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Numero do processo: 19515.005662/2008-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2003, 2004, 2005
LUCRO REAL. ERRO NA BASE DE CÁLCULO. LANÇAMENTO NULO.
O AFRFB, ao optar e apurar o IRPJ e CSLL da contribuinte pela sistemática do lucro real, deve observar todas as regras previstas para este regime (formação da base de cálculo). O Imposto de Renda deve tributar o conceito previsto no art. 43 do CTN, não podendo deixar de considerar despesas na sua apuração. Erro na formação da base de cálculo pelo AFRFB causa vício insanável ao processo e o macula, tornando todo o lançamento nulo
DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO
O preenchimento dos requisitos legais pelo auto de infração e a oportunização de ampla defesa pela interessada através de impugnação e recurso voluntário torna incabível a alegação de nulidade.
DA EXISTÊNCIA DE FRAUDE. GLOSA DE DESPESAS
A não comprovação da efetiva realização das operações de industrialização, transporte e exportação, bem como a constatação de notas fiscais falsas, caracterizam a desnecessidade das despesas deduzidas, cabendo a glosa das mesmas pela autoridade fiscal.
DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS. ASSESSORIA JURÍDICA TRIBUTÁRIA. PLANEJAMENTO DE PERFORMANCE DE EXPORTAÇÃO
Correta a glosa das despesas com assessoria jurídica tributária, constatada a utilização de planejamento tributário destinado a fraudar o fisco, por meio do acobertamento, através da produção de documentos falsos, de operações inexistentes, destinadas a gerar crédito presumido de IPI. As despesas, assim contratadas, afiguraram-se desnecessárias, não usuais e não normais à atividade da empresa.
GLOSA DE CRÉDITOS DE PIS E COFINS. OPERAÇÕES INEXISTENTES.
Constatada a inexistência das operações que deram origem aos créditos de PIS e COFINS é cabível a glosa dos mesmos.
DA APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA.
A aplicação da multa qualificada prevista no art. 44, §2º da lei 9430/96 depende da demonstração da existência de sonegação, fraude ou conluio (art. 71, 72 e 73 da lei 4502/64), sendo no caso evidenciada a fraude através da existência de notas fiscais duplicadas e falsas.
Numero da decisão: 1302-000.992
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Marcio Frizzo e Paulo Cortez que davam provimento parcial ao recurso. Designado o Conselheiro Eduardo de Andrade para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator.
(assinado digitalmente)
EDUARDO DE ANDRADE - Redator designado.
EDITADO EM: 21/03/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (presidente da turma), Paulo Roberto Cortez, Andrada Marcio Canuto Natal, Diniz Raposo e Silva, Eduardo de Andrade, Marcio Rodrigo Frizzo.
Nome do relator: MARCIO RODRIGO FRIZZO
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ERRO NA BASE DE CÁLCULO. LANÇAMENTO NULO. O AFRFB, ao optar e apurar o IRPJ e CSLL da contribuinte pela sistemática do lucro real, deve observar todas as regras previstas para este regime (formação da base de cálculo). O Imposto de Renda deve tributar o conceito previsto no art. 43 do CTN, não podendo deixar de considerar despesas na sua apuração. Erro na formação da base de cálculo pelo AFRFB causa vício insanável ao processo e o macula, tornando todo o lançamento nulo DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO O preenchimento dos requisitos legais pelo auto de infração e a oportunização de ampla defesa pela interessada através de impugnação e recurso voluntário torna incabível a alegação de nulidade. DA EXISTÊNCIA DE FRAUDE. GLOSA DE DESPESAS A não comprovação da efetiva realização das operações de industrialização, transporte e exportação, bem como a constatação de notas fiscais falsas, caracterizam a desnecessidade das despesas deduzidas, cabendo a glosa das mesmas pela autoridade fiscal. DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS. ASSESSORIA JURÍDICA TRIBUTÁRIA. PLANEJAMENTO DE “PERFORMANCE DE EXPORTAÇÃO” Correta a glosa das despesas com assessoria jurídica tributária, constatada a utilização de planejamento tributário destinado a fraudar o fisco, por meio do acobertamento, através da produção de documentos falsos, de operações inexistentes, destinadas a gerar crédito presumido de IPI. As despesas, assim contratadas, afiguraramse desnecessárias, não usuais e não normais à atividade da empresa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 56 62 /2 00 8- 60 Fl. 4579DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 15/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 19515.005662/200860 Acórdão n.º 1302000.992 S1C3T2 Fl. 4.981 2 GLOSA DE CRÉDITOS DE PIS E COFINS. OPERAÇÕES INEXISTENTES. Constatada a inexistência das operações que deram origem aos créditos de PIS e COFINS é cabível a glosa dos mesmos. DA APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA. A aplicação da multa qualificada prevista no art. 44, §2º da lei 9430/96 depende da demonstração da existência de sonegação, fraude ou conluio (art. 71, 72 e 73 da lei 4502/64), sendo no caso evidenciada a fraude através da existência de notas fiscais duplicadas e falsas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Marcio Frizzo e Paulo Cortez que davam provimento parcial ao recurso. Designado o Conselheiro Eduardo de Andrade para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO Relator. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Redator designado. EDITADO EM: 21/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (presidente da turma), Paulo Roberto Cortez, Andrada Marcio Canuto Natal, Diniz Raposo e Silva, Eduardo de Andrade, Marcio Rodrigo Frizzo. Fl. 4580DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 15/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 19515.005662/200860 Acórdão n.º 1302000.992 S1C3T2 Fl. 4.982 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por PASTIFÍCIO SANTA AMÁLIA, em face do acórdão nº 1621.016 (fls. 4044/4088) da DRJ/SP1, proferido em processo administrativo que trata de lançamentos de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, Programa de Integração Social – PIS, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, dos anoscalendário 2003, 2004 e 2005, e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, dos anoscalendário 2004 e 2005, nos valores adiante demonstrados, efetuados por meio dos Autos de Infração constantes nos autos (fls. 1263/1309). Os Autos de Infração foram lavrados em face da constatação de: i) existência de despesas operacionais e encargos não necessários; ii) inexistência das operações que originaram os créditos de PIS e COFINS; iii) aplicação de multa isolada em razão da falta de recolhimento do IRPJ sobre a base de cálculo estimada; iv) aplicação de multa de ofício em razão do valores glosados; Para fins de esclarecimentos segue a tabela feita pela DRJ (fls. 4289) relativa aos créditos lançados: Fl. 4581DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 15/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 19515.005662/200860 Acórdão n.º 1302000.992 S1C3T2 Fl. 4.983 4 Segundo o relatório fiscal, a recorrente envolveuse em operações denominadas “Performance de Exportação” com o objetivo de gerar créditos de ICMS, PIS, COFINS e presumido de IPI. Segundo o AFRFB a operação consistiria na compra de soja em grãos que seria remetida diretamente pelo fornecedor para empresas industrializadoras, com vistas à extração de óleo bruto degomado e de farelo de soja. Após o processamento, os derivados de soja seriam encaminhados diretamente para a empresa comercial exportadora, para o fim específico de exportação. Dessa forma, a soja em nenhum momento transitaria pelo estabelecimento da fiscalizada (fls. 1144). Tais operações foram consideradas como fraudulentas pelo auditor fiscal, pois segundo este “as transações efetuadas foram, na verdade, fraudes praticadas com a finalidade de reduzir o pagamento de tributos federais, através da criação de créditos irregulares de PIS e COFIS, de créditos também irregulares presumidos de IPI, e da geração de custos e despesas inexistentes (fls. 1145)”: O principal fundamento para que o auditor considerasse as operações mencionadas como fraudulentas foi: existência de duplicidade das notas fiscais de exportação (as cópias das notas fiscais apresentadas pela recorrente eram falsas) (fls. 1145/1146); O AFRFB ainda apontou aspectos nos contratos que supostamente apontariam fraude, quais sejam (fls. 1148/1157): Fl. 4582DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 15/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 19515.005662/200860 Acórdão n.º 1302000.992 S1C3T2 Fl. 4.984 5 a inexistência de pagamentos ou recebimentos referentes às compras dos grãos e às vendas dos subprodutos, o que exigiria um grande volume de recursos; o encontro das duplicatas referentes às compras dos grãos e às vendas dos subprodutos sem nenhum desembolso. O auto de infração apontou de forma detalhada, inclusive com exemplos, as falsidades das notas fiscais duplicadas em comparação com as verdadeiras, derivadas de outras operações estranhas às da recorrente (fls. 1157/1160). Demonstrou que as operações realizadas pela recorrente resultaram em prejuízo nos três anos em que foram realizadas, de forma que tais operações foram realizadas para gerar um prejuízo inexistente, bem como créditos fictícios de IPI, PIS e COFINS (fls.1161). Asseverou que no ano de 2005 as operações restaram inacabadas justamente pela constatação por parte do AFRFB da suposta Fraude (fl. 1164). Dessa forma um total de 95.300 toneladas de soja fora comprada nos meses de fevereiro e maio de 2005. Não há registro de exportação de tal mercadoria e ao final de 2005 a empresa declarou que não havia soja em estoque. Resumidamente, o auditor fiscal: glosou os custos e despesas gerados com toda a operação (fls. 1164 e 1166); e aplicou multa isolada em relação às estimativas do IRPJ dos anos calendário de 2003, 2004 e 2005 (diferenças entre as estimativas declaradas em DCTF e as apuradas inclusive com os custos e despesas glosadas). Foi ainda constituída “Representação Fiscal para Fins Penais”, processo de n. 19515.00727/200877. A recorrente apresentou impugnação alegando preliminarmente (fls. 1317/1417): impossibilidade de o estado desconsiderar o negócio jurídico realizado pela autuada em virtude da previsão legal de todo o procedimento; legalidade dos contratos realizados com todas as empresas participantes da operação à luz do código civil brasileiro; da nulidade do auto de infração – art. 59, II do Decreto 70.235 – preterição do direito de defesa. No mérito alegou: nulidade da norma individual e concreta e face do erro de fato e insuficiência de provas; boa fé a que sempre se manteve a autuada, em relação aos documentos apresentados e comprovantes de pagamentos da industrialização e prestação de serviços; Fl. 4583DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 15/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 19515.005662/200860 Acórdão n.º 1302000.992 S1C3T2 Fl. 4.985 6 nulidade da norma individual e concreta em face do erro de direito praticado pelo agente competente quando do processo de subsunção do fato à norma; existência de declaração do fisco mineiro que as operações anteriores a exportação existiram; nulidade do auto de infração em virtude do erro na identificação do sujeito passivo em virtude da responsabilização pelo pagamento do tributo em caso de inexistência da exportação; necessidade de revisão da multa e dos juros; boafé da autuada em confiar na autorização da utilização do crédito pela administração fazendária mineira; necessidade de interpretação mais favorável ao acusado sobre a lei tributária que define infrações – art. 112 do CTN; A Quarta Turma de Julgamento da DRJSPO1 manteve integralmente o lançamento, proferindo o Acórdão nº 1612.016 (fls. 4044/4088), com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005 NULIDADE. NÃO CORRÊNCIA. Somente serão considerados nulos os atos em que estejam presentes quaisquer das circunstâncias previstas pelos incisos I e II do art. 59, do Decreto n° 70.23511972. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há que se falar em cerceamento de defesa quando é facultado ao contribuinte pleno acesso à documentação que instruiu o procedimento de fiscalização, inclusive com a possibilidade de extração de cópias. OPERAÇÕES SIMULADAS. GLOSAS DE DESPESAS. Por se tratar de simulação de compra, industrialização e exportação de produtos derivados de soja, as despesas com industrialização devem ser glosadas. Despesa incorrida com prestador de serviço de assessoria tributária, sobre operações fictícias com soja, não se caracteriza como necessária à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora, condição para ser aceita como dedutível. MULTA AGRAVADA. A infração à legislação tributária praticada com evidente intuito de fraude impõe a aplicação de multa de ofício qualificada. PIS COFINS. Os créditos gerados em decorrência de operações fictícias não podem ser considerados na apuração dos valores a recolher destas contribuições. Fl. 4584DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 15/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 19515.005662/200860 Acórdão n.º 1302000.992 S1C3T2 Fl. 4.986 7 CSLL. O decidido quanto ao lançamento do IRPJ deve nortear a decisão do lançamento decorrente, tendo em vista que se origina dos mesmos elementos de prova. Lançamento Procedente A recorrente foi cientificada da decisão de primeira instância, tendo interposto recurso voluntário (fls. 4095/4061). O recorrente alega em sua petição recursal: Nulidade do auto de infração em razão do agente incompetente em razão da jurisdição; erro de fato e insuficiência de provas que não foram examinadas pela DRJ/SPO1; apresentação da documentação de que dispunha a recorrente bem como dos pagamentos realizados; da boafé que sempre manteve a autuada; da nulidade da norma individual e concreta em face do erro de direito praticado pelo agente competente quando do processo de subsunção do fato à norma; da declaração do fisco mineiro que as operações anteriores a exportação existiram; nulidade do auto de infração em virtude do erro na identificação do sujeito passivo em virtude da responsabilização pelo pagamento do tributo em caso de inexistência da exportação; prova emprestada devidamente declarada pela DRJ/SPO; necessidade de revisão da multa e dos juros; da boa fé da autuada em confiar na autorização da utilização do crédito pela administração fazendária mineira; necessidade de interpretação mais favorável ao acusado sobre a lei tributária que define infrações – art. 112 do CTN; impossibilidade de aplicação do critério quantitativo da norma jurídica – art. 44, II da Lei 9.430/96 – base de cálculo em virtude da inexistência do critério material, ou seja, a inexistência da ocorrência de eventual fraude praticada pela autuada; revisão,anulação e ou redução/ graduação da multa imposta pelo Estado. É o relatório. Fl. 4585DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 15/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 19515.005662/200860 Acórdão n.º 1302000.992 S1C3T2 Fl. 4.987 8 Voto Vencido Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo Presentes as condições de admissibilidade, conheço do presente recurso voluntário. 1. DAS ALEGAÇÕES PRELIMINARES 1.1 Da inexistência das nulidades alegadas A recorrente dentre as inúmeras alegações feitas em sede de recurso voluntário, requer o reconhecimento das seguintes nulidades: Nulidade do auto de infração em razão do agente incompetente em razão da jurisdição Nulidade da norma individual e concreta em face do erro de direito praticado pelo agente competente quando do processo de subsunção do fato à norma; Nulidade do auto de infração em virtude do erro na identificação do sujeito passivo em virtude da responsabilização pelo pagamento do tributo em caso de inexistência da exportação. No entanto, nenhuma das nulidades acima alegadas merece acolhida pela inexistência de prejuízo à recorrente. Tanto o Princípio do Contraditório quanto da Ampla Defesa foram efetivamente respeitados, vez que à recorrente foi possibilitado a apresentação de impugnação e interposição do recurso cabível. Inclusive após a apresentação da defesa foram aceitos dois termos de aditamento de forma que a possibilidade de apresentação de documentos e alegações foi plena e suficiente. Neste ponto não há que se falar em cerceamento de defesa. Em relação à alegada incompetência das autoridades fiscais, uma vez que a recorrente possui domicílio em Minas Gerais e não em São Paulo onde foi realizada a fiscalização, não há qualquer vício. As autoridades de jurisdição diversa são competentes para a lavratura de auto de infração, conforme prevê o art. 9º, caput e §§ 2º e 3º, do Decreto no 70.235/72, com redação dada pelo art. 1º da lei no 8.748/93, in verbis. Art. 9º A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Fl. 4586DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 15/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 19515.005662/200860 Acórdão n.º 1302000.992 S1C3T2 Fl. 4.988 9 § 1°— (omissis) § 2º Os procedimentos de que tratam este artigo e o art. 7° serão válidos, mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicilio tributário do sujeito passivo. § 3º A formalização da exigência, nos termos do parágrafo anterior, previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer. Ora, evidente que a exigência do crédito tributário será válida, mesmo que seja formalizada por servidor competente de outra jurisdição, como ocorrido no presente caso. Ainda é Importante salientar que, na análise detalhada dos autos percebese que ao tempo do início da fiscalização o domicílio da recorrente era a cidade de São Paulo – capital, conforme a própria recorrente atesta em suas razões recursais (fls. 4099). A alteração de domicílio se deu em 03/11/2005, de São Paulo para Machado, cuja a jurisdição e competência para a fiscalização pela Secretaria da Receita Federal é Varginha – MG. Neste sentido é o entendimento deste egrégio Conselho consubstanciado no acórdão abaixo: PROCEDIMENTO FISCAL. LANÇAMENTO. COMPETÊNCIA. A autoridade fiscal tem competência fixada em lei para formalizar o lançamento por meio de auto de infração. O procedimento fiscal é válido mesmo que formalizado por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. Estando presente os requisitos dos artigos 90 e 10 do Decreto n° 70.235/1972, não há o que se falar em nulidade do lançamento. (1º CC – 6ª C. – Rel. Sueli Efigênia Mendes de Britto – Acórdão n° 10615.332, j. 22/02/2006) Em relação à alegada nulidade da norma individual e concreta em face do erro de direito praticado pelo agente competente quando do processo de enquadramento do fato à norma, também consideroa improcedente. As alegações da recorrente neste ponto foram (fls. 4115): “No processo de construção da norma individual e concreta, o Ilustre Agente competente, deveria, analisar os eventos ocorridos no plano real dos fatos e subsumilos À norma geral e abstrata prevista de forma hipotética condicional do sistema. No caso em tela, nada disso foi feito.” A autoridade classificou a irregularidade apurada como sendo “despesas não necessárias”, uma vez que constatou não haver ocorrido qualquer das operações que supostamente teriam criado as despesas deduzidas. A fundamentação que foi utilizada pelo auditor fiscal foi o art. 299 do RIR/99 que dispõe: Fl. 4587DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 15/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 19515.005662/200860 Acórdão n.º 1302000.992 S1C3T2 Fl. 4.989 10 Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). § 3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. Dessa forma, inclusive demonstrou todos os gastos relacionados com as operações da “Performance de Exportação” conforme expresso no termo de constatação (fls. 1164/1166), e resumidos na tabela abaixo: Ano Valor a tributar 2003 R$ 14.412.596,03 2004 R$ 1.630.166,10 2005 R$ 635.473,60 TOTAL R$ 16.678.235,73 Por fim, em relação à alegação de nulidade do auto de infração em virtude de erro na identificação do sujeito passivo em virtude da responsabilização pelo pagamento do tributo em caso de inexistência da exportação, entendo pela improcedência do pedido uma vez que tanto as operações relativas à exportação quanto as operações que a antecederam não ocorreram de fato. E mais, quanto ao PIS e a COFINS não foram cobrados os débitos das saídas de produtos (em vez de exportação como venda no mercado interno), foram sim glosados os créditos sobre “despesas” que o auditor entendeu inexistente. Assim, se faz inaplicável a tese que a “comercial exportadora” seria o real “contribuinte” e em consequência a devedora do tributo (PIS e COFINS), por não haver a exportação. Pois este não foi o fato gerador do tributo em questão. Dessa forma não há como a recorrente responsabilizar somente a exportadora, vez que a autuação referese a glosa de créditos e não a tributação de vendas, que efetivamente não foram exportadas. Portanto, como bem concluiu a DRJ/SPO, a cada uma das empresas participantes nas operações fraudulentas caberá uma sanção que será imputada. No caso da ora recorrente, entendo pela manutenção da autuação a ela imputada em relação às operações fraudulentas, exceto para as despesas com a assessoria tributária vez que essa efetivamente ocorreu, conforme tratarei em tópico adiante. Fl. 4588DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 15/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 19515.005662/200860 Acórdão n.º 1302000.992 S1C3T2 Fl. 4.990 11 1.2 Das demais preliminares A recorrente alegou ainda: a) Erro de fato e insuficiência de provas que não foram examinadas pela DRJ/SPO1; b) Apresentação da documentação de que dispunha a recorrente bem como dos pagamentos realizados; c) Da boafé que sempre manteve a autuada. Em relação aos dois primeiros pontos, relacionados com a análise da documentação apresentada, entendo que as notas fiscais apresentadas pela defesa foram consideradas fictícias pela fiscalização, ao passo que os documentos obtidos junto aos órgãos públicos são os “reais”, seguindo o entendimento da DRJ (fls. 4278). Cabe acrescentar que o auditor fiscal tem competência para determinar quais documentos são hábeis e idôneos, sendo desnecessária a produção de provas periciais. Dispõe o art. 394 do RIPI/10 que substituiu o referido art. 322, dispositivo o qual foi alegado pela própria recorrente como necessário para declaração de inidoneidade. Assim dispõe: Art. 394. É considerado inidôneo, para os efeitos fiscais, fazendo prova apenas em favor do Fisco, sem prejuízo do disposto no art. 427, o documento que: I não seja o legalmente previsto para a operação; II omita indicações exigidas ou contenha declarações inexatas; III esteja preenchido de forma ilegível ou apresente emendas ou rasuras que lhe prejudiquem a clareza; ou IV não observe outros requisitos previstos neste Regulamento. Dessa forma, com base no inciso II do dispositivo acima transcrito, o auditor fiscal entendeu pela inidoneidade das notas fiscais, entendimento o qual ratifico. Portanto, o auditor fiscal se utilizou das informações colhidas dos documentos apresentados para realizar a autuação, segundo a qual asseverou que de fato “a soja não transitou pelo estabelecimento da empresa autuada nem foi processada, pois não existiu”, conforme confirmou a decisão da DRJ/SPO (fls. 4279). Há de se constatar que o auditor fiscal analisou a documentação apresentada pela recorrente (fls. 1148/1157), as notas fiscais, os registros e os demais documentos de exportação (fls.1157/1160), bem como as demais notas fiscais e os comprovantes de pagamento (fls. 1160/1161). Fl. 4589DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 15/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 19515.005662/200860 Acórdão n.º 1302000.992 S1C3T2 Fl. 4.991 12 As irregularidades apontadas pelo auditor fiscal em relação a toda operação denominada “Performance de Exportação”, foram destacados pelo auditor fiscal no auto de infração. Neste sentido temse a decisão da DRJ/SPO (fls. 4280): A conclusão a que chego é que não prosperam as alegações de erro de fato, insuficiência de provas pela omissão na análise de documentos pelo auditor fiscal, bem como da alegação da boafé do recorrente, por todo o exposto acima. 2. DO MÉRITO 2.1 Da “Performance de exportação” ou “Operação SOJA” A recorrente foi autuada pela ocorrência da fraude nas operações relacionadas à “Performance de Exportação”, que segundo o auto de infração não ocorreu, tratandose de operação simulada (fls. 1144/1145): No entanto, para que possa ser feita tal conclusão há de se apresentar a referida “Performance de Exportação”, também denominada de “Operação Soja” pela doutrina. Somente a partir da caracterização de tal operação, que antecipo, tratase de verdadeiro planejamento tributário legal e dentro dos ditames jurídicos, poderseá entender o porquê, neste caso específico julgado, houve a caracterização da fraude e consequentemente a anulação de toda a operação considerada como simulação. Inicialmente cabe uma breve introdução da chamada “Operação Soja” ou, como dita pelo ilustre auditor “Performance de Exportação” A sistemática da operação ora analisada é bastante simples: existem duas operações triangulares subsequentes: Aquisição e industrialização por encomenda de soja em grãos; Venda de produto industrializado de soja com fim específico de exportação. Fl. 4590DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 15/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 19515.005662/200860 Acórdão n.º 1302000.992 S1C3T2 Fl. 4.992 13 Na primeira fase da operação notase que a adquirente/encomendante da industrialização (no caso, a recorrente) compra a soja em grãos dos fornecedores (1) e envia simbolicamente a mercadoria para a industrializadora (2). No entanto, a soja em grãos é enviada diretamente pelo fornecedor para a industrialização (3). No segundo momento, há a devolução simbólica dos produtos industrializados da soja à adquirente/encomendante da industrialização (4), que os vende simbolicamente a exportadora (5). Ao mesmo tempo, os produtos resultantes da industrialização são remetidos fisicamente da industralizadora, por conta e ordem do adquirente/encomendante da industrialização, à exportadora (6). O pagamento realizado pela adquirente/encomendante da industrialização ao fornecedor (1) e à industrializadora (4) é feito por meio do endosso de duplicata emitida contra a exportadora em razão das vendas realizadas a ela (5). Percebese que não há qualquer violação de dispositivo do direito civil, vez que a relação jurídica é formalmente válida. Não há qualquer óbice na circulação de títulos de crédito mediante o endosso, pois possuem liquidez, certeza e exigibilidade, sendo, portanto, fungível similarmente ao dinheiro em espécie. O tratamento jurídico dado é semelhante ao da cessão de crédito, nos termos dos arts. 347, I, 348 e 286 do Código Civil, uma vez que se trata de subrogação convencional. Da mesma forma, não há óbice na legislação tributária em relação à operação, pois ambas as triangulações são permitidas pelo Decreto no 45.490/00 – Regulamento do ICMS do Estado de São Paulo (RICMS/SP). Neste momento cabe fazer uma observação importante: no caso ora julgado, o principal motivo para que a fraude fosse identificada foi a existência de notas fiscais em duplicidade, ou seja, as cópias das notas fiscais apresentadas pela recorrente não remetiam às verdadeiras notas fiscais obtidas nas Alfândegas e Portos. Dessa forma, o auditor constatou a falsificação das cópias das notas fiscais apresentadas (fls. 1145/1146). Fornecedora de soja em grãos Adquirente/ encomendante industrialização Industrializadora de soja Exportadora A B 3 1 5 6 4 2 Fl. 4591DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 15/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 19515.005662/200860 Acórdão n.º 1302000.992 S1C3T2 Fl. 4.993 14 Portanto, a conclusão a que chego é que a “Performance de Exportação” ou “Operação Soja”, não apresenta qualquer ilegalidade, quando realizada dentro dos ditames legais e sistemática acima apresentada, o que, no entanto não ocorreu no presente caso. A soja, de fato, não foi exportada, uma vez que as notas fiscais apresentadas eram falsas e sua numeração remetia a outras notas fiscais com valores e partes distintas das constantes nas cópias apresentadas pela recorrente. Pelas constatações do auditor fiscal, se quer houve a movimentação da soja (“a operação toda não ocorreu!”) ou industrialização, conforme tópico 1.8 do Termo de Verificação e Constatação Fiscal, o qual é parte integrante do Auto de Infração. Vejamos (fls. 1164): Conforme já alertado anteriormente, as últimas operações não foram concluídas, pois nessa época o esquema já havia sido descoberto pelo Estado. Os registros contábeis ficaram “incompletos” (por falta de documentação), confirmando a constatação de que se tratava de fraude, que não foi devidamente concluída. As cópias dos contratos apresentados pelo contribuinte para comprovar as operações no ano calendário de 2005 (anexo I – fls. 3046 a 3129) indicam que houve compra de soja em grãos e a respectiva industrialização até maio/2005. O corre que não há nenhuma comprovação de que tal mercadoria teria sido exportada. A análise dos Livros Registro de Inventário da matriz (anexo II – fls. 1931 a 1999) e da única filial 2002 a 2005) que possuía estoques (declração da empresa no aenxo II – fls. 1930) mostra que no final de 2005 não havia soja em estoque (mesmo porque já provamos que ela nunca existiu). Só que, segundo o PLASTIFÍCIO SANTA AMÁLIA foram comprados, entre fevereiro/2005 e maio de 2005, nada menos que 95.300 toneladas de soja em grãos, no total de R$ 66.555.470,00, para as quais não há pagamentos. [...] Esta é mais uma prova de que toda a operação não ocorreu, servindo apenas para gerar custos e despesas de modo a reduzir o pagamento de IRPJ e CSLL, bem como créditos indevidos de PIS, COFINS e IPI. Não há dúvidas de que a ilegitimidade do crédito decorre do fato da inexistência da operação, fato este que ocasionou a autuação. Independe, no caso a existência ou não do dolo. A autuação se fundamenta na constatação da inexistência de qualquer das operações que geraram as supostas despesas, de forma que pelo Princípio da Verdade Material entendo que houve efetivamente uma simulação nas operações fiscalizadas. Portanto, julgo improcedente o pedido da recorrente, em relação à existência de boafé da recorrente nas operações de aquisição, industrialização e exportação, consideradas fraudulentas, uma vez que esta apresentou notas fiscais falsas de exportação e não comprovou que efetivamente houve a industrialização da soja. Fl. 4592DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 15/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 19515.005662/200860 Acórdão n.º 1302000.992 S1C3T2 Fl. 4.994 15 2.2 Da glosa das despesas relacionadas com a operação (industrialização) O AFRFB asseverou em relação à glosa das despesas que além de “decorrerem de fraudes, não são intrinsecamente relacionadas com a produção ou comercialização de bens e serviços da fiscalizada. Tampouco são necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora” (fls. 1168). Mais adiante, está disposto no Termo de Verificação e Constatação Fiscal, o qual é parte integrante do Auto de infração, que foram glosados os custos e despesas gerados nas operações irregulares (fls. 1168). A autuação da recorrente pela existência de passivo fictício, oriundo de despesas relacionadas com a realização da “Performance de exportação”, se deu, conforme demonstrado no tópico acima e trechos do auto de infração, pela inexistência de fato das operações alegadas pela recorrente. Em outras palavras, toda a operação de exportação, desde a compra da soja in natura, passando pelo transporte, industrialização e exportação não ocorreram, de forma que os gastos deduzidos da base de cálculo não podem ser considerados como dedutíveis. Dessa forma, o dispositivo utilizado como fundamento para glosa, qual seja, o art. 249, I e 299 do RIR/99 é totalmente aplicável ao caso concreto, conforme abaixo: Art. 249. Na determinação do lucro real, serão adicionados ao lucro líquido do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 2º): I os custos, despesas, encargos, perdas, provisões, participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto, não sejam dedutíveis na determinação do lucro real; Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa. § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. § 3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. A recorrente não logrou êxito em provar a existência de fato e de direito da operação, sua efetividade, assim, nego provimento ao recurso voluntário e mantenho a glosa dos seguintes valores: Fl. 4593DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 15/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 19515.005662/200860 Acórdão n.