicas das companhias de seguro e de capitalização. § 1º O montante do adicional a que se refere o artigo constituirá fundo especial, com personalidade contábil, e será aplicado na execução do programa de reaparelhamento de portos e ferrovias, aumento da capacidade de armazenamento, frigoríficos e matadouros, elevação do potencial de energia elétrica e desenvolvimento de indústrias básicas e de agricultura. § 2º Os lançamentos relativos às taxas adicionais a que se refere êste artigo serão processados pelas Delegacias Regionais e Seccionais do Impôsto de Renda, que tomarão por base: I - quanto à taxa de 15% (trinta por cento) a que estão sujeitas as pessoas físicas e jurídicas, o impôsto de renda devido em cada um dos exercícios de 1952 a 1956, inclusive; II - quanto à taxa de 15% (quinze por cento) a que estão sujeitos os contribuintes de que tratam os artigos 92, 97 e 98 do Decreto nº 24.239, de 22 de dezembro de 1947, e o 96, incisos 3º a 5º, com as modificações desta lei, o impôsto desta lei, o impôsto a ser recolhido em cada um dos exercícios financeiros de 1952 a 1956, inclusive; III - quanto à taxa de 3% (três por cento) de que trata êste artigo, o valor das reservas e lucros suspensos ou não distribuídos, formados ou escriturados em cada um dos anos, de 1951, inclusive, e constantes das respectivas declarações de rendimento das pessoas jurídicas. § 3º As importâncias provenientes da cobrança do adicional de que trata êste artigo, serão, no decurso do sexto exercício e, após o do respectivo recolhimento, com uma bonificação restituídas em títulos da dívida pública federal, cuja emissão fica o Poder Executivo autorizado a fazer até a importância de Cr$ 10.000.000.000,00 (dez bilhões de cruzeiros). § 4º Uma lei especial regulará a aplicação do fundo a que se refere êste artigo, devendo suspender-se a cobrança dos adicionais referidos se até 1 de julho de 1952 não estiverem aprovados os primeiros projetos, com a colaboração expressa das entidades estrangeiras financiadoras. § 5º Na hipótese de pagamento de pessoas físicas ou jurídicas em quatro prestações do impôsto de renda a contribuição adicional de 15% (quinze por cento) a que se refere êste artigo será cobrada em separado, como quinta prestação. Fl. 411DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1930-1949/D24239.htm#art92 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1930-1949/D24239.htm#art97 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1930-1949/D24239.htm#art97 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1930-1949/D24239.htm#art96.3 Fl. 5 do Acórdão n.º 1201-003.324 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10768.005391/2007-15 § 6º A multa de mora relativa a essa prestação terá a mesma aplicação atribuída ao fundo a que se destina e não será restituída. Em 1952, adveio a Lei n° 1.628, disciplinando a restituição do adicional e criando o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico — BNDE, a quem caberia entre outras atribuições o resgate dos títulos emitidos para devolução dos valores arrecadados a título de adicional ao imposto de renda. De sua parte, o §12 do art. 74 da Lei n. 9.430/96 prescreve que: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) II - em que o crédito: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) c) refira-se a título público; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) Como se vê, correta a r. DRJ quando conclui que: a) não houve pagamento indevido que pudesse ser objeto de pedido de restituição; b) o empréstimo compulsório foi instituído por instrumento idôneo, e os pagamentos foram realizados em conformidade com a legislação vigente; c) a devolução das quantias arrecadadas seria feita mediante a emissão de títulos da dívida pública, denominados Obrigações do Reaparelhamento Econômico; d) o resgate desses títulos não cabia, à época de sua emissão, ao órgão competente pela administração tributária, nem cabe hoje à Receita Federal. Nessa linha, não assiste razão à Recorrente, uma vez que ausentes os pressupostos para a compensação nos termos da legislação de vigência. Isso não bastasse, o Decreto-lei n 263/67 assim dispôs em seu art. 6º: Art. 6º Os titulares de recibos do adicional restituível do impôsto de renda instituído pelas Leis números 1.474, de 26 de novembro de 1951 e 2.973, de 26 de novembro de 1956, poderão utilizá-los como forma de pagamento do impôsto de renda, devido, a partir de exercício de 1968, observada a seguinte escala: (Redação dada pelo Decreto-Lei nº 349, de 1968) Fl. 412DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L11051.htm#art4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L11051.htm#art4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L11051.htm#art4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L11051.htm#art4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/1950-1969/L1474.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/1950-1969/L2973.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/1950-1969/L2973.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/1965-1988/Del0349.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/1965-1988/Del0349.htm#art1 Fl. 6 do Acórdão n.º 1201-003.324 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10768.005391/2007-15 § 1º Aos contribuintes do Impôsto de Renda que recolheram, em 1957, o adicional restituível de que trata êste artigo, nos Estados da Guanabara, Rio de janeiro, Minas Gerais e São Paulo, exclusive a Cidade de São Paulo, capital, fica assegurado a utilização dos respectivos recibos no pagamento do impôsto de renda no exercício de 1968. (Redação dada pelo Decreto-Lei nº 349, de 1968) § 2º Os recibos referentes a recolhimentos do adicional eventualmente processados após 1964 poderão ser utilizados na forma dêste artigo, após o transcurso de prazo idêntico ao da escala acima. § 3º Na eventualidade de o titular do recibo, ou seus herdeiros ou sucessores, não mais estarem obrigados a apresentação de declaração de rendimentos poderão, dentro dos prazos estabelecido nestes artigo, ceder os seus direitos a terceiros, ou requerer a devolução isolada da importância ao Ministério da Fazenda. § 4º A não utilização dos recibos na forma e nos prazos previstos neste artigo importará em prescrição do direito de restituição do adicional. (Regulamento) § 5º Fica revogado o § 6º do artigo 15, da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964, assegurando-se aos que se valerem das disposições nêle referidas os benefícios dêste artigo, desde que expressa a irrevogàvelmente desistam da opção mencionada no referido parágrafo. Como se percebe, além de no mérito não lhe socorrer o melhor direito, ainda haveria a intransponível prescrição corretamente reconhecida pela r. DRJ, por se tratar de norma de ordem pública conhecível de ofício. Por fim, cumpre ressaltar que a ação movida pela Recorrente no judiciário se adstringiu a determinar que sua manifestação de inconformidade fosse devidamente processada e julgada, conforme se extrai do Recurso Voluntário: Fl. 413DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/1965-1988/Del0349.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/1965-1988/Del0349.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/1965-1988/Del1013.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L4506.htm#art15%C2%A76 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L4506.htm#art15%C2%A76 Fl. 7 do Acórdão n.º 1201-003.324 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10768.005391/2007-15 Caso se tratasse de mérito, o presente recurso esbarraria na conhecida Súmula Carf n 1: Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Acórdãos Precedentes: Acórdão nº 101-93877, de 20/06/2002 Acórdão nº 103-21884, de 16/03/2005 Acórdão nº 105-14637, de 12/07/2004 Acórdão nº 107-06963, de 30/01/2003 Acórdão nº 108-07742, de 18/03/2004 Acórdão nº 201- 77430, de 29/01/2004 Acórdão nº 201-77706, de 06/07/2004 Acórdão nº 202-15883, de 20/10/2004 Acórdão nº 201-78277, de 15/03/2005 Acórdão nº 201-78612, de 10/08/2005 Acórdão nº 303-30029, de 07/11/2001 Acórdão nº 301-31241, de 16/06/2004 Acórdão nº 302-36429, de 19/10/2004 Acórdão nº 303-31801, de 26/01/2005 Acórdão nº 301-31875, de 15/06/2005 Fl. 414DF CARF MF http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf Fl. 8 do Acórdão n.º 1201-003.324 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10768.005391/2007-15 Nessa toada, estabelecida em lei a natureza jurídica das Obrigações do Reaparelhamento Econômico como de títulos federais públicos, não há como em âmbito administrativo afastar a previsão legal sem violar a Súmula CARF n. 2: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Acórdãos Precedentes: Acórdão nº 101-94876, de 25/02/2005 Acórdão nº 103-21568, de 18/03/2004 Acórdão nº 105-14586, de 11/08/2004 Acórdão nº 108-06035, de 14/03/2000 Acórdão nº 102-46146, de 15/10/2003 Acórdão nº 203- 09298, de 05/11/2003 Acórdão nº 201-77691, de 16/06/2004 Acórdão nº 202-15674, de 06/07/2004 Acórdão nº 201-78180, de 27/01/2005 Acórdão nº 204-00115, de 17/05/2005 Ante o exposto, voto por conhecer, e, no mérito, NEGAR provimento ao Recurso Voluntário interposto. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto – Relator Fl. 415DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.728718/2014-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/06/2011 a 31/12/2011
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. DECISÃO CONTRADITÓRIA.
As alegações de contradições existentes em Decisão, provocadas pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidas como embargos de declaração para correção, mediante a prolação de um novo acórdão.
RECURSO DE OFÍCIO. CONHECIMENTO. GFIP. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DÉBITO CONFESSADO EM GFIP.
Recurso de ofício conhecido por limite de alçada. Incabível o lançamento de crédito tributário já confessado em GFIP, a qual sendo instrumento de confissão de dívida permite a imediata inscrição em DAU das contribuições declaradas que não tenham sido recolhidas ou parceladas no prazo estipulado na legislação.
Numero da decisão: 2202-005.806
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os embargos de declaração com efeitos infringentes, para alterar a decisão embargada no sentido de negar provimento ao recurso de ofício, vencidos os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles e Mário Hermes Soares Campos, que deram provimento ao recurso de ofício.
