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Numero do processo: 11968.000828/2008-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 19/09/2008
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decreto-lei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.716
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 19/09/2008 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decretolei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 96 8. 00 08 28 /2 00 8- 11 Fl. 236DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000828/200811 Acórdão n.º 9303003.716 CSRF‐T3 Fl. 237 2 Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida negou provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3801004.844. No que diz respeito à denúncia espontânea, o Colegiado a quo decidiu que esse instituto é inaplicável para afastar a exigência da multa em comento. Após tomar ciência do mencionado acórdão, a Contribuinte apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei 12.350, de 2010, para afastar a multa que lhe foi imputada pelo Fisco. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.552, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 11128.007573/200648, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.552): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para sua admissibilidade. Dele tomo conhecimento. Importante observar, quanto à comprovação da divergência, que recorrido e paradigma trataram da exigência da mesma penalidade (art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966) e foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Fl. 237DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000828/200811 Acórdão n.º 9303003.716 CSRF‐T3 Fl. 238 3 Lei 12.350, de 20/12/2010). Além disso, ambos citaram expressamente as alterações promovidas pela mencionada lei na redação do art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea, apesar de tal consignação não ser imprescindível. Todavia, os arestos confrontados, que guardam identidade fática e jurídica, chegaram a resultados opostos quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea sobre a exigência da penalidade em foco. Não há dúvida, portanto, quanto à existência de dissenso jurisprudencial. A matéria devolvida a este Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. Não vejo como dar razão à pretensão da Contribuinte, sob pena de aniquilar o cumprimento, com observância dos prazos estabelecidos pela legislação, do dever instrumental de prestar informação. Aplicandose o entendimento defendido pela Recorrente, os prazos estipulados pela legislação aduaneira, para prestar informações à RFB, poderiam ser descumpridos pelo sujeito passivo sem punição, tendo como única condição que a prestação das informações seja efetuada antes do início de ação fiscal. Ou seja, os prazos para a apresentação de informações seriam bastante elásticos, a depender de cada caso, e não prazos fatais, como é a regra na legislação tributária. Por concordar na íntegra com os fundamentos, e por aplicarse à solução do presente litígio, adoto o voto proferido pelo ilustre Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802 002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "O Recorrente alega ainda que as informações sobre o embarque foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A aplicabilidade da denúncia espontânea às “obrigações acessórias” é sustentada por parte da doutrina com base na expressão “se for o caso”, encontrada no caput do art. 138 do CTN. Nesse sentido, cumpre destacar as lições de Hugo de Brito Machado, Luciano Amaro e Sacha Calmon Navarro Coêlho: 'Como a lei diz que a denúncia há de ser acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido, resta induvidoso que a exclusão da responsabilidade tanto se Fl. 238DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000828/200811 Acórdão n.º 9303003.716 CSRF‐T3 Fl. 239 4 refere a infrações das quais decorra o não pagamento do tributo como a infrações meramente formais, vale dizer, infrações das quais não decorra o não pagamento do tributo. Inadimplemento de obrigações tributárias meramente acessórias' 1. 'A expressão ‘se for o caso’ explicase em face de que algumas infrações, por implicarem desrespeito a obrigações acessórias, não acarretam, diretamente, nenhuma falta de pagamento de tributo, embora sejam também puníveis, porque a responsabilidade não pressupõe, necessariamente, dano (art. 136). Outras infrações, porém, de um modo ou de outro, resultam em falta de pagamento. Em relação a estas é que o Código reclama o pagamento' 2. 'Se quisesse excluir uma ou outra, teria adjetivado a palavra infração ou teria dito que a denúncia espontânea elidiria a responsabilidade pela prática de infração à obrigação principal excluindo a assessória, ou viceversa. Ora, onde o legislador não distingue não é lícito ao intérprete distinguir segundo cediço princípio de hermenêutica' 3 Essa interpretação, porém, não foi acolhida pela Jurisprudência, consoante se depreende dos seguintes julgados do Superior Tribunal de Justiça: 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' (...) A mesma interpretação foi adotada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme Súmula CARF nº 49: 'A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na 1 MACHADO, Hugo de Brito. Curso de direito tributário. 27. Ed. São Paulo: Malheiros, 2006, p. 182 e ss. 2 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 10 Ed. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 437. 3 COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Teoria e prática das multas tributárias. 2. Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1995, p. 105106. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000828/200811 Acórdão n.º 9303003.716 CSRF‐T3 Fl. 240 5 entrega de declaração', que foi fruto de reiterados julgados do Câmara Superior de Recursos Fiscais (...). A discussão, entretanto, foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) De fato, a Lei nº 12.350/2010 resultou da conversão da Medida Provisória n.º 497/2010. De acordo com a exposição de motivos desta, seu objetivo foi 'deixar claro' que o instituto da denúncia espontânea aplicase a todas as penalidades pecuniárias, inclusive multas isoladas vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória, conforme se depreende da leitura da exposição de motivos: '40. A proposta de alteração do § 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, visa a afastar dúvidas e divergência interpretativas quanto à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão da imposição de determinadas penalidades, para as quais não se tem posicionamento doutrinário claro sobre sua natureza. [...] 43. Fundamentalmente, o Linha Azul é um procedimento simplificado que propicia às empresas habilitadas um menor percentual de seleção para os canais de verificação amarelo e vermelho e conferência aduaneira das declarações selecionadas realizada prioritariamente, Fl. 240DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000828/200811 Acórdão n.º 9303003.716 CSRF‐T3 Fl. 241 6 inclusive com compromisso de tempo máximo para essa conferência estipulado. Esse procedimento segue a orientação internacional de Operadores Econômicos Autorizados OEA, ou seja, de credenciamento de operadores legítimos e confiáveis para operar no comércio exterior com menores entraves burocráticos. 44. A avaliação sistêmica da empresa candidata ao Linha Azul inclui a realização, previamente à adesão, de uma auditoria de controles internos para autoavaliação de seus controles e procedimentos aduaneiros, referente, no mínimo, aos quatro últimos semestres civis. O objetivo dessa autoavaliação é induzir a empresa a verificar o cumprimento da legislação aduaneira (controles administrativos e fiscais), com reflexo na garantia da regularidade dos registros aduaneiros e do recolhimento dos tributos devidos. Exigese, sempre que a auditoria de controles internos aponte irregularidades, que sejam apresentados documentos que comprovem o seu saneamento ou a adoção das providências cabíveis para a sua solução. 45. No caso específico, o que se tem verificado é que, durante o processo de auditoria, as empresas têm constatado reiterados erros em declarações de importação registradas e desembaraçadas no canal verde de conferência e, como forma de sanear a irregularidade para cumprimento do programa, apresentado a relação desses erros na unidade de jurisdição e adotado as respectivas providências para a retificação das declarações aduaneiras. 46. Todavia, ao adotar essa providência, mesmo que a empresa não tenha que recolher quaisquer tributos, ela pode estar sujeita à imposição da referida multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (multa isolada), disciplinada no art. 711 do Regulamento Aduaneiro, ainda que espontaneamente tenha apurado tais erros e adotado as providências para a sua regularização, o que onera por demais o processo de adesão à Linha Azul. 47. A proposta de alteração objetiva deixar claro que o instituto da denúncia espontânea alcança todas as penalidades pecuniárias, aí incluídas as chamadas multas isoladas, pois nos parece incoerente haver a possibilidade de se aplicar o instituto da denúncia espontânea para penalidades vinculadas ao nãopagamento de tributo, que é a obrigação principal, e não haver essa possibilidade para multas isoladas, vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória.' (EMI nº 111/MF/MP/ME/MCT/ MDIC/MT). Todavia, cumpre considerar que, nas obrigações acessórias ou deveres instrumentais, o sujeito passivo está Fl. 241DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000828/200811 Acórdão n.º 9303003.716 CSRF‐T3 Fl. 242 7 vinculado a um fazer ou nãofazer, sem expressão econômica, destinado a facilitar a fiscalização e a arrecadação dos tributos4. Podem assumir os conteúdos mais variados, desde a manutenção de escrituração fiscal regular, da descrição adequada do bem importado na declaração de importação, emissão de nota fiscal, bem como da apresentação de informações para a Fazenda Pública dentro dos prazos previstos na legislação tributária. Em razão disso, na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo. Essa importante distinção foi evidenciada em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3ª SJ, C1, 2ª TO, S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme 4 CARVALHO, Paulo de Barros. "Curso de direito tributário". 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2000, p. 277349. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000828/200811 Acórdão n.º 9303003.716 CSRF‐T3 Fl. 243 8 expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face Fl. 243DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000828/200811 Acórdão n.º 9303003.716 CSRF‐T3 Fl. 244 9 da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 5. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" O objetivo do art. 138 do CTN é estimular o contribuinte que não pagou os tributos a fazêlo e regularizar a situação, resgatando as pendências deixadas e não conhecidas pelo fisco, que recebe o que deveria ter sido pago e cuja satisfação, não fosse a iniciativa do contribuinte, talvez jamais ocorresse. Tal norma objetiva estimular o cumprimento espontâneo das obrigações tributárias. Porém, a responsabilidade pelo cometimento das infrações restará afastada apenas com o reconhecimento e cumprimento da obrigação, preservando assim a higidez do sistema, não se podendo ver nela nenhum estímulo à inadimplência. De fato, a jurisprudência dominante em nossos tribunais não admite a configuração da denúncia espontânea ante a prática de determinados atos, que representam 5 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000828/200811 Acórdão n.º 9303003.716 CSRF‐T3 Fl. 245 10 infrações à legislação tributária. Várias são as decisões no sentido da inaplicabilidade do art. 138 do CTN no descumprimento do prazo quanto às obrigações acessórias. Vejamos: “DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. 1. Inaplicável o instituto da denúncia espontânea quando se trata de multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória.” (STJ, 2ª T. AgRg no Resp 916.168/SP, Herman Benjamin, mar/09) No mesmo sentido do entendimento ora defendido, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Fl. 245DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000828/200811 Acórdão n.º 9303003.716 CSRF‐T3 Fl. 246 11 Importante observar que, no mesmo sentido da mencionada decisão do TRF da 4ª RF, existe a Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, não se trata aqui de aplicar a Súmula 49 para resolver o presente litígio, uma vez que proferida antes das alterações promovidas pela Lei 12.350/2010. A intransigência em matéria de controles administrativos aduaneiros se justifica, muito mais do que pela questão tributáriofinanceira, pela questão da defesa do Estado nacional. A falta de pagamento de tributo, ou de parte dele, não é o único dano que se faz aos cofres públicos e à sociedade no descumprimento das regras de controle aduaneiro. Muitas vezes, a administração tributária prioriza a arrecadação de tributos e não enfatiza as razões dos controles não tributários ou aduaneiros. Assim, pode ficar a impressão de que não havendo falta de pagamento de tributos não há dano efetivo ao erário, mas essa é uma falsa observação. Cabe a administração aduaneira cumprir as decisões dos demais órgãos do Poder Executivo e de Acordos Internacionais, relativamente à saúde, à defesa da economia, à defesa dos interesses culturais, do patrimônio histórico, da segurança pública, entre outros. São atribuições fundamentadas em conhecimentos que ultrapassam largamente aqueles necessários à excelência do trabalho de fiscalização. Ao fazer o julgamento, especialmente por que não há tantos julgadores especializados em nuances do comércio internacional, passase ao largo dos verdadeiros delitos que são cometidos à sombra da ausência de danos fiscais explícitos — quero dizer — da falta de pagamento de impostos. Por último, é de se observar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, sobre atracação de embarcação, sobre vinculação de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, e diante de recurso do contribuinte, o resultado do julgamento é por negar provimento ao recurso especial, resultado que deve ser aplicado aos demais processos vinculados ao julgamento deste, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). À luz do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por Fl. 246DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000828/200811 Acórdão n.º 9303003.716 CSRF‐T3 Fl. 247 12 considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 247DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 10074.000042/2009-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jul 29 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3401-000.935
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Júlio César Alves Ramos Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge DOliveira e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Júlio César Alves Ramos Presidente Robson José Bayerl Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge DOliveira e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
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Numero do processo: 14337.000451/2009-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2401-000.498
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por CONVERTER o julgamento em diligência fiscal, nos termos indicados pelo Relator.
