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Numero do processo: 10840.902789/2008-62
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1801-000.341
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1769; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 2 1 1 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10840.902789/200862 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1801000.341 – 1ª Turma Especial Data 31 de julho de 2014 Assunto SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA Recorrente ELBEL COMÉRCIO E PARTICIPAÇÕES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes. RELATÓRIO Recorre a empresa a este Colegiado de acórdão proferido pela 1a. Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJI que, por unanimidade de votos, negou provimento à manifestação de inconformidade apresentada contra Despacho Decisório que não homologou as compensações declaradas nos autos. A interessada apresentou PERDCOMP original, em 29/01/2004 – posteriormente retificado em 05/09/2006 pretendendo a compensação de débitos de IRPJ e RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 40 .9 02 78 9/ 20 08 -6 2 Fl. 170DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10840.902789/200862 Resolução nº 1801000.341 S1TE01 Fl. 3 2 CSLL apurados pelo Lucro Presumido no 2o. e 3o. trimestres de 2003, com direito creditório oriundo de saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2000, no valor de R$ 295.742,37, composto, unicamente, por retenções na fonte. O valor do IRRF restou confirmado em R$ 249.617,51 e foi esse o total do direito creditório reconhecido no Despacho Decisório de fl. 7. O valor reconhecido, contudo, não foi suficiente para quitar todos os débitos confessados no PERDCOMP, razão pela qual restou não quitada a parcela de R$ 58.126,81, acrescida de juros e multa. Na manifestação de inconformidade tempestivamente apresentada argüiu, a empresa, que estaria decaído do direito de a Fazenda homologar o lançamento do ano calendário 2000, eis que o Despacho Decisório denegatório foi emitido em 26/08/2008. No mérito observou que a parcela de fonte não admitida pela Fazenda, foi efetivamente retida pela Caixa Econômica Federal, cuja somatória, no valor de R$ 46.123,90, consta dos informes de rendimentos em seu poder. Atribui o indeferimento do pleito ao erro de fato praticado no preenchimento da DIPJ do anocalendário 2000, e que decorreria da diferença de R$ 0,96 entre o valor lançado na DIPJ/01 (R$ 46.124,86) com o valor efetivamente retido pela fonte pagadora (R$ 46.123 90). A Turma Julgadora de 1a. Instância indeferiu o pleito ao argumento de que a empresa não teria feito prova de que os rendimentos que deram origem ao valor de R$ 46.124,86, retido pela Caixa Econômica Federal, foram oferecidos à tributação na respectiva DIPJ. Cientificada da decisão, em 04/10/2010, apresentou a interessada, em ...., recurso voluntário. Reitera os argumentos atinentes à decadência do direito de o Fisco efetuar a revisão da apuração do anocalendário 2000 e, no mérito, em extenso arrazoado, defende que a DIPJ do ano 2000 conteria todos os elementos necessários ao deslinde da questão e que tais informações seriam, à evidência, de conhecimento pleno da Administração Fazendária, de sorte que não seria correta a afirmação do julgado recorrido de que não há comprovação do que foi alegado com a manifestação de inconformidade. Enfatiza que o cruzamento sistêmico de dados da contribuinte em poder da Fazenda é meio idôneo e necessário a revelar a veracidade das alegações, e somente a própria DIPJ do período, se contivesse elementos contrastantes com as argüições da contribuinte seria meio hábil a refutálas. Acrescenta ter anexado às razões recursais documentos que comprovariam os valores do IRRF e das receitas auferidas e pede, ao final, por um novo julgamento. É o relatório. VOTO Fl. 171DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10840.902789/200862 Resolução nº 1801000.341 S1TE01 Fl. 4 3 A tempestividade do recurso foi atestada pela DRF em Ribeirão Preto/SP, como demonstra a quota à fl. 165, razão pela qual dele tomo conhecimento. Quanto aos argumentos de defesa atinentes à decadência, vale ressaltar que o que se submete ao prazo decadencial previsto no CTN é o ato de lançamento, assim entendido o ato privativo praticado exclusivamente pelo agente fiscal tendente à constituição, de ofício, do crédito tributário. É certo que a autoridade administrativa tributária jamais poderá exigir tributo cujo fato gerador já tenha sido alcançado pela decadência, da mesma forma que não será possível, à autoridade fazendária, modificar a apuração das bases de cálculo dos tributos, depois de findo o prazo decadencial, impedida que está justamente pela perda do direito pelo transcurso do prazo, ainda que os valores declarados pelo sujeito passivo na apuração do tributo não correspondam à realidade. Isso não significa, porém, que os fatos e valores incorretos, inconsistentes ou até inexistentes informados na declaração do anocalendário já alcançado pela decadência, devam ser validados. Os fatos contábeis e os valores, nessas condições, jamais poderão influenciar em períodos posteriores, nos quais o direito de a Fazenda proceder ao ato de lançamento ainda não tenha sido atingido pela decadência. Nesse contexto não se pode admitir, ainda que por mera argumentação, que os fatos e valores inexistentes, inexatos, inconsistentes, desqualificados, possam dar origem a restituição ou devolução, pelos cofres públicos, de valores que, na verdade, pertencem à Fazenda Pública. Se isso fosse possível estaríamos diante de casos típicos de locupletamento ilícito, verdadeiro crime, já que a pessoa jurídica envolvida em tal situação estaria enriquecendo ilicitamente em detrimento dos cofres públicos. Ademais, no caso de saldos negativos de IRPJ e de CSLL, é de responsabilidade do sujeito passivo provar a exatidão dos valores utilizados na composição dos saldos negativos, ou como dedução do tributo apurado. Dessa maneira a administração tributária não somente pode, como deve analisar e invalidar valores apurados em anoscalendário anteriores, ainda que já alcançados pelo prazo decadencial para o lançamento, quando referidos montantes derem origem a valores objetos de pedidos de restituição ou de compensação de períodos posteriores. Afastase, assim, a decadência suscitada. No mérito verifico que a recorrente apresentou os informes de rendimentos fornecidos pela Caixa Econômica Federal contendo informações de rendimentos de aplicações financeiras auferidos pela empresa no anocalendário 2000, bem como dos valores do IRFonte incidentes sobre tais rendimentos. A Turma Julgadora de 1a. Instância, contudo, não admitiu como prova apenas os comprovantes de rendimentos, afirmando que seria necessário que a recorrente demonstrasse que os valores das receitas que deram origem àquelas retenções foram oferecidas à tributação na respectiva DIPJ. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10840.902789/200862 Resolução nº 1801000.341 S1TE01 Fl. 5 4 A recorrente, a seu turno, trouxe aos autos, junto das razões recursais, cópias de elementos de sua escrituração contábil e fiscal, a fim de demonstrar que os rendimentos que deram origem ao IRFonte retido pela CEF foram oferecidos a tributação. Assim, pelas cópias das páginas do Livro Diário e do Razão Auxiliar verificase que houve percepção de receitas de juros prórata sobre fundos de aplicação financeira junto à Caixa Econômica Federal, em alguns meses do ano de 2000, como fevereiro, março, abril e outubro e de retenções na fonte sobre tais rendimentos, nos meses de maio, junho, julho, agosto e outubro. A recorrente trouxe, ainda, demonstrativo discriminando os valores dos rendimentos auferidos em aplicações financeiras mantidas com todas as instituições bancárias e do IRRF incidente sobre tais valores. Contudo, as cópias anexadas aos autos digitais não se encontram totalmente legíveis, o que prejudica a análise conclusiva do litígio. A exemplo, o mencionado demonstrativo, anexado às fls., 119/120, encontrase com os totais destacados, mas na versão digital tornouse ilegível o destaque. Da mesma forma, a via digital da folha do Razão Auxiliar referente à conta Juros sobre Aplicação Financeira (fl. 162) que contém a somatória dos valores a crédito encontrase com o carimbo de autenticação aposto, justamente, sobre o valor totalizado, tornando impossível a leitura. À vista do exposto proponho que o presente processo seja remetido ao órgão de jurisdição da recorrente para que, em diligência fiscal, seja auditada a escrituração contábil e fiscal da empresa a fim de que reste esclarecido se as receitas que deram origem à retenção do valor de R$ 46.124,86, constante dos informes de rendimentos da Caixa Econômica Federal, foram oferecidos à tributação. Ao final dos trabalhos DEVERÁ o agente fiscal encarregado elaborar relatório circunstanciado e conclusivo, do qual deverá ser cientificada a recorrente para aditar suas razões de defesa, no prazo de 30 dias, se assim o desejar, retornandose, posteriormente os autos, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez Fl. 173DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 15563.000063/2009-12
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1103-000.059
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento, conforme o art. 2º da Portaria CARF nº 1/12, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento, conforme o art. 2º da Portaria CARF nº 1/12, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mário Sérgio Fernandes Barroso – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, José Sérgio Gomes, Hugo Correia Sotero e Mário Sérgio Fernandes Barroso. Fl. 1022DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 03/07/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 15563.000063/200912 Resolução n.º 110300.059 S1C1T3 Fl. 989 2 Relatório DO LANÇAMENTO Trata o presente processo de autos de infração de IRPJ de fls. 825 a 835, e de CSL de fls. 836 a 846, sobre os anoscalendário de 2004, 2005 e 2006 em que o contribuinte promoveu operações financeiras e mercantis de compra e venda de mercadorias. Iniciada a fiscalização, o contribuinte foi notificado para apresentar livros e documentos de sua escrituração contábil, contudo, deixou de fazêlo. Sendo assim, a autoridade fiscal realizou o arbitramento do lucro dos períodos de apuração do 4º trimestre do ano calendário de 2004; 2º, 3º e 4º trimestres do anocalendário de 2005 e 1º, 2º, 3º e 4º trimestres do anocalendário de 2006. A base de cálculo do arbitramento foi composta pelas receitas declaradas na DIPJ/2005 e pelas receitas omitidas apuradas de ofício na presente ação fiscal, tomando como base os depósitos bancários cuja origem não foi comprovada, constantes do demonstrativo “Ingressos Bancários Passíveis de Comprovação de Tributação e Origem”, de fls. 540 a 824. Sobre as diferenças de imposto e contribuições apuradas se fez incidir a multa de ofício no percentual de 75%, de acordo com o art. 44, I, da Lei 9.430/96. DA IMPUGNAÇÃO Em 15/06/2009 a recorrente apresentou impugnação de fls. 863 a 901 na qual argúi, em síntese, o que segue. Primeiramente, a recorrente aborda a questão da quebra de seu sigilo bancário pela autoridade administrativa através dos RMFs acostados a estes autos. Traz os entendimentos de doutrina e jurisprudência sobre a relatividade do direito ao sigilo, admitindo não se tratar de garantia absoluta, devendo ceder diante do interesse coletivo quando da ocorrência de sólidos indícios de ilegalidade. Por outro lado, afirma que ainda que relativo este direito, a quebra do sigilo somente pode ocorrer mediante autorização judicial e desde que assegurado o devido processo legal. Alude à edição da Lei Complementar 105/01, que inovou o tema da quebra do sigilo bancário, permitindoa sem a prévia autorização do Poder Judiciário, conforme inteligência de seu § 6º. Contudo, entende ser esta disposição manifestamente inconstitucional em virtude do afrontamento ao direito de defesa do contribuinte. E, ainda, pelo fato de ser a autoridade fiscal parte no processo e principal interessada na obtenção das informações financeiras. Entende não ser competência do Poder Executivo o requerimento dessas informações, vez que este não possui comprometimento com a imparcialidade; papel que é designado ao Poder Judiciário. Assim, tratase de atribuição do magistrado decidir sobre a necessidade da quebra do sigilo bancário, sopesando o direito ao sigilo do contribuinte e o interesse da coletividade, bem como verificar se presentes os requisitos para a concessão do pedido da autoridade fiscal. Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 03/07/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 15563.000063/200912 Resolução n.º 110300.059 S1C1T3 Fl. 990 3 Argumenta que, além de se fazer necessária decisão judicial que autorize a quebra do sigilo, deve esta possuir fundamentação sólida e versar sobre suspeita objetiva de fato delituoso e sua autoria. Também deve ser demonstrado que a providência requerida é indispensável para o êxito das investigações. Não tendo havido qualquer desses requisitos, será eivado de manifesta ilegalidade o único meio de prova utilizado como suporte do lançamento, qual seja, os extratos bancários da recorrente entregues pelas instituições financeiras. Alega, ainda, que mesmo sendo admitida a licitude da prova utilizada pela autoridade fiscal, esta não observou o procedimento estabelecido pelo art. 3º do Decreto 3.724/01, que regulamenta a Lei Complementar 105/01. O dispositivo estabelece expressamente as hipóteses em que o exame das informações bancárias será considerado indispensável. Bem assim que em nenhum momento o AFRF apontou nos autos a hipótese legal prevista do referido dispositivo e que justificaria a quebra do sigilo bancário da empresa. Nesse sentido também o art. 4º, § 6º, do Decreto 3.724/01. Assim, não constando das RMFs motivação que demonstrasse, com precisão e clareza, tratarse de situação enquadrada em hipótese de indispensabilidade, não foi possível que a recorrente tivesse conhecimento das razões pelas quais teve seu direito ao sigilo bancário violado. Ausente a fundamentação legal em que se baseia a solicitação realizada, tornase nulo de pleno direito o ato administrativo, não produzindo qualquer efeito. A recorrente afirma que, mesmo sendo admitida a licitude da prova consubstanciada em seus extratos bancários, restaria nulo o auto de infração por se fundar exclusivamente em depósitos bancários. Isso porque estes não podem ser considerados como renda para fins de tributação pelo imposto de renda, tendo em vista sua base de cálculo residir em efetivo acréscimo patrimonial ocorrido em determinado período, conforme art. 43 do CTN. A dicção da norma demonstra que o fato gerador do IR é a aquisição de disponibilidade, econômica ou jurídica, de renda e de proventos de qualquer natureza, que configurem efetivo acréscimo patrimonial. Destarte, entende que o acréscimo patrimonial é núcleo necessário, vez que consiste no aspecto material da hipótese de incidência desse tributo. Por esse prisma, alega não ser possível a presunção de omissão de rendimentos a partir de meros depósitos bancários sem o estabelecimento de correlação com aumento patrimonial por parte do contribuinte. É necessário, portanto, a demonstração de nexo causal entre os referidos depósitos e a suposta omissão de receitas, sob pena de caracterizarse mera presunção. A despeito disso, a Súmula 182 do extinto TFR. Por fim, tece considerações sobre o caráter confiscatório da imposição de multa, por ser notadamente desproporcional e não podendo ser utilizada como expediente ou técnica de arrecadação, o que seria um “verdadeiro tributo disfarçado”. Pelo exposto, requer seja reconhecida a nulidade do auto de infração em razão da ilicitude da quebra de sigilo bancário. Caso superada esta preliminar, seja reconhecida nulidade do auto de infração, visto ter sido o lançamento fiscal baseado exclusivamente em depósitos bancários sem Fl. 1024DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 03/07/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 15563.000063/200912 Resolução n.º 110300.059 S1C1T3 Fl. 991 4 comprovação de efetivo acréscimo patrimonial. Alternativamente, seja afastada a imposição da multa, ou, ao menos, que a penalidade seja substancialmente reduzida. DA DECISÃO DA DRJ Em 16/10/2009, acordaram os julgadores da 5ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro I, por unanimidade de votos, negar provimento à impugnação, consequentemente rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, julgar procedentes os lançamentos e a multa de ofício no percentual de 75% e demais acréscimos moratórios, pelos motivos abaixo sintetizados: Acerca das alegações de nulidade do lançamento, não há que se falar em irregularidade no procedimento de requisição de informações. A emissão das RMFs foi requerida pelo auditorfiscal responsável pela fiscalização, através do documento de fls. 164 a 166, em que foi considerado indispensável o exame dessas informações por figurar hipótese prevista no art. 3º, X, do Decreto 3.724/01. E, ainda, quando da emissão das RMFs já existia procedimento fiscal instaurado e com termo de início de fiscalização lavrado, conforme previsão legal. Descabida também a arguição de cerceamento de defesa. A recorrente alega que os lançamentos não trazem fundamentos que justifiquem a quebra de seu sigilo bancário. Contudo, observase que não há qualquer previsão legal no sentido de que os procedimentos de auditoria que antecedem o lançamento devam ser submetidos ao contraditório, o que inviabiliza a hipótese suscitada. A recorrente aduz pela inconstitucionalidade da utilização da movimentação bancária para determinar a base de cálculo dos tributos, visto que os depósitos não representam disponibilidade de rendas ou acréscimo patrimonial. Pois bem, nesse sentido, o art. 42 da Lei 9.430/96 dispõe sobre a presunção de omissão de receitas. Nessas hipóteses, o ônus da prova é transferido ao contribuinte; e este não logrou comprovar a origem dos débitos em questão através dos registros em sua escrituração contábil, sequer apresentou documentação. No tocante à multa de ofício aplicada, observase a previsão do art. 44, I, da Lei 9.430/96, não cabendo à fiscalização avaliar critérios diversos dos previstos na legislação tributária, tendo em vista a estrita vinculação do lançamento prevista no art. 142 do CTN. Tampouco cabe ao julgador efetuar qualquer redução no percentual da multa de ofício lançada, uma vez que o funcionamento das DRJs é disciplinado pela Portaria MF 58/06, que determina que o julgador deve observar as normas legais e regulamentares, segundo disposto no art. 116, III, da Lei 8.112/90, bem como o entendimento da Receita Federal do Brasil expresso em atos tributários e aduaneiros. Ademais, sobre todas as nulidades alegadas, seja sobre a quebra de sigilo sem ordem judicial, ou a apuração de omissão de receitas baseada em depósitos bancários sem comprovação da origem, ou, ainda, sobre o caráter de confisco da multa de ofício aplicada, cabem alguns esclarecimentos. As questões envolvendo a constitucionalidade de leis e atos da administração encontramse na esfera de apreciação do Poder Judiciário. Não é permitido, portanto, que a via administrativa seja o veículo para o pronunciamento definitivo sobre questões tipicamente afetas aos órgãos e vias judiciais. Fl. 1025DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 03/07/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 15563.000063/200912 Resolução n.º 110300.059 S1C1T3 Fl. 992 5 DO RECURSO VOLUNTÁRIO Intimada e inconformada com a decisão retro, a recorrente apresentou, em 16/12/2009, recurso voluntário de fls. 946 a 984, reiterando basicamente os argumentos deduzidos na peça inaugural. É o relatório. Fl. 1026DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 03/07/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 15563.000063/200912 Resolução n.º 110300.059 S1C1T3 Fl. 993 6 Voto Conselheiro Marcos Takata O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele, pois, conheço. A recorrente articula ofensa a direito fundamental em face da aplicação do art. 6º da Lei Complementar 105/01. Vale dizer, invocase agressão ao direito ao sigilo bancário, consumada pela aplicação do referido preceito legal. O art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 256/09, com a redação da Portaria MF 586/10, dispõe: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Incluído pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) § 1º. Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º. O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. De seu turno, na dicção do art. 1º, parágrafo único, da Portaria CARF 1/12, o procedimento de sobrestamento “somente será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal – STF o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso”. A questão deduzida nos autos é objeto do RE nº 601.314RG/SP com reconhecimento de repercussão geral, nos termos do art. 543B do CPC. Na apreciação do Agravo de Instrumento nº 668.843, pelo STF, em 1º/02/10, o Ministro Ricardo Lewandowski determinou a devolução dos autos de tal feito ao tribunal de origem para o sobrestamento do feito, conforme o art. 543B do CPC, em face do referido RE, sob repercussão geral, em que se discute idêntica questão. Também, no julgamento do Agravo de Instrumento nº 765.714/SP, pelo STF, em 19/10/10, em decisão monocrática, o Ministro Ricardo Lewandowski determinou a devolução dos autos de tal feito ao tribunal de origem para sobrestamento, em observância ao art. 543B do CPC, ex vi do RE supramencionado. Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 03/07/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 15563.000063/200912 Resolução n.º 110300.059 S1C1T3 Fl. 994 7 Conforme o art. 328, parágrafo único, do Regimento Interno do STF, quando se verificar a subida ou distribuição de múltiplos recursos fundados em idêntica controvérsia, o Presidente do Tribunal ou o Relator determinará a devolução dos processos aos tribunais de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do CPC. Outrossim, nos termos do art. 2º, caput e § 2º, da Portaria CARF 1/12, identifico a hipótese para sobrestamento do julgamento do presente feito. É o meu voto. Sala das Sessões, em 12 de junho de 2012 (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 03/07/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
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Numero do processo: 13587.000156/2010-79
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
DIREITO CREDITÓRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Afasta-se a decisão da DRJ que negou provimento a manifestação de inconformidade da contribuinte por falta de liquidez e certeza, quando a origem do crédito ainda pende de decisão com trânsito em julgado.