º 1302000.992 S1C3T2 Fl. 4.995 16 2.3 Da impossibilidade da glosa das despesas relacionadas à assessoria jurídica O auditor fiscal glosou as despesas da recorrente relacionadas com a contratação dos serviços de assessoria jurídica da empresa LÓGICA ADMINISTRAÇÃO DE SERVIÇO LTDA. com fundamento no art. 299 do RIR/99, em razão de ter entendido serem elas indedutíveis (fls. 1164/1166). Fl. 4594DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 15/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 19515.005662/200860 Acórdão n.º 1302000.992 S1C3T2 Fl. 4.996 17 Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). § 3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. A indedutibilidade se originou do entendimento de que as operações comerciais não ocorreram de fato, de forma que haveria, portanto, de serem desnecessárias à atividade da empresa, e assim as despesas jurídicas com esta operação também seria uma despesa desnecessária. Segundo o AFRFB, “as exportações não ocorreram. Logo, tanto a receita de exportação quanto a parcela do custo referente à matériaprima (soja em grãos) também não existiu, restando os gastos referentes às supostas industrializações, e aos serviços de performance de exportação como não necessários.” (fls. 1164 e 1168), porém dentro deles incluiu o gasto com assessoria jurídica. Tal entendimento ocasionou o reconhecimento dos valores glosados como base de cálculo para o lançamento de IRPJ e CSLL (e tributos reflexos), nos seguintes valores. No entanto, entendo que há de ser feita uma distinção em relação a tais valores, vez que, em relação à glosa de despesas com fundamento no contrato de assessoria jurídica celebrado entre a recorrente e a empresa LÓGICA ADMINISTRAÇÃO DE SERVIÇO LTDA, o auditor não poderia ter realizado a autuação pelos fundamentos que passo a discorrer. A assessoria tributária, ou planejamento fiscal, é atividade comum nos dias atuais, através do qual as empresas buscam economia tributária sempre por meios lícitos e sem a utilização de subterfúgios ilegais, simulações ou fraudes. A economia tributária é o objetivo primordial de um planejamento tributário que se desenvolve através da contratação de uma empresa de assessoria jurídica. Tal economia tributária é essencial para que a empresa possa se manter viva e concorrente no mercado atual. Se retomarmos o raciocínio realizado pelo Auditor Fiscal, ele baseou sua glosa na impossibilidade de dedução das despesas pelo recorrente em função da sua desnecessidade. A conclusão do auditor fiscal, consubstanciada no auto de infração, foi que uma vez que a “performance de exportação” não ocorreu e desta forma não seriam necessárias. No entanto, tais despesas são de fato necessárias à manutenção e funcionamento do negócio da recorrente. Ora, o desenvolvimento de suas atividades se baseou nas orientações dadas pela empresa de assessoria jurídica, independente de ser o resultado de tais operações indedutível. Fl. 4595DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 15/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 19515.005662/200860 Acórdão n.º 1302000.992 S1C3T2 Fl. 4.997 18 É imprescindível destacar que a determinação de quais despesas são necessárias para cada atividade produtiva não cabe ao legislador ordinário. Com leciona Hugo de Brito Machado, “a necessidade de gastos que são por natureza, inerentes à atividade empresarial, só o empresário pode definir.1” Logo, o conceito de despesas dedutíveis não pode ser restringido sem se analisar a atividade desempenhada por cada contribuinte. O que se deve analisar neste momento é se houve efetivamente o serviço de assessoria jurídica prestado pela empresa e se foram pagos, ou seja, se as despesas as quais a recorrente alega ter tido a título da referida assessoria realmente existiram. Neste sentido este Egrégio Conselho já se manifestou asseverando a dedutibilidade de despesas com assessoria jurídica quando efetivamente comprovadas, nos seguintes termos: DESPESAS COM CONSULTORIA E ASSESSORIA JURIDICAS — RAZOABILIDADE E SIMETRIA — AFASTAMENTO DA EXIGÊNCIA FISCAL Para que se confirme a dedutibilidade da despesa é indispensável que reste demonstrada a vinculação do gasto com a atividade exercida e a correspondente vinculação aos objetos da pessoa jurídica, como aconteceu nos valores aceitos, relativos a despesas com consultoria e assessoria jurídicas. [...] No tocante à glosa das despesas, os documentos apresentados não atenderam a todos os requisitos exigidos em lei à sua efetividade. Contudo, neste Colegiado vem sendo firmado que as notas fiscais referentes a honorários advocatícios, quando atendem aos princípios de razoabilidade e guardam simetria com os eventos detectados, pelo princípio do formalismo moderado, devem ser aceitas, porque, na prática as notas apenas dispõe de forma genérica e muitos pareceres são verbais. (Ac. 10809.037 – Rel. Karen Jureidini Dias – j. 18/10/2006) IRPJ — BASE DE CÁLCULO — DEDUTIBILIDADE — DESPESAS COMPROVADAS COM CONSULTORIA E ASSESSORIA — NECESSIDADE As despesas efetivamente pagas e que guardem relação com a manutenção dos objetivos sociais da pessoa jurídica, podem ser deduzidas na apuração do lucro líquido. As despesas com assessoria visando produzir informações que subsidiem as decisões institucionais, quando comprovadamente realizadas são dedutíveis da base de cálculo do IRPJ. [...] 1 MACHADO, Hugo de Brito. Despesas necessárias na determinação da base de cálculo do imposto de renda. Revista Dialética de Direito Tributário, São Paulo, n. 162, p. 12, mar.2009. Fl. 4596DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 15/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 19515.005662/200860 Acórdão n.º 1302000.992 S1C3T2 Fl. 4.998 19 A glosa dos gastos relacionados com a prestação de serviços de assessoria e planejamento empresarial foi justificada no lançamento por serem aqueles desnecessários à atividade da empresa e à manutenção da fonte produtora. Da análise da legislação supra citada vêse que para que uma despesa possa ser deduzida na apuração do lucro líquido, deve revestirse de certos requisitos, a saber: 1) ter sido comprovadamente realizada; 2) serem usuais/normais e necessárias ã atividade da empresa e à manutenção da fonte produtora (requisitos subjetivos). O primeiro requisito, a efetividade da realização da despesa, é um elemento objetivo, visto que deve ser comprovada por meio de documentos hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores. Quanto aos outros requisitos para a dedutibilidade são impregnados de subjetividade, isto é, a possibilidade de sua dedução dependerá da análise caso a caso, com a verificação da influência de tal despesa na atividade e manutenção da fonte produtora. Uma despesa pode ser dedutível para determinada pessoa jurídica e não sêlo para outra. (Ac. 10195.033 – Rel. Caio Marcos Cândido – j. 16/06/2005). Importante frisar que não há controvérsia nos presentes autos acerca da efetividade dos dispêndios glosados. A discussão perfaz a necessidade ou não das despesas à atividade da empresa e à manutenção da fonte produtora. Reafirmando a efetividade dos dispêndios e a influência que poderá existir entre as despesas pagas a título de consultoria e assessoria à pessoa jurídica LÓGICA ADMINISTRAÇÃO DE SERVIÇO LTDA, as informações resultantes daquela consultoria/assessoria e a influência destas no resultado da recorrente, não há como desconsiderar a necessidade daquelas despesas na consecução dos resultados futuros da recorrente. A empresa contratada apresentou documentos hábeis para a comprovação do efetivo pagamento, como notas fiscais dos serviços de assessoria tributária e os respectivos extratos bancários que comprovam os recebimentos, reconhecidos pelo auditor fiscal (fls. 1148). Tal entendimento é confirmado pelos contratos juntados ao processo em relação aos quais se manifestou a própria DRJ, onde ficam detalhados os objetos e serviços a serem prestados pela empresa contratada, não deixando dúvidas quanto necessária prestação de consultoria para o alcance dos resultados da recorrente. Os contratos juntados ao processo mostram o detalhamento dos serviços a serem prestados pela contratada pelos quais ocorreram os pagamentos dos valores glosados pelo auditor fiscal. Vejamos alguns trechos colacionados pelo próprio auditor fiscal no Termo de Verificação e Constatação Fiscal, parte integrante do auto de infração (fls. 1154/1157): Fl. 4597DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 15/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 19515.005662/200860 Acórdão n.º 1302000.992 S1C3T2 Fl. 4.999 20 E neste sentido novamente temos decisões do CARF, vejamos: GLOSA DE DESPESAS. Excluise do lançamento o valor das despesas em que foram apresentados documentos comprobatórios. GLOSA DE DESPESAS — SERVIÇOS DE ASSESSORIA E CONSULTORIA DEDUTIBILIDADE. Para ser dedutível a despesa com serviços de assessoria e consultoria é fundamental que os documentos expressem com detalhes os serviços efetivamente contratados. [...] Os documentos apresentados para a comprovação da dedutibilidade devem permitir ao fisco avaliar a necessidade, normalidade e usualidade de uma despesa/custo. [...] Fl. 4598DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 15/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 19515.005662/200860 Acórdão n.º 1302000.992 S1C3T2 Fl. 5.000 21 Trabalhos de assessoria e de consultoria não se perfazem apenas com uma menção lacônica assentada em notas fiscais dando conta de que um serviço genérico fora prestado, pois, é fundamental que os documentos expressem com detalhes os serviços efetivamente contratado [...](Ac. 10709.138 – Rel. Albertina Silva Santos de Lima – j. 12/09/2007) Portanto, entendo pelo provimento do recurso voluntário interposto pela recorrente neste ponto, de forma que as despesas deduzidas relacionadas com o pagamento da assessoria jurídica contratada não podem ser glosadas, uma vez que se encontram devidamente comprovadas, tanto sua ocorrência efetiva como sua necessidade para a manutenação e funcionamento das atividades desenvolvidas pela recorrente. 2.4 Da glosa dos créditos de PIS e COFINS O AFRFB glosou os valores creditados a título de PIS e COFINS em decorrência da constatação de que as operações que os originaram não ocorreram de fato. Segundo o AFRFB (fls. 1234 e 1258) em decorrência da inocorrência das exportações dos derivados da soja, foram excluídos os “insumos utilizados na venda no mercado externo”, sendo apurados valores devidos de PIS e COFINS mês a mês. São eles: PIS: jan/2003 a março/2005 no valor de R$ 2.184.604,22. COFINS: fev/2004 a março de /2005 no valor de R$ 3.868.173,37. A razão da desconsideração de toda a operação foi demonstrada anteriormente e, portanto, as considerações referentes à simulação detectada pelo AFRFB também é o fundamento para a glosa dos respectivos créditos de PIS e COFINS. Portanto, julgo improcedente o Recurso Voluntário quando a glosa dos créditos de PIS e COFINS creditados pela recorrente em razão da inocorrência das operações que as originaram. 2.5 Da Multa qualificada O AFRFB aplicou a multa qualificada prevista no art. 44, §1º da lei 9430/96 (à época o art. 44, II da lei 9430/96) conforme disposto no termo de constatação, o qual é parte integrante do auto de infração. Segundo o AFRFB, “no período de janeiro/2003 a março de 2005, a autuada praticou operações irregulares com evidente intuito de fraude, conforme disposto nos artigos 71 e 72 da Lei n. 4502/64, acima reproduzidos. Consequentemente as infrações apuradas serão penalizadas com a multa qualificada de 150%” (1170/1172). Conforme o enquadramento legal do próprio auto de infração: Fl. 4599DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 15/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 19515.005662/200860 Acórdão n.º 1302000.992 S1C3T2 Fl. 5.001 22 A multa em questão, de 150%, está prevista na Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, em seu art. 44, § 1º (à época o art. 44, II da lei 9430/96): Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II – (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. A qualificação da multa, disposta no §1º acima e aplicado ao caso em tela, é utilizada quando comprovada as condutas de sonegação, fraude ou conluio, definidas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502, de 30 de novembro de 1964, assim dispostos: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de recorrente, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. A recorrente alega que não houve fraude praticada por esta, uma vez que o próprio AFRFB havia entendido que a responsabilidade seria dos assessores jurídicos da recorrente que alteraram as informações e da exportadora que falsificou as notas fiscais apresentadas pela recorrente. No entanto, tais alegações não merecem prosperar. Constatase da análise dos fatos que, efetivamente a recorrente praticou operações irregulares com evidente intuito de fraude, sendo cabível, portanto, a aplicação de pena de 150%. Fl. 4600DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 15/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 19515.005662/200860 Acórdão n.º 1302000.992 S1C3T2 Fl. 5.002 23 Os fundamentos usados pela DRJ/SP merecem ser transcritos, o que faço abaixo (fls. 4286/4287): Conforme, deixou claro o auditor fiscal, corroborado pela DRJ/SP1, a fraude se consubstanciou em diversos procedimentos tais quais: notas fiscais falsas, conhecimento de carga, contratos e outros. E mais, a recorrente não pode se esquivar da responsabilidade de suas operações alegando desconhecimento dos procedimentos adotados pelas empresas por ela contratada, e muito menos responsabilizar a receita federal como o fez. Portanto, restou comprovado o evidente intuito de fraude necessário para a qualificação da multa, conforme entendimento pacificado da jurisprudência administrativa, sendo cabível a sua majoração. Julgo improcedente o recurso voluntário para manter a multa qualificada. 3. CONCLUSÕES Ante ao exposto, dou provimento parcial ao Recurso Voluntário, apenas para excluir a da base cálculo do IRPJ e da CSLL o montante das despesas com assessoria jurídica nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) Marcio Rodrigo Frizzo – Relator. Fl. 4601DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 15/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 19515.005662/200860 Acórdão n.º 1302000.992 S1C3T2 Fl. 5.003 24 Voto Vencedor Conselheiro Eduardo de Andrade, Redator Designado. Neste julgado, manifestou o ilustre Conselheiro Relator Márcio Rodrigo Frizzo seu posicionamento no sentido de se permitir a exclusão a da base cálculo do IRPJ e da CSLL do montante das despesas com assessoria jurídica. Não obstante estar tal posição escorada em valiosos fundamentos, o colegiado divergiu, por maioria, seguindo o entendimento de que a adição de tal rubrica na base de cálculo do IRPJ e da CSLL é devida. É neste mesmo diapasão que, designado para redigir o voto vencedor, manifesto meu entendimento no sentido da legalidade da referida cobrança com base nos argumentos abaixo expendidos. Com efeito, logrou sucesso a autoridade fiscal em demonstrar que a referida operação “Performance de Exportação” levada a cabo pela recorrente foi caracterizada por fraude, com vistas à economia ilícita de tributo. Assim, demonstrou referida autoridade que as operações lastreadas em documentos fictícios – efetivamente não ocorreram. Assim, se materialmente não ocorreram as operações, por evidente a despesa supedaneada neles é desnecessária. Ou seja, a soja não existia, não foi, portanto, exportada, e toda a operação foi simulada (fls. 1144/1145). Assim, as notas fiscais apresentadas às Alfândegas e Portos eram distintas daquelas utilizadas para escrituração do contribuinte, verificandose no caso a falsificação das cópias das notas fiscais apresentadas (fls. 1145/1146). Afirmou o auditorfiscal no item 1.8 do Termo de Verificação e Constatação Fiscal, o qual é parte integrante do Auto de Infração. Vejamos (fls. 1164): ...As cópias dos contratos apresentados pelo contribuinte para comprovar as operações no anocalendário de 2005 (anexo I – fls. 3046 a 3129) indicam que houve compra de soja em grãos e a respectiva industrialização até maio/2005. O corre que não há nenhuma comprovação de que tal mercadoria teria sido exportada. A análise dos Livros Registro de Inventário da matriz (anexo II – fls. 1931 a 1999) e da única filial 2002 a 2005) que possuía estoques (declaração da empresa no anexo II – fls. 1930) mostra que no final de 2005 não havia soja em estoque (mesmo porque já provamos que ela nunca existiu). Só que, segundo o PLASTIFÍCIO SANTA AMÁLIA foram comprados, entre fevereiro/2005 e maio de 2005, nada menos que 95.300 toneladas de soja em grãos, no total de R$ 66.555.470,00, para as quais não há pagamentos. [...] Fl. 4602DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 15/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 19515.005662/200860 Acórdão n.º 1302000.992 S1C3T2 Fl. 5.004 25 Esta é mais uma prova de que toda a operação não ocorreu, servindo apenas para gerar custos e despesas de modo a reduzir o pagamento de IRPJ e CSLL, bem como créditos indevidos de PIS, COFINS e IPI. A fiscalização foi além. O AFRFB asseverou em relação à glosa das despesas que além de “decorrerem de fraudes, não são intrinsecamente relacionadas com a produção ou comercialização de bens e serviços da fiscalizada. Tampouco são necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora” (fls. 1168). Mas, além disso, como as operações não ocorreram, toda a operação de exportação, desde a compra da soja in natura, passando pelo transporte, industrialização e exportação são irreais, de forma que os gastos deduzidos da base de cálculo não podem ser considerados como dedutíveis Deste modo, o auditor fiscal glosou as despesas da recorrente relacionadas com a contratação dos serviços de assessoria jurídica da empresa LÓGICA ADMINISTRAÇÃO DE SERVIÇO LTDA. com fundamento no art. 299 do RIR/99, em razão de ter entendido serem elas indedutíveis (fls. 1164/1166), pois vinculados à fraude. De fato, não pode ser autorizada a dedução da base de cálculo do IRPJ e CSLL de valores gastos com o planejamento tributário que resultaram em fraude na constituição do fato gerador de tais tributos. As despesas devem ser necessárias à atividade da empresa, e ainda, normais ou usuais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (§2º, art. 299, RIR/99). Todavia, lançouse a recorrente, aventureiramente, nesta “Operação de Performance”, exatamente para poder gozar ilicitamente de redução em sua carga fiscal. E tal ação foi executada com base no planejamento tributário elaborado e conduzido pela assessoria jurídica LÓGICA ADMINISTRAÇÃO DE SERVIÇO LTDA, que obviamente não assistiu a recorrente na condução de seus objetivos sociais, mas, antes, conduziua a tal aventura. Segundo apurou o auditorfiscal, a contratada se obrigou por contrato a (fls.1154/1157): indicar as operações de performance para aquisição pela contratante (que se mostraram inexistentes de fato); acompanhar todo o processo logístico de exportação (exportações que não existiram, e portanto, não houve logística envolvida, mas tão somente tráfego de documentos); fazer o acompanhamento de todo o processo de pedido de reconhecimento do crédito presumido de IPI (trâmite meramente documental para dar finalização ao processo de fabricação de documentos) assessorar o departamento fiscal da contratante de todos os procedimentos de compensações de créditos fiscais estaduais e federais; dar total orientação à contratante nos aspectos administrativo, fiscais e judiciais, obrigandose, ainda, o contratado, a tomar as providências cabíveis e necessárias para defesa administrativa e judicial decorrentes das transações ora contratadas (ou seja, dáse orientação; todavia, se algo desse errado, o contratado deve tomar as providências cabíveis e necessárias para defesa administrativa e judicial). Fl. 4603DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 15/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 19515.005662/200860 Acórdão n.º 1302000.992 S1C3T2 Fl. 5.005 26 Vejase, que sequer poderia a recorrente contar com a prestação de serviços jurídicos da contratada no caso de algo dar errado. A análise dos pontos contratados demonstra que a assessoria limitouse à condução do planejamento (e, portanto, da fraude). Não há como separar o jurídico do material, pois neste planejamento eles foram siameses. O material não existe, e o jurídico supre sua inexistência. Há nesta assessoria jurídica total descompasso com aquela que efetivamente é necessária às empresas (advocacia trabalhista, comercial, tributária, civil, etc) e que se destina a resolver os problemas jurídicos gerados pelos negócios. Neste caso, ela própria gerou um problema jurídico (que, evidentemente, não era sua intenção original), porque visou a um ganho não comercial (como haveria de ser, se decorrente da exploração do negócio), mas produzido pela falsidade documental criada (embora, a princípio, a tese demonstrasse ser a fraude perfeita, fechadas todas as frestas abertas à sua descoberta por terceiros, por meio de documentos fiscais aparentemente consistentes). Deste modo, as despesas com a assessoria não revelam relação íntima com o desenvolvimento do objeto social da empresa, não são necessárias, nem normais nem usuais. Afigurase, pois, correta sua glosa, nos termos efetuados pela fiscalização. Assim, considerando tudo o quanto foi exposto, voto para negar provimento ao recurso nesta matéria, mantendose a glosa das despesas com assessoria jurídica. Sala das Sessões, 02 de outubro de 2012. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade – Redator Designado Fl. 4604DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 15/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE
score : 1.0
Numero do processo: 11070.900485/2008-91
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/07/2003
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO.
Compete ao contribuinte à apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado, em momento processual previsto em lei.
DCTF. DACON. RETIFICAÇÃO.
DCTF e DACON retificadores apresentados após a ciência do despacho decisório somente produz efeitos quando acompanhada de documentação capaz de provar a redução da base de cálculo pretendida.
Numero da decisão: 3803-004.165
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. À exceção do Relator os demais Conselheiros e Suplentes votaram pelas conclusões.
[assinado digitalmente]
Belchior Melo de Sousa Presidente em exercício
[assinado digitalmente]
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Paulo Guilherme Deroulede, Hélcio Lafetá Reis, Adriana Oliveira e Ribeiro. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/07/2003 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte à apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado, em momento processual previsto em lei. DCTF. DACON. RETIFICAÇÃO. DCTF e DACON retificadores apresentados após a ciência do despacho decisório somente produz efeitos quando acompanhada de documentação capaz de provar a redução da base de cálculo pretendida.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/07/2003 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte à apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado, em momento processual previsto em lei. DCTF. DACON. RETIFICAÇÃO. DCTF e DACON retificadores apresentados após a ciência do despacho decisório somente produz efeitos quando acompanhada de documentação capaz de provar a redução da base de cálculo pretendida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. À exceção do Relator os demais Conselheiros e Suplentes votaram pelas conclusões. [assinado digitalmente] Belchior Melo de Sousa – Presidente em exercício [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Paulo Guilherme AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 90 04 85 /2 00 8- 91 Fl. 41DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/ 02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA 2 Deroulede, Hélcio Lafetá Reis, Adriana Oliveira e Ribeiro. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de PER/DCOMP transmitido em 14/07/2004 que buscou compensar créditos de PIS/Pasep alegadamente pago indevidamente ou a maior, de período de apuração junho de 2003, com débitos de COFINS, de competência de julho de 2004, no valor total de R$ 2.578,43. Através de Despacho Decisório eletrônico, recebido em 24/04/2008, a DRF em Santo Ângelo/RS não homologou o pedido do contribuinte indicando que, a partir das informações do DARF indicado foram localizados pagamentos, mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do sujeito passivo. Irresignado o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade que transcreveremos, em sua integralidade, abaixo: Anexou DACON e DCTF retificadores transmitidos em 19/05/2008. A DRJ/POA julgou improcedente a manifestação apresentada. Fundamentou sua decisão na falta de provas para se comprovar o direito. Discorre acerca da falta de espontaneidade da retificação da DCTF e DACON após o inicio do procedimento fiscal, e em consequência, a falta do caráter probatório destas. Ementou como se segue: Inconformada o contribuinte protocolou Recurso Voluntario sucinto que transcreverei a seguir na sua íntegra: Fl. 42DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/ 02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA Processo nº 11070.900485/200891 Acórdão n.º 3803004.165 S3TE03 Fl. 42 3 Anexa “planilha de calculo contábil de PIS”, extratos de balancete de verificação, copias do Razão Analítico e Diário Geral. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Das retificações da DCTF e da DACON posteriores ao Despacho Decisório. Especificamente em relação à redução dos débitos tributários, é oportuno ressaltar que somente nas hipóteses em que caracterizada a espontaneidade a DCTF e DACON retificadoras tem a mesma natureza das originais, substituindoas integralmente. Por outro lado, afastada a espontaneidade, evidentemente, tal retificação não pode mais ser admitida como prova suficiente para redução do valor do tributo devido. Corrobora o asseverado, o disposto nos §§ 1°, 2º e 3º do art. 9º da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010 e do disposto no art. 11 da Instrução Normativa SRF nº 543, de 20 de maio de 2005, a seguir transcritos: “Art. 9 º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1 º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2 º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: Fl. 43DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/ 02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA 4 a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o crédito tributário. Grifamos” “Art. 11. Os pedidos de alteração nas informações prestadas no Dacon serão formalizados por meio de Dacon retificador, mediante a apresentação de novo demonstrativo elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. § 1º O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos informados em demonstrativos anteriores. § 2º Não será aceita a retificação que tenha por objeto alterar os débitos relativos à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins: I que já tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, nos casos em que o pleito importe alteração desses débitos; II em relação aos quais já tenham sido apuradas diferenças em procedimento de ofício, relativas às informações, indevidas ou não comprovadas, prestadas no Dacon original e que tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; ou III em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado do início de procedimento fiscal. Grifamos” O contribuinte retificou a DCTF e DACON do período, após a ciência do despacho decisório, com isso as declarações retificadoras, não produzem os efeitos modificativos dos débitos originalmente confessados. Fl. 44DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/ 02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA Processo nº 11070.900485/200891 Acórdão n.º 3803004.165 S3TE03 Fl. 43 5 Comprovação da Liquidez e Certeza do Crédito. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior de tributo. A fim de comprovar a certeza e liquidez do crédito, a interessada deve instruir sua manifestação de inconformidade com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” No caso em análise, o contribuinte esclarece que teria apurado créditos de PIS/Pasep, contudo, para comprovar a liquidez e certeza do crédito informado na Declaração de Compensação é imprescindível que seja demonstrada através da escrituração contábil e fiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A Contribuinte não juntou aos autos, em sede de manifestação de inconformidade, nenhum documento contábil ou fiscal capaz de comprovar a liquidez e certeza do credito apontado. Da apresentação das provas. O mesmo artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A analise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da interessada, qual seja, na manifestação de inconformidade. A mesma norma elenca as possibilidades para a apresentação de provas em outro momento processual. Nenhuma das hipóteses acima alberga o caso do sujeito passivo. O direito da contribuinte em arrolar documentos probatórios está precluso. Fl. 45DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/ 02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA 6 Ressaltamos que em sede de Recurso Voluntário o contribuinte carreou aos autos tão somente, partes do que chamou de balancete de verificação onde aparece apenas as contas de Passivo, o mesmo em relação às contas razão, bem como Diário do mês de maio, não trazendo documentos fiscais de compras das mercadorias de pessoas físicas nem mesmo a escrita fiscal que registrou tais entradas. Conclusão A retificação da DCTF e da DACON após o conhecimento do despacho decisório não produz os efeitos pretendidos pela requerente, restava ao contribuinte comprovar seu direito creditório em manifestação de inconformidade, não o fez. Somente em recurso voluntario anexa escrituração contábil, porém nesse momento processual as provas só são admitidas nos casos elencados no § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, não sendo o caso da contribuinte. Mesmo que fossem admitidas as provas anexadas em sede de Recurso Voluntario, estas se mostram insuficientes a comprovar a liquidez e certeza do direito perseguido. Nada a reparar na decisão da DRJ/POA. Pelo exposto voto por NEGAR PROVIMENTO e não reconhecer o direito creditório. É como voto. Sala das sessões, 25 de abril de 2013. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 46DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/ 02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA
score : 1.0
Numero do processo: 37280.001313/2003-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/1994 a 31/12/1998
EMPRESA SEGMENTADA EM DEPARTAMENTOS RURAL E INDUSTRIAL. PROCESSAMENTO DE PRODUÇÃO PRÓPRIA E ADQUIRIDA DE TERCEIROS. AGROINDÚSTRIA.