(assinado digitalmente)
André Luís Mársico Lombardi Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa (Vice-Presidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Maria Cleci Coti Martins e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por CONVERTER o julgamento em diligência fiscal, nos termos indicados pelo Relator. (assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa (Vice-Presidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Maria Cleci Coti Martins e Arlindo da Costa e Silva.
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DENPASA SUCESSORA DE CODENPA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por CONVERTER o julgamento em diligência fiscal, nos termos indicados pelo Relator. (assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa (VicePresidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Maria Cleci Coti Martins e Arlindo da Costa e Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 43 37 .0 00 45 1/ 20 09 -0 4 Fl. 152DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 14337.000451/200904 Resolução nº 2401000.498 S2C4T1 Fl. 153 2 RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pela recorrente, mantendo o crédito tributário lançado (fls. 77 e seguintes). Adotase o relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 78 e seguintes), que bem resume o quanto consta dos autos: Versa o presente processo a Auto de Infração AI, de obrigação principal DEBCAD 37.253.7863, lavrado pela fiscalização contra a empresa acima identificada, que de acordo com os diversos Relatórios que compõem o lançamento, referese às contribuições devidas pela empresa à Seguridade Social, relativas às rubricas: "Sat/rat" e "Rural", totalizando o valor de R$ 69.000,90 (sessenta e nove mil e noventa centavos), consolidado em 21/12/2009 e correspondente à competência 12/2004. A empresa foi cientificada do AI em questão em 23/12/2009, conforme folha inicial. 2. De acordo com os diversos relatórios que compõe o AI, e em especial o Relatório Fiscal de fls. 23/26, o presente crédito tem como fato gerador a comercialização da sua produção, e foi apurado na competência 12/2004, com base nas notas fiscais de saída, relacionadas às fls. 28, cujo total consta da Declaração de. Imposto de Renda Pessoa Jurídica —DIPJ, de fls.27, relativa ao anocalendário 2004, como receita da venda de produtos de fabricação própria. Constituise, o lançamento, no levantamento RUR PRODUÇÃO RURAL, não declarado em GFIP. Como afirmado, a impugnação apresentada pela recorrente foi julgada improcedente, tendo a recorrente apresentado, tempestivamente, o recurso de fls. 92 e seguintes, no qual alega, em apertada síntese: violação aos artigos 154, I, e 195, § 4°, da CF, pela instituição de nova contribuição por lei ordinária (Lei n° 10.256/2001); bitributação entre a contribuição previdenciária prevista no artigo 22A da Lei n° 8.212/91 e aquela prevista nas Leis n° 9.718/88 e n° 10.833/2003 (Cofins); dever de compensação ex officio do valor recolhido para a competência 12/2004 (R$ 9.041,13). Distribuídos os autos a este Relator, então integrante da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara desta Seção de Julgamento, e incluído o julgamento em pauta, a referida Turma entendeu por bem converter o julgamento em diligência para que fossem prestados Fl. 153DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 14337.000451/200904 Resolução nº 2401000.498 S2C4T1 Fl. 154 3 esclarecimentos a respeito dos recolhimentos efetuados pela recorrente anteriormente ao lançamento e as respectivas apropriações, com posterior reabertura de prazo recursal. É o relatório. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 14337.000451/200904 Resolução nº 2401000.498 S2C4T1 Fl. 155 4 VOTO Conselheiro André Luis Marsico Lombardi, Relator A diligência requerida foi cumprida, conforme Informação de fls. 144 e seguintes, que esclarece todas as questões apontadas na Resolução da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara desta Seção de Julgamento. Todavia, em que pese a advertência final de que, após o cumprimento da diligência deveria haver ciência à recorrente com reabertura de prazo recursal, os autos retornaram sem notícia do órgão preparador a respeito da comunicação do resultado e da faculdade de complementar o Recurso Voluntário. Assim, voto por converter novamente o julgamento e diligência para cientificação da recorrente a respeito da Informação de fls. 144 e seguintes, com concessão de prazo de 30 (trinta) dias, da ciência, para que a Recorrente, caso deseje, apresente recurso complementar. CONCLUSÃO: Diante do exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para as providências solicitadas. (assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi Relator Fl. 155DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
score : 1.0
Numero do processo: 10882.721416/2015-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed May 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. SÚMULA N.º 63 DO CARF. RENDIMENTOS ORIUNDOS DE APOSENTADORIA, REFORMA, PENSÃO OU RESERVA REMUNERADA.
Cumpridos os requisitos referentes à natureza dos rendimentos (provenientes de aposentadoria, reforma, pensão ou reserva remunerada) e à comprovação do acometimento de moléstia grave, por meio de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, o contribuinte faz jus à isenção do imposto de renda.
A isenção por moléstia grave não abrange rendimentos oriundos de contraprestação salarial, mas somente os rendimentos da natureza descrita na norma isentiva.
Numero da decisão: 2201-003.111
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para considerar como isentos os rendimentos provenientes da SPPREV.
Assinado digitalmente.
EDUARDO TADEU FARAH - Presidente.
Assinado digitalmente.
ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora.
EDITADO EM: 13/05/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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MOLÉSTIA GRAVE. SÚMULA N.º 63 DO CARF. RENDIMENTOS ORIUNDOS DE APOSENTADORIA, REFORMA, PENSÃO OU RESERVA REMUNERADA. Cumpridos os requisitos referentes à natureza dos rendimentos (provenientes de aposentadoria, reforma, pensão ou reserva remunerada) e à comprovação do acometimento de moléstia grave, por meio de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, o contribuinte faz jus à isenção do imposto de renda. A isenção por moléstia grave não abrange rendimentos oriundos de contraprestação salarial, mas somente os rendimentos da natureza descrita na norma isentiva. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para considerar como isentos os rendimentos provenientes da SPPREV. Assinado digitalmente. EDUARDO TADEU FARAH Presidente. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ Relatora. EDITADO EM: 13/05/2016 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 72 14 16 /2 01 5- 25 Fl. 51DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Em 18/02/2015, foi lavrada notificação de lançamento referente ao exercício 2013, anocalendário 2012, decorrente da omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva no valor de R$ 14.714,81 (quatorze mil setecentos e quatorze reais e oitenta e um centavos) recebidos pelo titular e/ou dependentes. Inconformado com a notificação apresentada, o contribuinte protocolizou impugnação, fls. 3 e 4, alegando, em síntese, que os rendimentos são isentos em virtude da existência de moléstia grave (anexou aos autos laudo médico e documentos de concessão de aposentadoria). A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou improcedente a impugnação, restando mantida a notificação de lançamento, com as seguintes considerações: a) para efeito de reconhecimento da isenção, sem prejuízo das demais exigências legais, somente podem ser aceitos laudos periciais emitidos por instituições públicas, independentemente da vinculação destas ao Sistema Único de Saúde (SUS). Os laudos médicos expedidos por entidades privadas (hospitais, clínicas ou médicos particulares), não podem ser aceitos, ainda que o atendimento decorra de convênio referente ao SUS; b) em relação ao anocalendário 2012, o contribuinte não se encontra aposentado. Vêse que o benefício de aposentadoria foi concedido a partir de 12/1/2015; c) ainda, os rendimentos pagos pela fonte pagadora “SPPREV”, considerados como omissos pela fiscalização, estão registrados na DIRF para os dependentes do impugnante, constantes da DAA; d) o rendimento proveniente da fonte pagadora “AES Agenciamento e Terceirização Ltda” não é de natureza previdenciária e, assim, não se pode falar em isenção da modalidade aqui analisada. Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto recurso voluntário, no qual o contribuinte aduz, em síntese, que: a) a aposentadoria por invalidez foi publicada em 30 de agosto de 1994, havendo, desse modo, um equívoco da DRJ ao considerar a data de publicação do laudo como a data da concessão da aposentadoria; Fl. 52DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10882.721416/201525 Acórdão n.º 2201003.111 S2C2T1 Fl. 52 3 b) o laudo publicado atesta a existência da moléstia insuficiência renal crônica, sendolhe conferido o direito à isenção retroativamente ao período do diagnóstico; c) quanto aos rendimentos dos dependentes, tratamse de pensões alimentícias não devendo incidir imposto de renda; d) a renda proveniente da O.E.S não deve sofrer incidência de importo de renda. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Cuida o presente lançamento de omissão de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica indevidamente considerados isentos por moléstia grave. Acerca da matéria, os incisos XIV e XXI, art. 6º, da Lei n.º 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelas Leis n.º 8.541, de 23 de dezembro de 1992, e n.º 11.052, de 29 de dezembro de 2004, assim determinam: Art. 6o Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Pagel (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (...) XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Por sua vez, o art. 30 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, passou a veicular a exigência de que a moléstia fosse comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, nos termos a seguir: Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6° da Lei n" 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelo art. 47 da Lei n°8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. § 2º Na relação das moléstias a que se refere o inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, fica incluída a fibrose cística (mucoviscidose). Observase que a isenção por moléstia grave, quando estabelecida em 1988 pela Lei 7.713, não fazia referência quanto à forma de sua comprovação. Contudo, com a superveniência da Lei 9.250, em 1995, foi instituída forma específica para reconhecimento da moléstia pelas autoridades tributárias. A partir da edição da mencionada lei, tornouse indispensável a apresentação do laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Assim, a isenção sob análise requer a consideração do binômio: moléstia (grave) e natureza específica do rendimento (provenientes de aposentadoria, reforma ou pensão), sendo o laudo pericial oficial requisito objetivo para a demonstração da moléstia grave. Cabe esclarecer que no laudo médico oficial, emitido pela São Paulo Previdência, fl. 6, de 12 de janeiro de 2015, consta a data de diagnóstico da doença (nefropatia grave) em 02/2010. No que se refere à concessão da aposentadoria, conforme consta da publicação do D.O.E, Seção II, São Paulo, de 30 de agosto de 1994, o contribuinte foi aposentado em 19/07/1994. Nesse contexto, restam cumpridos os requisitos necessários ao reconhecimento da isenção referente aos proventos de aposentadoria, conforme o disposto no art. 30 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, bem como em consonância com o Enunciado de Súmula n.º 63 do CARF, abaixo transcrito: “Súmula nº 63 – Para gozo de isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.” Fl. 54DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10882.721416/201525 Acórdão n.º 2201003.111 S2C2T1 Fl. 53 5 Quanto aos rendimentos recebidos da fonte pagadora A.E.S Agenciamento e Terceirização Ltda a título de contraprestação salarial para a complementação da renda do contribuinte, deve ser mantida da incidência tributária do imposto de renda, pois tais rendimentos se amoldam à descrição do fato gerador do imposto de renda e não são abrangidos pela isenção. A respeito do argumento sobre o pagamento de pensão aos dependentes, não obstante tratemse de rendimentos do titular abarcados pela isenção, cabe destacar que as pensões pagas por liberalidade não são dedutíveis por falta de previsão legal. Diante do exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para considerar como isentos os rendimentos provenientes da SPPREV. Assinado digitalmente. Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 55DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 13502.000335/2004-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/10/2000, 01/01/2001 a 31/03/2001, 01/05/2001 a 30/11/2001, 01/01/2002 a 31/03/2002, 01/05/2002 a 31/07/2002, 01/09/2002 a 31/12/2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. QUESTÕES POSTAS EM RECURSO E NÃO ENFRENTADAS NO JULGADO. OMISSÃO. EXISTÊNCIA.
Padece de vício de omissão a decisão que não enfrenta todas as questões postas em recurso, cabendo o seu saneamento mediante acolhimento, ainda que parcial, dos embargos de declaração que apontam o defeito.