NECESSIDADE DE AUTO DE INFRAÇÃO PARA AUTUAÇÃO.
A fiscalização não pode estender, por simples dedução, a exercício futuro a decisão de exercícios passados.
Numero da decisão: 1802-002.200
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Gilberto Baptista, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel.
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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LIQUIDEZ E CERTEZA. Afastase a decisão da DRJ que negou provimento a manifestação de inconformidade da contribuinte por falta de liquidez e certeza, quando a origem do crédito ainda pende de decisão com trânsito em julgado. NECESSIDADE DE AUTO DE INFRAÇÃO PARA AUTUAÇÃO. A fiscalização não pode estender, por simples dedução, a exercício futuro a decisão de exercícios passados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Gilberto Baptista, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 58 7. 00 01 56 /2 01 0- 79 Fl. 336DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13587.000156/201079 Acórdão n.º 1802002.200 S1TE02 Fl. 37 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ), que por unanimidade de votos julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela contribuinte, mantendo a decisão anterior. Por economia processual, passamos a adotar o relatório da DRJ: “Versa este processo sobre restituição/compensação. A DRF/Campos, através da Decisão Saort nº 300/2011 (fls. 279/284), não reconheceu o direito creditório pleiteado (por ausência de certeza e liquidez) e, consequentemente, não homologou as declarações de compensação tratadas no presente processo. O interessado teve ciência em 30/11/2010 (fl. 81). Em 20/12/2010, apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 293/298. Na referida peça, alega, em síntese, que: as compensações declaradas não foram homologadas em razão da suposta omissão de receita apurada no processo n° 15521.000156/200925; ocorre que o referido processo abrange, exclusivamente, os anoscalendários de 2004 e 2005 e o crédito compensado neste processo se refere ao saldo negativo de CSLL apurado no ano calendário de 2006 (no qual não existe nem mesmo fiscalização em andamento); a decisão pretende atribuir a período futuro (2006) efeito de lançamento de período passado (2004 e 2005); a autoridade responsável pela homologação não é competente para efetuar a constituição do crédito tributário e não pode negar a existência do saldo negativo regularmente apurado e declarado; ainda, no processo n° 15521.000156/200925, no qual foi fundamentada a não homologação, apresentou Impugnação e, posteriormente, Recurso Voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o qual encontrase pendente de julgamento; encontrandose suspensa a exigibilidade do crédito tributário discutido naqueles autos, nos termos do artigo 151, inciso III, do Código Tributário Nacional, impõese a Fl. 337DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13587.000156/201079 Acórdão n.º 1802002.200 S1TE02 Fl. 38 3 suspensão deste processo até que seja proferida decisão final naqueles autos, conforme jurisprudência.” A DRJ no Rio de Janeiro (RJ) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2006 LANÇAMENTO VERSUS RECONHECIMENTO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. A verificação da apuração do tributo não é cabível, apenas, para fundamentar lançamento de ofício, mas deve ser feita, também, no âmbito da análise das declarações de compensação, para efeito de determinação da certeza e liquidez do crédito, invocado pelo sujeito passivo, para extinção de outros débitos fiscais. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. Mantémse o despacho decisório, se não elididos os fatos que lhe deram causa. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido” Inconformada com essa decisão da qual tomou ciência em 25/04/2012, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário em 14/05/2012, onde reitera todas as alegações feitas por ocasião de sua manifestação de inconformidade. Este é o Relatório. Fl. 338DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13587.000156/201079 Acórdão n.º 1802002.200 S1TE02 Fl. 39 4 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, pelo que dele tomo conhecimento. Tratase de pedido de compensação onde a DRF/Campos, através da Decisão Saort nº 300/2011 (fls. 274/284), não reconheceu o direito creditório pleiteado, fundamentandose na ausência de certeza e liquidez do crédito, e consequentemente, não homologou as declarações de compensação tratadas no presente processo. Constou da decisão que: a) o interessado transmitiu, em 07/08/2007, a Declaração de Compensação (DCOMP) nº 12031.18192.070807.1.3.039243, cujo crédito no valor original de R$129.605,88 seria referente a Saldo Negativo de CSLL do 4º trimestre do anocalendário 2006; b) o interessado foi autuado nos anos anteriores (2004 e 2005) através do processo administrativo nº 15521.000156/200925, em que foram desconsiderados os supostos prejuízos fiscais informados em suas Declarações de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e todas as informações colhidas pela fiscalização se aplicam também ao anocalendário de 2006; c) em síntese, de acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 12/181), fora apurado que o interessado, por meio de simulação, omitiu em sua contabilidade receita de sua atividade (faturamento); fora constatado que o grupo empresarial estrangeiro DIAMOND OFFSHORE, do qual o interessado faz parte, prestador internacional de serviço de perfuração de poços de petróleo, perfurou poços para a PETROBRAS, com o afretamento de suas plataformas, por meio da BRASDRIL; de acordo com a Fiscalização, em que pese o contrato firmado com a estatal brasileira prever que 90% dos pagamentos efetuados iriam para as empresas estrangeiras pelo afretamento de suas plataformas, e os 10% restantes a BRASDRIL pelo serviço propriamente dito de perfuração dos poços, a empresa brasileira prestou a quase totalidade dos serviços contratados, inclusive a administração das plataformas, e recebeu como contrapartida, além dos 10%, parte dos 90% recebidos por suas coligadas no exterior; tais valores enviados pelas empresas estrangeiras, contudo, não foram escrituradas pelo interessado como receitas da sua atividade, mas sim como reembolso de custos e despesas e aumento de capital recebidos das suas coligadas; caracterizada a simulação, com evidente intuito doloso do contribuinte de fraudar a Fazenda Nacional, a Fiscalização acresceu ao lançamento a multa qualificada de 150%; o lançamento efetuado pela fiscalização foi mantido integralmente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ – Rio de Janeiro 1, conforme se verifica no Acórdão nº 1232.209 7ª Turma, fls. 182/234; d) historicamente, contratos complexos como os existentes no mercado de perfuração/exploração de petróleo possuem duração que podem facilmente superar vários anos, além de cláusulas que determinam como serão medidos os serviços e como serão realizados os pagamentos, que impactam na forma e valores a serem apropriados na contabilidade; Fl. 339DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13587.000156/201079 Acórdão n.º 1802002.200 S1TE02 Fl. 40 5 e) os contratos citados no TVF têm repercussão no anocalendário de 2006 como se verifica nas informações prestadas na DIPJ/2007 e DIRF em que a empresa consta como beneficiária; f) analisando a DIPJ/2007 (AC 2006 – ND 0982388) do interessado, fls. 235/268, verificamos: que na FICHA 06A – Demonstração do Resultado, consta a informação de “Receita da Prestação de Serviços” no valor total de R$ 54.449.000,62, fls. 245/248, sendo: R$ 12.738,442,79 (1º Trimestre); R$ 13.923.777,40 (2º Trimestre), R$ 11.857.391,77 (3º Trimestre), e R$ 15.929.388,66 (4º Trimestre); na FICHA 54 – Demonstrativo do Imposto de Renda e CSLL Retidos na Fonte, fl. 267, consta apenas a fonte pagadora PETROLEO BRASILEIRO S/A, e o rendimento bruto no valor de R$ 53.873.617,21, isto é, praticamente toda a receita declarada no anocalendário 2006; é sobre as retenções de CSLL desta receita que a empresa pretende compensar débitos via DCOMP nº 12031.18192.070807.1.3.039243, ora em análise; tal informação também encontra respaldo na DIRF apresentada pela PETROBRAS em que a BRASDRIL SOCIEDADE DE PERFURAÇÕES LTDA consta como beneficiária, fl. 269; no resumo da DIRF em que a BRASDRIL SOCIEDADE DE PERFURAÇÕES LTDA consta como declarante, fl. 270, verificamos um total de 683 beneficiários (519 PF e 164 PJ), tendo a empresa desembolsado o montante de R$ 119.826.131,28 e retido R$ 6.718.609,15; g) como uma empresa com prejuízos fiscais sucessivos suporta anualmente déficits, que no ano de 2006 chegou a mais de 65 milhões de reais?; a resposta para esta pergunta consta do TVF e foi confirmada pela DRJ/RJ1 no Acórdão nº 1232.209 – 7ª Turma, fls. 245/249; h) na FICHA 50 – Identificação de Sócios ou Titular, fl. 263, constam como sócios da BRASDRIL SOCIEDADE DE PERFURAÇÕES LTDA as seguintes empresas: DIAMOND OFFSHORE (BRASIL) L.L.C., CNPJ nº 05.490.927/000170 (25,25%), e DIAMOND OFFSHORE HOLDING, L.L.C., CNPJ nº 05.490.832/000157 (74,75%), ambas sediadas nos Estados Unidos; i) conforme tudo que foi apurado pela fiscalização da RFB, a BRASDRIL SOCIEDADE DE PERFURAÇÕES LTDA nada mais é do que uma filial da DIAMOND OFFSHORE HOLDING, L.L.C.; j) no ano de 2006 a empresa manteve o mesmo modus operandi dos anos anteriores, recebendo aporte de capital a fim de suportar as despesas de todo o conglomerado (BRASDRIL e DIAMOND OFFSHORE HOLDING) em operação no Brasil; k) na FICHA 37A – Passivo – Balanço Patrimonial, fl. 260, verificamos o aumento do Patrimônio Líquido de R$ 180.948.140,25 para R$ 215.415.645,26, sob a rubrica “Capital de Domiciliados e Residentes no Exterior” (linha 27) Tanto na manifestação de inconformidade, quanto no recurso voluntário o interessado alega que a decisão atribui a período futuro (2006), no qual não existe nem mesmo fiscalização em andamento, efeito de lançamento de período passado (2004 e 2005) e que a autoridade responsável pela homologação não é competente para efetuar a constituição do crédito tributário e não pode negar a existência do saldo negativo regularmente apurado e declarado. A esse respeito entendeu a DRJ: Fl. 340DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13587.000156/201079 Acórdão n.º 1802002.200 S1TE02 Fl. 41 6 A SAORT não atribuiu a período futuro (2006) efeito de lançamento de período passado (2004 e 2005) – apenas, ao analisar a DIPJ do ano calendário de 2006, verificou que o interessado manteve o mesmo modus operandi dos anos anteriores. Nos termos da legislação, o lançamento é ato administrativo de constituição de crédito tributário. Por seu turno, no contexto do procedimento de homologação das declarações de compensação, deve ser atestada a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados. Não se pode admitir que a determinação da certeza e liquidez dos indébitos tributários possa ser aferida sem qualquer análise da apuração do tributo que lhe serve de fundamento. Relevante assentar que a análise em questão, pela SAORT, da regularidade da apuração do saldo negativo, não pode implicar lançamento de ofício de diferenças de imposto/contribuição porventura apuradas. Todavia, não se pode dizer, por isso, que o órgão administrativo deve simplesmente “homologar” o valor informado na DIPJ correspondente e proceder à restituição ou à compensação, sem aferir a certeza e liquidez dos indébitos tributários que lhe fundamentam, apenas por não ter o interessado sofrido ação fiscal. Ora, a decisão da SAORT, reiterada pela DRJ, utilizouse de mera dedução, sem qualquer suporte probatório para estender a exercício futuro a decisão de exercícios passados, de modo que não deve prosperar. Por todo o exposto voto no sentido de DAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 341DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13587.000156/201079 Acórdão n.º 1802002.200 S1TE02 Fl. 42 7 Fl. 342DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10680.009876/2006-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL.