O empregador rural que dispõe de departamentos rural e industrial, além de processar produção rural própria e de terceiros, enquadra-se no conceito de agroindústria perante a legislação previdenciária, devendo recolher, no período do lançamento, as contribuições sociais com base na folha de pagamento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.420
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Leo Meirelles do Amaral, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/1994 a 31/12/1998 EMPRESA SEGMENTADA EM DEPARTAMENTOS RURAL E INDUSTRIAL. PROCESSAMENTO DE PRODUÇÃO PRÓPRIA E ADQUIRIDA DE TERCEIROS. AGROINDÚSTRIA. O empregador rural que dispõe de departamentos rural e industrial, além de processar produção rural própria e de terceiros, enquadra-se no conceito de agroindústria perante a legislação previdenciária, devendo recolher, no período do lançamento, as contribuições sociais com base na folha de pagamento. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire - Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Leo Meirelles do Amaral, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1574; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 567 1 566 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 37280.001313/200347 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401003.420 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de fevereiro de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente PLANTAÇÕES MICHELIN DA BAHIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/1994 a 31/12/1998 EMPRESA SEGMENTADA EM DEPARTAMENTOS RURAL E INDUSTRIAL. PROCESSAMENTO DE PRODUÇÃO PRÓPRIA E ADQUIRIDA DE TERCEIROS. AGROINDÚSTRIA. O empregador rural que dispõe de departamentos rural e industrial, além de processar produção rural própria e de terceiros, enquadrase no conceito de agroindústria perante a legislação previdenciária, devendo recolher, no período do lançamento, as contribuições sociais com base na folha de pagamento. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 28 0. 00 13 13 /2 00 3- 47 Fl. 571DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Leo Meirelles do Amaral, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 572DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 37280.001313/200347 Acórdão n.º 2401003.420 S2C4T1 Fl. 568 3 Relatório Retorna o processo à Turma Ordinária, após a Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF do CARF haver reconhecido a decadência até a competência 04/1998 e dado provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional para reformar a decisão da Sexta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes que anulou a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD n. 35.576.7830 por vício formal, ao entender que é inválido o lançamento efetuado após o vencimento do prazo do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. Eis a ementa do decisório emanado da CSRF: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Exercício: 1995, 1996, 1997, 1998, 1999 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO DECADÊNCIA SÚMULA VINCULANTE N° 08 DO STF. As contribuições previdenciárias são tributos sujeitos ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que ocorre em cada competência. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de ofício, operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4 o e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. No período autuado, inclusive, a empresa efetuou recolhimentos parciais de contribuições previdenciárias, sendo que a NFLD envolve apenas diferenças e não os valores integrais eventualmente devidos. Aplicabilidade ao caso da Súmula Vinculante n° 08 do Egrégio STF. Lançamento atingido pela decadência quanto aos fatos geradores ocorridos até a competência 05/1998. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL VÍCIO AUSÊNCIA DE CAUSA PARA NULIDADE DO LANÇAMENTO. O ato administrativo do lançamento é vinculado e obrigatório, sob pena de responsabilidade funcional, sendo que eventuais problemas com o MPF não têm o condão de invalidar o trabalho fiscal. Questões ligadas ao descumprimento do objetivo do MPF devem ser resolvidas no âmbito do processo administrativo disciplinar e tornam nulo o lançamento tributário que atendeu aos ditames do artigo 142 do CTN. Recurso especial provido. Fl. 573DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Uma vez provido o recurso especial da Fazenda Nacional, caberá a este colegiado apreciar as razões do recurso voluntário apresentado pelo sujeito passivo, as quais podem ser assim sintetizadas: A recorrente é produtora rural devendo, ao abrigo do artigo 25, I, da Lei n° 8.870/94, ter suas contribuições previdenciárias calculadas com a aplicação da alíquota de 2,5%, sobre a receita bruta com base na sua produção. Sua atividade consiste na extração, mistura, trituração, granulação, secagem e embalagem de látex, com o fito de obter a chamada "borracha natural", portanto, não é agroindústria, mas produtora rural, o que já foi confirmado pela Gerência Regional de Arrecadação e Fiscalização do INSS de Cuiabá, no julgamento de empresa do mesmo grupo societário da recorrente. O próprio fiscal notificante se pronunciou pela natureza de produtora rural da recorrente, destacando que não há alteração nas características originais da borracha; pouco importa ser o processo produtivo sofisticado e a classificação do produto na TIPI à alíquota zero, confirma o fato de se tratar de processo rudimentar de fabricação. O Manual de Orientação de Previdência Social na área rural não considera, para efeitos de enquadramento como agroindústria, a atividade de beneficiamento por processos simples ou sofisticados, que não retira a característica original da matériaprima. O próprio artigo 240 da IN 03/2005, considera produção rural os produtos de origem vegetal submetidos a processos de beneficiamento ou de industrialização rudimentar. Reafirma que no seu processo produtivo não há qualquer modificação ou alteração nas características originais da borracha, não se podendo admitir que o fato de ter alíquota zero de IPI seja argumento para lhe desclassificar como produtora rural. Além de que a nomenclatura "indústria" por si só também não pode ser motivo para afastar sua condição produtora rural. A indicação de que está classificada como "Indústria de Artefatos de Borracha" está errada pois a empresa que possui tal classificação é SOCIEDADE MICHELIN DE PARTICIPAÇÕES LTDA., estabelecida no Rio de Janeiro e que fabrica pneumáticos; Seus trabalhadores estão filiados ao Sindicato de Trabalhadores Rurais de Camamu e Igrapiúma e sua contribuição patronal é regularmente recolhida para a Federação da Agricultura do Estado da Bahia; Traz um quadro comparativo entre a recorrente e similar empresa do grupo que obteve decisão favorável do INSS, quanto à questão de ser produtora rural. Suscita a existência de conduta contraditória na Administração Pública. Ao final, requer a improcedência da notificação, ou na remota hipótese de indeferimento deste pleito, que sejam anuladas as multas e a cobrança de juros, com base no artigo 100 do CTN. A Fazenda Nacional apresentou contrarazões. É o relatório. Fl. 574DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 37280.001313/200347 Acórdão n.º 2401003.420 S2C4T1 Fl. 569 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Consoante decisão da CSRF as competências até 04/2008 foram excluídas pela decadência, assim passarei a me ater apenas à questão de mérito, a qual se resume em definir o enquadramento previdenciário da recorrente. Vale a pena fazer um passeio prévio pelos principais fatos processuais verificados no decorrer do presente feito. Nos termos do relato do fisco (fls. 149 e segs.), a empresa no período do lançamento efetuou os recolhimentos das contribuições sociais relativas aos empregados alocados no setor rural com base na receita da comercialização da produção rural, aplicando a alíquota de 2,5%. Asseverou ainda que, sendo a empresa uma agroindústria, deveria recolher a contribuição sobre o valor da folha de salários, posto que o § 2. do art. 25 da Lei n. 8.870/1994 foi excluído do ordenamento jurídico pelo Supremo Tribunal Federal, quando o declarou inconstitucional ao julgar a ADIN n. 1.1031/600, movida pela Confederação Nacional de Indústria. Concluiu que a declaração de inconstitucionalidade tem efeito extunc, portanto, as agroindústrias somente poderiam recolher as contribuições com base na receita da produção a partir da edição da Lei n. 10.256/2001, que introduziu o art. 22A na Lei n.º 8.212/1991. Após a apresentação da defesa, o órgão de julgamento do INSS achou por bem converter o julgamento em diligência, de modo que a autoridade notificante se pronunciasse sobre a alegação da empresa de que não se enquadra como agroindústria, sob a justificativa de que somente se dedica ao primeiro tratamento a ser implementado sobre a matéria extraída da seringueira, ou seja, a secagem do látex. Após apreciação do processo produtivo da autuada e de elementos juntados aos autos, a fiscalização se manifestou às fls. 253 e segs. para afirmar que: “Assim, considerandose que a defendente e a empresa Plantações E. Michelin Ltda desenvolvem atividades semelhantes, sendo esta classificada como produtora rural, cujo produto granulado escuro brasileiro GEB 1 é o mesmo beneficiado pela defendente e ambas exploram atividades agropecuária, sem a participação de outras atividades, conforme pode ser verificado na contabilização de receitas de vendas, 19 Considerandose enquadramento dos produtos da defendente nas posições 40.01.29.20 que trata de borracha natural, granulada Fl. 575DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 ou prensada, conforme consta na TIPI, que classifica o produto no grupo de alíquota zero face ao processo rudimentar de fabricação, visto que apenas beneficia, ou seja, efetua a primeira modificação ou preparo do produto por processo sofisticado, contudo, sem retirarlhes as características originárias, entendo que a defendente comprovou ser produtora rural, devendo os débitos serem tornados improcedentes para que se possa cobrar diferenças relativas ao período de 08/94 a 03/97, correspondentes a contribuições de 2,7% sobre a comercialização de produtos rurais, que deve ultrapassar a importância de R$ 1.000.000,00 um milhão de reais. 20 Considerandose a importância da decisão a ser tomada e em decorrência dos novos documentos e esclarecimentos prestados pela empresa, submeto a apreciação da defesa apresentada, a qual efetuei, a um colegiado maior, chefia do serviço de fiscalização e setor de análise, para que ratifiquem ou retifiquem o entendimento pela improcedência do débito. 21 Estamos anexando cópias do capítulo 40 da TIPI e da Instrução Normativa 157/02, da Secretaria da Receita Federal, para melhor esclarecer a questão.” Às fls. 300/301 consta requerimento de perícia técnica pelo órgão de primeira instância com o fito de esclarecer o correto enquadramento da empresa autuada. Em razão de alegada indisponibilidade de servidores para efetuar a perícia técnica, a Delegacia da Receita Previdenciária para onde foi encaminhado o feito, o devolveu à origem. A órgão responsável pelo julgamento decidiu encaminhar a consulta à Divisão de Atos Normativos da Assessoria de Estudos Tributários e Normatização da SRP. Após a criação da RFB, a consulta passou à competência da Coordenação Geral de Estudos e Tributação Previdenciária que se manifestou às fls. 323 e segs. para concluir que a autuada, de acordo com a legislação aplicável, enquadrase como agroindústria, uma vez que transforma sua produção rural mediante sofisticado processo, no qual se vale de laboratório e de variada gama de equipamentos industriais. Às fls. 337 e segs., a empresa contestou o laudo da RFB. Foi exarada a decisão de primeira instância, fls. 356 e segs., na qual foi afastada a decadência e, no mérito, declarouse procedente o lançamento, sob a fundamentação de que a empresa beneficia o látex que extrai e que esta operação é considerada industrialização à luz dos arts. 4. e 5. do Decreto n. 2.637/1998 (RIPI). Feito este apanhado, já posso iniciar minhas ponderações. Inicialmente observase que para os fatos geradores ocorridos após 11/2001, vigência do art. 22A da Lei n.º 8.212/1991, essa celeuma já não mais existe, uma vez que as agroindústrias passaram a recolher as contribuições sobre a receita bruta decorrente da comercialização da produção. Todavia, tendose em conta que os fatos geradores contemplados no lançamento são de período anterior a esse marco normativo, a contenda, que já dura mais de Fl. 576DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 37280.001313/200347 Acórdão n.º 2401003.420 S2C4T1 Fl. 570 7 dez anos desde que foi inaugurada com a apresentação da defesa, precisa ser encerrada no âmbito administrativo. Um primeiro ponto que me chama atenção é que toda discussão gira em torno da divergência de interpretações da legislação quanto à caracterização da autuada. Seria esta um produtor rural ou uma agroindústria? De cara percebo um erro conceitual nesta questão. É que, nos termos da legislação, a agroindústria é também um produtor rural. Este é um conceito mais abrangente, no qual está contido o conceito de empreendimento agroindustrial. Vejamos o que diz o Manual de Orientação das Contribuições Previdenciárias na Área Rural, editado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural SENAR em parceria com a RFB: 5. Agroindústria É o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização da produção própria ou da produção própria e adquirida de terceiros. Desenvolve duas atividades em um mesmo empreendimento econômico, com departamentos, divisões ou setores rural e industrial distintos, por exemplo: usina de açúcar com lavoura canavieira, frigorífico com pecuária, etc. (grifei) Observase, portanto, que a agroindústria é um produtor rural pessoa jurídica que, além da produção no campo, desenvolve a atividade industrial em departamento distinto da atividade agrícola. A partir deste conceito, os dados constantes nos autos já são suficientes para elucidar o cerne do litígio, qual seja o correto enquadramento da autuada perante a legislação previdenciária no período do lançamento. Consoante se extrai do relato fiscal, os fatos geradores de contribuições dizem respeito apenas aos trabalhadores do setor rural, uma vez que sobre os obreiros que laboravam na área industrial não houve a exigência das contribuições. De se concluir que a própria autuada recolhia as contribuições para o setor industrial com base na folha de pagamento. Isso conduz à constatação de que a empresa mantinha duas atividades distintas no seu empreendimento, qual seja a rural e a industrial. Isso pode ser facilmente visualizado na resposta à diligência fiscal, quando a Autoridade Lançadora apresenta tabela demonstrativa da remuneração para nos diversos setores da empresa (ver fl. 254). Vale a pena transcrever trecho do pronunciamento fiscal: “7 Na estrutura empresarial constam, entre outros, os setores: organização agroindústria, fábrica de látex, grupo gerador fábrica e laboratório fábrica, pelos quais passam a transformação das resinas extraídas de seringueiras próprias e as matérias primas da mesma natureza, adquiridas de terceiros, em produtos acabados (borracha).” Fl. 577DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Das palavras do Auditor, que na sequência trouxe dados contábeis relativos às remunerações pagas no ano de 2000, inferese que a empresa tinha departamentos distintos de segmentos agrícola e industrial, além de processar matériaprima adquirida de terceiros. Diante desses dados, não há muito o que se discutir sobre o enquadramento da autuada, eis que amoldase perfeitamente ao enquadramento legal de agroindústria, hoje contido no “caput” do art. 22A da Lei n.º 8.212/1991: Art. 22A. A contribuição devida pela agroindústria, definida, para os efeitos desta Lei, como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição às previstas nos incisos I e II do art. 22 desta Lei, é de: (...) É fato que a própria empresa já se enquadrava como agroindústria no período lançado, uma vez que recolhia a contribuição previdenciária do setor industrial sobre a folha de salários e do setor agrícola sobre a produção, isso se junta à constatação de que adquiria produtos de terceiros para processamento. Assim, o enquadramento da empresa como agroindústria foi decorrência da própria realidade contábil da empresa fiscalizada, não dá para se afirmar que o fisco tenha descaracterizado o autoenquadramento efetuado pelo sujeito passivo. Para reforçar meu entendimento, pude verificar das pesquisas juntadas pela Procuradoria da Fazenda Nacional em suas contrarazões (fls. 441 e segs.), que a Plantações Michelin da Bahia é uma das agroindústrias da multinacional francesa do ramo de pneus que possui capacidade para produzir 10.000 ton de borracha seca por ano. Diante das evidências acima, posso concluir com segurança que a empresa autuada é um produtor rural caracterizado como agroindústria em razão de possuir departamentos distintos voltados para a cultura de seringais, extração do látex e processamento de produção própria, além de beneficiar matériaprima adquiria de terceiros. Apenas para argumentar, friso que a decisão do INSS, que a recorrente afirma ter o condão de demonstrar a posição contraditória da Administração Tributária sobre o tema, não se presta para esse fim. Primeiro, porque diz respeito a um ato decisório de primeira instância, portanto, passível de modificação e em segundo lugar, a situação posta sob apreciação é de outra natureza. No processo sob referência, ver fls. 240 e segs., discutese lavratura efetuada contra a empresa Drebor Indústria de Artefatos de Borracha Ltda para exigência de contribuições incidentes sobre aquisições de produtos rurais. O órgão julgador, após diligência fiscal, decidiu excluir da apuração as notas fiscais emitidas pela empresa Plantações E Michelin Ltda, sob a justificativa de que esta era uma produtora rural pessoa jurídica. Esse posicionamento do órgão do INSS em nada interfere na presente lide, posto que a exclusão das notas fiscais emitidas pela empresa do mesmo grupo econômico da autuada darseia quer fosse aquela empresa caracterizada simplesmente como produtor rural ou como produtor rural agroindústria. Fl. 578DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 37280.001313/200347 Acórdão n.º 2401003.420 S2C4T1 Fl. 571 9 Assim, o paradigma utilizado pela recorrente para demonstrar suposta mudança de critério jurídico do INSS não tem força para alterar a minha conclusão sobre a lide. Ressalvese, todavia, que a situação sob comento é albergada pela remissão das contribuições previdenciárias prevista na Lei n. 10.736/2003, que em seu art. 1. dispõe: Art.1o Ficam extintos os créditos previdenciários, constituídos ou não, inscritos ou não em dívidas ativas, ajuizados ou não, com exigibilidade suspensa ou não, contra as pessoas jurídicas que se dediquem à produção agroindustrial em decorrência da diferença entre a contribuição instituída pelo §2o do art. 25 da Lei no 8.870, de 15 de abril de 1994, declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, e a contribuição a que se refere o art. 22 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, em razão dos fatos geradores ocorridos entre a data de publicação daquela Lei e a da declaração de sua inconstitucionalidade. Diante desse dispositivo, deveriam ser afastadas da NFLD as contribuições relativas às competências 08/1994 a 04/1997, todavia, o reconhecimento da decadência até a competência 04/2008, pela CSRF, impossibilita a aplicação da remissão sob comento. Conclusão Voto por negar provimento ao recurso quanto ao mérito da causa. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 579DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 16327.001329/2009-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jun 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007
MULTA DE OFÍCIO. PROVIMENTO JUDICIAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA.
O provimento judicial obtido pela contribuinte não afasta a incidência da contribuição sobre as receitas operacionais, não havendo que se falar em suspensão da exigibilidade do crédito tributário lançado e, tampouco, em cancelamento da multa de oficio lançada.
MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS SELIC.
Como débito decorrente de tributo e contribuição administrado pela Receita Federal, incidem sobre a multa de ofício, a partir da data de vencimento, juros Selic.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.851
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas (relatora), Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto, que davam provimento ao recurso. Designado o conselheiro José Antonio Francisco para redigir o voto vencedor. O Conselheiro Gileno Gurjão Barreto apresentará declaração de voto.
Fez sustentação oral: Dr. Roberto Quiroga Mosquera - OAB/SP 83755 e Dr. Rodrigo Moreira Lopes - Procurador da PGFN.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA
Presidente e Redator Ad Hoc
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
Relatora
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Walber José da Silva (Presidente), Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto, José Antonio Francisco.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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TRIBUTAÇÃO. Constitui receita própria da atividade da Recorrente a decorrente da venda de ação, adquiridas para esse fim, compondo seu resultado a base de cálculo da contribuição. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007 RECEITA DE VENDA DE AÇÕES ADQUIRIDAS PARA REVENDA. TRIBUTAÇÃO. Constitui receita própria da atividade da Recorrente a decorrente da venda de ação, adquiridas para esse fim, compondo seu resultado a base de cálculo da contribuição. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007 MULTA DE OFÍCIO. PROVIMENTO JUDICIAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA. O provimento judicial obtido pela contribuinte não afasta a incidência da contribuição sobre as receitas operacionais, não havendo que se falar em suspensão da exigibilidade do crédito tributário lançado e, tampouco, em cancelamento da multa de oficio lançada. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS SELIC. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 13 29 /2 00 9- 91 Fl. 526DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assi nado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 16327.001329/200991 Acórdão n.º 3302001.851 S3C3T2 Fl. 11 2 Como débito decorrente de tributo e contribuição administrado pela Receita Federal, incidem sobre a multa de ofício, a partir da data de vencimento, juros Selic. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas (relatora), Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto, que davam provimento ao recurso. Designado o conselheiro José Antonio Francisco para redigir o voto vencedor. O Conselheiro Gileno Gurjão Barreto apresentará declaração de voto. Fez sustentação oral: Dr. Roberto Quiroga Mosquera OAB/SP 83755 e Dr. Rodrigo Moreira Lopes Procurador da PGFN. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Redator Ad Hoc (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Walber José da Silva (Presidente), Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto, José Antonio Francisco. Relatório Tratase de Auto de Infração (fl. 295/305), que constituiu supostos débitos de PIS e COFINS, apurados nas competências de outubro a dezembro de 2007, cuja ciência foi dada ao contribuinte em 09/12/2009. Segundo o Termo de Verificação Fiscal (fls. 306/314) a Recorrente auferiu receitas derivadas da venda de ações que deveria ter submetido à incidência Fl. 527DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assi nado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 16327.001329/200991 Acórdão n.º 3302001.851 S3C3T2 Fl. 12 3 das contribuições, mas não o fez, por ter entendido que se tratava de venda de ativo permanente, não sujeito, portanto, ao PIS e à COFINS. De acordo com informações constantes no próprio TVF a Recorrente estava obrigada a manter títulos patrimoniais da BOVESPA e da BM&F para que pudesse operar como corretora dos títulos mobiliários negociados perante as duas instituições. Estes títulos eram adquiridos pelas empresas que pretendessem desenvolver suas atividades neste ramo, pois sua propriedade era condição para atuação perante as instituições. Em virtude de processo de reorganização societária sofrido pela BOVESPA em 28/08/07 (desmutualização), mormente sua transformação de associação sem fins lucrativos em sociedade anônima, os títulos patrimoniais foram convertidos em ações da empresa (BOVESPA Holding S/A). Na ocasião cada título patrimonial correspondia a 706.762 ações da BOVESPA HOLDING S/A. A Recorrente, detentora de 13 títulos patrimoniais da BOVESPA recebeu, portanto, 9.187.906 (nove milhões, cento e oitenta e sete mil, novecentas e seis) ações da BOVESPA HOLDING S/A, no valor então equivalente a R$ 20.394.448,23 (vinte milhões, trezentos e noventa e quatro mil, quatrocentos e quarenta e oito reais e vinte e três centavos). O mesmo ocorreu em relação à BM&F (desmutualização), que em processo similar foi transformada, em 01/10/2007, de associação sem fins lucrativos em sociedade anônima e converteu os antigos títulos patrimoniais em ações da empresa (BM&F S/A). Cada título patrimonial da categoria “Corretora de Mercadorias”, da BM&F foi transformado em 4.898.015 (quatro milhões, oitocentos e noventa e oito mil e quinze) ações da BM&F S/A. A Recorrente possuía um título patrimonial desta categoria e, portanto, esse foi o montante de ações que recebeu. Possuía, ainda, um título patrimonial da categoria “Sócio Efetivo”, pelo qual recebeu outras 10.000 (dez mil) ações, totalizando 4.908.015,00 (quatro milhões, novecentos e oito mil e quinze) ações, equivalente à R$ 4.908.015,00 (quatro milhões, novecentos e oito mil e quinze reais). A Recorrente realizou 04 operações de vendas das ações em comento, sendo a primeira em 30/10/2007 (ações da BOVESPA HOLDING S/A), a segunda e terceira em 30/11/2007 (ações da BOVESPA HOLDING S/A e da BM&F S/A), e a última em 28/12/2007 (ações da BM&F S/A). Na ocasião ofereceu à tributação do IRPJ e da CSLL o lucro auferido na alienação das referidas ações, contudo, deixou de recolher o PIS e a COFINS por entender que se tratava de venda de ativo permanente. A fiscalização discordou desta interpretação, o que gerou o lançamento. A fiscalização reconhece que os títulos patrimoniais detidos pela Recorrente na BOVESPA se classificavam como ativo permanente, porém, entende que houve “devolução do capital” pelas associações sem fins lucrativos, no momento da desmutualização, através da conferência de “novas” ações das “novas” companhias. Nesse sentido o Fisco entendeu que no momento da classificação destas “novas ações” deveria ser perscrutada a sua natureza e finalidade, e em vista da característica específica do título, não poderia ser mantida a classificação como ativo permanente, pois confundem com os demais títulos e valores mobiliários que são objeto de negociação/atividade da Recorrente e, por isso, a alienação destes “novos” títulos seria tributável pelo PIS e pela COFINS. Ademais, em relação à declaração de inconstitucionalidade do parágrafo 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 – que impede a tributação, pelo PIS e pela COFINS, do que não Fl. 528DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assi nado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 16327.001329/200991 Acórdão n.º 3302001.851 S3C3T2 Fl. 13 4 seja faturamento (venda de serviços e/ou mercadorias) – entende que nos caso de instituições financeiras, as receitas financeiras se confundem com seu faturamento. Entende que a venda das ações em questão se confunde com seu resultado operacional. O TVF faz referência, ainda, à medida judicial ajuizada pela Recorrente (Processo nº 2005.61.00.0110850) em que pretende o reconhecimento da inconstitucionalidade do citado dispositivo da Lei nº 9.718/98, mormente para que se afaste a incidência das contribuições ao PIS e à COFINS sobre receitas que não correspondam ao conceito de faturamento previsto na Lei Complementar nº 70/91. Embora no momento da autuação existisse sentença favorável à Recorrente, com Recurso de Apelação da Fazenda Nacional recebido apenas no efeito devolutivo, a fiscalização concluiu que não haveria empecilho ao lançamento, pois entendeu que estava tributando receitas operacionais da Recorrente, não abarcadas pela medida judicial. Intimada acerca do lançamento a Recorrente apresentou Impugnação às fls. 319/346, por meio da qual alega, em síntese, que: não houve devolução de capital, porque não houve dissolução ou encerramento das sociedades no processo de desmutualização, mas sim transformação de associações em sociedades anônimas. a transformação é espécie de reorganização societária que não implica na extinção de uma pessoa jurídica, como dispõe expressamente o Código Civil, mas sim mera alteração da sua forma de se organizar; por consequência, a alegação da autoridade fiscal de que houve extinção das associações, e que se aplicaria ao caso o artigo 17 da Lei nº 9.532/97, não procede; houve apenas a reclassificação ou sucessão de ativos, que deixaram de se chamar títulos patrimoniais e passaram a se chamar ações, mantendose, portanto, os mesmos registros e sua forma de contabilização; não havendo extinção das pessoas jurídicas e/ou devolução do capital, não se justifica a exigência de novo registro das ações; a substituição dos títulos não pode ser classificada como alienação, pois às corretoras não foi dada alternativa: a substituição foi realizada em razão da transformação das companhias; os valores e quantidade das ações recebidas correspondiam exatamente ao valor dos títulos patrimoniais o que evidencia se tratar de mera substituição; assim, mantémse a classificação dos ativos, baseada na intenção do adquirente no momento desta aquisição – que, neste caso, foi o momento da aquisição dos títulos patrimoniais, cuja intenção só poderia ser de mantêlos, pois eram condição para o desenvolvimento das atividades da Recorrente; há parecer normativo (PN CST nº 03/80) que orienta os contribuintes a não alterar a contabilização de um ativo permanente apenas porque virá a ser alienado, pois o que se considera é a intenção no momento da contabilização Fl. 529DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assi nado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 16327.001329/200991 Acórdão n.º 3302001.851 S3C3T2 Fl. 14 5 do bem, que deverá permanecer naquela conta até sua efetiva alienação, baixa ou liquidação; é impossível a incidência do PIS e da COFINS, pois a receita auferida não pode ser considerada derivada do faturamento da Recorrente, na medida em que se trata de alienação de ativos, e não de bens que haviam sido adquiridos para negociação; a fiscalização pretende impor significado diverso àquele conferido pela legislação e admitido pelo STF, para o termo faturamento; a decisão válida na medida judicial impetrada pela Recorrente não pode ser afastada, como pretendeu a fiscalização, pois se refere exatamente sobre a definição de quais receitas poderão ser ou não tributadas pelo PIS e pela COFINS, na medida em que visa o reconhecimento de que apenas as receitas derivadas da venda de mercadorias ou da prestação de serviços poderiam ser tributadas; a substituição de ativos equivalentes, e a não incidência das contribuições sobre ativo permanente, fundamentam os procedimentos adotados pela Recorrente; ademais, a receita advinda da venda destes ativos é receita de remuneração de capital próprio (alienou ações próprias e não de terceiros), e não de qualquer prestação de serviços que tenha realizado em favor de clientes; em relação à diferença de cálculo do custo de aquisição dos títulos patrimonial alienados em outubro, não procede o cálculo da fiscalização, pois desconsiderou o valor efetivamente pago pela Recorrente, quando de sua aquisição, ocasião em que pagou um valor superior ao valor que estava contabilizado na alienante, ou seja, o adquiriu com ágio – o que comprova por meio da juntada de balancete contábil (em que, de fato, o ágio encontra se contabilizado); inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da existência de decisão judicial válida e eficaz, no momento do lançamento, que determinava que a incidência do PIS e da COFINS somente poderia se dar sobre receitas derivadas da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços; ilegalidade da taxa SELIC, como índice de juros moratórios; ilegalidade da aplicação de juros sobre a multa cominada. A DRJ manteve integralmente o lançamento (fls. 405/422), por entender que as ações recebidas em razão da desmutualização das entidades são ativos diferentes dos títulos patrimoniais antes contabilizados e que, por isso, deveriam ter passado por nova avaliação de classificação e não deveriam ser registradas no ativo permanente da Recorrente, mas em seu ativo circulante, sujeitandose, ainda, à incidência das contribuições porque, no entender dos julgadores, se trata de atividade operacional da empresa e, assim, a receita dela decorrente se sujeita ao PIS e a COFINS. Fl. 530DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assi nado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 16327.001329/200991 Acórdão n.º 3302001.851 S3C3T2 Fl. 15 6 O Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte (fls. 426/457) reitera os argumentos anteriormente apresentados em sua Impugnação. Vieramme então, os autos para decisão. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas, Relatora O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele o conheço. A controvérsia dos autos referese à incidência do PIS e da COFINS sobre a receita derivada da venda de participação societária da Recorrente, em sociedades que passaram por processo de transformação (de associações sem fins lucrativos transformaramse em sociedades anônimas). Vale destacar que a tributação imposta no lançamento tem por base as disposições contidas na Lei nº 9.718/98, pois a Recorrente é sociedade corretora submetida às disposições de referida norma, a qual estabelece que a base de cálculo das contribuições é o faturamento (e não a receita bruta), conceito este que está descrito e limitado pelas decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, in casu a Recorrente possui ação judicial própria e obterá declaração específica neste particular. O Fisco entende que as receitas advindas das vendas das participações que a Recorrente possuía na BOVESPA e na BM&F – pós transformação em sociedades anônimas – é tributável pelas referidas contribuições porque (i) tais participações não poderiam estar classificadas no ativo permanente da Recorrente, bem como porque (ii) advém do desenvolvimento de seu objeto social, qual seja, a compra e venda de títulos e valores mobiliários, compondo então a receita de desenvolvimento de suas atividades empresariais, receita esta que corresponderia à base de cálculo do PIS e da COFINS. As operações estão descritas pela recorrente em fluxograma anexado às fls. 40. Entendo necessária a avaliação apartada dos dois fundamentos apontados pela fiscalização para efetuar o lançamento. Em primeiro lugar, deve ser analisado a procedência do questionamento fiscal, quando à classificação destas participações societárias em conta do ativo permanente da Recorrente. Para tanto é necessário analisar se, com a transformação das associações sem fins lucrativos em sociedades anônimas as respectivas participações societárias deveriam sofrer reavaliação e reclassificação, sendo retiradas da conta de ativo permanente e transferidas para contas de ativo circulante – como alega a fiscalização. Vale destacar que a fiscalização e a DRJ concordam que as participações societárias mantidas pela Recorrente nas associações (antes da transformação da BOVESPA e da BM&F), representada pela propriedade de títulos patrimoniais (que lhes garantia a atuação como corretoras de valores perante as duas instituições), estava corretamente registrada no ativo permanente da Recorrente. Fl. 531DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assi nado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 16327.001329/200991 Acórdão n.º 3302001.851 S3C3T2 Fl. 16 7 A controvérsia está, portanto, no momento da transformação das associações, quando o Fisco entende ter havido devolução do capital investido à Recorrente e consequente necessidade de avaliação sobre onde deveriam se classificar as “novas” participações societárias. O Fisco entende que a conferência das ações das sociedades anônimas (pós transformação) aos associados da BOVESPA e da BM&F, representaria uma nova aquisição de participação societária o que implicaria na necessidade de reavaliação (e eventual reclassificação) do ativo, quando então, segundo entendimento fiscal, as ações deveriam ser registradas no ativo circulante, pois a Recorrente tinha, naquele momento, a intenção de vender tais ações. A Recorrente, por sua vez, defende que não houve devolução de capital, tampouco “nova” aquisição de participação societária, mas a mera substituição de um tipo de participação (títulos patrimoniais), por outro tipo de participação (ações). O que, portanto, não demandaria nova avaliação ou reclassificação destes ativos, que seriam, em verdade, o mesmo ativo, apenas sob uma forma/título diferente. (i) Do Registro em Ativo Permanente Em primeiro lugar, passo a analisar o questionamento fiscal quanto à classificação das discutidas participações societárias em conta do ativo permanente da Recorrente. Para tanto é necessário analisar se, com a transformação das associações em sociedades anônimas, as respectivas participações societárias deveriam sofrer reavaliação e reclassificação, sendo retiradas da conta de ativo permanente e transferidas para contas de ativo circulante – como alega a fiscalização. Vale destacar que não se discute, em momento algum nestes autos, quanto à adequação da classificação no ativo permanente das participações societárias mantidas pela Recorrente nas associações (antes da transformação da BOVESPA e da BM&F), representada pela propriedade de títulos patrimoniais (que lhes garantia a atuação como corretoras de valores perante as duas instituições). A controvérsia limitase, portanto, ao momento da transformação das associações, quando o Fisco desconsidera a operação societária da forma como realizada pela BOVESPA e BM&F. Assim, para melhor compreensão da matéria, mister se faz dividila em dois aspectos: a primeira questão a ser avaliada referese à (a) operação societária; a qual consequentemente gera efeitos na conclusão da (b) classificação contábil das ações. (i.a.) Da Operação Societária Conforme esclarecido, a premissa da fiscalização para realizar o lançamento fiscal foi interpretar ter havido devolução do capital investido à Recorrente, o que gerou a necessidade de avaliação sobre onde deveriam se classificar as “novas” participações societárias. O Fisco entende que a conferência das ações das sociedades anônimas (pós transformação) aos associados da BOVESPA e da BM&F, representaria uma nova aquisição de participação societária o que implicaria na necessidade de reavaliação (e eventual reclassificação) do ativo, quando então, segundo entendimento fiscal, as ações deveriam ser registradas no ativo circulante, pois a Recorrente tinha, naquele momento, a intenção de vender tais ações. Fl. 532DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assi nado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 16327.001329/200991 Acórdão n.º 3302001.851 S3C3T2 Fl. 17 8 Apesar das orientações constantes do citado Oficio, verificase que o contribuinte não seguiu tal orientação, pois, mesmo tendo disponibilizado parte das ações recebidas para venda no IPO pouco tempo após a aquisição e, ainda no mesmo exercício social, escriturou o total dessas ações no Ativo Permanente.” A Recorrente, por sua vez, defende que não houve devolução de capital, tampouco “nova” aquisição de participação societária, mas a mera substituição de um tipo de participação (títulos patrimoniais), por outro tipo de participação (ações). O que, portanto, não demandaria a necessidade de nova avaliação ou reclassificação destes ativos. Por este raciocínio, temse que estes ativos seriam, em verdade, o mesmo ativo até então contabilizado, apenas sob uma forma/título diferente. Esta diferença de interpretação realizada pelo Fisco e contribuinte é extremamente relevante, pois na hipótese de tratarse de investimento novo e não de manutenção de investimento antigo, já classificado contabilmente não resta dúvida que haveria a necessidade de nova análise do ativo com a conseqüência de uma nova classificação contábil deste ativo. Resumidos os fatos, passo a analisar as opções apresentadas. De acordo com a interpretação da fiscalização, a operação realizada resultou na devolução do capital para os associados. Mister se faz discorrer sobre este fato. A devolução de capital ocorre quando alguém que detém participação na sociedade decide desligarse ou, ainda, quando uma sociedade se extingue. Em ambas as ocasiões, a sociedade devolve o capital investido ao participante (que deseja se retirar, ou a todos, no caso de extinção). Logo, temse que a devolução do capital alcança as situações em que o ocorrem a extinção do investimento, ainda que para aquele associado em particular. Na situação em tela, contudo, formalmente não ocorreu nem uma nem outra hipótese. Conforme constado pelo próprio Termo de Verificação Fiscal, a Associação BOVESPA, em agosto/2007 se submeteu a uma operação societária que resultou na versão de boa parte de seu patrimônio para uma pessoa jurídica com fins lucrativos. Vejase fluxograma anexado pela Recorrente às fls. 40. Nos termos do voto do ilustre Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, proferido nos autos do processo administrativo nº16327.001339/201061: “Inicialmente, a instituição sujeitouse a uma cisão parcial, com alocação dos ativos e passivos cindidos em duas sociedades, a Bovespa Holding S.A. e a Bovespa Serviços e Participações S.A., ambas constituídas imediatamente antes da operação. Em seguida, as ações emitidas por esta última sociedade foram incorporadas pela primeira, daí decorrendo a formação de uma subsidiária integral. Concluídos os atos societários, portanto, parte dos títulos patrimoniais emitidos pela Associação Bovespa foi extinta e substituída por ações representativas do capital social da incorporadora, a Bovespa Holding S.A., a significar que, no ativo da recorrente e dos demais associados, as novas ações passaram a ocupar a posição dos antigos títulos (a ‘Desmutualização’).” A primeira questão a ser avaliada, portanto, referese à operação societária ocorrida. É possível à associação sem fins lucrativos submeterse ao processo de cisão? Mais do que isso, é possível, à fiscalização desconsiderar o procedimento da forma como realizado? Ainda, é possível o entendimento apresentado pela fiscalização? No que se refere a possibilidade de uma associação sem fins lucrativos proceder à cisão, passo a análise dos dispositivos específicos referentes a este assunto. A Fl. 533DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assi nado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 16327.001329/200991 Acórdão n.º 3302001.851 S3C3T2 Fl. 18 9 fiscalização entendeu que, por ser tratar de associação sem finalidade lucrativa, aplicase ao caso o artigo 61 do Código Civil, o qual da seguinte forma determina, verbis: “Art. 61. Dissolvida a associação, o remanescente do seu patrimônio líquido, depois de deduzidas, se for o caso, as quotas ou frações ideais referidas no parágrafo único do art. 56, será destinado à entidade de fins não econômicos designada no estatuto, ou, omisso este, por deliberação dos associados, à instituição municipal, estadual ou federal, de fins idênticos ou semelhantes. § 1o Por cláusula do estatuto ou, no seu silêncio, por deliberação dos associados, podem estes, antes da destinação do remanescente referida neste artigo, receber em restituição, atualizado o respectivo valor, as contribuições que tiverem prestado ao patrimônio da associação. § 2o Não existindo no Município, no Estado, no Distrito Federal ou no Território, em que a associação tiver sede, instituição nas condições indicadas neste artigo, o que remanescer do seu patrimônio se devolverá à Fazenda do Estado, do Distrito Federal ou da União.” – destacamos. Pelos termos do dispositivo legal citado, a fiscalização concluiu que não seria possível, à uma associação sem fins lucrativos, transferir patrimônio para uma sociedade com finalidade lucrativa. Por outro giro, em vista desta impossibilidade, o agente fiscal concluiu que a operação realizada pela BOVESPA gerou a devolução do patrimônio investido na associação para o associado, o qual procedeu a novo investimento, agora em sociedade com fins lucrativos. Alguns aspectos apresentamse relevantes. O primeiro é: pode ser realizada a cisão? Neste ponto divirjo do entendimento apresentado pela fiscalização, entendo que sim, é possível proceder a cisão, ainda que a parte cindida seja vertida para a constituição de uma sociedade lucrativa. É que entendo que a obrigatoriedade de versão do patrimônio para outra entidade sem fins lucrativos se aplica apenas no caso de dissolução da entidade, isto é, de extinção da personalidade jurídica. Este entendimento está pautado na interpretação dos termos da lei, verbis: “Dissolvida a associação, o remanescente do seu patrimônio líquido, (...) será destinado à entidade de fins não econômicos designada no estatuto, ou, omisso este, por deliberação dos associados, à instituição municipal, estadual ou federal, de fins idênticos ou semelhantes” Vale salientar que não houve extinção das pessoas jurídicas, mas sim transformação. A transformação, por sua vez, de acordo com o Código Civil (artigo 1.1131) e a Lei das S/A (Lei nº 6.404/76 artigo 220), é meio de reorganização societária que se dá independentemente da dissolução ou liquidação da sociedade. Aliás, por tratase de mera 1 Código Civil: "CAPÍTULO X Da Transformação, da Incorporação, da Fusão e da Cisão das Sociedades Art. 1.113. O ato de transformação independe de dissolução ou liquidação da sociedade, e obedecerá aos preceitos reguladores da constituição e inscrição próprios do tipo em que vai converterse." Fl. 534DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assi nado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 16327.001329/200991 Acórdão n.º 3302001.851 S3C3T2 Fl. 19 10 alteração do tipo da sociedade, esta não poderia, mesmo, extinguirse ou liquidarse sob pena de não restar pessoa jurídica para ter seu tipo alterado. Por outro giro, a possibilidade de cisão está prevista no Código Civil, artigo 2.033, que expressamente se refere às entidades sem fins lucrativas, a saber: “Art. 2.033. Salvo o disposto em lei especial, as modificações dos atos constitutivos das pessoas jurídicas referidas no art. 44, bem como a sua transformação, incorporação, cisão ou fusão, regemse desde logo por este Código.” Neste sentido, determina o artigo 44 do mencionado Código: “Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado: I as associações; II as sociedades; III as fundações. IV as organizações religiosas; V os partidos políticos; VI as empresas individuais de responsabilidade limitada. § 1o São livres a criação, a organização, a estruturação interna e o funcionamento das organizações religiosas, sendo vedado ao poder público negarlhes reconhecimento ou registro dos atos constitutivos e necessários ao seu funcionamento. § 2o As disposições concernentes às associações aplicamse subsidiariamente às sociedades que são objeto do Livro II da Parte Especial deste Código. § 3o Os partidos políticos serão organizados e funcionarão conforme o disposto em lei específica.” Confesso que o procedimento adotado pela BOVESPA suscitou dúvidas nesta relatora, mas não encontrei na legislação a limitação interpretada pela fiscalização, ao contrário, outras entidades sem fins lucrativos como clubes, entidades de ensino, etc já realizaram este procedimento, passando a auferir lucros e apurar tributos na pessoa jurídica cindida. Ademais, apenas a legislação específica que trata das entidades sem fins lucrativos constituídas na forma de Fundação versa sobre o caráter obrigatoriamente público do patrimônio da entidade, no sentido de que uma vez que o patrimônio é propriedade da Fundação, nunca mais poderá ser privado. Neste diapasão, é de meu entendimento que a cisão poderia ter sido realizada e que não houve extinção da pessoa jurídica, como interpretou a fiscalização. Imperioso esclarecer que, com isso não estou validando procedimentos societários abusivos realizados por associados. O ilustre Procurador Federal, ao proceder à sustentação oral em defesa do lançamento da forma como realizado, argumentou que as associações são constituídas e mantidas com incentivo público e que consiste abuso, após a Fl. 535DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assi nado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 16327.001329/200991 Acórdão n.º 3302001.851 S3C3T2 Fl. 20 11 associação estar consolidada justamente por contar com estes incentivos públicos, converter quase totalidade deste patrimônio para a iniciativa privada. Neste particular concordo com a Procuradoria. Realmente, ao proceder a análise sistemática do ordenamento, pareceme abusivo permitir que alguns particulares se aproveitem de patrimônio constituído e consolidado com base em incentivos públicos. A lei permite a cisão, mas não o abuso, operação com este supedâneo deve ser desconstituída por abuso de forma e até mesmo erro de substância. Todavia, in casu o auto de infração não foi lavrado com base na ocorrência de fraude, tanto é assim que não houve majoração de multa para o percentual de 150%. Não houve alegação/comprovação, por parte da Fazenda, de que as operações societárias ocorreram com abuso de forma. De que houve lesão ao patrimônio público. Em conseqüência deste raciocínio, passemos ao próximo ponto, sendo a cisão ilegal para entidades sem fins lucrativos, a fiscalização poderia desconsiderála da forma como desconsiderou? Entendo que não. É importante considerar que a operação societária foi efetivamente realizada, que os documentos societários foram devidamente registrados na Junta Comercial e que não houve desvio de finalidade por parte dos contribuintes envolvidos na operação societária, uma vez que os documentos de cisão demonstram exatamente o objetivo pretendido pelos associados da BOVESPA. Não resta dúvida que a operação de cisão foi formalmente realizada e aceita. Tais aspectos são relevantes porque, conforme mencionado, a fiscalização desconsiderou a operação da forma como realizada para considerar como ocorrida outra realidade, qual seja, a restituição do capital investido e o novo investimento na pessoa jurídica que procedeu ao IPO. Todavia, a desconsideração precisa ser justificada. Que os fatos ocorreram – ainda que formalmente desta maneira, não resta dúvida, assim, como é que poderiam ser desconsiderados? De acordo com a jurisprudência deste Tribunal, os atos podem ser desconsiderados se o propósito negocial, a razão que os justificam, não são verdadeiras. Na hipótese da formalização do procedimento destoar da realidade dos fatos. Ocorre que este não é o caso dos autos. Os fatos demonstram que os contribuintes pretendiam proceder a desmutualização e posterior abertura de capital da BOVESPA, e para atingir este objetivo procederam à cisão. Não houve alteração em relação ao propósito negocial pretendido. Na hipótese de a fiscalização entender que o meio escolhido para a desmutualização foi equivocado, nulo ou ilegal, deveria rever o próprio ato societário realizado pela BOVESPA (art. 116, CTN). Entretanto, o ato da desmutualização, que gerou efeito na contabilidade da Recorrente, não foi revisto. A operação societária realizada até o momento, pelas informações contidas nos autos – consiste em negócio jurídico perfeito, e não pode ser desconsiderada enquanto válida. Com este raciocínio, a meu sentir, somente seria possível desconsiderar os efeitos da desmutualização para a Recorente se a própria operação societária tivesse sido desconsiderada. O ato jurídico que deve ser analisado e, se o caso, desconsiderado, é a Fl. 536DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assi nado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 16327.001329/200991 Acórdão n.º 3302001.851 S3C3T2 Fl. 21 12 operação realizada pela própria BOVESPA, sob pena de se tributar uma ficção jurídica, o que não se admite na legislação. Caso o fato em si – a cisão da BOVESPA – não seja desconsiderado, tem que ser admitido como válido pelo Fisco, uma vez que foi devidamente formalizado e registrado nos órgãos competentes. Registro que com isso não estou dizendo que a JUCESP tem o poder de validar atos nulos ou ilegais, apenas que um ato jurídico perfeito tem que ser devida e justificadamente desconsiderado para deixar de surtir efeitos no mundo jurídico. Desta feita, haja vista que a cisão foi realizada, registrada e validada, que não há razão que fundamente a desconsideração do procedimento realizado posto que o propósito negocial foi devidamente atendido, entendo que não é permitido à fiscalização simplesmente desconsiderar o a operação societária de cisão, interpretando que na verdade o que ocorreu foi uma devolução de capital com sucessivo investimento em nova sociedade. Ademais, os investidores não tiveram, entre a desmutualização e a criação na nova sociedade, a disponibilidade jurídica dos valores investidos na entidade sem fins lucrativos, tanto é assim que não tinham opção de investir em outra sociedade qualquer. Este fato não ocorreu e não pode ser presumido. Portanto, concluo que a alegação do Fisco de que as ações recebidas quando da transformação da BOVESPA e da BM&F se deu em razão de devolução de capital, não se sustenta. No mesmo sentido, não há de se falar em “novas” empresas ou “novas” participações. As empresas sofreram alteração do tipo societário, modificaram apenas a forma de se organizar. O Fisco utiliza este argumento – de que houve devolução do capital – também para justificar seu entendimento de que as ações detidas pela Recorrente não se confundem com os títulos patrimoniais que detinha. Em decorrência do raciocínio acima apresentado, concluo que as premissas adotadas pelo Fisco estão equivocadas. Em primeiro lugar porque, como dito, não houve devolução de patrimônio e, em segundo lugar, porque justamente a equivalência das ações e dos títulos patrimoniais anteriormente detidos, no que se refere aos valores, bem como o fato de ter havido uma transformação do tipo societário, evidenciam que não se trata de nova aquisição de participação, mas mera substituição de um tipo de participação por outro, em razão da transformação das entidades. Tanto assim, que como bem observou o Fisco, quando da substituição dos títulos patrimoniais pelas ações, foi necessário conferir ações que representassem o mesmo valor dos títulos patrimoniais anteriormente detidos. Esta equivalência também evidencia se tratar de mera substituição de um tipo de título representativo de capital por outro. Por esta razão, a interpretação fiscal de que deveria ter sido registrado na contabilidade uma devolução de capital, distribuição de superávit, incorporação de bens e obrigações ao patrimônio da Recorrente, com posterior aquisição de novas participações em “outras” sociedades anônimas, pois esta realidade não ocorreu. (i.b.) Da Classificação Contábil das Ações Fl. 537DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assi nado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 16327.001329/200991 Acórdão n.º 3302001.851 S3C3T2 Fl. 22 13 A questão da operação societária é absolutamente relevante para a análise da classificação contábil das ações recebidas como troca pelos títulos que a Recorrente possuía da entidade sem fins lucrativos. Isso porque pelo raciocínio da fiscalização, como houve um novo investimento, necessária se faria uma nova classificação. Neste sentido, se a classificação contábil correntemente se faz no momento em que o ativo é adquirido, claro que a constituição de uma nova sociedade é o momento de classificação do ativo, assim, no instante da constituição da BM&F, antes da venda das ações, deveria ser verificada a intenção do contribuinte para com o ativo, classificandoo como permanente (se a intenção era de manutenção do investimento a longo prazo) ou circulante (se a intenção era disponibilizar as ações para venda). Todavia, conforme esclarecido, discordo deste posicionamento, no sentido de que a meu ver não se trata de novo investimento mas de manutenção de investimento antigo, haja vista que não coaduno com a interpretação de que houve a devolução do capital investido mas procedimento de cisão. Neste diapasão, a questão que me parece relevante é saber se haveria, para a Recorrente, no momento da desmutualização ou em qualquer outro instante antes da venda das ações, obrigação de reclassificar o ativo, alterando a forma de contabilização de permanente para circulante. É de se observar que os títulos foram adquiridos para o fim de investimento, sem que houvesse a intenção, por parte de Recorrente, de utilizálos para obtenção de lucros. Até porque, à época, a obtenção do título era requisito para a que a Corretora pudesse operar na Bolsa de Valores. Neste sentido, imperioso relembrar que, como bem esclarece o Parecer Normativo nº 03/80, citado pela Recorrente em sua defesa, temse como regra que a classificação contábil é determinada no momento da aquisição deste bem. Neste sentido, destaco trecho do citado Parecer, verbis: "5. Por conseguinte, tendo em vista os reflexos da alteração pretendida na apuração dos resultados da pessoa jurídica, é evidente que o contribuinte não tem faculdade de classificar as contas, ou reclassificálas, segundo critérios subjetivos de sua conveniência. Ao contrário, impõe se a rigorosa observância dos preceitos da lei comercial e fiscal. 6. Os critérios de classificação a serem observados devem ser aqueles consubstanciados nos arts. 178 a 182, da Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976, aplicável por expressa determinação do § 4° do art. 70 do DecretoLei n° 1.598/77. No caso sob exame, a reclassificação, para o ativo circulante, de direitos registrados no ativo imobilizado fere frontalmente disposições do art. 179 da Lei n° 6.404/76. Segundo a alínea I desta norma, somente podem ser incluídos no ativo circulante os direitos de crédito e os que tiverem por objeto mercadorias e produtos do comércio ou da indústria da companhia, além das Fl. 538DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assi nado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 16327.001329/200991 Acórdão n.º 3302001.851 S3C3T2 Fl. 23 14 disponibilidades e das aplicações de recursos em despesas do exercício seguinte. (...) 8. Em face do exposto, impõese a conclusão lógica de que a simples pretensão da pessoa jurídica no sentido de alienar bens destinados à utilização na exploração do objeto social ou na manutenção das atividades da empresa não autoriza, para os efeitos da legislação do imposto de renda, a exclusão dos elementos correspondentes registrados em contas do ativo permanente, devendo a cifra respectiva continuar integrando aquele agrupamento até a alienação, baixa ou liquidação do bem." (destaquei) Assim, no momento da desmutualização, não resta dúvida que os títulos estavam registrados no ativo permanente da Recorrente e que esta classificação estava correta. Da mesma forma, pareceme claro que a classificação do bem deve obedecer à intenção de seu proprietário no momento de sua aquisição2, o que aliás, é confirmado pela boa técnica contábil, que determina a avaliação do bem no momento de seu registro na contabilidade da empresa. Tanto é assim que a fiscalização, para justificar a necessidade de nova classificação do bem, entendeu que houve uma devolução de patrimônio com investimento em nova sociedade, pois sem dúvida neste momento – realização de nova contabilidade – deve ser realizado o registro contábil, bem como deve ser questionada a intenção do contribuinte para referido o bem (se investimento permanente ou não). A dúvida, a meu sentir, é: a modificação de “título” para “ação” é condição suficiente para demandar a revisão/alteração do registro contábil ? existe um momento para a reavaliação do registro contábil ? As ações são mercadorias ? A fiscalização cita, para justificar a autuação, informação da BOVESPA a todos os associados no sentido de que as ações “trocadas” deveriam ser registradas: no Ativo Circulante, em subconta especifica da conta Títulos. de Renda Variável, se a decisão for a de alienar as ações e no Ativo Permanente, em subconta especifica da conta Ações e Cotas se a decisão for a de .considerar essas ações como investimento. Fato é que não consta da nomenclatura jurídica uma regra clara que determine o momento de reclassificação do patrimônio na contabilidade. Neste sentido não se determina que a alteração tenha que ser realizada durante o ano calendário, no exato momento em que a empresa entende pela venda do ativo. Ao buscar as normas complementares que esclarecerem os dispositivos legais e constitucionais, localizei o Parecer Normativo 108/78 – PN que da seguinte forma determina verbis: 2 No presente caso, quando os títulos patrimoniais das entidades foram adquiridos a intenção da Recorrente era mantêlos, até porque deles dependia o desenvolvimento de sua atividade de corretora de valores, na medida em que era condição para o exercício de tal atividade a propriedade de tais títulos. Aliás, não se discute nestes autos o fato de que estes títulos foram adequadamente classificados como ativo permanente, visto que a fiscalização e DRJ concordaram expressamente com esta classificação. Fl. 539DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assi nado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 16327.001329/200991 Acórdão n.º 3302001.851 S3C3T2 Fl. 24 15 7.1 Por participações permanentes em outras sociedades, se entendem as importâncias aplicadas na aquisição de ações e outros títulos de participação societária, com a intenção de mantêlas em caráter permanente, seja para obter o controle societário, seja por interesses econômicos, como, por exemplo, a constituição de fonte permanente de renda. Essa intenção será manifestada no momento em que se adquire a participação, mediante a sua inclusão no subgrupo de investimentos caso haja interesse de permanência ou registro no ativo circulante, não havendo esse interesse. Será, no entanto, presumida a intenção de permanência sempre que o valor registrado no ativo circulante não for alienado até a data do balanço do exercício seguinte àquele em que tiver sido adquirido; neste caso, deverá o valor da aplicação ser transferido para o subgrupo de investimentos e procedida a sua correção monetária, considerando como data de aquisição a do balanço do exercício social anterior.” A permanência do bem no patrimônio se presume na hipótese de o bem não ser vendido no mesmo exercício em que foi adquirido. In casu, o bem permaneceu no ativo da Recorrente durante muitos anos, o que demonstra que, neste aspecto, a “intenção de permanência” quando o bem foi adquirido está clara. Podese dizer que a alteração desta intenção de permanência se iniciou em agosto de 2007, quando realizados os procedimentos societários para desmutualização da BOVESPA. Isso porque o Protocolo de Intenções da cisão esclareceu o objetivo de transformação da parte da sociedade cindida em sociedade privada, bem como a posterior abertura de capitais. No caso em análise a venda das ações ocorreu nos meses subseqüentes ao IPO, ainda no ano de 2007. Todavia, ainda assim entendo que não se trata de venda de mercadorias, mas efetiva venda de ativos. É que o fato de o contribuinte tomar providências para que seu ativo fique mais valioso não significa que transformou este ativo em mercadoria. Não vejo como possível a mudança de substancia do bem, a meu ver este bem sempre foi um ativo, um investimento próprio. Por outro giro, a legislação expressamente exclui, da base de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS, o valor referente à venda do ativo permanente. Logo, claro está que é possível realizar a venda de bens classificados no ativo permanente, no sentido de que não é preciso transferir o bem para o ativo circulante para proceder à sua venda. Os investimentos em discussão iniciaram o ano como título patrimonial e ficaram assim desde a existência da bolsa. O fato de a BOVESPA ter sido desmutualizada em agosto e do IPO ter ocorrido mais ao final do ano não altera a natureza do bem que continua sendo investimento próprio e, consequentemente, não, justifica a mudança de classificação contábil no próprio exercício e a reclassificação. Raciocínio inverso levaria à conclusão de inexistência/impossibilidade de opção de venda de ativo permanente. Isto porque, se as empresas forem obrigadas à reclassificação contábil do bem sempre que houver a intenção de venda do ativo, não haverá venda de ativo permanente, posto que antes da venda ocorrerá mudança de rubrica contábil (de circulante para permanente ou de permanente para circulante). Ainda, é de meu entendimento Fl. 540DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assi nado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 16327.001329/200991 Acórdão n.º 3302001.851 S3C3T2 Fl. 25 16 que sequer a alteração de rubrica contábil justifica a incidência tributária, pois as ações são investimento próprio e não mercadorias. Neste sentido está a já citada redação do Parecer Normativo CST nº 3/80, a saber: “8. Em face do exposto, impõese a conclusão lógica de que a simples pretensão da pessoa jurídica no sentido de alienar bens destinados à utilização na exploração do objeto social ou na manutenção das atividades da empresa não autoriza, para os efeitos da legislação do imposto de renda, a exclusão dos elementos correspondentes registrados em contas do ativo permanente, devendo a cifra respectiva continuar integrando aquele agrupamento até a alienação, baixa ou liquidação do bem.” No mais, vale perscrutar qual é a essência do negócio jurídico em discussão. Da análise que faço, entendo que desde o início a Recorrente pretendeu vender seu ativo permanente, mesmo que na forma de ações e em procedimento de IPO. Para tal objetivo realizou a permuta de participações societárias (título x ação), sendo que corrobora esta interpretação o fato de serem sociedades com mesmo capital, mesmos investidores e mesma atividade econômica. Inicialmente cumpre registrar que a Deliberação CVM nº 29/86 esclarece que a contabilidade se baseia na essência e não na forma jurídica dos institutos, verbis: “(...) 2º) A contabilidade possui um grande relacionamento com os aspectos jurídicos que cercam o patrimônio, mas, não raro, a forma jurídica pode deixar de retratar a essência econômica. Nessas situações deve a Contabilidade guiarse pelos seus objetivos de bem informar, seguindo, se for necessário para tanto, a essência ao invés da forma.” (destaquei) No mesmo sentido, a Resolução nº 750/93 do Conselho Federal de Contabilidade determina que nos registros contábeis devem seguir a essência do ato jurídico: “Art. 1º. (...) §2º Na aplicação dos Princípios Fundamentais de Contabilidade há situações concretas e a essência das transações deve prevalecer sobre seus aspectos formais.” (destaquei) As ações não foram adquiridas com a finalidade de mercancia, mas de investimento. E ainda que a desmutualização tenha ocorrido com o aval da Recorrente – os atos societários da cisão denotam que os associados estavam de acordo com o procedimento de alteração do tipo societário exatamente para alcançar a finalidade de proceder ao IPO – isso não significa, em minha interpretação, que o título se transformou em produto, ao contrário, significa que a Recorrente pretendia tornar seu ativo permanente para venda. Claro que o título ganhou “mais valia”, mas o fato de terse tornado mais valioso não mudou a situação e natureza de ser investimento próprio da Recorrente, inclusive Fl. 541DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assi nado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 16327.001329/200991 Acórdão n.