(documento assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ricardo Chiavegatto de Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Mário Hermes Soares Campos, Leonam Rocha de Medeiros, Juliano Fernandes Ayres e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: RICARDO CHIAVEGATTO DE LIMA
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2011 a 31/12/2011 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. DECISÃO CONTRADITÓRIA. As alegações de contradições existentes em Decisão, provocadas pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidas como embargos de declaração para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. RECURSO DE OFÍCIO. CONHECIMENTO. GFIP. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DÉBITO CONFESSADO EM GFIP. Recurso de ofício conhecido por limite de alçada. Incabível o lançamento de crédito tributário já confessado em GFIP, a qual sendo instrumento de confissão de dívida permite a imediata inscrição em DAU das contribuições declaradas que não tenham sido recolhidas ou parceladas no prazo estipulado na legislação.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2011 a 31/12/2011 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. DECISÃO CONTRADITÓRIA. As alegações de contradições existentes em Decisão, provocadas pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidas como embargos de declaração para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. RECURSO DE OFÍCIO. CONHECIMENTO. GFIP. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DÉBITO CONFESSADO EM GFIP. Recurso de ofício conhecido por limite de alçada. Incabível o lançamento de crédito tributário já confessado em GFIP, a qual sendo instrumento de confissão de dívida permite a imediata inscrição em DAU das contribuições declaradas que não tenham sido recolhidas ou parceladas no prazo estipulado na legislação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os embargos de declaração com efeitos infringentes, para alterar a decisão embargada no sentido de negar provimento ao recurso de ofício, vencidos os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles e Mário Hermes Soares Campos, que deram provimento ao recurso de ofício. (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Mário Hermes Soares Campos, Leonam Rocha de Medeiros, Juliano Fernandes Ayres e Ronnie Soares Anderson. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 87 18 /2 01 4- 41 Fl. 253DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-005.806 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.728718/2014-41 Tratam-se de Embargos de Declaração (e-fls. 217/219) interpostos nos autos do processo nº 11080.728718/2014-41 pelo Delegado da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC, em face do acórdão nº 2202-004.375, julgado por esta 2ª Turma Ordinária, da 2ª Câmara, da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em sessão realizada em 09 de maio de 2018, no qual os membros do colegiado entenderam, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso de ofício interposto. Em razão de vislumbrar contradição contida no Acórdão, o i. Delegado interpôs embargos de Declaração, com fundamento no art. 65 do Anexo II do RICARF. Já em Despacho de Admissibilidade, (e-fls. 224/228) foi assim relatado pela Presidência desta 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2º Seção de Julgamento: Trata-se de Embargos de Declaração (efls. 217 a 219) opostos pelo Delegado da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC em face do Acórdão nº 2202-004.375, proferido em sessão plenária de 09/05/2018, pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (efls. 200 a 206) , assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2011 a 31/12/2011 COMPENSAÇÃO. GFIP. GLOSA DOS VALORES COMPENSADOS. Considerada indevida a compensação de contribuições previdenciárias informada em GFIP, e consistindo esta em instrumento de confissão de dívida, proceder-se-á à imediata inscrição em DAU das contribuições declaradas que não tenham sido recolhidas ou parceladas no prazo estipulado na legislação. No caso de insurgência do sujeito passivo contra a decisão de considerar a compensação indevida, segue-se o rito processual previsto no Decreto nº 70.235, de 1972, com esteio das disposições expressas do já reproduzido § 11 do art. 89 da Lei nº 8.212, de 1991, que confere tal rito à restituição das contribuições de que se trata. A decisão foi registrada nos seguintes termos: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso de ofício, para os autos retornarem à primeira instância para apreciação da impugnação. Da Legitimidade do Embargantes Nos termos do art. 65, § 1º , inciso IV, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF), são legitimados a opor embargos de declaração os "Delegados de Julgamento, nos casos de nulidade de decisões da delegacia da qual é titular". Da Tempestividade O processo foi movimentado para a DRJ/Florianópolis em 06/07/2018, e os Embargos de Declaração (efls. 217 a 219) apresentados tempestivamente em 10/07/2018. Da Análise Alega o embargante que o acórdão proferido incorre em contradição entre a decisão e seus fundamentos, uma vez que a relatora afirma voto que " a situação dos autos é hipótese de lançamento de ofício", todavia a fundamentação no voto condutor iria em sentido oposto, sustentando que, na hipótese de compensação indevida pleiteada pelo contribuinte em GFIP " deve-se proceder à imediata inscrição dos débitos em Dívida Ativa da União". É o breve relato. O Presidente da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2º Seção de Julgamento admitiu os embargos de declaração, de acordo com a seguinte fundamentação: Admissibilidade dos Embargos de Declaração Fl. 254DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-005.806 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.728718/2014-41 O RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, no seu artigo 65, prevê a possibilidade dos embargos declaratórios sempre que o acórdão contenha omissão, obscuridade ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, a saber: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma. Do dispositivo transcrito observa-se que os embargos de declaração são cabíveis apenas nas hipóteses em que ocorra na decisão atacada as seguintes hipóteses: a) omissão no enfrentamento de ponto que a turma deveria se pronunciar; b) obscuridade, que se caracteriza pela impossibilidade de se compreender o raciocínio desenvolvido para fundamentar a decisão e/ou o que efetivamente restou decidido pelo órgão de julgamento; e c) contradição entre a decisão e os seus fundamentos. Feitas essas considerações, passamos à necessária apreciação. Da contradição Em suas razões o embargante sustenta que o acórdão contém contradição entre a conclusão e seus fundamentos nos seguintes termos: No instância superior, o Recurso de Ofício foi provido pela E. 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção, também por unanimidade de votos, restando determinado que os autos retornassem à primeira instância para apreciação da Impugnação, nos termos do Acórdão nº 2402-004.375, de 9 de maio de 2018 (fls. 200 a 203), ora embargado. Para esclarecer as razões do provimento do Recurso de Ofício, em seu Voto, a eminente Conselheira Relatora afirma estar incorreta a conclusão da decisão recorrida, pois, segundo seu entendimento, "a situação dos autos é hipótese de lançamento de ofício". Ainda segundo a eminente Conselheira, no presente caso, "justifica-se o lançamento de ofício [dos débitos informados em GFIP] exatamente porque o (sic) valores declarados como créditos não poderiam ser utilizados para compensação". Portanto, de acordo com a conclusão que amparou o provimento do Recurso de Ofício, devem ser lançados de ofício os débitos informados em GFIP, na hipótese de serem indevidos os créditos utilizados para compensá-los. Ocorre que, para fins de fundamentar essa conclusão, o Voto condutor do Acórdão embargado vai em sentido diametralmente oposto, sustentando expressamente que, na hipótese de ser indevida a compensação pleiteada pelo contribuinte em GFIP, deve-se proceder à imediata inscrição dos débitos em Dívida Ativa da União, conforme resta evidente nos excertos da Solução de Consulta Interna Cosit nº 3, de 2013, reproduzidos pela Conselheira Relatora para fundamentar seu Voto: A partir de uma análise comparativa entre a ementa e o voto condutor do Acórdão embargado, entendo que assiste razão ao Embargante. Vejamos. EMENTA Considerada indevida a compensação de contribuições previdenciárias informada em GFIP, e consistindo esta em instrumento de confissão de dívida, proceder-se-á à imediata inscrição em DAU das contribuições declaradas que não tenham sido recolhidas ou parceladas no prazo estipulado na legislação. (Grifamos) TRECHO DO VOTO DA RELATORA Entendo incorretas as alegações da decisão recorrida. Isso porque, conforme será demonstrado, a própria solução de consulta utilizada como fundamento da decisão demonstra que a situação dos autos é hipótese de lançamento de ofício. Com efeito, a GFIP é instrumento hábil e suficiente à constituição do crédito tributário. Sendo assim, se o contribuinte declara em GFIP que deve o valor de X à título de contribuições previdenciárias e não efetua o pagamento dos valores declarados, a Receita Federal, desde que concorde com os referidos valores está dispensada de fazer o lançamento, uma vez que a declaração possui os mesmos efeitos de uma confissão de dívida. Fl. 255DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-005.806 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.728718/2014-41 Todavia, qual o teor da declaração prestada pelo contribuinte na hipótese dos autos? O que foi "confessado"? O contribuinte declarou que possuía créditos decorrente de recolhimentos efetuados à título de 1/3 de férias, férias indenizadas e verbas indenizatórias. Todavia, tais valores estavam pendentes de decisão transitada em julgada à época do lançamento, motivo pelo qual a compensação foi glosada. Em outras palavras justifica-se o lançamento de ofício exatamente porque o valores declarados como créditos não poderiam ser utilizados para compensação. Nesse caso, a própria Solução de Consulta utilizada como fundamento da decisão deixa claro que deverá ser efetuado o lançamento de ofício, conforme se verifica pelos trechos transcritos abaixo: 16. Isto posto, adentrando no questionamento apresentado quanto aos procedimentos a serem adotados na análise da compensação de contribuições previdenciárias informada em GFIP, no caso de ser a compensação considerada indevida, pode a autoridade fiscal, por ocasião de auditoria interna dos valores nela informados (inseridos em campo próprio do SEFIP versão 8.4), glosá-los total ou parcialmente, sem prejuízo da manutenção dos débitos confessados. 