A partir de 09/06/2005 o prazo prescricional para apresentação do pedido de restituição é de cinco anos contados da data da extinção do crédito tributário. Art. 3º da LC nº 118/95 cc art. 168, inc. I do CTN.
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA CARF nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3301-002.072
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Andrada Márcio Canuto Natal Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Bernardo Motta Moreira, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Helder Massaaki Kanamaru e Andrada Márcio Canuto Natal.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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PRAZO PRESCRICIONAL. A partir de 09/06/2005 o prazo prescricional para apresentação do pedido de restituição é de cinco anos contados da data da extinção do crédito tributário. Art. 3º da LC nº 118/95 cc art. 168, inc. I do CTN. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Andrada Márcio Canuto Natal – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Bernardo Motta Moreira, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Helder Massaaki Kanamaru e Andrada Márcio Canuto Natal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 98 76 /2 00 6- 67 Fl. 294DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 17/ 12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10680.009876/200667 Acórdão n.º 3301002.072 S3C3T1 Fl. 11 2 Fl. 295DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 17/ 12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10680.009876/200667 Acórdão n.º 3301002.072 S3C3T1 Fl. 12 3 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição no valor de R$ 1.516.697,70, relativo à Cofins incidente sobre combustíveis, Lei 9.990/2000. Foi anexado relatório, fls. 18/169, onde foram listadas notas fiscais de aquisição de óleo diesel e gasolina, no período de, 27/10/2000 a 31/07/2006, calculando a COFINS à alíquota de 3,00% ou 7,6%, solicitando a restituição destes valores. Posteriormente apresentou diversos PER/DCOMP, relacionados às fls. 200/201, apresentando diversos débitos tributários a serem compensados com os valores de restituição solicitados. Por meio do Despacho Decisório nº 157/2007, fls. 200/210, a DRF/Uberlândia indeferiu o pleito do contribuinte sob o fundamento de que a partir de 01/07/2000 é incabível a restituição, pois a substituição tributária prevista para os derivados de petróleo foi extinta com a edição da MP 1.99115 de 10/03/2000. Na mesma decisão o autor lembra que, mesmo se crédito houvesse, o direito de pedir restituição estaria decaído para os fatos geradores relativos aos períodos de 27/10/2000 a 14/09/2001, pois decorridos o prazo de cinco anos previsto no art. 168, inc. I do CTN e art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005; Não concordando com a decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, fls. 210/226, na qual alega em síntese as seguintes questões: que o prazo prescricional para a repetição de indébitos para fatos geradores ocorridos antes da edição da LC nº 118/2005, era de dez anos e cita jurisprudência e doutrina a respeito desta tese; quanto ao direito à restituição da Cofins referentes às compras de combustíveis, cita toda a legislação a respeito do assunto, inclusive as mudanças ocorridas a partir da edição da MP nº 1.991, de 10/03/2000, e que todas as alterações seriam inconstitucionais em face do disposto no art. 150, § 7º da Constituição Federal. Conclui alegando que houve sério prejuízo aos contribuintes, pois com a extinção da substituição tributária, eles continuaram pagando os mesmos valores na aquisição dos combustíveis sem no entanto terem direito à ressarcimento destes valores, tendo em vista que a carga tributária permaneceu inalterada; solicita, por fim, que sobre o crédito tributário a ser restituído incida atualização monetária com base na taxa Selic. Analisando a referida manifestação de inconformidade, a DRJ/Juiz de Fora proferiu acórdão, cuja ementa transcrevese abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005. COMPENSAÇÃO Fl. 296DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 17/ 12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10680.009876/200667 Acórdão n.º 3301002.072 S3C3T1 Fl. 13 4 Não cabe ao julgador administrativo apreciar a matéria do ponto de vista constitucional. DECADÊNCIA: o direito de pleitear restituição extingue se em 05 anos conforme artigo 168 CTN. Solicitação Indeferida Não concordando com referida decisão, o contribuinte apresentou recurso voluntário, fls. 247/265, por meio do qual reedita as mesmas razões trazidas em sede da manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 17/ 12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10680.009876/200667 Acórdão n.º 3301002.072 S3C3T1 Fl. 14 5 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, por isto dele tomo conhecimento. Quanto ao prazo prescricional para apresentar o pedido de restituição, o contribuinte defende que o prazo de cinco anos previstos na LC nº 118/2005 só seriam aplicáveis para os pagamentos indevidos efetuados após a sua vigência. A tese defendida pela interessada, foi submetida à apreciação do Supremo Tribunal Federal, que concluiu pela repercussão geral deste tema nos autos do Recurso Extraordinário nº 561.908, e passou a apreciar seu mérito nos autos do Recurso Extraordinário nº 566.621 sendo publicado em 11/10/2011 acórdão assim ementado: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4o, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/2005, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra Fl. 298DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 17/ 12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10680.009876/200667 Acórdão n.º 3301002.072 S3C3T1 Fl. 15 6 de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção de confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede a iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3o, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Após esta decisão, esta corte administrativa passou a adotála em face do disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, o qual determina a observância de decisões proferidas pelo STF e STJ no rito dos recursos repetitivos: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Neste sentido, recente acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1988 a 31/12/1991 NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543B DO CPC. Consoante art. 62A do Regimento Interno do CARF, “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 17/ 12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10680.009876/200667 Acórdão n.º 3301002.072 S3C3T1 Fl. 16 7 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. DIREITO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL. DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO JULGAMENTO DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621/RS (RELATORA A MINISTRA ELLEN GRACIE). “Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de cinco anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacacio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º do CPC aos recursos sobrestados. (Acórdão da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais nº 9303002.333, sessão do dia 20/06/2013). O pedido de restituição foi apresentado pelo contribuinte em 15/09/2006, portanto após 09/06/2005 e, sendo assim, aplicável o prazo prescricional de cinco anos previstos no art. 3º da LC nº 118/2005. Correta assim a decisão recorrida em considerar prescritos os pedidos de restituição de valores pagos antes de 14/09/2001. Quanto ao direito de restituição de valores referentes à aquisição de combustíveis, também não cabe reparos à decisão recorrida. O pedido de restituição foi indeferido com base no disposto no art. 46 da MP nº 1.991/2000 que extinguiu o sistema de substituição tributária para a Cofins nas operações com combustíveis. Assim era a redação original dos art. 4º e 5º da Lei nº 9.718/98, mesma redação de leis anteriores que previam a substituição tributária e, por conseqüência, a possibilidade de restituição dos valores pagos pelos consumidores finais: Art. 4º As refinarias de petróleo, relativamente às vendas que fizerem, ficam obrigadas a cobrar e a recolher, na condição de contribuintes substitutos, as contribuições a que se refere o art. 2º, devidas pelos distribuidores e comerciantes varejistas de combustíveis derivados de petróleo, inclusive gás. Parágrafo único. Na hipótese deste artigo, a contribuição será calculada sobre o preço de venda da refinaria, multiplicado por quatro. Art. 5º As distribuidoras de álcool para fins carburantes ficam obrigadas a cobrar e a recolher, na condição de contribuintes substitutos, as contribuições referidas no art. 2º, devidas pelos comerciantes varejistas do referido produto, relativamente às vendas que lhes fizerem. Parágrafo único. Na hipótese deste artigo, a contribuição será calculada sobre o preço de venda do distribuidor, multiplicado por um inteiro e quatro décimos. Com a redação dada a partir da MP nº 1.991, de 20/03/2000: Art. 4o As contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público Fl. 300DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 17/ 12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10680.009876/200667 Acórdão n.º 3301002.072 S3C3T1 Fl. 17 8 PIS/PASEP e para o Financiamento da Seguridade Social COFINS devidas pelas refinarias de petróleo serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: (...) Art. 5o As contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e para o Financiamento da Seguridade Social COFINS devidas pelas distribuidoras de álcool para fins carburantes serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: (...) Notese que aqui, a partir da edição da MP nº 1991/2000, as refinarias de petróleo e as distribuidoras de álcool para fins carburantes passaram a ser contribuintes próprios do PIS e da Cofins, inexistindo a partir daí a figura da substituição tributária. Do teor de todo o arrazoado trazido pelo contribuinte na manifestação de inconformidade e também no recurso voluntário, constatase que ele concorda e relata que houve todas estas alterações legislativas e que elas seriam inconstitucionais em face do art. 150, § 7º da Constituição Federal. Por muito bem esclarecer a evolução legislativa a respeito da substituição tributária dos derivados de petróleo e álcool etílico para fins carburanrtes, adoto também como razão de decidir o Despacho Decisório da DRF/Uberlândia, fls. 200/205, nos termos do art. 50 da Lei nº 9784/99. A respeito das alegações de inconstitucionalidade das referidas medidas provisórias que efetuaram as alterações do regime de substituição tributária do PIS e da Cofins, temse que está pacificado neste conselho, por meio da Súmula Carf nº 2, que as turmas de julgamento não são competentes para apreciar a alegação de inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 301DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 17/ 12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
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Numero do processo: 19679.016925/2003-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2000
PERC. SÚMULA.
Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72 (Súmula CARF nº 37). Provado que os débitos estavam com a sua exigibilidade suspensa no período em que se deu a opção também descabe o indeferimento do benefício.
Numero da decisão: 1401-001.185
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Sergio Luiz Bezerra Presta, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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SÚMULA. Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72 (Súmula CARF nº 37). Provado que os débitos estavam com a sua exigibilidade suspensa no período em que se deu a opção também descabe o indeferimento do benefício. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Sergio Luiz Bezerra Presta, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 01 69 25 /2 00 3- 89 Fl. 427DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 1622.847, da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em FortalezaCE. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: Trata o presente processo de Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), relativo ao ano calendário de 2000, exercício de 2001, formulado em 19/11/2003, pela empresa acima identificada (fl. 01). Em Despacho Decisório exarado em 29/08/2008 (fl. 200), concluiuse que a interessada não fazia jus ao benefício fiscal do FINOR, tendo sido o pleito indeferido pelo não atendimento às intimações que solicitaram a regularização de pendências de débitos controlados pela Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN) e pela Secretaria da Receita Federal (RFB), com fulcro no art. 60 da Lei n° 9.069/1995. Cientificada em 18/11/2008 (fl. 201verso), a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade, protocolizada 18/12/2008 (fls. 204/221), alegando, em síntese: • O presente ato administrativo é nulo em virtude do estatuído no art.31 do PAF, o qual determina a obrigatoriedade de uma decisão conter: relatório, fundamentos legais, conclusão fundamentada e intimação da decisão; • A autoridade fiscal apenas proferiu um Parecer e não uma decisão administrativa; • Inexiste motivação uma vez que no Parecer proferido pela RFB não há fundamentação bem como inexiste a demonstração da existência dos débitos levantados pela autoridade fiscal; • A regularidade fiscal não é motivo suficiente para embasar o Parecer e indeferir o pedido da contribuinte. Referida conduta viola os princípios constitucionais do devido processo 1^ contraditório e da ampla defesa; Caracterizouse a preclusão temporal do direito de análise do presente PERC tendo em vista o transcurso de 10 anos entre a opção e a manifestação do Fisco; Cita a Portaria Interministerial n° 237 de 25/07/2002, a qual determina o prazo para a análise dos PERC fixado em 12 meses a contar do encerramento do prazo concedido para sua apresentação; Cita a Lei n° 9.784/99, art.54 (estabelece o prazo de 5 anos para a Administração rever seus atos) e o Decreto n° 20.910/32 (fixa o lapso temporal de 5 anos para a Fazenda Pública efetuar a cobrança de seus débitos); Defende a requerente da impossibilidade de se exigir a regularidade fiscal posteriormente à opção pelo investimento; Fl. 428DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19679.016925/200389 Acórdão n.º 1401001.185 S1C4T1 Fl. 427 3 A regularidade fiscal exigida pela norma legal deve ser a existente no momento de sua apresentação ou requerimento, ou seja, no exercício de 2001, anocalendário de 2000; Não pode a lei retroagir os seus efeitos a fim de prejudicar a contribuinte (arts.105 e 144 do CTN) sob pena de se violar o princípio da segurança jurídica. A DRJ, por unanimidade de votos, INDEFERIU a solicitação, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 PERC Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal no âmbito da RFB condicionase à comprovação pelo contribuinte, seja pessoa física ou jurídica, à quitação de tributos e contribuições federais. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este Conselho, repisando os tópicos trazidos anteriormente. Através da Resolução n°1401000.094 esta Quarta Câmara baixou o feito em diligência, com o fim de atestar a regularidade fiscal no momento da entrega da declaração. Consta despacho conclusivo da DRF com o seguinte teor: Cumprindo determinação do CARF, RESOLUÇÃOn° 1401000.094. àsfls. 322 a 326 foram verificados os relatórios od contribuinte, àsfls. 327 e 345, de acordo com a NE CORAT/COSIT N" 06/2003 e da Súmula CARF n" 37, concluise. portanto, conforme consta do resumo à fls. 346, que o contribuinte ainda possui algumas pendências referentes a períodos anteriores a entrega da declaração, isto é. 28/06/2001, enumerados a seguir: 1Débitos em cobrança no SIEF, fl. 335 e 336 9 débitos Lembramos que estes mesmos débitos estiveram suspensos através de medida judicial até a data de 17/04/2013. portanto, após a entrega da declaração, 28/06/2001, e estão aguardando nova avaliação. (grifei) Contrarrazões do contribuinte às fls. 388/391, dando conta fundamentalmente que: (...) que a exigência de comprovação de regularidade fiscal para homologação do incentivo só pode se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, ou seja, na hipótese dos autos, ao período de 2001, conforme inclusive está consignado no acórdão. (...) No caso concreto, o direito da Requerente é ainda mais cristalino porque a própria Receita Federal reconheceu em seu Parecer que os débitos em cobrança apontados em seu contacorrente "estiveram suspensos através de medida judicial até a data de 17/04/2003", ou seja, se os débitos estiveram com exigibilidade Fl. 429DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO 4 suspensa até 2013, não podem ser óbice à homologação do incentivo formalizado em 2001! É o relatório. Fl. 430DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19679.016925/200389 Acórdão n.º 1401001.185 S1C4T1 Fl. 428 5 Voto O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a presente lide decorre da não emissão de ofício do incentivo fiscal, relativo ao anocalendário 2000, em razão da existência de débitos de tributos e contribuições federais. Tendo a recorrente protocolizado o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais – PERC, o mesmo foi indeferido em função da existência de débitos junto à Receita Federal do Brasil e Procuradoria da Fazenda Nacional. Entre outros motivos do Recurso, o que interessa para a presente diligência é a alegação levantada de que a verificação da regularidade fiscal da empresa deveria ter sido analisada na data da declaração que optou pelo investimento. É que a regularidade fiscal exigida se deve restringir ao período em que se der o gozo do citado benefício. Com razão a Recorrente nesse ponto. A meu ver, a aferição da regularidade do contribuinte deve se dar mesmo na data da opção como reclamado, pois no momento que se solicita tal benefício o contribuinte já deve assumir como certo que deve cumprir integralmente as condições que dão acesso ao mesmo, diferentemente do que fez a DRF, a instauradora da lide. Além do que, se trata de um marco objetivo que favorece a decidibilidade e a segurança jurídica. Não se pode deixar a decisão da pesquisa a respeito da regularidade fiscal oscilar ao sabor do momento em que a autoridade administrativa resolver apreciar o pedido ou mesmo julgálo em Primeira e Segunda instâncias. Falta razoabilidade. O QUE SE PERCEBE É QUE O MOMENTO DA OPÇÃO SE DEU NO EXERCÍCIO DE 2001 E A VERIFICAÇÃO FEITA PELA DRF SE DEU EM JULHO DE 2008, PORTANTO EM DATA MUITO DIVERSA DAQUELA ADEQUADA E AINDA SEM QUE A DRF TIVESSE QUALQUER PREOCUPAÇÃO EM SABER SE OS DÉBITOS SERIAM ANTERIORES OU NÃO À DATA DO EXERCÍCIO DA OPÇÃO. Nessa linha de entendimento aqui adotada, tal matéria já foi inclusive sumulada pelo CARF em sentido contrário ao entendimento adotado pela DRF e DRJ: Súmula CARF Nº 37: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. (grifei) Fl. 431DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO 6 Como havia dúvidas com relação a existência de débitos que fossem anteriores ao ano do exercício da opção pelo investimento e que não estivessem com sua exigibilidade suspensa naquele momento, o feito foi baixado em diligência para sanar essa dúvida. Consta despacho conclusivo da DRF com o seguinte teor: Cumprindo determinação do CARF, RESOLUÇÃOn° 1401000.094. àsfls. 322 a 326 foram verificados os relatórios od contribuinte, às fls. 327 e 345, de acordo com a NE CORAT/COSIT N" 06/2003 e da Súmula CARF n" 37, concluise. portanto, conforme consta do resumo à fls. 346, que o contribuinte ainda possui algumas pendências referentes a períodos anteriores a entrega da declaração, isto é. 28/06/2001, enumerados a seguir: 1Débitos em cobrança no SIEF, fl. 335 e 336 9 débitos Lembramos que estes mesmos débitos estiveram suspensos através de medida judicial até a data de 17/04/2013. portanto, após a entrega da declaração, 28/06/2001, e estão aguardando nova avaliação. (grifei) Apesar de a DRF apontar débitos anteriores à entrega da declaração na qual fizera a opção pelo incentivo fiscal, o fato é que o Parecer indica que esses mesmos débitos "estiveram suspensos através de medida judicial até a data de 17/04/2003", o que se leva a concluir a teor da Súmula CARF nº 37, que no momento da opção não havia qualquer pendência para se proceder com o indeferimento do PERC. Por todo o exposto, DOU provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 432DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 11618.001486/2005-84
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA.