º 3302001.851 S3C3T2 Fl. 26 17 registrado em seu próprio patrimônio. Por outro giro, o fato de terse transformado um investimento valioso justifica o interesse da Recorrente na venda do bem. Ademais, mister se faz avaliar os instrumentos assinados pela Recorrente no sentido de se comprometer com a alienação de parte das ações que receberia após a transformação das entidades em sociedades anônimas. Este fato faz com que tais ações deveriam estar registradas no ativo circulante da Recorrente? Algumas considerações, neste particular, precisam ser realizadas. A Recorrente – assim como todas as demais associadas da BOVESPA e da BM&F – precisou se comprometer a vender parte das ações que receberia (em substituição aos títulos patrimoniais), como condição da realização da própria transformação das associações em sociedades anônimas. Na ocasião todas as corretoras que participavam da BOVESPA e da BM&F através de investimentos em títulos patrimoniais se comprometeram a alienar parte das ações substitutivas que viriam a receber, como forma de possibilitar a realização da própria transformação social. Quer dizer, para que as entidades pudessem se transformar em uma sociedade anônima, e considerando ainda que antes era uma entidade sem finalidade lucrativa, precisaria apresentar ao mercado uma oferta de ações, de modo a viabilizar a operação societária (abertura do capital). Assim, cada associado precisou se comprometer a alienar uma parte das ações que lhes caberia, em substituição aos títulos patrimoniais que até então detinham, para que pudesse ser aberto (ofertado) o capital das entidades, sob pena de a transformação não ocorrer (na hipótese, por exemplo, de nenhum dos associados às entidades, ofertar/vender as ações que receberiam). Por isso as associadas (inclusive a Recorrente) tiveram de assinar um instrumento através do qual se comprometiam a realizar a venda de parte das ações que receberiam em substituição aos títulos patrimoniais das associações, como forma de garantir a realização da transformação societária. Ainda, para garantir o sucesso da operação, as corretoras assinaram, também junto às entidades, termos através dos quais se comprometiam a alienar uma parcela das ações diretamente a um determinado fundo, que de acordo com negociações prévias com a BOVESPA e com a BM&F, garantiria a liquidez das operações, e o sucesso (mínimo) da abertura do capital (referido fundo comprometeuse a realizar a aquisição de parte do capital das entidades, no momento da abertura do capital, como forma de garantir a transformação das associações em sociedades anônimas). Portanto, a alienação destas participações societárias não foi feita por liberalidade das corretoras, mas sim como condição da realização da própria transformação societária que se realizaria. Aliás, isso se comprova da análise dos instrumentos através dos quais a Recorrente se comprometeu a fazêlo, que foi assinado com as próprias entidades, e não com o potencial comprador (fls. 31/33 e 43/57) Registro ainda que, por mais que a Recorrente, neste momento, apresentasse a firme intenção de venda, isso não desnatura a característica de investimento do patrimônio em comento, o qual foi adquirido com intenção de permanência no patrimônio. Significa, outrossim, que houve existe a intenção de venda do ativo imobilizado. Reiterando que a tese de que a Recorrente recebeu as ações em devolução de capital, o que justificaria nova avaliação contábil, com dito anteriormente, a meu ver não procede, sendo que entendo que efetivamente houve a substituição dos títulos patrimoniais. Fl. 542DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assi nado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 16327.001329/200991 Acórdão n.º 3302001.851 S3C3T2 Fl. 27 18 Em relação à outra parcela das ações vendidas, também não se pode concluir que no momento da obtenção destes ativos a Recorrente visava sua venda, pois ainda que tais vendas tenham sido realizadas por liberalidade das corretoras (e da própria Recorrente), a venda da participação claramente não foi a razão pela qual tais participações adentraram o patrimônio das empresas. As ações não foram compradas no mercado para venda, já existiam no patrimônio da Recorrente como investimento permanente. A meu ver, são investimentos próprios que se tornaram valiosos, razão pela qual a empresa decidiu vendêlos. O motivo pelo qual a Recorrente decidiu vender as ações foi porque elas foram valorizadas, não porque foram transformadas em mercadorias. Diante deste cenário – e mesmo que por hipótese se admita, apenas ad argumentandum, que se tratasse de aquisição de novos/outros bens – é evidente que também neste caso as ações não teriam sido adquiridas com a finalidade de serem alienadas. As ações teriam sido adquiridas, então, para substituir o capital investido nas entidades – ou seja, como afirma o Fisco, para recuperação do capital anteriormente investido. Aliás, ainda que fossem adotadas as alegações da autoridade fiscal, de que se trata de conferência de ações como forma de devolução de capital, mister constatar que, se devolução de capital é, então não poderia ser aquisição de ações para revenda. E, assim, sendo, não poderiam ser (re)classificados tais bens no ativo circulante da Recorrente, como pretendia a fiscalização. Com estas considerações, posto que adotada a premissa de que os bens em comento se integram ao ativo permanente, cabe razão à Recorrente quanto à não incidência do PIS e da COFINS sobre o resultado das alienações de tais bens, na medida em que há previsão legal expressa na Lei nº 9.718/98 afastando a tributação sobre tais receitas. (ii) Da Ação Judicial Necessário observar que a fiscalização fundamenta a autuação no entendimento de que a receita auferida referese à receita operacional da Recorrente, tributável, portanto, nos termos da Lei nº 9.718/98, no sentido de que a discussão acerca da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo não se aplica no caso em apreço, porque a tributação incidiu sobre o faturamento. Tal consideração demonstrase relevante em virtude de, à época dos fatos, a Recorrente possuir ação judicial com decisão favorável à inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e Cofins, trazida no artigo 3º da mencionada legislação. De acordo com a argumentação apresentada resta claro meu entendimento no sentido de que as ações alienadas não são produto, mas investimento próprio, constante do ativo permanente. Em virtude deste fato, entendo ser irrelevante a análise dos efeitos da decisão judicial que trata dos contornos do conceito de faturamento e atividade operacional da Recorrente. Ante o exposto, conheço do recurso apresentado para o fim de DARLHE PROVIMENTO, reformando assim a decisão de primeira instância administrativa. Fl. 543DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assi nado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 16327.001329/200991 Acórdão n.º 3302001.851 S3C3T2 Fl. 28 19 É como voto. Sala das Sessões, em 24 de outubro de 2012. (assinado digitalmente) Relatora Fabiola Cassiano Keramidas Voto Vencedor Conselheiro Walber José da Silva – Redator Ad Hoc O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Registrase que o voto a seguir exposto foi proferido em sessão pelo então Conselheiro José Antonio Francisco, que foi designado para redigir o voto vencedor. Inicialmente, analisase a questão do sobrestamento do julgamento do recurso, à vista da disposição do art. 62A do Regimento Interno do Carf e do RE n. 609.096. A ementa do acórdão de repercussão geral do referido RE foi a seguinte: EMENTA: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. COFINS E CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. INCIDÊNCIA. RECEITAS FINANCEIRAS DAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. CONCEITO DE FATURAMENTO. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. Podese verificar que se trata de incidência de Cofins e PIS sobre receitas financeiras de instituições financeiras, natureza que, em determinado momento da defesa, a Interessada avoca para definir os resultados tributados no presente auto de infração. Há dois aspectos distintos a serem analisados: primeiramente, a de se a Cofins incide sobre receitas financeiras por ser a obtenção de tais receitas própria da atividade das instituições e, além disso, a existência ou não de sobrestamento dos processos no âmbito do próprio STF. Em relação à primeira questão, como se verá mais adiante, a conclusão dependeria da análise do mérito da matéria, em que se discute a natureza específica dos valores sujeitos à tributação. No tocante à segunda, não houve, no acórdão mencionado, ordem de sobrestamento dos recursos extraordinários, condição para o sobrestamento dos recursos administrativos no âmbito do Carf, de acordo com o dispositivo citado do Ricarf e a Portaria Carf n. 1, de 2012. Fl. 544DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assi nado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 16327.001329/200991 Acórdão n.º 3302001.851 S3C3T2 Fl. 29 20 Além disso, no julgamento da Petição n. 73.745/201STF, em que a Febraban, ao solicitar suas inclusão no processo como “acimus curiae”, requereu o sobrestamento das demais ações e recursos, o relator destacou o seguinte: Quanto ao pedido de suspensão dos processos que tratam da mesma matéria versada nesses autos que tramitam em primeiro e segundo graus, entendo que não merece acolhida. É que os arts. 543B do CPC e 328 do RISTF tratam do sobrestamento de recursos extraordinários interpostos em razão do reconhecimento da repercussão geral da matéria neles discutida, e não de ações que ainda não se encontram nessa fase processual. Além disso, uma vez que esta Corte já reconheceu a repercussão geral da matéria aqui debatida, os recursos extraordinários que versam sobre o mesmo assunto ficarão sobrestados, na origem, por força do próprio art. 543B do CPC. Isso posto, defiro o pedido de ingresso da FEBRABAN na qualidade de amicus curiae e indefiro o pedido de suspensão requerido. Publiquese Brasília, 10 de junho de 2011. Ministro RICARDO LEWANDOWSKI Relator Portanto, nada disse o relator sobre o sobrestamento dos RE que estariam pendentes de julgamento no âmbito do STF, condição requerida para o sobrestamento dos recursos no âmbito do Carf. Portanto, não é o caso de sobrestar o julgamento do recurso. Feitas as considerações acima, passa à análise do mérito do recurso. A Fiscalização considerou, para concluir que a totalidade das vendas de ações estaria sujeita à incidência das contribuições, os fatos de que a empresa tem como objeto social a negociação de títulos e valores mobiliários, de que adquiriu as ações em questão para revenda e que as vendeu, representando o produto da venda faturamento de venda de mercadorias. À vista das questões levantadas no recurso, as questões a serem analisadas são: a natureza do resultado da venda das ações após a desmutualização; a caracterização do resultado da venda como faturamento; e a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Em relação à primeira questão, a Interessada alegou, em resumo, que teria havido apenas transformação do patrimônio, que se trataria de bens classificados no ativo permanente e que, portanto, não estaria o resultado sujeito à incidência das contribuições. Em relação a aspecto importante da questão, devidamente destacado abaixo, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região decidiu o seguinte, na AC n. 313.991 (processo n. 000870605.2008.4.03.6100): Fl. 545DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assi nado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 16327.001329/200991 Acórdão n.º 3302001.851 S3C3T2 Fl. 30 21 TRIBUTÁRIO. DEVOLUÇÃO À IMPETRANTE DOS VALORES CORRESPONDENTES A TÍTULOS DA BOVESPA E DA BM&F. INVESTIMENTO INTEGRAL EM AÇÕES DAS MESMAS ENTIDADES, TRANSFORMADAS EM SOCIEDADES POR AÇÕES. DIFERENÇA ENTRE O VALOR INVESTIDO E O VALOR DEVOLVIDO. CARACTERIZAÇÃO DE GANHOS DE CAPITAL. INAPLICABILIDADE DO "MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL". CARACTERIZAÇÃO DE RENDA. DISPONIBILIDADE JURÍDICA. INCIDÊNCIA DO ART. 17 DA LEI 9.532/97. [...] 5. A inocorrência de dissolução ou extinção da associação que se transformou em sociedade por ações (art. 1.113 e 2.033 do Código Civil) tem relevância apenas para a preservação da titularidade dos direitos e obrigações da própria sociedade, que não terá solução de continuidade e manterseá íntegra. 6. Todavia, é inegável que a transformação implica em modificação da natureza jurídica das participações societárias ou dos títulos de natureza similar que forem convertidos em ações da neonata pessoa jurídica. 7. Não há como ignorar o fato de que houve, do ponto de vista jurídico, a devolução à impetrante dos valores que correspondiam aos títulos que ela detinha, ainda que estes valores tenham sido inteiramente utilizados na aquisição de ações da nova sociedade. 8. Não há lugar, na hipótese dos autos, para contabilização dos ganhos de capital pelo "método da equivalência patrimonial", posto que este método tem aplicação quando surge a necessidade de encontrar a expressão econômica das participações no capital social de outra pessoa jurídica. 9. Esta não é a hipótese dos autos, em que o capital da impetrante estava investido em títulos e não em participação societária na outra empresa, daí porque as diferenças entre os valores investidos e aqueles devolvidos devem ser tratadas como ganhos de capital, sofrendo incidência do art. 17 da Lei 9.532/97. [...] 13. Apelação improvida. (<http://web.trf3.jus.br/acordaos/Acordao/PesquisarDocumento ?processo=00087060520084036100>) Portanto, segundo os fundamentos acima citados, os quais adoto plenamente, não houve, no caso, mera transformação para além do objetivo de continuidade e preservação patrimonial , mas alteração substancial do direito em questão, uma vez que a Interessada não era, anteriormente, detentora de ações da nova sociedade. Fl. 546DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assi nado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 16327.001329/200991 Acórdão n.º 3302001.851 S3C3T2 Fl. 31 22 Essa conclusão não é suficiente ao raciocínio que permite a tributação pelas contribuições, uma vez que, segunda a Interessada, tratarseia de bem do ativo permanente e não do circulante. A Fiscalização considerou que, desde o início, as ações foram emitidas com a finalidade de venda em curto prazo (Instrumento de Aceitação de Venda de Ações Ordinárias da Bolsa de Mercadorias & Futuros – BM&F S.A e Outorga de Poderes) e, assim, não poderiam ser registradas no permanente. Tal interpretação está de acordo com o art. 179, I, da Lei das SA, sendo aplicável ao caso o Parecer Normativo CST n. 108, de 1978. Conforme consta dos autos, houve orientação no mesmo sentido pelo Ofício Circular n. 225DG, de 2007. Ao contrário do que alegado pela Interessada, a operação, embora não houvesse documentação formal a respeito de seus passos constituída previamente, teve todos esses passos planejados desde o começo, para a consecução do objetivo de formar a nova Bolsa de Valores. Ainda assim, quanto à incidência das contribuições, restaria saber qual a natureza específica das receitas decorrentes da alienação das ações. Alega a Interessada que não representaria faturamento, conceituado como receita bruta da venda de produtos e serviços, à vista da inconstitucionalidade parcial do art. 3º da Lei n. 9.718, de 1998. De fato, a tributação das referidas operações ou é efetuada de acordo com o que foi acima exposto ou de acordo com os §§ 5º e 6º do art. 3º da Lei n. 9.718, de 1998, uma vez que o caput do referido artigo não foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Segundo os referidos §§, as exclusões seriam as mesmas do PIS, definidas na Lei n. 9.701, de 1998, que define a base de cálculo como sendo a “receita bruta operacional auferida no mês”. Portanto, para as instituições financeiras, a base de cálculo é a receita bruta operacional, o que inclui, necessariamente, a venda das referidas ações, conforme já exposto anteriormente, ainda que não represente tal venda, estritamente, faturamento de venda de mercadorias e serviços. Esclareçase que tais considerações não compreendem inovação, já que a Fiscalização claramente referiuse ao resultado operacional como parte da base de cálculo das contribuições. Portanto, o produto das referidas vendas está sujeito à incidência de PIS e Cofins, pelo fato de comporem a receita bruta operacional das instituições financeiras. Dessa forma, em relação à exigência do crédito e à multa, cabe razão ao acórdão de primeira instância. Fl. 547DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assi nado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 16327.001329/200991 Acórdão n.º 3302001.851 S3C3T2 Fl. 32 23 Finalmente, quanto à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, a questão foi constatada quando do encaminhamento dos valores devidos, o que não permitiu a discussão prévia da matéria no âmbito da impugnação e do recurso. Vejase que a Portaria SRF n. 379, de 23 de dezembro de 1988, que tinha por pressuposto outra legislação, já revogada, determinava a incidência de correção monetária sobre a multa, o que é situação diversa do caso dos juros de mora. O Parecer SRF/Cosit/Coope/Senog nº 28, de 2 de abril de 1998, estabeleceu o seguinte: 3. Assim, desde 01.01.97, as multas de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalentes à taxa referncial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, desde que estejam associadas a: Inicialmente, no caso da Selic, não havia previsão legal para incidência de juros sobre a multa, mas apenas sobre o tributo. O art. 84 da Lei n. 8.981, de 1995, dispunha expressamente que o tributo ou contribuição não pago no vencimento sujeitarseia à incidência dos juros. Ao instituir a Selic, a Medida Provisória n. 947, de 1995, art. 13, reportouse ao referido artigo, não prevendo incidência de juros sobre a multa. A Lei n. 9.065, de 1995, convertida da mencionada MP, manteve a disposição do art. 13, da seguinte forma: Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Entretanto, a Lei n. 9.430, de 1996, art. 61, § 3º, alterou a disposição: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Fl. 548DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assi nado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 16327.001329/200991 Acórdão n.º 3302001.851 S3C3T2 Fl. 33 24 A disposição não diz que os débitos devam decorrer diretamente de tributos e contribuições administrados pela RFB. Como a multa de ofício decorre indiretamente de tributos e contribuições administrados pela RFB, os juros incidem sobre a multa de ofício. Quanto à adoção da taxa Selic, aplicase a Súmula Carf n. 4 (Portaria Carf n. 106, de 21 de dezembro de 2009): A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. À vista de todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Walber José da Silva – Redator designado Declaração de Voto Conselheiro Gileno Gurjão Barreto Cabe a esse colegiado decidir acerca da procedimento que se convencionou designar por “desmutualização” da Bolsa de Valores de São Paulo Bovespa e da Bolsa de Mercadorias e Futuros BMF, especificamente no que se refere ao tratamento tributário a ser dispensado ao ganho de capital eventualmente apurado por ocasião da alienação pelo contribuinte das ações recebidas em substituição aos títulos patrimoniais de Bovespa e BMF, por ele detidos, para fins de incidência das contribuições devidas ao Programa de Integração Social PIS e ao Financiamento da Seguridade Social COFINS. 1. Aspectos gerais da “desmutualização” As instituições autorizadas a operar na Bovespa e na BMF (conjuntamente denominadas “bolsas”), eram proprietárias de títulos patrimoniais representativos do capital dessas entidades, devidamente registrados em seus livros contábeis. As bolsas, até recentemente, eram entidades civis sem fins lucrativos, contudo, tendo passado pelo processo de “desmutualização”, seu objeto passou a ser desenvolvido através de sociedades por ações, constituídas nos termos da Lei nº 6.404/76.. Nesse processo, os títulos patrimoniais foram substituídos por ações representativas do capital das novas sociedades. Em etapa subseqüente procedeuse à alienação, no mercado, das ações recebidas pelos antigos detentores de títulos patrimoniais de forma a democratizar o capital dessas sociedades. A alienação se faz mediante ofertas públicas, secundárias das ações de Bovespa e BMF, transferindo os contribuintes a sua participação societária para os novos adquirentes. Fl. 549DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assi nado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 16327.001329/200991 Acórdão n.º 3302001.851 S3C3T2 Fl. 34 25 Por ocasião da alienação das ações, apurouse ou não ganho de capital, nos casos em que o valor de realização dos ativos foi superior ao seu respectivo custo de aquisição. Nesse contexto, esse colegiado deverá decidir sobre a incidência sobre o referido ganho de capital (sim, é de ganho de capital que estamos aqui a discorrer), para fins de incidência do PIS e da COFINS, o que exigirá transpassarmos pela legislação do IRPJ e da CSLL, inclusive no tocante à forma de determinação do custo de aquisição das ações que seria computado para fins de determinação do ganho de capital a ser tributado, caso esse colegiado decida adotar essa interpretação. 2. Da análise das operações realizadas 2.1 Natureza da “desmutualização” De forma geral, a “desmutualização” consistiu na conversão das bolsas, antigas entidades sem fins lucrativos, em sociedades com fins lucrativos constituídas sob a forma de companhia. O processo se fez observados os seguintes passos: (i) cisão parcial de Bovespa e BMF, com versão das parcelas de seus patrimônios para pessoas jurídicas com fins lucrativos; e (ii) troca dos títulos patrimoniais por ações das companhias criadas. Efetivada a “desmutualização “, procedeuse à venda compulsória firmada em compromisso de acionistas, pelos antigos detentores de títulos patrimoniais, no mercado, de parte das ações recebidas. O acordo firmado entre as partes envolvidas, bolsas e acionistas, determinou que essa venda se fizesse em até 180 dias a contar da desmutualização. As operações indicadas em (i) e (ii) acima integram um contrato amplo, atípico, formado a partir de contrato típico regulado em lei, a cisão, autorizada também para entidades sem fins lucrativos, pelo art. 2033, do Código Civil/CC, convergindo, ao mesmo tempo, para obter os efeitos da figura jurídica da transformação, também autorizada para entidades sem fins lucrativos no mesmo art. 2033 do CC. É de se observar que pela cisão, parcelas de patrimônio das antigas bolsas, entidades sem fins lucrativos, foram transferidas para sociedades por ações, com fins lucrativos, sucedendo essas sociedades todos os direitos e obrigações referentes às referidas parcelas recebidas. De seu lado, os antigos detentores dos títulos patrimoniais tornaramse sócios das novas sociedades, capitalizandoas com suas antigas participações, sem qualquer alteração em sua situação patrimonial. A cisão está prevista no CC, art. 1122 e, de forma subsidiária no presente caso, na lei societária, art. 229. O recebimento das parcelas cindidas das bolsas, por sociedades com fins lucrativas, deu nascimento à transformação dessa parcela de patrimônio de entidade sem fins lucrativos para um patrimônio de entidade com fins lucrativos, convergindo, portanto, para a figura da transformação. Pela transformação a sociedade passa, independentemente de dissolução e liquidação, de um tipo para outro, devendo observar os preceitos que regulam a constituição e o registro do tipo a ser adotado, no caso companhia. O tema é tratado nos arts. 1113 a 1115 do CC e 220 e 221 da lei societária. A transformação tem como principal decorrência a continuidade da sociedade transformada, no caso representada pelas parcelas patrimoniais parcelas vertidas no momento da cisão, atribuindose aos detentores dos títulos, Fl. 550DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assi nado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 16327.001329/200991 Acórdão n.º 3302001.851 S3C3T2 Fl. 35 26 convertidos em ações, todos os direitos de que anteriormente desfrutavam em relação a essas parcelas, apenas que, agora, sob uma entidade com fins lucrativos. É certo, pois, que os sócios das novas companhias mantiveram suas condições anteriores de detenção e tratamento dos ativos, da mesma forma que as novas sociedades sucederam direitos e obrigações das parcelas de patrimônio das bolsas. O que ser poderia arguir, e o que agora se faz, é se o contribuinte poderia ter agido de forma distinta, ou se estaríamos diante de uma operação sem propósito negocial ou desprovida de substância econômica, com o único fito de elidir a parcela dos tributos sobre o lucro, ou para evitar o surgimento de uma receita, ou seja, se esse “ganho de capital”, não tributável pelo PIS e pela COFINS desde tempos imemoriais, poderia em algum momento ter se constituído em uma “receita”, ainda que independentemente de sua denominação ou classificação contábil. 2.2 Histórico do tratamento contábiltributário dos títulos patrimoniais De forma a permitir a adequada compreensão de todos os aspectos relevantes aplicáveis à matéria, mister se faz recuperar o conjunto de dispositivos legais que regularam, ao longo do tempo, os títulos patrimoniais das bolsas. 2.2.1 Tratamento contábil A Lei n° 4.595/64 que dispõe sobre a atividade financeira no País , dentre outras matérias, deu competência ao Conselho Monetário Nacional – CMN para expedir normas gerais de contabilidade a serem observadas pelas instituições financeiras (art. . 4°). De sua vez, a Lei n° 6.385/76, em seu art. 223, §§ 1º, II e IV, e § 2º, conferiu igual prerrogativa à Comissão de Valores Mobiliários CVM, determinando ainda que tais disposições se apliquem, no que não forem incompatíveis, às instituições financeiras e demais entidades autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil BACEN. Assim, o BACEN está autorizado a editar normas contábeis cuja observância pelas instituições financeiras e demais entidades por ele autorizadas a funcionar é obrigatória, sendo que a CVM goza de idêntica prerrogativa, desde que as normas por ela editadas não sejam conflitantes com as determinações do BACEN. No que se refere à contabilização dos títulos patrimoniais das bolsas, nas instituições financeiras que os detinham, ela obedecia às disposições da Circular nº 1.273/87, do BACEN, que instituiu o Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeira Nacional COSIF, de adoção obrigatória pelas referidas entidades.4. Dentre as normas instituídas pelo COSIF, mais especificamente no Elenco de Contas (e suas seções Relação de Contas e Função das Contas), destacamse as seguintes rubricas: (a) No Ativo Permanente, subgrupo Investimentos: 2.1.4.10.002 Títulos Patrimoniais, e seu desdobramento, 2.1.4.10.105 De Bolsas de Valores 3 Com a redação dada pelo Decreto Federal nº 3.995/01. 4 A partir do período findo em 30.06.1988. Fl. 551DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assi nado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 16327.001329/200991 Acórdão n.º 3302001.851 S3C3T2 Fl. 36 27 (b) No Patrimônio Líquido: 6.1.3.00.000 Reservas de Capital, e seu desdobramento, 6.1.3.70.009 Reserva de Atualização de Títulos Patrimoniais No descritivo da Função das Contas, dispõe o COSIF acerca das funções correspondentes às rubricas acima especificadas: (a) Títulos Patrimoniais (2.1.4.10.002), com seus desdobramentos De Bolsas de Valores (2.1.4.10.105) e demais. Função: Registrar os títulos patrimoniais de bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e outros de propriedade da instituição, inclusive as contas patrimoniais da CETIP5. Ver itens 1.11.3.3 a 5 das Normas Básicas. As cotas patrimoniais da CETIP devem ser registradas nesta conta. (b) Reserva de Atualização de Títulos Patrimoniais (6.1.3.70.009) Função: Registrar o valor das atualizações anuais de títulos patrimoniais de bolsas e da CETIP. Nas disposições contidas nas Normas Básicas, acima mencionadas, encontramse as orientações a serem observadas para fins de registro do valor dos títulos patrimoniais, bem como sua respectiva atualização: Seção: Ativo Permanente 11 Tópico: 3 Outros Investimentos 1 Constituem a carteira Outros Investimentos as seguintes aplicações: (...) (b) títulos patrimoniais; (...) 3 Os títulos patrimoniais de bolsas de valores, de mercadorias e de futuros, e da CETIP são atualizados, por ocasião dos balanços, pelo valor informado pela respectiva bolsa, procedendose aos seguintes lançamentos de ajustes: 5 Central de Custódia e Liquidação Financeira de Títulos. Fl. 552DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assi nado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 16327.001329/200991 Acórdão n.º 3302001.851 S3C3T2 Fl. 37 28 se o novo valor informado pelas bolsas for superior ao saldo contábil na data base do balanço, debitase TÍTULOS PATRIMONIAIS pela diferença apurada, em contrapartida com RESERVA DE ATUALIZAÇÃO DE TÍTULOS PATRIMONIAIS; se o novo valor informado pelas bolsas for inferior ao saldo contábil na data base do balanço, creditase TÍTULOS PATRIMONIAIS pela diferença apurada, em contrapartida com RESERVA DE ATUALIZAÇÃO DE TÍTULOS PATRIMONIAIS, até o limite de seu saldo. A parcela excedente, se houver, é debitada em LUCROS OU PREJUÍZOS ACUMULADOS. Assim, no que se refere ao tratamento contábil a ser adotado para fins de registro do valor correspondente aos títulos representativos dos patrimônios das bolsas, bem como sua respectiva atualização, o COSIF determinava que essa atualização deveria ser registrada em conta de ativo permanente, tendo como contrapartida reserva de capital no patrimônio líquido intitulada Reserva de Atualização de Títulos Patrimoniais. Ressaltese, apenas para enfatizar, que o registro da contrapartida da atualização dos títulos diretamente em conta de reserva de capital, de per si, já teria o condão de afastar qualquer efeito no resultado do período. 2.2.2 Tratamento tributário As manifestações oficiais quanto ao tratamento tributário da contrapartida da atualização dos títulos patrimoniais remontam a período anterior à instituição do COSIF. Assim, a Portaria 785, datada de 23/12/77, editada pelo Ministro da Fazenda, dispunha: “O Ministro do Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, e, com fundamento no dispõe o artigo 223, “m”, do Regulamento do Imposto sobre a Renda, aprovado pelo Decreto n° 76.186, de 2 de setembro de 1975, resolve: 1. O acréscimo do valor nominal dos títulos patrimoniais das Bolsas de Valores, em decorrência de alteração do seu patrimônio social, não constitui receita, nem ganho de capital das corretoras associadas e, por isso, pode ser excluído do lucro real destas, desde que não seja distribuído e constitua reserva para oportuna e compulsória incorporação ao capital. 2. Aos aumentos de capital assim procedidos aplicase o disposto no DecretoLei n° 1.109, de 28 de junho de 1970, artigo 3°, § 3° (RIR, artigo 237)”. (D.O.U. de 23/12/1977).” (Grifos nossos) O dispositivo do Regulamento do Imposto de Renda – RIR atinente à matéria, vigente à época e citado pela Portaria, trazia a seguinte redação: “Art. 223. Serão excluídos do lucro real para os efeitos de tributação: (...) m) o valor das ações, quotas ou quinhões de capital, recebidos em decorrência de aumentos de capital efetuados nos termos e condições dos artigos...” (com remissão, entre outros diplomas legais, ao art. 3° e respectivo § 1° do DecretoLei n° 1.109/70, que determinava que a não incidência se estendia aos sócios, Fl. 553DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assi nado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 16327.001329/200991 Acórdão n.º 3302001.851 S3C3T2 Fl. 38 29 acionistas ou titulares beneficiários, pessoas físicas ou jurídicas, podendo estas realizar aumentos de capital nas mesmas condições, mediante a incorporação dos valores distribuídos). À época da edição da citada Portaria, e até o final do exercício de 1987 (quando da publicação da Circular BACEN n° 1.273/87, que instituiu o COSIF), a contrapartida da atualização dos títulos patrimoniais das bolsas deveria ser efetuada em conta de resultado, integrando assim o lucro líquido do exercício e, por conseguinte, também o lucro real, base de cálculo do IR. Como se depreende, a Portaria foi editada com o fim precípuo de afastar a incidência do IR sobre o valor correspondente à atualização dos títulos, mediante a exclusão do lucro líquido para fins de determinação do lucro real, respeitadas 3 (três) condições: que o acréscimo do valor nominal dos títulos patrimoniais das bolsas não fosse distribuído aos acionistas; que esse acréscimo constituísse reserva para oportuna e compulsória incorporação ao capital; e que não ocorresse redução de capital ou extinção da pessoa jurídica nos 5 (cinco) anos subseqüentes, sob pena de tributação da parcela corresponde ao aumento de capital mediante a incorporação de reservas oriundas da atualização daqueles títulos, na pessoa jurídica, como lucro distribuído, ficando os respectivos sócios ou acionistas sujeitos à tributação pelo IR na declaração, ou na fonte, como disposto no DL 1109/70. A partir do exercício social de 1988, por força da entrada em vigor do Plano Contábil COSIF, a contrapartida credora da atualização positiva dos Títulos Patrimoniais das Bolsas de Valores deixou de transitar em resultado, passando a ser registrada em conta específica de Reserva de Capital, integrante do patrimônio líquido. A ausência de trânsito em resultado, por determinação do BACEN, eliminou qualquer reflexo tributário, exceto se houvesse uma especial determinação no sentido de que tal verba devesse ser tributada, o que não era o caso. Contudo, continuavam pertinentes as determinações da Portaria 785/77 no sentido de que somente o registro em conta de reserva de capital, agora autorizada pelo BACEN, afastava o risco de tributação. As condições referentes à não distribuição dos lucros para afastar a tributação, na forma prevista na Portaria, decorriam do fato de que, à época, a distribuição de lucros e dividendos estavam sujeitas à incidência do Imposto sobre a renda na fonte IRF. A Portaria sob exame, embora não expressamente, foi revogada por ser incompatível com o sistema jurídico, pois que além de haver especial previsão do BACEN para registro da contrapartida da atualização dos títulos patrimoniais, a partir de janeiro de 1996, por força do disposto no art. 10 da Lei nº 9.249/95, a distribuição de lucros e dividendos, não mais está sujeita à incidência do IRF, nem tampouco devem eles integrar a base de cálculo do IR do beneficiário. A restrição da Portaria, entretanto, continua aplicável a lucros anteriores a 1996. 2.3. Ações: aspectos contábeis e tributários 2.3.1. Considerações preliminares Fl. 554DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assi nado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 16327.001329/200991 Acórdão n.º 3302001.851 S3C3T2 Fl. 39 30 Primeiramente, importante mencionar dois fatos: no lançamento de ofício as autoridades fiscais cuidam de tentar configurar a operação como passível de tributação pelas contribuições do PIS e da COFINS nos seguintes termos, que transcrevemos por pensar ser importante para adequadamente contextualizarmos os fatos: “III — DIREITO Quanto A. classificação do resultado obtido com a venda das ações da BOVESPA e da BM&F, como operacional ou não operacional, temse: Lei n° 4.595/64, art. 17, uma vez que se trata de instituição financeira: Art. 17. Consideramse instituições financeiras, para os efeitos da legislação ern vigor, as pessoas jurídicas públicas ou privadas, que tenham como atividade principal ou acessória a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros. Concordante com esta definição legal, o Estatuto de Deutsche Bank S/A, como já visto no item anterior estabelece: Art. 3o. A sociedade tem por objeto a prática de operações ativas, passivas e acessórias, inclusive nos mercados de câmbio e ouro, inerentes às respectivas carteiras autorizadas, nomeadamente comercial e de investimento, bem como o exercício da administração de carteiras de valores mobiliários, tudo de acordo com as disposições legais e regulamentares em vigor. Temse ainda, segundo o DecretoLei n° 1.598/1977, o art. 11: Art. 11. Será classificado como lucro operacional o resultado das atividades, principais ou acessórias, que constituam objeto da pessoa jurídica. Também é oportuno mencionar, neste quesito, o Acórdão — Tribunal Regional Federal da 3a Regido, processo n° 2005.61.00.0291315/SP, item 14, abaixo transcrito: 14. A titulo de esclarecimento, diante da peculiaridade insitas às instituições financeiras, devese salientar que compõe o faturamento das Autoras todo e qualquer recurso angariado através de seu objeto social, expressamente delineado no art. 17 da Lei 4.595/64. Assim o ganho resultante da venda das ações, tanto no caso da Bovespa como no caso da BM&F, enquadrase como Receita Operacional. Deutsche Bank SA, como instituição financeira, tem suas receitas financeiras sujeitas incidência de PIS e COFINS, nos termos da Lei n°9.718/98. Fl. 555DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assi nado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 16327.001329/200991 Acórdão n.