MATÉRIAS DEDUZIDAS APENAS EM RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO. OCORRÊNCIA.
A teor dos arts. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72 a impugnação mencionará todos os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, inclusive os pontos de discordância e razões que possuir, não se considerando impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada, de modo que, erigida a questão apenas em recurso voluntário, consubstancia-se a preclusão temporal da irresignação.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 3401-003.144
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer, em parte, dos embargos e, na parte conhecida, negar provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira e Augusto Fiel Jorge D'Oliveira. Declarou-se impedido o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida. Ausente o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Robson José Bayerl Presidente Substituto e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge DOliveira e Waltamir Barreiros.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer, em parte, dos embargos e, na parte conhecida, negar provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira e Augusto Fiel Jorge D'Oliveira. Declarou-se impedido o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida. Ausente o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Robson José Bayerl Presidente Substituto e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge DOliveira e Waltamir Barreiros.
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QUESTÕES POSTAS EM RECURSO E NÃO ENFRENTADAS NO JULGADO. OMISSÃO. EXISTÊNCIA. Padece de vício de omissão a decisão que não enfrenta todas as questões postas em recurso, cabendo o seu saneamento mediante acolhimento, ainda que parcial, dos embargos de declaração que apontam o defeito. MATÉRIAS DEDUZIDAS APENAS EM RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO. OCORRÊNCIA. A teor dos arts. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72 a impugnação mencionará todos os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, inclusive os pontos de discordância e razões que possuir, não se considerando impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada, de modo que, erigida a questão apenas em recurso voluntário, consubstanciase a preclusão temporal da irresignação. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer, em parte, dos embargos e, na parte conhecida, negar provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira e Augusto Fiel Jorge D'Oliveira. Declarouse impedido o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida. Ausente o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 03 35 /2 00 4- 51Fl. 750DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/05/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL 2 Robson José Bayerl – Presidente Substituto e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira e Waltamir Barreiros. Relatório Cuidase de embargos de declaração opostos pelo contribuinte em face do Acórdão 340100.863, julgado na sessão de 27/07/2010, assim ementado: “PIS. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. Provimento negado ao Recurso Voluntário em razão da Súmula n°. 1 do CARF, segundo a qual importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo.” Sustentou o embargante que houve questões levantadas em recurso voluntário, que não são objeto da concomitância, e que não foram enfrentadas pelo aresto reclamado, a saber: a inobservância da anterioridade nonagesimal pela Lei nº 9.718/98 e a existência de inconsistências na apuração do crédito tributário. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O aclaratório sub examine foi submetido ao juízo de admissibilidade exigido pelo art. 65, §§ 2º e 7º do RICARF/15 (Portaria MF 343/2015), preenchendo os requisitos exigidos para seu conhecimento. Consoante aludido exame, ratificado pelos elementos dos autos, a questão atinente à anterioridade nonagesimal da Medida Provisória nº 1.724/98, originária da Lei nº 9.718/98, foi, sim, objeto de discussão pelo colegiado, como se extrai do seguinte excerto: “Ocorre que o aresto recorrido tratou do tema proposto, conforme se verifica da seguinte passagem do voto condutor: “A contribuinte alega que o início da contagem do prazo nonagesimal deve ser em 1º de fevereiro, sendo assim a majoração da base de cálculo das contribuições em tela apenas produziria seus efeitos a partir de maio de 1999, embasado nos artigos 17, inciso I da lei 9.718/98, e 195, §6º da Carta Magna de 1988, que abaixo segue: (...) Fl. 751DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/05/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 13502.000335/200451 Acórdão n.º 3401003.144 S3C4T1 Fl. 11 3 Este argumento não merece prosperar, tendo em vista que a lei 9.718/98 é proveniente da medida provisória nº. 1.724 de 29 de outubro de 1998 , e segundo entendimento do E. Supremo Tribunal Federal, o prazo nonagesimal é contado a partir da publicação da Medida Provisória que houver instituído ou modificado a contribuição, como segue abaixo: ‘EMENTA: TRIBUTÁRIO. COFINS. MAJORAÇÃO DE ALÍQUOTA. MEDIDA PROVISÓRIA 1.724/98. CONVERSÃO NA LEI 9.718/98. PRAZO NONAGESIMAL. OBSERVÂNCIA. I O prazo nonagesimal (CF, art. 195, § 6º) é contado a partir da publicação da Medida Provisória que houver instituído ou modificado a contribuição. Precedentes. II Constitucionalidade da exigência da COFINS, com as alterações introduzidas pela Lei 9.718/98, para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º/02/99. III Agravo Regimental improvido. (AI 392615 AgR, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Primeira Turma, julgado em 02/03/2007, DJ 13042007 PP00093 EMENT VOL 0227103 PP00507 RNDJ v. 8, n. 90, 2007, p. 6970)’ Como se vê, relativamente à vigência das modificações introduzidas pela Lei nº 9.718/98, houve debate e julgamento específico pelo colegiado a quo, não se vislumbrando qualquer defeito nesta manifestação.” Neste ponto, portanto, não há omissão alguma. Na seqüência, respeitante à ausência de manifestação acerca das inconsistências apontadas na apuração do crédito tributário, de fato, verificase sua ocorrência, todavia, o seu reconhecimento não justifica o acolhimento da pretensão nele veiculada, como será demonstrado. Com efeito, verifico que a matéria, além de deduzida exclusivamente em recurso voluntário, não foi adequadamente demonstrada nos autos, o que vai de encontro às disposições dos arts. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72, configurando a preclusão temporal da irresignação, verbis: “Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos Fl. 752DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/05/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL 4 quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscá las. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)” (destacado) Destarte, em impugnação (fls. 486/501) o contribuinte questionou apenas a ausência de cômputo de depósitos judiciais realizados, a inconstitucionalidade e início da vigência da Lei nº 9.718/98 e a inclusão dos dividendos na apuração do quantum debeatur, não havendo uma linha sequer onde aponte alguma inconsistência na base de cálculo do tributo. Fl. 753DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/05/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 13502.000335/200451 Acórdão n.º 3401003.144 S3C4T1 Fl. 12 5 A DRJ Salvador/BA, atendendo ao pleito formulado, deu parcial provimento ao recurso para excluir do lançamento as receitas estranhas ao faturamento, nos termos de decisão judicial transitada em julgado. Notese que as supostas inconsistências eram contemporâneas à apresentação da impugnação, implicando o necessário reconhecimento de tratarse de matéria incontroversa, tal como textualmente disposto no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. O não exercício de uma faculdade processual no momento adequado, mesmo em processo administrativo, acarreta a perda do direito de exercêla ulteriormente, sendo esse o conceito de preclusão temporal, que se verifica no caso vertente. Por conveniente, dado o aparente formalismo do posicionamento, destaco que o dogma da verdade material não pode ser oposto como salvaguarda ao conhecimento da matéria aventada, haja vista que a ampla defesa deve ser exercida nos exatos limites determinados pela legislação, sob pena de instalarse a balbúrdia processual. Demais disso, os documentos anexados para fazer “prova” das alegações deduzidas correspondem a simples notas fiscais, que isoladamente consideradas não demonstram de modo algum que tenha havido insubsistência na apuração dos tributos, tampouco como tais documentos a tenham influenciado. Ou seja, além de extemporânea a reclamação, os elementos em que calcada não conduzem, de maneira nenhuma, às conclusões defendidas pelo embargante. Com estas considerações, conheço em parte do embargo de declaração oposto, e, na parte conhecida, negolhe provimento. Robson José Bayerl Fl. 754DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/05/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000538/2007-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/10/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Embargos de declaração acolhidos, com efeito modificativo, para o fim de negar provimento ao recurso voluntário.
Embargos acolhidos.
Numero da decisão: 3402-003.188
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos com efeito modificativo para o fim de negar provimento ao recurso voluntário.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Jorge Olmiro Lock Freire - relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE Período de apuração: 01/01/2001 a 31/10/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Embargos de declaração acolhidos, com efeito modificativo, para o fim de negar provimento ao recurso voluntário. Embargos acolhidos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos com efeito modificativo para o fim de negar provimento ao recurso voluntário. Antonio Carlos Atulim - Presidente. Jorge Olmiro Lock Freire - relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
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Embargos de declaração acolhidos, com efeito modificativo, para o fim de negar provimento ao recurso voluntário. Embargos acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos com efeito modificativo para o fim de negar provimento ao recurso voluntário. Antonio Carlos Atulim Presidente. Jorge Olmiro Lock Freire relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 05 38 /2 00 7- 18 Fl. 688DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 26/07/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 O Delegado da DRF/RJ II opôs embargos de declaração (fls. 620/623) ao Acórdão nº 340301.572, de 25/04/2012 (fls. 610/612), por suposta omissão/obscuridade desse decisum. O acórdão embargado possui a seguinte ementa: DEPÓSITO JUDICIAL NO MONTANTE INTEGRAL – JUROS DE MORA Os autos de infração feitos para prevenir a decadência não podem impor a cobrança dos juros de mora – Súmula CARF nº 05. A unidade local da RFB alega que houve obscuridade no aresto embargado uma vez que o mesmo partiu da premissa que houve depósito do montante integral na ação judicial em que a autuada discute em juízo a legalidade da CIDE sobre royalties e pagamento de assistência técnica a residentes e domiciliados no exterior. Contudo, a embargante entende que tal premissa está incorreta, asseverando que "não houve o depósito do montante integral (cf. art. 151, II, do CTN) do crédito tributário lançado!", uma vez que não se comprova nos autos a integralidade do depósito, uma vez que da análise da planilha à fl. 168 "constatase que o autuado promoveu o depósito dos valores lançados, para a maioria dos fatos geradores da CIDE, com considerável atraso", o que demonstra. Informa que "dada a considerável mora quando do recolhimento das quantias depositadas, ausentes os consectários legais devidos decidiu esta Unidade da RFB (DRF/RJ2) formalizar processo administrativo de representação, autuado sob o nº 18470.722147/2012 25..., para o controle e a exigência dos consectários devidos, inclusive multa de mora...". Conclui que o acórdão embargado consignou que os autos de infração feitos para prevenir a decadência não podem impor a cobrança dos juros de mora, nos termos da Súmula 5 do CARF, sem, contudo, "ressalvar que a aplicação da referida Súmula CARF nº 05 somente se dá quando há, comprovadamente, depósito do montante integral, o que, à toda evidência, não se verifica no caso em tela". O despacho de fls. 663/664, de 08/09/2015, propôs a admissibilidade dos embargos. O presidente desta Turma Ordinária por meio do despacho de fls. 681, de 13/06/2016, determinoume a colocação do presente "processo em pauta de julgamento", nos termos propostos. A empresa, em duas oportunidades, manifestouse nos autos acerca dos embargos contra o referido acórdão (fls. 629/637 e fls. 671/679). É relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, relator. TEMPESTIVIDADE Quanto à preliminar de intempestividade, é de ser rechaçada. O que se tem nos autos é que o processo foi recebido em 09/03/2015 pela divisão de controle e acompanhamento tributário da DRFRJ2, o que não significa que esta seja a data de ciência da Fl. 689DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 26/07/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 18471.000538/200718 Acórdão n.º 3402003.188 S3C4T2 Fl. 689 3 autoridade embargante do teor do aresto embargado. Os autos foram movimentados ao Delegado em 27/03/2015. Vejase: Sendo a assinatura digital do Sr. Delegado datada de 31/03/2015, atendido o prazo para interposição dos embargos, pelo que tempestivos os mesmos. MÉRITO Dúvidas não há que o lançamento (fl. 4, e 449/485) foi perpetrado com o fito de prevenir a Fazenda dos efeitos da decadência, uma vez não declarados em DCTF (fl.8) os valores da CIDE sob discussão judicial, tendo sido levado a efeito sem a aplicação de multa de ofício e com sua exigibilidade suspensa (fl. 447), embora com a cobrança de juros de mora, uma vez que parte dos depósitos havidos o foram feitos a destempo. A impugnação à exigência fiscal (fls. 499/507) restringiuse a contestar a aplicação dos juros de mora. O acórdão embargado partiu do pressuposto que os depósitos foram feitos com seu montante integral, o que equivale a dizer que os mesmos foram feitos no valor devido e dentro do prazo de seu vencimento. Por tal, levou a relatora a excluir os juros de mora partindo do equivocado princípio de que todos depósitos foram feitos no prazo legal do vencimento da CIDE. Assim, inconteste (conforme planilha fl. 168) que alguns depósitos foram efetivados após a data de seu vencimento. À fl. 604, despacho da unidade local, de 12/03/2012, anterior ao julgamento do recurso voluntário (25/04/2012), dando conta que nos períodos de apuração 07/2002 a 10/2002, 12/2002, 1112/2003 e 1011/2004, o "depósito judicial foi efetivado em atraso pelo interessado, sem a incidência dos acréscimos legais de multa de mora e de juros de mora". Dessarte, a questão que remanesce é se pode ser considerado como integral depósito no montante nominalmente correto, mas levado a efeito com mora. A mim dúvida não subsiste que o termo integral a que alude art. 151, II, do CTN, pressupõe seu correto quantum devido, mas desde que depositado até a data de seu vencimento, ou se posteriormente, como in casu, acompanhados dos encargos moratórios, vale dizer, com os juros pro rata die, nos termos da legislação vigente e, se for o caso, da multa de mora, a qual, entendo, tem natureza compensatória. Caso contrário, por certo, afastado estará o pressuposto da integralidade. E o que resta demonstrado nos autos, em que pese o autor do procedimento fiscal não ter pontuado bem a questão, é que os valores depositados o foram a destempo e desacompanhados dos juros e multa de mora. Sendo assim, concluo, não foram feitos integralmente, quando aí sim, seria o caso de incidência da Súmula 5 do CARF. E disso prejuízo não haverá ao contribuinte, posto que se vencedor na lide em âmbito judicial não haverá crédito a ser cobrado. De outro turno, se sucumbir, a unidade da RFB a quem caberá executar o decidido deverá fazer os devidos cálculos, imputando o valor depositado que será convertido em renda, por período de apuração, e cobrar o que eventualmente remanescer em relação aos depósitos efetivados em mora e desacompanhados de seus respectivos encargos. Com esses fundamentos, conheço dos embargos e lhes acolho, com efeito modificativo, para o fim de negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 690DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 26/07/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 691DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 26/07/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10840.000803/2007-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2004
MULTA POR ATRASO. DECLARAÇÃO.