Conforme entendimento fixado pelo STJ, em sede de recursos repetitivos, o imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado pelo regime de competência, tendo em vista que o art. 12 da Lei nº 7.713/1988 disciplina o momento da incidência, e não a forma de calcular o imposto.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-003.615
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente. Votou pelas conclusões o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que negava provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Mara Eugenia Buonanno Caramico, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. Conforme entendimento fixado pelo STJ, em sede de recursos repetitivos, o imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado pelo regime de competência, tendo em vista que o art. 12 da Lei nº 7.713/1988 disciplina o momento da incidência, e não a forma de calcular o imposto. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente. Votou pelas conclusões o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que negava provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Mara Eugenia Buonanno Caramico, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
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RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. Conforme entendimento fixado pelo STJ, em sede de recursos repetitivos, o imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado pelo regime de competência, tendo em vista que o art. 12 da Lei nº 7.713/1988 disciplina o momento da incidência, e não a forma de calcular o imposto. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente. Votou pelas conclusões o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que negava provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Mara Eugenia Buonanno Caramico, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 8. 00 14 86 /2 00 5- 84 Fl. 195DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11618.001486/200584 Acórdão n.º 2801003.615 S2TE01 Fl. 196 2 Relatório Trata o presente processo de auto de infração que diz respeito a Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige do sujeito passivo acima identificado o montante de R$ 40.239,31, referente ao exercício de 2003. A autuação decorreu de omissão de rendimentos recebidos do Governo do Estado da Paraíba, relativos a trabalho com vínculo empregatício, decorrentes de ação trabalhista, conforme certidão apresentada pelo contribuinte. Em sua impugnação, o contribuinte alegou, em síntese, que: · os rendimentos foram declarados como isentos e não tributáveis e são oriundos de ação trabalhista, resultante de rescisão do seu contrato celetista junto ao Estado da Paraíba; · o IRRF é exemplo típico de substituição tributária, conforme doutrina, sendo de responsabilidade da fonte pagadora, não subsistindo obrigação para o contribuinte, porque jamais esteve na relação jurídica; · recebeu a verba em decorrência da sentença trabalhista, abrangendo longo período, com incidência do IR acumuladamente; · todo o seu ganho advém da condição de funcionário público estadual e, como tal, o seu rendimento esteve, sempre, dentro do limite de isenção; · o lançamento não faz qualquer distinção entre verbas com ou sem incidência do IR, restando prejudicada a defesa, pelo que pede diligência para respeitar a ampla defesa; · a multa é reflexo de punição em decorrência da legislação tributária, não sendo aplicável se não se pode atribuir culpa ao impugnante, por comportamento reprovável da fonte; · protesta pela produção de provas e juntada de documentos a posteriori, especialmente para fim de perícia contábil que ateste a remuneração mês a mês com vistas a declarar a sua isenção, indicandose depois o perito responsável pelo trabalho. O processo foi objeto de Diligência, conforme fls. 39 a 41, por meio da qual se solicitou demonstrativo de verbas recebidas pelo contribuinte em decorrência da ação trabalhista que foram consideradas como tributáveis, o que resultou na juntada aos autos dos documentos de fls. 55/63. Em decorrência do procedimento de diligência, o contribuinte informou que não incorreu em omissão de rendimentos, pois a sentença se referia ao valor bruto de R$ 136.784,76 e que o valor sem juros de mora seria apenas de R$ 46.769,06, dos quais Fl. 196DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11618.001486/200584 Acórdão n.º 2801003.615 S2TE01 Fl. 197 3 subtraindose os honorários advocatícios no valor de R$ 13.678,48, encontrase a base de cálculo do INSS de R$ 33.090,59, que descontado de R$ 2.647,25 de INSS recolhido chegase à base de cálculo do IRPF no valor de R$ 30.443,34, sendo retido IRPF no valor de R$ 7.948,84 e um valor líquido de R$ 112.510,20, mas que ao se corrigir os honorários advocatícios para R$ 14.323,59, o INSS para R$ 2.787,28 e IRRF para R$ 8.373,96, chegou se, de acordo com a ação trabalhista ao valor líquido de R$ 118.465,04 para o contribuinte, sendo tributável o rendimento que serviu de base para a retenção na fonte e a quantia que excedeu tal valor é rendimento isento e não tributável, sendo considerado líquido nos termos do art. 725 do RIR/99, observando que de acordo com o teor da certidão acostada (doc. 02) O cálculo elaborado pela Justiça do Trabalho está correto, já que a incidência IRPF considerará, como base de cálculo, o valor corrigido, mas sem juros e sem os títulos indenizatórios. Afirmou, ainda, que o entendimento do Fisco no sentido de que a isenção tratada no art. 46, §1°, inciso I, da Lei 8.541/92, referese a lucros cessantes e que os rendimentos percebidos pelo interessado tem natureza salarial afronta dois aspectos fundamentais: a) não seria de bom senso que um trabalhador recebesse indenização trabalhista após dezena de anos por culpa exclusiva do empregador e ao final tivesse diminuído o montante recebido a destempo com o desconto de parcela relativa ao imposto de renda incidente sobre juros; e b) a jurisprudência tem entendido que os juros de mora têm natureza indenizatória. Reclamou que, nos autos, há provas concretas de que a cobrança do imposto de renda incidiu, inclusive, sobre as parcelas relativas ao FGTS e demais de caráter nitidamente indenizatório. Argumentou que o auto de infração afronta o ato declaratório do procurador geral da Fazenda Nacional PGFN nº 1 de 23/03/2009, publicado no DOU de 14/05/2009, que diz que "( ...) no cálculo do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, devem ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refere tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global" e também não se levou em conta o Parecer PGFN/CRJ/N° 287/2009. A 1ª Turma da DRJ/REC/PE considerou improcedente a impugnação, conforme Acórdão de fls. 139/163. Regularmente cientificado daquele acórdão em 22/03/2011 (AR, fl. 166), o interessado, representado por seu advogado (fl. 185), interpôs recurso voluntário de fls. 171/183, em 25/04/2011. Em sua defesa, sustenta que: · não incide Imposto de Renda sobre juros de mora, por não existir natureza remuneratória em tal verba; · os documentos constantes dos autos comprovam que o IRPF retido na fonte mediante cálculo da Justiça do Trabalho foi coerente e em conformidade com a Lei 8.541/92, art. 46, que estabelece que os juros de mora são devidos em razão da expropriação temporária de montante devido ao empregado. Neste sentido, cita doutrina e jurisprudência judicial; · a multa de ofício imposta é ato extremo, eis que não houve dolo ou culpa por parte do contribuinte na situação fática exposta, pois obedeceu à risca os ditames decisórios da Justiça do Trabalho. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11618.001486/200584 Acórdão n.º 2801003.615 S2TE01 Fl. 198 4 Conforme Resolução 2801000.134, às fls. 190/194, foi sobrestado o julgamento do recurso, nos termos do art. 62A, §§1º e 2º do Regimento do CARF, tendo em vista que a constitucionalidade da regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, foi levada à apreciação, em caráter difuso, por parte do Supremo Tribunal Federal, o qual reconheceu a repercussão geral do tema e determinou o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, 1 , do CPC. Com a revogação dos §§1º e 2º do art. 62A do Regimento do CARF, conforme Portaria nº 545 de 18 de novembro de 2013, publicada no DOU de 20 de novembro de 2013, o recurso voluntário foi incluído em pauta para julgamento. A numeração de folhas citada nesta decisão referese à serie de números do arquivo PDF. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Cuida o presente lançamento de omissão de rendimentos recebidos acumuladamente em decorrência de ação trabalhista, e cuja tributação ocorreu sob a regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988. Em relação aos rendimentos recebido acumuladamente, cabe registrar que a Procuradoria da Fazenda Nacional – PGFN, diante da jurisprudência do STJ sobre rendimentos recebidos acumuladamente e com base no Parecer PGFN/CRJ/nº 287/2009, editou o Ato Declaratório nº 1/2009 publicado no Diário Oficial da União de 14/05/2009 e aprovado conforme despacho do Ministro da Fazenda publicado em 13/05/2009, e que teve efeito vinculante sobre o Fisco, com determinação para o cálculo do imposto ser mensal e não global, tanto para rendimentos de aposentaria quanto para rendimentos do trabalho. O referido Ato Declaratório teve sua eficácia suspensa pelo Parecer PGFN/CRJ/nº 2.331/2010, em razão de o Supremo Tribunal Federal, em 20/10/2010, reconhecer repercussão geral aos Recursos Extraordinários nº 614232 e 614406 que versam sobre a tributação de rendimentos recebidos acumuladamente e cujos julgamentos ainda não foram concluídos. Aliás, Conforme exposição de motivos interministerial nº 111/MF/MP/ME/MCT/MDIC/MT/ de 23/10/2010, com a edição da Medida Provisória nº497, a qual, em seu art. 20, modificou a Lei nº 7.713/1988, acrescentando lhe o art 12A, a legislação foi alterada por iniciativa do Poder Executivo para contemplar a jurisprudência firmada pelo Superior Tribunal da Justiça, a qual já havia sido adotada pela Administração por meio da Aprovação do Ato Declaratório PGFN nº 1/2009, em relação aos rendimentos recebidos acumuladamente, seja do trabalho ou de aposentadoria. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11618.001486/200584 Acórdão n.º 2801003.615 S2TE01 Fl. 199 5 Importa que, após reiteradas decisões no sentido de que o art. 12 da Lei nº 7.713/1988 disciplina o momento da incidência, e não a forma de calcular o imposto, o Superior Tribunal de Justiça STJ fixou o entendimento, em sede de recurso repetitivo, de que o imposto de renda incidente sobre benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado pelo regime de competência, nos termos da seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Resp 1.118.429/SP, julgado em 24/03/2010 Verificase, em julgados recentes, que o STJ tem adotado a orientação firmada pela Primeira Seção do STJ, por ocasião do julgamento do recurso repetitivo REsp 1.118.429/SP para também afastar a tributação dos rendimentos do trabalho recebidos acumuladamente pelo regime de caixa, determinando que o imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquota próprias a que se referem tais rendimentos, haja vista a ementa da seguinte Decisão: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. NÃO INCIDÊNCIA SOBRE JUROS DE MORA PAGOS NO CONTEXTO DE RESCISÃO DO CONTRATO DE TRABALHO. ACÓRDÃO DO TRIBUNAL DE ORIGEM EM CONSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ QUANTO AO TRATAMENTO TRIBUTÁRIO DE PARCELAS PAGAS ACUMULADAMENTE EM CUMPRIMENTO DE DECISÃO JUDICIAL. TEMAS JÁ JULGADOS PELA SISTEMÁTICA INSTITUÍDA PELO ART. 543C DO CP. 1.... 2. Em relação ao ponto do recurso especial em que a Procuradoria da Fazenda Nacional alega contrariedade ao art. 12 da Lei n. 7.713/88 e impugna o capítulo do acórdão do Tribunal de origem sob a rubrica "Da incidência mês a mês do imposto de renda", consta da decisão ora agravada que o mencionado recurso não procede porque a decisão proferida pelo Tribunal de origem está em consonância com a orientação firmada pela Primeira Seção do STJ, por ocasião do julgamento do recurso repetitivo REsp 1.118.429/SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), cuja ementa assim enuncia: "O imposto de renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido Fl. 199DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11618.001486/200584 Acórdão n.º 2801003.615 S2TE01 Fl. 200 6 adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente." 3. Ao dispor sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, o art. 12 da Lei 7.713/88 disciplina o momento da incidência do imposto de renda, porém nada diz a respeito das alíquotas aplicáveis a tais rendimentos. Assim, no julgamento do recurso especial, não ocorreu violação do art. 97 da Constituição da República, tampouco contrariedade à Súmula Vinculante n. 10/STF. Como já proclamou a Quinta Turma, ao julgar os EDcl no REsp 622.724/SC (Rel. Min. Felix Fischer, REVJMG, vol. 174, p. 385), "não há que se falar em violação ao princípio constitucional da reserva de plenário (art. 97 da Lex Fundamentalis) se, nem ao menos implicitamente, foi declarada a inconstitucionalidade de qualquer lei". 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no AgRg no REsp 1332443 / PRAGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES 2012/0138520 DJe 08/02/2013)(grifei e sublinhei) É de se concluir, portanto, que, na espécie, existe erro de cunho material na apuração do imposto devido, por aplicação incorreta do art. 12 da Lei nº 7.713/1988, consoante interpretação dada pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de Recurso Especial com a atribuição da sistemática do artigo 543–C do CPC, e que deve ser de aplicação obrigatória pelos Conselheiros do CARF, conforme disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, in verbis: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 200DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11618.001486/200584 Acórdão n.º 2801003.615 S2TE01 Fl. 201 7 Fl. 201DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 10665.721660/2012-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
RELATÓRIO FISCAL QUE RELATA A OCORRÊNCIA DAS INFRAÇÕES, APRESENTA OS DISPOSITIVOS LEGAIS INFRINGIDOS E A FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DAS MULTAS APLICADAS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não se vislumbra cerceamento ao direito do defesa do sujeito passivo, quando as peças que compõem as lavraturas lhe fornecem os elementos necessários ao pleno exercício da faculdade de impugnar as exigências.
ERRO NA NUMERAÇÃO DAS FOLHAS DO PROCESSO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não se verificou no processo em tela a alegada incorreção na numeração das folhas. Todavia, mesmo que esse fato tivesse ocorrido, não seria motivo a nulificar as lavraturas.