º 3302001.851 S3C3T2 Fl. 40 31 Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. (Vide art. 15 da Medida Provisória n°2.15835, de 2001) Art. 3° 0 faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde receita bruta da pessoa j urídica. (Vide art. 15 da Medida Provisória n° 2.15835, de 2001) Portanto, a receita obtida com a venda das ações da BOVESPA e da BM&F sujeitamse à incidência de PIS e COFINS. Este fato foi reconhecido pelo próprio contribuinte, uma vez que as inclui na apuração da base de cálculo do PIS e da COFINS. Com relação à exclusão efetuada pelo contribuinte, a titulo de venda de bens do ativo permanente, temse a seguinte legislação: Lei n° 9.718/98, art. 3°, § 2°: Art. 3° 2° Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2°, excluemse da receita bruta: IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. No entanto as ações da BOVESPA e da BM&F não podem ser consideradas como integrantes do ativo permanente em decorrência da seguinte legislação: Lei n° 6.404/76, art. 179: Art. 179. As contas serão classificadas do seguinte modo: I no ativo circulante: as disponibilidades, os direitos realizáveis no curso do exercício social subseqüente e as aplicações de recursos em despesas do exercício seguinte; III em investimentos: as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem a manutenção da atividade da companhia ou da empresa; Como o contribuinte, para participar do processo de desmutualização, manifestou o compromisso de vender no IPO 100% das ações da BOVESPA e 80,13% das ações da BM&F, temse manifesto formalmente um compromisso de realizar seus direitos relativos As ações recebidas, no mesmo exercício, portanto, as ações que foram recebidas em troca dos títulos originais, em decorrência do processo de desmutualização, devem ser classificadas no ativo circulante, como determina a legislação acima transcrita Fl. 556DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assi nado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 16327.001329/200991 Acórdão n.º 3302001.851 S3C3T2 Fl. 41 32 Em concordância com esta legislação, verificouse que o contribuinte procedeu nesta forma, conforme os lançamentos transcritos no item II, nos quais 100% das ações da BOVESPA e 90% das ações da BM&F, que foram recebidas, foram reclassificadas para o ativo circulante. Os 10% restantes de ações da BM&F foram vendidas logo de inicio, antes da venda das demais ações no IPO, e foram baixadas diretamente do ativo permanente para o caixa, sem terem sido antes reclassificadas para o ativo circulante. Para esses 10 % de ações da BM&F verificase, por esse ato de venda antecipada, que foram realizadas no mesmo exercício em que foram recebidas, logo em seguida ao recebimento das mesmas, antes mesmo do IPO, portanto, não se trata de investimento de natureza classificável como permanente, nos termos do inciso I do artigo 179 da Lei n° 6.404/76, acima transcrito. Assim, sua classificação contábil como permanente, e a baixa direta, na venda, do permanente contra caixa, não foi correta, isto é, deveriam ter sido transferidas para o ativo circulante antes, e deste baixadas contra caixa. (...) Portanto, as exclusões efetuadas pelo contribuinte a titulo de venda de bens do ativo permanente, não encontram respaldo na legislação vigente, conforme acima exposto, sujeitandoo a lançamento de oficio para constituição do credito tributário não declarado.” Vemos aqui, portanto, que a fiscalização fundamenta seu lançamento no fato de que a classificação contábil procedida pelo contribuinte fora incorreta, e que por isso o tratamento tributário seria inadequado. Com a devida vênia, é o oposto do que temos visto nesse E. Conselho, onde a fiscalização tem buscado, mormente nos casos em que se analisam reestruturações societárias, desconstituirse eventuais deduções (tais como de ágio), pelo fato de que as operações careceriam de fundamentação econômica. Há portanto uma inversão da ordem, a contabilidade sobreporseá à substância econômica da operação, caso prevaleça o entendimento desposado nesse lançamento. Teria, portanto, a ciência contábil de per si o poder de transformar a substância de uma operação em outra, para fins meramente tributários ? tecerei alguns comentários, de resto absolvidos de artigo que escrevi em outras circunstâncias: A ciência econômica em sua vertente neoclássica compreende o mundo pela ótica de que pessoas, empresas e governos são agentes racionais que escolhem também racionalmente a melhor opção para valeremse de recursos escassos para atender necessidades ilimitadas. Dentro do nosso contexto, as expressões econômicas que devem ser capturadas nesse estudo e que são capturadas pela ciência contábil e pelo Direito são renda, patrimônio e consumo. Resumidamente, estas são riquezas essenciais e que interagem dentro do nosso sistema e, também, que se comportam e podem ser medidas das mais diferentes formas. Ainda que existam vários métodos de medição e apuração, não podemos esquecer requisitos Fl. 557DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assi nado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 16327.001329/200991 Acórdão n.º 3302001.851 S3C3T2 Fl. 42 33 essenciais que são, respectivamente, riqueza nova acrescida, riqueza acumulada e riqueza consumida. Essas expressões econômicas ganham envergadura em diversas disciplinas específicas dentro da contabilidade e do direito seja ele comercial ou tributário. Tais disciplinas estão separadas basicamente pelas funcionalidades específicas de seus propósitos, todavia, sem se deslocar da unidade que deve ser mantida tanto no Direito quanto na Contabilidade. A Contabilidade é outra das ciências sociais que mede a riqueza, diferentemente da ciência econômica, entretanto, por meio de um processo de (i) reconhecimento, (ii) mensuração e (iii) evidenciação das ações econômicas em determinada entidade apurandose seu patrimônio e suas variações no tempo. No processo de reconhecimento, verificase qual é a classificação da ação de natureza econômica. Para obterse a classificação dessa ação econômica é necessário um conjunto de definições próprias da contabilidade, que não necessariamente fazem parte da economia ou do Direito, muito embora o fenômeno ocorra no mundo real para todas essas ciências. Assim também se comporta quando a contabilidade mensura, quando a ação de natureza econômica devidamente classificada recebe sua expressão monetária contábil. Essa expressão monetária pode não corresponder à expressão jurídica (uma venda registrada a valor presente, não tem o mesmo valor expresso no contrato de compra e venda) ou à expressão econômica (o patrimônio líquido não reflete, em regra, o valor de utilidade da marca desenvolvida pela entidade). Por isso a contabilidade exige método específico que conduza à evidenciação e que torne possível demonstraremse ao usuário das informações contábeis quais foram esses procedimentos de reconhecimento e de mensuração utilizados. Dessa forma o processo contábil possui uma lente própria – com seus usos, métodos e costumes para enxergar a realidade e retratála. 6 Fabio Konder Comparato também sistematiza esse entendimento7 afirmando que (...) o balanço como de resto toda a contabilidade não pode jamais ser um simples reflexo de fatos econômicos, porque, se trata de uma interpretação simbólica e, portanto, convencional, da realidade. De fato, a contabilidade é um instrumento de medição de riqueza, que adota como meio a organização sistemática e consistente dos registros econômicosfinanceiros. Esse instrumento é frequentemente utilizado por especialistas de outras ciências, dentre elas o próprio Direito, que por sua vez, outras ocasiões também é utilizado pela ciência contábil. Um é fonte do outro em diversas situações, outrossim, não raro ambos distanciamse um do outro. Certamente a ciência contábil é importante para mensurar e reduzir consistentemente a uma linguagem universal as informações econômicas, todavia, ela não será sempre utilizada como parâmetro para fins de legislação societária ou tributária. Conforme Rodrigo de Freitas8 as hipóteses de incongruência entre a ciência contábil e o Direito devem ser procuradas na própria legislação (societária/tributária). 2.3.2 Do Fato gerador e base de cálculo do PIS e da COFINS 6 Lopes, Alexsandro broedel e Roberto Quiroga Mosquera. In O Direito Contábil. Fundamentos Conceituais, aspectos da Experiência Brasileira e Implicações. , Controvérsias JurídicoContábeis São Paulo, Ed. Dialética, 2011, p. 59 7 Ensaios e pareceres de direito empresarial, forense,1977, p. 32 8 Freitas, Rodrigo de. In Ciência Contábil e Direito Contábil: a Nova Relação. Controvérsias JurídicoContábeis, Ed. Dialética, p. 424. Fl. 558DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assi nado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 16327.001329/200991 Acórdão n.º 3302001.851 S3C3T2 Fl. 43 34 Desde a Constituição Federal de 1988, com redação conferida pela Emenda Constitucional nº 20/1998, já havia a previsão da incidência dessas contribuições sobre a receita ou o faturamento da empresa, sendo que a base de cálculo do PIS e da COFINS não cumulativos teve sua definição por meio das referidas Medidas Provisórias nº 66/2002 e nº 135/2003, respectivamente convertidas nas Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, como seguem, prevendo como base de cálculo o valor do faturamento mensal, assim entendido como o total das receitas auferidas pela empresa, independentemente da denominação ou classificação contábil a ela atribuídas,ou seja todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica nos seguintes termos: Lei nº 10.637/2002: “Art. 1º A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica.” Lei nº 10.833/2003: “Art. 1º A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica.” 2.3.3 Principais aspectos sobre o conceito de receita para fins de tributação do PIS e da COFINS O legislador ao escolher como base de cálculo do PIS e da COFINS a “totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica”, no exercício da nova competência constitucional outorgada à União através da Emenda Constitucional nº 20/1998, olvidou de delimitar o sentido e alcance do termo “receita”. Ocorre que a simples menção ao termo “receita” em nossa Carta Constitucional implica na delimitação da liberdade do legislador infraconstitucional pelo legislador constituinte derivado, já que permitir ao intérprete ou ao legislador ordinário definir o sentido e alcance de institutos e conceitos constitucionalmente empregados seria autorizálos a que, arbitrariamente, firmassem nova discriminação de competência – hipótese não aceita pelo ordenamento jurídico pátrio. A nossa doutrina também se manifesta no sentido de que receita é uma espécie do gênero entrada, como ensina Geraldo Ataliba: “(...) Entrada é todo o dinheiro que ingressa nos cofres de determinada entidade. Nem toda entrada é receita. (...) Receita é a Fl. 559DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assi nado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 16327.001329/200991 Acórdão n.º 3302001.851 S3C3T2 Fl. 44 35 entrada que passa a pertencer à entidade. Assim, só se considera receita o ingresso de dinheiro que venha a integrar o patrimônio da entidade que recebe (...)”. Neste sentido, Marco Aurélio Greco considera que: “Nem todo “dinheiro” que “entra” no universo da disponibilidade da pessoa jurídica integra a base de cálculo da COFINS. Não basta ser uma “entrada” (mera movimentação financeira) é preciso que se configure como “ingresso”, no sentido de entrada como sentido de permanência e que resulte da atividade que corresponda ao seu objeto social (ou dele decorrente).” Ainda neste sentido, manifestouse Aires Fernandino Barreto (RDDT nº 5): “i.e.1. Ingressos e receitas Nem todos os valores que entram nos cofres das empresas são receitas. Os valores que transitam pelo caixa das empresas (ou pelos cofres públicos) podem ser de duas espécies: os que configuram receitas e os que se caracterizam como meros ingressos (que, na Ciência das Finanças, recebem a designação de movimentos de fundo ou de caixa). Receitas são entradas que modificam o patrimônio da empresa, incrementandoo. Ingressos envolvem tanto as receitas como as somas pertencentes a terceiros (valores que integram o patrimônio de outrem). São aqueles valores que não importam em modificação do patrimônio de quem os recebe, para posterior entrega a quem pertencem. Apenas os aportes que incrementam o patrimônio, como elemento novo e positivo, são receitas.” José Antonio Minatel, por sua vez, após longo e aprofundado estudo acerca do conceito de receita no contexto constitucional, na lei societária, na ciência contábil, na economia, nas finanças públicas, na lei tributária, bem como sobre a diferença entre receita, faturamento e ingresso, entre outras análises, verificou ser possível “reconhecer os seguintes atributos imprescindíveis para qualificar essa específica realidade expressa sob o signo de receita”: “a) conteúdo material: ingresso de recursos financeiros no patrimônio da pessoa jurídica; b) natureza do ingresso: vinculada ao exercício de atividade empresarial; c) causa do ingresso: contraprestação em negócio jurídico que envolva a venda de mercadorias ou prestação de serviços, assim como pela cessão onerosa e temporária de bens e direitos e pela remuneração de investimentos; d) disponibilidade: pela definitividade do ingresso; e) mensuração instantânea: isolada em cada evento, abstraindo se dos custos e de periodicidade para a sua apuração. “ Fl. 560DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assi nado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 16327.001329/200991 Acórdão n.º 3302001.851 S3C3T2 Fl. 45 36 Nesse sentido, como bem observado por Ricardo Mariz de Oliveira, tratando em específico sobre o conceito de receita (onde não por acaso tece criticas à obra de De Plácido e Silva por, em sua ótica, confundir receita com ingresso ou entrada), para a contabilidade (1) a receita é algo que integra o resultado do período, (2) que existe quando terceiros efetuem o pagamento de uma transação ou assumam o compromisso firme de efetivá lo em decorrência de uma venda ou de serviços, (3) podendo também existir pelo desaparecimento de uma dívida ou pela geração natural de ativos. Relevante relembrar que tanto a lei que disciplina a contribuição ao PIS quanto aquela que aborda a COFINS prevêem que a caracterização da receita independe da denominação ou classificação contábil. Não obstante a ressalva em questão possa inferir que todas as receitas podem ser objeto de tributação pelas contribuições em tela – exceto as exclusões, isenções e outros benefícios previstos em lei – não há como afastar os conceitos econômico e contábil de receita, mormente quando afirmados pelo novel denominado (mas não consensuado quanto à sua existência) Direito Contábil. Observamos, ainda, que o conceito de receita delimitado não é similar ao de renda, ou seja, que auferirse receita apenas ocorra quando há lucro ou ganho. Isto porque, para caracterização da receita, não se leva em conta nem custos nem despesas. Ou seja, “ainda quando haja uma venda com prejuízo, por ser o custo da coisa vendida maior que o preço da sua venda, este, de per si, representa um elemento positivo na formação do patrimônio. (...) Este isolamento do fator positivo, para a identificação do que seja receita, é que distingue receita de lucro, renda ou ganho (...)” (OLIVEIRA, Ricardo Mariz de apud SEHN, Solon. Op. cit., p. 159160). Além dessas espécies de receitas, existem outras, antes denominadas “não operacionais”, mas hoje consideradas simplesmente “outras receitas” (vide, por exemplo, a atual redação do art. 187, IV, da Lei 6.404/1976, em contraposição com a sua redação original). Como ensina a doutrina: “Com a edição da Lei nº 11.941/09, art. 187, inciso IV, deixa de existir a segregação dos resultados em operacionais e não operacionais. A partir do exercício de 2008, os normativos fazem referência apenas à segregação das atividades em continuadas e não continuadas. Assim, passam a ser reconhecidas como outras receitas e despesas operacionais os ganhos ou perdas que decorram de transações que não constituam as atividades ordinárias de uma entidade. Ou seja, o conceito de lucro operacional engloba os resultados das atividades principais e acessórias, e essas outras receitas e despesas operacionais são atividades acessórias do objeto da empresa” (IUDÍCIBUS, Sérgio, et al. op. cit., p. 516). As outrora denominadas receitas nãooperacionais incluíam as receitas financeiras, as receitas com vendas de ativo permanente e as receitas extraordinárias. Essas espécies de receitas foram contempladas na legislação do PIS e da COFINS nãocumulativos, quando a norma literalmente dispôs que a totalidade das receitas inclui, além da receita bruta das vendas de bens e serviços, “todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica” (art. 1º, § 1º, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003). Fl. 561DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assi nado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 16327.001329/200991 Acórdão n.º 3302001.851 S3C3T2 Fl. 46 37 Vêse, portanto, que a base de cálculo do PIS e da COFINS corresponde à totalidade das receitas auferidas pela empresa, porém, não qualquer ingresso, mas aquelas cujo conceito jurídico e técnicocontábil encerra uma repercussão patrimonial positiva para a empresa. Concluindo, no caso concreto, tivemos, como consta dos autos, a alienação das ações recebidas em troca pela sua posição inicialmente mantida, porém, não deixou de ser uma alienação de ações, que resultou contabilmente em uma receita de natureza não operacional. Se ainda assim julgássemos que essas receitas fossem submetidas á tributação, caberia a aplicação dos dispositivos da Lei nº 11.638/07 no sentido de que qualquer efeito decorrente das alterações da lei societária, que ocorreu de fato após a operação aqui analisada, seria necessariamente neutra do ponto de vista tributário. Prosseguindo, na percepção desse julgador, nada do que houve a posterior, ou independentemente de ter havido uma operação complexa, elidiria o fato de que a operação teve como propósito negocial a alienação da participação societária detida pelo contribuinte no mercado. Essa alienação apenas foi viável, sob a ótica do direito societário, pelo processo de conversão e troca de títulos representativos de um patrimônio por outros títulos, cuja colocação no mercado era possível, de acordo com a legislação de regência dos mercados de capitais. Não fazêlo significaria não apenas uma perda de oportunidade econômica para o contribuinte, mas também para a sociedade, para outros investidores, desejosos de adquirir essa participação do outro lado. Na origem, o contribuinte detinha títulos representativos de um patrimônio, cuja aquisição era obrigatória para o exercício, ai sim, de sua atividade econômica. A atividade principal do contribuinte, como instituição financeira, sempre foi negociar com ações em nome de terceiros, ou intermediar operações financeiras. As instituições financeiras, entretanto, não estão impedidas de negociar ações em seu próprio nome, podendo fazêlo inclusive à guisa de maximizar a sua rentabilidade, e manter a sua saúde financeira. Entretanto, a norma regulatória sempre exigiu que essas operações fossem registradas em contas separadas. Esses títulos representativos da antiga Bovespa sempre tiveram intenção de permanência até porque era a única forma de operação naquele mercado, e o fato de ter sido alienada não poderia transmutar a sua natureza, ainda que por força de uma interpretação e até mesmo de observância contábil dessa interpretação, em uma operação simples de negociação com ações realizadas por ordem de terceiros, no curto prazo, com fins meramente especulativos. O mesmo afirma o Professor Eliseu Martins às fls 19 e ss. do seu parecer, às fls 632 e ss. dos autos do Processo no. 16.327.001329/200991 2.3.4 Tratamento contábil das ações Como já foi comentado, os ativos têm seu registro contábil definido por ocasião de sua aquisição, considerandose a destinação que a sociedade pretende dar ao bem ou direito. Nesse sentido, como o título patrimonial era investimento diretamente vinculado às suas finalidadese e nos estritos termos do COSIF suscetível de registro como investimento permanente, suscetível de receber atualizações, sua conversão em ações de companhia não poderia merecer tratamento diferente. Dessa forma, até o momento da venda das ações Fl. 562DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assi nado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 16327.001329/200991 Acórdão n.º 3302001.851 S3C3T2 Fl. 47 38 deveriam elas estar classificadas como investimentos permanentes, ainda que sua venda parcial tivesse sido previamente ajustada, por força do acordo já mencionado. Observese que a manutenção de investimentos permanentes, nessa condição, até a data de sua venda, sempre fora aceita inclusive pelas autoridades fiscais, que não submetem o ganho oriundo da venda de investimento permanente à tributação antecipada, em nenhuma hipótese. De acordo com os autos, o contribuinte não detinha investimento relevante nas bolsas o que, por ocasião da substituição dos títulos anteriormente detidos, pelas ações representativas do capital das bolsas, determinava a sua classificação contábil sob a rubrica 2.1.9.90.003 Outros Investimentos que deveriam ser mantidos até o momento da venda se concretizada no ano de 2007, o mesmo exercício social da “desmutualização”. Ainda que as ações tenham sido alienadas em data posterior ao término do prazo pelo qual tivesse sido firmado o compromisso de manutenção da respectiva participação acionária, em decorrência da assinatura do referido acordo de acionistas, o tratamento contábil seria o mesmo: manutenção em conta de ativo permanente, até a venda dos bens, rubrica (2.1.9.90.003). Esse registro prestouse, exclusivamente, a substituir aquele correspondente aos títulos até então detidos (2.1.4.10.105 Títulos Patrimoniais de Bolsas de Valores), também classificáveis em conta integrante do Grupo Permanente – Investimentos. Ou seja, em nossa visão, o conjunto de atos praticados não poderia em qualquer hipótese, caracterizar uma “aquisição” de participação societária nova que justificasse a sua contabilização em conta diversa, como pretenderam as autoridades fiscais. Por fim, importante ressaltar que, a partir da data de recebimento das ações em substituição aos títulos anteriormente detidos, o valor do investimento que não estivesse sujeito à avaliação com base no método de equivalência patrimonial, de que tratam o art. 248 da Lei das S.A. e a Instrução CVM nº 247/96, deveria ser avaliado pelo método do custo de aquisição, nos termos do disposto no art. 183, III daquela lei, não mais se lhes aplicando as disposições anteriormente citadas, sobretudo a Circular BACEN nº 1.273/87 (no que se refere ao registro dos Títulos Patrimoniais de Bolsas de Valores). 2.3.5 Tratamento tributário da atualização dos títulos A primeira questão a ser avaliada diz respeito ao tratamento a ser dado à contrapartida da atualização dos títulos, registrada como reserva de capital, no momento em que estivessem sendo alienadas as ações das novas sociedades. A matéria deve ser analisada sob 2 (duas) diferentes linhas de interpretação que conduzem, sempre, à não tributação desse valor, a saber: (i) primeiramente, por causa da ausência de comando para cômputo da reserva na determinação do lucro real: a Portaria 785/77 foi editada com a finalidade de evitar a tributação da atualização dos títulos, vigorando ela, plenamente, para os lucros gerados até 1995. Nesse caso há dois diferentes aspectos a serem observados: cômputo da atualização no lucro real e cômputo da atualização para fins de IRF. No que tange ao cômputo no cálculo do lucro real, o RIR dispõe no art. 442 , parágrafo único:: “Art. 442 Não serão computadas na determinação do lucro real as importâncias, creditadas a reservas de capital, que o contribuinte com a forma de companhia receber dos subscritores de valores mobiliários de sua emissão a título de: Fl. 563DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assi nado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 16327.001329/200991 Acórdão n.º 3302001.851 S3C3T2 Fl. 48 39 I ágio na emissão de ações por preço superior ao valor nominal, ou a parte do preço de emissão de ações sem valor nominal destinadas à formação de reservas de capital; II valor da alienação de partes beneficiárias e bônus de subscrição; III prêmio na emissão de debêntures; IV lucro na venda de ações em tesouraria. § único O prejuízo na venda de ações em tesouraria não será dedutível na determinação do lucro real.” (Grifos nossos) A reserva de capital constituída pelas instituições financeiras, em decorrência da atualização dos títulos patrimoniais das bolsas, não está contemplada dentre as reservas de capital não tributadas pelo IR, contudo essa atualização foi expressamente excluída do lucro real pelo Poder Executivo, nos exercícios em que foi reconhecida (até dezembro de 1995), não havendo, hoje, qualquer possibilidade de se determinar a sua inclusão no lucro real por força do princípio da segurança jurídica, que mantém a proteção de que ela desfrutou, no passado e, adicionalmente, por força da decadência que já teria se operado em relação aos períodos em que essa regra vigorou. Tampouco há previsão de que o montante da reserva devesse ser revertido para resultado, devendo ela ser usada, apenas, para aumento de capital ou compensação de prejuízos. Quanto à incidência do IRF, não ocorrendo a distribuição do lucro, ele não poderia ser cobrado e o evento da cisão das bolsas, seguido de sua transformação em companhia, bem como da venda das ações, não caracterizaramm distribuição de lucros, para fins de IRF, na forma da Portaria 785/77. (ii) finalmente, pela “equiparação” dessa atualização àquela decorrente dos resultados oriundos de investimentos avaliados pelo método da equivalência patrimonial, não sujeitos a tributação: o fundamento dessa interpretação decorre de específica manifestação da então Secretaria da Receita Federal SRF, contida no Parecer Normativo da então Coordenadoria do Sistema de Tributação CST n° 78/78, com a seguinte ementa: “Investimentos relevantes e influentes em sociedades coligadas ou controladas devem ser avaliados pelo valor de patrimônio líquido: 1) nas sociedades anônimas; 2) nas demais sociedades quando devam refletirse no balanço de sociedade anônima e 3) nas sociedades em que o exija lei especial.” (Grifo nosso) Muito embora o referido Parecer aborde apenas o tratamento tributário da contrapartida da avaliação, pelo método de equivalência patrimonial, de investimentos relevantes e influentes em sociedades coligadas ou controladas, as fundamentações legais nele descritas, que embasaram o entendimento das autoridades fiscais, são aplicáveis ao tratamento a ser dispensado às atualizações dos títulos patrimoniais das bolsas, creditadas em conta específica de reserva de capital pelas instituições financeiras. Observese que os títulos eram investimentos próprios da operação das sociedades, relevantes para sua atuação negocial, o que justifica a assemelhação pretendida. Ressaltese que o BACEN também entendia a natureza dos títulos dessa forma, pois que o COSIF determinou fossem eles classificados como ativo permanente, investimentos sujeitos a Fl. 564DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assi nado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 16327.001329/200991 Acórdão n.º 3302001.851 S3C3T2 Fl. 49 40 atualização. Além da expressa determinação procedimental do COSIF e a ausência de qualquer efeito tributário decorrente dessa metodologia são suficientes para concluir que o seu uso estava autorizado pelo sistema como se depreende da leitura do conteúdo do trecho, abaixo citado, do Parecer em questão: “7 Não obstante a generalidade das regras acima discutidas, ressalvese a possibilidade de legislação específica para setores econômicos ou classes de empresas estabelecer outros critérios de avaliação pelo patrimônio líquido. Particularmente, a Lei da Reforma Bancária (n° 4.595/64, art. 4°, item XII) atribui ao Conselho Monetário Nacional a fixação de normas contábeis para as instituições financeiras, assim como a Lei n° 6.385/76 (art. 22, parágrafo IV) deferiu às companhias abertas a fixação de padrões de contabilidade para companhias abertas. 7.1 – Dado que tais normas devem ser interpretadas integradamente com a legislação tributária, a imposição pelo Banco Central ou Comissão de Valores Mobiliários de avaliação de investimentos por valor de patrimônio líquido, em situações que não as referidas no § 4° do art. 20 do DecretoLei n° 1.598, cria para as pessoas jurídicas obrigação de assim proceder nas demonstrações financeiras, com os reflexos pertinentes na apuração do lucro real.” (Grifos nossos) Com base nos fundamentos legais mencionados no item 7 do Parecer, bem como nas referências por ele efetuadas aos atos normativos anteriormente citados, é possível afirmarse que, considerando a obrigatoriedade das instituições financeiras de registrarem a contrapartida da atualização dos títulos patrimoniais, em conta específica de Reserva de Capital, por força das determinações emanadas do CMN (notadamente aquelas previstas pelo COSIF), à semelhança da contrapartida da aplicação da metodologia de equivalência patrimonial, os mesmos reflexos devem ser por elas observados no tocante à determinação do lucro real, portanto, nenhum efeito fiscal quanto ao Imposto de Renda e à Contribuição Social. À vista dos fatos, podemos concluir que os acréscimos correspondentes à atualização dos títulos não estão sujeitos à tributação pelo IR ou pelo IRF, no momento da venda, integrando o custo de aquisição dedutível para todas as finalidades. Nessa afirmativa, dois aspectos são importantes: (i) o respeito às disposições da Portaria 785/77 e ao sistema jurídico e (ii) a ausência da característica de distribuição de lucros da troca de títulos por ações. Ou seja, como anteriormente descrito, a única base imputável possível para fins de IRPJ e de CSLL seria como ganho de capital, o que no caso equipararseia ao resultado de equivalência patrimonial, de resto também não tributável para fins de PIS e da COFINS, por expressa previsão legal. 2.3.6 Tratamento tributário do ganho ou perda de capital na venda das ações 2.3.6.1 IR e CSLL Em que pese já repute suficiente para o deslinde da questão, teceremos comentários acerca do tratamento tributário pelo IRPJ e pela CSLL como se ganho de capital tributável fosse, para ao fim concluir quanto às nossas contribuições sociais. Fl. 565DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assi nado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 16327.001329/200991 Acórdão n.º 3302001.851 S3C3T2 Fl. 50 41 De acordo com o disposto no art. 418 do RIR/999, os resultados da alienação de bens do ativo permanente serão computados na determinação do lucro real. Ao tratar da forma pela qual se determina o ganho ou perda de capital, nos casos de alienação de investimentos avaliados pelo valor de patrimônio líquido, assim dispõe o RIR, em seu art. 426: “Art. 426 O valor contábil para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação de investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio líquido (art. 384), será a soma algébrica dos seguintes valores (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 33, e DecretoLei n° 1.730, de 1979, art. 1°, inciso V): I valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte; II ágio ou deságio na aquisição do investimento, ainda que tenha sido amortizado na escrituração comercial do contribuinte, excluídos os computados nos exercícios financeiros de 1979 e 1980, na determinação do lucro real; III provisão para perdas que tiver sido computada, como dedução, na determinação do lucro real, observado o disposto no parágrafo único do artigo anterior.” (Grifos nossos) Assim, em consonância com o anteriormente disposto, o valor de custo das ações a ser computado para fins de determinação do ganho ou perda de capital, por ocasião de sua alienação, deveria equivaler ao valor de “patrimônio líquido” pelo qual o investimento estivesse registrado. Nesse valor estaria contemplado, portanto, o montante correspondente à contrapartida da atualização dos títulos, com base no valor informado pelas respectivas bolsas. No que se refere à determinação da base de cálculo da CSLL, a Lei nº 7.689/88 dispõe que a base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, apurado com observância da legislação comercial, antes da provisão para o imposto de renda. Diversas normas concernentes à apuração dessa base de cálculo foram posteriormente editadas sem, contudo, haver na legislação ordinária dispositivo legal que consolide as normas de apuração e pagamento da CSLL, o que somente foi efetuado pela Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal10 IN SRF nº 390/0411. Por ocasião da edição da Portaria nº 785/77 e do Parecer Normativo CST nº 78/78, normas que delimitaram, conforme abordado anteriormente, o tratamento fiscal a ser dispensado à contrapartida da atualização dos títulos patrimoniais representativos do capital das bolsas de valores, a CSLL não havia sido instituída. Não obstante, são aplicáveis à CSLL os comentários anteriormente descritos em relação ao lucro real, no tocante ao cálculo do ganho de capital a ser tributado por ocasião da alienação das ações, uma vez que o ganho ou perda de capital decorrente da alienação de bens ou direitos integra o resultado do período, apurado em consonância com a legislação comercial (Lei nº 6.404/76 e alterações). A atualização dos títulos segue protegida de tributação, pois quando registrada não transitou em resultado e, hoje, nas diversas operações não se constitui em lucro ou resultado tributável, como já comentado. 9 Disposição contida no Livro II, Título IV, Subtítulo III, Capítulo VII, que trata da tributação dos resultados não operacionais. 