16.1. Assim, o procedimento adotado é semelhante ao da análise da DCTF, ou seja, considerada indevida a compensação de contribuições previdenciárias informada em GFIP, e consistindo esta em instrumento de confissão de dívida, proceder-se-á à imediata inscrição em DAU das contribuições declaradas que não tenham sido recolhidas ou parceladas no prazo estipulado na legislação. 17. No caso de insurgência do sujeito passivo contra a decisão de considerar a compensação indevida, segue-se o rito processual previsto no Decreto nº 70.235, de 1972, com esteio nas disposições expressas do já reproduzido § 11 do art. 89 da Lei nº 8.212, de 1991, que confere tal rito à restituição das contribuições de que se trata. (...) 18. Neste ponto, cumpre esclarecer que a vedação imposta pelo parágrafo único do art. 26 da Lei nº 11.457, de 2007, relativa à não aplicação do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 (compensação declarada em DComp e sujeição ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 1972), à compensação de contribuições previdenciárias, foi superada pelas disposições do § 11 do art. 89 da Lei nº 8.212, de 1991, incluído pela MP nº 449, de 3 de dezembro de 2008, que estipula o emprego daquele rito aos processos de restituição das exações em tela. Conforme já explicitado, não faria sentido dispensar tratamento diverso ao contencioso decorrente de compensação em GFIP tida por indevida. ... No caso de ser a compensação de contribuições previdenciárias através da GFIP considerada indevida, pode a autoridade fiscal, por ocasião de auditoria interna dos valores nela informados, glosá-los total ou parcialmente, sem prejuízo da manutenção dos débitos confessados. Verifica-se que na ementa constou expressamente que, havendo compensação indevida informada em GFIP há possibilidade de imediata inscrição em DAU dos valores declarados, todavia no seu voto a relatora primeiro diz que "a situação dos autos é de lançamento de ofício" e ao final conclui, com base na SCI COSIT nº 3/2013 que "No caso de ser a compensação de contribuições previdenciárias através da GFIP considerada indevida, pode a autoridade fiscal, por ocasião de auditoria interna dos valores nela informados, glosá-los total ou parcialmente, sem prejuízo da manutenção dos débitos confessados". Conclusão Pelo exposto, com fundamento no art. 65, do Anexo II do RICARF, acolho os embargos de declaração, para que seja sanada a contradição apontada. Encaminhe-se o processo para a conselheira relatora Júnia Roberta Gouveia Sampaio, para inclusão em pauta de julgamento. Assim, os Embargos de Declaração foram acolhidos, com proposta de saneamento da contradição apontada, com distribuição inicialmente à relatoria original, a qual deixou a composição da Turma antes da reapreciação, com distribuição sucessiva a nova relatoria, que também deixou a composição da Turma antes da apreciação do feito, para finalmente ser distribuído a este Conselheiro. É o relatório. Fl. 256DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2202-005.806 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.728718/2014-41 Voto Conselheiro Ricardo Chiavegatto de Lima, Relator. Os embargos de declaração preenchem os requisitos de admissibilidade, portanto, devem ser conhecidos. Compulsando os autos sob apreciação, notadamente o Acórdão de Recurso de Ofício de e-fls. 200/205, sob a luz dos embargos interpostos pelo interessado de e-fls. 217/219, com a motivação desta apreciação advindo do acolhimento dos citados embargos pelo Despacho de Admissibilidade de Embargos do Delegado da DRJ, proferido pela Presidência desta Segunda Turma Ordinária, de e-fls. 224/228, de cuja admissibilidade comungo, constata-se que realmente o Acórdão Embargado resultou em decisão contraditória. Um destaque preliminar seja feito, uma vez que também silente o Acórdão embargado neste sentido: deve ser conhecido o Recurso de Ofício interposto face à Decisão de Primeira Instância, tendo em vista o disposto no Artigo 1 o. da Portaria MF n o. 63/2017, combinado com a Súmula CARF n o. 103, abaixo transcritos: Portaria MF n o. 63/2017: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Súmula CARF n o. 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Da reanálise dos autos, fica patente que a i. Conselheira Relatora, ao mesmo tempo que considera justificável o lançamento de ofício dos débitos informados em GFIP, porque os valores declarados como créditos não poderiam ser utilizados para compensação, seu Voto condutor foi fundamentado no sentido oposto, sustentando expressamente que, na hipótese de ser indevida a compensação pleiteada pelo contribuinte em GFIP, deve-se proceder à imediata inscrição dos débitos em Dívida Ativa da União – DAU (conforme Solução de Consulta Interna Cosit nº 3, de 2013, reproduzidos pela mesma Conselheira). Tal contradição apresenta-se também na Ementa do Acordão embargado, conforme acima já reproduzido no Relatório. Ainda do Voto do Acórdão Embarcado, assaz elucidativa a transcrição do seguinte excerto, que aponta, s.m.j., qual é o ponto fulcral que trouxe a contradição à baila da Decisão: (...) A decisão recorrida concluiu pela prejudicialidade da impugnação apresentada, uma vez que, nos termos da Consulta Interna Cosit nº 3, de 05 de fevereiro de 2013, os valores declarados em GFIP dispensam a constituição do crédito tributário, uma vez que esta constitui instrumento hábil e suficiente para exigência do crédito tributário: É dizer, dado que o crédito tributário sob apreço já fora constituído por meio da GFIP, o presente lançamento, além de incorrer em evidente duplicidade, não condiz com o regramento jurídico que, disciplinando os casos de compensação indevida informada por meio da citada guia, determina a imediata inscrição do débito nela confessado em Dívida Ativa da União, em caso de não pagamento no prazo estipulado na legislação de regência. Fl. 257DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2202-005.806 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.728718/2014-41 Entendo incorretas as alegações da decisão recorrida. Isso porque, conforme será demonstrado, a própria solução de consulta utilizada como fundamento da decisão demonstra que a situação dos autos é hipótese de lançamento de ofício. Ou seja, enquanto a DRJ claramente aponta ser incabível a formalização, por meio de lançamento, de crédito tributário já confessado em GFIP, e que tal procedimento não é condizente com as normas vigentes, o Acórdão Embargado tergiversa entre ser justificável o lançamento de ofício dos débitos informados em GFIP, ou sua imediata inscrição dos débitos em DAU. Dessa forma, para dirimir a contradição evidenciada, externo que comungo do entendimento emanado pela primeira instância no sentido de que o lançamento não deve prosperar, uma vez que “a constituição do crédito tributário exigido já foi feita por meio da declaração dos débitos compensados na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a teor da decisão prolatada em sede da Solução de Consulta Interna Cosit n.º 3, de 5 de fevereiro de 2013,...”. Caso mantido, como já constituído por meio da GFIP, haveria evidente duplicidade, e eventual compensação indevida informada por meio de GFIP, denota na imediata inscrição do débito nela confessado em Dívida Ativa da União, em caso de não pagamento no prazo estipulado. Diante de tais constatações, evidencia-se que na correta apreciação dos autos sob a luz dos embargos interpostos, deve ser reconhecida razão ao embargante, uma vez que deve ser sanada a contradição e apontado o devido encaminhamento do voto, no sentido de ser negado provimento ao Recurso de Ofício interposto face à Decisão da DRJ. Enriquecedora, neste momento, a citação da Súmula no. 436 do STJ, que possui entre seus precedentes, o ilustrativo REsp 1101728 SP. A citada Súmula prescreve que “A entrega de declaração pelo contribuinte reconhecendo débito fiscal constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do fisco”. Conclui-se então que deve ser revista a decisão embargada por ter sido emanada com decisão contraditória. Conclui-se ainda que deve ser reformado o encaminhamento do Voto do Acórdão de Recurso de Ofício no sentido de, uma vez que a constituição do crédito tributário exigido já foi feita por meio da GFIP, o lançamento não deve prosperar, e deve ser negado provimento ao Recurso de Ofício. Quanto à revisão da Ementa, deve ser incluído “Recurso de Ofício negado”. Dispositivo Ante o exposto, voto por acolher os embargos de declaração com efeitos infringentes, para alterar a decisão embargada no sentido de negar provimento ao recurso de ofício. (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima Fl. 258DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2202-005.806 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.728718/2014-41 Fl. 259DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10240.720154/2007-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR
Exercício: 2003
ITR. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. ENTREGA A DESPEMPO ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE.
A obrigatoriedade de apresentação do ADA como condição para o gozo da redução do ITR no caso de área de preservação permanente, teve vigência a partir do exercício de 2001, em vista de ter sido instituída pelo art. 170 da Lei no 6.938/81, na redação do art. 1º da Lei no 10.165/2000. Verificada a apresentação desse ato, embora a destempo, e não tendo sido feita qualquer contestação pelo órgão ambiental, há que considerá-lo válido para os efeitos
pretendidos (Inteligência do art. 138 do CTN). Ressalte-se
que a posição majoritária desta Primeira Turma Ordinária é no sentido de não exigir o ADA para fins de exclusão das áreas preservacionistas.
ITR. DO VALOR DA TERRA NUA.