CIENTIFICAÇÃO VIA POSTAL. MENÇÃO AO CONTEÚDO DA REMESSA. PREJUÍZO AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Se o fisco remeteu por via postal as lavraturas, indicando a composição de cada um dos processos de débito, não há de se acolher a tese de cerceamento ao direito de defesa do contribuinte, mormente quando se percebe que foram enviadas todas as peças necessárias a perfeita compreensão dos lançamentos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.482
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) afastar a preliminar de nulidade das lavraturas; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Ausente justificadamente a conselheira Carolina Wanderley Landim.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 RELATÓRIO FISCAL QUE RELATA A OCORRÊNCIA DAS INFRAÇÕES, APRESENTA OS DISPOSITIVOS LEGAIS INFRINGIDOS E A FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DAS MULTAS APLICADAS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se vislumbra cerceamento ao direito do defesa do sujeito passivo, quando as peças que compõem as lavraturas lhe fornecem os elementos necessários ao pleno exercício da faculdade de impugnar as exigências. ERRO NA NUMERAÇÃO DAS FOLHAS DO PROCESSO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não se verificou no processo em tela a alegada incorreção na numeração das folhas. Todavia, mesmo que esse fato tivesse ocorrido, não seria motivo a nulificar as lavraturas. CIENTIFICAÇÃO VIA POSTAL. MENÇÃO AO CONTEÚDO DA REMESSA. PREJUÍZO AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Se o fisco remeteu por via postal as lavraturas, indicando a composição de cada um dos processos de débito, não há de se acolher a tese de cerceamento ao direito de defesa do contribuinte, mormente quando se percebe que foram enviadas todas as peças necessárias a perfeita compreensão dos lançamentos. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) afastar a preliminar de nulidade das lavraturas; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Ausente justificadamente a conselheira Carolina Wanderley Landim. Elias Sampaio Freire - Presidente Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2201; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 304 1 303 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10665.721660/201218 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401003.482 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de abril de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente COLEGIO DEL REY LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DEVERES QUE INDEPENDEM DO REGIME TRIBUTÁRIO A QUE ESTÁ SUBMETIDO O SUJEITO PASSIVO. As obrigações acessórias de inscrever segurado obrigatório na Previdência Social, de preparar as folhas de pagamento de acordo com os padrões normativos e de descontar a contribuição do segurado de sua remuneração subsistem independentemente do regime tributário a que esteja submetido o sujeito passivo. PAGAMENTOS DE REMUNERAÇÃO A PROFESSORES. OCORRÊNCIA DOS ELEMENTOS CARACTERIZADORES DA RELAÇÃO DE EMPREGO. EXIGÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES SOBRE REMUNERAÇÃO PAGA A SEGURADO EMPREGADO. O fisco, ao constatar a ocorrência de pagamentos a pessoas físicas para exercício do magistério, deve exigir as contribuições sociais enquadrando os beneficiários como segurados empregados. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 RELATÓRIO FISCAL QUE RELATA A OCORRÊNCIA DAS INFRAÇÕES, APRESENTA OS DISPOSITIVOS LEGAIS INFRINGIDOS E A FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DAS MULTAS APLICADAS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se vislumbra cerceamento ao direito do defesa do sujeito passivo, quando as peças que compõem as lavraturas lhe fornecem os elementos necessários ao pleno exercício da faculdade de impugnar as exigências. ERRO NA NUMERAÇÃO DAS FOLHAS DO PROCESSO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 72 16 60 /2 01 2- 18 Fl. 304DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/06 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Não se verificou no processo em tela a alegada incorreção na numeração das folhas. Todavia, mesmo que esse fato tivesse ocorrido, não seria motivo a nulificar as lavraturas. CIENTIFICAÇÃO VIA POSTAL. MENÇÃO AO CONTEÚDO DA REMESSA. PREJUÍZO AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Se o fisco remeteu por via postal as lavraturas, indicando a composição de cada um dos processos de débito, não há de se acolher a tese de cerceamento ao direito de defesa do contribuinte, mormente quando se percebe que foram enviadas todas as peças necessárias a perfeita compreensão dos lançamentos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) afastar a preliminar de nulidade das lavraturas; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Ausente justificadamente a conselheira Carolina Wanderley Landim. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/06 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10665.721660/201218 Acórdão n.º 2401003.482 S2C4T1 Fl. 305 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 04 33.579 de lavra da 3.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Campo Grande (MS), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir os seguintes Autos de Infração – AI: a) AI n.º 51.009.8207: aplicação de multa pela falta de inscrição de segurados empregados. Acerca desta lavratura, o fisco se pronunciou: “A situação descrita acima foi constatada durante a fiscalização da empresa, quando foram verificados os Diários de Classe apresentados. Na confrontação dos diários com os registros nos Livros de Registros de Empregados de no. 01; 02 e 03, constatamos que vários professores não se encontravam com o devido registro. O contribuinte foi intimado através do Termo de Intimação Fiscal n. 1, de 20 de junho de 2012, a apresentar os documentos que comprovassem o vínculo dos segurados com a empresa. Atendendo à intimação foram apresentados diversos recibos de pagamentos de salários cujas cópias anexamos ao presente Auto de Infração.” b) AI n.º 50.009.8215: aplicação de multa pela conduta da empresa de preparar as folhas de pagamento em desconformidade com os padrões estabelecidos pela legislação previdenciária. Assim descreveu a auditoria: “A situação acima descrita foi constatada durante a fiscalização da empresa, quando foram verificados os Diários de Classe apresentados. Na confrontação dos Diários com as folhas de pagamento, constatamos que os nomes de vários professores não foram incluídos. A relação está demonstrada no relatório do debcad 51.009.8207.” c) AI n.º 50.009.8223: aplicação de multa pela omissão no desconto da contribuição de segurados empregados a seu serviço. Eis a justificativa da autoridade lançadora: “A situação acima descrita foi constatada durante a fiscalização da empresa, quando foram verificados os Diários de Classe apresentados. Na confrontação dos Diários com as folhas de pagamento, constatamos que os nomes de vários professores não foram incluídos. O contribuinte foi intimado através do Termo de Intimação Fiscal no.1, de 20 de junho de 2012, a apresentar os documentos que comprovassem o vínculo dos segurados com a empresa. Atendendo à intimação foram apresentados diversos recibos de pagamentos de salários, no entanto, verificamos que não houve os respectivos descontos dos empregados. A relação dos empregados está demonstrada no relatório do debcad 51.009.8207.” Fl. 306DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/06 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Foi lavrada Representação Fiscal para Fins Penais, em tese, pela prática dos delitos de Sonegação de Contribuições Previdenciárias e Crime Contra a Ordem Tributária. Cientificada do lançamento em 16/07/2012, o sujeito passivo ofertou impugnação, cujas razões não foram acatadas pelo órgão de primeira instância, que entendeu ser procedente o lançamento. Inconformada, a empresa interpôs recurso, no qual, após fazer sinopse dos principais fatos do processo, alegou, em apertada síntese, o que se segue. O processo merece anulação, posto que: a) as lavraturas foram elaboradas sem a devida clareza, prejudicando o direito de defesa do sujeito passivo; b) a falta de organização na numeração das folhas do processo também atrapalha o exercício do seu direito de defesa; c) a cientificação das lavraturas foi efetuada de forma confusa, impedindo que a empresa concluísse acerca de qual processo deveria ser impugnado. Asseverou que a vedação de opção pelo Simples Nacional para as empresas que exercem atividade de ensino médio constitui violação ao princípio da isonomia e ao direito à educação, previsto na Carta Magna. Sustenta que inexistiu a infração relativa às informações prestadas em GFIP, uma vez que, quando enviou as declarações, estava regular perante o sistema simplificado de recolhimento de tributos. Da mesma forma, não há o que se falar em falta de recolhimento das contribuições patronais, posto que a empresa atuou em perfeita consonância com o enquadramento fiscal que detinha quando da ocorrência dos fatos geradores. A imputação do fisco de falta de formalização do contrato de trabalho está fora de sua competência legal. Não podem os agentes da RFB interferir na forma de contratação entre particulares. Os professores apontados como não registrados prestaram serviço sem vínculo de emprego, uma vez que não eram subordinados, nem dependentes economicamente da autuada. Por outro lado, a RFB não detém atribuição legal para exigir contribuições para terceiros e aplicar multas decorrentes desses tributos. A recorrente cumpriu suas obrigações tributárias dentro da sistemática do Simples Nacional, não havendo possibilidade de se efetuar sua exclusão do regime com efeitos retroativos, posto que esse procedimento fere o princípio da segurança jurídica. A retroação da sua exclusão fere a consagrada cláusula de respeito ao ato jurídico perfeito. Assim prevalecendo a sua exclusão do Simples, que a mesma surta efeitos a partir do ato administrativo que lhe cassou o direito. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/06 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10665.721660/201218 Acórdão n.º 2401003.482 S2C4T1 Fl. 306 5 Não há possibilidade legal de aplicação de multa, uma vez que a empresa não pode ser responsabilizada, posto que a RFB convalidou os seus atos declaratórios quando da inscrição no regime do Simples. Ao final, requer a nulidade ou declaração de improcedência das lavraturas. É o relatório. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/06 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Preliminar de Nulidade Não consigo vislumbrar qualquer mácula no processo sob apreciação que possa conduzilo à nulidade. A ação fiscal a que foi submetida a recorrente deu ensejo ao processo sob julgamento e ao de n. 10665.721659/201285, o qual contém lavraturas para exigências das obrigações previdenciárias principais, além de multa em razão da empresa haver declarado a GFIP com omissões. Observase assim que não houve a confusão apontada pelo sujeito passivo, haja vista que as lavraturas foram reunidas por processo em obediência ao que dispõe o § 1. do art. 9. do Decreto n. 70.235/1972, que determina a reunião em um mesmo processo dos autos de infração que dependam dos mesmos elementos de prova. O fato dos processos conterem mais de uma lavratura em nada prejudicou o direito de defesa do sujeito passivo, uma vez que a autoridade lançadora explicitou individualmente e com clareza a conduta infracional, o dispositivo legal violado, além da capitulação legal da multa e os critérios utilizados para sua fixação. Foram acostados ainda os elementos de prova, consistentes em recibos de pagamentos feitos a segurados empregados (professores) que deixaram de ser inscritos na Previdência Social, não foram lançados nas folhas de pagamento e nem tiveram o desconto da contribuições efetuados pela recorrente. Assim, se o sujeito passivo teve ao seu dispor todos os elementos necessários ao exercício do amplo direito de defesa, não deve ser considerado o alegado prejuízo, uma vez que sequer restou comprovado. Não observei qualquer anomalia na organização do processo quanto à numeração das folhas. Estas se encontram numeradas sequencialmente e em ordem cronológica. É bom que se diga que mesmo que houvesse algum equívoco nesse aspecto não seria motivo de declaração de nulidade do feito, uma vez que o sistema processual brasileiro é informado pela regra da instrumentalidade das formas (pas dês nullités sans grief), devendose nulificar os atos processuais, inclusive os lançamentos fiscais, apenas quando há sacrifício aos fins almejados pelo processo administrativo. O que não se daria pelo mero equívoco na numeração das folhas do processo. A cientificação dos lançamentos se deu de forma absolutamente regular. Cópias das lavraturas foram encaminhadas via postal, constando no Aviso de Recebimento o Fl. 309DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/06 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10665.721660/201218 Acórdão n.º 2401003.482 S2C4T1 Fl. 307 7 exato conteúdo remetido, com menção aos números dos processos e os DEBCAD´s das lavraturas que os compõem. Afasto, por esses motivos, as alegações de nulidade suscitadas no recurso. Caracterização do vínculo de emprego Outra tese que não merece sucesso, diz respeito ao suposto abuso de poder cometido pela Auditoria, que supostamente teria invadido a competência do Judiciário ao caracterizar relação empregatícia. Equivocase a recorrente. A Auditoria Fiscal, tendo inegavelmente a atribuição de aplicar a legislação previdenciária, é competente para, diante do caso concreto, interpretar se determinada relação jurídica revestese das características do liame de emprego Essa autorização é dada pelo Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/1999, que no § 2.º do art. 229 dispõe: Art.229. O Instituto Nacional do Seguro Social é o órgão competente para: (...) §2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. (...) Por outro lado, a constituição do crédito tributário sobre as parcelas em questão é autorizada ao Fisco, conforme dispõe a Lei n.º 11.457/2007: “Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; (...) Pois que, diante do surgimento da obrigação tributária, tem a Auditoria Fiscal autorização legal para constituir o crédito tributário, não se verificando na espécie qualquer indício de abuso de poder, o qual é caracterizado pelo desrespeito do agente público às barreiras legais de fixação de competência. É de se observar que os próprios documentos apresentados pela empresa (recibos de pagamento a pessoas físicas) dão conta de pagamento de remuneração a professores, cujas peculiaridades da prestação do serviço evidenciam a existência de vínculo de Fl. 310DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/06 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 emprego, malgrado a empresa afirme que os contratos firmados com aqueles eram de trabalho autônomo. Nessas situações inexiste dúvida que o serviço tem que ser prestado pessoalmente pelos docentes, mediante remuneração, para suprir uma necessidade permanente do empregador, que detém sobre os trabalhadores o poder de fixar as normas de prestação do serviço, tais como horário e regras de conduta. Nesse sentido, vejo que o fisco atuou dentro das balizas legais ao caracterizar os professores como empregados do Colégio Del Rey, eis que presentes os pressupostos normativos autorizadores de tal procedimento. Outras questões de mérito Ao analisar o recurso apresentado, percebese que é uma cópia daquele apresentado no processo n. 10665.721659/201285, cujas alegações majoritariamente centram se na irregularidade do Ato Declaratório de Exclusão do Simples. Ocorre que essas alegações não têm o condão de alterar o processo sob apreciação, uma vez que as obrigações acessórias de inscrever segurado na Previdência Social, de preparar as folhas de pagamento de acordo com os padrões normativos e de descontar a contribuição dos empregados, subsistem independentemente da empresa ser ou não optante pelo regime simplificado de tributação. Conclusão Voto por afastar a preliminar de nulidade das lavraturas e, no mérito, por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/06 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 11686.000176/2008-81
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 12/07/2006
CESSÃO DE ICMS. INCIDÊNCIA. COFINS.
A cessão de créditos de ICMS não se constitui em base de cálculo da contribuição para a COFINS, por se tratar esta operação de mera mutação patrimonial, não representativa de receita.
Numero da decisão: 3803-004.170
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencido o Suplente Paulo Guilherme Deroulede, que negou provimento.