É devida a multa no caso de entrega da declaração fora do prazo estabelecido.
Numero da decisão: 1401-001.445
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento aos recursos.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio e Lívia De Carli Germano.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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DECLARAÇÃO. É devida a multa no caso de entrega da declaração fora do prazo estabelecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento aos recursos. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Presidente (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio e Lívia De Carli Germano. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 08 03 /2 00 7- 19 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10840.000803/200719 Acórdão n.º 1401001.445 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo o relatório que consta da decisão de piso, fls. 53: Versa o presente processo sobre auto de infração (fl. 4), mediante o qual é exigido da contribuinte acima identificada crédito tributário relativo A. multa por atraso na entrega da Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), relativa ao anocalendário de 2004, no valor de R$ 500,00. Ciente do lançamento, a contribuinte ingressou com impugnação (fls. 1/3) na qual solicita o cancelamento da exigência tributária, sob alegação de que o atraso na entrega da Dirf se verificou em razão da deficiência do quadro de funcionários da Câmara Municipal e que no ano de 2005 a internet disponibilizada na Câmara não era sistema banda larga, encontrando a funcionária dificuldades para efetuar a discagem para conectarse para fins de efetuar a entrega da declaração. Acrescentou que a cidade de Santa Cruz da Esperança possui problemas com a queda de energia freqüente, gerando transtornos aos usuários de equipamento de informática, dificultando o acesso à internet, o que inviabiliza a conexão para envio da declarações em data aprazada. Aduziu que, em que pese o atraso, a declaração foi prestada corretamente, não sendo objeto de apontamento. A 3ª Turma da DRJ/RPO, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, por meio de Acórdão que recebeu a seguinte ementa, fls. 52: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2004 MULTA POR ATRASO. DECLARAÇÃO. É devida a multa no caso de entrega da declaração fora do prazo estabelecido. Lançamento Procedente O contribuinte foi devidamente cientificado do aludido Acórdão em 29/06/2009, conforme AR de fls. 57 e apresentou em 20/07/2009 o recurso voluntário de fls. 5861), reiterando os argumentos de defesa apresentados na fase impugnatória. É o relatório. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10840.000803/200719 Acórdão n.º 1401001.445 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator O recurso apresentado atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. Conforme relatado, versa o presente processo apenas sobre a cobrança de multa por atraso na entrega da Dirf, relativa ao anocalendário de 2004. Para justificar o atraso no cumprimento dessa obrigação acessória, a recorrente alegou deficiência do quadro de funcionários da Câmara Municipal, problemas na internet disponibilizada na Câmara e freqüentes quedas de energia no municípo de Santa Cruz da Esperança. Tais problemas, contudo, ainda que restassem comprovados, não seriam suficientes para afastar a imposição da multa. Sobre o tema, manifestouse com muita propriedade a decisão de piso, fls. 5354: [...] a lei atribui à Administração o poder de impor, por meio da legislação tributária, ônus e deveres aos particulares, denominados, genericamente, obrigações acessórias, que têm por objeto as prestações, positivas ou negativas, no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos (CTN , art. 113, § 2°). Quando a obrigação acessória não é cumprida, fica subordinada à multa especifica (CTN, art. 113, § 3°). Assim é que a Administração exige do particular diversos procedimentos. A apresentação da Dirf fora do prazo enseja a aplicação da multa de oficio, conforme previsão legal constante do auto de infração. Não podem os contribuintes alegar despreparo, caso venham a incorrer em erros ou omissões Importante frisar que a imposição da multa independe da intenção do contribuinte, consoante clara determinação constante do art. 136 do CTN, verbis: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10840.000803/200719 Acórdão n.º 1401001.445 S1C4T1 Fl. 5 4 Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Fl. 84DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 10860.006264/2002-71
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999
LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Quando da constatação de depósitos bancários cuja origem reste não comprovada pelo sujeito passivo, de se aplicar o comando constante do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, presumida, assim a omissão de rendimentos.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS DECLARADOS.
O montante de rendimentos tributados, de forma individual, na declaração de ajuste anual deve ser excluído dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento tributados a título de presunção para o respectivo ano-calendário, com fulcro no art. 42 da Lei no 9.430, de 1996.
Numero da decisão: 9202-003.823
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra.
(Assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gérson Macedo Guerra.
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1999 LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Quando da constatação de depósitos bancários cuja origem reste não comprovada pelo sujeito passivo, de se aplicar o comando constante do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, presumida, assim a omissão de rendimentos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS DECLARADOS. O montante de rendimentos tributados, de forma individual, na declaração de ajuste anual deve ser excluído dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento tributados a título de presunção para o respectivo ano-calendário, com fulcro no art. 42 da Lei no 9.430, de 1996.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra. (Assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Relator (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gérson Macedo Guerra.
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PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Quando da constatação de depósitos bancários cuja origem reste não comprovada pelo sujeito passivo, de se aplicar o comando constante do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, presumida, assim a omissão de rendimentos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS DECLARADOS. O montante de rendimentos tributados, de forma individual, na declaração de ajuste anual deve ser excluído dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento tributados a título de presunção para o respectivo anocalendário, com fulcro no art. 42 da Lei no 9.430, de 1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra. (Assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 00 62 64 /2 00 2- 71 Fl. 348DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10860.006264/200271 Acórdão n.º 9202003.823 CSRFT2 Fl. 349 2 (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gérson Macedo Guerra. Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 2801003.734, prolatado pela 1a Turma Especial da 2a Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 07 de outubro de 2014 (efls. 292 a 300). Ali, por unanimidade de votos, foi dado provimento parcial ao Recurso Voluntário do contribuinte, na forma de ementa e decisão a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999 APLICAÇÃO RETROATIVA DO ART 11§ 3º DA LEI Nº 9.311/96. POSSIBILIDADE. SÚMULA CARF N 35 O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. UTILIZAÇÃO DE DEPÓSITOS DE MÊS ANTERIOR PARA COMPROVAÇÃO DE ORIGEM DO MÊS SEGUINTE. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF N 30 Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subseqüentes. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26: Fl. 349DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10860.006264/200271 Acórdão n.º 9202003.823 CSRFT2 Fl. 350 3 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei Nº 9.430/ 96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTAS CONJUNTAS. INTIMAÇÃO. NECESSIDADE. SÚMULA CARF N 29. Nos casos de contas bancárias em conjunto é indispensável a regular e prévia intimação de todos os titulares para comprovar a origem dos recursos depositados e/ou creditados nas contas bancárias. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA. INCIDÊNCIA DO CARNÊLEÃO. Não logrando êxito em comprovar a não existência de rendimentos recebidos de pessoa física, obrigatório o recolhimento do carnêleão. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDIMENTOS CONFESSADOS. TRÂNSITO PELAS CONTAS DE DEPÓSITOS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO LANÇADO. POSSIBILIDADE. É razoável compreender que, além dos rendimentos omitidos, os ingressos de recursos declarados oportunamente pelo contribuinte e confirmados tacitamente pelo Fisco transitam, igualmente, pelas contas bancárias do fiscalizado, devendo, assim, os correspondentes valores serem excluídos da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO E MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE. CONCOMITÂNCIA. Incabível a aplicação da multa isolada (art. 44, § 1°, inciso III, da Lei n° 9.430/96), quando em concomitância com a multa de oficio (inciso II do mesmo dispositivo legal), ambas incidindo sobre a mesma base de cálculo. Recurso Voluntário Parcialmente Provido. Decisão: por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a parcela de R$ 103.040,82, referente à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, e excluir da exigência tributária a multa isolada do carnêleão. Votou pelas conclusões o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada. Enviados os autos à PGFN em 22/10/2014, esta inicialmente opôs embargos de declaração de efls. 302 a 305, rejeitados através de despacho de efls. 308 a 310. Reenviados os autos àquela Procuradoria em 26/11/2014 (efl. 311). insurge se novamente a Fazenda Nacional contra o Acórdão, no dia 27/11/2014 (efl. 326), agora através de Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do anexo II ao Regimento Interno deste Fl. 350DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10860.006264/200271 Acórdão n.º 9202003.823 CSRFT2 Fl. 351 4 Conselho Administrativo Fiscal aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009, então em vigor quando da propositura do pleito recursal (efls. 312 a 325). Alegase, no pleito, divergência em relação ao decidido, em 26/06/2008, no Acórdão 10616.977, de lavra da 6a. Câmara do então 1o. Conselho de Contribuintes, bem como ao decidido pela 4a. Câmara, agora no Acórdão 10423.562, prolatado em 09 de outubro de 2008, de ementas e decisões a seguir transcritas. Acórdão 10616.977 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001 Ementa: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – MPF EMISSÃO E PRORROGAÇÃO FEITA POR AUTORIDADE COMPETENTE – CADUCIDADE DO MANDADO POR DECURSO DE PRAZO – INOCORRÊNCIA – INSTRUMENTO DE CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO – EVENTUAL INOBSERVÂNCIA DAS NORMAS QUE DISCIPLINAM O MPF NÃO TEM O CONDÃO DE GERAR NULIDADE DO LANÇAMENTO O MPF foi emitido e prorrogado por autoridade competente. Ainda, não houve caducidade do MPF por decurso de prazo, o que permitiu a mesma autoridade autuante iniciar e encerrar o MPF. Ademais, o MPF constituise em mero instrumento de controle da administração tributária, não podendo eventual inobservância das normas que o disciplinam gerar nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001 Ementa: APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI Nº 10.174/2001 – PRINCÍPIO DA SEGURANÇA JURÍDICA – LEGISLAÇÃO QUE AUMENTA OS PODERES DE INVESTIGAÇÃO DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA FISCAL – PREVALÊNCIA DO PRINCÍPIO QUE AMPLIA O PODER PERSECUTÓRIO DO ESTADO Hígida a ação fiscal que tomou como elemento indiciário de infração tributária a informação da CPMF, mesmo para período anterior a 2001, já que à luz do art. 144, § 1º, do CTN, podese utilizar a legislação superveniente à ocorrência do fato gerador, quando essa amplia os poderes de investigação da autoridade administrativa fiscal. Não se pode invocar o princípio da segurança jurídica como um meio para se proteger da descoberta do cometimento de infrações tributárias. TRANSFERÊNCIA DO SIGILO BANCÁRIO PARA O FISCO LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 HIPÓTESES DO DECRETO Nº 3.724/2001 – APLICAÇÃO PARA PERÍODOS ANTERIORES A 2001 POSSIBILIDADE O contribuinte que não atenda a regular intimação do fisco para apresentar os extratos bancários, devese submeter à transferência compulsória do sigilo bancário da instituição financeira para o fisco, nos limites do Decreto nº 3.724/2001. Fl. 351DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10860.006264/200271 Acórdão n.