A fiscalização, em procedimento de ofício, apurou o Valor da Terra Nua, conforme dispõe o art. 14 da Lei 9.393/96. No Recurso Voluntário a contribuinte não se insurge contra o arbitramento do VTN perpetrado pela autoridade fiscal.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Numero da decisão: 2201-001.445
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria dar parcial provimento ao recurso para excluir da exigência 10.235,0 ha, relativa à área de preservação permanente. Vencidos os conselheiros Rayana Alves de Oliveira França e Rodrigo Santos Masset Lacombe.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. ENTREGA A DESPEMPO ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. A obrigatoriedade de apresentação do ADA como condição para o gozo da redução do ITR no caso de área de preservação permanente, teve vigência a partir do exercício de 2001, em vista de ter sido instituída pelo art. 170 da Lei no 6.938/81, na redação do art. 1º da Lei no 10.165/2000. Verificada a apresentação desse ato, embora a destempo, e não tendo sido feita qualquer contestação pelo órgão ambiental, há que considerálo válido para os efeitos pretendidos (Inteligência do art. 138 do CTN). Ressaltese que a posição majoritária desta Primeira Turma Ordinária é no sentido de não exigir o ADA para fins de exclusão das áreas preservacionistas. ITR. DO VALOR DA TERRA NUA. A fiscalização, em procedimento de ofício, apurou o Valor da Terra Nua, conforme dispõe o art. 14 da Lei 9.393/96. No Recurso Voluntário a contribuinte não se insurge contra o arbitramento do VTN perpetrado pela autoridade fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria dar parcial provimento ao recurso para excluir da exigência 10.235,0 ha, relativa à área de preservação permanente. Vencidos os conselheiros Rayana Alves de Oliveira França e Rodrigo Santos Masset Lacombe. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por MARILDE CURSINO DE OLIVEIRA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator Assinado Digitalmente Francisco Assis de Oliveira Júnior – Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, exercício 2003, consubstanciado na Notificação de Lançamento (fls. 39/42), pela qual se exige o pagamento do crédito tributário no valor total de R$ 706.740,24, calculado até 28/09/2007, relativo ao imóvel rural denominado “Gleba Campinas”, localizado no município de Porto Velho/RO. A fiscalização glosou integralmente a área informada como sendo de preservação permanente (10.235,0 ha), além de alterar o VTN declarado de R$ 582.804,00 para R$ 4.427.687,52, com base no SIPT. Cientificada do lançamento, a interessada apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, que: "data vênia", a notificação de lançamento não pode prosperar, por ser ilegal, arbitrária e inconstitucional, devendo ser desconstituída, por representar confisco da propriedade da empresa; ∙ ressalta, que o imóvel está encravado em área de interesse ecológico, assim declarada por Lei Complementar n° 52/91, do Estado de Rondônia, lei que instituiu o Zoneamento Socioeconômico e Ecológico do Estado de Rondônia; ∙ não há lei que condicione apresentação de ADA, para isentar as áreas de interesse ecológico; ∙ essas áreas existem independentemente de reconhecimento do IBAMA, ou de qualquer outro órgão, pois o zoneamento foi instituído por lei, independendo assim de qualquer outro ato administrativo para concretizálo, pois a lei é um ato jurídico administrativo perfeito; ∙ esse fato está claramente demonstrado e se comprova através da Certidão da SEDAM, que não deixa duvidas em relação à existência das áreas de preservação permanente e de utilização limitada, bem coma das áreas de reserva legal, que se encontra devidamente preservada; ∙ não há razoabilidade ignorar esse fato, ignorando a realidade da propriedade que está obrigada por lei a preservada as áreas de interesse ecológico, e as áreas de reserva legal, estabelecida Fl. 150DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por MARILDE CURSINO DE OLIVEIRA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10240.720154/200727 Acórdão n.º 220101.445 S2C2T1 Fl. 2 3 na legislação, e sendo proibido seu desmatamento e utilização independentemente de averbação, ou seja, decorre da lei; ∙ o lançamento do ITR/2004 (sic), lançado de ofício pelo auditor fiscal é ilegal, devendo ser desconstituído pela DRJ e transcreve o art. 10 § 1º da Lei nº 9.393/96 e afirma que o imóvel da contribuinte está encravado em áreas de restrições ambientais conforme costa da certidão da SEDAM, e a sua reserva legal esta averbada e preservada, portanto é totalmente ilegal a decisão da DRJ, bem como o lançamento feito de ofício pelo auditor fiscal; ∙ é ilegal o Auto de Infração ora impugnado, pois não há lei que autorize lançamento de imposto sobre áreas de reserva legal de preservação permanente e de reservas criadas por lei estadual, sobe o pretexto de não apresentação da ADA; ∙ ressalta que a Administração Pública está limitada ao princípio da legalidade, ou seja, só pode fazer o que a lei manda e transcreve o artigo 150, inciso I, da Constituição federal e conclui que esta sendo violado o princípio da estrita legalidade tributária; ∙ informa que a Empresa ora impugnante, apresentou sua declaração de ITR, com base na lei 9.393/96, substituta da Lei 8.847/97 já revogada, que estabelece isenção ITR, para os imóveis que se encontram localizados em áreas declaradas de interesse ecológico; ∙ o imóvel objeto do presente está inserido nas zonas 5 e 3 do Zoneamento Socioeconômico e Ecológico de Rondônia, nos termos da Lei Complementar 52/91, e da lei 233/2000 e transcreve o Artigo 2o alínea "a", inciso IV, da referida Lei Complementar 52/2000 para concluir que a Lei Complementar 52/91, não deixa dúvidas em relação à restrição ambiental em relação ao imóvel objeto do presente. As atividades que seu proprietário poderá desempenhar não poderão alterar significativamente o meio físico, ou seja, a sua floresta não poderá ser suprimida para implantação de atividades agrícolas ou pecuárias; ∙ toda restrição de uso do imóvel decorre do interesse ecológico declarado pelo Estado, através da Lei Complementar 52/91, que transformou o imóvel numa área de restrições ambientais para proteção do ecossistema; ∙ os dispositivos legais supracitados são autoexplicativos e não comportam interpretações, pois são claras as restrições estabelecidas na legislação estadual, que restringe a exploração da propriedade do Contribuinte ora impugnante nas mesmas restrições da reserva legal; ∙ via de conseqüência, a isenção do ITR de imóveis na situação do ora impugnante já foi decidido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Manaus AM, tendo se pronunciado favoravelmente e cita tal decisão; Fl. 151DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por MARILDE CURSINO DE OLIVEIRA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 4 ∙ enfatiza que a Lei 9.393/96, aplicável ao caso ora em apreço, repetiu em sua integralidade o texto da Lei 8.847/94 em vigor à época do julgamento mencionado; ∙ reafirma que a isenção do imposto sobre o imóvel da impugnante esta amparada pela Lei Complementar n° 52/91 do Estado de Rondônia que restringiu o uso do imóvel, sua totalidade em área de interesse ecológico, conforme está comprovado através da inclusa certidão da SECRETARIA DE ESTADO DO DESENVOLVIMENTO AMBIENTAL SEDAM, e essa isenção não está condicionada a apresentação de ADA, ou qualquer outro ato do contribuinte; ∙ não obstante a lei ter incluído o imóvel em área de interesse ecológico, ampliou as restrições de uso da propriedade para proteção dos ecossistemas visando proteger o meio ambiente, restrições que nos termos da lei 9 393/96 isentam referido imóvel do imposto respectivo; ∙ mostra a posição do Superior Tribunal de Justiça em relação ao assunto da (sic) ADA e conclui que não tem aparo legal à exigência da SRF, para obrigar a empresa impugnante apresentar o Ato Declaratório Ambiental junto ao IBAMA; ∙ insiste na afirmação de que o imóvel objeto do presente está inserido nas Zonas 3 e 5 nos termos da Lei mencionada, da primeira aproximação do Zoneamento Socioeconômico e Ecológico de Rondônia, nos termos da Lei 233/2000 que ampliam as restrições ambientais de uso da propriedade em relação a Lei Federal n° 4771 de 15 de setembro de 1965, alterado pela MP. 216666 de 26/07/2001, restrições as quais geram a isenção nos termos da Lei 9393/96; ∙ as áreas de interesse ecológico declarado por ato do poder público são isentas do ITR, nos termos da Lei 9.393/96, a Lei Complementar 233/2000. As normas suprareferenciadas são atos do Poder Público que delimitou a área do imóvel ora em questão de interesse ecológico, em sua integralidade, por essa razão, o imóvel está enquadrada na isenção do Artigo 10, § 1o inciso II letra b da Lei 9.393/96; ∙ a apuração do valor do imposto feito no Auto de infração foi feito de forma irregular, ou seja, considerou o valor total do imóvel como se fosse valor de terra nua; ∙ a apuração do valor do ITR deverá ser feita nos termos do Artigo 10 Parágrafo 1o, e seus incisos e alíneas da lei 9393/96, onde deverão ser excluídos os valores referentes a benfeitorias, construções instalações, pastagens, e as áreas de interesse ecológico e a área de preservação permanente e área de reserva legal e transcreve o dispositivo legal mencionado; ∙ destaca que na Amazônia legal, 80% da área de uma propriedade rural é reserva legal nos termos da Medida Provisória 216667 de 24/08/2001, e sobre reserva legal não há incidência de ITR, nos termos do Artigo 10 Parágrafo 1o inciso II, alínea "a"; Fl. 152DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por MARILDE CURSINO DE OLIVEIRA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10240.720154/200727 Acórdão n.º 220101.445 S2C2T1 Fl. 3 5 ∙ a apuração do ITR deverá ser feita de acordo com a lei, ou seja, não poderá incidir sobre área de reserva legal, de interesse ecológico, sobre as benfeitorias implantadas no imóvel, sobre pena de estar infringindo os dispositivos legais acima relacionados, e caracterizando confisco da propriedade privada que é proibido pela Constituição Federal; ∙ não poderá ser considerando o valor total do imóvel, como se fosse valor da terra nua, como foi utilizado; ∙ alíquota de vinte por cento de ITR sobre um imóvel caracteriza um verdadeiro confisco da propriedade privada; ∙ a alíquota utilizada pelo Auditor fiscal para o lançamento ex oficio do ITR/2003 sobre o imóvel do recorrente, foi de vinte por cento, e ainda considerou todo o imóvel como se fosse integralmente tributado, como reserva legal, áreas de preservação permanente, e benfeitorias; ∙ diz que vinte por cento de imposto anual incidindo sobre uma propriedade, significa que em cinco anos o proprietário perderia a propriedade para o Estado e conclui que a SRF está utilizando lançamento de ITR com a finalidade de confiscar o imóvel objeto do auto de infração impugnado; ∙ diz que a Constituição Federal proíbe o confisco da propriedade privado (sic) através de lançamento de imposto e transcreve o seu inciso IV do artigo 150; ∙ o lançamento do ITR/2003 sobre o imóvel, além de ferir o principio constitucional da proibição de confisco, fere também o princípio do direito de propriedade, consagrado na Carta Magna de 1988 e transcreve os incisos XXII, e XXIV da CF/88; ∙ a exigência de apresentação do ADA caracteriza obrigação acessória, e a falta de cumprimento de obrigação acessória não pode gerar tributo, na realidade não há regulamentação legal de apresentação de ADA. A SRF está regulado a matéria através de instrução normativa, o que não obriga o contribuinte; ∙ ressalta, que tributo só poderá ser criado por lei, nos termos prescritos artigo 150, inciso I da CF, instrução normativa, portarias, ou qualquer outro ato normativo não poderá criar tributos; ∙ em matéria de direito tributário, o estado está obrigado a obedecer ao principio da estrita legalidade, e da literalidade da lei, não podendo fazer interpretações para criar tributos; ∙ a realidade do imóvel restringe em muito seu valor em relação a imóveis que não possuem tais restrições; ∙ o imóvel está localizado numa região muito distante do Município de Porto Velho, e os imóveis distantes possuem um preço menor dos localizados próximo da sede do município; Fl. 153DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por MARILDE CURSINO DE OLIVEIRA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 6 ∙ não existe acesso ao imóvel através de estradas, pois o mesmo está isolado por estar a esquerda do Rio Madeira, não possuído (sic) acesso rodoviário, não existe ponte sobre o rio para dar acesso ao imóvel; ∙ finalmente, requer que seja desconstituído o Auto de Infração, que lançou exofício o ITR/2003 sobre a imóvel de Código n° 3.844.3520 de propriedade da empresa impugnante e que seja considerada a declaração do ITR 2003 apresentada pelo contribuinte, nos seu inteiro teor. A 1ª Turma da DRJ em Brasília/DF julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. As áreas de preservação permanente, para fins de exclusão do ITR, cabem ser reconhecidas como de interesse ambiental pelo IBAMA ou, pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do competente ADA. DO VALOR DA TERRA NUA SUBAVALIAÇÃO. Nos termos da legislação de regência, os valores constantes do SIPT cabem ser considerados para efeito de verificação da hipótese de subavaliação e para fins de arbitramento de novo VTN. Para revisão do VTN arbitrado pela fiscalização com base no VTN/ha médio apontado no SIPT, exigese a apresentação de laudo técnico de avaliação, elaborado por profissional habilitado, com ART devidamente anotada no CREA, em consonância com as normas da ABNT, demonstrando, de maneira convincente, o valor fundiário do imóvel, a preços da época do fato gerador do imposto, no caso, 1º/01/2003, bem como a existência de características particulares desfavoráveis que justifiquem o valor pretendido. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada da decisão de primeira instância em 11/11/2009 (fl. 116), a autuada apresenta Recurso Voluntário em 04/12/2009 (fls. 118 e seguintes), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Segundo se colhe dos autos a autoridade fiscal glosou integralmente a área de 10.235,0 ha informada pela recorrente como sendo de preservação permanente, tendo em Fl. 154DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por MARILDE CURSINO DE OLIVEIRA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10240.720154/200727 Acórdão n.º 220101.445 S2C2T1 Fl. 4 7 vista a apresentação intempestiva do Ato Declaratório Ambiental ADA. Ato continuo, efetuou a fiscalização, em face da subavaliação do imóvel rural denominado “Gleba Campinas”, o arbitramento do VTN – Valor da Terra Nua declarado de R$ 582.804,00 (17,08 ha) para R$ 4.427.687,52 (129, 77/ha), com base no SIPT Sistema de Preços de Terra. Pois bem, em relação à primeira exigência cingese a discussão em saber se a apresentação tempestiva do ADA é elemento essencial e indispensável para exclusão da área de preservação permanente da tributação do ITR. Conforme determina o artigo 10 da Lei n° 9.393/1996, o sujeito passivo poderá suprimir da base de cálculo da apuração do ITR a área de preservação permanente: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; (...) A exigência da apresentação do ADA, para fins de exclusão da área de preservação permanente, somente se faz valer para o ITR a partir do exercício de 2001, quando a Lei nº 6.938, de 31/01/1981, com a nova redação dada pela Lei n° 10.165, de 27/12/2000, assim o exigiu em seu art. 170: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. (NR) § 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA. (AC) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (NR) (grifei) (...) Pelo que se vê, para a exclusão da tributação sobre a área de preservação permanente, além da existência dessas áreas, é necessário o reconhecimento específico pelo Ibama ou órgão estadual competente, mediante Ato Declaratório Ambiental ADA. Com efeito, a Portaria Ibama nº 162, de 1997, estabelece: Fl. 155DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por MARILDE CURSINO DE OLIVEIRA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 8 Art. 1º O Ato Declaratório Ambiental ADA representa o cadastro indispensável ao reconhecimento das áreas de preservação permanente e de utilização limitada para fins de isenção do Imposto Territorial Rural ITR. Notase que a Portaria Ibama n° 162, condiciona a entrega do ADA ao reconhecimento das áreas de preservação permanente para fins de isenção do Imposto Territorial Rural ITR. Quanto à data da entrega do ADA considerado o art. 10, § 4º, inciso II, da IN/SRF nº 043/97, com redação dada pelo art. 1º da Instrução Normativa SRF nº 67/97, e, especificamente, o parágrafo 3º do art. 9º da IN/SRF nº 256/2002, o prazo para a protocolização, junto ao IBAMA/órgão conveniado, do requerimento do Ato Declaratório Ambiental ADA expirou em 31 de março de 2004, ou seja, seis meses após o prazo final para a entrega da DITR/2003, até 30/09/2003, de acordo com a IN/SRF nº 344/2003. No caso dos autos o Ato Declaratório Ambiental de fls. 29, foi protocolado junto ao Ibama em 17/02/2005, contemplando uma área de preservação permanente de 10.235,0 ha (glosada pela fiscalização). Contudo, a legislação do órgão ambiental visa, essencialmente, a proteção dos recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade, a fauna, a flora, o solo entre outros, cujo alcance é a exploração consciente e adequada do meio rural, preservandose as condições mínimas para o equilíbrio do meio ambiente. Daí a importância da extrafiscalidade do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, ou seja, o ITR representa um imposto voltado para outros fins que não, essencialmente, a arrecadação de recursos para o erário. Nesta ordem de idéias penso que dada a extrafiscalidade do ITR, a entrega do ADA – Ato declaratório Ambiental ao Ibama, ainda que posteriormente efetuada, deve ser considerada para fins do cálculo do imposto. Acresçase, ainda, que de acordo com o art. 138 do CTN a denúncia espontânea exclui a penalidade pelo descumprimento de alguma obrigação tributária, seja ela principal ou acessória (art. 113 do CTN). Além do mais, o parágrafo único do mesmo art. 138 do CTN determina: “não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração”. Portanto, iniciado o procedimento fiscal a espontaneidade estará afastada e a área de preservação permanente deverá ser integralmente tributada, caso não tenha sido apresentado o protocolo de entrega do ADA antes do início da ação fiscal. Neste caso, como o Ato Declaratório Ambiental, fls. 29, foi protocolado em 17/02/2005, e a ação fiscal teve seu início em 09/07/2007, com o Termo de Intimação Fiscal de fl. 21, o documento ambiental, ainda que intempestivamente apresentado, deverá ser considerado para fins de isenção da área de preservação permanente do Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR. E, em arremate, mesmo tendo o ADA sido protocolizado a destempo, foi devidamente recepcionado pelo Ibama, que não ofereceu qualquer contestação quanto às informações ali prestadas, ao que se presume serem verdadeiras, não havendo, portanto, óbice algum para a aceitação daquele documento como instrumento de prova. É nesse sentido a jurisprudência deste Conselho Administrativo: Fl. 156DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por MARILDE CURSINO DE OLIVEIRA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10240.720154/200727 Acórdão n.º 220101.445 S2C2T1 Fl. 5 9 ITR EXERCÍCIO 1997. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. A obrigatoriedade de apresentação do ADA como condição para o gozo da redução do ITR no caso de área de preservação permanente, teve vigência a partir do exercício de 2001, em vista de ter sido instituída pelo art. 170 da Lei no 6.938/81, na redação do art. 1º da Lei no 10.165/2000. Verificada a apresentação desse ato, embora a destempo, e não tendo sido feita qualquer contestação pelo órgão ambiental, há que considerálo válido para os efeitos pretendidos. (Acórdão n°: 30132.872) Nessa conformidade, devese excluir da tributação o montante de 10.235,0 ha relativa à área de preservação permanente. Ressaltese, ainda, que a posição majoritária desta Primeira Turma é no sentido de não exigir o ADA para fins de exclusão das áreas preservacionistas. Por fim, em seu Recurso Voluntário a recorrente não se insurge contra o arbitramento do VTN perpetrado pela autoridade fiscal com base no SIPT Sistema de Preços de Terra. Ante o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso para excluir da exigência 10.235,0 ha, relativa à área de preservação permanente. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 157DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por MARILDE CURSINO DE OLIVEIRA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 10 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 10240.720154/200727 Recurso nº: 514.153 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 220101.445. Brasília/DF, 18 de janeiro de 2012 ______________________________________ FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 158DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por MARILDE CURSINO DE OLIVEIRA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 11831.000143/2001-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR
Exercício: 1996
Ementa: ITR. ÁREAS AMBIENTAIS. EXCLUSÃO. O ITR é imposto sobre
o patrimônio e, portanto, salvo nas hipóteses de nãoincidência
ou de isenção, as quais devem ser comprovadas, incide o imposto, calculado sobre o Valor da Terra Nua – VTN, nos termos da legislação específica.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2201-001.436
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: Pedro Paulo Pereira Barbosa