[assinado digitalmente]
Belchior Melo de Sousa Presidente em exercício
[assinado digitalmente]
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Paulo Guilherme Deroulede, Hélcio Lafetá Reis, Adriana Oliveira e Ribeiro. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Victor Rodrigues. Fez sustentação oral o Dr. Henry Gonçalves Lummertz, OAB/RS nº 39.164.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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INCIDÊNCIA. COFINS. A cessão de créditos de ICMS não se constitui em base de cálculo da contribuição para a COFINS, por se tratar esta operação de mera mutação patrimonial, não representativa de receita. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencido o Suplente Paulo Guilherme Deroulede, que negou provimento. [assinado digitalmente] Belchior Melo de Sousa – Presidente em exercício [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Paulo Guilherme Deroulede, Hélcio Lafetá Reis, Adriana Oliveira e Ribeiro. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Victor Rodrigues. Fez sustentação oral o Dr. Henry Gonçalves Lummertz, OAB/RS nº 39.164. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 68 6. 00 01 76 /2 00 8- 81 Fl. 363DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 11/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA 2 Tratase de Pedido de ressarcimento de COFINS nãocumulativa de exportação relativo ao 1o trimestre de 2006, combinado com três declarações de compensação de IPI no valor total de R$ 6.078.938,44. A DRF em Porto Alegre/RS lavrou termo de inicio de procedimento fiscal no qual requereu documentos contábeis e fiscais. Após resposta do contribuinte emitiu despacho decisório onde homologou parcialmente os pedidos do sujeito passivo, glosando o valor de R$ 69.920,00, referente à inclusão na base de calculo da COFINS da cessão a terceiros de créditos de ICMS. Irresignado o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade onde, resumidamente, alega que: a. os valores relativos aos créditos de ICMS não podem ser incluídos na base de cálculo da COFINS, por englobarem apenas aqueles valores que, por sua natureza, possam ser enquadrados no conceito jurídico de "receita". b. Os créditos de ICMS possuem natureza jurídica de abatimento. c. Havendo os créditos transferidos sido apurados em operações de exportação, a tributação pela COFINS não pode ser admitida, pois restringiria indevidamente o alcance da imunidade expressamente assegurado aos exportadores pelo artigo 155, parágrafo 2°, inciso X, alínea a, da Constituição Federal. Anexa vasta jurisprudência nos âmbitos administrativo e judicial, e ao final pede que o pedido de ressarcimento e pedidos de compensação sejam homologados em sua integralidade. A DRJ/POA julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, através de acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 CESSÃO DE ICMS INCIDÊNCIA DE PIS/PASEP E COFINS . A cessão de direitos de ICMS compõe a receita do contribuinte, sendo base de cálculo para o PIS/PASEP e a COFINS até a edição dos arts.7º, 8º e 9º da Medida Provisória 451, de 15 de dezembro de 2008. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido No interior do acórdão dispõe que a cessão de direitos de ICMS é uma nova operação jurídica/contábil gerando nova receita, que pode ou não gerar lucro, sendo classificada, via de regra, como nãooperacional. A cessão de créditos do ICMS não é operação de exportação de mercadorias ou serviços, motivo porque não está albergada por qualquer Fl. 364DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 11/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA Processo nº 11686.000176/200881 Acórdão n.º 3803004.170 S3TE03 Fl. 364 3 imunidade ou isenção em favor das exportações. Aduz que somente após a edição da MP 451/2008 a cessão de ICMS não compõe a base de calculo para a COFINS. Inconformado o sujeito passivo protocolou recurso voluntário no qual reprisa os mesmos argumentos e pedidos de sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. O cerne da discussão é a inclusão ou não do valor decorrente da alienação do saldo credor de ICMS oriundo de exportações, como receita integrante da base de cálculo da COFINS. A COFINS tem como fato gerador o auferimento de receita pela pessoa jurídica de direito privado inclusive as a ela equiparadas pela legislação do imposto de renda (Lei Complementar nº 70, de 1991, art. 1º; Lei nº 9.715, de 1998, art. 2º; Lei nº 9.718, de 1998, art. 2º; Lei nº 10.637, de 2002 e Lei nº 10.833, de 2003, art. 1º). Determina o artigo 1º da Lei nº 10.833/2003 que “A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. A receita bruta compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de contas alheias, excluídas as vendas canceladas, as devoluções de vendas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados, destacadamente do comprador ou contratante, e dos quais o vendedor dos bens ou prestador dos serviços seja mero depositário. Ao discorrer sobre o conceito de receita, o IBRACON, Instituto dos Auditores Independentes do Brasil, assim a define, no âmbito de interesse das Ciências Contábeis: "RECEITA corresponde a acréscimos nos ativos ou decréscimos nos passivos, reconhecidos e medidos em conformidade com os princípios de contabilidade geralmente aceitos, resultantes dos diversos tipos de atividade e que possam alterar o patrimônio líquido. (...) Acréscimos nos ativos e decréscimos nos passivos, designados como receita, são relativos a eventos que alteram bens, direitos e obrigações. Receita, entretanto, não inclui todos os acréscimos nos ativos ou decréscimos nos passivos. Recebimento de numerário por venda a dinheiro é receita Fl. 365DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 11/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA 4 porque o resultado líquido da venda implica em alteração do patrimônio liquido. " Já no plano da elaboração propriamente jurídica, destacase entre os estudos a o de Marco Aurélio Greco. Segundo o autor, para qualificarse como receita, o ingresso "deve ter cunho patrimonial, no sentido de corresponder (no momento em que ocorrido) a um evento que integra o conjunto de eventos positivos que interferem com o patrimônio da empresa". E enfatizando o núcleo da definição, complementa adiante: "Da relevância patrimonial da figura, resulta que somente têm natureza de receita ou faturamento para incidência de PIS e COFINS, aqueles ingressos que assim forem tipificados sob o ângulo substancial; vale dizer, que, ao mesmo tempo, tenham causa jurídica e reflexo patrimonial. Douglas Yamashita ao tratar da exclusão da base de cálculo das contribuições, de entradas transferidas pela pessoa jurídica contribuinte a terceiros, disse: " (.) todo ativo que não resulta da empresa ou não aumenta o patrimônio, está fora das fronteiras semânticas do arquétipo constitucional de receita e não pode ser definido pelo legislador infraconstitucional como receita. Este é precisamente o caso de ativos recebidos não em nome próprio, mas em nome de terceiros.” Um esforço de síntese permite extrair dessas afirmações conceituais três asserções capazes de traçar os limites externos do conceito de "receita" e, por conseguinte, dos fatos suscetíveis de incidência pela Cofins. São elas: (i) receitas são incrementos patrimoniais, isto é, alterações de caráter positivo nos direitos ou nas obrigações de dada pessoa, implementáveis seja pelo acréscimo de direitos novos ou pela valoração de direitos já existentes, seja pela supressão ou redução de obrigações; (ii) nem todo acréscimo de direito ou subtração de dever constitui fonte de receita, mas somente os acréscimos e as supressões que, por sua natureza, interfiram positivamente no patrimônio líquido da empresa; (iii) o patrimônio líquido da pessoa jurídica pode modificarse positivamente por circunstâncias diversas, excluindose do conceito de receita as alterações não atribuíveis ao exercício da própria empresa. Feitas essas considerações, vejamos como elas auxiliam na compreensão do fenômeno da cessão onerosa de créditos de ICMS praticada pelo contribuinte. Os créditos de ICMS substanciam o instrumento de realização, no âmbito da espécie tributária, do principio da nãocumulatividade (CF, art. 155, § 2°, I). Como o imposto recai, nas operações mercantis, sobre o preço do negócio (e não sobre o valor agregado), os créditos, cujo montante corresponde ao das incidências anteriores sobre a mesma cadeia comercial, constituem moeda escritural em poder do contribuinte, utilizáveis para satisfazer total ou parcialmente a obrigação tributária a seu cargo. O crédito de ICMS nasce, portanto, da aquisição de insumos ou de mercadorias pelo estabelecimento comercial. Ao comprálos, determina o artigo 289, § 3°, do RIR1999, que o comerciante decomponha o custo de aquisição em duas partes: uma delas é o Fl. 366DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 11/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA Processo nº 11686.000176/200881 Acórdão n.º 3803004.170 S3TE03 Fl. 365 5 crédito fiscal, cujo lançamento se dará, no ativo, a débito da conta "ICMS a recuperar"; somente a outra parte, de valor equivalente à diferença, é debitada à conta de estoque. Por ai já se nota que o crédito de ICMS não é, em si, uma espécie de receita e tampouco deriva do recebimento de uma receita: é tãosó uma fração do preço de aquisição de mercadorias e insumos. Poderseia cogitar de receita caso a cessão onerosa dos créditos de ICMS fosse feita com ágio. Contudo, a receita gerada por tal operação não se enquadraria no critério material da hipótese de incidência da contribuição, que se refere à venda de mercadorias ou da prestação de serviços, e não a receitas provenientes da alienação de um ativo. Entendimento corroborado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, no Acórdão n° 0203.783, sessão de 11 de fevereiro de 2009, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2001 a 16/02/2005 CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS. NÃO INCIDÊNCIA. A cessão de créditos de ICMS não se constitui em base de cálculo da contribuição, por se tratar esta operação de mera mutação patrimonial, não representativa de receita. Recurso Especial do Procurador Negado. O acórdão 340300.708 da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara desta 3ª Seção, em que foi relator o conselheiro Winderley Morais Pereira, de 28 de outubro de 2010, também reconhece a não incidência das contribuições sociais na cessão de créditos de ICMS, vejamos a ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 PIS NÃO CUMULATIVO. RESSARCIMENTO. TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS DO ICMS A TERCEIROS. Não incide Pis e Cofins na cessão de créditos de ICMS, uma vez sua natureza jurídica não se revestir de receita. No âmbito do STJ já se encontra pacificado a tese defendida, colaciono ementa do Agravo Regimental no Recurso Especial Nº 1.318.196 RS (2012/00708038) de relatoria do Min. Arnaldo Esteves Lima de 16/08/2012, vejamos: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS DE ICMS PARA TERCEIROS. NÃO INCIDÊNCIA DE PIS E COFINS. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. A transferência de crédito de ICMS para terceiros não dá ensejo à incidência de PIS e COFINS, por não configurar receita, mas sim tributo. Precedentes: Ag 1.352.512, Rel. Min. HERMAN BENJAMIN, Segunda Turma, DJe 10/11/10, REsp Fl. 367DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 11/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA 6 1.205.072/RS, Rel. Min. CASTRO MEIRA, Segunda Turma, DJe 14/2/12. 2. Agravo regimental não provido. Abaixo colacionamos parte do acórdão acima referido: Da análise dos autos, verificase que os argumentos apresentados pelo recorrente são insuficientes para fazer prosperar o presente recurso. De acordo com a jurisprudência desta Corte, transferência de crédito de ICMS para terceiros não dá ensejo à incidência de PIS e COFINS, por não configurar receita, mas sim tributo. Precedentes: Ag 1.352.512, Rel. Min. HERMAN BENJAMIN, Segunda Turma, DJe 10/11/10, REsp 1.205.072/RS, Rel. Min. CASTRO MEIRA, Segunda Turma, DJe 14/2/12. Assim, deve ser mantida a decisão agravada, fundamentada na orientação pacificada desta Corte acerca do tema trazido a exame (negritamos). O julgado supracitado não sobresta o presente, pois, segundo a portaria no 1/2012 do CARF, somente as matérias em que o STF tenha determinado é cabível seu sobrestamento, não é o caso do presente. Pelo Exposto voto por DAR PROVIMENTO ao recurso e reconhecer integralmente o crédito pretendido pelo contribuinte. É como voto. Sala das sessões, 25 de abril de 2013. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 368DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 11/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA
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Numero do processo: 10932.000700/2009-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004
EXAME DE QUESTÃO RELACIONADA À CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. COMPETÊNCIA PRIVATIVA DO PODER JUDICIÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DOS ÓRGÃOS DO PODER EXECUTIVO AVOCAR TAL ATRIBUIÇÃO PARA SI. APLICAÇÃO DA SÚMULA 02 DO CARF
1. O chefe do Poder Executivo tem prerrogativa assegurada na Constituição de propor ação direta de inconstitucionalidade para afastar do sistema jurídico norma que a considera inconstitucional. Contudo, enquanto isto não ocorre, não pode deixar de observar as leis e nem avocar para si prerrogativa que a Constituição destinou ao Poder Judiciário, qual seja, de examinar as questões relacionadas à constitucionalidade e à inconstitucionalidade das leis.
2. Deste modo, o Poder Judiciário, no exercício de sua competência, pode deixar de aplicar lei que a considere inconstitucional. Todavia, tal prerrogativa não se estende aos órgãos da Administração.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-001.706
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário em parte e negar provimento na parte conhecida, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Moisés Giacomelli Nunes da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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COMPETÊNCIA PRIVATIVA DO PODER JUDICIÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DOS ÓRGÃOS DO PODER EXECUTIVO AVOCAR TAL ATRIBUIÇÃO PARA SI. APLICAÇÃO DA SÚMULA 02 DO CARF 1. O chefe do Poder Executivo tem prerrogativa assegurada na Constituição de propor ação direta de inconstitucionalidade para afastar do sistema jurídico norma que a considera inconstitucional. Contudo, enquanto isto não ocorre, não pode deixar de observar as leis e nem avocar para si prerrogativa que a Constituição destinou ao Poder Judiciário, qual seja, de examinar as questões relacionadas à constitucionalidade e à inconstitucionalidade das leis. 2. Deste modo, o Poder Judiciário, no exercício de sua competência, pode deixar de aplicar lei que a considere inconstitucional. Todavia, tal prerrogativa não se estende aos órgãos da Administração. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário em parte e negar provimento na parte conhecida, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 07 00 /2 00 9- 83 Fl. 1768DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10932.000700/200983 Acórdão n.º 1402001.706 S1C4T2 Fl. 14 2 (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. Relatório Inicialmente, destaco que houve alteração na denominação social da empresa. Na ficha de identificação do processo consta RAFAEL NUNES ROSA SERVIÇOS EPP, CNPJ 02.653.664/000185. Todavia, em várias peças dos autos identificase o nome de DIGITAL COMÉRCIO E SERVIÇOS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS REPROGRÁFICOS LTDA, com CNPJ 02.653.664/000185, demonstrando tratarse da mesma empresa. Conforme se depreende do termo de verificação fiscal de fls. 699/704, datado de 28/12/2009, e auto de infração de fls. 724 e seguintes, também datado de 28/12/2009 e cientificado à contribuinte em 08/01/2010, foram imputadas à recorrente as seguintes infrações: 001) DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA, com fatos geradores em cada um dos trimestres do anocalendário de 2004 e multa de 75%. Os valores objeto de lançamento constam da fl. 724; 002) RECEITA BRUTA MENSAL SOBRE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS, com fatos geradores em cada um dos trimestres do anocalendário de 2004 e multa de 75%. Os valores objeto de lançamento constam da fl. 726; 003 – RECEITAS OPERACIONAIS (ATIVIDADE NÃO IMOBILIÁRIA) REVENDA DE MERCADORIAS. LUCRO PRESUMIDO SOBRE REVENDAS DE MERCADORIAS, com fatos geradores em cada um dos trimestres do anocalendário de 2004 e multa de 75%. Os valores objeto de lançamento constam da fl. 726/727; 004 RENDIMENTOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS DE RENDA FIXA, com fatos geradores no primeiro trimestre de 2004 e multa de 75%. Os valores objeto de lançamento constam da fl. 728. Fl. 1769DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10932.000700/200983 Acórdão n.º 1402001.706 S1C4T2 Fl. 15 3 005 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA, com fatos geradores em cada um dos trimestres dos anoscalendário de 2001, 2002 e 2003, estes exigidos com multa de 150%. Os valores objeto de lançamento constam das fls. 730/731. 006 RECEITAS OPERACIONAIS (ATIVIDADE NÃO IMOBILIÁRIA) REVENDA DE MERCADORIAS. LUCRO ARBITRADO S/ REVENDA DE MERCADORIAS, com fatos geradores em cada um dos trimestres dos anoscalendário de 2001, 2002 e 2003, estes exigidos com multa de 150%. Os valores objeto de lançamento constam das fls. 731/734. 007 RECEITAS OPERACIONAIS (ATIVIDADE NÃO IMOBILIÁRIA) PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. LUCRO ARBITRADO S/ PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS, com fatos geradores em cada um dos trimestres dos anoscalendário de 2001, 2002 e 2003, estes exigidos com multa de 150%. Os valores objeto de lançamento constam das fls. 734/736. 