º 9202003.823 CSRFT2 Fl. 352 5 IRPF LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO AUSÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO ART. 150, § 4º, DO CTN A regra de incidência prevista na lei é que define a modalidade do lançamento. O lançamento do imposto de renda da pessoa física é por homologação, com fato gerador complexivo, que se aperfeiçoa em 31/12 do anocalendário. Para esse tipo de lançamento, exceto se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o qüinqüênio do prazo decadencial tem seu início na data do fato gerador. O lançamento que não respeita o prazo decadencial na forma antes exposta deve ser considerado extinto pela decadência. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001 Ementa: IMPOSTO DE RENDA TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS POSSIBILIDADE A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. O contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que esses são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA – RENDIMENTOS OMITIDOS – FATO GERADOR COM PERIODICIDADE MENSAL – IMPOSSIBILIDADE – APRECIAÇÃO EQUIVOCADA DO ART. 42, § 4º, DA LEI Nº 9.430/96 – FATO GERADOR COMPLEXIVO, COM PERIODICIDADE ANUAL – HIGIDEZ DO LANÇAMENTO – É equivocado o entendimento de que o fato gerador do imposto de renda que incide sobre rendimentos omitidos oriundos de depósitos bancários de origem não comprovada tem periodicidade mensal. A uma, porque o art. 42, §4º, da Lei nº 9.430/96 sequer definiu o vencimento da exação dita mensal; a duas, porque os rendimentos sujeitos à tabela progressiva obrigatoriamente são colacionados no ajuste anual, quando, então, apurase o imposto devido, indicando que o fato gerador, no caso vertente, aperfeiçoouse em 31/12 do anocalendário; a três, porque a ausência de antecipação dentro do anocalendário somente poderia ser apenada com uma multa isolada de ofício, como ocorre na ausência do recolhimento mensal obrigatório (carnêleão); a quatro, porque a regra geral da periodicidade do fato gerador do imposto de renda da pessoa física é anual, na forma do art. 2º da Lei nº 7.713/88 c/c os arts. 2º e 9º da Lei nº 8.134/90. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS – IMPOSSIBILIDADE DE O DEPÓSITO DE UM MÊS SERVIR Fl. 352DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10860.006264/200271 Acórdão n.º 9202003.823 CSRFT2 Fl. 353 6 COMO COMPROVAÇÃO PARA O DEPÓSITO DO MÊS SEGUINTE Na tributação dos depósitos bancários de origem não comprovada não se individualiza os saldos em fins de período, mas os próprios depósitos, considerados rendimentos omitidos na hipótese especificada em lei. Permitir que os depósitos de um mês pudessem funcionar como origens para os depósitos do mês seguinte, somente seria possível se houvesse a comprovação de que o valor sacado foi, posteriormente, depositado. Acatar a possibilidade, em tese, dos depósitos antecedentes servirem como comprovação e origem dos depósitos subseqüentes, no extremo, permitiria que o depósito de um dia servisse para justificar o depósito do dia seguinte. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA – VINCULAÇÃO A RECIBOS E CHEQUES EMITIDOS POR EMPRESA AO SÓCIO RECORRENTE – EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO – Comprovada a origem dos depósitos bancários, vinculados, em parte, as receitas omitidas e anteriormente tributadas na pessoa jurídica, é de se afastar a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS – VACINAS – IMPOSSIBILIDADE – RECIBOS QUE NÃO DISCRIMINAM O OBJETO DA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO GLOSA São dedutíveis as despesas médicas do contribuinte e de seus dependentes efetivamente pagas e comprovadas através de documentação idônea, na qual se especifique o objeto do pagamento. Não é passível de dedução a despesa relativa a vacinas, por não compor a hipótese de incidência da norma. Ainda, bloquete de cobrança que não especifique o objeto da prestação do serviço deve ser glosado. DESPESA COM INSTRUÇÃO – NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO – AUSÊNCIA DE DESPESA EM NOME DO CÔNJUGE DEPENDENTE – CORREÇÃO DA GLOSA – Não havendo comprovação de despesa com o cônjuge dependente, devese manter a glosa perpetrada pela fiscalização. OMISSÃO DE RENDIMENTOS – JUROS RECEBIDOS – RECIBOS FIRMADOS PELO PRÓPRIO RECORRENTE – ALEGAÇÃO NO RECURSO DE QUE NÃO RECEBEU OS RENDIMENTOS – DESCABIMENTO – Os recibos com o montante dos juros recebidos foram firmados pelo recorrente. Aliado a isto, os contratos de mútuos foram acostados aos autos. A mera alegação de que não recebeu os rendimentos representados pelos recibos, digase de passagem, firmados pelo próprio recorrente, não tem o condão de afastar a presunção de higidez da documentação acostada aos autos. MULTA ISOLADA DE OFÍCIO – CARNÊLEÃO – INCIDÊNCIA CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFÍCIO CONSECTÁRIA DO IMPOSTO LANÇADO NO AJUSTE ANUAL EM DECORRÊNCIA DA COLAÇÃO DO RENDIMENTO QUE NÃO FOI OBJETO DO RECOLHIMENTO MENSAL OBRIGATÓRIO – IMPOSSIBILIDADE – Mansamente Fl. 353DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10860.006264/200271 Acórdão n.º 9202003.823 CSRFT2 Fl. 354 7 assentada na jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais que a multa isolada do carnêleão não pode ser cobrada concomitantemente com a multa de ofício que incidiu sobre o imposto lançado, em decorrência da colação no ajuste anual do rendimento que deveria ter sido submetido ao recolhimento mensal obrigatório, pois ambas têm a mesma base de cálculo. JUROS DE MORA –ATUALIZAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS PELA TAXA SELIC – POSSIBILIDADE – No âmbito dos Conselhos, pacífica a utilização da taxa Selic, quer como juros de mora a incidir sobre crédito tributário em atraso, quer para atualizar os indébitos do contribuinte em face da Fazenda Federal. Entendimento em linha com o enunciado da Súmula 1º CC nº 4: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. RENDIMENTOS CONSTANTES NA DECLARAÇÃO ANUAL – COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS – NECESSIDADE DE INDIVIDUALIZAÇÃO DOS DEPÓSITOS E VINCULAÇÃO AOS RENDIMENTOS DECLARADOS – ÔNUS DO RECORRENTE – A mera confissão de rendimentos na declaração de ajuste anual não é meio hábil, por si só, para comprovar a origem de depósitos bancários presumidos como renda. Mister individualizar e vincular cada depósito aos rendimentos declarados. Recurso voluntário parcialmente provido. Decisão: a) Pelo voto de qualidade, REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento em decorrência da irretroatividade da Lei nº 10.174, de 2001, e a de decadência do lançamento relativo aos meses de janeiro a novembro de 1997, vencidos os Conselheiros Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Luciano Inocêncio dos Santos (suplente convocado), Janaina Mesquita Lourenço de Souza e Gonçalo Bonet Allage; b) Por unanimidade de votos, REJEITAR as demais preliminares de nulidade argüidas pelo recorrente, RECONHECER a decadência do lançamento do anocalendário de 1996 e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso para: i) excluir da base de cálculo do lançamento relativo aos depósitos bancários: no ano calendário de 1997, o valor de R$ 187.240,00; no ano calendário de 1998, o valor de R$ 48.500,00; no anocalendário de 1999, o valor de R$ 785.907,66; e no anocalendário de 2000, o valor de R$ 551.380,72. ii) cancelar a multa isolada do carnê leão. Acórdão 10423.562 IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003 Fl. 354DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10860.006264/200271 Acórdão n.º 9202003.823 CSRFT2 Fl. 355 8 DECADÊNCIA Na modalidade de lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário expira após cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, que, no caso do IRPF, tratandose de rendimentos sujeitos ao ajuste anual, se perfaz em 31 de dezembro de cada anocalendário. Não ocorrendo a homologação expressa, o crédito tributário é atingido pela decadência após cinco anos da ocorrência do fato gerador (150, § 4°, do CTN). MULTA QUALIFICADA DEPÓSITOS BANCÁRIOS A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (Súmula 1° CC n° 14). OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI N°.9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS VALOR INDIVIDUAL IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00 LIMITE ANUAL DE R$ 80.000,00 No caso de pessoa física, não são considerados rendimentos omitidos, para os fins da presunção do artigo 42, da Lei n°9.430, de 1996, os depósitos de valor igual ou inferior a R$ 12.000,00, cuja soma anual não ultrapasse R$ 80.000,00 (§3°, inciso II, da mesma lei, com a redação dada pela Lei n° 9.481, de 1997. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula 1°CC n°2). Argüição de decadência acolhida. Recurso parcialmente provido. Decisão: Por maioria de votos, ACOLHER a argüição de decadência, relativamente ao anocalendário de 2000, vencido o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. No mérito, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir das bases de cálculo os valores de R$ 26.424,33 e R$ 16.008,00, nos anoscalendário de 2001 e 2002,respectivamente, e desqualificar as multas de oficio, reduzindoas ao percentual de 75%, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Argumenta, ainda, a Fazenda Nacional em sua demanda que: a) No voto condutor, não é explicitado quais depósitos bancários, especificadamente, foram considerados como de origem comprovada pelo valor declarado como rendimento na declaração de ajuste anual de R$ 22.716,14, não se podendo aceitar uma Fl. 355DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10860.006264/200271 Acórdão n.º 9202003.823 CSRFT2 Fl. 356 9 explicação genérica que englobe todo o anocalendário, sem especificação do depósito que se pretende comprovar, tal como fez o Colegiado a quo. Entende que, uma vez que se presume como renda omitida cada depósito, de forma individual, também a comprovação dos depósitos deva ser feita de maneira individualizada, em linha com a Súmula CARF no. 30. Entende que seria de se especificar os respectivos depósitos bancários que foram justificados pelo montante constante da Declaração de Ajuste do Contribuinte. Relembra que o ônus da demonstração da correlação entre os depósitos e os valores declarados é do contribuinte. Requer, assim, que seja mantido o valor de R$ 22.167,24 na base do tributo. O recurso foi admitido pelo despacho de efls. 327 a 331. Encaminhados os autos à autuada para fins de ciência, ocorrida em 13/05/2015 (efl. 335), a contribuinte apresentou, em 28 de maio de 2015 (efl. 342), contrarrazões ao Recurso Voluntário (efls. 337 a 339), onde defende serem irretocáveis as razões de decidir do vergastado, argumentando que a necessidade de identificação e vinculação de cada depósito não merece prosperar, visto que extrapola as normas de vigência, pugnando pelo não provimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior Pelo que consta no processo quanto à sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigma consistente e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Passo, assim, à análise de mérito. Em análise, o art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, verbis: Art.42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou dei nvestimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Fl. 356DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10860.006264/200271 Acórdão n.º 9202003.823 CSRFT2 Fl. 357 10 §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais).(Vide Medida Provisória nº 1.5637, de 1997)(Vide Lei nº 9.481, de 1997) §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5oQuando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6oNa hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Quanto à aplicação do referido dispositivo, ainda que adote posicionamento bastante restritivo no que diz respeito à comprovação capaz de elidir a aplicação da presunção (a ser feita de forma individualizada, com correspondência de datas e valores e através de documentação hábil e idônea que comprove não só a procedência, mas a origem dos recursos, aqui abrangida sua natureza), entendo que não se deva perder de vista que se está a tratar de presunção de omissão de rendimentos. Desta forma, com a devida vênia aos que se posicionam de forma diversa, cediço que, no caso específico de haver rendimentos tributáveis declarados pelo autuado, passa a depender a correta aplicação da presunção, caso se opte por tributar a totalidade dos depósitos não comprovados (ou seja, sem qualquer exclusão dos rendimentos já oferecidos a tributação), de pressuposto adicional, qual seja, de não estarem os rendimentos tributáveis declarados contidos em tais depósitos, ou, mais propriamente, dos rendimentos tributados constantes da Declaração de Ajuste Anual (DAA) não terem transitado por contas de depósito ou investimento, pressuposto este que me parece pouco razoável. É este também o entendimento majoritário em vigor neste CARF, muito bem exposto, de forma resumida, pelo seguinte excerto do Acórdão CARF 10617.117, verbis: Fl. 357DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10860.006264/200271 Acórdão n.º 9202003.823 CSRFT2 Fl. 358 11 "(...) Antes de tudo, devese ter em mente que o art. 42 da Lei n° 9.430/96 criou uma presunção de omissão de rendimentos a partir dos depósitos de origem não comprovada. Ademais, o art. 42, § 3°, da Lei n° 9.430/96 determinou que os créditos na conta bancária serão objeto de uma análise individualizada, porém já excepcionando duas situações em que os valores não poderiam ser considerados, especificamente quando houver transferências entre contas da própria pessoa fisica, o que é óbvio, já que a mera transferência não poderia ser criadora de riqueza nova, e quando os valores estiveram abaixo de determinado teto. Entretanto, como toda presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, a do art. 42 da Lei n° 9.430/96 deve ser utilizada cum grano salis. Ora, não parece plausível defender que os rendimentos ofertados à tributação não tenham transitado pelas contas bancárias do recorrente. (g.n.) Assim, por exemplo, na experiência judicante deste Primeiro Conselho de Contribuintes, temse observado que a própria fiscalização, às vezes, abate os rendimentos declarados do total de depósitos bancários de origem não comprovada. Como exemplo, vejase o processo n° 10540.000250/00690, recurso n° 154.826, julgado na sessão de 11/09/2008, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Acórdão n° 10617.051 (vide fls. 17, 21, 26, 31 e 231). (...)" Referendando tal posicionamento, de se citar, ainda, os Acórdãos CARF Acórdãos nºs 280102.085, de 30 de janeiro de 2011, 2102001.079, de 10 de fevereiro de 2011, 210202.220, de 14 de agosto de 2012, 220200.415, de 04 de fevereiro de 2010 e 2801 003.568, de 17 de julho de 2014 Rejeito, aqui, ainda, a argumentação da recorrente no sentido de violação da Súmula CARF no. 30 quando da adoção de tal posicionamento, uma vez que, notese, o que se está a admitir é que, em determinados meses do anocalendário, os depósitos objeto de tributação pela presunção contemplavam, por adoção de razoabilidade, montantes já oferecidos à tributação, não havendo aqui que se falar de omissão de rendimentos quando da aplicação do art. 42 citado, vejase, independentemente de qualquer transferência de depósitos entre diferentes meses do anocalendário em questão. Assim, alinhome aos que entendem pela possibilidade de exclusão dos rendimentos tributáveis constantes da Declaração de Ajuste Anual, em linha com o entendimento esposado pelo recorrido e ao verificar que a exclusão em litígio, no valor de R$ 22.167,14, referese a rendimentos declarados pelo contribuinte a título de rendimentos tributáveis para o exercício de 1999 (vide declaração de efl.5), voto por negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional quanto à matéria. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Relator Fl. 358DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10860.006264/200271 Acórdão n.º 9202003.823 CSRFT2 Fl. 359 12 Fl. 359DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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Numero do processo: 10320.721729/2014-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/2009 a 31/12/2009, 01/01/2010 a 31/01/2010, 01/12/2010 a 31/12/2010, 01/12/2011 a 31/12/2011, 01/12/2012 a 31/12/2012
LANÇAMENTO. VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS.
No lançamento decorrente do confronto entre os valores confessados/pagos com os escriturados no livro Razão, deverá ser utilizado o saldo da conta no final do período, sendo que a desconsideração de qualquer registro deverá ser justificada pela fiscalização.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 3301-002.925
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente e relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Francisco José Barroso Rios, Paulo Roberto Duarte Moreira, Valcir Gassen e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS. No lançamento decorrente do confronto entre os valores confessados/pagos com os escriturados no livro Razão, deverá ser utilizado o saldo da conta no final do período, sendo que a desconsideração de qualquer registro deverá ser justificada pela fiscalização. Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Andrada Márcio Canuto Natal Presidente e relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Francisco José Barroso Rios, Paulo Roberto Duarte Moreira, Valcir Gassen e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 72 17 29 /2 01 4- 68 Fl. 201DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10320.721729/201468 Acórdão n.º 3301002.925 S3C3T1 Fl. 202 2 Relatório Por economia processual, adoto o relatório elaborado pela decisão recorrida, abaixo transcrito: Trata o presente processo de Auto de Infração da COFINS (fls.04), lavrado em nome do contribuinte em epígrafe pertinente à insuficiência do recolhimento da contribuição, nos períodos de apuração de 12/2009, 01/2010, 12/2010, 12/2011 e 12/2012, totalizando R$ 77.733.172,80, conforme discriminação seguinte: COFINS R$ 39.465.651,01 JUROS DE MORA (calculados até 06/2014) R$ 8.668.283,52 MULTA PROPORCIONAL (75%) R$ 29.599.238,27 TOTAL R$ 77.733.172,80 Na Descrição dos Fatos constante às fl.06, o AFRFB autuante esclarece que no procedimento de verificações obrigatórias foram constatadas divergências entre os valores declarados/pagos e os valores provisionados na escrituração contábil, a título de COFINS, conforme demonstrativos de fl.34/37 Devidamente cientificada em 16/06/2014 – fl.02, a interessada apresentou, em 26/06/2014 – fl.91 e ss, impugnação, alegando em resumo que: 1. O ordenamento jurídico pátrio assegura aos litigantes os direitos de contraditório e da ampla defesa, ambos com status constitucional. Tais princípios desempenham papel fundamental no processo administrativo, apresentando inúmeros desdobramentos práticos, razão pela qual tomase necessária uma análise dos mesmos; 2. O contraditório e a ampla defesa consiste no direito do sujeito passivo manifestarse sobre todos os fatos narrados no processo e documentos carreados aos autos. Assegurase, desse modo, que a parte tome conhecimento dos atos processuais praticados contra si e possa a eles reagir. No Direito Tributário esta premissa não poderia ser negligenciada, dada a necessidade, ademais, que o agente público tem de respeitar demais princípios do Direito Administrativo como: da legalidade objetiva, da busca pela verdade material, do devido processo legal, da motivação dos atos administrativos, da segurança jurídica, entre tantos outros. Desta forma, o exercício do contraditório e da ampla defesa é garantia constitucional e pode ser invocada basicamente em duas searas, a judicial e administrativa; 3. No processo administrativo, o auto de infração deve conter a origem e a natureza do crédito tributário, mencionar o dispositivo legal em que se fundamenta e a descrição completa dos fatos que ensejaram a autuação. É imprescindível que o sujeito passivo conheça as acusações que lhe são imputadas para que possa exercer seu direito de rebatêlas; 4. No caso em tela, o AuditorFiscal não poderia emitir auto de infração com aplicação de penalidade, uma vez que o prazo para o envio da documentação solicitada pela Receita Federal ainda estava em sua fluência, extinguindose apenas Fl. 202DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10320.721729/201468 Acórdão n.º 3301002.925 S3C3T1 Fl. 203 3 em 27/06/2014, uma vez que fora concedida a prorrogação do prazo por mais 30 dias pela própria Receita; 5. Diante do patente cerceamento ao direito de defesa da impugnante, que fora penalizada pelo Fisco mesmo antes do encerramento do prazo para envio das informações, outra saída não resta a não ser a invalidade do ato administrativo, por ser nulo de pleno direito; 6. A invalidade do ato administrativo processual regulado pelo Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, e alterações posteriores, está prescrita nos art. 59 e 60, sendo que o primeiro trata de nulidade e o segundo de irregularidades; 7. No que se refere aos valores residuais do COFINS e do PIS que, segundo /verificações preliminares efetuados pela Receita Federal nos anos de 2009, 2010, 2011 e 2012, constantes no Termo de Intimação 01, de 02/05/2014, protocolado na EMAP em 08/05/2014, foram recolhidos a menor, na realidade não retrata uma pendência, pois os referidos valores, na realidade, tratam de lançamentos a créditos nas Contas Contábeis de Despesas, atendendo a procedimentos de encerramentos anuais para as devidas apurações de resultados, conforme consta no Demonstrativo de Apuração do PIS e do COFINS e no Razão Contábil das Contas 3.1.2.01.02 COFINS e 3.1.2.01.01 PASEP. Registrese que a base de cálculo apontada pela fiscalização da Receita Federal não identifica qualquer irregularidade na escrita contábil da contribuinte; 8. Quanto ao valor da multa e dos juros, cobrados pela Receita Federal, tendo como base os valores residuais do COFINS e do PIS, apontados no Levantamento Preliminar, de 02/05/2014, temos que, também, devem ser reconhecidos como cobrança indevida, visto que foram cobrados a partir de uma infração inexistente, ou seja, de lançamentos a créditos realizados nas Contas Contábeis de Despesas, atendendo a procedimentos de encerramentos anuais para as devidas apurações de resultados, conforme demonstrado no Razão Contábil das Contas 3.1.2.01.02 COFINS e 3.1.2.01.01 PASEP; 9. Pelo exposto, espera a Impugnante o conhecimento e acolhimento da preliminar de cerceamento ao direito de defesa, com a anulação dos autos de infração e caso não seja esse o entendimento, pugna pelo total provimento da presente impugnação, para que a ação fiscal seja considerada totalmente improcedente, com o reconhecimento de que a cobrança é indevida, cancelandose, assim, os autos de infração. Ao analisar referida impugnação a 17ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro proferiu o Acórdão nº 1270.156, de 12/11/2014, o qual possui a seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/12/2009 a 31/12/2009, 01/01/2010 a 31/01/2010, 01/12/2010 a 31/12/2010, 01/12/2011 a 31/12/2011, 01/12/2012 a 31/12/2012 LANÇAMENTO. VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS. No lançamento decorrente do confronto entre os valores confessados/pagos com os escriturados no livro Razão, deverá ser utilizado o saldo da conta no final do período, sendo que a Fl. 203DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10320.721729/201468 Acórdão n.º 3301002.925 S3C3T1 Fl. 204 4 desconsideração de qualquer registro deverá ser justificada pela fiscalização. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/12/2009 a 31/12/2009, 01/01/2010 a 31/01/2010, 01/12/2010 a 31/12/2010, 01/12/2011 a 31/12/2011, 01/12/2012 a 31/12/2012 NULIDADE/CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas na legislação que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal. Impugnação Procedente. Crédito Tributário Exonerado. Nessa própria decisão foi apresentado o recurso de ofício, nos termos do art. 34 do Decreto nº 70.235/72 e Portaria MF nº 3, de 03/01/2008. É o relatório. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10320.721729/201468 Acórdão n.