10 Atual Receita Federal do Brasil RFB. 11 Neste caso, as disposições da IN devem, necessariamente, estar suportadas por disposições constantes da legislação ordinária, sob pena de não aplicação, pelo contribuinte, naquilo que lhe for mais oneroso. Fl. 566DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assi nado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 16327.001329/200991 Acórdão n.º 3302001.851 S3C3T2 Fl. 51 42 Outrossim, o tratamento tributário desse conjunto de operações para fins de IRPJ e de CSLL não vem sendo adequadamente compreendido por parte das autoridades fiscais. Manifestaramse de forma equivocada pela incidência do IR, porém, em momento anterior à venda (realização) das ações, no momento designado por “desmutualização”. De fato, as Soluções de Consulta da CoordenadoriaGeral de Tributação nº 10, de 26 de outubro de 2007, e da Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil nº 521, de 07 de novembro de 2007, cujas respectivas ementas são idênticas pronunciaramse de forma diversa. A consulta acima mereceu por parte da Bovespa e da BMF, publicação de fato relevante onde questionaram a orientação tomada RFB. De fato, a consulta acima contém impropriedades diversas, a saber: (i) ignora o contrato atípico (cisão seguida de transformação) e os efeitos pretendidos pelas partes; (ii) ignora que os institutos previstos em lei podem ser utilizados por todo tipo de entidade exceto se o procedimento for vedado ou se a sua implementação for total e completamente incompatível com a situação à qual se pretende aplicálo. No que tange à cisão das bolsas, deixou de observar que o já citado art. 2033 do CC autoriza o uso desse instituto nas entidades sem fins lucrativos; (iii) considera que houve destinação de parcela de patrimônio das bolsas para entidade com fins lucrativos, em desacordo como o art. 61 do CC, quando a situação não é de destinação mas de cisão seguida de transformação (iv) considera que a avaliação das cotas, ou frações ideais das bolsas, deva ser feita pelo custo de aquisição, afastando desse conceito o valor da atualização determinada e protegida por lei; (v) conclui pela incidência do IRPJ calculado sobre a diferença entre o valor nominal das ações (da sociedade) recebidas pelos associados (sociedades corretoras) e o custo de aquisição das cotas ou frações ideais representativo do patrimônio segregado das bolsas de valores;. (vi) muda entendimento manifestado anteriormente (Solução de Consulta COSIT nº 13, de 10.11.1997), em consulta então formulada pela Associação Nacional das Corretoras de Valores, Câmbio e Mercadorias (“ANCOR”), que tinha por objeto operação semelhante ao processo de “desmutualização”; (vii) descumpre o princípio da segurança jurídica, não observando as regras aplicáveis ao reconhecimento da atualização dos títulos e seus reflexos tributários, ao longo do tempo. Em termos práticos, a Solução de Consulta afirma que será tributado o resultado de atualização (equivalência patrimonial) do patrimônio das antigas bolsas, refletido no custo contábil dos títulos patrimoniais de seus associados, e que o fato gerador desse ganho de capital seria a cisão parcial do patrimônio das bolsas. A operação de cisão, feita a valores patrimoniais, não gera para os partícipes, sócios ou associados, nenhum reflexo tributário, caracterizada que é pela sucessão universal, afastandose as hipóteses de alienação, realização, devolução ou similares de ativos. Não há qualquer acréscimo patrimonial gerado para os antigos detentores dos títulos, quando trocados por ações, razão pela qual mais uma vez equivocase a autoridade fiscal. Fl. 567DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assi nado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 16327.001329/200991 Acórdão n.º 3302001.851 S3C3T2 Fl. 52 43 Entendo pois que a manifestação das autoridades fiscais excedera completamente os limites da lei, concluindose que: (i) no momento da “desmutualização”, por configurarse mera sucessão, não há incidência de tributação, pelo IR ou pela CSLL, sobre eventual ganho gerado e (ii) na venda das ações, o ganho de capital deve ser calculado a partir do custo de aquisição atualizado pela forma preconizada pela Portaria 785/77 e pelo COSIF e, após, submetido à tributação pelo IR e pela CSLL. 2.3.6.2 PIS e COFINS No que se refere à incidência das contribuições devidas ao PIS e à COFINS, pelas instituições financeiras, determina a Lei nº 9.718/98 que a sua base de cálculo é o faturamento, correspondente à receita bruta da pessoa jurídica, assim entendida a totalidade de receitas por ela auferida, sendo irrelevantes a classificação contábil adotada para as receitas. Admite a lei sejam excluídas à base de cálculo das contribuições o valor das receitas oriundas da venda de ativo permanente (art. 3º, § 2º, IV ). Como a participação societária oriunda da troca de títulos, por ações, caracterizase como sucessão, não afetando a natureza de investimento permanente de que os títulos já desfrutavam, cabe o registro das ações em igual rubrica. É de se entender, portanto, que a receita correspondente à venda das ações deve ser excluída de tributação a essas contribuições, especialmente porque, como já comentado, o adequado registro contábil deve ele ser feito na conta 2.1.9.90.003 Outros Investimentos (COSIF), integrante do Ativo Permanente, Investimentos Nesse contexto, entendo não haver incidência das contribuições ao PIS e COFINS, nos termos do art. 3º, § 2º, IV da Lei nº 9.718/98, sobre o montante do ganho de capital apurado (ou que vier a ser apurado enquanto durar a vigência do citado dispositivo) por ocasião da alienação das ações representativas do capital das novas companhias. Caso houvesse a incidência, ainda assim entendo que deveria para esse fim, ser computado como custo o valor atualizado do investimento na data da substituição dos títulos anteriormente detidos por ações, cujo montante deveria corresponder ao percentual de participação detido pela sociedade no patrimônio líquido informado pelas respectivas bolsas de valores. Enfatizese, novamente, que o fato de o ativo ser destinado à venda, por acordo de sócios, não o caracteriza como bem realizável, de curto ou longo prazo, pois que essa caracterização é dada no momento da aquisição. Dessa forma, eventual transferência da conta de ativo permanente para conta de circulante, como pretendeu a fiscalização, além de ser procedimento contrário à lei societária, não poderia gerar qualquer reflexo tributário para fins de PIS e COFINS, pois a alienação é de bem destinado ao objeto da sociedade que mantém essa característica até sua transferência ao comprador. Observese que a legislação atinente ao PIS e à COFINS considera irrelevante a contabilização (classificação), em que pese meu entendimento de que essa norma carece sempre de interpretação casuística, dada à receita auferida para fins de tributação, no sentido de que à tributação não se excluem verbas que revestindo a natureza de receita bruta foram contabilizadas em rubricas que não permitem inferir essa condição. Fl. 568DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assi nado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 16327.001329/200991 Acórdão n.º 3302001.851 S3C3T2 Fl. 53 44 Esse é justamente o caso em que a norma deve ser interpretada à luz dos fatos, do caso concreto, sob pena de relegar à insignificância todo o ordenamento jurídico econômica pátrio, em especial a lei societária e as normas cogentes reguladoras. A suposta irrelevância de que se revestiria a norma contábil, em termos de contribuições sociais, permite afirmar, em contrapartida, que uma indevida e antecipada contabilização de investimento, que sempre se caracterizou como permanente e assim esteve registrado, em rubrica do circulante, não ensejaria a tributação da correspondente receita, por ocasião da venda, sob a alegação de que a operação foi de investimento voltado à operação, sempre classificado no permanente e que essa transferência não seria suficiente para retirarlhe tal condição. Reforça esse argumento a ausência de operação nova, alienação, distribuição de lucros ou similares. Isso posto, voto no sentido de dar provimento integral ao recurso voluntário. Caso vencido, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário para determinar a atualização contábil dos valores que serviram de base para o cálculo da receita, deduzindoa do “ingresso” que servira de base para a tributação, no mais atendendo as disposições da legislação de regência das contribuições atinentes às instituições financeiras, que permite a dedução dos custos das operações, e a tributação da maisvalia obtida nas operações de caráter financeiro. É como voto. Sala das Sessões, em 24 de outubro de 2012 (assinado digitalmente) GILENOGURJÃO BARRETO Fl. 569DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assi nado digitalmente em 07/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Numero do processo: 10580.730250/2011-17
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 01/01/2009
ASSISTÊNCIA À SAÚDE FORNECIDA PELO EMPREGADOR POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. AUSÊNCIA DE SUBSUNÇÃO À NORMA TRIBUTÁRIA. NORMA DECLARADA INCONSTITUCIONAL PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL - STF. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2803-003.391
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 01/01/2009 ASSISTÊNCIA À SAÚDE FORNECIDA PELO EMPREGADOR POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. AUSÊNCIA DE SUBSUNÇÃO À NORMA TRIBUTÁRIA. NORMA DECLARADA INCONSTITUCIONAL PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL - STF. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE. Recurso Voluntário Provido.
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Recorrente STS SERVIÇO DE TRANSFUSÃO DE SANGUE S/S LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 01/01/2009 ASSISTÊNCIA À SAÚDE FORNECIDA PELO EMPREGADOR POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. AUSÊNCIA DE SUBSUNÇÃO À NORMA TRIBUTÁRIA. NORMA DECLARADA INCONSTITUCIONAL PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL STF. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 73 02 50 /2 01 1- 17 Fl. 265DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.730250/201117 Acórdão n.º 2803003.391 S2TE03 Fl. 265 2 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal PAF contempla o Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD 37.311.8074, que objetiva o lançamento das contribuições sociais previdenciárias decorrentes da prestação de serviços de cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho, conforme Relatório Fiscal do Auto de Infração – REFISC, de fls. 13 e 25, com período de apuração de 01/2008 a 12/2008, conforme Termo e Início de Procedimento Fiscal TIPF, de fls. 107 e 108. O sujeito passivo foi cientificado da autuação, em 14/09/2011, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP, fls. 02. O contribuinte apresentou petição de defesa com razões, as fls. 117 a 125, recebida, em 14/10/2011, acompanhada dos documentos, de fls. 126 a 199. A defesa foi considerada tempestiva, fls. 200. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 0945.512 5ª, Turma DRJ/JFA, em 15/08/2013, fls. 221 a 228. No qual a impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte tomou conhecimento do decisório da DRJ, em 16/10/2013, conforme AR, de fls. 231. Irresignado o contribuinte impetrou Recurso Voluntário, recebido, em 14/11/2013, acostado, as fls. 233 a 248, acompanhado dos documentos, de fls. 249 a 261. As razões recursais não serão sumariadas, o que explicará no voto. A autoridade preparadora reconheceu a tempestividade do recurso, 263. Os autos subiram ao CARF, fls. 263. Os presentes autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 21/02/2014, Lote 01. É o Relatório. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.730250/201117 Acórdão n.º 2803003.391 S2TE03 Fl. 266 3 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Cumpre esclarecer, ainda, que como consta do crédito em seu REFISC o que transcrevo, abaixo, o lançamento se reporta a COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO como a seguir descrito. 11. Cooperativas contratadas pela STS cujos contratos de prestação de serviços cooperados foram anexados ao presente AI. 11.1. COOPBEM – Cooperativa Bahiana de Especialidades médicas, CNPJ 03.726.329/000122; 11.2. MEDICALCOOP – Cooperativa Múltipla a Serviço da Medicina e Odontologia, CNPJ 02.639.590/000122; e 11.3. UNIMED de Salvador – Cooperativa de Trabalho Médico, CNPJ 13.130.299/000140. A exação em tela nestes autos vem sendo objeto de muitas discussões no âmbito do contencioso administrativo e até recentemente vinha me posicionando ao lado de sua validade. Todavia, após novas reflexões e análise de vários elementos entre os quais os estudos sobre a matéria realizado pelo Cons. Amílcar Barca Teixeira Júnior, passei a adotar um novo posicionamento. Realmente, de um olhar mais aguçado verifico que a questão em tela não se subsume ao que consta do artigo 22, IV, da Lei 8.212/91, observese os esclarecimentos. O citado texto legal diz que “...relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados...”, e, como bem disse a recorrente os serviços não são prestados a ela recorrente, mas sim aos seus associados. A diferença pode ser sutil, mas implica em uma significativa mudança de direção. Um exemplo, talvez, possa por luz sobre a matéria. Imaginese uma cooperativa de trabalho típica – como a de carregadores e descarregadores de carga em uma transportadora. Ora a transportadora vai contratar a cooperativa que colocará nas dependências desta ou de terceiros os cooperados que realizarão os serviços. Ou seja, uma pessoa jurídica contrata uma cooperativa e recebe serviços dos cooperados por intermédio da cooperativa, hipótese da Lei 8.212/91, artigo 22, IV. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.730250/201117 Acórdão n.º 2803003.391 S2TE03 Fl. 267 4 No caso dos autos a empresa contrata a cooperativa que ofertará os cooperados em seus consultórios próprios ou nas dependências de hospitais e clínicas conveniadas e os serviços serão prestados aos associados pessoas físicas e não a entidade contratante da cooperativa. Destarte, penso que a exação ou a situação não se amolda ao artigo 22, IV, da Lei 8.212/91, pois o serviço não é prestado a favor da empresa contratante, mas sim dos associados. A exação tornase indevida, isto é, esta deixa de ter suporte e substrato, pois não ocorre o nascimento da obrigação tributária, uma vez que a hipótese de incidência e o fato jurídico material do mundo dos fenômenos não se ajustam, pois compreendem círculos excêntricos e não concêntricos, não havendo a subsunção do fato à norma jurídica tributária. Além do que dito, acima e considerado pelos membros dessa turma o Supremo Tribunal Federal – STF no julgamento do RE 595838 / SP considerou o artigo 22, IV, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 9.876/99 inconstitucional, observese a decisão. Diante do exposto, dou provimento ao recurso extraordinário para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. É como voto. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por conhecer do recurso, para no mérito darlhe provimento. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10580.720393/2009-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. ACOLHIMENTO.
Acolhem-se os embargos declaratórios para sanar eventuais vícios verificados no acórdão.
IRPF. JUROS DE MORA SOBRE VERBAS TRIBUTADAS. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. ART. 62-A DO RICARF.
No julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, o STJ decidiu que somente é inexigível o imposto de renda sobre os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial.
Numero da decisão: 2201-002.466
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para, sanando a omissão/obscuridade apontadas no Acórdão nº 2201-001.842, de 16/10/2012, alterar a decisão original, no sentido de dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício. Fez sustentação oral o Dr. Márcio Pinho, OAB/BA 23.911. O julgamento foi antecipado, a pedido do Contribuinte, para a pauta de 17/07/2014, às 14:00 horas.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah Relator
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA e NATHALIA MESQUITA CEIA Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro ODMIR FERNANDES (Suplente convocado).
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. ACOLHIMENTO. Acolhem-se os embargos declaratórios para sanar eventuais vícios verificados no acórdão. IRPF. JUROS DE MORA SOBRE VERBAS TRIBUTADAS. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. ART. 62-A DO RICARF. No julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, o STJ decidiu que somente é inexigível o imposto de renda sobre os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial.
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ACOLHIMENTO. Acolhemse os embargos declaratórios para sanar eventuais vícios verificados no acórdão. IRPF. JUROS DE MORA SOBRE VERBAS TRIBUTADAS. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. ART. 62A DO RICARF. No julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, o STJ decidiu que somente é inexigível o imposto de renda sobre os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para, sanando a omissão/obscuridade apontadas no Acórdão nº 2201 001.842, de 16/10/2012, alterar a decisão original, no sentido de dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício. Fez sustentação oral o Dr. Márcio Pinho, OAB/BA 23.911. O julgamento foi antecipado, a pedido do Contribuinte, para a pauta de 17/07/2014, às 14:00 horas. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 03 93 /2 00 9- 98 Fl. 288DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA e NATHALIA MESQUITA CEIA Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro ODMIR FERNANDES (Suplente convocado). Relatório Tratase de Embargos de Declaração apresentado pela Fazenda Nacional com fulcro no art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009. Alega a Embargante que o Colegiado, ao julgar o processo nº 10580.720393/200998, deu provimento parcial ao recurso para, entre outras questões, reconhecer como indevida a incidência do IRPF sobre os valores recebidos a título de juros mora. Contudo, afirma a Fazenda Nacional que o acórdão incide em omissão e obscuridade ao afastar a incidência do imposto de renda sobre os juros de mora com amparo em precedente do STJ, que não se aplica à espécie. Afirma a Fazenda Nacional, verbis: Primeiramente, é preciso esclarecer, ao contrário do que afirma o voto condutor, a verba discussão nestes autos – URV – não foi paga em razão de sentença judicial, mas sim em decorrência da Lei do Estado da Bahia. O autuado recebeu os valores ao longo de 36 (trinta e seis) meses, durante os anos de 2004, 2005 e 2006, por força da referida norma. Portanto, a validade da incidência do IRPF deve levar em consideração que os valores foram pagos espontaneamente pelo Estado da Bahia, não se tratando de verba decorrente de condenação judicial. É relevante também mencionar que a verba recebida pelo autuado não decorre de despedida ou rescisão de contrato de trabalho. Por isso, não se aplica à hipótese o Recurso Repetitivo/STJ nº 1.227.133, no qual a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça decidiu que não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho. Aliás, é preciso levar em consideração que o próprio o STJ esclareceu recentemente que o precedente em questão somente se aplica à hipótese em que a verba principal (trabalhista), sobre a qual incidiram os juros moratórios, tiver natureza indenizatória. Ou seja, só não incidirá imposto de renda sobre os juros moratórios quando a verba principal (trabalhista) tiver natureza indenizatória. Com efeito, a Primeira Seção do STJ, em julgamento proferido no último dia 14.03.2012, nos autos do RESP 1.163.490/SC, esclareceu, a bom termo, o teor do precedente firmado em sede de recurso repetitivo acerca da incidência do IRPF sobre os Fl. 289DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.720393/200998 Acórdão n.º 2201002.466 S2C2T1 Fl. 3 3 juros de mora (RESP 1.227.133/RS). A ementa restou assim redigida: “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA. JUROS DE MORA DECORRENTES DO PAGAMENTO EM ATRASO DE VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA. MATÉRIA JÁ PACIFICADA PELA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO ESPECIAL REPETITIVO 1.227.133/RS. 1. A Primeira Seção, por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, fixou orientação no sentido de que é inexigível o imposto de renda sobre os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial. 2. Agravo regimental não provido.” (...) Na hipótese em análise, a verba principal recebida pelo autuado não tem natureza indenizatória nem foi recebida em virtude de sentença judicial, o que leva à conclusão de que não se aplicam a ela os fundamentos adotados pelo STJ para afastar a incidência do IRPF sobre os juros moratórios no julgamento do Recurso Repetitivo 1.227.133/RS. Pois bem, compulsandose o voto condutor do Acórdão nº 2201001.842, julgado em 16/10/2012, verificase que o Conselheiro Relator afastou o imposto de renda sobre os juros de mora, pois entendeu ser aplicável à espécie o Recurso Repetitivo/STJ nº 1.227.133, julgado na sistemática do 543C do CPC (art. 62A do Regimento Interno do CARF). Entretanto, no corpo do voto não restou demonstrado de que forma que a verba recebida se enquadra no citado repetitivo, pois, como bem ponderou a Embargante: “Na hipótese em análise, a verba principal recebida pelo autuado não tem natureza indenizatória nem foi recebida em virtude de sentença judicial...”. Isso posto, a Presidência da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF, por meio de Despacho, acolheu os Embargos e solicitou a inclusão dos autos em pauta para reanálise. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator Os embargos são tempestivos e reúne os demais requisitos de admissibilidade. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 4 No que tange à incidência do imposto de renda sobre juros de mora, o Acórdão nº 2201001.842, de 16 de outubro de 2012, se manifestou no seguinte sentido: Em relação à incidência do imposto de renda sobre juros de mora, penso ser aplicável ao caso, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, o entendimento do Superior Tribunal de Justiça segundo o qual os juros calculados sobre verbas, recebidas em decorrência de decisões judiciais em ações trabalhistas, têm natureza indenizatórias, não estando sujeitos à incidência do imposto, nos termos do Acórdão Resp. nº 1227133/RS, julgado em 28/09/2011, com a seguinte ementa: RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA OU ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. – Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. Recurso especial, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, improvido. Deve ser excluída da base de cálculo, portanto, a parcela dos rendimentos correspondentes aos juros recebidos pelo beneficiário. Do exposto, entendeu o acórdão embargado que os juros calculados sobre verbas recebidas em decorrência de decisões judiciais em ações trabalhistas não estavam sujeitos à incidência do imposto. Entretanto, em razão de recentes decisões do STJ, restou esclarecido que o REsp nº 1.227.133/RS somente se aplica à hipótese em que a verba principal, sobre a qual incidiram os juros moratórios, tiver natureza indenizatória. Vejase: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA. JUROS DE MORA. CARÁTER REMUNERATÓRIO. TEMA JULGADO PELO STJ SOB A SISTEMÁTICA DO ART. 543C D O CPC. 1. Por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, pelo regime do art. 543C do CPC (recursos repetitivos) consolidou se o entendimento no sentido de que "não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla." Todavia, após o julgamento dos embargos de declaração da Fazenda Nacional, esse entendimento sofreu profunda alteração, e passou a prevalecer entendimento menos abrangente. Concluiuse neste julgamento que "os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda, por força do art. 6º, V, da Lei 7.713/88, até o limite da lei". 2. Na hipótese, não sendo as verbas trabalhistas decorrentes de despedida ou rescisão contratual de trabalho, assim como por terem referidas verbas (horas extras) natureza Fl. 291DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.720393/200998 Acórdão n.º 2201002.466 S2C2T1 Fl. 4 5 remuneratória,deve incidir o imposto de renda sobre os juros de mora. Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 1235772 RS – julgado em 26/06/2012) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA. JUROS DE MORA DECORRENTES DO PAGAMENTO EM ATRASO DE VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA. MATÉRIA JÁ PACIFICADA PELA PRIMEIRA SEÇÃO. RECUR SO ESPECIAL REPETITIVO 1.227.133/RS. 1. A Primeira Seção, por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, fixou orientação no sentido de que é inexigível o imposto de renda sobre os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial. 2. Agravo regimental não provido.” (AgRg nos EREsp 1163490 SC – julgado em 14/03/2012) Pelo que se vê, é inexigível o imposto de renda sobre os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial, conforme a regra “accessorium sequitur suum principale”. Assim, como o acórdão embargado foi taxativo ao afirmar que a verba recebida é tributável, penso que o Recurso Repetitivo 1.227.133/RS, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, não se subsume ao caso dos autos. Ante a todo o exposto, voto por acolher os Embargos de Declaração para, sanando a omissão/obscuridade apontada no Acórdão nº 2201001.842, de 16 de outubro de 2012, alterar a decisão original no sentido “dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 292DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 10580.720393/200998 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201002.466. Brasília/DF, 17 de julho de 2014 Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador (a) da Fazenda Nacional Fl. 293DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.720393/200998 Acórdão n.º 2201002.466 S2C2T1 Fl. 5 7 Fl. 294DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 11070.900225/2008-16
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 14/11/2003
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO.
Compete ao contribuinte à apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado, em momento processual previsto em lei.
DCTF. DACON. RETIFICAÇÃO.
DCTF e DACON retificadores apresentados após a ciência do despacho decisório somente produz efeitos quando acompanhada de documentação capaz de provar a redução da base de cálculo pretendida.
Numero da decisão: 3803-004.162
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. À exceção do Relator os demais Conselheiros e Suplentes votaram pelas conclusões.
[assinado digitalmente]
Belchior Melo de Sousa Presidente em exercício
[assinado digitalmente]
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Paulo Guilherme Deroulede, Hélcio Lafetá Reis, Adriana Oliveira e Ribeiro. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 14/11/2003 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte à apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado, em momento processual previsto em lei. DCTF. DACON. RETIFICAÇÃO. DCTF e DACON retificadores apresentados após a ciência do despacho decisório somente produz efeitos quando acompanhada de documentação capaz de provar a redução da base de cálculo pretendida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. À exceção do Relator os demais Conselheiros e Suplentes votaram pelas conclusões. [assinado digitalmente] Belchior Melo de Sousa – Presidente em exercício [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Paulo Guilherme AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 90 02 25 /2 00 8- 16 Fl. 41DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/ 02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA 2 Deroulede, Hélcio Lafetá Reis, Adriana Oliveira e Ribeiro. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de PER/DCOMP transmitido em 13/08/2004 que buscou compensar créditos de PIS/Pasep alegadamente pago indevidamente ou a maior, de período de apuração outubro de 2003, com débitos de COFINS, de competência de julho de 2004, no valor total de R$ 3.720,15 Através de Despacho Decisório eletrônico, recebido em 24/04/2008, a DRF em Santo Ângelo/RS não homologou o pedido do contribuinte indicando que, a partir das informações do DARF indicado foram localizados pagamentos, mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do sujeito passivo. Irresignado o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade que transcreveremos, em sua integralidade, abaixo: Anexou DACON e DCTF retificadores transmitidos em 19/05/2008. A DRJ/POA julgou improcedente a manifestação apresentada. Fundamentou sua decisão na falta de provas para se comprovar o direito. Discorre acerca da falta de espontaneidade da retificação da DCTF e DACON após o inicio do procedimento fiscal, e em consequência, a falta do caráter probatório destas. Ementou como se segue: Fl. 42DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/ 02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA Processo nº 11070.900225/200816 Acórdão n.º 3803004.162 S3TE03 Fl. 42 3 Inconformada o contribuinte protocolou Recurso Voluntario sucinto que transcreverei a seguir na sua íntegra: Anexa “planilha de calculo contábil de PIS”, extratos de balancete de verificação, copias do Razão Analítico e Diário Geral. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Das retificações da DCTF e da DACON posteriores ao Despacho Decisório. Especificamente em relação à redução dos débitos tributários, é oportuno ressaltar que somente nas hipóteses em que caracterizada a espontaneidade a DCTF e DACON retificadoras tem a mesma natureza das originais, substituindoas integralmente. Por outro lado, afastada a espontaneidade, evidentemente, tal retificação não pode mais ser admitida como prova suficiente para redução do valor do tributo devido. Corrobora o asseverado, o disposto nos §§ 1°, 2º e 3º do art. 9º da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010 e do disposto no art. 11 da Instrução Normativa SRF nº 543, de 20 de maio de 2005, a seguir transcritos: “Art. 9 º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1 º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2 º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: Fl. 43DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/ 02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA 4 I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o crédito tributário. Grifamos” “Art. 11. Os pedidos de alteração nas informações prestadas no Dacon serão formalizados por meio de Dacon retificador, mediante a apresentação de novo demonstrativo elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. § 1º O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos informados em demonstrativos anteriores. § 2º Não será aceita a retificação que tenha por objeto alterar os débitos relativos à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins: I que já tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, nos casos em que o pleito importe alteração desses débitos; II em relação aos quais já tenham sido apuradas diferenças em procedimento de ofício, relativas às informações, indevidas ou não comprovadas, prestadas no Dacon original e que tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; ou III em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado do início de procedimento fiscal. Grifamos” Fl. 44DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/ 02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA Processo nº 11070.900225/200816 Acórdão n.º 3803004.162 S3TE03 Fl. 43 5 O contribuinte retificou a DCTF e DACON do período, após a ciência do despacho decisório, com isso as declarações retificadoras, não produzem os efeitos modificativos dos débitos originalmente confessados. Comprovação da Liquidez e Certeza do Crédito. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior de tributo. A fim de comprovar a certeza e liquidez do crédito, a interessada deve instruir sua manifestação de inconformidade com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” No caso em análise, o contribuinte esclarece que teria apurado créditos de PIS/Pasep, contudo, para comprovar a liquidez e certeza do crédito informado na Declaração de Compensação é imprescindível que seja demonstrada através da escrituração contábil e fiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A Contribuinte não juntou aos autos, em sede de manifestação de inconformidade, nenhum documento contábil ou fiscal capaz de comprovar a liquidez e certeza do credito apontado. Da apresentação das provas. O mesmo artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A analise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da interessada, qual seja, na manifestação de inconformidade. Fl. 45DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/ 02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA 6 A mesma norma elenca as possibilidades para a apresentação de provas em outro momento processual. Nenhuma das hipóteses acima alberga o caso do sujeito passivo. O direito da contribuinte em arrolar documentos probatórios está precluso. Ressaltamos que em sede de Recurso Voluntário o contribuinte carreou aos autos tão somente, partes do que chamou de balancete de verificação onde aparece apenas as contas de Passivo, o mesmo em relação às contas razão, bem como Diário do mês de maio, não trazendo documentos fiscais de compras das mercadorias de pessoas físicas nem mesmo a escrita fiscal que registrou tais entradas. Conclusão A retificação da DCTF e da DACON após o conhecimento do despacho decisório não produz os efeitos pretendidos pela requerente, restava ao contribuinte comprovar seu direito creditório em manifestação de inconformidade, não o fez. Somente em recurso voluntario anexa escrituração contábil, porém nesse momento processual as provas só são admitidas nos casos elencados no § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, não sendo o caso da contribuinte. Mesmo que fossem admitidas as provas anexadas em sede de Recurso Voluntario, estas se mostram insuficientes a comprovar a liquidez e certeza do direito perseguido. Nada a reparar na decisão da DRJ/POA. Pelo exposto voto por NEGAR PROVIMENTO e não reconhecer o direito creditório. É como voto. Sala das sessões, 25 de abril de 2013. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 46DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/ 02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA
score : 1.0
Numero do processo: 10855.005869/2002-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1998
ITR. ADA. DESNECESSIDADE. SÚMULA CARF Nº 41.