008 RENDIMENTOS DE APLICAÇÃO FINANCEIRA DE RENDA FIXA, com fatos geradores no terceiro e quarto trimestres de 2002 e em todos os trimestres de 2003, exigência esta com multa de 150%. Os valores objeto de lançamento constam das fls. 737/738. No que diz respeito à qualificação da multa, para os anoscalendário de 2001 a 2003, os únicos fundamentos estão nos itens 11.3 a 11.5 do TVF, a seguir transcritos: 11.3 — Livro(s) de Registro de Saldas de Mercadorias n°(s) 04, 05 e 06 dos anoscalendário de 2001. 2002 e 2003 a Os valores escriturados refletem aqueles declarados nas DIPJ/Simples, conforme Demonstrativo das Receitas Declaradas (subitem 11.1, coluna B), portanto, inferior aos valores declarados nas DIPJ/Lucro Presumido, conforme Demonstrativo das Receitas Declaradas (subitem 11.1, coluna F), fato que caracteriza, em tese, a ocorrência de crime contra a ordem tributaria, nos termos da legislação vigente (Lei n°8.137/90). 11.4 — Livro(s) de Registro de Notas Fiscais de Serviços Prestados n°(s) 04, 05 e 06 dos anoscalendário de 2001. 2002 e 2003 a Os valores escriturados refletem aqueles declarados nas DIPJ/Simples, conforme Demonstrativo das Receitas Declaradas (subitem 11.1, coluna C), portanto, inferior aos valores declarados nas DIPJ/Lucro Presumido, conforme Demonstrativo das Receitas Declaradas (subitem 11.1, coluna G), fato que caracteriza, em tese, a ocorrência de crime contra a ordem tributaria, nos termos da legislação vigente (Lei n°8.137/90). 11.5— Livro(s) Caixa n°(s) 04, 05_e 06 dos anoscalendário de 2001 2002 e 2003 a A movimentação financeira (inclusive bancária) foi mantida à margem da escrituração apresentada. Os ingressos escriturados refletem as receitas declaradas nas DIPJ/Simples, conforme Demonstrativo das Receitas Declaradas (subitem 11.1, coluna D), portanto, inferior aos valores declarados nas DIPJ/Lucro Presumido, conforme Demonstrativo das Receitas Declaradas (subitem 11.1, coluna H), fato que caracteriza, em tese, a Fl. 1770DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10932.000700/200983 Acórdão n.º 1402001.706 S1C4T2 Fl. 16 4 ocorrência de crime contra a ordem tributária, nos termos da legislação vigente (Lei n°8.137/90). Por oportuno, observo que em momento anterior a fiscalizada tinha sido autuada, para exigência do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, sendo os autos de infração anulados por vício formaL. Neste sentido transcrevo a seguinte passagem do TFV: “6 – Ocorre que o crédito tributário exigido (item 5) foi anulado, por vicio formal, pela DRJ/Campinas/SP, nos termos dos Acórdãos DRJ/CPS n°(s) 11.455, de 29/11/2005 (fls. 934/957 do processo n° 10932.000009/200576); 11.456, de 29/11/2005 (fls. 145/168 do processo n° 10932.000008/200521); 11.457, de 29/11/2005 (fls. 147/170 do processo n° 10932.000007/200587); 1.458, de 29/11/2005 (fls. 938/961 do processo n°10932.000043/200541); 11.459, de 29/11/2005 (fls. 92/115 do processo nº 10932.000045/200530); e 11.460, de 29/11/2005 (fls. 92/115 do processo nº 10932.000046/200584), o que foi ratificado pela Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, nos termos dos Acórdãos n°(s) 10809.097, de 09/11/2006, formalizado em: 13/12/2006 (fls. 965/971 do processo n° 10932.000009/200576); 10809.098, de 09/11/2006, formalizado em: 13/12/2006 (fls. 175/180 do processo n° 10932.000008/200521); 108 09.112, de 09/11/2006, formalizado em: 13/1212006 (fls. 967/973 do processo n° 10932.000043/200541); 108 09.113, de 09/11/2006, formalizado em: 13/12/2006 (fls. 123/128 do processo n° 10932.000045/2005 30); 10809.185, de 08/12/2006, formalizado 5 em: 08/02/2007 (fls. 180/185 do processo n° 10932.000007/200587); e 108 09.114, de 09/11/2006, formalizado em: 13/12/2006 (fls. 123/128 do processo n° 10932.000046/200584), resultando na ação fiscal determinada pelo Mandado de Procedimento Fiscal — Fiscalização nº 08.1.19.002007 004935 (em anexo), convertido no Mandado de Procedimento Fiscal — Fiscalização no 08.1.19.002008000283 (em anexo). Na impugnação de fls. 859 e seguintes, a autuada alegou: a) decadência; b) suspensão da exigibilidade em face à adesão ao parcelamento; litispendência e cobrança em duplicidade em relação aos seguintes processos: 13819.501330/200819 (IRPJ) 2001 a 2004); 13819.501331/200855 (COFINS 2001 a 2004); 13819.502333/200844 (CSLL 2001 a 2004) e 13819.501332/200808 (PIS 2001 a 2004) No mérito, alegou, dente outros, os seguintes fundamentos: a) que não há nos demonstrativos carreados, menção especifica e precisa sobre referidos valores falecendo incipiente o item 14, do Auto de Infração, quanto a todos os tributos elencados: IRPJ; PIS, CSLL e Cofins, n o período de 01/01/2001 a 31/12/2004. b) Que inexiste prática reiterada de infração tributária. A DRJ, por meio do acórdão de fls. 1509 e seguintes, julgou parcialmente procedente o lançamento para: Fl. 1771DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10932.000700/200983 Acórdão n.º 1402001.706 S1C4T2 Fl. 17 5 excluir a penalidade de oficio sobre os valores lançados com base em declaração apresentada no curso do procedimento, mas cujas bases tributáveis excedem aquelas constantes do lançamento original (tabelas 2 a 5), em razão de decadência; excluir as parcelas de PIS e COFINS (fls. 680) contidas nos pagamentos efetuados na modalidade do SIMPLES nos anoscalendário de 2001 e 2002 (as parcelas de IRPJ e CSLL já foram consideradas pela fiscalização); excluir as parcelas de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS contidas nos pagamentos efetuados na modalidade do SIMPLES nos anoscalendário de 2003 e 2004 (tabela 09a 11); excluir as exigências de PIS e Cofins incidentes sobre receitas financeiras (tabela 13); manter a multa de 150% sobre as exigências decorrentes de depósitos de origem não comprovada dos anoscalendário de 2001 a 2003 bem como decorrentes de receitas de mercadorias, mas estas até o limite das receitas originalmente autuadas com multa agravada no lançamento anterior (tabelas 6 a 9), reduzindo para 75% a penalidade aplicada sobre as exigências decorrentes das demais receitas apuradas. Intimada, a parte interessada apresentou o recurso de fls. 1.597/1600, protocolizado em 25/05/2011, alegando: a) que não subsiste a autuação em face da ilegalidade da quebra do sigilo bancário, juntando quanto a estes argumentos o acórdão proferido no RE 389.908, datado de 15/12/2010, proferido pelo plenário do STF; b) juntou dois anexos de cálculos (fl. 1663 e fls. 1664/1566), requerendo que os mesmos sejam considerados como corretos, para efeitos de consolidação dos débitos que deseja parcelar. É o relatório. Fl. 1772DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10932.000700/200983 Acórdão n.º 1402001.706 S1C4T2 Fl. 18 6 Voto Conselheiro MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA, relator O recurso é tempestivo, está devidamente fundamentado, foi interposto pela autuada que pretende ver reformada a decisão recorrida. Assim, preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual passo ao exame. O recurso restringese a dois pontos, a saber: a) alegação de impossibilidade de acesso dos dados bancários sem ordem judicial; b) cálculos a serem adotados na execução do acórdão, em relação à matéria não controvertida. I – Da questão relacionada à alegação de impossibilidade de ao acesso dos dados bancários sem ordem judicial Conforme destacado pela recorrente, dentre os direitos e garantias fundamentais, a Constituição Federal de 1988, no artigo 5º, XII, assegura que “é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal.” Dentre os dados cuja a inviolabilidade está assegurada, nos dizeres dos recorrentes, encontrase o sigilo bancário, somente sendo admitido seu acesso com ordem judicial, para fins criminais. Da leitura da norma constitucional acima transcrita depreendese que o legislador constituinte estabeleceu limites ao legislador ordinário, isto é, somente permitiu a edição de lei regulando o acesso ao sigilo bancário mediante duas condições: a) para fins de investigação criminal e; b) mediante ordem judicial. Das condicionantes estabelecidas pelo legislador constituinte, vêse clara opção de valores que entendeu merecer maior proteção, ainda que em detrimento de terceiros e do próprio Estado. Por exemplo, se a questão disser respeito a litígio fora da esfera do campo penal, nem mesmo o juiz pode quebrar o sigilo assegurado pela Constituição. Em outras palavras, aqui, nem o legislador e tampouco o juiz pode extrapolar os limites impostos pela ordem constitucional. Disto depreendese a lição de que a justiça, seja na área cível, penal ou fiscal não se realiza a qualquer preço. Existem, na busca da verdade, limitações imposta por valores mais altos que não podem ser violados. Neste sentido, lembro lição de Júlio Fabbrine Mirabete para quem “entre o perigo de se condenar um inocente e se absolver culpado, absolvase o culpado.” Em outras palavras e trazendo a matéria para campo do direito tributário, entre o perigo de permitir que os agentes da fiscalização, sem o crivo da análise prévia pelo Judiciário, possam requisitar provas protegidas pelo sigilo para embasar lançamentos fiscais e deixar, eventualmente, de se cobrar determinado tributo por falta de prova, o legislador constituinte optou em proteger a primeira situação em detrimento da segunda. Aqui temse o Estado limitando seus próprios atos frente aos cidadãos. Fl. 1773DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10932.000700/200983 Acórdão n.º 1402001.706 S1C4T2 Fl. 19 7 Conforme lição de Jorge Miranda1, as normas que definem direitos fundamentais são normas de caráter preceptivo, e não meramente programáticos. “Os direitos fundamentais têm seu fundamento de validade na Constituição e não na lei, com o que fica claro que é a lei que deve respeitar a Constituição, e não ao contrário. Os direitos fundamentais não são normas matrizes de outras normas, mas são sobretudo normas diretamente reguladoras de relações jurídicas.” Dados os fundamentos acima mencionados, questão que se coloca e que se constitui no ponto principal do recurso é se o legislador ordinário poderia ter editado a Lei Complementar nº 105, de 2001 e a Lei nº 10.147, de 2001, outorgando poderes à Administração para requisitar a movimentação financeira dos contribuintes. E mais: se o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão da Administração que é, tem competência para conhecer e julgar questões afeta à constitucionalidade das leis ou, em outras palavras, deixála de aplicálas pior entender inconstitucionais. Inicialmente, observo que sancionada determinada lei ela entra no sistema jurídico e presumese constitucional até que seja declarada sua inconstitucional, retirandoa do sistema ou impedindo sua aplicação em relação ao caso concreto, isto é “inter partes”. Por outro lado, o Judiciário pode deixar de aplicar lei que a considere inconstitucional, contudo, o mesmo não se aplica em relação à Administração. A razão desta lógica é que o Estado Administração não pode avocar para si a prerrogativa de julgar a constitucionalidade ou não de lei. Tal prerrogativa, por força das previsões contidas nos artigos 97, 102, I, compete ao Poder Judiciário. À luz do artigo 103, I, da Constituição Federal, o chefe do Poder Executivo, no caso o Presidente da República, tem legitimidade para propor ação direta de inconstitucionalidade sustentando que determinada lei viola da Constituição. Contudo, nem o Presidência da República e tampouco os demais órgãos da Administração podem deixar de cumprir lei sob o pretexto de que esta viola norma Constitucional. Neste sentido, por força do artigo 26A, § 6º, I, do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, a seguir transcrito, os Conselheiros do Carf somente podem deixar de aplicar lei sob o fundamento de inconstitucionalidade após o Supremo Tribunal Federal, por seu Plenário, em controle concentrado ou difuso, por decisão definitiva, ter reconhecido a inconstitucionalidade da norma. Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). .... § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Não desconheço que em 15 de dezembro de 2010, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, por maioria, proferiu 1 Jorge \|Miranda. Manual de Direito Constitucional, tomo IV. Coimbra: Coimbra Editora, 1993, p. 276. Fl. 1774DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10932.000700/200983 Acórdão n.º 1402001.706 S1C4T2 Fl. 20 8 decisão que pode ser sintetizada na ementa abaixo transcrita, publicada no DJe086 em 1005 2011. EMENTA: SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. A propósito, do voto do Ministro Celso de Melo transcrevo os seguintes pontos, desconsiderando os grifos existentes no original: (...) Impende, reconhecer, desde logo, que não são absolutos mesmo porque não o são os poderes de que se acham investidos os órgãos e agentes da administração tributária, cabendo assinalar, por relevante, Senhores Ministros, presentes o contexto ora em exame, que o Estado, em tema de tributação, está sujeito à observância de um complexo de direitos e prerrogativas que assistem, constitucionalmente, aos contribuintes e aos cidadãos em geral. Na realidade, os poderes do Estado encontram, nos direitos e garantias individuais limites intransponíveis, cujo desrespeito caracterizar ilícito constitucional. (...) 0 que me parece significativo, no contexto ora em exame,é que a administração tributária , embora podendo muito, não pode tudo, eis que lhe é somente lícito atuar, "respeitados os direitos individuais e nos termos da lei" (CF, art. 145, § 1º), consideradas, sob tal perspectiva, e para esse efeito, as limitações decorrentes do próprio sistema constitucional, cuja eficácia restringe, como natural conseqüência da supremacia de que se acham impregnadas as garantias instituídas pela Lei Fundamental, o alcance do poder estatal, especialmente quando exercido em face do contribuinte e dos cidadãos da República. (...) Na realidade, a circunstância de a administração estatal acharse investida de poderes excepcionais que lhe permitem exercer a fiscalização em sede tributária não a exonera do dever de observar,, para efeito do correto desempenho de tais prerrogativas, os limites impostos pela Constituição e pelas leis da Republica, sob pena de os órgãos governamentais incidirem am frontal desrespeito às garantias constitucionalmente asseguradas aos cidadãos em geral e aos contribuintes, em particular. (...) Nenhum homem pode ser considerado verdadeiramente livre, se não dispuser de garantia de inviolabilidade da esfera de privacidade que o cerca. Fl. 1775DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10932.000700/200983 Acórdão n.º 1402001.706 S1C4T2 Fl. 21 9 (...) É certo que a garantia constitucional da intimidade (e da privacidade) não tem caráter absoluto. Na realidade, como já decidiu esta Suprema Corte, "Não há, no sistema constitucional brasileiro, direitos ou garantias que se revistam de caráter absoluto, 'mesmo pOrque razões de relevante interesse público ou exigências derivadas do principio de convivência das liberdades legitimam, ainda que excepcionalmente, a adoção, por parte dos órgiffos estatais, de medidas restritivas das prerrogativas individuais, ou coletivas, desde que respeitados os termos estabelecidos pela própria Constituição” (MS 23.452/RJ, Rel. Min.CELSO DE MELLO). Isso não significa, contudo, que o estatuto constitucional das liberdades' públicas nele compreendida a garantia fundamental da intimidade e da privacidade posse ser arbitrariamente desrespeitado por qualquer órgão do Poder Publico. Nesse contexto, põese em evidência a questão pertinente ao sigilo bancário, que, ao dar expressão concreta a uma das dimensões em que se projeta, especificamente, a ,garantia constitucional da privacidade, protege 'a esfera de intimidade financeira das pessoas. (...) 0 magistério doutrinário, bem por isso, tem acentuado que o sigilo bancário – que possui extração constitucional reflete, na concreção do seu alcance, um direito fundamental da personalidade, expondose, em conseqüência, A proteção jurídica a ele dispensada pelo ordenamento positivo do Estado. (...) Se podia haver dúvidas no passado, quando as Constituições brasileiras não se referiam. especificamente A proteção da intimidade, da vida privada e do sigilo referente aos dados pessoais, é evidente que diante do texto constitucional de 1988, tais dúvidas não mais existem quanto à proteção do sigilo bancário como decorrência das normas da lei magna. (...) A relevância do direito ao sigilo bancário impõe, por isso mesmo, cautela e prudência ao Poder Judiciário na determinação da ruptura da esfera de privacidade individual que o ordenamento jurídico, em norma de salvaguarda, pretendeu submeter A cláusula tutelar de reserva constitucional (CF, art. 5°, X). (...) Mais do que isso, esta Suprema Corte salientou, ao julgar o Inq. 897AgR/DF, Rel..MIn. FRANCISCO REZEK, DJU de 02/12/94, que, não sendo absoluta a garantia pertinente ao sigilo bancário, tornase lícito afastar, quando de investigação criminal se cuidar, p. ex., a cláusula de reserva que protege as contas bancarias nas instituições financeiras, revelandose ordinariamente inaplici4e1, para esse especifico efeito, a garantia constitucional do.contraditório. (...) Dentro dessa perspective, revelase de inteira pertinência a invocação doutrinária da clausula do "substantive due process of law" já consagrada e reconhecida, em diverges decisões proferidas por este Supremo Tribunal Federal, como instrumento de expressiva limitação constitucional ao próprio poder do Estado (ADI 1.063/DF, Rel. Min. CELSO DE MELLO ADI 1.158/AM, Rel. Min. CELSO DE MELLO, v.g.) pare efeito de submeter o processo de "disclosure" as exigências de seriedade e de razoabilidade. Fl. 1776DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10932.000700/200983 Acórdão n.