º 3301002.925 S3C3T1 Fl. 205 5 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal O recurso de ofício é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isso deve ser conhecido. A matéria que foi submetida ao recurso de ofício é referente ao mérito do lançamento, tendo em vista que a decisão recorrida afastou a preliminar de nulidade do lançamento. A descrição dos fatos do auto de infração é bem resumida e restringiuse aos seguintes termos: "No procedimento de verificações obrigatórias foram constatadas divergências entre os valores declarados/pagos e os valores provisionados na escrituração contábil, a título de Contribuição para a COFINS, conforme demonstrado no AUTO DE INFRAÇÃO e anexo." O anexo a que a fiscalização referese consta das fls. 34/37. São planilhas que demonstram os supostos provisionamentos da Cofins na contabilidade em confronto com os valores declarados em DCTF e pagos. Vale ressaltar que as planilhas foram elaboradas pela fiscalização, porém sem juntar as folhas do Livro Razão e Diário e sem juntar os valores declarados em DCTF e os espelhos de pagamento do sistema SINAL. Não foram apresentados pela fiscalização nenhuma prova da origem dos valores utilizados na planilha de apuração. Em sua impugnação, o contribuinte alega que os valores indicados como recolhidos a menor não retratam uma pendência, pois os referidos valores, na realidade, tratam de lançamentos a crédito nas Contas Contábeis de Despesas, atendendo a procedimentos de encerramentos anuais para as devidas apurações de resultados, conforme consta no Demonstrativo de Apuração do PIS e da COFINS e no Razão Contábil das Contas 3.1.2.01.02 COFINS e 3.1.2.01.01 PASEP. Salienta, ainda, que a base de cálculo apontada pela fiscalização da Receita Federal não identifica qualquer irregularidade na escrita contábil da contribuinte. De fato, junto com a impugnação, o contribuinte faz juntar as folhas do livro razão de onde a fiscalização teria retirado os valores objetos do lançamento. Apresenta a sua planilha de apuração da Cofins e cópias dos DARF com os pagamentos correspondentes. Por sua vez a DRJ/Rio de Janeiro fez juntar aos autos as fls. do DACOM relativas aos fatos geradores objetos do lançamento. Da análise dos elementos apresentados pelo contribuinte não é possível afirmar que apurou a Cofins com correção, porém seus dados estão coerentes com os valores declarados em DCTF e informados no DACOM. Por sua vez faltou à autoridade fiscalizadora a comprovação dos fatos alegados, cuja obrigação lhe é inerente tendo em vista o disposto no art. 142 do CTN. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10320.721729/201468 Acórdão n.º 3301002.925 S3C3T1 Fl. 206 6 Do exposto, concluo que a decisão da DRJ está correta e peço vênia para transcrevêla em parte utilizandoa como fundamento para a presente decisão. (...) O presente lançamento é proveniente das Verificações Obrigatórias que correspondem ao batimento entre os valores apurados na escrita fiscal do contribuinte e as importâncias confessadas em DCTF, conforme planilhas de fls.30/37. Em outras palavras, a autoridade fiscalizadora indicou uma importância de contribuição devida na escrita fiscal do contribuinte, fez o batimento com o valor informado na DCTF, e apurou um valor residual, que se caracteriza como o crédito tributário lançado de ofício. No entanto, ao observamos os valores indicados como COFINS devida pela autoridade fiscal nos períodos de apuração, a saber: PA 12/2009 – R$ 6.502.257,88; PA 12/2010 – R$ 7.002.707,19; PA 12/2011 – R$ 7.207.209,76 e PA 12/2012 – R$ 29.928.944,78, de onde foram deduzidas as importâncias informadas em DCTF, sendo apurados os valores lançados, podemos concluir que, na verdade, as importâncias indicadas pela autoridade fiscalizadora correspondem às transferências para conta de resultado no encerramento do exercício, conforme consignado no Livro Razão e no relatório gerado pelo Sistema Público de Escrituração Digital – SPED, fl.111/130. Com efeito, o Razão é um livro sistemático, no qual uma folha é aberta para cada conta, que receberá os débitos e créditos. É indispensável para a boa contabilidade e sua escrituração se dá pela transcrição das operações registradas cronologicamente no Diário. No caso presente, a conta em análise é a “COFINS”, de natureza credora, onde devem ser registrados todos os direitos e obrigações referentes à contribuição. O lançamento em análise decorreu, segundo a descrição dos fatos do auto de infração, da comparação entre os valores escriturados pela empresa em seu livro Razão e aqueles que foram objeto de confissão em DCTF, sem qualquer juízo acerca da validade desses e dos demais valores utilizados pela empresa. Ou seja, a fiscalização não questionou os créditos da contribuinte referentes a não cumulatividade, tanto na escrita fiscal quanto no DACON, a correção dos débitos calculados ou qualquer outro registro feito na escrita fiscal. A fiscalização, em seus demonstrativos, utilizou como débito escriturado pela pessoa jurídica unicamente os valores das transferências para conta de resultado no encerramento do exercício e não o saldo da conta de cada período de apuração que, digase, encontrase em perfeita sintonia com as informações prestadas na Ficha 25B – Resumo Cofins, Regime NãoCumulativo, integrante dos DACON – Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais –fls.186/190. Nesse mesmo diapasão, podemos salientar ainda que o período de apuração 01/2010, consta na escrita fiscal a importância de R$ 340.167,86 e, após os créditos na nãocumulatividade e da retenção da fonte indica o valor a pagar de R$ 146.873,36 (fl.115/116), sendo esse o valor apontado na DCTF e DACON, não sendo possível identificar a importância apontada no presente lançamento. Cumpre lembrar que, diferentemente da hipótese de pedido de restituição ou ressarcimento, onde cabe à parte interessada, que pleiteia o crédito, provar que possui o direito invocado, no lançamento de ofício o Fisco tem o ônus de provar a infração cometida. No caso em questão, a escrituração contábil da empresa aponta para um saldo na conta do Razão que indicaria o valor devido no mês. Assim, tendo Fl. 206DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10320.721729/201468 Acórdão n.º 3301002.925 S3C3T1 Fl. 207 7 essa parte do auto sido elaborada pela simples comparação do Razão com a DCTF, deveria a Fiscalização provar o erro na escrita, sem o que não poderá ser mantido o lançamento. (...) Assim, voto por negar provimento ao recurso de ofício. Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 207DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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Numero do processo: 15940.000523/2009-50
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2005
RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. FALTA DE INTERESSE.
Somente deve ser conhecido o Recurso Especial quanto à matéria cujo deslinde possa alterar a decisão recorrida.
IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. GLOSA DE DESPESA. POSSIBILIDADE.
A glosa de custo ou despesa, baseada em nota fiscal inidônea é compatível com o lançamento reflexo do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF) motivado pelo pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado.
Recurso especial conhecido em parte e negado.
Numero da decisão: 9202-003.876
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso e, na parte conhecida, negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator
EDITADO EM: 28/04/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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CONHECIMENTO. FALTA DE INTERESSE. Somente deve ser conhecido o Recurso Especial quanto à matéria cujo deslinde possa alterar a decisão recorrida. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. GLOSA DE DESPESA. POSSIBILIDADE. A glosa de custo ou despesa, baseada em nota fiscal inidônea é compatível com o lançamento reflexo do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF) motivado pelo pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. Recurso especial conhecido em parte e negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso e, na parte conhecida, negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 94 0. 00 05 23 /2 00 9- 50 Fl. 9653DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 15940.000523/200950 Acórdão n.º 9202003.876 CSRFT2 Fl. 10 2 (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator EDITADO EM: 28/04/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório Trata o presente processo de exigência de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte – IRRF, acrescido de juros de mora e multa de ofício qualificada, decorrente de pagamentos sem causa ou de operação não comprovada, conforme auto de infração de efls. 5200 a 5260, cientificado em 30/10/2009. O auto de infrações foi objeto de impugnação pelo contribuinte, em 30/11/2009, anexada às efls. 5265 a 5317 dos autos. A impugnação foi apreciada na 1ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto que, por unanimidade, em 31/01/2013, julgou o lançamento impugnado improcedente, mantendo o crédito tributário lançado, conforme acórdão n° 14 40.131, às efls. 9294 a 9311. Inconformado, o contribuinte, em 20/03/2013, apresentou recurso voluntário, às efls. 9316 a 9382, no qual sustentou, em resumo: · Nulidade do lançamento por fiscalização à revelia da autuada, por não aferir as informações necessárias junto a ela, bem como pela extinção do MPF que dava guarida ao procedimento; · Necessidade de cancelar o AI combatido em face de recursos voluntários em processos administrativos de PIS e Cofins para os quais foram afastadas as alegações de uso de notas fiscais inidôneas, sendo todos baseados nos mesmos fatos dos quais esse AI é reflexo; · O AI acabou por estribarse apenas nas informações de idoneidade dos fornecedores as quais a contribuinte não tem como controlar, sem que a fiscalização buscasse a efetividade das compras, transporte, ingresso da mercadoria e pagamentos contabilizados; Fl. 9654DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 15940.000523/200950 Acórdão n.º 9202003.876 CSRFT2 Fl. 11 3 · Afirma a idoneidade das operações em face de na época das operações as empresas não terem sido assim declaradas pelo fisco, que tem o poder de polícia para tanto, sendo a ação fiscal baseada em retroação desta declaração, mormente sem que o fisco buscasse informar o ingresso destas mercadorias no parque industrial da impugnante. Outrossim, os controles quantitativos de produtos admitido pela legislação não foi considerado pela fiscalização. · Nos casos de cessão de crédito que importaram nas glosas de pagamentos por destinatário não identificado, defende a informalidade das negociações como causa de tal procedimento, todavia válido no comércio. · Nos autos estariam identificados todos os destinatários dos pagamentos, decorrentes da aquisição de mercadorias, descabendo a aplicação do art. 61 da Lei n° 8.981/95. · Na ausência de elementos que demonstrem ter havido qualquer adulteração de documentos, prática de sub ou super faturamento, não se evidencia o intuito de fraude necessária á imputação da penalidade de 150%. A 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF julgou o recurso voluntário em 18/02/2014, resultando no acórdão n° 1440.131, às e fls. 9394 a 9416, que rejeitou as preliminares por unanimidade e, por voto de qualidade, negou provimento ao recurso. Esse acórdão recebeu as seguintes ementas: PAF. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. Não há cerceamento ao direito de defesa do contribuinte quando constatado que as infrações apuradas foram adequadamente descritas nas peças acusatórias, e que o contribuinte, demonstrando ter perfeita compreensão delas, exerceu o seu direito de defesa. NULIDADE DO LANÇAMENTO. IRREGULARIDADES NO MPF. INOCORRÊNCIA. O MPF constituise em instrumento de controle da administração tributária, não podendo eventual inobservância das normas que o disciplinam gerar nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal. No caso, sequer se confirmou a irregularidade alegada relativamente ao MPF. PAGAMENTO EFETUADO SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU CAUSA. ARTIGO 61 DA LEI Nº 8.981/1995. CARACTERIZAÇÃO. A pessoa jurídica que efetuar a entrega de recursos a terceiros, contabilizados ou não, cuja operação ou causa não comprove mediante documentos hábeis e idôneos, sujeitarseá à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, a título de pagamento sem causa, nos termos do § 1º do art. 61 da Lei nº 8.981/1995. CESSÃO DE CRÉDITO. PAGAMENTO A TERCEIROS. AUSÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICA NEGOCIAL. Os créditos devem ser escriturados pelo beneficiário à vista do documento que lhes confira legitimidade, sendo imprestáveis para tal fim as notas fiscais emitidas por pessoas jurídicas na condição de inaptas no cadastro do CNPJ ou não autorizadas a emitilas. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA 150%. Correta a imputação da multa de ofício qualificada quando demonstrada nos autos a inexistência das operações que resultaram no pagamento das notas fiscais às empresas não cadastradas na Secretaria da Fazenda do Estado, inexistentes de fato, inativas e omissas contumazes. Fl. 9655DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 15940.000523/200950 Acórdão n.º 9202003.876 CSRFT2 Fl. 12 4 Cientificada do acórdão em 26/03/2014, a contribuinte interpôs recurso especial de divergência, às efls. 9429 a 9456, em 10/04/2014, entendendo que o acórdão recorrido merece ser reformado, tendo em vista quatro tópicos, que abaixo resumimos: a) caracterização das empresas fornecedoras de matériasprimas como inexistentes de fato, desde a sua constituição; b) ausência de comprovação de relação jurídica entre o cedente e o cessionário de crédito como justificativa para considerar o pagamento sem causa; c) lançamento de IRRF com base no art. 61 da Lei 9.981/1995 concomitante com glosa de custo/despesa relativos ao mesmo anocalendário; d) motivação específica da qualificação da multa de ofício, em separado da motivação do lançamento do tributo, não bastando a identificação objetiva da infração tributária. Em 23/09/2014, a Presidente da 2ª Câmara, da 2ª Seção do CARF deu seguimento parcial ao recurso. Admitiu o RE apenas no tocante aos tópicos a) e c), por entender que a interpretação dada à lei tributária nos acórdãos recorrido e paradigmas é divergente, na forma dos arts. 67 e 68 do Regimento Interno do CARF – RICARF. Relativamente aos tópicos b) e d), não admitiu o RE por entender que neles os paradigmas não guardavam similitude fática ao recorrido. No que concerne ao tópico a), no acórdão recorrido, concluiuse pela inexistência de fato das empresas fornecedoras de matériasprimas, desde a sua constituição; já no paradigma, diversamente, as mesmas pessoas jurídicas foram consideradas inexistentes de fato somente a partir da publicação do respectivo Ato Declaratório Executivo. Ao tratar do tópico c), no recorrido, admitese a concomitância entre as glosas de custo/despesa para fins do lançamento de IRPJ e a exigência do IRRF; diferentemente, no paradigma, entendeuse que “a aplicação do art. 61 está reservada para aquelas situações em que o fisco prova a existência de um pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado e, o que é mais importante, desde que o mesmo fato/valor que servir de base, não caracterize hipótese de redução do lucro liquido, quer por receita omitida, quer por glosa de custos e/ou despesas, situações tipicamente submetidas ao IRPJ segundo as normas pertinentes à tributação pelo lucro real”. O presidente do CARF confirmou a conclusão da Presidente da Câmara, cumprindo o disposto nos arts. 70 e 71 do RICARF. Cientificada, em 17/03/2015, do provimento parcial do recurso voluntário da contribuinte, a Fazenda apresentou contrarrazões em 26/03/215, às efls. 9632 a 9650. Em seu contraarrazoado, ela retoma a discussão para diversos tópicos, mas sintetizo abaixo apenas aqueles admitidos: a) A eficácia da declaração de inaptidão da recorrente é retro operante, por ser provimento declaratório e mesmo porque a inexistência de declaração relativa à contribuinte não exclui outras formas e inaptidão da própria documentação. Havendo reiterado descompasso entre fornecedores formais e os reais, bem como pagamentos indevidos (sócios e terceiros) Fl. 9656DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 15940.000523/200950 Acórdão n.º 9202003.876 CSRFT2 Fl. 13 5 tampouco se pode admitir a idoneidade dos pagamentos. Esses argumentos têm fulcro nas instruções normativas da RFB: IN SRF n° 200/2002 e IN SRF n° 568/2005 e expresso no acórdão 20312.636. b) No tocante à glosa de custos concomitante ao IRRF exigido, sustentase a correção do acórdão recorrido, ao manter a aplicação da presunção legal do art. 61 da Lei 8.981/95, pois, no presente caso, relativamente a diversos valores contabilizados como custos ou despesas com aquisição de mercadorias, não restou comprovada a efetiva realização da operação a que se referiam. Além disso, a contribuinte efetuou pagamentos a terceiros que com ela não mantiveram relação de negócio, em atendimento de cessão de créditos que fornecedores seus teriam formalizado com outros beneficiários. Assim, os pagamentos que deveriam ter sido feitos aos fornecedores foram carreados para terceiros e a contribuinte não justificou eventual relação de negócio entre os beneficiários dos créditos e os fornecedores, apta a amparar referidos pagamentos que, digase de passagem, representam a maioria dos desembolsos efetuados e sequer guardam exata correspondência entre os valores pagos e os constantes dos documentos fiscais. Por fim, tratase de exações com distintas bases de cálculo sendo o IRRF matéria de substituição tributária para a autuada como decorrência da não identificação da causa dos pagamentos, bem como diante da constatação de pagamentos realizados a beneficiários não identificados/sem causa, por isso passíveis de exigências concomitantes àquelas decorrentes das glosas. Pelas razões expostas, pleiteia a denegação do RE da contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Quanto ao conhecimento do recurso, há questão a ser considerada. Reparase que a primeira matéria admitida foi a determinação dos efeitos da declaração de inaptidão, para fins de verificação de pagamento a beneficiário não identificado ou sem causa comprovada: se apenas prospectivos (exnunc), como defende a recorrente ou se retrospectivos (extunc), como defende a Fazenda Nacional. Ocorre que, no entender deste conselheiro, o deslinde desta questão é absolutamente insuficiente para alteração da decisão recorrida. Esclareçase que o motivo para que os pagamentos identificados pela fiscalização tivessem sido considerados como a beneficiário não identificado ou sem causa comprovada não se restringiu ao fato de os Fl. 9657DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 15940.000523/200950 Acórdão n.º 9202003.876 CSRFT2 Fl. 14 6 beneficiários apontados pela fiscalizada terem sido declarados como inaptos. Na verdade, esse foi um dos vários elementos do conjunto probatório apontado pela fiscalização. Para fins de comprovação do que acima está afirmado, cabe retomar a questão, com base no relatório da decisão recorrida. Em rápida síntese: 1. De forma genérica, a fiscalizada alegou que a comprovação das operações que ensejaram os pagamentos estaria devidamente realizada por depósitos bancários, tíquetes de pesagem e recibos a transportadores autônomos responsáveis pela entrega de cargas. O processo, então, foi baixado em diligência, para verificação das alegações e cotejo dos documentos. Em resposta, foi informado que a documentação verificada não permitia comprovar as operações alegadas, pelas seguintes razões: não foi apresentado o livro Registro de Controle da Produção e do Estoque (ou sistema equivalente), o que impedia uma análise conclusiva; e não foram exibidas as vias originais (ou cópias autenticadas) da documentação de suporte aos lançamentos registrados no livro razão. 2. De forma específica, foram analisadas 14 (quatorze) situações, com alegações pontuais da fiscalizada e que foram rechaçadas individualmente, conforme resumidamente se encontra abaixo apresentado. a) Alvorada / Nilson Riva Vitale (sócio). A empresa não tinha empregados, estava omissa quanto à declaração (DIPJ) do ano e, em anos anteriores declaravase inativa. Além disso, os pagamentos das Notas Fiscais à empresa é anterior a sua cessão ao sócio. b) Arlindo Moreira Campos. A empresa nunca funcionou no endereço e estava omissa de apresentação de declaração (DIPJ). c) Carlos Roberto de Domencis. O endereço declarado é residencial e os documentos apresentados estão, em sua maioria, em nome de terceiros. d) Comércio e Transportes Castelo de Serpa. Terceiros utilizaram os dados cadastrais da empresa para emissão de Notas Fiscais. e) Copelco Componentes para Calçados. A empresa nunca funcionou no endereço e os documentos de cessão de crédito utilizam selos de numeração repetida. f) Evair A. Ferrarese. O imóvel onde consta o endereço sempre permaneceu fechado e os fornecedores da empresa também se revelaram inidôneos. g) Gell Comércio de Couros. Empresa somente existiu no papel. h) Latino Comércio de Couros. Empresa utilizada por terceiros. i) Marina Vieira da Silva Piracaia. Cessou atividades dois anos antes e os documentos de cessão utilizam selos de numeração repetida. j) Max Comércio de Couros. Documentos de cessão utilizam selos de numeração repetida e reconhecimento de firma em data anterior à de emissão da Nota Fiscal. Fl. 9658DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 15940.000523/200950 Acórdão n.º 9202003.876 CSRFT2 Fl. 15 7 k) MJ Aragão Cruz. Endereço inexistente, sem funcionários e declaração (DIPJ) como inativa. l) Paraíso com. Componentes para Calçados. Nunca existiu de fato. m) Silva Porciúncula Comércio de Couros. Endereço de outra pessoa jurídica e cessão de crédito anterior à emissão da Nota Fiscal. n) WG Couros. Não localizada no endereço. Ora, a discussão sobre os efeitos da inaptidão é absolutamente insuficiente para revolver toda a instrução probatória e, com isso, alterar a decisão proferida em segunda instância, que após a realização de diligência confirmou a decisão de primeira instância que, por sua vez, havia mantido o auto de infração. Portanto, por não aproveitar à recorrente, voto no sentido de não conhecer do recurso quanto a esta matéria. elo exposto, conheço do recurso exclusivamente quanto à questão da impossibilidade de exigência concomitante: do IRRF por pagamento a beneficiário não identificado ou sem causa comprovada e do IRPJ, por glosa das despesas registradas em face das mesmas operações. Passando ao mérito, entendo que a alegação da recorrente não a socorre. Com efeito, um mesmo evento do mundo fenomênico pode ter seus diversos aspectos descritos em diferentes dispositivos normativos, com consequências jurídicas diferentes, para proteção em separado dos vários bens jurídicos defendidos pelo sistema. Esse é o caso, por exemplo, de uma operação de venda. A operação que enseja a ocorrência de (a) industrialização, (b) circulação de mercadorias, (c) faturamento e, consequentemente, (d) lucro. Ora, a dimensão econômica dessa única operação, conforme o que for descrito em diferentes dispositivos normativos, pode compor a base de cálculo da exigência de diferentes tributos, tais como o IPI, o ICMS, a Cofins e o IRPJ. A situação dos autos não é ontologicamente diferente, pois foi identificado o pagamento de um valor registrado como despesa, pelo fiscalizado. Nesse caso: há dispositivo legal específico determinando que, para considerar esse montante passível de dedutibilidade na formação da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, deve ser comprovada a operação e sua necessidade para manutenção da fonte produtora; e também há outro dispositivo legal, determinando que o pagamento tenha beneficiário identificado e causa comprovada. Reparase que o primeiro dispositivo referido no parágrafo anterior tem por objetivo garantir a tributação da renda da própria pessoa jurídica, ao passo que o segundo dispositivo, tem por objetivo garantir a tributação da renda de terceiro, o beneficiário não identificado ou que tenha recebido valores sem causa comprovada. Fl. 9659DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 15940.000523/200950 Acórdão n.º 9202003.876 CSRFT2 Fl. 16 8 Nesse sentido, cabe reproduzir o entendimento exarado pela Coordenação Geral de Tributação, por meio da Solução de Consulta Interna nº 11, de 8 de maio de 2013: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ A glosa de custo ou despesa, baseada em nota fiscal inidônea é compatível com o lançamento reflexo do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF) motivado pelo pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, desde que haja a comprovação por parte da autoridade fiscal do efetivo pagamento. Dispositivos Legais: Decreto nº 3.000, de 1999 (Regulamento do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza RIR/1999), arts. 217, 299 e 674. Pelo exposto, voto no sentido de conhecer em parte do Recurso Especial interposto pelo Sujeito Passivo e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 9660DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 15940.000523/200950 Acórdão n.º 9202003.876 CSRFT2 Fl. 17 9 Fl. 9661DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS
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