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ÁREAS AMBIENTAIS. EXCLUSÃO. O ITR é imposto sobre o patrimônio e, portanto, salvo nas hipóteses de nãoincidência ou de isenção, as quais devem ser comprovadas, incide o imposto, calculado sobre o Valor da Terra Nua – VTN, nos termos da legislação específica. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso. Assinatura digital Francisco Assis de Oliveira Júnior – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 20/01/2012 Participaram da sessão: Francisco Assis Oliveira Júnior (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Rayana Alves de Oliveira França. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por MARILDE CURSINO DE OLIVEIRA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/ 02/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI 2 Relatório SPI EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS E PARTICIPAÇÕES LTDA interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJCAMPO GRANDE/MS (fls. 46) que julgou procedente lançamento, formalizado por meio da notificação de lançamento de fls. 3, para exigência de Imposto sobre Propriedade Territorial Rural – ITR, referente ao exercício de 1996, no valor, principal, de R$ 51.455,05. A Contribuinte solicitou, inicialmente, revisão do lançamento, sob a alegação de que uma área de 6.205,0ha do imóvel seria de preservação permanente e, portanto, isenta. A autoridade administrativa observou que a área referida pela Contribuinte já fora excluída da tributação, tendo sido tributado apenas a área remanescente, de 1.155,10ha, e manteve o lançamento. A Contribuinte impugnou o lançamento e alegou, em síntese, que a área objeto do lançamento está parcialmente localizada no Parque Estadual da Serra do Mar, porém o órgão ambiental não delimitou com precisão essas áreas, o que impossibilita a exploração de atividades na propriedade. A DRJCAMPO GRANDE/MS julgou procedente o lançamento com base na consideração de que a área do imóvel efetivamente isenta já foi excluída da tributação e de que o fato alegado de que há restrições de uso da propriedade não basta para excluir a incidência do imposto; que, enfim, a Contribuinte não comprovou o direito pleiteado. A Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 06/01/2006 (fls. 53) e, em 31/01/2006, interpôs o recurso voluntário de fls. 54/63, que ora se examina, no qual reitera as alegações da impugnação quanto à incidência tributária sobre a área do imóvel e, por fim, formula pedido nos seguintes termos: a) Seja concedido prazo razoável ao requerente para apresentação de Estudo topográficoaltimétrico, o qual poderá demonstrar com certeza, quais áreas são de preservação permanente, em relação à área remanescente de 1.155,0 hectares; b) Exclusão de 20% da área remanescente de 1.155,0, da incidência de Imposto Territorial Rural, eis que se trata de área de Reserva Florestal Legal, de preservação permanente e impossibilidade de exploração econômica, pelos requerentes; c) Não seja tornada nenhuma medida no sentido de inscrever o nome da requerente e/ou de seus sócios no CADIN, eis que há pedido administrativo pendente de julgamento; d) A suspensão da exigibilidade do tributo em discussão administrativa, em face da Lei 6.902/81, haja vista que o Poder Público (Estado de São Paulo), não regulamentou o uso da Area remanescente; e) A suspensão da exigibilidade do tributo, até o julgamento final da AÇÃO ORDINÁRIA POR DESAPROPRIAÇÃO INDIRETA, eis que naquela ação há pedido liquido e certo para que o Fl. 2DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por MARILDE CURSINO DE OLIVEIRA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/ 02/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI Processo nº 11831.000143/200144 Acórdão n.º 220101.436 S2C2T1 Fl. 2 3 Estado de São Paulo promova a demarcação da área remanescente. O processo foi incluído na pauta de julgamento do dia 15/06/2007, da Primeira Câmara do antigo Terceiro Conselho de Contribuintes que decidiu converter o julgamento em diligência para que o Ibama fosse oficiado para esclarecer quais parcelas do imóvel é área de preservação permanente, qual é área de reserva legal e qual é área remanescente. O órgão ambiental foi instado a se pronunciar a apresentou a manifestação de fls. 156 na qual informa que o imóvel em questão foi parcialmente abrangido pelo Parque Estadual da Serra do Mar, conforme memorial descritivo constante do Decreto nº 10.151/77, e anexa declaração às fls. 157 que esclarece que a área abrangida pelo parque é de 6.105,0 ha. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Como se colhe do relatório, a controvérsia neste processo gira em torno da definição da área tributável. O Contribuinte alegou, na impugnação que o imóvel está localizado em área de preservação. Como a DRJ ressaltou que dos 7.260,0ha, que é a área total do imóvel, 6.205,0ha já fora excluído no próprio lançamento, restando como tributável uma área de apenas 1.155.00ha, a Contribuinte, no recurso, pediu que se excluísse 20% da área remanescente, que seriam área de preservação permanente e de reserva legal. Pois bem, se é certo que as áreas de preservação permanente e de reserva legal devem ser excluídas para fins de apuração da área tributável do imóvel, é certo também que a existência efetiva dessas áreas deve ser comprovada. Neste caso o Contribuinte reivindica a exclusão de 20% da área do imóvel, além daquela área inseria da reserva, mas não apresenta nenhum elemento comprobatório da existência das áreas ambientais em questão. Notese que, no caso das áreas de preservação permanente, estas existem na propriedade conforme as características específicas do imóvel como a presença de morros, cursos d’água ou lagos. Portanto, se o Contribuinte afirma que existe na propriedade área de preservação permanente, e notese que esta deveria estar inseria da parcela remanescente do imóvel, deveria, pelo menos, especificar e quantificar a característica especial do imóvel que implica na existência desse tipo de área ambiental, vale dizer, especificar e quantificar as áreas compreendidas nas margens de rios ou lagos, em topos de morros, etc. e não apenas referirse genericamente, como fez a Contribuinte, à existência de área de preservação permanente. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por MARILDE CURSINO DE OLIVEIRA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/ 02/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI 4 Já no caso de área de reserva legal, embora esta seja definida em termos de parcela fixa do imóvel, variável conforme a região de sua localização, é imprescindível para a caracterização da área de reserva legal e, portanto, para a sua exclusão na apuração da área tributável do imóvel, a averbação da área de reserva legal e, neste caso, a Contribuinte não comprova esta averbação. Sobre as referidas limitações de uso mencionadas pela Contribuinte vale ressaltar que a incidência do ITR independe da maior ou menor possibilidade de utilização do imóvel. Tratase de imposto sobre o patrimônio e, portanto, basta a existência do patrimônio, passível de valoração econômica, para se caracterizar a hipótese de incidência do imposto. É certo que a lei prevê a exclusão de algumas áreas ambientais, como parte de uma política de estímulo à preservação, porém a exclusão de tais áreas somente deve ocorrer nas hipóteses em que há expressa previsão legal e deve observar os requisitos previstos nestas mesmas normas, pois se trata de isenções. E não há previsão para exclusão de área apenas porque, por alguma circunstância específica, o proprietário do imóvel não pode utilizálo plenamente, fato que se admite aqui apenas em tese, pois também não restou demonstrada a alegada restrição. Assim, penso que não merece reparos o lançamento. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 4DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por MARILDE CURSINO DE OLIVEIRA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/ 02/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI
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Numero do processo: 19515.001049/2009-54
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/2004 a 31/10/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO.
Atendidos os pressupostos regimentais, o Recurso Especial deve ser conhecido, sendo que eventual falta de interesse recursal é questão a ser tratada quando do julgamento do mérito.
BÔNUS DE CONTRATAÇÃO (HIRING BÔNUS). NATUREZA SALARIAL. COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA.
Não há que se falar que a natureza salarial do Bônus de Contratação restou comprovada, quando não são trazidos aos autos elementos de convicção acerca do vínculo do pagamento da verba com o contrato de trabalho.
Numero da decisão: 9202-008.254
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes (relatora) e João Victor Ribeiro Aldinucci, que não conheceram do recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti e Maria Helena Cotta Cardozo
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício e Redatora Designada
(assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO. Atendidos os pressupostos regimentais, o Recurso Especial deve ser conhecido, sendo que eventual falta de interesse recursal é questão a ser tratada quando do julgamento do mérito. BÔNUS DE CONTRATAÇÃO (HIRING BÔNUS). NATUREZA SALARIAL. COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA. Não há que se falar que a natureza salarial do Bônus de Contratação restou comprovada, quando não são trazidos aos autos elementos de convicção acerca do vínculo do pagamento da verba com o contrato de trabalho. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes (relatora) e João Victor Ribeiro Aldinucci, que não conheceram do recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti e Maria Helena Cotta Cardozo (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício e Redatora Designada (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 10 49 /2 00 9- 54 Fl. 732DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9202-008.254 - CSRF/2ª Turma Processo nº 19515.001049/2009-54 Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Trata-se de Recurso Especial motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2301-003.775, proferido pela 1ª Turma Ordinária / 3ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. O crédito constituído pela Fiscalização (NFLD n° 37.205.016- 6), contra a empresa acima identificada, refere-se a contribuições destinadas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição da empresa, à alíquota de 20%, bem como ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/RAT), à alíquota de 1%. Constituem fatos geradores dessas contribuições remunerações pagas aos segurados empregados que prestaram serviços à Empresa no período: 02/2004; 06 e 07/2004 e 10/2004. De acordo com o Relatório Fiscal, às fls. 236/242, os fatos geradores referem-se a remunerações pagas, a título de gratificação, quando da admissão do empregado, bem como se referem a pagamentos de PLR - Participação nos Lucros e Resultado, em desacordo com a Lei 10.101/2000, resultando num crédito no valor de R$ 1.329.827,01 (um milhão, trezentos e vinte e nove mil, oitocentos e vinte e sete reais e um centavo), consolidado em 02/04/2009. O auto de infração foi impugnado, às fls. 246/269. Em 19/02/2010, a DRJ, no acórdão nº 16-24.336, às fls. 331/344, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. O Contribuinte interpôs recurso voluntário, às fls. 368/403. Em 15/10/2013, a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 536/573, exarou o Acórdão nº 2301-003.775, de relatoria do Conselheiro Mauro José Silva, DANDO PARCIAL PROVIMENTO AO RECURSO, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 03/2004, anteriores a 04/2004, pela regra decadencial do Art. 150, do CTN, nos termos do voto; e, no que tange ao bônus de contratação (GEA), deve ser dado provimento ao recurso, nos termos do voto. A Decisão restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2004 a 31/10/2004 DECADÊNCIA. Ocorrendo pagamento antecipado, conforme se verifica nos autos, aplicasse ao lançamento a regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 733DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9202-008.254 - CSRF/2ª Turma Processo nº 19515.001049/2009-54 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. BÔNUS DE CONTRATAÇÃO. OBRIGATORIEDADE DE CONTRADIÇÃO À REGRA MATRIZ. AUSÊNCIA. NÃO INCIDÊNCIA. Conforme determina o Art. 22, da Lei 8.212/1991 que dispõe sobre a organização da Seguridade Social, institui Plano de Custeio, e dá outras providências a contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. Portanto, faz-se necessário para a incidência da contribuição, em síntese, o pagamento de remuneração, para retribuição de trabalho, por serviços prestados ou pelo tempo à disposição do empregador. No presente caso, a própria fiscalização afirma em seu relatório fiscal, fls. 0237, que houve o pagamento, mas antes da prestação de qualquer serviço pelo segurado empregado à empresa, e que não havia condição alguma para o recebimento de tal valor, não incidindo, conseqüentemente, a contribuição, por essa verba não se destinar à retribuição de trabalho e não existir qualquer vinculação com serviços prestados ou por tempo à disposição do empregador. A União, em 15/09/2014, às fls. 576/577, apresentou Embargos de Declaração alegando omissão na decisão a quo. Os Embargos foram admitidos, porém, restaram rejeitados, conforme fls. 587/590. Em 06/05/2016, às fls. 605/617, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, arguindo, divergência jurisprudencial acerca das seguintes matérias: Valores pagos a título de Bônus de Contratação - natureza salarial. Arguiu a União que, enquanto o acórdão ora recorrido, em clara ofensa à Lei nº 8.212/91, entendeu que aqueles valores pagos previamente não possuem natureza remuneratória, porque pagos antes da celebração do contrato de trabalho, o acórdão paradigma fixou entendimento de que esses pagamentos prévios, com a conotação de estímulo para um trabalho ou mesmo vínculo que logo a seguir irá se concretizar, representam remuneração e devem compor o salário contribuição. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela União, às fls. 621/623, a 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, DEU SEGUIMENTO ao recurso, restando admitida a divergência em relação às seguintes matérias: Verbas pagas a título de Bônus de Contratação. Cientificado do Acórdão e da admissibilidade do Recurso Especial da União, à fl. 628, o Contribuinte apresentou Contrarrazões ao Recurso Especial da União, às fls. 636/654, arguindo, preliminarmente, falta de interesse recursal, violação ao art. 67 do RICARF pela falta de caracterização de divergência jurisprudencial e não cabimento de rediscussão de Fl. 734DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9202-008.254 - CSRF/2ª Turma Processo nº 19515.001049/2009-54 matéria fático probatória, conforme Súmula STJ 7. No mérito, reiterou os argumentos realizados anteriormente. Os autos vieram conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Ana Paula Fernandes - Relatora DO CONHECIMENTO O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e quanto aos demais pressupostos de admissibilidade merece considerações. Para preencher os requisitos de admissibilidade do Recurso Especial dirigido a Câmara Superior de Recursos Fiscais, observo que dois elementos importantes precisam ser adimplidos, quais seja, similitude fática e divergência jurisprudencial. No caso em tela para fins de análise da possível divergência jurisprudêncial, há que se observar as premissas que suas razões de decidir foram firmadas. RAZÃO DE DECIDIR DO RECORRIDO Pois bem, no caso em questão o Fisco informa que esses pagamentos ocorreram: Antes de qualquer efetividade em relação aos serviços para o qual foi contratado; e 1. Que o pagamento incondicionado, devido em razão da simples contratação. Portanto, na subsunção da norma ao fato, verificamos que esses pagamentos: 1. Não foram pagos a segurados empregados e trabalhadores avulsos que prestaram serviços à empresa; e 2. Não foram devidos pela retribuição ao trabalho, qualquer que seja sua forma: RAZÃO DE DECIDIR DO PARADIGMA SALÁRIO INDIRETO BÔNUS DE CONTRATAÇÃO E PERMANÊNCIA A natureza atribuída pela autoridade fiscal, nomeando a verba Bônus de Contratação e Permanência, com uma espécie de prêmio, para atrair bons funcionários para a recorrente, encontra-se, sem dúvida, dentro do conceito do Fl. 735DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 9202-008.254 - CSRF/2ª Turma Processo nº 19515.001049/2009-54 salário de contribuição, posto que nada mais é do que um ganho fornecido como resultante de uma contraprestação. A mera alegação de que as despesas contabilizadas, são apenas provisões, não merece prosperar, quando não demonstrada reversão das mesmas. Analisando a motivação de decidir de ambas as decisões me parecem que os motivos que determinaram as decisões divergentes não são os mesmos, motivo pelo qual não se pode garantir que caso o colegiado do paradigma enfrentasse a questão configuraria resultado divergente daquele apontado no recorrido. Diante do exposto voto por não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Caso vencida no conhecimento passo ao mérito. DO MÉRITO O crédito constituído pela Fiscalização (NFLD n° 37.205.016- 6), contra a empresa acima identificada, refere-se a contribuições destinadas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição da empresa, à alíquota de 20%, bem como ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/RAT), à alíquota de 1%. Constituem fatos geradores dessas contribuições remunerações pagas aos segurados empregados que prestaram serviços à Empresa no período: 02/2004; 06 e 07/2004 e 10/2004. De acordo com o Relatório Fiscal, às fls. 236/242, os fatos geradores referem-se a remunerações pagas, a título de gratificação, quando da admissão do empregado, bem como se referem a pagamentos de PLR - Participação nos Lucros e Resultado, em desacordo com a Lei 10.101/2000, resultando num crédito no valor de R$ 1.329.827,01 (um milhão, trezentos e vinte e nove mil, oitocentos e vinte e sete reais e um centavo), consolidado em 02/04/2009. O Acórdão recorrido deu parcial provimento Recurso Ordinário. O Recurso Especial, apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a seguinte divergência: Verbas pagas a título de Bônus de Contratação. O acórdão recorrido decidiu por compreender que a verba discutida a título de bônus de contratação não é fato gerador de contribuição previdenciária. Quanto aos bônus de contratação, que a fiscalização denomina gratificação espontânea admissão (GEA), precisamos verificar se há regra para a incidência de contribuição sobre seu pagamento. O Fisco descreve a natureza jurídica do pagamento de forma detalhada, fls. 0237, nos seguintes termos: Fl. 736DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 9202-008.254 - CSRF/2ª Turma Processo nº 19515.001049/2009-54 “Conforme verificado essa gratificação é paga quando da admissão do empregado, portanto antes de qualquer efetividade em relação aos serviços para o qual foi contratado. Trata-se de pagamento incondicionado, devido em razão da simples contratação, como um pagamento de luvas, um incentivo para a assinatura do contrato de trabalho. Tal verba possui natureza remuneratória visto ter o objetivo de atrair, através de pagamento, bons funcionários, em virtude de sua eficiência antes mesmo da celebração contratual e, portanto, integra o salário de contribuição. O pagamento dessa verba foi verificado nas competências 06, 07 e 10/2004 quando da admissão, respectivamente, dos empregados PAULO SERGIO TENANI, CAMILA WEEKS e CHRISTIAN PIERRE FRANÇOIS PUTHOD. Anexo cópias das folhas de pagamento das competências 06, 07 e 10/2004.” A Lei 8.212/1991 que dispõe sobre a organização da Seguridade Social, institui Plano de Custeio, e dá outras providências – possui a regra matriz sobre a incidência de contribuições a cargo da empresa. Lei 8.212/1.991: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa.” Na leitura da regra matriz fica claro, sinteticamente, que a incidência da contribuições ocorrerá quando: 1. Quaisquer remunerações forem pagas, devidas ou creditadas; 2. Essas remunerações forem pagas a segurados empregados e trabalhadores avulsos que prestem serviços à empresa; e 3. Remunerações forem devidas pela retribuição ao trabalho, qualquer que seja sua forma, seja pelos serviços efetivamente prestados seja pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços. Pois bem, no caso em questão o Fisco informa que esses pagamentos ocorreram: 1. Antes de qualquer efetividade em relação aos serviços para o qual foi contratado; e que o pagamento incondicionado, devido em razão da simples contratação. Portanto, na subsunção da norma ao fato, verificamos que esses pagamentos: 1. Não foram pagos a segurados empregados e trabalhadores avulsos que prestaram serviços à empresa; e Fl. 737DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 9202-008.254 - CSRF/2ª Turma Processo nº 19515.001049/2009-54 2. Não foram devidos pela retribuição ao trabalho, qualquer que seja sua forma: a) seja pelos serviços efetivamente prestados; b) seja pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, pois serviço algum foi prestado (anterior) e tempo não foi colocado á disposição (incondicional) Assim, não há incidência de contribuição previdenciária sobre esse pagamento, pela descrição da fiscalização, motivo do provimento do recurso do sujeito passivo nesta questão. Diante disso concordo com o recorrido quanto a impossibilidade da Fazenda Nacional impor a cobrança de Contribuição Previdenciária patronal sobre verba paga a título de Bônus de Contratação pela Empresa Contribuinte. A meu ver esta questão não gera dúvidas quanto a não aplicabilidade de contribuição previdenciária pela expressa não ocorrência do fato gerador do tributo em questão: ser recebida como contraprestação do exercício da atividade laboral. Observe-se que o pagamento em questão (bônus de contratação também chamado Hiring Bônus), ocorre antes da relação de emprego ser instaurada. Se ocorre antes, logo não representa a contraprestação de um trabalho realizado pelo empregado, pois este ainda nem é empregado da empresa. A própria Consolidação das Leis do Trabalho – CLT não trata desse instituto, por não a considerar sob a rubrica de remuneração advinda do exercício de trabalho, em que pese o TST ter disciplinado o alcance e a natureza da verba foi claro ao limitar seus reflexos. Cabendo salientar que nem toda verba paga em razão do contrato de trabalho é fato gerador de contribuição previdenciária, todavia para resolução desta questão não se faz necessário entrar neste mérito. Para a doutrina dominante o bônus de contratação é a indenização oferecida pela empresa a um empregado que ela tenha interesse de contratar, pelo abandono que este empregado teria de expectativa de ganhos na atividade anterior. Representa um convite de risco com prévia indenização para que este empregado aceite a contração já previamente indenizado, justamente em razão do aceite desse “risco”, de largar algo estável e certo, ou até mesmo sua autonomia por algo novo (relação de emprego). Observe-se que a base de cálculo da Contribuição Previdenciária está amplamente prevista e debatida no texto da lei, artigo 195, I, da CF, a qual não comporta ilações, quanto menos alargamento forçado. Sendo cabível a incidência de Contribuição Previdenciária, portanto, exclusivamente, para rendimentos advindos do exercício do trabalho de natureza eminentemente remuneratória. É claro que isso não abre a possibilidade de que qualquer pagamento prévio ao contrato de trabalho seja enquadrado como bônus de contratação, mas o que se ressalva aqui é que os elementos contrários a este caráter indenizatório da verba devem ser apontados claramente pela fiscalização. Fl. 738DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 9202-008.254 - CSRF/2ª Turma Processo nº 19515.001049/2009-54 No caso em tela observo que a Fazenda Nacional não logrou êxito em provar o contrário, os rendimentos tributados equivocadamente não são fruto de contratos que os relacionem com contraprestação do exercício de trabalho, nem sequer com o cumprimento de metas advindas da contratação, quanto menos há compensação desta verba com o salário percebido posteriormente após o início da relação de emprego, logo não há que se falar da incidência do tributo. Neste sentido este Colegiado já se manifestou no Acórdão 9202007.637: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO. Não se conhece de Recurso Especial, por falta de demonstração do alegado dissídio interpretativo, em face da ausência de similitude fática entre os julgados em confronto. BÔNUS DE CONTRATAÇÃO (HIRING BÔNUS). NATUREZA SALARIAL. COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA. Não há que se falar que a natureza salarial do Bônus de Contratação restou comprovada, quando não são trazidos aos autos elementos de convicção acerca do vínculo do pagamento da verba com o contrato de trabalho. Diante do exposto, conheço do Recurso da Fazenda Nacional para no mérito negar provimento ao mesmo por inequívoca falta de previsão legal para o lançamento e cobrança do tributo no tocante a verba pretendida. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Voto Vencedor Maria Helena Cotta Cardozo – Redatora Designada Peço vênia para divergir do voto da Ilustre Conselheira Relatora, no que tange ao conhecimento do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, bem como quanto aos fundamentos de mérito por ela esposados. No que tange ao conhecimento do apelo, em sede de Contrarrazões a Contribuinte alega ausência de interesse recursal, com base no fato de que a matéria questionada pela Fazenda Nacional - natureza indenizatória da verba denominada Gratificação Espontânea de Admissão (GEA) - não teria sido alvo de apreciação pelo Colegiado recorrido, que concluiu pela inocorrência do fato gerador. Fl. 739DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 9202-008.254 - CSRF/2ª Turma Processo nº 19515.001049/2009-54 Em face de tal alegação, esclareça-se que, para o conhecimento da matéria, basta que a divergência jurisprudencial seja demonstrada, sendo que as razões de recurso serão tratadas quando da análise do mérito, se ultrapassado o conhecimento. Com estas considerações, verifica-se que o acórdão recorrido assim trata a matéria (fls. 424/425): Acórdão recorrido Relatório "A autoridade fiscal relatou que incluiu no lançamento pagamentos de luvas com natureza remuneratória. Tais verbas teriam como objetivo atrair funcionários em virtude de sua eficiência e, portanto, teriam natureza salarial." Voto Vencedor "BÔNUS DE CONTRATAÇÃO O ‘Bônus de Contratação’ é uma verba paga pelas empresas aos funcionários de destaque, como uma forma de atraí-lo, usual entre as grandes empresas, mormente nos bancos, onde funcionários altamente especializados e ou com uma representativa carteira de clientes, são beneficiados. A grande questão que envolve este pagamento é ter conhecimento se ele tem natureza remuneratória e ou indenizatória, já que ela implicará em incidência previdenciária ou não. Definir a natureza desta verba implica em análise percuciente dos fatos que envolvem a autuação, onde o julgador está à mercê do fiscalizador, já que seu relato será primordial para defini-la. No caso em tela, lendo o Relatório Fiscal vê-se que a autuação está contraditória da pretensa aplicação de incidência previdenciária, isto porque a Fiscalização afirmou que o acordo para pagamento do ‘Bônus de Contratação’ ocorreu antes da contratação do funcionário e sem que a Recorrente determinasse cumprimento de metas e ou ainda determinasse tempo mínimo de permanência e ou vigência do contrato de trabalho. Desta forma, em a Fiscalização ter informado que foi pago o 'Bônus de Contratação' antes mesmo da contratação e não exigindo do beneficiário metas a serem cumpridas e tão pouco permanência dele mínima na Recorrente, desfigurado está o caráter remuneratório, porque ausentes estão os requisitos que configuram a verba remuneratória, ou seja, i) a comutatividade (a troca do pagamento pelo trabalho) e o ii) imperioso contrato de trabalho, oneroso e sinalagmático (contratos bilaterais em que existe uma reciprocidade). Então, assiste razão tais argumentos expendidos pela Recorrente, uma vez que a própria Fiscalização desfigurou o caráter remuneratório da verba paga." Assim, no acórdão recorrido considerou-se desfigurado o caráter remuneratório do Bônus de Contratação em face das características da verba, não contraditadas pela Fazenda Nacional. Nesse contexto, o paradigma apto a demonstrar a alegada divergência teria de ser representado por julgado em que o caráter remuneratório fosse mantido em face de verba com Fl. 740DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 9202-008.254 - CSRF/2ª Turma Processo nº 19515.001049/2009-54 características semelhantes à verba tratada no acórdão recorrido, ou mesmo sem qualquer condicionante. Quanto ao primeiro paradigma - Acórdão nº 2401-02.250 - a Fazenda Nacional reproduz os seguintes trechos: Ementa "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2006 (...) SALÁRIO INDIRETO BÔNUS DE CONTRATAÇÃO E PERMANÊNCIA A natureza atribuída pela autoridade fiscal, nomeando a verba Bônus de Contratação e Permanência, com uma espécie de prêmio, para atrair bons funcionários para a recorrente, encontra-se, sem dúvida, dentro do conceito do salário de contribuição, posto que nada mais é do que um ganho fornecido como resultante de uma contraprestação. A mera alegação de que as despesas contabilizadas, são apenas provisões, não merece prosperar, quando não demonstrada reversão das mesmas." Voto "O ponto chave é a identificação do campo de incidência das contribuições previdenciárias. Conforme já amplamente discutido acima para, o segurado empregado entende-se por salário-de-contribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, seja em que momento da contratação esses pagamentos ocorram, posto que pagamentos em contratos prévios, com a conotação de estímulo para um trabalho ou mesmo vínculo que logo a seguir irá se concretizar, acabar por estar incluído no conceito de remuneração.” (destaques da Fazenda Nacional) O cotejo promovido pela Fazenda Nacional demonstra existir efetivamente o dissídio interpretativo, já que o caráter remuneratório foi atribuído à verba, independentemente do momento do pagamento, sem qualquer notícia de que tenha havido fixação de metas para o contratado, tampouco há registro de que teria sido fixado período de permanência na empresa, ou qualquer outro fator condicionante. Quanto ao segundo paradigma - Acórdão nº 9202-004.308 - foram colacionados os seguintes trechos: Ementa (...) HIRING BONUS. VERBA DECORRENTE DO CONTRATO DE TRABALHO, COMPONENTE DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. A verba paga a título de hiring bonus é decorrente do contrato de trabalho. Essa verba não tem natureza de verba eventual, por não estar relacionada a caso fortuito e, ao contrário, sendo esperada desde a contratação, deve compor o salário de contribuição. Voto Fl. 741DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 9202-008.254 - CSRF/2ª Turma Processo nº 19515.001049/2009-54 "O Hiring bonus, ficou caracterizado por uma soma em dinheiro para a novos empregados, paga no ano de sua admissão, como incentivo a seu ingresso nos quadros da empresa. Entendo que tal rubrica foi paga exclusivamente em razão do contrato de trabalho e não apenas para permitir que o trabalho possa ser executado. Assim, fica configurada a verba como parcela integrante do conceito jurídico de Salário de Contribuição, afastando-se natureza indenizatória da verba. Por fim, resta verificar se esta verba pode ou não ser inclusa no rol de exclusões da base de cálculo que, em numerus clausos, consta do § 9o do art. 28 da Lei n° 8.212, de 1991. Repara-se que, no item 7 da alínea "e" do § 9o da Lei n° 8.212, de 1991, constam, como exclusão do salário de contribuição, as verbas recebidas a títulos de ganhos eventuais. Entendo que ganho eventual seja aquele que se recebe de forma inesperada, por caso fortuito, como no caso de uma indenização dada graciosamente pela empresa a um empregado que tenha perdido sua moradia, por conta de uma enchente. Nota-se aqui que nem a enchente, nem a indenização poderiam ser antevistas ou esperadas. Ao contrário, no caso dos autos, era garantido ao empregado, no ano de sua contratação uma remuneração mínima, ainda que ela ultrapassasse o salário e a participação nos lucros e resultados, caracterizando um valor esperado a título de bônus de contratação. Concluindo, a verba paga a título de hiring bonus é decorrente do contrato de trabalho e não tem natureza de verba eventual, por não estar relacionada a caso fortuito." Portanto, a verba deve compor o salário de contribuição." (grifei) Embora não se tenha muitos detalhes sobre a verba paga no caso desse paradigma, os trechos destacados permitem concluir que, ao contrário do acórdão recorrido, a verba era paga ao longo do ano em que houve a contratação, sob a forma de uma remuneração mínima, ainda que ultrapassasse o salário e a PLR, o que caracterizou um valor esperado a título de Bônus de Contratação. Assim, este segundo paradigma não demonstra a divergência, já que no recorrido um dos fundamentos a descaracterizar o aspecto remuneratório foi o fato de o pagamento ocorrer antes do início do contrato de trabalho. Entretanto, a divergência jurisprudencial restou demonstrada em face do primeiro paradigma. Quanto ao não cabimento de rediscussão de matéria fático-probatória, ressalte-se que não há necessidade de reexame de provas para o deslinde da controvérsia, mas apenas decidir se a verba paga a título de Bônus de Contratação, conforme descrita no acórdão recorrido, teria efetivamente natureza remuneratória, como aventa a Fazenda Nacional, o que autorizaria o restabelecimento da exigência. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. No mérito, voto com a Relatora apenas pelas conclusões, por não concordar com os seus fundamentos. Aproveito para reiterar o que já expus no Acórdão nº 9202-007.637, de 27/02/2019, que trata da mesma ação fiscal ora em julgamento. Na oportunidade, deixei claro meu posicionamento quanto à peculiaridade daquele caso concreto: De plano, constata-se que o próprio autuante ressalta que a verba foi paga em caráter "incondicionado", sem qualquer contraprestação de trabalho. Nessas Fl. 742DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 9202-008.254 - CSRF/2ª Turma Processo nº 19515.001049/2009-54 condições, a conclusão acerca do caráter remuneratório da verba careceria da comprovação de que teria havido alguma contraprestação por parte do contratado. (...) Observe-se também que a própria DRJ, para manter a autuação, assim se posiciona (fls. 189/190): (...) 4.47. No caso presente, é evidente que o valor pago a título de 'Gratificação Espontânea de Admissão', caracteriza-se como pagamento antecipado do salário, integrando, dessa forma, o salário de contribuição. 4.48. Discorda-se, em parte, da Fiscalização, quando esta afirma que se trata de pagamento incondicionado, devido em razão da simples contratação, como um pagamento de luvas, um incentivo para a assinatura do contrato de trabalho. (...) Constata-se, assim, que a DRJ, para manter a autuação, teve de discordar do autuante, cujos fundamentos, por si sós, efetivamente não conduziriam à conclusão de que a verba em tela teria natureza salarial. Assim, a despeito de que a verba em tela, ainda que paga antes de firmar-se o contrato de trabalho, poderia efetivamente ser classificada como de natureza salarial, não foram trazidos aos autos elementos que formassem a convicção desta Conselheira, no sentido de que, nesse caso concreto, o chamado Bônus de Contratação deveria compor o salário-de-contribuição. (grifei) Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, nego-lhe provimento, acompanhando a relatora no mérito apenas pelas conclusões. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 743DF CARF MF
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