º 1402001.706 S1C4T2 Fl. 22 10 Daí o registro feito por ARNOLDO WALD ("op. cit.", p. 207, 1992, RT), no sentido de que "A mais recente doutrina norte americana fez do 'due process of law' uma forma de controle constitucional que examina a necessidade, razoabilidade e justificação 'das restrições A liberdade individual, não admitindo que a lei ordinária desrespeite a Constituição, considerando que as restrições ou exceções estabelecidas pelo legislador ordinário devem ter uma fundamentação razoável e aceitável conforme entendimento do Poder Judiciário. Coube ao Juiz Rutledge, no caso Thomas v. Collins, definir adequadamente a função do devido processo legal ao afirmar que: 'Mais uma vez temos de enfrentar o dever, imposto a esta Corte, pelo nosso sistema constitucional, de dizer onde termina a liberdade individual e onde começa o poder 'do Estado. A escolha do limite, sempre delicada, é o, ainda mais, quando a presunção usual em favor da lei é contrabalançada pela posição preferencial atribuída, en nosso esquema constitucional, às grandes e indispensáveis liberdades democráticas asseguradas pela Primeira Emenda (...). Esta prioridade confere a essas liberdades santidade e sanção que não permitem intromissões dúbias. E é o caráter do direito, não da limitação, determina o standard guiador da escolha. Por essas razões, qualquer tentativa de restringir estas liberdades deve ser justificada por evidente interesse público, ameaçado não por um perigo duvidoso e remoto, mas por um perigo evidente e atual'" A exigência de preservação do sigilo bancário enquanto meio expressivo de proteção ao valor constitucional da intimidade impõe ao Estado o dever de respeitar a esfera jurídica de cada pessoa. A ruptura desse circulo de imunidade 86 se justificará desde que ordenada por órgão estatal investido, nos termos de nosso estatuto constitucional, de competência jurídica para suspender, excepcional e motivadamente, a eficácia do principio da reserva das informações bancárias. Em tema de ruptura do sigilo bancário, somente os. árgãos do Poder Judiciário dispõem do poder de decretar essa medida extraordinária, sob pena de a autoridade administrativa interferir, indevidamente, na esfera de privacidade constitucionalmente assegurada às pessoas. Apenas o Judiciário, ressalvada a competência das Comissões Parlamentares de Inquérito (CF, art. 58, § 3º), pode eximir as instituições financeiras do dever que lhes incumbe em tema. de sigilo bancário. (...) A efetividade da ordem jurídica, a eficácia da atuaçao do aparelho estatal e a reação social a comportamentos qualificados pela nota de seu desvalor éticojurídico não ficarão comprometidas nem afetadas, se se reconhecer aos órgãos do Poder Judiciário, com fundamento e apoio nos estritos limites de sua competência Institucional, a prerrogativa de ordenar a quebra do sigilo bancário. Na realidade, a intervenção jurisdicional constitui fator de preservação do regime das franquias individuais e impede, pela atuação moderadora do Poder Judiciário, que se rompa, injustamente, a esfera de privacidade das pessoas, pois a quebra do sigilo bancário não pode nem deve ser utilizada, ausente a concreta indicação de uma causa provável, como instrumento de devassa indiscriminada das contas mantidas em instituições financeiras. (...) A equação direito ao sigilo dever de sigilo exige para que se preserve a necessária relação de harmonia entre uma expressão essencial dos direitos fundamentais reconhecidos em favor da generalidade das. pessoas (verdadeira liberdade negativa, que impõe, ao Estado, um claro dever de abstenção), de um lado, e a prerrogativa que inquestionavelmente assiste ao Poder Público, de investigar comportamentos de transgressão à ordem jurídica, de outro – que a determinação de quebra do sigilo bancário provenha de ato emanado de órgão do Poder Judiciário, cuja intervenção moderadora na resolução dos litígios, insistase, revelase garantia de respeito tanto ao regime das liberdades públicas quanto , a supremacia do interesse público.” Fl. 1777DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10932.000700/200983 Acórdão n.º 1402001.706 S1C4T2 Fl. 23 11 Ocorre que o acórdão exarado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, com a ementa acima transcrita, foi desafiado por embargos de declaração, com pedido de modificação da decisão. Pelo que apurei em pesquisa realizada, os citados embargos foram recebidos por despacho datado de 07/10/2011 e ainda encontramse pendentes de julgamento. Assim, por estarmos diante de acórdão do Plenário do Supremo Tribunal Federal que não transitou em julgado, com base na decisão resultante do RE 389.808/PR, não é possível, nesta instância administrativa, deixar de aplicar as disposições constantes na Lei Complementar nº 105, de 2001 e na Lei nº 10.174, de 2001. Ainda em relação ao tema, em 20/11/2009, ao examinar o Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relatado pelo Ministro Ricardo Lewandowski, o Supremo Tribunal Federal reconheceu a existência de repercussão geral, nos termos do artigo 542B, do Código de Processo Civil. Neste sentido, segue a ementa da decisão: EMENTA: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. Fornecimento de informações sobre movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao fisco, sem prévia autorização judicial (lei complementar 105/2001). Possibilidade de aplicação da lei 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Relevância jurídica da questão constitucional. existência de repercussão geral. Neste sentido, quer da análise do Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, ou do Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, não se identifica decisão definitiva do STF reconhecendo a inconstitucionalidade das normas invocadas pela recorrente. A propósito, na mesma linha dos fundamentos anteriormente expostos, a matéria resultou Sumulada junto ao Carf, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. II – Do exame da questão relacionada aos cálculos A recorrente juntou ao recurso os cálculos de fl. 1663 e de fls. 1664/1666), requerendo que os mesmos fossem considerados como corretos, para efeitos de consolidação dos débitos que deseja parcelar. Para exame do recurso é necessário indicar a decisão recorrida e apontar os fundamentos pelos quais ela deve ser alterada. Ocorre que no caso concreto a recorrente apresentou cálculos sem expor os fundamentos ou demonstrar, em tese, onde se encontram os supostos erros existentes dos cálculos apresentados pela instância de origem. Desta forma, não possível conhecer do recurso, neste ponto. ISSO POSTO, observados os fundamentos, observada a fundamentação voto por conhecer parcialmente do recurso e, na parte que conheço, nego provimento. assinado digitalmente MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA Relator Fl. 1778DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10932.000700/200983 Acórdão n.º 1402001.706 S1C4T2 Fl. 24 12 Fl. 1779DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA
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Numero do processo: 10120.009389/2007-21
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2002, 2003
Multa Capitulada no Art. 83, I da Lei nº 4.502, de 1964.
A contagem do prazo decadencial relativo à multa por entregar a consumo ou consumir produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente segue os ditames fixados no art. 173, I do Código Tributário Nacional.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-002.437
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Daniel Mariz Gudiño.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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ME ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2002, 2003 Multa Capitulada no Art. 83, I da Lei nº 4.502, de 1964. A contagem do prazo decadencial relativo à multa por entregar a consumo ou consumir produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente segue os ditames fixados no art. 173, I do Código Tributário Nacional. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Daniel Mariz Gudiño. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 93 89 /2 00 7- 21 Fl. 732DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência, manejado pela Procuradoria da Fazenda Nacional, em face do Acórdão nº 310200697, de 01/07/2010. A exigência litigiosa decorre da imposição de multa no valor da mercadoria, pela comercialização de produtos de procedência estrangeira introduzidos clandestinamente no país, ou importados irregular ou fraudulentamente, capitulada no art. 83,I da Lei nº 4.502, de 19641. De acordo com a descrição dos fatos constante do Auto de Infração, em operação realizada conjuntamente pela Receita Federal e Polícia Federal, constatouse que autuada adquirira mercadorias oriundas do Paraguai, trazidas por “sacoleiros”, e as revendera, conforme o caso, com ou sem emissão de nota fiscal. Para conferir aparência de legalidade às operações escoradas em nota fiscal de saída, teriam sido utilizadas notas “frias” que simulariam a aquisição de produtos estrangeiros no mercado interno. Apresentada a regular impugnação, decidiu o órgão julgador de primeira instância pela manutenção integral da exigência. Os principais fundamentos do decisum encontramse resumidos na sua ementa, a seguir transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2002, 2003 PRAZO DECADENCIAL. A contagem do prazo decadencial para aplicação de penalidade somente se inicia no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que se consumou a infração. Formalizado o auto de infração, mediante ciência do contribuinte, antes do decurso do prazo decadencial, considerase regularmente constituído o crédito tributário. Sobreveio o competente recurso voluntário e, por ocasião do seu julgamento, a prejudicial de decadência foi parcialmente acatada, Afastandose da exigência, consequentemente, a fração escorada em operações realizadas antes de 08/01/2003. Confirase a ementa do julgado: PRAZO DECADENCIAL. MULTA REGULAMENTAR. ART.83, INCISO I, DA LEI N° 4.502/64, NATUREZA JURÍDICA. PRAZO EXTINTIVO PARA O ERÁRIO EFETUAR O LANÇAMENTO A multa prevista no art. 83, I, da Lei n° 4.502/64 foi instituída para punir violações ao controle aduaneiro das importações. Pelo fato da penalidade em foco não se revestir de natureza 1 rt . 83. Incorrem em multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe é atribuído na nota fiscal, respectivamente: (Vide DecretoLei nº 326, de 1967) I Os que entregarem ao consumo, ou consumirem produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido desacompanhado da nota de importação ou da notafiscal, conforme o caso; (Redação dada pelo DecretoLei nº 400, de 1968) Fl. 733DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10120.009389/200721 Acórdão n.º 9303002.437 CSRFT3 Fl. 733 3 tributária, não se pode aplicar nenhum dos prazos de decadência previstos nos arts. 150, § 4º ou 173, I do CTN. O prazo para que a Fazenda Pública possa infligir esta penalidade consta expressamente do art. 78 da Lei n° 4.502/64. Busca, portanto, a d. Procuradoria da Fazenda Nacional que seja afastada a prejudicial de decadência sob o fundamento de que, diferentemente do assentado no acórdão recorrido, a multa litigiosa teria natureza tributária e, como tal, se sujeitaria aos prazos decadenciais do Código Tributário Nacional, mais especificamente ao art. 173, I. A fim de demonstrar o necessário dissídio jurisprudencial, fez anexar ao recurso o Acórdão nº 210200.085, em cuja ementa se lê: IPI. MULTA REGULAMENTAR. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. O termo inicial da decadência do lançamento de oficio de multa regulamentar é o primeiro dia do exercício seguinte ao da apuração da infração. O recurso foi admitido mas não foram apresentadas contrarrazões ou recurso especial por parte da Contribuinte.. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso reúne os pressupostos de admissibilidade e, portanto, deve ser conhecido. A matéria litigiosa cingese à prejudicial de decadência suscitada pela Fazenda Nacional, em especial no que se refere à aplicabilidade do art. 78 da Lei n° 4.502/642 em detrimento do comando do art. 173, I do CTN. O primeiro aspecto que não pode deixar de ser considerado é o fato de que a Lei nº 4.502, de 1964, é anterior ao Código Tributário Nacional, lei posterior que disciplinou a matéria em sua integralidade. Restaria configurada, assim, a hipótese de revogação tácita expressa no §1º do art. 2º do Decretolei nº 4.657, atualmente denominado Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro3. 2 Art . 78.O direito de impor penalidade extinguese em cinco anos, contados da data da infração. § 1º O prazo estabelecido neste artigo interrompese por qualquer notificação ou exigência administrativa feita ao sujeito passivo, com referência ao imposto que tenham deixado de pagar ou à infração que haja cometido, recomeçado a correr a partir da data em que este procedimento se tenha verificado. § 2º Não corre o prazo enquanto o processo de cobrança estiver pendente de decisão, inclusive nos casos de processos fiscais instaurados, ainda em fase de preparo ou de julgamento. § 3º A interrupção do prazo mencionado no parágrafo primeiro só poderá ocorrer uma vez. Fl. 734DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 Por outro lado, não se pode esquecer o norte jurisprudencial fixado pelo Supremo Tribunal Federal por meio da Súmula Vinculante nº 084. Como é de conhecimento geral, a Corte Excelsa afastou a aplicação do parágrafo único do art. 5º do Decretolei nº 1.569, de 1977 e dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212, de 1991, sob a premissa de que prescrição e decadência são matérias afetas à lei complementar, status que não é alcançado pela Lei nº 4.502, de 1964. Resta esclarecer, finalmente, que diferentemente das infrações previstas no Decretolei nº 37, de 1966, que, em seu artigos. 138 e 1395, também disciplinou prazos decadenciais, não se observa, no que se refere ao 78 da Lei nº 4.502, de 1964, um decreto presidencial ratificando a aplicação dos prazos fixados em dispositivo legal diverso da lei complementar. De fato, diferentemente do que se verifica com o dispositivo invocado para reconhecer a decadência, que não foi reproduzido no Regulamento do IPI, em pelo menos duas oportunidades, reforçouse a aplicabilidade dos artigos do Decretolei nº 37, de 1966, integralmente reproduzidos no art. 6696 do Regulamento Aduaneiro de 2002, aprovado pelo Decreto nº 4.543/2002, e no art. 7537 do Regulamento Aduaneiro de 2009, aprovado pelo Decreto nº 6.759/2009. Resta evidente, nessa senda, que o prazo decadencial a ser considerado é o fixado pelo art. 173, I do CTN8. Ou seja, dies a quo da contagem do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte à prática da infração. Assumindo tal premissa, chegase à conclusão de que, inobstante a fundamentação do acórdão mereça reforma, há que se considerar atingidas pela decadência as mesmas operações consideradas pelo acórdão recorrido. De fato, há que se destacar que o lançamento litigioso9 aperfeiçoouse em 08/01/2008, data em que a autuada tomou ciência do lançamento. Por outro lado, consoante o demonstrativo à fl. 09, foram apenadas as operações que apresentavam as seguintes características: Data Valor R$ 26/11/2002 3.070,30 3 Art. 2o Não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a modifique ou revogue. (Vide Lei nº 3.991, de 1961) (Vide Lei nº 5.144, de 1966) § 1o A lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior. 4 Súmula vinculante n°8 São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do DecretoLei n° 1.569/1 977 e os artigos 45 e 46 da Lei n" 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. 5 Art.138 O direito de exigir o tributo extinguese em 5 (cinco) anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Parágrafo único. Tratandose de exigência de diferença de tributo, contarseá o prazo a partir do pagamento efetuado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Art.139 No mesmo prazo do artigo anterior se extingue o direito de impor penalidade, a contar da data da infração. 6 Art. 669. O direito de impor penalidade extinguese em cinco anos, a contar da data da infração (Decretolei nº 37, de 1966, art. 139). 7 Art. 753. O direito de impor penalidade extinguese em cinco anos, contados da data da infração (DecretoLei no 37, de 1966, art. 139). 8 Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; 9 Aviso de recebimento à fl. 222. Fl. 735DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10120.009389/200721 Acórdão n.º 9303002.437 CSRFT3 Fl. 734 5 06/12/2002 1.111,00 29/01/2003 6.091,89 13/02/2003 1.306,10 25/02/2003 3.559,00 13/03/2003 5.125,17 20/03/2003 1.413,43 28/03/2003 1.790,96 09/04/2003 883,75 02/05/2003 1.904,00 15/07/2003 950,4 17/07/2003 1.158,91 02/10/2003 948,6 20/10/2003 2.499,00 03/12/2003 1.008,68 Como é possível concluir, a contagem do prazo decadencial relativo às infrações praticadas em 2002 iniciouse no primeiro dia de 2003 e encerrouse no dia 31/12/2007. Assim, na data do lançamento, a possibilidade de impor penalidade sobre as operações realizadas nos dias 26/11/2002 e 06/12/2002, afastadas pelo órgão recorrido, encontravase efetivamente fulminada pela decadência. Nessa linha, como não foi apontada irregularidade entre o dia 01 e 08/01/2003, .a revisão do fundamento não surtiu qualquer efeito, pois, acertadamente, foi mantida a exigência sobre todas as operações realizadas em 2003. Ante a tais considerações, com fundamentação diversa da adotada no acórdão recorrido, nego provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, para manter a prejudicial de decadência sobre as mesmas operações afastadas pelo órgão a quo. Henrique Pinheiro Torres Fl. 736DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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