A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000.
Numero da decisão: 2201-002.427
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah Relator
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Vinicius Magni Verçoza (Suplente convocado), Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Francisco Marconi de Oliveira, Eduardo Tadeu Farah e Nathalia Mesquita Ceia. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ADA. DESNECESSIDADE. SÚMULA CARF Nº 41. “A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Vinicius Magni Verçoza (Suplente convocado), Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Francisco Marconi de Oliveira, Eduardo Tadeu Farah e Nathalia Mesquita Ceia. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, exercício 1998, consubstanciado no auto de infração (fls. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 58 69 /2 00 2- 13 Fl. 150DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 2 08/13), pela qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 115.276,45, relativo ao imóvel rural denominado Fazenda Rio Guahyba, com área total de 2.069,0 ha, NIRF n° 2.615.7594, localizado no município de Apiaí/SP. Segundo se colhe dos autos, a fiscalização glosou toda área declarada a título de preservação permanente (2.069,0 ha). Cientificada do lançamento, a interessada apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: 2.1 Constou do auto de infração que não foi comprovada que a área do imóvel é de preservação permanente; 2.2 O lançamento é absolutamente improcedente, razão pela qual é necessária a desconstituição do auto de infração impugnado. 2.3 Anexou documentos, nos autos, para comprovar que o imóvel rural é área de preservação permanente; 2.4 A informação prestada pela empresa de que o imóvel rural localizado na Estrada Apiaí é área de preservação permanente, está plenamente correta; 2.5 A aplicação da multa é indevida, em virtude de não ter causado prejuízo algum aos cofres públicos, e, ainda revelando desproporcionalidade ao ordenamento jurídico; 2.6 Requer procedência da impugnação apresentada e que seja cancelado o lançamento do crédito tributário. A 1ª Turma da DRJ em Campo Grande/MS julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado na ementa abaixo transcrita: ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Não reconhecida como de interesse ambiental nem comprovada a protocolização tempestiva do requerimento do Ato Declaratório junto ao IBAMA ou órgão conveniado, incide o imposto sobre a área declarada como de preservação permanente. Lançamento Procedente Intimada da decisão de primeira instância em 26/07/2005 (fl. 56), a Companhia Industrial Rio Guayba apresenta Recurso Voluntário em 24/08/2005 (fls. 58 e seguintes), portanto, tempestivamente, sustentando, em linhas gerais, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. Em sessão de 25/01/2007, a antiga 1ª Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por meio da Resolução n° 3011.784, decidiu converter o julgamento em diligência para que o IBAMA se pronuncie sobre a real dimensão da área de preservação permanente presente na propriedade. A diligência proposta restou improfícua, em razão do não atendimento às intimações efetuadas pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Sorocaba/SP (Informação Fiscal – fls. 145/146). Fl. 151DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10855.005869/200213 Acórdão n.º 2201002.427 S2C2T1 Fl. 3 3 Isso posto, os autos foram restituídos ao CARF para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso reúne os requisitos de admissibilidade. Como visto do relatório, a autoridade fiscal efetuou a glosa integral da área de preservação permanente declarada pela recorrente (2.069,0 ha), relativamente ao ano calendário de 1998. Transcrevese a “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” (fls. 12): 001 IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL – ITR FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL A empresa declarou, no quadro 08 do DIAT/exercício 1998, 2.069,00 hectares de área de preservação permanente. Foi intimada a apresentar, no prazo de 20 dias, a contar do recebimento da intimação, documentação que comprovasse a condição da área declarada, como o ADA – Ato Declaratório Ambiental, expedido pelo IBAMA. (grifei) Do exposto, verificase que a autoridade fiscal lavrou a exigência em razão da não apresentação do ADA Ato Declaratório Ambiental. Contudo, a não apresentação do ADA emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000, consoante ficou assentado na Súmula CARF nº 41, cujo entendimento é de adoção obrigatória por este Órgão nos termos regimentais: Súmula CARF nº 41: A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. Ressaltese que o documento expedido pelo Departamento Estadual de Proteção de Recursos Naturais, fls. 35/37, confirma que toda área da propriedade encontrase inserida no Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira, criado pelo Decreto n° 32.383, de 19 de maio de 1958. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 152DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Fl. 153DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10855.005869/200213 Acórdão n.º 2201002.427 S2C2T1 Fl. 4 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 10855.005869/200213 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201002.427. Brasília/DF, 15 de maio de 2014 Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 154DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 6 Fl. 155DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 11128.004243/2005-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 02 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3102-000.309
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Luiz Feistauer de Oliveira, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz e Nanci Gama
Relatório
Nome do relator: Não se aplica
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Luiz Feistauer de Oliveira, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz e Nanci Gama Relatório Tratase de Auto de Infração (fls. 3/11 e 23), em que formalizada a exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), que acrescido de multa e juros de mora, resultou no valor total de R$ 2.477,40, e da multa por classificação fiscal incorreta da mercadoria, no valor de R$ 500,00. O que motivou a autuação foi a reclassificação fiscal do produto descrito, na Declaração de Importação (DI) nº 01/10622116, registrada em 30/10/2001 (fls. 15/18), como “DISPERSING AGENT 2774/190 KG STDRUM, B. HOE S2774 (AGENTE RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 11 28 .0 04 24 3/ 20 05 -1 0 Fl. 193DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 11128.004243/200510 Resolução nº 3102000.309 S3C1T2 Fl. 101 2 DISPERSANTE PARA PIGMENTOS) BASE QUÍMICA: RESINA ALCOXIDADA IONOGENEIDADE: NÃO IÔNICO. ESTADO FÍSICO: LÍQUIDO VISCOSO MARROM. QUALIDADE:INDUSTRIAL”, do código NCM/TEC 3402.13.00 para o código NCM/TEC 3824.90.89, com alíquota do IPI, respectivamente, 5% e 10%, com base nas conclusões exaradas no Laudo do Labana nº 0200.01, de 29/1/2002 (fls. 21/22). Em sede de impugnação (fls. 33/56), em síntese, a autuada alegou: 1) em preliminar: a nulidade do lançamento, sob o argumento de que houve cerceamento do seu direito de defesa, pois quando da realização do exame laboratorial não lhe fora assegurado o direito de formular quesitos ao Labana/8ª RF, contrariando frontalmente disposições contidas no artigo 18 do Decreto nº 70.235, de 1972; 2) no mérito: a) o produto classificarseia no código NCM/TEC 3402.13.00, conforme conclusão do Laudo Técnico por ela colacionado aos autos (fls. 56/60), no qual o perito afirmou que “Dispersing Agent 2774” tratavase de um agente orgânico de superfície, um tensoativo de caráter não iônico, solúvel em água, constituído de “Novolac Alkoxylate” (um alquilfenoletoxilado); b) o referido Laudo Técnico estava embasado em literatura técnica específica, a ele apensada; c) incabível a exigência do recolhimento da penalidade de multa de mora, vez que, na linha do entendimento firmada pela doutrina e jurisprudência predominante em nossos tribunais, referida multa somente seria devida após o final do processo administrativo, conforme entendimento exarado no Parecer CST nº 477, de 1988; d) era improcedente a exigência da penalidade por erro de classificação fiscal, diante das disposições do Ato Declaratório Normativo CST nº 29, de 1980 e Parecer CST nº 477, de 1988; e) a incidência de juros de mora revestiase de flagrante ilegalidade, na medida que computados pela Taxa SELIC, cuja inconstitucionalidade já foi reconhecida pelo Superior Tribunal de Justiça; f) indevida a incidência dos juros de mora, que somente podem ser computados após decisão final proferida no processo administrativo. No final, requereu a conversão do julgamento em diligência ao Labana/8ª RF e/ou ao Instituto Nacional de Tecnologia/RJ, para que se manifestassem sobre as conclusões contidas no Laudo Técnico oficial, que embasou a lavratura do auto de infração, em comparação com o Laudo elaborado pelo seu assistente. Para tanto, formulou quesitos e indicou perito e respectivo endereço. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 89/96), em que, por unanimidade de votos, as preliminares foram rejeitadas e, no mérito, o lançamento foi considerarda procedente e o crédito tributário integralmente mantido, com base nos fundamentos resumidos no enunciado da ementa que segue transcrito: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 30/10/2001 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIA. Mercadoria identificada como Nonilfenol Etoxilado, na forma líquida, não se tratando de preparação, nem de composto de constituição química definida, e que, nas condições estabelecidas na Regra 3 do Capítulo 34, não reduz a tensão da superficial da água a 4,5 x 102 N/m (45dyn/cm) ou menos, conforme laudo técnico oficial, classificase no código NCM 3824.90.89. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 11128.004243/200510 Resolução nº 3102000.309 S3C1T2 Fl. 102 3 Cabível a multa de mora, aplicada aos débitos para com a União não pagos nos prazos previstos na legislação específica, conforme art. 61, parágrafo 2º, da Lei nº 9.430/96. Cabível a multa por classificação incorreta da mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul, conforme prevê o inciso I do artigo 84 da MP 2.15835, de 24/08/2001. Juros de mora Taxa SELIC: Legítima a exigência de juros de mora com base na equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, por força do disposto no artigo 61, § 3º da Lei nº 9.430/96. Em 22/12/2009, a autuada foi cientificada da referida decisão (fls. 96/97). Em 21/1/2010, apresentou o recurso voluntário de fls. 102/138, em que, no mérito, essencialmente, reafirmou as razões de defesa suscitadas na peça impugnatória e renovou o pedido de produção de provas/diligências formulado na fase impugnatória. Em aditamento, em preliminar, a recorrente alegou nulidade da decião de primeiro grau: a) por cerceamento do direito de defesa e porque não foram enfrentadas todas as questões preliminares e o pedido de provas/diligências indeferido em total discrepância com a norma jurídica em vigor; e b) inobservância do princípio do devido processo legal, contraditório e ampla defesa. Na Sessão de 30 de junho de 2010, por meio da Resolução nº 310200123, este Colegiado, por unanimidade de votos, converteu o julgamento em diligência, para que a unidade da Receita Federal de origem intimasse a recorrente, para que apresentasse, no prazo de 30 (trinta) dias, elementos que comprovassem que o signatário do recurso detinha poderes para representála. Em 22/9/2010, a recorrente foi intimada a apresentar a citada documentação (fls. 145/146). Em resposta, por meio da petição de fls. 147/150, a recorrente trouxe a colação dos autos os instrumentos de procuração e respectivos substabelecimentos (fls. 151/170) que comprovam que, na data da interposição do recurso, o patrono signatário da peça recursal detinha poderes regulares para esse mister. Submetido a novo julgamento, em 25 de abril de 2012, por meio da Resolução nº 3102000.203, o julgamento foi, novamente, convertido em diligência, para que fosse esclarecida a razão da aparente divergência entre as conclusões do laudo oficial e do laudo acostado pelo sujeito passivo, por meio da realização de novos exames laboratoriais, a ser realizado por outro laboratório que preenchesse as condições elencadas no art. 30 do Decreto n° 70.235, de 1972. A referida divergência foi explicitada no voto condutor da referida Resolução, nos termos consignados nos excertos a seguir transcritos: Após analisar a documentação colacionada pelo Sujeito Passivo, em especial o Certificado de Análise n° 0505044603, à fl. 57, passei a ter dúvidas acerca de determinada premissa adotada pelo Fisco, qual seja, a de que o produto comercialmente denominada Emulsogen 2774 não seria capaz de reduzir a tensão superficial da água a 45 dynas/cm ou menos. De fato, segundo tal laudo, que acompanha a ficha de identificação do produto à fl. 56, quando misturado com água numa concentração de 0,5%, a 20°C, e deixado em repouso durante uma hora, o produto Fl. 195DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 11128.004243/200510 Resolução nº 3102000.309 S3C1T2 Fl. 103 4 apresentaria aspecto homogêneo, sem separação de fases e reduziria a tensão superficial a 42 dynas/cm. Em 12/8/2013, a recorrente foi intimada a apresentar 3 (três) amostras de 300 ml cada do referido produto. Em atendimento à referida intimação, em 15/8/2013, por meio da petição de fl. 185, a recorrente apresentou as amostras solicitadas. Por fim, em 2/9/2013, por meio do despacho de fl. 186, os autos foram devolvidos a este Conselho, para que fosse determinado, se a nova amostra deveria ser analisada pelo laboratório L.A Falcão Bauer, credenciado pela Alfândega do Porto de Santos, ou pelo Instituto Nacional de Tecnologia (INT), ou por ambos, e quais os quesitos que deveriam ser respondidos na nova análise. Em 5/9/2013, os autos retornaram a este Conselho. Na Sessão de 30/1/2014, mediante sorteio, foi distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Analisando a Descrição dos Fatos (fl. 5), que integra o questionado Auto Infração, verificase que o motivo que resultou na reclassificação, pela fiscalização, do produto importado pela recorrente do código NCM/TEC 3402.13.00 para o código NCM/TEC 3824.90.89 foi a conclusão exarada no Laudo Técnico nº 0200.01, de 29/1/2002 (fls. 21/22), elaborado pelo Laboratório Nacional de Analises Luiz Angerami (Labana), no sentido de que o citado produto, quando misturada com água, na concentração de 0,5%, a temperatura de 20°C e, em seguida deixada em repouso durante uma hora à mesma temperatura, produzia um líquido transparente que não reduzia a tensão superficial da água a 45 dinas/cm ou menos. De acordo com o referido Laudo, a tensão supercial produzida em tais condições foi a seguinte: “[(47.5 +/ 0.3) dinas/cm]”. Com base nessa conclusão, certamente, o produto não se enquadrava na posição 3402 do Capítulo 34 da NCM, haja vista que não atendia as condições determinadas na Nota 3 da citada posição, a seguir transcrita: Na acepção da posição 3402, os agentes orgânicos de superfície são produtos que quando misturados com água numa concentração de 0,5%, a 20°C, e deixados em repouso durante uma hora à mesma temperatura: a) originam um líquido transparente ou translúcido ou uma emulsão estável sem separação da matéria insolúvel; e b) reduzem a tensão superficial da água a 4,5x102 N/m (45 dyn/cm), ou menos. De acordo com referido Laudo, embora o produto, submetido a teste nas condições especificadas, tivesse produzido um líquido transparente, a tensão superficial da Fl. 196DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 11128.004243/200510 Resolução nº 3102000.309 S3C1T2 Fl. 104 5 água não foi reduzida a 45 dinas/cm ou menos, na verdade, a tensão medida pela foi em torno de “[(47.5 +/ 0.3) dinas/cm]”. Por contrariar conclusão contida na Informação Técnica e no Certificado de Análise de fls. 59 e 62, no sentido de que, submetido ao mesmo teste, o produto produzia um líquido transparente homogêneo, sem separação de fases, com redução de tensão superficial da água a 42,0 dinas/cm (inferior a 45 dinas/cm), o julgamento foi convertido em diligência, para que fosse esclarecida a divergência por outro laboratório que preenchesse as condições elencadas no art. 30 do Decreto n° 70.235, de 1972. Com o retorno dos autos a este Colegiado, para fim de elaboração de quesitos e escolha do laboratório, optase pelo L.A Falcão Bauer e os quesitos a serem respondidos serão os seguintes: 1) O referido produto tratase de “Nonilfenol Etoxilado, um Produto Diverso das Indústrias Químicas”, como informado no Laudo Técnico do Labana (fls. 21/22), ou tratase de “um agente orgânico de superfície, um tensoativo de caráter não iônico, solúvel em água, constituído de Novolac Alkoxylate (um alquilfenoletoxilado)”, como afirmado na Informação Técnica (fls. 58/60), da autoria do Engº Luiz Aurélio Alonso? 2) Qual a aplicação do produto e a sua constituição química, em percentual? 3) Quando misturados com água numa concentração de 0,5%, a 20°C, e deixados em repouso durante uma hora à mesma temperatura, o produto: a) origina um líquido transparente ou translúcido ou uma emulsão estável sem separação da matéria insolúvel; e b) reduz a tensão superficial da água a 4,5x102 N/m (45 dyn/cm), ou menos? Informar a tensão medida. Após a apresentação do novo laudo técnico, se desejar, a autoridade fiscal poderá tecer as considerações que entender pertinentes acerca dos resultados dos novos exames e conclusões apresentadas. Em seguida, a recorrente deverá ser cientificada dos novos elementos coligidos aos autos e lhe franqueado o prazo de 30 dias, para que se manifeste sobre tais elementos. Findo esse prazo, com ou sem manifestação, os autos devem retornar a este Conselho, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 197DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RICARDO PAULO ROS A
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Numero do processo: 10425.720039/2011-71
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-006.163
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito, que convertiam o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ICMS. INCLUSÃO. O valor do ICMS compõe a estrutura de preço da mercadoria ou produto, que corresponde ao faturamento, não podendo ser excluído na apuração da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins sem expressa disposição legal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 APRECIAÇÃO DE ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A discussão sobre a constitucionalidade ou inconstitucionalidade de lei não cabe na esfera administrativa, ressalvadas as exceções à regra. (Súmula CARF nº 2). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 42 5. 72 00 39 /2 01 1- 71 Fl. 150DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito, que convertiam o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito. Relatório Esta Contribuinte transmitiu Declaração de Compensação (DComp) em que utiliza crédito decorrente de ressarcimento de Cofins apurada no regime não cumulativo, cujo saldo corresponde ao segundo trimestre de 2007. Despacho Decisório do DRF/Campina Grande/PB indeferiu a DComp, tendo em vista que a partir das características do DARF discriminado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Em manifestação de inconformidade apresentada, a Contribuinte alegou que: a) a DComp referese a crédito decorrente de pagamento a maior da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculos do PIS e da Cofins; b) os arts. 2º e 3º, da Lei nº 9.718/98, e o art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, apenas admitem como base de cálculo de supraditas contribuições a receita ou o faturamento, não autorizando a inclusão do ICMS em citada base de cálculo, pois o valor deste imposto constitui ônus fiscal – e não faturamento; c) o valor do ICMS está embutido no preço das mercadorias por força da legislação deste imposto1, a qual determina que sua base de cálculo seja composta do próprio tributo, constituindo o destaque mera indicação para fins de controle; d) o faturamento “é decorrente, em essência, de um negócio jurídico, de uma operação, importando, por isso mesmo, o que é recebido por aquele que a realiza, considerada a venda de mercadoria ou mesmo a prestação de serviço” e que “a base de cálculo não pode extravasar, desse modo, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela recebida com a operação mercantil ou similar”; Pugnou, ainda, que se atentasse “para o princípio da razoabilidade, pressupondose que o texto constitucional se mostre fiel, no emprego dos institutos, de Expressões e vocábulos, ao sentido próprio que eles possuem, não merecendo outras interpretações” e transcreve o art. 110, do CTN. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10425.720039/201171 Acórdão n.º 3803006.163 S3TE03 Fl. 151 3 Em julgamento da lide a DRJ/Recife fez menção à regramatriz da base de cálculo das contribuições, disposta na norma dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98 e de outras disposições legais e concluiu não haver previsão para a exclusão do ICMS do faturamento. Buscou reforço em decisões do STJ e de tribunais regionais. Demais, mencionou a falta de anexação de provas da alegado indébito. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 ICMS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO. O valor incidente a título de ICMS, que compõe o preço da mercadoria, integra a base de cálculo da Cofins. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão em 04 de outubro 2013 irresignada, apresentou recurso voluntário em 15 de outubro de 2013, em que reiterou os termos da manifestação de inconformidade, acrescentando o pedido de sobrestamento do julgamento, por aplicação do art. 62A do Regimento Interno do CARF, em razão de a matéria se encontrar em apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A presente controvérsia cingese à inclusão dos valores de ICMS no faturamento como base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep. Destaco, inicialmente, que não se pode perder de vista que a carga valorativa a se aplicar na interpretação da legislação tributária relativa a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no exercício da competência que cabe ao CARF , deve ser dosada no âmbito do controle de legalidade a que se limitam as decisões administrativas. Com efeito, o Supremo Tribunal Federal, em apreciação da matéria aqui sob exame, sobresteve o julgamento do RE 240.785/MG, em 13/08/2008, em face da superveniência e da precedência da ADC nº 18/DF[1]. A propositura desta ação é do Presidente 1 Decisão: O Tribunal sobrestou o julgamento do recurso, tendo em vista a decisão proferida na ADC 185/DF. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Presidência do Senhor Ministro Gilmar Mendes. Plenário, 13.08.2008. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 da República e o seu objeto é obter a declaração de legitimidade da inclusão na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep dos valores pagos título de ICMS e repassados aos consumidores no preço dos produtos ou serviços, pressuposta no art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718, de 27 de novembro de 1998[2]. Com a perda da eficácia da Medida Cautelar na dita ADC, em 21/9/2010, nada obsta o julgamento da matéria pelo CARF, razão porque não pode ser atendido o pedido de sobrestamento do presente processo. A instituição da Cofins pela LC 70/91[3] inaugurou a delimitação da palavra faturamento afirmando que o IPI não o integra, quando destacado em separado no documento fiscal. A alteração do PIS/Pasep pela MP nº 1.212/96, convertida na Lei nº 9.715/98[4], também o fez estabelecendo que nele não se incluem o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. A Lei nº 9.718/98[5] unificou a base de cálculo das contribuições e o fez destacando as grandezas que devem ser excluídas da receita bruta, a teor do seu o parágrafo segundo, entre estas o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Sabese que o ICMS é imposto que via de regra incide na entrega de mercadorias e serviços e compõe a sua estrutura de preços. Ao definirem faturamento, a LC 70/91 informa que não o integra o IPI; a Lei nº 9.715/98 informa que não o integra o IPI e o ICMS do substituto tributário; a Lei nº 9.718/98 informa que se excluem da receita bruta o IPI e o ICMS do substituto tributário. Ora, se o ICMS normal está fora desse rol de não integração/exclusão da base de cálculo, o faturamento, não há como não se considerar que ficou definido implícitamente 2 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 3 Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. 4 Art. 3o Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas de bens e serviços canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, e o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias ICMS, retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 5 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; Fl. 153DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10425.720039/201171 Acórdão n.º 3803006.163 S3TE03 Fl. 152 5 que ele (o ICMS) integra o faturamento. Aditese que o seu histórico cálculo “por dentro”, segundo o ditame do DecretoLei nº 406/686 reiterado pela LC Nº 87/96[7][8].endossam esta conclusão. Exemplificando: · ICMS por dentro Tenhase, por hipótese o valor de: Mercadorias em estoque = R$ 830,00 Alíquota do ICMS = 17% Cálculo do preço de venda cujo montante final resultará no faturamento = R$ 830,00/83 % (100% 17%) = R$ 1.000,00 Valor do ICMS incluso no faturamento = 170,00 · Se o cálculo do ICMS fosse por fora O preço de venda seria o valor da mercadoria em estoque, que corresponderia ao faturamento Valor do ICMS: 830,00 x 17% = R$ 141,10; Na conformidade da formulação legal acima demonstrada o ICMS faz parte do preço da mercadoria como custo. E este é o desenho constitucional deste imposto após a declaração da constitucionalidade da LC 87/96 na decisão no RE nº 212.209/RJ, ementada na forma do transcrito abaixo: TRIBUTÁRIO. ICMS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO VALOR DO IMPOSTO COMO ELEMENTO INTEGRATIVO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE JURÍDICA. A base de cálculo dos tributos e a metodologia de sua determinação, porque constituem elementos de conhecimento indispensáveis para a definição do quantum debeatur, necessariamente, devem ser estabelecidas por lei, em obediência ao princípio da legalidade (CF, arts. 146, III, “a”, 150, I, e CTN, art. 97, IV). Inexiste inconstitucionalidade ou ilegalidade, 6 Art 2º A base de cálculo do impôsto é: § 7º O montante do impôsto de circulação de mercadorias integra a base de cálculo a que se refere êste artigo, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de contrôle. 7 Art. 13. A base de cálculo do imposto é: § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. 8 A LC nº 87/96, distintamente da LC nº 406/67, dispõe que integra a base de cálculo do ICMS além do próprio imposto o montante do IPI, exceto quando a operação, realizado entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 se a própria lei complementar e a lei local permitem que entre os elementos componentes e formativos da base de cálculo do ICMS se inclua o valor do próprio imposto. É demais sabido que a ampliação do conceito de faturamento pelo § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 foi foco da disputa que resultou na declaração da sua inconstitucionalidade pelo STF, prevalecendo a definição abrangente apenas das receitas provenientes das vendas de mercadorias e serviços pertinentes ao objeto social da atividade da pessoa jurídica. Em vista de subsistir uma definição legal de faturamento que permite considerar nele contido o ICMS normal segundo os dispositivos acima destrinçados , o Supremo Tribunal Federal ao fixar o seu conteúdo com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, poderia ter declarado a inconstitucionalidade, sem redução de texto, do § 2º do mesmo artigo, por deixar de inserir no rol das exclusões da receita bruta o ICMS normal. Se aquela Corte tinha a prerrogativa de fazêlo e não o fez, para tornar livres de mais questionamentos os seus contornos, o juízo que proferiu, tendo como alvo apenas o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, ao contrário de se reputálo omisso, endossa o entendimento de inclusão do ICMS no faturamento. Entender diferente está a depender de novo posicionamento daquele Tribunal. A idéia sobre a qual se funda o grito pela exclusão do ICMS do faturamento é a de que o imposto é ‘cobrado’ do comprador pelo vendedor, e, assim, representa um ônus tributário que é repassado ao Estado; logo, por não configurar circulação de riqueza, não ingressa no patrimônio do alienante, não podendo ser considerado receita do vendedor. Esta é a suma da tese que sustenta o voto do Min. Marco Aurélio no RE nº 240.785/MG. A tese já foi contraposta com sólido argumento por Hugo de Brito Machado[9], ao qual me filio. Defende ele que o entendimento segundo o qual o valor do ICMS componente do preço é receita do Estado é um equívoco conceitual relacionado à sujeição passiva do ICMS. O vendedor é o contribuinte de direito, não atua como um intermediário entre o comprador e o Estado, e os custos com o pagamento do imposto são custos seus e não do adquirente. O ônus correspondente ao valor do imposto é suportado pelo adquirente somente por meio do pagamento do preço, que é a contrapartida do fornecimento de mercadorias e serviços. Resultante dessa continência, tal valor ingressa no patrimônio do alienante e compõe o seu faturamento[10]. Apesar de ser voto minoritário no julgamento do RE 240.785/MG o Ministro Eros Grau manifestouse nesse mesmo sentido, verbis: O Min. Eros Grau, em divergência, negou provimento ao recurso por considerar que o montante do ICMS integra a base de cálculo da COFINS, porque está incluído no faturamento, haja vista que é imposto indireto que se agrega ao preço da mercadoria. 9 Citado por Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, in A inclusão do ICMS na Base de Cálculo da COFINS, disponível em http://jus.com.br/artigos/9674/ainclusaodoicmsnabasedecalculodacofins/2; data de acesso: 22.12.2013. 10 No ICMSST o empresário que promove a saída do produto é o contribuinte de direito. No entanto, a Lei de Normas Gerais do ICMS, LC 87/96, ao manter na relação jurídica tributária o adquirente, por legitimálo para repetir indébito ou pagamento a maior do imposto recolhido pelo substituto, subverte a lógica própria desse regime e faz com que o vendedor atue como intermediário entre o comprador e o Estado e torna de terceiro os custos com o pagamento do imposto e de natureza tributária o ônus correspondente ao valor do imposto suportado pelo adquirente. Penso que daí a sua legitimação para não integrar o faturamento o ICMS retido pelo vendedor. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10425.720039/201171 Acórdão n.º 3803006.163 S3TE03 Fl. 153 7 Ser o ICMS custo que se adere à estrutura do preço do produto ou de certos serviços e, via de consequência, integra o faturamento, e não um ônus tributário do adquirente do qual se desincumbe perante o Estado por intermédio do repasse a este feito pelo vendedor, é demonstrado por implicações de ordem sancionatória, segundo as hipóteses abaixo: a) a falta de inclusão do ICMS no valor da operação, com a subsequente falta de destaque do imposto e de posterior recolhimento, não afeta a relação jurídica de sujeição passiva tributária, havendo de ser exigido do vendedor o imposto e seus consectários; b) a inclusão do ICMS no valor da operação e a subsequente falta de emissão da nota fiscal não configura o crime de apropriação indébita, mas o de sonegação fiscal, previsto art. 1º, V, da Lei nº 8.137/90 e no art. 71, I, da Lei nº 4.502/65, cujo procedimento fiscal tem como sujeito passivo o vendedor. Ademais, nesta segunda fase recursal, a Recorrente nenhum elemento anexa referente às provas. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 28 de maio de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 156DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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